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Férias com Deus e não sem Ele

Será que o Senhor aprovaria os locais que escolhemos para descansar?
Pe. Anderson Marçal

Mesmo não querendo desenvolver uma teologia de férias ou de descanso, nos propomos a olhar a Palavra de Deus com esse tema em mente. Ao fazer isso, deparamos com alguns fatos que deveriam nos conduzir a uma reflexão pessoal de como encaramos esse período de descanso e como esse tempo é vivido para a glória do Criador. Nas primeiras páginas da Bíblia, vemos um fato que não pode passar despercebido para quem pensa nesse assunto. Vemos ali como Deus nos apresenta, pelo exemplo, o que deveria ser nossa atitude para com o trabalho e para com o descanso. “No sétimo dia Deus já havia concluído a obra que realizara, e nesse dia descansou. Abençoou Deus o sétimo dia e o santificou, porque nele descansou de toda a obra que realizara na criação” (Gn 2, 2.3). O Altíssimo não nos dá um exemplo de alguém que busca “sombra e água fresca”, Ele trabalhara muito fazendo com que a criação toda chegasse à existência. Mesmo que não precisasse tanto como nós de descanso após um esforço intenso, o Senhor nos mostra que o descanso tem o seu lugar. E mais ainda: Ele abençoa esse dia e o santifica. Mesmo sendo muito dedicado e esforçado, mesmo que não seja preguiçoso, o Todo-Poderoso também não está viciado em trabalho e proporciona a si mesmo um momento de descanso. O primeiro ensinamento a respeito de descanso e de férias é dado pelo exemplo de Deus, logo após a criação. Mas logo em seguida, nas próximas páginas da Bíblia, encontramos uma palavra de Deus a esse respeito, em forma de ordenação. “Lembra-te do dia de sábado, para santificá-lo. Trabalharás seis dias e neles farás todos os teus trabalhos, mas o sétimo dia é o sábado dedicado ao SENHOR, o teu Deus. Nesse dia não farás trabalho algum, nem tu, nem teus filhos ou filhas, nem teus servos ou servas, nem teus animais, nem os estrangeiros que morarem em tuas cidades” (Ex 20, 8-10). Certamente, Deus não faz nada sem propósito. Se Ele ordena que descansemos no sétimo dia, então, além de usarmos este dia para a glória do Criador, o Senhor está consciente do fato de precisarmos regularmente do descanso. O Novo Testamento nos diz que o nosso corpo é o templo de Espírito Santo. Diante disso é difícil de imaginar que Deus Pai queira para si um templo que esteja cansado e exausto. Isso não seria um lugar agradável para morar. Virando várias páginas da Sagrada Escritura, chegamos ao Novo Testamento. Ali deparamos com um fato bem interessante com relação ao descanso e, por que não dizer, com relação às férias. “Os apóstolos reuniram-se a Jesus e lhe relataram tudo o que tinham feito e ensinado. Havia muita gente indo e vindo, a ponto de eles não terem tempo para comer. Jesus lhes disse: “Venham comigo para um lugar deserto e descansem um pouco” (Mc 6, 30.31). Os apóstolos acabam de retornar de um esforço missionário evangelístico. Além disso, recebem a notícia de que João Batista fora decapitado. O movimento em torno de Nosso Senhor Jesus Cristo estava tão intenso que nem mesmo há condições para alimentação adequada. Naquele momento, Cristo entra em ação com esta proposta brilhante: Ele afirma que devem procurar um lugar deserto, isto é, um lugar em que não haja tantas pessoas, um lugar que proporcione tempo e oportunidade de estarem a sós com Ele. Apesar do sucesso do Seu ministério, o Senhor está consciente de que precisa prevenir o estresse, como resultado de atividades tão intensas. Ainda outro assunto é discutido na Bíblia e bem destacado. Lemos em Êxodo 20 que todos da unidade doméstica estariam incluídos no descanso regular semanal. Interessante notar ali também que inclusive os animais não deveriam fazer tarefa alguma no dia do descanso. Isso fez com que eu me desse conta de que o Criador prevê o descanso para a natureza. Veja, por exemplo, o que lemos em Levítico 25, 2-5: “Diga o seguinte aos israelitas: Quando vocês entrarem na terra que lhes dou, a própria terra guardará um sábado para o SENHOR. Durante seis anos semeiem as suas lavouras, aparem as suas vinhas e façam a colheita de suas plantações. Mas no sétimo ano a terra terá um sábado de descanso, um sábado dedicado ao SENHOR. Não semeiem as suas lavouras, nem aparem as suas vinhas”. Assim como os homens e os animais precisam de descanso, a natureza também precisa dessa pausa e Deus já estabeleceu isso junto ao Seu povo. Há mais um momento na vida de Jesus Cristo que merece a nossa atenção nesse contexto. Mesmo que anteriormente tenha estimulado o descanso ao levar os discípulos a uma viagem de recreação, o Senhor aponta agora que o repouso também pode ocorrer em hora errada. Ele diz aos Seus seguidores, ali no Getsémani, o seguinte: “Vocês ainda dormem e descansam? Basta! Chegou a hora! Eis que o Filho do homem está sendo entregue nas mãos dos pecadores” (Mc 14, 41). Há momentos em que não comportam descanso e ócio; é preciso adotar uma atitude bem diferente. Na realidade, não se pode indicar os momentos não apropriados para o descanso, mas certamente teremos a devida orientação por parte de Deus a respeito dessa questão. Ciente de não ter esgotado esse pano de fundo para as férias e descanso, nós nos propomos agora a fazer algumas indagações e reflexões. Deus quer que tenhamos tempo para restaurar as forças físicas, mentais e espirituais. Nossa inquietação, no entanto, é o que nós chamamos de descanso, o que nós praticamos como descanso e que nós, por isso, encaramos como as bem merecidas férias. Estaria o Senhor contente com o repouso que praticamos? Ele convidou os discípulos para uma viagem de férias para estarem com Ele e terem tempo para estar em sintonia com o Filho de Deus. Será que planejamos as nossas férias para alcançar esse propósito? Podemos nos perguntar também: “Será que Deus aprovaria os locais que escolhemos para descansar?” Os lugares mais badalados e também procurados são as praias e os balneários das termas. Será que esses lugares nos proporcionam descanso e restauração física, mental e espiritual? Uma vez que ali há um aglomerado tão grande de pessoas, sempre há alguma coisa acontecendo e nos convidando para envolvimento. Por outro lado, corre solta a sensualidade em todas as formas, ela parece ser o fator principal nesses “locais de férias”. Se formos honestos e atenciosos não descobriremos que, em vez de descanso, alcançamos algo bem mais forte em emoções e adrenalina e, por que não dizer, em estímulos sexuais? Como se isso não bastasse ainda, muitos ali ficarão com a autoestima tão abalada ao verem que o corpo não está dentro dos padrões de beleza estabelecidos por aqueles que procuram e desenvolvem os padrões de beleza em nossos dias. Toda a mídia se esforça a desenvolver um modelo de repouso que prevê e precisa que as férias sejam regadas a muita bebida alcoólica. É mais do que evidente que em nossos dias realmente precisamos de férias, precisamos de descanso e precisamos “recarregar as nossas baterias”. O nosso esgotamento ocorre nas três áreas que já indicamos anteriormente: física, mental e espiritual. Muitas vezes, somos exigidos de forma tão vigorosa fisicamente que o corpo fica arrasado. Isso tem conseqüências sobre a mente e certamente também sobre a parte espiritual. Outras vezes, e isso depende da nossa atividade, a mente é exigida tanto que afeta o corpo também e, em conseqüência disso, o nosso espírito. Já outras atividades exigem tanto do “coração e do espírito”, que nos deixam arrasados nessa área. E se estamos exaustos, este cansaço também afeta o corpo e a mente. Mesmo que teoricamente funcionemos em áreas, nós formamos um todo e o todo sofre com dificuldades em uma ou outra área. Dentro desse raciocínio deve-se ter uma inquietação: nossas férias facilmente se tornam o momento ou o período em que nós também damos férias a Deus? As coisas parecem estar tão perfeitas e gostosas que não precisamos do Senhor. Ou então dormimos tanto pela manhã para já não haver mais tempo para um período devocional antes de irmos aos passeios. Por outro lado, esses passeios nos cansam tanto que à tarde temos de ter aquela soneca gostosa. À noite, muitas vezes, acontece alguma festa com amigos ou parentes que estão no mesmo lugar e a hora fica avançada demais para ainda termos tempo para Deus. Dentro dessa linha uma pergunta: Será que Deus aprovaria o fato de darmos, em nossas férias, férias também para Ele?

Papa: “Jesus é ‘concentrado’ de todo o amor de Deus”

Te Deum

Segunda-feira, 31 de dezembro de 2018, Da redação
https://noticias.cancaonova.com/especiais/pontificado/francisco/papa-jesus-e-concentrado-de-todo-o-amor-de-deus/

Durante reflexão, Francisco incentivou os fiéis a buscarem o amor e não o pecado: “É o amor que dá plenitude a tudo”

Papa durante reflexão no Vaticano, nesta segunda-feira, 31/ Foto: Reprodução Vatican Media

Nesta segunda-feira, 31, véspera da Solenidade de Santa Maria Santíssima Mãe de Deus, Papa Francisco entoou a oração do Te Deum laudamus (Nós te louvamos, Deus) — canto cristão antigo que tradicionalmente é cantado como forma de agradecimento pelo ano que passou, e refletiu sobre o ano. Durante reflexão, Francisco incentivou os fiéis a buscarem o amor e não o pecado. “É o amor que dá plenitude a tudo, mesmo ao tempo; e Jesus é ‘concentrado’ de todo o amor de Deus em um ser humano”, apontou.

A primeira expressão sublinhada por Francisco é a “plenitude do tempo”. Segundo o Pontífice, a cada final de ano, é sentida uma necessidade de algo que encha de significado o transcorrer do tempo: “Algo ou melhor alguém. E esse alguém veio, Deus o enviou: ele é seu Filho, Jesus. Celebramos a pouco o seu nascimento. Nasceu de uma mulher, a Virgem Maria; nasceu sob a lei, um menino hebreu. Mas como isso é possível? Como pode ser este o sinal da plenitude do tempo? É claro que, por enquanto, é quase invisível e insignificante, mas dentro de pouco mais de trinta anos, Jesus desencadeou uma força sem precedentes, que dura e durará ao longo da história inteira: esta força se chama amor”.

O Papa recordou a afirmação de São Paulo, que dizia que o Filho de Deus nasceu para redimir o mundo, ou seja, para resgatar a humanidade. “Esta é a segunda palavra que nos sensibiliza: resgatar, isto é, sair da condição de escravidão e restituir à liberdade, dignidade e liberdade própria de filhos. A escravidão que o apóstolo tem em mente é a da ‘lei’, entendida como um conjunto de preceitos que devem ser observados, uma lei que certamente educa o homem, é pedagógica, mas não o liberta da sua condição de pecador, de certo modo, crava a condição, impedindo-o de atingir a liberdade de filho”, refletiu o Pontífice.

“Deus enviou ao mundo seu filho unigênito para desenraizar do coração do homem a escravidão antiga do pecado e assim restituir-lhe a sua dignidade. O coração humano — como Jesus ensina no Evangelho (cf. Mc 7, 21-23) – é de onde sai todas as más intenções, as iniquidades que corrompem a vida e os relacionamentos”, observou o Papa. Diante das constatações, o Santo Padre convidou os fiéis a refletirem com dor e arrependimento, todas as ações que realizaram durante o ano que chega ao fim, sem se esquecerem de homens e mulheres que viveram e vivem em condições de escravidão, condições indignas.

Francisco observou que também em Roma há pessoas que, por várias razões, vivem em estado de escravidão. “Eu penso, em particular, naqueles que vivem sem um lar. São mais de dez mil. No inverno, a situação deles é particularmente dura. Todos eles são filhos e filhas de Deus, mas as diferentes formas de escravidão, por vezes muito complexas, os levaram a viver à beira da dignidade humana. O próprio Jesus nasceu em uma condição semelhante, mas não por acaso ou por acidente: ele queria ter nascido assim, para manifestar o amor de Deus para os mais pequenos e os pobres, lançando deste modo a semente do Reino de Deus, Reino de justiça, amor e paz, no mundo, onde ninguém é escravo, mas todos são irmãos, filhos do único Pai”, comentou.

De acordo com o Pontífice, a Igreja de Roma não quer ser indiferente à escravidão deste tempo, e nem mesmo limitar-se a observá-la e ajudar, mas quer estar dentro desta realidade, e mais perto das pessoas e dessas situações, como em uma proximidade materna.

“Eu gosto de encorajar esta forma da maternidade da Igreja ao celebrarmos a maternidade divina da Virgem Maria. Contemplando este mistério, reconhecemos que Deus nasceu de uma mulher para que pudéssemos receber a plenitude da nossa humanidade, ‘uma adoção de filhos’. Desde a sua descida nos sentimos aliviados. Nossa grandeza vem de sua pequenez. De sua fragilidade, nossa força. Dele se tornar servo, nossa liberdade. Que nome dar a tudo isso, se não amor? Amor do Pai e do Filho e do Espírito Santo, a quem esta noite a Santa Madre Igreja eleva o seu hino de louvor e agradecimento”, concluiu.

O Te Deum laudamus

O hino, que está ligado a cerimônias de agradecimento, também é cantado quando acontece a eleição de um Pontífice ou durante a conclusão de algum Concílio convocado pela Igreja.

“Nós te louvamos, Deus, te proclamamos Senhor. Eterno Pai, toda a terra te adora. A Ti cantam os anjos e todas as potências do céu: Santo, Santo, Santo é o Senhor Deus do Universo”, diz um dos trechos do Te Deum.

Autoria

O canto é de autoria desconhecida, mas é por vezes atribuído a São Cipriano, do século VIII, e também a Santo Agostinho, o qual o teria composto no dia de seu batismo, após sua conversão que aconteceu em Milão, Itália, no ano 386. Atualmente, os especialistas atestam que a redação oficial do texto tenha sido feita por Nicetas Choniates, historiador bizantino de 1155.

Ação de Graças pelo fim do Ano

Por Pe. Inácio José Schuster

Chegamos ao final do ano da graça de 2018! Muitas comemorações serão feitas na passagem de 31 de dezembro para 1º de janeiro de 2019! Dos corações retos e sinceros brota uma prece neste dia, prece de pedido de perdão pelo tempo desperdiçado, de agradecimento pelas graças recebidas e um desejo que consagrar ao Senhor o tempo que está para vir.

“Obrigado, Senhor, por este ano que vai terminando. Obrigado pelo ano que começa. Obrigado, Senhor, por tudo, pelo tempo, pela vida, por tudo o que faremos e por tudo o que viveremos, pelo que receberemos e pelo que daremos, sempre a ti unidos” (André Delapierre).

“Meu Deus, eu vos ofereço este ano que começa. Em vossa bondade fazei com que seja um tempo de ascensão para vós. Que cada dia eu me encontre mais forte na fé e no amor. Eu vos ofereço todos aqueles que estão sob os meus cuidados, diante dos quais treme meu coração tão frágil. Que eu não venha a faltar a todos eles e que possa ser para eles um canal invisível de vossa graça. Meu Deus eu vos ofereço também a grande dor deste mundo, a dor dos inocentes e os fardos que pesam sobre tantos. Meu Deus, que uma chispa de vossa caridade espanque as trevas e que a aurora da paz se erga diante de nós” (Madeleine Daniélou).

Eis a verdade: amar-se uns aos outros. Amar… amar a todos, não em determinadas horas, mas toda a vida. Amar os pobres e amar as pessoas felizes (…). Amar o vizinho, amar o desconhecido, amar o próximo que se encontra no extremo do mundo…amar, amar (Raul Foulerau).

 

Fim de ano – tudo tem seu tempo e ocasião
Ao longo do ano, vivemos envolvidos no amor do Pai
Por Maria Emmir Nogueira, Co-fundadora da Comunidade Shalom, Revista Shalom Maná

“Tudo tem seu tempo e ocasião”, diz o Eclesiastes. “Para cada coisa”, dirá outra tradução, “há um tempo debaixo do sol.” O autor continua a repetir as palavras, sem a menor pressa, criando, em sua narrativa, um ritmo que, por si só, expressa o que ele quer dizer: tudo tem seu tempo, tudo tem seu ritmo. “Tempo de nascer, tempo de morrer; tempo de plantar, tempo de colher; tempo de derrubar, tempo de construir; tempo de chorar, tempo de rir; tempo de fazer luto, tempo de bailar; tempo de abraçar, tempo de separar-se; tempo de procurar, tempo de perder; tempo de calar, tempo de falar; tempo de amar, tempo de odiar; tempo de guerra, tempo de paz”. Como não rezar com esta passagem a cada final de ano? Como vivi os tempos que o Senhor providenciou? Como acertei o meu passo ao sábio compasso que marca o ritmo da vida, de tudo o que existe debaixo do sol, inclusive eu? Quem nasceu? Quem morreu? Em que nasci? Em que morri? O que plantei? O que colhi? O que derrubei? O que construí? Como chorei? Como ri? Como vivi o luto e a dança? A quem acolhi? De quem parti? A quem deixei partir? Como falei? Como calei? O que calei? Para que calei? O que falei? Como falei? Para que falei? Odiei? Fiz guerra? Perdi, então, todo o meu ritmo, todo o meu tempo. Gastei inutilmente os tempos que o Senhor providenciou. Atravessei o compasso que marca o ritmo da vida, inclusive da minha. Matei e morri. Plantei, mas não colhi. Destruí. Se ri, foi pantomima. Se chorei, foi de desgosto. Se dancei, foi grotesco. Se acolhi, só foi a mim mesma. A tudo e a todos enxotei. Minhas palavras destruíram, meu silêncio foi omissão, falsa proteção a mim mesma. Odiei. Amei? Então construí e promovi a paz, encontrei, então, o sábio ritmo da vida, o tempo interior só conhecido de quem ama. Aproveitei bem os tempos que me deu a Providência. Dancei, feliz e equilibrada, conduzida por meu divino par, ora valsas, ora noturnos, ora barcarolas, ora polcas e mazurcas, ao compasso que marca o ritmo da vida, de toda vida, da minha vida, da sua vida. Dancei, com toda a criação, com Deus e com os irmãos. Deixei-me conduzir pelo hábil Cavalheiro. Nasci e dei à luz. Plantei e colhi. Derrubei feiúra, colhi beleza, bem, verdade. Ri, feliz ao acolher, nas dobras da renúncia do amor, meu irmão, a vida, as circunstâncias. Rodopiei, confiante e tranquila, a guardar segredos de amor em meu coração. Amei. Ora amei, ora odiei? Natural. Sou pecadora. Sou imperfeita. Sou humana. Simplesmente vivi. Colhi os frutos do meu ódio e do meu amor. Uma coisa sei que, com a mais absoluta certeza, tive, eu, assim como você: o amor do Pai em toda circunstância. A salvação do Filho todos os dias do nosso ano. A ação santificadora do Espírito, disponível em toda ocasião. Criador e criatura dançamos juntos, tal pai e filha na festa dos quinze anos, tal casal de noivos nas bodas, envolvidos, sempre, por muitos outros pares, milhares, milhões, bilhões de outros pares. Chegamos ao fim de mais um ano em nossa bela sonata da vida. É preciso dar o comando de replay e assisti-la outra vez, serenamente, ouvindo detalhes perdidos na correria, na emoção dos acontecimentos: stacatos sutis, ligaduras ressonantes, fermatas desconcertantes. Começa uma nova página. Quantos compassos teremos? Que temas se repetirão? Que novos tons serão adotados? Que novas frases musicais serão relidas, recriadas? Que outros instrumentos entrarão? Que interpretação escolheremos dar? Que passos criaremos? Como faremos a leitura, compasso a compasso? Deus sabe! E é nisso que reside nossa tranqüilidade, nossa confiança. Não conhecemos o que virá, mas pelos temas, frases, harmonias e compassos, pelo ritmo e pelo tom já tocados, sabemos que, tocada a quatro mãos, nossa composição será bela. O ritmo, por vezes sincopado, combinará com soluços. O compasso em sua batida convencional, evocará a rotina, que também revela beleza. As notas que voam, oração. As que ficam na memória, contemplação. As que marcam a base, convicção. As que desenham a melodia, inventividade. Deus sabe! Deus sabe! Deus sabe! Que a proposta de uma vida alucinada não nos seduza. Que o ritmo da evangelização, do amor, este, sim, seja alucinado, sem medida: Jesus tem sede, tem pressa. O ritmo interior, porém, este seja aquele secreto, confiante, sábio, paciente ritmo interior de Maria: “Deus sabe! Deus sabe! Deus sabe! Tudo passa! Deus fica! Deus sabe! Para tudo há um tempo debaixo do sol. Não temo! Deus sabe! Deus sabe! Deus sabe!” Neste ano, conceda-nos Deus dançarmos tranquilos, ao ritmo interior do mistério da vida.

 

Sete dicas para permanecer na graça
Felipe Aquino

O mais importante é aprender a permanecer na graça de Deus, permanecer na graça que recebemos. O mundo é mal educado, mas Jesus é muito educado e não arromba a porta do coração de ninguém. Ele pede que aceitemos o seu amor e assim entra no nosso coração na medida em que dizemos sim. Então diga: “Senhor Jesus eu te aceito na minha vida, eu abro a porta aqui do meu coração e ponho a minha mão no meu coração para com este gesto eu também me ajudar, eu abro a porta do meu coração entra Jesus na minha vida, eu te quero e sei que Tu me amas como sou, pode vir, pode entrar na minha vida. Jesus é muito educado, o mal não, ele invade a vida da gente, se aproveita de nossas quedas e da nossa inclinação ao pecado. Nós recebemos muitas graças, mas o mais importante que receber as graças é permanecer é ser fiel todos os dias. E não podemos nos enganar, pois estamos em um mundo que não quer Deus, e se você se sente remando contra a maré, se você se sente assim, considere-se o cristão mais normal do mundo e quem não se sente assim é preciso rever-se como cristão. É como aquela música: “Procuro abrigo nos corações, de porta em porta desejo entrar, se alguém me acolhe com gratidão faremos juntos a refeição”. Eu vou lhe indicar sete pontos para permanecer na graça de Deus:

Primeiro: A vida espiritual. Não deixe a oração para depois. Não diga vou rezar depois. Coloque a oração como mais importante. Ficar a sós com Deus que continua cantando que procura abrigo nos corações. A oração tem que estar em primeiro lugar. Orar é parar para estar com Deus, é colocar a oração acima de tudo. Não deixe que paire na sua cabeça de que aquilo que Deus te deu é só isso, não, porque Ele tem muito mais para você.

Segundo: Amizades verdadeiras. Escolha bem as suas amizades, não despreze ninguém a sua volta, mas preste atenção com quem você anda, são pessoas que te constroem? Nós precisamos de amizades verdadeiras que nos levem a compreender a ação de Deus na nossa vida. É preciso andar com quem constrói em você a novidade de Deus. Não ande com quem não lhe constrói. Agora o que vamos fazer com as pessoas que estão ao nosso lado? Partilhar com o outro pedindo que a pessoa te ajude a ser mais de Deus, que ela te ajude a não ter mais os comportamentos que não são coerentes. Se não somos sinceros um com o outro então não é amizade. Quem tem que fazer a escolha é você que recebeu as graças, porque o mais importante é permanecer na graça.

Terceiro: Tenha metas. Que tipo de pessoa você decide ser? Santa Tereza de Calcutá dizia: “Não importam as circunstancias, nem se ninguém vai me compreender, eu vou seguir em frente, porque eu vou me transformar na pessoa que eu me decidi ser. Depois das graças recebidas qual é a sua meta. Uma meta que diz respeito a você? Um convite que a Canção Nova, a Igreja, é um convite de Nosso Senhor, é para que você seja santo, mas que você o seja em todos os aspectos. Escreva sobre as suas metas, é claro que a nossa meta é o céu, mas qual é a meta na sua família? É perdoar? É sorrir? Porque talvez você já não de nenhum sorriso há muito tempo. Talvez a sua meta seja não reclamar mais, e você terá que reunir todas as forças para não reclamar. Não brinquemos com a graça que recebemos. Foi Deus que te ama, quem derramou sobre você essas graças e a gente não brinca com quem nos ama. É preciso se confessar. Não construa coisas novas em cima das máscaras. Deus te ama então não tenha medo de tirar as máscaras. Deus vê o coração sonda com compaixão, pois Deus só sabe amar você.

Quarto: Você tem que ter quem te conhece de verdade. Estamos em um mundo de muitas mentiras, um mundo de aparências. É preciso ter alguém com quem você se encontre, e que você pode falar tudo. Pode ser um diretor espiritual ou um amigo. Nosso Senhor não constrói nada sobre os escombros, Ele quer fazer tudo novo. É preciso eleger uma pessoa e dizer a ela(e): meu amigo eu quero contar tudo para você o que está se passando comigo, coisas da minha alma. Você precisa ser quem você é, por causa da graça que você recebeu, e porque você não quer entrar nessa onda de viver de aparências e por isso você precisa ter alguém que te conhece mesmo, de verdade.

Quinto: Viver em atitude de vigilância. O que precisamos vigiar? O que você quer de fato? Eu quero ser de Deus. Então vigie naquilo que te rouba de Deus, aquilo que te leva ao pecado. Vigiar para que o mal não se aproxime. Você tem todo o direito de pedir a Nosso Senhor, então peça agora: “Meu Deus me livra da tentação que me derruba, me livra da tentação que me faz cair, porque eu não tenho forças. Livra-me Senhor do mal que domina o meu jeito de falar. Viver assim é muito duro, mas é assim que um cristão vive. É assim mesmo, nós ainda não estamos no céu, mas nós vamos para lá em uma atitude de vigilância, e por isso recebemos tanta graça de Deus. É por causa da vontade de Deus, por causa dos seus desígnios, que eu aqui estou, mas eu sou igualzinho a você, então por isso preciso vigiar sempre. Santo Agostinho diz que o cristão que não controla a boca, não consegue controlar mais nada. Jesus não está brincando conosco e o tempo está passando rápido.

Sexto: Colocar-se a serviço do próximo. Você precisa ter um apostolado, este é o remédio contra todo o egoísmo. Porque a graça que Deus deu, ela não é só para você, ela é tão grande que deve crescer em você e transbordar para o outro. Já não perguntamos mais como o outro está com medo que ele diga que não está bem e aí você ter que ouvir, e você está sem tempo. Isso não é ser cristão. Quem não sabe fazer coisas ao outro, nunca vai saber se dar ao outro, porque ficamos com medo de entregar o nosso olhar ao outro. Quando é que vamos ser capazes de fazer da nossa vida um serviço? De dar o nosso rosto e poder chegarmos a ser como Jesus? Você precisa servir alguém. Mate de amor aquele que está ao seu lado! Quem sabe dando um copo d’água.

Sétimo: Tenha paciência consigo mesmo e com os outros. É isso mesmo. Sabe porque? Nem tudo acontece de uma só vez. A vida do cristão é um cai e levanta, então tenha paciência com você e com os outros. Jesus está dizendo aqui nesta parábola (ver: São Mateus 13, 24) como o reino de Deus se estabelece aqui dentro de mim e de você e São Paulo nos explica, sobre as lutas que vivemos dentro de nós. Por isso: Aguenta firme meu filho! Porque temos tanta coisa boa, mas dentro de nós cresce trigo e também o joio, então tenha paciência, porque muitas vezes temos vontade de arrancar tudo, não faça isso. Tenha paciência, porque nosso Senhor vai voltar e os anjos vão separar o joio do trigo de dentro de nós. O trigo quanto mais cresce, mais ele floresce, e ele se dobra, agora o joio não se dobra. Esta luta dentro de nós deve nos levar a adoração ao Santíssimo Sacramento para nos dobrar diante de nosso Senhor Jesus Cristo. Se vivermos um desses sete pontos buscando a perfeição, com certeza nós vamos nos santificar. Abra-se, pois Jesus quer se revelar a você!

Que devemos fazer?

Como preparar-se para o Natal

Sempre que irrompe diante de nossos olhos a novidade, surgem com ela as interrogações e as provocações a uma reação. Os fatos mais corriqueiros, positivos ou negativos, podem ser compreendidos como sinais que pedem nossa resposta, tanto que um mínimo de consciência pessoal e social causa indignação quando se espalha a indiferença e a insensibilidade. Passar pela rua e ver um acidente de trânsito suscita curiosidade, dela se vai à pergunta sobre as causas, verifica-se a ocorrência de ajuda às pessoas envolvidas, provoca-se a coragem para parar e perguntar se se pode fazer algo. É um processo que pode durar segundos ou horas, mas faz parte de nossa humanidade desejar envolver-se e participar, responder com gestos concretos aos fatos que nos cercam.

Diante do fato mais significativo de toda a história, o mistério do Verbo de Deus encarnado, em torno do qual gira o tempo, não é possível ficar indiferentes. Ao preparar a estrada do mundo e dos corações para a manifestação de Jesus Cristo, seu precursor João Batista (Lc 3,10-18) suscitou na multidão a pergunta que muda a vida: “Que devemos fazer?” Nos tempos que correm, quando a humanidade deve, pela duomilésima décima segunda vez dizer “bem vindo” ao Menino de Belém de Judá, nosso Senhor Jesus Cristo, Redentor da humanidade, repete-se a mesma interrogação. Das respostas dadas por João Batista, colhemos indicações precisas e atuais.

Prepara-se a vinda de Jesus e se estabelece o clima para com ele conviver, quando quem “tiver duas túnicas, dê uma a quem não tem; e quem tiver comida, faça o mesmo!” Existem no mundo recursos para uma vida digna de todos os seus habitantes. A natureza pode oferecer o necessário para alimentar sua população. São conceitos de uma “demografia” diferente, que parte da partilha e da comunhão, semelhante à coleta feita por São Paulo: “De fato, quando existe a boa vontade, ela é bem aceita com aquilo que se tem; não se exige o que não se tem. Não se trata de vos pôr em aperto para aliviar os outros. O que se deseja é que haja igualdade: que, nas atuais circunstâncias, a vossa fartura supra a penúria deles e, por outro lado, o que eles têm em abundância complete o que acaso vos falte. Assim, haverá igualdade, como está escrito: Quem recolheu muito não teve de sobra, e quem recolheu pouco não teve falta” (2 Cor 8,12-15). Fala-se tanto de uma crise mundial, e não poucos alertam para sua possível chegada às nossas plagas, e chegará mesmo, porque a era do individualismo, da ganância e do consumo descontrolado veio na frente. Independente das eventuais crises, realiza-se como pessoa humana quem se lança na aventura da partilha e da comunhão!

No tempo de João Batista, “até alguns cobradores de impostos foram para o batismo e perguntaram: Mestre, que devemos fazer? Ele respondeu: Não cobreis nada mais do que foi estabelecido”. Recentemente celebrou-se um dia de movimentação contra a corrupção! De João Batista para cá, as mazelas humanas continuam tendo características semelhantes e as respostas são as mesmas! Se criássemos juízo, nem seriam necessárias as sucessivas operações policiais para a mudança. É hora de retornar à proposta do Evangelho!

“Alguns soldados também lhe perguntaram: E nós, que devemos fazer? João respondeu: Não maltrateis a ninguém; não façais denúncias falsas e contentai-vos com o vosso soldo”. Mais uma vez a atualidade da Palavra se revela. Todos os que detêm algum poder da sociedade podem ouvir e descobrir atual a resposta de João Batista. Se o conselho foi dado aos soldados, que dizer aos que têm parentesco ou conluio com o crime organizado? Que se pode pensar da violência organizada no campo ou na cidade, em nosso Estado e em nosso País? Ou, se voltarmos ao recesso de nosso lar, onde tantas vezes se inicia a corrupção e o relaxamento moral, ali comece a superação da violência!

Santa ingenuidade! Poderão dizer algumas pessoas. É simplória a proposta da Igreja, que pede partilha dos bens, superação da corrupção, amor ao próximo? No entanto, a realidade demonstra que não há caminho mais verdadeiro. Quando o Evangelho diz que “assim e com muitas outras exortações, João anunciava ao povo” (Lc 3,18), fica aberta a conversa, para que cada um de nós pergunte ao Precursor, com coragem para ouvir a resposta, o que deve fazer para receber Jesus, aquele de quem João disse com sinceridade: “Virá aquele que é mais forte do que eu. Eu não sou digno de desatar a correia das suas sandálias. Ele vos batizará com o Espírito Santo e com fogo. Ele traz a pá em sua mão para limpar a eira, a fim de guardar o trigo no celeiro; mas a palha, ele queimará num fogo que não se apaga” (Lc 3,16-17).

Dom Alberto Taveira Corrêa  
Arcebispo Metropolitano de Belém

 

O que devemos fazer?
Como podemos manifestar de maneira concreta a conversão à qual o Senhor nos chama?

É a pergunta que as diversas situações fazem a João Batista diante da pregação da chegada do Messias, Salvador do Mundo. E João convida a todos à mudança concreta de vida. Essa mudança é para nós demonstrada com a celebração penitencial. Aproximamo-nos da grande solenidade do Natal do Senhor, quando a liturgia nos fará penetrar no mistério do Salvador, que se faz homem para nos redimir e elevar-nos à Sua divina dignidade. Como na noite de Natal, há dois mil anos passados, somos chamados a reconhecer a luz que ilumina as trevas da humanidade, e, reconhecendo-a, acercar-se dela e contemplá-la, a fim de que ela nos ilumine e nos faça partícipes da sua graça. Nessa perspectiva, somos chamados a olhar para o nosso interior e perceber o quanto cada um de nós, de maneira tanto particular quanto comunitária, vive o momento propício que o Tempo do Advento nos proporciona, no qual realizamos a caminhada do Povo de Deus da antiga Aliança, que, na expectativa do Messias, vivencia uma caminhada de penitência, a fim de se preparar para a chegada d’Ele. Precisamente por isso, no tempo do Advento a Igreja celebra o Mistério do Senhor revestida da cor litúrgica roxa, remetendo-nos à penitência e à conversão, chamando-nos a corresponder a esse sinal e a manifestar desse modo que, assim como o povo de Deus de outrora, nós também estamos na expectativa pela chegada do Senhor e desejamos que ela aconteça mediante nossa pureza de coração. No Evangelho do domingo passado, vimos o clamor de João Batista incitando o povo a “aplainar os caminhos do Senhor” e “endireitar suas veredas”. Esse brado veemente que o precursor do Messias exclamava por onde passava, precisamente na iminência da chegada d’Ele, também hoje é dirigido a todo o povo de Deus. Diante dessa certeza, precisamos assumir a nossa responsabilidade e reconhecermo-nos como sendo esse povo, e, desse modo, mergulhar nesse processo de penitência e conversão a que o Senhor, pelos lábios de João Batista, nos convoca. Todavia, como podemos manifestar de maneira concreta a conversão à qual o Senhor nos chama? Certamente é preciso tomar parte de um processo de reconciliação que se inicia no íntimo de cada um de nós. A conclusão desse processo, onde se manifesta a graça salvífica de Cristo, é o Sacramento da Confissão. É por ele que somos reconduzidos ao Senhor e, desta forma, reabilitados na vida da graça. Assim sendo, somos todos convidados a voltar sua atenção para a figura dos pastores, como apresentada na noite de Natal pelos evangelhos. Eles, sempre vigilantes, estavam prontos para caminharem até o Salvador quando da Sua chegada. Precisamente a eles, o anjo do Senhor dirigiu de modo primordial o anúncio alegre e solene da Sua chegada. E este anúncio primordial que os pastores receberam certamente tem sua razão de ser na vigilância em que eles se encontravam na noite em que o Senhor chegou para nós. E nós, até que ponto somos vigilantes? O próprio Senhor, no Evangelho, nos alerta para a necessidade de mantermos tanto a vigilância quanto a oração, pois não sabemos nem o dia nem a horaem que Elevirá. Exatamente por isso, somos todos convidados a observar a importância do Sacramento da Confissão nesse contexto de penitência e conversão que o tempo do Advento nos proporciona. Iniciemos por fazer nosso devido exame de consciência e observemos a figura de Maria, mulher da pureza e da oração, sempre confiante nas promessas do Senhor e a primeira a aderir de todo o coração ao convite do próprio Deus que a escolhera para ser a mãe do Salvador e, assim, colaborar com a salvação de toda a humanidade. Em seguida, olhemos para dentro de nós mesmos e observemos até que ponto nos configuramos ao Senhor, tendo por exemplo a figura de Maria.
Nesse sentido, o nosso convite para que todos reconheçamos no tempo litúrgico do Advento o momento propício para reconciliarmo-nos com Deus, para poder assim acolher generosa e dignamente o Salvador. Os sacerdotes são convidados a assumir o papel de João Batista, anunciando a chegada do Salvador e a necessidade de uma conversão verdadeira, que faça de cada cristão verdadeiras manjedouras onde se reclina o Salvador não só na noite de Natal, mas durante toda a caminhada da vida. Os padres assumem o papel de “aplainar a caminho do Senhor” na vida de quantos lhes são confiados, tendo a viva consciência de que são os mediadores da graça sacramental e de que depende largamente de sua eficiente ação pastoral a reconciliação do povo com o seu Deus. Precisamente por isso, sabendo do valioso momento dos “mutirões de confissões” em todas as paróquias, seria muito importante neste tempo que em todas as paróquias, institutos religiosos, oratórios, comunidades diversas seja ministrado de modo mais frequente o sacramento da Penitência, de maneira auricular, criando-se para isso horários condizentes com as realidades pastorais em que estão inseridos, não se medindo os esforços necessários para que o maior número de fiéis aproxime-se desse sacramento por meio do qual são reconduzidos à vida da graça. Ainda mais neste Ano da Fé será importante essa missão nas Igrejas de “peregrinação” para obter as indulgências. Reconheçamos no Senhor que está para chegar a “luz” que ilumina a nossa escuridão e nos dá a conhecer a maravilha que Ele traz: a felicidade eterna, a nossa Salvação. Nesta perspectiva, observemos como caminha nossa sociedade nesse período de aproximação do Natal e vejamos que em não poucos ambientes o protagonismo de Cristo, como “o esperado” na noite santa, “o aniversariante” que dá sentido a toda esta comemoração, está sendo cada vez mais ofuscado nos corações e nas vidas de tantas pessoas. Esse “pecado social” certamente possui uma dimensão particular que toca a cada um de nós, porquanto nos faz enxergar que se Cristo está sendo esquecido pela nossa sociedade, há uma parcela de culpa em cada cristão. Precisamente por isso, é preciso que nos reconheçamos pecadores, pois indiretamente somos carentes de um testemunho eficaz que manifeste ao mundo a beleza e a razão de ser do Nascimento do Salvador. Poderíamos, a partir dessa constatação, iniciar o nosso exame de consciência. A nossa pequenez nos convida a uma reflexão aprofundada, por meio da qual devemos eliminar de nossa vida tudo o que reconheçamos nos afastar de Deus. E o façamos de modo concreto, recorrendo ao Sacramento da Confissão. Enfim, voltemos novamente o nosso olhar para a figura dos pastores e reconheçamos neles a figura do cristão que vive “acordado” e a quem pode chegar a mensagem solene do anjo na noite santa. Precisamente porque os pastores estavam acordados, a eles chegou a notícia que a humanidade esperava, e diante deles os anjos apareceram entoando louvores a Deus por tão grande evento. Estar acordados significa estar despertados para a realidade objetiva, não se fechando em um mundo particular, onde só existe lugar para nossos próprios impulsos e inclinações. Conduzidos por essa visão particular da vida, muitos mergulham no egoísmo e fecham-se para a liberdade própria da boa-nova de Cristo. Estar acordados, ou melhor, “estar vigilantes”, significa sair do mundo particular e abraçar a Verdade que é o próprio Cristo, que caminha ao nosso encontro e chegará de maneira solene e intensa na liturgia do Natal que estamos a esperar. É neste sentido que o nosso despertar para o Natal do Senhor concretiza-se quando nos conscientizamos da realidade de que é preciso abandonar o pecado, deixar de lado tudo o que nos afasta de Deus, realizar um sincero e compromissado exame de consciência e mergulhar na graça do Sacramento da Confissão. O mesmo Cristo cujo nascimento celebraremos na noite do Natal do Senhor é o que nos espera nos confessionários. E a luz que guiou outrora os magos do Oriente no seu caminho a Belém para adorar o Messias é a mesma que deseja guiar a nossa vida se lhe formos ao encontro. Deste modo, enquanto povo de Deus que na liturgia do Tempo do Advento caminha rumo à chegada do Salvador, vivenciamos um tempo de penitência que não deve ser próprio somente da liturgia, mas da nossa vida de maneira completa. Por isso, não tenhamos medo, não recusemos tomar parte dentre os que buscam o Sacramento da Confissão, afim de que, iluminados pela estrela de Belém, sejamos manjedouras onde o Senhor dignamente quer se reclinar na noite santa do seu Natal.

† Orani João Tempesta, O. Cist.  
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ

Devemos ser ‘artesãos da paz’, diz Papa em homilia

Terça-feira, 4 de dezembro de 2018, Da redação, com Vatican News
https://noticias.cancaonova.com/especiais/pontificado/francisco/homilia-casa-santa-marta/devemos-ser-artesaos-da-paz-diz-papa-em-homilia/

Papa Francisco ressaltou que a paz deve ser buscada sem ferir o próximo

Papa Francisco, durante homilia na Missa desta terça-feira, 4, na Casa Santa Marta./ Foto: Vatican Media

Preparar-se para o Natal buscando construir a paz na própria alma, na família e no mundo. Esta foi a exortação do Papa Francisco na homilia da Missa na Casa Santa Marta, 4. Fazer a paz – recordou – é um pouco como imitar Deus, fazendo-se humilde, sem falar mal dos outros ou feri-los. A reflexão do Pontífice foi inspirada na Primeira Leitura (Isaías 11,1-10) e no Evangelho (Lc 10,21-24).

Nas palavras de Isaías, há uma promessa de como serão os tempos quando o Senhor virá: “o Senhor fará a paz” e “tudo estará em paz”, recordou o Papa. Isaías o descreve com “imagens um pouco bucólicas”, mas belas: “o lobo e o cordeiro viverão juntos”, “o leopardo deitar-se-á ao lado do cabrito” “e uma criança os guiará”. Isso significa – explicou Francisco – que Jesus doa uma paz capaz de transformar a vida e a história e, por isso, é chamado “Príncipe da paz”, porque vem para nos oferecer esta paz.

Pedir ao Príncipe da paz de nos pacificar a alma

Portanto, o tempo do Advento é justamente “um tempo para nos preparar a esta vinda do Príncipe da paz. É um tempo para nos pacificar”, exortou o Papa. Antes de tudo, trata-se de uma pacificação “conosco, pacificar a alma”. “Muitas vezes, nós não estamos em paz”, mas ansiosos”, “angustiados, sem esperança”. E a pergunta que o Senhor nos faz é: “Como está a sua alma hoje? Está em paz?”. Se não estiver, o Papa exorta a pedir ao Príncipe da paz que a pacifique para se preparar ao encontro com Ele. Nós “estamos acostumados a olhar para a alma dos outros”, mas – este é o convite de Francisco – “olhe para a própria alma”.

Pacificar a família: existem pontes ou muros?

Depois, é preciso “pacificar a casa”, a família. “Existem muitas tristezas nas famílias, muitas lutas, tantas pequenas guerras, desunião”, afirmou ainda Francisco, convidando, também neste caso, a perguntar-se se a própria família está em paz ou em guerra, se um está contra o outro, se há desunião, se existem pontes “ou muros que nos separam”.

O terceiro âmbito que o Papa pede para pacificar é o mundo onde “há mais guerra do que paz”, “há tanta guerra, tanta desunião, tanto ódio, tanta exploração. Não há paz”.

Que faço para ajudar a criar a paz no mundo? “Mas o mundo é demasiado distante, padre”. Mas o que faço para ajudar a paz no bairro, na escola, no local de trabalho? Eu dou sempre qualquer desculpa para entrar em guerra, para odiar, para falar mal dos outros? Isso é fazer a guerra! Sou manso? Busco fazer pontes? Não condeno? Vamos perguntar para as crianças: “O que você faz na escola? Quando há um colega que você não gosta, é um pouco odioso ou é fraco, você faz bullying ou faz as pazes? Procura fazer as pazes? Perdoo tudo?”. Artesão da paz. É necessário este tempo de Advento, de preparação para a vinda do Senhor, que é o Príncipe da paz.

A paz sempre vai avante, nunca está parada, “é fecunda”, “começa na alma e depois volta à alma após fazer todo este caminho de pacificação”, evidenciou ainda o Papa:

E fazer as pazes é um pouco como imitar Deus, quando quis fazer as pazes conosco e nos perdoou, nos enviou Seu Filho para fazer a paz, a ser o Príncipe da paz. Alguém pode dizer: “Mas, padre, eu não estudei como se faz a paz, não sou uma pessoa culta, não sei, sou jovem, não sei …”. Jesus no Evangelho nos diz qual deve ser a atitude: “Eu te louvo, Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste essas coisas aos sábios e inteligentes, e as revelaste aos pequeninos”. Você não estudou, não é sábio… Faça-se pequeno, faça-se humilde, faça-se servidor dos outros. Faça-se pequeno e o Senhor lhe dará a capacidade de entender como se faz a paz e a força para fazê-la.

A oração neste tempo de Advento, portanto, deve ser “pacificar”, viver em paz na nossa alma, na família, no bairro:

E todas as vezes que nós vemos que existe a possibilidade de uma pequena guerra, seja em casa, seja no meu coração, seja na escola, no trabalho, parar e buscar fazer as pazes. Nunca, nunca ferir o outro. Nunca. “E padre, como posso começar para não ferir o outro?” – “Não falar mal dos outros, não lançar o primeiro canhão”. Se todos nós fizermos isso – não falar mal dos outros – a paz irá avante. Que o Senhor nos prepare o coração para o Natal do Príncipe da paz. Mas nos prepare fazendo o possível, da nossa parte, para pacificar: pacificar o meu coração, a minha alma, pacificar a minha família, a escola, o bairro, o local de trabalho. Homens e mulheres de paz.

Advento, tempo de faxina interior

Estamos no tempo do cuidado na vida espiritual

As estações da natureza nos ensinam a reconciliar em nosso coração o tempo dos mistérios que abraçam nossa fé. Advento é o tempo da espera. Ainda não é Natal, mas antecipa a alegria desta festa. Viver cada tempo litúrgico com o coração é um jeito nobre de não adiantar um tempo que ainda não chegou. Na sobriedade que este tempo litúrgico exige, vamos tecendo a colcha das alegrias do Cristo que vem ao nosso encontro.

Esperar é uma alegria antecipada de algo que ainda não chegou. A mulher grávida vive na alma a felicidade antecipada pela vida que, em seu ventre, vai sendo gerada no tempo que lhe cabe. A natureza cumpre o ritual das estações para que cada tempo seja único. Os casais apaixonados esperam o momento do encontro. As famílias organizam a casa no cuidado da espera dos parentes que vão chegar. Esperar é uma metáfora do cotidiano da vida. No contexto do Advento, a espera ganha tonalidades alegres e sóbrias.

Casa mal arrumada não é adequada para acolher os amigos e familiares que irão chegar. Jardim sujo não pode se tornar um canteiro para novas sementes. Esperar é também tempo de cuidado, tempo de organização. No tempo da espera, o tempo do cuidado na vida espiritual. Chegando ao final de mais um ano, muitos corações se encontram totalmente bagunçados. Raivas armazenadas nos potes da prepotência, mágoas guardadas nas gavetas do rancor, amizades sendo consumidas pelo micro-ondas da inveja, tristezas crescendo no jardim da infelicidade, violência sendo gerada no silêncio do coração.

Enquanto as lojas fazem o balanço, somos convidados a fazer o balanço de nossa situação emocional. No balancete da vida, o amor deve sempre ser o saldo positivo que nos impulsiona a sermos mais humanos a cada dia.

Casa mal arrumada não é local adequado para receber quem nos visita. Coração bagunçado dificilmente tem espaço para acolher quem chega. Neste tempo do advento, a faxina da espera deve remover as teias de aranha dos sentimentos que estacionaram em nossa alma. O pó que asfixia o amor deve ser varrido. Tempo novo exige um coração novo.

Jesus, com Seu amor sem limites, adentrava o coração de cada pessoa e fazia uma faxina de amor, abria as janelas da vida que impediam cada pessoa de ver a luz de um novo tempo chegar, devolvia às flores já secas pelas dores e tristezas as alegrias da ressurreição, semeava nos sertões sem vida as sementes do amor e da paz.

No Advento da Vida, as estações do coração se tornam tempo propício para limpar os quartos da alma à espera do Cristo que vem. Se o jardim do coração estiver sendo cuidado, as sementes da esperança irão germinar no tempo que lhes cabe e o Amor irá nascer nas alegrias da chegada.

Padre Flávio Sobreiro

A morte na mídia…

Despudorada e gananciosa como mulher de lupanar, a imprensa consegue turbinar a dor provocada pela morte
Ucho Haddad

A morte é um ato inevitável no palco da vida. O último deles. Todos sabem disso, mas preferimos fingir desconhecimento por causa da dor causada pela ausência. É melhor assim, pois do contrário a vida perderia a graça, seria tomada pela contínua preocupação com o fim. Disse o poeta e astrólogo romano Marcus Manilius: “Começamos a morrer no momento em que nascemos, e o fim é o desfecho do início”. Manilius tinha razão. O fim é a cortina do prelúdio, é o fim de um começo sem fim. O tempo é o senhor da razão. Transmuta-se em verdade. O problema maior é encará-la, porque por vezes ela é maior que a nossa capacidade de suportar, de compreender, de aceitar.

Algumas verdades sempre ecoarão como mentiras dentro de cada um. Há quem garanta que o tempo cicatriza as úlceras da alma, cura os arranhões do coração. Pode ser, mas não tenho certeza. Creio que o tempo se incumbe de colocar pensamentos e sentimentos complexos, dolorosos e mais doloridos, em um compartimento equidistante da razão e da emoção. Mas é um serviço sem garantia eterna. Em algum momento, mesmo que por curto tempo, o pensamento volta e causa uma revolução. Eis o que faz da imperfeição humana algo interessante e, muitas, vezes, prazeroso. Somos feitos também de sentimentos.

Algumas pessoas entram e saem das nossas vidas como o abrir e fechar da porta de um “saloon” de faroeste. Algumas entram porque queremos, mas saem sem que saibamos a razão. Algumas entram e ficam, deixando lembranças, ensinamentos, saudades. Há as que entram nas nossas vidas e as levamos para sempre, até o outro lado da vida, para a eternidade. Se é que isso de fato existe. O importante é que essas pessoas, as que entram e levamos, ficam de maneira especial, em lugar especial dentro de nós.

A involução do ser humano patrocinou, com o passar do tempo, a banalização da morte. Como nominei um dos meus tantos artigos, a morte é um espetáculo midiático. Os comunicadores encontraram nesse mórbido nicho uma incansável cornucópia. Afinal, o calvário alheio funciona como o éter que anestesia a dor e os problemas daqueles que alimentam esse tipo de negócio. E essa fórmula covarde e milagreira precisa ser vendida aos bolhões. Um dia, esses serão o anestésico da próxima leva de desumanos.

A vida é assim, é cíclica. É com a morte que a vida aciona a sua essência ciclotímica. Em tempos outros, alguém inventou que a vida do ser humano tinha um prazo máximo de validade. Cem anos. Quem fosse antes era alvo de uma frase quase lapidar: “morreu tão cedo!”. Não se morre cedo ou tarde, apenas morre-se. A dolorosa linha do tempo será de responsabilidade dos que ficaram. Esses definirão se foi cedo ou tarde. Nunca é tarde, por mais que a razão nos sussurre o oposto. Essa invenção que surgiu do nada ganhou força e foi ficando.

Tanto é assim, que quando alguém ultrapassa a casa dos cem anos a comemoração é maior. Dependo do grau de notabilidade do aniversariante, o centenário vira manchete, entra para o livro dos recordes. Não importa se a morte ocorre aos 20 ou aos 100. É morte e quem fica sofre. O sofrimento tende a mergulhar em um processo de auto-absorção, mas o período para que isso ocorra depende de cada um, da forma de reagir e de enfrentar a realidade. Certas pessoas não morrem, apenas saem de cena. Continuam no palco do nosso imaginário, nas coxias das nossas lembranças, nos bastidores do nosso pensamento.

Contudo, há um detalhe no cenário de morte que a faz ainda mais dolorida e difícil de administrar. A forma como ela ocorre. E é por isso que insisto em criticar o sensacionalismo midiático que tomou conta da tragédia ocorrida em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, assim como em outras tantas que marcaram a história. Há mortes que são aguardadas, o que não as tornam menos duras e difíceis para os que ficam. Mas a cicatrização da dor é mais célere, talvez menos vagarosa. Há mortes inesperadas, que ocorrem do nada e sem explicação. Como alguém que dorme e não acorda. Quem fica “só” precisa encarar a morte como uma realidade inevitável e administrar a dor que ela provoca.

A morte que ocorre no vácuo de uma tragédia é diferente. Traz na receita da dor um ingrediente a mais, teimoso, disposto a ficar incomodando durante muito tempo, talvez durante a vida toda, até chegar a nossa vez. Qual é esse ingrediente? Imaginar como tudo aconteceu. É o movimento natural do pensamento de quem perdeu uma pessoa querida. Quem está noticiando o fato quer saber do ineditismo, da exclusividade, do furo de reportagem, dos índices de audiência, o quanto o sensacionalismo renderá em termos financeiros. Não se pensa em momento algum na dor de quem fica. Na dor que fica. Para ser mais claro, cito como exemplo a reportagem feita dentro da boate que foi consumida pelo fogo em Santa Maria e tirou a vida de 231 pessoas, na maioria jovens.

O que essas imagens sórdidas, exibidas como troféu, podem acrescentar em termos jornalísticos na história de um veículo de comunicação, no currículo de um jornalista ou repórter? Nada, absolutamente nada. O que podem as imagens subtrair daqueles que perderam seus familiares na tragédia? Muito! Elas tiram o sono, o sossego da alma, o pouco que restou da alegria de viver, a dignidade daqueles que ficaram. Dos que esperaram um retorno que não aconteceu. Situação idêntica ocorreu nos acidentes da Gol, da TAM e da Air France.

Para que serviram as imagens feitas na selva brasileira, no aeroporto da capital paulista, nas águas do Atlântico? Serviram para deixar dentro de cada um que perdeu alguém querido um oceano de dúvidas, um matagal de conjecturas, que jamais terão um pouso seguro no rasar da mente. Por certo alguém me acusará de falso pudor, mas hei de não me incomodar com ataques. Entre as tantas críticas que recebi de desafetos profissionais, saqueadores da honra alheia, a de não ter diploma universitário, e por isso não poder exercer o jornalismo, foi uma das mais banais.

Questionados, alguns detratores responderam que só o banco da faculdade é capaz de ensinar como atuar e se comportar como um profissional da notícia. Que dentro do canudo que se recebe no final do curso vem, além do diploma, importantes lições de ética. Mentira! As reportagens que foram levadas ao ar a partir de Santa Maria provaram o contrário. As imagens macabras não deixaram dúvidas sobre isso. Ética não se aprende sentado no banco da escola. Conquista-se no berço, no ventre materno, vem no DNA, desenvolve-se no seio familiar. Bom senso não se compra no armazém da esquina mais próxima.

Coerência não está disponível nas prateleiras dos supermercados com uma infinidade de sabores e cores. A diferença está entre transformar-se em jornalista e nascer jornalista. Pode parecer pouco, mas não é. Quem nasce jornalista traz o ofício incrustado na alma. Quem transforma-se em jornalista escora a profissão no sindicato pelego da categoria, que dá ao incauto e soberbo um número rebuscado, como se fosse mais uma vítima do holocausto da imprensa. Entre ofício e profissão há uma monumental distância.

Jornalismo é meu ofício. E eu nasci jornalista. É por isso que respeito a dor alheia e me recuso a embarcar no sensacionalismo barato e chicaneiro, que serve apenas e tão somente para entupir os cofres dos veículos de comunicação e saquear a dignidade de quem sofre. Por sorte Deus me presenteou com a capacidade de escrever e me livrou da obrigação de gastar o suado dinheiro para desaprender o que um saudoso e humilde engraxate me ensinou.

Santo Evangelho (Lc 12, 54-59)

29ª Semana Comum – Sexta-feira 26/10/2018 

Primeira Leitura (Ef 4,1-6)
Leitura da Carta de São Paulo aos Efésios.

Irmãos, 1eu, prisioneiro no Senhor, vos exorto a caminhardes de acordo com a vocação que recebestes: 2Com toda a humildade e mansidão, suportai-vos uns aos outros com paciência, no amor. 3Aplicai-vos a guardar a unidade do espírito pelo vínculo da paz. 4Há um só Corpo e um só Espírito, como também uma só é a esperança à qual fostes chamados. 5Há um só Senhor, uma só fé, um só batismo, 6um só Deus e Pai de todos, que reina sobre todos, age por meio de todos e permanece em todos.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Responsório (Sl 23)  

— É assim a geração dos que buscam vossa face, ó Senhor, Deus de Israel.
— É assim a geração dos que buscam vossa face, ó Senhor, Deus de Israel.

— Ao Senhor pertence a terra e o que ela encerra, o mundo inteiro com os seres que o povoam; porque ele a tornou firme sobre os mares, e sobre as águas a mantém inabalável.

— “Quem subirá até o monte do Senhor, quem ficará em sua santa habitação?” “Quem tem mãos puras e inocente coração.

— Quem não dirige sua mente para o crime. Sobre este desce a bênção do Senhor e a recompensa de seu Deus e Salvador.” “É assim a geração dos que o procuram, e do Deus de Israel buscam a face.”

 

Evangelho (Lc 12,54-59)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Lucas.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 54Jesus dizia às multidões: “Quando vedes uma nuvem vinda do ocidente, logo dizeis que vem chuva. E assim acontece. 55Quando sentis soprar o vento do sul, logo dizeis que vai fazer calor. E assim acontece. 56Hipócritas! Vós sabeis interpretar o aspecto da terra e do céu. Como é que não sabeis interpretar o tempo presente? 57Por que não julgais por vós mesmos o que é justo? 58Quando, pois, tu vais com o teu adversário apresentar-te diante do magistrado, procura resolver o caso com ele enquanto estais a caminho. Senão ele te levará ao juiz, o juiz te entregará ao guarda, e o guarda te jogará na cadeia. 59Eu te digo: daí tu não sairás enquanto não pagares o último centavo”.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

 

A IGREJA CATÓLICA CELEBRA E VENERA HOJE
São Luís Orione, grande exemplo de santidade

São Luís Orione, era um grande devoto de Nossa Senhora, propagou a devoção mariana

O Papa João Paulo II, em 1980, colocou diante dos nossos olhos um grande exemplo de santidade expressa na caridade: Luís Orione. Nasceu em Pontecurone, um pequeno município na Diocese de Tortona, no Norte da Itália, no dia 23 de junho de 1872.

Bem cedo percebeu o chamado do Senhor ao sacerdócio. Ao entrar no Oratório, em Turim, recebeu no coração as palavras de São Francisco de Sales lançadas pelo amado São João Bosco: “Um terno amor ao próximo é um dos maiores e excelentes dons que a Divina Providência pode conceder aos homens”. Concluiu o ginásio, deixou o Oratório Salesiano, voltou para casa e depois entrou no seminário onde cursou filosofia, teologia, até chegar ao sacerdócio que teve como lema: “Renovar tudo em Cristo”. Luís Orione, sensível aos sofrimentos da humanidade, deixou-se guiar pela Divina Providência a fim de aliviar as misérias humanas.

Sendo assim, dedicou-se totalmente aos doentes, necessitados e marginalizados da sociedade. Também fundou a Congregação da “Pequena Obra da Divina Providência”. Em 1899, Dom Orione deu início a mais um Ramo da nova Congregação: os “Eremitas da Divina Providência”. Em 1903, Dom Orione recebeu a aprovação canônica aos “Filhos da Divina Providência”, Congregação Religiosa de Padres, Irmãos e Eremitas da Família da Pequena Obra da Divina Providência.

A Congregação e toda a Família Religiosa propunha-se a “trabalhar para levar os pequenos os pobres e o povo à Igreja e ao Papa, mediante obras de caridade”. Dom Orione teve atuação heróica no socorro às vítimas dos terremotos de Reggio e Messina (1908) e da Marsica (1915).

Por decisão do Papa São Pio X, foi nomeado Vigário Geral da Diocese de Messina por 3 anos. Vinte anos depois da fundação dos “Filhos da Divina Providência”, em 1915, surgiu como novo ramo a Congregação das “Pequenas Irmãs Missionárias da Caridade”, Religiosas movidas pelo mesmo carisma fundacional.

O zelo missionário de Dom Orione cedo se manifestou com o envio de missionários ao Brasil em 1913 e, em seguida, à Argentina, ao Uruguai e diversos países espalhados pelo mundo. Dom Orione esteve pessoalmente como missionário, duas vezes, na América Latina: em 1921 e nos anos de 1934 a 1937, no Brasil, na Argentina e no Uruguai, tendo chegado até ao Chile. Foi pregador popular, confessor e organizador de peregrinações, de missões populares e de presépios vivos.

Grande devoto de Nossa Senhora, propagou de todos os modos a devoção mariana e ergueu santuários, entre os quais o de Nossa Senhora da Guarda em Tortona e o de Nossa Senhora de Caravaggio; na construção desses santuários será sempre lembrada a iniciativa de Dom Orione de colocar seus clérigos no trabalho braçal ao lado dos mais operários civis.

Em 1940, Dom Orione atacado por graves doenças de coração e das vias respiratórias foi enviado para Sanremo. E ali, três dias depois de ter chegado, morreu no dia 12 de Março, sussurrando suas últimas palavras: “Jesus! Jesus! Estou indo.” Vinte e cinco anos depois, em 1965, seu corpo foi encontrado incorrupto e depositado numa urna para veneração pública, junto ao Santuário da Guarda, em Sanremo na Itália.

O Papa Pio XII o denominou “pai dos pobres, benfeitor da humanidade sofredora e abandonada” e o Papa João Paulo II depois de tê-lo declarado beato em 26 de outubro de 1980, finalmente o canonizou em 16 de maio de 2004.

São Luís Orione, rogai por nós!

Santa Teresa de Calcutá

Madre Teresa de Calcutá (nascida em 27 de Agosto 1910 e falecida em 05 de Setembro 1997) foi uma missionária católica albanesa, nascida na República da Macedônia e naturalizada indiana, beatificada e canonizada pela Igreja Católica.

O senhor não daria banho a um leproso nem por um milhão de dólares? Eu também não. Só por amor se pode dar banho a um leproso.

Por vezes sentimos que aquilo que fazemos não é senão uma gota de água no mar. Mas o mar seria menor se lhe faltasse uma gota.

Quando descanso? Descanso no amor.

O que eu faço, é uma gota no meio de um oceano. Mas sem ela, o oceano será menor.

Todas as nossas palavras serão inúteis se não brotarem do fundo do coração. As palavras que não dão luz aumentam a escuridão.

As palavras de amizade e conforto podem ser curtas e sucintas, mas o seu eco é infindável.

Temos de ir à procura das pessoas, porque podem ter fome de pão ou de amizade.

A falta de amor é a maior de todas as pobrezas.

O que eu faço é simples: ponho pão nas mesas e compartilho-o.

Quem julga as pessoas não tem tempo para amá-las.

A todos os que sofrem e estão sós, dai sempre um sorriso de alegria. Não lhes proporciones apenas os vossos cuidados, mas também o vosso coração.

Sei que o meu trabalho é uma gota no oceano, mas sem ele, o oceano seria menor.

O importante não é o que se dá, mas o amor com que se dá.

O dever é uma coisa muito pessoal; decorre da necessidade de se entrar em ação, e não da necessidade de insistir com os outros para que façam qualquer coisa.

Não devemos permitir que alguém saia da nossa presença sem se sentir melhor e mais feliz.

Não ame pela beleza, pois um dia ela acaba. Não ame por admiração, pois um dia você se decepciona. Ame apenas, pois o tempo nunca pode acabar com um amor sem explicação.

A falta de amor é a maior de todas as pobrezas.

“Se um dia eu for Santa, serei com certeza a santa da escuridão’. Estarei continuamente ausente do Paraíso”, escreveu a monja.

”… Se você vive julgando as pessoas, não tem tempo para amá-las… ”

“Ama-me por Amor somente”.

AMA-ME POR AMOR SOMENTE
Não digas: “Amo-a pelo seu olhar, o seu sorriso, o modo de falar honesto e brando. Amo-a porque se sente minh’alma em comunhão constantemente com a sua”.

Porque pode mudar isso tudo, em si mesmo, ao perpassar do tempo, ou para ti unicamente. Nem me ames pelo pranto que a bondade de tuas mãos enxuga, pois se em mim secar, por teu conforto, esta vontade de chorar, teu amor pode ter fim! Ama-me por amor do amor, e assim me hás de querer por toda a eternidade. Não ame pela beleza, pois um dia ela acaba. Não ame por admiração, pois um dia você decepciona-se… Ame apenas, pois o tempo nunca pode acabar com um amor sem explicação!!! O senhor não daria banho a um leproso nem por um milhão de dólares? Eu daria. Só por dinheiro se pode dar banho a um leproso.

A VIDA  
A vida é uma oportunidade, aproveita-a. A vida é beleza, admira-a. A vida é beatificação, saborei-a. A vida é sonho, torna-o realidade. A vida é um desafio, enfrenta-o. A vida é um dever, cumpre-o. A vida é um jogo, joga-o. A vida é preciosa, cuida-a. A vida é riqueza, conserva-a. A vida é amor, goza-a. A vida é um mistério, desvela-o. A vida é promessa, cumpre-a. A vida é tristeza, supera-a. A vida é um hino, canta-o. A vida é um combate, aceita-o. A vida é tragédia, domina-a. A vida é aventura, afronta-a. A vida é felicidade, merece-a. A vida é a VIDA, defende-a.

É fácil amar os que estão longe. Mas nem sempre é fácil amar os que vivem ao nosso lado.

ASSIM MESMO  
Muitas vezes as pessoas são egocêntricas, ilógicas e insensatas. Perdoe-as assim mesmo. Se você é gentil, as pessoas podem acusá-lo de egoísta, interesseiro. Seja gentil, assim mesmo. Se você é um vencedor, terá alguns falsos amigos e alguns inimigos verdadeiros. Vença assim mesmo. Se você é honesto e franco, as pessoas podem enganá-lo. Seja honesto assim mesmo. O que você levou anos para construir, alguém pode destruir de uma hora para outra. Construa assim mesmo. Se você tem Paz e é Feliz, as pessoas podem sentir inveja. Seja Feliz assim mesmo. Dê ao mundo o melhor de você, mas isso pode nunca ser o bastante. Dê o melhor de você assim mesmo. Veja que, no final das contas, é entre você e DEUS. Nunca foi entre você e as outras pessoas.

“Enquanto estiver vivo, sinta-se vivo. Se sentir saudades do que fazia, volte a fazê-lo. Não viva de fotografias amareladas… Continue, quando todos esperam que desistas. Não deixe que enferruje o ferro que existe em você. Faça com que em vez de pena, tenham respeito por você. Quando não conseguir correr através dos anos, trote. Quando não conseguir trotar, caminhe. Quando não conseguir caminhar, use uma bengala. Mas nunca se detenha”.

Mantenha seus olhos puros para que Jesus possa olhar através deles. Mantenha sua língua pura para que Jesus possa falar por sua boca. Mantenha suas mãos puras para que Jesus possa trabalhar com suas mãos. Mantenha sua mente pura para que Jesus possa pensar seus pensamentos em sua mente. Mantenha seu coração puro para que Jesus possa amar com seu coração. Peça a Jesus para viver sua própria vida em você porque: Ele é a Verdade da humildade. Ele é a Luz da caridade. Ele é a Vida da santidade.

Papa fala aos jovens sobre família, vocação, trabalho e missão

Visita a Assis, sexta-feira, 4 de outubro  de 2013, Jéssica Marçal e Rodrigo Santos / Da Redação

Em sua visita a Assis, Francisco encontrou-se com jovens e respondeu seus questionamentos

Cerca de 12 mil jovens acolheram o Papa Francisco nesta sexta-feira, 4, na Praça da Basílica Santa Maria dos Anjos, em Assis, Itália. Em um clima de grande festa, a juventude acolheu o primeiro pontífice a assumir o nome do santo italiano festejado hoje. Na ocasião, o Santo Padre respondeu quatro perguntas feitas pelos próprios jovens sobre vocação, família, trabalho e missão.

Na chegada ao local, o Papa esbanjou atenção e abraços para os jovens. Após percorrer, de papamóvel, a praça da Basílica de Santa Maria dos Anjos, entrou na Basílica. Depois da visita e a oração silenciosa na Porciúncula, o Santo Padre dirigiu-se aos jovens presentes.

Oito jovens representaram as oito dioceses úmbrias. A primeira pergunta foi de um casal jovem, questionando sobre o matrimônio. Francisco considerou que hoje em dia a base não é mais garantida pelas famílias e pela tradição social, mas sim pela valorização do indivíduo mais do que a família. Mas destacou que o Espírito Santo sempre tem respostas aos novos tempos, como os novos cursos de preparação para noivos e os grupos de jovens casais nas paróquias.

“Então, gostaria de dizer para vocês não terem medo de dar passos definitivos na vida como é o matrimônio: aprofundem o amor de vocês, respeitando o tempo e as expressões de cada um, rezem, se preparem bem, mas tenham também confiança de que o Senhor não deixa vocês sozinhos!”.

Em outra pergunta, os jovens indagaram como podem reconhecer o chamado de Deus, em especial ao celibato e à vida consagrada. O Papa indicou então dois caminhos essenciais: rezar e caminhar na Igreja, mantendo uma relação familiar com o Senhor.

“Deus nos surpreende sempre! É Deus que chama; porém é importante ter uma relação cotidiana com Ele, escutá-Lo em silêncio diante do Tabernáculo e no íntimo de nós mesmos, falar com Ele, aproximar-se dos Sacramentos”.

Com relação às outras duas perguntas, Francisco respondeu-as a partir da palavra “Evangelho”. As perguntas foram sobre o compromisso social, neste período de crise que ameaça a esperança, e sobre a evangelização, levar Jesus aos outros.

“O Evangelho, esta mensagem de salvação, tem duas destinações que estão ligadas: a primeira, suscitar a fé, e esta é a evangelização; a segunda, transformar o mundo de acordo com o desígnio de Deus, e esta é a animação cristã da sociedade. Mas não são duas coisas separadas, são uma única missão: levar o Evangelho, com o testemunho da nossa vida transformar o mundo! Este é o caminho!

 

RESPOSTA DO PAPA ÀS PERGUNTAS DOS JOVENS
Visita Pastoral a Assis
Encontro com os jovens da Úmbria na Praça da Basílica de Santa Maria dos Anjos
Sexta-feira, 4 de outubro de 2013
Boletim da Santa Sé Tradução: Rodrigo Santos

Queridos jovens da Úmbria,  Boa tarde!

Obrigado por terem vindo, obrigado por esta festa! E obrigado pelas perguntas, muito importantes.

Fico contente que a primeira pergunta tenha sido de um casal jovem. Um belo testemunho! Dois jovens que escolheram, decidiram, com alegria e coragem formar uma família. Sim, porque é verdade mesmo, é preciso coragem para formar uma família!

Sim, é preciso ter coragem, é preciso ter coragem para formar uma família!

E a pergunta de vocês, jovens casados, se une à pergunta sobre a vocação. O que é o matrimônio? É uma verdadeira e própria vocação, como o são o sacerdócio e a vida religiosa. Dois cristãos que se casam reconheceram na própria história de amor o chamado do Senhor, a vocação a formar a partir dos dois, homem e mulher, uma só carne, uma só vida. E o Sacramento do matrimônio envolve este amor com a graça de Deus, o enraíza no próprio Deus. Com este dom, com a certeza deste chamado, é possível partir seguros, não se tem medo de nada, pode se enfrentar tudo, juntos!

Pensemos em nossos pais, nossos avós ou bisavós: se casaram em condições muito mais pobres do que as nossas, alguns em tempo de guerra, ou de pós-guerra; alguns são emigrados, como os meus pais. Onde encontravam a força? A encontravam na certeza de que o Senhor estava com eles, que a família é abençoada por Deus com o Sacramento do matrimônio, e que abençoada é a missão de colocar no mundo os filhos e educá-los. Com estas certezas superaram também as provações mais duras. Eram certezas simples, mas verdadeiras, formavam colunas que sustentavam o amor deles.

Não foi fácil a vida deles. Eles tinham problemas, tantos problemas, mas estas certezas simples os ajudavam a seguir adiante. E conseguiram formar uma bela família, a dar vida, conseguiram criar os filhos.

Queridos amigos, é preciso esta base moral e espiritual para construir bem, de maneira sólida! Hoje, esta base não é mais garantida pelas famílias e pela tradição social. Ao contrário, a sociedade em que vocês nasceram privilegia os direitos individuais mais do que a família, estes direitos individuais, as relações que duram para que não surjam dificuldades, e por isso às vezes fala de relações do casal, da família e do matrimônio de modo superficial e equívoco. Bastaria olhar certos programas televisivos!

E podemos ver estes valores… Quantas vezes os párocos – eu também ouvi isso algumas vezes-, quando chega um casal que quer se casar e diz “nos amamos muito mas ficaremos juntos até que o amor acabe”. Isso é egoísmo. Quando não sinto, corto o matrimônio, e esqueço daquilo que é uma só carne, que não pode separar-se, é arriscado casar-se. O egoísmo nos ameaça. Dentro de nós temos a possibilidade de uma dupla personalidade: uma que diz o outro e outra que diz eu, meu, comigo… é egoísmo sempre, que não sabe se abrir aos outros.

A outra dificuldade é esta cultura do provisório, de não buscar nada que seja definitivo, mas o provisório, o amor enquanto dura.

Uma vez eu ouvi um seminarista muito bom que dizia: “quero ser padre por dez anos, depois vejamos”. Essa é a cultura do provisório. Mas Jesus não nos salvou de maneira provisória, nos salvou definitivamente.

Mas, o Espírito Santo suscita sempre respostas novas às novas exigências! E assim, se multiplicaram na Igreja os caminhos para os noivos, os cursos de preparação para o Matrimônio, os grupos de jovens casais nas paróquias, os movimentos familiares… São uma riqueza imensa! São pontos de referência para todos: jovens em busca, casais em crise, pais em dificuldade com os filhos e vice-versa. Mas nos ajudam todos. E há ainda as diferentes formas de acolhimento como: adoção temporária, adoção, abrigos para menores de vários tipos… A fantasia [me permita a palavra] do Espírito Santo é infinita, mas é também muito concreta! Então, gostaria de dizer para vocês não terem medo de dar passos definitivos. Não tenham medo.

Quantas vezes ouço mães que me dizem “tenho um filho de 30 anos anos que não se decide, não se casa. Ele namora, mas não casa”. Então eu digo, “senhora, não passe mais as camisas dele”. Não tenham medo de dar passos definitivos como o é o matrimônio: aprofundem o amor de vocês, respeitando o tempo e as expressões de cada um, rezem, se preparem bem, mas tenham também confiança de que o Senhor não deixa vocês sozinhos! Façam com que Ele entre na casa de vocês como alguém da família, Ele sempre sustentará vocês.

A família é a vocação que Deus escreveu na natureza do homem e da mulher, mas há uma outra vocação complementar ao matrimônio: o chamado ao celibato e à virgindade pelo Reino dos céus. É a vocação que o próprio Jesus viveu. Como reconhecê-la? Como segui-la? É a terceira pergunta que vocês me fizeram.

Alguns de vocês pode perguntar: “como esse bispo é bom, acabaram de perguntar e já tem as respostas escritas”. É que eu já respondi uns dias atrás…

E respondo para vocês com dois elementos essenciais: rezar e caminhar na Igreja. Estas duas coisas devem seguir juntas, são interligadas. Na origem de cada vocação à vida consagrada existe sempre uma experiência forte de Deus, uma experiência que não se esquece, que se recorda por toda a vida! Foi o que aconteceu com Francisco. E isso nós não podemos calcular ou programar. Deus nos surpreende sempre! É Deus que chama; porém é importante ter uma relação cotidiana com Ele, escutá-Lo em silêncio diante do Tabernáculo e no íntimo de nós mesmos, falar com Ele, aproximar-se dos Sacramentos. Ter esta relação familiar com o Senhor é como ter aberta a janela da nossa vida para que Ele nos faça ouvir sua voz, o que Ele quer de nós. Seria belo ouvir vocês, ouvir os padres aqui presentes, as freiras… Seria belíssimo, porque cada história é única, mas todas partem de um encontro que ilumina no profundo, que toca o coração e envolve toda a pessoa: afeto, intelecto, sentidos, tudo.

A relação com Deus não diz respeito somente a uma parte de nós mesmos, diz respeito a tudo. É um amor tão grande, tão belo, tão verdadeiro, que merece tudo e merece toda a nossa confiança. E uma coisa gostaria de dizer com força, especialmente hoje: a virgindade pelo Reino de Deus não é um “não”, é um “sim”! Certo, comporta a renúncia a um elo conjugal e uma própria família, mas na base está o “sim”, como resposta ao “sim” total de Cristo para conosco, e este “sim” os torna fecundos.

Mas, aqui em Assis não há necessidade de palavras! Aqui tem Francisco, tem Clara, eles falam! O carisma deles continua a falar a tantos jovens no mundo inteiro: rapazes e moças que deixam tudo para seguir Jesus no caminho do Evangelho.

E isso, Evangelho. Gostaria de tomar a palavra “Evangelho” para responder outras duas perguntas que vocês me fizeram, a segunda e a quarta. Uma diz respeito ao compromisso social, neste período de crise que ameaça a esperança; e a outra diz respeito à evangelização, o levar o anúncio de Jesus aos outros. Vocês me perguntaram: o que podemos fazer? Qual pode ser nossa contribuição?

Aqui em Assis, aqui perto da Porciúncula, parece que podemos ouvir a voz de são Francisco que nos repete: “Evangelho, Evangelho!”. O diz também a mim, melhor, primeiro a mim: Papa Francisco, seja servidor do Evangelho!

Se eu não consigo ser um servidor do Evangelho, a minha vida não vale nada. Mas, o Evangelho, queridos amigos, não diz respeito somente à religião, diz respeito ao homem, todo o homem, e diz respeito ao mundo, à sociedade, à civilização humana. O Evangelho é a mensagem de salvação de Deus pela humanidade. Mas quando dizemos “mensagem de esperança”, não é um modo de dizer, não são simples palavras ou palavras vazias como existem tantas hoje! A humanidade precisa ser salva verdadeiramente! O vemos todos os dias quando folheamos o jornal, o ouvimos nas notícias na televisão; mas o vemos também ao nosso redor, nas pessoas, nas situações…; nós o vemos em nós mesmos! Cada um de nós precisa da salvação! Sozinhos não conseguimos. Salvação do que? Do mal. O mal opera, faz seu trabalho. Mas o mal não é invencível e o cristão não se rende diante do mal. E vocês jovens, querem se render ao mal, às injustiças, às dificuldades?

Querem ou não?

O nosso segredo é que Deus é maior que o mal: E isso é verdade: Deus é maior que o mal. Deus é amor infinito, misericórdia sem limites, e este Amor venceu o amor pela raiz na morte e a ressurreição de Cristo. Este é o Evangelho, a Boa Notícia: o amor de Deus venceu! Cristo morreu na cruz pelos nossos pecados e ressuscitou. Com Ele nós podemos lutar contra o mal e vencê-lo todos os dias. Cremos nisto ou não?  SIM!

Mas este sim deve ser levado na vida. Se eu creio que Jesus venceu o mal e me salva, devo seguir o caminho de Jesus durante toda a vida.

Então, o Evangelho, esta mensagem de salvação, tem duas destinações que estão ligadas: a primeira, suscitar a fé, e esta é a evangelização; a segunda, transformar o mundo de acordo com o desígnio de Deus, e esta é a animação cristã da sociedade. Mas não são duas coisas separadas, são uma única missão: levar o Evangelho com o testemunho da nossa vida transforma o mundo! Este é o caminho! Levar o Evangelho com o testemunho da nossa vida  Olhemos para Francisco: ele fez todas estas duas coisas, com a força do único Evangelho. Francisco fez crescer a fé, renovou a Igreja; e ao mesmo tempo renovou a sociedade, a tornou mais fraterna, mas sempre com o Evangelho.

Sabem o que uma vez Francisco disse aos seus irmãos. Preguem sempre o Evangelho e se for necessário, também com palavras. Mas, como é possível pregar o Evangelho sem palavras: sim com o testemunho, primeiro o testemunho.

Jovens da Úmbria: façam assim vocês também! Hoje, em nome de são Francisco, digo para vocês: ouro e prata não tenho para lhes dar, mas algo muito mais precioso, o Evangelho de Jesus. Vão com coragem! Com o Evangelho no coração e nas mãos, sejam testemunhas da fé com a vida de vocês.

Levem Cristo à casa de vocês. Acolham e testemunhem nos pobres. Jovens deem à Úmbria uma mensagem de paz e esperança. Vocês podem fazer isso.

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