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Por que batizar uma criança?

Sacramento

“Crê no Senhor Jesus e serás salvo, como também todos os de tua casa”

O batismo é um sinal visível da realidade oculta da salvação, de acordo com o Catecismo da Igreja Católica, número 774. A Igreja ensina isso a respeito de todos os sacramentos; nesse caso, o sacramento se mostra visível pelo sinal da água, que é derramada sobre a criatura. Por meio dessa graça, a pessoa se torna filho ou filha de Deus.

No início da Igreja, os apóstolos obedeceram ao mandato do Senhor: “Ide, pois, e ensinai a todas as nações; batizai-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo” (Mt 28,19). No livro dos Atos dos Apóstolos, vemos que os apóstolos foram testemunhas do principal evento da humanidade: a Morte de Jesus por amor à humanidade e Sua Ressurreição.

Os apóstolos anunciavam o Cristo, e aqueles que aderiam a Ele eram batizados. “Quem crer e for batizado será salvo, mas quem não crer será condenado” (Mc 16,16). Quando Pedro anunciou Jesus para a família de Cornélio, este e toda sua família foram batizados. Ora, será que só havia adultos na família? Quando o carcereiro fez uma experiência de Deus, o que Paulo disse a ele? “Crê no Senhor Jesus e serás salvo, como também todos os de tua casa”; depois, completou o autor dos Atos dos Apóstolos: “E, imediatamente, foi batizado, junto com todos os seus familiares (cf. Atos 16,31-33). Será que as crianças não faziam parte da família?

Jesus sempre quis bem às crianças. “Trouxeram-lhe também criancinhas, para que ele as tocasse. Vendo isso, os discípulos as repreendiam. Jesus, porém, chamou-as e disse: ‘Deixai vir a mim as criancinhas e não as impeçais, porque o Reino de Deus é daqueles que se parecem com elas. Em verdade vos declaro: quem não receber o Reino de Deus como uma criancinha, nele não entrará’” (Lc 18, 15-17).

Podemos constatar que há batismo de crianças no tempo da Igreja primitiva, pois Jesus quer bem a elas. Se ganho algo bom, quero partilhar com os meus. Os adultos fizeram uma experiência com Jesus Salvador e foram batizados e conquistaram esse sacramento também para os seus filhos.

Em nossa Igreja, os sacramentos da iniciação são: batismo, Eucaristia e crisma, sendo o primeiro a porta de entrada para os demais. Após o batismo, os pais e padrinhos se tornam os principais evangelizadores e catequistas dos neobatizados, vão ensiná-los sobre a fé e proporcionar-lhes experiências de oração. O padrinho deve ser presente e dar testemunho de fé em Jesus Cristo, esse é o maior presente que pode e deve dar ao seu afilhado.

O batismo, além da graça da filiação divina, concede o perdão dos pecados. A criança possui pecado? Sim, ela possui o pecado original, que significa o mal cometido por Adão e Eva. Eles foram chamados à santidade original – todos os homens foram e são chamados à santidade em Adão e Eva. Uma vez que os primeiros pais pecaram pela desobediência, a santidade original foi ferida. O apóstolo São Paulo confirmou isso quando disse: “Assim como, pelo pecado de um só, veio para todos os homens a condenação…” Mas como uma criancinha pode ter pecado?

O pecado não foi cometido e sim transmitido. O Catecismo da Igreja Católica ainda ensina “é um pecado «contraído» e não «cometido» um estado, não um ato.” (n. 404), e a consequência dele é a morte da alma. Por essa razão, a Igreja confere o batismo às crianças. Que desgraça foi o pecado original! No entanto, o mesmo São Paulo continuou: “Assim também, pela obra de justiça de um só [Cristo], virá para todos a justificação que dá a vida” (Rm 5,18). Jesus Cristo concede a graça da santidade original graças à Sua Páscoa e todo aquele que O acolhe e é batizado e salvo (cf. Mc 16,16).

Enfim, o batismo é um sacramento, uma graça sobrenatural. Já ouvi testemunhos em que os pais disseram que a criança havia melhorado após o batismo ou que nasceu com problemas e tiveram de batizá-la ali mesmo no hospital, às pressas, e ela saiu de lá sadia. Não é superstição. O batismo é um sinal visível de uma graça invisível, pode e é recomendado pela Igreja, insere a pessoa na linda família cristã, perdoa o pecado original e devolve a santidade original, a qual, a partir daí, deve ser ajudada com os pais, padrinhos e pela comunidade de fé.

Padre Márcio do Prado, natural de São José dos Campos (SP), é sacerdote na Comunidade Canção Nova. Ordenado em 20 de dezembro de 2009, cujo lema sacerdotal é “Fazei-o vós a eles” (Mt 7,12), padre Márcio cursou Filosofia no Instituto Canção Nova, em Cachoeira Paulista; e Teologia no Instituto Mater Dei, em Palmas (TO). Twitter: @padremarciocn

Ano Novo! Vida Nova!

SERÁ PARA MIM O ANO DA GRAÇA
Por Pe. Inácio José Schuster

Dirigiu-se a Nazaré, onde se havia criado. Entrou na sinagoga em dia de sábado, segundo o seu costume, e levantou-se para ler. Foi-lhe dado o livro do profeta Isaías. Desenrolando o livro, escolheu a passagem onde está escrito (61, 1s.): O Espírito do Senhor está sobre mim, porque me ungiu; e enviou-me para anunciar a boa nova aos pobres, para sarar os contritos de coração, para anunciar aos cativos a redenção, aos cegos a restauração da vista, para pôr em liberdade os cativos, para publicar o ano da graça do Senhor’ (Lucas 4, 16-19). Estamos no ano de 2019, e neste dia podemos proclamar sobre o nosso ano toda graça. Este ano de 2019 será o ano da graça do Senhor em sua vida. Posso declarar que este ano será da graça, mas posso fazer dele com minhas atitudes uma ‘desgraça’. ‘Portanto, sede perfeitos, assim como vosso Pai celeste é perfeito’ (Mateus 5, 45). Neste ano devemos buscar ser perfeito como Deus é perfeito, é preciso buscar nas mínimas coisas a perfeição. Estamos vivendo o ano novo, então vivamos também uma vida nova. Você tem repetido as atitudes da mulher velha, do homem velho que você fazia em 2018? Você precisa ter uma nova postura, postura de quem declarou um ano de graça. Não podemos nos apoiar em superstições – quantos católicos pulam ondas nas praias – precisamos apoiar somente em Jesus. Precisamos fixar a nossa vida na Palavra do Senhor, e é na Palavra que estão as exigências para termos um ano de graça. O que é ser perfeito? Eu resumiria na palavra de São Paulo que diz: ‘Esta é a vontade de Deus: a vossa santificação; que eviteis a impureza’ (I Tessalonicenses 4, 3). E Paulo ainda diz o que não devemos viver em 2019 – ‘Não se pode deixar levar pelas paixões desregradas, como os pagãos que não conhecem a Deus; e que ninguém, nesta matéria, oprima nem defraude a seu irmão. Pois Deus não nos chamou para a impureza, mas para a santidade. Por conseguinte, desprezar estes preceitos é desprezar não a um homem, mas a Deus, que nos deu o seu Espírito Santo’ (I Tessalonicenses 4, 4-8). A vontade de Deus para nós, neste ano, é a nossa santificação; e santificação é santificar aquelas realidades que vivemos. Não podemos nos deixar levar pelas paixões da carne. Se você ama a Deus, lute para não desagradá-Lo em nada. O ano de 2018 passou. O que era velho ficou para trás, começamos um ano novo, não com o pé direito, mas apoiados na Palavra de Deus. Diante de todas as nossas atitudes precisamos fazer a seguinte pergunta: ‘Isso agrada a Deus?’ “Onde o meu clergyman não entra, significa que também não posso entrar como padre”. Assim também é para os casados, ambiente que você não pode ficar com sua aliança, não é um ambiente para você. Santifique a sua vida naquelas áreas que hoje precisam ser santificada, e em tudo agrademos o Senhor Jesus. Agrademos a Deus quando estivermos em púbico, no quarto, na casa… essa é a proposta de Deus para 2019, e assim teremos um ano na Graça e na Misericórdia do Senhor. Faça uma revolução na sua vida no ano de 2019 através da Palavra de Deus e dos Sacramentos.

 

A ALEGRIA DE SER CATÓLICO
Professor Felipe Aquino

Às vezes a gente reza bastante, mas medita pouco e não muda de vida. Mas, se meditamos, deixamos a luz de Deus entrar, então, mudamos. Santa Catarina de Sena dizia: “Entra na sala do seu interior”. Se você se conhecer, você vai ser humilde, vai conhecer a sua pequenez e isso agrada a Deus. Sabemos que o que mais encantou a Deus em Nossa Senhora, foi a sua pequenez. O evangelho diz que aquele que se humilha será exaltado. A meditação faz a gente conhecer o nosso tamanho e amar o outro. Quando se encerra um ano, eu penso que vem ao nosso coração um pensamento muito forte: é tempo de agradecer. Por isso, mandamos um cartãozinho agradecendo a amizade, mas é preciso agradecer a Deus. O Senhor não precisa de aplausos porque não podemos acrescentar em nada sua glória, mas Ele quer a sua gratidão. Não existe nada mais triste que a ingratidão. Ser rico não é ter muito, ser rico é precisar de pouco para ser feliz. Deus não deixa faltar o pouco para os que têm fé. Vejam os lírios dos campos, os pássaros do céu… Deus cuida deles. O pouco que precisamos, Deus não deixa faltar, mas é preciso agradecer a Ele. O Papa São João Paulo II, antes da sua morte, no seu sofrimento, dizia: “Quanto mais a gente sofre, mais a gente precisa rezar, quanto mais sofremos, mais precisamos de Deus”. É preciso limpar a alma! Muitas vezes pensamos que os maiores pecados são a inveja, a preguiça, a mentira, a omissão, a luxúria. Não, nenhum desses é o maior pecado! O pior pecado de todos é o de não aceitar Jesus Cristo. Irmãos, estamos ainda na oitava de Natal, este é o maior acontecimento da humanidade, ele é o centro da história, que se divide no antes e o depois de Jesus Cristo. Jesus em uma discussão com os judeus disse: “Por isso vos disse: morrereis no vosso pecado; porque, se não crerdes o que eu sou, morrereis no vosso pecado” (São João 8, 24). Se não aceitarmos Jesus verdadeiramente, vamos morrer no nosso pecado. É viver nesta vida sem Deus e na outra vida também sem Deus. Então, temos que levar Jesus as pessoas neste ano de 2018. Mas repito: é preciso deixar o pecado. Em 1978, São João Paulo II, em seu primeiro discurso, disse: “Abra as portas do mundo para Cristo!” Precisamos abrir as portas das famílias, da política, mas muitos não querem. Muitos não querem saber de Jesus Cristo e também não querem a Igreja que é o corpo de Cristo. Por que tantos ataques contra Igreja? Porque ela é Cristo que ilumina as trevas. Cristo nos chama para sermos a sua luz no mundo. “Vós sois o sal da terra e a luz do mundo”, diz a palavra do Senhor. Não tem coisa mais pavorosa do que a escuridão, mas basta uma pessoa acender uma vela, um palitinho de fósforo, que vem o alivio. Aqui a gente aprende uma lição muito grande: ainda que você seja apenas um palitinho de fósforo na escuridão do mundo, isso já é muito. É melhor acender um fósforo do que ficar maldizendo a escuridão. O que adianta você ficar em casa reclamando do seu pai, da Igreja, do bispo? Pare, acenda uma luzinha. Mas como acender uma vela apagada? Encostando-se em outra. Então, se a sua vela está apagada, chegue em outra vela acesa, a vela da Igreja que nunca se apaga; a vela da fé, dos sacramentos, da palavra de Deus, da Eucaristia. O Beato Papa Paulo VI dizia: ”Quem não ama a Igreja, não ama a Jesus cristo. A Igreja é o corpo de Cristo, é a Igreja que vai sustentar e você e levá-lo para o céu”. Em 2018, se você quer ser feliz, ame a Igreja que nos deu o batismo, que lava nossos pecados no sangue de Cristo. Sem a Igreja, não tem a Eucaristia, o sacrário. Você que brigou com a Igreja, foi atrás de falsos profetas, volte! Não confunda a Igreja com as pessoas! Tem gente que se decepcionou com as pessoas e abandonou a Igreja. Em Efésios 5, 5, Jesus diz: “A Igreja não tem pecado, quem tem pecado são os filhos da Igreja”. “Você pode ter perdido tudo, mas se não perdeu Deus, não perdeu o essencial”. As portas do inferno jamais prevalecerão sobre a Igreja, ela é infalível! Eu poderia citar dez, mas vou citar apenas um versículo que comprava isso. Leia São João 16, 12: “Deus quer que todos se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade”. Aonde que está esta verdade ? Em I Timóteo 3, 15  você encontra: “A Igreja é o fundamento, a coluna da verdade. A verdade esta na Igreja que é o alicerce, a coluna da verdade”. O Beato Papa Paulo VI disse: “Aquele que não ama a Igreja não ama a Jesus cristo”. Podemos desdobrar esta palavra: quem não caminha com a Igreja, não caminha com Jesus Cristo. O meu coração tem que pulsar com o coração da Igreja, nada diferente daquilo que a Igreja ensina. Há uma frase de São João Paulo II que eu quero que vocês repitam neste ano de 2018: “Você pode ter perdido tudo, mas se não perdeu Deus, não perdeu o essencial”. Você pode ter perdido sua casa nas enchentes, seu carro, sua fazenda, mas se você não perdeu Deus, não perdeu a sua fé, então, não perdeu o essencial. Vamos caminhar para 2018, sem tristeza. Não tenha medo porque o Senhor ressuscitado caminha convosco!

 

O VERDADEIRO RÉVEILLON
Márcio Mendes

“É hoje o dia favorável, é agora o dia da salvação” (Ezequiel 37, 1-14). Quem está em busca de uma resposta, o Senhor lhe dará através desta palavra. Esta passagem bíblica está se cumprindo para você. O que hoje está morto na sua vida, o Senhor ressuscitará. Talvez você esteja com o coração apertado, talvez um relacionamento acabado, uma amizade que terminou. O Senhor diz: “Eu vou abrir a tua sepultura! E, por causa desta palavra, você poderá testemunhar para todos que foi encontrado por Deus”. Réveillon significa despertar, é o Senhor que vai despertar você. Existem muitos tipos de morte, pode ser afetiva, psicológica. Onde seus pensamentos estão amortecidos? Talvez, hoje, você traga muitos tons de morte em você, mas, em nome de Jesus, você será ressuscitado. No versículo 11, também de Ezequiel, encontramos: “Nossos ossos estão secos, nossa esperança acabou. Eu direi o que fazer”. Hoje, o Senhor vai lhe mostrar o que você precisa fazer. A palavra fala de sofrimento, mas fala ainda do socorro que Deus vai nos dar, é um socorro espiritual. Qual é o motivo pelo qual você está lendo esta passagem agora? O Senhor atraiu você para que esta palavra se realize. Mas é preciso ter a humildade de reconhecer que você é este osso ressequido. Quantos erros cometemos durante todo este ano,? Quantas vezes nos sentimos perdidos? O Senhor está lhe dizendo: “Eu vos devolverei a vida, lhe darei a vida nova, receberá a vida nova que é a do meu filho”.  Mas, para que esta palavra se cumpra, é preciso reconhecer que você precisa dela, de que sozinho você não consegue. “O que hoje está morto na sua vida, o Senhor ressuscitará” É preciso renunciar tudo aquilo que está estragando você, que está matando você. Abandone o coração velho, o ano novo velho. Despoje-se do seu pecado. O Senhor vai derramar a sua água viva para limpar todo o nosso pecado. Que este dia seja para marcar o fim de muitos adultérios, alcoolismo, prostituição, em nome de Jesus. Que hoje o Senhor coloque um fim naquilo que está matando você. Despoje deste pecado, desta mágoa, de todo o vício das drogas. Hoje é o dia da sua libertação! Deus não condena você, mas quer mostrar onde está a força de que você precisa. São João diz: “Jovens, eu vos escrevi, porque sois fortes e a palavra de Deus permanece em vós, e vencestes o maligno”. Eu falo a você jovem, eu quero lembrar que você é um homem novo. Deus diz a você: “Escute-me, eu vos digo, vós sois fortes e venceste a satanás, e vos falo para que tomes consciência de que a força que está em vós é muito maior que a força que está no mundo”. Nenhum homem, nenhuma mulher, por mais sedutores que sejam, têm maior força do que a que está em você. O Senhor não acusa você, ele te ama; e o Espírito Santo que é o amor, está restabelecendo a paz dentro de você. O Senhor  está concluindo uma grande vitória em você, está colocando em ti o seu amor, que é muito grande. Ele está colocando em você uma nova capacidade de amar. Sabe como descobrimos quando uma pessoa passou da morte para a vida? Quando ela passa a amar o outro. Quem ama faz bem todas as coisas, quem ama tem asas nos pés, tem uma palavra sempre boa na boca, tem sempre um calor, os olhos brilham e nada é difícil para quem ama. Ter vida nova é amar. Toda vida começa depois de uma morte, a vida velha precisa acabar e ficar na cruz porque acabou as tristezas de 2018 e 2019 está sorrindo para você. Em Romanos 8, 13 o Senhor nos diz: “De fato, se viverdes segundo a carne, haveis de morrer; mas, se pelo Espírito mortificardes as obras da carne, vivereis”. Se você tiver coragem de crucificar estes pecados, você viverá, o Espírito Santo lhe dará a vida. É matar o que matava você.

Papa Francisco pede não ser “santos de imagens”, mas felizes pelo Natal

Por Mercedes de La Torre
https://www.acidigital.com/noticias/papa-francisco-pede-nao-ser-santos-de-imagens-mas-felizes-pelo-natal-88069

Papa Francisco – Foto: Vatican Media / ACI Prensa

Vaticano, 22 Dez. 18 / 05:00 am (ACI).- “Não tenhamos medo da santidade, pois ela é o caminho da alegria”, exclamou o Papa Francisco aos funcionários do Vaticano, durante a saudação de Natal, na qual reiterou o seu apelo a não ser “santos de imagens” mas “santos normais” que pedem perdão pelos seus pecados e caminham olhando para frente, “prontos para se deixarem contagiar pela presença de Jesus”.

O Pontífice fez este apelo durante o discurso aos funcionários do Vaticano, reunidos na manhã de sexta-feira, 21 de dezembro, na Sala Paulo VI.

O Santo Padre participou deste tradicional encontro antes do Natal, no qual saudou muitas pessoas e contou que gosta de saudar as famílias. “O prêmio é para a bisavó, 93 anos, com a filha que é a avó, com os pais e com os dois filhos. É linda uma família assim. A família. Vocês trabalham para a família, para os filhos. É uma graça. Cuidem das famílias”, exclamou.

Depois de desejar um feliz Natal a todos, o Papa explicou que “o Natal é, por excelência, uma festa alegre, mas, muitas vezes, percebemos que as pessoas e, talvez, nós mesmos, estamos preocupados com tantas coisas que, no final, não há alegria, ou, se existir, seria muito superficial”.

Ao explicar o motivo, o Pontífice citou uma expressão do escritor francês, Léon Bloy: “Só há uma tristeza… a de não ser santos”. Por isso, recordou que “a alegria está ligada ao ser santos. A mesma coisa acontece com a alegria do Natal. Mas o de ser bons, pelo menos, ter vontade de ser bons”, disse.

Deste modo, o Papa convidou a olhar para o presépio e ver quem é feliz. “Quem está feliz no presépio? Nossa Senhora e São José ficam repletos de alegria ao olhar o Menino Jesus na manjedoura; ficam felizes porque, depois de tantas preocupações, aceitaram este dom de Deus, com muita fé e amor. Eles transbordam de santidade, de alegria”, sublinhou.

“Muitos podem pensar que isto é fácil, porque são Nossa Senhora e São José. Mas não foi fácil para eles, pois não nasceram santos, mas se tornaram. Além disso, os pastores também estão cheios de alegria. Eles são santos porque, ao receberem o anúncio dos Anjos, foram imediatamente até à gruta e viram o sinal que a Estrela lhes havia indicado: uma Criança na manjedoura. Não era óbvio”, assegurou.

Do mesmo modo, o Papa destacou que em alguns presépios há muitas vezes um pastor, jovem, “que olha para a gruta com ar sonhador, encantado: aquele pastor expressa a alegria surpreendida de quem acolhe o mistério de Jesus com ânimo de criança”. Sublinhou ainda que “esta é uma característica da santidade: conservar a capacidade de se surpreender, de se maravilhar diante dos dons de Deus, das suas ‘surpresas’, e o maior dom, a surpresa nova é Jesus. A grande surpresa de Deus”.

Além disso, mencionou que em alguns presépios há personagens com diversas funções. “E todos estão felizes. Por quê? Porque estão como que ‘contagiados’ pela alegria do evento do qual participam, ou seja, o nascimento de Jesus. Assim também seu trabalho é santificado pela presença de Jesus, por sua vinda em meio a nós”, mencionou.

O Santo Padre recordou também o trabalho. “Naturalmente, trabalhar tem sempre uma parte de cansaço, é normal. Mas se cada um reflete um pouco na santidade de Jesus, basta pouco, um pequeno raio, um sorriso, uma atenção, uma cortesia, um pedir perdão, então, todo o ambiente de trabalho é mais ‘respirável’, não é verdade?”, perguntou.

Nesse sentido, abordou o ambiente de trabalho no Vaticano e pediu, “por favor, não falem mal dos outros… rezem por eles, não falem mal, porque isso destrói, destrói a amizade, a espontaneidade”. Francisco acrescentou que “um bom remédio para não falar mal é morder a língua. Quando tiver vontade, morde a língua, assim não falará mal”.

Santidade no Vaticano

Deste modo, o papa reconheceu que também nos ambientes de trabalho existe “a santidade da porta ao lado” e assegurou que “também aqui no Vaticano, certamente, eu posso testemunhá-lo, eu conheço alguns de vocês que são um exemplo de vida, trabalham para a família, e sempre com um sorriso, com aquela laboriosidade saudável, bela. A santidade é possível, é possível!”, insistiu.

O Santo Padre recordou que é seu sexto Natal no Vaticano e que conheceu “muitos santos e santas que trabalham aqui”. “Santo e santas que vivem bem a vida cristã. E se fazem algo feio, pedem perdão, mas seguem adiante. Pode-se viver assim, é uma graça, é muito belo. Geralmente, são pessoas que trabalham no escondimento, com simplicidade e modéstia, mas que fazem tanto bem no trabalho e nas relações com os outros. E são pessoas alegres, mas não porque riem sempre, não, mas porque têm dentro de si uma grande serenidade e sabem transmiti-la aos outros. E de onde vem esta serenidade? Sempre dele, de Jesus, o Emanuel, Deus conosco. Ele é a fonte da nossa alegria, tanto pessoal, como familiar e no trabalho”, explicou.

Ao finalizar, o Papa lhes desejou “ser santos para ser felizes”. “Mas não santos de imagens. Santos normais. Santos e santas de carne e osso, com nosso caráter, com nossos defeitos, também com nossos pecados, pedimos perdão e seguimos em frente, prontos para se deixar contagiar pela presença de Jesus em meio a nós, prontos para ir até Ele como os pastores, que viram este evento, este Sinal incrível que Deus nos deu. Vamos vê-lo? Ou estaremos atendendo outras coisas?”, concluiu.

Transcendência Divina

Quatro pontos que caracterizam a História da Igreja

Percorrendo as vicissitudes históricas da Santa Igreja, apontamos as linhas gerais do governo de Deus. São quatro os pontos que melhor caracterizam a História da Igreja e manifestam a sua transcendência divina.

1- Invicta estabilidade. É uma lei inexorável que todas as coisas tendem para a sua decomposição. Este princípio é aplicado por Santo Agostinho à história com a profundidade e poder do seu gênio. Nota que qualquer instituição conhece três períodos: o início, ao qual sucede quase sempre um triunfo relativo, e depois a decadência até a extinção. E aduz, como exemplos, os grandes impérios da Babilônia, da Pérsia, da Macedônia. Também o intelectual Jacques-Bénigne Bossuet na História Universal, e o erudito Henri Lacordaire, na Conferência sobre as Leis da História, põem em evidência essa verdade.

De fato, nenhuma instituição humana resistiu à erosão do tempo: empresas industriais, comerciais e econômicas, associações filantrópicas, artísticas, literárias, poderosas famílias aristocráticas, cidades, ditaduras implacáveis, monarquias absolutistas, reinos e impérios, tudo acabou no rápido turbilhão dos anos.

Mas, há uma instituição que resistiu às provas mais difíceis e renova continuamente a sua perene juventude: a Igreja Católica de Cristo. Depois de vinte séculos de existência, mantém os mesmos elementos essenciais, a mesma hierarquia, o mesmo Credo, os mesmos sacramentos, o mesmo sacrifício. As mudanças efetuadas são simplesmente acidentais. Como se explica tão poderosa vitalidade? Muito mais se pensarmos na guerra encarniçada que sempre teve de suportar.

Quantas vezes foi anunciado o seu fim! Plínio, no tempo de Trajano, escrevia: “Dentro em breve, a Igreja desaparecerá”. Mais tarde, Juliano apóstata gloriava-se de ter preparado “o caixão para o Carpinteiro de Nazaré”. Martinho Lutero, reformador alemão e inimigo de Roma, lançava o grito: “Ó Papa, eu serei a tua morte”. Também Voltaire afirmava que estava iminente o fim do Papado. Napoleão Bonaparte, à noticia da morte de Pio IV, exclamou: “Morreu o último Papa!”

E, contudo, o Papa e a Igreja continuam hoje mais vivos do que nunca. Nem se creia poder explicar o fenômeno afirmando que a Igreja encontrou caminho favorável para a sua expansão. Pelo contrário. Já vimos que nenhuma outra instituição teve tanto que sofrer como a Igreja. A única explicação conveniente é que a Igreja não é uma instituição humana. Como diz o Papa Francisco: “A Igreja não é uma ONG piedosa”. Teve origem na vontade de Deus e é sustentada pelo Pai celeste. Por isso, nem o diabo, nem o tempo, nem as vicissitudes humanas poderão destruí-la.

2- Unidade católica. Outro fenômeno singular é a unidade da Igreja de Cristo. Munida do magistério infalível e da autoridade suprema, goza duma ordem perfeita, donde deriva a indefectível coesão de todos os seus elementos. Tal unidade manifesta-se visivelmente na doutrina, no culto e no governo. Os mais diversos povos por origem, por ação, por língua, por caráter, por costumes e por civilização fazem parte da Igreja Católica Apostólica Romana. Apesar disso, todos professam o mesmo Credo, participam dos mesmos sacramentos, assistem ao mesmo sacrifício e praticam a mesma moral. E a unidade também aparece perfeita no governo. Em toda a parte a hierarquia é composta de párocos, sujeitos aos seus bispos e todos conjuntamente ao Papa. Essa unidade, glória e grandeza da Igreja Católica, é tanto mais admirável se a comparamos com as infinitas divisões das Igrejas dissidentes, cada uma das quais tem uma doutrina, um culto e um governos próprios.

Existe na Igreja Romana, além da unidade, a catolicidade. Universal é a sua fisionomia e abrange, acima das divisões nacionalistas e raciais, povos de todas as cores e civilizações. Aqui está, em parte, o segredo da sua força expansionista. Não tem preconceitos que a impeçam ou barreiras que a detenham no seu caminho. A sua missão é a plena obediência ao Seu Senhor de anunciar o Seu Santo Evangelho no mundo inteiro.

Nos três primeiros séculos, embora no seio das mais tremendas dificuldades, conquista a maior parte do mundo greco-romano. Depois, expande-se por toda a Europa. Descobertas novas terras pelos navegadores e exploradores intrépidos, espalha os seus valentes missionários por todos os cantos do mundo. Hoje, conta milhões de católicos na Ásia, na África, nas Américas e na Oceania e, enquanto os missionários pacientes, mas continuamente estendem o seu reino entre os cismáticos, muitos são os que voltam do cisma e do protestantismo para unidade católica.

3- Santidade admirável. Outra característica da Igreja de Cristo, refulgente ainda hoje de luz admirável, é a sua santidade. Santa é a doutrina da Igreja. Ela ensinou sempre as mais belas virtudes individuais e sociais: a caridade, a humildade, a justiça, o amor para com os inimigos. Deu à família uma vida nova, repudiando a poligamia, impondo a indissolubilidade do matrimônio, defendendo os direitos da mulher, da criança e do idoso.

No campo social, primeiro suavizou e, a seguir, trabalhou contra a escravatura, condenou sempre o despotismo absoluto, limitando as funções do Estado, inculcou aos súditos a submissão que não deriva do terror servil, mas da convicção religiosa de que toda a autoridade vem de Deus. Deus é amor e justiça, daí as autoridades têm que praticar esses valores para o bem comum.

Doutrina tão sublime não podia deixar de produzir frutos admiráveis de santidade, e eis que ao lado dos mártires que deram a vida com heroísmo sobre-humano para defender esta mesma doutrina, germinaram no seio da Igreja falanges escolhidas de virgens, de confessores, de eremitas, monges, frades e de apóstolos. Forjas de santidade souberam ser as famílias espirituais – as ordens religiosas – no seio das quais desabrocham os mais ilustres campeões do catolicismo.

Tal floração maravilhosa de santidade não impede que na Igreja Romana se tenham manifestado fraquezas. Não devemos exagerar como fazem os nossos adversários. A luz excede em muito as sombras e as próprias sombras contribuem para salientar mais a ação da assistência divina a uma instituição em que entra o elemento humano com as suas inevitáveis deficiências.

4- Fecundidade inesgotável. Com a santidade admirável está intimamente ligada a fecundidade prodigiosa que se manifesta, sobretudo na conservação do patrimônio de fé por intermédio das provas mais árduas e do pulular contínuo das mais diversas heresias.

A este propósito escreve o célebre historiador G. Kurtb, autor das “Origens das civilizações modernas”: “Sozinha no meio do turbilhão, que agitava os espíritos com todos os ventos de doutrina, a Igreja de Roma, semelhante a um farol sublime na noite tempestuosa, fez sempre brilhar a chama da ortodoxia. Sempre fez ouvir a voz da mais pura tradição apostólica. O apóstolo que tinha recebido a gloriosa missão de confirmar os seus irmãos na fé, não cessou de denunciar o erro e de proclamar a verdade e tal foi a vigor desta palavra invicta e invencível no meio de todas as revoluções dogmáticas que deteve todas as heresias e Roma sozinha salvou a unidade da sociedade cristã e a integridade da sua fé”.

E a Igreja aumenta e desenvolve esta fé assimilando, entretanto, tudo o que de verdade, de belo e de bom encontra nas outras doutrinas. Aos poucos e simples escritos dos tempos apostólicos seguem-se as grandes obras dos Santos Padres, as imensas coleções conciliares, as Sumas Teológicas. A mestra da fé tornou-se a mestra da ciência. Das escolas de Alexandrina e de Antioquia às Universidades medievais, aos Seminários, às faculdades filosóficas, teológicas, às universidades católicas, dos últimos tempos, é um gigantesco caminho percorrido pela Igreja no campo científico e da cultura em beneficio da civilização cristã.

Padre Inácio José do Vale
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O desafio do sacerdócio

Neste mês de agosto, a mãe Igreja dedica-o às vocações. Na primeira semana contemplamos a vocação para o ministério ordenado: diáconos, padres e bispos. A proximidade das festas de São João Maria Vianney, e de S. Lourenço, Diácono e Mártir, marcam essa orientação. Mas gostaria de me ater hoje à vocação à vida sacerdotal, que tem aumentado em nosso país. A figura e o exemplo do Cura d’Ars abre esse mês vocacional. Em 2009-2010 foi celebrado o Ano Sacerdotal em função do 150º aniversário da morte do Cura D’Ars. O Santo Padre Bento XVI apresenta-o como um modelo para os sacerdotes de hoje. Como tem de ser um padre, hoje, na cena deste mundo em grande transformação? O Presbítero é o homem da Palavra de Deus, o homem do sacramento, o homem do “mistério da fé”. Os padres, como nos ensina o Concílio, “têm o dever primário de proclamar o evangelho de Jesus a todos os homens” (Presbyterorum ordinis, 4). Mas, nesta proclamação, está o dever também de levar cada homem e cada mulher desse mundo a um encontro pessoal com Cristo. Hoje, mais do que antes, devemos proporcionar possiblidades para que cada pessoa possa fazer esta experiência do encontro com Deus, e o devemos fazer com uma renovada esperança, mesmo nas adversidades de um mundo extremamente secularizado, hedonista, materialista, ateísta e indiferente. As pessoas devem perceber no sacerdote um algo maravilhoso, ao qual ele está a serviço. O que chamamos na teologia de configuração com Cristo. Nesta dimensão, encerra-se a sua vital presença na celebração eucarística, ápice da vida espiritual da Igreja, em que o sacerdote age na pessoa de Cristo. Em suma, o sacerdote deve ser um homem que está em contato permanente com Deus, e que nos leva a fazer a mesma experiência de santidade. A mais sublime missão do sacerdote hoje é, sem dúvida, ser um Cristo agora. “Jesus Cristo é o mesmo ontem, hoje e sempre”. O grande salto qualitativo na vida de qualquer padre seria uma autêntica renovação, que é possível e necessária, e, também uma grande afeição a uma plena e radical fidelidade à Palavra de Deus e à tradição da Igreja, aos quais ele serve no seu ministério. O sacerdote é chamado a ser um místico, e que, ao mesmo tempo, se interessa pelas coisas do mundo, pela vida do homem nas suas angústias e alegrias, para que elas se tornem algo sagrado e agradável ao Senhor. O sacerdote deve trazer as pessoas em singular atitude de viva expressão da fé, ao essencial e ao decisivo de uma autêntica caminhada de espiritualidade cristã. Discurso este que se torna complicado num mundo do descartável e do superficial. Espero e peço a Deus que possamos, assim como o Santo Padre Bento XVI, na oração para o Ano Sacerdotal, repetir junto com todos os nossos padres, e com o mesmo fervor do Santo Cura D’Ars, as palavras que ele costumava rezar: “Eu te amo, Senhor, e meu único desejo é amá-Lo até o último suspiro da minha vida”.

† Orani João Tempesta, O. Cist.  
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ

O caminho à santidade não é para preguiçosos, disse o Papa a 60 mil coroinhas

Por Álvaro De Juana
https://www.acidigital.com/noticias/o-caminho-a-santidade-nao-e-para-preguicosos-disse-o-papa-a-60-mil-coroinhas-25573

Papa durante seu encontro com os coroinhas. Foto: Daniel Ibáñez / ACI Prensa

Vaticano, 31 Jul. 18 / 04:00 pm (ACI).- O Papa Francisco respondeu às perguntas de cinco coroinhas em um encontro com mais de 60 mil jovens, provenientes de vários países do mundo, e os encorajou a ser santos.

“O caminho à santidade não é para pessoas preguiçosas”, disse o Pontífice, respondendo a uma das perguntas.

“É preciso esforço para fazer sempre o bem e nos tornarmos santos”, acrescentou, para recordar em seguida que o principal mandamento é “o amor a Deus e ao próximo”. Além disso, “não podemos fazer outra coisa senão compartilhar o dom do Seu amor com os outros”.

“A paz é Seu dom que nos transforma, para que nós, como membros do Seu corpo, possamos sentir os mesmos sentimentos de Jesus, possamos pensar como Ele pensa, amar como Ele ama”, indicou.

Ao ser perguntado pela paz, Francisco disse ainda que a busca por ela “começa com as pequenas coisas” e convidou a perguntar-se o que Jesus faria em cada situação.

Também falou sobre o serviço que realizam como coroinhas na paróquia, convidando-os a “ficar em silêncio na presença do Senhor”. “Não tenham medo de pedir bons conselhos sempre que vocês se perguntarem como poder servir a Deus e às pessoas”, encorajou.

Francisco incentivou os jovens a levar o Evangelho em todos os lugares. “Procurem conhecer e amar cada vez mais o Senhor Jesus, encontrando-O na oração, na Missa, na leitura do Evangelho, no rosto dos pequenos e dos pobres. E procurem ser amigos, com gratuidade, de quem está ao seu redor, para que um raio da luz de Jesus possa chegar até ele através do coração de vocês apaixonado por Ele”.

O Pontífice destacou que “não são necessárias muitas palavras, são mais importantes os fatos, a proximidade, o serviço. Os jovens, como todos, precisam de amigos que deem o bom exemplo, que façam sem pretender, sem esperar algo em troca”.

“A fé é essencial, me faz viver. Eu diria que a fé é como o ar que respiramos. Não pensamos, a cada respiro, em quanto necessário seja o ar, mas quando falta ou não está limpo, reparamos o quanto é importante!”.

Francisco falou da fé ao responder a outra pergunta e assinalou que “Deus quer entrar em um relacionamento vital conosco; quer criar relações e nós somos chamados a fazer a mesma coisa. Não podemos acreditar em Deus e pensar que somos filhos únicos! Todos somos filhos de Deus. Somos chamados a formar a família de Deus, ou seja a Igreja, a comunidade de irmãos e irmãs em Cristo”.

A virgindade sempre se dá bem no casamento

Evangelho do IV Domingo do Tempo Comum

Padre Angelo del Favero *

1Cor 7, 32-35: “Irmãos, eu quisera que estivésseis isentos de preocupações. Quem não tem esposa, cuida das coisas do Senhor e do modo de agradar ao Senhor. Quem tem esposa, cuida das coisas do mundo e do modo de agradar à esposa, e fica dividido. Da mesma forma, a mulher não casada e a virgem cuidam das coisas do Senhor, a fim de serem santas de corpo e de espírito. Mas a mulher casada cuida das coisas do mundo; procura como agradar ao marido. Digo-vos isto em vosso próprio interesse, não para vos armar cilada, mas para que façais o que é digno e possais permanecer junto ao Senhor sem distração.”

Mc 1, 21-28: “Entraram em Cafarnaum e, logo no sábado, foram à sinagoga. E ali ele ensinava. Estavam espantados com o seu ensinamento, pois ele os ensinava como quem tem autoridade e não como os escribas. Na ocasião, estava na sinagoga deles um homem possuído de um espírito impuro, que gritava, dizendo, “Que queres de nós, Jesus Nazareno? Vieste para arruinar-nos? Sei quem tu és: o Santo de Deus”. Então o espírito impuro, sacudindo-o violentamente e soltando grande grito, deixou-o. Todos então se admiraram, perguntando uns aos outros: “Que é isto? Um novo ensinamento com autoridade! Até mesmo aos espíritos impuros dá ordens, e eles lhe obedecem!” Imediatamente a sua fama se espalhou por todo lugar, em toda a redondeza da Galiléia”.
Na sua “Introdução à vida devota,” São Francisco de Sales, doutor da Igreja (1567-1623), diz que colocar em prática o Evangelho (o que entendemos por “devoção”) é possível e necessário em todas as esferas da vida do batizado, sem exceção: “É um erro, ainda mais, uma heresia, pretender excluir o exercício da devoção do ambiente militar, da oficina dos artesãos, da corte dos príncipes, das casas das pessoas casadas.”

O santo Bispo de Genebra, depois de ter exemplificado alguns estados particulares de vida que corresponde a um modo próprio e legítimo de seguir ao Senhor, conclui: “a devoção não destrói nada quando é sincera, mas antes aperfeiçoa tudo e, quando incompatível com os compromissos de alguém, é definitivamente falsa”.

A mensagem é clara: em todas as condições humanas pode-se e deve-se testemunhar Jesus Cristo.

Estas palavras nos ajudam a entender a segunda leitura.

Paulo, respondendo às perguntas do Corintios, havia declarado abertamente uma preferência pela virgindade mais do que pelo casamento: “Estás livre de mulher? Não vá buscá-la” (1Cor 7, 27). Ele começou a falar dos dois estados de vida com uma declaração surpreendente, e que certamente não deve ser tomada literalmente: “É bom para o homem não tocar em mulher” (1Cor 7, 1).

O apóstolo aqui assume a questão de se é ou não é lícito a um cristão ter relações sexuais (“tocar uma mulher”), ou seja, é preferível para Deus: se casar ou não se casar? Ele já descartou categoricamente a “porneia” (relações pré-matrimoniais), e agora compara a condição das pessoas casadas com aquela das pessoas virgens.

A afirmação: “Quem não tem esposa, cuida das coisas do Senhor e do modo de agradar ao Senhor. Quem tem esposa, cuida das coisas do mundo e do modo de agradar à esposa, e fica dividido” (1Cor 7, 32-34), não tem a intenção de mortificar o estado conjugal em comparação com a virgindade consagrada.

Para Paulo, todos os crentes, homens e mulheres, casados ou não, devem se comprometer a viver o próprio estado de vida como um dom universal de santidade, em Cristo.

Claro, aos esposos não faltará as suas específicas “preocupações”, com algum esforço para viver em plenitude o relacionamento com o Senhor; mas as relações sexuais são legítimas e santificadoras, desde que nenhum dos cônjuges faça delas um uso egoísta.

Neste sentido, a preocupação fundamental dos cônjuges não deve ser aquela de “sim/não” à relação sexual, mas do “sim” à verdade desta diante de Deus

E a verdade do relacionamento conjugal é esta: Deus quer que os dois sejam “uma só carne” (Mt 19, 4-6), e que o sejam de modo “virginal”, isto é, com pureza de coração e com pureza de amor.

Puro é o coração que no dom de si deseja em primeiro lugar, a felicidade do outro, sem instrumentalizar a relação sexual para o próprio prazer; puro é o amor, doado e recebido, que reconhece em Deus a sua Fonte e obedece cada dia a sua vontade e verdade.

É “o espírito dos cônjuges que não deve nunca ficar “impuro”, sugere Paulo, sabendo bem que a concupiscência da carne, mesmo no casamento, é um pecado grave e tentação do diabo, porque contradiz radicalmente o significado esponsal inscrito pelo Criador no corpo.

Voltando agora ao Evangelho, compreendemos que o egoísmo sexual conjugal, mesmo se partilhado, é para o matrimônio uma ruína essencialmente “diabólica” (“diabo” é o outro nome de Satanás, que ‘divide’), causa de profunda e dolorosa separação da alma do marido da alma da esposa, até mesmo na união dos seus corpos.

Em conclusão, sirvo-me aqui ainda de São Francisco de Sales: seja a devoção daqueles que não são casados, seja daqueles que são casados, são verdadeiras e justas diante de Deus, ainda que, nos dois diferentes estados de vida, igualmente chamados à santidade, cada um, também “nas coisas do mundo” antes de mais nada se preocupe “das coisas do Senhor” (1Cor 7, 32-33), ou seja, é o mesmo que dizer: buscar estar fazendo a Vontade de Deus em todas as suas ações.

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* Padre Angelo del Favero, cardiólogo, em 1978 co-fundou um dos primeiros centros de apoio à vida perto da Catedral de Trento. Tornou-se um carmelita em 1987. Foi ordenado sacerdote em 1991 e foi conselheiro espiritual no santuário de Tombetta, perto de Verona, Itália. Atualmente dedica-se à espiritualidade da vida no convento carmelita de Bolzano, na paróquia de Nossa Senhora do Monte Carmelo.
[Tradução Thácio Siqueira]

Por que a Igreja Católica é Santa?

Alguns confundem os pecados dos “filhos da Igreja” com “pecados da Igreja”. É dogma de fé que a Igreja não tem pecado. O Papa Paulo VI disse no Credo do Povo de Deus, que ela é “indefectivelmente Santa”. Mas, por que ela é santa?

Em primeiro lugar porque é divina, Cristo é sua Cabeça e o Espírito Santo é sua alma. O seu único Fundador é santo: Jesus Cristo, o Verbo de Deus. Ele é a fonte de toda santidade, o “único santo”[LG, 39]. Todos os outros santos chegaram à santidade porque participaram da Sua Santidade. São Paulo disse aos efésios que Cristo santificou a Igreja – “se entregou por ela para santifica-la”. “Cristo amou a Igreja e se entregou por ela, para santificá-la, purificando-a pela água do batismo com a palavra, para apresentá-la a si mesmo toda gloriosa, sem mácula, sem ruga, sem qualquer outro defeito semelhante, mas santa e irrepreensível (Ef 5, 25-27).”

A Igreja é santa pelos meios de santificação que ela oferece: a graça santificante. Só quem é santa pode dar levar outros à santidade. O Papa João Paulo II disse que a Igreja existe para nos levar à santidade. É pelos Sacramentos, pela doutrina que está nos Evangelhos, pela Liturgia, etc., que a Igreja santifica. Paulo VI disse no seu Credo que ela “não possui outra vida senão a da graça”[n.19] a qual procede de seu Fundador. Por isso o nosso Catecismo afirma que: “A Igreja, unida a Cristo, é santificada por Ele; por Ele e n’Ele torna-se também santificante. Todas as obras da Igreja tendem, como seu fim, ‘à santificação dos homens em Cristo e à glorificação de Deus’. É na Igreja que está depositada ‘a plenitude dos meios de salvação’. É nela que ‘adquirimos a santidade pela graça de Deus’.”[n.824]

E a Igreja é santa também em seus membros: São Paulo chamava os cristãos de “santos”[ Cf. Rm 1,7; Rm 15,26; Rm 16,15; 1Cor 1,2; 2Cor 1,1; Ef 1,1; Fl 1,1; 1Te 5,27; Hb 3,1.]. Todo cristão que está em estado de graça assemelha-se a Cristo, e vive a santidade. E a Igreja já canonizou mais de vinte mil santos; mesmo em nossos tempos de tanto paganismo e pecado, a Igreja continua canonizando santos: João Paulo II, João XIII, José de Anchieta, Padre Pio, Madre Paulina, Santa Faustina, Edith Sthein… Continuamente o Papa proclama novos beatos e santos. Essas pessoas são o reflexo da santidade da Igreja. Ela os levou à santidade.

A santa por excelência, Santíssima, foi a Virgem Maria, isenta de toda culpa do pecado original e de toda culpa pessoal. Nela, diz o Catecismo da Igreja,  “a Igreja já atingiu a perfeição, pela qual existe sem mácula e sem ruga, nela, a Igreja é já a toda santa”[n.829]. Além de Imaculada, ela é Virgem Perpétua e Assunta ao céu de corpo e alma, porque é a Santa Mãe de Deus (Aghios Theotókos).

Ao fundar a Igreja Jesus já sabia que nela haveria pecadores como Judas. Ele comparou sua Igreja à “rede que apanha maus e bons peixes” (cf Mt 13, 47-50); ao joio no meio do trigo (cf Mt 13, 24-30); à festa de casamento onde há convidados  sem a veste nupcial (cf Mt 22, 11-14)”.

A Igreja é santa porque é a única Instituição terrena que tem uma dimensão divina. Sua substância [=natureza, essência] permanece pura. Os homens  podem pecar, mas a Igreja não.

Prof. Felipe Aquino

Sacerdote, o procurador da misericórdia de Deus

Confissão, ato em que você se acusa, mas não é condenado

Quem é que nunca ouviu alguém dizer: “Eu não vou me confessar com um homem, um pecador. Jamais!” Além dessas pessoas, existem outras que não se confessam por vergonha; outras, porque acham que não precisam. Enfim, os motivos são muitos, mas, de todos os motivos, o mais grave ou, talvez, que faça parte de todos os outros é a falta de conhecimento. O que você acha de conhecer a real importância da confissão?

Todo ser humano tem necessidade de compartilhar com outro sobre algo que está vivendo, sobretudo se é algo difícil, um erro, por exemplo. Já percebeu que quando você faz alguma coisa errada, sempre há alguém (às vezes a própria pessoa que praticou o erro com você) que você procura e lhe pede: “Não conta para ninguém”. Então, você fala tudo para essa pessoa. Não é verdade que, muitas vezes, depois de conversar, você se sente um pouco mais leve? É mais ou menos assim que acontece com a confissão, mas com algumas vantagens a mais.

A primeira vantagem da confissão é que você não precisa pedir sigilo ao padre, porque este não pode falar nada a ninguém, não importa o que aconteça. Segundo: quando você fala com uma pessoa qualquer, ainda continua com uma grande culpa pesando sobre você, mas quando você se confessa com o padre, na verdade, está se confessando com Jesus.

O sacerdote, no momento da confissão, é como um procurador. Quando alguém está doente e não pode ir ao banco nem resolver situações jurídicas, este faz uma procuração, e o procurador pode agir civilmente em nome do enfermo. Assim também é o sacerdote. Não importa se a pessoa que está com a procuração tem dinheiro no banco, o que importa mesmo é se quem fez a procuração tem dinheiro no banco; e para nós quem fez a procuração foi Jesus, e Este é riquíssimo em santidade e misericórdia; portanto, pecado confessado, com arrependimento no coração, é pecado perdoado. Além do mais, o Senhor mesmo nos disse para procurarmos os padres e a Igreja, a fim de nos confessarmos (cf. Jo 20,23).

Como dizia o nosso saudoso padre Léo: “Quem se confessa é absolvido, e quem não se confessa é absorvido”. Não seja mais absorvido pelo mal, pelo passado, pelos pecados; não espere a santidade do padre para se confessar, pois, por mais santo que ele possa ser, nunca poderá ter o poder por ele mesmo para perdoar você. O sacerdote é constituído e querido por Jesus, é o “procurador”, aquele quem tem a procuração da Misericórdia de Deus. Procure o padre, não tenha vergonha ou medo, pois a confissão é o ato por meio do qual você se acusa, mas não é acusado; expõe-se, mas não é exposto; pelas palavras, condena, mas não é condenado. Entra como réu confesso e sai absolvido pelo procurador da misericórdia do Senhor.

Pe. Sóstenes Vieira

A purificação do coração transformará o mundo

Seja extirpada a mentira do coração e da fala!

Da Igreja se diz que sempre pode ser reformada e renovada. Verdadeiras transformações são realizadas em seu seio, muito mais pela santidade de seus filhos do que por eventuais projetos de transformação, ainda que estes sejam necessários, na justa medida e no realismo de seus encaminhamentos. A santidade presente na Igreja é prova de que nela habita seu esposo, que a amou e se entregou por ela, para torná-la santa e perfeita. À santidade que é dom descido do Céu, pela ação do Espírito Santificador, derramado abundantemente em todas as épocas da história, deve corresponder o esforço humano, que se expressa na prática da virtude em todos os seus membros.

O povo de Deus recebeu, por intermédio de Moisés, a perfeição da lei (cf. Ex 20, 1-17ss). Um santo orgulho era cultivado por todos, por saberem ter, no decálogo, o que existe de melhor para toda a humanidade. No entanto, muitas vezes aqueles que tinham sido escolhidos com tamanha gratuidade e generosidade se tornaram um povo de cabeça dura, infiéis aos preceitos do Senhor, profanando a santidade com a qual tinham sido escolhidos. A este povo foram enviados continuamente os profetas, que anunciavam a misericórdia e o perdão e, ao mesmo tempo, denunciavam as falhas das sucessivas gerações. Nem sempre foram bem acolhidos, alguns morreram testemunhas da verdade, mas todos eles, quando verdadeiros profetas, iluminaram com sabedoria a prática religiosa.

Profeta é aquele que fala diante dos outros com clareza, ou aquele que põe à disposição de Deus a sua fala, para que o Senhor se dirija ao povo. Jesus, que é profeta e mais do que profeta, encontra pecadores e os perdoa, acolhe publicanos e prostitutas, cura as doenças do corpo e da alma. Seus gestos proféticos, como a purificação do templo (cf. Jo 2, 13-15), expressam o zelo amoroso e forte de Deus que O devora por dentro. O verdadeiro Templo, edificado por Deus e reedificado após a morte redentora em três dias, na ressurreição, é o próprio Cristo. Está agora presente em toda parte. Seu amor salvador é destinado a todos os homens e mulheres de todos os tempos. Dali para frente, Jesus atrai todas as gerações. O ponto de chegada, Nova Jerusalém, abre-se como espaço acolhedor, casa de oração para todos os povos, abraço amigo em que, começando dos mais distantes, todos podem ser recebidos.

Templo a ser purificado são também os corações e os corpos de todos os homens e mulheres que professam a fé. Deixando o Senhor entrar em suas casas e em suas almas, proclamem um tempo de conversão, deixem-se tocar pela palavra da penitência e se voltem de novo para Deus. Ressoe o pregão quaresmal incansavelmente em nossas ruas e casas!

Nossa geração precisa também ser purificada e acolher o convite a uma renovação de vida. O “chicote” da verdade, que fere e cura a ferida, é-nos de novo oferecido como dom. Quem se submete à Palavra de Deus entenderá a dureza da palavra da verdade, que ao mesmo tempo cauteriza todos os machucados. Caia o orgulho de Babel, terra da confusão, desmorone-se a grande Babilônia, cidade que quer se edificar sem Deus! Caiam e renasçam renovadas e purificadas as estruturas humanas construídas sobre os fundamentos do egoísmo. Sejam expulsos dos pátios dos templos e dos espaços abertos nos corações os negócios ilícitos. Seja extirpada a mentira do coração e da fala! A profanação do sagrado seja superada e a vida dos cristãos seja o desagravo por todo o desrespeito reinante. O descaso pela vida seja curado, a saúde se difunda sobre a terra!

Para chegar lá, a purificação dos templos e dos corações ilumine os passos de todos os cristãos, para que eles sejam fermento de novos valores nas estruturas do mundo. Superando o denuncismo fácil, sejam construtores e companheiros de tantas pessoas de boa vontade, para edificar juntos as desejadas estruturas diferentes na sociedade. Sejam eles próprios homens e mulheres de tamanha capacidade de relacionamento, que arrebanhem, mesmo no silêncio, multidões de pessoas.

O que não pode faltar, neste tempo da Quaresma, é o engajamento de todos no projeto de um mundo diferente. Seu início ocorre nos corações, pelo que havemos de pedir confiantes: “Ó Deus, fonte de toda misericórdia e de toda bondade, vós nos indicastes o jejum, a esmola e a oração como remédio contra o pecado. Acolhei esta confissão da nossa fraqueza para que, humilhados pela consciência de nossas faltas, sejamos confortados pela vossa misericórdia” (Oração do dia no III Domingo da Quaresma).

Dom Alberto Taveira Corrêa Arcebispo de Belém – PA

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