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Lava-Pés: “Um gesto que nos ajuda a ser mais servidores”, diz Papa

Quinta-feira Santa no presídio
Quinta-feira, 18 de abril de 2019, Da redação, com Vatican News
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Francisco lavou os pés de 12 detentos da “Casa Circondariale di Velletri”, em Roma; os presidiários são provenientes de quatro diferentes países

Papa Francisco durante o rito de lava-pés/ Foto: Vatican Media

O centro de detenção “Casa Circondariale di Velletri”, em Roma, foi o local onde o Papa Francisco celebrou nesta quinta-feira, 18, a Missa da Ceia do Senhor e o rito de lava-pés. Sob o olhar atento dos presidiários, o Santo Padre refletiu sobre o evangelho de São João (13,1-15) que narra a Última Ceia, quando Jesus lavou os pés de seus discípulos. “Um gesto que nos ajuda a ser mais servidores uns dos outros, mais amigos, mais irmãos no serviço”, frisou.

O Pontífice iniciou a homilia citando uma carta que recebeu de um grupo de detentos da “Casa Circondariale di Velletri”. Francisco agradeceu o conteúdo da carta e afirmou: “Disseram coisas muito bonitas”. Sobre o evangelho, o Papa o qualificou como “muito interessante” e introduziu: “Diz o evangelho, sabendo Jesus que o Pai tinha colocado tudo em suas mãos – mesmo tendo todo o poder, todo –, começou o gesto de lavar os pés, um gesto que faziam os escravos naquele tempo”.

Sobre o ato de lavar os pés antes das refeições, algo comum à época vivida por Jesus, o Santo padre explicou que era motivado pela falta de asfalto nas ruas. “As pessoas quando saíam e chegavam em suas casas, numa visita para o almoço, tinham os escravos que lavavam os pés”, completou Francisco, que prosseguiu destacando o ato realizado por Jesus: “Jesus faz este gesto, o de lavar os pés, faz um gesto de escravo. Jesus que tinha tudo, ele que era o Senhor, faz um gesto de escravo”.

Francisco recordou que após o lava-pés, Jesus aconselha todos que façam esse gesto entre si, ou seja, que sirvam uns aos outros, sejam irmãos no serviço, não na ambição de quem domina o outro, ou que pisoteia o outro, mas no serviço. “‘Você precisa de alguma coisa? Eu faço’, isso é fraternidade e a fraternidade é humilde, é serviço”, sublinhou. O Pontífice lembrou que na celebração, também ele faria este gesto.

“A Igreja quer que cada bispo faça, todos os anos, uma vez ao ano pelo menos — na quinta-feira santa, para imitar o gesto de Jesus e também fazer como exemplo a nós mesmos, porque o bispo não é mais importante, o bispo deve ser o servidor. Cada um de vós deve ser servidor do outro, essa é a regra de Jesus, é a regra do evangelho, a regra do serviço. Não dominar, fazer mal, humilhar o outro”, comentou o Santo Padre.

O Papa recordou que certa vez, os apóstolos brigavam entre eles, discutiam quem era o mais importante, quando foram surpreendidos: “Jesus pegou uma criança e disse: ‘Se o coração de vocês não é um coração de criança, vocês não serão meus discípulos. Coração de criança sempre. Humilde e servidor. Ali acrescenta uma coisa muito interessante que podemos ligar a este gesto [lava-pés], estejam atentos, os chefes das nações dominam, mas entre vocês não deve ser assim. O maior deve servir o menor. Quem se sente muito grande deve ser o servidor. Ser servidores”.

“A verdade é que na vida existem problemas, brigamos entre nós e isso é uma coisa passageira porque no nosso coração deve estar sempre este amor de servir o outro, de estar a serviço do outro. Este gesto que eu farei é para todos nós”, concluiu Francisco. Em seguida, o Papa lavou os pés de 12 detentos provenientes de quatro diferentes países – 9 italianos, um brasileiro, um originário da costa do marfim e um proveniente do Marrocos.

Papa: tentações são ilusões de sucesso e felicidade

Domingo, 10 de março de 2019, Da redação, com Vatican News
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Durante o Ângelus deste domingo, 10, Francisco comentou o Evangelho do dia sobre as tentações às quais Jesus foi submetido no deserto

Papa Francisco durante o Ângelus deste domingo, 10/ Foto: Reprodução Youtube Vatican News

As tentações representam a ilusão de poder obter o sucesso e a felicidade. Estas são palavras do Papa Francisco no Ângelus deste domingo, 10, na Praça São Pedro. O Santo Padre comentou o Evangelho do dia sobre as tentações às quais Jesus foi submetido no deserto: “As três tentações indicam três caminhos que o mundo sempre propõe, prometendo grandes sucessos: a ganância de possuir, a glória humana, a instrumentalização de Deus”, disse.

“São esses os caminhos que são colocados diante de nós, com a ilusão de poder alcançar o sucesso e a felicidade, mas, na realidade, esses caminhos são completamente estranhos ao modo de agir de Deus; na verdade, eles nos separam d’Ele, porque são obras de Satanás”, enfatizou o Pontífice.

Falando da ganância de possuir, o Papa explicou: “Esta é sempre a lógica insidiosa do diabo. Ele parte da natural e legítima necessidade de se alimentar, de viver, de realizar-se, de ser feliz, para nos impulsionar a acreditar que tudo isso é possível sem Deus, ou melhor, até mesmo contra Ele”.

Sobre a segunda tentação, a glória humana, Francisco sublinhou o risco da humanidade perder toda a dignidade pessoal, deixando-se corromper pelos ídolos do dinheiro, do sucesso e do poder, para alcançar a autoafirmação. “Prova-se a emoção de uma alegria vazia que logo desaparece. Por isso Jesus responde: ‘Adorarás­ o Senhor teu Deus e só a ele prestarás culto’”, sublinhou. Sobre a instrumentalização de Deus, o Santo Padre explicou, que se trata da tentação de querer puxar Deus para o lado, pedindo-lhe graças que na realidade servem para satisfazer o orgulho.

“Jesus, enfrentando pessoalmente essas provações, vence por três vezes as tentações para aderir plenamente ao plano do Pai. E nos mostra os remédios: a vida interior, a fé em Deus, a certeza de seu amor. Portanto, aproveitemos da Quaresma, como tempo privilegiado para nos purificarmos, para experimentarmos a presença consoladora de Deus em nossa vida”, suscitou o Pontífice.

Segundo Francisco, Jesus ao responder ao tentador, não entra em diálogo, mas responde aos três desafios somente com a palavra de Deus. “Isto nos ensina que com o diabo não se dialoga, não devemos dialogar, somente se responde a ele com a palavra de Deus”, afirmou. Em seguida, o Papa rezou a Oração mariana do Ângelus e concedeu aos milhares de fiéis presentes na Praça São Pedro a sua Benção Apostólica.

Após o Ângelus

O Santo Padre recordou que neste sábado, 9, em Oviedo (Espanha), foram proclamados beatos os seminaristas Angelo Cuartas e oito companheiros mártires, assassinados por ódio a fé em um tempo de perseguição religiosa. Esses jovens aspirantes ao sacerdócio – disse Francisco — amavam tanto o Senhor, chegando a segui-lo no caminho da cruz. “Que o seu heroico testemunho ajude os seminaristas, os sacerdotes e os bispos a permanecerem límpidos e generosos para servir fielmente ao Senhor e ao povo santo de Deus”, exortou.

Depois de saudar as famílias, aos grupos paroquiais, às associações e a todos os peregrinos que vieram da Itália e de diversos países, Francisco desejou a todos que o caminho quaresmal, recentemente iniciado, seja rico de frutos. Pediu ainda uma recordação na oração por ele e seus colaboradores da Cúria Romana, que nesta noite iniciam a semana de Exercícios Espirituais.

 

Aprendamos de Jesus a jamais dialogar com o diabo, exortou o Papa
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Vaticano, 10 Mar. 19 / 10:33 am (ACI).- Neste domingo, 10, o Papa Francisco alertou os cristãos durante a oração do Angelus, no Vaticano, os perigos do diálogo com a tentação: “Com o diabo não se dialoga.”

Durante o sua catequese dominical, o Santo Padre meditou no Evangelho de hoje, em que “narra a experiência de tentações de Jesus no deserto. Depois de jejuar por quarenta dias, Jesus é tentado três vezes pelo diabo”.

No entanto, “Jesus, ao responder ao tentador, não entra em diálogo, mas responde aos três desafios com a palavra de Deus. Isso nos ensina que com o diabo não há diálogo, você não pode dialogar, só pode responder com a palavra de Deus “.

O Papa explicou que “as três tentações indicam três maneiras que o mundo sempre propõe grandes triunfos promissores: o acúmulo dos bens, a glória humana, a instrumentalização de Deus. São três caminhos que nos perderão “.

A primeira tentação, “o caminho da ganância pelas posses. Consiste na lógica insidiosa do diabo. Ela tira proveito da necessidade natural e legítima de nutrir-se, de viver, de realizar coisas, ser feliz, para empurrar-nos então a acreditar que tudo é possível sem Deus, ou até mesmo contra Ele”.

“Mas Jesus se opõe ao dizer: ‘Está escrito: não só de pão viverá o homem´. Recordando a longa jornada do povo eleito através do deserto, Jesus diz que quer se entregar plenamente consciente da providência de Deus, que sempre se preocupar com seus filhos “.

A segunda tentação é “o caminho da glória humana. O diabo diz: ‘Se você se prostrar em adoração a mim, tudo isso será seu’. Você pode perder toda a dignidade pessoal se se permitir ser corrompido pelo ídolo do dinheiro, do sucesso e do poder. ” “É por isso que Jesus responde: ‘Só diante do Senhor Deus você se prostrará, somente a ele você adorará.’

Finalmente, o Papa explica a terceira tentação: instrumentalizar Deus para obter vantagens. “O diabo citando a Escritura, convida-o a buscar a Deus um milagre impressionante, Jesus responde novamente com a firme decisão de permanecer humilde, continua confiante em Deus, ‘Está escrito: Não tentarás o Senhor teu Deus'” .

“Estes são os caminhos que foram colocados diante de nós com a ficção de sermos capazes de obter sucesso e felicidade. Mas, na realidade, eles são completamente estranhos ao modo de agir de Deus; na verdade, eles nos separam de Deus, porque eles são obra de Satanás “, afirmou o Pontífice.

Finalmente, o Papa Francisco terminou ressaltou que “Jesus, ao confrontar essas provações em primeira pessoa, supera três vezes a tentação de aderir plenamente ao plano do Pai. E nos mostra o caminho para superar a tentação: a vida interior, a fé em Deus, a certeza de seu amor, a certeza de que Deus nos ama, que ele é o Pai “.

Na Quaresma, renovar as promessas do Batismo

Tempo de conversão, domingo, 9 de março  de 2014, Jéssica Marçal / Da Redação

Antes de rezar o Angelus com os fiéis, Francisco refletiu sobre as tentações que Jesus sofreu no deserto

No Angelus deste domingo, 9, Papa Francisco concentrou-se sobre a passagem do Evangelho que relata as tentações que Jesus sofreu no deserto. Ele recordou que a Quaresma é um tempo propício para um caminho de conversão, confrontando-se sinceramente com este trecho do Evangelho.

Francisco explicou que a tentação procura desviar Jesus do projeto de Deus, tentando fazê-lo escolher um caminho fácil de sucesso e poder. Foram três os tipos de tentação, conforme explicou o Papa: o bem-estar econômico, o estilo espetacular e mirabolante e o atalho do poder e do domínio.

Jesus resistiu às tentações e reiterou a determinação de seguir o caminho estabelecido pelo Pai. Em suas respostas, conforme explicou o Santo Padre, Cristo lembra que “não só de pão vive o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus” (Mt 4, 4; cfr Dt 8, 3).

“Isto nos dá força, apóia-nos na luta contra a mentalidade mundana que reduz o homem ao nível das necessidades primárias, fazendo-o perder a fome daquilo que é verdadeiro, bom e belo, a fome de Deus e de seu amor”.

O Papa ressaltou ainda que, ao ser tentado, Jesus não dialogou com Satanás, mas refugiou-se na Palavra de Deus, atitude que deve ser um exemplo também para os dias de hoje. “No momento da tentação, das nossas tentações, nada de argumentos com Satanás, mas sempre defendidos pela Palavra de Deus! E isto nos salvará”

Lembrando que a Quaresma é tempo propício para a conversão, Francisco convidou os fiéis a renovarem as promessas do Batismo, renunciando a Satanás e a todas as suas obras e seduções.

Após a oração mariana, o Santo Padre saudou fiéis e peregrinos e desejou um rico caminho quaresmal para todos, pedindo orações pelo retiro que ele e a Cúria Romana iniciam hoje.

“Peço uma lembrança em oração por mim e pelos colaboradores da Cúria Romana, que esta noite iniciaremos a semana dos Exercícios espirituais. Obrigado”.

 

ANGELUS

Queridos irmãos e irmãs,

O Evangelho deste primeiro domingo da Quaresma nos apresenta todos os anos o episódio das tentações de Jesus, quando o Espírito Santo, que desceu sobre Ele depois do Batismo no Rio Jordão, impeliu-o a enfrentar abertamente Satanás no deserto, por quarenta dias, antes de iniciar a sua missão pública.

O tentador procura desviar Jesus do projeto do Pai, isso é, do sacrifício, do amor que oferece a si mesmo em expiação, para fazer-lhe adotar um caminho fácil, de sucesso e de poder. O duelo entre Jesus e Satanás se realiza através de citações da Sagrada Escritura. O diabo, de fato, para desviar Jesus do caminho da cruz, apresenta-lhe as falsas esperanças messiânicas: o bem-estar econômico, indicado pela possibilidade de transformar as pedras em pão; o estilo espetacular e mirabolante, com a idéia de atirar-se do ponto mais alto do templo de Jerusalém e fazer-se salvar pelos anjos; e por fim um atalho do poder e do domínio, em troca de um ato de adoração a Satanás. São três os grupos de tentações: também nós o conhecemos bem!

Jesus resiste decididamente a todas estas tentações e confirma a firme vontade de seguir o caminho estabelecido pelo Pai, sem qualquer compromisso com o pecado e com a lógica do mundo. Reparem bem como responde Jesus. Ele não dialoga com Satanás, como tinha feito Eva no paraíso terrestre. Jesus sabe bem que com Satanás não se pode dialogar, porque é muito esperto. Por isto, Jesus, em vez de dialogar como tinha feito Eva, escolhe refugiar-se na Palavra de Deus e responde com a força desta Palavra. Lembremo-nos disso: no momento da tentação, das nossas tentações, nada de argumentos com Satanás, mas sempre defendidos pela Palavra de Deus! E isto nos salvará. Nas suas respostas a Satanás, o Senhor, usando a Palavra de Deus, recorda-nos, antes de tudo, que “não só de pão vive o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus” (Mt 4, 4; cfr Dt 8, 3); e isto nos dá força, apóia-nos na luta contra a mentalidade mundana que reduz o homem ao nível das necessidades primárias, fazendo-o perder a fome daquilo que é verdadeiro, bom e belo, a fome de Deus e de seu amor. Lembra também que “também está escrito: ‘Não tentarás o Senhor teu Deus’” (v. 7), porque o caminho da fé passa também através da escuridão, da dúvida, e se alimenta de paciência e de espera perseverante. Jesus recorda, enfim, que “está escrito: ‘Adorarás o Senhor teu Deus, e só a ele servirás” (v. 10), isso é, devemos livrar-nos dos ídolos, das coisas vãs, e construir a nossa vida sobre o essencial.

Estas palavras de Jesus encontrarão depois confirmação em suas ações. A sua absoluta fidelidade ao desígnio de amor do Pai o conduzirá depois de cerca de três anos ao confronto final com o “príncipe deste mundo” (Jo 16, 11), na hora da paixão e da cruz, e ali Jesus resgatará a sua vitória definitiva, a vitória do amor!

Queridos irmãos, o tempo da Quaresma é ocasião propícia para todos nós cumprirmos um caminho de conversão, confrontando-nos sinceramente com esta página do Evangelho. Renovemos as promessas do nosso Batismo: renunciemos a Satanás e a todas as suas obras e seduções – porque é um sedutor ele – para caminhar nas sendas de Deus e “chegar à Páscoa na alegria do Espírito” (Oração coleta do I Domingo da Quaresma Ano A).

Papa Francisco preside a Missa de encerramento do encontro de proteção de menores

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Papa na Missa de encerramento do encontro sobre a proteção dos menores. Foto: Captura YouTube

Vaticano, 24 Fev. 19 / 07:12 am (ACI).- O Papa Francisco presidiu neste domingo 24 de fevereiro a Missa de encerramento de um encontro com bispos do mundo inteiro sobre a proteção de menores na Igreja, que teve lugar na Sala Régia do Vaticano e a homilia foi pronunciada pelo Presidente da Conferência Episcopal da Austrália, Dom Mark Benedict Coleridge.

Durante a homilia, Dom Coleridge afirmou que às vezes os pastores viram as vítimas e os sobreviventes “como o inimigo, não os amamos, não os abençoamos como devíamos. Nesse sentido, nós fomos nosso próprio pior inimigo”.

Ao referir-se ao Evangelho deste domingo, o Prelado australiano destacou que depois de todas as palavras pronunciadas durante estes dias é bom que “agora só permaneçam as palavras de Cristo: só Jesus permanece, como no monte da Transfiguração”, disse.

Por outro lado, o Arcebispo reconheceu que os pastores da Igreja “receberam um dom e um poder: o poder para servir, para criar, um poder que está com e para os demais, mas não sobre os demais, um poder, como diz Paulo, o qual o Senhor nos deu para a edificação da Igreja e não para sua destruição”.

Nesta linha, Dom Coleridge advertiu que “o poder é perigoso, porque pode destruir; e nestes dias refletimos sobre como o poder da Igreja pode destruir quando se separa do serviço, quando não é uma forma de amar, quando se converte em nada mais que poder” e acrescentou que “no abuso e sua ocultação, os poderosos se mostram eles mesmos não como homens do céu, mas homens da terra”.

“Às vezes preferimos a indiferença do homem da terra e o desejo de proteger a reputação da Igreja e inclusive a nossa. Mostramos muito pouca misericórdia, e portanto receberemos a mesma, porque a medida que usarmos será a medida usada para medir-nos”, afirmou.

Deste modo, o Cardeal animou a uma profunda conversão “só esta conversão nos permitirá ver que as feridas daqueles que foram maltratados são nossas próprias feridas, que seu destino é o nosso, que não são nossos inimigos, mas são osso de nossos ossos, carne de nossa carne. Eles são nós, e nós somos eles”, exclamou.

Ações concretas

Depois de recordar os testemunhos valentes das vítimas escutadas durante estes dias no Vaticano, Dom Coleridge assegurou que os líderes da Igreja receberam “uma missão que exige não só palavras, mas ações concretas e reais”.

“Faremos todo o possível para fazer justiça e curar os sobreviventes de abusos; escutá-los-emos, acreditaremos neles e caminharemos com eles; nós nos asseguraremos de que os que abusaram nunca mais possam agredir; pediremos contas aos que ocultaram abusos; fortaleceremos os processos de recrutamento e formação de líderes da Igreja; daremos a todo nosso povo a formação que a proteção requer; faremos todo o possível para que os horrores do passado não se repitam e que a Igreja seja um lugar seguro para todos”, assegurou o Arcebispo.

Por último, Dom Coleridge destacou que a Igreja deverá ser “uma mãe especialmente amorosa com os jovens e os vulneráveis” e disse que os bispos “não atuaremos sozinhos, antes, trabalharemos com todos os interessados pelo bem dos jovens e vulneráveis; seguiremos aprofundando nossa compreensão do abuso e seus efeitos, de por quê isto ocorreu na Igreja e o que se deve fazer para erradicá-lo”.

Você crê na existência de Deus?

O Criador deixou sua marca em suas obras

“O conhecimento da existência de Deus está naturalmente infundido em todos. Logo, a existência de Deus é por si evidente” (Santo Tomás de Aquino, Sacerdote e Doutor da Igreja).

Você crê na existência de Deus? Em caso afirmativo, pode provar que Ele existe? Na realidade, estamos cercados de evidências de que existe um Criador Sábio, Poderoso, Amoroso e Eterno. Que evidências são essas? Elas são convincentes? Encontramos a resposta ao considerar as palavras do apóstolo São Paulo em sua carta aos cristãos em Roma.

Referindo-se a Deus, o grande apóstolo São Paulo disse: “As suas qualidades invisíveis são claramente vistas desde a criação do mundo em diante, porque são percebidas por meio das coisas feitas, mesmo seu sempiterno poder e divindade, de modo que eles são inescusáveis” (Rm 1,20). O Criador deixou Sua marca em Suas obras, como São Paulo destacou.

Vejamos mais a fundo as palavras do apóstolo dos gentios: As qualidades de Deus podem ser vistas “desde a criação do mundo em diante”, observa São Paulo. Nesse contexto, a palavra grega traduzida por “mundo” não se refere ao planeta Terra, mas à humanidade. Portanto, São Paulo estava dizendo que, a partir do momento em que foram criados, os seres humanos podiam ver as qualidades do Criador evidentes nas coisas que Ele fez.

Essas evidências estão à nossa volta. Não estão escondidas na natureza, mas são “claramente vistas”. Da maior à menor, as criações revelam claramente não apenas que existe um Criador, mas também que Ele tem qualidades maravilhosas. Projetos inteligentes tão óbvios na natureza nos revelam a sabedoria de Deus. Os céus estrelados e a rebentação das ondas do mar mostram o poder do Criador. A variedade de alimentos que tanto apreciamos e a beleza do nascer e do pôr do sol revelam o amor de Deus pela humanidade. (Cf. Sl 19,1-8; Sl 104,24; Is 40,26).

É fácil reconhecer essas evidências? Elas são tão claras que os que não as veem e os que se recusam a acreditar em Deus “são inescusáveis”, ou seja, não têm desculpa. Um sábio ilustra isso da seguinte maneira: imagine um motorista que ignora uma placa com o aviso: “Desvio – vire à esquerda”. Um policial pede para o motorista parar e começa a multá-lo. O motorista tenta argumentar dizendo que não viu a placa. Mas suas palavras não convencem o policial, porque a placa é bem visível e o motorista não tem nenhum problema na vista. Além disso, é responsabilidade do motorista prestar atenção nas placas. O mesmo acontece com as evidências de Deus na natureza, que são como uma placa bem visível. Como criaturas racionais, somos capazes de vê-las. Não há desculpas para ignorá-las!

De fato, o “livro” da criação revela muito sobre nosso Criador, mas há outro livro que revela muito mais sobre Ele: a Sagrada Escritura.

Padre Inácio José do Vale
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Aurora e Dia do Santo Natal – 25 de Dezembro

Por Pe. Fernando José Cardoso

Evangelho segundo São João 1, 1-18
No princípio existia o Verbo; o Verbo estava em Deus; e o Verbo era Deus. No princípio Ele estava em Deus. Por Ele é que tudo começou a existir; e sem Ele nada veio à existência. Nele é que estava a Vida de tudo o que veio a existir. E a Vida era a Luz dos homens. A Luz brilhou nas trevas, mas as trevas não a receberam. Apareceu um homem, enviado por Deus, que se chamava João. Este vinha como testemunha, para dar testemunho da Luz e todos crerem por meio dele. Ele não era a Luz, mas vinha para dar testemunho da Luz. O Verbo era a Luz verdadeira, que, ao vir ao mundo, a todo o homem ilumina. Ele estava no mundo e por Ele o mundo veio à existência, mas o mundo não o reconheceu. Veio para o que era seu, e os seus não o receberam. Mas, a quantos o receberam, aos que nele crêem, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus. Estes não nasceram de laços de sangue, nem de um impulso da carne, nem da vontade de um homem, mas sim de Deus. E o Verbo fez-se homem e veio habitar conosco. E nós contemplamos a sua glória, a glória que possui como Filho Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade. João deu testemunho dele ao clamar: «Este era aquele de quem eu disse: ‘O que vem depois de mim passou-me à frente, porque existia antes de mim.’» Sim, todos nós participamos da sua plenitude, recebendo graças sobre graças. É que a Lei foi dada por Moisés, mas a graça e a verdade vieram-nos por Jesus Cristo. A Deus jamais alguém o viu. O Filho Unigênito, que é Deus e está no seio do Pai, foi Ele quem o deu a conhecer.

Natal do Senhor. Na missa da noite, Lucas nos diz que Jesus não nasceu em uma hospedaria. Não convinha que o Filho de Deus, nascesse num hotel como um hóspede que ali passa uma ou duas noites apenas e depois se vai.  Ele veio para ficar. A presença da manjedoura por três vezes repetidas no texto de Lucas é também uma alusão a Isaías, outrora um oráculo negativo: “O boi conhece a manjedoura do seu Senhor, mas o meu povo não me conhece”. Ao mostrar que Jesus foi reclinado numa manjedoura e reconhecido pelos pastores, Lucas quer dizer que esta profecia negativa já não tem mais valor também. Os pastores representam antecipadamente, aquela porção de judeus que se converteria mais tarde à sua pregação. Na missa do dia, a mais solene das três celebradas no Natal, existe, no entanto uma nota destoante de tristeza. Sim, um tom triste vem perturbar a serenidade de alegria e tranqüilidade deste dia. Diz-nos o evangelista João: “Ele veio para o que era Seu, mas os seus não O receberam”. A todos aqueles que O receberam porém, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus. Eis um milagre atual e presente: a sua presença. Você que me escuta neste dia de Natal e me escutou o ano inteiro, é o símbolo de um milagre de Deus. Existem muitos como você, que se prepararam longamente para um Natal diferente. Não um Natal que se consome em ceias, bebidas e presentes, mas um Natal que abra progressivamente o coração para receber o maior presente de Deus que é Jesus. Você que crê neste dia é um símbolo, é uma prova, é um milagre de Deus. Você que crê é um sinal de que a graça de Deus é mais eficaz do que o mundo. São muitos aqueles como você que crêem e celebram um Natal diferente,  porque recebem o Rei nos próprios corações. Mas a multidão dos que celebram um Natal superficial, um Natal secularizado, um Natal que os símbolos cristãos desaparecem do meio, são muitos, é a maioria. Você é uma pessoa diferente das outras, eu repito, todos estes que se abrem para receber Cristo, terão um Natal permanente, um Natal estável, um Natal que não terminará neste dia e você pode louvar e bendizer a Deus, juntamente com os seus irmãos na fé, porque ainda existem, apesar de o mundo e o nosso país estar extremamente secularizado, pessoas que recebem Cristo na fé. A você e a todos os seus um feliz e santo Natal.

 

«E o Verbo fez-se homem e veio habitar conosco»
São Leão Magno (?-c. 461), papa e Doutor da Igreja 
1º sermão para a Natividade do Senhor; PL 59,190 (a partir da trad. cf SC 22 bis, pp. 67ss., breviário e Orval)

Nosso Senhor, irmãos bem-amados, nasceu hoje: regozijemo-nos! Não é permitido estarmos tristes neste dia em que nasce a vida. Este dia destrói o receio da morte e enche-nos da alegria que a promessa da eternidade dá. Ninguém ficou afastado desta alegria; um único e mesmo motivo de alegria é comum a todos. Pois Nosso Senhor, ao vir destruir o pecado e a morte […], veio libertar todos os homens. Que o santo exulte, pois aproxima-se da vitória. Que o pecador se alegre, pois é convidado ao perdão. Que o pagão tome coragem, pois é chamado à vida. Com efeito, quando chegou a plenitude dos tempos determinada pela profundidade insondável do plano divino, o Filho de Deus desposou a nossa natureza humana para reconciliá-la com o seu Criador. […] O Verbo, a Palavra de Deus, que é Deus, Filho de Deus, que «no princípio estava em Deus, por Quem tudo começou a existir, e sem Quem nada veio à existência», tornou-Se homem para libertar o homem de uma morte eterna. Baixou-Se para assumir a nossa condição humilde sem que a Sua majestade ficasse diminuída. Continuando a ser o que era e assumindo o que não era, Ele uniu a nossa condição de escravos à Sua condição de igual a Deus Pai. […] A majestade reveste-Se de humildade, a força de fraqueza, a eternidade de mortalidade: verdadeiro Deus e verdadeiro homem, na unidade de um único Senhor, «único mediador entre Deus e os homens» (1Tim 2, 5). […] Demos graças, portanto, irmãos bem-amados a Deus Pai, pelo Seu Filho, no Espírito Santo. Porque, na Sua grande misericórdia e no Seu amor por nós, Ele teve piedade de nós. «Quando estávamos mortos pelo pecado, Ele fez-nos tornar a viver por Cristo», querendo que sejamos n’Ele uma nova criação, uma nova obra das Suas mãos (Ef 2, 4-5; 2Cor 5,1 7). […] Cristão, toma consciência da tua dignidade.

 

NATAL DO SENHOR
Isaías 52, 7-10; Hebreus 1, 1-6; João 1, 1-18

Por que Deus se fez homem? Vamos diretos ao cume do prólogo de João, que constitui o Evangelho da terceira Missa de Natal, chamada «do dia». No Credo há uma frase que este dia se recita de joelhos: «Por nós os homens e por nossa salvação desceu do céu». É a resposta fundamental e perenemente válida à pergunta: «Por que o Verbo se fez carne?», mas precisa ser compreendida e integrada. A questão de fato reaparece sob outra forma: E por que se fez homem «por nossa salvação»? Só porque havíamos pecado e precisávamos ser salvos? Um filão da teologia, inaugurado pelo beato Duns Escoto, teólogo franciscano, desliga a encarnação de um vínculo demasiado exclusivo com o pecado do homem e a designa, como motivo primário, à glória de Deus: «Deus decreta a encarnação do Filho para ter alguém, fora de si, que o ame de maneira suma e digna de si». Esta resposta, ainda belíssima, não é ainda definitiva. Para a Bíblia o mais importante não é, como para os filósofos gregos, que Deus seja amado, mas que Deus «ama» e ama primeiro (1 João 4, 10.19). Deus quis a encarnação do Filho não tanto para ter alguém fora da Trindade que o amasse de forma digna de si, mas para ter alguém a quem amar de maneira digna de si, isto é, sem medida! No Natal, quando chega Jesus Menino, Deus Pai tem alguém a quem amar com medida infinita porque Jesus é homem e Deus por sua vez. Mas não só a Jesus, mas também a nós junto a Ele. Nós estamos inclusive neste amor, tendo-nos convertido em membros do corpo de Cristo, «filhos no Filho». Recorda-nos o próprio prólogo de João: «Mas a todos que o receberam deu o poder de se tornarem filhos de Deus». Cristo, portanto, desceu do céu «por nossa salvação», mas o que o impulsionou a descer do céu por nossa salvação foi o amor, nada mais que o amor. Natal é a prova suprema da «filantropia» de Deus, como a chama a Escritura (Tito 3, 4), ou seja, literalmente, de seu amor pelos homens. Esta resposta ao por que da encarnação estava escrita com clareza na Escritura, pelo mesmo evangelista que fez o prólogo: «Pois Deus amou tanto o mundo, que entregou o seu filho único, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha vida eterna» (João 3, 16). Qual deve ser então nossa resposta à mensagem de Natal? O canto natalino Adeste fideles diz: «A quem assim nos ama quem não amará?». Podem-se fazer muitas coisas para celebrar o Natal, mas o mais verdadeiro e profundo nos é sugerido por estas palavras. Um pensamento sincero de gratidão, de comoção e de amor por quem veio habitar entre nós, é o dom mais maravilhoso que podemos levar ao Menino Jesus, o adorno mais belo em meio a seu presépio. Para ser sincero, também o amor precisa ser traduzido em gestos concretos. O mais simples e universal – quando é limpo e inocente – o beijo. Demos portanto um beijo em Jesus, como se deseja fazer com todas as crianças recém-nascidas. Mas não nos contentemos em dá-lo só à imagem de gesso ou de porcelana; demos a um Jesus Menino de carne e osso. Demos a um pobre, a alguém que sofre, e o teremos dado nEle! Dar um beijo, neste sentido, significa dar uma ajuda concreta, mas também uma boa palavra, alento, uma visita, um sorriso, e às vezes, por que não, um beijo de verdade. São as luzes mais belas que podemos acender em nosso presépio.

Santo Evangelho (Lc 21, 25-28.34-36)

1º Domingo do Advento – 02/12/2018

Primeira Leitura (Jr 33,14-16)
Leitura do Livro do profeta Jeremias:

14“Eis que virão dias, diz o Senhor, em que farei cumprir a promessa de bens futuros para a casa de Israel e para a casa de Judá. 15Naqueles dias, naquele tempo, farei brotar de Davi a semente da justiça, que fará valer a lei e a justiça na terra. 16Naqueles dias, Judá será salvo e Jerusalém terá uma população confiante; este é o nome que servirá para designá-la: ‘O Senhor é a nossa justiça’”.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Responsório (Sl 24)

— Senhor meu Deus, a vós elevo a minha alma!
— Senhor meu Deus, a vós elevo a minha alma!

— Mostrai-me, ó Senhor, vossos caminhos, e fazei-me conhecer a vossa estrada! Vossa verdade me oriente e me conduza, porque sois o Deus da minha salvação!

— O Senhor é piedade e retidão, e reconduz ao bom caminho os pecadores. Ele dirige os humildes na justiça, e aos pobres ele ensina o seu caminho.

— Verdade e amor são os caminhos do Senhor para quem guarda sua Aliança e seus preceitos. O Senhor se torna íntimo aos que o temem e lhes dá a conhecer sua Aliança.

 

Segunda Leitura (1Ts 3,12-4,2)
Leitura da Primeira Carta de São Paulo aos Tessalonicenses:

Irmãos: 3,12O Senhor vos conceda que o amor entre vós e para com todos aumente e transborde sempre mais, a exemplo do amor que temos por vós. 13Que assim ele confirme os vossos corações numa santidade sem defeito aos olhos de Deus, nosso Pai, no dia da vinda de nosso Senhor Jesus, com todos os seus santos. 4,1Enfim, meus irmãos, eis que vos pedimos e exortamos no Senhor Jesus: Aprendestes de nós como deveis viver para agradar a Deus, e já estais vivendo assim. Fazei progressos ainda maiores! 2Conheceis, de fato, as instruções que temos dado em nome do Senhor Jesus.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Anúncio do Evangelho (Lc 21,25-28.34-36)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós!
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Lucas.
— Glória a vós, Senhor!

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: 25“Haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas. Na terra, as nações ficarão angustiadas, com pavor do barulho do mar e das ondas. 26Os homens vão desmaiar de medo, só em pensar no que vai acontecer ao mundo, porque as forças do céu serão abaladas. 27Então eles verão o Filho do Homem, vindo numa nuvem com grande poder e glória. 28Quando estas coisas começarem a acontecer, levantai-vos e erguei a cabeça, porque a vossa libertação está próxima. 34Tomai cuidado para que vossos corações não fiquem insensíveis por causa da gula, da embriaguez e das preocupações da vida, e esse dia não caia de repente sobre vós; 35pois esse dia cairá como uma armadilha sobre todos os habitantes de toda a terra. 36Portanto, ficai atentos e orai a todo momento, a fim de terdes força para escapar de tudo o que deve acontecer e para ficardes em pé diante do Filho do Homem”.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

 

A IGREJA CATÓLICA CELEBRA E VENERA HOJE
São Cromácio – Bispo de Aquiléia (Itália)

A casa de São Cromácio era centro de atividade espiritual, de estudo, oração

Hoje a Igreja nos apresenta São Cromácio, Bispo de Aquiléia (Itália). Esta cidade da Europa, por um tempo foi muito importante para o Império Romano, que a tinha como centro político e principalmente para o Cristianismo, pois São Jerônimo a chamou: “Comunidade de santos”. Neste contexto que, no século IV, Cromácio aparece como pertencente do Clero de Aquiléia e ajudante fiel do Bispo Valeriano. Cromácio nasceu em Aquiléia no ano 345.

São Cromácio colaborou na organização da diocese e na luta contra o Arianismo, que semeava a mentira em que Jesus Cristo seria criatura escolhida, e não Deus. A casa de São Cromácio era centro de atividade espiritual, de estudo, oração e encontro de amigos sacerdotes e leigos, dispostos a cresceram para Deus. Quando Valeriano morreu, todos – Clero e o povo – não tiveram dúvida em aclamar Cromácio para Bispo de Aquiléia. Isto em 388.

Como Bispo, foi santo e sábio pastor, culto, enérgico na defesa da doutrina e incansável na evangelização dos povos, o próprio São Cromácio se destacou como pregador e escritor, além de cooperar para que São Jerônimo e Rufino trabalhassem cada um na sua tradução das Sagradas Escrituras. São Cromácio faleceu em sua cidade – Aquiléia – no ano de 408, local que jamais esqueceu deste santo Bispo.

São Cromácio, rogai por nós!

 

Primeiro Domingo do Advento – Ano C

Por Pe. Fernando José Cardoso

Evangelho segundo São Lucas 21, 25-28.34-36
«Haverá sinais no Sol, na Lua e nas estrelas; e, na Terra, angústia entre os povos, aterrados com o bramido e a agitação do mar; os homens morrerão de pavor, na expectativa do que vai acontecer ao universo, pois as forças celestes serão abaladas. Então, hão-de ver o Filho do Homem vir numa nuvem com grande poder e glória. Quando estas coisas começarem a acontecer, cobrai ânimo e levantai a cabeça, porque a vossa redenção está próxima.» «Tende cuidado convosco: que os vossos corações não se tornem pesados com a devassidão, a embriaguez e as preocupações da vida, e que esse dia não caia sobre vós subitamente, como um laço; pois atingirá todos os que habitam a terra inteira. Velai, pois, orando continuamente, a fim de terdes força para escapar a tudo o que vai acontecer e aparecerdes firmes diante do Filho do Homem.»

Estamos em um novo ano da graça, um novo ano litúrgico, uma nova oportunidade que no tempo presente Deus concede a todos os cristãos que querem chegar à estatura perfeita de Jesus Cristo. Recomeçamos a repassar um a um, os seus mistérios terrestres e celestes com o desejo de assimilá-los. Neste primeiro domingo do advento contrariamente ao que se poderia esperar a Igreja não nos faz recordar nos inícios da humanidade. Os inícios absolutos do nosso planeta, da nossa história ou quando éramos apenas embriões. Na verdade, Deus nunca nos pensou embriões. Deus tem um sonho para com cada um de nós e deseja realizá-lo com a nossa cooperação, com a nossa liberdade, com a nossa responsabilidade, o que supõe um estado adulto. Neste primeiro domingo do advento, a Igreja deseja que iniciemos nova peregrinação, nova apropriação dos mistérios de Cristo contemplando o final grandioso. O final grandioso da nossa história, que para nós que temos fé, será a grande manifestação da Glória de Jesus Cristo. Ele, não se esqueçam, foi expulso deste mundo mediante um processo sumário, e uma morte dolorosíssima numa cruz. Apenas nós cristãos cremos na Sua Ressurreição, na Sua vitória e na Sua realeza. E apenas escondidamente, através do Seu Espírito, Ele age na Igreja, em cada um de nossos corações. Mas, naquele dia derradeiro, último e definitivo, convém que toda história passada e presente, O contemple na majestade de Sua Glória. Até mesmo aqueles que o traspassaram, e todos aqueles que O rejeitaram de mil maneiras na própria existência. E assim, a partir de mais um início de ano litúrgico, somos endereçados para a meta final da nossa existência. O que importa é o que está pela frente; é o que vem ainda, não o que ficou para trás. Não nos esqueçamos que aquele grandioso final é antecipado pessoalmente no pequeno apocalipse, que é a morte individual de cada um de nós, e o nosso encontro definitivo com o Cristo, juiz e Senhor dos nossos atos. Assim, vamo-nos preparando, não apenas para recebê-Lo no próximo Natal, mas para recebê-Lo no final, no Último e definitivo dia que será o grande Natal, a grande apresentação, a definitiva e permanente manifestação de Jesus entre nós.

 

«Então hão-de ver o Filho do Homem vir»
Bem-aventurado Jan van Ruusbroec (1293-1381), cônego regular
Les Noces spirituelles, 1 (a partir da trad. Louf, Bellefontaine 1993, p. 39 rev.)

«Aí vem o esposo» (Mt 25, 6). Cristo, o nosso esposo, pronuncia esta palavra. Em latim, o termo «venit» contém em si dois tempos do verbo: o passado e o presente, o que não impede de visar também o futuro. É por isso que vamos considerar três vindas do nosso esposo, Jesus Cristo. Quando da primeira vinda, Ele fez-Se homem por causa do homem, por amor. A segunda vinda tem lugar todos os dias, freqüentemente e em muitas ocasiões, em todos os corações que amam, acompanhada de novas graças e de novas dádivas, consoante a capacidade de cada um. A terceira vinda é aquela que terá lugar no dia do Juízo ou na hora da morte. […] O motivo por que Deus criou os anjos e os homens foi a Sua bondade infinita e a Sua nobreza, uma vez que Ele quis fazê-lo para que a beatitude e a riqueza que Ele próprio é sejam reveladas às criaturas dotadas de razão e para que estas possam saboreá-Lo no tempo e usufruí-Lo para lá do tempo, na eternidade. O motivo por que Deus Se fez homem foi o seu amor imenso e o infortúnio dos homens, pois eles estavam alterados pela queda do pecado original e eram incapazes de se curarem dele. Mas o motivo por que Cristo realizou todas as Suas obras na terra não apenas segundo a Sua divindade, mas também segundo a Sua humanidade é quádruplo, a saber: o Seu amor divino que não tem fim; o amor criado, ou caridade, que possuía na Sua alma graças à união com o Verbo eterno e graças à dádiva perfeita que Seu Pai Lhe fez; o grande infortúnio em que se encontrava a natureza humana; e, por fim, a honra de Seu Pai. Eis os motivos da vinda de Cristo, o nosso esposo, e de todas as Suas obras.

 

‘Deus não mente, Ele cumpre suas promessas’
Padre Delton

Advento significa a espera d’Aquele que vem. Quando nos reunimos na Eucaristia, celebramos a presença de Jesus e esperamos sua volta. Estamos nos preparando para o Natal e também para o retorno de Jesus. Se Jesus viesse hoje, você estaria pronto? Tem gente que passa o ano todo preparando as férias, e não tem pecado nisso, se você tem condições de preparar as férias como você está preparando para a vida eterna? Não sei quantos anos você vai viver, mas o que são 90 anos diante da eternidade? Quando o Senhor vier será para julgar os vivos e os mortos, assim diz a Palavra. Seremos julgados pelo amor, a execução da pena será quando Ele vier em sua glória. Não existe tempo depois da morte. O Senhor é cumpridor de promessas, o coração de Deus não se engana, o que Ele prometeu para mim há de si cumprir. Na Palavra tem milhares de promessas para mim e para você, ainda que você tenha sido vítima de tanta mentira, Deus não mente, Deus não falha. A primeira leitura [Jeremias 33, 14-16], quer nos encher de esperança. Mesmo que para você, todas as esperanças humanas tenham se acabado, Deus quer cumprir Suas promessas em tua vida. Reze: “Senhor Deus, eu quero, aceito e peço o cumprimento de suas promessas em minha vida, na família. A minha casa te pertence, cumpra as Suas promessas”. O Senhor diz para você: “hoje a salvação entrou na sua casa”. O Senhor quer ser o teu íntimo. O grande dom que Deus nos deu foi Jesus e Ele quer ser seu íntimo. Acorda! O Senhor não quer passar pela tua vida, o Senhor quer ser teu íntimo e quer que você reconheça a potência dessa intimidade. Quando o Senhor está em nosso íntimo a nossa vida muda. Não pode permanecer numa vida de pecado quem recebeu Jesus como hóspede. Toda santidade é fruto da habitação de Deus. “Progrida, não pare em tua vida espiritual” Sabe qual é nosso maior defeito? Temos memória curta, quebramos a “cara”, depois passa um tempo e cometemos o mesmo erro. Na vida espiritual ou você vai para frente ou você vai para trás. É preciso progredir passo a passo, não podemos ficar parados. Progrida, não pare em tua vida espiritual. Se você está impedido de comungar, não deixe de ir ao encontro do Senhor através da Palavra, da devoção mariana, não fique parado, faça progressos. Hoje mais do que nunca estamos vendo o mundo virado, estamos vendo as mudanças climáticas. Estamos num mundo sempre a beira do colapso. Perceba os sinais de Deus em sua vida, o Senhor está investindo tudo para que você não pereça. Diga: “Senhor Jesus, eu quero assumir essa Palavra, a minha libertação está próxima”. Lá onde você é medo o Espírito Santo é coragem, onde você é fraco o Espírito Santo é a tua fortaleza. Não sabemos como orar, o que dizer, por isso Espírito Santo há de vir em nosso socorro para nos ajudar a orar.

 

Iniciamos, hoje, um novo Ano Litúrgico, muito antes do início de mais um ano civil. O ambiente social, através do comércio, da publicidade, já respira um “ar natalício”. Vale a pena aproveitar esta antecipação e valorizar aquilo que é interessante. Para nós, cristãos, o tempo tem outro sentido. O centro, a plenitude dos tempos, o núcleo do ano é a Páscoa do Senhor, o Tríduo Pascal no qual celebramos o mistério salvador da morte e da ressurreição de Jesus Cristo que nos convoca em cada domingo à eucaristia. Porém, há que preparar o Advento e as festas do Natal. Iremos preparar, novamente, o nosso interior para receber de novo, no hoje da nossa vida, o nascimento Daquele que dá sentido ao tempo, à história e à nossa vida. É importante que se note que estamos iniciando um novo tempo que é forte e importante. Ao começar o Advento, coloquemos já o nosso olhar na celebração do Natal – Epifania, como fazemos quando iniciamos a Quaresma que só tem sentido a partir da Páscoa. Na nossa celebração e na pastoral da comunidade, tudo tem que expressar que estamos começando de novo: a coroa do Advento, cartazes com frases alusivas ao tempo, cânticos adequados, a programação de uma celebração penitencial, vigílias de oração, atividades formativas e catequéticas, etc. O Advento situa-nos entre as duas vindas do Filho do Homem. O Prefácio do Advento I diz-nos claramente: “Ele veio a primeira vez … de novo há-de vir”. O primeiro domingo do ano litúrgico põe-nos sempre à nossa reflexão esta segunda vinda do Filho do Homem. Para esta segunda vinda, na celebração tudo nos convida a estar preparados e vigilantes, mesmo a recordação da primeira vinda. Aguardaremos pela segunda vinda do Senhor em vigilância e oração. Mas hoje, o Senhor também está presente, porque vem assiduamente ao encontro de cada um e da história. É preciso saber descobrir o Senhor, é necessário estar atento para que Ele não passe despercebido. O momento presente não é só preparação para a vinda definitiva, mas também acolher hoje a vinda do Senhor que é salvadora. Jesus diz-nos no evangelho: “Erguei-vos, levantai a cabeça, porque a vossa libertação está próxima”. Libertação de quê? Jesus dá a resposta: de todas as coisas que escurecem e preocupam demasiado o nosso coração. Que programa mais belo para o Advento: o contraste com tudo aquilo que nestes dias que antecedem o Natal nos preocupa demais; quantos negócios e compras nos preocupam demais! Tudo isto pode criar em nós uma insensibilidade a Deus que vem para nos libertar de todas as escravidões da vida. A livre pobreza do Natal recordar-nos-á de tudo isto. A nossa pregação deverá ajudar a que todos “compareçam de pé diante do Filho do Homem” que vem amorosamente à vida humana. Como São Paulo nos diz, temos que valorizar o esforço que cada um faz na sua caminhada de fé. Não vale a pena ter sempre um discurso negativo e deprimente. “Deveis proceder para agradar a Deus e assim estais procedendo; mas deveis progredir ainda mais” (2ª leitura). Só assim tem sentido o Advento. A Oração Coleta deste domingo faz-nos pedir a Deus que despertemos em nós “a vontade firme, pela prática das boas obras, para ir ao encontro de Cristo”. “Para Vós, Senhor, elevo a minha alma”, cantaremos no Salmo Responsorial. É também o texto da Antífona de Entrada. Quando nos preparamos para viver de novo a “humilhação” de Deus que assumiu a nossa condição humana, exceto o pecado, deveremos corresponder com a nossa “elevação”. “Corações ao alto! O nosso coração está em Deus”, proclamaremos no início da Oração Eucarística. “Ensinais a amar os bens do Céu e a viver para os valores eternos”, diremos na Oração Depois da Comunhão. Este “subir” e “descer” que vivemos na Eucaristia tem de estar bem firme nos nossos corações “para nos apresentarmos santos e irrepreensíveis” diante de Deus. Esta é a nossa esperança, é a esperança do Advento.

 

PRIMEIRO DOMINGO DO ADVENTO
Lucas 21, 25-28.34-36
“A libertação de vocês está próxima”

Neste primeiro domingo do Ano Litúrgico, Lucas nos mergulha num dos discursos escatalógicos do seu Evangelho. Sendo assim, usa imagens e símbolos que não são da nossa cultura e época, e por isso nem sempre são fáceis a serem compreendidos pelos ouvintes de hoje. Porém, na literatura apocalíptica não é necessário interpretar cada imagem detalhadamente – o mais importante não é cada pedra do mosaico, mas o padrão inteiro – não cada imagem e símbolo, mas a sua mensagem de conjunto. O texto nos apresenta a figura do “Filho do Homem” – o título que nos Evangelhos Jesus mais usava para si mesmo, e que nós pouco usamos. Este título vem de um trecho do livro apocalíptico de Daniel: “Em imagens noturnas, tive esta visão: entre as nuvens do céu vinha alguém como um filho de homem… Foi-lhe dado poder, glória e reino, e todos os povos, nações e línguas o serviram. O seu poder é um poder eterno, que nunca lhe será tirado. E o seu reino é tal que jamais será destruído” (Dn 7, 13s). Então, Jesus recorda aos seus discípulos a mensagem de ânimo que trazia o Livro de Daniel aos perseguidos do tempo dos Macabeus, pelo ano 175 a.C. – que embora possa parecer que os poderes deste mundo, os impérios opressores sejam mais fortes do que o poder de Deus, isso não passa de uma ilusão. Pois, na plenitude dos tempos, Deus, através do seu Ungido – o Filho do Homem – revelará o seu poder, e estabelecerá um Reino que jamais será destruído. Isso acontece agora em Jesus! Qualquer interpretação de um texto apocalíptico que bota medo nos ouvintes é necessariamente errada, pois a função da literatura apocalíptica é de animar e dar coragem aos oprimidos e sofredores. Por isso, o ponto central do nosso texto de hoje é uma mensagem de ânimo, coragem e fé: “Quando essas coisas começarem a acontecer, levantem-se e erguem a cabeça, porque a libertação de vocês está próxima” (v. 28). Este trecho tem uma dimensão fortemente cristológica – nos afirma que Jesus, o Filho do Homem vitorioso, tem em controle todas as forças, sejam elas de guerra (v. 9) ou do mar – símbolo de forças indomináveis na literatura judaica da época (v. 25). O versículo acima citado traz uma mensagem cheia de confiança: em contraste com a atitude de covardia dos malvados (v. 26), os discípulos ficarão com a cabeça erguida, para acolher o juiz justo, o Filho do Homem. Mesmo assim, os eleitos devem ficar atentos para não caírem. Devem cuidar muito para que: “Os corações não fiquem insensíveis por causa da gula, da embriaguez e das preocupações da vida” (v. 34). Pois, é fácil assumir as atitudes do mundo, sem que notemos, a não ser que sejamos vigilantes. Por isso, o texto de hoje termina com um conselho válido também para os discípulos dos tempos modernos: “Fiquem atentos e rezem todo o tempo, a fim de terem força” (v. 36). O Advento é tempo oportuno para que examinemos a nossa vida para descobrir se realmente estamos atentos o tempo todo para não perdermos as manifestações da presença de Jesus no meio de nós. É tempo de nos dedicarmos mais à oração, para renovarmos as nossas forças, para não cairmos na armadilha da “inatenção” no meio das preocupações e barulhos do mundo moderno, para que os nossos corações continuem “sensíveis” aos apelos do Senhor, através dos irmãos e irmãs, no nosso dia-a-dia!

A santidade é a vocação do cristão

O primeiro chamado do cristão é a santidade

Desde a Antiga Aliança, Patriarcas, Deus chama o povo à santidade: “Eu sou o Senhor que vos tirou do Egito para ser o vosso Deus. Sereis santos porque Eu sou Santo”. (Lv 1, 44-45)

O desígnio de Deus é claro: uma vez que fomos criados à sua “imagem e semelhança” (Gn 1,26) e Ele é Santo, nós devemos ser santos também. O Senhor não deixa por menos. A medida e a essência dessa santidade é o próprio Deus. São Pedro repete esta ordem dada ao povo no deserto, em sua primeira carta, convocando os cristãos a imitarem a santidade de Deus:

“A exemplo da santidade daquele que vos chamou, sede também vós santos, em todas as vossas ações, pois está escrito: Sede santos, porque eu sou santo.” (1Pd 1,15-16)

São Pedro exige dos fieis que “todas as vossas ações” espelhem esta santidade de Deus, já que “vós sois, uma raça escolhida, um sacerdócio régio, uma nação santa, um povo adquirido para Deus, a fim de que publiqueis o poder daquele que das trevas vos chamou à sua luz maravilhosa”. (1Pd 2,9)Para São Pedro a vida de santidade era uma imediata consequência de um povo que ele chamava de “quais outras pedras vivas… materiais deste edifício espiritual, um sacerdócio santo”. (1Pd 2,5)

Neste sentido exortava os cristãos do seu tempo a romper com a vida carnal: “luxúrias, concupiscências, embriagues, orgias, bebedeiras e criminosas idolatrias” (1Pd 4,3)vivendo na caridade, já que esta “cobre a multidão dos pecados”. (1Pd 4,8)

Jesus, no Sermão da Montanha chama os discípulos à perfeição do Pai: “Sede perfeitos assim como o vosso Pai celeste é perfeito”. (Mt 5,48)

Essas palavras fazem eco ao que Deus já tinha ordenado ao povo no deserto: “Sede santos, porque eu sou santo”. (Lv 11,44)

Jesus falava da bondade do Pai, que ama não só os bons, mas também os maus, e que “faz nascer o sol tanto sobre os maus como sobre os bons, e faz chover sobre os justos e sobre os injustos”. (Mt 5,45) Jesus pergunta aos discípulos: “Se amais somente os quevos amam, que recompensa tereis?” (46). Para o Senhor, ser perfeito como o Pai celeste, é amar também os inimigos, os que não nos amam. “Amai os vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam, orai pelos que vos perseguem e vos maltratam”(44) e mais ainda: “Não resistais ao mau. Se alguém te ferir a face direita, oferece-lhe também a outra”. (39)

Sem dúvida não é fácil viver essa grande exigência que Jesus nos faz, mas é por isso mesmo que ao cumpri-las vamos nos tornando santos, perfeitos, como o Pai celeste.

Todo o Sermão da Montanha, que São Mateus relata nos capítulos 5, 6 e 7, apresenta-nos o verdadeiro código da santidade. É como dizem os teólogos, a “Constituição do Reino de Deus”. Santo Agostinho nos assegura que:

“Aquele que quiser meditar com piedade e perspicácia o Sermão que nosso Senhor pronunciou no Monte, tal como o lemos no Evangelho de São Mateus, aí encontrará, sem sombra de dúvida, a carta magna da vida cristã” (CIC, nº 1966).

É por isso que na festa de todos os Santos a Igreja nos faz meditar no Evangelho das Bem-aventuranças, que são o início, e como que o resumo, de todo o Sermão do Monte.

São Paulo começa quase todas as suas Cartas lembrando os cristãos do seu tempo de que são chamados à santidade. Aos romanos, logo no início, ele se dirige dizendo:

“A todos os que estão em Roma, queridos de Deus, chamados a serem santos“. (Rm 1,7)

Aos corintios ele repete: “à Igreja de Deus que está em Corinto, aos fiéis santificados em Cristo Jesus chamados à santidade com todos…” (1Cor 1,2).

Aos efésios ele lembra, logo no início, que o Pai nos escolheu em Cristo “antes da criação do mundo para sermos santos e irrepreensíveis diante de seus olhos” (Ef 1,5).

Aos filipenses ele pede que: “o discernimento das coisas úteis vos torne puros e irrepreensíveis para o dia de Cristo” (Fil 1,10).

“Fazei todas as coisas sem hesitações e murmurações a fim de serdes irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus íntegros no meio de uma geração má e perversa” (Fil 2,14) .

Para o Apóstolo a santidade é a grande vocação do cristão. Ele diz aos efésios:

“Exorto-vos pois (…) que leveis uma vida digna da vocação a qualfostes chamados, com toda humildade, mansidão e paciência”. (Ef 4,1)

De maneira mais clara ainda ele fala aos tessalonicenses sobre o que Deus quer de nós:

“Esta é a vontade de Deus: a vossa santificação; que eviteis a impureza; que cada um de vós saiba possuir o seu corpo em santificação e honestidade, sem se deixar levar pelas paixões desregradas como fazem os pagãos que não conhecem a Deus”. (1 Tess 4,3-5)

Aos cristãos de Corinto, Paulo volta a insistir na sua segunda Carta:

“Purifiquemo-nos de toda a imundice da carne e do espírito realizando a obra de nossa santificação no temor de Deus” (2 Cor 7,1) e também a carta aos Hebreus, nos manda procurar a santidade:

“Procurai a paz com todos e ao mesmo tempo a santidade, sem a qual ninguém pode ver o Senhor”. (Hb 12,14)

Santa Teresa de Ávila afirma que: “O demônio faz tudo para nos parecer um orgulho o querer imitar os santos”.

A santidade é o meio de voltarmos a ser “imagem e semelhança” de Deus, conforme saímos de suas mãos.

São Paulo ensina na carta aos romanos que Deus nos quer como autênticas imagens de Jesus:

“Os que ele distinguiu de antemão, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que este seja o primogênito entre uma multidão de irmãos”. (Rm 8,29)

A santificação, portanto, consiste em cada cristão se transformar numa cópia viva de Jesus, “um outro Cristo” como diziam os santos Padres. Quando a imagem de Jesus estiver formada em nossa alma, então teremos chegado à meta que Deus nos propõe. É aquele estado de vida que levou, por exemplo, São Paulo a exclamar:“Eu vivo, mas já não sou mais eu, é Cristo que vive em mim. A minha vida presente, na carne, eu a vivo na fé no Filho de Deus”. (Gl 2,20)

Jesus sofreu a sua Paixão e Morte para que recuperássemos diante do Pai a santidade. É o que o Apóstolo nos ensina: “Eis que agora Ele vos reconciliou pela morte de seu corpo humano, para que vos possais apresentar santos, imaculados, irrepreensíveis aos olhos do Pai”. (Col 1,22)

Fomos criados por Deus e para Deus, e a Ele pertencemos; por isso, somos chamados à santidade. O salmista canta essa verdade essencial:

“Ele é nosso Deus; nós somos o povo de que ele é o pastor,

“As ovelhas que as suas mãos conduzem.” (Sl 94,7)

“Sabei que o Senhor é Deus: somos o seu povo e as ovelhas de seu rebanho.” (Sl 99,3)

Essa pertença a Deus é que nos obriga acima de tudo a buscarmos como meta da nossa vida a santidade, que é a marca de Deus, três vezes Santo. O Papa João Paulo II, que era um pregador incansável da santidade, disse certa vez:

“Não tenhais medo da santidade, porque nela consiste a plena realização de toda a autêntica aspiração do coração humano.” (LR,N.17, 7/4/96)

“Entre as maravilhas que Deus realiza continuamente, reveste singular importância a obra maravilhosa da santidade, porque ela se refere diretamente à pessoa humana.”

E o Papa resume tudo dizendo que:

“A santidade é a plenitude da vida.” (LR, N.20, 18/5/96)

Com a mesma ênfase, São Paulo afirma para os corintios que não nos pertencemos, porque fomos comprados por um alto preço que é o sangue de Cristo (cf. 1 Cor 6,19). Aos romanos o Apóstolo diz: “Nenhum de vós vive para si e ninguém morre para si. Se vivemos, vivemos para o Senhor; se morremos, morremos para o Senhor. Quer vivamos, quer morramos, pertencemos ao Senhor. (Rm 14,7)

XXXIII Domingo do tempo comum – Ano B

Por Pe. Inácio José Schuster

Naqueles dias… 
Daniel 12, 1-3; Hebreus 10, 11-14. 18; Marcos 13, 24-32

O Evangelho do penúltimo domingo do ano litúrgico é o clássico texto sobre o fim do mundo. Em todas as épocas, houve quem se encarregou de agitar ameaçadoramente esta página do Evangelho ante seus contemporâneos, alimentando psicoses e angústia. Meu conselho é permanecer tranquilos e não se deixar abater por estas previsões catastróficas. Basta ler a frase final da mesma passagem evangélica: «Mas daquele dia e hora, ninguém sabe nada, nem os anjos no céu, nem o Filho, só o Pai». Se nem sequer os anjos e o Filho» (se entende que enquanto homem, não enquanto Deus) conhecem o dia nem a hora do final, é possível que saiba e esteja autorizado a anunciá-lo o último adepto de alguma seita ou fanático religioso? No Evangelho, Jesus nos assegura o fato de que Ele voltará um dia e reunirá seus escolhidos desde os quatro ventos; o quando e como virá (entre as nuvens do céu, o escurecimento do sol e a queda das estrelas) fazem parte da linguagem figurada própria do gênero literário destes relatos. Outra observação pode ajudar a explicar certas páginas do Evangelho. Quando nós falamos do fim do mundo, segundo a idéia que temos hoje do tempo, pensamos imediatamente no fim do mundo em absoluto, depois do qual já não pode haver mais que a eternidade. Mas a Bíblia raciocina com categorias relativas e históricas, mais que absolutas e metafísicas. Quando por isso fala do fim do mundo, entende com muita freqüência o mundo concreto, aquele que de fato existe e é conhecido por certo grupo de homens: seu mundo. Trata-se, em resumo, mais do fim de um mundo que do fim do mundo, ainda que as duas perspectivas às vezes se entrecruzam. Jesus diz: «Não passará esta geração sem que tudo isto aconteça». Equivocou-se? Não; aquela geração, de fato, não passou; o mundo conhecido por aqueles que o escutavam, o mundo judaico, passou tragicamente com a destruição de Jerusalém no ano 70 depois de Cristo. Quando, no ano 410, sucedeu o saque de Roma por obra dos vândalos, muitos grandes espíritos do tempo pensaram que era o fim do mundo. Não erravam muito; acabava um mundo, o criado por Roma com seu império. Neste sentido, não se equivocavam tampouco aqueles que em 11 de setembro de 2001, vendo a queda das Torres Gêmeas, pensaram no fim do mundo… Tudo isto não diminui, mas acrescenta a seriedade do compromisso cristão. Seria a maior estupidez consolar-se dizendo que, afinal, ninguém conhece quando será o fim do mundo, esquecendo que pode ser, para cada um, esta mesma noite. Por isso, Jesus conclui o Evangelho de hoje com a recomendação: «Estai atentos e vigiai, porque não sabeis quando será o momento preciso». Devemos — considero — mudar completamente o estado de ânimo com o qual escutamos estes Evangelhos que falam do fim do mundo e do retorno de Cristo. Terminou-se por considerar um castigo e uma escura ameaça aquilo que a Escritura chama «a feliz esperança» dos cristãos, isto é, a vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo (Tito 2, 13). Também está em jogo a idéia que temos de Deus. Os recorrentes discursos sobre o fim do mundo, obra freqüente de pessoas com um sentimento religioso distorcido, têm sobre muitos um efeito devastador: reforçar a idéia de um Deus perenemente bravo, disposto a dar corda à sua ira sobre o mundo. Mas este não é o Deus da Bíblia, a quem um salmo descreve como «clemente e compassivo, lento para a cólera e cheio de amor, que não se aborrece eternamente nem para sempre guarda seu rancor… ele se lembra do pó que somos nós» (Sl 103, 8-14).

 

Evangelho de São Marcos 13, 24-32
«Mas nesses dias, depois daquela aflição, o Sol vai escurecer-se e a Lua não dará a sua claridade, as estrelas cairão do céu e as forças que estão no céu serão abaladas. Então, verão o Filho do Homem vir sobre as nuvens com grande poder e glória. Ele enviará os seus anjos e reunirá os seus eleitos dos quatro ventos, da extremidade da terra à extremidade do céu.» «Aprendei, pois, a parábola da figueira. Quando já os seus ramos estão tenros e brotam as folhas, sabeis que o Verão está próximo. Assim, também, quando virdes acontecer estas coisas, sabei que Ele está próximo, às portas. Em verdade vos digo: Não passará esta geração sem que todas estas coisas aconteçam. O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não passarão. Quanto a esse dia ou a essa hora, ninguém os conhece: nem os anjos do Céu, nem o Filho; só o Pai.»

Por Pe. Fernando José Cardoso
Jesus se havia distanciado do templo de Jerusalém. Do alto do Monte das Oliveiras alguns discípulos chamam sua atenção diante da belíssima construção. Jesus não se faz ilusão: “Vedes este templo, pois eu vos digo não ficará pedra sobre pedra”. Neste penúltimo domingo do tempo comum, a liturgia e as leituras nos fazem voltar a atenção para o futuro, para o grande futuro, para o derradeiro futuro da história e de todos nós. Em dois momentos distintos, Jesus fala a respeito da destruição de Jerusalém, o que se verificou no ano setenta de nossa era, com Tito e num segundo plano fala do final de todas as coisas, do final da história. Nós não sabemos como será este final, nós não sabemos se o nosso planeta entrará numa era glacial ou se será frito literalmente por uma elevação insuportável da temperatura. Nós não sabemos se alguns dos duzentos asteróides e cometas que giram aqui por perto algum dia se chocarão terrível e fatalmente com a nossa terra. Sabemos que nós encaminhamos para o fim e aqueles que têm fé sabe que no fim haverá de se manifestar plenamente a vitória de Jesus crucificado e ressuscitado. De resto, este fim de todas as coisas se antecipa para cada um de nós num pequeno cataclismo ou no apocalipse penoso daquele que parte. O último combate na agonia, medo diante do mistério desconhecido, dores físicas atiçadas por satanás nas suas últimas tentações, um mundo e a vida que se esvai das nossas mãos. Quando isto acontecer, o Evangelho de hoje nos afirma, que está próximo o grande encontro para o qual nós cristãos católicos nos preparamos a vida inteira. Pois o cristão católico naquele derradeiro e definitivo dia não entregará sua vida ao pó da terra ou a sepultura, isto o faz aqueles que não têm fé. Aquele que tem fé entrega a sua vida cheia de esperança nas mãos misericordiosas do Pai, porém é preciso viver esta esperança e vivermos de tal modo a seriedade do cristianismo que, aquele dia tremendo e ao mesmo tempo glorioso que se antecipará no ato da nossa morte, não nos apanhe despreocupados, desprevenidos e, sobretudo com as mãos vazias. Para aqueles que morrem no Senhor e carregados de boas obras, diz o Espírito no Apocalipse: “Que descansem em paz” para toda a eternidade, porque suas obras, suas boas obras, o crescimento que tiverem realizado no amor vertical para com Deus e no amor horizontal para com os irmãos, estas são as obras que nos acompanharão e advogarão a nossa causa diante do Justo Juiz.

 

Da multidão ao grupo dos discípulos
Frei Josué

Nosso Senhor em sua infinita sabedoria nos dá algumas pistas para não ficarmos preocupados com o dia e nem a hora em que Ele voltará, pois ninguém sabe quando será, somente o Pai do céu sabe. Por outro lado Ele também nos diz quando vocês começarem ver catástrofes a nível mundial, vocês estejam atentos, estejam prontos. Fazendo comparação com a figueira, quando vermos os sinais, que nós não devemos ficar desesperados como os pagãos, mas ter certeza sim que Ele está próximo. Todos nós devemos estar prontos, porque o Senhor virá ou nós iremos a Ele. Por isso a Palavra nos alerta, pedindo que estejamos vigilantes. Nosso Senhor sabe que a vida aqui na terra nos fascina, e pode nos fazer perder o verdadeiro sentido da nossa existência. A vida aqui é passageira, a nossa casa definitiva é com Deus e nós não podemos nos acostumar. Nós amamos demais as coisas deste mundo e elas acabam tomando o lugar de Deus. Se acreditamos que existe o céu e acreditamos em tudo o que a Palavra de Deus nos ensina, vivamos então de maneira diferente, porque a gloria futura não se compara a esta vida. Tenham sonhos e queiram construir famílias, nesse mundo que despreza a família, não tenha medo, pois Deus dará a graça de criá-los. Jovem descubra o seu lugar na Igreja, ande na graça de Deus porque quando o Senhor voltar ou você ir a Ele, você receberá um premio. Deus sabe que cada dia mais temos que estar em oração. Deus salvará o seu povo, então você precisa sair do grupo da multidão, e vir para o grupo dos discípulos. A multidão procura milagres e sinais e quando Jesus não faz a multidão fica revoltada, a mesma multidão que gritava hosana ao filho de Davi, gritou crucifica-o. Esta é a multidão que esta atrás das graças de Deus e não de Deus. Dessa multidão Nosso Senhor Jesus Cristo escolheu os seus discípulos, e nesse Evangelho Jesus fala para os discípulos e não para a multidão. Aos seus Jesus não dá pão da padaria, mas dá o seu corpo sangue alma e divindade. Quando foi que Jesus instituiu a Eucaristia, não foi na multiplicação dos pães, mas foi na quinta-feira junto com os seus discípulos. ‘Não faltará o pão na sua casa, não faltará alegria, porque o Senhor é fiel.’ Quem são os discípulos amados de Jesus? Aos discípulos amados Jesus entrega a sua mãe a Virgem Maria, Ele confia São Miguel Arcanjo defensor do povo de Deus como diz na primeira leitura, aos discípulos Jesus vai dar os maiores dons e ensinamentos. Não seja apenas multidão, não seja aqueles que correm para Jesus resolver os problemas, Jesus não é o teu empregado Ele é o teu Senhor. Você precisa ser servo de Deus, e você poderá dizer como o Salmista: “Guardai-me oh Deus porque em Vós me refugio”. Meus irmãos, os discípulos Jesus também recebem a cruz. “Quem quiser ser meu discípulo, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga. E diz também vinde a mim todos vós que estais cansados e Eu vos aliviarei”. Aos seus o Senhor oferece o seu lado aberto, também oferece o seu peito, como João você pode reclinar a sua cabeça. Discípulo sofre um pouquinho mais, mas recebe muito mais e quanto maior a dificuldade maior será a proteção. E como é bom saber que estamos na proteção de Deus e mesmo na noite escura onde você não vê nada, você sabe que a mão do Senhor está sobre a sua vida. Vale a pena entregar a nossa vida a Ele, viver nesse mundo já antecipando o céu, fugindo do pecado, fazendo o bem, andando retamente, trazendo as pessoas para perto de Deus, para que elas também experimentem esta paz. Nós somos a geração que precisa mostrar ao mundo que vale a pena ser de Deus, que vale a pena rezar, ser honesto, caminhar na justiça, mesmo que você seja tido como tolo, mas você sabe em quem você colocou a sua fé. Irmãos vivamos a santidade, saia da multidão, esse é o maior milagre que Jesus quer fazer na sua vida e lhe garanto que como Davi você dirá: “O Senhor é o meu pastor e nada me faltará”. Não faltará o pão na sua casa, não faltará alegria, porque o Senhor é fiel.

 

O exemplo da figueira
Cardeal John Henry Newman (1801-1890), presbítero, fundador de comunidade religiosa, teólogo
«The Invisible World» PPS, IV, 13

Apenas uma vez por ano, mas ainda assim uma vez, o mundo que vemos manifesta subitamente as suas capacidades escondidas e revela-se de várias formas. Então as folhas aparecem, as árvores de fruto e as flores desabrocham, a erva e o trigo germinam. Há subitamente um impulso e irrompe a vida escondida que Deus colocou no mundo material. Ora bem! Isto serve-nos como exemplo do que o mundo pode fazer a uma ordem de Deus. Esta terra […] explodirá um dia num mundo novo de luz e de glória, no qual veremos os santos e os anjos. Quem pensaria, sem a experiência que teve das Primaveras precedentes, quem poderia conceber, dois ou três meses antes, que a face da Natureza, que parecia morta, pudesse tornar-se tão esplêndida e tão variada ? […] O mesmo se passa com respeito a essa Primavera eterna que espera todos os cristãos: virá, mesmo que tarde. Esperemo-la porque «o que há-de vir virá e não tardará» (Heb 10, 37). É por isso que dizemos todos os dias «Venha a nós o Vosso reino!» O que quer dizer: Mostra a Tua grandeza, Senhor; Tu que tens o Teu trono sobre os querubins, mostra a Tua grandeza. Desperta o Teu poder e vem salvar-nos [cf. Sl 80 (79), 2-3].

 

Estamos no penúltimo domingo do Ano Litúrgico. Todo o ciclo litúrgico ajudou-nos não só a conhecer melhor Jesus Cristo, mas também a conhecer melhor o significado do Reino. Progressivamente, Jesus foi revelando o mistério de Deus. Da nossa parte, como será importante assimilar e compreender toda a mensagem divina e destruir no nosso íntimo tudo o que nos impede de ver e de seguir Jesus! Como verdadeiros discípulos, queremos viver a nossa fé. Jesus entregou-se por nós, mas a Igreja propõe uma nova reflexão a partir das palavras que Jesus proferiu diante do Templo para nos sentirmos fortes nos momentos em que os esquemas que nos dão segurança poderão vacilar. Quem poderia prever que o Templo, sinal do orgulho e da vaidade da alma judaica daquele tempo, desapareceria? Quando isso aconteceu, as palavras de Jesus converteram-se numa nova fonte de esperança, de realismo, de conforto. Quando o evangelho de São Marcos foi escrito, já a comunidade cristã tinha vivido a destruição do Templo de Jerusalém e já conhecia com sofrimento o que significava dar testemunho da fé. O Livro de Daniel diz-nos umas palavras que poderão ser muito atuais e adequadas ao mundo de hoje: “será um tempo de angústia, como não terá havido até então, desde que existem nações. O profeta fala de uma situação de guerra em que o povo de Israel se tinha envolvido e tinha perdido, provocando uma grande mortandade. A linguagem de Jesus, olhando o Templo a partir do Monte das Oliveiras a dois dias da sua paixão, é de desânimo e angústia: “Depois de uma grande aflição, o sol escurecerá e a lua não dará a sua claridade; as estrelas cairão do céu e as forças que há no céu serão abaladas”. Há que salientar que esta linguagem é apocalíptica. Não se trata de levar à letra esta frase, mas o texto transmite poeticamente uma vivência dura e desesperada. Também hoje há experiências duras e cheias de desespero. Contudo, a linguagem apocalíptica não fica numa visão negativa. O profeta Daniel fala de Miguel, “o grande chefe dos Anjos”, “que protege os filhos do teu povo” e diz que “muitos dos que dormem no pó da terra acordarão”, ou seja, fala da ressurreição dos mortos. A mensagem de Jesus fala da vinda do Filho do Homem, um título messiânico, da força da salvação. A sua vinda, a Parusia, é a manifestação evidente do seu Poder e da sua Glória e reunirá todos aqueles que se sentiram irmãos na fé e vivem agora unidos ao coração do Pai. No evangelho, Jesus diz-nos que olhando para uma figueira damos conta que as coisas mudam, “sabeis que o Verão está próximo”. Esta parábola ensina-nos a ler a realidade das coisas (no contexto do evangelho é a destruição de Jerusalém e do Templo) como um sinal de que Ele se aproxima, está já “à porta”. Perante as situações catastróficas, a escatologia bíblica ensina-nos que há coisas terrestres que mudam, mas o Espírito de Deus estará sempre presente. Esta é a consolação que deveremos neste dia gravar no nosso coração. Saber ler a vida é também tomar consciência de que, quando no evangelho lemos a frase “as minhas palavras não passarão”, está a dizer-nos que apesar das coisas naturais mudarem, a realidade eclesial mudar, as transformações culturais e sociais acontecerem, a Palavra de Deus permanece sempre e será sempre sinal de salvação. É importante a convicção de que Deus virá ao nosso encontro. Somos peregrinos, vivemos provisoriamente, a caminho do Paraíso, do Reino, do Céu, para viver na plenitude de Deus.

 

TRIGÉSIMO TERCEIRO DOMINGO COMUM
Mc 13, 24-32

“O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não passarão”

O texto nos apresenta diversas dificuldades de interpretação, pois está saturado com conceitos apocalípticos, referências veladas a possíveis eventos históricos, e referências tiradas de escritos do tempo do Antigo Testamento, muitas das quais desconhecidas para nós. Porém, a sua mensagem central fica clara – o triunfo final do Filho do Homem, mandando por Deus para estabelecer o seu Reino. A linguagem vetero-testamentária de sinais cósmicos, a figura do Filho do Homem e a reunião dos eleitos de Deus são unidas num contexto novo, em que a vinda escatalógica de Jesus como Filho do Homem se torna o evento central. A sua vinda gloriosa no fim dos tempos servirá como prova da vitória de Deus – e a expectativa desta chegada serve como base da vigilância paciente que é recomendada aos discípulos ao longo de todo o Discurso Escatalógico de Marcos. Os sinais cósmicos que antecederão o fim fazem referência a textos do Antigo Testamento: Is 13, 10; Ez 32, 7; Am 8, 9; Jl 2, 10.31; 3, 1-5; Is 34, 4; Ag 2, 6.21. Mas, em nenhum lugar no Antigo Testamento se referem à vinda do Filho do Homem – é uma novidade do evangelho. A lista desses sinais é uma maneira de dizer que toda a citação assinalará a sua vinda final. A descrição da chegada do Filho do Homem, rodeado das nuvens, é tirada do livro de Daniel 7, 13; mas, aqui se refere claramente a Jesus e não à figura angélica “em forma humana” do livro apocalíptico de Daniel. A ação de Jesus em reunir os eleitos é o oposto de Zc 2, 10. Este reunir-se dos eleitos do seu povo por parte de Deus se encontra em Dt 30, 4; Is 11, 11.16; 27, 12, Ez 39, 7 etc, – mas nunca no Antigo Testamento é o Filho do Homem que faz esse trabalho. A segunda parte do texto consiste numa parábola (vv. 28-29), um ditado sobre a hora do fim (v. 30), sobre a autoridade de Jesus (v. 31) e de novo sobre a hora (v. 32). Nem sempre fica claro a que se refere – o que se fala sobre essas coisas acontecerem “nessa geração” tem como contrabalanço o v. 32 que diz que somente Deus sabe a hora exata. A parábola sobre os sinais claros da chegada do fim (vv. 28-29) tem em contraposição a parábola da vigilância constante (vv. 33-37). Mas, continua clara a mensagem básica – a vitória final do projeto de Deus, concretizada através de Jesus, o Filho do Homem. Mas, a certeza dessa vitória não dispensa a atitude de vigilância constante por parte dos discípulos, para que não se desviem do caminho. Pode parecer confuso o nosso texto – e para nós hoje, de uma certa forma o é. Mas, inserido no contexto do Discurso Escatalógico (referente aos tempos finais) do Evangelho, nos traz uma mensagem de esperança e uma advertência. A esperança nasce do fato de que a vitória de Deus é garantida – um elemento fundamental em todo apocaliptismo. A advertência está na necessidade de vigilância constante, para que não percamos a hora do Filho. Num mundo de desesperança e falta de ânimo por parte de muitos, o texto nos convida, os discípulos, a uma atitude positiva que nos leva a um engajamento maior em prol da construção do Reino entre nós. Mas, também nos desafia para que estejamos sempre vigilantes para não sermos cooptados pela sociedade vigente, opressora e consumista, que muitas vezes se baseia em princípios contrários aos do Reino de Deus. As palavras de Jesus têm um valor permanente, para que possamos julgar as diversas propostas de vida que o mundo nos apresenta. “O céu a terra passarão, mas as minhas palavras não passarão”.

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