Tag: oração

“Venha, seja minha luz”

Por Brian Kolodiejchuk

1. Se alguma vez vier a ser Santa – serei certamente uma Santa da ‘escuridão’. Estarei continuamente ausente do Céu – para acender a luz daqueles que se encontram na escuridão na Terra.
2. Muito frequentemente me sinto como um lápis nas Mãos de Deus. Ele escreve, Ele pensa, Ele faz os movimentos. Eu só tenho que ser o lápis.
3. Ele usava o seu “nada” para mostrar sua grandeza.
4. Venha, seja minha luz.
5. Sua dolorosa experiência interior: – Era um compartilhamento na Paixão de Cristo na Cruz, com particular ênfase na sede de Jesus. …
6. Sou perfeitamente feliz e grata a Deus por aquilo que Ele dá – Prefiro ser e permanecer pobre com Jesus e os Seus pobres.
7. Raízes de sua missão:… no mistério da missão de Jesus, na união com Aquele que, morrendo na Cruz, Se sentiu abandonado pelo Pai.
8. Ninguém pode receber a confissão sacramental escrevendo os pecados num papel e enviando-o a um sacerdote.

Capítulo I
9. Segure a mão Dele [Jesus], caminhe sozinha com Ele. Siga em frente porque, se olhar para trás, irá voltar.
10. Desde a infância que o Coração de Jesus foi o meu primeiro amor.
11. ADEUS
Estou deixando minha casa querida / E a minha terra amada / Para a fumegante Bengala eu vou / Para orlas longínquas.
Estou deixando meus velhos amigos / Renunciando a família e ao lar / Meu coração me impele avante / A servir ao meu Cristo.
Adeus, Oh mãe querida / Que Deus esteja com todos vocês / Um Poder mais Alto me compele / Em direção à tórrida Índia.
O navio avança lentamente / Cortando as ondas do mar, / Enquanto meus olhos se voltam pela última vez / Para o querido litoral da Europa.
Corajosamente de pé no convés / Alegre, de semblante pacificado, / A feliz pequenina de Cristo / Sua nova noiva prometida.
Tem na mão uma cruz de ferro / Sobre a qual pende o Salvador, / Enquanto sua alma ardente lá oferece o Seu doloroso sacrifício.
Oh Deus, aceitai este sacrifício / Como sinal do meu amor, / Ajudai, por favor, a Vossa criatura / A glorificar o vosso Nome!
Em troca apenas Vos peço / Ó doce Pai de todos nós: / Deixai-me salvar pelo menos uma alma / Uma que já conheçais.
Suaves e puras como o orvalho do verão / Suas delicadas lágrimas agora fluem, / Selando e santificando então / O seu doloroso sacrifício.
12. Se você soubesse como sou feliz, como pequena esposa de Jesus. Não poderia invejar ninguém, nem mesmo aqueles que estão desfrutando de uma felicidade que ao mundo parece perfeita, porque estou desfrutando de minha completa felicidade, mesmo quando sofro qualquer coisa por meu Amado Esposo.
13. Quando as coisas se tornam difíceis, consolo-me com a idéia de que dessa maneira as almas são salvas e de que o meu querido Jesus sofreu muito mais por elas.
14. Não pense que minha vida é um mar de rosas – essa é a flor que raramente encontro pelo caminho.
15. Preciso de muita graça, de muita força de Cristo para perseverar na confiança, neste amor cego que conduz somente a Jesus Crucificado.
16. Trabalho não é oração, oração não é trabalho, mas devemos rezar o trabalho por Ele, com Ele, e para Ele.
17. Na mesma proporção em que aumenta a caridade, diminui o medo do sofrimento e aumenta o medo do pecado, sem enfraquecimento da confiança.
18. Agora abraço a sofrimento mesmo antes de ele chegar, e assim Jesus e eu vivemos no amor.
19. Madre Teresa lutava efetivamente por “beber o cálice até a última gota”, vivendo o compromisso de “ser toda só de Jesus”.
20. Meu Deus, com que facilidade os faço felizes! Dá-me forças para ser sempre a luz da vida deles, a fim de conduzi-los a Ti.

Capítulo II
21. Voto privado: Fiz um voto a Deus, que me compromete sob [pena] de pecado mortal, a dar a Deus qualquer coisa que Ele possa pedir: ‘Não lhe recusar coisa alguma’.
22. Por que devemos nos entregar inteiramente a Deus? Porque Deus Se entregou a nós. Se Deus, que nada nos deve, está pronto a nos entregar nada menos que a Si próprio, responderemos apenas com uma parte de nós? Nos entregarmos inteiramente a Deus é um meio de recebermos o Próprio Deus. Eu por Deus e Deus por mim. Eu vivo por Deus e abdico de meu próprio ser, e, assim, eu o induzo a viver por mim. Conseqüentemente, para possuirmos a Deus devemos permitir que Ele possua a nossa Alma.
23. Pagar amor, com amor.
24. Aquele que ama deseja unir-se ao amado.
25. Voto de humildade: consiste, segundo Ele me disse, em reconhecer que nada sou sem a ajuda de Deus, e em desejar ser desconhecida e desprezada.
26. Um pecado mortal é uma infração grave à lei de Deus. Desvia o homem de Deus, que é o seu último fim, a sua bem-aventurança, preferindo um bem inferior. Se o pecado mortal não for resgatado pelo arrependimento e pelo perdão de Deus, originará a exclusão do Reino de Cristo e a morte eterna no inferno. Para haver pecado mortal, é preciso que sejam verificadas as seguintes condições: matéria grave, plena consciência e propósito deliberado.
27. No silêncio do coração Deus fala.
28. Quando vejo uma pessoa triste, ela costumava dizer, sempre penso que está recusando alguma coisa alguma coisa a Jesus. Era em dar a Jesus tudo o que Ele pedisse que ela encontrava a sua mais profunda e mais duradoura alegria; ao Lhe dar alegria, ela encontrava a sua própria alegria.
29. A alegria é muitas vezes uma capa que esconde uma vida de sacrifício, de contínua união com Deus, de fervor e generosidade.
30. Para o bom Deus nada é pequeno porque Ele é tão grande e nós tão pequenos – é por isso que Ele se abaixa e se dá o trabalho de fazer essas pequenas coisas para nós – para nos dar a chance de provar nosso amor por Ele. Por que Ele as faz, elas são muito grandes. Ele não pode fazer nada pequeno; elas são infinitas.
31. Não procurem coisas grandes, apenas façam coisas pequenas com grande amor.

Capítulo III
32. “Tenho sede”, disse Jesus na Cruz. Ele falou de Sua sede – não de água – mas de amor, de sacrifício.
33. Vamos permanecer sempre com Maria nossa Mãe no Calvário perto de Jesus crucificado, com o nosso cálice feito dos quatro votos, e preenchê-lo com o amor do sacrifício pessoal, o puro amor, sempre erguido próximo ao Seu Coração sofrido, para que Ele possa ficar feliz em aceitar o nosso amor.
34. “Todas as vezes que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, foi a mim que fizestes”.
35. Para uma pessoa que está apaixonada, a rendição é mais do que um dever, é uma bem-aventurança.
36. “Venha, venha, leve-Me aos buracos escuros dos pobres. Venha, seja Minha luz”.
37. … Tenho ansiado com muita freqüência por ser toda para Jesus e fazer com que outras almas – …venham e O amem fervorosamente –…
38. Há tantas almas – puras – santas que anseiam por se entregar somente a Deus
39. “Não vais ajudar?”
40. – Abraçar e escolher a solidão e a infância – a incerteza – e tudo isso porque Jesus assim o quer – porque alguma coisa me chama “a deixar tudo e a reunir o pouco – para viver a vida Dele”.
41. “Quero freiras indianas, vítimas do Meu amor, que sejam Maria e Marta. Que estejam tão unidas a Mim que irradiem o Meu amor por sobre as almas. Quero freiras livres, cobertas com Minha pobreza da Cruz”.
42. “Não – a sua vocação é amar e sofrer e salvar almas e, dando esse passo, realizará o desejo do Meu coração por você – É essa a sua vocação.”
43. “Você está sempre dizendo ‘faz comigo tudo o que quiseres’. E agora Eu quero agir – deixe-Me fazê-lo – Minha pequena esposa – Minha pequenina. Não tenha medo – Eu estarei sempre com você. – Sofrerá e sofrerá agora – mas se for a Minha pequena Esposa – a Esposa do Jesus Crucificado – terá que suportar estes tormentos no seu coração. – Deixe-Me agir – Não Me recuse. – Confie amorosamente em Mim – confie cegamente em Mim”.
44. O amor deve ser a palavra, o fogo, que as faça viver a vida em sua plenitude.
45. Deus me chama – indigna e pecadora como sou.
46. Anseio por ser realmente só Dele – por arder por completo por Ele e pelas almas.
47. “Vais recusar?”.

Capítulo IV
48. Se uma única criancinha infeliz passar a ser feliz com o amor de Jesus, … não valerá a pena… dar tudo por isso?
49. … Acreditava que, através da obediência aos representantes de Deus, a vontade divina acabaria por se tornar conhecida com segurança.
50. Ele tudo providenciará. – Quanto mais confiarmos Nele – mais Ele fará.
51. O meu lema é ‘Procurar a Deus em todos e em todas as coisas’.
52. … Aquele que é responsável precisa de discrição, oração fervorosa e constante, e prontidão para cumprir a vontade de Deus…
53. “Vai recusar a fazer isso por Mim?”
54. Não vale a pena passar por todos os sofrimentos possíveis, por uma só alma? Nosso Senhor não fez o mesmo? Que fracasso foi a Sua Cruz no Calvário – e tudo por mim, uma pecadora.
55. Se por um copo de água Ele prometeu tanto, o que não fará por corações vítimas entregues aos pobres? Ele fará tudo. Eu, eu sou apenas um pequeno instrumento nas mãos Dele e, justamente porque eu não sou nada, Ele quer me usar.
56. Confiemos cegamente Nele. – Ele fará com que a nossa confiança Nele não seja frustrada.
57. Por vezes, tenho medo, porque nada tenho, nem inteligência, nem conhecimentos, nem as qualidades que tal trabalho exige, mas, ainda assim, eu digo a Ele que o meu coração está livre de tudo, e por isso pertence por completo a Ele e só a Ele. Ele pode me usar como melhor Lhe agradar. Apenas agradá-Lo é a alegria que procuro.
58. O ‘pequeno nada’… ansiava por ‘levar a alegria ao Coração Sofrido de Jesus’.
59. Meu Deus, dá-me a Tua luz e o Teu amor, para que eu seja capaz de escrever estas coisas para Tua honra e glória. Não permitas que a minha ignorância me impeça de fazer a Tua vontade na perfeição. Supre o que falta em mim.
60. Ele era o seu “Tudo”.
61. Para estarmos completamente unidos e Ele, devemos ser pobres – livres de tudo – aqui entra a pobreza da Cruz – Pobreza Absoluta – e para sermos capazes de ver Deus nos pobres – Castidade Angélica – e para sermos capazes de estar sempre à Sua disposição – Obediência Alegre.
62. …agir a caridade de Cristo entre os mais pobres – fazendo assim com que eles O conheçam e O queiram nas suas vidas infelizes.
63. Nosso Senhor disse: “Não tenha medo – Eu estarei sempre com você […] Confie amorosamente em Mim – confie cegamente em Mim”.
64. Por que será que Nosso Senhor mesmo diz: “Como dói ver estas pobres criancinhas manchadas pelo pecado. […] Eles não Me conhecem – por isso não Me querem […] Como anseio por entrar nos seus buracos – seus lares escuros e tristes. Venha, seja a vítima deles. – Na sua imolação – no seu amor por Mim – eles irão Me ver – irão Me conhecer – irão Me querer […]”

Capítulo V
65. A salvação das almas, o saciar a sede de Cristo de amor e de almas, não é isto suficientemente sério?
66. São João da Cruz: “Os efeitos que estas visões (imaginativas) produzem na alma são a paz, a iluminação, uma alegria semelhante à da glória, doçura, pureza, amor, humildade, e a inclinação ou elevação da mente para Deus”.
67. “Trouxe-lhe aqui – para estar ao cuidado imediato do seu diretor espiritual. […] Obedeça-lhe em todos os pormenores, não serás enganada se obedeceres, pois ele Me pertence por completo. – Deixarei você conhecer a Minha vontade através dele”.
68. Nada é difícil para quem ama. Quem poderá ultrapassar a Deus em Sua generosidade – se nós, pobres seres humanos, Lhe entregamos tudo e submetermos todo o nosso ser ao Seu serviço? – Não – Ele não deixará de estar ao nosso lado, e conosco, porque tudo em nós será Dele.
69. A salvação das almas, o saciar a sede de Cristo de amor e de almas – não é isto suficientemente sério?
70. “A voz”. Não mudaram a minha vida. Elas me ajudaram a ter mais confiança e a me aproximar mais de Deus. Fizeram aumentar o meu desejo de ser cada vez mais a Sua criança.
71. …nada parecia tão sério a ela como “a salvação das almas, o saciar a sede de Cristo”. A sede de Jesus que se encontrava no coração do seu chamado era, em última análise, a razão suprema para prosseguir.
72. Dá-me luz. – Envia-me o Teu próprio Espírito – que me ensinará a Tua própria Vontade – que me dará forças para fazer as coisas que Te são agradáveis. Jesus, meu Jesus, não permitas que eu seja enganada. – Se és Tu que queres isto, dá provas disso, senão, permite que isto abandone minha alma.
73. Jesus, meu Jesus – sou somente Tua – sou tão ignorante – não sei o que dizer – mas faz comigo o que desejares. Não Te amo pelo que me dás, mas pelo que tiras.
74. Vais sofrer – sofrer muito – mas lembre-se de que Eu estou com você. – Mesmo que todo o mundo a rejeite – lembre-se de que você é Minha – e de que Eu somente seu. Não tenhas medo. Sou Eu.

Capítulo VI
75. Vou de livre e espontânea vontade com a bênção da obediência.
76. Ninguém pode me separar de Deus – estou consagrada e Ele e como tal desejo morrer…
77. O nosso trabalho termina aqui. … O resto é inteiramente obra de Deus e nós participamos como instrumentos. …
78. “Um instrumento Dele, e nada mais”.
79. … Estarmos realmente mortas para tudo quanto o mundo reclama como seu.
80. … – O trabalho que teremos que fazer será impossível sem a Sua contínua graça proveniente do sacrário. – Ele terá que fazer tudo. – Nós apenas teremos que segui-Lo.
81. Jesus tinha pedido “freiras cobertas com a Minha pobreza da
Cruz”.
82. No devido tempo, a resposta chegará, permaneça calma. Reze muito e viva intimamente com Nosso Senhor Jesus Cristo, pedindo por luz, forças, decisão; mas não antecipe a Obra Dele. Tente não colocar em tudo isto nada de si mesma. A senhora é instrumento Dele, e nada mais.
83. … Tenho que desaparecer por completo – se quero que Deus tenha tudo.
84. Sua riqueza, porém, estava no seu coração: uma fé inabalável em Deus e uma confiança absoluta na promessa que Ele tinha feito… “Não tenha medo – Eu estarei sempre com você […] – Confie amorosamente em Mim – confie cegamente em Mim”.

Capítulo VII
85. Ó Jesus, único amor do meu coração, desejo sofrer o que sofro e tudo o que Tu quiseres que eu sofra, por Teu puro amor, não pelos méritos que eu possa adquirir, nem pelas recompensas que Tu me prometeste, mas apenas para Te agradar, para Te louvar, para Te dar graças, tanto na dor quanto na alegria.
86. De minha livre escolha Meu Deus e por amor a Ti – desejo permanecer e fazer o que for a Tua Santa Vontade a meu respeito. – Não deixei que caísse uma só lágrima. – Mesmo que sofra mais do que agora sofro – ainda quero fazer a Tua Santa Vontade…
87. Nas minhas meditações e orações, que são atualmente tão cheias de distrações – uma coisa se destaca com grande clareza – minha fraqueza e Sua Graça. Receio tudo da minha fraqueza – mas confio cegamente na Sua Graça.
88. Jesus disse: “Em verdade vos digo, se o grão de trigo não cair na terra e não morrer, permanece sozinho. Mas se morrer dará muito fruto”.
89. O nosso trabalho é grande, mas sem penitência e muito sacrifício seria impossível.
90. “Beber o cálice até a última gota”.
91. – Beber apenas o cálice da dor Dele e dar à Santa Mãe Igreja verdadeiras santas.
92. Quanto aos sofrimentos, não precisa ir à procura deles. Deus Onipotente os proporciona diariamente: …
93. Quero ser santa, saciando a sede de Jesus de amor e de almas. …
94. A sua busca da santidade não era por motivos de auto-glorificação; ao contrário, era uma expressão da profundidade de sua relação com Deus.
95. “O amor exige sacrifícios. Mas, se amarmos até doer, Deus nos dará a Sua paz e a Sua alegria. […] Em si mesmo, o sofrimento nada é; mas o sofrimento partilhado com a Paixão de Cristo é um dom maravilhoso”.
96. … O objetivo de nossa Congregação é saciar a sede de Jesus na Cruz por amor das almas, trabalhando para a salvação e santificação dos pobres…

Capítulo VIII
97. Quero sorrir – mesmo para Jesus – e assim ocultar mesmo a Ele – se possível – a dor e a escuridão da minha alma.
98. O caminho a seguir poderá não ser sempre imediatamente claro. Reze por luz; não decida com demasiada rapidez, escute o que os outros têm a dizer, leve em consideração suas razões. Sempre encontrará alguma coisa que ajude.
99. Quando for muito difícil para você – apenas esconda-se no Sagrado Coração – onde o Meu com o seu encontrarão toda a força e o amor. Você quer sofrer em puro amor – diga antes, no amor que Ele escolher para você. – Precisa ser uma “hóstia imaculada”.
100. Apesar da noite interior, Jesus era o único centro da vida de Madre Teresa; ela O amava e queria estar unida a Ele, em especial na Sua Paixão. Um verdadeiro retrato de sua alma – não influenciada por sentimentos, mas na firme fé…
101. Você sofre muito e a sua alma está crucificada de dor – mas não é que Ele está vivendo a Sua vida na sua.
102. Você aprendeu muito. Saboreou o cálice da Sua agonia – e qual será a sua recompensa minha querida irmã? Mais sofrimento e uma semelhança mais profunda com Ele na Cruz.
103. “Lembrai-vos, ó Piíssima Virgem Maria, de que nunca se ouviu dizer que algum daqueles que tem recorrido à Vossa proteção, implorado a Vossa assistência ou reclamado o Vosso socorro fosse por Vós desamparado. Animado eu, pois, com igual confiança, a Vós Virgem entre todas singular, como a minha Mãe recorro, de Vós me valho e, gemendo sob o peso dos meus pecados, me prostro aos Vossos pés. Não desprezeis as minhas súplicas, ó Mãe do Filho de Deus Encarnado, mas dignai-Vos de as ouvir propícia, e de me alcançar o que vos rogo. Amém.
104. Não é Jesus glorificado, nem no presépio, mas na Cruz – sozinho – despido – sangrando – sofrendo – morrendo na Cruz.
105. Você ainda é uma criança e a vida é bela – mas o caminho que Ele escolheu para você é o caminho verdadeiro. – Por isso sorria – sorria à mão que lhe bate – beije a mão que está pregada na Cruz.
106. “Sagrado Coração de Jesus, eu confio em Ti – vou saciar a Tua sede de almas”.
107. O meu propósito – 1º é seguir a Jesus mais de perto nas humilhações. Com as Irmãs – amável – muito amável – mas firme na obediência. Com os pobres – gentil e atenciosa. Com os doentes – extremamente amável.
2º Sorrir para Deus. Reze por mim para que eu dê glória a Deus no primeiro e no segundo propósito.
108. “Só Deus, Deus em toda a parte, Deus em todos e em todas as coisas, Deus sempre”.
109. Santo Inácio: “O meu único anseio e desejo, a única coisa que almejo ter humildemente é a graça de amar a Deus, de amar só a Ele. Nada mais peço, além disso”.
110. “Por favor, reze por mim, pois agora mais do que nunca, compreendo quão perto de Deus devo chegar se quero levar almas a Ele”.
111. Desde que a escuridão se instalara, abafando o sentimento da presença de Jesus, Madre Teresa O vinha reconhecendo no disfarce angustiante dos pobres: “Quando atravesso as favelas ou entro nos buracos escuros onde vivem os pobres – lá Nosso Senhor está sempre verdadeiramente presente”.
112. – Reze por mim, por favor, para que eu continue sorrindo-Lhe apesar de tudo. Pois sou apenas Dele – então Ele tem todos os direitos sobre mim. Sou perfeitamente feliz por não ser ninguém nem mesmo para Deus.
113. Quero ser uma santa de acordo com o Seu Coração manso e humilde…
114. Quero sorrir – mesmo para Jesus – e assim ocultar mesmo a Ele – se possível – a dor e a escuridão da minha alma.
115. Apesar de tudo isso – sou a Sua pequena – e O amo, não por aquilo que Ele dá – mas por aquilo que tira.
116. “Não vale a pena passar por todos os sofrimentos possíveis, por uma só alma?” e “oferecer tudo – só por essa pessoa – porque essa levará grande alegria ao Coração de Jesus”.
117. Por favor, peça a Nossa Senhora que seja minha Mãe nesta escuridão.
118. Madre Teresa não gostava do sofrimento em si; na verdade, achava-o quase insuportável. Mas apreciava a oportunidade que assim lhe era concedida de estar unida a Jesus na Cruz e de demonstrar o amor que tinha por Ele.
119. A Congregação vive com a vida Dele – trabalha com o Seu poder.
120. O sorriso é uma grande capa que encobre uma multidão de dores.
121. Por favor, peça a nossa Senhora que me mantenha perto Dela para que eu não perca o caminho nesta escuridão.
122. O que realmente lhe importava era o fato de amar a Deus, quer Ele lhe concedesse o consolo e a alegria de sentir a Sua presença ou não. E Cristo preferia uni-la, como a unira a Sua Mãe, Sua sofrida Mãe, à “terrível sede” que Ele próprio sentira na Cruz.

Capítulo IX
123. O que estás fazendo, Meu Deus, a alguém tão pequeno?
124. Através de ti, Ó Mãe de Deus, ofereço o meu abandono absoluto à Santa Vontade de Deus agora, aceitando esta nomeação com fé amor e alegria. – Faz comigo tudo o que quiseres – estou a Tua disposição. Teu pronto instrumento.
125. Que maravilhoso é Deus no Seu simples e infinito amor.
125. A escuridão – a solidão e a dor – a perda e o vazio – da fé – do amor – da confiança – são o que tenho e os ofereço com toda a simplicidade a Deus…
126. Na escuridão… Senhor, meu Deus, quem sou eu para que Tu me abandones? Sou a criança do Teu amor – e agora se tornou a mais odiada – aquela que jogaste fora como indesejada – como não amada. Eu chamo, agarro-me, quero – e não há Ninguém. – Sozinha. A escuridão é tão escura – e eu estou sozinha. – Indesejada, abandonada. – A solidão do coração que quer amor é insuportável. Onde está a minha fé? – Mesmo lá no fundo, bem lá dentro, não há nada a não ser vazio e escuridão. – Meu Deus – que dolorosa é esta dor desconhecida. Dói sem cessar. – Não tenho fé. – Não me atrevo a proferir as palavras e os pensamentos que povoam o meu coração – e me fazem sofrer uma agonia inexpressável. Tantas perguntas sem resposta vivem dentro de mim – temo trazê-las à luz – por causa da blasfêmia. Se houver Deus, por favor, perdoa-me. – Confiança que tudo acaba no Céu com Jesus. – Quando tento elevar o pensamento para o Céu – há um vazio tão acusador que esses mesmos pensamentos regressam como punhais afiados e ferem a minha própria alma. Amor – a palavra – nada traz. Dizem-me que Deus me ama – e – contudo – a realidade da escuridão e da frieza e do vazio é tão grande que nada foca a minha alma.
Ante de iniciar a obra – havia tanta união – amor – fé – confiança – oração sacrifício. – Terei cometido um erro ao submeter-me cegamente ao chamado do Sagrado Coração? O trabalho não é uma dúvida – porque estou convencida de que é Dele e não meu. – Não sinto – nem um único simples pensamento ou tentação entra no meu coração para me apropriar coisa alguma do trabalho.
O tempo todo sorrindo – as pessoas fazem tais comentários. – Acham que a minha fé, confiança e amor enchem o meu próprio ser e que a intimidade com Deus e a união à Sua vontade devem estar absorvendo o meu coração. – Se eles soubessem – e como minha alegria é a capa com a qual cubro o vazio e a miséria.
Apesar de tudo – esta escuridão e este vazio não são tão dolorosos como a ânsia por Deus. – Temo que a contradição irá me desequilibrar. O que estás Tu fazendo meu Deus a alguém tão pequeno? Quando me pediste para imprimir a Tua Paixão no meu coração – é esta a resposta?
Se isto Te traz glória, se Tu obténs uma gota de alegria com isto – se as almas são levadas a Ti – que se o meu sofrimento saciar a Tua Sede – aqui estou Senhor, com alegria aceito tudo até ao final da vida – e sorrirei à Tua Face Oculta – sempre.
127. … O seu sorriso radiante escondia um abismo de dor, ocultava um Calvário interior.
128. “Você sofrerá e já sofre – mas se for a minha pequena Esposa – a Esposa de Jesus Crucificado – terá que suportar estes tormentos em seu coração”.
129. Madre Teresa limitava-se a aceitar a viver, em silêncio, o mistério da Cruz que Cristo a chamava a compartilhar.
130. Seja boa, seja santa – se anime. Não permita que o demônio leve o melhor de você. Sabe o que Jesus e a madre esperam de você. – Apenas fique alegre. Irradie Cristo…
131. – Olhe para a Face Daquele que a ama.
132. Algumas vezes me pego dizendo “Não agüento mais” e, com o mesmo alento, digo “Desculpa, faz comigo o que quiseres”.
133. Tenho muitas coisas a aprender e isso leva tempo.
134. Apesar de tudo quero amar a Deus por aquilo que Ele tira. – Ele destruiu tudo em mim.
135. Dizem que as pessoas no inferno sofrem uma dor eterna devido à perda de Deus – que passariam por todo esse sofrimento se apenas tivessem uma pequena esperança do possuir a Deus.
136. Esta escuridão que me rodeia por todos os lados – não posso elevar a minha alma para Deus – nem luz nem inspiração alguma entram em minha alma.
137. No meu coração não há fé – nem amor nem confiança – há tanta dor – a dor do anseio, a dor de não ser querida. Quero a Deus com toda a força de minha alma – porém, aí entre nós – há esta separação terrível.
138. – Já não rezo mais – A minha alma não é ‘uma’ Contigo – contudo, quando sozinha pelas ruas – falo Contigo durante horas – de meu anseio por Ti.
139. Fizeste comigo segundo a Tua vontade – e Jesus ouve a minha oração – se isto te agrada – se a minha dor e o meu sofrimento – a minha escuridão e a minha separação Te dão uma gota de consolo – meu Jesus, faz comigo o que quiseres – quando quiseres, sem nem sequer um olhar para os meus sofrimentos e a minha dor. Sou tua. – Imprime na minha alma a na minha vida os sofrimentos do Teu Coração.
140. A única coisa que almejava era a Sua (Jesus) felicidade; queria saciar a Sua sede com cada gota de seu sangue. E estava disposta a esperar, se necessário fosse, por toda a eternidade por Aquele em Quem acreditava, mas que sentia não existir, por Aquele a Quem amava mas Cujo amor não percebia.
141. Amei-O cegamente, totalmente, somente. Uso todo o poder em mim mesma – apesar dos meus sentimentos, para fazer que Ele seja pessoalmente amado – pelas irmãs e pelos outros. Vou deixá-Lo ter toda a liberdade comigo e em mim.
142. Sejam amáveis umas com as outras. – Prefiro que cometam erros com amabilidade – do que façam milagres com indelicadeza. Sejam amáveis em palavras. – Vejam o que amabilidade de Nossa Senhora trouxe para ela, vejam como ela falava. – Poderia facilmente ter revelado a São José a mensagem do Anjo – mas não disse uma palavra. – E então Deus mesmo interveio. Guardou todas aquelas coisas em seu coração. – Quem nos dera podermos guardar todas as nossas palavras no coração dela. Tanto sofrimento – tantos mal-entendidos e por quê? Só por uma palavra – um olhar – uma ação fortuita – e a escuridão preenche o coração de sua irmã. Peçam a Nossa Senhora durante esta novena que encha os seus corações de doçura.
143. Madre Teresa esforçava-se por ter um sorriso imediato, uma palavra amável, um gesto acolhedor para com todos.
144. Reze por mim – para que eu possa manter o sorriso de dar sem reservas. Reze para que eu possa encontrar coragem para caminhar corajosamente e com um sorriso. Peça a Jesus que não me permita recusar-Lhe coisa alguma por menor que seja – prefiro morrer.
145. O amor prova-se com obras; quanto mais nos custam, maior é a prova do nosso amor.

Capítulo X
146. Pela primeira vez… cheguei a amar a escuridão – pois estou agora convencida de que é uma parte, uma parte muito, muito pequena da escuridão e da dor de Jesus neste mundo.
147. A escuridão é tal, que realmente não vejo nada – nem com a mente nem com a razão. – O lugar de Deus na minha alma é um espaço vazio. – Não há Deus em mim – Quanta dor da ânsia é tão grande – só anseio e anseio por Deus – e é então que sinto – que Ele não me quer – que Ele não esta ali. Céu – almas são meras palavras – que nada significam para mim.
148. Anseio por Deus – quero amá-Lo – amá-Lo muito- viver apenas por amor e Ele – só amar – porém não há senão dor – anseio sem amor algum.
149. Quando fora – no trabalho – ou quando estou com pessoas – há uma presença – de alguém que vive muito perto – em mim mesma. – Não sei o que é isto – mas é muito freqüente e mesmo diário – esse amor de Deus em mim torna-se mais real. – Me pego dizendo a Jesus inconscientemente – estranhas palavras de amor.
150. Ensina-me a amar a Deus – ensina-me a amá-Lo muito. … Quero amar a Deus a Deus como o que Ele é para mim, “meu Pai”.
151. O meu coração e a minha alma e o meu corpo pertencem só a Deus.
152. Que Ele faça comigo o que quiser, como Ele quiser, por quanto tempo quiser. Se a minha escuridão é luz para alguma alma – mesmo se não for nada para ninguém – sou perfeitamente feliz – em ser flor do campo de Deus.
153. … Cheguei a amar a escuridão. – Pois agora acredito que é parte, uma parte muito, muito pequena da escuridão e da dor de Jesus neste mundo.
154. Quem sabe mais a cerca da água viva, a pessoa que abre a torneira todos os dias sem pensar muito no assunto, ou o viajante do deserto, torturado pela sede, que busca uma fonte de água?
155. “Deixa-me compartilhar contigo a Sua dor”.
156. “Um caloroso ‘Sim’ a Deus e um grande sorriso para todos”.
157. Continuem sorrindo – Rezem juntos – e Jesus irá sempre encher o coração de vocês com o Seu amor – um pelo outro.
158. São João da Cruz: “Quando a noite do espírito é essencialmente purificadora, sob a influência da graça, que se exerce principalmente pelo dom da compreensão, as virtudes teológicas e a humildade são purificadas de todo o lastro humano. … Assim purificada, a alma pode passar para além da fórmulas dos mistérios e entrar “nas profundezas de Deus”, como diz São Paulo (1Cor 2, 10). Então, apesar de todas as tentações contra a fé e a esperança, a alma acredita firmemente, por um ato direto e da forma mais pura e sublime, que ultrapassa a tentação; e acredita pelo motivo mais puro que se pode atingir sobrenaturalmente: a autoridade de Deus que revela. E também espera, pela simples razão de que Ele é sempre bom, a Misericórdia infinita. E ama-O na mais completa aridez, por que Ele é infinitamente melhor em Si mesmo do que todos os dons que pudesse nos conceder. Quando esta provação é essencialmente reparadora, quando tem como fim principal fazer com que a alma já purificada trabalhe pela salvação do próximo, então preserva as mesmas características elevadas atrás descritas, mas assume outro caráter, que recorda com mais precisão os sofrimentos íntimos de Jesus e de Maria, que não precisam ser purificados”.
159. “Sim” e “Sorriso”.
160. Madre Teresa tinha chegado a um ponto em que era capaz de se alegrar como os seus sofrimentos e de repetir as palavras de São Paulo: “Alegro-me nos sofrimentos suportados por vossa causa e completo na minha carne o que falta aos sofrimentos de Cristo pelo Seu Corpo, que é Igreja” (Col 1, 24).
161. Tentem aprofundar o seu conhecimento deste Mistério da Redenção. – Este conhecimento as conduzirá ao amor – e o amor as fará compartilhar através dos seus sacrifícios na Paixão de Cristo.
162. “Desejo viver neste mundo que está tão longe de Deus, que se afastou tanto da luz de Jesus, para ajudá-los – para tomar sobre mim um tanto do sofrimento deles”.
163. “O que disse Jesus, que carregássemos a cruz na frente Dele ou que O seguíssemos?” Com um grande sorriso, ela olhou para mim e respondeu: “Que O seguíssemos”. Então eu perguntei: “Por que tenta ir à frente Dele?”…
164. – Porque a escuridão é tão escura, a dor é tão dolorosa. Às vezes, o aperto da dor é tão grande – que eu posso ouvir a minha própria voz clamando – Meu Deus, ajuda-me.
165. Quanto maior for a dor e quanto mais escura for a escuridão mais doce será o meu sorriso para Deus.
166. Mas, como testemunhará o seu Amor, já que o Amor se prova com as obras? Pois bem, a criancinha lançará flores, perfumará com os seus aromas o trono real, e cantará com a sua voz prateada o Cântico dos Cânticos. Sim, meu Bem-Amado! Assim se consumirá a minha vida. Não tenho outro meio de Te provar o meu amor, senão o de lançar flores, isto é, não deixar escapar nenhum pequeno sacrifício, nenhum olhar, nenhuma palavra; aproveitar todas as mais pequenas coisas e fazê-las por amor. Quero sofrer por amor e gozar por amor. Assim lançarei flores diante do teu trono. Não encontrarei nenhuma sem desfolhar para Ti. E depois, ao laçar as minhas flores, cantarei…, mesmo quando tiver de colher as minhas flores no meio de espinhos; e o meu cantar será tanto mais melodioso quanto maiores e mais agudos forem aos espinhos (Santa Teresa do Menino Jesus e da Santa Face).
167. … Não estou sozinha. – Tenho a escuridão Dele – tenho a dor Dele – tenho este anseio terrível por Deus – de amar e não ser amada.
168. A escuridão não era apenas a escuridão “dela”, era a “escuridão Dele”; ela estava compartilhando a “dor Dele”. Com base na pura fé, sabia que se encontrava em um estado de “união inquebrantável” com Ele, porque percebia que tinha os pensamentos “fixados Nele e apenas Nele”. Estava firmemente unida a Jesus por sua vontade, embora a única coisa que ela sentia dessa “união inquebrantável” fosse a Sua agonia, a Sua Cruz.
169. Jesus, aceito tudo aquilo que deres – e dou-Te tudo aquilo que tirares. – Não há sentido nas minhas palavras, mas tenho certeza de que Ele entenderá.
170. “Toma tudo aquilo que Ele der e dá tudo aquilo que Ele tirar com um grande sorriso”.
171. “Dê a Jesus toda a liberdade e permita que Ele lhe use sem consultar-lhe”.
172. … A minha mente – o meu coração – todos os meus pensamentos e sentimentos parecem estar muito longe – tão longe que eu não sei onde estão, mas quando me recomponho descubro que estão com Deus.
173. Considerando-se incapaz de “chegar” a Deus, continuava alegrando-se por poder ajudar a outros a aproximar-se Dele.
174. Quanto a mim, tenho apenas a alegria de nada ter – nem sequer a realidade da Presença de Deus. – Nem oração, nem amor – nem fé – nada a não ser a dor contínua de ansiar por Deus.
175. … Madre Teresa chegava mesmo a tirar alegria espiritual de sua provação interior: a alegria dela era “a alegria de nada ter”, da “pobreza absoluta’, da pobreza da Cruz”…
176. Vocês devem estar no mundo, mas, não ser do mundo. A luz que dão deve ser tão pura, o amor com que amam deve ser tão ardente – a fé com que crêem deve ser tão convincente – que ao vê-los, eles realmente vejam apenas Jesus. O apostolado de vocês é belíssimo – dar Jesus. Mas só podem dá-Lo – somente se tiverem se rendido por completo a Ele.
177. Mantenha-se perto de Jesus com um rosto sorridente.
178. Santa Margarida Maria: – O seu amor por Jesus deu-me um anseio tão doloroso de amar como ela O amava. Que frio – que vazio – que dolorido está o meu coração. A Sagrada Comunhão – a Santa Missa – todas as coisas santas da vida espiritual – da vida de Cristo em mim – são todas vazias – tão frias – tão indesejadas.
179. A escuridão interior conferia a Madre Teresa a capacidade de compreender os sentimentos dos pobres. “O maior de todos os males é a falta de amor e caridade, a terrível indiferença em relação ao próximo que vive a beira da estrada, assaltado pela exploração, pela corrupção, pela pobreza e pela doença”, diria mais tarde.
180. Jesus foi enviado pelo Pai aos pobres e para ser capaz de compreender os pobres, Jesus teve que conhecer e experimentar essa pobreza no Seu próprio Corpo e na Sua Alma. Também nós devemos experimentar a pobreza se quisermos ser verdadeiras portadoras do amor de Deus. Para sermos capazes de proclamar a Boa Nova aos pobres devemos saber o que é pobreza.
181. O sofrimento de Madre Teresa era no nível mais profundo possível: o de sua relação com Deus. E, no seu zelo pela salvação dos outros, estava totalmente disposta a abraçar por completo esse sofrimento, para que os pobres que amava experimentassem toda a medida do amor de Deus. Consequentemente, a escuridão veio a ser a sua maior bênção: o seu “mais profundo segredo” era, na realidade, o seu maior dom.

Capítulo XI
182. Estou disposta aceitar tudo aquilo que Ele der e a dar tudo aquilo que Ele tirar, com um grande sorriso.
183. As suas dificuldades e as minhas – devemos oferecê-las a Jesus pelas almas. … Sei que quero, com todo o meu coração, o que Ele quiser, como Ele quiser e enquanto Ele quiser.
184. … A sua maneira de seguir Jesus na escuridão: “Só me resta fazer uma coisa, seguir de perto os passos do meu dono, como um cãozinho. Reze para que eu seja um cãozinho alegre”.
185. Com freqüência pergunto-me o que realmente Deus obtém de mim neste estado – sem fé, sem amor – nem sequer em sentimentos.
186. Madre Teresa tinha fé, uma fé bíblica, uma fé cega, uma fé que fora posta à prova e testada na fornalha do sofrimento e que abria cominho em direção a Ele através da escuridão.
187. – Eu simplesmente abro o meu coração – e Ele fala.
188. Pergunto-me o que Jesus vai me tirar por eles, uma vez que já me tirou tudo pelas irmãs. Estou disposta a aceitar tudo o que Ele me der e dar tudo o que Ele tirar com um grande sorriso.
189. “Dar toda a liberdade a Jesus” continuava sendo a medida da sua auto-entrega.
190. Dia após dia – repito a mesma coisa – talvez apenas com os meus lábios – “Faz-me sentir o que Tu sentiste. Faz-me compartilhar Contigo a Tua dor”. Quero estar à disposição Dele.
191. Ao longo de toda a Quaresma e, na realidade, ao longo de sua vida como Missionária da Caridade, a oração de Madre Teresa estava sendo respondida; “Faz-me sentir o que Tu sentistes. Faz-me compartilhar Contigo a Tua dor”. Não estava ela experimentando a agonia de Jesus e a agonia dos pobres também?
192. “Viva a sua vida de amor a Jesus com grande alegria – porque o que você tem é presente Dele – use tudo para maior glória do Seu nome, … Mantenha-se perto de Jesus sempre com um rosto sorridente – para que – possa aceitar tudo quanto Ele der e der tudo que Ele tirar”.
193. Aceito não com os meus sentimentos – mas com a minha vontade, a Vontade de Deus. – Aceito a Sua vontade – não só por um tempo, mas por toda eternidade. Na minha alma – não sou capaz de dizer – como está escuro, como é doloroso, como é terrível. – Os meus sentimentos são muito traiçoeiros. – Tenho a sensação de “recusar a Deus” e, contudo, o pior e mais difícil de suportar – é este terrível anseio por Deus.
194. – Não me queixarei. – Aceito Sua Santa Vontade tal como ela vem a mim.
195. “O pior e o mais difícil de suportar”, insistia Madre Teresa, era “este terrível anseio por Deus”. Ainda mais dolorosa do que a própria escuridão era esta sede de Deus. Na realidade, estava experimentando algo da sede de Jesus na Cruz,…
196. Essa sede “terrível” de Deus exprimia-se em uma ardente sede de almas, em especial das almas dos mais pobres dos pobres.
197. Quanto dano o pecado pode fazer. Que mundo terrível é este – sem o amor de Cristo.
198. “Terrível é o ódio quando começa a tocar os seres humanos”.
199. … A Madre via o ódio em ação e buscava permanentemente formas de substituí-lo pelo amor.
200. Só Deus pode pedir sacrifícios como estes.
201. Reze por mim – porque a vida dentro de mim está mais difícil de viver. Estar enamorada e – contudo – não amar, viver de fé e – contudo – não acreditar. Gastar-me por completo e – contudo – estar em total escuridão.
202. Não sei o que sentem as outras pessoas – mas eu amo as minhas Irmãs como a Jesus – com todo o meu coração, a minha alma e a minha mente e as minhas forças.
203. Madre Teresa reconhecia que a escuridão em que vivia era o preço a pagar por acender “o fogo do amor”.
204. Acontece com freqüência que aqueles que passam o tempo dando luz aos outros permanecem, eles próprios, na escuridão.
205. – Se há inferno – Este deve ser um. Que terrível é estar sem Deus – nem oração – nem fé – nem amor.
206. E contudo… Quero ser-Lhe fiel – quero esgotar-me por Ele, quero amá-Lo não por aquilo que Ele dá, mas por aquilo que tira – quero estar à Sua disposição. – Não Lhe peço que mude a Sua atitude para comigo ao os planos para mim. – Peço-Lhe apenas que me use…
207. “Que terrível é estar sem Deus”, … E, ainda mais terrível era para ela – que tinha estado tão perto Dele – ter, por assim dizer, perdido por completo o senso de Sua presença.
208. Na Encarnação, Jesus tornou-Se igual a nós em todas as coisas exceto no pecado; mas no momento da Paixão, tornou-se pecado. – Tomou sobre Si os nossos pecados e é por isso que foi rejeitado pelo Pai. Eu penso que esse foi o maior de todos os sofrimentos por que Ele teve de passar e aquilo que mais temia na agonia do Jardim. Essas Suas palavras na Cruz foram uma expressão da profundidade da Sua solidão e da Sua Paixão – que até mesmo o Seu próprio Pai não o reconheceu como Seu Filho. Que, apesar de todos os seus sofrimentos e angústia, Seu Pai não O reconheceu como Seu Filho amado, como tinha feito no Batismo por São João Batista e na Transfiguração. E podemos perguntar: Por quê? Porque Deus não pode aceitar o pecado e Jesus tinha tomado sobre Si – tinha-se tornado pecado.
209. “Venha, venha, salva-nos – leve-nos a Jesus. Ao abraçar a escuridão em que viviam, Madre Teresa os estava levando para a luz – Jesus”.
210. “Importa que Ele cresça e que eu diminua” (Jo 3, 30).
211. O calor aqui é simplesmente abrasador. – Uma grande consolação para mim – já que não posso arder com o amor de Deus – pelo menos deixe-me arder com o calor de Deus – e assim, desfruto do calor.
212. “Quero fazer a Sua Santa Vontade – Isso é tudo. Ainda que mal a compreenda”.
213. … Minha alma esta vazia – mas não tenho medo. – Ele fez maravilhas por mim – Santo é o Seu nome.
214. – Como minha alma anseia por Deus – e apenas por Ele, como é doloroso estar sem Ele.
215. – Como crescer na “profunda união pessoal do coração humano com o Coração de Cristo? Desde a infância que o Coração de Jesus é meu primeiro amor.
216. Jesus foi o primeiro amor de Madre Teresa e o seu único amor, em uma relação que foi se tornando mais intensa em cada período de sua vida. Seu coração seria atraído com singular intensidade para o Coração de Cristo até o dia de sua morte. Uma das melhores descrições de Madre Teresa a apresenta como uma mulher “totalmente, apaixonadamente, loucamente enamorada de Jesus”.
217. “O insulto despedaçou-me o coração e tornou-o incurável; esperei compaixão, mas em vão, alguém que me consolasse, mas não encontrei” (Sl 68, 21).
218. Diga a Jesus: “Eu serei esse ‘alguém’”. Irei reconfortá-Lo, encorajá-Lo e amá-Lo. Fique com Jesus. Ele rezou e rezou, e depois foi procurar consolo, mas não encontrou nenhum. Eu escrevo sempre esta frase: ‘Procurei alguém que Me consolasse, mas não encontrei ninguém’.
219. Seja esse alguém. … Seja esse alguém que saciará a Sede.
220. Sim, bastaria que voltássemos ao espírito de Cristo – bastaria que vivêssemos a vida eucarística, bastaria que percebêssemos o que é o Corpo de Cristo – não haveria tanto sofrimento – tanto do que temos hoje. – A Paixão de Cristo está sendo revivida mais uma vez em toda a sua realidade – Devemos rezar muito pela Igreja – a Igreja no Mundo – e o mundo na Igreja.
221. Estamos aqui para ir para lá – para casa junto de Deus – e lá não há infidelidade, mas apenas Shanti (paz) – uma verdadeira “Shanti Nagar” (Cidade da Paz).
222. … Nós mais e mais devemos ser Sua Luz – Seu caminho – Sua vida – Seu amor nas favelas.
223. Quero amá-lo como Ele nunca foi amado antes – com um amor terno, pessoal e íntimo.
224. Tenho um anseio tão profundo por Deus e pela morte. … Reze por mim para que eu use a alegria do Senhor como minha força.
225. Sofria imensamente ao ver os sofrimentos daqueles que amava, mas continuava salientando o valor e o sentido do sofrimento humano como forma de compartilhar a Paixão de Jesus.
226. Mantenham a luz da fé sempre acesa – pois só Jesus é o caminho que conduz ao Pai. Só Ele é a vida que habita no nosso coração. Só Ele é a luz que ilumina e escuridão. Não tenham medo, Cristo não nos enganará.
227. As palavras de Jesus no Evangelho de São Mateus – “o que fizestes ao mais pequenino… a Mim o fizestes – eram o rocha sobre a qual assentavam as suas convicções.
228. … Cristo não pode nos enganar. – Por isso tudo o que fizermos ao menor – é a Ele que fazemos. Que a alegria do Senhor seja a sua força. Porque só Ele é o caminho que vale a pena seguir, a luz que vale a pena acender, a vida que vale a pena viver – e o amor que vale a pena amar.

Capítulo XII
229. “Deus usa o que é nada para mostrar a Sua grandeza”.
230. Eu me maravilho com a Sua imensa humildade e a minha pequenez – o meu nada. Acredito que é aqui que Jesus e eu nos encontramos. – Ele é tudo para mim – e eu – a Sua pequenina – tão incapaz – tão vazia – tão pequena.
231. Só Jesus pode abaixar-Se tanto para enamorar-se de alguém como eu.
232. … Me maravilho com a Sua imensa humildade e minha pequenez – o meu nada. – Acredito que é aqui que Jesus e eu nos encontramos. – Ele é tudo para mim – e eu – a Sua pequenina – tão indefesa – tão vazia – tão pequena.
233. O Seu jeito é tão bonito – em pensar que temos a Deus Onipotente se inclinando tão baixo para amar a você e a mim e fazer uso de nós – e nos faz sentir que Ele realmente precisa de nós. – À medida que vou envelhecendo a minha admiração de Sua humildade vai aumentando mais e mais e O amo não por aquilo que Ele dá – mas por aquilo que Ele é – o Pão da Vida – o Faminto.
234. Ela fazia tudo como dizia: “Devemos mantê-Lo continuamente nos nossos corações e nas nossas mentes”.
235. Só quando percebemos o nosso nada, o nosso nada, o nosso vazio, é que Deus pode nos encher com Ele mesmo. Quando nos tornamos cheios de Deus então podemos dar Deus aos outros, porque da plenitude do coração fala a boca.
236. … Quero amar Jesus com o amor de Maria, e ao Pai com o amor de Jesus.
237. Tire os seus olhos de si mesmo e alegre-se por não ter nada – por não ser nada – por não poder fazer nada. Dê a Jesus um grande sorriso – cada vez que o seu nada o assustar.
238. Esta é a pobreza de Jesus. O senhor e eu devemos permitir-Lhe viver em nós e através de nós no mundo.
239. Agarre-se a Nossa Senhora – pois ela também – antes de poder se tornar cheia de graça – cheia de Jesus – teve que passar por essa escuridão. “Como pode ser isso?” – Mas no momento em que disse “Sim”, teve necessidade de ir apressadamente dar Jesus a João e à família dele.
Continue dando Jesus ao seu povo não pelas palavras, mas pelo seu exemplo – por estar enamorado de Jesus – por irradiar a santidade Dele e espalhar Sua fragrância de amor onde quer que o senhor vá.
Apenas mantenha a alegria de Jesus como sua força. Seja feliz e esteja em paz. Aceite tudo aquilo que Ele der – e dê tudo aquilo que Ele tirar com um grande sorriso. – O senhor pertence a Ele – diga-Lhe sou Teu e se me cortares em pedaços, cada um desses pedaços será somente e todo Teu.
240. Mantenha a luz, Jesus, acesa em você com o óleo de sua vida. As dores que você tem nas costas – a pobreza que sente são gotas de óleo que mantêm a luz, Jesus, acesa e afastam a escuridão do pecado – onde quer você vá. Não faça nada que leve a aumentar a dor – mas aceite com um grande sorriso o pouco que Ele lhe dá com grande amor.
241. A impressão que eu tinha era a de que estava lidando com uma mulher que, de alguma forma, via Deus e sentia Deus no sofrimento dos pobres, uma mulher que tinha uma fé imensa na luz e na escuridão.
242. … Isso é a santidade – fazer a vontade Dele com um grande sorriso.
243. Ainda bem que a Cruz nos leva ao Calvário e não a uma sala de estar. – A Cruz – o Calvário foi muito real durante algum tempo.
244. Jesus deu-me uma graça muito grande – aceitar tudo com um grande sorriso.
245. – Começo a aprender mais e mais porque Jesus quer que aprendamos com Ele a ser mansos e humildes de coração. Porque sem a mansidão nunca seremos capazes de aceitar os outros nem de amar os outros como Ele ama. – Então, antes de aprendermos a humildade, sem a qual não podemos amar a Deus – temos que aprender a amar-nos uns aos outros. Precisamos da mansidão e da humildade para poder comer o Pão da Vida.
246. … Peço-Lhe que diga a Jesus – quando pelas suas palavras o Pão se transforma no Seu Corpo e o vinho se transforma no Seu Sangue – que mude o meu coração – que me dê o Seu próprio Coração – para que eu possa amá-Lo como Ele me ama.
247. – Eu devo ser capaz de dar só Jesus ao mundo. As pessoas estão famintas de Deus. Que encontro terrível teríamos com o próximo se apenas lhe déssemos a nós mesmos.
248. “Os nossos sofrimentos, suportados como devem sê-lo, são, pois, como dissemos, beijos dados ao nosso Jesus Crucificado. Mas o sofrimento também é o beijo de Jesus Crucificado em nossa alma. As almas comuns nada mais costumam ver no sofrimento do que um castigo de Deus, uma prova da Sua injustiça ou do Seu desagrado. A alma generosa, pelo contrário, encontra no sofrimento uma prova do amor de Deus por ela, não vendo a cruz despida, mas vendo Jesus Crucificado nela, Jesus que a abraça com amor e que dela, espera, em troca, um assentimento generoso e amoroso. … A mim, a única coisa que me faz sofrer é Cruz de Jesus. Os beijos de Jesus à minha alma – por muito estranho que isso possa parecer – são os numerosos sofrimentos minúsculos da minha vida diária”.
249. A dor, o sofrimento, a solidão são “um beijo de Jesus” – um sinal de que você chegou tão perto de Jesus que Ele pode beijá-la.
250. O sofrimento, a dor, o fracasso – nada mais são do que um beijo de Jesus, um sinal de que você chegou tão perto de Jesus na Cruz que Ele pode beijá-la(lo).
251. Maior amor nem sequer Deus poderia dar do que o de entregar a Si Mesmo como o Pão da Vida.
252. A grandeza da humildade de Deus. Realmente não há amor maior – amor maior do que o amor de Cristo. – Estou certa de que o senhor deve sentir com freqüência o mesmo quando – às suas palavras – nas suas mãos – o pão se transforma no Sangue de Cristo. – Que grande deve ser o seu amor por Cristo. – Não há amor maior – do que o amor do sacerdote por Cristo seu Senhor e seu Deus.
253. “Não temos o direito de recusar nossa vida aos outros, nos quais contatamos com Cristo”.
254. “Ela nunca pensava em si própria, mas sempre pensava nos outros. ‘Deixem que as pessoas a devorem’. A Madre viveu essa frase plenamente até ao final de sua vida”.
255. Sim, quero ser pobre como Jesus – que sendo rico se fez pobre por amor a nós. … Não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim.
256. “Estou Crucificado com Cristo! Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé do Filho de Deus, que me amou e Se entregou por mim”, escreveu São Paulo, em palavras que descrevem, apropriadamente, a realidade da união de Madre Teresa com Deus: Cristo estava, de fato, vivendo e agindo nela, espalhando o Seu amor pelo mundo.
257. – Que Jesus faça o que quiser sem me consultar, porque eu pertenço a Ele.
258. Como podia sofrer tanto e não se quebrar, ela que olhava e escutava, mas nem via nem ouvia Aquele que procurava? Apenas havia silêncio e escuridão para tornar a sua escuridão dolorosa e assustadora. No entanto, apesar de se sentir, “indefesa”, era verdadeiramente “ousada”, porque estava mais decidida do que nunca a dar-Lhe “toda a liberdade”.
259. A Madre sempre nos disse: “Deus ama a quem dá com alegria. Se não vamos às pessoas com uma cara alegre, apenas aumentamos sua escuridão e suas misérias e suas aflições

Escolhido por Deus, bispo deve priorizar a oração e as pessoas, diz Papa

Terça-feira, 11 de setembro de 2018, Da redação, com Vatican News
https://noticias.cancaonova.com/especiais/pontificado/francisco/escolhido-por-deus-bispo-deve-priorizar-a-oracao-e-as-pessoas-diz-papa/

Na homilia desta terça-feira, 11, Francisco recordou a importância dos bispos para a Igreja e destaca três aspectos que devem caracterizar esse ministério

Papa Francisco durante homilia realizada na manhã desta terça-feira, 11/ Foto: Vatican Media

Papa Francisco recordou na manhã desta terça-feira, 11, a importância do bispo para a Igreja Católica. Durante a homilia celebrada na capela da Casa Santa Marta, no Vaticano, o Pontífice apontou aspectos que devem caracterizar um bispo e refletiu sobre esse ministério, inspirando-se no Evangelho de Lucas (Lc 6, 12-19) proposto pela liturgia do dia. A passagem narra que Jesus passa a noite em oração e depois escolhe os Doze Apóstolos — ou seja, os “primeiros bispos”.

O Pontífice apontou que o primeiro aspecto fundamental para os membros do episcopado é serem homens de oração. “A oração é, de fato, a consolação que um bispo tem nos momentos difíceis. É, saber que neste momento Jesus reza por mim. Reza por todos os bispos”, destacou. Nessa consciência, o Papa afirmou que o bispo encontra a consolação e força para rezar por si mesmo e pelo povo de Deus. “São Pedro também confirma que o bispo é um homem de oração quando diz: ‘Para nós, a oração e o anúncio da Palavra. Para nós, a organização dos planos pastorais’”, enfatizou Francisco.

O segundo aspecto que o Papa ressalta é que Jesus escolhe os doze e o bispo fiel sabe que não foi ele que escolheu. “O bispo que ama Jesus não é um galgador que segue em frente com sua vocação como se fosse uma função, talvez olhando para outra possibilidade de seguir em frente e de subir: não. O bispo se sente escolhido. E ele tem a certeza de ter sido escolhido. E isso o leva ao diálogo com o Senhor: ‘Você me escolheu, que sou pouca coisa, que sou pecador …’: tem humildade. Porque ele, quando se sente escolhido, sente o olhar de Jesus sobre a própria existência e isso lhe dá força”, frisou.

Por fim, o Santo Padre sublinhou que assim como Jesus no Evangelho de hoje, o bispo também desce a um lugar plano para estar perto do povo e não se afasta. “O bispo que não permanece distante do povo, que não usa atitudes que o levam a estar distante do povo; o bispo que toca as pessoas e se deixa tocar pelas pessoas. Ele não vai procurar refúgio nos poderosos, nas elites: não. Serão as elites que criticarão o bispo; o povo tem essa atitude de amor para com o bispo, e tem essa – por assim dizer – esta unção especial: confirma o bispo na vocação”, comentou.

Força do bispo contra o Mal

Durante a homilia o Papa reafirmou que a força do bispo é precisamente ser “homem de oração”, “que se sente escolhido por Deus” e “em meio ao povo”. E alertou que, nestes tempos, o “Grande Acusador” – adjetivo utilizado pelo Pontífice para se referir ao demônio – persegue os bispos.

Francisco destacou a natureza humana e pecadora, também presente nos bispos, porém reforçou a existência de força malignas que “procura desvendar os pecados, para que sejam vistos, para escandalizar as pessoas”.

“O Grande Acusador que, como ele mesmo diz a Deus no primeiro capítulo do Livro de Jó, vaga pelo mundo procurando como acusar. A força do bispo contra o Grande Acusador é a oração, aquela de Jesus sobre ele e a própria; e a humildade de sentir-se escolhido e de permanecer próximo ao povo de Deus, sem ir em direção a uma vida aristocrática que lhe tira essa unção”, enfatizou.

O Papa concluiu a homilia pedindo a oração do povo por todos os bispos do mundo e também para si.

A reflexão do Santo Padre vêm de encontro ao fato de que, neste período em Roma, estão sendo realizados três cursos para bispos: um de atualização para os bispos que completaram 10 anos de episcopado – concluído nestes dias; outro para 74 bispos que estão à frente das dioceses de territórios de missão – que portanto fazem referência à Congregação de Propaganda Fidei; e um terceiro, com 130-140 bispos que pertencem à Congregação dos Bispos.

A vitória da vida

Tudo na Igreja celebra a vitória de Cristo!

“Cristo ressuscitou, aleluia, venceu a morte com amor, Aleluia! Tendo vencido a morte, o Senhor ficará para sempre entre nós, para manter viva a chama do amor que reside em cada cristão a caminho do Pai. Tendo vencido a morte, o Senhor nos abriu horizonte feliz, pois nosso peregrinar pela face do mundo terá seu final lá na casa do Pai”. Ressoa o canto transbordante de felicidade nos lábios dos fiéis que celebram a Páscoa de Cristo. Preparados pela Mãe Igreja, chegamos às celebrações pascais, nas quais se proclama e se experimenta a vitória de Jesus Cristo sobre o pecado, a tristeza e a morte. A vida não é um beco sem saída, mas fomos feitos para experimentar a plena comunhão com Deus e uns com os outros!

O acontecimento da Morte e Ressurreição de Jesus Cristo está na raiz da vida dos cristãos. Ser cristão significa ser enxertado na realidade sobrenatural do mistério pascal de Cristo. Ser não cristão é, simplesmente, desconhecer ou desconectar-se de modo consciente ou inconsciente, da realidade salvífica da Páscoa. A vida nova que brota do Cristo Ressuscitado é o mais importante para os cristãos, já que um mundo novo começou com Ele, tudo se fez realmente novo e a morte não tem mais a última palavra.

Nossa oração, as opções de vida que fazemos, a participação nos Sacramentos, tudo tem sua origem e aval de autenticidade na Páscoa de Cristo. Por isso nos reunimos para celebrar a Páscoa neste final de semana: na Quinta-feira Santa, a Páscoa da Ceia; na Sexta-feira Santa, a Páscoa da Cruz; de Sábado para Domingo, a Páscoa da Ressurreição. Não fazemos uma comemoração qualquer, mas se torna presente a única realidade do Cristo que passou da morte à vida, e somos chamados a participar com Ele da morte ao homem “velho” para viver o homem “novo”, no dizer do Apóstolo São Paulo.

Tudo na Igreja celebra a vitória de Cristo! Na Quinta-feira Santa, vence o amor, o espírito de serviço humilde ao próximo do lava-pés e o memorial permanente do Cristo vivo, a Eucaristia. A Sexta-feira Santa se celebra com paramentos vermelhos, o rubro do sangue, do fogo, coragem, martírio: a morte de Jesus é celebrada em sua grandeza infinita, porque se entregou por nós e em nosso lugar, para que vença a vida! Na Vigília Pascal e no Domingo de Páscoa a luz de Cristo vence as trevas. Nela nascem para a vida no Batismo os Catecúmenos e nós participamos da experiência dos que o encontraram por primeiro, Maria Madalena, Pedro e João, os peregrinos de Emaús ou os Apóstolos reunidos. Não temos outra coisa a oferecer a não ser dizer, com a mesma pregação dos primeiros cristãos, que Cristo morreu, Cristo Ressuscitou, Cristo há de voltar, Cristo é o Senhor! Em nós existe a certeza de que tal anúncio traz consigo a força e o poder de salvação para todos os homens e mulheres de todos os tempos, e que, fora de Jesus Cristo, não existe esperança e sentido para a vida!

O Cristo ressuscitado está presente na Palavra do Evangelho que é anunciada. Quem a acolhe experimenta a transformação profunda de sua existência. Ouvir e viver sua Palavra é fonte de vida eterna. Não se trata de uma “mágica”, mas transformação profunda, a partir de dentro! Que na Páscoa mais ouvidos e corações se abram para o anúncio do Evangelho.

O Cristo ressuscitado está presente nos irmãos e irmãs, especialmente nos mais pobres. Misteriosamente, sua vitória acontece quando as mãos se abrem para a caridade, tanto que, desde os primórdios da Igreja, a partilha dos bens é sinal seguro da autenticidade da vida cristã. Em Cristo e com Cristo são vencidas as desigualdades e a injustiça. Venham homens e mulheres de todas as raças e povos para a festa da fraternidade.

O Cristo ressuscitado está no meio de nós, quando nos reunimos em seu nome. Sabemos que dois ou mais reunidos na caridade e em nome de Cristo trazem consigo a potência transformadora do mundo em que vivemos. A sede de nosso tempo é de relacionamentos autênticos e sinceros, convivência transparente que atrai mais do que muitas palavras. Renovem-se as Comunidades de Igreja e a Páscoa de Cristo suscite nova e verdadeira capacidade para estabelecer laços. Ninguém passe em vão ao nosso lado.

O Cristo ressuscitado é portador da Paz. Aos seus temerosos discípulos se apresentou com os sinais da crucifixão, trazendo-lhes este dom precioso. Paz, poder para levar o perdão e a misericórdia, envio missionário e o sopro do Espírito Santo. Tudo o que a Igreja e os cristãos precisam já estava ali! Na Páscoa que celebramos neste ano, muitas portas fechadas sejam ultrapassadas pelo Ressuscitado, para que sua vitória vença as tristezas e os medos do nosso tempo. Venham todos ao Cenáculo do Domingo de Páscoa! Ele está disponível na Igreja, cujas portas querem estar escancaradas. Da Páscoa de Cristo para frente, nada é impossível, pois a vitória que vence o mundo é a nossa Fé no Ressuscitado!

O Cristo ressuscitado está presente na Eucaristia. Enquanto esperamos a sua vinda gloriosa na final dos tempos, é em torno do Altar da Eucaristia que se manifesta a exuberância de sua presença. Desde o princípio, Ele é reconhecido na fração do Pão, o primeiro nome da celebração eucarística. Na Santa Missa damos graças, ouvimos a Palavra, Ele está no meio da Comunidade Reunida, os pobres e os pecadores são acolhidos e o Senhor se faz sustento, na Sagrada Comunhão. Por isso, para nós, celebrar a Páscoa é achegar-nos à Assembleia Eucarística, onde Cristo se encontra! Venham, pois, todos os que se encontram distantes e dispersos, para celebrar a festa da vida! Aleluia!

Dom Alberto Taveira Corrêa
Arcebispo de Belém – PA

“Deus nos quer livres e Seu amor nos liberta”, afirma Papa

Catequese sobre o “Pai-Nosso”

Quarta-feira, 20 de março de 2019, Da redação, com Vatican News
https://noticias.cancaonova.com/especiais/pontificado/francisco/deus-nos-quer-livres-e-seu-amor-nos-liberta-afirma-papa/

“Seja feita a vossa vontade” foi o tema da catequese do Papa Francisco na Audiência desta quarta-feira, 20

Chegada do Papa Francisco na Praça São Pedro para a Audiência Geral desta quarta-feira, 20/ Foto: Vatican Media

Na catequese da Audiência Geral desta quarta-feira, 20, o Papa Francisco deu prosseguimento à série sobre a oração do “Pai-Nosso”. O Pontífice refletiu sobre a terceira invocação, “Seja feita vossa vontade”, e sobre a expressão “Venha a nós o vosso Reino”. Em referência à terceira invocação, o Santo Padre afirmou que a vontade de Deus foi encarnada em Jesus com a vontade de buscar e salvar aquilo que está perdido.

A partir disto, Francisco reforçou que na oração os fiéis pedem que a oração de Deus se realize, que seu desenho de salvação se realize primeiro em cada um e depois em todo o mundo. “Vocês já pensaram que Deus está me procurando, a cada um de nós, pessoalmente? Deus é grande, quanto amor está por trás disso”, meditou.

O Papa prosseguiu frisando que, com seu amor, Deus bate à porta dos corações para os atrair a Ele e levar todos avante no caminho da salvação. “Deus está próximo a cada um de nós com o seu amor para nos levar pela mão até a salvação”, completou. Rezando “seja feita a vossa vontade”, o Pontífice reforçou que os cristãos não são convidados a abaixar servilmente a cabeça: “Deus nos quer livres e Seu amor nos liberta”.

O “Pai-Nosso” é, de acordo com o Santo Padre, a oração dos filhos que conhecem o coração de seu pai e estão certos do seu desígnio de amor. Francisco alertou: “Ai de nós se, pronunciando essas palavras, levantássemos as costas em sinal de rendição diante de um destino que nos repugna e não conseguimos transformar”.

O Pontífice reforçou que a oração do “Pai-Nosso” é repleta de confiança em Deus, que quer para todos o bem, a vida, a salvação. É uma oração corajosa, reafirmou o Papa, e também combativa, porque no mundo existem demasiadas realidades que não são segundo o plano de Deus: “Ele quer a paz”, sublinhou. O “Pai-Nosso”, disse ainda Francisco, é uma oração que acende em todos o mesmo amor de Jesus pela vontade do Pai, uma chama que leva a transformar o mundo com o amor.

“Não há nada de aleatório na fé dos cristãos: há, ao invés, uma salvação que espera manifestar-se na vida de cada homem e mulher e realizar-se na eternidade”, comentou o Santo Padre, que prosseguiu: “Se rezamos, é porque acreditamos que Deus pode e quer transformar a realidade vencendo o mal com o bem. A este Deus faz sentido obedecer e abandonar-se mesmo na hora da provação mais dura”.

O Papa frisou que Deus, por amor, pode levar todos a caminharem por sendas difíceis, a experimentar feridas e espinhas dolorosas, mas jamais os abandona. “Para um fiel, esta, mais do que uma esperança, é uma certeza. Deus está comigo!”, recordou Francisco. O Papa terminou a catequese convidando os fiéis a rezarem cada um na sua língua a oração do Pai-Nosso.

Jejum e penitência quaresmal

JEJUM DA LÍNGUA: UMA PENITÊNCIA EFICAZ E NECESSÁRIA
Padre Carlos Victal

“A grande penitência e o grande jejum que a Quaresma nos pede é, em primeiro lugar, nos voltarmos para o Senhor”.
Atuante no ministério de evangelização infanto-juvenil e ministro do culto religioso, padre Carlos Alberto Victal, missionário da Comunidade Canção Nova há mais de 13 anos, fala sobre a vivência das crianças durante a Quaresma e explica a importância do jejum para a disciplina, a santificação e a proximidade com Deus. O sacerdote também esclarece o significado das práticas de penitência e esmola nesse tempo forte de oração. O consagrado esclarece que o jejum não é feito apenas ao deixarmos de comer ou beber algo de que se gostamos, apontando-nos outras formas de praticá-lo, como o “jejum da língua”.

O senhor trabalha com evangelização infantil. Como a vivência da Quaresma é ensinada às crianças? As crianças assimilam de um modo muito bonito esse tempo litúrgico que a Igreja oferece a todos, sem exceção. Quando falamos que esse tempo é de penitência, de jejum, de busca da confissão e de muita oração, é interessante que mesmo as crianças que ainda nem fizeram primeira comunhão reconhecem os seus pecados – desobediências, rebeldias, brigas um com o outro, xingatório – e querem confessar-se. Outro dia, na Santa Missa, falando do tempo de jejum e das tentações, eu perguntava para elas: “Quem se comprometeu com Deus a fazer, nestes 40 dias, uma penitência, um jejum?” Muitas levantaram as mãos. Eu resolvi ir mais a fundo com elas e perguntei a algumas: “O que você está oferecendo para Deus nestes dias?”. A primeira respondeu que estava oferecendo 40 dias sem o computador. Já o segundo ofereceu o refrigerante. Então, eu o instiguei: “Você já pensou que, quando houver uma festinha de aniversário, todo mundo vai tomar refrigerante e você não vai poder tomá-lo, porque o ofereceu a Deus? Aí, o ‘chifronildo’ [inimigo de Deus] vai tentar fazer você beber só um golinho, mas você vai dizer para ele: ‘Eu não vou beber, eu sou de Deus, eu ofereço isso para Deus'”. Então, o jejum é algo que oferecemos a Deus para a nossa purificação e para a purificação da nossa família, do nosso povo, da sociedade.

Além do jejum, a esmola e a penitência também são práticas que devem ser observadas durante a Quaresma. Qual o significado de cada uma delas? A esmola é o sentido da caridade. Quando alguém pede esmola, está com as mãos estendidas, necessitado de ajuda. E ajudar o outro é amá-lo. Não importa o nome, se é gordo ou magro, se é barbudo ou cabeludo, mas alguém com a mão estendida está precisando de auxílio. É assim também que nós fazemos com Deus: levantamos nossas mãos para o alto e pedimos ajuda a Ele. Na nossa pobreza, na nossa limitação, precisamos do socorro do Senhor. Esmola não é apenas no sentido de dar coisas, mas também de se dar para o outro, seja por meio de um sorriso ou um abraço. Quantas pessoas carentes de um abraço, porque estão feridas na sua afetividade paternal e maternal, que se sentem carentes do amor do pai e da mãe! A penitência é a mortificação, é morrer para si por causa do Senhor. Jesus se sacrificou, morreu por nós e penitenciou-se em nosso favor. A penitência nos leva a morrer um pouco no “eu”, na vontade própria, no egoísmo; principalmente no mundo de hoje, no qual o “eu” tem gritado muito e já não temos o sentido do “nosso”. Quando nós rezamos a oração que o Senhor nos ensinou, sempre dizemos “Pai nosso” e não “Pai meu”, porque Deus partilha tudo o que Ele tem com todos os filhos d’Ele. A penitência nos ajuda a ter uma profunda conversão, por meio da qual nos colocamos na presença de Deus e isso nos leva a uma disciplina de equilíbrio no comer, no beber, no vestir, no modo de ser, de falar, de agir e nos impulsos.

Qual a melhor maneira de fazê-las? Há muitas maneiras de ser viver a penitência e o jejum. O próprio monsenhor Jonas nos apresenta um livro chamado Práticas de Jejum, no qual ele nos dá opções para jejuar. É uma maneira de me abster de alguma coisa de que eu gosto e oferecê-la para Deus. A grande penitência e o grande jejum que a Quaresma nos pede é, em primeiro lugar, nos voltarmos para o Senhor. Uma outra maneira é que façamos também um retiro para nos aproximarmos mais de Deus.

Quando se fala em jejum, logo se pensa em deixar de comer ou beber algo de que se gosta. Há algum outro tipo de jejum? Eu vejo que uma das práticas mais eficazes de jejum, nos dias de hoje, é o “jejum da língua”. Quantas pessoas falando mal umas das outras, murmurando. Se faz um sol quente, dizem que não aguentam mais e reclamam; se chove, reclamam porque não podem sair de casa. Então, precisamos reter a língua e, ao virmos algo errado, em vez de murmurar, rezarmos para que Deus solucione aquilo. Há também o “jejum da fofoca”, que tem “matado” tanta gente; o “jejum do olhar”, pois Deus nos deu os olhos para os abrirmos e fecharmos, nos deu o pescoço flexível para que possamos olhar de um lado e de outro. Então, se o nosso olhar nos leva à malícia, ao pecado ou a um julgamento, não devemos olhar, mas virar nosso rosto para o outro lado. São pequenas práticas que nos ajudam a nos disciplinarmos no modo de ser cristãos.

Qual o significado da cor roxa na Quaresma? A cor roxa é, justamente, o sentido da penitência. Os padres, por exemplo, quando vão confessar os fiéis, colocam uma estola roxa que simboliza a conversão, a mudança de vida, a penitência. Por isso, as toalhas do altar também são roxas. Da mesma forma, nos funerais, usa-se a cor roxa, porque clamamos a misericórdia, o perdão e a conversão para a alma e suplicamos que Deus a salve.

Cobrir as imagens dos santos com tecidos roxos durante esses dias é prática comum nas igrejas católicas. Por que esse hábito? Elas são cobertas para mostrar o sentido de ausência, de vazio. Isso, geralmente, ocorre na Semana Santa, porque temos um Deus que se esvaziou de si mesmo e morreu por nós. Esse vazio é para mostrar que o único centro da vida de toda a humanidade passa a ser Jesus, o Grande Intercessor, Aquele que dá a vida por todos nós.

 

A PENITÊNCIA DA QUARESMA
Prof. Felipe Aquino

Desde o início do Cristianismo a Quaresma marcou para os cristãos um tempo de graça, oração, penitência e jejum, com o objetivo de se chegar à conversão. Ela nos faz lembrar as palavras de Jesus: “Se não fizerdes penitência, todos perecereis” (Lc 13, 3). Se não deixarmos o pecado, não poderemos ter a vida eterna em Deus; logo, a atividade mais importante é a nossa conversão, renunciar ao pecado.
Nada é pior do que o pecado para a vida do homem, da Igreja e do mundo, ensina a Igreja; por isso Cristo veio, exatamente, “para tirar pecado do mundo” (cf. Jo 1, 29). Ele é o Cordeiro de Deus imolado para isso.
São Paulo insistia: “Em nome de Cristo vos rogamos: reconciliai-vos com Deus!” (2Cor 5,  20);  “exortamo-vos a que não recebais a graça de Deus em vão. Pois ele diz: Eu te ouvi no tempo favorável e te ajudei no dia da salvação (Is 49, 8). Agora é o tempo favorável, agora é o dia da salvação” (2Cor 6, 1-2).
A Quaresma nos oferece, então, esse “tempo favorável” para se deixar o pecado e voltar para Deus. E para isto fazemos penitência. O seu objetivo não é nos fazer sofrer ou privar de algo que nos agrada, mas ser um meio de purificação de nossa alma. Sabemos o que devemos fazer e como viver para agradar a Deus, mas somos fracos; a penitência é feitar para nos dar forças espirituais na luta contra o pecado.
A melhor Penitência, sem dúvida, é a do Sacramento que tem esse nome. Jesus instituiu a Confissão em sua primeira aparição aos discípulos, no mesmo domingo da Ressurreição (Jo 20, 22) dizendo-lhes: “a quem vocês perdoarem os pecados, os pecados estarão perdoados”. Não há graça maior do que ser perdoado por Deus, estar livre das misérias da alma e estar em paz com a consciência.
Além do Sacramento da Confissão, a Igreja nos oferece outras penitências que nos ajudam a buscar a santidade: sobretudo o que Jesus recomendou no Sermão da Montanha (Mt 6, 1-8), “o jejum, a esmola e a oração”, que a Igreja chama de “remédios contra o pecado”. Cristo jejuou e rezou durante quarenta dias (um longo tempo) antes de enfrentar as tentações do demônio no deserto e nos ensinou a vencê-lo pela oração e pelo jejum. Da mesma forma a Igreja quer ensinar-nos como vencer as tentações de hoje.
Vencemos o pecado praticando a virtude oposta a ele. Assim, para vencer o orgulho, devemos viver a humildade; para vencer a ganância devemos dar esmolas; para vencer a impureza, praticar a castidade; para vencer a gula, jejuar; para vencer a ira, aprender a perdoar; para vencer a inveja, ser bom; para vencer a preguiça, levantar-se e ajudar os outros. Essas são boas penitências para a Quaresma. Todos os exercícios de piedade e de mortificação têm com objetivo livrar-nos do pecado.
O jejum fortalece o espírito e a vontade para que as paixões desordenadas, (gula, ira, inveja, soberba, ganância. luxúria, preguiça), não dominem a nossa vida e a nossa conduta. A oração fortalece a alma no combate contra o pecado. Jesus ensinou: “É necessário orar sempre sem jamais deixar de fazê-lo” (Lc 18, 1b); “Vigiai e orai para que não entreis em tentação” (Mt 26, 41a); “Pedi e se vos dará” (Mt 7, 7). E São Paulo recomendou: “Orai sem cessar” (1Ts 5, 17).
A Palavra de Deus nos ensina: “É boa a oração acompanhada do jejum e dar esmola vale mais do que juntar tesouros de ouro, porque a esmola livra da morte, e é a que apaga os pecados, e faz encontrar a misericórdia e a vida eterna” (Tb 12, 8-9). “A água apaga o fogo ardente, e a esmola resiste aos pecados” (Eclo 3, 33). “Encerra a esmola no seio do pobre, e ela rogará por ti para te livrar de todo o mal” (Eclo 29, 15).
Então, cada um deve fazer ma Quaresma um “programa” espiritual: fazer o jejum que consegue (cada um é diferente do outro); pode ser parcial ou total. Pode, por exemplo, deixar de ver  a TV, deixar de ir a uma festa, uma diversão, não comer uma comida que gosta ou uma bebida; não dizer uma palavra no momento de raiva ou contrariedade, não falar de si mesmo, dar a vez aos outros na igreja, na fila, no ônibus; ser manso e atencioso com os outros, perdoar a todos, dormir um pouco menos, rezar mais, ir à Missa durante da semana…
Enfim, há mil maneiras de fazer boas penitências que nos ajudam a fortalecer o espírito para que ele não fique sufocado e esmagado pelo corpo e pela matéria. A penitência não é um fim em si mesma; é um meio de purificação e santificação; por isso deve ser feita com alegria.

 

TODOS PODEM FAZER JEJUM  

Todos podem fazer jejum. Sejam idosos ou estejam cansados ou doentes; sejam gestantes, mães que amamentam, jovens ou adultos. Todos podem jejuar sem que isso lhes faça mal; pelo contrário, lhes faça bem. Muitas pessoas não jejuam porque não sabem fazê-lo. Imaginam que jejuar seja uma coisa muito difícil e dolorosa que elas não conseguirão fazer.

Existem várias modalidades de jejum (Jejum da Igreja, Jejum a pão e água, Jejum à base de líquidos, Jejum completo).

Vou apresentar-lhes o Jejum da Igreja. Assim é chamado o tipo de jejum prescrito para toda a Igreja e que, por isso, é extremamente simples, podendo ser feito por qualquer pessoa. Alguém poderia pensar que esse seja um jejum relaxado ou que nem seja realmente jejum, porque ele é muito fácil. Mas não é bem assim.

Esse modo de jejuar vem da Tradição da Igreja e pode ser praticado por todos sem exceção, sendo esse o motivo pelo qual é prescrito a toda a Igreja. O básico desse tipo de jejum é que você tome café da manhã normalmente e depois faça apenas uma refeição. Você escolhe essa refeição – almoço ou jantar -, a depender dos seus hábitos, de sua saúde e de seu trabalho.

A outra refeição, aquela que você não vai fazer, será substituída por um lanche simples, de acordo com as suas necessidades. Dessa maneira, por exemplo, se você escolher o almoço para fazer a refeição completa, no jantar faça um lanche que lhe dê condições de passar o resto da noite sem fome.

O conceito de jejum não exige que você passe fome. Em suas aparições em Medjugorje, a própria Nossa Senhora o repetiu várias vezes. Jejuar é refrear a nossa gula e disciplinar o nosso comer. O importante, e aí está a essência do jejum, é a disciplina, é você não comer nada além dessas três refeições.

O que interessa é cortar de vez o hábito de “beliscar”, de abrir a geladeira várias vezes ao dia para comer “uma coisinha”. Evitar completamente, nesse dia, as balas, os doces, os chocolates e os biscoitos. Deixar de lado os refrigerantes, as bebidas e os cafezinhos. Para quem é indisciplinado – e muitos de nós o somos -, isso é jejum, e dos “bravos”!

Nesse tipo de jejum, não se passa fome. Mas como “a gente” se disciplina; como refreia a gula! E é essa a finalidade do jejum. Qualquer pessoa pode fazer esse tipo de jejum, mesmo os doentes, porque água e remédios não quebram o jejum. Se for necessário leite para tomar os medicamentos, o jejum também não é quebrado, pois a disciplina fica mantida.

Para o doente e para o idoso, disciplina mesmo talvez seja tomar os remédios – e tomá-los corretamente.

(Trecho extraído do livro “Práticas de Jejum” de monsenhor Jonas Abib)

 

FONTES DA ABSTINÊNCIA DE CARNE
Por Rafael Vitola Brodbeck

Onde poderemos encontrar na Bíblia ou em outros escritos da tradição cristã, que não devemos comer carne no período Quaresmal. E o por quê de só consumir peixes?

1) A lei da Igreja:
Em sentido amplo, a expressão “jejum” abarca muitos significados: o jejum em sentido estrito e também a abstinência. Quando a Igreja fala em abstinência, em sua lei, refere-se à abstinência de carne, mas pode ser proveitosa qualquer outra abstinência. Já os nossos irmãos de rito oriental, pertençam ou não à Igreja Católica, utilizam o termo “jejum” com o mesmo significado de abstinência. Aqui falaremos, de acordo com a lei vigente entre os de rito ocidental, coerentemente aos nossos costumes e tradições. Daí que jejum é a renúncia ao alimento, e abstinência a renúncia à carne.
Há, inclusive, vários tipos de jejum: a pão e água, completo, a base de líquidos etc. A Igreja, entretanto, quando obriga ao jejum, é bem menos severa. É verdade que qualquer um desses jejuns pode ser feito, a critério de um seguro e prudente diretor espiritual ou confessor. A obrigação, contudo, é da observância do mínimo estipulado pela Igreja, em sua sabedoria, o chamado “jejum eclesiástico” ou “jejum da Igreja”. É a ele que estamos, pois obrigados.
Em que consiste esse jejum? Segundo o douto canonista Pe. Jesús Hortal, SJ, “trata-se de não tomar mais que uma refeição completa, permitindo-se, porém, algum alimento outras duas vezes pro dia” (comentário ao cân. 1252, Código de Direito Canônico).
Pode ser feito esse jejum em qualquer dia, exceto em solenidades e nos Domingos. O mesmo vale para os outros jejuns.
Ainda que facultativamente, o jejum possa ser adotado em qualquer dia, a Igreja obriga o fiel novamente ao mínimo. Recomenda que se faça muitas vezes ao ano, especialmente durante o Advento e, ainda mais, na Quaresma. Daí que a atitude de muitos católicos de jejuar durante os quarenta dias desse tempo litúrgico, se feita com prudência e afastada toda a vaidade espiritual, é louvável. Igualmente louvável a conduta dos que, sentindo que mínimo estipulado pela Igreja, o jejum eclesiástico, não é suficiente para sua própria condição espiritual pessoal, adotam jejum mais severo, sempre, anote-se, com a anuência de um diretor espiritual prudente, douto, piedoso e provado.
O fiel, mesmo que possa jejuar em outros dias, e de vários modos, é obrigado ao jejum eclesiástico (embora possa fazer outro, mais severo, lembre-se), na Quarta-feira de Cinzas e na Sexta-feira Santa. Eis os únicos dias, na Igreja Latina, a que estamos obrigados a jejuar. E com o jejum eclesiástico, o mínimo.
Por abstinência, de outra sorte, entende-se comumente a renúncia à carne. Também pode ser feita a qualquer tempo, exceto em solenidades e nos Domingos. Claro, há institutos religiosos severíssimos, aprovados pela suprema autoridade da Igreja, nos quais seus membros fazem votos de perpetuamente não ingerir carne. Também o simples fiel pode fazê-lo, não tratando-se, porém, de abstinência propriamente dita, mas de um voto que implica em uma mortificação.
A abstinência periódica, da qual estamos tratando e que é objeto da consulta, também é alvo da legislação canônica. Consiste em não ingerir carne ou alimento preparado à base de carne de animais de sangue quente (incluindo, evidentemente, o caldo de carne). O fiel é convidado a fazer abstinência sempre que desejar, especialmente durante o Advento e, especialmente, na Quaresma, como foi dito na explicação para o jejum. Contudo, existem dias obrigatórios para essa abstinência, além dessa faculdade do fiel de observá-la sempre.
“cân. 1251 – Observe-se a abstinência de carne ou de outro alimento, segundo as prescrições da Conferência dos Bispos, em todas as sextas-feiras do ano, a não ser que coincidam com algum dia enumerado entre as solenidades; observem-se a abstinência e o jejum na quarta-feira de Cinzas e na sexta-feira da Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo”.
Então, como exposto, estão obrigados os fiéis ao jejum (eclesiástico, segundo as explicações do Pe. Hortal, SJ, tradicionais na Igreja e que estavam dispostas no anterior Código de 1917 explicitamente, valendo como norma consuetudinária) na Quarta-feira de Cinzas e na Sexta-Feira Santa da Paixão. E obrigados à abstinência em todas as sextas-feiras do ano, desde que nelas não caia alguma solenidade (não basta ser festa ou memória; é preciso ser solenidade, o maior grau dentre as festividades do atual Calendário Litúrgico Romano e Universal e dos calendários particulares dos institutos e dioceses). Mesmo que não obrigados, podem os fiéis jejuar e abster-se de carne em outros dias.
Há um ponto, entretanto, a ser considerado. O dispositivo do cânon citado refere-se a normatização da conferência episcopal. É ela, pois, competente, para legislar diferentemente no que toca à abstinência das sextas-feiras do ano. Nunca em relação ao jejum ou à abstinência da Quarta-feira de Cinzas e da Sexta-Feira Santa.
No Brasil, a CNBB, por delegação expressa, pois da Santa Sé mediante o cânon aludido, concedeu a faculdade ao fiel de, nas sextas-feiras do ano, inclusive durante a Quaresma, substituir a abstinência de carne por “alguma forma de penitência, principalmente obra de caridade ou exercício de piedade” (Legislação Complementar da CNBB).
Assim, salvo a abstinência da Quarta-feira de Cinzas e da Sexta-feira Santa (que devem ser observadas juntamente com o jejum: não basta “não comer carne”, é preciso comer só uma refeição completa!), as demais, no Brasil, podem ser substituídas por outro tipo de mortificação ou penitência: renúncia a outro alimento, determinadas orações, atos de piedade ou caridade etc.

2) A abstinência de carne na Bíblia e na Tradição:
Como falamos, “jejum” em sentido amplo é gênero, do qual “abstinência” é espécie. Todas as referências bíblicas do jejum encaixam-se perfeitamente para a abstinência. Renunciar ao alimento, em si, ou a um alimento específico: ambos são, genericamente, jejuns. A sabedoria da Igreja intuiu, entretanto, que, dentre os alimentos a renunciar, a carne seria o mais adequado à nossa mentalidade, visto que é geralmente a parte nobre de nossas refeições. Também nela há um sentido místico, pois ela se identifica com o Verbo que “Se fez carne” e sofreu “na carne” por nossa salvação. Abster-se de carne implica em uma renúncia a um prato dos principais de nossa alimentação, e também em um lembrar-se sempre da santíssima carne de Jesus Cristo que por nós padeceu.
Existem muitas referências patrísticas ao jejum como um todo, no qual inclui-se, implicitamente, a abstinência de carne (bem como outras abstinências espirituais e corporais: de refrigerante, de álcool, de televisão, dos sentidos etc). São Leão Magno, Santo Agostinho, São Basílio de Cesaréia e São João Crisóstomo falam muito no jejum. Na Didaqué há também referências ao jejum e que englobam, claro, toda abstinência, principalmente de carne, pelo sentido espiritual que tem.
Não é a Bíblia ou a Tradição, todavia, que nos diz que não devemos comer carne em alguns dias especiais. Até porque esses dias foram fixados pela Igreja posteriormente. Deixar de comer carne não é uma doutrina, mas uma disciplina. Não pertence ao direito divino, mas ao direito humano eclesiástico. O que não significa que possamos deixar de obedecer, uma vez que estamos obrigados à observância da Lei da Igreja e não somente da Lei de Deus, por sermos súditos de sua autoridade, o Papa e os Bispos. Como lei humana que é, o Papa pode mudá-la a qualquer tempo. Não a obedecemos por estar na Bíblia, na Tradição ou por ser uma doutrina (até porque ela não é), e sim por assim ordenar a autoridade da Igreja.
Por outro lado, não se trata de um “comer peixe”. Quem não quiser, não precisa comer peixe ou outro alimento de que não goste. A Igreja nunca mandou que se comesse peixe, mas que se deixasse de comer carne.

Dúvidas sobre a Quaresma

Quaresma, tempo de recolhimento e de revisão de vida

O que é a Quaresma? E qual é a melhor atitude que o cristão pode ter, durante esse tempo, para que, realmente, este período tenha sentido em sua vida?

A Quaresma é esse tempo litúrgico que antecipa todo o período da Semana Santa, da Morte e da Ressurreição de Nosso Senhor, do mistério Pascal. Então, é um grande tempo que a Igreja nos dá para que possamos preparar o nosso coração, viver verdadeiramente o tempo da Páscoa.

A Quaresma é um tempo de recolhimento para que possamos rever a nossa vida, rever até que ponto a nossa vida de cristão corresponde àquilo que Nosso Senhor nos pede. Ela serve para analisarmos se estamos verdadeiramente amando Deus sobre todas as coisas ou se outras coisas estão dominando o nosso coração. É um tempo de balanço geral em nossa vida, de pararmos, silenciarmos e refletirmos. É bonito como a Liturgia vai nos levando até isso por meio das leituras, das Missas de cada dia. A Liturgia nos conduz a fazermos essa experiência de rever a vida, de fazer dela uma vida diferente e poder entrar no tempo Pascal desejoso de uma vida nova.

Não comer carne nem chocolate, não tomar refrigerante e não abusar das mensagens no celular. Mas do que vale tudo isso?

Vale para colocar Deus como o centro da nossa vida. Achei legal falar das mensagens no celular! Quanto tempo temos demorado nas redes sociais e quanto tempo temos nos dedicado a Deus? Coloque isso na ponta do lápis e você verá quem tem ganhado mais espaço na sua vida. Então, se o tempo do Facebook e do Watsapp têm sido maior do que o tempo que você reza, que se dirige a Deus, você vai entender quem está dominando a sua vida.

Todas as vezes que botamos freio em alguma realidade, principalmente no tempo da Quaresma, é para colocarmos Deus em um centro. Então, o que nós gostamos de comer não nos domina, o que assistimos não nos domina, o que ouvimos não nos domina, porque o nosso amor está todo para Deus.

Diz a Palavra de Deus que onde está o seu tesouro, ali está o seu coração. Infelizmente, muitas vezes, os nossos tesouros estão enterrados em solos que não são os do coração de Deus. Então, a Quaresma é esse tempo. Por isso vale largar o chocolate, o refrigerante, as mensagens, para poder fazer a experiência de colocar o Senhor como o centro na nossa vida. Vale a pena! Por este motivo, temos de recolocar Deus onde Ele deveria estar na nossa vida.

Na mensagem do Papa Francisco para a Quaresma de 2014, ele falou sobre a miséria material, moral e espiritual, e finalizou dizendo: “Não nos esqueçamos de que a verdadeira pobreza doí. Não seria válido um despojamento sem essa dimensão penitencial. Desconfio da esmola que não custa nem dói.

Nesta Quaresma, como podemos ajudar as pessoas que vivem a miséria material, moral e espiritual? Como seria a caridade nestes três âmbitos?

A miséria moral é exercer a caridade com uma pessoa que está trilhando um caminho errado, é chamá-la a exercer um pouco da verdade, aconselhá-la e mostrar a ela que existe outra realidade. Por exemplo, se você conhece um amigo da faculdade que está trilhando um caminho de bebida, de alcoolismo, chame-o, gaste do seu tempo com ele para poder instruí-lo e, talvez, tentar tirá-lo dessa realidade de miséria moral.

A miséria espiritual vai para o mesmo caminho. São pessoas que, às vezes, precisam de uma palavra, de um consolo ou aconselhamento. são pessoas que precisam ser ouvidas, precisam de alguém que se sente e as escute. É uma miséria espiritual, ou seja, ela tem a necessidade de alguém que reze com ela, que a assuma em oração. Nós podemos sanar a miséria espiritual dos nossos irmãos dando-lhes a nossa vida em oração, sentando com eles, rezando por eles.

A miséria moral e a espiritual estão muito relacionadas ao nosso tempo, à nossa vida. Mas existe a miséria material, sobre a qual o Papa está insistindo.

Como a Igreja pensa as práticas da Quaresma: oração, jejum, penitência, caridade e esmola? A oração nos leva para Deus quando nos lançamos para Ele. Quando revemos, na nossa vida, tudo o que está em excesso, aí entra a necessidade de jejum e penitência. Mas se isso parar apenas na nossa vida, e não transbordar na vida do irmão, não tem valor. É aí que entra a caridade e a esmola.

A sintonia é perfeita, porque nós nos lançamos em Deus, avaliamos nossa vida e refazemos o nosso relacionamento com Deus. Refazemos as coisas, refazemos nosso relacionamento com os irmãos, com a caridade que ela pode se dar nesse sentido; de se dar tempo, mas também no sentido concreto material.

Então, vamos para o exemplo: eu faço uma penitência de não tomar refrigerante, vou pegar essa que é uma bem simples, durante toda a Quaresma, aí você calcula, quanto eu gasto por dia com refrigerante. Ah, eu gasto dez reais de refrigerante por semana, eu transformo aqueles dez reais em esmola para uma família que precisa.

Este é o sentido da esmola, aquilo que a gente jejua e que gastaria algo, entregamos aos pobres. De ir ao encontro, de fazer um rateio, de chamar outras pessoas. Os seus dez reais, mais os dez reais de outro; porque não faz uma cesta básica para uma família que está passando fome? Então, temos um costume muito egoísta: Ah tá bom, vou ficar sem tomar refrigerante, vai me sobrar dinheiro. Não esse dinheiro não é seu e, sim do outro! É por isso, que a Igreja sempre nos propôs essas três realidades juntas. Porque elas nos lançam nos outros, elas nos lançam na realidade dos outro. Agora, uma realidade que fica fechada no meu relacionamento com Deus e, na minha vida de uma conversão interior e não transborda em amor por outro.

O Papa Francisco fala muito da cultura do encontro, de ir ao encontro do outro. Ela vai ser uma Quaresma estéril, sem fecundidade, porque ela vai ser igual a um tripé com o pé quebrado, ela não vai ficar de pé. Agora, se eu revejo o meu relacionamento com Deus com oração, revejo o meu relacionamento com as criaturas, com as coisas, com o jejum e com a penitência e revejo o meu relacionamento com meu irmão com a caridade, aí eu me coloco em uma Quaresma concreta. Pode ser alguém que você precise dar perdão, que você precise perdoar, que você precise ir ao encontro. Alguém que você vacilou com ela e, você precisa pedir perdão por este ato que fez. Isso tudo é maneira concreta de viver a caridade e de ir de encontro com essa miséria moral, espiritual ou real que, muitas vezes, as pessoas se encontram.

Renan Félix
[email protected]

Quaresma 2019: Criação anseia pela conversão humana, diz Papa

Em mensagem
Terça-feira, 26 de fevereiro de 2019, Da redação, com Boletim da Santa Sé
https://noticias.cancaonova.com/especiais/pontificado/francisco/quaresma-2019-criacao-anseia-pela-conversao-humana-diz-papa/

Na mensagem para a Quaresma, Francisco explica como a vivência do homem afeta a Criação como um todo

Francisco explica que a expectativa da Criação será satisfeita quando cada pessoa entrar “decididamente neste ‘parto’ que é a conversão” / Foto: Arquivo REUTERS-Max-Rossi

O Vaticano divulgou nesta terça-feira, 26, a mensagem do Papa Francisco para a Quaresma deste ano, que terá início no dia 6 de março.

Com o tema “A criação encontra-se em expectativa ansiosa, aguardando a revelação dos filhos de Deus” (Rm 8, 19), o Santo Padre oferece algumas propostas de reflexão, para acompanhar os fiéis no “caminho de conversão”, a ser vivido durante a Quaresma.

Francisco explica que, todos os anos, por meio da Igreja, Deus concede aos seus fiéis a graça de se prepararem, com o coração purificado, para celebrar as festas pascais.

O primeiro ponto destacado na mensagem é sobre a redenção da criação. O Papa afirma que se o homem vive como filho de Deus, se deixa guiar pelo Espírito Santo e sabe reconhecer e praticar a lei de Deus, ele beneficia também a criação.

“Por isso, a criação – diz São Paulo – deseja de modo intensíssimo que se manifestem os filhos de Deus, isto é, que a vida daqueles que gozam da graça do mistério pascal de Jesus se cubra plenamente dos seus frutos, destinados a alcançar o seu completo amadurecimento na redenção do próprio corpo humano”, explica.

Contudo, Francisco destaca que neste mundo, a harmonia gerada pela redenção continua ameaçada pela força negativa do pecado e da morte.

A força do pecado e do arrependimento

O Pontífice alerta que quando o homem não vive como filho de Deus, muitas vezes adota comportamentos destruidores para com o próximo e as outras criaturas, considerando que podem ser usados como lhe apraz.

Ele explicou que a causa de todo o mal é o pecado, que interrompeu a comunhão do homem com Deus e, por consequência, faliu a relação harmoniosa do ser humano com o meio ambiente. “Trata-se daquele pecado que leva o homem a considerar-se como deus da criação, a sentir-se o seu senhor absoluto e a usá-la, não para o fim querido pelo Criador, mas para interesse próprio em detrimento das criaturas e dos outros”.

Por isso, destacou o Papa, a criação tem impelente necessidade que se revelem os filhos de Deus. “Se alguém está em Cristo, é uma nova criação. O que era antigo passou; eis que surgiram coisas novas” (2 Cor 5, 17).

“Com efeito, com a sua manifestação, a própria criação pode também ‘fazer páscoa’: abrir-se para o novo céu e a nova terra (cf. Ap 21, 1). E o caminho rumo à Páscoa chama-nos precisamente a restaurar a nossa fisionomia e o nosso coração de cristãos, através do arrependimento, a conversão e o perdão, para podermos viver toda a riqueza da graça do mistério pascal”.

Francisco enfatiza que esta expectativa da criação será satisfeita quando se manifestarem os filhos de Deus, ou seja, quando cada pessoa entrar “decididamente neste ‘parto’ que é a conversão”.

“Juntamente conosco, toda a criação é chamada a sair ‘da escravidão da corrupção, para alcançar a liberdade na glória dos filhos de Deus’ (Rm 8, 21). A Quaresma é sinal sacramental desta conversão. Ela chama os cristãos a encarnarem, de forma mais intensa e concreta, o mistério pascal na sua vida pessoal, familiar e social, particularmente através do jejum, da oração e da esmola”, explicou.

Jejum, oração e esmola

Na mensagem, o Santo Padre esclarece que o jejum é aprender a modificar a atitude para com os outros e as criaturas. “Passar da tentação de ‘devorar’ tudo para satisfazer a nossa voracidade, à capacidade de sofrer por amor, que pode preencher o vazio do nosso coração”.

A atitude de orar, para saber renunciar à idolatria e à autossuficiência do eu, e declarar-se necessitado do Senhor e da sua misericórdia, explica.

E dar esmola, para sair da insensatez de viver e acumular tudo para si mesmo. “E assim, reencontrar a alegria do projeto que Deus colocou na criação e no nosso coração: o projeto de amá-Lo a Ele, aos nossos irmãos e ao mundo inteiro, encontrando neste amor a verdadeira felicidade”.

Tempo favorável

Francisco motiva os fiéis a viver bem este tempo favorável da Quaresma. “Peçamos a Deus que nos ajude a realizar um caminho de verdadeira conversão. Abandonemos o egoísmo, o olhar fixo em nós mesmos, e voltemo-nos para a Páscoa de Jesus; façamo-nos próximo dos irmãos e irmãs em dificuldade, partilhando com eles os nossos bens espirituais e materiais”.

Segundo ele, ao acolher concretamente a vitória de Cristo sobre o pecado e a morte, o ser humano atrairá também sobre a criação a sua força transformadora.

 

Mensagem do Papa Francisco para a Quaresma 2019
Terça-feira, 26 de fevereiro de 2019
Boletim da Santa Sé

«A criação encontra-se em expectativa ansiosa, aguardando a revelação dos filhos de Deus»«A criação encontra-se em expectativa ansiosa, aguardando a revelação dos filhos de Deus»(Rm 8, 19)

Queridos irmãos e irmãs!

Todos os anos, por meio da Mãe Igreja, Deus «concede aos seus fiéis a graça de se prepararem, na alegria do coração purificado, para celebrar as festas pascais, a fim de que (…), participando nos mistérios da renovação cristã, alcancem a plenitude da filiação divina» (Prefácio I da Quaresma). Assim, de Páscoa em Páscoa, podemos caminhar para a realização da salvação que já recebemos, graças ao mistério pascal de Cristo: «De facto, foi na esperança que fomos salvos» (Rm 8, 24). Este mistério de salvação, já operante em nós durante a vida terrena, é um processo dinâmico que abrange também a história e toda a criação. São Paulo chega a dizer: «Até a criação se encontra em expectativa ansiosa, aguardando a revelação dos filhos de Deus» (Rm 8, 19). Nesta perspectiva, gostaria de oferecer algumas propostas de reflexão, que acompanhem o nosso caminho de conversão na próxima Quaresma.

1. A redenção da criação

A celebração do Tríduo Pascal da paixão, morte e ressurreição de Cristo, ponto culminante do Ano Litúrgico, sempre nos chama a viver um itinerário de preparação, cientes de que tornar-nos semelhantes a Cristo (cf. Rm 8, 29) é um dom inestimável da misericórdia de Deus.

Se o homem vive como filho de Deus, se vive como pessoa redimida, que se deixa guiar pelo Espírito Santo (cf. Rm 8, 14), e sabe reconhecer e praticar a lei de Deus, a começar pela lei gravada no seu coração e na natureza, beneficia também a criação, cooperando para a sua redenção. Por isso, a criação – diz São Paulo – deseja de modo intensíssimo que se manifestem os filhos de Deus, isto é, que a vida daqueles que gozam da graça do mistério pascal de Jesus se cubra plenamente dos seus frutos, destinados a alcançar o seu completo amadurecimento na redenção do próprio corpo humano. Quando a caridade de Cristo transfigura a vida dos santos – espírito, alma e corpo –, estes rendem louvor a Deus e, com a oração, a contemplação e a arte, envolvem nisto também as criaturas, como demonstra admiravelmente o «Cântico do irmão sol», de São Francisco de Assis (cf. Encíclica Laudato si’, 87). Neste mundo, porém, a harmonia gerada pela redenção continua ainda – e sempre estará – ameaçada pela força negativa do pecado e da morte.

2. A força destruidora do pecado

Com efeito, quando não vivemos como filhos de Deus, muitas vezes adotamos comportamentos destruidores do próximo e das outras criaturas – mas também de nós próprios –, considerando, de forma mais ou menos consciente, que podemos usá-los como bem nos apraz. Então sobrepõe-se a intemperança, levando a um estilo de vida que viola os limites que a nossa condição humana e a natureza nos pedem para respeitar, seguindo aqueles desejos incontrolados que, no livro da Sabedoria, se atribuem aos ímpios, ou seja, a quantos não têm Deus como ponto de referência das suas ações, nem uma esperança para o futuro (cf. 2, 1-11). Se não estivermos voltados continuamente para a Páscoa, para o horizonte da Ressurreição, é claro que acaba por se impor a lógica do tudo e imediatamente, do possuir cada vez mais.

Como sabemos, a causa de todo o mal é o pecado, que, desde a sua aparição no meio dos homens, interrompeu a comunhão com Deus, com os outros e com a criação, à qual nos encontramos ligados antes de mais nada através do nosso corpo. Rompendo-se a comunhão com Deus, acabou por falir também a relação harmoniosa dos seres humanos com o meio ambiente, onde estão chamados a viver, a ponto de o jardim se transformar num deserto (cf. Gn 3, 17-18). Trata-se daquele pecado que leva o homem a considerar-se como deus da criação, a sentir-se o seu senhor absoluto e a usá-la, não para o fim querido pelo Criador, mas para interesse próprio em detrimento das criaturas e dos outros.

Quando se abandona a lei de Deus, a lei do amor, acaba por se afirmar a lei do mais forte sobre o mais fraco. O pecado – que habita no coração do homem (cf. Mc 7, 20-23), manifestando-se como avidez, ambição desmedida de bem-estar, desinteresse pelo bem dos outros e muitas vezes também do próprio – leva à exploração da criação (pessoas e meio ambiente), movidos por aquela ganância insaciável que considera todo o desejo um direito e que, mais cedo ou mais tarde, acabará por destruir inclusive quem está dominado por ela.

3. A força sanadora do arrependimento e do perdão

Por isso, a criação tem impelente necessidade que se revelem os filhos de Deus, aqueles que se tornaram «nova criação»: «Se alguém está em Cristo, é uma nova criação. O que era antigo passou; eis que surgiram coisas novas» (2 Cor 5, 17). Com efeito, com a sua manifestação, a própria criação pode também «fazer páscoa»: abrir-se para o novo céu e a nova terra (cf. Ap 21, 1). E o caminho rumo à Páscoa chama-nos precisamente a restaurar a nossa fisionomia e o nosso coração de cristãos, através do arrependimento, a conversão e o perdão, para podermos viver toda a riqueza da graça do mistério pascal.

Esta «impaciência», esta expectativa da criação ver-se-á satisfeita quando se manifestarem os filhos de Deus, isto é, quando os cristãos e todos os homens entrarem decididamente neste «parto» que é a conversão. Juntamente connosco, toda a criação é chamada a sair «da escravidão da corrupção, para alcançar a liberdade na glória dos filhos de Deus» (Rm 8, 21). A Quaresma é sinal sacramental desta conversão. Ela chama os cristãos a encarnarem, de forma mais intensa e concreta, o mistério pascal na sua vida pessoal, familiar e social, particularmente através do jejum, da oração e da esmola.

Jejuar, isto é, aprender a modificar a nossa atitude para com os outros e as criaturas: passar da tentação de «devorar» tudo para satisfazer a nossa voracidade, à capacidade de sofrer por amor, que pode preencher o vazio do nosso coração. Orar, para saber renunciar à idolatria e à autossuficiência do nosso eu, e nos declararmos necessitados do Senhor e da sua misericórdia. Dar esmola, para sair da insensatez de viver e acumular tudo para nós mesmos, com a ilusão de assegurarmos um futuro que não nos pertence. E, assim, reencontrar a alegria do projeto que Deus colocou na criação e no nosso coração: o projeto de amá-Lo a Ele, aos nossos irmãos e ao mundo inteiro, encontrando neste amor a verdadeira felicidade.

Queridos irmãos e irmãs, a «quaresma» do Filho de Deus consistiu em entrar no deserto da criação para fazê-la voltar a ser aquele jardim da comunhão com Deus que era antes do pecado das origens (cf. Mc 1,12-13; Is 51,3). Que a nossa Quaresma seja percorrer o mesmo caminho, para levar a esperança de Cristo também à criação, que «será libertada da escravidão da corrupção, para alcançar a liberdade na glória dos filhos de Deus» (Rm 8, 21). Não deixemos que passe em vão este tempo favorável! Peçamos a Deus que nos ajude a realizar um caminho de verdadeira conversão. Abandonemos o egoísmo, o olhar fixo em nós mesmos, e voltemo-nos para a Páscoa de Jesus; façamo-nos próximo dos irmãos e irmãs em dificuldade, partilhando com eles os nossos bens espirituais e materiais. Assim, acolhendo na nossa vida concreta a vitória de Cristo sobre o pecado e a morte, atrairemos também sobre a criação a sua força transformadora.

Vaticano, Festa de São Francisco de Assis,
04 de outubro de 2018.
FRANCISCO

Capela Nossa Senhora de Lourdes

A Capela do Bairro Jardim Mauá convida a comunidade em geral para as Celebrações Eucarísticas, os momentos de oração e os eventos promocionais em vista da construção da futura e nova Capela há 52 anos almejada.

Sempre aos sábados, às 19h, temos a celebração da Santa Missa. Os que vem de carro, podem contar com um espaço interno para estacionamento gratuito, mas lembramos que não há seguro para os veículos.

Sempre às terças-feiras, temos a Oração do Terço Mariano, no horário das 19h30min às 20h30min, onde contamos com a participação das famílias da comunidade, bem como aos sábados, às 18h30min, antes da Santa Missa.

Temos ainda programado neste ano de 2019:
27/4 -Jantar Baile (sáb, 20h-02h, convites individuais, no salão festas igreja Matriz) / Missa transf. 28/4 (dom, 19h)
22, 23 e 24/5 -Tríduo (qua [ONDA], qui [CLJ], sex [SãoFrancisco], 19h30min) / 25/5 -Santa Missa Solene da Padroeira com o Coral Misto, seguida de Terço Mariano (sáb, 19h)
17/8 -Bingo Familiar (sáb, 20h-00h, no salão festas igreja Matriz) / Missa transf. 18/8 (dom, 19h)
10/11 -Galeto só p/levar (coxa, sobrecoxa, salada, pão / no salão festas igreja Matriz)

A realização dos eventos sociais é no salão de festas da Paróquia Nossa Senhora da Piedade, localizado à Rua Leão XIII, n. 180, no Bairro Hamburgo Velho.

A nossa Capela está localizada no Bairro Jardim Mauá, na Rua Lagoa Vermelha, n. 45, esquina com a Rua Santa Vitória do Palmar. As entradas para a Capela e estacionamento, são pela Rua Santa Vitória do Palmar.

Venha participar conosco e traga toda a sua família! Sejam bem-vindos!

Pelo Conselho Econômico, 
Pedro Paulo Maynart

 

Aniversário de Fundação da Capela Nossa Senhora de Lourdes do Bairro Jardim Mauá
– Jubileu de Ouro
30/12/1967 Α╬Ω 30/12/2017
Há 50 anos Nossa Senhora de Lourdes nos leva até seu Filho Jesus.

Do Livro Tombo II (1955-1975) da Paróquia Nossa Senhora da Piedade – Reunião 11/3/1967.
Local: Vila Fleck.
Número de pessoas: 22.
Assunto: Construção de uma Capela.

Relato: O Pároco afirmou que havia um terreno na Vila, pertencente ao Sr. Valburgo Adriano Fleck; é o único dono do terreno. Ele fará doação à Mitra. Providência do Pároco – ir ao Cartório para saber como proceder. É preciso consultar também o Sr. Ivo Lenz. Também há possibilidade de conseguir maior espaço pela doação de terrenos de outras 4 pessoas. Três delas já estão dispostas a entregar o terreno. Após a escrituração é preciso fazer a limpeza do terreno e fazer cerca. Também o grupo achou, aliás, o Pároco sugeriu que fosse eleita uma primeira Comissão. Foi assim constituída: 1º Presidente: Remy Cardoso Machado; Vice-presidente: José Cassemiro Vieira; Secretário: Alfredo Teodoro Kauer; Tesoureiro: Ciro Jaime Martins. Após conseguir a escrituração o Pe. sugeriu que fosse celebrada uma Missa na Vila. Quanto ao material da cerca o Sr. Remy achou que o conseguiria com relativa facilidade. O grupo deseja que antes de ser construída a Capela, deverá ser levantado um pavilhão, que terá finalidades múltiplas.
“Vila Fleck – Nova Capela. Já há algum tempo para cá, os moradores da Vila Fleck, demonstraram o desejo de possuírem uma Capela no bairro, já que dista bastante da igreja Matriz e não ter comunicação e acesso direto para Hamburgo Velho. Em março passado, em reunião efetuada no referido bairro, foi escolhida e empossada uma Diretoria para iniciar o trabalho. Como local da Capela foi escolhido um terreno de aproximadamente 3.200 m2, em si destinado, pelos loteadores, a ser praça, mas nunca ocupado pela municipalidade. O único herdeiro, ainda vivo, do dono do loteamento já falecido, é o Sr. Walburg Alfons Fleck e esposa Waly Fleck. Estes fazem questão que o referido terreno fosse aproveitado para a construção de uma Capela. Efetivamente, em setembro, foi iniciada a construção do prédio, com madeira roliça, tábuas de pinho, forrado, com as tesouras à vista. Os recursos foram adiantados pela Caixa da Comunidade depois dos entendimentos com a Diretoria e Conselho Paroquial. Em dezembro concluía-se a obra, com um puxado nos fundos e lado esquerdo, para funcionamento de copa e cozinha, por ocasião de festejos populares. No dia 30 de dezembro, sábado à tarde às 17h, o Pároco benzia e inaugurava festivamente a nova Capela simples e simpática, dedicada à Nossa Senhora de Lourdes, invocação da imagem, que em 1963, na Cruzada do Rosário em família, fora destacada à Vila Fleck. O povo lotou completamente o recinto, ainda sem bancos. O calor era intenso. O Coro da Paróquia acompanhou com seus cânticos, a 1ª Missa celebrada em honra de Nossa Senhora de Lourdes. A caixa da comunidade adiantou a importância de NCr$ 5.100,00 para cobertura das despesas. O prédio foi construído por empreitada pelo Sr. Alfredo Dapper. Esperamos que Maria Santíssima seja o início de uma nova vida religiosa para todos os moradores da Vila Fleck”.

Você entende o significado da oração do Credo?

Padre Toninho destacou a necessidade de refletir sobre a oração, o que atendeu ao pedido do Papa emérito Bento XVI no Ano da Fé  

No ‘Ano da Fé’, proclamado pelo Papa emérito Bento XVI no período de 11 de outubro de 2012 a 24 de novembro de 2013, o Santo Padre pediu aos fiéis para que rezassem a oração do Credo. Esta é a profissão de fé dos fiéis, ou seja, expressa qual é a verdadeira crença dos fiéis católicos. O noticias.cancaonova.com exibiu uma série de cinco reportagens que refletem o significado da oração.

Existem duas formas de se rezar o Credo. Padre Antônio Justino Filho, conhecido como padre Toninho da Comunidade Canção Nova, explicou que a primeira, denominada Credo niceno-constantinopolitano, é resultado dos primeiros concílios ecumênicos da Igreja: o Niceno, de Niceia, no ano 325, e o de Constantinopla, em 381.

O sacerdote disse que esta oração ainda é muito comum nas grandes Igrejas do Oriente e do Ocidente. Ela pode ser rezada nas Celebrações Eucarísticas dependendo da liturgia, o que acontece, normalmente, em ocasiões solenes.

Mas há uma forma mais resumida desta oração, o qual é chamado ‘símbolo dos apóstolos’, ou seja, o Credo que se reza normalmente na Santa Missa no momento da Profissão de Fé.

“Nós temos o ‘símbolo dos apóstolos’, assim chamado por ser considerado o resumo fiel da fé deles, um antigo símbolo da fé batismal da Igreja de Roma e sua grande autoridade vem do seguinte fato: ele é o símbolo guardado pela Igreja Romana, aquela na qual Pedro, o primeiro apóstolo, teve a sua fé e para onde ele trouxe a comum expressão de fé, opinião comum. Isto quem diz é Santo Ambrósio, um grande Santo da Igreja”, informou padre Toninho.

O sacerdote ressaltou que o Credo niceno constantinopolitano é o mais completo símbolo de fé. Contudo, este resumo de fé dos apóstolos aconteceu para facilitar a vida da Igreja e dos cristãos, já que a oração fruto dos dois Concílio é um Credo um pouco mais extenso.

Ano da Fé  
Tendo em vista que o Credo é a profissão de fé dos fiéis, o Papa pediu que todos o rezassem com atenção no ‘Ano da Fé’, isso porque a proposta do Ano é, justamente, uma redescoberta da fé, de forma que os cristãos saibam entender e dar razões da fé que têm.

Quanto a isso, padre Toninho acrescentou o fato de que, muitas vezes, se reza muito rápido, mas é necessário parar e refletir sobre o que se está rezando.

“A primeira palavra que a profissão de fé nos mostra é o ‘creio’. Em que você crê? Começa daí, pois a fé é você meditar aquilo que você está rezando. Você crê em quem: no Pai, no Filho, no Espírito Santo, na Igreja, na Ressurreição da Carne? Esse crer significa a minha adesão àquilo que eu estou rezando. Então, nesse Ano da Fé, o Papa pede isso: essa maior interiorização naquilo que se reza”, destacou.

 

Professor explica o significado da crença em Deus Pai  

‘Deus é absoluto, é a plenitude, tudo sabe, tudo pode’, lembra o professor Felipe Aquino  

Creio em Deus Pai todo poderoso, criador do céu e da terra. Esta é a primeira frase da oração do Credo, trecho que reflete a crença dos fiéis em Deus Pai. Esta profissão de fé, no entanto, às vezes passa despercebida pelo fato de ser rezada rapidamente ou de modo mecânico, motivo pelo qual o Papa emérito Bento XVI pediu maior atenção a esta oração em especial no Ano da Fé.

Quando se fala sobre a crença em Deus, junto a isso vêm as características de Deus, e uma delas é a unicidade. O professor Felipe Aquino, que é autor de vários livros sobre a doutrina da Igreja católica, lembrou que Deus é único, os fiéis acreditam em um único Deus, e não poderia ser diferente.

“Deus é absoluto, Deus não pode ser mais de um. Se houvesse dois deuses, um deles seria menor, então não seria Deus. A própria reflexão filosófica indica que não pode haver dois deuses e também porque isso foi revelado, Deus é absoluto, é a plenitude, tudo sabe, tudo pode”.

Santíssima Trindade: três deuses?
Mas alguns fiéis, mesmo acreditando na unicidade de Deus, ainda têm dúvidas quanto a isso tendo em vista que acreditam na Santíssima Trindade, ou seja, a crença de que Jesus também é Deus, assim como o Espírito Santo.

De acordo com o professor Felipe,  acredita-se em um só Deus, mas em três pessoas: Pai, Filho e Espírito Santo. Porém, ele destacou que as três pessoas não dividem a divindade, de forma que uma não possui mais majestade que a outra, e sim são igualmente Deus.

“O Pai é inteiramente Deus, o Filho é inteiramente Deus e o Espírito Santo é inteiramente Deus. Os três possuem a plenitude da divindade e formam um só Deus. A Igreja explica assim: é uma única natureza, uma única substância, mas com três pessoas distintas. Evidentemente é um mistério que a nossa inteligência não consegue entender 100%, mas por que nós aceitamos? Porque Jesus revelou”.

Onipotência
E assim como é único, Deus é onipotente. Acreditar nisso é acreditar que Deus de fato é aquele que tudo pode. O professor exemplificou a onipotência de Deus lembrando a passagem bíblica em que o anjo conta a Maria sobre a concepção de João Batista, “porque a Deus nenhuma coisa é impossível” (Lc 1, 37).  Isso tendo em vista que Isabel já estava na velhice e era tida como estéril.

E é devido a essa onipotência de Deus, segundo explicou professor Felipe, que às vezes o homem não entende as obras divinas, de forma que as aceita pela fé. “Ele (Deus) nos revelou e nós acreditamos Nele”, disse.

Por que Deus é Pai?
Mesmo professando que Deus é Pai e se deparando com explicações que comprovam essa crença, às vezes encontra-se pessoas que não se sentem filhas de Deus, que não entendem porquê Deus é Pai.

Quanto a isso, o professor explicou que o ser humano foi criado por Deus, não há outra explicação. “Nossos pais foram cooperadores com Deus, mas ninguém pode dar a vida, só Deus, e quem dá a vida é o Pai. Então essas reflexões todas, a revelação bíblica em que nós confiamos mostra Deus como Pai”.

E como mais uma prova, professor Felipe destacou o amor de Deus por todos os seus filhos. “São João diz (Jo 3, 16) que Deus amou-nos a tal ponto que deu seu Filho único para morrer por nós na cruz para que a gente não se perdesse. Não tem amor maior do que isso. O amor de Deus é de Pai, é explícito, agora é preciso ter fé para acreditar nisso”, finalizou.

 

Crer em Jesus Cristo: verdadeiro Deus e verdadeiro homem

Padre Toninho destacou a indissociabilidade entre as naturezas divina e humana de Jesus Cristo  

Os católicos vivem o tempo do Advento, como uma preparação para o Natal. A data celebra o nascimento do Senhor Jesus Cristo, um dos mistérios da fé cristã, que tem Jesus como o Filho de Deus, o enviado pelo Pai para salvar a humanidade. Essa é uma crença que os católicos professam no Credo, oração que foi meditada em especial no Ano da Fé, como forma de entender melhor a fé católica.

Sendo uma das pessoas da Santíssima Trindade, Cristo é chamado pelos católicos como Senhor. O padre Antônio Justino Filho, padre Toninho, da Comunidade Canção Nova, explicou que isso se deve, primeiramente, ao fato de Jesus ser o Filho de Deus Pai. Além disso, Ele habitou entre os seres humanos, sendo a face do Deus que até então ninguém tinha visto.

“A pessoa do nosso Senhor Jesus Cristo é a imagem visível do Deus invisível (…) por isso ele é o Senhor, porque Ele ressuscitou, e sendo senhor Ele tem esse título de Kyrios: Senhor”.

Essa forma de se referir a Jesus tem um significado especial para os cristãos. O Youcat, recente versão do Catecismo da Igreja Católica voltada aos jovens, explica que dizer que Jesus é o Senhor implica no fato de que um cristão não deve se submeter a nenhum outro poder.  Os cristãos conhecem o poder de Jesus não somente pelas profecias que anunciavam a vinda do Filho de Deus, mas por todos os milagres realizados.

Os fiéis reconhecem em Jesus a divindade, uma vez que é Deus, e a humanidade, pois se fez homem entre os homens. Quanto a isso, padre Toninho lembrou que as naturezas divina e humana de Cristo não se sobrepõem, ou seja, nenhuma é maior que a outra. “Ele não é nem mais Deus e nem mais homem.(…) A divindade e a humanidade de Jesus não se separam, por isso que Ele é verdadeiro Deus e verdadeiro homem”.

E quando se fez homem entre os homens, Jesus chamou 12 apóstolos para seguir sua missão de difundir a Palavra de Deus na terra. Mas o chamado não parou por aí. A partir dessas 12 pessoas, a Igreja chamou outros para serem apóstolos da Igreja. Exemplo disso, segundo padre Toninho, são os bispos.

“Os bispos, são os sucessores dos apóstolos e nessa sucessão apostólica, a tradição apostólica vai sendo passada de geração a geração dentro da vida da Igreja. Então hoje, o chamado a viver uma apostolicidade, como assim nós chamamos na Igreja, é para todos os batizados, mas de modo especial para aqueles que têm um chamado especial como são os bispos”.

Mas, afinal, o que mudou no mundo a partir da vinda de Cristo? Padre Toninho lembrou que muita coisa mudou. O ponto destacado por ele foi o grande impulso evangelizador que os discípulos missionários tiveram após a vinda de Cristo, cujas palavras contidas no Evangelho exortam à pregação da Boa Nova a todas as criaturas.

“Se hoje nós temos essa presença da Igreja em vários lugares do mundo, é devido a isso: após a morte e ressurreição de Jesus, os discípulos foram impulsionados a sair em missão. Então eu vejo essa grande novidade da ressurreição de Jesus: o mundo que começou a conhecer a Palavra de Deus”.

 

Entenda a ação do Espírito Santo na vida da Igreja e do cristão

‘O Espírito Santo está em todas as atividades que fazem parte da nossa vida espiritual’, destaca o professor Felipe Aquino  

Creio no Espírito Santo, diz a oração do Credo. Mas você de fato crê no Espírito Santo? Quem é Ele? Como Ele age na vida da Igreja, na vida dos fiéis?

“Crer no Espírito Santo é crer que Deus revelou que o Espírito Santo é Deus, é a terceira pessoa da Santíssima Trindade, procede do Pai e do Filho e que é a alma da Igreja, a sua força, a sua inspiração, o seu guia e quem revelou isso foi Jesus”, explicou o professor Felipe Aquino, estudioso da doutrina católica.

Ele acrescentou o fato de que, tendo como guia o Espírito Santo, a Igreja é invencível e infalível ao ensinar a verdade da doutrina católica. “É uma questão de fé naquilo que Jesus revelou”.

E a Igreja ficou cheia do Espírito Santo no dia de Pentecostes, ocasião em que Ele desceu sobre a comunidade cristã de Jerusalém na forma de línguas de fogo. De acordo com professor Felipe, esse acontecimento marca o nascimento da Igreja como continuadora da missão, da ação, da presença de Cristo no mundo.

“O que faz com que Cristo esteja presente no mundo é a ação do Espírito Santo. Quando por exemplo a Igreja batiza, é Cristo que batiza através da Igreja no poder do Espírito Santo e assim todos os Sacramentos. Então o Espírito Santo torna o Cristo presente hoje na Igreja como um braço prolongado do Cristo na história dos homens”, disse.

Ação do Espírito Santo
Conforme lembrado por professor Felipe, o Espírito Santo age na vida da Igreja tornando presente o próprio Cristo. Na vida de cada fiel em particular, Ele é o santificador.

Retomando o exemplo do Batismo, professor Felipe explicou que, a partir deste sacramento, a criança recebe os chamados dons infusos: sabedoria, ciência, inteligência, conselho, fortaleza, piedade e temor de Deus. “Estes são os dons que vão desenvolver a fé na criança, que preparam para a vida de cristão”, destacou.

Mas a ação do Espírito Santo não se resume a este sacramento inicial da vida cristã. O professor lembrou que, ao atingir a adolescência, período em que o jovem começa a enfrentar o mundo e principalmente o pecado, o adolescente precisa ter a força sacramental do Espírito Santo, então recebe o sacramento da Crisma, que é a confirmação do Batismo.

“O Espírito Santo age assim, no Batismo, na Crisma. Depois, em cada Sacramento que a gente recebe Ele age, na oração Ele age, na Palavra de Deus Ele age, na doutrina da Igreja Ele age. Então o Espírito Santo está em todas as atividades que fazem parte da nossa vida espiritual, para a nossa santificação”, finalizou.

 

Por que os fiéis acreditam na Igreja?

Padre Toninho destacou a importância dos fiéis se empenharem no conhecimento da fé católica, no Ano da Fé  

Com quem os fiéis católicos aprendem sobre a doutrina de sua religião? A Igreja, em sua missão de continuar a transmitir o Evangelho a toda a criatura, é quem ensina os cristãos a viverem na fé. Instituição fundada pelo próprio Cristo, a Igreja tem, inclusive, seu próprio Catecismo, a fim de difundir o conhecimento sobre a fé católica.

Nesta última reportagem da série especial sobre a oração do Credo, na qual os fiéis também professam sua fé na Igreja, padre Antônio Justino Filho, o padre Toninho da Comunidade Canção Nova, afirmou que, resumidamente falando, Deus quer a Igreja para que ela seja sinal da Sua presença no mundo. Ele destacou que ela não é um fim, mas é um meio através do qual as pessoas se encontram com Deus.

E é também por esse seu aspecto que a Igreja é mais que uma instituição. “A Igreja tem a missão de dar continuidade à obra redentora do Nosso Senhor Jesus Cristo. Então desde o Papa até os fiéis cristãos, todos são chamados a serem essas verdadeiras testemunhas do Nosso Senhor Jesus Cristo onde se encontram”, disse o sacerdote.

Mas muitos ainda podem se perguntar porquê a Igreja, sendo mais que uma instituição, não é democrática. A autoridade máxima para os católicos na terra é o Papa, e este não é escolhido por voto popular, bem como acontece com a nomeação dos bispos, por exemplo.   Padre Toninho explicou que o Espírito Santo está presente na pessoa do Papa e o que o Papa diz é o próprio Jesus que está dizendo. “Por isso que aquilo que o Papa diz é para toda a Igreja. Se cada um fosse querer dar a sua opinião, a coisa não caminharia. Então o Papa tem essa missão de ser essa ponte, por isso é chamado Pontífice, entre a terra e o céu. E essa autoridade dada ao Papa é reconhecida por toda a Igreja”.

Ser una, santa, católica a apostólica, segundo explica o professor, é uma marca da Igreja para que ela não seja confundida com outra instituição  

Igreja: una, santa, católica e apostólica 
A crença dos católicos na Igreja se pauta basicamente pelo reconhecimento de quatro de seus aspectos: ela é una, santa, católica e apostólica. Autor de vários livros sobre a doutrina católica, o professor Felipe Aquino explicou que estes aspectos constituem a identidade da Igreja, para que ela não seja misturada com outra instituição que não é a Igreja do Senhor Jesus Cristo.

Ele fez uma associação com o documento de identidade de cada pessoa, que possui quatro características que não permitem confundi-la com ninguém: o nome, o número de RG, a foto e a assinatura.

“Una quer dizer que ela é unida, porque o Espírito Santo é que faz essa unidade do corpo místico. E ela é única. Jesus diz: sobre ti, Pedro, edificarei A minha Igreja e não AS, no plural”.

Quanto ao fato dela ser santa, o professor explicou que este é um dogma de fé. Na carta de São Paulo aos Efésios (Ef 5, 25), ele lembrou que São Paulo deixa claro que Cristo santificou a Igreja pelo seu sangue. “Então a Igreja é santa; os pecados não são da Igreja, são dos filhos da Igreja (…) a Igreja como instituição cuja alma é o Espírito Santo e cuja cabeça é Cristo não tem pecado”.

Além de una e santa, a Igreja é católica, que quer dizer universal, foi enviada para evangelizar o mundo inteiro. “Mas não é universal só em termos geográficos, é também em termos teológicos, doutrinários, o que quer dizer que ela detém a plenitude dos meios de salvação”.

Já o “apostólica”, segundo explicou o professor, faz referência aos apóstolos, que são as “colunas” da Igreja. “A lógica da salvação é essa: o Pai enviou o Filho, o Filho enviou a Igreja que é estruturada nos apóstolos”.

Como entender e aumentar a fé na Igreja?  
No Ano da Fé, o Papa emérito Bento XVI propôs uma redescoberta da fé, de forma que os fiéis saibam entender mais e melhor a fé que professam.  Padre Toninho lembrou que o Santo Padre pediu o estudo da Palavra e também do Catecismo da Igreja Católica que, na visão dele, é o livro de cabeceira de cada cristão não somente no Ano da Fé, mas ao longo de toda a vida cristã. Isso porque o catecismo contém a centralidade de tudo o que a Igreja ensina.

“Ninguém ama aquilo que não conhece, por isso que é preciso que os católicos se empenhem neste conhecimento. Então, ler, estudar, e não só isso, mas rezar com o Catecismo da Igreja Católica, porque as verdades de fé estão contidas todas nele”, concluiu.

Por que não devo usar roupas curtas dentro da igreja?

Por Padre Luiz Camilo Junior, C.Ss.R.
http://www.a12.com/redacaoa12/duvidas-religiosas/por-que-nao-devo-usar-roupas-curtas-dentro-da-igreja

Sabemos que a vida não se reduz a aparências. Porém devemos cuidar com muito carinho da nossa imagem, não no sentido de vaidade ou orgulho, mas porque fomos criados a imagem e semelhança de Deus. A imagem que mostramos de nós mesmos deve revelar Deus para os outros.
Todos os ambientes sociais tem uma forma específica de se comportar e se vestir. Numa audiência de um tribunal, por exemplo, os advogados e magistrados usam roupas apropriadas para tal ocasião e a roupa acaba revelando a seriedade e o respeito daquele momento em que se busca a verdade sobre determinado fato. Em hospitais, empresas, há uma forma de se vestir que revela o valor do lugar que se trabalha e a importância do que ali se faz. E na igreja não poderia ser diferente.
Na igreja a dignidade da roupa não está no luxo que esta exprime, mas sim na dignidade da pessoa que ela revela, pois o corpo é templo do Espírito Santo. Não é a roupa que tem que aparecer, no sentido de você se destacar dos outros porque se veste melhor, ou usa uma roupa de marca, mas, a dignidade das vestes está justamente para mostrar quem você é: Você é filho e filha de Deus.
Hoje, infelizmente, tem se relativizado a dignidade dos lugares sagrados. Acabamos nos comportando dentro das igrejas como se estivéssemos numa praça, numa lanchonete ou até mesmo num lugar de lazer. Talvez sobre o pretexto de se sentir confortável, vamos justificando cada vez mais a falta de pudor e até de respeito para com a Casa do Senhor. A casa de Deus é casa de oração, e por mais que a oração seja fundamentalmente a atitude do coração, nós rezamos também na forma como nosso corpo se apresenta, pois nosso corpo também se faz oração.
Observamos em muitas igrejas pessoas usando minissaias, blusas muito decotadas, shorts muito curtos. Talvez muitos digam: Ah! Tá muito calor mesmo, não quero suar. Mas olhemos os sacerdotes que usam as vestes próprias para o serviço do altar, os leitores, ministros extraordinários da Sagrada Comunhão, todos se revestem para revelar o mistério sagrado que está sendo celebrado. Por isso, cada fiel que vai à casa de Deus deve também se revestir da dignidade daquele momento. Roupas muito curtas que expõem demais o corpo, podem acabar atraindo a atenção dos outros para si, sendo que na missa o nosso olhar, nosso pensamento e nosso coração devem estar voltados para o altar. Na oração todos os nossos gestos devem revelar Jesus.
A dignidade das vestes que usamos para ir celebrar a fé na Casa de Deus está acima de tudo na simplicidade e no modo de se vestir. Ao mesmo tempo em que se deve evitar roupas curtas, não se deve fazer também da igreja um lugar de desfile de modas, onde a preocupação está mais com a aparência do que com a verdade de fé que o coração carrega.
Busquemos, então, o equilíbrio, a sobriedade, a discrição e, acima de tudo, o bom senso quando se refere às vestes para ir à igreja. Vale relembrar que no dia do nosso Batismo nós nos revestimos de Cristo, por isso, a humildade e a dignidade devem também ser expressar nas roupas que usamos para que elas sejam sinais de que buscamos a santidade de vida.

Desenvolvido por Origy Networks – Criação de sites e propaganda