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Papa: O Senhor nos dá a paz, mas devemos pedir ‘livrai-nos do mal’

Quarta-feira, 15 de maio de 2019, Da redação, com Vatican News
https://noticias.cancaonova.com/especiais/pontificado/francisco/papa-o-senhor-nos-da-paz-mas-devemos-pedir-livrai-nos-mal/

Francisco deu continuidade nesta quarta-feira, 15, ao seu ciclo de catequeses sobre a oração do Pai Nosso

Papa Francisco durante a Audiência Geral desta quarta-feira, 15/ Foto: Vatican Media

“Do perdão de Jesus na Cruz brota a paz, a verdadeira paz vem de lá (…). O Senhor nos dá a paz, nos dá o perdão, mas nós devemos pedir ‘livrai-nos do mal’, para não cair no mal. Esta é a nossa esperança”. Foi o que afirmou o Papa Francisco nesta quarta-feira, 15, diante dos milhares de fiéis presentes na Praça São Pedro para a Audiência Geral. O Santo Padre deu continuidade ao ciclo de catequeses sobre a oração do Pai Nosso, e falou sobre a expressão “Livrai-nos do mal!”.

A expressão tema da reflexão da Audiência Geral desta quarta-feira, 15, é usada pelos fiéis, segundo o Pontífice, não somente para pedirem para não serem abandonados no tempo da tentação, mas também como súplica para serem libertados do mal. “O verbo grego original é muito forte: evoca a presença do maligno que nos rodeia e quer nos devorar (cf 1 Pe 5, 8) e do qual pedimos a Deus a liberação”, completou.

Jesus ensina aos seus amigos, de acordo com o Santo Padre, a colocarem a invocação do Pai antes de tudo, até mesmo e especialmente nas vezes em que o maligno se faz presença ameaçadora. “A oração cristã é uma oração filial e não uma oração infantil (…). Se não existissem as últimas palavras do ‘Pai Nosso’, como os pecadores, os perseguidos, os desesperados, os moribundos poderiam rezar?”, questionou Francisco, que explicou:

“Há um mal em nossa vida, que é uma presença indiscutível. Os livros de história são o desolador catálogo de quanto a nossa existência neste mundo tem sido uma aventura muitas vezes fracassada. Há um mal misterioso, que certamente não é obra de Deus – sim, não é obra de Deus –, mas penetra silencioso entre as páginas da história. Silencioso como a serpente que carrega o veneno silenciosamente. (…) Em alguns momentos parece até mesmo assumir o controle: em certos dias, sua presença parece até mesmo mais nítida do que aquela da misericórdia de Deus. Nos momentos do desespero é mais nítida”, enfatizou o Pontífice.

Francisco alertou que a pessoa que reza não é cega, e vê com clareza diante de seus olhos o mal que é tão presente na sociedade e tão contraditório ao mistério próprio de Deus. “Não há ninguém entre nós que possa dizer estar isento do mal, ou de não ser ao menos tentado. Todos nós sabemos o que é o mal, todos nós sabemos o que é a tentação, todos nós experimentamos na própria carne a tentação, de qualquer pecado. Mas o tentador que nos sugere – faz isto, pensa isto, vai por aquele caminho – nos leva ao mal”, completou.

O último grito do “Pai Nosso” é lançado, segundo o Pontífice, contra este mal que ele caracterizou por “abas largas” e que abarca as mais diversas experiências: o luto do homem, a dor inocente, a escravidão, a instrumentalização do outro, o choro de crianças inocentes. “Todos esses eventos clamam no coração do homem e tornam-se voz na última palavra da oração de Jesus”, observou. O Papa relembra que precisamente na narrativa da Paixão, algumas expressões do “Pai Nosso” encontram seu eco: “Abbà! Pai! Tudo é possível para ti. Afasta de mim este cálice! Contudo não seja o que eu quero, mas o que tu queres”.

“Jesus experimentou plenamente o ferimento do mal. Não somente a morte, mas a morte na Cruz. Não somente a solidão, mas também o desprezo, a humilhação. Não somente a aversão, mas também crueldade, a hostilidade contra ele. Eis o que é o homem: um ser devotado à vida, que sonha o amor e o bem, mas que depois continuamente expõe a si mesmo e seus semelhantes ao mal, a ponto de sermos tentados a nos desesperarmos com o homem”, sublinhou Francisco.

Para o Santo Padre, o cristão sabe quão subjugador é o poder do mal e, ao mesmo tempo, experimenta o quanto Jesus está ao seu lado e vem ao seu auxílio. “Assim, a oração de Jesus nos deixa a mais preciosa das heranças: a presença do Filho de Deus que nos libertou do mal, lutando para convertê-lo. Na hora do combate final, intima a Pedro para embainhar a espada, ao ladrão arrependido assegura o Paraíso, a todos os homens ao seu redor, inconscientes da tragédia que estava ocorrendo, oferece uma palavra de paz: ‘Pai, perdoai-os, porque não sabem o que fazem’”, frisou.

Papa convida crianças refugiadas para andar no papamóvel

O Santo Padre, na passagem entre os fiéis antes da catequese, fez com que 8 crianças chegadas da Líbia subissem no papamóvel. As crianças, de diferentes nacionalidades – incluindo a Síria, Nigéria e Congo – estão atualmente hospedadas com suas famílias no Centro “Mondo Migliore” de Rocca di Papa, assistidas pela Cooperativa “Auxilium”.

 

CATEQUESE DO PAPA FRANCISCO
Praça São Pedro – Vaticano
Quarta-feira, 15 de maio de 2019
Boletim da Santa Sé / Tradução: Cristiane Aparecida Monteiro (Canção Nova)

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Eis que chegamos no último pedido do “Pai Nosso”: «Mas livrai-nos do mal» (Mt 6.13b)

Com esta expressão, quem reza pede não somente de não ser abandonado no tempo da tentação, mas suplica também de ser livre do mal. O verbo grego original é muito forte: fala da presença do maligno que tende a nos aferrar e a morder (1 Pd, 5,8) e do qual se pede a Deus a libertação.

O apóstolo Pedro diz que o maligno, o diabo, está ao redor de nós como um leão furioso para nos devorar e nós pedimos a Deus para nos livrar.

Com esta dupla súplica: “Não nos deixeis” e “livra-nos”, se ergue uma característica essencial da oração cristã. Jesus ensina aos seus amigos a colocar a invocação do Pai diante de tudo, também e especialmente nos momentos no qual o maligno faz sentir a sua presença aterrorizante.

De fato, a oração cristã não fecha os olhos sobre a vida. É uma oração filial e não uma prece infantil. Não é de nenhuma forma apaixonada pela paternidade de Deus, a ponto de esquecer que o caminho do homem é repleto de dificuldades. Se não existisse os últimos versos do “Pai Nosso” como poderiam rezar os pecadores, os perseguidos, os desesperados, os moribundos? O último pedido é de fato um pedido no momento que estaremos no limite, sempre.

Existe um mal na nossa vida que é uma presença incontestável. Os livros de história são um catálogo sombrio de como nossa existência neste mundo tem sido muitas vezes uma aventura oscilante. Há um mal misterioso que certamente não é obra de Deus, mas penetra silenciosamente nos vincos da história. Silencioso como a serpente que carrega o veneno, silenciosamente.

Às vezes, ele parece assumir o controle: em alguns dias, sua presença parece ainda mais prepotente do que a da misericórdia de Deus, no momento de desespero é ainda mais claro.

Aquele que reza não é cego, e vê nitidamente diante dos seus olhos este mal tão incômodo e, portanto, em contradição com o próprio mistério de Deus, ele o vê na natureza, na história, mesmo em seu próprio coração. Porque não há ninguém entre nós que possa dizer que está isento do mal, ou pelo menos de ser tentado.

“Todos nós sabemos o que é mal, todos nós sabemos o que é a tentação. Todos nós temos experimentado na própria carne a tentação, de qualquer pecado. Mas é o tentador que nos move e nos impulsiona ao mal, nos dizendo: “faça isso, pense isso, vá por esse caminho”.

O último grito do “Pai Nosso” é lançado contra este mal “de amplas abas”, que encerra sob a sua sombra as mais diversas experiências: o luto do homem, a dor inocente, a escravidão, a exploração do outro, o choro de crianças inocentes. Todos esses eventos protestam no coração do homem e se tornam vozes na última palavra da oração de Jesus.

É precisamente nos relatos da Paixão que algumas expressões do “Pai Nosso” encontram o seu mais marcante eco: diz Jesus “Abbá! Pai! Tudo te é possível; afasta de mim este cálice! Contudo, não se faça o que eu quero, senão o que tu queres” (Mc 14,36). Jesus experimenta plenamente a penetração do mal. Não apenas a morte, mas a morte na cruz. Não só solidão, mas também desprezo, humilhação. Não só malícia, mas também crueldade. A violência contra ele. Eis o que o homem é: ser devotado à vida, que sonha com amor e bem, mas que continuamente expõe a si mesmo e seus semelhantes ao mal, a ponto de sermos tentados a desistir do homem.

Queridos irmãos e irmãs, assim o “Pai Nosso” se assemelha a uma sinfonia que pede para ser cumprida em cada um de nós. O cristão sabe quão esmagador é o poder do mal, mas ao mesmo tempo faz a experiência de quanto Jesus, que jamais cedeu às suas maquinações, está do nosso lado e vem em nosso auxílio.

Assim, a oração de Jesus nos deixa as mais preciosas heranças: a presença do Filho de Deus que nos libertou do mal, lutando para convertê-lo. Na hora da sua luta final, pede a Pedro para colocar a espada de volta em sua bainha, para o ladrão arrependido assegura o céu, para todos os homens ao seu redor, inconsciente da tragédia que estava ocorrendo, oferece uma palavra de paz: “Pai, perdoa porque não sabem o que fazem “(Lc 23,34).

Do perdão de Jesus na cruz vem a paz, o verdadeiro dom da paz vem do Ressuscitado, dom que Jesus nos dá. A primeira saudação do Jesus ressuscitado é: “A paz esteja convosco”. Paz para as suas almas, para os seus corações, para a sua vida. O Senhor nos dá paz, nos dá perdão. Mas, nós pedimos a libertação do mal para não cair no mal. Essa é nossa esperança! A força que nos dá Jesus ressuscitado, no meio de nós. Essa força que nos dá para seguir em frente e promete nos libertar do mal. Obrigado!

O Perigo do Escândalo

É mais grave quando cometido por quem deve educar e ensinar
Felipe Aquino / [email protected]

O Catecismo da Igreja Católica (CIC) diz que o escândalo é uma falta grave contra o Quinto Mandamento: “Não matar”. Ele consiste no mau comportamento de alguém que leva o outro a praticar o mal. Aquele que escandaliza se torna como que o tentador do outro. Atenta contra a virtude e a retidão; pode arrastar seu irmão à morte espiritual, daí a sua gravidade.
“O escândalo constitui uma falta grave se, por ação ou omissão, conduzir deliberadamente o outro a uma falta grave” (CIC § 2284).
O escândalo é mais grave conforme a autoridade da pessoa que o provoca; ou da fraqueza dos que o sofrem. É mais grave quando é cometido por quem deve educar ou ensinar. É muito grave o escândalo de um pai diante de seus filhos, de um chefe diante dos subordinados, de um religioso diante dos fiéis. Aquele que deve ser exemplo e modelo de vida não pode dar mau exemplo porque é um escândalo para os que estão em formação.
Jesus disse: “Caso alguém escandalize um destes pequeninos, melhor será que lhe pendurem ao pescoço uma pesada mó e seja precipitado nas profundezas do mar” (Mt 18, 6).
Hoje vemos, por exemplo, o nosso Brasil mergulhado num mar de corrupção, que devora os recursos do povo; exatamente por parte das autoridades constituídas. É um escândalo, um péssimo exemplo para os jovens. Diante disso muitos são desestimulados a ser cidadãos honestos. O escândalo de quem exerce autoridade decepciona o povo. Pior ainda quando a impunidade campeia na sociedade e a justiça não atua punindo os que cometem crimes. Os que compram os magistrados, os que corrompem os parlamentares e os que subornam as chefias causam grandes escândalos aos jovens.
São Paulo deu o exemplo de um escândalo no seu tempo: “Se alguém te vir, a ti que és instruído, sentado à mesa no templo dos ídolos, não se sentirá, por fraqueza de consciência, também autorizado a comer do sacrifício aos ídolos? E assim por tua ciência vai se perder quem é fraco, um irmão, pelo qual Cristo morreu! Assim, pecando vós contra os irmãos e ferindo sua débil consciência, pecais contra Cristo. Pelo que, se a comida serve de ocasião de queda a meu irmão, jamais comerei carne, a fim de que eu não me torne ocasião de queda para o meu irmão” (1Cor 8, 10-13).
Há escândalo, por exemplo, quando os chefes de empresas fazem regulamentos que incitam à fraude, ao suborno, à tapeação dos clientes; quando professores “exasperam” nas provas submetendo os alunos a exames exigentes demais; quando não lhes ensinam bem a matéria. Também é escândalo grave quando aqueles que manipulam a opinião pública a afastam dos valores morais (cf. CIC § 2286).
Papa Pio XII falou claro sobre esse assunto:
“O escândalo pode ser provocado pela lei ou pelas instituições, pela moda ou pela opinião. Tornam-se, portanto, culpados de escândalo aqueles que instituem leis ou estruturas sociais que levam à degradação dos costumes e à corrupção da vida religiosa ou a “condições sociais que, voluntariamente ou não, tornam difícil e praticamente impossível uma conduta cristã conforme aos mandamentos” (Pio XII, discurso de 1º de junho de 1941).
É escândalo grave as leis contra a lei de Deus, como a legalização do aborto, da eutanásia, do suicídio assistido, do casamento de pessoas do mesmo sexo, da manipulação científica de embriões humanos, entre outros.
Da mesma forma é escândalo grave uma moda acintosa que põe à mostra e exibição o corpo feminino, templo sagrado do Espírito Santo, provocando tentação e pecado aos homens. É escândalo grave uma opinião de uma autoridade contra a moral e os bons costumes.
Assim como é escândalo grave o cristão que dá contratestemunho de sua fé e procede sem caridade, sem fé, sem esperança, sem observar as leis de Deus. É escândalo grave quando um leigo ou religioso, pior ainda, se comporta mal, deixando-se levar pela ganância, orgulho, arrogância, prepotência, inveja, preguiça, gula, fornicação ou pedofilia.
O famoso arcebispo americano Fulton Sheen afirmou certa vez que: “Talvez não haja nos Estados Unidos uma centena de pessoas que odeiem a Igreja Católica, mas há milhões de pessoas que odeiam o que erroneamente supõem o que seja a Igreja Católica”.
Por que hoje muitos odeiam a Igreja? Por que há uma verdadeira eclesiofobia no meio universitário, sendo que a Igreja tanto bem fez e faz para a humanidade? Foi ela quem salvou a Civilização Ocidental da destruição dos bárbaros; foi ela quem moldou os valores humanos mais nobres que temos, foi ela quem cristianizou o mundo. Foi ela quem fundou o Direito, criou as universidades, desenvolveu a arte, a música, a tecnologia medieval. Foi ela a maior agente da caridade no mundo em todos os tempos…
Então, por que essa ojeriza à Igreja? A resposta é esta: os escândalos de muitos dos seus filhos. A maioria das pessoas que não gostam da Igreja, e a atacam, é porque se decepcionaram com o comportamento errado de algum católico, no passado ou no presente. Junta-se a isso uma história mal contada do passado da Instituição criada por Cristo por parte daqueles que a odeiam.

Onomástico Papa Francisco: “É São Jorge moderno”

Monsenhor Karcher segurou o microfone na noite da eleição do cardeal Bergoglio – ANSA
23/04/2015

Cidade do Vaticano (RV) – A Igreja recorda nesta terça-feira (23/04), São Jorge e celebra, portanto, o onomástico de Jorge Mario Bergoglio, Papa Francisco.

A Rádio Vaticano entrevistou o sacerdote argentino Mons. Guillermo Karcher, membro do cerimonial pontifício e um dos colaboradores mais estreitos do Papa, que o conhece há mais de vinte anos.

Mons. Karcher: “Pensar hoje, neste onosmástico, no Santo do Papa, sendo o seu nome de Batismo Jorge, é bonito, porque quando penso nele e o vejo agir, posso dizer que é um ‘São Jorge moderno’, no sentido que é um grande lutador contra as forças do mal e o faz com um espírito realmente cristão. Nele vejo Cristo que semeia o bem, para combater o mal. Nisso ele é um exemplo, pois o fazia já em Buenos Aires e continua fazendo agora com aquela simplicidade que o caracteriza, que é tão forte, tão importante neste momento do mundo em que é necessária a presença do bem.”

Na Argentina, como cardeal, Francisco se apresentava como padre, como Pe. Jorge. Agora que é Papa, é forte esta dimensão da paternidade sacerdotal?

Mons. Karcher: “Sim, é verdade, mesmo porque ele é um jesuíta, é um padre e continua sendo. Me comove sempre todas às quartas-feiras, quando chegam os argentinos e muitos chamam o Papa Francisco de Padre, Pe. Jorge, Jorge. Realmente se nota a familiaridade, essa amizade que ele semeou durante anos em Buenos Aires, quando caminhava pelas estradas da cidade e ia visitar os lugares mais pobres da periferia da capital argentina. Eles continuam sentido ele próximo e o Papa se alegra e retribui com um sorriso, com um abraço, com um olhar paterno esta saudação que sai do coração das pessoas.”

Francisco tem um grande afeto e imensa popularidade, mas obviamente não faltam as críticas também do mundo católico. O senhor já viu o Papa triste por causa disso?

Mons. Karcher: “Não. São poucas as vezes que alguém faz um comentário assim. Ele sorri e diz: ‘Tudo bem. É melhor, pois assim conhecemos as pessoas’. Ele tem essa liberdade de espírito e essa força interior. Eu penso que seja um ungido pelo Espírito. Leva adiante o ministério confiado a ele pela Igreja para o bem da Igreja e do mundo, e o faz com serenidade e certeza de ânimo.”

O mundo é atraído pela espontaneidade de Francisco, mas no íntimo o Santo Padre é um homem de grande intensidade espiritual, imerso na oração. O senhor pode nos dizer alguma coisa sobre isso?

Mons. Karcher: “Sim, é uma pessoa que modelou, digo isso e reitero sempre, uma forte espiritualidade, porque é um homem de oração, um homem de Deus. Todos os dias ele dedica duas horas, pela manhã quando se levanta, à oração e reflexão. Depois vejo, como membro do cerimonial pontifício, a diferença que existe entre a sacristia antes e depois e a missa antes e depois. Explico melhor: ele é uma pessoa que gosta de cumprimentar todos os seminaristas, os ministrantes, e o faz, como o vemos na Praça São Pedro, com muito afeto. Depois que veste os paramentos litúrgicos, ele muda: vemos ele entrar na basílica ou se dirigir ao altar na praça como um homem de oração, homem concentrado no que está para celebrar, o mistério eucarístico. O mesmo acontece quando sai da nave central da basílica, quando todos chamam por ele: Francisco! Viva! Queremos bem a você! Ele, porém, vai em direção à sacristia. Isso é um exemplo também para o sacerdote, no sentido que nós estamos com o povo, mas quando devemos estar com Deus, estamos com Deus.”

Essas palavras são parecidas com as que o Cardeal Dziwisz disse como secretário de João Paulo II…

Mons. Karcher: “Sim. Posso dar testemunho também de João Paulo II, tendo sido membro ajudante do cerimonial pontifício, naquele tempo. Eles têm em comum essa presença de Deus, que se torna forte no momento oportuno.”

O senhor estava junto ao Papa Francisco na noite da eleição, segurava o microfone no qual Francisco falou pela primeira vez Urbi et Orbi. O que deseja ao seu bispo na festa de seu onomástico?

Mons. Karcher: “Que continue sendo si mesmo, com a sua coerência e transparência. Que continue assim, porque está fazendo tanto bem. Desejo que São Jorge o proteja e que ele continue lutando para o bem, semeando o bem como está fazendo agora.” (MJ)

Cuidado com as penitências absurdas na Quaresma

Compreensão

É preciso ter bastante cuidado com as penitências absurdas na Quaresma

Quaresma é tempo de lutar contra nossos pecados, pois ele é a pior realidade para nós. O Catecismo diz: “Aos olhos da fé, nenhum mal é mais grave que o pecado, e nada tem consequências piores para os próprios pecadores, para a Igreja e para o mundo inteiro” (n. 1489).

Olhando para Jesus, desfigurado e destruído na cruz, entendemos o horror que é o pecado. Foi preciso a morte de Cristo para que nos livrássemos do pecado e da morte eterna, a separação da alma de Deus. Então, a Igreja nos propõe 40 dias de penitência, de resistência contra o pecado na Quaresma.

Essa prática é baseada na vida do povo de Deus. Durante 40 dias e 40 noites, caiu o dilúvio que inundou a terra e extinguiu a humanidade pecadora (cf. Gn. 7,12). Durante 40 anos, o povo escolhido vagou pelo deserto, em punição por sua ingratidão, antes de entrar na terra prometida (cf. Dt 8,2). Durante 40 dias, Ezequiel ficou deitado sobre o próprio lado direito, em representação do castigo de Deus iminente sobre a cidade de Jerusalém (cf. Ez 4,6). Moisés jejuou durante 40 dias no Monte Sinai antes de receber a revelação de Deus (cf. Ex 24, 12-17). Elias viajou durante 40 dias pelo deserto, para escapar da vingança da rainha idólatra Jezabel e ser consolado e instruído pelo Senhor (cf. 1 Reis 19,1-8). O próprio Jesus, após ter recebido o batismo no Jordão, e antes de começar a vida pública, passou 40 dias e 40 noites no deserto, rezando e jejuando (cf. Mt 4,2). É um tempo de luta contra o mal.

São Paulo nos oferece uma indicação precisa: “Nós vos exortamos a que não recebais em vão a sua graça”. Porque Ele diz: “No tempo favorável, eu te ouvi; no dia da salvação, vim em teu auxílio’’. Este é o “tempo favorável”, este é “o dia da salvação” (2 Cor 6,1-2). A liturgia da Igreja aplica essas palavras de modo particular ao tempo da Quaresma. “Convertei-vos e crede no Evangelho” e “Lembra-te de que és pó e ao pó hás de voltar”.

Convite à conversão

O primeiro convite é à conversão, é um alerta contra a superficialidade de nossa maneira de viver. Converter-se significa mudar de direção no caminho da vida: uma verdadeira e total inversão de rumo. Conversão é ir contra a corrente, contra a vida superficial, incoerente e ilusória, que frequentemente nos arrasta, domina e torna-nos escravos do mal ou pelo menos prisioneiros dele. Jesus Cristo é a meta final e o sentido profundo da conversão; Ele é o caminho ao qual somos chamados a percorrer, deixando-nos iluminar pela sua luz e sustentar pela sua força. A conversão é uma decisão de fé, que nos envolve inteiramente na comunhão íntima com a pessoa viva e concreta de Jesus. A conversão é o ‘sim’ total de quem entrega sua vida a Jesus pela vivência do Evangelho. “Cumpriu-se o tempo e o Reino de Deus está próximo. Arrependei-vos e crede no Evangelho” (Mc 1,15).

Penitência não é para fazer mal

Para vencermos a nós mesmos, nossas fraquezas e paixões desordenadas, a Igreja recomenda, sobretudo na Quaresma, o jejum, a esmola e a oração como “remédios contra o pecado”, a fim de dominar as fraquezas da carne e aproximar-se de Deus. Portanto, não se deve fazer uma penitência exagerada, uma mortificação que leve a pessoa a ficar doente ou a se sentir mal. O jejum exige, sim, passar um pouco de fome durante o dia, mas sem causar mal à pessoa, sem tirar a sua condição de trabalhar, rezar etc.

Saber calar pode ser uma boa penitência

Há formas boas de mortificação, como cortarmos aquilo que nos agrada, seja para o corpo ou para o espírito, mas há pessoas que fazem excessos: peregrinações longas demais, penitências até com feridas, prejudicando a saúde. Deus não quer isso, Ele não nos pede o impossível.

Qual mortificação eu preciso fazer? É aquela que abate o meu pecado. Se eu sou soberbo, então minha penitência deve ser o exercício de humildade: vencer todo orgulho, ostentação, vaidade, exibicionismo, desejo de aparecer, de impor-se aos outros e saber calar.

Se seu pecado é o apego aos bens materiais e ao dinheiro, então eu preciso exercitar muito a boa e farta esmola, o desprendimento do mundo e das criaturas. Se meu mal é a luxúria e a impureza, então vou exercitar a castidade nos olhos, ouvidos, leituras, pensamentos e atos. Se sou irado, vou conquistar a mansidão; se sou invejoso, vou buscar a bondade; se sou preguiçoso, vou trabalhar melhor e ser diligente em servir aos outros sem interesses.

Perdoar pode ser mais importante

São Francisco de Sales, doutor da Igreja, dizia que a melhor penitência é aceitar, com resignação, os males que Deus permite que nos atinjam, porque Ele sabe do que precisamos, e assim nossos pecados são vencidos. A penitência que Deus nos manda é melhor do que aquela imposta por nós mesmos. Então, aceite, especialmente na Quaresma, sem reclamar, sem culpar ninguém, todos os males, dores, aborrecimentos e injurias que sofrer, e ofereça tudo a Deus pela sua conversão. Pode ser que dar o perdão a quem lhe ofendeu seja mais importante do que ficar 40 dias sem fazer isso ou aquilo. Uma visita a um doente, a um preso, o consolo de alguém aflito pode ser mais importante que uma peregrinação demorada. Tudo é importante, mas é preciso observar o mais importante para a realidade espiritual.

Professor Felipe Aquino é viuvo, pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova. Página do professor: www.cleofas.com.br Twitter: @pfelipeaquino

Os males causados pelas inimizades

Segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017, Da Redação, com Rádio Vaticano

Na missa celebrada nesta segunda-feira, Francisco explicou que a dor é cristã, mas o ressentimento não

O Papa Francisco iniciou a semana celebrando a missa na capela da Casa Santa Marta nesta segunda-feira, 13.

A primeira Leitura, extraída do Livro do Gênesis, que fala de Caim e Abel, esteve no centro da homilia de Francisco.

O Papa explicou que pela primeira vez na Bíblia se diz a palavra irmão. É a história de uma fraternidade que devia crescer, ser bela e acaba destruída. Uma história que começa com um pouco de ciúme: Caim fica irritado porque o seu sacrifício não é apreciado por Deus e começa a cultivar aquele sentimento dentro de si. Poderia controlá-lo, mas não o faz.

“E Caim preferiu o instinto, preferiu cozinhar dentro de si este sentimento, aumentá-lo, deixá-lo crescer. Este pecado que cometerá depois, que está oculto atrás do sentimento. E cresce. Cresce. Assim crescem as inimizades entre nós: começam com uma pequena coisa, um ciúme, uma inveja e depois cresce e nós vemos a vida somente daquele ponto e aquele cisco se torna para nós uma trave, mas a trave nós que temos, está lá. E a nossa vida gira em volta daquilo e destrói o elo de fraternidade, destrói a fraternidade”.

Francisco destacou que aos poucos a pessoa fica obcecada por aquele mal, que cresce sempre mais, e que assim cresce também a inimizade, de maneira que o outro já não é visto mais como um irmão, mas como um inimigo. Assim se destroem as pessoas, famílias, povos e tudo!

“Aquele corroer o fígado, sempre obcecado com aquilo. Isso aconteceu com Caim, e no final acabou com o irmão. Não: não há irmão. Somente eu. Não há fraternidade. Somente eu. Isso que aconteceu no início acontece a todos nós, a possibilidade; mas este processo deve ser detido imediatamente, no início, na primeira amargura, detido. A amargura não é cristã. A dor sim, a amargura não. O ressentimento não é cristão. A dor sim, o ressentimento não. Quantas inimizades, quantas rupturas”.

Inimizades

Alguns novos párocos concelebraram com o Papa. Francisco chamou atenção também para a inimizade entre os padres, nos presbitérios, nos colégios episcopais.

“Quantas rupturas começam assim! ‘Mas por que deram a sede a ele e não a mim? E por que isso?’ E … pequenas coisinhas… rupturas… Destrói-se a fraternidade”.

O Papa recorda o trecho em que Deus pergunta “Abel, onde está teu irmão?” e destaca que a resposta de Caim é irônica: “Não sei: Acaso sou o guarda do meu irmão?”, e então Deus responde: “Sim, és tu o guarda do teu irmão.”

O Papa afirmou que cada um de nós pode dizer que jamais matou alguém, mas que se tivermos um sentimento ruim por um irmão, o matamos, se o insultamos, o matamos em nosso coração.

“E quantos poderosos da Terra podem dizer isto: ‘Tenho interesse por este território, tenho interesse por aquele pedaço de terra, por aquele outro, se a bomba cair e matar 200 crianças não é culpa minha, é culpa da bomba. Tenho interesse naquele território…’. E tudo começa com aquele sentimento que o leva a se distanciar, a dizer ao outro: ‘Este é fulano, ele é assim, mas não irmão’, e acaba na guerra que mata. Mas você matou no início. Este é o processo do sangue, e o sangue hoje de tantas pessoas no mundo clama a Deus da terra. Mas está tudo ligado, eh? Aquele sangue lá tem uma relação, talvez uma pequena gota de sangue, que com a minha inveja, o meu ciúme fiz derramar, quando destrói uma fraternidade”.

Para concluir, o Papa pediu que o Senhor nos ajude a pensar naqueles que destruímos com a língua e a todos os que no mundo são tratados como coisas e não como irmãos.

Por que Deus permite o sofrimento?

A liberdade é o toque maior de nossa semelhança com Deus

Para que o homem fosse “grande”, digno, nobre, Deus o fez livre, inteligente, dotado de mãos maravilhosas, sensibilidade, vontade, memória, etc., que nem as pedras, nem as árvores e nem os animais receberam.

A liberdade é o toque maior de nossa semelhança com Deus. Ele teve de correr o risco de nos fazer livres, para que fôssemos dignos, mesmo sabendo que a criatura poderia lhe voltar as costas; isto é, pecar e comprometer seu Plano de amor.

Deus não poderia impedir o homem de lhe dizer Não; senão lhe tiraria a liberdade, e ele seria apenas um robô. E Deus não quis isto. Mas Deus nos deu a inteligência, como uma luz para guiar os nossos passos, e nos deu a vontade para permanecer no bem e evitar o mal.

Ele quis fazer a criatura humana livre, como Ele, criou-o da melhor maneira possível, à sua Imagem. É a liberdade que nos diferencia dos animais, dos robôs e dos teleguiados; podemos escolher espontaneamente o rumo de nossa vida e o teor de nossas ações. E nisto podemos errar, cometendo graves danos, especialmente quando usamos mal da nossa liberdade e inteligência, desobedecendo a Deus.

Deus nos torna livre exercitando a liberdade, vivida com responsabilidade. É Deus que nos sustenta e nos mantém vivos, mas Ele não tira a nossa liberdade. Do contrário, não haveria merecimento, nem culpa de nossa parte. Não haveria dignidade no homem. Então, por isso, Ele não quer, mas permite a morte e o sofrimento no mundo. Mas sabe o que fazer com isso.

Aqui está o nó da questão: Deus respeitou e respeita a liberdade da criatura que lhe diz Não, embora Ele pudesse, e possa obrigá-la ao Sim – o que evitaria os sofrimentos, mas isto destruiria a grandeza do homem, que consiste em sua liberdade de opção. Sem isto o homem ficaria reduzido a um robô ou a uma marionete; não seriam mais imagem e semelhança de Deus; perderia a sua grandeza.

Depois de dar ao homem todas essas faculdades maravilhosas, Deus lhe deu o mundo em suas mãos, para cuidar dele como um jardineiro.

“O Senhor Deus tomou o homem e colocou-o no jardim do Éden para cultivá-lo e guardá-lo.” (Gen 2, 15).

Se o homem não cuida desse mundo bem, se não ama os irmãos, se não obedece às leis de Deus, então dá origem à dor, e isto não é culpa de Deus. Daí surge o pecado e o mal moral, que gera também o mal físico.

Deus não é paternalista; é Pai. Isto é, Deus não fica “passando a mão por cima” dos erros dos homens e consertando os seus estragos como fazem muitos pais; mas deixa que o homem que erra sofra as consequências do seu erro. Esta é a lei da justiça e direito que Deus segue quem erra deve arcar as consequências dos seus erros.

Os nossos erros geram sofrimentos para os nossos descendentes também. Os filhos não herdam os pecados dos pais, mas podem sofrer por causa dos efeitos desses pecados.

Eu sofro não só por causa dos meus pecados, mas também por causa dos pecados dos homens, de todos os tempos e lugares, especialmente daqueles que estão mais ligados a mim: parentes, amigos, etc. A humanidade é solidária. O primeiro pecado foi na origem da humanidade, o pecado original, e trouxe o sofrimento e a morte. Não era para a terra produzir espinhos e abrolhos, Deus disse a Adão; e não era pare ele tirar o pão de cada dia da terra com suor e sofrimento. Isto foi culpa do pecado do homem. A desordem do mundo, inclusive do mundo material é consequência do pecado; por isso São Paulo afirma que também a criação espera a libertação dos filhos de Deus.

É lógico que os vícios de um pai fazem sofrer os filhos e a esposa… Assim por diante. Deus não é o culpado de nada disso, e nem deseja nada disso. A culpa é nossa mesma.

Que culpa teria Deus, se, por exemplo, um pai irresponsável, passasse uma noite bebendo, e depois sofresse um acidente de carro e morresse por dirigir embriagado? Quem poderia acusar Deus de cruel, por ter tirado a vida de um pai, um esposo, e ter deixado órfãos e viúva?

Se você teimar em ligar o seu ventilador em uma tomada de 220 volts, quando o manual manda ligar em 110 volts, é claro que você vai queimar o motor do ventilador.   Isto ocorre porque você agiu contra o manual do projetista do  ventilador. O mesmo se deu e se dá com o mundo e com o homem. Temos um Projetista que fez o homem e o mundo belos, organizados, harmoniosos, mas não queremos respeitar o seu “Catálogo”; então, destruímos a sua bela obra e geramos o sofrimento.

Quando se diz que é preciso “aceitar a vontade de Deus”, diante do sofrimento e da morte, não quer dizer que foi Deus quem quis o mal, aquela tragédia, aquela doença, etc. Não. Deus não pode querer o mal. Mas Ele permite, porque não desrespeita as leis que Ele mesmo criou e, de modo especial, o nosso livre arbítrio. Deus respeita a nossa dignidade e semelhança a Ele. Deus entregou o mundo em nossas mãos.

Se Ele ficasse nos livrando das consequências dos nossos pecados, nunca nos tornaríamos filhos maduros.

“Deus não fez a morte nem tem prazer em destruir os viventes”, diz o livro da Sabedoria (1,13).

“Ora, Deus criou o homem para a imortalidade, e o fez à imagem de sua própria natureza. É por inveja do demônio que a morte entrou no mundo, e os que pertencem ao demônio prová-la-ão” (Sab 2,23).

A esperança e a confiança que o cristão tem em Deus, infinitamente sábio, fazem que ele sofra com paz; e isto não tem nada de masoquismo doentio, nem mesmo complacência na dor pela dor, pois isto não é evangélico.

Na sua Sabedoria e Bondade, infinitas, Deus achou por bem correr o risco de poder nos ver errar e sofrer. Foi o preço da nossa semelhança a Ele.

O Criador poderia estar constantemente vigiando o mundo, de modo que nunca houvesse algum desastre ou sofrimento. Mas esse procedimento seria menos digno de Deus, que deseja dar ao homem a oportunidade de se realizar, de se tornar grande, com liberdade e nobreza.

Deus não quer retirar do homem o precioso dom da livre opção; então, deixa o homem agir. Ele escreve reto por linhas tortas.

Prof. Felipe Aquino

Santo Evangelho (Mc 3, 1-6)

ANO ÍMPAR

Quarta-feira 23/01/2019 

Primeira Leitura (Hb 7,1-3.15-17)
Leitura da Carta aos Hebreus.

Irmãos, 1Melquisedec, rei de Salém, sacerdote do Deus Altíssimo, saiu ao encontro de Abraão, quando esse regressava do combate contra os reis, e o abençoou. 2Foi a ele que Abraão entregou o dízimo de tudo. E o seu nome significa, em primeiro lugar, “Rei de Justiça”; e, depois: “Rei de Salém”, o que quer dizer, “Rei da Paz”. 3Sem pai, sem mãe, sem genealogia, sem início de dias, nem fim de vida! É assim que ele se assemelha ao Filho de Deus e permanece sacerdote para sempre. 15Isto se torna ainda mais evidente quando surge um outro sacerdote, semelhante a Melquisedec, 16não em virtude de uma prescrição de ordem carnal, mas segundo a força de uma vida imperecível. 17Pois diz o testemunho: “Tu és sacerdote para sempre na ordem de Melquisedec”.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Responsório (Sl 109)

— Tu és sacerdote eternamente segundo a ordem do rei Melquisedec!
— Tu és sacerdote eternamente segundo a ordem do rei Melquisedec!

— Palavra do Senhor ao meu Senhor: “Assenta-te ao lado meu direito até que eu ponha os inimigos teus como escabelo por debaixo de teus pés!”

— O Senhor estenderá desde Sião vosso cetro de poder, pois Ele diz: “Domina com vigor teus inimigos;

— tu és príncipe desde o dia em que nasceste; na glória e esplendor da santidade, como o orvalho, antes da aurora, eu te gerei!” Jurou o Senhor e manterá sua palavra: “Tu és sacerdote eternamente, segundo a ordem do rei Melquisedec!”

 

Evangelho (Mc 3,1-6)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Marcos.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 1Jesus entrou de novo na sinagoga. Havia ali um homem com a mão seca. 2Alguns o observavam para ver se haveria de curar em dia de sábado, para poderem acusá-lo. 3Jesus disse ao homem da mão seca: “Levanta-te e fica aqui no meio!” 4E perguntou-lhes: “É permitido no sábado fazer o bem ou fazer o mal? Salvar uma vida ou deixá-la morrer?” Mas eles nada disseram. 5Jesus, então, olhou ao seu redor, cheio de ira e tristeza, porque eram duros de coração; e disse ao homem: “Estende a mão”. Ele a estendeu e a mão ficou curada. 6Ao saírem, os fariseus com os partidários de Herodes, imediatamente tramaram, contra Jesus, a maneira como haveriam de matá-lo.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

 

ANO PAR

Primeira Leitura (1Sm 17,32-33.37.40-51)
Leitura do Primeiro Livro de Samuel.

Naqueles dias, 32Davi foi conduzido a Saul e lhe disse: “Ninguém desanime por causa desse filisteu! Eu, teu servo, lutarei contra ele”. 33Mas Saul ponderou: “Não poderás enfrentar esse filisteu, pois tu és só ainda um jovem, e ele é um homem de guerra desde a sua mocidade”. 37Davi respondeu: “O Senhor me livrou das garras do leão e das garras do urso. Ele me salvará também das mãos deste filisteu”. Então Saul disse a Davi: “Vai, e que o Senhor esteja contigo”. 40Em seguida, tomou o seu cajado, escolheu no regato cinco pedras bem lisas e colocou-as no seu alforje de pastor, que lhe servia de bolsa para guardar pedras. Depois, com a sua funda na mão, avançou contra o filisteu. 41Este, que se vinha aproximando mais e mais, precedido do seu escudeiro, 42quando pode ver bem Davi desprezou-o, porque era muito jovem, ruivo e de bela aparência. 43E lhe disse: “Sou por acaso um cão, para vires a mim com um cajado?” E o filisteu amaldiçoou Davi em nome de seus deuses. 44E acrescentou: “Vem, e eu darei a tua carne às aves do céu e aos animais da terra!” 45Davi respondeu: “Tu vens a mim com espada, lança e escudo; eu, porém, vou a ti em nome do Senhor Todo-poderoso, o Deus dos exércitos de Israel que tu insultaste! 46Hoje mesmo, o Senhor te entregará em minhas mãos, e te abaterei e te cortarei a cabeça, e darei o teu cadáver e os cadáveres do exército dos filisteus às aves do céu e aos animais da terra, para que toda a terra saiba que há um Deus em Israel. 47E toda este multidão de homens conhecerá que não é pela espada nem pela lança que o Senhor concede a vitória; porque o Senhor é o árbitro da guerra, e ele vos entregará em nossas mãos”. 48Logo que o filisteu avançou e marchou em direção a Davi, este saiu das linhas de formação e correu ao encontro do filisteu. 49Davi meteu, então, a mão no alforje, apanhou uma pedra e arremessou-a com a funda, atingindo o filisteu na fronte com tanta força, que a pedra se encravou na sua testa e o gigante tombou com o rosto em terra. 50E assim Davi venceu o filisteu, ferindo-o de morte com uma funda e uma pedra. E, como não tinha espada na mão, 51correu para o filisteu, chegou junto dele, arrancou-lhe a espada da bainha e acabou de matá-lo, cortando-lhe a cabeça. Vendo morto o seu guerreiro mais valente, os filisteus fugiram.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Responsório (Sl 143)

— Bendito seja o Senhor, meu rochedo!
— Bendito seja o Senhor, meu rochedo!

— Bendito seja o Senhor, meu rochedo, que adestrou minhas mãos para a luta, e os meus dedos treinou para a guerra!

— Ele é meu amor, meu refúgio, libertador, fortaleza e abrigo; É meu escudo: é nele que espero, ele submete as nações a meus pés.

— Um canto novo, meu Deus, vou cantar-vos, nas dez cordas da harpa e louvar-vos, a vós que dais a vitória aos reis e salvais vosso servo Davi.

 

Evangelho (Mc 3,1-6)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Marcos.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo,1Jesus entrou de novo na sinagoga. Havia ali um homem com a mão seca. 2Alguns o observavam para ver se haveria de curar em dia de sábado, para poderem acusá-lo. 3Jesus disse ao homem da mão seca: “Levanta-te e fica aqui no meio!” 4E perguntou-lhes: “É permitido no sábado fazer o bem ou fazer o mal? Salvar uma vida ou deixá-la morrer?” Mas eles nada disseram. 5Jesus, então, olhou ao seu redor, cheio de ira e tristeza, porque eram duros de coração. E disse ao homem: “Estende a mão”. Ele a estendeu e a mão ficou curada. 6Ao saírem, os fariseus com os partidários de Herodes, imediatamente tramaram, contra Jesus, a maneira como haveriam de matá-lo.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

 

A IGREJA CATÓLICA CELEBRA E VENERA HOJE
Santo Ildefonso

Santo Ildefonso, um homem revestido de humildade, de oração na vida sacramental

Nasceu no ano de 606, em Toledo, no dia 8 de dezembro. Um homem de oração, foi discernindo a vontade de Deus também nas perdas. Ficou órfão e, em meio aos bens que possuía, fez de tudo para a construção de um mosteiro para religiosos. Um homem de discernimento, que não quer dizer sem medo, sem dificuldades.

Os santos não foram super-homens, mas pessoas de carne e osso que foram se deixando transformar por Aquele que é o santo dos santos: Jesus Cristo. Ele que, pelo poder do Espírito Santo, opera maravilhas no coração que se abre.

Santo Ildefonso, um coração aberto para as vontades de Deus, mesmo contra a própria vontade. Aconteceu que o Bispo de sua localidade havia falecido e o povo o elegeu. Ele se escondeu num convento, mas foi descoberto e aceitou este grande serviço para o povo de Deus. Foi um grande instrumento de Deus e devoto da Santíssima Virgem. Ele propagou a Festa da Expectação de Nossa Senhora, em 18 de dezembro – Nossa Senhora do Ó, como ficou conhecida. Fruto desse amor, ele recebeu a graça de uma aparição da Virgem Maria, chamando-o de “meu capelão” e presenteando-o com uma casula do céu. Assim diz o seu testemunho.

Um homem revestido de humildade, de vida, de oração na vida sacramental, por isso foi um grande pastor para o seu povo. Não evangelizou sozinho, pois os santos bem sabiam e continuam a saber o quanto nós precisamos uns dos outros para que a evangelização aconteça, para que muitos conheçam esse doce nome que tem nosso Senhor Jesus Cristo. Os santos foram aqueles que se consumiram pelo Evangelho para que muitos conheçam Jesus Cristo.

Santo Ildefonso, rogai por nós!

Batismo não é fórmula mágica, mas dom do Espírito Santo

Quarta-feira, 25 de abril de 2018, Da Redação, com Boletim da Santa Sé

Na catequese de hoje, Santo Padre seguiu refletindo sobre o sacramento do Batismo, desta vez destacando a força para vencer o mal

O Papa Francisco segue com as catequeses sobre o Batismo. Nesta quarta-feira, 25, a ênfase foi para a força de vencer o mal, força que é habilitado na pessoa a partir desse sacramento.

O Santo Padre destacou que a pessoa não está sozinha na fonte batismal, mas sim acompanhada pela oração de toda a Igreja, oração esta que assiste a pessoa na luta contra o mal e a acompanha na vida do bem. “Nós Igreja rezamos pelos outros. É algo bonito rezar pelos outros”, disse.

Nesse sentido, o Papa lembrou que a vida cristã é sempre sujeita à tentação de separar-se de Deus, mas é o Batismo que prepara e dá a força para esta luta cotidiana, também para a luta contra o diabo. “O Batismo não é uma fórmula mágica, mas um dom do Espírito Santo que habilita quem o recebe a lutar contra o espírito do mal”.

Além do aspecto da oração, Francisco mencionou na catequese de hoje outro momento do rito do Batismo: a unção sobre o peito com o óleo dos catecúmenos, um sinal de salvação. “É cansativo combater contra o mal, fugir de seus enganos, retomar força depois de uma luta exaustiva, mas devemos saber que toda a vida cristã é um combate. Devemos, porém, saber que não estamos sozinhos, que a Mãe Igreja reza a fim de que os seus filhos, regenerados no Batismo, não sucumbam às ciladas do maligno, mas as vençam pelo poder da Páscoa de Cristo”.

“Nós todos podemos vencer, vencer tudo, mas com a força que vem de Jesus”, concluiu o Papa.

Deus não deixa o homem à mercê do seu mal

Quinta-feira, 8 de dezembro de 2016, Da redação, com Rádio Vaticano

Para cada pessoa também existe uma história de salvação feita de sim e de não a Deus, explica Francisco

O Papa Francisco rezou a oração mariana do Angelus, nesta quinta-feira, 08, Solenidade da Imaculada Conceição de Nossa Senhora, com os fiéis reunidos na Praça São Pedro, no Vaticano.

“As leituras da Solenidade de hoje da Imaculada Conceição da Beata Virgem Maria apresentam duas passagens cruciais na história das relações entre o homem e Deus: podemos dizer que nos levam às origens do bem e do mal”, disse o Pontífice.

Não das origens

Francisco explicou que o livro do Gênesis mostra o “não das origens”, quando o homem preferiu olhar para si mesmo, ao invés do seu Criador, escolheu ser autossuficiente.

“Mas, assim fazendo, saindo da comunhão com Deus, perdeu a si mesmo e começou a ter medo, a se esconder e a acusar quem estava perto. Isto faz o pecado”, destacou.
Contudo, o Santo Padre disse que Deus não deixa o homem à mercê do seu mal.

“Imediatamente o procura e lhe faz uma pergunta cheia de apreensão: ‘Onde você está?’. É a pergunta de um pai ou de uma mãe que procura o filho perdido: ‘Onde você está? Em qual situação você se encontra?’. E este Deus o faz com tanta paciência, até preencher a distância criada nas origens.”

O sim de Maria

A segunda passagem crucial, narrada hoje no Evangelho, é quando Deus vem habitar entre nós, se faz homem como nós. E isso só foi possível por meio de um grande “Sim”, o de Maria no momento da Anunciação.

“Através deste “sim” Jesus começou o seu caminho nas estradas da humanidade; começou em Maria, transcorrendo os primeiros meses de vida no útero da mãe: não apareceu já adulto e forte, mas seguiu todo o percurso de um ser humano. Se fez em tudo igual a nós, exceto uma coisa: o pecado. Por isso, escolheu Maria, a única criatura sem pecado, imaculada. No Evangelho, com uma palavra, ela é chamada de “cheia de graça”, isto é cumulada de graça. Isso significa que nela, “imediatamente” cheia de graça, não há lugar para o pecado. E também nós, quando nos dirigimos a ela, reconhecemos esta beleza: a invocamos “cheia de graça”, sem sombra de mal”, sublinhou Francisco.

Maria responde à proposta de Deus dizendo: “Eis aqui a serva do Senhor”. Ela não diz: “Desta vez eu vou fazer a vontade de Deus, eu estou disponível, depois vamos ver…”. O seu é um “sim” total, incondicional. E como o “não” das origens tinha fechado a passagem do homem a Deus, assim o “sim” de Maria abriu o caminho para Deus entre nós. É o “sim” mais importante da história, o “sim” humilde que abate o “não” soberbo das origens, o “sim” fiel que cura a desobediência, o “sim” disponível que derrota o egoísmo do pecado.

Sim e não a Deus

O Pontífice disse ainda que para cada pessoa também existe uma história de salvação feita de sim e de não a Deus.

“Às vezes, porém, somos especialistas nos Sim à metade: somos bons em fingir de não entender bem o que Deus quer e o que a consciência sugere. Somos também astutos, e para não dizer um não verdadeiro a Deus dizemos: “eu não posso”, “não hoje, mas amanhã”; “amanhã serei melhor, amanhã eu vou rezar, vou fazer o bem, amanhã.” Assim, no entanto, fechamos a porta ao bem, e o mal aproveita desta falta de “sim”. Em vez disso, cada “sim” pleno a Deus dá origem a uma história nova: dizer sim a Deus é verdadeiramente “original”, não o pecado, que nos torna velhos dentro, nos envelhece por dentro. Cada sim a Deus origina histórias de salvação para nós e para os outros.”

Neste caminho do Advento, Deus quer nos visitar e espera o nosso “sim”, com o qual dizemos a ele: “Creio em Ti, espero em Ti, eu te amo; faça-se em mim segundo a tua vontade de bem”. Com generosidade e confiança, como Maria, vamos dizer hoje, cada um de nós, este sim pessoal a Deus.

Homenagem pública à Maria

“Nesta tarde eu vou até a Praça de Espanha para renovar o tradicional ato de homenagem e de oração aos pés do monumento à Imaculada. Depois vou à Basílica de Santa Maria Maior, para rezar diante da imagem de Nossa Senhora “Salus Populi Romani”. Peço-lhes que se unam a mim neste gesto que expressa a devoção filial a nossa Mãe celeste”.

O Papa concluiu desejando a todos boa festa e bom caminho de Advento sob a guia da Virgem Maria. “Por favor, não se esqueçam de rezar por mim. Bom almoço e até mais!”

Jesus nos defende do diabo, que está sempre à espreita

Domingo, 3 de janeiro de 2016, Rádio Vaticano

Francisco explicou que “Jesus nos defende do mal, do diabo, que sempre está à espreita diante da nossa porta, diante do nosso coração, e quer entrar”

“A vocação e a alegria de todo batizado é indicar e dar Jesus aos outros, mas para fazer isso devemos conhecê-lo e tê-lo dentro de nós, como Senhor da nossa vida”. Foi o que disse o Papa Francisco no Angelus deste primeiro domingo de 2016.

Francisco destacou que a liturgia do segundo domingo depois do Natal nos apresenta o prólogo de São João, ressaltando que o Verbo que se fez carne veio habitar no meio de nós a fim de que escutássemos e pudéssemos conhecer e experimentar o amor do Pai. “O Verbo de Deus é seu próprio Filho Unigênito, feito homem, repleto de amor e de fidelidade”, acrescentou.

A Palavra é luz e, no entanto, os homens preferiram as trevas; a Palavra veio entre os seus, mas eles não acolheram, observou o Santo Padre referindo-se ao Evangelho dominical. “Fecharam a porta diante do Filho de Deus” acrescentou.

“É o mistério do mal que insidia também a nossa vida e que requer de nossa parte vigilância e atenção para que não prevaleça. O Livro do Gênesis diz uma bela frase que nos ajuda a entender isso: diz que o mal está à espreita diante da nossa porta (cfr. 4,7). Ai de nós se o deixamos entrar; seria então ele a fechar a nossa porta a qualquer outro. Ao invés, somos chamados a escancarar a porta do nosso coração à Palavra de Deus, a Jesus, para tornar-nos assim seus filhos.”

Acolher a salvação de Jesus

Em seguida, o Papa frisou que com a liturgia do segundo domingo depois do Natal a Igreja nos convida mais uma vez a acolher essa Palavra de salvação, esse mistério de luz. “Se o acolhemos, se acolhermos Jesus – acrescentou –, cresceremos no conhecimento e no amor do Senhor, aprenderemos a ser misericordiosos como Ele.

“Especialmente neste Ano Santo da Misericórdia, façamos de modo que o Evangelho se torne sempre mais carne também em nossa vida. Tomar o Evangelho, meditá-lo, encarná-lo em nossa vida cotidiana é o melhor modo para conhecer Jesus e levá-lo aos outros.”

“Jesus nos defende do mal, do diabo, que sempre está à espreita diante da nossa porta, diante do nosso coração, e quer entrar”, reiterou Francisco.

Após a oração mariana, o Santo Padre quis renovar a todos seus votos de paz e bem no Senhor. “Nos momentos alegres e nos momentos tristes, confiemo-nos a Ele, que é a nossa misericórdia e nossa esperança!” – foi a exortação do Papa.

Antes de concluir, o Pontífice recordou o compromisso assumido no Ano Novo, Dia Mundial da Paz: “Vence a indiferença e conquista a paz”; com a graça de Deus, poderemos colocá-lo em prática, acrescentou.

Ler a Bíblia todos os dias

O Papa Francisco concluiu recordando um conselho por ele dado reiteradas vezes:

“Todos os dias ler um trecho do Evangelho, uma passagem do Evangelho para conhecer melhor Jesus, para escancarar o nosso coração a Ele, e assim poderemos fazer com que os outros o conheçam melhor. Carregar consigo um pequeno Evangelho no bolso, na bolsa, nos fará bem. Não se esqueçam: todos os dias leiamos uma passagem do Evangelho.”
Por fim, a todos desejando um bom domingo, Francisco pediu que não se esquecessem de rezar por ele.

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