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Cardeal Müller publica manifesto de fé ante crescente confusão sobre a doutrina católica

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Cardeal Gerhard Muller – Foto: Daniel Ibáñez (ACI Prensa)

Roma, 10 Fev. 19 / 01:29 pm (ACI).– O Cardeal alemão Gerhard Müller, que foi Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé entre 2012 e 2017, publicou uma “Declaração de Fé” que busca confrontar a crescente confusão sobre o ensino da doutrina católica.

“Ante a crescente confusão no ensinamento da doutrina da fé, muitos Bispos, sacerdotes, religiosos e leigos da Igreja Católica, me pediram dar testemunho público da verdade da Revelação”, começa o texto do Cardeal titulado: “Declaração de fé: “Não se perturbe o vosso coração!” (João 14,1)”.

Segundo o purpurado o texto foi feito ainda para “fortalecer aos irmãos e irmãs na fé, cuja fé é amplamente questionada pela “ditadura do relativismo”.

ACI Digital teve acesso ao texto do Cardeal Mueller traduzido ao português e publica o seu conteúdo íntegro abaixo:

“Declaração de fé

“Não se perturbe o vosso coração!” (João 14,1)

Ante a crescente confusão no ensinamento da doutrina da fé, muitos Bispos, sacerdotes, religiosos e leigos da Igreja Católica, me pediram dar testemunho público da verdade da Revelação. É tarefa dos pastores guiar pelo caminho da salvação aos que se lhes foram confiados. Isto só pode ter êxito se se conhece este caminho e eles mesmos seguem adiante. A respeito disto a palavra do apóstolo nos indica: “Porque sobretudo vos entreguei o que eu também recebi” (1 Cor 15,3). Hoje em dia muitos cristãos já não são conscientes nem sequer dos ensinamentos básicos da fé, pelo qual existe um perigo crescente de apartar-se do caminho que leva à vida eterna. Mas segue sendo tarefa própria da Igreja conduzir às pessoas a Jesus Cristo, luz das nações (cf. LG 1). Nesta situação se expõe a questão da orientação. Segundo João Paulo II, o Catecismo da Igreja Católica é uma “norma segura para a doutrina da fé” (Fidei Depositum IV). Foi escrito com o objetivo de fortalecer aos irmãos e irmãs na fé, cuja fé é amplamente questionada pela “ditadura do relativismo”.

1. O Deus Uno e Trino, revelado em Jesus Cristo

A personificação da fé de todos os cristãos se encontra na confissão da Santíssima Trindade. Convertemo-nos em discípulos de Jesus, filhos e amigos de Deus pelo batismo no nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. A diferença das três pessoas na unidade divina (254) marca uma diferença fundamental em relação às outras religiões na crença em Deus e na imagem do homem. Na confissão de Jesus Cristo os espíritos se dividem. Ele é verdadeiro Deus e verdadeiro homem, gerado segundo sua natureza humana pelo Espírito Santo e nascido da Virgem Maria. O Verbo feito carne, o Filho de Deus, é o único redentor do mundo (679) e o único mediador entre Deus e os homens (846). Em consequência, a Primeira Carta de São João descreve como Anticristo àquele que nega sua divindade (1 João 2,22), já que Jesus Cristo, o Filho de Deus, é desde a eternidade um ser com Deus, seu Pai (663). A recaída em antigas heresias, que viam em Jesus Cristo só um bom homem, um irmão e amigo, um profeta e um moralista, deve ser combatida com clara determinação. Ele é, acima de tudo, o Verbo que estava com Deus e é Deus, o Filho do Pai, que assumiu nossa natureza humana para nos redimir e que deverá julgar os vivos e os mortos. Só ao Ele adoramos como o único e verdadeiro Deus na unidade com o Pai e o Espírito Santo (691).

2. A Igreja

Jesus Cristo fundou a Igreja como sinal visível e instrumento de salvação, que subsiste na Igreja Católica (816). Deu uma constituição sacramental à sua Igreja, que surgiu “do lado de Cristo dormido na Cruz” (766), e que permanece até sua consumação (765). Cristo Cabeça e os fiéis como membros do Corpo são uma pessoa mística (795), por isso a Igreja é Santa, porque o único mediador a estabeleceu e mantém sua estrutura visível (771). Através deles, a obra da redenção de Cristo se faz presente no tempo e no espaço na celebração dos santos sacramentos, especialmente no sacrifício eucarístico, a Santa Missa (1330). A Igreja transmite em Cristo a revelação divina que se estende a todos os elementos da doutrina, “incluindo a doutrina moral, sem a qual as verdades da salvação da fé não podem ser salvaguardadas, expostas ou observadas” (2035).

3. A ordem sacramental

A Igreja, em Jesus Cristo, é o sacramento universal de salvação (776). Ela não se reflete a si mesmo, senão a luz de Cristo que brilha em seu rosto. Isto acontece só quando, não a maioria nem o espírito dos tempos, senão a verdade revelada em Jesus Cristo se converte no ponto de referência, porque Cristo confiou à Igreja católica a plenitude da graça e da verdade (819): Ele mesmo está presente nos sacramentos da Igreja.

A Igreja não é uma associação fundada pelo homem cuja estrutura é votada por seus membros à vontade. É de origem divina. “O mesmo Cristo é a fonte do ministério na Igreja. Ele o instituiu, deu-lhe autoridade e missão, orientação e finalidade” (874). A admoestação do apóstolo segue sendo válida hoje em dia para que quem quer que pregue outro evangelho seja amaldiçoado, “embora sejamos nós mesmos ou um anjo do céu” (Gl 1,8). A mediação da fé está indissoluvelmente ligada à credibilidade humana de seus mensageiros, que em alguns casos abandonaram aos que lhes foram confiados, perturbaram-nos e danificaram gravemente sua fé. Aqui a palavra da Escritura vai dirigida àqueles que não escutam a verdade e seguem seus próprios desejos, que adulam os ouvidos porque não podem suportar o são ensinamento (cf. 2 Tm 4,3-4).

A tarefa do Magistério da Igreja é “proteger o povo dos desvios e das falhas e lhe garantir a possibilidade objetiva de professar sem erro a fé autêntica” (890). Isto é especialmente certo com relação aos sete sacramentos. A Eucaristia é “fonte e ápice de toda a vida cristã” (1324). O sacrifício eucarístico, no qual Cristo nos implica em seu sacrifício da cruz, aponta à união mais íntima com Cristo (1382). Por isso, as Sagradas Escrituras, em relação à recepção da Sagrada Comunhão, advertem: “‘quem come do pão e bebe da taça do Senhor indignamente, é réu do Corpo e do Sangue do Senhor’ (1 Cor 11,27). Quem tem consciência de estar em pecado grave deve receber o sacramento da Reconciliação antes de aproximar-se a comungar” (1385). Da lógica interna do sacramento se desprende que os fiéis divorciados pelo civil, cujo matrimônio sacramental existe diante de Deus, os outros Cristãos, que não estão em plena comunhão com a fé católica, assim como todos aqueles que não estão propriamente dispostos, não recebem a Sagrada Eucaristia de maneira frutífera (1457) porque não lhes traz a salvação. Assinalar isto corresponde às obras espirituais de misericórdia.

A confissão dos pecados na confissão pelo menos uma vez ao ano pertence aos mandamentos da igreja (2042). Quando os fiéis já não confessam seus pecados nem recebem a absolvição, a redenção cai no vazio, já que, acima de tudo, Jesus Cristo se fez homem para nos redimir de nossos pecados. O poder do perdão que o Senhor Ressuscitado conferiu aos apóstolos e aos seus sucessores no ministério dos bispos e sacerdotes se aplica também aos pecados graves e veniais que cometemos depois do batismo. A prática atual da confissão deixa claro que a consciência dos fiéis não está suficientemente formada. A misericórdia de Deus nos é dada para cumprir seus mandamentos a fim de nos converter em um com sua santa vontade, não para evitar o chamado ao arrependimento (1458).

“O sacerdote continua a obra de redenção na terra” (1589). A ordenação sacerdotal “dá-lhe um poder sagrado” (1592), que é insubstituível porque, através dele, Jesus Cristo se faz sacramentalmente presente em sua ação salvífica. Portanto, os sacerdotes escolhem voluntariamente o celibato como “sinal de vida nova” (1579). Trata-se da entrega no serviço de Cristo e de seu reino vindouro. Enquanto à recepção da consagração nas três etapas deste ministério, a Igreja se reconhece a si mesma “vinculada por esta decisão do Senhor. Esta é a razão pela qual as mulheres não recebem a ordenação” (1577). Assumir isto como uma discriminação contra a mulher só mostra a falta de compreensão deste sacramento, que não se trata de um poder terreno, senão da representação de Cristo, o Esposo da Igreja.

4. A lei moral

A fé e a vida estão inseparavelmente unidas, porque a fé sem obras está morta (1815). A lei moral é obra da sabedoria divina e conduz o homem à bem-aventurança prometida (1950). Em consequência, “o conhecimento da lei moral divina e natural é necessário para fazer o bem e alcançar seu fim” (1955). Sua observância é necessária para a salvação de todos os homens de boa vontade. Porque os que morrem em pecado mortal sem se haver arrependido serão separados de Deus para sempre (1033). Isto leva a conseqüências práticas na vida dos cristãos, entre as quais se deve mencionar as que hoje se obscurecem com freqüência (cf. 2270-2283; 2350-2381). A lei moral não é uma carga, senão parte dessa verdade liberadora (cf. Jo 8,32) pela qual o cristão percorre o caminho da salvação, que não deve ser relativizada.

5. A vida eterna

Muitos se perguntam hoje por que a Igreja, todavia está ali, embora os bispos prefiram desempenhar o papel de políticos em lugar de proclamar o Evangelho como mestres da fé. A visão não deve ser diluída por trivialidades, mas o proprium da Igreja deve ser tematizado. Cada pessoa tem uma alma imortal, que é separada do corpo na morte, esperando a ressurreição dos mortos (366). A morte faz definitiva a decisão do homem a favor ou contra Deus. Todo o mundo deve comparecer ante o tribunal imediatamente depois de sua morte (1021). Ou é necessária uma purificação ou o homem chega diretamente à bem-aventurança celestial e pode ver deus cara a cara. Existe também a terrível possibilidade de que um ser humano permaneça em contradição com Deus até o fim e, ao rejeitar definitivamente o seu amor, “condenar-se imediatamente para sempre” (1022). “Deus que te criou sem ti, não te salvará sem ti” (1847). O castigo da eternidade do inferno é uma realidade terrível, que -segundo o testemunho da Sagrada Escritura- atrai para si todos aqueles que “morrem em estado de pecado mortal” (1035). O cristão passa pela porta estreita, porque “larga é a porta e espaçoso o caminho que leva à perdição, e são muitos os que entram por ela” (Mt 7,13).

Ocultar estas e outras verdades de fé e ensinar ao povo em consequência, é o pior engano do qual o Catecismo adverte enfaticamente. Representa a prova final da Igreja e leva o povo a um engano religioso de mentiras, ao “preço de sua apostasia da verdade” (675); é o engano do Anticristo. “Ele enganará os que se perdem por toda classe de injustiça, porque se fecharam ao amor da verdade, pela qual deviam ser salvos” (2 Tessalonicenses 2,10).

Invocação

Como operários da vinha do Senhor, temos todos a responsabilidade de recordar estas verdades fundamentais aderindo-nos ao que nós mesmos recebemos. Queremos animar o povo a caminhar pelo caminho de Jesus Cristo com decisão, para alcançar a vida eterna obedecendo seus mandamentos (2075).

Peçamos ao Senhor que nos faça saber quão grande é o dom da fé católica, que abre a porta para a vida eterna. “Porque quem se envergonhar de mim e de minhas palavras nesta geração adúltera e pecadora, também o Filho do homem se envergonhará dele quando vier na glória de seu Pai com os santos anjos” (Mc 8, 38). Portanto, estamos comprometidos a fortalecer a fé, na qual confessamos a verdade, que é o mesmo Jesus Cristo.

Estas palavras também se dirigem em particular a nós, Bispos e sacerdotes quando Paulo, o apóstolo de Jesus Cristo, dá esta admoestação ao seu companheiro de armas e sucessor Timóteo: “Conjuro-te em presença de Deus e de Cristo Jesus que há de vir julgar os vivos e mortos, por sua Manifestação e por seu Reino: “Proclama a Palavra, insiste a tempo e a destempo, repreende, ameaça, exorta com toda paciência e doutrina. Porque virá um tempo em que os homens não suportarão, a sã doutrina, mas sim, arrastados por suas próprias paixões, far-se-ão com um acervo de mestres pelo afã de ouvir novidades; apartarão seus ouvidos da verdade e se voltarão para as fábulas. Tu, pelo contrário, portas-te em tudo com prudência, suporta os sofrimentos, realiza a função de evangelizador, desempenha com perfeição teu ministério.” (2 Tm 4,1-5).

Que Maria, a Mãe de Deus, nos implore a graça de nos aferrar à verdade de Jesus Cristo sim vacilar.

Unido na fé e na oração

Gerhard Cardinal Müller

Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fe, desde 2012/2017

Não concordo com o que a Igreja ensina. O que faço?

Como a Igreja poderia ensinar algo errado ou inconveniente se o Espírito Santo lhe ensina sempre “toda a verdade”?

Em primeiro lugar, é preciso esclarecer que quem não concorda com o que a Igreja ensina, não conhece bem o que Jesus ensinou, fez e mandou que fizéssemos. Ele fundou a Igreja sobre São Pedro e os apóstolos para que ela fosse a “porta voz” d’Ele na Terra. Disse o Senhor a eles: “Quem vos ouve, a Mim ouve; quem vos rejeita, a Mim rejeita, e quem Me rejeita, rejeita Aquele que me enviou” (cf. Lc 10,16). Quer dizer, quem não ouve a Igreja, não ouve Jesus! Quem não obedece a Igreja, não O obedece.

Jesus ainda lhes disse: “Não temais, pequeno rebanho, porque foi do agrado de vosso Pai dar-vos o Reino”. (São Lucas 12, 32). E foi à Igreja que Jesus mandou: “Ide pelo mundo e pregai o Evangelho a toda criatura” (Marcos 16,15). Como, então, não concordar com a palavra da Igreja? E mais: “A quem vocês perdoarem os pecados, os pecados estarão perdoados” (João 20.22). O Pai mandou o Filho para salvar o mundo; o Filho enviou a Igreja. Ela é o “sacramento universal da salvação” (LG, 4), a Arca de Noé que nos salva do dilúvio do pecado.

Na Santa Ceia, na despedida dos apóstolos, Jesus fez várias promessas à Igreja, ali formada por Seus discípulos. Entre muitas coisas que São João narrou, em cinco capítulos do seu Evangelho (13 a 17), Jesus prometeu à Igreja:

“Eu rogarei ao Pai e ele vos dará outro Paráclito, para que fique eternamente convosco. É o Espírito da Verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê nem o conhece, mas vós o conhecereis, porque permanecerá convosco e estará em vós”. “Mas o Paráclito, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, ensinar-vos-á todas as coisas e vos recordará tudo o que vos tenho dito” (João 14,15.25). Ora, como a Igreja poderia ensinar algo de errado se o Espírito Santo permanece sempre com ela e lhe “ensina todas as coisas”?

Jesus ainda lhes disse: “Muitas coisas ainda tenho a dizer-vos, mas não as podeis suportar agora. Quando vier o Paráclito, o Espírito da Verdade,ensinar-vos-á toda a verdade…” (João 16,12-13). Como a Igreja poderia ensinar algo errado ou inconveniente se o Espírito Santo lhe ensina sempre “toda a verdade”?

Além disso, o próprio Jesus está na Igreja, pois Ele prometeu, antes de subir ao céu: “Eis que Eu estou convosco todos os dias até o fim do mundo” (Mateus 28,20). Foi a última palavra d’Ele aos discípulos. Ora, como a Igreja poderia errar se Jesus está com ela todo tempo? É impossível! É por isso que São Paulo disse a São Timóteo: “A Igreja é a coluna e o fundamento da verdade” (1Tm 3,15). Então, a Igreja detém a verdade que Jesus disse que nos liberta.

É por causa de tudo isso que o nosso Credo tem 2 mil anos e nunca mudou nem vai mudar; porque é a expressão da verdade que salva. A mesma coisa acontece com os sacramentos, os mandamentos e a liturgia. A Igreja já teve 266 Papas e nunca um deles cancelou um ensinamento doutrinário que um antecessor tenha ensinado. Já realizou 21 Concílios universais, e nunca nenhum deles cancelou um ensinamento de um anterior. A verdade não muda, e está na Igreja. O Espírito Santo não se contradiz.

Logo, como não concordar com o que Igreja ensina? Isso seria por causa da ignorância de tudo o que foi relatado acima; ou, então, seria um ato de orgulho espiritual da pessoa, que acha que sabe mais do que a Igreja, assistida por Jesus Cristo e pelo Espírito Santo. Longe de nós isso!

Podemos até não conseguir viver o que a Igreja nos ensina e nos manda viver – isso é compreensível por causa de nossa fraqueza –, mas jamais poderemos dizer que ela está errada ou que eu não concordamos com o que ela ensina. A Igreja não ensina o que quer, mas o que o Seu Senhor lhe confiou.

Prof. Felipe Aquino

Quem é Católico?

QUEM É CATÓLICO?
Compêndio do Vaticano II, Constituição Dogmática Lumen Gentium, 14 (39)

Católico é todo aquele que, incorporado plenamente à sociedade da Igreja, tem o Espírito de Cristo, aceita a totalidade de sua organização e todos os meios de salvação nela instituídos e na sua estrutura visível – regida por Cristo através do Sumo Pontífice e dos Bispos – se une com Ele pelos vínculos da profissão de fé, dos sacramentos, do regime e da comunhão eclesiásticos.
Não se salva, contudo, embora incorporado à Igreja, aquele que, não perseverando na caridade, permanece no seio da Igreja “com o corpo”, mas não “com o coração”1.
Lembrem-se todos os filhos da Igreja que a condição sem igual em que estão se deve não a seus próprios méritos, mas a uma peculiar graça de Cristo.
Se a ela não corresponderem por pensamentos, palavras e obras, longe de se salvarem, serão julgados com maior severidade2.

 

TRÊS TIPOS DE CATÓLICOS
Pe. José Ribolla, C.SS.R. / Fonte: Os Sacramentos, trocados em miúdo. Ed. Santuário

CATÓLICO OU “CAÓTICO”?
Dizem que no Brasil – mas não é só no Brasil, não! – muitos católicos adotam um cristianismo original. Em vez de: católico-apostólico-romano, passa a ser: caótico-apostático-romântico… E bote isso tanto no masculino como no feminino!
Comecemos pelo “católico-caótico”. A palavra “católico” é um adjetivo da língua grega que, no masculino, feminino e gênero neutro corresponde respectivamente a: katolikós, katoliká, katolikón. O significado de católico é: universal. Quer indicar que o cristianismo deve ser universal, abranger todos os povos de toda a terra e de todos os tempos. O Evangelho é universal, é para todos. No caso, o substantivo é: cristão; católico é adjetivo, que poderia ser substituído por “universal”; mas, ficaria um tanto pernóstico dizer: “sou cristão universalll”… E por isso, ficamos com o adjetivo “católico” mesmo, querendo dizer “universal”. Entendido?
Pois bem. Mas, em nossa querida Pátria e alhures, o cristão em vez de ser “católico”, isto é, aceitar todo o Evangelho, a Igreja-Hoje, o tal cristão-”caótico” faz uma misturança de tudo e faz uma religião das suas conveniências, catando aqui e ali meias verdades e… bota tudo no “liquidificador” do seu egoísmo e da sua ignorância, aperta o botão das suas conveniências, e… dá aquela mistura caótica de católico-umbandista-cientificista-espiritualista-esotérico-maçonista e… diabo-a-quatro. E depois se mete a discutir religião sem entender bulhufas.
A Fé desse cristão caótico fica na periferia. E, no fundo mesmo, ele não quer é se comprometer com as dimensões da Fé: a dimensão pessoal da consciência limpa, a dimensão social da Justiça, a dimensão Política do compromisso com a ética do bem-comum; e, por aí afora. O cristão caótico cria um caos entre Fé e Vida, entre Fé e as realidades temporais onde ele deve atuar. O “caótico” cria uma religião liberalóide, à imagem e semelhança de suas idéias e gostos. Assim é fácil, não? …
 

APOSTÓLICO OU “APOSTÁTICO”? 
Outro tipo de católico original, mas muito comum, é o que afirma, nos recenseamentos, ser católico-apostólico, mas, em vez de “apostólico”, ele é “apostático”. Sem querer fazer muita apologética nem muita discussão sobre o assunto, é fácil verificar qual é a verdadeira religião cristã (universal = católica), a que vem desde os tempos dos apóstolos, do tempo de Cristo, portanto. É só ver nos Evangelhos como Jesus quis sua Igreja como sinal do Reino. E logo constataremos que Jesus quis, nessa Igreja, uma autoridade que fosse a pedra fundamental, garantia da unidade. E sabemos que ele colocou Pedro como a primeira autoridade, que depois vai tomando o nome de papa (pai). Está clara, nos Evangelhos, a indicação do Apóstolo Pedro como o primeiro chefe. E como essa Igreja deveria perdurar e continuar através dos séculos, vemos, na história da Igreja, que vieram Lino, Cleto, Clemente… até o nosso atual Papa Bento XVI. Então esta será, claro, a Igreja Apostólica, a Igreja que o Cristo quis… apesar de todas as misérias acontecidas com a necessidade de contínuas reformas na parte humana da Igreja.
Pois bem. O nosso católico “apostático”, em vez de ficar com essa Igreja, ele vai “apostando”, como o “caótico”, num sincretismo reli¬gioso, numa mistura de religiões ou fantasias religiosas, superstições e “etceterões” que não podem caber num “mesmo saco”, numa mesma vida…
Assim, de manhã, o “apostático” aposta na missa. Ao meio dia, aposta no horóscopo (alguns jornalistas-horoscopistas disseram-me como fazem quando “falta assunto”: pegam horóscopos de uns anos atrás e recopiam com algumas mudanças e publicam o “horóscopo do dia”…). E à noite, em que “aposta” o nosso “apostático”? No terreiro, saracoteando na macumba e quejando…
E assim vai ele, pela vida, “apostando”, até que acaba é apostatando mesmo, sem eira nem beira, sem convicção cristã nenhuma, sem compromisso com a Fé. Uma religião na base da emoção, da fantasia, sem firmeza histórica, sem firmeza evangélica, sem firmeza da Fé. Apostando no que lhe convém no momento… Nem cristão, nem católico, nem apostólico, mas: “apostático”…

ROMANO OU “ROMÂNTICO”? 
Vimos os dois tipos de cristãos batizados e crismados com os quais o Espírito Santo da Crisma não terá chance nenhuma de contar para o testemunho da Fé. São os católicos “caóticos” e os “apostáticos”.
Mas há um 3º espécimen, muito caracterizado e muito comum entre eles e entre elas… É o chamado cristão-católico “romântico”: “ái Jésúis!” E como os há, por aí afora… Dizemos “romântico” em oposição a romano; isto é, sem a adesão incondicional à Igreja de Jesus Cristo, desde os inícios sediada em Roma. “Romano” só porque, desde Pedro, os 263 Papas sediaram-se em Roma.
“Romântico” é o católico superficial, que tem as emoções como termômetro da Fé; o que se apega às periferias da religião, sem convic¬ções profundas, e que age ao sabor do “gosto não-gosto”. Neles e nelas não é a firmeza da Fé, a constância da Esperança nem a fidelidade do Amor que orientam a vida, mas sim, os “gostinhos” e preferências da ocasião, da “moda”.
“Romântico” é o católico que não perde a procissão do Senhor Morto e faz questão fechada de depositar seu ósculo no esquife do Senhor Morto… Mas foge, na vida do dia-a-dia, de “beijar” o Senhor vivo do Evangelho, o Cristo da justiça, do amor ao irmão, do perdão. É fácil beijar um “Senhor Morto” de madeira, de pedra, de gesso: quero ver é você beijar o Cristo do Evangelho, quando exige tomadas de posição na caminhada da Igreja, na justiça etc., etc.
Católica “romântica” é aquela que me dizia: “Ah! padre, o dia da 1.a comunhão de minha filha, quero que fique ‘indelééévvelll’… na minha vida…” Mas, ela mesma nem “limpou a cocheira” dos pecados para poder comungar com a filhinha… “Romântico” é o cristão que lê o Evangelho, concordando com umas coisas que Jesus disse e não con¬cordando com outras que o mesmo Jesus disse… “Eu acho… eu não acho…” como se cristianismo fosse “achismo”… E, por aí afora, meus amigos, quantos cristãos e cristãs romântico (a)s”, não? E onde fica o Batismo dessa gente, onde fica a Crisma com o Espírito Santo exigindo uma vida coerente com o Evangelho, com a Igreja e não com os caprichos de cada um?

SE ESTÁS BUSCANDO A IGREJA DE CRISTO…
Dom Fulton John Sheen

Não existem muitas pessoas que odeiem a Igreja Católica. No entanto, há milhões de pessoas que odeiam o que erroneamente crêem que a Igreja Católica seja. Isto certamente é uma coisa totalmente diferente. Dificilmente se pode culpar essas milhões de pessoas por odiar o católico crendo – como crêem – que os católicos “adoram imagens”; que “colocam a Virgem no mesmo nível de Deus”; que “dizem que as indulgências são permissões para se cometer pecados”; ou “porque o Papa é um fascista”; ou porque a Igreja “defende o capitalismo”. Se a Igreja ensinasse ou praticasse qualquer destas coisas, deveria ser odiada por justa razão.
Porém, a verdade é que a Igreja não ensina nem crê em nenhuma destas coisas. Disto, se constata que o ódio de milhões é dirigido contra um conceito errôneo da Igreja e não ao que a Igreja verdadeiramente é. De fato, se nós, católicos, crêssemos em todas as mentiras e falsidades que dizem sobre a Igreja, muito provavelmente odiaríamos a Igreja mil vezes mais do que odeiam essas milhões de pessoas mal informadas.
Se eu hoje não fosse católico e estivesse em busca da verdadeira Igreja, buscaria uma Igreja que não se desse bem com o mundo. Em outras palavras, buscaria uma Igreja que o mundo odiasse. É que se Cristo estivesse em alguma das igrejas de hoje em dia, deveria ser odiado tanto quanto foi quando habitou carnalmente sobre a terra. Se encontrasses Cristo em alguma igreja hoje, O encontrarias numa igreja que não se desse bem com o mundo…
Procure a igreja que é odiada pelo mundo, assim como Cristo foi odiado pelo mundo. Procure uma igreja que seja acusada de estar ultrapassada, assim como Nosso Senhor foi acusado de ser ignorante e sem instrução. Procure uma igreja que os homens desprezem por ser socialmente inferior, assim como desprezaram Nosso Senhor por ter nascido em Nazaré. Procure uma igreja que é acusada de ser endemoniada, assim como Nosso Senhor foi acusado de estar possuído por Belzebu, o príncipe dos demônios.
Procure uma igreja que o mundo rejeite porque afirma ser infalível, assim como Pilatos rejeitou Jesus porque Ele declarou ser a encarnação da Verdade. Procure uma igreja que, entre a confusa selva de opiniões contraditórias, seja amada por seus membros, assim como amam a Cristo, e respeitam sua voz, assim como respeitam a voz de seu Fundador. Assim aumentarão as tuas suspeitas de que esta Igreja não condiz com o espírito do mundo e isso deve ser porque não é mundana; e se não é mundana é porque não é deste mundo; e por não ser deste mundo, lhe cabe ser infinitamente odiada e infinitamente amada, como ocorre com o próprio Cristo. A Igreja Católica é a única Igreja que atualmente pode traçar sua História até os dias de Cristo. A evidência histórica é tão clara neste aspecto, que resulta curioso ver tanta gente não estar a par de algo tão óbvio!

O que a Igreja diz sobre o homossexualismo?

• O problema do homossexualismo é visto de forma não demagógica pela Igreja, ou seja, em outras palavras, condena-se o pecado, mas trata com amor o pecador, que é chamado a se autodominar. A esse respeito, ensina muito bem o Catecismo da Igreja Católica em seus parágrafos 2357 à 2359, in verbis:

“2357. A homossexualidade designa as relações entre homens e mulheres que sentem atração sexual, exclusiva ou predominante, por pessoas do mesmo sexo. A homossexualidade se reveste de formas muito variáveis ao longo dos séculos e das culturas. A sua gênese psíquica continua amplamente inexplicada. Apoiando-se na Sagrada Escritura, que os apresenta como depravações graves, a Tradição sempre declarou que ´os atos de homossexualidade são intrinsecamente desordenados´. São contrários à lei natural. Fecham o ato sexual ao dom da vida. Não procedem de uma complementaridade afetiva e sexual verdadeira. Em caso algum podem ser aprovados.
2358. Um número não negligenciável de homens e mulheres apresenta tendências homossexuais inatas. Não são eles que escolhem sua condição homossexual; para a maioria, pois, esta constitui uma provação. Devem ser acolhidos com respeito, compaixão e delicadeza. Evitar-se-á para com eles todo sinal de discriminação injusta. Estas pessoas são chamadas a realizar a vontade de Deus na sua vida e, se forem cristãs, a unir ao sacrifício da cruz do Senhor as dificuldades que podem encontrar por causa da sua condição.
2359. As pessoas homossexuais são chamadas à castidade. Pelas virtudes de autodomínio, educadoras da liberdade interior, às vezes pelo apoio de uma amizade desinteressada, pela oração e pela graça sacramental, podem e devem se aproximar, gradual e resolutamente, da perfeição cristã”.

AS PESSOAS HOMOSSEXUAIS
Hoje, algumas pessoas parecem não entender ou aceitar que a homossexualidade supõe uma desordem (psicológica e moral), uma anomalia no modo de viver a sexualidade segundo corresponde à condição específica de varão ou mulher.
Pe. Juan Moya, doutor em Medicina

A propósito de um suposto caso de homossexualidade, que alguns meios informativos espalharam chamativamente, parece oportuno deter-se a ver as causas da homossexualidade, se tem alguma justificação e como ajudar aos que desejem retificar essa conduta sexual.

Algumas causas
Hoje, algumas pessoas parecem não entender ou aceitar que a homossexualidade supõe uma desordem (psicológica e moral), uma anomalia no modo de viver a sexualidade segundo corresponde à condição específica de varão ou mulher. Algumas das causas dessa dificuldade são a influência de uma ideologia que pretende definir a “identidade sexual” não em função do sexo senão da cultura e a livre escolha de cada indivíduo. A isso se acrescenta a insistência dos grupos de homossexuais nos meios de comunicação reclamando o suposto direito a ser diferentes numa sociedade multicultural, ou bem uma consideração da sexualidade sem referências éticas, pelo que seria tão lícita a tendência heterossexual como a homossexual, sem mais limites que não abusar da outra pessoa. Outras vezes se apoiam em presuntas causas genéticas ou biológicas, pelas que um indivíduo teria essa tendência sem poder fazer nada para evitá-lo.
Segundo explica o psiquiatra holandês Dr. Gerard J.M. van den Aardweg em seu livro “Homosexualidad y esperanza” (Eunsa, 1977), tiveram muita influência a decisão que em 1973 tomou a Associação Americana de Psiquiatria, de suprimir a homofilia na relação de transtornos da sexualidade, e passar a chamá-la “condição homossexual” das pessoas, como se fosse algo inato e portanto normal e legítimo. Essa mudança se deveu a fortes pressões de homossexuais militantes, contra os 70 % dos profissionais da psiquiatria, que influenciaram no Conselho de direção da Associação. A partir de então, mudou o modo de explicar a homossexualidade nas universidades, as terapias se consideravam, para muitos, um tabu. Essa atitude se difundiu a outros países e a defesa da homossexualidade se politizou. Hoje, em muitos países, se explica ceticamente nas aulas de colégios como uma opção sexual legítima a mais. Em boa parte, a difusão da AIDS entre homossexuais poderia ter-se evitado com uma informação correta sobre a homossexualidade.
Entre as causas da difusão da homossexualidade, quase sempre está presente a grande influência negativa que deixaram em muitos a “revolução sexual” dos anos 60, que queria “liberalizar” a sexualidade humana das normas da moral tradicional, supostamente antiquadas, e considerá-la como simples bem de consumo e meio para alcançar o prazer. A castidade e a continência sexual eram vistas por muitos como antinaturais e impossíveis de viver; começou a não admitir-se que o comportamento sexual fosse imoral se era contrário à natureza do homem: o “natural” e o “antinatural” dependeria da cultura e sensibilidade pessoais. No fundo desta colocação há também, segundo o Cardeal Ratzinger, um esquecimento ou abandono da teologia da criação, que ensina que o homem está ancorado no ser e na sabedoria de Deus. Ao perder esta dependência, o homem depende só de si mesmo, de seu próprio modo de ver e entender a realidade. O homem fica a mercê de idéias cambiantes e de grupos de pressão que guiam as massas (Introdução à “Carta sobre a atenção pastoral às pessoas homossexuais”, 1986).
Faz anos, trabalhos sérios de Psiquiatria (I Bieber, T.B. Bieber, “Male Homosexuality”, Canadian Journal of Psychiatry, 24 (1979), 409-421, pag. 411 e ss. R. T. Barnhouse, “Homosexuality: a symbolic confusion”, Seabury Press, N. York, 1977) parecem demonstrar a influência das relações afetivas paterno-filiais na infância e adolescência sobre a tendência hetero ou homossexual. De muitos casos estudados concluem que uma boa relação paterna com seu filho é uma garantia da correta maduração sexual do filho (não terá tendência homossexual). Mas não é sempre certa a afirmação contrária: o filho de um pai agressivo não tem porque chegar a ser homossexual. Para estes autores, a homossexualidade em jovens pode ter um significado defensivo: pode expressar tanto o desejo do afeto paterno como a agressão para o pai. Esta “estratégia” defensiva se daria também na mulher, ainda que no sexo feminino a homossexualidade é menor.
Tanto no homem como na mulher homossexual, a carência afetiva na relação com o progenitor correspondente, lhe levaria a “reparar” essa falta por meio de relações com pessoas do mesmo sexo. Assim, as relações homossexuais seriam o “encontro entre duas pessoas, cada uma das quais se sente incompleta (como varão, ou como mulher). Cada pessoa usa à outra para completar-se a si mesma; desejando não só uma gratificação sexual em sentido estrito, senão também um sentido de segurança, proteção, auto-estima, domínio, etc. No caso extremo, simulam ser juntos uma só pessoa mais completa. Este modo de atuar contradiz o sentido cristão da sexualidade -e o mesmo sentido natural-, que é a auto-doação recíproca na complementariedade dos sexos. Os atos homossexuais, ainda que de modo imediato possam produzir um alívio, a longo prazo não resolvem os problemas mais profundos; podem produzir um bem parcial, mas não o bem integral da pessoa. São atos defensivos e não auto-transcendentes. Os desejos homossexuais estão motivados também por depressões que vem da juventude: por sentimentos de solidão, complexo de inferioridade acerca da identidade sexual, sentimentos de auto-dramatização, etc; tudo o contrário à esperança.

Diversos tipos
Se costuma distinguir entre tendência homossexual e atos sexuais. Estes últimos, por estar privados de sua finalidade essencial são intrinsecamente desordenados: não expressam a união complementária dos sexos, capaz de transmitir a vida. A atividade homossexual anula o rico simbolismo do desígnio de Deus que criou ao homem a sua imagem e semelhança como varão e mulher; de outra parte, esta atividade reforça a inclinação sexual desordenada caracterizada pela auto-complacência.
Enquanto à tendência homossexual, a origem pode ser diversa. Em uns casos se deve sobretudo a uma má educação sexual, a hábitos ou costumes desordenados adquiridos durante a infância, adolescência ou inclusive os primeiros anos da juventude. Outras vezes “um número apreciável de homens e mulheres apresentam tendências homossexuais profundamente radicadas. Esta inclinação, objetivamente desordenada, constitui para a maioria deles uma autêntica prova” (Catecismo da Igreja, n. 2358).
Deste tipo último de pessoas alguns afirmam que não tem alternativa e estão obrigados a comportar-se de uma maneira homossexual; não seriam portanto livres de escolher seu modo de viver a sexualidade e obrariam sem culpa. Segundo o Dr. van den Aardweg, “é preciso que dissipar a nuvem de fatalismo que envolve à homossexualidade: de se está nos genes, ou de se é uma variante mais da sexualidade, ou de se pode mudar-se. São ‘slogans’ de propaganda. O convencimento de que não pesa sobre alguém um determinismo hereditário oferece perspectivas de esperança”. Em princípio, toda pessoa que possua capacidade de raciocinar e decidir, pode, com os meios oportunos, “controlar” sua tendência sexual, seja homo ou heterossexual, sem chegar a realizar atos sexuais ilícitos. Se pode afirmar que estas pessoas, “graças à liberdade, o esforço humano, iluminado e sustentado pela graça de Deus, poderá permitir-lhes evitar a ação homossexual” (C. Doutrina da Fé, “Atenção pastoral às pessoas homossexuais”, n. 7). E no caso de que houvesse uma predisposição biológica, não poderia considerar-se normal, como não se consideram normais outras alterações psíquicas.
Outros autores distinguem, desde várias décadas (cfr. L. Ovesey, “Homosexuality and Pseudohomo sexuality”, Sciencie House, New York, 1967, pp. 964-965) diversas motivações nas relações homossexuais, que diferenciam a uns homossexuais de outros. De uma parte estaria o homossexual manifesto, para o que a gratificação sexual possui importância primária, ainda que também possam intervir outras motivações de dependência ou de domínio. E distinto ao anterior seria o chamado pseudo-homossexual, no que o que prevalece em suas relações são as motivações de dependência ou de domínio (ou as duas) e secundariamente as relações sexuais.
Este segundo tipo de homossexualidade é mais fácil de superar. A homossexualidade manifesta é mais difícil: se trata de pessoas que tiveram uma orientação exclusivamente homossexual desde a puberdade e lhes será muito difícil mudar esse sentido. “Não é fácil responder à pergunta sobre si se nasce ou não homossexual. O que sim é certo é que se aprende a sê-lo”, afirma o Dr. Gianfrascesco Zuannazzi.
Ainda se poderia distinguir um terceiro tipo, o chamado homossexual imaginário: varões adolescentes em períodos de depressão ou insegurança. É mais bem uma situação passageira, na maioria dos casos, que termina a alcançar uma maturidade psicológica e afetiva maior.
A pessoa homossexual pode ter ou não outras alterações psicológicas, além do mais de sua tendência homossexual. De todos modos, seu comportamento “como casal” costuma ser instável, caracterizado por um afã de possuir ao outro, com exigências freqüentemente insatisfeitas, com infidelidades, ciúmes e rancores. E o amor pelo outro não resolve o problema da solidão. O narcisismo é um rasgo característico da personalidade do homossexual: e esse centrar-se em si mesmo facilita a homossexualidade. A homossexualidade “é um estilo de vida que cria adição e, à vez, uma espécie de frigidez. Como não estás satisfeito aumentas a dose e, em conseqüência, se multiplicam as frustrações (…) A imagem de “casal” de homossexuais felizes, como espelho do matrimônio, é uma mentira com fins propagandísticos. Suas relações e contatos são neuróticos. Entre eles não são exceção a infidelidade, os ciúmes, a solidão e as depressões (…) 60 % dessas relações duram um ano, e só 7 % superam os cinco anos”, escreve o já citado Dr. van den Aardweg.

Atitude da Igreja
A Igreja, em todo caso, não tem dúvida em afirmar que “as pessoas homossexuais -que devem ser acolhidas com respeito, compaixão e delicadeza, evitando todo sinal de discriminação injusta- estão chamadas à castidade. Mediante virtudes de domínio de si mesmo que eduquem a liberdade interior, e às vezes mediante o apoio de uma amizade desinteressada, da oração e da graça sacramental (Catecismo, nn. 2358 e 2359)”. E recorda igualmente que “quando rechaça as doutrinas errôneas em relação com a homossexualidade, não limita senão que mais bem defende a liberdade e a dignidade da pessoa, entendidas de modo realístico e autêntico” (Atención pastoral.., n. 7), posto que a pessoa não se define adequadamente fazendo referência exclusiva a sua identidade sexual (étero ou homossexual). A identidade fundamental da pessoa é comum a todos: “ser criatura e, por graça, filho de Deus, herdeiro da vida eterna” (Ibidem, n. 16).
O homossexual pode sair dessa situação, se o deseja. “Deve convencer-se de que pode e de que a castidade é um ideal possível e vantajoso. Devem estar dispostos a evitar os contatos, os lugares de encontro. Deverão lutar contra a masturbação, não ceder às fantasias sexuais, vencendo a curiosidade na internet ou em publicações pornográficas. Deverão buscar ajudas e no tempo livre fomentar atividades sãs e boas companhias”, aconselha o Dr. van den Aardweg. Entre os homossexuais e lésbicas, os que têm motivações religiosas são os que mais desejam viver a castidade.

A oração que tem transformado a vida dos homens

Masculinidade

Existe uma oração que está transformando a vida dos homens e impulsionando-os a buscar sua verdadeira missão

Algo novo tem acontecido nas paróquias. De modo até tímido, temos visto os chamados grupos de Terço dos Homens começarem e, aos poucos, angariarem cada vez mais varões, podendo, em não poucos casos, chegarem a mil, mil e quinhentas, duas mil pessoas para a oração do Santo Terço.

O mais importante é que essa oração tem transformado a vida de muitos homens, tirado muitos do vício, pornografia, adultério e seitas secretas; devolvendo-os à companhia da família e à frequência dos sacramentos da Igreja. Por isso achei importante escrever um livro que descrevesse todas essas maravilhas.

A obra retrata o que vem a ser o Terço dos Homens, a origem do movimento em nosso país, como acontecem essas conversões e o que se passa no íntimo desses homens. No entanto, não me contentei em falar somente do Terço dos Homens sob o aspecto da vida de oração e seus efeitos, mas vi uma ótima oportunidade de falar também de vida, de assuntos de interesse masculino, e ofertar alguma literatura que pudesse dar um norte ao homem de hoje, como é pedido pelo movimento Mãe Rainha três vezes admirável de Schoenstatt – de quem veio o principal impulso, nesses últimos tempos, para a propagação do Terço dos Homens –, em que um dos pilares dos grupos de Terço é a formação humana para os homens.

Tenho percebido que, a partir da oração do Rosário, os homens têm se convertido, voltado aos sacramentos e, a partir disso, buscado um sentido maior para a vida deles; daí vem a segunda parte do título do livro: ‘A grande missão masculina’.

Mas qual é essa grande missão?

Vou relatar, brevemente aqui, quatro características das quais Deus pensou para o homem em sua origem, desde quando formou o ser masculino, a fim de que este chegue a concretizar sua missão neste mundo.

Acolhedor – Deus fez o homem primeiro que a mulher. Por quê? Para ele ser maior que ela? Não! Para que, a partir do que Ele criou, preparar-lhe o ambiente. O homem é como o anfitrião da mulher.

Podemos ver essa imagem também na cultura judaica. Quando um casal estava prometido em casamento, sabemos, pela tradição, que a obrigação de construir a casa era do homem e, no dia do casamento, ele ia buscar, com os seus amigos (cf. Jo 3,29), a noiva, que o esperava na casa de seus pais junto com as virgens (cf. Mt 25,1). Portanto, a mulher foi dada ao homem, o Senhor a apresentou a ele (cf. Gn 2,22). Temos de ver as mulheres de forma diferente da que o mundo nos propõe; temos de vê-las pela ótica do Senhor, ou seja, como Deus as vê. A partir daí, conseguiremos enxergar a riqueza daquela que compartilhará nossa vocação esponsal.

Portanto, se um homem não respeita, não acolhe nem tem cuidado com a mulher, se ele a enxerga como objeto de sua satisfação, está agindo fora de sua própria essência, pois está desobedecendo ao sentido de sua existência e, consequentemente, não se realizará enquanto pessoa, não será feliz.

Você já viu algum homem feliz ou de bem com a vida, que usa ou expõe uma mulher, que a tortura psicologicamente, a agride verbal ou fisicamente?

Dom de autoridade de Deus Pai

Condutor – O homem deve “Chamar para si a responsabilidade de guiar sua esposa e seus filhos pelos caminhos corretos e santos para chegarem ao Céu.[…] Conduzir aqui não significa ser opressor, invasor, centrado em si mesmo, que faz com que todos sigam seu pensamento. Mas simboliza o sacrifício de si próprio para o bem-estar do outro. Muitas vezes, aquele que vai à frente numa viagem é o que se dispõe a colocar-se primeiro diante dos riscos, justamente para assegurar a vida daqueles que vêm atrás. Ele motiva e estimula quando necessário, mas está atento aos seus e ao ritmo diferente de cada um. Certa vez, lendo um livro de espiritualidade, encontrei uma representação do que é isso:[..] ‘Quando meu pai colocou o anel no dedo da minha mãe, e o padre os declarou marido e mulher, Nosso Senhor entregou ao meu pai um cajado, que parecia um pauzinho curvo de Luz, tratava-se de uma graça que Deus dá ao homem. É um dom de autoridade de Deus Pai, para esse homem guiar o pequeno rebanho que são os filhos, que nascem desse matrimônio, e também para defender o matrimônio’ (Lv. ‘O livro da vida! Da ilusão à verdade’. POLO, Glória. Goiânia: América Ltda, 2009. p. 40)”.

A mais profunda vocação do homem é ser pai

Paternidade – A mais profunda vocação do homem é ser pai. Ele nasce e se desenvolve para isso. O homem, com tudo o que lhe pertence – seus dons, talentos e habilidades, todo seu conhecimento, prática e técnica que adquire, tudo o que desenvolve durante sua vida –, só encontrará plena realização se canalizar tudo para o exercício da sua paternidade.

Geralmente, é a figura paterna quem ensina o filho a andar de bicicleta – segura-o para não cair, soltando-o quando vê que ele já adquiriu certo equilíbrio, ainda que o pequeno não confie em si mesmo. A criança experimenta o prazer de ser desafiada pelas ocasiões da existência e alcançar pequenas vitórias pessoais. Também é o pai quem, na maioria das vezes, brinca pedindo ao filho que pule de alguma altura para segurá-lo no colo. Dificilmente, veremos uma mãe brincando assim!

Tudo isso vai sendo registrado na cabecinha da criança como: “Você é capaz”, “Eu acredito em você”, “Existe alguém junto com você, alguém que o olha, mesmo quando você se sente sozinho no desafio”.

Na pré-adolescência ou juventude, também é comum que seja o pai a ensinar como o mundo funciona ou até mesmo ensinar um ofício ao seu filho. Jesus aprendeu a ser carpinteiro com seu pai José.

Se um pai não gosta de trabalhar, é adúltero ou cultiva vícios, seu filho seguirá seu exemplo ou entrará em “pé de guerra” contra ele.

Todo homem precisa de uma luta

Enfrentamento – “O substrato básico do ser humano está na feminilidade, e o sexo masculino, para se desenvolver, precisa surgir por meio de um esforço”. Isso é verdadeiro biológica, psíquica e espiritualmente.

Biológico, pois o embrião inicialmente é feminino. Se seguir de forma linear, ou seja, conforme já vem acontecendo o desenvolvimento do embrião desde sua fecundação, nascerá então uma menina. Para que surja um menino, é preciso que ocorra uma revolução química. Não que não haja as propriedades masculinas, o cromossomo Y está ali, mas precisa acontecer essa revolução.

Psíquico, porque tanto o menino quanto a menina são criados pela mãe; consequentemente, ficam mais tempo com ela. As meninas estão em harmonia com a mãe e se desenvolvem femininas. O menino precisa se afastar do mundo da mãe e, ao afastar-se, torna-se homem.

Espiritual, porque “o homem deixará seu pai e sua mãe e se unirá a sua mulher”.

Desde pequenos, buscamos autenticar nossa masculinidade – competimos entre nós, desafiamo-nos, impomos condições, ritos de passagem para sermos aceitos e aprovarmos o outro.

Todo homem precisa ter por que lutar. O prêmio final, a vitória será a consequência do que adquirirmos durante a batalha. Portanto, a grande missão masculina é sermos acolhedores, condutores e paternos, enfrentarmos o mundo como linha de frente.

Que grande graça é o Terço dos Homens! A partir da oração simples, mas feita com o coração, ele pode revelar e autenticar todas essas características que Deus já depositou em nós.

Não canso de repetir que esse movimento é iniciativa de Nossa Senhora, a mulher que gerou Jesus e quer formar, gerar em nós características, infundir em nós o mesmo Espírito de Seu Filho divino. Cristo é o modelo do homem que frequenta o Terço dos Homens.

Sandro Aparecido Arquejada é missionário da Comunidade Canção Nova. Formado em administração de empresas pela Faculdade Salesiana de Lins (SP). Atualmente trabalha no setor de Novas Tecnologias da TV Canção Nova. É autor do livro “Maria, humana como nós” e “As cinco fases do namoro”. Também é colunista do Portal Canção Nova, além de escrever para algumas mídias seculares.

Papa Francisco: a Igreja cresce no silêncio, sem dar espetáculo

Quinta-feira, 15 de novembro de 2018, Da redação, com Vatican News
https://noticias.cancaonova.com/especiais/pontificado/francisco/papa-francisco-igreja-cresce-no-silencio-sem-dar-espetaculo/

Em homilia, Papa falou sobre a Igreja e a chegada do Reino de Deus

Papa Francisco, durante a Missa na Casa Santa Marta, nesta quinta-feira, 15./ Foto: Vatican Media

A Igreja cresce “na simplicidade, no silêncio, no louvor, no sacrifício eucarístico, na comunidade fraterna, onde todos amam e não se prejudicam”. Foi o que disse o Papa Francisco ao celebrar a Missa na capela da Casa Santa Marta, nesta quinta-feira, 15.

Comentando o episódio do Evangelho do dia, de Lucas (Lc 17,20-25), o Pontífice reiterou que “o Reino de Deus” não é um espetáculo e cresce no silêncio.

As boas obras não fazem notícia

A Igreja, portanto, se manifesta “na Eucaristia e nas boas obras”, mesmo que aparentemente não “são notícia”. A Esposa de Cristo tem um temperamento silencioso, gera frutos “sem fazer barulho”, sem “tocar a trombeta como os fariseus”.

O Senhor nos explicou como cresce a Igreja com a parábola do semeador. O semeador semeia e a semente cresce de dia, de noite… – Deus provoca o crescimento – e depois se veem os frutos. Mas isto é importante: primeiro, a Igreja cresce em silêncio, escondida; é o estilo eclesial. E como se manifesta na Igreja? Através dos frutos das boas obras, para que as pessoas vejam e glorifiquem o Pai que está no céu – afirma Jesus – e na celebração – o louvor e o sacrifício do Senhor – isto é, na Eucaristia. Ali se manifesta a Igreja; na Eucaristia e nas boas obras.

A tentação da sedução

“A Igreja cresce por testemunho, por oração, por atração do Espírito que está dentro – insistiu o Papa na homilia – não pelos eventos”. Certamente que eles ajudam, mas “o crescimento da Igreja, que dá fruto, é em silêncio, escondido com as boas obras e a celebração da Páscoa do Senhor, o louvor de Deus”.

O Senhor nos ajuda a não cair na tentação da sedução. “Gostaríamos que a Igreja fosse mais visível; o que podemos fazer para que seja vista?” Eh! E normalmente se cai numa Igreja dos eventos que não é capaz de crescer em silêncio com as boas obras, escondido.

O espírito do mundo não tolera o martírio

Num mundo onde com frequência se cede à tentação de fazer espetáculo, da mundanidade, do aparecer, Francisco recordou que também Jesus ficou lisonjeado por essas fragilidades, mas Ele escolheu “o caminho da pregação, da oração, das boas obras”, “da cruz” e “do sofrimento”.

A Cruz e o sofrimento. A Igreja cresce também com o sangue dos mártires, homens e mulheres que dão a vida. Hoje existem muitos. Curioso: não são notícia. O mundo esconde isso. O espírito do mundo não tolera o martírio, o esconde.

Rezemos pelas almas do Purgatório

Hoje, 02, Dia de Finados, a Igreja celebra Missas nas paróquias e cemitérios, especialmente em intenção dos falecidos. Para nós cristãos participar desta celebração é um ato de gratidão e fé, pois é o dia em que nos lembramos de nossos entes queridos que estão juntos de Deus.

Para os que tem fé, a morte não é o fim da vida, mas o momento que partimos para a vida eterna. A liturgia nos diz: ‘Para os que creem a vida não é tirada, mas transformada’.

Segundo professor Felipe Aquino, essa frase é muito significativa, pois reforça que a vida não termina após a morte, mas continua de uma outra forma.

“Depois da morte, o corpo separa-se da alma. O corpo fica na terra; e a parte espiritual (alma), onde está todo o intelecto – a vontade, a liberdade, a ciência, a capacidade de amar e a memória – é preservada. Agora, a alma vive sem o corpo, é uma vida nova e volta-se para Deus”, explicou professor Felipe.

O Catecismo da Igreja Católica traz uma reflexão muito bonita e rica para falar sobre a morte, além de ser a visão correta e teológica da Igreja.

“Eu recomendaria que olhássemos, na primeira parte do Catecismo, o credo que diz: ‘Creio na vida eterna’. Este trecho traz uma visão muito bonita e correta, porque é a palavra da Igreja. Penso que é a melhor reflexão sobre a morte que está no Catecismo. Existem muitos livros sobre isso e vários santos escreveram sobre o assunto, como Santa Teresa, Santo Afonso de Ligório, Santo Agostinho e muitos outros, os quais falaram sobre a morte, mostrando exatamente que nós tivemos de morrer por causa do pecado original. A natureza humana foi criada sem defeitos por Deus, mas o pecado original se tornou a natureza defeituosa. Assim, o homem passa pela morte e se refez, ou seja, ele adquire uma vida na eternidade que não tem mais as sequelas desta vida terrena de sofrimento, angústia e tristeza”, citou o professor.

A morte é o momento de passagem e de alegria para aquele que tem fé, pois eles entenderam a beleza do que vem depois da morte.

Neste Dia de Finados, a Igreja propõe aos católicos que pensem nos mortos, mas com a esperança na Ressurreição. Portanto, para os cristãos que visitam o cemitério e rezam pelos falecidos, a Igreja concede uma indulgência plenária.

Na semana das almas, do dia 1º ao dia 8 de novembro, a Igreja concede Indulgência Plenária para aqueles que já faleceram, ou seja, é quando rezamos pela alma de alguém. É um momento especial que a Igreja coloca para o sufrágio da alma (oração pelos mortos).

“A indulgência é o cancelamento das penas devidas pelos pecados que nós cometemos e que já foram perdoados na confissão. Mas é preciso explicar uma coisa: quando se comete um pecado grave, há duas consequências: a culpa e a pena. A culpa é aquela ofensa que se faz a Deus e a confissão perdoa. No entanto, ainda fica a chamada ‘pena temporal’, o estrago causado pelo pecado na sua própria alma, porque você deixou de ser mais santo. Então, há de querer recuperar isso. Essa pena nós cumprimos aqui na terra com orações e penitências ou no purgatório se a pessoa morrer com elas”, esclarece professor Felipe.

Para ganhar essa indulgência é preciso fazer uma boa confissão, participar da Eucaristia, rezar um Pai-Nosso e uma Ave-Maria e realizar um destes momentos: um terço em família diante de uma imagem sagrada ou 30 minutos de adoração do Santíssimo na Igreja ou fazer a via-sacra na Igreja, seguindo as 14 estações ou 30 minutos de leitura meditada da Bíblia.

“Mas que um dia de tristeza, finados é um dia de esperança, assim como diz a liturgia: ‘Se um dia a lembrança da morte nos entristece, a certeza da Ressurreição nos alivia e nos consola’”, disse Aquino.

Amar Cristo sem a Igreja é dicotomia absurda

Homilia, quinta-feira, 30 de janeiro  de 2014, Da Redação, com Rádio Vaticano

Santo Padre destacou três pilares essenciais para o sentido de pertença à Igreja

“Não se entende um cristão sem a Igreja”. Este foi o aspecto enfatizado pelo Papa Francisco, na Missa desta quinta-feira, 30, na Casa Santa Marta. O Pontífice indicou três pilares do sentido de pertença eclesial: a humildade, a fidelidade e a oração pela Igreja.

A homilia do Papa partiu da figura do rei Davi, apresentada nas leituras do dia. Trata-se de um homem, explicou o Papa, que fala com o Senhor como um filho fala com o pai, e que tinha um sentimento forte de pertença ao povo de Deus. Isso leva o homem a refletir, hoje, sobre o sentido de sua pertença à Igreja.

“O cristão não é um batizado que recebe o batismo e, depois, segue adiante pelo seu caminho. O primeiro fruto do batismo é fazer-se pertencente à Igreja, ao povo de Deus. Não se entende um cristão sem Igreja. E, por isso, o grande Paulo VI dizia que é uma dicotomia absurda amar Cristo sem amar a Igreja; escutar Deus, mas não a Igreja; estar com Cristo à margem da Igreja. Não se pode. É uma dicotomia absurda”.

O sentido eclesial dessa pertença, segundo Francisco, está justamente no sentir, pensar e querer dentro da Igreja. O primeiro passo para isso é a humildade, reconhecendo a pequenez humana diante da grandeza de Deus. “A história da Igreja começou antes de nós e continuará depois de nós. Humildade: somos uma pequena parte de um grande povo, que segue na estrada do Senhor”.

O segundo aspecto destacado pelo Santo Padre é a fidelidade, que está ligada à obediência. Trata-se de ser fiel aos ensinamentos da Igreja, ao Credo, à Doutrina. Ele recordou o que dizia Paulo VI sobre a transmissão da mensagem do Evangelho: esta é recebida como um dom e deve ser transmitida como tal, o que requer fidelidade.

E como terceiro pilar, Francisco falou da necessidade de rezar pela Igreja. “Rezar por toda a Igreja, em todas as partes do mundo. Que o Senhor nos ajude a seguir por essa estrada para aprofundar a nossa pertença à Igreja e o nosso sentir com ela”.

As Religiões se equivalem?

Revista: PERGUNTE E RESPONDEREMOS / D. Estevão Bettencourt, osb

TODAS AS RELIGIÕES SÃO EQUIVALENTES ENTRE SI?

Em síntese: A resposta á pergunta exige a distinção entre o aspecto objetivo e o aspecto subjetivo da Religião.
Objetivamente falando, não são todas as religiões equivalentes entre Si, pois ensinam Credos diferentes, com Códigos de Ética diferentes (reencarnação ou não, poligamia ou não, divórcio ou não…). A Igreja Católica é a única portadora da Revelação confiada por Deus aos homens.
– Subjetivamente falando, pode-se dizer que o fiel de uma religião não católica poderá salvar-se nela, se a professar e vivenciar de coração sincero, julgando com certeza estar no caminho reto. Deus não pede mais do que aquilo que Ele revela e o coração do homem cândido e leal lhe pode dar. Não é raro ouvir-se que todas as religiões são boas ou são equivalentes entre Si.
Afirma-se que é preciso crer, … crer em alguma coisa, não importa em que coisa. O sentimento religioso seria um sentimento como a honestidade, a benevolência, o ser metódico…, sentimento que ‘cai bem’ ou que faz bem à saúde. O aspecto subjetivo da religiosidade prevaleceria. Ademais toda religião prega os bons costumes e a educação, de modo que não haveria por que preferir um a outro sistema religioso. É a esta temática que vamos dedicar a nossa atenção.
Refletindo…
O problema exige que distingamos o aspecto objetivo e o aspecto subjetivo da religião.

1. Aspecto objetivo
Não se pode dizer que todas as religiões são equivalentes entre Si, pois não coincidem entre si quanto ao Credo: algumas são politeístas (admitem vários deuses), outras são panteístas (identificam a Divindade, o mundo e o homem entre si), outras são monoteístas (professam um só Deus, distinto do mundo). Mesmo dentro de cada tronco há correntes e variantes… Ora a verdade é uma só, de modo que, objetivamente falando, haverá Credos verídicos (em grau pleno ou menos pleno) e Credos errôneos. Sem dúvida, o senso religioso nato é o mesmo em todos os homens. Ele tem as mesmas expressões religiosas, independentemente do Credo que professam; por efeito de sua religiosidade natural, todos os homens rezam, dobram os joelhos, prostram-se por terra, levantam as mãos ao céu, e praticam as virtudes ditadas pela Ética natural: o senso religioso ensina a não matar, não roubar, não caluniar, não adulterar… Todavia, além dessa base natural comum a todas as religiões, cada religião tem o seu Credo, seu culto e sua Moral própria; neste plano é que se dão as divergências: há quem creia na reencarnação e quem não a aceite; há quem admita o divórcio, o aborto, o homossexualismo, a guerra santa, a poligamia… e há quem não os admita.
Em conclusão: objetivamente falando, as religiões não são equivalentes entre si; não são igualmente verídicas, nem são igualmente boas. Os católicos, a bom título, dizem que só há uma religião revelada por Deus: a que culmina em Jesus Cristo e se prolonga através dos séculos no Corpo de Cristo que é a Igreja confiada por Jesus a Pedro e seus sucessores.
É o que o Concílio do Vaticano II professa na Declaração Dignitatis Humanae nº 1. Professa o Sacro Sínodo que o próprio Deus manifestou ao gênero humano o caminho pelo qual os homens, servindo a Ele, pudessem salvar-se e tornar-se felizes em Cristo. Cremos que essa única verdadeira Religião subsiste na Igreja católica e apostólica, a quem o Senhor Jesus confiou a tarefa de difundi-la aos homens todos, quando disse aos Apóstolos: `Ide pois e ensinai os povos todos, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-lhes a guardar tudo quanto vos mandei` (Mt 28, 19-20). Por sua vez, estão os homens todos obrigados a procurar a verdade, sobretudo aquela que diz respeito a Deus e a Sua Igreja e, depois de conhecê-la, a abraçá-la e praticá-la).
Na Constituição Lumen Gentium nº 8 lê-se: ‘Esta é a única Igreja de Cristo, que no Símbolo professamos una, santa, católica e apostólica (12), e que o nosso Salvador, depois da sua Ressurreição, confiou a Pedro para que ele a apascentasse (Jo 21, 17), encarregando-o, assim como aos demais Apóstolos, de a difundirem e de a governarem (cf. Mt 28, 18s), levantando-a para sempre como `coluna e esteio da verdade` (1Tm 3, 15). Esta Igreja, como sociedade constituída e organizada neste mundo, subsiste na Igreja Católica, governada pelo sucessor de Pedro e pelos Bispos em comunhão com ele, ainda que fora do seu corpo se encontrem realmente vários elementos de santificação e de verdade, elementos que, na sua qualidade de dons próprios da Igreja de Cristo, conduzem para a unidade católica’.

2. Aspecto subjetivo
É fato que nem todos os homens chegam ao conhecimento do Evangelho tal como Jesus Cristo o pregou e continua a pregar na sua Igreja; não tem culpa disto. Todavia tem coração reto e sincero ao seguir uma filosofia religiosa diferente do Catolicismo: não duvidam de que estão professando a verdade e a ela devem obedecer, mesmo praticando a poligamia ou crendo que a reencarnação divide os homens em castas diferentes, que tem que sofrer (uns) ou ser inclementes (outros). A tais pessoas Deus não pedirá contas do que não tiver revelado ou do que tiverem ignorado sem culpa própria. Poderão salvar-se não pelo falso Credo que professam, mas pela boa fé ou sinceridade cândida com que o professam.
É o que declara a Constituição Lumen Gentium nº 16: ‘Aqueles que ignoram sem culpa o Evangelho de Cristo e sua Igreja, mas buscam a Deus na sinceridade do coração, e se esforçam, sob a ação da graça, por cumprir na vida a sua vontade, conhecida através dos ditames da consciência, também esses podem alcançar a salvação eterna. Nem a Divina Providência nega os meios necessários para a salvação aqueles que, sem culpa, ainda não chegaram ao conhecimento explícito de Deus, mas procuram com a graça divina viver retamente. De fato, tudo o que neles há de bom e de verdadeiro, considera-o a Igreja como preparação evangélica e dom daquele que ilumina todo homem para que afinal venha a ter vida’.
Ou ainda a Constituição Gaudium et Spes nº 22: ‘Tendo Cristo morrido por todos e sendo uma só a vocação última do homem, isto é, divina, devemos admitir que o Espírito Santo oferece a todos a possibilidade de se associarem, de modo conhecido por Deus, a este mistério pascal)’. Assim, de um lado, fica excluído todo relativismo religioso – o que seria relativizar a verdade. Doutro lado, fica excluído também todo fanatismo cego, que não leva em conta a inocência ou a candura de quem, sem culpa própria, não adere à verdade, mas se esforça por cumprir o que o único Deus lhe revela através dos ditames da consciência reta e sincera. Deve-se acrescentar que quem se salva fora da Igreja visível, salva-se por Cristo e pela Igreja Católica, mesmo que não conheça Cristo e a Igreja. Não há outro caminho de salvação senão Jesus Cristo e seu Corpo Místico.

A Igreja é chamada a proclamar a Palavra até o martírio

Missa na Casa Santa Marta, segunda-feira, 24 de junho  de 2013, Da Redação, com Rádio Vaticano

Francisco destacou que a Igreja não deve conservar algo para si, mas estar sempre a serviço do Evangelho

Como São João, a Igreja é chamada a proclamar a Palavra de Deus até o martírio. Foi o que sublinhou o Papa Francisco na Missa celebrada nesta manhã, 24, na Casa Santa Marta. No dia em que a Igreja celebra a Solenidade do Nascimento de São João Batista, o Papa reafirmou que a Igreja não deve jamais conservar algo para si mesma, mas estar sempre a serviço do Evangelho.

O Santo Padre explicou que o mistério de João é que ele nunca se apodera da Palavra; o sentido de sua vida é indicar o outro. Francisco atentou ainda para o fato de que a Igreja escolheu para a festa de São João um período em que os dias são mais longos, em que há mais luz, e realmente João era o homem que carregava a luz.

“João parece ser nada. Essa é a vocação de João, anular-se. E quando contemplamos a vida deste homem, tão grande, tão poderoso – todos acreditavam que ele era o Messias -, quando contemplamos essa vida, como se anula até a escuridão de uma prisão, contemplamos um grande mistério. Nós não sabemos como foram os últimos dias de João. Não sabemos. Sabemos apenas que ele foi morto, a sua cabeça colocada em uma bandeja, como grande presente para uma dançarina e uma adúltera. Eu acho que mais do que isso ele não podia se rebaixar, anular-se. Esse foi o fim de João”.

O Papa contou que a figura de João o faz pensar muito na Igreja, que existe para proclamar, para ser a voz da Palavra e proclamá-la até o martírio. “João poderia tornar-se importante, poderia dizer algo sobre si mesmo. Mas eu creio jamais faria isso: indicava, sentia-se voz, não Palavra. (…) Ele não queria ser um ideólogo. Era o homem que negou a si mesmo para que a Palavra se sobressaísse. E nós, como Igreja, podemos pedir hoje a graça de não nos tornarmos uma Igreja ideologizada”, disse.

A Igreja, segundo acrescentou o Santo Padre, deve ouvir a Palavra de Jesus e se fazer voz, proclamá-la com coragem. Ele concluiu falando do “modelo” que João oferece neste dia de hoje para os fiéis e toda a Igreja: uma Igreja que esteja sempre a serviço da Palavra, que nunca tome nada para si mesma.

“Hoje na oração pedimos a graça da alegria, pedimos ao Senhor para animar esta Igreja no seu serviço à Palavra, de ser a voz desta Palavra, pregar essa Palavra. Vamos pedir a graça: a dignidade de João, sem idéias próprias, sem um Evangelho tomado como propriedade, apenas uma Igreja voz que indica a Palavra, e isso até o martírio. Assim seja!”

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