Tag: história

Acolher a vitória de Cristo sobre o mal na própria vida

Segunda-feira do Anjo

VATICANO, 01 Abr. 13 / 01:47 pm (ACI/EWTN Noticias).- Ao presidir a oração do Regina Caeli nesta segunda-feira da Oitava de Páscoa, conhecida como Segunda-feira do Anjo, o Papa Francisco alentou todos a acolher a vitória de Cristo sobre o mal em nossa vida, para que o ódio deixe lugar ao amor e a tristeza à alegria.

Ante milhares de fiéis reunidos na Praça de São Pedro, o Papa pronunciou estas palavras:

“Queridos irmãos e irmãs,

Bom dia e boa Páscoa a todos vocês! Agradeço-vos por terem vindo também hoje em grande número, para compartilhar a alegria da Páscoa, mistério central da nossa fé. Que a força da Ressurreição de Cristo possa atingir cada pessoa – especialmente quem sofre – e todas as situações mais necessitadas de confiança e esperança.

Cristo venceu o mal de modo pleno e definitivo, mas corresponde também a nós, os homens de cada tempo, acolher esta vitória na nossa vida e nas realidades concretas da história e da sociedade. Por isto parece-me importante destacar aquilo que hoje pedimos a Deus na liturgia: “Ó Pai, que fazes crescer a tua Igreja doando-lhe sempre novos filhos, concede a teus fiéis expressar na vida o sacramento que receberam na fé” (Oração Coleta da Segunda-Feira da Oitava de Páscoa).

É verdade, o Batismo que nos faz filhos de Deus, a Eucaristia que nos une a Cristo, devem transformar-se em vida, traduzir-se, isso é, em atitudes, comportamentos, gestos, escolhas. A graça contida nos Sacramentos pascais é um potencial de renovação enorme para a existência pessoal, para a vida das famílias, para as relações sociais. Mas tudo passa pelo coração humano: se eu me permito alcançar a graça de Cristo ressuscitado, se me permito mudar naquele meu aspecto que não é bom, que pode fazer mal a mim e aos outros, eu permito à vitória de Cristo ter sucesso na minha vida, ampliar a sua ação benéfica.

Este é o poder da graça! Sem a graça não posso fazer nada. Sem a graça não podemos nada! E com a graça do Batismo e da Comunhão eucarística posso me tornar instrumento da misericórdia de Deus, daquela bela misericórdia de Deus!

Expressar na vida o sacramento que recebemos: eis, queridos irmãos e irmãs, o nosso compromisso cotidiano, mas direi também a nossa alegria cotidiana! A alegria de sentir-se instrumentos da graça de Deus, como ramos da videira que é Ele próprio, animados pela seiva do seu Espírito!   Rezemos juntos, em nome do Senhor morto e ressuscitado, e pela intercessão de Maria Santíssima, para que o Mistério pascal possa operar profundamente em nós e neste nosso tempo, para que o ódio deixe lugar ao amor, a mentira à verdade, a vingança ao perdão, a tristeza à alegria”.

Depois de concluir a oração do Regina Caeli, o Santo Padre saudou os peregrinos dos distintos continentes e desejou a todos que vivam serenamente esta Segunda-feira do Anjo, na qual ressoa com força o anúncio contente da Páscoa: “Cristo ressuscitou!” e concluiu desejando “Boa Páscoa a todos! Boa Páscoa a todos e bom almoço!”.

O Mistério da Páscoa

Muito já foi escrito sobre o Mistério Pascal, inclusive ele e a sua celebração foi já objeto de três Encontros Nacionais de Liturgia em Fátima, Portugal nos anos de 1982, 1983 e 1984 e os trabalhos aí realizados foram publicados em três fascículos do Boletim de Pastoral Litúrgica daquele país. No entanto, a celebração anual da Páscoa obriga a olhar sempre, como se fosse a primeira vez, para o seu mistério, para a realidade divina que se encerra e se nos oferece no acontecimento pascal.

Páscoa começa por ser o nome de uma festa judaica, que, em cada ano, celebra o acontecimento fundamental da história do povo de Deus do Antigo Testamento: a sua libertação do Egito, onde os hebreus viviam como emigrantes reduzidos à escravidão, e a sua passagem para a Terra prometida por Deus, desde longa data, a Abraão e à sua descendência.

Páscoa chamou-se também ao cordeiro pascal, como no texto de S. Paulo: “Cristo, nossa Páscoa, foi imolado”; na verdade, o Sangue de Cristo é o penhor da libertação para todos os homens, como o sangue do cordeiro o tinha sido para os hebreus quando da saída do Egito. De fato, a oblação, até ao sangue, de Cristo na cruz realiza a passagem libertadora do pecado e da morte para a vida em Deus, como se lê no Evangelho de S. João, logo no início dos capítulos que consagrou à Paixão do Senhor: “Sabendo Jesus que era a chegada a hora de passar deste mundo para o Pai…”. Daí que Páscoa tenha vindo a significar, em última análise, no sentido real, passagem, qualquer que tenha sido na origem o seu sentido etimológico, aliás, difícil de precisar.

É, de fato, esta passagem, em primeiro lugar de Jesus e depois de todos os homens, deste mundo para o Pai o sentido último da Páscoa cristã. Aqui encontra a sua razão de ser toda a história da salvação; para aqui se encaminha, desde o princípio, a sucessão dos tempos e das gerações; aqui atinge a plenitude e revela a sua significação total a própria Encarnação do Filho de Deus; aqui finalmente encontra a Igreja de Cristo o alicerce da sua fé e a meta da sua esperança.

A Páscoa, o Mistério Pascal, ou ainda por outras palavras, os acontecimentos pascais com a sua significação divina, centra-se na morte de Jesus sobre a Cruz, pela qual Ele passou para o Pai, onde vive na vida nova da Ressurreição. “Jesus de Nazaré, o Crucificado” de Sexta-feira Santa, “não está aqui, ressuscitou”, disse o Anjo às mulheres que procuravam o seu corpo no túmulo. Tomando a condição humana na Encarnação, o Filho de Deus tomou sobre Si o pecado da humanidade; mas oferecendo-se ao Pai sobre a Cruz por todos os homens, Ele tira o pecado do mundo e, “destruindo assim a morte, manifestou a vitória da ressurreição”, para dela tornar participantes todos os homens. Para isto Ele veio ao mundo, para levar em Si e consigo os homens ao Pai. “Saí do Pai e vim ao mundo; de novo deixo o mundo e volto para o Pai”, disse Jesus, mas volta levando agora em Si o homem cuja condição assumiu.

Mistério inaudito, este da passagem pascal do homem para o Pai pela oblação do Cordeiro Pascal. É este mistério que, desde o princípio, foi o centro da liturgia cristã; aí a Igreja o recorda, aí o celebra, aí ela se torna participante, já desde a terra, da vida do Ressuscitado, antegozo da comunhão com o Pai na glória celeste.

A celebração da Páscoa

A Páscoa não é celebrada apenas no Domingo da Ressurreição, mas no Tríduo Pascal, que se inaugura com a celebração da Missa da Ceia do Senhor, ao entardecer de Quinta-feira Santa, e se conclui com a Hora de Vésperas do Domingo da Ressurreição. Não se trata propriamente de um conjunto de celebrações. O Tríduo Pascal tem um ritmo e uma unidade interna indestrutível. A sua celebração principal, e na origem a única, é a Vigília na Noite Santa. Aí se celebra todo o Mistério Pascal, o mistério da passagem da morte à vida, da terra ao céu, deste mundo para o Pai. A liturgia da Palavra desta Vigília faz memória da história da salvação desde “o princípio em que Deus criou o céu e a terra” até à Ressurreição do Crucificado: do paraíso primeiro onde o primeiro homem pecou e foi condenado a morrer até ao jardim de José de Arimatéia, onde o túmulo vazio é sinal da morte vencida, e onde o Ressuscitado Se manifesta, vivo, na glória do Pai.

Na celebração da Vigília, o mistério que a Palavra anuncia, os sacramentos logo o realizam. O Batismo, imitando na passagem pela água à morte e a sepultura com Cristo, torna os batizados realmente participantes na passagem pascal do Senhor; a Confirmação, que, em princípio, se segue ao Batismo dos adultos, comunica o Espírito Santo, dom pascal por excelência, fruto da Páscoa de Jesus; a Eucaristia, memorial máximo da Páscoa do Senhor Jesus, ao mesmo tempo em que é memória do acontecimento passado, é presença sacramental do mesmo na assembléia da Igreja e anúncio da comunhão eterna na glória futura. A Páscoa, já afirmava Santo Agostinho, celebra-se de modo sacramental, in mysterio.

A Sexta-feira e o Sábado Santo, os dois primeiros dias do Tríduo Pascal, são dias alitúrgicos, como lhes chamavam os Antigos, isto é, dias sem celebração eucarística. São os dias do jejum pascal referido na Constituição conciliar sobre a Liturgia, os dias em que o Esposo foi tirado, como Jesus tinha anunciado, “dias de amargura”, no dizer de S. Ambrósio, nos quais todo o Corpo da Igreja comunga diretamente, e como que fisicamente, na dor e na morte da sua Cabeça, Cristo crucificado, morto e sepultado. As celebrações destes dois dias são apenas Liturgias da Palavra, na celebração, aliás, magnífica, da Paixão do Senhor na tarde de Sexta-feira Santa e na Liturgia das Horas, nesse dia e no Sábado Santo. Não são dias vazios, pelo fato de neles não se celebrar a Eucaristia; são antes dois dias do grande silêncio, da grande paz, da profunda comunhão do espírito e do coração com o Homem-Deus, em que se manifesta a situação trágica do pecado dos homens, ao mesmo tempo em que o poder e a força do amor, que leva o Pai a entregar o Filho à morte por nós, e o Filho a oferecer a sua vida ao Pai pelos seus irmãos.

Cristo é o grão de trigo semeado na terra; se este não morrer, ficará infrutífero, mas se morrer, dará muito fruto. O Sábado Santo em particular faz sentir toda a pujança desta sementeira divina.

Como no fim da primeira criação Deus descansou de toda a obra que realizara assim agora também Jesus descansa sob a terra da obra desta nova criação. E “a Igreja, no Sábado Santo, permanece junto do sepulcro do Senhor, meditando na sua paixão e morte, até ao momento em que, depois da solene Vigília ou expectação noturna da ressurreição, se der lugar à alegria pascal, cuja riqueza se prolongará por cinqüenta dias”. É tudo o que o Missal Romano diz no Sábado Santo.

A Missa da Ceia do Senhor na Quinta-feira anterior é o momento de celebrar a instituição dos “sagrados mistérios”, a Eucaristia, que o Senhor, antes de sofrer a paixão, entregou aos seus discípulos para que eles os celebrassem como memorial, sempre repetível, da sua Páscoa. Esta celebração é como que a abertura de todo o Tríduo Pascal.

Já no princípio da semana, no Domingo da Paixão ou de Ramos, a procissão que acompanhou o Senhor até Jerusalém, onde vai sofrer a paixão, proclamava a vitória e o triunfo da Páscoa do Senhor, que da morte fez surgir à vida, para salvação dos homens, para glória de Deus Pai.

Fonte: Ferreira, José. O Mistério da Páscoa e a sua celebração. in O Tempo Pascal, Secretariado Nacional de Liturgia. Fátima, 1996, pp. 9-18.

Cristianismo vive sua Semana Maior

Domingo de Ramos inicia percurso mais importante do chamado ano litúrgico

São fatos repletos de realismo, os que se celebram na Semana Santa. Vividos num mistério de fé, são também dramatizados em diferentes expressões e para reviver os quadros da paixão e morte de Cristo na cruz. Assim acontece ao longo da história, gerando um conjunto de tradições que caracterizam a Semana Maior para os Cristãos. Assim acontece também nos dias de hoje, com novas formas de “representar” um Mistério. A celebração dos mistérios da Redenção, realizados por Jesus nos últimos dias da sua vida, começa pela sua entrada messiânica em Jerusalém.

O Domingo de Ramos abriu solenemente a Semana Santa, com a lembrança das Palmas e da Paixão do Senhor.

Duas celebrações marcam a Quinta-Feira Santa: a Missa Crismal e a Missa da Ceia do Senhor.

Antigamente, na manhã deste dia celebrava-se o rito da reconciliação dos penitentes, a quem tinha sido imposto o cilício em quarta-feira de cinzas. A manhã foi preenchida pela Missa Crismal, que reúne em torno do Bispo o clero da Diocese e são abençoados os óleos dos catecúmenos e dos enfermos e consagrado o Santo Óleo do Crisma. A origem da bênção dos óleos santos e do sagrado crisma é romana, embora o rito tenha marcas galicanas.

Em conformidade com a tradição latina, a bênção do óleo dos doentes faz-se antes da conclusão da oração eucarística; a bênção do óleo dos catecúmenos e do crisma é dada depois da comunhão. Permite-se, todavia, por razões pastorais, cumprir todo o rito de bênção depois da liturgia da Palavra, conservando, porém, a ordem indicada no próprio rito.

Com a Missa vespertina da Ceia do Senhor tem início o Tríduo Pascal da Paixão, Morte e Ressurreição do Senhor. É comemorada a instituição dos Sacramentos da Eucaristia e da Ordem e o mandamento do Amor (o gesto do lava-pés). A simbologia do sacrifício é expressa pela separação dos dois elementos “o pão” e “o vinho”. Esse evento do mistério de Jesus também se tornou manifesto no gesto do lava-pés. Depois do longo silêncio quaresmal, a liturgia canta o Glória.

No final da Missa, o Santíssimo Sacramento é trasladado para um outro local, desnudando-se então os altares.

Na Sexta-feira Santa não se celebra a missa, tendo lugar a celebração da morte do Senhor, com a adoração da cruz. O silêncio, o jejum e a oração marcam este dia.

A celebração da tarde é uma espécie de drama em três atos: proclamação da Palavra de Deus, apresentação e adoração da cruz, comunhão.

O Sábado Santo é dia alitúrgico: a Igreja debruça-se, no silêncio e na meditação, sobre o sepulcro do Senhor. A única celebração primitiva parece ter sido o jejum.

A Vigília Pascal é a “mãe de todas as celebrações” da Igreja. Celebra-se a Ressurreição de Cristo, a Luz que ilumina o mundo, e para transmitir esse simbolismo deve ser celebrada não antes do anoitecer e terminada antes da aurora.

Cinco elementos compõem a liturgia da Vigília Pascal: a bênção do fogo novo e do círio pascal; a proclamação da Páscoa, que é um canto de júbilo anunciando a Ressurreição do Senhor; a série de leituras sobre a História da Salvação; a renovação das promessas do Batismo e, por fim, a liturgia Eucarística. Ainda hoje continua a ser a noite por excelência do Batismo.

História

O ano litúrgico como hoje o conhecemos pretende levar os católicos a celebrar sacramentalmente a pessoa de Jesus Cristo como “memória”, “presença”, “profecia”. Na Igreja primitiva, o mistério, a celebração, a pregação, a vida cristã tiveram um único centro: a Páscoa – o culto da Igreja primitiva nasceu da Páscoa e para celebrar a Páscoa.

No início da vida cristã encontra-se o Domingo como única festa, com a única denominação de “Dia do Senhor”. Por influência das comunidades cristãs provenientes do judaísmo, surgiu depois um “grande Domingo”, como celebração anual da Páscoa.

A partir do séc. IV, com os decretos que garantiam a liberdade de culto aos cristãos, começaram-se a celebrar na Terra Santa os acontecimentos da Paixão e morte de Jesus Cristo, nos locais e às horas em que eram relatados nos Evangelhos. Nasceu assim a Semana Santa e os peregrinos estenderam este uso a todas as igrejas.

A celebração do batismo na noite de Páscoa, já em uso no século III, e a disciplina penitencial com a reconciliação dos penitentes na manhã de Quinta-feira Santa, já no século V, fizeram nascer também o período preparatório da Páscoa, ou seja, a Quaresma, inspirada nos “quarenta dias bíblicos”.

A Semana Santa apresenta-se, neste contexto, como a Semana Maior do ano litúrgico. Graças à peregrina Egéria, que viveu no final do século IV, conhecemos os rituais que envolviam estas celebrações no princípio do Cristianismo. Ela descreve em seu livro “Itinerarium” a liturgia que se desenvolveu em Jerusalém, teatro das últimas horas de vida de Jesus, e compreende o intervalo de tempo que vai do Domingo de Ramos à Páscoa.

Na Idade Média, esta semana era chamada a “semana dolorosa”, porque a Paixão de Cristo era dramatizada pelo povo, pondo em destaque os aspectos do sofrimento e da compaixão.

Atualmente, muitas igrejas locais dão ainda vida a essa tradição dramática, que se desenrola em procissões e representações da Paixão de Jesus.

Fonte: Agência Ecclesia

A Anunciação revoluciona a história

Quinta-feira, 20 de dezembro de 2018, Vatican News
https://noticias.cancaonova.com/especiais/pontificado/francisco/papa-francisco-anunciacao-revoluciona-historia/

Em Missa, Papa se detém sobre o mistério da Anunciação, o momento em que a história do homem muda completamente

Papa Francisco preside Missa na Casa Santa Marta / Foto: Vatican Media

Uma passagem do Evangelho de Lucas (Lc 1, 26-38) “difícil de pregar”, em que o “Deus das surpresas” muda o destino do homem. Foi o que enfatizou o Papa Francisco durante a Missa celebrada na capela da Casa Santa Marta.

“A passagem do Evangelho de Lucas que ouvimos nos fala do momento decisivo da história, mais revolucionário. É uma situação convulsiva, tudo muda, a história fica de cabeça para baixo. É difícil pregar sobre essa passagem. E quando no Natal ou no dia da Anunciação professamos a fé para dizer este mistério, nos ajoelhamos. É o momento em que tudo muda, tudo, da raiz. Liturgicamente hoje é o dia da raiz. A Antífona de hoje e que marca é a raiz de Jesse, “da qual nascerá um broto”. Deus se abaixa, Deus entra na história e o faz com seu estilo original: uma surpresa. O Deus das surpresas nos surpreende (mais) uma vez”.

Durante a homilia, o Pontífice relê o Evangelho de hoje, para que a assembleia possa refletir sobre o alcance do Anúncio.

O Espírito Santo descerá sobre ti, e o poder do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra. Por isso, aquele que vai nascer será chamado santo, Filho de Deus. Também Isabel, tua parenta, concebeu um filho na sua velhice. Este já é o sexto mês daquela que era chamada estéril, pois para Deus nada é impossível”. Maria disse: “Eis aqui a serva do Senhor! Faça-se em mim segundo a tua palavra”. E o anjo retirou-se de junto dela.

A misericórdia de Deus é mais forte que o pecado humano

Quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016, Da Redação, com Rádio Vaticano

Na catequese de hoje, Papa falou sobre a misericórdia na Bíblia, algo que supera todo pecado humano, como a corrupção e a exploração

Na catequese desta quarta-feira, 24, o Papa Francisco falou sobre a misericórdia na Sagrada Escritura. Ele enfatizou que a misericórdia de Deus é maior que todo mal realizado pelo homem, como a sede de poder e de riqueza que leva as pessoas à corrupção e à exploração. Bom seria se corruptos e exploradores se arrependessem, disse.

O Santo Padre explicou que, em vários trechos da Bíblia, aparecem poderosos e reis, homens que estão no topo. A riqueza e o poder podem ser boas quando colocadas a serviço do bem comum, mas quando utilizada com egoísmo e prepotência, transformam-se em instrumentos de corrupção e morte.

Como exemplo, Francisco citou o episódio descrito no Livro dos Reis, da vinha de Nabot. O Rei de Israel na época, Acab, queria comprar a vinha de Nabot; como ele se recusou, a esposa do rei armou um plano para eliminá-lo e poder fechar o negócio. Assim, transformou o poder real em arrogância e domínio.

“E essa não é uma história de outros tempos. É uma história atual, dos poderosos que, para ter mais dinheiro, exploram os pobres, exploram as pessoas. É a história do tráfico de pessoas, do trabalho escravo, das pessoas que trabalham na informalidade, com o mínimo, para enriquecer os poderosos. É a história dos políticos corruptos, que querem sempre mais e mais (…) Eis até onde leva a sede de poder: transforma-se numa cobiça que nunca se sacia”, explicou o Papa.

Mas Deus é maior que toda maldade e “jogo sujo” feitos pelo ser humano, lembrou Francisco. Em sua misericórdia, Deus envia o profeta Elias para ajudar Acab a se converter. O Rei entende o seu erro e pede perdão. “Que bonito seria se os poderosos e os exploradores de hoje fizessem o mesmo”.

Embora o rei tenha se arrependido, um inocente acabou sendo morto, o que mostra que o mal realizado tem consequências inevitáveis, deixa rastros dolorosos. Mas a misericórdia mostra o caminho a ser percorrido.

“Ela pode sanar as feridas e mudar a história. Mas abra o seu coração à misericórdia. A misericórdia divina é mais forte do que o pecado dos homens, este é o exemplo de Acab. Nós conhecemos o poder de Deus quando nos recordamos da vinda do seu Filho, que se fez homem para destruir o mal com o seu perdão. Jesus Cristo é o verdadeiro rei, mas o seu poder é completamente diferente. O seu trono é a cruz. Ele não mata. Pelo contrário, dá a vida.”

 

CATEQUESE

Queridos irmãos e irmãs, bom dia.

Prosseguimos as catequeses sobre misericórdia na Sagrada Escritura. Em diversos trechos, fala-se dos poderosos, dos reis, dos homens que estão “no alto”, e também da sua arrogância e de seus abusos. A riqueza e o poder são realidades que podem ser boas e úteis ao bem comum, se colocadas a serviço dos pobres e de todos, com justiça e caridade. Mas quando, como muitas vezes acontece, são vividas como privilégio, com egoísmo e prepotência, transformam-se em instrumentos de corrupção e morte. É o que acontece no episódio da vinha de Nabot, descrito no Primeiro Livro dos Reis, no capítulo 21, sobre o qual nos concentramos hoje.

Neste texto, conta-se que o rei de Israel, Acab, quer comprar a vinha de um homem de nome Nabot, porque esta vinha fica ao lado do palácio real. A proposta parece legítima, até mesmo generosa, mas em Israel as propriedades terrenas eram consideradas quase inalienáveis. De fato, o livro do Levítico prescreve: “A terra não se venderá para sempre, porque a terra é minha e vós estais em minha casa como estrangeiros ou hóspedes” (lv 25, 23). A terra é sagrada, é um dom do Senhor, que como tal deve ser protegido e conservado, enquanto sinal da benção divina que passa de geração em geração e garantia de dignidade para todos. Compreende-se, então, a resposta negativa de Nabot ao rei: “Deus me livre de ceder-te a herança de meus pais!” (1 Re 21, 3).

O rei Acab reage a esta recusa com amargura e desdenho. Sente-se ofendido – ele é o rei, o poderoso – diminuído na sua autoridade de soberano, e frustrado na possibilidade de satisfazer o seu desejo de posse. Vendo-o tão abatido, sua mulher Jezabel, uma rainha pagã, que tinha incrementado os cultos idólatras e fazia matar os profetas do Senhor (cfr 1 Re 18, 4), – não era bruta, era má! – decide intervir. As palavras com que se dirige ao rei são muito significativas. Sintam a maldade que está por trás dessa mulher: “Não és tu, porventura, o rei de Israel? Vamos! Come, não te incomodes. Eu te darei a vinha de Nabot de Jezrael” (v. 7). Ela coloca ênfase sobre o prestígio e sobre o poder do rei que, segundo o seu modo de ver, é questionado pela recusa de Nabot. Um poder que ela, em vez disso, considera absoluto, e pelo qual todo desejo do rei poderoso se torna ordem. O grande Santo Ambrósio escreveu um pequeno livro sobre este episódio. Chama-se “Nabot”. Fará bem a nós lê-lo neste tempo de Quaresma. É muito belo, é muito concreto.

Jesus, recordando essas coisas, nos diz: “Sabeis que os chefes das nações as subjugam e que os grandes as governam com autoridade. Não seja assim entre vós. Todo aquele que quiser tornar-se grande entre vós, se faça escravo vosso. E o que quiser tornar-se entre vós o primeiro, se faça vosso escravo” (Mt 20, 25-27). Se se perde a dimensão do serviço, o poder se transforma em arrogância e se torna domínio e opressão. É justamente isso que acontece no episódio da vinha de Nabot. Jezabel, a rainha, de modo não convencional, decide eliminar Nabot e coloca em ação o seu plano. Serve-se da aparência enganadora de uma lei perversa: envia, em nome do rei, cartas aos anciãos e aos notáveis da cidade ordenando que pelos falsos testemunhos acusem publicamente Nabot de ter maldito Deus e o rei, um crime a punir com a morte. Assim, morto Nabot, o rei pode tomar posse de sua vinha. E esta não é uma história de outros tempos, é também história de hoje, dos poderosos que, para ter mais dinheiro, exploram os pobres, exploram as pessoas. É a história do tráfico de pessoas, do trabalho escravo, das pessoas que trabalham na informalidade e com o salário mínimo para enriquecer os poderosos. É a história dos políticos corruptos, que querem mais e mais! Por isso dizia que nos fará bem hoje ler aquele livro de Santo Ambrósio sobre Nabot, porque é um livro da atualidade.

Eis onde leva o exercício de uma autoridade sem respeito pela vida, sem justiça, sem misericórdia. E eis a que coisa leva a sede de poder: torna-se ganância que quer possuir tudo. Um texto do profeta Isaías é particularmente iluminante a respeito. Nesso, o Senhor adverte contra a ganância dos ricos latifundiários que querem possuir sempre mais casas e terrenos. E diz o profeta Isaías:

“Ai de vós que ajuntai casa a casa,
e que acrescentai campo a campo,
até que não haja mais lugar
e que sejais os únicos proprietários da terra” (Is 5, 8).

E o profeta Isaías não era comunista! Deus, porém, é maior que a maldade e que os jogos sujos feitos pelos seres humanos. Na sua misericórdia envia o profeta Elias para ajudar Acab a se converter. Agora voltemos a página, e como segue a história? Deus vê este crime e bate ao coração de Acab e o rei, colocado diante do seu pecado, entende, se humilha e pede perdão. Que belo seria se os poderosos exploradores de hoje fizessem o mesmo! O Senhor aceita o seu arrependimento; todavia, um inocente foi morto e a culpa cometida terá consequências inevitáveis. O mal realizado deixa traços dolorosos e a história dos homens carrega feridas.

A misericórdia mostra também neste caso o caminho mestre que deve ser percorrido. A misericórdia pode curar as feridas e pode mudar a história. Abra o teu coração à misericórdia! A misericórdia divina é mais forte que o pecado dos homens. É mais forte, este é o exemplo de Acab! Nós conhecemos seu poder, quando recordamos a vinda do Inocente Filho de Deus que se fez homem para destruir o mal com o seu perdão. Jesus Cristo é o verdadeiro rei, mas o seu poder é completamente diferente. O seu trono é a cruz. Ele não é um rei que mata, mas, ao contrário, dá a vida. O seu andar em direção a todos, sobretudo aos mais frágeis, derrota a solidão e o destino de morte a que conduz o pecado. Jesus Cristo, com a sua proximidade e ternura, leva os pecadores no espaço da graça e do perdão. E essa é a misericórdia de Deus.

A verdadeira devoção a Nossa Senhora dos Navegantes

Entenda

http://formacao.cancaonova.com/nossa-senhora/devocao-nossa-senhora/a-verdadeira-devocao-a-nossa-senhora-dos-navegantes/

Nossa Senhora dos Navegantes é a Estrela que nos conduz no mar, por vezes tempestuoso e sombrio, da história da salvação

A devoção a Nossa Senhora dos Navegantes remonta a Idade Média, na época das Cruzadas, e está intimamente ligada ao título “Estrela do Mar”. Naquele tempo, os cruzados atravessavam o Mar Mediterrâneo rumo à Palestina para proteger os peregrinos e os lugares santos dos infiéis. Tendo em vista os perigos que enfrentariam, esses bravos homens invocavam a Santíssima Virgem Maria pelo nome de “Estrela do Mar”, pois, sob esse título, ela era conhecida como aquela que protegia os navegantes, mostrando-lhes sempre o melhor caminho e um porto seguro para a sua chegada.

Antes das travessias, os navegantes participavam da Santa Missa, na qual pediam proteção de Nossa Senhora dos Navegantes para enfrentar, com coragem, os perigos do mar, as tempestades e os ataques dos piratas.

Com o início das grandes navegações, por parte dos portugueses e espanhóis, e a descoberta de novas rotas comerciais e terras pelo mundo, a devoção a Nossa Senhora dos Navegantes cresceu ainda mais e chegou a terras cada vez mais longínquas. Sob esse título, a Santa Virgem é a padroeira dos navegantes e dos viajantes, e é também chamada de Nossa Senhora da Boa Viagem.

A origem da devoção a Nossa Senhora dos Navegantes

Essa devoção tem sua origem mais remota no título mariano “Estrela do Mar”. Até nossos dias, não foi possível datar com precisão e saber a origem desse título. No entanto, o hino litúrgico em latim “Ave maris stella”, que pode ser traduzido por “Ave, do mar estrela”, composto por volta do século VII, atesta a antiguidade da devoção a Santíssima Virgem sob este título. Todavia, não há uma unanimidade quanto à autoria e a data da composição do hino litúrgico.

Santo Tomás de Aquino, o Doutor Angélico, no seu comentário “A Saudação Angélica”, ensina-nos que a Virgem Maria foi isenta de toda maldição e é bendita entre as mulheres. Nossa Senhora é a única que suprime a maldição, traz a bênção e abre as portas do paraíso. Por isso, convém-Lhe o nome de Maria, que significa “Estrela do mar”1. Da mesma forma que os navegadores são conduzidos pela estrela do mar ao porto, os cristãos são conduzidos à glória do Reino dos Céus por Maria.

Em uma de suas memoráveis homilias, São Bernardo de Claraval, Abade e Doutor da Igreja, afirma que a Virgem Maria é comparada muito apropriadamente a uma estrela, pois esta dá a sua luz sem se alterar, tal como Nossa Senhora deu à luz o seu Filho sem danificar o seu corpo virgem. “Ela é efetivamente essa nobre ‘estrela surgida de Jacob’2, cujo esplendor ilumina o mundo inteiro, que brilha nos céus e penetra até aos infernos. […] Ela é verdadeiramente essa linda e admirável estrela que havia de elevar-se acima do mar imenso, cintilante de méritos, iluminando pelo exemplo”3.

Nossa Senhora, a padroeira dos navegantes e dos viajantes

A primeira razão da devoção a Nossa Senhora dos Navegantes, ou Nossa Senhora da Boa Viagem, é obviamente por sua proteção contras os perigos do mar, o seu socorro nas tempestades. Foi por esse motivo que essa devoção chegou aqui, juntamente com os navegantes portugueses, desde a época do descobrimento do Brasil em 22 de abril de 1500. Naquele tempo, as embarcações eram menores e não tão seguras quanto as atuais. Por isso, as pessoas que viajavam de barco não sabiam se retornariam com vida. Além disso, os recursos de navegação eram quase inexistentes. Então, era muito comum que os marinheiros se orientassem pelo sol, durante o dia; e pelas estrelas durante a noite. Dessa forma, a “Estrela do Mar”, que é a Virgem Maria, tornou-se a Senhora dos navegantes, que por ela se orientavam nas “noites escuras” das suas viagens.

Muitas são as comunidades paroquiais, e até cidades, que tem Nossa Senhora dos Navegantes como padroeira, por todo o Brasil. A sua festa é celebrada no dia 2 de fevereiro. Especialmente nas cidades litorâneas, que têm muitos pescadores e se usa muito o transporte marítimo, a devoção a Virgem Maria sob este título é muito popular, atraindo milhares de peregrinos em suas festas. Na tradicional Festa de Nossa Senhora dos Navegantes de Porto Alegre (RS), que chega este ano à sua 140ª edição, a previsão é de que cerca de 300 mil peregrinos participem4. Na cidade de Navegantes (SC), comemora-se a 120ª Festa de Nossa Senhora dos Navegantes, que é a Padroeira da cidade5. No entanto, a Festa de Nossa Senhora da Boa Viagem, que tem sua raiz na devoção a Nossa Senhora dos Navegantes, não se limitou às cidades litorâneas, mas chegou a lugares bem distantes do mar, como Belo Horizonte (MG), de onde ela é padroeira.

A devoção a Nossa Senhora dos Navegantes é associada popularmente a Iemanjá. Entretanto, a primeira, que é uma devoção católica, não tem nenhuma relação com a segunda, a não ser que as suas festas são comemoradas no mesmo dia, 2 de fevereiro. Iemanjá é um orixá feminino do Candomblé, da Umbanda e de outras crenças afro-brasileiras, que é comemorada também nos dias 15 de agosto e 8 de dezembro, datas marianas, talvez para associá-la a Nossa Senhora. A raiz dessa associação entre ambas está historicamente ligada à religiosidade do tempo da escravatura, na qual os portugueses não permitiam aos escravos o culto aos seus “deuses”. Em vista disso, muitos escravos continuaram a cultuar essas entidades nas imagens católicas, para evitar problemas com seus senhores. Infelizmente, isso ainda está enraizado na cultura e na religiosidade de muitas pessoas, que continuam a associar a Senhora dos Navegantes com Iemanjá.

Nossa Senhora dos Navegantes, a Estrela do Mar

A segunda e mais importante razão da devoção a Nossa Senhora dos Navegantes está associada com o título que lhe deu origem: “Estrela do Mar”. A Virgem Maria é essa estrela luminosa, que nos guia, que nos mostra a direção certa no mar por vezes tempestuoso da nossa história, para chegarmos ao porto seguro, que é Jesus Cristo. Dessa forma, compreendemos que a Senhora dos Navegantes não é somente a protetora e a intercessora dos navegantes, mas de todos nós, que navegamos nessa grande embarcação que é a Igreja, no mar tantas vezes agitado e perigoso deste mundo.

Seja nas calmarias ou em meio às tempestades, sigamos a Estrela do Mar pelo caminho espiritual indicado por São Bernardo: “Vós todos, quem quer que sejais, seja o que for que sentirdes hoje, em pleno mar, sacudidos pela tormenta e pela tempestade, longe da terra firme, mantende os olhos na luz dessa estrela para evitar o naufrágio. Se se levantarem os ventos da tentação, se vires aproximar-se o escolho das provações, olha para a estrela, invoca Maria! Se te sentires sacudido pelas vagas do orgulho, da ambição, da maledicência ou do ciúme, eleva os olhos para a estrela, invoca Maria. […] Se te sentires perturbado pela enormidade dos teus pecados, humilhado pela vergonha da tua consciência, assustado pelo temor do julgamento, se estiveres a ponto de naufragar nas profundezas da tristeza e do desespero, pensa em Maria. No perigo, na angústia, na dúvida, pensa em Maria, invoca Maria!
Que o seu nome nunca saia dos teus lábios nem do teu coração. […] Seguindo-a, não te perderás; rezando-lhe, não desesperarás; pensando nela, evitarás enganar-te no caminho. Se Ela te agarrar pela mão, não te afundarás; se Ela te proteger, nada temerás; conduzido por Ela, ignorarás a fadiga; sob a sua proteção, chegarás ao objetivo. E compreenderás, pela tua própria experiência, como são verdadeiras essas palavras: ‘O nome da virgem era Maria’6”7.

Nossa Senhora dos Navegantes, a Estrela da Esperança

Nossa Senhora dos Navegantes, portanto, é a “Estrela do Mar”, que guia e protege os pescadores, marinheiros e viajantes em suas jornadas pelos mares e os leva a um porto seguro. Em sentido ainda mais profundo e espiritual, a Virgem Maria é a Estrela que nos conduz ao porto seguro da salvação, que é Jesus Cristo. Da mesma forma que os magos do oriente foram guiados pela estrela para Belém, para lá encontrar o Menino Deus e o adorar8, também nós somos guiados pela Estrela do Mar até nos encontrar definitivamente com seu divino Filho, no porto seguro, que é o Reino dos Céus. Por isso, Nossa Senhora é modelo de Igreja, intercessora e auxílio nas tribulações, e Mãe de todos nós, seus filhos e escravos de amor. Diante dessa bela e luminosa Estrela do Mar, que é Maria Santíssima, não temos que temer as tempestades, os mares revoltos, as grandes ondas que por vezes ameaçam nos levar ao naufrágio.

Como disse o Papa Emérito Bento XVI: “A vida é como uma viagem no mar da história, com frequência enevoada e tempestuosa, uma viagem na qual perscrutamos os astros que nos indicam a rota. As verdadeiras estrelas da nossa vida são as pessoas que souberam viver com retidão. Elas são luzes de esperança. Certamente, Jesus Cristo é a luz por antonomásia, o sol erguido sobre todas as trevas da história. Mas para chegar até Ele precisamos também de luzes vizinhas, de pessoas que dão luz recebida da luz d’Ele e oferecem, assim, orientação para a nossa travessia. E quem mais do que Maria poderia ser para nós estrela de esperança?”9

No mar tempestuoso da história da salvação, a Virgem Maria é esta Estrela da Esperança, que nos guia principalmente quando a escuridão, ou densas névoas, não nos permite enxergar para onde vamos. Por isso, não tenhamos medo, mas nos confiemos inteiramente a Nossa Senhora: “Vós permaneceis no meio dos discípulos como a sua Mãe, como Mãe da esperança. Santa Maria, Mãe de Deus, Mãe nossa, ensinai-nos a crer, esperar e amar convosco. Indicai-nos o caminho para o Seu Reino! Estrela do mar, brilhai sobre nós e guiai-nos no nosso caminho!”10 Nossa Senhora dos Navegantes, rogai por nós!

1 – SÃO TOMÁS DE AQUINO. O Pai-Nosso e a Ave-Maria.

2 – Cf. Nm 24, 17.

3 – SÃO BERNARDO. Homílias sobre estas palavras do Evangelho: “O anjo foi enviado”.

4 – A12. Festa de Navegantes: 140 anos de devoção em Porto Alegre.

5 – NAVEGANTES. Santuário divulga programação da 120ª Festa de Nossa Senhora dos Navegantes.

6 – Lc 1, 27.

7 – SÃO BERNARDO. Op. cit.

8 – Cf. Mt 2, 1-12.

9 – PAPA BENTO XVI. Carta Encíclica Spe Salvi, 49.

10 –  Idem 50.

Homilia do Papa Francisco na Missa de encerramento da JMJ Panamá 2019

https://www.acidigital.com/noticias/homilia-do-papa-francisco-na-missa-de-encerramento-da-jmj-panama-2019-60821

O Papa Francisco na Missa de hoje na JMJ Panamá 2019. Foto: David Ramos / ACI Prensa

PANAMÁ, 27 Jan. 19 / 11:11 am (ACI).- Diante de uma multidão de jovens que chegaram ao Panamá vindos dos cinco continentes, o Papa Francisco preside a Missa de encerramento da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) 2019, no Campo São João Paulo II.

A seguir, o texto completo da homilia pronunciada pelo Santo Padre:

«Todos os que estavam na sinagoga tinham os olhos fixos n’Ele. Começou, então, a dizer-lhes: “Cumpriu-se hoje esta passagem da Escritura, que acabais de ouvir” » (Lc 4, 20-21).

O Evangelho apresenta-nos, assim, o início da missão pública de Jesus. Apresenta-O na sinagoga que O viu crescer, circundado por conhecidos e vizinhos e talvez até por algum dos seus «catequistas» de infância que Lhe ensinou a lei. Momento importante na vida do Mestre quando Ele – a criança que Se formara e crescera dentro daquela comunidade – Se levantou e tomou a palavra para anunciar e realizar o sonho de Deus. Uma palavra até então proclamada apenas como promessa do futuro, mas que, na boca de Jesus, só podia ser pronunciada no presente, tornando-se realidade: «Cumpriu-se hoje».

Jesus revela o agora de Deus, que vem ao nosso encontro para nos chamar, também a nós, a tomar parte no seu agora, no qual «anunciar a Boa-Nova aos pobres», «proclamar a libertação aos cativos e, aos cegos a recuperação da vista», «mandar em liberdade os oprimidos» e «proclamar um ano favorável da parte do Senhor» (cf. Lc 4, 18-19). É o agora de Deus que, com Jesus, se faz presente, se faz rosto, carne, amor de misericórdia que não espera situações ideais ou perfeitas para a sua manifestação, nem aceita desculpas para a sua não-realização. Ele é o tempo de Deus que torna justos e oportunos todos os espaços e situações. Em Jesus, começa e faz-se vida o futuro prometido.

Quando? Agora. Mas nem todos aqueles que lá O ouviram, se sentiam convidados ou convocados. Nem todos os seus vizinhos de Nazaré estavam prontos para acreditar em alguém que conheciam e tinham visto crescer e que os convidava a realizar um sonho há muito aguardado. Antes, pelo contrário! «Diziam: “Não é este o filho de José?” » (Lc 4, 22).

A nós, também pode suceder o mesmo. Nem sempre acreditamos que Deus possa ser tão concreto no dia-a-dia, tão próximo e real, e menos ainda que Se faça assim presente agindo através de alguém conhecido, como um vizinho, um amigo, um parente. Nem sempre acreditamos que o Senhor nos possa convidar a trabalhar e meter as mãos na massa juntamente com Ele no seu Reino de forma tão simples mas incisiva. Custa a aceitar que «o amor divino se tornou concreto e quase experimentável na história com todas as suas vicissitudes ásperas e gloriosas» (Bento XVI, Catequese na Audiência Geral de 28/IX/2005).

Não é raro comportarmo-nos como os vizinhos de Nazaré, preferindo um Deus à distância: magnífico, bom, generoso mas distante e que não incomode, um Deus domesticado. Porque um Deus próximo no dia a dia, amigo e irmão pede-nos para aprendermos proximidade, presença diária e, sobretudo, fraternidade. Ele não quis manifestar-Se de modo angélico ou espetacular, mas quis dar-nos um rosto fraterno e amigo, concreto, familiar. Deus é real, porque o amor é real; Deus é concreto, porque o amor é concreto. E é precisamente esta «dimensão concreta do amor aquilo que constitui um dos elementos essenciais da vida dos cristãos» (Bento XVI, Homilia, 1/III/2006).

Também nós podemos correr os mesmos riscos que os vizinhos de Nazaré, quando, nas nossas comunidades, o Evangelho se quer fazer vida concreta e começamos a dizer: «Mas, estes jovens, não são filhos de Maria, de José, e não são irmãos de…? Não são aquelas crianças que ajudamos a crescer? Este ali, não é o que partia sempre os vidros com a bola?» E, assim, uma pessoa que nascera para ser profecia e anúncio do Reino de Deus acaba domesticada e empobrecida. Querer domesticar a Palavra de Deus é realidade de todos os dias.

E também a vós, queridos jovens, pode acontecer o mesmo, sempre que pensais que a vossa missão, a vossa vocação, e até a vossa vida é uma promessa que vale só para o futuro, nada tem a ver com o vosso presente. Como se ser jovem fosse sinônimo de «sala de espera» para quem aguarda que chegue o seu turno. E, enquanto este não chega, inventam para vós ou vós próprios inventais um futuro higienicamente bem embalado e sem consequências, bem construído e garantido com tudo «bem assegurado». Não queremos oferecer a vocês um futuro de laboratório.

É a «ficção» da alegria. Não é a alegria do hoje, do concreto, do amor. Assim, com esta ficção da alegria, vos «tranquilizamos» e adormentamos para não fazerdes barulho, para não incomodarem muito, para não colocardes interrogativos a vós mesmos e aos outros, para não vos pordes em discussão a vós próprios e aos outros; e «entretanto» os vossos sonhos perdem altitude, começam a adormentar-se e tornam-se «ilusões» rasteiras, pequenas e tristes (cf. Francisco, Homilia do Domingo de Ramos, 25/III/2018), só porque consideramos ou considerais que o vosso agora ainda não chegou; que sois demasiado jovens para vos envolverdes no sonho e construção do amanhã. E assim seguimos os procrastinando. E sabem uma coisa, que muitos jovens gostam disso. Por favor, ajudemo-los a que não gostem disso, que se rebelem, que queiram viver o agora de Deus.

Um dos frutos do Sínodo recente foi a riqueza de nos podermos encontrar e, sobretudo, escutar.

A riqueza da escuta entre gerações, a riqueza do intercâmbio e o valor de reconhecer que precisamos uns dos outros, que devemos esforçar-nos por promover canais e espaços onde nos comprometamos a sonhar e construir o amanhã, já hoje. Não isoladamente, mas unidos, criando um espaço em comum: um espaço que não nos é oferecido de prenda, nem o ganhamos na loteria, mas um espaço pelo qual deveis lutar vós também. Vocês, jovens, devem lutar pelo seu espaço hoje, porque a vida é hoje, ninguém pode lhe prometer um dia de amanhã. Jogue você hoje, seu espaço é hoje, como está respondendo a isso?

Porque vós, queridos jovens, não sois o futuro, porque é normal dizer os jovens são o futuro, não. São o presente, vocês, jovens, são o agora de Deus. Ele convoca-vos e chama-vos, nas vossas comunidades e cidades, para irdes à procura dos avós, dos mais velhos; para vos erguerdes de pé e, juntamente com eles, tomar a palavra e realizar o sonho com que o Senhor vos sonhou.

Não amanhã; mas agora! Pois, onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração (cf. Mt 6, 21); e, aquilo que vos enamora, conquistará não apenas a vossa imaginação, mas envolverá tudo. Será aquilo que vos faz levantar de manhã e incita nos momentos de cansaço, aquilo que vos abrirá o coração enchendo-o de maravilha, alegria e gratidão. Senti que tendes uma missão e apaixonai-vos por ela, tudo dependerá disto (cf. Pedro Arrupe S.J., Nada és más práctico). Poderemos ter tudo; mas, queridos jovens, se falta a paixão do amor, faltará tudo! A paixão do amor hoje e deixemos que o Senhor nos enamore e nos leve até o amanhã.

Para Jesus, não há um «entretanto», mas amor de misericórdia que quer penetrar no coração e conquistá-lo. Ele quer ser o nosso tesouro, porque Jesus não é um «entretanto» na vida nem uma moda passageira: é amor de doação que convida a doar-se.

É amor concreto, próximo, real; é alegria festiva que nasce da opção de participar na pesca miraculosa da esperança e da caridade, da solidariedade e da fraternidade frente a tantos olhares paralisados e paralisadores por causa dos medos e da exclusão, da especulação e da manipulação. Irmãos, o Senhor e a sua missão não são um «entretanto» na nossa vida, qualquer coisa de passageiro, não são apenas uma Jornada Mundial da Juventude: são a nossa vida, de hoje e sempre caminhando!

Ao longo de todos estes dias, como um fundo musical, acompanhou-nos de modo especial o «faça-se» de Maria. Ela não Se limitou a acreditar em Deus e nas suas promessas como algo possível, mas acreditou em Deus e teve a coragem de dizer «sim» para participar neste agora do Senhor. Sentiu que tinha uma missão, apaixonou-Se, e isso decidiu tudo. Que vocês sintam que têm uma missão, deixem-se apaixonar e o Senhor decidirá tudo.

Como sucedeu na sinagoga de Nazaré, o Senhor, no meio de nós, dos seus amigos e conhecidos, de novo Se ergue de pé, toma o livro e diz-nos: «Cumpriu-se hoje esta passagem da Escritura, que acabais de ouvir» (Lc 4, 21).

Quereis viver em concreto o vosso amor? O vosso «sim» continue a ser a porta de entrada para que o Espírito Santo conceda um novo Pentecostes ao mundo e à Igreja. Que assim seja!

Vigília na JMJ 2019: Papa destaca que é ser um “influencer” no século XXI

Vigília do Papa

Domingo, 27 de janeiro de 2019, Da redação, com VaticanNews
https://noticias.cancaonova.com/especiais/jmj/panama-2019/vigilia-na-jmj-2019-papa-destaca-que-e-ser-um-influencer-no-seculo-xxi/

No discurso na vigília da JMJ 2019, o Papa Francisco falou da “mulher que teve maior influência na história”

Papa durante a Vigília com os jovens na JMJ 2019 / Foto: VaticanMedia

Um verdadeira festa feita de oração, cantos, danças, testemunhos e reflexão: assim foi a vigília que se realizou no Campo São João Paulo II com os jovens participantes da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) do Panamá.

O ápice foi a adoração ao Santíssimo, mas o discurso do Papa Francisco foi outro grande momento, que – como sempre – usou a linguagem dos seus interlocutores. O Pontífice se inspirou no testemunho dado momentos antes por alguns jovens para transmitir a sua mensagem, desta vez mariana.

“A salvação que o Senhor nos dá é um convite para participar numa história de amor”, disse o Papa e foi assim que Ele surpreendeu Maria.

O Pontífice destacou que a jovem de Nazaré não aparecia nas redes sociais, não era uma “influencer” – uma influenciadora digital – mas, sem querer nem procurá-lo, “tornou-Se a mulher que maior influência teve na história”.

Influencer de Deus

Francisco definiu Maria como a “influencer de Deus”, que com palavras soube dizer «sim», “confiando no amor e nas promessas de Deus, única força capaz de fazer novas todas as coisas”.

A força desse “sim” impressiona, prosseguiu Francisco. Foi o «sim» de quem quer comprometer-se e arriscar. Nesta estrada, o primeiro passo é não ter medo de receber a vida como ela vem, com suas imperfeições e dificuldades.

“O amor do Senhor é maior que todas as nossas contradições, fragilidades e mesquinhices, mas é precisamente através das nossas contradições, fragilidades e mesquinhices que Ele quer escrever esta história de amor.”

Comunidade

Retomando a linguagem juvenil, o Papa recordou que não basta estar conectado o dia inteiro para se sentir reconhecido e amado. Mas é preciso encontrar espaços onde os jovens possam sentir-se parte de uma comunidade.

Portanto, o segundo passo é criar elos, laços, família: uma comunidade onde possam se sentir amados. Espaços onde receber raízes e leva-las adiante.

“Ser um influencer no século XXI significa ser guardião das raízes, guardião de tudo aquilo que impede a nossa vida de tornar-se ‘gasosa’, evaporando-se no nada. Sejam guardiões de tudo o que permite sentir-nos parte uns dos outros, pertencer-nos mutuamente.”

Faça-se em Mim

Interagindo com a multidão, Francisco perguntou se os jovens estão dispostos a responder o “sim” Maria, “Faça-se em Mim”:

“O Evangelho ensina-nos que o mundo não será melhor por haver menos pessoas doentes, debilitadas, frágeis ou idosas de que ocupar-se, nem por haver menos pecadores, mas será melhor quando forem mais as pessoas que, como estes amigos, estiverem dispostas e tiverem a coragem de dar à luz o amanhã e acreditar na força transformadora do amor de Deus.”

Coragem foi a palavra final do Papa: “Não tenham medo de dizer ao Senhor que vocês também querem fazer parte da sua história de amor no mundo.”

O Batismo acende a vocação pessoal a viver como cristãos

Quarta-feira, 18 de abril de 2018, Da Redação, com Boletim da Santa Sé

Nesse tempo pascal, Santo Padre segue com catequeses dedicadas ao Batismo

Nesse tempo de Páscoa vivido pela Igreja, o Papa Francisco deu continuidade nesta quarta-feira, 18, às catequeses sobre o Batismo, desta vez com foco voltado para o tema “sinal da fé cristã”.

“Retornar à fonte da vida cristã nos leva a compreender melhor o dom recebido no dia do nosso Batismo e a renovar o empenho de corresponder na condição em que hoje nos encontramos”, explicou Francisco, atentando novamente para a necessidade de cada um saber a data do seu batismo, uma “tarefa de casa” que ele deixou aos fiéis na catequese da semana passada.

Entrando no rito do Batismo, a começar pelo acolhimento, o Papa explicou que, antes de tudo, pergunta-se o nome do candidato, uma vez que o nome indica a identidade de uma pessoa; Deus chama cada um pelo nome, amando cada um na concretude de sua história. O Batismo acende a vocação pessoal a viver como cristãos, implicando uma resposta também pessoal, observou o Santo Padre, frisando ainda que Deus continua a pronunciar o nome de cada um ao longo dos anos e portanto o nome é tão importante.

“Os pais pensam no nome para dar ao filho já antes do nascimento: também isto faz parte da espera de um filho que, no nome próprio, terá a sua identidade original, também para a vida cristã ligada a Deus”.

Outro momento do Batismo destacado pelo Santo Padre foi o sinal da cruz. Nesse ponto, ele observou que tantas crianças ainda não sabem fazê-lo. “Vocês, pais, mães, avós, padrinhos, madrinhas, devem ensinar a fazer bem o sinal da cruz porque é repetir aquilo que foi feito no Batismo”.

“A cruz é o distintivo que manifesta quem somos”, disse o Papa concluindo a catequese, chamando atenção uma vez mais para a importância de fazer o sinal da cruz. “Fazer o sinal da cruz quando acordamos, antes das refeições, diante de um perigo, em defesa contra o mal, à noite antes de dormir, significa dizer a nós mesmos e aos outros a quem pertencemos, quem queremos ser. Por isso é tão importante ensinar as crianças a fazer bem o sinal da cruz”.

Histórias e contos de Natal

Nenhum conto pode competir com o que escreveu Charles Dickens em 1844, Conto de Natal.
Através dos sonhos que sobressaltam ao rico avarento Mr Scrooge, Dickens sabe evocar todas as nostalgias do Natal. E mostra que o principal calor desses dias nasce do carinho nos lares. Boa pregação e mensagem para as festas. Poucos o terão lido e quase todos o terão visto em alguma das múltiplas versões cinematográficas. Porque é uma das histórias que mais vezes foi levada ao cinema. A primeira foi em 1913.
Desde então, se rodou de todas as maneiras possíveis, inclusive em desenhos animados (Murakami) e com fantoches (e Michel Caine). Mas a versão mais famosa é a de Brian Desmond Hust (1951), com um impressionante Alistair Sin como Mr Scrooge. Ano após ano, volta à tela, o inesquecível filme de Frank Capra, Que belo é viver. No fundo, é uma releitura da história de Dickens. Com James Stewart a ponto de suicidar! se, um simpático anjo não lhe fizesse pensar no que teria passado se não tivesse vivido. Ninguém está sobrando no mundo. Também é uma boa mensagem de Natal.
Algo tem o Natal quando suas histórias e contos podem dizer-nos simplesmente coisas tão importantes. Como se estivessem dirigidas a crianças, são recordadas aos grandes. Já as sabemos, mas, em outras circunstâncias, nos dá pudor dizê-las. Quiçá porque são enormemente bonitas, simples e ternas. Em outras épocas do ano, preferimos linguagens abstratas, que sempre são menos ternas que os contos. Provavelmente é uma maneira de resistir-se a reconhecer que, no fundo, seguimos sendo crianças. Porque aspiramos ao mesmo que elas: um pouco de carinho, um pouco de proteção, um pouco de festa e tempo para brincar. O mundo dos grandes, com suas seriedades e preocupações, é só para as horas de trabalho. Mas a felicidade tem que ver com o que ingenuamente desejam as crianças. Não há outra fórmula: “Se não vos fizerdes como as crianças, não entrareis no Reino dos Céus…”.
O Natal, por ser para as crianças, é tempo de histórias e contos. E, desde que existe a Internet, podem ser encontrados milhares na rede. Para todos os gostos. Também há contos horrorosos, desesperançados e pós-modernos. Querem ser contos para os grandes e, por isso mesmo, perderam o Norte, e não sabem aonde vão. Pelo contrário, me aconselharam o conto que publicou faz poucos anos Enrique Monasterio, A Manjedoura que Deus colocou. Começa de uma maneira preciosa: “No princípio Deus quis colocar um Presépio e criou o universo para enfeitar a manjedoura”. Explica que o Natal “não é um aniversário, nem uma recordação; muito menos é um sentimento; é o dia em que Deus coloca uma manjedoura em cada alma”. E com essa inspiração constrói seu relato. Estupendo.
Mas a principal história do Natal não é um conto nem uma recreação literária. É a recordação do Nascimento de Jesus, o Filho de Deus que nasceu de Maria naquela noite, santa desde então.
Por isso, antes que um conto, no Natal é preciso recomendar os começos do Evangelho de São Lucas e de São Mateus. Na Alemanha, existe o entranhável costume de ler em família, em voz alta, junto a Manjedoura, o capítulo 2 de São Lucas, na mesma noite de Natal. Ali aparecem Maria e José, e nos é contado que não encontraram lugar na pousada, e que tiveram que buscar um presépio. E se recorda a imensa alegria dos anjos e seu anúncio aos pastores. Com essa mensagem de Deus, que sempre é oportuna para os homens que devemos ser crianças: “Glória a Deus no Céu e paz na terra aos homens que ama o Senhor”.

JESUS VEM ME VISITAR!
Imagine que um amigo lhe telefona agora e avisa que daqui a 30 minutos Jesus virá visitá-lo.
Desligando o telefone você olha ao seu redor e vê que a faxina não foi feita, não há nada especial na geladeira ou na despensa para servir e corre para varrer rapidinho a sala, arruma umas almofadas no sofá para que Jesus se sinta mais confortável e coloca uma Bíblia estrategicamente aberta na mesa de centro.
Esconde os cigarros, os cinzeiros sujos, as bebidas alcoólicas, as revistas impróprias, CDs de rock pesado, forró duplo sentido, os livros de bruxas e Harry Potter dos seus filhos adolescentes, DVDs inadequados a uma casa cristã, o buda de gesso, os livros de Kardec, Paulo Coelho e esoterismo que estão na estante, e de repente bate o desespero.
É tanta coisa para esconder de Jesus que nem dará tempo tentar, e o pior, ainda preciso tomar um banho, pentear os cabelos e vestir uma roupa apropriada para a ocasião! Mas que roupa deveria vestir?
O desespero se instala!
O celular toca. É seu amigo novamente, agora avisando que Maria Santíssima virá com seu Filho Jesus e trarão também alguns anjos da corte celeste.
E agora? Como receberei o céu em minha casa no meio daquele caos? Sento-me exausto e choro. Choro e esqueço do relógio. Minha vida passa por meus pensamentos com um filme. A cada erro que relembro ter cometido, é como se uma espada penetrasse o meu coração por ter ofendido à Deus. Enquanto aquele choro sincero lava a minha alma esqueço da hora e me assusto com a campainha que toca. Vou cabisbaixo abrir a porta, como olharei para Jesus, Maria e seus anjos, todo desgrenhado, olhos inchados, suado e infeliz?
Ao me deparar com o Rei dos reis na minha porta, meu impulso é jogar-me ao chão. O impacto da Sua presença me paralisa. Passado o choque, mãos fortes e amorosas, mãos paternais me ajudam a levantar, e uma voz cálida e trovejante me transpassa a alma ferida. Aqueles olhos profundos, de uma santidade e misericórdia jamais descritíveis, me olham com um misto de piedade e alegria. Esqueço de quem sou e me entrego a um abraço longo, onde todo um passado equivocado é trocado por uma nova vida de certezas.
Já refeito, olho para a doce Mãe ali na porta da minha casa esperando ser acolhida, e então os convido:
Meu Senhor e minha Mãe, não tenho nada para ofertar-lhes, minha casa está despreparada assim como está também o meu coração, mas, vejo todo o amor do mundo em vossos olhos e seria uma imensa honra recebê-los. Se ainda quiserem, por favor, podem entrar!
Estamos no advento. Todos os anos nós cristãos deveríamos aproveitar este período para refazer nosso relacionamento com Deus e nos preparar dignamente para recebê-lo, não somente no natal, mas, em qualquer dia, todos os dias!
Quando Jesus veio pela primeira vez muitos O rejeitaram e nossos pecados O rejeitam até hoje.
Ele vem pela segunda e definitiva vez. A hora e o dia não sabemos, mas, estejamos prontos para que não sejamos surpreendidos de mãos e corações vazios.
“Haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas. Na terra a aflição e a angústia apoderar-se-ão das nações pelo bramido do mar e das ondas. Os homens definharão de medo na expectativa dos males que devem sobrevir a toda a terra. As próprias forças dos céus serão abaladas. Então verão o Filho do homem vir sobre uma nuvem com grande glória e majestade. Quando começarem a acontecer estas coisas, reanimai-vos e levantai as vossas cabeças; porque se aproxima a vossa libertação” (Lc 21, 25-28).
“Velai sobre vós mesmos, para que os vossos corações não se tornem pesados com o excesso de comer, com a embriaguez e com as preocupações da vida; para que aquele dia não vos apanhe de improviso. Como um laço cairá sobre aqueles que habitam a face de toda a terra. Vigiai, pois, em todo o tempo e orai, a fim de que vos torneis dignos de escapar a todos estes males que hão de acontecer, e de vos apresentar de pé diante do Filho do homem” (Lc 21, 34-36).
“Eis que Estou à porta e bato: se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei Eu com ele, e ele Comigo” (Ap 3, 20).
“Se alguém Me ama, guardará a Minha palavra e o meu Pai o amará e a ele viremos e nele estabeleceremos a nossa morada” (Jo 14, 23).

Desenvolvido por Origy Networks – Criação de sites e propaganda