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Desceu à mansão dos mortos

É na esperança que fomos Salvos!

O Credo ensina que “Jesus desceu à mansão dos mortos”. Isso significa que, de fato, Ele morreu e que, por Sua morte por nós, venceu a morte e o diabo, o dominador da morte (Hb 2,14). São João disse que Ele veio a nós para “destruir as obras do demônio” (1 Jo 3,8). “Ele foi eliminado da terra dos vivos” (Is 53,8). “Minha carne repousará na esperança, porque não abandonarás minha alma no Hades nem permitirás que teu Santo veja a corrupção” (At 2,26-27).

Jesus morreu, mas Sua alma, embora separada de Seu corpo, ficou unida à Sua Pessoa Divina, o Verbo, e desceu à morada dos mortos para abrir as portas do céu aos justos que o haviam precedido (cf. Cat. §637). Para lá foi como Salvador, proclamando a Boa Nova aos espíritos que ali estavam aprisionados. Os Santos Padres da igreja dos primeiros séculos explicaram bem isso. São Gregório de Nissa (†340) disse: “Deus [o Filho] não impediu a morte de separar a alma do corpo, segundo a ordem necessária à natureza, mas os reuniu novamente um ao outro pela Ressurreição, a fim de ser Ele mesmo, em Sua pessoa, o ponto de encontro da morte e da vida, e tornando-se, Ele mesmo, princípio de reunião para as partes separadas” (Or. Catech. , 16: PG: 45,52B).

São João Damasceno (†407), doutor da Igreja e patriarca de Constantinopla ensinou que: “Pelo fato de que, na morte de Cristo, a Sua alma tenha sido separada da carne, a única pessoa não foi dividida em duas pessoas, pois o corpo e alma de Jesus existiram da mesma forma desde o início na pessoa do Verbo; e na Morte, embora separados um do outro, ficaram cada um com a mesma e única pessoa do Verbo” (De fide orthodoxa, 3, 37: PG 94, 109 BA).

A Escritura chama de ‘Morada dos Mortos’, Inferno, Sheol ou Hades, o estado das almas privadas da visão de Deus; são todos os mortos, maus ou justos, à espera do Redentor. Mas o destino deles não é o mesmo como mostra Jesus na parábola do pobre Lázaro recebido no “seio de Abraão”. Jesus não desceu aos infernos (= interior) para ali libertar os condenados nem para destruir o inferno da condenação, mas para libertar os justos, diz o Catecismo (§ 633).

Assim, a Boa Nova foi anunciada também aos mortos, como fala São Pedro (1Pd 4,6). Esta descida de Jesus ao Hades é o cumprimento, até sua plenitude, do anúncio do Evangelho da salvação, e é a última fase da missão de Cristo, é a extensão da redenção a todos os homens de todos os tempos e de todos os lugares. São João disse que Cristo desceu ao seio da terra [um modo de falar], a fim de que “os mortos ouçam a voz do Filho de Deus, e os que a ouvirem vivam” (Jo 5,25). Assim, Jesus, “o Príncipe da vida”, “destruiu  pela morte o dominador da morte, isto é, o diabo, e libertou os que passaram toda a vida em estado de servidão, pelo temor da morte” (Hb 2,5). A partir de agora, Cristo ressuscitado “detém a chave da morte e do Hades” (Ap 1,18), e “ao nome de Jesus todo joelho se dobra no Céu, na Terra e nos Infernos” (Fl 2,10). Uma antiga homilia, de um autor grego desconhecido, e que a Igreja colocou na segunda leitura da Liturgia das Horas, no dia de Sábado Santo, diz:

“Um grande silêncio reina, hoje, na terra, um grande silêncio e uma grande solidão. Um grande silêncio, porque o Rei dorme. A terra tremeu e acalmou-se, porque Deus adormeceu na carne e foi acordar os que dormiam desde séculos. Ele vai procurar Adão, nosso primeiro Pai, a ovelha perdida. Quer visitar todos os que se assentaram nas trevas e à sombra da morte. Vai libertar de suas dores aqueles dos quais é filho e para os quais é Deus: Adão, acorrentado, e Eva com ele cativa. “Eu sou teu Deus e por causa de ti me tornei teu filho. Levanta-te, tu que dormes, pois não te criei para que fiques prisioneiro do Inferno: Levanta-te dentre os mortos, eu sou a Vida dos mortos.”

O Papa beato João Paulo II, falando sobre este mistério, disse: “Depois da deposição de Jesus no sepulcro, Maria é a única que permanece a ter viva a chama da fé, preparando-se para acolher o anúncio jubiloso e surpreendente da ressurreição. A espera vivida no Sábado Santo constitui um dos momentos mais altos da fé da Mãe do Senhor. Na obscuridade que envolve o universo, Ela se entrega plenamente ao Deus da vida e, recordando as palavras do Filho, espera a realização plena das promessas divinas”. (L’Osservatore Romano, ed. port. n.21, 24/05/1997, pag. 12(240).

Felipe Aquino
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Confissão é encontro com Deus que perdoa sempre

Misericórdia Divina

Sexta-feira, 23 de janeiro de 2015, Da Redação, com Rádio Vaticano

Papa explicou aos fiéis que confessar não é um juízo nem é ir à lavanderia tirar uma mancha, mas ir ao encontro do Pai misericordioso

A misericórdia divina foi o tema da homilia do Papa Francisco, na Missa celebrada nesta sexta-feira, 23, na Casa Santa Marta. O Pontífice reiterou que a confissão não é um “juízo”, mas um encontro com Deus, que perdoa e esquece todo pecado da pessoa que não se cansa de pedir a Sua misericórdia.

O “trabalho” de Deus é reconciliar, disse Francisco, comentando o trecho da Carta de São Paulo aos Hebreus, no qual o apóstolo fala da “nova aliança” estabelecida pelo Senhor com o Seu povo eleito.

O Deus que reconcilia, afirmou o Papa, escolhe enviar Jesus para restabelecer um novo pacto com a humanidade, e o fundamento desse pacto é o perdão. Um perdão que tem muitas características.

“Antes de tudo, Deus perdoa sempre! Não se cansa de perdoar. Somos nós que nos cansamos de pedir perdão, mas Ele não se cansa de perdoar. Quando Pedro perguntou a Jesus: ‘Quantas vezes eu devo perdoar? Sete vezes?’. ‘Não sete vezes: setenta vezes sete’. Isso sempre. Deus perdoa assim: sempre. Se você viveu uma vida de muitos pecados e, no final, um pouco arrependido, pede perdão, Deus perdoa imediatamente! Ele perdoa sempre”.

Mesmo assim, o Papa disse que há uma dúvida que poderia surgir no coração humano, sobre o “quanto” Deus está disposto a perdoar. Francisco esclareceu que basta se arrepender e pedir perdão. Não se deve pagar nada, porque Cristo já pagou pelo homem. O exemplo é o filho pródigo da parábola que, arrependido, encontra o abraço do pai.

“Não existe pecado que Ele não possa perdoar. Ele perdoa tudo. ‘Mas, padre, eu não me confesso, porque aprontei muito, mas tanto, que não receberei o perdão…’ Não, não é verdade. Deus perdoa tudo. Se você estiver arrependido, Ele perdoará tudo. Muitas vezes, Ele nem deixa você falar! Você começa a pedir perdão e Ele lhe faz sentir aquela alegria do perdão antes que você termine de contar tudo”.

Outro aspecto comentado pelo Papa foi o fato de que Deus faz festa quando perdoa o homem e esquece o pecado, pois o que importa para o Senhor é se encontrar com o homem.

Nesse ponto, Francisco sugeriu um exame de consciência aos sacerdotes dentro do confessionário. “Estão dispostos a perdoar tudo, a esquecer os pecados daquela pessoa?”. A confissão, mais do que um juízo, é um encontro, declarou.

“Muitas vezes, as confissões parecem um procedimento, uma formalidade: ‘Po, po, po, po, po… Po, po, po… Tudo mecânico! Não! Onde está o encontro? O encontro com o Senhor que reconcilia, que abraça e faz festa? E este é o nosso Deus tão bom! Devemos também ensinar: que as nossas crianças, os nossos jovens aprendam a se confessar bem, porque se confessar não é ir a uma lavanderia para retirar uma mancha. Não! É ir ao encontro do Pai, que reconcilia, que perdoa e faz festa”.

O que fazer diante das tentações?

cancaonova.com: Qual a diferença entre provação e tentação?

Ironi Spuldaro:  As provações acontecem quando passamos por situações que nos purificam e são capazes de nos levar a um estado maior de fé, capaz de nos encorajar a enfrentar tudo sem temer. Nem tudo o que acontece em nossa vida é vontade de Deus, mas tudo tem a permissão d’Ele. Quando o Senhor permite alguma provação, é para que a nossa fé seja alicerçada e, assim, alcancemos o céu.

Já a tentação é aquilo que eu crio em minha fragilidade, em meu medo ou até mesmo na carência. A tentação não chega a ser pecado, mas é um caminho que precisa ser vencido, pois, se nos deixarmos vencer por ela, caímos no pecado e nos afastamos de Deus. Precisamos diferenciar isso: a provação é algo definido, que nos leva a um encontro com Deus; a tentação precisa ser vencida por nós para continuarmos em Deus.

O inimigo quer, por meio da tentação, acusar-nos, pois quer que nos sintamos fracos. Se estamos em Deus, a provação não se torna castigo, mas bênção.

cancaonova.com: O que fazer diante das tentações?

Ironi Spuldaro:  Devemos rezar, adorar o Santíssimo Sacramento, jejuar, confessar, alimentarmo-nos da Palavra de Deus e da Santa Eucaristia. Não se pode vencer as tentações pela própria força humana, pois chegará um ponto em que acharemos que a mentira é verdade; isso se chama espírito de confusão.

Vencer a tentação é ter intimidade com Deus e uma vida de entrega ao Espírito Santo. Precisamos declarar, todos os dias, que somos dependentes do Senhor, pois para vencer a tentação devemos estar conectados com o Pai.

cancaonova.com: Como acontece o combate espiritual? Quem combate ao nosso lado?

Ironi Spuldaro:  A Palavra de Deus nos ensina que o combate acontece a partir do jejum, da abstinência, da lectio divina, de uma boa vivência dos sacramentos; além disso, a Palavra diz que há demônios que apenas São Miguel pode vencer. A comunhão com os santos e anjos, a unidade entre a misticidade e o divino vivendo neste mundo, mas com o olhar para o céu. Aprendamos a invocar a intercessão dos santos, dos anjos e da Virgem Maria.

Estamos num tempo propício de vivermos a Quaresma de São Miguel de maneira particular. Logo que comecei a rezar essa quaresma, o Senhor me disse que eu iria ser lapidado; de fato, é isso que estou vivendo: travo um problema de saúde e ainda meu pai está hospitalizado, correndo risco de vida. Se eu não tivesse um olhar espiritual sobre todas essas situações, certamente pensaria que estaria vivendo um castigo de Deus; mas tendo comunhão com o céu, percebo que, por meio disso, o Senhor está agindo.

cancaonova.com: Como saber se as tentações são criadas por mim ou pelo demônio? Existe diferença?

Ironi Spuldaro:  Existe. Certa vez, Padre Pio disse que temos dois tipos de cruz: uma cruz redentora e uma destruidora. A redentora é a cruz de Cristo, que nos liberta e faz com que tenhamos mais coragem de vencer e de ser de Deus. A cruz destruidora é quando nos autoflagelamos. Precisamos assumir a cruz de Cristo, porque dela vem o sustento e a salvação.

cancaonova.com: Como um cristão deve se portar diante de pessoas que querem lhe fazer mal?

Ironi Spuldaro:  O cristão, acima de tudo, precisa ser verdadeiro. Nós não podemos fazer acepção da verdade. O cristão que quer chegar ao céu deve optar pela vida com coerência, pois a ‘verdade nos libertará’. Ele não pode largar a sua fé. Se existem pessoas negativas ao seu lado, você sempre precisará se utilizar da verdade e ser um denunciador da mentira. Jamais se condene diante das acusações do mundo.

Cerimônia de acolhida: Papa pede que jovens digam ‘sim’

JMJ Panamá

Quinta-feira, 24 de janeiro de 2019, Da redação
https://noticias.cancaonova.com/especiais/jmj/cerimonia-de-acolhida-papa-pede-que-jovens-digam-sim/

Durante a cerimônia, Francisco foi recebido por jovens entusiasmados e pediu que todos fizessem como Maria e dissessem sim

Papa Francisco chega chega à cerimônia de abertura da Jornada Mundial da Juventude no Cinturão Costeiro na Cidade do Panamá / Foto: Reuters

Teve início às 17h30 no Panamá (às 20h30 no horário local) a Cerimônia de Acolhimento a Abertura da Jornada Mundial da Juventude (JMJ), no Campo Santa Maria la Antigua – Cinta Costera, evento que contou com um discurso do Papa Francisco.

Antes, porém, os jovens levaram a Cruz Missionária da JMJ até o Papa, que admirado olhava a chegada dos adolescentes carregando o artefato. Em seguida, adolescentes de outras nações desfilaram com suas bandeiras próximo ao palco em que o Pontífice se encontrava. Outros foram ao microfone dar o seu testemunho de fé. Diziam ao Santo Padre o quanto a experiência religiosa mudou suas vidas e perspectivas.

As primeiras palavras de Francisco foram de positividade e muita afeição. “Lembro-me que, em Cracóvia, alguns perguntaram-me se estaria presente no Panamá, tendo-lhes respondido: ‘Eu, não sei; mas Pedro estará lá certamente. Pedro estará’. Alegra-me poder-vos dizer hoje: Pedro está convosco, para celebrar e renovar a fé e a esperança”, disse.

Afetuosamente, o Papa atendeu a todos os jovens e se dirigiu a eles num discurso centrado no poder que a Jornada da Juventude traz à Igreja e aos jovens fiéis. “Sempre penso em vocês, jovens da América. Os jovens indígenas, os primeiros a caminharem sobre esta terra”, disse o Papa, a quem pediu aplausos efusivos.

O Pontífice ressaltou a diferença cultural que permeia o Panamá. Salientou ainda a dificuldade que muitos jovens tiveram em chegar até a JMJ. “Mas nada disso impediu que nós pudéssemos encontrar e sentir felizes por estarmos juntos”, afirmou. Citou ainda o emérito Papa Bento XVI a quem uma salva de palmas ― e foi prontamente atendido pelos jovens. Pediu, ainda, que os todos entoassem: “O Cristianismo é Cristo”, momento em que falava sobre a união de tantos jovens em torno de um único preceito.

Mais adiante, o Sucessor de Pedro explicou que esta JMJ não poderia se resumir a um simples documento ou a um programa que seria aplicado. “Este encontro irradia esperança, graças aos vossos rostos e à oração. Cada um regressará a casa com aquela força nova que se gera sempre que nos encontramos com os outros e com o Senhor”, exaltou.

Ao final, Francisco citou Maria quando questionou os jovens: “Acreditas tu neste amor? É um amor que vale a pena?”. Segundo o Santo Padre, foram exatamente estas palavras ouvidas por Maria, que não titubeou em responder “sim” ao Pai. “Saberemos nós responder ao anjo, como Maria, «eis-nos aqui, somos os servos do Senhor, faça-se em nós”, indagou o Pontífice.

Por fim, dirigindo-se à multidão de jovens que se aglomerava, o Papa disse: “Não podemos terminar este primeiro encontro sem agradecer. Obrigado a todos aqueles que prepararam, com grande entusiasmo, esta Jornada Mundial da Juventude. Obrigado por terem tido a coragem de construir e hospedar, por terem dito ‘sim’ ao sonho de Deus que é ver os seus filhos reunidos”, findou.

 

O amor de Deus sabe mais de levantar do que de quedas, afirma o Papa a jovens na JMJ 2019
https://www.acidigital.com/noticias/o-amor-de-deus-sabe-mais-de-levantar-do-que-de-quedas-afirma-o-papa-a-jovens-na-jmj-2019-34062

PANAMÁ, 24 Jan. 19 / 09:52 pm (ACI).- “É o amor do Senhor, que se entende mais de levantamentos que de quedas”, de “dar nova oportunidade que de condenar”, afirmou o Papa Francisco aos 250 mil peregrinos que participaram da cerimônia de acolhida e abertura da Jornada Mundial da Juventude (JMJ), realizada neste dia 24 de janeiro no Campo Santa Maria la Antigua, na Cidade do Panamá.

“Um amor que não se impõe nem esmaga, um amor que não marginaliza nem obriga a estar calado, um amor que não humilha nem subjuga. É o amor do Senhor: amor diário, discreto e respeitador, amor feito de liberdade e para a liberdade, amor que cura e eleva”, assegurou o Santo Padre.

O Pontífice também assegurou aos peregrinos que “Pedro está convosco, para celebrar e renovar a fé e a esperança. Pedro e a Igreja caminham convosco”.

Nesse sentido, assinalou que a Igreja quer “redescobrir e despertar” junto aos jovens “a novidade incessante e a juventude da Igreja, abrindo-nos a um novo Pentecostes”.

“Não tenhais medo, que prossigais com esta energia renovadora e esta inquietação constante que nos ajuda e impele a ser mais alegres e disponíveis, mais ‘testemunhas do Evangelho’”, acrescentou.

“Prossegui, não para criar uma Igreja paralela, um pouco mais ‘jovial’ e ‘atrevida’ numa modalidade para jovens, com alguns elementos decorativos, como se isso pudesse deixar-vos contentes. Pensar assim seria faltar ao respeito devido a vós e a tudo aquilo que o Espírito, por vosso intermédio, nos tem vindo a dizer”, afirmou.

O Papa Francisco disse que isso só é possível “se soubermos caminhar escutando-nos e escutar completando-nos uns aos outros, se soubermos testemunhar anunciando o Senhor no serviço aos nossos irmãos; naturalmente, um serviço concreto. Não é um serviço figurativo”.

O Santo Padre citou a diferença cultural, de idiomas, roupas, a história de cada povo. “Quantas coisas podem diferenciar-nos! Mas nada disso impediu que nos pudéssemos encontrar e sentir felizes por estarmos juntos. Isto é possível, porque sabemos que há algo que nos une, há Alguém que nos faz irmãos”.

Do mesmo modo, valorizou o sacrifício de muitos jovens para conseguir chegar à JMJ, o que os torna “verdadeiros mestres e artesãos da cultura do encontro”.

“Muitos dias de trabalho e dedicação, encontros de reflexão e oração, cuja recompensa é, em grande medida, o próprio caminho. O discípulo não é apenas aquele que chega a um lugar, mas quem começa com decisão, quem não tem medo de arriscar e pôr-se a caminho”, refletiu.

Por último, o Papa Francisco exortou os jovens a que, ao concluir a JMJ, recordem e mantenham “vivo aquele sonho que nos faz irmãos e que somos convidados a não deixar congelar no coração do mundo” e a repetir de maneira constante: “Senhor, ensinai-me a amar como Vós nos amastes”.

Ao terminar o discurso, o Papa Francisco se despediu dos peregrinos dando-lhes sua bênção.

Com a cerimônia de acolhida e abertura concluiu o segundo dia da visita do Papa Francisco ao Panamá. Na manhã desta quinta-feira, ele se reuniu com as autoridades locais e com os bispos centro-americanos.

Amanhã, Francisco presidirá a Liturgia penitencial com os jovens detentos e a Via Sacra.

O Advento e a necessidade de vigilância

“Que o Senhor não nos encontre dormindo, mas vigilantes”, diz padre Mário destacando o Advento como tempo de vigilância e obras de caridade

Padre Mário Marcelo Coelho, scj
Doutor em Teologia Moral

“Alegrai-vos sempre no Senhor. De novo eu vos digo: alegrai-vos!  O Senhor está perto”

O termo Advento vem do latim adventum que significa vinda ou chegada e refere-se às quatro semanas antes do Natal. Pelo Advento, nos preparamos para celebrar a primeira vinda do Senhor, ou seja, o Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo e a expectativa da segunda vinda do Senhor. Por isso a característica deste tempo, com o qual começa o ano da Igreja, é a penitência como preparação para receber Aquele que está para vir. O caráter penitencial do advento é acentuado pela cor litúrgica, que é o roxo.

O tempo de Advento recorda-nos a realidade de um Senhor que vem ao encontro dos homens e que, no final da nossa caminhada por esta terra, nos oferecerá a vida definitiva, a felicidade sem fim. O tempo do Advento é, também, o tempo da espera do Senhor. A palavra fundamental é “vigilância”: o verdadeiro discípulo deve estar sempre “vigilante”, cumprindo com coragem e determinação a missão que Deus lhe confiou. Estar “vigilante” não significa, contudo, preocupar-se em ter sempre a “alma” limpa para que a morte não o apanhe com pecados; mas significa viver sempre ativo, empenhado, comprometido na construção de um mundo de vida, de amor e de paz.

Pedagogicamente dizendo, advento é um tempo que a Liturgia dispõe à Igreja com a finalidade de preparar os cristãos para a celebração do Natal. Como é natural, trata-se de uma preparação espiritual, incentivando os católicos a preparar o coração e a alma para o encontro com o Senhor. Mas, não é somente preparação do Natal. No caso do Advento, estamos diante de dois aspectos desta preparação: aquela da 2ª vinda e que Paulo escreve aos Tessalonicenses sobre o “Dia do Senhor”, o dia do juízo final, quando nos encontraremos face a face com Deus (1Ts 5,1-6) e, a preparação da 1ª vinda, que celebramos no Natal.

Quanto ao primeiro aspecto do Advento, de preparar-se para a 2ª vinda do Senhor, a vigilância espiritual pode ser considerada a partir do cuidado em vista do encontro final com o Senhor, no Final dos Tempos. Para isso, é preciso ficar atentos aos sinais dos tempos, como o próprio Jesus adverte, e o melhor meio para não se descuidar e nem se distrair dos sinais dos tempos é pela vigilância espiritual. Por vigilância espiritual entende-se o cuidado, para que o nosso espírito não se afaste das coisas de Deus, mas se mantenha fiel ao projeto divino. São muitas as ocasiões para distrair-se das coisas de Deus, podendo nos anestesiar daquilo que é divino e descuidar-nos de alimentar nosso espírito com as coisas do alto.

O Advento é tempo para incentivar com mais intensidade a oração, a leitura da Palavra, a penitência e as obras de caridade. A vigilância é feita preferencialmente com a oração e, a oração nos mantém acordados para o encontro do Senhor, em sua 2ª vinda.

Quanto ao segundo aspecto do Advento, da preparação para o Natal de Jesus, é a alegria da nossa salvação pela encarnação do Verbo de Deus. Neste tempo que a publicidade natalina vem alimentar nosso espírito com “belas” e “boas” mensagens de tempos novos, repletos de paz e de harmonia fraterna, é preciso ficar atentos para não nos alimentar com fantasias e imagens enganosas. O alimento espiritual deste tempo que nos aproxima do Natal não pode se limitar a poesias ou mensagens vazias. Precisa de algo mais sólido como a oração diária, a meditação da Palavra de Deus e as obras de caridade.

A coroa do Advento

Um dos muitos símbolos do Natal é a coroa do Advento que, por meio de seu formato circular e de suas cores, expressa a esperança e convida à alegre vigilância. Na confecção da coroa são usados ramos de pinheiro e cipreste, únicas árvores cujos ramos não perdem suas folhas no outono e estão sempre verdes, mesmo no inverno, ou seja, mesmo em tempos difíceis. Os ramos verdes são sinais da vida que resiste; são sinais da esperança. A coroa é envolvida com uma fita vermelha que lembra o amor de Deus que nos envolve e nos foi manifestado pelo nascimento de Jesus. Na coroa, são colocadas quatro velas referentes a cada domingo que antecede o Natal. A luz vai aumentando à medida em que se aproxima o Natal, festa da luz que é Cristo, quando a luz da salvação brilha para toda humanidade.

Quanto às cores das quatro velas, a mais usada é a cor vermelha. Em alguns lugares costumava-se usar velas nas cores roxa e uma vela cor rósea referente ao terceiro domingo do Advento, quando celebra-se o  “Domingo Gaudete” (Domingo da Alegria), a alegria de quem se sente perdoado. O terceiro domingo se inicia com a seguinte proclamação: “Alegrai-vos sempre no Senhor. De novo eu vos digo: alegrai-vos! O Senhor está perto”. Estando já próxima a chegada do Homem-Deus, a Igreja pede que “a bondade do Senhor seja conhecida de todos os homens”. Atualmente em muitos lugares tem-se usado cada uma de uma cor.

O tempo do Advento quer sensibilizar-nos para a celebração do Natal do Senhor e para a segunda vinda de Jesus. O apelo que Cristo nos lança à vigilância é para ser tomado bem a sério. Que o Senhor não nos encontre dormindo, mas vigilantes. Este é o convite que Jesus nos faz: “Vigiai!” Como os Profetas, Maria, José, os pastores, os Reis Magos… Se vigiamos, o nosso presente e o nosso futuro encontrar-se-ão. É isso a Esperança.

A fé cristã não é uma teoria, mas é o encontro com Jesus

Cidade do Vaticano (RV) – A fé cristã não é uma teoria ou uma filosofia, mas é o encontro com Jesus. Foi o que destacou o Papa celebrando a missa na capela da Casa Santa Marta na segunda-feira (28/11), no início do Tempo do Advento.
Em sua homilia, o Pontífice observou que neste período do Ano, a Liturgia nos propõe inúmeros encontros de Jesus: com a sua Mãe no ventre, com São João Batista, com os pastores, com os Magos. Tudo isso nos diz que o Advento é “um tempo para caminhar e ir ao encontro com o Senhor, isto é, um tempo para não ficar parado”.

Oração, caridade e louvor: assim encontraremos o Senhor
Eis então que devemos nos perguntar como podemos ir ao encontro de Jesus. “Quais são as atitudes que devo ter para encontrar o Senhor? Como devo preparar o meu coração para encontrar o Senhor?”, questionou o Papa.
“Na oração no início da Missa, a Liturgia nos fala de três atitudes: vigilantes na oração, operosos na caridade e exultantes no louvor. Ou seja, devo rezar com vigilância; devo ser operoso na caridade – a caridade fraterna: não somente dar esmola, não; mas também tolerar as pessoas que me incomodam, tolerar em casa as crianças quando fazem muito barulho, ou o marido ou a mulher quando estão em dificuldade, ou a sogra… não sei .. mas tolerar: tolerar … Sempre a caridade, mas operosa. E também a alegria de louvar o Senhor: ‘Exultantes na alegria’. Assim devemos viver este caminho, esta vontade de encontrar o Senhor. Para encontrá-lo bem. Não ficar parados. E encontraremos o Senhor”.
Porém, acrescentou o Papa, “ali haverá uma surpresa, porque Ele é o Senhor das surpresas”. Também o Senhor “não está parado”. Eu, afirmou Francisco, “estou em caminho para encontrá-Lo e ele está em caminho para me encontrar. E quando nos encontramos, vemos que a grande surpresa é que Ele está me procurando antes que eu comece a procurá-lo”.

O Senhor sempre nos precede no encontro
“Esta é a grande surpresa do encontro com o Senhor. Ele nos procurou por primeiro. É sempre o primeiro. Ele percorre o seu caminho para nos encontrar”. Foi o que aconteceu com o Centurião:
“O Senhor vai sempre além, vai primeiro. Nós fazemos um passo e Ele faz dez. Sempre. A abundância de sua graça, de seu amor, de sua ternura não se cansa de nos procurar, também, às vezes, com coisas pequenas: Pensamos que encontrar o Senhor seja algo magnífico, como aquele homem da Síria, Naamã, que tinha hanseníase: E não é simples. Ele também teve uma surpresa grande da maneira de Deus agir. O nosso é o Deus das surpresas, o Deus que está nos procurando, nos esperando, e nos pede somente o pequeno passo da boa vontade.”
Devemos ter a “vontade de encontrá-lo”. Depois, Ele “nos ajuda”. “O Senhor nos acompanhará durante a nossa vida”, disse o Papa. Muitas vezes, irá nos ver distanciar Dele, e nos esperará como o Pai do Filho Pródigo.

A fé não é saber tudo sobre dogmática, mas encontrar Jesus
“Muitas vezes”, acrescentou o pontífice, “verá que queremos nos aproximar e sairá ao nosso encontro. É o encontro com o Senhor: isto é importante! O encontro. “Sempre me impressionou o que o Papa Bento XVI disse: que a fé não é uma teoria, uma filosofia, uma ideia: é um encontro. Um encontro com Jesus”. Caso contrário, “se você não encontrou a sua misericórdia pode até rezar o Credo de cor, mas não ter fé”:
“Os doutores da lei sabiam tudo, tudo sobre a dogmática daquele tempo, tudo sobre a moral daquele tempo, tudo. Não tinham fé, porque o seu coração tinha se distanciado de Deus. Distanciar-se ou ter o desejo de ir ao encontro. Esta é a graça que nós hoje pedimos. Ó Deus, nosso Pai, suscite em nós a vontade de ir ao encontro de Cristo, com as boas obras. Ir ao encontro de Jesus. Por isso, recordamos a graça que pedimos na oração, com a vigilância na oração, operosos na caridade e exultantes no louvor. Assim, encontraremos o Senhor e teremos uma linda surpresa”. (BF/MJ)

Encontro definitivo com o Senhor deve ser a meta e o fim, diz Papa

Domingo, 18 de novembro de 2018, Da redação, com Vatican News
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No Ângelus deste domingo, 18, Francisco comentou sobre o convite de Jesus: viver bem o presente, vigiar e estar sempre pronto para prestar contas

Papa Francisco no Angelus deste domingo (Vatican Media)

O Papa Francisco rezou a oração mariana do Ângelus, deste domingo, 18, II Dia Mundial dos Pobres, com os fiéis e peregrinos reunidos na Praça São Pedro. Na alocução que precedeu a oração, o Pontífice frisou que no Evangelho de hoje, Jesus instruiu seus discípulos sobre os eventos futuros, sem um discurso sobre o fim do mundo, mas com um convite a viver bem o presente, a vigiar e estar sempre pronto para prestar contas. “No Evangelho de hoje, Jesus diz que a história dos povos e a de cada um têm um fim e uma meta a ser alcançada: o encontro definitivo com o Senhor”, revelou

“Jesus diz: ‘Nesses dias, depois da tribulação, o sol vai ficar escuro, a lua não brilhará mais, as estrelas começarão a cair do céu’”, alertou o Papa. Segundo o Santo Padre, as palavras de Jesus provocam os cristãos a pensarem sobre os textos presentes no início do Livro do Gênesis que falam da criação. “O sol, a lua e as estrelas que desde o início dos tempos brilham em sua ordem e iluminam, sinal de vida, aqui são descritos em sua decadência, enquanto mergulham na escuridão e no caos, sinal do fim”, observou.

O Pontífice prosseguiu: “Ao invés, a luz que naquele último dia resplandecerá será única e nova: será a luz do Senhor Jesus que virá na glória com todos os santos. Naquele encontro veremos, finalmente, o seu Rosto na luz plena da Trindade; um rosto radiante de amor, diante do qual todo ser humano aparecerá em total verdade”.

A história da humanidade, assim como a história pessoal de cada ser vivo não pode, segundo Francisco, ser entendida como uma simples sucessão de palavras e fatos que não fazem sentido. “Não pode ser também interpretada à luz de uma visão fatalista, como se tudo já estivesse preestabelecido segundo um destino que subtrai todo espaço de liberdade, impedindo fazer escolhas que sejam o fruto de uma decisão verdadeira”, comentou.

“Não sabemos a hora e nem como acontecerá. O Senhor reiterou que ninguém sabe nada, nem os anjos no céu, nem o Filho. Tudo é mantido no segredo do mistério do Pai. Sabemos, todavia, um princípio fundamental com o qual devemos nos confrontar: ‘passarão o céu e a terra, mas as minhas palavras não passarão’”, sublinhou o Papa, que apontou ser este o verdadeiro ponto crucial.

Segundo Francisco, nos dias finais, cada pessoa humana entenderá se a Palavra do Filho de Deus iluminou a própria existência pessoal, ou se virou as costas para ela, preferindo confiar nas próprias palavras: “Será mais do que nunca o momento de nos abandonarmos definitivamente ao amor do Pai e confiar-nos à sua misericórdia”. O Papa destacou que ninguém escapa desse momento.

O Santo Padre continuou sua reflexão afirmando que esperteza, que muitos colocam em seus comportamentos para dar crédito à imagem que querem oferecer, não será mais necessária, da mesma forma que o poder do dinheiro e dos meios econômicos que incentivam o ser humano a, com presunção, comprar tudo e todos, não poderá ser mais usado. “Não teremos nada além do que realizamos nessa vida, acreditando em sua Palavra: tudo e nada do que vivemos ou deixamos de realizar. Levaremos conosco somente o que doamos, o que oferecemos”, frisou.

Francisco convidou os fiéis a invocarem a intercessão da Virgem Maria a fim de que a constatação deste tempo provisório na terra e da limitação humana não os afunde na angústia, mas os chame à responsabilidade para consigo, o próximo e o mundo inteiro.

Papa convida a refletir sobre zelo e respeito à Igreja

Tentação da mundanidade

Sexta-feira, 9 de novembro de 2018, Da Redação, com Vatican News
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Nossas igrejas são realmente casa de Deus, casa de oração, ou se parecem com os mercados?, questionou o Papa na Missa de hoje

Papa Francisco em Missa na Casa Santa Marta / Foto: Vatican Media

Na Missa desta sexta-feira, 9, na capela da Casa Santa Marta, o Papa Francisco comentou o Evangelho do dia, extraído de João, explicando as motivações que levam à agressividade de Jesus, que expulsa violentamente os mercantes do Templo. O Filho de Deus é impulsionado pelo amor, “pelo zelo” que sente pela casa do Senhor, “convertida num mercado”.

Entrando no templo, onde se vendiam bois, ovelhas e pombas, na presença dos cambistas, Jesus reconhece que aquele lugar era povoado por idólatras, homens prontos a servir ao “dinheiro” ao invés de “Deus”. “Por trás do dinheiro há o ídolo”, destacou Francisco, os ídolos são sempre de ouro. E os ídolos escravizam.

“Isso nos chama a atenção e nos faz pensar em como nós tratamos os nossos templos, as nossas igrejas; se realmente são casa de Deus, casa de oração, de encontro com o Senhor; se os sacerdotes favorecem isso. Ou se parecem com os mercados. Eu sei… algumas vezes eu vi – não aqui em Roma, mas em outro lugar – vi uma lista de preços. “Mas como pagar pelos Sacramentos?”. “Não, é uma oferta”. Mas se querem dar uma oferta – e devem dá-la – que a coloquem na caixa das ofertas, escondido, que ninguém veja quanto está dando. Também hoje existe este perigo: “Mas devemos manter a Igreja. Sim, sim, sim, realmente.” Que os fiéis a mantenham, mas na caixa das ofertas, não com uma lista de preços”.

Que as igrejas não se tornem mercado

O Papa Francisco advertiu também para a tentação da mundanidade. “Pensemos em algumas celebrações de algum Sacramento talvez, ou comemorativas, onde você vai e vê: não sabe se é um local de culto, a casa de Deus ou um salão social. Algumas celebrações que escorregam para a mundanidade. É verdade que as celebrações têm que ser bonitas – bonitas –, mas não mundanas, porque a mundanidade depende do deus dinheiro. É uma idolatria também. Isso nos faz pensar, e também no que diz respeito a nós: como é o nosso zelo pelas nossas igrejas, o respeito que nós temos ali quando entramos”.

O Pontífice refletiu depois sobre a primeira carta de São Paulo aos Coríntios, esclarecendo que também o coração de cada um representa “um templo: templo de Deus”. Assim, cada um deveria interrogar o próprio coração para verificar se é “mundano e idolatra”.

“Eu não pergunto qual é o seu pecado, o meu pecado. Pergunto se existe dentro de você um ídolo, se há o senhor dinheiro. Porque quando existe o pecado há o Senhor Deus misericordioso que perdoa se você vai até Ele. Mas se há o outro senhor – o deus dinheiro – você é um idólatra, isto é, um corrupto: não mais um pecador, mas um corrupto. O cerne da corrupção é justamente uma idolatria: é ter vendido a alma ao deus dinheiro, ao deus poder. É um idólatra”.

O lado de lá e o lado de cá

Nossa morte e nosso céu se constroem no dia a dia

O calendário da Igreja nos oferece, neste final de semana, duas faces da magnífica medalha cunhada por Deus, que é a nossa vida, o Dia de todos os Santos e a Comemoração dos Fiéis falecidos. Olhamos primeiro para o ponto de chegada, que corresponde ao magnífico destino para o qual fomos criados: a plenitude da vida e da felicidade junto de Deus, “uma multidão imensa de gente de todas as nações, tribos, povos e línguas, e que ninguém podia contar” (Ap 7, 9). Temos a certeza de que Ele não fez ninguém para a perdição, todos têm em si a vocação para a plena realização de todas as suas potencialidades. Tanto é verdade que o Pai do Céu enviou o próprio Filho, como nosso Salvador e Redentor, para que todos tenham vida, e vida em abundância (cf. Jo 10,10).

Vida plenamente humana é aquela que enxerga o horizonte aberto pelo próprio Deus. A Solenidade de todos os Santos indica a perspectiva da existência marcada por uma realidade descoberta pela fé: “Desde já somos filhos de Deus, mas nem sequer se manifestou o que seremos! Sabemos que, quando Jesus se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque o veremos tal como ele é” (1 Jo 3,2).

Santidade é para todos! Se nos alegramos com a iminente canonização de dois Papas do nosso tempo, os Beatos João XXIII e João Paulo II, é para que sejam reconhecidos como referência e como possibilidade. São duas personalidades carregadas de humanidade, cujo percurso histórico nesta terra teve muito de parecido conosco. São homens que vieram de famílias muito simples, lutaram e amadureceram em tempos de desafios grandes, com a provocação das ideologias do século XX. Souberam dialogar com a cultura de nossa época, alegraram-se e sofreram com as mesmas realidades que até hoje nos envolvem.

Percorreram o caminho dos bem-aventurados, de olhos fixos n’Aquele que é “O Bem-aventurado”, Jesus Cristo: os pobres em espírito, dos quais é o Reino dos Céus; os aflitos, que serão consolados; os mansos, porque possuirão a terra; os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados; os misericordiosos, que alcançarão misericórdia; os puros de coração, porque verão a Deus; os que promovem a paz, chamados filhos de Deus; os que são perseguidos por causa da justiça, de quem é o Reino dos Céus! Homens e mulheres que se descobriram felizes quando injuriados e perseguidos por causa de Cristo. Pessoas portadoras de uma alegria invencível, certos da recompensa nos céus (Cf. Mt 5, 1-12).

A santidade, vocação universal dos cristãos, começa com coisas simples. João XXIII registrou, em seu diário íntimo, um caminho bom para todos, adequado para uma festa de Todos os Santos bem vivida, chamado “Decálogo da serenidade”: 1. Procurarei viver pensando apenas no dia de hoje, exclusivamente neste dia, sem querer resolver todos os problemas da minha vida de uma só vez; 2. Hoje, apenas hoje, procurarei ter o máximo cuidado na minha convivência, cortês nas minhas maneiras, a ninguém criticarei, nem pretenderei melhorar ou corrigir à força ninguém, senão a mim mesmo; 3. Hoje, apenas hoje, serei feliz. Na certeza de que fui criado para a felicidade, não só no outro mundo, mas também já neste; 4. Hoje, apenas hoje, adaptar-me-ei às circunstâncias, sem pretender que sejam todas as circunstâncias a se adaptarem aos meus desejos; 5. Hoje, apenas hoje, dedicarei dez minutos do meu tempo a uma boa leitura, recordando que assim como o alimento é necessário para a vida do corpo, a boa leitura é necessária para a vida da alma; 6. Hoje, apenas hoje, farei uma boa ação, e não direi a ninguém; 7. Hoje, apenas hoje, farei ao menos uma coisa que me custe fazer, e se me sentir ofendido nos meus sentimentos, procurarei que ninguém o saiba; 8. Hoje, apenas hoje, executarei um programa pormenorizado. Talvez não o cumpra perfeitamente, mas ao menos o escreverei, e fugirei de dois males, a pressa e a indecisão; 9. Hoje, apenas hoje, acreditarei firmemente, embora as circunstâncias mostrem ao contrário, que a Providência de Deus se ocupa de mim, como se não existisse mais ninguém no mundo; 10. Hoje, apenas hoje, não terei nenhum temor, de modo especial não terei medo de gozar o que é belo, e de crer na bondade.

A santidade que começa com muita simplicidade, é destinada a fazer o bem aos outros. Não é feita para aparecer, não se incha de orgulho. Sua motivação de fundo é a caridade, sem a qual nada vale neste mundo. Até porque é apenas a caridade que será levada para o encontro definitivo com Deus, “o lado de lá”, quando veremos face a face o Senhor. Ela é uma aventura feliz e bem-sucedida, construída no dia a dia e unificada pelo fio de ouro do amor de Deus, que nos faz ver o sentido de tudo o que vivemos. De fato, tudo concorrerá para o bem dos que amam a Deus (Cf. Rm 8, 29)! O Livro do Apocalipse vê uma imensa multidão, de toda língua, raça, povo e nação, “os que vieram da grande tribulação. Lavaram e alvejaram as suas roupas no sangue do Cordeiro” (Cf. Ap 7, 2-14).

O “lado de lá” é preparado pelo “lado de cá” bem vivido, com o qual os homens e as mulheres se preparam para a páscoa pessoal, enfrentando todas as dificuldades e ultrapassando o misterioso e também magnífico umbral da morte. Como ninguém ficará para semente nesta terra, ocorre meditar sobre esta realidade, tomar consciência de sua seriedade e preparar-se bem. Morremos do jeito que vivemos. Nossa morte e nosso céu se constroem no dia a dia, para que o Dia do Senhor não nos surpreenda, mas nos encontre vigilantes e preparados!

Ninguém precisa ficar preocupado com a morte, mas viver bem, amando a Deus e ao próximo, semeando o bem e a bem-aventurança. E quando a morte chegar, será a oportunidade de virar o jogo! O segredo está, também aqui, em nosso Salvador: “Ninguém tira a minha vida, eu a dou livremente” (Jo 10,18). Vale a pena antecipar a morte! Sim, morrendo cada dia para o egoísmo e para a maldade, transformando em dom a Deus e aos outros cada ato de nossa existência. Quem viver assim poderá dizer com São Paulo: “Para mim, de fato, o viver é Cristo e o morrer, lucro. Ora, se, continuando na vida corporal, eu posso produzir um trabalho fecundo, então já não sei o que escolher. Estou num grande dilema: por um lado, desejo ardentemente partir para estar com Cristo – o que para mim é muito melhor; por outro lado, parece mais necessário para o vosso bem que eu continue a viver neste mundo” (Fl 1,21-24).

Que cheguemos a tais alturas: “Sabemos que, se a tenda em que moramos neste mundo for destruída, Deus nos dá outra moradia no céu, que não é obra de mãos humanas e que é eterna. Aliás, é por isso que gememos, suspirando por ser sobrevestidos com a nossa habitação celeste; sobrevestidos digo, se é que seremos encontrados vestidos e não nus. Sim, nós que moramos na tenda do corpo estamos oprimidos e gememos, porque, na verdade, não queremos ser despojados, mas sim sobrevestidos, de modo que o que é mortal em nós seja absorvido pela vida. quem nos preparou para isto é Deus, que nos deu seu Espírito em garantia. Estamos sempre cheios de confiança e bem lembrados de que, enquanto moramos no corpo, somos peregrinos, longe do Senhor; pois caminhamos pela fé e não pela visão. Mas estamos cheios de confiança e preferimos deixar a moradia do nosso corpo, para ir morar junto do Senhor” (2 Cor 5, 1-8).

Dom Alberto Taveira Corrêa
Arcebispo de Belém – PA

A fé: uma alegria renovada

Beleza tão antiga e tão nova

Uma das páginas mais comoventes do livro das Confissões de Santo Agostinho é a oração que dirige a Deus, com um misto de alegria e de dor, ao lembrar-se das hesitações e as demoras que atrasaram a sua conversão:

«Tarde te amei, ó beleza tão antiga e tão nova, tarde te amei! Tu estavas dentro de mim e eu te procurava fora: lançava-me transtornado sobre as belezas que tu criaste.  Tu estavas comigo, e eu não estava contigo. Seguravam-me longe de ti as coisas criadas que, se não fossem sustentadas por ti, nem mesmo existiriam. Chamaste, clamaste e rompeste a minha surdez; brilhaste, resplandeceste, e a tua luz afugentou a minha cegueira; exalaste o teu perfume e respirei, suspirei por ti; saboreei-te, e agora tenho fome e sede de ti; Tu me tocaste, e agora estou ardendo no desejo da tua paz» (liv. 10, 27).

Santo Agostinho sentiu, desde muito jovem, uma sede ardente de felicidade, de amor, de verdade. Percorreu aos trambolhões um longo caminho de procura. Foi sincero. Por isso Deus ouviu as suas súplicas e lhe deu a resposta, acendendo-lhe na alma a luz da fé em Cristo. A partir desse instante, foi invadido por uma alegria que nunca mais iria abandoná-lo.

«Senhor…, fizeste-nos para ti e o nosso coração estará inquieto enquanto não descansar em ti», escrevia no começo das suas Confissões. Descansou na fé e no amor. Essa foi a sua experiência.

Alegria! Paz! Todos nós as desejamos… e como nos custa encontrá-las. Continuam a ser para nós um tesouro escondido (cf. Mt 13, 44). E, no entanto, poderíamos achá-las se nos puséssemos em condições de alcançar a graça da fé. Não o incentiva pensar que a Bíblia, o Novo Testamento, nos mostra que a alegria autêntica é inseparável da fé?

Lembre. Jesus acabava de nascer e já houve uns homens, os Magos, que, acolhendo com fé o sinal profético de uma estrela, empreenderam um  duro caminho. São Mateus conta assim o final dessa aventura: E eis que a estrela, que tinham visto no oriente, os foi precedendo até chegar sobre o lugar onde estava o menino e ali parou. Ao verem a estrela – ao acharem Jesus –, sentiram uma imensa alegria (Mt 2,9-10). O tamanho dessa alegria deduz-se do texto original do Evangelho, que é difícil reproduzir com exatidão: Alegraram-se com uma alegria muito grande, e muito! Uma explosão de alegria no coração.

Lembremos também outro relato do Novo Testamento. A comunidade cristã acabava de nascer e já sofria perseguição. Como é que viviam a fé? São Pedro o conta: Este Jesus vós o amais sem o terdes visto; credes nele sem o verdes ainda, e isto é para vós a fonte de uma alegria inefável e gloriosa, porque estais certos de obter, como preço da vossa fé, a salvação de vossas almas  (1 Ped 1,8-9).

Os testemunhos sobre a alegria da fé são inúmeros. Quero trazer agora apenas um de tempo relativamente recente, o do jornalista André Frossard. Era filho do primeiro Secretário geral do Partido Comunista francês, e foi criado totalmente à margem da religião. Entrou um dia por acaso numa igreja, ponto de espera marcado por um amigo. De repente, instantaneamente, Deus o atingiu com a sua graça, e passou a crer sem nenhuma dúvida, a crer em “todas” as verdades da fé católica. Foi um milagre do amor de Deus, que jamais esqueceria. Assim o comentava posteriormente: «Como esquecer o dia em que, numa capela subitamente rasgada de luz, se descobre o amor ignorado pelo qual se ama e  se respira, em que se aprende que o homem não está só, que uma presença invisível o penetra, o rodeia e o espera, que para lá dos sentidos e da imaginação existe um outro mundo, em comparação com o qual este universo material, por mais belo que seja e por mais atrativo que se apresente, não passa de vaga neblina e reflexo distante da beleza que o criou» (Há um outro mundo, Quadrante 2003).

Como já sabe, estamos no Ano da Fé, proclamado pelo Papa Bento XVI em 11 de outubro de 2011, com a Carta Apostólica Porta fidei (“A porta da pé”), comemorando os 50 anos do início do Concílio Vaticano II e 20 anos da publicação do Catecismo da Igreja Católica. Vai terminar na Solenidade de Cristo Rei, 24 de novembro de 2013. A carta Porta fidei incentiva-nos a desejar ter ou aumentar a nossa fé. Fala da «necessidade de redescobrir o caminho da fé, para fazer brilhar, com evidência sempre maior, a alegria e o renovado entusiasmo do encontro com Cristo» (n. 2).

Na audiência da quarta-feira 10 de outubro de 2012, véspera do início deste Ano da Fé, o Papa voltou a exortar-nos a «redescobrir cada dia a beleza da nossa fé». No dia seguinte, inaugurando o Ano da Fé, voltava a referir-se em uma homilia à «alegria de crer e à sua importância vital para nós, homens e mulheres». E, poucos dias depois, na audiência da quarta-feira 17 de outubro, anunciou o seu propósito de dedicar, neste Ano da Fé, as alocuções das quartas-feiras à catequese sobre o tema da fé: «Quereria – dizia –que fizéssemos um caminho para reforçar ou reencontrar a alegria da fé, compreendendo que a fé não é algo alheio, separado da vida concreta, mas é a sua alma».

Na Carta Porta fidei o Papa faz um resumo sintético das finalidades dste ano: «Descobrir novamente os conteúdos da fé professada (as verdades da fé), da fé celebrada (nos Sacramentos), da fé vivida (na conduta, na vida real, na vida moral), e da fé rezada (da oração e da vida de oração)» (Porta fidei, n. 9).

Se você conhece o Catecismo da Igreja Católica, deve ter observado que, em poucas palavras, o Papa menciona as quatro partes em que o Catecismo se divide: I. A profissão da fé; II. A celebração do mistério cristão; III. A vida em Cristo; IV. A oração cristã.

É natural, pois, que a Carta Porta fidei insista em que «o Ano da Fé deverá exprimir um esforço generalizado em prol da redescoberta e do estudo dos conteúdos fundamentais da fé, que têm no Catecismo da Igreja Católica a sua síntese sistemática e orgânica […]. Na sua própria estrutura, o Catecismo da Igreja Católica apresenta o desenvolvimento da fé até chegar aos grandes temas da vida diária» (n. 11).

Todos somos conclamados, portanto, a estudar e a difundir o conteúdo – assimilado, esmiuçado, traduzido em linguagem acessível – do Catecismo da Igreja e do seu Compêndio, bem como a redescobrir os documentos do Concílio Vaticano II.

Deixe-me acabar esse trecho com uma pergunta: Você vai fazer alguma coisa? O que poderia fazer para aprofundar e dar a conhecer a “doutrina” católica, os “conteúdos” da fé?

Padre Francisco Faus
http://www.padrefaus.org/

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