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Semana Santa não é ‘feriadão’

Cabe aos católicos manter vivo o significado genuíno da Semana Santa e da Páscoa. Não esperemos isso dos que não são cristãos ou católicos…

Cardeal Odilo Pedro Scherer
Arcebispo de São Paulo

Há várias semanas, os anúncios comerciais chamam para as compras no mercado da Páscoa. Mas os ovos de chocolate, neste ano, andam muito caros… A inflação e a crise econômica incidiram pesadamente no doce comércio de Páscoa!

E o bacalhau, nem se fala! Os preços estão proibitivos. Sem bacalhau, será uma Sexta-feira da Paixão sem graça? Como se pode passar a Sexta-feira Santa sem comer uma pratada abundante de bacalhau? Ainda não entendi por qual razão precisa ser justamente nesse dia, quando a Igreja convida todos os que podem a fazerem um dia de penitência, de jejum e abstinência de carnes… Alguém dirá que bacalhau não é carne… Como assim? Se carne de frango é carne, a de peixe, o que é?

Parece que a preocupação maior desta Semana Santa é preservar alguns costumes culinários ou gastronômicos… Certo, Páscoa é festa grande e é justo que se faça uma refeição festiva; mesmo com poucos recursos e boa dose de criatividade, na Páscoa é possível fazer festa com a família e os amigos!

Não seria bom ir um pouco além da cozinha e da mesa? O que torna esta Semana especial é o fato de ela ser “santa”, ou seja, reservada especialmente para Deus e as coisas da fé. Nela, deveríamos dedicar um tempo maior à oração, à busca de Deus, mesmo através de uma boa revisão da vida, tentando perceber a quantas andam as coisas com a vida da gente.

Nem todos têm a nossa visão das coisas; quero dizer, a visão dos católicos. É compreensível e não queremos impor nada a ninguém. Falamos aos católicos, para o “povo de casa”… Tomemos consciência de que os dias feriados e a festa da Páscoa, com suas manifestações culturais, são de origem cristã. Cabe a nós, preencher de sentido estas festas e comemorações, que se estenderam para dentro da cultura.

Poderá acontecer, se já não está acontecendo, que as tradições cristãs e católicas, pouco valorizadas e cultivadas até por católicos, vão perdendo o seu significado originário, que é alterado e até substituído por práticas que nada têm a ver com essas festas e tradições culturais cristãs. Cabe aos católicos manter vivo o significado genuíno da Semana Santa e da Páscoa. Não esperemos isso dos que não são cristãos ou católicos.

No mundo plural de hoje, quem não tem convicções firmes e conceitos claros acaba sendo absorvido pelo ambiente… E já vamos percebendo sempre mais que, em lugar das procissões da Sexta Feira Santa, vão aparecendo ruidosas manifestações de massa, por vezes, bem pertinho de nossas igrejas e procissões… Esta é a hora das convicções firmes e da consciência clara das nossas próprias manifestações de fé!

A Semana Santa, que deveria ser um tempo mais voltado para a oração e para a participação nas celebrações da Igreja, vai se tornando sempre mais uma ocasião para um feriadão estendido, viagens e todo tipo de programas, sem mais nenhuma marca cristã… Fica estranho ver as igrejas meio vazias no Domingo da Páscoa da Ressurreição, justamente quando elas deveriam estar mais cheias que nunca!

Na Semana Santa somos confrontados com o infinito amor de Deus, que amou tanto o mundo, ao ponto de lhe enviar seu Filho único, para que todo o que nele crer não pereça para sempre, mas tenha a vida eterna. E somos colocados diante do amor de Cristo por nós, um amor sem reservas, “até o fim”: Ele desceu ao fundo do poço da miséria humana para estender a mão do perdão e da misericórdia de Deus a todos…

Na Semana Santa, deixemo-nos envolver de graça e de perdão; e, com São Paulo, deixemo-nos mover por este pensamento: “Ele me amou e por mim se entregou na cruz!” E renovemos nossa adesão de fé e nossa disposição de segui-lo nos caminhos da vida. Vida que se renova na sua paixão, morte e ressurreição. E nada impede que também se faça festa na Páscoa! Apesar de ser com menos chocolate e bacalhau…

Remorsos da consciência são sintomas de salvação

Quinta-feira, 28 de setembro de 2017, Da Redação, com Rádio Vaticano

Na Missa de hoje, Papa falou da necessidade de ter consciência do pecado cometido para alcançar o perdão de Deus

Não ter medo de dizer a verdade sobre a vida, de tomar consciência dos pecados e confessá-los a Deus para que Ele perdoe. Essa foi, em síntese, a reflexão do Papa Francisco na Missa desta quinta-feira, 28, na Casa Santa Marta.

Citando o Evangelho do dia sobre o comportamento de Herodes em relação à pregação de Jesus, o Papa lembrou que alguns associavam Jesus a João Batista e a Elias, e outros o identificavam como um profeta. Herodes não sabia o que pensar, mas sentia dentro de si alguma coisa, que não era uma curiosidade, era um remorso na alma, no coração, procurava ver Jesus para tranquilizar-se. “Queria ver milagres realizados por Cristo, mas Jesus – disse o Papa – não fez um circo diante dele e foi entregue a Pilatos. E Jesus pagou com a morte”.

Herodes cobriu um crime com outro, o remorso da consciência com outro crime, como quem mata por temor. O remorso da consciência não é uma simples recordação, mas uma chaga, disse o Papa.

“Uma chaga que quando na vida fizemos alguns males, dói. É uma chaga escondida, não se vê; nem eu a vejo, porque me acostumo a carregá-la e depois se anestesia. Está ali, alguns a tocam, mas a ferida está dentro. Quando esta chaga faz mal, sentimos remorso. Não somente estou consciente de ter feito o mal, mas o sinto: o sinto no coração, no corpo, na alma e na vida. Disto nasce a tentação de cobri-lo, para não mais senti-lo”.

O Santo Padre destacou que é uma graça sentir que a consciência acusa, diz alguma coisa. Por outro lado, lembrou que ninguém é santo e todos são inclinados a olhar para os pecados dos outros e não para os próprios, compadecendo-se por quem sofre na guerra ou por causa de “ditadores que matam pessoas”.

“Nós devemos – permitam–me a palavra – ‘batizar’ a chaga, isto é, dar-lhe um nome. Onde você tem a chaga? ‘Padre como eu faço para tirá-la fora?’ – ‘Mas antes de tudo reze: Senhor, tenha piedade de mim que sou pecador’. O Senhor escuta a sua oração. Depois examine a sua vida. ‘Se eu não vejo como e onde está aquela dor, de onde vem, que é um sintoma, como posso fazer?’ – ‘Peça a alguém para ajudá-lo a tirar a chaga; que a chaga saia e depois dar-lhe um nome’. Eu tenho esse remorso de consciência porque eu fiz isso, concreto; concretude. E esta é a verdadeira humildade diante de Deus e Deus se comove diante da concretude”.

A concretude, explicou o Pontífice, expressa pelas crianças na confissão. Uma concretude de dizer o que fez para que a verdade “venha para fora”. “Assim nos curamos”.

“Aprender a ciência, a sabedoria de acusar a si mesmo. Eu me acuso, sinto a dor da chaga, faço de tudo para saber de onde vem esse sintoma e depois eu me acuso. Não tenha medo dos remorsos da consciência: eles são um sintoma de salvação. Tenha medo de cobri-los, de maquiá-los, dissimulá-los, escondê-los … isto sim, mas ser claro. E assim o Senhor nos cura”.

A oração final do Papa foi pedindo que Deus dê a graça da coragem de cada um se acusar para caminhar no caminho do perdão.

Exame de Consciência

Você poderá usar esta reflexão na preparação para a sua Confissão, através de um exame de consciência bem feito. Para você fazer uma boa confissão é preciso examinar a sua consciência, com a luz do Espírito Santo, coragem, e nada esconder do sacerdote, que ali representa o próprio Jesus.

1. Amo a Deus mais do que as coisas, as pessoas, os meus programas? Ou será que eu tenho adorado deuses falsos, como o prazer do sexo, antes ou fora do casamento, o prazer da gula, o orgulho de aparecer, a vaidade de me exibir, de querer ser “o bom”, etc.?

2. Eu tenho, contra a Lei de Deus, buscado poder, conhecimento, riquezas, soluções para meus problemas, em coisas proibidas, como: horóscopos, mapa astral, leitura de cartas, búzios, tarôs, pirâmides, cristais, espiritismo, macumba, candomblé, magia negra, invocação dos mortos, leitura das mãos, etc.? Tenho cultivado superstições? Figas, amuletos, duendes, gnomos e coisas parecidas?
Procuro ouvir músicas que me influenciam provocando alienação, violência, sexo, rebeldia e depravação?

3. Eu rezo, confio em Deus, procuro a Igreja, participo da Santa Missa nos domingos? Eu me confesso? Comungo?

4. Eu leio os Evangelhos, a Palavra viva de Jesus, ou será que Ele é um desconhecido para mim?

5. Eu respeito, amo e defendo a Deus, Nossa Senhora, os Anjos, os Santos, as coisas sagradas, ou será que sou um blasfemador que age como um inimigo de Jesus?

6. Eu amo, honro, ajudo os meus pais, os meus irmãos, a minha família? Ou será que eu sou “um problema a mais” dentro da minha casa? Eu faço os meus pais chorarem? Eu sou um filho que só sabe exigir e exigir? Eu minto e sou fingido com eles? Vivo o mandamento: “honrar pai e mãe”?

7. Como vai o meu namoro? Faço da minha garota um objeto de prazer para mim? Como um cigarro que eu fumo e jogo a “bita” fora? Ela (e) é uma “pessoa” para viver ou é apenas uma “coisa” para me dar prazer?

8. Eu vivo a vida sexual antes do casamento, fora do plano de Deus? Eu peco por pensamentos, palavras, atos, nesse assunto? Masturbação, revistas pornográficas, filmes, desfiles eróticos, roupas provocantes?

9- Eu respeito o meu corpo e a minha saúde que são dons de Deus? Ou será que eu destruo o meu corpo, que é o templo do Espírito Santo, com a prostituição, com as drogas, as aventuras de alto risco, brigas, violências, provocações, etc.?

10. Sou honesto? Ou será que tapeio os outros? Engano meus pais? Pego dinheiro escondido deles? Será que eu roubei algo de alguém, mesmo que seja algo sem muito valor? Já devolvi?

11. Fiz mal para alguém? Feri alguém por palavras, pensamentos, atitudes, tapas, com armas? Neguei o meu perdão a alguém? Desejei vingança? Tenho ódio de alguém?

12. Eu falo mal dos outros? Vivo fofocando, destruindo a honra e o bom nome das pessoas? Sou caluniador, mexeriqueiro? Vivo julgando e condenando os outros? Sou compassivo, paciente, manso? Sei perdoar, como Jesus manda?

13. Sou humilde, simples, prestativo, amigo de verdade?

14. Vivo a caridade, sei sofrer para ajudar a quem precisa de mim? Partilho o que tenho com os irmãos ou sou egoísta?

15. Sou desapegado das coisas materiais, do dinheiro?

A Festa da Páscoa se aproxima, portanto, peçamos ao Divino Espírito Santo que nos ilumine e nos encoraje para uma boa e santa confissão de nossos pecados. Ensina-nos Santo Agostinho: “A confissão das más obras é o começo das boas obras. Contribuis para a verdade e consegues chegar à luz”.

(Trecho retirado do Livro: Por que confessar? Como confessar? Ed. Cléofas).

A Eucaristia é remédio para quem está em pecado mortal?

https://padrepauloricardo.org/blog/a-eucaristia-e-remedio-para-quem-esta-em-pecado-mortal

O ato de aproximarmo-nos da Eucaristia com uma consciência manchada pelo pecado mortal nunca poderá chamar-se “Comunhão”, ainda que toquemos mil vezes o corpo do Senhor.

O Doutor Angélico, ao falar do sacramento da Eucaristia, ensina que este é o maior de todos os sacramentos, porque, “ao passo que nos outros sacramentos está contida uma certa virtude instrumental participada de Cristo”, “nele está contido o próprio Cristo substancialmente” [1]. Por esse motivo, a Igreja sempre prestou a este sacramento o culto de adoração, reconhecendo que, debaixo do véu das espécies eucarísticas, estava escondido, realmente, ninguém menos que o próprio Deus.

Ao falar de “comunhão”, então, é preciso reconhecer, com coragem, o primado de Deus. Na celebração da Santa Missa, quando os fiéis se aproximam da mesa eucarística, devem ter em mente que aquele ato de “comunhão” é apenas um sinal visível de algo que já acontece invisivelmente em sua alma, em estado de amizade com o Senhor. São João Paulo II ensina que “a integridade dos vínculos invisíveis é um dever moral concreto do cristão que queira participar plenamente na Eucaristia, comungando o corpo e o sangue de Cristo”. E acrescenta: “Não basta a fé; mas é preciso perseverar na graça santificante e na caridade” [2].

Por isso o Apóstolo já advertia à comunidade de Corinto que se examinasse antes de aproximar-se da Eucaristia, pois “quem comer o pão ou beber do cálice do Senhor indignamente será réu do corpo e do sangue do Senhor” [3]. Na mesma linha, São João Crisóstomo levantava a sua voz, pedindo aos fiéis que não se abeirassem “desta Mesa sagrada com uma consciência manchada e corrompida”: “De fato, uma tal aproximação nunca poderá chamar-se comunhão, ainda que toquemos mil vezes o corpo do Senhor, mas condenação, tormento e redobrados castigos” [4]. O Concílio de Trento corroborou este costume da Igreja, afirmando que “é preciso um exame para que ninguém, por mais contrito que ele considere, se aproxime da sagrada Eucaristia sem antes confessar sacramentalmente, caso esteja consciente de algum pecado mortal” [5].

Hoje, no entanto, algumas pessoas têm, senão negado esse ensinamento, pelo menos obscurecido sua importância. Tratam a Eucaristia com irreverência e desrespeito, distribuem a comunhão como quem distribui qualquer coisa no meio da rua e querem porque querem que todas as pessoas comunguem, mesmo que nem todas estejam verdadeiramente em comunhão com Cristo, isto é, em estado de graça.

Não se quer, com isso, negar o grande dom que é participar da comunhão frequente, nem criar uma “casta” dentro da Igreja, transformando-a numa “alfândega”. Como escreveu o Papa Francisco, “a Eucaristia (…) não é um prêmio para os perfeitos, mas um remédio generoso e um alimento para os fracos” [6]. E ainda Santo Ambrósio: “Devo recebê-lo sempre, para que sempre perdoe os meus pecados. Se peco continuamente, devo ter sempre um remédio” [7]. A cada pessoa, porém, deve ser dado o remédio adequado à sua enfermidade, como indica o Aquinate:

“Não é qualquer remédio que convém a qualquer doente. Assim, o remédio para fortificar os que já não têm febre, faria mal dos febricitantes. Assim também o batismo e a penitência são remédios purificativos, para tirar a febre do pecado. Ao passo que este sacramento [a Eucaristia] é um remédio fortificante, que não deve ser dado senão aos que se livraram do pecado.” [8]

Por isso, São João Paulo II sublinha a íntima união entre o sacramento da Eucaristia e o sacramento da Penitência: “Se a Eucaristia torna presente o sacrifício redentor da cruz, perpetuando-o sacramentalmente, isso significa que deriva dela uma contínua exigência de conversão” [9].

Aqueles que se encontram em estado de graça, mas feridos pelos pecados veniais e pelos defeitos pessoais, no caminho da purificação, não devem deixar de recorrer ao sacramento da Eucaristia, tomando-o como “remédio fortificante”, para que os ajudem na luta contra o mal e na própria santificação.

Por Equipe Christo Nihil Praeponere

Referências

  1. Suma Teológica, III, q. 65, a. 3
  2. Ecclesia de Eucharistia, 36
  3. 1Cor 11, 27
  4. Homilias sobre Isaías, 6, 3: PG 56, 139
  5. Concílio de Trento, Sessão XIII, Decretum de ss. Eucharistia, cap. 7: DS 1647
  6. Evangelii Gaudium, 47
  7. De Sacramentis, IV, 6, 28: PL 16, 446
  8. Suma Teológica, III, q. 80, a. 4, ad 2
  9. Ecclesia de Eucharistia, 37
  10. Caminho de Perfeição, 35, 1

 

Afinal, está liberada a Comunhão aos divorciados? Entenda
https://oanunciador.com/2015/10/27/afinal-esta-liberada-a-comunhao-aos-divorciados-entenda/

Os trabalhos do Sínodo dos Bispos sobre a Família terminaram no último sábado e, entre os diversos pontos que aparecem no documento final, estão os divorciados recasados; e também o caso daqueles que, estando separados ou divorciados, decidiram permanecer fiéis ao vínculo do matrimônio e não contraíram uma nova união.

 Afinal, o que foi determinado como orientação para os divorciados?

Separados, mas sozinhos

Para todos que se separam, mas resolveram viver sozinhos e se quer namoram, o numeral 83 do Sínodo diz:

“O testemunho dos que inclusive em condições difíceis não ingressam em uma nova união, permanecendo fiéis ao vínculo sacramental, merece a avaliação e o sustento por parte da Igreja. Ela quer lhes mostrar o rosto de um Deus fiel ao seu amor e sempre capaz de dar-lhes novamente força e esperança. As pessoas separadas ou divorciadas, mas não recasadas, as quais normalmente são testemunho da fidelidade matrimonial, são encorajadas a encontrar na Eucaristia o alimento que as sustente em seu estado”.

Segunda União

O tema dos divorciados em nova união aparece no documento final sob o subtítulo “Discernimento e integração” e está nos numerais 84, 85 e 86.

O portal ACI Digital traduziu (Não oficial) o que diz nesses números com relação às pessoas divorciadas que possuem um novo relacionamento.

Integração comunitária:

84.– Os batizados que estão divorciados e se casaram novamente no civil devem estar mais integrados nas comunidades cristãs de diversas maneira que forem possíveis, evitando toda ocasião de escândalo. A lógica da integração é a chave do seu acompanhamento pastoral, para que não saibam apenas que pertencem ao Corpo de Cristo que é a Igreja, mas a fim de que possam ter uma feliz e fecunda experiência dela. São batizados, são irmãos e irmãs, o Espírito Santo derrama neles dons e carismas para o bem de todos.

Sua participação pode expressar-se em diversos serviços eclesiásticos: por isso, é necessário discernir quais das diversas formas de exclusão atualmente praticadas no âmbito litúrgico, pastoral, educativo e institucional podem ser superadas. Eles não estão e não devem sentir-se excomungados e podem viver e crescer como membros vivos da Igreja, sentindo-a como uma mãe que os acolhe sempre, os cuida com afeto e os exorta no caminho da vida e do Evangelho.

Esta integração também é necessária para o cuidado e a educação cristã dos seus filhos, os quais devem ser considerados como os mais importantes. Para a comunidade cristã, cuidar destas pessoas não se trata de debilitar a própria fé e o testemunho a respeito da indissolubilidade matrimonial, mas desta forma, através deste cuidado, a Igreja expressa a sua caridade.

Discernimento ao avaliar os casos

85.– São João Paulo II ofereceu um critério integral que permanece como a base para a valorização destas situações: “Os pastores, por amor à verdade, estão obrigados a discernir bem as situações. Em efeito, existe diferença entre aqueles que se esforçaram sinceramente por salvar o primeiro matrimônio e foram abandonados de tudo injustamente, e os que por culpa grave destruíram um matrimônio canonicamente válido. Finalmente, estão os que contraíram uma segunda união em vista a educação dos filhos e, às vezes, estão subjetivamente seguros em consciência de que o precedente matrimônio, irreparavelmente destruído, não tinha sido nunca válido” (Familiaris Consortio, 84).

Então, a tarefa dos presbíteros se trata de acompanhar às pessoas interessadas no caminho do discernimento segundo o ensinamento da Igreja e as orientações do Bispo. Neste processo será útil fazer um exame de consciência, através de momentos de reflexão e arrependimento.

Os divorciados recasados deveriam se perguntar como se comportaram com seus filhos quando a união conjugal entrou em crise, se houve tentativas de reconciliação, como está a situação do companheiro abandonado, que consequência tem a nova relação sobre o resto da família e da comunidade de fiéis, que exemplo oferece aos jovens que devem se preparar para o matrimônio. Uma sincera reflexão a respeito pode reforçar a confiança na misericórdia de Deus que não nega a ninguém.

Além disso, não podemos negar que em algumas circunstâncias “a imputabilidade e a responsabilidade de uma ação podem ficar diminuídas e inclusive suprimidas” (CCC, 1735) por causa de diversos condicionamentos. Como consequência, o julgamento a respeito de uma situação objetiva não deve levar a um julgamento sobre a “imputabilidade subjetiva” (Pontifício Conselho para os Textos Legislativos, Declaração de 24 de junho de 2000, 2a).

Em certas circunstâncias as pessoas encontram grandes dificuldades para agir de forma distinta. Por isso, enquanto se sustenta uma norma geral, é necessário reconhecer que a responsabilidade em relação a determinadas ações ou decisões não é a mesma em todos os casos.

O discernimento pastoral, tendo presente a consciência retamente formada pelas pessoas, deve encarregar-se destas situações. As consequências dos atos realizados também não são necessariamente as mesmas em todos os casos.

Quem decide é o sacerdote:

86.- O percurso de acompanhamento e discernimento orienta estes fiéis a serem conscientes da sua situação ante Deus. O diálogo com o sacerdote, no foro interno, concorre com a formação de um julgamento correto acerca do que obstaculiza a possibilidade de uma participação mais plena na vida da Igreja e sobre os passos que podem favorecê-la e fazê-la crescer.

Dado que na mesma lei não é gradual (FC, 34), este discernimento nunca poderá prescindir das exigências da verdade e da caridade do Evangelho proposta pela Igreja. Para que isto aconteça, devem ser garantidas as necessárias condições de humildade, reserva, amor à Igreja e aos seus ensinamentos, na busca sincera da vontade de Deus e no desejo de alcançar uma resposta mais perfeita a esta.

Pode ou não pode?

Como lido acima, nada é falado de forma clara. Ficam a nossa interpretação e que devido a falta de retidão no texto pode nos levar a qualquer interpretação equivocada.  Ainda é preciso ler e entender melhor o documento final, além é claro, de esperar a decisão final do Papa Francisco.

Por enquanto, é importante lembrar que nada muda. O porta-voz do Vaticano, padre Federico Lombardi, lembrou que se trata de propostas dirigidas ao papa, que decidirá se será necessário elaborar um documento papal sobre a família. Ou seja, aguardemos uma decisão final. Apenas uma diretriz foi dada e pode ser colocada em prática para ontem, acolher os casais e deixar de tratá-los como excomungados.

Por Marquione Ban

 

Afinal, o Papa liberou a Comunhão para os recasados?
Entenda em 5 passos…
O objetivo de Francisco é justamente fugir dos termos jurídicos e focar na vivência mais autêntica da fé como caminho de conversão a Deus.
http://www.semprefamilia.com.br/afinal-o-papa-liberou-a-comunhao-para-os-recasados-entenda-em-5-passos/

Com a publicação da exortação apostólica pós-sinodal Amoris Laetitia, “A alegria do amor”, muitos meios de comunicação destacaram que o papa abriu as portas para que pessoas que estão em segunda união possam comungar. Outros disseram que não mudou nada. Afinal, o que aconteceu? Entenda a questão em cinco passos:

1) Disciplina é diferente de doutrina

Há quem diga que nada mudou porque a doutrina da Igreja não pode mudar. É verdade, não pode. Mas a disciplina pode. A doutrina é aquilo que faz parte do anúncio da fé cristã sobre Deus e sobre o homem. A disciplina são regimentos internos que podem ser alterados. Por exemplo, a obrigatoriedade do celibato para os que desejam o sacerdócio e os tempos e os modos de fazer jejum são disciplinas: há padres casados na Igreja (no Oriente e entre os ex-anglicanos convertidos) e as leis sobre o jejum são só um mínimo que a Igreja estabelece para orientar a prática. Mas o valor do celibato e do jejum são doutrina: nunca a Igreja vai dizer que esses elementos não são importantes.

Mas e a comunhão aos recasados, é doutrina ou disciplina? Há dois elementos doutrinais na questão: 1) o adultério é um pecado objetivamente grave; 2) quem está em pecado grave não pode receber a comunhão eucarística (deve se confessar e sair da situação de pecado em que vive). Por isso, alguns dizem que a proibição da comunhão aos recasados seria algo doutrinal, já que quem casa sacramentalmente e depois se divorcia e se une a outra pessoa está em uma situação de adultério – como diz o próprio Jesus, no Evangelho de Mateus. E então?

2) Situação objetiva de pecado

A questão está no fato de que um pecado pode ser objetivamente grave, mas devido a diversos elementos, pode ser que a pessoa não esteja pecando ao realizá-lo. Como assim? Explica o Catecismo da Igreja Católica (de 1992): “A imputabilidade e responsabilidade de um ato podem ser diminuídas, e até anuladas, pela ignorância, a inadvertência, a violência, o medo, os hábitos, as afeições desordenadas e outros fatores psíquicos ou sociais” (n. 1735). Alguém forçado a cometer um ato de violência, por exemplo, não pode responder por esse ato com a mesma responsabilidade que alguém que o comete livremente, porque lhe falta liberdade.

É o que pode acontecer com um casal que vive em segunda união. Diversos fatores – da pressão social à instabilidade afetiva, da lentidão dos processos canônicos de declaração de nulidade matrimonial ao dever de criar os filhos em uma família unida – podem fazer com que eles não possam ser culpabilizados pelo ato objetivamente pecaminoso de coabitar com uma nova pessoa, sendo já casado de forma indissolúvel. Ou seja, há casos em que um casal de segunda união não está vivendo em pecado grave. Logo, a proibição da comunhão aos recasados é assunto de disciplina, não de doutrina.

3) A graça

Buscar a Deus e viver em sua amizade, evitando o pecado, é o que chamamos de viver na graça. Um casal de segunda união, dependendo da sua situação, pode viver na graça. Bento XVI já dava a entender isso, no Encontro Mundial das Famílias de 2012, em Milão. Ele falava, sobre os divorciados recasados: “É muito importante também que sintam que a Eucaristia é verdadeira e participam nela se realmente entram em comunhão com o Corpo de Cristo. Mesmo sem a recepção ‘corporal’ do Sacramento, podemos estar, espiritualmente, unidos a Cristo no seu Corpo.” Ora, se alguém está unido a Cristo, vive na graça, porque a graça é a união com Deus em Jesus Cristo.

É o que afirma o papa Francisco na exortação: “Por causa dos condicionalismos ou dos fatores atenuantes, é possível que uma pessoa, no meio duma situação objetiva de pecado – mas subjetivamente não seja culpável ou não o seja plenamente –, possa viver em graça de Deus, possa amar e possa também crescer na vida de graça e de caridade, recebendo para isso a ajuda da Igreja” (n. 305). Embora a situação de segunda união não seja a ideal – e o papa o reafirma algumas vezes – isso não significa que ela represente, em todos os casos, uma situação objetiva de afastamento de Deus.

4) A possibilidade de comungar

É aqui que entrou a questão da Eucaristia: mesmo que muita gente tenha achado que a possibilidade da comunhão aos recasados tenha sido uma das principais questões dos sínodos sobre a família, para o papa tratou-se de uma questão secundária, à qual ele respondeu com uma simples nota de rodapé, referente ao trecho que citamos acima: “Em certos casos, poderia haver também a ajuda dos sacramentos. Por isso, aos sacerdotes, lembro que o confessionário não deve ser uma câmara de tortura, mas o lugar da misericórdia do Senhor. E de igual modo assinalo que a Eucaristia não é um prêmio para os perfeitos, mas um remédio generoso e um alimento para os fracos”.

A lógica é simples: se a pessoa está vivendo na graça de Deus, por que não poderia receber a Eucaristia? A questão mais difícil é saber se de fato aquela situação de um casal específico representa um caso em que houve atenuantes de culpa. Por isso, Francisco deixa claro que não quer emitir nenhuma normativa canônica a esse respeito, porque a variedade das situações é muito ampla (n. 300). O papa dá algumas orientações para um discernimento adequado, mas esse é um processo que deve ser feito no foro íntimo entre um casal e um padre que os acompanhe. Havendo a percepção de que não se pode imputar culpabilidade naquele caso e que o casal busca viver em união com Cristo, receber a Eucaristia seria, sim, uma possibilidade válida.

 5) A letra e o espírito: o trunfo de Francisco

“É mesquinho deter-se a considerar apenas se o agir duma pessoa corresponde ou não a uma lei ou norma geral, porque isto não basta para discernir e assegurar uma plena fidelidade a Deus na existência concreta de um ser humano” (n. 304), escreve Francisco. A grande sacada do papa foi dar primazia à busca de comunhão com Deus. Ele poderia – como foi sugerido – ter criado canonicamente um percurso penitencial para permitir que os casais de segunda união comunguem. Porém, se o fizesse, estaria burocratizando mais ainda o acesso aos sacramentos: muitos poderiam fazer o dito percurso sem experimentá-lo e vivenciá-lo desde dentro como um caminho de conversão e busca da santidade – assim como boa parte dos que hoje participam de um curso de preparação para o matrimônio ou para o batismo de um afilhado, por exemplo.

A “letra”, a lei, nesse caso, só criaria mais problemas. Francisco optou pelo espírito: a busca sincera de realizar a vontade de Deus. E o papa deixa tudo muito claro: a primazia da busca da vontade de Deus é fundamental, diz ele, “para evitar o grave risco de mensagens equivocadas, como a ideia de que algum sacerdote pode conceder rapidamente ‘exceções’ ou de que há pessoas que podem obter privilégios sacramentais em troca de favores. Quando uma pessoa responsável e discreta, que não pretende colocar os seus desejos acima do bem comum da Igreja, se encontra com um pastor que sabe reconhecer a seriedade da questão que tem entre mãos, evita-se o risco de que um certo discernimento leve a pensar que a Igreja sustente uma moral dupla” (n. 300). Não é possível compreender a resposta de Francisco em termos de “permissão”, “proibição”, “irregularidade” e “liberação” porque a preocupação dele é justamente a de não entender as coisas de modo legalista, mas viver um processo de conversão verdadeiro, total, em busca da comunhão com Deus em Jesus Cristo.

5 obstáculos que impedem de sentir a real presença de Deus

Rádio Vaticano (RV) – “É a misericórdia que salva”. Inspirado nesta afirmação do Evangelho de Mateus, o Papa Francisco conduziu a Audiência Geral de quarta-feira (07/9/2016) e citou a dúvida da “noite escura no coração” de João Batista, que não entendia o “estilo muito diferente” de agir de Cristo – “o instrumento concreto da misericórdia do Pai”.

“A justiça que João Batista colocava ao centro da sua pregação, em Jesus se manifesta em primeiro lugar como misericórdia. Esta passa a ser a síntese do agir de Jesus, que desta maneira torna visível e tangível o agir do próprio Deus”.

Uma mensagem muito clara também para a Igreja, afirmou o Papa:

“Deus não mandou seu Filho ao mundo para punir os pecadores tampouco para destruir os maus. A eles é feito o convite à conversão para que, vendo os sinais da bondade divina, possam reencontrar a estrada do retorno”.

Ao recordar novamente o Evangelho de Mateus, no trecho em que Jesus diz “bem-aventurado aquele que não vê em mim motivo de escândalo”, o Papa explicou que “escândalo significa obstáculo”.

“A advertência de Jesus é sempre atual: também hoje o homem constrói imagens de Deus que lhe impede de sentir a sua real presença”.

A partir desse aviso, Francisco elencou 5 destes obstáculos atuais:

1.“Alguns tecem uma fé ‘faça você mesmo’ que reduz Deus ao espaço limitado dos próprios desejos e das próprias convicções. Mas esta fé não é conversão ao Senhor que se revela, ao contrário, impede-O de provocar a nossa vida e a nossa consciência”.

2. “Outros reduzem Deus a um falso ídolo; usam seu santo nome para justificar os próprios interesses ou até mesmo o ódio e a violência”.

3. “Para outros Deus é somente um refúgio psicológico no qual estar seguro nos momentos difíceis: trata-se de uma fé dobrada em si mesma, impermeável à força do amor misericordioso de Jesus que conduz em direção aos irmãos”.

4. “Outros ainda consideram Cristo somente um bom mestre de ensinamentos éticos, um entre tantos na história”.

5. “Finalmente, há quem sufoca a fé em uma relação puramente intimista com Jesus, anulando o seu impulso missionário capaz de transformar o mundo e a história.

“Nós cristãos acreditamos no Deus de Jesus Cristo, e o seu desejo é aquele de crescer na experiência viva do seu mistério de amor”, afirmou o Papa – e concluiu:

“Tenhamos o compromisso de não colocar nenhum obstáculo ao agir misericordioso do Pai, e peçamos o dom de uma fé grande para que também nós sejamos sinais e instrumentos de misericórdia”. (rb)

Os católicos podem ‘curtir’ o carnaval? Como fazê-lo?

Sábado, 09 de fevereiro de 2013, CNBB  

O carnaval pode ser vivido de diversas maneiras. Não teve sua origem no Brasil, como muitos pensam, mas na Grécia. Era uma festa de alegria pagã. No Brasil, o carnaval é coisa séria. Há quem fale que o ritmo normal da vida no país só começa após o carnaval. É tempo do vale tudo. Vale mergulhar fundo no prazer sem freios, na bebida, nas drogas. E isso tudo equivocadamente é em nome da alegria. Que alegria é essa, que, no final da folia, se acaba?

Há, porém, o Carnaval verdadeiro, marcado por uma alegria verdadeira. Nesse Carnaval é dispensado o prazer irresponsável, a bebida, as drogas, para se celebrar a vida.  O católico pode comemorar o carnaval, desde que respeite os princípios cristãos, sem se entregar aos excessos permissivos tão difundidos em nossos dias. Quem não participa das festividades públicas, procure se alegrar junto a sua família e amigos. Isso precisa ser resgatado.

As Dioceses, as Paróquias e as Comunidades deste país promovem um carnaval diferente, repleto de alegria, a qual Deus quer para todos os seus filhos. Em todo caso, é carnaval. Quem vai fazer festa que faça com respeito ao próximo e aos valores. Muitos decidem passar o Carnaval na tranquilidade do campo, da praia. Outros em retiro espiritual, numa experiência de Deus, profunda e transformadora. Outros ainda vão ficar em casa e assistir ao espetáculo de criatividade, de luz e de cores, promovido pelas escolas de samba.

Passados os dias de Carnaval tem início o tempo da Quaresma com a imposição das cinzas sobre nossas cabeças e ouvindo este apelo de Jesus: “convertei-vos e crede no Evangelho!” Estas palavras, indicam um inteiro programa de vida, preparando-nos para celebrar a Páscoa. Assim, na oração, no jejum, no exercício da caridade fraterna, na penitência, caminhamos ao encontro do Cristo pascal.

Na Quaresma nos exercitamos na revisão de vida e na conversão nas nossas práticas religiosas, para que elas não sejam apenas manifestações formais e exteriores de religiosidade – “para serem vistos pelos homens” – mas sejam a expressão de uma vida que se volta sinceramente para Deus. E, durante a Quaresma, realizamos a Campanha da Fraternidade. Esta indica uma reflexão específica para nos exercitarmos na caridade; neste ano, é a juventude. Queremos juntos encontrar caminhos para acolher e integrar nossa juventude. Nossa resposta generosa ao chamado deve ser: “Eis-me aqui, envia-me” (Is 6,8). Convertamo-nos, e nos desafios deste mundo, tornemo-nos missionários a serviço da juventude.

Dom Francisco de Assis Dantas de Lucena, Bispo de Guarabira (PB)

 

O cristão pode participar do Carnaval?

A alegria é uma necessidade básica do ser humano. Povos, raças e culturas das mais remotas origens encontraram formas para exteriorizar esse desejo. Cada país, de acordo com sua cultura e costume, possui suas datas festivas. Porém, o grande problema dessas festividades, assim como o Carnaval, é que, após os dias de festa, muitos voltam à vida real amargando desilusões e arrependimentos, pois já não podem mais usar a máscara. É hora, então, de fazer um balanço.

Fé e consciência limpa são inseparáveis na vida do cristão, inclusive durante essas festividades. “Tudo o que não procede da fé é pecado”, ensina São Paulo (cf. Rm 14,23). A fé é a luz que ilumina a consciência e a confirma nas convicções morais. Por isso a pergunta não deve ser: “é pecado pular Carnaval?”.

Quem se guia pela consciência do que é bom, digno e justo, possui um “faro moral”. Sabe posicionar-se, escolher e decidir onde, como e com quem se divertir ou não.

Não passa, pois, de preconceito — às vezes de má fé —, achar que a religião é contrária à alegria, levando os fiéis à tristeza. O Evangelho é uma mensagem alegre e feliz! Dele nos vêm as festas religiosas, as celebrações e solenidades festivas, as comemorações de datas e fatos históricos.

A alegria cristã é autêntica, simples e espontânea. Mobiliza os serviços de caridade e fortalece o ser humano em suas angústias e sofrimentos. Inspira todas as artes e os costumes sadios e nobres.

Nada disso se encontra nas diversões barulhentas, superficiais, cheias de dissipações e desregramentos morais. A alegria carnavalesca é, em geral, uma cortina de fumaça que esconde o vazio do espírito, o desencanto consigo mesmo, as frustrações da vida!

Apesar da folia contagiante nas ruas, quadras e salões, o fim do Carnaval é triste. Não porque é o fim, mas pelas inúmeras perdas que sofremos por nossas próprias escolhas. Por isso, escolher viver bem um Carnaval com Cristo é a melhor opção para se divertir e não ter preocupações posteriores.

Dicas para educar os filhos

O Estado deve salvaguardar a liberdade das famílias

A escola deve ser vista como uma instituição destinada a colaborar com os pais na sua tarefa educativa. Ter consciência desta realidade torna-se mais urgente quando consideramos que, na atualidade, são numerosos os motivos que podem levar os pais – por vezes sem estarem inteiramente conscientes – a não compreender a amplitude da maravilhosa tarefa que lhes compete, renunciando na prática ao seu papel de educadores integrais.

A emergência educativa, tantas vezes evidenciada por Bento XVI tem as suas raízes nesta desorientação: a educação reduziu-se à «transmissão de determinadas habilidades ou capacidades de fazer, enquanto se procura satisfazer o desejo de felicidade das novas gerações enchendo-as de objetos de consumo e de gratificações efêmeras» (Bento XVI, Discurso à Assembleia Diocesana de Roma, 11-06-2007) e deste modo os jovens ficam «abandonados a si mesmos face às grandes perguntas que inevitavelmente surgem no seu interior» (Bento XVI, Discurso à Conferência Episcopal italiana, 28-05-2008), à mercê de uma sociedade e uma cultura que fez do relativismo o seu próprio credo.

Face a estes possíveis inconvenientes, e como consequência do seu direito natural, os pais têm que sentir que a escola é, de certo modo, um prolongamento do seu lar, um instrumento da sua própria tarefa como pais e não apenas um lugar onde se proporciona aos filhos uma série de conhecimentos.

Como primeiro requisito, o Estado deve salvaguardar a liberdade das famílias, de modo que estas possam escolher com retidão a escola ou os centros que julguem mais convenientes para a educação dos seus filhos. Certamente, no seu papel de tutelar o bem comum, o Estado possui determinados direitos e deveres sobre a educação e a eles voltaremos num próximo artigo. Mas tal intervenção não pode chocar com a legítima pretensão dos pais de educar os seus próprios filhos em consonância com os bens que eles defendem e vivem, e que consideram enriquecedores para a sua descendência.

Como o Concílio Vaticano II ensina, o poder público – ainda que seja por uma questão de justiça distributiva – deve oferecer os meios e as condições favoráveis para que os pais possam «escolher com liberdade absoluta, de acordo com a sua própria consciência, as escolas para os seus filhos»  (Concílio Vaticano II, decl. Gravissimum educationis, n. 6). Daí a importância de que aqueles que trabalham em ambientes políticos ou relacionados com a opinião pública procurem que tal direito fique salvaguardado e, na medida do possível, seja promovido.

O interesse dos pais pela educação dos filhos manifesta-se em mil detalhes. Independentemente da instituição em que os filhos estudem, é natural interessarem-se pelo ambiente existente e pelos conteúdos que se transmitem.

Tutela-se assim a liberdade dos alunos, o direito a que não se deforme a sua personalidade e não se anulem as suas aptidões, o direito a receber uma formação sã, sem que se abuse da sua docilidade natural para lhes impor opiniões ou critérios humanos parciais; permite-se e fomenta-se assim que as crianças desenvolvam um espírito crítico são, ao mesmo tempo que se lhes mostra que o interesse paterno neste âmbito vai para além dos resultados escolares.

Tão importante como esta comunicação entre os pais e os filhos é a que se verifica entre os pais e os professores. Uma clara consequência de se entender a escola como um instrumento mais da própria tarefa educativa, é colaborar ativamente com as iniciativas ou o ideário da escola.

Neste sentido, é importante participar nas suas atividades; felizmente, é cada vez mais comum que as escolas, independentemente de serem de iniciativa pública ou privada, organizem, de tempos a tempos, jornadas de portas abertas, encontros desportivos, ou reuniões informativas de caráter mais acadêmico. Especialmente neste último tipo de encontros, convém que participem – se for possível – os dois cônjuges, mesmo que isso requeira certo sacrifício de tempo ou de organização; deste modo, transmite-se ao filho – sem necessidade de palavras – que os dois, pai e mãe, consideram a escola um elemento relevante na vida familiar.

Neste contexto, comprometer-se nas associações de pais – colaborando na organização de eventos, fazendo propostas positivas, ou inclusivamente participando nos órgãos de direção – abre toda uma série de novas possibilidades educativas. Sem dúvida que desempenhar corretamente uma função desse tipo requer um notável espírito de sacrifício: é necessário dedicar tempo ao convívio com outras famílias, conhecer os professores, assistir a reuniões…

No entanto, estas dificuldades são amplamente compensadas – sobretudo, para a alma enamorada de Deus e ansiosa de servir – pela abertura de um campo apostólico cuja amplitude não se pode medir; mesmo que os regulamentos da escola não permitam intervir diretamente em alguns aspectos dos programas educativos, está-se em condições de envolver e impulsionar professores e dirigentes para que o ensino transmita virtudes, valores e beleza.

Os outros pais são as primeiras pessoas que agradecem esse esforço, e para eles um pai envolvido na tarefa da escola – quer seja porque tem esse encargo, quer seja porque por iniciativa própria mostra a sua preocupação pelo ambiente da turma, etc. – converte-se num ponto de referência, uma pessoa de cuja experiência se pode aproveitar, ou cujo conselho se pode procurar na educação dos próprios filhos.

Abre-se assim o caminho à amizade pessoal, e com ela a um apostolado que acaba beneficiando todas as pessoas do âmbito educativo em que os filhos se desenvolvem. É aqui plenamente aplicável o que São Josemaria deixou escrito em Caminho, sobre a fecundidade do apostolado pessoal: És, entre os teus -alma de apóstolo – a pedra caída no lago. – Produz, com o teu exemplo e a tua palavra um primeiro círculo…; e este, outro… e outro, e outro… Cada vez mais largo. Compreendes agora a grandeza da tua missão? (São Josemaria. Caminho, n. 831.)

J.A. Araña – J.C. Errázuriz
http://www.opusdei.org.br
15/10/2012

Tem dificuldades para dormir à noite? Reze esta oração

https://www.acidigital.com/noticias/tem-dificuldades-para-dormir-a-noite-reze-esta-oracao-40434

Imagem referencial. Foto: Pixabay / Domínio público.

REDAÇÃO CENTRAL, 21 Fev. 19 / 06:00 pm (ACI).- Em alguns momentos você tem problema para dormir à noite? O Arcebispo de Baltimore (Estados Unidos) e capelão dos Cavaleiros de Colombo, Dom William Edward Lori, afirmou que a Igreja “resolveu isso há muito tempo” e tem uma “oração oficial”.

Em um artigo intitulado “Como terminar o dia”, publicado no site dos Cavaleiros de Colombo, a maior organização laical do mundo, Dom Lori assinalou: “Não sei vocês, mas eu tenho problemas para dormir algumas noites. Na hora de dormir, os acontecimentos do dia ainda ficam rondando meus ouvidos”.

O Prelado listou uma série de ideias que vêm à mente durante a noite, impedindo o sono, e observou que, enquanto isso, começa a pensar em “que condição horrível eu estarei no dia seguinte se não conseguir dormir um pouco”.

Dom Lori assinalou que “a Igreja, de fato, resolveu tudo isso há muito tempo e tem uma oração oficial para terminar o dia”.

“A Liturgia das Horas, também conhecida como Ofício Divino ou Breviário, marca as horas do dia com a oração: manhã, meio-dia, tarde e noite”, assinalou, destacando que tanto “bispos, como sacerdotes e diáconos são obrigados a rezá-la, mas todos somos chamados a rezá-la também”.

A última oração do dia, recordou, é chamada de “Completas” e “é uma forma de completar o nosso dia”.

“Esta oração consiste em um exame de consciência, um hino no qual pedimos a Deus para estar conosco durante a noite, um salmo que fala sobre recordar Deus e sua misericórdia, inclusive durante a noite e, em seguida, o ponto principal: o Cântico de Simeão”.

O Arcebispo de Baltimore recordou que, “na bela passagem do Evangelho de Lucas, onde Maria e José, de acordo com a Lei de Deus, levam o Menino Jesus ao templo em Jerusalém para apresentá-lo ao Senhor, encontram-se com um leigo chamado Simeão”.

Simeão, destacou, era “um homem de oração” que aguardava a chegada do Messias e “cujo coração estava cheio de esperança em tudo o que Deus havia prometido”.

“Quando Simeão tomou o Menino Jesus em seus braços, seus olhos de fé se abriram e soube que segurava o Salvador esperado por tanto tempo”.

“Cheio do Espírito Santo”, disse o Prelado, Simeão “pronunciou este cântico que é a parte central da oração da noite da Igreja: ‘Deixai, agora, vosso servo ir em paz, conforme prometestes, ó Senhor. Pois meus olhos viram vossa salvação que preparastes ante a face das nações: uma Luz que brilhará para os gentios e para a glória de Israel, o vosso povo’”.

“Que bela oração para oferecer quando o trabalho de cada dia chega ao fim! Em vez de ruminar as minhas preocupações ou reviver algum contratempo que tive naquele dia, acho que quando me concentro verdadeiramente no significado deste cântico, sou mais capaz de colocar todo o dia em sua própria perspectiva”, assinalou.

“Se seguir a direção de Simeão, quando chegar ao final de cada dia, não precisarei evitar minhas preocupações ou feridas, nem terei que tranquilizá-las com felicidades artificiais ou pensamentos positivos forçados. Pelo contrário, tudo o que preciso é confiar o pacote completo – todas minhas forças e debilidades, junto com os acontecimentos do dia – ao Senhor Jesus, que está presente para mim como esteve para Simeão”.

Dom Lori também enfatizou que, “nesse momento de confiança e amor, também posso examinar minha consciência com serenidade”.

O festival da corrupção

http://destrave.cancaonova.com/o-festival-da-corrupcao/
Conteúdo enviado pelo internauta David Do Nascimento Corrêia

“É impossível uma mudança num país inteiro sem que haja a reconstrução da consciência moral de cada brasileiro”

O mundo maravilhoso prometido pelos “reformadores sociais” pode não ter sido possível de realizar, e talvez nunca o seja; mas, pelo menos, eles conseguiram fazer com que as pessoas acreditassem piamente que a justiça e o bem dependem unicamente do Estado, das leis, do “Sistema”… Mas nunca delas próprias.

Ontem, eu estava me dirigindo a uma agência do ‘Pague Fácil’, quando um homem muito simpático me abordou e me entregou as duas senhas dele, as próximas que seriam chamadas e das quais ele não precisaria mais. Aquele homem acreditava estar prestando-me um grande favor, porque eu estava com uma camisa da RCC [Renovação Carismática Católica], com uma enorme cruz. Ele também parecia pertencer a alguma comunidade cristã, por essa razão, imaginava estar prestando uma gentileza a um semelhante em Cristo.

“(…) essa mudança só será possível quando bispos, padres e leigos tiverem empenhados em mudar a mentalidade dos cristãos”

Eu lhe agradeci cordialmente por aqueles números, pois aquelas senhas me proporcionariam a oportunidade de pagar minha conta de telefone em três minutos ou menos. Com aquele “favor”, eu passaria na frente de umas trinta pessoas que estavam antes de mim na fila. Entrei na agência, peguei minha senha e fiquei na fila como qualquer um deve fazer, no entanto, permaneci com os números doados ainda por algum tempo. Uma distinta senhora viu as senhas em minhas mãos e me pediu uma delas. Com toda educação, neguei-lhe o pedido e lhe disse que não as usaria, pois não era ético. Ela, com cara de nojo, afastou-se de mim dizendo que, se eu havia ganhado aquelas senhas, poderia usá-las, porque foram um presente.

Aquela mulher imaginava que a senha fosse um bem do qual eu poderia ter lançado mão sem fazer mal a ninguém. Ela foi incapaz de enxergar que uma senha é uma forma de organização, e que qualquer vantagem constitui um delito moral já não distinguido pela maioria dos brasileiros.

Fala-se muito em “reforma política”, mas, infelizmente, nossas paróquias, tão engajadas em aprová-la, se esquecem do básico: é impossível uma mudança num país inteiro sem que haja a reconstrução da consciência moral de cada brasileiro. E essa mudança só será possível quando bispos, padres e leigos tiverem empenhados em mudar a mentalidade dos cristãos.

Não é necessário ir a Brasília nem trabalhar em prefeituras ou órgãos do Estados para presenciar os festivais de corrupção que se alastram rapidamente sobre a mentalidade debilitada de um povo que esqueceu sua vocação de filhos da Virgem Santíssima. Um povo que considera como corrupção apenas o que se passa no Governo, mas se esquece de que ninguém rouba milhões sem, antes, ter roubado algumas posições na fila do banco ou de um ‘Pague Fácil’.

Papa: “Na oração cristã não há espaço para o ‘eu'”

Quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019, Da redação, com Vatican News
https://noticias.cancaonova.com/especiais/pontificado/francisco/papa-na-oracao-crista-nao-ha-espaco-para-o-eu/

Na audiência geral, Francisco lembrou que o ‘Pai Nosso’ não é uma oração individualista

Na catequese desta quarta-feira, 13, o Papa Francisco propôs uma reflexão sobre o ‘Pai Nosso’, explicando como rezar melhor a oração ensinada por Jesus. A Sala Paulo VI, dentro do Estado do Vaticano, ficou repleta de fiéis, romanos e turistas, que receberam o Papa com o carinho de sempre, cantos e aplausos e em seguida, ouviram suas palavras com atenção.

Introspecção do diálogo com Jesus

Para rezar, iniciou o Papa, são necessários silêncio e introspecção.

“A verdadeira oração se realiza no segredo na consciência, do fundo do coração: com Deus é impossível fingir, é como o olhar de duas pessoas, o homem e Deus, quando se cruzam”. Mas apesar disso, Jesus não nos ensina uma oração intimista ou individualista. Não deixamos o mundo fora da porta do nosso quarto… levamos as pessoas e situações em nosso coração!

“Na oração do Pai Nosso, há uma palavra que brilha pela sua ausência: uma palavra que em nossos tempos – como talvez sempre – todos consideram importante: a palavra ‘eu’.”

Primeiramente nos dirigimos a Deus como a Alguém que nos ama e escuta (seja santificado o vosso nome, venha a nós o vosso reino, seja feita a vossa vontade) e, depois, quando lhe apresentamos uma série de petições (dai-nos hoje o nosso pão cotidiano, perdoai as nossas ofensas, não nos deixeis cair em tentação, livrai-nos do mal), as fazemos na primeira pessoa do plural ― “nós” ― isto é, rezamos como uma comunidade de irmãos e irmãs.

“Até as necessidades mais elementares do homem ― como ter alimento para saciar sua fome ― são todas feitas no plural. Na oração cristã, ninguém pede o pão para si, mas o suplica para todos os pobres do mundo”, disse Francisco.

Pedir a Jesus que nos faça ter compaixão

Na oração, o cristão leva todas as dificuldades e sofrimentos de quem está ao seu lado, tanto dos amigos como de quem lhe faz mal, imitando a compaixão que Jesus sentia pelos pecadores.

Mas pode acontecer ― ressalvou o Papa ― que alguém não perceba o sofrimento a seu redor, não sinta pena pelas lágrimas dos pobres, fique indiferente a tudo. Isto significa que seu coração está petrificado. Neste caso, seria bom pedir ao Senhor que o toque com o seu Espírito e sensibilize seu coração.

“Cristo não ficou alheio às misérias do mundo. Toda vez que percebia uma solidão, uma ferida no corpo ou no espírito, sentia forte compaixão”.

Às 7 mil pessoas presentes, o Papa perguntou: “Quando rezamos, nos abrimos ao grito de tanta gente, próxima ou distante? Ou penso na oração como uma espécie de anestesia, para ficar mais tranquilo? Isto seria um terrível equívoco”.

A oração deve abrir o coração ao próximo para que amemos com um amor compassivo e concreto, sabendo que tudo aquilo que fizermos “a um destes meus irmãos mais pequeninos, ― afirma Jesus ― foi a mim mesmo que o fizestes”.

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