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Exortação Apostólica Pós-Sinodal “Amoris laetitia”

A alegria do amor na família
http://pt.radiovaticana.va/news/2016/04/08/exorta%C3%A7%C3%A3o_%E2%80%9Camoris_laetitia%E2%80%9D_a_alegria_do_amor_na_fam%C3%ADlia/1221252

Foi publicada no dia 8 de abril a Exortação Apostólica pós-Sinodal do Papa Francisco sobre a família. “Amoris laetitia”, a “Alegria do Amor” é um texto de nove capítulos no qual o Santo Padre recolhe os resultados de dois Sínodos dos Bispos sobre a família ocorridos em 2014 e 2015 citando anteriores documentos papais, contributos de conferências episcopais e de várias personalidades.

É uma Exortação Apostólica ampla com mais de 300 parágrafos e que nos primeiros 7 evidencia a plena consciência da complexidade do tema. Em particular, o Papa escreve que para algumas questões ”em cada país ou região, é possível buscar soluções mais inculturadas, atentas às tradições e aos desafios locais. De facto, “as culturas são muito diferentes entre si e cada princípio geral (…), se quiser ser observado e aplicado, precisa de ser inculturado”.

Capítulo primeiro: “À luz da Palavra”

No primeiro capítulo o Papa articula a sua reflexão a partir das Sagradas Escrituras, em particular, com uma meditação acerca do Salmo 128, característico da liturgia nupcial hebraica, assim como da cristã. A Bíblia ”aparece cheia de famílias, gerações, histórias de amor e de crises familiares”(AL 8).

Capítulo segundo: “A realidade e os desafios das famílias”

Partindo do terreno bíblico, o Papa considera no segundo capítulo a situação atual das famílias, mantendo ”os pés assentes na terra” (AL 6) como se pode ler na Exortação. A humildade do realismo ajuda a não apresentar ”um ideal teológico do matrimónio demasiado abstrato, construído quase artificialmente, distante da situação concreta e das possibilidades efetivas das famílias tais como são”(AL 36). O matrimónio é “um caminho dinâmico de crescimento e realização”. “Somos chamados a formar as consciências, não a pretender substituí-las”(AL37) refere o Papa Francisco no seu texto, pois, Jesus propunha um ideal exigente, mas ”não perdia jamais a proximidade compassiva às pessoas frágeis como a samaritana ou a mulher adúltera” (AL 38).

Capítulo terceiro: “O olhar fixo em Jesus: a vocação da família”

O terceiro capítulo da Exortação é dedicado a alguns elementos essenciais do ensinamento da Igreja acerca do matrimónio e da família. Em 30 parágrafos ilustra a vocação à família de acordo com o Evangelho, assim como ela foi recebida pela Igreja ao longo do tempo, sobretudo quanto ao tema da indissolubilidade, da sacramentalidade do matrimónio, da transmissão da vida e da educação dos filhos. Fazem-se inúmeras citações da Gaudium et spes do Vaticano II, da Humanae vitae de Paulo VI, da Familiaris consortio de João Paulo II.

O Papa Francisco neste capítulo terceiro lembra um princípio geral importante: “Saibam os pastores que, por amor à verdade, estão obrigados a discernir bem as situações” (Familiaris consortio, 84). O grau de responsabilidade não é igual em todos os casos, e podem existir fatores que limitem uma capacidade de decisão. Por isso, ao mesmo tempo que se exprime com clareza a doutrina, há que evitar juízos que não tenham em conta a complexidade das diferentes situações e é preciso estar atentos ao modo como as pessoas vivem e sofrem por causa da sua condição” (AL 79).

Capítulo quarto: “O amor no matrimónio”

O amor no matrimónio é o título do quarto capítulo desta Exortação e ilustra-o a partir do “hino ao amor” de S. Paulo na Primeira Carta aos Coríntios (1 Cor 13, 4-7). Este capítulo desenvolve o carácter quotidiano do amor que se opõe a todos os idealismos: ”não se deve atirar para cima de duas pessoas limitadas o peso tremendo de ter que reproduzir perfeitamente a união que existe entre Cristo e a sua Igreja, porque o matrimónio como sinal implica um processo dinâmico, que avança gradualmente com a progressiva integração dos dons de Deus” (AL 122).

Também neste capítulo uma reflexão sobre o amor ao longo da vida e da sua transformação. Pode-se ler no documento: “Não é possível prometer que teremos os mesmos sentimentos durante a vida inteira; mas podemos ter um projeto comum estável, comprometer-nos a amar-nos e a viver unidos até que a morte nos separe, e viver sempre uma rica intimidade” (AL 163).

Capítulo quinto: “O amor que se torna fecundo”

O capítulo quinto desta Exortação Apostólica foca-se sobre a fecundidade, do acolher de uma nova vida, da espera própria da gravidez, do amor de mãe e de pai. Mas também da fecundidade alargada, da adoção, do acolhimento do contributo das famílias para a promoção de uma “cultura do encontro”, da vida na família em sentido amplo, com a presença de tios, primos, parentes dos parentes, amigos. A “Amoris laetitia” não toma em consideração a família ”mononuclear”, mas está bem consciente da família como rede de relações alargadas. A própria mística do sacramento do matrimónio tem um profundo carácter social (cf. AL 186). E no âmbito desta dimensão social, o Papa sublinha em particular tanto o papel específico da relação entre jovens e idosos, como a relação entre irmãos como aprendizagem de crescimento na relação com os outros.

Capítulo sexto: “Algumas perspetivas pastorais”

No capítulo sexto da exortação o Papa aborda algumas vias pastorais que orientam para a edificação de famílias sólidas e fecundas de acordo com o plano de Deus. Em particular, o Papa observa que ”os ministros ordenados carecem, habitualmente, de formação adequada para tratar dos complexos problemas atuais das famílias” (AL 202). Se, por um lado, é necessário melhorar a formação psico-afetiva dos seminaristas e envolver mais a família na formação para o ministério (cf. AL 203), por outro ”pode ser útil também a experiência da longa tradição oriental dos sacerdotes casados” (AL 202).

Também neste sexto capítulo uma importante referência à preparação para o matrimónio e do acompanhamento dos esposos nos primeiros anos da vida matrimonial (incluindo o tema da paternidade responsável), mas também em algumas situações complexas e, em particular, nas crises, sabendo que ”cada crise esconde uma boa notícia, que é preciso saber escutar, afinando os ouvidos do coração” (AL 232).

Espaço neste capítulo para o acompanhamento das pessoas abandonadas, separadas ou divorciadas. É colocado em relevo o sofrimento dos filhos nas situações de conflito. Ao mesmo tempo é reiterada a plena comunhão na Eucaristia dos divorciados e em relação aos divorciados recasados é reforçada a sua “comunhão eclesial” e o acompanhamento das suas situações que não deve ser visto como uma debilidade da indissolubilidade do matrimónio mas uma expressão de caridade.

Referidas também as situações dos matrimónios mistos e daqueles com disparidade de culto, e a situação das famílias que têm dentro de si pessoas com tendência homossexual, insistindo no respeito para com elas e na recusa de qualquer discriminação injusta e de todas as formas de agressão e violência. No final do capítulo uma especial nota para o tema da perda das pessoas queridas e também da viuvez.

Capítulo sétimo: “Reforçar a educação dos filhos”

O capítulo sétimo é integralmente dedicado à educação dos filhos: a sua formação ética, o valor da sanção como estímulo, o realismo paciente, a educação sexual, a transmissão da fé e, mais em geral, a vida familiar como contexto educativo. É ressaltado pelo Santo Padre que “o que interessa acima de tudo é gerar no filho, com muito amor, processos de amadurecimento da sua liberdade, de preparação, de crescimento integral, de cultivo da autêntica autonomia” (AL 261).

A secção dedicada à educação sexual intitula-se muito expressivamente: «Sim à educação sexual». Sustenta-se a sua necessidade e formula-se a interrogação de saber ”se as nossas instituições educativas assumiram este desafio (…) num tempo em que se tende a banalizar e empobrecer a sexualidade”. A educação sexual deve ser realizada ”no contexto duma educação para o amor, para a doação mútua” (AL 280) – lê-se na Exortação. É feita uma advertência em relação à expressão ”sexo seguro”, pois transmite ”uma atitude negativa a respeito da finalidade procriadora natural da sexualidade, como se um possível filho fosse um inimigo de que é preciso proteger-se. Deste modo promove-se a agressividade narcisista, em vez do acolhimento”. (AL 283).

Capítulo oitavo: “Acompanhar, discernir e integrar a fragilidade”

O capítulo oitavo faz um convite à misericórdia e ao discernimento pastoral diante de situações que não correspondem plenamente ao que o Senhor propõe. O Papa usa aqui três verbos muito importantes: ”acompanhar, discernir e integrar”, os quais são fundamentais para responder a situações de fragilidade, complexas ou irregulares. Em seguida, apresenta a necessária gradualidade na pastoral, a importância do discernimento, as normas e circunstâncias atenuantes no discernimento pastoral e, por fim, aquela que é por ele definida como a ”lógica da misericórdia pastoral”.

As situações ditas de irregulares devem ter um discernimento pessoal e pastoral e – segundo a Exortação –  “os batizados que se divorciaram e voltaram a casar civilmente devem ser mais integrados na comunidade cristã sob as diferentes formas possíveis”.

Em particular, o Santo Padre afirma numa nota de pé de página que “em certos casos poderá existir também a ajuda dos sacramentos”, recordando que o confessionário não deve ser uma sala de tortura e que a Eucaristia “não é um prémio para os perfeitos, mas um alimento para os débeis”.

Mais em geral, o Papa profere uma afirmação extremamente importante para que se compreenda a orientação e o sentido da Exortação: ”é compreensível que não se devia esperar do Sínodo ou desta Exortação uma nova normativa geral de tipo canónico, aplicável a todos os casos. É possível apenas um novo encorajamento a um responsável discernimento pessoal e pastoral dos casos particulares, que deveria reconhecer: uma vez que “o grau de responsabilidade não é igual em todos os casos, as consequências ou efeitos duma norma não devem necessariamente ser sempre os mesmos” (AL 300).

O Papa desenvolve em profundidade as exigências e características do caminho de acompanhamento e discernimento em diálogo profundo entre fiéis e pastores. A este propósito, faz apelo à reflexão da Igreja ”sobre os condicionamentos e as circunstâncias atenuantes” no que respeita à imputabilidade das ações e, apoiando-se em S. Tomás de Aquino, detém-se na relação entre «as normas e o discernimento», afirmando: ”É verdade que as normas gerais apresentam um bem que nunca se deve ignorar nem descuidar, mas, na sua formulação, não podem abarcar absolutamente todas as situações particulares. Ao mesmo tempo é preciso afirmar que, precisamente por esta razão, aquilo que faz parte dum discernimento prático duma situação particular não pode ser elevado à categoria de norma” (AL 304).

Espaço ainda neste capítulo para a lógica da misericórdia pastoral e para o convite do Papa Francisco nas suas palavras finais: «Convido os fiéis, que vivem situações complexas, a aproximarem-se com confiança para falar com os seus pastores ou com leigos que vivem entregues ao Senhor. Nem sempre encontrarão neles uma confirmação das próprias ideias ou desejos, mas seguramente receberão uma luz que lhes permita compreender melhor o que está a acontecer e poderão descobrir um caminho de amadurecimento pessoal. E convido os pastores a escutar, com carinho e serenidade, com o desejo sincero de entrar no coração do drama das pessoas e compreender o seu ponto de vista, para ajudá-las a viver melhor e reconhecer o seu lugar na Igreja» (AL 312).

Capítulo nono: “Espiritualidade conjugal e familiar”

O nono capítulo é dedicado à espiritualidade conjugal e familiar, ”feita de milhares de gestos reais e concretos” (AL 315). Diz-se com clareza que ”aqueles que têm desejos espirituais profundos não devem sentir que a família os afasta do crescimento na vida do Espírito, mas é um percurso de que o Senhor Se serve para os levar às alturas da união mística” (AL 316). Tudo, ”os momentos de alegria, o descanso ou a festa, e mesmo a sexualidade são sentidos como uma participação na vida plena da sua Ressurreição” (AL 317).

No parágrafo conclusivo, o Papa afirma: ”Nenhuma família é uma realidade perfeita e confecionada duma vez para sempre, mas requer um progressivo amadurecimento da sua capacidade de amar. (…). Todos somos chamados a manter viva a tensão para algo mais além de nós mesmos e dos nossos limites, e cada família deve viver neste estímulo constante. Avancemos, famílias; continuemos a caminhar! (…). Não percamos a esperança por causa dos nossos limites, mas também não renunciemos a procurar a plenitude de amor e comunhão que nos foi prometida” (AL 325).

O profeta católico ‘não obedece ninguém além de Deus’

Domingo, 03 de fevereiro de 2013, Rádio Vaticano

“É verdade que Jesus é o profeta do amor, mas o amor também tem a sua verdade,” ressaltou o Santo Padre

Durante a oração mariana do Angelus, neste domingo, 3, o Papa Bento XVI convidou os católicos a ‘investir’ na vida e na família como resposta eficaz à atual crise, e expressou o desejo de que a Europa seja sempre um lugar em que se defenda a dignidade de todo ser humano.

No breve discurso proferido da sacada de seu escritório, Bento XVI se uniu aos bispos italianos e saudou a celebração na Itália do “Dia pela Vida”, que recorre sempre no primeiro domingo de fevereiro e que este ano lançou a iniciativa “Um de nós”. Trata-se de um apelo que defende a dignidade de todo ser humano como “fundamento de justiça, liberdade, democracia e paz”.

E ainda em referência à tutela da vida, dirigiu um pedido aos professores da Faculdade de Medicina, para que formem profissionais no respeito da cultura da vida.

No início do encontro, o Pontífice recordou o episódio narrado no Evangelho de São Lucas, quando Jesus surpreende os cidadãos de Nazaré e os provoca, deixando a entender que é ele o Messias. As pessoas de sua cidade, que bem conheciam ele e sua família, o julgam presunçoso e o expulsam da sinagoga. No entanto, Jesus sabe que “nenhum profeta é bem-quisto em sua pátria” e assim, levanta-se e vai embora.

Em meio ao povo, surge a dúvida: “Por que esta ruptura? Ele tinha o nosso consenso…”. O Papa esclareceu aos fiéis que Jesus não queria o consenso dos homens, mas “dar testemunho à Verdade”. É verdade que Jesus é o profeta do amor, mas o amor também tem a sua verdade!”.

Como escrevia São Paulo, “o amor não se vangloria, não se orgulha, não maltrata, não procura seus interesses, não se ira facilmente, não guarda rancor; o amor não se alegra com a injustiça, mas se alegra com a verdade”.

Falando em espanhol, o Papa prosseguiu dizendo que o Apóstolo garante que “o caminho da perfeição não consiste em ter qualidades particulares, mas em viver o amor autêntico, que Deus nos revelou em Jesus Cristo”.

Bento XVI concluiu que o verdadeiro profeta católico “não obedece ninguém além de Deus; está a serviço da verdade e sempre pronto a pagar com a própria vida: crer em Deus significa renunciar aos próprios preconceitos”.

Homilia do Papa Francisco na Missa de encerramento da JMJ Panamá 2019

https://www.acidigital.com/noticias/homilia-do-papa-francisco-na-missa-de-encerramento-da-jmj-panama-2019-60821

O Papa Francisco na Missa de hoje na JMJ Panamá 2019. Foto: David Ramos / ACI Prensa

PANAMÁ, 27 Jan. 19 / 11:11 am (ACI).- Diante de uma multidão de jovens que chegaram ao Panamá vindos dos cinco continentes, o Papa Francisco preside a Missa de encerramento da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) 2019, no Campo São João Paulo II.

A seguir, o texto completo da homilia pronunciada pelo Santo Padre:

«Todos os que estavam na sinagoga tinham os olhos fixos n’Ele. Começou, então, a dizer-lhes: “Cumpriu-se hoje esta passagem da Escritura, que acabais de ouvir” » (Lc 4, 20-21).

O Evangelho apresenta-nos, assim, o início da missão pública de Jesus. Apresenta-O na sinagoga que O viu crescer, circundado por conhecidos e vizinhos e talvez até por algum dos seus «catequistas» de infância que Lhe ensinou a lei. Momento importante na vida do Mestre quando Ele – a criança que Se formara e crescera dentro daquela comunidade – Se levantou e tomou a palavra para anunciar e realizar o sonho de Deus. Uma palavra até então proclamada apenas como promessa do futuro, mas que, na boca de Jesus, só podia ser pronunciada no presente, tornando-se realidade: «Cumpriu-se hoje».

Jesus revela o agora de Deus, que vem ao nosso encontro para nos chamar, também a nós, a tomar parte no seu agora, no qual «anunciar a Boa-Nova aos pobres», «proclamar a libertação aos cativos e, aos cegos a recuperação da vista», «mandar em liberdade os oprimidos» e «proclamar um ano favorável da parte do Senhor» (cf. Lc 4, 18-19). É o agora de Deus que, com Jesus, se faz presente, se faz rosto, carne, amor de misericórdia que não espera situações ideais ou perfeitas para a sua manifestação, nem aceita desculpas para a sua não-realização. Ele é o tempo de Deus que torna justos e oportunos todos os espaços e situações. Em Jesus, começa e faz-se vida o futuro prometido.

Quando? Agora. Mas nem todos aqueles que lá O ouviram, se sentiam convidados ou convocados. Nem todos os seus vizinhos de Nazaré estavam prontos para acreditar em alguém que conheciam e tinham visto crescer e que os convidava a realizar um sonho há muito aguardado. Antes, pelo contrário! «Diziam: “Não é este o filho de José?” » (Lc 4, 22).

A nós, também pode suceder o mesmo. Nem sempre acreditamos que Deus possa ser tão concreto no dia-a-dia, tão próximo e real, e menos ainda que Se faça assim presente agindo através de alguém conhecido, como um vizinho, um amigo, um parente. Nem sempre acreditamos que o Senhor nos possa convidar a trabalhar e meter as mãos na massa juntamente com Ele no seu Reino de forma tão simples mas incisiva. Custa a aceitar que «o amor divino se tornou concreto e quase experimentável na história com todas as suas vicissitudes ásperas e gloriosas» (Bento XVI, Catequese na Audiência Geral de 28/IX/2005).

Não é raro comportarmo-nos como os vizinhos de Nazaré, preferindo um Deus à distância: magnífico, bom, generoso mas distante e que não incomode, um Deus domesticado. Porque um Deus próximo no dia a dia, amigo e irmão pede-nos para aprendermos proximidade, presença diária e, sobretudo, fraternidade. Ele não quis manifestar-Se de modo angélico ou espetacular, mas quis dar-nos um rosto fraterno e amigo, concreto, familiar. Deus é real, porque o amor é real; Deus é concreto, porque o amor é concreto. E é precisamente esta «dimensão concreta do amor aquilo que constitui um dos elementos essenciais da vida dos cristãos» (Bento XVI, Homilia, 1/III/2006).

Também nós podemos correr os mesmos riscos que os vizinhos de Nazaré, quando, nas nossas comunidades, o Evangelho se quer fazer vida concreta e começamos a dizer: «Mas, estes jovens, não são filhos de Maria, de José, e não são irmãos de…? Não são aquelas crianças que ajudamos a crescer? Este ali, não é o que partia sempre os vidros com a bola?» E, assim, uma pessoa que nascera para ser profecia e anúncio do Reino de Deus acaba domesticada e empobrecida. Querer domesticar a Palavra de Deus é realidade de todos os dias.

E também a vós, queridos jovens, pode acontecer o mesmo, sempre que pensais que a vossa missão, a vossa vocação, e até a vossa vida é uma promessa que vale só para o futuro, nada tem a ver com o vosso presente. Como se ser jovem fosse sinônimo de «sala de espera» para quem aguarda que chegue o seu turno. E, enquanto este não chega, inventam para vós ou vós próprios inventais um futuro higienicamente bem embalado e sem consequências, bem construído e garantido com tudo «bem assegurado». Não queremos oferecer a vocês um futuro de laboratório.

É a «ficção» da alegria. Não é a alegria do hoje, do concreto, do amor. Assim, com esta ficção da alegria, vos «tranquilizamos» e adormentamos para não fazerdes barulho, para não incomodarem muito, para não colocardes interrogativos a vós mesmos e aos outros, para não vos pordes em discussão a vós próprios e aos outros; e «entretanto» os vossos sonhos perdem altitude, começam a adormentar-se e tornam-se «ilusões» rasteiras, pequenas e tristes (cf. Francisco, Homilia do Domingo de Ramos, 25/III/2018), só porque consideramos ou considerais que o vosso agora ainda não chegou; que sois demasiado jovens para vos envolverdes no sonho e construção do amanhã. E assim seguimos os procrastinando. E sabem uma coisa, que muitos jovens gostam disso. Por favor, ajudemo-los a que não gostem disso, que se rebelem, que queiram viver o agora de Deus.

Um dos frutos do Sínodo recente foi a riqueza de nos podermos encontrar e, sobretudo, escutar.

A riqueza da escuta entre gerações, a riqueza do intercâmbio e o valor de reconhecer que precisamos uns dos outros, que devemos esforçar-nos por promover canais e espaços onde nos comprometamos a sonhar e construir o amanhã, já hoje. Não isoladamente, mas unidos, criando um espaço em comum: um espaço que não nos é oferecido de prenda, nem o ganhamos na loteria, mas um espaço pelo qual deveis lutar vós também. Vocês, jovens, devem lutar pelo seu espaço hoje, porque a vida é hoje, ninguém pode lhe prometer um dia de amanhã. Jogue você hoje, seu espaço é hoje, como está respondendo a isso?

Porque vós, queridos jovens, não sois o futuro, porque é normal dizer os jovens são o futuro, não. São o presente, vocês, jovens, são o agora de Deus. Ele convoca-vos e chama-vos, nas vossas comunidades e cidades, para irdes à procura dos avós, dos mais velhos; para vos erguerdes de pé e, juntamente com eles, tomar a palavra e realizar o sonho com que o Senhor vos sonhou.

Não amanhã; mas agora! Pois, onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração (cf. Mt 6, 21); e, aquilo que vos enamora, conquistará não apenas a vossa imaginação, mas envolverá tudo. Será aquilo que vos faz levantar de manhã e incita nos momentos de cansaço, aquilo que vos abrirá o coração enchendo-o de maravilha, alegria e gratidão. Senti que tendes uma missão e apaixonai-vos por ela, tudo dependerá disto (cf. Pedro Arrupe S.J., Nada és más práctico). Poderemos ter tudo; mas, queridos jovens, se falta a paixão do amor, faltará tudo! A paixão do amor hoje e deixemos que o Senhor nos enamore e nos leve até o amanhã.

Para Jesus, não há um «entretanto», mas amor de misericórdia que quer penetrar no coração e conquistá-lo. Ele quer ser o nosso tesouro, porque Jesus não é um «entretanto» na vida nem uma moda passageira: é amor de doação que convida a doar-se.

É amor concreto, próximo, real; é alegria festiva que nasce da opção de participar na pesca miraculosa da esperança e da caridade, da solidariedade e da fraternidade frente a tantos olhares paralisados e paralisadores por causa dos medos e da exclusão, da especulação e da manipulação. Irmãos, o Senhor e a sua missão não são um «entretanto» na nossa vida, qualquer coisa de passageiro, não são apenas uma Jornada Mundial da Juventude: são a nossa vida, de hoje e sempre caminhando!

Ao longo de todos estes dias, como um fundo musical, acompanhou-nos de modo especial o «faça-se» de Maria. Ela não Se limitou a acreditar em Deus e nas suas promessas como algo possível, mas acreditou em Deus e teve a coragem de dizer «sim» para participar neste agora do Senhor. Sentiu que tinha uma missão, apaixonou-Se, e isso decidiu tudo. Que vocês sintam que têm uma missão, deixem-se apaixonar e o Senhor decidirá tudo.

Como sucedeu na sinagoga de Nazaré, o Senhor, no meio de nós, dos seus amigos e conhecidos, de novo Se ergue de pé, toma o livro e diz-nos: «Cumpriu-se hoje esta passagem da Escritura, que acabais de ouvir» (Lc 4, 21).

Quereis viver em concreto o vosso amor? O vosso «sim» continue a ser a porta de entrada para que o Espírito Santo conceda um novo Pentecostes ao mundo e à Igreja. Que assim seja!

Vigília na JMJ 2019: Papa destaca que é ser um “influencer” no século XXI

Vigília do Papa

Domingo, 27 de janeiro de 2019, Da redação, com VaticanNews
https://noticias.cancaonova.com/especiais/jmj/panama-2019/vigilia-na-jmj-2019-papa-destaca-que-e-ser-um-influencer-no-seculo-xxi/

No discurso na vigília da JMJ 2019, o Papa Francisco falou da “mulher que teve maior influência na história”

Papa durante a Vigília com os jovens na JMJ 2019 / Foto: VaticanMedia

Um verdadeira festa feita de oração, cantos, danças, testemunhos e reflexão: assim foi a vigília que se realizou no Campo São João Paulo II com os jovens participantes da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) do Panamá.

O ápice foi a adoração ao Santíssimo, mas o discurso do Papa Francisco foi outro grande momento, que – como sempre – usou a linguagem dos seus interlocutores. O Pontífice se inspirou no testemunho dado momentos antes por alguns jovens para transmitir a sua mensagem, desta vez mariana.

“A salvação que o Senhor nos dá é um convite para participar numa história de amor”, disse o Papa e foi assim que Ele surpreendeu Maria.

O Pontífice destacou que a jovem de Nazaré não aparecia nas redes sociais, não era uma “influencer” – uma influenciadora digital – mas, sem querer nem procurá-lo, “tornou-Se a mulher que maior influência teve na história”.

Influencer de Deus

Francisco definiu Maria como a “influencer de Deus”, que com palavras soube dizer «sim», “confiando no amor e nas promessas de Deus, única força capaz de fazer novas todas as coisas”.

A força desse “sim” impressiona, prosseguiu Francisco. Foi o «sim» de quem quer comprometer-se e arriscar. Nesta estrada, o primeiro passo é não ter medo de receber a vida como ela vem, com suas imperfeições e dificuldades.

“O amor do Senhor é maior que todas as nossas contradições, fragilidades e mesquinhices, mas é precisamente através das nossas contradições, fragilidades e mesquinhices que Ele quer escrever esta história de amor.”

Comunidade

Retomando a linguagem juvenil, o Papa recordou que não basta estar conectado o dia inteiro para se sentir reconhecido e amado. Mas é preciso encontrar espaços onde os jovens possam sentir-se parte de uma comunidade.

Portanto, o segundo passo é criar elos, laços, família: uma comunidade onde possam se sentir amados. Espaços onde receber raízes e leva-las adiante.

“Ser um influencer no século XXI significa ser guardião das raízes, guardião de tudo aquilo que impede a nossa vida de tornar-se ‘gasosa’, evaporando-se no nada. Sejam guardiões de tudo o que permite sentir-nos parte uns dos outros, pertencer-nos mutuamente.”

Faça-se em Mim

Interagindo com a multidão, Francisco perguntou se os jovens estão dispostos a responder o “sim” Maria, “Faça-se em Mim”:

“O Evangelho ensina-nos que o mundo não será melhor por haver menos pessoas doentes, debilitadas, frágeis ou idosas de que ocupar-se, nem por haver menos pecadores, mas será melhor quando forem mais as pessoas que, como estes amigos, estiverem dispostas e tiverem a coragem de dar à luz o amanhã e acreditar na força transformadora do amor de Deus.”

Coragem foi a palavra final do Papa: “Não tenham medo de dizer ao Senhor que vocês também querem fazer parte da sua história de amor no mundo.”

Cerimônia de acolhida: Papa pede que jovens digam ‘sim’

JMJ Panamá

Quinta-feira, 24 de janeiro de 2019, Da redação
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Durante a cerimônia, Francisco foi recebido por jovens entusiasmados e pediu que todos fizessem como Maria e dissessem sim

Papa Francisco chega chega à cerimônia de abertura da Jornada Mundial da Juventude no Cinturão Costeiro na Cidade do Panamá / Foto: Reuters

Teve início às 17h30 no Panamá (às 20h30 no horário local) a Cerimônia de Acolhimento a Abertura da Jornada Mundial da Juventude (JMJ), no Campo Santa Maria la Antigua – Cinta Costera, evento que contou com um discurso do Papa Francisco.

Antes, porém, os jovens levaram a Cruz Missionária da JMJ até o Papa, que admirado olhava a chegada dos adolescentes carregando o artefato. Em seguida, adolescentes de outras nações desfilaram com suas bandeiras próximo ao palco em que o Pontífice se encontrava. Outros foram ao microfone dar o seu testemunho de fé. Diziam ao Santo Padre o quanto a experiência religiosa mudou suas vidas e perspectivas.

As primeiras palavras de Francisco foram de positividade e muita afeição. “Lembro-me que, em Cracóvia, alguns perguntaram-me se estaria presente no Panamá, tendo-lhes respondido: ‘Eu, não sei; mas Pedro estará lá certamente. Pedro estará’. Alegra-me poder-vos dizer hoje: Pedro está convosco, para celebrar e renovar a fé e a esperança”, disse.

Afetuosamente, o Papa atendeu a todos os jovens e se dirigiu a eles num discurso centrado no poder que a Jornada da Juventude traz à Igreja e aos jovens fiéis. “Sempre penso em vocês, jovens da América. Os jovens indígenas, os primeiros a caminharem sobre esta terra”, disse o Papa, a quem pediu aplausos efusivos.

O Pontífice ressaltou a diferença cultural que permeia o Panamá. Salientou ainda a dificuldade que muitos jovens tiveram em chegar até a JMJ. “Mas nada disso impediu que nós pudéssemos encontrar e sentir felizes por estarmos juntos”, afirmou. Citou ainda o emérito Papa Bento XVI a quem uma salva de palmas ― e foi prontamente atendido pelos jovens. Pediu, ainda, que os todos entoassem: “O Cristianismo é Cristo”, momento em que falava sobre a união de tantos jovens em torno de um único preceito.

Mais adiante, o Sucessor de Pedro explicou que esta JMJ não poderia se resumir a um simples documento ou a um programa que seria aplicado. “Este encontro irradia esperança, graças aos vossos rostos e à oração. Cada um regressará a casa com aquela força nova que se gera sempre que nos encontramos com os outros e com o Senhor”, exaltou.

Ao final, Francisco citou Maria quando questionou os jovens: “Acreditas tu neste amor? É um amor que vale a pena?”. Segundo o Santo Padre, foram exatamente estas palavras ouvidas por Maria, que não titubeou em responder “sim” ao Pai. “Saberemos nós responder ao anjo, como Maria, «eis-nos aqui, somos os servos do Senhor, faça-se em nós”, indagou o Pontífice.

Por fim, dirigindo-se à multidão de jovens que se aglomerava, o Papa disse: “Não podemos terminar este primeiro encontro sem agradecer. Obrigado a todos aqueles que prepararam, com grande entusiasmo, esta Jornada Mundial da Juventude. Obrigado por terem tido a coragem de construir e hospedar, por terem dito ‘sim’ ao sonho de Deus que é ver os seus filhos reunidos”, findou.

 

O amor de Deus sabe mais de levantar do que de quedas, afirma o Papa a jovens na JMJ 2019
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PANAMÁ, 24 Jan. 19 / 09:52 pm (ACI).- “É o amor do Senhor, que se entende mais de levantamentos que de quedas”, de “dar nova oportunidade que de condenar”, afirmou o Papa Francisco aos 250 mil peregrinos que participaram da cerimônia de acolhida e abertura da Jornada Mundial da Juventude (JMJ), realizada neste dia 24 de janeiro no Campo Santa Maria la Antigua, na Cidade do Panamá.

“Um amor que não se impõe nem esmaga, um amor que não marginaliza nem obriga a estar calado, um amor que não humilha nem subjuga. É o amor do Senhor: amor diário, discreto e respeitador, amor feito de liberdade e para a liberdade, amor que cura e eleva”, assegurou o Santo Padre.

O Pontífice também assegurou aos peregrinos que “Pedro está convosco, para celebrar e renovar a fé e a esperança. Pedro e a Igreja caminham convosco”.

Nesse sentido, assinalou que a Igreja quer “redescobrir e despertar” junto aos jovens “a novidade incessante e a juventude da Igreja, abrindo-nos a um novo Pentecostes”.

“Não tenhais medo, que prossigais com esta energia renovadora e esta inquietação constante que nos ajuda e impele a ser mais alegres e disponíveis, mais ‘testemunhas do Evangelho’”, acrescentou.

“Prossegui, não para criar uma Igreja paralela, um pouco mais ‘jovial’ e ‘atrevida’ numa modalidade para jovens, com alguns elementos decorativos, como se isso pudesse deixar-vos contentes. Pensar assim seria faltar ao respeito devido a vós e a tudo aquilo que o Espírito, por vosso intermédio, nos tem vindo a dizer”, afirmou.

O Papa Francisco disse que isso só é possível “se soubermos caminhar escutando-nos e escutar completando-nos uns aos outros, se soubermos testemunhar anunciando o Senhor no serviço aos nossos irmãos; naturalmente, um serviço concreto. Não é um serviço figurativo”.

O Santo Padre citou a diferença cultural, de idiomas, roupas, a história de cada povo. “Quantas coisas podem diferenciar-nos! Mas nada disso impediu que nos pudéssemos encontrar e sentir felizes por estarmos juntos. Isto é possível, porque sabemos que há algo que nos une, há Alguém que nos faz irmãos”.

Do mesmo modo, valorizou o sacrifício de muitos jovens para conseguir chegar à JMJ, o que os torna “verdadeiros mestres e artesãos da cultura do encontro”.

“Muitos dias de trabalho e dedicação, encontros de reflexão e oração, cuja recompensa é, em grande medida, o próprio caminho. O discípulo não é apenas aquele que chega a um lugar, mas quem começa com decisão, quem não tem medo de arriscar e pôr-se a caminho”, refletiu.

Por último, o Papa Francisco exortou os jovens a que, ao concluir a JMJ, recordem e mantenham “vivo aquele sonho que nos faz irmãos e que somos convidados a não deixar congelar no coração do mundo” e a repetir de maneira constante: “Senhor, ensinai-me a amar como Vós nos amastes”.

Ao terminar o discurso, o Papa Francisco se despediu dos peregrinos dando-lhes sua bênção.

Com a cerimônia de acolhida e abertura concluiu o segundo dia da visita do Papa Francisco ao Panamá. Na manhã desta quinta-feira, ele se reuniu com as autoridades locais e com os bispos centro-americanos.

Amanhã, Francisco presidirá a Liturgia penitencial com os jovens detentos e a Via Sacra.

Os três pilares do matrimônio cristão

Segunda-feira, 2 de junho de 2014, Da Redação, com Rádio Vaticano

Fidelidade, perseverança e fecundidade foram elencadas por Francisco como características para levar adiante o verdadeiro casamento cristão

Na Missa desta segunda-feira, 2, na Casa Santa Marta, Papa Francisco refletiu sobre o casamento cristão. Ele explicou que o amor de Jesus por Sua Igreja – Sua Esposa – é fiel, perseverante e fecundo, mesmas características de um autêntico matrimônio cristão.

Diante do altar, na celebração de hoje, havia 15 casais, os quais há 25, 50 e 60 anos iniciaram 15 histórias de casamento e de família. Eles estavam reunidos com o Santo Padre para agradecer a Deus por essa conquista e proporcionaram ao Pontífice a oportunidade de falar dos três pilares, que, na visão da fé, devem sustentar o amor entre os esposos: a fidelidade, a perseverança e a fecundidade.

O modelo, segundo Francisco, são os três amores de Jesus: pelo Pai, por Sua Mãe e pela Igreja, sua Esposa. Ele explicou que Jesus esposou a Igreja por amor. “É um amor fiel e perseverante; Ele não se cansa nunca de amar a Sua Igreja. É um amor fecundo e fiel. Jesus é fiel! (…) A fidelidade é justamente o ser do amor de Cristo, ela é como uma luz sobre o matrimônio. A fidelidade do amor. Sempre.”

Além de fiel, esse amor nunca se cansa de ser perseverante. Francisco disse que a vida matrimonial deve ser, da mesma forma, perseverante nos momentos belos e também nos difíceis, pois, do contrário, não pode seguir adiante. “Mas o amor persevera, vai adiante, sempre procurando resolver as coisas para salvar a família. Perseverantes: homem e mulher se levantam, todos os dias, e levam a família adiante.”

A terceira característica de que o Papa falou foi a fecundidade. O amor de Jesus faz a Igreja fecunda, com novos filhos, e esta cresce com a fecundidade nupcial. O Santo Padre ressaltou que, às vezes, essa fecundidade pode ser colocada à prova quando os filhos não chegam ou ficam doentes. Nesses casos, há casais que olham para Jesus e tomam a força da fecundidade que Ele tem para com a Sua Igreja. Por outro lado, há coisas que não agradam o Senhor, como os casamentos estéreis por escolha.

“Esta cultura do bem-estar, de dez anos atrás, nos convenceu: ‘É melhor não ter filhos! Assim você pode conhecer o mundo, quando estiver de férias, pode ter uma casa no campo, ficar tranquilo’. Talvez seja melhor – mais cômodo – ter um cãozinho, dois gatos, e o amor vai para dois gatos e para o cãozinho. É verdade ou não? Ao fim, esse matrimônio chega à velhice com a amargura da má solidão. Não é fecundo, não faz o que Jesus fez com a Sua Igreja: tornando-a fecunda”.

Família é uma riqueza social insubstituível

Segunda-feira, 6 de julho de 2015, André Cunha / Da redação

Na primeira Missa celebrada no Equador, o Papa Francisco destacou a família como uma riqueza social insubstituível

O Equador vive dias especiais com a presença do Papa Francisco em suas terras. Esta segunda-feira, 6, foi o dia da primeira Missa presidida pelo Pontífice em solo equatoriano. Especificamente, a celebração aconteceu no Parque Samanes, em Guayaquil, maior cidade do Equador e principal porto do país.

Na homilia, o Papa Francisco destacou a família como a grande “riqueza social, que outras instituições não podem substituir”. O Santo Padre disse que ela deve ser ajudada e reforçada “para não perder jamais o justo sentido dos serviços que a sociedade presta aos cidadãos”.

“Na família, a fé mistura-se com o leite materno: experimentando o amor dos pais, sente-se envolvido pelo amor de Deus”, disse o Papa na homilia / Foto: Reprodução CTV

Em outubro, a Igreja celebrará o Sínodo Ordinário dedicado às famílias. O objetivo, segundo o Pontífice, é amadurecer um verdadeiro discernimento espiritual e encontrar soluções concretas para as inúmeras dificuldades e importantes desafios que a família enfrenta nos dias atuais.

O Bispo de Roma pediu que os fiéis intensifiquem as orações por este evento para que, mesmo aquilo que pareça impuro, escandalize ou espante, “Deus – fazendo-o passar pela sua ‘hora’ – possa milagrosamente transformá-lo”.

A reflexão sobre a família na Missa desta segunda-feira, 6, foi motivada pelo Evangelho de São João que narra o episódio das Bodas de Caná. No contexto, Maria leva a Jesus o problema da falta de vinho. Ele, segundo os relatos bíblicos, realiza o milagre e transforma a água em vinho.

Para o Papa, Maria ensina o exercício de colocar-se sempre à disposição de Jesus, que veio para servir, não para ser servido. “O serviço é o critério do verdadeiro amor. E isto aprende-se especialmente na família, onde nos tornamos servidores uns dos outros por amor. Dentro da família, ninguém é descartado”.

“Na família, os milagres fazem-se com o que há com o que somos, com aquilo que a pessoa tem à mão. Muitas vezes não é o ideal, não é o que sonhamos, nem o que ‘deveria ser’. O vinho novo das bodas de Caná nasce das talhas de purificação, isto é, do lugar onde todos tinham deixado o seu pecado”, considerou o Papa.

O Papa concluiu a homilia, afirmando que o melhor dos “vinhos” ainda não veio para cada pessoa que aposta no amor. “E ainda não veio, mesmo que todas as variáveis e estatísticas digam o contrário; o melhor vinho ainda não chegou para aqueles que hoje veem desmoronar-se tudo”.

Francisco encerrou a homilia pedindo: “Como Maria nos convida, façamos ‘o que Ele nos disser’ e agradeçamos por, neste nosso tempo e nossa hora, o vinho novo, o melhor, nos fazer recuperar a alegria de ser família”.

Após a Missa, o Santo Padre almoça com a Comunidade dos Jesuítas e com a comitiva papal. Em seguida, retorna à Quito onde, ainda nesta segunda-feira, 6, visita o presidente da república e a catedral da cidade.

10 frases do Papa Francisco para a Família

https://www.acidigital.com/noticias/10-frases-do-papa-francisco-para-refletir-nesta-semana-nacional-da-familia-23006

Papa Francisco saúda uma família no Vaticano/ Foto: Bohumil Petrik (ACI Prensa)

REDAÇÃO CENTRAL, 12 Ago. 18 / 09:00 am (ACI).- Em diversas oportunidades, o Papa Francisco dedicou algumas palavras para destacar a importância da família, tendo inclusive convocado um Sínodo Extraordinário e um Sínodo Ordinário para abordar este tema, resultando na exortação apostólica pós-sinodal Amoris Laetitia.

Por ocasião da Semana Nacional da Família, que tem início neste domingo no Brasil, apresentamos a seguir 10 frases do Pontífice sobre a família, sua importância e missão na Igreja e na sociedade:

1. “A aliança de amor e fidelidade, vivida pela Sagrada Família de Nazaré, ilumina o princípio que dá forma a cada família e a torna capaz de enfrentar melhor as vicissitudes da vida e da história. Sobre este fundamento, cada família, mesmo na sua fragilidade, pode tornar-se uma luz na escuridão do mundo”. (Amoris Laetitia, numeral 66, capítulo 3).

2. “Uma família e uma casa são duas realidades que se reclamam mutuamente. Este exemplo mostra que devemos insistir nos direitos da família, e não apenas nos direitos individuais. A família é um bem de que a sociedade não pode prescindir, mas precisa ser protegida”. (Amoris Laetitia, numeral 44, capítulo 2).

3. “O que é a família? Para além de seus prementes problemas e de suas necessidades urgentes, a família é um ‘centro de amor’, onde reina a lei do respeito e da comunhão, capaz de resistir aos ataques da manipulação e da dominação dos ‘centros de poder’ mundanos” (Mensagem ao 1º Congresso Latino-americano de Pastoral Familiar, ocorrido em agosto de 2014)

4. “Esta é a grande missão da família: deixar lugar a Jesus que vem, acolher Jesus na família, na pessoa dos filhos, do marido, da esposa, dos avós… Jesus está aí. É preciso acolhê-lo ali, para que cresça espiritualmente naquela família” (Catequese da Audiência Geral de 17 de dezembro de 2014).

5. “As famílias constituem o primeiro lugar onde nos formamos como pessoas e, ao mesmo tempo, são os ‘tijolos’ para a construção da sociedade” (Homilia na celebração do matrimônio de 20 casais na Basílica de São Pedro, em 14 de setembro de 2014).

6. “Discute-se muito hoje sobre o futuro, sobre o tipo de mundo que queremos deixar aos nossos filhos, que sociedade queremos para eles. Creio que uma das respostas possíveis se encontra pondo o olhar em vós, nesta família que falou, em cada um de vós: deixemos um mundo com famílias. É o melhor legado” (discurso no encontro com as famílias em Cuba, em 22 de setembro de 2015).

7. “O convívio é um termômetro garantido para medir a saúde das relações: se em família tem algum problema, ou uma ferida escondida, à mesa compreende-se imediatamente. Uma família que raramente faz as refeições unida, ou na qual à mesa não se fala mas assiste-se à televisão, ou se olha para o smartphone, é uma família ‘pouco família’” (Catequese da Audiência Geral de 11 de novembro de 2015).

8. “O dom mais valioso para os filhos não são as coisas, e sim o amor dos pais. E não me refiro só ao amor dos pais para os filhos, mas o amor dos pais entre eles, quer dizer, a relação conjugal. Isto faz muito bem a vocês e também a seus filhos! Não descuidem a família!” (Discurso durante audiência aos funcionários da Santa Sé, em 21 de dezembro de 2015).

9. “As famílias não são peças de museu, mas é através delas que se concretiza o dom, no compromisso recíproco e na abertura generosa aos filhos, assim como no serviço à sociedade” (Discurso em audiência aos participantes de encontro promovido pela Federação Europeia das Associações Familiares Católicas, em 1º de junho de 2017).

10. “Vocês são um ícone de Deus: a família é um ícone de Deus. O homem e a mulher: precisamente a imagem de Deus. Ele disse, não sou eu que digo. E isso é grande, é sagrado” (discurso durante audiência com delegação do Fórum das Associações Familiares, em 16 de junho de 2018).

Papa: “Jesus é ‘concentrado’ de todo o amor de Deus”

Te Deum

Segunda-feira, 31 de dezembro de 2018, Da redação
https://noticias.cancaonova.com/especiais/pontificado/francisco/papa-jesus-e-concentrado-de-todo-o-amor-de-deus/

Durante reflexão, Francisco incentivou os fiéis a buscarem o amor e não o pecado: “É o amor que dá plenitude a tudo”

Papa durante reflexão no Vaticano, nesta segunda-feira, 31/ Foto: Reprodução Vatican Media

Nesta segunda-feira, 31, véspera da Solenidade de Santa Maria Santíssima Mãe de Deus, Papa Francisco entoou a oração do Te Deum laudamus (Nós te louvamos, Deus) — canto cristão antigo que tradicionalmente é cantado como forma de agradecimento pelo ano que passou, e refletiu sobre o ano. Durante reflexão, Francisco incentivou os fiéis a buscarem o amor e não o pecado. “É o amor que dá plenitude a tudo, mesmo ao tempo; e Jesus é ‘concentrado’ de todo o amor de Deus em um ser humano”, apontou.

A primeira expressão sublinhada por Francisco é a “plenitude do tempo”. Segundo o Pontífice, a cada final de ano, é sentida uma necessidade de algo que encha de significado o transcorrer do tempo: “Algo ou melhor alguém. E esse alguém veio, Deus o enviou: ele é seu Filho, Jesus. Celebramos a pouco o seu nascimento. Nasceu de uma mulher, a Virgem Maria; nasceu sob a lei, um menino hebreu. Mas como isso é possível? Como pode ser este o sinal da plenitude do tempo? É claro que, por enquanto, é quase invisível e insignificante, mas dentro de pouco mais de trinta anos, Jesus desencadeou uma força sem precedentes, que dura e durará ao longo da história inteira: esta força se chama amor”.

O Papa recordou a afirmação de São Paulo, que dizia que o Filho de Deus nasceu para redimir o mundo, ou seja, para resgatar a humanidade. “Esta é a segunda palavra que nos sensibiliza: resgatar, isto é, sair da condição de escravidão e restituir à liberdade, dignidade e liberdade própria de filhos. A escravidão que o apóstolo tem em mente é a da ‘lei’, entendida como um conjunto de preceitos que devem ser observados, uma lei que certamente educa o homem, é pedagógica, mas não o liberta da sua condição de pecador, de certo modo, crava a condição, impedindo-o de atingir a liberdade de filho”, refletiu o Pontífice.

“Deus enviou ao mundo seu filho unigênito para desenraizar do coração do homem a escravidão antiga do pecado e assim restituir-lhe a sua dignidade. O coração humano — como Jesus ensina no Evangelho (cf. Mc 7, 21-23) – é de onde sai todas as más intenções, as iniquidades que corrompem a vida e os relacionamentos”, observou o Papa. Diante das constatações, o Santo Padre convidou os fiéis a refletirem com dor e arrependimento, todas as ações que realizaram durante o ano que chega ao fim, sem se esquecerem de homens e mulheres que viveram e vivem em condições de escravidão, condições indignas.

Francisco observou que também em Roma há pessoas que, por várias razões, vivem em estado de escravidão. “Eu penso, em particular, naqueles que vivem sem um lar. São mais de dez mil. No inverno, a situação deles é particularmente dura. Todos eles são filhos e filhas de Deus, mas as diferentes formas de escravidão, por vezes muito complexas, os levaram a viver à beira da dignidade humana. O próprio Jesus nasceu em uma condição semelhante, mas não por acaso ou por acidente: ele queria ter nascido assim, para manifestar o amor de Deus para os mais pequenos e os pobres, lançando deste modo a semente do Reino de Deus, Reino de justiça, amor e paz, no mundo, onde ninguém é escravo, mas todos são irmãos, filhos do único Pai”, comentou.

De acordo com o Pontífice, a Igreja de Roma não quer ser indiferente à escravidão deste tempo, e nem mesmo limitar-se a observá-la e ajudar, mas quer estar dentro desta realidade, e mais perto das pessoas e dessas situações, como em uma proximidade materna.

“Eu gosto de encorajar esta forma da maternidade da Igreja ao celebrarmos a maternidade divina da Virgem Maria. Contemplando este mistério, reconhecemos que Deus nasceu de uma mulher para que pudéssemos receber a plenitude da nossa humanidade, ‘uma adoção de filhos’. Desde a sua descida nos sentimos aliviados. Nossa grandeza vem de sua pequenez. De sua fragilidade, nossa força. Dele se tornar servo, nossa liberdade. Que nome dar a tudo isso, se não amor? Amor do Pai e do Filho e do Espírito Santo, a quem esta noite a Santa Madre Igreja eleva o seu hino de louvor e agradecimento”, concluiu.

O Te Deum laudamus

O hino, que está ligado a cerimônias de agradecimento, também é cantado quando acontece a eleição de um Pontífice ou durante a conclusão de algum Concílio convocado pela Igreja.

“Nós te louvamos, Deus, te proclamamos Senhor. Eterno Pai, toda a terra te adora. A Ti cantam os anjos e todas as potências do céu: Santo, Santo, Santo é o Senhor Deus do Universo”, diz um dos trechos do Te Deum.

Autoria

O canto é de autoria desconhecida, mas é por vezes atribuído a São Cipriano, do século VIII, e também a Santo Agostinho, o qual o teria composto no dia de seu batismo, após sua conversão que aconteceu em Milão, Itália, no ano 386. Atualmente, os especialistas atestam que a redação oficial do texto tenha sido feita por Nicetas Choniates, historiador bizantino de 1155.

Tempo de Natal: nasceu para nós um Salvador!

O amor de Deus invisível se faz visível

O que vamos fazer nestes dias‭ ‬do tempo‭ ‬de Natal,‭ ‬já desde a noite em que Jesus nasceu‭? ‬Voltar os olhos e o coração inteiramente para a figura do Menino envolto nos paninhos que a Mãe trouxe de Nazaré e reclinado‭ ‬sobre as palhas do presépio.‭ ‬Não sentimos‭ ‬desejos de olhar para Ele e Lhe dizer:‭ ‬Meu Senhor e meu Deus‭!‬? Porque esse Menino, que vemos na manjedoura, é Deus feito homem,‭ ‬que vem ao nosso encontro para nos salvar.‭ ‬Tanto amou Deus o mundo‭ – ‬dizia Jesus a Nicodemos‭ – ‬que lhe deu Seu Filho único. O Senhor não enviou o Filho ao mundo para condená-Lo,‭ ‬mas para que o mundo fosse salvo por Ele‭ ‬(Jo‭ ‬3,16‭)‬.

Contemplando este mistério‭ ‬da Encarnação do Verbo,‭ ‬estamos no‭ ‬coração da nossa fé cristã.‭ ‬É um mistério que nos dá a‭ ‬certeza de que Deus é amor e nos quer com loucura.‭ ‬Essa é, ‬precisamente, ‬a certeza que fazia o apóstolo São João exclamar:‭ “Deus é amor‭!” ‬Nisto se manifestou o amor de Deus para conosco:‭ ‬em nos ter enviado o Seu Filho únicopara que vivamos por Ele‭ ‬(cf. 1‭ ‬Jo‭ ‬4,8-9‭)‬.

Sim,‭ ‬no Natal,‭ ‬o‭ ‬amor de Deus invisível se faz visível.‭ ‬Está aqui,‭ ‬junto de nós,‭ ‬no presépio. São João extasiava-se com‭ ‬essa maravilha da bondade de Deus,‭ ‬que é a vinda‭ ‬do Verbo encarnado,‭ ‬e dizia:‭ ‘Ninguém jamais viu a Deus.‭ ‬O Filho único,‭ ‬que está no seio do Pai,‭ ‬foi quem o revelou’ ‬(Jo‭ ‬1,18‭)‬.‭ ‬E,‭ ‬cheio de júbilo por tê-Lo conhecido,‭ ‬por ter convivido com Ele‭ ‬durante três anos‭ ‬e ter experimentado o Seu carinho,‭ ‬exclamava:‭ ‘Nós o vimos com os nossos olhos,‭ ‬nós o contemplamos,‭ ‬nós o ouvimos,‭ ‬nós o tocamos com as mãos…‭!’ (cf.‭ ‬1‭ ‬Jo‭ ‬1,1-3‭)‬ Por experiência própria,‭ ‬podia‭ ‬afirmar:‭ ‘Aquele que não ama não conhece a Deus,‭ ‬porque Deus é Amor’ (‬1‭ ‬Jo‭ ‬4,8‭)‬.

Jesus é Deus feito homem,‭ ‬que nos ama com toda a força do seu amor divino e humano.‭ Seu amor é grande e verdadeiro, tem os dois sinais claros da autenticidade.‭ ‬Primeiro,‭ ‬é uma doação plena.‭ ‬Amor que não se dá não é amor.‭ ‬Mas não é um‭ ‬dar-se qualquer,‭ ‬é uma doação que visa o‭ ‬nosso bem.‭ ‬E aí está o segundo sinal de autenticidade:‭ ‬todo o verdadeiro amor,‭ ‬ao dar-se,‭ ‬quer bem,‭ ‬ou seja,‭ ‬dá-se procurando o‭ ‬bem da pessoa amada.

E qual é o‭ ‬bem,‭ ‬quais são os‭ ‬bens‭ ‬que Jesus nos traz‭? ‬Todos os bens‭! ‬A vida verdadeira,‭ ‬a vida eterna‭! ‬A felicidade que não poderá morrer‭! ‬Nessa infinita riqueza de bens divinos,‭ ‬podemos distinguir‭ ‬especialmente‭ ‬três grandes tesouros.‭ ‬O tesouro da‭ ‬verdade,‭ ‬que Ele nos ensina‭;‬ o tesouro do‭ ‬caminho‭ ‬do Céu,‭ ‬que Ele abre e nos mostra‭; ‬e o tesouro da‭ ‬vida nova dos filhos de Deus,‭ ‬que Ele ganha para nós na cruz.‭

Tudo isso resumiu-o Jesus numa só frase:‭ ‬Eu sou o Caminho,‭ ‬a Verdade e a Vida‭ ‬(Jo‭ ‬14,6‭)‬.‭ ‬Será que captamos a importância dessas palavras‭?‬ Tentemos arrancar, do fundo delas, a grande luz que encerram,‭ ‬meditando um pouco sobre o seu significado. Jesus nos traz,‭ ‬primeiro,‭ ‬a luz da‭ verdade.‭ ‬Vem-me à cabeça agora o pai de São João Batista,‭ ‬Zacarias‭ – ‬o marido de Santa Isabel‭ –‬,‭ ‬que profetizou o nascimento de Jesus de uma maneira muito significativa.‭ ‬Dizia que‭ ‬a ternura e a misericórdia do nosso Deus nos vai trazer do alto a visita do Sol nascente,‭ ‬que há de iluminar os que jazem nas trevas e nas sombras da morte e dirigir os nossos passos no caminho da paz‭ (‬Lc‭ ‬1,78-79‭)‬.‭ ‬Desde antes de nascer,‭ ‬Jesus já é anunciado como o Sol,‭ ‬como a Luz,‭ ‬a Luz da Verdade,‭ ‬que nos guiará para‭ ‬o bem e para‭ ‬a paz,‭ ‬para a paz terrena e eterna.

Isso‭ ‬é‭ ‬o que‭ ‬também‭ ‬diz São João no prólogo do seu Evangelho. ‬Ele era a verdadeira Luz,‭ ‬que, vindo ao mundo, ilumina todo homem. A luz resplandece nas trevas e estas não a compreenderam‭ ‬(cf.‭ ‬Jo‭ ‬1,9-11‭)‬.‭ ‬Que pena se nós não a recebêssemos! Que pena se nós não a compreendêssemos‭! ‬Porque a verdade que Ele nos traz não é uma verdade qualquer, mas a única‭ ‬verdade-verdadeira,‭ ‬a única verdade que salva:‭ ‬a verdade sobre Deus,‭ ‬sobre o mundo e sobre o homem.‭ ‬Só ela pode dar sentido à nossa vida.

Utilizando-nos de uma comparação do próprio Cristo,‭ ‬podemos dizer‭ ‬que a verdade ensinada por Ele é como a semente na mão do semeador.‭ ‬Pode cair nas pedras ou entre espinhos e morrer‭; ‬ou pode cair numa boa terra e dar fruto‭ (‬cf.‭ ‬Mt‭ ‬13,‭ ‬4‭ ‬ss.‭)‬.‭ ‬Depende de nós. Se procurássemos acolher essa verdade com carinho,‭ ‬seria uma maravilha,‭ ‬seríamos‭– ‬no empenho por edificar a nosa vida‭ –‬ como o construtor de que Jesus falava:‭ ‬’Aquele que ouve as minhas palavras e as põe em prática é semelhante a um homem prudente,‭ ‬que edificou a sua casa sobre a rocha’ ‬(Mt‭ ‬7,24‭)‬.‭ ‬Nem a chuva,‭ ‬nem o vento,‭ ‬nem as tormentas conseguiriam derrubá-la.‭ ‬Porque essa verdade nos daria‭ – ‬como diz a Bíblia‭ – ‬um‭ ‬amor forte como a morte’ (cf. ‬Cânticos ‬8,6‭)‬.

Se continuarmos a olhar para Jesus Menino,‭ ‬veremos que‭ ‬Ele nos‭ ‬diz também,‭ ‬como‭ ‬já mencionávamos, “Eu sou o Caminho”.‭ ‬Toda a vida d’Ele é exemplo e caminho para nós,‭ ‬é como a sinalização luminosa da estrada que conduz a Deus,‭ ‬o roteiro que devemos seguir para nos realizarmos nesta terra e na eternidade.

É por isso que Jesus diz,‭ ‬muitas vezes:‭ ‘Segue-me‭!’. Compara-nos às ovelhas que Ele,‭ ‬o Bom Pastor,‭ ‬conduz entre brumas e perigos até‭ ‬o pasto que alimenta e‭ ‬o‭ ‬refúgio seguro.‭ ‬Ele é o Bom Pastor que‭ ‬caminha adiante delas,‭ ‬adiante de nós,‭ ‬indicando-nos o caminho‭; ‬mais:‭ ‬sendo,‭ ‬com o Seu exemplo,‭ ‬Ele próprio o caminho‭. Acontece que o caminho de Cristo é,‭ ‬essencialmente,‭ ‬o‭ ‬caminho do amor.‭ ‬Caminhai no amor‭ ‬– escrevia São Paulo‭ –‬,‭ ‬segundo o exemplo de Cristo,‭ ‬que nos amou e por nós se entregou (Ef‭ ‬5,2‭)‬.

O amor que é‭ ‬caminho é o amor autêntico,‭ ‬com maiúscula,‭ ‬o Amor que‭ ‬vem de‭ ‬Deus‭ ‬(1‭ ‬Jo‭ ‬4,7‭)‬.‭ ‬Não é fumaça cor de rosa,‭ ‬nem é uma teoria ou só uma paixão que arde e se evapora; é um amor vivo,‭ ‬sincero e realista,‭ ‬que se‭ ‬manifesta,‭ ‬no dia a dia,‭ ‬na prática das‭ ‬virtudes que são como o selo de garantia do amor.

Por isso,‭ ‬aquele que ama esforça-se por ser‭ – ‬com a graça de Deus‭ – ‬generoso,‭ ‬compreensivo,‭ ‬dedicado,‭ ‬paciente‭; ‬e‭ ‬também‭ ‬por ser constante,‭ ‬por ser forte na adversidade,‭ ‬por ser sóbrio e moderado nos prazeres‭; ‬por ser caridoso,‭ ‬gentil,‭ ‬prestativo‭; ‬por ser justo,‭ ‬discreto; ‬por dar a Deus cada dia mais amor,‭ ‬e aos irmãos também.‭ ‬Em suma,‭ ‬por levar a sério a prática das virtudes humanas e cristãs.

Nunca percamos de vista: aquele que‭ ‬ama‭ ‬faz,‭ ‬age,‭ ‬não fica só pensando e sentindo.‭ ‬É exatamente isso o que‭ ‬nos diz São João,‭ ‬o grande intérprete do amor de Cristo:‭ ‬”Meus filhinhos,‭ ‬não amemos com palavras nem com a língua,‭ ‬mas por atos e em verdade” ‬(1‭ ‬Jo‭ ‬3,18‭)‬.‭ ‬E é claro que isso se aplica tanto ao amor a Deus como ao amor ao próximo.‭ ‬Como diz‭ ‬o mesmo‭ ‬São João:‭ “Temos de Deus este mandamento:‭ ‬quem ama a Deus,‭ ‬ame também a seu irmão” ‬(1‭ ‬Jo‭ ‬4,21‭)‬.

Padre Francisco Faus
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