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“Na dor, Jesus nos ensina a abraçar o Pai”, afirma Papa

Audiência Geral

Quarta-feira, 17 de abril de 2019, Da redação, com Vatican News
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Francisco interrompeu o ciclo de catequeses sobre o Pai-Nosso para comentar as palavras de Jesus durante a Sua Paixão

Papa Francisco saudou os fiéis presentes na Praça São Pedro nesta quarta-feira, 17/ Foto: Vatican Media

O tríduo pascal foi tema da catequese do Papa Francisco na Audiência Geral desta quarta-feira, 17. Na Praça São Pedro, de modo especial o Pontífice refletiu sobre algumas palavras que Jesus dirigiu ao Pai durante a Sua Paixão. A primeira invocação foi feita depois da Última Ceia, quando disse: “Pai, é chegada a hora; glorifica a teu Filho” e ainda “glorifica-me tu, ó Pai, junto de ti mesmo, com aquela glória que tinha contigo antes que o mundo existisse”.

Pode parecer paradoxal que Jesus peça a glória ao Pai quando a Paixão está para acontecer, observou o Papa. Segundo o Santo Padre, a glória na verdade indica o revelar-se de Deus, é o sinal distintivo da sua presença salvadora entre os homens e é o que acontece na Páscoa. “Ali Deus finalmente revela a sua glória, que descobrimos ser toda amor: amor puro, louco e impensável, para além de todo limite e medida”, refletiu.

“Queridos irmãos e irmãs, façamos nossa a oração de Jesus: peçamos ao Pai para retirar os véus dos nossos olhos para que nesses dias, olhando para o Crucifixo, possamos acolher que Deus é amor. Quantas vezes O imaginamos patrão e não Pai, juiz severo ao invés de Salvador misericordioso! Mas Deus na Páscoa cancela as distâncias, mostrando-se na humildade de um amor que pede o nosso amor”, suscitou o Pontífice.

Francisco afirmou que homens e mulheres dão glória ao Pai quando vivem tudo o que fazem com amor, com o coração. “A verdadeira glória é a do amor, porque é a única que dá vida ao mundo, e não a glória mundana, feita de aclamação e audiência. No centro não está o eu, mas o outro. Ninguém glorifica a si mesmo”, alertou.

Depois da Última Ceia, o Papa recordou que Jesus entra no jardim do Getsêmani e também ali reza ao Senhor com a palavra mais terna e doce: «Abbà», Pai (cfr Mc 14,33-36). “Na dor, Jesus nos ensina a abraçar o Pai porque na oração a Ele está a força de seguir adiante nas dores, nas fadigas a oração é alivio, conforto. Quando foi abandonado por todos, na desolação interior Jesus não está sozinho, está com o Pai. Nós, ao contrário, nos nossos ‘Getsêmani’ geralmente escolhemos permanecer sozinhos ao invés de dizer ‘Pai’ e confiar-nos, como Jesus, à sua vontade, que é sempre para o nosso verdadeiro bem”, observou o Santo Padre.

O Pontífice prosseguiu: “Quando nas provas permanecemos fechados em nós mesmos cavamos um túnel dentro de nós, um doloroso percurso contrário, que tem uma única direção: sempre mais fundo em nós mesmos. O maior problema não é a dor, mas como a enfrentamos. A solidão não nos oferece vias de saída; a oração sim, porque é relação, confiança. Jesus se confia ao Pai, dizendo a Ele o que sente, se apoiando nele durante a luta. Quando entrarmos nos nossos ‘Getsemanis’ (todos nós temos esses momentos duros) devemos nos recordar de rezar assim: ‘Pai’”.

Por fim, Francisco recordou que Jesus dirige ao Senhor uma terceira oração: ‘Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem’ (Lc 23,34). “Jesus reza por quem foi mal com ele, no momento da dor mais aguda, quando recebia os pregos nos pulsos e nos pés. Aqui, ao vértice da dor chega o amor: chega o perdão, isto é, o dom à enésima potência, que quebra o círculo do mal”, refletiu.

Rezando nesses dias o “Pai-Nosso” – tema neste período das catequeses –, o Papa fez votos que os fiéis possam pedir uma dessas graças: viver para a glória de Deus, isto é, com amor; e a sabedoria de confiar no Pai nas provações; e encontrar no seu abraço o perdão e a coragem de perdoar.

 

NA ÍNTEGRA
Catequese do Papa Francisco – 17/04/2019
CATEQUESE DO PAPA FRANCISCO
Praça São Pedro – Vaticano
Quarta-feira, 17 de abril de 2019
Boletim da Santa Sé / Tradução: Lizia Costa (Canção Nova)

Caros irmãos e irmãs, bom dia!

Nestas últimas semanas estamos refletindo sobre a oração do “Pai Nosso”. Hoje, às vésperas do Tríduo Pascal, nos detenhamos em algumas palavras com as quais Jesus, durante a sua Paixão, rezou ao Pai.

A primeira invocação acontece depois da Última Ceia, quando o Senhor, ao levantar os olhos ao Céu disse: “Pai, chegou a hora: glorifica o seu Filho – e depois – me glorifica diante de você com aquela Glória que eu tinha junto de você antes que o mundo existisse” (João 17, 1.5). Jesus pedia a glória, um pedido que parece paradoxal, já que a Paixão está às portas. De qual glória se trata? A glória indica a revelação de Deus, é o sinal distintivo da sua presença salvadora entre os homens. Agora, Jesus é aquele que manifesta de modo definitivo a presença e salvação de Deus. E o faz na Páscoa: levantado na Cruz é glorificado ( Joao 12, 23-33). Ali Deus finalmente revela sua glória: tira o ultimo véu e nos surpreende ainda mais. Descobrimos realmente que a glória de Deus é toda Amor: amor puro, louco e impensável, muito além de qualquer limite e medida.

Caros irmãos e irmãs, façamos nossa oração s Jesus: peçamos ao Pai que tire os véus dos nossos olhos para que nesses dias, olhando o crucifixo, possamos acolher o fato que Deus é Amor. Quantas vezes o imaginamos patrão e não Pai, quantas vezes pensamos que ele é juiz severo, muito mais que Salvador misericordioso! Mas Deus, na Páscoa, zera as distâncias e se mostra na humildade de um amor que pede o nosso amor. Nós, então, o damos glória quando vivemos tudo o que fazemos com amor, quando fazemos cada coisa de coração, por Ele (Col 3, 17). A verdadeira glória é a do amor, porque é a única que dá vida ao mundo. Sim, esta glória é o contrário da glória mundana, que vem quando se é admirado, louvado, aclamado: quando eu estou ao centro da atenção. A glória de Deus, pelo contrário, é paradoxal: nada de aplausos, nada de audiência. Ao centro não está o “eu”, mas o “outro”: na Páscoa vemos que o Pai glorifica o Filho enquanto o Filho glorifica o Pai. Nenhum glorifica a si mesmo. Podemos nos perguntar: “Qual é a glória pela qual vivo? A minha ou aquela de Deus? Desejo só receber dos outros ou quero também doar aos outros?”

Depois da Última Ceia Jesus entra no jardim do Getsêmani e também reza ao Pai. Enquanto os discípulos não conseguem estar acordados e Judas está chegando com os soldados, Jesus começa a sentir medo e angústia. Sente toda a angústia por aquilo que o espera: traição, desprezo, sofrimento, falimento. Esta triste e ali, no abismo da desolação dirige ao Pai a palavra mais terna e doce “Abba”, Paizinho! Na dor, Jesus nos ensina a abraçar o Pai porque na oração a Ele está a força de seguir adiante nas dores, nas fadigas a oração é alivio, conforto. Quando foi abandonado por todos, na desolação interior Jesus não está sozinho, está com o Pai. Nós, ao contrário, nos nossos “Getsêmani” geralmente escolhemos permanecer sozinhos ao invés de dizer “Pai” e confiar-nos, como Jesus, à sua vontade, que é sempre para o nosso verdadeiro bem. Mas quando nas provas permanecemos fechados em nós mesmos cavamos um túnel dentro de nós, um doloroso percurso contrário, que tem uma única direção: sempre mais fundo em nós mesmos. O maior problema não é a dor, mas como a enfrentamos. A solidão não nos oferece vias de saída; a oração sim, porque é relação, confiança. Jesus se confia ao Pai, dizendo a Ele o que sente, se apoiando nele durante a luta. Quando entrarmos nos nossos “Getsemanis” (todos nós temos esses momentos duros) devemos nos recordar de rezar assim: “Pai”.

Enfim, Jesus dirige ao Pai uma terceira oração por nós: “Pai, perdoa-os, porque não sabem o que fazem” (Lc 23, 34). Jesus reza por quem foi mal com Ele, por seus assassinos. O evangelho específica que esta oração acontece no momento da crucificação. Era provavelmente o momento da dor mais aguda, quando os pregos eram enfiados nos pulsos e nos pés. No ápice da dor chega ao culmine o amor: chega o perdão, ou seja, o dom a enésima potencia, que desfaz o círculo do mal.

Caros irmãos e irmãs, rezando nestes dias o Pai Nosso possamos pedir uma destas graças: de viver os nossos dias para a Glória de Deus, ou seja, com amor; de saber nos confiar ao Pai nos momentos difíceis; de achar, no encontro com o Pai, o perdão e a coragem de perdoar. As duas coisas andam juntas, o Pai nos perdoa, mas nos da a coragem de perdoar. Obrigado!

4 chaves para entender o sofrimento humano unido à Paixão de Cristo

Por Diego López Marina
https://www.acidigital.com/noticias/4-chaves-para-entender-o-sofrimento-humano-unido-a-paixao-de-cristo-12886

Imagem referencial / Foto: Pixabay (Domínio público)

REDAÇÃO CENTRAL, 16 Abr. 19 / 09:00 am (ACI).- Como compreender o sofrimento humano unido à Paixão de Cristo? O Arcebispo Emérito do México, Cardeal Norberto Rivera, propõe estas 4 chaves:

1. Cristo sempre te guia pela mão diante do sofrimento

Em sua homilia pela Missa de Domingo de Ramos ou Domingo da Paixão em 2017, o Cardeal Rivera disse que a “tragédia” da Paixão de Cristo “tem um sentido e uma importância suprema”, porque em algum momento da nossa vida todos nos “encontramos com a dor, o sofrimento e o desespero”.

“Não necessitamos uma teoria, um conceito, mas alguém que nos guie pela mão, para enfrentar esta situação de dor e sofrimento. Por isso, Cristo quer que o aceitemos como um companheiro, deseja que o recebamos na nossa vida”, detalhou.

O Purpurado assegurou que a Paixão é “o núcleo mais importante do Evangelho”, porque nos ajudará a descobrir “o maior amor que já sentimos, será o grande amor que nos levará a enfrentar essas situações tão dolorosas pelas quais passamos ou sempre teremos que passar”.

2. Cristo ajuda a dar sentido à dor

O Arcebispo Emérito do México contou a história de um jovem que ele conheceu quando era encarregado de um grupo de jovens. Deram um tiro no rapaz que o deixou paralítico.

Um dia, ao visitá-lo, o rapaz confessou que era feliz: “Não encontrava o sentido de minha vida, por isso ia a muitas festas, vivia em pecado e nada me satisfazia; agora encontrei o sentido da minha vida”.

O Cardeal disse que uma história como essa “pareceria absurda”, entretanto, acrescentou que Jesus pode ajudar qualquer pessoa a encontrar o sentido da dor.

“Cristo quer nos convidar não só para que contemplemos o que aconteceu há 20 séculos, Cristo quer nos levar a viver a sua paixão, essa paixão que não é um caso encerrado, não é um julgamento que terminou, nem um arquivo fechado”.

3. Cristo continua sofrendo a paixão em cada membro da Igreja

O Cardeal Rivera indicou que “Cristo continua sofrendo, continua sofrendo em cada um dos seus membros”.

“Continua completando a Paixão de Cristo em tantos irmãos nossos que estão com fome, que sofrem perseguição por causa da justiça, que sofrem na prisão, sofrendo qualquer outra ‘dor’ ou contradição”.

4. Cristo é crucificado pela indiferença do homem

O Purpurado esclareceu que contemplar a paixão como alguém que olha de longe um espetáculo, “pode ser perigoso”.

“Podemos estar assumindo o papel daqueles que levaram Jesus ao sofrimento da cruz, ao tormento, com as nossas decisões, com as nossas atitudes, os nossos comportamentos diante dos outros irmãos, com decisões perversas, podemos estar levando Cristo novamente ao sofrimento, à cruz”, indicou.

Além disso, afirmou que poderíamos terminar como aquele “que lava as mãos, como alguém que simplesmente está tomando decisões, pela fraqueza, ou não está tomando decisões ante um Jesus que passa na nossa frente, sofrendo, perseguido, crucificado”.

Finalmente, o Cardeal Rivera disse que “a paixão de Jesus deve nos levar a enfrentar a dor e o sofrimento, acompanhados por alguém que sofreu a dor mais profunda, que aceitou a situação mais terrível que o ser humano pode ter, ou como dizemos, ‘que desceu aos infernos’”.

Confissão: Porque me confessar?

Quando o penitente se aproxima para confessar os pecados, o sacerdote o recebe com benevolência e o saúda amavelmente. Assim começa a celebração do Sacramento da Penitência. Depois, exorta o penitente à confiança em Deus, com estas palavras ou outras semelhantes: “Deus, que fez brilhar a sua luz em nossos corações, te conceda a graça de reconhecer os teus pecados e a grandeza de sua misericórdia”. Em seguida o sacerdote pode recordar um texto da Sagrada Escritura que proclame a misericórdia de Deus e exorte à conversão. Só então a pessoa que foi ao Sacramento para celebrar a grandeza do amor misericordioso de Deus confessa os seus pecados, acolhe oportunos conselhos e a ação penitencial indicada pelo confessor. Misericórdia, benevolência, amor, graça, amabilidade! Que expressões! É a festa do perdão, num tribunal cuja sentença, quando existe a contrição e o desejo de uma vida nova, é sempre a absolvição! Este é o Sacramento do amor misericordioso de Deus! É Sacramento de Quaresma, é graça oferecida a todos os que se reconhecem frágeis e pecadores.

Mas o que é o pecado? Para muitas pessoas, trata-se de infringir uma norma, sendo Deus pensado como um policial que vigia e está pronto para sinalizar e multar! Outras, quem sabe, consideram pecado aquilo que “machuca por dentro”, e chegam a ficar muito tranquilas, pois julgam ser errado apenas o que “pesou”! Consciência legalista ou relaxada.

Difícil e frutuoso é entender o sentido do pecado para o cristão. Tendo reconhecido a grandeza do amor de Deus, uma aliança com a qual Ele nos introduz na comunhão com sua vida sobrenatural, sabendo que amor com amor se paga, o cristão toma consciência de ter rompido a aliança, com seus gestos de egoísmo e de infidelidade. Volta-se, então, para Deus, reconhece o olhar amoroso que o encontra e decide retornar, com todo o júbilo do coração, à comunhão com a vida verdadeira de amor a Deus e ao próximo. Confessar-se e acolher a palavra da Igreja que o absolve é sempre festa, alegria renovada, liberdade interior reencontrada. Se muitas pessoas podem ouvir desabafos ou histórias intrincadas de verdadeiros dramas, é no Sacramento da Penitência que se podem receber as palavras consoladoras: “Eu te absolvo dos teus pecados, em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo”.

O confessor que acolhe o penitente é também pecador. Carece do reconhecimento das próprias faltas e do perdão sacramental. Quando, há poucos dias, explorava-se o tema da infalibilidade papal em matéria de fé, foi necessário esclarecer que o sucessor de Pedro que aguardamos eleito proximamente, assim como os que o precederam, é homem como todos os outros, frágil, pecador, amado intensamente pelo Pai do Céu, escolhido através de meios muito simples, como o voto do Colégio Cardinalício, mas gente, carente das orações que o povo de Deus já assegura e o acompanharão durante o Pontificado, pedindo que “o Senhor o guarde e o fortaleça, lhe dê a felicidade nesta terra e não o abandone à perversidade dos seus inimigos” (Oração pelo Papa, usada antes da Bênção Eucarística). Ele será sustentado, como Moisés em oração no alto do Monte, com braços que se estendem, do mundo inteiro, fortes na prece e absolutamente confiantes na graça de Deus, para que, infalível para garantir a prática da fé verdadeira, seja “pedra” como Pedro!

Todos nós, pecadores amados e salvos pela misericórdia de Deus, parecidos com o apóstolo Pedro, escolhido por Jesus, estamos à vontade para acolher a Palavra proclamada pela Igreja no quarto Domingo da Quaresma, domingo da Alegria. Trata-se da Parábola do Pai Misericordioso ou do Filho Pródigo, verdadeiro Evangelho dentro do Evangelho (Lc 15,1-3.11-32). Podemos participar das várias cenas. Quem nunca sonhou com aventuras, desejo de correr pelo mundo e se esbaldar em prazeres? Entre de cheio na Parábola! Um pai frágil em suas exigências, coração mole, julgado por muitos como exagerado em sua condescendência, nós já encontramos ou o fomos! E os donos da verdade, cujos rastros repousam dentro de nosso pretenso bom comportamento? Cara de filho mais velho, bem comportado, juiz dos outros! A parábola é tão realista quanto profunda e envolvente. Ninguém escapa!

Na certeza de que ela pode iluminar o caminho da casa do Deus para muitas pessoas, aqui está o que o que Ele oferece a quem jogou fora o que possuía de melhor, sua própria dignidade, arrependeu-se e quer voltar: esta pessoa, tenha o meu nome ou o seu nome, é destinada à liberdade, não pode ficar descalça como um escravo. Sua roupa, aquela mesma, novinha no Batismo, está guardada no baú da Igreja, pronta para ser de novo endossada. A aliança de amor, proposta por Deus, caiba como um anel no dedo de todos os que se voltarem para ele. E a festa será a da Eucaristia, banquete em que o próprio Filho amado do Pai se faz alimento. A mesa já está preparada!

Para chegar lá, nesta Quaresma todos tenham a graça de ouvir de algum sacerdote (Cf. Ritual da Penitência): “Feliz quem foi perdoado de sua culpa e cujo pecado foi sepultado. Meu irmão, minha irmã, alegra-te no Senhor e vai em paz”.

Dom Alberto Taveira Corrêa
Arcebispo de Belém – PA

Diabo usa os hipócritas, Jesus ensina o amor verdadeiro

Quinta-feira, 20 de setembro de 2018, Da Redação, com Vatican News
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Na homilia de hoje, Papa alertou que a força do diabo é a hipocrisia

Papa Francisco durante celebração eucarística na Casa Santa Marta / Foto: Vatican Media

Peçamos a Jesus para proteger sempre “com a sua misericórdia e o seu perdão” a nossa Igreja, que como mãe é santa, mas cheia de filhos pecadores como nós. Esta foi a oração feita pelo Papa Francisco na missa desta quinta-feira, 20, na Casa Santa Marta, refletindo sobre a Primeira Leitura, extraída da Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios, e sobre o Evangelho de Lucas, centrado nas palavras de Jesus: “Os seus pecados estão perdoados porque mostrou muito amor”.

O Pontífice enquadra imediatamente três grupos de pessoas nas leituras de hoje: Jesus e seus discípulos; Paulo e a mulher, daquelas cujo destino era o de ser “ser visitada em segredo” até mesmos pelos “fariseus” ou “ser apedrejada”; e os doutores da Lei.

O Papa evidencia como a mulher se mostra com muito amor a Jesus, não escondendo ser pecadora. O mesmo acontece com Paulo, que afirma: “Com efeito, transmiti-vos, em primeiro lugar, aquilo que eu mesmo tinha recebido, a saber: que Cristo morreu por nossos pecados”.

Os dois procuravam Deus com amor, mas um amor pela metade, explicou o Papa. Paulo pensava que o amor fosse uma lei e tinha o coração fechado para a revelação de Jesus Cristo: perseguia os cristãos, mas pelo zelo da lei, por isso era um amor imaturo.

A mulher buscava o amor, o “pequeno amor”. Os fariseus comentavam, mas Jesus explicou que os pecados cometidos por ela foram perdoados porque ela mostrou muito amor. Jesus olha o pequeno gesto de amor, o pequeno gesto de boa vontade, pega esse gesto e o leva adiante. Esta é a misericórdia de Jesus: sempre perdoa e sempre recebe.

O “escândalo” dos hipócritas

No que diz respeito aos “doutores da lei”, Francisco nota que têm uma atitude que somente os hipócritas usam com frequência: se escandalizam. E dizem: “Mas olha, que escândalo! Não se pode viver assim! Perdemos os valores…” O escândalo dos hipócritas, a hipocrisia dos “justos”, dos “puros”, daqueles que se creem salvos pelos próprios méritos externos.

Jesus afirma que essas pessoas exteriormente mostram “tudo belo” – fala de “sepulcros polidos” – mas dentro têm “podridão”. E a Igreja, quando caminha na história, é perseguida pelos hipócritas: hipócritas por dentro e por fora.

Ele explicou que o diabo não tem relação com os pecadores arrependidos, porque olham para Deus e dizem: “Senhor, sou pecador, ajuda-me”. E o diabo é impotente, mas é forte com os hipócritas. É forte, e os usa para destruir, destruir as pessoas, destruir a sociedade, destruir a Igreja. A força do diabo é a hipocrisia, porque ele é mentiroso: se mostra como príncipe poderoso, belíssimo, e por trás é um assassino.

Francisco concluiu a homilia retomando os três grupos de pessoas: Jesus, que é misericordioso; Paulo e a mulher, ambos pecadores, mas com um amor; e os hipócritas, que são incapazes de encontrar o amor porque têm o coração fechado.

Papa alerta sobre três perigos nas famílias

Exortação Amoris Laetitia: a alegria do amor na família
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Amoris Laetitia (A alegria do amor) é o título da Exortação Apostólica Pós-sinodal do Papa Francisco. O documento, que tem nove capítulos, reúne os resultados dos dois Sínodos sobre a Família realizados em 2014 e 2015.

Neste artigo, destacamos três alertas que nos são apresentados, na Amoris Laetitia, sobre os perigos nas famílias.

Foto ilustrativa: Paula Dizaró / cancaonova.com

Individualismo

O individualismo exagerado desvirtua os laços familiares e acaba por considerar cada membro da família como uma ilha, fazendo prevalecer, em certos casos, a ideia de um sujeito que se constrói segundo os seus próprios desejos assumidos com caráter absoluto.

As tensões causadas por uma cultura individualista exagerada da posse e fruição geram, no seio das famílias, dinâmicas de impaciência e agressividade.

Independência

A liberdade de escolher permite projetar a própria vida e cultivar o melhor de si mesmo, mas, se não se tiver objetivos nobres e disciplina pessoal, degenera numa incapacidade de se dar generosamente.

Se estes riscos se transpõem para o modo de compreender a família, esta pode transformar-se num lugar de passagem, onde uma pessoa vai quando parecer conveniente para si mesma ou para reclamar direitos, enquanto os vínculos são deixados à precariedade volúvel dos desejos e das circunstâncias.

Amor provisório

Refiro-me à rapidez com que as pessoas passam duma relação afetiva para outra. Creem que o amor, como acontece nas redes sociais, possa-se conectar ou desconectar ao gosto do consumidor, inclusive bloquear rapidamente.

Penso também no medo que desperta a perspectiva de um compromisso permanente, na obsessão pelo tempo livre, nas relações que medem custos e benefícios e mantêm-se apenas se forem um meio para remediar a solidão, ter proteção ou receber algum serviço.

Faz impressão ver que as rupturas ocorrem, frequentemente, entre adultos já de meia-idade, que buscam uma espécie de «autonomia», e rejeitam o ideal de envelhecer juntos cuidando-se e apoiando-se.

Correndo o risco de simplificar, poderemos dizer que vivemos numa cultura que impele os jovens a não formarem uma família, porque nos privam de possibilidades para o futuro.

Papa Francisco

Via Sacra: Fatos nos quais se encontra a Cruz de Cristo

Ao final da meditação da Via Sacra, Francisco fez uma oração sobre a Cruz de Cristo, composta por ele mesmo
Sexta-feira, 25 de março de 2016, Kelen Galvan / Da redação

O Papa Francisco presidiu na noite desta Sexta-feira Santa, 25, a Via Sacra no Coliseu de Roma.
As meditações deste ano sobre o tema “Deus é misericórdia”, foram preparadas pelo Arcebispo de Perugia, Cardeal Gualtiero Bassetti.
Os textos recordaram os cristãos perseguidos, o holocausto dos judeus na II Guerra Mundial e o drama dos imigrantes. Mas também refletiu sobre o sofrimento das famílias em crise, dos casamentos falidos e dos desempregados.
Ao final da Via Sacra o Santo Padre fez uma oração, composta por ele mesmo, refletindo sobre a Cruz de Cristo, que ainda hoje é encontrada em inúmeras realidades.
Leia, abaixo, oração completa:

Ó Cruz de Cristo!
Ó Cruz de Cristo, símbolo do amor divino e da injustiça humana, ícone do sacrifício supremo por amor e do egoísmo extremo por insensatez, instrumento de morte e caminho de ressurreição, sinal da obediência e emblema da traição, patíbulo da perseguição e estandarte da vitória.
Ó Cruz de Cristo, ainda hoje te vemos erguida nas nossas irmãs e nos nossos irmãos assassinados, queimados vivos, degolados e decapitados com as espadas barbáricas e com o silêncio velhaco.
Ó Cruz de Cristo, ainda hoje te vemos nos rostos exaustos e assustados das crianças, das mulheres e das pessoas que fogem das guerras e das violências e, muitas vezes, não encontram senão a morte e muitos Pilatos com as mãos lavadas.
Ó Cruz de Cristo, ainda hoje te vemos nos doutores da letra e não do espírito, da morte e não da vida, que, em vez de ensinar a misericórdia e a vida, ameaçam com a punição e a morte e condenam o justo.
Ó Cruz de Cristo, ainda hoje te vemos nos ministros infiéis que, em vez de se despojarem das suas vãs ambições, despojam mesmo os inocentes da sua dignidade.
Ó Cruz de Cristo, vemos-te ainda hoje nos corações empedernidos daqueles que julgam comodamente os outros, corações prontos a condená-los até mesmo à lapidação, sem nunca se darem conta dos seus pecados e culpas.
Ó Cruz de Cristo, vemos-te ainda hoje nos fundamentalismos e no terrorismo dos seguidores de alguma religião que profanam o nome de Deus e o utilizam para justificar as suas inauditas violências.
Ó Cruz de Cristo, vemos-te ainda hoje naqueles que querem tirar-te dos lugares públicos e excluir-te da vida pública, em nome de certo paganismo laicista ou mesmo em nome da igualdade que tu própria nos ensinaste.
Ó Cruz de Cristo, vemos-te ainda hoje nos poderosos e nos vendedores de armas que alimentam a fornalha das guerras com o sangue inocente dos irmãos.
Ó Cruz de Cristo, vemos-te ainda hoje nos traidores que, por trinta dinheiros, entregam à morte qualquer um.
Ó Cruz de Cristo, vemos-te ainda hoje nos ladrões e corruptos que, em vez de salvaguardar o bem comum e a ética, vendem-se no miserável mercado da imoralidade.
Ó Cruz de Cristo, vemos-te ainda hoje nos insensatos que constroem depósitos para armazenar tesouros que perecem, deixando Lázaro morrer de fome às suas portas.
Ó Cruz de Cristo, vemos-te ainda hoje nos destruidores da nossa «casa comum» que, egoisticamente, arruínam o futuro das próximas gerações.
Ó Cruz de Cristo, vemos-te ainda hoje nos idosos abandonados pelos seus familiares, nas pessoas com deficiência e nas crianças desnutridas e descartadas pela nossa sociedade egoísta e hipócrita.
Ó Cruz de Cristo, vemos-te ainda hoje no nosso Mediterrâneo e no Mar Egeu feitos um cemitério insaciável, imagem da nossa consciência insensível e narcotizada.
Ó Cruz de Cristo, imagem do amor sem fim e caminho da Ressurreição, vemos-te ainda hoje nas pessoas boas e justas que fazem o bem sem procurar aplausos nem a admiração dos outros.
Ó Cruz de Cristo, vemos-te ainda hoje nos ministros fiéis e humildes que iluminam a escuridão da nossa vida como velas que se consumam gratuitamente para iluminar a vida dos últimos.
Ó Cruz de Cristo, vemos-te ainda hoje nos rostos das religiosas e dos consagrados – os bons samaritanos – que abandonam tudo para enfaixar, no silêncio evangélico, as feridas das pobrezas e da injustiça.
Ó Cruz de Cristo, vemos-te ainda hoje nos misericordiosos que encontram na misericórdia a expressão mais alta da justiça e da fé.
Ó Cruz de Cristo, vemos-te ainda hoje nas pessoas simples que vivem jubilosamente a sua fé no dia-a-dia e na filial observância dos mandamentos.
Ó Cruz de Cristo, vemos-te ainda hoje nos arrependidos que, a partir das profundezas da miséria dos seus pecados, sabem gritar: Senhor, lembra-Te de mim no teu reino!
Ó Cruz de Cristo, vemos-te ainda hoje nos Beatos e nos Santos que sabem atravessar a noite escura da fé sem perder a confiança em ti e sem a pretensão de compreender o teu silêncio misterioso.
Ó Cruz de Cristo, vemos-te ainda hoje nas famílias que vivem com fidelidade e fecundidade a sua vocação matrimonial.
Ó Cruz de Cristo, vemos-te ainda hoje nos voluntários que generosamente socorrem os necessitados e os feridos.
Ó Cruz de Cristo, vemos-te ainda hoje nos perseguidos pela sua fé que, no sofrimento, continuam a dar testemunho autêntico de Jesus e do Evangelho.
Ó Cruz de Cristo, vemos-te ainda hoje nos que sonham com um coração de criança e que trabalham cada dia para tornar o mundo um lugar melhor, mais humana e mais justo.
Em ti, Santa Cruz, vemos Deus que ama até ao fim, e vemos o ódio que domina e cega os corações e as mentes daqueles que preferem as trevas à luz.
Ó Cruz de Cristo, Arca de Noé que salvou a humanidade do dilúvio do pecado, salva-nos do mal e do maligno! Ó Trono de David e selo da Aliança divina e eterna, desperta-nos das seduções da vaidade! Ó grito de amor, suscita em nós o desejo de Deus, do bem e da luz.
Ó Cruz de Cristo, ensina-nos que o amanhecer do sol é mais forte do que a escuridão da noite. Ó Cruz de Cristo, ensina-nos que a aparente vitória do mal se dissipa diante do túmulo vazio e perante a certeza da Ressurreição e do amor de Deus que nada pode derrotar, obscurecer ou enfraquecer. Amém!

Papa envia mensagem para início da Campanha da Fraternidade no Brasil

Políticas Públicas

Quarta-feira, 6 de março de 2019, Da Redação, com Boletim da Santa Sé
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Campanha começa nesta Quarta-Feira de Cinzas e traz como tema, neste ano, “Fraternidade e Políticas Públicas”

Cartaz da Campanha da Fraternidade 2019, cujo objetivo é estimular a participação dos cristãos e leigos na formulação de políticas públicas / Foto: CNBB

Inspirados pelo tema da Campanha da Fraternidade, os cristãos devem buscar uma participação mais ativa na sociedade como forma concreta de amor ao próximo. Estas são palavras do Papa Francisco na mensagem enviada ao Brasil por ocasião do início da Campanha da Fraternidade.

Já tradição da Igreja no Brasil no período da Quaresma, a Campanha da Fraternidade 2019 começa nesta Quarta-Feira de Cinzas, 6, com o tema “Fraternidade e Políticas Públicas”. Francisco destaca que, embora o que se entende por políticas públicas seja primordialmente responsabilidade do Estado, todas as pessoas e instituições devem se sentir protagonistas de ações em favor do bem comum.

“Refletindo e rezando as políticas públicas com a graça do Espírito Santo, faço votos, queridos irmãos e irmãs, que o caminho quaresmal deste ano, à luz das propostas da Campanha da Fraternidade, ajude todos os cristãos a terem os olhos e o coração abertos para que possam ver nos irmãos mais necessitados a “carne de Cristo” que espera ‘ser reconhecido, tocado e assistido cuidadosamente por nós’”, escreve o Pontífice.

Confira, abaixo, a íntegra da mensagem do Papa Francisco:

Queridos irmãos e irmãs do Brasil!

Com o início da Quaresma, somos convidados a preparar-nos, através das práticas penitenciais do jejum, da esmola e da oração, para a celebração da vitória do Senhor Jesus sobre o pecado e a morte. Para inspirar, iluminar e integrar tais práticas como componentes de um caminho pessoal e comunitário em direção à Páscoa de Cristo, a Campanha da Fraternidade propõe aos cristãos brasileiros o horizonte das “políticas públicas”.

Muito embora aquilo que se entende por política pública seja primordialmente uma responsabilidade do Estado cuja finalidade é garantir o bem comum dos cidadãos, todas as pessoas e instituições devem se sentir protagonistas das iniciativas e ações que promovam «o conjunto das condições de vida social que permitem aos indivíduos, famílias e associações alcançar mais plena e facilmente a própria perfeição» (Gaudium et spes, 74).

Cientes disso, os cristãos – inspirados pelo lema desta Campanha da Fraternidade «Serás libertado pelo direito e pela justiça» (Is 1,27) e seguindo o exemplo do divino Mestre que “não veio para ser servido, mas para servir” (Mt 20,28) – devem buscar uma participação mais ativa na sociedade como forma concreta de amor ao próximo, que permita a construção de uma cultura fraterna baseada no direito e na justiça. De fato, como lembra o Documento de Aparecida, «são os leigos de nosso continente, conscientes de sua chamada à santidade em virtude de sua vocação batismal, os que têm de atuar à maneira de um fermento na massa para construir uma cidade temporal que esteja de acordo com o projeto de Deus» (n. 505).

De modo especial, àqueles que se dedicam formalmente à política – à que os Pontífices, a partir de Pio XII, se referiram como uma «nobre forma de caridade» (cf. Papa Francisco, Mensagem ao Congresso organizado pela CAL-CELAM, 1/XII/2017) – requer-se que vivam «com paixão o seu serviço aos povos, vibrando com as fibras íntimas do seu etos e da sua cultura, solidários com os seus sofrimentos e esperanças; políticos que anteponham o bem comum aos seus interesses privados, que não se deixando intimidar pelos grandes poderes financeiros e mediáticos, sendo competentes e pacientes face a problemas complexos, sendo abertos a ouvir e a aprender no diálogo democrático, conjugando a busca da justiça com a misericórdia e a reconciliação» (ibid.).

Refletindo e rezando as políticas públicas com a graça do Espírito Santo, faço votos, queridos irmãos e irmãs, que o caminho quaresmal deste ano, à luz das propostas da Campanha da Fraternidade, ajude todos os cristãos a terem os olhos e o coração abertos para que possam ver nos irmãos mais necessitados a “carne de Cristo” que espera «ser reconhecido, tocado e assistido cuidadosamente por nós» (Bula Misericordiae vultus, 15). Assim a força renovadora e transformadora da Ressurreição poderá alcançar a todos fazendo do Brasil uma nação mais fraterna e justa. E para lhes confirmar nesses propósitos, confiados na intercessão de Nossa Senhora Aparecida, de coração envio a todos e cada um a Bênção Apostólica, pedindo que nunca deixem de rezar por mim.

Vaticano, 11 de fevereiro de 2019.

FRANCISCUS PP.

O amor hipócrita

Alegria de amar

Quarta-feira, 15 de março de 2017, Da Redação, com Rádio Vaticano
 
É preciso amar como Deus ama, sem hipocrisia, refletiu o Papa em mais esta catequese do ciclo sobre a esperança cristã

O Papa Francisco retomou nesta quarta-feira, 15, o ciclo de catequeses sobre a esperança cristã, após a pausa da semana passada para o retiro quaresmal. A cerca de 12 mil fiéis reunidos na Praça São Pedro, o Santo Padre falou sobre a alegria de amar, pedindo que os fiéis amem como Deus: sem hipocrisia.

A reflexão foi inspirada num trecho da Carta aos Romanos que fala sobre a alegria de amar, o grande mandamento deixado por Jesus: amar a Deus e ao próximo como a si mesmo. “Somos chamados ao amor, à caridade. Esta é a nossa vocação mais sublime, a nossa vocação por excelência”.

Porém, o Papa advertiu para o risco do amor hipócrita, que é quando o homem se move por interesses pessoais, faz caridade para ganhar visibilidade, por amor interesseiro ou “amor de novela”.

O convite do apóstolo Paulo, explicou Francisco, é reconhecer-se pecador e reconhecer que também o modo de amar do homem é marcado pelo pecado. O que se deve fazer pelos irmãos é uma resposta ao que Deus faz por todos: abrir uma via de libertação, de salvação, viver o mandamento do amor servindo principalmente os mais necessitados.

“De fato, todos nós fazemos a experiência de não viver plenamente ou como deveríamos o mandamento do amor. Mas também esta é uma graça, porque nos faz compreender que também para amar precisamos que o Senhor renove continuamente este dom no nosso coração, através da experiência de sua infinita misericórdia”.

Somente deste modo, acrescentou o Santo Padre, será possível voltar a apreciar as pequenas coisas, de todos os dias e amar os outros como Deus os ama, isto é, procurando apenas o seu bem. “Aqui está o segredo para ‘sermos alegres na esperança’: porque temos a certeza de que, em todas as circunstâncias, inclusive nas mais adversas, e apesar das nossas faltas, o amor de Deus por nós não esmorece. E assim, certos de sua fidelidade inabalável, vivemos na alegre esperança de retribuir nos irmãos, com o pouco que nos é possível, o muito que recebemos Dele todos os dias.”

Sagrada Face de Jesus – terça-feira de carnaval

SAGRADA FACE DE JESUS
Olhar de Jesus
Este Olhar não incomoda nem assusta
É um chamado ao Amor, a cada criatura
Só o Meu olhar te ensinará a amar
E isto, ninguém no mundo poderá te dar
Olha-me com alegria e amor, proteger-te-ei de cada dor
Não adormece sem antes bem fixar o teu olhar no Meu
Falar-te-ão, Meus olhos, de um Amor perfeito e profundo
Fixa bem teu olhar no Meu e afasta-te do mundo…
Quero sussurrar ao teu coração tantas belas coisas em um único segundo
Fixando, profundamente, teu olhar no Meu
Encontrarás Amor, Perdão e Paz
Ao sair de casa, leva o Meu Olhar Bendito
Proteger-te-ei até que retornes ao lar
Não esqueças, em teu labor cotidiano, sê feliz e orgulhoso deste Olhar
Assim que tiveres guardado Meu Olhar em teu coração
Darás a teus irmãos, Amor, Perdão e Paz
Meu filho predileto, então, serás e teu coração encontrará a perfeição.

Ramalhete espiritual
“A Vossa Face Senhor, procuro e A procuro sem parar! Não quero outra coisa, Senhor, senão a Vossa Face, para que Vos possa amar como desejo, porque não encontro o que seja mais precioso” (Santo Agostinho; Enarret. IN PS 26.)
“Vossa Face é minha Pátria, meu reino de amor” (Santa Teresinha).
“Senhor, mostrai-nos a Vossa Face e seremos salvos!” – PS. 8 (Indulgenciada pelo Papa Pio IX em 11/12/1876).
“Senhor, permanecei conosco!” (Indulgenciada por S. Emcia. o Cardeal D. Jaime de Barros Câmara, em 26/11/1959).
“Pai eterno, eu Vos ofereço a adorável Face do Vosso Filho muito amado pela honra e glória do Vosso Nome e pela salvação da alma de … (aqui diga o nome). Amém”.
“Mãe Santíssima, medianeira de todas as graças, oferece por nós ao Pai Eterno a Sagrada Face de teu Filho, alcançando-nos paz, liberdade da fé e o triunfo da verdade” (Indulgenciada por S. Emcia. o Cardeal D. Agnelo Rossi, em 18/11/1966).

DEVOÇÃO À SAGRADA FACE
Dia de devoção da Sagrada Face: toda terça-feira
Festa da Sagrada Face: terça-feira de Carnaval

“Toda vez que alguém contemplar a Minha Face, derramarei o Meu amor nos corações. E por meio da Minha Face obter-se-á a salvação de muitas almas (Nosso Senhor a Beata Irmã Maria Pierina, 1945, em Milão).
Muitas vezes durante o dia, troque um olhar com Ele!
Todas as noites, reze 3 vezes o Pai Nosso, a Ave Maria e o Glória, contemplando Sua Divina Face.
Sobre a propagação da Devoção à Sagrada Face, o Cardeal Gennari, em nome do Papa São Pio X às Carmelitas de Lisieux, disse: O Santo Padre deseja que esta imagem seja distribuída profusamente por todas as partes e que seja venerada em todas as famílias cristãs. Recomenda Sua Santidade a propagação de seu culto, particularmente aos Excelentíssimos Senhores Bispos, como a todos os Eclesiásticos, e abençoa especialmente todos aqueles que se tornam seus propagadores.
Neste sentido pronunciou-se também Pio XI dizendo: Em toda casa e em toda Igreja haja um quadro da Santa Face.

PROMESSAS AOS DEVOTOS DA SAGRADA FACE feitas a Santa Matilde e Santa Gertrudes sobre esta devoção:
“Eu garantirei aos devotos, contrição tão perfeita que seus pecados serão transformados diante de Mim em jóias de precioso ouro. Nenhum deles será afastado de Mim. Na oferenda de Minha Face ao Pai, eles terão acalmado Sua cólera e eles vão adquirir como com moeda celestial, o perdão por seus pecados. Eu abrirei Minha boca para pedir ao Pai para garantir todas as preces que eles Me apresentarem. Vou iluminá-los com Minha luz, e vou consumi-los com Meu amor. Eu lhes darei frutos de boas obras. Eles vão, como a piedosa Verônica, enxugar a Minha adorável Face ultrajada pelo pecado, e Eu vou imprimir Minha Divina Fisionomia em suas almas. Em suas mortes, vou renovar neles a imagem de Deus, apagada pelo pecado. Semelhante à Minha Face, eles brilharão mais do que muitos outros na vida eterna e o brilho da Minha Face vai enchê-los de prazer”.

LADAINHA DA SAGRADA FACE
Senhor, tende piedade de nós.
Cristo, tende piedade de nós.
Senhor, tende piedade de nós.
Jesus Cristo, ouvi-nos.
Jesus Cristo, atendei-nos.
Deus Pai do Céu, tende piedade de nós.
Deus Filho, Redentor do Mundo, tende piedade de nós.
Deus Espírito Santo, tende piedade de nós.
Santíssima Trindade, que sois um só Deus, tende piedade de nós.
Sagrada Face do Filho de Deus vivo, tende piedade de nós.
Sagrada Face, espelho da majestade divina, tende piedade de nós.
Sagrada Face do nosso Salvador, tende piedade de nós.
Sagrada Face, inundada de suor e sangue, tende piedade de nós.
Sagrada Face, humilhada pelo beijo do traidor, tende piedade de nós.
Sagrada Face, barbaramente contundida por bofetões, tende piedade de nós.
Sagrada Face, acumulada de ignomínias e insultos, tende piedade de nós.
Sagrada Face, coberta dum véu e cinicamente ludibriada, tende piedade de nós.
Sagrada Face, atormentada por febre e sede, tende piedade de nós.
Sagrada Face, no julgamento, perante a multidão amotinada, tende piedade de nós.
Sagrada Face, banhada de lágrimas de dor, tende piedade de nós.
Sagrada Face, impressa na toalha de Verônica, tende piedade de nós.
Sagrada Face, coberta de blasfêmias horrendas, tende piedade de nós.
Sagrada Face, ao morrer na Cruz, inclinada para nós, tende piedade de nós.
Sagrada Face, desfigurada por feridas e golpes, tende piedade de nós.
Sagrada Face, revelada milagrosamente no Santo Sudário, tende piedade de nós.
Sagrada Face, glorificada pela ressurreição, tende piedade de nós.
Sagrada Face, alegria de todos os anjos e santos, tende piedade de nós.
Sagrada Face, por cuja veneração alcançamos auxílio nas angústias, tende piedade de nós.
Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, mostrai-nos a Vossa Sagrada Face, volvei a nós Vossa Sagrada Face, a fim de sermos salvos. Amém.
Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, mostrai-nos a Vossa Sagrada Face, volvei a nós Vossa Sagrada Face, a fim de sermos salvos. Amém.

Oração de Amor e Adoração
“Chagas benditas do meu amado Jesus, eu vos amo.
Chagas benditas do meu amado Jesus, eu vos adoro.
Chagas benditas do meu amado Jesus, eu vos rendo graças.
Chagas benditas do meu amado Jesus, eu vos adoro.
Por todas as chagas que sofrestes por amor, eu vos adoro, Jesus” (de Nossa Senhora a uma piedosa confidente).

EXPLICAÇÃO SOBRE A DEVOÇÃO À SAGRADA FACE pelo Bispo Auxiliar Dom Sebastião Roque Rabelo Mendes, Diretor Arquidiocesano do Apostolado da Sagrada Face da Arquidiocese de Belo Horizonte, MG.
* A origem da devoção à Sagrada Face de Jesus. Não podemos dizer que o Apostolado da Sagrada Face está ligado à Verônica, nem talvez ao Santo Sudário. Entretanto tem um pouco de influência.
A Sagrada Face é uma expressão muito Bíblica. Está muito ligada à Paixão de Jesus. Nos Salmos, sempre falamos que queremos ver a Face de Deus. Mas com a vinda de Jesus à terra, sobretudo no Monte Tabor, Jesus se transfigurou: seu rosto ficou cheio de luz, um rosto que reflete a divindade, e ao mesmo tempo a humanidade.
Podemos imaginar o rosto de Jesus, alegre, confiante. Mas a devoção à Sagrada Face, é a Face ensangüentada do Cristo, é a Face do Horto das Oliveiras, que todos os quatro Evangelistas falam, é a Paixão de Jesus, da sua dor que Ele teve lá na sua agonia. Depois de coroado de espinhos, crucificado e morto, é colocado no sepulcro.
O Santo Sudário é um pouco ligado à devoção, mas, fundamentalmente, se não houvesse nada do Santo Sudário, nem de Verônica, nós teríamos este culto à Sagrada Face. O Santo Sudário ajuda um pouco. Verônica que nem está na Bíblia também ajuda. Mas, independente do Santo Sudário e da Verônica, é um culto muito profundo, muito humano, muito divino sobre a Sagrada Face.
No dia 10 de Janeiro de 1959, a Congregação dos Ritos em Roma com a aprovação do grande Papa João XXIII, concedeu aos Bispos e Sacerdotes do Brasil a aprovação para a festa da Sagrada Face, a ser comemorada na 3ª Feira de Carnaval, aprovando o texto da Missa. Podemos dizer que esta devoção já está espalhada pelo mundo inteiro. Ela é muito antiga, cheia de contemplação, de oração e intercessão.
Todos os dias às 15h, os membros do apostolado se reúnem ou em casa, com as famílias, ou na Igreja para lembrar a hora em que Jesus morreu e de um modo especial nas terças-feiras.
A espiritualidade do Apostolado da Sagrada Face é viver os ensinamentos de Jesus, meditar o Evangelho e tirar dali, o modo de viver que Jesus nos ensinou; É também contemplar a Face de Jesus na Cruz, no Calvário, no Horto das Oliveiras, e contemplar a Face do Cristo no rosto dos nossos irmãos, principalmente dos mais sofridos, marginalizados, dos abandonados, das crianças, sobretudo os doentes, daqueles que não tem voz nem vez.
É viver o Evangelho de Mateus, cap.25, 35-36 colocando-o em prática.
Que todos nós tenhamos esta devoção à Sagrada Face unida à Eucaristia, pois é na Hóstia Consagrada que contemplamos fielmente o Cristo.
A segunda carta de São Paulo aos Coríntios, cap, 4 vers.3 ,4,6 fala: “Se nosso Evangelho ainda está encoberto é para os que se perdem que ele permanece velado, para os infiéis, nos quais o deus deste século obscureceu os espíritos, a fim de que não vejam brilhar a luz do evangelho da glória de Cristo o qual é a imagem de Deus”.
O deus deste século é claro que é o inimigo de Deus. Ele faz com que os espíritos fiquem embotados a fim de que não vejam brilhar a luz do evangelho. Porque Deus que disse: “Do meio das trevas brilhe a luz!” Ele mesmo reluziu em nossos corações para fazer brilhar o conhecimento da glória de Deus, que resplandece na face de Cristo. Dissemos “não” aos procedimentos secretos e vergonhosos, não agimos com astúcia, nem falsificamos a palavra de Deus. Ao contrário, manifestando a verdade, nos recomendamos diante de Deus à consciência de cada homem.

REVELAÇÕES
Segundo as últimas revelações à Beata Irmã Maria Pierina Micheli, na primeira terça-feira (da paixão de 1937) depois de ter sido instruída na devoção da Sagrada Face, conforme ela escreveu, Jesus lhe disse: “Pode ser que algumas almas receiem, que a devoção e o culto da Minha Face venha a diminuir a do Meu Coração. Diga-lhes, que ao contrário, será completada e aumentada. Contemplando a Minha Face, as almas participarão das Minhas dores e sentirão a necessidade de amar e reparar. Pois não é talvez esta a verdadeira devoção a Meu Coração?”
O Papa Pio XII na sua Encíclica HAURETIS AQUAS: “É na Face que se revela o Coração”.
“Vossa Face é minha pátria, meu reino de amor” (Santa Terezinha do Menino Jesus).
“Espírito de Santidade, sopro divino que agita o universo, vinde e renovai a face da terra. Suscitai, nos cristãos, o desejo da unidade plena, para serem, no mundo, sinal e instrumento eficaz da união íntima com Deus e da unidade de todo o gênero humano” (Oração do Papa João Paulo II o missionário da paz, testemunho de Deus vivo, no 2º ano de preparação para o grande jubileu 2000, ano dedicado ao Espírito Santo).
“Que não seja derramado uma só lágrima na face de um irmão, sem que não se encontre um apóstolo da Sagrada Face para enxugá-la” (Apelo do Cardeal Dom Serafim Fernandes de Araújo, Arcebispo de Belo Horizonte aos Apóstolos da Sagrada Face em 01-10-1998).
“Senhor, fazei brilhar sobre o Mundo a Luz da Vossa Face e seremos salvos”. Glória ao Pai.

SANTA TERESINHA E A SAGRADA FACE
Na terça-feira de carnaval, muitas igrejas celebram a festa da Sagrada Face de Jesus. Devoção calcada nas Sagradas Escrituras, inspirada especialmente nos salmos e nos cânticos do “Servo Sofredor”,  encontrou,  no decorrer da história, vários homens e mulheres, místicos conhecidos ou menos conhecidos, que se encarregaram de propagá-la.
A “Sagrada Face” ou “Santa Face” (para ser mais fiel ao termo francês), foi objeto de especial afeição por parte de santa Teresinha.
Vejamos porque a Sagrada Face participa ativamente do “corpus” da espiritualidade de nossa padroeira. Entender o amor de Teresa à Sagrada Face poderá nos ajudar a enriquecer nossa compreensão da caminhada teresiana, a passos largos, rumo  à  santidade.
As famílias Martin e Guérin (tios de Santa Teresinha) nutriam uma grande devoção à Santa Face de Jesus, incentivados pelo “santo homem de Tours”, o Sr. Dupont e pela espiritualidade de Irmã Maria de São Pedro e da Santa Face, carmelita na mesma cidade de Tours, na França (1816-1848).
O Sr. Isodore Guérin, tio de nossa santa, ao ler a vida do famoso homem de Tours, tornou-se devoto da Santa Face e, por seu intermédio, foi instalado um quadro da Sagrada Face em uma das capelas laterais da catedral de São Pedro, em Lisieux. Teresinha amava muito este quadro. No coro do Carmelo havia também um quadro da Sagrada Face e nossa padroeira fará dela uma reprodução que será colocada no cortinado do seu leito de enfermo para, assim, contemplar com amor a Face querida do seu Bem-Amado (CA 5.8.9).
Aos 12 anos, Teresa se inscreve na Confraria reparadora de Tours (26.04.1885). A partir de 19.01.1889, data de sua tomada  do hábito, Irmã Teresa do Menino Jesus completará seu nome religioso, passando a assinar “da Santa Face”. Deu tanta importância este acréscimo, que ora escreve “Ir. Teresa do Menino Jesus e da Sagrada face”, ora escreve “Ir. Teresa do Menino Jesus da Santa Face”.
No segundo modo de assinar, ela retira a preposição, talvez para ressaltar sua íntima ligação com a Sagrada Face. Provavelmente queira também mostrar o profundo nexo que une o mistério da Encarnação (Belém) ao da Paixão e Morte (Calvário), único e arrebatador mistério da bondade misericordiosa do Senhor.
Aos diversos sofrimentos próprios à vida religiosa, vividos por Teresa desde os 15 anos, deve-se acrescentar os advindos pela enfermidade mental de seu pai. Em 12.02.1889, o Sr. Martin precisa ser hospitalizado. Nesta situação de dor, Teresa escreve à sua irmã Celina: “Jesus arde em amor por nós… Olhe sua face adorável!… Olhe estes olhos fechados e abaixados!… Olhe essas chagas… Olhe Jesus na sua Face. Lá você verá como ele nos ama” (Carta 87).
Encontraremos diversos comentários sobre a Santa Face em outras cartas: “Sim, a face de Jesus é luminosa, mas se em meio às feridas e às lágrimas ela já é tão bela, como não o será quando a virmos no céu?… Oh, o céu, o céu! (Carta 95).
“Seu rosto estava escondido!… Ele o está ainda hoje, pois quem é que compreende as lágrimas de Jesus?” (Carta 105).
“Jesus me pegou pela mão, fez-me entrar em um subterrâneo onde não faz frio nem calor, onde o sol não brilha, e que não é visitado nem pela chuva nem pelo vento; um subterrâneo onde não vejo nada senão uma luz meio apagada, o brilho que espalham ao seu redor os olhos da Face de meu Noivo!…” (Carta 110).
“Após ter sorrido para Jesus no meio das lágrimas, você gozará dos raios de sua Face divina… ” (Carta 149).
Em 1895, evocando seus anos de sofrimento, assim resumirá suas intuições: “A Florzinha transplantada para a montanha do Carmelo devia desabrochar à sombra da cruz; as lágrimas, o sangue de Jesus tornaram-se seu orvalho e seu Sol foi sua face adorável coberta de lágrimas… Até então não sentira a profundidade dos tesouros escondidos da santa Face… Aquele cujo reino não é deste mundo me mostrou que a verdadeira sabedoria consiste em “querer ser ignorada e tida por nada” – em “por sua alegria no desprezo de si mesmo”… Ah, como o de Jesus, eu queria que “Meu rosto fosse verdadeiramente escondido, que na terra ninguém me reconhecesse” (MA 77v).
Celina (Irmã Genoveva), a respeito do amor de Teresa à Sagrada Face, escreveu: “Esta devoção foi o coroamento e o pleno desabrochar de seu amor pela sagrada Humanidade de Jesus. A Santa Face era o espelho no qual contemplava a Alma e o Coração de seu Amado, em que ela o contemplava em sua inteireza” (Conselhos e Lembranças).
A Santa Face não foi para Teresa uma simples devoção privada: encontra-se no coração de sua Cristologia, de seu amor apaixonado pelo Jesus escondido. Contudo sabia que o Desfigurado seria um dia Transfigurado em sua Ressurreição. No Processo Informativo Ordinário, Irmã Maria do Sagrado Coração irá afirmar: “Desde muito tempo, ela tinha uma devoção muito especial ao Menino Jesus e à Sagrada Face, mas esta última devoção se desenvolveu, sobretudo no Carmelo” (PO 250).
Fontes: “Santa Teresa de Lisieux, Diccionario”, Ed. Monte Carmelo, Burgos, Espanha, pp. 604-605.
“Dicionário de Santa Teresinha”, Pedro Teixeira Cavalcante, Ed. Paulus, 1997, p. 224

TERÇO DA SAGRADA FACE
Oferecimento
Ó Sagrada Face adorável
Espelho de sofrimento
Emblema Santo de dor
Pelos tormentos atrozes
Sofridos em vossa cruz
Aceitai as nossas dores
Para vos consolar, Jesus!
SOBRE A CRUZ, rezar (Creio, Pai Nosso, Ave Maria)
SOBRE O PAI NOSSO, rezar: Ó Jesus Cristo, fazei resplandecer a vossa face sobre nós.
Resposta: Permanecei Conosco Senhor!
NAS PRIMEIRAS AVE MARIAS, rezar: Sagrada Face de Jesus suavizai a nossa Cruz.
NAS OUTRAS AVE MARIAS, rezar: Senhor Jesus Cristo mostrai-nos a Vossa Sagrada Face e seremos salvos.
BREVE EXPLICAÇÃO SOBRE O CULTO DA SAGRADA FACE
Esta salutar devoção que se diria instituída pelo próprio Salvador no dia de Sua morte imprimindo sua Efígie Sagrada no Santo Sudário, tem tomado nestes últimos tempos um desenvolvimento considerável, seja em virtude da decisiva importância que a Divina Face teve na vida de Santa Terezinha, ou pelos surpreendentes estudos da figura de Jesus na toalha mortuária de Turim, ou ainda por causa das recentes revelações à Beata Irmã M. Pierina de Micheli (+1945), privilegiada mensageira da Sagrada Face dos dias Atuais.
É como um sopro divino que passa sobre o mundo para combater os estragos das imagens sedutoras e preservar a humanidade dos castigos da justiça do alto. As consoladoras promessas de Nosso Senhor confirmadas por uma feliz experiência, mostram quanto é agradável a Deus e útil às almas a veneração e o culto da Sagrada Face. E além de tudo: a contemplação do divino Rosto é o meio mais fácil e eficaz de conhecer a Nosso Senhor e merecer, como que de imediato o seu amor. Sim, basta CONTEMPLÁ-LO.
Observou a este respeito a Beata M. Pierina: “A Sagrada Face é tudo para mim, porque me leva diretamente ao seu coração, como se fosse a porta de entrada”.
É o que quer dizer também o Papa Pio XII na sua Encíclica Haurietis Aquas: “É na Sagrada Face que se revela o Coração”.
Quanto a propagação, escreveu no dia 4 de junho de 1906 o Cardeal Gennari em nome do Papa São Pio X às Carmelitas de Lisieux, referindo-a Sagrada Face da autoria da Madre Genoveva, irmã de Santa Terezinha: “O Santo Padre Deseja que esta imagem seja distribuída profusamente por todas as partes e que seja venerada em todas as famílias cristãs. Recomenda a propagação de seu culto particularmente aos Exmos. Senhores Bispos, bem como a todos os Eclesiásticos e abençoa especialmente todos aqueles que se tornarem seus propagadores”.
E neste sentido pronunciou-se também Pio XI dizendo: “Em toda casa e em toda Igreja haja um quadro da Santa Face” (Oss. Rom. 8-V-1930). Poderia esta devoção ter encontrado uma recomendação mais autêntica e abençoada? Propaguemos, pois, a imagem adorável do Nosso Salvador! Que cada família a possua! Zelemos por sua devoção nas terças feiras! Distribuamos conforme Nossa Senhora pediu, a nova medalha e cuidemos da celebração da festa na terça feira de carnaval, preparando-a por uma piedosa novena! Não há dúvida: a vista do exposto, se vê que Deus quer que o mundo de hoje, angustiado como nunca, volte a procurar a Face de Seu Filho, Divina Fonte da verdadeira Paz e Liberdade.

NOVENA À SAGRADA FACE
Essa edificante devoção que seria instituída pelo próprio Salvador no dia de Sua morte, imprimindo milagrosamente Sua Imagem Sagrada no Sudário de Verônica, tem tomado nesses últimos tempos um desenvolvimento considerável. As consoladoras promessas de Nosso Senhor, confirmadas por uma feliz experiência, mostram quanto é agradável a Deus e útil às almas a veneração e o culto da Sagrada Face!
Observou a esse respeito Beata M. Pierina: “A Sagrada Face é tudo para mim, porque me leva diretamente a Seu coração, como se fosse a porta de entrada”.
Zelemos por Sua devoção nas terças-feiras! Distribuamos, conforme Nossa Senhora pediu, a nova medalha e cuidemos da celebração da festa na terça-feira de Carnaval, preparando-nos por uma piedosa novena! Não há dúvida: à vista do exposto, se vê que Deus quer que o mundo de hoje, angustiado como nunca, volte a procurar a Face de Seu Filho, divina fonte da verdadeira paz!

ORAÇÃO PREPARATÓRIA PARA TODOS OS DIAS
Senhor, procuro Vossa Face! Não me afasteis para longe dela por causa de meus pecados; não desvieis de mim Vosso Santo Espírito. Fazei brilhar sobre mim a luz da Vossa Face, instruí-me no caminho dos Vossos mandamentos. Eterno Pai, contemplai a Face de Vosso Filho e por seus infinitos merecimentos concedei-me um ardente desejo de reparar as injúrias feitas à Vossa Divina Majestade e a graça que desejo alcançar nessa novena. Assim seja.

19/02 – Primeiro dia
Oração: Oh! Amorosíssimo Jesus! Vossa palavra e a expressão de Vossa Face abrasada em amor, nos revelam, no Cenáculo, a veemência com que Vosso coração desejava a hora de dar-nos a Eucaristia! Inflamai meu coração de amor por esse sacramento adorável, visitando-o e recebendo-o freqüentemente com a pureza dos anjos. Consideração: Se Jesus me ama, se Sua Face me procura, o que me detém?… Que me pede Jesus, senão amor e confiança?… Negar-lhe-ei?…
Virtude a praticar: Desprendei-vos, pelo menos de coração, de todas as coisas da terra. Seja Jesus vosso tesouro. Oração final para todos os dias: Deus Todo-Poderoso e Misericordioso, nós Vos suplicamos que, venerando a Face Santíssima de Vosso Filho, desfigurada na Paixão por causa de nossos pecados, mereçamos contemplá-la eternamente no resplendor da glória celeste. Pelo mesmo Jesus Cristo Nosso Senhor. Assim seja.

20/02 – Segundo dia
Oração preparatória como no primeiro dia
Oração: Oh, Vítima Divina, meu doce Jesus! Face adorável, banhada em suor de sangue no Getsêmani, descobre-me a grandeza de Vossas dores e a gravidade dos meus pecados. Dai-me a mim e a todos os pecadores um sincero arrependimento com firmíssimo propósito de nunca mais pecar.
Consideração: Por toda a parte onde se mostrou sobre a terra, a Sagrada Face de Jesus abençoou, perdoou, curou e fez o bem…Jesus dirige o mundo com Seu olhar! Eu O invoco, porque não serei atendido?…
Virtude a praticar: Sede dócil às inspirações da graça. O olhar de Jesus que vos solicita é uma graça; entregai-vos a sua celeste influência.
Oração final sempre como no primeiro dia

21/02 – Terceiro dia
Oração: Oh! Meu amabilíssimo Jesus! Vossa Face augusta e serena teve uma expressão de dor imensa ao receber o beijo do traidor. Dai-me a graça, eu vos suplico, de participar de Vossa íntima aflição pelos sacrilégios que cometem os que Vos recebem em pecado mortal no Sacramento de amor, desagravando assim, a traição de Judas.
Consideração: Sim, eu sei, meu Redentor está vivo. Esta mesma Face que eu contemplo, hoje tão amargurada pela traição de um apóstolo infiel, hei de contemplar um dia radiante de graça e de esplendores. E, se eu for fiel, assim a contemplarei por toda a eternidade. Meu bom Jesus, mostrai-me Vossa Face.
Virtude a praticar: Fidelidade em observar os mandamentos divinos: “Falai, Senhor, Vosso servo Vos escuta”.
Oração final como no primeiro dia

22/02 – Quarto dia
Oração: Oh! Meu dulcíssimo Jesus! Vossa Face de infinita bondade é objeto do mais vil insulto pela cruel mão de um servo em casa de Anás. Assim Vos tratam, meu doce Salvador, porque aborrecem Vossas palavras de justiça e de caridade sem limites. Não permitais que eu jamais me vingue de meus inimigos, mas que os perdoe sempre e de todo o coração.
Consideração: Devo oferecer-me inteiramente a Deus, para fazer só sua adorável vontade; farei esse oferecimento em união com Jesus orando, a Face contra a terra, no Jardim das Oliveiras.
Virtude a praticar: Fazei penitência; praticai a contrição de vossos pecados alheios; aceitai, em espírito de expiação, as penas e amarguras que Deus aprouver enviar-vos.
Oração final como no primeiro dia

23/02 – Quinto dia
Oração: Oh! Meu pacientíssimo Jesus! Na noite tenebrosa de Vossa Paixão, Vossa Face sacrosanta tornou-se semelhante à de um leproso! Desprezos, escarros, bofetadas e injúrias sem número, desfiguram Vosso formoso semblante! Perdoai, Senhor, Vosso povo ingrato que com suas blasfêmias e crimes de toda espécie, renovam tão horríveis afrontas à Vossa Face augusta e venerada! Perdoai, Senhor!
Consideração: Jesus tem os olhos cerrados para não ver meus pecados… Continuarei nas minhas iniqüidades?… Até quando afrontarei essa Face que pacientemente sofre e me espera?… Até quando?… Até quando?… Não a consolarei com a minha entrega total?
Virtude a praticar: Tende a coragem da fé, não temais o olhar e as palavras dos homens, quando se tratar de um dever a cumprir ou de uma falta a evitar.
Oração final como no primeiro dia

24/02 Sexto dia
Oração preparatória como no primeiro dia
Oração: Soberano Rei e Salvador! A majestosa dignidade de Vossa Face, vilipendiada e coroada de espinhos, proclamou solenemente Vossa realeza sobre as nações, confirmadas pela profética voz de Pilatos diante do povo judeu, ao dizer: “Eis o vosso Rei”. Concedei-me, ó Rei da Glória, um ardoroso zelo para propagar Vosso Reino, ainda que seja à custa de minha vida.
Consideração: Acabrunhado sob o peso de minhas iniqüidades, que farei diante de meu divino Rei? Por que hesitas, minha alma…Não é Ele teu Salvador?… Por acaso sua Face não te contempla com doçura e amor? Cheia de confiança, prosta-te aos pés de Jesus, dizendo-lhe de todo coração: “Meu Senhor e meu Rei! Eis aqui minha alma e meu corpo: eu me ponho, inteiramente sob o império de Vossa Face ultrajada”. Reinai sobre mim para sempre!
Virtude a praticar: Fazer morrer em vós, pela mortificação, todos os desejos e movimentos aviltantes que poderiam ofender a Sagrada Face e renovar as suas dores.
Oração final como no primeiro dia

25/02 – Sétimo dia
Oração preparatória como no primeiro dia
Oração: Oh! Meu querido e generosíssimo Jesus! Vossa Face de Deus-Homem se iluminou, subitamente, com os esplendores de um santo gozo, ao estreitar em Vossos braços a suspirada cruz! Dai-me coragem para tomar a minha cruz e seguir-vos com ânimo constante e generoso até o fim de minha vida.
Consideração: Se amo e me compadeço verdadeiramente dos ultrajes pela Face adorável de meu Salvador, devo amar meus irmãos desgarrados e pedir a Deus que os converta.
Virtude a praticar: Que o zelo de reparação vos inflame! Exercei-o por meio de comunhões, orações, palavras e exemplos, enfim, por todos os meios que a vista do mal cometido deve inspirar-vos.
Oração final como no primeiro dia

26/02 – Oitavo dia
Oração preparatória como no primeiro dia
Oração: Oh! Meu terníssimo Jesus! Qual não deve ter sido a expressão de doçura de Vossa Face, quando Verônica se aproximou de Vós para enxugá-la! Com que amorosa gratidão a contemplastes e qual não foi o seu assombro ao achar impressa em seu véu a Vossa Face desfigurada, mas cheia de amor!… Fazei que eu contemple, meu amado Redentor, Vossa Paixão com tanto amor e ternura que os traços da Vossa Face fiquem gravados em meu coração.
Consideração: Meditando no amor de Deus por mim, amor estampado em Sua Face retalhada e amortecida, ainda terei dificuldade em esquecer os males que me causaram, de perdoar os que me ofenderam, de qualquer maneira, de amar sinceramente meu próximo e pedir a salvação para todos os homens?…
Virtude a praticar: Suportar pacientemente as injúrias e as friezas de vosso próximo, aceitai o que elas têm de penoso para o coração, em espírito de reparação, por tudo o que Jesus sofreu em Sua Face adorável.
Oração final como no primeiro dia

27/02 – Nono dia
Oração preparatória como no primeiro dia
Oração: Oh! Meu Santíssimo e amado Jesus! Vossa Face de Reparador divino, coberta pelas sombras da morte, aplacou as justiças do Eterno Pai, e Vossas últimas palavras foram penhor seguro de eterna felicidade. Que minha vida e minha morte sejam uma contínua reparação unida à Vossa e à de Vossa Mãe Santíssima, a quem invocarei sempre com o nome da Mãe.
Consideração: Quando irei e aparecerei diante da Face de meu Deus? Quando o verei face a face?…
Virtude a praticar: “Quem me contempla me consola! Se alguém contemplar a minha Face Eu derramarei meu amor nos corações e por meio de minha Face se obterá a salvação de muitos pecadores!” Almas generosas, procurai e contemplai sempre a adorável Face de Jesus!
Oração final como no primeiro dia

EXPLICAÇÃO SOBRE A DEVOÇÃO À SAGRADA FACE
Esta edificante devoção que seria instituída pelo próprio Salvador no dia de sua morte, imprimindo milagrosamente Sua Imagem Sagrada no Sudário de Verônica, tem tomado nestes últimos tempos um desenvolvimento considerável.
Seja em virtude da decisiva importância que a Divina FACE teve na vida de Santa Teresinha, ou dos surpreendentes estudos da figura de JESUS na toalha mortuária de Turim, como ainda por causa das recentes revelações a Irmã M. Pierina de Michele (+1945), a privilegiada mensageira da SAGRADA FACE.
Irmã M. Pierina de Michele tomou o hábito das Filhas da Imaculada Conceição no dia 14 de Maio de 1914. Alma ardente de amor a JESUS e às almas, entregou-se desde logo incondicionalmente ao Esposo Divino, e Ele a fez objeto de suas complacências. Desde criança, praticava atos de reparação, os quais, aos poucos, levaram-na a uma imolação completa de si mesma. Por isso não é de admirar, que, quando menina de doze anos apenas na Sexta-feira Santa, na Igreja de São Pedro em Milão, ouvi-se uma voz bem clara a dizer-lhe: “ninguém me dá um beijo de amor na FACE, para reparar o beijo de Judas”.
Quando noviça ainda, obteve a licença de fazer adoração noturna, e quando na noite de Quinta-feira Santa estava rezando diante do crucificado, escutou as palavras “Beija-me!” Irmã Pierina obedeceu sem demora, e seus lábios, em vez de pousar sobre uma face de gesso, sentira viva a FACE DE JESUS.
A noite inteira passou na igreja, pois quando a Madre superiora ali a encontrou, já era de manha. O coração abalado com o sofrimento de JESUS, sentiu o desejo de reparar os ultrajes que Ele recebera na SAGRADA FACE e continua a receber cada dia no SANTÍSSIMO SACRAMENTO. Em 1919, Irmã Pierina é transferida para a Casa-Mãe em Buenos Aires. Ali no dia 12 de Abril de 1920, quando durante uma oração se queixava de suas aflições, JESUS se lhe manifestou ensangüentado, e com ternura e dor ao mesmo tempo lhe disse: “E EU, que é que fiz!” (para sofrer tanto). “Destas palavras eu nunca me esquecerei”, escreveu Irmã Pierina em seu diário.
Mas agora compreendia a Devoção à SAGRADA FACE, que daí em diante se tornou seu livro de meditação. Em 1921, voltou pra Milão, onde continuo a intensificar seu amor a JESUS. Eleita logo depois superiora da Casa de Milão, não tardou a ser nomeada superiora regional da Itália.
Mas apesar de seus muitos trabalhos, não deixou de ser Apóstola da Devoção à SAGRADA FACE, tanto entre suas irmãs como entre as pessoas conhecidas; contudo, procurando sempre ocultar seus privilégios divinos, dos quais as próprias irmãs de hábito, raríssimas vezes, foram testemunhas.
Irmã M. Pierina, um dia, até pediu a JESUS que sua vida passasse desapercebida; pedido que lhe foi concedido. Com o passar dos anos, JESUS se lhe manifestava de vez em quando, ora triste, ora ensangüentado, pedindo sempre reparação. E foi por isso que o desejo de sofrer e de se sacrificar pelas almas cresceu mais e mais no coração de Irmã Pierina.
Durante a oração noturna da primeira Sexta-feira da quaresma em 1936, JESUS, depois de havê-la feito participante das dores da agonia do Getsêmani, disse-lhe, mostrando sua FACE coberta de sangue e tomada de grande tristeza: “Quero que MINHA FACE, que reflete a Minha íntima aflição de meu ânimo, a dor de Meu coração seja mais honrado. QUEM ME CONTEMPLA, ME CONSOLA”.
Na terça-feira daquele ano, JESUS tornou a dizer-lhe: “Cada vez que se contemplar a MINHA FACE, derramarei o Meu Amor nos corações, e por meio de MINHA SAGRADA FACE obter-se-á a salvação de muitas almas”. Beata Irmã M. Pierina faleceu, unindo-se Àquele que amou tanto, em 26 de julho de 1945.
Sua morte não teve as características da morte dos homens em geral; foi uma passagem de amor como ela mesma escreveu em seu diário no dia 19 de julho de 1941: “tenho sentido uma imensa necessidade de viver sempre mais unida a JESUS, de amá-lo intensamente, para que minha morte seja uma passagem de amor ao meu JESUS”.

O amor de Deus é fiel e não abandona nunca, destaca Papa

Quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019, Da Redação, com Boletim da Santa Sé
https://noticias.cancaonova.com/especiais/pontificado/francisco/o-amor-de-deus-e-fiel-e-nao-abandona-nunca-destaca-papa/

Seguindo no ciclo de catequeses sobre o Pai Nosso, Papa falou hoje sobre o amor do Pai que está nos céus por seus filhos, um amor que nada pode apagar

Papa Francisco fala aos fiéis reunidos para a tradicional catequese de quarta-feira / Foto: Reprodução Youtube Vatican News

Na catequese desta quarta-feira, 20, o Papa Francisco reiterou aos fiéis a certeza do amor de Deus. O Pontífice destacou que o amor de Deus é fiel e não abandona nunca, por isto não é preciso temer; saber que se é filho amado de Deus é a experiência fundamental da fé cristã.

O Santo Padre deu continuidade ao ciclo de catequeses sobre a oração do Pai Nosso, ressaltando que o primeiro passo de toda oração cristã é o ingresso em um mistério, aquele da paternidade de Deus. “Não se pode rezar como os papagaios; ou você entra no mistério, na consciência de que Deus é o teu Pai, ou não reza”.

A figura dos pais é comumente usada para entender em que medida Deus é Pai, mas segundo o Papa é preciso, em alguma medida, refinar essa figura, purificá-la. “Quando falamos de Deus como ‘pai’, enquanto pensamos na imagem dos nossos pais, especialmente se nos quiseram bem, ao mesmo tempo devemos ir além. Porque o amor de Deus é aquele do Pai ‘que está nos céus’, segundo a expressão que Jesus nos convida a usar: é o amor total que nós, nesta vida, experimentamos apenas de forma imperfeita. Os homens e as mulheres são eternamente mendigos de amor, somos mendigos de amor, temos necessidade de amor, procuram um lugar onde serem finalmente amados, mas não o encontram. Quantas amizades e quantos amores desiludidos existem no nosso mundo, quantos!”

Citando a mitologia, Francisco mencionou que do deus grego do amor – o mais trágico de todos, uma vez que não se entende se é um ser angélico ou um demônio – pode-se pensar na natureza ambivalente do amor humano: capaz de florescer e de viver forte em um momento do dia e imediatamente após, murchar e morrer.

“Quantas vezes nós homens amamos deste modo tão frágil e intermitente. Todos temos esta experiência: amamos, mas depois aquele amor caiu ou se tornou fraco. Desejosos de querer bem, nos deparamos com nossos limites, com a pobreza de nossas forças: incapazes de manter uma promessa que nos dias de graça parecia fácil de cumprir. No fundo, até mesmo o apóstolo Pedro teve medo e teve que fugir. O apóstolo Pedro não foi fiel ao amor de Jesus. Tem sempre esta fraqueza que nos faz cair. Somos mendicantes que no caminho correm o risco de nunca encontrar completamente o tesouro que buscam desde o primeiro dia de vida: o amor”.

Porém, existe o outro amor, ressaltou o Papa, aquele amor do Pai que “está nos céus” e ninguém deve duvidar ser destinatário desse amor. “Ainda que nosso pai e nossa mãe não tivessem nos amado, existe um Deus no céu que nos ama como ninguém na terra jamais o fez ou poderia fazê-lo. O amor de Deus é constante (…) Mesmo que todos os nossos amores terrestres desmoronassem, e não restasse nada nas mãos além de pó, existe sempre para todos nós, ardente, o amor único e fiel de Deus”.

Por fim, Francisco explicou que a expressão “nos céus” não quer exprimir uma distância, mas uma diversidade radical de amor, outra dimensão de amor, um amor que não se cansa, que sempre permanecerá, que está sempre à mão.

“Portanto, não tema! Nenhum de nós está sozinho. E mesmo que por infelicidade teu pai terreno tenha se esquecido de ti, e ficaste ressentido com ele, não te é negada a experiência fundamental da fé cristã: a de saber que tu és filho muito amado de Deus, e que não há nada na vida que possa apagar o seu amor apaixonado por ti”.

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