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A Igreja não cessa de proclamar: Cristo ressuscitou!

“Tu, pedrinha, tens um sentido na vida porque és uma pedrinha junto àquela pedra, aquela pedra que a maldade do pecado descartou” – ANSA
 
16/04/2017

Cidade do Vaticano (RV) –  A certeza na ressurreição, mesmo diante das dores, das tragédias, daquilo que não entendemos. Na Missa presidida na Praça São Pedro neste Domingo de Páscoa, o Papa Francisco exortou os fiéis a repetirem em casa: “Cristo ressuscitou!”, mesmo diante das vicissitudes da vida.

“O caminho em direção ao sepulcro é a derrota, é o caminho da derrota”, disse o Papa, falando de forma espontânea. E remetendo-se à cena de Pedro, João e as mulheres diante do sepulcro vazio, observou que “foram com o coração fechado pela tristeza, a tristeza de uma derrota, o Mestre, o seu Mestre, aquele que tanto amavam, foi derrotado”.

“Mas o Anjo diz a eles: “Não está aqui, ressuscitou!”. É o primeiro anúncio, ressuscitou! E depois a confusão, o coração fechado, as aparições”, completou Francisco.

E diante de nossas derrotas, de nossos corações amedrontados, fechados, a Igreja não cessa de repetir: “Pare! O Senhor ressuscitou!”.

“Mas se o Senhor ressuscitou, como acontecem estas coisas? – questiona-se Francisco. Como acontecem  tantas desgraças doenças, tráfico de pessoas, guerras, destruições, mutilações, vinganças,  ódio? Onde está o Senhor?”.

O Papa ilustra esta dúvida que percorre o coração de tantos de nós em meios às vicissitudes da vida, contando o telefonema a um jovem italiano na tarde de sábado, acometido de uma doença grave, para dar um sinal de fé:

“Um jovem culto, um engenheiro.  Disse a ele: “Mas, não existem explicações para aquilo que acontece contigo. Olhe para Jesus na Cruz. Deus fez isto com o seu Filho e não existe outra explicação!”. E ele me respondeu: “Sim! Mas perguntou ao Filho e o Filho disse que sim. Mas eu não fui perguntado se eu desejava isto!”.

“Isto nos comove – disse Francisco. A ninguém de nós é perguntado: “Mas, estás contente com aquilo que acontece no mundo?  Estás disposto a carregar esta Cruz?”. E esta Cruz acompanha. E a fé em Jesus se arrefece”!

“Mas hoje – reitera o Pontífice – a Igreja continua a dizer: “Pare! Jesus Ressuscitou!” E isto não é uma fantasia, a Ressurreição de Cristo não é uma festa com muitas flores. Isto é bonito, mas não é só, é mais do que isto. É o mistério da pedra descartada que torna-se o alicerce da nossa existência. Cristo Ressuscitou, este é o significado”.

“Nesta cultura do descarte, onde o que não serve segue pelo caminho do “usa e joga fora”, onde o que não serve é descartado, aquela pedra  descartada torna-se fonte de vida”:

“E nós, também nós, pedrinhas por terra, nesta terra de dor, tragédias, com a fé em Cristo Ressuscitado, temos um sentido, em meio à tanta calamidade. O sentido de olhar além, o sentido de dizer: “Olha, não existe uma parede; existe um horizonte, existe  a vida,  existe a alegria, existe a Cruz com esta ambivalência. Olha em frente. Não se feche! Tu, pedrinha, tens um sentido na vida porque és uma pedrinha junto àquela pedra, aquela pedra que a maldade do pecado descartou”.

“O que nos diz a Igreja hoje diante de tanta tragédia?  Simplesmente isto. A pedra descartada não resulta descartada. As pedrinhas que creem e que se apegam àquela pedra não são descartados, tem um sentido, e com este sentimento a Igreja repete, mas de dentro do coração: “Cristo ressuscitou!”.

Ao concluir, o Papa Francisco pediu a cada um de nós:

“Pensemos um pouco, cada um de nós, nos problemas cotidianos, nas doenças que temos e que alguns de nossos parentes têm, nas guerras, nas tragédias humanas. E simplesmente, com voz humilde, sem flores, sozinhos, diante de nós mesmos:  “Não sei como vai acabar isto, mas estou certo de que Cristo Ressuscitou. Eu aposto nisto! Irmãos e irmãs, isto é o que me vem de dizer para vocês. Em casa hoje, repitam no coração de vocês, Cristo ressuscitou!”. (JE)

 

Bênção Urbi et Orbi: o Pastor ressuscitado está próximo dos sofredores
 
“O Pastor ressuscitado se faz companheiro de viagem das pessoas que são forçadas a deixar a sua terra por causa de conflitos armados, ataques terroristas, carestias, regimes opressores” – AP
 
16/04/2017

Cidade do Vaticano (RV) – Após presidir a celebração da Ressurreição do Senhor na Praça São Pedro, o Papa Francisco dirigiu-se à sacada central da Basílica São Pedro para a tradicional Mensagem e Bênção Urbi et Orbi. Eis a mensagem na íntegra:

“Queridos irmãos e irmãs,

Feliz Páscoa!

Hoje, em todo o mundo, a Igreja renova o anúncio maravilhoso dos primeiros discípulos: «Jesus ressuscitou!» – «Ressuscitou verdadeiramente, como havia predito!»

A antiga festa de Páscoa, memorial da libertação do povo hebreu da escravidão, alcança aqui o seu cumprimento: Jesus Cristo, com a sua ressurreição, libertou-nos da escravidão do pecado e da morte e abriu-nos a passagem para a vida eterna.

Todos nós, quando nos deixamos dominar pelo pecado, perdemos o caminho certo e vagamos como ovelhas perdidas. Mas o próprio Deus, o nosso Pastor, veio procurar-nos e, para nos salvar, abaixou-Se até à humilhação da cruz. E hoje podemos proclamar: «Ressuscitou o bom Pastor, que deu a vida pelas suas ovelhas e Se entregou à morte pelo seu rebanho. Aleluia!» (Missal Romano, IV Domingo de Páscoa, Antífona da Comunhão).

Através dos tempos, o Pastor ressuscitado não Se cansa de nos procurar, a nós seus irmãos extraviados nos desertos do mundo. E, com os sinais da Paixão – as feridas do seu amor misericordioso –, atrai-nos ao seu caminho, o caminho da vida. Também hoje Ele toma sobre os seus ombros muitos dos nossos irmãos e irmãs oprimidos pelo mal nas suas mais variadas formas.

O Pastor ressuscitado vai à procura de quem se extraviou nos labirintos da solidão e da marginalização; vai ao seu encontro através de irmãos e irmãs que sabem aproximar-se com respeito e ternura e fazer sentir àquelas pessoas a voz d’Ele, uma voz nunca esquecida, que as chama à amizade com Deus.

Cuida de quantos são vítimas de escravidões antigas e novas: trabalhos desumanos, tráficos ilícitos, exploração e discriminação, dependências graves. Cuida das crianças e adolescentes que se veem privados da sua vida despreocupada para ser explorados; e de quem tem o coração ferido pelas violências que sofre dentro das paredes da própria casa.

O Pastor ressuscitado faz-Se companheiro de viagem das pessoas que são forçadas a deixar a sua terra por causa de conflitos armados, ataques terroristas, carestias, regimes opressores. A estes migrantes forçados, Ele faz encontrar, sob cada ângulo do céu, irmãos que compartilham o pão e a esperança no caminho comum.

Nas vicissitudes complexas e por vezes dramáticas dos povos, que o Senhor ressuscitado guie os passos de quem procura a justiça e a paz; e dê aos responsáveis das nações a coragem de evitar a propagação dos conflitos e deter o tráfico das armas.

Concretamente nos tempos que correm, sustente os esforços de quantos trabalham ativamente para levar alívio e conforto à população civil na Síria, vítima duma guerra que não cessa de semear horrores e morte. Conceda paz a todo o Médio Oriente, a começar pela Terra Santa, bem como ao Iraque e ao Iémen.

Não falte a proximidade do Bom Pastor às populações do Sudão do Sul, do Sudão, da Somália e da República Democrática do Congo, que sofrem o perdurar de conflitos, agravados pela gravíssima carestia que está a afetar algumas regiões da África.

Jesus ressuscitado sustente os esforços de quantos estão empenhados, especialmente na América Latina, em garantir o bem comum das várias nações, por vezes marcadas por tensões políticas e sociais que, nalguns casos, desembocaram em violência. Que seja possível construir pontes de diálogo, perseverando na luta contra o flagelo da corrupção e na busca de soluções pacíficas viáveis para as controvérsias, para o progresso e a consolidação das instituições democráticas, no pleno respeito pelo estado de direito.

Que o Bom Pastor ajude ucraniana, atormentada ainda por um conflito sangrento, a reencontrar a concórdia, e acompanhe as iniciativas tendentes a aliviar os dramas de quantos sofrem as suas consequências.

O Senhor ressuscitado, que não cessa de cumular o continente europeu com a sua bênção, dê esperança a quantos atravessam momentos de crise e dificuldade, nomeadamente por causa da grande falta de emprego, sobretudo para os jovens.

Queridos irmãos e irmãs, este ano, nós, os crentes de todas as denominações cristãos, celebramos juntos a Páscoa. Assim ressoa, a uma só voz, em todas as partes da terra, o mais belo anúncio: «O Senhor ressuscitou verdadeiramente, como havia predito!» Ele, que venceu as trevas do pecado e da morte, conceda paz aos nossos dias. Feliz Páscoa!”

Ao final de sua mensagem, o Santo Padre concedeu a todos a sua Bênção Apostólica, pedindo “não esqueçam de rezar por mim”.  Feliz Páscoa!

O Dízimo e a Taxa

O verdadeiro significado do dízimo é justo e verdadeiramente cristão
Pe. Inácio José Schuster
Pároco da Paróquia Nossa Senhora da Piedade
Bairro Hamburgo Velho, Novo Hamburgo, RS

O dízimo é uma doação regular e proporcional aos rendimentos do fiel, que todo batizado deve assumir. É uma forma concreta que o cristão tem para manifestar a sua fé em Deus e o seu amor ao próximo, pois é por meio dele que a Igreja realiza diversas obras de caridade e assistência aos menos favorecidos. Pelo dízimo, podemos viver as três virtudes mais importantes para todo cristão: a Fé, a Esperança e o Amor, que nos levam para mais perto de Deus.
O dízimo é um compromisso. Representa a nossa vontade de colaborar, de verdade, com o projeto divino de felicidade para todos. Os judeus davam 10% de tudo o que colhiam da terra com o seu trabalho: daí vem a palavra “dízimo”, que significa “décima parte”. Todos são convidados a oferecer de fato a décima parte daquilo que ganham, mas não somos obrigados. O importante é entender que o dízimo não é esmola. Deus merece a doação feita com alegria, e jamais nos priva da nossa liberdade. Além disso, o que é doado com alegria faz bem a quem recebe! Cada pessoa deve definir livremente, sem tristeza nem constrangimento, qual percentual dos seus ganhos irá separar para o dízimo.
A Igreja não exige a doação de 10% do que ganhamos; porém, para ser considerado dízimo, é preciso que seja um percentual, isto é, uma porcentagem dos seus ganhos, sendo no mínimo 1%. Se alguém ganhar R$ 1.000,00 e oferecer R$ 10,00, isto ainda pode ser considerado dízimo. Menos do que isso, porém, seria uma oferta.
E a experiência comprova: aqueles que, confiantes na Providência Divina, optaram pelo dízimo integral, não se arrependeram nem sentiram falta em seus orçamentos. Ao contrário, muitos dizimistas dão o testemunho de que depois que passaram a contribuir com a Igreja e a comunidade dessa maneira, passaram a se sentir especialmente abençoados: Deus não desampara os que nele confiam.
Mas isso não quer dizer que devemos dar o dízimo esperando “ganhar em dobro”, nem receber algo em troca, como se pudéssemos negociar ou barganhar com Deus. Aqueles que ensinam tais coisas nada entendem do contexto bíblico, nem do significado de partilha que era tão presente na Igreja primitiva. A entrega do dízimo normalmente é mensal, porque a maioria das pessoas recebe salário todo mês. Os que recebem semanalmente podem combinar de entregá-lo uma vez por semana, por exemplo.
O importante é saber que o dízimo deve ser entregue na comunidade com a mesma regularidade com que recebemos os nossos ganhos. Já as ofertas são doações espontâneas, com as quais o fiel também pode e deve participar da vida em comunidade, mas nesse caso não existe regularidade, como no dízimo. – Você pode doar na hora do ofertório, durante as Missas ou fazer depósitos nas caixas de coleta, mas não se trata de um compromisso fixo assumido com a sua comunidade, e sim uma manifestação de amor, caridade e confiança.
Cada vez mais católicos se conscientizam da importância do dízimo e das ofertas. É bom encontrar a igreja limpa, bem equipada e tudo funcionando bem. Mas, infelizmente, muitos se esquecem de que, para isso, todos precisam colaborar! Somos a família do Senhor, e a igreja é a casa de todos nós. Contamos com o seu desejo de viver comunidade: aceite o chamado do Pai Eterno e diga sim ao compromisso de levar adiante os trabalhos evangelizadores da Paróquia da qual você faz parte. Informe-se sobre como se tornar um dizimista.
Faça a sua parte! “Dê cada um conforme o impulso do seu coração, sem tristeza nem constrangimento. Deus ama a quem dá com alegria” (2Cor 9, 7).

A Diocese de Novo Hamburgo estabeleceu, em 20 de novembro de 1998, as normas de funcionamento dos cemitérios. O item 1.) dispõe: “a contribuição para o Dízimo, a partir de janeiro de 1999, está desvinculada da contribuição para o Cemitério.” E o item 2.) “ninguém pode ser associado do cemitério sem ser contribuinte do dízimo paroquial”. Nesses dois itens, a normativa diocesana estabelece a participação, o compromisso e a responsabilidade do católico com sua paróquia.
Cabe-nos, então, refletir sobre a distinção entre dízimo que nos leva à comunhão/participação na Igreja e a taxa de cemitério que nos leva à associação/participação no cemitério. Dízimo é sinal de pertença à Comunidade de Fé. Ser dizimista fiel é graça divina é pré-requisito para associar-se ao Cemitério. Contribuir com o dízimo é acolher o quinto mandamento da Lei da Igreja, dever de todo o batizado católico.
O pagamento da taxa do cemitério permite acolhimento privilegiado da obra de misericórdia corporal: “Sepultar os mortos”, um dever de todo ser humano. A oferta do dízimo mensal é distinta da taxa do cemitério e possuem naturezas e finalidades diferentes.
Vejamos:
1. Dízimo é direito e dever de todo paroquiano para com a sua Igreja; Taxa é obrigação contratual de alguns em benefício pessoal ou familiar.
2. Dízimo é ação e compromisso comunitário de todos os católicos da paróquia; Taxa é opção e compromisso particular de alguns católicos da paróquia.
3. Dízimo é uma oferta a Deus, entregue na Comunidade de Fé, como expressão de amor e gratidão pelos bens materiais e espirituais recebidos em vida; Taxa é pagamento de aluguel e manutenção de um espaço usado na morte.
4. Dízimo vem em benefício de todos os paroquianos; Taxa vem em benefício só de alguns paroquianos.
5. Dízimo nos faz participantes da comunidade de fé; Taxa nos faz participantes do cemitério.
6. Dízimo é um bem que sustenta e dá vida à Igreja; Taxa é um bem que mantém e embeleza as sepulturas.
7. Dízimo é a resposta de um cristão católico de coração agradecido; Taxa é a resposta de um cristão católico de coração previdente.
8. Do dízimo brota a alegria da promoção da vida em comunidade; Da taxa brota o conforto de um sepultamento privilegiado.
9. Dízimo é um bem material que se converte em bem espiritual; Taxa é um bem material que se converte em bem social.
10. Dízimo possibilita investimentos na Igreja viva, corpo místico de Cristo; Taxa possibilita investimentos no cemitério, local de corpo sem vida.

Viva as virtudes dentro de casa

Seus filhos tem muito a aprender com seu exemplo

O que são as “virtudes humanas”? No Catecismo da Igreja Católica, encontramos a seguinte definição: “As virtudes humanas são atitudes firmes, disposições estáveis, perfeições habituais da inteligência e da vontade que regulam nossos atos, ordenando nossas paixões e guiando-nos segundo a razão e a fé. Propiciam, assim, facilidade, domínio e alegria para levar uma vida moralmente boa. Pessoa virtuosa é aquela que livremente pratica o bem” (n.1804)

Essas virtudes humanas podem ser exercitadas – umas ou outras – em todas as ações, em todos os momentos da vida: nós a vivemos no trabalho e no descanso, no lar, no relacionamento com os outros, enfim, em todos os aspectos da “conduta” humana. Elas se distinguem das virtudes “teologais” – fé, esperança e caridade -, cujo “objetivo” é diretamente Deus.

O Catecismo da Igreja lembra que todas as virtudes humanas giram à volta das quatro virtudes cardeais – “virtudes-eixo”: prudência, justiça, fortaleza e temperança (n. 1805-1809).

Neste texto, vamos focalizar apenas alguns traços das virtudes cardeais que todos os pais têm a responsabilidade de praticar se querem dar o exemplo necessário para a formação dos filhos. Convençam-se de que, sem elas, o exemplo de fé e religiosidade que se esforcem por dar aos filhos ficará enfraquecido e até poderá ser contraproducente.

Alguns traços das virtudes cardeais  

1) Prudência. Pense em como dá segurança e confiança aos filhos o fato de terem um pai e uma mãe sensatos e reflexivos. São pais que não se assustam facilmente nem perdem a serenidade, ainda que apareçam problemas sérios, mas os enfrentam com fé e procuram usar a cabeça, evitando o alarmismo e as reações precipitadas. Gestores que não vivem distraídos, esquecidos, improvisando, a toda a hora, no meio de uma grande confusão. Que não mudam de planos por imprevidência em prepará-los; que, por falta de ordem, não deixam as coisas para última hora ou para o fim do ano. Que não se descuidam de controlar as despesas, as contas e os prazos. Pais que não precisam, enfim, ouvir aquelas palavras do Paraíso de Dante: “Siate, cristiani, a muovervi più gravi: non siate come penna ad ogni vento…” (”Cristãos, caminhai com mais ponderação; não sejais qual pena movida por qualquer vento…”).

2) Justiça. Da mesma forma, como faz bem aos filhos ter um pai e uma mãe justos, que cumprem o que prometem! Pais que não se desdizem de levar avante aquele passeio planejado, só porque, de repente, mudaram de ideia, deixando-se dominar pelo capricho ou pela preguiça; que não tratam os filhos como números, com indicações, conselhos e ordens genéricas – iguais para todos -, como se o lar fosse uma caixa de soldadinhos de chumbo feitos em série; mas que, como pede a justiça, saibam tratar desigualmente os filhos desiguais, conforme as necessidades materiais, psicológicas e espirituais de cada um (logicamente, não por mimo ou preferências injustas). Que, se fazem uma repreensão justa e prometem um pequeno ou médio castigo (castigo grande quase nunca se justifica), não amolecem, mas cumprem, sem deixar de cercar o filho punido da certeza de que é muito amado e só querem o seu bem.

Também faz muito bem aos filhos outras “justiças” da vida cotidiana. Por exemplo, perceberem que os pais não se aproveitam nunca de um troco errado (devolvem ao caixa a diferença) nem dão jeitos para burlar a fiscalização na entrada do cinema, do estádio, do museu, deixando de pagar o ingresso que qualquer pessoa honesta paga; não admitem nunca a mentira como meio para resolver os problemas etc.

3) Fortaleza. Pense que um clima familiar, no qual não se ouvem queixas nem reclamações ou gemidos é um exemplo maravilhoso de fortaleza para os filhos. Um lar, no qual ninguém se julga mártir ou vítima e, por isso, não tem o hábito de reclamar. Um lar em que o pai, exausto, é capaz de ficar brincando com os filhos, interessando-se pelos seus pequenos “dramas” ou pelos seus sonhos e alegrias infantis – ou adolescentes -; tudo isso com uma naturalidade que não deixa transparecer o cansaço nem os problemas do serviço. Um ambiente, no qual a mãe disfarça, com um sorriso, após um dia bem duro, que se sente exausta e não acha que o desgaste a autorize a gritar com os filhos nem a descarregar neles a “eletricidade nervosa”. Esses são pais que sempre projetam nos filhos a luz e o calor da generosidade, da paciência e da constância.

4) Temperança. Que grande exemplo dão aos filhos os pais que nunca são vistos, nem dentro nem fora de casa, nem nos dias de trabalho nem na sexta-feira à noite, nem aos domingos e feriados, abusando da comida e da bebida! Que não se iludem, achando que vão enganar os filhos dizendo-lhes que se trata só de um “aperitivo” ou uma “cervejinha” de que precisam muito, porque andam fatigados e isso faz bem para a saúde (quando os filhos os veem claramente vermelhos de rosto, com a voz gosmenta e as pernas bambas). Pelo contrário, como toca o coração ver uma mãe que, habitualmente, “gosta” do bife que tem mais nervos e gorduras ou ver o pai que “gosta” do teatro que a mãe adora, mesmo em dias em que seu time joga.

O que dizer da temperança na TV e na Internet? Alguns pais acham que os filhos são tolos. Em matéria de informática, quase sempre dão um solene “chapéu” nos pais e descobrem, muito facilmente (pois ainda não aprenderam a viver a virtude da discrição e a controlar a curiosidade), a quantidade de sites inconvenientes que o pai visitou, como se fosse um adolescente descontrolado.

E quanto à humildade, que Santo Tomás de Aquino situa dentro da temperança? Como se nota a falta de humildade e como ela faz mal! Por isso, é tão formativo os filhos perceberem nos pais que estes não se deixam arrastar por mesquinharias de suscetibilidade, por mágoas persistentes, por querer ter sempre a “última palavra”. Que não os vejam nunca virando o rosto para ninguém nem dominados por espírito de superioridade ou falando com desprezo e crítica azeda sobre o cunhado que fez isso ou da tia que fez aquilo.

Virtudes humanas. São muitas as que os pais deveriam cultivar, como uma lâmpada que brilha em lugar escuro…! ( I Pedr 1, 19).   Cultivar virtudes e ensiná-las aos filhos – com a força moral que dá o bom exemplo – é um empreendimento árduo, mas é decisivo, e, por isso, deve ser enfrentado e levado a termo pelos pais dia após dia, com a graça de Deus, com muito amor e com esforço constante.

Oxalá os filhos, quando crescerem e forem avançando em anos, possam dizer que nunca se apagou neles a imagem da mãe, a imagem do pai, e que até na idade madura e na velhice o pai e a mãe continuam a iluminar-lhes a vida.

Padre Francisco Faus
http://www.padrefaus.org/

O perigo de viver as três tentações: da riqueza, da vaidade e do orgulho

Papa fala sobre as três tentações que visam degradar, destruir, tirar a alegria do cristão

Domingo, 14 de fevereiro de 2016, Elcka Torres / Da Redação

“Este tempo de Quaresma é uma boa ocasião para recuperar a alegria e a esperança que nos vem do fato de nos sentirmos filhos amados do Pai. Este Pai que nos espera para livrar-nos das vestes do cansaço, da apatia, da desconfiança e revestir-nos com dignidade.” Disse o papa Francisco na tarde deste domingo, 14, durante a santa missa celebrada na cidade de Ecatepec, no México, perante uma multidão.

“Quantas vezes – digo-o com tristeza – permanecemos cegos e insensíveis perante a falta de reconhecimento da dignidade própria e alheia.

Quaresma: tempo para regular os sentidos, abrir os olhos para tantas injustiças que atentam diretamente contra o sonho e o projeto de Deus. Tempo para desmascarar aquelas três grandes formas de tentação que rompem, fazem em pedaços a imagem que Deus quis plasmar.” Acrescentou Francisco durante o seu sermão.

Três tentações de Cristo

Partindo do Evangelho da liturgia deste domingo o pontífice falou sobre as três tentações que Cristo viveu, e que todos cristãos vivem diariamente. Ele afirma que essas três tentações visam degradar, destruir, tirar a alegria e o frescor do Evangelho; e fecham todos no círculo de destruição e pecado.

Riqueza

“Apropriando-nos de bens que foram dados para todos, usando-os só para mim ou para ‘os meus’. É conseguir o pão com o suor alheio ou até com a vida alheia. Numa família ou numa sociedade corrupta, é o pão que se dá a comer aos próprios filhos.”

A vaidade

“A busca de prestígio baseada na desqualificação contínua e constante daqueles que não são ninguém. A busca exacerbada daqueles cinco minutos de fama que não perdoa a fama dos outros. E, alegrando-se com a desgraça alheia, abre-se caminho à terceira tentação: o orgulho.”

Orgulho

“Ou seja, colocar-se num plano de superioridade de qualquer tipo, sentindo que não se partilha ‘a vida comum dos mortais’ e rezando todos os dias: ‘Obrigado, Senhor, porque não me fizestes como eles.’

O papa ainda questiona: “Até que ponto estamos conscientes destas tentações na nossa vida, em nós mesmos? Até que ponto nos acostumamos a um estilo de vida que considera a riqueza, a vaidade e o orgulho como a fonte e a força de vida? Até que ponto estamos convencidos de que cuidar do outro, preocupar-nos e ocupar-nos com o pão, o bom nome e a dignidade dos outros são fonte de alegria e de esperança? “

Francisco concluiu ressaltando a luta que se vive para seguir os passos de Cristo.

“Escolhemos, não o diabo, mas Jesus; queremos seguir os seus passos, mas sabemos que não é fácil. Sabemos o que significa ser seduzidos pelo dinheiro, a fama e o poder. Por isso, a Igreja oferece-nos este tempo da Quaresma, convida-nos à conversão com uma única certeza: Ele está à nossa espera e quer curar o nosso coração de tudo aquilo que o degrada. É o Deus que tem um nome: misericórdia.”

 

Homilia na integra do Papa na cidade Ecatepec no México  

Na quarta-feira passada, começamos o tempo litúrgico da Quaresma; nele, a Igreja convida-nos a preparar-nos para a celebração da grande festa da Páscoa. É um tempo especial para lembrar o dom do nosso Baptismo, quando fomos feitos filhos de Deus. A Igreja convida-nos a reavivar o dom recebido para não o deixar cair no esquecimento como algo passado ou guardado numa «caixa de recordações». Este tempo de Quaresma é uma boa ocasião para recuperar a alegria e a esperança que nos vem do facto de nos sentirmos filhos amados do Pai. Este Pai que nos espera para livrar-nos das vestes do cansaço, da apatia, da desconfiança e revestir-nos com a dignidade que só um verdadeiro pai e uma verdadeira mãe sabem dar aos seus filhos, as vestes que nascem da ternura e do amor.

O nosso Pai é pai duma grande família: é Pai nosso. Sabe ter um amor, mas não gerar e criar «filhos únicos». É um Deus que Se entende de família, de fraternidade, de pão partido e partilhado. É o Deus do «Pai Nosso», não do «pai meu e padrinho vosso».

Em cada um de nós, está inscrito, vive aquele sonho de Deus que voltamos a celebrar em cada Páscoa, em cada Eucaristia: somos filhos de Deus. Um sonho vivido por muitos irmãos nossos no decurso da história. Um sonho testemunhado pelo sangue de tantos mártires de ontem e de hoje.

Quaresma

Quaresma: tempo de conversão, porque experimentamos na vida de todos os dias como tal sonho se encontra continuamente ameaçado pelo pai da mentira, por aquele que quer separar-nos, gerando uma sociedade dividida e conflituosa, uma sociedade de poucos e para poucos. Quantas vezes experimentamos na nossa própria carne ou na carne da nossa família, na dos nossos amigos ou vizinhos a amargura que nasce de não sentir reconhecida esta dignidade que todos trazemos dentro. Quantas vezes tivemos de chorar e arrepender-nos, porque nos demos conta de não ter reconhecido tal dignidade nos outros. Quantas vezes – digo-o com tristeza – permanecemos cegos e insensíveis perante a falta de reconhecimento da dignidade própria e alheia.

Quaresma: tempo para regular os sentidos, abrir os olhos para tantas injustiças que atentam diretamente contra o sonho e o projecto de Deus. Tempo para desmascarar aquelas três grandes formas de tentação que rompem, fazem em pedaços a imagem que Deus quis plasmar.

Três tentações de Cristo…

Três tentações do cristão que procuram arruinar a verdade a que fomos chamados. Três tentações que visam degradar e degradar-nos.

1.A riqueza, apropriando-nos de bens que foram dados para todos, usando-os só para mim ou para «os meus». É conseguir o pão com o suor alheio ou até com a vida alheia. Tal riqueza é pão que sabe a tristeza, amargura e sofrimento. Numa família ou numa sociedade corrupta, é o pão que se dá a comer aos próprios filhos.

2.A vaidade: a busca de prestígio baseada na desqualificação contínua e constante daqueles que «não são ninguém». A busca exacerbada daqueles cinco minutos de fama que não perdoa a «fama» dos outros. E, «alegrando-se com a desgraça alheia», abre-se caminho à terceira tentação: o orgulho.

3.O orgulho, ou seja, colocar-se num plano de superioridade de qualquer tipo, sentindo que não se partilha «a vida comum dos mortais» e rezando todos os dias: «Obrigado, Senhor, porque não me fizestes como eles».

Três tentações de Cristo… Três tentações que o cristão enfrenta diariamente. Três tentações que procuram degradar, destruir e tirar a alegria e o frescor do Evangelho; que nos fecham num círculo de destruição e pecado.

Por isso vale a pena perguntarmo-nos: Até que ponto estamos conscientes destas tentações na nossa vida, em nós mesmos? Até que ponto nos acostumamos a um estilo de vida que considera a riqueza, a vaidade e o orgulho como a fonte e a força de vida? Até que ponto estamos convencidos de que cuidar do outro, preocupar-nos e ocupar-nos com o pão, o bom nome e a dignidade dos outros seja fonte de alegria e de esperança?

Escolhemos, não o diabo, mas Jesus; queremos seguir os seus passos, mas sabemos que não é fácil. Sabemos o que significa ser seduzidos pelo dinheiro, a fama e o poder. Por isso, a Igreja oferece-nos este tempo da Quaresma, convida-nos à conversão com uma única certeza: Ele está à nossa espera e quer curar o nosso coração de tudo aquilo que o degrada, degradando-se ou degradando. É o Deus que tem um nome: misericórdia. O seu nome é a nossa riqueza, o seu nome é a nossa fama, o seu nome é o nosso poder. E é no seu nome que repomos a nossa confiança, como diz o Salmo: «Vós sois o meu Deus, em Vós confio». Podemos repetir isto juntos: «Vós sois o meu Deus, em Vós confio».

Que, nesta Eucaristia, o Espírito Santo renove em nós a certeza de que o seu nome é misericórdia e nos faça experimentar, em cada dia, que «o Evangelho enche o coração e a vida inteira daqueles que se encontram com Jesus», sabendo que com Ele e n’Ele «renasce sem cessar a alegria» (Exort. ap. Evangelii gaudium, 1).

Sagrada Face de Jesus – terça-feira de carnaval

SAGRADA FACE DE JESUS
Olhar de Jesus
Este Olhar não incomoda nem assusta
É um chamado ao Amor, a cada criatura
Só o Meu olhar te ensinará a amar
E isto, ninguém no mundo poderá te dar
Olha-me com alegria e amor, proteger-te-ei de cada dor
Não adormece sem antes bem fixar o teu olhar no Meu
Falar-te-ão, Meus olhos, de um Amor perfeito e profundo
Fixa bem teu olhar no Meu e afasta-te do mundo…
Quero sussurrar ao teu coração tantas belas coisas em um único segundo
Fixando, profundamente, teu olhar no Meu
Encontrarás Amor, Perdão e Paz
Ao sair de casa, leva o Meu Olhar Bendito
Proteger-te-ei até que retornes ao lar
Não esqueças, em teu labor cotidiano, sê feliz e orgulhoso deste Olhar
Assim que tiveres guardado Meu Olhar em teu coração
Darás a teus irmãos, Amor, Perdão e Paz
Meu filho predileto, então, serás e teu coração encontrará a perfeição.

Ramalhete espiritual
“A Vossa Face Senhor, procuro e A procuro sem parar! Não quero outra coisa, Senhor, senão a Vossa Face, para que Vos possa amar como desejo, porque não encontro o que seja mais precioso” (Santo Agostinho; Enarret. IN PS 26.)
“Vossa Face é minha Pátria, meu reino de amor” (Santa Teresinha).
“Senhor, mostrai-nos a Vossa Face e seremos salvos!” – PS. 8 (Indulgenciada pelo Papa Pio IX em 11/12/1876).
“Senhor, permanecei conosco!” (Indulgenciada por S. Emcia. o Cardeal D. Jaime de Barros Câmara, em 26/11/1959).
“Pai eterno, eu Vos ofereço a adorável Face do Vosso Filho muito amado pela honra e glória do Vosso Nome e pela salvação da alma de … (aqui diga o nome). Amém”.
“Mãe Santíssima, medianeira de todas as graças, oferece por nós ao Pai Eterno a Sagrada Face de teu Filho, alcançando-nos paz, liberdade da fé e o triunfo da verdade” (Indulgenciada por S. Emcia. o Cardeal D. Agnelo Rossi, em 18/11/1966).

DEVOÇÃO À SAGRADA FACE
Dia de devoção da Sagrada Face: toda terça-feira
Festa da Sagrada Face: terça-feira de Carnaval

“Toda vez que alguém contemplar a Minha Face, derramarei o Meu amor nos corações. E por meio da Minha Face obter-se-á a salvação de muitas almas (Nosso Senhor a Beata Irmã Maria Pierina, 1945, em Milão).
Muitas vezes durante o dia, troque um olhar com Ele!
Todas as noites, reze 3 vezes o Pai Nosso, a Ave Maria e o Glória, contemplando Sua Divina Face.
Sobre a propagação da Devoção à Sagrada Face, o Cardeal Gennari, em nome do Papa São Pio X às Carmelitas de Lisieux, disse: O Santo Padre deseja que esta imagem seja distribuída profusamente por todas as partes e que seja venerada em todas as famílias cristãs. Recomenda Sua Santidade a propagação de seu culto, particularmente aos Excelentíssimos Senhores Bispos, como a todos os Eclesiásticos, e abençoa especialmente todos aqueles que se tornam seus propagadores.
Neste sentido pronunciou-se também Pio XI dizendo: Em toda casa e em toda Igreja haja um quadro da Santa Face.

PROMESSAS AOS DEVOTOS DA SAGRADA FACE feitas a Santa Matilde e Santa Gertrudes sobre esta devoção:
“Eu garantirei aos devotos, contrição tão perfeita que seus pecados serão transformados diante de Mim em jóias de precioso ouro. Nenhum deles será afastado de Mim. Na oferenda de Minha Face ao Pai, eles terão acalmado Sua cólera e eles vão adquirir como com moeda celestial, o perdão por seus pecados. Eu abrirei Minha boca para pedir ao Pai para garantir todas as preces que eles Me apresentarem. Vou iluminá-los com Minha luz, e vou consumi-los com Meu amor. Eu lhes darei frutos de boas obras. Eles vão, como a piedosa Verônica, enxugar a Minha adorável Face ultrajada pelo pecado, e Eu vou imprimir Minha Divina Fisionomia em suas almas. Em suas mortes, vou renovar neles a imagem de Deus, apagada pelo pecado. Semelhante à Minha Face, eles brilharão mais do que muitos outros na vida eterna e o brilho da Minha Face vai enchê-los de prazer”.

LADAINHA DA SAGRADA FACE
Senhor, tende piedade de nós.
Cristo, tende piedade de nós.
Senhor, tende piedade de nós.
Jesus Cristo, ouvi-nos.
Jesus Cristo, atendei-nos.
Deus Pai do Céu, tende piedade de nós.
Deus Filho, Redentor do Mundo, tende piedade de nós.
Deus Espírito Santo, tende piedade de nós.
Santíssima Trindade, que sois um só Deus, tende piedade de nós.
Sagrada Face do Filho de Deus vivo, tende piedade de nós.
Sagrada Face, espelho da majestade divina, tende piedade de nós.
Sagrada Face do nosso Salvador, tende piedade de nós.
Sagrada Face, inundada de suor e sangue, tende piedade de nós.
Sagrada Face, humilhada pelo beijo do traidor, tende piedade de nós.
Sagrada Face, barbaramente contundida por bofetões, tende piedade de nós.
Sagrada Face, acumulada de ignomínias e insultos, tende piedade de nós.
Sagrada Face, coberta dum véu e cinicamente ludibriada, tende piedade de nós.
Sagrada Face, atormentada por febre e sede, tende piedade de nós.
Sagrada Face, no julgamento, perante a multidão amotinada, tende piedade de nós.
Sagrada Face, banhada de lágrimas de dor, tende piedade de nós.
Sagrada Face, impressa na toalha de Verônica, tende piedade de nós.
Sagrada Face, coberta de blasfêmias horrendas, tende piedade de nós.
Sagrada Face, ao morrer na Cruz, inclinada para nós, tende piedade de nós.
Sagrada Face, desfigurada por feridas e golpes, tende piedade de nós.
Sagrada Face, revelada milagrosamente no Santo Sudário, tende piedade de nós.
Sagrada Face, glorificada pela ressurreição, tende piedade de nós.
Sagrada Face, alegria de todos os anjos e santos, tende piedade de nós.
Sagrada Face, por cuja veneração alcançamos auxílio nas angústias, tende piedade de nós.
Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, mostrai-nos a Vossa Sagrada Face, volvei a nós Vossa Sagrada Face, a fim de sermos salvos. Amém.
Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, mostrai-nos a Vossa Sagrada Face, volvei a nós Vossa Sagrada Face, a fim de sermos salvos. Amém.

Oração de Amor e Adoração
“Chagas benditas do meu amado Jesus, eu vos amo.
Chagas benditas do meu amado Jesus, eu vos adoro.
Chagas benditas do meu amado Jesus, eu vos rendo graças.
Chagas benditas do meu amado Jesus, eu vos adoro.
Por todas as chagas que sofrestes por amor, eu vos adoro, Jesus” (de Nossa Senhora a uma piedosa confidente).

EXPLICAÇÃO SOBRE A DEVOÇÃO À SAGRADA FACE pelo Bispo Auxiliar Dom Sebastião Roque Rabelo Mendes, Diretor Arquidiocesano do Apostolado da Sagrada Face da Arquidiocese de Belo Horizonte, MG.
* A origem da devoção à Sagrada Face de Jesus. Não podemos dizer que o Apostolado da Sagrada Face está ligado à Verônica, nem talvez ao Santo Sudário. Entretanto tem um pouco de influência.
A Sagrada Face é uma expressão muito Bíblica. Está muito ligada à Paixão de Jesus. Nos Salmos, sempre falamos que queremos ver a Face de Deus. Mas com a vinda de Jesus à terra, sobretudo no Monte Tabor, Jesus se transfigurou: seu rosto ficou cheio de luz, um rosto que reflete a divindade, e ao mesmo tempo a humanidade.
Podemos imaginar o rosto de Jesus, alegre, confiante. Mas a devoção à Sagrada Face, é a Face ensangüentada do Cristo, é a Face do Horto das Oliveiras, que todos os quatro Evangelistas falam, é a Paixão de Jesus, da sua dor que Ele teve lá na sua agonia. Depois de coroado de espinhos, crucificado e morto, é colocado no sepulcro.
O Santo Sudário é um pouco ligado à devoção, mas, fundamentalmente, se não houvesse nada do Santo Sudário, nem de Verônica, nós teríamos este culto à Sagrada Face. O Santo Sudário ajuda um pouco. Verônica que nem está na Bíblia também ajuda. Mas, independente do Santo Sudário e da Verônica, é um culto muito profundo, muito humano, muito divino sobre a Sagrada Face.
No dia 10 de Janeiro de 1959, a Congregação dos Ritos em Roma com a aprovação do grande Papa João XXIII, concedeu aos Bispos e Sacerdotes do Brasil a aprovação para a festa da Sagrada Face, a ser comemorada na 3ª Feira de Carnaval, aprovando o texto da Missa. Podemos dizer que esta devoção já está espalhada pelo mundo inteiro. Ela é muito antiga, cheia de contemplação, de oração e intercessão.
Todos os dias às 15h, os membros do apostolado se reúnem ou em casa, com as famílias, ou na Igreja para lembrar a hora em que Jesus morreu e de um modo especial nas terças-feiras.
A espiritualidade do Apostolado da Sagrada Face é viver os ensinamentos de Jesus, meditar o Evangelho e tirar dali, o modo de viver que Jesus nos ensinou; É também contemplar a Face de Jesus na Cruz, no Calvário, no Horto das Oliveiras, e contemplar a Face do Cristo no rosto dos nossos irmãos, principalmente dos mais sofridos, marginalizados, dos abandonados, das crianças, sobretudo os doentes, daqueles que não tem voz nem vez.
É viver o Evangelho de Mateus, cap.25, 35-36 colocando-o em prática.
Que todos nós tenhamos esta devoção à Sagrada Face unida à Eucaristia, pois é na Hóstia Consagrada que contemplamos fielmente o Cristo.
A segunda carta de São Paulo aos Coríntios, cap, 4 vers.3 ,4,6 fala: “Se nosso Evangelho ainda está encoberto é para os que se perdem que ele permanece velado, para os infiéis, nos quais o deus deste século obscureceu os espíritos, a fim de que não vejam brilhar a luz do evangelho da glória de Cristo o qual é a imagem de Deus”.
O deus deste século é claro que é o inimigo de Deus. Ele faz com que os espíritos fiquem embotados a fim de que não vejam brilhar a luz do evangelho. Porque Deus que disse: “Do meio das trevas brilhe a luz!” Ele mesmo reluziu em nossos corações para fazer brilhar o conhecimento da glória de Deus, que resplandece na face de Cristo. Dissemos “não” aos procedimentos secretos e vergonhosos, não agimos com astúcia, nem falsificamos a palavra de Deus. Ao contrário, manifestando a verdade, nos recomendamos diante de Deus à consciência de cada homem.

REVELAÇÕES
Segundo as últimas revelações à Beata Irmã Maria Pierina Micheli, na primeira terça-feira (da paixão de 1937) depois de ter sido instruída na devoção da Sagrada Face, conforme ela escreveu, Jesus lhe disse: “Pode ser que algumas almas receiem, que a devoção e o culto da Minha Face venha a diminuir a do Meu Coração. Diga-lhes, que ao contrário, será completada e aumentada. Contemplando a Minha Face, as almas participarão das Minhas dores e sentirão a necessidade de amar e reparar. Pois não é talvez esta a verdadeira devoção a Meu Coração?”
O Papa Pio XII na sua Encíclica HAURETIS AQUAS: “É na Face que se revela o Coração”.
“Vossa Face é minha pátria, meu reino de amor” (Santa Terezinha do Menino Jesus).
“Espírito de Santidade, sopro divino que agita o universo, vinde e renovai a face da terra. Suscitai, nos cristãos, o desejo da unidade plena, para serem, no mundo, sinal e instrumento eficaz da união íntima com Deus e da unidade de todo o gênero humano” (Oração do Papa João Paulo II o missionário da paz, testemunho de Deus vivo, no 2º ano de preparação para o grande jubileu 2000, ano dedicado ao Espírito Santo).
“Que não seja derramado uma só lágrima na face de um irmão, sem que não se encontre um apóstolo da Sagrada Face para enxugá-la” (Apelo do Cardeal Dom Serafim Fernandes de Araújo, Arcebispo de Belo Horizonte aos Apóstolos da Sagrada Face em 01-10-1998).
“Senhor, fazei brilhar sobre o Mundo a Luz da Vossa Face e seremos salvos”. Glória ao Pai.

SANTA TERESINHA E A SAGRADA FACE
Na terça-feira de carnaval, muitas igrejas celebram a festa da Sagrada Face de Jesus. Devoção calcada nas Sagradas Escrituras, inspirada especialmente nos salmos e nos cânticos do “Servo Sofredor”,  encontrou,  no decorrer da história, vários homens e mulheres, místicos conhecidos ou menos conhecidos, que se encarregaram de propagá-la.
A “Sagrada Face” ou “Santa Face” (para ser mais fiel ao termo francês), foi objeto de especial afeição por parte de santa Teresinha.
Vejamos porque a Sagrada Face participa ativamente do “corpus” da espiritualidade de nossa padroeira. Entender o amor de Teresa à Sagrada Face poderá nos ajudar a enriquecer nossa compreensão da caminhada teresiana, a passos largos, rumo  à  santidade.
As famílias Martin e Guérin (tios de Santa Teresinha) nutriam uma grande devoção à Santa Face de Jesus, incentivados pelo “santo homem de Tours”, o Sr. Dupont e pela espiritualidade de Irmã Maria de São Pedro e da Santa Face, carmelita na mesma cidade de Tours, na França (1816-1848).
O Sr. Isodore Guérin, tio de nossa santa, ao ler a vida do famoso homem de Tours, tornou-se devoto da Santa Face e, por seu intermédio, foi instalado um quadro da Sagrada Face em uma das capelas laterais da catedral de São Pedro, em Lisieux. Teresinha amava muito este quadro. No coro do Carmelo havia também um quadro da Sagrada Face e nossa padroeira fará dela uma reprodução que será colocada no cortinado do seu leito de enfermo para, assim, contemplar com amor a Face querida do seu Bem-Amado (CA 5.8.9).
Aos 12 anos, Teresa se inscreve na Confraria reparadora de Tours (26.04.1885). A partir de 19.01.1889, data de sua tomada  do hábito, Irmã Teresa do Menino Jesus completará seu nome religioso, passando a assinar “da Santa Face”. Deu tanta importância este acréscimo, que ora escreve “Ir. Teresa do Menino Jesus e da Sagrada face”, ora escreve “Ir. Teresa do Menino Jesus da Santa Face”.
No segundo modo de assinar, ela retira a preposição, talvez para ressaltar sua íntima ligação com a Sagrada Face. Provavelmente queira também mostrar o profundo nexo que une o mistério da Encarnação (Belém) ao da Paixão e Morte (Calvário), único e arrebatador mistério da bondade misericordiosa do Senhor.
Aos diversos sofrimentos próprios à vida religiosa, vividos por Teresa desde os 15 anos, deve-se acrescentar os advindos pela enfermidade mental de seu pai. Em 12.02.1889, o Sr. Martin precisa ser hospitalizado. Nesta situação de dor, Teresa escreve à sua irmã Celina: “Jesus arde em amor por nós… Olhe sua face adorável!… Olhe estes olhos fechados e abaixados!… Olhe essas chagas… Olhe Jesus na sua Face. Lá você verá como ele nos ama” (Carta 87).
Encontraremos diversos comentários sobre a Santa Face em outras cartas: “Sim, a face de Jesus é luminosa, mas se em meio às feridas e às lágrimas ela já é tão bela, como não o será quando a virmos no céu?… Oh, o céu, o céu! (Carta 95).
“Seu rosto estava escondido!… Ele o está ainda hoje, pois quem é que compreende as lágrimas de Jesus?” (Carta 105).
“Jesus me pegou pela mão, fez-me entrar em um subterrâneo onde não faz frio nem calor, onde o sol não brilha, e que não é visitado nem pela chuva nem pelo vento; um subterrâneo onde não vejo nada senão uma luz meio apagada, o brilho que espalham ao seu redor os olhos da Face de meu Noivo!…” (Carta 110).
“Após ter sorrido para Jesus no meio das lágrimas, você gozará dos raios de sua Face divina… ” (Carta 149).
Em 1895, evocando seus anos de sofrimento, assim resumirá suas intuições: “A Florzinha transplantada para a montanha do Carmelo devia desabrochar à sombra da cruz; as lágrimas, o sangue de Jesus tornaram-se seu orvalho e seu Sol foi sua face adorável coberta de lágrimas… Até então não sentira a profundidade dos tesouros escondidos da santa Face… Aquele cujo reino não é deste mundo me mostrou que a verdadeira sabedoria consiste em “querer ser ignorada e tida por nada” – em “por sua alegria no desprezo de si mesmo”… Ah, como o de Jesus, eu queria que “Meu rosto fosse verdadeiramente escondido, que na terra ninguém me reconhecesse” (MA 77v).
Celina (Irmã Genoveva), a respeito do amor de Teresa à Sagrada Face, escreveu: “Esta devoção foi o coroamento e o pleno desabrochar de seu amor pela sagrada Humanidade de Jesus. A Santa Face era o espelho no qual contemplava a Alma e o Coração de seu Amado, em que ela o contemplava em sua inteireza” (Conselhos e Lembranças).
A Santa Face não foi para Teresa uma simples devoção privada: encontra-se no coração de sua Cristologia, de seu amor apaixonado pelo Jesus escondido. Contudo sabia que o Desfigurado seria um dia Transfigurado em sua Ressurreição. No Processo Informativo Ordinário, Irmã Maria do Sagrado Coração irá afirmar: “Desde muito tempo, ela tinha uma devoção muito especial ao Menino Jesus e à Sagrada Face, mas esta última devoção se desenvolveu, sobretudo no Carmelo” (PO 250).
Fontes: “Santa Teresa de Lisieux, Diccionario”, Ed. Monte Carmelo, Burgos, Espanha, pp. 604-605.
“Dicionário de Santa Teresinha”, Pedro Teixeira Cavalcante, Ed. Paulus, 1997, p. 224

TERÇO DA SAGRADA FACE
Oferecimento
Ó Sagrada Face adorável
Espelho de sofrimento
Emblema Santo de dor
Pelos tormentos atrozes
Sofridos em vossa cruz
Aceitai as nossas dores
Para vos consolar, Jesus!
SOBRE A CRUZ, rezar (Creio, Pai Nosso, Ave Maria)
SOBRE O PAI NOSSO, rezar: Ó Jesus Cristo, fazei resplandecer a vossa face sobre nós.
Resposta: Permanecei Conosco Senhor!
NAS PRIMEIRAS AVE MARIAS, rezar: Sagrada Face de Jesus suavizai a nossa Cruz.
NAS OUTRAS AVE MARIAS, rezar: Senhor Jesus Cristo mostrai-nos a Vossa Sagrada Face e seremos salvos.
BREVE EXPLICAÇÃO SOBRE O CULTO DA SAGRADA FACE
Esta salutar devoção que se diria instituída pelo próprio Salvador no dia de Sua morte imprimindo sua Efígie Sagrada no Santo Sudário, tem tomado nestes últimos tempos um desenvolvimento considerável, seja em virtude da decisiva importância que a Divina Face teve na vida de Santa Terezinha, ou pelos surpreendentes estudos da figura de Jesus na toalha mortuária de Turim, ou ainda por causa das recentes revelações à Beata Irmã M. Pierina de Micheli (+1945), privilegiada mensageira da Sagrada Face dos dias Atuais.
É como um sopro divino que passa sobre o mundo para combater os estragos das imagens sedutoras e preservar a humanidade dos castigos da justiça do alto. As consoladoras promessas de Nosso Senhor confirmadas por uma feliz experiência, mostram quanto é agradável a Deus e útil às almas a veneração e o culto da Sagrada Face. E além de tudo: a contemplação do divino Rosto é o meio mais fácil e eficaz de conhecer a Nosso Senhor e merecer, como que de imediato o seu amor. Sim, basta CONTEMPLÁ-LO.
Observou a este respeito a Beata M. Pierina: “A Sagrada Face é tudo para mim, porque me leva diretamente ao seu coração, como se fosse a porta de entrada”.
É o que quer dizer também o Papa Pio XII na sua Encíclica Haurietis Aquas: “É na Sagrada Face que se revela o Coração”.
Quanto a propagação, escreveu no dia 4 de junho de 1906 o Cardeal Gennari em nome do Papa São Pio X às Carmelitas de Lisieux, referindo-a Sagrada Face da autoria da Madre Genoveva, irmã de Santa Terezinha: “O Santo Padre Deseja que esta imagem seja distribuída profusamente por todas as partes e que seja venerada em todas as famílias cristãs. Recomenda a propagação de seu culto particularmente aos Exmos. Senhores Bispos, bem como a todos os Eclesiásticos e abençoa especialmente todos aqueles que se tornarem seus propagadores”.
E neste sentido pronunciou-se também Pio XI dizendo: “Em toda casa e em toda Igreja haja um quadro da Santa Face” (Oss. Rom. 8-V-1930). Poderia esta devoção ter encontrado uma recomendação mais autêntica e abençoada? Propaguemos, pois, a imagem adorável do Nosso Salvador! Que cada família a possua! Zelemos por sua devoção nas terças feiras! Distribuamos conforme Nossa Senhora pediu, a nova medalha e cuidemos da celebração da festa na terça feira de carnaval, preparando-a por uma piedosa novena! Não há dúvida: a vista do exposto, se vê que Deus quer que o mundo de hoje, angustiado como nunca, volte a procurar a Face de Seu Filho, Divina Fonte da verdadeira Paz e Liberdade.

NOVENA À SAGRADA FACE
Essa edificante devoção que seria instituída pelo próprio Salvador no dia de Sua morte, imprimindo milagrosamente Sua Imagem Sagrada no Sudário de Verônica, tem tomado nesses últimos tempos um desenvolvimento considerável. As consoladoras promessas de Nosso Senhor, confirmadas por uma feliz experiência, mostram quanto é agradável a Deus e útil às almas a veneração e o culto da Sagrada Face!
Observou a esse respeito Beata M. Pierina: “A Sagrada Face é tudo para mim, porque me leva diretamente a Seu coração, como se fosse a porta de entrada”.
Zelemos por Sua devoção nas terças-feiras! Distribuamos, conforme Nossa Senhora pediu, a nova medalha e cuidemos da celebração da festa na terça-feira de Carnaval, preparando-nos por uma piedosa novena! Não há dúvida: à vista do exposto, se vê que Deus quer que o mundo de hoje, angustiado como nunca, volte a procurar a Face de Seu Filho, divina fonte da verdadeira paz!

ORAÇÃO PREPARATÓRIA PARA TODOS OS DIAS
Senhor, procuro Vossa Face! Não me afasteis para longe dela por causa de meus pecados; não desvieis de mim Vosso Santo Espírito. Fazei brilhar sobre mim a luz da Vossa Face, instruí-me no caminho dos Vossos mandamentos. Eterno Pai, contemplai a Face de Vosso Filho e por seus infinitos merecimentos concedei-me um ardente desejo de reparar as injúrias feitas à Vossa Divina Majestade e a graça que desejo alcançar nessa novena. Assim seja.

19/02 – Primeiro dia
Oração: Oh! Amorosíssimo Jesus! Vossa palavra e a expressão de Vossa Face abrasada em amor, nos revelam, no Cenáculo, a veemência com que Vosso coração desejava a hora de dar-nos a Eucaristia! Inflamai meu coração de amor por esse sacramento adorável, visitando-o e recebendo-o freqüentemente com a pureza dos anjos. Consideração: Se Jesus me ama, se Sua Face me procura, o que me detém?… Que me pede Jesus, senão amor e confiança?… Negar-lhe-ei?…
Virtude a praticar: Desprendei-vos, pelo menos de coração, de todas as coisas da terra. Seja Jesus vosso tesouro. Oração final para todos os dias: Deus Todo-Poderoso e Misericordioso, nós Vos suplicamos que, venerando a Face Santíssima de Vosso Filho, desfigurada na Paixão por causa de nossos pecados, mereçamos contemplá-la eternamente no resplendor da glória celeste. Pelo mesmo Jesus Cristo Nosso Senhor. Assim seja.

20/02 – Segundo dia
Oração preparatória como no primeiro dia
Oração: Oh, Vítima Divina, meu doce Jesus! Face adorável, banhada em suor de sangue no Getsêmani, descobre-me a grandeza de Vossas dores e a gravidade dos meus pecados. Dai-me a mim e a todos os pecadores um sincero arrependimento com firmíssimo propósito de nunca mais pecar.
Consideração: Por toda a parte onde se mostrou sobre a terra, a Sagrada Face de Jesus abençoou, perdoou, curou e fez o bem…Jesus dirige o mundo com Seu olhar! Eu O invoco, porque não serei atendido?…
Virtude a praticar: Sede dócil às inspirações da graça. O olhar de Jesus que vos solicita é uma graça; entregai-vos a sua celeste influência.
Oração final sempre como no primeiro dia

21/02 – Terceiro dia
Oração: Oh! Meu amabilíssimo Jesus! Vossa Face augusta e serena teve uma expressão de dor imensa ao receber o beijo do traidor. Dai-me a graça, eu vos suplico, de participar de Vossa íntima aflição pelos sacrilégios que cometem os que Vos recebem em pecado mortal no Sacramento de amor, desagravando assim, a traição de Judas.
Consideração: Sim, eu sei, meu Redentor está vivo. Esta mesma Face que eu contemplo, hoje tão amargurada pela traição de um apóstolo infiel, hei de contemplar um dia radiante de graça e de esplendores. E, se eu for fiel, assim a contemplarei por toda a eternidade. Meu bom Jesus, mostrai-me Vossa Face.
Virtude a praticar: Fidelidade em observar os mandamentos divinos: “Falai, Senhor, Vosso servo Vos escuta”.
Oração final como no primeiro dia

22/02 – Quarto dia
Oração: Oh! Meu dulcíssimo Jesus! Vossa Face de infinita bondade é objeto do mais vil insulto pela cruel mão de um servo em casa de Anás. Assim Vos tratam, meu doce Salvador, porque aborrecem Vossas palavras de justiça e de caridade sem limites. Não permitais que eu jamais me vingue de meus inimigos, mas que os perdoe sempre e de todo o coração.
Consideração: Devo oferecer-me inteiramente a Deus, para fazer só sua adorável vontade; farei esse oferecimento em união com Jesus orando, a Face contra a terra, no Jardim das Oliveiras.
Virtude a praticar: Fazei penitência; praticai a contrição de vossos pecados alheios; aceitai, em espírito de expiação, as penas e amarguras que Deus aprouver enviar-vos.
Oração final como no primeiro dia

23/02 – Quinto dia
Oração: Oh! Meu pacientíssimo Jesus! Na noite tenebrosa de Vossa Paixão, Vossa Face sacrosanta tornou-se semelhante à de um leproso! Desprezos, escarros, bofetadas e injúrias sem número, desfiguram Vosso formoso semblante! Perdoai, Senhor, Vosso povo ingrato que com suas blasfêmias e crimes de toda espécie, renovam tão horríveis afrontas à Vossa Face augusta e venerada! Perdoai, Senhor!
Consideração: Jesus tem os olhos cerrados para não ver meus pecados… Continuarei nas minhas iniqüidades?… Até quando afrontarei essa Face que pacientemente sofre e me espera?… Até quando?… Até quando?… Não a consolarei com a minha entrega total?
Virtude a praticar: Tende a coragem da fé, não temais o olhar e as palavras dos homens, quando se tratar de um dever a cumprir ou de uma falta a evitar.
Oração final como no primeiro dia

24/02 Sexto dia
Oração preparatória como no primeiro dia
Oração: Soberano Rei e Salvador! A majestosa dignidade de Vossa Face, vilipendiada e coroada de espinhos, proclamou solenemente Vossa realeza sobre as nações, confirmadas pela profética voz de Pilatos diante do povo judeu, ao dizer: “Eis o vosso Rei”. Concedei-me, ó Rei da Glória, um ardoroso zelo para propagar Vosso Reino, ainda que seja à custa de minha vida.
Consideração: Acabrunhado sob o peso de minhas iniqüidades, que farei diante de meu divino Rei? Por que hesitas, minha alma…Não é Ele teu Salvador?… Por acaso sua Face não te contempla com doçura e amor? Cheia de confiança, prosta-te aos pés de Jesus, dizendo-lhe de todo coração: “Meu Senhor e meu Rei! Eis aqui minha alma e meu corpo: eu me ponho, inteiramente sob o império de Vossa Face ultrajada”. Reinai sobre mim para sempre!
Virtude a praticar: Fazer morrer em vós, pela mortificação, todos os desejos e movimentos aviltantes que poderiam ofender a Sagrada Face e renovar as suas dores.
Oração final como no primeiro dia

25/02 – Sétimo dia
Oração preparatória como no primeiro dia
Oração: Oh! Meu querido e generosíssimo Jesus! Vossa Face de Deus-Homem se iluminou, subitamente, com os esplendores de um santo gozo, ao estreitar em Vossos braços a suspirada cruz! Dai-me coragem para tomar a minha cruz e seguir-vos com ânimo constante e generoso até o fim de minha vida.
Consideração: Se amo e me compadeço verdadeiramente dos ultrajes pela Face adorável de meu Salvador, devo amar meus irmãos desgarrados e pedir a Deus que os converta.
Virtude a praticar: Que o zelo de reparação vos inflame! Exercei-o por meio de comunhões, orações, palavras e exemplos, enfim, por todos os meios que a vista do mal cometido deve inspirar-vos.
Oração final como no primeiro dia

26/02 – Oitavo dia
Oração preparatória como no primeiro dia
Oração: Oh! Meu terníssimo Jesus! Qual não deve ter sido a expressão de doçura de Vossa Face, quando Verônica se aproximou de Vós para enxugá-la! Com que amorosa gratidão a contemplastes e qual não foi o seu assombro ao achar impressa em seu véu a Vossa Face desfigurada, mas cheia de amor!… Fazei que eu contemple, meu amado Redentor, Vossa Paixão com tanto amor e ternura que os traços da Vossa Face fiquem gravados em meu coração.
Consideração: Meditando no amor de Deus por mim, amor estampado em Sua Face retalhada e amortecida, ainda terei dificuldade em esquecer os males que me causaram, de perdoar os que me ofenderam, de qualquer maneira, de amar sinceramente meu próximo e pedir a salvação para todos os homens?…
Virtude a praticar: Suportar pacientemente as injúrias e as friezas de vosso próximo, aceitai o que elas têm de penoso para o coração, em espírito de reparação, por tudo o que Jesus sofreu em Sua Face adorável.
Oração final como no primeiro dia

27/02 – Nono dia
Oração preparatória como no primeiro dia
Oração: Oh! Meu Santíssimo e amado Jesus! Vossa Face de Reparador divino, coberta pelas sombras da morte, aplacou as justiças do Eterno Pai, e Vossas últimas palavras foram penhor seguro de eterna felicidade. Que minha vida e minha morte sejam uma contínua reparação unida à Vossa e à de Vossa Mãe Santíssima, a quem invocarei sempre com o nome da Mãe.
Consideração: Quando irei e aparecerei diante da Face de meu Deus? Quando o verei face a face?…
Virtude a praticar: “Quem me contempla me consola! Se alguém contemplar a minha Face Eu derramarei meu amor nos corações e por meio de minha Face se obterá a salvação de muitos pecadores!” Almas generosas, procurai e contemplai sempre a adorável Face de Jesus!
Oração final como no primeiro dia

EXPLICAÇÃO SOBRE A DEVOÇÃO À SAGRADA FACE
Esta edificante devoção que seria instituída pelo próprio Salvador no dia de sua morte, imprimindo milagrosamente Sua Imagem Sagrada no Sudário de Verônica, tem tomado nestes últimos tempos um desenvolvimento considerável.
Seja em virtude da decisiva importância que a Divina FACE teve na vida de Santa Teresinha, ou dos surpreendentes estudos da figura de JESUS na toalha mortuária de Turim, como ainda por causa das recentes revelações a Irmã M. Pierina de Michele (+1945), a privilegiada mensageira da SAGRADA FACE.
Irmã M. Pierina de Michele tomou o hábito das Filhas da Imaculada Conceição no dia 14 de Maio de 1914. Alma ardente de amor a JESUS e às almas, entregou-se desde logo incondicionalmente ao Esposo Divino, e Ele a fez objeto de suas complacências. Desde criança, praticava atos de reparação, os quais, aos poucos, levaram-na a uma imolação completa de si mesma. Por isso não é de admirar, que, quando menina de doze anos apenas na Sexta-feira Santa, na Igreja de São Pedro em Milão, ouvi-se uma voz bem clara a dizer-lhe: “ninguém me dá um beijo de amor na FACE, para reparar o beijo de Judas”.
Quando noviça ainda, obteve a licença de fazer adoração noturna, e quando na noite de Quinta-feira Santa estava rezando diante do crucificado, escutou as palavras “Beija-me!” Irmã Pierina obedeceu sem demora, e seus lábios, em vez de pousar sobre uma face de gesso, sentira viva a FACE DE JESUS.
A noite inteira passou na igreja, pois quando a Madre superiora ali a encontrou, já era de manha. O coração abalado com o sofrimento de JESUS, sentiu o desejo de reparar os ultrajes que Ele recebera na SAGRADA FACE e continua a receber cada dia no SANTÍSSIMO SACRAMENTO. Em 1919, Irmã Pierina é transferida para a Casa-Mãe em Buenos Aires. Ali no dia 12 de Abril de 1920, quando durante uma oração se queixava de suas aflições, JESUS se lhe manifestou ensangüentado, e com ternura e dor ao mesmo tempo lhe disse: “E EU, que é que fiz!” (para sofrer tanto). “Destas palavras eu nunca me esquecerei”, escreveu Irmã Pierina em seu diário.
Mas agora compreendia a Devoção à SAGRADA FACE, que daí em diante se tornou seu livro de meditação. Em 1921, voltou pra Milão, onde continuo a intensificar seu amor a JESUS. Eleita logo depois superiora da Casa de Milão, não tardou a ser nomeada superiora regional da Itália.
Mas apesar de seus muitos trabalhos, não deixou de ser Apóstola da Devoção à SAGRADA FACE, tanto entre suas irmãs como entre as pessoas conhecidas; contudo, procurando sempre ocultar seus privilégios divinos, dos quais as próprias irmãs de hábito, raríssimas vezes, foram testemunhas.
Irmã M. Pierina, um dia, até pediu a JESUS que sua vida passasse desapercebida; pedido que lhe foi concedido. Com o passar dos anos, JESUS se lhe manifestava de vez em quando, ora triste, ora ensangüentado, pedindo sempre reparação. E foi por isso que o desejo de sofrer e de se sacrificar pelas almas cresceu mais e mais no coração de Irmã Pierina.
Durante a oração noturna da primeira Sexta-feira da quaresma em 1936, JESUS, depois de havê-la feito participante das dores da agonia do Getsêmani, disse-lhe, mostrando sua FACE coberta de sangue e tomada de grande tristeza: “Quero que MINHA FACE, que reflete a Minha íntima aflição de meu ânimo, a dor de Meu coração seja mais honrado. QUEM ME CONTEMPLA, ME CONSOLA”.
Na terça-feira daquele ano, JESUS tornou a dizer-lhe: “Cada vez que se contemplar a MINHA FACE, derramarei o Meu Amor nos corações, e por meio de MINHA SAGRADA FACE obter-se-á a salvação de muitas almas”. Beata Irmã M. Pierina faleceu, unindo-se Àquele que amou tanto, em 26 de julho de 1945.
Sua morte não teve as características da morte dos homens em geral; foi uma passagem de amor como ela mesma escreveu em seu diário no dia 19 de julho de 1941: “tenho sentido uma imensa necessidade de viver sempre mais unida a JESUS, de amá-lo intensamente, para que minha morte seja uma passagem de amor ao meu JESUS”.

Evitar ser “cristãos morcegos”

Não ter medo

Quinta-feira, 24 de abril de 2014, Da Redação, com Rádio Vaticano

Francisco destacou que os cristãos não podem ter medo da alegria da Ressurreição, mas sim manter um diálogo contínuo com Deus

Há cristãos que têm medo da alegria da Ressurreição que Jesus quer doar, e a vida deles parece um funeral. Mas Cristo ressuscitou e está sempre presente! Esta foi a reflexão central do Papa Francisco, na Missa celebrada, nesta quinta-feira, 24, na Casa Santa Marta.

O Evangelho de hoje conta a aparição de Cristo ressuscitado aos discípulos. Francisco explicou que Jesus queria conduzi-los à alegria da Ressurreição, mas os discípulos não acreditavam, porque estavam chocados e cheios de medo, pensando terem visto um fantasma.

“Esta é uma doença dos cristãos. Temos medo da alegria. É melhor pensar: ‘sim, sim, Deus existe, mas está lá; Jesus ressuscitado está lá’. Um pouco de distância. Temos medo da proximidade de Jesus, porque isso nos dá alegria. E assim se explicam tantos cristãos de funerais, não? A vida deles parece um funeral contínuo”.

Segundo o Papa, essas pessoas preferem a tristeza, não a alegria. Deixam-se conduzir melhor nas sombras e não na luz. Nesse sentido, ele comparou esse tipo de cristãos aos morcegos. “Como aqueles animais que somente conseguem sair à noite, mas à luz do dia não, não veem nada. Com um pouco de senso de humor, podemos dizer que há cristãos morcegos, que preferem as sombras à luz da presença do Senhor”.

O Papa destacou que Cristo, com Sua Ressurreição, traz a alegria de ser cristão, de segui-Lo, de andar pelos caminhos das bem-aventuranças. Muitas vezes, ressaltou Francisco, tem-se medo dessa alegria, há cristãos que foram derrotados na cruz, mas a vida cristã deve ser um diálogo com Jesus.

“Peçamos ao Senhor que faça com todos nós aquilo que fez com os discípulos, que tinham medo da alegria: abra a nossa mente e nos faça entender que Ele é uma realidade viva, Ele tem corpo e Ele está conosco. Deus nos acompanha. Ele venceu. Peçamos ao Senhor a graça de não ter medo da alegria”.

Santa Josefina Bakhita – 08 de Fevereiro

JOSEFINA BAKHITA (1869-1947)

Religiosa sudanesa da Congregação das Filhas da Caridade (Canossianas) 

Irmã Josefina Bakhita nasceu no Sudão (África), em 1869 e morreu em Schio (Vicenza-Itália) em 1947.  

Flor africana, que conheceu a angústia do rapto e da escravidão, abriu-se admiravelmente à graça junto das Filhas de Santa Madalena de Canossa, na Itália.

A irmã morena

Em Schio, onde viveu por muitos anos, todos ainda a chamam «a nossa Irmã Morena».

O processo para a causa de Canonização iniciou-se doze anos após a sua morte e no dia 1 de dezembro de 1978, a Igreja emanava o Decreto sobre a heroicidade das suas virtudes.

A Providência Divina que «cuida das flores do campo e dos pássaros do céu», guiou esta escrava sudanesa, através de inumeráveis e indizíveis sofrimentos, à liberdade humana e àquela da fé, até a consagração de toda a sua vida a Deus, para o advento do Reino.

Na escravidão

Bakhita não é o nome recebido de seus pais ao nascer. O susto provado no dia em que foi raptada, provocou-lhe alguns profundos lapsos de memória. A terrível experiência a fizera esquecer também o próprio nome.

Bakhita, que significa «afortunada», é o nome que lhe foi imposto por seus raptores.

Vendida e comprada várias vezes nos mercados de El Obeid e de Cartum, conheceu as humilhações, os sofrimentos físicos e morais da escravidão.

Rumo à liberdade

Na capital do Sudão, Bakhita foi, finalmente, comprada por um Cônsul italiano, o senhor Calixto Legnani. Pela primeira vez, desde o dia em que fora raptada, percebeu com agradável surpresa, que ninguém usava o chicote ao lhe dar ordens, mas, ao contrário, era tratada com maneiras afáveis e cordiais. Na casa do Cônsul, Bakhita encontrou serenidade, carinho e momentos de alegria, ainda que sempre velados pela saudade de sua própria família, talvez perdida para sempre.

Situações políticas obrigaram o Cônsul a partir para a Itália. Bakhita pediu-lhe que a levasse consigo e foi atendida. Com eles partiu também um amigo do Cônsul, o senhor Augusto Michieli.

Na Itália

Chegados em Gênova, o Sr. Legnani, pressionado pelos pedidos da esposa do Sr. Michieli, concordou que Bakhita fosse morar com eles. Assim ela seguiu a nova família para a residência de Zeniago (Veneza) e, quando nasceu Mimina, a filhinha do casal, Bakhita se tornou para ela babá e amiga.

A compra e a administração de um grande hotel em Suakin, no Mar Vermelho, obrigaram a esposa do Sr. Michieli, dona Maria Turina, a transferir-se para lá, a fim de ajudar o marido no desempenho dos vários trabalhos. Entretanto, a conselho de seu administrador, Iluminado Checchini, a criança e Bakhita foram confiadas às Irmãs Canossianas do Instituto dos Catecúmenos de Veneza. E foi aqui que, a seu pedido, Bakhita, veio a conhecer aquele Deus que desde pequena ela «sentia no coração, sem saber quem Ele era».

«Vendo o sol, a lua e as estrelas, dizia comigo mesma: Quem é o Patrão dessas coisas tão bonitas? E sentia uma vontade imensa de vê-Lo, conhecê-Lo e prestar-lhe homenagem».

Filha de Deus

Depois de alguns meses de catecumenato, Bakhita recebeu os Sacramentos de Iniciação Cristã e o novo nome de Josefina. Era o dia 9 de janeiro de 1890. Naquele dia não sabia como exprimir a sua alegria. Os seus olhos grandes e expressivos brilhavam revelando uma intensa comoção. Desse dia em diante, era fácil vê-la beijar a pia batismal e dizer: «Aqui me tornei filha de Deus!».

Cada novo dia a tornava sempre mais consciente de como aquele Deus, que agora conhecia e amava, a havia conduzido a Si por caminhos misteriosos, segurando-a pela mão.

Quando dona Maria Turina retornou da África para buscar a filha e Bakhita, esta, com firme decisão e coragem fora do comum, manifestou a sua vontade de permanecer com as Irmãs Canossianas e servir aquele Deus que lhe havia dado tantas provas do seu amor.

A jovem africana, agora maior de idade, gozava de sua liberdade de ação que a lei italiana lhe assegurava.

Filha de Madalena

Bakhita continuou no Catecumenato onde sentiu com muita clareza o chamado para se tornar religiosa e doar-se totalmente ao Senhor, no Instituto de Santa Madalena de Canossa.

A 8 de dezembro de 1896, Josefina Bakhita se consagrava para sempre ao seu Deus, que ela chamava com carinho «el me Paron!».

Por mais de 50 anos, esta humilde Filha da Caridade, verdadeira testemunha do amor de Deus, dedicou-se às diversas ocupações na casa de Schio.

De fato, ela foi cozinheira, responsável do guarda-roupa, bordadeira, sacristã e porteira. Quando se dedicou a este último serviço, as suas mãos pousavam docemente sobre a cabecinha das crianças que, diariamente, freqüentavam as escolas do Instituto. A sua voz amável, que tinha a inflexão das nênias e das cantigas da sua terra, chegava prazerosa aos pequeninos, reconfortante aos pobres e doentes e encorajadoras a todos os que vinham bater à porta do Instituto.

Testemunha do Amor

A sua humildade, a sua simplicidade e o seu constante sorriso, conquistaram o coração de todos os habitantes de Schio. As Irmãs a estimavam pela sua inalterável afabilidade, pela fineza da sua bondade e pelo seu profundo desejo de tornar Jesus conhecido.

«Sede bons, amai a Deus, rezai por aqueles que não O conhecem. Se, soubésseis que grande graça é conhecer a Deus!».

Chegou a velhice, chegou a doença longa e dolorosa, mas a Irmã Bakhita continuou a oferecer o seu testemunho de fé, de bondade e de esperança cristã. A quem a visitava e lhe perguntava como se sentia, respondia sorridente: «Como o Patrão quer».

A última prova

Na agonia reviveu os terríveis anos de sua escravidão e vária vezes suplicava à enfermeira que a assistia: «Solta-me as correntes … pesam muito!».

Foi Maria Santíssima que a livrou de todos os sofrimentos. Assuas últimas palavras foram: «Nossa Senhora! Nossa Senhora!», enquanto o seu último sorriso testemunhava o encontro com a Mãe de Jesus.

Irmã Bakhita faleceu no dia 8 de fevereiro de 1947, na Casa de Schio, rodeada pela comunidade em pranto e em oração. Uma multidão acorreu logo à casa do Instituto para ver pela última vez a sua «Santa Irmã Morena», e pedir-lhe a sua proteção lá do céu. Muitas são as graças alcançadas por sua intercessão.
“Vou devagar, passo a passo, porque levo duas grandes malas: numa vão os meus pecados, e na outra, muito mais pesada, os méritos infinitos de Jesus. Quando chegar ao céu abrirei as malas e direi a Deus: Pai eterno, agora podes julgar. E a São Pedro: Fecha a porta, porque fico”. Santa Josefina Bakhita.

 

SANTA JOSEFINA MARGARIDA FORTUNATA BAKHITA

Dificilmente se encontrará na hagiografia da Igreja caso semelhante ao de Josefina Bakhita, que veio ao mundo em terras do Sudão (África) por volta de 1870, de pais pagãos. Desconhece-se o seu nome de origem, pois o trauma causado pelos espantosos sofrimentos da infância e adolescência levaram-na a esquecer o próprio nome. Foram os seus raptores que – por ironia da história – a apelidaram de Bakhita, que quer dizer afortunada.

Apesar de ser de família rica, logo de pequena começou a sofrer ao presenciar o rapto de uma irmã mais velha. Dois anos depois, quando contava cerca de nove primaveras, também ela teve a mesma desgraça. Submetida a terríveis sevícias, caminhou com muitos outros prisioneiros durante dias seguidos. Numa noite conseguiu fugir com uma companheira, mas terminou por cair nas unhas de outros negreiros, que a venderam a um oficial turco. Este entregou-a ao tirânico poder da esposa, mulher sem sentimentos, que mais parecia uma fera selvagem. É impossível descrever quanto a inocente criança sofreu nas mãos daquela sádica criatura. Basta dizer que a sujeitou ao tormento espantoso da tatuagem, abrindo-lhe feridas no corpo e cobrindo-as com sal.

Deus, porém, protegeu àquela vítima inocente, dispondo as coisas de tal forma que em 1884 fosse comprada pelo cônsul italiano em Cartum. Ele depois levou-a para o seu país e deu-a de presente a um amigo, que tinha em casa um administrador muito piedoso e empenhado na difusão da fé católica. Este tratou logo de ensinar os rudimentos da doutrina cristã à empregada negra, que não tinha religião nenhuma, mas possuía uma alma bem disposta. Com efeito, quando ainda era escrava, ao contemplar o céu estrelado, exclamava: “Que patrão tão poderoso, que acende tantas luzes!”

Em Veneza foi admitida no Pio Instituto dos Catecúmenos, dirigido pelas Irmãs Canossianas. Em 1889 ela pediu para ficar com as religiosas e que a não forçassem a voltar para casa da família que a havia recebido e agora exigia o seu regresso para a levar consigo para África. Felizmente, as Irmãs conseguiram por meio de um Cardeal que o Governo Italiano declarasse a escrava africana livre, com direito a escolher o seu futuro.

Estando bem instruída nas verdades da fé, no dia 9 de Janeiro de 1890 foi batizada com o nome de Josefina Margarida Fortunata Bakhita. Nesse mesmo dia recebeu o sacramento do Crisma e a Primeira Comunhão. Podemos imaginar os sentimentos de júbilo que inundaram a alma pura daquela jovem sudanesa, que de escrava passou a ser filha de Deus. Estes sentimentos vão renovar-se sete anos mais tarde, a 8 de Dezembro de 1896, quando – depois de haver ingressado no noviciado das Irmãs Canossianas – pronunciou os votos de pobreza, castidade e obediência. Agora era não só filha de Deus, mas também esposa do Cordeiro Imaculado.

Em toda a sua vida, Josefma Bakhita foi profundamente humilde, virtude que a acompanhou até à morte. A par da humildade, sobressaiu na obediência e no amor a Deus e ao próximo, desempenhando com alegria todos os ofícios que as Superioras lhe confiaram: cozinheira, porteira, sacristã e enfermeira. O que mais lhe custou foi ter de percorrer as diversas casas do Instituto numa promoção em favor das missões. Sujeitou-se, no entanto, sem palavra de queixa.

Em 1945 celebrou com alegria os 50 anos de vida consagrada. Os tormentos que padecera na infância deixaram-na marcada para o resto da vida. Com o andar dos anos foram-se acentuando os seus efeitos negativos. Começou por sofrer de artrite e sentir dificuldades na respiração e no caminhar. No Inverno de 1947 foi atacada por uma pneumonia dupla. Sentindo que a morte se aproximava, pediu o sacramento da santa Unção que recebeu com sinais de grande fervor. No dia 8 de Fevereiro desse ano, partiu para os braços do Pai.

Deus, que glorifica os humildes, glorificou a antiga escrava sudanesa com as honras da beatificação – a que assistiram centenas de milhares de pessoas, provenientes de 60 países dos vários continentes – no dia 17 de Maio de 1992. Foi canonizada a 1º de Outubro de 2000.

AAS 71 (1979) 460-4; I. ZANOLINI, Bakhita, Roma, 1961

Milagre do Casamento

Por Pe. Inácio José Schuster

A Bíblia narra um milagre extraordinário, operado por Jesus Cristo, nosso Senhor. É o relato de como um casamento foi tocado pelo poder de Deus, e de como o seu casamento poderá ser tocado também!

Observemos o relato bíblico: ‘Três dias depois, houve um casamento em Caná da Galiléia, e estava ali a mãe de Jesus; e foi também convidado Jesus com seus discípulos para o casamento. E, tendo acabado o vinho, a mãe de Jesus lhe disse: Eles não têm vinho. Respondeu-lhes Jesus: Mulher, que tenho eu contigo? Ainda não é chegada a minha hora. Disse então sua mãe aos serventes: Fazei tudo quanto ele vos disser. Ora, estavam ali postas seis talhas de pedra, para as purificações dos judeus, e em cada uma cabiam duas ou três medidas. Ordenou-lhe Jesus: Enchei de água essas talhas. E encheram-nas até em cima. Então lhes disse: Tirai agora, e levai ao mestre-sala. E eles o fizeram. Quando o mestre-sala provou a água tornada em vinho, não sabendo donde era, se bem que o sabiam os serventes que tinham tirado a água, chamou o mestre-sala ao noivo e lhe disse: Todo homem põe primeiro o vinho bom e, quando já têm bebido bem, então o inferior; mas tu guardaste até agora o bom vinho. Assim deu Jesus início aos seus sinais em Caná da Galiléia, e manifestou a sua glória; e os seus discípulos creram nele’ (Jo 2, 1-11).

Este foi o primeiro milagre que Jesus realizou, e não é em vão que tenha acontecido justamente num casamento! As Escrituras dão testemunho através disto, mostrando-nos que antes de Jesus realizar qualquer outro milagre de cura, libertação, etc. está interessado em agir nos casamentos. A família tem prioridade no plano de Deus, pois Ele não a criou para o fracasso, e sim para ser bem sucedida. Percebemos também que o milagre ocorrido deu-se em torno de haver ou não VINHO, que na Bíblia é uma figura de alegria (Sl 104, 15).

Nos casamentos, o que vemos e ouvimos é que o vinho sempre acaba. Pessoas que viviam embriagadas de amor pelo cônjuge, assistem perplexos seus sentimentos desaparecerem. O matrimônio, de maneira geral está falido, pois o vinho sempre acaba. Mas quando Jesus está presente aí é que se estabelece a diferença! Milagres acontecem e ele traz vinho novo aonde já não mais existia. Mas perceba que o milagre aconteceu porque Jesus estava lá. Ele e seus discípulos foram convidados para simplesmente estarem nas bodas; não receberam um chamado de última hora só porque os noivos precisavam de um milagre. Ele havia sido chamado para estar junto… E porque estava presente, operou o milagre!

De maneira semelhante, se você quer um casamento que dure, que sobreviva à falta do vinho (alegria), convide o Senhor Jesus para estar presente. Não espere a crise chegar, cultive sempre a presença dele por meio de oração e leitura da Sua Palavra, a Bíblia Sagrada. E não apenas leia, mas pratique a Palavra, pois o milagre acontece aonde há obediência; foi dito aos serventes que fizessem tudo o que Jesus mandasse, e porque fizeram sem questionar se era racional ou não, receberam o milagre.

Podemos observar ainda algumas figuras neste texto:
– O NÚMERO 6 – Havia seis talhas. Na Bíblia, este número sempre fala de algo que é humano. É chamado número de homem (Ap 13, 18). Portanto, percebemos que o milagre não depende só de Deus, mas há uma participação e um fator humano ligado a este milagre no casamento.
– AS TALHAS – O significado espiritual destas talhas está apontando para a parte que nos toca no que tange a receber o milagre de Deus. O seis fala do homem, e aqui entendemos nossa participação no milagre. As talhas eram o recipiente para o vinho que o Senhor Jesus transformaria. Normalmente eram pedras talhadas, cavadas. Isto sugere o quão duro somos no que tange aos relacionamentos e o quanto precisamos ser trabalhados por Deus em nossa forma de ser e agir no matrimônio. Quanto mais cavados nos deixamos ser pelo agir de Deus, maior será nosso potencial para receber o vinho. Uma pedra pouco cavada, comporta pouco vinho, mas uma pedra bem trabalhada comporta mais vinho!
– A ÁGUA – Era a matéria prima necessária para que o milagre pudesse acontecer. Não havia água nas talhas, Jesus foi quem mandou enchê-las. A água simboliza a Palavra e também o Espírito Santo. Nos lares onde o vinho chega a acabar, e todo o prazer do relacionamento desaparece, temos percebido que além dos erros cometidos na esfera natural, havia também falta de água; não havia o cultivo diário da presença de Deus por sua Palavra (lida e praticada) e a presença viva de seu Espírito. Creio ser esta a chave do milagre.

É importante se deixar ser trabalhado (o que é diferente de ser manipulado pelo cônjuge) na forma de se relacionar, mas se estas talhas não forem cheias da presença de Deus o vinho não aparecerá! Vale também ressaltar que quanto mais água aqueles servos colocassem nas talhas, mais vinho haveria; ou seja, o milagre de Deus em nosso casamento esta diretamente relacionado com o investimento que fazemos em cultivar Sua presença.

Finalizando, quero chamar sua atenção para a qualidade do milagre. Jesus deu o que havia de melhor em matéria de vinho, a ponto de o mestre-sala se impressionar e comentar que normalmente se bebe o melhor vinho e, depois de o terem desfrutado, oferece-se o inferior. Assim é com a maioria dos relacionamentos conjugais; bebem o melhor vinho nos primeiros anos, depois a qualidade cai e assim é até que acabe. Mas quando Deus faz um milagre, o que se experimenta é algo inédito, muito superior a tudo o que já se experimentou até então. Deus nos dá o melhor, sempre!

Deixe Deus ser não apenas o Criador do matrimônio, mas aquele que oferece toda manutenção necessária. Quando isto acontece, não somente somos beneficiados com um lar melhor, mas Deus recebe a honra e glória devidas. O vinho dos lares cristãos deve ser o da mais alta qualidade… Se você reconhece que o vinho acabou (ou está quase acabando) em seu matrimônio, creia na vontade de Deus de agir nos casamentos. Renove o convite ao Senhor Jesus para estar em seu lar, pratique estes princípios espirituais e seja feliz como o Pai Celestial sempre quis que cada casal fosse!

Tal como a Família de Nazaré, muitas outras se encontram hoje em exílio, mesmo dentro das próprias famílias

Papa no Angelus

A Sagrada Família de Nazaré que hoje a Igreja comemora, foi o tema da reflexão do Papa Francisco, por ocasião da oração mariana do Angelus, juntamente com os milhares de fiéis reunidos na Praça de São Pedro e com quantos o seguiam através dos meios de comunicação social.

Família – porque Deus quis nascer numa família com mãe e pai, como aliás mostram os presépios – disse o Papa – frisando que o Evangelho deste domingo é centrado sobre a fuga da Sagrada Família de Belém para o Egipto devido às ameaças de Herodes.

José, Maria e Jesus experimentam portanto as condições dramáticas dos refugiados, marcadas por medo, incerteza, dificuldades – prosseguiu o Papa – recordando que, infelizmente, também nos nossos dias, milhões de famílias vivem esta triste realidade. Quase todos os dias os meios de comunicação falam de pessoas obrigadas a fugir devido à fome, guerras e outros perigos graves, indo à procura de segurança e de uma vida digna para si e para os próprios familiares…

Mesmo quando esses refugiados e emigrantes encontram trabalho, nem sempre isto é acompanhado dum verdadeiro acolhimento, respeito, apreço dos valores de que são portadores – frisou o Papa, convidando a pensar no drama dos migrantes e refugiados que são vítimas de recusa e exploração.

Mas o Papa convidou também a pensar naqueles que definiu de “exilados escondidos” no seio das famílias, e deu como exemplo os anciãos, por vezes tratados como uma presença incómoda, e recordou mais uma vez que a forma como se tratam os anciãos e as crianças é espelho do estado da família…

E com veemência Francisco voltou a repetir que numa família onde os membros se recordam sempre de pedir licença, dizer obrigado e pedir desculpas, nessa família reina a alegria e a paz…

O Papa Francisco continuou a sua reflexão, fazendo notar que Jesus quis pertencer a uma família humana que passou por várias dificuldades, isto para mostrar que Deus está lá onde a pessoa humana enfrenta perigos, lá onde o homem sofre, onde tem de fugir, onde experimenta a recusa e o abandono; mas está também lá onde a pessoa humana sonha, espera regressar à Pátria em liberdade, projecta e opta pela vida, pela própria dignidade e pela dos seus familiares.

O Papa referiu-se ainda à simplicidade de vida da Família de Nazaré, exemplo para as famílias de hoje, ajudando-as a se tornar comunidades de amor e de reconciliação, em que se experimenta a ternura, a ajuda e o perdão recíprocos. Mas convidou-as também a tomar consciência da importância que têm na Igreja e na sociedade, especialmente no anuncio do Evangelho que da família passa aos diversos âmbitos da vida quotidiana…

Depois da oração mariana do Angelus, o Papa recordou que o próximo Sínodo dos Bispos enfrentará o tema da família e, neste dia da Festa da Sagrada Família confiou à Família de Nazaré os trabalhos do Sínodo, dirigindo a Ela, juntamente como os fiéis, uma oração a favor de todas as famílias do mundo…

ORAÇÃO À SAGRADA FAMÍLIA

Jesus, Maria e José, em Vós, contemplamos o esplendor do verdadeiro amor, a Vós, com confiança, nos dirigimos.

Sagrada Família de Nazaré, tornai também as nossas famílias lugares de comunhão e cenáculos de oração, escolas autênticas do Evangelho e pequenas Igrejas domésticas.

Sagrada Família de Nazaré, que nunca mais se faça, nas famílias, experiência de violência, egoísmo e divisão: quem ficou ferido ou escandalizado depressa conheça consolação e cura.

Sagrada Família de Nazaré, que o próximo Sínodo dos Bispos possa despertar, em todos, a consciência do carácter sagrado e inviolável da família, a sua beleza no projecto de Deus.

Jesus, Maria e José, escutai, atendei a nossa súplica.

Por fim o Santo Padre dirigiu uma saudação especial aos fiéis que estavam em ligação com a Praça de São Pedro naquele momento a partir da Basílica da Anunciação em Nazaré, para onde se deslocou o Secretário Geral do Sínodo dos Bispos; a partir da Basílica da Sagrada Família em Barcelona, onde se encontra o Presidente do Conselho Pontifício para a Família; a partir da Basílica Santuário da Santa Casa, em Loreto, Itália; e a quantos se encontravam reunidos em várias partes do mundo para celebrações em que a família estava no centro da atenção.

O Papa concluiu saudando os peregrinos que enchiam verdadeiramente a Praça, especialmente as famílias… e ainda diversos outros grupos vindos essencialmente de diversas partes da Itália…

 

Domingo da Sagrada Família – Papa Francisco fala da bênção que se transmite na família

O caminhar da família (Papa Francisco, Encíclica “Lumen fidei”, 52-53)

“No caminho de Abraão para a cidade futura, a Carta aos Hebreus alude à bênção que se transmite dos pais aos filhos (cf 11, 20-21). O primeiro âmbito da cidade dos homens iluminado pela fé é a família; penso, antes de mais nada, na união estável do homem e da mulher no matrimónio. Tal união nasce do seu amor, sinal e presença do amor de Deus, nasce do reconhecimento e aceitação do bem que é a diferença sexual, em virtude da qual os cônjuges se podem unir numa só carne (cf Gn 2, 24) e são capazes de gerar uma nova vida, manifestação da bondade do Criador, da sua sabedoria e do seu desígnio de amor. Fundados sobre este amor, homem e mulher podem prometer-se amor mútuo com um gesto que compromete a vida inteira e que lembra muitos traços da fé: prometer um amor que dure para sempre é possível quando se descobre um desígnio maior que os próprios projectos, que nos sustenta e permite doar o futuro inteiro à pessoa amada. Depois, a fé pode ajudar a individuar em toda a sua profundidade e riqueza a geração dos filhos, porque faz reconhecer nela o amor criador que nos dá e nos entrega o mistério de uma nova pessoa; foi assim que Sara, pela sua fé, se tornou mãe, apoiando-se na fidelidade de Deus à sua promessa (cf Heb 11, 11).

Em família, a fé acompanha todas as idades da vida, a começar pela infância: as crianças aprendem a confiar no amor de seus pais. Por isso, é importante que os pais cultivem práticas de fé comuns na família, que acompanhem o amadurecimento da fé dos filhos. Sobretudo os jovens, que atravessam uma idade da vida tão complexa, rica e importante para a fé, devem sentir a proximidade e a atenção da família e da comunidade eclesial no seu caminho de crescimento da fé.

Devemos confiar nossa vida a Deus e perdoar, diz Papa no Ângelus

Quarta-feira, 26 de dezembro de 2018, Da redação, com Vatican News
https://noticias.cancaonova.com/papa/devemos-confiar-nossa-vida-deus-e-perdoar-diz-papa-no-angelus/

Papa Francisco recordou o testemunho de Santo Estevão, que a exemplo de Jesus, perdoou seus algozes

No Ângelus desta quarta-feira, 26, Papa Francisco falou sobre o perdão e a confiança em Deus./ Foto: Reprodução Youtube Vatican News

Nesta quarta-feira, 26, o Papa Francisco rezou o Ângelus por ocasião da Festa de Santo Estevão, com os fieis na Praça de São Pedro, como de costume.

O Papa iniciou seu discurso fazendo uma referência ao Natal: “A alegria do Natal ainda inunda nossos corações. Continua a ressoar o maravilhoso anúncio de que Cristo nasceu para nós e traz ao mundo a paz. Neste clima de alegria, celebramos hoje a festa de Santo Estevão, Diácono e primeiro mártir.”

Francisco lembrou que, apesar de parecer estranho aproximar a memória de Santo Estevão e o nascimento de Jesus, devido ao contraste da alegria de Belém e do drama do apedrejamento do mártir, na realidade estão interligados. O menino Jesus é o Filho de Deus, feito homem, que salvará depois a humanidade, morrendo na Cruz. No Natal, é contemplado envolto em faixas, no presépio; mais tarde também será, após a crucificação, envolvido em panos, e colocado num sepulcro. Além disso, frisou o Papa, Santo Estêvão foi o primeiro a seguir os passos do Divino Mestre com o martírio. Morreu como Jesus, confiando sua vida a Deus, e perdoando seus perseguidores.

“Dois comportamentos: confiar sua vida a Deus e perdoar.” – deu enfoque o Papa.- “A atitude de Estevão que fielmente imita o gesto de Jesus é um convite dirigido a cada um de nós, para receber com fé das mãos do Senhor o que a vida nos reserva de positivo e também de negativo. Nossa existência é marcada não apenas por circunstâncias felizes, mas também por momentos de dificuldade e perda. Confiar em Deus nos ajuda a aceitar os momentos difíceis, e vivê-los como uma oportunidade para o crescimento da fé e a construção de novos relacionamentos com os irmãos. Trata-se de nos abandonar nas mãos do Senhor que sabemos ser um Pai rico em bondade para com seus filhos.”

Francisco deu sequência à sua reflexão, falando da segunda atitude ensinada por Estevão: o perdão. O Papa lembrou que o santo não amaldiçoou seus perseguidores, e que o cristão é chamado a aprender a perdoar sempre:

“Não é fácil fazer isso, todos nós sabemos disso. O perdão alarga o coração, gera partilha, dá serenidade e paz. Mas o perdão se cultiva com a oração. Não é fácil perdoar. O perdão nos permite manter os olhos fixos em Jesus.”

Estevão foi capaz de perdoar seus assassinos porque, cheio do Espírito Santo, ele olhou para o Céu e tinha os olhos abertos para Deus. Da oração veio a força para sofrer o martírio.

“Devemos rezar insistentemente ao Espírito Santo para derramar sobre nós o dom da fortaleza que cura nossos medos, nossas pequenezas, e alargar o nosso coração para perdoar, perdoar sempre. Invoquemos a intercessão de Nossa Senhora e de Santo Estevão. A oração deles nos ajude a confiar sempre em Deus, especialmente nos momentos difíceis e nos apoie no propósito de sermos homens e mulheres capazes de perdão.”, concluiu Francisco.

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