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As fofocas são criminosas, pois matam Deus e o próximo, diz Papa

Missa com Francisco, sexta-feira, 13 de setembro  de 2013, Da Redação, com Rádio Vaticano  

Francisco destacou que falar mal do próximo é hipocrisia de quem não consegue olhar para os próprios defeitos

Na Missa desta sexta-feira, 13, na Casa Santa Marta, o Papa Francisco refletiu sobre o perigo da fofoca. Ele advertiu que quem fala mal do próximo é um hipócrita, que não tem a coragem de olhar para os próprios defeitos. “Por que reparas no argueiro que está no olho de teu irmão, e não reparas na trave que está no teu próprio olho?”. Com esta pergunta feita por Jesus, Francisco iniciou a homilia; uma pergunta que mexe com a consciência de todos os homens, de todos os tempos. O Papa observou que Cristo, após falar da humildade, fala do seu oposto, ou seja, da atitude de ódio para com o próximo, de julgar o irmão. Para estes casos, Jesus usa uma palavra dura: hipócrita. “Aqueles que vivem julgando o próximo, falando mal do outro, são hipócritas, porque não têm a força, a coragem de olhar para os próprios defeitos. O Senhor afirma que quem tem no coração ódio do seu irmão é um homicida… Também o Apóstolo João, na sua primeira Carta, é claro: quem odeia e julga o seu irmão caminha nas trevas.” Segundo o Papa, todas as vezes que se julga um irmão no coração e, mais ainda, se fala disso com outras pessoas, o cristão se transforma um “cristão homicida”. “Um cristão homicida… Não sou eu quem digo, eh?, é o Senhor. E sobre este ponto, não há meio termo. Quem fala mal do irmão, o mata. E nós, todas as vezes que o fazemos, imitamos aquele gesto de Caim, o primeiro homicida da história”. O Santo Padre acrescentou que neste período em que se fala de guerras e se pede tanto a paz, faz-se necessário um gesto de conversão. “As fofocas fazem parte desta dimensão da criminalidade. Não existe fofoca inocente”. A língua, disse ainda citando São Tiago, é para louvar a Deus, mas quando usada para falar mal do irmão ou da irmã, ela acaba por matar a Deus, a imagem de Deus no irmão. Francisco destacou, por fim, que não vale a argumentação de que alguém mereça intrigas. Nesses casos, o que se deve fazer é rezar pela pessoa e, se necessário, falar com alguém para resolver o problema, mas sem espalhar a notícia. “Paulo foi um grande pecador, e disse de si mesmo: ‘Antes eu blasfemava, perseguia e era violento. Mas tiveram misericórdia’. Talvez nenhum de nós blasfeme – talvez. Mas se alguém faz intriga, certamente é um perseguidor e um violento. Peçamos para nós, para toda a Igreja, a graça de nos converter da criminalidade das intrigas ao amor, à humildade, à mansidão, à magnanimidade do amor para com o próximo”.

Papa destaca que a esperança do cristão é o próprio Jesus

Missa na Casa Santa Marta, segunda-feira, 9 de setembro  de 2013, Da Redação, com Rádio Vaticano em italiano

Francisco explicou que esperança é uma “virtude humilde”, que não se confunde com otimismo, pois é algo maior

Em Missa celebrada na manhã desta segunda-feira, 9, na Casa Santa Marta, Papa Francisco refletiu sobre a esperança do cristão. Segundo ele, não é algo que se confunde com otimismo, pois este é um comportamento de humor, mas trata-se do Jesus em pessoa, sua força de libertar e fazer nova toda a vida.

Essa abordagem sobre a  esperança partiu da Carta de São Paulo aos Colosseus “Cristo em vós, esperança da glória”. Francisco explicou que a esperança é uma virtude de ‘segunda classe’ se comparada às mais citadas, fé e caridade. Por isto, pode acabar sendo confundida com um sereno bom humor.

“Mas a esperança é outra coisa, não é otimismo. A esperança é um dom, é um presente do Espírito Santo (…) Se você não diz ‘Tenho esperança em Jesus, em Jesus Cristo, Pessoa viva, que agora vem na Eucaristia, que está presente na Palavra’, isso não é esperança. É um bom humor, otimismo…”.

Do Evangelho, o Santo Padre retirou a segunda reflexão do dia.  O episódio é aquele em que Jesus cura em dia de sábado a mão paralisada de um homem, suscitando a reprovação dos escribas e fariseus. Com seu milagre, observou o Papa, Jesus liberta a mão da doença e demonstra “aos rigorosos” que o caminho deles não é o da liberdade.

“Liberdade e esperança andam juntas: onde não há esperança, não pode haver liberdade (…) Jesus, a esperança, refaz tudo (…) O milagre de refazer tudo: aquilo que faz na minha vida, na tua, na nossa vida. Refazer. E isto que Ele refaz é justamente o motivo da nossa esperança”, disse.

Nesse ponto, o Papa dirigiu um olhar particular aos padres, dizendo ser triste quando se encontra um padre sem esperança, enquanto é belo encontrar um que chega ao fim da vida não com otimismo, mas com a esperança. “Este padre está ligado a Jesus Cristo e o povo de Deus precisa que nós padres demos este sinal de esperança, vivamos esta esperança em Jesus que tudo refaz”.

 

Papa Francisco: “O cristão deve ter paixão pela esperança”
2013-09-09 Rádio Vaticana  
Cidade do Vaticano (RV) – Não devemos confundir a virtude da esperança com o otimismo. Foi o que disse o Papa na missa celebrada esta manhã na Casa Santa Marta. Para um cristão, a esperança é Jesus em pessoa, é a sua força de libertar e refazer uma nova vida. Inspirando-se na Carta de Paulo aos Colossenses, Francisco explicou que o otimismo é uma atitude humana que depende de tantas coisas. Todavia, a esperança é uma virtude de “segunda classe”, a “virtude humilde” se comparada com as virtudes da fé e da caridade. Por isso, pode ser confundida com o bom humor: Mas a esperança é outra coisa, não é otimismo. A esperança é um dom, é um presente do Espírito Santo. Paulo dirá que é um dom que “jamais decepciona”. Por quê? Porque é um dom que o Espírito Santo nos deu. E Paulo nos diz que a esperança tem o nome: Jesus. Não podemos dizer “Tenho esperança na vida, em Deus”. Se não dizemos “Tenho esperança em Jesus Cristo, pessoa viva, que agora vive na Eucaristia, que está presente na sua Palavra”, não é esperança; é bom humor e otimismo …

A seguir, Francisco comentou o Evangelho, o episódio em que Jesus cura a mão paralisada de um homem, suscitando a reprovação de escribas e fariseus. Com o seu milagre, observou o Papa, Jesus liberta a mão da doença e demonstra a quem o critica que o caminho deles não é o da liberdade. “Liberdade e esperança caminham juntas: onde não há esperança, não há liberdade”, afirmou o Pontífice. Que acrescentou: “Jesus liberta da doença, do rigor e refaz aquele homem e quem não acreditou nele: Jesus, a esperança. Refaz tudo. É um milagre constante. Não somente fez milagres de curas, tantas coisas…eram somente sinais, sinais daquilo que está fazendo agora, na Igreja. O milagre de refazer tudo: o que faz na minha, na tua e na nossa vida. Refazer. E o que ele refaz é justamente o motivo da nossa esperança. E esta esperança não decepciona porque Ele é fiel.

O Papa então citou de modo especial os sacerdotes. “É um pouco triste” – admitiu ele, quando encontra um sacerdote que perdeu a esperança, enquanto é belo encontrar quem chega no final da vida não com otimismo, mas com esperança”. “Este sacerdote está em união com Jesus Cristo, e o povo de Deus precisa de que nós padres ofereçamos este sinal de esperança, vivamos esta esperança em Jesus que refaz todas as coisas”: O Senhor que é a esperança da glória, que é o centro, que é a totalidade, nos ajude nesta direção: dar esperança, ter paixão pela esperança. E, como disse, nem sempre é otimismo, mas foi o que Nossa Senhora teve no momento das trevas: na noite de Sexta-feira até a manhã do domingo. Aquela esperança; e ela a tinha. E aquela esperança refez tudo. Que o Senhor nos dê esta graça. (BF)

Papa Francisco no Angelus: O cristão desprende-se de tudo e reencontra tudo na lógica do Evangelho

Pontífice reforça pedido de oração pela paz e recorda a Natividade de Maria

CIDADE DO VATICANO, 08 de Setembro de 2013 (Zenit.org) – Apresentamos as palavras do Papa Francisco pronunciadas neste domingo, 8 de setembro, diante de uma multidão de fieis reunidos na Praça de São Pedro para rezar o Angelus.
No Evangelho de hoje, Jesus insiste sobre as condições para ser seus discípulos: nada antepor ao amor por Ele, carregar a própria cruz e segui-Lo. Muitas pessoas de fato se aproximavam de Jesus, queriam estar entre os seus seguidores, e isso acontecia especialmente depois de algum sinal milagroso que o convalidava como o Messias, o Rei de Israel. Mas Jesus não quer iludir ninguém. Ele sabe o que o espera em Jerusalém, qual é a estrada que o Pai lhe pede para percorrer: é o caminho da cruz, do sacrifício de si mesmo para a remissão dos nossos pecados. Seguir a Jesus não significa participar de uma procissão triunfal! Significa compartilhar o seu amor misericordioso, entrar em sua grande obra de misericórdia por cada homem e para todos os homens. A obra de Jesus é exatamente uma obra de misericórdia, de perdão, de amor! Jesus é tão misericordioso! E este perdão universal, esta misericórdia, passa pela cruz. Jesus não quer cumprir essa obra sozinho: Ele quer nos envolver na missão que o Pai lhe confiou. Depois da ressurreição dirá aos seus discípulos: Como o Pai me enviou, assim também eu vos envio a vós (…) Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados (João 20,21.22). O discípulo de Jesus renuncia a todos os bens porque encontrou Nele o Bem maior, no qual qualquer bem recebe valor pleno e significado: os laços familiares, outros relacionamentos, o trabalho, os bens culturais e econômicos e assim por diante… o cristão desprende-se de tudo e reencontra tudo na lógica do Evangelho: a lógica do amor e do serviço.
Para explicar esta exigência, Jesus usa duas parábolas: a da torre a ser construída e a do rei que vai para a guerra. Esta segunda parábola diz: “qual é o rei que, estando para guerrear com outro rei, não se senta primeiro para considerar se com dez mil homens poderá enfrentar o que vem contra ele com vinte mil? De outra maneira, quando o outro ainda está longe, envia-lhe embaixadores para tratar da paz” (Lc 14,31-32). Aqui Jesus não quer lidar com o tema da guerra, é apenas uma parábola. Mas neste momento em que estamos fortemente rezando pela paz, esta Palavra do Senhor nos toca, e nos diz que há uma guerra mais profunda que devemos combater, todos! É a decisão forte e corajosa de renunciar ao mal e suas seduções e escolher o bem, pronto para pagar em pessoa: eis o seguir a Cristo, eis o tomar a própria cruz! Esta guerra profunda contra o mal! Para que serve a guerra, tantas guerras, se você não é capaz de fazer esta guerra profunda contra o mal? Não serve para nada! Não dá… Isso envolve, entre outras coisas, esta guerra contra o mal comporta dizer não ao ódio fratricida e as mentiras de que se serve; dizer não à violência em todas as suas formas; dizer não à proliferação de armas e seu comércio ilegal. Exige muito! Exige muito! E sempre fica a dúvida: essa guerra lá, essa outra ali – porque há guerras por toda parte – é realmente uma guerra por problemas ou é uma guerra comercial para vender armas no comércio ilegal? Estes são os inimigos a serem combatidos, unidos e com coerência, não seguindo outros interesses senão o da paz e do bem comum.
Queridos irmãos e irmãs, hoje também recordamos a Natividade da Virgem Maria, Festa particularmente cara para as Igrejas Orientais. E todos nós, agora, podemos enviar uma saudação a todos os nossos irmãos, irmãs, bispos, monges, freiras das Igrejas Orientais, Ortodoxas e Católicas: uma bela saudação! Jesus é o sol, Maria é a aurora que anuncia o seu nascer. Na noite passada, fizemos vigília confiando à sua intercessão a nossa oração pela paz no mundo, especialmente na Síria e em todo o Oriente Médio. Nós A invocamos agora como Rainha da Paz. Rainha da Paz, rogai por nós! Rainha da Paz, rogai por nós!
(Depois do Angelus)
Queria agradecer a todos aqueles que, de vários modos, aderiram à vigília de oração e de jejum de ontem de noite. Agradeço as várias pessoas que ofereceram os seus sofrimentos por esta intenção. Agradeço as autoridades civis, bem como os membros de outras comunidades cristãs e de outras religiões e os homens e mulheres de boa vontade que viveram, nessa circunstância, momentos de oração, jejum e reflexão.
Mas o compromisso deve seguir adiante: continuemos com a oração e com as obras de paz! Convido-vos a continuar a rezar para que cesse imediatamente a violência e a devastação na Síria e se trabalhe com um esforço renovado por uma justa solução do conflito fratricida. Rezemos também pelos outros países do Oriente Médio, particularmente pelo Líbano, para que encontre a desejada estabilidade e continue a ser um modelo de convivência; pelo Iraque, para que a violência sectária dê lugar à reconciliação; pelo processo de paz entre israelenses e palestinos, para que possa avançar com decisão e coragem. E rezemos pelo Egito, para que todos os egípcios, muçulmanos e cristãos, se comprometam em construir juntos uma sociedade para o bem de toda a população. A busca pela paz é um longo caminho que exige paciência e perseverança! Continuemos com a oração!
Com alegria recordo que ontem, em Rovigo, foi proclamada Beata Maria Bolognesi, fiel leiga, nascida em 1924 e morta em 1980. Passou toda a sua vida a serviço dos outros, especialmente dos pobres e doentes, suportando grande sofrimento em profunda união com a paixão de Cristo. Demos graças a Deus por este testemunho do Evangelho!
Saúdo com afeto os peregrinos presentes, todos! Em particular, os fiéis do Patriarcado de Veneza, liderados pelo Patriarca; os alunos e ex-alunos das Filhas de Maria Auxiliadora; e os participantes da “Campanha Mãe Peregrina de Schoenstatt”.
Saúdo os fiéis de Carcare, Bitonto, Sciacca, Nocera Superiore e das dioceses de Acerra; a Sociedade das Irmãs do Santo Rosário de Villa Pitignano; os jovens de Torano Nuovo, Martignano, Tencarola e Carmignano, e aqueles que vieram com as Irmãs da Misericórdia de Verona.
Saúdo o Coro de San Giovanni Ilarione, as associações ” Paz e Alegria ” de Santa Vittoria d’ Alba e “Calima” de Orzinuovi e os doadores de sangue de Cimolais.
Desejo a todos um bom domingo. Bom almoço e adeus!

Papa Francisco: anunciar Cristo com alegria e fidelidade

Cidade do Vaticano (RV) – O Sacramento do matrimônio é a imagem da união de Cristo com a Igreja: este foi o tema da homilia do Papa Francisco na capela da Casa Santa Marta.
Partindo do trecho do Evangelho em que Jesus responde aos escribas, o Papa nota que o Senhor faz várias referências a esta imagem do esposo. Jesus, disse ele, fala da sua relação com a Igreja como núpcias. “Creio que este seja o motivo mais profundo pelo qual a Igreja preserva tanto o Sacramento do matrimônio, porque é justamente a imagem da união de Cristo com a Igreja”. O Papa então discorreu sobre duas atitudes com as quais o cristão deveria viver essas núpcias: antes de tudo, com alegria, porque é uma grande festa:
“O cristão é fundamentalmente jubiloso. No final do Evangelho, quando trazem o vinho, quando fala do vinho, penso nas bodas de Caná: e por isso Jesus fez aquele milagre; Maria percebeu que não tinha mais vinho, mas sem vinho não há festa… Já pensou terminar as bodas tomando chá ou suco: não dá… é festa e Nossa Senhora pede o milagre. E assim é a vida cristã, alegre, alegre de coração”.
Certamente há momentos de cruz, de dor, mas há sempre aquela paz profunda do júbilo”. A Igreja se une com o Senhor como uma noiva com seu noivo e, no final do mundo, a festa será definitiva”. A segunda atitude a encontramos na parábola das núpcias do filho do rei. Todos foram convidados, bons e maus. Mas quando a festa tem início, o rei olha para quem não tem as vestes nupciais:
“‘Nós temos uma ideia… mas, padre, como assim? Eles se encontram no cruzamento das estradas e se pede a eles a veste nupcial? O que significa isto?’. É muito simples! Deus nos pede somente uma coisa para entrar nesta festa: a totalidade. O Esposo é o mais importante; o Esposo preenche tudo! E isso nos leva à primeira Leitura, que nos fala tão fortemente da totalidade de Jesus, o primogênito de toda a criação. Nele foram criadas todas as coisas, por meio d’Ele e em vista d’Ele! Ele é o centro, tudo”.
Jesus – acrescentou – “é também a cabeça do Corpo da Igreja; Ele é o princípio. E Deus deu a Ele a plenitude, a totalidade, para que n’Ele sejam reconciliadas todas as coisas”. Se a primeira atitude é a festa – disse o Papa –, “a segunda é reconhecer Ele como o único”. Ele nos pede somente isto: que O reconheçamos como o único Esposo”. Ele “é sempre fiel e pede a nós fidelidade”. Não podemos servir a dois Senhores: ou se serve a Deus ou se serve ao mundo:
“Esta é a segunda atitude cristã: reconhecer Jesus como o tudo, o centro, a totalidade. Mas sempre teremos a tentação de jogar fora esta novidade do Evangelho, este vinho novo em atitudes velhas… Os odres velhos não podem levar o vinho novo. É a novidade do Evangelho. Que o Senhor nos dê, a todos nós, a graça de ter sempre esta alegria, como se fôssemos ao casamento. E também ter esta fidelidade ao único esposo, que é o Senhor”.
(JE/BF) Texto proveniente da página http://pt.radiovaticana.va/news/2013/09/06/papa_francisco:_anunciar_cristo_com_alegria_e_fidelidade/bra-726118 do site da Rádio Vaticano

Papa reflete sobre como Jesus se manifesta na vida do cristão

Missa na Casa Santa Marta, quinta-feira, 5 de setembro  de 2013, Da Redação, com Rádio Vaticano  

Em homilia, Francisco refletiu sobre o modo como Cristo se manifesta na vida de um cristão

“Tenho medo da graça que passa sem que eu perceba.” Com esta citação de Santo Agostinho, Papa Francisco iniciou a homilia da Missa celebrada nesta quinta-feira, 5, na Casa Santa Marta. O Papa refletiu sobre os modos com os quais Cristo se manifesta na vida de um cristão, comentando o trecho do Evangelho em que Jesus se mostra a Pedro, Tiago e João com o sinal da pesca milagrosa.

Recordando este relato, o Papa explicou que, desconcertado, Pedro é confortado por Jesus, que promete fazer dele “pescador de homens”. Depois o convida a deixar tudo para segui-lo e lhe confia uma missão. Dessa forma, o Pontífice destacou que Deus se manifesta com três atitudes: através de uma promessa, de um pedido de generosidade e de uma missão a realizar.

No caso dos Apóstolos, observou o Papa, o Senhor passou na vida deles com um milagre. Nem sempre é assim, contudo Ele está sempre presente.

“Quando o Senhor vem na nossa vida, quando passa no nosso coração, sempre diz uma palavra e uma promessa: ‘Avante… com coragem, sem medo, porque fará isso!’. Ou seja, é um convite à missão, um convite a segui-Lo. Quando ouvimos esta promessa, é porque há algo na nossa vida que devemos corrigir, e o fazemos para segui-Lo mais de perto.”

Porém, Francisco lembrou que Jesus não pede para largar tudo por um fim obscuro. Ao contrário, o objetivo é imediatamente declarado e é um objetivo dinâmico.

“Jesus jamais diz ‘Siga-me!’, sem dizer a missão. Não! ‘Siga-me e farei isso. Siga-me por este motivo. Se quiser ser perfeito, deixe tudo e siga-me para ser perfeito’. Há sempre uma missão. Seguimos o caminho de Jesus para fazer algo, não é um show, mas para realizar uma missão.”

O Santo Padre destacou então que promessa, pedido e missão não dizem respeito somente à vida ativa, mas também à oração. Não existe uma oração sem uma palavra de Jesus, não há oração em que Ele não inspire a fazer algo.

“Uma verdadeira oração cristã é ouvir o Senhor com a sua palavra de conforto, de paz e de promessa. Isso não quer dizer que não existem tentações. Há muitas! Pedro pecou gravemente, renegando Jesus, mas depois o Senhor o perdoou. Tiago e João pecaram de carreirismo, querendo ir mais alto, mas o Senhor os perdoou.”

‘Jesus Cristo conta com vocês!’, recordou Papa Francisco aos jovens

Missa de Envio
Domingo, 28 de julho  de 2013
Alessandra Borges / Da redação

Neste último dia da JMJ Rio 2013, cerca de 3 milhões de peregrinos participam da Santa Missa de encerramento, também chamada de “Missa de Envio”, quando o Papa Francisco anunciará o local da próxima Jornada Mundial da Juventude.

Depois de uma semana de peregrinação e der ter enfrentado chuva e frio, sobretudo nesta madrugada, na Praia de Copacabana, o coração dos jovens peregrinos é aquecido mais uma vez pelas palavras doces e carinhosas do Papa Francisco durante a Celebração Eucarística. O Pontífice iniciou sua reflexão exortando os jovens de todos os continentes a seguirem a proposta da JMJ Rio 2013: “Ide e fazei discípulos entre todas as nações”.

Juventude presente na Missa de Envio, na Praia de Copacabana. Foto: Ed Alves

“Foi bom participar desta Jornada Mundial da Juventude, vivenciar a fé junto com jovens vindos dos quatro cantos da Terra, mas agora você deve ir e transmitir esta experiência aos demais». Jesus o chama a ser um discípulo em missão! Hoje, à luz da Palavra de Deus que acabamos de ouvir, o que nos diz o Senhor? Três palavras: Ide, sem medo, para servir”, ressaltou o Santo Padre.

Assim como o Senhor nos confiou, é necessário que partilhemos a experiência de fé, testemunhando a fé e anunciando o Evangelho a toda a Igreja. Para anunciar a Palavra de Deus não existem fronteiras nem limites, pois o Evangelho é para todas as pessoas sem distinções. Portanto, precisamos ir ao encontro das pessoas para que sintam o calor da sua misericórdia e do seu amor.

“Este continente recebeu o anúncio do Evangelho, que marcou o seu caminho e produziu muitos frutos. Agora este anúncio é confiado também a vocês, para que ressoe com uma força renovada. A Igreja precisa de vocês, do entusiasmo, da criatividade e da alegria que os caracterizam! Um grande apóstolo do Brasil, o bem-aventurado José de Anchieta, partiu em missão quando tinha apenas dezenove anos! Sabem qual é o melhor instrumento para evangelizar os jovens? Outro jovem! Este é o caminho a ser percorrido!”, recordou o Papa aos jovens.

O Pontífice ressaltou, em sua reflexão, que os jovens não podem ter medo de anunciar a Palavra de Deus, mesmo que o receio de não se sentirem preparados para esta missão seja mais forte. “Precisamos ser como Jeremias (cf. Jr 1,8) que, mesmo não se sentido preparado, escutou as palavras do Senhor e seguiu a sua missão evangelizadora.

Quando vamos anunciar Cristo, Ele mesmo vai à nossa frente e nos guia. Ao enviar os seus discípulos em missão, Jesus prometeu: ‘Eu estou com vocês todos os dias’ (Mt 28,20). E isso é verdade também para nós! Jesus não nos deixa sozinhos. Nunca os deixa sozinhos! Sempre acompanha vocês!”, animou o Pontífice.

“A juventude precisa sentir a companhia de toda a Igreja e também dos santos em missão. Portanto, quando enfrentamos juntos os desafios, somos mais fortes e descobrimos uma coragem e recursos que, muitas vezes, não imaginávamos que tínhamos”. O Papa Francisco pediu aos sacerdotes que continuem acompanhando esta juventude com generosidade e alegria, para que esses jovens possam se comprometer ativamente com a Igreja.

“Queridos jovens, regressando às suas casas, não tenham medo de ser generosos com Cristo, de testemunhar o seu Evangelho!”, pediu o Santo Padre.

O Papa Francisco concluiu suas palavras reforçando aos jovens presentes na Praia de Copacabana, e a todos os outros que acompanham a Missa de Envio pelos meios de comunicação, que levar o Evangelho às pessoas é levar a força de Deus a todos os lugares.

“Jesus Cristo conta com vocês! A Igreja conta com vocês! O Papa conta com vocês! Que Maria, Mãe de Jesus e nossa Mãe, os acompanhe sempre com a sua ternura: ‘Ide e fazei discípulos entre todas as nações’”, recordou o Sucessor de Pedro.

Palavras de agradecimento de Dom Orani João Tempesta – O início da Santa Missa foi marcado pelas palavras do Arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Orani João Tempesta, que agradeceu ao Pontífice a sua visita e destacou que, mesmo com a chuva e frio, o Santo Padre acolheu e saudou todos os peregrinos por onde ele passou de papamóvel. Ao encerrar sua mensagem, o arcebispo salientou que a verdadeira jornada começa hoje com o retorno de todos para casa, pois é preciso que realmente os jovens sigam este ensinamento: ”’Ide e fazei discípulos entre todas as nações’.

Nós também vamos com vocês, iremos com vocês às ruas, às periferias e aos excluídos. Já estamos com saudades! ‘Saudade’ que é uma palavra difícil de traduzir”, lembrou Dom Orani.

O prelado ressaltou que, para sempre, ficará gravada na lembrança destes jovens a presença do Pai e Pastor, pois é o primeiro retorno de Sua Santidade à América Latina e agora como o primeiro Papa latino-americano da história. “Vossa santidade nos confirmou, à luz da fé, em nossa caminhada de Igreja”, afirmou o arcebispo.

Após encerrar sua mensagem de agradecimento ao Sumo Pontífice, o Arcebispo do Rio de Janeiro se dirigiu, emocionado, ao Papa Francisco, o abraçou afetuosamente e lhe entregou uma lembrança.

Agradecimento do Presidente do Pontifício Conselho para os Leigos, Dom Stanislaw Rilko –  Ao final da Santa Missa o cardeal polonês agradeceu ao Papa Francisco por todo o trabalho realizado durante a Jornada Mundial da Juventude (JMJ), realizada no Brasil, pois foram dias de muita oração e silêncio com jovens de nacionalidades e culturas diferentes. Dom Stanislaw recordou do bispo emérito de Roma, Bento XVI, que escolheu o Brasil para sediar esta edição da JMJ e agradeceu ao Papa Francisco por ter assumido este compromisso de acompanhar os jovens neste encontro missionário.

“Estes jovens descobriram no papa, uma pai afetuoso e um amigo. Encontram muitas respostas sobre seus questionamentos e que os jovens não tenham medo de ir contra corrente”, disse o cardeal polonês.

Ao fim desta jornada os jovens tem uma grande missão de irem ao mundo para serem discípulos e missionários.

A riqueza da Igreja é anunciar o Senhor com gratuidade, destaca Papa

Missa – Casa Santa Marta, terça-feira, 11 de junho  de 2013, Da Redação, com Rádio Vaticano

Santo Padre falou das duas formas de identificar a vivência dessa gratuidade: a pobreza e a capacidade de louvar a Deus

O Evangelho deve ser anunciado com simplicidade e gratuidade. Este foi o ensinamento do Papa Francisco na Missa celebrada por ele nesta terça-feira, 11, na Casa Santa Marta. Em sua homilia, o Papa se inspirou na exortação feita por Jesus aos Apóstolos para anunciar o Reino de Deus: “Não leveis ouro, nem prata, nem cobre nos vossos cintos. O Senhor quer que o anúncio seja feito com simplicidade”, disse Francisco. Ele indicou a “palavra-chave” para o anúncio: gratuidade. “A pregação evangélica nasce da gratuidade, da surpresa da salvação. E aquilo que eu recebi gratuitamente, devo dar gratuitamente. E desde o início era assim”. O Papa destacou que o Reino de Deus é um dom gratuito e sublinhou que desde as origens da comunidade cristã, esta atitude ficou sujeita à tentação. Existe a tentação, por exemplo, de buscar força para além da gratuidade, enquanto a força do homem é a gratuidade do Evangelho. Na Igreja, Francisco advertiu que isso pode criar um pouco de confusão, pois o anúncio pode parecer proselitismo, e este não é o caminho. E sobre a forma, então, de identificar quando um Apóstolo vive esta gratuidade, Francisco referiu-se a dois aspectos: a pobreza e a capacidade de louvar a Deus. “O anúncio do Evangelho deve ser feito no caminho da pobreza. O testemunho desta pobreza: não tenho riquezas, a minha riqueza é somente o dom que recebi, Deus. A gratuidade é a nossa riqueza! E esta pobreza nos salva de nos tornarmos organizadores, empreendedores… Devem-se levar avante as obras da Igreja, e algumas são um pouco complexas; mas com coração de pobreza, não com coração de investimento ou de empresário, não?” O Santo Padre voltou a dizer que a Igreja não é uma ONG, é outra coisa, mais importante, e nasce desta gratuidade. E a pobreza é um dos sinais desta gratuidade. “Quando um apóstolo não vive esta gratuidade, perde a capacidade de louvar o Senhor”. Louvar o Senhor, segundo destacou Francisco, é essencialmente gratuito, é uma oração gratuita. “Estes são os dois sinais do fato de que um apóstolo vive esta gratuidade: a pobreza e a capacidade de louvar o Senhor. E quando encontramos apóstolos que querem fazer uma Igreja rica e uma Igreja sem a gratuidade do louvor, a Igreja envelhece, a Igreja se torna uma ONG, a Igreja não tem vida. Peçamos hoje ao Senhor a graça de reconhecer esta gratuidade: ‘do receber e do dar’. Reconhecer esta gratuidade, dom de Deus. E também nós prosseguirmos na pregação evangélica com esta gratuidade”, finalizou.

Francisco destaca que cristãos são porta-vozes da verdade do Evangelho

Missa com o Papa, terça-feira, 4 de junho  de 2013, Da Redação, com Rádio Vaticano

Santo Padre falou da linguagem utilizada pelos cristãos, que é a da verdade do amor, como filhos de Deus

Os cristãos não usam uma linguagem “socialmente educada”, tendente à hipocrisia, mas são porta-vozes da verdade do Evangelho com a mesma transparência das crianças. Este foi o ensinamento proposto pelo Papa Francisco na homilia desta terça-feira, 4, na Capela da Casa Santa Marta.

A homilia foi perpassada pela cena evangélica do tributo a César e do questionamento de fariseus a Cristo sobre a legitimidade daquele tributo. “Quando perguntam, com palavras macias, açucaradas, se é lícito ou não pagar impostos a César, eles tentam demonstrar-se amigos, mas é tudo falso!”, disse.

Francisco prosseguiu explicando que “eles não amam a verdade, mas somente a si mesmos e assim, tentam enganar, envolver os outros na mentira. Têm o coração mentiroso, não podem dizer a verdade”.

Esta linguagem, segundo enfatizou o Santo Padre, é a linguagem da corrupção, da hipocrisia, e parecendo ser persuasiva, leva ao erro e à mentira. “Quando Jesus diz a seus discípulos, diz que seu modo de falar deve ser ‘sim, sim’ ou ‘não, não’, porque a hipocrisia não fala a verdade, porque a verdade não está nunca sozinha: está sempre com o amor. Não há verdade sem amor”.

O Pontífice lembrou que a docilidade que Jesus quer do ser humano não está relacionada a uma adulação, a um modo “açucarado” de ir adiante, mas sim uma docilidade simples, como uma criança, sem hipocrisia.

“Que o nosso falar seja evangélico, irmãos! Os hipócritas que começam com a adulação acabam procurando falsas testemunhas para acusar quem haviam adulado. Hoje, peçamos ao Senhor que o nosso modo de falar seja simples, como o de filhos de Deus, que falam com a verdade do amor”.

Francisco exorta cumprir o que o Espírito Santo pediu no Vaticano II

Papa Francisco. Foto: News.va

Vaticano, 16 Abr. 13 / 02:10 pm (ACI/EWTN Noticias).- Durante a Missa celebrada na capela da Casa Santa Marta, o Papa Francisco advertiu que ainda não fizemos tudo o que o Espírito Santo nos disse no Concílio Vaticano II porque preferimos ceder à tentação da comodidade que seguir o que Deus inspirou aos padres conciliares.

Durante sua homilia, o Santo Padre recordou que o Espírito Santo sempre “nos incentiva, nos faz caminhar, empurra a Igreja para que vá adiante”. Entretanto, “somos como Pedro na Transfiguração: ‘Ah, que bom estarmos aqui, todos juntos!’”. “Que não nos incomodem. Queremos que o Espírito Santo adormeça… queremos ‘domesticar’ ao Espírito Santo, e isto não é bom porque Ele é Deus e é a força que nos consola, a força para prosseguirmos. Mas seguir avante nos incomoda… a comodidade é melhor!”, expressou.

Conforme informou News.va, Francisco advertiu que isso continua atualmente, pois embora pareça que “estamos todos contentes” pela presença do Espírito Santo, isso “não é certo”. “Esta tentação é ainda atual. Um só exemplo: pensemos no Concílio: o Concílio foi uma bela obra do Espírito Santo.

Pensemos no Papa João XXIII: um pároco bom, obediente ao Espírito Santo e convocou o Concílio. Mas depois de 50 anos, fizemos tudo o que o Espírito Santo nos disse no Concílio? Nessa continuidade do crescimento da Igreja o que foi o Concílio? Não”. “Comemoremos este aniversário, façamos um monumento, mas desde que não incomode. Nós não queremos mudar, e o pior: alguns querem voltar atrás. Isto é ser teimoso, significa querer domesticar o Espírito Santo; ser tolo, de coração lento”, advertiu. O Santo Padre assinalou que o mesmo acontece na vida pessoal.

“O Espírito nos empurra a percorrer um caminho mais evangélico”, mas resistimos. Francisco exortou os fiéis a “não opor resistência ao Espírito Santo. É o Espírito quem nos liberta, com essa liberdade de Jesus, com essa liberdade dos filhos de Deus!”. “É esta a graça que eu quero que todos nós peçamos ao Senhor: a docilidade ao Espírito Santo, a esse Espírito que vem a nós e nos faz avançar no caminho da santidade, essa santidade tão bela da Igreja. A graça da docilidade ao Espírito Santo”, expressou o Papa.

Liturgia é presença viva do Mistério Pascal de Cristo, diz Papa

Quarta-feira, 03 de outubro de 2012, Jéssica Marçal / Da Redação

‘A vida de oração consiste no estar habitualmente na presença de Deus’, disse o Papa durante a catequese desta quarta-feira, 3  

O Papa Bento XVI dedicou a catequese desta quarta-feira, 3, à natureza eclesial da oração litúrgica. O Pontífice explicou que a liturgia, na verdade, não é uma auto-manifestação de uma comunidade, mas sim a entrada numa comunidade viva, nutrida pelo próprio Deus. Ele destacou a liturgia como a presença viva do Mistério Pascal de Cristo.

“A liturgia então não é a memória de eventos passados, mas é a presença viva do Mistério Pascal de Cristo que transcende e une os tempos e os espaços. (…) A cada dia deve crescer em nós a convicção de que a liturgia não é um nosso, um meu “fazer”, mas é ação de Deus em nós e conosco”.

O Papa convidou os fiéis a se perguntarem se reservam um tempo especial para a oração e qual o lugar que a oração litúrgica ocupa em sua relação com Deus. Sobre a resposta a esta pergunta, ele lembrou que é preciso considerar antes de tudo que a oração é relação viva dos filhos de Deus com o seu Pai.

“A vida de oração consiste no estar habitualmente na presença de Deus e ter consciência de viver a relação com Deus como se vivem as relações habituais da nossa vida, aquelas com os familiares mais queridos, com os verdadeiros amigos; e mais: aquela com o Senhor é a relação que dá luz a todos os nossos outros relacionamentos”.

O Pontífice também lembrou que este diálogo com Deus Pai só é possível em Cristo. “O cristão redescobre a sua verdadeira identidade em Cristo”, disse. Ele salientou ainda que o vínculo indissolúvel firmado entre Cristo e a Igreja não anula  o “tu” e o “eu”, mas os eleva à sua unidade mais profunda.

“Encontrar a própria identidade em Cristo significa chegar a uma comunhão com Ele, que não me anula, mas me eleva à dignidade mais alta, aquela de filho de Deus em Cristo”.

Desta forma, ao participar da liturgia, o cristão deve fazer sua a linguagem da Igreja, mergulhar progressivamente nestas palavras com oração, com alegria. “É um caminho que nos transforma”.

Outro aspecto ressaltado pelo Papa foi o fato de que na liturgia da menor comunidade está sempre presente toda a Igreja, motivo pelo qual não se pode dizer que existem “estrangeiros” na comunidade litúrgica. “Em cada celebração litúrgica participa junto toda a Igreja, céu e terra, Deus e os homens”.

Ao final da catequese, Bento XVI fez um apelo tendo em vista sua visita ao Santuário de Loreto, nesta quinta-feira, 4:

“Queridos irmãos e irmãs, amanhã visitarei o Santuário de Loreto, no 50º aniversário da célebre peregrinação do Beato Papa João XXIII naquela localidade mariana, ocorrida uma semana antes da abertura do Concílio Vaticano II.

Peço-vos que se unam à minha oração em recomendar à Mãe de Deus os principais eventos eclesiais que estamos prestes a viver: o Ano da Fé e o Sínodo dos Bispos sobre nova evangelização. Possa a Virgem Santa acompanhar a Igreja em sua missão de anunciar o Evangelho aos homens e às mulheres de nosso tempo”.

 

Catequese de Bento XVI – Oração Litúrgica – 03/10/2012
Boletim da Santa Sé (Tradução: Jéssica Marçal-equipe CN Notícias)

Caros irmãos e irmãs,

Na catequese passada comecei a falar de uma das fontes privilegiadas da oração cristã: a sagrada liturgia, que – como afirma o Catecismo da Igreja Católica – é “participação da oração de Cristo, dirigida ao Pai no Espírito Santo. Na liturgia toda oração cristã encontra a sua fonte e o seu fim” (n. 1073). Hoje gostaria que nos perguntássemos: na minha vida, reservo um espaço suficiente para a oração e, sobretudo, que lugar tem na minha relação com Deus a oração litúrgica, em especial a Santa Missa, como participação na oração comum do Corpo de Cristo que é a Igreja?

Na resposta a esta pergunta devemos recordar antes de tudo que a oração é a relação viva dos filhos de Deus com o seu Pai infinitamente bom, com seu Filho Jesus Cristo e com o Espírito Santo (cfr ibid., 2565). Assim, a vida de oração consiste no estar habitualmente na presença de Deus e ter consciência de viver a relação com Deus como se vivem as relações habituais da nossa vida, aquelas com os familiares mais queridos, com os verdadeiros amigos; e mais: aquela com o Senhor é a relação que dá luz a todos os nossos outros relacionamentos. Essa comunhão de vida com Deus, Uno e Trino, é possível porque por meio do Batismo somos inseridos em Cristo, começamos a ser uma só coisa com Ele. (cfr Rm 6,5).

Com efeito, somente em Cristo podemos dialogar com Deus Pai como filhos, caso contrário não é possível, mas em comunhão com o Filho podemos também dizermos nós como disse Ele: “Abba”. Em comunhão com Cristo podemos conhecer Deus como Pai verdadeiro (cfr Mt 11,27). Por isso a oração cristã consiste em olhar constantemente e de maneira sempre nova a Cristo, falar com Ele, estar em silêncio com Ele, escutá-Lo, agir e sofrer com Ele. O cristão redescobre a sua verdadeira identidade em Cristo, “primogênito de cada criatura”, no qual existem todas as coisas (cfr Col 1,15ss). No identificar-me com Ele, no ser uma só coisa com Ele, redescubro a minha identidade pessoal, aquela de verdadeiro filho que olha para Deus como a um Pai cheio de amor.

Mas não nos esqueçamos: descobrimos Cristo, O conhecemos como Pessoa vivente, na Igreja. Ela é o “seu Corpo”. Tal corporeidade pode ser compreendida a partir das palavras bíblicas sobre o homem e sobre a mulher: os dois serão uma só carne (cfr Gn 2,24; Ef 5,30ss.; 1 Cor 6,16s). O vínculo indissolúvel entre Cristo e a Igreja, através da força unificadora do amor, não anula o “tu” e o “eu”, mas eleva-os a sua unidade mais profunda. Encontrar a própria identidade em Cristo significa chegar a uma comunhão com Ele, que não me anula, mas me eleva à dignidade mais alta, aquela de filho de Deus em Cristo: “a história de amor entre Deus e o homem consiste precisamente no fato de que esta comunhão de vontade cresce em comunhão de pensamento e de sentimento e, assim, o nosso querer e a vontade de Deus coincidem cada vez mais” (Enc. Deus caritas est, 17). Rezar significa elevar-se a Deus, mediante uma necessária e gradual transformação do nosso ser.

Assim, participando da liturgia, façamos nossa a linguagem da mãe Igreja, aprendamos a falar nela e para ela. Naturalmente, como eu já disse, isto acontece de modo gradual, pouco a pouco. Preciso mergulhar progressivamente nas palavras da Igreja, com a minha oração, com a minha vida, com o meu sofrimento, com a minha alegria, com o meu pensamento. É um caminho que nos transforma.

Penso então que essas reflexões nos permitem responder à pergunta que nos fizemos no início: como aprendo a rezar, como cresço na minha oração? Olhando para o modelo que nos ensinou Jesus, o Pai Nosso, nós vemos que a primeira palavra é “Pai” e a segunda é “nosso”. A resposta, assim é clara: aprendo a rezar, alimento a minha oração, dirigindo-me a Deus como Pai e rezando com outros, rezando com a Igreja, aceitando o dom de suas palavras, que se tornam pouco a pouco familiares e ricas em significado. O diálogo que Deus estabelece com cada um de nós, e nós com Ele, na oração inclui sempre um “com”; não se pode rezar a Deus de modo individualista. Na oração litúrgica, sobretudo na Eucaristia, e – formado pela liturgia – em cada oração, não falamos somente como pessoas individuais, mas entramos no “nós” pela Igreja que reza. E devemos transformar o nosso “eu” entrando neste “nós”.

Gostaria de atentar para um outro aspecto importante. No Catecismo da Igreja Católica lemos: “na liturgia da Nova Aliança, cada ação litúrgica, especialmente a celebração da Eucaristia e dos sacramentos, é um encontro entre Cristo e a Igreja” (n. 1097); assim, é o “Cristo total”, toda a comunidade, o Corpo de Cristo unido à sua Cabeça que celebra. A liturgia então não é uma espécie de “auto-manifestação” de uma comunidade, mas é a saída do simplesmente “ser para si mesmo”, ser fechado em si próprio para o acesso ao grande banquete, à entrada na grande comunidade viva, na qual o próprio Deus nos nutre. A liturgia implica universalidade e esse caráter universal deve entrar sempre de novo na consciência de todos. A liturgia cristã é o culto do templo universal que é Cristo Ressuscitado, cujos braços estão estendidos na cruz para atrair todos no abraço do amor eterno de Deus. É o culto do céu aberto. Não é nunca somente o evento de uma comunidade individual, com sua inserção no tempo e no espaço. É importante que cada cristão sinta-se e seja realmente inserido neste “nós” universal, que fornece o fundamento e o refúgio ao “eu”, no Corpo de Cristo que é a Igreja.

Nisto devemos ter presente e aceitar a lógica da encarnação de Deus: Ele se fez próximo, presente, entrando na história e na natureza humana, fazendo-se um de nós. E esta presença continua na Igreja, seu Corpo. A liturgia então não é a memória de eventos passados, mas é a presença viva do Mistério Pascal de Cristo que transcende e une os tempos e os espaços. Se na celebração não emerge a centralidade de Cristo, não temos a liturgia cristã, totalmente dependente do Senhor e sustentada pela sua presença criadora. Deus age por meio de Cristo e nós não podemos agir a não ser por meio dele e nele. A cada dia deve crescer em nós a convicção de que a liturgia não é um nosso, um meu “fazer”, mas é ação de Deus em nós e conosco.

Assim, não é o indivíduo – sacerdotes ou fiel – ou o grupo que celebra a liturgia, mas essa é primeiramente ação de Deus através da Igreja, que tem sua história, a sua rica tradição e a sua criatividade. Essa universalidade e abertura fundamental, que é própria de toda a liturgia, é uma das razões pelas quais essa não se pode ser idealizada ou modificada pela comunidade individual ou por especialistas, mas deve ser fiel às formas da Igreja universal.

Também na liturgia da menor comunidade está sempre presente a Igreja inteira. Por isso não existem “estrangeiros” na comunidade litúrgica. Em cada celebração litúrgica participa junto toda a Igreja, céu e terra, Deus e os homens. A liturgia cristã também se celebra em um lugar e em um espaço concreto e expressa o “sim” de uma determinada comunidade, por sua natureza católica, provém de todos e conduz a todos, em unidade com o Papa, com os Bispos, com os crentes de todas as épocas e de todos os lugares. Quanto mais uma celebração é animada por esta consciência, mais frutuosamente se realiza nela o sentido autêntico da liturgia.

Caros amigos, a Igreja torna-se visível de vários modos: na ação caritativa, nos projetos de missão, no apostolado pessoal que cada cristão deve realizar no próprio ambiente. No entanto, o lugar no qual a igreja é experimentada plenamente é na liturgia: essa é o ato no qual acreditamos que Deus entra na nossa realidade e nós podemos encontrá-Lo, podemos tocá-Lo. É o ato no qual entramos em contato com Deus: Ele vem a nós, e nós somos iluminados por Ele. Por isso, quando nas reflexões sobre liturgia nós centramos a nossa atenção somente sobre como torná-la atraente, interessante, bonita, corremos o risco de esquecer o essencial: a liturgia se celebra por Deus e não por nós mesmos; é obra sua; é Ele o sujeito; e nós devemos nos abrir a Ele e nos deixar guiar por Ele e pelo seu Corpo que é a Igreja.

Peçamos ao Senhor para aprendermos a cada dia a viver a sagrada liturgia, especialmente a Celebração Eucarística, rezando no “nós” da Igreja, que dirige o seu olhar não para si mesma, mas para Deus, e nos sentindo parte da Igreja viva de todos os lugares e todos os tempos. Obrigado.

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