Notícias

Papa Francisco: Jesus ressuscitado se manifesta a todos os que o invocam e o amam

https://www.acidigital.com/noticias/papa-francisco-jesus-ressuscitado-se-manifesta-a-todos-os-que-o-invocam-e-o-amam-48640

Papa Francisco se dirige aos fiéis na Praça de São Pedro. Foto: Captura Youtube

Vaticano, 22 Abr. 19 / 10:00 am (ACI).- O Papa Francisco afirmou que “Jesus ressuscitado se manifesta para aqueles que o invocam e o amam”. “Nele nós também ressuscitamos, passando da morte para a vida, da escravidão do pecado para a liberdade do amor”.

O Santo Padre realizou este ensinamento durante a oração mariana do Regina Coeli que presidiu nesta Segunda-feira do Anjo, 22 de abril, da janela do Palácio Apostólico do Vaticano.

Em sua mensagem prévia à oração, o Pontífice lembrou que, ao longo desta semana, “prolonga-se na liturgia e também na vida, a alegria pascal da ressurreição de Jesus, cujo evento admirável comemoramos no Domingo de Páscoa”.

“Na Vigília Pascal ressoaram as palavras proferidas pelos Anjos ao lado do túmulo vazio de Cristo. Para as mulheres que tinham ido ao sepulcro na madrugada do primeiro dia depois do sábado, eles disseram: ‘Por que vocês estão procurando entre os mortos aquele que está vivo? Ele não está aqui! Ressuscitou!’”

O Papa continuou sua explicação e assinalou que “a ressurreição de Cristo é o acontecimento mais fascinante da história humana, que atesta a vitória do Amor de Deus sobre o pecado e a morte e doa à nossa esperança de vida um fundamento sólido como a rocha. Aconteceu o que era humanamente impensável: ‘Jesus de Nazaré […] Deus o ressuscitou, libertando-o das cadeias da morte’”.

Especificou que “nesta Segunda-feira do Anjo, a liturgia, com o Evangelho de Mateus, nos leva novamente ao túmulo vazio de Jesus. As mulheres, cheias de temor e alegria, estão indo às pressas dar a notícia aos discípulos de que o sepulcro estava vazio; e naquele momento Jesus aparece diante delas. Elas ‘se aproximaram, abraçaram seus pés e o adoraram. Elas o tocaram: não era um fantasma, era Jesus, vivo, com a carne, era Ele’”.

“Jesus expulsa dos seus corações o medo e as encoraja ainda mais a anunciar aos irmãos o que aconteceu. Todos os Evangelhos ressaltam o papel das mulheres, Maria Madalena e as outras, como as primeiras testemunhas da ressurreição”.

Pelo contrário, “os homens, assustados, estavam fechados no cenáculo. Pedro e João, advertidos pela Madalena, apenas correm rapidamente e descobrem que o túmulo está aberto e vazio. Mas foram as mulheres as primeiras a encontrar o Ressuscitado e a anunciar que Ele está vivo”.

“Hoje ressoam também em nós as palavras de Jesus dirigida às mulheres: ‘Não tenham medo. Vão anunciar…’ Depois dos ritos do Tríduo Pascal, que nos fizeram reviver o mistério da morte e ressurreição de nosso Senhor, agora com os olhos da fé o contemplamos ressuscitado e vivo. Nós também somos chamados a encontrá-lo pessoalmente e a nos tornar seus anunciadores e testemunhas”.

“Nele nós também ressuscitamos, passando da morte para a vida, da escravidão do pecado para a liberdade do amor. Deixemo-nos, portanto, ser abrangidos pela mensagem consoladora da Páscoa e ser envolvidos por sua luz gloriosa, que dissipa as trevas do medo e da tristeza”.

O Papa concluiu seu ensinamento antes da oração do Regina Coeli, ressaltando que “Jesus ressuscitado caminha ao nosso lado. Ele se manifesta para aqueles que o invocam e o amam. Primeiramente, na oração, mas também nas simples alegrias vividas com fé e gratidão. Podemos senti-lo presente também partilhando momentos de cordialidade, acolhimento, amizade e contemplação da natureza”.

Urbi et Orbi: A Páscoa é o início de um mundo novo, afirmou o Papa Francisco

https://www.acidigital.com/noticias/urbi-et-orbi-a-pascoa-e-o-inicio-de-um-mundo-novo-afirmou-o-papa-francisco-87977

Papa Francisco lendo sua mensagem de páscoa neste 21 de abril. Foto: Captura de tela Youtube Vatican Media

Vaticano, 21 Abr. 19 / 08:26 am (ACI).- O Papa Francisco fez uma firme defesa da paz no mundo durante a tradicional mensagem pascal prévia à Bênção “Urbi et Orbi”, dada à cidade de Roma e ao mundo, neste domingo 21 de abril, Domingo de Ressurreição, na Praça de São Pedro, insistindo que a Páscoa é o início da vida nova e do mundo novo que Cristo inaugura.

Em sua mensagem, o Santo Padre pediu ainda o fim dos conflitos em Síria, Israel e Palestina, Líbia, Sudão e Sudão do Sul e Ucrânia. Neste sentido, recordou que “Cristo vive e permanece connosco. Mostra a luz do seu rosto de Ressuscitado e não abandona os que estão na provação, no sofrimento e no luto.

Queridos irmãos e irmãs, feliz Páscoa!

Hoje, a Igreja renova o anúncio dos primeiros discípulos: «Jesus ressuscitou!» E de boca em boca, de coração a coração, ecoa o convite ao louvor: «Aleluia!… Aleluia!» Nesta manhã de Páscoa, juventude perene da Igreja e de toda a humanidade, quero fazer chegar a cada um de vós as palavras iniciais da recente Exortação Apostólica dedicada particularmente aos jovens:

«Cristo vive: é Ele a nossa esperança e a mais bela juventude deste mundo! Tudo o que toca torna-se jovem, fica novo, enche-se de vida. Por isso as primeiras palavras, que quero dirigir a cada jovem [e a cada] cristão, são estas: Ele vive e quer-te vivo! Está em ti, está contigo e jamais te deixa. Por mais que te possas afastar, junto de ti está o Ressuscitado, que te chama e espera por ti para recomeçar. Quando te sentires envelhecido pela tristeza, os rancores, os medos, as dúvidas ou os fracassos, Jesus estará a teu lado para te devolver a força e a esperança» (Chistus vivit, 1-2).

Queridos irmãos e irmãs, esta mensagem é dirigida ao mesmo tempo a todas as pessoas e ao mundo inteiro. A Ressurreição de Cristo é princípio de vida nova para todo o homem e toda a mulher, porque a verdadeira renovação parte sempre do coração, da consciência. Mas a Páscoa é também o início do mundo novo, libertado da escravidão do pecado e da morte: o mundo finalmente aberto ao Reino de Deus, Reino de amor, paz e fraternidade.

Cristo vive e permanece connosco. Mostra a luz do seu rosto de Ressuscitado e não abandona os que estão na provação, no sofrimento e no luto. Que Ele, o Vivente, seja esperança para o amado povo sírio, vítima dum conflito sem fim que corre o risco de nos encontrar cada vez mais resignados e até indiferentes. Ao contrário, é hora de renovar os esforços por uma solução política que dê resposta às justas aspirações de liberdade, paz e justiça, enfrente a crise humanitária e favoreça o retorno em segurança dos deslocados, bem como daqueles que se refugiaram nos países vizinhos, especialmente no Líbano e Jordânia.

A Páscoa leva-nos a deter o olhar no Médio Oriente, dilacerado por divisões e tensões contínuas. Os cristãos da região não deixem de testemunhar, com paciente perseverança, o Senhor ressuscitado e a vitória da vida sobre a morte. O meu pensamento dirige-se de modo particular para o povo do Iémen, especialmente para as crianças definhando pela fome e a guerra. A luz pascal ilumine todos os governantes e os povos do Médio Oriente, a começar pelos israelitas e os palestinenses, e os instigue a aliviar tantas aflições e a buscar um futuro de paz e estabilidade.

Que as armas cessem de ensanguentar a Líbia, onde, nas últimas semanas, começaram a morrer pessoas indefesas, e muitas famílias se viram forçadas a deixar as suas casas. Exorto as partes interessadas a optar pelo diálogo em vez da opressão, evitando que se reabram as feridas duma década de conflitos e instabilidade política.

Cristo Vivente conceda a sua paz a todo o amado continente africano, ainda cheio de tensões sociais, conflitos e, por vezes, extremismos violentos que deixam atrás de si insegurança, destruição e morte, especialmente no Burkina Faso, Mali, Níger, Nigéria e Camarões. Penso ainda no Sudão, que está a atravessar um período de incerteza política e onde espero que todas as instâncias possam ter voz e cada um se esforce por permitir ao país encontrar a liberdade, o desenvolvimento e o bem-estar, a que há muito aspira.

O Senhor ressuscitado acompanhe os esforços feitos pelas autoridades civis e religiosas do Sudão do Sul, sustentados pelos frutos do retiro espiritual que, há poucos dias, se realizou aqui no Vaticano. Que se abra uma nova página da história do país, na qual todos os componentes políticos, sociais e religiosos se empenhem ativamente em prol do bem comum e da reconciliação da nação.

Nesta Páscoa, encontre conforto a população das regiões orientais da Ucrânia, que continua a sofrer com o conflito ainda em curso. O Senhor encoraje as iniciativas humanitárias e as iniciativas destinadas a buscar uma paz duradoura.

Que a alegria da Ressurreição encha os corações de quem sofre as consequências de difíceis situações políticas e econômicas, no continente americano. Penso de modo particular no povo venezuelano: em tanta gente sem as condições mínimas para levar uma vida digna e segura, por causa duma crise que perdura e se agrava. O Senhor conceda, a quantos têm responsabilidades políticas, trabalhar para pôr fim às injustiças sociais, abusos e violências e realizar passos concretos que permitam sanar as divisões e oferecer à população a ajuda de que necessita.

O Senhor ressuscitado oriente com a sua luz os esforços que estão a ser feitos na Nicarágua para se encontrar, o mais rápido possível, uma solução pacífica e negociada em benefício de todos os nicaraguenses.

Perante os inúmeros sofrimentos do nosso tempo, o Senhor da vida não nos encontre frios e indiferentes. Faça de nós construtores de pontes, não de muros. Ele, que nos dá a paz, faça cessar o fragor das armas, tanto nos contextos de guerra como nas nossas cidades, e inspire os líderes das nações a trabalhar para acabar com a corrida aos armamentos e com a difusão preocupante das armas, de modo especial nos países mais avançados economicamente. O Ressuscitado, que escancarou as portas do sepulcro, abra os nossos corações às necessidades dos indigentes, indefesos, pobres, desempregados, marginalizados, de quem bate à nossa porta à procura de pão, dum abrigo e do reconhecimento da sua dignidade.

Queridos irmãos e irmãs, Cristo vive! Ele é esperança e juventude para cada um de nós e para o mundo inteiro.

Deixemo-nos renovar por Ele! Feliz Páscoa!

Papa na Vigília Pascal: Jesus é o vivente e deve ser o centro das nossas vidas

https://www.acidigital.com/noticias/papa-na-vigilia-pascal-jesus-e-o-vivente-e-deve-ser-o-centro-das-nossas-vidas-41741

Papa Francisco na Vigília Pascal de 2018 em Roma. Foto: Daniel Ibañez/ACI Prensa

Roma, 20 Abr. 19 / 08:44 pm (ACI).- Na celebração da Vigília Pascal, que teve lugar neste sábado, 20, na basílica de São Pedro, o Papa Francisco refletiu sobre a necessidade de que Jesus seja o centro da vida do cristão, pois ele vive, não está morto, é uma figura do presente, não do passado e chama a cada um de nós a levantar-nos para ressurgir da morte com Ele.

Abaixo ACI Digital traz a homilia completa do Santo Padre na noite deste Sábado Santo em Roma:

1. As mulheres vão ao túmulo levando os aromas, mas temem que a viagem seja inútil, porque uma grande pedra bloqueia a entrada do sepulcro. O caminho daquelas mulheres é também o nosso caminho; lembra o caminho da salvação, que voltamos a percorrer nesta noite. Nele, parece que tudo se vai estilhaçar contra uma pedra: a beleza da criação contra o drama do pecado; a libertação da escravatura contra a infidelidade à Aliança; as promessas dos profetas contra a triste indiferença do povo. O mesmo se passa na história da Igreja e na história de cada um de nós: parece que os passos dados nunca levem à meta. E assim pode insinuar-se a ideia de que a frustração da esperança seja a obscura lei da vida.

Hoje, porém, descobrimos que o nosso caminho não é feito em vão, que não esbarra contra uma pedra tumular. Uma frase incita as mulheres e muda a história: «Porque buscais o Vivente entre os mortos?» (Lc 24, 5); porque pensais que tudo seja inútil, que ninguém possa remover as vossas pedras? Porque cedeis à resignação e ao fracasso? A Páscoa é a festa da remoção das pedras.

Deus remove as pedras mais duras, contra as quais vão embater esperanças e expetativas: a morte, o pecado, o medo, o mundanismo. A história humana não acaba frente a uma pedra sepulcral, já que hoje mesmo descobre a «pedra viva» (cf. 1 Ped 2, 4): Jesus ressuscitado. Como Igreja, estamos fundados sobre Ele e, mesmo quando desfalecemos, mesmo quando somos tentados a julgar tudo a partir dos nossos fracassos, Ele vem fazer novas todas as coisas, inverter as nossas decepções. Nesta noite, cada um é chamado a encontrar, no Vivente, Aquele que remove do coração as pedras mais pesadas. Perguntemo-nos, antes de mais nada: Qual é a minha pedra a ser removida, como se chama?

Muitas vezes, a esperança é obstruída pela pedra da falta de confiança. Quando se dá espaço à ideia de que tudo corre mal e que sempre vai de mal a pior, resignados, chegamos a crer que a morte seja mais forte que a vida e tornamo-nos cínicos e sarcásticos, portadores dum desânimo doentio. Pedra sobre pedra, construímos dentro de nós um monumento à insatisfação, o sepulcro da esperança. Lamentando-nos da vida, tornamos a vida dependente das lamentações e espiritualmente doente. Insinua-se, assim, uma espécie de psicologia do sepulcro: tudo termina ali, sem esperança de sair vivo. Mas, eis que surge a pergunta desafiadora da Páscoa: Porque buscais o Vivente entre os mortos? O Senhor não habita na resignação. Ressuscitou, não está lá; não O procures, onde nunca O encontrarás: não é Deus dos mortos, mas dos vivos (cf. Mt 22, 32). Não sepultes a esperança!

Há uma segunda pedra que, muitas vezes, fecha o coração: a pedra do pecado. O pecado seduz, promete coisas fáceis e prontas, bem-estar e sucesso, mas, depois, dentro deixa solidão e morte. O pecado é procurar a vida entre os mortos, o sentido da vida nas coisas que passam. Porque buscais o Vivente entre os mortos? Porque não te decides a deixar aquele pecado que, como pedra à entrada do coração, impede à luz divina de entrar? Porque, aos lampejos cintilantes do dinheiro, da carreira, do orgulho e do prazer, não antepões Jesus, a luz verdadeira (cf. Jo 1, 9)?

Porque não dizes às vaidades mundanas que não é para elas que vives, mas para o Senhor da vida?

2. Voltemos às mulheres que vão ao sepulcro de Jesus… À vista da pedra removida, sentem-se perplexas; ao ver os anjos, ficam – diz o Evangelho – «amedrontadas» e «voltam o rosto para o chão» (Lc 24, 5). Não têm a coragem de levantar o olhar. Quantas vezes nos acontece o mesmo!

Preferimos ficar encolhidos nos nossos limites, escondidos nos nossos medos. É estranho! Porque o fazemos? Muitas vezes porque, no fechamento e na tristeza, somos nós os protagonistas, porque é mais fácil ficarmos sozinhos nas celas escuras do coração do que abrir-nos ao Senhor. E, todavia, só Ele levanta. Uma poetisa escreveu: «Só conhecemos a nossa altura, quando somos chamados a levantar-nos» O Senhor chama-nos para nos levantarmos, ressuscitarmos à sua Palavra, olharmos para o alto e crermos que estamos feitos para o Céu, não para a terra; para as alturas da vida, não para as torpezas da morte: Porque buscais o Vivente entre os mortos?

Deus pede-nos para olharmos a vida como a contempla Ele, que em cada um de nós sempre vê um núcleo incancelável de beleza. No pecado, vê filhos carecidos de ser levantados; na morte, irmãos carecidos de ressuscitar; na desolação, corações carecidos de consolação. Por isso, não temas! O Senhor ama esta tua vida, mesmo quando tens medo de a olhar de frente e tomar a sério.

Na Páscoa, mostra-te quanto a ama. Ama-a a ponto de a atravessar toda, experimentar a angústia, o abandono, a morte e a mansão dos mortos para de lá sair vitorioso e dizer-te: «Não estás sozinho, confia em Mim!» Jesus é especialista em transformar as nossas mortes em vida, os nossos lamentos em dança (cf. Sal 30, 12). Com Ele, podemos realizar também nós a Páscoa, isto é, a passagem: passagem do fechamento à comunhão, da desolação ao conforto, do medo à confiança. Não fiquemos a olhar para o chão amedrontados, fixemos Jesus ressuscitado: o seu olhar infunde-nos esperança, porque nos diz que somos sempre amados e que, não obstante tudo o que possamos combinar, o amor d’Ele não muda. Esta é a certeza não negociável da vida: o seu amor não muda.

Perguntemo-nos: Na vida, para onde olho? Contemplo ambientes sepulcrais ou procuro o Vivente?

3. Por que buscais o Vivente entre os mortos? As mulheres escutam a advertência dos anjos, que acrescentam: «Lembrai-vos de como vos falou, quando ainda estava na Galileia» (Lc 24, 6).

Aquelas mulheres tinham esquecido a esperança, porque não recordavam as palavras de Jesus, a chamada que lhes fez na Galileia. Perdida a memória viva de Jesus, ficam a olhar o sepulcro. A fé precisa de voltar à Galileia, reavivar o primeiro amor com Jesus, a sua chamada: precisa de O recordar, ou seja – literalmente –, de voltar com o coração para Ele. Voltar a um amor vivo para com o Senhor é essencial; caso contrário, tem-se uma fé de museu, não a fé pascal. Mas Jesus não é um personagem do passado, é uma Pessoa vivente hoje; não Se conhece nos livros de história, encontra-Se na vida. Hoje, repassemos na memória o momento em que Jesus nos chamou, quando venceu as nossas trevas, resistências, pecados, como nos tocou o coração com a sua Palavra.

Recordando Jesus, as mulheres deixam o sepulcro. A Páscoa ensina-nos que o crente se detém pouco no cemitério, porque é chamado a caminhar ao encontro do Vivente. Perguntemo-nos: na vida, para onde caminho? Sucede às vezes que o nosso pensamento se dirija continua e exclusivamente para os nossos problemas, que nunca faltam, e vamos ter com o Senhor apenas para nos ajudar. Mas, deste modo, são as nossas necessidades que nos orientam, não Jesus. E continuamos a buscar o Vivente entre os mortos. E quantas vezes, mesmo depois de ter encontrado o Senhor, voltamos entre os mortos, repassando intimamente saudades, remorsos, feridas e insatisfações, sem deixar que o Ressuscitado nos transforme! Queridos irmãos e irmãs, na vida demos o lugar central ao Vivente. Peçamos a graça de não nos deixarmos levar pela corrente, pelo mar dos problemas; a graça de não nos estilhaçarmos contra as pedras do pecado e os rochedos da desconfiança e do medo.

Procuremo-Lo a Ele, em tudo e antes de tudo. Com Ele, ressuscitaremos.

O consumismo nas festas cristãs

http://destrave.cancaonova.com/o-consumismo-nas-festas-cristas/
Daniel Machado, produtor do Destrave

Segundo Bento XVI, o Natal – assim como a Páscoa – tornou-se uma “festa de negócios”.

O que é a Páscoa?
Resposta: é a celebração da Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus Cristo.
Essa seria uma resposta simples, e todos os que se dizem cristãos deveriam tê-la na ponta da língua, quisera no coração. No entanto, faça essa pergunta a uma criança e a resposta estará relacionada a coelhinho da Páscoa, ovos de chocolate e presentes. Não diferente do Natal, a celebração pascal, assim como as festas juninas e outras datas importantes do Cristianismo, está se tornando sinônimo de consumismo.
O próprio Papa Bento XVI, na Missa do Galo de 2011, disse que “o Natal tornou-se uma festa de negócios, cujo fulgor ofuscante esconde o mistério da humildade de Deus”.
Será que podemos incluir a Páscoa nessa mesma mentalidade de “negócio”, da qual recordou o Santo Padre?
Sem recorrer a fantasias de “teoria da conspiração”, não podemos negar que existe uma ideologia anticristã bem articulada com o intuito de transformar a sociedade em um organismo indiferente à religião.
Há tempos que as conferências episcopais de vários países, além da própria Santa Sé, têm nos chamado à atenção para uma perversa tentativa de excluir as expressões religiosas – como festas e feriados -, da esfera pública, assim como a negação dos direitos iguais e a “marginalização social dos cristãos” (Comissão das Conferências Episcopais da Europa).
No início de 2012, por exemplo, a Comissão Europeia disponibilizou mais de três milhões de cópias de uma agenda com as cores da União Europeia. A agenda continha feriados judeus, hindus, islâmicos, sikhs, mas não havia os feriados cristãos, nem sequer o dia 25 de dezembro, quando a Igreja comemora o Natal, nascimento de Jesus Cristo. Depois de uma petição feita por  mais de 37 mil europeus, em 7 línguas, os feriados voltaram à agenda. Em Portugal, cogita-se que a festa de Corpus Christi e Assunção de Maria (15 de agosto) não serão mais feriados em 2013.
Se, na Europa, estão querendo banir as festas religiosas dos calendários, a estratégia no Brasil é desvirtuá-las. A transformação das festas cristãs em ‘festas de comércio’ também é uma forma de ridicularização e zombaria da religião, consequência de um mundo cada vez mais secularizado e anticristão.
Nesta Semana Santa, você vai ouvir muito a mídia falar sobre o famoso “feriadão”, seguido de um forte apelo ao consumo que esvazia o verdadeiro sentido da Páscoa. “O Papa João Paulo II, na carta apostólica Dies Domini, alerta-nos sobre essa realidade perversa que transforma o tempo de encontro com Deus num tempo de consumo”, diz padre Joãozinho (SCJ).
“Existem duas festas cristãs que são ‘colunas’ do ano litúrgico: a Páscoa e o Natal. Mas, junto delas, associou-se duas datas importantes para o comércio”, explica o sacerdote. De acordo com o padre, agora é a vez do ovo de Páscoa, coisa desnecessária para a alimentação. “É bem possível que, passando a festa pascal, nós encontremos, à venda, os enfeites para a preparação do Natal”, alerta padre Joãozinho.
A pergunta é: como vamos fugir dessa tendência perversa de transformar as festas cristãs em festas de consumo?
Em primeiro lugar, é preciso uma urgente e sólida reeducação dos valores religiosos em nossas crianças e jovens. Em segundo, um forte testemunho de vivência das nossas festas religiosas em nossas paróquias e comunidades. Somado a isso, é preciso renunciar ao consumismo e resistir aos apelos midiáticos tão intensos nas festas católicas.
Com todo respeito ao “coelhinho” e ao “bom velhinho”, é preciso retirá-los de cena para que o Cordeiro Imolado assuma o seu lugar.

Paixão do Senhor: “Cristo é o retrato dos descartados da terra”

Sexta-feira Santa
Sexta-feira, 19 de abril de 2019, Denise Claro / Da redação
https://noticias.cancaonova.com/especiais/pontificado/francisco/paixao-senhor-cristo-e-o-retrato-dos-descartados-da-terra/

Na homilia da Celebração da Paixão de Cristo, no Vaticano, Frei Raniero Cantalamessa refletiu sobre a morte de Cristo, que redimiu o mundo do pecado

Papa Francisco presidiu a Celebração da Paixão do Senhor, no Vaticano./ Foto: Reprodução Vatican Media

O Papa Francisco presidiu, na tarde desta Sexta-feira Santa, 19, na Basílica Vaticana, a Celebração da Paixão de Cristo, com a adoração da Cruz e a homilia do pregador da Casa Pontifícia, Frei Raniero Cantalamessa, com o tema “Desprezado e rejeitado pelos homens”

Em sua homilia, após a narração da Paixão do Senhor, Cantalamessa destacou as palavras proféticas de Isaías com as quais começa a Liturgia do dia.

“É este o nome: desprezado e rejeitado. Hoje queremos contemplar o crucificado sobre este aspecto: como protótipo e representante de todos os descartados e deserdados da terra. Aqueles diante dos quais se vira o rosto para o outro lado, para não os ver.”

O religioso lembrou que Jesus não se assemelha a esses pequeninos somente na Paixão:

“Durante toda a sua vida Ele têm sido um deles: nasceu em um estábulo porque não havia lugar para eles na hospedaria. Ao ser apresentado no Templo, seus pais ofereceram dois pombinhos, a oferta prescrita pela Lei para os pobres, que não podiam dar-se ao luxo de oferecer um cordeiro. Um verdadeiro certificado de pobreza na Israel da época. Durante a sua vida pública, não tinha lugar para descansar a cabeça: era um ‘sem-teto’. E chegamos à Paixão.”

Jesus: retrato dos descartados da terra

Cantalamessa lembrou que no relato da Paixão há um detalhe ao qual não se presta atenção com frequência: Jesus no pretório de Pilatos, que, todo ensanguentado, com as mãos atadas, recebe coroa de espinhos e manto de ‘escárnios’:

“É o protótipo das pessoas algemadas, sozinhas, à mercê de soldados e bandidos que descarregam sobre os pobres e infelizes a raiva e a crueldade que acumularam na vida. Torturado. ‘Eis o homem’- exclama Pilatos.”

O pregador da Casa Pontifícia reforçou que Jesus era o retrato de milhares de pessoas, homens e mulheres, humilhados. “O Homem de Toda a História foi um de vocês”, disse, lembrando as palavras do escritor italiano Primo Levi.

“Este não é o único significado da Paixão e Morte de Cristo nem o mais importante. Não é o significado social, mas o espiritual o mais importante: aquela morte redimiu o mundo do pecado. Levou o amor de Deus ao ponto mais distante e mais obscuro ao qual a humanidade se havia colocado na sua fuga D’Ele: na morte.”

O religioso lembrou que, apesar disso, este é o fato que todos, crentes e não crentes, podem reconhecer e aceitar: “se pelo fato da Sua encarnação Deus se fez Homem, pelo modo como aconteceu, tornou-se um pobre e rejeitado, casou-se com a causa deles, afirmou solenemente: “o que fizeste aos pequeninos, aos rejeitados, a Mim o fizeste.”

A grande reviravolta

Mas não se pode parar por aí, frisou Cantalamessa. Se Jesus tivesse apenas isso a dizer aos desprivilegiados do mundo, seria apenas isso. Seria mais uma prova de que Deus permite tudo isso. O Evangelho não pára por aí, diz que o crucificado ressuscitou:

“Nele houve uma inversão total das partes. O vencido tornou-se o vencedor. O julgado tornou-se o juiz. A pedra descartada pelos construtores tornou-se a pedra angular. A última palavra não foi, e nunca será, a da injustiça e da opressão. Jesus não só restituiu uma dignidade aos desfavorecidos do mundo. Deu-lhes uma esperança.”

O religioso lembrou que nos primeiros três séculos da Igreja a celebração da Páscoa não era como hoje, dividida em vários dias. Tudo estava concentrado num só dia. Na Vigília Pascal não se comemorava a morte e ressurreição como fatos distintos. Se comemorava a passagem da morte para a vida.

“A palavra Páscoa significa passagem. Do povo judeu da escravidão à liberdade, de Cristo deste mundo para o Pai, e passagem dos que crêem Nele, do pecado para a Graça. É a festa de reviravolta feita por Deus e realizada em Cristo. É o início e a promessa da única reviravolta totalmente justa e irreversível da realidade: ‘pobres, excluídos, pertencentes às diversas formas de escravidão que ainda se verificam na nossa sociedade. A Páscoa é a vossa festa.”

Mensagem aos poderosos

Cantalamessa apresentou uma segunda realidade: a Cruz também contém uma mensagem para aqueles que estão do outro lado.

“Para os poderosos, os fortes, aqueles que se sentem tranquilos no seu lugar de vencedores. Mas é uma mensagem como sempre de amor, de salvação, não de ódio ou de vingança. Lembra-lhes que, no final, eles estão ligados no mesmo destino que todos. Que fracos e poderosos, indefesos e tiranos, todos estão sujeitos à mesma Lei e aos mesmos limites humanos. A morte paira sobre a cabeça de todos.”, disse, advertindo quanto à ilusão da onipotência.

Missão da Igreja

O pregador da Casa Pontifícia lembrou que a Igreja recebeu o mandato de Deus para estar ao lado dos pobres, para ser a voz dos que não tem voz. Da mesma forma, há uma segunda tarefa histórica que as religiões devem assumir, “a de não permanecer em silêncio perante o espetáculo que está diante dos olhos de todos.”:

“Poucos privilegiados possuem bens que não poderiam consumir, ainda que vivessem por séculos. E massas intermináveis de pobres que não tem um pedaço de pão e um gole de água para dar a seus filhos. Nenhuma religião pode ficar indiferente, porque o Deus de todas as religiões não é indiferente a tudo isso.

Ao final, o religioso concluiu: “Dentro de dois dias, com o anúncio da Ressurreição de Cristo, a Liturgia dará também um nome e um rosto a este Homem Triunfante. Vigiemos e meditemos, esperando.”

Estas são as meditações da Via-Sacra 2019 que o Papa Francisco presidirá em Roma

https://www.acidigital.com/noticias/estas-sao-as-meditacoes-da-via-sacra-2019-que-o-papa-francisco-presidira-em-roma-37029

Vaticano, 18 Abr. 19 / 05:00 pm (ACI).- Ir. Eugenia Bonetti, missionária da Consolata, foi encarregada de escrever as meditações da Via-Sacra que o Papa Francisco presidirá na Sexta-feira Santa 2019, no Coliseu de Roma.

Segundo assinalou em declarações a EWTN e ao Grupo ACI, as meditações serão centradas no sofrimento das vítimas de tráfico de pessoas. Afirmou que Cristo continua morrendo “em nossas ruas e pede que nós mesmos sejamos samaritanos, pede que nós sejamos o Cirineu, que sejamos a Verônica, secarmos aquele rosto que tem lágrimas, suor, que está sujo pela rua, pela humilhação, e Ele nos pede para fazer isso hoje”.

A seguir, publicamos o texto completo das meditações que serão usadas na Via-Sacra que o Santo Padre presidirá em 19 de abril:

Introdução

Passaram-se já quarenta dias desde a imposição das cinzas, quando começamos o caminho da Quaresma. Hoje revivemos as últimas horas da vida terrena do Senhor Jesus até ao momento em que, suspenso na cruz, gritou o seu «consummatum est – tudo está consumado». Reunidos neste lugar, onde, no passado, milhares de pessoas sofreram o martírio por ter permanecido fiéis a Cristo, queremos agora percorrer este «caminho doloroso» juntamente com todos os pobres, com os excluídos da sociedade e os novos crucificados da história atual, vítimas dos nossos fechamentos, dos poderes e legislações, da cegueira e do egoísmo, mas, sobretudo do nosso coração endurecido pela indiferença. Esta é uma doença de que também nós cristãos sofremos. Possa a cruz de Cristo – instrumento de morte, mas também de vida nova que mantém unidos num abraço terra e céu, norte e sul, leste e oeste – iluminar a consciência dos cidadãos, da Igreja, dos legisladores e de quantos se professam seguidores de Cristo, para que a todos chegue a Boa Nova da redenção.

 

I Estação

Jesus é condenado à morte

«Nem todo o que Me diz: “Senhor, Senhor” entrará no Reino do Céu, mas sim aquele que faz a vontade de meu Pai que está no Céus» (Mt 7, 21)

Reflexão: Senhor, quem mais do que Maria, tua Mãe, soube ser teu discípulo? Ela aceitou a vontade do Pai, inclusive no momento mais escuro da sua vida, e, com o coração despedaçado, ficou ao teu lado. Aquela que Te gerou, trouxe no ventre, acolheu nos braços, nutriu com amor e acompanhou durante a tua vida terrena, não podia deixar de percorrer o mesmo caminho do Calvário e partilhar contigo o momento mais dramático e doloroso da tua e da sua existência.

Oração: Senhor, quantas mães vivem ainda hoje a experiência da tua Mãe e choram pela sorte das suas filhas e dos seus filhos! Quantas, depois de os ter gerado e dado à luz, veem-nos padecer e morrer por doença, por falta de comida, de água, de cuidados médicos e de oportunidades de vida e futuro! Pedimos-Te por aqueles que ocupam posições de responsabilidade para que escutem o grito dos pobres que, de todas as partes do mundo, se eleva para Ti: grito de todas aquelas vidas jovens, que de diferentes maneiras são condenadas à morte pela indiferença gerada por políticas excludentes e egoístas. Que não falte a nenhum dos teus filhos o trabalho e o necessário para uma vida honesta e digna.

Rezemos juntos, dizendo: «Senhor, ajuda-nos a fazer a tua vontade»

– Nos momentos de dificuldade e transtorno

– Nos momentos de sofrimento físico e moral

– Nos momentos de trevas e solidão.

 

II Estação

Jesus carrega a cruz

«Se alguém quer vir após Mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz dia após dia e siga-Me» (Lc 9, 23)

Reflexão: Senhor Jesus é fácil trazer o crucifixo ao peito ou dependurá-lo como ornamento nas paredes das nossas belas catedrais ou de nossas casas, mas não é tão fácil encontrar e reconhecer os novos crucificados de hoje: os sem-abrigo, os jovens sem esperança, sem emprego nem perspectivas, os imigrantes obrigados a viver nas barracas à margem da nossa sociedade, depois de terem enfrentado tribulações inauditas. Infelizmente, estes acampamentos, sem segurança, são queimados e arrasados juntamente com os sonhos e as esperanças de milhares de mulheres e homens marginalizados, explorados, esquecidos. Além disso, quantas crianças são discriminadas por causa da sua proveniência, da cor da pele ou da sua condição social! Quantas mães sofrem a humilhação de ver os seus filhos ridicularizados e excluídos das oportunidades que têm os seus coetâneos e colegas de escola!

Oração: Agradecemos-Te, Senhor, porque, com a tua própria vida, nos deste exemplo de como se manifesta o amor verdadeiro e desinteressado pelo próximo, particularmente pelos inimigos ou, simplesmente, por quem não é como nós. Senhor Jesus, quantas vezes também nós, como teus discípulos, nos declaramos abertamente teus seguidores nos momentos em que realizavas curas e prodígios, quando davas de comer à multidão e perdoavas os pecados. Mas não foi tão fácil compreender-Te quando falavas de serviço e perdão, de renúncia e sofrimento. Ajuda-nos a saber como colocar sempre a nossa vida ao serviço dos outros.

Rezemos juntos, dizendo: «Senhor, ajuda-nos a esperar»

– Quando nos sentimos abandonados e sozinhos

– Quando é difícil seguir os teus passos

– Quando o serviço aos outros se torna difícil.

 

III Estação

Jesus cai pela primeira vez

«Tomou sobre Si as nossas doenças, carregou as nossas dores» (Is 53, 4)

Reflexão: Senhor Jesus, na estrada íngreme que leva ao Calvário, quiseste experimentar a fragilidade e fraqueza humanas. Que seria hoje a Igreja sem a presença e a generosidade de tantos voluntários, os novos samaritanos do terceiro milênio? Em noite fria de janeiro, numa estrada dos arredores de Roma, três africanas, pouco mais do que crianças, aninhadas no chão ao redor dum braseiro aqueciam o seu corpo jovem seminu. Alguns rapazolas que passavam de carro, para se divertir lançaram material inflamável no fogo, queimando-as gravemente. Naquele mesmo momento, passou uma das muitas unidades de voluntários de rua que as socorreram, levando-as ao hospital e acabando depois por alojá-las numa casa-família. Quanto tempo foi e ainda será necessário para que aquelas meninas se curem não apenas das queimaduras nos membros, mas também da tristeza e humilhação de se encontrar com um corpo mutilado e desfigurado para sempre?

Oração: Senhor, agradecemos-Te pela presença de tantos novos samaritanos do terceiro milênio que ainda hoje vivem a experiência do caminho, inclinando-se com amor e compaixão sobre as inúmeras feridas físicas e morais de quem vive, cada noite, o medo e o pavor das trevas, da solidão e da indiferença. Senhor, infelizmente muitas vezes hoje já não sabemos individuar quem passa necessidade, ver quem está ferido e humilhado. Muitas vezes reivindicamos os nossos direitos e interesses, mas esquecemos os dos pobres e dos últimos da fila. Senhor, concede-nos a graça de não ficar insensíveis às suas lágrimas, aos seus sofrimentos, ao seu grito de dor, porque, através deles, podemos encontrar-Te.

Rezemos juntos, dizendo: «Senhor, ajuda-nos a amar»

– Quando cansa ser samaritano

– Quando nos custa perdoar

– Quando não queremos ver o sofrimento dos outros.

 

IV Estação

Jesus encontra Maria, sua Mãe

«Uma espada trespassará a tua alma. Assim hão de revelar-se os pensamentos de muitos corações» (Lc 2, 35)

Reflexão: Maria, o velho Simeão predissera-Te, quando foste ao templo para apresentares Jesus menino e para o rito da purificação, que uma espada trespassaria o teu coração. Agora é o momento de renovar o teu fiat, a tua adesão ao querer do Pai, mesmo se o acompanhamento dum filho ao patíbulo, tratado como malfeitor, provoca uma dor lancinante. Senhor, tem piedade de tantas, demasiadas mães que deixaram partir as suas jovens filhas para a Europa na esperança de ajudar a sua família em pobreza extrema, mas encontraram humilhações, desprezo e, às vezes, até a morte. Como a jovem Tina barbaramente assassinada na estrada quando tinha apenas vinte anos, deixando uma bebé de poucos meses.

Oração: Maria, neste momento, Tu vives o mesmo drama de tantas mães que sofrem pelos seus filhos que partiram para outros países na esperança de encontrar oportunidades para um futuro melhor para eles e suas famílias, mas, infelizmente, o que encontram é humilhação, desprezo, violência, indiferença, solidão e até a morte. Dá-lhes força e coragem.

Rezemos juntos, dizendo: «Senhor, faz que saibamos sempre dar apoio e conforto e estar presente para oferecer ajuda»

– Às mães que choram a sorte dos seus filhos

– A quem, na vida, perdeu toda a esperança

– A quem, todos os dias, sofre violência e desprezo.

 

V Estação

O Cireneu ajuda Jesus a levar a cruz

«Carregai as cargas uns dos outros e assim cumprireis plenamente a lei de Cristo» (Gal 6, 2)

Reflexão: Senhor Jesus, a caminho do Calvário, sentiste forte o peso e a fadiga de carregar aquela tosca cruz de madeira. Em vão, esperaste pelo gesto de ajuda vindo dum amigo, dum dos teus discípulos, duma das inúmeras pessoas cujos sofrimentos aliviaste. Só um desconhecido, Simão de Cirene, e por constrição Te deu uma mão. Onde estão hoje os novos cireneus do terceiro milênio? Onde os encontramos? Quero recordar a experiência dum grupo de religiosas de diferentes nacionalidades, proveniências e congregações com as quais todos os sábados, há mais de dezessete anos, visitamos em Roma um Centro para mulheres imigradas sem documentos: mulheres, frequentemente jovens, à espera de conhecer o seu destino, oscilando entre expulsão e possibilidade de permanecer. Nestas mulheres, quanto sofrimento encontramos, mas também quanta alegria ao depararem-se com religiosas originárias dos seus países, que falam a sua língua, limpam as suas lágrimas, compartilham momentos de oração e de festa, tornam menos duros os longos meses passados por detrás de barras de ferro e no asfalto de cimento!

Oração: Por todos os cireneus da nossa história, para que jamais esmoreça neles o desejo de Te acolher sob a fisionomia dos últimos da terra, cientes de que, ao acolher os últimos da nossa sociedade, Te acolhemos a Ti. Que estes samaritanos sejam porta-voz de quem não tem voz.

Rezemos juntos, dizendo: «Senhor, ajuda-nos a levar a nossa cruz»

– Quando estamos cansados e desanimados

– Quando sentimos o peso das nossas fraquezas

– Quando nos pedes para compartilhar os sofrimentos dos outros.

 

VI Estação

A Verônica limpa o rosto de Jesus

«Sempre que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, a Mim mesmo o fizestes» (Mt 25, 40)

Reflexão: Pensemos nas crianças que, em tantas partes do mundo, não podem ir à escola, mas são exploradas nas minas, nos campos, na pesca, vendidas e compradas – por traficantes de carne humana – para transplante de órgãos, e também usadas e exploradas nas nossas estradas por muitos, inclusive cristãos, que perderam o sentido da sacralidade própria e alheia. Como aquela menor de corpinho frágil, encontrada uma noite em Roma, com uma fila de homens a bordo de carros luxuosos para dela se aproveitarem. E, no entanto, poderia ter a idade das suas filhas… Que grande desequilíbrio pode criar esta violência na vida de tantas jovens que sentem apenas o abuso, a arrogância e a indiferença de quem, de noite e de dia, as procura, usa, explora, para depois as jogar de novo na estrada como presa do próximo mercante de vidas!

Oração: Senhor Jesus, limpa os nossos olhos, para sabermos descobrir o teu rosto nos nossos irmãos e irmãs, especialmente em todas aquelas crianças que, em tantas partes do mundo, vivem na indigência e na miséria. Crianças privadas do direito a uma infância feliz, a uma educação escolar, à inocência. Criaturas usadas como mercadoria de pouco valor, vendidas e compradas à vontade do freguês. Senhor, pedimos-Te que tenhas piedade e compaixão deste mundo doente e nos ajudes a redescobrir a beleza da dignidade, nossa e alheia, de seres humanos criados à tua imagem e semelhança.

Rezemos juntos, dizendo: «Senhor, ajuda-nos a ver»

– O rosto das crianças inocentes que pedem ajuda

– As injustiças sociais

– A dignidade que cada pessoa encerra em si e é espezinhada.

 

VII Estação

Jesus cai pela segunda vez

«Ao ser insultado, não respondia com insultos, (…) mas entregava-Se Àquele que julga com justiça» (1Pd 2, 23)

Reflexão: Quantas vinganças no nosso tempo! A sociedade atual perdeu a noção do grande valor do perdão, dom por excelência, remédio para as feridas, fundamento da paz e da convivência humana. Numa sociedade onde o perdão é visto como fraqueza, Tu, Senhor, pedes-nos para não nos determos na aparência. E não o fazes com as palavras, mas sim com o exemplo. Tu, a quem Te maltrata, respondes «por que Me persegues?», bem sabendo que a verdadeira justiça nunca se pode basear no ódio e na vingança. Torna-nos capazes de pedir e dar perdão.

Oração: «Perdoa-lhes, Pai, porque não sabem o que fazem» (Lc 23, 34). Também Tu, Senhor, sentiste o peso da condenação, da rejeição, do abandono, do sofrimento infligido por pessoas que Te tinham encontrado, acolhido e seguido. Foi na certeza de que o Pai não Te havia abandonado que encontraste a força para aceitar a sua vontade, perdoando, amando e oferecendo esperança a quem, como Tu, hoje caminha pela mesma estrada da zombaria, do desprezo, do escárnio, do abandono, da traição e da solidão.

Rezemos juntos, dizendo: «Senhor, ajuda-nos a dar conforto»

– A quem se sente ofendido e insultado

– A quem se sente traído e humilhado

– A quem se sente julgado e condenado.

 

VIII Estação

Jesus encontra as mulheres

«Filhas de Jerusalém, não choreis por Mim, chorai antes por vós mesmas e pelos vossos filhos» (Lc 23, 28)

Reflexão: A situação social, econômica e política dos migrantes e das vítimas do tráfico de seres humanos interpela-nos e mexe conosco. Devemos ter a coragem – como afirma vigorosamente o Papa Francisco – de denunciar como crime contra a humanidade o tráfico de seres humanos. Todos nós, especialmente os cristãos, devemos crescer na consciência de que somos todos responsáveis pelo problema e todos podemos e devemos ser parte da solução. A todos, mas, sobretudo a nós mulheres, é pedida a coragem do desafio. A coragem de saber ver e agir, individualmente e como comunidade. Só juntando as nossas pobrezas é que estas poderão tornar-se uma grande riqueza, capaz de mudar a mentalidade e aliviar os sofrimentos da humanidade. O pobre, o estrangeiro, o diferente não deve ser visto como um inimigo a rejeitar ou a combater, mas sim como um irmão ou uma irmã a acolher e ajudar. Não são um problema, mas um recurso precioso para as nossas cidadelas blindadas, onde o bem-estar e o consumo não aliviam o crescente cansaço e fadiga.

Oração: Senhor, ensina-nos a possuir o teu olhar; aquele olhar de acolhimento e misericórdia, com que vês os nossos limites e os nossos medos. Ajuda-nos a ver assim as divergências de ideias, costumes e perspectivas. Ajuda a reconhecermo-nos como parte da mesma humanidade e a fazermo-nos promotores de novos e ousados caminhos de acolhimento da pessoa diferente, para juntos criarmos comunidade, família, paróquia e sociedade civil.

Rezemos juntos, dizendo: «Ajuda-nos a compartilhar o sofrimento alheio»

– Com quem sofre pela morte de entes queridos

– Com quem sente dificuldade em pedir ajuda e conforto

– Com quem experimentou abusos e violências.

 

IX Estação

Jesus cai pela terceira vez

«Foi maltratado, mas humilhou-Se e não abriu a boca, como um cordeiro que é levado ao matadouro» (Is 53, 7)

Reflexão: Senhor, pela terceira vez, caíste, exausto e humilhado, sob o peso da cruz. Precisamente como tantas moças, forçadas à vida de estrada por grupos de traficantes de escravos, as quais não aguentam a fadiga e a humilhação de ver o seu corpo jovem manipulado, abusado, destruído, juntamente com os seus sonhos. Aquelas jovens mulheres sentem-se como que desdobradas: por um lado procuradas e usadas, por outro rejeitadas e condenadas por uma sociedade que se recusa a ver este tipo de exploração, causado pela afirmação da cultura do usa e joga fora. Numa das muitas noites passadas pelas estradas de Roma, eu procurava uma jovem que acabava de chegar à Itália. Não a vendo no seu grupo, chamava-a insistentemente pelo nome: «Mercy». Na escuridão, vislumbrei-a aninhada e adormecida na beira da estrada. À minha chamada, acordou e disse-me que não aguentava mais. «Estou exausta»: repetia. Pensei na sua mãe: se soubesse o que aconteceu à filha, secavam-lhe as lágrimas.

Oração: Senhor, quantas vezes nos fizeste esta pergunta incômoda: «Onde está o teu irmão? Onde está a tua irmã?» Quantas vezes nos lembraste que o seu grito lancinante tinha chegado a Ti! Ajuda-nos a compartilhar o sofrimento e a humilhação de tantas pessoas tratadas como desperdício. É demasiado fácil condenar seres humanos e situações de mal-estar que humilham a nossa falsa modéstia, mas não é tão fácil assumirmos as nossas responsabilidades como indivíduos, governos e também comunidades cristãs.

Rezemos juntos, dizendo: «Senhor, dá-nos força e coragem para denunciar»

– À vista da exploração e da humilhação vivida por tantos jovens

– À vista da indiferença e do silêncio de muitos cristãos

– À vista de leis injustas carentes de humanidade e solidariedade.

 

X Estação

Jesus é despojado das suas vestes

«Revesti-vos, pois, de sentimentos de misericórdia, de bondade, de humildade, de mansidão, de paciência» (Col 3, 12)

Reflexão: Dinheiro, bem-estar, poder. São os ídolos de todos os tempos. Também e sobretudo do nosso, que se vangloria de passos enormes dados no reconhecimento dos direitos da pessoa. Tudo é adquirível, inclusive o corpo dos menores, depredados da sua dignidade e do seu futuro. Esquecemos a centralidade do ser humano, a sua dignidade, beleza, força. Enquanto no mundo se vão levantando muros e barreiras, queremos recordar e agradecer àqueles que nestes últimos meses, com funções diferentes, arriscaram a própria vida, especialmente no mar Mediterrâneo, para salvar a vida de tantas famílias à procura de segurança e oportunidades. Seres humanos, em fuga de pobreza, ditaduras, corrupção, escravidão.

Oração: Ajuda-nos, Senhor, a redescobrir a beleza e a riqueza que cada pessoa e cada povo encerram em si mesmos como um presente teu, único e irrepetível, para ser colocado ao serviço de toda a sociedade e não para servir interesses pessoais. Pedimos-Te, Jesus, que o teu exemplo e o teu ensinamento de misericórdia e perdão, de humildade e paciência nos tornem um pouco mais humanos e, consequentemente, mais cristãos.

Rezemos juntos, dizendo: «Senhor, dá-nos um coração cheio de misericórdia»

– Perante a avidez do prazer, do poder e do dinheiro

– Perante as injustiças infligidas aos pobres e aos mais frágeis

– Perante a miragem de interesses pessoais.

 

XI Estação

Jesus é pregado na cruz

«Perdoa-lhes, Pai, porque não sabem o que fazem» (Lc 23, 34)

Reflexão: A nossa sociedade proclama a igualdade em direitos e dignidade de todos os seres humanos. Mas pratica e tolera a desigualdade. Aceita até as suas formas mais extremas. Homens, mulheres e crianças são comprados e vendidos como escravos pelos novos mercantes de seres humanos. Depois, as vítimas deste tráfico são exploradas por outros indivíduos. E por fim jogadas fora, como mercadoria sem valor. Quantos enriquecem devorando a carne e o sangue dos pobres!

Oração: Senhor, quantas pessoas acabam ainda hoje pregadas numa cruz, vítimas duma exploração desumana, privadas da dignidade, da liberdade, do futuro. O seu grito de ajuda interpela-nos como homens e mulheres, como governos, como sociedade e como Igreja. Como é possível continuarmos a crucificar-Te, tornando-nos cúmplices do tráfico de seres humanos? Dá-nos olhos para ver e um coração para sentir os sofrimentos de tantas pessoas que ainda hoje são pregadas na cruz pelos nossos sistemas de vida e consumo.

Rezemos juntos, dizendo: «Senhor, piedade»

– Pelos novos crucificados de hoje, espalhados por toda a terra

– Pelos poderosos e legisladores da nossa sociedade

– Por quem não sabe perdoar nem sabe amar.

 

XII Estação

Jesus morre na cruz

«Meu Deus, meu Deus, porque Me abandonaste?» (Mc 15, 34)

Reflexão: Também Tu, Senhor, sentiste na cruz o peso da zombaria, do escárnio, dos insultos, das violências, do abandono, da indiferença. Apenas Maria, tua Mãe, e poucas mais discípulas permaneceram lá, testemunhas do teu sofrimento e da tua morte. Que o seu exemplo nos inspire a comprometer-nos para não deixar sentir a solidão a quantos agonizam hoje nos inúmeros calvários espalhados pelo mundo, incluindo os campos de arrecadação que parecem «lágueres» nos países de trânsito, os navios a que é recusado um porto seguro, as longas negociações burocráticas para o destino final, os centros de permanência, os pontos de acesso, os campos para trabalhadores sazonais.

Oração: Nós Te pedimos, Senhor: ajuda a aproximar-nos dos novos crucificados e desesperados do nosso tempo. Ensina-nos a limpar as suas lágrimas, a confortá-los como souberam fazer Maria e as outras mulheres ao pé da tua cruz.

Rezemos juntos, dizendo: «Senhor, ajuda-nos a dar a nossa vida»

– A quantos sofreram injustiças, ódio e vingança

– A quantos foram injustamente caluniados e condenados

– A quantos se sentem sozinhos, abandonados e humilhados.

 

XIII Estação

Jesus é descido da cruz

«Se o grão de trigo, lançado à terra, não morrer, fica ele só; mas, se morrer, dá muito fruto» (Jo 12, 24)

Reflexão: Quem se lembra, nesta época de notícias depressa arquivadas, daquelas vinte e seis jovens nigerianas engolidas pelas ondas, cujos funerais foram celebrados em Salerno? Foi duro e longo o seu calvário. Primeiro, a travessia do deserto do Saara, empilhadas em transportes improvisados. Depois, a paragem forçada nos espaventosos centros de arrecadação na Líbia. Por fim, o salto para o mar, onde encontraram a morte às portas da «terra prometida». Duas delas traziam no ventre o dom duma nova vida, bebés que nunca verão a luz do sol. Mas a sua morte, como a de Jesus descido da cruz, não foi em vão. Todas estas vidas, confiamo-las à misericórdia do Pai nosso e de todos, mas sobretudo Pai dos pobres, dos desesperados e dos humilhados.

Oração: Senhor, nesta hora, ouvimos ressoar mais uma vez o grito que o Papa Francisco elevou de Lampedusa, meta da sua primeira viagem apostólica: «Quem chorou?» E agora, depois de naufrágios sem fim, continuamos a gritar: «Quem chorou?» Quem chorou?: perguntamo-nos diante daqueles vinte e seis caixões alinhados e encimados por uma rosa branca. Apenas cinco delas foram identificadas. Com ou sem nome, todas elas, porém, são nossas filhas e irmãs. Todas merecem respeito e memória. Todas nos pedem para nos sentirmos responsáveis: instituições, autoridades e nós também, com o nosso silêncio e a nossa indiferença.

Rezemos juntos, dizendo: «Senhor, ajuda-nos a compartilhar o pranto»

– Perante os sofrimentos alheios

– Perante todos os caixões sem nome

– Perante o choro de tantas mães.

 

XIV Estação

Jesus é depositado no sepulcro

«Tudo está consumado» (Jo 19, 30).

Reflexão: O deserto e os mares tornaram-se os novos cemitérios de hoje. Perante estas mortes, não há respostas. Mas há responsabilidades. Irmãos que deixam morrer outros irmãos. Homens, mulheres, crianças que não pudemos ou não quisemos salvar. Enquanto os governos discutem, fechados nos palácios do poder, o Saara enche-se de esqueletos de pessoas que não resistiram à fadiga, à fome, à sede. Quanta dor custam os novos êxodos! Quanta crueldade que se encarniça sobre quem foge: as viagens do desespero, as extorsões e as violências, o mar transformado em túmulo de água!

Oração: Senhor, faz-nos entender que somos todos filhos do mesmo Pai. Possa a morte do teu Filho Jesus dar aos chefes das nações e aos responsáveis pela legislação a consciência do seu papel na defesa de toda a pessoa criada à tua imagem e semelhança.

 

Conclusão

Queremos lembrar a história da pequenina Favour, de nove meses, que deixou a Nigéria juntamente com seus jovens pais à procura dum futuro melhor na Europa. Durante a longa e perigosa viagem no Mediterrâneo, a mãe e o pai foram mortos juntamente com centenas de outras pessoas que se haviam confiado a traficantes sem escrúpulos para poder chegar à «terra prometida». Só Favour sobreviveu; como Moisés, também ela foi salva das águas. Que a sua vida se torne luz de esperança no caminho rumo a uma humanidade mais fraterna!

Oração: No final da tua Via-Sacra, pedimos-Te, Senhor, que nos ensines a permanecer vigilantes, juntamente com a tua Mãe e as mulheres que Te acompanharam no Calvário, à espera da tua ressurreição. Que esta seja farol de esperança, alegria, vida nova, fraternidade, acolhimento e comunhão entre os povos, as religiões e as leis, para que cada filho e filha do homem sejam verdadeiramente reconhecidos na sua dignidade de filho e filha de Deus e nunca mais sejam tratados como escravos!

 

Sexta-feira Santa tem coleta em favor da Terra Santa

Hoje, com todo o mundo, fazemos a coleta  em benefício  da Igreja Católica da Terra Santa (Jerusalém), pela salvaguarda «da memória» da passagem de Nosso Senhor em 74 Santos Lugares.

Visto a impossibilidade de subsistência da Igreja nessa região sem o apoio e solidariedade das outras Igrejas, que necessitam de moradias e trabalho para frear a tentação do êxodo que progressivamente diminui o número de cristãos.

No trabalho cotidiano da Custódia da Terra Santa estão comprometidos 300 frades franciscanos de mais de trinta nações diferentes que, juntamente com outros religiosos(as) e leigos(as) voluntários, se empenham na manutenção e renovação dos lugares santos como também no acolhimento e assistência aos peregrinos. A Custódia cuida de trinta paróquias e oitenta igrejas; dirige 16 escolas com 10.000 alunos e 400 professores, diferentes escritórios com 250 postos de trabalho, cinco hospedarias (as «Casas Novas») com quinhentos leitos para peregrinos, três residências de anciãos e dois internatos para órfãos.

Ajuda as famílias cristãs, em sua maioria excluídas do sistema político-religioso local, dando-lhes, moradias ou ajudando a pagar alugueis. Respalda a juventude universitária com bolsas de estudo, e as crianças com creches. Também promove uma ação científica, cultural e ecumênica através da Faculdade de Teologia Bíblica e Arqueologia de Jerusalém, o Centro de Estudos Orientais Cristãos do Cairo, o Instituto Magnificat de música sacra e uma Editora «FranciscanPrinting Press». Todas estas atividades são possíveis graças à generosidade dos cristãos de todo o mundo.

A coleta de hoje, Sexta-feira Santa, em todas as paróquias, será destinada, toda ela, para a ajuda à Custódia, que agradece o empenho e colaboração dos católicos.

 

Coleta é destinada aos projetos e trabalhos da Igreja da Terra Santa

Na Sexta-feira Santa acontece anualmente a coleta universal em favor da Terra Santa, promovida pelo Fórum Internacional da Ação Católica (FIAC).

“A coleta da Sexta-feira Santa é importante para a realização de programas de apoio aos cristãos da Terra Santa que dependem da ajuda financeira dos irmãos e irmãs em Cristo do mundo inteiro. É um modo de apoiar a missão da Igreja, especialmente nos lugares onde cada cristão deve se sentir em casa”, disse a responsável pela Coordenação Juvenil do FIAC, Codruta Fernea.

Na carta do prefeito da Congregação para as Igrejas Orientais, Cardeal Leonardo Sandri, divulgada por ocasião da coleta, explicou que graças a essas doações, as comunidades católicas da Terra Santa – como o Patriarcado Latino de Jerusalém, a Custódia da Terra Santa, além das comunidades greco-melquita, copta, maronita, síria, caldeia e armênia, junto com as famílias religiosas e organizações de todos os tipos – receberão “apoio para estarem próximas aos pobres e aos sofredores sem distinção de credo ou etnia”,

Os jovens da Ação Católica se comprometem a encontrar em suas paróquias as formas mais adequadas de sensibilização para essa iniciativa, explicando a origem, o significado e trabalhando concretamente pela coleta de ofertas que serão enviadas para as dioceses.

No site do Fórum Internacional da Ação Católica – www.fiacifca.org – estão disponíveis materiais úteis para a coleta e atualizações sobre as atividades do FIAC relacionadas com a Terra Santa.

Lava-Pés: “Um gesto que nos ajuda a ser mais servidores”, diz Papa

Quinta-feira Santa no presídio
Quinta-feira, 18 de abril de 2019, Da redação, com Vatican News
https://noticias.cancaonova.com/especiais/pontificado/francisco/lava-pes-um-gesto-que-nos-ajuda-a-ser-mais-servidores-diz-papa/

Francisco lavou os pés de 12 detentos da “Casa Circondariale di Velletri”, em Roma; os presidiários são provenientes de quatro diferentes países

Papa Francisco durante o rito de lava-pés/ Foto: Vatican Media

O centro de detenção “Casa Circondariale di Velletri”, em Roma, foi o local onde o Papa Francisco celebrou nesta quinta-feira, 18, a Missa da Ceia do Senhor e o rito de lava-pés. Sob o olhar atento dos presidiários, o Santo Padre refletiu sobre o evangelho de São João (13,1-15) que narra a Última Ceia, quando Jesus lavou os pés de seus discípulos. “Um gesto que nos ajuda a ser mais servidores uns dos outros, mais amigos, mais irmãos no serviço”, frisou.

O Pontífice iniciou a homilia citando uma carta que recebeu de um grupo de detentos da “Casa Circondariale di Velletri”. Francisco agradeceu o conteúdo da carta e afirmou: “Disseram coisas muito bonitas”. Sobre o evangelho, o Papa o qualificou como “muito interessante” e introduziu: “Diz o evangelho, sabendo Jesus que o Pai tinha colocado tudo em suas mãos – mesmo tendo todo o poder, todo –, começou o gesto de lavar os pés, um gesto que faziam os escravos naquele tempo”.

Sobre o ato de lavar os pés antes das refeições, algo comum à época vivida por Jesus, o Santo padre explicou que era motivado pela falta de asfalto nas ruas. “As pessoas quando saíam e chegavam em suas casas, numa visita para o almoço, tinham os escravos que lavavam os pés”, completou Francisco, que prosseguiu destacando o ato realizado por Jesus: “Jesus faz este gesto, o de lavar os pés, faz um gesto de escravo. Jesus que tinha tudo, ele que era o Senhor, faz um gesto de escravo”.

Francisco recordou que após o lava-pés, Jesus aconselha todos que façam esse gesto entre si, ou seja, que sirvam uns aos outros, sejam irmãos no serviço, não na ambição de quem domina o outro, ou que pisoteia o outro, mas no serviço. “‘Você precisa de alguma coisa? Eu faço’, isso é fraternidade e a fraternidade é humilde, é serviço”, sublinhou. O Pontífice lembrou que na celebração, também ele faria este gesto.

“A Igreja quer que cada bispo faça, todos os anos, uma vez ao ano pelo menos — na quinta-feira santa, para imitar o gesto de Jesus e também fazer como exemplo a nós mesmos, porque o bispo não é mais importante, o bispo deve ser o servidor. Cada um de vós deve ser servidor do outro, essa é a regra de Jesus, é a regra do evangelho, a regra do serviço. Não dominar, fazer mal, humilhar o outro”, comentou o Santo Padre.

O Papa recordou que certa vez, os apóstolos brigavam entre eles, discutiam quem era o mais importante, quando foram surpreendidos: “Jesus pegou uma criança e disse: ‘Se o coração de vocês não é um coração de criança, vocês não serão meus discípulos. Coração de criança sempre. Humilde e servidor. Ali acrescenta uma coisa muito interessante que podemos ligar a este gesto [lava-pés], estejam atentos, os chefes das nações dominam, mas entre vocês não deve ser assim. O maior deve servir o menor. Quem se sente muito grande deve ser o servidor. Ser servidores”.

“A verdade é que na vida existem problemas, brigamos entre nós e isso é uma coisa passageira porque no nosso coração deve estar sempre este amor de servir o outro, de estar a serviço do outro. Este gesto que eu farei é para todos nós”, concluiu Francisco. Em seguida, o Papa lavou os pés de 12 detentos provenientes de quatro diferentes países – 9 italianos, um brasileiro, um originário da costa do marfim e um proveniente do Marrocos.

Entenda as celebrações do Tríduo Pascal

Sexta-feira, 18 de abril de 2014, Padre Roger Araújo / Da redação

As celebrações do Tríduo Pascal contem o núcleo fundamental da fé cristã

O Canção Nova em Foco especial de Sexta-Feira Santa conversou com o padre Tarcísio Speanner, do Mosteiro Belém, da ordem de Santa Cruz em Guaratinguetá, interior de São Paulo. Experiente em praticas de retiros e formação espiritual, ele nos apresentou na entrevista  os pontos principais da vivência do Tríduo Pascal, iniciado na noite da Quinta- Feira Santa com a celebração da Missa da Instituição da Eucaristia.

Padre Tarcisio enfatizou que o Tríduo Pascal contém o núcleo fundamental da fé cristã e a atualização da Páscoa de Cristo no meio de nós. Os fiéis são convidados a renovarem o seu amor para com Deus, porque celebramos a grande demonstração do amor de Deus para conosco. É a grande hora de Jesus, em que Ele reabre para nós o caminho do Céu.

Na Quinta-Feira Santa com a Missa em memória da Última Ceia, recordamos aquilo que o povo judeu fazia, celebrando sua páscoa imolando o cordeiro pascal. Os cristãos, tem agora em Jesus a Páscoa definitiva, em que Ele não imola mais animais, mas Ele mesmo se imola para nos salvar dos nossos pecados. Neste dia se recordam os grandes presentes que Jesus  nos concede com a Missa do Lava-pés, em que Ele institui o mandamento do amor sem medida. A instituição da Eucaristia, em que Ele mesmo se torna o nosso alimento e a instituição do Sacerdócio, os continuadores da missão de Jesus em nosso meio.

Na Sexta-Feira, somos convidados a viver um grande silêncio, para contemplarmos a morte de Jesus. Um dia de luto, de vivencia da paixão de Cristo. Um tempo propício para fazermos memória de tudo aquilo que aconteceu com Nosso Senhor, em seus últimos passos de sua vida terrestre. Não é um dia triste, mas um dia de meditação e oração.

O jejum e a abstinência nos ajudam a vivenciarmos a intensidade de significados que este dia nos convida a viver. Na celebração da paixão de Cristo, vamos adorar a cruz redentora de Jesus. Nós contemplamos Jesus crucificado, vencendo o pecado e a morte que derrotaram Adão e Eva no Paraíso.

No Sábado Santo se celebra a Vigília Pascal, a mãe de todas as vigílias, nos ensina Santo Agostinho. É muito importante se celebrar a Ressurreição do Senhor em clima de espera, de expectativa. Os elementos da celebração desta noite são repletos de significados. A celebração da luz nos introduz na luz nova do Ressuscitado que ilumina a nossa vida e de toda humanidade. A celebração da palavra com pelo menos nove leituras traz para nós uma síntese da nossa história de Salvação iniciando com a criação do mundo, até a nova criação realizada na Ressurreição de Jesus. A celebração do Batismo nesta noite, nos faz renascer para uma vida nova em Jesus e por fim na Eucaristia estamos unidos a Cristo Vivo e Ressuscitado no meio de nós.

Padre Tarcisio nos recorda que o Domingo da Páscoa é o grande dia da nossa vida. É o dia de celebrarmos a vida nova que Cristo resgatou para vivermos a intensidade do mistério pascal em nossa vida.

“Na dor, Jesus nos ensina a abraçar o Pai”, afirma Papa

Audiência Geral

Quarta-feira, 17 de abril de 2019, Da redação, com Vatican News
https://noticias.cancaonova.com/especiais/pontificado/francisco/na-dor-jesus-nos-ensina-abracar-o-pai-afirma-papa/

Francisco interrompeu o ciclo de catequeses sobre o Pai-Nosso para comentar as palavras de Jesus durante a Sua Paixão

Papa Francisco saudou os fiéis presentes na Praça São Pedro nesta quarta-feira, 17/ Foto: Vatican Media

O tríduo pascal foi tema da catequese do Papa Francisco na Audiência Geral desta quarta-feira, 17. Na Praça São Pedro, de modo especial o Pontífice refletiu sobre algumas palavras que Jesus dirigiu ao Pai durante a Sua Paixão. A primeira invocação foi feita depois da Última Ceia, quando disse: “Pai, é chegada a hora; glorifica a teu Filho” e ainda “glorifica-me tu, ó Pai, junto de ti mesmo, com aquela glória que tinha contigo antes que o mundo existisse”.

Pode parecer paradoxal que Jesus peça a glória ao Pai quando a Paixão está para acontecer, observou o Papa. Segundo o Santo Padre, a glória na verdade indica o revelar-se de Deus, é o sinal distintivo da sua presença salvadora entre os homens e é o que acontece na Páscoa. “Ali Deus finalmente revela a sua glória, que descobrimos ser toda amor: amor puro, louco e impensável, para além de todo limite e medida”, refletiu.

“Queridos irmãos e irmãs, façamos nossa a oração de Jesus: peçamos ao Pai para retirar os véus dos nossos olhos para que nesses dias, olhando para o Crucifixo, possamos acolher que Deus é amor. Quantas vezes O imaginamos patrão e não Pai, juiz severo ao invés de Salvador misericordioso! Mas Deus na Páscoa cancela as distâncias, mostrando-se na humildade de um amor que pede o nosso amor”, suscitou o Pontífice.

Francisco afirmou que homens e mulheres dão glória ao Pai quando vivem tudo o que fazem com amor, com o coração. “A verdadeira glória é a do amor, porque é a única que dá vida ao mundo, e não a glória mundana, feita de aclamação e audiência. No centro não está o eu, mas o outro. Ninguém glorifica a si mesmo”, alertou.

Depois da Última Ceia, o Papa recordou que Jesus entra no jardim do Getsêmani e também ali reza ao Senhor com a palavra mais terna e doce: «Abbà», Pai (cfr Mc 14,33-36). “Na dor, Jesus nos ensina a abraçar o Pai porque na oração a Ele está a força de seguir adiante nas dores, nas fadigas a oração é alivio, conforto. Quando foi abandonado por todos, na desolação interior Jesus não está sozinho, está com o Pai. Nós, ao contrário, nos nossos ‘Getsêmani’ geralmente escolhemos permanecer sozinhos ao invés de dizer ‘Pai’ e confiar-nos, como Jesus, à sua vontade, que é sempre para o nosso verdadeiro bem”, observou o Santo Padre.

O Pontífice prosseguiu: “Quando nas provas permanecemos fechados em nós mesmos cavamos um túnel dentro de nós, um doloroso percurso contrário, que tem uma única direção: sempre mais fundo em nós mesmos. O maior problema não é a dor, mas como a enfrentamos. A solidão não nos oferece vias de saída; a oração sim, porque é relação, confiança. Jesus se confia ao Pai, dizendo a Ele o que sente, se apoiando nele durante a luta. Quando entrarmos nos nossos ‘Getsemanis’ (todos nós temos esses momentos duros) devemos nos recordar de rezar assim: ‘Pai’”.

Por fim, Francisco recordou que Jesus dirige ao Senhor uma terceira oração: ‘Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem’ (Lc 23,34). “Jesus reza por quem foi mal com ele, no momento da dor mais aguda, quando recebia os pregos nos pulsos e nos pés. Aqui, ao vértice da dor chega o amor: chega o perdão, isto é, o dom à enésima potência, que quebra o círculo do mal”, refletiu.

Rezando nesses dias o “Pai-Nosso” – tema neste período das catequeses –, o Papa fez votos que os fiéis possam pedir uma dessas graças: viver para a glória de Deus, isto é, com amor; e a sabedoria de confiar no Pai nas provações; e encontrar no seu abraço o perdão e a coragem de perdoar.

 

NA ÍNTEGRA
Catequese do Papa Francisco – 17/04/2019
CATEQUESE DO PAPA FRANCISCO
Praça São Pedro – Vaticano
Quarta-feira, 17 de abril de 2019
Boletim da Santa Sé / Tradução: Lizia Costa (Canção Nova)

Caros irmãos e irmãs, bom dia!

Nestas últimas semanas estamos refletindo sobre a oração do “Pai Nosso”. Hoje, às vésperas do Tríduo Pascal, nos detenhamos em algumas palavras com as quais Jesus, durante a sua Paixão, rezou ao Pai.

A primeira invocação acontece depois da Última Ceia, quando o Senhor, ao levantar os olhos ao Céu disse: “Pai, chegou a hora: glorifica o seu Filho – e depois – me glorifica diante de você com aquela Glória que eu tinha junto de você antes que o mundo existisse” (João 17, 1.5). Jesus pedia a glória, um pedido que parece paradoxal, já que a Paixão está às portas. De qual glória se trata? A glória indica a revelação de Deus, é o sinal distintivo da sua presença salvadora entre os homens. Agora, Jesus é aquele que manifesta de modo definitivo a presença e salvação de Deus. E o faz na Páscoa: levantado na Cruz é glorificado ( Joao 12, 23-33). Ali Deus finalmente revela sua glória: tira o ultimo véu e nos surpreende ainda mais. Descobrimos realmente que a glória de Deus é toda Amor: amor puro, louco e impensável, muito além de qualquer limite e medida.

Caros irmãos e irmãs, façamos nossa oração s Jesus: peçamos ao Pai que tire os véus dos nossos olhos para que nesses dias, olhando o crucifixo, possamos acolher o fato que Deus é Amor. Quantas vezes o imaginamos patrão e não Pai, quantas vezes pensamos que ele é juiz severo, muito mais que Salvador misericordioso! Mas Deus, na Páscoa, zera as distâncias e se mostra na humildade de um amor que pede o nosso amor. Nós, então, o damos glória quando vivemos tudo o que fazemos com amor, quando fazemos cada coisa de coração, por Ele (Col 3, 17). A verdadeira glória é a do amor, porque é a única que dá vida ao mundo. Sim, esta glória é o contrário da glória mundana, que vem quando se é admirado, louvado, aclamado: quando eu estou ao centro da atenção. A glória de Deus, pelo contrário, é paradoxal: nada de aplausos, nada de audiência. Ao centro não está o “eu”, mas o “outro”: na Páscoa vemos que o Pai glorifica o Filho enquanto o Filho glorifica o Pai. Nenhum glorifica a si mesmo. Podemos nos perguntar: “Qual é a glória pela qual vivo? A minha ou aquela de Deus? Desejo só receber dos outros ou quero também doar aos outros?”

Depois da Última Ceia Jesus entra no jardim do Getsêmani e também reza ao Pai. Enquanto os discípulos não conseguem estar acordados e Judas está chegando com os soldados, Jesus começa a sentir medo e angústia. Sente toda a angústia por aquilo que o espera: traição, desprezo, sofrimento, falimento. Esta triste e ali, no abismo da desolação dirige ao Pai a palavra mais terna e doce “Abba”, Paizinho! Na dor, Jesus nos ensina a abraçar o Pai porque na oração a Ele está a força de seguir adiante nas dores, nas fadigas a oração é alivio, conforto. Quando foi abandonado por todos, na desolação interior Jesus não está sozinho, está com o Pai. Nós, ao contrário, nos nossos “Getsêmani” geralmente escolhemos permanecer sozinhos ao invés de dizer “Pai” e confiar-nos, como Jesus, à sua vontade, que é sempre para o nosso verdadeiro bem. Mas quando nas provas permanecemos fechados em nós mesmos cavamos um túnel dentro de nós, um doloroso percurso contrário, que tem uma única direção: sempre mais fundo em nós mesmos. O maior problema não é a dor, mas como a enfrentamos. A solidão não nos oferece vias de saída; a oração sim, porque é relação, confiança. Jesus se confia ao Pai, dizendo a Ele o que sente, se apoiando nele durante a luta. Quando entrarmos nos nossos “Getsemanis” (todos nós temos esses momentos duros) devemos nos recordar de rezar assim: “Pai”.

Enfim, Jesus dirige ao Pai uma terceira oração por nós: “Pai, perdoa-os, porque não sabem o que fazem” (Lc 23, 34). Jesus reza por quem foi mal com Ele, por seus assassinos. O evangelho específica que esta oração acontece no momento da crucificação. Era provavelmente o momento da dor mais aguda, quando os pregos eram enfiados nos pulsos e nos pés. No ápice da dor chega ao culmine o amor: chega o perdão, ou seja, o dom a enésima potencia, que desfaz o círculo do mal.

Caros irmãos e irmãs, rezando nestes dias o Pai Nosso possamos pedir uma destas graças: de viver os nossos dias para a Glória de Deus, ou seja, com amor; de saber nos confiar ao Pai nos momentos difíceis; de achar, no encontro com o Pai, o perdão e a coragem de perdoar. As duas coisas andam juntas, o Pai nos perdoa, mas nos da a coragem de perdoar. Obrigado!

Desenvolvido por Origy Networks – Criação de sites e propaganda