Homilia da Semana

Doze passos para ser um católico comprometido

Há uma crise católica em andamento e nós podemos superá-la

Matthew James Christoff

Está acontecendo uma “crise católica”: um grande número de batizados católicos deixou a Igreja e a maioria dos que permanecem são “católicos casuais”, que não conhecem a fé católica e não a praticam.

O descompromisso desses católicos com Jesus Cristo e com a Sua Igreja tem contribuído para a acelerada deterioração da cultura pós-moderna.

A longa lista de exemplos de decadência cultural é óbvia para quem está disposto a enxergar: o abate industrial de bebês em pleno útero, a auto-esterilização através do uso de contraceptivos, a epidemia da promiscuidade, da pornografia e da perversão sexual, a fuga do casamento, os níveis desenfreados de divórcio e de adultério, a não percepção da diferença entre o casamento naturalmente aberto à vida e a união entre parceiros do mesmo sexo, o vício em substâncias tóxicas de todo tipo, a confusão de gêneros, a sujeira e a grosseria na ordem do dia na mídia, a perda de conexão com a natureza, a fuga para a “realidade” virtual, a exploração do meio ambiente, o materialismo exacerbado, a perda da dignidade do trabalho, as discriminações raciais, a comercialização da gula e o sistema político e jurídico disfuncionais. E a lista ainda poderia se estender longamente.

A sociedade pós-moderna está doente.

No meio dessa decadência social, porém, ainda há pessoas que procuram o verdadeiro, o belo e o bom e que estão trabalhando para trazer a paz e a alegria de Cristo ao mundo: os católicos comprometidos.

Eles se dedicam ao Rei Todo-Poderoso, Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, e à Sua Santa Igreja, percebendo que este é o mais verdadeiro dos amores: amar a Deus com todo o próprio ser e ao próximo como a si mesmo.

Os católicos comprometidos perceberam as grandes bênçãos que fluem do compromisso com Cristo e com a Igreja. Os católicos comprometidos fizeram da santidade o seu objetivo e se propuseram a levar as suas famílias e o máximo possível de almas para o céu. Os católicos comprometidos perceberam que, por trás da decadência cultural, esconde-se Satanás, que é tão real quanto o pecado. Os católicos comprometidos não são perfeitos, mas levam a sério o chamado de Cristo à perfeição. É somente em Cristo, afinal, que os católicos comprometidos encontram a coragem para perseverar quando caem no pecado e se refortalecem continuamente para a batalha contra Satanás. Todo católico é chamado a se doar por inteiro a Jesus Cristo e à Sua Igreja católica.

E como tornar-se um católico comprometido?

Sugiro 12 passos para crescermos na fidelidade e na devoção a Jesus Cristo:

1. Todo católico deve ser capaz de apresentar pelo menos um argumento empolgante ao explicar aos outros (e a si mesmo) por que Jesus Cristo é o seu Rei. Se um católico não está convencido da grandeza de Cristo a ponto conseguir explicá-la, o seu crescimento na fé será atrofiado e ele não atrairá outros para Cristo.

2. Comprometer-se a ser um santo de Cristo Rei. Não há pessoas “bacanas” no céu: há santos. A maioria dos católicos não faz o compromisso firme de lutar pela santidade e fica presa à mediocridade. É preciso levantar o nível de exigência e não há nível mais alto que a santidade. As primeiras palavras de Cristo em sua vida pública foram “arrependei-vos!”. Todo católico precisa se arrepender e mudar, pois o arrependimento inspira a grandeza e ao mesmo tempo leva a perceber a própria pobreza espiritual, que, por sua vez, faz reconhecer humildemente a necessidade da misericórdia de Deus e clamar por ela.

3. Recorrer ao sacramento da reconciliação pelo menos uma vez por mês. A Igreja ensina que devemos nos confessar ao menos uma vez por ano, mas qualquer pessoa sincera consigo mesma e com Cristo sabe que precisa do sacramento da reconciliação com muito mais frequência. Analise regularmente como você está cumprindo os 10 mandamentos: esta é uma ótima forma de exame de consciência para preparar a confissão mensal. Determine um dia concreto a cada mês para se confessar, mas procure a confissão imediatamente se cair em pecado mortal. A reconciliação frequente nos transforma.

4. Orar durante pelo menos quinze minutos todos os dias. Um número muito pequeno de católicos reza quinze minutos por dia. Como vamos conhecer Jesus se nunca falamos com Ele? É impossível. Comprometa-se a conhecer Jesus Cristo conversando com Ele todos os dias. É nesta conversa pessoal que Cristo vai mostrar a você qual é a vontade dele.

5. Descubra a força da Missa, fonte e ápice da fé católica e que, mesmo assim, a maioria dos católicos não frequenta. Eles não sabem o que de fato ocorre na missa: têm pouca compreensão deste sacramento devotamente transmitido durante dois mil anos e não percebem que, durante a Missa, que eles são testemunhas do sacrifício cruento e real de Jesus Cristo na cruz. O católico que não participa ativamente da Missa, por ignorância ou por tédio, não pode receber as graças que fluem da Eucaristia. Conheça mais sobre a Missa, até conseguir explicar aos outros, com a reverência e a devoção merecidas, o que é o sacrifício de Cristo.

6. Participe sempre da Missa dominical e de pelo menos mais uma Missa durante a semana. É obrigação mínima de todo católico assistir à Missa todos os domingos, mas a minoria vai à Missa durante a semana também. Isto é uma falha catequética e um insulto escandaloso ao nosso Rei. Além de ir à Missa todos os domingos, dê um passo adicional e encontre Jesus Eucaristia pelo menos mais uma vez durante a semana. E lembre-se: não receba a Eucaristia em pecado mortal. Confesse-se antes.

7. Reze o terço regularmente e leve um rosário sempre consigo. O rosário nos chama para mais perto de nossa Santa Mãe e do seu Filho Jesus. É um ato de lealdade e de fidelidade. Comprometer-se com o rosário é uma arma contra o ataque diário de Satanás, que odeia o terço e o teme. Mantenha o rosário acessível em todos os momentos para rezar, por exemplo, nos momentos de gratidão ou de estresse. O rosário faz parte do “uniforme” do católico comprometido!

8. Conheça o seu santo padroeiro e o anjo da guarda. Acreditamos na comunhão dos santos, mas muitos católicos não têm uma relação pessoal com um santo ou com o anjo da guarda. Os santos e anjos intercedem pelos homens e nos defendem do ataque diário de Satanás. Não vá para a batalha diária desacompanhado de um santo de sua devoção e do seu anjo da guarda!

9. Leia as Sagradas Escrituras durante quinze minutos por dia. Toda ela gira em torno de Jesus Cristo, o Messias. Quando lemos a Sagrada Escritura, Jesus está conosco, não em sentido figurado, mas de forma real e atual. O próprio Jesus veio à terra para falar a todos os homens de todos os tempos. Um católico não pode conhecer Jesus Cristo sem contemplar a Palavra dele.

10. Seja sacerdote, profeta e rei na sua casa. Diante de uma cultura laicista que ataca a família, os católicos precisam reafirmar os seus papéis legítimos como “sacerdotes”, “profetas” e “reis” em família. Não estamos falando de ser tiranos chauvinistas, mas verdadeiros santos de Cristo, servindo à família com sacrifício humilde e dando exemplo corajoso do compromisso de conduzi-la para o céu. Seja sacerdote levando a sua família à oração. Seja profeta ensinando a verdade de Cristo e da Sua Igreja. Seja rei defendendo a sua família das perversões da cultura atual, corrigindo-a quando cai no erro e levando-a para a Eucaristia e para a reconciliação.

11. Crie fraternidade com outros católicos da sua paróquia. Em Atos 2,43, os apóstolos, desde os primeiros dias da Igreja, davam a “fórmula” para a fraternidade católica: perseverar na doutrina e na comunhão dos apóstolos, no partir do pão e nas orações. Para crescer na fé, um católico deve construir a fraternidade com outros fiéis católicos que possam desafiá-lo e ajudá-lo a crescer em santidade. Há uma epidemia de solidão nos homens modernos, mesmo nos que participam da missa regularmente. Faça o compromisso de construir a fraternidade com outros católicos. Reúna-se com eles em grupos, grandes e pequenos, para orar, aprender, ensinar e servir aos pobres. Seja um catalisador, um líder, trabalhando em harmonia com o seu pároco. Foi Cristo que nos pediu: “Ide e fazei discípulos”.

12. Comprometa-se com o dízimo. A doação de uma pequena parte dos seus ganhos à Igreja é um indicador da força prática da sua lealdade a Jesus Cristo. Muitos católicos dão pouquíssimo ou nada para a Igreja, tanto em termos absolutos quanto em comparação com os fiéis de outras igrejas cristãs.

Ser firmemente comprometido é o maior desafio a que um católico pode aspirar. O compromisso pode parecer assustador, mas não desista: seja um católico comprometido! Faça a resolução, aqui e agora, e lute para cumpri-la. Como em todas as coisas, comece com uma oração: ore para que Jesus lhe envie o Espírito Santo e o ajude a se tornar um católico realmente comprometido. Ore de todo o coração e dê o melhor de si. Nosso Rei prometeu responder àqueles que persistem na oração! E Jesus Cristo nunca vai abandonar um católico comprometido com Ele.

Festa do Batismo do Senhor

Por Pe. Fernando José Cardoso

Evangelho segundo São Lucas 3, 15-16.21-22
Estando o povo na expectativa e pensando intimamente se ele não seria o Messias, João disse a todos: «Eu batizo-vos em água, mas vai chegar alguém mais forte do que eu, a quem não sou digno de desatar a correia das sandálias. Ele há-de batizar-vos no Espírito Santo e no fogo. Todo o povo tinha sido batizado; tendo Jesus sido batizado também, e estando em oração, o Céu rasgou-se e o Espírito Santo desceu sobre Ele em forma corpórea, como uma pomba. E do Céu veio uma voz: «Tu és o meu Filho muito amado; em ti pus todo o meu agrado.»

Celebra hoje a Igreja a festa do Batismo do Senhor. Com esta celebração encerra o ciclo natalício. É uma celebração importante porque marcou o final de uma etapa da vida de Jesus. Nove décimos transcorridos em Nazaré, a respeito dos quais nada sabemos, e inaugura Ele o último décimo de vida pública que se encerará com a morte e a ressurreição. A respeito das razões psicológicas que levaram Jesus ao batismo de João nunca teremos conhecimento de coisa alguma. No entanto hoje nós vemos a figura de Jesus misturada com a figura de outros pecadores penitentes, que em fila e em ordem, esperava sua vez de ser por João mergulhado naquelas águas. Jesus desta maneira vivia o que seria este último décimo de sua vida e sobre tudo o seu final. Uma solidariedade total que somos, embora inocente pessoalmente quis carregar-se de nossas faltas e não quis se diferenciar de nenhum de nós junto de Deus. O evangelista Lucas nos diz que tendo saído das águas e estando em oração recebeu uma visão de Deus: os céus se abriram. O evangelista tem o cuidado de mostrar um primeiro ato da vida pública de Jesus como sendo um ato de oração. Jesus inicia a vida pública rezando e a Igreja iniciará a sua vida no dia de Pentecostes rezando também, e este é o ensinamento próprio de Lucas. A oração deve anteceder todos os momentos importantes da nossa existência, mas ela deve anteceder as ações de cada dia. Deveríamos entregar a Deus as primícias do nosso dia na oração matutina, como Jesus entregou a Deus as primícias de sua pregação do reino de Deus na oração após o batismo, e então os céus que se encontravam fechados por causa de um curto circuito ávido entre Deus e os homens, o pecado que toda liturgia sacrifical do tempo de Jerusalém era impotente para destruir, agora com Jesus no meio dos pecadores se abre. A comunicação interrompida entre o Céu e a terra, entre Deus e os homens pode novamente se realizar. Mais tarde este mesmo espírito inundará a Igreja, e inundará a vida de todos os batizados que somos nós. Louvemos e bendigamos a Deus por este gesto que Jesus quis fazer conosco, descendo através do batismo que antecipa a sua cruz até as nossas misérias mais profundas, até as nossas chagas mais purulentas, nos recuperar para Deus.

 

«Então o céu rasgou-se»
São Gregório de Nazianzo (330-390), bispo e Doutor da Igreja
Homilia 39, para a festa das Luzes; PG 36, 349 (a partir da trad. bréviaire)

Cristo é iluminado pelo baptismo, resplandeçamos com Ele; Ele é mergulhado na água, desçamos com Ele para emergir com Ele. […] João está a baptizar e Jesus aproxima-Se: talvez para santificar aquele que O vai baptizar; certamente para sepultar o velho Adão no fundo da água. Mas, antes disso e com vista a isso, Ele santifica o Jordão. E, como Ele é espírito e carne, quer poder iniciar pela água e pelo Espírito. […] Eis Jesus que emerge da água. Com efeito, Ele carrega o mundo; fá-lo subir conSigo. «Ele vê os céus rasgarem-se e abrirem-se» (Mc 1,10), ao passo que Adão os tinha fechado, para si e para a sua descendência, quando foi expulso do paraíso que a espada de fogo defendia. Então o Espírito revela a Sua divindade, pois dirige-Se para Aquele que tem a mesma natureza. Uma voz desce do céu para dar testemunho Daquele que do céu vinha; e, sob a aparência de uma pomba, honra o corpo, pois Deus, ao mostrar-Se sob uma aparência corpórea, diviniza igualmente o corpo. Foi assim que, muitos séculos antes, uma pomba veio anunciar a boa nova do fim do Dilúvio (Gn 8,11). […] Quanto a nós, honremos hoje o baptismo de Cristo e celebremos esta festa de um modo irrepreensível. […] Sede inteiramente purificados e purificai-vos sempre. Pois nada dá tanta alegria a Deus como a recuperação e a salvação do homem: é para isso que tendem todas estas palavras e todo este mistério. Sede «como fontes de luz no mundo» (Fil 2,15), uma força vital para os outros homens. Como luzes perfeitas secundando a grande Luz, iniciai-vos na vida de luz que está no céu; sede iluminados com mais claridade e brilho pela Santíssima Trindade.

 

Com a Festa do Batismo do Senhor, encerramos o ciclo Natal – Epifania. Todo o Evangelho, toda a vida de Jesus, é a grande epifania, ou seja, a grande manifestação de Deus aos homens. Todavia, no evangelho, encontramos alguns momentos característicos de epifania, nos quais Deus se revela com sinais celestiais em Jesus Cristo, “o Filho muito amado” do Pai. Todo o tempo de Natal é uma epifania, como também é a festa de hoje, o Batismo do Senhor, na qual os sinais revelam-nos a identidade de Jesus. Será também uma epifania o primeiro milagre de Jesus em Caná, revelando a sua identidade divina. É também uma epifania a Festa da Transfiguração do Senhor. Muitos momentos da vida de Jesus são momentos epifânicos, especialmente conservados no evangelho de São João. Hoje, somos convidados a centrar a nossa atenção no momento do batismo para, de seguida, compreender o nosso próprio batismo, o que nos abre o caminho para a Eucaristia que celebramos. Hoje, é um dia propício para celebrar batizados dentro da Eucaristia. É uma boa ocasião para falar do sentido do batismo cristão, no horizonte do qual há que entender a teofania do Jordão; ali se declara solenemente que Ele é o Filho predileto do Pai, o Messias esperado, cheio do Espírito de Deus. É a investidura pública e messiânica de Jesus, para iniciar, na história dos homens, a Sua missão salvadora.
A 1ª Leitura faz parte do primeiro dos quatro poemas do Dêutero-Isaías sobre o Servo de Javé. Isaías traça-nos como que um retrato profético deste Servo, que a Comunidade Cristã aplicou a Jesus de Nazaré: “Eis o Meu servo, o Meu eleito, enlevo da Minha alma”. No Evangelho este Servo recebe o nome de Filho: “Tu és o Meu Filho muito amado, em Ti pus o meu enlevo”. Isaías diz: “Sobre Ele fiz pousar o meu Espírito”. E São Lucas escreve: “O Espírito Santo desceu sobre Ele”. Isaías descreve também o modo como, no futuro, irá atuar este Servo: trabalhará a favor da justiça e do direito, mas sem violentar nem agredir ninguém. A Sua missão consistirá em abrir os olhos aos cegos e libertar os cativos. Na 2ª leitura, São Pedro dirá que Jesus “passou (por este mundo) fazendo o bem e curando a todos os que eram dominados pelo Demônio”. Jesus é, pois, este Servo de Javé, humilde e manso. Houve, primeiro, uma declaração pública de que Jesus é o Messias de Deus e houve, depois, a declaração oficial de que este Messias é o Filho de Deus. O nome de Servo foi mudado pelo de Filho. Assim como Javé apresenta o Seu Servo, “enlevo da Sua alma”, também no Batismo do Jordão o Pai apresenta oficialmente ao mundo o Seu “Filho muito amado”, no qual pôs “todo o Seu enlevo”.
O evangelho fala de dois batismos: o Batismo que Jesus recebeu e o Batismo que prometeu: “Eu batizo-vos em água, Ele batizar-vos-á no Espírito Santo e no fogo”. O Batismo de água de João é fundamentalmente uma expressão penitencial em ordem à conversão do coração, tendo em vista a chegada do Reino; é um Batismo para a remissão dos pecados; um Batismo que anuncia outro Batismo. São Lucas descobre nas palavras de João uma dimensão mais profunda, à luz dos acontecimentos pascais. O Espírito, que no Seu Batismo tomou posse de Jesus e o guia, é o dom que Ele dá aos que O acolhem com fé; o Batismo no “fogo” é a manifestação e efusão desse mesmo Espírito no dia de Pentecostes. No Livro dos Atos dos Apóstolos, Jesus Ressuscitado fala de um Batismo distinto do de João: “João batizava em água, mas dentro de pouco tempo, vós sereis batizados no Espírito Santo” (At 1, 5). O Batismo de Jesus e a “teofania” do céu que se abre, da descida do Espírito em forma corporal e da voz celeste, que dá testemunho d’Ele, marca o início da Sua missão profética. Também o nosso Batismo, com a Confirmação e a Eucaristia, sacramentos da iniciação cristã, nos incorpora a Cristo e nos confia a missão de fazer triunfar os valores de Deus no mundo. De ser testemunhas do Seu Evangelho: “Inseridos pelo Batismo no Corpo Místico de Cristo, é pelo Senhor mesmo que os cristãos são destinados ao apostolado” (AA, 3).
A 2ª leitura é um extrato do discurso de São Pedro em casa do centurião Cornélio sobre a proclamação da Boa Notícia da Salvação aos gentios e a sua conversão à fé. Pedro é o primeiro dos Apóstolos a dar um passo em frente para que a comunidade crista acolha no seu seio judeus e não judeus. Não é uma questão pessoal, mas vontade de Deus, “que não à qualidade das pessoas”. Para Deus não há discriminação de qualquer gênero, pois todos são chamados a incorporarem-se em Cristo pelo Batismo integrando-se na grande família dos filhos de Deus. Cornélio é o primeiro pagão a fazer parte desta família – a comunidade cristã. A leitura conclui com um fragmento que resume a vida de Jesus, referindo o Seu Batismo, a unção do Espírito Santo e a Sua atividade libertadora dos males que oprimem o homem e tornam indigno o seu viver humano.

 

No Jordão, Jesus se revela ao mundo e inicia sua missão, diz Papa
Rádio Vaticano

O Papa Bento XVI presidiu na manhã desde domingo, 10, na Capela Sistina, no Vaticano, a Celebração Eucarística da Festa do Batismo do Senhor. Durante a cerimônia foram batizados alguns recém-nascidos. “Demos graças a Deus, que hoje chama estas crianças a se tornarem seus filhos em Cristo. Nós as envolvemos com a oração e com o afeto e as acolhemos com alegria na comunidade cristã, que a partir de hoje se torna também a sua família” – frisou o Papa em sua homilia. O Pontífice disse ainda que com a Festa do Batismo de Jesus continua o ciclo das manifestações do Senhor, que teve início no Natal com o nascimento em Belém do Verbo encarnado e uma etapa importante na Epifania, quando o Messias se manifestou aos povos. “Hoje Jesus se revela, às margens do Jordão, a João e ao povo de Israel. É a primeira ocasião em que ele, como homem adulto, entra na vida pública, após ter deixado Nazaré”, ressaltou Bento XVI. O batismo do Precursor, João Batista, é um batismo de penitência, um sinal que convida à conversão, a mudar de vida, porque se aproxima Aquele que batizará com o Espírito Santo e com o fogo. Quando João Batista vê aproximar-se dele o Messias, entende que aquele Homem é o misterioso Outro que ele esperava e para o qual toda a sua vida estava orientada. O precursor está diante de Alguém maior que ele e não se sente digno sequer de desatar as correias de suas sandálias. “No Jordão, Jesus se manifesta com uma extraordinária humildade, que evoca a pobreza e a simplicidade do Menino colocado na manjedoura, e antecipa os sentimentos com os quais, ao término de seus dias terrenos, chegará a lavar os pés dos discípulos e sofrerá a humilhação terrível da cruz. O Filho de Deus, Aquele que não tem pecado, coloca-se entre os pecadores, mostra a proximidade de Deus no caminho de conversão do homem. Jesus assume sobre si o peso da culpa de toda a humanidade, inicia a sua missão colocando-se no lugar dos pecadores, na perspectiva da cruz”, disse o Papa. O Evangelho de Lucas narra que quando Jesus foi batizado o “céu se abriu e desceu sobre ele o Espírito Santo (3, 21-22)” e uma voz disse: “Tu és o meu filho, eu, hoje, te gerei”. “Naquele momento o Pai, o Filho e o Espírito Santo descem entre os homens e nos revelam o seu amor que salva. Se são os anjos a levar aos pastores o anúncio do nascimento do Salvador, e a estrela aos Reis Magos do Oriente, agora é a voz de Deus que indica aos homens a presença no mundo de seu Filho e convida a olhar para a ressurreição, para a vitória de Cristo sobre o pecado e sobre a morte”, disse Bento XVI. “Podemos dizer que também para estas crianças hoje se abrem os céus. Elas receberão como dom a graça do Batismo e o Espírito Santo habitará nelas como num templo, transformando profundamente seus corações. A partir desse momento, a voz do Pai chamará também elas para serem seus filhos em Cristo e, na sua família que é a Igreja, doará a cada uma delas o dom sublime da fé”, destacou o Pontífice. O Papa sublinhou que com o Batismo estas crianças participam da morte e ressurreição de Cristo, iniciam com ele a aventura alegre e enaltecedora do discípulo. “Os pais, padrinhos e madrinhas assumem o compromisso de educá-las na fé a fim de que possam caminhar na luz de Cristo e resplandecer neste mundo, levando a luz do Evangelho que é vida e esperança”, frisou Bento XVI. O Santo Padre concluiu sua homilia, desejando que com a celebração do Batismo o Senhor conceda a cada um de nós viver a beleza e a alegria de ser cristãos e pediu para as crianças a materna intercessão da Virgem Maria, para que sejam durante toda a vida discípulos de Cristo e corajosas testemunhas do Evangelho.

 

Batismo administrado pelo Papa: bênção dupla
Conversa com o casal Luca Grilone e Samantha Barreca

CIDADE DO VATICANO, domingo, 10 de janeiro de 2010 (ZENIT.org).- Este domingo pela manhã, a Capela Sistina contava com 14 convidados especiais. Tratava-se dos recém-nascidos – a mais nova do grupo nasceu no dia 3 de dezembro –, que receberam o primeiro sacramento da vida cristã das mãos de Bento XVI, com motivo da festa do Batismo do Senhor. Os afrescos de Michelangelo, assim como “O batismo de Cristo”, de Pietro Perugino e Pinturicchio, que também engrandece a Capela Sistina, testemunharam o início da vida cristã dos pequenos. Escutavam-se na cerimônia choros e sussurros com perguntas que os irmãozinhos mais velhos dos recém-nascidos faziam aos pais. Os batizados são todos filhos de empregados do Vaticano. Estavam acompanhados pelos pais, padrinhos e madrinhas, assim como por um pequenos grupo de familiares. Nesta ocasião, os irmãozinhos mais velhos dos recém-batizados tiveram um papel especial: foram os encarregados de levar as ofertas ao altar. O pontífice saudou cada um dos pequenos e lhes dirigiu algumas palavras. Privilégio e responsabilidade Entre os bebês estava Gabrile, que nasceu dia 1 de dezembro. Seu nome completo é Gabriele Maria Andrea Karol. É o primogênito do casal Luca Grilone, funcionários dos Museus Vaticanos, Samantha Barreca. Eles se casaram em julho de 2008. Em conversa com ZENIT depois da cerimônia, Luca assegurou que o batismo de seu filho é um fato duplamente sagrado: “em primeiro lugar, pelo próprio fato do batismo, e depois porque foi batizado pelo Papa, justo no lugar onde ele foi eleito”. Para o pai do recém-batizado não é uma novidade receber um sacramento pelas mãos do Sumo Pontífice, já que foi o próprio João Paulo II quem lhe deu a primeira comunhão em 1986. Ademais, Luca durante vários anos serviu como acólito em algumas cerimônias papais. “Ao ver os coroinhas, recordava-me que há 20 anos estava em seu lugar. Agora me casei e sou pai”, recorda. Samantha por sua parte, confessa a ZENIT que antes da cerimônia estava preocupada de que seu filho chorasse durante a missa, mas o pequeno Gabriele esteve muito silencioso todo o tempo. O rito do batismo realizou-se na pia de bronze elaborada pelo escultor Mario Toffetti. Os pais do recém-nascido receberam a comunhão das mãos do Santo Padre. (Carmen Elena Villa)

 

Bento XVI apresenta modelo batismal de sociedade: a fraternidade
Nos reconhecemos irmãos ao reconhecermos que há um único Pai

CIDADE DO VATICANO, domingo, 10 de janeiro de 2010 (ZENIT.org).– A fraternidade, explicou o Papa neste domingo, constitui um modelo de sociedade fundamentado na consciência de que “todos somos filhos de um único Pai”. “Nossa condição de filhos de Deus”, explicou o Papa, se faz realidade pelo sacramento do Batismo, pelo qual “o homem se converte verdadeiramente em filho, filho de Deus”, acrescentando que “do Batismo se deriva um modelo de sociedade: o de irmãos”. Falando da janela de seus aposentos aos fiéis e peregrinos presentes na Praça São Pedro, explicou: “A Fraternidade não pode ser estabelecida por uma ideologia, nem muito menos por decreto de qualquer poder constituído. Nós nos reconhecemos irmãos pela consciência humilde, mas profunda, de sermos filhos de um único Pai Celestial”. E explicou que, com o Batismo, “o propósito da existência do homem passa a ser atingir, de modo livre e consciente, aquele que é, desde o início, o destino do homem”. O sucessor de Pedro sintetizou o programa de vida inaugurado pelo Batismo com a fórmula: “Torna-te aquilo que és” – “este é princípio básico de educação da pessoa humana redimida pela graça”.

 

O mundo necessita redescobrir a alegria da fé, afirma Papa
Ao batizar 14 recém-nascidos

CIDADE DO VATICANO, domingo, 10 de janeiro de 2010 (ZENIT.org) .- O mundo “que com freqüência caminha tateando pelas trevas da dúvida”, necessita redescobrir a alegria da fé, disse Bento XVI neste domingo, ao batizar sete meninas e sete meninos na Capela Sistina. Este “é um grande dia para estes recém-nascidos”, disse o Papa na homilia, interrompida algumas vezes pelo choro dos bebês. “Com o Batismo” – afirmou – “participando da morte e ressurreição de Cristo, iniciam com Ele a alegre e emocionante aventura do discipulado”, acrescentando ainda que “Também em nossos dias, a fé é um dom que deve ser redescoberto, cultivado e testemunhado”. Dirigindo-se aos presentes, em especial aos pais e padrinhos, o Papa expressou seu desejo de que “o Senhor conceda a cada um de nós a graça de viver a beleza e a alegria de sermos cristãos”. Assim, segundo ele, é possível introduzir os demais “na plenitude do compromisso com Cristo.” “O Batismo ilumina com a luz de Cristo, abre nossos olhos para Seu esplendor e nos introduz no mistério de Deus por meio da luz divina da fé”, acrescentou. Referindo-se ao papel dos pais e padrinhos, disse: “devem comprometer-se a alimentar, com palavras e o testemunho de suas vidas, a chama de fé destas crianças, para que esta possa iluminar o mundo”, concluiu.

 

Bento XVI: “Deus nasceu para que pudéssemos renascer”
Discurso de abertura à oração do Angelus

ROMA, domingo, 10 de janeiro de 2010 (ZENIT.org). – Publicamos o discurso que Bento XVI proferiu neste domingo por ocasião da oração mariana do Angelus, recitada em conjunto com os fiéis e peregrinos presentes na Praça de São Pedro. *** Caros irmãos e irmãs! Nesta manhã, durante a Santa Missa celebrada na Capela Sistina, administrei o sacramento do Batismo a alguns recém-nascidos. Este costume está ligado à festa do Batismo do Senhor, com o qual se conclui o tempo litúrgico do Natal. O batismo sugere muito bem o significado global da celebração do Natal, em que o tema de nos tornarmos filhos de Deus por meio da vinda de Seu Filho unigênito em nossa humanidade constitui um elemento dominante. Ele se fez homem para que possamos nos tornar filhos de Deus. Deus nasceu para que nós pudéssemos renascer. Estes conceitos são constantemente retomados nos textos litúrgicos natalinos e constituem um tema entusiasmante para a reflexão e a esperança. Pensemos no que escreve São Paulo aos Gálatas: “Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sujeito à Lei, para resgatar os que eram sujeitos à Lei, e todos recebermos a dignidade de filhos.” (Gálatas 4, 4-5), ou mesmo São João, no prólogo de seu Evangelho: “A quantos, porém, a acolheram, deu-lhes poder de se tornarem filhos de Deus: são os que crêem no seu nome” (Jo 1:12). É este mistério maravilhoso que constitui nosso “segundo nascimento” – o renascimento de um ser humano a partir do “alto”, de Deus (cf. Jo 3, 1-8) – é realizado no signo sacramental do batismo. Por este Sacramento, o homem se torna realmente filho, filho de Deus. A partir de então, o propósito da sua existência passa a ser atingir, de modo livre e consciente, aquele que é, desde o início, o destino do homem. “Torna-te aquilo que és” – é o princípio básico de educação da pessoa humana redimida pela graça. Tal princípio apresenta muitas analogias com o crescimento humano, no qual a relação dos pais com as crianças, passando, através de crises e desencontros, da total dependência à plena consciência da condição de filho, à gratidão pelo dom da vida recebida, até a maturidade com a capacidade de conferir o dom da vida. Gerado pelo batismo para uma nova vida, também o cristão inicia sua jornada de crescimento na fé que o levará a invocar conscientemente Deus como “Abbá – Pai”, voltando-se a Ele com gratidão e vivendo a alegria de ser seu filho. Do batismo também é derivado um modelo de sociedade: o de irmãos. A Fraternidade não pode ser estabelecida por uma ideologia, nem muito menos por decreto de qualquer poder constituído. Nós nos reconhecemos irmãos pela consciência humilde, mas profunda, de sermos filhos de um único Pai Celestial. Como cristãos, graças ao Espírito Santo que recebemos no Batismo, temos a graça de viver como filhos de Deus e como irmãos, para assim sermos o “fermento” de uma nova humanidade, solidária e rica de paz e de esperança. Para isto, nos ajuda ter consciência de que, além de termos um Pai no céu, temos também uma mãe, a Igreja, para a qual a Virgem Maria será um modelo para sempre. A ela confiamos as crianças recém-nascidas e suas famílias, e pedimos para todos a alegria de renascer a cada dia “do alto”, do amor de Deus, que faz de nós seus filhos e irmãos.

 

FESTA DO BATISMO DO SENHOR
Lc 3, 15-16. 21-22 “Este é o meu Filho amado, que muito me agrada”

Hoje, no Domingo seguinte à Epifania, celebra-se a Festa do Batismo do Senhor. O batismo de Jesus por João Batista no Rio Jordão é tão importante teologicamente que é tratado por cada um dos quatro evangelistas, cada qual da sua maneira, dependendo da situação da sua comunidade e dos seus interesses teológicos. A história logo se tornou um problema para os primeiros cristãos, pois levantava a questão de como Jesus, sem pecado, podia ter sido batizado num ritual de purificação dos pecados. Por isso, Mateus deixa fora a referência de Mc 1, 4 ao perdão dos pecados, a adiciona os vv. 14 e 15. Para João, o batismo era tão difícil de ser harmonizado com a sua cristologia, que omite qualquer referência ao atual evento, e no seu lugar, faz com que João Batista indica Jesus como o “Cordeiro de Deus” (Jo 1, 29-34). O texto já nos apresenta o programa da vida e missão de Jesus. Lucas se destaca pela insistência em situar Jesus como membro do seu povo – identificando-se com aquela camada do povo marginalizada e menosprezada como “impuro” pela teologia oficial, atrelada ao poder político das elites. Como disse o saudoso Padre Alfredinho, fundador da Fraternidade do Servo Sofredor: “No dia do seu batismo, Jesus entrou na fileira dos excluídos para nunca mais sair dela!” Com o seu batismo, Jesus assume a fidelidade radical à vontade de Deus. O significado disso será mostrado ao longo do Evangelho. Também Jesus, unindo-se aos pecadores, já está, desde o começo, rejeitando a visão de um Messianismo triunfalista. Os sinóticos ressaltam o fato que “o céu se abriu”. Marcos é o mais contundente quando enfatiza que “os céus se rasgaram”. É uma maneira simbólica de expressar que em Jesus acontece a união definitiva entre o céu e a terra (At 7, 56; 10, 11-16; Jo 1, 51) e uma revelação celeste (Is 63, 19; Ez 1, 1; Ap 4, 1; 19, 11). A revelação maior é a confirmação da identidade de Jesus como o Servo de Javé. Mateus, escrevendo num ambiente de polêmica contra o judaísmo formativo do fim do primeiro século, muda a tradição original (Mc 1, 9-11), mantida por Lucas, onde as palavras do Pai se dirigiam a Jesus, para dirigi-las aos ouvintes: “Este é o meu Filho muito amado, aquele que me aprouve escolher” (v 17). Em ambas as tradições, essas palavras associam a terminologia de Sl 2, 7, que repete a profecia de Natã em 2Sm 7, 14 (tu és meu filho…) a Is 42, 1 (meu bem amado que me aprouve escolher). A passagem de Isaías apresenta o Servo que não levanta a voz (42, 2), nem vacila, nem é quebrantado (42, 4). (A tradução grega da Septuaginta usou uma palavra que podia expressar tanto os termos hebraicos para “filho” e para “servo”). Fazendo fusão desses textos do Antigo Testamento, o texto une em Jesus duas figuras proféticas – a do Filho da descendência real davídica e do Servo de Javé. Assim, prevê que o messianismo de Jesus implica a vocação do Servo Sofredor, e rejeita pretensões messiânicas triunfalistas. Podemos dizer que o Batismo é para Jesus o assumir público da sua missão como Servo de Javé. A voz do céu confirma a sua opção de vida. O Pai confirma que Ele reconhece Jesus, desde o início do seu ministério público, como seu Filho (Sl 2, 7), seu bem-amado, objeto da sua predileção. Um dos sentidos mais importantes do nosso batismo também é o nosso compromisso público com a vontade do Pai. Todos nós podemos sentir a veracidade da mesma frase usada pelo Pai diante de Jesus – cada um de nós também é verdadeiramente filho(a) do Pai celeste (1Jo 3, 1), a quem aprouve escolher-nos. Nada pode fazer com que o Pai abandone esse amor incondicional e gratuito – nem a nossa fraqueza, nem o pecado (Rm 8, 39). Importante é reconhecer que Deus nos amou primeiro, incondicionalmente, e cabe a nós responder a este amor gratuito por uma vida digna de filhos e filhas do Pai, no seguimento de Jesus (cf. 1Jo 4, 10-11). Jesus não achou privilégio ser o amado do Pai, mas assumiu as conseqüências – uma vida de fidelidade, que o levava até a Cruz – e a Ressurreição (Fl 2, 6-11). Celebrando essa festa litúrgica, renovemos o compromisso do nosso batismo, comprometendo-nos com o seguimento do Mestre, no esforço de contribuir à criação do mundo que Deus quer, um mundo onde reinam o amor, a justiça e a verdadeira paz. O nosso batismo confirma que somos parceiros de Deus no ato permanente de criação, fazendo crescer o Reino dele, que “já está no meio de nós” (Mc 1, 14).

Ser Católico é…

SER CATÓLICO É… AMAR A ÚNICA IGREJA VERDADEIRA FUNDADA POR NOSSO SENHOR JESUS CRISTO
“Eu te digo: tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei A MINHA IGREJA, e as portas do inferno nunca prevalecerão contra ela” (Mt 16, 18).

Cristo mandou aos santos Apóstolos, sob a chefia de São Pedro Apóstolo, que governassem e ensinassem sua Igreja; e Ele próprio instituiu a Santa Missa e os Sacramentos com meios para a santificação de todas as pessoas. Finalmente, Jesus Cristo garantiu-lhes que sua presença seria contínua dizendo: “Eu estarei convosco todos os dias até a consumação dos tempos” (Mt 28, 19-20).
A Igreja é, portanto, a união de Cristo com a Humanidade numa sociedade hierarquicamente organizada. São Paulo Apóstolo afirma: “É grande este mistério: refiro-me à relação entre Cristo e a sua Igreja” (Ef 5, 32).
“A Igreja é no mundo presente o sacramento da salvação, o sinal e o instrumento da Comunhão de Deus e dos homens” (CIC nº 780).

São João Crisóstomo (350-407), exortava: “Não te afaste da Igreja: Nada é mais forte do que ela. Ela é a tua esperança, o teu refúgio. Ela é mais alta que o céu e mais vasta que a terra. Ela nunca envelhece”. A Esposa de Cristo não pode ser adulterada, ela é incorrupta e pura, não conhece mais que uma só casa, guarda com casto pudor a santidade do único tálamo. Ela nos conserva para Deus, entrega ao reino os filhos que gerou. Quem se aparta da Igreja e se junta a uma adultera, separa-se das promessas da Igreja. Quem deixa a Igreja de Cristo não alcançará os prêmios de Cristo. É um estranho, um profano, um inimigo. Não pode ter Deus por Pai quem não tem a Igreja por mãe. Se alguém se pôde salvar dos que ficaram fora da arca de Noé, também se salvará os que estiverem fora da Igreja.
O Senhor nos admoesta e diz: “Quem não está comigo está contra mim, e quem não ajunta comigo, dispersa” (Mt 12, 30). Torna-se adversário de Cristo quem rompe a paz e a concórdia de Cristo; aquele que noutra parte recolhe, fora da Igreja, dispersa a Igreja de Cristo”.

“FORA DA IGREJA CATÓLICA NÃO HÁ SALVAÇÃO”
A Igreja é una pela sua fonte: “Deste mistério, o modelo supremo e o princípio é a unidade de um só Deus na Trindade de Pessoas, Pai e Filho e Espírito Santo”.
A Igreja é una pelo seu Fundador: “Pois o próprio Filho encarnado, príncipe da paz, por sua cruz reconciliou todos os homens com Deus, restabelecendo a união de todos em um só Povo, em um só Corpo”.
A Igreja é una pela sua “alma”: “O Espírito Santo que habita nos crentes, que plenifica e rege toda a Igreja, realiza esta admirável comunhão dos fiéis e os une tão intimamente em Cristo, que ele é o principio de Unidade da Igreja” (CIC nº 813).
“Que estupendo mistério! Há um único Pai do universo, um único Logos do universo e também um único Espírito Santo, idêntico em todo lugar, há também uma única virgem que se tornou mãe, e me agrada chamá-la Igreja” afirma São Clemente de Alexandria (C.155 – C.225).

“A única Igreja de Cristo, … é aquela que nosso Salvador, depois da sua Ressurreição, entregou a Pedro para apascentar e confiou a ele e aos demais Apóstolos para propagá-la e regê-la … Para entender a santidade da Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo, devemos examinar a Igreja em seus dois aspectos inseparáveis: enquanto é divina, a Igreja é imaculada, indefectível, infalível, imutável, perfeita; enquanto é humana, a Igreja muda, evolui e cresce, e pode apresentar imperfeições passageiras por causa dos homens que a forma.
Um sacerdote, um bispo e até um papa podem descuidar de seus deveres, mas isto não impede que a Esposa de Cristo, a Igreja, continue sempre santa, imaculada, gloriosa e irrepreensível em seu aspecto divino.

A Santa Igreja de Deus foi, é e será santa sempre em razão:
1) de sua alma que é o próprio Espírito Santo (Mt 3, 11; 28, 19; At 2, 4; Ef 1, 13.14).
2) de sua cabeça que é Cristo, o santo dos santos (Cl 1, 18; Ap 1, 13-18).
3) de seu fim que consiste na sua santificação das almas (1Cor 1, 2; Ef 1, 2-4; Cl 3, 12; 1Tess 4, 3; 1Pd 1, 15-16).
4) de seus meios que são sua doutrina, sua moral, seu culto, seus sacramentos, seu sacrifício Eucarístico em que se oferece continuamente a Deus Pai “uma hóstia pura, santa imaculada (Jo 6, 53-58; 15, 12-14)”.
5) de muitos de seus membros que são santos: seus pobres de espírito, seus mansos, seus aflitos, seus justos, seus misericordiosos, seus apuros de coração, seus pacificadores, seus perseguidos por causa da justiça, isto é, seus inumeráveis santos e mártires (canonizados ou anônimos) de ontem e de hoje. A Igreja é o Corpo de Cristo e é santificado por Ele mesmo; e, por Ele e nele torna-se santificante. Nós sabemos que a Igreja é santa e perfeita, todavia, seus filhos são pecadores e imperfeitos. Os inimigos da Igreja não sabem distinguir uma da outra. Quando seus filhos erram, a Santa Mãe Igreja recebe ofensas terríveis.

Será que os críticos não sabem que o médico pode errar, mas não a medicina? O soldado pode ser indisciplinado, mas não todo o quartel. O parlamentar pode ser corrupto, mas não todo o Congresso?
“Nada se pode conceber de mais glorioso, mais nobre, mais honroso do que pertencer à Igreja Santa, Católica, Apostólica e Romana, pela qual nos tornamos membros de um Corpo tão santo, somos dirigidos por um chefe tão sublime, somos penetrados por um único Espírito Divino; enfim somos alimentados neste exílio terrestre por uma só doutrina e um só Pão celeste, até que finalmente tomemos parte na única e eterna bem aventurados celeste’ (Pio XII – Mystici Corporis Christi nº 90 – 29/6/1943)”. (1).
Está escrito na Epístola aos Hebreus: “Portanto, também nós com tal nuvem de testemunho ao nosso redor, rejeitando todo fardo e o pecado que nos envolve, corramos com perseverança para o certame que nos é proposto, com os olhos fixos naquele que é o autor e realizador da fé, Jesus” (Hb 12, 1-2).

Rejeitando rigorosamente o pecado procuremos com todos o ardor do nosso coração a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor (Hb 12, 14).  O verdadeiro testemunho do cristão é a sua santidade! Longe dos Cristãos cardos e espinhosos para não fazer sangrar o Corpo de Cristo. Não sejamos pedras de tropeços e de escândalos a ninguém. Corramos com os olhos fixos em Cristo, para que sejamos trigo e ovelhas no pasto do santo Pastor.
“A Igreja… é, aos olhos da fé, indefectivelmente santa. Pois Cristo, Filho de Deus, que com o Pai e o Espírito Santo é proclamado o ‘único Santo’, amou a Igreja como sua Esposa. Por ela se entregou com o fim de santificá-la. Uniu-a si como seu corpo e cumulou-a com o dom do Espírito Santo, para a glória de Deus”. A Igreja é, portanto, “o Povo santo de Deus”, e seus membros são chamados “santos” (CIC nº 823).

Conclusão
“Credo Unam, Sanctam, Catholicam et Apostolicam Ecclesiam” (“Eu creio na Igreja Una, Santa, Católica e Apostólica”). Que maravilhosa, que felicidade, sermos católicos pela graça do bom Deus. Que firmeza e serenidade professarmos a nossa fé na (“unica Christi Ecclesia… subsistit in Ecclesia catholica, a successore Petri et Episcopis in eius communione gubernata” (“única Igreja de Cristo… subsiste na Igreja Católica governada pelo sucessor de Pedro e pelos Bispos em comunhão com ele”) (LG, 8).
Pertencemos ao “redil” de Jesus Cristo, à “vinha” do Senhor, à “Construção” e “templo” de Deus, à “Jerusalém celeste”, à “Esposa Imaculada do Cordeiro Imaculado” (Ef 5, 25-27; LG, 6). Só existe uma Igreja verdadeira, para um só Senhor, Mediador e Salvador, fora desta Igreja, a Católica, não há salvação. Esta Igreja é plenamente santa, em sua doutrina, em seus sacramentos, em sua divina liturgia e em seus filhos que se santificaram seguindo seus ensinamentos.
É católica, ou seja, universal, porque nela está presente Cristo: “Onde está Cristo Jesus, está a Igreja Católica” (Santo Inácio de Antioquia). A sua missão e pregar a Boa Nova a todos os povos, em qualquer tempo e a qualquer que seja a cultura a que pertençam. Obedecer o ide do seu Pastor para formar “um só rebanho” (Mt 28, 19; Jo 10, 16). É apostólica porque foi constituída sobre os fundamentos dos santos Apóstolos e seus sucessores (Ef 2, 20; 3, 5).
Esta Igreja é, sobretudo, una com a tríplice unidade de Fé, de culto e de governo. Esta tríplice unidade foi providenciada por Cristo, pela instituição do Primado de Pedro e de seu sucessor, o Santo Padre, o Papa, constituído por ele “princípio perpétuo e o fundamento visível desta unidade na Fé e na Caridade” (Pastor Aeternus, DS, 3051 e LG, 18).

O ínclito ‘Doutor da Graça’ Santo Agostinho, bispo de Hipona, no Norte da África afirmou magistralmente: “Alegremo-nos, portanto, e demos graças por nos termos tornado não somente cristão, mas o próprio Cristo. Compreendeis irmãos, a graça que Deus nos concedeu ao dar-nos Cristo como Cabeça? Admirai e rejubilai, nós nos tornamos Cristo. Com efeito, uma vez que Ele é a Cabeça e nós somos os membros, o homem inteiro é constituído por ele e por nós. A plenitude de Cristo é, portanto, a cabeça e os membros; que significa isto: a cabeça e os membros? Cristo e a Igreja” (CIC nº 795).
“Aquele que abandona a Igreja, não espere que Jesus Cristo o recompense, é um estranho, um profano, um inimigo. Não terá Deus por Pai, quem não tiver a Igreja por Mãe” disse São Cipriano. “Quem não ama a Igreja não ama Jesus Cristo” disse o Papa Paulo VI.
Numa expressão sublime de amor a Igreja de Cristo, o Cardeal Henri de Lubac afirmou: “A Igreja é a minha Mãe”. Nela eu nasci pelo Batismo, nela eu recebo o Corpo do Senhor, nela eu sou lavado no Sangue pela confissão, nela somos casados, nela recebemos todos as graças… nela viveremos a eternidade”.
Amamos sim, com amor abissal a Santa Igreja Católica e com ela caminhamos na estrada vida e da libertação para melhor conhecê–la, servi-la e honrá-la como obediente filho.

Pe. Inácio José do Vale

Reflexão:
1) O que é ser católico para você?
2) O que quer dizer a expressão “FORA DA IGREJA CATÓLICA NÃO HÁ SALVAÇÃO”?
3) De onde veio o termo CATÓLICO e o que significa?

 

SER CATÓLICO É… AMAR A IGREJA!

Num dia desses, um amigo me perguntou à queima-roupa: «Frei Betto é ainda católico?» Ante a minha surpresa – pois se trata de um religioso da Ordem Dominicana, uma das mais notáveis e beneméritas da Igreja –, ele continuou: «Católico é quem defende as posições da Igreja. Não é isso que o Frei Betto está fazendo! Em mais de uma ocasião, divergiu publicamente do Papa Bento XVI». Para começo de conversa, lembrei-lhe que, desde o tempo de Santo Agostinho, circula na Igreja uma máxima, que mantém sua validade até os dias de hoje: «Nas dúvidas, liberdade; na fé, unidade; em tudo, caridade!». Acrescentei que a unidade não se identifica com a uniformidade: enquanto a primeira empobrece, a segunda enriquece. Aliás, quando buscamos a verdade na caridade, o contraste e a multiplicidade de idéias a ninguém prejudicam. Com isso, evidentemente, eu não pretendia apoiar as dúvidas e dissensões de Frei Betto, dentre as quais a primeira – lembrada pelo meu interlocutor – está relacionada com o aborto: «Se os moralistas fossem sinceramente contra o aborto, lutariam para que não se tornasse necessário e todos pudessem nascer em condições sociais seguras. Ora, o mais cômodo é exigir que se mantenha a penalização do aborto». Expliquei ao amigo que, em certo sentido, o frade dominicano tinha razão. Não se pode negar que uma maneira correta de combater o aborto seja criar «condições sociais seguras». Assumir a luta pela vida é muito mais do que não interromper a gravidez. Mas, se Frei Betto tem razão, ela também não falta ao meu entrevistador! Mais do que as condições sociais, é a cultura pagã e materialista em voga que favorece e incentiva o aborto. A “matança de inocentes”, que se verifica atualmente em toda a parte, tem a sua origem não na miséria do povo – pois há países super-ricos que liberam e promovem o aborto –, mas na falta de valores humanos e de princípios cristãos da maior parte da população (não só entre as lideranças, mas até mesmo entre camadas mais pobres). Outro pomo de discórdia entre Frei Betto e a Igreja, na visão do meu amigo, é a liturgia. Pouco antes da visita de Bento XVI ao Brasil, o religioso dominicano, em entrevistas a alguns jornais, afirmara que, com o incentivo da missa em latim, o Papa estava levando a Igreja a regredir para antes do Concílio Vaticano II. Na opinião do meu interlocutor, Frei Betto colocara a carroça diante dos bois. A Carta Apostólica de Bento XVI sobre “a volta da missa em latim” – se é que a tão pouco pode ser reduzido o escrito pontifício –, foi publicada no dia 7 de julho. Nela, o Papa diz expressamente que a forma ordinária da celebração eucarística é a do Missal publicado por Paulo VI em 1970, onde, entre outras mudanças, foi admitido e aprovado o vernáculo. Ao passo que a missa em latim, segundo o Missal de João XXIII, editado em 1962, é e será sempre a forma extraordinária. Com a lucidez e a profundidade que o caracterizam o Papa explica que, não poucas vezes, o desejo de voltar ao passado surge da superficialidade com que se é tentado a celebrar hoje: «Na celebração da Missa segundo o missal de Paulo VI poder-se-á manifestar, de maneira mais intensa do que freqüentemente aconteceu até agora, a sacralidade que atrai muitos para o uso antigo. A garantia mais segura para o missal de Paulo VI unir as comunidades paroquiais e ser amado por elas é celebrar com grande reverencia, em conformidade com as rubricas; isso torna visível a riqueza espiritual e a profundidade teológica deste missal». O último ponto dissonante lembrado pelo entrevistador é a crítica de Frei Betto a Bento XVI pela forma como este, em sua Exortação Apostólica de 22 de fevereiro de 2007, se dirige aos fiéis católicos que se sentiram na contingência de contrair novas núpcias, depois do fracasso do primeiro casamento: «Se Deus é amor e as segundas núpcias são feitas com amor, como pode o Papa definir tais núpcias uma praga em nossa sociedade?». Na verdade, o Papa fala de “chaga”, não de “praga”, e se refere ao divórcio, não às segundas núpcias, as quais, em determinados casos – avaliadas pelo Tribunal Eclesiástico – podem legitimar-se. Estas as palavras exatas de Bento XVI: «Trata-se de um problema pastoral espinhoso e complexo, uma verdadeira chaga do ambiente social contemporâneo, que vai progressivamente corroendo os próprios ambientes católicos». Nenhum cristão, nem Frei Betto nem o Papa, pode mudar do evangelho: «Se um anjo do céu vos anunciar um evangelho diferente daquele que vos anunciamos, seja maldito!» (Gl 1, 8). Para Deus, o casamento – quando verdadeiro, celebrado na fé e assumido conscientemente – é indissolúvel: «O que Deus uniu, o homem não separe!» (Mc 10, 9). Por tudo isso, meu amigo, você tem razão: é mais seguro ficar com o Papa!

Dom Redovino Rizzardo, cs

435 Perguntas sobre a Santa Missa

Fr Lawrence Lew, O.P.-cc

Tudo o que você gostaria de saber sobre a Missa, em um só lugar!

 

Catecismo da Santa Missa

Baseado em livro de autor anônimo do Século XIX, publicado em 1975 pela EDICIONES RIALP – Madrid, NIHIL OBSTAT de D. José Larrabe Orbegozo, Madrid, 27 de outubro de 1975

IMPRIMA-SE: Dr. D. José Maria Martim Patino, Pro-Vigário Geral

Apresentação de Angel Garcia Y Garcia

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Glossário

Introdução

PRIMEIRA PARTE – Instruções preliminares sobre o Santo Sacrifício da Missa e as preparações prescritas para oferecê-lo

CAPÍTULO I – Da excelência do Sacrifício da Missa, e suas relações com toda a religião e com o culto

CAPÍTULO II – Do sacrifício da Missa em geral e da sua necessidade

CAPÍTULO III – Os sacrifícios antigos no tempo dos Patriarcas, na Lei Mosaica e os sacrifícios dos pagãos

CAPÍTULO IV – Do sacrifício da Nova Lei, instituído e oferecido por Nosso Senhor Jesus Cristo

CAPÍTULO V – Da celebração da Missa: da sua instituição aos nossos dias

CAPÍTULO VI – Dos diferentes nomes e da divisão da Missa

CAPÍTULO VII – Da natureza e da existência do sacrifício da Missa (Recapitulação)

CAPÍTULO VIII – Do valor e dos frutos do Sacrifício da Missa

CAPÍTULO IX – Das disposições para se oferecer o Santo Sacrifício da Missa

CAPÍTULO X – Da benção e aspersão da água – das procissões e da chegada do sacerdote ao altar

 

P1. Que é a Santa Missa? A Santa Missa é a renovação incruenta do Sacrifício do Calvário. É o mesmo e único sacrifício infinito de Cristo na Cruz, que foi solenemente instituído na Última Ceia. Nesta cerimônia ímpar, Cristo é ao mesmo tempo vítima e sacerdote, se oferecendo a Deus para pagamento dos pecados, e aplicando a cada fiel seus méritos infinitos.

 

P2. Por que dizemos que a Missa é a renovação incruenta do Sacrifício do Calvário? Porque na Missa Nosso Senhor Jesus Cristo se imola novamente para nossa salvação, como Ele fizera no Calvário, embora na Missa seja sem sofrimento físico.

 

P3. Por que a Missa é chamada de “Santa”? Porque nela é o próprio autor da santidade que se oferece como vítima, num sacrifício perfeito a Deus, e como alimento espiritual aos fiéis na Eucaristia, ou seja, a transubstanciação real do pão e do vinho no corpo e sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo.

 

P4. Em que momento da Missa se realiza a transubstanciação das espécies de pão e vinho no corpo e sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo? A transubstanciação se realiza no momento da consagração, quando o celebrante repete as palavras que Nosso Senhor pronunciou na última Ceia, ao consagrar o pão e o vinho, instituindo, assim, o sacramento da Eucaristia.

 

2 – Prática frequente do Santo Sacrifício da Missa

 

P5. Qual é a cerimônia religiosa e solene mais comum entre os católicos? É a santa Missa.

 

P6. Por que a santa Missa é a cerimônia mais comum entre os católicos? Porque, além de ser celebrada nos domingos e dias santos, quando há obrigação rigorosa de assisti-la, ela é celebrada diariamente e fortalece a piedade do cristão zeloso, em especial quando ele tem a graça de comungar.

 

P7. Além dos domingos e dias santos, podemos assistir a Missa em outras ocasiões? Sim, e é proveitoso à alma também assisti-la em certas ocasiões especiais tais como:

a – nos aniversários de graças importantes recebidas;

b – nos dias da quaresma;

c – na quinzena pascal.

 

P8. Podemos assistir Missa diariamente? Sim. Sempre que o fiel tiver a possibilidade e principalmente aqueles que receberam mais bênçãos dos céus e favores terrenos devem entender que seria até uma ingratidão não participar do oferecimento diário da grande vítima de ação de graças.

 

P9. Por que é conveniente e salutar assistir a Missa sempre que possível? Porque todo o cristão, desejoso de ordenar sábia e piedosamente sua conduta, encontra na Missa o meio de consagrar pela oblação do corpo e do sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo os trabalhos e fadigas de cada dia, sem esquecer as obrigações do próprio estado. Além disto, a assistência frequente implica em maior aproveitamento dos méritos de Cristo.

 

P10. Além da piedade e do fervor, que outros motivos nos levam a assistir a Missa? Além da piedade e do fervor os cristãos se reúnem com prazer ao redor do altar do sacrifício por muitos motivos, como:

a – no início de cada ano, para agradecer e renovar os votos desta época;

b – em certas festas religiosas, para estreitar os laços de família e a piedade filial;

c – no dia dos mortos, para resgatar os pecados do passado com as esperanças de melhor porvir;

d – para conseguir êxito em determinado empreendimento;

e – para a saúde de uma pessoa;

f – para que se difunde a graça de Deus na união dos esposos;

g – para oferecer ao Senhor uma criança que acaba de nascer e a mãe que deu a luz;

h – para acompanhar diante dos altares os despojos mortais de nossos irmãos, antes de sepultá-los.

 

P11. A Missa, então, é motivo para tudo? Sim. Resumindo, podemos dizer que a Missa é a consagração e santificação de todos os momentos graves, solenes e importantes da nossa vida.

 

3 – Necessidade de se entender as orações e as cerimônias da Santa Missa

 

P12. É necessário conhecer profundamente a Missa? Um ato de religião praticado com tanta frequência, tão precioso em suas graças, e tão consolador em seus frutos, é desejoso que se conheça o mais possível, na medida das nossas capacidades.

 

P13. Como podemos conhecer mais profundamente a Santa Missa? Podemos conhecê-la mais profundamente estudando seus mistérios, seus dogmas, a moral que ela encerra, e até os menores detalhes de suas cerimônias e orações.

 

P14. Para que devemos conhecer tudo isto? Para que a Missa, que é o centro do culto católico, desperte os mais vivos sentimentos de religião e de piedade.

 

P15. Que mais devemos conhecer da Missa? Devemos conhecer suas palavras sagradas em que encontramos todo o sabor da unção de que estão repletas; cada ação e cada movimento do sacerdote; cada palavra que ele pronuncia para lembrar nossa alma e nosso coração que um Deus se imola para nós, e que nós também devemos nos imolar com Ele e por Ele.

 

P16. Com que estado de espírito devemos assistir a Santa Missa? Devemos deixar fora do santuário a indiferença e o tédio, a dissipação e o escândalo, e sermos, no templo, adoradores em espírito e verdade (Jo 1 – 4, 23).

 

P17. Deus exige de todos os fiéis uma instrução profunda e detalhada da Missa? Não. Deus supre a sensibilidade da fé ao conhecimento que não foi possível adquirir e jamais irá desprezar o sacrifício de um coração arrependido e humilhado (Sl 50, 19).

 

P18. Quais as disposições essenciais e suficientes para aproveitarmos do santo sacrifício da Missa? Devemos assistir a Santa Missa com a alma penetrada de dor pelas faltas cometidas, e nos aproximarmos confiadamente deste trono da graça, unindo-nos à vítima, Nosso Senhor Jesus Cristo, e à intenção da Igreja, na pessoa do sacerdote, e por seu ministério.

 

P19. Que mais é salutar conhecer? Devemos saber as grandes vantagens espirituais que um conhecimento mais íntimo da Santa Missa proporciona aos fiéis, com a explicação literal de suas orações e cerimônias.

 

P20. A Igreja, acaso, ocultaria aos fiéis algum mistério da Santa Missa? Não. Na Igreja nada há de oculto e ela jamais pretendeu ocultar qualquer mistério aos fiéis, seja da Santa Missa, como de qualquer outra cerimônia litúrgica, como será demonstrado neste Catecismo.

 

P21. Qual a principal preocupação da Igreja quanto aos mistérios da Missa? A Igreja somente teme que o pouco discernimento sobre os mistérios possa causar má interpretação às palavras neles contidas.

 

P22. Como a Igreja procura evitar possíveis más interpretações? Apresentando sempre explicações claras dos mistérios aos fiéis.

 

P23. Há orientação explícita da Igreja para explicar os mistérios da Missa aos fiéis? Sim. Os Concílios de Mogúncia, de Colônia e de Trento, como mais adiante veremos, ordenaram claramente que se prestassem aos fiéis as explicações necessárias para o melhor entendimento possível dos mistérios da Santa Missa, evitando, assim, más interpretações.

 

P24. Que outras medidas tomou a Igreja para facilitar o entendimento dos mistérios da Missa? A Igreja colocou à disposição de todos os fiéis o ordinário da Missa, e impôs como dever dos sacerdotes a explicação das orações e das cerimônias da Santa Missa.

 

P25. Além do ordinário da Missa, há outras obras específicas sobre o Santo Sacrifício? Sim; há inúmeras obras ao alcance dos fiéis sobre a Santa Missa, publicadas através dos séculos.

 

P26. A explicação da Missa é dever somente dos sacerdotes? Não. Além dos sacerdotes é dever também dos fiéis, e seremos felizes mesmo se, com pouco conhecimento, colocarmos algumas pedras nos muros de Jerusalém, enquanto outros manejam com mão hábil a espada da palavra santa para cuidar da sua defesa.

 

P27. Qual o melhor método para nos aprofundarmos no conhecimento da Santa Missa? Para compreendermos exatamente o verdadeiro sentido das orações da Santa Missa, é necessário conhecermos todas, palavra por palavra, o significado de cada termo, dos dogmas e dos mistérios nelas contidos.

 

P28. Que mais é necessário conhecer sobre as orações? É preciso, também, conhecer os objetivos da Igreja ao estabelecer as orações, bem como deduzir ao máximo possível as intenções dos santos padres, dos antigos escritos eclesiásticos e da tradição. Para isto torna-se necessária também uma explicação histórica, literal e dogmática de tudo o que constitui a Missa.

 

P29. A que se propõe este Catecismo? Este Catecismo se propõe a colocar em prática os mesmos objetivos da Igreja, de alimentar os mesmos sentimentos que ela quer infundir nos nossos corações para que possamos orar e oferecer com ela, e não perder o fruto produzido pelo reto conhecimento das palavras repletas de sentimento e de mistérios que ela nos coloca nos lábios.

 

4 – Regras para a celebração do Santo Sacrifício da Missa

 

P30. Por que é necessário conhecermos as ações e as cerimônias da Missa? Porque, por meio das ações e das cerimônias expressam-se mais vivamente as idéias do que por palavras. Além disso, elas foram estabelecidas pela Igreja para nos edificar, nos instruir e despertar nossa atenção, bem como Deus lhes atribuiu graças particulares.

 

P31. Há exemplos bíblicos de atitudes que Deus atribuiu algum favor especial? Sim; por exemplo, a Escritura nos diz que Moisés rogou com as mãos erguidas ao céu, e, nesta cerimônia, o Senhor estabeleceu a vitória dos judeus (Ex 17, 11).

 

P32. Em que se fundamentam as cerimônias da Missa? As cerimônias da Missa se fundamentam ora na necessidade, ora na comodidade ou em outros motivos simbólicos e místicos. Na pesquisa de todas elas, precisamos recorrer a uma infinidade de escritos em que se acham espalhados, procurando sempre suas origens.

 

P33. Poderia esclarecer com um exemplo? Sim. Todos sabemos que lavamos com água as mãos e o corpo, por asseio; mas, a água usada no batismo não é para lavar o corpo pois, como diz São Paulo: Non carnis depositio sordium (1Pd 3, 21). A origem da água no batismo é puramente simbólica, ou seja, emprega-se aquele elemento tão próprio para lavar todas as coisas, para mostrar que, por meio do seu contato com o corpo, Deus purifica a alma de todas as manchas.

 

P34. Que é preciso fazer para se pesquisar devidamente a origem das cerimônias? É preciso investigar também os tempos e os lugares em que elas passaram a ser usadas, verificar seus escritores contemporâneos e, nas orações contidas nos livros eclesiásticos mais antigos, analisar os objetivos da Igreja naquelas cerimônias, porque muitas vezes as próprias orações revelam seu verdadeiro sentido.

 

P35. Que mais devemos levar em conta para conhecer os motivos da Igreja no uso de determinadas ações que vemos na Santa Missa? Além da pesquisa aludida anteriormente, devemos levar em conta o discernimento e bom senso que a Igreja empregou para estabelecer as razões das ações e das cerimônias da Missa.

 

P36. Como se classificam as razões em que a Igreja se baseou para estabelecer as ações e cerimônias da Missa? Podemos classificar em seis razões.

 

P37. Qual é a primeira razão? Exemplifique. A primeira razão é de conveniência ou comodidade. Há costumes que só podem ter como causa, estes fatores.

Exemplo: o motivo pelo qual se cobre o cálice depois da oblação é por pura precaução, para que nele não caia nada; e se o Micrólogo, que reconhece este motivo, acrescenta outros, é mais por sua conta que da Igreja.

 

P38. Qual é a segunda? Exemplifique. Há usos que se fundamentam em duas causas: comodidade e simbolismo.

Exemplo: A primeira razão do uso do cíngulo sobre a alba é para impedir que esta caia e se arraste pelo chão; e esta razão física não impede a Igreja de determinar aos sacerdotes de cingirem-se como símbolo da pureza, pois São Pedro nos recomenda a nos cingirmos espiritualmente: Succinti lumbos mentis vestrae (1Pd 1, 13).

Outro exemplo: a fração da Hóstia se faz também, naturalmente, para imitar a Nosso Senhor Jesus Cristo que partiu o pão, e porque é preciso distribuí-la; mas, algumas Igrejas deram a esta fração um sentido espiritual, dividindo a Hóstia em três partes (Itália e França), em quatro partes (Grécia), e em nove partes (rito moçárabe).

 

P39. Qual a terceira causa? Exemplifique. Às vezes uma causa de necessidade física foi substituída por uma razão mística.

Exemplo: o manípulo, inicialmente, era um paninho utilizado pelos que trabalhavam na igreja para enxugar as mãos. Há seis ou sete séculos que não se o utiliza mais para aquele fim original; no entanto, a Igreja continua a usa-lo para lembrar seus ministros que devem trabalhar e sofrer para merecer a devida recompensa (Ut recipiant mercedem laboris).

 

P40. Qual a quarta razão? Exemplifique. Às vezes um uso estabelecido anteriormente por uma razão de conveniência foi substituído por razão simbólica.

Exemplo: até o final do século IX, quando o diácono cantava o Evangelho, voltava-se para o Norte, onde se encontravam os homens, porque convinha anunciar-lhes a palavra santa preferivelmente às mulheres, que se achavam no lado oposto. Porém, desde o final daquele século, em algumas igrejas, o diácono voltava-se ao Norte, mesmo sem a presença masculina, por uma razão puramente espiritual, que será exposta mais adiante.

 

P41. Qual a quinta razão? Exemplifique. Às vezes uma razão baseada no asseio fez desaparecer um costume introduzido anteriormente, como um símbolo de pureza interior.

Exemplo: Na Igreja grega o sacerdote lava as mãos no início da Missa, enquanto que na Igreja latina ele as lava também antes da oblação.

“Este uso havia desaparecido, diz São Cirilo de Jerusalém, não por necessidade, pois os sacerdotes se lavam antes de entrar na Igreja, mas para salientar a pureza interior que convém aos santos mistérios”.

Posteriormente, segundo S. Amalrico e a Sexta Ordem Romana, o bispo e o sacerdote lavavam as mãos entre a oferenda dos fiéis e a oblação do altar, pois poderiam conter vestígios de pão comum distribuído aos leigos; e, como segundo esta ordem se incensavam as oblações, estabeleceu-se em fim a ablução dos dedos, após esta operação para maior asseio, sem abandonar, porém, a razão espiritual primitiva.

 

P42. Qual a sexta razão? Exemplifique. Há usos que sempre tiveram razões simbólicas e místicas. Alguns põem em dúvida que elas tenham sido assim desde o princípio; porém será fácil nos persuadirmos disto, se considerarmos que os primeiros cristãos tinham sempre por objetivo elevar suas almas e seu pensamento aos céus, que neles tudo era simbólico, e que, como os sacramentos foram instituídos sob símbolos, eles se acostumaram a espiritualizar todas as coisas, como vemos nas epístolas de São Paulo, nos escritos de São Bernardo, de São Clemente, de Justino, de Tertuliano, de Orígenes, etc.

Exemplo: São Paulo dá razões místicas ao povo, quanto ao costume seguido pelos homens nas igrejas, de rezar com a cabeça descoberta; o mesmo acontece com as explicações dos santos padres sobre as razões de São Paulo.

Outro exemplo: Por razão simbólica, também, durante muitos séculos os novos batizados se trajavam de branco, indicando a inocência. Assim aconteceu com Constantino que cobriu seu leito e revestiu seu quarto de branco depois de ter recebido o batismo.

Mais um exemplo: quando os primeiros cristãos se voltavam para o Oriente para rezar, era porque viam o Oriente como a figura de Nosso Senhor Jesus Cristo; e, quando rezavam em lugares elevados e bem iluminados, era porque a luz exterior representava o Espírito Santo, como nos diz Tertuliano (Lib. adv. Valent, c. 3).

Ainda: Todas as cerimônias que precedem ao batismo são outros tantos atos simbólicos. S. Ambrósio, que as explica para os que se preparavam para receber o sacramento, diz que se faz com que os catecúmenos se voltem para o Ocidente, para indicar que renunciam as obras de Satanás e as resistem de frente, e que, em seguida, voltam-se ao Oriente para olhar a Jesus Cristo, a verdadeira luz.

 

P43. Qual a postura recomendada para a oração na Missa durante os quatro primeiros séculos? Recomendava-se a rezar em pé nos domingos e em todo o tempo pascal, e Tertuliano diz que era uma espécie de falta rezar de joelhos e jejuar em tais dias (Die dominico jejunium nefas ducimos vel de geniculis adorare, Tertuliano, Lib. de Cor., c. 3).

 

P44. Houve alguma recomendação conciliar sobre tal postura? Sim. Sobre tal postura o primeiro Concílio geral estabeleceu até uma lei no cânon 25, e São Jerônimo e Santo Agostinho, apesar de ignorarem este cânon, falavam do referido costume sempre com muita veneração. Para São Jerônimo, tratava-se de tradição com força de lei e Santo Agostinho somente colocava em dúvida, se ele era seguido em todo o orbe católico.

 

P45. Qual a origem desse costume segundo alguns doutores? Santo Hilário, São Basílio, Santo Ambrósio, e muitos outros doutores, julgavam que o costume de rezar em pé nos domingos e no tempo pascal provinha dos apóstolos; porém os cânones e os Concílios, e todas as obras antigas que encontramos sobre isso, apresentam razões místicas.

 

P46. Que razão mais adequada podemos encontrar naquele costume? Segundo São Jerônimo, os fiéis assim procediam para honrar a ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo pois, eretos, demonstravam a esperança que tinham de participar da sua ressurreição e ascensão (Nec curvamur, sed cum Domino coelorum alta sustullimur, S. Jeronimo, Prol. In Ep. Ad Ephes.).

 

P47. Por que devemos penetrar nas razões e origens misteriosas dos costumes que envolvem as cerimônias da Missa? Porque afastarmo-nos de tais razões e origens seria um afastamento do espírito e dos objetivos da Igreja, que claramente pede aos seus filhos que se apliquem a penetrar nos mistérios que envolvem as cerimônias.

 

P48. Há algum exemplo concreto desse desejo da Igreja? Sim, como prova a oração que se lê nos antigos sacramentais, repetida todos os anos na cerimônia da benção das palmas: “Fazei, Senhor, que os corações piedosos dos vossos fiéis compreendam com fruto o que significa misteriosamente esta cerimônia”.

 

5 – Objetivos e Esquema deste Catecismo

P49. Quais são os objetivos deste Catecismo? O objetivo deste Catecismo é de formar um conjunto de ensinamentos que conserve o texto da liturgia, que explique suas cerimônias e que auxilie os fiéis a saborear por si próprios o sentido da oração pública, a amar sua majestosa sensibilidade, e fazer brotar dela todos os princípios e sentimentos que ela encerra.

 

P50. Qual é o esquema geral deste Catecismo para atingir seus objetivos? Para melhor conseguir seus objetivos, este Catecismo seguirá um plano geral dividido em duas partes, como segue:

A – Primeira Parte: Instruções Preliminares sobre o Santo Sacrifício da Missa e as Preparações Prescritas para oferecê-lo.

B – Segunda Parte: Explicação das Orações e Cerimônias da Santa Missa.

 

P51. Em linhas gerais, de que trata a Primeira Parte deste Catecismo? A Primeira Parte é constituída de onze Capítulos, apresentando:

A sublimidade e a excelência do sacrifício da nova lei e suas relações com todo o culto público;

A necessidade, o valor e os frutos da Santa Missa;

A celebração da santa liturgia através dos séculos, desde Jesus Cristo até a o Novo Ordo Missalis Romani* (imposto por Paulo VI em 1970), verificando tanto a tradição como os documentos oficiais promulgados pela Igreja;

O material utilizado no serviço divino;

A imensa preparação que o precede;

Os sentimentos que a Igreja exige do sacerdote que o celebra e dos fiéis que o acompanham.

* O caráter histórico da obra em que se baseia este Catecismo exime qualquer adaptação ao Novo Ordo de 1970.

 

P52. De que trata a Segunda Parte? A Segunda Parte deste Catecismo, constituída de seis Capítulos, expõe:

Palavra por palavra e rito por rito de todo o conteúdo do Ordinário da Missa;

Explicação própria para instruir os fiéis bem como para nutrir sua piedade;

A relação palpável entre as orações e as cerimônias do altar com o que aconteceu no Cenáculo e no Calvário, e o que se verifica no sublime altar do Céu.

 

PRIMEIRA PARTE

Instruções preliminares sobre o Santo Sacrifício da Missa e as preparações prescritas para oferecê-lo

 

CAPÍTULO I

Da excelência do Sacrifício da Missa, e suas relações com toda a religião e com o culto

 

P53. Qual é o maior e o mais central culto da Igreja católica? O maior e o mais central culto da Igreja católica é a oblação do corpo e do sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo, sob as espécies do pão e do vinho, que constituem o sacrifício da Missa.

 

P54. Por que a Missa é o maior e o mais central culto da Igreja católica? Porque na Missa, não só imolamos a Deus eterno, vivo e verdadeiro, que a revelação nos fez conhecer e adorar perfeitamente, mas também porque neste sacrifício temos o próprio Deus por sacerdote e por vítima.

 

P55. Que mais encontramos reunidas no santo sacrifício da Missa? Encontramos reunidas todas as grandezas da pessoa de Jesus Cristo:

  • seu poder como Deus;
  • seu estado de imolação como homem;
  • vivo, para interceder por nós;
  • sob os símbolos da morte para nos aplicar o preço dos seus padecimentos;
  • pontífice santo e sem mancha, mais elevado que os céus;
  • cordeiro imolado, cujo sangue correrá até a consumação dos séculos, para lavar todos os pecados;
  • sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque com um sacerdócio eterno;
  • oblação pura oferecida desde o ocaso até a aurora;
  • pontífice e vítima convenientes à santidade de Deus.

 

P56. Além das grandezas da pessoa de Cristo, que outros benefícios relativos a Nosso Senhor a Missa nos propicia? A Missa, já tão excelsa por quem a oferece e a quem é oferecida, renova todos os prodígios da vida do Salvador e revive a história solene dos seus mistérios e da sua doutrina, todos os dias.

 

P57. Como a Missa nos apresenta o mistério da encarnação do Verbo? Através da Fé contemplamos o Filho de Deus no altar, concebido no segredo do santuário pela mesma potestade, como nos esplendores da eternidade, encarnado pela sua fecunda palavra nas mãos do sacerdote, como no seio de Maria.

 

P58. Que virtudes de Nosso Senhor a Missa nos lembra, seguindo sua vida? A Missa nos renova as seguintes virtudes que acompanharam a vida de Nosso Senhor:

1 – a obediência e as virtudes de sua vida oculta;

2 – a misericórdia e toda a bondade do seu ministério público;

P59. Que méritos a Missa aplica aos fiéis dos últimos acontecimentos da vida de Cristo? A Missa aplica aos fiéis:

1 – o preço do seu sangue derramado na sua paixão e morte;

2 – a glória e a vida nova da sua ressurreição, por meio da oferenda do seu corpo imortal e a benção da sua ascensão.

 

P60. Que relação há entre a Missa e a ascensão de Nosso Senhor? Assim como Nosso Senhor subiu da Terra aos céus, assim também do altar sublime da Igreja sobe ao altar sublime do céu a oferenda santa, que é o próprio corpo e sangue de Cristo. Do alto dos céus, e na Missa, Nosso Salvador difunde graças, luz (entendimento da verdade) força e santidade em nossas almas.

 

P61. A Missa nos lembra também o juízo final? Sim, trazendo-nos as primeiras palavras da sentença do último dia pela separação antecipada do fiel e do infiel, apresentando um pão que dá a vida eterna ao justo, e o juízo e condenação ao pecador.

 

P62. Em resumo, o que nos deixou Cristo na Missa? Aos que o temem, Cristo deixou uma lembrança das suas maravilhas cheia de misericórdia e bondade (Sl 110).

 

P63. Que contemplamos no santo sacrifício da Missa? Neste santo sacrifício contemplamos, com o sacerdote mais santo e a vítima mais digna, com a renovação de todos os mistérios e a contínua pregação da doutrina de Cristo, o livro mais perfeito da moral evangélica, e a lição mais sublime da santidade necessária a um cristão.

 

P64. Que vemos na Missa? Na Missa vemos um Deus infinitamente adorável a quem devemos o sacrifício, e formamos do Senhor a idéia mais justa que se possa conceber, pela excelência do dom que a Ele se apresenta.

 

P65. Há na Missa referências ao Antigo Testamento? Sim. O segredo de quatro mil anos de promessas e de profecias se revela aos nossos olhos; a verdade sucede à sombra, a plenitude dos tempos se desenvolve com a abundância da graça, um manancial puro que, reluzindo da cruz, atinge a vida eterna, dando nascimento e ressurreição, força e alento, saúde e santidade aos cristãos de todas as idades.

 

P66. Esta fonte de graças vindas da cruz só se aplica ao Novo Testamento? Não. Esta fonte de graças surgida da cruz, como um sol, alcança os primeiros dias do mundo para santificar todos os eleitos, e da cruz ainda estende sua luz e calor até a consumação dos séculos, para salvar todos os filhos de Deus.

 

P67. Que afirmou Tertuliano sobre a Missa? Tertuliano, um dos padres da Igreja, disse que a Missa, mais que um banquete de religião, é uma escola de todas as virtudes, apresentando aos fiéis o grande exemplo de imolação contínua de um Deus, para incentivá-los em todos os deveres e ampará-los em todos os sacrifícios, ainda com a participação da vítima que neles se incorpora pela comunhão.

 

P68. Em que culto da Igreja encontramos a união mais íntima com Deus? Na celebração do santo sacrifício da Missa, porque nela encontramos a mesa onde todos podemos comer (Hb 13) o alimento que é o próprio Deus, e nela há, ainda, a união mais desejada pelos homens entre si, pois todos, sem distinção, podem sentar-se à mesma mesa, como filhos de um mesmo pai.

 

P69. Haveria algum outro sacrifício equivalente? Não, porque não há outro sacrifício tão sublime como a Missa em que, com Deus, se oferece a um Deus por um sacerdote Deus; em que cada ato da oblação recorda a doutrina de um Deus e a santidade que ela exige, bem como a religião deste Deus em toda a sua extensão com todos os meios de santificação.

 

P70. Que visão do Antigo Testamento é figura da Missa? A Missa é, na realidade, aquela escada misteriosa que Jacó viu em sonhos (Gen 28, 12), em que uma extremidade tocava a terra e a outra atingia o céu, na qual subiam e desciam os anjos e, principalmente, o Santo de Deus, o Anjo de Deus por excelência, o Mediador Supremo, para levar ao Senhor nossos votos e sacrifícios, e para nos trazer sua graça e sua benção.

 

P71. Que representa ainda a Missa? A Missa é uma imagem antecipada do céu; nela se adora o mesmo Deus; em seu santuário se reúnem seus filhos: nela vemos o mesmo que é visto no céu, as orações, os cânticos, os perfumes; anjos circundando o altar, santos que o sustentam, toda a Igreja, toda a cidade de Deus oferecida por Jesus Cristo e unindo-se a Deus. Numa palavra, Deus presente ainda que coberto por véus, o mesmo Deus que veremos face a face, Deus convertido em manjar sob a aparência de um pão que já não mais existe, o mesmo que nos confortará eternamente com sua glória pela verdade e felicidade.

 

P72. Podemos, então, dizer que o santo sacrifício da Missa transforma nossas igrejas em céu? Sim, porque nele o divino cordeiro é imolado e adorado no templo como no-lo apresenta São João no meio do santuário celestial.

 

P73. Os anjos também participam da adoração do cordeiro imolado na Missa, como eles o adoram no céu? Sim; os espíritos bem aventurados, sabedores do que se opera em nossos altares, deles se aproximam para assisti-los com o temor inspirado pelo mais profundo respeito.

 

P74. A Igreja admite a presença dos anjos na Missa? Sim, a Igreja admitiu sempre e tanto esta verdade que São Crisóstomo não duvidava em dizer: “Que fiel poderá duvidar que, à voz do sacerdote no momento da consagração, o céu se abre e os coros dos anjos descem para assistir ao mistério de Jesus Cristo, e as criaturas celestes e terrestres, visíveis e invisíveis, se reúnem em tão solene instante?”.

 

P75. Então, fazemos nas igrejas, o mesmo que os santos fazem continuamente no céu? Sim, nós adoramos a vítima santa e imolada nas mãos do sacerdote, e todos os santos adoram no céu esta mesma vítima, o Cordeiro sem mancha representado em pé, porém como sacrificado*, em sinal da sua imolação e da sua vida gloriosa. * Agnum stantem quasi occisum (Apoc. 5, 6).

 

P76. Rezamos na Missa como os santos rezam nos céus? Sim. Todas as orações e todos os méritos dos santos se elevam dos altares das igrejas ao trono de Deus, como um suave e agradável perfume; assim expressou-se São João no Apocalipse (8, 3-4) ao descrever um anjo, com um turíbulo de ouro na mão e junto ao altar, de onde se elevavam a Deus as orações dos santos.

 

P77. Por que se incensa o altar? Incensa-se o altar como um sinal visível das adorações e súplicas a Deus, feitas por todos os santos que estão na terra ou na glória eterna.

 

P78. Que conclusões deduzimos destas verdades da Missa? Entendendo estas verdades da Missa, podemos concluir que a Missa é:

a – o centro do culto religioso da Igreja, pois reúne tudo o que se relaciona com a religião;

b – o ponto de apoio em que se unem a cruz o homem com seus destinos gloriosos;

c – o ponto de partida de onde nos vêm, como da cruz, a graça com todos os meios de salvação.

 

P79. Que considerações piedosas nos vêm à alma ao passarmos diante de inúmeras igrejas? Ao passarmos diante de majestosas catedrais ou basílicas, ou mesmo diante de simples igrejas e capelas, lembramos que todas elas foram erguidas pela fé católica através dos séculos, para nelas se oferecem o santo sacrifício da Missa. A cruz que as encima é o sinal da imolação que nelas se perpetua, e os altares nelas erigidos são para depositar a vítima sagrada.

 

P80. Tudo o que vemos nas igrejas se relaciona ao santo sacrifício do altar? Sim, tudo que há nas igrejas se relaciona à Missa. Assim, por exemplo:

1 – a pia batismal e de água benta e os confessionários nos lembram que devemos lavar nossas mãos com os justos (Sl 20, …) para entrar no santuário;

2 – a cátedra e o púlpito nos instruem e exortam ao sacrifício;

3 – a mesa da comunhão, que separa o presbitério da nave, onde recebemos a Hóstia Santa;

4 – os tecidos que revestem o altar, os paramentos dos sacerdotes, a luz das velas, o incenso que se eleva, a disposição dos bancos e genuflexórios, tudo fala do sacrifício, tudo é para o sacrifício.

 

P81. Os Sacramentos também se relacionam com a Missa? Sim e do seguinte modo:

1 – o Batismo: dá o direito de assistir a Missa e de receber a sagrada Hóstia;

2 – a Penitência ou Confissão: repara aquele direito perdido ou debilitado;

3 – a Eucaristia: se realiza e é distribuída na Missa;

4 – o Crisma ou Confirmação: fortifica o fiel para a união misteriosa da comunhão e o fortalece para sua imolação moral e contínua;

5 – a Extrema Unção: durante a celebração da Missa o sacerdote benze o Óleo Santo para os enfermos e para outras unções;

6 – a Ordem: perpetua o sacerdócio;

7 – o Matrimônio: recebe na Missa sua ratificação e benção particular.

 

P82. Há relação entre os Ofícios Litúrgicos e a Missa? Sim, os três Ofícios se relacionam à Missa. Assim:

1 – o Ofício da Noite: serve de preparação remota para o sacrifício;

2 – o Ofício da Manhã: serve de preparação imediata;

3 – o Ofício da Tarde: serve de conclusão e de ação de graças.

 

P83. Como podemos resumir a relação entre a Santa Missa e a igreja, local da sua celebração? Assim como na Missa se reúnem as maravilhas e as graças de Deus, assim a igreja reúne na Missa todo o objeto e fruto da sua celebração.

 

P84. Que prescrição impôs o Concílio de Trento aos sacerdotes quanto ao ensinamento da Missa aos fiéis? O Concílio de Trento, com alta sabedoria, ordenou aos sacerdotes a explicar com frequência os mistérios da Missa e o que nela se lê, para que os fiéis sejam instruídos na verdade dos seus mistérios e no sentido das suas orações e cerimônias, objetivo deste Catecismo.

 

Instruções preliminares sobre o Santo Sacrifício da Missa e as preparações prescritas para oferecê-lo

 

CAPÍTULO II

Do sacrifício da Missa em geral e da sua necessidade

 

P85. Que laços unem os homens a Deus? Dois laços nos unem a Deus:

1 – o ser criatura de Deus;

2 – a religião.

 

P86. Explique o primeiro laço que nos liga a Deus. O primeiro fator que nos liga a Deus é o de sermos criatura ¾ e isto é um fator necessário e sem nosso mérito: trata-se da relação de causa e efeito, ou seja do Criador e de sua criatura. Neste sentido, todo o universo está incluído e tudo canta a glória do Criador, tudo proclama sua sabedoria, seu poder e sua bondade.

 

P87. Explique o segundo laço que nos liga a Deus. O segundo fator que nos liga a Deus é a religião. Dentre todas as criaturas, o homem é a única dotada de corpo com alma imortal, com inteligência e livre arbítrio, que pode se oferecer a Deus por meio da oblação voluntária de seus pensamentos e da sua vontade.

 

P88. Que é religião? Denominamos religião a determinação da vontade livre do homem, iluminada pela sua inteligência, do reconhecimento dos seus deveres de criatura para com seu Criador, de fé e de obediência às suas leis, de adoração e amor a Ele devidos, do agradecimento a todos os benefícios recebidos e do arrependimento pelos pecados cometidos. O homem manifesta toda esta disposição de união com Deus através de atos íntimos ou públicos, denominados cultos religiosos.

 

P89. Que é culto religioso? É a expressão pública da religião através de cerimônias instituídas e celebradas pela Igreja, instituição fundada pelo próprio Cristo Nosso Senhor.

 

P90. Como o homem manifesta sua determinação religiosa? O homem manifesta sua determinação religiosa principalmente através do sacrifício. Como o homem é composto de corpo e alma, o sacrifício individual pode ser pode ser interior ou exterior, e manifestado publicamente através de ação pública.

 

P91. Em que consiste o sacrifício espiritual ou interior? O sacrifício espiritual, ou interior, consiste no oferecimento e imolação da própria alma a Deus, pois Deus é puro espírito e quer ser adorado em espírito.

 

P92. Em que consiste o sacrifício material ou exterior? O sacrifício material, ou exterior, consiste no oferecimento e imolação do próprio corpo a Deus, como reconhecimento e homenagem da criatura ao Criador, demonstrando, assim, as disposições interiores de gratidão e dependência para com a Divina Majestade.

 

P93. Por que é necessária a oblação, ou oferenda, material ou externa? Porque o sacrifício exterior do corpo ou dos bens que a providência nos colocou à nossa disposição é um sinal sensível da oblação íntima de nós mesmos. Sem esta imolação íntima ele seria um sacrifício vazio e inútil. Assim, através do sacrifício exterior, manifestamos a íntima união do corpo e da alma, penetrados do espírito de adoração devido ao nosso Criador.

 

P94. Em que consiste a ação pública do sacrifício? É a demonstração pública dos sacrifícios internos e externos que a sociedade presta a Deus. Como o homem vive em sociedade é natural que esta também manifeste este sacrifício interior e exterior dos seus membros, unidos na mesma ação pública.

 

P95. Qual é a finalidade desta ação pública? A finalidade da ação pública,como manifestação de sacrifício ao Criador, é de reunir os homens nos testemunhos que prestam a Deus, da sua servidão e do seu amor, em nome da sociedade.

 

P96. O que é sacrifício? Sacrifício é a oblação exterior de uma coisa sensível, feita somente a Deus por um ministro legítimo (sacerdote), com destruição, consumação ou mudança da mesma, como reconhecimento do soberano domínio de Deus, e para as demais finalidades ao que o mesmo sacrifício é oferecido.

 

P97. Explique esta definição. Para haver sacrifício é necessário:

1 – sacerdote: celebrante legítimo, consagrado a Deus, como intermediário entre Deus e os homens;

2 – feito a Deus: a quem se deve adoração e toda a dependência;

3 – a oblação: ato de renúncia ao domínio de um determinado bem relativo, que podemos normalmente usufruir;

4 – destruição, consumação, ou mudança da matéria oferecida: como a imolação de um animal, a efusão de um licor, a evaporação de um perfume, para:

5 – reconhecer, atestar e publicar por meio desta renúncia exterior do domínio do uso, o domínio soberano de Deus, a quem pertence a propriedade real.

 

P98. O que significa destruição ou mudança da vítima? Por destruição ou mudança da vítima reconhecemos o direito de vida ou morte que Deus tem sobre nós, ou seja, a morte que merecemos pelo pecado, e a obrigação de nos imolarmos e de nos dedicarmos totalmente ao seu amor e ao seu serviço.

 

P99. Qual é a finalidade primordial da oblação? A finalidade primordial da oblação é o reconhecimento da absoluta dependência da criatura ao Criador, denominada sacrifício de adoração ou de latria.

 

P100. Quais as finalidades secundárias da oblação? As finalidades secundárias, embora de grande utilidade e importância, da oblação são:

1 – agradecer a Deus pelos benefícios dele recebidos;

2 – pedir perdão pelas nossas culpas;

3 – implorar as graças de que necessitamos.

Sob estes diversos aspectos, há o sacrifício eucarístico, ou de ação de graças, propiciatório (aplacar a justiça divina) e impetratório (súplica a Deus).

 

P101. Há outras formas de sacrifício? Sim; por extensão, chamamos também de sacrifício, as orações, as esmolas, a obediência, as boas obras, a dor pelos pecados cometidos porque, de certa forma através delas, fazemos uma oblação a Deus por todos estes atos de religião.

 

P102. Há nas Sagradas Escrituras alguma referência a estas formas de sacrifício? Sim, nas Sagradas Escrituras encontramos inúmeras referências a estas formas de sacrifício, tais como:

1 – “Oferece ao Senhor sacrifícios de justiça” (Sl 4, 6);

2 – “Oferece a Deus um sacrifício de louvor e paga ao Altíssimo os teus votos” (Sl 49, 14);

3 – “Um coração despedaçado pelo arrependimento é o sacrifício que agrada a Deus e que Ele jamais desprezará” (Sl 50, 19);

4 – “É um sacrifício saudável observar os mandamentos” (Eccl. 35, 2);

5 – “A obediência é melhor que as vítimas dos insensatos” (Eccl. 4, 17);

6 – “Não esqueceis a esmola e a beneficência porque Deus se aplaca com estas hóstias” (Hb 13, 16).

 

PRIMEIRA PARTE

Instruções preliminares sobre o Santo Sacrifício da Missa e as preparações prescritas para oferecê-lo

 

CAPÍTULO III

Os sacrifícios antigos no tempo dos Patriarcas, na Lei Mosaica e os sacrifícios dos pagãos

 

P103. Quais seriam os deveres religiosos do homem no estado de inocência, antes do pecado de Adão? Os deveres religiosos do homem naquele estado seriam:

1 – Adorar a Deus como seu Senhor, soberano e absoluto;

2 – Manifestar seu reconhecimento a Deus como seu Criador e autor absoluto de todos os seus bens, e manter sua vida numa perpétua ação de graças, para que Ele conserve e aumente seus benefícios, a cada dia;

3 – Implorar a Deus graças e auxílio com oração humilde, fervorosa e perseverante.

 

P104. Que afirmou Santo Agostinho sobre os deveres religiosos dos homens se tivessem perseverado naquele estado de inocência? Nesta hipótese, sem mancha de pecado, Santo Agostinho afirmou que os homens deveriam se oferecer a Deus, como vítimas puras (Cidade de Deus, 1. I, c. 26).

 

P105. Que consequências derivaram do pecado original sobre aqueles deveres religiosos dos homens para Deus? Desde que o pecado nos despojou dos nossos privilégios originais, tornou-se necessário acrescentar, àquelas grandes obrigações religiosas, a obrigação de apaziguar a justiça divina, ultrajada por nosso orgulho e nossa ingratidão, bem como de conhecer mais profundamente nossa miséria e nossa contínua dependência dos socorros celestes, em todas as nossas necessidades espirituais e materiais.

 

P106. Quais são, portanto, as finalidades do sacrifício após a queda do homem? Após o pecado original, as finalidades do sacrifício a Deus são:

1 – adorá-lo;

2 – agradecer as graças recebidas;

3 – implorar a remissão dos pecados;

4 – implorar sua benção.

 

P107. Por que o homem, após a queda, edificou templos para imolar as vítimas do sacrifício? Porque, no estado de degradação e de miséria em que se encontrou devido ao pecado original, o coração do homem não podia mais servir de altar e vítima. Assim, incapaz de reparar o pecado, apesar da penitência feita, foi preciso pedir à natureza um templo, ou edificá-lo mediante ordem expressa, para sacrificar suas vítimas.

 

P108. Por que a vítima era imolada sobre uma pedra? Porque uma pedra fria, e sem adornos, era menos indigna que o coração do homem, para sustentar a hóstia de propiciação.

 

P109. Por que se utilizavam outros elementos materiais nos sacrifícios? Simples elementos da natureza, como o sangue de animais, deviam substituir, exteriormente no holocausto, os pensamentos e os afetos do homem culpável, e extrair o mérito da grande vítima do mundo que representavam, bem como a fé dos sacrificadores, elevada à esperança do cordeiro de Deus.

 

P110. Que nos diz São Paulo sobre o holocausto destas hóstias ineficazes pela sua própria natureza? São Paulo nos diz que tais hóstias eram utilizadas como perpétua lembrança da impotência e da nulidade dos homens, imposta até o tempo fixado para o grande restabelecimento, e abolido na plenitude dos tempos, quando apareceu Jesus Cristo oferecendo-se, a si mesmo, em sacrifício, dando ao homem o direito de unir-se a Deus, não somente com um coração puro, como no dia da inocência, como também com um coração redimido, que apresenta um Deus como vítima de adoração, de expiação e de ação de graças.

 

P111. Antes da vinda de Cristo, que era oferecido a Deus como vítima do sacrifício a Ele devido? Como consequência da degradação do homem, que não podia oferecer seu coração no altar, a não ser unindo-o a rudes e impotentes símbolos da natureza, até que viesse o cordeiro de Deus, imolado em promessa e em figura (Ap 13), desde a origem do mundo, houve as seguintes ofertas:

1 – Abel oferece o melhor cordeiro do seu rebanho e, Caim, os frutos da terra que cultiva;

2 – Noé, ao sair da arca, oferece pássaros e animais;

3 – Melquisedeque, sacerdote e rei de justiça e de paz, oferece ao Senhor pão e vinho no altar de Deus dos exércitos, para distribuí-lo aos soldados vitoriosos;

4 – Abraão e os patriarcas imolam hóstias solenes, conforme o número de famílias e das tribos.

 

P112. Por que Deus mandou que Abraão sacrificasse seu próprio filho? Para mostrar, de uma vez por todas, até onde vai o Seu direito nos sacrifícios que Ele exige das suas criaturas, e até onde chegará um dia a misericórdia divina, o Senhor manda Abraão imolar Isaac, seu único filho, se bem que se contente com a obediência do santo patriarca, e aceita a imolação de um cordeiro em seu lugar.

 

P113. A noção da necessidade de sacrifício a Deus era prerrogativa só dos judeus? Não; mesmo os povos que se esqueceram de Deus, da sua fé e do seu culto, para prostituir seus corações na idolatria, conservaram sempre, e por toda parte, a oblação dos sacrifícios, como um dogma primitivo.

 

P114. Que diz Santo Agostinho sobre o sacrifício dos pagãos? Santo Agostinho diz que, se os homens puderam se enganar sobre a unidade e natureza de Deus, não se enganaram neste ponto da religião; se suas falsas divindades exigiam, com orgulho, uma profusão de vítimas, era porque o demônio sabia que se devia oferecê-las ao verdadeiro Deus; e se as imolações dos gentios foram ridículas e bárbaras, como os sacrifícios humanos, foi porque era necessário acomodá-las às extravagâncias e às desordens da teogonia pagã.

 

P115. O sacrifício físico da vida do homem poderia aplacar a justiça divina? Não, porque, como a ofensa é proporcional ao ofendido, o homem sendo criatura, portanto contingente, jamais poderia aplacar a ofensa feita ao seu Criador, eterno e infinito.

 

P116. Então, só Deus poderia aplacar sua justiça devida ao pecado do homem? Sim; através da morte de Nosso Senhor Jesus Cristo, Homem Deus, Cordeiro de Deus, como canta a Igreja, contenta-se Deus com a imolação moral do homem, e das suas paixões, aceitando-a com misericórdia quando unida ao sacrifício do seu Deus.

 

P117. Deus exigiu explicitamente sacrifícios do povo eleito? Sim, quando o Senhor, elegendo para seu povo os filhos de Israel, os separou das nações idólatras, para conservar sua aliança e suas promessas, estabeleceu, nos mandamentos ditados a Moisés, a sucessão e a perpetuidade do sacerdócio de Aarão, a forma do seu tabernáculo, o lugar do seu templo, o número de vítimas e os ritos de cada oblação.

 

P118. Que ordenou Deus ao seu povo, durante a caminhada no deserto em direção à terra prometida, após o jugo egípcio? Deus ordenou que cada família imolasse e comesse um cordeiro, observando várias cerimônias simbólicas, e que assinalassem suas moradas com o sangue do cordeiro pascal, e renovassem esta imolação solene de ano em ano.

 

P119. Até quando durou este rito? Este rito vingou até a última páscoa, quando Jesus ceou com seus discípulos, e em que instituiu o verdadeiro Cordeiro Pascal, ou seja, seu sangue e seu corpo, cuja aplicação por nossas almas, nos livra da escravidão do pecado, e nos faz obter o céu, verdadeira terra prometida aos filhos de Deus.

 

P120. Quando começou o sacerdócio da tribo de Levi, escolhida por Deus, para oferecer os sacrifícios? Desde o sacrifício geral da nação ordenado por Deus, em que Ele estabeleceu que se multiplicasse o número de vítimas, devido à própria imperfeição das oblações, para atender, quanto possível, os fins do sacrifício, e para representar os méritos super abundantes da hóstia única que deveria, posteriormente, substituí-las.

 

P121. Quais eram os sacrifícios sangrentos da lei mosaica? Na lei mosaica havia os seguintes sacrifícios sangrentos:

1 – O sacrifício de latria, ou holocausto: nesta imolação a vítima era totalmente consumida no fogo, como reconhecimento do absoluto domínio de Deus, prestando-lhe, assim, o culto de latria ou de adoração e dependência;

2 – O sacrifício de impetração ou hóstias pacíficas: esta hóstia eucarística, ou impetratória, era oferecida para agradecer a Deus por todos os bens recebidos ou pedir-lhe graças, para a vida, a saúde, a paz, etc.

3 – O sacrifício de propiciação pelo pecado: instituído para expiar as faltas cometidas e obter o correspondente perdão. Era oferecido por particulares, pelos sacerdotes, ou por todo o povo; e, quando oferecido por toda a nação, como sacrifício único, além de se retirar o sangue das vítimas no Santo, sobre o altar dos perfumes e dos holocaustos, faziam-no no Santo dos Santos, como figura que o sangue de Cristo se apresentaria ao céu, abrindo-nos, assim, suas portas.

Cada uma destas oblações eram cheias de símbolos e de esperanças.

 

P122. Que era o Santo dos Santos? Assim era denominado o local do Templo dos judeus, onde se encontravam o altar de ouro para o incenso, e a arca da aliança, toda recoberta de ouro, na qual havia uma urna de ouro que continha o maná, o bastão de Aarão, que tinha brotado, e as tábuas da aliança. Nesse local entrava somente o sumo sacerdote, uma vez por ano, levando o sangue que ele oferecia por si mesmo e pelos pecados que o povo cometera por ignorância (Hb 9, 3-7).

 

P123. Havia sacrifícios incruentos na Antiga Lei? Sim, havia, também, os seguintes sacrifícios incruentos na Antiga Lei:

1 – A oferenda da flor de farinha, misturada ao azeite e incenso, queimada no altar dos holocaustos;

2 – O sacrifício do bode expiatório: na festa da expiação solene o povo apresentava dois bodes, embora um fosse degolado, o outro era oferecido vivo. O sacerdote impunha suas mãos na cabeça da vítima, confessava os pecados da nação, carregava-os no animal imundo e lançava-o no deserto.

3 – O sacrifício do pássaro posto em liberdade: para purificar uma casa infestada pela lepra, tomavam-se dois pássaros puros; imolava-se um num vaso cheio de água, no qual se vertia seu sangue, e, o outro, era imerso até a cabeça na água misturada com sangue, com um madeiro de cedro, hissopo e púrpura; após espargir a água, soltava-se o pássaro puro, livremente.

 

P124. Que significavam estes sacrifícios da lei mosaica? Facilmente se compreenderá que todas estes sacrifícios e cerimônias da lei mosaica eram figuras vivas do sacrifício de Jesus Cristo e dos frutos que deles resultariam aos homens para sua salvação.

 

P125. Que méritos havia naquelas oferendas imperfeitas? Embora imperfeitas, todo o mérito daquelas oferendas se baseava na obediência à ordem divina que as havia prescrito, e na fé e nas disposições interiores dos que as ofereciam, principalmente na esperança de hóstia perfeita, que tira os pecados do mundo (Jo 1, 29).

 

P126. Como Deus sustentava a fé e a esperança do sacrifício futuro do Seu Filho em tais oblações? Por meio de fortes e expressivas figuras como a do sacrifício de Isaac, de Melquisedeque, do cordeiro pascal, do bode expiatório sobre o qual se descarregavam os pecados de todos, e da ave pura, cujo sangue libertava a outra.

 

P127. Que papel tiveram os profetas na expectativa da futura oblação? Todos os profetas solenemente anunciavam, de século em século, a grande vítima que deveria chegar, e clamavam, sem cessar, contra a impotência das hóstias representativas.

 

P128. Que dizia o profeta Davi sobre os sacerdotes do Antigo Testamento? Nossos sacerdotes, dizia Davi, são conforme a ordem de Aarão; sucedem-se e substituem-se quando a morte os arrebata; porém virá outro pontífice que é o meu Senhor, a quem disse Deus: “Tu és sacerdote eterno, segundo a ordem de Melquisedeque” (Sl 109, 4).

 

P129. Que disse Davi sobre os holocaustos? “Escuta Israel e entende o que diz este celeste pontífice pela boca de um dos seus enviados: os holocaustos, ainda que ordenados por Vós, Senhor, não lhes são agradáveis, mas Vós me destes um corpo para Vos oferecer e eu disse: “eis que eu venho” (Sl, 39, 8).

 

P130. Que disse o profeta Malaquias sobre o sacrifício prometido? Disse Malaquias:

1 – “A glória do segundo templo apagará o esplendor do templo erigido por Salomão” porque eu nele aparecerei para começar meu sacrifício.

2 – Finalmente, eu “não receberei mais vítimas de vossas mãos; meu nome não só será conhecido na Judéia, mas será grande entre todos os povos da terra, porque desde o “ocaso até a aurora, e em todo lugar se sacrifica e se oferece uma oblação pura em meu nome. Parece que já vejo esta oblação, e os tempos em que ela será oferecida não estão distantes (Mal 1, 10 -11).

 

PRIMEIRA PARTE

Instruções preliminares sobre o Santo Sacrifício da Missa e as preparações prescritas para oferecê-lo

 

CAPÍTULO IV

Do sacrifício da Nova Lei, instituído e oferecido por Nosso Senhor Jesus Cristo

 

P131. Que significa a expressão “plenitude dos tempos” encontrada nas Sagradas Escrituras? “Plenitude dos tempos” significa a época em que a espera e a preparação da salvação dos homens fixada por Deus, está totalmente cumprida. Assim, depois de 4.000 anos de promessas, de figuras e de profecias, a terra ouviu este feliz anuncio de São João Batista: “Eis o cordeiro de Deus, que tira os pecados do mundo” (Jo 1, 29).

 

P132. Quando se iniciou o sacrifício da nova lei? Podemos dizer que o sacrifício da nova lei começou no mesmo instante da Encarnação do Verbo em Maria, ou seja, na Anunciação feita pelo anjo Gabriel, quando ela lhe respondeu: “Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra” (Lc 1, 38).

 

P133. Que nos ensina São Paulo sobre início do sacrifício de Cristo? Segundo São Paulo (Hb 10, 5-6) Jesus Cristo ao vir ao mundo aplicou a si as palavras do Salmo 39 e disse a Deus seu Pai: “Não quisestes hóstias nem oblações. Em vez disso, me destes um corpo. Os holocaustos não vos agradam, mas unistes à minha natureza divina um corpo no qual posso padecer e imolar-me à vossa santa vontade, que pede semelhante vítima; e eu disse: Eis que venho cumprir esta grande vontade, que não só esta escrita no livro da vossa aliança, com também desde este momento está gravado no meio do meu coração”.

 

P134. O nascimento de Cristo foi um prelúdio do seu grande sacrifício? Sim. No nascimento do Homem Deus, hóstia já oferecida para a nossa salvação, ao nada a que se reduz, a privação por que passa, as lágrimas que derrama, são prelúdios do seu sacrifício final.

 

P135. Que figuram o estábulo de Belém e o presépio? O estábulo de Belém figura um templo, e o presépio, um altar; e as lágrimas deste Deus Menino já teriam sido oblação suficiente para salvar o universo, se o que bastava para o nosso resgate teria bastado à caridade e à misericórdia do nosso Deus.

 

P136. Quando o Menino Jesus recebe o nome de Salvador, referência direta ao seu sacrifício? Oito dias depois do venturoso nascimento, o Menino Jesus recebe o nome de Salvador: começa a exercer suas funções aos olhos dos homens, e, derramando as primeiras gotas do seu sangue, se obriga, por estas sagradas primícias, a derramá-las abundantemente no altar da Cruz.

 

P137. Que relação há entre a “Apresentação de Jesus no Templo” e o sacrifício do Calvário? O Menino Jesus é conduzido ao Templo nos braços de Maria, em obediência à Lei; lá é colocado no altar do Deus verdadeiro e renova a solene promessa de morrer para a salvação do mundo. Eis aqui a oferenda do sacrifício cuja imolação irá se realizar no Calvário, e sua participação no Cenáculo e na Missa.

 

P138. A vida inteira de Nosso Senhor Jesus Cristo é considerada como oblação? Sim. Toda a vida do Salvador, tanto no período obscuro de Nazaré, como no esplendor do seu ministério, foi uma sequência desta oblação: os desejos do seu coração ansiavam, sem cessar, a consagração da vítima, até que se cumprisse o batismo de dor e de sangue em que devia ser imerso, para consumar o holocausto e abrasar as almas que se uniram ao seu sacrifício.

 

P139. Como manifestou Nosso Senhor seu desejo pela consumação do seu sacrifício? Quando chegou a hora tão ansiada por Ele para passar deste mundo à mansão de seu Pai celestial, Jesus declara aos seus apóstolos: “Tenho desejado ardentemente comer convosco esta Páscoa, antes da paixão” (Lc 22, 15), porque aquela Páscoa devia ser a última de Israel segundo a carne, bem como o verdadeiro cordeiro pascal seria substituído para os verdadeiros filhos de Abraão.

 

P140. Por que a última Páscoa, ou última Ceia de Nosso Senhor é marco entre a Antiga e a Nova Lei? Porque na última Ceia, estando à mesa com seus discípulos, Nosso Senhor observa totalmente o preceito legal imposto por Moisés, quanto aos alimentos a serem consumidos naquela celebração, e, após cumprir plenamente ao estabelecido pela Antiga Aliança, institui o excelso sacrifício da Nova Aliança, ou da Nova Lei.

 

P141. Que fez Nosso Senhor, porém, na última Páscoa, pouco antes da instituição do Novo Sacrifício? Nosso Senhor, cingindo-se com uma toalha derramou água numa bacia, e lavou os pés dos seus discípulos, enxugando-os com a toalha com que estava cingido. Esta cerimônia ficou para sempre conhecida como “Lava-pés”.

 

P142. Que significado tem a cerimônia do Lava-pés, antes da instituição do Novo Sacrifício? O Lava-pés é a preparação próxima e pública do sacrifício que estava preste a ser instituído, e as palavras empregadas por Nosso Senhor, cheias de afeto e força, são a instrução que o precede.

 

P143. Que fez Jesus após o Lava-pés? Após o Lava-pés, Nosso Senhor tomou em suas santas e veneráveis mãos o pão e o vinho: eis aqui a oferenda.

 

P144. Como Nosso Senhor instituiu o sacrifício da Nova Lei? Segurando o pão e o vinho abençoou-os, deu graças ao seu Pai Celeste e, com suas bênçãos eucarísticas, ouvem-se estas palavras pronunciadas pelos lábios de quem criou o céu e a terra: ISTO É O MEU CORPO, meu corpo dado, entregue e morto por vós; ISTO É O MEU SANGUE, o sangue da Nova Aliança, derramado para a remissão dos pecados. TOMAI E COMEI; TOMAI E BEBEI. Eis as palavras da consagração!

 

P145. Que fez Nosso Senhor em seguida? Nosso Senhor partiu o pão da vida eterna e o distribui; apresentou o cálice da salvação e o deu de beber aos seus discípulos. Eis a COMUNHÃO no SACRIFÍCIO.

 

P146. Que disse Nosso Senhor após aquelas sagradas palavras? Nosso Senhor disse: FAZEI ISTO EM MEMÓRIA DE MIM (Lc 22, 19).

 

P147. Que afirmou Cristo com tais palavras? Ao pronunciar Fazei isto em memória de mim, Nosso Senhor transmitiu seu próprio poder aos apóstolos e sucessores, instituindo e estabelecendo a ordem do novo sacerdócio.

 

P148. Em suma, que cerimônias Cristo estabeleceu na última Ceia? Na Última Ceia, Nosso Senhor estabeleceu a s cerimônias da Nova Aliança, ou Nova Lei, também denominada Santa Missa, ou seja:

1 – Com o Lava-pés, a preparação para a consagração;

2 – Com a benção do pão e do vinho, a própria consagração da oferenda;

3 – Com a distribuição do pão da vida e do sangue da salvação, a comunhão.

 

P149. Que Sacramentos Cristo instituiu na última Ceia? Na última Ceia Nosso Senhor instituiu dois sacramentos:

1 – a Eucaristia; e

2 – a Ordem.

 

P150. Por que a Eucaristia precedeu a imolação de Cristo na Cruz? A Eucaristia, sob as espécies de pão e de vinho, precedeu a imolação de Cristo na Cruz para sustentar a fé dos discípulos.

 

P151. Qual a relação entre o sacrifício da Missa e o do Calvário? Assim como a Eucaristia precedeu a imolação de Cristo na Cruz, assim o sacrifício da Missa devia seguir e perpetuar a imolação do Calvário, como sinal de que o sacrifício de Cristo foi, e sempre será, o único sacrifício propiciatório, instituído no Cenáculo, consumado no Calvário e perpetuado nos nossos altares.

 

P152. Que nos revela a oblação da Cruz? Na oblação da Cruz, tudo nos é sensível e patente: a escolha da vítima, sua oferta a Deus pelas mãos do sacerdote eterno e sua imolação sangrenta.

 

P153. Que encontramos, ainda, na oblação da Cruz? Esta oblação encerra, ainda, o holocausto de adoração, a hóstia dos pacíficos e a expiação dos pecados.

 

P154. Podemos também ver a realização das figuras dos antigos holocaustos? Sim, neste holocausto vemos a verdade das figuras antigas, como a do pássaro ou ave pura sacrificada para libertar a outra ave com seu sangue; a do bode expiatório lançado fora de Jerusalém, com as prevaricações de todo o povo; o sangue da hóstia levada ao céu, verdadeiro Santo dos Santos, não feito pelas mãos dos homens; e, no lugar das vítimas prescritas pela lei, que somente figuravam a salvação sem nunca poder nos dar, temos na Cruz a única oblação de um Deus que, numa única hóstia, estabelece para sempre a santificação dos homens (Hb 10, 14), pelo precioso manancial que dela emana até a consumação dos séculos.

 

P155. Que conclui São Paulo sobre este sacrifício da Cruz? São Paulo conclui não ser mais necessário que Jesus Cristo reitere seu sacrifício sangrento para a remissão dos pecados, como se reiteravam os sacrifícios da lei mosaica, bastando somente que os atos repetidos desta oblação, perpetuada na Missa, apliquem seu valor e seus méritos a cada fiel em particular.

 

P156. Que nos ensina, sobre isto, o Concílio de Trento? Baseado na doutrina de São Paulo, o Concílio de Trento claramente nos ensina: “Ainda que bastasse Nosso Senhor se oferecer uma só vez ao seu Pai, unindo-se no altar da Cruz para realizar a redenção eterna, Ele quis deixar à sua Igreja um sacrifício visível, tal como requer a natureza dos homens, pelo qual se aplicasse, de geração em geração, para a remissão dos pecados, a virtude deste sangrento sacrifício, que devia cumprir-se somente uma vez na Cruz; na última ceia, na mesma noite em que foi entregue, declarando-se sacerdote eterno, conforme a ordem de Melquisedeque, Ele ofereceu, a Deus Pai, seu corpo e seu sangue, sob as espécies de pão e de vinho, os deu aos seus apóstolos, a quem os tornou, então, sacerdotes do Novo Testamento, com estas palavras: Fazei isto em memória de mim, investindo-os, assim, e aos seus sucessores, no sacerdócio, para que oferecessem a mesma hóstia” (Sessão XXII, I).

 

P157. Portanto, porque se instituiu o sacrifício da Missa? O sacrifício da Missa foi instituído, portanto, para nos aplicar o preço do sangue derramado na Cruz, para tornar a oblação única de Jesus Cristo, eficaz e proveitosa para cada um de nós, e para nos comunicar, pela sua própria virtude, o mérito geral e superabundante da fé e da penitência que conduzem aos sacramentos, nos quais aperfeiçoamos a justificação que a graça do altar começou.

 

CAPÍTULO V

Da celebração da Missa: da sua instituição aos nossos dias

 

P158. Quando foi celebrada a primeira Missa? Ainda que o Filho de Deus seja sacerdote eterno, por decisão que se impôs como vítima dos homens, tornando-se para sempre pontífice da Nova e Eterna Aliança; ainda que, de fato, tenha começado o sacrifício com o primeiro batimento do seu coração, no instante da Encarnação, para cumprir-se na Ceia e no Calvário e receber sua perfeição nos mistérios da ressurreição e ascensão e na efusão do Espírito Santo, pode-se e deve-se crer que a primeira Missa foi celebrada no Cenáculo, à véspera da morte do Salvador.

 

P159. Que nos diz a Igreja sobre isto, no prefácio da Missa de Quinta-feira Santa? A Igreja nos diz: “Jesus Cristo, verdadeiro e eterno pontífice, único sacerdote puro e sem mancha, ao estabelecer na última ceia, com seus discípulos, seu sacrifício verdadeiro e permanente, se ofereceu primeiro como vítima, ensinando aos seus apóstolos o modo de oferecê-lo”. Eis a idéia que se pode formar desta primeira Missa.

 

P160. Que paralelo podemos estabelecer entre o Cenáculo e a Santa Missa? Podemos estabelecer o seguinte paralelo:

Cenáculo / Santa Missa

1 – Jesus dirige-se ao Cenáculo: acompanhado dos seus discípulos, chega ao Cenáculo, onde estava preparada a mesa do sacrifício e da comunhão; 1 – O sacerdote dirige-se ao altar: precedido dos seus ministros, onde tudo está disposto para o sacrifício da Santa Missa;

2 – Jesus deixa a mesa depois da ceia prescrita pela lei, humilha -se, ao lavar os pés dos apóstolos, e os manda que se os lavem mutuamente, voltando, depois, a ocupar o seu lugar à mesa; 2 – O sacerdote desce ao pé do altar: mesmo purificado de faltas graves, para lavar-se e purificar-se das faltas mais leves, o sacerdote faz a confissão mútua com os assistentes, subindo, depois, ao altar;

3 – Jesus senta-se à mesa eucarística: instrui seus apóstolos, e lhes dá o resumo da sua doutrina, dizendo: “Eu vos dei o exemplo para que façais como eu fiz” (Jo, 13…) 3 – O sacerdote faz no altar a instrução pública e preparatória, com o objetivo de explanar estes dizeres profundos de São Justino (Apol. 2 …): “Só pode participar da eucaristia aquele que crê que nossa doutrina é verdadeira, que recebeu a remissão dos pecados e que vive como Jesus ensina”.

4 – Jesus toma o pão e o vinho num cálice, e os abençoa; 4 – O sacerdote toma o pão e o vinho num cálice: eis a oblação, as orações e bênçãos que a acompanham;

5 – Jesus deu graças, elevando os olhos aos céus: embora os evangelistas não registrem as palavras de que Jesus se serviu nesta ação de graças, sabemos, pela tradição, que Ele enumerou os benefícios da criação, da providência e da redenção, que iriam se concentrar nesta vítima adorável; depois, o Senhor partiu o pão e o deu aos seus discípulos, dizendo: “isto é o meu corpo”; em seguido os deu também o cálice, dizendo: “isto é o meu sangue”.
Eis a fórmula da consagração: “Tomai e comei, tomai e bebei”; esta é a Comunhão do Cenáculo. 5 – O sacerdote emprega as mesmas palavras e gestos no Cânon da Missa, repetindo a fórmula da Consagração: “Tomai e comei, tomai e bebei”. Esta é a comunhão na Missa.

6 – Jesus pronuncia um hino de reconhecimento. 6 – O sacerdote termina o sacrifício com a ação de graças.

 

P161. Que fizeram Jesus e os apóstolos após a Ceia? Os apóstolos saíram do Cenáculo com seu Mestre, e se dirigiram ao Horto das Oliveiras, para serem testemunhas da renovação e da consumação do grande sacrifício da Cruz, da mesma forma que o sacerdote se dirige ao santuário, subindo ao altar.

 

P162. Que paralelo podemos estabelecer entre a paixão, morte e ressurreição de Cristo e a Santa Missa? Podemos estabelecer o seguinte paralelo:

Cenas da Paixão, morte e ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo / Cenas da Missa

1 – Jesus ora no Horto, com o rosto prostrado na terra; 1 – O sacerdote, ao pé do altar, recita o Confiteor, em humilde postura;

2 – Jesus, amarrado, sobe a Jerusalém; 2 – O sacerdote, cingido com todos os paramentos, sobe ao altar;

3 – Jesus foi, de tribunal em tribunal, instruindo o povo, seus acusadores e seus juízes; 3 – O sacerdote vai de um ao outro lado do altar, para multiplicar e difundir a instrução preparatória;

4 – Jesus Cristo, assim que sentenciado e despojado de suas roupas, oferece seu corpo à flagelação, prelúdio da sua execução e morte; 4 – O sacerdote descobre as oblações, retirando o véu que cobre o cálice e a hóstia, ainda não consagrados, e faz a oferenda do pão e do vinho, que vão ser consagrados, e cuja substância vai ser consumida;

5 – Jesus é pregado na cruz; 5 – Da mesma forma como Ele se fixa no altar com as palavras da Consagração;

6 – Jesus é suspenso na Cruz, entre o céu e a terra; 6 – Como no momento da Elevação, na Missa;

7 – Jesus expira na cruz; 7 – O sacerdote parte a Hóstia, indicando, sensivelmente, esta morte;

8 – Jesus é colocado no sepulcro; 8 – Na Comunhão, Jesus é colocado no coração do sacrificador e dos cristãos;

9 – Jesus ressuscita glorioso; 9 – A ressurreição é significada pelo lançamento de um fragmento da hóstia consagrada (o corpo de Cristo) no cálice que contém o sangue de Cristo, na hora em que o sacerdote diz a oração “Pax Domini sit semper vobiscum”, fazendo cinco cruzes sobre o cálice e fora dele. O sacerdote pede o efeito desta vida nova através das orações após a Comunhão;

10 – Jesus sobe aos céus, abençoando sua Igreja; 10 – O sacerdote se despede dos fiéis e os abençoa;

11 – Jesus envia seu espírito ao coração dos discípulos; 11 – No final da missa, é lido o início do Evangelho de São João, que nos exorta a tornar-nos filhos de Deus (Jo 1, …), dirigidos e movidos pelo seu espírito, conforme estas palavras do apóstolo São Paulo: “aqueles que são conduzidos pelo Espírito de Deus, são filhos de Deus” (Rm 8, 14).

 

P163. Podemos considerar a Ceia e a Paixão de Cristo como as duas primeiras Missas? Sim. Podemos considerá-las como as duas primeiras Missas, celebradas pelo Salvador, cuja oblação Ele renovou com seus discípulos durante os 40 dias que precederam sua ascensão aos céus, como deduzimos da história dos discípulos de Emaús e das divinas aparições em que o Senhor era reconhecido pela fração do pão (Lc 24, 30).

 

P164. Que relação há entre a Missa atual e as palavras de Cristo após a última Ceia? Nosso Senhor instituiu, após a última Ceia, a parte essencial das orações e cerimônias da Missa atual.

 

P165. Quem estabeleceu as orações e as cerimônias das outras partes? As orações e cerimônias das outras partes foram estabelecidas pelos apóstolos, pela Tradição, e pela Igreja, que acrescentaram o conveniente à dignidade do sacrifício, em nada alterando o substancial da Instituição Divina.

 

P166. Como podemos ter certeza disto? Porque notamos, tanto nas orações como nas cerimônias introduzidas, transcrições de circunstâncias ocorridas no Cenáculo e no Calvário, observando-se cuidadosamente o que as felizes testemunhas destas cenas viram e conservaram, através da tradição.

P167. A Igreja utilizou a tradição somente para o sacrifício da Missa? Não. Também em relação às cerimônias e orações dos sacramentos, a Igreja faz como fizeram os apóstolos, acrescentando orações costumeiras. No batismo, por exemplo, Nosso Senhor simplesmente mandou que se batizasse com água, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo; as orações acessórias, que expressam seus efeitos e as obrigações que dele derivam, nos vêm da tradição e da piedade de todos os séculos.

 

P168. Quando os apóstolos começaram a celebrar os santos mistérios? Os apóstolos começaram a celebrar os santos mistérios depois da ascensão de Nosso Senhor, como constatamos em muitas passagens dos Atos, escritos por S. Lucas, como, por exemplo:

1 – Os cristãos perseveravam na doutrina dos apóstolos, na comunhão da fração do pão e na oração (At 2, 42) enquanto faziam o serviço público do Senhor (At 13, 2);

2 – No primeiro dia depois do sábado (que corresponde ao Domingo), nome já dado por São João (Ap 1, 10), estando reunidos, diz São Paulo, para partir o pão (At 20, 7)…

 

P169. Destas afirmações, que idéia podemos formar da Missa e da liturgia dos tempos apostólicos? Podemos deduzir:

1 – No primeiro dia da semana, em especial, e o mais frequente possível, os fiéis se reuniam, sob a direção dos apóstolos, ou de pastores que eles haviam eleitos, na casa de algum cristão, ou em lugares bem ocultos, devido à perseguição dos judeus e dos gentios;

2 – Iniciava-se a oblação com a leitura dos profetas, das epístolas dos apóstolos, das cartas que dirigiam às igrejas, ou mesmo das cartas que estas mutuamente trocavam;

3 – É muito provável que, quando se escreveu o Evangelho, este passou a ser lido nas reuniões cristãs, principalmente para prevenir os fiéis contra a grande quantidade de Evangelhos apócrifos, que muitos se apressavam em escrever, para confundir a doutrina que Cristo nos deixara com seus apóstolos.

Estas leituras eram explicadas, conforme se lê em São João, que, sendo conduzido a Éfeso em avançada idade, e não podendo mais discursar, limitou-se a esta curta exortação, digna do discípulo mais amado: “Meus filhos, amai-vos uns aos outros”.

4 – Em seguida benzia-se o pão e o vinho; esta oferenda era seguida de orações e de súplicas, por todos os homens, pelas necessidades públicas e particulares, e de ações de graças.

5 – No momento mais solene destas ações de graças, se consagravam o pão e o vinho, com as mesmas palavras usadas por Nosso Senhor.

6 – Seguia-se a oração dominical e o ósculo da paz, que todos trocavam mutuamente, partindo-se os dons sagrados para comunhão, depois da qual, sob juramento, se obrigavam a evitar todo o crime, a fugir de todo o pecado, e a morrer com Jesus Cristo e pela fé de Jesus Cristo. Finalmente, os fiéis eram despedidos com a saudação da paz de Deus e da graça de Nosso Senhor.

 

P170. Que outras testemunhas temos da oblação da Eucaristia nos primeiros séculos? Temos diversas, tais como:

1 – Santo Inácio, terceiro bispo de Antioquia, sucessor de São Pedro e de Evódio, nesta cátedra, contemporâneo dos apóstolos, e que declarou ter visto Nosso Senhor ressuscitado, nos apresenta alguns detalhes sobre a oblação da Eucaristia, na sua primeira carta aos cristãos de Esmirna.

2 – Nos meados do segundo século, e pouco depois da morte do último apóstolo, S. Justino, célebre filósofo pagão que se convertera aos trinta anos de idade, tornando-se sacerdote e mártir, contemporâneo de Simeão (que havia ouvido Nosso Senhor), de Santo Inácio, de Clemente, companheiro de São Paulo na pregação, de Potino e de Irineu, discípulos de Policarpo, dirigiu uma apologia a Antônio, o Piedoso, para justificar as reuniões cristãs. É um antigo e precioso monumento da tradição dos primeiros séculos.

 

P171. Que nos diz, este precioso documento de São Justino? São Justino, na sua famosa Apologia 2, escreve:

“No chamado dia do Sol (primeiro dia da semana, que corresponde ao nosso Domingo; o segundo dia era o dia da Lua, dies lunae, etc) todos os fiéis das vilas e do campo se reúnem num mesmo lugar: em todas as oblações que fazemos, bendizemos e louvamos o Criador de todas as coisas, por Jesus Cristo, seu Filho, e pelo Espírito Santo”.

“Lêem-se os escritos dos profetas e os comentários dos apóstolos. Concluídas as leituras, o sacerdote faz um discurso em que instrui e exorta o povo a imitar tão belos exemplos”.

“Em seguida, nos erguemos, recitamos várias orações, e oferecemos pão, vinho e água”.

“O sacerdote pronuncia claramente várias orações e ações de graças, que são acompanhadas pelo povo, com a aclamação Amém!”.

“Distribui-se os dons oferecidos, comunga-se desta oferenda, sobre a qual pronunciara-se a ação de graças, e os diáconos levam esta comunhão aos ausentes”.

“Os que possuem bens e riquezas, dão uma esmola, conforme sua vontade, que é coletada e levada ao sacerdote que, com ela, socorre órfãos, viúvas, prisioneiros e forasteiros, pois ele é o encarregado de aliviar todas as necessidades”.

“Celebramos nossas reuniões no dia do Sol, porque ele é o primeiro dia da criação em que Deus separou a luz das trevas, e em que Jesus Cristo ressuscitou dos mortos”.

 

P172. Que notamos neste documento que conta 18 séculos de existência? Nesta descrição do Santo Sacrifício da Missa, feita por São Justino em meados do século II, notamos claramente os principais traços do serviço divino, tal como se conserva nos nossos dias, e como é praticado em todas as igrejas.

 

P173. Por que a liturgia da Missa resplandece hoje com tanto brilho? Porque, se acrescentarmos àquela descrição de São Justino, em si já tão luminosa contendo o corpo principal da Missa, os brilhantes escritos de Santo Irineu, dos Clementes, dos Tertulianos, dos Cirilos, dos Ciprianos e Agostinhos, só com acréscimos acidentais, teremos a resplandecente liturgia da Santa Missa de hoje, sempre enriquecida, mas nunca alterada, através dos séculos, renovando sempre, e em todas as partes do mundo, na mesma forma e na mesma língua, o mesmo sacrifício propiciatório do Calvário.

 

P174. Por que até a fase da paz, concedida por Constantino à Igreja, havia poucas orações e cerimônias no sacrifício da Missa? Porque assim exigia o perigo vivido pelos cristãos naqueles tempos. Porém, tanto as orações como as cerimônias estabelecidas, deviam ser observadas religiosamente e com muito mais cuidado, visto serem tradições orais referentes a uma prática rigorosa e solene.

 

P175. Quando foram introduzidas outras orações e a majestade do culto? Quando foi possível erigir grandes basílicas e oficiar publicamente, com grande afluência do povo.

 

P176. Quando surgiram as primeiras redações litúrgicas? No final do século IV, e início do século V, redigiu-se o corpo das tradições litúrgicas existentes.

 

P177. Quais foram as primeiras redações litúrgicas referidas ao santo sacrifício da Missa? As primeiras redações litúrgicas relativas ao santo sacrifício da Missa foram:

1 – Liturgia de Jerusalém: também denominada de São Tiago, visto esta igreja ter recebido e conservado a liturgia daquele seu primeiro bispo.

2 – Liturgia de Alexandria: conhecida também como de São Marcos, cuja tradição fora deixada por este santo bispo àquela cidade.

3 – Constituições apostólicas: atribuídas ao Papa São Clemente I, se bem que os autores destas diferentes obras compostas no século V, foram testemunhas e redatores dos veneráveis usos das igrejas mais antigas.

4 – Liturgia de São Basílio, no Oriente, conhecida sob o nome de São João Crisóstomo, e ainda hoje utilizada pelos orientais.

 

P178. Quem ordenou a liturgia no Ocidente? A liturgia no Ocidente foi ordenada por Santo Ambrósio e por outros escritores.

 

P179. A liturgia de Santo Ambrósio foi totalmente seguida? Essencialmente, sim. Porém, entre os latinos, houve muita variedade tanto nas orações acessórias como nas cerimônias não essenciais.

 

P180. Quem unificou as orações acessórias e as cerimônias não essenciais? Foi São Gregório, no século VI, através do famoso Sacramental que leva seu nome.

 

P181. Que estabeleceu o Sacramental de São Gregório? O Sacramental de São Gregório estabeleceu: intróitos, o Kyrie eleison, o Gloria in excelsis, as coletas, o tema da epístola e do Evangelho, as orações para as oblações, o prefácio comum e o cânon até o Agnus Dei, exatamente como o recitamos hoje.

 

P182. O Sacramental de São Gregório permitia ainda alguma variedade nas orações acessórias? Sim. Como cada província tinha santos bispos que acrescentavam algo ao acessório do sacrifício, por muito tempo se respeitou esta variedade, pela antiguidade das orações e pela santidade dos seus autores.

 

P183. Que resultou desta variedade acessória ao sacrifício? Como consequência daquela variedade, surgiram os diferentes missais e sacramentais da Igreja romana e das Igrejas particulares do Ocidente. Porém, o essencial do sacrifício para a oblação, a consagração e comunhão, era rigoroso e invariável em todo o mundo cristão, e a regra secundária da liturgia manteve sua variedade até o século XIII.

 

P184. Que houve nesse século? No século XIII foi fixado o Ordinário da Missa, tal qual permanece em nossos dias.

 

P185. O Ordinário da Missa manteve algumas variantes secundárias? Sim. O Ordinário da Missa do século XIII manteve algumas variantes secundárias adotadas pelas diferentes dioceses, como, por exemplo, a antífona e o salmo do intróito, no rito romano, não é o mesmo empregado nas outras Igrejas. Porém, esta diferença, tolerada pela autoridade eclesiástica, não prejudicou em nada a unidade essencial da liturgia.

 

P186. Houve, naquele período, alguma assimilação de orações e cerimônias secundárias entre os diversos ritos? Sim; em especial no que de edificante tinham. Roma, por exemplo, depois de haver extinguido o rito galicano e o rito gótico, da Espanha, não duvidou em deles tomar algumas orações e cerimônias secundárias e inseri-las no Ordinário da Missa.

 

P187. Naquele tempo, todo o povo dispunha do Ordinário da Missa? Do século XIII ao século XV, o Ordinário da Missa permaneceu em poder do clero. A invenção da imprensa, porém, permitiu maior difusão entre os fiéis.

 

P188. Além da invenção da imprensa, que outro acontecimento colaborou para maior difusão do Ordinário da Missa entre os fiéis? Foi a Reforma Protestante. A Igreja deu aos seus ritos a mais augusta publicidade, para auxiliar aos leigos a examinar as orações da Missa, visando combater as heresias de Lutero e de Calvino, que negavam, em especial, o caráter propiciatório do divino sacrifício. Ou seja, Lutero e Calvino afirmavam que a Missa era somente a representação da última Ceia, uma cerimônia só de agradecimento e louvor ao Senhor, negando seu caráter fundamental de renovação incruenta do sacrifício do Calvário, estabelecido por Nosso Senhor Jesus Cristo e sempre ensinado e defendido pela sua Igreja.

 

P189. Houve determinação oficial da Igreja para maior divulgação dos textos da Missa? Sim. Os Concílios de Magúncia e de Colônia, em 1547, determinaram que as orações do Ordinário da Missa fossem explicadas ao povo, mostrando sua unidade em relação às suas finalidades, ou seja, de adorar a Deus, de agradecer-Lhe pelos benefícios recebidos (impetração), e pedir-Lhe o perdão pelos pecados cometidos (propiciação).

 

P190. Que outra determinação oficial houve para isso? O Concílio de Trento (1570) determinou aos párocos que, nos domingos e dias santos, explicassem aos fiéis as orações da Santa Missa e as fórmulas sacramentais, para instruí-los, não só na verdade dos seus mistérios, mas também no significado das suas orações e cerimônias.

 

P200. O sacrifício da Missa recitado em nossos dias é o mesmo sacrifício estabelecido por Jesus Cristo? Sim é o mesmo sacrifício de Jesus Cristo que recebemos dos apóstolos, dos santos doutores e dos nossos pais na Fé, os Padres Apostólicos.

 

P201. Não houve alterações essenciais entre o estabelecido por Cristo e o que é recitado hoje na Santa Missa? Não. Essencialmente, Cristo tomou o pão e o vinho, nós tomamos a mesma matéria de oblação; Cristo a abençoou, o sacerdote a abençoa; Cristo deu graças, nós as damos; Cristo as consagrou pelas palavras onipotentes relatadas no Evangelho, o padre repete as mesmas palavras por sua ordem, a Ele unido, in persona Christi, e em Sua memória.

 

P202. As orações acessórias da Missa, introduzidas pelos apóstolos e pela Igreja, não alteraram a ação de Cristo? Não. As orações acessórias, introduzidas no decorrer dos tempos, em nada alteraram a ação de Cristo porque, em relação a esta, tais orações somente estabeleceram:

1 – a preparação pública ao santo sacrifício, com a introdução de salmos e do Kyrie (Senhor, tende piedade);

2 – a entoação, no altar, do hino da redenção (Gloria), cantado pelos anjos no nascimento de Jesus Cristo;

3 – o preceder e a sequência das leituras, com orações e reflexões;

4 – o hino cantado pelos serafins (Sanctus), para que ressoe no momento em que a vítima vai abrir os céus;

5 – o invocar por três vezes o Agnus Dei (Cordeiro de Deus), com sua misericórdia e paz;

6 – os sinais exteriores de humildade, de esperança, de respeito e de amor.

Trata-se, portanto, do mesmo sacrifício de Jesus Cristo, acompanhado de orações e ritos para expressar a piedade diante de tão excelsa maravilha.

 

P203. Que outros fatores concretos nos certificam daquela verdade? Bastaria lembrar que a Igreja recolheu as orações e cerimônias acessórias da missa:

1 – das lembranças apostólicas e da mais remota tradição do tempo e dos usos estabelecidos por São João, testemunha da dupla imolação, a da Ceia e a da Cruz;

2 – das regras e disposições de S. Paulo, instruído neste mistério pelo mesmo Cristo, Nosso Senhor;

3 – das meditações de Santo Agostinho, da unção de Santo Ambrósio, de São Basílio e de São Gregório;

4 – da piedade e sabedoria dos seus santos pontífices e doutores, manifestadas no decorrer de 13 séculos.

A Igreja as reuniu no mais feliz e santo modelo para regrar definitivamente sua liturgia, cujas palavras são a aplicação maravilhosa da Sagrada Escritura, nos infundindo admiração e respeito profundos.

 

P204. Por que, além das orações e cerimônias acessórias, a Igreja também regulamentou os templos, os altares, os adornos, os trajes e as atitudes do sacrificador? Porque a Missa representa perfeitamente aquela rainha que está de pé, à direita do trono de Deus, com manto de ouro de Ofir, realçada pela variedade das mais ricas cores, como diz o Salmo 44. Assim, como a Igreja não deveria regrar, para o sacrifício, também seus templos, seus altares e seus adornos, bem como, as vestes e os movimentos do corpo, dos olhos e das mãos do seu sacrificador?

 

P205. Que preocupação teve a Igreja quanto à língua em que os santos mistérios deveriam ser celebrados? Embora a Igreja jamais tivesse afirmado que o serviço divino fosse celebrado em língua ininteligível ao povo, tão pouco ela julgou conveniente o emprego de língua vulgar, para não submeter a Missa às vicissitudes deste.

Assim, na celebração da santa Missa, onde estão consignados a maior parte dos nossos dogmas, a Igreja se preocupou com o uso de língua vulgar e, genericamente, nunca a recomendou, — até, no Concílio de Trento, a proibiu — para evitar o grave inconveniente do surgimento de erros doutrinários, que poderiam advir das variações de sentido, comuns na linguagem viva.

 

P206. Inicialmente, que línguas foram empregadas na celebração da santa liturgia? Nos tempos apostólicos foi utilizado o siríaco, idioma de Jerusalém de então, como o grego e o latim, muito divulgadas naquela época, as quais foram conservados como língua litúrgica, mesmo quando deixaram de ser utilizadas vulgarmente. Assim como no quirógrafo da Cruz estava escrita a sentença de morte de Cristo em latim, grego e hebraico — Jesus Nazareno Rei dos Judeus — assim, na Missa, que renova o sacrifício do Calvário, a Igreja usa palavras em latim, grego e hebraico.

 

P207. A Igreja do Oriente e do Ocidente utilizaram a mesma língua na celebração da santa liturgia? Não. A Igreja do Oriente utiliza, até hoje, tanto o grego antigo como o moderno, enquanto a Igreja do Ocidente adotou o latim, que era a língua mais usual e mais universal.

 

P208. Que outros inconvenientes traria o uso da língua vulgar na celebração dos mistérios litúrgicos? Além dos já apontados, quem não compreende que seria necessário multiplicar a publicação dos livros sagrados, não só para cada povo, mas para cada idioma de cada nação, e em todos os dialetos de cada língua; que seria necessário substituir as palavras conforme elas tomassem outro sentido ou se tornassem ridículas e inconvenientes; que a expressão da doutrina se alteraria infalivelmente em todas estas correções (lex orandi, lex credendi); que os fiéis que se deslocassem de uma província, ou de um país para outro, não entenderiam, absolutamente, nada; que poderiam ser introduzidos costumes e atitudes locais, quebrando a universalidade de expressão do sacrifício; e que, si se utilizassem línguas modernas, sem submetê-las às suas alterações e aos perigos delas provenientes, com o tempo voltaria a surgir a dificuldade que se pretendia solucionar, pois a própria língua pátria chegaria a ser ininteligível, como acontece, por exemplo, com o castelhano antigo ? Em suma, o uso do latim na Liturgia favorece a unidade da Igreja. O uso do vernáculo na Missa, além dos inconvenientes já apontados, de certo modo, faria da Liturgia da Igreja, uma torre de Babel.

 

P209. Por que a Igreja conserva o uso do latim em seus ofícios litúrgicos? A Igreja conserva em seus ofícios, e com suma prudência, sua antiga linguagem para manter e preservar, não só a unidade e a universalidade do santo sacrifício em si, mas também a doutrina nele contida e por ele ensinada, que é uma, invariável e eterna, como o próprio Deus que a instituiu. Os fiéis, que facilmente dispõem de traduções, e que recebem explicações em língua vulgar, com o constante e contínuo acompanhamento da liturgia em latim, irão se familiarizar com os textos sagrados e o entenderão perfeitamente. Ademais, o culto divino, em língua vulgar, perderia algo de sua misteriosa dignidade, por cuja única razão não seria, de forma alguma, conveniente que a Missa fosse celebrada em língua vulgar.

 

CAPÍTULO VI

Dos diferentes nomes e da divisão da Missa

 

P210. Quem institui o santo sacrifício da Missa? O santo sacrifício da Missa foi instituído por Nosso Senhor Jesus Cristo, como vimos.

 

P211. Ao instituir este santo sacrifício, deu-lhe, Jesus, um nome específico? Não. Ao instituir o santo sacrifício, Nosso Senhor não o designou com nenhum nome específico, pois somente disse aos apóstolos: «Fazei isto em minha memória».

 

P212. Como este santo sacrifício era denominado no início da era cristã? Segundo a tradição, o santo sacrifício era designado com diversos nomes, tais como: sinaxe, ou assembléia; colecta, ou reunião; sacrifício, oblação, súplica, e eucaristia, ou seja, ação de graças, porque nela se realiza a solene ação de graças que Jesus Cristo presta a Deus Pai, bem como nela se expressam todos os benefícios que lhe são inerentes e todas as graças dela provenientes.

Também foi conhecido por expressões, como: ofícios dos divinos sacramentos, os santos, os veneráveis, os terríveis mistérios.

[Vide: Dionísio Aeropagita – (pseudo Dionísio) – De Hier, eccl. c. 5. Anastácio, Sin. De Sinaxe. Hilário, In Psalms 65. Tertuliano, libro 1 De Anima. S. Cypriano e Eusébio, Dem. Evang., lib.1. Conc. Laod. Can 19 e 58].

 

P213. Que nomes surgiram posteriormente? No século VI, o santo sacrifício era denominado no plural, Missas e Missarum solemnia. Porém, há mais de 1500 anos, a Igreja grega o chama de liturgia, ou serviço público, e a Igreja latina de Missa.

 

P214. Que significa Missa? Missa ou Missio significa despedida. Naquela divina ação, após a leitura do Evangelho despedia-se dos catecúmenos, ou seja, dos que ainda não tinham recebido o sacramento do Batismo, e dos penitentes, que haviam perdido a graça publicamente.

 

P215. Por que no século VI denominavam-no Missas, no plural? Porque, naquela época, havia duas despedidas: a dos catecúmenos, antes da oblação, e a dos fiéis, depois da consumação do sacrifício, conforme claramente indicado por Santo Agostinho e Santo Isidoro de Sevilha (Sto. Agostinho, Sermonis 49 a 237; e Sto. Isidoro, Orig. 1.6, c. 19).

 

P216. Como eram ditas as despedidas (Missas) naquela época? Após a leitura do Evangelho, o diácono dizia em alta voz: Ide, as coisas santas são para os santos; e depois da comunhão: Ide, a hóstia acaba de ser elevada deste altar ao trono da misericórdia, acompanhada dos vossos votos, Ite Missa est.

 

P217. Quem passou a designar com a palavra Missa o sacrifício do Altar? Era difícil uma palavra que representasse melhor o sacrifício da Igreja, pois, Missa, significava o ofício em que só podiam ser admitidos aqueles que haviam sido batizados e conservavam sua graça. O próprio povo, marcado pela impressão causada pela palavra empregada pelo diácono, dita no início e no fim do ofício, passou a chamar o sacrifício do Altar de Missa (despedida), chegando até os nossos dias.

 

P218. Por que os ainda não batizados (catecúmenos) eram despedidos do santo sacrifício após a leitura do Evangelho? A Igreja assim fazia para lembrar a muitos que, casualmente, merecem ser despedidos do ato a que só lhes permite assistir a indulgência da disciplina, e neles excitar a mais profunda humildade, dor e resolução de recorrer às fontes da graça, para que Deus não os desaloje do seu santuário eterno, quando a Igreja os admite no altar da terra, bem como para merecer o nome de fiéis com que ela os honra.

 

P219. Por que damos alguns nomes complementares à Missa? Embora, em sua essência, a Missa seja uma só, isto é, a renovação do sacrifício do Calvário, algumas circunstâncias propiciaram o surgimento de nomes complementares. Assim, chamamos de Missa solene, quando celebrada com toda a majestade do cerimonial; de Missa pontifícia ou ordinária, conforme celebrada por um bispo ou por sacerdote. Missa cantada, quando recitada com coro; Missa rezada, sem coro.

 

P220. Que designa a Missa paroquial? A Missa paroquial é acompanhada da benção da água e do pão, de orações, de proclamas e de admoestações, com práticas (sermão, pregação) feitas pelo próprio pároco aos seus paroquianos.

 

P221. Que é Missa privada? É a celebrada fora ou dentro da paróquia com intenções particulares, sem a solenidade das bênçãos, sem admoestações e práticas.

 

P222. Quantas partes há na Missa? Na Missa há seis partes:

1 – a preparação pública: da entrada do sacerdote ao altar, até a coleta;

2 – o intróito e instrução: da coleta até o final do Credo;

3 – a oblação: do Credo ao prefácio;

4 – o cânon, ou a regra da consagração: do prefácio ao Pater Noster;

5 – a consumação: do Pater Noster à comunhão;

6 – a ação de graças: da pós-comunhão ao último Evangelho.»

 

CAPÍTULO VII

Da natureza e da existência do sacrifício da Missa

(Recapitulação)

 

P223. O que é Missa? Missa é, pois, o sacrifício do corpo e do sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo, imolado desde o princípio do mundo pelas promessas feitas por Deus e pela fé dos justos, aos quais se aplicavam, antecipadamente, seus frutos.

 

P224. Há figuras do santo sacrifício no livro do Gênesis? Sim. No Gênesis encontramos figuras do santo sacrifício, como, por exemplo, as ofertas de Abel, de Abraão e de Melquisedec.

 

P225. E na lei de Moisés? Encontramos, também, figuras daquele sacrifício na lei de Moisés, como no cordeiro pascal, e na variedade de tantos outros sacrifícios por ele estabelecidos, cujos diferentes objetos convergem para a única imolação de valor infinito, a Missa, anunciada pelos profetas.

 

P226. Quando se iniciou o santo sacrifício? Podemos afirmar que aquele santo sacrifício se iniciou na Encarnação do Verbo, passando pelo nascimento de Cristo e pela apresentação no templo.

 

P227. Quando Nosso Senhor Jesus Cristo instituiu o santo sacrifício? O santo sacrifício foi instituído por Nosso Senhor Jesus Cristo na véspera da sua morte, consumado no Calvário de modo cruento, e continuado nos nossos altares para ser, até o fim dos tempos, o único e verdadeiro sacrifício, que pessoalmente nos aplica o preço do sangue divino derramado na cruz, para oferecer perpetuamente Deus (Filho) a Deus (Pai) pelo ministério dos sacerdotes legítimos, a quem Cristo designou este poder.

 

P228. Como é oferecido o santo sacrifício do corpo e do sangue de Cristo? Este sacrifício é oferecido sob as espécies de pão e de vinho, que mantém suas aparências como a cor e o sabor. Estas aparências, ou acidentes, permanecem e subsistem mesmo depois que a substância de pão e de vinho se convertem, realmente, no corpo e sangue do nosso Salvador.

 

P229. Por que Nosso Senhor Jesus Cristo utilizou o pão e o vinho ao instituir este santo sacrifício? Porque, conforme diz a Escritura, o pão é o fundamento da vida (Sl 103), e o vinho é o símbolo de tudo que encanta e alegra o coração do homem. Assim Nosso Senhor, ao fazer deles a matéria do seu sacrifício, quis nos ensinar a imolar, com ele e nele, a nossa vida e tudo quanto dela nos é grato e querido.

 

P230. Poderia haver melhor símbolo para este santo sacrifício? Não. Nenhum outro símbolo seria mais próprio, para nos dar a justa idéia do Deus que se sacrifica, que é o autor dos nossos bens, o conservador do nosso ser, o Senhor da vida e da morte, e o dispensador das nossas alegrias e dos nossos pesares. Assim, nenhum outro sinal poderia inspirar melhor o elevado pensamento da imolação do homem, que deve unir-se a esta vítima, e de pertencer a Nosso Senhor na vida e na morte.

 

P231. Que mais nos ensinam o pão e o vinho? Como os alimentos nos foram concedidos por Deus, para o indispensável sustento da nossa vida, ao consagrá-los ao Senhor reconhecemos exteriormente que a Ele pertence nossa existência e que Ele é o dono absoluto dos nossos dias.

 

P232. Há na Sagrada Escritura outras referências a ocasiões em que os homens sacrificaram alimentos a Deus, como símbolo da Eucaristia? Sim. Conforme relata a Escritura, Abel oferecia ao Senhor o leite das suas ovelhas; Caim, os frutos da terra; depois do dilúvio, Noé e seus descendentes sacrificavam animais que lhes era permitido comer; Melquisedec, imagem de Nosso Senhor, oferecia o pão e o vinho, para expressar o reconhecimento dos soldados preservados dos perigos da guerra. Vimos, também, a oferta da flor de farinha, o vinho, o sal e o azeite sendo consumidos no altar judaico, as primeiras colheitas levadas com solenidade ao templo, e Jesus Cristo, em fim, escolher o pão e o vinho como matéria do seu sacrifício, e conservar estas aparências, mesmo depois de ter consumado a misteriosa mudança (a transubstanciação).

 

P233. O que é a Eucaristia? A Eucaristia é, ao mesmo tempo, sacrifício enquanto oferecida a Deus, e alimento sacramental enquanto recebida pelo homem, conforme no-lo explica Santo Tomás. Portanto, dom de união do homem com Deus, e dos homens entre si. Que mais ditosa imagem deste alimento espiritual e desta união inefável, que é a participação da vítima sob as espécies de pão e de vinho!

 

P234. A Missa é o sacrifício da nova lei? A celebração e a consagração da Eucaristia, que normalmente denominamos Missa,é o sacrifício verdadeiro, real e propriamente dito, da nova lei.

 

P235. Por que a Missa é sacrifício da nova lei? Porque nela se encontram todas as condições do sacrifício instituído pelo Nosso Salvador, para todo o sempre.

 

P236. Quais são as condições do sacrifício? No sacrifício feito a Deus há: a oblação, o holocausto, a Eucaristia, a hóstia de propiciação devido ao pecado, e a impetração.

 

P237. O que é oblação? É a oferta de algo sensível, do corpo e sangue de Cristo, sob as espécies de pão e de vinho, que são percebidas pelos nossos sentidos.

 

P238. A quem é feita a oblação? A oblação da Missa é feita somente a Deus, conforme estabelecido dogmaticamente pela Igreja.

 

P239. Quem realiza a oblação? A oblação é feita por um ministro legítimo, por Jesus Cristo, pontífice supremo, que fala por si mesmo e em seu nome, e por um sacerdote canonicamente ordenado – o padre – que fala em nome de Jesus Cristo, a quem empresta sua voz e o representa, e por toda a Igreja, da qual o sacerdote é o verdadeiro e legítimo embaixador junto a Deus, para oferecer o sacrifício em nome dos fiéis.

 

P240. A oblação pode ser feita pelos fiéis? Não. A oblação é oferecida a Deus somente pelo sacerdote, ministro legítimo, que fala na pessoa de Cristo.

 

P241. Por que se diz que a Missa é um holocausto? Porque na Missa rendemos a Deus o culto de latria, ou seja, adoração suprema e de total dependência a Deus, a quem oferecemos a adoração do próprio Deus (Cristo), de quem reconhecemos supremo domínio, a quem apresentamos a morte de Deus (Cristo), unindo o culto da nossa alma e do nosso coração à adoração de Deus sacerdote (Cristo) e à morte de Deus vítima (Cristo).

 

P242. Por que a Missa é Eucaristia? Diz-se que a Missa é Eucaristia, ou ação de graças, porque nela elevamos a Deus não só os dons que recebemos da plenitude da sua misericórdia, como também o mesmo Nosso Senhor Jesus Cristo, manancial desta plenitude de graças.

 

P243. Por que dizemos que a Missa é uma hóstia de propiciação, devido ao pecado, oferecida a Deus? Porque, através dessa hóstia de propiciação, imploramos à misericórdia divina para apaziguar sua justiça, oferecendo a imolação de Cristo (o próprio Deus) que se dignou tomar sobre si todas as nossas iniquidades e reunir nossa fraca e insuficiente dor de arrependimento à sua satisfação infinita.

 

P244. Por que a Missa é também um sacrifício de impetração? Porque na Missa pedimos e recebemos todos os bens necessários à salvação do corpo e da alma.

 

P245. Não pedimos e recebemos esses bens em outras orações? Sim, porém a diferença é que, na Missa, não somos nós quem os suplica, mas o próprio Deus (Cristo) quem pede e quem ouve; nós somente unimos nossa fraqueza às suas orações. Assim, por meio deste divino intercessor nossas orações sobem aos céus, chegam ao Nosso Pai celestial e são por Ele acolhidas favoravelmente.

 

P246. Como podemos nos certificar que nossas orações na Missa são favoravelmente acolhidas pelo nosso Pai celestial? São Paulo apóstolo no-lo garante ao nos dizer: “Como Deus não nos dará todos os bens, depois de nos ter dado seu próprio Filho para ser o oferecimento do nosso sacrifício”?

 

P247. Que conclusão principal chegamos do que foi explicado acima? Conclui-se que a Missa é o verdadeiro sacrifício estabelecido por Jesus Cristo para a nova aliança.

 

P248. Há alguma referência no Antigo Testamento sobre a Missa, como sacrifício da nova lei a ser estabelecido por Cristo? Sim, e o profeta Malaquias anuncia (I, 11):

1º – A revogação dos sacrifícios antigos: “Eu não receberei mais oblações das vossas mãos”, disse o Senhor aos judeus;

2º – A substituição do dos sacrifícios antigos, por um novo e excelente sacrifício: “Em todo o lugar se oferece em sacrifício ao meu nome, uma hóstia pura”; quer dizer, será oferecida, porque, na linguagem profética o futuro se anuncia como presente.

 

P249. Por que as palavras do profeta Malaquias, acima citadas, referem-se ao santo sacrifício da Missa? As palavras do profeta Malaquias referem-se ao santo sacrifício da Missa, pois:

1º – afirmam que Deus não mais receberá nenhum sacrifício oferecido anteriormente:

a – dos judeus, nem mesmo as vítimas legais dos seus sacrifícios, pois Deus quer substituí-las por uma nova e excelente hóstia;

b – dos pagãos, com maior razão sacrifício algum, que nunca os aceitara, pois seus altares impuros serviam aos demônios.

2º – afirmando que “em todo o lugar se oferece em sacrifício uma hóstia pura”, Deus também não se refere diretamente nem mesmo à imolação da cruz, que ocorreu só uma vez no Calvário; mas refere-se claramente ao Santo Sacrifício da Missa, que oferece a hóstia pura, e que ocorre em todo lugar;

3º – afirmam que não será um sacrifício nem mesmo espiritual, da alma e do coração, de agradecimento e de boas obras, que havia sido sempre praticado, pois o texto da profecia expressa um sacrifício exterior propriamente dito.

Seu sentido claramente nos indica um sacrifício novo, de uma vítima pura a Ele oferecida em todo o lugar, que é exatamente a oblação da Eucaristia na Missa, ou seja, o puro e próprio sacrifício de Deus (Cristo) vítima, oferecido à majestade do seu nome por todos os povos e em todos os lugares.

 

P250. A profecia de Malaquias foi realmente cumprida? Sim; e para nos certificarmos disto, basta ler os Evangelistas e São Paulo.

 

P251. Que nos dizem os Evangelistas e São Paulo? Os Evangelhos de São Mateus (26), de São Marcos (14) e de São Lucas (22) e São Paulo nos dizem que, estando com seus discípulos na noite em que Nosso Senhor foi entregue, e após terminar a ceia da antiga páscoa, que ia ser abolida com todos os sacrifícios da lei antiga, para ser substituída pela oblação pura e universal do verdadeiro cordeiro pascal: (S. Mateus, XXVI (26-28)): “Estando, eles, porém, ceando, tomou Jesus o pão e o benzeu, e partiu-o e deu-o aos seus discípulos e disse: Tomai e comei, ISTO É O MEU CORPO”. “E tomando o cálice, deu graças e deu-lho dizendo: Bebei dele todos”. “Porque este é o meu SANGUE do novo testamento, que será derramado por muitos, para remissão dos pecados” (S. Marcos, XIV (22-24)): “E quando eles estavam comendo, tomou Jesus o pão; e, depois de o benzer, partiu-o e deu-lho, e disse: Tomai, ISTO É O MEU CORPO”. “E tendo tomado o cálice, depois que deu graças, lho deu: e todos beberam dele”. “E Jesus lhes disse: ESTE É O MEU SANGUE do novo testamento, que será derramado por muitos” (S. Lucas, XXII (23-25)): “Também depois de tomar o pão deu graças e partiu-o e deu-lho, dizendo: ISTO É O MEU CORPO que se dá por vós; fazei isto em memória de mim”. “Tomou também da mesma sorte o cálice, depois de cear, dizendo: Este cálice é o novo testamento em MEU SANGUE, que será derramado por vós (1 Coríntios, XI, 23-29): “Porque eu recebi do Senhor o que também vos ensinei a vós, que o Senhor Jesus, na noite em que foi entregue, tomou o pão, e dando graças, o partiu, e disse: recebei e comei; isto é o meu corpo, que será entregue por vós; fazei isto em memória de mim. Igualmente depois de ter ceado, (tomou) o cálice, dizendo: este cálice, é o novo testamento no meu sangue, fazei isto em memória de mim todas as vezes que o beberdes. Porque todas as vezes que comerdes este pão e beberdes este cálice, anunciareis a morte do Senhor, até que ele venha. Portanto todo aquele que comer este pão ou beber este vinho indignamente, será réu do corpo e do sangue do Senhor. Examine-se, pois, a si mesmo o homem, e assim coma deste pão e beba deste cálice. Porque aquele que o come e bebe indignamente, come e bebe para si a condenação, não distinguindo o corpo do Senhor”.

 

P252. No decorrer de sua pregação fez, Nosso Senhor, alguma referência a esta instituição? Sim. Aos seus discípulos, em Cafarnaum, Jesus lhes dissera que era necessário comer sua carne e beber seu sangue, para se alcançar a vida eterna.

Para efetuar esse milagre, disse simplesmente após a Ceia: Tomai e comei, isto é o meu corpo; tomai e bebei, este é o meu sangue. Eis a consumação deste divino sacrifício no cumprimento de todos os mistérios.

Nele Cristo renova sua morte, sua ressurreição e sua vida gloriosa. Através dele Cristo alimenta sua Igreja com seu próprio corpo para torná-la um corpo santo, sempre vivo, e dar-lhe a graça da imortalidade gloriosa. Seria possível imaginar palavras mais significativas, termos mais fortes, mais enérgicos em sua sensibilidade, ou mais expressivos em seu sentido do que os que Ele empregou? – Este é o meu corpo, este é o meu sangue; fazei isto. Estas palavras de Jesus são absolutamente decisivas.

 

P253. Por que as palavras empregadas por Nosso Senhor “Tomai e comei, isto é o meu corpo; tomai e bebei, este é o meu sangue” são decisivas? As palavras empregadas por Nosso Senhor são decisivas porque foram proferidas pelo próprio Deus (Filho); portanto, ao mesmo Deus onipotente que dissera “faça-se a luz” (Gn) e a luz foi feita, reconhecemos o infinito valor daquelas sublimes palavras.

 

P254. Não encontramos referência à instituição da Eucaristia no Evangelho de São João? Apesar de não descrever a Santa Ceia, São João penetra no coração do Salvador e nos expõe os sentimentos que dirigiam a ação de Nosso Senhor naquela ocasião, dizendo: “tendo Jesus amado os seus, os amou até o fim” (Jo 13) e, podemos acrescentar, até em excesso.

 

P255. Por que São João fez aquela afirmação? Para nos revelar que Jesus, Deus onipotente, na Ceia, nos deu a maior prova do seu amor, nos deixando seu próprio corpo e seu próprio sangue, como alimento espiritual.

 

P256. Como essa dádiva de Jesus chega a nós? Através do poder de oferecer o sacrifício instituído no Cenáculo, pois, Nosso Salvador deu claramente aos apóstolos, e sucessores, este poder, por meio destas palavras: “Fazei isto em minha memória”.

 

P257. Que significa essa ordem dada aos apóstolos e sucessores por Nosso Senhor? Através dessa expressão Nosso Senhor ordena aos apóstolos e sucessores que não devem fazê-lo somente como lembrança e simples representação do que Ele fizera, mas sim, “Fazei isto”, que Ele mesmo fizera e como realmente fizera.

 

P258. Além do significado vital acima exposto, que mais podemos deduzir daquela ordem? Pelas palavras empregadas por Nosso Senhor deduz-se que Ele ordena aos apóstolos que não façam outro sacrifício, distinto ou separado da oblação que Ele fizera, mas sim o mesmo que Ele ofereceu: “Tomai e comei, pois isto é o meu corpo; tomai e bebei, pois este é o cálice do meu sangue”.

 

P259. Que significa “em minha memória”? A expressão final da ordem de Nosso Senhor quer dizer:

a – Fazei em minha memória, porque sou vosso Deus e Senhor;

b – Em memória da autoridade e poder que dei à minha Igreja;

c – Em memória dos meus padecimentos e de minha morte, que renovareis todas as vezes que fizerdes isto;

d – Em memória da nova aliança que fiz com os homens, derramando aqui meu sangue e, portanto, oferecendo-o em sacrifício;

e – Em minha memória, ofereceis esta oblação, ou efusão do meu sangue misterioso, sobre esta mesa, que na Cruz confirma o Novo Testamento, assegurando aos homens minha nova e irrevogável vontade de obter-lhes as graças da salvação e da herança do céu, com a condição de serem fiéis aos meus preceitos e ao meu amor, e de fazer uso dos sacramentos que estabeleci, pela remissão dos pecados.

 

P260. Que resumo podemos fazer, com as palavras empregadas por Nosso Senhor, acompanhadas do seu significado, quando da instituição da Eucaristia? O relato do Evangelho, unido ao seu significado, Nosso Senhor diz: fazei, portanto, o que eu fiz, em minha memória, em memória de minha morte e da minha aliança; eu tomei o pão e o vinho; tomai esta matéria e estes símbolos de oblação; eu os abençoei; abençoai-os; eu dei graças; fazei o mesmo; eu parti o pão; parti-o; eu disse: isto é meu corpo, e eu vos dei e vós o recebestes; tomai e dai aos outros: hoc facite.

 

P261. A ordem dada por Nosso Senhor era por um tempo determinado? Não, pelo contrário, Nosso Senhor ordenou que se fizesse o que ele mesmo fizera por todo o tempo que o homem deve passar na terra, pois mandou que se renovasse a oferenda da sua paixão e morte, do seu corpo imolado e do seu sangue vertido, até sua próxima vinda, quando virá para julgar os vivos e os mortos. Portanto, por estas palavras, seu poder passa para os sucessores dos apóstolos, herdeiros do mesmo sacerdócio, e, diz Jesus, “eu estarei convosco”, não só ensinando, batizando, governando a Igreja, mas também oferecendo e consagrando conosco, “todos os dias, até a consumação dos séculos” (Mt 28).

 

P262. Em que cerimônia da Igreja se cumpre a ordem deixada por Nosso Senhor? A cerimônia em que se cumpre a ordem de Nosso Senhor é a Missa, que tem o poder, real e perpétuo, de oferecer e consagrar, o mesmo que Cristo ofereceu e consagrou no Cenáculo, e no Calvário.

 

P263. Como podemos definir a Missa, após as explicações e significados do que ocorreu no Cenáculo? Podemos dizer que a Missa é “o altar em que temos o poder de comer” (Hb 13); “o trono em que está o Cordeiro de pé e, ao mesmo tempo, imolado” (Ap 5), e que, nos nossos altares, continua o verdadeiro sacrifício instituído por Nosso Senhor Jesus Cristo.

 

CAPÍTULO VIII

Do valor e dos frutos do Sacrifício da Missa

 

P264. A Missa é somente a comemoração e a representação da cena do Calvário? Não. A Missa é a renovação e a continuação do sacrifício da cruz repetido em nossos altares, de forma incruenta, além de também comemorar e representar a cena do Calvário.

 

P265. O valor da Missa é infinito? Por quê? Sim, o valor da Missa é infinito porque nela se oferece o corpo e o sangue da segunda pessoa da Santíssima Trindade, Nosso Senhor Jesus Cristo, portanto do próprio Deus.

 

P266. Que diferença há entre a Missa e a imolação do Calvário? A diferença está no modo de se oferecer. Assim, no Calvário, a imolação foi visível e cruenta; na Missa, a imolação é incruenta e sacramental. No Calvário, como canta a Igreja, “somente a divindade de Nosso Senhor estava velada aos sentidos, enquanto que na Missa está velada também a humanidade” (Adoro te devote, Hino do Santíssimo Sacramento).

 

P267. A Missa, portanto, é o mesmo sacrifício realizado na cruz? Sim, por que em ambos temos o mesmo sacrificador, a mesma vítima – que é Nosso Senhor Jesus Cristo – e, portanto, a mesma imolação.

 

P268. Na Missa, o sacrificador, então, não é o sacerdote que a celebra? Não. O sacrificador é Nosso Senhor Jesus Cristo, que fala e atua através do sacerdote. A Nosso Salvador, pontífice supremo, se une toda a Igreja universal, todos os fiéis, que se oferecem com Ele, pelas mãos do seu representante que é o bispo ou o sacerdote, ministros legítimos desta oblação.

 

P269. Por quem se oferece a Missa? Oferece-se a Missa por Jesus Cristo, por toda a Igreja, pelo sacerdote que a celebra, e por todos os cristãos.

 

P270. Como os fiéis podem participar deste oferecimento? Os fiéis podem participar do oferecimento da Missa de diversos modos:

A – em ato, quando assistem e participam da sua celebração;

B – de modo mais precioso, quando, além de ser em ato, fazem oferecer a vítima, Jesus Cristo, por eles e em seu nome;

C – de modo habitual, todos os fiéis, pois que, unidos a Jesus pela caridade e à Igreja pela fé, formam um só corpo, membros recíprocos uns dos outros, participando de todos os benefícios do corpo inteiro.

 

P271. Por que o sacrifício consumado no Calvário é o mesmo sacrifício realizado na Missa? Porque o essencial do sacrifício do Calvário consiste na oblação que Jesus Cristo fez do seu corpo, que é a mesma oblação da Missa. Assim, tanto no altar como no Calvário, apresenta-se a mesma vítima, o corpo e o sangue de Nosso Salvador, sob as espécies de pão e vinho, para tornar sensível a presença dessa vítima. A imolação real é a mesma, ocorrendo em cada Missa, e em todas as Missas, sem multiplicar o sacrifício, como veremos.

 

P272. Que prova o Evangelho nos dá para nos mostrar que o essencial do sacrifício de Nosso Senhor Jesus Cristo consiste na oblação que Ele fez do seu corpo? O Evangelho nos mostra que Nosso Senhor quis instituir o sacrifício do seu corpo e do seu sangue na véspera da sua morte, após a Ceia, e não no mesmo instante em que morreu, para estabelecer claramente a verdade e a igualdade do mesmo sacrifício. Assim, Ele poderia tê-lo oferecido após a sua paixão, como em qualquer tempo antes da própria Ceia.

 

P273. Então a oblação do sacrifício de Nosso Senhor independe do tempo? Sim, e ao reafirmar a oblação da cruz no dia seguinte após a morte de Cristo, ou um ou mil anos depois, até o último dia do mundo, se oferece absolutamente o mesmo sacrifício, e as Missas são atos da repetida oblação da única imolação única de Jesus Cristo.

 

P274. Para a unidade do sacrifício não é então necessária uma união física da imolação e da hóstia imolada? Não. Pelas próprias palavras do Evangelho, basta a união moral entre a imolação e a hóstia imolada, uma referência moral, uma relação moral ao tempo da imolação. Assim, Nosso Senhor, na Ceia, oferece sua morte futura, no Calvário, sua morte presente, e no céu, e no altar, sua morte passada, pelo mesmo ato da mesma vontade de se oferecer: a oblação se multiplica por distintos atos, mas a imolação é só uma, como único é o sacrifício.

 

P275. Podemos encontrar a confirmação desse ensinamento em outros livros da Sagrada Escritura? Sim, São Paulo, por exemplo, defende e confirma esse ensinamento em diversas passagens. Assim declara este santo apóstolo:

1 – Hebreus 10:

a – que Jesus Cristo, desde sua vinda ao mundo, manifestou sua vontade de se oferecer a Deus Pai em holocausto;

b – que, com este único holocausto, revogou os sacrifícios antigos, para substituí-los com o seu (“aufert primum ut sequens statuat”);

c – que, por esta única vontade, concebida desde a encarnação e fielmente cumprida até a sua morte na cruz, fomos santificados pela única oblação do seu corpo;

2 – Hebreus 9 e 7:

a – que Nosso Senhor não se limitou em derramar seu sangue na cruz para a remissão dos nossos pecados (Hb 9), mas também que, na unidade do mesmo sacrifício, o recolheu e levou-o, não ao templo judeu, que não passava de um exemplo e uma figura, mas ao santo dos santos, ao céu, para apresentá-lo diante de Deus em nosso favor, como mediador e pontífice (Hb 7);

 

P276. Que mais nos ensina São Paulo naquelas epístolas? São Paulo nos ensina que Jesus Cristo é o mediador de uma aliança mais excelente que a antiga, em todos os aspectos, principalmente pela sua duração: imortal na natureza humana com que se revestiu e, fazendo-se sacerdote por toda a eternidade, seu sacerdócio é sem fim, pois, na terra, estabeleceu sacerdotes com sucessores, enquanto que, no céu, Ele intercede por nós.

 

P277. Como a Igreja manifesta esse ensinamento de São Paulo? A Igreja sempre celebrou o dia da Ascensão de Nosso Senhor ao céu, onde sem cessar Ele oferece ao seu Pai os ferimentos que sofreu por nossas iniquidades, e que, por meio desse contínuo oferecimento, nos alcança a entrada perpétua na aliança de sua paz.

 

P278. A oblação de Nosso Senhor foi sempre a mesma e única imolação? Sim. O desejo da oblação de Nosso Senhor se manifesta desde a sua Encarnação, se constitui no Cenáculo, se executa na cruz, se perpetua no céu e, no entanto, só há uma única imolação de Jesus Cristo porque, como diz São Paulo (Hb 9) este Deus salvador morreu somente uma vez para expiar os pecados de todos os homens e, agora, não morrerá mais, pois jamais a morte terá domínio sobre Ele, depois da vitória que Ele teve contra ela (Rm 6).

 

P279. Qual é, em resumo, o ensinamento de São Paulo? São Paulo nos ensina que Jesus Cristo ofereceu, com um só desejo, desde a Encarnação até o Calvário, e por esse mesmo desejo oferece esse sacrifício único desde a cruz até o céu, onde renova, sem cessar, por meio de oblações mil vezes repetidas, sua imolação já consumada e cumprida. Assim, pelas palavras da consagração na Missa, Nosso Senhor se apresenta no altar, não só sob os símbolos da morte e num estado de imolação aparente, mas também como Ele se encontra, à direita de Deus Pai, sacerdote eterno, supremo pontífice e mediador da nossa aliança, e dom da nossa paz; sendo agora o mesmo que se apresenta na celebração da Missa, sempre vivo e intercedendo por nós, oferecendo suas chagas que salvaram o mundo, e perpetuando seu sacrifício sem interrupção.

 

P280. O que se constitui a verdadeira oblação da Missa? A presença de Jesus Cristo, oferecendo sua morte se constitui na oblação verdadeira da sua imolação real e a rigorosa continuação do seu sacrifício na cruz; os atos de oblação são atuais, distintos e multiplicados; mas sempre é a oblação da mesma vítima do Calvário e a mesma imolação desta vítima.

 

P281. Seria possível explicar esse princípio com um exemplo? Sim. Suponhamos que Deus tivesse querido estabelecer um sacrifício muito solene para a entrada e posse do seu povo na terra prometida, e que tivesse declarado que este sacrifício, único em sua classe, não fosse oferecido pelos filhos de Aarão em nome dos seus irmãos, mas por cada israelita de cada tribo e família; suponhamos ainda que a vítima fosse representada somente por um cordeiro e que esta imolação se renovaria por cada ato pessoal e individual. Suponhamos que Moisés, antes de dar posse das terras além do Jordão às tribos de Gad, de Ruben e à metade da tribo de Manassés, tivesse escolhido o cordeiro destinado ao sacrifício. As tribos cujas possessões estariam já definidas passariam diante do altar e, desfilando na sua ordem, apresentariam pelas mãos de cada indivíduo aquele cordeiro para ser imolado. Moisés, já próximo da sua morte, também o ofereceria, mas de forma mais solene. Josué, seu sucessor para conduzir o povo de Deus, imola o cordeiro deixando-o no altar banhado com seu sangue. As demais tribos de Israel, antes de passar o Jordão, desfilam diante do altar e cada indivíduo oferece o sangue derramado. Terminado o desfile e o oferecimento de todo o povo, levam o sangue do cordeiro ao tabernáculo para ser nele conservado. Depois os levitas o tiram todos os dias, e muitas vezes ao dia, para oferecê-lo a Deus em nome de todo o povo, e este rito se conserva por todas as gerações. Neste exemplo, poder-se-ia duvidar de que, apesar de terem sido multiplicadas as oblações e que duraram por tanto tempo, somente foi efetuado por todos um só e único sacrifício, e que sua continuação, enquanto subsistir o povo de Deus, não alteraria em nada a sua identidade e a sua unidade?

Eis a imagem patente e o exemplo vivo do sacrifício da cruz que o Cenáculo viu antecipar-se e que continua na Missa até a consumação dos séculos: os justos que viveram antes de Jesus Cristo e que durante mais de 4.000 anos passaram diante do seu altar para oferecê-lo com sua fé; e após a consumação do sacrifício, todas as tribos da terra passam diante deste mesmo altar, oferecendo realmente o mesmo Jesus Cristo imolado, tornado presente pela instituição da autoridade divina o mesmo Deus do Calvário, com seu corpo que é oferecido, com seu sangue que é derramado sem cessar, para a remissão dos pecados.

A Missa é realmente, portanto, quer em relação ao sacerdote, à vítima e à imolação, o mesmo sacrifício da cruz; seu preço é, portanto, de valor infinito, como a morte do Salvador. Eis, dentre outras consequências, as que podemos tirar da prática deste sentimento católico que acabamos de expressar e de provar.

 

P282. Por que explicar tão detalhadamente este tema? Porque, ainda que comumente se ouve dizer e repetir diariamente que a Missa é o mesmo sacrifício da cruz e que devemos assisti-la como diante da cena do Calvário, frequentemente acontece que não fixamos bem suas consequências nos nossos corações, visto seu entendimento não ter penetrado profundamente na nossa razão.

 

P283. Como podemos colocar em prática esse conhecimento mais aprofundado da Missa? Uma vez entendido melhor esta elevada teologia de S. Paulo, vemos o profundo respeito, a viva confiança, a plenitude de fé e de amor que devemos ter diante dos altares, nas Igrejas, pensando se tivéssemos assistido a oblação da imolação do Calvário, como estaríamos unidos mais estreitamente a Nosso Senhor Jesus Cristo, como teríamos recolhido com o maior cuidado cada gota do seu sangue, como teríamos guardado cada batimento do seu coração, cada palavra da sua boca e diríamos mil vezes com fervor: “Lembrai-vos de mim, Senhor” –“Memento mei, Domine” (Lc 23), e com o coração cheio de dor e de arrependimento, repetiríamos o grito de fé e de reconhecimento: este homem é o verdadeiro Filho de Deus – “Vere Filius Dei erat iste” (Mt 27), e quereríamos ajudar a preparar os perfumes e a sepultura de Deus vítima e, principalmente, a desejar que os nossos corações lhe servissem de túmulo.

 

P284. Com que respeito, e disposição de alma, nós devemos assistir o santo sacrifício da Missa? Se:

A – transportados em espírito como o apóstolo São João (Ap 5) assistimos no sublime altar do céu, onde Nosso Senhor celebra e oferece sem cessar, por si mesmo e sem representante, e víssemos no trono de Deus este cordeiro em pé, imolado, abrindo o livro da liturgia eterna para nele ler o nome dos que aproveitam do seu sangue derramado, para fazer com que os homens se inscrevam naquelas páginas de vida, segundo as quais se concluirá no fim dos tempos a Missa definitiva e a despedida irrevogável;

B – ouvirmos ressoar no céu estas terríveis palavras: “As coisas santas são para os santos; a felicidade, a bem-aventurança e a benção, para os filhos de Deus; a Missa eterna para a inocência e para o arrependimento; … nós nos prosternaríamos diante do cordeiro para a adoração com o coração arrependido e humilhado, e encheríamos os incensos de ouro com a mais pura oração.

 

P285. Que outros princípios devem alimentar nossa alma ao assistir a santa Missa? Como a Missa continua na terra o mesmo sacrifício que continua no céu, e que a mesma vítima sobe de um altar ao outro levando consigo nossos desejos, e volta a descer carregada de bênçãos, ao assistir a Missa devemos animar nossa alma com os mesmos pensamentos que teríamos no céu.

 

P286. O valor da Missa é, pois, infinito? O valor da Missa é infinito por se referir a Deus vítima, à suficiência do tesouro dos seus méritos que, oferecidos por Deus-sacerdote, serão sempre aceitos pelo Senhor, como dignos da sua majestade e da sua justiça; o valor da Missa é de valor finito quanto ao exercício do sacerdote secundário, que é um homem revestido de poderes divinos, e enquanto aplicação que o Senhor nos faz dos méritos do seu Filho, proporcionalmente à nossa fé, nossa penitência e nosso fervor.

 

P287. Quais são os frutos do sacrifício da Missa? A Igreja nos ensina que a Missa opera por si mesma, e por sua virtude própria, o perdão dos pecados; mas o opera de uma forma mediata, ou seja, que pelo próprio ato do sacrifício, e sem nenhum meio ulterior, ela obtém, para o pecador, a graça de se converter e de receber, no sacramento da Penitência, a remissão das suas faltas.

Exemplificando: uma pessoa que pede a Deus a graça de mudar de vida e de se confessar, mas sem assistir ao sacrifício da Missa, poderá obtê-la somente em virtude do seu fervor e das suas instâncias, porém sempre terá dúvida se de fato a obteve.

Contudo, se ela assiste a santa Missa com aquela finalidade, é certo que receberá a graça pedida, de modo eficaz, desde que não oponham obstáculos a ela, independentemente das disposições de quem celebra e do fervor de quem assiste a celebração, entendendo-se o mesmo quanto às demais graças para a salvação.

 

P288. Se a Missa produz a graça e a aplicação dos méritos do sangue e da morte de Cristo, em que ela se diferencia dos sacramentos? A diferença é que a Missa nos concede a graça de forma mediata, enquanto que os sacramentos nos dão a graça imediatamente; a Missa é uma via segura que conduz à vida, à graça, e os sacramentos são a própria vida, a própria graça, com toda a sua eficácia.

 

P289. Que podemos concluir desse conceito? Podemos concluir que a assistência à Missa é uma excelente disposição para o perdão e a consequente justificação, considerando que a Missa é o tribunal de misericórdia de primeira instância, se é permitido assim falar, e dela se passa ao tribunal de reconciliação de último recurso.

 

P290. Haveria outra diferença entre a Missa e os sacramentos? Sim. Há outra diferença mais favorável ao sacrifício: os sacramentos só aplicam o sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo aos que são dignos dele, enquanto que a Missa o aplica ao justo e ao pecador, ao que merece e ao que nem é mesmo digno de recebê-lo. Isso porque os sacramentos só produzem seus efeitos para os vivos, enquanto que a Missa estende seus frutos de salvação aos vivos e aos mortos.

 

P291. Com que disposição esses princípios nos levam a assistência à Missa? Consequentemente, devemos ir “com confiança ao trono da graça” (Hb 4) para alcançar a misericórdia e, naquele mesmo trono, encontrar os socorros necessários às nossas necessidades.

 

P292. Que outro ensinamento tiramos desses princípios? Devemos compreender quão preciosa é a prática dos fiéis que fazem celebrar ou que assistem a Missa, sempre que precisam pedir alguma graça a Senhor, e como tão mais santo é o costume de assisti-la diariamente, para fortalecer-nos sem cessar com sua santa proteção.

 

P293. Qual a eficácia da Missa quanto às penas temporais devidas aos nossos pecados? Quanto às penas temporais devidas aos pecados, depois de terem sido perdoados no sacramento da Penitência, a Missa as extingue imediatamente aos que estão em estado de graça, assim como aos justos do purgatório, cujas penas são eliminadas também imediatamente, se bem que eles não podem merecer mais, nem mesmo recorrer a outros meios.

 

P294. A Missa redime sempre e imediatamente todas as almas do purgatório? Não. A Igreja nos ensina que a redenção das almas do purgatório, por meio da aplicação dos frutos da Missa, se realiza conforme a vontade e os desígnios de Deus. A Igreja diz que a Missa ajuda a redimir as almas do purgatório, conforme estabelecido na seção 25 do Concílio de Trento. Assim os fiéis costumam oferecer frequentemente Missas aos defuntos. Além deste fruto eficaz do sacrifício, oferecemos também, como fruto secundário àquelas almas, as fervorosas disposições com que assistimos a ela.

 

P295. Que nos ensina Santo Tomás sobre essa questão? Santo Tomás nos ensina que a santa oblação é aplicada a cada um proporcionalmente à sua devoção. Neste sentido a Missa opera segundo a santidade de quem oferece e de quem assiste a ela.

 

P296. Mas a Missa não é somente oferecida a Deus? Sim, a Missa é oferecida somente a Deus, a quem se deve unicamente a adoração, o culto supremo e o reconhecimento total da nossa dependência, em proveito do sacerdote, dos fiéis e das almas do purgatório, isto é, rogando graças para essas fiéis pessoas.

 

P297. Por que, então, oferecemos a Missa para a Virgem, Missa para os defuntos? Essas expressões são formas comuns que empregamos, para indicar que as orações e leituras que precedem o cânon são em memória dos santos ou dos fiéis defuntos. Embora o sacrifício só pode ser oferecido a Deus, nele se faz menção aos santos, pois a Missa é o sacrifício de toda a Igreja que Nosso Senhor o oferece como a cabeça do seu corpo místico, que é a própria Igreja.

 

P298. Por que a Igreja menciona o nome dos santos em certas passagens da Missa? Porque a Igreja militante se une a Jesus Cristo para oferecê-la e, pelo mesmo motivo, se une à Igreja triunfante, inseparavelmente unida à sua cabeça.

 

P299. Por que a Igreja militante se une à Igreja triunfante? Estas duas partes da sociedade dos filhos de Deus se unem para implorar, pelos méritos de Cristo, a divina misericórdia em favor da Igreja padecente, constituída pelas almas que sofrem no purgatório.

 

P300. A união da Igreja triunfante com a militante visa somente as almas do purgatório? Não, pois esta lembrança dos santos no altar se faz também para felicitá-los pelas suas vitórias, para agradecer a Deus pelos seus triunfos, para nos incentivar a imitar seus sacrifícios consumados, e para nos fortificar, como diz o cânon da Missa, através dos seus méritos e orações a Deus e Jesus Cristo, único mediador todo poderoso.

 

P301. Em resumo, a quem podemos oferecer a santa Missa? A santa Missa se oferece a Deus, pelos vivos, justos ou pecadores, e, em geral, por todos os que professam a fé católica. (A Igreja não reza especificamente pelos cismáticos, hereges e pagãos, senão na Sexta-feira Santa). Oferecemo-la também para os mortos para que descansem em Jesus Cristo, e por todos os fiéis que padecem no purgatório.

 

CAPÍTULO IX

Das disposições para se oferecer o Santo Sacrifício da Missa

  • 1 – DISPOSIÇÕES MATERIAIS

 

P302. A que se refere o termo “material”, objeto do estudo deste §1? “Material”, aqui, se refere aos edifícios destinados à celebração do sacrifício da Missa, ou seja, as igrejas, incluindo tudo o que nelas contém para tal, como os altares, e tudo relativo a eles. Neste parágrafo não iremos tratar dos vasos, dos tecidos sagrados, dos ornamentos, do incenso e dos demais objetos do culto.

 

P303. Qual foi o primeiro templo especificamente usado para o sacrifício da Missa? O primeiro templo especificamente utilizado para o sacrifício da Missa foi o Cenáculo, lugar “amplo e bem adornado” (Lc 22) para a celebração da Eucaristia, a pedido de Jesus Cristo – Deus.

 

P304. Por que Nosso Senhor exigiu um local “amplo e bem adornado”? O mesmo Jesus Cristo, que nasceu num estábulo, pois não tinha onde repousar sua cabeça, e que morreu na cruz, ordenou a seus discípulos que procurassem um local “amplo e bem adornado”, para justificar a majestade e riqueza das nossas igrejas.

 

P305. Qual foi o primeiro altar do sacrifício da Missa? O primeiro altar em que se realizou o sacrifício de Cristo foi o Calvário.

 

P306. Nos tempos de perseguição, onde se realizava o sacrifício da Missa? Em geral, na época de perseguição dos cristãos, o sacrifício da Missa era realizado nas casas de alguns fiéis privilegiados, ou escondidos em cavernas, bosques, calabouços ou catacumbas.

 

P307. Quando foram construídas as primeiras igrejas para a celebração solene e pública do sacrifício da Missa? Logo após o término das perseguições foram construídas as primeiras igrejas para a celebração pública da liturgia da Missa, em honra do verdadeiro Deus. Posteriormente, em todas as partes, a piedade e arte de cada século contribuíram para a grandeza e riqueza das construções, sempre erigidas, fundamentalmente, para a celebração do sacrifício da Missa.

 

P308. Dentre os diversos estilos arquitetônicos das igrejas, qual foi o mais significativo quanto à piedade e grandeza devidas a Deus? Foi o estilo gótico que consagrou a Deus suas majestosas catedrais, com suas elegantes cúpulas e formas grandiosas. Também os elevados campanários nas pequenas aldeias, rompendo com graça a uniformidade da paisagem, anunciavam por toda parte o tabernáculo de Deus entre os homens.

 

P309. A construção das igrejas seguia alguma regra específica? Sim; seguia uma tradição específica, conforme o testemunho do autor das “Constituições apostólicas”.

 

P310. Que recomendava aquela tradição referente à construção de igrejas? Havia uma série de recomendações quanto:

A – a forma: que deveria ser ampla e semelhante a uma nave — daqui vem o nome do corpo principal do templo;

B – a orientação: deveria estar voltada para o Oriente — origem da luz, simbolizando Nosso Senhor, Luz do mundo;

C – a sacristia: ao lado do altar, onde se colocariam os objetos do culto, incluindo os paramentos litúrgicos;

D – a cátedra, ou sedia, do bispo: localizada no fundo da catedral, com os assentos para os sacerdotes à sua direta e à sua esquerda;

E – o altar: no meio do santuário, como são vistos nas igrejas românicas;

F – o santuário: fechado por uma balaustrada;

G – a frente do altar: local para os clérigos menores, seguidos dos fiéis, onde havia o púlpito para as leituras e sermões.

 

P311. Como se dispunham os fiéis na catedral? Os homens ficavam de um lado e as mulheres do outro, para melhor conveniência do ósculo da paz. Viria depois local reservado aos catecúmenos e aos penitentes públicos

 

P312. Quantas portas havia nas igrejas primitivas? Em geral havia três portas: a principal, ou grande porta, à frente do edifício; a porta menor, que separava os fiéis dos catecúmenos e penitentes públicos; e a chamada porta santa, que fechava a parte do santuário, e que servia de balaústre para a mesa da comunhão.

 

P313. Que semelhanças há entre aquelas igrejas primitivas e as atuais? Há inúmeras, como por exemplo:

1 – a Cruz externa, sobre o edifício ou sobre o campanário, indicando o sacrifício que se renova no templo católico;

2 – os sinos, como a voz do sacerdote, convocando os fiéis;

3 – as pias de água benta: ao lado da entrada, lembrando a pureza exigida na oblação;

4 – os confessionários: como meios para, através do sacramento da penitência, ou confissão, recuperarmos a graça de Deus, perdida pelos pecados;

5 – a cruz na frente do altar: indicando aos fiéis que devem unir o sacrifício do seu coração à imolação da grande vítima do mundo;

6 – local para o coro e o órgão;

7 – capelas laterais, possibilitando a multiplicidade de Missas;

8 – relicários, imagens que nos lembram a glória dos santos e que já consumaram seu sacrifício;

9 – finalmente, e acima de tudo, o altar, que é o ponto central das nossas igrejas.

 

P314. Que significa a palavra ‘altar’? A palavra ‘altar’ deriva de ‘altus’ significando ‘elevado’. Entre os gregos, o termo utilizado era thusiasterion, que significa ‘lugar da imolação’.

 

P315. Que afirmou São Gregório sobre o altar do sacrifício? São Gregório nos diz que o altar do sacrifício é de pedra comum, semelhante a que usamos para levantar muros, porém devidamente abençoado e consagrado ao Senhor.

 

P316. Havia altares sobre túmulos? Sim, às vezes erguiam altares sobre túmulos de mártires, e sua forma externa era de uma sepultura. Mas, como dizia Santo Agostinho, o altar era somente para Deus, embora contendo os restos mortais de mártires. Disto surgiu o costume de se colocar relíquias de santos nos altares, costume que não só nos apresenta uma imagem do céu, onde São João viu no altar as almas dos mártires (Ap 6), mas nos mostra também um espetáculo digno dos anjos e dos homens: Jesus Cristo, vítima universal oferecida a Deus sobre o corpo das suas vítimas, estimulando os fiéis ao sacrifício das suas vidas, pelo menos moralmente.

 

P317. Todos os altares são iguais? Não. Os altares são diferenciados segundo a forma de sua consagração ou da sua finalidade, havendo, basicamente, três tipos de altares:

A – Fixo: quando a pedra inteira é consagrada;

B – Portátil: quando foi consagrada somente a pedra central;

C – Privilegiado: altar em que se permite celebrar missas de defuntos mesmo nos dias proibidos em outros altares, ou que gozam de indulgências temporais ou perpétuas específicas.

 

P318. Por que o altar está sempre acima do nível do solo? O altar deve ficar acima do nível do solo, elevado pelo menos por um degrau ou base, para corresponder ao significado literal e místico do seu próprio nome e da sua finalidade.

 

P319. Como a elevação do altar acima do solo corresponde a sua finalidade? Como a oração é a elevação da alma a Deus, assim também é o sacrifício celebrado no altar, sinal público da mais excelente oração, que deve ser oferecido num lugar elevado para nos lembrar que devemos nos separar da terra, e nos elevarmos para o céu, aproximando-nos espiritualmente do trono da misericórdia de Nosso Senhor.

 

P320. O que deve ser colocado no centro do altar? No centro do altar deve ser colocado um tabernáculo, no qual se conservam as hóstias consagradas para a comunhão dos fiéis, ou levadas aos enfermos, e a hóstia que é exposta à adoração nos ofícios públicos.

 

P321. O que se coloca nas laterais do altar, ao lado do tabernáculo? Tanto à direita como à esquerda do tabernáculo, colocam-se pequenos degraus, com flores, e candelabros com velas. Pelo menos duas velas devem estar acesas durante a santa celebração, multiplicando-se conforme a solenidade dos dias.

 

P322. Como o altar deve ser revestido? O altar deve ser coberto por três toalhas bentas, sobre as quais se coloca um missal apoiado em pequena estante, e três quadros denominados cânones do altar (sacras), um ao centro, contendo o texto que é recitado no meio do altar em momentos em que o sacerdote não possa ler comodamente o missal; o da direita, contém as orações da infusão do vinho e da água no cálice e o salmo do Lavabo; o terceiro, à esquerda, contém o último Evangelho segundo São João.

Nas Missas solenes e cantadas coloca-se ainda no altar o livro das epístolas e dos Evangelhos, e antigamente os instrumentos para o ósculo da paz.

 

P323. Por que se acendem luminárias durante a Missa? A origem deste costume se encontra no início da era cristã, no tempo das perseguições, em que os fiéis, obrigados a celebrar os santos mistérios em lugares escuros e antes do raiar do dia, precisavam acender tochas que, às vezes, eram multiplicadas como sinal de alegria.

 

P324. Há referência desse costume na Escritura? Sim. São Lucas, nos Atos dos Apóstolos, 20, 7- 8, nos revela que, no local onde São Paulo pronunciou um extenso discurso aos fiéis no primeiro dia da semana (domingo) havia uma grande quantidade de luminárias. Aí lemos: “E, no primeiro dia da semana, tendo-nos reunido para a fração do pão, Paulo, que devia partir no dia seguinte, falava com eles, e prolongou o discurso até a meia-noite. E havia muitas lâmpadas no Cenáculo, onde estávamos reunidos”.

Além disso, Eusébio nos diz que, na noite de Páscoa, além da iluminação das igrejas, o imperador Constantino ordenava acender todo o tipo de tochas em todas as ruas da cidade, para que aquela noite fosse mais brilhante que o dia mais claro (Euséb., História Ecles., 1. 5, c. 7).

Assim, o costume das luzes durante a celebração da Missa é uma lembrança da mais remota Antiguidade, e como manifestação da alegria espiritual dos fiéis naquele santo momento.

 

P325. O costume de acender luzes não surgiu, portanto, da pura necessidade natural de iluminação? Não, pois, nos séculos III e IV, apesar da profunda paz reinante, na qual a Igreja podia celebrar livremente, e com grandiosidade, cerimônias mais solenes, sempre se acendiam lampadários durante o dia.

 

P326. Há alguma referência histórica sobre esse tema? Sim, por exemplo, quando o herege Vigilâncio se atreveu a acusar a Igreja de superstição porque pessoas piedosas acendiam velas durante o dia nos túmulos dos mártires, São Jerônimo lhe respondeu indignado, referindo-se aos ofícios eclesiásticos: “Nós não acendemos luzes durante o dia senão para mesclar de alguma alegria as trevas da noite; para velar com a luz, e evitar dormirmos como vós, na cegueira das trevas” (S. Jerônimo, Epist. ad Vigilant).

 

P327. Por que o testemunho de São Jerônimo é importante para esse assunto? Porque ninguém como ele poderia estar melhor informado sobre esse costume, pois ele havia visitado toda a Gália (França) e percorrido todo o Oriente e Ocidente. Assim, podemos dizer, sob sua autoridade, que não se acendiam luzes durante o dia porque haviam sido usadas no decorrer da noite, mas que nas igrejas do Oriente se acendiam luzes por motivos místicos: “Em todas as igrejas do Oriente, diz ele, se acendem velas durante o dia quando se lê o Evangelho, não para ver claro, mas como sinal da alegria e como símbolo da luz divina, luz da qual diz o salmo: vossa palavra é a luz que ilumina meus passos” (Id.)

Esse mesmo motivo místico, que levou os fiéis a acender velas durante a leitura do Evangelho, determinou o costume posterior de mantê-las acesas durante a celebração do sacrifício em que Nosso Senhor, que é a verdadeira luz dos homens, está realmente presente; no qual o pontífice e o sacerdote, em suas elevadas funções, representam esta divina e evangélica claridade.

 

P328. Por que a Igreja sempre aprovou esses costumes? A Igreja sempre aprovou esses costumes simbólicos porque eles são ensinamentos simples e edificantes para o povo.

 

P329. Há outros exemplos da utilização da luz como símbolo da fé? Sim, por exemplo, o antigo costume de se colocar nas mãos do recém-batizado um círio, e São Cirilo de Jerusalém, no ano 550, dizia que estes círios acesos são símbolos da fé que se deve conservar com todo o cuidado.

 

P330. Por que se abençoa e se acende o círio pascal? Há mais de 1200 anos se benze e se acende o círio pascal para que a benção desta luz nos permita a contemplar a sagrada ressurreição, ou seja, o brilho luminoso da nova vida de Jesus Cristo, como afirma o 4º Concílio de Toledo, no ano 633, ao censurar as igrejas que não observavam esta cerimônia.

 

P331. Por que se levam círios na festa da apresentação de Jesus no Templo, e purificação de Nossa Senhora? Levam-se círios na comemoração daquelas festas para que os fiéis possam participar da alegria de Simeão ao tomar o Menino Jesus em seus braços, expressando que Ele era a alegria das nações e para indicar que devemos nos consumir diante do Senhor, unidos em Jesus Cristo, como se consome a vela que levamos.

 

P331. Por que se acendem velas nas cerimônias fúnebres? No século IV, os corpos dos fiéis que haviam falecido na fé eram levados à igreja, em procissão com círios acesos. São Paulo, São Simeão Estilista e o próprio imperador Constantino, assim foram conduzidos para indicar, com este solene séquito de luminárias, que eles eram verdadeiros filhos da luz.

A quantidade de velas que ardiam, dia e noite, no túmulo dos mártires, conforme nos dizem São Paulino e Prudêncio, brilhavam em homenagem à luz celestial de que usufruíam aqueles santos e que fazem a alegria dos cristãos: “Nasce a luz para os justos, e a alegria para os retos de coração” (Salmo 96, 11).

Da mesma forma, os círios acesos durante o dia nas igrejas foram sempre considerados símbolos da verdadeira luz, conforme nos diz São Jerônimo e Santo Isidoro (Etym., 1. 7, c. 12).

 

P332. Que diziam São Pedro e São Paulo utilizando a luz como símbolo? São Pedro dizia: todos vós sois filhos da luz e do dia; e São Paulo: antes vós éreis trevas, mas, agora, sois a luz no Senhor: andai como filhos da luz.

 

P333. O que nos diz o Micrólogo sobre a luz nas missas? Afirma que nós nunca celebramos a missa sem luz, não para dissipar o escuro, visto que é dia, mas para figurar e anunciar a luz eterna e divina cujos sacramentos e gloriosos mistérios celebramos.

 

P334. Haveria ainda algum outro motivo para se acender luzes durante a Missa? Sim. A Igreja acolhe também este costume por sua relação ao espetáculo testemunhado por São João no céu, quando viu o Filho do Homem entre sete candelabros de ouro. Os círios acesos nos advertem que devemos nos comportar como filhos da luz com a prática de atos de caridade, de justiça e de verdade.

 

  • 2 – PREPARAÇÕES INTERIORES

Preparação particular dos sacerdotes indicadas nas rubricas

 

P335. Que significa o termo ‘rubrica’? Deu-se o nome de ‘rubrica’ às observações escritas em letras vermelhas no sacerdotal, texto utilizado pelos sacerdotes como preparação da Santa Missa, e no próprio Missal. Esta expressão vem do antigo direito romano, cujos títulos, regras ou decisões principais, eram escritas com caracteres em vermelho (rubro). As rubricas da Missa prescrevem o modo de recitá-la, para que fossem mais facilmente distinguidas no texto.

 

P336. Quando foram ordenadas as rubricas do Missal? No final do século XV, pelo mestre de cerimônias Burcard, durante o pontificado dos Papas Inocêncio VII e Alexandre VI, sendo impressas pela primeira vez no Missal em 1485, em Roma, e no sacerdotal alguns anos depois, sob o pontificado de Leão X. Posteriormente, durante o Concílio de Trento, em 1570, o Papa São Pio V reordenou e distribuiu as rubricas nos títulos do Missal.

 

P337. Que prescreve a rubrica no sacerdotal? A primeira prescrição aos sacerdotes é que eles devem se confessar caso seja necessário.

 

P338. Por que essa regra? Porque ela é consequência direta do preceito do apóstolo que disse: quem comer o pão da vida e beber o cálice do Senhor indignamente será réu do corpo e sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo; ou seja, o sacerdote deve estar em estado de graça, que é também prescrito a todos as fiéis para receberem o sacramento da Eucaristia. O estado de graça não abrange somente a disposição do sacerdote e dos fiéis, mas também inclui o discernimento conveniente entre o corpo de Nosso Senhor e o alimento que a providência concede indistintamente a justos e pecadores.

 

P339. Qual é a segunda rubrica para a preparação do sacerdote? Ela prescreve também que o sacerdote deva ter rezado pelo menos as matinas e as laudes, conjunto de orações do ofício noturno e da manhã.

 

P340. Por que se exige dos sacerdotes pelo menos tais orações antes da Missa? Sempre foram feitas longas orações vocais antes da Missa para excitar aqueles desejos que, como diz Santo Agostinho na Epist. ad Probam, produzem mais efeito quanto mais se animam. Este costume, que é a preparação remota do santo sacrifício, remonta à antiguidade, pois já no século VI sabemos que Santo Atanásio celebrava as vigílias na igreja quando teve que partir para o desterro. O motivo da celebração deste ofício, praticado por Santo Atanásio, é que ele devia recitar na igreja a Sinaxe, ou seja, a assembléia para o sacrifício, costume que ainda conserva resquícios em certas catedrais em que será celebrada Missa solene.

 

P341. Por que a rubrica estabelece explicitamente a condição ‘pelo menos’? Pelo menos, porque se a Missa é celebrada mais tarde exige-se então a recitação dos demais ofícios decorridos entre laudes (5h da manhã) e a Missa.

 

P342. Que outra rubrica é prescrita ao sacerdote antes da Missa? Outra rubrica ordena ao sacerdote aplicar algum tempo à oração. De fato, não basta a oração pública: a oração mental deve sempre estar unida à oração vocal.

 

P343. Que considerações deve fazer o sacerdote nessa preparação? O sacerdote deverá considerar:

A – a excelência e a majestade dos mistérios dos quais ele será o ministro, e sua profunda indignidade em celebrá-lo;

B – dirigir sua atenção à oferenda do santo sacrifício e levar a este trono de misericórdia a mais viva fé, a pureza mais escrupulosa e o amor mais ardente a Nosso Senhor Jesus Cristo.

Antigamente, em algumas catedrais em que seriam celebradas missas solenes com a presença de grande número de assistentes, o celebrante passava a semana anterior em retiro, para que essa contrita preparação não fosse perturbada pelo movimento natural e ruído das pessoas.

 

P344. Quais eram as orações marcadas pelas rubricas? Havia muita variedade. Assim, no século X, o sacramental de Tréveris, indica os três primeiros salmos, seguidos da ladainha aos santos. No século XI, o Micrólogo indica os quatro primeiros salmos, como se encontram nos missais e breviários. A Igreja deixa à devoção de cada sacerdote a escolha das orações para sua preparação, para alimentar melhor sua fé e a sua piedade.

 

  • 3 – PREPARAÇÕES EXTERIORES

 

P345. Qual é o primeiro dever exterior do sacerdote? O sacerdote deve preparar o que deverá ler no Missal, para entendê-lo e recitá-lo melhor, bem como para evitar enganos que poderão prejudicar a atenção e o acompanhamento dos assistentes, fazendo-os cansar, ao procurar a correta sequência do texto.

 

P346. Que outro ato externo o sacerdote deve cumprir como preparação à celebração do santo sacrifício da Missa? Antes do sacrifício, o sacerdote deve lavar suas mãos na sacristia, regra seguida em todas as épocas e povos. A lei antiga (Ex 30, 18) a determinava expressamente, e os cristãos jamais a descuidaram, como recomendavam São Cirilo e São Crisóstomo. Além disso, São Cesáreo ordenava a todos os participantes que lavassem suas mãos para receber a eucaristia, como respeito ao santo sacrifício.

 

P347. Que visava a Igreja ao prescrever aquela ablução? A Igreja prescrevia lavar as mãos como sinal externo da pureza interior necessária para entrar no santuário, como pede a oração pronunciada durante aquele ato: “Senhor, tornai minhas mãos puras, para que eu possa servir sem mancha alguma corporal ou espiritual”.

 

P348. Que mais é prescrito ao sacerdote como preparação externa do santo sacrifício? O sacerdote deve preparar o cálice como observa a rubrica do Missal.

 

P349. Como deve ser o cálice? O cálice deve ser uma taça de prata, dourado, consagrado pelo bispo e que serve para a consagração do vinho em sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo.

 

P350. Em que consiste a preparação do cálice? Esta preparação consiste em ordenar:

A – o cálice, que deverá ser bem lavado e secado;

B – o purificatório, isto é, o lenço que cobre o cálice, que serve para enxugar e purificar no altar as taças do sacrifício, e que é como um pano sagrado da mesa divina;

C – a patena, pequena bandeja arredondada, de prata dourada, consagrada como o cálice, na qual será colocada a Hóstia, corpo de Nosso Senhor Jesus Cristo; ela é disposta sobre o cálice e sobre o purificatório;

D – o pão, também chamado de hóstia ou vítima, que é a matéria destinada a converter-se no corpo do nosso Salvador; este pão, de farinha sem levedura, de forma redonda e fino, coloca-se inicialmente na patena que é coberta pela palio, lenço bento, para cobrir o cálice durante a Missa, evitando, assim, que nada caia dentro dele. A palavra pallia, vem de pallium, que significava capa ou cobertura;

E – o pano que cobre todo o cálice, do mesmo tecido e cor dos paramentos;

F – finalmente, a bolsa que se coloca sobre o altar, à esquerda do cálice, que contém o lenço sagrado, denominado corporal, termo oriundo da palavra latina corpus, que é o quarto pano estendido para receber o corpo de Cristo e as partículas que poderiam eventualmente se desprender da hóstia consagrada.

Após essa preparação, o sacerdote e seus auxiliares se revestem com os paramentos específicos para rezar a Missa.

 

P351. Por que há variedade de cor nos paramentos do sacerdote, dos seus auxiliares, e na ornamentação do altar, no decorrer do ano? Assim como acontece nas comemorações civis, que são realizadas com diferentes trajes conforme sua natureza, assim também nas comemorações religiosas os fiéis usam de ornamentos específicos na celebração do mais santo dos mistérios. Isso para melhor demonstrar aos fiéis, através da sensibilidade, a particular natureza da comemoração: dias festivos, como o Natal, a Páscoa, com paramentos claros; comemorações fúnebres, como as da Paixão, com paramentos pretos, ou seja, para realçar exteriormente o brilho ou a gravidade das funções divinas.

 

P352. Quem estabeleceu os paramentos para as funções divinas? Foi o próprio Deus, no antigo Testamento, quem determinou os diferentes vestuários sagrados que deveriam ser utilizados pelos ministros conforme a natureza do culto a ser prestado. São Jerônimo, ao comentar o que diz Ezequiel sobre o culto divino:

“Não devemos entrar no Santo dos Santos, nem celebrar os sacramentos do Senhor trajando roupas comuns de uso diário… A religião divina tem um traje para o ministério e outro para o uso comum”.

 

P353. É absolutamente necessário, para a celebração dos santos mistérios, o brilho externo dos paramentos sacerdotais e ornamentos do altar? Evidentemente, não, pois não há dúvida alguma que os santos mistérios, infinitamente grandes em si, não necessitam de nenhum brilho externo. Assim, por exemplo, no tempo das perseguições o santo sacrifício era oferecido com uma consciência pura da sua natureza, sem o uso de paramentos específicos, devido às circunstâncias extremamente perigosas para os cristãos. Porém, os homens precisam de sinais externos, visíveis e sensíveis, para lembrá-los interiormente da grandeza invisível dos mistérios.

 

P354. Por que a Igreja utiliza paramentos e ornamentos extremamente ricos?Não bastariam o asseio corporal e a simplicidade dos paramentos? A Igreja nunca receou celebrar os mistérios com majestade e riqueza porque tudo o que é excelso e valioso no mundo, vem de Deus e deve ser consagrado para sua glória, conforme afirmou o profeta “O ouro e a prata me pertencem, diz o Senhor” (Ageu, 2-9) representando a glória do templo do Desejado pelas nações.

Além disso, há inúmeras passagens na Sagrada Escritura nos revelando como o próprio Deus determinou paramentos específicos e ricos para as diversas cerimônias, bem como o uso de ouro e prata nos ornamentos do Templo, como, por exemplo, Êxodo, 28 / 38 / 39; 1 Reis 9 ; 2 Crônicas 3 e 5; Esdras 8; Malaquias 3, etc.

Por isso a Igreja logo ergueu e adornou também ricamente templos tão grandiosos, majestosos tão logo os imperadores e reis abraçaram ou deram liberdade ao cristianismo.

 

P355. Há registros históricos desses acontecimentos? Sim, e muitos, como por exemplo:

A – lemos em Teodoreto que o imperador Constantino deu a Macário, bispo de Jerusalém, uma túnica tecida em ouro para que ele a usasse ao ministrar o sacramento do Batismo;

B – Optato de Mileva escreveu que o imperador enviou muitos ricos ornamentos para as igrejas;

C – São Gregório Nazianzeno realça o brilho dos paramentos dos sacerdotes;

D – Eusébio, bispo de Cesárea (313), fala dos paramentos dos bispos como de trajes que os enobreciam;

E – o sacerdote Nepociano tinha tanto respeito e estima pela túnica que usava para oferecer o santo sacrifício, que a deixou por testamento a São Jerônimo.

 

P356. Como foi estabelecido o traje específico do sacerdote para a celebração da Missa? Inicialmente, o uso de traje específico para a Missa foi observado por devoção. Posteriormente, os Papas e os Concílios ordenaram aos sacerdotes de celebrarem o santo sacrifício somente com paramentos consagrados para esta santa ação, e proibiram, sob severas penas, de servirem-se deles para o uso comum.

 

P357. Por que os paramentos da Missa devem ser abençoados pelo bispo? Para mostrar claramente o elevado e único fim a que são destinados.

 

P358. Como era a benção dos paramentos da santa Missa? Segundo a liturgia de São Jerônimo, os gregos os abençoavam cada um em particular, com o sinal da cruz, acompanhado de oração específica, sempre que os vestiam. Assim também faziam os latinos antigamente, e ainda nos nossos dias dizem orações semelhantes todas as vezes que os impõem.

 

P359. Como eram, inicialmente, os paramentos utilizados pelos sacerdotes? No início os paramentos eram semelhantes ao vestuário comum, mas, como estes sofreram algumas mudanças, assim também os paramentos sagrados passaram por alterações, sendo hoje bem distintos uns dos outros.

 

P360. Que é preciso analisar para se entender os paramentos utilizados atualmente? Para uma visão mais profunda dos paramentos é preciso estudar sua origem, as alterações que foram estabelecidas tanto para o asseio como para a comodidade, os objetivos da Igreja em ordenar e regulamentar seu uso, e as orações pronunciadas pelos sacerdotes ao vesti-los.

 

P361. Quais são as peças dos paramentos sacerdotais para a celebração da Missa? As peças dos paramentos para a celebração da santa Missa são:

1 – O amito;

2 – A alba;

3 – O cíngulo;

4 – O manípulo;

5 – A estola;

6 – A casula;

7 – A estola dos diáconos;

8 – A dalmática;

 

P362. O que é o amito? Amito, originário da palavra latina amicere, que significa cobrir, é um lenço introduzido no século VIII para cobrir o pescoço, preservar a voz e consagrá-la ao Senhor para cantar seus louvores. Em Roma, no século X, foi considerado como um capus que ficava cobrindo a cabeça do sacerdote enquanto este se paramentava, e o deixava cair sobre seu pescoço imediatamente antes de começar a Missa.

 

P363. Qual é o procedimento atual do sacerdote ao vestir o amito? O sacerdote toma o amito e pronuncia as seguintes palavras: “Colocai Senhor o capacete da salvação em minha cabeça.” Segundo o missal romano, embora o amito seja colocado na cabeça e imediatamente no pescoço, o sacerdote deve sempre lembrar-se do sinal que ele indica, como sendo o capacete e a armadura contra os ataques do demônio e de guarda da sua voz. A partir de então, entrar em profundo recolhimento e guardar o mais rigoroso silêncio para celebrar o santo sacrifício.

 

P364. O que é a alba? A alba, assim chamada devido à sua cor branca, era uma larga túnica de linho usada por pessoas distintas, no Império Romano.

 

P365. Por que a Igreja passou a usá-la como paramento litúrgico? Como explica São Jerônimo (Adv. Pelag., 1, 1), a Igreja passou a usá-la para indicar a dignidade da casa de Deus, e porque sua cor branca simboliza a suma pureza dos que seguem na terra o cordeiro sem mancha, e no céu, os anjos, representados e revestidos também com túnicas brancas.

 

P366. Que oração acompanha o vestir a alba? Ao vestir a alba, o sacerdote pede a Deus para torná-lo branco (puro) no sangue do cordeiro e merecer participar das alegrias celestiais.

 

P367. Que é o cíngulo? O cíngulo é um cinto em forma de cordão com que o sacerdote cinge a cintura, pedindo a Deus que coloque um cinto em seus rins, para conservar sua pureza.

 

P368. Que é manípulo? Manípulo, originário do termo mappula, significa pequeno lenço, chamado também de sudarium (enxugar o suor), na França e Inglaterra. Da palavra mappula se formou o termo manípula, encontrado nos antigos pontificais do século IX, ainda que é verossímil também que aquele termo tenha sua origem na palavra manus, mão, porque se usava preso ao braço ou à mão esquerda.

 

P369. Qual sua função no paramental litúrgico? O manípulo substituiu o orarium, ou a estola, quando esta não serviu mais para enxugar o pescoço e o rosto. Com o passar do tempo, o manípulo passou a ser cada vez mais ornamentado, e no século XII já não servia mais para a sua finalidade original. Assim, a partir de 1195, o cardeal Lotário, futuro papa Inocêncio III, fala do manípulo, não mais para enxugar o corpo, mas para enxugar a alma e o coração, para afastar o temor dos trabalhos, suores e lágrimas evangélicas e infundir o amor às boas obras.

 

P370. Com que oração o sacerdote o veste hoje? Há mais de seiscentos anos os sacerdotes repetem a seguinte oração ao vestir o manípulo: “Mereça eu, Senhor, usar o manípulo das dores e lágrimas para receber com alegria a recompensa do trabalho”. Essa oração se fundamenta no Salmo 125, 6: “Os que semeiam entre lágrimas, com alegria ceifarão. Vão andando e choram, levando as sementes para espalhar. Quando voltarem, virão com alegria, trazendo os seus punhados”. Manípulos, no Salmo, significa também feixes, punhado.

 

P371. O termo manípulos, neste Salmo, tem outros sentidos? Sim. No Salmo acima há dois significados para aquela palavra: o primeiro, indica o punhado que carregavam nas mãos ao partirem para a semeadura; o outro, do punhado que os colhedores traziam ou o seu fruto.

 

P372. Que simbolizam esses dois significados? Que neste mundo se planta com trabalho e sofrimentos; e que no outro, se carrega com alegria os frutos daquele trabalho, para o qual a Igreja nos anima.

 

P373. Que é a estola? Estola, antigo orarium, era um lenço grande e fino, usado por pessoas abastadas para enxugar o rosto. Geralmente, era utilizado por pessoas que falavam em público (daí o termo orare, oratio, significando discurso) e, por isso, era levado também pelo bispo, pelo sacerdote e pelo diácono, nunca, porém, pelos ministros das ordens menores que não tinham o poder de anunciar a palavra de Deus.

 

P374. Quando passou a ser empregado, nos moldes de hoje, como paramento pela Igreja? Embora, pela tradição ele tenha sido sempre empregado na Igreja, desde o século VI há muitas pinturas relativas à Igreja grega e à latina em que se nota a estola, de seda e larga, como usada nos nossos dias. A Igreja sempre a viu como um traje de honra e de autoridade espiritual.

 

P375. Com que oração o sacerdote veste a estola? O sacerdote veste a estola com a seguinte oração: “Dai-me, Senhor, a túnica da imortalidade que perdi pelo pecado com a queda do nosso primeiro pai”.

 

P376. Que é a casula? Casula era um grande manto redondo, muito largo, com uma abertura para passar a cabeça, cobrindo todo o corpo, traje comum que todos os homens usavam como manto, durante os sete primeiros séculos da era cristã. Depois o povo deixou de usá-la, sendo conservado somente pelas pessoas consagradas a Deus, como último paramento vestido pelo sacerdote para celebrar a santa Missa.

 

P377. Há quanto tempo os sacerdotes utilizam a casula para a celebração da Missa? Há mais de mil anos a Igreja entrega a casula aos sacerdotes ao ordená-los, como traje específico para oferecer o santo sacrifício.

 

P378. Que simboliza a casula? A casula simboliza a caridade que deve cobrir o sacerdote o jugo amável de Nosso Senhor Jesus Cristo que o sacrificador deve realizar com graça e alegria. A casula tem a cruz desenhada às costas.

 

P379. Que oração recita o sacerdote ao vestir a casula? A casula traz desenhada às costas a cruz. O sacerdote, que deve fundar sua glória em levar a cruz de Cristo, ao vestir a casula, diz: “Senhor, que dissestes: meu jugo é suave e meu peso é leve, fazei que eu o porte de modo a merecer a sua graça”.

 

P380. O que é a estola dos diáconos? Os diáconos, que auxiliam ao sacerdote no altar durante a celebração da santa Missa, além do amito, da Alba, do manípulo e do cíngulo, vestem uma estola própria, e a dalmática.

 

P381. Qual a origem dessa estola? A estola dos diáconos teve a mesma origem da estola dos sacerdotes; um lenço fino e largo, colocado sobre o ombro esquerdo, assim como era usado pelos servidores romanos em suas festas solenes. São Crisóstomo dizia que as pontas da estola dos diáconos flutuantes ao vento imitavam as asas dos anjos, e representavam a sua atividade (Hom. De filio pródigo). O IV Concílio de Toledo, em 633, determinou aos diáconos que só usassem um orarium no ombro esquerdo e, prendendo as extremidades no lado direito, sob a dalmática.

 

P382. Que era a dalmática? Era uma túnica com mangas curtas e próprias para facilitar os movimentos dos que a usavam.

 

P383. Qual a origem da dalmática? A dalmática era um vestuário usado na Dalmácia, daí seu nome; foi introduzida em Roma no século II.

 

P384. Como Santo Isidoro considerava a dalmática? Santo Isidoro, no século VI, considerava a dalmática como veste sagrada, branca e adornada com bainhas em púrpura. Por isso ela se tornou um traje solene, devendo inspirar uma santa alegria, conforme a expressão do pontifical (De ordin. Diac.). Além da dalmática, os diáconos usam também a estola.

 

P385. Por que os sacerdotes e ministros devem usar tais paramentos? Tais paramentos são utilizados pelos sacerdotes e ministros para atender os desejos da Igreja de se revestirem de justiça (Sl 131), ou seja, do conjunto de virtudes convenientes ao seu ministério.

 

P386. Qual deve ser o vestuário dos fiéis durante a celebração do Santo Sacrifício da Missa? A Igreja recomenda aos fiéis que devem se aproximar daquelas virtudes próprias do sacrifício que oferecem através do celebrante a Nosso Senhor Jesus Cristo. Assim, o amito deve lembrá-los da decência dos vestidos e do recolhimento e do silêncio na casa de Deus; a Alba e o cíngulo, devem lembrar a pureza e a modéstia; o manípulo lembra a santa vida e as boas obras da fé que devem unir à santa vítima; a estola, a dignidade da sua vocação que convida a sacrificar na terra e a reinar no céu; a casula, lembra o fogo da fé e da lei de Deus com que devem subir ao altar e de praticar no mundo todos os atos da sua vida; enfim, o vestuário deve mostrar para a alma a grandeza do sacrifício, o seu tempo de preparação e a abundância de frutos que dele devem usufruir.

 

P387. Por que os paramentos são de diferentes cores? As cores também devem acompanhar o estado de espírito com que a Igreja celebra as diversas festividades. Assim, já no início do século IV, a cor era a branca, pelos mesmos motivos expostos quando tratamos da Alba, e algumas vezes se usou a cor vermelha, ou a púrpura, que entre os gregos era sinal de luto. O branco indicava a pureza do cordeiro sem mancha, e a púrpura, o luto. Usava-se o branco nas solenidades e festas comuns, e o vermelho nos dias de jejum e nas cerimônias fúnebres.

Porém, logo se passou a usar a cor preta para simbolizar o luto, a exemplo do patriarca Acácio de Constantinopla que, para demonstrar a aflição e a dor que sentira pela promulgação do edito do imperador Basilisco contra o Concílio de Calcedônia, se cobriu de preto e revestindo assim também o altar e a cátedra patriarcal.

 

P388. Além das cores branca e vermelha, que outras cores a Igreja latina utilizava? Além daquelas cores, a Igreja latina utilizava também paramentos azuis para que os fiéis pensassem no céu, como dizia Ivon de Chartres. No século XII, porém, a Igreja latina passou a usar paramentos em cinco cores diferentes para celebrar comemorações específicas.

 

P389. Quais foram as cinco cores utilizadas usadas pela Igreja latina após o século XII? Foram as seguintes cores: branca, vermelha, verde, violeta e preta.

 

P390. Que significado tinha cada uma daquelas cores? Cada cor era usada para lembrar aos fiéis as diversas disposições da alma segundo a natureza da festividade comemorada. Assim, cada cor significava:

1- Branca: simbolizava a alegria, o brilho e a pureza; utilizada nos dias comemorativos dos mistérios gozosos e gloriosos de Nosso Senhor Jesus Cristo, nas festas dedicadas à Nossa Senhora e à maior parte dos santos;

2- Vermelha: lembrava o espírito de sacrifício, a efusão do sangue, o ardor da caridade; usada na Sexta-feira Santa; no dia de Pentecostes, na festa dos Apóstolos e dos mártires;

3- Verde: indicava aos fiéis a fecundidade do campo e da riqueza proveniente das ações espirituais; utilizada a partir do domingo da Santíssima Trindade até o Advento;

4- Violeta: símbolo da penitência; usada no tempo do Advento, da Sexagésima (60 dias antes da Páscoa) e da Quaresma;

5- Preta: como sinal de luto da Igreja e dos seus filhos, no tempo da Paixão e nas Missas fúnebres.

 

P391. Por que os ornamentos dos paramentos litúrgicos são sempre dourados? Os ornamentos dos paramentos são sempre dourados, pois esta cor figura todas as classes de cores.

 

P392. Que lição fundamental a Igreja nos dá através dos seus diversos paramentos litúrgicos? Qualquer que seja o costume estabelecido nesse campo, devemos sempre acatar e reverenciar a Igreja como a esposa de Nosso Senhor Jesus Cristo, de quem se escreveu: “A rainha está à vossa direita, adornada com admirável variedade”.

 

CAPÍTULO X

Da benção e aspersão da água – das procissões e da chegada do sacerdote ao altar

  • 1 – Benção e aspersão da água

 

P393. Que ordena a rubrica do Missal quanto à água? A rubrica do Missal ordena que todos os domingos, antes da Missa, o celebrante, revestido com todos os paramentos sagrados, exceto a casula, deve benzer a água para aspergi-la sobre o povo.

 

P394. Quando começou essa tradição? A benção e a aspersão da água sobre os fiéis é uma tradição muito antiga. Já São Basílio, Bispo de Cesárea e Doutor da Igreja, que viveu no século IV, a colocava entre as tradições apostólicas. Além disso, os padres mais antigos da Igreja nos falam dessa água purificada e santificada pelo sacerdote, cuja finalidade, ao aspergi-la sobre o povo, é de purificá-lo e prepará-lo para a santa oblação.

 

P395. Quais são os elementos utilizados na benção da água? Os elementos utilizados para a benção da água são: água e sal.

 

P396. Por que se utiliza do sal e da água para a benção? Porque a virtude da água é de lavar, e a do sal é de preservar da corrupção. Ao tomar estes símbolos comuns de pureza e de salubridade, a Igreja os exorcisa, isto é, os ordena, por parte de Deus e pelos méritos da cruz de Jesus Cristo, que não prejudiquem os homens pelo abuso que o demônio poderia fazer deles, e que, pelo contrário, lhes seja útil para a salvação.

 

P397. Por que a Igreja invoca o poder divino sobre o sal? Para que ele preserve os homens de tudo quanto possa ser prejudicial à salvação, da mesma forma que o profeta Elias lançou sal sobre as águas de Jericó, para torná-las salubres a terra, dizendo da parte de Deus que estas águas não causariam a morte nem a esterilidade. Para isto também são feitos os exorcismos que se fazem sobre a água batismal, para a consagração das igrejas e sobre os objetos inanimados.

 

P398. Quando a Igreja começou a fazer exorcismos? Os exorcismos remontam à mais antiga era. Tertuliano se refere a eles quando diz que “as águas são santificadas pela invocação de Deus” (De Bapt. C. 40); e São Cirilo afirma mais claramente que é preciso que a água seja purificada e santificada pelo sacerdote (Epístola 70).

 

P399. Como o sacerdote procede à benção da água? O sacerdote abençoa e mistura o sal na água, reunindo os dois efeitos de purificar e de preservar da corrupção, dizendo: “Faça-se a mistura do sal e da água, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”, fazendo vários sinais da cruz para indicar que só esperamos os efeitos que estes sinais expressam, implorando a onipotência da Santíssima Trindade, pelos méritos da cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo.

 

P400. Que pede a Deus o sacerdote depois do exorcismo do sal? Depois do exorcismo do sal o sacerdote pede a Deus: “Que sirva este sal a todos quantos o tomem para a saúde do seu corpo e da sua alma, e que tudo o que for tocado por ele se preserve de toda impureza e de qualquer ataque do espírito da malícia”.

 

P401. Que diz o sacerdote após o exorcismo da água? Diz ele: “Derramai, Senhor, a virtude da vossa benção sobre este elemento preparado para as diversas purificações; a fim de que receba vossa criatura, servindo aos vossos mistérios, o efeito da vossa divina graça para lançar os demônios e as enfermidades; que tudo quanto seja por ela tocado nas casas e nos demais lugares dos fiéis, se preserve de toda a impureza e de todo o mal; que afaste desta água todo o sopro pestilento, todo o ar corrompido, que a preserve de todo o ataque do inimigo oculto, e de tudo quanto possa ser danoso à saúde e ao repouso dos que lá vivem; e, finalmente, que se conserve contra todo o tipo de ataques esta saúde que pedimos por invocação do vosso santo nome”.

 

P402. Que proveito podemos tirar dos ensinamentos acima? Os ensinamentos acima nos convidam a usar da água benta na igreja, bem como a conservá-la em nossas casas, para dela nos servir nas tentações, ao deitar, ao despertar, para pedir o auxílio de Deus em todas as circunstâncias de perigo, quer para o nosso corpo como para nossa alma.

 

P403. Por que o sacerdote asperge o altar e o santuário? O sacerdote asperge o altar e o santuário para afastar o que poderia perturbar o recolhimento dos ministros. O sacerdote asperge a si mesmo e ao povo para dispô-lo a participar com ele das graças que ele pediu para a Igreja na benção da água, e diz em voz baixa o salmo Miserere, porque, para obter essas graças, é preciso manter a atitude de arrependimento e penitência expressa neste salmo.

 

P404. Como responde o povo a este salmo? O povo canta somente o primeiro versículo do Miserere, acrescentando, antes e depois, esta antífona: Vós me tocareis, Senhor, com o hisopo, e serei purificado: me lavareis e ficarei mais branco que a neve.

 

P405. O que é o hisopo? Hisopo é o menor arbusto; suas folhas, escuras e esponjosas, são próprias para reter a água para a aspersão, e sua propriedade, que é de purificar e secar os maus tumores, é feita como um sinal muito apropriado da purificação do corpo e da alma.

 

P406. O hisopo foi sempre utilizado para a aspersão? Sim. No Antigo Testamento havia a aspersão do sangue do cordeiro nas portas dos israelitas como hisopo (Ex 12, 22), bem como o sangue e cinzas da vaca e da água para purificar da lepra. Mas o profeta e a Igreja visavam mais a aspersão do sangue de Cristo, do qual aquelas eram figuras na lei antiga. Por isso devemos pedir nesta cerimônia, a aspersão do sangue de Cristo, ou seja, a aplicação dos méritos deste preciosíssimo sangue, o único que pode apagar os nossos pecados e nos preservar de todos os males.

 

P407. Como o sacerdote termina esta oração? O sacerdote conclui a oração dizendo: “Ouvi-nos, Senhor, Padre Onipotente, Deus eterno; dignai-vos enviar dos céus vosso santo anjo para que governe,vigie, proteja, visite e defenda a todos os que estão neste lugar. Por Nosso Senhor Jesus Cristo”.

 

P408. A que anjo o sacerdote se refere naquela oração? É o mesmo anjo que Deus enviou a Tobias e que o preservou contra todos os ataques do espírito maligno que havia matado os sete maridos de Sara, conduzindo-o são e salvo.

 

  • 2 – Procissão antes da Missa

 

P409. Que significa “Procissão”? A palavra procissão vem do termo latino procedere, que significa marchar, ou ir adiante. Por procissão se entende a marcha, o caminhar, que fazem o clero e o povo rezando para determinados fins religiosos, levando à frente a cruz de Cristo, que é o caminho e guia dos fiéis.

 

P410. Quais são as origens das procissões? Seguindo a tradição do Antigo Testamento, havia procissões para levar a arca santa de um lugar para outro; no século VI vemos o costume de celebrar-se Missa nos túmulos de mártires, ou em lugares de devoção; fazia também procissões para benzer cemitérios e lugares próximos de igrejas.

 

P411. Quando se realizavam as procissões? As procissões eram feitas no raiar do dia para imitar as santas mulheres que se dirigiram bem cedo ao sepulcro de Nosso Senhor.

 

P412. Por que se fazem procissões antes da Missa nos domingos e festas solenes? A finalidade das procissões antes da Missas é de abençoar os caminhos e as casas com a água santificada e, principalmente, pela presença de Cristo, como nas solenes procissões da Páscoa.

 

P413.Há outras finalidades nas procissões? Sim; como de honrar algum mistério, como a entrada de Nosso Senhor no templo, ou sua entrada triunfal em Jerusalém no dia de ramos; da sua ascensão ao céu; ou atrair as bênçãos de Deus sobre os bens da terra, etc. A finalidade principal das procissões é de mostrar que o cristão é um viajante em desterro na terra e que o céu é sua verdadeira pátria para a qual ele se encaminha guiado por Cristo, sob a proteção de Nossa Senhora e dos santos patronos, cujos estandartes ele leva, iluminado pela luz da fé, pelo exercício da oração e da penitência, para chegar ao altar visível e deste ao altar do céu, onde está o verdadeiro repouso e a felicidade eterna: estes são os piedosos motivos que devem animar os fiéis nas procissões.

 

P414. Há paramentos especiais para o sacerdote e clérigos nas procissões? Sim. Normalmente o sacerdote usa a cappa, que era um grande manto com um capus que o abrigava da chuva; daí o nome: pluvial. Hoje, a capa é só um ornamento.

 

P415. Como o povo acompanha a procissão? Durante a procissão cantam-se hinos, salmos, antífonas, ladainhas e mais frequentemente responsórios, finalizando com uma oração geral recitada pelo sacerdote que a dirige.

 

  • 3 – Chegada do sacerdote ao altar

 

P416. Que faz o sacerdote ao fim de tudo o que precede o Santo Sacrifício? Terminada a preparação do sacerdote à oblação propriamente dita, e tendo se revestido dos paramentos, com as virtudes que são próprias às suas funções, com as armas da luz e a luz mesma que lhe serve de capa (Sl 102), faz o sacerdote uma reverência respeitosa à cruz situada na sacristia, recebendo como embaixador de Cristo que o envia as últimas instruções para realizar o Santo Sacrifício.

 

P417. Que significa a casula que reveste o sacerdote? A casula lembra Nosso Senhor Jesus Cristo subindo ao Calvário, carregando o divino madeiro; e, avançando, o sacerdote segue em espírito como ao sacrificador principal de que ele é indigno representante.

 

P418. Que significa o caminho do sacerdote da sacristia ao altar? O sacerdote se encaminha da sacristia ao altar, conforme determina a rubrica, pois deve revestir-se na sacristia e este caminho representa o Salvador vindo a este mundo, manifestando a vontade de se oferecer e começando o seu sacrifício desde a Encarnação.

 

P419. Que representam os acólitos? Os acólitos, portando velas acesas e precedendo o sacerdote, simbolizam a luz que ilumina todo homem que vem ao mundo e que brilhou para os que se encontravam nas trevas e nas sombras da morte.

 

P420. Por que os acólitos levam a cruz, e o incenso? Levam a cruz para mostrar o sacrifício que marcou a vida de um Deus feito homem; o incenso, para indicar o perfume da doutrina e das virtudes que ele veio ensinar ao mundo.

 

P421 Que representam os demais participantes da procissão que antecedem o sacerdote celebrante? Os membros das ordens menores representam a longa série de profetas; o subdiácono e o diácono, que são como os apóstolos da Nova Lei e do evangelho (Nota: as ordens menores foram suprimidas após o Concílio Vaticano II).

 

P422. Por que caminham com passo lento e sério? Assim caminham como convém ao representante de um Deus e dispensador dos mistérios sagrados. Em missas solenes o sacerdote é acompanhado por outro com cappa, denominado de assistente, para substituí-lo se por algum motivo ele não possa concluir o Santo Sacrifício, e para auxiliá-lo e servi-lo durante a liturgia.

 

P423. Que mais ordena a rubrica quanto à procissão antes da Missa? A rubrica determina ainda que o sacerdote deve andar de cabeça coberta, significando que ele está revestido da autoridade de Cristo e só se descobre quando passa diante de um altar ou diante do Santíssimo Sacramento exposto, ou quando da elevação ou da comunhão.

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SEGUNDA PARTE

Explicação das orações e cerimônias da Santa Missa

 

CAPÍTULO I

Primeira parte da Missa: da Preparação pública ao sacrifício e da entrada ao altar

 

Esta preparação inclui o Sinal da Cruz, o salmo Judica me Deus, a confissão dos pecados (Confiteor), as orações para alcançar o seu perdão e para pedir a graça de subir ao altar com pureza. A entrada ao altar compreende o uso do incenso nas Missas solenes, o Introito, o Kyrie e o Gloria in excelsis Deo.

 

  • 1 – DA PREPARAÇÃO PÚBLICA AO SACRIFÍCIO

 

P424. Quando surgiu a preparação pública do sacerdote à santa Missa? A preparação pública para a Santa Missa surgiu no século IX, e era feita pelo sacerdote, não no altar, mas na sacristia, enquanto o coro cantava o salmo do Introito, ou entrada, e o povo a ele se unia com a invocação do Kyrie eleison. Somente no século XIII, o sacerdote passou a fazê-la diante do altar, quando da sua entrada, iniciando a Missa.

 

P425. O que representa a chegada do sacerdote ao altar? A chegada do sacerdote ao altar representa a entrada de Jesus Cristo no mundo pela encarnação, e a humilhação do Verbo que se fez carne e assumiu todas as nossas iniquidades.

 

P426. Que outras figuras representa o sacerdote diante do altar? Para se entender as cerimônias em suas menores particularidades, o sacerdote diante do altar representa diversos personagens.

 

P427. Que personagens representa o sacerdote diante do altar? Diante do altar, o sacerdote representa ou figura diversos personagens, tais como:

1º – representante de Deus e dispensador de Seus mistérios;

2º – ministro da Igreja e delegado dos fiéis;

3º – homem pecador, sob cujo aspecto se confunde com os assistentes.

 

P428. Que deveres acarretam ao sacerdote tais representações? As diversas representações do sacerdote diante do altar acarretam os seguintes deveres:

1º – como representante de Deus, ele não pode abandonar o santuário, lugar de sacrificador;

2º – como homem, ele se detém no primeiro degrau que leva ao altar;

3º – como delegado dos fiéis diante do Senhor, ocupa o lugar intermediário, entre o povo e o Senhor;

4º – como pecador, se inclina profundamente e se prosterna diante da suprema majestade;

5º – como sacerdote, se ergue e permanece em pé; porém, seguindo o exemplo do publicano, a longe stans (Lc 18), separado do altar quanto lhe permite o seu ministério.

Nesta atitude, em que se une e confunde a dignidade e a miséria, a responsabilidade em relação a Deus e a mediação com os homens, a humanidade e o sacerdócio, a santidade do ministério e a debilidade da natureza, o sacerdote beija, com todo o respeito, o livro do Evangelho.

 

P429. Por que o sacerdote beija o Evangelho? O sacerdote beija o livro do Evangelho para reanimar seu valor e sua confiança para começar o sacrifício, pois, uma vez chegando ao altar, na presença de Deus, seus passos vacilavam de terror e de respeito diante do Todo Poderoso.

 

P430. Por que o Evangelho reanima e dá confiança ao sacerdote? Porque este é o livro que contem seus direitos à oblação, seus títulos de sacerdócio, a origem e a fonte dos seus poderes, a grandeza da sua missão; é o livro em que resplandece a bondade daquele que veio a chamar os justos e os pecadores, cuja misericórdia concedeu o cargo pastoral ao amor arrependido.

 

P431. Por que o subdiácono apresenta o livro do Evangelho ao celebrante? Assim como na marcha triunfal dos imperadores romanos um arauto os seguia para lembrar-lhes que eram homens, no caminhar do sacerdote ao altar, um ministro deve lembrar a este homem abençoado por Deus que ele é o sacerdote do Altíssimo e mediador de uma aliança divina. Ao beijar o livro, o sacerdote demonstra sua modéstia e nobre confiança nas promessas de Nosso Senhor nele contidas.

 

P432. Que representa a inclinação profunda do sacerdote ainda ao pé do altar? A prostração do sacerdote representa, além do rebaixamento do Verbo feito carne, a pobreza do nascimento do Salvador, a obscuridade da sua vida, as humilhações do seu ministério público e, principalmente, o início da Paixão no Horto das Oliveiras, em que Jesus, seguido pelos seus discípulos, afastando-se deles, rezou prostrado, com o rosto na terra, e aceitou o cálice dos seus padecimentos.

 

P433. Por que o sacerdote faz essa prostração? O sacerdote faz a profunda inclinação, pois, ainda que sua alma esteja preparada ao sacrifício pela santidade da sua vida, pelo recolhimento habitual, pelo fervor da oração e da meditação, e pelas lembranças das virtudes que Deus exige do seu representante, simbolizados pelos paramentos sagrados que o revestem, é necessária também uma preparação externa, pública, pela dignidade da ação que vai acontecer no altar, e para mostrar aos fiéis que não devem tomar parte nela sem a devida preparação.

 

P434. Por que o sacerdote começa a celebração da Missa com a cabeça descoberta? O sacerdote começa a celebração dessa forma porque assim prescreve o rito antigo da Igreja e São Paulo o recomenda. O Concílio de Roma, presidido pelo Papa Zacarias, em 743, proíbe sob pena de excomunhão ao bispo, ao sacerdote e ao diácono de assistir a Missa com a cabeça coberta.

 

P435. Qual a postura habitual do sacerdote durante a Missa? O sacerdote habitualmente mantém as mãos unidas, enquanto não há alguma ação ou oração que o façam sair dessa postura piedosa.

(via Fé Explicada)

Fonte: https://pt.aleteia.org/2016/06/02/435-perguntas-sobre-a-santa-missa/

Solenidade da Epifania do Senhor

Por Pe. Fernando José Cardoso

Evangelho segundo São Mateus 2, 1-12
Tendo Jesus nascido em Belém da Judéia, no tempo do rei Herodes, chegaram a Jerusalém uns magos vindos do Oriente. E perguntaram: «Onde está o rei dos judeus que acaba de nascer? Vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-lo.» Ao ouvir tal notícia, o rei Herodes perturbou-se e toda a Jerusalém com ele. E, reunindo todos os sumos sacerdotes e escribas do povo, perguntou-lhes onde devia nascer o Messias. Eles responderam: «Em Belém da Judéia, pois assim foi escrito pelo profeta: E tu, Belém, terra de Judá, de modo nenhum és a menor entre as principais cidades da Judéia; porque de ti vai sair o Príncipe que há-de apascentar o meu povo de Israel.» Então Herodes mandou chamar secretamente os magos e pediu-lhes informações exatas sobre a data em que a estrela lhes tinha aparecido. E, enviando-os a Belém, disse-lhes: «Ide e informai-vos cuidadosamente acerca do menino; e, depois de o encontrardes, vinde comunicar-me para eu ir também prestar-lhe homenagem.» Depois de ter ouvido o rei, os magos puseram-se a caminho. E a estrela que tinham visto no Oriente ia adiante deles, até que, chegando ao lugar onde estava o menino, parou. Ao ver a estrela, sentiram imensa alegria; e, entrando na casa, viram o menino com Maria, sua mãe. Prostrando-se, adoraram-no; e, abrindo os cofres, ofereceram-lhe presentes: ouro, incenso e mirra. Avisados em sonhos para não voltarem junto de Herodes, regressaram ao seu país por outro caminho.

Hoje, domingo, nós celebramos a solenidade da Epifania do Senhor. Este vocábulo significa manifestação. Hoje alguns fiéis cristãos orientais celebram o seu Natal, e nós o vivemos em comunhão com eles. Jesus, diz o Evangelho de hoje, foi adorado por três personagens exóticos vindos do oriente. A tradição cristã posterior foi quem os numerou três. Foi esta mesma tradição quem mostra o longínquo oriente, a Pérsia de onde vieram e que lhes deu nomes. O importante nesta solenidade é sabermos que Jesus não nasceu apenas para os Judeus representados pelos pastores de Lucas no presépio de Belém. Mateus traz outra dimensão do nascimento de Jesus e de sua ação futura, que Lucas nas páginas da infância não menciona explicitamente, ao dizer que personagens pagãos vieram do longínquo oriente para render homenagem ao Rei dos Judeus. Mateus está antecipando o que Jesus diria mais tarde na conclusão de uma de suas parábolas: “Muitos virão do oriente e do ocidente e se assentarão à mesa com o Deus dos patriarcas, com o Deus de Abrão, Isaac e de Jacó”. O que Mateus hoje quer dizer e o que a Igreja hoje celebra neste tempo de natal é o universalismo da missão salvadora de Jesus. Ele não veio só para o povo judaico; Ele veio como luz que resplandece por toda humanidade. Ele veio iluminar todos os seres humanos, e por isto mesmo hoje é o dia litúrgico das missões, todos os povos não judeus podem se sentir representado e antepassado naquelas figuras exóticas que vieram adorar o rei dos judeus. Todo trabalho missionário da Igreja não tem outro escopo e finalidade a não ser levar os pagãos num serviço litúrgico agradável a Deus, a honrá-lo como Deus merece. Vivamos neste ano de 2018 e espírito da Epifania, que é o universalismo; sejamos orgulhosos a pertencer a uma Igreja que desde o início se chamou católica, isto é, universal; chamada a estar presente em todos os povos e a transformar raças tão distantes, tão diversas, e pessoas de línguas tão diferentes num único povo que possua uma única fé, que tenha como meta uma única realidade para qual se dirija na esperança, e, sobretudo um povo que apesar de tantas dificuldades se ame, se compreenda e se una cada vez mais. Eis o mistério da Epifania, eis o mistério da Igreja embutido no mistério da Epifania, todos os povos formando um só coração, uma só alma, pelos serviços dos missionários e pelo seu também a louvar e bendizer a Deus.

 

«Viram o menino com Maria sua mãe. Prostrando-se, adoraram-No»
Santo Afonso Maria de Ligório (1696-1787), bispo e Doutor da Igreja
Meditações para a oitava da Epifania, n°1 (a partir da trad. Noël, Eds. Saint-Paul 1993, p. 302 rev.)

Os magos encontram uma pobre jovem com uma pobre criança coberta de pobres faixas […] mas, ao entrarem naquela gruta, sentem uma alegria que nunca tinham experimentado. […] A divina Criança demonstra alegria: sinal da satisfação afetuosa com que os acolhe, como primeiras conquistas da Sua obra redentora. Os santos reis olham em seguida para Maria, que não fala; mantém-se em silêncio, mas o seu rosto reflete a alegria e respira uma doçura celeste, prova de que lhes presta bom acolhimento e lhes agradece por serem os primeiros a vir reconhecer o seu Filho naquilo que Ele é: o seu Mestre soberano. […] Criança digna de amor, vejo-Te nessa gruta, deitado na palha, pobre e desprezado; mas a fé ensina-me que Tu és o meu Deus, descido do céu para minha salvação. Reconheço-Te como meu Senhor soberano e meu Salvador; proclamo-Te como tal, mas nada tenho para Te oferecer. Não tenho o ouro do amor, porque amei as coisas deste mundo; amei apenas os meus caprichos em vez de Te amar a Ti, que és infinitamente digno de amor. Não tenho o incenso da oração, pois infelizmente vivi sem pensar em Ti. Não tenho a mirra da mortificação, porque, por não me ter abstido de miseráveis prazeres, tantas vezes contristei a Tua infinita bondade. Que Te oferecerei então? Meu Jesus, ofereço-Te o meu coração, manchado e despojado: aceita-o e transforma-o, uma vez que vieste cá abaixo para lavar com o Teu sangue os nossos corações culpados e transformar-nos assim de pecadores em santos. Dá-me, pois, esse ouro, esse incenso, essa mirra que me faltam. Dá-me o ouro do Teu santo amor; dá-me o incenso, o espírito de oração; dá-me a mirra, o desejo e a força de me mortificar em tudo o que te desagrada. […] Virgem santa, tu acolheste os piedosos reis magos com uma viva afeição e eles ficaram cheios de felicidade; digna-te também acolher-me e consolar-me, a mim que venho, seguindo o seu exemplo, visitar e oferecer-me ao teu Filho.

 

Nossa força e vitória é Jesus
Padre Roger Luis

Neste Ano Novo nós precisamos guardar isso: “nossa força e vitória tem um nome e é Jesus”. Ele é nossa força, nossa vitória, nossa esperança e alegria. Precisamos voltar para casa nessa certeza, celebrando a glória de Deus que hoje a Igreja nos permite recordar, na Festa da Epifania. Um Deus que é acessível, que se deixa encontrar. Antes do nascimento de Jesus, muitos achavam que Deus era distante e até inacessível, mas com o nascimento em Belém de Judá, com a encarnação de Jesus, esse Deus se deixou encontrar por todos nós. Ele se deixa tocar e toca em cada um de nós, quando abrimos o coração. Talvez algumas pessoas chegaram aqui e não tinham tido ainda uma experiência pessoal com esse Deus que permite que nós o enxerguemos e que quer nos tocar. Ele quer entrar na sua vida, quer transformar o seu coração, quer mudar sua vida. Diga comigo: “toca Senhor, toca em mim. Me alcança Senhor, assim como o Senhor permite que eu te alcance, alcança minha vida, minha história. Eu quero ser alcançado por Ti, ser tocado por Ti, ser envolvido por Ti. Eu quero ser encontrando. Obrigado Senhor, porque eu posso sentir que o Senhor me encontra. Muito obrigado Jesus”. A Igreja vai dizer no Catecismo da Igreja Católica (CIC), no número 528 que a Epifania é a manifestação de Jesus como Messias de Israel, o Filho de Deus e Salvador do mundo. Assim como esse magos acolheram a boa nova da salvação, nós precisamos acolher. Os magos eram pagãos, adoravam os astros, mas foram humildes e sensíveis, ao ponto de serem atraídos por Deus. A alegria do Senhor é a nossa força Deus se utiliza de todas as coisas para atrair aqueles que são Dele. Deus os atraiu por uma estrela, algo tão comum para eles, mas foi assim que Deus os atraiu para a Verdade. A partir do momento que Deus se revela a eles, os magos começam a romper com a vida velha. “Onde está o rei dos judeus, que acaba de nascer? Nós vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-lo” (Mt 2, 2). O Ano Novo está apenas começando, deixe as coisas velhas para trás. A partir do momento que os reis magos permitem ser conduzidos por aquela estrela, eles já sabiam que tudo o que eles haviam vivido não fazia mais parte de suas vidas, porque o Messias havia nascido para eles. É isso que Deus quer de mim e de você, assumir uma vida nova nesse Ano Novo. Você seguiu a estrela, foi até o presépio, você viu o Menino. Você não pode mais ficar com a vida velha. “Portanto, se alguém está em Cristo, é criatura nova. O que era antigo já passou, agora tudo é novo” (2Cor 5, 17). Fale comigo: “tudo se fez novo na minha vida, eu encontrei o sentido da minha vida: Jesus. Ele é o motivo da minha alegria. Jesus, aquele que me dá a vida nova. Eu te encontrei Jesus. Eu te encontrei e, hoje, estou assumindo a vida nova, porque eu estou em Cristo. Passou o que era velho. Tudo se fez novo. Eu sou um homem (mulher) novo (a), em Cristo Jesus”. Nós fomos iluminados por uma forte luz e onde essa luz chega as trevas se dissipam. Você só pode aceitar a luz de Cristo na sua vida e nada mais. Nós temos que ser ousados e romper com a vida velha. Nós temos que ter coragem de ser diferentes, de dar testemunho, de dizer “eu não quero mais essa vida velha”. Se você permanecer fiel a Deus, tudo o que você está experimentando de vida nova é só o começo de tudo o que Deus quer fazer em sua vida. O mundo continua nas trevas, mas sobre Ti apareceu o Senhor e Sua gloria já se manifesta sobre Ti. Você faz parte desse povo convocado por Deus para permanecer na luz. Diga: “eu vou permanecer na luz, Senhor. Continuar na Tua luz, ilumina todas as áreas de trevas na minha vida, porque eu vou permanecer na Tua luz”. O que você precisa deixar hoje para continuar seguindo Jesus? O que você ainda possui e precisa abandonar para ser uma pessoa feliz? Para ficar com Jesus? Hoje precisamos oferecer nossa liberdade a Jesus, no lugar do ouro oferecido pelos magos, nossa decisão, no lugar do incenso e a nossa consciência lavada e purificada pelo Sangue de Jesus, no lugar da mirra. Qual é a sua decisão? Siga o caminho de Jesus. É vida nova, é Ano Novo. Permaneça com o Menino, pois só Ele pode te dar a vitória, a força e tudo o que você precisa. A resposta é sua.

 

São Cirilo de Jerusalém (séc. IV) escreveu um livro, intitulado “Catequeses Mistagógicas”, onde nos explica a celebração do batismo. Diz-nos que no momento das renúncias, os batizandos estavam com as caras voltadas para o Ocidente. Quando faziam a profissão de fé e eram batizados, tinham as caras voltadas para o Oriente. São Cirilo explica-nos a razão deste gesto. Do Oriente, vem a luz, é onde nasce o dia: é onde nos vem a salvação pela vida nova que se recebe no batismo. A renúncia faz-se com a face voltada para o Ocidente, ou seja, para a noite. Também aqui poderíamos recordar Santo Inácio de Antioquia que nos diz que vem do Oriente para o Ocidente para se “ocultar ao mundo e voltar novamente a nascer, com Cristo, pelo caminho do martírio”. Como não recordar a orientação das igrejas antigas cristãs! Hoje, recordamos que “uns Magos vindos do Oriente chegaram a Jerusalém”, porque tinham visto a estrela do rei dos judeus que acabava de nascer. Viram a luz que tinha nascido, expressão perfeita e natural do mistério do Natal que ainda estamos a celebrar. A profecia de Isaías cumpriu-se: “Levanta-te e resplandece, Jerusalém, porque chegou a tua luz e brilha sobre ti a glória do Senhor”. No Oriente, esta festa é para os cristãos de grande importância. Nos textos desta solenidade, encontramos muitas referências a esta “manifestação, epifania” de Deus que está presente entre os homens. O mistério já não é secreto; foi revelado, como nos diz São Paulo: “os gentios recebem a mesma herança que os judeus, pertencem ao mesmo corpo e participam da mesma promessa, em Cristo Jesus, por meio do Evangelho”. Os Magos são o sinal desta universalidade que contém o mistério cristão: é para todos os povos, para todos os homens e mulheres, de todos os tempos, de todas as culturas e raças, porque Deus fala sempre ao coração de cada um. Num tempo em que tanto se fala de globalização, como é importante a mensagem deste dia! O Evangelho é para todo o mundo e a nossa missão é difundi-lo até aos confins da terra.
Os Magos ainda nos convidam a fazer uma outra reflexão. Eles foram capazes de interpretar os sinais que tinham ao seu alcance. Viram a estrela, estudaram-na, puseram-se a caminho e perguntaram sobre o seu sentido até chegar às Escrituras. Depois, contemplaram o mistério (o Menino), ofereceram-lhe o melhor que tinham com um profundo sentido e “regressaram à sua terra por outro caminho”, porque a contemplação do mistério os transformou completamente. Todos os sinais dos tempos que hoje temos ajudam-nos a fazer também este processo de vê-los, de interpretá-los à luz da palavra, de contemplá-los e celebrá-los na nossa vida, de oferecer o melhor de nós próprios e de fazer com que a nossa vida se transforme (convertidos). Todo este processo deverá ser feito pessoalmente, mas também com a comunidade e com toda a Igreja, porque a Igreja é, hoje, o sinal, como a estrela, que convida a todos a fazer este processo de fé. Temos que ajudar a “orientar” a vida do mundo e de cada pessoa, nosso irmão. A Igreja é sacramento. “Olhai com bondade, Senhor, para os dons da vossa Igreja, que não Vos oferece ouro, incenso e mirra, mas Aquele que por estes dons é manifestado, imolado e oferecido em alimento, Jesus Cristo, Vosso Filho”, diz a Oração Sobre as Oferendas. A manifestação de Deus que acontece em cada eucaristia faz-nos participar pessoalmente do mistério de Deus “para que possamos contemplar com olhar puro e receber de coração sincero o mistério em que por vossa graça participamos” (Oração Depois da Comunhão).

 

A manifestação do Senhor
A presença de Deus faz a humanidade mudar de rumo
Dom Paulo Mendes Peixoto

No Natal celebramos o nascimento do Menino Deus. Na Epifania, esse mesmo Filho de Deus se manifesta ao mundo como divino e humano. É a revelação daquilo que o mundo busca hoje, isto é, a paz, a unidade, a comunhão e a preservação da terra. Deus vem a terra para humanizá-la, fazendo com que a Criação seja resguardada na sua integridade e na dignidade. Para os destruidores da terra e da humanidade, a manifestação do Filho de Deus é atitude de rivalidade. A Sua mensagem exige justiça e honestidade no trato com os bens da natureza. Jesus vem como a estrela que brilha na cultura da escuridão, ameaçando o poder político desonesto e explorador do povo e da nação. Transparece um grande contraste entre a humilde aldeia de Belém e a pomposa e orgulhosa metrópole de Jerusalém. É a força da simplicidade deixando preocupado o orgulhoso poder dominador do rei de Israel. Dificilmente a força do imperialismo consegue ficar de pé se apoiando em falsas e infundadas iniciativas. A presença de Deus faz a humanidade mudar de rumo. Os critérios de ação são outros, exigindo compromisso com o sentido real da vida. O cenário da violência e da submissão deve ser superado, valorizando a força da solidariedade e da partilha. O egoísmo, as práticas inconsequentes e irresponsáveis levam à autodestruição. O sonho dos cativos é a busca da liberdade, o retorno a uma vida feliz. Esta é a esperança no Rei que se manifesta, revelando o plano divino escondido para as gerações do passado. Jesus se manifesta não como “salvador da pátria”, mas como “Salvador do mundo”. Isso não foi entendido pelos sábios de outrora. Tendo havido a manifestação de Jesus, cabe a nós hoje ver Nele a nossa vida e a nossa história. Ter a mente e o coração abertos para encontrá-Lo na sinceridade e no compromisso de vida. Assim poderemos ser luz e caminho para todas as pessoas que vivem sem esperança e atropeladas pelas grandes dificuldades e crises da vida.

 

Epifania do Senhor

Cidade do Vaticano – Isaías anuncia a manifestação da glória do Senhor sobre Jerusalém e a conseqüente vinda para ela dos outros povos, para também serem iluminados pela luz divina. Jerusalém é o centro, atrai para si a atenção dos povos, mas ao mesmo tempo vive a vocação de iluminá-los, de conduzi-los ao Senhor. Paulo nos fala que essa glória do Senhor é o mistério de Jesus Cristo, ou seja, a glória do Senhor que ilumina Jerusalém e atrai para ela os demais povos, é Jesus Cristo com sua salvação. Através dele todos os povos “são admitidos à mesma herança, são membros do mesmo corpo, são associados à mesma promessa”. O Evangelho de Mateus explicita essa atração dos povos pela luz que ilumina Jerusalém, através da vinda dos magos, conduzidos pela luz de uma estrela que irá pairar sobre a casa onde se abriga Jesus, a misericórdia, a salvação, a própria luz! Contudo os doutores da Lei, aqueles que deveriam possibilitar a Luz iluminar, lendo e anunciando os escritos dos profetas, especialmente aquele que diz que será em Belém o nascimento do Messias, do Salvador, não querem ser incomodados pela luz e preferem permanecer na escuridão. Pouco lhes importa que a missão do Messias seja unir o povo de Deus e iluminar as nações. Os magos, fascinados pelo clarão apreendido nos estudos dos astros e da natureza, já que não possuem as profecias, intuem e tem conhecimento do nascimento do Salvador e sabem que é naquela região. Ao visitarem o Messias, lhe ofertam ouro, incenso e mirra. Ouro, ao rei; mirra, o óleo com o qual esposa se perfuma para suas núpcias, sinaliza que o Senhor é o esposo; e incenso, ao Deus encarnado. Discernindo a reação do rei Herodes, os magos não retornam a ele após a visita ao Senhor. Para nós, batizados, que temos o conhecimento da vinda do Messias, que a celebramos a cada ano no Natal, como é nossa postura em relação às exigências da revelação? Somos seus anunciadores a todos os homens? Aceitamos que o Senhor se revela a todos e de modo diverso, de acordo com a cultura e possibilidades de cada um? Cremos que a Igreja é a nova Jerusalém, de onde brilha a Luz do Sol verdadeiro, Jesus Cristo, e para ela se dirigem todos os povos, todos os homens de boa vontade? Também, como os Magos desviamos nossa caminhada daquelas pessoas ou situações que nos afastam de Deus, que optaram pelo Mal? Que preferem o acomodamento à prática do bem? Ser cristão é acreditar que a vinda de Jesus Cristo trouxe para a Humanidade a união definitiva de Deus com o Homem e que todos os homens são chamados a viver essa união e que a Igreja tem a missão de ser farol, porque nela está a Luz verdadeira. Epifania, – manifestação da misericórdia de Deus a todos os homens,- façam já parte da Igreja ou ainda não.

Fonte: Radio Vaticano

 

Festa da Epifania do Senhor
Mt 2, 1-12 “Viemos prestar-lhe homenagem”

Hoje celebramos uma das grandes festas do Ciclo de Natal – a Manifestação do Senhor (“Epifania” em grego), onde comemoramos o fato de que Jesus foi manifestado, não somente ao seu próprio povo, mas a todos os povos e nações, representados pelos Magos do Oriente. Embora a festa tenha muita popularidade folclórica, também esconde uma grande verdade da fé – que a salvação em Jesus é para todos os povos, sem distinção de raça, cor ou religião. Retomando a grande intuição do profeta Isaías, celebramos hoje a salvação universal em Jesus. O texto de hoje é altamente simbólico – usa uma técnica da literatura judaica chamada “midraxe”, ou seja, uma releitura de passagens bíblicas, com o intuito de atualizá-las.
Assim, Mateus quer ensinar algo sobre Jesus, usando figuras e símbolos tirados de diversos textos do Antigo Testamento. Por exemplo:
– Vêm os magos (nem três, nem reis!) buscando o Rei dos Judeus. Esses magos lembram os magos que enfrentavam e foram derrotados por Moisés (Êx 7, 11.22; 8, 3.14-15; 9, 11) e acabaram reconhecendo o poder de Deus nas maravilhas feitas por Ele.
– A estrela é sinal da vinda do Messias, relendo a profecia de Balaão em Nm 24, 17.
– O menino nasce em Belém, conforme a profecia de Miquéias (Mq 5, 1)
– Os presentes lembram as profecias de Segundo e Terceiro-Isaías, e dos Salmos, sobre os estrangeiros que viriam a Jerusalém trazendo presentes para Deus (Is 49, 23; 60, 5; Sl 72, 10-11).
– Herodes, como o Faraó, massacra os filhos do povo de Deus (Êx 1, 8.16).
O texto chama a atenção pelas reações diferentes diante do nascimento de Jesus. Os que deveriam reconhecer o messias – pois são versados nas Escrituras – ficam alarmados, pois para eles, opressores do povo através da religião e da política, Jesus e a sua mensagem constituem uma ameaça. Outros, pagãos do oriente, buscando sem ter certeza, arriscam muito para descobrir o verdadeiro Deus, e entregam-lhe presentes, sinal da partilha, grande característica do Reino que Jesus veio pregar. Hoje em dia, verificam-se as mesmas reações diante de Jesus e do seu evangelho. Muitos querem reduzir os eventos religiosos a algo folclórico com shows e cantos, mas que de forma alguma possa questionar a nossa sociedade e os seus valores. Para outros, o menino na estrebaria é um sinal do novo projeto de Deus, o mundo fraterno, onde todas as pessoas de boa vontade têm que se unir, seja qual for a sua raça, nação, gênero ou religião, para construir a fraternidade que Deus quer. Jesus não precisa de presentes, mas, sim do nosso esforço na vivência do seu Reino. Na prática, temos que optar – para a vivência religiosa vazia como a de Herodes e dos Sumos Sacerdotes, ou pela mensagem libertadora do Menino de Belém, que convoca todas as pessoas de boa vontade, sem distinção de raça, cultura ou tradição religiosa, representados hoje pelos magos, para a construção do mundo de paz, fraternidade e justiça, pois Jesus veio para que “todos tenham a vida e a tenham plenamente” (Jo 10, 10).

 

Os Reis Magos

Cidade do Vaticano – Comemora-se no próximo dia 6 o “Dia de Reis”, isto é, a festa dos Reis Magos. Dentro de nossa liturgia, essa comemoração está intrinsecamente unida à Epifania, ou seja à manifestação de Deus, já que o mistério renovado é a manifestação de Jesus Cristo a todos os povos. Contudo, para facilitar a celebração de mistério tão importante, passou-se sua liturgia para o domingo logo após à solenidade de Maria, Mãe de Deus. Todavia, nosso calendário popular continua assinalando o dia 6 de janeiro como o Dia de Reis.
Mas, quem são os Reis Magos?
Vamos procurar responder a essa pergunta estudando os Evangelhos e pesquisando em inúmeros documentos. Em primeiro lugar, o relato de São Mateus não é uma reconstituição histórica do que de fato aconteceu, pelo menos não foi essa sua intenção. O Evangelista e sua comunidade original quiseram mostrar que o Messias não veio para salvar uma pátria, mas todo o mundo. Mateus escreve para os judeus cristianizados, quer mostrar que Jesus é o descendente de Davi e que sua missão é oferecida aos pagãos. Não parece verdadeiro que toda Jerusalém tenha ficado alarmada e nem que Herodes tenha convocado todos os sumo sacerdotes e nem que tenha permitido aos magos prosseguirem em seu caminho. Também não deve ser verdadeiro que a estrela tenha seguido um curso contrário às leis naturais. Não se deve buscar uma explicação segundo as leis da astronomia. Quanto aos “Reis Magos”, o texto evangélico não fala em três, mas em “magos do Oriente”. No século III, Orígenes fala em três, provavelmente por causa dos três presentes: “ouro, incenso e mirra”. Já São João Crisóstomo, no século IV, fala em 12. Em algumas catacumbas encontramos o números 2 e 4.
Os nomes usuais Melchior, Gaspar e Baltasar aparecem em um manuscrito do século V. Segundo Heródoto, os “magos” eram uma tribo dos medos, que se transformou numa casta de sacerdotes entre os persas e que praticavam a adivinhação, a medicina e a astrologia. Provavelmente Mateus pensa em astrólogos oriundos da Babilônia. Para os judeus, “Oriente” era toda a terra que se estendia além do Jordão. Devido aos presentes oferecidos ao Menino, a tradição cristã considerou os magos oriundos da Arábia, o país do incenso. Já em Is 60,6 vemos que a estrela-guia, na época de Mateus essa idéia não causaria estranheza alguma. Flávio Josefo, um grande historiador judeu, relata histórias semelhantes de estrelas que surgiam quando nascia pessoa destinada a uma grande missão. Por isso, a reação de Herodes, e muito provável.
Mas essa história da estrela já surgiu em Nm 24, 17.19, mil e duzentos anos antes do nascimento de Jesus: “Eu o vejo, mas não é um acontecimento que acontecerá dentro de pouco tempo; sinto-o, mas não está perto: uma estrela desponta da estirpe de Jacó, um reino, surgido de Israel, se levanta… Um rebento de Jacó dominará sobre seus inimigos”.
E agora, em que vamos acreditar?
O relato de Mateus deve ser compreendido à luz da intenção teológica do evangelista, o qual não pretendeu escrever um relato histórico, mas mostrar o significado salvífico do nascimento de Jesus: ele veio para todos os homens, como a luz. Ao ser acendida, ilumina a todos, indistintamente.

Fonte: Rádio Vaticano

Santíssimo Nome de Jesus – 02 de Janeiro

Jesus quer dizer “Deus que salva”. Jesus, nome dado pelo próprio Deus, significa que “em nenhum outro há salvação” (At 4, 12) senão em Jesus de Nazaré, nascido de Maria Virgem. Nele Deus Se fez homem, vindo assim ao encontro de cada ser humano (cf. Audiência do Papa São João Paulo II, 15/10/1997).
A devoção ao Santíssimo Nome de Jesus, já arraigada na Igreja desde o seu início, foi pregada e impressa em nós de modo particular por São Bernardo, por São Bernardino de Sena e pelos Franciscanos, estes últimos difundiram pequenos quadros trazendo as letras do Nome de Jesus. Em Camaiore di Luca, na Itália, começou-se a celebrar a festa, depois de aprovada para a Ordem dos Franciscanos (1530), e sob o pontificado de Inocêncio XIII (1721), estendida a toda a Igreja.
O Nome de Jesus. É um nome grande e eterno, poderoso e terrível, vitorioso e misericordioso, o único que nos pode salvar. É melodia para o ouvido, cântico para os lábios e alegria para o coração… “Ilumina, conforta e nutre; é luz, remédio e alimento” (São Bernardo). Jesus é o mais fiel amigo da alma; é o benfeitor mais generoso, que por ela se imola sobre o altar, por ela entrega-se sem reservas e se oferece em alimento e sustento. Mas o Nome que contém tudo é o que o Filho de Deus recebe na sua Encarnação: JESUS. O Nome divino é indizível pelos lábios humanos, mas, assumindo nossa humanidade, o Verbo de Deus no-lo entrega e podemos invocá-lo: “Jesus”, Iahweh salva. O Nome de Jesus contém tudo: Deus e homem e toda a Economia da criação e da salvação. Orar a “Jesus” é invocá-lo, chamá-lo em nós. Seu Nome é único que contém a Presença que significa. Jesus é Ressuscitado, e todo aquele que invoca seu nome acolhe o Filho de Deus que o amou e a Ele se entregou.
“Jesus é o mestre”. Ele nos ensinou a orar. Ele nos exorta a pedir em seu nome. ‘Tudo o que pedirdes ao Pai em meu nome, ele vos dará’ (Jo 16, 23). Este é um requisito importante para a oração. Contudo, devemos entender o que Jesus queria dizer. Não basta, naturalmente, apresentar a nossa petição em seu nome. É muito mais do que usar simplesmente a fórmula ‘no nome de Jesus’.
No modo de pensar dos Hebreus, o nome de uma pessoa equivalia a toda a pessoa. Orar no nome de Jesus significa orar na pessoa de Jesus, orar como Jesus teria orado. Significa que nós devemos ver as pessoas e as situações como Jesus. Também significa ter a mentalidade e o coração de Jesus. Devemos revestir-nos da mentalidade que estava em Cristo Jesus’. Por outras palavras, nossa oração deve ser somente o que Jesus procura e quer. Nossos pensamentos, esperanças e desejos deverão estar perfeitamente de acordo com a mentalidade de Cristo. Quando cultivamos esta atitude, então falamos com o poder e com a autoridade de Jesus.
O cristão reza em nome de Jesus e também se dirige a Ele. Sente necessidade de clamar como os cegos doentes e pecadores que encontravam o Senhor pelos caminhos da Palestina: “Filho de Davi, tem compaixão de mim!”. A oração é dirigida, sobretudo ao Pai; também é dirigida a Jesus, sobretudo pela invocação de seu santo nome: “Jesus Cristo, Filho de Deus, Senhor, tende piedade de nós, pecadores!” (Catecismo da Igreja Católica)
Nutramos o mais terno amor pelo Nome de Jesus, tenhamos nele a mais total confiança, por ele o mais profundo respeito, para ele o canto mais sublime. Invoquemo-lo nas tentações, nas provas e nos perigos e pronunciemo-lo freqüentemente durante o dia. Ao lado do Nome de Maria, seja a primeira palavra da manhã e a derradeira da tarde.

 

Significado
Festa do Nome de Jesus
O Santíssimo Nome de Jesus foi dado pelo céu
http://formacao.cancaonova.com/igreja/catequese/festa-do-nome-de-jesus/

Por isso Deus o exaltou soberanamente e lhe outorgou o Nome que está acima de todos os nomes, para que ao Nome de Jesus se dobre todo joelho no céu, na terra e nos infernos. E toda língua confesse, para a glória de Deus Pai, que Jesus Cristo é Senhor (Fil 2, 9-11).
A Igreja celebra oito dias após o Natal, em 02 janeiro, de acordo com o “Diretório da Liturgia” da CNBB, a festa do Santíssimo Nome de Jesus; porque oito dias depois de seu Nascimento, São José O circuncidou e lhe colocou o nome de Jesus, conforme o Anjo tinha dito à Virgem Maria. “O anjo disse-lhe: Não temas, Maria, pois encontraste graça diante de Deus. Eis que conceberás e darás à luz um filho, e lhe porás o nome de Jesus” (Lc 1, 30-31). E assim foi cumprido conforme a Lei de Moisés: Completados que foram os oito dias para ser circuncidado o menino, foi-lhe posto o Nome de Jesus, como lhe tinha chamado o anjo, antes de ser concebido no seio materno (Lc 2, 21).
O Santíssimo Nome de Jesus foi dado pelo céu; tanto assim, que o Arcanjo Gabriel o confirma em sonho a São José: Enquanto assim pensava, eis que um anjo do Senhor lhe apareceu em sonhos e lhe disse: José, filho de Davi, não temas receber Maria por esposa, pois o que nela foi concebido vem do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho, a quem porás o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo de seus pecados (Mt 1, 20-21). Cabia ao pai dar o nome para o filho no costume judaico.
O Anjo deixou bem claro a José a razão deste nome: “porque ele salvará o seu povo de seus pecados”. A palavra “Jesus”, em hebraico, quer dizer: “Deus Salva” ou “Salvador”.
No momento da Anunciação, o anjo Gabriel dá-lhe como nome próprio Jesus, que exprime, ao mesmo tempo, Sua identidade e missão. Uma vez que “só Deus pode perdoar os pecados” (Mc 2, 7), é Ele que, em Jesus, seu Filho eterno feito homem, “salvará seu povo dos pecados” (Mt 1, 21). Em Jesus, portanto, Deus recapitula toda a sua história de salvação em favor dos homens. O Filho do Homem tem poder de perdoar pecados na terra (Mc 2, 10). Ele pode dizer ao pecador: Teus pecados estão perdoados (Mc 2, 5). E o Senhor transmite esse poder aos homens – os apóstolos (Jo 20, 21-23) – para que o exerçam em seu Nome.

O poder do nome de Jesus
A Ressurreição de Jesus glorifica o nome do Deus Salvador, pois, a partir de agora, é o nome de Jesus que manifesta em plenitude o poder supremo do “Nome acima de todo nome”. Os espíritos maus temem Seu nome, e é em nome d’Ele que os discípulos de Jesus operam milagres, pois tudo o que pedem ao Pai em Seu nome o Pai lhes concede. É no nome de Jesus que os enfermos são curados, é em Seu nome que os mortos ressuscitam, os coxos andam, os surdos ouvem, os leprosos ficam curados. Esse nome bendito tem poder!
Depois que o pecado atingiu a humanidade, somente o Nome do Deus Redentor pode salvar o homem. E este nome é Jesus. É pelo Nome de Cristo que os apóstolos operaram maravilhas, pois Ele lhes tinha dito: Estes milagres acompanharão os que crerem: expulsarão os demônios em meu Nome, falarão novas línguas, manusearão serpentes e, se beberem algum veneno mortal, não lhes fará mal; imporão as mãos aos enfermos e eles ficarão curados (Mc 16, 17-18). Portanto, o Nome Santo de Jesus tem poder e deve ser invocado com respeito, veneração e fé.
Após o milagre do aleijado na porta do Templo, os fariseus e doutores da lei quiseram impedir os apóstolos de pregar em nome de Jesus: Todavia, para que esta notícia não se divulgue mais entre o povo, proibamos com ameaças, que no futuro falem a alguém nesse Nome. Chamaram-nos e ordenaram-lhes que absolutamente não falassem nem ensinassem em nome de Jesus (At 4, 17-18).
Eles se negam a deixar de pronunciar este santo Nome, porque sabem que não há salvação em nenhum outro: Esse Jesus, pedra que foi desprezada por vós, edificadores, tornou-se a pedra angular. Em nenhum outro há salvação, porque debaixo do céu nenhum outro nome foi dado aos homens, pelo qual devamos ser salvos (At 4, 11-12).
O nome de Jesus significa também que o próprio nome de Deus está presente na Pessoa de seu Filho feito homem para a redenção universal e definitiva dos pecados. É o único Nome divino que traz a salvação, e a partir de agora pode ser invocado por todos, pois se uniu a todos os homens pela Encarnação.
O nome do Deus Salvador era invocado uma só vez por ano pelo sumo sacerdote, para a expiação dos pecados de Israel, depois dele aspergir o propiciatório do Santo dos Santos com o sangue do sacrifício. O propiciatório era o lugar da presença de Deus. Quando São Paulo diz de Jesus que “Deus o destinou como instrumento de propiciação, por seu próprio Sangue” (Rm 3, 25), quer afirmar que na humanidade deste último “era Deus que em Cristo reconciliava consigo o mundo” (2Cor 5, 19).
O Nome de Jesus está no cerne da oração cristã. Todas as orações litúrgicas são concluídas pela fórmula “por Nosso Senhor Jesus Cristo…”. A Ave-Maria culmina no: “e bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus”. O nome de Jesus está no centro da Ave-Maria; o Rosário é centrado no Nome de Jesus, por isso tem poder.
A oração oriental denominada “oração a Jesus” diz: “Jesus Cristo, Filho de Deus Vivo, Senhor, tem piedade de mim, pecador”. Numerosos cristãos, como Santa Joana d’Arc, morreram tendo nos lábios apenas o nome de Jesus.
Que nós possamos também, hoje e sempre, pronunciar com fé e devoção este nome doce e santo que tem poder, como aquele cego de Jericó, que clamou com fé e ficou curado: “Jesus, Filho de Davi, tem piedade de mim!”

Professor Felipe Aquino

 

 

LADAINHA DO SANTÍSSIMO NOME DE JESUS

SENHOR, tende piedade de nós.
JESUS CRISTO, tende piedade de nós.
SENHOR, tende piedade de nós.
JESUS CRISTO, ouvi-nos.
JESUS CRISTO, atendei-nos.
PAI CELESTE, que sois DEUS, tende piedade de nós.
FILHO, Redentor do mundo, que sois DEUS, tende…
SANTÍSSIMA TRINDADE, que Sois um só DEUS,
JESUS, filho de DEUS vivo,
JESUS, pureza da luz eterna,
JESUS, rei da glória,
JESUS, sol de justiça,
JESUS, filho da Virgem Maria,
JESUS amável,
JESUS, admirável,
JESUS, DEUS forte,
JESUS, pai do futuro século,
JESUS, anjo do grande conselho,
JESUS, poderosíssimo,
JESUS, pacientíssimo,
JESUS, obedientíssimo,
JESUS, manso e humilde de coração,
JESUS, amante da castidade,
JESUS, amador nosso,
JESUS, DEUS da Paz,
JESUS, autor da vida,
JESUS, exemplar das virtudes,
JESUS, zelador das almas,
JESUS, nosso refúgio,
JESUS, pai dos pobres,
JESUS, tesouro dos fiéis,
JESUS, boníssimo pastor,
JESUS, luz verdadeira,
JESUS, sabedoria eterna,
JESUS, bondade infinita,
JESUS, nosso caminho e nossa vida,
JESUS, alegria dos anjos,
JESUS, rei dos patriarcas,
JESUS, mestre dos apóstolos,
JESUS, doutor dos evangelistas,
JESUS, fortaleza dos mártires,
JESUS, luz dos confessores,
JESUS, pureza das virgens,
JESUS, coroa de todos os santos.
Sede-nos propício, perdoai-nos, JESUS.
Sede-nos propício, ouvi-nos JESUS.
De todo o mal, livrai-nos JESUS.
De todo o pecado, livrai-nos JESUS.
De Vossa ira,
Das ciladas do demônio,
Do espírito da impureza,
Da morte eterna,
Do desprezo das Vossas inspirações,
Pelo mistério da Vossa Santa Encarnação,
Pela Vossa natividade,
Pela Vossa infância,
Pela Vossa santíssima vida,
Pelos Vossos trabalhos,
Pela Vossa agonia e paixão,
Pela Vossa cruz e desamparo,
Pelas Vossas angústias,
Pela Vossa morte e sepultura,
Pela Vossa ressurreição,
Pela Vossa ascensão,
Pela Vossa instituição da Santíssima Eucaristia,
Pelas Vossas alegrias,
Pela Vossa glória,

Cordeiro de DEUS, que tirais os pecados do mundo, perdoai-nos, JESUS.
Cordeiro de DEUS, que tirais os pecados do mundo, ouvi-nos, JESUS.
Cordeiro de DEUS, que tirais os pecados do mundo, tende piedade de nós, JESUS.

JESUS, ouvi-nos
JESUS atendei-nos.

OREMOS: Senhor JESUS CRISTO, que dissestes: pedi e recebereis, buscai e achareis, batei e abrir-se-vos-á, nós Vos suplicamos que concedais a nós, que vo-Lo pedimos, os sentimentos afetivos de Vosso divino amor, a fim de que nós Vos amemos de todo o coração e que esse amor transcenda por nossas ações. Permiti que tenhamos sempre, Senhor, um igual temor e amor pelo Vosso Santo Nome, pois não deixais de governar aqueles que estabeleceis na firmeza do Vosso amor. Vós que viveis e renais para todo o sempre. Amém.

Solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus – 01 de Janeiro

Por Pe. Fernando José Cardoso

Evangelho segundo São Lucas 2, 16-21
Foram apressadamente e encontraram Maria, José e o menino deitado na manjedoura. Depois de terem visto, começaram a divulgar o que lhes tinham dito a respeito daquele menino. Todos os que ouviram se admiravam do que lhes diziam os pastores. Quanto a Maria, conservava todas estas coisas, ponderando-as no seu coração. E os pastores voltaram, glorificando e louvando a Deus por tudo o que tinham visto e ouvido, conforme lhes fora anunciado. Quando se completaram os oito dias, para a circuncisão do menino, deram-lhe o nome de Jesus indicado pelo anjo antes de ter sido concebido no seio materno.

Primeiro de Janeiro, Ano Novo, oitava de Natal, solenidade de Maria Mãe de Deus. “O Senhor vos bendiga e vos proteja. O Senhor faça brilhar sobre vós a Sua face e vos seja propício. O Senhor se volte para vós e vos conceda a Sua paz.” Eis o augúrio da primeira leitura da liturgia deste dia. Eis o augúrio dos cristãos, e eu especificamente faço a todos aqueles que iniciam 2019, preocupados com a Palavra de Deus. Deus nos concede mais um pouco de tempo. Nos concede mais um ano, 365 páginas de um livro em branco. É o presente que nos dá. Sejamos criativos. Saibamos usar 2019 que se inicia para nos aproximar de Deus com o firme propósito de não deixar um dia sequer a nossa oração. Façamos o firme propósito de não deixar de fazer a nossa meditação. De dar as nossas mãos à Maria, Mãe de Deus e a nossa Mãe, para que ela nos inspire amor pela Palavra de seu Filho, para que Ela nos inspire desejo de aprofundar os seus ensinamentos; nos inspire coragem de por em prática esta Palavra traduzindo em nossa vida, como ela o fez nas circunstâncias concretas e difíceis em que viveu há mais de dois mil anos. Não sabemos o que nos vem pela frente. Desejamos a todos um ano feliz e sereno. Também um ano de graça, de crescimento e amadurecimento na vida espiritual. A todos um ano de conscientização da riqueza que Deus nos coloca diariamente em nossas mãos dando-nos, oferecendo-nos a Sua Palavra e a Eucaristia para que entremos em intimidade sempre mais crescente com Ele. Não percamos o nosso tempo, sobretudo nós que temos uma certa idade e vivemos a maior parte dos nossos anos aqui na terra. Se os anos passados não são capazes de nos encher de alegria de Deus, coloquemos maior fervor porque Deus deseja o bom fim de cada um de nós. Não percamos mais tempo, aproveitemo-nos de cada dia de 2019 para amá-Lo mais, e sobre todas as coisas, e amar os nossos irmãos concretamente, multiplicando nestes dias atos de delicadeza, de generosidade e de amor. Feliz Ano Novo!

 

Mãe de Deus, Mãe do Príncipe da Paz
São João Paulo II, Papa entre 1978 e 2005
Homilia de 01/1/2002 (© copyright Libreria Editrice Vaticana)

«Salve Santa Mãe santa, que destes à luz o Rei do céu e da terra» (antífona de entrada). Hoje, oitavo dia depois do Natal e primeiro dia do ano, a Igreja dirige-se com esta antiga saudação à Santíssima Virgem Maria, invocando-a enquanto Mãe de Deus. O Filho eterno do Pai tomou n’Ela a nossa carne e tornou-se, através d’Ela «filho de David, filho de Abraão» (Mt 1, 1). Maria é, portanto, a verdadeira Mãe, a Theotokos, a Mãe de Deus! Se Jesus é a Vida, Maria é a Mãe da Vida. Se Jesus é a Esperança, Maria é a Mãe da Esperança. Se Jesus é a Paz, Maria é a Mãe da Paz, a Mãe do Príncipe da Paz. Entrando no novo ano, pedimos a esta Mãe santa que nos abençoe. Peçamos-lhe que nos dê Jesus, a nossa bênção completa, com a qual o Pai abençoou a história de uma vez por todas, fazendo com que se tornasse uma história de salvação. […] O Menino nascido em Belém é a Palavra eterna do Pai feita carne para nossa Salvação: é «Deus conosco» que traz consigo o segredo da verdadeira paz. Ele é o Príncipe da Paz (Is 7, 14; 9, 5). […] «Salve, Santa Mãe!» […] O Menino que apertas contra o peito tem um nome querido aos povos da religião bíblica: «Jesus», que significa «Deus salva». Assim Lhe chamava o arcanjo, antes mesmo de que Ele fosse concebido no teu seio (Lc 2, 21). Na face do Messias recém-nascido reconhecemos a face de cada um dos teus filhos ultrajados e explorados. Reconhecemos em especial a face das crianças, seja qual for a sua raça, o país ou a cultura a que pertençam. Para elas, ó Maria, pelo futuro delas, te pedimos que enterneças os corações endurecidos pelo ódio, a fim de que se abram ao amor e de que a vingança ceda finalmente o lugar ao perdão. Ó Mãe, alcança-nos que a verdade desta afirmação – não há paz sem haver justiça e não há justiça sem haver perdão – se imprima no coração de todos. A família humana poderá assim reencontrar a paz verdadeira, que nasce do encontro entre a justiça e a misericórdia. Mãe santa, Mãe do Príncipe da Paz, ajuda-nos! Mãe da humanidade e Rainha da Paz, ora por nós!

 

Deus nos dá a sua graça e sua bênção
Pe. José Augusto

Eu queria começar, dizendo que realmente Deus quer, neste ano que se aproxima, nos dar a sua Graça e sua Bênção. Esta Bênção tem nome, Jesus Cristo. É por isso que estamos também celebrando hoje a festa de Santa Maria Mãe de Deus, pois “Quando se completou o tempo previsto, Deus enviou o seu Filho, nascido de uma mulher” (Gálatas 4, 4). Esta palavra “quando se completou o tempo” é muito importante para nós que estamos vivendo esta expectativa de um novo ano. Os pastores, depois de terem recebido o anúncio do anjo enquanto guardavam o rebanho, foram a Belém e encontraram Maria, José e o Menino Jesus, pois quando completou-se o tempo, Deus enviou o Salvador nascido em Belém. São Paulo na carta aos Gálatas está dizendo que Deus escolheu vir através de uma Mulher, e para que isso pudesse se concretizar foi preciso anos e anos, épocas e épocas, gerações e gerações, até que se completasse este tempo de que nos fala a 2ª leitura. Porque comemoramos este ano novo de 2018? Nós vamos entender. Deus nos criou para a eternidade, e no início ele nos deu um lugar, Ele preparou um lugar para o homem e este lugar se chamava Paraíso. Mas o que aconteceu no Paraíso foi que o homem pecou e com isto perdeu este lugar preparado por Deus, e não só perdeu o lugar, mas se distanciou do seu Criador. Mas Deus queria preparar novamente este lugar e ficar perto do homem novamente, arrumou então uma forma de vencer o pecado, e esta forma foi vir ele mesmo habitar no meio dos homens, no meio de nós, para nos salvar. Só que Deus precisava de um povo, Deus queria formar um povo que fosse bem próximo a Ele, e começou a formar este povo a partir de Abraão. Vamos pegar Gênesis 12, 1-3 “O Senhor disse a Abrão: Deixa tua terra, tua família e a casa de teu pai e vai para a terra que eu te mostrar.” Essa palavra “terra” é importante para saber porque estamos comemorando o ano de 2018. Ela esta falando de terra no sentido geográfico, de localização, de um lugar, este lugar preparado para um povo. “Farei de ti uma grande nação; eu te abençoarei e exaltarei o teu nome, e tu serás uma fonte de bênçãos. Abençoarei aqueles que te abençoarem, e amaldiçoarei aqueles que te amaldiçoarem; todas as famílias da terra serão benditas em ti”. Veja, Deus esta falando para Abraão que a partir dele a benção virá até você, até sua família. É uma promessa para mim e para você. Deus tira Abraão da terra dele, promete a ele uma descendência, só que esta descendência se torna escrava no Egito, mas a promessa de Deus ainda está de pé. Veja Êxodo 3, 7-8: “O Senhor disse: ‘Eu vi, a aflição de meu povo que está no Egito, e ouvi os seus clamores por causa de seus opressores. Sim, eu conheço seus sofrimentos. E desci para livrá-lo da mão dos egípcios e para fazê-lo subir do Egito para uma terra fértil e espaçosa, uma terra que mana leite e mel, lá onde habitam os cananeus, os hiteus, os amorreus, os ferezeus, os heveus e os jebuseus’”. Veja que aparece de novo a palavra “terra”, veja que a promessa de uma terra está acompanhando o seu povo, a descendência de Abraão. Deus tira o povo do Egito, e este povo está caminhando em direção à terra prometida. No capítulo 34 do livro do Deuteronômio, Moisés tira o povo do Egito, o Senhor mostrou-lhe toda a terra (veja só a palavra terra mais uma vez) só que Moisés pisou na bola e não entrou nesta terra, quem entrou foi Josué. Josué entra na terra e conquista todas as cidades desta terra e começa então a distribuí-las entre as Tribos de Israel, e dentre estas cidades está a cidade de Belém. Deus prometeu esta terra de Belém à descendência de Abraão, e nesta terra nasceu uma pessoa muito importante, Davi. Davi, no entanto é uma prefiguração do Messias, pois Deus disse através do profeta Miquéias que é nesta terra, a terra de Belém, que virá o Salvador: “Mas tu, Belém-Efrata, tão pequena entre os clãs de Judá, é de ti que sairá para mim aquele que é chamado a governar Israel. Suas origens remontam aos tempos antigos, aos dias do longínquo passado”. Uma outra Promessa ainda acompanhará o povo, está em Isaias 7, 14: “Por isso, o próprio Senhor vos dará um sinal: uma virgem conceberá e dará à luz um filho, e o chamará Deus Conosco”. No ano de 2018 nós estamos dizendo, Deus está conosco! Isso é uma grande Bênção, e a Bênção é Jesus. Deus preparou desde Abraão esta terra que se chama Belém para nascer o Salvador, esta terra que emana leite e mel. Esta terra foi preparada para receber a grande Bênção que é Jesus. Quando então chegou a plenitude dos tempos a Noite Feliz aconteceu, o Salvador desceu para habitar no meio de nós, para nos dar uma Bênção, um tempo novo, um ano novo, um ano cheio de Bênçãos que é ele mesmo. É por isso que celebramos o ano de 2019, porque Deus está conosco! O Pai cumpriu a sua promessa de, na plenitude dos tempos, enviar o Salvador. O ano de 2019 será o ano da Bênção, e a Bênção para a humanidade, a Bênção para a sua família se chama Jesus. É por isso que na passagem do ano eu quis dizer o nome Jesus, para dizer que agora esta nova Belém é você, é o seu coração. Talvez você tenha caminhado no ano de 2018 dizendo que o Senhor tinha te abandonado, que Ele tinha te deixado, mas nessa madrugada de 2019 Ele vem dizer que está com você, que está dentro de você. Fala pra ele os planos que estão no seu coração, fala dos seus sonhos, dos seus projetos. Você passou agora para a “terra prometida” de 2018, e aí Deus estará com você todos os dias, até o fim dos tempos.

 

Tudo por Jesus e nada sem Maria
Diácono Nelsinho

Deus quis ter uma mãe! Maria é a mãe de Deus, é isso que celebramos hoje. Jesus rosto divino do homem, Jesus rosto humano de Deus! Que mistério um Deus que morreu na cruz. Muitas heresias na Igreja diziam que Jesus não era humano, era só Deus, mas a Igreja combateu, porque Ele é divino e humano. Jesus humano passou por todos os sofrimentos por isso Ele nos entende. Ele também sentiu dor, angustia, foi traído pelos amigos. Mas o mesmo Jesus que sofreu, que parecia fraco na cruz, este mesmo Jesus ressuscitou. Quando Jesus aos doze anos, decidiu ficar em Jerusalém, a Igreja ensina que esta foi a primeira atitude independente de Jesus. Agora quem tem filhos, imagine a angustia de uma mãe que perde o filho. Durante três dias Maria e José procuraram por Jesus. Você que tem o seu filho perdido nas drogas, em uma vida sexual desregrada, talvez você assim como Maria esteja angustiada. Jesus não estava entre os parentes, isso mostra que Ele estava cortando os laços humanos, para cumprir a sua missão. Para as mães que perderam seus filhos, é lá na Igreja, é no templo que você vai encontrar o seu filho. Não será nos astrólogos, nos benzedeiros, mas na Igreja que você vai encontrá-lo. Talvez você pai, mãe tem um filho catando esterco no mundo assim como aquele filho pródigo, ou talvez seja você jovem que tenha seus pais catando esterco, a receita é ir para a Igreja e interceder, porque Deus é Deus e nós devemos ser adoradores. As pessoas tendo seus filhos perdidos estão perguntando para as pedras o que fazer, perguntando as pirâmides se vai casar ou não, e não vão para a Igreja e depois culpam Deus. Você precisa rezar e ir para a Igreja e interceder pelos seus. Olhe para Jesus no sacrário, ajoelhe-se e reze, sem deixar suas obrigações reze. Lucas 2, 48: “Filho porque nos fizeste isso? Vê teu pai e eu te procurávamos angustiados”. A resposta de Jesus é um contraste: Vocês não sabiam que eu tinha que estar na casa de meu Pai? José era da linhagem de Davi, e José deu a Maria linhagem de Davi para que se cumprissem a profecia, por isso Maria diz com propriedade: “Teu pai”, mas Jesus responde que deveria cuidar das coisas de seu Pai do céu. Jesus ia nos ensinando a buscar as coisas de Deus. Quando Jesus nos chama, ninguém nos segura, nem mesmo um grande amor! Quando Deus nos chama, nem mesmo os laços de sangue nos prendem. Deus está te chamando! E Jesus teve a coragem de cortar os laços, e como doeu para Ele dizer a Nossa Senhora que Ele deveria cuidar das coisas do Pai que era passar pela cruz. Deus tem uma missão para você. Em que você está gastando a sua vida? A pergunta angustiada de Maria, diz a Palavra que eles não entenderam. Jesus estava preparando sua mãe com certeza no momento da cruz, Maria se lembrou daquele momento. Nossa Senhora é a mãe de Deus, e por vontade do próprio Deus é mãe também de todos os homens. Por isso falamos com toda propriedade Santa Maria Mãe de Deus. Tem que ser muito humilde de coração para entender que um Deus tão grande quis ter uma mãe. É a mãe de Deus que cuida de nós, que nos ampara. O primeiro milagre narrado na Bíblia falou da intercessão de Nossa Senhora, então qual é o milagre que hoje você está buscando? Pede a mãe que o Filho atende, esta não é uma mãe qualquer, ela é a mãe de Deus. Reconcilie-se com a Mãe de Deus.

Ano Novo! Vida Nova!

SERÁ PARA MIM O ANO DA GRAÇA
Por Pe. Inácio José Schuster

Dirigiu-se a Nazaré, onde se havia criado. Entrou na sinagoga em dia de sábado, segundo o seu costume, e levantou-se para ler. Foi-lhe dado o livro do profeta Isaías. Desenrolando o livro, escolheu a passagem onde está escrito (61, 1s.): O Espírito do Senhor está sobre mim, porque me ungiu; e enviou-me para anunciar a boa nova aos pobres, para sarar os contritos de coração, para anunciar aos cativos a redenção, aos cegos a restauração da vista, para pôr em liberdade os cativos, para publicar o ano da graça do Senhor’ (Lucas 4, 16-19). Estamos no ano de 2019, e neste dia podemos proclamar sobre o nosso ano toda graça. Este ano de 2019 será o ano da graça do Senhor em sua vida. Posso declarar que este ano será da graça, mas posso fazer dele com minhas atitudes uma ‘desgraça’. ‘Portanto, sede perfeitos, assim como vosso Pai celeste é perfeito’ (Mateus 5, 45). Neste ano devemos buscar ser perfeito como Deus é perfeito, é preciso buscar nas mínimas coisas a perfeição. Estamos vivendo o ano novo, então vivamos também uma vida nova. Você tem repetido as atitudes da mulher velha, do homem velho que você fazia em 2018? Você precisa ter uma nova postura, postura de quem declarou um ano de graça. Não podemos nos apoiar em superstições – quantos católicos pulam ondas nas praias – precisamos apoiar somente em Jesus. Precisamos fixar a nossa vida na Palavra do Senhor, e é na Palavra que estão as exigências para termos um ano de graça. O que é ser perfeito? Eu resumiria na palavra de São Paulo que diz: ‘Esta é a vontade de Deus: a vossa santificação; que eviteis a impureza’ (I Tessalonicenses 4, 3). E Paulo ainda diz o que não devemos viver em 2019 – ‘Não se pode deixar levar pelas paixões desregradas, como os pagãos que não conhecem a Deus; e que ninguém, nesta matéria, oprima nem defraude a seu irmão. Pois Deus não nos chamou para a impureza, mas para a santidade. Por conseguinte, desprezar estes preceitos é desprezar não a um homem, mas a Deus, que nos deu o seu Espírito Santo’ (I Tessalonicenses 4, 4-8). A vontade de Deus para nós, neste ano, é a nossa santificação; e santificação é santificar aquelas realidades que vivemos. Não podemos nos deixar levar pelas paixões da carne. Se você ama a Deus, lute para não desagradá-Lo em nada. O ano de 2018 passou. O que era velho ficou para trás, começamos um ano novo, não com o pé direito, mas apoiados na Palavra de Deus. Diante de todas as nossas atitudes precisamos fazer a seguinte pergunta: ‘Isso agrada a Deus?’ “Onde o meu clergyman não entra, significa que também não posso entrar como padre”. Assim também é para os casados, ambiente que você não pode ficar com sua aliança, não é um ambiente para você. Santifique a sua vida naquelas áreas que hoje precisam ser santificada, e em tudo agrademos o Senhor Jesus. Agrademos a Deus quando estivermos em púbico, no quarto, na casa… essa é a proposta de Deus para 2019, e assim teremos um ano na Graça e na Misericórdia do Senhor. Faça uma revolução na sua vida no ano de 2019 através da Palavra de Deus e dos Sacramentos.

 

A ALEGRIA DE SER CATÓLICO
Professor Felipe Aquino

Às vezes a gente reza bastante, mas medita pouco e não muda de vida. Mas, se meditamos, deixamos a luz de Deus entrar, então, mudamos. Santa Catarina de Sena dizia: “Entra na sala do seu interior”. Se você se conhecer, você vai ser humilde, vai conhecer a sua pequenez e isso agrada a Deus. Sabemos que o que mais encantou a Deus em Nossa Senhora, foi a sua pequenez. O evangelho diz que aquele que se humilha será exaltado. A meditação faz a gente conhecer o nosso tamanho e amar o outro. Quando se encerra um ano, eu penso que vem ao nosso coração um pensamento muito forte: é tempo de agradecer. Por isso, mandamos um cartãozinho agradecendo a amizade, mas é preciso agradecer a Deus. O Senhor não precisa de aplausos porque não podemos acrescentar em nada sua glória, mas Ele quer a sua gratidão. Não existe nada mais triste que a ingratidão. Ser rico não é ter muito, ser rico é precisar de pouco para ser feliz. Deus não deixa faltar o pouco para os que têm fé. Vejam os lírios dos campos, os pássaros do céu… Deus cuida deles. O pouco que precisamos, Deus não deixa faltar, mas é preciso agradecer a Ele. O Papa São João Paulo II, antes da sua morte, no seu sofrimento, dizia: “Quanto mais a gente sofre, mais a gente precisa rezar, quanto mais sofremos, mais precisamos de Deus”. É preciso limpar a alma! Muitas vezes pensamos que os maiores pecados são a inveja, a preguiça, a mentira, a omissão, a luxúria. Não, nenhum desses é o maior pecado! O pior pecado de todos é o de não aceitar Jesus Cristo. Irmãos, estamos ainda na oitava de Natal, este é o maior acontecimento da humanidade, ele é o centro da história, que se divide no antes e o depois de Jesus Cristo. Jesus em uma discussão com os judeus disse: “Por isso vos disse: morrereis no vosso pecado; porque, se não crerdes o que eu sou, morrereis no vosso pecado” (São João 8, 24). Se não aceitarmos Jesus verdadeiramente, vamos morrer no nosso pecado. É viver nesta vida sem Deus e na outra vida também sem Deus. Então, temos que levar Jesus as pessoas neste ano de 2018. Mas repito: é preciso deixar o pecado. Em 1978, São João Paulo II, em seu primeiro discurso, disse: “Abra as portas do mundo para Cristo!” Precisamos abrir as portas das famílias, da política, mas muitos não querem. Muitos não querem saber de Jesus Cristo e também não querem a Igreja que é o corpo de Cristo. Por que tantos ataques contra Igreja? Porque ela é Cristo que ilumina as trevas. Cristo nos chama para sermos a sua luz no mundo. “Vós sois o sal da terra e a luz do mundo”, diz a palavra do Senhor. Não tem coisa mais pavorosa do que a escuridão, mas basta uma pessoa acender uma vela, um palitinho de fósforo, que vem o alivio. Aqui a gente aprende uma lição muito grande: ainda que você seja apenas um palitinho de fósforo na escuridão do mundo, isso já é muito. É melhor acender um fósforo do que ficar maldizendo a escuridão. O que adianta você ficar em casa reclamando do seu pai, da Igreja, do bispo? Pare, acenda uma luzinha. Mas como acender uma vela apagada? Encostando-se em outra. Então, se a sua vela está apagada, chegue em outra vela acesa, a vela da Igreja que nunca se apaga; a vela da fé, dos sacramentos, da palavra de Deus, da Eucaristia. O Beato Papa Paulo VI dizia: ”Quem não ama a Igreja, não ama a Jesus cristo. A Igreja é o corpo de Cristo, é a Igreja que vai sustentar e você e levá-lo para o céu”. Em 2018, se você quer ser feliz, ame a Igreja que nos deu o batismo, que lava nossos pecados no sangue de Cristo. Sem a Igreja, não tem a Eucaristia, o sacrário. Você que brigou com a Igreja, foi atrás de falsos profetas, volte! Não confunda a Igreja com as pessoas! Tem gente que se decepcionou com as pessoas e abandonou a Igreja. Em Efésios 5, 5, Jesus diz: “A Igreja não tem pecado, quem tem pecado são os filhos da Igreja”. “Você pode ter perdido tudo, mas se não perdeu Deus, não perdeu o essencial”. As portas do inferno jamais prevalecerão sobre a Igreja, ela é infalível! Eu poderia citar dez, mas vou citar apenas um versículo que comprava isso. Leia São João 16, 12: “Deus quer que todos se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade”. Aonde que está esta verdade ? Em I Timóteo 3, 15  você encontra: “A Igreja é o fundamento, a coluna da verdade. A verdade esta na Igreja que é o alicerce, a coluna da verdade”. O Beato Papa Paulo VI disse: “Aquele que não ama a Igreja não ama a Jesus cristo”. Podemos desdobrar esta palavra: quem não caminha com a Igreja, não caminha com Jesus Cristo. O meu coração tem que pulsar com o coração da Igreja, nada diferente daquilo que a Igreja ensina. Há uma frase de São João Paulo II que eu quero que vocês repitam neste ano de 2018: “Você pode ter perdido tudo, mas se não perdeu Deus, não perdeu o essencial”. Você pode ter perdido sua casa nas enchentes, seu carro, sua fazenda, mas se você não perdeu Deus, não perdeu a sua fé, então, não perdeu o essencial. Vamos caminhar para 2018, sem tristeza. Não tenha medo porque o Senhor ressuscitado caminha convosco!

 

O VERDADEIRO RÉVEILLON
Márcio Mendes

“É hoje o dia favorável, é agora o dia da salvação” (Ezequiel 37, 1-14). Quem está em busca de uma resposta, o Senhor lhe dará através desta palavra. Esta passagem bíblica está se cumprindo para você. O que hoje está morto na sua vida, o Senhor ressuscitará. Talvez você esteja com o coração apertado, talvez um relacionamento acabado, uma amizade que terminou. O Senhor diz: “Eu vou abrir a tua sepultura! E, por causa desta palavra, você poderá testemunhar para todos que foi encontrado por Deus”. Réveillon significa despertar, é o Senhor que vai despertar você. Existem muitos tipos de morte, pode ser afetiva, psicológica. Onde seus pensamentos estão amortecidos? Talvez, hoje, você traga muitos tons de morte em você, mas, em nome de Jesus, você será ressuscitado. No versículo 11, também de Ezequiel, encontramos: “Nossos ossos estão secos, nossa esperança acabou. Eu direi o que fazer”. Hoje, o Senhor vai lhe mostrar o que você precisa fazer. A palavra fala de sofrimento, mas fala ainda do socorro que Deus vai nos dar, é um socorro espiritual. Qual é o motivo pelo qual você está lendo esta passagem agora? O Senhor atraiu você para que esta palavra se realize. Mas é preciso ter a humildade de reconhecer que você é este osso ressequido. Quantos erros cometemos durante todo este ano,? Quantas vezes nos sentimos perdidos? O Senhor está lhe dizendo: “Eu vos devolverei a vida, lhe darei a vida nova, receberá a vida nova que é a do meu filho”.  Mas, para que esta palavra se cumpra, é preciso reconhecer que você precisa dela, de que sozinho você não consegue. “O que hoje está morto na sua vida, o Senhor ressuscitará” É preciso renunciar tudo aquilo que está estragando você, que está matando você. Abandone o coração velho, o ano novo velho. Despoje-se do seu pecado. O Senhor vai derramar a sua água viva para limpar todo o nosso pecado. Que este dia seja para marcar o fim de muitos adultérios, alcoolismo, prostituição, em nome de Jesus. Que hoje o Senhor coloque um fim naquilo que está matando você. Despoje deste pecado, desta mágoa, de todo o vício das drogas. Hoje é o dia da sua libertação! Deus não condena você, mas quer mostrar onde está a força de que você precisa. São João diz: “Jovens, eu vos escrevi, porque sois fortes e a palavra de Deus permanece em vós, e vencestes o maligno”. Eu falo a você jovem, eu quero lembrar que você é um homem novo. Deus diz a você: “Escute-me, eu vos digo, vós sois fortes e venceste a satanás, e vos falo para que tomes consciência de que a força que está em vós é muito maior que a força que está no mundo”. Nenhum homem, nenhuma mulher, por mais sedutores que sejam, têm maior força do que a que está em você. O Senhor não acusa você, ele te ama; e o Espírito Santo que é o amor, está restabelecendo a paz dentro de você. O Senhor  está concluindo uma grande vitória em você, está colocando em ti o seu amor, que é muito grande. Ele está colocando em você uma nova capacidade de amar. Sabe como descobrimos quando uma pessoa passou da morte para a vida? Quando ela passa a amar o outro. Quem ama faz bem todas as coisas, quem ama tem asas nos pés, tem uma palavra sempre boa na boca, tem sempre um calor, os olhos brilham e nada é difícil para quem ama. Ter vida nova é amar. Toda vida começa depois de uma morte, a vida velha precisa acabar e ficar na cruz porque acabou as tristezas de 2018 e 2019 está sorrindo para você. Em Romanos 8, 13 o Senhor nos diz: “De fato, se viverdes segundo a carne, haveis de morrer; mas, se pelo Espírito mortificardes as obras da carne, vivereis”. Se você tiver coragem de crucificar estes pecados, você viverá, o Espírito Santo lhe dará a vida. É matar o que matava você.

Ação de Graças pelo fim do Ano

Por Pe. Inácio José Schuster

Chegamos ao final do ano da graça de 2018! Muitas comemorações serão feitas na passagem de 31 de dezembro para 1º de janeiro de 2019! Dos corações retos e sinceros brota uma prece neste dia, prece de pedido de perdão pelo tempo desperdiçado, de agradecimento pelas graças recebidas e um desejo que consagrar ao Senhor o tempo que está para vir.

“Obrigado, Senhor, por este ano que vai terminando. Obrigado pelo ano que começa. Obrigado, Senhor, por tudo, pelo tempo, pela vida, por tudo o que faremos e por tudo o que viveremos, pelo que receberemos e pelo que daremos, sempre a ti unidos” (André Delapierre).

“Meu Deus, eu vos ofereço este ano que começa. Em vossa bondade fazei com que seja um tempo de ascensão para vós. Que cada dia eu me encontre mais forte na fé e no amor. Eu vos ofereço todos aqueles que estão sob os meus cuidados, diante dos quais treme meu coração tão frágil. Que eu não venha a faltar a todos eles e que possa ser para eles um canal invisível de vossa graça. Meu Deus eu vos ofereço também a grande dor deste mundo, a dor dos inocentes e os fardos que pesam sobre tantos. Meu Deus, que uma chispa de vossa caridade espanque as trevas e que a aurora da paz se erga diante de nós” (Madeleine Daniélou).

Eis a verdade: amar-se uns aos outros. Amar… amar a todos, não em determinadas horas, mas toda a vida. Amar os pobres e amar as pessoas felizes (…). Amar o vizinho, amar o desconhecido, amar o próximo que se encontra no extremo do mundo…amar, amar (Raul Foulerau).

 

Fim de ano – tudo tem seu tempo e ocasião
Ao longo do ano, vivemos envolvidos no amor do Pai
Por Maria Emmir Nogueira, Co-fundadora da Comunidade Shalom, Revista Shalom Maná

“Tudo tem seu tempo e ocasião”, diz o Eclesiastes. “Para cada coisa”, dirá outra tradução, “há um tempo debaixo do sol.” O autor continua a repetir as palavras, sem a menor pressa, criando, em sua narrativa, um ritmo que, por si só, expressa o que ele quer dizer: tudo tem seu tempo, tudo tem seu ritmo. “Tempo de nascer, tempo de morrer; tempo de plantar, tempo de colher; tempo de derrubar, tempo de construir; tempo de chorar, tempo de rir; tempo de fazer luto, tempo de bailar; tempo de abraçar, tempo de separar-se; tempo de procurar, tempo de perder; tempo de calar, tempo de falar; tempo de amar, tempo de odiar; tempo de guerra, tempo de paz”. Como não rezar com esta passagem a cada final de ano? Como vivi os tempos que o Senhor providenciou? Como acertei o meu passo ao sábio compasso que marca o ritmo da vida, de tudo o que existe debaixo do sol, inclusive eu? Quem nasceu? Quem morreu? Em que nasci? Em que morri? O que plantei? O que colhi? O que derrubei? O que construí? Como chorei? Como ri? Como vivi o luto e a dança? A quem acolhi? De quem parti? A quem deixei partir? Como falei? Como calei? O que calei? Para que calei? O que falei? Como falei? Para que falei? Odiei? Fiz guerra? Perdi, então, todo o meu ritmo, todo o meu tempo. Gastei inutilmente os tempos que o Senhor providenciou. Atravessei o compasso que marca o ritmo da vida, inclusive da minha. Matei e morri. Plantei, mas não colhi. Destruí. Se ri, foi pantomima. Se chorei, foi de desgosto. Se dancei, foi grotesco. Se acolhi, só foi a mim mesma. A tudo e a todos enxotei. Minhas palavras destruíram, meu silêncio foi omissão, falsa proteção a mim mesma. Odiei. Amei? Então construí e promovi a paz, encontrei, então, o sábio ritmo da vida, o tempo interior só conhecido de quem ama. Aproveitei bem os tempos que me deu a Providência. Dancei, feliz e equilibrada, conduzida por meu divino par, ora valsas, ora noturnos, ora barcarolas, ora polcas e mazurcas, ao compasso que marca o ritmo da vida, de toda vida, da minha vida, da sua vida. Dancei, com toda a criação, com Deus e com os irmãos. Deixei-me conduzir pelo hábil Cavalheiro. Nasci e dei à luz. Plantei e colhi. Derrubei feiúra, colhi beleza, bem, verdade. Ri, feliz ao acolher, nas dobras da renúncia do amor, meu irmão, a vida, as circunstâncias. Rodopiei, confiante e tranquila, a guardar segredos de amor em meu coração. Amei. Ora amei, ora odiei? Natural. Sou pecadora. Sou imperfeita. Sou humana. Simplesmente vivi. Colhi os frutos do meu ódio e do meu amor. Uma coisa sei que, com a mais absoluta certeza, tive, eu, assim como você: o amor do Pai em toda circunstância. A salvação do Filho todos os dias do nosso ano. A ação santificadora do Espírito, disponível em toda ocasião. Criador e criatura dançamos juntos, tal pai e filha na festa dos quinze anos, tal casal de noivos nas bodas, envolvidos, sempre, por muitos outros pares, milhares, milhões, bilhões de outros pares. Chegamos ao fim de mais um ano em nossa bela sonata da vida. É preciso dar o comando de replay e assisti-la outra vez, serenamente, ouvindo detalhes perdidos na correria, na emoção dos acontecimentos: stacatos sutis, ligaduras ressonantes, fermatas desconcertantes. Começa uma nova página. Quantos compassos teremos? Que temas se repetirão? Que novos tons serão adotados? Que novas frases musicais serão relidas, recriadas? Que outros instrumentos entrarão? Que interpretação escolheremos dar? Que passos criaremos? Como faremos a leitura, compasso a compasso? Deus sabe! E é nisso que reside nossa tranqüilidade, nossa confiança. Não conhecemos o que virá, mas pelos temas, frases, harmonias e compassos, pelo ritmo e pelo tom já tocados, sabemos que, tocada a quatro mãos, nossa composição será bela. O ritmo, por vezes sincopado, combinará com soluços. O compasso em sua batida convencional, evocará a rotina, que também revela beleza. As notas que voam, oração. As que ficam na memória, contemplação. As que marcam a base, convicção. As que desenham a melodia, inventividade. Deus sabe! Deus sabe! Deus sabe! Que a proposta de uma vida alucinada não nos seduza. Que o ritmo da evangelização, do amor, este, sim, seja alucinado, sem medida: Jesus tem sede, tem pressa. O ritmo interior, porém, este seja aquele secreto, confiante, sábio, paciente ritmo interior de Maria: “Deus sabe! Deus sabe! Deus sabe! Tudo passa! Deus fica! Deus sabe! Para tudo há um tempo debaixo do sol. Não temo! Deus sabe! Deus sabe! Deus sabe!” Neste ano, conceda-nos Deus dançarmos tranquilos, ao ritmo interior do mistério da vida.

 

Sete dicas para permanecer na graça
Felipe Aquino

O mais importante é aprender a permanecer na graça de Deus, permanecer na graça que recebemos. O mundo é mal educado, mas Jesus é muito educado e não arromba a porta do coração de ninguém. Ele pede que aceitemos o seu amor e assim entra no nosso coração na medida em que dizemos sim. Então diga: “Senhor Jesus eu te aceito na minha vida, eu abro a porta aqui do meu coração e ponho a minha mão no meu coração para com este gesto eu também me ajudar, eu abro a porta do meu coração entra Jesus na minha vida, eu te quero e sei que Tu me amas como sou, pode vir, pode entrar na minha vida. Jesus é muito educado, o mal não, ele invade a vida da gente, se aproveita de nossas quedas e da nossa inclinação ao pecado. Nós recebemos muitas graças, mas o mais importante que receber as graças é permanecer é ser fiel todos os dias. E não podemos nos enganar, pois estamos em um mundo que não quer Deus, e se você se sente remando contra a maré, se você se sente assim, considere-se o cristão mais normal do mundo e quem não se sente assim é preciso rever-se como cristão. É como aquela música: “Procuro abrigo nos corações, de porta em porta desejo entrar, se alguém me acolhe com gratidão faremos juntos a refeição”. Eu vou lhe indicar sete pontos para permanecer na graça de Deus:

Primeiro: A vida espiritual. Não deixe a oração para depois. Não diga vou rezar depois. Coloque a oração como mais importante. Ficar a sós com Deus que continua cantando que procura abrigo nos corações. A oração tem que estar em primeiro lugar. Orar é parar para estar com Deus, é colocar a oração acima de tudo. Não deixe que paire na sua cabeça de que aquilo que Deus te deu é só isso, não, porque Ele tem muito mais para você.

Segundo: Amizades verdadeiras. Escolha bem as suas amizades, não despreze ninguém a sua volta, mas preste atenção com quem você anda, são pessoas que te constroem? Nós precisamos de amizades verdadeiras que nos levem a compreender a ação de Deus na nossa vida. É preciso andar com quem constrói em você a novidade de Deus. Não ande com quem não lhe constrói. Agora o que vamos fazer com as pessoas que estão ao nosso lado? Partilhar com o outro pedindo que a pessoa te ajude a ser mais de Deus, que ela te ajude a não ter mais os comportamentos que não são coerentes. Se não somos sinceros um com o outro então não é amizade. Quem tem que fazer a escolha é você que recebeu as graças, porque o mais importante é permanecer na graça.

Terceiro: Tenha metas. Que tipo de pessoa você decide ser? Santa Tereza de Calcutá dizia: “Não importam as circunstancias, nem se ninguém vai me compreender, eu vou seguir em frente, porque eu vou me transformar na pessoa que eu me decidi ser. Depois das graças recebidas qual é a sua meta. Uma meta que diz respeito a você? Um convite que a Canção Nova, a Igreja, é um convite de Nosso Senhor, é para que você seja santo, mas que você o seja em todos os aspectos. Escreva sobre as suas metas, é claro que a nossa meta é o céu, mas qual é a meta na sua família? É perdoar? É sorrir? Porque talvez você já não de nenhum sorriso há muito tempo. Talvez a sua meta seja não reclamar mais, e você terá que reunir todas as forças para não reclamar. Não brinquemos com a graça que recebemos. Foi Deus que te ama, quem derramou sobre você essas graças e a gente não brinca com quem nos ama. É preciso se confessar. Não construa coisas novas em cima das máscaras. Deus te ama então não tenha medo de tirar as máscaras. Deus vê o coração sonda com compaixão, pois Deus só sabe amar você.

Quarto: Você tem que ter quem te conhece de verdade. Estamos em um mundo de muitas mentiras, um mundo de aparências. É preciso ter alguém com quem você se encontre, e que você pode falar tudo. Pode ser um diretor espiritual ou um amigo. Nosso Senhor não constrói nada sobre os escombros, Ele quer fazer tudo novo. É preciso eleger uma pessoa e dizer a ela(e): meu amigo eu quero contar tudo para você o que está se passando comigo, coisas da minha alma. Você precisa ser quem você é, por causa da graça que você recebeu, e porque você não quer entrar nessa onda de viver de aparências e por isso você precisa ter alguém que te conhece mesmo, de verdade.

Quinto: Viver em atitude de vigilância. O que precisamos vigiar? O que você quer de fato? Eu quero ser de Deus. Então vigie naquilo que te rouba de Deus, aquilo que te leva ao pecado. Vigiar para que o mal não se aproxime. Você tem todo o direito de pedir a Nosso Senhor, então peça agora: “Meu Deus me livra da tentação que me derruba, me livra da tentação que me faz cair, porque eu não tenho forças. Livra-me Senhor do mal que domina o meu jeito de falar. Viver assim é muito duro, mas é assim que um cristão vive. É assim mesmo, nós ainda não estamos no céu, mas nós vamos para lá em uma atitude de vigilância, e por isso recebemos tanta graça de Deus. É por causa da vontade de Deus, por causa dos seus desígnios, que eu aqui estou, mas eu sou igualzinho a você, então por isso preciso vigiar sempre. Santo Agostinho diz que o cristão que não controla a boca, não consegue controlar mais nada. Jesus não está brincando conosco e o tempo está passando rápido.

Sexto: Colocar-se a serviço do próximo. Você precisa ter um apostolado, este é o remédio contra todo o egoísmo. Porque a graça que Deus deu, ela não é só para você, ela é tão grande que deve crescer em você e transbordar para o outro. Já não perguntamos mais como o outro está com medo que ele diga que não está bem e aí você ter que ouvir, e você está sem tempo. Isso não é ser cristão. Quem não sabe fazer coisas ao outro, nunca vai saber se dar ao outro, porque ficamos com medo de entregar o nosso olhar ao outro. Quando é que vamos ser capazes de fazer da nossa vida um serviço? De dar o nosso rosto e poder chegarmos a ser como Jesus? Você precisa servir alguém. Mate de amor aquele que está ao seu lado! Quem sabe dando um copo d’água.

Sétimo: Tenha paciência consigo mesmo e com os outros. É isso mesmo. Sabe porque? Nem tudo acontece de uma só vez. A vida do cristão é um cai e levanta, então tenha paciência com você e com os outros. Jesus está dizendo aqui nesta parábola (ver: São Mateus 13, 24) como o reino de Deus se estabelece aqui dentro de mim e de você e São Paulo nos explica, sobre as lutas que vivemos dentro de nós. Por isso: Aguenta firme meu filho! Porque temos tanta coisa boa, mas dentro de nós cresce trigo e também o joio, então tenha paciência, porque muitas vezes temos vontade de arrancar tudo, não faça isso. Tenha paciência, porque nosso Senhor vai voltar e os anjos vão separar o joio do trigo de dentro de nós. O trigo quanto mais cresce, mais ele floresce, e ele se dobra, agora o joio não se dobra. Esta luta dentro de nós deve nos levar a adoração ao Santíssimo Sacramento para nos dobrar diante de nosso Senhor Jesus Cristo. Se vivermos um desses sete pontos buscando a perfeição, com certeza nós vamos nos santificar. Abra-se, pois Jesus quer se revelar a você!

Sagrada Família de Nazaré

Por Pe. Fernando José Cardoso

Evangelho segundo São Lucas 2, 41-52
Os pais de Jesus iam todos os anos a Jerusalém, pela festa da Páscoa. Quando Ele chegou aos doze anos, subiram até lá, segundo o costume da festa. Terminados esses dias, regressaram a casa e o menino ficou em Jerusalém, sem que os pais o soubessem. Pensando que Ele se encontrava na caravana, fizeram um dia de viagem e começaram a procurá-lo entre os parentes e conhecidos. Não o tendo encontrado, voltaram a Jerusalém, à sua procura. Três dias depois, encontraram-no no templo, sentado entre os doutores, a ouvi-los e a fazer-lhes perguntas. Todos quantos o ouviam, estavam estupefatos com a sua inteligência e as suas respostas. Ao vê-lo, ficaram assombrados e sua mãe disse-lhe: «Filho, porque nos fizeste isto? Olha que teu pai e eu andávamos aflitos à tua procura!» Ele respondeu-lhes: «Porque me procuráveis? Não sabíeis que devia estar em casa de meu Pai?» Mas eles não compreenderam as palavras que lhes disse. Depois desceu com eles, voltou para Nazaré e era-lhes submisso. Sua mãe guardava todas estas coisas no seu coração. E Jesus crescia em sabedoria, em estatura e em graça, diante de Deus e dos homens.

Neste domingo da oitava de Natal a Igreja celebra a festa da Sagrada Família, e neste Ano C, dedicado a Lucas, nos faz ler aquele famoso episódio ocorrido com Jesus quando tinha doze anos de idade e acompanhou seus pais numa festa de Páscoa em Jerusalém. Perdido no meio da comitiva por ocasião da volta foi reencontrado três dias depois. Aqui fazemos uma pequena e primeira pausa. O texto Lucano nos diz, usando por três vezes o verbo procurar, que Maria e José aflitos O buscavam em toda parte. Procurar Jesus Cristo, procurar Deus em Cristo, eis uma primeira tarefa de todos aqueles que celebram o Natal e querem que o Natal seja uma festividade permanente, e desejam que em seu coração haja clima de Natal o ano inteiro. Estas pessoas buscam ansiosamente a Jesus. Se nós, durante o ano, nos esfriamos no fervor dessa busca é porque o nosso interesse por Jesus diminuiu também. Depois de três dias ao encontrá-Lo no templo recebem de Jesus uma resposta: “Por que me procuráveis, não sabíeis que devo ocupar-me das coisas de meu Pai?” É a primeira vez que Jesus fala neste Evangelho e a primeira vez que fala. Diz a Maria e José atônitos e surpresos que possui um Pai Celestial e que deve primeiramente ocupar-se das coisas Dele. É a única frase que conhecemos de Jesus durante toda a sua vida oculta. Depois disso desceu com eles para Nazaré e lhes era obediente e submisso. Ocupar-se das coisas do Pai, ocupar-se com as coisas de Deus, não seria para cada um de nós hoje, um programa de vida a ser levado a sério neste próximo ano? Ocupar-se com as coisas de Deus, não seria um programa para cada casal cristão e católico? Notem aqueles casais que se ocupam com as coisas de Deus e O buscam de todo o coração, reforçam cada vez mais os vínculos matrimoniais. É absolutamente impossível que este matrimônio se desfaça, se despenque e caia em pedaços, porque ambos, marido e mulher, ao procurarem as coisas de Deus e a face do Pai, se unem cada vez mais entre si. O Pai efetivamente une cada vez sempre mais aqueles que sacramentalmente simbolizam o seu amor.

 

«Desceu com eles, voltou para Nazaré e era-lhes submisso»
Santo Antônio de Lisboa (c. 1195-1231), franciscano, Doutor da Igreja
Sermões para o domingo e as festas dos santos (a partir da trad. Eds. Franciscaines 1944, p. 66)

«Era-lhes submisso». Que todo o orgulho derreta diante destas palavras, que toda a soberba se desfaça, que toda a desobediência se submeta. «Era-lhes submisso». Quem? Aquele que, com uma só palavra, tudo criou do nada. Aquele que, como diz Isaías, «mediu o mar com a concavidade da Sua mão, e mediu o céu com o Seu palmo; que mediu com o alqueire a massa terrestre e pesou as montanhas na báscula e as colinas na balança» (40, 12). Aquele que, como diz Job, «sacode a terra do seu lugar e abala as suas colunas, ordena ao sol e o sol não nasce, e guarda sob selo as estrelas. […] Aquele que fez grandes e insondáveis maravilhas, prodígios incalculáveis» (9, 6-10). […] É Ele, o grande e poderoso, que assim Se submete. E submete-se a quem? A um operário e a uma pobre virgem. Oh «primeiro e último» (Ap 1, 17)! Oh Senhor dos anjos, submisso aos homens! O Criador do céu, submisso a um operário; o Deus da eterna glória, submisso a uma pobre virgem! Quem viu jamais coisa parecida? Quem ouviu jamais contar coisa semelhante? Não hesiteis, pois, em obedecer, em ser submissos. […] Descer, voltar para Nazaré, ser submisso, obedecer na perfeição: eis o cúmulo da sabedoria. […] Eis a sabedoria com sobriedade. A pura simplicidade é «como as águas de Siloé, que correm tranqüilas» (Is 8, 6). Há sábios nas ordens religiosas; mas foi através dos homens simples que Deus os congregou. Deus escolheu os loucos e os enfermos, os fracos e os ignorantes, para através deles congregar aqueles que eram sábios, poderosos e nobres, a fim de que ninguém se vanglorie diante de Deus (1Cor 1, 26-29), mas todos se gloriem Naquele que desceu, que voltou para Nazaré e que era submisso.

 

No domingo a seguir ao Natal, celebra-se a Festa da Sagrada Família. Continuamos a celebrar o mistério do Natal, abrindo um pouco mais o nosso horizonte contemplativo. Seria bom aproveitar este domingo para reafirmar mais uma vez que o domingo é o “dia da família”, porque é o “dia do Senhor”, o “dia do homem”, o “dia da Igreja”, como nos dizia João Paulo II na Carta Apostólica “Dies Domini”. No contexto natalício, esta festa convida-nos a olhar para a Família de Jesus que se converte em Sagrada. Desta Família, vamos buscar o calor familiar que têm estas festas natalícias. Este sentimento deve também inundar neste tempo todo o ambiente social. A Sagrada Família dá-nos um modelo de vida. Por isso, pedimos na Oração Coleta desta Festa que, “imitando as suas virtudes familiares, e o seu espírito de caridade, possamos um dia reunir-nos na vossa casa para gozarmos as alegrias eternas”. As leituras são as próprias desta festa. Enquanto que a primeira e segunda leituras e o salmo responsorial são comuns para os três ciclos, com o evangelho há uma perícope para cada ciclo. As leituras da Festa da Sagrada Família oferecem-nos o modelo da vida de família, à luz da Palavra de Deus. As três leituras apresentam-nos um tríptico maravilhoso, onde poderemos admirar o mais belo retrato duma família ideal. O Natal é considerado, por muitos, como a festa da família, pelo que a Igreja aproveita esta quadra litúrgica para nos traçar o perfil da família cristã. A primeira leitura do livro Ben – Sirá estabelece os fundamentos humanos que devem estar na base de toda a vida familiar. “Amar pai e mãe” é um dever dos filhos porque Deus quer honrar os pais nos filhos e quer assegurar sobre eles os direitos da mãe. Quer dizer, Deus gosta de ser obedecido através da autoridade dos pais. Em última instância, o dever filial não assenta no direito paternal, mas na vontade de Deus. Uma forma muito concreta de os filhos observarem este mandamento do amor filial é amparar os pais na velhice e garantir-lhes o merecido descanso, após uma vida de intenso trabalho. Este é um dever de justiça da parte dos filhos para com os pais. Estes merecem ter uma qualidade de vida digna quando já não podem valer-se a si mesmos. Durante a vida dos pais, os filhos não os devem aborrecer, porque assim como a vida do filho é um dom de Deus aos pais, também a vida dos pais é um dom de Deus aos filhos. Finalmente, outro dever fundamental dos filhos em relação aos pais é aceitá-los com muita compreensão e tolerância quando os pais vierem a perder o uso das suas faculdades. Os filhos que assim procederem usufruirão das seguintes vantagens apontadas na 1ª leitura: Obterão o perdão dos seus pecados, terão longa vida, alegrar-se-ão nos seus futuros filhos e serão atendidos nas suas orações. A segunda leitura, tirada da Carta aos Colossensses, aponta as virtudes cristãs que todos os familiares devem praticar. A primeira virtude é a da misericórdia, que consiste na capacidade de amar o que eventualmente não é amável para um amor concupiscente. A misericórdia contém, dentro de si mesma, a força moral da benignidade, da mansidão e da longanimidade. Quem assim exerce a misericórdia atinge a perfeição da caridade, que é a síntese de todas as virtudes. Esta caridade atinge a sua máxima expressão no perdão mútuo das ofensas que infligimos uns aos outros. O perdão não se fundamenta no pedido de desculpa por parte do ofensor, mas no amor gratuito de Deus que nos perdoou primeiro. Todas estas atitudes têm por finalidade conseguir a experiência da paz de Cristo, que é o objetivo último da vida da família cristã. Para conseguir este ideal que é sublime, mas árduo, temos como primeiro meio a Palavra de Deus que deve habitar nos nossos corações. É esta Palavra que deve instruir e aconselhar todos os membros da família, que a devem escutar e por ela se deixarem seduzir. Outro meio é a oração comunitária em que toda a família deve participar “com salmos, hinos e cânticos”, manifestando, de todo o coração, a sua gratidão a Deus. Em terceiro lugar, os familiares devem tudo fazer, por palavras e obras, em nome do Senhor, isto é, sem procurar o próprio interesse, mas o projeto de Deus sobre a família. Finalmente, São Paulo dirige uma palavra de recomendação aos pais, para que não exasperem os filhos; aos filhos, para que obedeçam aos pais; aos maridos, para que amem esposas sem aspereza, e às esposas, para que saibam ser submissas, seguindo o exemplo de Cristo. A leitura do evangelho, que nos relata a perda e o encontro de Jesus no Templo, dá-nos três grandes lições da família de Nazaré que devem ser as normas da família cristã. A primeira lição é a preocupação de ir ao encontro dos outros. São José e Nossa Senhora procuravam, com muita aflição, o filho que tinham perdido. Nenhum membro da família se pode desinteressar do outro. A segunda lição é o diálogo. Maria, Mãe de Jesus, apressa-se a conversar com o seu filho para tentar entender a atitude dele. Apesar da explicação que recebeu, naquele momento nada entendeu. Mas guardou “a Palavra no coração” até à hora de melhor a compreender. O diálogo, mesmo quando difícil, é indispensável para a vida da família. A terceira lição é a unidade familiar que se consegue pela aceitação mútua, em que, cada um, depois de ter dado a sua explicação e de ter apresentado os seus planos e pontos de vista, aceita viver a vida em comunhão.

 

As lições de Nazaré

Nazaré é a escola onde se começa a compreender a vida de Jesus: a escola do Evangelho. Aqui se aprende a olhar, a escutar, a meditar e penetrar o significado, tão profundo e tão misterioso, dessa manifestação tão simples, tão humilde e tão bela, do Filho de Deus. Talvez se aprenda até, insensivelmente, a imitá-lo. Aqui se aprende o método que nos permitirá compreender quem é o Cristo. Aqui se descobre a necessidade de observar o quadro de sua permanência entre nós: os lugares, os tempos, os costumes, a linguagem, as práticas religiosas, tudo de que Jesus se serviu para revelar-se ao mundo. Aqui tudo fala tudo tem um sentido. Aqui, nesta escola, compreende-se a necessidade de uma disciplina espiritual para quem quer seguir o ensinamento do Evangelho e ser discípulo do Cristo. Oh! Como gostaríamos de voltar à infância e seguir essa humilde e sublime escola de Nazaré! Como gostaríamos, junto a Maria, de recomeçar a adquirir a verdadeira ciência e a elevada sabedoria das verdades divinas. Mas estamos apenas de passagem. Temos de abandonar este desejo de continuar aqui o estudo, nunca terminado, do conhecimento do Evangelho. Não partiremos, porém, antes de colher às pressas e quase furtivamente algumas breves lições de Nazaré. Primeiro, uma lição de silêncio. Que renasça em nós estima pelo silêncio, essa admirável e indispensável condição do espírito; em nós, assediados por tantos clamores, ruídos e gritos em nossa vida moderna barulhenta e hipersensibilizada. Ó silêncio de Nazaré, ensina-nos o recolhimento, a interioridade, a disposição para escutar as boas inspirações e as palavras dos verdadeiros mestres. Ensina-nos a necessidade e o valor das preparações, do estudo, da meditação, da vida pessoal e interior, da oração que só Deus vê no segredo. Uma lição de vida familiar. Que Nazaré nos ensine o que é família, sua comunhão de amor, sua beleza simples e austera, seu caráter sagrado e inviolável; aprendamos de Nazaré o quanto a formação que recebemos é doce e insubstituível: aprendamos qual é sua função primária no plano social. Uma lição de trabalho. Ó Nazaré, ó casa do “filho do carpinteiro”! É aqui que gostaríamos de compreender e celebrar a lei, severa e redentora, do trabalho humano, aqui, restabelecer a consciência da nobreza do trabalho; aqui, lembrar que o trabalho não pode ser um fim em si mesmo, mas que sua liberdade e nobreza resultam, mais que de seu valor econômico, dos valores que constituem o seu fim. Finalmente, como gostaríamos de saudar aqui todos os trabalhadores, do mundo inteiro e mostrar-lhes seu grande modelo, seu divino irmão, o profeta de todas as causas justas, o Cristo nosso Senhor.
Das alocuções do papa Paulo VI (alocução pronunciada em Nazaré a 5 de janeiro de 1964). Extraído das Leituras das Horas, Domingo da Sagrada Família, página 382.  

A vida oculta de Jesus edificante é relembrar; Dizer em verso a vida pobre de Nazaré, humilde lar. Na arte humilde de José, jovem Jesus já se inicia E ao trabalho do operário de boa mente se associa. Junto do filho está à mãe, junto ao esposo a santa esposa. Lá se compensam os cansaços por amizade afetuosa. Vós ó Senhor, que conheceis bem o trabalho e o suor Daí vossa ajuda aos que trabalham ouvi dos fracos o clamor. A vós Jesus, que pelo exemplo a vida santa nos mostrais, Glória com o Pai e o Espírito com Quem nos séculos reinais.

Oração: Ó Deus de bondade, que nos destes a Sagrada Família como exemplo, concedei-nos imitar em nossos lares as suas virtudes, para que, unidos pelos laços do amor, possamos chegar um dia às alegrias da vossa casa. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém

Natal feliz é Natal com Cristo! Sagrada Família de Nazaré rogai por nós.

 

Deus quis ter uma família
Felipe Aquino

Por que a Igreja no primeiro domingo depois do Natal nos apresenta a Sagrada Família? Porque a família é sagrada, não só a de Jesus e Maria. Por que é sagrada? Porque é instituída por Deus. Para salvar a humanidade, o Verbo de Deus se fez carne e assumiu tudo que precisava para sermos resgatados. Ele veio como criança, adolescente, jovem, adulto e foi para o céu abrir as portas para nós. Até pela realidade do túmulo Ele passou, e em tudo que a humanidade precisava passar, por isso Ele começou pela família. A humanidade não pode ficar de pé sem a família. Deus é uma família, são três pessoas: Pai, Filho e Espírito Santo. Deus é um só e subsiste em três pessoas. Quando Deus quis que humanidade existisse, Ele fez um projeto. Quem faz alguma coisa sem projeto faz tudo errado. Deus disse ao homem: “Deixa seu pai e sua mãe e se una a uma mulher”. O homem e a mulher unidos por Deus para serem uma só carne. Tem muito casal que vive junto, mas não estão unidos. Nós casados, noivos, namorados temos que ter a coragem de diante de Deus perguntar: “Estamos unidos ou apenas juntos?” Ou somos casados de verdade, ou é melhor não casar? A Igreja hoje coloca diante de nós a Sagrada Família para que a gente se espelhe n’Ela. A vida da Sagrada Família foi muito mais dura que a sua família. Logo que o Menino Jesus nasceu o velho Simeão fez a profecia dizendo que uma espada de dor ia atravessar o peito de Maria. Mudar para o Egito para não matarem o Menino, num sol abrasador do deserto. A perda do Menino em Jerusalém por três dias. Depois encontra Seu Filho a caminho do calvário cheio de sangue e depois O ver pregado na cruz. Veja quanta dor, por isso Deus coloca a Sagrada Família como modelo. Ficar vendo filme pornográfico na internet é infidelidade. Se você busca Deus em primeiro lugar, nada vai faltar para sua família. Não tenha medo de ser um pai honesto que não aceita dinheiro sujo. Seja humilde, silencioso, o último. José era assim. José foi um homem excelente que só falou pelos seus gestos, quando Jesus começou sua vida pública ele já tinha morrido. “Deus deu a nós casais duas missões: fazer o outro crescer e multiplicar” Mulheres sejam submissas aos seus esposos. O homem sustenta o lar e a mulher sustenta o homem nessa missão. É uma ajuda amorosa por causa de Deus. Hoje as mulheres trabalham muito mais do que antigamente, ela era mais protegida porque ficava em casa, mas ela pode continuar essa submissão. São Paulo diz: “maridos amai vossas esposas como Cristo amou a Igreja”. As famílias estão arrebentas por causa do amor falso entre os casais. Se você construir sua família com amor falso ela não vai subsistir. Há casamentos que não foram válidos porque não aconteceu por amor. A Igreja não anula casamento, mas declara quando ele não foi válido. Não é fácil cumprir a promessa de fidelidade até a morte, viver com a mesma pessoa a vida inteira, mas a Igreja sabe que é esta luta que nos santifica. Deus deu a nós casais duas missões: fazer o outro crescer e multiplicar, ou seja, ter filhos. A beleza do casamento não é só entrar no navio com sua esposa e fazer uma turnê pelo mundo, mas pegar a sua mulher e fazê-la crescer para Deus. Tem muitos pais que não têm coragem de dizer “não” para os filhos, e eles se estragam. Temos que corrigir nossos filhos na hora certa, do jeito certo e no lugar certo. O primeiro catequista da criança precisa ser o pai e a mãe. Infelizmente a moral foi jogada no lixo só interessa o prazer do corpo, por isso estamos vendo as famílias sendo destruídas. As crianças têm direito de ter um pai, “seja homem rapaz, assuma essa criança”. A imoralidade do sexo antes do casamento arrebenta a família. A criança não é infeliz porque não tem roupa, mas porque não tem pai e mãe.

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