Homilia da Semana

Apresentação de Nosso Senhor e Purificação de Nossa Senhora – 02 de Fevereiro

Por Pe. Inácio José Schuster

A Igreja Católica reservava outrora uma bênção especial às parturientes que, logo que o seu estado permitia, se apresentavam a Deus com seus. É provável que este uso se tenha introduzido na Igreja em memória e veneração da Mãe de Deus, que, obediente à lei do seu povo, fez a sua apresentação no templo. A festa que a Igreja hoje celebra tem o nome de Apresentação do Senhor no templo. E é também a Purificação de Nossa Senhora ou Senhora das candeias. É hoje o dia da bênção das velas (candeias) e em muitas igrejas, antes da celebração da Missa, organiza-se solene procissão, em que são levadas velas acesas, símbolos de Jesus Cristo – que, apresentado a Deus no templo de Jerusalém pelo santo velho Simeão, foi saudado como a luz que veio para iluminar os povos. Comemora-se o dia em que Maria Santíssima, em obediência à lei mosaica, se apresentou no templo do Senhor, quarenta dias depois do nascimento de Jesus. Para melhor compreensão deste ato de Maria, sejam lembradas neste lugar duas leis que Deus impôs, no Antigo Testamento. A mulher que desse à luz uma criança do sexo masculino ficava privada de entrar no templo durante quarenta dias a seguir ao parto; e se a criança era menina, o tempo da purificação era de oitenta dias. Passado este tempo, devia apresentar-se no templo e oferecer um cordeirinho, duas rolas ou dois pombinhos, e entregar a oferta ao sacerdote, para que este rezasse sobre ela. Com esta cerimônia, a mulher era aceita outra vez na comunhão dos fiéis, da qual a lei a excluía por algum tempo, depois de ter dado à luz. A segunda lei impunha aos pais da tribo de Levi a obrigação de dedicar o filho primogênito ao serviço de Deus. Crianças que pertenciam a outra tribo, que não a de Levi, pagavam resgate. É admirável a retidão e humildade de Maria Santíssima em sujeitar-se a uma lei humilhante, como foi a da purificação. A maternidade da Virgem, em tudo diferente da das outras mulheres, isentava-a desta obrigação. Davi enche-se de vergonha, quando se lembra da sua origem: “em pecados me concebeu minha mãe”. A Maria, o Anjo tinha dito: “O Espírito Santo virá sobre ti, e a virtude do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra”, São José recebeu do céu a comunicação consoladora: “O que dela (de Maria) nascerá, é do Espírito Santo”. Virgem antes, durante e depois do parto, o seu lugar não era entre as outras filhas hebréias, que no templo se apresentavam para fazer penitência e procurar perdão do pecado. Maria prefere, todavia, obedecer à lei e parecer atingida pela pecha comum a todas. Além disso, sendo de origem nobre, descendente direta de David, oferece o sacrifício dos pobres, isto é, dois pombinhos! Na humildade é acompanhada pelo Filho. Ele, que é “Filho do Altíssimo”, autor e Senhor das leis, não admite para Si motivos que O isentem das mesmas. Querendo ser nosso semelhante em tudo, exceto no pecado, sujeita-Se à lei da circuncisão. Por altura de ser apresentada Maria Santíssima no templo, deu-se um fato que merece toda a nossa atenção. Vivia em Jerusalém um santo chamado Simeão, muito velho, que com muito fervor aguardava pela vinda do Messias. De Deus tinha recebido a promessa de não sair desta vida sem ter visto, com os próprios olhos, o Salvador do mundo. Guiado por inspiração divina, viera ao templo quando os pais de Jesus nele entraram, em cumprimento das prescrições legais. Como os Magos conheceram o Salvador, este fez-Se conhecido por Simeão, o qual o tomou nos braços e bendisse a Deus, dizendo: “Agora, Senhor, deixai partir o vosso servo em paz, conforme a vossa palavra, pois os meus olhos viram a vossa salvação, que preparastes diante dos olhos das nações; Luz para aclarar os gentios e glória de Israel, vosso povo!” José e Maria ficaram admirados do que se dizia do Menino. Simeão abençoou-os e disse a Maria, sua Mãe: “Este Menino veio ao mundo para ruína e ressurreição de muitos em Israel e para ser sinal de contradição. Vós mesma tereis a alma varada por uma aguda espada e assim serão patenteados os pensamentos ocultos no coração de muitos”. – Havia também uma profetisa, Ana, filha de Fanuel, da tribo de Aser. Já estava muito velha. Vivera 7 anos casada, enviuvara e estava com 84 anos. Não deixava o templo, e servia a Deus dia e noite, jejuando e rezando. Tendo vindo ao templo na mesma ocasião, desfez-se em louvores ao Senhor e falava do Menino a todos os que esperavam a redenção de Israel. Cumpridas todas as prescrições da lei, José e Maria voltaram para casa. A Deus deve-Se louvor e gratidão, depois dum parto bem sucedido. De Deus vem todo o bem para a mãe e para o filhinho. É justo, pois, que a mãe peça a bênção divina. A mãe cristã sabe que sem a assistência e auxílio de Deus, não pode educar os filhos na virtude e no temor de Deus. Reconhecendo esta insuficiência, faz a Deus oferecimento do filho, prometendo ao Senhor ver nele uma propriedade divina, garantia do seu amor, e fazer tudo que lhe estiver ao alcance para educá-lo para o céu. Oxalá todas as mães cristãs eduquem os filhos para Deus, e não para o serviço do mundo, de Satanás e da carne!

 

No dia dois de fevereiro, a Igreja celebra a festa da apresentação do Senhor. Estamos a exatos, 40 dias após a celebração do Natal. De acordo com o evangelista Lucas, capítulo 2 versículos de 2 a 40, foi este o momento em que os pais de Jesus o apresentaram no templo de Jerusalém.

Alguns padres da Igreja viram nesta cena o encontro dramático entre o Antigo Testamento e o Novo Testamento. O Antigo Testamento representado por Simeão e o Novo Testamento representado por aquela criancinha que José e Maria traziam e ofertavam ao Senhor no templo.

O Antigo Testamento pode proferir solenemente a sua despedida e da boca de Simeão nós ouvimos: “Agora Senhor, deixa ir em paz o teu servidor conforme a tua palavra, porque meus olhos viram a tua salvação que preparastes a todos os povos. Luz para iluminar as nações e glória de Israel, teu povo.”

E assim, caríssimos irmãos, com estas palavras, Simeão e todo o Antigo Testamento saem de cena e deixam lugar ao Novo Testamento representado na criança que ainda não fala, que ainda é em tudo dependente de seus pais, o menino Jesus.

Neste dia, caríssimos irmãos, nós celebramos a luz. As palavras de Simeão são claras: luz para iluminar as nações. E a Santa Igreja, na liturgia convida os fiéis a tomarem em suas mãos a luz de uma vela para marcarem bem a distância entre a luz que ilumina este mundo e de que nos servimos para este mundo e que não serve para simbolizar a fé e uma outra luz que normalmente não serve para este mundo, mas que pode bem simbolizar a nossa fé, a chama de uma vela.

Naquele instante, ao receber Jesus no templo, a luz que iluminaria Israel e todas as nações, estavam o velho Simeão e a velha Ana. Estes eram não apenas os representantes de Israel, mas, caríssimos irmãos, para o evangelista, os representantes dos pobres, daqueles que tem o coração disponível, daqueles que são despojados, daqueles que não se apegaram e não se apegam às riquezas e aos bens deste mundo. Para esse evangelista, bem sensível a esta categoria de gente, são estes pobres, humildes e simples, provavelmente representantes da comunidade cristã primeira de Jerusalém.

São estas, repito, as pessoas mais aptas, mais qualificadas a receberem o Cristo luz.   Na medida em que você for simples, na medida em que você for pobre, na medida em que você não se apegar aos bens deste mundo, na medida em que você não se sentir satisfeito, mas buscar o definitivo de Deus, nesta mesma medida você receberá Jesus Cristo, que inundará de luz o seu coração e sua alma também.   Neste dia, você celebrará a sua festa da verdadeira luz.

 

O evangelista insiste sobre a proposição circunstancial: “Concluídos os dias da sua purificação”, mostrando a conformidade legal da Sagrada Família. Por outro lado, já anuncia Aquele que “veio para cumprir a Lei e os profetas”, mas que não se limita a uma observância material, dobrando-se às disposições da “letra” da Lei. Ele vai além, cumprindo-a em seu sentido profundo, “segundo o Espírito”, seu Espírito, o Espírito que tinha inspirado profeticamente Moisés. “Levaram-no a Jerusalém para o apresentar ao Senhor”, e apresentaram este pequeno menino que necessitava ser “levado”, que Simeão vai “tomar em seus braços”, e cuja grandeza é em verdade mais brilhante que o raio: pois Ele é o sumo sacerdote, ao mesmo tempo,  que é a futura vítima da Nova Aliança, da qual a “apresentação” é o preâmbulo. Esta criança é o “Primogênito” por excelência, tanto de Deus como de sua mãe. Consagrado, Ele é  oferecido a Deus, como resgate, como Redenção de todos os homens de todos os tempos, capaz de lhes conceder uma purificação perfeita. “Esta purificação, escreve Orígenes, é de fato, não só fruto de Jesus, mas também de Maria: ela está associada ao seu Filho, fisicamente, pois ela “O traz” e “O leva” e Simeão vai lhe anunciar que ela comungará dos sofrimentos da Redenção. Esta purificação é de ambos, mesmo se Jesus seja o único Salvador, o Santo e o Redentor”. Este momento, portanto, manifesta o verdadeiro “Santo dos Santos”, perfeitamente “o Ungido” como significa o seu título de Cristo e de Messias. E as palavras de Simeão precisam o alcance universal desta “apresentação”: “Causa de soerguimento para muitos homens”; é Ele a “luz para iluminar as nações, e para a glória de vosso povo de Israel”. E Santo Agostinho comenta que este idoso Simeão “se torna um destes pequenos a quem é prometido o Reino”. E eis seu último suspiro: “Agora, Senhor, deixai o vosso servo ir em paz”.

Cristo não é uma legislação e um católico não pode ser um fariseu

Questões sobre fé e Igreja

Pe. Hélio Luciano, formado em Navarra, mestre em bioética pela Universidade de Navarra, mestre em Teologia Moral pela Pontifícia Universidade Santa Cruz em Roma e membro da comissão de bioética da CNBB.

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ZENIT: Dizem que é um absurdo as mulheres não serem valorizadas a ponto de não serem pelo menos diaconizas. O que dizer sobre isso?

Pe. Hélio: João Paulo II brindou-nos, em 1988, com um belíssimo texto que fala sobre a dignidade da mulher (Mulieres dignitatem) e deixa-nos claro que o fato de as mulheres não acederem ao sacramento da ordem, não se trata de uma diminuição da mesma, mas simplesmente que existem funções e missões diferentes dentro da vida da Igreja.

O Senhor demonstra claramente a alta consideração da mulher durante a sua vida pública – escandaliza aos apóstolos ao conversar com a samaritana no poço; defende uma mulher adúltera; cura a hemorroíssa, considerada impura; atende às súplicas de uma mulher estrangeira, um escândalo para os judeus. As mulheres dão provas da sua maior fidelidade ao serem elas as primeiras a acreditarem na Ressurreição. Além disso, o Senhor escolhe como mãe a Maria, muito superior em santidade que os Apóstolos.

E, ainda assim, o Senhor decide unir o sacerdócio aos Apóstolos, aos homens. Não o faz por considerar estes melhores ou mais santos que as mulheres – elas davam provas de que o seguiam com maior fidelidade – mas porque assim o quis. Não acusamos a Deus de feminista por dar o dom da maternidade às mulheres. Existem missões diferentes – masculinas e femininas – dentro da vida humana e da Igreja e isso não pode ser considerado exclusão ou preconceito, mas sim a riqueza da complementariedade querida por Deus desde que nos criou diferentes – homem e mulher os criou.

ZENIT: É verdade que o Concílio Vaticano II já está ultrapassado e a Igreja precisa se atualizar urgente? Por exemplo, porque não usar métodos contraceptivos básicos, como camisinha e pílulas?

Pe. Hélio: O Papa Francisco, na sua grata genialidade pastoral, tem insistido que devemos encontrar os problemas atuais das pessoas, sabendo que a doutrina continua a mesma – ele diz que como filho da Igreja pensa em tudo como a Igreja. Isso significa que o ensinamento da Igreja sobre contracepção, aborto, eutanásia – dentre outros – continua o mesmo. Mas antes se faz necessário comunicar a alegria do mistério pascal a nossos irmãos cada vez mais afastados de Cristo. O Papa Francisco diz que não podemos perguntar sobre o colesterol alto a um moribundo.

Às vezes pensamos que ser católico é cumprir, obedecer uma série de normas. Isso é absurdo. Cristo não é uma legislação e um católico não pode ser um fariseu. Os ensinamentos da Igreja – dos quais estes temas sensíveis continuam sendo plena verdade – servem para que a pessoa humana seja mais feliz, vivendo na plenitude daquilo que nos foi pedido por Cristo, convertendo-nos em outros Cristos, no próprio Cristo.

Portanto, em primeiro lugar devemos curar as feridas das pessoas machucadas pelo mundo, que vivem com a falsa alegria do filho pródigo, mas que já começam a se dar conta de que falta algo – tantas depressões, tantos vazios existenciais, tantas faltas de esperanças na vida. É hora de mostrar que seguir a Cristo vale à pena – não como infantilização ou adotar falsas esperanças, mas como Caminho, Verdade e Vida.

Depois de que as pessoas encontrem de fato a Cristo, poderemos mostrar a elas o modo de se aproximar ainda mais dEle, vivendo em plenitude aquilo que ele nos pediu e mostrando que viver assim não pode ser jamais uma imposição externa, mas um encontro profundo e livre com Cristo.

Não precisamos de uma Igreja que se adapte aos tempos, mas de tempos que conheçam a Cristo.

ZENIT: O que dizer sobre o casamento homossexual? Deveria ser mais discutido?

Pe. Hélio: Voltamos a entrar na questão do filho pródigo. São as pessoas que devem nos preocupar e não ideias em geral. É lógico que devemos cuidar das leis que configuram nossa sociedade, mas não por um legalismo ou por querer que a Igreja interfira no Estado ou na liberdade individual das pessoas, mas sim como ajuda a que as pessoas encontrem a si mesmas e a felicidade plena.

Nosso trabalho real é de tentar mostrar às pessoas que serão felizes se fizerem o que Cristo lhes pede. Amor sem liberdade não é e nunca será verdadeiro amor – por isso não podemos e nem queremos impor nada a ninguém. Queremos simplesmente mostrar que Cristo propõe um caminho de felicidade mais plena, mais completa e que esta felicidade está ao alcance de todos.

Matrimônio é algo que se realiza entre um homem e uma mulher, pois dentro da sua essência – de modo natural – está a exigência da complementariedade masculina e feminina. Uma lei que altere a natureza humana não é verdadeira lei, mas uma violência contra o ser humano. Creio, sinceramente, ser uma questão de justiça que a união homossexual seja reconhecida civilmente – seria injusto que duas pessoas que decidiram viver juntas por anos não tivessem direitos adquiridos quanto à herança ou divisão de bens. Porém, equiparar essa união a matrimônio é algo que contradiz o próprio modo de ser do homem e não está ao alcance de nenhum legislador.

Mas repito, nosso trabalho deve ser de evangelizar, de mostrar que seguir a Cristo vale a pena. Ficamos tanto tempo sem anunciar a Cristo ao mundo de modo efetivo – não podemos agora querer impô-lo sem liberdade.

ZENIT: Ouve-se dizer em alguns lugares que o Papa Bento foi obrigado a sair porque encobriu muitas falcatruas de alguns padres e cardeais. É isso mesmo?

Pe. Hélio: Muitos conhecem profundamente os méritos e a humildade do Papa Bento, mas creio que à grande maioria das pessoas, tais méritos só serão conhecidos no céu – ainda bem que devemos acumular tesouros para o céu e não para este mundo.

O Papa Bento foi quem começou reformas profundas na cúria romana – evitando carreirismos – e na Igreja. Um exemplo claro – ainda antes de ser eleito Papa – foi de exigir a denúncia de sacerdotes pedófilos às autoridades civis de cada País, evitando que tais crimes pudessem ser encobertos por bispos ou autoridades eclesiásticas.

Talvez o único “problema” do Papa Bento tenha sido a comunicação. Ele nunca investiu em marketing. Talvez se tivesse anunciado a quatro ventos o bem que fazia e as atitudes que tomava, tivesse sido melhor compreendido. Sua opção foi de fazer o bem em silêncio, repito, construindo seu tesouro em Deus e não para os homens. Alguns serviços de comunicação internacional, não tendo notícias reais sobre o que fazia o Papa, decidiram criar notícias para encher o espaço destinado à Igreja. Não faltaram também homens de igreja – na sua grande maioria carreiristas – insatisfeitos com algumas mudanças, que alimentaram este mal estar midiático.

A grandeza do Papa Bento talvez tenha se manifestado em toda a sua profundidade na coragem da sua renúncia e no silêncio profundo desde a eleição do Papa Francisco.

ZENIT: É verdade que o frei Beto e o Leonardo Boff foram perseguidos injustamente pela Igreja, porque eles defendem a verdadeira opção pelos pobres?

Pe. Hélio: Fico impressionado como muitas vezes no Brasil – dentro e fora da Igreja – são bem vistos aqueles que se rebelam, que atacam ao Magistério e que tentam dividir a Igreja de Cristo. Talvez faça parte da atual crise de autoridade que vivemos – é melhor aquele que ataca do que aquele que obedece. Será que somos tão cegos? Poderíamos entender se considerássemos a Igreja de um modo simplesmente humano – ainda assim seria uma grande ousadia, ou soberba, mas se poderia entender. Se uma instituição humana de dois mil anos tivesse se perdido e viesse um “iluminado” para dizer como retomar o caminho, este deveria ser muito “iluminado” ou muito soberbo.

Porém sabemos que a Igreja não é uma simples instituição humana. Possui o Espírito Santo que a ilumina e ajuda a ser fiel àquilo que Cristo lhe confiou. Por isso a obediência, que não é obscurantismo, pois não se trata de uma obediência cega, mas sim de uma obediência inteligente, que pode argumentar, propor, questionar. Mas a partir de um momento, ou abaixamos a cabeça afirmando nossa fidelidade a Cristo através da Igreja que Ele mesmo quis, ou nos rebelamos e desligamos da Igreja, acreditando que o Espírito Santo nos ilumina mais a nós individualmente do que à sua Igreja.

Isso não significa dizer que não houve ou não há erros dentro da Igreja – claro que existem. Mas sim que o modo de solucioná-los é a perseverança e humildade dos santos e não a soberba e arrogância de palanques. Quantos santos sofreram e foram fieis?

Quanto à opção preferencial pelos pobres é algo que sim deve ser visto. Mas podemos nos perguntar – onde tal modelo proposto foi implantado não teria aumentado ainda mais o sofrimento, a desilusão e a falta de esperança?

Talvez Deus tenha permitido tais problemas para realmente chamar nossa atenção para aqueles que necessitam de ajuda material – não podemos falar de conversão a quem morre de fome – mas a solução deve se dar dentro da Igreja, em comunhão e humildade.

ZENIT: É verdade que o Papa Francisco, chamou o Leonardo Boff para uma conversa porque concorda com a teologia da libertação e tem a mesma opção pelos pobres?

Pe. Hélio: Na verdade, em relação ao convite do Santo Padre a Leonardo Boff, pouco podemos saber se são verdades ou bravatas. Ao mesmo tempo, não haveria nenhum problema em tal convite. A Igreja nunca se fecha ao diálogo e é importante conversar com todos – o Papa Bento teve um célebre diálogo com Hans Küng, um grande crítico da Igreja.

Quem se fechou ao diálogo nos últimos anos foi o próprio Leonardo Boff – praticamente demonizando o Papa Bento. A abertura a este diálogo seria benéfica tanto à Igreja como ao próprio Boff, mas não significaria uma mera concordância, mas sim uma abertura ao diálogo.

Do mesmo modo, não podemos demonizar a teologia da libertação em si mesma. Os aspectos positivos e negativos foram ressaltados nos dois documentos da Igreja – um de 1984 e outro de 1986 – sobre o tema. Suponho que a teologia da libertação que trabalhe dentro de tais limites e sem se tornar discurso ideológico, pode enriquecer a teologia.

ZENIT: É verdade que as normas da Igreja proíbem os padres de confessar às pessoas divorciadas?

Pe. Hélio: Aqui existe um problema pastoral sério e voltamos ao tema do filho pródigo. Há muitos anos não estamos conseguindo dar verdadeira formação àqueles que vão casar – não os evangelizamos desde a infância e depois cremos que com 4 horas de formação para noivos estarão preparados para contrair matrimônio. Isso é burocracia e não mostrar o rosto de Cristo. Depois não acompanhamos as pessoas que se casam – a grande maioria nem frequenta a Missa, pois não conseguimos fazer que entendam a beleza da Eucaristia. A consequência é que o número de separações e divórcios é cada vez maior (351 mil divórcios no Brasil em 2011). A culpa é de quem? Nossa, como Igreja, que não evangelizamos.

Um número também cada vez maior de pessoas que se separaram ou se divorciaram optam por unir-se novamente, com esperança de que desta vez dê certo. Em primeiro lugar, nosso papel não pode ser de meros juízes, colocando o dedo na ferida. Tais pessoas estão machucadas pela vida e normalmente passaram por situações muito difíceis na união anterior.

Nosso papel deve ser de acolher, escutar, ajudar, sempre a partir da verdade e evitando extremismos. Acolher no sentido de mostrar a essas pessoas que elas continuam sendo filhas de Deus e que fazem parte da Igreja. Escutar a história de cada uma, tendo misericórdia, ou seja, colocando a dor do outro no nosso próprio coração. Ajudar tentando oferecer a ela o caminho de felicidade proposto por Cristo, não como uma carga na sua vida, mas como o modo de que encontre plenamente sua felicidade.

Em muitos casos – não todos – o primeiro matrimônio foi nulo, ou seja, nunca aconteceu. São 19 as causas de nulidade e hoje, como muitos casam sem saber o que é verdadeiramente o matrimônio, ou sem assumir os compromissos que derivam do mesmo, temos grande número de casamentos inválidos. É direito do fiel poder recorrer ao Tribunal Eclesiástico para saber se seu matrimônio aconteceu de fato ou não.

No caso de que o primeiro matrimônio seja válido, devemos deixar claro a situação da pessoa e ajudá-la a que, livremente, encontre-se com Cristo. Os extremismos só prejudicam. Por um lado os rigorismos, de aplicar simplesmente a lei, sem ver a pessoa, só aumentam o sofrimento e excluem as pessoas da Igreja – Jesus Cristo veio para os doentes e não para os sãos. Por outro lado, o laxismo de não ver que existe um problema a ser sanado, também cria nas pessoas conflitos de consciência – ninguém trata um câncer simplesmente dizendo que ele não existe.

O sacramento do matrimônio, quando válido, dura até a morte de um dos cônjuges. A pessoa em segunda união deve saber que está casada realmente com o seu(ua) primeiro(a) esposo(a). Enquanto permanecer em segunda união – e existem casos que não devemos nem mesmo aconselhar que se dissolva, seja pelo bem dos filhos, seja para evitar que venha a se tornar uma terceira ou quarta união – a pessoa pode comungar da Palavra e fazer comunhões espirituais na Missa, participando de Cristo naquele grau que hoje ela é capaz de alcançar. Mas não pode comungar e nem receber a absolvição, pois ainda não há o claro propósito de emenda.

Tal situação não significa menor santidade – existem muitas pessoas em segunda união muito mais santas que pessoas que comungam diariamente – nem mesmo exclusão da vida da Igreja (estas pessoas podem e devem participar da vida pastoral da Igreja). Trata-se sim de um processo pessoal de conversão, que pode durar anos e que só Deus e a própria pessoa podem intervir.

III Domingo do Tempo Comum – Ano C

Por Pe. Inácio José Schuster

OS EVANGELHOS SÃO RELATOS HISTÓRICOS?
Neemias 8, 2-4ª.5-6.8-10; I Coríntios 12, 12-31a; Lucas 1, 1-4; 4, 14-21

Antes de começar o relato da vida de Jesus, o evangelista Lucas explica os critérios que o guiaram. Assegura que refere fatos transmitidos por testemunhas oculares, verificados pelo mesmo com «comprovações exatas» para que quem lê possa perceber a solidez dos ensinamentos contidos no Evangelho. Isso nos oferece a ocasião de nos ocuparmos do problema da historicidade dos Evangelhos. Até pouco tempo atrás, não se mostrava entre as pessoas o sentido crítico. Tomava-se por historicamente ocorrido tudo o que era referido. Nos últimos dois ou três séculos nasceu o sentido histórico, pelo qual, antes de crer em um fato do passado, ele é submetido a um atento exame crítico para comprovar sua veracidade. Esta exigência foi aplicada também aos Evangelhos. Resumamos as diversas etapas pelas que a vida e o ensinamento de Jesus atravessaram antes de chegar a nós.
Primeira fase: vida terrena de Jesus. Jesus não escreveu nada, mas em sua pregação utilizou alguns recursos comuns às culturas antigas, os quais facilitavam muito a retenção de um texto na memória: frases breves, paralelismo e antítese, repetições rítmicas, imagens, parábolas… Pensemos em frases do Evangelho como: «Os últimos serão os primeiros e os primeiros serão os últimos», «Larga é a entrada e espaçoso o caminho que leva à perdição…, estreita a entrada e o caminho que leva à Vida» (Mt 7, 13-14). Frases como estas, uma vez escutadas, até as pessoas de hoje dificilmente as esquecem. O fato, portanto, de que Jesus não tenha escrito Ele mesmo os Evangelhos não significa que as palavras neles referidas não sejam suas. Ao não poder imprimir as palavras no papel, os homens da antiguidade as fixavam na mente.
Segunda fase: pregação oral dos apóstolos. Depois da ressurreição, os apóstolos começaram imediatamente a anunciar a todos a vida e as palavras de Cristo, levando em conta as necessidades e as circunstâncias dos diversos ouvintes. Seu objetivo não era o de fazer história, mas de levar as pessoas à fé. Com a compreensão mais clara que agora temos disso, eles foram capazes de transmitir aos outros o que Jesus havia dito e feito, adaptando-o às necessidades daqueles a quem se dirigem.
Terceira fase: os Evangelhos escritos. Cerca de trinta anos após a morte de Jesus, alguns autores começaram a escrever esta pregação que lhes havia chegado por via oral. Nasceram assim os quatro Evangelhos que conhecemos. Das muitas coisas chegadas até eles, os evangelistas escolheram algumas, resumiram outras e explicaram finalmente outras, para adaptá-las às necessidades do momento das comunidades às quais escreviam. A necessidade de adaptar as palavras de Jesus a exigências novas e diferentes influiu na ordem com o que se relatam os fatos nos quatro Evangelhos, na diversa colocação e importância que revestem, mas não alterou a verdade fundamental deles. Que os evangelistas tenham tido, na medida do possível naquele tempo, uma preocupação histórica e não só edificante é demonstrado na precisão a que situam o acontecimento de Cristo no espaço e no tempo. Pouco mais adiante, Lucas nos proporciona todas as coordenadas políticas e geográficas do início do ministério público de Jesus (Lc 3, 1-2).
Em conclusão, os Evangelhos não são livros históricos no sentido moderno de um relato o mais neutro possível dos fatos ocorridos. Mas são históricos no sentido de que o que nos transmitem reflete em substância o acontecimento. Mas o argumento mais convincente a favor da fundamental verdade histórica dos Evangelhos é o que experimentamos dentro de nós cada vez que somos tocados em profundidade por uma palavra de Cristo. Que outra palavra, antiga ou nova, teve o mesmo poder?

 

Evangelho segundo São Lucas 1, 1-4.4, 14-21
Visto que muitos empreenderam compor uma narração dos factos que entre nós se consumaram, como no-los transmitiram os que desde o princípio foram testemunhas oculares e se tornaram Servidores da Palavra , resolvi eu também, depois de tudo ter investigado cuidadosamente desde a origem, expô-los a ti por escrito e pela sua ordem, caríssimo Teófilo, a fim de reconheceres a solidez da doutrina em que foste instruído. Impelido pelo Espírito, Jesus voltou para a Galileia e a sua fama propagou-se por toda a região. Ensinava nas sinagogas e todos o elogiavam. Veio a Nazaré, onde tinha sido criado. Segundo o seu costume, entrou em dia de sábado na sinagoga e levantou-se para ler. Entregaram-lhe o livro do profeta Isaías e, desenrolando-o, deparou com a passagem em que está escrito: «O Espírito do Senhor está sobre mim, porque me ungiu para anunciar a Boa-Nova aos pobres; enviou-me a proclamar a libertação aos cativos e, aos cegos, a recuperação da vista; a mandar em liberdade os oprimidos, a proclamar um ano favorável da parte do Senhor.» Depois, enrolou o livro, entregou-o ao responsável e sentou-se. Todos os que estavam na sinagoga tinham os olhos fixos nele. Começou, então, a dizer-lhes: «Cumpriu-se hoje esta passagem da Escritura, que acabais de ouvir.»

Por Pe. Fernando José Cardoso

Neste terceiro domingo do tempo comum, iniciamos a leitura que será constante do evangelista Lucas durante todo este ano chamado na liturgia ano C. Após o prólogo do Evangelho, excluindo os capítulos da infância já lidos e meditados no tempo do natal, iniciamos a vida pública de Jesus em seu capítulo quarto. De acordo com este evangelista, Jesus inicia a sua vida publica numa visita e num discurso inaugural na sinagoga de Nazaré, cidade onde se havia criado. “O Espírito do Senhor está sobre mim”. Esta é uma afirmação diante da qual nos detemos. Aquele filho do carpinteiro, até então conhecido como filho de Maria e de José, é alguém que surpreendentemente pode dizer: “Estou cheio, repleto do espírito de Deus”. E de fato Lucas se compraz em dizer-nos que é na força vivificante deste espírito de Deus que Jesus exercerá todo o seu ministério. O discurso de Nazaré é programático, na força do espírito de Deus, Ele é enviado a levar a boa nova aos pobres. Quem são esses pobres, que de acordo com o evangelista se transformaram em destinatários da boa nova de Jesus, ungido pelo Espírito Santo? Podemos hoje afirmar que são as pessoas que não contam com nada deste mundo. São pessoas humildes e simples que não podem fazer valer a sua força. São pessoas de pouca importância ou insignificantes aos olhos mundanos, mas buscam em Deus o seu sustentamento, a sua coragem, a sua esperança. Estes são sempre os destinatários primeiro da boa nova de Jesus. Onde quer que ela seja pregada são estas pessoas mais despojadas, mais humildes, que acorrem pressurosas a pregação do evangelho e tratam de colocá-lo em prática, louvando e bendizendo a Deus pelo bem que lhes fez. Ainda hoje o evangelho é bem mais recebido por este nível de pessoas do que por aqueles que tendo tantos bens materiais se sentem dispensados de Deus. Não sabem exatamente o que buscar em Deus, tão felizes estão com esta vida que vivem na terra. Jesus continua dizendo que irá libertar os cativos, os prisioneiros, e dar vista aos cegos. Tomemos estas afirmações nos dois sentidos: no sentido material e no sentido espiritual. No sentido espiritual é mais fácil de entender a libertação dos prisioneiros da alma e dos cegos do coração, mas do sentido material, Jesus para transformar este mundo num mundo melhor, pede a minha e a sua cooperação, a da sua comunidade e da sua Igreja também.

 

«Com o poder do Espírito»
Hugo de São-Victor (?-1141), cónego regular, teólogo
Tratado dos Sacramentos da fé cristã, II, 1-2; PL 176, 415 (a partir da trad. de Orval)

A Santa Igreja é o corpo de Cristo: um só Espírito a vivifica, a unifica na fé e a santifica. Este corpo tem por membros os crentes, de cujo conjunto se forma um só corpo, graças a um só Espírito e a uma só fé. […] Assim, portanto, aquilo que cada um tem como próprio não é apenas para si; porque Aquele que nos concede tão generosamente os Seus bens e os reparte com tanta sabedoria quer que cada coisa seja de todos e todas de cada um. Se alguém tem a felicidade de receber um dom por graça de Deus, deve então saber que ele não lhe pertence apenas a si, mesmo que seja o único a possui-lo. É por analogia com o corpo humano que a Santa Igreja, quer dizer, o conjunto dos crentes, é chamada corpo de Cristo, uma vez que recebeu o Espírito de Cristo, cuja presença num homem é indicada pelo nome «cristão» que Cristo lhe dá. Com efeito, este nome designa os membros de Cristo, os que participam do Espírito de Cristo, aqueles que recebem a unção d’Aquele que é ungido; porque é de Cristo que vem o nome de Cristão, e «Cristo» quer dizer «ungido»; ungido com este óleo da alegria que, preferido entre todos os companheiros (Sl 44, 8), recebeu em plenitude para partilhar com todos os seus amigos, como a cabeça o faz com os membros do corpo. «É como óleo perfumado derramado sobre a cabeça, a escorrer pela barba […], a escorrer até à orla das suas vestes» (Sl 132, 2) para se espalhar por todo o lado e tudo vivificar. Portanto, quanto te tornas cristão, tornas-te membro de Cristo, membro do corpo de Cristo, participante do Espírito de Cristo.

 

Rescontruir os muros da Igreja
Padre Paulo Ricardo

Meus queridos irmãos e irmãs a liturgia da Palavra de hoje nos propõe algo sobre nossa missão de paz na família, paz na Igreja. Vou tentar explicar como tirar as lições destas leituras. Na primeira leitura do livro de Neemias acontece algo muito importante. O povo de Israel ficou algum tempo exilado na Babilônia e lá eles foram perdendo sua identidade como povo. O povo de Israel estava perdendo sua identidade nestes 70 anos que ficaram exilados. Os netos daqueles que foram exilados foram os que voltaram para Jerusalém. Neemias, que ficou perplexo quando viu a cidade que estava completamente desolada e destruída. A primeira preocupação de Neemias era reerguer as muralhas, pois eram elas que defendiam as cidades dos inimigos. Depois que Neemias reergue as muralhas, Esdras aparece na história e traz o Livro da Lei, a Palavra de Deus, e ele lê a Palavra em hebraico e alguém traduz para aramaico para que o povo compreenda e o povo reencontra a sua identidade. Nos podemos tirar desta primeira leitura uma grande lição a respeito da nossa Igreja. A Igreja no Brasil se encontra como a situação de Jerusalém, pois nossos muros foram derrubados. Há alguns anos atrás nos tivemos o Concilio Vaticano II, onde foram feitos muitos documentos preciosíssimos, documentos que deram um novo impulso para a Igreja. O Papa João XXIII quando convocou o Concílio Vaticano II pedia que se abrisse uma janela para o mundo, pois a Igreja não podia ficar fechada e o Papa quis que se abrisse esta janela para o mundo moderno. Isto foi bom, mas aconteceu algumas coisas erradas.
“Há uma escolha racional no amor”
Teve gente que pegou a desculpa da abertura da janela e pôs abaixo as muralhas da Igreja, entenderam errado. Não foi uma Igreja nova que começou a 50 anos atrás, é a mesma Igreja de sempre, a mesma Igreja de Cristo de dois mil anos atrás. E o Papa Bento XVI nos diz que precisamos ler o Concilio Vaticano II em sintonia com a mesma tradição de dois mil anos atrás. E aconteceu que uma enxurrada de pessoas trazendo filosofias mundanas para dentro da Igreja. Nós abrimos uma grande brecha, de tal forma que o Papa na década de 70 disse: “A fumaça de satanás entrou dentro da Igreja.” Nós precisamos ter clareza do que é ser católico, ter clareza da nossa identidade, pois o povo que não tem clareza de sua identidade se perde. Certa vez lá em Cuiabá, quando eu ainda era padre jovem, eu era conservador, cabeça quadrada e eu cresci vendo foto do meu de batina, pois ele foi seminarista. Graças a Deus fui educado em uma família cristã. Chegando em Cuiabá, na porta da catedral um rapaz me pediu para que eu o atendesse em confissão e me disse que era amigo de uma padre que andava de moto pela cidade, bebia cerveja com ele e eu lhe disse porque você não se confessa com ele e ele me respondeu: “Não padre eu quero um padre para me confessar”. Quando o padre é padre com a identidade de padre ele faz um bem maior, assim também você quando você é católico, você também estará fazendo um bem maior para o mundo. Quando você se veste de forma comportada, quando você não tem medo de defender a sua fé, não tem medo de crer em Deus, mesmo sendo minoria onde você estiver você estará fazendo um bem ao mundo, pois a luz de Cristo brilhará em você. Você não precisa ser igual ao mundo, você precisa ser diferente, não tenha medo! Desta forma estaremos reconstruindo os muros da Igreja, como fez Neemias, a porta se abre, mas também se fecha para que não entre o inimigo. A função do sacerdote é recordar ao povo a sua identidade, a identidade de nossos pais, a identidade que temos. O povo católico quer que seus padres se identifiquem como padres, que não percam sua identidade. Um dia perguntaram para o padre se ele não sentia calor com aquela batina e ele respondeu, eu não tenho problema nenhum com a batina, pois sempre eu quis ser padre. Quem foram nossos heróis? O mundo foi diminuindo todos os nossos heróis e depois como o povo brasileiro vai amar a sua pátria? Nós precisamos como povo nos orgulhar de nossos heróis, pois assim também um povo mantém a sua identidade. Estão destruindo a nossa língua, o português está sendo destruído.
“Há uma escolha racional no amor”
Outro ponto que faz um povo ser povo é a religião. Nossa história está ligada a evangelização, de homens como padre Anchieta, padre Manoel da Nóbrega e os nossos professores estão ensinando que estes evangelizadores da nossa história oprimiam os índios. Nós precisamos ter a nossa identidade e não podemos ter medo de conservar a nossa identidade católica, nós precisamos ter veneração pela história de nosso país por aquilo que tem de bom, claro que o que há de ruim precisamos denunciar, mas precisamos ter amor a nossa língua, amor a pátria, a nossa religião. Por isso neste acampamento para as famílias deixo a mensagem que vem da primeira leitura, precisamos transmitir aos nossos filhos o amor a nossa pátria, o amor a nossa língua e a nossa religião.

 

Vários acontecimentos da História recente podem servir para ilustrar a situação descrita na primeira leitura da Liturgia deste Domingo. Depois do regresso do exílio e de reconstruída a cidade de Jerusalém, o povo reúne-se agora para iniciar a sua nova vida. É exatamente na Lei do Senhor que Israel encontra a “norma” e o sentido da vida. Tem lugar então a grande Assembléia de escuta da Palavra de Deus: durante toda a manhã, o povo escutou atentamente as Palavras do Livro da Lei de Deus, e muitos emocionaram-se e choravam. De tarde, teve lugar o convívio, a festa. Esta vivência do Povo de Israel tem a sua ressonância noutras vivências de outros povos ao longo da História. Israel experimentou as amarguras do cativeiro, mas finalmente soou a hora da liberdade e a reconstrução nacional apresenta-se agora como objetivo. Israel só pode reconstruir a sua vida com Deus, em quem teve a origem como povo. Deus é verdadeiramente o grande companheiro na marcha da libertação e da liberdade. O Evangelho de São Lucas, ao relatar a primeira visita de Jesus a Nazaré, terra onde cresceu, apresenta-o a proclamar este trecho de Isaías: “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque Ele me ungiu. Enviou-me para anunciar a Boa Nova aos pobres, a proclamar a libertação aos cativos e a vista aos cegos, a mandar em liberdade os oprimidos, a proclamar um ano favorável do Senhor”. A missão de Jesus é libertadora e a história da Cristandade está recheada de gestos libertadores. São Paulo diz que todos somos chamados para constituirmos um só corpo, judeus ou gregos, escravos ou homens livres (2ª leitura). Liberdade e Deus parecem ser, nesta Liturgia, duas realidades inseparáveis: Deus é quem liberta e é com Deus que se encontrará a vida livre. Mas, a liberdade, o que é? Na raiz etimológica grega, ser livre significa ser membro do povo, cidadão com plenos direitos. Esta liberdade concretiza-se no direito de exprimir o próprio parecer na assembléia, poder dispor livremente de si. Em Israel, a liberdade, a vida, o matrimônio, a honra, a propriedade são direitos fundamentais do homem, que Deus dá e garante ao Seu povo. Olhar para a liberdade só no sentido exterior ou político é empobrecê-la; assim a viam muitos contemporâneos de Jesus. O Cristianismo trouxe um novo sentido de liberdade: a autêntica liberdade do homem não consiste na possibilidade de dispor livremente de si mesmo, mas na vida com Deus, uma vida em conformidade com o projeto de Deus, uma liberdade que se conquista renegando-se a si mesmo. Quem é livre não pertence a si mesmo, mas Àquele que o libertou, afirma São Paulo.

Conversão de São Paulo – 25 de Janeiro

Por Pe. Inácio José Schuster

Foram tão grandes os benefícios que a Igreja recebeu da poderosa mão de Deus pelo ministério de São Paulo que, em sinal de agradecimento, quis celebrar particularmente a memória da conversão do glorioso Apóstolo. Estabeleceu, pois, a Igreja uma festa para dar graças a Deus pela conversão deste Apóstolo, pela sua divina vocação e pela sua missão especial de pregar o Evangelho aos Gentios. Estes três favores, que Jesus Cristo fez a São Paulo no momento da sua conversão, constituem o objeto principal desta festividade. Com efeito, se entre o povo judaico era celebrado solenemente o dia aniversário das grandes vitórias que tinham sido muito vantajosas para o Estado, que vitória houve já, que fosse tão frutuosa para a Igreja e lhe sujeitasse tantos povos, como a que Jesus Cristo alcançou do mais furioso perseguidor dos fiéis, e pela qual do seu maior inimigo fez o mais valoroso defensor da sua Lei, um vaso de eleição, o doutor das gentes, e finalmente um dos seus maiores Apóstolos? Saulo, que depois tomou o nome de Paulo, era judeu de nação, da tribo de Benjamim, e tinha nascido em Tarso, capital da Cilícia. Seu pai professava a seita farisaica, isto é, pertencia ao número daqueles judeus que faziam profissão de ser os mais exatos observantes da lei e de seguir a moral mais rígida e severa. Pelo nascimento era ele cidadão romano, por ser um dos privilégios da cidade de Tarso, que era Município de Roma, título mais nobre que o de Colônia, em atenção a que nas guerras civis se tinha declarado sempre por Júlio César e depois por Augusto, até tomar o nome de Juliópolis. Os primeiros anos da infância passou-os em Tarso, estudando as ciências gregas, que aí eram ensinadas do mesmo modo que em Alexandria e em Atenas. Como Saulo fosse dotado de muito engenho e amor ao estudo, seus pais enviaram-no para Jerusalém, onde aprendeu na escola de Gamaliel, célebre doutor da lei, que o instruiu com esmero em tudo quanto pertencia à religião, costumes e cerimônias dos judeus. Não foram infrutuosos os seus estudos; tomaram-no dentro de pouco tempo zelosíssimo na observância da lei, de procedimento irrepreensível e um dos mais ardentes e obstinados defensores da seita dos fariseus. Zelo tão intenso pelas cerimônias de seus pais não podia deixar de fazer dele um irreconciliável inimigo da religião cristã, e como tal se declarou logo. Supõe-se que foi Saulo um dos judeus da Cilícia que se levantaram contra Santo Estêvão e disputaram contra ele. Pelo menos é indubitável que foi dos que com mais ardor clamaram pela sua morte, e que desejou ter o gosto de guardar as capas dos que o apedrejavam, como diz Santo Agostinho, para fazê-lo pelas mãos de todos. O sangue deste primeiro Mártir acendeu ainda mais a raiva e irritou a cólera dos judeus. Por isso trataram de excitar uma horrível perseguição contra a Igreja de Jerusalém. Nesta guerra assinalou-se Saulo. Animava-o um zelo que parecia furor. Vendo-se aplaudido e autorizado pelos da sua nação, nada era capaz de detê-lo. Entrava pelas casas, arrancava delas todos os que suspeitasse serem cristãos, metia-os nos cárceres e carregava-os de cadeias. A sua raiva contém os fiéis crescia à medida dos resultados. Obteve facilmente do sumo sacerdote Caifás poderes discricionários para fazer exata pesquisa de todos os cristãos, com faculdade de castigá-los. Entrava em todas as sinagogas, mandava açoitar cruelmente a quantos criam em Jesus Cristo e punha em execução todos os meios possíveis para os obrigar a blasfemar do seu santo Nome. Era olhado como furioso perseguidor dos cristãos, como inimigo jurado de Jesus Cristo e açoite dos seus fiéis servos. Só o nome de Saulo aterrava! Dir-se-ia que os limites da Judéia, da Galiléia e de toda a Palestina, em muito estreitos para conter o zelo, ou antes a fúria, deste perseguidor desesperado. Todo ele em ameaças, todo sangue e morte, quando ouvia o nome de cristão. Chegando ao seu conhecimento que em Damasco, célebre cidade da outra parte do monte Líbano, dia a dia aumentava o número dos discípulos do Salvador, pediu ao príncipe dos sacerdotes cartas para aquelas sinagogas, autorizando-o a prender todos os cristãos que encontrasse e a conduzi-los para Jerusalém, onde os podia mandar punir mais livremente. Achava-se já a duas ou três léguas daquela cidade, quando, em pleno meio-dia, viu baixar do céu uma luz mais resplandecente que o próprio sol, a qual o cercou. Caindo em terra, Saulo ouviu uma voz que lhe dizia em hebraico: Saulo, Saulo, porque Me persegues? Então Saulo, mais atônito ainda, perguntou: Quem sois, Senhor? E a mesma voz respondeu: Eu sou Jesus, a quem tu persegues: duro é para ti recalcitrar contra o aguilhão. Saulo, tremendo e espavorido, replicou: Senhor, que quereis que eu faça? E o Senhor respondeu-lhe: Levanta-te, entra na cidade, e ai se te dirá o que convém fazer. Enquanto isto se passava, os que iam em companhia de Saulo estavam espantados. Ouviam sim a voz, mas sem ver ninguém. Levantou-se então Saulo e, tendo os olhos abertos, nada enxergava. Desta maneira, guiando-o pela mão, introduziram-no em Damasco. Esteve aí três dias, cego, sem comer nem beber. Vivia naquele tempo em Damasco um discípulo de Cristo, chamado Ananias, homem de grande piedade e a quem todos, mesmo os judeus, veneravam. Apareceu-lhe o Senhor em visão e disse-lhe: Levanta-te, e vai à rua que se chama Direita, e procura em casa de Judas a um chamado Saulo de Tarso, porque ele está ali orando. Ananias, espantado ao ouvir o nome de Saulo, respondeu: Senhor, tenho ouvido a muitos, a respeito deste homem, quantos males tem feito aos vossos Santos em Jerusalém. Aqui mesmo tem poder dos príncipes dos sacerdotes para prender todos aqueles que invocam o vosso nome. Vai, replicou o Senhor, porque este é para mim um vaso escolhido, para levar o meu nome diante dos gentios, dos reis e dos filhos de Israel. Além de que eu lhe mostrarei quanto é necessário que ele padeça pelo meu nome. Obedeceu Ananias à voz de Deus e, procurando Saulo no lugar indicado, pôs as mãos sobre ele, dizendo: Saulo, irmão, o Senhor Jesus, que te apareceu no caminho por onde vinhas, me enviou para que recebas a vista e sejas cheio do Espírito Santo. Imediatamente caíram dos olhos de Saulo umas como escamas e logo começou a ver com toda a claridade. Levantou-se cheio de alegria e dos mais vivos sentimentos de gratidão e de amor. Ananias declarou-lhe então o que o Senhor lhe tinha dado a entender com respeito à sua vocação, e batizou-o. Tendo ambos dado graças a Deus, Saulo tomou alimento e ficou confortado. Esteve depois alguns dias com os discípulos que havia em Damasco. Crê-se que a esse tempo contava cerca de 36 anos de idade. Antes de sair de Damasco, pregou na sinagoga que Jesus, a quem ele havia perseguido, era o verdadeiro Messias, Filho eterno de Deus vivo. É fácil imaginar a admiração com que o ouviram aqueles que, poucos dias antes, o tinham visto perseguir tão raivosamente a religião cristã e sabiam que Saulo viera a Damasco para aprisionar todos os que a professavam. Há muitos séculos já que se fixou a festa da Conversão de São Paulo no dia 25 de Janeiro. Tem por origem uma trasladação do corpo do Santo.

 
Por Pe. Fernando José Cardoso

Hoje 25 de janeiro, celebramos a festa da conversão de São Paulo. Lucas descreve o fato por três vezes nos Atos dos Apóstolos, dando-lhe uma grande importância. O primeiro relato está na terceira pessoa do singular, capítulo nono, os outros dois na boca de Paulo numa auto defesa diante de autoridades judaicas. Paulo em pessoa não se exprime diretamente sobre este episódio, implicitamente refere-se, ou parece referir-se a ele; em primeiro lugar na sua carta aos Gálatas: ”Quando aprouve aquele que me escolheu desde o ventre materno e me segregou para que anunciasse o Evangelho de Seu Filho aos gentios, imediatamente sem consultar carne e sangue, me pus a pregar o Evangelho”. Ou então escrevendo primeira aos Coríntios: “Deus que disse das trevas brilha a luz, ele mesmo brilhou dentro dos nossos corações, trazendo a luminosidade que se encontra na face de Cristo Jesus”. Um fato diante do qual Paulo não discorre; certamente ele imaginava que este fato fosse sabido de suas comunidades. Hoje ao celebrar a sua conversão, cada um de nós se ponha a pensar o seguinte: e se eu como Paulo tivesse também, não uma aparição de Jesus Cristo, mas um encontro extraordinário com sua pessoa. E se eu tivesse também um encontro pessoal e íntimo com Jesus? Bem é possível que diversos corações possam dizer com honestidade, que houve um momento em suas vidas quando se encontraram fortemente com Cristo, por ocasião de um retiro, por ocasião de uma pregação qualquer, por ocasião da leitura de um bom livro, ou quem sabe estando silenciosos diante da imagem de Jesus crucificado. De qualquer maneira são tantas as maneiras através das quais Jesus pode tocar de maneira mais sensível ou forte os nossos corações. Estas pessoas talvez tenham feito a experiência de uma verdadeira conversão a partir daquele momento. Você já se sentiu tocado por Jesus? Você teve alguma vez na vida uma experiência forte de Jesus, análoga à de Paulo? Aquela experiência modificou sua vida? E sua vida continua modificada desde então? A partir de então você começou a crescer em direção à Cristo, você O ama de todo o coração? É ele o tesouro mais importante de sua própria existência? Se você responde afirmativamente a isto, Deus lhe deu a mesma graça que outrora concedeu a Paulo.

 

O Novo Testamento nos narra a vocação do Apóstolo São Paulo no momento de sua conversão às portas de Damasco. Ele se reconhece escolhido por Deus e aquele momento como o ponto culminante da ação da graça divina ao longo de sua vida. É um chamado gratuito não resultante dos trabalhos e obras de Paulo, mas simplesmente fruto do amor e da benevolência de Deus. E ele contempla esta ação amorosa em toda a sua vida, desde o seio materno (Gl 1, 15). Mais ainda. A partir desta experiência ele a contempla em tudo e em todos. Ele ouve o apelo do Senhor aos Apóstolos: “Ide por todo o mundo, proclamai o Evangelho”. Ele reconhece que é ação de Deus. São Justino mártir escreve: “A partir de Jerusalém saíram doze homens pelo mundo, e estes ignorantes, incapazes de eloqüência, persuadiram pela força de Deus a todo o gênero humano”. De fato, na experiência de Damasco, Paulo proclama a ação da graça de Deus no mundo e na vida dos homens. Jesus não é exterior a ele, mas manifesta o gesto bondoso, gratuito e generoso de Deus em sua vida. No momento em que ele se sente convocado por Jesus, seus olhos se abrem para reconhecer que Ele é a revelação plena do amor do Pai, é o Filho de Deus que veio a nós para nos salvar. Na experiência do Apóstolo São Paulo, lemos nossa vida como dom de Deus e reconhecemos nossa vocação à santidade para a qual somos todos chamados. A iniciativa é do nosso Deus, todo misericórdia e amor. “Senhor Jesus, que cada um de nós possa ser, como o Apóstolo São Paulo e por sua intercessão, um sinal e uma presença da santidade do próprio Deus, na construção da sociedade da justiça e do amor. Amém!”

 

O TESTEMUNHO DE PAULO HOJE
Padre Sóstenes

Nós estamos num período especial, de Kairos, de tempo da graça de Deus, porque a Igreja vive o Ano Paulino. Neste domingo, somos convidados a olhar para o Apóstolo Paulo. A Igreja nos dá este modelo para seguir. Quando você era a criança, olhava aquele herói e queria imitar seu jeito; os santos são os heróis da Igreja, os heróis da fé. Hoje, celebramos um dia que marcou a vida daquele homem, o dia da sua conversão. São Paulo nos dá o testemunho da sua vida, daquilo que ele viveu. É dia de tomarmos posse da vitória de Deus na nossa vida, o Senhor é maior que tudo, maior que nossas faltas, nossos problemas. Faça essa pergunta para o Senhor: “Quem és, meu Pai? Mostra-se na minha vida agora, Jesus; quero deixar de falar aquilo que me disseram e poder dizer a partir daquilo que vi e ouvi”. Paulo teve seu primeiro encontro pessoal com Jesus Cristo, aquele que venceu a morte, e quer nos ensinar a vencer as dificuldades de nossa vida. O Apóstolo dizia: “Eu tinha o mal no meu coração”. Assim também muitas vezes nós fazemos o mal achando que era bem; o mal nos engana, como enganou São Paulo. Não deixe que o mal cegue você! “Não deixe que o mal cegue você!” Paulo queria ir para Damasco, mas ninguém consegue o objetivo final se não está com Deus, faltava algo na vida dele. No caminho para aquela cidade, o Apóstolo escuta uma voz o chamando. Deus chama você pelo nome, Ele conhece você pela palma da mão. Não importa o que você esteja vivendo, Ele está perto. Jesus te chama com voz amorosa como chamou a Paulo. Jesus diz a você agora: “Por que me persegues?” Cada um de nós tem seus limites, seus pecados; o mais bonito na vida de Paulo é que ele pergunta o que não temos coragem de perguntar: “Quem és tu, Senhor?” E Ele respondeu a Paulo: “Eu sou Jesus, a quem estás perseguindo”. Quando pecamos não estamos somente ferindo a nós, mas a todos os cristãos. O Senhor quer se encontrar com você, assim como se encontrou com Paulo, independente do que você tenha feito. Primeiro Paulo viveu a experiência do encontro pessoal com Jesus e, depois, o batismo no Espírito Santo. São essas duas experiências que precisamos fazer. Não há como ser um verdadeiro cristão se não vivermos essas experiências. É assim, cheios do Espírito Santo, que iremos levar o Evangelho a todos. As coisas do mundo passam; o que permanece são as testemunhas de Cristo Ressuscitado. Amém.

 

NOSSA CONVERSÃO CONSISTE EM ACREDITAR EM JESUS, EXPLICA BENTO XVI
Da Redação, com Rádio Vaticano

Acreditar em Jesus morto e ressuscitado é abrir-se a iluminação da sua Graça Divina, nisto consiste a nossa conversão, salientou o Papa Bento XVI no dia da festa da Conversão de São Paulo. O Santo Padre recordou que, antes de encontrar o Senhor no caminho de Damasco, São Paulo já era crente, mais ainda, um hebreu fervoroso, e, portanto não passou da não-fé à fé (dos ídolos a Deus), nem teve de abandonar a fé judaica para aderir a Cristo. “No caminho de Damasco, aconteceu aquilo que Jesus pede no Evangelho deste Domingo lá onde diz: completou-se o tempo e o Reino de Deus está perto: arrependei-vos e acreditai na Boa Nova”, explicou. Para Bento XVI, de fato, Saulo converteu-se porque, graças à luz divina, acreditou no Evangelho. “Nisto consiste a sua e a nossa conversão: acreditar em Jesus morto e ressuscitado e abrir-se a iluminação da sua Graça Divina. Naquele momento Saulo compreendeu que a sua salvação não dependia das boas obras feitas segundo a lei, mas do fato que Jesus morrera por ele, o perseguidor (dos primeiros cristãos) e ressuscitara”, sublinhou. O Evangelho leva a conversão A verdade do Evangelho, que graças ao Batismo ilumina a existência de cada cristão, para o Papa inverte completamente a nossa maneira de viver. “Converter-se significa também, para cada um de nós, acreditar que Jesus deu a sua vida por mim morrendo na cruz e, ressuscitado vive comigo e em mim”. “Entregando-me a potência do seu perdão”, disse Bento XVI com voz comovida, passando a falar em primeira pessoa, “deixando-me agarrar pela mão por Ele, posso sair das areias movediças do orgulho e do pecado, da mentira e da tristeza, do egoísmo e de todas as falsas seguranças, para conhecer e viver a riqueza do seu amor”.

O grande engano da teologia da prosperidade

Prof. Felipe Aquino / [email protected]

Jesus não propôs riqueza nem prosperidade aos seus seguidores
Jesus nunca ensinou que o Evangelho pudesse ser uma fonte de enriquecimento ou um meio de se levar uma vida “regalada”, “em nome de Deus”; ao contrário, o Senhor ofereceu a renúncia e a cruz àqueles que o seguirem:
“Se alguém quer vir após mim, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz a cada dia e me siga. Porque quem quiser salvar a sua vida, vai perdê-la, mas quem sacrificar a sua vida por amor de mim, salvá-la-á” (Lc 9, 23-24).
Jesus fala de sacrifício, renúncia, de perder a própria vida; e diz que se o grão de trigo não cair na terra e não morrer, não pode dar fruto (cf. Jo 12, 24). Isto está longe de ser um ensinamento de enriquecimento, porque se faz à vontade de Deus. Ele não é contra a riqueza justa e sabiamente usada para o bem de si mesmo e dos outros, mas isto está longe de justificar a teologia da prosperidade.
No entanto, os adeptos dessa teologia baseiam-se no Antigo Testamento para dizer que os homens de Deus foram ricos como Salomão, e que Jesus prometeu que veio para que tenhamos “vida em abundância” (Jo 10, 10).
Segundo a Teologia da Prosperidade, Deus concede riqueza e bens materiais a quem Lhe é fiel e paga o dízimo com generosidade; mas esta concepção está mal fundamentada. Todos os católicos devem dar a sua contribuição material à Igreja para que ela possa prover suas necessidades materiais; isto é ensinado pelo Catecismo:
§ 2043 – “Os fiéis cristãos têm ainda a obrigação de atender, cada um segundo as suas capacidades, às necessidades materiais da Igreja. O quinto mandamento [da Igreja] (“Ajudar a Igreja em suas necessidades”) recorda aos fiéis que devem ir ao encontro da necessidades materiais da Igreja, cada um conforme as próprias possibilidades (CDC, cân. 222)”.
Nem o Catecismo nem outro documento da Igreja obriga que o dízimo seja 10% do salário, embora muitos adotem isto na prática, o que é bonito. Mas o dízimo não pode ser uma troca com Deus; deve ser uma doação generosa de quem O ama gratuitamente e desinteressadamente.
Na mentalidade do AT, quando não se tinha uma noção clara da vida eterna, os antigos judeus julgavam que a recompensa de Deus para os bons seria neste mundo mesmo; mas esta mentalidade foi mudando, como se pode ver no livro de Jó, Eclesiastes, Daniel, etc. A certeza da vida eterna e de uma recompensa muito melhor foi finalmente trazida por Jesus: “Dirá o rei aos que estiveram a sua direita: ‘Vinde, benditos do meu Pai, recebei por herança o reino preparado para vós desde a fundação do mundo’ (Mt 25, 26).
E São Paulo completa: “O que os olhos não viram, os ouvidos não ouviram, e o coração do homem jamais percebeu, eis o que Deus preparou para aqueles que O amam” (1Cor 2, 9).
Jesus não propôs riqueza nem prosperidade aos seus seguidores. Prometeu sim, vida, e vida em abundância, mas não é a vida mortal e sempre ameaçada que o homem conhece na terra, mas a vida imortal em comunhão com o Pai, o Filho e o Espírito Santo.
A “Carta aos Hebreus” ensina que Deus nos corrige para o nosso bem: “É para a vossa educação que sofreis: Deus vos trata como filhos. Qual é, com efeito, o filho cujo pai não educa? Se sois privados da educação da qual todos participam, então sois bastardos e não filhos” (Hb 12, 7s).
Dessas Palavras pode-se ver que é falso dizer que Deus paga em dinheiro e bens materiais a quem Lhe é fiel. São Paulo mostra os riscos do enriquecimento para quem não sabe se contentar com o que tem; isto, o avarento: “A piedade é de fato grande fonte de lucro, mas para quem sabe se contentar. Pois nada trouxemos para o mundo, nem coisa alguma dele poderemos levar. Se, pois, temos alimento e vestuário, contentemo-nos com isso. Ora, os que querem se enriquecer caem em tentação e cilada, e em muitos desejos insensatos e perniciosos que mergulham os homens na ruína e na perdição. Porque a raiz de todos os males é o amor ao dinheiro, por cujo desenfreado desejo alguns se afastaram da fé, e a si mesmos se afligem com múltiplos tormentos” (1Tm 6, 5-10).
E Jesus deu-nos uma lição importante quando do encontro com aquele jovem rico, que perdeu a coragem de segui-Lo por causa do dinheiro: “Jesus lhe respondeu: ‘Se quiseres ser perfeito, vai, vende os teus bens e dá aos pobres, e terás um tesouro nos céus. Depois, vem e segue-me’. O moço, ouvindo essa palavra, saiu pesaroso, pois era possuidor de muitos bens. Então Jesus disse aos seus discípulos: ‘Em verdade vos digo que um rico dificilmente entrará no Reino dos Céus. E vos digo ainda: é mais fácil um camelo entrar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no Reino de Deus'”. Ao ouvirem isso, os discípulos ficaram muito espantados e disseram: ‘Quem poderá então salvar-se?’ Jesus, fitando-os, disse: ‘Ao homem, isso é impossível, mas a Deus tudo é possível'” (Mt 19, 21-26).
O Brasil tomou conhecimento do triste caso do casal de “bispos” da igreja Renascer. Um juiz brasileiro, da 1ª Vara Criminal de São Paulo, Paulo Antonio Rossi, decretou a prisão deles, em 11 janeiro de 2007 (Folha de SP), depois de terem sido presos nos EUA pelo FBI. O casal foi detido no aeroporto de Miami, na Flórida, em 09 de janeiro de 2007, pelo FBI ao tentar entrar no país com US$ 56 mil não-declarados (mais de R$ 120 mil) em dinheiro vivo, que estava dentro de uma Bíblia, em um porta-CD e nas malas. No despacho, os promotores acusam Estevam e Sônia de continuar a praticar lavagem de dinheiro, dessa vez em solo norte-americano – eles já respondem a esse mesmo tipo de crime na capital paulista.
No Brasil, Estevam e Sônia também são réus em processos por falsidade ideológica, estelionato e evasão de divisas. Desde então, já tiveram bens e contas bancárias seqüestrados ou bloqueados pela Justiça. É o caso do haras em Atibaia (a 60 km de SP), comprado pela Renascer por R$ 1,8 milhão, e uma casa de praia em Boca Raton, na Flórida, que vale US$ 470 mil (R$ 1,27 milhão).
Esses fatos confirmam os argumentos evangélicos apresentados de que a teologia da prosperidade é uma farsa perigosa que tem enganado a muitos. Pessoas bem intencionadas, às vezes desesperadas com os seus problemas, dão o que têm e, às vezes, o que não têm a essas “igrejas”, e depois ficam, muitas vezes, em situação pior ainda. Não é esta a vontade Deus; Jesus alertou: “Cuidado com os falsos profetas… pelos seus frutos os conhecereis” (Mt 7, 15-16).

 

A TEOLOGIA DA PROSPERIDADE E O DÍZIMO
D. Estevão Bettencourt

A “Teologia da prosperidade” muito difundida entre diversas denominações evangélicas, apregoa o dízimo tão enfaticamente que redunda em propor ou quase impor um comercio com Deus. Isto contraria as grandes linhas do Novo Testamento, que realça a gratuidade dos dons de Deus, como se pode depreender dos textos citados no artigo abaixo. O que todo fiel Católico pode e deve oferecer a Deus, é um coração contrito e humilde, que possa ser preenchido pela graça. Quanto aos bens materiais, não há promessa de Deus, no Novo Testamento, que garanta aos fiéis fartura e bem estar neste mundo.

REFLETINDO
A idéia de que ser piedoso e consagrado não justifica alguém que não é dizimista está amplamente difundida entre diversas denominações evangélicas, e ocorre que amiúde este pensamento infiltra-se no seio da verdadeira e única Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo, a nossa Igreja Católica Apostólica Romana. Vejamos:
1-Isto nos leva a dizer que a justificação, ou a graça de Deus, que apaga o pecado, custa dinheiro; sem dar a décima parte dos seus (grandes ou pequenos) rendimentos, o crente não obtém a graça de Deus. Esta vem a ser “comprada”, caso se queira usar uma linguagem mais crua.
2-Aqueles que reafirmam a necessidade do dízimo, garantindo aos crentes que as bênçãos materiais, além das espirituais, são dadas a quem entrega dinheiro à Igreja: “As janelas do céu serão abertas e as bênçãos da prosperidade cairão abundantemente sobre o dizimista”, não hesitam em reconhecer que a religião se torna um comércio; é uma troca que se faz com Deus por proposta dele mesmo; o sacrifício é oferecido para receber uma benção; faz-se assim um negócio com Deus, que é o mais seguro negociante.
Estas conclusões são logicamente deduzidas das declarações que escutamos. É preciso, pois negociar com Deus, a tal ponto que quanto mais alguém oferece ou “paga”, tanto mais preciosos benefícios espirituais e materiais estará “comprando”.
Diante da perplexidade que tais afirmações suscitam, convém procurar na própria Escritura a comprovação ou a refutação de tais concepções. Na verdade, não é difícil achar nos textos do Novo Testamento a desdita ou a refutação das conclusões propostas. Levemos em conta as seguintes passagens:
Mt 10, 8: “De graça recebestes,de graça dai”. -Nos antecedentes Jesus dissera: “Curai os doentes, ressuscitai os mortos, purificai os leprosos, expulsai os demônios”. Disto se deduz que os fiéis recebem gratuitamente de Deus a sua graça, até mesmo… os benefícios corporais que Ele queira conceder. A graça é gratuita, não comprada, por isto tem que ser transmitida gratuitamente; não se fala de dinheiro no caso.
Ef 2, 8: São Paulo é muito claro ao dizer que somos salvos gratuitamente, não pelo dízimo nem pelo dinheiro que alguém dê à Igreja: “Pela graça fostes salvos, por meio da fé. E isso não vem de vós, é o dom de Deus. Não vem das obras para que ninguém se encha de orgulho”.
O Apóstolo acentua fortemente a gratuidade da salvação. Ninguém a compra; São Paulo não faz referência ao dinheiro. A salvação não é algo que alguém mereça porque é bom independentemente da graça de Deus; é Deus quem chama o homem gratuitamente para ser seu amigo. Verdade é que São Tiago acrescenta que ninguém permanece na amizade com Deus, se não pratica a virtude e a caridade para com os irmãos. Quem crê e não pratica a virtude, é como o demônio que tem fé, mas não pratica o bem; por isto crê e estremece (cf. Tg 2, 18-24). É de notar que São Tiago fala da caridade para com os irmãos, mas não fala do dinheiro pago a Igreja ou ao dízimo.
At 8, 9-24: Vivia, havia tempo, na cidade, um homem chamado Simão, o qual, praticando a magia, excitava a admiração do povo de Samaria e pretendia ser alguém importante. Todos, do menor ao maior, lhe davam atenção dizendo: “Este é o Poder de Deus, que se chama Grande”. Davam-lhe atenção porque ele, por muito tempo, os fascinara com suas artes mágicas. Quando, porém, acreditaram em Felipe, que lhes anunciara a Boa Nova do Reino de Deus e do nome de Jesus Cristo, homens e mulheres faziam-se batizar. O próprio Simão ele também acreditou. E, tendo recebido o batismo, estava constantemente com Felipe, admirando-se ao observar os sinais e grandes atos de poder que se realizavam.
Os apóstolos, que estavam em Jerusalém, tendo ouvido que a Samaria acolhera a palavra de Deus, enviaram-lhes Pedro e João. Estes, descendo até lá, oraram por eles, afim de que recebessem o Espírito Santo. Pois não tinha caído ainda sobre nenhum deles, mas somente haviam sido batizados em nome do Senhor Jesus. Então começaram a impor-lhes as mãos, e eles recebiam o Espírito Santo.
Quando Simão viu que o Espírito era dado pela imposição das mãos dos apóstolos, ofereceu-lhes dinheiro, dizendo: “Dai-me também a mim este poder, para que receba o Espírito Santo todo aquele a quem eu impuser as mãos”. Pedro, porém replicou: “Pereça o teu dinheiro, e tu com ele, porque julgaste poder comprar com dinheiro o dom de Deus. Não terás parte nem herança neste ministério, porque o teu coração não é reto diante de Deus. Arrepende-te, pois desta maldade tua e ora ao Senhor, para que te possa ser perdoado este pensamento do teu coração; pois eu te vejo na amargura do fel e nos laços da iniqüidade”. Simão respondeu: “Rogai vós por mim ao Senhor, para que não me sobrevenha nada do que acabais de dizer”.
Como se vê o mago Simão converteu-se ao Evangelho e quis comprar as graças do Espírito Santo, oferecendo dinheiro à Igreja. São Pedro censurou severamente, e Simão reconheceu que havia errado. Pode-se crer que ainda hoje quem pretende receber dons de Deus (materiais e espirituais) em troca de dinheiro, está pretendendo comprar as dádivas divinas, o que é rejeitado peremptoriamente pelo Senhor.
At 20, 35: São palavras de São Paulo: “Em tudo vos mostrei que, afadigando-nos assim, é que devemos ajudar os fracos, tendo presentes as palavras do Senhor Jesus, que disse: “Há mais felicidade em dar do que em receber”.
Eis um princípio solene enunciado por Jesus: há mais felicidade em dar do que em receber. Se isto vale para nós, homens, vale por excelência para Deus, que é o primeiro Doador. É Ele quem tem a iniciativa de dar; quer dar de graça, porque “Ele primeiro nos amou” (cf. 1Jo 4, 19). Ele quer dar muito mais do que a criatura pode imaginar ou quer receber. Todavia ninguém provoca Deus, ninguém obriga Deus a dar mediante o dízimo ou a oferta. Pensar que isto seja possível equivale a fazer de Deus um grande Banqueiro ou um esperto negociante humano.

TRÊS OBSERVAÇÕES COMPLEMENTARES
1-Considere-se uma objeção que poderia ser levantada: não há um preceito da Igreja que manda atender a necessidade da comunidade eclesial? Isto já foi formulado nos termos seguintes: “Pagar dízimos conforme o costume”.
Observe-se que o dízimo, quando ocorre na Igreja, não é entendido como a décima parte dos emolumentos de alguém, mas significa uma contribuição estipulada por cada fiel católico que o posso e como o queira.
Esta contribuição não tem a finalidade de atrair graças espirituais e materiais de Deus; tem sim, a função de ajudar a Igreja, colaborando com ela para que possa realizar sua missão apostólica. Nenhum fiel católico pretende negociar com Deus, julgando que receberá favores divinos na proporção de quanto ofereça a Deus. O que se requer, é que o católico se sinta solidário com a Igreja e coopere com a tarefa evangelizadora.
Não há dúvida, em algumas paróquias foi instalado o regime do dízimo. Como dito, não se trata da décima parte da renda de alguém, mas de uma contribuição espontânea para o sustento da vida paroquial, coisa muito justa. Mas, é de notar que, se alguém não pode ou não quer praticar o dízimo, não é excluído da paróquia, muito menos excluído das graças de Deus. Peça-as em oração, como Jesus manda (cf. Mt 7, 7-11; Lc 11, 9), e será atendido segundo o beneplácito divino,sem oferta de dinheiro. Se isso fosse verdade que seria dos pobres, que não tem dinheiro? Afinal o Cristianismo não é a religião dos ricos nem dos que pretendem tornar-se ricos de bens materiais.
2-Conforme as concepções dos adeptos da teologia da prosperidade, esta prosperidade material é a consequência certa e indiscutível dos dízimos e das ofertas em dinheiro feitas com fé. O fiel é levado a crer que toda a pessoa que tem fé e oferece… se torna rica. Ora também isto contradiz o Evangelho: Jesus não prometeu dinheiro nem bens materiais aos seus seguidores. Ao contrário, Ele disse ao jovem rico: “Se queres ser perfeito, vai, vende os teus bens e dá o montante aos pobres, e terás um tesouro nos céus. Depois vem e segue-me (Mt 19, 21). Este texto chega a dizer que a perfeição cristã consiste em não ambicionar riquezas, mas em desapego e despojamento. O jovem rico que deseja ser perfeito, é aconselhado por Jesus no sentido de se desfazer das suas riquezas, dando-as aos pobres. Trata-se de uma vocação especial, muito cara ao Senhor Jesus e aos cristãos, vocação que é a antítese daquilo que apregoa a teologia da prosperidade.
3-As exortações em prol do dízimo e das ofertas se baseiam em textos do Antigo Testamento, que supõem um estágio da Revelação Divina ultrapassada pelo Senhor Jesus e pelo Evangelho. Tenham-se em vista os seguintes trechos:
Lc 16, 14s: “Os fariseus, amigos do dinheiro, zombavam de Jesus. Jesus lhes disse: “Vós sois os que querem passar por justos diante dos homens, mas Deus conhece os corações; o que é elevado para os homens, é abominável diante de Deus”.
Lc 12, 13-15: “Alguém da multidão lhe disse: Mestre, dize a meu irmão, que reparta a herança comigo. Ele respondeu: Homem, quem me estabeleceu juiz ou árbitro da vossa partilha? Depois lhes disse: Precavei-vos cuidadosamente de qualquer cupidez, pois mesmo na abundância, a vida do homem não é assegurada por seus bens”.
A concepção de que quem é fiel a Deus, recebe graças temporais nesta vida mesma, deve-se à antiga noção de vida póstuma dos israelitas: julgavam que a morte reduzia o núcleo da personalidade (os rephaim) a um estado de inconsciência no xeol (subterrâneo); em conseqüência a retribuição de Deus aos fiéis justos devia ser dada na vida presente em riqueza, saúde, vida longa, amigos…, daí Mc 3, 10. Tal noção, porém, foi superada pelo Novo Testamento, que ensina haver uma outra vida, plenamente lúcida no além… vida póstuma na qual cada um(a) colherá os frutos do que tiver semeado na vida presente. Esta se torne preparação ou ante-câmara da vida no além,que para os justos será a verdadeira vida.
Está claro que estas ponderações não significam que os fiéis não podem aspirar as condições de vida dignas neste mundo e pedir ao Senhor Deus o necessário para chegar a tanto. O próprio Jesus ensinou-nos a pedir: “o pão nosso de cada dia”. É lícito, portanto pedir saúde e bens materiais, não, porem,como se fosse a resposta certeira aos bons serviços prestados pelo orante a Deus, mas, sim, como subsídios que parecem oportunos para facilitar a caminhada do cristão em demanda a Casa do Pai. Nenhuma oração é perdida ou inútil; se Deus não atende na medida do que lhe sugerimos, Ele atende de modo mais sábio e mais condizente com o verdadeiro bem do orante.

 

A prosperidade
Dom Paulo Mendes Peixoto

Numa visão antiga, que vem sendo muito retomada nos últimos tempos, é a ideia de que Deus recompensa os bons e castiga os maus nesta vida. O que está claro é que a vida humana vive de altos e baixos, de alegrias e sofrimentos, o que constitui um mistério.

Pensando bem, não há explicação para o sofrimento. Jó nos mostra que Deus está presente onde o ser humano sofre. Nos evangelhos entendemos que Jesus cura quem sofre, mostra que Deus conhece o sofrimento do humano por dentro e o assume até o fim.

Falar de prosperidade é ater-se a uma vida sem sofrimento, de mirar para alvo que só ocasiona gozo e alegria. Esta pode ser uma visão cristã da vida, isto é, prosperidade significando intimidade com Deus, realizando o maior de todos os mandamentos, o amor.

É contra os princípios do evangelho ancorar-se na artimanha da prosperidade, para ferir a liberdade das pessoas, extorquindo delas bens materiais. Pior ainda quando isto é feito em nome de Deus. Isto passa a causar a queda de quem é “fraco na fé”.

O anúncio da Palavra de Deus pode estar cheio de ambiguidades, carregado de atitudes escusas. Ela pode ser instrumentalizada para atender aquilo que não favorece o bem comum. Deixa de ser uma Palavra de gratuidade e de transformação.

A Palavra de Deus é fonte de prosperidade espiritual. Ela aciona os corações e as mentes para a liberdade e abertura ao verdadeiro bem. Não pode ser “privatizada” para bens materiais e enriquecimento ilícito, explorando a sensibilidade das pessoas.

Não podemos ver nas doenças e sofrimentos um castigo. Aí acontece a manifestação do mistério divino. Sabemos que muitos sofrimentos são provocados por imprudências, vícios e atitudes irresponsáveis. Normalmente, o egoísmo aumenta o sofrimento.

É violência enganar as pessoas com falsas promessas de prosperidade, que até causam nos sofredores um sentimento de culpa. Muitos se perguntam: que fiz de errado? Por que mereci isto? O importante é dar sinais do amor de Deus, que é nosso Pai.

 

Reverendo presbiteriano lista motivos para não participar da Marcha para Jesus e critica: “É organizada por um homem que se autodenomina apóstolo”
Por Tiago Chagas
https://noticias.gospelmais.com.br/marcha-jesus-organizada-homem-autodenomina-apostolo-54621.html

Embora atraia milhões de participantes, a Marcha para Jesus não é uma unanimidade no meio evangélico, e constantemente é alvo de críticas e protestos por parte de lideranças que discordam do propósito do evento.
A mais recente crítica à Marcha foi feita pelo reverendo Ageu Cirilo, pastor da Igreja Presbiteriana de Vila Guarani, em São Paulo. Num artigo publicado na edição de maio do jornal Brasil Presbiteriano, o reverendo lista dez motivos que segundo ele, justificam a não participação no evento.
O primeiro motivo seria a participação do líder da Igreja Renascer, apóstolo Estevam Hernandes. De acordo com Cirilo, o título usado por Hernandes é uma autodenominação: “A igreja que organiza a maior parte da marcha é conduzida por um homem que se autodenomina apóstolo. Este é um erro cada vez mais frequente em algumas denominações. É sabido que o título “apóstolo” foi reservado àquele primeiro grupo de homens escolhidos por Cristo”, enfatiza.
Entre os motivos listados pelo reverendo há desde críticas ao modelo de “show gospel” existente no evento, até variações de teologias presentes na liturgia das denominações que aderem à Marcha para Jesus.
“A marcha tem caráter isolacionista, próprio de gueto, e não o que Cristo nos ensinou, a saber, envolvimento amplo na sociedade, como sal e luz (Mt 5.13-16), com irrepreensível testemunho cristão: “…mantendo exemplar o vosso procedimento no meio dos gentios, para que, naquilo que falam contra vós outros como de malfeitores, observando-vos em vossas boas obras, glorifiquem a Deus no dia da visitação” (1 Pe 2.12)”, argumenta o reverendo presbiteriano, antes de dizer que o evento é contraditório: “Ademais, é importante observar que toda a organização da marcha está centrada nas mãos de uma igreja apenas, excluindo-se o alegado caráter de união entre os evangélicos”.
Confira a íntegra do artigo “Dez Motivos para não Participar da ‘Marcha para Jesus’”, do reverendo Ageu Cirilo:
No dia, 03/9/2009, o então Presidente da República, Sr. Luiz Inácio Lula da Silva, sancionou a lei que instituiu o Dia Nacional da Marcha para Jesus.
Estavam ali, naquele ato, alguns líderes do governo, juntamente com o bispo da Igreja Universal do Reino de Deus, Marcelo Crivella, e os bispos da Igreja Renascer em Cristo, Estevam e Sônia Hernandes. A sanção do presidente veio apenas tornar oficial uma prática que se repete a cada ano. Considerando o tamanho do evento e a quantidade de irmãos que mobiliza, alisto abaixo dez motivos que cada cristão deveria considerar para não participar desta marcha. As informações que dão base à análise podem ser encontradas em sites de promoção da marcha:
1. A igreja que organiza a maior parte da marcha é conduzida por um homem que se autodenomina apóstolo. Este é um erro cada vez mais frequente em algumas denominações. É sabido que o título “apóstolo” foi reservado àquele primeiro grupo de homens escolhidos por Cristo. Após a traição e suicídio de Judas, os apóstolos escolheram outro para ocupar seu lugar (At 1.15-20), mas, como foi feita esta escolha? Que critérios foram usados? 1º) Ter sido discípulo de Jesus durante o seu ministério terreno; 2º) Ter sido testemunha ocular do Cristo ressurreto. Portanto, ninguém que não tenha sido contemporâneo de Cristo ou dos apóstolos (como Paulo o foi) pode sustentar para si o título de apóstolo;
2. A igreja que organiza a marcha ensina a Teologia da prosperidade (crença de que o cristão deve ser próspero financeiramente), Confissão positiva (crença no poder profético das palavras — assim como Deus falou e tudo foi criado, eu também falo e tudo acontece), Quebra de maldições (convicção de que podem existir maldições, mesmo na vida dos já salvos por Cristo) e Espíritos territoriais (crença em espíritos malignos que governam sob determinadas áreas de uma cidade);
3. A filosofia da marcha está fundamentada em uma Teologia Triunfalista (tudo sempre vai dar certo, não existem problemas na vida do crente), tendo como base textos como Êxodo 14 (passagem de Israel no mar Vermelho) e Josué 6 (destruição de Jericó);
4. De acordo com os sites que organizam a marcha, uma das finalidades dela é promover curas e libertações;
5. A marcha não celebra culto, mas “show gospel”;
6. Os líderes do movimento propagam que a marcha tem o poder de “mudar o destino de uma nação”;
7. Na visão do grupo, com base em Josué 1.3: “Todo lugar que pisar a planta do vosso pé, vo-lo tenho dado”, a marcha é uma reivindicação do lugar por onde passam na cidade;
8. Na visão do grupo, a marcha serve para tapar as “brechas deixadas pelos atos ímpios de nossa nação”;
9. Na visão do grupo, a marcha destrói “fortalezas erguidas pelo inimigo em certas áreas em nossas cidades e regiões”;
10. A marcha tem caráter isolacionista, próprio de gueto, e não o que Cristo nos ensinou, a saber, envolvimento amplo na sociedade, como sal e luz (Mt 5.13-16), com irrepreensível testemunho cristão: “…mantendo exemplar o vosso procedimento no meio dos gentios, para que, naquilo que falam contra vós outros como de malfeitores, observando-vos em vossas boas obras, glorifiquem a Deus no dia da visitação” (1 Pe 2.12).
Ademais, é importante observar que toda a organização da marcha está centrada nas mãos de uma igreja apenas, excluindo-se o alegado caráter de união entre os evangélicos.
Tanta força e entusiasmo deveriam ser canalizados para a pregação do evangelho. As pesquisas indicam que os evangélicos já somam 25% da população brasileira, no entanto, a imoralidade, a corrupção e a violência estão cada vez maiores em nosso país. Os canais de TV, os programas de rádio, bem como as marchas não têm gerado transformação de vida em nosso povo.
A marcha que Cristo ensinou à sua igreja foi outra, silenciosa e efetiva, tal qual o sal penetrando no alimento (Mt 5.13); pessoal e de relacionamento, como na igreja primitiva (At 8.4); cotidiana e sem cessar, como entre os primeiros convertidos (At 2.42-47).
Que Deus nos restaure essa visão.

 

05 Razões porque eu não participo da Marcha para Jesus
Por Renato Vargens
http://renatovargens.blogspot.com.br/2015/06/05-razoes-porque-eu-nao-participo-da.html

Há 20 anos atrás eu participei de uma edição da “Marcha para Jesus” aqui em Niterói. Desde então, nunca mais o fiz e nem pretendo fazê-lo, mesmo porque, discordo dos moldes desenvolvidos pelos organizadores em todo Brasil.
Ora, antes de qualquer coisa, preciso afirmar que não desejo agredir ninguém que tenha por hábito participar deste evento, mesmo porque, isso não adiantaria em nada, a não ser promover belicosidade entre aqueles que me leem.
Isto esclarecido, permita-me elencar os motivos porque não participo da marcha em questão:
1-) Pelo fato de que a visão teológica dos idealizadores da marcha diverge em muito do ensino das Escrituras. Os organizadores do evento acreditam que através de atos proféticos uma nação pode ser transformada, o que do ponto de vista bíblico é inexequível.
2-) A Marcha pra Jesus peca por fazer enfatizar o entretenimento.
Do ponto de Vista das Escrituras, Deus jamais pode ser usado como fonte de lazer. A Igreja não foi chamada por Cristo para promover entretenimento. Charles Spurgeon, um dos maiores pregadores de todos os tempos, afirmou há quase 150 anos, que o adversário das nossas almas tem agido como o fermento, levedando toda a massa. Segundo o príncipe dos pregadores o diabo criou algo mais perspicaz do que sugerir à Igreja que parte de sua missão é prover entretenimento para as pessoas, com vistas a ganhá-las. Spurgeon afirmou que a igreja de Cristo não tinha por obrigação promover entretenimento àqueles que a igreja visitava. Antes pelo contrário, o Evangelho com todas as suas implicações precisava ser pregado de forma simples e objetiva.
3-) A Marcha pra Jesus na maioria das vezes tem sido usada pra fins eleitoreiros onde objetivo final é eleger alguns irmãos inserindo-os nas câmaras municipais, Assembleias Legislativas, Congresso Nacional, e poder executivo.
4-) A Marcha pra Jesus tem sido usado de forma comercial onde a ênfase se dá quase que exclusiva ao mercado gospel.
5-) Na maioria das vezes a igreja marcha por nada. Ouso afirmar que a igreja marcha para dizer ao país que somos muitos e que mediante Cristo todos podem prosperar e ser felizes.
Caro leitor, na minha perspectiva a Marcha poderia ser bem diferente.
Por acaso você já pensou em um milhão de pessoas, chorando diante do Senhor, pedindo perdão ao Eterno pelos pecados cometidos no país? Já imaginou essa multidão se arrependendo de suas transgressões, derramando sua alma diante de Deus, rogando ao Pai Celeste que perdoe a safadeza e a bandalheira promovida pelos políticos em nossa nação? Já pensou essa multidão se ajoelhando diante de Deus pedindo ao Salvador um avivamento?
Quão diferente seria isso não é mesmo? Que impacto isso poderia trazer a nossa nação não é verdade?
Que maravilha seria ver a igreja brasileira arrependida de seus pecados, humilhando-se do diante do Criador na expectativa de que este sarasse a nossa terra. (II Crônicas 7:14)
Que Deus tenha misericórdia do Brasil!
Pense nisso!

O Matrimônio é um Sacramento e não…

… uma coreografia para uma festa ou um teatro na igreja.

Casamento ou teatro?
http://www.jmonline.com.br/novo/?noticias,22,ARTICULISTAS,69685

Nos primeiros séculos do Cristianismo, o matrimônio era uma festa familiar. Era uma cerimônia que se realizava nas casas dos pais, com a bênção dos pais. Não era uma festa mundana. O clima era de oração. Às vezes, o bispo era convidado para abençoar os noivos, juntamente com os pais. O significado era altamente “familiar”. A partir do século IV, a bênção passou a ser dada não mais pelos pais, mas somente pelo bispo ou por um de seus presbíteros. A cerimônia não era mais realizada na casa dos pais, mas no Templo. A cerimônia foi entrando na Liturgia, apareceram os sacramentários, livros com orações apropriadas para o acontecimento. O matrimônio tornou-se “eclesiástico”. A partir do século XII, a consciência de que o matrimônio era um Sacramento foi se aprofundando. Com o Concílio de Trento, a partir do século XVI, não poderia haver mais casamento para os cristãos a não ser perante a Igreja. Leis foram estabelecidas para regular a cerimônia. Para que fosse válido, era preciso que fosse consumado. O consentimento mútuo era importante, mas somente a consumação sexual sela a indissolubilidade absoluta. O matrimônio tornou-se um contrato sexual, regido por um direito, o Direito Canônico. Era um contrato. O que lhe dava sentido não era tanto uma união de amor, mas a intenção de procriar filhos. Uma relação que não tivesse a intenção de gerar filho, era pecaminosa. O matrimônio tornou-se “canônico”. No século XX, a partir de 1962, com o Concílio Vaticano II, o matrimônio passa a ser considerado muito mais do que um contrato regido por leis. É uma aliança. Seu objetivo primordial não é mais a procriação de filhos, mas sim uma união de amor, uma “aliança” de amor. Duas pessoas se unem não apenas para gerar filhos, mas principalmente para viver intensamente o amor cristão. É uma festa de amor. Para o cristão é uma união do mais alto significado. Não é apenas uma união de corpos, mas um “encontro” de duas pessoas humanas, no seu sentido mais profundo, em sua totalidade física, psicológica, afetiva e espiritual. É algo de muito sério. Alguns anos depois do Vaticano II, as coisas não estão como era de se desejar. O matrimônio está se esvaziando cada vez mais. Torna-se cada vez mais uma festa profana. De início, os noivos acham que o Curso de Preparação é uma exigência descabida da Igreja. Eles não entendem que a Igreja procura ajudar. Está tentando despertar neles a consciência de que aquele gesto é um gesto de grande significado para eles. Acham que já sabem de tudo. Reclamam das exigências da Igreja. Não é só. Aquela cerimônia se tornou mundana. Para as noivas é uma oportunidade para satisfazer vaidades. O acidental torna-se o centro das preocupações. O mais importante é o periférico. É a ornamentação, é o vestido, é o desfile, é a fotografia, são as damas de honra, das alianças, é a música. Eles não têm nenhuma consciência de que aquele ato é um ato religioso. Mais do que uma festa, alguns casamentos têm muito a ver com um teatro. No caso, o padre celebrante tem que tolerar, calado, atrasos de trinta, quarenta minutos. As noivas se esquecem de que atraso programado é falta de delicadeza para com a comunidade presente. E, o que é pior, enquanto o padre celebra a cerimônia, enquanto lê a Palavra de Deus, enquanto ora, os nubentes nem sempre prestam nenhuma atenção. O importante é o ambiente cênico. O casamento se tornou um “teatro”. Nem sempre de bom gosto.

(*) Membro da Academia de Letras do Triângulo Mineiro

 

Quando os noivos confundem a igreja com o motel
Por A Catequista em 17/11/2011 
http://ocatequista.com.br/?p=2584

“Já viram uma noiva entrar na igreja com ‘Pretty Woman’? Pois é… Ontem eu vi… : S”. Ao ver esta mensagem no Twitter, não me surpreendi nada, nada. O senso do sagrado anda tão deteriorado, que nem debaixo das barbas de Deus o povo toma tento. As cerimônias de casamento, infelizmente, refletem este desbunde mais do que qualquer outro rito – até porque muitos casais que solicitam este Sacramento não são efetivamente católicos.

Houve um tempo em que os noivos e os convidados tinham uma postura reverente ao entrar no templo de Deus. Mas a minha geração vê o casamento mais como uma oportunidade especial de aparecer do que como um acontecimento religioso. Não são poucos os noivos que emporcalham o rito com músicas impróprias, trajes vulgares e bizarrices diversas, tudo isso sob os olhares condescendentes de alguns membros do clero. A banalização do rito do casamento fica evidente especialmente na escolha das músicas, que de religiosas não tem nada.

O que não falta é casal de noivos confundindo a igreja com o motel: querem que sejam tocadas no templo santo as mesmas baladas que costumam ouvir no “Xamego’s Point”. No top hit das músicas profanas para casamentos na Igreja, temos: • Com te Partiró – Andrea Bocelli; • She – Elvis Costello; • Hey Jude – Beatles; • Fascinação – versão do Armando Louzada; • Unchained Melody – Tema do filme Ghost; • Eu sei que vou te amar – Tom Jobim/Vinícius de Morais; • Over de Rainbow – Israel Kamakawiwo’ole; • Love me Tender – Elvis Presley; • My heart will go on – Celine Dion; • Endless love – Diana Ross & Lionel Richie. Ok, muitas destas músicas são tudo de bom, mas não têm nada a ver com uma cerimônia religiosa. Podem ser perfeitamente tocadas na festa do casamento, mas o povo insiste em avacalhar o rito, por ignorância ou por capricho.

Algumas noivas piriguetes querem-se fazer notar especialmente pela sensualidade, e, diante do altar do Cordeiro Imolado, se apresentam com os peitos quase saltando pra fora do decote. Alguém aí deve estar pensando que isso é papo de velha carola, mas #euqueriaserdotempo em que a palavra “pudor” e a expressão “local sagrado” faziam algum sentido. Cada vez mais são adicionados elementos estranhos ao rito do matrimônio, como o injustificável destaque dado à entrada de pajens e damas, quase sempre acompanhados pela canção tema de algum filme da Disney. À primeira vista, isso parece muito bonitinho e inofensivo. Mas cada um desses fru-frus colabora para que o Sacramento seja visto por todos como mais um evento mundano, distraindo a atenção daquilo que é essencial. Assim, aquilo que poderia ser uma bela ocasião de testemunho para os convidados e para a comunidade, se reduz a um triste circo de vaidades.

Ninguém está ligando muito pro sagrado (as leituras, as promessas, as orações, as bênçãos); todo o destaque é dado ao profano. Quando eu falo em “circo”, não estou exagerando. Em março deste ano, um homem e uma mulher de Garibaldi-RS casaram-se na Igreja fantasiados de Shrek e Fiona. A cerimônia, realizada na matriz da cidade, foi presidida por um frade, e os convidados também estavam fantasiados. Após o ocorrido, os bispos da Diocese de Caxias do Sul advertiram o celebrante e emitiram uma nota à imprensa desaprovando a palhaçada.

No Antigo Testamento, quando Deus falou a Moisés do meio da sarça ardente, disse: Não te aproximes daqui. Tira as sandálias dos teus pés, porque o lugar em que te encontras é uma terra santa (Ex 3, 5). É óbvio que não havia mal algum no fato de Moisés usar sandálias, porém, tirá-las antes de pisar no solo sagrado era um sinal concreto de respeito, de reconhecimento da santidade daquele local. Da mesma forma, não há mal nenhum em curtir Elvis Presley, por exemplo, mas inserir uma música do seu repertório dentro de um rito religioso só revela o quanto estamos mais interessados em fazer um evento “com a nossa cara”, “diferente” e “emocionante” do que em louvar a Deus de forma humilde, reverente e liturgicamente adequada.

 

O Sagrado Matrimônio não é um evento social
http://www.iesusdominus.com.br/2011/07/o-sagrado-matrimonio-e-profanacao-da.html

É triste saber que hoje a maioria das cerimônias de casamento perderam totalmente a sacralidade. A intenção deste texto é desfazer alguns equívocos cometidos durante as cerimônias, em especial no que se refere à liturgia

1 – Rito do Casamento dentro da Santa Missa

Ao contrário do que a maioria pensa, o Ritual de Casamento deve acontecer por regras gerais, dentro da Celebração do Santo Sacrifício, embora o pároco possa, tendo em conta as necessidades pastorais, ou a participação dos nubentes e dos assistentes na vida da igreja, propor que a celebração aconteça fora da Missa. (Conferir Ritual Romano do Matrimônio)

Em outras palavras, o NORMAL é que o casamento aconteça dentro da Santa Missa, e o casal católico deve fazer todo o possível para que o padre assim o faça, assistindo o casamento durante o Sacrifício o qual celebra.

Há de entender que o erro não está em que a celebração aconteça fora da Santa Missa, uma vez que o próprio livro traz as duas formas de celebração, o erro está principalmente em perceber que o extraordinário se tornou a regra, de forma que hoje é muito raro vermos acontecer alguma Celebração Matrimonial durante a Santa Missa.

2 – Músicas românticas x músicas sacras

Nas cerimônias de casamento, sejam elas dentro ou fora do Rito da Santa Missa, o uso de músicas românticas NÃO É PERMITIDO. O Ritual Romano é claro ao dizer que os cânticos devem ser adequados ao rito do matrimônio e devem exprimir a fé da Igreja. Há de se entender que a cerimônia do Matrimônio não é um evento social, mas sim um evento religioso.

O Papa Pio X, no Motu Proprio Tra Le Sollicitude, diz claramente que NADA deve suceder no templo que perturbe ou diminua a piedade e a devoção dos fiéis (…), nada que ofenda o decoro e a santidade das sacras funções.

O Compêndio do Catecismo da Igreja Católica também demonstra vários critérios para a escolha das músicas nas celebrações litúrgicas.

1 – Conformidade dos textos com a doutrina católica.

2 – Devem ser tomadas preferencialmente da Escritura e das fontes litúrgicas.

3 – Devem demonstrar a beleza expressiva da oração (não o romantismo do noivo pela noiva)

4 – A participação da assembléia.

5 – A riqueza cultural do Povo de Deus.

6 – O caráter sacro e solene da celebração.

Sobre a música sacra, é bom ler o Quirógrafo do Sumo Pontífice João Paulo II bem como o Motu Proprio Tra le Sollecitudini.

3 – Homenagens durante a cerimônia

Como já citei acima, o Ritual do Matrimônio não é um evento social, ou uma homenagem do noivo pra noiva, nem nada parecido, trata-se do momento onde os dois, perante um ministro autêntico da Igreja de Cristo, selam uma união eterna com Deus, prometendo fidelidade até que a morte os separe.

O romantismo é algo que pode (ou deve?) ser preservado e incentivado entre os casais, mas cabe entender que durante a Celebração do Matrimônio, ele deve ser deixado de lado por se tratar de uma cerimônia sagrada (não romântica).

Se querem fazer homenagens, declamar um poema, cantar pra noiva, dançar Macarena ou virar um mortal triplo pra trás, fiquem a vontade. Façam na recepção, na Lua de Mel, na casa, na praça, na Marginal Tietê ou qualquer outro lugar, mas NUNCA NA IGREJA durante uma cerimônia RELIGIOSA.

Todas essas coisas (inclusive o mortal triplo pra trás) não se constituem pecado, desde que sejam feitas no momento e no local certo, com certeza o momento certo não é durante a cerimônia do Matrimônio e o local certo não é dentro da Igreja.

II Domingo do Tempo Comum – Ano C

Por Frei Raniero Cantalamessa, OFMCap

Convidaram a Jesus às bodas
Isaías 62, 1-5; I Coríntios 12, 4-11; João 2, 1-11

O Evangelho do II Domingo do Tempo Comum é o episódio das bodas de Caná. O que Jesus quis nos dizer ao aceitar participar de uma festa nupcial? Sobretudo, desta maneira honrou, de fato, o casamento entre o homem e a mulher, afirmando, implicitamente, que é algo belo, querido pelo Criador e por Ele abençoado. Mas quis ensinar-nos também outra coisa. Com sua vinda, se realizava no mundo esse noivado místico entre Deus e a humanidade que havia sido prometido através dos profetas, sob o nome de «nova e eterna aliança». Em Caná, símbolo e realidade se encontram: as bodas humanas de dois jovens são a ocasião para falar-nos de outro noivado, aquele entre Cristo e a Igreja, que se cumprirá em «sua hora», na cruz. Se desejarmos descobrir como deveriam ser, segundo a Bíblia, as relações entre o homem e a mulher no matrimônio, devemos olhar como são entre Cristo e a Igreja. Tentemos fazê-lo, seguindo o pensamento de São Paulo sobre o tema, como está expressado em Efésios 5, 25-33. Na origem e centro de todo matrimônio, seguindo esta perspectiva, deve estar o amor: «Maridos, amai vossas mulheres como Cristo amou a Igreja e se entregou por ela». Esta afirmação — que o matrimônio se funda no amor — parece hoje ser algo óbvio. No entanto, só há pouco mais de um século se chegou o reconhecimento disso, e ainda não em todas os lugares. Durante séculos e milênios, o matrimônio era uma transação entre famílias, um modo de promover a conservação do patrimônio ou a mão de obra para o trabalho dos chefes, ou uma obrigação social. Os pais e as famílias eram os protagonistas, não os esposos, que freqüentemente se conheciam só no dia do casamento. Jesus, continua dizendo Paulo no texto dos Efésios, se entregou «a fim de apresentar a si mesmo sua Igreja resplandecente, sem que tenha mancha nem ruga nem coisa parecida». É possível, para um marido humano, imitar, também neste aspecto, o esposo Cristo? Pode tirar as rugas de sua própria esposa? Claro que pode! Há rugas produzidas pelo desamor, por terem sido deixados na solidão. Quem se sente ainda importante para o cônjuge não tem rugas, ou se as tem, são rugas diferentes, que acrescentam, mas diminuem a beleza. E as esposas, o que podem aprender de seu modelo, que é a Igreja? A Igreja se embeleza unicamente para seu esposo, não por agradar os outros. Está orgulhosa e é entusiasta de seu esposo Cristo e não se cansa de fazer-lhe louvores. Traduzido ao plano humano, isso recorda às noivas e às esposas que sua estima e admiração é algo importantíssimo para o noivo ou o marido. Às vezes, para eles é o que mais conta no mundo. Seria grave que lhes faltasse receber jamais uma palavra de elogio por seu trabalho, por sua capacidade organizativa, por seu valor, pela dedicação à família; pelo que diz, se é um homem político; pelo que escreve, se é um escritor; pelo que cria, se é um artista. O amor se alimenta de estima e morre sem ela. Mas existe uma coisa que o modelo divino recorda sobretudo aos esposos: a fidelidade. Deus é fiel, sempre, apesar de tudo. Hoje, esse assunto da fidelidade se converteu em um discurso escabroso que ninguém se atreve a fazer. Contudo, o fator principal da ruptura de muitos casamentos está precisamente aqui, na infidelidade. Há quem o nega, dizendo que o adultério é o efeito, não a causa, das crises matrimoniais. A traição acontece, em outras palavras, porque já não existe nada com o próprio cônjuge. Às vezes isso será inclusive certo; mas muito freqüentemente se trata de um círculo vicioso. Trai-se porque o matrimônio está morto, mas o matrimônio está morto precisamente porque se começou a trair, talvez em um primeiro momento só com o coração. O pior é que com freqüência, quem trai faz recair no outro a culpa de tudo e se coloca no papel de vítima. Mas voltemos ao episódio do Evangelho, porque contém uma esperança para todos os matrimônios humanos, até os melhores. Sucede em todo matrimônio o que ocorreu nas bodas de Caná. Começa no entusiasmo e na alegria (disso o vinho é símbolo); mas este entusiasmo inicial, como o vinho em Caná, com o passar do tempo se consome e chega a faltar. Então se fazem as coisas já não por amor e com alegria, mas por costume. Cai sobre a família, se não se presta atenção, como uma nuvem de monotonia e de tédio. Também destes esposos se deve dizer: «Eles não têm mais vinho!». O relato do Evangelho indica aos cônjuges um caminho para não cair nesta situação ou sair dela se já se está dentro: convidar Jesus para o próprio casamento! Se Ele está presente, sempre se pode pedir que repita o milagre de Caná: transformar a água em vinho. A água do costume, da rotina, da frieza, no vinho de um amor e de uma alegria melhor que a inicial, como era o vinho multiplicado em Caná. «Convidar Jesus para o próprio casamento» significa honrar o Evangelho na própria casa, orar juntos, aproximar-se dos sacramentos, tomar parte na vida da Igreja. Nem sempre os dois cônjuges estão, em sentido religioso, na mesma linha. Talvez um dos dois é crente e o outro não, ou ao menos não com mesma forma. Neste caso, que convide Jesus às bodas aquele dos dois que o conheça, e o faça de maneira — com sua gentileza, o respeito pelo outro, o amor e a coerência de vida — que se converta logo no amigo de ambos. Um «amigo da família»!

 

Evangelho segundo São João 2, 1-11
Ao terceiro dia, celebrava-se uma boda em Caná da Galileia e a mãe de Jesus estava lá. Jesus e os seus discípulos também foram convidados para a boda. Como viesse a faltar o vinho, a mãe de Jesus disse-lhe: «Não têm vinho!» Jesus respondeu-lhe: «Mulher, que tem isso a ver contigo e comigo? Ainda não chegou a minha hora.» Sua mãe disse aos serventes: «Fazei o que Ele vos disser!» Ora, havia ali seis vasilhas de pedra preparadas para os ritos de purificação dos judeus, com capacidade de duas ou três medidas cada uma. Disse-lhes Jesus: «Enchei as vasilhas de água.» Eles encheram-nas até cima. Então ordenou-lhes: «Tirai agora e levai ao chefe de mesa.» E eles assim fizeram. O chefe de mesa provou a água transformada em vinho, sem saber de onde era se bem que o soubessem os serventes que tinham tirado a água; chamou o noivo e disse-lhe: «Toda a gente serve primeiro o vinho melhor e, depois de terem bebido bem, é que serve o pior. Tu, porém, guardaste o melhor vinho até agora!» Assim, em Caná da Galileia, Jesus realizou o primeiro dos seus sinais miraculosos, com o qual manifestou a sua glória, e os discípulos creram nele.

Por Pe. Fernando José Cardoso

Celebramos hoje o segundo domingo do tempo comum. O evangelho é do quarto Evangelista João e nos apresenta o famoso episódio das Bodas de Caná. Como foi diversa a reação dos primeiros leitores deste texto e nós que o lemos na Tradição da Igreja dois mil anos depois. Na verdade a nossa tentação é buscar reconstruir com precisão o que realmente pode ter acontecido num vilarejo desconhecido chamado Caná, na baixa Galiléia, e não é esta a mensagem que o Evangelista nos quis transmitir, pelo contrário, ele foi mais profundo, ele estava acostumado com o Antigo Testamento. Quando inesperado, surpreendentemente, surgiu, no cenário da história, Jesus. Como Jesus modificou a história! Até então, o Antigo Testamento todo inteiro era simbolizado na água das continuadas purificações dos Judeus. Inexplicavelmente, na plenitude dos tempos ao enviar Deus Seu Filho à terra, trouxe para nós uma grande festividade. Esta festa constante que durante toda a vida celebramos com o Filho de Deus, Jesus Cristo no meio de nós, vem aqui simbolizada pelo vinho, generoso, gostoso, vinho de qualidade excelente que chegou depois de um longo período de água ou de Antigo Testamento. A única pergunta que faço é esta: Jesus representa para você uma festa? Jesus representa para você um marco na sua história e na sua vida? Jesus modificou o andamento da sua própria existência? Jesus trouxe verdadeiramente alegria para o seu coração e terá trazido também alegria para o coração de sua comunidade, como trouxe alegria para aqueles convivas naquela festa de casamento? Você tem a experiência, ou faz a experiência diária da presença alegre, profunda, satisfatória de Jesus em sua existência? Existência que preenche e supera todos os seus desejos. Jesus realmente é isto para você? Se a resposta for afirmativa, você compreendeu o texto de Caná da Galiléia e você o vive no íntimo do seu coração, porque aquilo que lá se deu continua a se passar com você.

 

«Tu, porém, guardaste o melhor vinho até agora!»
São Romano, o Melodista (? – c. 560), compositor de hinos
Hino n°18, As Bodas de Caná (a partir da trad. de SC 110, pp. 307ss. rev.)

Enquanto Cristo participava na boda e a multidão dos convivas festejava, faltou-lhes o vinho e a alegria transformou-se em decepção. […] Vendo isso, a puríssima Maria vem imediatamente dizer ao Filho: «Já não têm mais vinho. Por isso, peço-Te, Meu Filho, mostra que podes tudo, Tu que tudo criaste com sabedoria». Por favor, Virgem venerável, na sequência de que milagres soubeste Tu que o Teu Filho, sem ter vindimado a uva, podia conceder o vinho, se Ele não tinha anteriormente feito milagres? Ensina-nos […] como disseste a Teu Filho: «Dá-lhes vinho, Tu que tudo criaste com sabedoria». «Eu mesma vi Isabel chamar-me Mãe de Deus antes do parto: depois do parto, Simeão cantou-me e Ana celebrou-me; os magos acorreram ao presépio vindos da Pérsia porque uma estrela anunciava antecipadamente o nascimento; os pastores, com os anjos, faziam-se arautos da alegria e a criação rejubilava com eles. Poderia eu ir procurar maiores milagres do que estes para crer, com base na fé deles, que o meu Filho é Aquele que tudo criou com sabedoria?» […] Quando Cristo, pelo Seu poder, mudou manifestamente a água em vinho, toda a multidão rejubilou, achando admirável o seu sabor. Hoje, é no banquete da Igreja que todos nós tomamos lugar, porque o vinho é transformado em sangue de Cristo e nós bebemo-lo todos com uma alegria santa, glorificando o grande Esposo. Porque o Esposo verdadeiro e filho de Maria, o Verbo que é deste toda a eternidade, tomou a forma dum escravo e tudo criou com sabedoria. Altíssimo, Santo, Salvador de todos, visto que a tudo presides, guarda sem alteração o vinho que está em nós. Expulsa de nós toda a perversidade, todos os maus pensamentos que tornam aguado o Teu vinho santíssimo. […] Pelas orações da Santa Virgem Mãe de Deus, liberta-nos da angústia dos pecados que nos oprimem, Deus misericordioso, Tu que tudo criaste com sabedoria.

 

Fazei tudo o que Ele vos disser
Dom Alberto Taveira Corrêa

Queridos irmãos e irmãs nós estamos ainda vivendo o mistério do Natal e hoje vemos na liturgia o primeiro milagre de Jesus que Ele faz em um casamento e o Evangelho termina dizendo que Ele manifestou a sua glória e todos creram N’Ele. A Palavra que ouvimos foi Palavra de Salvação e nós nos aproximaremos da eucaristia que é a fonte de onde bebemos tudo para nossa vida cristã, que hoje aconteça esta manifestação da presença de Deus. O profeta Isaías faz uma grande declaração de amor de Deus pelo seu povo, em um tempo em que muitos se sentem desprezados e o Senhor vem dizer que não precisamos mais nos sentir como um povo abandonado. E como precisamos ouvir de Deus isso em um tempo tão difícil em que nesta semana vimos tudo aquilo que aconteceu no Haiti. Deus seja louvado por toda a solidariedade que acontece em meio a tudo isso. Deus está presente onde nós somos capazes de transformar a dor em amor, muitas vezes nós enxergamos somente um quadro na nossa vida, mas Deus quer nos fazer compreender que sua presença é como um fio de ouro que nos leva a uma história de Salvação. Façamos hoje uma profissão de fé neste amor misericordioso de Deus. Talvez alguém pense que o milagre das bodas de Caná fosse inútil porque o Senhor deu bebida àqueles que estavam lá, mas pensemos no gesto de Jesus como um sinal desta união de Deus com a humanidade, neste amor de Deus que desce a terra e vai ao encontro dos homens em auxilio de todas as suas necessidades. Maria também aparece como aquela que pede o auxilio de Deus para nós, pois quantas vezes nossa humanidade perdeu o sabor e Deus sempre tem algo melhor a nós oferecer. Faz-se necessário também a nossa participação para que aconteça, faça-se esta hora de Jesus em nossas vidas. Maria fez uma experiência de fé nesta hora de Deus. Mas qual é a nossa participação? A receita do milagre de Jesus hoje é esta: “Fazei tudo o que Ele vos disser”. Como entender este mundo, os desastres da vida? Fazei tudo o que Ele vos disser! Quem vive a Palavra de Jesus entende o sentido da vida, das coisas boas ou das tristezas. Quando fazemos tudo o que Ele diz, a vida vai ganhar gosto, sentido, valor e você encontrará a estrada da alegria. Para acontecer o milagre do Evangelho de hoje haviam alguns servos, alguns que encheram as talhas de água, na Igreja existem muitos ministérios e a manifestação de Deus acontece assim também, quando usamos os dons que Deus nos deu. Todos tem o seu lugar e ninguém é obrigado a ficar de fora. Hoje nossos seminaristas recebem o Ministérios Sagrados, e eles servirão à Palavra, o Altar, para viverem no seu lugar, a suas vocações no coração da Igreja. Encham as talhas com a água que estiver a disposição de vocês e façam tudo o que Jesus lhes disser e serão felizes. Que Deus vos conceda esta graça de serem fiéis nesta caminhada. Quantas coisas aconteceram na vida de vocês e hoje tudo isso vem a tona e louvo a Deus por vocês estarem aqui hoje. Façam tudo o que eles vos disser!

 

Depois da Festa do Batismo do Senhor, tem início o Tempo Comum. Estamos no 2º Domingo do Tempo Comum. Apesar do ciclo C ser o do Evangelista Lucas, neste domingo ainda não o iremos ler, porque neste início do ciclo do tempo comum ainda ressoa a epifania dos últimos domingos e em cada ciclo lê-se alguns extratos do início do evangelho de João. Insiste-se na ideia de que todo o evangelho é a manifestação de Deus aos homens e que terá de ser lido neste contexto. Como segunda leitura que, como sabemos, segue uma ordem independente, antes de chegarmos à Quaresma leremos extratos da segunda parte da 1ª Carta de São Paulo aos Coríntios. O Espírito, a Igreja, a Caridade, a Ressurreição … serão os temas que irão ser apresentados. Nas nossas celebrações, seria bom notar-se que não estamos num tempo litúrgico forte, mas é necessário “visibilizar” muito bem que o que nos reúne em cada domingo é a ressurreição do Senhor que nos dá uma vida nova. “Foi assim que, em Caná da Galileia, Jesus deu início aos seus milagres. Manifestou a sua glória e os discípulos acreditaram n’Ele”. Assim termina o evangelho deste domingo. Estamos na primeira manifestação da glória de Deus em Jesus para despertar a fé dos discípulos. No relato deste domingo, teremos todos os elementos simbólicos que darão significado a tudo o irá acontecer na sua vida. Vejamos alguns desses simbolismos. A imagem do casamento era uma das prediletas dos profetas. A primeira leitura de Isaías destaca-a: “tal como o jovem desposa uma virgem, o teu Construtor te desposará; e como a esposa é a alegria do marido, tu serás a alegria do teu Deus”. A Sagrada Escritura tem como início o “casamento” no paraíso terrestre e encaminha-se para as bodas definitivas entre Deus e o seu povo. Neste contexto simbólico, cheio de ecos da História da Salvação, há que inserir a presença de Jesus nas bodas de Caná e também o fato do vinho se ter acabado. A História da Salvação está a chegar a Jesus, ou seja, ao fim e ao seu cume. Com Jesus, atinge a sua plenitude. Só fica um pequeno resto, do qual Maria é uma imagem insigne que apesar de tudo acredita e confia plenamente na ação salvadora de Deus: “Fazei tudo o que Ele vos disser”, porque Deus nunca abandona o povo que tanto ama. Com elementos simbólicos, como bem se explica a passagem ao Reino que Jesus traz! A água da purificação antiga, com a ação de Jesus, converte-se em vinho para o banquete messiânico. É o melhor vinho, vindo não só da colheita humana, mas também da ação de Deus; por isso, o chefe de mesa não sabe de onde ele vem. Assim, para os convidados ao banquete do Reino a água salvadora do batismo faz com que a vida humana destile o vinho da vida nova. Que belo é o vínculo entre o batismo e o seu fruto vital que só é possível a partir da mesa eucarística! A “hora” ainda não chegou, diz Jesus à sua Mãe, porque só será definitiva na Páscoa. Na vida e na história, a celebração eucarística da Páscoa do Senhor é a hora, onde se antecipa e se prova a salvação definitiva, como em Caná. São Paulo reforça a ideia de que o Espírito de Deus, que torna possível esta ação maravilhosa de Deus e que cria a comunidade eclesial continuamente convidada às bodas messiânicas, é um só, mesmo que se manifeste numa grande e diversa multiplicidade de dons distribuídos “a cada um conforme Lhe agrada”. Esta é a grande riqueza da Igreja e das nossas comunidades: o desafio a fazer a todos é colocar os dons ao serviço da comunidade, pondo-os a render. Que o Espírito nos leve a escutar a Palavra de Deus. Que Maria continuamente interceda por nós diante do Seu Filho. Em cada Eucaristia, colocamo-nos diante do melhor vinho que Deus nos oferece para que o provemos e, assim, vejamos, como o Senhor é bom. É o Espírito de Deus que sempre nos convida.

 

SEGUNDO DOMINGO DO TEMPO COMUM
Jo 2,1-12 “Façam tudo o que ele lhes disser”

A primeira parte do Quarto Evangelho é comumente chamada “O Livro dos Sinais”, pois o evangelista relata uma série de sete sinais que, passo por passo, revelam quem é Jesus, e qual é a sua missão. Embora algumas bíblias traduzem o termo grego que João usa por “milagre”, a tradução mais acertada é “Sinal”. O primeiro desses sinais aconteceu no contexto das bodas de Caná, o evangelho de hoje. Como todo o Evangelho de João, o relato está carregado de simbolismo, onde pessoas, números e eventos funcionam simbolicamente, para nos levar além da aparência das coisas, numa caminhada de descoberta sobre a pessoa de Jesus. Um dos temas centrais do quarto evangelho é o da “hora” de Jesus. A “hora” não se refere à cronometria, mas a hora de glorificação de Jesus, por sua morte e ressurreição. Em resposta ao pedido feito por Maria (João nunca se refere a ela pelo nome, mas pelo título “mulher”), usando de uma maneira até estranha este termo para a sua mãe, João quer indicar que Jesus rejeita uma esfera meramente humana de ação para Maria, para reservar para ela um papel muito mais rico, ou seja, o da mãe dos seus discípulos. Maria somente vai aparecer mais uma vez neste evangelho – a pé da cruz, onde ela e o Discípulo Amado assumem um relacionamento de Filho e Mãe. Devemos lembrar que o Discípulo Amado simboliza a comunidade dos discípulos do Senhor, ou seja, nós hoje. Apesar da nossa tradição piedosa mariana, é importante não reduzir a ação da Maria no texto à de uma incomparável intercessora. Embora seja comum esta interpretação na devoção popular, não se sustenta do ponto de vista exegético. É melhor ver Maria aqui como discípula exemplar, pois embora a resposta de Jesus indique um distanciamento entre a sua expectativa e a visão d’Ele, ela continua com confiança n’Ele e leva outros a acreditar n’Ele. O simbolismo da água tornada vinho é também importante. Não era qualquer água – era a água da purificação dos judeus. Com esta história, João quer mostrar que doravante os ritos judaicos de purificação estão superados, pois a verdadeira purificação vem através de Jesus. Podemos entender isso como a mudança de uma prática religiosa baseada no medo do pecado, uma prática que excluía muita gente, para uma nova relação entre Deus e a humanidade, a partir de Jesus. Assim, em Cana, Jesus começa a substituir as práticas do judaísmo do Templo, que vai continuar ao longo do Evangelho de João. A quantia do vinho chama a atenção – 600 litros! O vinho em abundância era símbolo dos tempos messiânicos, e, na tradição rabínica, a chegada do Messias seria marcada por uma colheita abundante de uvas. Assim João quer dizer que a expectativa messiânica se realiza em Jesus. As talhas transbordantes simbolizam a graça abundante que Jesus traz. A figura do mestre-sala é também simbólica, bem como os serventes. Aquele, que devia saber a origem do vinho da festa, não sabia, enquanto estes sim. Assim, o mestre-sala representa os chefes do Templo que não sabiam a origem de Jesus enquanto os servos representam os discípulos que acreditaram n’Ele. Fazendo comparação entre o vinho antigo e o novo, João quer reconhecer que a Antiga Aliança era boa, mas a Nova a superou. Os ritos e práticas judaicos, ligados à purificação e ao sacrifício, não têm mais sentido, pois uma nova era de relacionamento entre a humanidade e Deus começou em Jesus. O ponto culminante do relato está em v. 11: “Foi em Caná que Jesus começou os seus sinais, e os seus discípulos acreditaram n’Ele”. A fé deles não é intelectual ou teórica, mas o seguimento concreto do Mestre, na formação de novos relacionamentos de amor. Passo por passo, o autor vai revelando Jesus através de sinais para que nós, os leitores, possamos “acreditar que Jesus é o Messias, o Filho de Deus. E para que, acreditando, tenhamos a vida em seu nome” (Jo 20, 31).

Cinco Tipos de Católicos

Victoriano Pascual / José Mª de Miguel González

Por ocasião da grande celebração do Dia Mundial da juventude, que teve lugar em Sydney -Austrália-(de 15 a 20 de julho de 2008), um político australiano explicou a Bento XVI, os tipos mais freqüentes de católicos. O político se chama Jhon Herron e na atualidade é o presidente do Conselho Nacional sobre as drogas, mas antes tinha sido ministro nacional de Assuntos Aborígenes e Embaixador de seu país na Irlanda e ante a Santa Sé. Vale a pena repassar a tipologia dos católicos que o senador australiano traçou ante o Papa, porque sem dúvida não desenha só os católicos daquela imensa nação, mas também os de nosso próprio país.

CATÓLICOS ESPORÁDICOS
São aqueles que de vez em quando se lembram que o são e visitam uma igreja, especialmente quando tem algum problema. Evidentemente, não vão para dar graças a Deus, mas para pedir-lhe ajuda, bem para si ou para os seus, que passam por um mau momento. É uma maneira de entender a religião como analgésico para tirar dores de cabeça ou como um negócio mercantil. Tu me ajudas e eu te pago (com uma doação ou uma promessa). A esta espécie pertencem os católicos que se qualificam a si mesmos como não praticantes, mas se é preciso ir a um funeral ou a uma boda vão sem nenhum problema (ainda que já são muitos os que sentem alergia ao espaço sagrado e preferem permanecer fora no átrio da igreja).

CATÓLICOS NOMINAIS
Talvez, é o tipo mais espalhado, pelo menos entre nós. São aqueles que um dia foram batizados, quer dizer, inscritos no livro de batismo da correspondente paróquia, e, para efeitos de contagem se contabilizam como católicos, mas nem se sentem nem atuam como católicos. Sua pertença à Igreja é puramente nominal, sem incidência prática alguma. Muitos deles fizeram ou a primeira comunhão e com ela se despediram dela até, quem sabe, a celebração do Matrimônio. Normalmente, os cristãos nominais, recebem cristã sepultura, quer dizer, se lhes faz um solene funeral, ainda que não tenham passado nunca ou quase nunca pela igreja.

CATÓLICOS ANTICATÓLICOS
Destes há muitos por aí, disse o Senador ao Papa. São os que foram batizados como católicos, e ao melhor durante uns anos atuaram como católicos sinceros, mas um bom dia deixaram de sê-lo e se converteram em inimigos acérrimos de todo o católico e, especialmente, de quem está a frente da Igreja, começando pelo Papa, seguindo pelos Bispos e continuando com os curas, frades e monjas. O anticlericalismo é uma enfermidade que ataca especialmente aos que um dia foram católicos, mas por diversas razões perderam a fé, passaram a uma seita, ou se identificaram com uma ideologia ou um partido que prega valores contrários ao Evangelho e consideram à Igreja um obstáculo o impedimento para levar a cabo seu programa. Alguns destes católicos anticatólicos justificam seu comportamento, sempre anti-hierárquico, assegurando que querem purificar a Igreja de todas suas infidelidades e colocá-la à altura dos tempos, já que a consideram muito atrasada. A Igreja que eles têm em sua mente se separou do Evangelho ou o traiu, portanto opor-se a esta Igreja romana e vaticanista, é lutar por uma Igreja verdadeiramente evangélica. Os católicos anticatólicos mais ativos nestas lides, procedem, como é natural das filas dos católicos, ou seja, dos que estiveram antes dentro da instituição que agora repudiam, como sacerdotes, teólogos, religiosos, religiosas. Contudo ainda ficam combatentes dentro da mesma instituição que são, sem dúvida, os que mais dano fazem.

CATÓLICOS DE BUFFET
Quem são estes? O político australiano os descreve assim: buscam motivos daqui e de lá e deixam o que não gostam. Que traduzido significa: são os católicos que com os artigos da fé e da Moral fazem um pandemônio. Crêem umas coisas e outras não, segundo lhes parece. O mesmo dizem que crêem em Deus e não na vida eterna nem na ressurreição dos mortos, ou que existe Deus mas ou o inferno, ou que eles se arrumam com Deus diretamente e por isso não necessitam ir os domingos a missa. Do conjunto da fé tomam aquilo que mais lhe convém e lhes parece mais razoável e do resto não querem nem ouvir falar. Mas ainda é mais problemático em relação com a moral, quer dizer, com o que é preciso praticar. Alguns afirmam que o mais importante é trabalhar pelos pobres e comprometer-se com os mais necessitados, mas a moral familiar, econômica ou política é coisa de cada um e aí não tem nada que dizer a Igreja. Assim, dos dez mandamentos se escolhem uns e se deixam outros, ao gosto do consumidor.

CATÓLICOS PRATICANTES
Estes não são só os que vão a Missa todos os domingos, mas os que se esforçam por levar à prática os valores fundamentais do Evangelho. Certamente, a prática dominical é sumamente importante porque a Igreja se edifica sobre a Eucaristia e sem Eucaristia não é possível manter viva a fé, porque esta se alimenta da Palavra de Deus e do Corpo Eucarístico de Cristo. Mas limitar-se a ir à missa e descuidar a prática da caridade é reduzir a fé a um rito, quando a fé cristã é uma vida. Ou seja, a fé tem que iluminar e animar toda a vida cristã. Um católico praticante é muito mais que um católico que vai a Missa, ainda que sem ir a Missa dificilmente se pode praticar o demais, ou seja os valores evangélicos. Não cabe dúvida de que este político australiano Jhon Herron desenhou bem os distintos tipos de católicos. Eu, sem ter ouvido nunca antes falar dele, penso que pertencer ao último tipo, ao dos católicos praticantes. Pois não em vão é o Presidente do Congresso Nacional sobre Drogas, e foi Ministro de Assuntos Aborígenes. Duas encomendas que requerem uma grande sensibilidade evangélica e muito amor ao ser humano, imagem de Deus e redimido por Cristo, para cumpri-las com entusiasmo e eficácia.

 

QUEM É CATÓLICO?
Compêndio do Vaticano II, Constituição Dogmática Lumen Gentium, 14 (39)

Católico é todo aquele que, incorporado plenamente à sociedade da Igreja, tem o Espírito de Cristo, aceita a totalidade de sua organização e todos os meios de salvação nela instituídos e na sua estrutura visível – regida por Cristo através do Sumo Pontífice e dos Bispos – se une com Ele pelos vínculos da profissão de fé, dos sacramentos, do regime e da comunhão eclesiásticos.

Não se salva, contudo, embora incorporado à Igreja, aquele que, não perseverando na caridade, permanece no seio da Igreja “com o corpo”, mas não “com o coração”1.

Lembrem-se todos os filhos da Igreja que a condição sem igual em que estão se deve não a seus próprios méritos, mas a uma peculiar graça de Cristo.

Se a ela não corresponderem por pensamentos, palavras e obras, longe de se salvarem, serão julgados com maior severidade2.

1 Cf. S. Agostinho, Bapt. c. Donat. V, 28,39: PL 43, 197: “Certe manifestum est, id quod dicitur, in Ecclesia intus et foris, in corde, non in corpore cogitandum”. Cf. ib., III, 19,26: col. 152; V, 18,24: col. 189; In Io., Tract. 61,2: PL 35, 1800, e muitas vezes noutros lugares.

2 Cf. Lc 12, 48: “Omni autem, cui multum datum est, multum quaeretur ab eo”. Cf. também Mt 5, 19-20; 7, 21-22; 25, 41-46; Tg 2, 14.

 

TRÊS TIPOS DE CATÓLICOS
Pe. José Ribolla, C.SS.R.
Fonte: Os Sacramentos, trocados em miúdo. Ed. Santuário

CATÓLICO OU “CAÓTICO”?

Dizem que no Brasil – mas não é só no Brasil, não! – muitos católicos adotam um cristianismo original. Em vez de: católico-apostólico-romano, passa a ser: caótico-apostático-romântico… E bote isso tanto no masculino como no feminino!

Comecemos pelo “católico-caótico”. A palavra “católico” é um adjetivo da língua grega que, no masculino, feminino e gênero neutro corresponde respectivamente a: katolikós, katoliká, katolikón. O significado de católico é: universal. Quer indicar que o cristianismo deve ser universal, abranger todos os povos de toda a terra e de todos os tempos. O Evangelho é universal, é para todos. No caso, o substantivo é: cristão; católico é adjetivo, que poderia ser substituído por “universal”; mas, ficaria um tanto pernóstico dizer: “sou cristão universalll”… E por isso, ficamos com o adjetivo “católico” mesmo, querendo dizer “universal”. Entendido?

Pois bem. Mas, em nossa querida Pátria e alhures, o cristão em vez de ser “católico”, isto é, aceitar todo o Evangelho, a Igreja-Hoje, o tal cristão-”caótico” faz uma misturança de tudo e faz uma religião das suas conveniências, catando aqui e ali meias verdades e… bota tudo no “liquidificador” do seu egoísmo e da sua ignorância, aperta o botão das suas conveniências, e… dá aquela mistura caótica de católico-umbandista-cientificista-espiritualista-esotérico-maçonista e… diabo-a-quatro. E depois se mete a discutir religião sem entender bulhufas.

A Fé desse cristão caótico fica na periferia. E, no fundo mesmo, ele não quer é se comprometer com as dimensões da Fé: a dimensão pessoal da consciência limpa, a dimensão social da Justiça, a dimensão Política do compromisso com a ética do bem-comum; e, por aí afora. O cristão caótico cria um caos entre Fé e Vida, entre Fé e as realidades temporais onde ele deve atuar. O “caótico” cria uma religião liberalóide, à imagem e semelhança de suas idéias e gostos. Assim é fácil, não? …

APOSTÓLICO OU “APOSTÁTICO”? 

Outro tipo de católico original, mas muito comum, é o que afirma, nos recenseamentos, ser católico-apostólico, mas, em vez de “apostólico”, ele é “apostático”. Sem querer fazer muita apologética nem muita discussão sobre o assunto, é fácil verificar qual é a verdadeira religião cristã (universal = católica), a que vem desde os tempos dos apóstolos, do tempo de Cristo, portanto. É só ver nos Evangelhos como Jesus quis sua Igreja como sinal do Reino. E logo constataremos que Jesus quis, nessa Igreja, uma autoridade que fosse a pedra fundamental, garantia da unidade. E sabemos que ele colocou Pedro como a primeira autoridade, que depois vai tomando o nome de papa (pai). Está clara, nos Evangelhos, a indicação do Apóstolo Pedro como o primeiro chefe. E como essa Igreja deveria perdurar e continuar através dos séculos, vemos, na história da Igreja, que vieram Lino, Cleto, Clemente… até o nosso atual Papa Bento XVI. Então esta será, claro, a Igreja Apostólica, a Igreja que o Cristo quis… apesar de todas as misérias acontecidas com a necessidade de contínuas reformas na parte humana da Igreja.

Pois bem. O nosso católico “apostático”, em vez de ficar com essa Igreja, ele vai “apostando”, como o “caótico”, num sincretismo reli¬gioso, numa mistura de religiões ou fantasias religiosas, superstições e “etceterões” que não podem caber num “mesmo saco”, numa mesma vida…

Assim, de manhã, o “apostático” aposta na missa. Ao meio dia, aposta no horóscopo (alguns jornalistas-horoscopistas disseram-me como fazem quando “falta assunto”: pegam horóscopos de uns anos atrás e recopiam com algumas mudanças e publicam o “horóscopo do dia”…). E à noite, em que “aposta” o nosso “apostático”? No terreiro, saracoteando na macumba e quejando…

E assim vai ele, pela vida, “apostando”, até que acaba é apostatando mesmo, sem eira nem beira, sem convicção cristã nenhuma, sem compromisso com a Fé. Uma religião na base da emoção, da fantasia, sem firmeza histórica, sem firmeza evangélica, sem firmeza da Fé. Apostando no que lhe convém no momento… Nem cristão, nem católico, nem apostólico, mas: “apostático”…

ROMANO OU “ROMÂNTICO”? 

Vimos os dois tipos de cristãos batizados e crismados com os quais o Espírito Santo da Crisma não terá chance nenhuma de contar para o testemunho da Fé. São os católicos “caóticos” e os “apostáticos”.

Mas há um 3º espécimen, muito caracterizado e muito comum entre eles e entre elas… É o chamado cristão-católico “romântico”: “ái Jésúis!” E como os há, por aí afora… Dizemos “romântico” em oposição a romano; isto é, sem a adesão incondicional à Igreja de Jesus Cristo, desde os inícios sediada em Roma. “Romano” só porque, desde Pedro, os 263 Papas sediaram-se em Roma.

“Romântico” é o católico superficial, que tem as emoções como termômetro da Fé; o que se apega às periferias da religião, sem convic­ções profundas, e que age ao sabor do “gosto não-gosto”. Neles e nelas não é a firmeza da Fé, a constância da Esperança nem a fidelidade do Amor que orientam a vida, mas sim, os “gostinhos” e preferências da ocasião, da “moda”.

“Romântico” é o católico que não perde a procissão do Senhor Morto e faz questão fechada de depositar seu ósculo no esquife do Senhor Morto… Mas foge, na vida do dia-a-dia, de “beijar” o Senhor vivo do Evangelho, o Cristo da justiça, do amor ao irmão, do perdão. É fácil beijar um “Senhor Morto” de madeira, de pedra, de gesso: quero ver é você beijar o Cristo do Evangelho, quando exige tomadas de posição na caminhada da Igreja, na justiça etc., etc.

Católica “romântica” é aquela que me dizia: “Ah! padre, o dia da 1.a comunhão de minha filha, quero que fique ‘indelééévvelll’… na minha vida…” Mas, ela mesma nem “limpou a cocheira” dos pecados para poder comungar com a filhinha… “Romântico” é o cristão que lê o Evangelho, concordando com umas coisas que Jesus disse e não con­cordando com outras que o mesmo Jesus disse… “Eu acho… eu não acho…” como se cristianismo fosse “achismo”… E, por aí afora, meus amigos, quantos cristãos e cristãs romântico (a)s”, não? E onde fica o Batismo dessa gente, onde fica a Crisma com o Espírito Santo exigindo uma vida coerente com o Evangelho, com a Igreja e não com os caprichos de cada um?

 

SE ESTÁS BUSCANDO A IGREJA DE CRISTO…
Servo de Deus Dom Fulton John Sheen

Não existem muitas pessoas que odeiem a Igreja Católica. No entanto, há milhões de pessoas que odeiam o que erroneamente crêem que a Igreja Católica seja. Isto certamente é uma coisa totalmente diferente. Dificilmente se pode culpar essas milhões de pessoas por odiar o católico crendo – como crêem – que os católicos “adoram imagens”; que “colocam a Virgem no mesmo nível de Deus”; que “dizem que as indulgências são permissões para se cometer pecados”; ou “porque o Papa é um fascista”; ou porque a Igreja “defende o capitalismo”. Se a Igreja ensinasse ou praticasse qualquer destas coisas, deveria ser odiada por justa razão.

Porém, a verdade é que a Igreja não ensina nem crê em nenhuma destas coisas. Disto, se constata que o ódio de milhões é dirigido contra um conceito errôneo da Igreja e não ao que a Igreja verdadeiramente é. De fato, se nós, católicos, crêssemos em todas as mentiras e falsidades que dizem sobre a Igreja, muito provavelmente odiaríamos a Igreja mil vezes mais do que odeiam essas milhões de pessoas mal informadas.

Se eu hoje não fosse católico e estivesse em busca da verdadeira Igreja, buscaria uma Igreja que não se desse bem com o mundo. Em outras palavras, buscaria uma Igreja que o mundo odiasse. É que se Cristo estivesse em alguma das igrejas de hoje em dia, deveria ser odiado tanto quanto foi quando habitou carnalmente sobre a terra. Se encontrasses Cristo em alguma igreja hoje, O encontrarias numa igreja que não se desse bem com o mundo…

Procure a igreja que é odiada pelo mundo, assim como Cristo foi odiado pelo mundo. Procure uma igreja que seja acusada de estar ultrapassada, assim como Nosso Senhor foi acusado de ser ignorante e sem instrução. Procure uma igreja que os homens desprezem por ser socialmente inferior, assim como desprezaram Nosso Senhor por ter nascido em Nazaré. Procure uma igreja que é acusada de ser endemoniada, assim como Nosso Senhor foi acusado de estar possuído por Belzebu, o príncipe dos demônios.

Procure uma igreja que o mundo rejeite porque afirma ser infalível, assim como Pilatos rejeitou Jesus porque Ele declarou ser a encarnação da Verdade. Procure uma igreja que, entre a confusa selva de opiniões contraditórias, seja amada por seus membros, assim como amam a Cristo, e respeitam sua voz, assim como respeitam a voz de seu Fundador. Assim aumentarão as tuas suspeitas de que esta Igreja não condiz com o espírito do mundo e isso deve ser porque não é mundana; e se não é mundana é porque não é deste mundo; e por não ser deste mundo, lhe cabe ser infinitamente odiada e infinitamente amada, como ocorre com o próprio Cristo. A Igreja Católica é a única Igreja que atualmente pode traçar sua História até os dias de Cristo. A evidência histórica é tão clara neste aspecto, que resulta curioso ver tanta gente não estar a par de algo tão óbvio!

A Vida Consagrada

Por Pe. Inácio José Schuster

Na visão do apóstolo São Paulo (1Cor 12, 4-11), a comunidade cristã é constituída com uma riqueza incalculável de dons e ministérios, todos sob a ação do Espírito Santo, em vista do bem comum. É a chamada diversidade na unidade, um corpo com membros diferentes e distintos na sua ação.
Assim temos na Igreja a Vida Religiosa, organizada atualmente nos chamados Institutos de Vida Consagrada. São instituições existentes e aprovadas pela Igreja, nas quais as pessoas livremente ligam-se, de forma muito natural, buscando objetivos muito definidos. E isto é fruto da ação do Espírito Santo, enriquecendo e animando a caminhada da Igreja.
Uma das características de quem entra para a Vida Religiosa, é fazer os votos dos Conselhos Evangélicos, isto é, voto de castidade, de pobreza e de obediência. Além disto, devem viver a vida fraterna em comunidade, onde tudo é colocado em comum e ninguém é dono de nada. O desprendimento deve ser total, como “sinal” do Reino de Deus.
A Vida Religiosa santifica e dá força à Igreja na sua história. É o Espírito de Deus quem vai despertando, nos chamados “fundadores”, um estilo de vida cristã com objetivos específicos.
A Vida Religiosa é uma consagração da pessoa a Deus. É como um verdadeiro matrimônio que se estabelece com Deus, numa doação exclusiva e contínua. Os seus membros fazem votos, que podem ser perpétuos ou temporários, ficando estes últimos, sujeitos à renovação de tempo em tempo. Faz também parte da estrutura da Vida Religiosa a fraternidade vivida em comum por todos os seus membros.
Após os votos, ou a partir do momento em que um membro passa a pertencer oficialmente ao Instituto, os seus bens são colocados em comum. Ele perde a capacidade de ter bens pessoais, mas no conjunto, é beneficiado por tudo o que é de todos. Na verdade é chamado a viver na pobreza, porém não lhe faltando o necessário para a sua vivência na comunidade.
A vida religiosa acontece a partir de uma vocação divina. E um dos primeiros passos, de forma mais oficial, é o noviciado. Ali começa a vida no Instituto (Congregação). O vocacionado tem que ser admitido pelo Superior, mediante algumas condições: idade mínima de dezessete anos, saúde suficiente e comprovada maturidade para assumir tal estado de vida. Um destaque todo especial deve ser dado à liberdade na decisão. Ninguém pode ser forçado ao fazer a própria escolha do estilo de vida na Igreja.
O noviciado deve cultivar nos noviços a vivência das virtudes humanas e cristãs, a busca da perfeição pela oração e pela renúncia de si mesmos, a contemplar os mistérios da salvação, a ler e meditar as Sagradas Escrituras, a prestar culto a Deus pela liturgia, a levar uma vida consagrada a Deus e aos homens, mediante os conselhos evangélicos, com os votos da obediência, da castidade e da pobreza, numa visão de amor à Igreja.
O noviciado prepara a pessoa para ser admitida na profissão temporária. E é um tempo, não só de formação, mas também de discernimento e de prova. Existe uma grande seriedade no processo que culmina com a profissão religiosa, quando o membro assume publicamente a observância dos votos, consagrando-se a Deus pelo ministério da Igreja. A partir daí ele é incorporado ao Instituto com os direitos e deveres que lhes são próprios.
A riqueza da Vida Religiosa enriquece também a Igreja. Os religiosos “puxam” a Igreja. Fazem com que ela reflita e tome posições concretas na sociedade. São quase como uma oposição, que faz com que, quem está na situação, mexa-se e coloque-se a serviço. Mas é a Igreja em movimento, fazendo acontecer a sua missão no mundo, construindo o Reino de Deus.

A Congregação das Irmãs de Santa Catarina, presente em nossa Paróquia, dedica-se com toda generosidade às obras de misericórdia. Unindo a contemplação dos mistérios de Deus ao cuidado dos enfermos no Hospital Regina, com a educação das crianças e da juventude no Colégio Santa Catarina. Dedicam uma atenção particular à pastoral das obras sociais. Com abnegação, as Irmãs de Santa Catarina, juntamente com a sua fundadora, a Beata Regina, abraçam com o olhar clarividente as necessidades do povo e da Igreja. As palavras: «Como Deus quer» são o mote da sua vida. O amor ardente da qual são possuidoras, levam-nas a cumprir a vontade do Pai celeste, a exemplo do Filho de Deus, não temendo aceitar a cruz do serviço quotidiano, dando testemunho de Cristo ressuscitado em nosso meio.

 

VIDA RELIGIOSA
Muitos estão sendo vencidos pelo medo de seguir, até o fim, o projeto de Jesus
Dom Pedro José Conti, Bispo de Macapá

“O hábito não faz o monge”, diz o provérbio, mas, sem dúvida, chama um pouco, ou muita, atenção. Talvez uma criança curiosa tenha nos incomodado com perguntas inocentes querendo saber: “Por que aquela pessoa estava vestida daquele jeito?” Claro que podemos sair da pergunta com uma resposta curta e grossa: “É uma freira” ou “É um frei”. E se a criança insistir, querendo saber mais, saberíamos responder à altura e com gosto? Ou nos esconderíamos atrás do banal “deixa pra lá”, equivalente a não saber ou ao não querer responder? Tenho certeza: digam o que quiserem, finjam não ver, ignorem a presença deles e delas, mas os religiosos e as religiosas chamam atenção. Não porque queiram isso. Mas – ou por usarem o hábito ou pelo jeito – obrigam-nos a perguntar por que eles e elas escolheram aquela forma de viver. Por quê? Insisto sobre os questionamentos pelo fato de a vida religiosa também ter mudado. A freira que anda pelas casas do bairro pobre é formada em Pedagogia e está estudando Ciências Sociais. O monge, que abre a porta do convento e acolhe os mendigos é mestre em Letras pela PUC de São Paulo. O frei que anda de bicicleta, evitando os buracos e a lama da periferia, é advogado. A irmãzinha que cuida da creche é enfermeira diplomada e continua estudando Medicina de noite. O irmão que está no acampamento dos sem-terra é doutor em Teologia. E assim poderíamos continuar. Quem tem uma imagem dos irmãos e das irmãs como de “coitadinhos” meio perdidos e fora do tempo está muito enganado. Não somente porque eles e elas, hoje, estudam mais, mas porque continuam sabendo muito bem o que querem. Eles têm um grande projeto de vida. Querem ser felizes vivendo o Evangelho. Querem contribuir com a sociedade de hoje seguindo as pegadas de Jesus Cristo. Se a vida religiosa podia parecer, no passado, um refúgio para ter uma “certa” tranqüilidade, ou uma fuga por medo das coisas perigosas do mundo, hoje é exatamente o contrário. Vida religiosa não é para pessoas fracas. É cada vez mais exigente. Dizem que o celibato para o Reino de Deus e a virgindade consagrada são coisas para sexualmente frustrados. A pobreza é considerada excesso de loucura e inaptidão administrativa. A obediência, uma inútil inibição dos projetos pessoais, uma afronta à liberdade individual. Essas coisas são bobagens, claro, mas só para os acomodados, os que ficam alucinados e iludidos pelas coisas do mundo, para os que adoram encontrar defeitos nos outros e só sabem criticar. Por isso, a vida religiosa sempre será questionada e sempre chamará atenção. O caminho é difícil e a porta estreita. É preciso empurrá-la para entrar, não é para todos. Se não entendemos tudo isso, ou não sabemos responder bem às perguntas acima, tenhamos ao menos o bom senso de não falar à toa e, quem sabe, aprendamos a agradecer a essas pessoas, que pagam com a própria vida as suas escolhas. Se não fosse assim, a Irmã Dorothy Stang não teria morrido. O padre Bossi, do PIME, não teria sido seqüestrado lá nas Filipinas. Os religiosos e as religiosas podem ter muitos defeitos, como todos, mas não são nem bobos nem ingênuos. A chamada crise da vida religiosa pode ser pela quantidade; mas com certeza não o é pela qualidade. Talvez aos jovens, hoje, falte coragem. Estão sendo vencidos pelo medo de seguir, até o fim, o projeto de Jesus. Sentem medo de parecer diferentes ou de incomodar aos outros; de começar a mudar a história, mudando a própria vida. Por isso Jesus repetiu tantas vezes aos discípulos: não tenham medo… E o repete ainda em nossos dias. Para nós todos.

 

Queridas Irmãs de Santa Catarina,Virgem e Mártir!

Queremos fazer chegar nosso carinho e gratidão, a todas as Religiosas Consagradas que dão a sua vida pelo Evangelho na ação pastoral da Paróquia Nossa Senhora da Piedade e arredores, segundo os conselhos evangélicos da pobreza, da obediência e da castidade, através da entrega da própria vida pelos irmãos, e, além dos vários serviços de missão, evangelização, catequese, música, também nos diversos organismos de caridade, educacionais, do cuidado com a saúde, no desvelo com a terceira idade e de promoção humana existentes.
Vocês Religiosas Consagradas são um dom precioso da Igreja e do mundo, este tão carente, tão sedento de Deus e de sua Palavra, mas também de testemunhos.
Porém, antes mesmo do vosso serviço prestado às pessoas, a vossa mais importante missão é o «ser», quer dizer, o testemunho de vida em comunidade, doada diariamente com alegria e generosidade. Vocês são os «sinais escatológicos» do Reino de Deus.
No mundo do descartável, do prazer sem limites, na opulência do dinheiro e do ter, da autossuficiência, sentimo-nos atraídos, através da Vida Consagrada, a uma outra proposta de seguimento mais sublime de Jesus Cristo através da dedicação a Deus pelos conselhos evangélicos e, desta forma, vocês Irmãs de Santa Catarina são um doce e eloquente sinal de Deus neste mundo.
Nosso reconhecimento pelo que as Irmãs de Santa Catarina são e realizam junto às Comunidades de fé, junto às populações mais carentes, nos trabalhos pastorais e sociais e de promoção humana, lá onde a vida está ameaçada.
A Vida Religiosa Consagrada é um dom de Deus à Igreja e ao povo, através da Beata Regina que fundou a Congregação das Irmãs de Santa Catarina, inspirada pelo Amantíssimo Esposo, para que continuasse a revelar ao mundo um aspecto específico da vida de nosso Salvador.
O Tesouro encontrado se tornou o Objeto de encantamento e paixão da vida das nossas Religiosas, que se expressa na missão junto ao povo a quem são enviadas, nas comunidades fraternas às quais pertencem e nas atividades pastorais ou sociais. O modelo de vida das nossas Irmãs é Jesus Cristo, em quem devem ter os olhos fixos, seguindo os passos do Mestre, os seus ensinamentos.
Damos graças a Deus por todas as nossas Irmãs de Santa Catarina, que são como que uma luz de Deus junto às pessoas, sobretudo as mais necessitadas, e que pelo Brasil afora, são presença profética nos lugares mais difíceis. Aquelas que vivem além-fronteiras anunciando a Boa Notícia do Reino de Deus junto aos mais pobres e aquelas que buscam viver sua vida e missão com fidelidade criativa. Parabéns queridas Irmãs de Santa Catarina, que procuram viver com jovialidade a sua entrega a Deus, levando a missão de Cristo com amor e zelo apostólico.
Nesta semana da Vocação à Vida Religiosa Consagrada, queremos enviar um afetuoso abraço de encorajamento na sua vocação e na sua missão a todas as Irmãs de Santa Catarina que trabalham no âmbito de nossa Paróquia e no apostolado sem fronteiras, que fazem a diferença do rosto de Cristo e da Igreja. Agradecemos a Deus e pedimos-Lhe que continuem a ser um sinal de graça perene no mundo, na construção da justiça e do amor.
Com a prece e a bênção
Pe. Inácio e Pe. Ronaldo

 

Que esta bênção ilumine e guie os passos das nossas Irmãs de Santa Catarina…

Senhor Jesus, cobre a cabeça das nossas Irmãs para que todos os seus pensamentos venham da Tua Sabedoria, enchendo-as com a graça e a paz que vem de Ti.
Senhor Jesus, abre os olhos das nossas Irmãs para que possam enxergar claramente Tua Providência, e os ouvidos para que possam escutar o grito dos pobres em volta de si e o sussurro de Tua Palavra.
Senhor Jesus, toca os lábios das nossas Irmãs para que possam proclamar a Boa Notícia de Tua Missão pelo Teu Evangelho.
Senhor Jesus, segura nas mãos das nossas Irmãs para ajudarem e sararem muitas vidas que estão quebradas e ameaçadas. Para que possam fazer o bem, trazendo esperança aos desesperados.
Senhor Jesus, fortalece os pés das nossas Irmãs para caminhar no Teu caminho, correr e nunca cansar, ficarem firmes na Tua justiça e na Tua verdade, sem medo!
Senhor Jesus, inflama o coração das nossas Irmãs com o calor e a compaixão de uma generosidade genuína para todos os que estão necessitados.
Senhor Jesus, toma nossas Irmãs por inteiro, para que possam Ter a coragem de responder com todo o seu ser às demandas diárias da Tua Graça.
Ó Deus, fonte da Vida, pela força do Teu Espírito Santo, fecunda os trabalhos das nossas Irmãs de Santa Catarina no seguimento do Teu Filho Jesus Cristo, o Amantíssimo Esposo, hoje e sempre. Amém.

Festa da Beata Regina Protmann – 406 anos de Céu

“Ó meu querido Jesus, estejas Tu somente no meu coração e eu no Teu coração”.
Beata Regina Protmann

BIOGRAFIA PELO VATICANO
MADRE REGINA PROTMANN (1552-1613)
Madre Regina Protmann (1552-1613), fundadora da Congregação das Irmãs de Santa Catarina de Alexandria. Nasceu numa família burguesa católica, em Braniewo, na região de Warmia, no período em que a região passava sob a influência do protestantismo. Aos 19 anos de idade experimentou uma viragem existencial, assistindo os doentes da sua cidade. Em 1571 fundou, com a ajuda dos jesuítas, a sua Congregação de tipo contemplativo-ativo para a assistência aos doentes e necessitados, o que constituiu para o seu tempo uma novidade, pois naquela época só existiam conventos de clausura. A Congregação recebeu a aprovação pontifícia em 1662, difundindo-se na Polônia e na Lituânia e, depois, também na Finlândia, Rússia, Inglaterra, Brasil, Alemanha, Itália e Togo. O carisma da fundadora tem inspirado o trabalho das suas filhas espirituais que, de modo especial, se dedicam à obra assistencial dos doentes.
Fonte: http://www.vatican.va/news_services/liturgy/saints/ns_lit_doc_19990613_protmann_po.html

 

DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II À CONGREGAÇÃO DAS IRMÃS DE SANTA CATARINA
POR OCASIÃO DO 400° ANIVERSÁRIO DA APROVAÇÃO PONTIFÍCIA

12 de Dezembro de 2002
Caríssimas Irmãs
1. É com uma cordial saudação que vos acolho a todas no Palácio Apostólico. Uno-me a vós na alegria pelo 400º aniversário da aprovação pontifícia da Congregação das Irmãs de Santa Catarina, Virgem e Mártir e pelo 450º aniversário do nascimento da vossa fundadora. Este duplo aniversário convida-nos, na fidelidade ao carisma da Beata Regina Protmann, a renovar a dedicação à missão dela herdada, para levar o amor de Deus a quantos o procuram e sofrem.
2. A espiritualidade de uma comunidade religiosa deve inspirar-se sempre no carisma da fundação, deixar-se interpelar e confrontar-se com ele. Regina Protmann nasceu em Braunsberg do Ermland, na época da Reforma. Ela própria viveu o espírito da autêntica reforma religiosa no seguimento de Cristo. Ocupou-se dos pobres, doentes e crianças para lhes dar testemunho da bondade divina. Considerava como seu dever sagrado confortar os aflitos e cuidar dos doentes (cf. Mt 25, 35 ss.) e dar às crianças uma boa educação.
3. Estreitamente ligada a este serviço de amor, a principal preocupação da Beata Regina Protmann era a relação viva com o seu Senhor e Esposo, Jesus. “Rezava na verdade e incessantemente”, diz o seu primeiro biógrafo. A oração prepara o terreno para a acção. “Ao abrir o coração ao amor de Deus, abre-o também ao amor dos irmãos, tornando-nos capazes de construir a história segundo o desígnio de Deus” (Novo millennio ineunte, 33).
4. Caríssimas Irmãs! Como filhas da Madre Regina sois chamadas a amar Cristo nos pobres. A Regra (de 1602) exorta-vos a “servir com diligência a Cristo, Senhor e Esposo, segundo o Seu conselho divino” (art. 1). Esta disponibilidade para o serviço continua a adoração de Cristo na vida de cada dia. “Venerai Cristo Senhor nos vossos corações”, diz Pedro. Estai sempre prontas a dar testemunho a todos “dando razões da esperança que há em vós” (1 Pd 3, 15). Assim podereis, verdadeiramente, levar o Salvador aos homens. Com a intercessão da Beata Virgem e Mártir Catarina, da Beata Madre Regina e de todos os Santos, concedo-vos do coração a vós, queridas Irmãs, e a todos os que estão confiados aos vossos cuidados, a Bênção Apostólica.
Fonte: http://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/speeches/2002/december/documents/hf_jp-ii_spe_20021212_congr-st-catherine_po.html

 

VIAGEM APOSTÓLICA DO PAPA JOÃO PAULO II À POLÔNIA
HOMILIA DO SANTO PADRE

Varsóvia, 13 de Junho de 1999
«Felizes os que são misericordiosos, porque encontrarão misericórdia» (Mt 5, 7).
Caríssimos Irmãos e Irmãs! …A Beata Regina Protmann, Fundadora da Congregação das Irmãs de Santa Catarina, proveniente de Braniewo, dedicou-se com todo o seu coração à obra de renovação da Igreja entre os séculos XVI e XVII. A sua atividade, que brotava do amor a Cristo acima de tudo, desenvolveu-se depois do Concílio de Trento. Ela inseriu-se ativamente na reforma pós-conciliar da Igreja, realizando com grande generosidade uma humilde obra de misericórdia. Fundou uma Congregação que unia a contemplação dos mistérios de Deus ao cuidado dos enfermos nas suas casas e com a educação das crianças e da juventude feminina. Dedicou uma atenção particular à pastoral das mulheres. Com abnegação, a Beata Regina abraçava com o olhar clarividente as necessidades do povo e da Igreja. As palavras: «Como Deus quiser» tornaram-se o mote da sua vida. O amor ardente levava-a a cumprir a vontade do Pai celeste, a exemplo do Filho de Deus. Ela não temia aceitar a cruz do serviço quotidiano, dando testemunho de Cristo ressuscitado…
Fonte: http://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/travels/documents/hf_jp-ii_hom_19990613_beatification_po.html

 

RESUMO DA VIDA DE MADRE REGINA
Regina Protmann nasceu em 1552, na cidade de Braunsberg – hoje Braniewo, Polônia – no seio de uma família rica e piedosa, onde recebeu boa educação intelectual, moral e religiosa. Regina foi batizada na Igreja de Santa Catarina, padroeira de sua cidade. Cedo aprendeu a admirar esta santa e encontrou afinidade com ela: jovem, bela, delicada, cora­josa e inteligente como Santa Catarina, ela o era. E decidiu imitar o exemplo da Santa em sua adesão radical a Jesus Cristo. Nesta época a Europa vivia intensas conturbações sócio-culturais. No campo político-religioso avançava o movimento da Reforma Protestante, através da luta armada, dividindo a cristandade entre católicos e protestantes. A Igreja católica convoca o Concílio de Trento e reage com o movimento da Contra Reforma. No início de sua juventude, Regina demonstrou-se inclinada às vaidades e às ambições materiais. Espirituosa, inteligente e esperta, gostava de sobressair-se e ser a preferida entre suas companheiras. Quando “o brilho da graça divina luziu no seu coração”, sentiu a presença do Senhor como um fogo abrasador. Esta experiência provocou nela uma grande mudança. Com apenas 19 anos de idade, deixou o conforto da casa paterna, renunciou ao casamento, e, com duas companheiras, foi morar numa casa pobre, para aí viver uma vida de oração, de ascese, de amor ao próximo e de pobreza. Por sua coerência de vida no ideal de seguir a Jesus Cristo, irradia uma força espiritual que foi atraindo mais jovens para a sua companhia… Vol­tou-se também ela para as pessoas sofredoras e marginalizadas de sua Cidade. Fez uma opção consciente e decidida pelos doentes, pe­los pobres e pelas meninas abandonadas e carentes de instrução. Regina fundou escolas e, com suas companheiras, começou a tratar dos doentes em seus domicílios e em hospitais. Assim, fortalecida pela graça, Regina fundou uma Congregação contemplativa e ativa, o que foi inaudito para aquele tempo. Madre Regina colocou a nova congregação sob a proteção de Santa Catarina, V.M. a qual passou a chamar-se Irmãs de Santa Catarina. Faleceu aos 18 de janeiro de 1613. O Papa João Paulo II beatificou-a, em Varsóvia, aos 13 de junho de 1999.

BIOGRAFIA
Nascimento
Estamos nos primeiros dias de 1552. Regin dá á luz uma linda menina. A alegria é grande. Muitos vêm cumprimentar o negociante e sua esposa. – Como se chama? – Regina! O nome de minha mulher. Responde Peter, satisfeito. Peter já marcou com o Pároco a hora do Batismo. Acrescenta Regin, mostrando a menina enrolada nos panos. Ela ainda conserva os olhos fechados por causa da claridade. Vai ser na Matriz de Braunsberg, Igreja de Santa Catarina.
Menina
Continua nevando lá fora. É agradável ficar aqui, com o nariz colado à vidraça, apreciando os flocos brancos caindo de mansinho. Peter e Regin são católicos praticantes e esmeram-se na educação dos filhos. A maioria dos moradores de Braunsberg se conserva católica… Os anos se sucedem. Regina cresce neste ambiente de fé…
Adolescente
Quando a camada de neve gelava, a garota gostava de abrir os braços e sair deslizando pela rua, saboreando o frio, por alguns minutos. Dotada, de fina sensibilidade, … Agora Regina está saltitando, ora num pé, ora noutro, distribuindo seu sorriso, e espalhando alegria por onde passa. – Onde vai, Regina? – À Igreja. Gosto de ouvir o Bispo Hosius. Regina é atenta ao ensinamento do Bispo…Ninguém pode suspeitar que ali estão duas pessoas que tornarão célebre a cidade de Braunsberg: o Bispo Hosius e a menina Regina.
Cardeal
Em março de 1551 o Cabido Diocesano escolhe o Padre Estanislau Hosius para Bispo do Ermland. No inverno de 1557/58 Hosius é chamado a Roma. Já é conhecido como grande teólogo e diplomata. O Papa Paulo IV lhe pede para colaborar nos preparativos da grande reunião do Concilio de Trento. Aos 26 de fevereiro de 1561, Hosius é elevado à dignidade de Cardeal. Aos 7 de fevereiro de 1564 chega a Heilsberg (Ermland); e umas semanas após, segue a Braunsberg. Aos 24 de março, começa suas conferências com os magistrados da cidade. Consegue restabelecer a paz religiosa; com paciência e zelo leva os magistrados à adesão à fé, com exceção de dois deles que são excluídos. Porém, outro inimigo se apresenta: a peste. Empregam-se todos os meios preventivos, enquanto nas Igrejas não cessam as orações coletivas. A Diocese do Ermland terá poucas vítimas. O Cardeal está atento a tudo, zela pelo bem do povo e pela formação do clero. Ainda em Trento, pedira ao Geral dos Jesuítas, alguns padres para a formação de sacerdotes. Em novembro de 1564, chegam os primeiros Jesuítas a Frauenburg e a Heilsberg. Aos 8 de janeiro de 1565, após a extinção da peste, chegam em Braunsberg e fundam o Colégio. Hosius confia seus diocesanos ao zelo dos Jesuítas e retorna a Roma na qualidade de embaixador da Polônia. Voltará a visitar o Ermland, pela última vez, na semana Santa de 1568. Regina terá 16 anos.
Vinagre
Apesar de ter passado o perigo da peste que deixou a cidade em sobressalto, Regina traz consigo o paninho embebido em vinagre. É um bom preventivo contra o contágio. – Mamãe, como estão os doentes que a senhora visitou? Gostaria de ir junto. Mas tenho medo. Confessa a jovem. E cheira o paninho para desinfetar-se. – A senhora parece triste! – Filha, um dia você compreenderá. A caridade tem muitas dimensões…. A mãe parece desfalecer. Solícita, a jovem a faz recolher-se ao leito. Peter chega do trabalho. Coloca o cesto das provisões sobre a mesa. – Onde está a mãe? Os olhos vermelhos da filha já dizem tudo. De fato, Regina Tingels cumpria sua missão. As colegas apreciam ouvir Regina… Elas já nem percebem as pessoas que param a fim de admirar-lhes a jovialidade que irradiam… – Há pessoas que são como estas florinhas. Enfeitam o pasto, lhe dão graça e perfume; mas só quando vem o inverno que tudo envolve no branco gélido é que se percebe o quanto elas fazem falta ao conjunto da paisagem. – Você me faz lembrar algo! – Que foi? – As senhoras que cuidam dos pobres que a peste deixou na miséria! Em casa, Regina ajuda no preparo do jantar…
Mudança de vida
Algo está acontecendo com Regina. Observa um dos irmãos. – Parece apaixonada… Não sei por quem! – É! Ela procura mais a Igreja e o silêncio. Passa horas em oração. – Você reparou? Quando acaba a festa, ela se recolhe ao quarto. Não vibra mais com ela. Um novo tipo de felicidade brilha em Regina. Percebe-se a transformação e não se consegue descobrir as razões. – Onde vai, Regina? – À Igreja. Preciso falar com o Pároco. Regina está amadurecendo. Deixa-se invadir pela Graça que, qual luz, lança nova compreensão em seu ser. Como Catarina, ela escolhe o Senhor Jesus e se doa inteiramente a Ele. Inflamada deste amor, experimenta a dimensão profunda da vida de intimidade com Deus. Tudo o mais se toma relativo para Regina. Tudo não passa de sombra da realidade da vida que “Deus preparou para aqueles que o amam” . E a alegria parece transpirar-lhe de todos os poros. As conversas com suas duas amigas preferidas giram em torno disso. O luxo, os passatempos, antes tão desejados, se tornam insípidos para ela.
Oração pessoal
As Duas amigas entram no quarto de Regina. Apontam para o escrito que Regina tem nas mãos e perguntam: – Que é isso? Regina… sorri e olha para as amigas… Regina lê pausadamente: – “Ó meu Senhor e Deus, fere meu coração pecador com a flecha ardente de Teu grande amor, para que nenhuma criatura me distraia, mas somente Tu, Deus, nosso Senhor; dá-me tal amor que me abrase inteiramente e em Ti me dissolva. Ó meu querido Jesus, estejas Tu somente no meu coração e eu no Teu coração, para que eu possa agradar somente a Ti, eternamente. Ah! Tu, meu doce Jesus, meu Senhor e meu Deus, quando Te amarei perfeitamente? Quando, meu dulcíssimo Esposo, Te receberei interiormente com os braços de minha alma indigna e repousarei aí eternamente? Ó Senhor Jesus, doçura de minha alma, Esposo do meu coração, oxalá pudesse eu desprezar a mim e a todo mundo por amor a Ti! Ah! que minha alma se desfizesse e se derretesse de amor a Ti como a cera, pelo sol, e eu fosse inteiramente consumida em Ti, ó meu Senhor” . E o silêncio envolve as três por longo tempo. Regina, sob o impulso do Espírito Santo, toma firme decisão.
Incompreensão pelos parentes e amigos
Ninguém consegue compreender a mudança de comportamento operada em Regina. – Pai, Regina está doente? – Onde está ela? – Ora, deve estar na Igreja. – Não, recolheu-se ao quarto. Eu vi. Está em oração e nem percebeu que entrei lá. Batem à porta da casa. Peter atende. Faz sinal com a mão para as jovens entrarem no quarto de Regina.- Regina, suas amigas estão ai.Na conversa, Regina lhes transmite as maravilhas que Deus está realizando nela. – Sinto-me fortemente atraída pelo Senhor. Passaria o tempo todo pensando nele. E intuo tanto ensinamento quando assim me entretenho com Ele. Em Braunsberg não há convento. Que está pensando? – … Aqui em casa não dá para viver assim. Sou um escândalo para todos. – Regina, eu também sinto o mesmo.
19 anos
Ante… o protesto dos parentes, dos amigos e dos conhecidos, Regina e duas de suas amigas vão viver na casa de uma piedosa viúva. Elas se ocupam com pequenos trabalhos e passam a maior parte do tempo em oração, meditação e estudo da Sagrada Escritura. – Não dá para vivermos aqui. – Por quê? lhe pergunta a viúva. – As visitas são muitas e as reclamações e protestos dos parentes não têm fim. – Que pretende fazer? Regina decidira viver totalmente para o Senhor Deus. E, sem delongas, ela e suas companheiras mudam-se para a Kirchgasse (Rua da Igreja). Regina tem apenas 19 anos.
O berço
A casa está mais ou menos em ruínas e a desmoronar. As três, de mãos vazias, iniciam nova vida. – Isto aqui se parece com o estábulo de Belém, berço de Jesus. Observa uma delas. – Regina, já dei uma olhada em tudo: o porão, a despensa, as arcas e os baús, estão vazios; e as paredes, nuas! Exclama a outra. – Achei um barril! – Ótimo! Ele nos servirá de mesa. Regina pendura o crucifixo na parede. E as três se olham e sorriem.Despojada de tudo, desprezada pelos parentes, malvista pelo povo, Regina lança os alicerces de sua obra, para a glória de Deus, seu Esposo.O frio, a fome e a penúria são seus companheiros. Porém, inexplicável alegria reina entre elas e tudo sofrem com fortaleza de coração. Agora podem saborear, com novo gosto, a leitura das bem-aventuranças: “Felizes os pobres… porque deles é o reino dos céus. Felizes os mansos… possuirão a terra. Felizes os que choram… serão consolados. Felizes são vocês quando os insultam e perseguem e mentindo, dizem todo tipo de calúnia contra vocês por serem meus seguidores. Fiquem alegres e contentes, porque está guardada para vocês uma grande recompensa no céu. Pois foi assim que perseguiram os profetas que viveram antes de vocês”. Regina mortifica-se com vigílias, orações, jejuns e disciplinas; mantém-se moderada, e sóbria no comer, no beber e no vestir. Transmite às companheiras as lições que aprende na intimidade com o Senhor, seu Esposo, e na Sagrada Escritura. Jamais está ociosa; maneja a roca com maestria. Com o trabalho de suas mãos, elas se provêm de alguma coisa do estritamente necessário.
Admiração
Passaram-se alguns anos. – Peter, sua filha Regina, não é tão louca como diziam. Você reparou o que falam dela e de suas companheiras?… – Eu, que tanto me opus! bem que podia tê-la ajudado! Quem poderia adivinhar? – Encontrei gente da cidade vizinha que trouxe a filha. Ela também quer viver como Regina. – Sabe quantas são? – Não sei. Mas é bonito vê-las indo juntas à missa na Igreja Matriz! Regina permanece ajoelhada durante as cinco missas do domingo, desde a primeira até a última. E não é ostentação. Parece que Deus lhe fala diretamente. Nunca vi coisa igual. Assim falam Patrício e Peter. Peter levanta-se para disfarçar as lágrimas… No quintal, lava o rosto na bica. Nisto chegam os irmãos de Regina para passar o domingo em casa. As sobrinhas enchem de festa o ambiente. E a conversa continua em volta de Regina…
Partilha
– Chegam a dizer que elas vivem tal qual viviam os primeiros cristãos. – E é a nossa irmã! Quem o diria? – É inacreditável! Elas colocam tudo em comum. – Não sei se é verdade, porque não entrei lá. Minha vizinha, que é muito amiga de Regina, contou-me que elas têm dormitório e alimento em comum. O trabalho é distribuído entre elas e o fazem com alegria. Não dá para ver quem é rica, nem quem é pobre. Tudo, entre elas, é colocado em comum. Nem procuram saber quem produz mais, nem quem produz menos. Cada uma faz seu trabalho com amor.
Caridade
– Não posso entender, Peter! – O que? – Elas vivem tão pobres e ajudam a tanta gente. Não cobram pelos serviços que prestam. – Também, elas estão sempre ajudando às famílias mais pobres. Não dá para cobrar… – Eu vi com meus olhos. Você lembra daquela família perto do Porto do Passarge? – Sim. – A mulher deu à luz uma criança. Regina ficou sabendo. Foi imediatamente lá com uma companheira e as duas fizeram os trabalhos da casa. Quando o marido chegou, encontrou a mãe e a criança dormindo e uma sopa quente que Regina acabara de fazer com os mantimentos que ela trouxe, pois este pobre homem não tinha deixado nada em casa.
Vida de Oração
– Fico maravilhada e envergonhada quando lembro da Madre. – Por que? – Ela tem uma vida de oração, de penitência e de jejum que não dá para imitar. Nisto batem à porta. Uma das Irmãs atende. – É uma senhora desconhecida. Exige sua presença, Madre. Assim que Madre Regina chega à sala, a senhora vai logo dizendo com amabilidade! – Vejo que está precisando de dinheiro. E coloca sobre a mesa algumas dezenas de marcos de ouro. – Por favor, agora peço que assine este recibo. É um comprovante de que a senhora me restituirá esta soma, daqui a sete anos. A Madre fica maravilhada e quase confusa. Diz-lhe: – Peço-lhe esperar um pouco até que chame uma de minhas Irmãs. Regina vai ter com uma Irmã para preparar alguma coisa para dar à senhora. Quando retorna à sala: – Que é isso? Onde está a senhora? Procuram-na por toda parte. Ninguém sabe dar notícias da mulher. O dinheiro está sobre a mesa.
Humilde
Apesar de rica em virtudes e graças, ela é humilde e conhece suas limitações. Muitas vezes repete a prece que escreveu: “Ó doce Senhor Jesus, conserva-me em tua graça, para que eu jamais Te abandone ou Te ofenda com pecados e vícios. Não deixes a mim, pobre serva, morrer e perecer; dá-me, ó Deus, a mim, pobre criaturinha, a mim, “pobre cachorrinho, as migalhas que caem de Tua mesa”. Não sou digna de tuas grandes graças; dá-me, ó Deus, que eu Te ame, honre e bendiga eternamente”. Quando ouvia falar de… guerra, ou perigos… para a cidade de Braunsberg, assumia o caso juntamente com as Irmãs, fazia um jejum, uma oração de dois dias ou das 40 horas e silêncio; e os fazia com tanto empenho, como se a ela e a suas Irmãs coubesse a responsabilidade”.
Outros Conventos
Ano de 1586. A cidade de Wormditt; está em festa. O povo recebe Madre Regina e as sete outras Irmãs. O bispo Martinho Cromer providenciou a residência das Irmãs. Ali, elas serão a presença visível da bondade de Deus entre os homens. As Irmãs, por sua vez, esperam que tudo seja para a maior glória de Deus e para o bem de todos. Wormditt dista 40 km de Braunsberg. No ano seguinte, 1587, os moradores de Heilsberg assistem à chegada das Irmãs de Santa Catarina que são recebidas no Palácio Episcopal do Bispo Martinho Cromer. Algumas semanas depois, elas podem transferir-se para a residência definitiva que o Bispo adquiriu para elas, onde iniciam a escola para as meninas. Em 1593, Regina funda o quarto Convento das Irmãs de Santa Catarina, na cidade de Rõssel. Os novos Conventos de Wormditt, Heilsberg e Rõssel contam com sete Irmãs cada um. O Convento de Braunsberg está com 14 Irmãs. Regina consulta suas Irmãs para as iniciativas. As fundações e as obras são assumidas por todas. Cada Convento tem uma superiora escolhida pelas Irmãs da Comunidade. E os quatro Conventos prestam obediência à Madre Regina.
Madre Geral
Madre Regina medita muitas vezes sobre a responsabilidade de Fundadora e de Superiora Geral. Busca em Deus segurança, força e luzes para bem orientar as Irmãs. Regina é conhecida como “a Mãe dos pobres”. Sabe que sozinha, pouco consegue fazer. Empenha-se em formar aquelas jovens corajosas que deixaram tudo para se colocar sob sua orientação, a serviço dos pobres, dos doentes, por amor a Deus, na consagração total a Ele. Sabe que as Irmãs são continuadoras da tarefa que Deus lhe confia. Não mede sacrifícios: “Nem granizo, nem neve, nem chuva, nem tempestade, nem vento ou frio, a atemorizam”, ou a impedem de visitar suas Irmãs dos quatro Conventos. Conversa com cada Irmã; encoraja e exorta a todas.
Mãe dedicada
As Irmãs colheram os frutos do pomar. Regina acaba de ver as conservas de legumes e verduras. Tudo está sendo colocado na adega. – Irmã Scholástica, você pode me acompanhar nesta viagem? – Madre Regina, o tempo está ruim; teremos que pernoitar em casa de camponeses, passar por lugares alagados e já se faz sentir o inverno que se aproxima. Parece-me que sua saúde não é mais a mesma! – Preciso falar pessoalmente às Irmãs. Talvez é minha despedida. Seja como Deus quer! As duas põem-se a caminho… vão pelas estradas… do campo. Depois de muitos dias, chegam a seu destino, cansadíssimas. A alegria é grande nas Comunidades. Madre Regina, como é bom revê-la! Depois dos cumprimentos, de se lavarem e comerem algo, as Irmãs se reúnem para ouvir a palavra da Madre, que é cheia de sabedoria.
61 anos de idade
Irmã Scholástica está preocupada. Percebe que as forças da Madre estão diminuindo. Passaram pelas Comunidades de Wormditt, Heilsberg e Rõssel. As Irmãs de Braunsberg recebem as duas, com entusiasmo. Mas este, logo se apaga. A Madre está visivelmente doente. Fazem-na deitar-se. Lá fora não se ouve mais o canto dos pássaros. Emigraram para outras regiões (38). Não se vê um ramo verde, sequer. O inverno cobriu tudo de neve. Madre não se levanta mais. – Como está a Madre Regina? Pergunta o Padre que vem trazer-lhe os Sacramentos. – Ela sempre responde: Como Deus quer. Já se vão oito semanas que está assim sofrendo as dores com paciência. Responde a Irmã Scholástica. E continua: – Jamais se ouve dela uma pequena reclamação. Parece que se consome no desejo de se encontrar face a face com o Senhor, seu Deus. O Padre entra no quarto, dá-lhe a Unção dos Enfermos e o Viático. Madre Regina, mansa e tranqüilamente, entrega seu espírito, aos 61 anos de idade. E o calendário marca, Segunda-Feira – 18 de janeiro – 1613.
Saudades
Regina deixou entre seus escritos, o seguinte testamento: “A vocês, queridas Irmãs, deixo minha modesta mensagem: Andem sempre na presença do Pai, do Cristo e de todos os homens, com simplicidade e dignidade, com profunda humildade, com paciência, obediência responsável e sincero amor fraternal. Procurem dominar não só as paixões perigosas, mas também as solicitações ilusórias que prejudicam a vivência cristã, quais sejam: conversas inúteis, suspeitas contra os irmãos, indiferença e atitudes levianas. Façam todo esforço para viver em paz e amor fraterno, não só na sua Comunidade, mas com todos os homens. Assim, a bênção do Pai estará em todos os empreendimentos de sua vida”. …A espiritualidade e o carisma de Madre Regina continuam através das Irmãs de Santa Catarina que hoje estão espalhadas em vários países. Assistem aos necessitados, aos doentes, nos Hospitais, a domicílios; trabalham em asilos, creches, orfanatos; em obras de assistência social, em escolas, em colégios, em comunidades eclesiais de base, em paróquias, nas missões e outros (Livro: Novidade no Ermland de Ir. Mª Berenice Ziviani).
Fonte: http://www.madreregina.com.br

Humildade em reconhecer suas limitações
Regina, ao começar a caminhada, sabia de suas limitações de mulher vaidosa… Mas sabia também que Deus a amava… E soube aproveitar as limitações e as riquezas de sua personalidade como meios de crescimento, … ao caminho da santidade. (p.60) …percebia as falhas e olhava primeiro para dentro de si mesma e, …admitia que tudo o que possuía de dons e habilidades era graça, era gratuidade do bom Deus. (p.63)
Alegria nos sofrimentos
Sabendo que alguém falara mal dela, simplesmente respondeu: “Rezemos por ele, eu vou lhe fazer todo o bem que me for possível, pois este é o mandamento do Senhor: Abençoai aos que vos maldizem, fazei bem aos que vos perseguem, assim sereis filhos do Pai celeste” (Mt 5, 44-45) (p.28) Muitas vezes fez do chão a sua cama. Passou noites em oração… Renunciando a si mesma, às posses familiares, ao conforto e aos seus interesses pessoais, tornou-se serva de todos. E, ao tornar-se serva de todos, sem colocar em ninguém seu apego; ao amar a todos, sem distinção; Regina manteve seu coração sempre voltado para o seu Senhor e Deus…(p.62) Em qualquer adversidade, enfermidade, perseguição… não se desesperava, …alegrava-se ao máximo e dizia: “Agora sei que Deus, o Senhor, me ama”. (p.62) Quando injuriada por inimigos e caluniada, rezava por eles e lhes desejava todo o bem… ela não deixava transparecer frieza ou indiferença diante do ofensor ou mesmo caluniador…(p.62) A beata madre Regina Protmann disse: “A oração de quem teme a Deus e está em sofrimentos e tentações agrada mais a Deus, o Senhor, do que a oração daquele que está em paz e livre de tentações e sente doçuras na oração.” (p.63)
Sabia a importância de aconselhar
Quando uma advertência se fazia necessária, não se omitia, para que o mal não progredisse na irmã ou no irmão. Sabia admoestar com firmeza e, ao mesmo tempo com brandura, ajudando a pessoa a crescer e a madurar sua personalidade…(p.64)
O amor aos doentes
Visitava doentes, lavava-lhes os pés, aplica-lhes pomadas, pensa feridas com ataduras…, e deita-lhes um beijo carinhoso, em sinal de terna compaixão. E isso Regina faz de joelhos, porque, no paciente, ela via Jesus sofredor…(p.44)
Fonte: Seu nome é Regina. Irmã M. Áurea Cecília Endlich. Irmã Maria Gessi Bohn. 1999.

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