Homilia da Semana

Falsificadores da Palavra de Deus

“Não somos como aqueles muitos que falsificam a palavra de Deus; é, antes, com sinceridade, como enviados de Deus, que falamos na presença de Deus, em Cristo’’ (2 Cor 2, 17).         

Ainda hoje se sabe se certas telas do pintor holandês do século XVII Jan Vermeer, comprada por fortunas por alguns respeitados museus e por colecionador milionário, são verdadeiras. Pois os falsários estão por aí e um dos maiores foi Hanvan Meegeren (1889-1947), retratado em detalhes neste ‘’Eu fui Vermeer – lenda do falsário Que Enganou os Nazistas‘’ do escritor, tradutor e jornalista irlandês Frank Wynne.

Mais do que contar a história de Van Meegeren – a infância oprimida por um pai que execrava seu talento artístico, as obras anacrônicas na juventude (o modernismo eclodia na Europa), as primeiras falsificações, os enriquecimentos, a dependência de drogas, a prisão sob acusação de ter fornecido obras holandesas aos nazistas depois que se descobriu que havia vendido um Veermer (falsificado, naturalmente) a Goeering, o marechal do Terceiro Reich, e o julgamento -, Wynne desvenda como é o minucioso trabalho de peritos na autenticação de uma obra, além de despertar a reflexão sobre o que faz, afinal um trabalhador ser considerado uma obra-prima.

Isto porque o financiamento de Van Meegeren na “arte” de falsificar era tão grande e enganou tantos especialistas ao longo dos anos que, mesmo após confessar ser autor das falsificações, teve de pintar um ‘’Vermeer’’ para um júri. Sua obra, mais do que a de qualquer outro falsário, abalou os alicerces de um universo dependente da autenticação de peritos’’, escreveu Wynne (1).

Nosso tempo é marcado pelo apogeu das heresias e pela indústria da falsificação da palavra de Deus. Tudo isto se deve ao capitalismo da teologia da prosperidade, ao mundo gospel e ao culto a celebridade dos líderes religiosos de tais movimentos.

Os falsos pregadores da palavra de Deus têm tomado quase todo espaço dos verdadeiros ministros do evangelho libertador. Estão em quase todo o seguimento social.

Bons pastores com as suas boas ovelhas sofrem com esses mercenários pregadores que adentram em nossos lares perturbando a nossa mente com as suas heresias.

Para o crente rebelde e sem caráter tem nesses pregadores seu verdadeiro pastor e ídolo.

Alguns pregadores que falsificam a palavra do Senhor – principalmente pela TV e rádio – são escândalos para os pregadores honestos para a Igreja e para o mundo.

A imagem que fica desses pregadores da mídia com seu luxo, glamour, riqueza, soberba e poder mundano são de comerciante da religião.

Tudo isso prejudica demais a propagação do evangelho verdadeiro e macula a imagem dos verdadeiros homens de Deus.

Diz o pastor e teólogo Lourenço Stelio Rega: “Alguns pregadores desejam tomar posse da alma dos telespectadores como se conquistam um bem ou um produto”. Na realidade muitos demonstram estar interessados no bolso do futuro ‘’converso’’. Pregam o Evangelho e vende a salvação como se fosse mercadoria’’ (2).

A MÃE DE TODO DESVIO   

Diz São Paulo Apóstolo: “Não somos como aqueles muitos que falsificam a palavra de Deus’’. “São Paulo já tinha a revelação divina que muitos os bandidos que ganham fortunas com a falsificação da palavra de Deus”.

Segundo o estudioso Padre Oscar Quevedo, SJ, existem, só no Brasil, mais de 56 mil seitas e religiões.

Existem mais de 33.800 denominações protestantes, segundo o pesquisador e ex-missionário protestante americano Dave Armstrong (3).

A poderosa indústria de falsificação da sagrada revelação do Senhor Deus é a maior corrupção e escândalo na história do cristianismo.

Quantas traduções heréticas e interpretações maléficas. Como é vergonhoso o comércio da Bíblia. Ela é usada como a base para fundamentar a interpretação das doutrinas de homens, do demônio e dos dízimos e ofertas, com intuito de fazer a cabeça dos membros e dos visitantes a serem doadores em troca de bênçãos.

O dízimo foi uma prática da Lei do Antigo Testamento e nós vivemos na Era da Graça de Cristo do Novo Testamento. Jesus, os apóstolos e principalmente Paulo, o maior teólogo escritor e missionário da Igreja de Deus, nunca ensinaram tal prática. A citação de Mt 23, 23 está fora do contexto da Nova Aliança, Cristo apenas recorda a Lei para os escribas fariseus, da mesma forma Hebreus, capítulo 7.

O modo mais fácil de enganar e roubar o povo são em nome de Deus. As seitas crescem, falsos profetas e falsos pregadores ficam ricos com a falsificação da Bíblia, porque estão dentro do contexto da Sentença Latina: “VULGUS VULT DÉCIPI” – O POVO QUER SER ENGANADO OU GOSTA DE SER ENGANADO’’. Já foi profetizado pelo grande apóstolo de Cristo São Paulo que esses pregadores: “são lobos vorazes que não pouparão o rebanho e com pregações pervertidas” (Atos 20, 29-30).

Hoje os templos são mais belos e maiores para melhor comercializar em nome de Jesus. Onde está escrito no Novo Testamento a ordem de construir caríssimos templos? Fundar e dar nomes as denominações?

O filósofo francês Luc Ferry disse: ‘’O capitalismo globalizado foi que no fim das contas, liquidificou e liquidou os valores tradicionais, ao exigir que tudo desemboque na lógica de mercado. É por causa do capitalismo globalizado que não existem mais ideais transcendentais e tudo se torna mercadoria. Pois, no mundo de hoje, nós consumimos de tudo, não simplesmente computadores e automóveis, mais também consumimos cultura, religião, escola, política, etc. (4).

Depois do liberalismo teológico, dos cismas, é hoje a teologia da prosperidade a pior heresia, na igreja pós-moderna. Ela é a mãe de todo o desvio eclesial, pastoral e teológico.

Existe hoje uma tremenda incompatibilidade de comunhão entre os pastores devido à famigerada teologia da prosperidade e seu espaço nas denominações neopentecostais e até em denominações ditas históricas. Que o diga os pastores sérios e pobres que não podem participar de grandes e caríssimos eventos. Os pastores ortodoxos e pobres são excluídos dos ricos “pastores”, “bispos”, “apóstolos” com seus megatemplos.

CONCLUSÃO

“O mundo virtual estimula a criação de aparência sem conteúdo próprio’’, afirma a antropóloga Paula Sibilia no seu livro “O Show do Eu’’.

Cada vez mais é preciso aparecer para ser. A espetacularização tornou-se um modo de vida’’ diz Paula Sibilia.

Os pregadores da teologia da prosperidade e do mundo gospel estão dentro do ‘’reality shows’’.

São toneladas de lixo virtual dos ensinamentos desses pregadores fraudulentos do evangelho da saúde, da riqueza e do triunfo.        Seu modo de vida é de um teatro barato sem conteúdo e sem respeito para com Deus e sem para com seu semelhante. Sua espiritualidade é virtual.

Esses pregadores só querem aparecer, esnobar, brilhar mais do que o Sol e promover a sua imagem com intenção de moeda de troca.

A teologia da prosperidade tem o seu papel principalmente de desembocar, desprende no ser humano a ambição, a ganância e a idolatria pelas coisas terrenas.

O mundo virtual, a onda gospel, a teologia da prosperidade com a sua falsificação da palavra de Deus são as nossas terríveis desgraças eclesiais e seculares atuais.

Hoje mais do que nunca devemos atentar para sábias palavras do nosso Mestre e o Senhor Jesus de Nazaré: “Atenção para que ninguém vos engane. Pois muitos virão em meu nome, dizendo: O Cristo sou eu, enganarão a muito’’. “E SURGIRÃO MUITOS FALSOS PROFETAS E ENGANARÃO A MUITOS” (Mt 24, 4.11).

Pe. Inácio José do Valle, Pároco da Paróquia São Paulo Apóstolo
Professor de História da Igreja, Faculdade de Teologia de Volta Redonda
E-mail.: [email protected]

Notas
(1) Valor, sexta-feira e fim de semana, 25,26 e 27 de julho de 2008, p.19.
(2) Eclésia, janeiro de 2003, p.56.
(3) Moura, Jaime Francisco. Porque estes ex-protestantes se tornaram católicos! São José dos Campos: Editora comDeus, 2006, p.18.(4) Valor, sexta-feira e fim de semana, 22, 23 e 24 de agosto de 2008, p.18.

 

TODAS AS RELIGIÕES SÃO BOAS?
http://www.cleofas.com.br/ver_conteudo.aspx?m=doc&cat=92&scat=166&id=1070

Fico impressionado, ao ver um simples mortal ousar fundar uma religião e uma igreja. Parece-me até brincadeira. Com que autoridade? Com que direito? Só mesmo a soberba humana pode explicar isto. Os fundadores de religiões são homens, na maioria das vezes problemáticos, embotados de iluminismo, exibicionismo, messianismo, às vezes charlatanismo… Na maioria das vezes usa-se da boa fé do povo simples, que, às vezes desesperados com os seus problemas, caem nos laços desses malvados. Jesus os chamou de falsos profetas e lobos vorazes (Mt 7, 21). Os Evangelhos narram os grandes milagres de Jesus. Assim Ele provou-nos que é Deus. Provou que é Deus e deu a maior prova de amor que alguém pode dar: deu a Sua vida por nós! Se a nossa vida não tem preço, quanto vale, então, a vida do “autor da Vida”? No entanto, essa Vida, de valor infinito, Ele a deu por nós, por mim e por você. Só Ele tem o poder e a autoridade de fundar A Religião e A Igreja. O resto é falsidade, loucura de homens que ficaram cegos pela própria soberba. É o caso de se perguntar: Será que algum desses pretensos “iluminados” provou que era Deus e morreu pelos seus adeptos e discípulos numa cruz? Consta que Buda ressuscitou? Consta que Maomé ressuscitou? Consta que o reverendo Moon, aceitou ser pregado numa cruz? Será que o Sr. Martinho Lutero provou a sua divindade? Será que João Calvino, João Knox, John Smith, John Weley, Joseph Smith, Charles Ruzzel, Charles Parham, etc, provaram que eram deuses? Nada consta. Será que os Srs. Edir Macedo, Confúcio, Lao Tsé, Massaharu Taniguchi, Meishu Sama, David Brandt, Helena Blavastky, etc, etc, etc, podem ser comparados com Jesus Cristo?…  Que loucura! Que soberba! Quanta ofensa Àquele que disse: “Eu sou a luz do mundo!” (Jo 8, 12). “Antes que Abrãao existisse, Eu Sou” (Jo 8, 58). Como dói, jovem, ver milhões e milhões enganados, saindo da Luz para viver nas trevas do erro. Ele já nos tinha avisado: “Guardai-vos dos falsos profetas. Eles vêm a vós com vestes de ovelhas, mas por dentro são lobos ferozes” (Mt 7, 15). Também São Paulo muito alertou a São Timóteo: “O Espírito diz expressamente que nos tempos vindouros, alguns apostatarão da fé, dando ouvidos a espíritos sedutores e doutrinas diabólicas” (1Tim 4, 1). “Porque virá tempo em que os homens já não suportarão a sã doutrina da salvação. Tendo nos ouvidos o desejo de ouvir novidades, escolherão para si, ao capricho de suas paixões, uma multidão de mestres. Afastarão os ouvidos da verdade e se atirarão às fábulas” (2Tim 4, 2-4). É o que vemos hoje: “falsos profetas”, “doutrinas diabólicas”, “multidão de mestres”, milhares de “fábulas”… Não jovem, não aceite mais cuspir no rosto do Senhor; não queira renovar a Sua flagelação, não forneça mais um espinho para a Sua coroa de dores, não ajunte mais uma martelada nos Seus cravos, não empurre ainda mais a lança contra o Seu sagrado coração. A única religião que Jesus fundou foi a que subsiste na Igreja Católica, que tem 2000 anos, e que nunca ficou sem um sucessor de Pedro, que Jesus escolheu como o primeiro chefe da Igreja na terra. Todas as demais religiões ou seitas foram fundadas por simples mortais, e não por Deus. Você vai aceitar seguir um homem ao invés de seguir Jesus? Jamais. Caro jovem, os Evangelhos atestam que Jesus é Deus, pelos seus milagres; logo, é o único que pode fundar uma religião e uma Igreja.

VI Domingo da Páscoa – Ano C

Por Pe. Fernando José Cardoso

Evangelho segundo São João 14, 23-29
Respondeu-lhe Jesus: «Se alguém me tem amor, há-de guardar a minha palavra; e o meu Pai o amará, e Nós viremos a ele e nele faremos morada. Quem não me tem amor não guarda as minhas palavras; e a palavra que ouvis não é minha, mas é do Pai, que me enviou». «Fui-vos revelando estas coisas enquanto tenho permanecido convosco; mas o Paráclito, o Espírito Santo que o Pai enviará em meu nome, esse é que vos ensinará tudo, e há-de recordar-vos tudo o que Eu vos disse.» «Deixo-vos a paz; dou-vos a minha paz. Não é como a dá o mundo, que Eu vo-la dou. Não se perturbe o vosso coração nem se acobarde. Ouvistes o que Eu vos disse: ‘Eu vou, mas voltarei a vós.’ Se me tivésseis amor, havíeis de alegrar-vos por Eu ir para o Pai, pois o Pai é mais do que Eu. Digo-vo-lo agora, antes que aconteça, para crerdes quando isso acontecer.

Estamos sempre no âmbito do discurso de adeus de Jesus aos Seus nestes domingos do Tempo Pascal. Jesus praticamente havia dito tudo, mas não faltam perguntas, interrogações e pedidos de esclarecimento da parte de Pedro, de Tomé, de Felipe e até mesmo de Judas, não o Iscariotes. “Senhor, por que acontece que vens habitar em nós e Te manifestas a nós e não ao mundo?” É esta uma pergunta que hoje todo cristão católico gostaria de refazer a Jesus. Por que, Senhor, dentro de mim há a luz da fé, mas não consigo transmiti-la ao outro que está ao meu lado? Por que os cristãos vivem escondidos? Por que a Igreja não recebe algum sinal extraordinário Teu? Por que não realizas mais como no passado em Tua vida terrestre aqueles sinais e prodígios que deixavam as multidões maravilhadas ou fora de si? Por que esta vida escondida em Deus? Por que não conseguimos captar a simpatia das multidões dos nossos tempos? Jesus nos responde – de certa maneira desiludindo-nos – que a vida cristã não é necessariamente uma questão de quantidade. A vida cristã neste mundo terá sempre um caráter discreto, escondido – em boa parte se passa no invisível. Podem de alguma maneira tocá-la apenas aqueles que têm fé, apenas aquelas ovelhas que Deus Pai concedeu a Jesus. Quando esta história chegar ao seu ponto final, Cristo Se manifestará gloriosamente e então todos O contemplarão. Até mesmo aqueles que se opuseram à Sua pessoa ou ao Seu Evangelho. Neste meio tempo, entre a ascensão e a segunda vinda, Jesus prefere que a intensidade da vida cristã se passe no íntimo dos nossos corações, mas não queremos com isto trazer para dentro da Igreja o intimismo individualista e egoísta; queremos simplesmente dizer que muito desta beleza do Cristianismo se saboreia dentro da Igreja e se saboreia entre aqueles que têm fé. Nem sempre conseguimos manifestar esta fé aos demais e não haverá outros prodígios, a não ser o testemunho de nossa vida, quem sabe a convertê-los ou a chamá-los para dentro.

 

«Se alguém Me tem amor, […] viremos a ele e nele faremos morada.»
Santa Teresa de Ávila (1515-1582), carmelita, doutora da Igreja
Relações diversas, 46, 48

Usufruía certo dia, estando recolhida, desta companhia que tenho sempre na alma; e pareceu-me que Deus aí Se encontrava, de tal maneira que me recordei daquelas palavras de São Pedro: «Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo» (Mt 16, 16), porque Deus estava realmente vivo em mim. Esta tomada de consciência não se assemelhava às outras, pois elevava o poder da fé; não se pode duvidar de que a Trindade está na nossa alma com uma presença especial, com o Seu poder e a Sua essência. Espantada por ver tão alta Majestade em criatura tão vil como a minha alma, ouvi estas palavras: «A tua alma não é vil, minha filha, porque foi feita à Minha imagem» (cf. Gn 1, 27). Noutro dia, meditava nesta presença das três Pessoas divinas em mim, e a luz era de tal maneira viva, que não havia dúvida de que ali estava o Deus vivo, o Deus verdadeiro. […] Pensei na amargura desta vida, que nos impede de estar sempre em tão admirável companhia e […] o Senhor disse-me: «Minha filha, depois desta vida não poderás servir-Me como agora. Por isso, quer comas, quer durmas, quer faças outra coisa qualquer, faz tudo por Mim, como se já não te tivesses a ti, mas só a Mim em ti, como proclamou São Paulo (cf. Gal 2, 20).»

 

Viver na presença de Cristo e de Deus
Cf. B. CABALLERO. A Palavra de cada dia. Paulus: 2000.

A “nova Jerusalém” é a “morada de Deus com os homens”, dizia-nos a utopia que escutamos domingo passado. Mas uma utopia também serve para mostrar o sentido da realidade presente. Hoje, a liturgia insiste na presença da utopia do Criador: a “inabilitação” de Deus nos homens não acontece apenas na utópica “nova Jerusalém”, mas em cada um que guarda a Palavra do Cristo, Seu mandamento de amor. Pois a Palavra do Cristo não é d’Ele, mas a do Pai que O enviou. Os discípulos não entenderam isso. Por isso, grande parte dos primeiros anos do Cristianismo decorreu em “tensão escatológica”: aguardava-se a vinda de Cristo com o poder do  Alto, a Parusia, como instauração do Reino de Deus. Só aos poucos, os cristãos começaram a entender que a nova criação já tinha se iniciado na própria comunhão do amor fraterno, testemunho do amor de Cristo a todos os homens. Esta compreensão, esta “memória esclarecida” de Cristo é uma das realizações, talvez a mais importante, do Espírito Santo. Neste tempo intermediário, não devemos ficar com medo ou tristes porque Cristo não está conosco. Ele permanece conosco, neste Espírito, que nos faz experimentar a inabilitação em nós d’Ele e do Pai – portanto, muito mais do que significa sua presença na terra, pois o Pai vale mais que a presença física de Cristo. Nossa comunidade cristã deve ser antecipação da Jerusalém celeste. Tendo Cristo por centro e luz, certamente haverá unidade e comunhão entre seus habitantes. A primeira leitura de hoje pode ilustrar isso. O conflito na comunidade era grave. O problema era análogo: a Igreja devia ser concebida como uma instituição acabada, à qual os outros se deveriam agregar? Neste caso, ela podia conservar suas instituições tradicionais ou seria a Igreja um povo a ser constituído ainda, aberto para a forma que o Espírito lhe quisesse dar? Para este fim, Paulo e Barnabé procuram a união dos irmãos em redor daquilo que o Espírito tinha obrado junto com eles. Conseguiram. Não se esforçaram em vão. O “Concílio dos Apóstolos”, como se costuma chamar este episódio, confirmou a prática de admitir pagãos sem passar pelas instituições judaicas. Apenas, em nome da mesma união fraterna, os cristãos do paganismo deviam abster-se de quatro coisas que eram realmente tabu para os judeus cristãos; não respeitar isso seria tornar a vida em comunidade impossível. A caridade fraterna acima de tudo! Na caridade fraterna, Deus e o “Cordeiro” moram conosco. A cidade de Deus não é uma grandeza de ficção científica, mas uma cristandade organizada. Ela é uma realidade interior, atuante em nós e, naturalmente, produzindo também modificações no mundo em que vivemos. Ela é obra do Espírito de Deus que nos impele.
Cf. Konings, J. “Liturgia Dominical”, p.388-389. Ed. Vozes. Petrópolis RJ: 2004.

 

Continuando a celebrar o Tempo Pascal e aproximando-nos do Pentecostes, a liturgia oferece-nos a oportunidade de contemplar a ação do Espírito Santo. São João diz-nos que será o Espírito Santo a recordar-nos as palavras de Jesus, ou seja, quem atualiza na vida dos discípulos a Palavra e a ação de Jesus Ressuscitado. É, por isso, neste domingo, um convite de Jesus para refletirmos na ação do Espírito Santo na nossa vida. Esta reflexão e revisão é também obra do Espírito de Deus que nos ajuda a ver o Ressuscitado na vida: “Por que buscais entre os mortos Aquele que está vivo?”, já se aclamava na Vigília Pascal! É um convite a encontrar com o Espírito de Deus o sentido da vida, apesar dos sofrimentos. A espiritualidade cristã é uma espiritualidade da Encarnação. Foi o Espírito Santo que atuou no momento da Encarnação do Filho de Deus; foi Ele que atuou na ressurreição de Jesus, o Crucificado; é Ele que atua neste mundo. Os cristãos experimentam a presença de Deus na vida e não fora da realidade. Não precisamos fugir deste mundo para vivermos na presença do Senhor. É evidente que um retiro pode ser necessário para refletir, para descansar, para rezar, para fazer uma experiência forte de Deus, para aprofundar o Evangelho. Mas a experiência de Deus faz-se no dia-a-dia, através da ação do Espírito Santo. A leitura dos Atos dos Apóstolos faz referência ao Concílio de Jerusalém e nela encontramos uma bela expressão que não pode ser usada de qualquer maneira, porque expressa muito bem o modo de agir da Igreja: “O Espírito Santo e nós decidimos…”. A Igreja transmite em todas as circunstâncias o Evangelho. Podemos colocar aqui uma questão: como se decidem as coisas na nossa comunidade paroquial? O Apocalipse apresenta a Igreja como um dom de Deus. É uma dimensão que não podemos esquecer. É um dom do Céu que está vivo na terra com as fragilidades que são próprias da realidade humana e da complexidade das nossas relações. Diz o texto: “A cidade não precisa da luz do sol nem da lua, porque a glória de Deus a ilumina”, mas não podemos esquecer que nós precisamos para a nossa vida. O evangelho diz-nos que o Espírito Santo recordar-nos-á tudo o que Jesus disse e fez. “Quem Me ama guardará a minha palavra”; este vínculo acontece com a ação do Espírito Santo que atualiza a Palavra de Jesus. A Palavra de Jesus está cheia de autoridade e de conteúdo, porque Ele, através da ação do Espírito, disse o que o ouviu ao Pai, não falou por sua conta e risco. Por isso, a sua palavra é fundamental para a fé e para a comunhão. Este é um desafio para todas as pessoas que, na Igreja, têm a missão de proclamar esta palavra (sacerdotes, catequistas, etc.): proclamá-la com fidelidade, que seja a palavra de Jesus e não outra, mas dita para hoje e para o momento presente. No texto aparecem outros aspectos da vida cristã como, por exemplo, a paz. Esta paz é um dom do Ressuscitado em oposição à paz “que vo-la dá o mundo”. A saudação habitual dos judeus, “paz”, não é uma simples fórmula. Esta paz não é só ausência de conflitos, nem somente uma tranqüilidade interior. Exprime o desejo e o compromisso da saúde, da prosperidade, do bem comum. Jesus não só deseja a paz aos seus discípulos, mas concede-a como herança. É a “paz” que só Deus pode dar. Não é “como a dá o mundo”. Os profetas denunciavam aquela paz ilusória que encobria a injustiça. Jesus, como todos os profetas, não dá uma falsa paz. As palavras de Jesus, pronunciadas antes da sua morte e da sua ressurreição e recordadas pela ação do Espírito Santo, eram muito importantes, para que os discípulos não ficassem com a idéia da paixão e da morte como uma tragédia. Porquê? “Disse-vo-lo agora, antes de acontecer, para que, quando acontecer, acrediteis”. Os cristãos vivem a fé no meio do mundo e nas “paixões e mortes” que podemos ter na vida. O Espírito Santo ajuda-nos a viver a vida não como uma tragédia, mas como uma experiência de Deus. A Eucaristia Dominical tem que ajudar os cristãos a viver a vida (aconteça o que acontecer), sem deixar por um momento de acreditar.

 

SEXTO DOMINGO DA PÁSCOA 
Jo 14, 23-29
Eu lhes dou a minha paz

A porta de entrada do texto é o versículo anterior, onde Judas, não o Iscariotes, pergunta a Jesus durante a Última Ceia, “porque vais manifestar-se a nós e não ao mundo?” (v. 22). Jesus dá a resposta – o Pai vem morar no cristão que guarda a sua Palavra, pois as suas palavras são as do Pai. O mundo (aqui entendido como o anti-reino, não o mundo físico) não ama a Deus. A presença de Deus só pode ser experimentada por quem que o ama. Não é possível amar a Deus sem guardar a sua Palavra. O Versículo 26 traz a segunda predição no Último Discurso da vinda do Paráclito (Jo 14,15). Aqui se focaliza mais o seu papel de ensinamento, um ensinamento que clarifica o que Jesus ensinou. Ele vai fazer com que os discípulos “lembrem” tudo o que Jesus disse. Aqui “lembrar” significa a capacidade de entender o verdadeiro sentido das palavras e ações de Jesus, depois da Ressurreição (2, 22; 12,16). O Espírito Santo, aqui descrito como Paráclito (no sistema judicial grego, o Paráclito era o advogado da defesa), não trará ensinamento que seja independente da revelação de Jesus. Ele vai preservar os discípulos de erro e guardá-los perto de Jesus. Com este dom, Jesus deixa com a sua comunidade a sua paz. Ele usa a palavra tradicional dos judeus para a paz, “Shalom”. É uma paz baseada na vinda do Espírito, que será atualizada na noite de Páscoa quando dirá: “A paz esteja com vocês! Recebam o Espírito Santo” (Jo 20, 21-22). Enfatiza que não é a paz como o mundo a entende – muitas vezes simplesmente como a ausência de briga. Frequentemente a paz que o mundo dá é aquela falsa, que depende da força das armas para reprimir as legítimas aspirações do povo sofrido – como tantos países experimentaram durante as ditaduras de direita e da esquerda. O “shalom” é tudo o que o Pai quer para o seu povo. Só existe quando reina o projeto de vida de Deus. Implica a satisfação de todas as necessidades básicas da pessoa humana, da libertação da humanidade do pecado e das suas consequências. Como dizia o saudoso Papa Paulo VI, “Justiça é o novo nome da paz!”. O “shalom” dos discípulos não pode ser perturbado pelo fato da sua partida, pois é através da volta do Filho para o Pai que o Shalom vai se instalar. O “shalom”, a verdadeira paz, é um dom de Deus. Mas precisa da colaboração humana! Diante de tantas barbaridades hoje, de tanta violência no campo e na cidade, da exploração do latifúndio, da impunidade, qual deve ser a atitude do cristão? Se nós acreditamos no shalom, nunca podemos compactuar com sistemas repressivos ou elitistas que tiram da maioria (ou de uma minoria) os direitos básicos que pertencem a todos os filhos/as de Deus. Às vezes, este shalom convive ao lado do sofrimento e perseguição por causa do Reino, mas quem experimenta na intimidade a presença da Trindade, também experimenta a verdade da frase do texto de hoje, “não fiquem perturbados, nem tenham medo” (v 27), pois disse Jesus, “eu venci o mundo”. Por isso devemos sempre “fazer a memória de Jesus” (aqui destaca-se o momento privilegiado da celebração eucarística) – da sua pessoa e do seu projeto, para que tenhamos critérios certos para verificar a presença – ou ausência – do “shalom” na nossa sociedade e nos comprometemos com a criação do mundo mais justo que Deus quer.

Um pecado chamado melindre

Por Pe. Inácio José Schuster</em

Talvez as pessoas não saibam o quanto esse mal é perigoso. O melindre corrompe, causa dissensão e engano. Costuma-se dizer que todo mundo é um pouco melindroso. Afinal, todos nós somos suscetíveis a nos ofendermos pelos mais diferentes motivos e isso faz parte da natureza humana. O que nos preocupa é quando a pessoa transforma essa suscetibilidade em hábito, ou seja, está o tempo todo sentindo-se ofendida por qualquer motivo que seja. Uma passagem bíblica que comprova e ilustra bem o perigo do melindre está em Atos 15, 36-41. Nesse trecho, Paulo e Barnabé se separam, ao que parece por um motivo banal: um queria levar João Marcos na viagem missionária que fariam e o outro não. O motivo do embate aparentemente não era tão significativo para gerar tamanha discordância, mas uma coisa é certa: a reação a ele foi incompatível e desproporcional, especialmente por se tratar de dois missionários reconhecidos e respeitados pela Igreja. Puro melindre. Pois bem, o melindre sempre causa problemas, especialmente para quem tem de administrá-los. Nós padres gastamos muito tempo buscando solucionar questões críticas surgidas por melindres. Os motivos são os mais variados e fúteis possíveis: um paroquiano se queixa de não ter sido cumprimentado por outro e isso se transforma em motivo para ele não ir mais à igreja; o pároco ou o vigário não sabem o nome de alguém e por isso eles não servem para dirigir a Igreja; o nome de alguém não saiu no Informativo ou Site paroquial e logo querem saber quem são os incompetentes que fazem esse boletim. Para alguns, tais situações podem até parecer absurdas, mas sinto muito em dizer que elas ocorrem. A pessoa melindrosa invariavelmente é também insegura, imatura e egoísta, precisa sentir-se valorizada o tempo todo, apega-se a fatos e situações mínimas e irrelevantes e enxerga as coisas sob uma única perspectiva: a dela. O melindre, se não for controlado, pode conduzir a pessoa ao pecado, pois quem se sente injustiçado e é melindroso tende a procurar “fazer justiça”. Como interiormente a pessoa sabe que não está correta, a única forma que ela encontra de “fazer justiça” também é de maneira incorreta, fazendo fofoca, julgando outras pessoas e suas atitudes e gerando discórdia e divisão no meio da Igreja. A única forma de deter o melindre é apresentá-lo a Deus como uma debilidade que precisa ser curada. Somente ao compreender o valor que Deus lhe dá é que a pessoa passa a ter condições de valorizar as coisas que são fundamentais na vida, passando assim a respeitar, tolerar e suportar o outro e sua visão diferente. São Paulo amadureceu e mais tarde, reconsiderando sua posição, recomendou João Marcos para ser um auxiliador de Timóteo em Éfeso (2Tm 4, 11). Que assim como São Paulo possamos caminhar rumo ao amadurecimento das nossas emoções e especialmente da nossa fé. Que Deus nos cure e nos livre de todo melindre para que sejamos uma Igreja cada vez mais saudável.

“Somos responsáveis por aquilo que fazemos, pelo que não fazemos e pelo que impedimos de ser feito” [Albert Camus, escritor e filósofo franco-argelino (1913-1960)].

 

Superando os Melindres  

Se alguém decidir viver por sentimentos, certamente terá muitos problemas, porque a carne e o diabo sempre acharão ocasião para lhe ferir com suscetibilidades, ou seja, com melindres, amuos e sensibilidades, que são muito pertinentes à nossa natureza terrena. Então, para o propósito de vencer estes e outros tipos de problemas, é ordenado aos cristãos que aprendam a viver pela nova natureza que têm em Cristo, e não pela antiga natureza carnal e terrena. O amor que tudo sofre, suporta, espera e perdoa, e que é paciente e benigno, é sempre exercitado, quando não nos deixamos vencer por nossos sentimentos melindrados, e triunfamos pela prática da Palavra de Deus, que nos ordena nunca termos um coração ressentido ou magoado, seja contra quem for.

Honrar não depende de gostar. Fazer o bem não depende de sermos aceitos, aplaudidos e louvados. Respeitar não depende de sermos também respeitados. Entender não depende de sermos entendidos. Amar não significa necessariamente gostar de algo ou alguém. É terrível manter uma atitude de defesa dos nossos sentimentos contra tudo e contra todos. É muito contrário ao amor que tudo sofre e suporta a atitude de tentarmos nos poupar a nós mesmos, fugindo de nos relacionarmos com os outros, pelo temor de sermos feridos por alguma palavra ou ação, que possa nos atingir e fazer com que fiquemos magoados. Não é este o tipo de prudência que nosso Senhor nos ordena, porque isto não é prudência, mas fuga e temor de viver.

Por isso a Bíblia nos ordena que deixemos as coisas próprias de crianças quando chegamos a ser adultos. Crianças não podem enfrentar desafios pesados e encarar de frente as vicissitudes da vida, mas toda pessoa verdadeiramente adulta, está capacitada a fazê-lo. Pessoas maduras não vivem se justificando de tudo o que pensem estar lhe contrariando, por estar em desacordo com o seu modo de pensar e sentir. Saul procurava se vingar de todo aquele que lhe contrariasse, por discordar dele, mas Davi raramente deixava de agir segundo a vontade de Deus, mesmo quando era contrariado e aborrecido. Mas o exemplo máximo do espírito de paciência e tolerância que devemos ter especialmente em face dos ataques do reino das trevas, com o intuito de nos roubar a paz, encontramos no próprio Senhor Jesus Cristo, que jamais se deixou governar por sentimentos melindrados, senão exclusivamente pela vontade de Deus Pai. Importa termos sempre a atitude do Apóstolo São Paulo, conforme ele se expressou em 1Cor 4, 3: “A mim pouco se me dá ser julgado por vós, ou por tribunal humano; pois nem eu me julgo a mim mesmo”. Ainda que o juízo que fizerem de nós seja de inspiração satânica ou não, e se tal juízo não corresponde à verdade, devemos nos guardar de qualquer tipo de melindre, porque por isto, seremos vencidos pelo mal, não propriamente do ataque que nos fizeram ou que julgamos que nos tenham feito, sem que fôssemos de fato atacados, mas, seremos vencidos pelo mal em nós mesmos, do nosso próprio coração ressentido e abatido.

Importa então, se queremos ser sempre vencedores deste mal, para que possamos manter a nossa paz, amor e alegria, diante de Deus e dos homens, que tenhamos a mesma atitude do Apóstolo São Paulo, de não sermos conduzidos por nossos sentimentos ou pelos juízos de outros, mas pelo que a Palavra de Deus afirma acerca do nosso comportamento ou de nossas atitudes e reações. O grande alvo do reino espiritual da maldade em fazer com que nos firamos com suscetibilidades, ou seja, que fiquemos melindrados com o que ouvimos ou vimos, disseram ou fizeram em relação a nós ou a outros, e que não aprovamos, é principalmente o de produzir amarguras e ressentimentos, que nos afastam da comunhão com o Senhor. Por isso somos alertados a não abrigar tais sentimentos, como por exemplo, no texto de Tg 3, 13-18: Quem dentre vós é sábio e inteligente? Mostre com um bom proceder as suas obras repassadas de doçura e de sabedoria. Mas, se tendes no coração um ciúme amargo e gosto pelas contendas, não vos glorieis, nem mintais contra a verdade. Esta não é a sabedoria que vem do alto, mas é uma sabedoria terrena, humana, diabólica. Onde houver ciúme e contenda, ali há também perturbação e toda espécie de vícios. A sabedoria, porém, que vem de cima, é primeiramente pura, depois pacífica, condescendente, conciliadora, cheia de misericórdia e de bons frutos, sem parcialidade, nem fingimento. O fruto da justiça semeia-se na paz para aqueles que praticam a paz.

Nunca haverá qualquer perda em perdoar e esquecer ofensas reais ou supostas como tal sem que o sejam, porque com isto estaremos provando para nós mesmos que temos de fato nos negado para amarmos e perdoarmos os que nos ofendem, sejam eles nossos inimigos ou não. E sem o aprendizado desta negação do nosso ego, não poderemos viver a vida cristã e fazer qualquer serviço constante para Cristo, porque o inferno não dará descanso às nossas almas, sempre procurando nos tornar ressentidos contra alguém que nos tenha contrariado.

Alarguemos então os nossos espíritos e corações! Amemos como Cristo nos ama, ou seja, suportando ofensas e todo tipo de pecado, exceto a blasfêmia contra o Espírito Santo. Olhemos para o Senhor, e não para nós mesmos ou para os outros, para acharmos o perfeito amor e o perfeito bem, porque isto jamais será achado em qualquer pessoa enquanto estivermos na terra. Estejamos prontos então a superar ofensas, palavras proferidas precipitadamente, juízos incorretos, ou qualquer ponto que possa suscitar algum tipo de discórdia onde deveria reinar o amor, porque sempre estaremos sujeitos a errar, por maior que seja o nosso desejo de acertar. Todavia não erremos no dever de perdoar, de esquecer ofensas, de amar até mesmo nossos inimigos, de não guardarmos qualquer tipo de ressentimento ou rancor, porque nossa ira acabará se voltando contra nós mesmos para nos destruir, e nos arrancará da nossa comunhão com Deus.

Lembremos que somos convocados pela Bíblia a sermos amadurecidos, espiritualmente falando, e muito deste crescimento se comprova pelo modo como nos conduzimos não segundo os nossos sentimentos melindrados, mas segundo a verdade da Palavra de Deus.

Como já dissemos antes, se alguém decidir continuar vivendo segundo os seus sentimentos, terá certamente muitos problemas, mas se viver segundo a Palavra de Deus, os problemas surgirão, mas serão vencidos pela verdade e pelo poder de nosso Senhor Jesus Cristo. E uma vez desfeitas as amarras do mal, o navio da nossa alegria, força, e amor, seguirá o seu rumo, vendo restauradas todas as coisas que haviam sido arruinadas pelo nosso mau temperamento, que se permitia ser vencido pelo diabo.

Espelhemo-nos no exemplo que nos foi deixado pelo Apóstolo São Paulo, o qual havia aprendido a ter o prazer da comunhão com Deus, o deleite de praticar e fazer a Sua vontade divina, em meio às ofensas que lhe dirigiam, nas necessidades, nas perseguições e nas angústias que suportava por causa do Seu amor a Cristo, de modo que sabia que importa aprendermos a conviver com os espinhos na nossa carne, oriundos de mensageiros de Satanás, que são usados para nos humilhar.

“E ele me disse: A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza. Por isso, de boa vontade antes me gloriarei nas minhas fraquezas, a fim de que repouse sobre mim o poder de Cristo. Pelo que sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias por amor de Cristo. Porque quando estou fraco, então é que sou forte” (2Cor 12, 9-10).

Em troca da nossa paciência e decisão de suportar ofensas por amor a Cristo, o Senhor nos dará do Seu poder e nos fará fortes não somente para suportar tais ofensas e angústias, como também para que possamos fazer toda a Sua vontade, ou seja, continuarmos na prática do bem, mesmo para os que nos tenham ofendido, ou que imaginamos que nos ofenderam, sem que o tivessem feito de fato.

 

O Melindre
Melindre: Afetação, facilidade de magoar-se, suscetibilidade, delicadeza no trato.
Sinônimo: ressentimento.

Em nosso entendimento, um dos maiores entraves para o nosso desenvolvimento é o melindre. O melindre é o verdadeiro vírus da discórdia. Ele ataca sorrateiramente a todos aqueles que, não vigilantes, dão valor maior do que o devido a si mesmo. O amor próprio tem um limite. Ter amor próprio na dose certa é importante. Precisamos nos amar, cuidar de nossa boa aparência e gostar de nós mesmos. Esse amor não pode superar o limite do razoável. Quando passamos a nos julgar superiores a nossos irmãos, avançamos para a vaidade, para o orgulho, para a falsa superioridade. Ao atingir esse estágio perigoso, todas as idéias, observações ou palavras de nossos semelhantes que são contrárias ao nosso ponto de vista nos machucam muito. Surge então o melindre. Não admitimos ser contrariados. Não aceitamos opiniões diferentes. Nos enchemos de mágoa, de não me toques. E o pior é que isso nos entristece, nos tira do equilíbrio, trazem consequências físicas e afetam profundamente nosso relacionamento com pessoas queridas. A mágoa destrói nossas resistências orgânicas. Ela obstrui os nossos canais responsáveis pela circulação sanguínea e pelo equilíbrio de nosso corpo físico. O melindre é causa de muitas discussões que poderiam ter sido evitadas. Bastaria uma atitude de tolerância, de compreensão. Todos nós, espíritos ainda imperfeitos vivendo na Terra, estamos sujeitos a ter atitudes e a falar palavras ofensivas a nossos irmãos, e que a tolerância mútua e o perdão podem transformar em coisas banais e sem importância os episódios que julgamos terríveis ofensas que nos fazem. Uma pequena discussão entre marido e mulher pode trazer muita discórdia e até separações por causa do melindre. Tolerância é ainda o melhor remédio para a manutenção da paz nos lares. O mesmo acontece entre pais e filhos, entre irmãos e entre amigos, muitas vezes provocando o afastamento de pessoas que se amam, apenas por terem se deixado levar pelo melindre. Muitas entidades religiosas respeitáveis podem ser atingidas por esse terrível vírus. Temos que combater esse mal. O caminho para isso é seguir os ensinamentos e o exemplo de Jesus. Vamos contar até dez, respirar fundo, combater o ato de nos julgar superiores, ouvir o que o outro nos fala, ponderar com calma sem alterar a voz, analisar todos os ângulos do que diz nosso oponente, são algumas coisas que podemos fazer para sufocar nosso amor próprio ferido. Lembremos de que não somos o centro do universo, e que todos podem ter opiniões diferentes sobre qualquer assunto. Nosso grande erro é querer impor a nossa verdade ao nosso semelhante. E gritamos. E nos descontrolamos.

Histórias de Maria Santíssima

Sob este tópico, iremos colocar algumas histórias sobre a atuação de Nossa Senhora através dos tempos. São, em especial, histórias de pessoas que se convertem, porque rezavam uma Ave Maria, mesmo sendo maus. Coisas que comovem nosso coração.

COMO MARIA SANTÍSSIMA É BOA!
FREI CANCIO BERRI C. F. M. 
EDITORA  VOZES – 22/07/1954 

1 – MEU FILHO, TUA MÃO ESTA CURADA 

Conta o evangelista S. Mateus, no capitulo doze, versículo  10 a 14  que Jesus, entrando na sinagoga (casa  de orações  dos judeus), encontrou um homem  que tinha seca uma das mãos. Teve pena dele e disse-lhe “Estende a tua mão’’.Tendo-a estendido, Jesus restituiu-lha sã  como a outra.

Extraordinário milagre! Grande bondade de Jesus.

Coisa semelhante conta-se na vida de S. João Damasceno, célebre Doutor da Igreja. Esse Santo, falecido em 780, era primeiramente prefeito da cidade Damasco, na Síria. Depois abandonou tudo (pois lera no Evangelho que é muito difícil um rico ganhar o céu) e fez-se sacerdote. No tempo de imperador Leão Isauro publicou-se leis perversas contra o culto das imagens. Foi proibido venerar Nossa Senhora e os Santos. Grupos de pessoas, por ordem do imperador, andavam espedaçando todas as imagens que encontrassem. (Esses homens são chamados iconoclastas, isto é, destruidores de imagens). S. João, que sabia escrever muito bem, defendeu publicamente o culto e a veneração das imagens sagradas.

O governador de Damasco, cheio de ira, não podendo contra o zelo e o saber do Santo, mandou  prende-lo e corta-lhe mão direita. Sem essa mão não poderia mais escrever.

Que faz S. João? Devotíssimo de Nossa senhora dirige-se a uma linda imagem, levando com a esquerda a mão decepada.

Aos pés de Maria, fez a prece seguinte:

Minha boa Mãe, a Senhora sabe por que perdi a mão.

Foi para defendê-la. Se a Senhora me restituir, continuarei a combater os inimigos até a morte’’.

A boníssima Mãe não esperou que repetisse o pedido.

“Meu filho – disse-lhe ternamente – tua mão está curada, faze dela bom uso, conforme prometeste”.

E a mão estava unida ao antebraço, deixando apenas ver uma leve cicatriz.

Quem não vê nisso imensa bondade da Mãe de Deus e dos homens?

 

2 – VAI ATENDER A UM DOENTE 

Todos vocês, na História do Brasil, já ouviram falar do glorioso taumaturgo Padre José de Anchieta. Esse valoroso caçador de almas queria muitíssimo bem à Virgem da Conceição. Quando jovem ainda, ao estar entre os bravos tamoios, em pé de guerra contra todos os portugueses e brasileiros, fez promessa de escrever a vida da Mãe de Deus em poesia, se ela ajudasse  nos tremendos perigos. A Mãe de Jesus foi muito boa. Livrou-o dos pecados e da morte.

O célebre missionário não deixou a promessa (como muita gente por aí infelizmente faz) senão começou logo a executar a palavra dada. Em 5.786 versos escreveu o lindo livro chamado “Poema da Virgem”. Sua alma descreveu e decantou os melhores louvores daquela que lhe  fez tanto bem.

Mas o que desejo contar aqui é o seguinte. Estava o Padre José de Anchieta pregado, certa manhã, no santuário de Nossa Senhora da Conceição, na pequenina cidade de Itanhaém, litoral de São Paulo. A igreja estava apinhada de devotos. De repente, o sacerdote perdeu os sentidos. Quando o povo acudiu, pensando tratar-se de doença ou acidente, tornou a si o missionário e continuando o sermão, exclamou: “Quereis saber os favores da Virgem Nossa Senhora? Pois ainda agora veio ela de fora. Esteve acudindo a uma devota que por ela chamara e por sinal vereis seus vestidos molhados de orvalho’’.

E, de fato o povo atônito notou que o manto e a saia, que vestiam, trazia sinais do caminho.

Vejam: Nossa Senhora saíra da igreja, e fora socorrer a doente que lhe pedira auxílio.

A enferma queria ir visitá-la no dia de sua festa, e a Mãe divina curou-a para que pudesse satisfazer sua piedade.

 

3 – SALVA A CIDADE  E SEU POVO 

Outro acontecimento parecido ao anterior e interessante é o que vou relatar agora.

Foi durante a terrível luta dos nacionalistas espanhóis contra os comunistas de  1936 a 1939. O bravo general Queipo  de Llano apoderou-se  com apenas 200 homens da grande cidade de Sevilha. Lançou logo pedidos aéreos de socorro a Málaga, Madrid e Toledo. Não obteve respostas.

O povo estava apavorado, pois tivera aviso que avançava contra a cidade uma coluna de vinte caminhões  carregados de dinamite para destruírem tudo como os vermelhos já tinham feito em outros lugares. Os poucos homens não poderiam resistir às forças muitos maiores e por isso a população recorreu com profundo fervor à imagem milagrosa de Nossa Senhora, que tanto se venera na catedral de Sevilha.

O general mandou um punhado de bravos ao encontro dos caminhões e eles, em distancia de poucos quilômetros, se esconderam no bosque ao lado da estrada dispostos a sacrificar a vida. Logo depois ouviram no bosque o rumor dos motores que se aproximavam.

De repente, já perto, pararam. E ouvia-se distintamente uma voz que gritava:

“Que faz aquela senhora no meio da estrada com aquele menino no colo? Que vá embora!”

Outros gritavam:

“Se ela não for esmaguemo-la com o primeiro caminhão!”

Os homens escondidos ouviram tudo, mas nada enxergaram, a não ser os caminhões parados e os choferes raivosos a gesticular.

Então o comandante deu a ordem para assaltá-los e prende-los. Conseguiram-no com facilidade. Algemados, foram levados à cidade. No caminho perguntara-nos por que  paravam. Ao que responderam:

– Diante do carro da frente estava uma senhora linda com um menino nos braços e não quis dar-nos passagem.

– Quem era?

– Na sabemos, mas tinha um aspecto assustador.

– Mas que vos importava uma senhora a vós que matastes tantos homens mulheres e crianças?

– Nós mesmos  não sabíamos explicar. A senhora estava no meio da estrada, firme como uma estátua e nos olhava com grande severidade. Com os vossos primeiros tiros ela desapareceu.

– Para aonde?

– Quem sabe?

Poucos dias depois era véspera da festa da Assunção, e catedral se procedeu com toda a solenidade à vestição da imagem milagrosa com as ricas alfaias que eram guardadas com o maior cuidado nos armários da igreja. Mas, eis que com assombro imenso estavam gastas as sandálias, como de uma longa caminhada em estrada áspera; as meias, sujas de terra, as vestes desfiadas e cheias de pó.

A tal vista o povo exclamou: “Milagre!” Pois compreendiam que ela fora aquela senhora que impedira a entrada na cidade daqueles malvados comunistas.

O jubilo foi imenso. Todos agradeceram à Virgem o extraordinário favor!

 

4 – SALVO POR MARIA SANTÍSSIMA DAS CHAMAS ETERNAS DO INFERNO

São João Bosco é conhecido como um dos maiores devotos e apóstolos da Santíssima Virgem. Conseguia da Virgem tudo que pedia. Ouçamos um exemplo mariano que ele mesmo costumava contar aos seus alunos.

Entre os muitos meninos e jovens que se confessavam com o santo, havia um chamado Carlos. Este na ausência de Dom Bosco caiu gravemente enfermo. Pediu que lhe chamassem Dom Bosco. Não o encontraram.

Veio outro sacerdote, com quem se confessou. Viveu ainda dois dias. Mas foram dois dias de ânsias e pavores, suplicando e chorando que lhe trouxessem o seu Dom Bosco. Faleceu. Seis horas depois chegou o santo. A Mãe profundamente abatida vai ao seu encontro narrando-lhe como fora terrível e assustador a agonia do filho. Ao ouvir tudo isso, passa pela mente do santo um sinistro pensamento. “E se Carlos na confissão tivesse calado um pecado grave e morrido em tal estado…?” Entra na câmara ardente, ajoelha-se e reza Àquela que sempre o atendia, reza Àquela junto de Deus é a Onipotência Suplicante, a Medianeira de todas as graças.

Levanta-se e chama: “Carlos!” E o morto abre os olhos e grita: “Dom Bosco! Dom Bosco!”

“Aqui estou, meu filho, aqui estou todo a sua disposição”.

“Ah! Meu Padre, uma multidão de espíritos maus tentavam arremessar-me numa grande fornalha de fogo. Mas uma Senhora de beleza encantadora os afastou, dizendo: “Ainda não está condenado, e foi precisamente nesse instante que ouvi a sua voz chamando-me”.

Dom Bosco ouviu-lhe a confissão, pois calara pecados graves na precedente, e depois lhe perguntou: “Ë agora que tua alma está pura, queres viver ou ir para o Céu?”

“Quero ir para o Céu!”

Apenas dissera isso, morreu para ir gozar junto de Maria, sua mãe.

*          *          *

Procuremos fazer nossas confissões sempre bem feitas. Nunca deixar de contar todos os pecados mortais que, por desgraça, tivermos cometido.

 

5 – SE NÃO FOSSE NOSSA SENHORA! 

Conta o grande doutor da Igreja, Santo Afonso de Ligório, o fato seguinte que nos mostra como Nossa Senhora é boa para todos os que a invocam e lhe tem alguma devoção.

Em 1604 viviam em Flandres dois estudantes que, desleixando os estudos, se entregavam a jogos, a extravagâncias e graves pecados.

Uma noite eles foram a certo lugar de pecados. Um deles, chamado Ricardo, depois de algum tempo, retirou-se para casa. Cansado, jogou-se logo na cama. Lembrou-se, porém, que ainda não rezara uma Ave-Maria que costumava dizer todas as noites, levantou-se e recitou-as. (E foi sua grande sorte!)

Não pegara ainda no sono, quando alguém lhe bate fortemente na porta. E antes de levantar-se, para abrir, ali estava seu companheiro de farra todo desfigurado.

– Quem és tu? Perguntou aterrorizado.

– Não me conheces? Respondeu o outro.

– Mas como mudaste? Parece um demônio!

– Ai de mim! Exclamou o infeliz, ao sair daquela casa infame, veio o diabo e me sufocou. Meu corpo ficou na rua e minha alma está no inferno. Sabes, acrescentou, a mesma sorte cabia a ti. Mas, porque rezaste aquelas Ave-Marias, a Virgem Santa te protegeu. A Ela deves a Salvação.

E desapareceu.

Ricardo, chorando copiosamente, deu graças a Maria, sua libertadora. Enquanto pensava como mudar de vida, ouviu tocar o sino do convento dos franciscanos.

Foi lá e pedir que os frades o recebessem para fazer penitência. Cientes da vida má não queriam aceita-lo. Contou-lhes, então, entre lágrimas o que acontecera. Dois religiosos foram à rua indicada, ali achando, de fato, o cadáver do companheiro, sufocado e negro como carvão.

Ricardo foi aceito, e levou uma vida de penitência. Mais tarde foi como missionário pregar nas Índias e no Japão, onde teve a felicidade de morrer mártir, queimado vivo por amor de Jesus Cristo.

E desde tanto tempo está gozando no Céu porque rezou a Nossa Senhora, o outro penando terrivelmente no inferno porque não a não amou.

 

6 –  E O RAIO NÃO O MATOU…

Queriolet, inimigo de Deus, vivia cheio de pecados e vícios.

Numa viagem, durante uma terrível tempestade, raios e trovões, aborreceram-no de tal sorte que, chegando a casa, tomou uma espingarda e disparou-a contra o Céu, ameaçando a Nosso Senhor. (Coisa horrível!!)

Orgulhoso por essa desforra, foi deitar-se. Mas a ira de Deus fez-se logo sentir. Um raio fende os ares e penetra no quarto do ímpio blasfemo, derretendo uma das barras da cama.

Tendo depois pegado no sono, viu em sonho o lugar no inferno a ele reservado. Tão impressionado ficou, que pediu ingresso no convento dos religiosos para fazer penitência. Mas as dificuldades e as tentações foram tantas que, saltando os muros do mosteiro, fugiu para o mundo, continuando em seus pecados.

Uma qualidade boa ele tinha. Rezava todos os dias a Ave-Maria.

Certo dia entrou numa Igreja, em que um Padre estava procurando expulsar o demônio de um possesso. Apenas chegara perto, o inimigo infernal o descobriu dentre a multidão e gritou:

“Eis um dos meus! Eis um dos meus!” Queriolet, vendo-se condenado ao inferno por testemunho do próprio demônio, resolveu mudar, de vez, de vida. Aproveitando a ocasião, perguntou ao possesso por que não o fulminara o raio que caíra no seu quarto e fundira a barra de sua cama, deixando a ele ileso.

– O que te valeu, respondeu o diabo, foi a recitação da Ave-Maria. Não fosse isso, estarias a tempo comigo no inferno.

De quantos perigos nos preservam as orações bem feitas à mãe de Jesus!

 

7 – GRANDE SORTE…

Foi na Ásia. Um missionário estava a visitar uns povoados onde havia cristãos. Uns  15 quilômetros antes de alcançar sua meta ao passar perto de uma casa desconhecida, ele ouviu, para sua admiração, a reza em voz alta da Ave-Maria.

Parou uns instantes. De repente, acorrem duas pessoas, pedindo-lhe que apeasse do cavalo, pois na casa havia um homem as portas da morte, e ainda não era batizado. Entrou, e, depois de tê-lo saudado, diz-lhe o Padre:

– Como sabes rezar a Ave-Maria tão bem, e não és cristão?

– Padre, murmurou o moribundo, certa vez, passou por aqui um cristão e deu-me um papel com essa oração, afirmando-me que daria sorte a quem recitasse com piedade. Decorei-a e rezei-a muitas vezes.

De fato, Nossa Senhora deu-lhe a grande graça.

Pois o doente foi batizado, e instantes após sua alma voou para junto dos eleitos.

*    *    *

Não há dúvida, Maria é a melhor das mães.

 

8 – POR APENAS UMA AVE-MARIA

O cantor japonês Riozo Okkuda, ainda pagão, estando em Roma, em novembro de 1927, conheceu D. Hayasaka, primeiro Bispo japonês que então acabava de receber a sagração episcopal das mãos de Pio XI.

Numa das recepções em honra do novo Bispo, o tenor japonês com rara maestria cantou a “Ave-Maria” do músico Gounod.

O cardeal Van  Rossum , que estava presente, afirmou:

“É impossível que esse homem não se torne Católico, pois tão belamente cantou os louvores da Mãe de Deus!”

De fato, levado pela bondade de Nossa Senhora, Riozo teve vários e longos encontros com seu ilustre compatriota, Monsenhor Hayasaka, que foi instruído na religião Católica.

O próprio Cardeal Van Rossum batizou-o, e deu-lhe a primeira comunhão.

Como Maria Santíssima é boa! Por causa de uma Ave Maria bem catada, recebeu ele a graça da fé.

 

9 – O CÉU POR UMA AVE-MARIA

Um criminoso fora condenado à morte. Recusava-se terminantemente a confessar-se.

Um zeloso Sacerdote, em vão, esforçava-se por persuadi-lo que assim iria para o terrível inferno para o todo e sempre.

Lidou com ele durante muito tempo. Tudo foi debalde.

Por fim, como que inspirado, disse-lhe o Padre:

“Meu amigo quer fazer-me um favor?”

– Que seria? Perguntou o condenado.

– Rezar comigo uma Ave-Maria. Somente uma.

O réu concordou. E mal terminara a linda oração, quando, comovido até as lagrimas, se confessou sinceramente e morreu estreitando ao peito pequena imagem da Virgem sempre Santa. Na verdade, o Céu ganho pela recitação de uma Ave Maria.

*          *          *

Não vai para o inferno quem reza devotamente a Ave-Maria, pois Nossa Senhora está sempre pronta a atender a seus filhos devotados.

 

10 – A SENHORA MISTERIOSA

Foi em três de Novembro de 1888.

Um sacerdote de Londres, depois de um dia de muito trabalho, entrava em casa com a intenção de dizer suas orações e ir logo deitar-se. Apenas chegara a seu quarto, porém, batem à porta. Acompanhado de um estudante, o Padre foi ver quem era.

Uma senhora, vestida de preto, vinha pedir-lhe o favor de ir à rua tal, número tal, porque lá havia um jovem que precisava urgentemente de assistência religiosa. O vigário, muito boa pessoa, falou-lhe:

– Pode ir sossegada, minha senhora; dentro de vinte minutos estarei lá.

Escreveu o endereço e saiu em companhia do seminarista. Era noite escura e triste. Chegados ao endereço indicado bateram. Uma velha criada veio abrir-lhe.

– Mora aqui um jovem gravemente enfermo?

– Não, senhor; aqui todos estão bons, graças a Deus. O senhor certamente se enganou no número da casa.

– Não; pois a senhora que foi procurar-me deu-me este endereço.

– Repito-lhe que nesta casa não há ninguém doente. Mora aqui um moço, mas, que eu saiba, não quer morrer tão já.

O Pároco já estava para regressar a casa, quando apareceu o moço que ouvia toda aquela conversa.

– Como vê, senhor Padre, estou bem de saúde. Mas entre, e descanse um pouco. Enquanto ia entrando, o Sacerdote perguntou se o jovem era Católico.

– Sim, respondeu ele, ou, melhor, devia eu sê-lo. Mas nada faço daquilo que os Católicos fazem. Fui batizado, e depois deixei correr tudo.

Mantiveram os dois conversa amigável. O rapaz, de fato, abandonara toda prática da religião. A única coisa, que ainda fazia, era rezar uma Ave-Maria, todas as noites, para cumprir uma promessa que fizera à mãe antes de ela falecer.

O Padre soube falar-lhe tão bem ao coração que o moço chegou ao ponto de dizer-lhe:

– Padre, uma vez que o senhor veio até aqui, não quero que perca o seu tempo. Eu bem poderia confessar-me. E, com efeito, fez excelente confissão.

– Amanhã, disse o sacerdote ao despedir-se, o senhor pode ir à igreja para receber a Santa Comunhão.

Na manhã seguinte o Padre Vigário esperava o rapaz, quando chegou, toda aflita, a velha criada que o recebera na noite anterior. Entre lágrimas e soluços, exclamou:

– Oh! Padre, que desgraça! O rapaz, que o Senhor confessou ontem, morreu esta noite de um ataque.

– Morreu?! Bradou o Pároco impressionadíssimo.

Chamou o estudante e juntos se dirigiram à casa do falecido. No caminho, o Vigário ia dizendo:

–  Feliz dele! Confessou-se tão bem! Como Deus é bom! Entraram no quarto e fitaram comovidos aquele rosto que horas antes irradiava saúde. De repente, o olhar do Padre cai sobre um quadro emoldurado na parede. Levou como que um susto.

– Conheceu você esta senhora? Perguntou ao seminarista.

– Sim, senhor; é a mesma senhora que foi chamá-lo ontem à noite.

Perguntou a um dos presentes quem era aquela senhora.

– É a mãe do rapaz, disseram em coro.

– Vive ainda?

– Não, senhor; morreu há três anos.

– O senhor afirma que morreu!! Mas se ele, ela mesma, reconheço-a, foi chamar-me ontem para que eu viesse aqui! Comovidíssimos, todos os assistentes choraram.

Pela Ave-Maria, que ele rezava diariamente, a mãe celestial enviou a mãe terrestre (Já no Céu) chamar o Padre para converter o filho e salva-lo.

 

11 – PARECIA ATÉ IMPOSSÍVEL

No ano de 1880, uma piedosa mulher, por negócios de família, deixou-se dominar pelo ódio contra seu irmão. Afastou-se aos poucos dos sacramentos, e largou enfim a toda a oração.

Certo dia ficou doente, e o mal foi piorando de tal sorte que parecia que ia morrer. O Padre Vigário visitou-a e procurou leva-la a melhores sentimentos, para que não falecesse nesse estado de alma.

Foi, porém, tudo em vão.

Um missionário, por ali de passagem, a pedido do senhor pároco, foi ter com a enferma.

O ódio estava tão firme no coração que não quis reconciliar-se. Chegou ao ponto de afirma:

– Sobre a pedra de meu túmulo quero que se gravem estas palavras: Aqui jaz uma mulher que se vingou.

– E o inferno? Tornou o missionário.

– O inferno? O pensamento de minha vingança consolar-me-á em todos os tormentos.

Quase desanimado, o sacerdote aconselhou-lhe que rezasse para obter força de perdoar.

– Sei que por meio da oração posso alcançar essa graça, mas não quero rezar.

Mas o ministro de Deus, como que inspirado, perguntou-lhe:

– E por mim rezarias?

– Pelo senhor, sim, pois o senhor é bom para comigo.

O Sacerdote ajoelhou-se junto da cama, entregou às mãos da doente uma imagem de Nossa Senhora do

Perpétuo Socorro, e ambos começaram a reza da Ave-Maria. E chegando às palavras: “Rogai por nós, pecadores, agora e na hora de nossa morte”, a mulher, comovida, desatou  em prantos. E não tardou a soluçar: “Perdôo a meu irmão… E quero confessar-me”.

Alegrias voltaram à alma dessa senhora, e júbilos no lar dos dois e famílias.

Como é boa Nossa Senhora! Efeito extraordinário da Ave-Maria bem rezada.

 

12 – UM RECADO PARA MARIA SANTISSIMA

Após brilhantes estudos, um jovem já formado resolveu dar um passeio a Paris. Na véspera da partida uma tia chamou-o e pediu-lhe um favor.

O Moço prontificou-se a atendê-la  em tudo. Ao que a boa senhora lhe disse que, antes de regressar de Paris, fosse ao santuário de Nossa Senhora das Vitórias e lá rezasse uma Ave-Maria bem rezada. Embora o pedido lhe parecesse estranho, prometeu cumprir-lhe a vontade.

Na capital francesa passeou e divertiu-se a valer. E já ia voltar. E o recado? Não tinha gosto para executá-lo. Pensando que seria feio não cumprir a palavra, entrou na igreja, e escondido num canto, caiu de joelhos como alguém que já perdera o belo costume de ajoelhar-se. E, na verdade, fazia muito tempo que não punha os pés na casa de Deus.

Procurou lembrar-se das palavras da Ave-Maria, e pôs-se a recitá-la. E, sem saber por que, começou a sentir remorsos. Uma força estranha o impeliu ao confessionário. Procurou resistir, mas não lhe foi possível. Confessou sinceramente toda série de pecados. Saiu dos pés do confessor de alma  em festa. No dia seguinte recebeu o Jesus querido de sua meninice.

Como estava novamente feliz! A Mamãe do Céu o convertera para sempre,  por causa da reza de uma só Ave-Maria.

De volta a sua terra natal, sua primeira visita foi à titia, que lhe dera o felizardo recado e, com lágrimas de alegria nos olhos, contou-lhe como tornara a recuperar o Céu na alma por bondade de Maria, a Rainha das Vitórias.

*          *           *

As visitas aos santuários da Mãe de Deus têm muito valor. Quantas conversões exatamente devido a essas romarias! Quantas graças os romeiros alcançam de Nossa Senhora!

Se houver alguém em casa, seja dentre os pais ou parentes, que não praticam a religião, consigam que visite a Virgem Santa. E a conversão se efetuará…

 

13- POR TÃO POUCO SALVARAM-SE

Um dia conta-se na vida de S. João Vianney, entre os peregrinos, estava à espera na igreja uma senhora de luto pesado. Encontrava-se muito aflita. O marido, irreligioso, tinha-se suicidado de uma ponte abaixo, morrendo sem os sacramentos. O Santo passa. E, antes mesmo de ela lhe falar, inclina-se ao ouvido e diz: “Está salvo!” A senhora perturba-se “Está salvo, digo-lhe eu”. A resposta é um gesto de descrença. Então o Santo, articulando bem cada palavra, acrescentou: “Afirmo-lhe que está salvo”. Encontra-se no purgatório e é preciso orar por ele. Entre a ponte e a água teve tempo de fazer um ato de contrição. Lembre-se do altar, erguido em seu quarto durante o mês de Maio. Algumas vezes o seu esposo, apesar de irreligioso, uniu-se às orações. Foi isso que lhe mereceu o arrependimento e um supremo perdão”.

*          *           *

Admirável é a conversão do capitão Laly.

Esse homem foi, durante a Revolução Francesa, um dos mais ferozes e mais ímpios de entre tantos monstros que perseguiram os sacerdotes.

Após algum tempo, o miserável perseguidor e a família caíram na mais espantosa miséria. Por muitas vezes um sacerdote procurou, por meio de ofertas caridosas, tira-lo do desespero que pesava sobre esse homem terrível e repelido por todos. Laly respondia com malvadezas e grosserias a todas as tentativas de levá-lo ao bom caminho.

Mas, para a admiração de todos, um dia viram-no entrar na igreja alquebrado pelo sofrimento, humilhado e arrependido. Já não era o mesmo homem. Depois de ter feito confissão de seus crimes e recebido o perdão, declarou ao confessor que nunca deixara de rezar, cada dia, mesmo durante a sua maior fúria revolucionária, a Ave-Maria, para satisfazer uma promessa feita a sua piedosa mãe moribunda.

Foi a Ave-Maria que o salvou.

 

14- TINHA CERTEZA QUE IRA PARA O CÉU

Estava as portas da morte uma senhora de seus 20 anos apenas. Filha de um celebre marechal francês, adorada por seus pais e por seu distinto marido, riquíssima, com um futuro brilhante, e feliz por ter um filhinho.

E a morte vinha buscá-la. A mãe estava louca de dor, o marido desesperado, o pai aniquilado.

O Bispo Dupanloup, ao saber da doença, entrou nessa casa para consolar os moradores. Ficou admiradíssimo, ao encontrar a moribunda a sorrir.

– Estou certa de ir para o céu, dizia ela.

– Quem é que lhe da essa certeza? Perguntou Monsenhor Dupanloup.

– O conselho que Vossa Excelência me deu quando me preparou para primeira comunhão.

– Que conselho foi esse?

– Que recitasse diariamente ao menos um Ave-Maria a Nossa Senhora, pois quem fizesse isso iria, na certa, para o céu. Desde então até hoje, eu não falhei nenhuma vez. Não só isso. Desde vários anos, rezo diariamente o terço. Digo mais de 50 vezes: Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por mim, pecadora, agora e na hora de minha morte. Neste momento em que vou morrer, ela não me abandonará. Disto estou certíssima. Por isso o céu será meu.

Após ter sido sacramentada, faleceu calmamente. Nossa Senhora levou para a mansão celestial.

*          *           *

Felizes os que seriamente se esforçam para serem sempre e em toda parte bons, e depositam toda a confiança em Deus e  em Maria Santíssima.

 

15- CONVERTIDO APESAR DE NÃO QUERER

Foi  no natal de 1847. Um sacerdote foi chamado para um moribundo. O homem era conhecido como e inimigo dos padres e da religião. O ministro de Deus entrou no quarto e dirigiu-se direitinho ao doente. Não teve tempo de perguntar-lhe como estava passando, pois o enfermo se pôs a praguejar e a vomitar blasfêmias horríveis. E não foi possível acalma-lo. O Padre saiu consternado. Foi à igreja pedir à Mãe de Deus coragem para tentar nova visita.

No dia seguinte voltou à casa do doente. Ouviu as mesmas palavras. E vendo que o homem parecia procurar alguma coisa ao redor da cama, perguntou-lhe:

– Amigo, estas querendo alguma coisa?

– Procuro, sim, foi a resposta, a minha bengala para quebrá-la em suas costas.

E furioso por não achá-la, acrescentou:

– Não tenho outra coisa, tome isto.

E atirou-lhe um escarro no rosto.

O padre retirou-se, horrorizado.

Numa reunião, que houve à noite na matriz, pediu o sacerdote orações especiais em honra do Puríssimo Coração de Maria, pela conversão do pecador. Todos rezavam com fervor e piedade.

Ao sair da igreja, o Vigário foi de novo ver o doente, confiando no poder e na bondade da Virgem Santa.

E desta vez foi acolhido bem. O moribundo estava calmo e resignado.

– Veio confessar-me, Sr Padre?

– Sim, meu amigo: acabamos de invocar a Maria Santíssima. Estou vendo que nossa oração foi atendida.

De fato confessou-se; comungou no dia seguinte e, quatro dias depois de ter recebido a extrema-unção, entregou sua alma suavemente a Deus.

Não quis converter-se, mas Nossa Senhora venceu.

 

16- MARIA APARECEU-LHE E CONVERTEU-O

Certo conde, que se dizia devoto de Nossa Senhora, não vivia bem. Diariamente rezava-lhe certas orações, mas continuava em seus pecados.

Um dia, durante uma caçada, sentiu fome devoradora. Nossa Senhora, que é sempre boa, apareceu-lhe, oferecendo-lhe, numa vasilha imunda, comida gostosa. O fidalgo queixou-se com as palavras:

“Como poderei eu comer de um prato tão sujo?”

Ao que a mãe de Deus lhe respondeu:

“Assim como o senhor não pode apreciar uma iguaria, embora boa, numa vasilha suja, do mesmo modo eu também não posso aceitar com prazer seus louvores, enquanto continuar nessa vida de pecados”.

O conde caiu em si, mudou de vida, desde então foi muito favorecido de graças e bênçãos da Virgem Santa.

Teve uma morte santa, e ganhou o Céu.

Observação:

Uma das maneiras para agradar a Nossa Senhora é exatamente evitar os pecados, que aborrecem a Jesus. O que entristece a Deus, desgosta também a sua mãe.

 

17 – BELA RECOMPENSA!

São Bernardo, preclaro doutor da Igreja, foi um dos maiores devotos de Maria Santíssima. Escreveu muito sobre as glórias, belezas e poder da mãe do Céu. A todos aconselhava a importantíssima devoção. Afirmava solenemente a todos que um verdadeiro devoto da Virgem nunca se há de perder.

Tinha ele, por costume, toda vez que passasse por uma imagem da Mãe de Deus, saúda-la com uma “Salve, Maria!”

Certo dia, passando ele na varanda do mosteiro, onde se encontrava bela imagem da Imaculada, saudou-a, dizendo: “Salve, Maria!”

Ao que, para seu enorme espanto e admiração, ouviu distintamente da boca da Santa um claro: “Salve, Bernardo!”

Sim, a boa Mãe dos homens, ressaúda a quem a saúda. Responde às saudações de seus devotos com suas bênçãos e graças mil.

*          *          *

Precioso costume é, sem dúvida, o de rezar uma Ave-Maria toda vez que se ouve dar horas.

 

18 – CONVERTIDO POR NOSSA SENHORA

Um dia foi S.Francisco Régis chamado para atender um enfermo, que não queria de forma alguma preparar-se para a morte. Desprezava todos os auxílios da santa religião.

O Santo tirou do breviário uma imagem da Mãe de Deus e, mostrando-a ao doente, disse:

– Olha, Maria te ama!

– Como, replicou o pecador, então ela me conhece?

– Mas eu sei que ela te ama, tornou o Santo.

– Então ela não sabe que reneguei a minha fé e desprezei a religião?

– Sabe.

– Que insultei a seu filho?

– Sabe.

– Que estas mãos estão manchadas de sangue inocente?

– Sabe.

– Padre, o senhor fala a verdade?

– Sim; passarão o Céu e a terra, mas a palavra de Deus não passará. Sabe o que Jesus disse outrora e te

Diz hoje ainda: Filho, eis aí tua Mãe!

– Uma mãe que me ama!… murmurou o pecador comovido; minha mãe, minha…e copiosas lágrimas lhe vinham dos olhos. Eram lágrimas de verdadeiro arrependimento e sincera dor.

Fez piedosa confissão e recebeu com visível fervor a sagrada comunhão e a extrema-unção.

Alguns dias depois, feliz e cheio de confiança, expirou.

*          *          *

Como é agradável saber que no Céu temos uma Mãe que sempre pensa em nós, que vela solícitamente

por nós, que nunca nos abandona, mesmo quando nós somos ingratos e pecadores arrependidos.

 

19 – NOSSA SENHORA O PREMIOU

Um velhinho – ia completar oitenta anos – embora quase nada entendesse da verdadeira religião, nos últimos instantes de sua vida, chamou um Padre Católico.

– Por que não chamou um sacerdote de sua seita? Perguntou o missionário.

– Porque esta noite, respondeu o doente, apareceu-me certa Senhora muito linda, assegurando-me que

só poderia salvar-me, chamando um ministro da Igreja Católica.

O Padre inquiriu ainda:

– Durante sua vida teve, por acaso, alguma devoção, praticou algum obséquio em louvor da Mãe de Nosso Senhor Jesus Cristo?

– Sim, senhor, todos os anos jejuei durante quinze dias em preparação à festa da Assunção.

Depois de bem preparado, batizou-o sob condição e deu-lhe os últimos sacramentos.

(Disse que o doente foi batizado sob condição. É que poderia ele ter já sido batizado quando criança.

Ouviu-lhe a confissão, também recebeu a Santa Comunhão e a extrema-unção).

E o velhinho, todo satisfeito, deixou esta vida com a placidez de um santo.

O obséquio, em honra da virgem sempre boa, não ficará nunca sem recompensa.

 

20 – SALVOU-O DA MORTE

Foi no dia 25 de abril de 1855. Uma barca de pescadores estava em alto mar. De repente desencadeia-se medonha tempestade. Encrespa-se o oceano. A ventania furiosa arremessa às ondas o filho do dono da embarcação, um mocinho de 15 anos. O jovem, embora bom nadador, depois de tremenda luta, não podia mais. Ia já desaparecer no fundo do pélago, quando avista, ao longe, a estátua de Nossa Senhora da Guia, em Marselha.

– Oh! Maria, rezou o moço, minha mãe, salvai-me!

Mal fizera essa breve prece, quando um vagalhão o lança rentinho ao barco e pôde ser recolhido são e

salvo.

No dia seguinte todos os tripulantes estavam, com toda a família, no Santuário da Mãe de Jesus a agradecer o extraordinário auxílio.

O jovem nunca se esqueceu desse dia em que fora salvo por Aquela que é sempre boa.

 

21 – MORRIA SORRINDO

Uma vez estava um monge da ordem do Cister agonizando. Cercado de seus irmãos de hábito, para assisti-lo nos últimos momentos, o moribundo sorria feliz e tranqüilo.

Vendo-o nesse estado, em honra tão tremenda, disse-lhe um dos assistentes:

– Que é isto, meu irmão? Posso Pai S.Bernardo, em igual ocasião, tremia apavorado, e tu ris?

– Ah!, meu irmão, respondeu o agonizante, como não me hei de alegrar? Tenho aqui presente Nossa

Senhora, que me dá forças e vence o demônio!

E expirou com doce sorriso nos lábios.

*          *          *

Maria Santíssima socorre seus devotos sempre, e principalmente na hora extrema da morte em que os inimigos da salvação de tudo fazem para nos perder.

O amigo da Mãe celestial não precisa temer a morte.

 

22 – E A PESSOA FICOU LIVRE DO DEMÔNIO

Certa feita levaram à sepultura de S. Francisco de Sales um possesso, a fim de ser libertado do demônio. Esse gritava cheio de confusão e horror:

– Para que hei de sair?

O Sacerdote, que fazia o exorcismo, rezou com confiança:

– Ó Maria, Mãe de Deus, rogai por nós! Maria, Mãe de Jesus, socorrei-nos!

A essas palavras o demônio redobrou seus gritos de horror, bradando:

– Maria, Maria! Oh! Eu não tenho Maria! Não digas esse nome; ele me faz tremer! Oh! Se eu tivesse

Maria por mim, como vós a tendes, não seria o que sou! Mas eu não tenho Maria!

Todos os presentes choraram….

– Ah!, continuou satanás, se eu tivesse um momento só que fosse, desses que vós desperdiçais, sim um

só momento e uma Maria, eu não seria demônio.

E desapareceu, deixando a pessoa completamente curada. Bastou chamar Maria Santíssima, para que o

demo se fosse embora.

*          *          *

Atenção:

Quantas vezes nós todos nos vemos tentados pelo demônio. São tentações contra a fé, tentações de desânimo e principalmente tentações contra a santa pureza. Os Santos aconselham-nos que invoquemos nessas dificuldades – aliás, em todas – o nome de Jesus e Maria. Quem o fizer não cai em pecado; vence as piores tentações. Ouvindo esses santíssimos nomes, os demônios fogem espavoridos.

 

23 – FOI NOSSA SENHORA QUEM ME CUROU

Na missão de Manchukuo entrara num hospital, a cargo das irmãs Franciscanas de Maria, uma menina de cinco anos, bem doente das vistas.

O oculista prognosticou extrema gravidade, pois uma vista já estava perdida e as dores eram cruciantes. Pouca esperança tinha o médico, mas a criança não desanimara.

Encaminhada por boa irmã, ajoelhou-se diante de uma imagem da Virgem Celestial e ousou dizer-lhe:

– Senhora, se ficar completamente boa, prometo-vos varrer diariamente a vossa capela.

Nossa boa Mãe teve dó da filhinha. No mesmo dia sentiu melhoras e em poucos dias recuperou totalmente as duas vistas.

E a pequena costumava exclamar:

“Foi Nossa Senhora quem me curou!”

*          *          *

Felizes os que aprendem já em pequenos a conhecer a bondade de Maria Santíssima!

 

24 – FOI NOSSA SENHORA QUEM O SALVOU

Uma criança de seus quatro a cinco anos estava a brincar na praia. De chofre escorregou e as ondas a levaram consigo. A desolada mãe, vendo o filhinho à mercê das águas, lançou-se ao mar. A muito custo conseguiu trazer o corpo à terra. Parecia morto, pois não dava nenhum sinal de vida.

Os pagãos, que a rodeavam, aconselhavam a consultar logo os benzedores e feiticeiros. Mas ela, em seu espírito cristão, repeli-os sem demora, recorrendo, como já o fizera antes, a boa Mãe do Céu. Ela, sim, a podia auxiliar.

E estava ainda a rezar, quando o pequeno se levanta e se põe a andar como se nada acontecera.

– Mamãe, exclamou o bom menino, olhe aqui a linda medalha que o Padre Missionário me deu e eu pus no pescoço!

– Sim, filhinho, foi Nossa Senhora quem o salvou!

*          *          *

Não se pode recomendar suficientemente trazer ao pescoço a medalha da Virgem Celestial. Quem não tiver nenhuma, peça aos queridos pais que providenciem para a aquisição de uma.

 

25 – SE NÃO TIVESSE LEVANTADO…

Morria, certo dia, uma piedosa mãe. Antes de expirar, chamou o único filho e pediu-lhe que nunca omitisse o belo exercício de rezar todas as manhãs e todas as noites três Ave-Marias em honra a Nossa Senhora.

O bom filho prometeu-lho e com fidelidade cumpria a palavra dada. Uma noite, porém, esqueceu-se da piedosa prática. Acordado, após umas horas de sono, lembrando-se do esquecimento, levantou-se e de joelhos disse devotamente as Ave-Marias. Estava ainda de joelhos, quando se abre, de repente, a porta do quarto e entra um sonâmbulo. Vai direto à cama vazia e … enterra um punhal até aos copos no colchão.

Não tivesse se levantado, sem dúvida, teria perdido tragicamente a vida.

Nossa Senhora mostrou como protege os que lhe querem bem.

*          *          *

A devoção de três Ave-Marias diárias muitíssimo aconselhadas pelos Santos e pregadores realiza maravilhas. Que ninguém omita essa importantíssima prática. E é bom acrescentar depois de cada Ave-Maria a jaculatória: “Ó Maria, minha Mãe, preservai-me do pecado mortal!”

 

26 – SÓ POR ISSO SALVOU-SE

Faleceu em Fevereiro de 1901, em Tolosa, na França, depois de receber os sacramentos da confissão, comunhão e extrema-unção, o célebre jornalista, romancista e poeta francês Armando Silvestre.

Que fizera esse homem em vida? Ficara muito conhecido por sua maldade, por seus ataques contra a Igreja, contra os bons costumes e pelos escritos imorais.

Mas, então, que realizara para alcançar a graça de morrer edificantemente?

Ninguém o podia adivinhar. Contudo, o Padre, que o assistiu nos últimos momentos, revelou o mistério: Desde pequeno rezava diariamente antes de deitar três Ave-Marias a Nossa Senhora para alcançar a graça da boa morte.

E a carinhosa Mãe dos homens recompensou-o belamente. Não permitiu que morresse impenitente.

*          *          *

Nossa Senhora apareceu e pediu a Santa Matilde que rezássemos as três Ave-Marias, uma para a ajudar a agradecer a Deus Pai o imenso poder, outra para agradecer a Jesus a extraordinária sabedoria e a terceira para agradecer a misericórdia que ela recebeu da Santíssima Trindade. Em troca ela prometeu a graça da boa morte.

 

27 –  É A MARIA QUE O SENHOR DEVE A SUA CONVERSÃO

Um Padre Missionário foi chamado a visitar um senhor muito idoso, que tivera uma vida perversa.

Ao chegar ao lugar disse-lhe o velho:

– Aqui está, Padre, um pecador abominável.

O Sacerdote atendeu-o em confissão a qual foi ótima.

Depois de sacramentado, quis o ministro de Deus saber o motivo daquela excelente conversão. Ao que ele respondeu:

– Não sei; o pensamento de me confessar começou há dias a bulir comigo.

– Mas esse pensamento, tornou o Padre, deve ter uma causa. Qual será?

– Não sei, Padre, repetia ele todo feliz.

– Foram seus amigos que o animaram à confissão?

– Não tenho amigos, por aqui.

– O senhor freqüentava a igreja?

– Nunca!

Neste momento o missionário deu com os olhos num quadro da Santíssima Virgem pendente da parede.

– Quê, um objeto desses em sua casa? Como se explica isso com sua vida incrédula?

– Sim, meu Padre, e cada dia recito três vezes Ave-Maria diante dele, para obedecer à última vontade de minha mãe ao morrer.

– Pois bem; aí está a solução toda. É s Maria Santíssima que o senhor deve a graça da conversão.

*          *          *

Nunca poderemos aqui na terra suficientemente compreender o grau de bondade de nossa Mãe do Céu.

 

28 – POR TÃO POUCO…

Vivia em Tournon, em 1610, um herege tão obstinado que, mesmo no leito da morte, não queria ouvir falar  em confissão. Durante oito dias consecutivos vários Sacerdotes procuraram induzi-lo à confissão. Mas tudo em vão.

Um Padre pediu-lhe que ao menos dissesse a seguinte jaculatória:

– Mãe de Jesus, ajudai-me!

O homem, tocado pela bondade e paciência do ministro de Deus, não quis negar-se a atende-lo, e pronunciou a oraçãozinha. E foi o que bastou. A boa Mãe do Céu veio em auxílio, e prontamente. Pois, apenas obedecera, externou o desejo de reconciliar-se com Deus Nosso Senhor.

Fez boa confissão, retratando todo o mal que fizera, recebeu a Santa Comunhão e a extrema unção, e faleceu calmamente, duas horas após.

Por tão pouco recebeu o lindo céu.

*          *          *

Afirmam Santos que, quem pedir devotamente, ainda que uma vez só, a ajuda da Mãe de Deus, pode contar infalivelmente com Ela. Nossa Senhora não o esquecerá.

 

29 – FOI ELA

Deu-se isso na França. Uma boa mãe tinha um filho delicado e inteligente. Tirava sempre o primeiro lugar na aula. Com 16 anos dirigiu-se para Marselha, 24 horas de trem de casa. Antes de partir teve de prometer à mãe que nunca abandonaria Nossa Senhora e que diariamente rezaria a Ela. Foi o que logo fez, e partiu.

No primeiro tempo escrevia mensalmente, dando boas noticias. De repente, já não vinham cartas.

A boa mãe ficou desconfiada, e com razão. Se não fosse tão longe, iria lá ver o que sucedera. Estava mesmo disposta a visitá-lo, quando recebe um telegrama nestes termos:

– Venha depressa, é o filho que chama.

Vinte e quatro horas após, lá estava ela na casa com seu Carlos. Quis entrar no quarto, porém duas sentinelas lho queriam impedir.

– Sou a mãe, quero ver o filho – exclamou ela empurrando-os para o lado, e meteu-se aposento adentro.

– Um Padre, um Padre! Foram as primeiras palavras.

A mãe, após abraçá-lo procurou acalmá-lo. Ele, então, contou-lhe a triste vida. Freqüentara más companhias… e até se fizera maçom, jurando morrer sem Deus.

– Mas vendo-me tão mal, pensei  em Nossa Senhora e pedi-lhe socorro. Não quero morrer assim. Embora eu pedisse um Padre, os maçons não me atenderam, até colocaram sentinelas à porta para não deixarem entrar sacerdote algum. Por intermédio de pessoa caridosa consegui apenas enviar-lhe o telegrama.

A corajosa mãe mandou chamar o ministro de Deus que sacramentou devidamente ao enfermo.

Dois dias após, morreu calmamente com palavras nos lábios:

“Minha mãe, foi Ela (Nossa Senhora) que a envio aqui!”

Na verdade, não fosse o socorro e a bondade de Maria Santíssima, onde estaria o pobre Carlos? No inferno para sempre.

 

30- NOSSA SENHORA PAGA BEM

Durante uma viagem marítima um jovem fidalgo entretinha-se de preferência com a leitura de certo livro mau.

Em palestra com o moço, pede-lhe um Religioso que faça pequeno obséquio a Nossa Senhora.

– Com muito gosto, respondeu o fidalgo.

– Pois atire ao mar esse livro imoral, que está lendo; faça isso por amor á Virgem Maria.

O jovem apresentou o livro para que o sacerdote o lançasse às águas em seu nome.

– Não, observou-lhe o Padre, quero que o senhor mesmo ofereça esse sacrifício à Mãe de Deus.

O moço prontamente atirou ao oceano o livro que tanto apreciava.

A recompensa não faltaria, pois Nossa Senhora é generosíssima.

Ao chegar a Gênova, sua terra natal, o fidalgo viu-se atraído à vida melhor e mais santa. Depois de ótima confissão, resolveu consagrar-se a Deus num convento, onde foi feliz.

*          *          *

As vocações sacerdotais e religiosas nascem aos pés da Mãe dos sacerdotes, e junto dela desenvolver-se. Sem o auxílio maternal de Maria não é possível ser bom Padre e bom religioso.

 

31 – SANTA MARIA, SOCORRE-ME!

Empresa imensamente difícil foi a construção da estrada de ferro de São Gotardo (túnel de  14.920 m ).

Os operários estavam, dia e noite, expostos a caírem nos terríveis abismos que ladeavam a estrada. Amarrados em fortíssimas cordas desciam até à altura da estrada e com extremos de fadiga abriam na dura rocha profundos buracos que, enchidos de dinamite, a faziam explodir. E desta maneira iam aos poucos abrindo caminho para a estrada de ferro.

Certa tarde fizeram, como de costume, um grande buraco e o encheram de explosivos, mas deixaram para o dia seguinte a tarefa principal.

Na hora marcada desceu um operário e acendeu o pavio para, em seguida subir a toda pressa pela corda, como costumava fazer diariamente. A chuva da noite, porém, tornara escorregadia a corda, impossibilitando a subida do pobre operário.

E o pavio a queimar, e aos seus pés o abismo imenso… Estava perdido. Que fazer? Todas as tentativas foram infrutíferas; por maiores esforços que fizesse, não conseguia subir, e a horrível morte a seus pés!

Mas no pavor do desespero recorre a Maria e grita:

“Santa Maria, Socorrei-me!” Um estrondo reboa pelos abismos. Os companheiros, lá do alto contemplam estarrecidos o pobre operário e exclamam:

“Está morto”.

Mas a Virgem Medianeira é também Senhora dos precipícios. Qual não foi a surpresa dos companheiros ao se certificarem que o trabalhador estava ileso. Nenhuma pedra da explosão o atingira.

Maria lhe salvara a vida. A fumaça quente secou a corda e com relativa facilidade subiu até aos companheiros.

*          *          *

Oh! Nós todos que ladeamos o abismo da condenação eterna, nunca, nunca, em nenhuma dificuldade da vida, deixemos de invocar Maria.

 

32 – CURADO NA IGREJA

Quem este prodígio é o Padre Ângelo Franzoni.

Pedro Froletti, pai de família, havia tempos achava-se gravemente enfermo: agudas dores no estômago e nas costas não lhe davam alivio de dia nem de noite. Consultou a vários médicos, tomou numerosos medicamentos. Tudo, porém, inutilmente. Por fim declararam os especialistas que o mal não era outro que uma tuberculose maligna e incurável.

O doente, perdida toda a esperança humana, recorreu à Santíssima Virgem. Mandou dizer uma Missa e começou uma novena em honra de Nossa Senhora Auxiliadora, propondo ir confessar-se e comungar no último dia.

Continuaram as dores e no nono dia aumentaram de tal maneira que lhe parecia impossível ir à igreja. Contudo, mais morto que vivo, chegou à igreja. Confessou-se e oh! Prodígio de Jesus, por intercessão de Maria, apenas recebeu a santa Comunhão, todas as dores desapareceram no mesmo instante. Era 16 de Novembro. E desde então não mais sentia aqueles incômodos atrozes.

*          *          *

Felizes os que recorrem confiadamente à Mãe de Deus!

 

33 – GRANDE RECOMPENSA, POR POUCO

Quem conta o fato é a célebre carmelita Santa Tereza de Ávila.

Estava ela entretida na construção de conventos para sua ordem, quando se apresentou um senhor muito distinto e lhe ofereceu vasto terreno para levantar um mosteiro, nos arredores de Valadolid. Vendo a Santa a boa vontade do cavalheiro e de sus devoção, pois queria agradar à Nossa Senhora do Carmo, aceitou prontamente o generoso presente.

Dois meses depois, o dito senhor caiu doente. Perdeu a fala, e morreu sem poder confessar-se.

No mesmo dia Nosso Senhor apareceu à Santa e afirmou-lhe que o falecido estivera em sério perigo de condenar-se. Fora, contudo, salvo pela doação que fizera em honra de Maria Santíssima. Disse-lhe que só sairia do purgatório quando lá, no terreno presenteado, se celebrasse a primeira Missa.

A Santa, embora muito empenhada na construção de uma casa em Toledo, largou tudo, a fim de socorrer o benfeitor.

Tendo ido examinar o novo local, não gostou dele por ser muito distante da cidade e insalubre. Mas, lembrando-se dos terríveis sofrimentos que aquela alma padecia, não quis demorar-se.

Mandou vir pedreiros e carpinteiros, para arranjar logo o que fosse mais urgente, para, quanto antes, dizer-se a Santa Missa. Recorreu ao senhor Bispo, para obter as devidas licenças. E já no domingo, o sacerdote celebrou o sacrifício da Missa.

Na hora da Santa Comunhão, de repente, apresentou-se, ao lado da Santa, o tal cavalheiro de rosto resplandecente a transbordar de júbilo.

Agradeceu-lhe profundamente ter sido libertado naquela hora do purgatório.

Foi Maria Santíssima quem o buscou das chamas onde sofria dolorosamente.

*          *          *

Agradeçamos a Nossa Senhora os muitos benefícios que nos tem prestado. São muito mais que pensamos.

 

34 – AÇÃO GENEROSA BEM PREMIADA

D. João Mazio, homem ilustre e grande defensor do Papado contra os gibelinos, possuía um filho único de 19 anos. Moço distinto e adornado das mais belas virtudes.

Preparava-se o casamento com uma donzela, digna dele, quando traiçoeiramente foi assassinado. É fácil imaginar a dor que sentia D. João ao receber tão funesta nova.

Sem perda de tempo mandou seus vassalos em seguimento do covarde traidor, com a ordem de traze-lo vivo ou morto.

O perseguido tratou de refugiar-se na primeira casa que pôde. E foi exatamente em um prédio que pertencia a D. João.

Voltou um mensageiro a comunicar a feliz noticia ao irado pai.

– Senhor, o criminoso acha-se em vossas mãos, ordenai o devemos fazer com ele.

O primeiro pensamento, que lhe passou pela cabeça, foi dar-lhe a morte com as próprias mãos. Mas pediu que esperasse um instante.

Muito devoto de Maria Santíssima, retirou-se a fim de solicitar conselho.

Ajoelhou-se perante belíssima imagem, em seu oratório. Muito após, levantou-se todo calmo, buscou vultuosa soma de dinheiro e falou ao núncio:

– Dê este dinheiro e meu melhor cavalo ao assassino, e diga-lhe que fuja prontamente.

O criado não compreendeu tal gesto. Estava a pensar que a dor lhe transtornara a mente.

Mas D. João repetiu:

– Obedeça, jamais hei de mudar o que Maria me aconselhou.

O doméstico partiu sem replicar.

O réu, admiradíssimo e confuso, pôs-se a salvo prontamente, envergonhado e arrependido de seu crime.

Voltou D. João resignado a seu quarto, e coisa inaudita! (escreveu Appiani na Vida de Santo Emídio) encostou sobre o genuflexorio diante da imagem uma carta escrita de punho próprio por seu filho com os dizeres:

“Amadíssimo pai, tão agradável tem sido a Deus a generosa misericórdia que, por amor de Maria, haveis usado para  com o assassino, que, em prêmio dela, fui logo livre das penas do purgatório que devia sofrer por vários anos. Subo agora para o céu. Dentro de um ano, Deus vos dará outro filho. Continuai a viver cristãmente. Eu rogarei por vós no céu”.

Com efeito, um ano depois, e justamente no aniversário da morte do filho, D. João celebrava o nascimento de outro.

Como poderia gesto tão nobre e generoso não ser premiado por Nossa Senhora!

 

35 – RECUPEROU OS OUVIDOS

Um jovem de Flêscia, França, que por causa de seus estudos (escreveu o grande missionário Padre Segneri) deixara a prática, pediu a certa ocasião a seus pais que lhe enviassem dinheiro. Como estes não lhe mandassem, quanto ele desejava, remeteu-lhe uma carta cheia de desaforos. Apenas partira a missiva, o moço ensurdeceu totalmente. Toda a diligência dos médicos foi inútil para cure-lo.

Perdida inteiramente a esperança neles, o rapaz resolveu fazer uma peregrinação a Loreto, Itália, a fim de solicitar de Maria a cura que não conseguiram dar-lhe os doutores. Chegou à Santa Casa (é a mesma casa em que moraram Jesus, Maria e S. José em Nazaré, transportada inteirinha pelos Anjos até Loreto) na vigília da Assunção e, de noite, viu em sonhos uma celestial Senhora de grande majestade e esplendor, acompanhada de duas pessoas. Eram o pai e mãe do desgraçado estudante. A Senhora, que era a própria Maria Santíssima, voltada para os que a acompanhavam, pergunta-lhes:

– É este vosso filho?

– Sim, Mãe e Senhora nossa, disseram eles.

– Quereis que recobre a audição?

– Humildemente vo-lo suplicamos.

A Santíssima Virgem aproximou-se da cama do jovem e mostrou-lhe a carta escrita a seus pais:

– Lei-a, disse-lhe.

O moço, envergonhado e arrependido, cativou a Mãe de Deus, que lhe tocou suavemente ambos os ouvidos, e desapareceu.

Despertou o estudante e com grande contentamento e maravilha achou-se são. Pediu novamente perdão pela má-criação e deixou na Casa Santa um escrito juramentando de todo o ocorrido.

Maria Virgem é sempre boa Mãe para todos, mormente para os que a procuram, pedindo-lhe graça s e favores.

*           *           *

Apesar de o filho ter merecido aquele castigo pela má-criação, uma vez arrependido, Nossa Senhora não só lhe perdoou tudo, senão também o curou completamente.

 

36 – CURA DA SURDEZ

No livro “ao Céu por Maria” lê-se o seguinte milagre:

Guilherme Chibrando fica completamente surdo. Os médicos não só declararam que a cura era impossível, senão nem esperanças davam de melhora. Recorreu então com um tríduo a Maria Auxiliadora, pedido-lhe a graça de poder ouvir ao menos de um ouvido. E, com efeito, não tardou a sarar perfeitamente de um ouvido. Comovido e quase fora de si de contentamento, disse com seus botões:

– Será acaso importunar a Maria, se eu lhe pedir a graça completa?

E, sem mais, fez celebrar em sua honra uma Santa Missa, enviando ao Santuário de Nossa Senhora Auxiliadora uma esmola.

E a boa Mãe Celestial concedeu-lhe tudo quanto lhe pediu. Desapareceu completamente a surdez.

Muito grato, continuou a ser agradecido todo o resto da vida.

*           *           *

Nossa Senhora pode tudo perante seu filho Jesus.

 

37 – VISITOU NOSSA SENHORA E FOI SALVA DA MORTE

Corria o dia 14 de Maio de 1868. Às dez da manhã eu uma fábrica de sabão, em Berlim, em conseqüência de um escape de gás, produziu-se uma terrível explosão. Três pessoas morreram no ato e dezessete ficaram gravemente feridas.

Dia 15 à noitinha realizava-se com a devoção do mês de Maria. Quem escreve é o deputado francês M. Lucas: Assistia eu a essa simpática festa, quando vi entrar na igreja uma menina, pobre empregada, com um precioso ramalhete de flores na mão e que, adiantando-se até o altar de Maria, colocava-o aos pés da imagem visivelmente comovida e derramando lágrimas.

Quis conhecer a causa que a afligia e a menina deu-me esta resposta: Ontem pala manhã minha patroa enviou-me com um recado a uma fábrica de sabão qual acaba de converter-se  em ruínas… Ao passar diante de uma igreja lembrei-me de que, não poderia assistir ao mês de Maria e veio-me o pensamento de rezar ali uma Ave Maria. Entrei e, logo depois da visitinha à mãe de Deus, segui meu caminho à fábrica. Achava-me a poucos passos da casa quando senti um estrondo espantoso: Era a fábrica, que saltava aos ares feita  em pedaços. Se não tivesse ido aos pés da Virgem, teria chegado momentos antes para ser vítima da catástrofe. Achar-me-ia agora no cemitério. Ah! Que não teria falado minha mamãe, se eu tivesse morrido!…

E dizendo isso a pobre menina, ora chorava ao pensar no ocorrido, ora ria-se contente de ter escapado.

*           *           *

Não desprezemos os bons pensamentos que muitas vezes nos ocorrem. São de grande importância, como vimos no caso acima narrado.

 

38 – CURA DO BARÃO COTTA

No ano de 1865 o Barão Cotta, banqueiro de Turim e senador da Itália, achava-se moribundo no leito. D. Bosco chega para fazer-lhe uma visita.

– Meu Padre, esta será a última vez que vos vejo, disse-lhe o enfermo com voz apenas perceptível; eu me vou; não poderei passar de hoje.

– Oh! Não, senhor Barão. A Santíssima Virgem necessita de vós neste mundo e quer que a ajude na construção de sua igreja. (O Santo estava ajuntando dinheiro para construir o belíssimo Santuário de Nossa Senhora Auxiliadora).

– Teria muito gosto nisso, porém os médicos já não me dão a menor esperança.

– Que bem faríeis se Maria Auxiliadora vos sarasse?

– Ah! Se eu sarasse, daria, por seis meses, dois mil francos cada mês para sua igreja.

– Perfeitamente, disse o Santo. Volto ao Oratório para pôr em oração a todos os meus meninos. Ânimo!

Três dias depois, estando D. Bosco em seu escritório, anunciaram-lhe uma visita: era o Barão Cotta, completamente são, que vinha apresentar sua primeira oferenda a Maria Auxiliadora.

 

39 – SANTA MORTE

Um jovem de nobre família italiana, João Batista de Prato, encontrando-se em Dillingen como pensionista no colégio de S. Jerônimo, caiu mortalmente enfermo de certa disenteria epidêmica que fazia grandes estragos naquela cidade. Recebidos os santos sacramentos, dispunha-se resignado e tranqüilo para a morte e infundia valor a dois de seus irmãos que choravam inconsoláveis.

– Por que chorais? Dizia-lhe; eu vou para o Céu, sim, vou para o Céu.

Essa confiança lhe era inabalável e apoiava-se, conforme ele declarou a seu confessor, na aparição de Maria Santíssima, que lhe mostrara um precioso quadro onde seu nome estava escrito.

O Padre recomendou-lhe, para dar maior fé à visão, que, em subindo ao Céu, obtivesse o desaparecimento da terrível epidemia.

Prometeu-lho João Batista, e apenas morreu, cessou a peste; e o rosto do jovem conservou-se, até o enterro, tão formoso que admirou a todos.

Não foi em vão que o bom moço tivera profunda e filial devoção à Virgem Imaculada. Quanto bem lhe queria!

 

40 – FEZ O QUE NOSSA SENHORA PEDIU E …

Os Anais da Ordem Seráfica contam que um religioso franciscano, chamado Livínio, muito devoto da Imaculada Conceição, começara a escrever um livro sobre o Menino Jesus e as glórias de Maria. Largara-o, incompleto. Apareceu-lhe então a Santíssima Virgem, porém não já com o Menino Deus nos braços como o visitara noutras ocasiões.

– Ó Mãe querida, e vosso filho, onde está? Perguntou-lhe Frei Livínio.

– Tu o tens abandonado, respondeu a Virgem Santa, por teres cessado de escrever os seus louvores; volta a teu trabalho e não só obterás suas visitas, senão também a graça do martírio que há tanto tempo desejas.

Frei Livínio, sem demora, prosseguiu no obra até terminá-la.

E tendo depois seguido a missionar em Cairo, obteve a graça de morrer mártir por Nosso Senhor.

Nossa Senhora não há de deixar de premiar os que lhe propagam a devoção.

A Santa Igreja, conjuntamente com todos os verdadeiros devotos de Maria, afirma que se salvarão os que ensinam os outros a conhecer e amar a Mãe de Deus.

 

41 – NOSSA SENHORA FICOU CONTENTE

Ao ser Santa Teresa de Ávila nomeada superiora, a primeira coisa que fez foi colocar a estátua da Virgem Santíssima na cadeira destinada à Priora e pôs aos pés dela as chaves de sua casa e as regras do instituto, pedindo-lhe que se dignasse tomar a direção espiritual e temporal  da comunidade.

Tão agradável foi à Mãe de Deus esta homenagem de sua devota serva que, na véspera de S. Sebastião, substituiu pessoalmente sua imagem e declarou que tomava o governo do mosteiro.

Eis como a Santa conta a aparição:

O primeiro ano em que fui priora do convento da Encarnação, na vigília da festa de S. Sebastião e quando se começava a cantar a “Salve-Rainha”, vi descer a Santíssima Virgem acompanhada de uma multidão de Anjos e sentar-se no lugar destinado à priora. Já não vi a imagem senão tão somente a boa Mãe com certa semelhança àquela mesma. Isso ocorreu em tão breve tempo que não saberia precisa-lo, pois que entrei  em êxtases. Enxerguei ao mesmo tempo vários Anjos ao lado do sólio. Isso durou o tempo em que se cantou a Salve-Regina. A Santíssima Virgem disse-me: “Tendes feito bem em colocar aqui minha estátua; eu estarei presente durante os louvores que terdes a meu Filho e lho oferecerei em vosso nome”.

*           *           *

Nossa Senhora é muito melhor do que nós pensamos. Fazem muito bem os que colocam um belo quadro ou imagem da Virgem Santa em seus lares. Aconselha-se muitíssimo ao lado de S. Coração de Jesus uma artística efígie do Puríssimo Coração de Maria.

Que os Santíssimos Corações de Jesus e de Maria estejam como em tronos em nossas casas.

Felizes e benditas serão essas moradias!

 

42 – LIVRA DA MORTE UMA MENINA

Uma menina de sete anos assistia à escola de S. José  em Jerusalém. Levava ela ao pescoço um colar muito valioso. Uma senhora muçulmana, cheia de cobiça, atraiu a boa criança por meio de promessas até fora da cidade. Estando em lugar afastado, pegou-a fortemente pela garganta para estrangula-la . Quando a julgava morta, tirou-lhe o belo colar, e jogou-a numa cova profunda.

A menina, depois de horas voltou a si, e pôs-se a gritar. Ninguém a ouviu. Quis sair do buraco, mas não lhe era possível.

Recorreu à Mãe Celestial, que muito amava. Lá passou três dias e três noites, repetindo as duas orações que sabia de cor: a Ave Maria e a Salve Rainha.

E Maria Santíssima teve pena dela. Fez que uns carvoeiros passassem por ali. Viram-na e tiraram-na de dentro e levaram-na ao Patriarca D. Vicente Bracco e depois ao Governador de Jerusalém. Tendo a criança contado o ocorrido, a polícia conseguiu prender a perversa mulher e castigá-la.

Só por milagre a menina não morrera. A própria Mãe de Deus lhe dera comida e bebida.

 

43 – E MARIA LHE INCLINOU A CABEÇA…

S. Francisco de Assis tomou a Maria Imaculada por padroeira e advogada de sua ordem seis séculos antes que o Papa Pio IX declarasse essa verdade como dogma. Sendo Nossa Senhora descendente de Adão e Eva, achavam que Ela também deveria ter o pecado original. Os franciscanos, seguindo seu ilustre fundador, ensinavam que não era isso ser possível. Suscitaram-se grandes discussões a esse respeito, especialmente no século catorze. Por isso o Papa Bento XI ordenou, em 1304, uma dissertação pública na Universidade de Paris. O bem-aventurado João Duns Escoto foi encarregado pelo Superior Geral dos Franciscanos para representar a Ordem e defender a doutrina. Para isso mudou-se de Oxford, cidade inglesa, para Paris, capital de França.

Preparou-se com orações e jejuns. Em caminho para a Universidade, passando por uma linda estátua da Virgem sempre pura, saudou-a com as palavras: “Permito, ó Virgem Santa, que vou vos louvar e daí-me forças para vencer vossos inimigos!”

E oh! Maravilha! A estátua inclinou a cabeça, como para indicar-lhe que tal graça seria concedida.

Ao chegar à Sorbona, Frei Duns Escoto se achou diante de um público temível e de adversários sabidos que apresentaram duzentos argumentos para provar o contrário daquilo que os Frades ensinavam a favor da Imaculada Conceição.

O religioso franciscano ouvia atenta e recolhidamente tudo. Apenas acabaram de falar seus adversários, levantou-se e repetiu por sua mesma ordem os duzentos pontos e os desfez um por um até o último. (Coisa impossível, não tivesse a Mãe de Deus ajudando, guardar tantas coisas na mente e pela mesma ordem!)

Os doutores da Universidade, assim como os representantes do Papa, saudaram-no com calorosos aplausos, e deram-lhe o nome de Doutor Sutil. E desde então eles mesmos propuseram festejar também a festa da Imaculada Conceição.

*           *           *

Nossa Senhora  realiza  até milagres estrondosos, se forem necessários, para auxiliar os seus fiéis filhos.

 

44 – QUE DELICADEZA DE NOSSA SENHORA!

Certo monge, muito devoto de Maria Santíssima, costumava saúda-la, ao passar diante do altar com as palavras: “Alegrai-vos, Mãe de Deus, Virgem Imaculada, alegrai-vos com o gozo que recebestes quando o Anjo vos anunciou que havíeis de ser a Mãe de Jesus!”

Ao cruzar um dia a igreja, o servo de Deus ouviu uma voz incomparável vinda do altar que dizia:

– Gozos me anunciais, meu filho, e os gozos serão tua coroa lá no Céu.

*           *           *

Em certa ocasião que Santa Gertrudes invocava a Maria com as palavras da Salve-Rainha: “Eia, pois, advogada nossa, esses vossos olhos a nós volvei”… viu a excelsa Mãe de Deus, enclinar-se graciosamente para ela, com que dizer-lhe: Sempre estou pronta a atender os que me chamam.

A mais delicada das mães é Maria Santíssima.

 

45 –  DEFENDE SEUS DEVOTOS

Teve Santa Brígida um filho chamado Carlos, mito levado, que se dedicou desde cedo às armas. Em certa batalha morreu.

Refletindo a mãe sobre a vida do jovem, ocasião, lugar e tempo e demais circunstâncias da morte, entristecia-se por sua sorte.

Nosso Senhor, porém, que amava a grande Santa, não tardou em consola-la com a visão seguinte:

Presente em espírito diante do tribunal supremo, viu sentado sobre um majestoso trono a Jesus Cristo e, a seu lado, a Virgem Maria.

Compareceu ali o demônio, cheio de raiva, e reclamou:

– Juiz eterno, justo em vossos decretos, espero obter justiça ainda que seja contra vossa Mãe. Para a morte de Carlos, vossa Mãe tem procedido injustamente em duas coisas contra mim: A primeira é o haver-me proibido de tenta-lo no último dia de sua vida em que eu poderia tê-lo levado a perdição eterna. Mandai que ele volte ao mundo para eu poder tenta-lo até o último instante. A outra injúria que me fez vossa Mãe foi trazer ela mesma em seus braços a alma de Carlos até aqui e não me deixar apresentar as faltas que ele cometeu. Um juiz justo deve ouvir as duas partes.

Replicou a Santíssima Virgem: Embora o demônio seja o pai da mentira, desta vez ele disse a verdade. E eu ajudei extraordinariamente a alma de Carlos porque ele me invocava sempre e me defendia a tal ponto de morrer se fosse necessário por mim.

O juiz então proferiu a sentença a favor de sua Mãe, afirmando que ela fizera muito bem, premiando seu devoto, e impôs silêncio ao demônio, que desapareceu como um raio.

Santa Brígida desde então ficou sossegada e agradeceu a bondade da Mãe Divina.

*           *           *

Todo devoto da Mãe Celestial procura também defende-la contra os que se atrevem a falar mal ou menos bem dela. Não permitamos jamais que gente má ofenda a Virgem sempre pura!

 

46 – DÁ-LHE A SAÚDE

No ano de 1572 o sábio Barônio estava à morte. Recebidos os últimos sacramentos, tinha, pelo que parecia, suas horas contadas. Mas S. Filipe Néri, a cujo Instituto pertencia, pediu a Nossa Senhor que concedesse saúde ao enfermo.

Barônio viu então em visão a seu superior que, prostrado aos pés de Jesus e de Maria, falava:

“Senhor, dai-me Barônio, não o levais ainda”.

E como Jesus não quisesse concordar, voltou-se para Nossa Senhora, que, servindo-lhe de intercessora, foi logo atendida.

No mesmo dia Barônio estava restabelecido de tudo, e pôde ele mesmo narrar nos seus anais a graça obtida.

*           *           *

Tudo o que Maria Santíssima deseja recebe de Jesus, que sempre ainda é seu boníssimo filho.

 

47 – AO PARAÍSO! AO PARAÍSO!

O bem aventurado Afonso Salomerón teve durante toda a vida a mais filial devoção à Virgem Santíssima;  a Ela recorria em todas as dificuldades e a ela deveu as extraordinárias luzes com que admirou a todos os sábios reunidos no Concílio de Trento.

Imitador das virtudes de sua Mãe, era a humilde personificada e jamais quis aceitar as grandes dignidades que a Igreja lhe oferecera.

Recomendava vivamente a devoção a Maria por todas as maneiras possíveis.

Chegou a hora da morte, teve a felicidade de ver a Rainha do Céu junto à sua cama, e expirou exclamando:

“Ao paraíso, ao paraíso! Bendito seja, ó Maria, o tempo em que vos servi, benditas as pregações e fadigas que vos consagrei! Ao paraíso, Ao paraíso! Oh! Quão suave é a morte para quem ama deveras a Maria!”

*           *           *

Quem não gostaria de ter uma morte assim? Pois sejamos sinceros filhos de Maria. Invoquemo-la freqüentemente cheios de confiança.

E Nossa Senhora assistirá aos nossos derradeiros momentos e nos levará para o Céu.

 

48 – QUERIA MATAR O PAPA… E CONVERTEU-SE

Faz alguns anos. Pio XII estava na sua capela, a rezar o terço com um grupo de trabalhadores italianos. Acabada a reza, aproximou-se de Santo Padre Bruno Carnacchila, italiano de 31 anos de idade, e entregou-lhe um punhal, dizendo todo comovido: “Santo Padre, com este punhal jurara matar Vossa Santidade. Que Vossa Santidade me perdoe!”

Pio XII permaneceu silencioso por um momento, e, apanhando o punhal, disse apenas:

– Perdôo-te, meu filho.

Esse Bruno fora terrível comunista. Odiava a Santa religião. Não podia ver Padres. Largara completamente suas orações.

Mas quem não o abandonou foi Maria Santíssima a quem ele tanto rezara em pequeno.

Passando um dia por uma gruta de Nossa Senhora, olhara para a bela imagem, e ela fixou seus olhos nele…e converteu-o totalmente.

Após ter renunciado ao comunismo, e ter-se reconciliado com a Igreja, decidiu entregar pessoalmente o punhal ao Papa.

 

49 – VOU VER NO CÉU MINHA MÃE QUERIDA

Um senhor muito cruel teve o gosto de festejar com um banquete o nascimento de sua filha Lucrecia. Durante o festival, levantando na mão o punhal sangrento, exclamou com voz furibunda:

– Com este matei quatorze Padres Carmelitas e cinco Franciscanos e prometi liquidar  o que tentar batizar minha filha.

Maria Santíssima, porém, velava por sua filha que ajudou a viver pura como um lírio no meio de tantos maus.

Lucrecia foi crescendo. Embora sem batismo, era devota da Mãe Celestial.

Em 1813, Lucrecia caiu enferma e a doença a levou às portas da morte.

Procuraram os parentes dispor o pai a fim de que permitisse o batismo da filha. Ele, esbravejando, renovou o juramento de matar  o Sacerdote que se apresentasse para batiza-la

Avisaram disso um Padre que, disfarçado em médico, veio para prestar socorro à doente, que fora declarada incurável.

Foi aceito. Enquanto o pai foi preparar uma bebida medicinal, prescrita pelo suposto médico, o sacerdote deu-se a conhecer e perguntou a Lucrecia se desejava ser batizada.

– Oh! Sim, Padre, há muito que suspiro pelo batismo.

O pai entrou quando o ministro de Deus acabava de pronunciar as últimas palavras sacramenteis.

– Lucrecia, disse-lhe o pai, toma este remédio.

– Meu pai, não me chame mais Lucrecia, replicou a jovem, eu me chamo agora Maria e vou ver, no Céu, minha mãe querida que me salvou.

E expirou.

Como Nossa Senhora é boa!

E que aconteceu ao pai? Quererão todos saber.

Depois de chorar duas horas a morte da querida filha, colocou a mão direita sobre o corpo frio de Maria Lucrecia, e jurou mudar de vida, reparando todas as maldades. O que prometeu, de fato, fez.

E repito aqui mais uma vez: Como Nossa Senhora é muito boa!

 

50 – CHAMADO POR NOSSA SENHORA A UM DOENTE

Foi durante a noite de 21 de Junho de 1860. Alguém bateu a porta do Colégio de Amiens. O porteiro acorde a portaria e,  antes de abrir, ouviu uma voz que dizia:

“O Padre Guidée que vá imediatamente a tal rua, número e andar, que lá está uma senhora a morrer e quer comungar”.

O Sacerdote, acompanhado do sacristão, se dirigiu logo à tal casa levando junto o Santo Viático.

À entrada apareceu uma empregada.

– Está aqui algum doente?

– Sim, Padre.

– Ela não pediu um Sacerdote?

– Não, Senhor.

– Conduze-nos ao quarto da doente.

A criada conduziu os dois visitantes ao quarto da enferma. Depois de saúda-la, perguntou-lhe se não chamara um Padre.

– Não, Padre; eu não sou Católica; sou protestante.

– Os protestantes, prosseguiu o Padre Guidée, não admitem o culto de Maria Santíssima. A senhora também segue o mesmo pensar?

– Não, Padre; toda vida invoquei o nome de Maria, Mãe de Deus.

Muito disposta, escutou as instrições a respeito da doutrina Católica, e prontificou-se a acreditar tudo, afirmando ser seu desejo morrer no Catolicismo.

O Padre a batizou sob condição, confessou-a em seguida (porque podia ser que já tivesse recebido o batismo) e deu-lhe a Comunhão como viático e a extrema-unção.

Com o nome de Maria nos lábios, faleceu suavemente.

Nossa Senhora mesma chamara o Sacerdote para premiar sua devota.

 

51 – E MARIA LEVOU-O A SER PAPA

Havia na Universidade de Lovaina, Bélgica, um estudante muito pobre, mas de grande inteligência. Era ele quem fazia os melhores exames.

Os companheiros não podiam compreender o seu desaparecimento, todas as tardes, à hora em que iam divertir-se nas casas de diversões.

Para esclarecer o caso fora, uma noitinha, por todos os botequins de Lovaina para o encontrar, mas debalde. Pelas 9 horas da noite passaram junto da porta da igreja de S. Pedro, onde havia um nicho com uma imagem de Maria, alumiada por uma lâmpada.

Ali viram um vulto. Pensaram que fosse um ladrão que quisesse arrombar a casa de Deus. Aproximaram-se e reconheceram o seu bom amigo.

– Por aqui a estas horas da noite? Disseram.

– Venho aproveitar a luz que brilha diante da estátua de Maria, pois não tenho como comprar velas para estudar de noite.

O gentil moço, muito devoto de Maria, a quem invoca freqüentemente foi auxiliado belamente. Terminando os estudos, foi  nomeado professor da mesma Universidade, instrutor de Carlos V e mais tarde ficou Papa com o nome de Adriano VI.

*           *            *

Todas as dificuldades desaparecem perante a bondade de Nossa Senhora.

E fazem muito bem os estudantes que escolhem exatamente a Maria como sua protetora, ela que é Rainha das inteligências.

 

52 – PENSA O SENHOR QUE A MÃE DO CÉU ME ABANDONARÁ?

Um Bispo da Escócia perdeu-se, certo dia, na floresta. Depois de andar muito tempo sobreveio-lhe a noite. Uma luzinha guiou-o a uma casa pobre, habitada por gente piedosa.

Receberam o hóspede, sem saber quem era, pois o Bispo estava envolvido em grande manto. Esse também não sabia se os habitantes desse lar eram Católicos ou protestantes.

O Senhor Bispo notou que reinava tristeza  em casa. Perguntou o que havia. Disse-lhe a dona da casa que o pai, já muito idoso, estava gravemente doente, e o pior era que não queria se convencer de que morreria. Por isso não se preparava para receber a morte.

– Posso vê-lo? Disse o Bispo.

– De boa vontade, tornou a senhora.

E introduziu o ilustre visitante no quarto do enfermo.

Depois de conversar amigavelmente durante minutos, procurou leva-lo ao pensamento da mote. Mas o bom homem pareceu recuperar todo vigor e, elevando o corpo da cama exclamou:

– Não, não morrerei!

– Mas, meu amigo, lembre-se de que todos devemos morrer; e sua moléstia e sua idade…

– Eu lhe digo que não morrerei. É impossível!

E por mais que o senhor Bispo procurasse persuadi-lo, sempre recebia como resposta: “Não morrerei!”

– Mas, afinal, falou o Bispo, pode dizer-me por que razão não pretende morrer?

A essa pergunta o moribundo pareceu enternecido e, lançando um olhar a seu interlocutor, indagou em tom profundamente comovido:

– O senhor é Católico?

– Sou, respondeu o outro.

– Neste caso, volveu o doente, posso dizer-lhe por que não morrerei.

Desde a minha primeira comunhão nunca deixei de pedir diariamente à Nossa Senhora a graça de não morrer sem ter um Sacerdote à minha cabeceira na hora da morte. Pensa que minha Mãe do Céu poderá deixar de me atender? É impossível!…

– Então, meu filho, disse o Bispo, foi atendido. Quem está a falar-lhe é mais que um Padre, É seu Bispo. A Santíssima Virgem trouxe-me através destas florestas para assisti-lo nos últimos momentos.

E abrindo o manto, fez brilhar os olhos do moribundo a cruz pastoral.

Então o bom homem, em transporte de alegria, exclamou:

– Ó Maria, ó boa Mãe, eu vos agradeço.

E o senhor Bispo confessou-o

– Agora, sim, creio que vou morrer!

Minutos depois da absolvição, rodeado de toda família, morreu como um santo.

 

53 – SALVO DA MORTE POR TER DEFENDIDO A MÃE DE DEUS

Não faz muito tempo, na estrada que sobe da cidade francesa Honfler ao elegante Santuário de Nossa Senhora das Graças, um moço de 17 anos, de joelhos e terço na mão, ia escalando a colina. Depois de andar quase um quilômetro conseguiu entrar na igreja e prostrar-se aos pés da Virgem.

Vendo-o um Sacerdote, de joelhos ensangüentados, perguntou-lhe o motivo da dolorosa penitência.

– O senhor soube do horroroso acontecimento que houve ontem no mar? Éramos três jovens, dois pereceram, um só foi salvo: sou eu. Meus dois amigos e eu obtivemos anteontem boas notas em nossos exames de bacharel, festejamos juntos tão feliz sucesso, e, para terminar o dia, resolvemos dar um passeio pelo mar. As ondas estavam fortes e o vento soprava com violência. O dono da embarcação avisou-nos que havia perigo, mas não fizemos caso dos conselhos.

Um dos meus amigos pronunciou algumas palavras levianas e, na conversa, houve algumas zombarias de Nossa Senhora. Proteste, dizendo:

“Amigos, divirtamo-nos, mas respeitem minha Mãe!”

Eles riram-se… mas não durou muito tempo, pois uma onda colocou a pique a canoa. Ninguém de nós três sabia nadar; meus dois amigos afogaram-se. Eu só fui salvo, e atribuo minha salvação a Maria cuja defesa acabava de tomar. Vim aqui de joelhos agradecer-lhe, porque a morte me teria achado muito mal preparado.

Levantou-se e fez ótima confissão.

Nossa Senhora salvou-lhe a vida do corpo e a alma.

*           *            *

Só pessoas de maus instintos e de péssima educação zombam dos Padres, Religiosos, dos Santos e objetos sagrados. Nosso Senhor castiga esses pecados muitas vezes já neste mundo.

 

54 – SIM, MINHA RAINHA, JÁ VOU!

O Papa S. Gregório Magno conta-nos que uma jovem chamada Musa distinguia-se por grande devoção e amor à Mãe de Deus.

Achando-se em grande perigo de perder a inocência por causa dos maus exemplos das companheiras, apareceu-lhe, certo dia, Nossa Senhora, em companhia de muitos Santos, e assim lhe falou:

– Musa, queres entrar para o coro destas virgens?

Musa, toda satisfeita, respondeu imediatamente que sim.

Ouviu então como resposta da Rainha do Céu o seguinte:

– Pois bem, nesse caso deixa tuas companheiras e prepare-te; dentro de trinta dias estarás no Céu entre os Santos.

A boa donzela largou suas amigas. Trinta dias depois estava a morrer, vítima de grave doença. E outra vez apareceu-lhe a Rainha das Virgens, chamando-a pelo nome. Ao que Musa respondeu:

– Sim, ó minha Rainha, já vou.

E expirou na paz de Deus.

 

55 – NUNCA ABANDONO MEUS DEVOTOS

S. João de Deus, muito devoto da Mãe de Deus, estando para morrer, esperava ansioso a visita da Santíssima Virgem. Não a vendo vir, queixou-se disso com os que estavam presentes.

De repente, apareceu Nossa Senhora, em grandioso aparato e suavemente o repreendeu de sua falta de confiança. E acrescentou:

– João, não abandono meus servos numa hora como esta!

Queria com isso dizer: Que está pensando, meu querido João? Havia eu de abandona-lo? Não sabe então que nunca esqueço meus devotos e muito menos na hora da morte? Não vim antes porque ainda não estava na hora. Agora, sim, vim busca-lo; vamos juntos para o Céu.

Pouco depois expirava o Santo e voava ao lugar de delícias a dar graças à sua amabilíssima Mãe por toda eternidade.

A morte dos devotos da Virgem Mãe é sempre encantadora.

 

56 – SALVO DAS CHAMAS

Antigamente costumava-se distribuir entre as crianças os restos dos pães consagrados durante a Santa Missa. Um dia, na cidade de Constantinopla, voltando as crianças da escola, foram convidadas pelo Sacerdote a receberem os fragmentos santos. Entre esses alunos estava um judeuzinho que também comungou com os outros.

Tendo-se demorado, perguntou-lhe o pai, que era um vidraceiro, onde estivera. O menino sinceramente contou tudo. Enfurecido, pegou o filho e lançou-o a um forno aceso, e trancou a porte.

A mãe, vendo que não chegava a casa, saiu a procura-lo. Procura-o daqui, procura-o dacolá. Pôs-se a gritar como uma louca. Os vizinhos auxiliaram-na na procura, mas tudo  em vão. Ao cabo de três dias, passando perto da fornalha, lamentando-se ainda, ouviu a voz do filho. Não sabia a princípio donde vinha a voz; mas reconhecendo, afinal, que era do forno, arrombou a porta e viu o querido filho no meio das chamas sem ter recebido ferimento algum.

Saiu o menino com a mãe lhe perguntasse por que não se queimara no meio daquele fogo, respondeu-lhe que apareceu uma lindíssima senhora que apagara o fogo em redor e lhe dera comida e bebida à vontade.

Toda a cidade foi informada desse fato prodigioso.

Mãe e filho se fizeram batizar, tornaram-se ótimos Cristãos. O pai, obstinado no erro, não quis converter-se. Foi por isso, em 552, por ordem do imperador Justino, condenado à morte em castigo de seu tremendo crime.

Se não fosse Nossa Senhora, que teria sido daquela inocente criança?

 

57 – CONQUISTADO POR NOSSA SENHORA

Um velho pecador – conta um sacerdote – viera de muito longe visitar Nossa Senhora de Lourdes. Não chegara ali por devoção, mas simplesmente como curioso. Encontrando o Padre perto da entrada, ofereceu-lhe dinheiro com as palavras: “Encarregaram-me de mandar rezar uma Missa neste Santuário; eis a oferta”.

– Meu amigo, respondeu-lhe o Sacerdote, não é dinheiro, é a alma que quero; já se confessou?

– Não, senhor Padre, não me confessei, e uma das condições sob as quais consenti em vir até aqui foi exatamente que não me confessaria. E eis que, sem conhecer-me, já me fala em confissão. É um pouco demais!…

– Não, meu amigo, não é demais. Seria esquisito vir até Lourdes e visitar Nossa Senhora cheio de pecados e voltar com eles. Não conhece o poder de Nossa Senhora? Ainda não foi rezar na gruta?

– Acabo de chegar, e ainda não vi nada.

– Pois bem, venha comigo; venha sem receio.

E o peregrino acompanhou-o. O Padre levou até bem perto da imagem da Virgem Imaculada.

– Que se faz aqui? Perguntou o romeiro.

– Reza-se.

– Mas já faz 50 anos pelo menos que não rezo.

– Maior razão, tornou o Padre, para faze-lo agora.

O Sacerdote ajoelhou-se, e ele, como um cordeiro, imitou-o.

Esse homem, que há cinqüenta anos não rezava, fixou os olhos  em Maria Santíssima e ela nos dele…

O ministro de Deus, após ter pedido pela conversão do pecador, falou-lhe:

– Meu amigo, Nossa Senhora não nega nada a quem lhe pede. E bem sabe o que ela lhe pede.

– Oh! Sim, senhor Padre, eu sei. Mas será que Deus ainda perdoará a um pecador como eu? Precisaria ao menos um ano para preparar minha confissão!

– Um ano? Seria assim se o senhor estivesse sozinho! Mas tem consigo Maria Santíssima. Alguns minutos serão suficientes. Venha!

E tomando-o pela mão, fê-lo ajoelhar-se, e momentos depois o velho pecador acabara sua confissão. E que bela confissão!

A virgem Imaculada possui desde então um grande devoto a mais.

 

58 – NÃO FOI POR ACASO

Certa noite o Padre Baron, Vigário em Douai, foi chamado para confessar uma moribunda. Era noite chuvosa e muito escura. Enganou-se com o número da casa, entrando noutra. No corredor disse-lhe uma senhorita que no segundo andar também havia uma senhora que ia morrer em breve.

Sobe, e bate à porta. Um homem, de rosto carrancudo, apresenta-se e pergunta o que deseja aí. O Sacerdote vê a doente no fundo do quarto. Quer adiantar-se, mas o homem, furioso, impede-o, ameaçando joga-lo escada abaixo.

A mulher, porém, com voz fraca pede: “Pelo amor de Deus, Padre, venha cá, quero confessar-me!”

O ministro de Deus, um desses homens robustos e decididos, disse ao que lhe queria vedar a passagem, que se retirasse, e já, pois atenderia a doente.

Aquele senhor, embora esbravejando de ira, afastou-se para longe.

– É a Virgem Santa quem vos mandou, falou logo a moribunda; meu marido, até hoje, resistiu a todos os meus pedidos, recusando a vinda de um Sacerdote. Faz dez anos que não posso ir à igreja por causa dele. Contudo, rezei diariamente à Nossa Senhora, cheia de confiança, esperando ser atendida. E eis a bela graça…

Confessou-se direitinho. E então o Padre perguntou como conseguira manda-lo chamar.

– Não mandei ninguém.

– Mas não sois a senhora fulana de tal? Disse-lhe o Vigário.

– Não, senhor; até nem conheço essa pessoa.

– Mas não é essa a casa número 30 da Rua S. Tiago?

– Não, senhor, aqui é número 50.

O Padre despediu-se para ir visitar a senhora que o mandara chamar, prometendo-lhe regressar para lhe dar o Santo Viático.

Meia hora depois estava de volta, para encontrar um cadáver.

Nossa Senhora permitiu que o Padre errasse o número da casa para socorrer sua piedosa devota.

 

59 – TEMPESTADE APLACADA

Nada resiste ao poder de Nossa Senhora. Os ventos e os mares lhe obedecem como as demais criaturas.

A imperatriz Matilde, obrigada a sair da Inglaterra durante uma guerra que sustentava em favor de seu filho Henrique, atravessou o mar durante um tempo incerto. E passadas umas horas, desencadeou-se medonha tempestade. Os graúdos, que acompanhavam a imperatriz, a temer de medo. Matilde, com semblante pálido, exclamou com voz firme:

– Coragem, senhores, Nossa Senhora é boa e poderosíssima; auxiliar-nos-á com certeza. Logo que avistar terra quero entoar um hino à Virgem do Bom Socorro. E desde já faço voto de mandar erigir-lhe um Santuário à beira-mar, onde tocarmos terra.

Apenas pronunciara esse voto público, a terrível tempestade acabou-se, os ventos cessaram e as ondas se amansaram. O navio foi aportar ao lado dos penhascos da Normandia.

– Cantai, cantai, rainha, disse o piloto; eis a terra!

E a imperatriz, com voz clara e sonora, entoou um cântico popular à Virgem Santa. Todos os que estavam no navio uniram suas vozes a louvar a Mãe de Deus.

Mal desembarcaram, a rainha designou o terreno do futuro Santuário. E antes de se afastar da praia, fez questão de assentar a primeira pedra.

Nossa Senhora não deixa de atender os que a ela recorrem com confiança filial.

 

60 –  SALVO DO TANQUE

Desde criança S. João da Cruz foi devoto de Maria Santíssima, e a Virgem ajudou-o sempre durante toda a vida.

Teria João quatro ou cinco anos quando,  certo dia, brincando de atirar pedaços de madeira num tanque para depois pesca-los, perdeu o equilíbrio, caiu na água e desapareceu. Depois de um instante, porém, voltou à superfície, todo sorridente e alegre.

Alguém o sustentava à tona. Ele falava e sorria a um ente só visível a seus olhos. Quem seria?

Mais tarde, João contou que viu uma Senhora que lhe dissera:

– Dá-me a tua mão para que eu te tire daqui.

E estendia para ele duas mãos brancas com neve.

João examinou as suas, todas sujas de lama, e não ousou estende-las para tão bela Senhora, com medo de manchar-lhe a brancura.

Um grupo de crianças, que ali estavam, se puseram a gritar por socorro. Aparece então um jovem desconhecido que, estendendo-lhe o bastão, o ajudou a sair. Mas antes que alguém pudesse falar-lhe, desapareceu, de súbito, assim como a bela Senhora.

Quem teria sido o lindo jovem? O Anjo de Guarda ou o Menino Jesus?

Depois desse dia Joãozinho entregou-se de corpo e alma     à sua bondosa Salvadora. E sempre que se recordava desse fato, agradecia a Nossa Senhora.

 

61 – SEDE VÓS MINHA MÃE!

Foi em Ávila, Espanha, no mês de Novembro. Numa casa rica, estava agonizando uma distinta e piedosa senhora. Já os Sacerdotes, ali reunidos, haviam rezado as orações dos agonizantes, quando a enferma abre os olhos, olha em derredor de si e, com voz quase apagada, diz:

– Teresa! Chamem a Teresa.

Uma menina de 12 anos penetra no quarto. Aproxima-se da cabeceira da mãe a morrer. Esta, fixando a filha, e como que prevendo o futuro, exclama:

– Bendita…bendita!

E Morre.

Amenina, desfeita em pranto, beija pela última vez aquelas mãos frias e dirige-se a um aposento, onde há um belo quadro da Virgem Senhora. Erguendo os olhos, ainda rasos de lágrimas, e cheios de ternura e confiança fala:

– Senhora, eis que já não tenho mãe; sede vós a minha mãe daqui em diante.

E aquela menina, auxiliada por Nossa Senhora, tornou-se freira, superiora e reformadora, grande escritora e uma das maiores mulheres da história; é Santa Teresa de Jesus.

 

62 – MAMÃE HÁ DE VIR

Um pobre polonês, o Conde Scholinski, preso com as armas na mão na luta da Polônia em 1864 contra a Rússia, fora condenado à morte.

Ao receber tal notícia, a condessa, sua esposa, procurou um alivio à sua dor. Com o filho Estanislau, um menino de 10 anos, ajoelhou-se no oratório do palacete, perante uma artística imagem de Nossa Senhora das Dores:

– Santíssima Virgem, disse ela, protegei-nos, salva-nos; ó boa Mãe, que nunca fostes invocada em vão, tomai em conta nossas súplicas.

Estanislau e a mãe levantaram-se com a esperança no coração. A condessa, acompanhada de um criado e de seu filho, foi à prisão onde estava encerrado o marido. Com uma boa gorjeta conseguiu do carcereiro licença para entrar. O encontro durou meia hora, durante o qual os esposos trocaram mutuamente de roupa; e o infeliz conde saiu, escondendo o rosto, para não ser reconhecido pelo carcereiro. Só no hora do jantar é que deram pelo engano, mas já era tarde demais. No lugar do condenado, acharam a condessa. Ele fugira na direção de Paris, levando consigo o filhinho Estanislau. Passaram-se 18 meses sem ter noticia alguma da corajosa esposa. O filho sempre a perguntar:

– Quando é que mamãe há de voltar?

O pai recomendava-lhe que rezasse a Nossa Senhora que ela a faria regressar.

O menino foi internado num colégio. Recebeu boa instrução religiosa. Aproximava-se a época em que faria a primeira comunhão.

– Papai, repetia o pequeno, quero que mamãe volte para o grande dia de minha primeira comunhão. E ela há de voltar, sim, papai.

Preocupado com esse desejo, escreve uma cartinha endereçada a Pedro, criado de quarto da mamãe, o qual ficara em Varsóvia:

– Pedro, faça o favor de avisar a mamãe que vou fazer a primeira comunhão daqui a um mês. É preciso que ela esteja presente.

Indicou-lhe o seu endereço. Acabada a carta, pôs nela uma imagem de Nossa Senhora, para que chegasse às mãos do empregado.

No mesmo dia o pai recebeu terrível telegrama: “Toda a esperança está perdida, seguiria para a Sibéria. Paciência!”

O grandioso dia para o menino estava se aproximando. Não falou nada de sua carta nem ao pai nem aos seus professores.

Na véspera do belo dia, o pai foi ver o filho. O filho lhe pediu de joelhos perdão por todos os desgostos que lhe dera até então, e a benção para bem comungar. E disse ainda:

“Espero também a bênção da mamãe hoje ou, quando muito, amanhã cedinho”.

O conde calou-se.

– Mamãe estará de volta. Fiz novena a Maria Santíssima, supliquei tanto que não pode deixar de me atender.

– Está bem, meu filho, disse o pai trêmulo de comoção. Esperamos até amanhã. – E despediu-se do filhinho.

Depois do jantar o menino correu à porta.

– Aonde vai? Perguntou-lhe um professor.

– Quero saber se mamãe me espera no locutório.

– Mas, meu amigo, sua mamãe não está aqui em Paris.

– Não está, mas estou certo de que há devir, insistiu Estanislau.

– Sossegue, menino, volte para o recreio.

O menino obedeceu, pensando, que, quando chegasse, o chamariam.

O estudo da noite pareceu-lh muito comprido. Na hora do chá, uma senhora, pobremente vestida, apresentou-se à portaria, pedindo para falar com Estanislau.

O porteiro, não sabendo de quem se tratava, não quis, naquela hora da noite, chamar o menino. Permitiu apenas que ela se aproximasse da janela, para ver desfilarem os alunos que iam ao refeitório.

Estanislau, que esperava com ansiedade a volta da mãe, vendo-a pela janela, gritou:

Ei-la! Ei-la! E caiu desmaiado.

Como é que a condessa chegara à hora marcada por seu filho? Fugira das mãos dos que a levavam para a Sibéria. Disfarçada, tomou o rumo de Paris, e dirigiu-se para o endereço indicado pelo filho ao criado.

Naquela noite os três não dormiram de alegria. E na manhã seguinte, o conde e a condessa Scholinski, reunidos, felizes, entusiasmados, receberam a Santa Comunhão ao lado do filhinho Estanislau.

Maria Santíssima não podia negar essa graça ao piedoso rapazinho. Sua fé  em Nossa Senhora foi lindamente premiada.

 

63 – SIM, CONCEDO-TE…

S. João Vianey amava tremendamente Nossa Senhora. Ela dava-lhe tudo que podia.

O Santo tinha a seu uma muito boa empregada, chamada Catarina Lassagne.

Numa noitinha, pensando que o Santo Vigário ainda estivesse na igreja, Catarina entra, sem bater, no quarto dele. Mas, apenas o abriu, pára no limiar, admiradíssima do espetáculo extraordinário que se lhe apresenta. O Santo Sacerdote, de pé, inundado de uma luz, está conversando com Nossa Senhora com a simplicidade de uma criança.

Catarina compreende que não deve ficar ali; pensa  em fugir. Mas não pode; sente-se presa ao lugar onde está.

– Boa Mãe, dizia o Santo, por favor, concedei-me a saúde de tal doente.

A Virgem divina inclina-se com amor e responde, sorrindo:

– Concedo.

– Muito obrigado, minha boa Mãe. Nunca me recusais coisa alguma; mas, agora, tende compaixão de tal pecador obstinado, dai-lhe a graça da conversão.

– Concedo-te isso também.

– Oh! Mil vezes obrigado, minha boa Mãe! Mas permiti ainda que eu faça mais um pedido. Sou pobre e nada posso deixar à minha boa e velha empregada…Ao menos, se tivésseis a bondade de cura-la, antes de minha morte, da enfermidade que conheceis!

Terceira vez a amável Virgem respondeu graciosamente:

– Concedo-te isto igualmente.

E a celestial visão sumiu-se. E o bondoso Vigário repara que Catarina ali está de pé na porta e vira e ouvira tudo.

– Como!, lhe diz ele, a senhora está aí, apesar de minha proibição?

– Mas, balbuciou a criada, eu não sabia que o senhor estava cá dentro, e quando quis ir embora, não pude.

– Então, como está passando agora?

– Estou curada; não sinto mais nada.

– Então, vamos agradecer a Nossa Senhora.

E teve que prometer que nunca contaria isso, enquanto o Santo vivesse. Ela porém, contou depois, por ocasião do processo de canonização.

 

64 – FOI MARIA QUEM ME LIVROU DO INFERNO.

Na manhã  do dia 9 de janeiro de 1854, entrou um moço numa livraria e, vendo um livro de Nossa Senhora da Salete, ficou como que possesso do demônio. Falou uns palavrões contra Nossa Senhora. Num impulso de raiva, arremessou o livro ao chão.

No mesmo instante, oh! Coisa horrível, caiu como fulminado, sem fala, e sem dar sinal de vida.

O livreiro e os empregados da casa, apavorados não ousaram nem sequer levanta-lo.

Alguém, que ouvira as blasfêmias contra a Mãe de Deus, gritou:

– É castigo de Deus, pois insultou Maria Santíssima!

Minutos depois, começou a movimentar-se como que quem procura desfazer-se de alguma coisa que o incomoda. Enfim, pareceu que se livrava de grande peso; respirou profundamente, olhou em redor de si, pôs-se de joelhos e pediu perdão aos circunstante pelo escândalo que dera.

– Que houve, que houve? Perguntaram-se todos os presentes ainda sobressaltados.

Ao que disse:

– No momento em que joguei o livro no chão, os demônios (não sei quantos) apoderaram-se de mim e me iam arrastando ao inferno. Maria, Mãe de Deus, apareceu-lhe tal e qual está representada sobre a capa. A Mãe de misericórdia acaba de livrar-me das garras desses monstros infernais. Ajudai-me a agradecer-lhe o grande benefício.

Ao sair da livraria, dirigiu-se o jovem à igreja, onde se confessou cheio de arrependimento e depois mudou de vida para sempre. Tornou-se devoto da Mãe de Deus. Comprazia-se em dizer:

– Foi Maria quem me livrou do inferno.

Mas, afinal, por que esse auxilio tão extraordinário a um moço tão perverso?

A resposta é a seguinte: Em pequeno, consagraram-se a Nossa Senhora para sempre. E embora ele se tivesse esquecido do que prometera, não assim aquela que é sempre boa para com todos.

 

65 – CURA A SANTA TERESINHA

A devoção tenra e filial de Santa Teresinha a Maria Santíssima e a maternal proteção  que Nossa Senhora dispensou à Santinha são sumamente tocantes.

Nascida de pais totalmente católicos e piedosos, aprendeu a amar a Virgem desde criancinha. Invocava-a com amor e carinho. Visitava-lhe as imagens e os santuários dedicados a ela com sumo prazer. Enfeitava-lhe os altares; fazia novenas.

E Maria não tardou em manifestar-lhe seu carinho de Mãe.

Aos dez anos de idade foi Terezinha atacada por uma dor de cabeça esquisita. Andava tonta e fazia-a tremer em todo o corpo. Os queridos de casa ficaram alarmados. O pai mandou rezar uma novena a Nossa Senhora das Vitórias.

Certo domingo a dor atingiu o auge. Teresinha teve uma crise terrível, e não reconhecia ninguém. Suas irmãs cercaram-na e de quanto em quanto se ajoelhavam diante de uma imagem de Nossa Senhora, pedindo compaixão pela doente. Teresinha, deitada perante uma linda estátua da Virgem sempre bela, banhada de suor e com ânsia indizíveis, exclamou:

– Acorde-me, mãe do Céu, acorde-me!

No mesmo instante o rosto da menina, antes pálido, distendeu-se num sorriso luminoso, e de uma expressão indefinível:

– A Virgem me sorriu! A Virgem me sorriu!

E Teresinha estava completamente curada. E a quantos lhe perguntavam como fora, dizia:

“A Virgem caminhou para mim sorrindo. E estava tão bela, que eu esqueci a morte e fiquei boa!”

 

66 – OBTINHA TUDO

Poucos serão os Santos que amaram a Maria Santíssima tanto quanto S. José Benedito Cottolengo, nascido em 1786 e falecido em 1842.

Repetia muitas vezes: “Oh! Como somos felizes em termos uma Mãe tão boa! Quanto a mim, depois de Deus, sei a quem devo amar;  é a minha Mãe é nossa Mãe, a Mãe de todos os homens. Se soubésseis quanto nossa Mãe é amável e admirável! É por ela que temos Jesus; é por ela que recebemos as graças; se não fosse esta boa mãe, que seria de nós, coitados?”

Cada vez que falava da bondade da Virgem Puríssima, o rosto resplandecia de doçura e alegria. Recomendava a todos a sua devoção. Não saia nem entrava em seu quarto sem se ajoelhar aos pés de linda imagem e pedir-lhe a bênção. Passando perante imagens fazia piedosa inclinação, saudando-as.

Tinha particular devoção a Nossa Senhora da Graças que um dia lhe dissera:

“Não temais, estarei sempre contigo para proteger-te”.

Gostava muito de rezar o terço e a ladainha lauretana. Punha  em Nossa Senhora toda a sua confiança.

“Desta Senhora – afirmava ele – eu obtenho tudo o que desejo. Ela é boa que nunca me diz não”.

Em todos os aposentos da “Pequena Casa da Providência”, certamente o maior hospital do mundo, encontram-se imagens da Virgem Santa, com flores frescas e lindas. Mandou fazer um Santuário, onde recebeu todas as cópias de imagens que pôde obter de todo o mundo, revestindo com elas as paredes. E ali deviam vir todos os que podiam, para rezar e cantar-lhe hinos.

E Nossa Senhora, que é sempre boa, não podia deixar de auxiliar a seu servo fiel e devoto.

Vejamos alguns exemplos:

Em  1839, a Irmã Florina, encarregada da padaria, avisou ao Padre José Benedito que faltava farinha para o pão e que no dia seguinte não haveria mais uma migalha em toda a casa.

Entrou o Santo no refeitório, onde havia artística estátua da Mãe de Deus, fechou as portas, e de joelhos, entregou-se à fervorosa oração. Enquanto isso, um senhor bateu à portaria da casa. Estava ele ali com uma carroça, puxada por dois cavalos, carregada de sacos. E o homem disse: “Deram-me ordem de conduzir esta farinha”. E não quis dar outras explicações, e, desatrelando os cavalos, voltou com eles, deixando a carroça com os sacos.

O carro, que ficara no terreno, desapareceu assim que estava vazio, sem que ninguém soubesse como nem para onde.

Nossa Senhora atendera as orações do Santo.

*          *         *

Noutra ocasião, achou-se a Pequena Casa novamente sem pão. Era pela manhã. Cottolengo fechou-se no quarto e prostrado aos pés de uma imagem da Virgem Imaculada, invocou-lhe a proteção, permanecendo em oração até meio dia. Ao toque do sino chegou um homem, nunca dantes visto, o qual, sem falar, entregou à portaria um montão de notas de dinheiro. Informado imediatamente de tal acontecimento o Santo exclamou logo: “A Senhora!” E logo mandou comprar pão e arranjar o que era necessário.

*          *         *

Doutra vez veio a faltar o arroz. Uma cozinheira foi avisar o Santo. Este mandou-a acender a lâmpada de seu altarzinho de Nossa Senhora, e, passado meia hora, eis que um portador, a mando de alguém, trazia 15 sacos de ótimo arroz gratuitamente.

*          *         *

Certo dia chegou um negociante de fazendas para cobrar vultuosas dividas. Cottolengo não tinha com que pagar.

Insistindo o credor, mandou-lhe dizer pela portaria que esperasse um pouco. E pôs-se a rezar. Durante a oração, sentiu-se inspirado a olhar para os pés da estátua. E eis que ali encontrou um pacote de moedas de ouro suficientes para pagar o débito e ainda mais.

*          *         *

Outro credor, que não podia ser pago ficou furioso. O Padre conduziu-o consigo à igreja a rezar.

Enquanto recitava a ladainha de Nossa Senhora, chega uma carruagem e uma pessoa entrega à Irmã porteira duas bolsas, contendo uma moeda de ouro e outra de prata.

O Santo pagou a dívida, dizendo ao credor:

“Vês como Nossa Senhora logo nos ajudou?”

*          *         *

Numa noite em que chovia a cântaros, o secretário do Santo veio falar-lhe que as coisas iam mal. Muitas contas a pagar e o cofre de esmolas estava vazio. Cottolengo, interrompendo a leitura, voltou-se para a imagem da Virgem, invocou-a cheio de confiança.

Passados alguns instantes, mandou ao moço que pegasse da lanterna e o acompanhasse a visitar o cofre das esmolas. Observou o jovem que era coisa inútil, pois que ele de lá viera havia instantes. Mas teve que obedecer. E a fé do Padre foi largamente compensada: O cofre estava cheio a transbordar de moedas de ouro e tão apertadas que não foi fácil terá-las.

Pôde assim liquidar todas as dívidas e arranjar víveres.

*          *         *

Em 1837, tendo saído Cottolengo às onze da manhã foi visto voltar depois da meia noite todo abatido e cansadíssimo. Foi ao quarto. Disse à Irmã porteira, que o quis consolar, que ele precisava de descanso. Que não atenderia ninguém. No quarto pôs-se a rezar à Virgem Santíssima.

Não se passara muito tempo quando se apresenta uma senhora muito distinta que desejava muito falar com o Santo. A porteira lhe dizia que não podia ser atendida. Insistiu a visitante, afirmando que o servo de Deus não seria incomodado com a visita, pelo contrário, ficaria muito contente. E o aspecto daquela senhora era tão doce e os seus olhos eram cheios de luz tão viva e cintilante que a Irmã porteira se viu forçada a fazer ciente o Padre daquela visita.

Chegando a senhora, onde ele estava, lhe entregou um anel com uma pedra preciosa, dizendo-lhe: “Isto servirá para pagar a dívida”.

Assim que a bela Senhora deixou a casa, a Irmã encontrou o Padre todo alegre. Perguntando-lhe quem era aquela visitante, respondeu o Santo: “A Senhora não é daqui da terra, veio de cima, fique sabendo que é Nossa Senhora”.

E contou-lhe que voltara todo abatido porque um credor o maltratara e o ultrajara publicamente na rua, porque não pudera pagar-lhe o que devia.

*          *         *

Certo dia, novamente, as cozinheiras se queixaram que na despensa não havia mais nada. Que não poderia aprontar o jantar. O Santo retirou-se ao quarto e pediu socorro à Mãe de Deus. Enquanto estava rezando, apareceu um mensageiro avisando que os batalhões de soldados do quartel, que haviam prometido regressar aquela tarde de manobras, longe da cidade, voltariam somente no dia seguinte. A comida estava toda pronta. Se o Santo a quisesse para seu pessoal, o comandante lha enviaria.

O Servo de Deus, muito satisfeito, aceitou o presente, aliviando a casa toda.

Maria Santíssima é, de fato, muito boa.

 

67 – A ESCADA DE PRATA E A ESCADA DE OURO

Frei Leão, um dos companheiros de S. Francisco de Assis, viu em sonho do juízo final.

Num vasto campo, os Anjos reuniam, aos sons das trombetas, ima imensa multidão. Numa das extremidades do sítio, uma escada de ouro se elevava da terra ao Céu. Na outra extremidade, outra escada, mas de prata, descia do Céu e chegava até a terra.

No alto da escada de ouro, Frei Leão viu Jesus, sob as aparências de um juiz severo; em baixo, estava S. Francisco que Jesus abraçou logo. Disse então o Santo:

“Vinde, irmãos, vinde sem medo”.

Os religiosos avançavam e subiam com segurança os degraus da escada de ouro. Mas quando todos já tinham começado a subir, um caiu do terceiro degrau, outro do quarto, do quinto, do sexto, do sétimo, e assim por diante. Enfim, nem um só ficou na escada. S. Francisco, olhando para Nosso Senhor, pediu-lhe que não os repelisse; mas Jesus, mostrando suas chagas sangrentas:

“Vê, disse-lhe, o que me tem feito teus irmãos”.

Então, o Senhor desceu uns degraus e dirigindo-se de novo a seus irmãos, falou-lhes:

“Coragem, tendes confiança, meus irmãos; vede a escada de prata, é nela que subireis ao Céu”.

Apareceu logo, no topo da escada de prata, a gloriosa Virgem, clemente e misericordiosa.

E os filhos de S. Francisco, graças à Virgem Imaculada, chegaram ao paraíso.

Se é verdade que todas as graças, que Jesus nos conquistou, são distribuídas somente por Nossa Senhora, então só se salvará aquele que a ele recorrer e for devoto dela.

 

68 – QUIS VÊ-LA E VIU-A DE FATO

Tendo ouvido falar da beleza de Maria Santíssima, um Religioso que muito a amava, desejava ardentemente vê-la pelo menos uma vez. Pediu-lhe humildemente essa graça, e a bondosa mãe mandou-lhe um anjo para que lhe dissesse que seria satisfeito o seu pedido, com esta condição, porém, que, depois de tê-la  visto, ficaria cego.

Apareceu-lhe um dia a Virgem Maria. E ele, para não perder os dois olhos, quis a princípio contempla-la com um só olho.

Mas, em breve, encantado pela grande beleza de Maria, abriu o outro olho para aprecia-la melhor, e, nesse momento, desapareceu a Mãe de Deus.

Desde esse dia, não continuando mais a ver a sua amável Rainha, ele ficou tão aflito, que não parava de chorar, não por ter perdido um olho, mas por não ter podido ver a Santíssima Virgem com os dois olhos.

Por isso suplicou-lhe que se lhe mostrasse novamente, consentindo de boa vontade perder ainda o olho que lhe ficara.

“Ó Maria, dizia-lhe ele, serei feliz e contentar-me-ei se ficar cego por uma razão tão sublime, pois amarei então somente a vós e a vossa beleza”.

Maria quis consola-lo novamente e aparece-lhe pela segunda vez. Mas, porque essa boa Mãe não faz mal a ninguém, em vez de priva-lo inteiramente das vistas, restituiu-lhe o olho que antes perdera.

Sempre assim é Nossa Senhora!

 

69 – LIVRA-O DO DESESPERO

O célebre Doutor da Igreja, S. Francisco de Sales, quando ainda jovem de seus 18 anos, viu-se tentado terrivelmente pelo demônio. Ficou abatido de tal de tal maneira que já quase não comia nem dormia.

Parecia-lhe que também já não rezava direito. A saúde começou a perigar. Estava para desanimar de vez. Passou duas semanas de inferno cá na terra. O demo lhe fazia ver que já estava condenado. Que nada adiantaria tudo o que fizesse.

O nobre moço, que vivera sempre bem, que nunca cometera um só pecado grave na vida, não sabia o que mais fazer.

Deus, porém, vela pelos que desejam ser bons. Levantou-se corajoso o moço e dirigiu-se à igreja. Foi direto ao altar da Virgem poderosa. De joelhos, reza com toda a confiança a bela oração: “Lembrai-vos, ó Virgem Maria, que nunca se ouviu dizer que alguém tivesse recorrido a vós sem ter sido atendido. Não permitais que eu seja o primeiro a ser abandonado”.

Imediatamente a boa Mãe lhe veio em socorro. Desde então nunca mais tentações dessas o assaltaram.

Devotíssimo dela, ficou Padre, Bispo e grande Santo. Tudo fez para que todos se tornassem íntimos amigos de Nossa Senhora.

 

70 – MARIA BUSCOU O MENINO DURANTE A NOITE

Vocês todos sabem o que é o escapulário de Nossa Senhora do Carmo. Se não souberem perguntem à mamãe. Quem recebe esse escapulário e traz consigo devotamente, vai para o Céu. Foi Nossa Senhora mesma quem o prometeu. Em lugar do escapulário também pode-se trazer uma medalha que tenha um lado a imagem do S. Coração de Jesus e no outro a do Puríssimo Coração de Maria. (Outro nome, para escapulário, é bentinho).

Quem de vocês ainda, por acaso, não tenha recebido do Sacerdote o escapulário, procure quanto antes consegui-lo, e depois trazê-lo sempre com respeito e amor.

Um exemplo de um menino que não quis dormir sem o escapulário.

O Padre Reitor de um colégio, fazendo, certa noite, a visita aos dormitórios, encontrou um aluno, de joelhos, ao pé da cama, enquanto os outros já estavam dormindo. O menino entregara seu escapulário ao porteiro, que era também alfaiate, para emendar as fitas. Não queria deitar-se, com o receio de morrer durante a noite.

– Faça um ato de contrição e deita-se: amanhã o bentinho ser-lhe-á entregue, disse o Padre Reitor.

– Não posso deitar-me sem meu escapulário, respondeu o bom menino.

Vendo isso, o Padre foi buscar o bentinho e lho entregou. Satisfeito, adormeceu logo cheio de alegria.

Na manhã seguinte, na hora de levantar, o menino ficou na cama. O Padre quis acorda-lo, mas em vão. Estava  morto.

Com um angélico sorriso nos lábios, apertava nas mãos o escapulário.

Maria Santíssima viera buscar o piedoso menino para premia-lo no Céu.

 

71 – E VOLTOU A SI

Entre os alunos do Colégio de Santa Maria de Tolsa havia um por nome Henrique.

No recreio, depôs do meio-dia, um grupo de meninos, reunidos num dos corredores, pôs-se a gritar:

– Padre! Padre! Está morto…

O Padre Prefeito acode a toda a pressa e encontra Henrique estendido no chão, pálido e sem dar sinal algum de vida. Levam-no ao quarto mais próximo, deitam-no sobre a cama, e chamam o enfermeiro. Este emprega, durante meia hora, todos os meios para fazer voltar à vida; mas, inútil.

Entre as pessoas, que conseguiram entrar no quarto, estava uma piedosa senhora que, ajoelhada ao pé do leito, perguntou ao Sacerdote:

– Este menino tem o escapulário?

– Vou ver. Não tem!…

Aí a boa dona arrancando apressadamente o seu do pescoço:

– Padre, passe este escapulário ao menino.

Apenas isso feito, Henrique abre os olhos, recobra as cores do rosto e, todo espantado, pergunta:

– Padre, que estão fazendo aqui?

– Ah! Quantos cuidados nos deste! Que fizeste de teu escapulário?

– Deixei-o pendurado perto de minha cama.

– Olha, foi preciso o bentinho desta senhora para te dar a vida. Nunca Andes sem ele!

Nossa Senhora auxiliou miraculosamente, para mostrar o valor que ela dá ao escapulário.

 

72 – POR CAUSA DO ESCAPULÁRIO

Chamada à vida religiosa, uma moça antes de entrar no convento foi ter com o Santo Cura de Ars para fazer uma confissão geral de toda a vida.

Depois da confissão. O Santo disse-lhe:

– Deve lembrar-se ainda, minha filha, de certo baile que assistiu, há pouco. Encontrou ali um moço desconhecido por todos, mas de modos distintos que parecia o herói da festa.

– Perfeitamente, lembro-me.

– Pois bem; a senhora o invejou; ele porém, não lhe deu o menor olhar, e bailou com todas as moças.

Quando saiu do salão, reparou em duas chamas azuis debaixo de seus pés.

– É tal qual, vi, sim, senhor.

– Este moço, minha filha, era o demônio. Todas aquelas moças, com quem dançou, tem um pé no inferno. E sabes o motivo pelo que a desprezou? É porque a senhora estava revestida do escapulário, o qual, por devoção para Maria Santíssima, trazia. Dê graças a ela pelo grande favor e bondade.

*          *          *

O demônio tem um horror medonho ao santo escapulário.

 

73 – METEU DUAS BALAS NA CABEÇA

Um senhor aborrecido com todos e com tudo pegou num revólver – escreve o Padre M. Blot – e meteu duas balas na própria cabeça, para dar cabo de si. Não obstante, não morreu logo.

Chamado o Sacerdote, pôde confessa-lo e dar-lhe a extrema-unção.

Estava o Padre a pensar na imensa bondade de Deus e na grande sorte do suicida, quando este, entreabrindo com as mãos a temer a camisa, mostrou o escapulário, que nunca abandonara, e disse com voz moribunda:

“Eu rezei tanto a Maria, quando era pequeno que ela se compadeceu de mim hoje”.

 

74 – E A CORDA REBENTOU

Depois de umas pregações, o Padre Millériot deu a uma prisioneira, que com ele se confessara, um escapulário, fazendo-o prometer que nunca o deixaria.

Alguns dias após, tornara a encontra-la no pátio da prisão.

– Então, perguntou-lhe, como vamos?

– Ah! Meu Padre, mal o deixei de ver, tudo aqui tem ido às avessas. Eu me enforquei!

– Enforcou-se? Como isso?

– Sim, meu Padre, enforquei-me. As minhas companheiras acusam-me de uma infâmia. Aborreci-me tanto que pensei em suicidar-me. Corri para o poço do pátio para me atirar nele. Seguraram-me. Daí a pouco subi secretamente ao sótão e me enforquei com uma corda. Já parecia que me ia sufocar, quando a corda rebentou. Foi então que me lembrei do escapulário, e me arrependi. Maria Santíssima me salvou da morte eterna. Atende-me em confissão, sim?

Na alma limpa voltou a paz de Deus.

 

75 – QUIS AFOGAR-SE E NÃO PODE

Um senhor cometera um crime e, temendo a justiça, queria matar-se. Providencialmente encontrou-se com o Padre Millériot. O zeloso Sacerdote tudo fez para dissuadi-lo. Mas ele achava que não podia atende-lo.

– Ao menos, diz-lhe o bom Padre Missionário, ao menos, meu amigo, conceda-me um favor. Vou dar-lhe o escapulário. Promete-me que não o deixará nunca.

– Meu Padre, prometo-lho. O senhor foi tão bom para mim!

E se foi embora.

O Padre dizia consigo:

– Amigo. Tenho-te seguro… tu podes matar-te, se quiseres…mas não hás de morrer.

No mesmo dia o infeliz, a quem perseguia a tentação do desespero, lançou-se ao rio sena. Mas não houve jeito de se afogar, por mais que se esforçasse, e não soubesse nadar. É que estava com o escapulário ao pescoço.

Maria Santíssima prometeu:

“Todo aquele que morrer com o escapulário, não cairá nas chamas do inferno”.

O nosso homem caiu, em seguida, gravemente doente, e teve a felicidade de converter-se e salvar-se.

*          *          *

Se Nossa Senhora salvou esse homem somente porque trouxe consigo o bentinho, quanto mais ajudará aos que o trazem com devoção e recorrem a ela sempre!

 

76 – PARECIA MORTA

O ilustre médico francês Dr. Recaimer foi chamado às pressas para atender uma moça que se suicidara pela asfixia.

À primeira vista parecia, de fato, morta. Mas para consolar os pais, fez quanto estava a seu alcance para chamá-la à vida.

Vendo, porém, seus esforços inúteis, despediu-se. Ao chegar à porta de saída, lembrou-se que a infeliz tinha o escapulário ao pescoço.

Sendo o suicídio pecado grave, Nossa Senhora não permitiria que essa jovem morresse com o escapulário, pois ela mesma prometera que quem morresse com esse hábito sagrado, não cairá nas chamas eternas.

Voltou ao quarto da suposta defunta. E recomeçou a série de movimentos costumados, em semelhantes casos. E depois de muito vira e revira, a donzela abre os olhos e vem a si. E estava boa.

– Minha senhorita, disse-lhe o piedoso médico e grande devoto da Virgem do Carmo, se não fosse a Mãe de Deus, a estas horas estaria no fogo do inferno. Vá confessar-se e agradecer-lhe.

Ela atendeu imediatamente a ordem do doutor.

 

77 – UM DIA TU TAMBÉM HÁS DE CRER

Um jovem, cheio de vida e de ardor, esperava pelo trem que devia conduzi-lo à frente de combate.

Sua irmã, agarrada ao braço, com que não querer deixa-lo partir, murmurou ao ouvido:

– Tu me queres bem irmão?

– Podes duvidar disso?

– Então deves me fazer um favor; e não digas não.

– Que desejas, joaninha; farei tudo o que pedires; que queres?

– Quero pregar esta medalha de Nossa Senhora no forro do teu casaco e tu vais prometer-me que nunca a tirarás…nunca, entendestes?

– É só o que desejas? Sabes que não creio nessas superstições, mas para ver-te satisfeita…

– Eu creio, que um dia também hás de crer.

O trem chegou. Um abraço, um beijo e o jovem soldado pulou para o vagão.

O comboio retomou o seu percurso…e desapareceu. A mocinha, com o coração a partir-se de dor, voltou para casa.

Um dia do mês de Agosto de 1916, os austríacos tomaram de assalto o território comandado pelo jovem capitão.

A maioria de seus soldados tombaram e ele de pé gritava animado: “Viva a Itália!”

E o combate continuou. Soldados corpo a corpo lutavam bravamente. O inimigo teve que fugir, mas o capitão foi atingido em pleno peito.

Correram em auxílio. Levaram-no para o hospital de sangue. Tiraram-lhe a farda para examinar o ferimento e com surpresa verificaram que o capitão não estava ferido.

– Milagre! Milagre! Gritaram os enfermeiro. Realmente, tratava-se de um fato extraordinário. A bala atingira a medalha, partindo-a ao meio. A farda apresentava queimaduras, mas o corpo do bravo militar não sofrera nenhum arranhão,

Poucos meses depois, o nosso capitão já promovido a major por mérito da guerra, sua irmã Joaninha, seus pais e alguns parentes estavam aos pés da Virgem, agradecendo juntos duas grandes graças: a de ter sido salvo da morte e a de estar completamente convertido.

Agora, como bom católico, acreditava em Deus e amava a Virgem que lhe fizera tanto bem.

 

78 – DÊ-ME A MEDALHA DE CONGREGADO!

Em Dezembro de 1929, na cidade austríaca de Graz, adoeceu um jovem de 18 anos, estudante da academia de comércio. Levaram-no ao hospital, e os médicos constataram que era um caso muito grave de tifo. Durante muitos dias teve mais de 40 graus de febre. Foram-lhe administrados o santo Viático e a extrema-unção.

Em suas fantasias de febre gritava que causava dó. E seu estado piorava de dia para dia. Nos momentos lúcidos repetia inúmeras vezes:

“Meu Deus, ajuda-me!”

Um tio seu visitou-o muitas vezes. Por ocasião de uma dessas visitas, o enfermo pediu a medalha de congregado mariano que deixara em casa. Mas custou muito a articular a palavra. Não conseguia dizer tudo.

Assim que o tio compreendeu de que se tratava, correu a busca-la e a trouxe. O doente parecia que morreria de minuto por minuto. A Irmã enfermeira colocou a medalha sobre o peito do enfermo e em seguida pregou-a aos pés da cama de modo que ele podia enxerga-la. Dirigiu para ela, então, o olhar suplicante e não mais tirou a vista dela.

De repente, por todo o corpo do doente apareceu abundante suor e tendo sempre gemido e gritando, ficou imóvel e calado de maneira que a Irmã pensou que tivesse morrido. Mas vendo o suor disse: “Está salvo!”

E de fato, desde aquele momento o enfermo ficou calmo e o espírito tornou-se lúcido. Devagar foi melhorando e após algumas semanas, restabelecido, deixou o hospital.

Nossa Senhora teve pena de seu congregado e ajudou-o otimamente.

*          *          *

Felizes são os que bem cedo se inscrevem na congregação Mariana. É a salvação de tantos meninos e moços. O mesmo vale, naturalmente, da Pia União das filhas de Maria. Os bons filhos de Maria têm o Céu garantido. Por isso não há necessidade de eu pedir que cada qual consiga alistar-se no glorioso exército da Imaculada.

 

79 – AH! UMA MEDALHA MILAGROSA!…

A 4 de Maio de 1897 deu-se terrível incêndio em Paris. No prédio encontrava-se uma senhora com a filha e um filho, que desde tempos não queria saber de religião e vivia em graves pecados.

Durante o incêndio, o filho tomou a mãe nos braços e a colocou fora de perigo. Lançou-se de novo nas chamas e conseguiu salvar a irmã. Durante esse ato heróico desabou sobre a cabeça uma viga inflamada, sem lhe causar mal nenhum.

Conversando, depois, com os que salvara das chamas, dizia muito admirado:

– De fato, não sei, como não me esmagou aquela viga, que desabou sobre a cabeça.

– Pois eu sei, disse a piedosa irmã. Traga cá o chapéu.

– Aqui o tens. Nem a menor queimadura vês nele, replicou o irmão sempre todo admirado.

– Pois bem, arranque-lhe o forro.

Isso feito, exclamou:

– Ah! Uma medalha milagrosa!…

De fato, a irmã, antes de sair naquele dia, pregara-lhe entre o forro do chapéu essa milagrosa defesa.

O jovem protegido por Nossa Senhora, mudou então de vida.

 

80 – PELO TERÇO CONSEGUIA TUDO

O extraordinário devoto de Nossa Senhora, o Santo Cura de Ars, quando desejava um favor do Céu, tomava seu terço e o rezava. E sempre era atendido.

Eis um dos fatos: Certo dia aproximou-se dele um credor a quem devia avultada soma. E queria o dinheiro com urgência. Naquele dia mesmo.

Que fazer? Não possuía nada em caixa. E já chegara a tarde. Como sempre em tais dificuldades, pegou o terço e pôs-se a recitá-lo piedosamente, andando Por um atalho dum bosquezinho. E ainda não terminara a reza, quando ouve uma voz de senhora que o chama:

– Desculpe, senhor Padre, será talvez Vossa Reverendíssima o Vigário de Ars?

– Sim, minha senhora; em que poderia servi-la?

– Tenho um recado a dar-lhe. Entregaram-me esta quantia para que a dê a V. Revma.

– Será, replicou o Santo, para dizer missa?

– Não, pode gastar o dinheiro como melhor lhe aprouver. A pessoa só pede que reze por ela.

O Santo recebeu a importância que foi suficiente para pagar o credor.

*          *          *

Nossa Senhora gosta de que rezemos o terço do santo Rosário. Foi ela quem ensinou aos homens por intermédio de S. Domingos. Muitas vezes o recomendou, principalmente nas aparições em Lourdes, em 1858, e em Fátima em 1917.

Fez ela lindas promessas aos devotos do santo Rosário por intermédio de S. Domingos e do Bem-aventurado Alano de Rocha.

1) A devoção ao santíssimo Rosário é grande sinal de predestinação, (quer dizer que os que o rezam bem e freqüentemente vão para o Céu).

2) Quem reza piedosamente o Rosário e perseverar nessa oração será atendido em suas orações.

3) Os que propagarem meu Rosário serão socorridos por mim em todos os males.

4) O que reza piedosamente o Rosário, meditando os mistérios, converter-se-á, se for pecador.

5) Os que rezam meu Rosário, acharão, durante a vida e a morte conforto e luz.

6) O que se recomenda a mim pelo Rosário não perecerá.

7) Aos que rezam meu Rosário, prometo minha proteção especial.

8) O Rosário é arma poderosa contra o inferno e um escudo invulnerável contra as setas do inimigo.

9) Quem rezar devotamente o Rosário crescerá em graça, se for justo, tornar-se-á digno da vida eterna.

10) Prometo graças de escol aos devotos de meu Rosário.

11) Quero que os que cantam meus louvores pelo Rosário tenham luz, liberdade e plenitude de graças.

12) Os verdadeiros devotos do Rosário não morrerão sem os sacramentos.

13) Sou de modo especial a Mãe dos filhos do Rosário que estão no purgatório; todos os dias liberto alguns.

14) Os verdadeiros devotos de meu Rosário gozarão grande glória no Céu.

Aproveitamos as graças dessas grandiosas promessas da Rainha do Santo Rosário.

 

81 – ESCAPARAM DA MORTE

No tempo em que no Brasil houve a Inconfidência Mineira, de 1789 em diante, na França reinou uma das piores revoluções de toda a História. Ninguém lá podia apresentar-se como católico sem correr perigo de ser estrangulado.

Os pais de Julia Janau, menina de 11 anos, foram presos e condenados por causa da religião. Julia ficou em casa com a empregada. Chorava dia e noite pela sorte dos queridos pais.

Em sua aflição pôs-se a rezar com toda a devoção o santo terço, pedindo a Nossa Senhora a volta dos pais.

Estava ela a rezar quando um senhor do partido revolucionário penetrou na casa à procura de mais alguém.

– Que estás fazendo? Perguntou ele à criança.

– Estou rezando o terço por meus pais. Quero que a Mãe de Jesus me devolva os pais porque eles são inocentes.

E dizendo isso elevou as mãos suplicantes para o revolucionário.

– Você acredita que sua oração a ajudará?

– Tenho toda a certeza, pois mamãe, que me ensinou essa oração, disse que por ela se consegue tudo. E mamãe não pode mentir.

E aquele homem enterneceu-se e tornou a perguntar:

– Acha, boa menina, seus pais são inocentes?

– Não só acho, mas tenho certeza, pois eles nunca fizeram mal algum.

– Pois bem; verei o que posso fazer por eles.

– Muito obrigada, senhor. Salve meus pais.

E a menina continuou cheia de confiança, a pedir à Virgem Mãe. E a Imaculada atendeu-ª

O revolucionário que gozava de muita influência no tribunal, conseguiu que os acusados fossem absolvidos e restituídos à liberdade.

A reza do terço da menina salvou os queridos pais.

 

82 – SÓ AS DUAS SE SALVARAM

Foi na Suíça.

Um trem corria a toda velocidade.

Duas senhoras piedosas vinham voltando de uma romaria a um santuário de Nossa Senhora. Sentadas em suas poltronas, rezavam o terço. O condutor do comboio, ao vê-las a recitar a santa oração, buliu com elas, por ser protestante. Outros que ouviram, uniram-se, e em coro caçoaram das duas senhoras.

Nosso senhor não pode gostar disso.

Quando a locomotiva com três vagões ia passando sobre o viaduto do Birse, a ponte cedeu e tudo foi abaixo.

Os habitantes vizinhos correram ao lugar do desastre. Espetáculo tristíssimo! 150 cadáveres foram tiradas das águas; e 50 pessoas gravemente feridas. As únicas, a quem nada sucedeu, foram as duas piedosas romeiras. Retiradas dentre os mortos, cobertas de sangue, mas sem ferimento algum.

Nossa Senhora protegeu suas fiéis amigas.

 

83 – SÓ POR TER TRAZIDO CONSIGO O TERÇO

Indo eu de Puy para Vals, conta o Padre Cros, encontrei um menino que fizera sua primeira comunhão naquele dia.

– Foi hoje que fizestes a tua primeira comunhão?

– Sim, Padre, e sinto-me tão feliz!

A dois passos vinha um soldado. Chamava-se Emílio, e ouvira a conversa.

– Eu também já a fiz, disse-me, e gostei tanto!…

Pedi que o menino fosse adiante e travei conversa com o militar.

– E quando vais renovar a tua primeira comunhão?

– Padre, não falemos nisso.

– E por que não, Emílio? Estamos aos pés do Santuário de Nossa Senhora, e não devemos sair daqui sem comungar.

O soldado despediu-se para seguir outro caminho.

Oito dias depois diz-me o porteiro que um militar quer-me falar. Desci logo. Era Emílio.

Confessou-se e com os olhos no Céu dizia:

– Oh! Como sou feliz! Fiz a paz com meu Deus e já posso voltar a meu país.

Aqui deve ter intervenção da Santíssima Virgem, pensei comigo. E interroguei o soldado.

– Que bem tens feito em tua vida pela glória de Deus?

– Nada.

– Nem por Maria Santíssima?

– Nada.

– Pense bem.

– Só me lembro disto: Uma vez um Padre encontrando-me, a após curta conversa, deu-me este terço, dizendo-me que, se não o quisesse rezar, ao menos o guardasse e trouxesse sempre comigo. É o que tenho feito.

– Pois essa foi a corrente com que Nossa Senhora te prendeu e te salvou.

*          *          *

Só por ter trazido consigo um terço, Maria Santíssima converteu esse moço. Quanto mais premiará os que o rezam diariamente com devoção.

O terço do Santo Rosário é uma oração agradabilíssima à Mãe de Deus. Foi ela quem o ensinou aos homens por intermédio do ilustre S. Domingos.

 

84 – BELA PROTEÇÃO

Frei Ludovico, zeloso missionário Franciscano, viajava (lê-se nos anais do Religiosos Frades Menores) em 1640, sem mais companheiro que seu Anjo da Guarda, dirigindo-se a Jace em Catânia.

Um dia, ao cair da tarde, recitando o santo rosário e caminhando a bom passo por lugar deserto, dói bandidos, que o viram só, combinaram para assalta-lo. Mas, quando se aproximavam dele, ouviram tocar uma trombeta e, devisando um piquete de soldados junto do Padre, escaparam a todo correr.

Não os avistou Frei Ludovico e seguindo tranqüilo seu caminho, chegou, por fim, a uma pousada, onde pediu alojamento. Pouco depois chegaram também os bandidos, e vendo que não havia gente armada no pouso, entraram e pediram um jantar.

Perguntaram ao Sacerdote aonde fora a tropa de soldados que o acompanhava. Surpreendido o religioso com tal pergunta , respondeu-lhes que fizera a viagem toda sozinho e sem encontrar pessoa alguma.

Quem foram tais soldados? Sem dúvida, Anjos enviados por Nosso Senhor, para premiar o devoto de sua Mãe Divina.

 

85 – NÃO ME TOQUE…

Conta Padre Riara em seu livro “Milagres do Rosário” que, certo dia, uma menina se achava a uma janela por cima de um cercado, onde se encerrava um leão bravio. A pequena rezara de joelhos o terço, e indo, e indo olhar para fora, por desgraça, perdeu o equilíbrio e caiu com o terço na mão, onde se achava o animal feroz. Não se machucou nada. O leão célere correu para devora-la. A boa menina, assustadíssima, colocou-lhe o terço sobre a cabeça, dizendo-lhe:

“Não me toques, porque eu quero ser religiosa”.

Como por encanto, a fera se afastou, deixando-a tranqüila.

Todos que presenciaram o fato, convenceram-se de que a Mãe de Deus salvou sua devota duas vezes da morte: Na queda e no perigo de ser devorada.

 

86 – CURADA DURANTE A REZA DO TERÇO

Francisca Rao, refere o jornal do Vaticano “L’Osservatore Romano”, fora submetida, em março de 1925, a uma operação sem resultado. Estava imóvel no hospital de Santo Tomás em Roma, sem esperança de cura; desenganada pelos médicos, há quase dois anos, sente uma noite dores terríveis no momento em que recitava o terço em companhia de uma religiosa. Meditava sobre os mistérios dolorosos, e ao chegar ao chegar ao quarto mistério teve que interromper a reza. Poucos minutos após, quando o médico, chamado às pressas para vê-la, ia entrando no quarto, a doente salta da cama, gritando:

“A Santíssima Virgem curou-me!”

De fato, a enferma estava completamente restabelecida. Os médicos tiveram que declarar que a cura fora de caráter sobrenatural.

A oração do terço realizara o milagre.

*          *          *

Aproveito aqui a ocasião para lembrar a grandiosa promessa que Nossa Senhora fez em Fátima, Portugal, em 1917. Ela prometeu na sua imensa bondade assistir na hora da morte a todos os que, em cinco primeiros sábados seguidos de cada mês, confessados, receberem a santa comunhão em desagravo meditando os quinze mistérios, fazendo-lhe assim companhia durante quinze minutos.

A quem Maria Santíssima assistir na hora da morte, terá os últimos momentos desta vida suavizados, e morrerá na graça de Deus.

Coisa tão fácil de cumprir, ninguém deixará de fazer.

 

87 – SÓ UMA CASA FOI POUPADA…

A cidade de Cartago, em Costa Rica, faz alguns anos, foi vítima de um tremendo terremoto que destruiu quase todas as casas. Conta a revista “América”, de Nova York, o seguinte:

No momento do abalo sísmico estava, em sua residência, rezando o terço com toda a família, o fervoroso católico, ex-presidente da república D. Ezequiel Gutiérrez. Algumas pessoas queria fugir, mas o homem de fé insistiu em que todos os presentes, cheios de confiança na proteção de Maria, ficassem até o fim da reza.

Qual não foi a admiração geral e os sentimentos de gratidão ao verem que a única casa poupada fora aquela sob o amparo da Virgem! Ao derredor havia apenas um montão de ruínas.

*          *          *

Felizes os que amam e rezam devota e diariamente o terço do santo Rosário.

 

88 – E LOGO CONSEGUIU

Conta o seguinte fato o Padre Germano de S. Estanislau, diretor espiritual de Santa Gema Galgani, a qual faleceu em 1903.

O Padre fora à casa onde ela morava. Apenas entrara, chamou-o pelo nome, embora nunca o tivesse visto.

Durante o jantar retirou-se a jovem para o quarto.

As pessoas de casa levaram o Sacerdote para lá. Já estava em êxtases. Pedia em voz alta a conversão de um grande pecador. Jesus parecia não querer atender. Mas ela afirmava: “Não me levantarei daqui enquanto não for atendida. Lembre-se, Senhor, que essa alma lhe custou o sangue e morte”.

Jesus então foi enumerando um por um todos os pecados graves daquele pecador. Gema Galgani, repetindo os pecados, pedia que tivesse mesmo assim compaixão.

Mas Jesus parecia não querer ainda atender.

– Pois bem, Jesus, se é assim então eu vou dirigir-me à sua Mãe Santíssima.

E mal apresentara o pedido a Nossa Senhora, Gema exclamou:

“Está Salvo! Está salvo!”

Depois disso, o Padre se retirou a seu quarto. Decorridos alguns minutos, ouve bater à porta.

– Está aqui um senhor de fora que o procura, disse a dona da casa> Mande o entrar.

– Está bem; que venha cá.

O desconhecido atirou-se aos pés do Sacerdote, exclamando entre lágrimas:

– Padre confesse-me.

Era exatamente aquele pecador mencionado por Gema Galgani.

Feita a confissão (o Padre já ouvira todos os pecados antes) pôde dizer-lhe um que o pecador esquecera.

A oração e o pedido de Nossa Senhora vale imensamente e, por isso, alcança tudo.

 

89 – AVISADO POR NOSSA SENHORA…

Vicente de Bauvais narra que um jovem fidalgo inglês, chamado Ernesto, dera todos os seus bens aos pobres e entrara em um convento. Ali levara vida tão perfeita que os superiores tinham em alta conta, sobretudo por sua devoção especial à Santíssima Virgem.

Tendo aparecido na cidade terrível peste, recorreram os cidadãos aos religiosos, pedindo-lhes que os auxiliassem com suas orações. O superior deu ordem a Ernesto que se fosse pôr em oração diante do altar de Maria Santíssima; e que não se retirasse, enquanto não desse resposta. No fim de três dias Nossa Senhora respondeu que se fizessem certas preces. Apenas lhe obedeceram, cessou o flagelo.

Ora, aconteceu que, pouco a pouco, o jovem monge foi esfriando na devoção de Maria. O demônio assaltou-o com freqüentes tentações, principalmente contra a pureza e a perseverança na vocação.

O infeliz, esquecendo-se de invocar a Mãe de Deus, resolveu fugir, saltando o muro do mosteiro.

Passando por uma imagem da Virgem, que estava no corredor, ouviu as palavras:

– Meu filho, por que me abandonas?

Atordoado e confuso, Ernesto caiu por terra e respondeu:

– Mas não vedes, Senhora minha, que não posso mais resistir? Por que não vindes socorrer-me?

A Virgem replicou:

– E Tu, por que não me invocastes? Se te tivesse recomendado a mim, não terias chegado a esse ponto. De hoje em diante recorre a mim, e nada tens a temer!

O religioso assim fez e viveu sempre feliz, e conquistou o belo Céu.

 

90 – UMA GRAÇA EXTRAORDINÁRIA

Teófilo era Sacerdote em Adanas, cidade da Cilícia, na Ásia Menor. Gozava de tanta estima que o povo o quis para Bispo. Ele, porém, por humildade, recusou a subida honra. Tempos depois, alguns malvados o caluniaram.

O Bispo, pensando que fosse verdade, lhe tirou o cargo que ele possuía. Era ele arcediago da igreja. Focou tão aborrecido e tão desgostoso que foi ter com um mágico judeu, que pôs em comunicação com satanás, para obter dele auxílio na sua desgraça.

O demônio prometeu-lhe ajuda, com a condição, porém, de ele assinar, de próprio punho, um papel em que renunciava a Jesus e Maria, sua Mãe.

Teófilo, obcecado, acedeu e assinou a terrível renúncia.

No dia seguinte, o Bispo, tendo reconhecido a falsidade das acusações, pediu-lhe perdão e restituiu-lhe o cargo que antes ocupara.

Mas Teófilo com, com a consciência dilacerada de remorsos pelos graves pecados que fizera, não fazia outra coisa senão chorar. Para buscar remédio à sua miséria, vai a uma igreja. Lança-se aos pés de uma imagem da Virgem e diz-lhe soluçando:

– Ó Mãe de Deus, não quero entregar-me ao desespero, porque vós me restais, vós que sois tão piedosa e me podeis ajudar.

Durante quarenta dias implorou à Santíssima Virgem.

Uma noite, apareceu-lhe a Mãe de misericórdia e disse-lhe:

– Ó Teófilo, que fizestes? Renunciastes a minha amizade e a meu filho. E isso por quem? Por aquele que é teu inimigo.

– Senhora, respondeu Teófilo, a Vós me entrego, perdoai-me, e fazei que vosso filho me perdoe também.

Então Maria, tão grande confiança, acrescentou:

– Consola-te, que vou rogar a Deus por ti.

Teófilo redobrou suas penitências, conservando-se longo tempo aos pés da imagem da Imaculada.

E eis que Maria lhe aparece de novo com o resto iluminado por sua alegria e lhe diz:

– Teófilo, rejubila! Apresentei a Deus tuas lágrimas e orações. Ele as recebeu e já te perdoou. De hoje em diante sê-lhe grato e fiel!

– Senhora minha, replicou Teófilo, replicou Teófilo, ainda não estou plenamente consolado: o inimigo conserva o ímpio documento com que renunciei a vós e a vosso filho; vós mo podeis restituir.

Três dias depois, acordando Teófilo durante a noite, achou sobre o peito o documento.

No dia seguinte entregou-o ao Bispo que o mandou queimar publicamente diante de todo o povo presente.

Quanto pode e faz Nossa Senhora para os que a invocam com as devidas disposições!

 

91 – CONVERTIDO E SALVO

Uma senhora, já viúva, tinha um único filho. Educara-o piedosamente. Quando já moço, empregou-se em Marselha, longe de casa. Desviou-se dos bons caminho e tornou-se grande pecador.

A pobre mãe, quando veio a saber isso, lançou-se aos pés da Virgem Santa, pedindo-lhe a conversão.

Passado algum tempo, saudade invencível apoderou-se do filho. Depois de muito “vou não vou” tornou ao lar materno, exatamente quando se pregavam missões em sua terrinha. Por curiosidade foi assistir a uma prática, que tratava da bondade de Maria. Esta pregação abalou-o tanto, que o levou aos pés da imagem da amável Mãe de Deus, a implorar auxílio e forças para emendar a triste vida.

E Nossa Senhora ajudou-o a fazer boa confissão. A piedosa mãe não cabia em si de alegria. Deu muitas graças à querida Mãe de Jesus.

Na manhã seguinte, querendo acordar o filho, encontrou-o morto. A apoplexia lhe pusera fim à vida.

Se não fosse a boa Mãe celestial, onde estaria esse jovem?

 

92 – FULMINA, FULMINA, MATA!

O Padre Jesuíta Binet conta um fato estranho e cheio de horror.

Três doutores, formados na Universidade de Paris, chegaram ao Monte Cenis. Uma furiosa tempestade os assaltou. Enquanto corriam a toda, nos seus fogosos cavalos, entre relâmpagos e trovões, ouve-se terrível voz:

– Fulmina, fulmina, mata! E um raio cai e carboniza um dos três viandantes.

Os dois fogem a toda velocidade possível. Novo trovão, e novo raio abate outro viajor.

O terceiro, chamado Agostinho, em suprema ânsia, mais morto que vivo, lembra-se de invocar a Maria Santíssima:

– A vossa proteção recorro, Santa Mãe de Deus…

E trata de fugir, fugir. E novos trovões e novos relâmpagos ferem o céu escuro.

– Fulmina, fulmina, mata!

E o jovem torna a pedir socorro à virgem Santa, quando ouve uma voz que brada:

– Eu não posso fulminar, porque ele me desarmou com sua prece.

O pobre fugitivo redobra seus pedidos de socorro. E é atendido pela Mãe de Deus.

A tempestade dissipa-se. O Céu serena, E o moço se acalma.

O Padre Binet termina sua narração dizendo que o jovem Agostinho pediu ingresso na ordem franciscana, onde passou a vida a agradecer a Maria Santíssima que lhe poupara a vida do corpo e da alma.

 

93 – TU ÉS MEU

Narram as crônicas franciscanas que Adolfo, conde de Alsácia, o qual deixara o mundo a entrar na Ordem de S. Francisco, foi fervoroso devoto da Mãe de Deus. No fim de seus dias, lembrando-se da vida que levara no século e do rigor dos juízes divinos, principiou a temer a morte, duvidando de sua salvação eterna. Eis que lhe aparece então Maria, acompanhada de numerosos Santos e um tanto queixosa, lhe disse estas palavras:

– Adolfo, meu caríssimo, tu és meu. Tu te deste a mim. Por que então receias a morte?

A essa palavras reanimou-se o servo de Maria. Todos os temores desapareceram. Em grande paz e alegria expirou.

Que palavras bonitas saídas da boca da Mãe de Deus: “Tu és meu!” E ela o diz a todos os seus verdadeiros devotos.

 

94 – DIVERSA A SORTE DE DOIS MORIBUNDOS

Um Sacerdote assistia aos derradeiros momentos de certo homem rico que morria em seu palacete. Ao redor do leito havia servos, parentes e amigos. O moribundo via-se cercado por demônios em forma de cães que ali estavam para buscar-lhe a alma.

Conseguiram seu intento, pois o ricaço não quis saber de confissão, morrendo no pecado.

Nesse ínterim vieram chamar o mesmo Padre a fim de atender uma pobre que estava também a expiar e desejava receber os últimos sacramentos.

Chegando à cabana da boa enferma, não viu servos, nem visitas graúdas, nem mobília luxuosa. A moribunda estava deitada sobre um punhado de palha. Porém, que viu mais? O casebre todo cheio de luz celestial. Junto da doente estava Nossa Senhora, consolando-a e, com um lenço, enxugando-lhe o suor da morte.

O ministro de Deus vendo a Maria, não teve ânimo de adiantar-se. No entanto, a Virgem chamou-o com aceno. Entrou, e a própria Mãe de Deus deu-lhe um banco para que se sentasse e ouvisse a confissão de sua dedicada serva e grande devota.

A pobrezinha fez excelente confissão. E depois de ter comungado com terna devoção, entregou a alma feliz ao cuidado da Virgem Imaculada.

Que diferença entre a morte de um que nunca se incomodou com Nossa Senhora, e com aquela que sempre amou sua Mãe Celestial!

 

95 – EM NOSSAS DÚVIDAS CONSULTEMOS A VIRGEM SANTÍSSIMA

Aos 15 anos, Pedro Chanel estudava latim com o Vigário. Desanimou por não alcançar o resultado almejado nos estudos. Um dia fugiu sem dizer nada. Apenas na rua, deu de rosto com uma senhora, muito conhecida pelas suas boas obras e sua devoção a Maria.

– Então, Pedro! Aonde vais assim com teus livros?

– Vou-me embora; não agüento mais os estudos.

– Mas, nem sequer pediste conselho a Maria Santíssima?

Pedro corou, envergonhado, e nada respondeu.

– Pois bem, Pedro, disse-lhe a senhora, vai à igreja; com ardor e confiança pede conselho a Maria.

O moço obedeceu e, em breve, voltou alegre à casa do Pároco com a vontade de vencer ou morrer.

Vinte anos depois, pensando nisso dizia:

– Realmente, não sei o que tinha na cabeça; creio que nela se alojara o demônio; estava prestes a cair em sua armadilha. Vivia numa espécie de agonia. E se recobrei o ânimo, sossego e coragem, devo-o a Maria Santíssima.

Nossa Senhora não deixou a sua obra incompleta. Obteve para seu protegido, não só a perseverança e a graça de ficar sacerdote, senão também a glória preciosa de ser mártir.

Pedro Chanel foi enviado para as missões da Polinésia, onde, depois de alguns anos de apostolado frutuoso, teve a felicidade de ser o primeiro mártir da Oceania. A Igreja já o declarou bem-aventurado, e neste ano de  1954, a 12 de Junho (esse livro foi lançado em 1954) Pio XII o canonizou.

Tornou-se santo, e venceu todas as dificuldades porque recorreu à Mãe de Deus.

 

96 – MARIA, RAINHA DAS INTELIGÊNCIAS

Na idade de 16 anos Alberto Magno entrou para a ordem de S. Domingos. Tinha pouquíssimo talento e memória pesada. Não progredia nos estudos. Apoderou-se dele o desânimo a tal ponto que resolveu largar os estudos e abandonar a vida religiosa.

Com estas idéias funestas, Alberto preparava-se para fugir de noite, quando lhe parece ouvir alguém que lhe dizia que recorresse a Nossa Senhora e que tudo se lhe tornaria fácil. A Mãe de Deus acolheu-o com bondade e lhe prometeu que aprenderia tudo com a maior facilidade.

E isso sucedeu, pois tudo o que ouvia ou lia, gravava-se na memória. Se encontrava, por acaso, qualquer estorvo, voltava-se novamente para a Virgem Imaculada. Assim é que se tornou grande Santo e um dos maiores sábios do mundo.

*          *          *

Coisa semelhante deu-se com o célebre Padre Antônio Vieira. Quando ainda jovem estudante, faltava-lhe todo o talento para o estudo. Estava para largar a carreira religiosa, quando um dia aos pés da Virgem, sentiu um estalo na cabeça. E desde então tudo se lhe tornou fácil. Ficou Padre, ilustre missionário, preclaro escritor e um dos maiores pregadores do mundo.

 

97 – MARIA A ABENÇOADA

Na vida de S. Domingos lê-se que viu várias a Nossa Senhora, falou com ela como um bom filho conversa com sua mãe carinhosa.

O Santo, certa noite, passando pelo dormitório onde dormiam os religiosos, via a Mãe de Deus, andando de cama em cama e lançando sua benção a todos com exceção de um. Estranhando o fato, humildemente S. Domingos dirigiu-se à Virgem Imaculada e perguntou-lhe o motivo. Ao que ela logo respondeu:

– Este religioso está deitado sem modéstia.

*          *          *

Felizes são os que se deitam com o pensamento em Deus e procuram adormecer, rezando o seu terço ou outras orações.

Há pequenos e grandes que se queixam não pegar logo no sono. Que se acostumem a rezar na cama, e o sono virá logo. E se, por acaso, a morte os surpreender, encontra-los-á em ótima situação.

 

98 – QUANTO EU DESEJAVA TER MÃE! 

Certo dia, refere um Padre duma paróquia dos subúrbios de Paris, notei que uma criança desconhecida se introduzira entre os meninos da doutrina. Essa figura pálida e magra, que se sentara na ponta do último banco, não me era de todo desconhecida. Recordei-me que era o filho de um homem mau e anticlerical. Não queria saber de Padre nem de igreja. O pequeno parecia desorientado naquele lugar santo. Pois olhava para todos os lados e mostrava-se embaraçado. Quando acabei a doutrina, cheguei-me aos pés dele e mandei-o levantar-se. Tinha a boina na mão e olhava-me com olhos tristes e muito abertos. O vestuário era bom, mas descuidado; pois aí se adivinhava que a mãe não lhe pusera as mãos.

– Tu já andas à escola? Já ouvistes falar de Deus?

Silêncio, e um gesto vago e indiferente.

– E de Nossa Senhora?

O pequeno levantou o rosto que se animou, de repente.

– Ouvi, sim, respondeu de mansinho. Ouvi dizer que os meninos do catecismo têm mãe, que é Nossa Senhora. Foi por isso que vim.

E as lágrimas rolaram-lhe pela face quando acrescentou:

– Quanto eu desejava ter mãe!

Essa exclamação enterneceu-me.

– Anda cá, vou levar-te a tua mãe.

Lançou-me um olhar profundo. E eu continuei:

– Aquela vai substituir a tua mãe.

E conduzi-o ao altar da Virgem sempre bela. Quando a criança descobriu a imagem, exclamou com as mãos juntas:

– Oh! Que linda! E acredita que ela me quer para seu filho? Mas olhe que ela já tem nos braços. Naturalmente não precisa de mim. E, se o senhor soubesse como eu precisava ter uma mãe!…E muito mais depois que estou doente.

– Está doente, meu filho?!

A criança apontou para o lado esquerdo.

– Dói-me, aqui, um pouco; não posso jogar nem correr com os outros. Foi por isso que o médico me proibiu de ir à escola. Custa-me muito estar sozinho  em casa. Meu pai gosta muito de mim, mas está sempre para fora. Disseram-me os meninos que aqui se encontra uma mãe muito boa que lhes faz tudo; e eu fugi e vim para aqui.

Inquieto, o menino repetia ainda:

– Julga, então, que ela fará caso de mim?

– Não tenhas dúvida nenhuma, meu menino; mas é preciso fazeres como os outros meninos que vem cá, e aprenderes também o catecismo.

E dei-lhe um.

– Obrigado, vou aprende-lo todo.

E aprendeu. Contudo a doença realizava pouco a pouco a sua obra. Algum tempo depois da primeira comunhão, morreu como um santo, e foi para o Céu ao encontro de sua Mãe.

Como seria triste se não tivéssemos mãe aqui na terra! Mas muito mais triste seria se nos faltasse a Mãe Celestial.

 

99 – BONDADE SEMPRE PRONTA

Maria Santíssima apresenta-se aos homens de fronte inclinada à terra e de mãos cheias de graça. Ela sempre está olhando para nós, para ver se nos falta algum auxílio, algum favor, algum apoio.

Os habitantes de Valência, na Espanha, veneram uma imagem de Nossa Senhora com o nome de Virgem de los Desamparados. E chamaram-lhe familiarmente  la Gobba , isto é, a corcunda, de tal modo a Virgem tomou o costume de se inclinar para os mortais.

(Antigamente era permitido aos condenados a morte fazerem diante dela a sua última oração. Um dia que certo infeliz, antes de ser supliciado, se foi prostrar aos pés, a Senhora deu cinco pancadinhas na redoma de vidro que a envolve. E todos os assistentes reconheceram que o condenado era inocente e foi logo absolvido).

*          *          *

Em Paris, venera-se igualmente uma imagem de Nossa Senhora com o rosto inclinado para a terra. Conta piedosa tradição que uma mocinha quis pôr-lhe na cabeça uma grinalda de flores. A senhora abaixou-se e assim ficou naquela posição.

*          *          *

O conhecido exemplo do bom escultor não manifesta também, a seu modo, como Maria Santíssima é boníssima?

Estava ele trabalhando nos andaimes de uma catedral. Inclinou-se muito para trás, perdeu o equilíbrio e caiu. Felizmente, uma imagem de Nossa Senhora de pedra, que se encontrava na passagem, estendeu-lhe os braços e recolheu o descuidado artífice, salvando-o da morte.

*          *          *

Conta-se que uma piedosa mãe viu seu filho único ser levado prisioneiro e nada pôde fazer para liberta-lo. Recorreu então com toda a confiança. Vendo que o filho não voltava, foi a uma imagem da Mãe de Deus e tirou-lhe o menino Jesus dos braços, com as palavras:

“Meu filho foi roubado e a Senhora não mo quer restituir; pois levo o seu e só devolverei quando o meu tiver vindo”.

E acrescenta a história que Nossa Senhora o melhor que pôde fazer foi ir logo buscar o filho prisioneiro e trazê-lo à mãe.

Nossa Senhora é muito boa e nos alcança tudo de Deus. Devemos ter nela toda confiança.

*          *          *

Um dia vem lançar-se aos pés do rei David uma mulher de Técua:

– Ó rei, salva-me!

O monarca pergunta-lhe:

– Tu que tens?

– Que tenho? Ah! Infeliz de mim! Sou uma pobre mãe, e tinha dois filhos. Questionaram os dois lá no campo, um bateu no outro e matou-o Toda a família se levanta contra a tua serva, dizendo: Entrega o matador de seu irmão! Há de morrer também, pela vida que tirou ao irmão! Assim, o primeiro morreu; agora querem matar-me o segundo!

Maria argumenta da mesma forma:

“Senhor, eu tinha um primogênito. Seus irmãos mataram-no. Agora, se os meus outros filhos se perdem, que me resta então?”

A sagrada Escritura, falando de David, acrescenta que ele respondeu à mulher de Técua:

“Tão certo como Deus vive, não cairá por terra um só cabelo de teu filho!”

O segundo filho foi entregue à mãe são e salvo.

E Deus haveria de ser menos compassivo que seu servo David?

Logo, tenhamos plena, inabalável confiança  em Nossa Senhora agora e sempre.

 

100 – MARIA É DISTRIBUIDORA DE TODAS AS GRAÇAS

O dono e senhor de todas as graças é Deus Nosso Senhor. Mas depositou essas graças nas mãos de sua Mãe, Maria Santíssima. Ela é que faz a distribuição. Portanto, que quiser favores deve dirigir-se a Nossa Senhora. Todos têm que ser devotos dela se querem salvar-se.

“Ninguém se salva, senão por Vós, ó Mãe de Deus”, exclama S. Germano de Constantinopla. S. Damião afirmava: “Nenhuma graça desce do Céu à terra sem passar pelas mãos de Maria”. Santo Ambrosio ensina: “Por ela vêm ao mundo todas as graças que o Céu derrama”. S. Bernardino de Sena assegura: “Todas as graças chegam aos homens por três degraus perfeitamente ordenados: Deus comunica-se com Cristo; de Cristo passam por Maria Santíssima; de Maria descem até nós”.

Em 1830 apareceu Nossa Senhora a Santa Catarina Labouré. O vestido era branco; o manto, da cor do sol nascente. Com o pé esmagava a cabeça da serpente. Estendia os braços e abaixava-os para o mundo. Raios luminosos saíam de suas mãos carregados de anéis e de pedrarias.

“Aqui tens, dizia Nossa Senhora, o símbolo da graça que derramo sobre os que me pedem”. Nas suas mãos havia diamantes sem brilho. Simbolizavam, no dizer da Santa, as graças que por esquecimento não se pedem. Todas as graças nos vêm de Maria, as que pedimos e as que não pedimos.

Só quando o mundo deixar de existir é que a Santíssima Virgem poderá repousar. O Santo Cura de Ars dizia: “Julgo que no fim do mundo a Santíssima Virgem ficará sossegada; mas, enquanto o mundo durar, hão de importuna-la de todos os lados. É como uma mãe que tem muitos filhos; está continuamente a cuidar a uns e outros”.

*          *          *

Nossa Senhora é boníssima, por isso, afirma Santo Afonso de Ligório, é impossível que um servo de Maria se condene, contanto que sirva fielmente e se recomende a ela. A todos dizia: “Sede devotos de Maria, e ela vos salvará”.

São João Berchmans costumava dizer: “Se amar a Maria, tenho a certeza de perseverar e de obter de Deus aquilo que quiser”.

 

QUANDO É QUE SOU DEVOTO DE NOSSA SENHORA?

É, sem dúvida, imensa a felicidade daqueles que são verdadeiros devotos da Mãe de Deus. Pois viverão sempre felizes. Receberão todas as graças e bênçãos celestiais. E depois da morte terão o lindo Céu como recompensa.

Vejamos o que faz o devoto de Maria.

1) Antes de tudo ele procura conhecer bem a vida e as virtudes de sua Mãe. Há de ler livros que falam do poder, da grandeza e da bondade dela.  Não é possível que haja quem não conheça de perto e a fundo o extraordinário prodígio que é a Mãe de Jesus.

2) O devoto da Virgem Imaculada recorre muitas vezes a ela. Conversa familiarmente com sua Mãe como o bom filho faz com sua mãe terrena. Confia a ela suas mágoas, seus aborrecimentos, suas dúvidas e receios, na certeza sempre de que ela se interessa por ele e o ajude. Nossa Senhora gosta  de que confiemos cegamente nela e que lhe peçamos muitas graças.

3) O devoto de Maria gosta  de visitá-la nas igrejas e Santuários. Aprecia suas imagens. Faz romarias aos lugares onde atende com mais facilidade e às vezes maravilhosamente.

4) Aquele que ama a Maria, conhece as principais festas marianas, e se prepara bem para elas com orações especiais, mortificações e novenas.

5) O devoto da Virgem traz com devoção ao menos uma medalha com sua efíge; inscreve-se em confrarias marianas. Procura receber o escapulário de Nossa Senhora do Carmo e traze-lo com todo fervor.

6) O devoto da Imaculada agradece não ter sido abandonado, apesar de muitas ingratidões. Agradece os numerosos benefícios obtidos por ela. (Todas as graças, que temos recebido, passaram pelas mãos maternais de Maria).

7) Gostará de rezar o terço, oração predileta da Rainha do Santo Rosário. Cantará com prazer cânticos marianos e apreciará tudo o que se refere à Mãe Celestial.

8) Quem ama, de fato, a Maria entregar-se-á totalmente a ela com uma consagração irrevogável. Fará  tudo para agradar-lhe. Alegrar-se-á por sabe-la tão grande, tão poderosa, tão bela e tão feliz. Dirá muitas vezes: “Maria, sou vosso e vosso quero ser sempre!”

9) O devoto de Maria procurará evitar tudo o que a possa ofender e o que possa ofender seu filho Jesus.

10) Por fim, e isto é o essencial, o devoto da Virgem procurará imita-la. Procurará copiar suas virtudes; ser semelhante a ela à medida de suas forças.

Quanto mais agradáveis formos a Maria, tanto mais alegraremos o coração de Nosso Senhor.

Considere-se o verdadeiro devoto da Mãe de Deus muito feliz, depois terá todos os auxílios necessários e abundantes neste mundo e a glória celestial no outro.

V Domingo da Páscoa – Ano C

Por Pe. Fernando José Cardoso

O Evangelho deste domingo é o início do discurso de despedida de Jesus não só dirigido aos seus Apóstolos, mas também a cada um de nós. Nele, proclama o mandamento novo: “amai-vos”. Jesus está convencido que só amando até ao extremo vencerá a morte. Por isso, convida-nos a viver a mesma experiência. A primeira palavra do Senhor que encontramos neste evangelho é “agora”. Jesus enfrenta o seu presente, o seu “agora”, dando a vida. No domingo passado, contemplamos Jesus como o bom pastor que dá a vida pelas suas ovelhas. É deste modo que Jesus enfrenta a morte e a vence e também revela plenamente a sua identidade e missão. “Agora”, no momento da paixão e da cruz, Jesus proclama a “glória” do Pai, que é a sua própria “glória”. Jesus tem a convicção profunda de que Deus atua “agora”, não numa situação ideal ou de fantasia, onde não há traidores ou pecado… Agora. O “agora” de Jesus é o seu e também o nosso. Muitas vezes, entre os cristãos escutamos lamentações por causa das dificuldades atuais para a evangelização, para viver a fé, para construir a Igreja.  Talvez seja necessário propor uma renovação de mensagem, uma nova renovação litúrgica, o uso dos meios modernos de comunicação. Mas também podem existir muitas outras razões; todavia, devemos afirmar que não é mais difícil hoje que nos princípios da Igreja. Sem necessidade de comparação, a contemplação do evangelho deste domingo indica-nos qual a convicção profunda que é necessária. A evangelização nada exige às condições ambientais, quer sejam favoráveis ou desfavoráveis. A evangelização pede um coração disposto a amar, a olhar a realidade concreta das pessoas que sofrem injustiças sociais. É necessário hoje ter um coração e uns olhos, dispostos para dar a vida: o amor põe-nos em ação. Concluindo, a fé só se transmite com a vida e com o contato pessoal. “Agora” é a hora de acreditar. “Agora” é a hora de evangelizar. Como no passado, também hoje podemos anunciar que o Reino de Deus está no meio de nós. A “glória” de Deus é a forma como encaramos as situações atuais, sejam elas quais forem; enfrentá-las como Jesus: com um amor doado, amando até ao fim. Nesta vida – morte tão humana encontra-se a glória de Deus, encontra-se a ressurreição. Por diversas vezes, neste tempo pascal, já fizemos referência à grande novidade de Jesus que é o mandamento novo. Hoje, com a segunda leitura que nos diz “Vou renovar todas as coisas”, é mais uma oportunidade para fazê-lo. É evidente que a vida das pessoas que compõem a comunidade não se renovou totalmente desde que começamos a celebrar a Páscoa. Mas, podemos ajudá-las a vencer etapas no que se refere à relação pessoal com Deus e com os irmãos. A este nível, poderá haver uma autêntica novidade. Jesus qualifica de “novo” isto: “como eu vos amei, amai-vos também uns aos outros”. É uma renovação que acontece no interior e que tem conseqüências renovadoras no exterior.

 

O amor é a base de tudo e nele tudo tem valor
É amando como Jesus que a terra se une ao céu
Dom Eurico dos Santos Veloso

O ser humano egoísta, fechado em si mesmo, procura a própria glória. Jesus, cumprindo a vontade do Pai, dá glória a Deus e mostra que o projeto divino é ser plenamente humano: as pessoas o escutarão vivendo o amor que tem como único ponto de referência a vida e ação de Jesus. Para realizar esse projeto, que é, ao mesmo tempo, divino e humano, os cristãos são convidados a reforçar constantemente suas opções, a fim de superar, vitoriosos, as tribulações, mantendo-se unidos na fé e no amor. Em Jesus, Deus se tornou um de nós, tornando possível a intimidade do Pai com as pessoas. Jesus dera o exemplo. Pouco antes, lavara os pés dos discípulos, mostrando o que é amar. “Como eu os amei”. O amor é gratuito. Ele não pede amor para Ele, mas para os irmãos. O Amor é ativo. Deve ser manifestado em gestos. Dessa forma, a revelação de Jesus se prolonga no amor das pessoas na comunidade: “Nisso conhecerão que vocês são meus discípulos, se tiverem amor uns para com os outros”. O mundo, diante do amor, que é uma maneira de Cristo estar presente, acreditará n’Ele. Esse mandamento, característico de Jesus, é, antes de tudo, um novo modo de vida, um novo objetivo. Para Cristo, e também para a Igreja, o amor é a base de tudo e nele tudo tem valor, enquanto que, sem ele, nada é agradável a Deus. Esse amor de que Jesus fala não é senão o amor divino que nos foi dado pelo Espírito Santo. Percebido no Batismo, ele nos insere na Trindade, fazendo-nos filhos de Deus. É amando como Jesus que a terra se une ao céu. E é por meio desse amor que a realidade divina vive na terra, dando-nos a certeza de que o paraíso se constrói aqui, como uma antecipação da graça definitiva no céu. Somos cristãos à medida que amamos e expressamos esse amor como Jesus: fazendo a vontade do Pai, construindo seu Reino, deixando cair por terra à mentira que nos impede de dar ao mundo a resposta que Deus deseja. Nunca deixemos de amar, particularmente os que nos perseguem, caluniam e injuriam. Mais do que amar por fora, devemos amar em gestos concretos de tolerância, de amor e de recuperação dos que insistem em não amar. Amar a Deus no próximo e nos que são pedra em nossos sapatos é a gênese da vida cristã, ensinada pelo Ressuscitado!

 

Um mandamento novo para um mundo novo
Cf. B. CABALLERO. A Palavra de cada dia. Paulus: 2000.

Muitas pessoas hoje demonstram desânimo. As notícias são deprimentes. Guerras intermináveis,  sempre  sendo inflamadas por baixo das brasas. Populações africanas que são extintas pela fome, pelas epidemias. Cruéis guerras religiosas na Ásia, na Indonésia. Extermínio das crianças meninas na China. Violência em nossos bairros e cidades, corrupções em nossas instituições. Existe alguém que pode dar um novo rumo a este mundo? A resposta é: você mesmo, mas não sozinho. Alguém faz aliança com você. Ou melhor: com vocês, como comunidade. E em sinal dessa aliança, deixou-lhes um exemplo e modo de proceder: um novo mandamento. “Amai-vos uns aos outros, como eu vos amei”, isto é, até o fim, até o dom da própria vida, seja vivendo, seja morrendo. É o que nos recorda o Evangelho de hoje. Não há governo ou poder que possa nos eximir deste mandamento. Só se o assumirmos como regra de nossa vida o mundo vai mudar. Não existe um mundo tão bom e tão bem governado que possamos deixar de nos amar mutuamente com ações e de verdade. Mas, por mais desgovernado que o mundo seja, se nos amarmos mutuamente como Jesus nos tem amado, o planeta vai mudar. Por que então, depois de dois mil anos de Cristianismo, o mundo está tão ruim assim? A este respeito pode-se fazer diversas perguntas, por exemplo: Será que os homens se têm amado suficientemente com o amor que Jesus nos mostrou? E como seria a terra se não tivesse existido um pouco de amor cristão? Não seria bem pior ainda? O Apocalipse, lido nas liturgias deste tempo pascal, muitas vezes é considerado um livro de terror e de medo. Mas, na realidade, ele termina numa visão radiante da nova criação, da nova Jerusalém, simbolizando a indizível felicidade, a ”paz” que Deus prepara para os que são fiéis ao novo mandamento do seu Filho (2ª leitura). A nova Jerusalém é o povo de Deus envolvido pelo esplendor, ainda escondido, do amor de Cristo, que o torna radiante, como o amor do noivo torna radiante a sua amada. Quem é amado e se entrega ao amor, torna-se amor. É isso que deve acontecer entre nós. Jesus nos amou até o fim. Nossa comunidade eclesial deve transformar-se em amor, irradiando um mundo infeliz e desviado por interesses egoístas e mortíferos.  Em vez de ver somente o lado ruim da Igreja – talvez porque nosso olho é ruim -, vamos tratar de vê-la como uma moça um tanto desajeitada e acanhada, mas que aos poucos vai sentindo o quanto ela está sendo amada e, por isso, se torna cada dia mais amável e radiante. Ora, para isso, é preciso que deixemos penetrar em nós o amor de Deus e o façamos passar aos nossos irmãos, não em palavras, mas com ações e verdadeiramente.
Cf. Konings, J. “Liturgia Dominical”, p.386-387. Ed. Vozes. Petrópolis RJ: 2004.

 

V DOMINGO DA PÁSCOA
Sonhar com um mundo novo sem injustiça, violência e nem exploração, é o desejo de todo cristão fiel a Jesus. Neste domingo, junto com Deus, podemos concretizar esse sonho. Antes, porém, devemos fortalecer os laços de amor que nos une como assembléia celebrativa e nos identificam como discípulos e discípulas de Jesus, pois muitos aderem à palavra de Deus e se comprometem com ela. No entanto, a Palavra aponta para um novo mundo, novo céu e nova terra, sem tristeza nem dor, e conclama todos a viver o amor uns para com os outros. Toda a vida de Jesus foi um dom ao mundo O que era um fim para os fariseus que programaram a morte de Jesus, na realidade era a glorificação de Jesus em Deus. Judas sai para entregá-lo. Se há um mal na traição de Judas, o mal maior está naqueles chefes religiosos de Israel que articularam a morte de Jesus. Jesus está prestes a terminar sua missão. Dá o maior testemunho: “Prova de amor maior não há, do que doar a vida pelo irmão” (15, 13). Toda a vida de Jesus foi um dom ao mundo. Nas comunidades joaninas, às quais João dirige seu Evangelho, diante da ausência de Jesus, os discípulos oram e meditam sobre sua vida e, iluminados pelo Espírito, começam a entendê-lo, particularmente quanto à sua permanência, vivo, entre eles. É a glorificação de Jesus: sua missão cumprida e continuada por seus discípulos, ao longo do tempo e duradoura na eternidade. É a glorificação de Deus. “Filhinhos!” Este diminutivo carinhoso não aparece em nenhum outro Evangelho. Só é usado por João aqui e, com freqüência, na sua primeira carta, dirigindo-se às comunidades. Jesus dá um novo mandamento (entolê). Temos uma referência direta aos mandamentos dados a Moisés no Sinai, e muito decantados no Salmo 119. Jesus faz uma oposição à Lei antiga. Israel, dentre os demais povos, considerados gentios, orgulhava-se e escudava-se na originalidade de seu Deus “único”, de sua Lei, de suas observâncias e cultos. Possuía uma sólida ideologia e teologia do poder e, em nome de seu Deus, exterminava os que eram considerados inimigos. Agora o novo mandamento diferencia-se do antigo. Os sinóticos já anunciavam: a Lei se resume no mandamento de amar a Deus e no “amar o próximo como a si mesmo”. Em João a medida do amor é o próprio Jesus. É o mandamento da união no amor com Jesus: amor universal, sem fronteiras, amor que não passa por instituições e é aberto a todos os povos, a todos os homens e mulheres. É o amor que gera a vida eterna. Aos discípulos, às comunidades, é confiado o testemunho deste amor, pelo qual se reconhece a presença de Jesus na história. Este amor concreto, vivido nas comunidades, é a esperança de vida diante dos desafios desumanizantes da sociedade de mercado, idólatra do dinheiro. O anúncio da Palavra e a exortação à perseverança na fé (primeira leitura) geram e orientam as comunidades para viverem, já, a dimensão apocalíptica de “um novo céu e uma nova terra” (segunda leitura). Oração Espírito de amor, não permitas que eu seja mesquinho no amor; antes, que eu seja capaz de amar como Jesus.

Cumplicidade, moralidade e escândalo

Por Pe. Inácio José Schuster

1. Definição de Cumplicidade (Catecismo 1868-1869)
Por cumplicidade entendemos aqui o auxílio que alguém presta à realização de um ato mau que outra pessoa resolveu executar. Distinguimos entre cumplicidade formal e cumplicidade material.

1.1. Cumplicidade Formal
Esta consiste em colocar-se diretamente a serviço do mal, seja porque o cúmplice quer o pecado alheio, seja porque lhe presta uma colaboração que, por sua índole mesma, significa aprovação desse pecado.

A cumplicidade formal é sempre pecaminosa. Será mais ou menos grave de acordo com o tipo de pecado para o qual ela contribui e a importância de tal colaboração. A título de exemplo, seja citado o caso da enfermeira que colabora diretamente para a realização de um aborto; ainda que não tenha a intenção de contribuir para um pecado, a sua participação no abortamento é, por sua índole mesma, pecaminosa (não basta não ter a intenção de não pecar para que não haja pecado, se a ação como tal é pecaminosa). Outro exemplo é o do policial a quem mandam que aplique tortura a um prisioneiro; não pode eximir-se de responsabilidade, alegando que não age por própria iniciativa, mas apenas executa ordens superiores.

1.2. Cumplicidade Material
A cumplicidade material é um ato moralmente bom ou indiferente do qual alguém abusa, fazendo-o servir ao pecado. Quem é cúmplice nestas condições pode não saber das intenções alheias. É o caso de quem vende uma arma de caça (ação que em si não é pecaminosa) a alguém que vai utilizar-se dela para cometer um assassínio. É também o caso de quem ajuda a transportar objetos roubados, julgando que pertencem legitimamente à pessoa solicitante (e imaginando mesmo estar realizando assim um ato de caridade).

2. Moralidade da Cumplicidade Material
O cúmplice que ignora por completo as intenções do seu parceiro e age de boa fé, está isento de culpa. Há casos, porém, em que o cúmplice pode prever o mau no uso do seu serviço, ou suspeitar dele porque conhece o parceiro e o seu procedimento habitual ou porque anteriormente já fez experiências semelhantes. Em tais circunstâncias, a pessoa chamada a colaborar deve ponderar a sua cooperação:
– Se a sua ação tiver uma finalidade boa, independente do pecado do parceiro
– Se o bem visado pelo cúmplice compensar o mal ou o pecado do parceiro.
– Se a intenção do cúmplice for voltada tão somente para o bem
– Se não houver como evitar esse tipo de colaboração.
A matéria é muito complexa, pois são freqüentes os casos de colaboração na sociedade moderna. Essa finalidade boa não pode ser simplesmente o desejo de lucro, ou o receio de prejuízos materiais. Se alguém aluga um apartamento ou um quarto a um cliente cujas intenções desonestas (adultério, prostituição…) lhe são conhecidas, peca gravemente. Verdade é que quem aluga pode geralmente presumir bom uso do apartamento, mas, no caso em foco, as más intenções do locatário são patentes, o que implica na obrigação de não alugar. Quanto mais diminui a iniciativa pessoal, tanto mais diminui também a cumplicidade propriamente dita. Tais são os casos da datilógrafa que, entre outras coisas, bate faturas fraudulentas (que ela não pode identificar claramente); o do gráfico que contribui para imprimir páginas, às vezes, pornográficas (que ele não reconhece bem); … o do funcionário de balcão que faz pacotes de mercadorias que ele mal conhece … Quem presta colaboração material a uma empresa desonesta para poder ganhar seu pão, não tem a obrigação de abandonar imediatamente a empresa (o objetivo de sobrevivência justifica a sua permanência na firma), mas deve, sem demora, procurar outro emprego ou meio de subsistência. Pode-se admitir que alguém colabore materialmente com pessoas desonestas se tem em mira exercer sobre elas uma influência sadia e transformadora (esta finalidade boa compensa os males que indiretamente decorrem da colaboração). A um católico não é lícito ser testemunhas do casamento civil de dois católicos divorciados que contraem novas núpcias. Far-se-ia cúmplice de um ato que a consciência católica não aprova.

3. Definição de Escândalo (Catecismo 1938, 2282s, 2326, 2353s, 2489)
A palavra grega “skándalon” significa “pedra de tropeço”. Na linguagem teológica designa toda palavra ou obra capaz de tornar-se para outrem ocasião de ruína espiritual. Jesus Cristo mesmo censurou severamente a prática do escândalo (cf. Mt 18, 6s). Entende-se por escândalo toda palavra ou ação, contrária à caridade, que cria perigo de pecado para o próximo, seja por intenção de prejudicá-lo, seja para atender a interesses particulares. O ato em si pode não ser “mau”, mas se sua aparência for “má” deve ser evitado, segundo o conselho de Paulo: “…tomai cuidado para que essa mesma liberdade, que é vossa, não se torne ocasião de queda para os fracos” (Rm 8, 9). Podemos classificar o escândalo como intencional ou não intencional, isto é, quando é premeditado e quando ocorre por negligência. As palavras de Cristo nos advertem contra tal perigo: “Desgraçado do mundo que causa tantas quedas! decerto, é necessário que haja escândalos, mas ai do homem por quem acontece a queda!” (Mt 18, 7).

4. A Moralidade do Escândalo
O escândalo quando premeditado é pecado grave, haja vista os textos do Evangelho que o condenam: Mt 18, 7-9. São Paulo também o reprova (1Cor 8, 12s; Rm 14, 15). O fato de que a vítima não se tenha deixado seduzir para o mal não diminui a gravidade do pecado. Mesmo que alguém só procure seduzir para um pecado leve, pode estar cometendo pecado grave, especialmente se o sedutor é uma pessoa que, por seus encargos, deveria levar os outros à prática do bem. Entre as maneiras de dar escândalo, está o mau exemplo. Alguém pode induzir os outros ao mal mesmo sem falar, mas simplesmente cometendo pecados. Tal comportamento pode ser contagioso, pois os exemplos arrastam e podem alastrar-se de pessoa a pessoa ou de grupo a grupo, causando danosa degradação de costumes. Sabe-se que a tibieza de vida e a mediocridade dos cristãos, especialmente daqueles que têm mais responsabilidade, vêm a ser grandemente prejudiciais para a sociedade eclesiástica e para o foro civil. De resto, a má conduta de alguém tem suas raízes em pecados internos dessa pessoa; são estes que remotamente preparam o escândalo – o que exige sempre a conversão do sedutor. Existe grave obrigação de reparar o escândalo. Quem o provoca deve procurar deter a má influência desencadeada e restaurar os valores lesados, na medida do possível. Como já foi dito, há escândalos que decorrem de ações que em si não são moralmente pecaminosas. É lícito promover uma ação benéfica, mesmo com risco de escândalo, desde que se cumpram as condições para exercer uma causalidade com duplo efeito: assim, por exemplo, quem, levado por espírito apostólico, deseja trabalhar na recuperação de pessoas entregues à prostituição, estará exercendo uma atividade que poderá ser mal entendida; todavia esta será legítima se for isenta de pecado, visto que o bem a ser atingido será muito mais vultoso do que os males eventuais. O escândalo dos fracos deve-se à simplicidade da pessoa que se escandaliza. É necessário evitá-lo, tanto quanto possível, ainda que a custo de sacrifícios por parte da pessoa tida como escandalosa. O próprio Cristo assim procedeu: (cf. Mt 17, 24-27).

5. O Cristão e o Problema do Escândalo
Em nossos dias a consciência de muitos cristãos pode estar confusa e com a responsabilidade atenuada por causa das numerosas opiniões correntes sobre certos pontos de Moral: o aborto, os métodos de contracepção, de controle da natalidade, a masturbação, etc. É preciso que haja quem dissipe a perplexidade e as atitudes errôneas decorrentes de tal multiplicidade de “sentenças”. São Paulo considerou o caso de cristãos que, tendo a consciência mal formada, julgavam que não era lícito comer carnes imoladas aos ídolos (o que, na verdade, não era pecado); declarava, em conseqüência, que preferia abster-se de tais alimentos (renunciando a um direito seu) a escandalizar irmãos, pelos quais Cristo morreu; (cf. 1Cor 8, 7-13; Rm 14, 19-21). Fica claro que os cristãos mais esclarecidos têm a obrigação de procurar instruir os mais simples a fim de que compreendam melhor o que é e o que não é pecado. A atenção para com os fracos e a reparação dos males a eles causados são deveres que se impõem ao bom cristão. Devemos avivar o senso da responsabilidade pessoal diante dos escândalos. Não basta registrar os escândalos e lamentá-los (ou, o que é grave, comentá-los e torná-los públicos), é necessário que cada cristão lembre-se que lhe toca uma responsabilidade perante tais males; com efeito, somos todos solidários entre nós, de modo que as falhas de uns podem estar na dependência de falhas de outros e podem encontrar seu remédio na santidade de vida dos irmãos.
Para frear uma tendência a comentar o mau procedimento alheio, pode-se lembrar a máxima dos antigos monges: “Quem tem um morto em casa, não o abandona para prantear o morto do vizinho”. Denunciar os escândalos, quando necessário, não pode ser a última palavra de um programa cristão. O Senhor quer que os seus discípulos tenham uma função construtiva em relação aos irmãos, fazendo as vezes de sal da terra, luz no mundo (Mt 5, 13ss) e fermento na massa (Mt 13, 33). Aliás, Deus só permite os escândalos para que deles saiam bem maior. Podemos ainda falar de um “escândalo salutar”. Com efeito; a vida cristã coerente pode sacudir, abalar e “escandalizar”; a palavra do Evangelho, oportunamente anunciada, pode “assustar” os ouvintes e provocá-los a façanhas que fogem da rotina, deixando perplexos os espectadores. Nesta perspectiva, Jesus foi o grande Escândalo; a pregação dos Apóstolos também o foi (cf. 1Cor 1, 23). É importante considerar que neste sentido não estamos tratando de escândalo enquanto pecado, mas da força transformadora da Palavra de Deus, penetrante como uma espada de dois gumes, que fere o íntimo de cada homem (cf. Hb 4, 12ss).
Na verdade, o cristão não pode pactuar com o mal; tem que tomar posição contrária, que por vezes pode “escandalizar”… Sabiamente dizia o Papa Pio XI: “O maior obstáculo ao apostolado é a timidez ou, antes, a covardia dos bons, e Pio XII: “O cansaço dos bons é o grande mal da nossa época”. É preciso, porém que os cristãos não suscitem atritos desnecessários. Saibam aguardar e aproveitar os momentos adequados para tomar a autêntica atitude frente aos males que os cercam, evitando posições intempestivas e passionais que, em vez de edificar, só fomentam os erros. Dentro da Igreja é necessário que os fiéis saibam distinguir entre sua santidade ontológica e a fragilidade das pessoas que lhe pertencem. Se estas falham, aquela não falha, pois o Senhor lhe prometeu assistência indefectível (Mt 28, 18-20). Um Cristianismo sem fraqueza humana não existe; seria um milagre, que Deus não quer fazer. “O justo vive da fé”.

A importância da mãe e da maternidade

A missão mais sublime que Deus confiou à mulher
Prof. Felipe Aquino / [email protected]

É tão grande a missão da mãe e do pai na vida dos filhos que Deus nos deu o Mandamento “Honrar pai e mãe”; o primeiro que encabeça a segunda Tábua das Leis.  O livro do Eclesiástico diz que “Deus quis honrar os pais pelos filhos, e cuidadosamente fortaleceu a autoridade da mãe sobre eles” (Eclo 3, 3). “Quem teme ao Senhor honra pai e mãe. Servirá aqueles que lhe deram a vida como a seus senhores” (v. 8).

A missão da mãe está ligada diretamente à vida. Ela gera e educa o filho para a sociedade e para Deus. Por isso, a maior contradição é uma mãe abortar seu filho. A mãe é a grande defensora da vida, desde a concepção até a morte natural do filho. A criatura mais desnaturada, mais perversa, é a mãe que rejeita o próprio filho.

A mãe é a primeira educadora do homem; ela o molda para viver as virtudes, o amor ao próximo, a civilidade, e desenvolver todos os seus talentos para o bem próprio e dos outros.

“Educar é uma obra do coração”, dizia Dom Bosco, por isso a mãe tem o primado do amor. Com paciência e perícia ela vai tirando os maus hábitos do filho e fomentando as virtudes dele. Michel Quoist afirmava “que não é para si que os homens educam os seus filhos, mas para os outros e para Deus”.

Educar é colaborar com Deus, e é na educação dos filhos que se revelam as virtudes da mãe. Sem o carinho e a atenção da mãe a criança certamente crescerá carente de afeto e desorientada para a vida. Sem experimentar o amor materno o homem futuro será triste.

É no colo da mãe que a criança aprende o que é a fé, aprende a rezar e a amar a Deus e as pessoas. A maioria das pessoas que se dizem ateias, ou avessas à religião, não receberam a fé no colo de suas mães; porque é na primeira infância que o homem tem o seu primeiro e fundamental encontro com Deus.

É no colo da mãe que o homem de amanhã deve aprender o que é a retidão, o caráter, a honestidade, a bondade, a pureza de coração. É no colo materno que a criança aprende a respeitar as pessoas, a ser gentil com os mais velhos, a ser humilde e simples e a não desprezar ninguém.

É no colo da mãe que o filho aprende a caridade, a vida pura na castidade, o domínio de todas as paixões desordenadas e a rejeitar todos os vícios. É a mãe, com seu jeito doce e suave, que vai retirando da sua “plantinha” que cresce a erva daninha da preguiça, da desobediência, da má-criação, dos gestos e palavras inconvenientes. É ela quem vai ensinando a criança a perdoar, a superar os momentos de raiva sem revidar, a não ter inveja dos outros que têm mais bens e dinheiro. É a mãe que, nas primeiras tarefas do lar, lhe ensina o caminho redentor do trabalho e da responsabilidade. A mãe é a grande combatente do pecado original.

Até o Filho de Deus quis ter uma Mãe para cumprir a missão de salvar a humanidade; e Ele fez o primeiro milagre nas Bodas de Caná exatamente porque ela Lhe pediu. Por isso, cada mãe é um sinal de Maria, que ensina seu filho a viver de acordo com a vontade de Deus.

Infelizmente o secularismo, que tomou conta do mundo atual e expulsa Deus da sociedade, das famílias, das escolas e das instituições, desvalorizou a maternidade, enterrou seus imensos valores e empanou o brilho de sua grandeza. Hoje, muitas e muitas mulheres, inclusive católicas, já não querem ser mães, ou então têm receio da maternidade, como se não fosse uma bênção a acolher.

O Catecismo da Igreja Católica (CIC) diz que: “A Sagrada Escritura e a prática tradicional da Igreja veem nas famílias numerosas um sinal da bênção divina e da generosidade dos pais” (CIC § 2373; GS 50, 2). E afirma que “os filhos são o dom mais excelente do matrimônio e constituem um benefício máximo para os próprios pais” (CIC § 2378).

Como, então, rejeitar os filhos, se são uma bênção de Deus? Será que o medo e o comodismo estão superando a nossa fé? Será que Deus não cuidará mais daqueles a quem Ele deseja lhes dar a vida?

Nunca me esqueci do que um homem pobre me disse quando eu era ainda jovem e solteiro. Tinha nascido seu oitavo filho e ele me contava que estava tão mal financeiramente que, no dia do batismo, o padrinho da criança pediu para levar o afilhado para criar. Ao que o pai lhe disse: “Não, Deus dá, Deus cria”. E depois desse ainda teve muitos outros filhos. A mãe desses filhos – os Guatura – ainda é viva com seus noventa anos na cidade de Lorena (SP). É a maior prova de que a maternidade faz muito bem à vida e à saúde da mulher.

O Salmo 126 diz com todas as letras: “Vede, os filhos são um dom de Deus: é uma recompensa o fruto das entranhas”. “Feliz o homem que assim encheu sua aljava […]” (Sl 126, 3-5). Ainda cremos nessa palavra de Deus? Vitor Hugo declarou que “um lar sem filhos é como uma colmeia sem abelhas”; acaba ficando sem a doçura do mel.

Na “Carta às Famílias” (CF) o saudoso Papa João Paulo II denunciou o perigo do mundo que vive hoje buscando só o prazer: “Visando exclusivamente ao prazer, pode chegar até a matar o amor, matando o seu fruto. Para a cultura do prazer, o “fruto bendito do teu ventre” (cf. Lc 1, 42) torna-se, em certo sentido, um “fruto maldito” (CF, 21).

São Paulo diz que a mulher tem na maternidade um meio poderoso de sua salvação, embora não seja, é claro, o único: “A mulher será salva pela maternidade, contanto que permaneça com modéstia na fé, na caridade e na santidade” (1Tm 2, 15).

No Dia das Mães é preciso que cada mulher, especialmente a mulher católica, medite profundamente sobre a missão de ser mãe, a mais sublime que Deus confiou à mulher.

 

Toda mãe traz os traços de Maria
O amor materno é capaz de apoiar os filhos
Sandro Ap. Arquejada

Ser mãe vem ao encontro da plenitude do ser feminino. Toda mulher é chamada a gerar um novo ser humano, seja física ou espiritualmente. Com Maria, Mãe de Jesus, também foi assim. Ela foi escolhida por Deus para uma gravidez incomum, em que o fruto de seu ventre traria a vida eterna para toda a humanidade. Para isso Nossa Senhora contou com auxílio do Céu, nasceu imaculada, para o propósito divino de ser geradora do Salvador, mas o Pai dotou-a de virtudes naturais que são inerentes ao ser mulher e que, na maior parte dos acontecimentos de sua vida, ela dispôs do que lhe era humano para que o plano do Altíssimo acontecesse. Desde a Anunciação, em que ela abre mão de seus planos de constituir uma família, até o Pentecostes, evento em que ela está firme e perseverante na oração junto aos apóstolos, o ministério de Jesus é marcado pela presença dela. Como então separar Maria do ministério do Cristo? É nesse caminhar junto, dispondo da energia natural ao que é vontade de Deus, que acontece a maternidade espiritual. Ser mãe é ser Maria na vida dos filhos, que não apenas os traz ao mundo, mas os encaminha para sua missão, indicando o que é nobre, justo e verdadeiro. O amor do coração materno as impulsiona a estarem sempre presentes na vida dos filhos, não somente de forma física ou tomando-os como propriedades, mas vislumbrando na maternidade de Maria, como educar para o crescimento em estatura, sabedoria e graça diante de Deus e diante dos homens. O grande milagre da vida realiza-se quando o sopro amoroso da existência, vindo de Deus, perpassa o ser de alguém que se desfaz de si para elevar o pequeno e indefeso até a grandiosidade de sua missão neste mundo. Se foi tão importante para Nosso Salvador Jesus Cristo ter a presença materna até a vinda do Espírito Santo é porque o amor materno é capaz de apoiar os filhos de forma extraordinária na realização de um desígnio de vida. Obrigado a todas as mães por serem Maria em nossas vidas! Um feliz Dia das Mães e abençoado mês de Maria.

 

Profissão Mãe

Uma mulher chamada Ana foi renovar sua carteira de motorista. Pediram-lhe para informar qual era sua profissão. Ela hesitou, sem saber como se classificar.

– O que eu pergunto é se tem algum trabalho, insistiu o funcionário.

– Claro que tenho um trabalho, exclamou Ana. Sou mãe, disse.

– Nós não consideramos mãe um trabalho. Vou colocar dona de casa, disse o funcionário friamente.

Não voltei a lembrar-me desta história até o dia em que me encontrei em situação idêntica. A pessoa que me atendeu era obviamente uma funcionária de carreira, segura, eficiente, dona de um título sonante.

– Qual é a sua ocupação, perguntou.

Não sei o que me fez dizer isto. As palavras simplesmente saltaram-me da boca para fora:

– Sou Doutora em desenvolvimento infantil e em relações humanas, falei à funcionária.

A funcionária fez uma pausa, a caneta de tinta permanente a apontar pra o ar, e olhou-me como quem diz que não ouviu bem. Eu repeti pausadamente, enfatizando as palavras mais significativas.

Então reparei, maravilhada, como ela ia escrevendo, com tinta preta, no questionário oficial.

– Posso perguntar disse-me ela com novo interesse: o que faz exatamente?

Calmamente, sem qualquer traço de agitação na voz, ouvi-me responder:

– Desenvolvo um programa de longo prazo (qualquer mãe faz isso), em laboratório e no campo experimental (normalmente eu teria dito dentro e fora de casa). Sou responsável por uma equipe (minha família), e já recebi quatro projetos (todas meninas). Trabalho em regime de dedicação exclusiva (alguma mulher discorda?). O grau de exigência é a nível de 14 horas por dia (para não dizer 24).

Houve um crescente tom de respeito na voz da funcionária, que acabou de preencher o formulário, se levantou, e pessoalmente abriu-me a porta. Quando cheguei em casa, com o título da minha carreira erguido, fui recebida pela minha equipe: uma com 13 anos, outra com 7 e outra com 5. Do andar de cima, pude ouvir meu novo experimento – um bebê de seis meses – testando uma nova tonalidade de voz. Senti-me triunfante!

Maternidade… Que carreira gloriosa!

Assim, as avós deviam ser chamadas doutora-sênior em desenvolvimento infantil e em relações humanas, as bisavós doutora-executiva-sênior em desenvolvimento infantil e em relações humanas e as tias doutora-assistente.

Uma homenagem carinhosa a todas as mulheres, mães, esposas, amigas, companheiras, doutoras na arte de fazer a vida melhor!

 

AS MÃES NA VIDA DA IGREJA
São as primeiras transmissoras da fé
Dom Canísio Klaus, Bispo Diocesano de Santa Cruz do Sul – RS

A Igreja Católica, desde seus primórdios, tem na mãe um amparo seguro para sua fé. O exemplo típico é Maria, a Mãe de Jesus, que estava presente junto aos apóstolos no momento em que o Espírito Santo desceu sobre eles no domingo de Pentecostes. O Documento de Aparecida diz que “Maria é a presença materna indispensável e decisiva na gestação de um povo de filhos e irmãos, de discípulos e missionários de seu Filho” (nº 524). A partir da Santíssima Virgem Maria, muitas outras mães marcaram a caminhada da Igreja. Mães do estilo de Santa Mônica, que derramou muitas lágrimas para que seu filho abandonasse a vida desregrada que estava levando e se transformasse no grande teólogo e doutor da Igreja, Santo Agostinho. Mães como Santa Rita de Cássia, que sofreu os maus-tratos do marido e, depois de viúva, entrou para a vida religiosa. Mães do estilo de Santa Isabel de Portugal, que na condição de rainha entregou seus bens pessoais aos necessitados e viveu na pobreza voluntária. Mães de papas, bispos, padres e religiosas. Mães catequistas, animadoras de comunidades e dinamizadoras do serviço da caridade. Mães dedicadas à transmissão da fé para seus filhos e solícitas companheiras para seus consortes, também na motivação para a prática religiosa. O Documento de Aparecida reconhece que as mulheres “constituem, geralmente, a maioria de nossas comunidades. São as primeiras transmissoras da fé e colaboradoras dos pastores”. Por isso, “é urgente valorizar a maternidade como missão excelente das mulheres”. A mãe “é insubstituível no lar, na educação dos filhos e na transmissão da fé” (456). Por ocasião do Dia das Mães deste ano, queremos manifestar a nossa gratidão às inúmeras mães que assumem a sua fé na família e na comunidade. Queremos manifestar a nossa solidariedade às mães que sofrem por verem seus filhos trilhando o caminho das drogas e da violência. Manifestar o nosso apoio às mães que lutam para que seus filhos desenvolvam autênticos valores de vida e fé. Manifestar o nosso incentivo às mães que se empenham para que, conforme nos alertava a Campanha da Fraternidade, a vida possa continuar a seguir o seu normal rumo idealizado por Deus no momento da criação. Manifestar o nosso reconhecimento às mães que assumem sozinhas a educação dos filhos, pelo fato de terem sido abandonadas ou por terem se tornado viúvas. Manifestar a nossa admiração para com as mães que já são avós e que têm a graça de conviver com os filhos dos seus filhos. Finalmente, queremos parabenizar a todas vocês mães! Que Deus as abençoe e lhes dê muitas alegrias por intermédio dos filhos que geraram! Parabéns!

 

A minha mãe em seu dia…

Algo muito bom deve ser uma Mãe, quando até mesmo Deus quis ter a Sua.

Assim é uma Mãe

Doce… quando nos olha.
Terna… quando nos acaricia.
Amorosa… quando nos beija.
Transparente… quando nos fala.
Sábia… quando nos aconselha.
Calada… ante nossas incompreensões.
Paciente… ante nossas rebeldias.
Branda… ante nossos rogos.
Confidente… de nossos segredos.
Alento… de nossas aspirações.
Consolo… de nossos pesares.
Um Anjo… para cuidar-nos.
Valente… para defender-nos.
Abnegada… até o sacrifício.
Um pequeno deus… para compreender-nos e perdoar-nos.

Angel Ramos

Felicidades! Mãe venerada!

Aqui estou contigo. Se me dedicaste tantos anos, como não dedicar-te, íntegro, este dia.

Ser mãe, eterno aprendizado

A experiência mais transformadora que uma pessoa pode viver
Elaine Ribeiro / [email protected]

É um desafio escrever para mães, não sendo uma delas, mas é comum dizer que a mulher, pela sua natureza, traz em si o dom de acolher e o dom da maternagem, ou seja, de acolher o outro com o amor filial. Esta é a graça de saber que já somos amados mesmo antes de ser gerados, é graça e dom de Deus o amor maternal. Não sendo uma delas, mas atendendo muitas mães, vamos aprendendo, lendo e convivendo com genitoras que nos trazem diversas histórias de vida, aprendizados, experiências e gostariam de trocar a experiência da formação e aprendizado dos filhos. O vínculo materno é algo estabelecido muito antes do nascimento e é o primeiro evento de organização psíquica (embora, primitivo) de uma criança; neste sentido, a mãe se torna um elemento primordial no cuidado da criança, na observação dos seus sentimentos e emoções, na formação de sua identidade. É por meio da mãe, seja ela com vínculo sanguíneo ou não, que damos início ao desafio de ser seres humanos e conviver em sociedade. É na relação mãe-bebê que também a mãe também se realiza, partindo do princípio de que tudo é troca, mãe-bebê crescem na interação e na maturidade, com formas de ganho vivenciadas desde o princípio da relação. Mais do que instinto, ser mãe é algo que prende nossa atenção pelo fato de envolvermos outros aspectos, como comportamentos aprendidos e experiências de vida que nos tornaram diferentes no contato com nossos filhos. Acho importante tocar neste aspecto: por vezes, as mães estão insatisfeitas no modo como têm realizado seu papel. Aí é hora de aceitar suas dificuldades, aprender com outras mães, buscar em sua família bons exemplos de maternidade. O que devemos evitar é aquele rótulo de que, por nossos sofrimentos de vida, repassemos tudo isso para nossos filhos. Creio ser este o maior erro. Sabe aquela frase que começa assim: “Filho meu não faz isso…” E “Filha minha se engravidar fora do tempo vai ser botada pra fora de casa…”. Ouvimos isso milhares de vezes. Mas, será o melhor caminho? Ser mãe é cuidar, trazer para perto, conversar; chegamos então ao X da questão: nossa relação com os filhos não é apenas instintiva; é também intuitiva; perceber mais as reações do filho, as amizades, as vivências e os hábitos dele. Quebrar uma barreira que possa existir entre você e seu filho, que é muito mais uma barreira “mental” imposta por você, dizendo o que você deve ou não tratar com ele. A relação mãe-filho sofre influência marcante da cultura, do ambiente social, religioso, financeiro, da nossa saúde física e mental, do nosso acesso à educação, ao lazer, ao trabalho, ao descanso, à dignidade, ao reconhecimento. Reciclar! Reciclamos nosso conhecimento no trabalho, na escola e por que não na forma de conduzir nossa relação com nossos filhos? A melhor educação não é a mais cara ou cheia de recursos, mas a que deixa lembranças emocionais positivas; esta vivência é muito especial para cada ser humano. Se você não viveu isso, procure trazer para seu filho o sentimento de pertencer, de ser acolhido, oferecendo-lhe segurança. A segurança oferecida é ponto-chave para que seu filho também se sinta seguro, mesmo quando não for bem na prova da escola, quando perder o jogo do time ou não possuir aquele tênis “da hora” que todo amigo tem. Mãe não é aquela que cede, que concede, que libera e facilita a vida; mãe também abraça, acolhe, esbraveja, chora, também precisa de colo e de proteção. Afinal, ser mãe não é ser “mulher maravilha” com um cinturão cheio de superpoderes e ter todas as respostas em mãos, mas ganhar um espaço com seu filho; sim, dar a ele um espaço de escuta, um espaço de amor, de acolhida. É a graça de vivenciar vários papéis ao mesmo tempo: ser mãe-mulher-cidadã-esposa-profissional! Muitos papéis para esta mãe, que vai moldando seu jeito de ser e atender todas as necessidades apresentadas; capacita sua forma de entender seus aspectos humanos e estando bem psicologicamente, também contribua no desenvolvimento saudável de seus filhos. Viver as alegrias e sofrimentos que ser mãe representa, unidas à fé, à esperança, ao amor-doação. É saber criar seus filhos e saber gerá-los para a vida. Que lindo presente é ser mãe! Um papel que, na verdade, nunca acaba; ser mãe está e sempre estará em sua vida como a experiência mais transformadora que uma pessoa pode viver. Tudo isso faz com que você seja tão especial e importante na vida de seus filhos!

 

Ser mãe é padecer no paraíso
Maternidade, um dom que vem do céu

Tantas vezes ouvi este ditado e, hoje, quero manifestar a minha interpretação sobre ele. Será que isso é ruim? A expressão padecer traz esta conotação negativa, pesada, mas, na verdade, não é bem assim…

As mães vivem um certo desconforto desde a gestação (enjoos, azia, inchaço). No parto com suas dores próprias, depois nos primeiros dias a adaptação e interpretação do choro do bebê, o sono, o cansaço. São situações reais que parecem eternas pela intensidade, mas, de repente, passam… E alguns meses depois, o padecimento é outro: voltar ao trabalho e deixar o filho, afinal ninguém vai saber cuidar do filho como a mãe. Doce ilusão!

Mais adiante, a entrada na escola. “Quem será o professor?”, “Será que vai acompanhar a aula?”, “O que vai comer no lanche?”, “Quem serão os colegas?” “E se alguém bater no meu filho?” Nós insistimos em viver a vida dos filhos e, com isso, “padecemos”, pois não temos o mesmo entendimento das crianças. E quando chega a adolescência? Nossa! Aí entra outra fase. Só mudam as preocupações, filho criado, trabalho dobrado…

Mas e aquilo que plantamos na educação deles? Não valeu a pena? As mães de hoje são, na sua maioria, frutos da geração de transição do feminismo e do sexo, drogas e rock’n roll. Achar o equilíbrio não é fácil. Anterior a nós houve a geração de pais que acreditavam que a liberdade era a melhor opção de educação para os filhos vivendo o “é proibido proibir”.

Hoje já percebemos que os limites são necessários na formação de qualquer ser humano. E por isso, às vezes, dar um “não” ao filho chega a ser um padecimento, pois sabemos que ele(a) queria muito tal coisa ou tal situação, mas percebemos que não é o melhor naquele momento, e isso gera um certo desconforto no relacionamento entre mãe e filho(a).

Aí mais do que padecer é compadecer, é sofrer, pois apesar de estarmos conscientes da decisão tomada não gostamos de ver nosso(a) filho(a) triste. E mais uma vez, apesar de toda intensidade, veremos que isso também vai passar!

Assim como nós que, hoje, neste papel de mãe, reconhecemos e aceitamos a postura que as nossas mães tiveram conosco. E pensamos: “Elas estavam certas…” Olhando tudo isso parece que o ditado está certo… ser mãe é padecer no paraíso. Agora é preciso dizer que tudo isso vale a pena!

Veja bem: vale a pena e não valeu ou está valendo… ser mãe vale por toda a vida? A presença, a realização, as conquistas, as alegrias e as tristezas de um(a) filho(a) não têm preço. Este é o nosso paraíso: a maternidade! As mães são capazes de abrir mão e renunciar a várias coisas na vida, somente não conseguem renunciar a maternidade. Esta é inegociável!

Parabéns a todas as mães, avós, tias, madrinhas, sogras… que, de uma forma ou outra, são mães em nossas vidas!

Maria, Mãe de Jesus e da Igreja, nos ensine e conduza na vivência da maternidade segundo o coração de Deus!

Carla Astuti – Comunidade Canção Nova
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Valores a transmitir                                                                            

Este domingo é o Dia das Mães. São tantas as celebrações, que os calendários se vêem sobrecarregados, quase não tendo espaço para lembrar todas as efemérides marcadas para cada dia.

Mas o Dia das Mães nem precisa constar no calendário. Ele se impõe por si mesmo.  Por múltiplos motivos.  Em primeiro lugar pelo respeito, admiração e gratidão que merece qualquer mãe, seja qual for a condição em que se encontra. A mãe sempre merece um preito de gratidão da humanidade. É sempre sublime a missão de gerar e resguardar a vida. Ainda mais quando esta é frágil e necessita de proteção.

Toda festa acaba assumindo uma causa a celebrar, um valor a defender, um critério a seguir.

A festa das Mães tem evidente conotação com a família.  E a família tem forte vinculação com a sociedade.

É o que quer transmitir o Sétimo Encontro Mundial das Famílias, a se realizar no final deste mês e início de junho, em Milão, na Itália. Uma das mensagens que promovem o evento, recorda, exatamente, o estreito vínculo da família com a sociedade.

Assim é divulgada a mensagem: “A Família é a primeira e vital célula da sociedade, porque na Família se aprende quanto seja importante o relacionamento com os outros.”

De tal modo que a Família se torna o espelho da sociedade. Ela transmite valores que fazem parte do convívio humano, independente da forma como este convívio se configura.

Tanto é verdade que as famílias vão mudando de fisionomia. Mas ao passar por estas metamorfoses que tanto afetam hoje a sociedade, a família é chamada a vivenciar os valores que ela sempre testemunhou, de proteção da vida, de respeito pela subjetividade de cada pessoa, de bondade, de confiança, de dedicação amorosa às pessoas que compõem o circuito da convivência humana.

Promovendo o Dia das Mães, acabamos reforçando nesse ano a mensagem do Sétimo Encontro Mundial das Famílias.  O número já sugere que a iniciativa é bastante recente. De fato, o grande inspirador destes encontros foi o Papa João Paulo II. Um deles foi realizado no Rio de Janeiro, no final da década de noventa, quando João Paulo II teve oportunidade de ver de perto os encantos da natureza carioca. O encontro que teve o público mais expressivo foi em Manilha, nas Filipinas, quando quatro milhões de pessoas participaram da celebração final da Eucaristia.

Desta vez o tema é prático e sugestivo: “A Família, o Trabalho e a Festa”.

Realizado em Milão, capital da laboriosa Lombardia, região de forte identidade cultural e humana, identificada com a fé católica, nada melhor do que lembrar o trabalho e a festa, componentes indispensáveis da vida, para servirem de tema deste encontro mundial.

O hino que vai unir as diversas celebrações, leva por título: “A Tua Família te rende graças”.

Um último aceno simbólico: o encontro se conclui no dia 03 de junho, domingo da Santíssima Trindade. Se a família tem necessária relação com a sociedade, ela encontra sua consistência maior em sua relação com Deus, o Senhor da Vida. A família é espelho da comunhão trinitária.

A família nos permite expressar nossa compreensão aproximada do mistério de Deus. Dela tomamos as palavras que aplicamos alegoricamente a Deus, que identificamos como Pai-Mãe, Filho e Espírito Santo. Usando categorias familiares, expressamos nossa compreensão de Deus.

Vivenciando o amor materno, temos a imagem aproximada do amor divino que Deus manifesta por nós. As mães são testemunhas de que Deus é amor!

D. Demétrio Valentini – Bispo da Diocese de Jales  

 

Obrigado mãe!
A maternidade nos aproxima de Deus, ama e perdoa sempre

ROMA, sexta-feira, 11 de maio de 2012 (ZENIT.org). – Domingo, 13 de maio comemoramos o dia das mães.

Misterioso o desígnio divino que dá à mulher o poder de transmitir a vida. Uma característica que, juntamente com a grande capacidade de amar e perdoar aproxima de modo particular a mãe à Deus.
O filósofo grego Sófocles dizia que “A mãe inventou o amor na terra” e “para a mãe os filhos são âncoras da vida”.
De fato, sustenta o frances Honoré de Balzac: “O coração de uma mãe é um abismo no fundo do qual há sempre perdão”.
O filósofo, escritor, dramaturgo, crítico literário frances Jean Paul Sartre reconheceu: “Quanto mais lágrimas nos olhos da mãe custou o filho, mais caro a seu coração”. Na verdade a mãe se comporta como Deus ” te ama sempre.”
Diz Marcel Proust: A criança chama a mãe e pergunta: “De onde vim?De onde você me pegou?” A mãe ouve, chora e sorri enquanto aperta seu bebê contra o peito. “Você era um desejo dentro do coração”.
Até mesmo o niilista Friedrich Nietzsche afirmou: “Meu único consolo, quando ia dormir, era que minha mãe vinha me beijar quando eu tinha apenas deitado”.
Neste sentido, a poetisa e escritora Silvana Stremiz escreve: “O amor de uma mãe não tem fronteiras, não tem limites, nem condições. Nos ama sem pedir nada. Amor imcomparável. Ninguém vai nos amar como você. Por este amor mãe eu digo obrigado”.
Edmondo De Amicis, autor do livro “Coração”, constatou que “Se de todos os gestos de afeto e de todas as ações honestas e generosas de que nos orgulhamos pudéssemos descobrir a primeira semente, iríamos descobrir quase sempre no coração da nossa mãe”.
O médico, professor e escritor americano, considerado por seus contemporâneos como um dos melhores escritores do século XIX, Oliver Wendell Holmes (sênior), acrescentou: “A verdadeira religião do mundo vem muito mais das mulheres do que dos homens, sobretudo pelas mães , que levam a chave de nossas almas em seus corações”.
Também o escritor e jornalista austríaco Joseph Roth afirma: “Eu nunca vou esquecer a minha mãe, ela foi a primeira a plantar e cultivar as primeiras sementes do bem dentro de mim”.
Por esta razão, o poeta norte-americano William Ross Wallace diz: “A mão que fez o berço balançar é a mão que governa o mundo”.
E conclui o escritor judeu Kompert Leopold: “Deus não pode estar em toda parte: é por isso que ele criou as mães”.

A equipe de ZENIT deseja tudo de bom a todas as mães do mundo!

 

Dia das Mães          

O segundo domingo de maio é um dia dedicado a homenagear as mulheres que acolheram em sua vida a missão sublime de gerar ou acolher um filho para educar. Ser mãe é dom gratuito da bondade de Deus para cada mulher, e também a possibilidade de aceitar trabalhar pelo futuro da humanidade. Uma significativa expressão da fidelidade de Deus no sacramento do matrimônio, que torna o amor de um casal fecundo e multiplicador de vida.

Esse dia nascido por motivações afetivas, mas muito explorado comercialmente nos dias atuais pode ser agora uma oportunidade de valorizar a vida e a família. Principalmente se refletimos sobre a missão importante da mãe (junto com o esposo) de educar seus filhos.

Além de acolher ou procriar fisicamente, gerar um filho para a fé é um compromisso que sinaliza a relação de Deus com seu povo, que é sempre fecunda, capaz de multiplicar a vida, e se dá na plena confiança e entrega à providência divina.

No contexto de um capitalismo selvagem que cada vez mais tenta destruir os valores verdadeiros da humanidade, ser mãe, para além de uma responsabilidade e de um dom, significa manifestar um compromisso com a vida em todas as suas dimensões. Com as pressões atuais contra a dignidade da vida e a propaganda contra a geração de filhos, constatamos que isso é ferir em uma mulher o direito de ser mãe, ferindo também sua mais profunda dignidade e violando aquilo que de mais belo Deus concedeu a uma mulher: o direito de ser mãe e de contribuir assim com a criação, que continua a ser criada e recriada. “Cada criança que nasce é Deus que volta a sorrir para o mundo” diz a tradição popular.

Homenagear as mães nesse dia nos faz recordar da importância da família humana e também da figura de Maria, exemplo de mãe e educadora. Mulher forte e doce, mulher do silêncio, da presença e da esperança que não decepciona. Maria traz consigo as virtudes mais profundas, capazes de fazer de todas as mulheres verdadeiramente mães e mestras, como ela o foi. A humildade, a plena confiança em Deus, seu sim à acolhida do projeto divino em sua vida, conformando-se plenamente a ele, as lutas para proteger o filho, a coragem de lançá-lo no projeto do Pai antes mesmo de “chegar a sua hora”, a força para acompanhar o filho no sofrimento e aos pés da cruz, acolher o filho morto ao ser retirado da cruz e contemplar, em seus braços, seu corpo sofrido por amor, a esperança de fazer continuar o projeto de construção do Reino junto com os discípulos amedrontados no cenáculo, a alegria de ver o filho ressuscitado e Senhor para sempre.

Mães de nosso tempo: pobres, mas incapazes de abandonar os filhos que gerou. Capazes de educar na dificuldade, nunca os deixando de lado. Mulheres de fé, que choram aos pés do Santíssimo Sacramento e da Virgem das Dores, implorando a Deus por seus filhos, escravos das drogas, da prostituição e de tantos outros vícios. Mães que percorrem o calvário com seus filhos, lutam para que não sejam mortos e imploram de Deus uma nova vida de cada um deles. Verdadeiras guerreiras, batalhando e lutando por sua prole, trabalham de sol a sol para estudar os filhos, fazê-los crescer bem e oferecer-lhes melhores condições de vida e novas possibilidades, que, elas mesmas, não puderam receber. Mulheres que choram as dores dos filhos, que sorriem e celebram suas vitórias. Mulheres de aço, mulheres como flores, singelas e frágeis. Amor traduzido em gestos concretos e na mais profunda oferta de vida. Capazes de tudo para garantir aos filhos uma vida de sucesso e de realização.

As Sagradas Escrituras estão cheias dos testemunhos de mulheres, mães, que tudo fizeram para que seus filhos compreendessem e permanecessem no caminho do Senhor. Vale lembrar o desejo de Sara de ser mãe e sua confiança em Deus, que transformou sua impossibilidade e fez de Abraão Pai de todas as nações (Gn 18,10); a história de Ana, mãe de Samuel, que deu a luz o filho primogênito (1Sm 1-2); a belíssima história da mãe e dos sete filhos que dão a vida mas não negam o Senhor (2Mc 7, 1-40); a busca da mulher cananéia pela cura de sua filha (Mt 15,21); a alegria de Isabel ao conceber João Batista (Lc 1, 12-15) e Maria, modelo novo de maternidade e coragem (Lc 1, 26-38).

A figura materna tem nas Sagradas Escrituras um valor profundo que até mesmo a revelação compara o amor de Deus com algumas características maternas: “… agora vou gritar como a mulher que dá a luz, vou gemer e suspirar” (cf.Is 42, 14); “Sião dizia: o Senhor me abandonou; o Senhor me esqueceu. Mas, pode a mãe esquecer o seu filho, ou a mulher a criança em suas entranhas? Ainda que ela esqueça, eu não esquecerei você” (cf. Is 49,15); “Como a mãe consola o seu filho, assim eu vou consolar vocês… (cf. Is 66,13).

Na história do cristianismo, tantas mães se santificaram pensando e promovendo o bem para seus filhos. Recordemos de Santa Mônica, que tanto rezou pela conversão do filho Agostinho, que se tornou um santo e doutor da Igreja, ou ainda, Santa Rita de Cássia, que rezou a Deus por seus filhos, que não queria vê-los manchados com a culpa do sangue e do ódio entre famílias rivais.

A todas as mães queremos homenagear e rezar para que suas presenças sejam sempre sinal de vida e de fecundidade. Para que sinalizem o amor de Deus com suas vidas, principalmente em nossos tempos, onde o direito de ser mãe vem sendo substituído pelo horror do aborto que fere a dignidade de tantas mulheres iludidas por falsas ideologias.

Rezemos também pelas mães que já se encontram junto com Maria na eternidade, na bem-aventurança eterna para que recebam a recompensa de suas vidas doadas e entregues a Deus e à família.

Que Maria mãe e mestra, cubra todas as mães com seu sagrado manto de amor, humildade e dedicação. Que ela alcance de Deus para todas as mães as condições necessárias para educarem seus filhos com dignidade, na justiça, fraternidade e solidariedade. Que nenhuma mãe se esqueça de que a melhor herança que podem entregar a seus filhos é a fé.

Maria, mãe de todos os povos, rogai por nós!

+ Orani João Tempesta, O. Cist., Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ  

Qual é o terceiro segredo de Fátima?

Nenhum sofrimento é vivido em vão se for acolhido na fé
Prof. Felipe Aquino
[email protected]

Infelizmente circula na internet um tal “Terceiro Segredo de Fátima”, que muito assusta as pessoas, como se o Papa João Paulo II não tivesse revelado o verdadeiro no ano 2000. No dia 26 de junho deste ano foi revelado, com a devida autorização do Papa, o verdadeiro Terceiro Segredo de Fátima, que tanta curiosidade, medo e, às vezes, pavor, despertava no povo. Na verdade, houve muita fantasia prejudicial às pessoas. Nas suas três partes o Segredo nada tem de previsões sobre o fim do mundo, nem de catástrofes ou flagelos. Com a revelação do Segredo, feita através da Sagrada Congregação da Fé, com uma interpretação feita, a pedido do Papa, pelo então Cardeal Joseph Ratzinger, hoje o Papa Bento XVI, prefeito da citada congregação na época, viu-se que se trata de uma visão do século XX, século este impregnado de mártires do comunismo, do nazismo e de outras forças inimigas da Igreja e de Deus. Milhões morreram pela fé. Na entrevista que Dom Tarcísio Bertone, então Secretário da Congregação para a Doutrina da Fé, teve com a Irmã Lúcia, por ordem do Sumo Pontífice, em 27 de abril de 2000, no Carmelo de Coimbra, onde vivia a religiosa, esta, lúcida e calma, concordou com a interpretação do Segredo, segundo a qual a terceira parte do Segredo de Fátima consiste numa visão profética, comparável às da história sagrada. Ela reafirmou a sua convicção de que a visão de Fátima se refere “sobretudo à luta do comunismo ateu contra a Igreja e os cristãos” e descreve os duros sofrimentos das milhões de vítimas do século XX. Irmã Lúcia confirmou que a principal personagem do Segredo era o Santo Padre e recordou como os Pastorinhos tinham pena dele. Com relação ao “Bispo vestido de branco” (o Papa), que é ferido de morte e cai por terra, a Irmã concordou plenamente com a afirmação do saudoso Papa João Paulo II: “Foi uma mão materna que guiou a trajetória da bala e o Santo Padre deteve-se no limiar da morte” (Meditação com os Bispos italianos na Policlínica Gemelli, 13 de maio de 1994). É interessante destacar o que diz a Irmã Lúcia: “Eu escrevi o que vi; não compete a mim a interpretação, mas ao Papa.” A ela foi dada a visão, não a interpretação. Mais uma vez vemos aí a importância da Igreja e do Pontífice. E a Irmã concordou com a interpretação dada pela Igreja.
Na interpretação do Segredo, já bastante publicado e conhecido, feita pelo Cardeal Ratzinger, alguns pontos merecem ser destacados:
1 – A palavra-chave da primeira e segunda parte do Segredo é “Salvar as almas”; a palavra-chave da terceira parte é “Penitência, penitência, penitência”. O mesmo cardeal lembrou que a Irmã Lúcia lhe disse que o objetivo de todas as Aparições da Santíssima Virgem era fazer crescer cada vez mais a fé, a esperança e a caridade.
2 – A visão do anjo com a espada de fogo representa o perigo da destruição da humanidade por si mesma, por meio da guerra e de outras formas. O brilho da Mãe de Deus aparece como a força capaz de vencer as forças da terrível destruição.
3 – O sentido da visão não é mostrar um filme sobre o futuro, mas uma forma de orientar a liberdade humana a buscar o bem. Há que se evitar, portanto, as interpretações fatalistas do Segredo, como se tudo já fosse traçado para acontecer, sem respeitar a liberdade dos homens. O futuro é visto como que num espelho, de maneira simbólica.
4 – Três sinais aparecem: uma montanha alta; uma grande cidade meio em ruínas e uma grande cruz de troncos toscos. A montanha e a cidade são o lugar da história humana, de convivência, mas de luta; como uma subida árdua no qual o homem destrói, com as próprias mãos, o que ele mesmo construiu (cidade em ruínas). No alto da montanha está a Cruz, meta e orientação da história humana, sinal da miséria humana e promessa de salvação. A visão mostra o caminho da Igreja como uma Via-Sacra, ladeado de violência, destruição e morte, mas de esperança. Diz o cardeal que nesta imagem pode-se ver a história de um século que se finda. O século dos mártires, dos sofrimentos e das perseguições à Igreja. Século de duas guerras mundiais e de muitas guerras locais. No espelho desta visão vemos passar as testemunhas da fé deste século. O cardeal fez questão de recordar o que a Irmã Lúcia disse ao Papa João Paulo II, em 12 de maio de 1982, um ano após o atentado sofrido por ele: “A terceira parte do segredo se refere às palavras de Nossa Senhora: “Se não [a Rússia] espalhará os seus erros pelo mundo, promovendo guerras e perseguições à Igreja. Os bons serão martirizados, o Santo Padre terá muito que sofrer, várias nações serão aniquiladas.” Os Papas deste século tiveram um papel preponderante na árdua “subida da montanha” do Segredo. Desde Pio X até João Paulo II, todos os Santos Padres sofreram no caminho que leva à Cruz.
5 – Destaca o mesmo cardeal que o fato de o Papa não ter não ter morrido no atentado de 13/5/81 significa que não existe um destino imutável (na visão Sua Santidade aparece morta), e se a mão de Nossa Senhora guiou a bala para que não o matasse é porque a força da oração e da penitência é maior do que as balas, e a fé é mais poderosa do que os exércitos. Tudo pode ser mudado pela oração e pela conversão!
6 – Por fim a visão mostra os anjos que recolhem da cruz o sangue dos mártires e com ele regam as almas que se aproximam de Deus. O Sangue de Cristo e o dos mártires são vistos juntos a significar que o nosso sofrimento completa a salvação do mundo (cf. Cl 1, 24). O sangue dos mártires é semente de novos cristãos, como dizia Tertuliano. E assim, o terceiro Segredo termina com uma forte mensagem de esperança: nenhum sofrimento é vivido em vão se é acolhido na fé. É de todo o sofrimento e de todo o sangue derramado pela Igreja, no século XX, que brotarão as forças de um novo Cristianismo no século XXI. Haverá uma forte purificação e um renovamento que já se faz sentir no coração da Igreja. É a eficácia salvífica que brota do Sangue de Cristo misturado ao dos Seus mártires.
7 – Os acontecimentos, a que se refere o Segredo, já são do passado; fica o permanente apelo à oração e à penitência para a salvação das almas. O cardeal termina afirmando que a certeza de Nossa Senhora de que por fim “o meu Imaculado Coração triunfará” significa que um coração voltado inteiramente para Deus é mais forte do que as pistolas ou as outras armas de fogo. A mensagem do Terceiro Segredo é uma mensagem de confiança no Cristo que venceu o mundo (cf. Jo 16, 33). Estive em Portugal, logo após a morte de Irmã Lúcia, em Coimbra, com a Dra. Branca, que cuidou da religiosa até a sua morte. A médica disse-me que Irmã Lúcia concordou inteiramente com a revelação feita pela Igreja sobre o Segredo e que mais nada havia a revelar. Portanto, é preciso cessar a divulgação de um falso Terceiro Segredo de Fátima, como se a Igreja não tivesse revelado o verdadeiro.

 

HÁ 96 ANOS O CÉU VISITOU A TERRA
A mensagem de Fátima ecoa hoje com ainda mais vigor

Era 13 de maio de 1917, uma manhã de domingo como tantas outras, quando o céu se abriu e Nossa Senhora veio visitar a terra, trazendo um apelo de conversão para toda a humanidade. Escolheu como mensageiros os humildes pastorinhos da Serra de Aire, Jacinta de 7 anos, seu irmão Francisco, de 9, e sua prima Lúcia, de 10 anos. O lugar escolhido também surpreende pela simplicidade. A Cova da Iria era uma terra de pastagens para o rebanho de ovelhas, coberta de uma vegetação rasteira, pedras e algumas árvores, como a azinheira, utilizada por Nossa Senhora do Céu como púlpito, para falar aos pequeninos e por intermédio deles ao mundo inteiro. O fato é que, há 96 anos, o 13 de Maio é um marco na história de Portugal, da Igreja e do mundo. A vida daquelas crianças também mudou completamente depois daquele dia. Fiéis ao apelo de Nossa Senhora: «Oferecei a Deus todos os sofrimentos que Ele vos enviar, em ato de reparação pelos pecados com que Ele é ofendido e de súplica pela conversão dos pecadores». Os três pastorinhos entregaram-se a esta sua grande missão, principalmente pela recitação diária do terço e a prática de sacrifícios, de tal modo que já em 1919 e 1920, respectivamente, Francisco e Jacinta foram levados ao céu. E depois de a Santa Igreja ter reconhecido as virtudes heróicas deles e um milagre por meio da intercessão deles, o Papa João Paulo II – no dia de 13 de maio de 2000 – declarou-os beatos, reconhecendo assim o cumprimento heróico da missão que receberam de Nossa Senhora. Na terceira aparição da Virgem Maria às crianças – em julho de 1917, Lúcia recebeu de Nossa Senhora uma missão específica: «Jesus quer servir-Se de ti, para Me fazer conhecer e amar. Ele quer estabelecer no mundo a devoção a Meu Imaculado Coração». Missão que ela assumiu com muito empenho durante toda a vida. Em outubro daquele mesmo ano, conforme a Senhora havia prometido, concluiu-se o ciclo das aparições. Aquele dia ficou marcado com o surpreendente “Milagre do Sol” – historicamente certo e reconhecido inclusive pela ciência. Diante deste sinal de Deus, o bispo D. José nomeou, em maio de 1922, uma Comissão Canônica para o processo Diocesano das Aparições e em 13 de outubro de 1930 declarou como dignas de crédito as visões das crianças na Cova da Iria, permitindo oficialmente o culto a Nossa Senhora de Fátima que, a esta altura, já atraía milhares de peregrinos de diversas partes do mundo ao local. A essência da Mensagem de Fátima é chamar a atenção dos homens para as verdades eternas da salvação. Sua primeira exigência é a reparação das ofensas cometidas contra Deus, contra Jesus e contra o Imaculado Coração de Maria. Jacinta Marto, a mais nova entre os três videntes, expressava esta verdade quando já enferma – e totalmente absorvida pelo desejo do Céu – vivia seus últimos dias aqui na terra. «Se os homens soubessem o que é a eternidade, faziam tudo para mudar de vida», proclamava ela. Francisco, que tinha caráter firme e era, segundo relatos, o mais radical nas penitências, era de poucas palavras e de muita oração. Sabendo que seria logo levado ao Céu pela Branca Senhora, não queria outra coisa senão consolar o coração de Jesus com suas orações e penitências. Enquanto a sua irmã e a prima iam à escola, ele aproveitava para ficar com “Jesus Escondido”, como costumava referir-se à Santíssima Eucaristia. À Lúcia foi confiada – pela Virgem de Fátima – a missão de nos transmitir a Mensagem de Fátima, guardar por um tempo “o Segredo de Fátima” e ser, durante sua vida na terra, um sinal concreto de fé e esperança para os peregrinos e devotos de Nossa Senhora. Faleceu aos 98 anos, em 13 de fevereiro de 2005. Noventa e seis anos já se passaram e a Mensagem de Fátima parece-nos ecoar com ainda mais vigor. As inúmeras graças alcançadas e o número cada vez maior de peregrinos que vêm à Cova da Iria são sinais evidentes da presença real da Mãe de Deus neste lugar. Apoiemo-nos com fé na promessa que a Senhora nos fez: «Por fim meu Imaculado Coração triunfará» e caminhemos como fiéis peregrinos rumo à salvação eterna.

 

CONGREGAÇÃO PARA A DOUTRINA DA FÉ
A MENSAGEM DE FÁTIMA

APRESENTAÇÃO
Na passagem do segundo para o terceiro milênio, o Papa João Paulo II decidiu tornar público o texto da terceira parte do « segredo de Fátima ». Depois dos acontecimentos dramáticos e cruéis do século XX, um dos mais tormentosos da história do homem, com o ponto culminante no cruento atentado ao « doce Cristo na terra », abre-se assim o véu sobre uma realidade que faz história e a interpreta na sua profundidade segundo uma dimensão espiritual, a que é refratária a mentalidade atual, freqüentemente eivada de racionalismo. A história está constelada de aparições e sinais sobrenaturais, que influenciam o desenrolar dos acontecimentos humanos e acompanham o caminho do mundo, surpreendendo crentes e descrentes. Estas manifestações, que não podem contradizer o conteúdo da fé, devem convergir para o objeto central do anúncio de Cristo: o amor do Pai que suscita nos homens a conversão e dá a graça para se abandonarem a Ele com devoção filial. Tal é a mensagem de Fátima, com o seu veemente apelo à conversão e à penitência, que leva realmente ao coração do Evangelho. Fátima é, sem dúvida, a mais profética das aparições modernas. A primeira e a segunda parte do « segredo », que são publicadas em seguida para ficar completa a documentação, dizem respeito antes de mais à pavorosa visão do inferno, à devoção ao Imaculado Coração de Maria, à segunda guerra mundial, e depois ao prenúncio dos danos imensos que a Rússia, com a sua defecção da fé cristã e adesão ao totalitarismo comunista, haveria de causar à humanidade. Em 1917, ninguém poderia ter imaginado tudo isto: os três pastorinhos de Fátima vêem, ouvem, memorizam, e Lúcia, a testemunha sobrevivente, quando recebe a ordem do Bispo de Leiria e a autorização de Nossa Senhora, põe por escrito. Para a exposição das primeiras duas partes do « segredo », aliás já publicadas e conhecidas, foi escolhido o texto escrito pela Irmã Lúcia na terceira memória, de 31 de Agosto de 1941; na quarta memória, de 8 de Dezembro de 1941, ela acrescentará qualquer observação. A terceira parte do « segredo » foi escrita « por ordem de Sua Excia. Revma. o Senhor Bispo de Leiria e da (…) Santíssima Mãe », no dia 3 de Janeiro de 1944. Existe apenas um manuscrito, que é reproduzido aqui fotostaticamente. O envelope selado foi guardado primeiramente pelo Bispo de Leiria. Para se tutelar melhor o « segredo », no dia 4 de Abril de 1957 o envelope foi entregue ao Arquivo Secreto do Santo Ofício. Disto mesmo, foi avisada a Irmã Lúcia pelo Bispo de Leiria. Segundo apontamentos do Arquivo, no dia 17 de Agosto de 1959 e de acordo com Sua Eminência o Cardeal Alfredo Ottaviani, o Comissário do Santo Ofício, Padre Pierre Paul Philippe OP, levou a João XXIII o envelope com a terceira parte do « segredo de Fátima ». Sua Santidade, « depois de alguma hesitação », disse: « Aguardemos. Rezarei. Far-lhe-ei saber o que decidi ».(1) Na realidade, a decisão do Papa João XXIII foi enviar de novo o envelope selado para o Santo Ofício e não revelar a terceira parte do « segredo ». Paulo VI leu o conteúdo com o Substituto da Secretaria de Estado, Sua Ex.cia Rev.ma D. Ângelo Dell’Acqua, a 27 de Março de 1965, e mandou novamente o envelope para o Arquivo do Santo Ofício, com a decisão de não publicar o texto. João Paulo II, por sua vez, pediu o envelope com a terceira parte do « segredo », após o atentado de 13 de Maio de 1981. Sua Eminência o Cardeal Franjo Seper, Prefeito da Congregação, a 18 de Julho de 1981 entregou a Sua Excia. Revma. D. Eduardo Martínez Somalo, Substituto da Secretaria de Estado, dois envelopes: um branco, com o texto original da Irmã Lúcia em língua portuguesa; outro cor-de-laranja, com a tradução do « segredo » em língua italiana. No dia 11 de Agosto seguinte, o Senhor D. Martínez Somalo devolveu os dois envelopes ao Arquivo do Santo Ofício.(2) Como é sabido, o Papa João Paulo II pensou imediatamente na consagração do mundo ao Imaculado Coração de Maria e compôs ele mesmo uma oração para o designado « Ato de Entrega », que seria celebrado na Basílica de Santa Maria Maior a 7 de Junho de 1981, solenidade de Pentecostes, dia escolhido para comemorar os 1600 anos do primeiro Concílio Constantinopolitano e os 1550 anos do Concílio de Éfeso. O Papa, forçadamente ausente, enviou uma radiomensagem com a sua alocução. Transcrevemos a parte do texto, onde se refere exatamente o ato de entrega: « Ó Mãe dos homens e dos povos, Vós conheceis todos os seus sofrimentos e as suas esperanças, Vós sentis maternalmente todas as lutas entre o bem e o mal, entre a luz e as trevas, que abalam o mundo, acolhei o nosso brado, dirigido no Espírito Santo diretamente ao vosso Coração, e abraçai com o amor da Mãe e da Serva do Senhor aqueles que mais esperam por este abraço e, ao mesmo tempo, aqueles cuja entrega também Vós esperais de maneira particular. Tomai sob a vossa proteção materna a família humana inteira, que, com enlevo afetuoso, nós Vos confiamos, ó Mãe. Que se aproxime para todos o tempo da paz e da liberdade, o tempo da verdade, da justiça e da esperança ». (3) Mas, para responder mais plenamente aos pedidos de Nossa Senhora, o Santo Padre quis, durante o Ano Santo da Redenção, tornar mais explícito o ato de entrega de 7 de Junho de 1981, repetido em Fátima no dia 13 de Maio de 1982. E, no dia 25 de Março de 1984, quando se recorda o fiat pronunciado por Maria no momento da Anunciação, na Praça de S. Pedro, em união espiritual com todos os Bispos do mundo precedentemente « convocados », o Papa entrega ao Imaculado Coração de Maria os homens e os povos, com expressões que lembram as palavras ardorosas pronunciadas em 1981: « E por isso, ó Mãe dos homens e dos povos, Vós que conheceis todos os seus sofrimentos e as suas esperanças, Vós que sentis maternalmente todas as lutas entre o bem e o mal, entre a luz e as trevas, que abalam o mundo contemporâneo, acolhei o nosso clamor que, movidos pelo Espírito Santo, elevamos diretamente ao vosso Coração: Abraçai, com amor de Mãe e de Serva do Senhor, este nosso mundo humano, que Vos confiamos e consagramos, cheios de inquietude pela sorte terrena e eterna dos homens e dos povos. De modo especial Vos entregamos e consagramos aqueles homens e aquelas nações que desta entrega e desta consagração têm particularmente necessidade. “À vossa proteção nos acolhemos, Santa Mãe de Deus”! Não desprezeis as súplicas que se elevam de nós que estamos na provação! ». Depois o Papa continua com maior veemência e concretização de referências, quase comentando a Mensagem de Fátima nas suas predições infelizmente cumpridas: « Encontrando-nos hoje diante Vós, Mãe de Cristo, diante do vosso Imaculado Coração, desejamos, juntamente com toda a Igreja, unir-nos à consagração que, por nosso amor, o vosso Filho fez de Si mesmo ao Pai: “Eu consagro-Me por eles — foram as suas palavras — para eles serem também consagrados na verdade” (Jo 17, 19). Queremos unir-nos ao nosso Redentor, nesta consagração pelo mundo e pelos homens, a qual, no seu Coração divino, tem o poder de alcançar o perdão e de conseguir a reparação. A força desta consagração permanece por todos os tempos e abrange todos os homens, os povos e as nações; e supera todo o mal, que o espírito das trevas é capaz de despertar no coração do homem e na sua história e que, de fato, despertou nos nossos tempos. Oh quão profundamente sentimos a necessidade de consagração pela humanidade e pelo mundo: pelo nosso mundo contemporâneo, em união com o próprio Cristo! Na realidade, a obra redentora de Cristo deve ser participada pelo mundo por meio da Igreja. Manifesta-o o presente Ano da Redenção: o Jubileu extraordinário de toda a Igreja. Neste Ano Santo, bendita sejais acima de todas as criaturas Vós, Serva do Senhor, que obedecestes da maneira mais plena ao chamamento Divino! Louvada sejais Vós, que estais inteiramente unida à consagração redentora do vosso Filho! Mãe da Igreja! Iluminai o Povo de Deus nos caminhos da fé, da esperança e da caridade! Iluminai de modo especial os povos dos quais Vós esperais a nossa consagração e a nossa entrega. Ajudai-nos a viver na verdade da consagração de Cristo por toda a família humana do mundo contemporâneo. Confiando-Vos, ó Mãe, o mundo, todos os homens e todos os povos, nós Vos confiamos também a própria consagração do mundo, depositando-a no vosso Coração materno. Oh Imaculado Coração! Ajudai-nos a vencer a ameaça do mal, que se enraíza tão facilmente nos corações dos homens de hoje e que, nos seus efeitos incomensuráveis, pesa já sobre a vida presente e parece fechar os caminhos do futuro! Da fome e da guerra, livrai-nos! Da guerra nuclear, de uma autodestruição incalculável, e de toda a espécie de guerra, livrai-nos! Dos pecados contra a vida do homem desde os seus primeiros instantes, livrai-nos! Do ódio e do aviltamento da dignidade dos filhos de Deus, livrai-nos! De todo o gênero de injustiça na vida social, nacional e internacional, livrai-nos! Da facilidade em calcar aos pés os mandamentos de Deus, livrai-nos! Da tentativa de ofuscar nos corações humanos a própria verdade de Deus, livrai-nos! Da perda da consciência do bem e do mal, livrai-nos! Dos pecados contra o Espírito Santo, livrai-nos, livrai-nos! Acolhei, ó Mãe de Cristo, este clamor carregado do sofrimento de todos os homens! Carregado do sofrimento de sociedades inteiras! Ajudai-nos com a força do Espírito Santo a vencer todo o pecado: o pecado do homem e o “pecado do mundo”, enfim o pecado em todas as suas manifestações. Que se revele uma vez mais, na história do mundo, a força salvífica infinita da Redenção: a força do Amor misericordioso! Que ele detenha o mal! Que ele transforme as consciências! Que se manifeste para todos, no vosso Imaculado Coração, a luz da Esperança! ».(4) A Irmã Lúcia confirmou pessoalmente que este ato, solene e universal, de consagração correspondia àquilo que Nossa Senhora queria: « Sim, está feita tal como Nossa Senhora a pediu, desde o dia 25 de Março de 1984 » (carta de 8 de Novembro de 1989). Por isso, qualquer discussão e ulterior petição não tem fundamento. Na documentação apresentada, para além das páginas manuscritas da Irmã Lúcia inserem-se mais quatro textos: 1) A carta do Santo Padre à Irmã Lúcia, datada de 19 de Abril de 2000; 2) Uma descrição do colóquio que houve com a Irmã Lúcia no dia 27 de Abril de 2000; 3) A comunicação lida, por encargo do Santo Padre, por Sua Eminência o Cardeal Ângelo Sodano, Secretário de Estado, em Fátima no dia 13 de Maio deste ano; 4) O comentário teológico de Sua Eminência o Cardeal Joseph Ratzinger, Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé. Uma orientação para a interpretação da terceira parte do « segredo » tinha sido já oferecida pela Irmã Lúcia, numa carta dirigida ao Santo Padre a 12 de Maio de 1982, onde dizia: « A terceira parte do segredo refere-se às palavras de Nossa Senhora: “Se não, [a Rússia] espalhará os seus erros pelo mundo, promovendo guerras e perseguições à Igreja. Os bons serão martirizados, o Santo Padre terá muito que sofrer, várias nações serão aniquiladas” (13-VII-1917). A terceira parte do segredo é uma revelação simbólica, que se refere a este trecho da Mensagem, condicionada ao fato de aceitarmos ou não o que a Mensagem nos pede: “Se atenderem a meus pedidos, a Rússia converter-se-á e terão paz; se não, espalhará os seus erros pelo mundo, etc”. Porque não temos atendido a este apelo da Mensagem, verificamos que ela se tem cumprido, a Rússia foi invadindo o mundo com os seus erros. E se não vemos ainda, como fato consumado, o final desta profecia, vemos que para aí caminhamos a passos largos. Se não recuarmos no caminho do pecado, do ódio, da vingança, da injustiça atropelando os direitos da pessoa humana, da imoralidade e da violência, etc. E não digamos que é Deus que assim nos castiga; mas, sim, que são os homens que para si mesmos se preparam o castigo. Deus apenas nos adverte e chama ao bom caminho, respeitando a liberdade que nos deu; por isso os homens são responsáveis».(5) A decisão tomada pelo Santo Padre João Paulo II de tornar pública a terceira parte do « segredo » de Fátima encerra um pedaço de história, marcado por trágicas veleidades humanas de poder e de iniquidade, mas permeada pelo amor misericordioso de Deus e pela vigilância cuidadosa da Mãe de Jesus e da Igreja. Ação de Deus, Senhor da história, e corresponsabilidade do homem, no exercício dramático e fecundo da sua liberdade, são os dois alicerces sobre os quais se constrói a história da humanidade. Ao aparecer em Fátima, Nossa Senhora faz-nos apelo a estes valores esquecidos, a este futuro do homem em Deus, do qual somos parte ativa e responsável. Tarcisio Bertone, SDB, Arcebispo emérito de Vercelli, Secretário da Congregação para a Doutrina da Fé

O « SEGREDO » DE FÁTIMA
PRIMEIRA E SEGUNDA PARTE DO « SEGREDO » SEGUNDO A REDAÇÃO FEITA PELA IRMÃ LÚCIA NA « TERCEIRA MEMÓRIA », DE 31 DE AGOSTO DE 1941, DESTINADA AO BISPO DE LEIRIA-FÁTIMA (texto original)

(transcrição) (6) Terei para isso que falar algo do segredo e responder ao primeiro ponto de interrogação. O que é o segredo? Parece-me que o posso dizer, pois que do Céu tenho já a licença. Os representantes de Deus na terra, têm-me autorizado a isso várias vezes, e em várias cartas, uma das quais, julgo que conserva V. Ex.cia Rev.ma do Senhor Padre José Bernardo Gonçalves, na em que me manda escrever ao Santo Padre. Um dos pontos que me indica é a revelação do segredo. Algo disse, mas para não alongar mais esse escrito que devia ser breve, limitei-me ao indispensável, deixando a Deus a oportunidade d’um momento mais favorável. Expus já no segundo escrito a dúvida que de 13 de Junho a 13 de Julho me atormentou e que n’essa aparição tudo se desvaneceu. Bem o segredo consta de três coisas distintas, duas das quais vou revelar. A primeira foi pois a vista do inferno! Nossa Senhora mostrou-nos um grande mar de fôgo que parcia estar debaixo da terra. Mergulhados em êsse fôgo os demónios e as almas, como se fossem brasas transparentes e negras, ou bronziadas com forma humana, que flutuavam no incêndio levadas pelas chamas que d’elas mesmas saiam, juntamente com nuvens de fumo, caindo para todos os lados, semelhante ao cair das faulhas em os grandes incêndios sem peso nem equilíbrio, entre gritos e gemidos de dôr e desespero que horrorizava e fazia estremecer de pavor. Os demónios destinguiam-se por formas horríveis e ascrosas de animais espantosos e desconhecidos, mas transparentes e negros. Esta vista foi um momento, e graças à nossa bôa Mãe do Céu; que antes nos tinha prevenido com a promeça de nos levar para o Céu (na primeira aparição) se assim não fosse, creio que teríamos morrido de susto e pavor. Em seguida, levantámos os olhos para Nossa Senhora que nos disse com bondade e tristeza: — Vistes o inferno, para onde vão as almas dos pobres pecadores, para as salvar, Deus quer estabelecer no mundo a devoção a meu Imaculado Coração. Se fizerem o que eu disser salvar-se-ão muitas almas e terão paz. A guerra vai acabar, mas se não deixarem de ofender a Deus, no reinado de Pio XI começará outra peor. Quando virdes uma noite, alumiada por uma luz desconhecida, sabei que é o grande sinal que Deus vos dá de que vai a punir o mundo de seus crimes, por meio da guerra, da fome e de perseguições à Igreja e ao Santo Padre. Para a impedir virei pedir a consagração da Rússia a meu Imaculado Coração e a comunhão reparadora nos primeiros sábados. Se atenderem a meus pedidos, a Rússia se converterá e terão paz, se não, espalhará seus erros pelo mundo, promovendo guerras e perseguições à Igreja, os bons serão martirizados, o Santo Padre terá muito que sufrer, várias nações serão aniquiladas, por fim o meu Imaculado Coração triunfará. O Santo Padre consagrar-me-á a Rússia, que se converterá, e será consedido ao mundo algum tempo de paz.(7)

TERCEIRA PARTE DO « SEGREDO » (texto original)

(transcrição) (8) « J.M.J. A terceira parte do segredo revelado a 13 de Julho de 1917 na Cova da Iria-Fátima. Escrevo em acto de obediência a Vós Deus meu, que mo mandais por meio de sua Ex.cia Rev.ma o Senhor Bispo de Leiria e da Vossa e minha Santíssima Mãe. Depois das duas partes que já expus, vimos ao lado esquerdo de Nossa Senhora um pouco mais alto um Anjo com uma espada de fôgo em a mão esquerda; ao centilar, despedia chamas que parecia iam encendiar o mundo; mas apagavam-se com o contacto do brilho que da mão direita expedia Nossa Senhora ao seu encontro: O Anjo apontando com a mão direita para a terra, com voz forte disse: Penitência, Penitência, Penitência! E vimos n’uma luz emensa que é Deus: “algo semelhante a como se vêem as pessoas n’um espelho quando lhe passam por diante” um Bispo vestido de Branco “tivemos o pressentimento de que era o Santo Padre”. Varios outros Bispos, Sacerdotes, religiosos e religiosas subir uma escabrosa montanha, no cimo da qual estava uma grande Cruz de troncos toscos como se fôra de sobreiro com a casca; o Santo Padre, antes de chegar aí, atravessou uma grande cidade meia em ruínas, e meio trémulo com andar vacilante, acabrunhado de dôr e pena, ia orando pelas almas dos cadáveres que encontrava pelo caminho; chegado ao cimo do monte, prostrado de juelhos aos pés da grande Cruz foi morto por um grupo de soldados que lhe dispararam varios tiros e setas, e assim mesmo foram morrendo uns trás outros os Bispos Sacerdotes, religiosos e religiosas e varias pessoas seculares, cavalheiros e senhoras de varias classes e posições. Sob os dois braços da Cruz estavam dois Anjos cada um com um regador de cristal em a mão, n’êles recolhiam o sangue dos Martires e com êle regavam as almas que se aproximavam de Deus. Tuy-3-1-1944 ».

INTERPRETAÇÃO DO « SEGREDO » CARTA DE JOÃO PAULO II À IRMÃ LÚCIA (texto original)

COLÓQUIO COM A IRMÃ MARIA LÚCIA DE JESUS E DO CORAÇÃO IMACULADO
O encontro da Irmã Lúcia com Sua Ex.cia Rev.ma D. Tarcisio Bertone, Secretário da Congregação para a Doutrina da Fé, por encargo recebido do Santo Padre, e Sua Ex.cia Rev.ma D. Serafim de Sousa Ferreira e Silva, Bispo de Leiria-Fátima, teve lugar a 27 de Abril passado (uma quinta-feira), no Carmelo de Santa Teresa em Coimbra. A Irmã Lúcia estava lúcida e calma, dizendo-se muito feliz com a ida do Santo Padre a Fátima para a Beatificação de Francisco e Jacinta, há muito desejada por ela. O Bispo de Leiria-Fátima leu a carta autógrafa do Santo Padre, que explicava os motivos da visita. A Irmã Lúcia disse sentir-se muito honrada, e releu pessoalmente a carta comprazendo-se por vê-la nas suas próprias mãos. Declarou-se disposta a responder francamente a todas as perguntas. Então, o Senhor D. Tarcisio Bertone apresenta-lhe dois envelopes: um exterior que tinha dentro outro com a carta onde estava a terceira parte do « segredo » de Fátima. Tocando esta segunda com os dedos, logo exclamou: « É a minha carta », e, depois de a ler, acrescentou: « É a minha letra ». Com o auxílio do Bispo de Leiria-Fátima, foi lido e interpretado o texto original, que é em língua portuguesa. A Irmã Lúcia concorda com a interpretação segundo a qual a terceira parte do « segredo » consiste numa visão profética, comparável às da história sagrada. Ela reafirma a sua convicção de que a visão de Fátima se refere sobretudo à luta do comunismo ateu contra a Igreja e os cristãos, e descreve o imane sofrimento das vítimas da fé no século XX. À pergunta: « A personagem principal da visão é o Papa? », a Irmã Lúcia responde imediatamente que sim e recorda como os três pastorinhos sentiam muita pena pelo sofrimento do Papa e Jacinta repetia: « Coitadinho do Santo Padre. Tenho muita pena dos pecadores! » A Irmã Lúcia continua: « Não sabíamos o nome do Papa; Nossa Senhora não nos disse o nome do Papa. Não sabíamos se era Bento XV, Pio XII, Paulo VI ou João Paulo II, mas que era o Papa que sofria e isso fazia-nos sofrer a nós também ». Quanto à passagem relativa ao Bispo vestido de branco, isto é, ao Santo Padre — como logo perceberam os pastorinhos durante a « visão » — que é ferido de morte e cai por terra, a irmã Lúcia concorda plenamente com a afirmação do Papa: « Foi uma mão materna que guiou a trajetória da bala e o Santo Padre agonizante deteve-se no limiar da morte » (João Paulo II, Meditação com os Bispos Italianos, a partir da Policlínica Gemelli, 13 de Maio de 1994). Uma vez que a Irmã Lúcia, antes de entregar ao Bispo de Leiria-Fátima de então o envelope selado com a terceira parte do « segredo », tinha escrito no envelope exterior que podia ser aberto somente depois de 1960 pelo Patriarca de Lisboa ou pelo Bispo de Leiria, o Senhor D. Bertone pergunta-lhe: « Porquê o limite de 1960? Foi Nossa Senhora que indicou aquela data? ».Resposta da Irmã Lúcia: « Não foi Nossa Senhora; fui eu que meti a data de 1960 porque, segundo intuição minha, antes de 1960 não se perceberia, compreender-se-ia somente depois. Agora pode-se compreender melhor. Eu escrevi o que vi; não compete a mim a interpretação, mas ao Papa ». Por último, alude-se ao manuscrito, não publicado, que a Irmã Lúcia preparou para dar resposta a tantas cartas de devotos e peregrinos de Nossa Senhora. A obra intitula-se « Os apelos da Mensagem de Fátima », e contém pensamentos e reflexões que exprimem, em chave catequética e parenética, os seus sentimentos e espiritualidade cândida e simples. Perguntou-se-lhe se gostava que fosse publicado, ao que a Irmã Lúcia respondeu: « Se o Santo Padre estiver de acordo, eu fico contente; caso contrário, obedeço àquilo que decidir o Santo Padre ». A Irmã Lúcia deseja sujeitar o texto à aprovação da Autoridade Eclesiástica, esperando que o seu escrito possa contribuir para guiar os homens e mulheres de boa vontade no caminho que conduz a Deus, meta última de todo o anseio humano. O colóquio termina com uma troca de terços: à Irmã Lúcia foi dado o terço oferecido pelo Santo Padre, e ela, por sua vez, entrega alguns terços confeccionados pessoalmente por ela. A Bênção, concedida em nome do Santo Padre, concluiu o encontro.

COMUNICAÇÃO DE SUA EMINÊNCIA O CARD. ÂNGELO SODANO SECRETÁRIO DE ESTADO DE SUA SANTIDADE
No final da solene Concelebração Eucarística presidida por João Paulo II em Fátima, o Cardeal Ângelo Sodano, Secretário de Estado, pronunciou em português as palavras seguintes: Irmãos e irmãs no Senhor! No termo desta solene celebração, sinto o dever de apresentar ao nosso amado Santo Padre João Paulo II os votos mais cordiais de todos os presentes pelo seu próximo octogésimo aniversário natalício, agradecidos pelo seu precioso ministério pastoral em benefício de toda a Santa Igreja de Deus. Na circunstância solene da sua vinda a Fátima, o Sumo Pontífice incumbiu-me de vos comunicar uma notícia. Como é sabido, a finalidade da vinda do Santo Padre a Fátima é a beatificação dos dois Pastorinhos. Contudo Ele quer dar a esta sua peregrinação também o valor de um renovado preito de gratidão a Nossa Senhora pela proteção que Ela Lhe tem concedido durante estes anos de pontificado. É uma proteção que parece ter a ver também com a chamada terceira parte do « segredo » de Fátima. Tal texto constitui uma visão profética comparável às da Sagrada Escritura, que não descrevem de forma fotográfica os detalhes dos acontecimentos futuros, mas sintetizam e condensam sobre a mesma linha de fundo fatos que se prolongam no tempo numa sucessão e duração não especificadas. Em consequência, a chave de leitura do texto só pode ser de caráter simbólico. A visão de Fátima refere-se, sobretudo à luta dos sistemas ateus contra a Igreja e os cristãos e descreve o sofrimento imane das testemunhas da fé do último século do segundo milênio. É uma Via Sacra sem fim, guiada pelos Papas do século vinte. Segundo a interpretação dos pastorinhos, interpretação confirmada ainda recentemente pela Irmã Lúcia, o « Bispo vestido de branco » que reza por todos os fiéis é o Papa. Também Ele, caminhando penosamente para a Cruz por entre os cadáveres dos martirizados (bispos, sacerdotes, religiosos, religiosas e várias pessoas seculares), cai por terra como morto sob os tiros de uma arma de fogo. Depois do atentado de 13 de Maio de 1981, pareceu claramente a Sua Santidade que foi « uma mão materna a guiar a trajetória da bala », permitindo que o « Papa agonizante » se detivesse « no limiar da morte » [João Paulo II, Meditação com os Bispos Italianos, a partir da Policlínica Gemelli, em: Insegnamenti di Giovanni Paolo II, XVII-1 (Città del Vaticano 1994), 1061]. Certa ocasião em que o Bispo de Leiria-Fátima de então passara por Roma, o Papa decidiu entregar-lhe a bala que tinha ficado no jeep depois do atentado, para ser guardada no Santuário. Por iniciativa do Bispo, essa bala foi depois encastoada na coroa da imagem de Nossa Senhora de Fátima. Depois, os acontecimentos de 1989 levaram, quer na União Soviética quer em numerosos Países do Leste, à queda do regime comunista que propugnava o ateísmo. O Sumo Pontífice agradece do fundo do coração à Virgem Santíssima também por isso. Mas, noutras partes do mundo, os ataques contra a Igreja e os cristãos, com a carga de sofrimento que eles provocam, infelizmente não cessaram. Embora os acontecimentos a que faz referência a terceira parte do « segredo » de Fátima pareçam pertencer já ao passado, o apelo à conversão e à penitência, manifestado por Nossa Senhora ao início do século vinte, conserva ainda hoje uma estimulante atualidade. « A Senhora da Mensagem parece ler com uma perspicácia singular os sinais dos tempos, os sinais do nosso tempo. (…) O convite insistente de Maria Santíssima à penitência não é senão a manifestação da sua solicitude materna pelos destinos da família humana, necessitada de conversão e de perdão » [João Paulo II, Mensagem para o Dia Mundial do Doente – 1997, n. 1, em: Insegnamenti di Giovanni Paolo II, XIX-2 (Città del Vaticano 1996), 561]. Para consentir que os fiéis recebam melhor a mensagem da Virgem de Fátima, o Papa confiou à Congregação para a Doutrina da Fé o encargo de tornar pública a terceira parte do « segredo », depois de lhe ter preparado um adequado comentário. Irmãos e irmãs, damos graças a Nossa Senhora de Fátima pela sua proteção. Confiamos à sua materna intercessão a Igreja do Terceiro Milênio. Sub tuum præsidium confugimus, Sancta Dei Genetrix! Intercede pro Ecclesia. Intercede pro Papa nostro Ioanne Paulo II. Amen. Fátima, 13 de Maio de 2000.

COMENTÁRIO TEOLÓGICO
Quem lê com atenção o texto do chamado terceiro « segredo » de Fátima, que depois de longo tempo, por disposição do Santo Padre, é aqui publicado integralmente, ficará presumivelmente desiludido ou maravilhado depois de todas as especulações que foram feitas. Não é revelado nenhum grande mistério; o véu do futuro não é rasgado. Vemos a Igreja dos mártires deste século que está para findar, representada através duma cena descrita numa linguagem simbólica de difícil decifração. É isto o que a Mãe do Senhor queria comunicar à cristandade, à humanidade num tempo de grandes problemas e angústias? Serve-nos de ajuda no início do novo milênio? Ou não serão talvez apenas projeções do mundo interior de crianças, crescidas num ambiente de profunda piedade, mas simultaneamente assustadas pelas tempestades que ameaçavam o seu tempo? Como devemos entender a visão, o que pensar dela?

Revelação pública e revelações privadas – o seu lugar teológico
Antes de encetar uma tentativa de interpretação, cujas linhas essenciais podem encontrar-se na comunicação que o Cardeal Sodano pronunciou, no dia 13 de Maio deste ano, no fim da Celebração Eucarística presidida pelo Santo Padre em Fátima, é necessário dar alguns esclarecimentos básicos sobre o modo como, segundo a doutrina da Igreja, devem ser compreendidos no âmbito da vida de fé fenômenos como o de Fátima. A doutrina da Igreja distingue « revelação pública » e « revelações privadas »; entre as duas realidades existe uma diferença essencial, e não apenas de grau. A noção « revelação pública » designa a Ação reveladora de Deus que se destina à humanidade inteira e está expressa literariamente nas duas partes da Bíblia: o Antigo e o Novo Testamento. Chama-se « revelação », porque nela Deus Se foi dando a conhecer progressivamente aos homens, até ao ponto de Ele mesmo Se tornar homem, para atrair e reunir em Si próprio o mundo inteiro por meio do Filho encarnado, Jesus Cristo. Não se trata, portanto, de comunicações intelectuais, mas de um processo vital em que Deus Se aproxima do homem; naturalmente nesse processo, depois aparecem também conteúdos que têm a ver com a inteligência e a compreensão do mistério de Deus. Tal processo envolve o homem inteiro e, por conseguinte, também a razão, mas não só ela. Uma vez que Deus é um só, também a história que Ele vive com a humanidade é única, vale para todos os tempos e encontrou a sua plenitude com a vida, morte e ressurreição de Jesus Cristo. Por outras palavras, em Cristo Deus disse tudo de Si mesmo, e, portanto a revelação ficou concluída com a realização do mistério de Cristo, expresso no Novo Testamento. O Catecismo da Igreja Católica, para explicar este caráter definitivo e pleno da revelação, cita o seguinte texto de S. João da Cruz: « Ao dar-nos, como nos deu, o seu Filho, que é a sua Palavra — e não tem outra —, Deus disse-nos tudo ao mesmo tempo e de uma só vez nesta Palavra única (…) porque o que antes disse parcialmente pelos profetas, revelou-o totalmente, dando-nos o Todo que é o seu Filho. E por isso, quem agora quisesse consultar a Deus ou pedir-Lhe alguma visão ou revelação, não só cometeria um disparate, mas faria agravo a Deus, por não pôr os olhos totalmente em Cristo e buscar fora d’Ele outra realidade ou novidade » (CIC, n. 65; S. João da Cruz, A Subida do Monte Carmelo, II, 22). O fato de a única revelação de Deus destinada a todos os povos ter ficado concluída com Cristo e o testemunho que d’Ele nos dão os livros do Novo Testamento vincula a Igreja com o acontecimento único que é a história sagrada e a palavra da Bíblia, que garante e interpreta tal acontecimento, mas não significa que agora a Igreja pode apenas olhar para o passado, ficando assim condenada a uma estéril repetição. Eis o que diz o Catecismo da Igreja Católica: « No entanto, apesar de a Revelação ter acabado, não quer dizer que esteja completamente explicitada. E está reservado à fé cristã apreender gradualmente todo o seu alcance no decorrer dos séculos » (n. 66). Estes dois aspectos — o vínculo com a unicidade do acontecimento e o progresso na sua compreensão — estão optimamente ilustrados nos discursos de despedida do Senhor, quando Ele declara aos discípulos: « Ainda tenho muitas coisas para vos dizer, mas não as podeis suportar agora. Quando vier o Espírito da Verdade, Ele guiar-vos-á para a verdade total, porque não falará de Si mesmo (…) Ele glorificar-Me-á, porque há-de receber do que é meu, para vo-lo anunciar » (Jo 16, 12-14). Por um lado, o Espírito serve de guia, desvendando assim um conhecimento cuja densidade não se podia alcançar antes porque faltava o pressuposto, ou seja, o da amplidão e profundidade da fé cristã, e que é tal que não estará concluída jamais. Por outro lado, esse ato de guiar é « receber » do tesouro do próprio Jesus Cristo, cuja profundidade inexaurível se manifesta nesta condução por obra do Espírito. A propósito disto, o Catecismo cita uma densa frase do Papa Gregório Magno: « As palavras divinas crescem com quem as lê » (CIC, n. 94; S. Gregório Magno, Homilia sobre Ezequiel 1, 7, 8). O Concílio Vaticano II indica três caminhos essenciais, através dos quais o Espírito Santo efetua a sua guia da Igreja e, consequentemente, o « crescimento da Palavra »: realiza-se por meio da meditação e estudo dos fiéis, por meio da íntima inteligência que experimentam das coisas espirituais, e por meio da pregação daqueles « que, com a sucessão do episcopado, receberam o carisma da verdade » (Dei Verbum, n. 8). Neste contexto, torna-se agora possível compreender corretamente o conceito de « revelação privada », que se aplica a todas as visões e revelações verificadas depois da conclusão do Novo Testamento; nesta categoria, portanto, se deve colocar a mensagem de Fátima. Ouçamos o que diz o Catecismo da Igreja Católica sobre isto também: « No decurso dos séculos tem havido revelações ditas “privadas”, algumas das quais foram reconhecidas pela autoridade da Igreja. (…) O seu papel não é (…) “completar” a Revelação definitiva de Cristo, mas ajudar a vivê-la mais plenamente numa determinada época da história » (n. 67). Isto deixa claro duas coisas: 1. A autoridade das revelações privadas é essencialmente diversa da única revelação pública: esta exige a nossa fé; de fato, nela, é o próprio Deus que nos fala por meio de palavras humanas e da mediação da comunidade viva da Igreja. A fé em Deus e na sua Palavra é distinta de qualquer outra fé, crença, opinião humana. A certeza de que é Deus que fala, cria em mim a segurança de encontrar a própria verdade; uma certeza assim não se pode verificar em mais nenhuma forma humana de conhecimento. É sobre tal certeza que edifico a minha vida e me entrego ao morrer. 2. A revelação privada é um auxílio para esta fé, e manifesta-se credível precisamente porque faz apelo à única revelação pública. O Cardeal Próspero Lambertini, mais tarde Papa Bento XIV, afirma a tal propósito num tratado clássico, que se tornou normativo a propósito das beatificações e canonizações: « A tais revelações aprovadas não é devida uma adesão de fé católica; nem isso é possível. Estas revelações requerem, antes, uma adesão de fé humana ditada pelas regras da prudência, que no-las apresentam como prováveis e religiosamente credíveis ». O teólogo flamengo E. Dhanis, eminente conhecedor desta matéria, afirma sinteticamente que a aprovação eclesial duma revelação privada contém três elementos: que a respectiva mensagem não contém nada em contraste com a fé e os bons costumes, que é lícito torná-la pública, e que os fiéis ficam autorizados a prestar-lhe de forma prudente a sua adesão [E. Dhanis, Sguardo su Fatima e bilancio di una discussione, em: La Civiltà Cattolica, CIV (1953-II), 392-406, especialmente 397]. Tal mensagem pode ser um válido auxílio para compreender e viver melhor o Evangelho na hora atual; por isso, não se deve transcurar. É uma ajuda que é oferecida, mas não é obrigatório fazer uso dela. Assim, o critério para medir a verdade e o valor duma revelação privada é a sua orientação para o próprio Cristo. Quando se afasta d’Ele, quando se torna autônoma ou até se faz passar por outro desígnio de salvação, melhor e mais importante que o Evangelho, então ela certamente não provém do Espírito Santo, que nos guia no âmbito do Evangelho e não fora dele. Isto não exclui que uma revelação privada realce novos aspectos, faça surgir formas de piedade novas ou aprofunde e divulgue antigas. Mas, em tudo isso, deve tratar-se sempre de um alimento para a fé, a esperança e a caridade, que são, para todos, o caminho permanente da salvação. Podemos acrescentar que freqüentemente as revelações privadas provêm da piedade popular e nela se refletem, dando-lhe novo impulso e suscitando formas novas. Isto não exclui que aquelas tenham influência também na própria liturgia, como o demonstram, por exemplo, a festa do Corpo de Deus e a do Sagrado Coração de Jesus. Numa determinada perspectiva, pode-se afirmar que, na relação entre liturgia e piedade popular, está delineada a relação entre revelação pública e revelações privadas: a liturgia é o critério, a forma vital da Igreja no seu conjunto alimentada diretamente pelo Evangelho. A religiosidade popular significa que a fé cria raízes no coração dos diversos povos, entrando a fazer parte do mundo da vida quotidiana. A religiosidade popular é a primeira e fundamental forma de « inculturação » da fé, que deve continuamente deixar-se orientar e guiar pelas indicações da liturgia, mas que, por sua vez, a fecunda a partir do coração. Desta forma, passamos já das especificações mais negativas, e que eram primariamente necessárias, à definição positiva das revelações privadas: Como podem classificar-se de modo correto a partir da Escritura? Qual é a sua categoria teológica? A carta mais antiga de S. Paulo que nos foi conservada e que é também o mais antigo escrito do Novo Testamento, a primeira Carta aos Tessalonicenses, parece-me oferecer uma indicação. Lá, diz o Apóstolo: « Não extingais o Espírito, não desprezeis as profecias. Examinai tudo e retende o que for bom » (5, 19-21). Em todo o tempo é dado à Igreja o carisma da profecia, que, embora tenha de ser examinado, não pode ser desprezado. A este propósito, é preciso ter presente que a profecia, no sentido da Bíblia, não significa predizer o futuro, mas aplicar a vontade de Deus ao tempo presente e conseqüentemente mostrar o reto caminho do futuro. Aquele que prediz o futuro pretende satisfazer a curiosidade da razão, que deseja rasgar o véu que esconde o futuro; o profeta vem em ajuda da cegueira da vontade e do pensamento, ilustrando a vontade de Deus enquanto exigência e indicação para o presente. Neste caso, a predição do futuro tem uma importância secundária; o essencial é a atualização da única revelação, que me diz respeito profundamente: a palavra profética ora é advertência ora consolação, ou então as duas coisas ao mesmo tempo. Neste sentido, pode-se relacionar o carisma da profecia com a noção « sinais do tempo », redescoberta pelo Vaticano II: « Sabeis interpretar o aspecto da terra e do céu; como é que não sabeis interpretar o tempo presente? » (Lc 12, 56). Por « sinais do tempo », nesta palavra de Jesus, deve-se entender o seu próprio caminho, Ele mesmo. Interpretar os sinais do tempo à luz da fé significa reconhecer a presença de Cristo em cada período de tempo. Nas revelações privadas reconhecidas pela Igreja — e, portanto na de Fátima —, trata-se disto mesmo: ajudar-nos a compreender os sinais do tempo e a encontrar na fé a justa resposta para os mesmos.

A estrutura antropológica das revelações privadas
Tendo nós procurado, com estas reflexões, determinar o lugar teológico das revelações privadas, devemos agora, ainda antes de nos lançarmos numa interpretação da mensagem de Fátima, esclarecer, embora brevemente, o seu caráter antropológico (psicológico). A antropologia teológica distingue, neste âmbito, três formas de percepção ou « visão »: a visão pelos sentidos, ou seja, a percepção externa corpórea; a percepção interior; e a visão espiritual (visio sensibilis, imaginativa, intellectualis). É claro que, nas visões de Lourdes, Fátima, etc, não se trata da percepção externa normal dos sentidos: as imagens e as figuras vistas não se encontram fora no espaço circundante, como está lá, por exemplo, uma árvore ou uma casa. Isto é bem evidente, por exemplo, no caso da visão do inferno (descrita na primeira parte do « segredo » de Fátima) ou então na visão descrita na terceira parte do « segredo », mas pode-se facilmente comprovar também noutras visões, sobretudo porque não eram captadas por todos os presentes, mas apenas pelos « videntes ». De igual modo, é claro que não se trata duma « visão » intelectual sem imagens, como acontece nos altos graus da mística. Trata-se, portanto, da categoria intermédia, a percepção interior que, para o vidente, tem uma força de presença tal que equivale à manifestação externa sensível. Este ver interiormente não significa que se trata de fantasia, que seria apenas uma expressão da imaginação subjetiva. Significa, antes, que a alma recebe o toque suave de algo real, mas que está para além do sensível, tornando-a capaz de ver o não-sensível, o não-visível aos sentidos: uma visão através dos « sentidos internos ». Trata-se de verdadeiros « objetos » que tocam a alma, embora não pertençam ao mundo sensível que nos é habitual. Por isso, exige-se uma vigilância interior do coração que, na maior parte do tempo, não possuímos por causa da forte pressão das realidades externas e das imagens e preocupações que enchem a alma. A pessoa é levada para além da pura exterioridade, onde é tocada por dimensões mais profundas da realidade que se lhe tornam visíveis. Talvez assim se possa compreender por que motivo os destinatários preferidos de tais aparições sejam precisamente as crianças: a sua alma ainda está pouco alterada, e quase intacta a sua capacidade interior de percepção. « Da boca dos pequeninos e das crianças de peito recebeste louvor »: esta foi a resposta de Jesus — servindo-se duma frase do Salmo 8 (v. 3) — à crítica dos sumos sacerdotes e anciãos, que achavam inoportuno o grito hosana das crianças (Mt 21, 16). Como dissemos, a « visão interior » não é fantasia, mas uma verdadeira e própria maneira de verificação. Fá-lo, porém, com as limitações que lhe são próprias. Se, na visão exterior, já interfere o elemento subjetivo, isto é, não vemos o objeto puro, mas este chega-nos através do filtro dos nossos sentidos que têm de operar um processo de tradução; na visão interior, isso é ainda mais claro, sobretudo quando se trata de realidades que por si mesmas ultrapassam o nosso horizonte. O sujeito, o vidente, tem uma influência ainda mais forte; vê segundo as próprias capacidades concretas, com as modalidades de representação e conhecimento que lhe são acessíveis. Na visão interior, há, de maneira ainda mais acentuada que na exterior, um processo de tradução, desempenhando o sujeito uma parte essencial na formação da imagem daquilo que aparece. A imagem pode ser captada apenas segundo as suas medidas e possibilidades. Assim, tais visões não são em caso algum a « fotografia » pura e simples do Além, mas trazem consigo também as possibilidades e limitações do sujeito que as apreende. Isto é patente em todas as grandes visões dos Santos; naturalmente vale também para as visões dos pastorinhos de Fátima. As imagens por eles delineadas não são de modo algum mera expressão da sua fantasia, mas fruto duma percepção real de origem superior e íntima; nem se hão-de imaginar como se por um instante se tivesse erguido a ponta do véu do Além, aparecendo o Céu na sua essencialidade pura, como esperamos vê-lo na união definitiva com Deus. Poder-se-ia dizer que as imagens são uma síntese entre o impulso vindo do Alto e as possibilidades disponíveis para o efeito por parte do sujeito que as recebe, isto é, das crianças. Por tal motivo, a linguagem feita de imagens destas visões é uma linguagem simbólica. Sobre isto, diz o Cardeal Sodano: « Não descrevem de forma fotográfica os detalhes dos acontecimentos futuros, mas sintetizam e condensam sobre a mesma linha de fundo fatos que se prolongam no tempo numa sucessão e duração não especificadas ». Esta sobreposição de tempos e espaços numa única imagem é típica de tais visões, que, na sua maioria, só podem ser decifradas a posteriori. E não é necessário que cada elemento da visão tenha de possuir uma correspondência histórica concreta. O que conta é a visão como um todo, e a partir do conjunto das imagens é que se devem compreender os detalhes. O que efetivamente constitui o centro duma imagem só pode ser desvendado, em última análise, a partir do que é o centro absoluto da « profecia » cristã: o centro é o ponto onde a visão se torna apelo e indicação da vontade de Deus.

Uma tentativa de interpretação do « segredo » de Fátima
A primeira e a segunda parte do « segredo » de Fátima foram já discutidas tão amplamente por específicas publicações, que não necessitam de ser ilustradas novamente aqui. Queria apenas chamar brevemente a atenção para o ponto mais significativo. Os pastorinhos experimentaram, durante um instante terrível, uma visão do inferno. Viram a queda das « almas dos pobres pecadores ». Em seguida, foi-lhes dito o motivo pelo qual tiveram de passar por esse instante: para « salvá-las » — para mostrar um caminho de salvação. Isto faz-nos recordar uma frase da primeira Carta de Pedro que diz: « Estais certos de obter, como prêmio da vossa fé, a salvação das almas » (1, 9). Como caminho para se chegar a tal objetivo, é indicado de modo surpreendente para pessoas originárias do ambiente cultural anglo-saxônico e germânico – a devoção ao Imaculado Coração de Maria. Para compreender isto, deveria bastar uma breve explicação. O termo « coração », na linguagem da Bíblia, significa o centro da existência humana, uma confluência da razão, vontade, temperamento e sensibilidade, onde a pessoa encontra a sua unidade e orientação interior. O « coração imaculado » é, segundo o evangelho de Mateus (5, 8), um coração que a partir de Deus chegou a uma perfeita unidade interior e, consequentemente, « vê a Deus ». Portanto, « devoção » ao Imaculado Coração de Maria é aproximar-se desta atitude do coração, na qual o fiat — « seja feita a vossa vontade » — se torna o centro conformador de toda a existência. Se porventura alguém objetasse que não se deve interpor um ser humano entre nós e Cristo, lembre-se de que Paulo não tem medo de dizer às suas comunidades: « Imitai-me » (cf. 1 Cor 4, 16; Fil 3, 17; 1 Tes 1, 6; 2 Tes 3, 7.9). No Apóstolo, elas podem verificar concretamente o que significa seguir Cristo. Mas, com quem poderemos nós aprender sempre melhor do que com a Mãe do Senhor? Chegamos assim finalmente à terceira parte do « segredo » de Fátima, publicado aqui pela primeira vez integralmente. Como resulta da documentação anterior, a interpretação dada pelo Cardeal Sodano, no seu texto do dia 13 de Maio, tinha antes sido apresentada pessoalmente à Irmã Lúcia. A tal propósito, ela começou por observar que lhe foi dada a visão, mas não a sua interpretação. A interpretação, dizia, não compete ao vidente, mas à Igreja. No entanto, depois da leitura do texto, a Irmã Lúcia disse que tal interpretação corresponde àquilo que ela mesma tinha sentido e que, pela sua parte, reconhecia essa interpretação como correta. Sendo assim, limitar-nos-emos, naquilo que vem a seguir, a dar de forma profunda um fundamento à referida interpretação, partindo dos critérios anteriormente desenvolvidos. Do mesmo modo que tínhamos identificado, como palavra-chave da primeira e segunda parte do « segredo », a frase « salvar as almas », assim agora a palavra-chave desta parte do « segredo » é o tríplice grito: « Penitência, Penitência, Penitência! » Volta-nos ao pensamento o início do Evangelho: « Pænitemini et credite evangelio » (Mc 1, 15). Perceber os sinais do tempo significa compreender a urgência da penitência, da conversão, da fé. Tal é a resposta justa a uma época histórica caracterizada por grandes perigos, que serão delineados nas sucessivas imagens. Deixo aqui uma recordação pessoal: num colóquio que a Irmã Lúcia teve comigo, ela disse-me que lhe parecia cada vez mais claramente que o objetivo de todas as aparições era fazer crescer sempre mais na fé, na esperança e na caridade; tudo o mais pretendia apenas levar a isso. Examinemos agora mais de perto as diversas imagens. O anjo com a espada de fogo à esquerda da Mãe de Deus lembra imagens análogas do Apocalipse: ele representa a ameaça do juízo que pende sobre o mundo. A possibilidade que este acabe reduzido a cinzas num mar de chamas, hoje já não aparece de forma alguma como pura fantasia: o próprio homem preparou, com suas invenções, a espada de fogo. Em seguida, a visão mostra a força que se contrapõe ao poder da destruição: o brilho da Mãe de Deus e, de algum modo proveniente do mesmo, o apelo à penitência. Deste modo, é sublinhada a importância da liberdade do homem: o futuro não está de forma alguma determinado imutavelmente, e a imagem vista pelos pastorinhos não é, absolutamente, um filme antecipado do futuro, do qual já nada se poderia mudar. Na realidade, toda a visão acontece só para chamar em campo a liberdade e orientá-la numa direção positiva. O sentido da visão não é, portanto, o de mostrar um filme sobre o futuro, já fixo irremediavelmente; mas exatamente o contrário: o seu sentido é mobilizar as forças da mudança em bem. Por isso, há que considerar completamente extraviadas aquelas explicações fatalistas do « segredo » que dizem, por exemplo, que o autor do atentado de 13 de Maio de 1981 teria sido, em última análise, um instrumento do plano divino predisposto pela Providência e, por conseguinte, não poderia ter agido livremente, ou outras idéias semelhantes que por aí andam. A visão fala, sobretudo de perigos e do caminho para salvar-se deles. As frases seguintes do texto mostram uma vez mais e de forma muito clara o caráter simbólico da visão: Deus permanece o incomensurável e a luz que está para além de qualquer visão nossa. As pessoas humanas são vistas como que num espelho. Devemos ter continuamente presente esta limitação inerente à visão, cujos confins estão aqui visivelmente indicados. O futuro é visto apenas « como que num espelho, de maneira confusa » (cf. 1 Cor 13, 12). Consideremos agora as diversas imagens que se sucedem no texto do « segredo ». O lugar da Ação é descrito com três símbolos: uma montanha íngreme, uma grande cidade meia em ruínas e finalmente uma grande cruz de troncos toscos. A montanha e a cidade simbolizam o lugar da história humana: a história como árdua subida para o alto, a história como lugar da criatividade e convivência humana e simultaneamente de destruições pelas quais o homem aniquila a obra do seu próprio trabalho. A cidade pode ser lugar de comunhão e progresso, mas também lugar do perigo e da ameaça mais extrema. No cimo da montanha, está a cruz: meta e ponto de orientação da história. Na cruz, a destruição é transformada em salvação; ergue-se como sinal da miséria da história e como promessa para a mesma. Aparecem lá, depois, pessoas humanas: o Bispo vestido de branco (« tivemos o pressentimento que era o Santo Padre »), outros bispos, sacerdotes, religiosos e religiosas e, finalmente, homens e mulheres de todas as classes e posições sociais. O Papa parece caminhar à frente dos outros, tremendo e sofrendo por todos os horrores que o circundam. E não são apenas as casas da cidade que jazem meio em ruínas; o seu caminho é ladeado pelos cadáveres dos mortos. Deste modo, o caminho da Igreja é descrito como uma Via Sacra, como um caminho num tempo de violência, destruições e perseguições. Nesta imagem, pode-se ver representada a história dum século inteiro. Tal como os lugares da terra aparecem sinteticamente representados nas duas imagens da montanha e da cidade e estão orientados para a cruz, assim também os tempos são apresentados de forma contraída: na visão, podemos reconhecer o século vinte como século dos mártires, como século dos sofrimentos e perseguições à Igreja, como o século das guerras mundiais e de muitas guerras locais que ocuparam toda a segunda metade do mesmo, tendo feito experimentar novas formas de crueldade. No « espelho » desta visão, vemos passar as testemunhas da fé de decênios. A este respeito, é oportuno mencionar uma frase da carta que a Irmã Lúcia escreveu ao Santo Padre no dia 12 de Maio de 1982: « A terceira parte do “segredo” refere-se às palavras de Nossa Senhora: “Se não, [a Rússia] espalhará os seus erros pelo mundo, promovendo guerras e perseguições à Igreja. Os bons serão martirizados, o Santo Padre terá muito que sofrer, várias nações serão aniquiladas” ». Na Via Sacra deste século, tem um papel especial a figura do Papa. Na árdua subida da montanha, podemos sem dúvida ver figurados conjuntamente diversos Papas, começando de Pio X até ao Papa atual, que partilharam os sofrimentos deste século e se esforçaram por avançar, no meio deles, pelo caminho que leva à cruz. Na visão, também o Papa é morto na estrada dos mártires. Não era razoável que o Santo Padre, quando, depois do atentado de 13 de Maio de 1981, mandou trazer o texto da terceira parte do « segredo », tivesse lá identificado o seu próprio destino? Esteve muito perto da fronteira da morte, tendo ele mesmo explicado a sua salvação com as palavras seguintes: « Foi uma mão materna que guiou a trajetória da bala e o Papa agonizante deteve-se no limiar da morte » (13 de Maio de 1994). O fato de ter havido lá uma « mão materna » que desviou a bala mortífera demonstra uma vez mais que não existe um destino imutável, que a fé e a oração são forças que podem influir na história e que, em última análise, a oração é mais forte que as balas, a fé mais poderosa que os exércitos. A conclusão do « segredo » lembra imagens, que Lúcia pode ter visto em livros de piedade e cujo conteúdo deriva de antigas intuições de fé. É uma visão consoladora, que quer tornar permeável à força santificante de Deus uma história de sangue e de lágrimas. Anjos recolhem, sob os braços da cruz, o sangue dos mártires e com ele regam as almas que se aproximam de Deus. O sangue de Cristo e o sangue dos mártires são vistos aqui juntos: o sangue dos mártires escorre dos braços da cruz. O seu martírio realiza-se solidariamente com a paixão de Cristo, identificando-se com ela. Eles completam em favor do corpo de Cristo o que ainda falta aos seus sofrimentos (cf. Col 1, 24). A sua própria vida tornou-se eucaristia, inserindo-se no mistério do grão de trigo que morre e se torna fecundo. O sangue dos mártires é semente de cristãos, disse Tertuliano. Tal como nasceu a Igreja da morte de Cristo, do seu lado aberto, assim também a morte das testemunhas é fecunda para a vida futura da Igreja. Deste modo, a visão da terceira parte do « segredo », tão angustiante ao início, termina numa imagem de esperança: nenhum sofrimento é vão, e precisamente uma Igreja sofredora, uma Igreja dos mártires torna-se sinal indicador para o homem na sua busca de Deus. Não se trata apenas de ver os que sofrem acolhidos na mão amorosa de Deus como Lázaro, que encontrou a grande consolação e misteriosamente representa Cristo, que por nós Se quis fazer o pobre Lázaro; mas há algo mais: do sofrimento das testemunhas deriva uma força de purificação e renovamento, porque é a atualização do próprio sofrimento de Cristo e transmite ao tempo presente a sua eficácia salvífica. Chegamos assim a uma última pergunta: O que é que significa no seu conjunto (nas suas três partes) o « segredo » de Fátima? O que é nos diz a nós? Em primeiro lugar, devemos supor, como afirma o Cardeal Sodano, que « os acontecimentos a que faz referência a terceira parte do “segredo” de Fátima parecem pertencer já ao passado ». Os diversos acontecimentos, na medida em que lá são representados, pertencem já ao passado. Quem estava à espera de impressionantes revelações apocalípticas sobre o fim do mundo ou sobre o futuro desenrolar da história, deve ficar desiludido. Fátima não oferece tais satisfações à nossa curiosidade, como, aliás, a fé cristã em geral que não pretende nem pode ser alimento para a nossa curiosidade. O que permanece — dissemo-lo logo ao início das nossas reflexões sobre o texto do « segredo » — é a exortação à oração como caminho para a « salvação das almas », e no mesmo sentido o apelo à penitência e à conversão. Queria, no fim, tomar uma vez mais outra palavra-chave do « segredo » que justamente se tornou famosa: « O meu Imaculado Coração triunfará ». Que significa isto? Significa que este Coração aberto a Deus, purificado pela contemplação de Deus, é mais forte que as pistolas ou outras armas de qualquer espécie. O fiat de Maria, a palavra do seu Coração, mudou a história do mundo, porque introduziu neste mundo o Salvador: graças àquele « Sim », Deus pôde fazer-Se homem no nosso meio e tal permanece para sempre. Que o maligno tem poder neste mundo, vemo-lo e experimentamo-lo continuamente; tem poder, porque a nossa liberdade se deixa continuamente desviar de Deus. Mas, desde que Deus passou a ter um coração humano e deste modo orientou a liberdade do homem para o bem, para Deus, a liberdade para o mal deixou de ter a última palavra. O que vale desde então, está expresso nesta frase: « No mundo tereis aflições, mas tende confiança! Eu venci o mundo » (Jo 16, 33). A mensagem de Fátima convida a confiar nesta promessa. Joseph Card. Ratzinger Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé

(1) Lê-se no diário de João XXIII, a 17 de Agosto de 1959: « Audiências: P. Philippe, Comissário do S.O., que me traz a carta que contém a terceira parte dos segredos de Fátima. Reservo-me de a ler com o meu Confessor ». (2) Vale a pena recordar o comentário feito pelo Santo Padre, na Audiência Geral de 14 de Outubro de 1981, sobre « O acontecimento de Maio: grande prova divina », em: Insegnamenti di Giovanni Paolo II, IV-2 (Città del Vaticano 1981), 409-412; cf. L’Osservatore Romano (ed. portuguesa de 18-X-1981), 484. (3) Radiomensagem durante o rito, na Basílica de Santa Maria Maior, « Veneração, agradecimento, entrega à Virgem Maria Theotokos », em: Insegnamenti di Giovanni Paolo II, IV-1 (Città del Vaticano 1981), 1246; cf. L’Osservatore Romano (ed. portuguesa de 14-VI-1981), 302. (4) Na Jornada Jubilar das Famílias, o Papa entrega a Nossa Senhora os homens e as nações: Insegnamenti di Giovanni Paolo II, VII-1 (Città del Vaticano 1984), 775-777; cf. L’Osservatore Romano (ed. portuguesa de 1-IV-1984), 157 e 160. (5) Texto original da carta: (6) Na « quarta memória », de 8 de Dezembro de 1941, a Irmã Lúcia escreve: « Começo pois a minha nova tarefa, e cumprirei as ordens de V. Ex.cia Rev.ma e os desejos do Senhor Dr. Galamba. Excetuando a parte do segredo que por agora não me é permitido revelar, direi tudo; advertidamente não deixarei nada. Suponho que poderão esquecer-me apenas alguns pequenos detalhes de mínima importância ». Texto original: (7) Na citada « quarta memória », a Irmã Lúcia acrescenta: « Em Portugal se conservará sempre o dogma da fé etc. ». Texto original: (8) Na transcrição, respeitou-se o texto original mesmo quando havia erros e imprecisões de escrita e pontuação, os quais, aliás, não impedem a compreensão daquilo que a vidente quis dizer.

Fonte: www.vatican.va

IV Domingo da Páscoa – Ano C

Por Pe. Fernando José Cardoso

Evangelho segundo São João 10, 27-30
As minhas ovelhas escutam a minha voz: Eu conheço-as e elas seguem-me. Dou-lhes a vida eterna, e nem elas hão-de perecer jamais, nem ninguém as arrancará da minha mão. O que o meu Pai me deu vale mais que tudo e ninguém o pode arrancar da mão do Pai. Eu e o Pai somos Um.

Neste quarto domingo da Páscoa, Jesus ressuscitado Se apresenta à Sua Igreja nas vestes do Bom Pastor – e tem todo direito de realizá-lo, depois de ter atravessado o mar de Sua própria paixão. Todos nós necessitamos de um guia, de um orientador, de alguém que nos manifeste o sentido da vida e nos aponte um caminho seguro. Quem é capaz de se organizar plenamente na existência sem auxilio de quem quer que seja? Mas quantas são as pessoas que se propõem a ser guias, orientadores – quer no nível espiritual, quer no nível psicológico, mesmo da vida lá fora – sem o preparo necessário, sem as condições mínimas? E muitas vezes com interesses pessoais inconfessáveis, como acontece com diversos políticos que mendigam os nossos votos com intenções não puras? Jesus é o contrário de todos: Ele se deixa literalmente triturar na paixão em nosso favor e só depois, num texto pós-pascal, Se apresenta a nós como o Bom Pastor. Primeiro dá a vida, a seguir Se oferece a ser o nosso condutor. No texto de João existe uma expressão que soa aparentemente de maneira não compreensiva: “As Minhas ovelhas escutam a Minha voz”, diz Jesus. Nós esperaríamos que fosse dito o contrário: “Todos aqueles que escutam a Minha voz, são Minhas ovelhas”. Mas não é isto que Jesus diz em João. Minhas ovelhas escutam a Minha voz. Ou seja, existe uma precedência na pertença das ovelhas por parte de Jesus. A explicação seria esta: não é possível escutar diariamente a voz de Jesus, não é possível segui-Lo docilmente pela existência afora se não houver uma previa ação de Deus Pai que, no íntimo do coração de cada um, o endereça docilmente a Jesus. A iniciativa é de Deus, e todos aqueles que o Pai tiver dado a Jesus, serão ovelhas Suas, e estas ovelhas escutarão a Sua voz. Existiria – pergunta alguém – um determinismo nesta expressão? Eu diria que num evangelho como o de João o determinismo não é a última palavra; no entanto, a iniciativa gratuita é sempre de Deus. Se alguém não se sente predestinado neste mundo até agora, eis o conselho que lhe dou: Faça tudo, enquanto há tempo, para que seja predestinado.

 

«Eu sou o Bom Pastor» (Jo 10, 11)
Basílio da Selêucida (?-c. 468), bispo
Homilia 26 sobre o Bom Pastor; PG 85, 299-308 (a partir da trad. Bouchet, Lectionnaire, p. 218)

Abel, o primeiro pastor, conquistou a admiração do Senhor, que de bom grado acolheu o sacrifício dele e preferiu o doador ao dom (Gn 4, 4). A Escritura também louva Jacob, pastor dos rebanhos de Labão, fazendo notar o que sofreu pelas suas ovelhas: «Fui devorado pelo calor durante o dia e pelo frio durante a noite» (Gn 31, 40); e Deus recompensou este homem pelo seu labor. Também Moisés foi pastor nas montanhas de Madian, preferindo ser maltratado com o povo de Deus a conhecer a felicidade [no palácio do faraó]; e Deus, apreciando esta escolha, deixou-Se ver por ele como recompensa (Ex 3, 2). Após esta visão, Moisés não abandonou o seu ofício de pastor, antes dominou aos elementos com o seu báculo (Ex 14, 16), conduzindo o povo de Israel para as pastagens. Também David foi pastor, mas o seu bastão foi trocado por um ceptro real e recebeu a coroa. Não te espante que todos estes bons pastores estejam perto de Deus. O próprio Senhor não cora por ser chamado «pastor» (Sl 22; 79), Deus não cora de conduzir os homens para as pastagens, como não cora por tê-los criado. Olhemos agora para o nosso pastor, para Cristo; contemplemos o Seu amor pelos homens, a suavidade com que os conduz às pastagens. Ele alegra-Se com as ovelhas que O rodeiam e vai à procura daquelas que se perdem. Nem montes nem florestas são para Ele obstáculo: corre pelo vale da sombra (Sl 22, 4) para chegar ao local onde se encontra a ovelha perdida. […] Vai aos infernos libertar os que ali se encontram; é assim que Ele procura o amor das Suas ovelhas. Aquele que ama a Cristo é aquele que sabe ouvir a Sua voz.

 

O Bom Pastor nos conduz ao Pai
Cf. B. CABALLERO. A Palavra de cada dia. Paulus: 2000.

Muitas pessoas procuram orientação, mas a sociedade em que vivemos mais manipula que orienta! Estamos sendo seduzidos pelos interesses do dinheiro e do poder. Pensando que somos livres e seguimos nosso próprio caminho, somos levados pelo sistema e pela propaganda, enquanto se esconde em nós, envergonhados, o desejo de ser conduzidos de modo confiável e verdadeiro. Na Bíblia, aquele que conduz se chama pastor. É disso que trata o Evangelho. Jesus se apresentou como o Pastor Fidedigno; no trecho que é lido hoje, Ele fundamenta Sua confiabilidade no amor que O une ao Pai. Por esse amor, Cristo nos conduz a Deus e ninguém nos poderá arrebatar d’Ele e do Pai. Deus é “mistério”. Não conseguimos concebê-lo com clareza. Ele é grande demais para que O possamos descrever. É a “instância última” de nossa vida. Mas Jesus O torna acessível, visível. Podemos orientar nossa vida para a instância última graças a Cristo, que nos conduz se a Ele nos confiamos.  O Bom Pastor está tão unido a Deus que, para nós, Ele é a presença de Deus em pessoa. N’Ele, estamos em Deus. Deus é a “pastagem”, isto é, a felicidade para onde Jesus-Pastor nos conduz. Na segunda leitura, este Pastor é apresentado como sendo também “Cordeiro”, Vítima pascal, que resgata e liberta da escravidão as ovelhas, que somos nós. Esta imagem vem completar a do  Pastor. Pois um pastor parece muito chefe. Jesus é também Ovelha, igual a nós, porém, totalmente consagrada a Deus. Ele nos conduz a Deus, vivendo a nossa própria situação. Como somos conduzidos por Jesus? Não mecanicamente! Ele nos conduz, mas não nos força! A nós cabe o esforço. Devemos “conhecer” Cristo, gravar Seu retrato em nosso coração. Depois, com esta imagem na cabeça e no coração, vamos olhar para a nossa vida e seus desafios. Vamos perguntar o que  Ele faria se estivesse em nossa situação. Finalmente, apoiados pela comunidade eclesial, vamos escolher o caminho que acreditamos sinceramente que Ele escolheria. Este será o caminho de Jesus-Pastor. Caminho para todos. As leituras de hoje nos mostram que as palavras e o caminho de Jesus se destinam a todos, judeus e não judeus. Paulo rompeu o confinamento cultural da mensagem de Cristo dentro do mundo judeu. Também hoje, para que o rebanho possa ser integrado por quantos quiserem e siga sem impedimento o Cordeiro-Pastor é preciso romper barreiras e confinamentos. Inculturar o Evangelho em outras culturas que não a tradicional cultura ocidental. Nas culturas afro-brasileiras e ameríndia do Brasil. E assim pelo mundo afora. Para construir a grande multidão de todas as nações, tribos, povos e línguas que seguem o Cordeiro, como diz o Apocalipse.

 

Fortes como o Bom Pastor
Padre Silvio Andrei

O Senhor Jesus é o Bom Pastor, e nos as ovelhas do seu rebanho, neste domingo estamos reunidos para vivenciar este Kairos pedindo pelas nossas famílias, aqui na Canção Nova. Depois do que nos rezamos hoje pela manhã e tomarmos consciência que a nossa família é uma benção mesmo com todas as dificuldades, depois de rezarmos diante de Jesus sacramentado, e vermos testemunhos concretos, aqui neste dia, e por fim ouvirmos que Jesus vai transformar a água em vinho pela intercessão da Virgem Maria. Depois de tudo isso chegou o momento de coroarmos este dia com a Santa Missa, é hora de nos abençoarmos mais e dizer uns aos outros: “Deus te abençoe e te faça feliz”. Deus quer nos falar porque ele é amor, ele fala a todos nos com amor, mas também fala a cada um em particular. Peça agora que Deus abra seu coração, abra seus olhos e ouvidos, e a sua mente para que você possa ouvir e acolher a voz de Deus. Então agora, abra bem os seus sentidos. Deus nunca deixou de nos falar, mas fomos nos que paramos de ouvi-lo, hoje quero falar da primeira oração da Santa Missa: a Oração da Coleta. Uma oração que parece até falar do ofertório, mas não. Esta oração da coleta é o momento em que a Igreja, que é mãe, reuni, recolhe as intenções de toda a assembléia e eleva a Deus que é Pai, todas a nossas intenções. Esta oração tem um pedido formidável, que nos quer levar a fortaleza de Deus, a fortaleza do Bom Pastor, e assim diz este oração: “Fazei que o nosso rebanho, apesar da nossa fraqueza, chegue a fortaleza do pastor”. Ser forte, é ser experimentado na dor, no sofrimento, mas ter a coragem de dizer: “Que seja feita a Tua vontade”. Nós queremos neste domingo pedir que a nossa família chegue a fortaleza do Pastor, nos não queremos famílias dilaceradas, caídas, mas queremos famílias fortes como Jesus. Nos não podemos assistir de camarote a destruição da nossa família, nunca diga que a sua família não tem jeito, ou que você lava suas mãos diante de situações difíceis. A sua família tem jeito sim, o seu marido tem jeito, seu filho também. Não desista da sua família, Pois Deus tudo pode, e hoje quer restaurar a sua casa. A partir de você, da sua fé na Eucaristia, da sua oração, da sua perseverança, Deus vai salvar a sua família. Quem tem fé também chora, quem tem fé também senti medo, mas quem tem fé persevera, e espera no Senhor. Às vezes nos reclamos de barriga cheia, reclamamos demais, e não enxergamos as coisas boas da se nossa vida, pois estamos mergulhados na murmuração, na reclamação, no negativo e somos cegados por estes sentimentos. Faça um exame de consciência hoje, e eu te faço uma proposta, neste Kairos: Se recorde das coisas boas que Deus já realizou em sua vida. Meu irmão o que falta pra nos é olhar mais para as coisas boas, quantas coisas maravilhosas você tem em sua vida, mesmo com todas as dificuldades você é um milagre, e isto é suficiente para louvarmos a Deus, pois todos os dias Deus dá a você a oportunidade de acordar e estar vivo, para fazer diferente, para mudar todas as coisas e começar de novo. Todos os dias quando você acordar, peça a Deus que te faça forte, pois a vida é feita de embates, lutas, dificuldades, e Jesus: o Bom Pastor, ascende sobre nos, as estrelas para guiar-nos pelas noites escuras, e ascende o sol pra iluminar o dia de nossas famílias. Estou pedindo a Jesus, Bom Pastor, que ilumine o seu caminho a sua família, ascendendo as estrelas para as noites escuras da sua família, e o sol para as manhãs que virão.

 

Neste domingo, Jesus diz a todos os que O querem seguir: “Eu dou-lhes a vida eterna”. Aquele que ressuscitou, Aquele que está cheio de vida, dá-nos a vida. Esta frase recorda-nos que ainda estamos na Páscoa, o centro de toda a nossa vida. Por isso, há que não esquecer os elementos próprios deste tempo: a aspersão da água, cânticos próprios, etc. Para que o clima festivo permaneça em todo o tempo pascal não é necessário que inventemos gestos ou sinais. O mais importante é “produzir” o clima necessário para que cada pessoa e cada comunidade façam a experiência de encontro com o Senhor. É evidente que não podemos pôr a criatividade de lado, mas que ela não sirva somente para distrair. O quarto domingo da Páscoa é conhecido pelo Domingo do Bom Pastor. Neste domingo, todos os anos, lemos um fragmento do capítulo 10 do evangelho de São João, no qual o evangelista coloca nos lábios de Jesus, ao falar de si e da sua relação com os discípulos, esta frase: “Eu sou o Bom Pastor”. Na perícope evangélica deste ano, não aparece esta frase, mas está subentendida. O capítulo 10 de João situa Jesus em confronto direto com os fariseus. No versículo 21, terminou a discussão que tiveram acerca da cura do cego de nascença e da sua expulsão da sinagoga (capítulo 9). Agora, a discussão continua no recinto do Templo (Jo 10, 22 ss). Tendo em conta este contexto e que a imagem do bom pastor está inspirada no profeta Ezequiel (Ez 34, 1 ss), onde Deus fala como o pastor que cuida do seu povo e pede contas aos chefes do povo, pastores que somente cuidam de si próprios, vemos de seguida o sentido que se dá a esta imagem. Então compreendemos que “bom”, referido ao “Pastor”, não expressa Jesus como uma personagem irreal, mas que é apresentado em contraste com aqueles que tinham como missão cuidar e orientar o Povo de Deus, mas que somente se preocupavam com as suas vidas. O bom pastor, o próprio Deus, manifestou a sua bondade e o seu compromisso com o povo em Jesus de Nazaré, comprometido até à morte e que ressuscitou para dar a vida a e por todos. O texto evangélico deste domingo começa com esta idéia: escutar a voz de Jesus e ser reconhecidos por Ele. A relação entre Jesus e os seus discípulos passa pela escuta e pelo reconhecimento. Esta é a maneira peculiar e própria daqueles que se amam: escutam-se e reconhecem-se. Assim, podemos afirmar que a relação de Jesus com os discípulos está fundamentada no amor: um amor pessoal, um amor que vem do Pai. Aderir a Jesus, cuja voz escutamos, é o que define os discípulos. Ser discípulo é estar unido a Jesus e imitar o seu estilo de Jesus: conhecer e amar Jesus Cristo para O seguir e para O anunciar como boa nova que nos dá felicidade. Esta idéia faz-nos pensar no esforço que temos de fazer para que na missa todos possam escutar bem a “voz” de Jesus: ter uma boa aparelhagem sonora, trabalhar com os leitores (preparar as leituras, usar o microfone sem fazer ruído, ter em conta a postura corporal, etc). Também nos faz pensar na importância da homilia como comentário à Palavra de Deus e também em criar espaços ou momentos para se fazer uma leitura tranqüila e reflexiva do Evangelho em grupo ou pessoalmente. Se na nossa vida escutamos Jesus, estamos a escutar Alguém com uma convicção muito profunda. Toda a nossa vida e toda a nossa ação pastoral tem de partir da escuta de Jesus e de acreditar que qualquer pessoa vale muito mais que todo o dinheiro deste mundo, por mais pobre que seja. Ao olhar a humanidade e toda a criação, Jesus, unido ao Pai, ama cada homem e cada mulher e ama-os até ao fim.

 

Fraqueza e fortaleza
Que não falte ao rebanho a fortaleza do Pastor
Dom Genival Saraiva, Bispo de Palmares – PE

No IV Domingo da Páscoa, a Igreja, na oração coleta, pede a Deus que não falte ao rebanho, apesar de sua fraqueza, a fortaleza do Pastor. Essa prece adquire um sentido especial ao celebrar-se, a cada ano, o Domingo do Bom Pastor. No imaginário humano é muito real a relação entre rebanho e pastor e na atividade pastoril é muito forte a afinidade que se estabelece entre ambos. É uma relação interativa. A fraqueza no rebanho de ovelhas se revela de muitas maneiras: na fome, quando falta a pastagem, no perigo de morte pelo ataque de lobos, na perda da segurança, ao dar-se o desgarre do rebanho, no comprometimento da qualidade de vida por conta da conduta mercantil do pastor. Na linguagem dos profetas e nos lábios de Jesus, o rebanho dos campos é a representação do povo, as ovelhas são imagens das pessoas. No rebanho humano, a fraqueza se evidencia de forma muito acentuada, diversificada e permanente. Esse rebanho é o povo de Deus; nele estão presentes todas as pessoas, com sua respectiva missão e seu peculiar ofício no seio da comunidade cristã. Sendo povo de Deus, todos fazem parte desse corpo: papa, bispos, sacerdotes, diáconos, consagrados/as e leigos/as. Na abrangência desse universo, a fraqueza do pastor se manifesta na pessoa de cada um de seus membros. A fraqueza do rebanho humano faz parte do ser das pessoas e compreende a conduta desviada do povo. São Paulo tinha plena consciência da fraqueza humana: “Quem julga estar de pé tome cuidado para não cair” (1Cor 10, 12); “Ora trazemos esse tesouro em vasos de barro, para que todos reconheçam que este poder extraordinário vem de Deus e não de nós” (2Cor 4, 7). Na história da Igreja, da era primitiva aos dias de hoje, a fraqueza do rebanho está bem caracterizada, desde a autoridade mais destacada na hierarquia eclesiástica ao anônimo fiel de uma comunidade interiorana. Ninguém está isento de erro, nenhuma pessoa está impermeabilizada diante das ingerências institucionais, das interferências sociais e das influências humanas. A face do pecado se evidencia, com muita frequência, na vida das comunidades, a reincidência nos erros está demonstrada no dia a dia das pessoas, a prática de crimes envolve indivíduos absolutamente insuspeitos. Na etiologia de fatos dessa natureza, via de regra, há defeitos na educação familiar, elementos do contexto social e falhas no processo de sua formação eclesiástica. Portanto, são componentes da personalidade de seus autores que estão diretamente ligados à sua própria história de vida. Esses fatos têm uma repercussão maior quando os pecadores e criminosos são pessoas revestidas de ofícios sagrados. Porém, a comunidade cristã e a própria sociedade têm capacidade de discernir, identificando o pecado, sinal da fraqueza humana, e o crime que fere a lei divina e a lei humana, por isso, é inaceitável em qualquer contexto. Assim, diante da divulgação de casos de pedofilia e efebofilia, registrados num passado mais distante ou recente, e no presente, tendo como autores bispos, sacerdotes e religiosos, é necessário reconhecer a gravidade da conduta desses membros da Igreja que vai muito além da fraqueza humana. Embora o percentual dos casos envolvendo pessoas consagradas seja infinitamente menor do que os casos de pedofilia dentro dos lares, esses pedófilos são responsabilizados perante Deus, por sua situação de pecado, e devem ser responsabilizados perante a lei, pela prática de crime. Esta é a orientação da Igreja. A fortaleza do Pastor é fator de segurança para o rebanho. A sua retidão e sua santidade constituem as melhores referências e iluminações para o rebanho. Jesus se apresenta como Bom Pastor e considera ovelhas de Seu rebanho todos aqueles que ouvem Sua voz e trilham Seus caminhos. Os membros do rebanho, qualquer que seja o seu lugar e sua função, devem pautar sua vida e sua conduta segundo a fortaleza do Pastor, Jesus Cristo, porque n’Ele não há pecado, nem cometeu crime algum.

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