Com a Palavra

A vitória da Igreja

De todas as perseguições ela saiu purificada e engrandecida

Nosso Senhor Jesus Cristo nunca perde batalhas: “No mundo tereis tribulações; mas confiai, Eu venci o mundo” (Jo 16,23), declarava o Senhor às vésperas da Sua aparente derrota na cruz. E a sua promessa estende-se à Igreja que fundou: “As portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mt 16,18).

De todas as perseguições, a Igreja saiu purificada e engrandecida, de todas as falsidades ela triunfou. Enquanto os anticristos ruíam por si mesmos ao longo destes vinte séculos, a Igreja lhes sobrevivia.

Georges Chevrot, na sua obra “Simão Pedro”, tem umas palavras que merecem reproduzir-se aqui: “Já em tempos de Santo Agostinho de Hipona os inimigos da Igreja declaravam: ‘A Igreja vai morrer, os cristãos tiveram a sua época’. Ao que o bispo de Hipona respondia: ‘No entanto, são eles que morrem todos os dias e a Igreja continua de pé, anunciando o poder de Deus às gerações que se sucedem’.

‘Vinte anos mais – dizia o infeliz filósofo francês Voltaire -, e a Igreja Católica terá acabado…’ Vinte anos depois, Voltaire morria e a Igreja católica continuava a viver. […]

Assim, desde Celso, no século III, não houve uma única geração em que os coveiros não se preparassem para sepultar a Igreja; e a Igreja vive. O notável escritor Charles Forbes René de Tryon, conde de Montalember dizia-o magnificamente, em 1845, na Câmara dos Pares: ‘Apesar de todos os que a caluniam, subjugam ou atraiçoam, a Igreja Católica tem há dezoito séculos uma vitória e uma vingança asseguradas: a sua vingança é orar por eles; a sua vitória, sobreviver-lhe’”.

Mesmo o doloroso espetáculo dos mártires não deve desanimar-nos, antes o seu exemplo deve servir-nos de estímulo e orientação. Martírio significa “testemunho” e, na verdade, trata-se do máximo testemunho da fé; e por isso o Senhor associou a ele as mais sentidas promessas de glorificação e fecundidade.

Referindo- se aos mártires deste século que acaba de passar, João Paulo II dizia: “A Igreja encontrou sempre, nos seus mártires, uma semente de vida”. Sanguis martyrum, sêmen Christiano-rum (Tertuliano, Apologeticum 50, 13: PL 1, 534): esta célebre (lei) enunciada por Tertuliano, sujeita à prova da História, sempre se mostrou verdadeira. Por que não haveria de sê-lo também no século e milênio que começamos? Talvez estivéssemos um pouco habituados a ver os mártires de longe, como se tratasse de uma categoria do passado associado especialmente com os primeiros séculos da era cristã. A comemoração jubilar descerrou-nos um cenário surpreendente, mostrando o nosso tempo particularmente rico de testemunhas, que souberam, ora de um modo, ora de outro, viver o Evangelho em situações de hostilidade e perseguição, até darem muitas vezes a prova suprema do sangue”.

Padre Inácio José do Vale
[email protected]
Professor de História da Igreja no Instituto de Teologia Bento XVI (Cachoeira Paulista). Também é sociólogo em Ciência da Religião.

A Lenda da “Venda de Indulgências”

A MENTIRA PROTESTANTE:
“O dominicano João Tétzel tornou-se famoso vendendo um documento oficial que “dava o direito antecipado de pecar!” Negociava outra indulgência incrível que garantia: “Ainda que tenhas violado Maria mãe de Deus, descerás para casa perdoado e certo do paraíso!” O papa Leão X ano 1518 continuou o blefe, necessitando restaurar a igreja de São Pedro que rachava usou cofres com dizeres absurdos tais como: “Ao som de cada moeda que cai neste cofre uma alma desprega do purgatório e voa para o paraíso!”
ONDE SE ENCONTRA A MENTIRA PROTESTANTE:
http://www.sobreasaguas.com.br/romano.htm

A VERDADE DOCUMENTAL:
A fonte da mentira acima, “O Papa e o Concílio”, faz parte de um compêndio alemão de calúnias que ganhou fama no Brasil, por ter sido traduzido pelo então jovem, Rui Barbosa.
O livro “O Papa e o Concílio”, foi forjado na Alemanha em 1870, pelo apostata Döllinger, sob o pseudônimo de Janus, por encomenda do tirano Bismarck, para irresponsavelmente atacar a Igreja, tendo sido esquecida depois por ser um trabalho sujo; traduziu-a Rui Barbosa, em sua juventude, e depois arrependeu-se, pelas calúnias e pelo ataque apaixonado que o livro faz contra a Igreja Católica, não permitindo mais sua reimpressão enquanto vivo; após a sua morte, sarcasticamente reimprimiram a obra, rejeitando porém um prefácio que explicava o arrependimento de Rui Barbosa. Bismarck foi um tirano alemão, que tentou resolver os problemas da Alemanha com “sangue e aço”, e também calúnias contra a Igreja. (Enciclopédia Encarta 99), http://www.montfort.org.br/index.php?secao=cartas&subsecao=apologetica&artigo=20040830124106&lang=bra
Veja na página nº 6, da Academia de Letras, a repulsa de Rui Barbosa pelo livro: http://www.academia.org.br/abl/media/celebracao12.pdf
Ao fim de sua vida, disse o já experiente e ainda mais católico Rui Barbosa:
“Estudei todas as religiões do mundo e cheguei à seguinte conclusão: religião, ou a Católica ou nenhuma” (Livro Oriente, de Carlos Mariano M. Santos (1998-2004) – Art 5).
Este mesmo Rui Barbosa foi elogiado pelo Papa, quando de sua visita a Campo Grande, em 1991.

DEMONSTRANDO OS FATOS PELA PENA DE LUTERO:
Por volta de 1515, Um monge alemão, chamado Lutero, irou-se contra outro monge na Alemanha, que em desobediência ao Papa (em Roma), andava cobrando pelas indulgências apostólicas numa pequena cidade alemã.
Daí em 31 de Outubro de 1517, a tese de Lutero nº 91: “Se, portanto, as indulgências fossem pregadas em conformidade com o espírito e a opinião do Papa, todas essas objeções poderiam ser facilmente respondidas e nem mesmo teriam surgido”.
Veja que, o que o mercenário monge Tetzel fazia, não era a opinião do Papa. Na verdade, a cólera de Lutero, foi contra o ato deste dominicano mercenário, chamado Johann Tetzel. Como prova disso, dizia Lutero em sua tese nº 50: “Deve-se ensinar aos cristãos que, se o Papa soubesse das exações dos pregadores de indulgências, preferiria reduzir a cinzas a Basílica de S. Pedro a edificá-la com a pele, a carne e os ossos de suas ovelhas”.
Mas, os protestantes não ensinaram nada disso. Desonestamente ensinam até hoje que foi o Papa que vendia as indulgências, até caluniam que Tetzel vendia bula papal, pura calúnia odiosa.
Lutero não era contra as indulgências apostólicas, escreveu em sua tese 71: “Seja excomungado e amaldiçoado quem falar contra a verdade das indulgências apostólicas.” E sim, contra a venda delas por inescrupulosos que faziam isso sem o conhecimento do Papa, coisa que os protestantes maliciosamente resolveram distorcer para diabolicamente rapinar na ignorância.
Até os slogans sujos atribuídos ao mercenário Tetzel, eles transferiram para a boca do Papa. Deus tenha misericórdia destes “artistas da oratória” (1Cor 1, 17).
Os malandros produtores do filme “Lutero”, usaram até uma falsa lenda, atribuindo a Tetzel uma frase terrível e inverídica. Veja a farsa:
“(…) o filme atribui o rumor escandaloso, aludido por Lutero, de que Tetzel afirmava que absolveria com sua indulgência mesmo aquele que (per impossibile) “violasse a mãe de Deus,” apesar de Tetzel negar isso de forma indignada e ter testemunhas oculares para respaldar essa declaração” (Greydanus): http://www.decentfilms.com/commentary/luther.html
O próprio Lutero alertava contra esses caluniadores que visavam diminuir o poder papal de perdoar, em sua tese 77: “A afirmação de que nem mesmo São Pedro, caso fosse o Papa atualmente, poderia conceder maiores graças é blasfêmia contra São Pedro e o Papa”. Como vemos, um mar de mentiras engoliu os protestantes de hoje. Vivem uma fantasia odiosa virtual, onde só o dinheiro de seu “dízimo” é real ($).
E continua na tese 78: “Dizemos contra isto que qualquer Papa, mesmo São Pedro, tem maiores graças que essas, a saber, o Evangelho, as virtudes, as graças da administração (ou da cura), etc., como está escrito em I. Coríntios XII”.
A Igreja Católica nunca vendeu indulgência, Lutero rebelou-se incitado por príncipes devassos alemães. O Papa levou dois anos o convidando amigavelmente a comparecer a Roma para reconciliar-se.
Escreveu-lhe o Papa: “… volte e se afaste de seus erros. Nós o receberemos bondosamente como ao filho pródigo retornando ao abraço da Igreja” (Bula: Exsurge Domine, Leão X – 15/6/1520). Lutero recusou, fazia arruaças queimando as bulas, até ser excomungado.
Em 25 de novembro de 1521 escreveu o confuso Lutero, aos agostinianos de Wittenberg: “Com tamanha dor e trabalho eu devo justificar a minha consciência de que eu sozinho devo acusar o Papa de anticristo e aos bispos de seus apóstolos. Quantas vezes meu coração não me abordou e me puniu com este forte argumento: ‘Isto é correto? Poderiam todos estarem errados e terem errado por todos os séculos? O que há de acontecer se tu errares e liderar uma multidão à condenação eterna?’” (De Wette, 2. 107, citado em O’Hare, p. 195).
No final da vida, admitindo seu erro, escrevia Lutero arrependido: “Se o mundo durar mais tempo, será necessário receber de novo os decretos dos concílios (católicos) a fim de conservar a unidade da fé contra as diversas interpretações da Escritura que por aí correm” (Carta de Lutero à Zwinglio In Bougard, Le Christianisme et les temps presents, tomo IV (7), p. 289). Ele morreu e sua multidão de seguidores foi entregue a “condenação eterna”.
Assegurou Gottfried Fitzer, no livro Was Luther wirklich sagte: nunca houve a propalada exposição pública das “noventa e cinco teses” de Lutero. É UMA FARSA, também confirmada por dois historiadores, Erwin Iserloh e KIemens Houselmann. Do relato de Johannes Schneider, um criado de Lutero, é que se extraiu de maneira errada e fantasiosa, a notícia da afixação das teses.
Não encontramos, em seu manuscrito, nenhuma referência a este fato, escreveu apenas: “No ano de 1517, Lutero apresentou em Wittenberg, sobre o EIba, segundo a antiga tradição da universidade, certas sentenças para discussão, porém modestamente e sem haver desejado insultar ou ofender alguém” . Foi tudo uma farsa que engana os protestantes até hoje. Sabe-se que esta lenda da afixação das teses, foi inventada mais tarde, após a morte de Lutero, pelo alemão Melanchthon, em 1546. Provou-se que ele, Melanchthon, em 1517, estava na cidade de Tünbigen, e não em Wittenberg.
Sábio conselho é o de Jesus nas Escrituras: O diabo é o pai da mentira (Jo 8, 44).

Retirado do documentário:
RESPOSTA AO FALSO DOCUMENTARIO O ESTADO DO VATICANO, que tem como autor Fernando Nascimento.
Conheçam mais deste documentário neste link:
http://www.caiafarsa.com.br/ULTIMATO/resposta2221.htm

Por que não devo usar roupas curtas dentro da igreja?

Por Padre Luiz Camilo Junior, C.Ss.R.
http://www.a12.com/redacaoa12/duvidas-religiosas/por-que-nao-devo-usar-roupas-curtas-dentro-da-igreja

Sabemos que a vida não se reduz a aparências. Porém devemos cuidar com muito carinho da nossa imagem, não no sentido de vaidade ou orgulho, mas porque fomos criados a imagem e semelhança de Deus. A imagem que mostramos de nós mesmos deve revelar Deus para os outros.
Todos os ambientes sociais tem uma forma específica de se comportar e se vestir. Numa audiência de um tribunal, por exemplo, os advogados e magistrados usam roupas apropriadas para tal ocasião e a roupa acaba revelando a seriedade e o respeito daquele momento em que se busca a verdade sobre determinado fato. Em hospitais, empresas, há uma forma de se vestir que revela o valor do lugar que se trabalha e a importância do que ali se faz. E na igreja não poderia ser diferente.
Na igreja a dignidade da roupa não está no luxo que esta exprime, mas sim na dignidade da pessoa que ela revela, pois o corpo é templo do Espírito Santo. Não é a roupa que tem que aparecer, no sentido de você se destacar dos outros porque se veste melhor, ou usa uma roupa de marca, mas, a dignidade das vestes está justamente para mostrar quem você é: Você é filho e filha de Deus.
Hoje, infelizmente, tem se relativizado a dignidade dos lugares sagrados. Acabamos nos comportando dentro das igrejas como se estivéssemos numa praça, numa lanchonete ou até mesmo num lugar de lazer. Talvez sobre o pretexto de se sentir confortável, vamos justificando cada vez mais a falta de pudor e até de respeito para com a Casa do Senhor. A casa de Deus é casa de oração, e por mais que a oração seja fundamentalmente a atitude do coração, nós rezamos também na forma como nosso corpo se apresenta, pois nosso corpo também se faz oração.
Observamos em muitas igrejas pessoas usando minissaias, blusas muito decotadas, shorts muito curtos. Talvez muitos digam: Ah! Tá muito calor mesmo, não quero suar. Mas olhemos os sacerdotes que usam as vestes próprias para o serviço do altar, os leitores, ministros extraordinários da Sagrada Comunhão, todos se revestem para revelar o mistério sagrado que está sendo celebrado. Por isso, cada fiel que vai à casa de Deus deve também se revestir da dignidade daquele momento. Roupas muito curtas que expõem demais o corpo, podem acabar atraindo a atenção dos outros para si, sendo que na missa o nosso olhar, nosso pensamento e nosso coração devem estar voltados para o altar. Na oração todos os nossos gestos devem revelar Jesus.
A dignidade das vestes que usamos para ir celebrar a fé na Casa de Deus está acima de tudo na simplicidade e no modo de se vestir. Ao mesmo tempo em que se deve evitar roupas curtas, não se deve fazer também da igreja um lugar de desfile de modas, onde a preocupação está mais com a aparência do que com a verdade de fé que o coração carrega.
Busquemos, então, o equilíbrio, a sobriedade, a discrição e, acima de tudo, o bom senso quando se refere às vestes para ir à igreja. Vale relembrar que no dia do nosso Batismo nós nos revestimos de Cristo, por isso, a humildade e a dignidade devem também ser expressar nas roupas que usamos para que elas sejam sinais de que buscamos a santidade de vida.

Aprenda com Santo Tomás de Aquino as evidências da existência de Deus

Deus existe?
Com os argumentos de Santo Tomás de Aquino, conhecemos as coerências racionais para a existência de Deus
https://formacao.cancaonova.com/igreja/doutrina/aprenda-com-santo-tomas-de-aquino-as-evidencias-da-existencia-de-deus/

Não é fácil expor, em linhas tão curtas, os raciocínios que provam, racionalmente, a existência de Deus. Seria fácil elencar realidades que causam interrogações. Destruir é sempre mais fácil, porém efêmero. Construir é que denota grandeza, mais trabalho e tempo. Exponho, de forma muito simples e com auxílio das fontes expressas abaixo, as cinco vias ou argumentos do grande doutor Santo Tomás de Aquino. Nelas, o doutor angélico explica, com grandeza, as coerências racionais para existência de Deus. Sugiro que esse texto sirva apenas de estímulo para que o leitor conheça e estude as cinco vias de Santo Tomás:

1ª Via do movimento/primeiro motor;
2ª Via da causa eficiente;
3ª Via do contingente e do necessário;
4ª Via dos graus de perfeição;
5ª Via do governo das coisas/da finalidade ser.

Foto ilustrativa: Wesley Almeida/cancaonova.com

1ª Via do movimento/primeiro motor:

A primeira via fala de um fato do mundo: o movimento. O sentido da palavra movimento aqui não é simplesmente a locomoção de um lado a outro, mas a modificação dos entes. Percebemos pelos sentidos que as coisas se movimentam. “Nossos sentidos atestam, com toda certeza, que, neste mundo, algumas coisas se movem. Ora, tudo o que é movido é movido por outro. Nada se move que não esteja em potência em relação ao termo de seu movimento; ao contrário, o que se move o faz enquanto se encontra em ato” (S. Th. I, q.2, a. 3). Santo Tomás diz que, antes do movimento, os seres estão em potência, isto é, possuem a possibilidade de se tornar diferentes do que são. Ao se moverem, a potência se transforma em ato (atualização). Se tentarmos regressar a fim de buscar a origem, vamos perceber que é necessário ter um primeiro motor, não movido por nenhum outro senão Deus.

1- No mundo, algumas coisas são movidas;
2- Tudo o que é movido, é movido por outro;
3- Não se pode preceder até ao infinito nos moventes e movidos;
4- Logo, é necessário um primeiro motor não movido por outrem, que é Deus.

2ª Via da causa eficiente:

A segunda via observa que tudo depende de uma causa para agir e existir. Ela tem forte semelhança com a primeira, mas, nessa, os seres dependem de uma causa eficiente para existir, enquanto naquela observa-se a necessidade de uma causa motriz. Se, regressarmos na relação causa e efeito, chegaremos a uma causa primeira não subordinada e não causada, pois não pode ser causada por outra, caso contrário, não seria a primeira nem poderia ser absolutamente independente no agir e no causar. A essa causa eficiente primeira chamamos Deus.

1- No mundo, todas as coisas têm uma causa eficiente;
2- Nada pode ser a causa eficiente de si mesmo;
3- Não é possível que se proceda até o infinito nas causas eficientes;
4- Logo, existe uma causa primeira eficiente, que é Deus.

3ª Via do contingente e do necessário:

A terceira via é semelhante à primeira e à segunda. Entrando mais intimamente na essência dos entes do universo, procura o ponto de partida na entidade desses seres contingentes, ou seja, dependente de outro ser necessário para existir.

Observamos que existe seres contingentes que existem, mas poderiam não existir, por não ter em si mesmos, em sua essência, a razão de sua existência. Da possibilidade de não existir, fica a necessidade de outro ser que lhe cause a existência. Se, remontarmos ao infinito, chegaremos ao ser necessário, que tem em si a razão absoluta de sua existência. Contendo na sua própria essência a sua existência, seria absurdo não existir. Dessa forma, é necessário afirmar a existência de um ser necessário por si mesmo, e que é a causa e a necessidade de todos os outros: Deus.

1- No mundo, há coisas contingentes que existem, mas poderiam não existir;
2- Mas é preciso que algo seja necessário entre as coisas;
3- Não é possível que se proceda ao infinito nas coisas necessárias;
4- Logo, existe um primeiro necessário, que é Deus.

4ª Via dos graus de perfeição:

A quarta via é aprovada pelos graus de perfeição dos entes. O nosso entendimento percebe que existe um grau de perfeição em todas as coisas. Esses graus estão presentes desde os objetos mais comuns até os sentimentos mais obscuros ou nobres, julgamos sobre tais graus de tais coisas, tendo como referência alguma coisa de grau máximo. Se para cada coisa existente há um grau máximo, portanto, deve existir um Ser que contém todos os atributos e coisas possíveis em seus graus de perfeição no máximo – e que seria gerador de todas as coisas em grau de perfeição menor. Santo Tomás de Aquino diz que “se encontra nas coisas algo mais ou menos bom, mais ou menos verdadeiro, mais ou menos nobre etc.. Ora, mais e menos se dizem de coisas diversas, conforme elas se aproximam diferentemente daquilo que é em si o máximo”. Esse Ser é Deus.

1- No mundo, as coisas têm diferentes graus de perfeição;
2- Os graus de perfeição atribuem-se em relação à proximidade do grau máximo;
3- O grau máximo de um gênero é a causa de todas as coisas desse gênero;
4- Logo, há algo que é a causa da existência para todas as coisas, que é Deus.

5ª Via do governo das coisas/da finalidade ser:

A quinta via é a prova pela ordem do universo. Se considerarmos a ordem existente no universo, desde os componentes microscópicos existentes até os gigantescos astros do firmamento; a harmonia, a atividade e relação entre eles, facilmente chegamos à seguinte conclusão: houve uma inteligência que criou e ordenou tudo isso; caso contrário, seria absurdo dizer que isso é fruto do acaso.

“De fato, apenas a inteligência pode ser razão da ordem, quer dizer, da organização dos meios em vista de um fim, ou dos elementos em vista do todo que eles compõem: os corpos ignoram os fins e, por conseguinte, se os corpos ou os elementos conspiram em conjunto, é necessário que sua organização tenha sido obra de uma inteligência”.

Garrigou-Lagrange diz: “Os seres privados de razão não tendem a um fim se não são guiados por uma inteligência, como a flecha pelo arqueiro. Com efeito, uma coisa não pode estar ordenada à outra senão por uma causa ordenadora, que necessariamente deve ser inteligente, sapientis est ordinare. Por quê? Porque só a inteligência conhece a razão de ser das coisas”.

Que inteligência ordena o universo?

Tem de ser diferente dos seres da natureza, porque os minerais e vegetais são desprovidos da ciência das coisas e os animais não possuem intelecto. Deve ser, também, diferente da inteligência humana, que, apesar de perceber e explicar a ordem que existe, não a cria. Tem que ser, pois, a suma inteligência, dado que a ordem do universo supõe um ser que possua a ciência de todos os seres e suas propriedades. Por isso, conclui Garrigou-Lagrange: “Os animais conhecem sensivelmente o objeto que constitui seu fim, mas nesse objeto não percebem a razão formal do fim. Por conseguinte, se não houvesse uma inteligência ordenadora, que governasse o mundo, a ordem e a inteligibilidade que há no universo e que as ciências descobrem, proviria da inteligibilidade, e ainda mais, nossas próprias inteligências proviriam de uma causa cega e ininteligível; uma vez mais, o mais sairia do menos, o que é absurdo”.

Inteligência Criadora e Ordenadora

É preciso esclarecer que a Inteligência Criadora e Ordenadora do universo é Infinita e Divina. Um ser natural, na sua criação, não é precedido por nada e suas propriedades e capacidades provêm de sua própria essência. Daí, a ordem interna de cada ser e, por conseguinte, das relações destas essências entre si, resulta a ordem externa do universo.

Sendo a causa total de toda ordem, o Autor dessas essências precisa ser também Criador, por tirá-las do nada. Portanto, a Inteligência ordenadora é também Criadora. Também, essa Inteligência não pode ter sido criada, porque seria como qualquer outro ser existente e não ordenaria, mas seria ordenada por outra inteligência. Por fim, a Inteligência ordenadora deve ser também por si subsistente e infinita. A esse ser Criador, subsistente por si e infinito, chamamos Deus.

1- No mundo, algumas coisas operam por causa de um fim.
2- Essas coisas não atingem o fim por acaso.
3- Essas coisas não tendem para um fim a não ser que estejam sendo dirigidas por algo inteligente.
4- Logo, existe algo inteligente, que é Deus, que dirige as coisas a um fim.

FONTES:
– Portal Conservador, As cinco vias de Santo Tomás de Aquino para provar a existência de Deus
– Acadêmicos Arautos, As provas da existência de Deus pelas cinco vias de Santo Tomás de Aquino
– Carlos Nogué, Curso de Tomismo
– Santo Tomás de Aquino, Suma Teológica

André Botelho
André L. Botelho de Andrade é casado e pai de três filhos. Com formação em Teologia e Filosofia Tomista, Andrade é fundador e moderador geral da comunidade católica Pantokrator, à qual se dedica integralmente.
http://www.pantokrator.org.br

Contato: http://facebook.com/andreluisbotelhodeandrade

Não concordo com o que a Igreja ensina. O que faço?

Como a Igreja poderia ensinar algo errado ou inconveniente se o Espírito Santo lhe ensina sempre “toda a verdade”?

Em primeiro lugar, é preciso esclarecer que quem não concorda com o que a Igreja ensina, não conhece bem o que Jesus ensinou, fez e mandou que fizéssemos. Ele fundou a Igreja sobre São Pedro e os apóstolos para que ela fosse a “porta voz” d’Ele na Terra. Disse o Senhor a eles: “Quem vos ouve, a Mim ouve; quem vos rejeita, a Mim rejeita, e quem Me rejeita, rejeita Aquele que me enviou” (cf. Lc 10,16). Quer dizer, quem não ouve a Igreja, não ouve Jesus! Quem não obedece a Igreja, não O obedece.

Jesus ainda lhes disse: “Não temais, pequeno rebanho, porque foi do agrado de vosso Pai dar-vos o Reino”. (São Lucas 12, 32). E foi à Igreja que Jesus mandou: “Ide pelo mundo e pregai o Evangelho a toda criatura” (Marcos 16,15). Como, então, não concordar com a palavra da Igreja? E mais: “A quem vocês perdoarem os pecados, os pecados estarão perdoados” (João 20.22). O Pai mandou o Filho para salvar o mundo; o Filho enviou a Igreja. Ela é o “sacramento universal da salvação” (LG, 4), a Arca de Noé que nos salva do dilúvio do pecado.

Na Santa Ceia, na despedida dos apóstolos, Jesus fez várias promessas à Igreja, ali formada por Seus discípulos. Entre muitas coisas que São João narrou, em cinco capítulos do seu Evangelho (13 a 17), Jesus prometeu à Igreja:

“Eu rogarei ao Pai e ele vos dará outro Paráclito, para que fique eternamente convosco. É o Espírito da Verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê nem o conhece, mas vós o conhecereis, porque permanecerá convosco e estará em vós”. “Mas o Paráclito, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, ensinar-vos-á todas as coisas e vos recordará tudo o que vos tenho dito” (João 14,15.25). Ora, como a Igreja poderia ensinar algo de errado se o Espírito Santo permanece sempre com ela e lhe “ensina todas as coisas”?

Jesus ainda lhes disse: “Muitas coisas ainda tenho a dizer-vos, mas não as podeis suportar agora. Quando vier o Paráclito, o Espírito da Verdade,ensinar-vos-á toda a verdade…” (João 16,12-13). Como a Igreja poderia ensinar algo errado ou inconveniente se o Espírito Santo lhe ensina sempre “toda a verdade”?

Além disso, o próprio Jesus está na Igreja, pois Ele prometeu, antes de subir ao céu: “Eis que Eu estou convosco todos os dias até o fim do mundo” (Mateus 28,20). Foi a última palavra d’Ele aos discípulos. Ora, como a Igreja poderia errar se Jesus está com ela todo tempo? É impossível! É por isso que São Paulo disse a São Timóteo: “A Igreja é a coluna e o fundamento da verdade” (1Tm 3,15). Então, a Igreja detém a verdade que Jesus disse que nos liberta.

É por causa de tudo isso que o nosso Credo tem 2 mil anos e nunca mudou nem vai mudar; porque é a expressão da verdade que salva. A mesma coisa acontece com os sacramentos, os mandamentos e a liturgia. A Igreja já teve 266 Papas e nunca um deles cancelou um ensinamento doutrinário que um antecessor tenha ensinado. Já realizou 21 Concílios universais, e nunca nenhum deles cancelou um ensinamento de um anterior. A verdade não muda, e está na Igreja. O Espírito Santo não se contradiz.

Logo, como não concordar com o que Igreja ensina? Isso seria por causa da ignorância de tudo o que foi relatado acima; ou, então, seria um ato de orgulho espiritual da pessoa, que acha que sabe mais do que a Igreja, assistida por Jesus Cristo e pelo Espírito Santo. Longe de nós isso!

Podemos até não conseguir viver o que a Igreja nos ensina e nos manda viver – isso é compreensível por causa de nossa fraqueza –, mas jamais poderemos dizer que ela está errada ou que eu não concordamos com o que ela ensina. A Igreja não ensina o que quer, mas o que o Seu Senhor lhe confiou.

Prof. Felipe Aquino

Erros de certas Teologias da Libertação

+ Cardeal Eugenio de Araujo Sales, arcebispo emérito do Rio de Janeiro

O apelo urgente que o Papa Bento XVI endereçava aos Bispos dos Regionais 3 e 4 da CNBB, em visita “ad límina” a 5 de dezembro 2009, não se limitou aos Bispos que estavam presentes, mas, como sempre nessas visitas, se dirige ao Episcopado inteiro e a toda a Igreja no Brasil. O Santo Padre lembrou as circunstâncias prementes que, 25 anos atrás, exigiam uma clara orientação da Santa Sé no Documento “Libertatis Nuntius”. Este, já na primeira linha, afirma que “o Evangelho é a mensagem da liberdade e a força da libertação”. Daquele documento, a Igreja recebia grande luz; mas não faltava a animosidade dos que queriam obscurecer e difamar essa doutrina. Com palavras claras e sempre muito mais convidativas para uma reflexão serena do que repreensivas, o Papa lembrou a gravidade da crise, provocada, também e essencialmente na Igreja no Brasil, por uma teologia que tinha, em seu início, motivos ideais, mas que se entregou a princípios enganadores. Tais rumos doutrinários da Teologia chamavam-se Teologia da Libertação. A alocução do Papa aos Bispos dos Regionais Sul 3 e 4 é uma mensagem que envolve a autoridade apostólica do Supremo Pastor e o bem evangélico da Igreja entre nós. Por isso, urge que todos os pastores acolham a palavra do Papa e se lembrem daquela crise, que tornava quase impossível, mesmo em ambientes às vezes de alto nível eclesiástico, o diálogo e a discussão serena. Hoje ainda, a Igreja no Brasil, em alguns lugares, sofre consequências dolorosas daqueles desvios. Ao relativizar, silenciar ou até hostilizar partes essenciais do “depósito da fé”, a Teologia da Libertação negligenciava “a regra suprema da Fé da Igreja, que provém da unidade que o Espírito Santo estabeleceu entre a Tradição, a Sagrada Escritura e o Magistério vivo”, diz Bento XVI, citando as palavras do Papa João Paulo II (“Fides et Ratio”, 55). “Os três não podem subsistir independentes” entre si. – Por isso, hoje ainda, as sequelas da Teologia da Libertação se mostram essencialmente ao nível da Eclesiologia, ao nível da vida e da união da Igreja. A Igreja continua enfraquecida, em algumas partes, pela “rebelião, divisão, dissenso, ofensa e anarquia” (mensagem de Bento XVI). Diz o Santo Padre: Cria-se assim “nas vossas comunidades diocesanas grande sofrimento e grave perda de forças vivas” (Bento XVI, idem). Já no documento “Libertatis Nuntius”, do ano 1984, o Papa João Paulo II e a Congregação da Doutrina da Fé, presidida pelo então Cardeal Joseph Ratzinger, quis “estender a mão” e oferecer a clara e “benigna luz” da divina fé e da comunhão viva que o Espírito Santo dá à Igreja (Bento XVI, ibd). Com palavras concisas e fortes, o documento “Libertatis Nuntius” sobre a Teologia da Libertação falava da justa “aspiração à libertação como um dos principais sinais” do tempo moderno. Especialmente “nos povos que experimentam o peso da miséria”, com suas massas deserdadas, ofendidas na sua profunda dignidade (cf. LN I,1-2). “O escândalo das gritantes desigualdades entre ricos e pobres já não é tolerado”. “Abundância jamais vista, de um lado, e, do outro, vive-se ainda numa situação de indigência, marcada pela privação dos bens de primeira necessidade” (I,6). Infelizmente, certas Teologias da Libertação, as que mais espaço ocupavam na opinião pública, caíram em um grave unilateralismo. Para o Evangelho da libertação é fundamental a libertação do pecado. Tal libertação exige “por consequência lógica a libertação de muitas outras escravidões, de ordem cultural, econômica, social e política”, todas elas derivadas do pecado. Muitas Teologias da Libertação afastaram-se deste verdadeiro Evangelho libertador. Identificaram-se, coisas em si muito boas, com as graves questões sociais, culturais, econômicas e políticas, mas já não mostrando seu real enraizamento no Evangelho, embora vagamente citado, e chegaram até a apelar explicitamente à “análise” marxista. Silenciavam, ou ignoravam, que “na lógica marxista não é possível dissociar a «análise» da «práxis» e da concepção da história” (VIII,2). Destarte, “a própria concepção da verdade encontra-se totalmente subvertida” (VIII,4). Compreende-se que diante da urgência da situação de tantos que – inermes – sofrem, e diante da insuficiente sensibilidade na consciência pública e nas estruturas dominantes, devem-se exigir não só palavras retóricas, mas ações que na prática se comprometem com cada pessoa, com cada comunidade e com a história. Mas se este compromisso não se enraíza na dignidade que Deus dá ao homem, tal Teologia, que se apresenta como Libertadora, é na realidade traidora dos pobres e de sua real dignidade (Introdução). “Certo número de teses fundamentais (da TL) não são compatíveis com a concepção cristã do homem” (cf. VIII,8). O Santo Padre, sabendo que, sob muitos aspectos a Teologia da Libertação está ultrapassada, sabe também e vê que a Igreja no Brasil sofre ainda devastadoras sequelas de tal desvio doutrinário, propagado longamente até por gente bem intencionada, mas não capaz de analisar seus falsos princípios. É quase um juramento que o Papa conclama os Bispos e agentes de Pastoral de todo o Brasil: “Que, no âmbito dos entes e comunidades eclesiais, o perdão oferecido e acolhido em nome e por amor da Santíssima Trindade, que adoramos em nossos corações, ponha fim à tribulação da querida Igreja que peregrina nas Terras da Santa Cruz” (final da mensagem de Bento XVI).

 

POR QUE OS PROBLEMAS NA IGREJA?
Dom Amaury Castanho

Essa instigante pergunta comporta diversas respostas. Em artigo anterior afirmei que o problema está no fato de a Igreja ser uma instituição divina, mas pastoreada e integrada por homens e mulheres. Fica sempre uma não desprezível margem de deficiências, limitações e pecados em seu interior. Cristo, seu fundador, deliberadamente antecipou esse risco quando decidiu não colocar à frente de sua Igreja anjos, mas seres humanos. Certamente nós da hierarquia – bispos, padres e diáconos – falhamos tanto na evangelização quanto na catequese de milhões de crianças que batizamos. Não é novidade que também a família que abençoamos raramente é a “escola da fé”, a “pequena Igreja doméstica” que tem o dever de ser. Pais e mães se omitem na evangelização dos filhos e às vezes dão um contratestemunho devastador. Ainda têm a sua grande parte de responsabilidade os meios de comunicação, que com sempre maior freqüência agridem valores sagrados como o casamento e a família, a vida, o amor, a solidariedade e a justiça. A Igreja vem sendo sistematicamente atacada por anticlericais, hoje muito mais numerosos que ontem. O momento histórico que vivemos tem a sua parte nos problemas da Igreja. Relativismo e secularismo, consumismo e permissivismo são marcas da modernidade, contraditando a mensagem do Evangelho centrada no amor e na partilha, em verdades objetivas, absolutas e permanentes. As riquezas, o poder e o sexo divinizados, verdadeiros ídolos da sociedade atual contam com um sem número de adoradores. São falsos deuses, adorados por empresários e políticos, por professores e comunicadores sociais. Essas respostas até certo ponto explicam sem justificar, os graves problemas de uma instituição que, tendo já os seus dois mil anos, ainda se encontra na adolescência, fazendo história em uma sociedade descristianizada. Mesmo “perita em humanidade” e “experiente em crises”, como dizia o Papa Paulo VI, a Igreja acaba sentindo todos esses golpes dados, não raro por seus filhos e filhas. E aqui estamos onde desejava chegar, sem pessimismo, sem ilusões, com a objetividade necessária, condição para a superação de todo problema. Durante trinta anos a Igreja trilhou no Brasil diretrizes pastorais impostas por exegetas, teólogos, pastoralistas e moralistas ligados a certa teologia da libertação (TL) que fez muito estrago. Não é fácil enumerar todos. É arriscar-se a apedrejamentos porque, embora enfraquecida a TL, que abusou de análises marxistas da realidade brasileira e nas soluções apontadas, continua com certa força e presença entre alguns poucos bispos, em boa parte dos presbíteros e certas lideranças do laicato. Omito-me na citação e identificação dos que ainda se inspiram na TL, claramente condenada nas importantes Instruções “Libertatis Nuntius” (1984) e “Libertatis Conscientia” (1986). Sem aprofundar a reflexão enumero o que chamaria de pecados e problemas criados pelos líderes da TL, que dominou a ação da Igreja no Brasil depois da Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano realizado em Medellín, Colômbia, em 1968. Concordam comigo nessa identificação dos atuais problemas internos da Igreja os últimos Papas, arcebispos e bispos, teólogos, biblistas e pastoralistas brasileiros.
Assim a TL:
– distanciou-se da cristologia e eclesiologia do Concílio Vaticano II propondo uma Igreja popular em contradição com a hierárquica, a Igreja particular mais que a Igreja em sua apostolicidade;
– difundiu no interior da Igreja o “complexo anti-romano”, minando a autoridade da Sé Apostólica de Roma, indispondo laicato e clero, presbíteros e seus Pastores;
– levou a uma opção não preferencial e evangelizadora dos mais pobres, mas a uma opção exclusiva, excludente e agressiva, que se inspirou não no mandamento novo do amor que leva à solidariedade e partilha dos bens, mas ao rancor e ao ódio, ao incentivo às lutas de classes, à agressividade e aos conflitos, a métodos violentos, ao terrorismo urbano e às guerrilhas;
– privilegiou as comunidades eclesiais de base, as CEBs, fortemente empenhadas em uma releitura politizada da Sagrada Escritura, mais interessadas no social e no político-partidário socializante e estatizante, que na evangelização centrada no anúncio explícito da pessoa e da verdade de Jesus Cristo, em soluções marxistas distantes da doutrina e dos valores sociais do Evangelho;
– pretendeu valorizar e promover mais os pobres da sociedade, porém acabou agredindo os ricos e os grupos decisórios dos quais dependem a formação da opinião pública e as leis, a mais justa distribuição dos bens criados por Deus e produzidos pelo trabalho humano;
– incentivou o anticlericalismo de muitos levando, paradoxalmente, um sem número de católicos mais pobres para as Igrejas pentecostais e neo-pentecostais que, em trinta anos, passaram de 5% a 15% no Brasil. Por isso vem a propósito reafirmar que os posicionamentos dos teólogos, biblistas e pastoralistas ligados à TL que predominou entre nós, esteve e continua em notória contradição com a mensagem central do Evangelho, o amor, a Tradição e o Magistério oficial da Igreja.
Sempre é tempo de uma avaliação do passado, retornando aos valores e caminhos dos tempos apostólicos e patrísticos, ao ensino social dos Papas em suas magistrais encíclicas e mensagens, de Leão XIII a João Paulo II.

 

A crise dos jesuítas na América Latina
http://rodrigogurgel.blogspot.com.br/2012/05/crise-dos-jesuitas-na-america-latina.html

Em seu texto de hoje, o vaticanista Andrés Beltramo fala sobre a crise vivida pelos jesuítas latino-americanos. Não, não se trata de uma crise eventual, infelizmente. Trata-se, na verdade, de nítida ruptura, de escancarado desejo de insubordinação, de um patente movimento de secularização e laxismo que congrega parcela significativa da Companhia de Jesus, ordem que já foi conhecida por sua absoluta fidelidade ao Papa.

As denúncias apresentadas por Beltramo, contudo, ainda que gravíssimas, revelam apenas parte do declínio moral, filosófico e teológico vivido pelos jesuítas latino-americanos. Veja-se, por exemplo, no Brasil, o caso do Instituto Humanitas Unisinos – IHU, cisto de filosofia marxista e projeto revolucionário que defende, abertamente, o que de mais radical há na Teologia da Libertação. Os jesuítas ali reunidos são, inclusive, anacrônicos – comprova-o o slogan de 1968 que serve como epígrafe e eixo estratégico do IHU: “Arrisca teus passos por caminhos pelos quais ninguém passou; arrisca tua cabeça pensando o que ninguém pensou”.

Sob o romantismo passadista dessa frase de efeito, esconde-se o esquerdismo e cultua-se, em nome da liberdade de pensamento, a vocação de afrontar o Magistério da Igreja e a Santa Tradição, tarefa que os jesuítas ali reunidos desempenham incansável e cotidianamente, amparados pelos superiores coniventes e por um episcopado dividido entre a tolerância excessiva – agradavelmente disfarçada de indulgência evangélica – e a timidez.

Agora mesmo prepara-se ali um Congresso Continental de Teologia, a ser realizado em outubro deste ano, cujo nome, no entanto, é deixado propositalmente incompleto, para camuflar o seu real objetivo: cultuar a Teologia da Libertação – é o que qualquer inteligência de média capacidade pode concluir dos textos que apresentam o evento.

Os jesuítas da Unisinos dão, assim, mais um passo no anelado projeto – deles e de parte dos nossos bispos – de desligar a Igreja latino-americana de Roma; de erigir a Teologia da Libertação à condição de pensamento hegemônico; de pensar e agir sem qualquer colegialidade – ou melhor, de construir uma falsa colegialidade, na qual as conferências episcopais passariam a falar ex cathedra e o Papa não seria o sucessor de Pedro, mas apenas um mero adereço.

Parte das consequências desse tipo de comportamento se manifesta na confusão moral, na achincalhação teológica defendida pelo jesuíta chileno Pedro Labrín, analisada com destemor por Andrés Beltramo. Há muito mais, contudo. A teologia defendida pelos jesuítas, incluindo os da Unisinos, é a grande arma de guerra que, nos últimos anos, destruiu a liturgia em centenas de nossas paróquias, transformando a celebração do Sacrifício de Jesus Cristo em festinhas de confraternização, reuniões sindicais ou encontros para se cantar, sapatear e saracotear ao ritmo de hinos protestantes ou canções que se assemelham a marchinhas de Carnaval.

Número significativo de jesuítas latino-americanos especializaram-se em cumprir apenas a primeira parte da recomendação, apócrifa, de Inácio de Loyola – “Confia em Deus, mas age como se o resultado de teus empreendimentos só dependesse de ti e não de Deus” –, preferindo esquecer o restante: “Entretanto, mesmo dedicando todos os teus cuidados a tais empreendimentos, age como se tua ação devesse ser nula e como se Deus devesse tudo fazer”.

Sob a inspiração do Instituto Humanitas Unisinos – e de outros centros de teologia secularista –, os “padres de passeata” de Nelson Rodrigues se transformaram em perigosos neopelagianos, padres de chinelo, anelzinho de plástico imitando osso, rotas calças jeans e missas-relâmpago, nas quais a consagração é somente um elemento fortuito, superado pela “alegria de estar entre irmãos”. Eles certamente se acreditam os novos Franciscos de Assis, os novíssimos Inácios de Loyola, mas não passam de corruptelas do que a História da Igreja produziu de mais nobre e mais puro. Sob a bem cuidada imagem de vanguardistas, carregam o estandarte da decadência teológica, de uma teologia que não consegue erguer o olhar acima do próprio umbigo.

Como ser um católico bem formado?

Quanto mais conhecemos a Igreja, mais a amamos

O autor da Carta aos Hebreus escreveu: “Ora, quem se alimenta de leite não é capaz de compreender uma doutrina profunda, porque é ainda criança. Mas o alimento sólido é para os adultos, para aqueles que a experiência já exercitou na distinção do bem e do mal” (Hb 5, 13-14). Sem esse “alimento sólido”, que a Igreja chama de “fidei depositum” (o depósito da fé), ninguém poderá ser verdadeiramente católico e autêntico seguidor de Jesus Cristo.

Não há dúvida de que a maior necessidade do povo católico hoje é a formação na doutrina. Por não a conhecer bem, esse mesmo povo, muitas vezes, vive sua espiritualidade, mas acaba procedendo como não católico, aceitando e vivendo, por vezes, de maneira diferente do que a Igreja ensina, especialmente na moral. E o pior de tudo é que se deixa enganar pelas seitas, igrejinhas e superstições.

Em sua recente viagem à África, que começou em 17 de maio de 2009, o Papa Bento XVI deixou claro que a formação é o antídoto para as seitas e para o relativismo religioso e moral. Em Yaoundé, em Camarões, o Sumo Pontífice disse que “a expansão das seitas e a difusão do relativismo – ideologia segundo a qual não há verdades absolutas –, tem um mesmo antídoto, segundo Bento XVI: a formação.” Afirmando que: “O desenvolvimento das seitas e movimentos esotéricos, assim como a crescente influência de uma religiosidade supersticiosa e do relativismo, são um convite importante a dar um renovado impulso à formação de jovens e adultos, especialmente no âmbito universitário e intelectual.” E o Santo Padre pediu “encarecidamente” aos bispos que perseverem em seus esforços por oferecer aos leigos “uma sólida formação cristã, que lhes permita desenvolver plenamente seu papel de animação cristã da ordem temporal (política, cultural, econômica, social), que é compromisso característico da vocação secular do laicado.”

Desde o começo da Igreja os Apóstolos se esmeraram na formação do povo. São Paulo, ao escrever a S. Tito e a S. Timóteo, os primeiros bispos que sagrou e colocou em Creta e Éfeso, respectivamente, recomendou todo cuidado com a “sã doutrina”. Veja algumas exortações do Apóstolo dos Gentios; a Tito ele recomenda: seja “firmemente apegado à doutrina da fé tal como foi ensinada, para poder exortar segundo a sã doutrina e rebater os que a contradizem” (Tt 1, 9). “O teu ensinamento, porém, seja conforme à sã doutrina” (Tt 2,1).

A Timóteo ele recomenda: “Torno a lembrar-te a recomendação que te dei, quando parti para a Macedônia: devias permanecer em Éfeso para impedir que certas pessoas andassem a ensinar doutrinas extravagantes, e a preocupar-se com fábulas e genealogias” (Tm 1, 3-4). E “Recomenda esta doutrina aos irmãos, e serás bom ministro de Jesus Cristo, alimentado com as palavras da fé e da sã doutrina que até agora seguiste com exatidão” (1Tm 4,6). São Paulo ensina que Deus “quer que todos os homens se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade” (1Tm 2, 4).

Sem a verdade não há salvação. E essa verdade foi confiada à Igreja: “Todavia, se eu tardar, quero que saibas como deves portar-te na casa de Deus, que é a Igreja de Deus vivo, coluna e sustentáculo da verdade” (1Tm 3,15). Jesus garantiu aos Apóstolos na Última Ceia que o Espírito Santo “ensinar-vos-á toda a verdade” (Jo 16, 13) e “relembrar-vos-á tudo o que lhe ensinei” (Jo 14, 25). Portanto, se o povo não conhecer esta “verdade que salva”, ensinada pela Igreja, não poderá vivê-la. Mas importa que essa mesma verdade não seja falsificada, que seja ensinada como recomenda o Magistério da Igreja, que recebeu de Cristo a infalibilidade para ensinar as verdades da fé (cf. Catecismo da Igreja Católica § 981).

Já no primeiro século do Cristianismo os Apóstolos tiveram que combater as heresias, de modo especial o gnosticismo dualista; e isso foi feito com muita formação. São Paulo lembra a Timóteo que: “O Espírito diz expressamente que, nos tempos vindouros, alguns hão de apostatar da fé, dando ouvidos a espíritos embusteiros e a doutrinas diabólicas, de hipócritas e impostores […]” (1Tm 4,1-2).

A Igreja, em todos os tempos, se preocupou com a formação do povo. Os grandes bispos e padres da Igreja como Santo Agostinho, Santo Ambrósio, Santo Atanásio, Santo Irineu, e tantos outros gigantes dos primeiros séculos, eram os catequistas do povo de Deus. Suas cartas, sermões e homilias deixam claro o quanto trabalharam na formação dos fiéis.

Hoje, o melhor roteiro que Deus nos oferece para uma boa formação é o Catecismo da Igreja Católica, aprovado em 1992 pelo saudoso Papa João Paulo II. Em sua apresentação, na Constituição Apostólica “Fidei Depositum”, ele declarou: “O Catecismo da Igreja Católica […] é uma exposição da fé da Igreja e da doutrina católica, testemunhadas ou iluminadas pela Sagrada Escritura, pela Tradição apostólica e pelo Magistério da Igreja. Vejo-o como um instrumento válido e legítimo a serviço da comunhão eclesial e como uma norma segura para o ensino da fé”. E pede: “Peço, portanto, aos Pastores da Igreja e aos fiéis que acolham este Catecismo em espírito de comunhão e que o usem assiduamente ao cumprirem a sua missão de anunciar a fé e de apelar para a vida evangélica. Este Catecismo lhes é dado a fim de que sirva como texto de referência, seguro e autêntico, para o ensino da doutrina católica […]. O “Catecismo da Igreja Católica”, por fim, é oferecido a todo o homem que nos pergunte a razão da nossa esperança (cf. lPd 3,15) e queira conhecer aquilo em que a Igreja Católica crê.”

Essas palavras do Papa João Paulo II mostram a importância do Catecismo para a formação do povo católico. Sem isso, esse povo continuará sendo vítima das seitas, enganado por falsos pastores e por falsas doutrinas.

Mais do que nunca a Igreja confia hoje nos leigos, abre-lhes cada vez mais a porta para evangelizar; então, precisamos fazer isso com seriedade e responsabilidade. Ninguém pode ensinar aquilo que quer, o que “acha certo”; não, somos obrigados a ensinar o que ensina a Igreja, pois só ela recebeu de Deus o carisma da infalibilidade. Ninguém é catequista e missionário por própria conta, mas é um enviado da Igreja. Sem a fidelidade a ela, tudo pode ser perdido. Portanto, é preciso estar preparado, estudar, conhecer a Igreja, a doutrina, a sua História, o Catecismo, os documentos importantes, a liturgia, entre outros. Quanto mais conhecemos a Igreja e todo o tesouro que ela traz em seu coração, tanto mais a amamos.

Felipe Aquino
[email protected]

 

Onde está Pedro, aí está a Igreja católica!
Um verdadeiro critério para um verdadeiro católico

A Igreja de Cristo é peregrina; caminha na história. Isto faz parte da sua essência, pois que ela é continuadora e testemunha da obra salvífica de Deus que, sendo eterno e imutável, entrou no tempo dos homens, primeiro na história de Israel, o Povo eleito da Antiga Aliança e, na plenitude dos tempos, de modo pleno, em Jesus Cristo, Cabeça e princípio da Igreja e Salvador da humanidade.

A verdade de Deus, transmitida na Tradição apostólica, é imutável, mas vai sendo compreendida cada vez mais, cada vez melhor, cada vez de modo mais abrangente pela Igreja através do tempo. Não há como fugir disso: a temporalidade, a progressão, é inerente ao homem! Como também as limitações da cultura de cada tempo e civilização. E a Igreja, portadora da eternidade que entrou no tempo, vai peregrinando, vai compreendendo sempre mais e melhor nos caminhos da história; assim vai exprimindo sempre a mesma Verdade – que não é simplesmente uma teoria ou uma doutrina, mas uma Pessoa: Jesus Cristo – de modos novos e com palavras novas.

Mas, ela não precisa temer! Cristo lhe prometeu: “Eu estarei convosco até o fim dos tempos!” Prometeu-lhe também o “Espírito da Verdade”, que haverá sempre de conduzir adiante a sua Igreja, até a Verdade plena, pois testemunhará sempre Jesus e sua salvação: “Ele tomará do que é meu e vo-lo anunciará!” Por isso a Igreja sabe que nunca poderá errar na sua profissão de fé. Essa profissão não é um velho baú, cheio de verdades teóricas enferrujadas, mas, ao invés, é a viva Tradição apostólica, sempre interpretada de novo sob a guia do Espírito Santo, suscitando sempre novos desafios ante os desafios de cada época, de modo que, cada geração eclesial pode ter certeza de permanecer na mesma fé, sempre igual e sempre nova.

E para que a guarda da verdadeira fé e o modo de interpretá-la e transmiti-la fosse autêntico, sem cair nos delírios dos avançados nem no medo e no apego doentio a uma segurança do passado, própria dos atrasados, Cristo dotou a sua Igreja de um Magistério, formado pelo Papa, Sucessor de Pedro, e pelos Bispos em comunhão com ele, sucessores dos Apóstolos. Somente eles têm a autoridade dada pelo Cristo e confirmada pelo Espírito de interpretar retamente a fé da Igreja.

Num mundo confuso, numa Igreja batida por tantas ondas, quando Satanás, ao não vencer pelo menos do relaxamento e da secularização, tenta enganar pelo mais do exagero e de um tradicionalismo tão bobo quanto prepotente, a humilde comunhão com os pastores reais que o Cristo real colocou à frente do rebanho, é a mais decisiva garantia de que estamos seguros na verdadeira fé. Que Deus nos conserve, caro Visitante, neste caminho! As portas do inferno não prevalecerão! Valerá sempre o velho axioma, tão repetido pela sã Tradição: Ubi Petrus, ibi Ecclesia catholica!” – Onde está Pedro, aí está a Igreja católica! Para não haver dúvida: o nome de Pedro é Francisco.

Dom Henrique Soares da Costa
http://www.domhenrique.com.br

Como se vestir para ir na Igreja Católica?

Placa na Basílica de São Pedro no Vaticano

O Vaticano nos dá a resposta. Todos nós sabemos que o Vaticano tem regras severas sobre o vestuário, tanto em São Pedro quanto nos Museus. As pessoas não podem andar trajando roupas curtas (saias ou shorts acima do joelho), nem decotadas ou sem mangas, ombros expostos ou costas de fora (regra que deveria ser seguida em todos os Templos da Igreja Católica). Ocorre que, apesar disso, parece que algumas pessoas se faziam de analfabetas e teimavam em andar trajando roupas inadequadas e indecentes.

Como lidar com essas pessoas? O Vaticano resolveu, literalmente, desenhar as regras para os “analfabetos”. Tomara Deus as pessoas entrem na igreja e se aproximem da Eucaristia vestidos de forma indecente. Tomara Deus os católicos se conscientizem de sua importância e da importância do seu Corpo como Templo do Espírito Santo, da importância da Eucaristia e comecem a vestir-se de forma digna, de forma que demonstrem que são filhos e filhas de Deus.

Homens: Nada de bermuda, chapéu e camisa sem manga na igreja. Coloquem calças e camisas com manga.

Mulheres: Nada de tomara-que-caia, decote, costas nuas, ombros e barriga à mostra, mini-saia, calças apertadas, leggings ou shorts curtos na igreja. Coloquem saias, calças ou bermudas (que não sejam apertadas) que sejam, pelo menos, até o joelho e camisas com manga e sem decotes, sem costas nuas.
http://comosercristacatolica.blogspot.com.br/2010/07/como-se-vestir-para-ir-na-igreja.html

 

A ELEGÂNCIA na igreja & Como se vestir nas Missas e Cultos
http://180graus.com/como-ser-feliz/a-elegancia-na-igreja–como-se-vestir-nas-missas-e-cultos-416923.html

Fui a uma igreja assistir à missa, no último final de semana, percebendo algo que me incomodou bastante: o vestuário das pessoas que estão freqüentando os tempos religiosos: homens e mulheres estão indos com chinelos, bermudas, calções, ‘shorts’ curtíssimos, roupas de academia (justíssimas e apertadas), camisetas, decotes, saias curtas, ou seja, roupas bem à vontade para o lazer, recreação e para o verão. Mas a pergunta natural que muitos se fazem e não quer calar é: este é o tipo de roupa mais adequado para ir às missas e cultos religiosos?

Antes de qualquer coisa, faz-se necessária uma pequena reflexão pessoal por cada um de nós: Deus nos aceita como somos, ELE sabe de nossas limitações e nos deu o livre-arbítrio para agirmos da melhor maneira, mas é fundamental que também possamos dar exemplos de respeito e maturidade ao irmos ao SEU encontro. Portanto, quando formos às missas e cultos devemos colocar vestes apropriadas à solenidade ou trajar vestimentas não condizentes com a grandiosidade do momento: o Encontro com o nosso Pai?

Faço questão de emitir a minha opinião: se ELE nos deu o bem maior – a Vida – o mínimo que podemos fazer seria evitar roupas inadequadas colocando vestuário compatível a estas solenes ocasiões nos templos religiosos onde, por breves momentos, estamos celebrando o nosso mais profundo amor e respeito a Jesus Cristo. A religiosidade e solenidade deste instante, com certeza, deve se refletir em nossas roupas, pois afinal de contas nas missas e cultos estamos homenageando o encontro com o Nosso Pai, que inclusive deu a Sua Vida para nos salvar.

Portanto, a roupa escolhida para aqueles que freqüentam missas e cultos religiosos deve ter harmonia com o que vai dentro de nossos corações e o que sentimos por Jesus Cristo, assim sendo não devemos constrangê-LO com decotes ou vestuário deselegante. Finalmente, o comportamento de todos nós nestes sagrados momentos – seja na assistência ou na comunhão – deve ser o mais elegante e respeitoso possível para afinal podermos receber aquilo que lá fomos buscar: A Bênção de Deus.

Refletindo sobre tudo isso, estou postando abaixo um belo texto – A Carta de Deus – para nossa leitura e profunda meditação sobre os valores atuais…

Tu és um ser humano, és o Meu milagre.
E és forte, capaz, inteligente, e cheio de dons e talentos.
Conta teus dons e talentos.
Entusiasma-te com eles.
Reconhece-te.
Aceita-te.
Anima-te.
E pensa que desde este momento podes mudar tua vida para o bem,
se assim te propões e se te enches de entusiasmo.
Tu és minha criação maior.
És meu milagre.
Não temas começar uma nova vida.
Não te lamentes nunca.
Não te queixes.
Não te atormentes.
Não te deprimas.
Como podes temer se és meu milagre?
Estás dotado de poderes desconhecidos para outras criaturas do Universo.
És ÚNICO.
Ninguém é igual a ti.
Só em ti está aceitar o caminho da felicidade e enfrentá-lo seguindo sempre adiante.
Até o fim.
Simplesmente porque és livre.
Em ti está o poder de não amarrar-te às coisas.
As coisas não fazem a felicidade.
Te fiz perfeito para que aproveitasses tua capacidade,
e não para que te destruísses com teus enganos mundanos.
Te dei o poder de PENSAR.
Te dei o poder de AMAR.
Te dei o poder de IMAGINAR.
Te dei o poder de CRIAR.
Te dei o poder de PLANEJAR.
Te dei o poder de REZAR.
E te situei o poder dos anjos quando te dei o poder da escolha.
Te dei o domínio de escolher o teu próprio destino usando tua vontade.
O que tens feito destas tremendas forças que te dei?
Não importa!
De hoje em diante esqueça o teu passado,
usando sabiamente este poder de escolha.
Opta por SORRIR em lugar de chorar.
Opta por CRIAR em lugar de destruir.
Opta por DOAR em lugar de roubar.
Opta por ATUAR em lugar de adiar.
Opta por CRESCER em lugar de consumir-te.
Opta por BENDIZER em lugar de blasfemar.
Opta por VIVER em lugar de morrer.
E aprende a sentir a Minha presença em cada ato de sua vida.
Cresça a cada dia um pouco mais no otimismo e na esperança!
Deixa para trás os medos e os sentimentos de derrota.
Eu estou ao teu lado.
Sempre.
Chama-me.
Busca-me.
Lembra-te de mim.
Vivo em ti desde sempre e sempre te estou esperando para amar-te.
Se hás de vir até Mim algum dia…
que seja hoje, neste momento!
Cada instante que vivas sem Mim,
é um instante infinito que perdes de Paz.
Procura tornar-te criança… simples,
generoso doador,
com capacidade de extasiar-te
e capacidade para comover-te ante à maravilha de sentir-te humano.
Porque podes conhecer Meu amor,
podes sentir uma lágrima,
podes compreender uma dor.
Não te esqueças de que és Meu milagre.
Que te quero feliz, com misericórdia, com piedade,
para que este mundo em que transitas possa acostumar-se a sorrir,
sempre que tu aprendas a sorrir.
E se és Meu milagre,
então usa os teus dons e muda o teu meio ambiente,
contagiando esperança  e otimismo sem temor porque…
EU ESTOU AO TEU LADO!
DEUS

O que é a verdadeira conversão

Quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013, Jéssica Marçal / Da Redação

O Papa Bento XVI durante a audiência geral desta quarta-feira, 11  

No dia em que a Igreja inicia o tempo quaresmal, nesta Quarta-Feira de Cinzas, 13, o Papa Bento XVI reuniu-se com os fiéis na Sala Paulo VI para a audiência geral. O foco de sua reflexão foi este momento específico da vida terrena de Jesus Cristo, lembrando as tentações sofridas por Ele e destacando a necessidade de uma verdadeira e contínua conversão dos fiéis.

A reflexão sobre as tentações sofridas por Jesus é, segundo o Papa, um convite para que cada um responda a uma pergunta fundamental: o que conta verdadeiramente na vida? Ele explicou que o ponto central das tentações pela quais passou Cristo é a proposta de manipular Deus, usá-lo para os próprios interesses, para a própria glória e sucesso, além de ter em sua essência a proposta de colocar a si mesmo no lugar de Deus. “Cada um deveria perguntar-se então: que lugar tem Deus na minha vida? É Ele o Senhor ou sou eu?”, disse.

Bento XVI enfatizou que a superação de tais tentações é um caminho que cada cristão deve percorrer sempre novamente. Ele explicou ainda o significado da “conversão”, um convite sempre tão escutado na Quaresma. “…significa seguir Jesus de modo que o seu Evangelho seja guia concreta da vida; significa deixar que Deus nos transforme, parar de pensar que somos nós os únicos construtores da nossa existência; significa reconhecer que somos criaturas, que dependemos de Deus, do seu amor”.

Por fim, o Papa exortou os fiéis a, neste tempo de Quaresma, no Ano da Fé, a renovarem o empenho no caminho da conversão, para superar a tendência de fechar-se em si mesmo e dar espaço a Deus. “Converter-se significa não fechar-se na busca do próprio sucesso, do próprio prestígio, da própria posição, mas assegurar que a cada dia, nas pequenas coisas, a verdade, a fé em Deus e o amor tornem-se a coisa mais importante”, concluiu.

 

Catequese de Bento XVI – Quaresma – 13/02/2013  
Boletim da Santa Sé (Tradução: Jéssica Marçal, equipe CN Notícias)

Queridos irmãos e irmãs,

Hoje, Quarta-Feira de Cinzas, iniciamos o Tempo litúrgico da Quaresma, 40 dias que nos preparam para a celebração da Santa Páscoa; é um tempo de particular empenho no nosso caminho espiritual. O número 40 aparece várias vezes na Sagrada Escritura. Em particular, como sabemos, isso remete aos quarenta anos no qual o povo de Israel peregrinou no deserto: um longo período de formação para transformar o povo de Deus, mas também um longo período no qual a tentação  de ser infiel à aliança com o Senhor estava sempre presente. Quarenta foram também os dias de caminho do profeta Elias para chegar ao Monte de Deus, Horeb; como também o período que Jesus passou no deserto antes de iniciar a sua vida pública e onde foi tentado pelo diabo. Nesta catequese gostaria de concentrar-me propriamente sobre este momento da vida terrena do Filho de Deus, que leremos no Evangelho do próximo domingo.

Antes de tudo o deserto, onde Jesus se retira, é o lugar do silêncio, da pobreza, onde o homem é privado dos apoios materiais e se encontra diante da pergunta fundamental da existência, é convidado a ir ao essencial e por isto lhe é mais fácil encontrar Deus. Mas o deserto é também o lugar da morte, porque onde não tem água não tem vida, e é o lugar da solidão, em que o homem sente mais intensa a tentação. Jesus vai ao deserto, e lá é tentado a deixar a vida indicada por Deus Pai para seguir outras estradas mais fáceis e mundanas (cfr Lc 4,1-13). Assim Ele assume as nossas tentações, leva consigo a nossa miséria, para vencer o maligno e abrir-nos o caminho para Deus, o caminho da conversão.

Refletir sobre as tentações às quais Jesus é submetido no deserto é um convite para cada um de nós a responder a uma pergunta fundamental: o que conta verdadeiramente na nossa vida? Na primeira tentação, o diabo propõe a Jesus transformar uma pedra em pão para acabar com a fome. Jesus responde que o homem vive também de pão, mas não só de pão: sem uma resposta à fome de verdade, à fome de Deus, o homem não pode ser salvar (cfr vv. 3-4). Na segunda tentação, o diabo propõe a Jesus o caminho do poder: o conduz ao alto e lhe oferece o domínio do mundo; mas não é este o caminho de Deus: Jesus tem bem claro que não é o poder mundano que salva o mundo, mas o poder da cruz, da humildade, do amor (cfr vv. 5-8). Na terceira tentação, o diabo propõe a Jesus atirar-se do ponto mais alto do Templo de Jerusalém e fazer-se salvar por Deus mediante os seus anjos, de cumprir, isso é, algo de sensacional para colocar à prova o próprio Deus; mas a resposta é que Deus não é um objeto ao qual impor as nossas condições: é o Senhor de tudo (cfr vv. 9-12). Qual é o núcleo das três tentações que sofre Jesus? É a proposta de manipular Deus, de usá-Lo para os próprios interesses, para a própria glória e o próprio sucesso. E também, em sua essência, de colocar a si mesmo no lugar de Deus, removendo-O da própria existência e fazendo-O parecer supérfluo. Cada um deveria perguntar-se então: que lugar tem Deus na minha vida? É Ele o Senhor ou sou eu?

Superar a tentação de submeter Deus a si e aos próprios interesses ou de colocá-Lo em um canto e converter-se à justa ordem de prioridade, dar a Deus o primeiro lugar, é um caminho que cada cristão deve percorrer sempre de novo. “Converter-se”, um convite que escutamos muitas vezes na Quaresma, significa seguir Jesus de modo que o seu Evangelho seja guia concreta da vida; significa deixar que Deus nos transforme, parar de pensar que somos nós os únicos construtores da nossa existência; significa reconhecer que somos criaturas, que dependemos de Deus, do seu amor, e somente “perdendo” a nossa vida Nele podemos ganhá-la. Isto exige trabalhar as nossas escolhas à luz da Palavra de Deus. Hoje não se pode mais ser cristãos como simples consequência do fato de viver em uma sociedade que tem raízes cristãs: também quem nasce de uma família cristã e é educado religiosamente deve, a cada dia, renovar a escolha de ser cristão, dar a Deus o primeiro lugar, diante das tentações que uma cultura secularizada lhe propõe continuamente, diante ao juízo crítico de muitos contemporâneos.

As provas às quais a sociedade atual submete o cristão, na verdade, são tantas, e tocam a vida pessoal e social. Não é fácil ser fiel ao matrimônio cristão, praticar a misericórdia na vida cotidiana, dar espaço à oração e ao silêncio interior; não é fácil opor-se publicamente a escolhas que muitos adotam, como o aborto em caso de gravidez indesejada, a eutanásia em caso de doenças graves, ou a seleção de embriões para prevenir doenças hereditárias. A tentação de deixar de lado a própria fé está sempre presente e a conversão transforma-se uma resposta a Deus que deve ser confirmada muitas vezes na vida.

Temos como exemplo e estímulo as grandes conversões como aquela de São Paulo a caminho de Damasco, ou de Santo Agostinho, mas também na nossa época de eclipses do sentido do sagrado, a graça de Deus está a serviço e realiza maravilhas na vida de tantas pessoas. O Senhor não se cansa de bater à porta dos homens em contexto sociais e culturais que parecem ser engolidos pela secularização, como aconteceu para o russo ortodoxo Pavel Florenskij. Depois de uma educação completamente agnóstica, a ponto de demonstrar uma real hostilidade para com os ensinamentos religiosos aprendidos na escola, o cientista Florenskij encontra-se a exclamar: “Não, não se pode viver sem Deus!”, e a mudar completamente a sua vida, a ponto de tornar-se monge.

Penso também na figura de Etty Hillesum, uma jovem holandesa de origem judia que morreu em Auschwitz. Inicialmente distante de Deus, descobre-O olhando em profundidade dentro de si mesma e escreve: “Um poço muito profundo está dentro de mim. E Deus está naquele poço. Às vezes eu posso alcançá-lo, sempre mais a pedra e a areia o cobrem: então Deus está sepultado. É preciso de novo que o desenterrem” (Diario, 97). Na sua vida dispersa e inquieta, encontra Deus propriamente em meio à grande tragédia do século XX, o holocausto. Esta jovem frágil e insatisfeita, transfigurada pela fé, transforma-se em uma mulher cheia de amor e de paz interior, capaz de afirmar: “Vivo constantemente em intimidade com Deus”.

A capacidade de contrapor-se às atrações ideológicas do seu tempo para escolher a busca da verdade e abrir-se à descoberta da fé é testemunhada por outra mulher do nosso tempo, a estadunidense Dorothy Day. Em sua autobiografia, confessa abertamente ter caído na tentação de resolver tudo com a política, aderindo à proposta marxista: “Queria ir com os manifestantes, ir à prisão, escrever, influenciar os outros e deixar o meu sonho ao mundo. Quanta ambição e quanta busca de mim mesma havia nisso tudo!”. O caminho para a fé em um ambiente tão secularizado era particularmente difícil, mas a própria Graça agiu, como ela mesma destaca: “É certo que eu ouvi muitas vezes a necessidade de ir à igreja, de ajoelhar-se, dobrar a cabeça em oração. Um instinto cego, poderia-se dizer, porque eu não estava consciente da oração. Mas ia, inseria-me na atmosfera de oração…”. Deus a conduziu a uma consciente adesão à Igreja, em uma vida dedicada aos despossuídos.

Na nossa época não são poucas as conversões entendidas como o retorno de quem, depois de uma educação cristã talvez superficial, afastou-se por anos da fé e depois redescobre Cristo e o seu Evangelho. No Livro do Apocalipse, lemos: “Eis que estou à porta e bato: se alguém ouvir a minha voz e me abrir a porta, entrarei em sua casa e cearemos, eu com ele e ele comigo” (3, 20). O nosso homem interior deve preparar-se para ser visitado por Deus, e por isto não deve deixar-se invadir pelas ilusões, pelas aparências, pelas coisas materiais.

Neste Tempo de Quaresma, no Ano da Fé, renovemos o nosso empenho no caminho de conversão, para superar a tendência de fechar-nos em nós mesmos e para dar, em vez disso, espaço a Deus, olhando com os seus olhos a realidade cotidiana. A alternativa entre o fechamento no nosso egoísmo e a abertura ao amor de Deus e dos outros, podemos dizer que corresponde à alternativa das tentações de Jesus: alternativa, isso é, entre poder humano e amor da Cruz, entre uma redenção vista somente no bem-estar material e uma redenção como obra de Deus, a quem damos o primado da existência. Converter-se significa não fechar-se na busca do próprio sucesso, do próprio prestígio, da própria posição, mas assegurar que a cada dia, nas pequenas coisas, a verdade, a fé em Deus e o amor tornem-se a coisa mais importante.

Uma história que não é contada nas escolas

Prof. Felipe Aquino
Autor de 78 livros que abordam diversos temas à luz do catolicismo

“Bem mais do que o povo hoje tem consciência, a Igreja Católica moldou o tipo de civilização em que vivemos e o tipo de pessoas que somos. Embora os livros textos típicos das faculdades não digam isto, a Igreja Católica foi a indispensável construtora da Civilização Ocidental”.
Dr. Thomas Woods

Infelizmente muitos estudantes secundários e universitários têm uma visão deformada a respeito da Igreja Católica, sua vida e sua História. Isto tem muito a ver com a imagem errada que muitos professores, de várias disciplinas, especialmente História, lhes passam. Isto gera nos estudantes uma aversão à Igreja desde os bancos escolares. Também a mídia, muitas vezes, cujos elementos foram formados nas mesmas universidades, é a causa de uma visão negativa e deturpada da Igreja. Há uma má vontade explícita contra a Igreja.

O livro “Código da Vinci”, e depois o filme de mesmo nome, bem como inúmeras matérias fantasiosas sobre a Igreja, sem provas históricas ou científicas, aumentaram em todo o mundo, ainda mais, esta visão de que a Igreja Católica é uma Instituição corrupta, perversa, que inventou a divindade de Cristo, e que sobre este mito criou uma Instituição poderosa e dominadora, e que a custa de sangue sempre se impôs ao mundo.

Nada mais errado e perverso. Mas, mesmo assim, as últimas pesquisas de opinião pública mostram que a Igreja está entre as primeiras instituições que têm a confiança do povo.

É hora de os jovens estudantes, especialmente os católicos, conhecerem o outro lado dessa “História” que é mal contada nas escolas. Hoje é lhes mostrado apenas as “sombras” da vida da Igreja, mas há uma má vontade imensa que encobre as “luzes” brilhantes de sua História de 2000 anos. Uma bem montada propaganda laicista no mundo anti-Igreja Católica, envenena os jovens e os joga contra a Igreja.

Foi a Igreja quem salvou e quem moldou a nossa rica Civilização Ocidental da qual nos orgulhamos, onde se preza a liberdade, os direitos humanos, o respeito pela mulher e por cada pessoa. Sem o trabalho lento e paciente da Igreja durante cerca de dez séculos, após a queda do Império Romano e a ameaça dos bárbaros, o Ocidente não seria o mesmo.

Foi esta civilização moderna, gerada no bojo do Cristianismo que nos deu o milagre das ciências modernas, a saudável economia de livre mercado, a segurança das leis, a caridade como uma virtude, o esplendor da Arte e da Música, uma filosofia assentada na razão, a agricultura, a arquitetura, as universidades, as Catedrais e muitos outros dons que nos fazem reconhecer em nossa Civilização a mais bela e poderosa civilização da História. E a responsável por tudo isto foi a Igreja Católica, diz o historiador americano Dr. Thomas Woods, PhD de Harvard, nos EUA. Ele afirma que:

“Bem mais do que o povo hoje tem consciência, a Igreja Católica moldou o tipo de civilização em que vivemos e o tipo de pessoas que somos. Embora os livros textos típicos das faculdades não digam isto, a Igreja Católica foi a indispensável construtora da Civilização Ocidental. A Igreja Católica não só eliminou os costumes repugnantes do mundo antigo, como o infanticídio e os combates de gladiadores, mas, depois da queda de Roma, ela restaurou e construiu a civilização”. [Woods, 2005, p. 7]

Em sua obra o Dr. Thomas apresenta muitas referências de historiadores atuais que confirmam o trabalho da Igreja na construção da Civilização Ocidental; algumas dessas citações estão citadas em nossa Bibliografia no final deste livro para quem desejar se aprofundar no assunto. Como não tenho acesso a todas elas, fiz uso de várias de suas citações referenciadas na Bibliografia.

Foi a Igreja quem humanizou o Ocidente insistindo na sociabilidade de cada pessoa humana. Mas infelizmente tudo isto é silenciado pelos que não gostam da Igreja; por isso, é essencial recuperar esta verdade intencionalmente escondida e abafada.

Há hoje no mundo um anticatolicismo espalhado pela mídia e pelas universidades. É dito aos jovens, mentirosamente, que a História da Igreja é uma história de ignorância, repressão, atraso e estagnação, quando a realidade é exatamente o contrário, como têm mostrado muitos historiadores modernos, e como veremos neste livro.

Na verdade a Igreja soube aproveitar o que há de bom na civilização grega e romana, não as desprezou, e soube com os valores cristãos moldar a nossa Civilização.

É preciso saber distinguir entre a “Pessoa” da Igreja, fundada por Cristo, divina, santa, e as “pessoas” da Igreja que são seus filhos, santos e pecadores. Muito se exagera, por exemplo, sobre a Inquisição e as Cruzadas; e se quer analisá-las fora do contexto da época. Isto é um absurdo histórico; ninguém pode entender um fato fora do seu contexto moral, social, psicológico, religioso, etc., da época. Um texto retirado do contexto se torna pretexto; e neste caso para se atacar, denegrir e tentar destruir a Igreja Católica, como se ela fosse vencível neste mundo.

A maioria das pessoas reconhece a influência da Igreja na música, na arte e na arquitetura, mas a influência da Igreja foi muito maior do que se pensa e se conhece. Muitos, mal informados, pensam que centenas de anos antes da época do Renascimento (século XVI), a Idade Média, foi um tempo de ignorância e repressão intelectual, sem brilho, como se fosse um tempo negro onde se imperou somente a superstição e a magia, como se em nome de Jesus Cristo, a ciência e o progresso fossem banidos. Nada mais errado. A Idade média cristã foi, na verdade, um tempo de grande desenvolvimento religioso, cultural e artístico, como veremos.

Nossa Civilização tem uma enorme dívida com a Igreja pelo sistema universitário, pelo trabalho de caridade realizado, pelo advento da lei internacional, o desenvolvimento das ciências, das artes, da música, do direito, da economia e muito mais. A Igreja Católica salvou e construiu a Civilização Ocidental. Com muita rapidez os críticos da Igreja Católica levantam e expõem os erros dos seus filhos em todos os tempos, mas, solertemente escondem as grandes realizações da Igreja em prol da humanidade.

O Dr. Thomas Woods mostra que nos últimos quinze anos, muitos historiadores e pesquisadores como  A.C. Crombie, David Lindberg, Edward Grant, Stanley Jaki, Thomas Goldstein, J. L. Heilbron, Rodney Stark, Alvin Schmidt, Robert Phillips, Kenneth Pennington, Daniel Rops, Joseph Needhem, Charles Montalembert, Joseph Mac Donnell, Phillip Hughes, David Knowles, William Lecky, Harold Broad, Michel Davies, Jean Gimpel e muitos outros, mostraram a grande contribuição da Igreja para o desenvolvimento de nossa atual Civilização.

Por exemplo, a contribuição da Igreja para o desenvolvimento da ciência foi enorme; muitos cientistas foram padres. Pe. Nicholas Steno, é considerado o “pai da geologia”. O “pai da egiptologia” foi o padre Athanasius Keicher. A primeira pessoa a medir a taxa de aceleração de um corpo em queda livre foi o Pe. Giambattista Riccioli. Pe Rober Boscovitch é considerado o pai da moderna teoria atômica. Os jesuítas se dedicavam ao estudo dos terremotos tal que a sismologia veio a ser conhecida como a “ciência Jesuítica”. Trinta e cinco crateras da lua foram nomeadas por cientistas e matemáticos jesuítas.

J. L. Heilbron (1999), da Universidade da Califórnia em Berkeley, disse que:

“A Igreja Católica Romana deu mais suporte financeiro e social ao estudo da astronomia por mais de seis séculos do que qualquer outra instituição”. Woods afirma que “o verdadeiro papel da Igreja no desenvolvimento da ciência moderna permanece um dos mais bem guardados segredos da história moderna” [p. 5].

Foram os monges da Igreja que preservaram a herança literária do mundo Antigo após a queda de Roma diante dos bárbaros em 476.

Reginald Grégoire (1985) afirma que os monges deram “a toda a Europa… uma rede de fábricas, centros de criação de gado, centros de educação, fervor espiritual,… uma avançada civilização emergiu da onda caótica dos bárbaros”. Ele afirma que: “Sem dúvida alguma São Bento (o mais importante arquiteto do monarquismo ocidental) foi o Pai da Europa. Os Beneditinos e seus filhos foram os Pais da civilização Europeia”.

O desenvolvimento do conceito de “lei internacional” é atribuída aos pensadores dos séc. XVII e XVIII, mas na verdade surgiu no séc. XVI nas universidades espanholas católicas e foi o Padre Francisco de Vitória, professor, quem ganhou o título de “pai da lei internacional”. A lei ocidental é uma dádiva da Igreja; a lei canônica foi o primeiro sistema legal na Europa, o que deu início ao primeiro corpo coerente de leis.

Segundo Harold Berman (1974), “foi a Igreja que primeiro ensinou ao homem ocidental um sistema moderno de lei. A Igreja primeiro ensinou que conflitos, estatutos, casos, e doutrina podem ser reconciliadas por análises e sínteses”. A formulação dos direitos, que surgiu da civilização ocidental, não veio de John Looke e Thomas Jefferson, mas muito antes, das leis canônicas da Igreja Católica.

Alguns historiadores de economia antiga afirmam que a moderna economia, surgiu com Adam Smith e outros teóricos da economia do séc. XVIII, mas estudos recentes estão mostrando a importância do pensamento econômico dos Escolásticos da Igreja, particularmente os teólogos católicos espanhóis e séc. XV e XVI. O grande economista Joseph Schumpeter considera que esses pensadores católicos foram os fundadores da ciência econômica moderna.

Woods cita Lecky, um historiador do séc. XIX, crítico contra a Igreja, que admitiu que, tanto no campo espiritual como no compromisso da Igreja com os pobres, foi feito algo novo no mundo ocidental e que representou um grande crescimento em relação à Antiguidade.

Assim, a Igreja berçou a Civilização Ocidental em todos os seus campos: arte, filosofia, física, matemática, música, arquitetura, direito, economia, moral, ciência, letras, línguas, etc…

Para se ter ideia da importância da Civilização Ocidental, construída pela Igreja Católica, basta ver, por exemplo, a noticia de 29 janeiro de 2007, publicada pela EFE que diz:  “Intocáveis da Índia poderão entrar em templos”. Ela diz que os “dalit”, conhecidos como “intocáveis”, pessoas excluídas da sociedade indiana por estar fora do sistema de castas, poderão finalmente entrar em um templo de Orissa (leste da Índia) pela mesma porta que o resto da população, após 300 anos de proibição, conforme informou o jornal “Hindustan Times”.

Infelizmente hoje o homem ocidental se afasta de Deus e da Igreja, perigosamente, colocando em risco a própria civilização. O Papa Bento XVI assim definiu a situação do mundo hoje:

“[…] no mundo ocidental de hoje vivemos uma nova onda de iluminismo drástico, ou laicismo, como se queira chamá-lo. Tornou-se mais difícil ter fé, pois o mundo no qual estamos é completamente feito por nós mesmos, e nele Deus, por assim dizer, já não comparece diretamente. Não se bebe mais diretamente da fonte, mas sim do recipiente em que a água nos é oferecida. Os homens reconstruíram o mundo por si mesmos, e tornou-se mais difícil encontrar Deus neste mundo” (Entrevista em Castel Gandolfo, 5 de agosto de 2006 ).

Devemos conhecer ao menos um pouco do trabalho maravilhoso da Igreja para salvar e construir a nossa rica Civilização Ocidental. Isto custou o sangue, o suor e as lágrimas de muitos filhos da Igreja. Se muitos deles não estiveram a altura do lugar que ocuparam, a grande maioria soube amar a Jesus Cristo e a Sua Igreja.

(Retirado do livro: “ Uma história que não é contada”- Ed. Cléofas)

Fonte: Editora Cléofas
www.cleofas.com.br

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