Tag: vida

Por que ser batizado enquanto criança?

Segunda-feira, 25 de junho de 2012 / Jéssica Marçal / Da Redação

‘Desde cedo devemos desejar que toda a riqueza da graça e das bênçãos divinas habitem na vida de cada filho ou filha’, destacou padre Sérgio  

Livrar o ser humano do pecado original e torná-lo imerso no nome de Deus. Na fé católica, essas duas etapas tão importantes são concretizadas com o sacramento do Batismo, que comumente é realizado logo nos primeiros meses de vida. Muitas pessoas, porém, ainda se perguntam se o mais certo não seria o batismo na fase adulta, uma vez que assim haveria liberdade de escolha.

Na abertura da Conferência Pastoral Eclesial da Diocese de Roma, na Itália, deste ano, o Papa Bento XVI falou sobre a importância do Batismo e o reafirmou enquanto uma necessidade para o ser humano. Ele enfatizou que ser batizado não é uma escolha como outra qualquer, da mesma forma que não é possível escolher nascer ou não neste mundo.

Em entrevista ao noticias.cancaonova.com, o administrador da Diocese de Tubarão (SC), padre Sérgio Jeremias de Souza, esclareceu algumas das reflexões do Papa sobre o sacramento. Em relação à liberdade de escolha, o padre recordou que Deus não fere a liberdade do ser humano, muito pelo contrário.  “Ele a alarga (a liberdade) e dá a verdadeira dimensão de vida plena. Ele não nos tira nada, mas nos dá tudo, sobretudo a participação em seu ser divino”.

O padre destacou ainda que os pais sempre querem o melhor para seus filhos, daí o batismo acontecer logo na vida da criança. “Se Deus é algo bom para a minha vida de pai e de mãe, aquilo que é um bem para mim eu o quero também para meus filhos. E não há duvidas: o melhor é Deus, sempre”.

noticias.cancaonova.com – Uma das consequências do Batismo, segundo o Papa, é o ato de tornar-se cristão, o que não depende somente da vontade da pessoa, mas de uma ação de Deus. Trata-se então da pessoa aceitar, a partir do Batismo, o projeto de Deus em sua vida?

Pe. Sérgio Jeremias de Souza – Sim, muito mais do que um gesto social ou um gesto feito por tradição religiosa, o santo Batismo é uma imersão no ser de Deus mesmo e, por consequencia, nos planos e desígnios de Deus. Há uma misteriosa “parceria” que acontece a partir do sacramento do Batismo: Deus, que poderia realizar tudo sem minha participação quer, a partir de agora, contar comigo, com meu sim existencial aos seus divinos desígnios. A partir deste momento, a vontade de Deus passa a ter prioridade em minha vida; o que Ele quer e pede que eu faça precisa estar na dianteira de minhas decisões. A partir desta escolha fundamental, aquilo que a palavra de Deus ensina passa a ser um parâmetro de decisões: “Posso fazer tudo o que quero, mas nem tudo me convém” (1 Coríntios 6,12).

noticias.cancaonova.com – O Papa enfatiza que o Batismo é necessário, não é uma escolha qualquer, assim como não se escolhe viver ou não. Como explicar, então, que batizar a criança quando bebê não é uma ofensa à sua liberdade religiosa?

Pe. Sérgio – O Papa foi extremamente sábio ao acenar para esta resposta em seu discurso na Conferência Pastoral da Diocese de Roma, quando disse: “O Batismo das crianças não é algo contra a liberdade, é justamente necessário isso, para justificar também o dom da vida. Somente a vida que está nas mãos de Deus, nas mãos de Cristo, imersa no nome do Deus Trinitário, é certamente um bem que se pode dar sem escrúpulos.” Em outras palavras, poderíamos dizer que, se Deus é algo bom para a minha vida de pai e de mãe, aquilo que é um bem para mim eu o quero também para meus filhos. Costumamos até comparar: os pais sabem que vacinas são necessárias para seus filhos (apesar da dor que muitas vezes sentem ao tomá-las); eles não esperam que seus filhos cresçam para decidirem se vão ou não querer receber estas vacinas, eles encaminham seus filhos para recebê-las porque sabem que é um bem. Poderíamos ainda recordar que nosso Deus em nada fere nossa liberdade, Ele a alarga e dá a verdadeira dimensão de vida plena. Ele não nos tira nada, mas nos dá tudo, sobretudo a participação em seu ser divino.

noticias.cancaonova.com – O Batismo é um sacramento necessário à vida da criança, para que ela possa entrar, desde cedo, em comunhão verdadeira com Deus. Mas, sendo bebê, ela não pode escolher fazê-lo. Isso desperta atenção para o essencial papel dos pais na iniciação da criança na vida cristã. Qual é esse papel, qual a melhor orientação para despertar nos pais essa preocupação em batizar seus filhos o quanto antes?

Pe. Sérgio – Gostaria de tratar de dois temas essenciais para poder responder amplamente a esta pergunta. 1. Desde cedo devemos desejar que toda a riqueza da graça e das bênçãos divinas habitem na vida de cada filho ou filha. É o céu habitando já dentro de nós a partir do santo Batismo. E como não desejar o céu em nós? Como não desejar a presença trinitária nos fazendo templos de sua divindade? Pais conscientes dão o melhor para seus filhos, também e, sobretudo, em termos de fé. E não há duvidas: o melhor é Deus, sempre. 2. Uma das coisas que precisamos lembrar sempre aos pais é que as crianças aprendem, sobretudo, por imitação em suas etapas iniciais da vida. Se Deus for buscado desde cedo pela família, amado pelos pais, celebrado em comunidade eclesial, Ele não será um ilustre desconhecido para os filhos e filhas. Aquilo que aprendemos por gestos concretos (neste caso o amor a Deus) marca permanentemente nossas vidas.

noticias.cancaonova.com – O rito sacramental do Batismo envolve dois elementos, basicamente: a água e a palavra, que têm todo um significado para o sacramento em si. À vezes as pessoas desconhecem a plenitude da riqueza do sacramento. O Batismo seria melhor vivenciado se ele fosse melhor compreendido, em todos os detalhes do rito sacramental?

Pe. Sérgio – Exatamente.  E aí está a importância de cursos para pais e padrinhos bem preparados e administrados. Aquilo que não é conhecido não é amado. Conhecer bem a riqueza dos gestos e símbolos que a Santa Mãe Igreja preparou ao longo dos séculos para a administração de cada sacramento é uma forma de amá-los mais. Há aquilo que é essencial, mas há também outros elementos e gestos belíssimos no sacramento do Batismo que não podem e nem devem ser ignorados. A salvação e libertação que Cristo opera em nós são belissimamente visualizadas em cada momento da recepção deste sacramento. Talvez no Rito de Iniciação Cristã de Adultos para o batismo isso tudo seja mais perceptível, pelo fato de ser solenizado e feito em etapas. Mas também no batismo de crianças esta riqueza está presente.

Audiência: “Segurança material não conduz à salvação”

Papa improvisou várias vezes na audiência de quarta (21/12/2016) – AFP
 
Cidade do Vaticano (RV) – Quarta-feira, dia de audiência geral do Papa aos peregrinos. Este momento de encontro semanal aberto ao público é pautado pela catequese, desta vez centrada no tema da esperança. A Sala Paulo VI estava tomada por cerca de 4 mil fiéis e peregrinos de todo o mundo.
 
Mas quando a esperança entrou no mundo? E como Deus nos doou a esperança da vida eterna? A partir destas questões, Francisco desenvolveu sua reflexão.

A esperança de Cristo é visível

Quando se fala de esperança, quase sempre pensamos em algo que não é visível, pois o que esperamos vai além de nossas forças e perspectivas, disse. Mas o Natal de Cristo nos fala de uma esperança diferente: visível e compreensível, porque se fundamenta em Deus:

“Ele entra no mundo e nos doa a força de caminhar com Ele, em Jesus, rumo à plenitude da vida. Para o cristão, esperar significa a certeza de estar em caminho com Cristo rumo ao Pai, que nos aguarda. Esta esperança, trazida pelo Menino Jesus, oferece uma meta, um destino bom para o presente: a salvação da humanidade e as bem-aventuranças a quem se entrega a Deus misericordioso. Como resume São Paulo, ‘Na esperança fomos salvos’”.

Papa interpela os presentes sobre a esperança

Podemos nos perguntar: “Eu caminho na esperança ou a minha vida inteira é parada, fechada? Meu coração está numa gaveta fechada ou aberta à esperança que me faz caminhar, com Jesus?

A partir daí, Francisco falou aos fiéis da tradição de preparar o presépio em nossas casas e de alguns de seus protagonistas, começando pelo cenário: Belém.

“Pequena aldeia da Judeia, Belém não é uma capital e por isso, foi preferida pela providência divina, que ama agir através dos pequenos e humildes. Jesus nasce no lugar aonde a esperança de Deus e a do homem se encontram”.

Maria e José, que acreditaram

Depois, Francisco convidou a olharmos para Maria, Mãe da esperança, que com o seu ‘sim’ abriu a Deus a porta do nosso mundo. Escolhida por ele, acreditou em sua palavra. A seu lado, José, que também acreditou na palavra do anjo. Aquele Menino nascido na manjedoura vinha do Espírito Santo; em Jesus, estava a esperança par todos os homens, porque mediante aquele filho, Deus salvaria a humanidade da morte e do pecado.

“Por isso – acrescentou o Papa, improvisando – é importante olhar o presépio. Parar um pouco e olhar. E ver quanta esperança existe nestas pessoas”.

A simplicidade que transparece no presépio

No presépio, ressaltou o Papa, estão os pastores, representando os humildes e os pobres, que naquele Menino veem a realização das promessas e esperam a salvação de Deus, finalmente, para cada um deles.

“Quem confia nas próprias seguranças, principalmente materiais, não aguarda a salvação de Deus. Os pequenos, ao invés, esperam nele e se alegram quando reconhecem naquele Menino o sinal indicado pelos anjos”.

Precisamente o coro dos anjos – completou o Papa – anuncia, do alto, o grande desígnio que aquele Menino realiza: ‘Glória a Deus no alto dos céus e paz na terra aos homens por Ele amados’. A esperança cristã se expressa no louvor e no agradecimento a Deus, que inaugurou seu Reino de amor, justiça e paz,

Terminando, o Pontífice disse: “Cada ‘sim’ a Jesus que vem é uma semente de esperança. Bom Natal de esperança a todos!”.

(cm)

Beata Chiara Luce

“Se é assim que queres Jesus, também eu quero”.

“Eu já não posso correr, mas gostaria de vos passar a chama, como nas Olimpíadas“.

“Serei santa, se for santa já”.

“Temos uma única vida, e vale a pena vivê-la bem!”

“Descobri que Jesus Abandonado é a chave da unidade com Deus e quero escolhê-lo como meu primeiro esposo e preparar-me para quando Ele vier”.

“Acho que, mais do que sentir medo, o importante é amar”.

Sua História

Chiara Badano nasceu em Sassello, cidade dos Apeninos lígures, que pertence à diocese de Acqui, no dia 29 de outubro de 1971, depois que os pais a aguardaram por 11 anos. O seu nome é Chiara (Clara, em português). Ela é mesmo assim, com seus olhos límpidos e grandes, com o sorriso doce e comunicativo, inteligente e determinado, vivaz, alegre e esportiva, foi educada pela mãe – com as parábolas do Evangelho – a conversar com Jesus e a lhe dizer «sempre sim».

Era sadia, gostava da natureza e de brincar, mas desde pequena se distinguia pelo amor que tinha pelos «últimos», a quem cobria de atenções e de serviços, muitas vezes renunciando a momentos de divertimento. Já no Jardim de Infância colocava as suas economias numa pequena caixa para as «crianças de cor»; e sonhava em poder um dia ir à África como médica para cuidar delas.

Foi uma menina normal, mas com algo mais. Era dócil à graça e ao projeto que Deus tinha para ela que aos poucos foi se revelando. No dia da sua primeira Comunhão recebeu de presente o livro dos Evangelhos. Foi para ela um «magnífico livro» e «uma extraordinária mensagem»; como afirmou: «Para mim, é fácil aprender o alfabeto, deve ser a mesma coisa viver o Evangelho!».

Aos 9 anos entrou como Gen (geração nova) no Movimento dos Focolares. Viveu a sua espiritualidade e pouco a pouco envolveu os pais. Desde então a sua vida foi uma subida, tentando «colocar Deus em primeiro lugar».

Prosseguiu os estudos até o Liceu clássico, e ofereceu a Jesus as suas dificuldades e sofrimentos. Mas aos 17 anos, de repente uma dor aguda no ombro esquerdo revelou nos exames e nas inúteis operações um osteossarcoma, que deu início a um calvário de dois anos aproximadamente. Depois que ouviu diagnóstico, Chiara não chorou nem se revoltou: ficou imóvel em silêncio e depois de 25 minutos saiu dos seus lábios o sim à vontade de Deus. Repetirá muitas vezes: «Se é o que você quer, Jesus, é o que eu quero também». Não perdeu o seu sorriso luminoso; enfrentou tratamentos dolorosos e arrastava no mesmo Amor quem dela se aproximava. Ela não aceitou receber morfina para não perder a lucidez e oferecia tudo pela Igreja, pelos jovens, os ateus, pelo Movimento, pelas missões…, permanecendo serena e forte.

Repetia: «Não tenho mais nada, contudo tenho o meu coração e com ele posso sempre amar». O seu quarto, no hospital em Turim e em casa, era um lugar de encontro, de apostolado, de unidade: era a sua igreja. Também os médicos, até mesmo aqueles não praticantes, ficavam desconsertados com a paz que se sentia ao seu redor e alguns se reaproximaram de Deus. Se sentiam “atraídos como por um ímã” e ainda hoje se recordam dela, falam sobre ela e a invocam.

Quando sua mãe lhe perguntou se ela sofria muito, respondeu: «Jesus tira de mim as manchas dos pontinhos pretos com a água sanitária e isso queima. Quando eu chegar ao Paraíso serei branca como a neve». Estava convencida do Amor de Deus por ela. De fato, afirmava: «Deus me ama imensamente» e, depois de uma noite particularmente dura, acrescentou: «Sofria muito, mas a minha alma cantava…».

Os amigos que a visitavam para consolá-la, voltavam para casa consolados. Pouco antes de partir para o Céu, ela revelou: «…Vocês não podem imaginar como é agora o meu relacionamento com Jesus… Sinto que Deus me pede algo mais, algo maior. Talvez seja ficar neste leito por anos, não sei. Interessa-me unicamente a vontade de Deus, fazê-la bem no momento presente: aceitar os desafios de Deus. Se agora me perguntassem se quero andar (a doença chegou a paralisar as pernas com contrações muito dolorosas), eu diria não, porque assim estou mais perto de Jesus».

Chiara, pela insistência de muitos, num bilhetinho, escreveu a Nossa Senhora: «Mãezinha Celeste, eu te peço o milagre da minha cura; se isso não for vontade de Deus, peço-te a força para nunca ceder!» e permanecerá fiel a este propósito.

Desde muito jovem fez o propósito de não «doar Jesus aos amigos com as palavras, mas com o comportamento». Tudo isso nem sempre é fácil; de fato, repetirá algumas vezes: «Como é duro ir contra a corrente!». E para conseguir superar cada obstáculo, repetia: «É por ti,Jesus!». Para viver bem o cristianismo, Chiara procurava participar da missa todos os dias, quando recebia Jesus que tanto amava. Lia a palavra de Deus e a meditava. Muitas vezes refletia sobre a frase de Chiara Lubich: “Serei santa, se for santa já”.

Quando viu sua mãe preocupada, pois ficaria sem ela, Chiara continuou a repetir: «Confie em Deus, pois você fez tudo»; e «Quando eu tiver morrido, siga Deus e encontrará a força para ir em frente».

Acolhia com amabilidade quem vai visitá-la; escutava e oferecia o próprio sofrimento, porque dizia: «Eu tenho mesmo a matéria!». Nos últimos encontros com o seu Bispo, manifestou um grande amor pela Igreja. Enquanto isso o mal avançava e as dores aumentavam. Nenhum lamento; dos lábios: «Com você, Jesus, por você, Jesus!».

Chiara se preparou para o encontro: «É o Esposo que vem me encontrar», e escolhe o vestido de noiva, as canções e as orações para a “sua” Missa; o rito deverá ser uma «festa», onde «ninguém deverá chorar».

Recebendo pela última vez Jesus Eucaristia aparece imersa nele e suplica que seja recitada a «oração: Vinde Espírito Santo, mandai do Céu um raio da tua luz».

O nome “LUCE” (LUZ) lhe foi dado por Chiara Lubich, com quem teve um intenso e filial relacionamento epistolar desde pequenina.

Não teve medo de morrer. Disse à sua mãe: «Não peço mais a Jesus para vir me pegar e me levar para o Paraíso, porque quero ainda lhe oferecer o meu sofrimento, para dividir com ele ainda por um pouco a cruz». Um pensamento especial aos jovens: «…Os jovens são o futuro. Eu não posso mais correr. Porém, gostaria de lhes passar a tocha, como nas Olimpíadas. Os jovens têm uma vida só e vale a pena empregá-la bem!».

E o «Esposo» veio buscá-la no amanhecer do dia 7 de outubro de 1990, depois de uma noite muito dolorosa. ERA o dia da Virgem do Rosário. Estas foram suas últimas palavras: «Mãezinha, seja feliz, porque eu o sou. Adeus». Ela também fez a doação das suas córneas. O enterro foi celebrado pelo Bispo de então e dele participaram centenas de jovens e muitos sacerdotes. Os membros do Gen Rosso e do Gen Verde tocaram as canções escolhidas por ela.

O exemplo luminoso de Chiara atinge muitos corações de jovens e adultos, os move e os orienta a Deus.

A sua “fama de santidade” se estendeu imediatamente em várias partes do mundo; muitos os “frutos”. Dom Livio Maritano,Bispo da Diocese de Acqui, no dia 11 de junho de 1999 abriu o Processo pela a Causa de canonização. No dia 3 de julho de 2008 ela foi declarada Venerável com o reconhecimento do exercício heróico das virtudes teologais e cardeais. No dia 19 de dezembro de 2009 o Papa Bento XVI reconhece o milagre atribuído à intercessão da Venerável Chiara Badano, e assinou o Decreto para a sua Beatificação. Foi beatificada no dia 25 de setembro de 2010.

O suicídio segundo a Igreja Católica

Meu parente se matou, está condenado no inferno? O que a Igreja Católica diz?

Nestes dias, antes de começar a Santa Missa veio uma senhora conversar comigo dizendo que havia perdido sua irmã que tinha se suicidado. O desespero na família já se apossava de todos os sentimentos, pensamentos e ações, chegando até impedir que alguns seguissem a vida laboral normalmente. A afirmação era: “a fulana era uma pessoa de fé, mas que em meio a tantos problemas, entrou em uma depressão que, mesmo com a ajuda de um especialista, resolveu tirar a vida”. Questão: esta pessoa está condenada, foi para inferno? O que a Igreja diz?

Primeiro temos que entender que o suicídio foi tema que a séculos vendo sendo debatido, definido e contraposto com certas afirmações.

Suicídio é o ato ou efeito de suicidar-se; uma ruína procurada de livre vontade ou por falta de discernimento ou prazer em não querer viver mais. Então, suicidar-se – é dar morte a si próprio. O Catecismo da Igreja Católica nos ensina que o suicídio é um pecado grave, contrário ao amor do Deus Vivo (2281). E que ele contradiz a inclinação natural do ser humano a conservar e perpetuar a própria vida (2280). Porque devemos receber a vida com reconhecimento e preservá-la para sua honra e salvação de nossas almas. Somos administradores e não os proprietários da vida que Deus nos confiou.

Existem muitos sintomas que podemos perceber que, se não trabalhados, podem levar como consequência ao suicídio. Dentre tantos podemos citar os mais comuns: depressão profunda e isolamento, baixo alto-estima, estado constante de euforia, pessimismo agudo, desvalorização de si mesmo, etc., formando em sua mente o suicídio esquematizado que mais cedo ou mais tarde será executado.

Suicídio na Bíblia

Na palavra de Deus encontramos alguns exemplos, bem diversificados de pessoas que se suicidaram, começando pelo Antigo Testamento até o Novo, onde vos convido a tomar a sua Bíblia e ler cada versículo indicado:

– o caso de Abimaleque, que pediu para o matarem por uma questão de ‘honra’- Juízes 9, 54;

– o caso de Saul, e o seu escudeiro, que também por motivo de guerra, para não ser morto pelos incircuncisos, como ele mesmo disse, pede a morte. Onde o seu escudeiro tomou provavelmente a mesma atitude pelo mesmo motivo- I Samuel 31, 4-51;

– o caso Aquitofel, ele é a figura do traidor, colaborador decisivo na ascensão de Absalão que decepcionado se mata- II Samuel 17, 23;

– Zambri, apresenta seu suicídio após o cerco a Tirsa – I Reis 16,18.– talvez o mais conhecido caso, o de Sansão, que se matou, para cumprir um ‘mandado de Deus’- Juizes 16, 30;

– o caso de Judas, que se matou após trair o Senhor, talvez pela angústia que tomou conta de seu ser- Mt 27:5.

O suicídio pode acontecer com qualquer um

Percebemos então que o suicídio pode acontecer com qualquer pessoa, pois se a pessoa está fraca, não encontra mais em quem confiar, não tem amor, nem ajuda espiritual constante, podendo sim, por um descuido qualquer, por parte dos que o rodeiam, procurar o fim de sua vida. Certas pessoas são tentadas, agredidas, humilhadas e cegas pela força do mal, chegando até causar nas pessoas que tem um contato direto com ela, uma certa impaciência que, percebida pelo enfermo, facilitará o mais rápido possível fim da pessoa. Pois o Inimigo existe! e sua alegria é dar fim as almas queridas por Deus. Por isto, nós devemos estar aptos a atender estas criaturas, estando cientes de que devemos encaminhar-las para uma ajuda especializada, dando ao mesmo tempo um forte apoio familiar, moral e espiritual, para que tenha novamente a vontade de viver.

A Sagrada Escritura ensina que a partir do momento, no qual a pessoa verdadeiramente crê em Jesus Cristo e vive de sua palavra, vive eternamente (Jo 3, 16) pela graça do Batismo. Sendo assim, nada pode separar o Batizado do amor de Deus! “Porque estou certo de que, nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as potestades, nem o presente, nem o futuro, Nem a altura, nem a profundidade, nem alguma outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor” (Rm 8, 38-39). Se nenhuma “criatura” pode separar um cristão do amor de Deus, então nem mesmo o suicídio pode separá-lo do amor do Senhor da vida. Jesus morreu por todos os nossos pecados… e se um cristão, em tempo de crise e fraqueza espiritual, cometer suicídio – também este é um pecado pelo qual Cristo morreu, cabendo somente a ele o julgamento.

Devemos ter cuidado! aquilo que parece ser uma crise, pode ser uma enfermidade psicológica ou espiritual. A Igreja aconselha a não julgarmos a ninguém que se apresenta com essas falências, tão pouco acusar-las de certas palavras, entre elas, a de “a pessoa matou-se porque era possuída do diabo”, não. Pois cada caso tem de ser analisado detalhadamente. Pois, pode ser que, mesmo que a pessoa esteja sendo acompanhada por um especialista, quase sempre, tal especialista não foi capaz o suficiente para diagnosticar e ajudar o enfermo. Não porque ele seja incompetente, mas o enfermo não se deixou ser ajudado. Quem sabe que o complemento para a cura estava na compaixão, amor, entendimento, assistência e principalmente na fé? Sendo assim, a culpa não está somente na pessoa que resolveu amenizar seu sofrimento com a morte, mas naqueles que estavam a sua volta também.

A pessoa está condenada, foi para o inferno?

Por causa dos distúrbios psíquicos graves, a angústia ou o medo grave da provocação, do sofrimento ou da tortura, a Igreja nos diz que tal suicídio pode diminuir a responsabilidade do suicida (2282). Sendo assim, não se deve desesperar da salvação das pessoas que se mataram. Porque Deus tem o poder, por caminhos que só ele conhece, de dar-lhes ocasião de um arrependimento salutar. Crendo nisto, a Igreja ora pelas pessoas que atentaram contra a própria vida (2283). Não há dúvida que em meio ao início do atentado antes de chegar fim, com a morte, a pessoa se arrepende de imediato. Conheço várias pessoas que tentou contra a sua vida que dizem que “jamais irá praticar tal ato novamente”. Então, por que condenar as pessoas que lamentavelmente por uma fraqueza tirou a sua própria vida? O que falar de pessoas que se matam por um acidente, impensável, mas executado? Se for julgar a todos os casos iguais, elas também estarão na situação de condenação. Mas não!  Esta é uma doutrina, fruto da Palavra de Deus, que precisou de muita reflexão para se chegar a uma conclusão.

No curso da História da Igreja, por falta de um veredicto claro por parte da Igreja, todos os que tiravam suas próprias vidas, não eram enterrados em cemitérios católicos, não tinham o direito de ter uma cerimônia religiosa e tão pouco era lembrado no Santo Sacrifício da Missa, chegando assim a aumentar a dor dos familiares que choravam por anos, a morte de tais pessoas.

Mas, graças também a progressão do pensamento teológico, tendo mais acertadamente a compreensão de “misericórdia” que temos de Deus, oferecida por Jesus, compreendemos melhor essa verdade.

Certa vez, São João Maria Vianney, ao celebrar a Santa Missa notou que uma mulher vestida de luto estava no final da igreja, chorando. Seu marido havia suicidado na véspera, saltando da ponte de um rio. O santo foi até a ela, no final da Missa, e lhe disse: “pode parar de chorar, seu marido foi salvo, está no Purgatório; reze por sua alma”. E explicou à pobre viúva: “Por causa daquelas vezes que ele rezou o Terço com você, no mês de maio, Nossa Senhora obteve de Deus para ele a graça do arrependimento antes de morrer”. Não devemos duvidar dessas palavras.

Com a morte de Jesus Cristo na Cruz, todos os nossos pecados já não têm o poder de nos condenar

Tenhamos sempre em mente que, com a morte de Jesus Cristo na Cruz, todos os nossos pecados já não poderia nos condenar. Somente o pecado que não pôde ser destruído pelo poder da Cruz, foi o pecado contra o Espírito Santo. Que pecado é este? É o pecado que renega a Graça de Deus, renega a Deus de todo o coração, de todo o entendimento e com toda a alma. É odiar a Deus! este pecado, é uma escolha pessoal que o próprio ser humano faz, onde foge da faculdade de Deus, obrigar as suas criaturas de servir a Ele.

O Senhor olhará com justiça para todas as boas obras da pessoa

Compreendemos à luz do ensinamento da Igreja que dependendo do estado da fé e do grau da enfermidade psíquica do suicida, a gravidade do pecado mortal é diminuído, onde Deus não vai sobrepor esse ato horrível de morte sobre todas as ações de fé, caridade, cumprimento da Palavra, vida íntegra e amigável que a pessoa praticou em vida. Mesmo neste caso magno, o Senhor olhará com justiça para todas as boas obras dela. Como nos ensina Daniel (12, 3) que os que tiverem sido sensatos, receberão a paga de suas obras. Um homem em desespero é capaz de praticar ações que cala até os corações dos bons. Momento de dura prova passou Jesus, chegando a perguntar a seu Pai: “Meu Deus, Meus Deus, por que me abandonaste?” (Mt 27, 46). Se até o Salvador experimentou na pele tal abandono, quem somos nós para dizer que tal criatura que atentou contra sua própria vida está no inferno?

Rezemos para que o Senhor que tem compaixão dos que sofrem, acolha em seus braços estes seus filhos que, por desesperos, não encontraram neste mundo, o descanso e a paz. Não julguemos, mas confiemos tais pessoas ao coração de Deus.

Autor: José Wilson Fabrício da Silva
Bibliografia
TRESE, Leo John. A fé explicada, 8° Ed., São Paulo, Quadrante, 2003;
AGOSTINI, Nilo. Teologia Moral, o que você precisa saber, 4° Ed., Petrópolis, Vozes, 1997;
CATÓLICA, Catecismo da Igreja, Ipiranga, Vozes, 1993;
PEREGRINO, Bíblia do, São Paulo, Paulus, 2002.
Fonte:http://coracaodejesusemaria.blogspot.com.br/2011/08/o-suicidio-segundo-igreja-catolica_31.html

Ouvir a voz de Cristo com o coração

Cidade do Vaticano (RV) – Milhares de fiéis se reuniram na Praça São Pedro para ouvir o Papa recitar a oração mariana do Regina Coeli, neste IV Domingo de Páscoa (17/4/2016).

A alocução de Francisco que precedeu a oração teve como pano de fundo a apresentação de Jesus no Templo, quando Ele se identifica como o Bom Pastor.

“As minhas ovelhas escutam a minha voz, eu as conheço e elas me seguem. Eu lhes dou a vida eterna e elas jamais perecerão, e ninguém as arrebatará de minha mão”, recordou o Papa o Evangelho de São João.

Ouvir como coração

“Estas palavras nos ajudam a compreender que ninguém pode se dizer seguidor de Jesus, se não presta atenção à Sua voz. E este ‘ouvinte’ não deve ser interpretado de maneira superficial, mas envolvente, a ponto de tornar possível um verdadeiro conhecimento recíproco, do qual pode surgir um seguimento generoso, expresso nas palavras ‘e elas me seguem’. Trata-se de escutar não somente com o ouvido, mas com o coração”, frisou o Pontífice.

Se Cristo é o nosso Salvador e afirma que ninguém nem nada poderá nos arrebatar das suas mãos – acrescentou o Papa – então “estas palavras nos comunicam um sentido de certeza absoluta de e ternura imensa.

“A nossa vida é plenamente ao seguro nas mãos de Jesus e do Pai, que são uma coisa só: um único amor, uma única misericórdia, revelados para sempre no sacrifício da cruz. Para salvar as ovelhas perdidas que somos todos nós, o Pastor fez-se cordeiro e se deixou imolar para tomar para si e tirar os pecados do mundo Deste modo Ele nos doou a vida, a vida em abundância!”

Vida eterna

Mistério que se renova “em uma humildade sempre surpreendente”, no altar da eucaristia, afirmou o Papa.

“Por isso não temos mais medo: a nossa vida já foi salva da perdição. Nada e ninguém poderá nos arrebatar das mãos de Jesus, porque nada e ninguém pode vencer o seu amor. O maligno, o grande inimigo de Deus e das suas criaturas, tenta de muitos modos nos arrebatar a vida eterna. Mas o maligno nada pode se não somos nós a abrir-lhe as portas de nossa alma, seguindo suas mentiras enganadoras”.

Drama dos refugiados

Após a oração mariana, Francisco agradeceu a todos que acompanharam em oração a visita a Lesbos junto com o Patriarca Bartolomeu e o Arcebispo Hieronymos: a viagem, disse o Papa, foi um “sinal da unidade na caridade de todos os discípulos do Senhor”. Visivelmente emocionado, o Pontífice compartilhou com os presentes um dos encontros que teve com os refugiados.

“Gostaria de contar-lhes uma das histórias que vivi. Era a de um homem muçulmano, não tinha nem 40 anos, estava com seus filhos. Ele me contou, chorando, que a sua mulher, que era cristã, foi degolada pelos extremistas por não ter renunciado a sua fé em Cristo. É uma mártir”.

Terremotos

O Pontífice ainda recordou o terremoto que atingiu o Equador e pediu orações ainda para o Japão, onde sismos também foram registrados.

Por fim, o Papa recordou que este domingo marca o Dia Mundial de Oração pelas Vocações e convocou sacerdotes e seminaristas a participarem do seu Jubileu, nos três primeiros dias de junho. Na conclusão, o Papa recordou a presença de fiéis de São Paulo presentes na Praça São Pedro.

(rb)

A mulher, mediadora da paz

As virtudes femininas exaltadas pela Virgem Maria
Irmã M. Caterina Gatti

ROMA, terça-feira, 20 de março de 2012 (ZENIT.org) – O papa Bento XVI escreveu na mensagem para a Jornada Mundial da Paz 2008 que “a família é a primeira e insubstituível educadora para a paz, porque na sadia vida familiar se experimentam os componentes fundamentais da paz: a justiça e o amor entre irmãos e irmãs, a função da autoridade expressa dos pais, o serviço amoroso dos membros mais frágeis por serem pequenos, doentes ou anciãos, a ajuda mútua nas necessidades da vida, a disponibilidade para acolher o outro e, se necessário, para perdoá-lo”. Todos estes, como outros componentes da paz, são também características fundamentais da mulher: o acolhimento do outro, a ajuda recíproca e a disponibilidade ao sacrifício, o amor desinteressado, a sensibilidade, a atenção. São virtudes ínsitas da feminilidade, o que nos permite dizer que a mulher é chamada a ser testemunha, mensageira, educadora e mestra da paz. A mulher tem uma vocação particular na promoção da paz em família e em todo âmbito da vida social, econômica e política de nível local, nacional e internacional. Ela é mediadora de paz antes de tudo na própria família, para sê-lo depois na sociedade toda, da qual a família constitui a célula primeira. A Igreja, por isso, encaminha um convite particular à mulher para ser educadora de paz, com todo o seu ser e seu agir, nas relações entre as pessoas e as gerações, na cultura, na vida social e política das nações e, de modo particular, nas situações de guerra e de conflito. Tal convite se apóia na consideração de que Deus confia a ela de modo especial o homem, o ser humano (cf. João Paulo II, Mulieris Dignitatem). Para desenvolver melhor esta missão, a mulher precisa primeiro cultivar a paz interior, que é fruto do sentir-se e saber-se amada por Deus e do querer corresponder ao seu amor. Na história, encontramos muitos exemplos de mulheres que souberam enfrentar muitas situações de dificuldade, discriminação, abuso, violência e guerra, graças a esta consciência. Um âmbito em que a paz pode ser promovida pela mulher, como já dito, é o da família: toda mãe exerce um papel de primária importância na educação dos filhos, por fazer nascer neles aquela segurança e confiança que são necessárias para o correto desenvolvimento da identidade pessoal. Isto permitirá, por conseguinte, que eles se relacionem de maneira positiva com os outros. Se a relação com o marido também é caracterizada pelo afeto, pela atenção, estima e respeito recíproco, os filhos aprendem, ao vivo, esses valores que promovem e caracterizam a paz. Tal relação incide na psicologia dos filhos e condiciona os relacionamentos que eles tecerão durante a existência. E disto a mulher deve ser bem ciente: o seu ser como educadora da paz e testemunha de paz no núcleo familiar tem impactos nada indiferentes sobre a sociedade inteira. São Pio de Pietrelcina dizia que a mulher deve ser o anjo da paz em família, construtora do ambiente de acolhida, que permite aos filhos perceberem o amor de Deus nas relações familiares e crescerem numa espontânea abertura aos outros. A paz é posta com frequência nas mãos das mulheres, mesmo na sua decisão de acolher ou não a nova vida que germinou em seu seio. A igreja as convida a se inclinarem sempre à vida, conscientizando-se e procurando transmitir aos outros que o atentado contra a vida humana em seu início é também uma agressão contra a sociedade. A mulher, que é depositária da vida desde a sua concepção, deve se dar conta de que “na violação do direito à vida do indivíduo humano está contida, em germe, a extrema violência da guerra” (Jornada Mundial pela Paz, 1995). O santo padre Bento XVI nos lembra que, junto com as vítimas da guerra, do terrorismo e de muitas formas de violência, existem, não menos importantes, as vítimas silenciosas do aborto e da experimentação com embriões: “Como não ver nisso tudo um atentado contra a paz?”, pergunta o papa. Se uma das características da paz é a postura de acolhimento ao outro, é claro que o aborto, e com ele a experimentação com embriões, constitui um ataque direto a tal princípio indispensável para instaurar relações de paz duradouras. Da mesma opinião era a beata Madre Teresa de Calcutá, que, no já distante ano de 1979, dizia: “Sinto que hoje o maior destruidor da paz é o aborto, porque é uma guerra direta, um assassinato direto, um homicídio direto pela mão da própria mãe. Se uma mãe pode matar o próprio filho, nada resta que me impeça de matar você, nem a você de me matar. O aborto é o princípio que põe a paz do mundo em perigo”. A mulher, para realizar melhor este grande compromisso que Deus lhe confia, tem de recorrer à intercessão de Maria Santíssima, mediadora por excelência, a Rainha da paz. Na grande família que é a igreja, é Nossa Senhora quem desempenha o papel fundamental de mediar a paz entre o homem e Deus. Maria disse a Santa Brígida: “Como o ímã atrai o ferro, assim eu atraio a mim os corações mais endurecidos para reconciliá-los com Deus”. São o seu amor materno, a sua acolhida, a sua doçura que conquistam o pecador e o empurram a pedir perdão pelas faltas para com Deus. Invoquemos Maria Santíssima, Rainha da paz. “Ela suscite mulheres de iniciativa e coragem […] que se tornem, na igreja e na sociedade, tecedoras de união e de paz” (João Paulo II, ângelus, 12 de fevereiro de 1995).

Papa adverte cristãos sobre mundanidade e vida dupla

Terça-feira, 17 de novembro de 2015, Da Redação, com Rádio Vaticano

Em homilia, Papa advertiu sobre a vida dupla, lembrando que é preciso evitar as tentações da mundanidade

Proteger-se da mundanidade que leva a uma “vida dupla”. Esta foi a advertência que o Papa Francisco fez na Missa desta terça-feira, 17, na Casa Santa Marta. O Pontífice reiterou que, para preservar a identidade cristã, é preciso ser coerente e evitar as tentações de uma vida mundana.

Francisco partiu da Primeira Leitura do dia, do Livro dos Macabeus, para advertir os cristãos novamente sobre as tentações da vida mundana. O velho Eleazar,retratado na Leitura, não se deixa enfraquecer pelo espírito da mundanidade e prefere morrer a se render à apostasia do “pensamento único”. A mundanidade, segundo o Papa, afasta o homem da coerência da vida cristã.

“A mundanidade espiritual nos afasta da coerência de vida, nos faz incoerentes. Uma pessoa finge ser de certa maneira, mas vive de outra”. E a mundanidade, acrescentou o Papa, é difícil de ser conhecida desde o início, porque é como o caruncho que destrói lentamente, degrada o tecido e depois aquele tecido se torna inutilizável. Aquele homem que se deixa levar pela mundanidade perde a identidade cristã”.

“O caruncho da mundanidade destruiu a sua identidade cristã, é incapaz de coerência. ‘Oh, eu sou tão católico, padre, vou à missa todos os domingos, sou tão católico’. E depois vai trabalhar, exercer a sua profissão: ‘Mas se comprar isto, fazemos esta propina e fica com ela’. Isso não é coerência de vida, isso é mundanidade, para dar um exemplo. A mundanidade leva a uma vida dupla, aquela que aparece e aquela que realmente é, e afasta de Deus e destrói a identidade cristã”.

Tentações mundanas

Por isso, o Papa explicou que Jesus é tão forte quando pede que o Pai salve os discípulos do espírito mundano. “O espírito cristão, a identidade cristã, não é nunca egoísta, procura sempre proteger com a própria coerência, proteger, evitar o escândalo, cuidar dos outros, dar um bom exemplo. ‘Mas não é fácil, padre, viver neste mundo, onde as tentações são tantas, e a maquiagem da vida dupla nos tenta todos os dias, não é fácil’. Para nós, não só não é fácil, é impossível. Somente Ele é capaz de realizá-lo. E por isso rezamos no Salmo: ‘O Senhor me sustenta’. O nosso sustento contra a mundanidade que destrói a nossa identidade cristã, que nos leva à vida dupla, é o Senhor”.

Francisco destacou, então, que é preciso que a pessoa se reconheça como pecadora e peça o apoio de Deus para que não caia nesse perigo da vida dupla: fingir ser cristão e viver como pagão.

“Se vocês tiverem um tempo hoje, peguem a Bíblia, o segundo livro dos Macabeus, sexto capítulo, e leiam esta história de Eleazar. Fará bem, dará coragem para ser exemplo a todos e também dará força e sustento para levar adiante a identidade cristã, sem comprometimentos, sem vida dupla”.

Papa explica a importância da festa na família

Quarta-feira, 12 de agosto de 2015, Jéssica Marçal / Da Redação

Santo Padre inicia catequeses sobre três dimensões que articulam o ritmo da vida familiar: a festa, o trabalho e a oração

Francisco explica que os momentos de festa na família são sagrados / Foto: Reprodução CTV

O Papa Francisco começou, nesta quarta-feira, 12, um novo ciclo de catequeses, porém ainda no contexto da família. O Santo Padre fala, nas próximas semanas, de três dimensões que articulam o ritmo da vida familiar: a festa, o trabalho e a oração.

Na catequese de hoje, Francisco se dedicou à festa. O Papa lembrou que o próprio Deus ensina a importância de dedicar um tempo para contemplar e desfrutar daquilo que, no trabalho, foi bem feito. E não se trata de trabalho apenas no sentido de profissão, mas de toda ação com a qual homens e mulheres colaboram para a obra criadora de Deus.

“A festa é, antes de tudo, um olhar amoroso e grato sobre o trabalho bem feito”, explicou Francisco. Ele ressaltou que, às vezes, a festa pode chegar em circunstâncias difíceis ou dolorosas, mas, nesses momentos, é preciso pedir a Deus a força para não esvaziá-la completamente.

Mesmo nos ambientes de trabalho – sem omitir os deveres – faz-se alguma “faísca” de festa, disse o Papa, seja para comemorar aniversários, casamentos ou o nascimento de filhos. “É importante fazer festa. São momentos de familiaridade na engrenagem da máquina produtiva: nos faz bem!”.

Ao falar de trabalho, Francisco destacou que o homem deve ter plena consciência de que ele não é escravo do trabalho, mas senhor, uma vez que foi feito à imagem e semelhança de Deus. Mas a obsessão pelo lucro econômico pode colocar em risco os ritmos humanos da vida.

“O tempo do repouso, sobretudo aquele dominical, é para que nós possamos desfrutar daquilo que não se produz e não se consome, não se compra e não se vende. Em vez disso, vemos que a ideologia do lucro e do consumo quer ‘abocanhar’ também a festa: também essa, às vezes, é reduzida a um ‘negócio’, a um modo para fazer dinheiro e gastá-lo”, advertiu.

Francisco concluiu destacando que o tempo da festa é sagrado, porque Deus está presente nele de modo especial. E a família é dotada de uma grande competência para entender, orientar e apoiar o autêntico valor do tempo da festa. “A festa é um precioso presente de Deus; um precioso presente que Ele deu para a família humana: não a estraguemos!”.

“Caricaturas” do Estado de Graça

“A todos quantos agora sentem sede da verdade, dizemos-lhes: ide a Tomás de Aquino”
Papa Pio XI, Enc. Studiorum Ducem
http://doctorisangelici.blogspot.com/2008/07/caricaturas-do-estado-de-graa.html

Assim como temos várias caricaturas da verdadeira Igreja de Cristo, hoje em dia temos várias “caricaturas” da verdadeira condição para salvação de nossa alma. O Concílio de Trento (totalmente válido e infalível até hoje) definiu como condição indispensável para a salvação da alma, o crente estar em estado de graça. Muitos católicos perderam o valor ou não aprenderam o que realmente se dá com aquele que está em estado de graça: é aquele que tem a vida divina, que participa da natureza divina, habitado pela Santíssima Trindade, que é templo do Espírito Santo. O demônio, muito astuto, quer que não percebamos o valor do estado de graça e de sua conservação para a vida da alma, por isso coloca nos corações dos homens outras doutrinas diferentes e destruidoras, que tem por objetivo fazer as pessoas perderem a noção da conservação da vida da graça para a salvação da alma. A maior luta do demônio é para que percamos a noção do que é o estado de graça, bem como de sua necessidade. Pois aquele que perde esta noção fica mais vulnerável à sua ação tentadora, deixa de velar para que este estado seja conservado, deixa de evitar o pecado, pois pensa que Deus perdoa seus pecados apenas pelo fato de pedirmos isto a Ele em nossas súplicas. É claro, que se Ele assim o quisesse poderia nos perdoar desta forma, e de maneira extraordinária (fora do normal) pode até o fazer em alguns casos onde a pessoa esteja de boa fé. Mas se fosse esta a Sua vontade, não haveria necessidade de Jesus instituir o sacramento da Confissão, que é a forma ordinária (via normal) que Ele instituiu para este fim. Aquele que perde o sentido do estado de graça perde também o verdadeiro valor do sacramento da Confissão, que foi instituído por Cristo justamente para perdoar os pecados mortais cometidos após o batismo e com isto restaurar o perdido estado de graça. Pois, estar em estado de graça é estar isento de pecado mortal. Sendo assim o demônio inventa nos corações dos homens “caricaturas” ou “distorções” do estado de graça para nos enganar e fazer que sejamos condenados ao inferno. Podemos dizer que esta é a grande luta deste nosso tempo: lutar contra a “falsificação” do estado de graça. O mesmo podemos dizer da “oração em línguas”, que é em certo sentido uma “caricatura” ridícula e muito bem falsificada daquilo que São Paulo escreve na sua Carta aos Coríntios, onde ele explica o que é realmente o dom de línguas. Este tipo de caricatura, derivada daquela principal que destrói o estado de graça, colabora para que a principal seja promovida. Mas de que maneira? Suponhamos o exemplo de uma seita que destituída da sucessão Apostólica, e com isso dos Santos Sacramentos, bem como da Sagrada Tradição e do Sagrado Magistério. Com estas premissas já concluímos que ela já não possa existir. Mas considerando o que acontece na prática: a seita existe. Como fica destituída dos sacramentos, e com isso de sinais sensíveis que comunicam a graça invisível (insensível), necessita então de criar algo de sensível para “caricaturar” os sacramentos, e assim oferecer em suas reuniões heréticas. Apela então para o emocionalismo e sentimentalismo. Substituindo o estado de graça, que é algo de sobrenatural e por isso não experimentado (CIC 2005) pelos sentidos do homem, por algo natural como o emocionalismo, a seita introduz na consciência do crente que este sentiu a Deus, e se baseia neste sentimento para deduzir que Deus habita em sua alma (Sendo que na verdade não podemos sentir nossa própria alma). Concluindo então que na referida seita a presença de Deus na alma é baseada através dos sentimentos, deduzimos que a oração em línguas deve ser também algo de sensível para reforçar aquilo que concluem sobre a mesma presença de Deus. A oração em línguas então serve para confirmar aquela “presença sentimental” de Deus em suas almas. Daí dizerem que “oram em espírito”, ou seja, se estão orando em espírito, deduzem que é sinal de que o Espírito Santo está habitando neles. Sendo que na verdade qualquer pessoa, até mesmo um ateu, se exercitado para “orar em línguas” da maneira deles o conseguiria facilmente. Aquilo que chamam de “dom de línguas” não é nada mais que um som produzido pela vibração contínua das cordas vocais onde estas tremem e produzem o som. Não é um dom, é apenas aptidão, basta que a pessoa seja treinada para fazer este som que ela o produzirá sem menores dificuldades. Uma verdadeira “perda de tempo”, onde as pessoas, muitas vezes sem conhecimento e sem ajuda de ninguém, são enganadas e levadas a pensar que agindo através de um puro sentimentalismo, poderão receber os mesmos méritos que receberiam se orassem pedindo a Deus as graças necessárias à sua salvação. Mas é também verdade que Deus conhece a intenção do coração destas pessoas, e de acordo com aquilo que Ele vê nestes corações: pureza ou maldade – pode conceder até mais méritos do que para aqueles que oram corretamente, mas possuem “corações de pedra”. De qualquer forma, a verdade é que perdem tempo e deixam de pedir aquilo que serviria para a salvação da alma, ou seja, a graça santificante. Este é um meio que o demônio se utiliza para desviar os corações do verdadeiro Evangelho de Jesus Cristo confiado à sua Igreja. Voltando ao assunto principal, independentemente da intenção das pessoas, essa “caricatura” do “dom das línguas” faz com que seja promovida a falsificação do estado de graça e consequentemente de toda a doutrina da Igreja Católica. Que aqueles que são responsáveis pela difusão da verdade dentro da nossa Santa Igreja Católica possam perceber a importância do ensino correto das verdades da nossa fé. Peçamos a Virgem Imaculada, Maria Santíssima, que nos livre a todos e ao nosso povo deste ensinamento de todo contrário à verdade de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Onde não há misericórdia não há justiça, diz Papa em homilia

Segunda-feira, 23 de março de 2015, Da Redação, com Rádio Vaticano 

Francisco voltou a abordar o tema da misericórdia durante a Missa da manhã desta segunda-feira na Casa Santa Marta

Onde não há misericórdia não há justiça. Tantas vezes, o povo de Deus sofre um julgamento sem misericórdia. Essa foi, em síntese, a homilia do Papa Francisco durante a Missa desta segunda-feira, 23, na Casa Santa Marta.

Francisco falou de três mulheres e de três juízes: uma mulher inocente, Susana; uma pecadora, a adúltera; e uma pobre viúva necessitada. “Todas as três, de acordo com alguns Padres da Igreja, são figuras alegóricas: a Santa Igreja, a Igreja pecadora e a Igreja necessitada”, explicou.

Os três juízes são ruins e corruptos, observou o Papa. Escribas e fariseus julgaram a mulher adúltera, tinham dentro do coração a corrupção da rigidez; sentiam-se puros, porque observavam rigorosamente a lei. Mas essa rigidez os leva a uma vida dupla, explicou Francisco.

“Esses que condenavam essas mulheres, depois, iam procurá-las, em segredo, para se divertir um pouco. Os rígidos são – uso o adjetivo que Jesus lhes deu – hipócritas: eles têm vida dupla. Aqueles que julgam a Igreja – todas as três mulheres são figuras alegóricas da Igreja – com rigidez têm vida dupla. Com a rigidez nem mesmo se pode respirar”.

Depois, há os dois juízes idosos que chantageiam uma mulher, Susana, para que se entregasse a eles, mas ela resistiu. Tais juízes tinham a corrupção do vício, neste caso, a luxúria. Por fim, o outro juiz interpelado pela pobre viúva. Ele era um homem de negócios e não temia a Deus, não se preocupava com ninguém. Francisco destacou que os três juízes não conheciam a misericórdia.

“A corrupção os distanciava da compreensão da misericórdia, de serem misericordiosos. E a Bíblia nos fala que, na misericórdia, se encontra o justo do juízo. E as três mulheres – a santa, a pecadora e a necessitada, figuras alegóricas da Igreja – padecem desta falta de misericórdia. Hoje, também o povo de Deus, quando encontra estes juízes, é julgado sem misericórdia, seja no civil, seja no eclesiástico. E onde não há misericórdia não há justiça”.

Francisco lembrou, por exemplo, que quando o povo de Deus se aproxima voluntariamente para pedir perdão, muitas vezes, encontra alguém assim: os viciados, que são capazes de tentar abusar deles, e este é um dos pecados mais graves; os mercadores, que não dão esperança; e os rígidos, que punem nos penitentes aquilo que escondem na própria alma. Tudo isso se chama “falta de misericórdia”, afirmou o Papa.

“Queria somente dizer uma das palavras mais bonitas do Evangelho que me comove tanto: ‘Ninguém te condenou?’ – ‘Não, ninguém, Senhor’ – ‘Tampouco eu te condeno’. ‘Tampouco eu te condeno’ é uma das palavras mais bonitas, porque está cheia de misericórdia”.

Desenvolvido por Origy Networks – Criação de sites e propaganda