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A mulher, mediadora da paz

As virtudes femininas exaltadas pela Virgem Maria
Irmã M. Caterina Gatti

ROMA, terça-feira, 20 de março de 2012 (ZENIT.org) – O papa Bento XVI escreveu na mensagem para a Jornada Mundial da Paz 2008 que “a família é a primeira e insubstituível educadora para a paz, porque na sadia vida familiar se experimentam os componentes fundamentais da paz: a justiça e o amor entre irmãos e irmãs, a função da autoridade expressa dos pais, o serviço amoroso dos membros mais frágeis por serem pequenos, doentes ou anciãos, a ajuda mútua nas necessidades da vida, a disponibilidade para acolher o outro e, se necessário, para perdoá-lo”. Todos estes, como outros componentes da paz, são também características fundamentais da mulher: o acolhimento do outro, a ajuda recíproca e a disponibilidade ao sacrifício, o amor desinteressado, a sensibilidade, a atenção. São virtudes ínsitas da feminilidade, o que nos permite dizer que a mulher é chamada a ser testemunha, mensageira, educadora e mestra da paz. A mulher tem uma vocação particular na promoção da paz em família e em todo âmbito da vida social, econômica e política de nível local, nacional e internacional. Ela é mediadora de paz antes de tudo na própria família, para sê-lo depois na sociedade toda, da qual a família constitui a célula primeira. A Igreja, por isso, encaminha um convite particular à mulher para ser educadora de paz, com todo o seu ser e seu agir, nas relações entre as pessoas e as gerações, na cultura, na vida social e política das nações e, de modo particular, nas situações de guerra e de conflito. Tal convite se apóia na consideração de que Deus confia a ela de modo especial o homem, o ser humano (cf. João Paulo II, Mulieris Dignitatem). Para desenvolver melhor esta missão, a mulher precisa primeiro cultivar a paz interior, que é fruto do sentir-se e saber-se amada por Deus e do querer corresponder ao seu amor. Na história, encontramos muitos exemplos de mulheres que souberam enfrentar muitas situações de dificuldade, discriminação, abuso, violência e guerra, graças a esta consciência. Um âmbito em que a paz pode ser promovida pela mulher, como já dito, é o da família: toda mãe exerce um papel de primária importância na educação dos filhos, por fazer nascer neles aquela segurança e confiança que são necessárias para o correto desenvolvimento da identidade pessoal. Isto permitirá, por conseguinte, que eles se relacionem de maneira positiva com os outros. Se a relação com o marido também é caracterizada pelo afeto, pela atenção, estima e respeito recíproco, os filhos aprendem, ao vivo, esses valores que promovem e caracterizam a paz. Tal relação incide na psicologia dos filhos e condiciona os relacionamentos que eles tecerão durante a existência. E disto a mulher deve ser bem ciente: o seu ser como educadora da paz e testemunha de paz no núcleo familiar tem impactos nada indiferentes sobre a sociedade inteira. São Pio de Pietrelcina dizia que a mulher deve ser o anjo da paz em família, construtora do ambiente de acolhida, que permite aos filhos perceberem o amor de Deus nas relações familiares e crescerem numa espontânea abertura aos outros. A paz é posta com frequência nas mãos das mulheres, mesmo na sua decisão de acolher ou não a nova vida que germinou em seu seio. A igreja as convida a se inclinarem sempre à vida, conscientizando-se e procurando transmitir aos outros que o atentado contra a vida humana em seu início é também uma agressão contra a sociedade. A mulher, que é depositária da vida desde a sua concepção, deve se dar conta de que “na violação do direito à vida do indivíduo humano está contida, em germe, a extrema violência da guerra” (Jornada Mundial pela Paz, 1995). O santo padre Bento XVI nos lembra que, junto com as vítimas da guerra, do terrorismo e de muitas formas de violência, existem, não menos importantes, as vítimas silenciosas do aborto e da experimentação com embriões: “Como não ver nisso tudo um atentado contra a paz?”, pergunta o papa. Se uma das características da paz é a postura de acolhimento ao outro, é claro que o aborto, e com ele a experimentação com embriões, constitui um ataque direto a tal princípio indispensável para instaurar relações de paz duradouras. Da mesma opinião era a beata Madre Teresa de Calcutá, que, no já distante ano de 1979, dizia: “Sinto que hoje o maior destruidor da paz é o aborto, porque é uma guerra direta, um assassinato direto, um homicídio direto pela mão da própria mãe. Se uma mãe pode matar o próprio filho, nada resta que me impeça de matar você, nem a você de me matar. O aborto é o princípio que põe a paz do mundo em perigo”. A mulher, para realizar melhor este grande compromisso que Deus lhe confia, tem de recorrer à intercessão de Maria Santíssima, mediadora por excelência, a Rainha da paz. Na grande família que é a igreja, é Nossa Senhora quem desempenha o papel fundamental de mediar a paz entre o homem e Deus. Maria disse a Santa Brígida: “Como o ímã atrai o ferro, assim eu atraio a mim os corações mais endurecidos para reconciliá-los com Deus”. São o seu amor materno, a sua acolhida, a sua doçura que conquistam o pecador e o empurram a pedir perdão pelas faltas para com Deus. Invoquemos Maria Santíssima, Rainha da paz. “Ela suscite mulheres de iniciativa e coragem […] que se tornem, na igreja e na sociedade, tecedoras de união e de paz” (João Paulo II, ângelus, 12 de fevereiro de 1995).

“A fé não se compra, é dom que muda nossa vida”

Cidade do Vaticano (RV) – “Como é a minha fé em Jesus Cristo?”. É a pergunta formulada pelo Papa na homilia da missa matutina na Casa Santa Marta, na manhã de sexta-feira (15/01). O Pontífice se baseou no Evangelho para reafirmar que para compreender realmente Jesus, não devemos ter o “coração fechado”, mas segui-lo no caminho do perdão e da humilhação. “A fé – advertiu – não pode ser comprada por ninguém; é um dom que muda nossa vida”.

As pessoas fazem de tudo para se aproximar de Jesus e não pensam nos riscos que podem correr para escutá-lo ou simplesmente tocá-lo. Foi o que sublinhou Francisco, inspirando-se no Evangelho de Marcos que narra a cura do paralítico em Cafarnaum.

Havia tanta gente na frente da casa onde estava Jesus que tiveram que tirar o teto e passar por ali a maca aonde se encontrava o doente. “Tinham fé – comentou o Papa – a mesma fé daquela senhora que, em meio à multidão, quando Jesus foi à casa de Jairo, conseguiu tocar um pedaço do manto de Jesus, para ser curada”. A mesma fé do centurião para a cura do seu servo. “A fé forte, corajosa, que vai adiante – disse Francesco – o coração aberto na fé”.

Se tivermos o coração fechado, não conseguimos entender Jesus

No episódio do paralítico, “Jesus faz um passo adiante”. Em Nazaré, no início de seu ministério, “foi à Sinagoga e disse que havia sido enviado para libertar os oprimidos, os encarcerados, para dar a vista aos cegos… inaugurar um ano de graça”, ou seja, um “ano de perdão, de aproximação ao Senhor. Abrir um caminho rumo a Deus”. Aqui, porém, dá um passo a mais: não só cura os doentes, mas perdoa seus pecados:

“Estavam ali aqueles que tinham o coração fechado, mas aceitavam – até um certo ponto – que Jesus fosse um curandeiro. Mas perdoar os pecados é demais! Este homem vai além! Não tem direito de dizer isto, porque somente Deus pode perdoar os pecados, e Jesus sabia o que eles pensavam, e diz: ‘Eu sou Deus’? Não, não o diz. ‘Por que pensam estas coisas? Porque sabem que o Filho do Homem tem o poder – é o passo avante! – de perdoar os pecados. Levanta-te, toma e cura-te’. Começa a falar aquela linguagem que, a um certo ponto, desencorajará as pessoas, inclusive alguns discípulos que o seguiam… Esta linguagem é dura, quando fala de comer o seu Corpo como caminho de salvação”.

A fé em Jesus muda realmente a nossa vida?

O Papa Francisco afirma que entendemos que Deus vem para “nos salvar das doenças”, mas antes de tudo “para nos salvar dos nossos pecados, salvar-nos e levar-nos ao Pai. Foi enviado para isto, para dar a vida para a nossa salvação. E este é o ponto mais difícil de se entender”, não somente pelos escribas. Quando Jesus se mostra com um poder maior do que o poder de um homem “para dar aquele perdão, para dar a vida, para recriar a humanidade, também os seus discípulos duvidam. E vão embora”. E Jesus, recordou, “deve pedir ao seu pequeno grupinho: ‘Também vocês querem ir embora’”.

“A fé em Jesus Cristo. Como é a minha fé em Jesus Cristo? Creio que Jesus Cristo seja Deus, o Filho de Deus? E esta fé transforma a minha vida? Faz com que no meu coração se abra este ano de graça, este ano de perdão, este ano de aproximação ao Senhor? A fé é um dom. Ninguém ‘merece’ a fé. Ninguém a pode comprar. É um dom. A ‘minha’ fé em Jesus Cristo, me leva à humilhação? Não digo à humildade: à humilhação, ao arrependimento, à oração que pede: ‘Perdoa-me, Senhor. Tu és Deus. Podes perdoar os meus pecados”.

A prova da nossa fé é a capacidade de louvar a Deus

O Senhor, é a invocação do Papa, “nos faça crescer na fé”. As pessoas, observou, “procuravam Jesus para ouvi-lo” porque ele falava “com autoridade, não como falavam os escribas”. Além disso, acrescentou, o seguia, porque ele curava, “fazia milagres!”. Mas, no final, “essas pessoas, depois de terem visto, foram embora e todos ficaram maravilhados, e glorificavam a Deus”:

“O louvor. A prova que eu creio que Jesus Cristo é Deus na minha vida, que me foi enviado para ‘me perdoar’, é o louvor: se eu tenho a capacidade de louvar a Deus. Louvar o Senhor. É gratuito isso. O louvor é gratuito. É um sentimento que dá o Espírito Santo e nos leva a dizer: ‘Tu és o único Deus’. Que o Senhor nos faça crescer nesta fé em Jesus Cristo Deus, que nos perdoa, que nos oferece o ano da graça, e que esta fé nos leve a louvar”.

(CM/BF/SP)

 

Papa adverte cristãos sobre mundanidade e vida dupla

Terça-feira, 17 de novembro de 2015, Da Redação, com Rádio Vaticano

Em homilia, Papa advertiu sobre a vida dupla, lembrando que é preciso evitar as tentações da mundanidade

Proteger-se da mundanidade que leva a uma “vida dupla”. Esta foi a advertência que o Papa Francisco fez na Missa desta terça-feira, 17, na Casa Santa Marta. O Pontífice reiterou que, para preservar a identidade cristã, é preciso ser coerente e evitar as tentações de uma vida mundana.

Francisco partiu da Primeira Leitura do dia, do Livro dos Macabeus, para advertir os cristãos novamente sobre as tentações da vida mundana. O velho Eleazar,retratado na Leitura, não se deixa enfraquecer pelo espírito da mundanidade e prefere morrer a se render à apostasia do “pensamento único”. A mundanidade, segundo o Papa, afasta o homem da coerência da vida cristã.

“A mundanidade espiritual nos afasta da coerência de vida, nos faz incoerentes. Uma pessoa finge ser de certa maneira, mas vive de outra”. E a mundanidade, acrescentou o Papa, é difícil de ser conhecida desde o início, porque é como o caruncho que destrói lentamente, degrada o tecido e depois aquele tecido se torna inutilizável. Aquele homem que se deixa levar pela mundanidade perde a identidade cristã”.

“O caruncho da mundanidade destruiu a sua identidade cristã, é incapaz de coerência. ‘Oh, eu sou tão católico, padre, vou à missa todos os domingos, sou tão católico’. E depois vai trabalhar, exercer a sua profissão: ‘Mas se comprar isto, fazemos esta propina e fica com ela’. Isso não é coerência de vida, isso é mundanidade, para dar um exemplo. A mundanidade leva a uma vida dupla, aquela que aparece e aquela que realmente é, e afasta de Deus e destrói a identidade cristã”.

Tentações mundanas

Por isso, o Papa explicou que Jesus é tão forte quando pede que o Pai salve os discípulos do espírito mundano. “O espírito cristão, a identidade cristã, não é nunca egoísta, procura sempre proteger com a própria coerência, proteger, evitar o escândalo, cuidar dos outros, dar um bom exemplo. ‘Mas não é fácil, padre, viver neste mundo, onde as tentações são tantas, e a maquiagem da vida dupla nos tenta todos os dias, não é fácil’. Para nós, não só não é fácil, é impossível. Somente Ele é capaz de realizá-lo. E por isso rezamos no Salmo: ‘O Senhor me sustenta’. O nosso sustento contra a mundanidade que destrói a nossa identidade cristã, que nos leva à vida dupla, é o Senhor”.

Francisco destacou, então, que é preciso que a pessoa se reconheça como pecadora e peça o apoio de Deus para que não caia nesse perigo da vida dupla: fingir ser cristão e viver como pagão.

“Se vocês tiverem um tempo hoje, peguem a Bíblia, o segundo livro dos Macabeus, sexto capítulo, e leiam esta história de Eleazar. Fará bem, dará coragem para ser exemplo a todos e também dará força e sustento para levar adiante a identidade cristã, sem comprometimentos, sem vida dupla”.

Papa explica a importância da festa na família

Quarta-feira, 12 de agosto de 2015, Jéssica Marçal / Da Redação

Santo Padre inicia catequeses sobre três dimensões que articulam o ritmo da vida familiar: a festa, o trabalho e a oração

Francisco explica que os momentos de festa na família são sagrados / Foto: Reprodução CTV

O Papa Francisco começou, nesta quarta-feira, 12, um novo ciclo de catequeses, porém ainda no contexto da família. O Santo Padre fala, nas próximas semanas, de três dimensões que articulam o ritmo da vida familiar: a festa, o trabalho e a oração.

Na catequese de hoje, Francisco se dedicou à festa. O Papa lembrou que o próprio Deus ensina a importância de dedicar um tempo para contemplar e desfrutar daquilo que, no trabalho, foi bem feito. E não se trata de trabalho apenas no sentido de profissão, mas de toda ação com a qual homens e mulheres colaboram para a obra criadora de Deus.

“A festa é, antes de tudo, um olhar amoroso e grato sobre o trabalho bem feito”, explicou Francisco. Ele ressaltou que, às vezes, a festa pode chegar em circunstâncias difíceis ou dolorosas, mas, nesses momentos, é preciso pedir a Deus a força para não esvaziá-la completamente.

Mesmo nos ambientes de trabalho – sem omitir os deveres – faz-se alguma “faísca” de festa, disse o Papa, seja para comemorar aniversários, casamentos ou o nascimento de filhos. “É importante fazer festa. São momentos de familiaridade na engrenagem da máquina produtiva: nos faz bem!”.

Ao falar de trabalho, Francisco destacou que o homem deve ter plena consciência de que ele não é escravo do trabalho, mas senhor, uma vez que foi feito à imagem e semelhança de Deus. Mas a obsessão pelo lucro econômico pode colocar em risco os ritmos humanos da vida.

“O tempo do repouso, sobretudo aquele dominical, é para que nós possamos desfrutar daquilo que não se produz e não se consome, não se compra e não se vende. Em vez disso, vemos que a ideologia do lucro e do consumo quer ‘abocanhar’ também a festa: também essa, às vezes, é reduzida a um ‘negócio’, a um modo para fazer dinheiro e gastá-lo”, advertiu.

Francisco concluiu destacando que o tempo da festa é sagrado, porque Deus está presente nele de modo especial. E a família é dotada de uma grande competência para entender, orientar e apoiar o autêntico valor do tempo da festa. “A festa é um precioso presente de Deus; um precioso presente que Ele deu para a família humana: não a estraguemos!”.

“Caricaturas” do Estado de Graça

“A todos quantos agora sentem sede da verdade, dizemos-lhes: ide a Tomás de Aquino”
Papa Pio XI, Enc. Studiorum Ducem
http://doctorisangelici.blogspot.com/2008/07/caricaturas-do-estado-de-graa.html

Assim como temos várias caricaturas da verdadeira Igreja de Cristo, hoje em dia temos várias “caricaturas” da verdadeira condição para salvação de nossa alma. O Concílio de Trento (totalmente válido e infalível até hoje) definiu como condição indispensável para a salvação da alma, o crente estar em estado de graça. Muitos católicos perderam o valor ou não aprenderam o que realmente se dá com aquele que está em estado de graça: é aquele que tem a vida divina, que participa da natureza divina, habitado pela Santíssima Trindade, que é templo do Espírito Santo. O demônio, muito astuto, quer que não percebamos o valor do estado de graça e de sua conservação para a vida da alma, por isso coloca nos corações dos homens outras doutrinas diferentes e destruidoras, que tem por objetivo fazer as pessoas perderem a noção da conservação da vida da graça para a salvação da alma. A maior luta do demônio é para que percamos a noção do que é o estado de graça, bem como de sua necessidade. Pois aquele que perde esta noção fica mais vulnerável à sua ação tentadora, deixa de velar para que este estado seja conservado, deixa de evitar o pecado, pois pensa que Deus perdoa seus pecados apenas pelo fato de pedirmos isto a Ele em nossas súplicas. É claro, que se Ele assim o quisesse poderia nos perdoar desta forma, e de maneira extraordinária (fora do normal) pode até o fazer em alguns casos onde a pessoa esteja de boa fé. Mas se fosse esta a Sua vontade, não haveria necessidade de Jesus instituir o sacramento da Confissão, que é a forma ordinária (via normal) que Ele instituiu para este fim. Aquele que perde o sentido do estado de graça perde também o verdadeiro valor do sacramento da Confissão, que foi instituído por Cristo justamente para perdoar os pecados mortais cometidos após o batismo e com isto restaurar o perdido estado de graça. Pois, estar em estado de graça é estar isento de pecado mortal. Sendo assim o demônio inventa nos corações dos homens “caricaturas” ou “distorções” do estado de graça para nos enganar e fazer que sejamos condenados ao inferno. Podemos dizer que esta é a grande luta deste nosso tempo: lutar contra a “falsificação” do estado de graça. O mesmo podemos dizer da “oração em línguas”, que é em certo sentido uma “caricatura” ridícula e muito bem falsificada daquilo que São Paulo escreve na sua Carta aos Coríntios, onde ele explica o que é realmente o dom de línguas. Este tipo de caricatura, derivada daquela principal que destrói o estado de graça, colabora para que a principal seja promovida. Mas de que maneira? Suponhamos o exemplo de uma seita que destituída da sucessão Apostólica, e com isso dos Santos Sacramentos, bem como da Sagrada Tradição e do Sagrado Magistério. Com estas premissas já concluímos que ela já não possa existir. Mas considerando o que acontece na prática: a seita existe. Como fica destituída dos sacramentos, e com isso de sinais sensíveis que comunicam a graça invisível (insensível), necessita então de criar algo de sensível para “caricaturar” os sacramentos, e assim oferecer em suas reuniões heréticas. Apela então para o emocionalismo e sentimentalismo. Substituindo o estado de graça, que é algo de sobrenatural e por isso não experimentado (CIC 2005) pelos sentidos do homem, por algo natural como o emocionalismo, a seita introduz na consciência do crente que este sentiu a Deus, e se baseia neste sentimento para deduzir que Deus habita em sua alma (Sendo que na verdade não podemos sentir nossa própria alma). Concluindo então que na referida seita a presença de Deus na alma é baseada através dos sentimentos, deduzimos que a oração em línguas deve ser também algo de sensível para reforçar aquilo que concluem sobre a mesma presença de Deus. A oração em línguas então serve para confirmar aquela “presença sentimental” de Deus em suas almas. Daí dizerem que “oram em espírito”, ou seja, se estão orando em espírito, deduzem que é sinal de que o Espírito Santo está habitando neles. Sendo que na verdade qualquer pessoa, até mesmo um ateu, se exercitado para “orar em línguas” da maneira deles o conseguiria facilmente. Aquilo que chamam de “dom de línguas” não é nada mais que um som produzido pela vibração contínua das cordas vocais onde estas tremem e produzem o som. Não é um dom, é apenas aptidão, basta que a pessoa seja treinada para fazer este som que ela o produzirá sem menores dificuldades. Uma verdadeira “perda de tempo”, onde as pessoas, muitas vezes sem conhecimento e sem ajuda de ninguém, são enganadas e levadas a pensar que agindo através de um puro sentimentalismo, poderão receber os mesmos méritos que receberiam se orassem pedindo a Deus as graças necessárias à sua salvação. Mas é também verdade que Deus conhece a intenção do coração destas pessoas, e de acordo com aquilo que Ele vê nestes corações: pureza ou maldade – pode conceder até mais méritos do que para aqueles que oram corretamente, mas possuem “corações de pedra”. De qualquer forma, a verdade é que perdem tempo e deixam de pedir aquilo que serviria para a salvação da alma, ou seja, a graça santificante. Este é um meio que o demônio se utiliza para desviar os corações do verdadeiro Evangelho de Jesus Cristo confiado à sua Igreja. Voltando ao assunto principal, independentemente da intenção das pessoas, essa “caricatura” do “dom das línguas” faz com que seja promovida a falsificação do estado de graça e consequentemente de toda a doutrina da Igreja Católica. Que aqueles que são responsáveis pela difusão da verdade dentro da nossa Santa Igreja Católica possam perceber a importância do ensino correto das verdades da nossa fé. Peçamos a Virgem Imaculada, Maria Santíssima, que nos livre a todos e ao nosso povo deste ensinamento de todo contrário à verdade de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Onde não há misericórdia não há justiça, diz Papa em homilia

Segunda-feira, 23 de março de 2015, Da Redação, com Rádio Vaticano 

Francisco voltou a abordar o tema da misericórdia durante a Missa da manhã desta segunda-feira na Casa Santa Marta

Onde não há misericórdia não há justiça. Tantas vezes, o povo de Deus sofre um julgamento sem misericórdia. Essa foi, em síntese, a homilia do Papa Francisco durante a Missa desta segunda-feira, 23, na Casa Santa Marta.

Francisco falou de três mulheres e de três juízes: uma mulher inocente, Susana; uma pecadora, a adúltera; e uma pobre viúva necessitada. “Todas as três, de acordo com alguns Padres da Igreja, são figuras alegóricas: a Santa Igreja, a Igreja pecadora e a Igreja necessitada”, explicou.

Os três juízes são ruins e corruptos, observou o Papa. Escribas e fariseus julgaram a mulher adúltera, tinham dentro do coração a corrupção da rigidez; sentiam-se puros, porque observavam rigorosamente a lei. Mas essa rigidez os leva a uma vida dupla, explicou Francisco.

“Esses que condenavam essas mulheres, depois, iam procurá-las, em segredo, para se divertir um pouco. Os rígidos são – uso o adjetivo que Jesus lhes deu – hipócritas: eles têm vida dupla. Aqueles que julgam a Igreja – todas as três mulheres são figuras alegóricas da Igreja – com rigidez têm vida dupla. Com a rigidez nem mesmo se pode respirar”.

Depois, há os dois juízes idosos que chantageiam uma mulher, Susana, para que se entregasse a eles, mas ela resistiu. Tais juízes tinham a corrupção do vício, neste caso, a luxúria. Por fim, o outro juiz interpelado pela pobre viúva. Ele era um homem de negócios e não temia a Deus, não se preocupava com ninguém. Francisco destacou que os três juízes não conheciam a misericórdia.

“A corrupção os distanciava da compreensão da misericórdia, de serem misericordiosos. E a Bíblia nos fala que, na misericórdia, se encontra o justo do juízo. E as três mulheres – a santa, a pecadora e a necessitada, figuras alegóricas da Igreja – padecem desta falta de misericórdia. Hoje, também o povo de Deus, quando encontra estes juízes, é julgado sem misericórdia, seja no civil, seja no eclesiástico. E onde não há misericórdia não há justiça”.

Francisco lembrou, por exemplo, que quando o povo de Deus se aproxima voluntariamente para pedir perdão, muitas vezes, encontra alguém assim: os viciados, que são capazes de tentar abusar deles, e este é um dos pecados mais graves; os mercadores, que não dão esperança; e os rígidos, que punem nos penitentes aquilo que escondem na própria alma. Tudo isso se chama “falta de misericórdia”, afirmou o Papa.

“Queria somente dizer uma das palavras mais bonitas do Evangelho que me comove tanto: ‘Ninguém te condenou?’ – ‘Não, ninguém, Senhor’ – ‘Tampouco eu te condeno’. ‘Tampouco eu te condeno’ é uma das palavras mais bonitas, porque está cheia de misericórdia”.

Na catequese, Papa destaca importância do dom do conselho

Quarta-feira, 7 de maio de 2014, Da Redação, com Rádio Vaticano

Para cerca de 60 mil fiéis, na Praça São Pedro, Francisco explicou importância do dom do conselho para seguir o caminho de Deus

Dando sequência ao ciclo de catequeses sobre os dons do Espírito Santo, Papa Francisco falou sobre o dom do conselho na catequese desta quarta-feira, 7. Ele destacou que esse dom torna o homem capaz de fazer a escolha certa, no dia a dia, seguindo a lógica de Jesus e do Seu Evangelho.

Cerca de 60 mil peregrinos estiveram na Praça São Pedro para a audiência geral com o Santo Padre, que destacou a importância desse dom para a comunhão entre Deus e o homem. “O conselho é o dom com o qual o Espírito Santo torna a nossa consciência capaz de fazer uma escolha concreta em comunhão com Deus. Ele nos torna sensíveis à sua voz e orienta os nossos pensamentos, fazendo-nos, assim, crescer interiormente, para não nos deixar agir à mercê do egoísmo e do próprio modo de ver as coisas”.

Para que isso aconteça, Francisco disse ser essencial a oração, pois é ela que faz com que o homem seja dócil à voz de Deus. Dessa forma, deixa-se de lado a lógica pessoal, cheia de limitações, para amadurecer uma sintonia profunda com o Espírito.

“Sempre voltamos ao mesmo ponto. A oração. Rezar é tão importante!”, disse Francisco, afirmando que é preciso rezar não somente as orações que se aprende quando criança, mas também usando as palavras, pedindo ajuda e conselho.

Como todos os outros dons do Espírito, também o conselho constitui um tesouro para toda a comunidade cristã, explicou o Papa. Isso porque é possível escutar a voz de Deus por meio dos irmãos. “É um grande dom poder contar com homens e mulheres que nos ajudam a reconhecer a vontade de Deus na nossa vida!”.

Francisco deu um exemplo de como esse dom funciona na prática, citando uma experiência que teve no confessionário do Santuário de Lujan, na Argentina. Nessa ocasião, havia, na fila, um rapaz que confessou um grande problema. Ele disse que estava, ali, porque sua mãe o havia aconselhado a pedir ajuda a Nossa Senhora.

“Eis uma mulher que tinha o dom do conselho! Não sabia encontrar uma saída para o problema do filho, mas indicou o caminho justo: ‘Vá a Nossa Senhora e ela lhe dirá o que fazer’. Este é o dom do conselho. Não dizer: ‘Mas, isto…’. Deixar que o Espírito Santo fale”.

O Santo Padre destacou que aquela mulher simples deu ao filho o verdadeiro conselho, pois, olhando para Nossa Senhora, o rapaz entendeu o que deveria fazer. “Este é o dom do conselho. Vocês, mães, que têm este dom, peçam-no para seus filhos: aconselhar os filhos é um dom de Deus”.

Estamos em peregrinção rumo à plenitude da vida

O Amor de Deus é eterno: Papa Francisco na mensagem do Angelus

“Nós estamos em peregrinação rumo à plenitude da vida e é essa plenitude da vida que ilumina os nossos passos na nossa caminha da vida quotidiana. O amor de Deus é eterno, a sua fidelidade é eterna”. Esta é, em síntese, a principal mensagem catequética do Angelus pronunciado esta manhã na Praça S. Pedro pelo Papa Francisco.

Como de costume aos domingos, às 12,00 horas pontuais (hora de Roma), o Papa Francisco apresentou-se na Janela do Palácio Pontifício, na Praça de S. Pedro repleta de fiéis e peregrinos vindos de todas as partes do mundo para assitir a habitual cerimónia do Angelus. A mensagem do Ângelus é centrada sobre o significado da vida para além da morte, da ressurreição dos mortos. Neste sentido o Papa Francisco começou por recordar que o Evangelho deste domingo apresenta-nos Jesus em discussão com os saduceus que negavam a ressurreição. E é precisamente sobre este argomento que eles dirigem uma pergunta a Jesus com a mera intenção de ridicularizar a fé na ressurreição dos mortos. E partem precisamente do caso imaginário relativo ao tema do levirato: da mulher que teve sete maridos, todos eles mortos um atrás do outro e perguntam a Jesus a quem pertencerá esta mulher após a sua morte.

Mas logo após ter dado esta resposta, observa o Papa Francisco, Jesus, servindo-se das Sagradas Escrituras passa ao contrataque com semplicidade e com uma originalidade que nos deixam cheios de admiração para com o nosso Mestre, o único Mestre. A prova da ressurreição Ele o encontra no episódio da sarça ardente na qual Deus se revela como Deus de Abrãao, de Isac e de Jacob. O Nome de Deus está ligado aos nomes dos homens e das mulheres com os quais Ele se relaciona e esta relação é muito mais forte do que a morte. Eis a razão porque Jesus afirma que Deus não é um Deus dos mortos, mas dos vivos porque todos vivem para Ele.

“A relação decisiva, a aliança fundamental é a aliança com Jesus: Ele mesmo é a Aliança, Ele é a Vida e a Ressurreição porque com o seu amor crucificado venceu a morte. Em Jesus Deus nos dá a vida eterna, concede-a à todos nós e todos graças a Ele têm a esperança de uma vida ainda mais verdadeira do que a actual vida. A vida que Deus nos prepara supera a nossa imaginação porque Deus surpreende sempre com o seu amor e com a sua misericórdia”.

Portanto na vida além da morte, acontecerá tudo o contrário daquilo que imaginavam os saduceus: não é esta nossa vida que servirá de referência à eternidade, mas pelo contrário, é a eternidade a iluminar e dar esperança a vida terrena de cada um de nós. Contemplada únicamente com os olhos humanos somos levados a considerar que a nossa vida, a vida humana caminha rumo à morte. Jesus porém, recorda o Papa, transforma pelo contrário essa visão pessimista da vida e afirma que a nossa peregrinação vital vai da morte à vida. Por conseguinte, “nós, diz o Papa, caminhamos rumo à plenitude da vida e é precisamente essa plenitude da vida que nos ilumina diariamente na nossa vida . Daí a importância de acreditar na esperança da ressurreição que nos é dada graças à fidelidade de Deus: a “fidelidade de Deus é eterna, disse o Papa Francisco.

Após a recitação do Angelus, o Papa Francisco anunciou que hoje, em Paderborn, na Alemanha, será proclamada Beata, Maria Teresa Bonzel, fundadora da Congregação das Pobres Irmãs Franciscanas da Adoração Perpétua, que viveu no século XIX . A Eucaristia constituía a fonte da qual tirava energia espiritual para se dedicar mediante uma caridade incansável ao serviço dos mais necessitados.

“Desejo assegurar a minha aproximação às populações das Filipinas e daquela região que foram atingidas por um tremendo tufão. Infelizmente as vítimas são muitas e os danos materiais também enormes. Rezemos em silêncio para estes nossos irmãos e irmãs e procuramos de fazer-lhes chegar uma nossa ajuda concreta”.

Finalmente com o mesmo pesar o Papa Francisco recordou a o sexagésimo aniversário da chamada “Noite dos cristais” relativa as violências que ocorereram na noite entre 9 – 10 de novembro de 1938 contra os Hebreus e que abriu o caminho ao triste fenómeno histórico da Shoa. Neste sentido, disse o Papa Francisco, renovamos a nossa aproximação e solidariedade ao pobo hebraico e rezemos a Deus para que a memória do passado nos ajude a ser cada vez mais vigilantes contra todo o tipo de ódio e de intolerância.

Não se pode ser cristão sem o amor de Cristo, lembra Papa

Missa na Basílica de São Pedro, quinta-feira, 31 de outubro  de 2013, Da Redação, com Rádio Vaticano em italiano  

Celebrando na Basílica de São Pedro, Francisco centrou a homilia no amor de Cristo, base da vida do cristão

Na manhã desta quinta-feira, 31, Papa Francisco celebrou a Missa na Basílica de São Pedro, no altar onde se encontra o túmulo do Beato João Paulo II. O Papa comentou as leituras do dia: a carta de São Paulo aos Romanos, na qual o apóstolo fala de seu amor por Cristo, e o trecho do Evangelho de São Lucas, no qual Jesus chora sobre Jerusalém que não entendeu ser amada por Ele.

O Pontífice partiu da certeza de Paulo ao falar de seu amor por Cristo. Deus havia mudado a vida do apóstolo, que passou a colocá-Lo no centro de sua vida, tendo Jesus como referência para tudo.

“Sem o amor de Cristo, sem viver deste amor, reconhecê-lo, nutrir-nos daquele amor, não se pode ser cristão: o cristão, aquele que se sente olhado pelo Senhor, com aquele olhar tão belo, amado pelo Senhor e amado até o fim. O cristão sente que a sua vida foi salva pelo sangue de Cristo. E isto faz o amor: esta relação de amor”.

Por outro lado, o Evangelho do dia traz a imagem da tristeza de Jesus quando vê que Jerusalém não entendeu o seu amor, amor que Cristo compara ao de uma galinha que quer reunir os pintinhos sob suas asas. Essa falta de entendimento é justamente o contrário do que sentia Paulo.

“Sim, Deus me ama, Deus nos ama, mas é algo abstrato, é algo que não me toca o coração e eu me arranjo na vida como posso. Não há fidelidade ali. E o choro do coração de Jesus para Jerusalém é este: ‘Jerusalém, tu não és fiel; tu não te deixaste amar; e tu te confiaste a tantos ídolos, que te prometiam tudo, te diziam dar-te tudo, depois te abandonaram’. O coração de Jesus, o sofrimento do amor de Jesus: um amor não aceito, não recebido”.

O Papa convidou então a refletir sobre esses dois ícones: Paulo, que permanece fiel até o fim ao amor de Jesus e encontra nesse amor a força para seguir adiante, e, por outro lado, Jerusalém, o povo infiel, que não aceita o amor de Jesus, ou pior ainda, que vive este amor, mas pela metade, segundo as próprias conveniências.

“Olhemos para a fidelidade de Paulo e a infidelidade de Jerusalém e ao centro olhemos para Jesus, o seu coração, que nos ama tanto. O que podemos fazer? A pergunta: eu me pareço mais com Paulo ou com Jerusalém? O Senhor, por intercessão do Beato João Paulo II, ajude-nos a responder esta pergunta”, finalizou o Santo Padre.

 

HOMILIA

Nestas leituras há duas coisas que nos atingem. Primeiro, a segurança de Paulo: “Ninguém pode afastar-me do amor de Cristo”. Mas tanto amava o Senhor, porque o tinha visto, havia encontrado-o, o Senhor havia mudado a sua vida. Tanto amava-O que dizia que nada poderia afastá-lo Dele. Propriamente este amor do Senhor era o centro, justamente o centro da vida de Paulo. Nas perseguições, nas doenças, nas traições, mas, tudo aquilo que ele viveu, todas as coisas que lhe aconteceram em sua vida, nada disso pôde afastá-lo do amor de Cristo. Era o centro da sua vida, a referência: o amor de Cristo. E sem o amor de Cristo, sem viver deste amor, reconhecê-lo, nutrir-nos deste amor, não se pode ser cristão: o cristão, aquele que se sente olhado pelo Senhor, com aquele olhar tão belo, amado pelo Senhor e amado até o fim. Sente… O cristão sente que a sua vida foi salva pelo sangue de Cristo. E isto faz o amor: esta relação de amor. Isto foi a primeira coisa que me tocou tanto.

A outra coisa que me atinge é esta tristeza de Jesus, quando olha Jerusalém. “Mas tu, Jerusalém, que não entendeu o amor”. Não entendeu a ternura de Deus, com aquela imagem tão bela, que diz Jesus. Não entender o amor de Deus: o contrário daquilo que sentia Paulo.

Mas, sim, Deus me ama, Deus nos ama, mas é algo abstrato, é algo que não me toca o coração e eu me arranjo na vida como posso. Não há fidelidade ali. E o choro do coração de Jesus para Jerusalém é este: ‘Jerusalém, tu não és fiel; tu não te deixaste amar; e tu te confiaste a tantos ídolos, que te prometiam tudo, te diziam dar-te tudo, depois te abandonaram’. O coração de Jesus, o sofrimento do amor de Jesus: um amor não aceito, não recebido.

Estes dois ícones hoje: o de Paulo, que permanece fiel até o fim ao amor de Jesus, de lá encontra a força para seguir adiante, para suportar tudo. Ele se sente frágil, sente-se pecador, mas tem a força naquele amor de Deus, naquele encontro que teve com Jesus Cristo. Por outro lado, a cidade e o povo infiel, não fiel, que não aceita o amor de Jesus, ou, pior ainda, né? Que vive este amor, mas pela metade: um pouco sim, um pouco não, segundo as próprias conveniências. Olhemos para Paulo, com a sua coragem que vem deste amor, e olhemos Jesus que chora sobre aquela cidade, que não é fiel. Olhemos para a fidelidade de Paulo e para a infidelidade de Jerusalém e ao centro olhemos para Jesus, o seu coração, que nos ama tanto. O que podemos fazer? A pergunta: eu me pareço mais com Paulo ou com Jerusalém? O meu amor a Deus é tão forte como o de Paulo ou o meu coração é como o de Jerusalém? O Senhor, por intercessão do Beato João Paulo II, ajude-nos a responder a esta pergunta. Assim seja!

Desceu à mansão dos mortos

É na esperança que fomos Salvos!

O Credo ensina que “Jesus desceu à mansão dos mortos”. Isso significa que, de fato, Ele morreu e que, por Sua morte por nós, venceu a morte e o diabo, o dominador da morte (Hb 2,14). São João disse que Ele veio a nós para “destruir as obras do demônio” (1 Jo 3,8). “Ele foi eliminado da terra dos vivos” (Is 53,8). “Minha carne repousará na esperança, porque não abandonarás minha alma no Hades nem permitirás que teu Santo veja a corrupção” (At 2,26-27).

Jesus morreu, mas Sua alma, embora separada de Seu corpo, ficou unida à Sua Pessoa Divina, o Verbo, e desceu à morada dos mortos para abrir as portas do céu aos justos que o haviam precedido (cf. Cat. §637). Para lá foi como Salvador, proclamando a Boa Nova aos espíritos que ali estavam aprisionados. Os Santos Padres da igreja dos primeiros séculos explicaram bem isso. São Gregório de Nissa (†340) disse: “Deus [o Filho] não impediu a morte de separar a alma do corpo, segundo a ordem necessária à natureza, mas os reuniu novamente um ao outro pela Ressurreição, a fim de ser Ele mesmo, em Sua pessoa, o ponto de encontro da morte e da vida, e tornando-se, Ele mesmo, princípio de reunião para as partes separadas” (Or. Catech. , 16: PG: 45,52B).

São João Damasceno (†407), doutor da Igreja e patriarca de Constantinopla ensinou que: “Pelo fato de que, na morte de Cristo, a Sua alma tenha sido separada da carne, a única pessoa não foi dividida em duas pessoas, pois o corpo e alma de Jesus existiram da mesma forma desde o início na pessoa do Verbo; e na Morte, embora separados um do outro, ficaram cada um com a mesma e única pessoa do Verbo” (De fide orthodoxa, 3, 37: PG 94, 109 BA).

A Escritura chama de ‘Morada dos Mortos’, Inferno, Sheol ou Hades, o estado das almas privadas da visão de Deus; são todos os mortos, maus ou justos, à espera do Redentor. Mas o destino deles não é o mesmo como mostra Jesus na parábola do pobre Lázaro recebido no “seio de Abraão”. Jesus não desceu aos infernos (= interior) para ali libertar os condenados nem para destruir o inferno da condenação, mas para libertar os justos, diz o Catecismo (§ 633).

Assim, a Boa Nova foi anunciada também aos mortos, como fala São Pedro (1Pd 4,6). Esta descida de Jesus ao Hades é o cumprimento, até sua plenitude, do anúncio do Evangelho da salvação, e é a última fase da missão de Cristo, é a extensão da redenção a todos os homens de todos os tempos e de todos os lugares. São João disse que Cristo desceu ao seio da terra [um modo de falar], a fim de que “os mortos ouçam a voz do Filho de Deus, e os que a ouvirem vivam” (Jo 5,25). Assim, Jesus, “o Príncipe da vida”, “destruiu  pela morte o dominador da morte, isto é, o diabo, e libertou os que passaram toda a vida em estado de servidão, pelo temor da morte” (Hb 2,5). A partir de agora, Cristo ressuscitado “detém a chave da morte e do Hades” (Ap 1,18), e “ao nome de Jesus todo joelho se dobra no Céu, na Terra e nos Infernos” (Fl 2,10). Uma antiga homilia, de um autor grego desconhecido, e que a Igreja colocou na segunda leitura da Liturgia das Horas, no dia de Sábado Santo, diz:

“Um grande silêncio reina, hoje, na terra, um grande silêncio e uma grande solidão. Um grande silêncio, porque o Rei dorme. A terra tremeu e acalmou-se, porque Deus adormeceu na carne e foi acordar os que dormiam desde séculos. Ele vai procurar Adão, nosso primeiro Pai, a ovelha perdida. Quer visitar todos os que se assentaram nas trevas e à sombra da morte. Vai libertar de suas dores aqueles dos quais é filho e para os quais é Deus: Adão, acorrentado, e Eva com ele cativa. “Eu sou teu Deus e por causa de ti me tornei teu filho. Levanta-te, tu que dormes, pois não te criei para que fiques prisioneiro do Inferno: Levanta-te dentre os mortos, eu sou a Vida dos mortos.”

O Papa beato João Paulo II, falando sobre este mistério, disse: “Depois da deposição de Jesus no sepulcro, Maria é a única que permanece a ter viva a chama da fé, preparando-se para acolher o anúncio jubiloso e surpreendente da ressurreição. A espera vivida no Sábado Santo constitui um dos momentos mais altos da fé da Mãe do Senhor. Na obscuridade que envolve o universo, Ela se entrega plenamente ao Deus da vida e, recordando as palavras do Filho, espera a realização plena das promessas divinas”. (L’Osservatore Romano, ed. port. n.21, 24/05/1997, pag. 12(240).

Felipe Aquino
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