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Obediência e liberdade

Os dois caminhos

Um escrito cristão do século I, chamado “A Didaqué ou Doutrina dos doze Apóstolos”, começa assim: «Há dois caminhos: um da vida e outro da morte. A diferença entre ambos é grande». O caminho da vida – explica – consiste em amar a Deus e ao próximo e observar todos os outros Mandamentos d’Ele. Pelo contrário, quem despreza os Mandamentos da Lei de Deus e se entrega às paixões, hipocrisias, orgulho, adultério, rapinagens, etc., esse envereda pelo caminho da morte. «Filho, fica longe de tudo isso», exorta o autor anônimo desse antiquíssimo texto catequético (I e II).

Como os primeiros cristãos, procuremos compreender os roteiros que os mandamentos da Lei de Deus nos indicam como «caminho da vida». Servindo-nos de uma comparação, vamos imaginar esse «caminho da vida» como uma moderníssima estrada. Podemos pensar numa das grandes rodovias que percorrem o Brasil, por exemplo, a rodovia Belém-Brasília (supondo-a bem conservada).

Tal como acontece com qualquer outra autoestrada, essa permite ao viajante chegar a tempo ao seu destino. Se não houvesse estrada nenhuma, mas apenas a natureza em estado bruto, o viajante ficaria perdido entre matas, capoeiras, brejos, rios e montes, e jamais chegaria ao termo da viagem, ou – como os antigos bandeirantes – demoraria muitos meses até alcançá-lo.

O comerciante desvairado  

Pensemos agora num comerciante que, dizendo encaminhar-se para Belém do Pará, saísse de Brasília (DF) e, uma vez na estrada, comentasse com a esposa, sentada no banco ao lado: – “Vamos a Belém, meu bem, mas eu não estou para aguentar imposições. Estas faixas brancas no asfalto, essas placas, essas sinalizações todas me abafam. Nada de normas rígidas, minha querida. Independência ou morte! Liberdade!”

Nisso, em coerência com os seus devaneios libertários, o nosso motorista resolve sair das “normas rígidas” e acelera em direção à margem direita da estrada, perpendicularmente, como se fosse uma garça, capaz de levantar voo acima de guard-rails, muretas, árvores e construções. O desfecho é fácil de prever: não conseguirá percorrer uns poucos metros sem se espatifar, acabando com a viagem, com o veículo, consigo mesmo e com a esposa.

Pois bem, os Mandamentos de Deus são a estrada que o próprio Deus idealizou, traçou, rasgou e sinalizou para a breve viagem da vida, rumo à eternidade. Essa estrada – se nós a seguimos – conduz-nos a cada passo para mais perto da nossa perfeição, até levar-nos à plenitude da vida eterna.

Obviamente, como toda a autêntica estrada, existem umas margens, está traçada dentro de uns limites. Se os ultrapassamos ou os burlamos, enganamo-nos a nós mesmos e acabamos com a viagem. Quando o Mandamento diz “Não matarás”, “Não roubarás”, “Não mentirás”, “Não cometerás adultério”…, não está, de maneira nenhuma, nos limitando, mas nos encaminhando. Marcando margens além das quais só há descaminho e morte, permite-nos correr pela rota certa e avançar sempre mais, rumo ao horizonte sem fim. Este sentido eminentemente positivo do bom caminho da vida, está perfeitamente indicado pela própria Lei de Deus. Nas rodovias de asfalto, lê-se, com letras e setas: “Para Belo Horizonte”, “Para Goiânia”, “Para Fortaleza”…

No caminho da Lei Divina, mesmo nas “placas” onde se diz “Não”, um viajante lúcido e sensato saberá ler a verdadeira indicação: “Para o amor”, “Para a compreensão”, “Para a fidelidade”, “Para a verdade”, “Para a generosidade”… E, na placa principal, encontrará os dizeres mais claros, que são a meta e a iluminação de todas as outras: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu espírito. Este é o maior e o primeiro mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Nesses dois mandamentos se resumem toda a lei e os profetas” (Mt 22, 36-39).

Um “não” que permite dizer “sim”  

Cada proibição que os Mandamentos formulam, quando bem entendida, é o “não” imprescindível para poder dizer um “sim” amoroso e feliz. Se Deus nos proíbe que odiemos, e nos manda dizer “não” ao ódio, é para que possamos dizer um “sim” ao amor, para que fiquemos liberados para o amor. Se Deus nos diz: “Não pecarás contra a castidade”, “Não cometerás adultério”, é para que, dizendo “não” ao sexo egoísta, possamos dizer “sim” ao amor profundo e fiel, vivido com a alma e com o corpo, dentro do matrimônio santo, generoso e fecundo. Dizer “não” à devassidão e à impureza é “afirmar jubilosamente” – como dizia Monsenhor Escrivá – que a castidade é própria de enamorados que sabem entregar-se e aprendem a dar-se, iluminando o mundo com o seu “dom” sorridente…

Estando, como estamos, tão propensos a saltar fora do caminho, a afundar no egoísmo, a errar e perder-nos, é natural que o fato de descobrir essas verdades nos mova a elevar a Deus um cântico de agradecimento por nos ter libertado do erro e do mal, e por ter gravado na nossa consciência o caminho claro da sua Lei Divina -, os Dez Mandamentos e a “lei evangélica” que os completa e os aperfeiçoa -, pois só esta é a autêntica estrada do Amor.

E a obediência ao Amor é o caminho da Liberdade.

(Adaptação de um trecho da obra de F. Faus: A voz da consciência)
*Padre Francisco Faus, nascido em Barcelona em 1931, é sacerdote da prelazia do Opus Dei. Licenciado em Direito pela Universidade de Barcelona e Doutor em Direito Canônico pela Universidade de São Tomás de Aquino de Roma. Ordenado sacerdote em 1955, reside, desde 1961, em São Paulo, onde exerce uma intensa atividade de formação cristã e atenção espiritual entre estudantes universitários e profissionais. Também se dedica ao atendimento espiritual de sacerdotes e seminaristas.
http://www.padrefaus.org/

Na Audiência, Papa se dirige aos jovens: viva, ame, sonhe e acredite

Cidade do Vaticano (RV) – Viva, ame, sonhe e acredite: a Audiência Geral desta quarta-feira (20/9/2017) do Papa Francisco foi diferente.

A tradicional catequese deu lugar a uma “conversa imaginária” com um jovem ou com qualquer pessoa aberta ao aprendizado. Retomando o tema das catequeses precedentes – a esperança – o Pontífice inovou ao falar da “educação à esperança”, com uma série de exortações.

A primeira delas é “não se renda às trevas”. O primeiro inimigo a combater não está fora de você, mas dentro. Portanto, não dê espaço aos pensamentos negativos; a luta que conduzimos aqui não é inútil, ao final da existência não nos espera o naufrágio: em nós palpita algo de absoluto. “Deus não desilude. Tudo nasce para florescer numa eterna primavera”, disse Francisco, que citou o diálogo entre o carvalho e a amendoeira. O carvalho pediu à amendoeira que falasse de Deus, e ela floresceu.

E o Papa exortou: “Onde quer que estiver, construa! Se estiver no chão, levante-se! Se estiver sentado, coloque-se em caminho! Se o tédio o paralisa, realize obras de bem! Se estiver desmoralizado, peça que o Espírito Santo possa preencher o seu vazio.”

O Pontífice prosseguiu convidando a atuar a paz em meio aos homens e a não ouvir a voz de quem espalha ódio e divisão. Por mais diferente que sejam, as pessoas foram criadas para viverem juntas: “ame os seres humanos. Cada criança que nasce é a promessa de uma vida que, mais uma vez, se demonstra mais forte do que a morte”.

“Jesus nos entregou uma luz que brilha nas trevas: proteja-a. Esta única chama é a maior riqueza confiada a sua vida.”

Outra exortação dirigida aos jovens é sonhar: “Sonhe, não tenha medo de sonhar, sonhe um mundo que ainda não se vê, mas que certamente chegará”. Os homens que cultivaram esperanças são também os que venceram a escravidão e promoveram melhores condições de vida sobre a terra.

“Seja responsável por este mundo e pela vida de cada homem.” Toda injustiça contra um pobre é uma ferida aberta. A vida não acaba com a sua existência, neste mundo virão outras gerações.

Outro convite é pedir a Deus o dom da coragem. “O nosso inimigo mais insidioso nada pode contra a fé. Se um dia o medo o tomar, pense simplesmente que Jesus vive em você. Tenha sempre a coragem da verdade”, lembrando-se porém que não é superior a ninguém, levando no coração os sofrimentos de toda criatura.

Cultive os ideais – aconselhou ainda o Papa –; viva por algo que supere o homem. Se errar, levante-se: nada é mais humano do que cometer erros. O Filho de Deus não veio para os saudáveis, mas para os doentes.

“Deus é seu amigo. Aprenda com a maravilha, cultive o estupor. Viva, ame, sonhe, acredite. E, com a graça de Deus, jamais se desespere.”

Setembro: mês da Bíblia

Estamos em mais um dos meses temáticos. Além dos temas dos textos bíblicos e os próprios da liturgia, a Igreja no Brasil nos sugere um assunto que perpassa todo o mês para a nossa reflexão. Em setembro, a Igreja Católica celebra o mês da Bíblia. Esse mês temático foi criado em 1971 e ele foi escolhido porque no último domingo celebramos o Dia Nacional da Bíblia, devido à proximidade da festa de São Jerônimo, patrono dos estudos Bíblicos, no dia 30. A cada ano um livro bíblico é aprofundado em nossas comunidades, seja pelas reuniões de grupos, seja pelas publicações, ou ainda pelas celebrações. Graças aos apóstolos, mais próximas testemunhas que viveram com Jesus Cristo, chegam até nós a Boa-Notícia da Salvação proclamada pelo Filho de Deus. Assim se expressa São Pedro: “Senhor, para quem iremos nós? Só Tu tens palavras de vida eterna?” (Jo 6, 68). Fé na Palavra, que é viva! O Verbo é o prório Cristo: Ele é a Palavra viva! A Bíblia, ou Sagrada Escritura, é como uma carta enviada, que hoje atualizamos com a prática da fé, à luz da Tradição da Igreja e do Magistério Pontifício. É a Sua Palavra viva e eficaz. O que a Palavra de Deus me diz, ainda hoje, aqui e agora? Deus fala, ainda hoje, e as palavras são dirigidas a todas as pessoas. Este é o grande mistério da Palavra de Deus. Para cada um dirige pessoalmente a sua voz. Essa verdade tem consequências enormes. Você precisa ter consciência do que Deus diz na Palavra, a fim de não perder esses momentos especiais. É então que se faz necessário perguntar: O que Deus diz para mim, hoje? Fé na Palavra, que dá a vida! A Palavra que é dirigida a mim, pessoalmente, é a fonte da verdadeira vida. A Palavra deve ser assumida com uma fé profunda, que é sempre dirigida a mim – aqui e agora!!  Encontro com a Palavra viva: sobre o tema, a verdadeira escola de escuta e oração, o Papa João Paulo II, em sua Cartapara o terceiro milénio, Novo millennio ineunte, nos lembra este verdadeiro programa de pastoral. Ele escreve: “É necessário que a escuta da Palavra de Deus deve tornar-se uma vida de acordo com a tradição antiga e sempre válida da lectio divina, para ajudar a encontrar o texto bíblico como Palavra viva que interpela, orienta e plasma a existência”. Este foi o método escolhido para ser seguido pelos nossos círculos bíblicos.  É também o capítulo IV de nosso 11º Plano de Pastoral de Conjunto: “A Palavra de Deus: lugar Privilegiado para o En contro com Jesus Cristo”. A Palavra é uma palavra constantemente presente. Jesus envia seus discípulos a todo o mundo, ordena-lhes fazer discípulos entre as nações por onde passaram, a pregar a Palavra exatamente como foi comunicada a eles. Ler a Bíblia supõe abertura a ação do Espírito Santo, mas também aprofundamentos. São importantes alguns estudos preliminares que fornecem uma visão geral das informações básicas sobre o ambiente em que o livro foi escrito. Por isso, é preciso conhecer o contexto mais amplo da Bíblia. Este contexto irá variar dependendo de qual livro queremos ler. Por exemplo: é óbvio que devemos ler os Evangelhos com uma ótica diferente como lemos o livro do Apocalipse. Esta preparação é ainda mais necessária no caso do Antigo Testamento, que contém uma série de textos escritos dentro de uma cultura muito antiga. Novas traduções são fornecidas e somos ajudados com os comentários de rodapé ou à margem do texto. Recorrer aos Dicionários Bíblicos também nos complementa a ter uma visão mais ampla dos temas e situações. Estes materiais nos ajudam para a leitura individual. Nesse aspecto, vale a pena mencionar dois princípios básicos de leitura da Bíblia. Na sua base, há uma regra geral que diz que toda a Bíblia é um farol para os seres humanos. Assim, o primeiro e fundamental princípio para se ler a Bíblia é este: cada declaração das Escrituras considera o contexto em que ela ocorre. A segunda regra aplica-se a ter em conta os diferentes tipos de passagens literárias da Bíblia. Quem já teve até mesmo um contato superficial com várias obras literárias sabe que o caminho para ler e interpretar tais documentos, ou prosa (como o romance) e poesia é uma forma diferente. Os autores bíblicos também se beneficiaram de uma grande variedade de gêneros literários. Na Bíblia, encontramos textos poéticos (por exemplo, Salmos); encontramos fragmentos de documentos oficiais (por exemplo, no livro de Esdras, Macabeus); encontramos fragmentos de narrativa (por exemplo, em Atos dos Apóstolos). Cada leitura é um pouco diferente. E é necessário evitar o maior perigo na leitura da Bíblia, que é a interpretação fundamentalista. Esta interpretação é de significado literal de cada uma das frases das Escrituras, sem levar em conta as implicações históricas da criação do texto. A leitura fundamentalista da Bíblia enfatiza a interpretação literal. Necessitamos descobrir o que está na narrativa bíblica e que é o mais importante, a saber – a mensagem de levar o homem para a salvação. O nosso dia deveria começar com a leitura da Palavra. A tradição da Igreja nos coloca os salmos para a oração da Liturgia das Horas. É, pois, importante que o inciemos com a leitura orante da Palavra de Deus, algo que vai proteger o nosso coração durante o dia, como Maria, que mantinha tudo no seu coração. Armanazenar a Palavra logo de manhã para irmos “ruminando” durante todo o dia. No final do mergulho na meditação, iniciamos um novo dia com todos os problemas que ele traz, mas no coração temos uma palavra, ou pelo menos um de seus versos, algo recebido e acolhido a partir da leitura. Na liturgia da missa os vários textos se complementam e na sequência nos ajudam a mergulhar ainda mais no mistério. Que no mês da Bíblia, em nossas vidas, em nossas famílias, em nossas comunidades e principalmente na animação do nosso círculo bíblico possamos cada vez mais colocar a Palavra de Deus como centro de nossa ação evangelizadora.

† Orani João Tempesta, O. Cist.  
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ

Católico meia boca

https://afeexplicada.wordpress.com/2013/11/05/catolico-meia-boca/

O Brasil já foi referido muitas vezes como o maior país católico do mundo.

Mas quantos destes conhecem realmente a doutrina católica?

Quantos destes procuram viver de acordo com os mandamentos de Deus e os preceitos da Santa Igreja?

E talvez não procurem viver assim porque nem conheçam a doutrina católica…

A situação torna-se mais complicada ainda quando presenciamos instituições que se denominam católicas e mesmo parte do clero defendendo idéias contrárias à doutrina católica.

Com efeito, o saudoso Papa São João Paulo II, na sua fabulosa Encíclica Veritatis Splendor (1993), mostrou grande preocupação em relação à idéias contrárias à doutrina católica sendo defendidas em instituições que se denominam católicas (n. 116).

A importância de se conhecer a fé e a moral católica, em uma formação consistente, é muitas vezes negligenciada pelos próprios católicos, ignorando que:

•A fé NÃO é um sentimento, e sim uma adesão à um conjunto de verdades que são apreendidas intelectualmente (Catecismo da Igreja Católica, 155).

•Muitos deixam de ser católicos por terem conhecido pouco os fundamentos da fé católica, e acabam aderindo ao protestantismo, ao espiritismo, ao ateísmo, ao agnosticismo, ao indiferentismo religioso, ao relativismo, ao socialismo ou outras doutrinas incompatíveis com a fé católica

•A vida moral é condição necessária para a salvação; embora muitos possam se salvar na ignorância invencível, através da busca sincera da verdade e da vivência da lei natural, existe também um tipo de ignorância que é culposa, quando não se procura suficientemente a verdade e o bem (Catecismo da Igreja Católica, 1790-1791).

•A vida moral é condição necessária para a plena realização humana e a justa ordem social (se a Lei Divina fosse observada, não haveria homicídios voluntários, roubos, assaltos, estupros, drogas, corrupção, adultérios, abortos, invasões de terras, governos totalitários, nacionalismos desordenados, etc).

•Pouco se ama o que pouco se conhece, muito se ama o que muito se conhece. Conhecendo a doutrina católica, mais se ama a Deus, as Suas Obras e a Sua Santa Igreja, mais se deseja realizar a Sua Vontade, mais se deseja o Céu.

•É impossível realizar um apostolado eficaz e dialogar com quem pensa diferente, sem conhecer a doutrina católica. Já dizia São Josemaria Escrivá: “Para o apóstolo moderno, uma hora de estudo é uma hora de oração”.

Já dizia Nosso Senhor Jesus Cristo: “Conhecereis a Verdade e a Verdade vos libertará” (Jo 8, 32).

Em tudo isso vemos que não basta, então, ter uma vida espiritual; é preciso também o conhecimento de um conjunto de verdades necessárias para dar a direção adequada a esta vida espiritual.

É como um barco à vela: não basta que ele se mova, mas é preciso se mover para a direção certa.

Para combater, portanto, um relativismo doutrinal “politicamente correto” que muitas vezes é ensinado, em 1992 o Papa São João Paulo II determinou a publicação do “Catecismo da Igreja Católica”, contendo um resumo oficial da doutrina católica. Pela sede que o ser humano naturalmente tem de conhecer à Deus e Sua Verdade, o Catecismo tem se difundido cada vez mais. Mas infelizmente, muitos católicos ainda não tem contato com ele.

Muitos falam da necessidade de conhecer-se a Bíblia, mas ignoram o fato que a Bíblia NÃO contém toda a Verdade Revelada por Deus (há ainda a Tradição Apostólica), e só pode ser autenticamente interpretada pelo Sagrado Magistério da Igreja, que nos transmite a Escritura (a Bíblia) e a Tradição. Diz o Concilio Vaticano II: “O ofício de interpretar autenticamente a Palavra de Deus escrita ou transmitida foi confiado unicamente ao Magistério vivo da Igreja, cuja autoridade se exerce em nome de Jesus Cristo” (Dei Verbum, n. 10).

Sem a autoridade do Magistério, portanto, a Bíblia como temos hoje nem existiria, pois foi o próprio Magistério quem definiu os livros que deveriam fazer parte da Sagrada Escritura (os chamados “canônicos”) e quais não deveriam (os chamados “apócrifos”), no pontificado do Papa São Dâmaso, próximo ao Concílio de Éfeso (século IV).  A Bíblia sem o Magistério da Igreja é perigosa, pois pode levar à interpretações equivocadas e com péssimas conseqüências em todos os sentidos.

Assim, é fundamental que cada católico tenha à mão um Catecismo, tanto para um estudo sistemático, como para ser fonte de consulta quando houver necessidade.

O Catecismo pode ser encontrado, em geral, nas livrarias católicas, tanto em sua versão completa como na sua versão em compêndio (na forma de perguntas e respostas).

A versão eletrônica do Catecismo pode ser encontrada em: http://www.vatican.va/archive/ccc/index_po.htm

Papa aos membros de Vida Consagrada: fidelidade à vocação

Papa Francisco e o Cardeal João Braz de Aviz, na audiência à plenária da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada – AP
 
Cidade do Vaticano (RV) – O Santo Padre concluiu suas atividades, na manhã deste sábado (28/01/2017), no Vaticano, recebendo na Sala Clementina, cerca de 100 participantes na Plenária da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica.

Em seu pronunciamento, o Papa expressou sua satisfação em receber os membros da Congregação que, nestes dias, em sua plenária, refletiram sobre o tema da “fidelidade e dos abandonos”:

“O tema que escolheram é importante. Podemos dizer que, neste momento, a fidelidade é colocada à prova: é o que demonstram as estatísticas que examinaram. Encontramo-nos diante de certa “hemorragia” que enfraquece a vida consagrada e a própria vida da Igreja. Os abandonos na vida consagrada nos preocupam muito. É verdade que alguns a deixam por um gesto de coerência, porque reconhecem, depois de um sério discernimento, que nunca teve vocação; outros, com o passar do tempo, faltam de fidelidade, muitas vezes a apenas alguns anos da sua profissão perpétua”.

Aqui, o Papa perguntou: o que aconteceu? Como vocês destacaram no seu encontro, são muitos os fatores que condicionam a fidelidade nesse tempo de mudança de época em que se torna difícil assumir compromissos sérios e definitivos. Neste sentido, Francisco destacou alguns desses fatores:

“O primeiro fator que não ajuda a manter a fidelidade é o contexto social e cultural em que vivemos. De fato, vivemos imersos na chamada “cultura do fragmento”, do  “provisório”, que pode levar a viver “à la carte” e ser escravo da moda. Esta cultura leva à necessidade de se manter sempre abertas as “portas laterais” para outras possibilidades, alimenta o consumismo e esquece a beleza de uma vida simples e austera, provocando muitas vezes um grande vazio existencial”.

Vivemos em uma sociedade onde as regras econômicas substituem as leis morais, ditam e impõem seus próprios sistemas de referência em detrimento dos valores da vida; uma sociedade onde a ditadura do dinheiro e do lucro defende sua visão de existência. Em tal situação, disse o Pontífice, é preciso primeiro deixar-se evangelizar e, depois, comprometer-se com a evangelização. Assim, apresentou outros fatores ao contexto sócio-cultural:

“Um deles é o mundo da juventude, um mundo complexo, rico e desafiador. Não faltam jovens generosos, solidários e comprometidos em nível religioso e social; jovens que buscam uma vida espiritual, que têm fome de algo diferente do que o mundo oferece. Mas, mesmo entre esses jovens, há muitas vítimas da lógica do mundanismo, como a busca do sucesso a qualquer preço, o dinheiro e o prazer fáceis”.

Essa lógica, advertiu o Papa, atrai muitos jovens, mas nosso compromisso é estar ao lado deles para contagiá-los com a alegria do Evangelho e de pertença a Cristo. Essa cultura deve ser evangelizada. Aqui, indicou um terceiro fator condicionante, que vem da própria vida consagrada, onde, além de uma grande santidade não faltam situações de contra testemunho que tornam difícil a fidelidade:

“Tais situações, entre outras, são: a rotina, o cansaço, o peso de gestão das estruturas, as divisões internas, a sede de poder… Se a vida consagrada quiser manter a sua missão profética e o seu encanto, continuando a ser escola de lealdade para os próximos e os distantes, deverá manter o frescor e a novidade da centralidade de Jesus, a atração pela espiritualidade e da força da missão, mostrar a beleza do seguimento de Cristo e irradiar esperança e alegria”.

Outro aspecto ao qual a vida consagrada deverá prestar especial atenção é a “vida fraterna comunitária”, que deve ser alimentada pela oração comum, a leitura da palavra, a participação ativa nos sacramentos da Eucaristia e da Reconciliação, o diálogo fraterno, a comunicação sincera entre os seus membros, a correção fraterna, a misericórdia para com o irmão ou a irmã que peca, a partilha das responsabilidades. A seguir, o Santo Padre recordou a importância da vocação:

“A vocação, como a própria fé, é um tesouro que trazemos em vasos de barro, que nunca deve ser roubado ou perder a sua beleza. A vocação é um dom que recebemos do Senhor, que fixou seu olhar sobre nós e nos amou, chamando-nos a segui-lo mediante a vida consagrada, como também uma responsabilidade para quem a recebeu”. 

Falando de lealdade e de abandono, disse ainda Francisco, “devemos dar muita importância ao acompanhamento. A vida consagrada deve investir na preparação de assistentes qualificados para este ministério. E concluiu dizendo que “muitas vocações se perdem por falta de bons líderes. Todas as pessoas consagradas precisam ser acompanhados em nível humano, espiritual e profissional. Aqui entra o discernimento que exige muita sensibilidade espiritual. (MT)

A importância de se estabelecer um dia para a família

A raiva nos afasta da relação fraternal e amorosa presente no ambiente familiar

-Ô menino, por que você não quer sair com a gente?
– Raiva. Ninguém me entende.
– Raiva? Que pecado, meu filho! Criança não sente raiva.
– E você, homem, por que não chega em casa mais cedo?
– Pra quê? Pra passar raiva?
– E você, mulher? Por que não para quieta? Quando não está batendo perna na rua, só fica enfiada nessa cozinha?
– Até parece que faço, porque gosto.

Hoje, vamos refletir sobre o sentimento de raiva nas relações familiares. Situação essa que tem afastado os seus membros do encontro fraterno, do almoço aos domingos e os afastado do cuidado que um deveria ter com o outro.

A elaboração do sentimento de raiva acontece devido à frequência, à duração e à intensidade com que os eventos que provocam frustração e pavor acontecem dentro desse contexto, que eliciam repostas de ansiedade e tensão, provocando o medo de conviver com seus próprios familiares. É muito importante que, na rotina doméstica, a família ocupe um espaço significativo e que todos a reconheçam como fonte de vida.

O treino de conviver com cada membro como único ajudará na manutenção dos vínculos e da boa convivência. Consequentemente, todos desejarão estar em família. Mas e a raiva? Qual o lugar desse sentimento no comportamento das pessoas quando estão com seus familiares?

Segundo Ivan Capelatto, em seu livro ‘A Equação da Afetividade’, “a raiva nada mais é que a manifestação do medo. Resultado da ação de uma região de nosso cérebro, composta pelas amígdalas cerebrais. Esta parte do cérebro também é responsável pela proteção do indivíduo, por sua reação diante dos perigos do mundo. São responsáveis pelas reações de medo, que farão com que lutemos ou fujamos”, ressalta o autor. Diante dessa explicação, é possível compreender que todos nós estamos sujeitos a sentir raiva e manifestar medo diante de situações em que ela é provocada.

O ambiente familiar é propício para que esse sentimento venha à tona com constância. São pessoas com comportamentos diferentes, mas que convivem e precisam de alinhamento em suas relações para garantir a felicidade. Um exemplo muito comum, apresentado por Capelatto, é o da criança que, quando interrompida, em sua brincadeira, porque tem que tomar banho, corre risco de sentir medo de perder aquele prazer que estava sentindo. Nesse momento, as amígdalas são acionadas, a expressão da criança será de raiva por não saber lidar com o medo. De forma semelhante, acontece com o casal quando interrompido em uma relação sexual com a chegada inesperada do filho em seu quarto; além daqueles momentos comuns vividos nas famílias brasileiras: ir ao supermercado e não poder fazer a feira ou não poder pagar o Plano de Saúde que precisam ou desejam ter.

Quem nunca ouviu essas expressões: “Que raiva! Quem tem clima para namorar com tantos problemas?”, “Quando chega o fim de semana, não aguentamos nem mais brincar com os filhos de tão cansados!”. Esses eventos causam danos à vida psicológica da criança e de qualquer ser humano, além de afetar o clima familiar. O sentimento que está por trás de cada expressão dessas é o de raiva, e precisará ser bem administrado para que não passe a controlar a alegria, o temor e o humor da família. Portanto, as reações que cada um demonstra deverão ser entendidas, inicialmente como uma manifestação do organismo que funciona bem. Nem sempre aceitar tudo, demonstrar não sentir raiva e ser a família perfeita e boazinha do bairro é sinal de convivência saudável. Essas reações são sintomas de uma realidade. A falta de raiva em situações reais pode implicar em ausência de medo, indiferença e, consequentemente, sensação desconfortável.

Qual a consequência? Relacionamentos frios e artificiais. E estar em família nos fará sentir um peixe fora d’água. Não faremos questão de encontrar um dia para estarmos juntos. Será sempre ruim conviver com quem tem o nosso sangue se não ouvirmos o que a raiva, que sempre manifesta o medo, quer falar. Estar junto sem se sentir pertença, por causa da raiva não sentida, do medo não amparado, da verdade não dita e da falta de acolhimento às necessidades de todos, é colocar a família em um beco sem saída. Será sempre o fim de um sonho. Um pesadelo conviver. Ter tempo para a família é decidir viver em contato com as nossas emoções sem perder o respeito e o amor por quem nos deu muito mais do que um nome e um sobrenome. Deu-nos a vida!

Se dermos atenção a quem está ao nosso lado e o acolhermos em seus momentos de raiva e medo, será mais fácil agendar um dia ou dois, passar o feriado e tantas outras datas juntos!

Qual dia você escolheu para estar em família?

Judinara Braz

Conselhos para as famílias crescerem no amor

Segunda-feira, 18 de junho de 2012 / Jéssica Marçal / Da Redação

Ouvir o Papa falar com tanta profundidade confirma no coração a certeza de que o caminho melhor é aquele que Jesus preparou para nós, diz Dom Petrini  

Palavras de amor, esperança, fidelidade, conselhos. Fiéis do mundo inteiro puderam se fortalecer em sua fé a partir das mensagens do Papa Bento XVI durante o Encontro Mundial das Famílias, realizado em Milão, na Itália, de 31 de maio a 3 de junho deste ano. Em uma sociedade em que se tornou difícil viver os verdadeiros valores cristãos, o Santo Padre vem trazer esperança e confiança a este núcleo tão importante para o desenvolvimento do ser humano: a família.

O presidente da Comissão Episcopal Pastoral para Vida e Família da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Dom João Carlos Petrini, bispo de Camaçari (BA), participou do encontro em Milão e disse que sentiu as pessoas muito comovidas com seriedade e atenção dispensadas ao evento. Ele contou que sempre é importante fortalecer as mensagens e propostas de vida que Deus tem para as famílias, para cada um na sociedade.

“O amor como dom sincero de si para o bem e felicidade da outra pessoa, é sempre algo que fascina e surpreende. Talvez isso possa atemorizar um pouco pela responsabilidade, mas ao mesmo tempo é uma riqueza notável e extraordinária”.

O bispo não deixou de citar as características do mundo atual, em que, segundo ele, há uma “tendência poderosa” para desvalorizar a visão cristã da família. Por isso mesmo, ele acredita que quem participou do encontro, presencialmente ou não, ficou impressionado com as palavras ditas pelo Pontífice. “Ele (o Papa) fala com uma autoridade extraordinária, é o representante de Jesus Cristo entre nós. Então ouvi-lo falar com tanta profundidade e beleza renova e confirma no coração a certeza de que o caminho melhor é aquele que Jesus preparou para nós”.

Família reunida em Milão durante VII Encontro Mundial das Famílias

Casamento

Um dos momentos marcantes durante o evento, segundo Dom Petrini, foi o diálogo do Papa com algumas famílias. O bispo destacou a resposta dada por Bento XVI a um casal que perguntou sobre o caráter eterno que o amor assume com o casamento.

“O Papa deu uma resposta com muita beleza e sabedoria. Claro, reconhecendo as dificuldades, mas no fundo ele dizia que não é verdade que o amor no casamento começa grande e vai diminuindo até desaparecer. É o contrário. Ele deu o exemplo do vinho nas núpcias de Canaã: o vinho que chegou depois era melhor, tinha uma qualidade superior. Quer dizer, o amor entre marido e mulher pode ter uma qualidade muito superior, por todo o conhecimento, a partilha de vida que já aconteceu”

Mas às vezes essa partilha na vida de um casal acaba sendo prejudicada pelo individualismo e pela preocupação excessiva com a carreira. Quanto a isso, Dom Petrini lembrou o papel importante do amor na relação de um casal.

“Um homem se realiza amando, a mulher se realiza no amor e o amor se caracteriza pelo dom sincero de si para os outros, para o bem de outras pessoas, até mesmo com sacrifícios. Agora o ideal que vai se afirmando cada vez mais no nosso tempo é que, acima de tudo, é o bem estar individual mesmo com sacrifício de outros”, ressaltou.

Conselho do Papa

Já sabendo da dificuldade que os casais encontram para constituir uma família sólida e feliz, tendo em vista as adversidades do mundo atual, Bento XVI deu alguns conselhos para as famílias crescerem no amor. Um deles foi perseverar em Deus e participar da vida eclesial.

O bispo de Camaçari disse que isso foi, com certeza, um convite para as famílias participarem mais das atividades da Igreja. Ele contou que existe uma diferença muito grande quando os casais não se restringem à participação na Missa dominical, mas se reúnem em grupos, nem que seja uma vez por mês, para ler a Palavra de Deus, rezar juntos e partilhar experiências.

“Isso fortalece porque esta partilha de experiência ajuda; a pessoa não se sente tão sozinha para enfrentar os desafios, os problemas. Aquilo que o outro já viveu abre os olhos e o coração para eu também dar um passo mais acertado, para fazer como o outro fez ou para não repetir o erro do outro. Isso é de fundamental importância”.

Ao citar essa participação ativa na Igreja, Dom Petrini lembrou a necessidade das famílias se unirem não só como Igreja, mas também como associações familiares. “Para poder dialogar com os poderes públicos e não em nome da religião, mas em nome da cidadania, que tem todo o direito de reivindicar a liberdade para preservar o Domingo como um dia de repouso e de festa ou horários mais condizentes com a situação de ser pai ou mãe no trabalho”, exemplificou.

Próximo encontro: EUA

No fim do encontro com as famílias em Milão, Bento XVI anunciou que o próximo evento será nos Estados Unidos. Dom Petrini explicou que há uma orientação no Vaticano para que um evento tão significativo como este esteja presente em continentes e ambientes culturais diferentes. “Por exemplo, se faz na Argentina, não vai fazer três anos depois no Chile, porque, no fundo, a mentalidade de países da América Latina é muito semelhante”.

O bispo lembrou ainda que a diversidade de línguas é importante para que pessoas de diferentes partes do mundo possa se sentir acolhida. No caso dos Estados Unidos, por exemplo, os povos mais familiarizados com a língua inglesa se sentem mais diretamente envolvidos e convidados.

“É claro que é uma mentalidade muito diferente. Aquilo que a Igreja está realizando é um grande diálogo entre o mundo e o modo mundano de viver o afeto, o amor, a fraternidade, a maternidade e o modo cristão de ver a família, o afeto, a paternidade, o afeto, o trabalho e a festa. Este diálogo é sempre necessário”, finalizou.

Santo Evangelho (Mt 16, 24-28)

18ª Semana Comum – Sexta-feira 11/08/2017

Primeira Leitura (Dt 4,32-40)
Leitura do Livro do Deute­ronômio.

Moisés falou ao povo dizendo: 32Interroga os tempos antigos que te precederam, desde o dia em que Deus criou o homem sobre a terra e investiga de um extremo a outro dos céus, se houve jamais um acontecimento tão grande, ou se ouviu algo semelhante. 33Existe, porventura, algum povo que tenha ouvido a voz de Deus falando-lhe do meio do fogo, como tu ouviste, e tenha permanecido vivo? 34Ou terá vindo algum Deus escolher para si um povo entre as nações, por meio de provações, de sinais e prodígios, por meio de combates, com mão forte e braço estendido, e por meio de grandes terrores, como tudo o que por ti o Senhor vosso Deus fez no Egito, diante de teus próprios olhos? 35A ti foi dado ver tudo isso, para que reconheças que o Senhor é na verdade Deus e que não há outro Deus fora ele. 36Do céu ele te fez ouvir sua voz para te instruir, e sobre a terra te fez ver o seu grande fogo; e do meio do fogo ouviste suas palavras, 37porque amou teus pais e, depois deles, escolheu seus descendentes. Ele te fez sair do Egito por seu grande poder, 38para expulsar, de diante de ti, nações maiores e mais fortes do que tu, e para te introduzir na terra deles e dá-la a ti como herança, como tu estás vendo hoje. 39Reconhece, pois, hoje, e grava-o em teu coração, que o Senhor é o Deus lá em cima do céu e cá embaixo na terra, e que não há outro além dele. 40Guarda suas leis e seus man­damentos que hoje te prescrevo, para que sejas feliz, tu e teus filhos depois de ti, e vivas longos dias sobre a terra que o Senhor teu Deus te vai dar para sempre.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Responsório (Sl 76)

— Penso em vossas maravilhas, ó Senhor!
— Penso em vossas maravilhas, ó Senhor!

— Recordando os grandes feitos do passado, vossos prodígios eu relembro, ó Senhor; eu medito sobre as vossas maravilhas e sobre as obras grandiosas que fizestes.

— São santos, ó Senhor, vossos caminhos! Haverá Deus que se compare ao nosso Deus? Sois o Deus que operastes maravilhas, vosso poder manifestastes entre os povos.

— Com vosso braço redimistes vosso povo, os filhos de Jacó e de José. Como um rebanho conduzistes vosso povo e o guiastes por Moisés e Aarão.

 

Evangelho (Mt 16,24-28)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 24Jesus disse aos discípulos: “Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome sua cruz e me siga. 25Pois quem quiser salvar a sua vida vai perdê-la; e quem perder a sua vida por causa de mim, vai en­­co­n­trá-la. 26De fato, de que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro mas perder a sua vida? Que poderá alguém dar em troca de sua vida? 27Porque o Filho do Homem virá na glória do seu Pai, com os seus anjos, e então retribuirá a cada um de acordo com a sua conduta. 28Em verdade vos digo: Alguns daqueles que estão aqui não morrerão antes de verem o Filho do Homem vindo com seu Reino”.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

 

A IGREJA CATÓLICA CELEBRA E VENERA HOJE
Santa Clara, patrona da televisão

Destacou-se desde cedo pela sua caridade e respeito para com os pequenos

“Clara de nome, mais clara de vida e claríssima de virtudes!” Neste dia, celebramos a memória da jovem inteligente e bela que se tornou a ‘dama pobre’.

Santa Clara nasceu em Assis (Itália), no ano de 1193, e o interessante é que seu nome vem de uma inspiração dada a sua fervorosa mãe, a qual [inspiração] lhe revelou que a filha haveria de iluminar o mundo com sua santidade.

Pertencente a uma nobre família, destacou-se desde cedo pela sua caridade e respeito para com os pequenos, por isso, ao deparar com a pobreza evangélica vivida por Francisco de Assis apaixonou-se por esse estilo de vida.

Em 1212, quando tinha apenas dezoito anos, a jovem abandonou o seu lar para seguir Jesus mais radicalmente. Para isso foi ao encontro de Francisco de Assis na Porciúncula e teve seus lindos cabelos cortados como sinal de entrega total ao Cristo pobre, casto e obediente. Ao se dirigir para a igreja de São Damião, Clara – juntamente com outras moças – deu início à Ordem, contemplativa e feminina, da Família Franciscana (Clarissas), da qual se tornou mãe e modelo, principalmente no longo tempo de enfermidade, período em que permaneceu em paz e totalmente resignada à vontade divina.

Nada podendo contra sua fé na Eucaristia, pôde ainda se levantar para expulsar – com o Santíssimo Sacramento – os mouros (homens violentos que desejavam invadir o Convento em Assis) e assistir, um ano antes de sua morte em 1253, a Celebração da Eucaristia, sem precisar sair de seu leito. Por essa razão é que a santa de hoje é aclamada como a “Patrona da Televisão”.

Santa Clara, rogai por nós!

Vocação, dom gratuito de Deus

Discernimento

Toda vocação nos remete a uma experiência de felicidade

Vocação é um dom gratuito de Deus e nós precisamos entendê-lo muito bem. A primeira vocação que recebemos é a vida; a segunda é o chamado à santidade que todo cristão recebe de Deus. Depois, existem as vocações específicas, pessoas que são vocacionadas para a medicina, outras para o direito etc. Mas existe também a vocação cristã. É o caso da vocação ao matrimônio, à vida religiosa, ao sacerdócio, ou seja, é Deus quem nos inspira; é Ele quem nos vocaciona e coloca em nós essa iniciativa.

Algumas pessoas vão discernir que a vocação delas vai ser só a do batismo e não vão se casar; outras, vão ver que não são vocacionados a uma comunidade, à vida religiosa ou ao sacerdócio. O importante é descobrir a felicidade, porque a vocação nos remete a uma experiência de felicidade.

Para a vocação religiosa, por exemplo, é fundamental estar em Deus e ver os caminhos pelos quais Ele nos leva. Para discernir uma vocação como o matrimônio, a vida ao sacerdócio ou a uma comunidade é sempre bom ter um diretor espiritual que o acompanhe, é bom fazer uma leitura de sua história e ver para onde Deus o chama, onde Ele o encaixa.

Vocação, dom gratuito de Deus  Já vocação profissional é aquela dinâmica de saber com o que nos identificamos. É uma identificação pessoal.

São vários os sinais. Na vocação religiosa, por exemplo, nós vamos percebendo cada um deles. Eu nunca me imaginei padre, não nasci sonhando que ia ser um sacerdote, não me imaginava celebrando a vida quando era criança, nunca fui coroinha. Mas, com o decorrer do tempo, eu fui me observando, vendo essas aptidões e percebendo que Deus estava me encaminhando à vocação sacerdotal, porque eu ia rezar e me vinha uma Palavra na Bíblia que me indicava essa vocação. Eu ia para a Santa Missa e me via celebrando no lugar do padre. Isso foi algo muito novo para mim, porque não era uma vontade do meu coração. A vontade que eu tinha era a de constituir uma família, mas Deus foi me convencendo a ser padre. Então, é a partir dessa experiência com o Senhor que vai se revelando a nós aquilo que é o nosso chamado.

Deus não nos obriga a nada. Ele não me obrigou a ser padre, Ele me chamou, esperou pela minha resposta e eu a dei livremente; mas poderia ter dito ‘não’. Um exemplo: eu sinto um chamado vocacional ao sacerdócio, mas vou casar. Eu não estaria pecando, não nesse mérito de pecado. Talvez, eu cometesse um pecado contra mim, porque se eu não der uma resposta positiva e não caminhar onde Deus me quer, eu posso não ser plenamente feliz como eu seria se respondesse ao Senhor. Mas eu não acho que isso entre em mérito de pecado, mas sim de liberdade. Deus não nos deu o livre-arbítrio? Eu o tenho para dizer ‘sim’ ou ‘não’ para o Senhor.

Às vezes, pai e mãe sonham que o filho será padre e ficam pressionado-o; ele se torna sacerdote, mas essa não é a vocação dele. O mesmo acontece quando o pai é médico e quer que seu filho também o seja, mas o jovem não quer, e acaba sendo infeliz ao seguir o desejo do pai.

Também pode acontecer a forma negativa, ou seja, o filho quer ser padre, mas os pais querem impedi-lo de seguir sua vocação. Geralmente, aquele que tem um chamado vai em frente, independentemente do apoio da família. É claro que, se essa pessoa foi chamada, mas se deixa influenciar pela voz dos familiares, corre o risco de não se sentir realizado. O importante é discernir o que Deus quer para nós; discernindo isso, vamos nos encontrar com Ele e ser felizes.

Eu, com um ano de caminhada com Deus, comecei a frequentar a Santa Missa diariamente e a me apaixonar pelo altar e pela Palavra. Eu via o padre celebrando e pregando, e a minha vontade era de estar no lugar dele, mas eu achava que aquilo era “coisa da minha cabeça”. Eu ia rezar, abria a Palavra e vinha-me a vocação do profeta: “Eu não sei falar, sou apenas uma criança” (Jr 1,6). Rezando, eu abria a Palavra no Salmo: “Mas que poderei retribuir ao Senhor por tudo o que Ele me tem dado? Erguerei o cálice da salvação, invocando o nome do Senhor” (Sl 115,3). Ou, então: “Tu és sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque” (Sl 109,4). E eu pensava: “Isso tudo é coisa da minha cabeça”.

Procurei o padre da minha paróquia para me ajudar a discernir. Falei para ele todas as coisas erradas que eu tinha feito na minha vida, pois queria que ele me dissesse: “Não, essa não é a sua vocação”. Mas, pelo contrário, ele me mostrou que eu poderia ser, realmente, um padre, mesmo tendo o passado obscuro que eu tive. No entanto, eu lhe disse: “Olhe, padre, o senhor me desculpa, mas eu não quero ser padre”. “Tudo bem, disse ele, então arruma uma namorada, viva um namoro santo como você nunca viveu antes”.

Eu saí de lá liberto, achando que eu tinha encontrado ali a resposta, mas fui percebendo, no dia-a-dia, que não era o matrimônio a minha vocação. Eu namorei e não me preenchi. A partir daí, procurei o padre e disse que queria ser acompanhado dentro da dinâmica do sacerdócio. Então, fui descobrindo que, realmente, a minha felicidade estava na vocação sacerdotal.

Padre Roger Luís
Missionário da Canção Nova

Santo Evangelho (Mt 10, 34–11, 1)

15ª Semana Comum – Segunda-feira 17/07/2017

Primeira Leitura (Êx 1,8-14.22)
Leitura do Livro do Êxodo.

Naqueles dias, 8 surgiu um novo rei no Egito, que não tinha conhecido José, 9 e disse a seu povo: “Olhai como o povo dos filhos de Israel é mais numeroso e mais forte do que nós. 10 Vamos agir com prudência em relação a ele, para impedir que continue crescendo e, em caso de guerra, se una aos nossos inimigos, combata contra nós e acabe por sair do país”. 11 Estabeleceram inspetores de obras, para que o oprimissem com trabalhos penosos; e foi assim que ele construiu para o Faraó as cidades-entrepostos de Pitom e Ramsés. 12 Mas, quanto mais o oprimiam, tanto mais se multiplicava e crescia. 13 Obcecados pelo medo dos filhos de Israel, os egípcios impuseram-lhes uma dura escravidão. 14 E tornaram-lhes a vida amarga pelo pesado trabalho da preparação do barro e dos tijolos, com toda espécie de trabalhos dos campos e outros serviços que os levavam a fazer à força. 22 O Faraó deu esta ordem a todo o seu povo: “Lançai ao rio Nilo todos os meninos hebreus recém-nascidos, mas poupai a vida das meninas”.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Responsório (Sl 123)

— Nosso auxílio está no nome do Senhor.
— Nosso auxílio está no nome do Senhor.

— Se o Senhor não estivesse a nosso lado, que o diga Israel neste momento; se o Senhor não estivesse a nosso lado, quando os homens investiram contra nós, com certeza nos teriam devorado no furor de sua ira contra nós.

— Então as águas nos teriam submergido, a correnteza nos teria arrastado, e então, por sobre nós teriam passado essas águas sempre mais impetuosas. Bendito seja o Senhor, que não deixou cairmos como presa de seus dentes!

— Nossa alma como um pássaro escapou do laço que lhe armara o caçador; o laço arrebentou-se de repente, e assim nós conseguimos libertar-nos. O nosso auxílio está no nome do Senhor, do Senhor que fez o céu e fez a terra!

 

Evangelho (Mt 10,34–11,1)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Ma­teus.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 10,34 “Não penseis que vim trazer a paz à terra; não vim trazer a paz, mas sim a espada. 35 De fato, vim separar o filho de seu pai, a filha de sua mãe, a nora de sua sogra. 36 E os inimigos do homem serão os seus próprios familiares. 37 Quem ama seu pai ou sua mãe mais do que a mim, não é digno de mim. Quem ama seu filho ou sua filha mais do que a mim, não é digno de mim. 38 Quem não toma a sua cruz e não me segue, não é digno de mim. 39 Quem procura conservar a sua vida vai perdê-la. E quem perde a sua vida por causa de mim vai encontrá-la. 40 Quem vos recebe a mim recebe; e quem me recebe, recebe aquele que me enviou. 41 Quem recebe um profeta, por ser profeta, receberá a recompensa de profeta. E quem recebe um justo, por ser justo, receberá a recompensa de justo. 42 Quem der, ainda que seja apenas um copo de água fresca, a um desses pequeninos, por ser meu discípulo, em verdade vos digo: não perderá a sua recompensa”. 11,1 Quando Jesus acabou de dar essas instruções aos doze discípulos, partiu daí, a fim de ensinar e pregar nas cidades deles.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

 

A IGREJA CATÓLICA CELEBRA E VENERA HOJE
Bem-aventurado Inácio de Azevedo e companheiros mártires

Inácio e seus companheiros foram assassinados por serem católicos e missionários

Quarenta mártires. Entre eles 2 padres, 24 estudantes e 14 irmãos auxiliares. Portugueses e espanhóis. Todos pertenciam à Companhia de Jesus.

Inácio de Azevedo nasceu no Porto em 1526. Aos 23 anos, já tinha entrado na Companhia de Jesus ocupando vários serviços. Era ardoroso pelas missões além fronteiras.

Foi quando o Superior Geral o enviou para o Brasil e, ao retornar, testemunhou a necessidade de mais missionários. Saíram por isso, 3 naus missionárias. Em uma delas estavam Inácio de Azevedo e os 39 companheiros. A nau foi interceptada por 5 navios de inimigos da fé católica que queriam a morte de todos.

Por amor à Igreja ele aceitou o martírio, exortou e consolou seus filhos espirituais. Foi morto e lançado ao mar e todos foram martirizados, alcançando a coroa da glória na eternidade.

Inácio e seus companheiros foram assassinados por serem católicos e missionários. Estamos no tempo das novas missões, a começar na nossa casa e onde convivemos. Ali, é o primeiro lugar onde devemos testemunhar o amor a Cristo e, se preciso, sofrer por Ele.

Bem-aventurado Inácio de Azevedo e companheiros mártires, rogai por nós!

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