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Santo Evangelho (João 6, 24-35)

18º Domingo do Tempo Comum 05/08/2018

Primeira Leitura (Êx 16,2-4.12-15)
Leitura do Livro do Êxodo:

Naqueles dias, 2a Comunidade dos filhos de Israel pôs-se a murmurar contra Moisés e Aarão, no deserto, dizendo: 3“Quem dera que tivéssemos morrido pela mão do Senhor no Egito, quando nos sentávamos junto às panelas de carne e comíamos pão com fartura! Por que nos trouxestes a este deserto para matar de fome a toda esta gente?” 4O Senhor disse a Moisés: “Eis que farei chover para vós o pão do céu. O povo sairá diariamente e só recolherá a porção de cada dia a fim de que eu o ponha à prova, para ver se anda ou não na minha lei. 12Eu ouvi as murmurações dos filhos de Israel. Dize-lhes, pois: ‘Ao anoitecer, comereis carne, e pela manhã vos fartareis de pão. Assim sabereis que eu sou o Senhor vosso Deus’”. 13Com efeito, à tarde, veio um bando de codornizes e cobriu o acampamento; e, pela manhã, formou-se uma camada de orvalho ao redor do acampamento. 14Quando se evaporou o orvalho que caíra, apareceu na superfície do deserto uma coisa miúda, em forma de grãos, fina como a geada sobre a terra. 15Vendo aquilo, os filhos de Israel disseram entre si: “Que é isto?” Porque não sabiam o que era. Moisés respondeu-lhes: “Isto é o pão que o Senhor vos deu como alimento”.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Responsório (Sl 77)

— O Senhor deu a comer o pão do céu.
— O Senhor deu a comer o pão do céu.

— Tudo aquilo que ouvimos e aprendemos,/ e transmitiram para nós os nossos pais,/ não haveremos de ocultar a nossos filhos,/ mas à nova geração nós contaremos:/ as grandezas do Senhor e seu poder.

— Ordenou, então, às nuvens lá dos céus,/ e as comportas das alturas fez abrir;/ fez chover-lhes o maná e alimentou-os,/ e lhes deu para comer o pão do céu.

— O homem se nutriu do pão dos anjos,/ e mandou-lhes alimento em abundância;/ conduziu-os para a Terra Prometida, para o Monte que seu braço conquistou.

 

Segunda Leitura (Ef 4,17.20-24)
Leitura da Carta de São Paulo aos Efésios:

Irmãos: 17Eis, pois, o que eu digo e atesto no Senhor: não continueis a viver como vivem os pagãos, cuja inteligência os leva para o nada. 20Quanto a vós, não é assim que aprendestes de Cristo, 21se ao menos foi bem ele que ouvistes falar, e se é ele que vos foi ensinado, em conformidade com a verdade que está em Jesus. 22Renunciando à vossa existência passada, despojai-vos do homem velho, que se corrompe sob o efeito das paixões enganadoras, 23e renovai o vosso espírito e a vossa mentalidade. 24Revesti o homem novo, criado à imagem de Deus, em verdadeira justiça e santidade.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Anúncio do Evangelho (Jo 6,24-35)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo, + segundo João.
— Glória a vós, Senhor!

Naquele tempo, 24quando a multidão viu que Jesus não estava ali, nem os seus discípulos, subiram às barcas e foram à procura de Jesus, em Cafarnaum. 25Quando o encontraram no outro lado do mar, perguntaram-lhe: “Rabi, quando chegaste aqui?”  26Jesus respondeu: “Em verdade, em verdade, eu vos digo: estais me procurando não porque vistes sinais, mas porque comestes pão e ficastes satisfeitos. 27Esforçai-vos não pelo alimento que se perde, mas pelo alimento que permanece até a vida eterna, e que o Filho do Homem vos dará. Pois este é quem o Pai marcou com seu selo”. 28Então perguntaram: “Que devemos fazer para realizar as obras de Deus?”  29Jesus respondeu: “A obra de Deus é que acrediteis naquele que ele enviou”. 30Eles perguntaram: “Que sinal realizas, para que possamos ver e crer em ti? Que obra fazes? 31Nossos pais comeram o maná no deserto, como está na Escritura: ‘Pão do céu deu-lhes a comer’”  32Jesus respondeu: “Em verdade, em verdade vos digo, não foi Moisés quem vos deu o pão que veio do céu. É meu Pai que vos dá o verdadeiro pão do céu. 33Pois o pão de Deus é aquele que desce do céu e dá vida ao mundo”. 34Então pediram: “Senhor, dá-nos sempre desse pão”. 35Jesus lhes disse: “Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim não terá mais fome e quem crê em mim nunca mais terá sede”.

– Palavra da Salvação.
– Glória a vós, Senhor.

 

A IGREJA CATÓLICA CELEBRA E VENERA HOJE
Santo Apolinário – Bispo de Ravena

Santo Apolinário, lutou contra as tentações e suportou até mesmo as torturas como confessor

Neste mesmo dia em que comemoramos a dedicação da Basílica de Santa Maria Maior em Roma, lembramos com alegria da vida de santidade do mais antigo Bispo de Ravena: Santo Apolinário.

Nascido no Séc. I numa família pagã, foi convertido por Deus em Roma, através da pregação do apóstolo São Pedro.

No tempo de Apolinário o paganismo e sincretismo estavam dominando todo o Império e, por isso, todo evangelizador corria grandes riscos de vida. Com a missão indicando a evangelização do Norte da Itália, foi ele edificar a Igreja de Ravena, a qual tornou-se na Itália, depois de Roma, pólo do Cristianismo.

Por causa de Jesus Cristo e do Seu Reino, lutou contra as tentações, permaneceu fiel, com coragem sofreu e suportou até mesmo as torturas como confessor e, mais tarde, o martírio. Conta-nos a história que diante do Édito de Milão em 313, a Igreja Católica adquiriu liberdade religiosa e com isso pôde livremente evangelizar o Império Romano, assim como venerar seus santos; é deste período que encontramos em Ravena grande devoção ao Santo Bispo do qual celebramos hoje, herói da nossa fé.

Santo Apolinário, rogai por nós!

Como descobrir a própria vocação

Segunda-feira, 4 de dezembro de 2017, Da redação, com Boletim da Santa Sé

Em mensagem para Dia Mundial de Oração pelas Vocações, Papa diz que cada vida é fruto de uma vocação divina e indica caminhos para discerni-la

Papa explicou que cada pessoa recebe um chamado, seja para a vida laical no matrimônio, à vida sacerdotal ou à vida consagrada, para tornar-se testemunha do Senhor, aqui e agora / Foto: L’Osservatore Romano

O Vaticano publicou nesta segunda-feira, 4, a Mensagem do Papa Francisco para o 55º Dia Mundial de Oração pelas Vocações, que será celebrado em 22 de abril de 2018, IV Domingo da Páscoa.

“Não estamos submersos no acaso, nem à mercê duma série de eventos caóticos; pelo contrário, a nossa vida e a nossa presença no mundo são fruto duma vocação divina”, destacou o Papa na mensagem.

O Pontífice afirmou que Deus não cessa de vir ao encontro do homem e o acompanha ao longo das estradas “poeirentas” da vida. E destacou três aspectos ligados à vocação pessoal e eclesial de cada pessoa: escuta, discernimento e vida.

Escutar

Francisco explicou que o chamado do Senhor não possui a evidência própria das muitas coisas que pode-se ouvir, ver ou tocar na experiência diária de cada um, mas acontece de forma silenciosa e discreta.

“Assim pode acontecer que a sua voz fique sufocada pelas muitas inquietações e solicitações que ocupam a nossa mente e o nosso coração. Por isso, é preciso preparar-se para uma escuta profunda da sua Palavra e da vida, prestar atenção aos próprios detalhes do nosso dia-a-dia, aprender a ler os acontecimentos com os olhos da fé e manter-se aberto às surpresas do Espírito”, alertou.

O Papa destacou que não será possível descobrir o chamado especial e pessoal que Deus pensou para cada pessoa, se ela permanecer fechada em si mesma, nos próprios hábitos e na apatia de quem desperdiça a vida com si mesma. Pois, perde a oportunidade de sonhar grande e tornar-se protagonista da história única e original que Deus quer escrever com cada ser humano.

Diante disso, apontou a necessidade do recolhimento interior, no silêncio. Um comportamento, que segundo o Santo Padre, está cada vez mais difícil, devido à sociedade rumorosa em que se vive. “À barafunda exterior, que às vezes domina as nossas cidades e bairros, corresponde frequentemente uma dispersão e confusão interior, que não nos permite parar, provar o gosto da contemplação, refletir com serenidade sobre os acontecimentos da nossa vida e realizar um profícuo discernimento, confiados no desígnio amoroso de Deus a nosso respeito”.

Discernir

O Papa destacou que cada pessoa só pode descobrir a própria vocação através do discernimento espiritual. “Um ‘processo pelo qual a pessoa, em diálogo com o Senhor e na escuta da voz do Espírito, chega a fazer as opções fundamentais, a começar pela do seu estado da vida’”.

Ele explicou que a vocação cristã sempre tem uma dimensão profética, como aponta a Sagrada Escritura, que conta sobre os profetas, enviados ao povo para lhes comunicar em nome de Deus palavras de conversão, esperança e consolação.

Francisco apontou que também hoje há grande necessidade do discernimento e da profecia, de superar as tentações da ideologia e do fatalismo e de descobrir, no relacionamento com o Senhor, os lugares, instrumentos e situações através dos quais Ele chama a cada um. “Todo o cristão deveria poder desenvolver a capacidade de ‘ler por dentro’ a vida e individuar onde e para quê o está a chamar o Senhor a fim de ser continuador da sua missão”.

Viver

O Santo Padre destacou que a missão cristã é para o momento presente e afirmou que a ” alegria do Evangelho” não pode esperar pelas lentidões e preguiças de cada um. “Não nos toca, se ficarmos debruçados à janela, com a desculpa de continuar à espera dum tempo favorável; nem se cumpre para nós, se hoje mesmo não abraçarmos o risco duma escolha. A vocação é hoje!”.

E explicou que cada pessoa recebe um chamado, seja para a vida laical no matrimônio, à vida sacerdotal ou à vida consagrada, para tornar-se testemunha do Senhor, aqui e agora.

“Realmente este ‘hoje’ proclamado por Jesus assegura-nos que Deus continua a ‘descer’ para salvar esta nossa humanidade e fazer-nos participantes da sua missão (…) Não temos de esperar que sejamos perfeitos para dar como resposta o nosso generoso ‘eis-me aqui’, nem assustar-nos com as nossas limitações e pecados, mas acolher a voz do Senhor com coração aberto”, concluiu o Pontífice.

 

Mensagem do Papa Francisco para o 55º Dia Mundial de Oração pelas Vocações (22 de abril de 2018)

Escutar, discernir, viver a chamada do Senhor

Queridos irmãos e irmãs!

No próximo mês de outubro, vai realizar-se a XV Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, que será dedicada aos jovens, particularmente à relação entre jovens, fé e vocação. Nessa ocasião, teremos oportunidade de aprofundar como, no centro da nossa vida, está a chamada à alegria que Deus nos dirige, constituindo isso mesmo «o projeto de Deus para os homens e mulheres de todos os tempos» (Sínodo dos Bispos – XV Assembleia Geral Ordinária, Os jovens, a fé e o discernimento vocacional, Introdução).

Trata-se duma boa notícia, cujo anúncio volta a ressoar com vigor no 55.º Dia Mundial de Oração pelas Vocações: não estamos submersos no acaso, nem à mercê duma série de eventos caóticos; pelo contrário, a nossa vida e a nossa presença no mundo são fruto duma vocação divina.

Também nestes nossos agitados tempos, o mistério da Encarnação lembra-nos que Deus não cessa jamais de vir ao nosso encontro: é Deus connosco, acompanha-nos ao longo das estradas por vezes poeirentas da nossa vida e, sabendo da nossa pungente nostalgia de amor e felicidade, chama-nos à alegria. Na diversidade e especificidade de cada vocação, pessoal e eclesial, trata-se de escutar, discernir e viver esta Palavra que nos chama do Alto e, ao mesmo tempo que nos permite pôr a render os nossos talentos, faz de nós também instrumentos de salvação no mundo e orienta-nos para a plenitude da felicidade.

Estes três aspetos – escuta, discernimento e vida – servem de moldura também ao início da missão de Jesus: passados os quarenta dias de oração e luta no deserto, visita a sua sinagoga de Nazaré e, aqui, põe-Se à escuta da Palavra, discerne o conteúdo da missão que o Pai Lhe confia e anuncia que veio realizá-la «hoje» (cf. Lc 4, 16-21).

Escutar

A chamada do Senhor – fique claro desde já – não possui a evidência própria de uma das muitas coisas que podemos ouvir, ver ou tocar na nossa experiência diária. Deus vem de forma silenciosa e discreta, sem Se impor à nossa liberdade. Assim pode acontecer que a sua voz fique sufocada pelas muitas inquietações e solicitações que ocupam a nossa mente e o nosso coração.

Por isso, é preciso preparar-se para uma escuta profunda da sua Palavra e da vida, prestar atenção aos próprios detalhes do nosso dia-a-dia, aprender a ler os acontecimentos com os olhos da fé e manter-se aberto às surpresas do Espírito.

Não poderemos descobrir a chamada especial e pessoal que Deus pensou para nós, se ficarmos fechados em nós mesmos, nos nossos hábitos e na apatia de quem desperdiça a sua vida no círculo restrito do próprio eu, perdendo a oportunidade de sonhar em grande e tornar-se protagonista daquela história única e original que Deus quer escrever conosco.

Também Jesus foi chamado e enviado; por isso, precisou de Se recolher no silêncio, escutou e leu a Palavra na Sinagoga e, com a luz e a força do Espírito Santo, desvendou em plenitude o seu significado relativamente à sua própria pessoa e à história do povo de Israel.

Hoje este comportamento vai-se tornando cada vez mais difícil, imersos como estamos numa sociedade rumorosa, na abundância frenética de estímulos e informações que enchem a nossa jornada. À barafunda exterior, que às vezes domina as nossas cidades e bairros, corresponde frequentemente uma dispersão e confusão interior, que não nos permite parar, provar o gosto da contemplação, refletir com serenidade sobre os acontecimentos da nossa vida e realizar um profícuo discernimento, confiados no desígnio amoroso de Deus a nosso respeito.

Mas, como sabemos, o Reino de Deus vem sem fazer rumor nem chamar a atenção (cf. Lc 17, 21), e só é possível individuar os seus germes quando sabemos, como o profeta Elias, entrar nas profundezas do nosso espírito, deixando que este se abra ao sopro impercetível da brisa divina (cf. 1 Re 19, 11-13).

Discernir

Na sinagoga de Nazaré, ao ler a passagem do profeta Isaías, Jesus discerne o conteúdo da missão para a qual foi enviado e apresenta-o aos que esperavam o Messias: «O Espírito do Senhor está sobre Mim; porque Me ungiu para anunciar a Boa-Nova aos pobres; enviou-Me a proclamar a libertação aos cativos e, aos cegos, a recuperação da vista; a mandar em liberdade os oprimidos, a proclamar o ano favorável da parte do Senhor» (Lc 4, 18-19).

De igual modo, cada um de nós só pode descobrir a sua própria vocação através do discernimento espiritual, um «processo pelo qual a pessoa, em diálogo com o Senhor e na escuta da voz do Espírito, chega a fazer as opções fundamentais, a começar pela do seu estado da vida» (Sínodo dos Bispos – XV Assembleia Geral Ordinária, Os jovens, a fé e o discernimento vocacional, II.2).

Em particular, descobrimos que a vocação cristã tem sempre uma dimensão profética. Como nos atesta a Escritura, os profetas são enviados ao povo, em situações de grande precariedade material e de crise espiritual e moral, para lhe comunicar em nome de Deus palavras de conversão, esperança e consolação. Como um vento que levanta o pó, o profeta perturba a falsa tranquilidade da consciência que esqueceu a Palavra do Senhor, discerne os acontecimentos à luz da promessa de Deus e ajuda o povo a vislumbrar, nas trevas da história, os sinais duma aurora.

Também hoje temos grande necessidade do discernimento e da profecia, de superar as tentações da ideologia e do fatalismo e de descobrir, no relacionamento com o Senhor, os lugares, instrumentos e situações através dos quais Ele nos chama. Todo o cristão deveria poder desenvolver a capacidade de «ler por dentro» a vida e individuar onde e para quê o está a chamar o Senhor a fim de ser continuador da sua missão.

Viver

Por último, Jesus anuncia a novidade da hora presente, que entusiasmará a muitos e endurecerá a outros: cumpriu-se o tempo, sendo Ele o Messias anunciado por Isaías, ungido para libertar os cativos, devolver a vista aos cegos e proclamar o amor misericordioso de Deus a toda a criatura. Precisamente «cumpriu-se hoje – afirma Jesus – esta passagem da Escritura que acabais de ouvir» (Lc 4, 20).

A alegria do Evangelho, que nos abre ao encontro com Deus e os irmãos, não pode esperar pelas nossas lentidões e preguiças; não nos toca, se ficarmos debruçados à janela, com a desculpa de continuar à espera dum tempo favorável; nem se cumpre para nós, se hoje mesmo não abraçarmos o risco duma escolha. A vocação é hoje! A missão cristã é para o momento presente! E cada um de nós é chamado – à vida laical no matrimónio, à vida sacerdotal no ministério ordenado, ou à vida de especial consagração – para se tornar testemunha do Senhor, aqui e agora.

Realmente este «hoje» proclamado por Jesus assegura-nos que Deus continua a «descer» para salvar esta nossa humanidade e fazer-nos participantes da sua missão. O Senhor continua ainda a chamar para viver com Ele e segui-Lo numa particular relação de proximidade ao seu serviço direto. E, se fizer intuir que nos chama a consagrar-nos totalmente ao seu Reino, não devemos ter medo. É belo – e uma graça grande – estar inteiramente e para sempre consagrados a Deus e ao serviço dos irmãos!

O Senhor continua hoje a chamar para O seguir. Não temos de esperar que sejamos perfeitos para dar como resposta o nosso generoso «eis-me aqui», nem assustar-nos com as nossas limitações e pecados, mas acolher a voz do Senhor com coração aberto. Escutá-la, discernir a nossa missão pessoal na Igreja e no mundo e, finalmente, vivê-la no «hoje» que Deus nos concede.

Maria Santíssima, a jovem menina de periferia que escutou, acolheu e viveu a Palavra de Deus feita carne, nos guarde e sempre acompanhe no nosso caminho.

Vaticano, 3 de dezembro – I domingo do Advento – de 2017.

FRANCISCO

Comissão para Vida e Família convoca mobilização a favor da vida e contra o aborto

https://www.acidigital.com/noticias/comissao-para-vida-e-familia-convoca-mobilizacao-a-favor-da-vida-e-contra-o-aborto-81313

Imagem referencial / Foto: Pixabay (Domínio Público)

BRASILIA, 27 Jul. 18 / 12:00 pm (ACI).- Diante da “gravidade” da iminente discussão no Supremo Tribunal Federal (STF) da descriminalização do aborto no Brasil, a Igreja no país convocou todas as comunidades a “uma mobilização em favor da vida”.

A convocatória foi feita através de uma nota da Comissão Episcopal Pastoral para a Vida e a Família da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e Comissão Nacional da Pastoral Familiar, publicada na quinta-feira, 26 de julho.

O texto, intitulado “Aborto e Democracia” propõe três ações a serem realizadas pelas comunidades às vésperas da audiência pública convocada pelo STF para debater a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF 442), que propõe a descriminalização do aborto a realização do aborto até 12 semanas de gestação.

Entre as propostas de gestos concretos está a realização de “uma vigília de oração, organizada pela Pastoral Familiar local, tendo como intenção a defesa da vida dos nascituros”, ao fim da qual poderia ser elaborada uma breve ata a ser enviada ao Congresso Nacional.

Sugerem ainda que “nas Missas do último domingo de julho, os padres poderiam comentar brevemente a situação, esclarecendo o povo fiel acerca do assunto e reservando uma das preces da Oração da Assembleia para rezar pelos nascituros”.

Por fim, incentivam os fiéis leigos a procurarem “seus deputados para esclarecê-los sobre este problema”, pois “cabe, de fato, ao Congresso Nacional colocar limites a toda e qualquer espécie de ativismo judiciário”.

ADPF 442 – Um perigo iminente

Na nota assinada pelo presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Vida e a Família da CNBB e Bispo Diocesano de Osasco (SP), Dom João Bosco Sousa, recorda-se que a maioria do povo brasileiro é “contrário a qualquer forma de legalização do aborto” e que as propostas que buscavam tal legalização “sempre foram debatidas democraticamente no parlamento brasileiro e, após ampla discussão social, sempre foram firmemente rechaçadas pela população e por seus representantes”.

Entretanto, mesmo diante da crescente “desaprovação ao aborto” no país, “assistimos atualmente uma tentativa de legalização” desta prática “que burla todas as regras da democracia: quer-se mudar a lei mediante o poder judiciário”.

Na nota, a Comissão explica que a ADPF 442 solicita a “supressão dos artigos 124 a 126 do Código Penal, que tipificam o crime de aborto, alegando a sua inconstitucionalidade” e, frente a isso, o Supremo convocou a audiência pública de 3 e 6 de agosto, na qual, porém, “a maior parte dos expositores representa grupos ligados à defesa da legalização do aborto”.

Segundo a Comissão da CNBB, “a rigor, o STF não poderia dar andamento à ADPF, pois não existe nenhuma controvérsia em seu entendimento. Em outras palavras, em si, a ADPF 442 transcende o problema concreto do aborto e ameaça os alicerces da democracia brasileira”, devido ao ativismo judicial.

“O momento exige atenção de todas as pessoas que defendem a vida humana”, assinala-se, recordando que “Todos os debates legislativos precisam ser realizados no parlamento, lugar da consolidação de direitos e espaço em que o próprio povo, através dos seus representantes, outorga leis a si mesmo”.

“Ao poder judiciário – pontua – cabe fazer-se cumprir as leis, ao poder legislativo, emaná-las”.

Diante disso, a Comissão alerta ainda para o possível “aborto da democracia”, por meio da usurpação de poder, que vai contra a natureza democrática de que “nenhum poder seja absoluto e irregulável”.

“Precisamos garantir o direito à vida nascente e, fazendo-o, defender a vida de nossa democracia brasileira, contra todo e qualquer abuso de poder que, ao fim e ao cabo, constituir-se-ia numa espécie de ‘aborto’ da democracia”, ressalta.

Acrescenta ainda que, “em sua evangélica opção pelos pobres, a Igreja vem em socorro dos mais desprotegidos de todos os desprotegidos: os nascituros que, indefesos, correm o risco do desamparo da lei e da consequente anistia para todos os promotores desta que São João Paulo II chamava de cultura da morte”.

“Invocamos sobre todo o nosso país a proteção de Nossa Senhora Aparecida, em cuja festa se comemora juntamente o dia das crianças, para que ela abençoe a todos, especialmente as mães e os nascituros”, conclui.

XVI Domingo do Tempo Comum – Ano B

Por Mons. Inácio José Schuster 

Vinde para um lugar deserto e descansai um pouco
XVI Domingo do tempo comum (B)
Jr 23, 1-6; Ef 2, 13-18; Mc 6, 30-34

Na passagem do Evangelho, Jesus convida seus discípulos a separar-se da multidão, do seu trabalho, e retirar-se com Ele a «um lugar deserto». Ele lhes ensina a fazer o que Ele fazia: equilibrar ação e contemplação, passar do contato com as pessoas ao diálogo secreto e regenerador consigo mesmo e com Deus. O tema é de grande importância e atualidade. O ritmo de vida adquiriu uma velocidade que supera nossa capacidade de adaptação. A cena de Charlot concentrado na linha de montagem em Tempos Modernos é a imagem exata desta situação. Perde-se, desta forma, a capacidade de separação crítica que permite exercer um domínio sobre o fluir, freqüentemente caótico e desordenado, das circunstâncias e das experiências diárias. Jesus, no Evangelho, jamais dá a impressão de estar agitado pela pressa. Às vezes, ele até perde o tempo: todos o buscam e Ele não se deixa encontrar, absorto como está na oração. Às vezes, como em nossa passagem evangélica, Ele inclusive convida seus discípulos a perderem tempo com Ele: «Vinde sozinhos para um lugar deserto e descansai um pouco». Ele recomenda freqüentemente que não se agitem. Também o nosso físico, quanto bem recebe através de tais «folgas». Ao mandamento «Lembrai-vos de santificai as festas», seria preciso acrescentar: «Lembrai-vos de santificar as férias». «Parai (literalmente: tirai férias!), sabei que eu sou Deus», diz Deus em um salmo (Sl 46). Um meio simples de fazer isso poderia ser entrar em uma igreja ou em uma capela de montanha, em uma hora onde estiver deserta, e passar um pouco de tempo «solitário» lá, a sós conosco mesmos, a sós frente a Deus. Esta exigência de tempos de solidão e de escuta se apresenta de forma especial aos que anunciam o Evangelho e aos animadores da comunidade cristã, que devem permanecer constantemente em contato com a fonte da Palavra que devem transmitir aos seus irmãos. Os leigos deveriam alegrar-se, não se sentir descuidados, cada vez que o próprio sacerdote se ausenta para um tempo de recarga intelectual e espiritual. É preciso dizer que as férias de Jesus com os apóstolos foram de breve duração, porque as pessoas, vendo-o partir, seguiram-no a pé até o lugar de desembarque. Mas Jesus não se irrita com as pessoas que não lhe dão trégua, senão que «se comove», vendo-as abandonadas a si mesmas, «como ovelhas sem pastor», e começa a «ensinar-lhes muitas coisas». Isso nos mostra que é preciso estar dispostos a interromper até o merecido descanso frente a uma situação de grave necessidade do próximo. Não se pode, por exemplo, abandonar ou estacionar em um hospital, um idoso sobre quem se tem a responsabilidade, para desfrutar de umas férias sem incômodos. Não podemos esquecer das muitas pessoas cuja solidão elas não escolheram, senão que a sofrem, e não por algumas semanas ou um mês, senão por anos, talvez durante a vida toda. Também aqui cabe uma pequena sugestão prática: olhar à nossa volta e ver se existe alguém a quem ajudar a sentir-se menos sozinho na vida, com uma visita, uma ligação, um convite a vê-lo um dia no lugar das férias: aquilo que o coração e as circunstâncias sugiram.

 

Os discípulos (esta é a primeira vez que São Marcos os chama Apóstolos) “voltaram para junto de Jesus”, depois do envio que escutamos no domingo passado. Jesus convida-os a repousar, mas uma multidão impedia que tal acontecesse: “Jesus viu uma grande multidão e compadeceu-Se de toda aquela gente, porque eram como ovelhas sem pastor. E começou a ensinar-lhes muitas coisas. Na 1ª Leitura, Jeremias fala durante os últimos dias do reino da Judéia, antes do exílio. Em nome de Deus, acusa e condena os reis e os dirigentes do povo, que são chamados pastores, porque “dispersastes as minhas ovelhas e as escorraçastes, sem terdes cuidado delas”. Deus chama “ovelhas” às pessoas simples do povo. É uma situação muito idêntica aos dias de hoje. As pessoas simples eram esquecidas, desprezadas e exploradas pelo poder. O Deus de Israel sai em seu socorro. No tempo de Jeremias, a autoridade civil e religiosa estava nas mesmas mãos. Hoje, isso não acontece, mas o problema continua a existir. Deus condena aqueles que têm autoridade e que a usam para fazer mal às “suas ovelhas”. Em seguida, aparece no texto a experiência mística do homem bíblico crente: “Eu mesmo reunirei o resto das minhas ovelhas de todas as terras onde se dispersaram e as farei voltar às suas pastagens”. Este “Oráculo do Senhor” começa já a manifestar o núcleo da revelação perante a humanidade perdida, abandonada e oprimida. Jeremias anunciou a vinda de um rei prudente, ou seja, Jesus, o “Bom Pastor” (Jo 10), a presença do “Eu sou” entre a humanidade, não como um rei poderoso, mas como um simples servidor, um do povo, sem nenhum título entre os nobres de Israel, alguém que “nem tem tempo para comer”. Jesus compadeceu-Se da multidão; é a atitude de Deus perante a humanidade. No mundo, há pessoas simples e há pessoas com inteligência e com poder e algumas até governam o mundo. Mas, de uma maneira ou de outra, todos entramos no mesmo grupo: perdidos, como ovelhas sem pastor. A última frase do evangelho deste domingo é surpreendente: “E começou a ensinar-lhes muitas coisas”. São João diz-nos que Jesus é o Bom Pastor que ama as suas ovelhas até dar a vida por elas. São Marcos destaca o “núcleo”, ou seja, a maneira como Jesus concretiza o anúncio do Antigo Testamento “Eu mesmo reunirei o resto das minhas ovelhas”: ensina calmamente o povo, ou seja, toda a humanidade. Jesus fala de Deus, da vida, do amor, da esperança; ensina para que as pessoas O escutem, lhe abram o coração, participem da sua experiência e assim aprendam pessoalmente qual é a verdade e a vida. A verdadeira obra de Deus não é escolher novos líderes do povo, mas pela Sua Palavra oferecer a todos o Espírito de amor, de vida e de esperança. É assim que nos convertemos nas suas ovelhas e em criaturas novas que entendem pessoalmente o valor do amor, do desprendimento, do serviço, da esperança; pessoas que acreditam e vivem. É um processo – itinerário nunca terminado. Somos cristãos na medida em que escutamos, rezamos, abrimos o coração e deixamos que a Sua palavra penetre na nossa vida. A Carta aos Efésios resume a obra salvífica de Jesus Cristo deste modo: “Foi Ele que fez de judeus e gregos um só povo e derrubou o muro da inimizade que os separava” (o ódio). O primeiro grande princípio que Jesus ensina é o amor; amou até ao fim, até a cruz. Todos têm conhecimento de povos e culturas que se enfrentam violentamente. De fato, os sofrimentos do mundo atual resumem-se a estes confrontos. Constantemente, levantamos “barreiras” que separam, tanto morais como físicas. A obra salvadora de Jesus é destruir essas barreiras na cabeça e no coração das pessoas. Como são fortes e horríveis os argumentos que justificam a indiferença, a condenação, o esquecimento, o desprezo, o insulto, a agressão, a violência. A fé cristã proclama que estas barreiras têm que ser destruídas, lutando contra a corrente que afirma que é impossível tal acontecer. Mas, foi isto que Jesus veio fazer ao mundo. Com a sua palavra e o seu Espírito de amor e de perdão, com a sua morte na cruz, entregando-se ao Pai, abriu o caminho da Paz.

 

As ovelhas sem pastor
Dom Paulo Mendes Peixoto

O domingo é um dia especial na vida de todas as pessoas. É dia de festa, de solenidades, de alegria benfazeja e de descanso. Ele tem uma grande força irradiante de energia de comunhão, de convivência, de revigorar as forças das pessoas e de motivar a esperança. Todo esse calor humano deve ser imbuído de atitudes de justiça e de uma paz positiva, com valores que estimulam à vivência de uma vida feliz.

Na realidade cotidiana, marcada por tantas situações, até inesperadas, não podemos perder de vista o rumo, vivendo como pessoas perdidas no mundo, como ovelhas sem pastor, sem referências e de visão muito reduzida, fechada em si mesma. O encanto deve ser recuperado na partilha fraterna do domingo, chamado “Dia do Senhor”, encontrando, na oportunidade, as referências para o bem viver e a capacidade para uma vida saudável.

Para o cristão, mesmo numa cultura marcadamente individualista, ele deve buscar a força que estimula sua caminhada diária na convivência comunitária, na oração e na escuta atenta da Palavra de Deus. Isto tradicionalmente vem acontecendo no domingo, mesmo com sua perda de sentido nos últimos tempos. Aí está a referência maior para o seu ser e a sua dignidade. É um reabastecimento espiritual e físico adquirido no clima espiritual deste Dia do Senhor.

A confiança depositada na Palavra de Deus, que acontece também no diálogo, na convivência fraterna e amiga, na partilha familiar, é capaz de tirar todo medo e angústia próprios dos novos tempos, que são geradores de stress e depressão, atingindo uma grande porcentagem das pessoas. A raiz de tudo isto está no “Senhor que é o Pastor que nos conduz”, seja na tristeza ou na dificuldade, seja na felicidade e no amor.

O Bom Pastor é aquele que destrói os muros de separação entre as pessoas, que aproxima os que estão distantes e acolhe a todos, sem distinção, não deixando que haja ovelhas sem pastor. Ele cria em nós pessoas novas e estabelece a paz, proporcionando um mundo diferente e possível.

 

“Encheu-se de compaixão para com eles, porque eram como ovelhas sem pastor”
“Onde levas o teu rebanho a pastar”, ó bom pastor que o carregas tudo sobre os teus ombros? Porque toda a raça humana é uma única ovelha que tu tomaste aos ombros. Mostra-me o lugar da tua pastagem, faz-me conhecer as águas do repouso, leva-me para a erva suculenta, chama-me pelo nome, para que eu ouça a tua voz, eu que sou tua ovelha, que a tua voz seja para mim a vida eterna. Sim, diz-mo, “tu a quem o meu coração ama”. É assim que te chamo porque o teu Nome está acima de todo o nome, inexprimível e inacessível a toda a criatura dotada de razão. Mas este nome, testemunho dos meus sentimentos para contigo, exprime a tua bondade. Como não te amaria eu, a ti que me amaste quando eu era negra, a ponto de dares a tua vida pelas ovelhas de quem és o pastor? Não é possível imaginar maior amor do que teres dado a vida pela minha salvação.   Ensina-me então “onde levas o teu rebanho a pastar”, que eu possa encontrar a pastagem da salvação, saciar-me com o alimento celeste que todo o homem deve comer se quiser entrar na vida, correr para ti que és a fonte e beber a longos tragos a água divina que fazes brotar para os que têm sede. Essa água corre do teu lado desde que a lança aí abriu uma chaga e todo aquele que a prova torna-se uma fonte de água brotando para a vida eterna.
São Gregório de Nissa (cerca de 335 – 395), monge e bispo
Homilias sobre o Cântico dos Cânticos (Referências bíblicas: Ct 1,7; Lc 15,5; Sl 22; Jo 10,3; Ct 1,7; Fl 2,9; Ct 1,5; Jo 10,11; 15,13; 19,34; 4,14)

 

16º DOMINGO DO TEMPO COMUM – B
Padre Wagner Augusto Portugal, Vigário Judicial da Diocese da Campanha(MG).

“É Deus quem me ajuda, é o Senhor quem defende a minha vida. Senhor, de todo o coração hei de vos oferecer o sacrifício, de dar graças ao vosso nome, porque sois bom” (Sl 53, 6-8).

Irmãos e irmãs,

Todas as vezes que encontramos uma pessoa doente ou com fome a primeira atitude que devemos ter é a atitude que nos ensina Jesus neste domingo, a COMPAIXÃO. Os apóstolos que voltaram para perto de Jesus estavam preocupados, depois de seu estágio pastoral, não com o que fizeram ou ensinaram. Eles estavam preocupados com o próprio e único Senhor Jesus. Era necessário voltar ao Mestre, buscar a fonte da vida. E, aqui, é necessário esse reencontro para que todos nós tenhamos certeza do necessário: agimos e trabalhamos em nome e na ação de Nosso Senhor Jesus Cristo. “O mandato apostólico foi dado por Jesus e é em seu nome que todos devem trabalhar a nova evangelização”. Por isso, “depois do estágio pastoral, Jesus convida seus discípulos para um descanso, ou seja, para um retiro espiritual, para que suas forças sejam revigoradas”. Quando Jesus chegou com os seus apóstolos no lugar destinado para o retiro, acontece o inesperado: uma multidão comprimida espera por Jesus para vê-lo, para ouvi-lo, para compartilhar o seu sofrimento e sua caminhada. Nesse instante, Jesus nos ensina qual deve ser a atitude do cristão: a compaixão. Jesus deixa de lado o retiro e vai ao encontro do povo que está sedento da Palavra de Deus. A Primeira Leitura(Jr 23,1-6) nos apresenta os maus pastores e o verdadeiro pastor de Israel. Os reis de Judá foram maus pastores para o rebanho. Por isso, serão castigados. Mas, Deus reunirá, novamente, seu rebanho, de todos os lugares, e dar-lhe-á um bom pastor, um descendente de Davi, que poderá chamar-se “Javé nossa justiça”. Ele realizará o Reino de Deus entre os homens e as mulheres.

Meus prezados irmãos e irmãs,

No Evangelho de hoje, São Marcos (Mc 6,30-34) emprega a palavra “apóstolo”. “É a única vez que o evangelista usa este termo que significa aquele que é enviado para uma missão. Aquele que vai em nome de alguém. Aquele que age em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo.” Ninguém é apóstolo por sua conta e por sua preferência. O apóstolo recebe o chamado e a missão que vêm de Deus e deve agir em nome do Onipotente, anunciando a todos os povos, não a sua mensagem, mas a mensagem de quem o enviou e de quem o apóstolo representa. A finalidade principal do apóstolo é pregar a palavra de Deus, dando testemunho do que contêm as Sagradas Escrituras, indo de porta em porta anunciando o hoje da salvação. Por isso, o retiro para um lugar deserto que Jesus propõe no Evangelho tem uma grande motivação: para que os seus apóstolos rezem e estejam em íntima unidade com o projeto de Salvação, revigorados na sua missão para evangelizar. Por isso, meus irmãos, nós somos sempre convidados para rezar, para orar, pedindo a Deus força e luzes para continuar a nossa caminhada.

Meus irmãos,

As ovelhas que correm atrás de Jesus e pede que tenha para com elas um pouco de atenção são chamadas de “ovelhas sem pastor” (Mc 6,34), ovelhas sem rumo certo, sem compromisso, aquelas que correm para ver se conseguem um novo rumo pra a sua vida. “A primeira leitura nos ensina que Deus é mesmo o Bom Pastor, aquele que conduz as suas ovelhas”. O Novo Testamento demonstra que o Bom Pastor, que conhece as suas ovelhas, é o próprio Senhor Jesus. Falar do Bom Pastor é falar da meta básica da vida cristã, que é a unidade. A segunda leitura nos ensina que a unidade é importante e urge em nosso meio. Do conjunto das leituras de hoje retiramos uma lição que merece muita reflexão de nossa parte: a reconciliação do homem com Deus o une com seus irmãos, com a sua comunidade. Na prática, porém, o homem, muitas vezes usa Deus para justificar discriminação, ódio, perseguição, pobreza, miséria, fome, etc. Jesus, entretanto, fez “dos dois um só povo”, “um só corpo”, “um só rebanho”, “um homem novo”, “em si mesmo”. Este único corpo é, ao mesmo tempo, o do Cristo e o da comunidade constituída por Ele. Ele veio a nós, dando-nos o poder de nos aproximar do Pai: movimento recíproco, cuja iniciativa está do lado da graça de Deus. Acolher o povo de Deus, ensinar-lhe as coisas do Reino, tudo o que Jesus faz para o povo com vista ao Reino dos Céus é pastoral em proveito de Deus, é cuidar de seu rebanho. Por isso, Jesus dará a sua vida em benefício de toda a humanidade. O que faz algo ser pastoral não é nenhuma atividade determinada, mas o intuito com que ela é assumida: transformar um povo sem rumo em povo conduzido por Deus. Assim, nesta missa, o importante não é multiplicar as atividades chamadas pastorais, mas cuidar de que os que as realizam tenham alma de pastor. E isso é muito fácil, basta acolher, ter liderança e amor, se necessário dando a própria vida pela evangelização, pela edificação do Reino de Deus. Que todos nós possamos caminhar pela pastoral que nos conduz para o caminho de Deus, de seus mandamentos, de sua vida.

Caros fiéis,

A Segunda Leitura nos apresenta a Unidade dos gentios e judeus em Cristo(Ef 2,13-18). Do ponto de vista do judaísmo, os pagãos estavam longe de Deus. Cristo, porém, os trouxe para perto. Por eles Deus chamou a todos. Não há mais discriminação. De judeus e gentios, fez uma nova realidade: o “homem novo”.

Meus irmãos,

Todos nós somos pastores uns dos outros, embora nossas áreas de atuação e o alcance de nosso trabalho sejam diferentes, cada qual de conformidade com a vocação que assumiu. Mas, os pastores não são donos do rebanho. O rebanho de Deus hoje é a Igreja, não mais limitada ao povo de Israel, mas aberta a todos os povos. Esse rebanho precisa de pastores santos e trabalhadores, que desapareçam para que o Cristo apareça. Que todos nós possamos fazer como Jesus que, tendo compaixão, abandonou um retiro e se colocou do lado do povo. Fica um conselho aos novos padres que nunca deixem de dar uma bênção ou atender a um sacramental. O que o povo mais precisa é do carinho, da atenção e do amor de seus pastores, pastores e fiéis comprometidos com a construção aqui e agora da Jerusalém Celeste. Rezemos, pois, para que o Senhor da Messe e Pastor do Rebanho faça florescer cada vez mais santas vocações para o ministério sacerdotal e para o ministério batismal, num mundo onde todos possam dar testemunho do Cristo Ressuscitado, o pastor por excelência, Amém!

Injustiças nascem do nosso comportar como patrões da vida dos outros

Papa no Angelus deste domingo – 07/08/2016

Cidade do Vaticano (RV) – O Papa Francisco conduziu a oração mariana do Angelus, deste domingo (07/08), com os fiéis e peregrinos provenientes de várias partes do mundo que se reuniram na Praça São Pedro.

“No Evangelho de hoje, Jesus fala aos seus discípulos sobre a atitude a ser tomada em vista do encontro final com Ele, e explica como a expectativa deste encontro deve conduzir a uma vida rica de boas obras”, disse o Pontífice em sua alocução.

“Vendam os seus bens e deem o dinheiro em esmola. Façam bolsas que não envelhecem, um tesouro que não perde o seu valor no céu: lá o ladrão não chega, nem a traça rói”, diz Jesus.

“É um convite a dar valor à esmola como obra de misericórdia, a não colocar a confiança nos bens efêmeros, a usar as coisas sem apego e egoísmo, mas segundo a lógica de Deus, a lógica da atenção aos outros, a lógica do amor. Nós podemos ser muito apegados ao dinheiro, ter muitas coisas, mas no final, não podemos levar tudo isso conosco. Recordem que o sudário não tem bolsos”, frisou o Papa.

O ensinamento de Jesus prossegue com três parábolas breves sobre o tema da vigilância. “Isto é importante: a vigilância, estar atentos, ser vigilantes na vida”, disse o Papa.

A primeira é a Parábola dos Servos que esperam na noite o retorno do patrão. “Felizes os  servos que o senhor encontra acordados quando chega”: é a beatitude do esperar o Senhor com fé, de estar preparado, em atitude de serviço. Ele está presente a cada dia, bate à porta do nosso coração. Será feliz aquele que o abrir a porta, porque terá uma grande recompensa: De fato, o Senhor se fará servo de seus servos. É uma recompensa bonita. No grande banquete de seu Reino ele os servirá. Com esta parábola, ambientada na noite, Jesus prevê a vida como uma vigília de expectativa operante, um prelúdio ao luminoso dia da eternidade.

Para ter acesso a essa vida “é preciso estar preparado, vigilante e comprometido com o serviço aos outros, na perspectiva consoladora de que, de lá, não seremos nós a servir a Deus, mas Ele nos acolherá em sua mesa. Pensando bem, isto acontece já hoje toda vez que encontramos o Senhor na oração ou quando servimos os pobres, mas sobretudo na Eucaristia, onde Ele prepara um banquete para nos nutrir com a sua Palavra e seu Corpo”.

A segunda parábola tem como imagem a chegada imprevisível do ladrão. Este fato exige vigilância; de fato, Jesus exorta: “Estejam preparados! Porque o Filho do Homem vai chegar na hora em que vocês menos esperarem”. O discípulo é aquele que espera o Senhor e o seu Reino.

“O Evangelho esclarece esta perspectiva com a terceira parábola: o administrador de uma casa depois da partida do patrão. Na primeira parte, o administrador cumpre fielmente as suas tarefas e recebe a recompensa. Na segunda, o administrador abusa de sua autoridade e espanca os servos, e no retorno inesperado do patrão, será punido. Esta cena descreve uma situação frequente também em nossos dias: muitas injustiças, violências e maldades cotidianas nascem da ideia de nos comportar como patrões da vida dos outros. Temos um patrão que não gosta de ser chamado de patrão, mas como Pai. Somos servos, pecadores e filhos. Ele é o único Pai.”

“Jesus hoje nos recorda que a espera da bem-aventurança eterna não nos exime do compromisso de tornar o mundo mais justo e habitável. Aliás, esta nossa esperança de possuir o Reino na eternidade nos impulsiona a trabalhar para melhorar as condições da vida terrena, especialmente dos irmãos desfavorecidos”, disse ainda o Papa.

Francisco  pediu à Virgem Maria para que nos ajude a ser pessoas e comunidades não achatadas no presente, ou, pior, nostálgicas do passado, mas inclinadas ao futuro de Deus, ao encontro com Ele, nossa vida e nossa esperança. (MJ)

Quem é Jesus

Padre Inácio José do Vale, OSBM

“Jesus Cristo é o centro e o objeto de todas as coisas; aquele que não o conhece ignora a natureza e a si mesmo”. Blaise Pascal (1623-1662), Físico e Filósofo Francês

Já passaram mais de dois mil anos, a pessoa de Nosso Senhor Jesus Cristo ainda continua cercada de mistérios e controvérsias, apesar de inúmeros estudiosos, abissais pesquisadores que prosseguem se debruçando sobre a sua figura e a sua obra e dos bilhões de seguidores que Nele depositam a sua vida e sua fé em seus ensinamentos. No entanto, em pleno século XXI, vivemos uma vergonhosa realidade: poucos conhecem Jesus Cristo.
Para o ilustre escritor de biografia bíblica o pastor americano Charles R. Swindoll essa situação ficou ainda mais chocante depois de assistir um vídeo em sua igreja, no qual cristãos entrevistados em um shopping center local não sabiam responder a pergunta: Quem é Jesus? Por causa disso, ele tomou a iniciativa muito sábia de escrever o maravilhoso livro: “Jesus – O Maior de Todos”.
Swindoll em seu livro deixa muito claro que não só devemos conhecer Jesus, mas termos uma experiência profunda com Ele.
O autor americano Bill Mckibben disse que “os Estados Unidos são o país que mais se declara cristão e menos age como cristão” (Folha de São Paulo, 31/5/2007, p. 2).
É muito fácil falar, escrever e encenar sobre Jesus, difícil é viver Jesus e sua doutrina.
O grande pintor italiano Fra Angélico dizia: “Para pintar o Cristo, é preciso viver com Cristo”.
Sabendo da ignorância e de uma verdadeira relação com Jesus Cristo, o Papa Bento XVI lançou o livro: “Jesus de Nazaré”.
“Porque me pareceu, sobretudo urgente apresentar a figura e a mensagem de Jesus no seu ministério e, assim, ajudar no crescimento de uma relação viva com Ele”, afirma Bento XVI (Jesus de Nazaré: Primeira Parte: do Batismo no Jordão à Transfiguração. São Paulo: Editora Planeta do Brasil, 2007, p. 19).

PROVAS DOCUMENTAIS
Jesus dentro do judaísmo resgata o Jesus histórico a partir de documentos como os pseudo-epígrafos do Velho Testamento; os códices do Nag Hammadi, encontrados no Alto Egito em 1945; os Manuscritos do Mar Morto, descobertos em 1947; um manuscrito árabe com a versão do célebre historiador Flávio Josefo (37-100) sobre Jesus; e recentes escavações arqueológicas na Palestina.
“Essas tradições permitem conhecer mais sobre Jesus do que qualquer judeu do primeiro século, com a possível exceção de Filo, Paulo e Josefo”, afirma o renomado pesquisador James H. Charlesworth, professor de língua e literatura do Novo Testamento da Universidade de Princeton nos Estados Unidos (Jornal do Brasil, 13/2/1993, p. 4).
“Por essa época apareceu Jesus, homem sábio (…) Ele realizou coisas maravilhosas, foi o mestre daqueles que recebem com júbilo a verdade (…) Por denúncia dos príncipes da nossa nação, Pilatos condenou-o ao suplício da Cruz, mas os seus fiéis não renunciaram ao amor por Ele (…) Ainda hoje subsiste o grupo que, por sua causa, recebeu o nome de cristãos”, Em Antiguidades Judaicas de Flávio Josefo, que era fariseu escritor insigne e cidadão romano.
Outro exemplo de uma descoberta que confirma a historicidade de alguém mencionado na Bíblia é fornecido por Michael J. Howard, que trabalhou junto com a expedição a Cesaréia, em Israel, em 1979. “Por 1.900 anos”, escreveu, “Pilatos só existia nas páginas dos Evangelhos e nas vagas lembranças dos historiadores romanos e judeus. Quase nada se sabia sobre a vida dele. Alguns afirmavam que sequer existira. Mas, em 1961, uma expedição arqueológica italiana trabalhava nas ruínas de antigo teatro romano em Cesaréia. Um operário revirou uma pedra que tinha sido usada em uma das escadarias. No reverso havia a seguinte inscrição, parcialmente obscurecida em latim: ‘Caesariensibus Tiberium Pontius Pilatus Praefectus Iudaeae’ (Ao povo de Cesaréia, Tibério Pôncio Pilatos, Prefeito da Judéia.) Foi um golpe fatal nas dúvidas sobre a existência de Pilatos… Pela primeira vez havia evidência epigráfica contemporânea da vida do homem que ordenara a crucificação de Cristo” (João 19, 13-16; Atos 4, 27).

JESUS: O MAIOR DE TODOS
O que as pessoas famosas disseram sobre o maior homem da história: Jesus Cristo.
“Com todos os meus exércitos e generais, por um quarto de século não consegui subjugar nem um único continente. E esse Jesus, sem a força das armas, vence povos, e culturas por dois mil anos”. Napoleão Bonaparte, Imperador Francês
“Cristo é a maior força espiritual que o homem até hoje conheceu. Ele é o exemplo mais nobre de quem deseja dar tudo sem nada pedir. Vejo em Cristo o supremo modelo: manifestou, como nenhum espírito, a vontade de Deus. Ele pertence aos homens de todas as raças que conservam a fé dos antepassados. Ele é todo amor. O amor, seu supremo mandamento, é dirigido antes de tudo aos mais fracos, aos abandonados”. Mahatma Gandhi, Estadista e Líder Espiritual da Índia
“Devemos supor que a história da vida de Jesus é mera ficção? Realmente, meu amigo, ela não parece ficção. Pelo contrário, a história de Sócrates, que ninguém ousa duvidar, não é tão bem documentada como é a de Jesus Cristo”. Jean-Jacques Rousseau, Filósofo Francês
“Por trinta e cinco anos eu fui, no pleno sentido da palavra, niilista, um homem que não acreditava em nada. Comecei a ter fé cinco anos atrás. Acreditei na doutrina de Jesus Cristo e toda minha vida passou por uma transformação repentina”. Conde Leo Tolstoi, Romancista e Filósofo Russo
“Jesus de Nazaré… é sem dúvida o personagem que mais se destacou na história”. H. G. Wells, Historiador Inglês
“Cristo se destaca como… único e exclusivo entre todos os heróis da história”. Philip Schaff, Teólogo e Historiador Suíço
“É preciso ter uma imaginação bastante fértil para dizer que a figura mais influente, não apenas nestes dois milênios, mas em toda a história humana, não tenha sido Jesus de Nazaré”. Reynolds Price, Escritor e Erudito Bíblico Americano
O grande cientista alemão Albert Einstein disse: “Fico fascinado pela personalidade brilhante de Jesus de Nazaré”.
Realmente, Jesus Cristo é a pessoa mais influente que já viveu entre nós. É a personalidade mais colossal, genial e magnífica de todos os tempos. Ele é ínclito pela sua pessoa, magistral no ensino e eterna é a sua santa doutrina.
Jesus Cristo é o personagem mais poderoso, mais lido, mais encenado, mais retratado, mais citado em obras, suas obras de arte são as mais caras, é o que mais seguidores têm mais amado e adorado na história da humanidade.
Tudo relacionado à sua pessoa torna-se notável e erudito. As Sagradas Escrituras, a música, a arte, jóias, paramentos, são alguns exemplos.
Monumentais são os templos onde Ele é louvado e cultuado. Opulência decorativa, artística e litúrgica para sua honra e adoração.
Tudo fica suntuoso conectado a sua pessoa e a sua obra. Ele é chamado de Mestre, Príncipe e Rei. Como pode tudo isso se Ele nasceu numa manjedoura, de família pobre, era carpinteiro, não era doutor, os poderosos e intelectuais não os viam com bons olhos e por fim, foi crucificado como malfeitor no meio de dois malfeitores?
“Eis que este menino foi colocado para a queda e para o soerguimento de muitos em Israel, e como um sinal de contradição” (Lc 2, 34).

A PERGUNTA QUE NÃO QUER CALAR
Quem é este a quem até os ventos e o mar obedece? (Mt 8, 27).
Realmente, quem é Jesus?
Jesus é o Cristo, o Filho do Deus Vivo (Mt 16, 16). É Deus (Mt 1, 23; Jo 10, 30). É o único Salvador do gênero humano (Lc 19, 10; Jo 3, 16; 18; At 4, 12).
Jesus Cristo foi o único gerado por obra e graça do Divino Espírito Santo no ventre de uma virgem. O único que derramou sangue imaculado numa cruz para redimir a humanidade dos seus pecados. O único ressuscitado gloriosamente e vive reinando presente em nosso meio.
Jesus Cristo é único no amor incondicional ao miserável pecador.
Jesus Cristo é único na paz, no amor, na justiça e na perfeição completa de seu projeto.
Seu projeto é o Reino de Deus, reino de vida e da salvação eterna. Tudo em sua vida parte do fundamento da verdade que liberta o ser humano de todo esquema e sistema de escravidão.
Conhecer Jesus é conhecer a sua obra em prol da nossa vida. Tal conhecimento está acima de tudo e de todos. Este é o conhecimento único de salvação eterna (cf. Jo 17, 3; 2Pd 3, 18).
Por esse conhecimento podemos dizer: que tudo em nós pertence a Jesus Cristo. “Porque tudo é dele, por ele e para ele. A ele a glória pelos séculos! Amém” (Rm 11, 36).
“Somos justificados pela fé e pelo seu precioso sangue” (Rm 5, 1.9). “A nossa fé esta confirmada e apoiada em sua pessoa” (Cl 2, 6.7). “Sem Jesus, nada podemos fazer” (Jo 15, 5).
São Paulo Apóstolo expressa o seu tudo para Cristo desta forma: “Mas o que era para mim lucro eu o tive como perda, por amor de Cristo. Mais ainda: tudo eu considero perda, pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor. Por ele, eu perdi tudo e tudo tenho como esterco, para ganhar a Cristo e ser achado nele, não tendo a justiça da Lei, mas a justiça que vem de Deus, apoiada na fé, para conhecê-lo, conhecer o poder da sua ressurreição e a participação nos seus sofrimentos, conformado-me com ele na sua morte” (Fl 3, 7-10).
Colossal foi o amor de Santa Teresinha do Menino Jesus ao seu Senhor e Mestre.
Santa Teresinha com seu amor profundo a Jesus, provoca, incentiva, exorta e passa para nós o amor indelével de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Podemos ver a beleza do amor de Cristo estampado na linda e terna face de Santa Teresinha.
Podemos dizer que Santa Teresinha é a missionária do amor, pela sua missão, muitos encontram o amor de Cristo Salvador.
Seu lema era: “Amar a Jesus e fazer com que Ele seja amado por todos”.
Vejamos sua expressão de amor a Jesus de forma monumental que vale mais do que todos os diamantes do mundo:
“Minha vocação é o amor. Que Jesus me dê um amor sem limites. A ciência do amor! Não quero senão esta ciência, porque eu não tenho nenhum outro desejo, senão este: Amar Jesus até a loucura!”.

CONCLUSÃO
Quem procura conhecer de tudo e não a Jesus, de tudo torna-se ignorante.
Tempo perdido, ouro jogado ao léu, vida desperdiçada, alma perturbada, vida sem futuro e sem paraíso, tudo isso é o resultado da boçalidade racional e materialista daqueles que vivem sem o saber e sem o viver em Cristo.
A vida só tem sentido e só é laureada quando o centro da nossa formação total é Jesus de Nazaré.
Laureal e lauto sempre será a nossa vida, quando ela se dispuser a caminhar na dimensão do amor de Cristo.
Tenhamos muito cuidado com o tempo: “O tempo escolhe você ou você escolhe o tempo”.
Excelente é você escolher o tempo ao lado de Jesus Cristo e não deixar o tempo escolher você para banalidade.
O ser humano deseja possuir muita coisa, e pouca coisa termina o possuindo como: o vício, o egoísmo, a ganância, a mentira e o ódio.
Aconselhável é a pessoa ser possuída pelo conhecimento da graça, do perdão, da caridade e da esperança de Jesus Salvador.
Tem gente que só aprende do pior jeito, e isso não é legal. Bom é aprender do melhor jeito na escola do Mestre Jesus.
A minha vida está alicerçada na doutrina de Jesus Cristo. A minha fé em Jesus é a minha felicidade e a minha certeza de vida eterna.
Aceito incondicionalmente Jesus como o maior Presente do amor de Deus.
Eu sei o que é a vida, o amor e porque Deus é amor, por causa do sacrifício do Cordeiro Imaculado.
Viver para o bom Deus e no Seu maior Presente, e na caridade do meu semelhante isso é saber quem é Jesus.

Pe. Inácio José do Vale, Pároco da Paróquia São Paulo Apóstolo
Professor de História da Igreja, Faculdade de Teologia de Volta Redonda
E-mail: [email protected]

BIBLIOGRAFIA
ROHDEN, Huberto. Organização Mahatma Gandhi- O Apóstolo da Não Violência, São Paulo: Editora Martin Claret, 2005.
LIETH, Norbert. Conheça Jesus: Único, Incomparável, Maravilhoso, Porto Alegre: Atual, 2000.
SANTA TERESINHA do Menino Jesus, História de Uma Alma, Manuscritos Autobiográficos, São Paulo: Paulus, 1996.
STRONG, Augustus H. Teologia Sistemática, São Paulo: Teológica, 2002.
CHARLESWORTH, James H. Jesus no Judaísmo, São Paulo: Imago.

Quem és tu, Jesus?
Frei Boaventura Kloppenburg, O.F.M.

A fé do cristão católico hoje sabe quem é ou foi o Senhor Jesus. Não obstante, pode procurar as razões mais profundas de sua adesão ao divino Redentor. Dizendo-nos cristãos, palavra que vem de “cristo” (“ungido”), é natural que nossa primeira pergunta se dirija humildemente ao próprio Jesus de Nazaré. Afirmamos que ele é nosso Cristo (Messias) e Senhor. Mas como podemos ter suficiente certeza sobre a vida, a atividade e as verdadeiras intenções de Jesus de Nazaré?
Segundo os relatos evangélicos, Jesus de Nazaré nasceu “nos dias do rei Herodes” (Mt 2,1; Lc 1,5.26). Sabemos hoje que este rei, por causa de suas construções também conhecido como “o grande”, morreu no ano 750 da fundação de Roma, isto é: uns quatro ou cinco anos antes da era comum, que toma o ano do nascimento de Jesus como ano primeiro. Se veio ao mundo “nos dias do rei Herodes”, Jesus deve ter nascido ao menos uns seis ou sete anos antes da era cristã. Mas os quatro Evangelhos, todos eles documentos históricos do primeiro século, são apenas biografias fragmentárias de Jesus com uma finalidade pastoral. Pois os Apóstolos não pretendiam em sua pregação satisfazer meras curiosidades históricas, mas expor os fatos e as doutrinas fundamentais do Mestre de Nazaré. Marcos e João em falam do nascimento de Jesus.
Mas sua figura não é um fantasma projetado numa época incontrolável da história. Ele aparece num dos momentos mais lúcidos da história antiga, numa encruzilhada geográfica bem conhecida pelos historiadores. O evangelista Lucas precisa os contornos históricos dos tempos em que se inicia a pregação do divino Mestre: “No décimo quinto ano do império de Tibério César, quando Pôncio Pilatos era governador da Judéia, Herodes tetrarca da Galiléia, sue irmão Filipe tetrarca da Ituréia e da Traconítide, e Lisânias, tetrarca de Abilene, enquanto Anás e Caifás eram sumos sacerdotes…” (Lc 3,1-2).
O historiador judeu Flávio Josefo, de 1º século, na obra Antigüidades Judaicas, vol. VIII, p.772, escreveu: “Nesse mesmo tempo apareceu Jesus, que era um homem sábio, se todavia devemos considerá-lo simplesmente como um homem, tanto suas obras eram admiráveis. Ele ensinava os que tinham prazer em ser instruídos na verdade e foi seguido não somente por muitos judeus, mas mesmo por muitos gentios. Era o Cristo. Os mais ilustres de nossa nação acusaram-no perante Pilatos e ele o fez crucificar. Os que o haviam amado durante a vida não o abandoaram depois da morte. Ele lhes apareceu ressuscitado e vivo no terceiro dia, como os santos profetas o tinham predito e que ele faria muitos outros milagres. É dele que os cristãos, que vemos ainda hoje, tiraram seu nome”.

Como provar que Jesus é Deus?
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Os homens de nosso tempo, embora aceitem Jesus Cristo como um grande líder religioso, estão cada vez menos dispostos a reconhecê-lo como Deus. A Sua divindade, no entanto, é a coluna vertebral da religião cristã, sem a qual todo o edifício da fé rui inevitavelmente. Afinal, se Jesus é Deus, tudo o que disse é verdadeiro – e a Ele devemos, pela fé, “plena adesão do intelecto e da vontade”, já que Deus “não pode enganar-se nem enganar” ninguém [1] –, mas, se é apenas uma pessoa “iluminada”, a religião que fundou pode muito bem ser remodelada ao gosto dos tempos.
Para provar que Jesus é Deus, o autor C. S. Lewis serviu-se de um argumento que já era apresentado desde o início da Igreja e apresentou-o no livro Mere Christianity [“Cristianismo puro e simples”, no Brasil]. Ele chamou o argumento de “the shocking alternative – a alternativa estarrecedora”:
“Entre os judeus surge, de repente, um homem que começa a falar como se ele próprio fosse Deus. Afirma categoricamente perdoar os pecados. Afirma existir desde sempre e diz que voltará para julgar o mundo no fim dos tempos. Devemos aqui esclarecer uma coisa: entre os panteístas, como os indianos, qualquer um pode dizer que é uma parte de Deus, ou é uno com Deus, e não há nada de muito estranho nisso. Esse homem, porém, sendo um judeu, não estava se referindo a esse tipo de divindade. Deus, na sua língua, significava um ser que está fora do mundo, que criou o mundo e é infinitamente diferente de tudo o que criou. Quando você entende esse fato, percebe que as coisas ditas por esse homem foram, simplesmente, as mais chocantes já pronunciadas por lábios humanos.”
“Há um elemento do que ele afirmava que tende a passar despercebido, pois o ouvimos tantas vezes que já não percebemos o que ele de fato significa. Refiro-me ao perdão dos pecados. De todos os pecados. Ora, a menos que seja Deus quem o afirme, isso soa tão absurdo que chega a ser cômico. Compreendemos que um homem perdoe as ofensas cometidas contra ele mesmo. Você pisa no meu pé, ou rouba meu dinheiro, e eu o perdôo. O que diríamos, no entanto, de um homem que, sem ter sido pisado ou roubado, anunciasse o perdão dos pisões e dos roubos cometidos contra os outros? Presunção asinina é a descrição mais gentil que podemos dar da sua conduta. Entretanto, foi isso o que Jesus fez. Anunciou ao povo que os pecados cometidos estavam perdoados, e fez isso sem consultar os que, sem dúvida alguma, haviam sido lesados por esses pecados. Sem hesitar, comportou-se como se fosse ele a parte interessada, como se fosse o principal ofendido. Isso só tem sentido se ele for realmente Deus, cujas leis são transgredidas e cujo amor é ferido a cada pecado cometido. Nos lábios de qualquer pessoa que não Deus, essas palavras implicam algo que só posso chamar de uma imbecilidade e uma vaidade não superadas por nenhum outro personagem da história.”
“No entanto (e isto é estranho e, ao mesmo tempo, significativo), nem mesmo seus inimigos, quando lêem os evangelhos, costumam ter essa impressão de imbecilidade ou vaidade. Quanto menos os leitores sem preconceitos. Cristo afirma ser ‘humilde e manso’, e acreditamos nele, sem nos dar conta de que, se ele fosse somente um homem, a humildade e a mansidão seriam as últimas qualidades que poderíamos atribuir a alguns de seus ditos.”
“Estou tentando impedir que alguém repita a rematada tolice dita por muitos a seu respeito: ‘Estou disposto a aceitar Jesus como um grande mestre da moral, mas não aceito a sua afirmação de ser Deus.’ Essa é a única coisa que não devemos dizer. Um homem que fosse somente um homem e dissesse as coisas que Jesus disse não seria um grande mestre da moral. Seria um lunático – no mesmo grau de alguém que pretendesse ser um ovo cozido – ou então o diabo em pessoa. Faça a sua escolha. Ou esse homem era, e é, o Filho de Deus, ou não passa de um louco ou coisa pior. Você pode querer calá-lo por ser um louco, pode cuspir nele e matá-lo como a um demônio; ou pode prosternar-se a seus pés e chamá-lo de Senhor e Deus. Mas que ninguém venha, com paternal condescendência, dizer que ele não passava de um grande mestre humano. Ele não nos deixou essa opção, e não quis deixá-la.” [2]
Não é possível que Cristo tenha sido simplesmente “bom”, já que Ele mesmo manifestava, em seus discursos, a consciência de ser Deus encarnado. Não só o disse explicitamente, por exemplo, aos fariseus: “Antes que Abraão existisse, eu sou” [3], como os próprios judeus tinham entendido aonde Ele queria chegar: “Não queremos te apedrejar por causa de uma obra boa, mas por causa da blasfêmia. Tu, sendo apenas um homem, pretendes ser Deus!” [4].
Diante disso, ou se admite que Jesus é Deus ou, então, trata-se de uma pessoa má, seja moral – não sendo Deus, Ele teria mentido –, seja intelectualmente – se Se enganou, não sabendo de Sua própria identidade, é alguém evidentemente louco. O apologista protestante norte-americano Josh McDowell chama isso de “trilema dos três L’s”: se Jesus não é Lord (Senhor), ou é um lier (mentiroso) ou um lunatic (lunático).
Mas, Ele não pode ser um mentiroso perverso. Um homem que amou tanto, a ponto de entregar a própria vida, que transformou inúmeras pessoas com o Seu olhar bondoso e misericordioso, não pode ser um farsante. Ao mesmo tempo, descarta-se que Ele seja um lunático. Se não tinha consciência de quem Ele próprio era, como possuía uma consciência tão aguda do que é a pessoa humana, a ponto de lermos nas páginas do Evangelho como que uma “radiografia” de nossas vidas?
Assim, não resta às pessoas outra alternativa senão crer na divindade de Nosso Senhor.
Os teólogos liberais, no entanto, tentam escapar desse ótimo argumento por duas vias. Primeiro, acusando as Sagradas Escrituras de mentirosas: para fugir de Deus feito homem, eles dizem que o Novo Testamento não é nada mais que uma invenção da comunidade primitiva, que criou um “Jesus da fé” em total oposição ao “Jesus histórico”. Como explicar que esses cristãos aparentemente mentirosos tenham sido os mesmos a darem a vida por aquilo em que acreditavam, é um mistério que esses teólogos se recusam a responder. Homens de fibra, que derramaram o próprio sangue pelo Evangelho, não se identificam com uma comunidade de aproveitadores e charlatães, que teriam forjado uma história só para enganar os outros. Afinal, ninguém dá a vida por uma mentira. As pessoas mentem para salvar a vida, não para perdê-la, como fizeram os primeiros mártires da fé cristã.
Esses mesmos teólogos também recorrem a uma “orientalização” de Cristo: após uma visita à Índia, Jesus teria saído de lá pregando o panteísmo hinduísta, o qual foi o motivo de Sua morte. Mas, qualquer pessoa com um pouco de conhecimento sobre religiões sabe que os ensinamentos do Evangelho são absolutamente incompatíveis com as crenças orientais [5].
Ainda que toda essa explicação seja convincente, não é suficiente para dar a uma pessoa a fé, que “a Igreja a professa como virtude sobrenatural, pela qual, sob a inspiração de Deus e com a ajuda da graça, cremos ser verdade o que ele revela, não devido à verdade intrínseca das coisas conhecida pela luz natural da razão, mas em virtude da autoridade do próprio Deus revelante” [6]. Uma vez diante dos preambula fidei, é preciso bater às portas de Deus e pedir-Lhe, humildemente, o tesouro da fé.

Referências
1. Concílio Vaticano I, Constituição dogmática Dei Filius, 24 de abril de 1870: DS 3008
2. Cristianismo puro e simples, II, 3
3. Jo 8, 58
4. Jo 10, 33
5. No livro “O Diálogo” (Mundo Cristão, 1986), o filósofo Peter Kreeft se aproveita de uma coincidência histórica – a morte de John F. Kennedy, Aldous Huxley e C. S. Lewis no mesmo dia 22 de novembro de 1963 – para criar uma discussão interessante sobre a identidade de Jesus Cristo.
6. Concílio Vaticano I, Constituição dogmática Dei Filius, 24 de abril de 1870: DS 3008

Ou Jesus é Deus ou não é nada
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Jesus não foi um homem que “pretendeu” ser Deus, mas o Verbo que se fez carne e veio morar entre nós

Os cristãos confessam, desde sempre, que Jesus Cristo é Deus. São João escreve que a Palavra, que “estava junto de Deus” e “era Deus” (Jo 1, 1), “se fez carne e veio morar entre nós” (Jo 1, 14). São numerosos os discursos de Cristo em que Ele deixa claro ser muito mais que um simples homem – todo o Evangelho de São João está permeado de declarações desse teor –, sendo este o motivo alegado pelos judeus para condená-Lo à morte: “Não queremos te apedrejar por causa de uma obra boa, mas por causa da blasfêmia. Tu, sendo apenas um homem, pretendes ser Deus” (Jo 10, 33).
Se, naquela época, até quem não seguia Nosso Senhor tinha clara consciência da grandeza do que Ele anunciava, hoje, muitos – atribuindo a si o apelido de “cristãos” – têm advogado, covardemente, uma “terceira opção”: ao invés de rejeitar ou aceitar de vez a mensagem do Evangelho, recorrem a uma leitura distorcida das Escrituras, reduzindo a figura de Jesus à de “um grande profeta, um mestre de sabedoria, um modelo de justiça” [1], cujas máximas valeriam, no máximo, como “guias motivacionais”. Para essas pessoas, a Bíblia não é o livro que traz a revelação de Deus, mas tão somente um “manual de autoajuda”; e a Igreja não é um edifício espiritual, mas uma construção puramente material, voltada apenas aos cuidados e necessidades deste mundo.
Antes de tudo, importa denunciar o grave equívoco desse ponto de vista, que não pode ser aceito sem se cometer um grande e grave atentado à razão. Se Jesus não é “o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” (Jo 1, 29), nem “o pão que desceu do céu” e que dá a vida eterna (Jo 6, 41), nem “a porta das ovelhas” (Jo 10, 7) – realidades que ninguém usaria senão para se referir à divindade –, então, ou é um mentiroso, que queria enganar os outros, ou um louco, que não sabia sequer quem ele mesmo era. Ora, que grandeza pode haver na mentira e na loucura? Ou Jesus é Deus, ou não é nada. Et tertium non datur [2].
É preciso reconhecer, porém, como é cômodo relegar Nosso Senhor à posição de “apenas um homem”. Se é assim, as suas palavras realmente não vinculam, nem obrigam ninguém a nada; são apenas reflexões morais e sociais, como as de qualquer pensador antigo. Daria no mesmo, então, citar Confúcio, Dalai Lama, Buda, Chico Xavier ou Jesus Cristo. Afinal, se são todos homens, com igual tratamento deveriam ser acolhidas suas mensagens: como palavras humanas.
A prática da Igreja primitiva, no entanto, atesta: os discípulos sempre creram que pregavam uma doutrina autenticamente divina. Em carta a Tessalônica, por exemplo, o Apóstolo agradece a Deus “sem cessar, porque, ao receberdes a palavra de Deus que ouvistes de nós, vós a recebestes não como palavra humana, mas como o que ela de fato é: palavra de Deus, que age em vós que acreditais” (1Ts 2, 13). Tanto ontem, como hoje, a fé católica não mudou. Diante das vozes enganadoras que pretendem reduzir a imagem de Cristo à de um chefe religioso qualquer, urge dizer “não”: a boa-nova do Evangelho não é “palavra humana”, mas, verdadeiramente, “palavra de Deus”.
Foi o que disse o Cardeal Joseph Ratzinger – depois, Papa Bento XVI –, na virada do novo milênio, quando publicou a declaração Dominus Iesus, “sobre a unicidade e a universalidade salvífica de Jesus Cristo e da Igreja”. Em 2000 – ou, “em pleno século XXI”, diriam os mais escandalizados –, a Igreja recordava que “os homens (…) só poderão entrar em comunhão com Deus através de Cristo” [3]. À época, os meios de comunicação “rasgaram as vestes”, acusando São João Paulo II e o Vaticano de arrogância e intolerância religiosa. É que, com a Dominus Iesus, a Igreja denunciava taxativamente as opiniões mundanas a respeito de Jesus, das quais a mídia moderna se faz porta-voz tão ardorosa:
“Na reflexão teológica contemporânea é frequente fazer-se uma aproximação de Jesus de Nazaré, considerando-o uma figura histórica especial, finita e reveladora do divino de modo não exclusivo, mas complementar a outras presenças reveladoras e salvíficas. O Infinito, o Absoluto, o Mistério último de Deus manifestar-se-ia assim à humanidade de muitas formas e em muitas figuras históricas: Jesus de Nazaré seria uma delas.” [4]
Nesse sentido, a fé católica é profundamente intolerante, sobretudo, porque é fiel à palavra de Cristo, que não temeu apontar a si mesmo como “o caminho, a verdade e a vida”, fora do qual ninguém pode ir ao Pai (Jo 14, 6). Essa expressão – dita pelo mesmo Jesus que perdoou os pecadores arrependidos, curou os doentes e saciou os pobres – mostra como a misericórdia divina está profundamente unida à verdade da Sua mensagem, que repele todo erro, toda mentira… e toda falsa religião.
Ao argumento dos judeus de que Jesus, sendo apenas um homem, se fazia Deus, a Igreja responde, em consonância com dois mil anos de Tradição e Magistério: Jesus não foi um homem que pretendeu ser Deus. Ao contrário, Ele foi Deus, que, não se apegando ciosamente à natureza divina, “despojou-se, assumindo a forma de escravo e tornando-se semelhante ao ser humano” (Fl 2, 7). Eis o que creem os cristãos.

Por Equipe Christo Nihil Praeponere
Referências
1. Papa Francisco, Angelus, 24 de agosto de 2014
2. Sobre isso, cf. RC 221: Como provar que Jesus é Deus?
3. Dominus Iesus, 12
4. Ibidem, 9

Lembre-se que Jesus é verdadeiro homem
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Em Jesus de Nazaré, Deus Se fez homem. Não deixe que essa verdade o assuste. Permita que ela transforme você.
Pode Deus ser representado em uma imagem?
Nos séculos VIII e IX, durante a grande controvérsia iconoclasta, uma questão dividiu o mundo cristão oriental. À parte se o uso de ícones no cristianismo violava ou não a proibição do Antigo Testamento sobre a confecção e o uso de esculturas (cf. Ex 20, 4), a pergunta era se Cristo poderia ser realmente retratado em uma imagem. Afinal, qualquer imagem real de Cristo deve apontar tanto para a Sua humanidade quanto para a Sua divindade. Como, porém, representar o infinito? Como descrever o indescritível? Alguns vão mais longe, a ponto de dizer que o próprio Cristo, sendo Deus, não teria possuído quaisquer características finitas. Jesus teria tido todas as cores possíveis de cabelo, todas as formas possíveis de nariz, todos os tamanhos possíveis de pés.
O absurdo disso deveria ser evidente por si mesmo. Essa ideia é sintomática de uma doença muito antiga dentro do cristianismo: a negação – de alguma forma e em determinado grau – da verdadeira humanidade de Cristo. A Igreja gastou os seus primeiros séculos de existência trabalhando com o testemunho das Escrituras e da pregação apostólica, os quais deixaram claro que Jesus, ao mesmo tempo em que era humano – comendo, chorando, sofrendo e morrendo –, era Deus – afirmando ser um só com o Pai, chamando a Si mesmo de “Eu sou” (YHWH) e perdoando pecados. Reconciliar as duas realidades nem sempre foi fácil e a solução de muitos no meio do caminho foi tender ora para um lado, ora para outro – negando que Ele tivesse alma, vontade, inteligência ou aparência humanas. Faziam de tudo para evitar que se dissessem aquelas palavras aparentemente sem sentido: “Deus Se fez homem”.
Não se pode culpar todos os que pensam assim, necessariamente [1]. Não se trata de uma dose fácil de digerir. Alguma coisa em nós parece recuar diante da ideia de que o Todo-Poderoso, o Onipresente, o Onisciente, o Sumo Bem, o único ente necessário, a causa de todas as coisas, possa ser limitado, contido e circunscrito em um bebezinho, em uma criança, em um homem – e não apenas em um homem, mas em um homem pobre, um carpinteiro rústico, nascido em um canto escondido do Império Romano, falando um idioma que poucos podiam compreender. Como pôde ser assim? Como pôde Deus assumir uma forma humana? Como pôde o Deus todo perfeito e autossuficiente sentir fome, crescer, aprender coisas e chorar? Parece haver algo de errado em tudo isso.
Ainda assim, pode existir algo mais indigno do que ser publicamente envergonhado e executado como um criminoso, flagelado em praça pública e ser estendido nu no alto de um monte? Certamente não e, no entanto, não seríamos capazes de negar isso de Jesus, ou seríamos? Assim, se Ele pode sofrer e morrer, por que não pode rezar e comer, chorar e nascer?
Há o outro lado de tudo isso, a visão que nega a divindade de Jesus e vê nele tão somente “um cara legal que nos ensinou algumas coisas boas, deu-nos um grande exemplo e mostrou o quanto nos amou recusando-se a agir violentamente contra os seus assassinos”. Muitas vezes, a ideia de que “Jesus é o Todo-Poderoso Rei do Universo vestindo uma roupa humana por um curto período de tempo” pode não ser nada mais que uma reação ao Jesus “paz e amor”, a outra extremidade do movimento do pêndulo. Mesmo assim, mais do que uma cristologia “fraca” ou “forte”, o que precisamos é de uma cristologia verdadeira – ou, ainda melhor – uma cristologia fiel. Porque nós nunca compreenderemos completamente o mistério da Encarnação, mas podemos apreender um pouco dele, assim que começarmos a deixar que transforme as nossas vidas.
É precisamente este o ponto: Jesus toma a nossa humanidade (toda ela) e a redime, elevando-a à perfeição, apertando o botão reset, por assim dizer. São Paulo diz em sua Carta aos Romanos que pelo pecado de Adão a humanidade se perdeu, mas pela obediência de Cristo, ela foi salva. “Como a falta de um só acarretou condenação para todos os seres humanos, assim a justiça de um só trouxe para todos a justificação que dá a vida” (Rm 5, 18). Isso é o que Santo Irineu de Lião chama a “recapitulação” de Cristo [2], o fato de Ele tornar-Se a cabeça da raça humana, por Sua obediência e sacrifício. Por isso, pela graça merecida por Sua Cruz e dada a nós nos Sacramentos, Ele permite que nos tornemos aquilo para o qual sempre fomos chamados: ser filhos de Deus.
Em Jesus de Nazaré, Deus Se fez homem. Não deixe que essa verdade o assuste. Permita que ela transforme você.

Por Nicholas Senz | Tradução: Equipe CNP
Referências
1. Nesta Resposta Católica, Padre Paulo Ricardo explica que “o pecado da heresia só pode ser consumado quando há uma obstinação do indivíduo pelo erro”.
2. Cf. Adversus Haereses, III, 22, 3 (PG 7, 957-958).

O que é a união hipostática?
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O termo técnico “união hipostática” é usado em teologia para se referir à forma como Deus e a humanidade estão unidos em Jesus Cristo. Não é possível, porém, entender o mistério dessa união sem antes entender um outro mistério: o da Encarnação.
Existem duas naturezas: humana e divina. Entre uma e outra há um abismo, uma distância intransponível entre o homem e Deus. Tal distância já existia antes do pecado original, e este somente a aumentou. A distância entre Criador e criatura faz parte da natureza das coisas.
Não é errado dizer que sozinho o ser humano jamais chegará até Deus, ainda que empreenda os maiores esforços. É impossível e qualquer esforço humano nesse sentido é semelhante à Torre de Babel. Ao homem, portanto, só resta clamar misericórdia e pedir a Deus que venha. Ele veio.
Deus veio ao encontro do homem. No entanto, pelo fato de Deus ser uma realidade tão portentosa, magnífica e poderosa não poderia simplesmente “aparecer”, pois isso seria insuportável para a humanidade. A Sua glória é tamanha que se ela se manifestasse plenamente as criaturas se diluiriam em Deus. Não seria possível ao homem suportar tão grande majestade.
Deus resolveu esse problema se encarnando no seio de Maria. Uma das pessoas da Santíssima Trindade (o Filho) se fez homem, de tal forma que em Jesus Cristo a humanidade e a divindade estão unidas numa espécie de casamento. A analogia é perfeita, pois naquele, os dois se tornam uma só carne, mas as duas realidades continuam distintas.
É possível dizer também que Ele é o próprio casamento, não somente o Esposo. Ele é o casamento entre Deus e o homem. Os que estavam infinitamente separados, em Jesus, agora estão unidos, mas não de modo que a humanidade desapareça. Ela permanece.
A palavra “hipóstases” em grego é usada para designar “pessoa”; porém, é mais forte que o termo latino “persona”, pois recorda que se trata de uma relação substancial. Assim, a união entre Deus e o homem não se dá de forma acidental, como se Deus assumisse a humanidade como uma pessoa coloca acidentalmente brincos, peruca, chapéu, cachecol… Não. A humanidade de Cristo tem como substrato a pessoa do Verbo Eterno. Não se trata de uma união acidental, portanto, mas substancial.
Desse modo, existe um só Filho: Deus e homem ao mesmo tempo. Conforme afirmado pela Igreja desde o Concílio de Calcedônia:
Se bem que, desde aquele início no qual o Verbo se fez carne no útero da Virgem, jamais tenha existido entre as duas formas divisão alguma e durante todas as etapas do crescimento do corpo as ações sempre tenham sido de uma única pessoa, todavia não confundimos, por mistura alguma, o que foi feito de maneira inseparável, mas percebemos pela qualidade das obras que cada coisa seja própria de cada forma… Embora, de fato, seja um só o Senhor Jesus Cristo e, nele, uma única e a mesma seja a pessoa da verdadeira divindade e da verdadeira humanidade, compreendemos, todavia que a exaltação com a qual, como diz o Doutor dos gentios, Deus o exaltou e lhe deu um nome que supera todo nome, se refere àquela forma que devia ser enriquecida com o aumento de tão grande glorificação (DH 317 e 318).
A união entre as duas naturezas na pessoa de Jesus Cristo é substancial. O mistério da união hipostática se reverte em graça santificante para a humanidade, pois, pela humanidade de Cristo pôde ser também ela unida à divindade, mesmo que de modo acidental. Trata-se de uma graça incomensurável de Deus para com sua criatura que jamais seria capaz de transpor o abismo que a separa de seu Criador de quem tudo brota e de onde vem a salvação.

Cardeal Müller adverte o perigo de adaptar a Igreja ao estilo de vida pagão

Cardeal Gerhard Müller – Foto: Daniel Ibáñez (ACI Prensa)

WASHINGTON DC, 04 Ago. 15 / 12:30 pm (ACI).- O Cardeal Gerhard Müller, Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, falou firmemente contra os intentos por adaptar os ensinos da Igreja a estilos de vida pagãos que se difundem na sociedade de hoje, pois introduz a arbitrariedade e o subjetivismo.

Numa entrevista ao jornal Católico ‘Die Tagespost’, no dia 6 de junho, o prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé explicou que colocar “qualquer forma de vida” ao mesmo nível das escrituras e da tradição “não é mais do que a introdução do subjetivismo e arbitrariedade embrulhados numa terminologia religiosa sentimental.”

Os comentários do cardeal foram em parte vistos como uma crítica ao recente “concílio sombra” em que Bispos e especialistas da Alemanha, França e Suíça se encontraram em Roma, no dia 25 de maio, para discutir como a Igreja poderia adaptar a sua pastoral às experiências de vida dos dias de hoje, especialmente no que toca à ética sexual.

Segundo o site austríaco Kath.net, o Bispo de Osnabrück (Alemanha), Dom Fraz-Josef Bode, participante nesse encontro e um dos representantes do episcopado alemão no próximo Sínodo da Família, disse à imprensa que “as ‘formas de vida’ das pessoas deviam ser uma fonte de informação para as verdades morais e dogmáticas”.

Entretanto, o Cardeal Müller assinalou que estas “formas de vida” podem muitas vezes ser altamente pagãs e que a fé não pode ser resultado de um acordo entre ideias cristãs, princípios abstratos e a prática de experiências de vida pagãs.

Ele acrescentou que Roma vai apoiar a liberdade e responsabilidade dos Bispos, mas que isto vai ser ameaçado por “nostalgias de Igrejas nacionais e pela discussão sobre a aceitação de aspectos sociais.”

O Cardeal alemão também disse que o Papa Francisco convidou cada bispo no Sínodo de Outubro como “testemunha e mestre da fé revelada”.

Sobre a controversa reunião privada realizada em Roma, o Cardeal disse que está certo trocar informações sobre qualquer assunto importante. Mas, acrescentou que não se pode controlar a verdade. Se este princípio fosse adotado e considerado verdade pela Igreja, levando-a a tomar decisões com base na opinião pública, a Igreja seria “abanada até às suas fundações”, advertiu

O Cardeal Müller recordou que a Igreja Católica é mãe e mestra de todas as igrejas, é quem ensina e não quem é ensinada. “Ela não precisa de ninguém para lhe ensinar a fé verdadeira, porque é nela que a tradição apostólica tem estado fielmente guardada e onde será sempre preservada.”

Dignidade do matrimônio cristão

Junto à defesa que o Cardeal Müller fez da doutrina católica, o Cardeal Ennio Antonelli, Presidente Emérito do Pontifício Conselho para a Família, publicou o documento “Crise do matrimônio e da Eucaristia”, no qual oferece sua contribuição ao próximo Sínodo dos Bispos, a ser realizado no mês de outubro e analisará diferentes temas, tal como a comunhão aos divorciados em nova união.

Assim, este documento é a reposta do Cardeal diante da proposta de alguns cardeais, como por exemplo o alemão Walter Kasper. Ele não foi mencionado no texto, mas há algum tempo promove que o Vaticano modifique os ensinamentos da Igreja, para que seja permitida a comunhão dos divorciados em nova união.

“O matrimônio sacramental, rato e consumado, é indissolúvel por vontade de Jesus Cristo. A separação dos cônjuges é contrária à vontade de Deus”, recordou o Cardeal Antonelli.

Por isso, “a nova união de um cônjuge separado é ilegítima e constitui uma grave desordem moral permanente; cria uma situação que contradiz objetivamente a aliança nupcial de Cristo com a Igreja, que tem seu significado e atuação na Eucaristia”.

Por esta razão, indicou o Cardeal, “as pessoas divorciadas que se casaram novamente no civil não podem receber a Comunhão Eucarística, principalmente por um motivo teológico e também por um motivo de ordem pastoral”.

“Se fosse permitida a Comunhão aos divorciados em nova união, os fiéis seriam induzidos ao engano e confusão a respeito da doutrina da Igreja sobre a indissolubilidade do matrimônio”, indicou o Cardeal e recordou ainda que estas pessoas devem ser acolhidas pastoralmente para que saibam que apesar de sua situação irregular, continuam fazendo parte da Igreja.

O verdadeiro bem dos filhos

O que de melhor posso deixar para os meus filhos?

Um dos maiores amores do mundo é aquele que – com algumas tristes exceções – os pais têm pelos filhos. Sai-lhes da mais entranhada fibra da alma querer bem a seus filhos e desejar o melhor para eles. Mas são poucos os que entendem qual é o maior bem para eles.

Muitos dirão que o maior bem é a saúde, porque é um pressuposto básico de quase todos os outros bens: “Tendo saúde, tudo se pode superar, tudo se pode conseguir!”. Será preciso, como é lógico, acrescentar uma boa educação (procurar – como costumam dizer muitos pais orgulhosos dos filhos – que “não fumem, não bebam, não caiam na droga”) e proporcionar-lhes um preparo profissional de excelência, o qual lhes permita ter segurança e bom nível material de vida pessoal e familiar.

Será que isso é o “maior bem”, o “melhor” para os filhos? Tudo o que acabamos de mencionar é excelente, sem dúvida, mas não é o mais “essencial”; em vários aspectos, nem sequer é “imprescindível” (há, por exemplo, pessoas com sérias deficiências físicas ou com carência de bens materiais que são fantásticas, realizadas e felizes).

Seria um contrassenso que o bem mais “essencial” fosse desprezado, deixado de lado pelos pais. Faltando o essencial, todas as coisas “boas” dos filhos ficam como os materiais excelentes de uma ótima casa, a qual não tem alicerces nem pilares sólidos. É bom lembrar o que Cristo diz da casa construída sobre a areia: “Caiu a chuva (das dificuldades e provações), vieram as enchentes (momentos de crise e tormenta familiar, profissional ou social), os ventos sopraram e se abateram contra aquela casa (injustiças, perseguições, inimizades, falência, dívidas, etc.) e ela desabou. Sua ruína foi grande (cf. Mt 7,27).

Daí a grande importância de não perdermos nunca de vista qual é o verdadeiro bem do homem, o único bem imprescindível, sem o qual nenhum dos outros se sustenta. A resposta a essa questão já foi dada por Cristo: “Que aproveita o homem ao ganhar o mundo inteiro se vier a perder a sua alma? Ou que poderá dar o homem em troca da sua alma? (Mt 16,26).

São palavras que brilham como um farol no meio do nevoeiro. Nenhum “bem” vale a pena se a alma estiver privada da Vida divina, da Verdade e da graça de Deus. Com efeito, sem a graça divina, uma alma está “morta” e, então, as melhores qualidades e “bens” de que possa dispor não passam de flores vistosas enfeitando um corpo sem vida. Estando ausente a vida, “de que aproveitam” as flores?

Os pais deveriam pensar mais nisso, todos os pais cristãos deveriam ser capazes de compreender o que significa Cristo, o único Caminho, Verdade e Vida (Jo 14,6), e o valor de uma eternidade feliz. Uma e outra vez deveríamos repetir-nos que “querer bem” outra coisa não é senão “querer o bem” dos filhos, e que não pode haver “bens” autênticos quando falta Deus. “A quem tem Deus – dizia Santa Teresa de Ávila – nada lhe falta”. A quem não O tem – poderíamos acrescentar – falta-lhe o suporte, impedindo que as melhores coisas (família, amor, alegria, sentido da vida) se esfarelem.

É excelente, sem dúvida, o empenho dos pais para que os filhos tenham saúde, cultura, bem-estar, capacitação profissional que lhes permita enfrentar, com segurança, o futuro. Mas é um empenho muito mais excelente e vital – por ser decisivo nesta terra e na eternidade – esforçarem-se com a sua oração, o seu exemplo e uma orientação prudente e contínua, para que os filhos conheçam as verdades da fé cristã – a doutrina salvadora de Cristo – e aprendam a amá-las e praticá-las.

Podem ter a certeza de que as virtudes cristãs de um filho vão lhe fazer, ao longo da vida, um bem infinitamente maior do que todos os diplomas ou contas bancárias que lhes possam proporcionar. Mil vezes mais vale a fé do que a saúde, a união com Deus do que o sucesso. Só as virtudes cristãs são os tesouros verdadeiros de que Cristo falava (Mt 6,19-20).

Somente esses tesouros proporcionam, àqueles que amamos, a “realização”, o bem pleno, quer nesta terra, quer na eternidade. Sem esta convicção, todos os carinhos cheios de boa vontade podem vir a desfazer-se como um sonho ilusório.

Por isso, sempre deveria ecoar em nossos ouvidos, como um norte para a vida e, especificamente, para a família, o segredo que Cristo confidenciou a Marta: Tu te inquietas e te perturbas por muitas coisas; no entanto, uma só coisa é necessária. Maria escolheu a melhor parte, que não lhe será tirada (Lc 10, 41-42). A “melhor parte” é estarmos junto de Cristo, segui-Lo atentos às Suas palavras, fazer do amor de Deus e da Sua santa vontade a estrela que guia nossa vida. Aí está o verdadeiro bem do homem.

Padre Francisco Faus
http://www.padrefaus.org/

Papa Francisco: O mundo precisa de cristãos com um coração de filhos e não de escravos

https://www.acidigital.com/noticias/papa-francisco-o-mundo-precisa-de-cristaos-com-um-coracao-de-filhos-e-nao-de-escravos-21738
Papa durante a Audiência Geral. Foto: Daniel Ibáñez / ACI Prensa

Vaticano, 20 Jun. 18 / 09:25 am (ACI).- O Papa Francisco seguiu com suas catequeses sobre os Mandamentos e assinalou que o mundo não precisa de legalismos, mas de cristãos com o coração de filhos.

“Todo o cristianismo é a passagem da letra da Lei ao Espírito, que dá a vida”, sublinhou. “Jesus é a Palavra do Pai, não é a condenação do Pai”, explicou na Praça de São Pedro.

“Vê-se quando um homem ou uma mulher viveram esta passagem ou ainda não. As pessoas percebem se um cristão raciocina como filho ou como escravo. E nós mesmos recordamos se nossos educadores cuidaram de nós como pais e mães ou se só impuseram regras”.

Em sua nova catequese, afirmou que “na Bíblia os mandamentos não vivem por si mesmos, mas são parte de um relacionamento, o da Aliança entre Deus e seu povo”.

Francisco explicou que “a tradição hebraica chamará sempre Decálogo as Dez Palavras” e “o termo ‘decálogo’ quer dizer isso (palavras de vida) e tem forma de leis, mas são objetivamente mandamentos”.

O Papa explicou porque se usa na Escritura o termo “dez palavras” e não “dez mandamentos”. “A ordem – explicou – é uma comunicação que não requer diálogo. A palavra, pelo contrário, é o meio essencial da relação como diálogo. Deus Pai cria por meio da sua palavra, e o seu Filho é a Palavra feita carne. O amor nutre-se de palavras e assim a educação ou a colaboração. Duas pessoas que não se amam, não conseguem se comunicar”, mas “quando alguém fala ao nosso coração, nossa solidão termina”.

“Uma coisa é receber uma ordem, outra bem diferente é perceber que alguém fala conosco”, acrescentou.

Neste sentido, indicou que “um diálogo é muito mais do que a comunicação de uma verdade. Realiza-se pelo prazer de falar e pelo bem concreto que se comunica entre eles que se querem bem por meio das palavras”.

O Pontífice recordou que “o Tentador quer enganar o homem e a mulher sobre este ponto: quer convencê-los de que Deus os proibiu de comer do fruto da árvore do bem e do mal para mantê-los submissos”.

“O desafio é justamente este: a primeira norma que Deus deu ao homem, é a imposição de um déspota que proíbe e obriga, ou é o cuidado de um pai que está cuidando os seus pequenos e os protege da autodestruição?”, perguntou-se.

“A mais trágica entre as mentiras que a serpente diz a Eva é a sugestão de uma divindade invejosa e possessiva” e “os fatos demonstram dramaticamente que a serpente mentiu”, sublinhou.

“O homem está diante desta encruzilhada: Deus me impõe as coisas ou cuida de mim? Os seus mandamentos são somente uma lei ou contém uma palavra, para cuidar de mim? Deus é patrão ou Pai?”.

“Este combate, dentro e fora de nós, apresenta-se continuamente: mil vezes devemos escolher entre uma mentalidade de escravos e uma mentalidade de filhos. O Espírito Santo é um Espírito de filhos e o Espírito de Jesus”.

Francisco pontuou que “um espírito de escravos acolhe a Lei de modo opressivo e pode produzir dois resultados opostos: ou uma vida feita de deveres e de obrigações, ou uma reação violenta de rejeição”.

São Luiz Gonzaga – Padroeiro da Diocese

O Marquês de Castiglione, Dom Ferrante Gonzaga, Príncipe do Sacro Império, pretendia que seu filho primogênito, Luiz, fosse grande na política, na nobreza e na vida militar. Pelo contrário, sua esposa, Dona Marta de Tâni, alimentava sentimentos bem opostos. Queria fazer de Luiz grande na glória dos santos e não na glória do mundo. Quando se aproximava a altura de ser mãe, as coisas complicaram-se. Prometeu então peregrinar até ao Santuário de Loreto com a criança que nascesse e consagrá-la a Nossa Senhora.

A 09 de Março de 1568 nasceu o primeiro dos seus oito filhos, a quem puseram o nome de Luiz. A piedosa senhora cumpriu o seu voto, entregou-se a Nossa Senhora em Loreto e pediu-lhe que o fizesse santo. A Virgem Santíssima atendeu os seus rogos, para além do que imaginava. Luiz, naturalmente permeável aos bons conselhos, voltou-se todo para Deus, a partir dos sete anos.

São Roberto Belarmino, Doutor da Igreja, que mais tarde foi seu Confessor e Diretor Espiritual, no testemunho que nos deixou, escreve acerca do seu pupilo: «Na idade dos sete anos é que Luiz começou a conhecer mais a Deus, desprezar o mundo e empreender uma vida de perfeição. Ele mesmo com freqüência me repetia que o 7° ano da sua idade marcava a data da sua conversão». Antes tivera uns pecados ou pecadinhos de que mais tarde muito se arrependeu: tirar pólvora para fazer explodir uma bombarda e pronunciar algumas palavras inconvenientes, cujo sentido desconhecia, ouvidas aos soldados de seu pai.

Dom Ferrante não via com bons olhos a evolução espiritual do seu primogênito, que parecia só pensar no sacrifício, na oração e no amor a Nossa Senhora. Para desviá-lo desses propósitos, mandou-o para a corte requintada do Grão Duque de Médicis. Mas em Florença, em vez de se mundanizar, mais se divinizou o nosso jovem. Ainda que pareça estranho, é historicamente certo que pelos 10 anos fez voto de castidade perpétua, diante do maravilhoso altar de Nossa Senhora da Anunciação, no templo do mesmo nome. Foi nesta cidade que começou a confessar-se com o Reitor do Colégio da Companhia de Jesus e a seguir a sua orientação espiritual.

O Arcebispo de Milão, São Carlos Borromeu, estacionando uns dias no Castelo de Castiglione, contatou intimamente com Luiz, vindo a declarar «que jamais encontrara jovem que em tal idade atingisse tão elevada perfeição». Foi ele mesmo que lhe quis administrar a Primeira Comunhão, despedindo-se com dois conselhos: comunhão freqüente e leitura assídua do Catecismo Romano. Aos 12 anos, declara Luiz aos pais que decidira fazer-se religioso quando atingisse a idade adequada. O pai, exasperado, para lhe fazer perder essas idéias, fê-lo jornadear pelas cortes mais ricas da Europa e participar nas festas requintadas da sociedade.

Os anos de 1582 a 1584 passa-os a família Gonzaga na Corte de Madrid, onde reinava Filipe 11, que acabara de absorver Portugal. É nessa altura que Luís visita o nosso país, demorando alguns dias em Lisboa. Está certo da sua vocação, mas duvida da Ordem em que há de ingressar. Estando um dia, como de costume, a rezar diante da imagem de Nossa Senhora do Bom Conselho, na igreja dos Jesuítas, em Madrid, por inspiração celeste, compreende que Deus o chama para a Companhia de Jesus. Depois do regresso à Itália, consente finalmente o pai na vocação do filho. A 01 de Novembro de 1585, perante os parentes mais próximos e o representante do Imperador, assinou Luís a renúncia a todos os seus direitos de Primogênito, aos títulos nobiliárquicos e aos bens da fortuna, em favor do seu segundo irmão, Rodolfo.

No dia seguinte, ajoelha-se diante de seu pai e de sua santa mãe a pedir-lhes a bênção. Ambos lha concedem com enternecimento e lágrimas, e após alguns instantes lá partiu, a caminho da Cidade Eterna. Chegado a Roma, hospeda-se em casa do Patriarca Cipião Gonzaga, seu tio, para visitar nos dias seguintes outros cardeais e Bispos de sua Família e ser admitido à presença do Papa Sisto V. Todos se maravilham com a prudência, o aprumo, delicadeza e santidade do jovem Príncipe. A 25 de Novembro de 1585, festa de Santa Catarina, virgem e mártir, contando 17 anos e oito meses, é admitido na Companhia de Jesus.

Os seus cinco anos de vida religiosa distinguiram-se pela exata observância de todas as regras, pela piedade e pelo exercício das virtudes cristãs. Freqüentou o Colégio Romano, atual Universidade Gregoriana, com brio e distinção. Compôs um tratado sobre os anjos que um censor assim qualificou: «São páginas cheias de unção, de graça de estilo, de inspirações felizes e evocações inflamadas». Seu pai, ao cabo de uma vida demasiado mundana, faleceu com os sentimentos de sincera contrição e de ardente fé, exclamando no leito da agonia: “É o fruto do sacrifício do meu Luiz. Foi ele, e só ele, que me alcançou tão grande graça do Senhor”. Seu tio, dom Vincente Gonzaga, Duque de Mântua, e seu irmão Rodolfo viviam em tal discórdia que estavam prestes a fazer a guerra um ao outro.

Luiz, a pedido da família, veio a Castiglione e o que nem as solicitações dos grandes do mundo e da Igreja tinham conseguido, alcançou-o ele. Ambos os contendores fizeram as pazes e acabaram com o litígio. Outro grave escândalo, que causava a maior preocupação da mãe, acabou: Rodolfo regularizou, por meio do matrimônio, a situação pecaminosa em que vivia. Na missa de despedida, Dona Marta, sua mãe, Rodolfo e sua esposa, os principais fidalgos e 700 vassalos participaram na missa e na Sagrada Comunhão. No ano de 1591, espalhou-se a peste em Roma, vitimando centenas de pessoas.

Luiz ofereceu-se para tratar dos empestados, que ia visitar às suas casas e tratava com extremos de carinho; chegou mesmo a acarretar um pobre doente, conduzindo-o aos ombros para o hospital. Contraiu a mesma peste, da qual veio a falecer aos 23 anos de idade, em Roma, depois de ter recebido todos os sacramentos, a 21 de Junho de 1591, na sexta-feira a seguir à oitava do Corpo de Deus, dia que mais tarde seria consagrado ao Coração de Jesus, de cuja devoção foi Luiz um precursor.

O Cardeal são Roberto Belarmino, que, como ficou dito, foi seu Confessor e Diretor Espiritual em Roma, escreveu sobre ele o mais elogioso depoimento e pediu para ser sepultado junto da sua campa, o que realmente lhe concederam. Treze anos após o falecimento de Luiz, pôde sua mãe venerá-lo nos altares com o titulo de Beato. A canonização ocorreu em 1726. A instâncias de D. João Veda Rainha D. Maria Ana de Áustria, sua esposa, concedeu em 1737 o Papa Clemente XII que em todo o Portugal e seus domínios se celebrasse com particular devoção a festa de São Luís Gonzaga. A Santa Sé proclamou-o Protetor da juventude, título que Pio XI veio a confirmar.

Na Epistola Apostólica “Singulare illud”  de 1926, sobre o 3° Centenário da Canonização, o Papa Pio XI escreve: “Contemplar e imitar são Luis Gonzaga é o melhor meio que pode empregar a juventude para atingir a santidade. Desde que a Igreja o proclamou Padroeiro da Juventude, São Luiz tem exercido uma influência maravilhosa sobre os jovens. Basta recordar que ele é o modelo e protetor de são Domingos Sávio e de são João Bosco, que tanto pregou a sua devoção e a deixou em herança aos Salesianos. Em virtude da nossa autoridade apostólica, proclamamos mais uma vez São Luiz Gonzaga celeste patrono da Juventude universal”.

Na audiência concedida por Pio XI a 5.000 jovens de todo o mundo, foram apresentados ao papa 30 volumes com dois milhões de assinaturas de jovens que prometeram imitar valorosamente o exemplo de São Luiz, segundo as palavras que transcrevemos:
“Nós, jovens católicos, rendidos em espírito, junto ao sepulcro de São Luiz, em Roma, associamo-nos a toda a mocidade do mundo que venera o nosso Santo Patrono e, para fazer-nos aptos e dignos cooperadores na empresa de renovar a vida e sociedade humanas, conforme os ideais cristãos, propomos, resoluta e solenemente, cumprir o seguinte programa inspirado nos exemplos de são Luiz:
1. Permaneceremos sempre firmes na Fé católica, ainda que muitos outros a abandonem e dela se apartem;
2. Amaremos fielmente a Igreja, esposa de Jesus Cristo, e defendê-la-emos sempre como nossa Mãe, contra todos os embates dos que a perseguirem;
3. Impor-nos-emos o honroso dever de alcançar uma grande Cultura Católica e um profundo conhecimento da nossa religião;
4. Como a verdadeira fortaleza consiste na vitória sobre as paixões, conservaremos valorosamente, a exemplo de são Luís, a pureza de alma e corpo, principalmente por meio da comunhão: freqüente e de uma singular devoção à Santíssima Virgem”.

 

À SÃO LUIZ GONZAGA

Ó Luiz Santo, adornado de angélicos costumes, eu, vosso indigníssimo devoto, vos recomendo singularmente a castidade da minha alma e do meu corpo. Rogo-vos por vossa angélica pureza, que intercedais por mim ante ao Cordeiro Imaculado, Cristo Jesus e sua santíssima Mãe, a Virgens das virgens, e me preserveis de todo o pecado. Não permitais que eu seja manchado com a mínima nódoa de impureza; mas quando me virdes em tentação ou perigo de pecar, afastai do meu coração todos os pensamentos e afetos impuros e, despertando em mim a lembrança da eternidade e de Jesus crucificado, imprime profundamente no meu coração o sentimento do santo temor de Deus e inflamai-me no amor divino, para que, imitando-vos cá na terra, mereça gozar a Deus convosco lá no céu. Amém.

v: Ora pro nobis, Sancte Aloísi.
r: Ut digni efficiamur promissiónibus Christi.

Oremus
Cæléstium donórum distributor, Deus, qui in angélico júvene Aloísio miram vitæ innocéntiam pari cum pæniténtia sociásti: ejus méritis et précibus concéde; ut innocéntem nom secúti, pæniténtem imitemur. Per Christum Dóminum nostrum.
r:Amém.

v: Rogai por nós São Luiz.
r: Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.

Ó Deus, distribuidor dos dons celestes que no angélico jovem Luiz reunistes admirável inocência de vida com igual penitência, pelos seus merecimentos e orações concedei-nos, que, pois na inocência o não seguimos, o imitemos na penitência. Por Cristo, Senhor nosso.
r: Amém.

Consagração  
Ó glorioso São Luiz, adornado pela Igreja com o belo título de Jovem angélico, pela vida puríssima, que no mundo vivestes, a vós recorro neste dia com o mais ardente afeto da alma e coração.
Ó modelo perfeito, ó benigno e poderoso Protetor, quanto preciso do vosso auxílio! Preparam-me insídias o mundo e o demônio, sinto a veemência das paixões, conheço a fraqueza e a inconstância da minha idade. Quem poderá defender-me, si não vós, ó angélico Santo, glória, honra e amparo dos jovens? A vós, pois, recorro com toda a minha alma, a vós com todo o meu coração me entrego.
Intento assim, prometo e quero ser vosso especial devoto e glorificar-vos por vossas sublimes virtudes e especialmente pela vossa angélica pureza; imitar os vossos exemplos, e promover a vossa devoção entre os meus companheiros.
Ó meu amável S. Luiz, guardai-me, defendei-me sempre sob a vossa proteção e seguindo os vossos exemplos, possa um dia ver e louvar a Deus convosco no paraíso por séculos sem fim. Amém.

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