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XVI Domingo do Tempo Comum – Ano B

Por Mons. Inácio José Schuster 

Vinde para um lugar deserto e descansai um pouco
XVI Domingo do tempo comum (B)
Jr 23, 1-6; Ef 2, 13-18; Mc 6, 30-34

Na passagem do Evangelho, Jesus convida seus discípulos a separar-se da multidão, do seu trabalho, e retirar-se com Ele a «um lugar deserto». Ele lhes ensina a fazer o que Ele fazia: equilibrar ação e contemplação, passar do contato com as pessoas ao diálogo secreto e regenerador consigo mesmo e com Deus. O tema é de grande importância e atualidade. O ritmo de vida adquiriu uma velocidade que supera nossa capacidade de adaptação. A cena de Charlot concentrado na linha de montagem em Tempos Modernos é a imagem exata desta situação. Perde-se, desta forma, a capacidade de separação crítica que permite exercer um domínio sobre o fluir, freqüentemente caótico e desordenado, das circunstâncias e das experiências diárias. Jesus, no Evangelho, jamais dá a impressão de estar agitado pela pressa. Às vezes, ele até perde o tempo: todos o buscam e Ele não se deixa encontrar, absorto como está na oração. Às vezes, como em nossa passagem evangélica, Ele inclusive convida seus discípulos a perderem tempo com Ele: «Vinde sozinhos para um lugar deserto e descansai um pouco». Ele recomenda freqüentemente que não se agitem. Também o nosso físico, quanto bem recebe através de tais «folgas». Ao mandamento «Lembrai-vos de santificai as festas», seria preciso acrescentar: «Lembrai-vos de santificar as férias». «Parai (literalmente: tirai férias!), sabei que eu sou Deus», diz Deus em um salmo (Sl 46). Um meio simples de fazer isso poderia ser entrar em uma igreja ou em uma capela de montanha, em uma hora onde estiver deserta, e passar um pouco de tempo «solitário» lá, a sós conosco mesmos, a sós frente a Deus. Esta exigência de tempos de solidão e de escuta se apresenta de forma especial aos que anunciam o Evangelho e aos animadores da comunidade cristã, que devem permanecer constantemente em contato com a fonte da Palavra que devem transmitir aos seus irmãos. Os leigos deveriam alegrar-se, não se sentir descuidados, cada vez que o próprio sacerdote se ausenta para um tempo de recarga intelectual e espiritual. É preciso dizer que as férias de Jesus com os apóstolos foram de breve duração, porque as pessoas, vendo-o partir, seguiram-no a pé até o lugar de desembarque. Mas Jesus não se irrita com as pessoas que não lhe dão trégua, senão que «se comove», vendo-as abandonadas a si mesmas, «como ovelhas sem pastor», e começa a «ensinar-lhes muitas coisas». Isso nos mostra que é preciso estar dispostos a interromper até o merecido descanso frente a uma situação de grave necessidade do próximo. Não se pode, por exemplo, abandonar ou estacionar em um hospital, um idoso sobre quem se tem a responsabilidade, para desfrutar de umas férias sem incômodos. Não podemos esquecer das muitas pessoas cuja solidão elas não escolheram, senão que a sofrem, e não por algumas semanas ou um mês, senão por anos, talvez durante a vida toda. Também aqui cabe uma pequena sugestão prática: olhar à nossa volta e ver se existe alguém a quem ajudar a sentir-se menos sozinho na vida, com uma visita, uma ligação, um convite a vê-lo um dia no lugar das férias: aquilo que o coração e as circunstâncias sugiram.

 

Os discípulos (esta é a primeira vez que São Marcos os chama Apóstolos) “voltaram para junto de Jesus”, depois do envio que escutamos no domingo passado. Jesus convida-os a repousar, mas uma multidão impedia que tal acontecesse: “Jesus viu uma grande multidão e compadeceu-Se de toda aquela gente, porque eram como ovelhas sem pastor. E começou a ensinar-lhes muitas coisas. Na 1ª Leitura, Jeremias fala durante os últimos dias do reino da Judéia, antes do exílio. Em nome de Deus, acusa e condena os reis e os dirigentes do povo, que são chamados pastores, porque “dispersastes as minhas ovelhas e as escorraçastes, sem terdes cuidado delas”. Deus chama “ovelhas” às pessoas simples do povo. É uma situação muito idêntica aos dias de hoje. As pessoas simples eram esquecidas, desprezadas e exploradas pelo poder. O Deus de Israel sai em seu socorro. No tempo de Jeremias, a autoridade civil e religiosa estava nas mesmas mãos. Hoje, isso não acontece, mas o problema continua a existir. Deus condena aqueles que têm autoridade e que a usam para fazer mal às “suas ovelhas”. Em seguida, aparece no texto a experiência mística do homem bíblico crente: “Eu mesmo reunirei o resto das minhas ovelhas de todas as terras onde se dispersaram e as farei voltar às suas pastagens”. Este “Oráculo do Senhor” começa já a manifestar o núcleo da revelação perante a humanidade perdida, abandonada e oprimida. Jeremias anunciou a vinda de um rei prudente, ou seja, Jesus, o “Bom Pastor” (Jo 10), a presença do “Eu sou” entre a humanidade, não como um rei poderoso, mas como um simples servidor, um do povo, sem nenhum título entre os nobres de Israel, alguém que “nem tem tempo para comer”. Jesus compadeceu-Se da multidão; é a atitude de Deus perante a humanidade. No mundo, há pessoas simples e há pessoas com inteligência e com poder e algumas até governam o mundo. Mas, de uma maneira ou de outra, todos entramos no mesmo grupo: perdidos, como ovelhas sem pastor. A última frase do evangelho deste domingo é surpreendente: “E começou a ensinar-lhes muitas coisas”. São João diz-nos que Jesus é o Bom Pastor que ama as suas ovelhas até dar a vida por elas. São Marcos destaca o “núcleo”, ou seja, a maneira como Jesus concretiza o anúncio do Antigo Testamento “Eu mesmo reunirei o resto das minhas ovelhas”: ensina calmamente o povo, ou seja, toda a humanidade. Jesus fala de Deus, da vida, do amor, da esperança; ensina para que as pessoas O escutem, lhe abram o coração, participem da sua experiência e assim aprendam pessoalmente qual é a verdade e a vida. A verdadeira obra de Deus não é escolher novos líderes do povo, mas pela Sua Palavra oferecer a todos o Espírito de amor, de vida e de esperança. É assim que nos convertemos nas suas ovelhas e em criaturas novas que entendem pessoalmente o valor do amor, do desprendimento, do serviço, da esperança; pessoas que acreditam e vivem. É um processo – itinerário nunca terminado. Somos cristãos na medida em que escutamos, rezamos, abrimos o coração e deixamos que a Sua palavra penetre na nossa vida. A Carta aos Efésios resume a obra salvífica de Jesus Cristo deste modo: “Foi Ele que fez de judeus e gregos um só povo e derrubou o muro da inimizade que os separava” (o ódio). O primeiro grande princípio que Jesus ensina é o amor; amou até ao fim, até a cruz. Todos têm conhecimento de povos e culturas que se enfrentam violentamente. De fato, os sofrimentos do mundo atual resumem-se a estes confrontos. Constantemente, levantamos “barreiras” que separam, tanto morais como físicas. A obra salvadora de Jesus é destruir essas barreiras na cabeça e no coração das pessoas. Como são fortes e horríveis os argumentos que justificam a indiferença, a condenação, o esquecimento, o desprezo, o insulto, a agressão, a violência. A fé cristã proclama que estas barreiras têm que ser destruídas, lutando contra a corrente que afirma que é impossível tal acontecer. Mas, foi isto que Jesus veio fazer ao mundo. Com a sua palavra e o seu Espírito de amor e de perdão, com a sua morte na cruz, entregando-se ao Pai, abriu o caminho da Paz.

 

As ovelhas sem pastor
Dom Paulo Mendes Peixoto

O domingo é um dia especial na vida de todas as pessoas. É dia de festa, de solenidades, de alegria benfazeja e de descanso. Ele tem uma grande força irradiante de energia de comunhão, de convivência, de revigorar as forças das pessoas e de motivar a esperança. Todo esse calor humano deve ser imbuído de atitudes de justiça e de uma paz positiva, com valores que estimulam à vivência de uma vida feliz.

Na realidade cotidiana, marcada por tantas situações, até inesperadas, não podemos perder de vista o rumo, vivendo como pessoas perdidas no mundo, como ovelhas sem pastor, sem referências e de visão muito reduzida, fechada em si mesma. O encanto deve ser recuperado na partilha fraterna do domingo, chamado “Dia do Senhor”, encontrando, na oportunidade, as referências para o bem viver e a capacidade para uma vida saudável.

Para o cristão, mesmo numa cultura marcadamente individualista, ele deve buscar a força que estimula sua caminhada diária na convivência comunitária, na oração e na escuta atenta da Palavra de Deus. Isto tradicionalmente vem acontecendo no domingo, mesmo com sua perda de sentido nos últimos tempos. Aí está a referência maior para o seu ser e a sua dignidade. É um reabastecimento espiritual e físico adquirido no clima espiritual deste Dia do Senhor.

A confiança depositada na Palavra de Deus, que acontece também no diálogo, na convivência fraterna e amiga, na partilha familiar, é capaz de tirar todo medo e angústia próprios dos novos tempos, que são geradores de stress e depressão, atingindo uma grande porcentagem das pessoas. A raiz de tudo isto está no “Senhor que é o Pastor que nos conduz”, seja na tristeza ou na dificuldade, seja na felicidade e no amor.

O Bom Pastor é aquele que destrói os muros de separação entre as pessoas, que aproxima os que estão distantes e acolhe a todos, sem distinção, não deixando que haja ovelhas sem pastor. Ele cria em nós pessoas novas e estabelece a paz, proporcionando um mundo diferente e possível.

 

“Encheu-se de compaixão para com eles, porque eram como ovelhas sem pastor”
“Onde levas o teu rebanho a pastar”, ó bom pastor que o carregas tudo sobre os teus ombros? Porque toda a raça humana é uma única ovelha que tu tomaste aos ombros. Mostra-me o lugar da tua pastagem, faz-me conhecer as águas do repouso, leva-me para a erva suculenta, chama-me pelo nome, para que eu ouça a tua voz, eu que sou tua ovelha, que a tua voz seja para mim a vida eterna. Sim, diz-mo, “tu a quem o meu coração ama”. É assim que te chamo porque o teu Nome está acima de todo o nome, inexprimível e inacessível a toda a criatura dotada de razão. Mas este nome, testemunho dos meus sentimentos para contigo, exprime a tua bondade. Como não te amaria eu, a ti que me amaste quando eu era negra, a ponto de dares a tua vida pelas ovelhas de quem és o pastor? Não é possível imaginar maior amor do que teres dado a vida pela minha salvação.   Ensina-me então “onde levas o teu rebanho a pastar”, que eu possa encontrar a pastagem da salvação, saciar-me com o alimento celeste que todo o homem deve comer se quiser entrar na vida, correr para ti que és a fonte e beber a longos tragos a água divina que fazes brotar para os que têm sede. Essa água corre do teu lado desde que a lança aí abriu uma chaga e todo aquele que a prova torna-se uma fonte de água brotando para a vida eterna.
São Gregório de Nissa (cerca de 335 – 395), monge e bispo
Homilias sobre o Cântico dos Cânticos (Referências bíblicas: Ct 1,7; Lc 15,5; Sl 22; Jo 10,3; Ct 1,7; Fl 2,9; Ct 1,5; Jo 10,11; 15,13; 19,34; 4,14)

 

16º DOMINGO DO TEMPO COMUM – B
Padre Wagner Augusto Portugal, Vigário Judicial da Diocese da Campanha(MG).

“É Deus quem me ajuda, é o Senhor quem defende a minha vida. Senhor, de todo o coração hei de vos oferecer o sacrifício, de dar graças ao vosso nome, porque sois bom” (Sl 53, 6-8).

Irmãos e irmãs,

Todas as vezes que encontramos uma pessoa doente ou com fome a primeira atitude que devemos ter é a atitude que nos ensina Jesus neste domingo, a COMPAIXÃO. Os apóstolos que voltaram para perto de Jesus estavam preocupados, depois de seu estágio pastoral, não com o que fizeram ou ensinaram. Eles estavam preocupados com o próprio e único Senhor Jesus. Era necessário voltar ao Mestre, buscar a fonte da vida. E, aqui, é necessário esse reencontro para que todos nós tenhamos certeza do necessário: agimos e trabalhamos em nome e na ação de Nosso Senhor Jesus Cristo. “O mandato apostólico foi dado por Jesus e é em seu nome que todos devem trabalhar a nova evangelização”. Por isso, “depois do estágio pastoral, Jesus convida seus discípulos para um descanso, ou seja, para um retiro espiritual, para que suas forças sejam revigoradas”. Quando Jesus chegou com os seus apóstolos no lugar destinado para o retiro, acontece o inesperado: uma multidão comprimida espera por Jesus para vê-lo, para ouvi-lo, para compartilhar o seu sofrimento e sua caminhada. Nesse instante, Jesus nos ensina qual deve ser a atitude do cristão: a compaixão. Jesus deixa de lado o retiro e vai ao encontro do povo que está sedento da Palavra de Deus. A Primeira Leitura(Jr 23,1-6) nos apresenta os maus pastores e o verdadeiro pastor de Israel. Os reis de Judá foram maus pastores para o rebanho. Por isso, serão castigados. Mas, Deus reunirá, novamente, seu rebanho, de todos os lugares, e dar-lhe-á um bom pastor, um descendente de Davi, que poderá chamar-se “Javé nossa justiça”. Ele realizará o Reino de Deus entre os homens e as mulheres.

Meus prezados irmãos e irmãs,

No Evangelho de hoje, São Marcos (Mc 6,30-34) emprega a palavra “apóstolo”. “É a única vez que o evangelista usa este termo que significa aquele que é enviado para uma missão. Aquele que vai em nome de alguém. Aquele que age em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo.” Ninguém é apóstolo por sua conta e por sua preferência. O apóstolo recebe o chamado e a missão que vêm de Deus e deve agir em nome do Onipotente, anunciando a todos os povos, não a sua mensagem, mas a mensagem de quem o enviou e de quem o apóstolo representa. A finalidade principal do apóstolo é pregar a palavra de Deus, dando testemunho do que contêm as Sagradas Escrituras, indo de porta em porta anunciando o hoje da salvação. Por isso, o retiro para um lugar deserto que Jesus propõe no Evangelho tem uma grande motivação: para que os seus apóstolos rezem e estejam em íntima unidade com o projeto de Salvação, revigorados na sua missão para evangelizar. Por isso, meus irmãos, nós somos sempre convidados para rezar, para orar, pedindo a Deus força e luzes para continuar a nossa caminhada.

Meus irmãos,

As ovelhas que correm atrás de Jesus e pede que tenha para com elas um pouco de atenção são chamadas de “ovelhas sem pastor” (Mc 6,34), ovelhas sem rumo certo, sem compromisso, aquelas que correm para ver se conseguem um novo rumo pra a sua vida. “A primeira leitura nos ensina que Deus é mesmo o Bom Pastor, aquele que conduz as suas ovelhas”. O Novo Testamento demonstra que o Bom Pastor, que conhece as suas ovelhas, é o próprio Senhor Jesus. Falar do Bom Pastor é falar da meta básica da vida cristã, que é a unidade. A segunda leitura nos ensina que a unidade é importante e urge em nosso meio. Do conjunto das leituras de hoje retiramos uma lição que merece muita reflexão de nossa parte: a reconciliação do homem com Deus o une com seus irmãos, com a sua comunidade. Na prática, porém, o homem, muitas vezes usa Deus para justificar discriminação, ódio, perseguição, pobreza, miséria, fome, etc. Jesus, entretanto, fez “dos dois um só povo”, “um só corpo”, “um só rebanho”, “um homem novo”, “em si mesmo”. Este único corpo é, ao mesmo tempo, o do Cristo e o da comunidade constituída por Ele. Ele veio a nós, dando-nos o poder de nos aproximar do Pai: movimento recíproco, cuja iniciativa está do lado da graça de Deus. Acolher o povo de Deus, ensinar-lhe as coisas do Reino, tudo o que Jesus faz para o povo com vista ao Reino dos Céus é pastoral em proveito de Deus, é cuidar de seu rebanho. Por isso, Jesus dará a sua vida em benefício de toda a humanidade. O que faz algo ser pastoral não é nenhuma atividade determinada, mas o intuito com que ela é assumida: transformar um povo sem rumo em povo conduzido por Deus. Assim, nesta missa, o importante não é multiplicar as atividades chamadas pastorais, mas cuidar de que os que as realizam tenham alma de pastor. E isso é muito fácil, basta acolher, ter liderança e amor, se necessário dando a própria vida pela evangelização, pela edificação do Reino de Deus. Que todos nós possamos caminhar pela pastoral que nos conduz para o caminho de Deus, de seus mandamentos, de sua vida.

Caros fiéis,

A Segunda Leitura nos apresenta a Unidade dos gentios e judeus em Cristo(Ef 2,13-18). Do ponto de vista do judaísmo, os pagãos estavam longe de Deus. Cristo, porém, os trouxe para perto. Por eles Deus chamou a todos. Não há mais discriminação. De judeus e gentios, fez uma nova realidade: o “homem novo”.

Meus irmãos,

Todos nós somos pastores uns dos outros, embora nossas áreas de atuação e o alcance de nosso trabalho sejam diferentes, cada qual de conformidade com a vocação que assumiu. Mas, os pastores não são donos do rebanho. O rebanho de Deus hoje é a Igreja, não mais limitada ao povo de Israel, mas aberta a todos os povos. Esse rebanho precisa de pastores santos e trabalhadores, que desapareçam para que o Cristo apareça. Que todos nós possamos fazer como Jesus que, tendo compaixão, abandonou um retiro e se colocou do lado do povo. Fica um conselho aos novos padres que nunca deixem de dar uma bênção ou atender a um sacramental. O que o povo mais precisa é do carinho, da atenção e do amor de seus pastores, pastores e fiéis comprometidos com a construção aqui e agora da Jerusalém Celeste. Rezemos, pois, para que o Senhor da Messe e Pastor do Rebanho faça florescer cada vez mais santas vocações para o ministério sacerdotal e para o ministério batismal, num mundo onde todos possam dar testemunho do Cristo Ressuscitado, o pastor por excelência, Amém!

Injustiças nascem do nosso comportar como patrões da vida dos outros

Papa no Angelus deste domingo – 07/08/2016

Cidade do Vaticano (RV) – O Papa Francisco conduziu a oração mariana do Angelus, deste domingo (07/08), com os fiéis e peregrinos provenientes de várias partes do mundo que se reuniram na Praça São Pedro.

“No Evangelho de hoje, Jesus fala aos seus discípulos sobre a atitude a ser tomada em vista do encontro final com Ele, e explica como a expectativa deste encontro deve conduzir a uma vida rica de boas obras”, disse o Pontífice em sua alocução.

“Vendam os seus bens e deem o dinheiro em esmola. Façam bolsas que não envelhecem, um tesouro que não perde o seu valor no céu: lá o ladrão não chega, nem a traça rói”, diz Jesus.

“É um convite a dar valor à esmola como obra de misericórdia, a não colocar a confiança nos bens efêmeros, a usar as coisas sem apego e egoísmo, mas segundo a lógica de Deus, a lógica da atenção aos outros, a lógica do amor. Nós podemos ser muito apegados ao dinheiro, ter muitas coisas, mas no final, não podemos levar tudo isso conosco. Recordem que o sudário não tem bolsos”, frisou o Papa.

O ensinamento de Jesus prossegue com três parábolas breves sobre o tema da vigilância. “Isto é importante: a vigilância, estar atentos, ser vigilantes na vida”, disse o Papa.

A primeira é a Parábola dos Servos que esperam na noite o retorno do patrão. “Felizes os  servos que o senhor encontra acordados quando chega”: é a beatitude do esperar o Senhor com fé, de estar preparado, em atitude de serviço. Ele está presente a cada dia, bate à porta do nosso coração. Será feliz aquele que o abrir a porta, porque terá uma grande recompensa: De fato, o Senhor se fará servo de seus servos. É uma recompensa bonita. No grande banquete de seu Reino ele os servirá. Com esta parábola, ambientada na noite, Jesus prevê a vida como uma vigília de expectativa operante, um prelúdio ao luminoso dia da eternidade.

Para ter acesso a essa vida “é preciso estar preparado, vigilante e comprometido com o serviço aos outros, na perspectiva consoladora de que, de lá, não seremos nós a servir a Deus, mas Ele nos acolherá em sua mesa. Pensando bem, isto acontece já hoje toda vez que encontramos o Senhor na oração ou quando servimos os pobres, mas sobretudo na Eucaristia, onde Ele prepara um banquete para nos nutrir com a sua Palavra e seu Corpo”.

A segunda parábola tem como imagem a chegada imprevisível do ladrão. Este fato exige vigilância; de fato, Jesus exorta: “Estejam preparados! Porque o Filho do Homem vai chegar na hora em que vocês menos esperarem”. O discípulo é aquele que espera o Senhor e o seu Reino.

“O Evangelho esclarece esta perspectiva com a terceira parábola: o administrador de uma casa depois da partida do patrão. Na primeira parte, o administrador cumpre fielmente as suas tarefas e recebe a recompensa. Na segunda, o administrador abusa de sua autoridade e espanca os servos, e no retorno inesperado do patrão, será punido. Esta cena descreve uma situação frequente também em nossos dias: muitas injustiças, violências e maldades cotidianas nascem da ideia de nos comportar como patrões da vida dos outros. Temos um patrão que não gosta de ser chamado de patrão, mas como Pai. Somos servos, pecadores e filhos. Ele é o único Pai.”

“Jesus hoje nos recorda que a espera da bem-aventurança eterna não nos exime do compromisso de tornar o mundo mais justo e habitável. Aliás, esta nossa esperança de possuir o Reino na eternidade nos impulsiona a trabalhar para melhorar as condições da vida terrena, especialmente dos irmãos desfavorecidos”, disse ainda o Papa.

Francisco  pediu à Virgem Maria para que nos ajude a ser pessoas e comunidades não achatadas no presente, ou, pior, nostálgicas do passado, mas inclinadas ao futuro de Deus, ao encontro com Ele, nossa vida e nossa esperança. (MJ)

Quem é Jesus

Padre Inácio José do Vale, OSBM

“Jesus Cristo é o centro e o objeto de todas as coisas; aquele que não o conhece ignora a natureza e a si mesmo”. Blaise Pascal (1623-1662), Físico e Filósofo Francês

Já passaram mais de dois mil anos, a pessoa de Nosso Senhor Jesus Cristo ainda continua cercada de mistérios e controvérsias, apesar de inúmeros estudiosos, abissais pesquisadores que prosseguem se debruçando sobre a sua figura e a sua obra e dos bilhões de seguidores que Nele depositam a sua vida e sua fé em seus ensinamentos. No entanto, em pleno século XXI, vivemos uma vergonhosa realidade: poucos conhecem Jesus Cristo.
Para o ilustre escritor de biografia bíblica o pastor americano Charles R. Swindoll essa situação ficou ainda mais chocante depois de assistir um vídeo em sua igreja, no qual cristãos entrevistados em um shopping center local não sabiam responder a pergunta: Quem é Jesus? Por causa disso, ele tomou a iniciativa muito sábia de escrever o maravilhoso livro: “Jesus – O Maior de Todos”.
Swindoll em seu livro deixa muito claro que não só devemos conhecer Jesus, mas termos uma experiência profunda com Ele.
O autor americano Bill Mckibben disse que “os Estados Unidos são o país que mais se declara cristão e menos age como cristão” (Folha de São Paulo, 31/5/2007, p. 2).
É muito fácil falar, escrever e encenar sobre Jesus, difícil é viver Jesus e sua doutrina.
O grande pintor italiano Fra Angélico dizia: “Para pintar o Cristo, é preciso viver com Cristo”.
Sabendo da ignorância e de uma verdadeira relação com Jesus Cristo, o Papa Bento XVI lançou o livro: “Jesus de Nazaré”.
“Porque me pareceu, sobretudo urgente apresentar a figura e a mensagem de Jesus no seu ministério e, assim, ajudar no crescimento de uma relação viva com Ele”, afirma Bento XVI (Jesus de Nazaré: Primeira Parte: do Batismo no Jordão à Transfiguração. São Paulo: Editora Planeta do Brasil, 2007, p. 19).

PROVAS DOCUMENTAIS
Jesus dentro do judaísmo resgata o Jesus histórico a partir de documentos como os pseudo-epígrafos do Velho Testamento; os códices do Nag Hammadi, encontrados no Alto Egito em 1945; os Manuscritos do Mar Morto, descobertos em 1947; um manuscrito árabe com a versão do célebre historiador Flávio Josefo (37-100) sobre Jesus; e recentes escavações arqueológicas na Palestina.
“Essas tradições permitem conhecer mais sobre Jesus do que qualquer judeu do primeiro século, com a possível exceção de Filo, Paulo e Josefo”, afirma o renomado pesquisador James H. Charlesworth, professor de língua e literatura do Novo Testamento da Universidade de Princeton nos Estados Unidos (Jornal do Brasil, 13/2/1993, p. 4).
“Por essa época apareceu Jesus, homem sábio (…) Ele realizou coisas maravilhosas, foi o mestre daqueles que recebem com júbilo a verdade (…) Por denúncia dos príncipes da nossa nação, Pilatos condenou-o ao suplício da Cruz, mas os seus fiéis não renunciaram ao amor por Ele (…) Ainda hoje subsiste o grupo que, por sua causa, recebeu o nome de cristãos”, Em Antiguidades Judaicas de Flávio Josefo, que era fariseu escritor insigne e cidadão romano.
Outro exemplo de uma descoberta que confirma a historicidade de alguém mencionado na Bíblia é fornecido por Michael J. Howard, que trabalhou junto com a expedição a Cesaréia, em Israel, em 1979. “Por 1.900 anos”, escreveu, “Pilatos só existia nas páginas dos Evangelhos e nas vagas lembranças dos historiadores romanos e judeus. Quase nada se sabia sobre a vida dele. Alguns afirmavam que sequer existira. Mas, em 1961, uma expedição arqueológica italiana trabalhava nas ruínas de antigo teatro romano em Cesaréia. Um operário revirou uma pedra que tinha sido usada em uma das escadarias. No reverso havia a seguinte inscrição, parcialmente obscurecida em latim: ‘Caesariensibus Tiberium Pontius Pilatus Praefectus Iudaeae’ (Ao povo de Cesaréia, Tibério Pôncio Pilatos, Prefeito da Judéia.) Foi um golpe fatal nas dúvidas sobre a existência de Pilatos… Pela primeira vez havia evidência epigráfica contemporânea da vida do homem que ordenara a crucificação de Cristo” (João 19, 13-16; Atos 4, 27).

JESUS: O MAIOR DE TODOS
O que as pessoas famosas disseram sobre o maior homem da história: Jesus Cristo.
“Com todos os meus exércitos e generais, por um quarto de século não consegui subjugar nem um único continente. E esse Jesus, sem a força das armas, vence povos, e culturas por dois mil anos”. Napoleão Bonaparte, Imperador Francês
“Cristo é a maior força espiritual que o homem até hoje conheceu. Ele é o exemplo mais nobre de quem deseja dar tudo sem nada pedir. Vejo em Cristo o supremo modelo: manifestou, como nenhum espírito, a vontade de Deus. Ele pertence aos homens de todas as raças que conservam a fé dos antepassados. Ele é todo amor. O amor, seu supremo mandamento, é dirigido antes de tudo aos mais fracos, aos abandonados”. Mahatma Gandhi, Estadista e Líder Espiritual da Índia
“Devemos supor que a história da vida de Jesus é mera ficção? Realmente, meu amigo, ela não parece ficção. Pelo contrário, a história de Sócrates, que ninguém ousa duvidar, não é tão bem documentada como é a de Jesus Cristo”. Jean-Jacques Rousseau, Filósofo Francês
“Por trinta e cinco anos eu fui, no pleno sentido da palavra, niilista, um homem que não acreditava em nada. Comecei a ter fé cinco anos atrás. Acreditei na doutrina de Jesus Cristo e toda minha vida passou por uma transformação repentina”. Conde Leo Tolstoi, Romancista e Filósofo Russo
“Jesus de Nazaré… é sem dúvida o personagem que mais se destacou na história”. H. G. Wells, Historiador Inglês
“Cristo se destaca como… único e exclusivo entre todos os heróis da história”. Philip Schaff, Teólogo e Historiador Suíço
“É preciso ter uma imaginação bastante fértil para dizer que a figura mais influente, não apenas nestes dois milênios, mas em toda a história humana, não tenha sido Jesus de Nazaré”. Reynolds Price, Escritor e Erudito Bíblico Americano
O grande cientista alemão Albert Einstein disse: “Fico fascinado pela personalidade brilhante de Jesus de Nazaré”.
Realmente, Jesus Cristo é a pessoa mais influente que já viveu entre nós. É a personalidade mais colossal, genial e magnífica de todos os tempos. Ele é ínclito pela sua pessoa, magistral no ensino e eterna é a sua santa doutrina.
Jesus Cristo é o personagem mais poderoso, mais lido, mais encenado, mais retratado, mais citado em obras, suas obras de arte são as mais caras, é o que mais seguidores têm mais amado e adorado na história da humanidade.
Tudo relacionado à sua pessoa torna-se notável e erudito. As Sagradas Escrituras, a música, a arte, jóias, paramentos, são alguns exemplos.
Monumentais são os templos onde Ele é louvado e cultuado. Opulência decorativa, artística e litúrgica para sua honra e adoração.
Tudo fica suntuoso conectado a sua pessoa e a sua obra. Ele é chamado de Mestre, Príncipe e Rei. Como pode tudo isso se Ele nasceu numa manjedoura, de família pobre, era carpinteiro, não era doutor, os poderosos e intelectuais não os viam com bons olhos e por fim, foi crucificado como malfeitor no meio de dois malfeitores?
“Eis que este menino foi colocado para a queda e para o soerguimento de muitos em Israel, e como um sinal de contradição” (Lc 2, 34).

A PERGUNTA QUE NÃO QUER CALAR
Quem é este a quem até os ventos e o mar obedece? (Mt 8, 27).
Realmente, quem é Jesus?
Jesus é o Cristo, o Filho do Deus Vivo (Mt 16, 16). É Deus (Mt 1, 23; Jo 10, 30). É o único Salvador do gênero humano (Lc 19, 10; Jo 3, 16; 18; At 4, 12).
Jesus Cristo foi o único gerado por obra e graça do Divino Espírito Santo no ventre de uma virgem. O único que derramou sangue imaculado numa cruz para redimir a humanidade dos seus pecados. O único ressuscitado gloriosamente e vive reinando presente em nosso meio.
Jesus Cristo é único no amor incondicional ao miserável pecador.
Jesus Cristo é único na paz, no amor, na justiça e na perfeição completa de seu projeto.
Seu projeto é o Reino de Deus, reino de vida e da salvação eterna. Tudo em sua vida parte do fundamento da verdade que liberta o ser humano de todo esquema e sistema de escravidão.
Conhecer Jesus é conhecer a sua obra em prol da nossa vida. Tal conhecimento está acima de tudo e de todos. Este é o conhecimento único de salvação eterna (cf. Jo 17, 3; 2Pd 3, 18).
Por esse conhecimento podemos dizer: que tudo em nós pertence a Jesus Cristo. “Porque tudo é dele, por ele e para ele. A ele a glória pelos séculos! Amém” (Rm 11, 36).
“Somos justificados pela fé e pelo seu precioso sangue” (Rm 5, 1.9). “A nossa fé esta confirmada e apoiada em sua pessoa” (Cl 2, 6.7). “Sem Jesus, nada podemos fazer” (Jo 15, 5).
São Paulo Apóstolo expressa o seu tudo para Cristo desta forma: “Mas o que era para mim lucro eu o tive como perda, por amor de Cristo. Mais ainda: tudo eu considero perda, pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor. Por ele, eu perdi tudo e tudo tenho como esterco, para ganhar a Cristo e ser achado nele, não tendo a justiça da Lei, mas a justiça que vem de Deus, apoiada na fé, para conhecê-lo, conhecer o poder da sua ressurreição e a participação nos seus sofrimentos, conformado-me com ele na sua morte” (Fl 3, 7-10).
Colossal foi o amor de Santa Teresinha do Menino Jesus ao seu Senhor e Mestre.
Santa Teresinha com seu amor profundo a Jesus, provoca, incentiva, exorta e passa para nós o amor indelével de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Podemos ver a beleza do amor de Cristo estampado na linda e terna face de Santa Teresinha.
Podemos dizer que Santa Teresinha é a missionária do amor, pela sua missão, muitos encontram o amor de Cristo Salvador.
Seu lema era: “Amar a Jesus e fazer com que Ele seja amado por todos”.
Vejamos sua expressão de amor a Jesus de forma monumental que vale mais do que todos os diamantes do mundo:
“Minha vocação é o amor. Que Jesus me dê um amor sem limites. A ciência do amor! Não quero senão esta ciência, porque eu não tenho nenhum outro desejo, senão este: Amar Jesus até a loucura!”.

CONCLUSÃO
Quem procura conhecer de tudo e não a Jesus, de tudo torna-se ignorante.
Tempo perdido, ouro jogado ao léu, vida desperdiçada, alma perturbada, vida sem futuro e sem paraíso, tudo isso é o resultado da boçalidade racional e materialista daqueles que vivem sem o saber e sem o viver em Cristo.
A vida só tem sentido e só é laureada quando o centro da nossa formação total é Jesus de Nazaré.
Laureal e lauto sempre será a nossa vida, quando ela se dispuser a caminhar na dimensão do amor de Cristo.
Tenhamos muito cuidado com o tempo: “O tempo escolhe você ou você escolhe o tempo”.
Excelente é você escolher o tempo ao lado de Jesus Cristo e não deixar o tempo escolher você para banalidade.
O ser humano deseja possuir muita coisa, e pouca coisa termina o possuindo como: o vício, o egoísmo, a ganância, a mentira e o ódio.
Aconselhável é a pessoa ser possuída pelo conhecimento da graça, do perdão, da caridade e da esperança de Jesus Salvador.
Tem gente que só aprende do pior jeito, e isso não é legal. Bom é aprender do melhor jeito na escola do Mestre Jesus.
A minha vida está alicerçada na doutrina de Jesus Cristo. A minha fé em Jesus é a minha felicidade e a minha certeza de vida eterna.
Aceito incondicionalmente Jesus como o maior Presente do amor de Deus.
Eu sei o que é a vida, o amor e porque Deus é amor, por causa do sacrifício do Cordeiro Imaculado.
Viver para o bom Deus e no Seu maior Presente, e na caridade do meu semelhante isso é saber quem é Jesus.

Pe. Inácio José do Vale, Pároco da Paróquia São Paulo Apóstolo
Professor de História da Igreja, Faculdade de Teologia de Volta Redonda
E-mail: [email protected]

BIBLIOGRAFIA
ROHDEN, Huberto. Organização Mahatma Gandhi- O Apóstolo da Não Violência, São Paulo: Editora Martin Claret, 2005.
LIETH, Norbert. Conheça Jesus: Único, Incomparável, Maravilhoso, Porto Alegre: Atual, 2000.
SANTA TERESINHA do Menino Jesus, História de Uma Alma, Manuscritos Autobiográficos, São Paulo: Paulus, 1996.
STRONG, Augustus H. Teologia Sistemática, São Paulo: Teológica, 2002.
CHARLESWORTH, James H. Jesus no Judaísmo, São Paulo: Imago.

Quem és tu, Jesus?
Frei Boaventura Kloppenburg, O.F.M.

A fé do cristão católico hoje sabe quem é ou foi o Senhor Jesus. Não obstante, pode procurar as razões mais profundas de sua adesão ao divino Redentor. Dizendo-nos cristãos, palavra que vem de “cristo” (“ungido”), é natural que nossa primeira pergunta se dirija humildemente ao próprio Jesus de Nazaré. Afirmamos que ele é nosso Cristo (Messias) e Senhor. Mas como podemos ter suficiente certeza sobre a vida, a atividade e as verdadeiras intenções de Jesus de Nazaré?
Segundo os relatos evangélicos, Jesus de Nazaré nasceu “nos dias do rei Herodes” (Mt 2,1; Lc 1,5.26). Sabemos hoje que este rei, por causa de suas construções também conhecido como “o grande”, morreu no ano 750 da fundação de Roma, isto é: uns quatro ou cinco anos antes da era comum, que toma o ano do nascimento de Jesus como ano primeiro. Se veio ao mundo “nos dias do rei Herodes”, Jesus deve ter nascido ao menos uns seis ou sete anos antes da era cristã. Mas os quatro Evangelhos, todos eles documentos históricos do primeiro século, são apenas biografias fragmentárias de Jesus com uma finalidade pastoral. Pois os Apóstolos não pretendiam em sua pregação satisfazer meras curiosidades históricas, mas expor os fatos e as doutrinas fundamentais do Mestre de Nazaré. Marcos e João em falam do nascimento de Jesus.
Mas sua figura não é um fantasma projetado numa época incontrolável da história. Ele aparece num dos momentos mais lúcidos da história antiga, numa encruzilhada geográfica bem conhecida pelos historiadores. O evangelista Lucas precisa os contornos históricos dos tempos em que se inicia a pregação do divino Mestre: “No décimo quinto ano do império de Tibério César, quando Pôncio Pilatos era governador da Judéia, Herodes tetrarca da Galiléia, sue irmão Filipe tetrarca da Ituréia e da Traconítide, e Lisânias, tetrarca de Abilene, enquanto Anás e Caifás eram sumos sacerdotes…” (Lc 3,1-2).
O historiador judeu Flávio Josefo, de 1º século, na obra Antigüidades Judaicas, vol. VIII, p.772, escreveu: “Nesse mesmo tempo apareceu Jesus, que era um homem sábio, se todavia devemos considerá-lo simplesmente como um homem, tanto suas obras eram admiráveis. Ele ensinava os que tinham prazer em ser instruídos na verdade e foi seguido não somente por muitos judeus, mas mesmo por muitos gentios. Era o Cristo. Os mais ilustres de nossa nação acusaram-no perante Pilatos e ele o fez crucificar. Os que o haviam amado durante a vida não o abandoaram depois da morte. Ele lhes apareceu ressuscitado e vivo no terceiro dia, como os santos profetas o tinham predito e que ele faria muitos outros milagres. É dele que os cristãos, que vemos ainda hoje, tiraram seu nome”.

Como provar que Jesus é Deus?
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Os homens de nosso tempo, embora aceitem Jesus Cristo como um grande líder religioso, estão cada vez menos dispostos a reconhecê-lo como Deus. A Sua divindade, no entanto, é a coluna vertebral da religião cristã, sem a qual todo o edifício da fé rui inevitavelmente. Afinal, se Jesus é Deus, tudo o que disse é verdadeiro – e a Ele devemos, pela fé, “plena adesão do intelecto e da vontade”, já que Deus “não pode enganar-se nem enganar” ninguém [1] –, mas, se é apenas uma pessoa “iluminada”, a religião que fundou pode muito bem ser remodelada ao gosto dos tempos.
Para provar que Jesus é Deus, o autor C. S. Lewis serviu-se de um argumento que já era apresentado desde o início da Igreja e apresentou-o no livro Mere Christianity [“Cristianismo puro e simples”, no Brasil]. Ele chamou o argumento de “the shocking alternative – a alternativa estarrecedora”:
“Entre os judeus surge, de repente, um homem que começa a falar como se ele próprio fosse Deus. Afirma categoricamente perdoar os pecados. Afirma existir desde sempre e diz que voltará para julgar o mundo no fim dos tempos. Devemos aqui esclarecer uma coisa: entre os panteístas, como os indianos, qualquer um pode dizer que é uma parte de Deus, ou é uno com Deus, e não há nada de muito estranho nisso. Esse homem, porém, sendo um judeu, não estava se referindo a esse tipo de divindade. Deus, na sua língua, significava um ser que está fora do mundo, que criou o mundo e é infinitamente diferente de tudo o que criou. Quando você entende esse fato, percebe que as coisas ditas por esse homem foram, simplesmente, as mais chocantes já pronunciadas por lábios humanos.”
“Há um elemento do que ele afirmava que tende a passar despercebido, pois o ouvimos tantas vezes que já não percebemos o que ele de fato significa. Refiro-me ao perdão dos pecados. De todos os pecados. Ora, a menos que seja Deus quem o afirme, isso soa tão absurdo que chega a ser cômico. Compreendemos que um homem perdoe as ofensas cometidas contra ele mesmo. Você pisa no meu pé, ou rouba meu dinheiro, e eu o perdôo. O que diríamos, no entanto, de um homem que, sem ter sido pisado ou roubado, anunciasse o perdão dos pisões e dos roubos cometidos contra os outros? Presunção asinina é a descrição mais gentil que podemos dar da sua conduta. Entretanto, foi isso o que Jesus fez. Anunciou ao povo que os pecados cometidos estavam perdoados, e fez isso sem consultar os que, sem dúvida alguma, haviam sido lesados por esses pecados. Sem hesitar, comportou-se como se fosse ele a parte interessada, como se fosse o principal ofendido. Isso só tem sentido se ele for realmente Deus, cujas leis são transgredidas e cujo amor é ferido a cada pecado cometido. Nos lábios de qualquer pessoa que não Deus, essas palavras implicam algo que só posso chamar de uma imbecilidade e uma vaidade não superadas por nenhum outro personagem da história.”
“No entanto (e isto é estranho e, ao mesmo tempo, significativo), nem mesmo seus inimigos, quando lêem os evangelhos, costumam ter essa impressão de imbecilidade ou vaidade. Quanto menos os leitores sem preconceitos. Cristo afirma ser ‘humilde e manso’, e acreditamos nele, sem nos dar conta de que, se ele fosse somente um homem, a humildade e a mansidão seriam as últimas qualidades que poderíamos atribuir a alguns de seus ditos.”
“Estou tentando impedir que alguém repita a rematada tolice dita por muitos a seu respeito: ‘Estou disposto a aceitar Jesus como um grande mestre da moral, mas não aceito a sua afirmação de ser Deus.’ Essa é a única coisa que não devemos dizer. Um homem que fosse somente um homem e dissesse as coisas que Jesus disse não seria um grande mestre da moral. Seria um lunático – no mesmo grau de alguém que pretendesse ser um ovo cozido – ou então o diabo em pessoa. Faça a sua escolha. Ou esse homem era, e é, o Filho de Deus, ou não passa de um louco ou coisa pior. Você pode querer calá-lo por ser um louco, pode cuspir nele e matá-lo como a um demônio; ou pode prosternar-se a seus pés e chamá-lo de Senhor e Deus. Mas que ninguém venha, com paternal condescendência, dizer que ele não passava de um grande mestre humano. Ele não nos deixou essa opção, e não quis deixá-la.” [2]
Não é possível que Cristo tenha sido simplesmente “bom”, já que Ele mesmo manifestava, em seus discursos, a consciência de ser Deus encarnado. Não só o disse explicitamente, por exemplo, aos fariseus: “Antes que Abraão existisse, eu sou” [3], como os próprios judeus tinham entendido aonde Ele queria chegar: “Não queremos te apedrejar por causa de uma obra boa, mas por causa da blasfêmia. Tu, sendo apenas um homem, pretendes ser Deus!” [4].
Diante disso, ou se admite que Jesus é Deus ou, então, trata-se de uma pessoa má, seja moral – não sendo Deus, Ele teria mentido –, seja intelectualmente – se Se enganou, não sabendo de Sua própria identidade, é alguém evidentemente louco. O apologista protestante norte-americano Josh McDowell chama isso de “trilema dos três L’s”: se Jesus não é Lord (Senhor), ou é um lier (mentiroso) ou um lunatic (lunático).
Mas, Ele não pode ser um mentiroso perverso. Um homem que amou tanto, a ponto de entregar a própria vida, que transformou inúmeras pessoas com o Seu olhar bondoso e misericordioso, não pode ser um farsante. Ao mesmo tempo, descarta-se que Ele seja um lunático. Se não tinha consciência de quem Ele próprio era, como possuía uma consciência tão aguda do que é a pessoa humana, a ponto de lermos nas páginas do Evangelho como que uma “radiografia” de nossas vidas?
Assim, não resta às pessoas outra alternativa senão crer na divindade de Nosso Senhor.
Os teólogos liberais, no entanto, tentam escapar desse ótimo argumento por duas vias. Primeiro, acusando as Sagradas Escrituras de mentirosas: para fugir de Deus feito homem, eles dizem que o Novo Testamento não é nada mais que uma invenção da comunidade primitiva, que criou um “Jesus da fé” em total oposição ao “Jesus histórico”. Como explicar que esses cristãos aparentemente mentirosos tenham sido os mesmos a darem a vida por aquilo em que acreditavam, é um mistério que esses teólogos se recusam a responder. Homens de fibra, que derramaram o próprio sangue pelo Evangelho, não se identificam com uma comunidade de aproveitadores e charlatães, que teriam forjado uma história só para enganar os outros. Afinal, ninguém dá a vida por uma mentira. As pessoas mentem para salvar a vida, não para perdê-la, como fizeram os primeiros mártires da fé cristã.
Esses mesmos teólogos também recorrem a uma “orientalização” de Cristo: após uma visita à Índia, Jesus teria saído de lá pregando o panteísmo hinduísta, o qual foi o motivo de Sua morte. Mas, qualquer pessoa com um pouco de conhecimento sobre religiões sabe que os ensinamentos do Evangelho são absolutamente incompatíveis com as crenças orientais [5].
Ainda que toda essa explicação seja convincente, não é suficiente para dar a uma pessoa a fé, que “a Igreja a professa como virtude sobrenatural, pela qual, sob a inspiração de Deus e com a ajuda da graça, cremos ser verdade o que ele revela, não devido à verdade intrínseca das coisas conhecida pela luz natural da razão, mas em virtude da autoridade do próprio Deus revelante” [6]. Uma vez diante dos preambula fidei, é preciso bater às portas de Deus e pedir-Lhe, humildemente, o tesouro da fé.

Referências
1. Concílio Vaticano I, Constituição dogmática Dei Filius, 24 de abril de 1870: DS 3008
2. Cristianismo puro e simples, II, 3
3. Jo 8, 58
4. Jo 10, 33
5. No livro “O Diálogo” (Mundo Cristão, 1986), o filósofo Peter Kreeft se aproveita de uma coincidência histórica – a morte de John F. Kennedy, Aldous Huxley e C. S. Lewis no mesmo dia 22 de novembro de 1963 – para criar uma discussão interessante sobre a identidade de Jesus Cristo.
6. Concílio Vaticano I, Constituição dogmática Dei Filius, 24 de abril de 1870: DS 3008

Ou Jesus é Deus ou não é nada
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Jesus não foi um homem que “pretendeu” ser Deus, mas o Verbo que se fez carne e veio morar entre nós

Os cristãos confessam, desde sempre, que Jesus Cristo é Deus. São João escreve que a Palavra, que “estava junto de Deus” e “era Deus” (Jo 1, 1), “se fez carne e veio morar entre nós” (Jo 1, 14). São numerosos os discursos de Cristo em que Ele deixa claro ser muito mais que um simples homem – todo o Evangelho de São João está permeado de declarações desse teor –, sendo este o motivo alegado pelos judeus para condená-Lo à morte: “Não queremos te apedrejar por causa de uma obra boa, mas por causa da blasfêmia. Tu, sendo apenas um homem, pretendes ser Deus” (Jo 10, 33).
Se, naquela época, até quem não seguia Nosso Senhor tinha clara consciência da grandeza do que Ele anunciava, hoje, muitos – atribuindo a si o apelido de “cristãos” – têm advogado, covardemente, uma “terceira opção”: ao invés de rejeitar ou aceitar de vez a mensagem do Evangelho, recorrem a uma leitura distorcida das Escrituras, reduzindo a figura de Jesus à de “um grande profeta, um mestre de sabedoria, um modelo de justiça” [1], cujas máximas valeriam, no máximo, como “guias motivacionais”. Para essas pessoas, a Bíblia não é o livro que traz a revelação de Deus, mas tão somente um “manual de autoajuda”; e a Igreja não é um edifício espiritual, mas uma construção puramente material, voltada apenas aos cuidados e necessidades deste mundo.
Antes de tudo, importa denunciar o grave equívoco desse ponto de vista, que não pode ser aceito sem se cometer um grande e grave atentado à razão. Se Jesus não é “o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” (Jo 1, 29), nem “o pão que desceu do céu” e que dá a vida eterna (Jo 6, 41), nem “a porta das ovelhas” (Jo 10, 7) – realidades que ninguém usaria senão para se referir à divindade –, então, ou é um mentiroso, que queria enganar os outros, ou um louco, que não sabia sequer quem ele mesmo era. Ora, que grandeza pode haver na mentira e na loucura? Ou Jesus é Deus, ou não é nada. Et tertium non datur [2].
É preciso reconhecer, porém, como é cômodo relegar Nosso Senhor à posição de “apenas um homem”. Se é assim, as suas palavras realmente não vinculam, nem obrigam ninguém a nada; são apenas reflexões morais e sociais, como as de qualquer pensador antigo. Daria no mesmo, então, citar Confúcio, Dalai Lama, Buda, Chico Xavier ou Jesus Cristo. Afinal, se são todos homens, com igual tratamento deveriam ser acolhidas suas mensagens: como palavras humanas.
A prática da Igreja primitiva, no entanto, atesta: os discípulos sempre creram que pregavam uma doutrina autenticamente divina. Em carta a Tessalônica, por exemplo, o Apóstolo agradece a Deus “sem cessar, porque, ao receberdes a palavra de Deus que ouvistes de nós, vós a recebestes não como palavra humana, mas como o que ela de fato é: palavra de Deus, que age em vós que acreditais” (1Ts 2, 13). Tanto ontem, como hoje, a fé católica não mudou. Diante das vozes enganadoras que pretendem reduzir a imagem de Cristo à de um chefe religioso qualquer, urge dizer “não”: a boa-nova do Evangelho não é “palavra humana”, mas, verdadeiramente, “palavra de Deus”.
Foi o que disse o Cardeal Joseph Ratzinger – depois, Papa Bento XVI –, na virada do novo milênio, quando publicou a declaração Dominus Iesus, “sobre a unicidade e a universalidade salvífica de Jesus Cristo e da Igreja”. Em 2000 – ou, “em pleno século XXI”, diriam os mais escandalizados –, a Igreja recordava que “os homens (…) só poderão entrar em comunhão com Deus através de Cristo” [3]. À época, os meios de comunicação “rasgaram as vestes”, acusando São João Paulo II e o Vaticano de arrogância e intolerância religiosa. É que, com a Dominus Iesus, a Igreja denunciava taxativamente as opiniões mundanas a respeito de Jesus, das quais a mídia moderna se faz porta-voz tão ardorosa:
“Na reflexão teológica contemporânea é frequente fazer-se uma aproximação de Jesus de Nazaré, considerando-o uma figura histórica especial, finita e reveladora do divino de modo não exclusivo, mas complementar a outras presenças reveladoras e salvíficas. O Infinito, o Absoluto, o Mistério último de Deus manifestar-se-ia assim à humanidade de muitas formas e em muitas figuras históricas: Jesus de Nazaré seria uma delas.” [4]
Nesse sentido, a fé católica é profundamente intolerante, sobretudo, porque é fiel à palavra de Cristo, que não temeu apontar a si mesmo como “o caminho, a verdade e a vida”, fora do qual ninguém pode ir ao Pai (Jo 14, 6). Essa expressão – dita pelo mesmo Jesus que perdoou os pecadores arrependidos, curou os doentes e saciou os pobres – mostra como a misericórdia divina está profundamente unida à verdade da Sua mensagem, que repele todo erro, toda mentira… e toda falsa religião.
Ao argumento dos judeus de que Jesus, sendo apenas um homem, se fazia Deus, a Igreja responde, em consonância com dois mil anos de Tradição e Magistério: Jesus não foi um homem que pretendeu ser Deus. Ao contrário, Ele foi Deus, que, não se apegando ciosamente à natureza divina, “despojou-se, assumindo a forma de escravo e tornando-se semelhante ao ser humano” (Fl 2, 7). Eis o que creem os cristãos.

Por Equipe Christo Nihil Praeponere
Referências
1. Papa Francisco, Angelus, 24 de agosto de 2014
2. Sobre isso, cf. RC 221: Como provar que Jesus é Deus?
3. Dominus Iesus, 12
4. Ibidem, 9

Lembre-se que Jesus é verdadeiro homem
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Em Jesus de Nazaré, Deus Se fez homem. Não deixe que essa verdade o assuste. Permita que ela transforme você.
Pode Deus ser representado em uma imagem?
Nos séculos VIII e IX, durante a grande controvérsia iconoclasta, uma questão dividiu o mundo cristão oriental. À parte se o uso de ícones no cristianismo violava ou não a proibição do Antigo Testamento sobre a confecção e o uso de esculturas (cf. Ex 20, 4), a pergunta era se Cristo poderia ser realmente retratado em uma imagem. Afinal, qualquer imagem real de Cristo deve apontar tanto para a Sua humanidade quanto para a Sua divindade. Como, porém, representar o infinito? Como descrever o indescritível? Alguns vão mais longe, a ponto de dizer que o próprio Cristo, sendo Deus, não teria possuído quaisquer características finitas. Jesus teria tido todas as cores possíveis de cabelo, todas as formas possíveis de nariz, todos os tamanhos possíveis de pés.
O absurdo disso deveria ser evidente por si mesmo. Essa ideia é sintomática de uma doença muito antiga dentro do cristianismo: a negação – de alguma forma e em determinado grau – da verdadeira humanidade de Cristo. A Igreja gastou os seus primeiros séculos de existência trabalhando com o testemunho das Escrituras e da pregação apostólica, os quais deixaram claro que Jesus, ao mesmo tempo em que era humano – comendo, chorando, sofrendo e morrendo –, era Deus – afirmando ser um só com o Pai, chamando a Si mesmo de “Eu sou” (YHWH) e perdoando pecados. Reconciliar as duas realidades nem sempre foi fácil e a solução de muitos no meio do caminho foi tender ora para um lado, ora para outro – negando que Ele tivesse alma, vontade, inteligência ou aparência humanas. Faziam de tudo para evitar que se dissessem aquelas palavras aparentemente sem sentido: “Deus Se fez homem”.
Não se pode culpar todos os que pensam assim, necessariamente [1]. Não se trata de uma dose fácil de digerir. Alguma coisa em nós parece recuar diante da ideia de que o Todo-Poderoso, o Onipresente, o Onisciente, o Sumo Bem, o único ente necessário, a causa de todas as coisas, possa ser limitado, contido e circunscrito em um bebezinho, em uma criança, em um homem – e não apenas em um homem, mas em um homem pobre, um carpinteiro rústico, nascido em um canto escondido do Império Romano, falando um idioma que poucos podiam compreender. Como pôde ser assim? Como pôde Deus assumir uma forma humana? Como pôde o Deus todo perfeito e autossuficiente sentir fome, crescer, aprender coisas e chorar? Parece haver algo de errado em tudo isso.
Ainda assim, pode existir algo mais indigno do que ser publicamente envergonhado e executado como um criminoso, flagelado em praça pública e ser estendido nu no alto de um monte? Certamente não e, no entanto, não seríamos capazes de negar isso de Jesus, ou seríamos? Assim, se Ele pode sofrer e morrer, por que não pode rezar e comer, chorar e nascer?
Há o outro lado de tudo isso, a visão que nega a divindade de Jesus e vê nele tão somente “um cara legal que nos ensinou algumas coisas boas, deu-nos um grande exemplo e mostrou o quanto nos amou recusando-se a agir violentamente contra os seus assassinos”. Muitas vezes, a ideia de que “Jesus é o Todo-Poderoso Rei do Universo vestindo uma roupa humana por um curto período de tempo” pode não ser nada mais que uma reação ao Jesus “paz e amor”, a outra extremidade do movimento do pêndulo. Mesmo assim, mais do que uma cristologia “fraca” ou “forte”, o que precisamos é de uma cristologia verdadeira – ou, ainda melhor – uma cristologia fiel. Porque nós nunca compreenderemos completamente o mistério da Encarnação, mas podemos apreender um pouco dele, assim que começarmos a deixar que transforme as nossas vidas.
É precisamente este o ponto: Jesus toma a nossa humanidade (toda ela) e a redime, elevando-a à perfeição, apertando o botão reset, por assim dizer. São Paulo diz em sua Carta aos Romanos que pelo pecado de Adão a humanidade se perdeu, mas pela obediência de Cristo, ela foi salva. “Como a falta de um só acarretou condenação para todos os seres humanos, assim a justiça de um só trouxe para todos a justificação que dá a vida” (Rm 5, 18). Isso é o que Santo Irineu de Lião chama a “recapitulação” de Cristo [2], o fato de Ele tornar-Se a cabeça da raça humana, por Sua obediência e sacrifício. Por isso, pela graça merecida por Sua Cruz e dada a nós nos Sacramentos, Ele permite que nos tornemos aquilo para o qual sempre fomos chamados: ser filhos de Deus.
Em Jesus de Nazaré, Deus Se fez homem. Não deixe que essa verdade o assuste. Permita que ela transforme você.

Por Nicholas Senz | Tradução: Equipe CNP
Referências
1. Nesta Resposta Católica, Padre Paulo Ricardo explica que “o pecado da heresia só pode ser consumado quando há uma obstinação do indivíduo pelo erro”.
2. Cf. Adversus Haereses, III, 22, 3 (PG 7, 957-958).

O que é a união hipostática?
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O termo técnico “união hipostática” é usado em teologia para se referir à forma como Deus e a humanidade estão unidos em Jesus Cristo. Não é possível, porém, entender o mistério dessa união sem antes entender um outro mistério: o da Encarnação.
Existem duas naturezas: humana e divina. Entre uma e outra há um abismo, uma distância intransponível entre o homem e Deus. Tal distância já existia antes do pecado original, e este somente a aumentou. A distância entre Criador e criatura faz parte da natureza das coisas.
Não é errado dizer que sozinho o ser humano jamais chegará até Deus, ainda que empreenda os maiores esforços. É impossível e qualquer esforço humano nesse sentido é semelhante à Torre de Babel. Ao homem, portanto, só resta clamar misericórdia e pedir a Deus que venha. Ele veio.
Deus veio ao encontro do homem. No entanto, pelo fato de Deus ser uma realidade tão portentosa, magnífica e poderosa não poderia simplesmente “aparecer”, pois isso seria insuportável para a humanidade. A Sua glória é tamanha que se ela se manifestasse plenamente as criaturas se diluiriam em Deus. Não seria possível ao homem suportar tão grande majestade.
Deus resolveu esse problema se encarnando no seio de Maria. Uma das pessoas da Santíssima Trindade (o Filho) se fez homem, de tal forma que em Jesus Cristo a humanidade e a divindade estão unidas numa espécie de casamento. A analogia é perfeita, pois naquele, os dois se tornam uma só carne, mas as duas realidades continuam distintas.
É possível dizer também que Ele é o próprio casamento, não somente o Esposo. Ele é o casamento entre Deus e o homem. Os que estavam infinitamente separados, em Jesus, agora estão unidos, mas não de modo que a humanidade desapareça. Ela permanece.
A palavra “hipóstases” em grego é usada para designar “pessoa”; porém, é mais forte que o termo latino “persona”, pois recorda que se trata de uma relação substancial. Assim, a união entre Deus e o homem não se dá de forma acidental, como se Deus assumisse a humanidade como uma pessoa coloca acidentalmente brincos, peruca, chapéu, cachecol… Não. A humanidade de Cristo tem como substrato a pessoa do Verbo Eterno. Não se trata de uma união acidental, portanto, mas substancial.
Desse modo, existe um só Filho: Deus e homem ao mesmo tempo. Conforme afirmado pela Igreja desde o Concílio de Calcedônia:
Se bem que, desde aquele início no qual o Verbo se fez carne no útero da Virgem, jamais tenha existido entre as duas formas divisão alguma e durante todas as etapas do crescimento do corpo as ações sempre tenham sido de uma única pessoa, todavia não confundimos, por mistura alguma, o que foi feito de maneira inseparável, mas percebemos pela qualidade das obras que cada coisa seja própria de cada forma… Embora, de fato, seja um só o Senhor Jesus Cristo e, nele, uma única e a mesma seja a pessoa da verdadeira divindade e da verdadeira humanidade, compreendemos, todavia que a exaltação com a qual, como diz o Doutor dos gentios, Deus o exaltou e lhe deu um nome que supera todo nome, se refere àquela forma que devia ser enriquecida com o aumento de tão grande glorificação (DH 317 e 318).
A união entre as duas naturezas na pessoa de Jesus Cristo é substancial. O mistério da união hipostática se reverte em graça santificante para a humanidade, pois, pela humanidade de Cristo pôde ser também ela unida à divindade, mesmo que de modo acidental. Trata-se de uma graça incomensurável de Deus para com sua criatura que jamais seria capaz de transpor o abismo que a separa de seu Criador de quem tudo brota e de onde vem a salvação.

Cardeal Müller adverte o perigo de adaptar a Igreja ao estilo de vida pagão

Cardeal Gerhard Müller – Foto: Daniel Ibáñez (ACI Prensa)

WASHINGTON DC, 04 Ago. 15 / 12:30 pm (ACI).- O Cardeal Gerhard Müller, Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, falou firmemente contra os intentos por adaptar os ensinos da Igreja a estilos de vida pagãos que se difundem na sociedade de hoje, pois introduz a arbitrariedade e o subjetivismo.

Numa entrevista ao jornal Católico ‘Die Tagespost’, no dia 6 de junho, o prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé explicou que colocar “qualquer forma de vida” ao mesmo nível das escrituras e da tradição “não é mais do que a introdução do subjetivismo e arbitrariedade embrulhados numa terminologia religiosa sentimental.”

Os comentários do cardeal foram em parte vistos como uma crítica ao recente “concílio sombra” em que Bispos e especialistas da Alemanha, França e Suíça se encontraram em Roma, no dia 25 de maio, para discutir como a Igreja poderia adaptar a sua pastoral às experiências de vida dos dias de hoje, especialmente no que toca à ética sexual.

Segundo o site austríaco Kath.net, o Bispo de Osnabrück (Alemanha), Dom Fraz-Josef Bode, participante nesse encontro e um dos representantes do episcopado alemão no próximo Sínodo da Família, disse à imprensa que “as ‘formas de vida’ das pessoas deviam ser uma fonte de informação para as verdades morais e dogmáticas”.

Entretanto, o Cardeal Müller assinalou que estas “formas de vida” podem muitas vezes ser altamente pagãs e que a fé não pode ser resultado de um acordo entre ideias cristãs, princípios abstratos e a prática de experiências de vida pagãs.

Ele acrescentou que Roma vai apoiar a liberdade e responsabilidade dos Bispos, mas que isto vai ser ameaçado por “nostalgias de Igrejas nacionais e pela discussão sobre a aceitação de aspectos sociais.”

O Cardeal alemão também disse que o Papa Francisco convidou cada bispo no Sínodo de Outubro como “testemunha e mestre da fé revelada”.

Sobre a controversa reunião privada realizada em Roma, o Cardeal disse que está certo trocar informações sobre qualquer assunto importante. Mas, acrescentou que não se pode controlar a verdade. Se este princípio fosse adotado e considerado verdade pela Igreja, levando-a a tomar decisões com base na opinião pública, a Igreja seria “abanada até às suas fundações”, advertiu

O Cardeal Müller recordou que a Igreja Católica é mãe e mestra de todas as igrejas, é quem ensina e não quem é ensinada. “Ela não precisa de ninguém para lhe ensinar a fé verdadeira, porque é nela que a tradição apostólica tem estado fielmente guardada e onde será sempre preservada.”

Dignidade do matrimônio cristão

Junto à defesa que o Cardeal Müller fez da doutrina católica, o Cardeal Ennio Antonelli, Presidente Emérito do Pontifício Conselho para a Família, publicou o documento “Crise do matrimônio e da Eucaristia”, no qual oferece sua contribuição ao próximo Sínodo dos Bispos, a ser realizado no mês de outubro e analisará diferentes temas, tal como a comunhão aos divorciados em nova união.

Assim, este documento é a reposta do Cardeal diante da proposta de alguns cardeais, como por exemplo o alemão Walter Kasper. Ele não foi mencionado no texto, mas há algum tempo promove que o Vaticano modifique os ensinamentos da Igreja, para que seja permitida a comunhão dos divorciados em nova união.

“O matrimônio sacramental, rato e consumado, é indissolúvel por vontade de Jesus Cristo. A separação dos cônjuges é contrária à vontade de Deus”, recordou o Cardeal Antonelli.

Por isso, “a nova união de um cônjuge separado é ilegítima e constitui uma grave desordem moral permanente; cria uma situação que contradiz objetivamente a aliança nupcial de Cristo com a Igreja, que tem seu significado e atuação na Eucaristia”.

Por esta razão, indicou o Cardeal, “as pessoas divorciadas que se casaram novamente no civil não podem receber a Comunhão Eucarística, principalmente por um motivo teológico e também por um motivo de ordem pastoral”.

“Se fosse permitida a Comunhão aos divorciados em nova união, os fiéis seriam induzidos ao engano e confusão a respeito da doutrina da Igreja sobre a indissolubilidade do matrimônio”, indicou o Cardeal e recordou ainda que estas pessoas devem ser acolhidas pastoralmente para que saibam que apesar de sua situação irregular, continuam fazendo parte da Igreja.

O verdadeiro bem dos filhos

O que de melhor posso deixar para os meus filhos?

Um dos maiores amores do mundo é aquele que – com algumas tristes exceções – os pais têm pelos filhos. Sai-lhes da mais entranhada fibra da alma querer bem a seus filhos e desejar o melhor para eles. Mas são poucos os que entendem qual é o maior bem para eles.

Muitos dirão que o maior bem é a saúde, porque é um pressuposto básico de quase todos os outros bens: “Tendo saúde, tudo se pode superar, tudo se pode conseguir!”. Será preciso, como é lógico, acrescentar uma boa educação (procurar – como costumam dizer muitos pais orgulhosos dos filhos – que “não fumem, não bebam, não caiam na droga”) e proporcionar-lhes um preparo profissional de excelência, o qual lhes permita ter segurança e bom nível material de vida pessoal e familiar.

Será que isso é o “maior bem”, o “melhor” para os filhos? Tudo o que acabamos de mencionar é excelente, sem dúvida, mas não é o mais “essencial”; em vários aspectos, nem sequer é “imprescindível” (há, por exemplo, pessoas com sérias deficiências físicas ou com carência de bens materiais que são fantásticas, realizadas e felizes).

Seria um contrassenso que o bem mais “essencial” fosse desprezado, deixado de lado pelos pais. Faltando o essencial, todas as coisas “boas” dos filhos ficam como os materiais excelentes de uma ótima casa, a qual não tem alicerces nem pilares sólidos. É bom lembrar o que Cristo diz da casa construída sobre a areia: “Caiu a chuva (das dificuldades e provações), vieram as enchentes (momentos de crise e tormenta familiar, profissional ou social), os ventos sopraram e se abateram contra aquela casa (injustiças, perseguições, inimizades, falência, dívidas, etc.) e ela desabou. Sua ruína foi grande (cf. Mt 7,27).

Daí a grande importância de não perdermos nunca de vista qual é o verdadeiro bem do homem, o único bem imprescindível, sem o qual nenhum dos outros se sustenta. A resposta a essa questão já foi dada por Cristo: “Que aproveita o homem ao ganhar o mundo inteiro se vier a perder a sua alma? Ou que poderá dar o homem em troca da sua alma? (Mt 16,26).

São palavras que brilham como um farol no meio do nevoeiro. Nenhum “bem” vale a pena se a alma estiver privada da Vida divina, da Verdade e da graça de Deus. Com efeito, sem a graça divina, uma alma está “morta” e, então, as melhores qualidades e “bens” de que possa dispor não passam de flores vistosas enfeitando um corpo sem vida. Estando ausente a vida, “de que aproveitam” as flores?

Os pais deveriam pensar mais nisso, todos os pais cristãos deveriam ser capazes de compreender o que significa Cristo, o único Caminho, Verdade e Vida (Jo 14,6), e o valor de uma eternidade feliz. Uma e outra vez deveríamos repetir-nos que “querer bem” outra coisa não é senão “querer o bem” dos filhos, e que não pode haver “bens” autênticos quando falta Deus. “A quem tem Deus – dizia Santa Teresa de Ávila – nada lhe falta”. A quem não O tem – poderíamos acrescentar – falta-lhe o suporte, impedindo que as melhores coisas (família, amor, alegria, sentido da vida) se esfarelem.

É excelente, sem dúvida, o empenho dos pais para que os filhos tenham saúde, cultura, bem-estar, capacitação profissional que lhes permita enfrentar, com segurança, o futuro. Mas é um empenho muito mais excelente e vital – por ser decisivo nesta terra e na eternidade – esforçarem-se com a sua oração, o seu exemplo e uma orientação prudente e contínua, para que os filhos conheçam as verdades da fé cristã – a doutrina salvadora de Cristo – e aprendam a amá-las e praticá-las.

Podem ter a certeza de que as virtudes cristãs de um filho vão lhe fazer, ao longo da vida, um bem infinitamente maior do que todos os diplomas ou contas bancárias que lhes possam proporcionar. Mil vezes mais vale a fé do que a saúde, a união com Deus do que o sucesso. Só as virtudes cristãs são os tesouros verdadeiros de que Cristo falava (Mt 6,19-20).

Somente esses tesouros proporcionam, àqueles que amamos, a “realização”, o bem pleno, quer nesta terra, quer na eternidade. Sem esta convicção, todos os carinhos cheios de boa vontade podem vir a desfazer-se como um sonho ilusório.

Por isso, sempre deveria ecoar em nossos ouvidos, como um norte para a vida e, especificamente, para a família, o segredo que Cristo confidenciou a Marta: Tu te inquietas e te perturbas por muitas coisas; no entanto, uma só coisa é necessária. Maria escolheu a melhor parte, que não lhe será tirada (Lc 10, 41-42). A “melhor parte” é estarmos junto de Cristo, segui-Lo atentos às Suas palavras, fazer do amor de Deus e da Sua santa vontade a estrela que guia nossa vida. Aí está o verdadeiro bem do homem.

Padre Francisco Faus
http://www.padrefaus.org/

Papa Francisco: O mundo precisa de cristãos com um coração de filhos e não de escravos

https://www.acidigital.com/noticias/papa-francisco-o-mundo-precisa-de-cristaos-com-um-coracao-de-filhos-e-nao-de-escravos-21738
Papa durante a Audiência Geral. Foto: Daniel Ibáñez / ACI Prensa

Vaticano, 20 Jun. 18 / 09:25 am (ACI).- O Papa Francisco seguiu com suas catequeses sobre os Mandamentos e assinalou que o mundo não precisa de legalismos, mas de cristãos com o coração de filhos.

“Todo o cristianismo é a passagem da letra da Lei ao Espírito, que dá a vida”, sublinhou. “Jesus é a Palavra do Pai, não é a condenação do Pai”, explicou na Praça de São Pedro.

“Vê-se quando um homem ou uma mulher viveram esta passagem ou ainda não. As pessoas percebem se um cristão raciocina como filho ou como escravo. E nós mesmos recordamos se nossos educadores cuidaram de nós como pais e mães ou se só impuseram regras”.

Em sua nova catequese, afirmou que “na Bíblia os mandamentos não vivem por si mesmos, mas são parte de um relacionamento, o da Aliança entre Deus e seu povo”.

Francisco explicou que “a tradição hebraica chamará sempre Decálogo as Dez Palavras” e “o termo ‘decálogo’ quer dizer isso (palavras de vida) e tem forma de leis, mas são objetivamente mandamentos”.

O Papa explicou porque se usa na Escritura o termo “dez palavras” e não “dez mandamentos”. “A ordem – explicou – é uma comunicação que não requer diálogo. A palavra, pelo contrário, é o meio essencial da relação como diálogo. Deus Pai cria por meio da sua palavra, e o seu Filho é a Palavra feita carne. O amor nutre-se de palavras e assim a educação ou a colaboração. Duas pessoas que não se amam, não conseguem se comunicar”, mas “quando alguém fala ao nosso coração, nossa solidão termina”.

“Uma coisa é receber uma ordem, outra bem diferente é perceber que alguém fala conosco”, acrescentou.

Neste sentido, indicou que “um diálogo é muito mais do que a comunicação de uma verdade. Realiza-se pelo prazer de falar e pelo bem concreto que se comunica entre eles que se querem bem por meio das palavras”.

O Pontífice recordou que “o Tentador quer enganar o homem e a mulher sobre este ponto: quer convencê-los de que Deus os proibiu de comer do fruto da árvore do bem e do mal para mantê-los submissos”.

“O desafio é justamente este: a primeira norma que Deus deu ao homem, é a imposição de um déspota que proíbe e obriga, ou é o cuidado de um pai que está cuidando os seus pequenos e os protege da autodestruição?”, perguntou-se.

“A mais trágica entre as mentiras que a serpente diz a Eva é a sugestão de uma divindade invejosa e possessiva” e “os fatos demonstram dramaticamente que a serpente mentiu”, sublinhou.

“O homem está diante desta encruzilhada: Deus me impõe as coisas ou cuida de mim? Os seus mandamentos são somente uma lei ou contém uma palavra, para cuidar de mim? Deus é patrão ou Pai?”.

“Este combate, dentro e fora de nós, apresenta-se continuamente: mil vezes devemos escolher entre uma mentalidade de escravos e uma mentalidade de filhos. O Espírito Santo é um Espírito de filhos e o Espírito de Jesus”.

Francisco pontuou que “um espírito de escravos acolhe a Lei de modo opressivo e pode produzir dois resultados opostos: ou uma vida feita de deveres e de obrigações, ou uma reação violenta de rejeição”.

São Luiz Gonzaga – Padroeiro da Diocese

O Marquês de Castiglione, Dom Ferrante Gonzaga, Príncipe do Sacro Império, pretendia que seu filho primogênito, Luiz, fosse grande na política, na nobreza e na vida militar. Pelo contrário, sua esposa, Dona Marta de Tâni, alimentava sentimentos bem opostos. Queria fazer de Luiz grande na glória dos santos e não na glória do mundo. Quando se aproximava a altura de ser mãe, as coisas complicaram-se. Prometeu então peregrinar até ao Santuário de Loreto com a criança que nascesse e consagrá-la a Nossa Senhora.

A 09 de Março de 1568 nasceu o primeiro dos seus oito filhos, a quem puseram o nome de Luiz. A piedosa senhora cumpriu o seu voto, entregou-se a Nossa Senhora em Loreto e pediu-lhe que o fizesse santo. A Virgem Santíssima atendeu os seus rogos, para além do que imaginava. Luiz, naturalmente permeável aos bons conselhos, voltou-se todo para Deus, a partir dos sete anos.

São Roberto Belarmino, Doutor da Igreja, que mais tarde foi seu Confessor e Diretor Espiritual, no testemunho que nos deixou, escreve acerca do seu pupilo: «Na idade dos sete anos é que Luiz começou a conhecer mais a Deus, desprezar o mundo e empreender uma vida de perfeição. Ele mesmo com freqüência me repetia que o 7° ano da sua idade marcava a data da sua conversão». Antes tivera uns pecados ou pecadinhos de que mais tarde muito se arrependeu: tirar pólvora para fazer explodir uma bombarda e pronunciar algumas palavras inconvenientes, cujo sentido desconhecia, ouvidas aos soldados de seu pai.

Dom Ferrante não via com bons olhos a evolução espiritual do seu primogênito, que parecia só pensar no sacrifício, na oração e no amor a Nossa Senhora. Para desviá-lo desses propósitos, mandou-o para a corte requintada do Grão Duque de Médicis. Mas em Florença, em vez de se mundanizar, mais se divinizou o nosso jovem. Ainda que pareça estranho, é historicamente certo que pelos 10 anos fez voto de castidade perpétua, diante do maravilhoso altar de Nossa Senhora da Anunciação, no templo do mesmo nome. Foi nesta cidade que começou a confessar-se com o Reitor do Colégio da Companhia de Jesus e a seguir a sua orientação espiritual.

O Arcebispo de Milão, São Carlos Borromeu, estacionando uns dias no Castelo de Castiglione, contatou intimamente com Luiz, vindo a declarar «que jamais encontrara jovem que em tal idade atingisse tão elevada perfeição». Foi ele mesmo que lhe quis administrar a Primeira Comunhão, despedindo-se com dois conselhos: comunhão freqüente e leitura assídua do Catecismo Romano. Aos 12 anos, declara Luiz aos pais que decidira fazer-se religioso quando atingisse a idade adequada. O pai, exasperado, para lhe fazer perder essas idéias, fê-lo jornadear pelas cortes mais ricas da Europa e participar nas festas requintadas da sociedade.

Os anos de 1582 a 1584 passa-os a família Gonzaga na Corte de Madrid, onde reinava Filipe 11, que acabara de absorver Portugal. É nessa altura que Luís visita o nosso país, demorando alguns dias em Lisboa. Está certo da sua vocação, mas duvida da Ordem em que há de ingressar. Estando um dia, como de costume, a rezar diante da imagem de Nossa Senhora do Bom Conselho, na igreja dos Jesuítas, em Madrid, por inspiração celeste, compreende que Deus o chama para a Companhia de Jesus. Depois do regresso à Itália, consente finalmente o pai na vocação do filho. A 01 de Novembro de 1585, perante os parentes mais próximos e o representante do Imperador, assinou Luís a renúncia a todos os seus direitos de Primogênito, aos títulos nobiliárquicos e aos bens da fortuna, em favor do seu segundo irmão, Rodolfo.

No dia seguinte, ajoelha-se diante de seu pai e de sua santa mãe a pedir-lhes a bênção. Ambos lha concedem com enternecimento e lágrimas, e após alguns instantes lá partiu, a caminho da Cidade Eterna. Chegado a Roma, hospeda-se em casa do Patriarca Cipião Gonzaga, seu tio, para visitar nos dias seguintes outros cardeais e Bispos de sua Família e ser admitido à presença do Papa Sisto V. Todos se maravilham com a prudência, o aprumo, delicadeza e santidade do jovem Príncipe. A 25 de Novembro de 1585, festa de Santa Catarina, virgem e mártir, contando 17 anos e oito meses, é admitido na Companhia de Jesus.

Os seus cinco anos de vida religiosa distinguiram-se pela exata observância de todas as regras, pela piedade e pelo exercício das virtudes cristãs. Freqüentou o Colégio Romano, atual Universidade Gregoriana, com brio e distinção. Compôs um tratado sobre os anjos que um censor assim qualificou: «São páginas cheias de unção, de graça de estilo, de inspirações felizes e evocações inflamadas». Seu pai, ao cabo de uma vida demasiado mundana, faleceu com os sentimentos de sincera contrição e de ardente fé, exclamando no leito da agonia: “É o fruto do sacrifício do meu Luiz. Foi ele, e só ele, que me alcançou tão grande graça do Senhor”. Seu tio, dom Vincente Gonzaga, Duque de Mântua, e seu irmão Rodolfo viviam em tal discórdia que estavam prestes a fazer a guerra um ao outro.

Luiz, a pedido da família, veio a Castiglione e o que nem as solicitações dos grandes do mundo e da Igreja tinham conseguido, alcançou-o ele. Ambos os contendores fizeram as pazes e acabaram com o litígio. Outro grave escândalo, que causava a maior preocupação da mãe, acabou: Rodolfo regularizou, por meio do matrimônio, a situação pecaminosa em que vivia. Na missa de despedida, Dona Marta, sua mãe, Rodolfo e sua esposa, os principais fidalgos e 700 vassalos participaram na missa e na Sagrada Comunhão. No ano de 1591, espalhou-se a peste em Roma, vitimando centenas de pessoas.

Luiz ofereceu-se para tratar dos empestados, que ia visitar às suas casas e tratava com extremos de carinho; chegou mesmo a acarretar um pobre doente, conduzindo-o aos ombros para o hospital. Contraiu a mesma peste, da qual veio a falecer aos 23 anos de idade, em Roma, depois de ter recebido todos os sacramentos, a 21 de Junho de 1591, na sexta-feira a seguir à oitava do Corpo de Deus, dia que mais tarde seria consagrado ao Coração de Jesus, de cuja devoção foi Luiz um precursor.

O Cardeal são Roberto Belarmino, que, como ficou dito, foi seu Confessor e Diretor Espiritual em Roma, escreveu sobre ele o mais elogioso depoimento e pediu para ser sepultado junto da sua campa, o que realmente lhe concederam. Treze anos após o falecimento de Luiz, pôde sua mãe venerá-lo nos altares com o titulo de Beato. A canonização ocorreu em 1726. A instâncias de D. João Veda Rainha D. Maria Ana de Áustria, sua esposa, concedeu em 1737 o Papa Clemente XII que em todo o Portugal e seus domínios se celebrasse com particular devoção a festa de São Luís Gonzaga. A Santa Sé proclamou-o Protetor da juventude, título que Pio XI veio a confirmar.

Na Epistola Apostólica “Singulare illud”  de 1926, sobre o 3° Centenário da Canonização, o Papa Pio XI escreve: “Contemplar e imitar são Luis Gonzaga é o melhor meio que pode empregar a juventude para atingir a santidade. Desde que a Igreja o proclamou Padroeiro da Juventude, São Luiz tem exercido uma influência maravilhosa sobre os jovens. Basta recordar que ele é o modelo e protetor de são Domingos Sávio e de são João Bosco, que tanto pregou a sua devoção e a deixou em herança aos Salesianos. Em virtude da nossa autoridade apostólica, proclamamos mais uma vez São Luiz Gonzaga celeste patrono da Juventude universal”.

Na audiência concedida por Pio XI a 5.000 jovens de todo o mundo, foram apresentados ao papa 30 volumes com dois milhões de assinaturas de jovens que prometeram imitar valorosamente o exemplo de São Luiz, segundo as palavras que transcrevemos:
“Nós, jovens católicos, rendidos em espírito, junto ao sepulcro de São Luiz, em Roma, associamo-nos a toda a mocidade do mundo que venera o nosso Santo Patrono e, para fazer-nos aptos e dignos cooperadores na empresa de renovar a vida e sociedade humanas, conforme os ideais cristãos, propomos, resoluta e solenemente, cumprir o seguinte programa inspirado nos exemplos de são Luiz:
1. Permaneceremos sempre firmes na Fé católica, ainda que muitos outros a abandonem e dela se apartem;
2. Amaremos fielmente a Igreja, esposa de Jesus Cristo, e defendê-la-emos sempre como nossa Mãe, contra todos os embates dos que a perseguirem;
3. Impor-nos-emos o honroso dever de alcançar uma grande Cultura Católica e um profundo conhecimento da nossa religião;
4. Como a verdadeira fortaleza consiste na vitória sobre as paixões, conservaremos valorosamente, a exemplo de são Luís, a pureza de alma e corpo, principalmente por meio da comunhão: freqüente e de uma singular devoção à Santíssima Virgem”.

 

À SÃO LUIZ GONZAGA

Ó Luiz Santo, adornado de angélicos costumes, eu, vosso indigníssimo devoto, vos recomendo singularmente a castidade da minha alma e do meu corpo. Rogo-vos por vossa angélica pureza, que intercedais por mim ante ao Cordeiro Imaculado, Cristo Jesus e sua santíssima Mãe, a Virgens das virgens, e me preserveis de todo o pecado. Não permitais que eu seja manchado com a mínima nódoa de impureza; mas quando me virdes em tentação ou perigo de pecar, afastai do meu coração todos os pensamentos e afetos impuros e, despertando em mim a lembrança da eternidade e de Jesus crucificado, imprime profundamente no meu coração o sentimento do santo temor de Deus e inflamai-me no amor divino, para que, imitando-vos cá na terra, mereça gozar a Deus convosco lá no céu. Amém.

v: Ora pro nobis, Sancte Aloísi.
r: Ut digni efficiamur promissiónibus Christi.

Oremus
Cæléstium donórum distributor, Deus, qui in angélico júvene Aloísio miram vitæ innocéntiam pari cum pæniténtia sociásti: ejus méritis et précibus concéde; ut innocéntem nom secúti, pæniténtem imitemur. Per Christum Dóminum nostrum.
r:Amém.

v: Rogai por nós São Luiz.
r: Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.

Ó Deus, distribuidor dos dons celestes que no angélico jovem Luiz reunistes admirável inocência de vida com igual penitência, pelos seus merecimentos e orações concedei-nos, que, pois na inocência o não seguimos, o imitemos na penitência. Por Cristo, Senhor nosso.
r: Amém.

Consagração  
Ó glorioso São Luiz, adornado pela Igreja com o belo título de Jovem angélico, pela vida puríssima, que no mundo vivestes, a vós recorro neste dia com o mais ardente afeto da alma e coração.
Ó modelo perfeito, ó benigno e poderoso Protetor, quanto preciso do vosso auxílio! Preparam-me insídias o mundo e o demônio, sinto a veemência das paixões, conheço a fraqueza e a inconstância da minha idade. Quem poderá defender-me, si não vós, ó angélico Santo, glória, honra e amparo dos jovens? A vós, pois, recorro com toda a minha alma, a vós com todo o meu coração me entrego.
Intento assim, prometo e quero ser vosso especial devoto e glorificar-vos por vossas sublimes virtudes e especialmente pela vossa angélica pureza; imitar os vossos exemplos, e promover a vossa devoção entre os meus companheiros.
Ó meu amável S. Luiz, guardai-me, defendei-me sempre sob a vossa proteção e seguindo os vossos exemplos, possa um dia ver e louvar a Deus convosco no paraíso por séculos sem fim. Amém.

Papa inicia ciclo de catequeses sobre os Mandamentos

Quarta-feira, 13 de junho de 2018, Da Redação, com Boletim da Santa Sé

Desejo de uma vida plena foi o ponto de partida do Papa para a reflexão sobre os Mandamentos

O Papa Francisco iniciou nesta quarta-feira, 13, um ciclo de catequeses sobre os Mandamentos. Na primeira reflexão, Francisco fez uma introdução ao assunto, concentrando-se no desejo de uma vida plena.

Um trecho do Evangelho de Marcos mostra a pergunta de um jovem a Jesus: como alcançar a vida eterna. “Naquela pergunta está o desafio de toda existência, também a nossa: o desejo de uma vida plena, infinita. Mas como fazer para chegar lá? Qual caminho seguir?”, questionou o Santo Padre.

Ao longo da reflexão, o Papa mencionou em especial os jovens, que muitas vezes procuram viver mas acabam se destruindo indo atrás de coisas efêmeras. “A vida do jovem é seguir adiante, ser inquieto, a sã inquietude, a capacidade de não se contentar com uma vida sem beleza, sem cor. Se os jovens não forem famintos de vida autêntica, me pergunto, para onde irá a humanidade?”.

Na resposta à pergunta daquele homem no Evangelho, Jesus indica os mandamentos e cita uma parte do Decálogo. Segundo o Papa, trata-se de um processo pedagógico com o qual Jesus quer guiar a um lugar preciso.

Pela pergunta daquele homem a Jesus, Francisco disse que fica claro que ele não tem vida plena, está inquieto, procura mais. E o convite final de Jesus fala ao jovem sobre a riqueza verdadeira: “Uma só coisa te falta: vai, vende tudo o que tens e dá-o aos pobres, e terás um tesouro no céu”.

“Quem, podendo escolher entre um original e uma cópia, escolheria a cópia? Eis o desafio: encontrar o original da vida, não a cópia. Jesus não oferece substitutos, mas vida verdadeira, amor verdadeiro, riqueza verdadeira!”.

O Papa concluiu a reflexão explicando que aquilo que falta passa por aquilo que se tem. “Jesus não veio para abolir a Lei ou os Profetas, mas para dar cumprimento. Devemos partir da realidade para dar o salto ‘àquilo que falta’. Devemos perscrutar o ordinário para nos abrirmos ao extraordinário”.

Edificar a família no amor que vem de Deus

Encontro com noivos, sexta-feira, 14 de fevereiro  de 2014, Jéssica Marçal / Da Redação

Francisco reuniu-se, nesta manhã, com noivos de várias partes do mundo que se preparam para o “sim” para sempre

Na chegada à Praça São Pedro, Francisco cumprimentou casais que se preparam para o casamento / Foto: reprodução CTV

No dia em que se celebra São Valentim, Dia dos Namorados na Itália e em alguns outros países, Papa Francisco participou de um encontro com noivos na Praça São Pedro. De várias partes do mundo, casais que se preparam para o matrimônio puderam ouvir as palavras do Santo Padre sobre amor, fidelidade e escolhas definitivas.

O tema do encontro foi “A alegria do ‘sim’ para sempre”. Esse foi, inclusive, o assunto da primeira pergunta dirigida por um casal de noivos a Francisco. O Papa recordou que, hoje em dia, muitas pessoas têm medo de fazer escolhas definitivas e, às vezes, se entende o amor somente como um sentimento. Mas é preciso, segundo o Papa, entender o amor como uma relação, uma realidade que cresce, como se constrói uma casa.

“Queridos noivos, vocês estão se preparando para crescer juntos, construir esta casa, para viver juntos para sempre. Não queiram fundá-la sobre a areia dos sentimentos que vão e vêm, mas na rocha do amor verdadeiro, do amor que vem de Deus. (…) Não devemos nos deixar vencer pela ‘cultura do provisório’”.

Esse medo do “para sempre” se cura, segundo o Papa, a partir da confiança em Jesus em uma vida que se torna um caminho espiritual cotidiano, feito de passos, de crescimento comum, de empenho para se tornarem homens e mulheres maduros na fé. Isso porque o “para sempre” não é só uma questão de tempo, mas é importante também a qualidade do matrimônio.

“Estar junto e saber amar-se para sempre é o desafio dos casais cristãos. Vem-me à mente o milagre da multiplicação dos pães: também para vós o Senhor pode multiplicar o vosso amor e doá-lo fresco e bom a cada dia”.

Na segunda pergunta, sobre o “estilo de vida” de um casal e a espiritualidade que se deve ter no cotidiano, Francisco voltou a enfatizar três palavras-chaves para a família: “por favor”, “obrigado” e “desculpe-me”.

“Todos sabemos que não existe uma família perfeita, um marido perfeito nem uma mulher perfeita. Existimos nós, pecadores. Jesus, que nos conhece bem, ensina-nos um segredo: nunca terminar um dia sem pedir perdão, sem que a paz volte à nossa casa, à nossa família. Se aprendermos a pedir desculpas e a nos perdoar, o casamento vai durar e seguir adiante. (…) Nunca terminem o dia sem fazer as pazes. Esse é um segredo para conservar o amor.”

Os preparativos para o casamento também estiveram entre as preocupações dos noivos, que pediram um conselho ao Santo Padre sobre como celebrar bem o matrimônio. Francisco disse ser preciso fazer com que o casamento seja uma grande festa, mas uma festa cristã, não mundana. O que tornará o casamento pleno e verdadeiro é, segundo destacou o Papa, a presença do Senhor que se revela e doa a Sua graça.

“Alguns se preocupam com os sinais exteriores, com o banquete, as fotografias, as roupas, as flores… São coisas importantes em uma festa, mas somente se são capazes de indicar o verdadeiro motivo da vossa alegria: a bênção do Senhor sobre o vosso amor”, disse.

Antes da chegada do Papa, os noivos participaram de momentos de reflexão, música e testemunhos.

 

DIÁLOGO DO PAPA FRANCISCO COM OS NOIVOS
Praça São Pedro – Vaticano
Sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Boletim da Santa Sé Tradução: Liliane Borges

1ª Pergunta : O medo do “para sempre”

Santidade, muitos hoje pensam que prometer fidelidade para toda a vida é um compromisso muito difícil, muitos sentem que o desafio de viver juntos para sempre é bonito, fascinante, mas muito exigente, quase impossível. Pedimos que sua palavra possa nos iluminar sobre esse aspecto.

É importante perguntar se é possível amar “para sempre”. Hoje, muitas pessoas têm medo de fazer escolhas definitivas, por toda a vida, parece impossível. Hoje tudo está mudando rapidamente, nada dura muito tempo… E essa mentalidade leva muitos que estão se preparando para o matrimônio a dizerem: “estamos juntos enquanto durar o amor.” Mas o que entendemos por “amor”? Apenas um sentimento, uma condição psicofísica? Certo, se é isso, você não pode construir em algo sólido. Mas se o amor é um relação, então é uma realidade que cresce, e nós podemos ter como exemplo o modo como é construída uma casa.

A casa se constrói juntos, e não sozinhos!  Construir aqui significa favorecer e ajudar o crescimento. Caros noivos, vocês estão se preparando para crescer juntos, para construir esta casa, para viver juntos para sempre. Não queiram fundá-la sobre a areia dos sentimentos que vêm e vão, mas sobre a rocha do amor verdadeiro, o amor que vem de Deus. A família nasce desse projeto de amor que quer crescer como se constrói uma casa, que seja lugar de afeto, ajuda, esperança e apoio. Como o amor de Deus é estável e para sempre, assim também o amor que funda a família queremos que seja estável e para sempre. Não devemos nos deixar vencer pela “cultura do provisório”!

Portanto, como se cura esse medo do “para sempre”? Se cura dia por dia confiando-se ao Senhor Jesus em uma vida que se torna um caminho espiritual diário, composto por etapas, crescimento comum, o compromisso de se tornarem homens maduros e mulheres de fé. Porque, caros noivos, o “para sempre” não é apenas uma questão de tempo! Um matrimônio não é apenas bem sucedido se dura, mas é importante a sua qualidade. Estar juntos e saber amar para sempre é o desafio de esposos cristãos.

Me vem a mente o milagre da multiplicação dos pães: também para vocês, o Senhor pode multiplicar o vosso amor e dá-lo fresco e bom todos os dias. Ele tem uma fonte infinita! Ele vos dá o amor que é o fundamento de vossa união e cada dia o renova, o fortalece. E o torna ainda maior quando a família cresce com os filhos. Neste caminho é importante e necessária a oração. Peçam a Jesus para multiplicar o vosso amor. Na Oração do Pai-Nosso nós dizemos: “Dá-nos hoje o nosso pão cotidiano”.  Os esposos podem aprender a rezar assim: “Senhor, dá-nos hoje o nosso amor cotidiano”, ensina-nos a amar, a querer bem um ao outro! Quanto mais vocês se confiarem a Ele, mais o amor de vocês será “para sempre”, capaz de se renovar-se e vencer todas as dificuldades.

2ª Pergunta : Viver juntos: o “estilo” da vida matrimonial

Santidade,  viver juntos todos os dias é belo, dá alegria, sustenta. Mas é um desafio a ser enfrentado. Acreditamos que devemos aprender a nos amar.  Há um “estilo” de vida conjugal, uma espiritualidade do cotidiano que queremos aprender. O Senhor pode nos ajudar nisso,  Santo Padre?

Viver junto é uma arte, um caminho paciente, bonito e fascinante. Ela não termina quando vocês conquistam um ao outro… Na verdade, é precisamente aí que se inicia! Esse caminho de cada dia tem regras que podem ser resumidas em três palavras, que eu já disse para às famílias, e que vocês já podem aprender a usar entre vós: Permissão, obrigado e desculpa.

“Posso?”. É um pedido gentil para poder entrar na vida de outra pessoa com respeito e atenção. É preciso aprender a pedir: Eu posso fazer isso? Te agrada que façamos isso?  Tomamos essa iniciativa, para educarmos nossos filhos? Você quer sair essa noite ? … Em suma, significa ser capaz de pedir permissão para entrar na vida dos outros com gentileza.

Às vezes, se usa modos um pouco “pesados”, como as botas de montanha! O verdadeiro amor não se impõe com  dureza e agressividade. Nos escritos de  Francisco se encontra essa expressão: “Saibam que a gentileza é uma das propriedades de Deus…  é irmã da caridade, que apaga o ódio e conserva o amor” (cap. 37). Sim, a gentileza preserva o amor. E hoje em nossas famílias, em nosso mundo, muitas vezes violento e arrogante, nós precisamos muito de gentileza.

“Obrigado”. Parece  fácil pronunciar esta palavra, mas sabemos que não é assim… Mas é importante! A ensinamos às crianças, mas depois, a esquecemos! A gratidão é um sentimento importante, lembram do Evangelho de Lucas? Jesus cura dez leprosos e, em seguida, apenas um volta para agradecer a Jesus. O Senhor diz: e os outros nove, onde estão? Isso vale também para nós: sabemos agradecer? No relacionamento de vocês, e amanhã na vida conjugal, é importante para manter viva a consciência de que a outra pessoa é um dom de Deus, e dar graças sempre. E nesta atitude interior agradecer por tudo. Não é uma palavra amável para usar com estranhos, para ser educado. É necessário saber dizer obrigado, para caminhar bem juntos.

“Desculpe”.  Na vida nós cometemos tantos erros, tantos enganos. Todos nós . Talvez haja um dia em que nós não façamos algo errado. Eis, então, a necessidade de usar esta simples palavra: “desculpe”.

Em geral, cada um de nós está pronto para acusar os outros e justificar-se. É um instinto que está na origem de muitos desastres. Aprendamos a reconhecer nossos erros e pedir desculpas. “Desculpe se eu levantei a voz”. ” Desculpe-me se eu passei sem te cumprimentar; desculpe-me  pelo atraso; desculpe-me  por estar tão silencioso esta semana; se eu falei muito e não te ouvi; desculpe-me se eu esqueci”. Também assim cresce uma família cristã.

Nós todos sabemos que não há família perfeita, e até mesmo o marido perfeito ou a esposa perfeita. Existimos nós, os pecadores. Jesus, que nos conhece bem, nos ensinou um segredo: nunca terminar um dia sem pedir perdão, sem que a paz retorne a nossa casa, em nossa família. Se aprendermos a pedir perdão e a nos perdoar, o matrimônio irá durar, irá em frente.

3ª Pergunta: O estilo da celebração do Matrimônio

Santidade, nestes meses estamos nos preparativos para o nosso casamento. O senhor pode nos dar algum conselho para celebrar bem o nosso matrimônio?

Façam de um modo que seja uma verdadeira festa, uma festa cristã, não uma festa social! A razão mais profunda da alegria desse dia nos  indica o Evangelho de João: vocês se recordam o milagre das bodas de Caná? Em um certo momento o vinho faltou e a festa parecia arruinada.  Por sugestão de Maria, naquele momento Jesus se revela pela primeira vez e realiza um sinal: transforma a água em vinho, e assim, salva a festa de núpcias.

O que aconteceu em Caná há dois mil anos, acontece na realidade em cada festa de núpcias: o que fará pleno e profundamente verdadeiro o matrimônio de vocês será a presença do Senhor que se revela e dá a sua graça. É a sua presença que oferece o “vinho bom”, é Ele o segredo da alegria plena, que realmente aquece o meu coração.

Ao mesmo tempo, no entanto, é bom que o matrimônio de vocês seja sóbrio e faça sobressair o que é realmente importante. Alguns estão mais preocupados com os sinais exteriores, com o banquete, fotografias, roupas e flores… São coisas importantes em uma festa, mas somente se forem capazes de apontar o verdadeiro motivo da alegria de vocês: a bênção do Senhor sobre o amor de vocês. Façam de modo que, como o vinho em Caná, os sinais exteriores da festa revelem a presença do Senhor e recorde a vocês e a todos os presentes a origem e o motivo de vossa alegria.

Aceitar Jesus não é mudar de Igreja, mas mudar de vida

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Eu aceito Jesus quando experimento de seu amor e de sua misericórdia e digo SIM a Ele. Sim Senhor, eu quero Te amar acima de todas as coisas, Jesus! Quero, por meio dos meus irmãos, levar Seu amor a quem precisar.
Maria aceitou Jesus quando disse: “Eis aqui a serva do Senhor, faça se em mim segundo a tua palavra”.Mas antes de tudo, aceitar Jesus é dizer não ao mal e ao pecado e a tudo que é contra o plano e projeto de Deus para nós e para o mundo.É encarar o que o Evangelho nos diz e fazer de tudo para segui-lo através do magistério seguro da Igreja.
Por isso, não tenhamos medo de dizer: SOU CRISTÃO, SOU CATÓLICO E ACEITO E RENOVO MINHA EXPERIÊNCIA COM JESUS TODOS OS DIAS!
Aceito Jesus quando reconheço que minha vida é d’Ele, aceito Jesus em cada Santa Missa e todas as vezes que Ele vem até mim na Eucaristia. Eu te aceito Jesus!
Aceitar Jesus – O que é verdadeiramente?

1)- Eu já aceitei Jesus e já me batizei em outra denominação Cristã, preciso aceitar de novo e me re-batizar?
Não!!! Pois isto não tem respaldo nem na bíblia e nem na tradição dos primeiros Cristãos. A palavra de Deus diz em Efésios 4, 4-5: “Há um só corpo e um só Espírito, como também fostes chamados em uma só esperança da vossa vocação; Um só Senhor, uma só fé, um só batismo…” Aceitar Jesus é uma decisão que se toma uma vez só, é um compromisso que assumimos diante do Senhor e publicamente na Igreja, desde que seja verdadeiro não há necessidade de aceitar novamente. Com relação ao batismo deste que tenha sido na forma ordenada por Cristo em nome da Trindade (Mateus 28, 19), é válido. É evidente que todos os dias devemos estar renovando este nosso compromisso com Deus.

2)- Depois de aceitar a Jesus, eu preciso continuar indo na igreja?
Sim. Muitas pessoas vão à igreja, aceitam o Senhorio de Jesus e depois não voltam mais, isto está errado. Aceitar viver sob o Senhorio de Jesus é apenas o início da nossa caminhada com o Senhor, temos que cultivar e renovar constantemente este nosso compromisso. Veja o que diz em Mateus 24, 13: “Mas aquele que perseverar até ao fim será salvo”. Perceba que a salvação é condicional à nossa fidelidade a Deus em seu caminho até o fim, e sozinho é muito difícil perseverar.

3)- O que vai mudar na minha vida depois que eu aceitar Jesus?
O primeiro e principal acontecimento será a salvação, todos aqueles que arrependem-se de seus pecados, os confessa e aceitam Jesus como Senhor e Salvador verdadeiramente em seus corações e são batizados, são salvos, e já não pesa mais nenhuma condenação.Veja o que diz em Romanos 10, 9:
“Se com a tua boca confessares ao Senhor Jesus, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo”.
Mas isto não significa que você não tenha que mudar ainda a sua vida, pois inúmeras pessoas aceitam Jesus tendo suas vidas completamente tortas, porém isto será mudado gradativamente com a operação do Espírito Santo na vida desta nova pessoa e sua livre colaboração, pois assim está escrito:
Filipenses 2, 12-16: “Efetuai a vossa salvação com temor e tremor”.

4)- E se não for verdadeira a minha decisão de aceitar Jesus?
Muitas pessoas aceitam Jesus da boca para fora, isto é, não fazem isto com o coração. É importante observar aqui que mesmo que tenha sido de forma inexpressiva, Deus vai considerar a sua decisão, cabendo agora a você assumir ou não, o compromisso diante de Deus. Contudo a salvação só é operada naqueles que aceitarem Jesus de forma verdadeira e só será mantida naqueles que permanecerem nos caminhos do Senhor.

5)- Depois de aceitar Jesus, posso perder a salvação?
Sim. Basta você abandonar o compromisso que fez com Jesus e afastar dos seus caminhos. O que nos revela a palavra de Deus sobre isto?
“Considera, pois, a bondade e a severidade de Deus: severidade para com aqueles que caíram, bondade para contigo, suposto que permaneça fiel a essa bondade; do contrário, também tu serás cortada” (Romanos 11, 22).
“Porque é impossível que os que já uma vez foram iluminados, e provaram o dom celestial, e se tornaram participantes do Espírito Santo, e provaram a boa palavra de Deus, e as virtudes do século futuro, e recaíram, sejam outra vez renovados para arrependimento; pois assim, quanto a eles, de novo crucificam o Filho de Deus, e o expõem ao vitupério. Porque a terra que embebe a chuva, que muitas vezes cai sobre ela, e produz erva proveitosa para aqueles por quem é lavrada, recebe a bênção de Deus; Mas a que produz espinhos e abrolhos, é reprovada, e perto está da maldição; o seu fim é ser queimada” (Hb 6, 4-8).
“Aquele, pois, que estar em pé, cuide para que não caia” (1Cor 10, 12).
“Sede sóbrios; vigiai; porque o diabo, vosso adversário, anda em derredor, bramando como leão, buscando a quem possa tragar…” (1Pd 5, 8).
“Nem todo aquele que me diz: ‘Senhor, Senhor’, entrará no Reino dos céus, mas apenas aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus. Muitos me dirão naquele dia: ‘Senhor, Senhor, não profetizamos em teu nome? Em teu nome não expulsamos demônios e não realizamos muitos milagres? Então eu lhes direi claramente: Nunca os conheci. Afastem-se de mim vocês que praticam o mal (Mateus 7, 21-23).
O próprio Paulo é inseguro da sua própria salvação:
“Com a esperança de conseguir a ressurreição dentre os mortos não pretendo dizer que já alcancei (esta meta) e que cheguei à perfeição. Não. Mas eu me empenho em conquistá-la, uma vez que também eu fui conquistado por Jesus Cristo. Consciente de não tê-la ainda conquistado, só procuro isto: prescindindo do passado e atirando-me ao que resta para frente. Persigo o alvo, rumo ao prêmio celeste, ao qual Deus nos chama, em Jesus Cristo” (Filipenses 3, 11-14).
“Antes subjugo o meu corpo, e o reduzo à servidão, para que, pregando aos outros, eu mesmo não venha de alguma maneira a ficar reprovado” (1Cor 9, 27).

6)- Preciso mudar de denominação Cristã para aceitar Jesus e ser salvo?
Aceitar Jesus é algo que tem que acontecer no coração, é uma experiência marcante, profunda entre você e o Senhor Jesus. Envolve arrependimento, quebrantamento de coração e entrega pessoal e total a Deus no filho por meio da graça do Espírito Santo. Se a sua denominação Cristão está comprometida com a palavra de Deus, prega que seus membros devam buscar a viver em santidade, que precisam obedecer a palavra de Deus, e ao sagrado magistério como nos ordena as escrituras, neste caso específico, não precisa sair, mas cada caso é um caso. Nosso Senhor disse aos apóstolos:
“Quem vos ouve, a mim ouve, e o que vos despreza a Mim despreza” (Lc 10, 16).
E disse a Pedro:
“Apascenta as minhas ovelhas” (Jo 21, 15-18).
E declarou que a Pedro daria as chaves do Reino dos Céus (Mateus 16, 18). Portanto isto é grave e muito relevante a salvação. Não queira cair no pecado do orgulho de satanás. Quem não aceita Pedro, e quem não ouve os apóstolos despreza o próprio Cristo, coisa que o ladrão arrependido não fez. O bom ladrão confessou que Cristo era o Senhor, dizendo:
“Senhor, lembra-te de mim, quando entrares em teu Reino” (Lc 23, 42).
Ele se salvou confessando a Deus, e foi batizado por seu sangue. Porque há também um batismo de sangue. E no juízo final Cristo julgará os homens pela Fé e pela observância da lei de Deus, da qual “nem um só jota será tirado” (Mt 5, 18).E no juízo ele dirá “não vos conheço” para aqueles que não alimentaram a lâmpada da fé com as boas obras. Por isso lhes dirá “Tive fome, e não me destes de comer” (Mt 25, 34-46).
Hereges e filhos do diabo são, pois os que deformam a doutrina e a lei de Deus, ora negando o que Cristo ensinou, ora se atribuindo uma fé que recusa as boas obras. De modo que só se salvam as ovelhas de Cristo, e quem recusa ouvir a Pedro, despreza Cristo, e será punido por ele como filho do demônio.
“Fora da Igreja não há salvação”
O que esta frase quer dizer? Esta sentença é dos grandes Padres da Igreja, como Santo Agostinho (430), São Justino (165), Santo Irineu (200), etc., e mostra que a Igreja é fundamental para a nossa salvação.
Como entender esta afirmação?
De maneira positiva, ela significa que toda salvação vem de Cristo-Cabeça através da Igreja que é o seu Corpo, explica o Catecismo da Igreja:
“Apoiado na Sagrada Escritura e na Tradição, [o Concílio Vaticano II] ensina que esta Igreja peregrina é necessária para a salvação”.
Jesus Cristo é o único mediador e caminho da salvação, mas Ele se torna presente para nós no seu Corpo, que é a Igreja. Ele, mostrando a necessidade da fé e do batismo para a nossa salvação [Mc 16, 16 – “Quem crer e for batizado será salvo…”], ao mesmo tempo confirmou a necessidade da Igreja, na qual os homens entram pelo batismo, como que por uma porta. Diz o Catecismo que:
“Por isso não podem salvar-se aqueles que, sabendo que a Igreja Católica foi fundada por Deus através de Jesus Cristo como instituição necessária, apesar disso não quiserem nela entrar, ou então perseverar (LG 14)” (Cat. § 846).
Quando a Igreja nos toca pelos Sacramentos, é o próprio Cristo que nos toca. Jesus disse aos Apóstolos (hoje os bispos):
“Quem vos ouve a mim ouve, quem vos rejeita a mim rejeita; e quem me rejeita, rejeita aquele que me enviou’ (Lc 10, 16).
Desprezar a Igreja e seu magistério sagrado, é desprezar a Cristo. São Paulo na Carta a S. Timóteo diz que: “Deus quer que todos se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade” (1Tm 2, 4), e afirma em seguida que:
“A Igreja é a coluna e o fundamento da verdade” (1Tm 3, 15).
A Igreja é apostólica: está construída sobre “Os doze Apóstolos do Cordeiro” (Ap 21, 14); ela é indestrutível (Mt 16, 18); é infalivelmente mantida na verdade (Jo 14, 25; 16, 13; § 869).
Para manter a Igreja isenta de erros de doutrina “Cristo quis conferir à sua Igreja uma participação na sua própria infalibilidade, ele que é a Verdade” (LG 12; DV 10).
Mas o Catecismo Católico explica que:
“Aqueles, portanto, que sem culpa ignoram o Evangelho de Cristo e sua Igreja, mas buscam a Deus com o coração sincero e tentam, sob o influxo da graça, cumprir por obras a sua vontade conhecida através do ditame da consciência, podem conseguir a salvação eterna” (§ 848).
Ora o ladrão na Cruz não era Cristão e foi salvo por Cristo, sem proclamar solenemente Cristo como seu único senhor e salvador. Um índio e os povos de uma cultura não Cristã se salvariam, diz a doutrina Católica, se obedecessem toda a lei natural, lei que Deus colocou no coração de cada homem.
Diz São Paulo que aqueles que não podem conhecer a verdade católica por uma situação de ignorância invencível, isto é, que não tinham meio algum de conhecer a Revelação, ELES SERIAM JULGADOS PELA LEI NATURAL, pois obedecendo essa lei natural que todos conhecem, eles se salvariam (Romanos 2, 12-16). Tais pessoas, como o índio, não pertencem ao corpo da Igreja, mas pertencem à alma da Igreja.

7)- Para aceitar Jesus é necessário que eu esteja na igreja ou posso aceitar e ficar na minha própria casa? Cristo Sim, Igreja não?
O grupo que se autodenomina como os “Sem Igreja” (Cristo sim igreja não) se dizem salvos também. E você o que acha? Eles estão salvos ou a Caminho da Condenação?. Se os “sem igreja” estão salvos, tal como aqueles que frequentam denominações, podemos dizer que igrejas protestantes não servem para nada já que não são essenciais para a salvação? Sim ou não?. Qual dos grupos está salvo? Os “Sem Igreja” ou os “Com milhares de Igrejas”?. Se ambos estão salvos, para que então frequentar Igrejas? e ainda tentar fazer proselitismo? Tentando ganhar adeptos para uma denominação?
O QUE NOS DIZ A PALAVRA DE DEUS SOBRE ISTO?
“Não deixando a nossa congregação, como é costume de alguns, antes admoestando-nos uns aos outros; e tanto mais, quanto vedes que se vai aproximando aquele dia” (Hb 10, 25).
Ajuntai-vos, e vinde, todos os gentios em redor, e congregai-vos. Ó Senhor, faze descer ali os teus fortes (Joel 3, 11).
Alegrei-me quando me disseram: Vamos à casa do Senhor (Salmos 122, 1).
Lc 24, 53: E estavam sempre no templo, louvando e bendizendo a Deus.

8)- É possível aceitar Jesus pelo rádio, TV, ou internet?
Sim. Como visto nas perguntas acima, aceitar Jesus é algo a princípio particular entre você e o Senhor Jesus, portanto não importa o meio que alguém usou para dizer que você precisa aceitar Jesus. Se você sentiu tocado pelo Espírito Santo e deseja se entregar a Jesus poderá ser sim pela internet, rádio, TV, ou qualquer outro meio lícito. Depois é necessário tornar isto público, pois assim nos diz as escrituras:
“E digo-vos que todo aquele que me confessar diante dos homens, também o Filho do homem o confessará diante dos anjos de Deus, mas quem me negar diante dos homens, será negado diante dos anjos de Deus…” (Lucas 12, 8-9).

9)- QUAL A VERDADEIRA IGREJA “VISÍVEL” QUE CRISTO NOS DEIXOU? Qual igreja devo frequentar?
Apresento cinco Critérios bíblicos para você confirmar:
1. Que Possua Unidade: Consenso de doutrina e crença (Atos 2, 46; Efésios 4, 3.13).
2. Que seja Universal (CATÓLICA): Prega o evangelho no mundo todo e para todos (Hebreus 12, 23; Apocalipse 14, 6; Marcos 16, 15)
3. Que esta Igreja esteja de acordo com a doutrina dos apóstolos (Apostolicidade: Atos 2, 42) – Pergunta que não cala: Teologia da Prosperidade, campanhas, votos e desafios em dinheiro é bíblico? Blasfemar contra a mãe de Deus e aos Santos, faz parte do ensino dos apóstolos? Faça a você mesmo estas perguntas e compare com a atual denominação que você está e seja dócil e obediente a vós de Deus, mesmo que isto lhe custe perder amizades e suas seguranças humanas.
4. NÃO É POPULAR NEM DEMOCRÁTICA – VAI CONTRA O PENSAMENTO DO MUNDO: Contra o aborto, contra a homossexualidade e a depravação sexual, a favor da família constituída por um homem e uma mulher, que favoreça a moral e os bons costumes (Apocalipse 12, 17; Romanos 9, 27 e Lucas 12, 32).
5. Ensina a salvação pela fé em Jesus Cristo, mas acompanhada das BOAS OBRAS: Enquanto os protestantes estão preocupados em decorar trechos bíblicos e ATACAR OS CATÓLICOS, generalizar falhas e buscar controvérsias, etc, os Católicos procuram viver o Evangelho, portanto tire suas conclusões. Os protestantes como revela a palavra de Deus, são muito lentos e retardados no entendimento das coisas de Deus: “Teríamos muita coisa a dizer sobre isso, e coisas bem difíceis de explicar, dada a vossa lentidão em compreender. A julgar pelo tempo, já devíeis ser mestres! Contudo, ainda necessitais que vos ensinem os primeiros rudimentos da palavra de Deus” (Hebreus 5, 11-14).
A Religião perfeita é: “A religião pura e verdadeira é esta: Ajudar os órfãos e as viúvas nas suas aflições e não se manchar com as coisas más deste mundo” (Tiago 1, 26-27).

Onde está escrito na bíblia que Religião não salva ninguém?
Os protestantes não sabem nem ao menos o que dizem, apenas repetem como PAPAGAIOS o que seus FALSOS PASTORES lhe impõem. Ora dizer que a verdadeira religião não salva é negar a própria RELIGIÃO CRISTÃ, pois Cristo disse em João 14, 5: Eu Sou o caminho a verdade e a vida, e NINGUEM VEM AO PAI SENÃO POR MIM… Com esta promessa Cristo estabeleceu a única e verdadeira Religião (Religare) e a confiou a Pedro em Mateus 16, 18. E como poderão salvar-se os que não conhecem Jesus ou consideram verdadeira a sua própria religião? Obviamente neste caso a fé será substituída pelas obras de misericórdia, necessárias também entre os cristãos porque a fé sem obras está morta (Tg 2, 17) e Paulo afirma que a fé só tem valor mediante o amor (Gl 5, 6). Por fim a promessa de Cristo é dirigida aqueles que combinaram a fé com as boas obras: “VINDE BENDITOS DO MEU PAI, tive fome e me deste de beber, nu e me vestistes, preso e fostes me visitar, estrangeiro e me acolhestes… (Mt 25, 31-46). Não agir assim é uma fé vazia, esta que o próprio Cristo combate:
“Este povo me louva com a boca, mas o seu coração está longe de mim…” (Mt 15, 8).
Por fim, a própria passagem que os protestantes adoram citar (incompleta claro), fala da necessidade das boas obras para confirmar a verdadeira fé professada:
“Mas Deus, que é riquíssimo em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos amou, Estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos), E nos ressuscitou juntamente com ele e nos fez assentar nos lugares celestiais, em Cristo Jesus; Para mostrar nos séculos vindouros as abundantes riquezas da sua graça pela sua benignidade para conosco em Cristo Jesus. Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie; Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas” (Efésios 2, 4-10).
Analise na verdade e na sinceridade, e veja em qual Igreja você encontrará estes 5 pontos em um só lugar?Não fiquem espantados com a saída de falsos católicos e a diminuição dos fieis e verdadeiros católicos, pois é preciso que se cumpra as escrituras:
Quando Jesus vier buscar a sua igreja ele não irá levar a maioria, pois será salvo apenas um resto como está profetizado em Romanos 9, 27.
1Jo 2, 19 – “Eles Saíram do nosso meio, mas não eram dos nossos; pois, se tivessem sido dos nossos, teriam permanecido conosco. Mas, [saíram] para que se mostrasse que nem todos são dos nossos, nem do número dos eleitos.
“Ninguém pode servir a dois senhores, porque ou odiará a um e amará a outro, ou se prenderá a um e desprezará o outro. Não podeis servir simultaneamente a Deus e a Mamon…” PERGUNTA QUE NÃO QUER CALAR: Por que os protestantes e suas lideranças pulam essa parte do Evangelho? – Nunca os vi comentarem sobre esse trecho do Evangelho – Devem sentir-se constrangidos em ter de enfrentar a esta verdade dita pelo Cristo, contradizendo suas pregações de bençolatria, dizimolatria, sucessolatria e seus altos padrões de vida a custo dos ignorantes.
Procure uma paróquia próxima de você, ou algum grupo de oração que siga os cinco critérios acima, e diga ao padre, ou coordenador do grupo que você experimentou da misericórdia de Deus, por meio de seu filho Jesus, ouvindo um programa de rádio, TV ou através da internet, e diga que deseja segui-lo e servi-lo. Procure estar presente nas reuniões de louvor, e serviço. Procure fazer os cursos oferecidos pela paróquia ou grupo de oração, pois são importantes para enriquecer o seu conhecimento de Cristo e de sua vontade, e responder as dúvidas que são muito comuns nesta fase da caminhada cristã.

ALGUNS ESCLARECIMENTOS NECESSÁRIOS:
As igrejas que conhecemos hoje, com nome, CNPJ e até marca registrada, são instituições fundadas e geridas por homens, elas possuem um papel importante no ponto de vista da organização, e apoio aos crentes na expansão da fé cristã através de trabalhos missionários, pois sem as igrejas e seus missionários, os primeiros Cristãos não teriam sido alcançados pelo evangelho, e consequentemente nós também não, portanto devemos nossa gratidão sim, a todos os Santos missionários do passado e do presente.
Sendo a Igreja uma instituição inspirada por Deus, mas gerida pelo homem, é natural que nela haja falhas, afinal o homem é falho, nos ensina as Sagradas Escrituras:
“não há homem justo sobre a terra, que faça o bem e nunca peque” (Eclesiastes 7, 20).
Todas as denominações, sem exceções, têm suas virtudes e também suas falhas, somente “o caminho de Deus é perfeito”, em somente o magistério Petrino, auxiliado pelo Espírito Santo é infalível e somente “a palavra do Senhor é pura” e somente Deus “é um escudo para todos os que nele se refugiam” (Salmo 18, 30).
A igreja que disser não ter defeitos, que seus ministros não pecam, que as palavras ditas nos seus púlpitos são puras, está tentando roubar o papel principal da fé cristã, que é o de Jesus, único perfeito, que é também o autor da salvação (Hebreus 5, 9). Nem sempre as falhas que originam os defeitos nas igrejas são originados com más intenções, nem sempre são premeditadas, o problema é a falibilidade e limitação humana mesmo. Geralmente os dirigentes em sua maioria, estão imbuídos de bons sentimentos e boas intenções. Lógico que há pessoas que por vaidade, politicagem, ganância e poder acham que os fins justificam os meios, há “servos” que agem por interesses próprios, não servindo a Deus, mas a si próprio; estes, porém já receberam seu galardão.

10)- Podemos continuar buscando a Deus em lugares que estão cheio de erros e que conhecemos muitos destes erros?
Como disse acima, não existe igreja e nem grupo perfeito, a busca por uma igreja perfeita seria infinita, porém, existem igrejas maduras e você pode se fixar em qualquer uma delas desde que se sinta acolhido por ela, mas não se iluda, até mesmo as igrejas maduras possuem defeitos, por isso, devemos agir como os crentes de Beréia que se aplicavam em conhecer as Sagradas Escrituras e agir conforme a orientação do apostolo Paulo, que disse:
“examinai tudo, retenha apenas o que é bom” (I Tessalonicenses 21).
Deus se permite ser encontrado por todos que o buscam (Jeremias 29, 13). Então, a princípio, não deixe de buscar a Deus e experimentar de seu amor e de sua misericórdia. Deixe que Espírito Santo seja o teu guia, reze e peça a Deus a direção com sinceridade de coração e Ele será fiel, pois diz a palavra:
“Porque qualquer que pede recebe; e quem busca acha; e a quem bate abrir-se-lhe-á. E qual o pai de entre vós que, se o filho lhe pedir pão, lhe dará uma pedra? Ou, também, se lhe pedir um peixe, lhe dará por peixe uma serpente? Ou, também, se lhe pedir um ovo, lhe dará um escorpião? Pois se vós, sendo maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais dará o Pai celestial o Espírito Santo àqueles que lho pedirem?…” (Lucas 11, 10-13).
Não precisamos necessariamente esperar estar numa igreja para conhecer a Bíblia (principalmente se próximo a você não tem uma ou um grupo de pessoas que se reúnem para partilhá-la comunitariamente), nada impede que você abra sua Bíblia na sua casa, e estude a palavra pura que foi inspirada por Deus (2° Timóteo 3, 16-17) e é rica em verdade que liberta (João 8, 32) o homem do jugo pesado imposto pelos homens que lideram uma igreja ou grupo com fardos pesados que nem eles estão dispostos a carregar, com dízimos interesseiros e exploradores, deturpando a palavra de Deus para seus interesses mesquinhos.
Muitas vezes nós erramos, e somos coniventes com os erros da igreja exatamente por não conhecer as Escrituras (Mateus 22, 29).

11) – Será que Deus está presente “também” na denominação onde Congrego? Caso contrário, o que devemos fazer?
Deus se faz presente onde dois ou três em seu nome se reunirem (Mateus 18, 20). Dei ênfase no “também” porque alguns tomam o próprio lugar de Deus e do Espírito que sopra onde Ele quer, e não onde nós determinamos, pois assim está escrito:
“O Ruah sopra onde quer; ouves-lhe o ruído, mas não sabes de onde vem, nem para onde vai…” (João 3, 8).
Podemos concluir então, que Deus está presente onde dois ou mais se reunirem em seu nome (cf. Mateus 18, 20) mas, já não podemos afirmar com a mesma certeza que todos os líderes destas reuniões estejam com Deus, pois assim está escrito:
“Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não pregamos nós em teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitas maravilhas? E então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade…” (Mateus 7, 22-23). Não se espante, pois homem é falho, é corruptível e muitas vezes fazem associações obscuras e incompatíveis com a fé que professa.

O que fazer?
Conte sempre com Deus e com sua Palavra, que é “lâmpada para seus pés e luz para seus caminhos” (Salmos 119, 105) e também trás consolo e esperança (Romanos 15, 4). Mas principalmente sigamos o conselho de Cristo:
“Dirigindo-se, então, Jesus à multidão e aos seus discípulos, disse: Os escribas e os fariseus (Sacerdotes, e bispos) sentaram-se na cadeira de Moisés (No caso Católico na cadeira de Pedro). Observai e fazei tudo o que eles dizem, mas não façais como eles, pois dizem e não fazem. Atam fardos pesados e esmagadores e com eles sobrecarregam os ombros dos homens, mas não querem movê-los sequer com o dedo. Fazem todas as suas ações para serem vistos pelos homens…” (Mateus 23, 1-5).
Independente de qual igreja você esteja, sempre reze a Deus pelos teus ministros, sacerdotes, bispos, e lideranças Cristãs, e pelos seus ministérios nas igrejas de Deus em geral na face da Terra, para que a vontade Dele seja sempre manifesta e que as ervas daninhas sejam extirpadas do seio da igreja, e assim possamos melhor servir ao Senhor em verdade e em santidade e com sincero coração. Servimos a Deus, não ao homem. Devemos sim honrar e respeitar nossos ministros, mas aquilo que é ensinado por eles se não tem fundamento bíblico, magisterial ou tradicional, deve ser rejeitado e combatido (Gálatas 1, 8).
Hoje em dia, muitos buscam as igrejas motivados por necessidades materiais ou sentimentais, e podem buscar, mas naquela frase, o Mestre atingiu a essência da necessidade humana: o novo nascimento. Sem esta experiência, todas as bênçãos serão inúteis ou de pouco valor. É como se Jesus dissesse a cada pessoa: “Sua vida não tem conserto. Você precisa nascer de novo”. O evangelho não oferece uma simples reforma na vida do homem, mas sim uma nova vida.
O novo nascimento não é reencarnação, mas um nascimento espiritual que acontece quando o indivíduo crê em Jesus Cristo como seu Salvador e o recebe sinceramente no coração pela fé. Podemos ilustrar este conceito bíblico por meio de dois animais: a lagarta e a borboleta. A lagarta é feia, repugnante, tem visão limitada, anda arrastando, é um bicho devorador de plantações e, algumas vezes, nocivo ao ser humano. Como consequência, é temida, desprezada, rejeitada e pisada pelas pessoas. A borboleta, embora não seja uma espécie diferente da lagarta, passou por uma transformação. Agora, ela é bonita, agradável, tem visão mais ampla e consegue voar. A borboleta é admirada, elogiada e sempre bem-vinda em nossos lares.
Podemos comparar a lagarta ao homem sem Cristo, e a borboleta ao homem convertido. Paulo usaria as expressões “velho homem” e “novo homem”. O contraste entre a lagarta e a borboleta é muito grande e essa transformação acontece durante um período intermediário em que o animal toma a forma de crisálida. Ao final do processo, ocorre o que podemos chamar de “novo nascimento”, ou METANOIA (Conversão). Agora, tudo será diferente. Algo semelhante é experimentado por aqueles que recebem a Jesus como Senhor de suas vidas. A conversão, de acordo com a bíblia, não é mudança de religião, mas uma profunda transformação na vida, de dentro para fora. É uma mudança de caráter que afeta também as ações. Isto nos faz lembrar a mudança experimentada por Jacó, que se tornou Israel, e por Saulo de Tarso, que veio a ser o grande apóstolo Paulo. Embora a fase da crisálida seja para o bem, parece morte e sepultamento. A situação do animal parece ter piorado. Antes se arrastava, agora não se move. Antes, tinha companhia, agora há solidão. Antes, devorava tudo, agora tem uma nova fome de Deus. Assim também acontece com as transformações espirituais. Elas podem não ser imediatas, mas sim o fruto de um processo demorado que, a princípio, parece piorar a condição do indivíduo. Jacó saiu mancando do seu encontro com Deus, mas, enquanto doía por fora, o Senhor operava por dentro.
Saulo, quando se encontrou com Jesus, caiu por terra e ficou cego. As coisas pareciam piorar. Ele perdeu suas prerrogativas entre os judeus e não foi recebido logo pelos cristãos. Começou então um período de reclusão, isolamento. Deve ter sido um tempo muito difícil, mas útil para sua preparação espiritual antes de iniciar seu magnífico ministério. Quando termina o tempo da crisálida, uma nova vida começa. A borboleta mudou de nome e de aparência, mas não foi apenas isso. Seu comportamento é outro. Ela passa a frequentar outros ambientes e tem novas companhias. Sua visão agora é superior e até o seu alimento mudou.
Precisamos nos conscientizar do que Deus espera de nós, mesmo sabendo que não o surpreendemos com nossas quedas e fraquezas:
Ele espera por tudo aquilo que Ele mesmo gratuitamente nos deu, aguarda um modo de vida coerente com o novo nascimento. Talvez pensássemos que tudo isso fosse automático, mas não é. Afinal de contas, temos uma nova natureza, mas não perdemos a antiga. Temos duas naturezas que lutam dentro de nós. A borboleta tem condições de voar, mas não perdeu a capacidade de caminhar. Portanto, ela pode escolher abdicar-se de sua nova habilidade, voltando aos antigos ambientes e à velha vida. Quantos cristãos transformados em águias, vivem como se fossem galinhas. São como filhos pródigos entre os porcos. Antes, você era incapaz de vencer o pecado. Agora, pode vencê-lo, mas precisa escolher e re escolher isto todos os dias. Vem a primeira conversão e a fase do testemunho. Depois vem a segunda conversão e a fase do CONTRA TESTEMUNHO, mas quando re escolhemos Deus, o contra testemunho se torna um grande testemunho. Nesta linha de pensamento enquadram-se diversas admoestações de Paulo para as igrejas ao orientar os irmãos no sentido de viverem de acordo com sua nova condição espiritual:
“Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos como um sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. E não vos conformeis a este mundo, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus” (Rm 12, 1-3).
“Quanto ao procedimento anterior, vos despojeis do velho homem, que se corrompe pelas concupiscências do engano; e vos renoveis no espírito da vossa mente; e revesti-vos do novo homem, que segundo Deus foi criado em verdadeira justiça e santidade. Pelo que deixai a mentira, e falai a verdade cada um com o seu próximo, pois somos membros uns dos outros. Irai-vos, e não pequeis; não se ponha o sol sobre a vossa ira; nem deis lugar ao Diabo. Aquele que furtava, não furte mais; antes trabalhe, fazendo com as mãos o que é bom, para que tenha o que repartir com o que tem necessidade. Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, mas só a que seja boa para a necessária edificação, a fim de que ministre graça aos que a ouvem. E não entristeçais o Espírito Santo de Deus, no qual fostes selados para o dia da redenção. Toda a amargura, e cólera, e ira, e gritaria, e blasfêmia sejam tiradas dentre vós, bem como toda a malícia. Antes sede bondosos uns para com os outros, compassivos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus vos perdoou em Cristo” (Ef 4, 22-32).
“Se, pois, fostes ressuscitados juntamente com Cristo, buscai as coisas que são de cima, onde Cristo está assentado à destra de Deus. Pensai nas coisas que são de cima, e não nas que são da terra; porque morrestes, e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus. Quando Cristo, que é a nossa vida, se manifestar, então também vós vos manifestareis com ele em glória. Exterminai, pois, as vossas inclinações carnais; a prostituição, a impureza, a paixão, a vil concupiscência, e a avareza, que é idolatria; pelas quais coisas vêm a ira de Deus sobre os filhos da desobediência; nas quais também em outro tempo andastes, quando vivíeis nelas; mas agora despojai-vos também de tudo isto: da ira, da cólera, da malícia, da maledicência, das palavras torpes da vossa boca; não mintais uns aos outros, pois que já vos despistes do homem velho com os seus feitos, e vos vestistes do novo, que se renova para o pleno conhecimento, segundo a imagem daquele que o criou” (Cl 3, 1-10).
Sempre encontramos pessoas em condição degradante, rejeitadas pela sociedade. Algumas vezes, isto ocorre por causa de crimes que cometeram, ou por um conjunto de outras situações. A nossa tendência é rejeitar e pisar nessas vidas marginalizadas, mas Deus vê potencial nelas. Se receberem o Senhor Jesus em seus corações, experimentarão verdadeira metanoia (Conversão/Mudança).
Assim, aqueles que se convertem pela fé no evangelho são transformados, não com o propósito de serem ricos ou famosos, mas para serem cada vez mais parecidos com o Senhor Jesus Cristo, em comunhão com ele e em obediência aos seus mandamentos. Sabendo que Deus nunca serve o melhor vinho no começo, mas no fim, portanto, paciência com você mesmo(a),e perseveremos até o fim.
“Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!”

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