Tag: vida

Por que a Igreja não indica nenhum candidato?

Terça-feira, 25 de setembro de 2012 / Kelen Galvan / Da Redação

Eleitores irão às urnas no dia 07 de outubro para escolher seus candidatos

A pergunta, que pode surgir em época de eleições, tem resposta clara. O secretário-executivo da Comissão Brasileira Justiça e Paz da CNBB, Pedro Gontijo, explica que a missão da Igreja é de universalizar sua mensagem, portanto, ela não quer que apenas um partido ou um candidato seja expressão da mensagem.

Segundo ele, a mensagem do Evangelho ultrapassa um partido ou uma coligação. “Nós queremos que todos os partidos defendam princípios que sejam norteados pela defesa da vida, pelo fim da desigualdade, pela igualdade de condições sócio-econômicas, por transparência no estado. Esses princípios deveriam ser norteadores, na nossa avaliação, de candidatos de quaisquer partidos e coligações”.
O fato de escolher um candidato ou partido implicaria em dizer que só aquele teria condições de cumprir esses princípios e os outros não.

Contudo, o secretário destaca que “boa parte dos partidos poderiam estar dentro da defesa desses princípios que deveriam ser, mais ou menos, comuns”.

“A Igreja quer convidar que todos reflitam sobre esses princípios éticos, que devem nortear a vida pública de qualquer mandatário, de qualquer pessoa que está num cargo público, para que, independente de partido, vivenciem esses valores”, enfatiza Gontijo.

Votos Brancos e Nulos

Muitos acreditam que ao votar branco ou nulo estão se esquivando da responsabilidade de ter que optar por candidatos com os quais não concordam ou mesmo que estariam expressando sua inconformidade com a realidade política.

De fato, “quando o voto branco ou nulo é feito de uma forma coletiva e organizada pode significar uma espécie de manifestação, seja com a estrutura social, política ou com os candidatos que se apresentaram”, explica Pedro Gontijo.

Entretanto, é preciso entender que essa “manifestação” só seria significativa se acontecesse de forma massiva, em grande número, para os cargos majoritários, como é o caso de prefeito, nessas eleições.

Se o número de votos brancos ou nulos é pequeno, não interferem no resultado da eleição e acabam contribuindo para aquele que tem mais votos. Principalmente na escolha dos candidatos ao legislativo.

“Voto branco ou nulo ao votar para vereador acaba sendo um voto que contribui para que aqueles que estão tendo mais votos, os partidos e coligações que estão tendo mais votos, sejam beneficiados”, alerta o secretário.

De modo geral, ressalta Gontijo, voto branco ou nulo não contribui para a melhor escolha de candidatos que venham depois a fazer um trabalho mais sério em favor da comunidade.

“Voto branco e nulo não nos parece hoje uma estratégia de participação consciente. Nos parece muito mais importante que as pessoas votem e acompanhem aqueles aos quais votou. Que elas façam o acompanhamento do mandato”, conclui o secretário.

Papa Francisco recorda o dever de respeitar os pais: “Deram-nos a vida”

https://www.acidigital.com/noticias/papa-francisco-recorda-o-dever-de-respeitar-os-pais-deram-nos-a-vida-96301

Papa saúda uma criança durante a Audiência Geral. Foto: Marina Testino / ACI Prensa

Vaticano, 19 Set. 18 / 09:27 am (ACI).- O Papa Francisco fez um chamado a honrar e respeitar os pais e recordou que “nunca se deve insultar os pais. Por favor: Nunca insultem os pais! Nunca! Deram-nos a vida”.

Durante a catequese da Audiência Geral celebrada nesta quarta-feira, 19 de setembro, na Praça de São Pedro do Vaticano, o Santo Padre refletiu sobre o quarto mandamento, “honra teu pai e tua mãe”, e convidou a se reconciliar com os pais quando aconteça uma situação de conflito e incompreensão.

“Se você se afastou dos seus pais, faça um esforço e volte, volte para eles. Talvez sejam idosos. Deram a vida a você. E depois, entre nós existe este costume de dizer coisas feias, mesmo palavrões. Por favor. Nunca, nunca, nunca insultar os outros, os pais dos outros. Nunca! Nunca se insulta a mãe, nem o pai. Nunca! Nunca! Tomem esta decisão interior. A partir de hoje nunca insultarei a mãe ou o pai de quem quer que seja. Deram-nos a vida. Nunca devem ser insultados”.

Durante a catequese, o Pontífice refletiu sobre “o que significa este ‘honra’”. “Honrar significa reconhecer seu valor. Não é uma questão de formas exteriores, mas de verdade. Honrar a Deus nas Escrituras quer dizer reconhecer a sua realidade, considerar a sua presença”.

“Isso se expressa também através de ritos, mas implica, sobretudo, atribuir a Deus o seu lugar próprio na existência. Honrar o pai e a mãe quer dizer, portanto, reconhecer a sua importância também com gestos concretos, que expressam dedicação, afeto, cuidado”.

Neste contexto, o Papa fez uma afirmação rotunda: “Honrar os pais leva a uma vida longa e feliz”.

Este quarto mandamento “não fala da bondade dos pais, nem pede a eles que sejam perfeitos. Fala de um ato dos filhos, independente dos méritos dos genitores, e diz uma coisa extraordinária e libertadora: mesmo que nem todos os pais sejam bons e nem todas as infâncias sejam serenas, todos os filhos podem ser felizes, porque a realização de uma vida plena e feliz depende do justo reconhecimento para com aqueles que nos colocaram no mundo”.

“Pensemos de que modo esta Palavra poder ser construtiva para tanto jovens que procedem de histórias de dor e para todos aqueles que sofreram em sua juventude. Muitos santos, muitíssimos cristãos, depois de uma infância dolorosa, viveram uma vida luminosa porque, graças a Jesus Cristo, reconciliaram-se com a vida”.

“O homem, independente da história da qual provém, recebe deste mandamento a orientação que conduz a Cristo: Ele, de fato, se manifesta como o verdadeiro Pai que nos oferece renascer do alto. Os enigmas de nossas vidas se iluminam quando se descobre que Deus desde sempre nos preparou a vida como seus filhos, onde cada ato é uma missão dele recebida”, finalizou o Papa Francisco.

Por que celebramos em setembro o mês da Bíblia?

https://www.acidigital.com/noticias/por-que-celebramos-em-setembro-o-mes-da-biblia-20073

Imagem referencial / Foto: Eduardo Berdejo (ACI Prensa)

REDAÇÃO CENTRAL, 04 Set. 18 / 11:00 am (ACI).- Durante setembro, a Igreja no Brasil celebra o mês da Bíblia, período em que se busca de maneira especial desenvolver o conhecimento da Palavra de Deus e a aplicação desta na vida cotidiana, como exortou o Papa Francisco em diferentes momentos.

Em outubro de 2014, durante a abertura do Sínodo Extraordinário da Família, no Vaticano, Francisco ressaltou que “a Bíblia não é para ser colocada em um suporte, mas para estar à mão, para lê-la frequentemente, cada dia, seja individualmente ou juntos, marido e mulher, pais e filhos, talvez de noite, especialmente no domingo”.

Durante outras ocasiões, como nas Audiências gerais e nos Ângelus na Praça de São Pedro, o Pontífice aconselhou os fiéis a carregarem consigo um evangelho de bolso, para que possa ser lido a qualquer momento.

“Hoje se pode ler o Evangelho também com muitos instrumentos tecnológicos. Pode-se trazer consigo toda a Bíblia num telefone celular, num tablet. O importante é ler a Palavra de Deus, com todos os meios, e acolhê-la com o coração aberto. E então a boa semente dá fruto!”, afirmou durante a oração mariana, em 6 de abril de 2014.

O mês da Bíblia teve início em 1971, por ocasião do cinquentenário da Arquidiocese de Belo Horizonte (MG). Foi levado adiante com a colaboração do Serviço de Animação Bíblica da Congregação das Paulinas (SAB). Posteriormente, foi assumido pela Conferência dos Bispos do Brasil (CNBB) e estendeu-se ao âmbito nacional.

A escolha do mês de setembro para dedicar-se à Bíblia deve-se ao fato de no dia 30 de setembro ser comemorado o dia de São Jerônimo. Este santo foi quem traduziu a Bíblia dos originais (hebraico, grego e alguns trechos em aramaico) para o latim.

A tradução feita por São Jerônimo chama-se a “Vulgata” (de “vulgata editio”, “edição para o povo”) e foi o texto bíblico oficial da Igreja Católica até a “Neovulgata” em 1979.

Este mês dedicado à Bíblia tem como objetivo: contribuir para o desenvolvimento das diversas formas de presença da Bíblia, na ação evangelizadora da Igreja, no Brasil; criar subsídios bíblicos nas diferentes formas de comunicação; facilitar o diálogo criativo e transformador entre a Palavra, a pessoa e as comunidades.

Para marcar este mês, ACI Digital compartilha um especial sobre as Sagradas Escrituras com recursos para ajudar a vivenciar melhor a experiência de contato com a Palavra de Deus: http://www.acidigital.com/Biblia/index.html.

Setembro: mês da Bíblia

Estamos em mais um dos meses temáticos. Além dos temas dos textos bíblicos e os próprios da liturgia, a Igreja no Brasil nos sugere um assunto que perpassa todo o mês para a nossa reflexão. Em setembro, a Igreja Católica celebra o mês da Bíblia. Esse mês temático foi criado em 1971 e ele foi escolhido porque no último domingo celebramos o Dia Nacional da Bíblia, devido à proximidade da festa de São Jerônimo, patrono dos estudos Bíblicos, no dia 30. A cada ano um livro bíblico é aprofundado em nossas comunidades, seja pelas reuniões de grupos, seja pelas publicações, ou ainda pelas celebrações. Graças aos apóstolos, mais próximas testemunhas que viveram com Jesus Cristo, chegam até nós a Boa-Notícia da Salvação proclamada pelo Filho de Deus. Assim se expressa São Pedro: “Senhor, para quem iremos nós? Só Tu tens palavras de vida eterna?” (Jo 6, 68). Fé na Palavra, que é viva! O Verbo é o prório Cristo: Ele é a Palavra viva! A Bíblia, ou Sagrada Escritura, é como uma carta enviada, que hoje atualizamos com a prática da fé, à luz da Tradição da Igreja e do Magistério Pontifício. É a Sua Palavra viva e eficaz. O que a Palavra de Deus me diz, ainda hoje, aqui e agora? Deus fala, ainda hoje, e as palavras são dirigidas a todas as pessoas. Este é o grande mistério da Palavra de Deus. Para cada um dirige pessoalmente a sua voz. Essa verdade tem consequências enormes. Você precisa ter consciência do que Deus diz na Palavra, a fim de não perder esses momentos especiais. É então que se faz necessário perguntar: O que Deus diz para mim, hoje? Fé na Palavra, que dá a vida! A Palavra que é dirigida a mim, pessoalmente, é a fonte da verdadeira vida. A Palavra deve ser assumida com uma fé profunda, que é sempre dirigida a mim – aqui e agora!!  Encontro com a Palavra viva: sobre o tema, a verdadeira escola de escuta e oração, o Papa João Paulo II, em sua Cartapara o terceiro milénio, Novo millennio ineunte, nos lembra este verdadeiro programa de pastoral. Ele escreve: “É necessário que a escuta da Palavra de Deus deve tornar-se uma vida de acordo com a tradição antiga e sempre válida da lectio divina, para ajudar a encontrar o texto bíblico como Palavra viva que interpela, orienta e plasma a existência”. Este foi o método escolhido para ser seguido pelos nossos círculos bíblicos.  É também o capítulo IV de nosso 11º Plano de Pastoral de Conjunto: “A Palavra de Deus: lugar Privilegiado para o En contro com Jesus Cristo”. A Palavra é uma palavra constantemente presente. Jesus envia seus discípulos a todo o mundo, ordena-lhes fazer discípulos entre as nações por onde passaram, a pregar a Palavra exatamente como foi comunicada a eles. Ler a Bíblia supõe abertura a ação do Espírito Santo, mas também aprofundamentos. São importantes alguns estudos preliminares que fornecem uma visão geral das informações básicas sobre o ambiente em que o livro foi escrito. Por isso, é preciso conhecer o contexto mais amplo da Bíblia. Este contexto irá variar dependendo de qual livro queremos ler. Por exemplo: é óbvio que devemos ler os Evangelhos com uma ótica diferente como lemos o livro do Apocalipse. Esta preparação é ainda mais necessária no caso do Antigo Testamento, que contém uma série de textos escritos dentro de uma cultura muito antiga. Novas traduções são fornecidas e somos ajudados com os comentários de rodapé ou à margem do texto. Recorrer aos Dicionários Bíblicos também nos complementa a ter uma visão mais ampla dos temas e situações. Estes materiais nos ajudam para a leitura individual. Nesse aspecto, vale a pena mencionar dois princípios básicos de leitura da Bíblia. Na sua base, há uma regra geral que diz que toda a Bíblia é um farol para os seres humanos. Assim, o primeiro e fundamental princípio para se ler a Bíblia é este: cada declaração das Escrituras considera o contexto em que ela ocorre. A segunda regra aplica-se a ter em conta os diferentes tipos de passagens literárias da Bíblia. Quem já teve até mesmo um contato superficial com várias obras literárias sabe que o caminho para ler e interpretar tais documentos, ou prosa (como o romance) e poesia é uma forma diferente. Os autores bíblicos também se beneficiaram de uma grande variedade de gêneros literários. Na Bíblia, encontramos textos poéticos (por exemplo, Salmos); encontramos fragmentos de documentos oficiais (por exemplo, no livro de Esdras, Macabeus); encontramos fragmentos de narrativa (por exemplo, em Atos dos Apóstolos). Cada leitura é um pouco diferente. E é necessário evitar o maior perigo na leitura da Bíblia, que é a interpretação fundamentalista. Esta interpretação é de significado literal de cada uma das frases das Escrituras, sem levar em conta as implicações históricas da criação do texto. A leitura fundamentalista da Bíblia enfatiza a interpretação literal. Necessitamos descobrir o que está na narrativa bíblica e que é o mais importante, a saber – a mensagem de levar o homem para a salvação. O nosso dia deveria começar com a leitura da Palavra. A tradição da Igreja nos coloca os salmos para a oração da Liturgia das Horas. É, pois, importante que o inciemos com a leitura orante da Palavra de Deus, algo que vai proteger o nosso coração durante o dia, como Maria, que mantinha tudo no seu coração. Armanazenar a Palavra logo de manhã para irmos “ruminando” durante todo o dia. No final do mergulho na meditação, iniciamos um novo dia com todos os problemas que ele traz, mas no coração temos uma palavra, ou pelo menos um de seus versos, algo recebido e acolhido a partir da leitura. Na liturgia da missa os vários textos se complementam e na sequência nos ajudam a mergulhar ainda mais no mistério. Que no mês da Bíblia, em nossas vidas, em nossas famílias, em nossas comunidades e principalmente na animação do nosso círculo bíblico possamos cada vez mais colocar a Palavra de Deus como centro de nossa ação evangelizadora.

† Orani João Tempesta, O. Cist.  
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ

Quatro verdades fundamentais do Sacramento do Matrimônio

Construção de uma família cristã

Iluminados pela Exortação Apostólica Amoris Laetitia e por catequeses contidas em meu livro “Papa Francisco às Famílias”, vamos refletir sobre quatro aspectos essenciais da família: indissolubilidade, unidade, fidelidade e abertura à vida. Nessa mútua recepção unida à graça de Cristo, “os noivos prometem um ao outro entrega total, fidelidade e abertura à vida, e também reconhecem como elementos constitutivos do matrimônio os dons que Deus lhes oferece, tomando a sério o seu mútuo compromisso, em nome de Deus e perante a Igreja”, afirma o Pontífice.

Depois de dois anos de reflexão sobre a família no mundo atual, o resultado foi um lindo hino à instituição base da sociedade sobre a alegria do amor na família. Católicos de todos os continentes puderam contribuir, respondendo questionários enviados às dioceses. A partir desse material, dois Sínodos confrontaram ideias de maneira aberta, permanecendo e fortalecendo-se a convicção de verdades fundamentais do Sacramento do Matrimônio.

“O próprio mistério da família cristã só se pode compreender plenamente à luz do amor infinito do Pai, que se manifestou em Cristo entregue até ao fim e vivo entre nós. Por isso, quero contemplar Cristo vivo que está presente em tantas histórias de amor e invocar o fogo do Espírito sobre todas as famílias do mundo”, destaca o Santo Padre no terceiro capítulo do documento.

Indissolubilidade

Elemento essencial do ensinamento da Igreja acerca do matrimônio e da família é a indissolubilidade. Francisco afirma: “O que Deus uniu não o separe o homem” (Mt 19,6). Isso não deve ser entendido como um peso, mas um presente. O caminho do casal é acompanhado pela bondade divina. Por meio da graça, o coração é curado e transformado. Vocação recebida pela Igreja ao longo do tempo, o matrimônio é um dom do Senhor (cf. 1 Cor 7, 7) que deve ser cuidado. “Seja o matrimônio honrado por todos e imaculado o leito conjugal” (Heb 13, 4). Esse dom de Deus inclui a sexualidade: “Não vos recuseis um ao outro” (1 Cor 7, 5).

Unidade

Ao viver essa unidade, a família torna-se “comunidade de vida e amor (cf. n. 48)”, como definiu o Concílio Ecumênico Vaticano II na Constituição pastoral Gaudium et spes sobre a promoção da dignidade do matrimônio e da família (cf. nn. 47-52). O ponto de unidade é o amor no centro da família. A união dos esposos integra a dimensão sexual e a afetividade. Na raiz dessa unidade, Cristo Senhor “vem ao encontro dos esposos cristãos com o sacramento do matrimônio” (n. 48).

A exortação Amoris Laetitia recorda ainda que a união sexual é caminho de “crescimento na vida da graça para os esposos”. A união dos corpos é expressa nas palavras do consentimento, pelas quais se acolheram e doaram reciprocamente para partilhar a vida toda. Tal consentimento e união dos corpos são instrumentos da ação divina que os torna uma só carne.

Fidelidade

Mais que um sinal de visível compromisso, o matrimônio é um dom para santificação e salvação dos esposos, porque sua pertença recíproca é a representação real da mesma relação de Cristo com a Igreja. Os esposos são, portanto, para a Igreja, a lembrança permanente daquilo que aconteceu na cruz; são um para o outro, e para os filhos, testemunhas da salvação, da qual o sacramento os faz participar.

Abertura à vida

“Nenhum ato sexual dos esposos pode negar esse significado, embora, por várias razões, nem sempre possa efetivamente gerar uma nova vida”. Amoris Laetitia recorda que também “os esposos a quem Deus não concedeu a graça de ter filhos podem ter uma vida conjugal cheia de sentido, humana e cristãmente falando”. A escolha da adoção e do acolhimento exprime uma fecundidade particular da experiência conjugal. O matrimônio é, em primeiro lugar, uma “íntima comunidade da vida e do amor conjugal”, que constitui um bem para os próprios esposos; e a sexualidade “ordena-se para o amor conjugal do homem e da mulher”. O bebê que chega “não vem de fora juntar-se ao amor mútuo dos esposos; surge no próprio coração desse dom mútuo, do qual é fruto e complemento”. A abertura à vida implica em uma vivência harmoniosa e consciente do casal em sintonia com uma paternidade responsável.

Rodrigo Luiz dos Santos é editor-chefe de Jornalismo da TVCN e apresentador de programas relacionados à Igreja. Missionário na Canção Nova, estudou Filosofia e formou-se em Jornalismo pela Faculdade Canção Nova. Casado com Adelita Stoebel, missionária na mesma comunidade católica, Rodrigo é pai de Tobias.

“A fé não se compra, é dom que muda nossa vida”

Cidade do Vaticano (RV) – “Como é a minha fé em Jesus Cristo?”. É a pergunta formulada pelo Papa na homilia da missa matutina na Casa Santa Marta, na manhã de sexta-feira (15/01). O Pontífice se baseou no Evangelho para reafirmar que para compreender realmente Jesus, não devemos ter o “coração fechado”, mas segui-lo no caminho do perdão e da humilhação. “A fé – advertiu – não pode ser comprada por ninguém; é um dom que muda nossa vida”.

As pessoas fazem de tudo para se aproximar de Jesus e não pensam nos riscos que podem correr para escutá-lo ou simplesmente tocá-lo. Foi o que sublinhou Francisco, inspirando-se no Evangelho de Marcos que narra a cura do paralítico em Cafarnaum.

Havia tanta gente na frente da casa onde estava Jesus que tiveram que tirar o teto e passar por ali a maca aonde se encontrava o doente. “Tinham fé – comentou o Papa – a mesma fé daquela senhora que, em meio à multidão, quando Jesus foi à casa de Jairo, conseguiu tocar um pedaço do manto de Jesus, para ser curada”. A mesma fé do centurião para a cura do seu servo. “A fé forte, corajosa, que vai adiante – disse Francesco – o coração aberto na fé”.

Se tivermos o coração fechado, não conseguimos entender Jesus

No episódio do paralítico, “Jesus faz um passo adiante”. Em Nazaré, no início de seu ministério, “foi à Sinagoga e disse que havia sido enviado para libertar os oprimidos, os encarcerados, para dar a vista aos cegos… inaugurar um ano de graça”, ou seja, um “ano de perdão, de aproximação ao Senhor. Abrir um caminho rumo a Deus”. Aqui, porém, dá um passo a mais: não só cura os doentes, mas perdoa seus pecados:

“Estavam ali aqueles que tinham o coração fechado, mas aceitavam – até um certo ponto – que Jesus fosse um curandeiro. Mas perdoar os pecados é demais! Este homem vai além! Não tem direito de dizer isto, porque somente Deus pode perdoar os pecados, e Jesus sabia o que eles pensavam, e diz: ‘Eu sou Deus’? Não, não o diz. ‘Por que pensam estas coisas? Porque sabem que o Filho do Homem tem o poder – é o passo avante! – de perdoar os pecados. Levanta-te, toma e cura-te’. Começa a falar aquela linguagem que, a um certo ponto, desencorajará as pessoas, inclusive alguns discípulos que o seguiam… Esta linguagem é dura, quando fala de comer o seu Corpo como caminho de salvação”.

A fé em Jesus muda realmente a nossa vida?

O Papa Francisco afirma que entendemos que Deus vem para “nos salvar das doenças”, mas antes de tudo “para nos salvar dos nossos pecados, salvar-nos e levar-nos ao Pai. Foi enviado para isto, para dar a vida para a nossa salvação. E este é o ponto mais difícil de se entender”, não somente pelos escribas. Quando Jesus se mostra com um poder maior do que o poder de um homem “para dar aquele perdão, para dar a vida, para recriar a humanidade, também os seus discípulos duvidam. E vão embora”. E Jesus, recordou, “deve pedir ao seu pequeno grupinho: ‘Também vocês querem ir embora’”.

“A fé em Jesus Cristo. Como é a minha fé em Jesus Cristo? Creio que Jesus Cristo seja Deus, o Filho de Deus? E esta fé transforma a minha vida? Faz com que no meu coração se abra este ano de graça, este ano de perdão, este ano de aproximação ao Senhor? A fé é um dom. Ninguém ‘merece’ a fé. Ninguém a pode comprar. É um dom. A ‘minha’ fé em Jesus Cristo, me leva à humilhação? Não digo à humildade: à humilhação, ao arrependimento, à oração que pede: ‘Perdoa-me, Senhor. Tu és Deus. Podes perdoar os meus pecados”.

A prova da nossa fé é a capacidade de louvar a Deus

O Senhor, é a invocação do Papa, “nos faça crescer na fé”. As pessoas, observou, “procuravam Jesus para ouvi-lo” porque ele falava “com autoridade, não como falavam os escribas”. Além disso, acrescentou, o seguia, porque ele curava, “fazia milagres!”. Mas, no final, “essas pessoas, depois de terem visto, foram embora e todos ficaram maravilhados, e glorificavam a Deus”:

“O louvor. A prova que eu creio que Jesus Cristo é Deus na minha vida, que me foi enviado para ‘me perdoar’, é o louvor: se eu tenho a capacidade de louvar a Deus. Louvar o Senhor. É gratuito isso. O louvor é gratuito. É um sentimento que dá o Espírito Santo e nos leva a dizer: ‘Tu és o único Deus’. Que o Senhor nos faça crescer nesta fé em Jesus Cristo Deus, que nos perdoa, que nos oferece o ano da graça, e que esta fé nos leve a louvar”.

(CM/BF/SP)

 

Papa preside Missa de encerramento do Encontro Mundial das Famílias

Encorajamento às famílias

https://noticias.cancaonova.com/especiais/pontificado/francisco/papa-preside-missa-de-encerramento-encontro-mundial-das-familias/

Domingo, 26 de agosto de 2018, Jéssica Marçal / Da Redação

Papa reiterou pedido de perdão por abusos cometidos por membros do clero na Irlanda e deixou palavras de encorajamento às famílias de todo o mundo

Papa Francisco na Missa deste domingo, 26, no encerramento do Encontro Mundial das Famílias / Foto: REUTERS/Hannah McKay

O Papa Francisco presidiu neste domingo, 26, a Missa de encerramento do 9º Encontro Mundial das Famílias, que é realizado em Dublin, na Irlanda, desde a última terça-feira, 21. O Santo Padre deixou às famílias palavras de encorajamento, convidando-as a “partilhar o Evangelho da família como alegria para o mundo”.

No momento do ato penitencial, o Papa renovou o pedido de perdão diante dos casos de abusos (de poder, de consciência e sexuais) cometidos por membros do clero na Igreja na Irlanda. Ontem, o Papa se encontrou com oito sobreviventes desses abusos e, recorrendo ao que as vítimas lhe disseram, quis colocar diante da misericórdia do Senhor esses crimes e pedir perdão por isso.

“Pedimos perdão pelos abusos na Irlanda, abusos de poder, de consciência, abusos sexuais por parte de membros qualificados da Igreja. De maneira especial, pedimos perdão por todos os abusos cometidos em vários tipos de instituições dirigidas por religiosos e religiosas e outros membros na Igreja e pedimos perdão pelos casos de exploração no trabalho a que foram submetidos muitos menores”.

O Santo Padre pediu perdão também pelos casos em que membros da hierarquia se silenciaram diante dessas situações. “Que o Senhor nos dê a força para nos comprometermos em trabalhar para que nunca mais aconteça e seja estabelecida a justiça”, pediu.

Na homilia, Francisco desenvolveu sua reflexão a partir do Evangelho do dia, em que Jesus falava aos discípulos e muitos deles ficavam perplexos, hesitando em aceitar as “palavras duras” de Jesus, contrárias à sabedoria do mundo. Em resposta aos discípulos, Jesus diz: “As palavras que vos disse são espírito e são vida”, palavras que, segundo o Papa, transbordam vida para quem as acolhe na fé.

“Indicam a fonte última de todo o bem que experimentamos e celebramos aqui nestes dias: o Espírito de Deus, que sopra constantemente nova vida sobre o mundo, nos corações, nas famílias, nos lares e nas paróquias. Cada dia novo na vida das nossas famílias e cada nova geração trazem consigo a promessa dum novo Pentecostes, um Pentecostes doméstico, uma nova efusão do Espírito, o Paráclito, que Jesus nos envia como nosso Advogado, nosso Consolador e Aquele que verdadeiramente nos dá coragem”.

Francisco destacou que o mundo precisa desse encorajamento e convidou as famílias ali presentes a voltar para suas casas tornando-se fonte de encorajamento para os outros, a fim de partilhar as “palavras de vida eterna” de Jesus. E a família, acrescentou, é um lugar privilegiado para que isso aconteça.

A tarefa de testemunhar a Boa Nova de Jesus não é fácil, ressaltou o Papa, recordando, porém, que esses desafios não são mais difíceis que aqueles enfrentados pelos primeiros missionários irlandeses, citando como exemplo de São Columbano, que realizou essa missão evangelizadora na Europa em uma época de obscuridade e decadência cultural.

O Santo Padre considerou que sempre haverá pessoas que vão se opor à Boa Nova, mas isso não deve influenciar nem desanimar os fiéis. “Contudo reconheçamos humildemente que, se formos honestos com nós mesmos, poderemos também nós achar duros os ensinamentos de Jesus. Como permanece difícil perdoar àqueles que nos magoam! Que grande desafio continua a ser o acolhimento do migrante e do estrangeiro! Como é doloroso suportar a desilusão, a rejeição ou a traição! Como é incómodo proteger os direitos dos mais frágeis, dos nascituros ou dos mais idosos, que parecem estorvar o nosso sentido de liberdade!”.

Por fim, o Papa lembrou o envio missionário que cada cristão tem a partir dos sacramentos do Batismo e da Confirmação. “A Igreja, no seu conjunto, é chamada a ‘sair’ para levar as palavras de vida eterna às periferias do mundo. Que a nossa celebração de hoje confirme cada um de vós – pais e avós, crianças e jovens, homens e mulheres, frades e freiras, contemplativos e missionários, diáconos e sacerdotes – na partilha da alegria do Evangelho! Possais partilhar o Evangelho da família como alegria para o mundo”.

Homilia do Papa Francisco no Encontro Mundial das Famílias 2018
Santa Missa no Phoenix Park

«Tu tens palavras de vida eterna!» (Jo 6, 68).

No termo deste Encontro Mundial das Famílias, reunimo-nos como família ao redor da mesa do Senhor. Agradecemos ao Senhor pelas inúmeras bênçãos recebidas nas nossas famílias. Queremos empenhar-nos a viver plenamente a nossa vocação, para sermos, segundo as comoventes palavras de Santa Teresa do Menino Jesus, «o amor no coração da Igreja».

Neste momento precioso de comunhão de uns com os outros e com o Senhor, é bom fazer uma pausa e considerar a fonte de todas as coisas boas que recebemos. Jesus revela a origem destas bênçãos no Evangelho de hoje, quando fala aos seus discípulos. Muitos deles estavam perplexos, confusos e até irados, hesitando se aceitar ou não as suas «palavras duras», tão contrárias à sabedoria deste mundo. Em resposta, o Senhor diz-lhes diretamente: «As palavras que vos disse são espírito e são vida» (Jo 6, 63).

Com a sua promessa do dom do Espírito Santo, estas palavras aparecem transbordantes de vida para nós que as acolhemos na fé. Indicam a fonte última de todo o bem que experimentamos e celebramos aqui nestes dias: o Espírito de Deus, que sopra constantemente nova vida sobre o mundo, nos corações, nas famílias, nos lares e nas paróquias. Cada dia novo na vida das nossas famílias e cada nova geração trazem consigo a promessa dum novo Pentecostes, um Pentecostes doméstico, uma nova efusão do Espírito, o Paráclito, que Jesus nos envia como nosso Advogado, nosso Consolador e Aquele que verdadeiramente nos dá coragem.

Quanta necessidade tem o mundo deste encorajamento que é dom e promessa de Deus! Que vós possais, como um dos frutos desta celebração da vida familiar, regressar às vossas casas e tornar-vos fonte de encorajamento para os outros, para partilhar com eles «as palavras de vida eterna» de Jesus. Na verdade, as vossas famílias são quer um lugar privilegiado quer um meio importante para difundir estas palavras como «boas notícias» para cada um, especialmente para quantos desejam deixar o deserto e a «casa da escravidão» (cf. Js 24, 17) a fim de irem para a terra prometida da esperança e da liberdade.

Na segunda Leitura de hoje, São Paulo diz-nos que o matrimónio é uma participação no mistério da fidelidade perene de Cristo à sua esposa, a Igreja (cf. Ef 5, 32). Mas esta doutrina, embora magnífica, pode aparecer a alguém como uma «palavra dura». Porque viver no amor, como Cristo nos amou (cf. Ef 5, 2), implica a imitação do próprio sacrifício de Si mesmo, implica morrer para nós mesmos a fim de renascer para um amor maior e mais duradouro: aquele amor, o único que pode salvar o mundo da escravidão do pecado, do egoísmo, da ganância e da indiferença às necessidades dos menos afortunados. Este é o amor que conhecemos em Jesus Cristo. Encarnou-Se no nosso mundo por meio duma família, e em cada geração, através do testemunho das famílias cristãs, tem o poder de romper todas as barreiras para reconciliar o mundo com Deus e fazer de nós aquilo que desde sempre estamos destinados a ser: uma única família humana que vive conjuntamente na justiça, na santidade e na paz.

A tarefa de dar testemunho desta Boa Nova não é fácil. Mas, de certo modo, os desafios que hoje enfrentam os cristãos não são mais difíceis do que aqueles que tiveram de enfrentar os primeiros missionários irlandeses. Penso em São Columbano, que, com o seu pequeno grupo de companheiros, levou a luz do Evangelho às terras da Europa numa época de obscuridade e decadência cultural. O seu extraordinário sucesso missionário não se baseara em métodos táticos ou planos estratégicos, mas numa humilde e libertadora docilidade às sugestões do Espírito Santo. Foi o seu testemunho diário de fidelidade a Cristo e entre eles que conquistou os corações que desejavam ardentemente uma palavra de graça e que contribuiu para fazer nascer a cultura europeia. Tal testemunho permanece uma fonte perene de renovação espiritual e missionária para o povo santo e fiel de Deus.

Naturalmente, haverá sempre pessoas que se oporão à Boa Nova, que «murmurarão» contra as suas «palavras duras». Todavia, como São Columbano e os seus companheiros que enfrentaram águas geladas e mares tempestuosos para seguir Jesus, não nos deixemos jamais influenciar ou desanimar pelo olhar gelado da indiferença ou pelos ventos borrascosos da hostilidade.

Contudo reconheçamos humildemente que, se formos honestos com nós mesmos, poderemos também nós achar duros os ensinamentos de Jesus. Como permanece difícil perdoar àqueles que nos magoam! Que grande desafio continua a ser o acolhimento do migrante e do estrangeiro! Como é doloroso suportar a desilusão, a rejeição ou a traição! Como é incómodo proteger os direitos dos mais frágeis, dos nascituros ou dos mais idosos, que parecem estorvar o nosso sentido de liberdade!

Mas é precisamente em tais circunstâncias que o Senhor nos pergunta: «Também vós quereis ir embora?» (Jo 6,67). Com a força do Espírito que nos encoraja e com o Senhor sempre ao nosso lado, podemos responder: «Nós cremos e sabemos que Tu é que és o Santo de Deus» (v. 69). Com o povo de Israel, podemos repetir: «Também nós serviremos o Senhor, porque Ele é o nosso Deus» (Js 24,18).

Com os sacramentos do Batismo e da Confirmação, cada cristão é enviado para ser um missionário, um «discípulo missionário» (cf. Evangelii gaudium, 120). A Igreja, no seu conjunto, é chamada a «sair» para levar as palavras de vida eterna às periferias do mundo. Que a nossa celebração de hoje confirme cada um de vós – pais e avós, crianças e jovens, homens e mulheres, frades e freiras, contemplativos e missionários, diáconos e sacerdotes – na partilha da alegria do Evangelho! Possais partilhar o Evangelho da família como alegria para o mundo.

Ao preparar-se cada um para retomar a própria estrada, renovemos a nossa fidelidade ao Senhor e à vocação a que chamou cada um de nós. Fazendo nossa a oração de São Patrício, repita cada um com alegria: «Cristo dentro de mim, Cristo atrás de mim, Cristo ao meu lado, Cristo debaixo de mim, Cristo acima de mim». Com a alegria e a força conferidas pelo Espírito Santo, digamos-Lhe confiadamente: «A quem iremos nós, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna» (Jo 6, 68).

Papa aos membros de Vida Consagrada: fidelidade à vocação

Papa Francisco e o Cardeal João Braz de Aviz, na audiência à plenária da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada – AP
 
Cidade do Vaticano (RV) – O Santo Padre concluiu suas atividades, na manhã deste sábado (28/01/2017), no Vaticano, recebendo na Sala Clementina, cerca de 100 participantes na Plenária da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica.

Em seu pronunciamento, o Papa expressou sua satisfação em receber os membros da Congregação que, nestes dias, em sua plenária, refletiram sobre o tema da “fidelidade e dos abandonos”:

“O tema que escolheram é importante. Podemos dizer que, neste momento, a fidelidade é colocada à prova: é o que demonstram as estatísticas que examinaram. Encontramo-nos diante de certa “hemorragia” que enfraquece a vida consagrada e a própria vida da Igreja. Os abandonos na vida consagrada nos preocupam muito. É verdade que alguns a deixam por um gesto de coerência, porque reconhecem, depois de um sério discernimento, que nunca teve vocação; outros, com o passar do tempo, faltam de fidelidade, muitas vezes a apenas alguns anos da sua profissão perpétua”.

Aqui, o Papa perguntou: o que aconteceu? Como vocês destacaram no seu encontro, são muitos os fatores que condicionam a fidelidade nesse tempo de mudança de época em que se torna difícil assumir compromissos sérios e definitivos. Neste sentido, Francisco destacou alguns desses fatores:

“O primeiro fator que não ajuda a manter a fidelidade é o contexto social e cultural em que vivemos. De fato, vivemos imersos na chamada “cultura do fragmento”, do  “provisório”, que pode levar a viver “à la carte” e ser escravo da moda. Esta cultura leva à necessidade de se manter sempre abertas as “portas laterais” para outras possibilidades, alimenta o consumismo e esquece a beleza de uma vida simples e austera, provocando muitas vezes um grande vazio existencial”.

Vivemos em uma sociedade onde as regras econômicas substituem as leis morais, ditam e impõem seus próprios sistemas de referência em detrimento dos valores da vida; uma sociedade onde a ditadura do dinheiro e do lucro defende sua visão de existência. Em tal situação, disse o Pontífice, é preciso primeiro deixar-se evangelizar e, depois, comprometer-se com a evangelização. Assim, apresentou outros fatores ao contexto sócio-cultural:

“Um deles é o mundo da juventude, um mundo complexo, rico e desafiador. Não faltam jovens generosos, solidários e comprometidos em nível religioso e social; jovens que buscam uma vida espiritual, que têm fome de algo diferente do que o mundo oferece. Mas, mesmo entre esses jovens, há muitas vítimas da lógica do mundanismo, como a busca do sucesso a qualquer preço, o dinheiro e o prazer fáceis”.

Essa lógica, advertiu o Papa, atrai muitos jovens, mas nosso compromisso é estar ao lado deles para contagiá-los com a alegria do Evangelho e de pertença a Cristo. Essa cultura deve ser evangelizada. Aqui, indicou um terceiro fator condicionante, que vem da própria vida consagrada, onde, além de uma grande santidade não faltam situações de contra testemunho que tornam difícil a fidelidade:

“Tais situações, entre outras, são: a rotina, o cansaço, o peso de gestão das estruturas, as divisões internas, a sede de poder… Se a vida consagrada quiser manter a sua missão profética e o seu encanto, continuando a ser escola de lealdade para os próximos e os distantes, deverá manter o frescor e a novidade da centralidade de Jesus, a atração pela espiritualidade e da força da missão, mostrar a beleza do seguimento de Cristo e irradiar esperança e alegria”.

Outro aspecto ao qual a vida consagrada deverá prestar especial atenção é a “vida fraterna comunitária”, que deve ser alimentada pela oração comum, a leitura da palavra, a participação ativa nos sacramentos da Eucaristia e da Reconciliação, o diálogo fraterno, a comunicação sincera entre os seus membros, a correção fraterna, a misericórdia para com o irmão ou a irmã que peca, a partilha das responsabilidades. A seguir, o Santo Padre recordou a importância da vocação:

“A vocação, como a própria fé, é um tesouro que trazemos em vasos de barro, que nunca deve ser roubado ou perder a sua beleza. A vocação é um dom que recebemos do Senhor, que fixou seu olhar sobre nós e nos amou, chamando-nos a segui-lo mediante a vida consagrada, como também uma responsabilidade para quem a recebeu”. 

Falando de lealdade e de abandono, disse ainda Francisco, “devemos dar muita importância ao acompanhamento. A vida consagrada deve investir na preparação de assistentes qualificados para este ministério. E concluiu dizendo que “muitas vocações se perdem por falta de bons líderes. Todas as pessoas consagradas precisam ser acompanhados em nível humano, espiritual e profissional. Aqui entra o discernimento que exige muita sensibilidade espiritual. (MT)

A importância de se estabelecer um dia para a família

A raiva nos afasta da relação fraternal e amorosa presente no ambiente familiar

-Ô menino, por que você não quer sair com a gente?
– Raiva. Ninguém me entende.
– Raiva? Que pecado, meu filho! Criança não sente raiva.
– E você, homem, por que não chega em casa mais cedo?
– Pra quê? Pra passar raiva?
– E você, mulher? Por que não para quieta? Quando não está batendo perna na rua, só fica enfiada nessa cozinha?
– Até parece que faço, porque gosto.

Hoje, vamos refletir sobre o sentimento de raiva nas relações familiares. Situação essa que tem afastado os seus membros do encontro fraterno, do almoço aos domingos e os afastado do cuidado que um deveria ter com o outro.

A elaboração do sentimento de raiva acontece devido à frequência, à duração e à intensidade com que os eventos que provocam frustração e pavor acontecem dentro desse contexto, que eliciam repostas de ansiedade e tensão, provocando o medo de conviver com seus próprios familiares. É muito importante que, na rotina doméstica, a família ocupe um espaço significativo e que todos a reconheçam como fonte de vida.

O treino de conviver com cada membro como único ajudará na manutenção dos vínculos e da boa convivência. Consequentemente, todos desejarão estar em família. Mas e a raiva? Qual o lugar desse sentimento no comportamento das pessoas quando estão com seus familiares?

Segundo Ivan Capelatto, em seu livro ‘A Equação da Afetividade’, “a raiva nada mais é que a manifestação do medo. Resultado da ação de uma região de nosso cérebro, composta pelas amígdalas cerebrais. Esta parte do cérebro também é responsável pela proteção do indivíduo, por sua reação diante dos perigos do mundo. São responsáveis pelas reações de medo, que farão com que lutemos ou fujamos”, ressalta o autor. Diante dessa explicação, é possível compreender que todos nós estamos sujeitos a sentir raiva e manifestar medo diante de situações em que ela é provocada.

O ambiente familiar é propício para que esse sentimento venha à tona com constância. São pessoas com comportamentos diferentes, mas que convivem e precisam de alinhamento em suas relações para garantir a felicidade. Um exemplo muito comum, apresentado por Capelatto, é o da criança que, quando interrompida, em sua brincadeira, porque tem que tomar banho, corre risco de sentir medo de perder aquele prazer que estava sentindo. Nesse momento, as amígdalas são acionadas, a expressão da criança será de raiva por não saber lidar com o medo. De forma semelhante, acontece com o casal quando interrompido em uma relação sexual com a chegada inesperada do filho em seu quarto; além daqueles momentos comuns vividos nas famílias brasileiras: ir ao supermercado e não poder fazer a feira ou não poder pagar o Plano de Saúde que precisam ou desejam ter.

Quem nunca ouviu essas expressões: “Que raiva! Quem tem clima para namorar com tantos problemas?”, “Quando chega o fim de semana, não aguentamos nem mais brincar com os filhos de tão cansados!”. Esses eventos causam danos à vida psicológica da criança e de qualquer ser humano, além de afetar o clima familiar. O sentimento que está por trás de cada expressão dessas é o de raiva, e precisará ser bem administrado para que não passe a controlar a alegria, o temor e o humor da família. Portanto, as reações que cada um demonstra deverão ser entendidas, inicialmente como uma manifestação do organismo que funciona bem. Nem sempre aceitar tudo, demonstrar não sentir raiva e ser a família perfeita e boazinha do bairro é sinal de convivência saudável. Essas reações são sintomas de uma realidade. A falta de raiva em situações reais pode implicar em ausência de medo, indiferença e, consequentemente, sensação desconfortável.

Qual a consequência? Relacionamentos frios e artificiais. E estar em família nos fará sentir um peixe fora d’água. Não faremos questão de encontrar um dia para estarmos juntos. Será sempre ruim conviver com quem tem o nosso sangue se não ouvirmos o que a raiva, que sempre manifesta o medo, quer falar. Estar junto sem se sentir pertença, por causa da raiva não sentida, do medo não amparado, da verdade não dita e da falta de acolhimento às necessidades de todos, é colocar a família em um beco sem saída. Será sempre o fim de um sonho. Um pesadelo conviver. Ter tempo para a família é decidir viver em contato com as nossas emoções sem perder o respeito e o amor por quem nos deu muito mais do que um nome e um sobrenome. Deu-nos a vida!

Se dermos atenção a quem está ao nosso lado e o acolhermos em seus momentos de raiva e medo, será mais fácil agendar um dia ou dois, passar o feriado e tantas outras datas juntos!

Qual dia você escolheu para estar em família?

Judinara Braz

Santo Evangelho (João 6, 24-35)

18º Domingo do Tempo Comum 05/08/2018

Primeira Leitura (Êx 16,2-4.12-15)
Leitura do Livro do Êxodo:

Naqueles dias, 2a Comunidade dos filhos de Israel pôs-se a murmurar contra Moisés e Aarão, no deserto, dizendo: 3“Quem dera que tivéssemos morrido pela mão do Senhor no Egito, quando nos sentávamos junto às panelas de carne e comíamos pão com fartura! Por que nos trouxestes a este deserto para matar de fome a toda esta gente?” 4O Senhor disse a Moisés: “Eis que farei chover para vós o pão do céu. O povo sairá diariamente e só recolherá a porção de cada dia a fim de que eu o ponha à prova, para ver se anda ou não na minha lei. 12Eu ouvi as murmurações dos filhos de Israel. Dize-lhes, pois: ‘Ao anoitecer, comereis carne, e pela manhã vos fartareis de pão. Assim sabereis que eu sou o Senhor vosso Deus’”. 13Com efeito, à tarde, veio um bando de codornizes e cobriu o acampamento; e, pela manhã, formou-se uma camada de orvalho ao redor do acampamento. 14Quando se evaporou o orvalho que caíra, apareceu na superfície do deserto uma coisa miúda, em forma de grãos, fina como a geada sobre a terra. 15Vendo aquilo, os filhos de Israel disseram entre si: “Que é isto?” Porque não sabiam o que era. Moisés respondeu-lhes: “Isto é o pão que o Senhor vos deu como alimento”.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Responsório (Sl 77)

— O Senhor deu a comer o pão do céu.
— O Senhor deu a comer o pão do céu.

— Tudo aquilo que ouvimos e aprendemos,/ e transmitiram para nós os nossos pais,/ não haveremos de ocultar a nossos filhos,/ mas à nova geração nós contaremos:/ as grandezas do Senhor e seu poder.

— Ordenou, então, às nuvens lá dos céus,/ e as comportas das alturas fez abrir;/ fez chover-lhes o maná e alimentou-os,/ e lhes deu para comer o pão do céu.

— O homem se nutriu do pão dos anjos,/ e mandou-lhes alimento em abundância;/ conduziu-os para a Terra Prometida, para o Monte que seu braço conquistou.

 

Segunda Leitura (Ef 4,17.20-24)
Leitura da Carta de São Paulo aos Efésios:

Irmãos: 17Eis, pois, o que eu digo e atesto no Senhor: não continueis a viver como vivem os pagãos, cuja inteligência os leva para o nada. 20Quanto a vós, não é assim que aprendestes de Cristo, 21se ao menos foi bem ele que ouvistes falar, e se é ele que vos foi ensinado, em conformidade com a verdade que está em Jesus. 22Renunciando à vossa existência passada, despojai-vos do homem velho, que se corrompe sob o efeito das paixões enganadoras, 23e renovai o vosso espírito e a vossa mentalidade. 24Revesti o homem novo, criado à imagem de Deus, em verdadeira justiça e santidade.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Anúncio do Evangelho (Jo 6,24-35)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo, + segundo João.
— Glória a vós, Senhor!

Naquele tempo, 24quando a multidão viu que Jesus não estava ali, nem os seus discípulos, subiram às barcas e foram à procura de Jesus, em Cafarnaum. 25Quando o encontraram no outro lado do mar, perguntaram-lhe: “Rabi, quando chegaste aqui?”  26Jesus respondeu: “Em verdade, em verdade, eu vos digo: estais me procurando não porque vistes sinais, mas porque comestes pão e ficastes satisfeitos. 27Esforçai-vos não pelo alimento que se perde, mas pelo alimento que permanece até a vida eterna, e que o Filho do Homem vos dará. Pois este é quem o Pai marcou com seu selo”. 28Então perguntaram: “Que devemos fazer para realizar as obras de Deus?”  29Jesus respondeu: “A obra de Deus é que acrediteis naquele que ele enviou”. 30Eles perguntaram: “Que sinal realizas, para que possamos ver e crer em ti? Que obra fazes? 31Nossos pais comeram o maná no deserto, como está na Escritura: ‘Pão do céu deu-lhes a comer’”  32Jesus respondeu: “Em verdade, em verdade vos digo, não foi Moisés quem vos deu o pão que veio do céu. É meu Pai que vos dá o verdadeiro pão do céu. 33Pois o pão de Deus é aquele que desce do céu e dá vida ao mundo”. 34Então pediram: “Senhor, dá-nos sempre desse pão”. 35Jesus lhes disse: “Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim não terá mais fome e quem crê em mim nunca mais terá sede”.

– Palavra da Salvação.
– Glória a vós, Senhor.

 

A IGREJA CATÓLICA CELEBRA E VENERA HOJE
Santo Apolinário – Bispo de Ravena

Santo Apolinário, lutou contra as tentações e suportou até mesmo as torturas como confessor

Neste mesmo dia em que comemoramos a dedicação da Basílica de Santa Maria Maior em Roma, lembramos com alegria da vida de santidade do mais antigo Bispo de Ravena: Santo Apolinário.

Nascido no Séc. I numa família pagã, foi convertido por Deus em Roma, através da pregação do apóstolo São Pedro.

No tempo de Apolinário o paganismo e sincretismo estavam dominando todo o Império e, por isso, todo evangelizador corria grandes riscos de vida. Com a missão indicando a evangelização do Norte da Itália, foi ele edificar a Igreja de Ravena, a qual tornou-se na Itália, depois de Roma, pólo do Cristianismo.

Por causa de Jesus Cristo e do Seu Reino, lutou contra as tentações, permaneceu fiel, com coragem sofreu e suportou até mesmo as torturas como confessor e, mais tarde, o martírio. Conta-nos a história que diante do Édito de Milão em 313, a Igreja Católica adquiriu liberdade religiosa e com isso pôde livremente evangelizar o Império Romano, assim como venerar seus santos; é deste período que encontramos em Ravena grande devoção ao Santo Bispo do qual celebramos hoje, herói da nossa fé.

Santo Apolinário, rogai por nós!

Desenvolvido por Origy Networks – Criação de sites e propaganda