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O que a Ascensão de Jesus diz ao cristão de hoje?

Corações voltados para o alto!

O futuro é fruto do que semeamos nos campos da vida. Não há colheita sem o devido cuidado com a plantação. No campo da vida, o amor é essencial, para que possamos produzir os mais belos frutos de um tempo novo, nascido da esperança que cultivamos com a fé. O céu que esperamos começa a ser construído no hoje de nossa história. Na esperança da glória futura estão impressas as marcas do amor.

Na solenidade da Ascensão do Senhor voltamos nosso olhar para Aquele que nos aponta a esperança de nossa vida futura juntos do Seu amor. O hoje de nossa história é tempo teológico para sacramentalizarmos o amor em gestos concretos de vida em plenitude. O Cristo que olhamos é o mesmo que esteve e continua entre nós. O cotidiano da vida é uma preparação para um tempo novo que sonhamos. Um futuro onde cada um de nós terá uma participação plena na vida de Deus.

Juntos de Deus viveremos uma nova relação entre Criador e criatura. Na total transparência dos sentimentos, seremos livres dos limites e dificuldades da condição terrena. No amor trinitário saborearemos a plenitude da comunhão eterna. Em Deus conheceremos o amor que hoje de modo limitado sentimos. A esperança da glória futura nos abre diante da vida as mais belas possibilidades de vivermos hoje o futuro glorioso que esperamos.

A Eucaristia antecipa em nossa alma a comunhão celeste. No pão e no vinho consagrados, corpo e sangue de Cristo, está presente toda a criação, fruto da terra e do trabalho do homem. Na comunhão eucarística já pertencemos aos céus novos e à terra nova. Todos nós que comungamos da Eucaristia estamos, em esperança, na realidade do céu. O céu que nosso coração contempla é antecipado no amor de Cristo doado e partilhado por toda a humanidade.

Esta solenidade que celebramos ensina-nos também a vivermos na terra com as realidades do céu. A comunhão eterna é antecipada em cada gesto de amor e fraternidade entre nós. A paz divina é vivida, ainda que de modo limitado, em cada gesto que devolve vida à humanidade. O amor trinitário é antecipado em cada ato que se faz solidariedade e compaixão entre nós.

Com o coração voltado para o alto, caminhos na terra construindo junto de cada irmão e irmã os céus novos e a terra nova que esperamos um dia viver de maneira plena e infinita. O mundo novo que sonhamos começa a ser vivido em cada gesto de fraternidade.

Corações voltados para o alto com os pés enraizados no amor de Cristo. Eis a nossa missão diante da ascensão de Cristo: fazermos de nossa vida terrena uma antecipação da glória da futura.

Padre Flávio Sobreiro

Papa: converter-se é passar da vida morna ao anúncio de Jesus

Terça-feira, 23 de maio de 2017, Da redação, com Rádio Vaticano

Em homilia na Casa Santa Marta, Papa Francisco lembrou que o consagrado é perseguido por dizer a verdade

Muitas pessoas consagradas foram perseguidas por terem denunciado atitudes de mundanidade: o espírito mau prefere uma Igreja sem risco e morna. Foi o que disse o Papa Francisco na homilia da Missa celebrada na Casa Santa Marta, nesta terça-feira, 23.

Em sua homilia, o Pontífice comentou o capítulo 16 dos Atos dos Apóstolos, que narra Paulo e Silas em Filipos. Uma escrava que tinha um espírito de adivinhação começou a segui-los e, gritando, os indicou como “servos de Deus”. Era um louvor, mas Paulo, sabendo que esta mulher estava possuída por um espírito maligno, um dia o expulsou. Paulo – notou o Papa – entendeu que “aquele não era o caminho da conversão daquela cidade, porque tudo permanecia tranquilo”. Todos aceitavam a doutrina, mas não havia conversões.

Muitos consagrados perseguidos por terem dito a verdade

Isto se repete na história da salvação: quando o povo de Deus estava tranquilo, não arriscava ou servia – não “digo aos ídolos” – mas “à mundanidade”, explica Francisco. Então o Senhor enviava os profetas que eram perseguidos “porque incomodavam”, como ocorreu com Paulo: ele entendeu o engano e mandou embora esse espírito que, apesar de dizer a verdade – isto é, que ele e Silas eram homens de Deus – no entanto, era “um espírito de torpor, que tornava a igreja morna”. “Na Igreja – afirma – quando alguém denuncia tantos modos de mundanidade é encarado com olhos tortos, não deve ser assim, melhor que se distancie”:

“Eu lembro na minha terra, tantos, tantos homens e mulheres, consagrados bons, não ideólogos, mas que diziam: ‘Não, a Igreja de Jesus…’ – ‘Ele é comunista, fora!’, e os expulsavam, os perseguiam. Pensemos no beato Romero, não?, o que aconteceu por dizer a verdade. E muitos, muitos na história da Igreja, também aqui na Europa. Por quê? Porque o espírito maligno prefere uma Igreja tranquila sem riscos, uma Igreja dos negócios, uma Igreja cômoda, na comodidade do torpor, morna”.

No capítulo 16, se fala ainda dos patrões dessa escrava, que ficaram bravos com ela porque não podiam mais ganhar dinheiro às suas custas por ter perdido o poder de adivinhação. O Papa destacou que “o espírito maligno sempre entra pelo bolso”. “Quando a Igreja está morna, tranquila, toda organizada, não existem problemas, mas olhem onde há negócios”, afirmou Francisco.

Mas além do dinheiro, há outra palavra ressaltado pelo Pontífice, que é a “alegria”. Paulo e Silas são arrastados pelos patrões da escrava diante dos juízes, que ordenaram que fossem açoitados e levados à prisão. O carcereiro os leva para a parte mais escondida da prisão. Paulo e Silas cantavam. Por volta da meia-noite, há um forte tremor de terremoto e todas as portas da prisão se abrem. O carcereiro está para se matar antes que fosse assassinado por ter deixado os prisioneiros escaparem, mas Paulo o exorta a não se machucar, porque – disse – “estamos todos aqui”. Então o carcereiro pede explicações e se converte. Lava as feridas deles, é batizado e fica cheio de alegria”:

“E este é o caminho da nossa conversão diária: passar de um estado de vida mundano, tranquilo, sem riscos, católico, sim, sim, mas assim, morno, a um estado de vida de verdadeiro anúncio de Jesus Cristo, à alegria do anúncio de Cristo. Passar de uma religiosidade que olha demasiado para os lucros para uma religiosidade de fé e de proclamação: ‘Jesus é o Senhor’”.

Este é o milagre que o Espírito Santo faz. O Papa exortou então a ler o capítulo 16 dos Atos para ver como o Senhor “com os seus mártires” leva a Igreja para frente:

“Uma Igreja sem mártires não dá nenhuma confiança; uma Igreja que não se arrisca provoca desconfiança; uma Igreja que tem medo de anunciar Jesus Cristo e afugentar os demônios, os ídolos, o outro senhor, que é o dinheiro, não é a Igreja de Jesus. Na oração pedimos a graça e também agradecemos o Senhor pela renovada juventude que nos dá com Jesus e pedimos a graça que ele mantenha esta renovada juventude. Esta Igreja de Filipos foi renovada e tornou-se uma Igreja jovem. Que todos nós tenhamos isso: uma renovada juventude, uma conversão do modo de viver morno ao anúncio alegre que Jesus é o Senhor”.

Santo Evangelho (Jo 15, 12-17)

5ª Semana da Páscoa – Sexta-feira 19/05/2017 

Primeira Leitura (At 15,22-31)
Leitura dos Atos dos Apóstolos.

Naqueles dias, 22pareceu bem aos apóstolos e aos anciãos, de acordo com toda a Comunidade de Jerusalém, escolher alguns da Comunidade para mandá-los a Antioquia, com Paulo e Barnabé. Escolheram Judas, chamado Bársabas, e Silas, que eram muito respeitados pelos irmãos. 23Através deles enviaram a seguinte carta: “Nós, os apóstolos e os anciãos, vossos irmãos, saudamos os irmãos vindos do paganismo e que estão em Antioquia e nas regiões da Síria e da Cilícia. 24Ficamos sabendo que alguns dos nossos causaram perturbações com palavras que transtornaram vosso espírito. Eles não foram enviados por nós. 25Então decidimos, de comum acordo, escolher alguns representantes e mandá-los até vós, junto com nossos queridos irmãos Barnabé e Paulo, 26homens que arriscaram suas vidas pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo. 27Por isso, estamos enviando Judas e Silas, que pessoalmente vos transmitirão a mesma mensagem. 28Porque decidimos, o Espírito Santo e nós, não vos impor nenhum fardo, além destas coisas indispensáveis: 29abster-se de carnes sacrificadas aos ídolos, do sangue, das carnes de animais sufocados e das uniões ilegítimas. Vós fareis bem se evitardes essas coisas. Saudações!” 30Depois da despedida, Judas e Silas foram para Antioquia, reuniram a assembleia e entregaram a carta. 31A sua leitura causou alegria, por causa do estímulo que trazia.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Responsório (Sl 56)

— Vou louvar-vos, Senhor, entre os povos.
— Vou louvar-vos, Senhor, entre os povos.

— Meu coração está pronto, meu Deus, está pronto o meu coração! Vou cantar e tocar para vós: desperta, minha alma, desperta! Despertem a harpa e a lira, eu irei acordar a aurora!

— Vou louvar-vos, Senhor, entre os povos, dar-vos graças por entre as nações! Vosso amor é mais alto que os céus, mais que as nuvens a vossa verdade! Elevai-vos, ó Deus, sobre os céus, vossa glória refulja na terra!

 

Evangelho (Jo 15,12-17)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo João.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 12“Este é o meu mandamento: amai-vos uns aos outros, assim como eu vos amei. 13Ninguém tem amor maior do que aquele que dá sua vida pelos amigos. 14Vós sois meus amigos, se fizerdes o que eu vos mando. 15Já não vos chamo servos, pois o servo não sabe o que faz o seu Senhor. Eu chamo-vos amigos, porque vos dei a conhecer tudo o que ouvi de meu Pai. 16Não fostes vós que me escolhestes, mas fui eu que vos escolhi e vos designei para irdes e para que produzais fruto e o vosso fruto permaneça. O que, então, pedirdes ao Pai em meu nome, ele vo-lo concederá. 17Isto é o que vos ordeno: amai-vos uns aos outros”.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

 

A IGREJA CATÓLICA CELEBRA E VENERA HOJE
Santo Ivo, advogado, juiz e sacerdote 

Santo Ivo inclinou seu coração na presença de Deus, na busca da verdade

Nasceu em Bretanha, região administrativa do oeste da França, em 1253.

Ivo recebeu uma ótima formação, formando-se em Filosofia, Teologia, Direito Eclesiástico e Civil. Um santo advogado, juiz e sacerdote.

Partiu para o céu com apenas 50 anos, mas deixou um testemunho muito forte, reconhecido como o ‘advogado dos pobres’. Santo Ivo inclinou seu coração na presença de Deus, na busca da verdade, da misericórdia, da justiça e do amor.

O santo de hoje diz à família forense e a todos nós que, viver o amor e a justiça, é possível em Cristo Jesus.

Santo Ivo, rogai por nós!

O caminho da vida em Deus

A vida deve nos tornar felizes

“Cada um de nós vive com a esperança de que vai conseguir o que lhe cabe; seja na profissão, na amizade, no amor ou na família. A vida deve nos tornar felizes, pois, em primeiro lugar e antes de tudo, desejamos ser felizes; algo tão simples, porém tão difícil” (Dom Notker Wolf – Abade-Primaz da Ordem dos Beneditinos).

Às vezes, o caminho da vida parece tão difícil e longo demais. Não tenho forças nem vontade para a jornada. Então, lembro-me de que o bom Deus conhecia esse caminho muito antes de eu ser chamado a percorrê-lo. Ele sempre soube das dificuldades pelas quais eu passaria, a dor que não conseguiria explicar aos outros. Ele sabe e oferece Sua presença.

Talvez, hoje, você esteja oprimido por tristeza. Ela pode ser o peso de um ministério difícil, a preocupação de um casamento problemático, a tristeza de uma criança sofrendo, o cuidado com um parente envelhecendo, o desemprego, os vícios na família, um sonho que custa a se realizar ou outras situações que a vida nos apresenta. “Certamente”, diz você, “Deus não me faria andar dessa maneira. Deve haver outro caminho mais fácil a percorrer”.

Escreve o reverendo David H. Roper: “Mas, qualquer um de nós é sábio o suficiente para saber que alguma outra maneira nos transformaria em filhos melhores e mais sábios? Não, nosso Pai Celestial conhece o melhor, de todos os caminhos possíveis, para nos levar à realização (Salmo 142,1-3)”.

Seus caminhos são mais altos do que os nossos caminhos; Seus pensamentos são mais altos do que os nossos pensamentos (Isaías 55,9). Podemos tomar, humildemente o caminho que Ele traçou para nós, hoje, com absoluta confiança em Sua infinita sabedoria e amor. Ele é mais sábio e mais amoroso do que podemos imaginar. Aquele que vê anteviu e não nos desviará do caminho, pois este está entregue ao Senhor Deus com absoluta confiança (cf. Salmo 37,5).

A nossa vida vive no caminho da providência do Pai Eterno.

Padre Inácio José do Vale
pe.inaciojose.osbm@hotmail.com

Qual é o sentido da ressurreição de Jesus para um cristão?

A ressurreição de Cristo não se reduz à revitalização de um indivíduo qualquer. Com ela foi inaugurada uma dimensão que interessa a todos seres humanos
http://pt.aleteia.org/2015/04/05/qual-e-o-sentido-da-ressurreicao-de-jesus-para-um-cristao/

Acreditar na ressurreição de Jesus, para o cristão, é uma condição de existência: é-se cristão porque se acredita que Jesus está vivo, triunfou da morte, ressuscitou, e é, para todos os humanos, o único mediador entre Deus e os homens. Dessa mediação participam a seu modo tudo aquilo (o universo e tudo aquilo que contém) e todos aqueles (dos mais sábios aos mais humildes) que, pela vida e pela palavra, proclamam o poder e a misericórdia de Deus que sustenta todo o universo e chama todos a participar de sua vida.
A fé na ressurreição de Jesus Cristo é o fundamento da mensagem cristã. A fé cristã estaria morta se lhe fosse retirada a verdade da ressurreição de Cristo. A ressurreição de Jesus são as primícias de um mundo novo, de uma nova situação do homem. Ela cria para os homens uma nova dimensão de ser, um novo âmbito da vida: o estar com Deus. Também significa que Deus manifestou-se verdadeiramente e que Cristo é o critério no qual o homem pode confiar.
A fé na ressurreição de Jesus é algo tão essencial para o cristão que São Paulo chegou a escrever: “Se Cristo não ressuscitou, a nossa pregação é vazia, e vazia também a vossa fé” (1Cor 15, 14).
A ressurreição de Cristo não é apenas o milagre de um cadáver reanimado. Não se trata do mesmo evento que ocorreu com outros personagens bíblicos como a filha de Jairo (cf. Mc 5, 22-24) ou Lázaro (cf. Jo 11, 1-44), que foram trazidos de volta à vida por Jesus, mas que, mais tarde, num certo momento, morreriam fisicamente.
A ressurreição de Jesus “foi a evasão para um gênero de vida totalmente novo, para uma vida já não sujeita à lei do morrer e do transformar-se, mas situada para além disso: uma vida que inaugurou uma nova dimensão de ser homem”, explica o Papa Bento XVI no segundo volume do seu livro “Jesus de Nazaré”.
Jesus ressuscitado não voltou à vida normal que tinha neste mundo. Isso foi o que aconteceu com Lázaro e outros mortos ressuscitados por Ele. Jesus “partiu para uma vida diversa, nova: partiu para a vastidão de Deus, e é a partir dela que Ele se manifesta aos seus”, prossegue o Papa.
A ressurreição de Cristo é um acontecimento dentro da história que, ao mesmo tempo, rompe o âmbito da história e a ultrapassa. Bento XVI a explica com uma analogia. “Se nos é permitido por uma vez usar a linguagem da teoria da evolução”, a ressurreição de Jesus é “a maior ‘mutação’, em absoluto o salto mais decisivo para uma dimensão totalmente nova, como nunca se tinha verificado na longa história da vida e dos seus avanços: um salto para uma ordem completamente nova, que tem a ver conosco e diz respeito a toda a história” (homilia da Vigília Pascal de 2006).
Portanto, a ressurreição de Cristo não se reduz à revitalização de um indivíduo qualquer. Com ela foi inaugurada uma dimensão que interessa a todos seres humanos, uma dimensão que criou para os homens “um novo âmbito da vida, o estar com Deus”, explica o Papa no livro “Jesus de Nazaré”.
As narrativas evangélicas, na diversidade de suas formas e conteúdos, convergem todas para a convicção a que chegaram os primeiros seguidores de Jesus, de que sua ação salvadora, tal como se havia pressentido nas Escrituras, não se frustrara nem se havia encerrado com sua morte. Pelo contrário, cumpria a promessa de Deus feita desde as origens da humanidade e, portanto, o fato de Jesus estar vivo e atuante na história tinha sua base em Deus, vinha confirmar a esperança que depositamos em Deus de que a verdade e o bem, a justiça e a paz hão de triunfar, terão a última palavra, porque Deus é fiel.
O mistério da ressurreição de Cristo é um acontecimento que teve manifestações historicamente constatadas, como atesta o Novo Testamento. Ao mesmo tempo, é um evento misteriosamente transcendente, enquanto entrada da humanidade de Cristo na glória de Deus (cf. CIC, 639 e 656).
Dois sinais da ressurreição são reconhecidos como essenciais pela fé da Igreja Católica. O primeiro é o testemunho das pessoas que encontraram Cristo ressuscitado. Essas testemunhas da ressurreição de Cristo são, antes de tudo, Pedro e os Doze apóstolos, mas não somente eles. São Paulo fala claramente de mais de quinhentas pessoas às quais Jesus apareceu de uma só vez, além de Tiago e de todos os apóstolos (cf. CIC, 642; 1Cor 15, 4-8).
O segundo sinal é o túmulo vazio. Significa que a ausência do corpo de Jesus não poderia ser obra humana. O sepulcro vazio e os panos de linho no chão significam por si mesmos que o corpo de Cristo escapou das correntes da morte e da corrupção, pelo poder de Deus (CIC, 656).
O teólogo Francisco Catão, doutor em Teologia pela Universidade de Estrasburgo e professor do Centro Universitário Salesiano de São Paulo, explica que os sinais do sepulcro vazio e das aparições de Jesus ressuscitado foram válidos para os apóstolos e primeiros seguidores de Jesus.
“Não há porque, racionalmente, duvidar. Seria levantar a suspeita de inautenticidade histórica de todo o Novo Testamento, no que hoje, depois dos abalos da exegese liberal e da ciência mal informada, nenhum autor sério cientificamente acredita”.
“O Novo Testamento relata a morte de Jesus e seus primeiros seguidores, interpretando os sinais do túmulo vazio e das aparições. Fato que afirmaram solenemente, com base nas Escrituras. Animados pelo Espírito Santo, deram o testemunho de sua vida pela fé em Jesus, vivo junto a Deus, como o sabemos desde os Atos dos Apóstolos”, afirma o teólogo.
O ser humano é aquele ser que não tem permanência em si mesmo. Continuar vivendo só pode significar, humanamente falando, continuar existindo num outro. Mas existir no outro – por meio dos filhos ou da fama, por exemplo – não passa de uma sombra, porque o outro também se desfaz. Só Deus pode amparar o homem e fazê-lo perdurar. Neste sentido, a ressurreição é a força do amor que vence a morte. Ela não é um ato fechado em si, que pertence só à divindade de Cristo. É o princípio e a fonte de nossa própria ressurreição futura.
Só existe “um” que nos pode amparar, “aquele que ‘é’, que não vem ao ser e que não deixa de ser, mas que permanece em meio ao vir a ser e ao desaparecer: o Deus dos vivos que sustenta não apenas uma sombra e o eco de meu ser e cujos pensamentos não são apenas cópias da realidade” (Joseph Ratzinger, “Introdução ao Cristianismo”).
Nesse sentido, a ressurreição “é a força maior do amor diante da morte. Ela prova, ao mesmo tempo, que a imortalidade só pode ser fruto do existir no outro que continua de pé mesmo quando eu estou em farrapos” (idem).
Os relatos da ressurreição de Jesus testemunham um fato novo, que não brotou simplesmente do coração dos discípulos. Trata-se de um fato que chegou a eles de fora, se apoderou deles contra as suas dúvidas e os fez ter a certeza de que Jesus realmente ressuscitou.
“Aquele que estava no túmulo já não está lá, ele vive – e é realmente ele próprio. Ele que passara ao outro mundo de Deus mostrou-se suficientemente poderoso para mostrar-lhes de forma palpável que era ele mesmo que se encontrava na frente deles, que nele o poder do amor se revelara realmente mais forte do que o poder da morte” (idem).
A ressurreição de Jesus Cristo constitui a comprovação de tudo o que o próprio Cristo fez e ensinou. Todas as verdades, mesmo as mais inacessíveis ao espírito humano, encontram sua confirmação se, ao ressuscitar, Cristo deu a prova definitiva, que havia prometido, de sua autoridade divina (CIC, 651).
Nenhum homem pode ressuscitar um morto. Por conseguinte, se Jesus, como homem, ressuscitou, isto é obra de Deus. A ressurreição de Jesus crucificado demonstrou que ele era verdadeiramente o Filho de Deus e Deus mesmo (CIC, 653).
A ressurreição é o cumprimento das promessas do Antigo Testamento e das promessas que o próprio Jesus fez durante sua vida terrestre. A verdade da divindade de Jesus é confirmada por sua ressurreição.
A ressurreição de Jesus não é um ato fechado em si. É o início de um processo que se estende a todos os homens. Ela é o princípio e a fonte da ressurreição futura dos homens, atuando “desde já pela justificação de nossa alma” e, mais tarde, “pela vivificação de nosso corpo” (CIC, 658).
“Não foi nada fácil, através da história, nem o é, nos dias de hoje, para os cristãos, sustentar sua fé. Nunca, porém, lhes faltou a assistência do Espírito, senão para provar a ressurreição, pelo menos para evidenciar que não pode ser validamente contestada, por nenhum tipo de argumento científico ou filosófico”, afirma o teólogo Francisco Catão.
Ressurreição, Ascensão e Segunda vinda de Cristo
http://opusdei.org.br/pt-br/article/tema-11-ressurreicao-ascensao-e-segunda-vinda-de-cristo/

A Ressurreição de Cristo é verdade fundamental da nossa fé, como diz São Paulo (cfr. 1Cor 15, 13-14). Com este fato, Deus inaugurou a vida do mundo futuro e a pôs à disposição dos homens.
1. Cristo foi sepultado e desceu aos infernos.
Após padecer e morrer, o corpo de Cristo foi sepultado em um sepulcro novo, próximo ao lugar onde o haviam sacrificado. E sua alma desceu aos infernos. A sepultura de Cristo manifesta que verdadeiramente morreu. Deus dispôs que Cristo passasse pelo estado de morte, isto é, de separação entre a alma e o corpo (cfr. Catecismo, 624). Durante o tempo que Cristo passou no sepulcro, tanto sua alma como seu corpo, separados entre si por causa da morte, continuaram unidos à sua Pessoa divina (cfr. Catecismo, 626).
Porque continuava pertencendo à Pessoa divina, o corpo morto de Cristo não sofreu a corrupção do sepulcro (cfr. Catecismo, 627; At 13, 37). A alma de Cristo desceu aos infernos. “Os «infernos» (não confundir com o inferno da condenação) ou mansão dos mortos, designam o estado de todos aqueles que, justos ou maus, morreram antes de Cristo” (Compêndio, 125). Os justos se encontravam em um estado de felicidade (diz-se que repousavam no “seio de Abraão”) embora ainda não gozassem da visão de Deus. Dizendo que Jesus desceu aos infernos, entendemos sua presença no “seio de Abraão” para abrir as portas do céu aos justos que o haviam precedido. “Com a alma unida à sua Pessoa divina, Jesus alcançou, nos infernos, os justos que esperavam o seu Redentor para acederem finalmente à visão de Deus” (Compêndio, 125).
Cristo, com a descida aos infernos, mostrou seu domínio sobre o demônio e a morte, libertando as almas santas que estavam retidas, para levá-las à glória eterna. Deste modo, a Redenção – que devia atingir todos os homens de todas as épocas – aplicou-se àqueles que haviam precedido Cristo (cfr. Catecismo, 634).
A glorificação de Cristo consiste em sua Ressurreição e sua Ascensão aos céus, onde Cristo está sentado à direita do Pai. O sentido geral da glorificação de Cristo está relacionado com sua morte na Cruz. Como, pela paixão e morte de Cristo, Deus eliminou o pecado e reconciliou o mundo consigo, de modo semelhante, pela ressurreição de Cristo, Deus inaugurou a vida do mundo futuro e a colocou à disposição dos homens.
Os benefícios da salvação não derivam somente da Cruz, mas também da Ressurreição de Cristo. Estes frutos se aplicam aos homens por mediação da Igreja e por meio dos sacramentos. Concretamente, pelo Batismo recebemos o perdão dos pecados (do pecado original e dos pessoais) e o homem se reveste, pela graça, com a nova vida do Ressuscitado.
“Ao terceiro dia” (de sua morte), Jesus ressuscitou para uma vida nova. Sua alma e seu corpo, plenamente transfigurados com a glória de sua Pessoa divina, voltaram a se unir. A alma assumiu de novo o corpo e a glória de sua alma se comunicou totalmente ao corpo. Por este motivo, “a Ressurreição de Cristo não foi um regresso à vida terrena. O Seu corpo ressuscitado é Aquele que foi crucificado e apresenta os vestígios da Sua Paixão, mas é doravante participante da vida divina com as propriedades dum corpo glorioso” (Compêndio, 129).
A Ressurreição do Senhor é fundamento de nossa fé, pois atesta de modo incontestável que Deus interferiu na história humana para salvar os homens. E garante a verdade do que prega a Igreja sobre Deus, sobre a divindade de Cristo e a salvação dos homens. Pelo contrário, como diz São Paulo, “se Cristo não ressuscitou, vã é nossa fé” (1Cor 15, 17).
Os Apóstolos não podiam enganar-se nem ter inventado a ressurreição. Em primeiro lugar, se o sepulcro de Cristo não estivesse vazio, não poderiam ter falado da ressurreição de Jesus; além disso, se o Senhor não lhes tivesse aparecido, em várias ocasiões e a numerosos grupos de pessoas, homens e mulheres, muitos dos discípulos de Cristo não teriam podido aceitá-la, como ocorreu inicialmente com o apóstolo Tomé. Muito menos teriam podido eles dar sua vida por uma mentira. Como diz São Paulo: “E se Cristo não ressuscitou (…) seríamos convencidos de ser falsas testemunhas de Deus, por termos dado testemunho contra Deus, afirmando que Ele ressuscitou a Cristo, ao qual não ressuscitou” (1Cor 15, 14.15). E quando as autoridades judias queriam silenciar a pregação do evangelho, São Pedro respondeu: “Há que obedecer a Deus antes que aos homens. O Deus de nossos pais ressuscitou a Jesus a quem vós destes a morte, suspendendo-o num madeiro. (…) Nós somos testemunhos destas coisas” (At 5, 29-30.32).
Além de ser um evento histórico, verificado e testemunhado mediante sinais e testemunhos, a Ressurreição de Cristo é um acontecimento transcendente porque “ultrapassa a história como mistério da fé, enquanto implica a entrada da humanidade de Cristo na glória de Deus” (Compêndio, 128). Por este motivo, Jesus Ressuscitado, embora possuindo uma verdadeira identidade físico-corpórea, não está submetido às leis físicas terrenas, e se sujeita a elas só enquanto o deseja: “Jesus ressuscitado é soberanamente livre de aparecer aos seus discípulos como Ele quer, onde Ele quer e sob aspectos diversos” (Compêndio, 129).
A Ressurreição de Cristo é um mistério de salvação. Mostra a bondade e o amor de Deus, que recompensa a humilhação de seu Filho, e que emprega sua onipotência para encher de vida os homens. Jesus ressuscitado possui, em sua humanidade, a plenitude da vida divina, para comunicá-la aos homens. “O Ressuscitado, vencedor do pecado e da morte, é o princípio da nossa justificação e da nossa Ressurreição: a partir de agora, Ele garante-nos a graça da adoção filial que é a participação real na sua vida de Filho unigênito; depois, no final dos tempos, Ele ressuscitará o nosso corpo” (Compêndio, 131). Cristo é o primogênito entre os mortos e todos ressuscitaremos por Ele e nEle.
Da Ressurreição de Nosso Senhor, devemos tirar para nós:
a) Fé viva: “Acende tua fé. – Cristo não é uma figura que passou. Não é uma recordação que se perde na história. Vive! “Jesus Christus heri et hodie: ipse et in saecula!” – diz São Paulo – Jesus Cristo ontem e hoje e sempre!” [1];
b) Esperança: “Nunca desesperes. Morto e corrompido estava Lázaro: “iam foeted, quatriduanos est enim” – já fede, porque há quatro dias que está enterrado, diz Marta a Jesus. Se ouvires a inspiração de Deus e a seguires – “Lazaro, veni foras!”: Lázaro, vem para fora! -, voltarás à Vida” [2];
c) Desejo de que a graça e a caridade nos transformem, levando-nos a viver vida sobrenatural, que é a vida de Cristo: procurando ser realmente santos (cfr. Cl 3, 1 e ss). Desejo de apagar nossos pecados no sacramento da Penitência, que nos faz ressuscitar para a vida sobrenatural – se a havíamos perdido pelo pecado mortal – e recomeçar de novo: nunc coepi (Sl 76, 11).
A Exaltação gloriosa de Cristo compreende sua Ascensão aos céus, ocorrida quarenta dias depois de sua Ressurreição (cfr. At 1, 9-10), e sua entronização gloriosa neles, para compartilhar, também como homem, a glória e o poder do Pai e para ser Senhor e Rei da criação.
Quando confessamos neste artigo do Credo que Cristo “está sentado à direita do Pai”, nos referimos com esta expressão à “glória e à honra da divindade, onde aquele que existia como Filho de Deus antes de todos os séculos, como Deus e consubstancial ao Pai, está sentado corporalmente depois que se encarnou e de que sua carne foi glorificada” [3].
Com a Ascensão, termina a missão de Cristo, enviado para o meio de nós, em carne humana, para realizar a salvação. Era necessário que, após sua Ressurreição, Cristo continuasse sua presença entre nós, para manifestar sua nova vida e completar a formação dos discípulos. Mas essa presença terminará no dia da Ascensão. Porém, ainda que Jesus tenha voltado ao céu, junto do Pai, permanece entre nós de vários modos, principalmente no modo sacramental, pela Sagrada Eucaristia.
A Ascensão é sinal da nova situação de Jesus. Sobe ao trono do Pai para compartilhá-lo, não só como Filho eterno de Deus, mas também como verdadeiro homem, vencedor do pecado e da morte. A glória que havia recebido fisicamente, com a Ressurreição, se completa agora com sua entronização pública nos céus, como Soberano da criação, junto ao Pai. Jesus recebe a homenagem e o louvor dos habitantes do céu.
Uma vez que Cristo veio ao mundo para redimir-nos do pecado e conduzir-nos à perfeita comunhão com Deus, a Ascensão de Jesus inaugura a entrada no céu da humanidade. Jesus é a Cabeça sobrenatural dos homens, como Adão o foi na ordem da natureza. Já que a Cabeça está no céu, também nós, seus membros, temos a possibilidade real de alcançá-lo. Mais, ele foi para preparar-nos um lugar na casa do Pai (cfr. Jo 14, 3).
Sentado à direita do Pai, Jesus continua seu ministério de Mediador universal da salvação. “Ele é o Senhor que agora reina com a sua humanidade na glória eterna de Filho de Deus e sem cessar intercede por nós junto do Pai. Envia-nos o Seu Espírito e tendo-nos preparado um lugar, dá-nos a esperança de um dia ir ter com Ele” (Compêndio, 132).
Com efeito, dez dias depois da Ascensão ao céu, Jesus enviou o Espírito Santo aos discípulos, conforme sua promessa. Desde então, Jesus manda incessantemente aos homens o Espírito Santo, para comunicar-lhes a potência vivificadora que possui, e reuni-los por meio de sua Igreja para formar o único povo de Deus.
Depois da Ascensão do Senhor e da vinda do Espírito Santo no dia de Pentecostes, a Santíssima Virgem Maria foi levada em corpo e alma para os céus, pois convinha que a Mãe de Deus, que havia levado a Deus em seu seio, não sofresse a corrupção do sepulcro, à imitação de seu Filho [4].
A Igreja celebra a festa da Assunção da Virgem no dia 15 de agosto. “A Assunção da santíssima Virgem é uma singular participação na ressurreição do seu Filho e uma antecipação da ressurreição dos outros cristãos” (Catecismo, 966).
A Exaltação gloriosa de Cristo:
a) Nos anima a viver com o olhar posto na glória do Céu: quae sursum sunt, quaerite (Cl 3, 1); recordando que não temos aqui morada permanente (Hb 13, 14), e com o desejo de santificar as realidades humanas;
b) Nos impulsiona a viver de fé, pois nos sabemos acompanhados por Jesus Cristo, que nos conhece e nos ama, estando no céu, e que nos dá sem cessar a graça de seu Espírito. Com a força de Deus, podemos realizar o labor apostólico que nos encomendou: levar-lhe todas as almas (cfr. Mt 28, 19) e pô-lo no cume de todas as atividades humanas (cfr. Jo 12, 32), para que seu Reino seja uma realidade (cfr. 1Cor 15, 25). Além disso, Ele nos acompanha do Sacrário.
Cristo Senhor é Rei do universo, mas ainda não lhe estão submetidas todas as coisas deste mundo (cfr. Hb 2, 7; 1Cor 15, 28). Concede tempo aos homens para experimentar seu amor e sua fidelidade. Contudo, no fim dos tempos, terá lugar seu triunfo definitivo, quando o Senhor aparecerá com “grande poder e majestade” (cfr. Lc 21, 27).
Cristo não revelou o tempo de sua segunda vinda (cfr. At 1, 7), mas nos anima a estar sempre vigilantes e nos adverte que antes dessa sua segunda vinda, a parusia, ocorrerá um último assalto do demônio acompanhado de grandes calamidades e outros sinais (cfr. Mt 24, 20-30; Catecismo 674-675).
O Senhor virá então como Supremo Juiz Misericordioso para julgar os vivos e os mortos: é o juízo universal, no qual os segredos dos corações serão revelados, assim como a conduta de cada um diante de Deus e em relação ao próximo. Este juízo sancionará a sentença que cada um recebeu após a morte. Todo homem será cumulado de vida ou condenado, por toda a eternidade, segundo suas obras. Assim se consumará o Reino de Deus, pois “Deus será tudo em todos” (1Cor 15, 28).
No Juízo Final os santos receberão, publicamente, o prêmio merecido pelo bem que fizeram. Deste modo, a justiça será restabelecida, já que nesta vida, muitas vezes, os que praticaram o mal são louvados e os que praticaram o bem, desprezados ou esquecidos.
O Juízo Final nos leva à conversão: “Deus dá ainda aos homens «o tempo favorável, o tempo da salvação» (2Cor 6, 2). Ela inspira o santo temor de Deus, empenha na justiça do Reino de Deus e anuncia a «feliz esperança» (Tt 2, 13) do regresso do Senhor, que virá «para ser glorificado nos seus santos, e admirado em todos os que tiverem acreditado» (2 Ts 1, 10)” (Catecismo, 1041).
Antonio Ducay Bibliografia básica Catecismo da Igreja Católica, 638-679; 1038-1041.
Leituras recomendadas
João Paulo II, La Resurrección de Jesucristo, Catequesis: 25-01-1989, 1-02-1989, 22-02-1989, 1-03-1989, 8-03-1989, 15-03-1989.
João Paulo II, La Ascensión de Jesucristo, Catequesis: 5-04-1989, 12-04-1989, 19-04-1989.
São Josemaria, Homilia A Ascensão do Senhor aos Céus, em É Cristo que Passa, 117-126.
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[1] São Josemaria, Caminho, 584.
[2] Ibidem, 719.
[3] São João Damasceno, De fide ortodoxa, 4, 2: PG 94, 1104; cfr. Catecismo, 663.
[4] Cfr. Pio XII, Const. Munificentissimus Deus, 15-08-1950: DS 3903.
A ressurreição de Jesus é o elemento principal da nossa fé
Padre Roger Araújo
http://homilia.cancaonova.com/homilia/a-ressurreicao-de-jesus-e-o-elemento-principal-da-nossa-fe/

Nós cremos, acreditamos e professamos com todo o nosso coração a certeza de que Jesus está vivo e de que Ele ressuscitou dos mortos.

“Se não há ressurreição dos mortos, então Cristo não ressuscitou. E se Cristo não ressuscitou, a nossa pregação é vã e a vossa fé é vã também” (1 Coríntios 15, 13).
Amados irmãos e irmãs no Senhor, fiz questão de hoje meditar a primeira leitura da liturgia, da Carta de Paulo aos Coríntios, na qual ele enfatiza o tema da ressurreição dos mortos. Este é um ponto fundamental da nossa fé, da nossa convicção religiosa, e só podemos falar da ressurreição dos mortos a partir da ressurreição de Jesus.
A ressurreição de Jesus é o elemento fundamental da nossa fé! A fé cristã não é baseada no nascimento de Jesus, ela enfatiza os ensinamentos de Jesus, a vida d’Ele e a morte d’Ele, mas o núcleo da fé cristã, o sentido da fé cristã, é a ressurreição de Jesus. Como enfatiza São Paulo: “Se Cristo não tiver ressuscitado tudo o que fazemos é perda de tempo”. Sim, sem essa certeza tudo seria em vão, inútil! Nós cultuamos e celebramos um Deus que está morto? Não, muito pelo contrário, nós cremos, acreditamos e professamos, com todo o nosso coração, a certeza de que Jesus está vivo e de que Ele ressuscitou dos mortos. E, assim como Jesus ressuscitou, nós também ressuscitaremos com Ele; esta é a nossa fé, é a nossa esperança!
Meus irmãos, no mundo em que vivemos há muitas confusões religiosas, há muitas pregações, há muita mistura de elementos religiosos que não são compatíveis com a nossa fé. Há muita gente pregando a reencarnação. Não estou combatendo e não devemos, nenhum de nós, combater nenhuma religião, nenhuma filosofia, mas não podemos nos alimentar nem nos enganar com elementos que são estranhos à nossa fé e à nossa convicção religiosa.
Se existem coisas boas em outras convicções religiosas – que bom – mas não nos cabe misturar elementos estranhos à nossa fé e um deles é a reencarnação. Não há compatibilidade entre ressurreição e reencarnação, não podemos crer em Cristo vivo e ressuscitado e, ao mesmo tempo, também comungar de alimentos, de elementos, de sentimentos, de outras convicções religiosas que não pregam a ressurreição de Jesus.
Precisamos nos cuidar, temos que ser convictos naquilo em que cremos e precisamos dar razões a nossa fé! Nós amamos a todos, queremos bem a todos, mas não comungamos dos pensamentos e dos sentimentos religiosos que não convêm à nossa fé. A reencarnação não é bíblica, não é cristã e não está de acordo com os ensinamentos de Jesus. Nós cremos na ressurreição, assim como Jesus ressuscitou nós também ressuscitaremos!
A Ressurreição de Jesus: Ficção ou Realidade?
Escrito por D. Estêvão Bettencourt, OSB
http://www.veritatis.com.br/apologetica/deus-uno-trino/535-ressurreicao-jesus-ficcao-realidade

Nenhuma outra confissão religiosa atribui ao seu fundador o privilégio da ressurreição dentre os mortos. O Cristianismo, porém, o faz e chega a afirmar que, sem a ressurreição de Jesus, não há Cristianismo.
Ora, a ressurreição de um morto é milagre de primeira grandeza. Por isto a crítica pergunta se não se trata de mito ou ficção; em consequência, tem formulado explicações meramente racionais para a notícia da “ressurreição”. Dada a importância capital de tal matéria desenvolveremos a questão, abordando: 1) as teorias racionalistas; 2) os textos do Novo Testamento que atestam a fé da Igreja nascente, e os seus sinais comprovantes.

I. TEORIAS RACIONALISTAS
Pode-se dizer que até o século XVIII não havia, entre os cristãos, quem duvidasse da historicidade da ressurreição de Jesus. Especialmente importante é o testemunho da Igreja nascente: em Corinto, por exemplo, no ano de 56 os fiéis não aceitavam a perspectiva da ressurreição dos cristãos, mas não punham em xeque a ressurreição de Jesus, de modo que, a partir desta, São Paulo deduzia a ressurreição de todos os mortos.
“Se se prega que Cristo ressuscitou dos mortos, como podem alguns dentre vós dizer que não há ressurreição dos mortos? Se não há ressurreição dos mortos, também Cristo não ressuscitou… Se os mortos não ressuscitam, também Cristo não ressuscitou…Mas não! Cristo ressuscitou dos mortos, primícias dos que adormeceram” (1Cor 15, 12.13.16.20).
Examinemos, porém, as proposições dos racionalistas:
1) No século XVIII, Hermann Samuel Reimarus (1694-1768) retomou a alegação, dos judeus, de que o corpo de Jesus fora roubado pelos discípulos para que pudessem proclamar a sua ressurreição (Mt 28, 11-15). Segundo Reimarus, Jesus foi um Messias político, que queria libertar Israel do jugo romano. Fracassou, porém. Todavia os discípulos retiraram do túmulo o seu cadáver para poder apregoar a sua ressurreição e apresentar Jesus como o Messias apocalíptico de Daniel 7, 13s.
A própria crítica racionalista rejeitou a teoria de Reimarus como sendo simplória demais e infundada. Os apóstolos não tinham ânimo para admitir a ressurreição do Mestre; muito menos o tinham para tentar impô-la mediante fraude e embuste. Ademais qualquer tentativa de mentira e falsidade da parte dos Apóstolos cedo ou tarde teria sido descoberta pelos judeus hostis, que haveriam consequentemente desprestigiado toda a pregação dos discípulos de Cristo – o que na realidade não se deu.
2) Mais recentemente Karl Friedrich Bahrdt (1741-1792) e Eberhardt Gottlob Paulus (1761-1851) propuseram a tese de que Jesus não morreu realmente na Cruz e foi sepultado vivo. O sedativo que Ele tomou quando crucificado e os aromas que as mulheres levaram ao sepulcro para ungi-lo, terão contribuído para reanima-lo, comunicando-lhe consciência e vigor necessários para sair do túmulo, não ao terceiro dia, mas em data posterior. O estudioso alemão Holger Kersten, em nossos dias, retomou esta hipótese, acrescentando-lhe um complemento: Jesus, deixando o sepulcro, foi à Índia, onde terminou os seus dias.
Tal hipótese também não goza de autoridade, pois é fantasiosa; além do que, contradiz a arqueologia, que mostra o local do sepulcro de Jesus em Jerusalém, com sua história através dos séculos. Levemos em conta, outrossim, o duro desenrolar da Paixão de Cristo (flagelação, coração de espinhos, porte de Cruz, crucificação…) e principalmente o golpe de lança infligido a Jesus, “porque os soldados o encontraram já morto” (Jo 19, 33). Estas ocorrências não podem deixar dúvida sobre a realidade da morte de Jesus na Cruz.
3) Certos seguidores da Escola da História das Formas deram à ressurreição de Cristo uma interpretação nova.Entre eles, destaca-se Willi Marxsen, discípulo de Rudolf Bultmann: Marxsen afirma que o que ressuscitou não foi Jesus, mas a mensagem de Jesus; esta parecia fadada a emudecer por causa da hostilidade dos judeus, mas conseguiu vencer os obstáculos e assim “ressuscitou”, impondo-se aos ouvintes. O que importa, dizem, não é o mensageiro (Jesus), mas a mensagem (a Boa-Nova); as aparições de Jesus aos Apóstolos narradas pelos evangelistas nada teriam de objetivo; seriam apenas a maneira como os antigos cristãos formularam a experiência íntima de que a mensagem de Jesus superara os obstáculos e continuava a viver…O milagre não seria a ressurreição de Jesus, mas a fé dos discípulos.
A tese de Marxsen parte de um preconceito dogmaticamente afirmado, mas não demonstrado, a saber: não pode ser real o que escapa às categorias da razão humana. Ora, a ressurreição de um morto é algo que a razão não explica; daí ser tida como impossível ou como mito,… mito que está sujeito à interpretação ou hermenêutica atrás proposta. – Tal preconceito é falho, pois a razão humana não é a medida ou o critério da verdade; a verdade tem amplidão maior do que o alcance da razão. Por conseguinte, pode haver fatos reais que a razão não explica; só não se pode aceitar que concepções ilógicas ou absurdas (um círculo quadrado, por exemplo) sejam verdadeiras. Ora a ressurreição de um morto não é algo de ilógico ou irracional, absurdo.
4) E os mitos orientais?
Certos historiadores afirmam que as “religiões de mistérios” do Oriente próximo conheciam, no limiar da era cristã, mitos de deuses que voltaram à vida depois de haver morrido: assim na Ásia Menor, Adonis, Astarté, Átis, Cibele; no Egito, Ísis e Osíris… tais mitos se inspiravam no fato de que a natureza morre no outono e renasce na primavera seguinte. Ora, as narrativas evangélicas não seriam senão uma nova edição de tais lendas.
A propósito observamos que os deuses da mitologia estavam longe de “ressuscitar” propriamente; a ressurreição ou volta da alma ao corpo nunca foi um ideal, mas, sim, um espantalho para gregos e orientais (estes tinham o corpo na conta de cárcere da alma). Ademais a ressurreição de Jesus nada tem que ver com os mitos da vegetação que morre e renasce.
Por último, consideremos também que a fé se manifestou desde os primeiros dias da Igreja. Ora, a Palestina não era terreno favorável ao sincretismo religioso; os Judeus, mesmo convertidos ao Cristianismo, eram ferrenhamente avessos aos mitos pagãos. Para que a infiltração de lendas pagãs se desse no Cristianismo, teria sido necessário que este tivesse tido origem num ambiente geográfico e numa população tais como a Síria, a Ásia Menor ou o Egito; além do que, exigir-se-ia notável espaço de tempo entre a morte de Jesus e a pregação de sua ressurreição.
Uma vez examinadas as teorias que negam a ressurreição corporal de Jesus, vejamos qual seja:

II. O TESTEMUNHO DO NOVO TESTAMENTO
2.1. 1Cor 15, 3-8
O texto mais significativo é a profissão de fé consignada por São Paulo em 1 Cor 15, 3-8. Ei-la em tradução literal:
1 Faço-vos conhecer, irmãos, o Evangelho que Vos preguei, o mesmo que vós recebestes e no qual permaneceis firmes.
2 Por ele também sereis salvos, se o conservardes tal como vô-lo preguei…a menos que não tenha fundamento a vossa fé.
3 Transmiti-vos, antes de tudo, aquilo que eu mesmo recebi, a saber, que Cristo morreu por nossos pecados, conforme as Escrituras,
4 e que foi sepultado e que ressuscitou ao terceiro dia conforme as Escrituras
5 e que apareceu a Céfas, depois aos doze.
6 Posteriormente apareceu, de uma vez, a mais de quinhentos irmãos, dos quais a maior parte vive até hoje, alguns, porém, já morreram.
7 Depois apareceu a Tiago e, em seguida, a todos os Apóstolos.
8 Por fim, depois de todos, apareceu também a mim, como a um abortivo?.
São Paulo escreveu tal passagem no ano de 56, ou seja, pouco mais de 20 anos após a Ascensão de Jesus. Eis, porém, que nesse texto o Apóstolo quer apenas lembrar aos fiéis o que ele lhes transmitiu de viva voz quando fundou a comunidade de Corinto em 51-52: nessa época Paulo entregou aos fiéis a doutrina que lhe foi fora entregue (“Transmiti-vos…aquilo que eu mesmo recebi…”). E quando o Apóstolo recebeu a mensagem?
– Ou por ocasião da sua conversão, que se deu aproximadamente no ano de 35, ou no ensejo de sua visita a Jerusalém, que teve lugar em 38, ou, ao mais tardar, por volta do ano de 40.
Observemos agora o estilo do texto de 1Cor 15, 3-8: as frases são curtas, incisivas, dispostas segundo um paralelismo que lhes comunica um ritmo notável. Abstração feita dos vv. 6 e 8, dir-se-ia que se trata de formulas estereotípicas, forjadas pelo ensinamento oral e destinadas a ser frequentemente repetidas. Nesses versículos encontram-se várias expressões que não ocorrem em outras cartas de São Paulo: assim “conforme as Escrituras”, “no terceiro dia”, “aos doze”, “apareceu” (expressão que só ocorre sob a pena de São Paulo num hino citado pelo Apóstolo em 1Tm 3, 16).
Estas indicações dão a ver que São Paulo em 1Cor 15, 3-8 reproduz uma fórmula de fé que ele mesmo recebeu já definitivamente redigida poucos anos (dois, cinco, oito anos?) após a Ascensão do Senhor Jesus. O v. 6, quebrando o ritmo do conjunto, talvez tenha sido introduzido posteriormente; quanto ao v. 8, é por certo uma notícia pessoal que São Paulo acrescenta ao bloco.
Vê-se, pois, que desde os primeiros anos da pregação do Evangelho já existia entre os fiéis uma profissão de fé na ressurreição de Cristo formulada em frases breves e pregnantes; tais frases eram transmitidas como expressões exatas da mensagem dos Apóstolos.
Ora essa fórmula de fé antiquíssima professa a ressurreição corpórea de Cristo como realidade histórica. Para comprová-la, havia testemunhas oculares, das quais, diz São Paulo, muitas ainda viviam vinte e poucos anos após a ressurreição do Senhor.
Tal depoimento de primeira hora é um texto pré-paulino, concebido e transmitido pelos discípulos imediatos do Senhor como expressão da fé comum da Igreja nascente. – É de notar que São Paulo insiste no peso das testemunhas oculares; muitas ainda viviam e podiam ser interpeladas pessoalmente; não diz que “creram”, mas que “viram” (Jesus apareceu-lhes ressuscitado).
O texto de 1Cor 15, 1-8 é por Bultman e sua escola reconhecido como obstáculo sério à sua teoria racionalista (obstáculo fatal, segundo a expressão usada pelo próprio Bultman em Kerygma und Mythos I). Paulo terá sido incoerente consigo mesmo:
Só posso compreender o texto de 1Cor 15, 1-8 como tentativa de apresentar a ressurreição como um fato objetivo, merecedor de fé. Apenas posso dizer que Paulo, levado por sua apologética, caiu em contradição consigo mesmo? (Glauben und Verstehen I. Tübingen 1964, 54s).
Passemos agora a

2.2. A PREGAÇÃO DA IGREJA NASCENTE
2.2.1. O DESTEMOR DOS APÓSTOLOS
Seriam incompreensíveis o êxito e a força persuasiva da pregação dos Apóstolos, se, depois de haverem feito a dolorosa experiência da Paixão Mestre, não O Tivesse visto realmente ressuscitado.
Sem o encontro com Cristo vencedor, também não se explicaria a Cristologia pascoal (ou seja, a doutrina concernente a Cristo morto e redivivo) da Igreja antiga. Com efeito, os Apóstolos e os primeiros cristãos não somente se reconciliaram com a idéia de um Messias padecente, mas também com a de um Messias ausente, que voltará no fim dos tempos. Levemos em conta, outrossim, que, apesar do seu estrito monoteísmo, os Apóstolos no culto sagrado associaram Jesus a Deus Pai, reconhecendo-lhe grandeza e dignidade divinas. Nada disto teria podido ocorrer, se os discípulos não tivessem visto o Senhor ressuscitado e se Ele não vivesse de fato na Igreja nascente mediante o Espírito Santo prometido aos Apóstolos.
A conversão de São Paulo, que de perseguidor se tornou incansável arauto de Cristo ressuscitado, desenvolvendo atividade admirável e fecunda, é outro fato que dificilmente se poderia entender sem a realidade da ressurreição de Cristo.

2.2.2. O conteúdo da Pregação dos Apóstolos
Em termos mais precisos, perguntamos: que é que os discípulos anunciaram quando começaram a pregar?
O livro dos Atos dos Apóstolos responde a esta pergunta, apresentando-nos textos muito significativos:
At 2, 4-40: Pedro, no dia de Pentecostes, explica à multidão o fenômeno das línguas;
At 3, 12-26: Pedro, apelando para a obra salvífica de Cristo, esclarece como e por que um paralítico foi curado à porta do Templo de Jerusalém;
At 4, 8-12: diante do Sinédrio (tribunal judaico) Pedro explica as ocorrências da última Páscoa;
At 5,30-32: idem;
At 10, 34-43: Pedro, em casa do centurião romano Cornélio, faz uma síntese do plano de Deus, apresentando a morte e a ressurreição de Jesus como ponto central;
At 13, 17-41: Paulo em Antioquia da Pisídia faz o mesmo.
A propósito obervamos:
É possível averiguar o caráter arcaico de tais trechos: neles se encontram, por exemplo, o eco de locuções bíblicas (At 2, 22-24; 10, 38…) e hebraísmos (At 2, 23; 2, 3; 3, 20; 10, 40…)…Isto significa que estamos diante das camadas mais antigas e das linhas mestras da pregação dos Apóstolos, dirigida aos judeus, que constituíram o núcleo inicial da Igreja.
O tema desse anúncio, como se compreende, é Jesus de Nazaré
-anunciado pelos Profetas: At 2, 23; 2, 27; 3, 18; 4, 11; 5, 30s; 10, 40; 13, 35…
-figura histórica, pois há referências ao seu nascimento na casa de Davi (At 13,23; 10,37), ao seu ministério público precedido pela pregação de João Batista (At 2, 22; 10, 37s; 13, 24-31);
-ressuscitado dentre os mortos, ponto alto de toda a pregação. A ressurreição revela o significado da existência de Jesus, de tal modo que o Evangelho (a Boa Nova) é essencialmente o anúncio da ressurreição. Diz São Paulo em Antioquia: “E nós vos anunciamos a Boa-Nova: Deus cumpriu para nós, os filhos, a promessa feita a nossos pais, ressuscitando a Jesus” (At 13, 22). Procurando resumir numa palavra a missão dos Apóstolos, Pedro diz que a sua tarefa principal é a de ser “testemunhas da ressurreição” (At 1, 22).

2.3 O CONCEITO DE MESSIAS
Notemos que os judeus do Antigo Testamento não tinham o conceito de um Messias que morreria e ressuscitaria. Esperavam, antes, a vinda do seu reino em poder e glória. Se, não obstante, a idéia da ressurreição do Messias logo após a sua morte foi apregoada por Pedro e seus companheiros, parece lógico admitir que os Apóstolos tiveram a experiência de um encontro pessoal com Cristo redivivo após a morte na cruz. Sem esta experiência, jamais teriam chegado a proclamar que Jesus ressuscitara dentre os mortos.
Com outras palavras: a idéia de um Messias não glorioso, mas crucificado, era “escândalo para os judeus” (cf. 1Cor 1, 23). O fato de que os Apóstolos a aceitaram, seria um enigma se não tivessem visto Jesus ressuscitado.
Observa-se mesmo que os Apóstolos, longe de imaginar que Jesus morto voltaria à vida, perderam o ânimo ao vê-lo presa de seus inimigos, e fugiram. Quando lhes foi dada a notícia da ressurreição, relutaram para aceitá-la; não estavam subjetivamente predispostos a conceber a vitória de Cristo sobre a morte. Fizeram-no, porém vencidos pela evidência objetiva do fato; cf. Jo 20, 9.19-29 (episódio de Tomé); Lc 24, 13-35 (os discípulos de Emaús); Lc 24, 36-43(Jesus nega ser mero espírito, dá a palpar mãos e pés).
Em outros termos: quem lê os Evangelhos, observa que as aparições de Jesus não se dão após uma expectativa ansiosa dos Apóstolos ou discípulos. Ao contrário, Jesus aparecia de maneira totalmente imprevista, quando os discípulos menos os esperavam.
Nas aparições, é Ele, e somente Ele, quem tem a iniciativa ou quem vai ao encontro… Jesus também desaparece imprevistamente, quando os Apóstolos desejariam tê-lo por mais tempo consigo. Estes dados tornam inaceitável a tese segundo a qual as aparições de Jesus não teriam sido senão subjetivas – visões que, após madura reflexão haveriam sugerido a interpretação; “Jesus ressuscitou”. Segundo os Evangelhos, os discípulos tiveram experiência imediata do Senhor Ressuscitado, que eles puderam identificar com o Crucificado.

2.4 O SEPULCRO VAZIO
O Texto de Mc 16, 1-8 fala das mulheres que encontraram vazio o sepulcro de Jesus na manhã de domingo. A mesma descoberta foi feita por Maria Madalena, segundo Jo 20, 1s, e por Pedro, conforme Lc 24, 12.
Perguntamos: qual o valor histórico destas narrações?
Admite-se a realidade do sepulcro vazio na base das seguintes razões:
1) Os Evangelhos dão a entender que Jesus foi sepultado por José de Arimatéia, homem rico, que se serviu de uma rocha ainda não utilizada para tal fim. Por conseguinte, o sepulcro de Jesus devia estar em lugar conhecido; a visita das mulheres ao túmulo correspondia bem aos costumes da época.
2) A notícia de que as mulheres encontraram vazio o sepulcro de Jesus, não pode ter sido forjada pela Igreja antiga; quem a inventasse, não teria apelado para dizeres de mulheres, já que as mulheres outrora eram tidas como testemunhas pouco fidedignas. Refere São Lucas que as mulheres, tendo encontrado o sepulcro vazio, “disseram isto aos Apóstolos, mas suas palavras pareceram-lhes um desvario e eles não acreditaram. Pedro, no entanto, pôs-se a caminho, e correu ao sepulcro. Debruçando-se, apenas viu as ligaduras e voltou para casa, admirado com o que sucedera” (Lc 24, 10-12).
3) Os inimigos de Jesus não negaram que o túmulo estivesse vazio, mas unicamente trataram de explicar o fato por vias diversas. Eis, por exemplo, o que se lê em Mt 28, 11-15:
“Enquanto as mulheres iam a caminho, alguns dos guardas foram à cidade participar aos príncipes dos sacerdotes tudo o que havia sucedido. Estes reuniram-se com os anciãos e, depois de terem deliberado, deram muito dinheiro aos soldados com esta recomendação: Dizei isto: os seus discípulos vieram de noite e roubaram-no enquanto dormíamos. E, se o caso chegar aos ouvidos do governador, nós o convenceremos e faremos com que os deixe tranquilos. Recebendo o dinheiro, eles fizeram como lhes tinham ensinado. E esta mentira divulgou-se entre os judeus até o dia de hoje”.
Vê-se, pois, que a tradição do sepulcro vazio é historicamente bem fundada. Ela tem sentido profundo para os cristãos. Sim; ela quer dizer que a mensagem da ressurreição de Jesus implica algo mais que o fato de que “a causa de Jesus continua” (Marxsen). Ela incute que existe continuidade entre o Crucificado e o Ressuscitado; a vida terrestre de Jesus não foi uma fase ultrapassada da existência de Cristo, mas continua presente no corpo do Senhor. O Cristo que ressuscitou, é o mesmo que morreu na cruz; possui o mesmo corpo, embora de maneira diversa.
Deve-se dizer também que a ressurreição de Jesus, à qual ninguém assistiu, deixou de si um sinal impressionante na história humana: o sepulcro vazio. Eis por que a questão do sepulcro vazio não é secundária ou pouco importante.

2.5. FATO HISTÓRICO
Há aqueles que, embora aceitem o que acaba de ser exposto, afirmam que a ressurreição de Jesus não foi um fato histórico. E por quê?
– Porque ninguém a viu ou a presenciou.
– Respondemos que, na verdade, ninguém viu Jesus ressuscitar na manhã do domingo de Páscoa; os Apóstolos encontraram o sepulcro já vazio. Todavia não se vê por que restringir o conceito de histórico aos fatos atestados por testemunhas oculares. Mais exato é definir como histórico todo evento que ocorre no tempo e no espaço. Ora, a ressurreição de Jesus aconteceu no tempo e no espaço; por isto deve ser tida como fato histórico. ¹A ressurreição de Cristo, embora se tenha dado sem testemunhas e no plano dos acontecimentos milagrosos, deixou na história os seus sinais ou os seus rastros a partir dos quais se cria a certeza – certeza moral, a certeza própria da historiografia – de que Jesus ressuscitou.
A insistência da Igreja antiga sobre a ressurreição no terceiro dia parece revelar a clara intenção de afirmar que a ressurreição foi um fato realmente histórico, a ponto de se poder indicar a respectiva data Tal intenção é muito clara no discurso de São Pedro proferido em casa do centurião Cornélio:
“Sabeis o que ocorreu em toda a Judéia, a começar pela Galiléia, depois do batismo que João pregou: como Deus ungiu com o Espírito Santo e com o poder a Jesus de Nazaré, o qual andou de lugar em lugar, fazendo o bem… E nós somos testemunhas do que Ele fez no país dos judeus e em Jerusalém. A Ele que mataram, suspendendo-O de madeiro, Deus ressuscitou-O ao terceiro dia e permitiu-lhe manifestar-se não a todo o povo, mas às testemunhas anteriormente designadas por Deus, a nós que comemos com Ele, depois da Sua ressurreição dentre os mortos. E mandou-nos pregar ao povo…” (At 10, 37-42).
Como se vê, a ressurreição ao terceiro dia é inserida entre os fatos históricos de que os Apóstolos e seus ouvintes são testemunhas.
É verdade que a certeza moral – a certeza da historiografia – ainda não é a certeza da fé. A fé pertence a outro plano; tem a sua origem e a sua motivação decisiva na atração interior que Deus exerce sobre a pessoa que Ele chama à fé. Todavia a certeza moral fornece a justificativa à razão do homem, fazendo que a adesão à fé na ressurreição seja um ato razoável, inteligente, digno, e não cego ou infantil, imaturo.

III. CONCLUSÃO
O Homem do século XX pode crer na ressurreição corporal de Cristo sem recear cair no infantilismo ou na mitologia. Quem nega a ressurreição, fá-lo não porque ela seja em si um absurdo ou porque não haja argumentos que a incutam, mas talvez por não ter refletido suficientemente sobre tais argumentos ou quiçá por nunca ter sido esclarecido a respeito dos mesmos. Quem, ao contrário, sem preconceitos, sem negar de antemão a possibilidade do milagre, estudar o assunto, perceberá que crer na ressurreição de Cristo é atitude correspondente às exigências da razão, para não se dizer “altamente razoável”.
De resto, quem professa as verdades da fé, aos poucos encontra nessa própria fé a demonstração de que não se enganou; a fé se comprova através da experiência ou da vivência respectiva.

Nota: ¹Imaginemos o caso de alguém que morre a sós durante a noite, sem a presença de um acompanhamento, ou de um suicida que se esconde para pôr fim à sua vida…Pode-se dizer que não são fatos históricos? Parece absurdo afirmar tal coisa, visto que são fatos ocorridos no tempo e no espaço.
O que é ressuscitar? Quem ressuscitará? Quando?
http://cleofas.com.br/o-que-e-ressuscitar-quem-ressuscitara-quando/
 
O Catecismo da Igreja ensina que:
“Na morte, que é separação da alma e do corpo, o corpo do homem cai na corrupção, ao passo que sua alma vai ao encontro de Deus, ficando à espera de ser novamente unida a seu corpo glorificado. Deus, em sua onipotência, restituirá definitivamente a vida incorruptível a nossos corpos, unindo-os às nossas almas, pela virtude da Ressurreição de Jesus” (§ 997).
“Todos os homens que morreram: “Os que tiverem feito o bem (sairão) para uma ressurreição de vida; os que tiverem praticado o mal, para uma ressurreição de julgamento” (Jo 5, 29). (§ 998)
“Definitivamente “no último dia” (Jo 6, 39-40.44-54); “no fim do mundo”. Com efeito, a ressurreição dos mortos está intimamente associada à Parusia de Cristo: Quando o Senhor, ao sinal dado, à voz do arcanjo e ao som da trombeta divina, descer do céu, então os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro (1Ts 4, 16)” (§ 1001).
De que maneira os mortos ressuscitam?
“Cristo ressuscitou com seu próprio corpo: “Vede as minhas mãos e os meus pés: sou eu!” (Lc 24, 39). Mas ele não voltou a uma vida terrestre. Da mesma forma, nele” ressuscitarão com seu próprio corpo, que têm agora”; porém, este corpo será  “transfigurado em corpo de glória”, em “corpo espiritual” .
“Mas, dirá alguém, como ressuscitam os mortos? Com que corpo voltam? Insensato! O que semeias não readquire vida a não ser que morra. E o que semeias não é o corpo da futura planta que deve nascer, mas um simples grão de trigo ou de qualquer outra espécie (…) Semeado corruptível, o corpo ressuscita incorruptível (…) os mortos ressurgirão incorruptíveis. (…) Com efeito, é necessário que este ser corruptível revista a incorruptibilidade e que este ser mortal revista a imortalidade (1Cor 15, 35-37.42.44.52-53)” (§ 999).
A Igreja sabe que haverá a ressurreição da carne; as almas de todos os homens se unirão a seus corpos no Último Dia, mas não sabe “como” isso será; ultrapassa nossa imaginação e nosso entendimento, sendo acessível só na fé. Mas, nossa participação na Eucaristia já nos dá um antegozo da transfiguração de nosso corpo por Cristo, como disse Santo Irineu (†202):
“Assim como o pão que vem da terra, depois de ter recebido a invocação de Deus, não é mais pão comum, mas Eucaristia, Constituída por duas realidades, uma terrestre e a outra celeste, da mesma forma os nossos corpos que participam da Eucaristia não são mais corruptíveis, pois têm a esperança da ressurreição” (Adv. Haer. 4.18,5).
De certo modo, já ressuscitamos com Cristo. Pois, graças ao Espírito Santo, a vida cristã é, já agora na terra, uma participação na morte e na ressurreição de Cristo, como disse São Paulo:
“Fostes sepultados com Ele no Batismo, também com Ele ressuscitastes, pela fé no poder de Deus, que o ressuscitou dos mortos. (…) Se, pois, ressuscitastes com Cristo, procurai as coisas do alto, onde Cristo está sentado à direita de Deus (Cl 2, 12; 3, 1)… mas esta vida permanece “escondida com Cristo em Deus” (Cl 3, 3). “Com ele nos ressuscitou e fez-nos sentar nos céus, em Cristo Jesus” (Ef 2, 6).
A recomposição (ressurreição da carne) dar-se-á no fim dos tempos, quando Cristo voltar em sua Parusia ou plena manifestação para consumar a história. E o que ensina o Apóstolo em 1Cor 15, 22s:
“Assim como todos morrem em Adão, todos receberão a vida em Cristo. Cada um, porém, na sua ordem: como primícias, Cristo; depois, aqueles que pertencem a Cristo, por ocasião da sua vinda (Parusia)”.
“Quando o Senhor, ao sinal dado, à voz do arcanjo e ao som da trombeta divina, descer do céu, então os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro; em segundo lugar, nós, os vivos…, seremos arrebatados com eles nas nuvens para o encontro com o Senhor”.
“Sabemos, com efeito, que ao se desfazer a tenda que habitamos neste mundo, recebemos uma casa preparada por Deus e não por mãos humanas, uma habitação eterna no céu. E por isto suspiramos e anelamos ser sobrevestidos da nossa habitação celeste, contanto que sejamos achados vestidos e não despidos. Pois, enquanto permanecemos nesta tenda, gememos oprimidos: desejamos ser não despojados, mas revestidos com uma veste nova por cima da outra, de modo que o que há de mortal em nós seja absorvido pela vida” (2Cor 5, 1-4).
A alma humana, sendo espiritual e imortal, sobrevive  independentemente do corpo e recebe a sua sorte definitiva, no juízo particular, até a consumação dos tempos: a ausência do corpo não a impede de ter consciência lúcida. Quando Cristo retornar a alma humana receberá o corpo, porém numa nova dimensão de vida.
“Na ressurreição nem eles se casam nem elas se dão em casamento, mas são todos como os anjos no céu” (cf. Mt 22, 30).
A tese da reencarnação é contrária à da ressurreição, pois supõe que a matéria seja má; nela o indivíduo expia faltas de existências anteriores; reencarna-se em castigo de seus pecados, muitas vezes se necessário. A verdadeira felicidade consistiria em livrar-se da matéria ou desencarnar-se definitivamente. A Igreja sempre lutou contra o maniqueísmo gnóstico que considerava a matéria má, como se fosse obra de um deus mau. Na crença da ressurreição a Igreja valoriza tanto o corpo quanto a alma. Além disso, se a pessoa se salva pela reencarnação, então, não precisa da Redenção de Cristo. Isto esvazia o cristianismo.
Dom Estevão Bittencourt ensina que:
“Para que haja a ressurreição não se requer que Deus recolha a poeira dos cadáveres a fim de com ela plasmar de novo os corpos. Lembremo-nos de que, já durante a vida terrestre de um homem, a matéria do respectivo corpo se vai renovando lentamente, de modo que, de sete em sete anos, cada qual tem outra constituição material; não obstante, esta é realmente o mesmo corpo do indivíduo… Deus pode reconstituir o corpo de uma pessoa falecida a partir do que os filósofos chamam “matéria prima”; esta, reunida à alma desse indivíduo, torna-se o corpo mesmo de tal pessoa, com as suas notas típicas, visto que a identidade da alma propicia a identidade das características do respectivo corpo (tal processo tem sua analogia no fato de que o metabolismo de um homem mortal incorpora ao organismo respectivo matéria nova; esta vem a ser o corpo típico de tal pessoa porque passa a ser animada pelo mesmo principio vital ou pela mesma alma). — O corpo dos justos ressuscitados é certamente glorioso, semelhante ao corpo de Jesus, mas conserva as características morfológicas do corpo mortal”.

Ser mãe: missão para a vida!

Os desafios de uma sociedade que passa por mudanças é uma das maiores preocupações trazidas pelas mulheres ao buscarem a maternidade. Inseguranças, desejos, expectativas sobre os filhos, futuro: uma imensidão de pensamentos invade o imaginário das futuras mamães ou daquelas que fazem esse plano. Mas, vamos pensar juntos: será que existe um “modelo ideal de mãe”?
A missão de mãe da mulher inicia-se no momento da concepção, a partir disso, todos os ideais vão sendo construídos. Não existe a mãe ideal, mas sim a mãe possível e disponível; isso, sim, é importante! Muitas vezes, constrói-se o ideal da “mãe perfeita”, da “mãe que não erra”.
Mas o que seria positivo para a criação de um filho? Ter o equilíbrio para cuidar dele, para protegê-lo, para educá-lo, para apoiá-lo, para prover-lhe as necessidades físicas e materiais, mas, especialmente, para prover as necessidades de afeto. Dar o consolo necessário, estar disponível e disposta a olhar, a conversar, ser empática, ou seja, a entender ou a colocar-se no lugar dos filhos e do seu momento de vida são algumas das formas de construir a missão de ser mãe.
É claro que a vida não é estática nem oferece condições que fazem com que tudo esteja bem o tempo todo: para isso, é necessário que saibamos nos observar para não transferirmos as experiências negativas vividas em nossa formação para a formação de nosso filho. Como diz o título de um livro, é importante que cada mãe possa “falar para seu filho ouvir e ouvir para seu filho falar (do livro: Falar para seu filho ouvir e ouvir para seu filho falar de Adele Faber e Elaine Mazlish). Recusar os sinais que ele dá, não olhar nos olhos dele, desconfiar dele, não dar peso às coisas que ele fala, não o ajuda em nada. É importante que saibamos ensinar, mas que também saibamos confiar e dar autonomia e possibilidade para que nosso filho amadureça com pessoa.
Estar bem emocionalmente faz que possamos contribuir para o crescimento e o desenvolvimento saudável de nossos filhos do ponto de vista psicológico. Faço aqui uma observação especial para as mães: cuide dos outros, mas também cuide de si. Viver em harmonia com sua dimensão espiritual, afetiva, social, biológica, é essencial para que você possa cuidar bem dos outros e consiga lidar com as alegrias, tristezas, conquistas e dificuldades próprias da vida. Lembre-se de que, em primeiro lugar, você é mulher, e com isso, toda a beleza do ser mulher virá com esses cuidados, que depois se farão extensão ao cuidado com o outro, com seu marido, com os filhos.
Mães aprendem a todo momento: desde o choro do bebê que identifica fome ou dor, aprendem também a ligação íntima e profunda que têm com seus filhos. Aprendem pela experiência do ser mãe e, sendo mães, reformulam, superam e vivem positivamente conflitos passados em sua vida. Há uma ligação tão profunda e poderosa existente entre mães e filhos que esta sobrevive para sempre em algum lugar muito além das palavras e é algo de uma beleza indescritível.
Você, mãe, trocaria essa beleza e o poder dessa ligação materna por alguma coisa?
Ser mãe é ser a todo tempo, a toda hora, sem limites. Os limites de uma mãe sempre serão testados, colocados à prova, mas o dom, o amor e a missão farão sempre com que esta supere tudo aquilo que seja lhe dado como prova, bem como a fará experimentar todas as alegrias que esta missão lhe concede!
Muito obrigada a você, mãe, por este e por todos os dias de sua missão!

A importância da mãe e da maternidade

A missão mais sublime que Deus confiou à mulher
Prof. Felipe Aquino / felipeaquino@cancaonova.com

É tão grande a missão da mãe e do pai na vida dos filhos que Deus nos deu o Mandamento “Honrar pai e mãe”; o primeiro que encabeça a segunda Tábua das Leis.  O livro do Eclesiástico diz que “Deus quis honrar os pais pelos filhos, e cuidadosamente fortaleceu a autoridade da mãe sobre eles” (Eclo 3, 3). “Quem teme ao Senhor honra pai e mãe. Servirá aqueles que lhe deram a vida como a seus senhores” (v. 8).

A missão da mãe está ligada diretamente à vida. Ela gera e educa o filho para a sociedade e para Deus. Por isso, a maior contradição é uma mãe abortar seu filho. A mãe é a grande defensora da vida, desde a concepção até a morte natural do filho. A criatura mais desnaturada, mais perversa, é a mãe que rejeita o próprio filho.

A mãe é a primeira educadora do homem; ela o molda para viver as virtudes, o amor ao próximo, a civilidade, e desenvolver todos os seus talentos para o bem próprio e dos outros.

“Educar é uma obra do coração”, dizia Dom Bosco, por isso a mãe tem o primado do amor. Com paciência e perícia ela vai tirando os maus hábitos do filho e fomentando as virtudes dele. Michel Quoist afirmava “que não é para si que os homens educam os seus filhos, mas para os outros e para Deus”.

Educar é colaborar com Deus, e é na educação dos filhos que se revelam as virtudes da mãe. Sem o carinho e a atenção da mãe a criança certamente crescerá carente de afeto e desorientada para a vida. Sem experimentar o amor materno o homem futuro será triste.

É no colo da mãe que a criança aprende o que é a fé, aprende a rezar e a amar a Deus e as pessoas. A maioria das pessoas que se dizem ateias, ou avessas à religião, não receberam a fé no colo de suas mães; porque é na primeira infância que o homem tem o seu primeiro e fundamental encontro com Deus.

É no colo da mãe que o homem de amanhã deve aprender o que é a retidão, o caráter, a honestidade, a bondade, a pureza de coração. É no colo materno que a criança aprende a respeitar as pessoas, a ser gentil com os mais velhos, a ser humilde e simples e a não desprezar ninguém.

É no colo da mãe que o filho aprende a caridade, a vida pura na castidade, o domínio de todas as paixões desordenadas e a rejeitar todos os vícios. É a mãe, com seu jeito doce e suave, que vai retirando da sua “plantinha” que cresce a erva daninha da preguiça, da desobediência, da má-criação, dos gestos e palavras inconvenientes. É ela quem vai ensinando a criança a perdoar, a superar os momentos de raiva sem revidar, a não ter inveja dos outros que têm mais bens e dinheiro. É a mãe que, nas primeiras tarefas do lar, lhe ensina o caminho redentor do trabalho e da responsabilidade. A mãe é a grande combatente do pecado original.

Até o Filho de Deus quis ter uma Mãe para cumprir a missão de salvar a humanidade; e Ele fez o primeiro milagre nas Bodas de Caná exatamente porque ela Lhe pediu. Por isso, cada mãe é um sinal de Maria, que ensina seu filho a viver de acordo com a vontade de Deus.

Infelizmente o secularismo, que tomou conta do mundo atual e expulsa Deus da sociedade, das famílias, das escolas e das instituições, desvalorizou a maternidade, enterrou seus imensos valores e empanou o brilho de sua grandeza. Hoje, muitas e muitas mulheres, inclusive católicas, já não querem ser mães, ou então têm receio da maternidade, como se não fosse uma bênção a acolher.

O Catecismo da Igreja Católica (CIC) diz que: “A Sagrada Escritura e a prática tradicional da Igreja veem nas famílias numerosas um sinal da bênção divina e da generosidade dos pais” (CIC § 2373; GS 50, 2). E afirma que “os filhos são o dom mais excelente do matrimônio e constituem um benefício máximo para os próprios pais” (CIC § 2378).

Como, então, rejeitar os filhos, se são uma bênção de Deus? Será que o medo e o comodismo estão superando a nossa fé? Será que Deus não cuidará mais daqueles a quem Ele deseja lhes dar a vida?

Nunca me esqueci do que um homem pobre me disse quando eu era ainda jovem e solteiro. Tinha nascido seu oitavo filho e ele me contava que estava tão mal financeiramente que, no dia do batismo, o padrinho da criança pediu para levar o afilhado para criar. Ao que o pai lhe disse: “Não, Deus dá, Deus cria”. E depois desse ainda teve muitos outros filhos. A mãe desses filhos – os Guatura – ainda é viva com seus noventa anos na cidade de Lorena (SP). É a maior prova de que a maternidade faz muito bem à vida e à saúde da mulher.

O Salmo 126 diz com todas as letras: “Vede, os filhos são um dom de Deus: é uma recompensa o fruto das entranhas”. “Feliz o homem que assim encheu sua aljava […]” (Sl 126, 3-5). Ainda cremos nessa palavra de Deus? Vitor Hugo declarou que “um lar sem filhos é como uma colmeia sem abelhas”; acaba ficando sem a doçura do mel.

Na “Carta às Famílias” (CF) o saudoso Papa João Paulo II denunciou o perigo do mundo que vive hoje buscando só o prazer: “Visando exclusivamente ao prazer, pode chegar até a matar o amor, matando o seu fruto. Para a cultura do prazer, o “fruto bendito do teu ventre” (cf. Lc 1, 42) torna-se, em certo sentido, um “fruto maldito” (CF, 21).

São Paulo diz que a mulher tem na maternidade um meio poderoso de sua salvação, embora não seja, é claro, o único: “A mulher será salva pela maternidade, contanto que permaneça com modéstia na fé, na caridade e na santidade” (1Tm 2, 15).

No Dia das Mães é preciso que cada mulher, especialmente a mulher católica, medite profundamente sobre a missão de ser mãe, a mais sublime que Deus confiou à mulher.

 

Toda mãe traz os traços de Maria
O amor materno é capaz de apoiar os filhos
Sandro Ap. Arquejada

Ser mãe vem ao encontro da plenitude do ser feminino. Toda mulher é chamada a gerar um novo ser humano, seja física ou espiritualmente. Com Maria, Mãe de Jesus, também foi assim. Ela foi escolhida por Deus para uma gravidez incomum, em que o fruto de seu ventre traria a vida eterna para toda a humanidade. Para isso Nossa Senhora contou com auxílio do Céu, nasceu imaculada, para o propósito divino de ser geradora do Salvador, mas o Pai dotou-a de virtudes naturais que são inerentes ao ser mulher e que, na maior parte dos acontecimentos de sua vida, ela dispôs do que lhe era humano para que o plano do Altíssimo acontecesse. Desde a Anunciação, em que ela abre mão de seus planos de constituir uma família, até o Pentecostes, evento em que ela está firme e perseverante na oração junto aos apóstolos, o ministério de Jesus é marcado pela presença dela. Como então separar Maria do ministério do Cristo? É nesse caminhar junto, dispondo da energia natural ao que é vontade de Deus, que acontece a maternidade espiritual. Ser mãe é ser Maria na vida dos filhos, que não apenas os traz ao mundo, mas os encaminha para sua missão, indicando o que é nobre, justo e verdadeiro. O amor do coração materno as impulsiona a estarem sempre presentes na vida dos filhos, não somente de forma física ou tomando-os como propriedades, mas vislumbrando na maternidade de Maria, como educar para o crescimento em estatura, sabedoria e graça diante de Deus e diante dos homens. O grande milagre da vida realiza-se quando o sopro amoroso da existência, vindo de Deus, perpassa o ser de alguém que se desfaz de si para elevar o pequeno e indefeso até a grandiosidade de sua missão neste mundo. Se foi tão importante para Nosso Salvador Jesus Cristo ter a presença materna até a vinda do Espírito Santo é porque o amor materno é capaz de apoiar os filhos de forma extraordinária na realização de um desígnio de vida. Obrigado a todas as mães por serem Maria em nossas vidas! Um feliz Dia das Mães e abençoado mês de Maria.

 

Profissão Mãe

Uma mulher chamada Ana foi renovar sua carteira de motorista. Pediram-lhe para informar qual era sua profissão. Ela hesitou, sem saber como se classificar.

– O que eu pergunto é se tem algum trabalho, insistiu o funcionário.

– Claro que tenho um trabalho, exclamou Ana. Sou mãe, disse.

– Nós não consideramos mãe um trabalho. Vou colocar dona de casa, disse o funcionário friamente.

Não voltei a lembrar-me desta história até o dia em que me encontrei em situação idêntica. A pessoa que me atendeu era obviamente uma funcionária de carreira, segura, eficiente, dona de um título sonante.

– Qual é a sua ocupação, perguntou.

Não sei o que me fez dizer isto. As palavras simplesmente saltaram-me da boca para fora:

– Sou Doutora em desenvolvimento infantil e em relações humanas, falei à funcionária.

A funcionária fez uma pausa, a caneta de tinta permanente a apontar pra o ar, e olhou-me como quem diz que não ouviu bem. Eu repeti pausadamente, enfatizando as palavras mais significativas.

Então reparei, maravilhada, como ela ia escrevendo, com tinta preta, no questionário oficial.

– Posso perguntar disse-me ela com novo interesse: o que faz exatamente?

Calmamente, sem qualquer traço de agitação na voz, ouvi-me responder:

– Desenvolvo um programa de longo prazo (qualquer mãe faz isso), em laboratório e no campo experimental (normalmente eu teria dito dentro e fora de casa). Sou responsável por uma equipe (minha família), e já recebi quatro projetos (todas meninas). Trabalho em regime de dedicação exclusiva (alguma mulher discorda?). O grau de exigência é a nível de 14 horas por dia (para não dizer 24).

Houve um crescente tom de respeito na voz da funcionária, que acabou de preencher o formulário, se levantou, e pessoalmente abriu-me a porta. Quando cheguei em casa, com o título da minha carreira erguido, fui recebida pela minha equipe: uma com 13 anos, outra com 7 e outra com 5. Do andar de cima, pude ouvir meu novo experimento – um bebê de seis meses – testando uma nova tonalidade de voz. Senti-me triunfante!

Maternidade… Que carreira gloriosa!

Assim, as avós deviam ser chamadas doutora-sênior em desenvolvimento infantil e em relações humanas, as bisavós doutora-executiva-sênior em desenvolvimento infantil e em relações humanas e as tias doutora-assistente.

Uma homenagem carinhosa a todas as mulheres, mães, esposas, amigas, companheiras, doutoras na arte de fazer a vida melhor!

 

AS MÃES NA VIDA DA IGREJA
São as primeiras transmissoras da fé
Dom Canísio Klaus, Bispo Diocesano de Santa Cruz do Sul – RS

A Igreja Católica, desde seus primórdios, tem na mãe um amparo seguro para sua fé. O exemplo típico é Maria, a Mãe de Jesus, que estava presente junto aos apóstolos no momento em que o Espírito Santo desceu sobre eles no domingo de Pentecostes. O Documento de Aparecida diz que “Maria é a presença materna indispensável e decisiva na gestação de um povo de filhos e irmãos, de discípulos e missionários de seu Filho” (nº 524). A partir da Santíssima Virgem Maria, muitas outras mães marcaram a caminhada da Igreja. Mães do estilo de Santa Mônica, que derramou muitas lágrimas para que seu filho abandonasse a vida desregrada que estava levando e se transformasse no grande teólogo e doutor da Igreja, Santo Agostinho. Mães como Santa Rita de Cássia, que sofreu os maus-tratos do marido e, depois de viúva, entrou para a vida religiosa. Mães do estilo de Santa Isabel de Portugal, que na condição de rainha entregou seus bens pessoais aos necessitados e viveu na pobreza voluntária. Mães de papas, bispos, padres e religiosas. Mães catequistas, animadoras de comunidades e dinamizadoras do serviço da caridade. Mães dedicadas à transmissão da fé para seus filhos e solícitas companheiras para seus consortes, também na motivação para a prática religiosa. O Documento de Aparecida reconhece que as mulheres “constituem, geralmente, a maioria de nossas comunidades. São as primeiras transmissoras da fé e colaboradoras dos pastores”. Por isso, “é urgente valorizar a maternidade como missão excelente das mulheres”. A mãe “é insubstituível no lar, na educação dos filhos e na transmissão da fé” (456). Por ocasião do Dia das Mães deste ano, queremos manifestar a nossa gratidão às inúmeras mães que assumem a sua fé na família e na comunidade. Queremos manifestar a nossa solidariedade às mães que sofrem por verem seus filhos trilhando o caminho das drogas e da violência. Manifestar o nosso apoio às mães que lutam para que seus filhos desenvolvam autênticos valores de vida e fé. Manifestar o nosso incentivo às mães que se empenham para que, conforme nos alertava a Campanha da Fraternidade, a vida possa continuar a seguir o seu normal rumo idealizado por Deus no momento da criação. Manifestar o nosso reconhecimento às mães que assumem sozinhas a educação dos filhos, pelo fato de terem sido abandonadas ou por terem se tornado viúvas. Manifestar a nossa admiração para com as mães que já são avós e que têm a graça de conviver com os filhos dos seus filhos. Finalmente, queremos parabenizar a todas vocês mães! Que Deus as abençoe e lhes dê muitas alegrias por intermédio dos filhos que geraram! Parabéns!

 

A minha mãe em seu dia…

Algo muito bom deve ser uma Mãe, quando até mesmo Deus quis ter a Sua.

Assim é uma Mãe

Doce… quando nos olha.
Terna… quando nos acaricia.
Amorosa… quando nos beija.
Transparente… quando nos fala.
Sábia… quando nos aconselha.
Calada… ante nossas incompreensões.
Paciente… ante nossas rebeldias.
Branda… ante nossos rogos.
Confidente… de nossos segredos.
Alento… de nossas aspirações.
Consolo… de nossos pesares.
Um Anjo… para cuidar-nos.
Valente… para defender-nos.
Abnegada… até o sacrifício.
Um pequeno deus… para compreender-nos e perdoar-nos.

Angel Ramos

Felicidades! Mãe venerada!

Aqui estou contigo. Se me dedicaste tantos anos, como não dedicar-te, íntegro, este dia.

A Igreja é mãe e tem como modelo Maria

Aspecto maternal

Quarta-feira, 3 de setembro de 2014, Da Redação, com Rádio Vaticano

Santo Padre falou aos fiéis sobre a maternidade da Igreja, que alimenta seus filhos a cada dia com a Palavra de Deus

O cristão não é órfão, pois encontra na Igreja e em Maria uma mãe. Essa foi, em síntese, a reflexão do Papa Francisco que, na catequese desta quarta-feira, 3, voltou a refletir sobre o aspecto maternal da Igreja, que tem por modelo a Virgem Maria.

A maternidade da Igreja, disse o Papa, coloca-se em continuidade com a maternidade de Maria, como seu prolongamento na história. “Olhando Maria, descobrimos a face mais bela e terna da Igreja. Olhando para a Igreja, reconhecemos os traços sublimes de Maria. Mas nós cristãos não somos órfãos. Nós temos uma mãe. Temos mãe. E isso é grandioso. Não somos órfãos. A Igreja é mãe. Maria é mãe”.

Francisco explicou que a Igreja é mãe porque gerou cada um no batismo e desde então faz com que os fiéis cresçam na fé com a força da Palavra de Deus.  A maternidade da Igreja se expressa de modo peculiar nesse serviço de evangelização, pois a mostra como uma mãe preocupada em dar aos seus filhos o alimento espiritual que frutifica a vida cristã. Por isso mesmo, cada um é chamado a acolher a Palavra de Deus proposta pela Igreja.

“Somente a Palavra de Deus tem esta capacidade de nos transformar no mais profundo. A Palavra de Deus tem este poder. E quem nos dá a Palavra de Deus? A Mãe Igreja. Ela nos amamenta desde pequenos com esta Palavra. E nos ensina toda a vida com esta Palavra. E isso é grandioso. É justamente a Mãe Igreja que, com a Palavra de Deus, nos transforma por dentro”.

O Santo Padre destacou ainda que o Evangelho e os sacramentos orientam as opções de vida. Diante dos perigos do mundo, a Igreja defende seus filhos com a coragem de uma mãe e pede que sejam vigilantes em relação às seduções malignas.

“A Igreja tem a coragem de uma mãe que sabe ter o dever de defender os próprios filhos dos perigos, que derivam da presença de satanás no mundo, para levá-los ao encontro com Jesus. Uma mãe sempre defende os seus filhos. Esta defesa consiste também em exortar à vigilância: vigiar contra o engano e a sedução do maligno. Porque mesmo que Deus tenha vencido satanás, ele sempre volta com as suas tentações como leão que ruge ao nosso redor procurando nos devorar”.

Recordando que a Igreja é formada não só pelo clero, mas por todos os batizados, o Papa Francisco concluiu a catequese pedindo a Maria que ensine os fiéis a imitarem sua solicitude pelo bem dos irmãos, com a capacidade sincera de acolher, perdoar e infundir coragem e esperança.

 

CATEQUESE

Queridos irmãos e irmãs, bom dia.

Nas catequeses anteriores, tivemos a oportunidade de confirmar uma vez mais que não nos tornamos cristãos por si só, isso é, com as próprias forças, de modo autônomo, nem nos tornamos cristãos em laboratório, mas se gerados e feitos crescer na fé dentro daquele grande corpo que é a Igreja. Neste sentido, a Igreja é realmente mãe, a nossa mãe Igreja – é belo dizer assim: a nossa mãe Igreja – uma mãe que nos dá a vida em Cristo e que nos faz viver com todos os outros irmãos na comunhão do Espírito Santo.

1. Nesta sua maternidade, a Igreja tem como modelo a Virgem Maria, o modelo mais belo e mais alto que se pode ter. É o que as primeiras comunidades já colocaram à luz e o Concílio Vaticano II expressou de modo admirável (cfr Const. Lumen gentium, 63-64). A maternidade de Maria é certamente única, singular, e se realizou na plenitude dos tempos, quando a Virgem deu à luz o Filho de Deus, concebido por obra do Espírito Santo. E, todavia, a maternidade da Igreja coloca-se propriamente em continuidade com aquela de Maria, como um prolongamento seu na história. A Igreja, na fecundidade do Espírito, continua a gerar novos filhos em Cristo, sempre na escuta da Palavra de Deus e na docilidade ao seu desígnio de amor. A Igreja é mãe. O nascimento de Jesus no seio de Maria, de fato, é o início do nascimento de cada cristão no seio da Igreja, do momento que Cristo é o primogênito de uma multidão de irmãos (cfr Rm 8, 29) e o nosso primeiro irmão Jesus nasceu de Maria, é o modelo, e todos nós nascemos na Igreja. Compreendemos, então, como a relação que une Maria e a Igreja é tão profunda: olhando para Maria, descobrimos a face mais bela e mais terna da Igreja; e olhando para a Igreja reconhecemos os traços sublimes de Maria. Nós, cristãos, não somos órfãos, temos uma mãe, temos uma mãe, e isto é grandioso! Não somos órfãos! A Igreja é mãe, Maria é mãe.

2. A Igreja é nossa mãe porque nos gerou no Batismo. Toda vez que batizamos uma criança, torna-se filho da Igreja, entra na Igreja. E daquele dia, como uma mãe atenta, nos faz crescer na fé e nos indica, com a força da Palavra de Deus, o caminho de salvação, defendendo-nos do mal.

A Igreja recebeu de Jesus o tesouro precioso do Evangelho não para retê-lo para si, mas para doá-lo generosamente aos outros, como faz uma mãe. Neste serviço de evangelização, manifesta-se de modo peculiar a maternidade da Igreja, empenhada, como uma mãe, em oferecer aos seus filhos o alimento espiritual que alimenta e faz frutificar a vida cristã. Todos, portanto, somos chamados a acolher com mente e coração abertos a Palavra de Deus que a Igreja a cada dia oferece, porque esta Palavra tem a capacidade de nos mudar de dentro. Somente a Palavra de Deus tem esta capacidade de nos mudar bem de dentro, das nossas raízes mais profundas. A Palavra de Deus tem esse poder. E quem nos dá a Palavra de Deus? A mãe Igreja. Ela nos amamenta desde criança com esta Palavra, ensina-nos durante toda a vida com esta Palavra e isto é grandioso! É justamente a mãe Igreja que, com a Palavra de Deus, nos muda de dentro. A Palavra de Deus que nos dá a mãe Igreja transforma-nos, torna a nossa humanidade não palpitante segundo a mundanidade da carne, mas segundo o Espírito.

Na sua solicitude materna, a Igreja se esforça em mostrar aos crentes o caminho a percorrer para viver uma existência fecunda de alegria e de paz. Iluminados pela luz do Evangelho e apoiados pela graça dos Sacramentos, especialmente a Eucaristia, nós podemos orientar as nossas escolhas para o bem e atravessar com coragem e esperança os momentos de escuridão e os sentimentos mais tortuosos. O caminho de salvação, através do qual a Igreja nos guia e nos acompanha com a força do Evangelho e o apoio dos Sacramentos, nos dá a capacidade de nos defendermos do mal. A Igreja tem a coragem de uma mãe que sabe ter que defender os próprios filhos dos perigos que derivam da presença de satanás no mundo, para levá-los ao encontro com Jesus. Uma mãe sempre defende os filhos. Esta defesa consiste também em exortar à vigilância: vigiar contra o engano e a sedução do maligno. Porque mesmo que Deus venceu satanás, este volta sempre com as suas tentações; nós sabemos disso, todos nós somos tentados, fomos tentados e somos tentados. Satanás vem “como leão que ruge” (1 Pt 5, 8), diz o apóstolo Pedro, e cabe a nós não sermos ingênuos, mas vigiar e resistir firmes na fé. Resistir com os conselhos da mãe Igreja, resistir com a ajuda da mãe Igreja, que como uma boa mãe sempre acompanha os seus filhos nos momentos difíceis.

3. Queridos amigos, esta é a Igreja, esta é a Igreja que todos amamos, esta é a Igreja que eu amo: uma mãe que tem no coração o bem dos próprios filhos e que é capaz de dar a vida por eles. Não devemos nos esquecer, porém, que a Igreja não é só os padres, ou nós bispos, não, somos todos! A Igreja somos todos! De acordo? E também nós somos filhos, mas também mães de outros cristãos. Todos os batizados, homens e mulheres, juntos somos a Igreja. Quantas vezes nas nossas vidas não damos testemunho desta maternidade da Igreja, desta coragem materna da Igreja! Quantas vezes somos covardes! Confiemo-nos, então, a Maria, para que Ela, como mãe do nosso irmão primogênito, Jesus, nos ensine a ter o seu mesmo espírito materno nos confrontos dos nossos irmãos, com a capacidade sincera de acolher, de perdoar, de dar força e de infundir confiança e esperança. É isto o que faz uma mãe.

Santo Evangelho (Jo 6, 44-51)

3ª Semana da Páscoa – Quinta-feira 04/05/2017 

Primeira Leitura (At 8,26-40)
Leitura dos Atos dos Apóstolos.

Naqueles dias, 26um anjo do Senhor falou a Filipe, dizendo: “Prepara-te e vai para o sul, no caminho que desce de Jerusalém a Gaza. O caminho é deserto”. Filipe levantou-se e foi. 27Nisso apareceu um eunuco etíope, ministro de Candace, rainha da Etiópia, e administrador geral do seu tesouro, que tinha ido em peregrinação a Jerusalém. 28Ele estava voltando para casa e vinha sentado no seu carro, lendo o profeta Isaías. 29Então o Espírito disse a Filipe: “Aproxima-te desse carro e acompanha-o”. 30Filipe correu, ouviu o eunuco ler o profeta Isaías e perguntou: “Tu compreendes o que estás lendo?” 31O eunuco respondeu: “Como posso, se ninguém mo explica?” Então convidou Filipe a subir e a sentar-se junto a ele. 32A passagem da Escritura que o eunuco estava lendo era esta: “Ele foi levado como ovelha ao matadouro; e qual um cordeiro diante do seu tosquiador, ele emudeceu e não abriu a boca. 33Eles o humilharam e lhe negaram justiça; e seus descendentes, quem os poderá enumerar? Pois sua vida foi arrancada da terra”. 34E o eunuco disse a Filipe: “Peço que me expliques de quem o profeta está dizendo isso. Ele fala de si mesmo ou se refere a algum outro?” 35Então Filipe começou a falar e, partindo dessa passagem da Escritura, anunciou Jesus ao eunuco. 36Eles prosseguiam o caminho e chegaram a um lugar onde havia água. 37Então o eunuco disse a Filipe: “Aqui temos água. O que impede que eu seja batizado?” 38O eunuco mandou parar o carro. Os dois desceram para a água e Filipe batizou o eu­nuco. 39Quando saíram da á­gua, o Espírito do Senhor arrebatou a Filipe. O eunuco não o viu mais e prosseguiu sua viagem, cheio de alegria. 40Filipe foi parar em Azoto. E, passando adiante, evan­gelizava todas as cidades até chegar a Cesareia.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Responsório (Sl 65)

— Aclamai o Senhor Deus, ó terra inteira.
— Aclamai o Senhor Deus, ó terra inteira.

— Nações, glorificai ao nosso Deus, anunciai em alta voz o seu louvor! É ele quem dá vida à nossa vida, e não permite que vacilem nossos pés.

— Todos vós que a Deus temeis, vinde escutar: vou contar-vos todo bem que ele me fez! Quando a ele o meu grito se elevou, já havia gratidão em minha boca!

— Bendito seja o Senhor Deus que me escutou, não rejeitou minha oração e meu clamor, nem afastou longe de mim o seu amor!

 

Evangelho (Jo 6,44-51)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo João.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, disse Jesus à multidão: 44“Ninguém pode vir a mim, se o pai que me enviou não o atrai. E eu o ressuscitarei no último dia. 45Está escrito nos Profetas: ‘Todos serão discípulos de Deus’. Ora, todo aquele que escutou o Pai e por ele foi instruído, vem a mim. 46Não que alguém já tenha visto o Pai. Só aquele que vem de junto de Deus viu o Pai. 47Em verdade, em verdade vos digo, quem crê possui a vida eterna. 48Eu sou o pão da vida. 49Os vossos pais comeram o maná no deserto e, no entanto, morreram. 50Eis aqui o pão que desce do céu: quem dele comer, nunca morrerá. 51Eu sou o pão vivo descido do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão que eu darei é a minha carne dada para a vida do mundo”.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

 

A IGREJA CATÓLICA CELEBRA E VENERA HOJE
São Floriano, padroeiro dos bombeiros 

Muitos optavam por salvar a própria pele, mas Floriano optou pelo amor a Jesus Cristo

Pertenceu a um grupo de militares que serviam ao império romano. O imperador era Diocleciano que, influenciado por um genro, passou a ter um grande preconceito e ódio ao Cristianismo, a ponto de estabelecer um edito onde dizia que a Palavra de Deus escrita devia ser queimada e os cristãos, quando identificados, precisavam oferecer sacrifícios aos ‘deuses’ em sinal de adoração.

Muitos optavam por testemunhar Jesus até o último instante a renunciar sua fé no Cristo. Outros para salvar a própria pele, abandonavam a Igreja, Jesus e a comunidade. A opção de Floriano foi pelo amor a Cristo.

A ordem do Imperador chegou até ele e em nome de 40 soldados cristãos, ele manifestou-se, denunciando toda aquela ignorância e injustiça. Aquilino, que devia defendê-los pois comandava o pelotão, ao contrário, entregou todos aqueles militares. E aqueles soldados tiveram que optar pelo imperador ou por Cristo. Para servir a Cristo, é preciso testemunhá-lo. E a perseguição não demora a vir.

Floriano teve uma corda amarrada ao seu pescoço e foi lançado ao rio e morreu afogado. E todos os outros soldados também foram martirizados.

São Floriano, rogai por nós!

 

Cardeal Müller adverte o perigo de adaptar a Igreja ao estilo de vida pagão

Cardeal Gerhard Müller – Foto: Daniel Ibáñez (ACI Prensa)

WASHINGTON DC, 04 Ago. 15 / 12:30 pm (ACI).- O Cardeal Gerhard Müller, Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, falou firmemente contra os intentos por adaptar os ensinos da Igreja a estilos de vida pagãos que se difundem na sociedade de hoje, pois introduz a arbitrariedade e o subjetivismo.

Numa entrevista ao jornal Católico ‘Die Tagespost’, no dia 6 de junho, o prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé explicou que colocar “qualquer forma de vida” ao mesmo nível das escrituras e da tradição “não é mais do que a introdução do subjetivismo e arbitrariedade embrulhados numa terminologia religiosa sentimental.”

Os comentários do cardeal foram em parte vistos como uma crítica ao recente “concílio sombra” em que Bispos e especialistas da Alemanha, França e Suíça se encontraram em Roma, no dia 25 de maio, para discutir como a Igreja poderia adaptar a sua pastoral às experiências de vida dos dias de hoje, especialmente no que toca à ética sexual.

Segundo o site austríaco Kath.net, o Bispo de Osnabrück (Alemanha), Dom Fraz-Josef Bode, participante nesse encontro e um dos representantes do episcopado alemão no próximo Sínodo da Família, disse à imprensa que “as ‘formas de vida’ das pessoas deviam ser uma fonte de informação para as verdades morais e dogmáticas”.

Entretanto, o Cardeal Müller assinalou que estas “formas de vida” podem muitas vezes ser altamente pagãs e que a fé não pode ser resultado de um acordo entre ideias cristãs, princípios abstratos e a prática de experiências de vida pagãs.

Ele acrescentou que Roma vai apoiar a liberdade e responsabilidade dos Bispos, mas que isto vai ser ameaçado por “nostalgias de Igrejas nacionais e pela discussão sobre a aceitação de aspectos sociais.”

O Cardeal alemão também disse que o Papa Francisco convidou cada bispo no Sínodo de Outubro como “testemunha e mestre da fé revelada”.

Sobre a controversa reunião privada realizada em Roma, o Cardeal disse que está certo trocar informações sobre qualquer assunto importante. Mas, acrescentou que não se pode controlar a verdade. Se este princípio fosse adotado e considerado verdade pela Igreja, levando-a a tomar decisões com base na opinião pública, a Igreja seria “abanada até às suas fundações”, advertiu

O Cardeal Müller recordou que a Igreja Católica é mãe e mestra de todas as igrejas, é quem ensina e não quem é ensinada. “Ela não precisa de ninguém para lhe ensinar a fé verdadeira, porque é nela que a tradição apostólica tem estado fielmente guardada e onde será sempre preservada.”

Dignidade do matrimônio cristão

Junto à defesa que o Cardeal Müller fez da doutrina católica, o Cardeal Ennio Antonelli, Presidente Emérito do Pontifício Conselho para a Família, publicou o documento “Crise do matrimônio e da Eucaristia”, no qual oferece sua contribuição ao próximo Sínodo dos Bispos, a ser realizado no mês de outubro e analisará diferentes temas, tal como a comunhão aos divorciados em nova união.

Assim, este documento é a reposta do Cardeal diante da proposta de alguns cardeais, como por exemplo o alemão Walter Kasper. Ele não foi mencionado no texto, mas há algum tempo promove que o Vaticano modifique os ensinamentos da Igreja, para que seja permitida a comunhão dos divorciados em nova união.

“O matrimônio sacramental, rato e consumado, é indissolúvel por vontade de Jesus Cristo. A separação dos cônjuges é contrária à vontade de Deus”, recordou o Cardeal Antonelli.

Por isso, “a nova união de um cônjuge separado é ilegítima e constitui uma grave desordem moral permanente; cria uma situação que contradiz objetivamente a aliança nupcial de Cristo com a Igreja, que tem seu significado e atuação na Eucaristia”.

Por esta razão, indicou o Cardeal, “as pessoas divorciadas que se casaram novamente no civil não podem receber a Comunhão Eucarística, principalmente por um motivo teológico e também por um motivo de ordem pastoral”.

“Se fosse permitida a Comunhão aos divorciados em nova união, os fiéis seriam induzidos ao engano e confusão a respeito da doutrina da Igreja sobre a indissolubilidade do matrimônio”, indicou o Cardeal e recordou ainda que estas pessoas devem ser acolhidas pastoralmente para que saibam que apesar de sua situação irregular, continuam fazendo parte da Igreja.

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