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O profeta católico ‘não obedece ninguém além de Deus’

Domingo, 03 de fevereiro de 2013, Rádio Vaticano

“É verdade que Jesus é o profeta do amor, mas o amor também tem a sua verdade,” ressaltou o Santo Padre

Durante a oração mariana do Angelus, neste domingo, 3, o Papa Bento XVI convidou os católicos a ‘investir’ na vida e na família como resposta eficaz à atual crise, e expressou o desejo de que a Europa seja sempre um lugar em que se defenda a dignidade de todo ser humano.

No breve discurso proferido da sacada de seu escritório, Bento XVI se uniu aos bispos italianos e saudou a celebração na Itália do “Dia pela Vida”, que recorre sempre no primeiro domingo de fevereiro e que este ano lançou a iniciativa “Um de nós”. Trata-se de um apelo que defende a dignidade de todo ser humano como “fundamento de justiça, liberdade, democracia e paz”.

E ainda em referência à tutela da vida, dirigiu um pedido aos professores da Faculdade de Medicina, para que formem profissionais no respeito da cultura da vida.

No início do encontro, o Pontífice recordou o episódio narrado no Evangelho de São Lucas, quando Jesus surpreende os cidadãos de Nazaré e os provoca, deixando a entender que é ele o Messias. As pessoas de sua cidade, que bem conheciam ele e sua família, o julgam presunçoso e o expulsam da sinagoga. No entanto, Jesus sabe que “nenhum profeta é bem-quisto em sua pátria” e assim, levanta-se e vai embora.

Em meio ao povo, surge a dúvida: “Por que esta ruptura? Ele tinha o nosso consenso…”. O Papa esclareceu aos fiéis que Jesus não queria o consenso dos homens, mas “dar testemunho à Verdade”. É verdade que Jesus é o profeta do amor, mas o amor também tem a sua verdade!”.

Como escrevia São Paulo, “o amor não se vangloria, não se orgulha, não maltrata, não procura seus interesses, não se ira facilmente, não guarda rancor; o amor não se alegra com a injustiça, mas se alegra com a verdade”.

Falando em espanhol, o Papa prosseguiu dizendo que o Apóstolo garante que “o caminho da perfeição não consiste em ter qualidades particulares, mas em viver o amor autêntico, que Deus nos revelou em Jesus Cristo”.

Bento XVI concluiu que o verdadeiro profeta católico “não obedece ninguém além de Deus; está a serviço da verdade e sempre pronto a pagar com a própria vida: crer em Deus significa renunciar aos próprios preconceitos”.

Auto-de-Fé

A Igreja na Inquisição da Opinião Pública

Zita Seabra entrevista Padre Gonçalo Portocarrero de Almada

OS CATÓLICOS: UMA ESPÉCIE EM EXTINÇÃO?

Tratamos da fé e das provas da existência ou não existência de Deus. Pedia‑lhe então que me explicasse o que é para si ser católico. Ouve‑se muitas vezes as pessoas dizerem que são católicas, mas não são praticantes. Pode ser‑se católico sem ser praticante?
Ser católico quer dizer pertencer à Igreja Católica, e essa pertença adquire‑se, sobretudo, através do sacramento do batismo, em virtude do qual a pessoa que foi validamente batizada fica membro de pleno direito dessa comunidade de crentes. A prática da fé cristã tem a ver com a sua vivência. É bom ter em conta que o cristianismo não é apenas uma doutrina, que o cristianismo é vida. É uma vida que tem, sem dúvida, um pressuposto doutrinário, uma teoria subjacente, ou que parte de um conhecimento sobrenatural. Mas o cristão não é aquele que conhece o cristianismo: o cristão é aquele que vive o cristianismo, ou pelo menos que se esforça por fazê‑lo.

Considera que viver o cristianismo implica ser católico praticante?
Sem dúvida. Ser católico praticante também não se pode reduzir, como por vezes se tende a pensar, a ir à missa. Nem pensar que o católico praticante é aquele que não falta a um ato cultual! Ser católico praticante também quer dizer praticar as virtudes cristãs: um católico que vá à missa e que não pratique a verdade, ou que não pratique a honestidade, não é um católico praticante, porque há um aspecto da sua fé que ele não está a praticar, não está a viver. O essencial, de fato, não é tanto a adesão intelectual a um conjunto de princípios, mas a prática, a vivência. Por isso, Jesus Cristo não pede aos apóstolos que assinem um conjunto de princípios, ou que subscrevam uma determinada teoria, mas que o sigam (Mt 4, 18-22; Mc 1, 16-20; Lc 5, 27-32; etc.). Ou seja, aquilo que está em primeiro lugar é a vivência, é a atitude, é a vida. É claro que é uma vida de acordo com princípios. É claro que estes princípios podem e devem ser conhecidos e aprofundados, mas pode haver uma pessoa que, por exemplo, domine o conhecimento do cristianismo, que saiba tudo da teologia católica, que saiba tudo dos padres da Igreja, mas se não quiser viver essa doutrina não é cristã, embora seja um sábio do cristianismo, talvez até o melhor especialista em cristianismo. Também pode acontecer que uma pessoa que porventura tenha menos luzes, menos conhecimentos, menos formação doutrinária, se identifique, de fato, na sua vida com o exemplo de Cristo – e, nesse sentido, é cristã. Mas a prática não é uma realidade diferente da doutrina, é a consequência lógica dessa doutrina. Aliás, quando nós falamos de princípios, falamos de princípios de quê? Princípios da ação. Se aquele princípio não informa a minha ação, se aquilo que eu faço não nasce daquele princípio, então aquilo não é princípio para mim, porque não tem consequências, não tem seguimento. Nós dizemos que o princípio é o começo, porque é a partir daquele princípio que eu, depois, atuo daquela forma. Então, é um princípio para mim. Se o princípio não tem nenhuma consequência prática, não é princípio, é uma coisa que está desligada da minha vida, não tem a ver com aquilo que eu sou. É interessante ver como o próprio Cristo fala desta realidade quando, na parábola dos dois filhos – o que diz que sim e que, depois, não vai e o que diz que não e, depois, vai –, Nosso Senhor diz que aquele que cumpriu é aquele que diz que não, mas depois foi (Mt 21, 28-32). Ou seja, aquilo que tem prioridade não é tanto a adesão intelectual, porque o outro tinha dito que sim, mas aquilo que tem prioridade é a vida, são as obras, e assim aquele que disse inicialmente que não, depois, como foi, acabou por ser fiel. Há também um outro aspecto que é muito interessante e que é sublinhado por São Tiago, na sua epístola, quando diz: «Tens fé? Ainda bem que tens fé, mas os demônios também têm fé e isso nada lhes aproveita» (Tg 2, 14-19). Por isso, uma fé sem obras é uma fé morta. É uma fé que não tem qualquer valor. Nem sequer é fé no seu sentido mais correto. Por isso, um cristão não é uma pessoa que simpatiza com Cristo, um católico não é uma pessoa que gosta da Igreja, mas um cristão ou um católico é uma pessoa que se esforça por viver de acordo com aquilo em que acredita – e, se não se esforça, é porque verdadeiramente não crê.

Permita‑me que recorra a uma versão mais completa da mesma tese. Há quem afirme: «Sou católico, gosto de Jesus Cristo, mas não da Igreja, nem dos seus padres, nem do papa», e retire a respectiva conclusão: «A minha relação é diretamente com Deus, não necessito de intermediários.»
Isso ouve‑se muito. É um disparate bastante corrente, mas é uma contradição, porque esta separação entre Cristo e a Igreja não tem lugar. E não tem lugar, porque a Igreja é Cristo. Nosso Senhor di‑lo claramente, quando explica a São Paulo – que persegue a Igreja e persegue os cristãos – que é Ele, Jesus, a quem São Paulo persegue (At 9, 39). Na realidade, Saulo persegue os cristãos, mas não persegue Cristo, porque Cristo na altura já tinha ressuscitado, já tinha subido aos céus e, para ele, Cristo era uma figura que já tinha passado, que já não interessava. Saulo persegue a Igreja, persegue os cristãos, e quando Jesus lhe aparece não diz: «Saulo, porque é que persegues os cristãos, ou porque é que persegues a Igreja, ou porque é que persegues os meus discípulos?», mas: «Porque é que Me persegues a Mim?» E, depois, quando Saulo lhe pergunta: «Mas quem és tu, Senhor?», Jesus volta a dizer: «Eu sou Jesus a quem tu persegues.» Se fosse só uma vez, ainda poderíamos dizer: bom, foi uma forma simples de se referir ao assunto – mas não; na resposta, volta a dizer o mesmo. A Igreja é Cristo, a Igreja é Cristo no mundo, a Igreja é Cristo na História. O meu amor a Cristo só é verdadeiro se for amor à Igreja também. Se o meu amor a Cristo não se manifesta no amor à Igreja, não é amor ao Cristo real.

Mas façamos então a pergunta de outra forma: também é muito comum afirmar «sou católico, mas não concordo com o atual papa, só gostava muito de João Paulo II». Esta ressalva chega a ser frequentemente bem-vista e politicamente correta. Outras vezes surge a ideia mais generalizada e sincera de que se perdeu a confiança na Igreja porque houve papas muito maus, papas que fizeram guerras, houve até um que assinalou o início do seu pontificado com uma tourada na Praça de São Pedro. Logo, associa‑se isso à imagem da Igreja, de que inevitavelmente me afasto. Então, o meu relacionamento pode ser direto com Deus.
Mas Deus quer relacionar‑se conosco diretamente através da Igreja, e não tenho ou não conheço outro canal em virtude do qual essa relação se possa estabelecer. Se excluo a Igreja, então excluo o canal através do qual Deus quer que eu me relacione com Ele. Isso não quer dizer que Deus não possa vir ao meu encontro, ou conceder‑me alguma graça, por outros caminhos que eu não sei. Mas não tenho a certeza disso. O mais provável é que se eu excluir, consciente e deliberadamente, o caminho através do qual Deus quer chegar até mim, ou me quer salvar, estou a excluir a própria salvação. E, por isso, o Evangelho é claro quando diz: «Ide por todo o mundo, proclamando a boa notícia a toda a humanidade. Quem crer e for batizado se salvará; quem não crer se condenará» (Mc 16, 15-16) Aquele que, sabendo que deve crer, não crê, incorre em culpa. Uma culpa que pode ter como consequência a sua não salvação. Mas é bom termos em conta que nós não acreditamos nem cremos na Igreja pelos papas, nem pelos cristãos, nem pelas instituições, nem pelos padres. Nós cremos por Jesus Cristo, Nosso Senhor. Essa é a razão pela qual acreditamos. A figura do Santo Padre, que é sempre uma figura venerável e uma figura queridíssima para qualquer católico coerente, é uma figura secundária, porque aquele que é a razão da fé não é o papa, mas Cristo, que é a Palavra do Pai no dom do seu Espírito.

Houve momentos na História da Igreja em que os papas não eram assim uma figura tão venerável.
Sim. Mas é interessante termos em conta que um papa pode não ser, pessoalmente, uma figura exemplar. De fato, houve papas que não tiveram uma vida exemplarmente cristã. Normalmente, é desses que se fala… Exatamente. Mas esses papas, se quisermos os maus papas, aqueles que deram um mau exemplo com a sua vida desordenada, com os seus prazeres, com a sua avareza, às vezes até com algum despotismo no exercício da sua função, esses papas fizeram um serviço enorme à Igreja, porque, sendo eles maus, não perverteram nem alteraram nada daquilo que era a doutrina, nem a moral da Igreja. Humanamente, como não tinham nenhuma autoridade sobre eles, poderiam ter dito: «Meus senhores, como não vivo desta forma, vou mudar a lei para que não esteja em contradição, para que a minha vida não esteja em oposição com aquilo que eu digo.» Mas eles sabiam que, enquanto Simão, por assim dizer, eles eram defectíveis, enquanto Simão, eles eram pecadores, enquanto Simão, eles eram homens iguais aos outros, como todos os papas são. Mas não enquanto Pedro: enquanto Pedro eles são aqueles que têm a obrigação de confirmar os irmãos na fé. São aqueles pelos quais Cristo rezou. Como disse Cristo: «Mas eu rezei por ti, para que a tua fé não desapareça. E tu, uma vez convertido, fortalece os teus irmãos» (Lc 22, 32).

Disse isso a São Pedro?
Disse isso a São Pedro. De fato, Jesus Cristo, depois de ressuscitado, teve aquele diálogo com Pedro, em que lhe perguntou três vezes se Pedro o amava (Jo 21, 15-17). Já alguma vez imaginei que aquela conversa deveria ter sido diferente e que Nosso Senhor podia ter dito: «Olha, Pedro, a história da Igreja vai ser muito complicada, vai ser muito difícil, vai haver papas que vão ficar um bocado aquém daquilo que era de esperar, isto vai escandalizar os cristãos, e mesmo os não-cristãos. Tu tiveste um episódio um bocado infeliz, negaste‑me três vezes, não estiveste a meu lado no momento da minha paixão e morte.» São Pedro claudicou, apesar de antes ter jurado que nunca o faria e de ter sido prevenido com antecedência de que tal ia acontecer (Jo 13,36-38). Nosso Senhor podia ter dito a Pedro: «Olha, Pedro, tu continuas apóstolo com certeza e eu perdoo‑te, mas não vamos exagerar e, se te parecer bem, fica João à frente da Igreja, porque João sempre foi o discípulo amado, o meu discípulo predileto, o que esteve ao pé da Cruz, a quem entreguei Nossa Senhora!» João era, a muitos títulos, o candidato ideal, até porque era mais novo e mais forte, para além de mais fiel e, seguramente, mais santo. Contudo, Nosso Senhor mantém Pedro à frente da Igreja, o Pedro que pecou, o mesmo Pedro a quem o Senhor disse: «Afasta‑te de mim, Satanás!» (Mt 16, 23). Porquê? Eu creio que é uma grande prova do amor do Senhor e uma grande lição de esperança para todos nós. Precisamente por isto, não nos podemos escandalizar com as fraquezas pessoais dos membros da Igreja, mas temos de ver neles – e apesar deles – a ação de Deus, a ação do Espírito Santo. O Senhor escolheu Pedro, sabendo da sua fraqueza e, apesar da fraqueza, Pedro foi um grande papa, um grande santo e um grande mártir. Pedro, sendo papa, podia ter dito ao evangelista: «Tira aí esse versículo em que o Senhor me chama Satanás, ou o episódio da minha tripla negação do Mestre, que está a mais e, se calhar, nem faz muita falta… Se agora os cristãos de Corinto ou os de Salónica lerem isso, depois não me aceitam nem me obedecem.» Mas, pelo contrário, Pedro faz questão que isso esteja lá, Pedro faz questão que isso conste, para que as pessoas saibam que ele não foi escolhido por ser o melhor, mas pelo amor que o Senhor lhe tem. E que, mesmo quando nós não valemos, quando nós não prestamos, o Senhor não desiste e continua a confiar inteiramente em nós. Se Nosso Senhor não se escandalizou com a fraqueza de Pedro e o quis para seu primeiro papa, para seu primeiro representante aqui na Terra, para seu primeiro vigário, quem somos nós para nos podermos escandalizar com a fraqueza de algum irmão ou de alguma irmã que, eventualmente, não se comportem de acordo com aquilo que nós desejaríamos?!

Voltando à questão dos católicos praticantes e não praticantes, o senhor padre Gonçalo escreveu um artigo sobre os «católicos adversativos». Que conceito é esse?
Já tinha há algum tempo essa ideia de rebater a atitude de algumas pessoas que dizem «sou católico, mas», e a seguir ao «mas» incluem geralmente alguma reticência em relação ao papa, em relação à doutrina, em relação à moral, em relação ao que seja. É uma atitude que não faz muito sentido. Ninguém é obrigado a ser católico, não se obriga ninguém a ser cristão.

A fé é livre.
A fé é livre e a fé só faz sentido como um todo. De certo modo, quando nós aderimos à fé, não aderimos à ideia, nem aderimos apenas a um corpo doutrinal, aderimos a Cristo. Eu não posso recusar Cristo, eu não posso dizer gosto muito de Cristo, mas não gosto da sua mão esquerda. Eu gosto muito de Cristo, mas não gosto do pé direito de Nosso Senhor. Ou O aceito na sua totalidade e O amo e O sigo, ou, então, se rejeito alguma coisa, rejeito‑O no seu todo.

Essa ideia de religião à la carte por vezes dá jeito, permite facilitar a vida de qualquer cristão.
Sim, mas seria um engano, seria uma duplicidade, uma hipocrisia. Se eu entendesse que era cristão naquilo que a mim me convém no cristianismo, mas não naquilo que não me agrada tanto, estaria a enganar‑me a mim próprio. Jesus Cristo, que tem um respeito imenso pela liberdade humana, nunca excluiu ninguém, nunca forçou ninguém, nunca amaldiçoou ninguém que dele se tivesse afastado – antes pelo contrário, deu sempre total liberdade a todos os homens, sem excluir os próprios discípulos. Com efeito, quando muitos dos seus discípulos O abandonaram, depois do discurso eucarístico proferido na sinagoga de Cafarnaúm (Jo 6, 60-67), Nosso Senhor não foi atrás deles, a chamar‑lhes nomes, mas deixou‑os ir e perguntou aos apóstolos se eles também não queriam ir, porque ele, por amor à liberdade humana, estava disposto até a ficar sozinho. Nosso Senhor, que nunca coagiu ninguém, que nunca forçou ninguém, que nunca amaldiçoou ninguém pelo fato de O não seguir, ou porque, tendo começado a segui‑lo, tivesse depois desistido, também disse claramente que aquele que descuida a coisa mais pequena é o mais pequeno no reino dos céus, e aquele que cuida até das coisas mais pequenas é o maior no reino dos céus (Mt 5, 19). Nosso Senhor dá‑nos a entender que, na nossa fé, não há nada de pouca importância. Na nossa fé, não há nada que seja acidental, na nossa vida cristã não há nada de que nós possamos prescindir. Por isso, não faz sentido o «mas». É aliás curioso o «mas», porque, quando utilizamos o «mas», como conjunção adversativa, temos a noção clara de que o «mas» restringe aquilo que nós dissemos antes. Se eu disser: «eu sou casado, mas não gosto da minha mulher», é porque se supõe que uma pessoa que é casada gosta da mulher; «sou casado, mas não tenho filhos», porque se supõe que uma pessoa que é casada tem filhos. Ninguém diz «eu sou casado, mas uso meias amarelas». As meias amarelas não têm nada a ver com o casamento, logo, se eu sou casado, posso usar meias amarelas. A própria pessoa que diz «eu sou católico, mas…» está a reconhecer implicitamente que aquilo que está a acrescentar é algo que afeta negativamente a sua própria condição cristã. Se ela própria reconhece que aquela sua característica é uma restrição da sua condição cristã, então tem de rever a sua posição, para reencontrar a plenitude da fé, que é ser católico sem «mas» – ser católico, ponto final. Ser católico sem ter a veleidade de querer corrigir de algum modo uma fé que conhecemos como um dom de Deus, uma graça sobrenatural.

 

https://dl.dropbox.com/u/56087562/auto-de-fe_miolo_excerto.pdf

<< Jesus Cristo não pede aos apóstolos que assinem um conjunto de princípios, ou que subscrevam uma determinada teoria, mas que o sigam (Mt 4, 18-22; Mc 1, 16-20; Lc 5, 27-32; etc.). Ou seja, aquilo que está em primeiro lugar é a vivência, é a atitude, é a vida. É claro que é uma vida de acordo com princípios. É claro que estes princípios podem e devem ser conhecidos e aprofundados, mas pode haver uma pessoa que, por exemplo, domine o conhecimento do cristianismo, que saiba tudo da teologia católica, que saiba tudo dos padres da Igreja, mas se não quiser viver essa doutrina não é cristã, embora seja um sábio do cristianismo, talvez até o melhor especialista em cristianismo.
Também pode acontecer que uma pessoa que porventura tenha menos luzes, menos conhecimentos, menos formação doutrinária, se identifique, de fato, na sua vida com o exemplo de Cristo – e, nesse sentido, é cristã. Mas a prática não é uma realidade diferente da doutrina, é a consequência lógica dessa doutrina. Aliás, quando nós falamos de princípios, falamos de princípios de quê? Princípios da ação. Se aquele princípio não informa a minha ação, se aquilo que eu faço não nasce daquele princípio, então aquilo não é princípio para mim, porque não tem consequências, não tem seguimento. Nós dizemos que o princípio é o começo, porque é a partir daquele princípio que eu, depois, atuo daquela forma. Então, é um princípio para mim. Se o princípio não tem nenhuma consequência prática, não é princípio, é uma coisa que está desligada da minha vida, não tem a ver com aquilo que eu sou. É interessante ver como o próprio Cristo fala desta realidade quando, na parábola dos dois filhos – o que diz que sim e que, depois, não vai e o que diz que não e, depois, vai –, Nosso Senhor diz que aquele que cumpriu é aquele que diz que não, mas depois foi (Mt 21,28-32). Ou seja, aquilo que tem prioridade não é tanto a adesão intelectual, porque o outro tinha dito que sim, mas aquilo que tem prioridade é a vida, são as obras, e assim aquele que disse inicialmente que não, depois, como foi, acabou por ser fiel. Há também um outro aspecto que é muito interessante e que é sublinhado por São Tiago, na sua epístola, quando diz: «Tens fé? Ainda bem que tens fé, mas os demônios também têm fé e isso nada lhes aproveita» (Tg 2, 14-19). Por isso, uma fé sem obras é uma fé morta. É uma fé que não tem qualquer valor. Nem sequer é fé no seu sentido mais correto. Por isso, um cristão não é uma pessoa que simpatiza com Cristo, um católico não é uma pessoa que gosta da Igreja, mas um cristão ou um católico é uma pessoa que se esforça por viver de acordo com aquilo em que acredita – e, se não se esforça, é porque verdadeiramente não crê. >>

1º de abril, um dia para falar a verdade

Consequência da mentira

O folclórico dia da mentira tem sua origem na confusão de um calendário

O fato ocorreu por volta do século XV, quando o então rei da França Carlos IX decretou o início do ano corrente como 1º de janeiro, seguindo o calendário gregoriano.

Alguns camponeses e povoados mais distantes do rei não acreditaram no decreto e continuaram a celebrar o início do ano em 1º de abril. Isso fez com que passassem a ser ridicularizados pelo restante da população com brincadeiras de notícias mentirosas. Essas “peças” passaram a fazer parte da celebração do dia 1º de abril que, ao longo do tempo, tomou conta de toda a França e do mundo, ora com o nome de “dia da mentira”, ora como o dia dos tolos.

Hoje, o dia da mentira é tido como uma brincadeira. Com a globalização, a data ganhou destaque em importantes meios de comunicação e, com o advento da internet, agências de notícias famosas fizeram circular notícias bizarras como forma de celebração desse dia.

Brincadeiras e folclore à parte, a verdade é que mentira pode provocar consequências desastrosas para um país, para uma família, uma empresa, uma pessoa. Como dizia Gandhi: “assim como uma gota de veneno compromete um balde inteiro, também a mentira, por menor que seja, estraga toda a nossa vida.”

No Brasil, por exemplo, sofremos há anos as consequências da falta de transparência de nossos governantes. A mentira está a serviço da corrupção, que é a maior vilã de nossa sociedade. Os princípios que regem a mentira, o juízo falso de valores e o engano proposital são os geradores de grande parte das mazelas sociais que os brasileiros já testemunharam. A impunidade, a violência, principalmente nas cidades de porte médio, antes locais seguros, só têm crescido na última década, ao mesmo tempo em que os investimentos na saúde pública são ainda desproporcionais à demanda, e a educação não é vista como prioridade para o desenvolvimento do país.

A nossa sociedade está sofrendo também as consequências do abandono e do esquecimento da verdade e dos valores cristãos. No dia da mentira, é verdade que não temos mais tempo para nossos filhos, é verdade que não nos reunimos em família, não temos tempo para ir à Igreja, é verdade também que a dignidade e o direito mais básico, o de viver, já não faz tanto sentido. De fato, temos aqui muitos motivos para, neste 1º de abril, lamentar as consequências da mentira em nossa vida.

Mesmo que no dia 1º de abril contemos alguma mentira para não deixar passar em branco essa “brincadeira”, a verdade é que temos sede de sinceridade, queremos a confiança, queremos reciprocidade, queremos nos manifestar tal como somos, pois não aguentamos por muito tempo a dissimulação, a falsidade e a corrupção. Algo dentro de nós grita pelo verdadeiro e autêntico. No fundo, todo homem anseia viver em comunidade para partilhar a verdade e a justiça.

Jesus disse: “E conhecereis a Verdade e a Verdade vos libertará (João 8, 32). Aprendamos que só a verdade nos torna pessoas livres, o bem mais precioso para o homem. É na liberdade que começa e termina todos os nossos caminhos, ela é a pérola do nosso querer.

No dia da mentira, precisamos redescobrir a nossa vocação de testemunhar e comunicar a verdade. Não suportamos mais o que o Papa Bento XVI classificou como a “ditadura do relativismo”, queremos mesmo é a liberdade que vem pela verdade. Vivemos tempos de desconfiança e opressão pela mentira, ora lá, ora cá, perguntamo-nos se não estamos sendo enganados, pois quem sabe nos acostumamos com o falso…

No dia da mentira só me resta dizer: Brasil, lute pela verdade!

Autor: Daniel Machado de Assis – Missionário da Comunidade Canção Nova

Papa: sabemos quem é Jesus, mas talvez não o tenhamos encontrado pessoalmente

Cidade do Vaticano (RV) – “Sabemos quem é Jesus, mas talvez não o tenhamos encontrado pessoalmente, falando com Ele, e não o tenhamos ainda reconhecido como o nosso Salvador”: disse o Papa Francisco no Angelus, ao meio-dia deste domingo (19/3/2017), dirigindo-se aos cerca de 40 mil fiéis e peregrinos presentes na Praça São Pedro.

Atendo-se ao Evangelho deste III Domingo da Quaresma, Francisco destacou que este nos apresenta o diálogo de Jesus com a Samaritana, contextualizando aquele encontro descrito numa das páginas mais bonitas do Evangelho.

O encontro se dá quando Jesus atravessava a Samaria, região entre a Judeia e a Galileia, habitada por pessoas que os Judeus desprezavam, “considerando-as cismáticas e heréticas”, frisou o Santo Padre, observando ter sido propriamente esta população uma das primeiras a aderir à pregação cristã dos Apóstolos.

Enquanto os discípulos vão à cidade procurar alimento, Jesus permanece onde se encontrava o poço de Jacó e ali pede água a uma mulher, que chegara para tirar água. Desse pedido tem início um diálogo.

“Como, sendo judeu, tu me pedes de beber, a mim que sou samaritana?” Jesus lhe respondeu: “Se conhecesses o dom de Deus e quem é que te diz ‘dá-me de beber’, tu é que lhe pedirias e ele te daria água viva!”, uma água que sacia toda sede e se torna fonte inesgotável no coração de quem a bebe (Jo 4,10-14).”

Ir ao poço apanhar água é cansativo e monótono; seria bom ter a disposição uma fonte que jorra água! Mas Jesus fala de uma água diferente, evidenciou Francisco.

Quando a mulher se deu conta de que aquele homem com quem estava falando era um profeta, abriu-se a ele e lhe fez perguntas religiosas. “A sua sede de afeto e de vida repleta não lhe foi satisfeita pelos cinco maridos que teve, aliás, experimentou desilusões e enganos”, acrescentou o Pontífice.

“Por isso a mulher fica impressionada com o grande respeito que Jesus tem por ela e quando Ele lhe fala da verdadeira fé, como relação com Deus Pai ‘em espírito e verdade’, então intui que aquele homem poderia ser o Messias, e Jesus – coisa raríssima – o confirma: ‘Sou eu, que falo contigo’. Ele diz ser o Messias a uma mulher que tinha uma vida tão desordenada”, observou.

Francisco recordou ainda que “a água que dá a vida eterna foi infundida em nossos corações no dia do nosso Batismo”, mediante o qual nos transformou e encheu-nos com a sua graça. “Mas pode acontecer que este grande dom o tenhamos esquecido, ou reduzido a um mero acontecimento da nossa vida”, e talvez vamos em busca de “poços” cujas águas não nos saciam, frisou.

“Quando esquecemos a verdadeira água, vamos à procura de poços que não têm águas límpidas. Então esse Evangelho é propriamente para nós! Não somente para a Samaritana, mas para nós. Jesus nos fala como à Samaritana. É claro, já o conhecemos, mas talvez não o tenhamos encontrado pessoalmente.”

Dito isso, o Papa lembrou ainda que este tempo da Quaresma é ocasião propícia para aproximar-nos d’Ele, encontrá-lo na oração num diálogo de coração para coração, falar com Ele, escutá-lo; é a ocasião para ver o seu rosto também no rosto de um irmão ou de uma irmã que sofre.

“Desse modo podemos renovar em nós a graça do Batismo, saciar-nos na fonte da Palavra de Deus e de seu Espírito Santo; e assim descobrir também a alegria de tornar-nos artífices de reconciliação e instrumentos de paz na vida cotidiana.”

“Que a Virgem Maria nos ajude a haurir constantemente à graça, aquela graça que brota da rocha que é Cristo Salvador, a fim de que possamos professar com convicção a nossa fé e anunciar com alegria as maravilhas do amor de Deus, misericordioso e fonte de todo bem”, foi o pedido do Santo Padre concluindo a alocução que precedeu o Angelus.

Após a oração mariana, na saudação aos vários grupos de fiéis e peregrinos presentes o Pontífice dirigiu seu pensamento à população do Peru, castigada pelas graves enchentes destes dias:

“Quero assegurar minha proximidade à querida população do Peru, duramente atingida pelas devastadoras enchentes. Rezo pelas vítimas e por aqueles que estão engajados na prestação de socorro.”

O Papa recordou ainda neste 19 de março a festa litúrgica de São José, pai putativo de Jesus e patrono universal da Igreja. Saudou as comunidades neocatecumenais de Angola e da Lituânia, bem como os responsáveis da Comunidade de Santo Egídio da África e da América Latina. (RL)

Sola Scriptura, Sola Fide e Sola Gratia

Sola Scriptura, Sola Fide e Sola Gratia – HERESIAS PROTESTANTES
http://santopapabentoxvi.blogspot.com.br/2011/02/sola-scripturas-sola-fide-e-sola-gratia.html

Aqui está a BASE DA DOUTRINA PROTESTANTE e suas HERESIAS descaradas:

– 1° Pelo pecado original o homem está decaído e tudo que faça é pecado mortal; a salvação pelas boas obras é impossível.
– 2° Deus impõe sua Lei no Antigo Testamento, mas ela é impraticável; a finalidade desta Lei é desencorajar, desesperar e finalmente nos lançar nos braços da misericórdia.
– 3° Depois da Lei ter-nos dado o desespero, faz-nos brilhar a fé, pois a Salvação vem dos méritos de Cristo morto na Cruz.
– 4° Desde toda a eternidade Deus predestinou uns para o inferno (para aqueles que recusam sua Lei), garantindo a Salvação para outros (aqueles que aceitam a Lei).
– 5° A eficácia dos Sacramentos do Batismo e da Eucaristia é apenas a fé que suscita no coração de quem os recebe.

Pela Escritura sabemos que há somente duas religiões na história: a religião verdadeira, composta por aqueles que são da raça da mulher, e a anti-religião, que é constituída pela raça da serpente (Gn 3,15). Também Santo Agostinho nos fala em duas religiões, quando define as suas famosas duas cidades:
“Dois amores deram origem a duas cidades: o amor de Deus levado ao desprezo de si mesmo deu origem à cidade de Deus; e o amor de si mesmo levado ao desprezo de Deus, deu origem à cidade do homem”.
E Santo Inácio usa as duas bandeiras como metáfora da luta contínua entre essas duas religiões na história. Assim, vemos que apesar da enormidade de seitas conhecidas hoje, só há duas religiões no mundo, a primeira delas a religião verdadeira, a religião Católica, divinamente revelada e única guardiã da verdade divina revelada. E a outra, composta por essa infinidade de seitas, que é a anti-religião, a religião do demônio, a sinagoga de satanás.

O sola scriptura (somente a Escritura) é contra a Escritura, pois impinge ao livro sagrado um poder mágico de auto-interpretação que ele não possui. Algumas pessoas chegam a usar a Bíblia como cartas de tarô, abrem aleatoriamente suas páginas e afirmam que a Palavra lá escrita é a mensagem de Deus para aquele momento. Quando os protestantes pretendem exaltar a Bíblia, na verdade a destroem. Lutero mesmo, na gênese desse movimento sectário, retirou vários livros da Bíblia (não materialmente, mas os desqualificando – Tiago como sendo uma epístola de palha, Apocalipse como sendo nem evangélico nem profético), mostrando que a Bíblia era escrava da vontade dos reformadores. Ao desprezar tudo o que Lutero considerava humano em relação à revelação, como os livros deuterocanônicos e a tradição, bem como os concílios e a hierarquia, de fato Lutero se opunha a tudo o que era material, ele se opunha à criação. Para Lutero, esses livros retirados da Bíblia não produziam a experiência que despertaria no fiel a noção de salvação, e por isso não poderiam ser inspirados. Tais livros não traduziam de fato o kerigma, que é – mais importante que as verdades reveladas – o anúncio salvífico.

Ao propor o sola scriptura, Lutero queria a libertação da matéria, para ouvir somente a voz (divina) que falaria ao interior do homem. Porém não foi isto que Cristo deixou! Cristo edificou sua Igreja e deu autoridade aos Sacerdotes, e nos mostrou que devíamos ter uma hierarquia, da mesma forma que um corpo tem membros e cada membro sua função.

O sola fide (somente a fé) é qualquer coisa, menos fé verdadeira. Pois para o protestante o que vale é a experiência com Cristo, e não a aceitação das verdades reveladas por Deus. Geralmente se considera que o sola fide se opõe apenas às boas obras. Porém, se nos detivermos um pouco mais nesse princípio, veremos que ele se opõe à participação da inteligência na obra da regeneração, pois a fé protestante não pode passar pela razão, mas provém unicamente da emoção e da experiência vivencial. Assim é evidente sua recusa a forma que Deus deu à criação; pois somos racionais, e nossa fé antes de emotiva tem que ser racional. O coração do homem é como um mar agitado e a fé tem que ser solidificada na razão; da mesma forma que 2+2 sempre serão 4, eu sempre irei crer em Deus e em minha Igreja, aconteça o que acontecer, esteja eu sentindo o que for, minha convicção não depende e não se ampara em minhas emoções.  A inteligência – desprezada e odiada por Lutero – impede que o homem chegue ao verdadeiro conhecimento de Deus, que segundo Lutero se dá através da experiência catalisada pela leitura da Bíblia.

O sola gratia vai contra a verdadeira graça santificante. Esse princípio atesta que o fiel justificado está livre de pecado, não porque não os possua mais ou não possa cometê-los, mas porque os têm encobertos pela graça de Cristo. Assim, o justificado tem graça e pecado ao mesmo tempo. Com isso, dá-se ao fiel a ilusão de impecabilidade, e mesmo a permissão de pecar com a garantia do perdão antecipado – Com isso, Lutero habilmente conseguiu impugnar os dez mandamentos, ao dizer que o homem é incapaz de praticá-los e, portanto, não pode ser culpado por cometê-los.

Ora, a graça é propriamente a participação na vida divina, pois a Santíssima Trindade de fato habita na alma justificada pelos méritos de Cristo. Como poderia habitar Deus e pecado na mesma alma como afirmava Lutero? É impossível, e uma ofensa à graça divina. Por isso o pecado mortal é a expulsão de Deus da alma, cuja presença se adquire com o Batismo e se recupera com a Confissão.

Em Deus, justiça é misericórdia, diz Papa em homilia

Sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017, Da Redação, com Rádio Vaticano
 
Francisco advertiu sobre a hipocrisia da casuística e destacou que em Deus justiça é misericórdia e misericórdia é justiça

Na Missa desta sexta-feira, 24, o Papa Francisco advertiu para a hipocrisia e para o engano provocado por uma fé reduzida a uma “lógica casuística”.

“É lícito para um marido repudiar a própria mulher?”. Esta é a pergunta contida no Evangelho de Marcos que os doutores da Lei fazem a Jesus durante sua pregação na Judeia. “E o fazem para colocar Cristo à prova mais uma vez”, observou o Papa, que se inspirou na resposta de Jesus para explicar o que mais conta na fé.

“Jesus não responde se é lícito ou não; não entra na lógica casuística deles. Porque eles pensavam na fé somente em termos de ‘pode’ ou ‘não pode’, até onde se pode, até onde não se pode. É a lógica da casuística: Jesus não entra nisso. E faz uma pergunta: ‘Mas o que Moisés vos ordenou? O que está na vossa lei?’. E eles explicam a permissão que Moisés deu de repudiar a mulher, e são eles a cair na própria armadilha. Porque Jesus os qualifica como ‘duros de coração’: ‘Foi por causa da dureza do vosso coração que Moisés vos escreveu este mandamento’, e diz a verdade. Sem casuística. Sem permissões. A verdade.”

Francisco destacou que Jesus sempre diz a verdade, explica as coisas como foram criadas, a verdade das Escrituras, da Lei de Moisés. E o faz também quando seus discípulos o interrogam sobre o adultério, aos quais repete: “Quem se divorciar de sua mulher e casar com outra, cometerá adultério contra a primeira. E se a mulher se divorciar de seu marido e casar com outro, cometerá adultério”.

Mas se a verdade é esta e o adultério é “grave”, como explicar então que Jesus falou “tantas vezes com uma adúltera, com uma pagã”?, pergunta o Papa. “Bebeu de seu copo, que não era puro?”. E no final lhe disse: “Eu não te condeno. Não peques mais”? Como explicar isso?

“O caminho de Jesus – vê-se claramente – é o caminho da casuística à verdade e à misericórdia. Jesus deixa a casuística de fora. Aos que queriam colocá-lo à prova, aos que pensavam com esta lógica do ‘pode’, os qualifica – não aqui, mas em outro trecho do Evangelho – como hipócritas. Também com o quarto mandamento eles negavam de assistir os pais com a desculpa de que tinham dado uma bela oferta à Igreja. Hipócritas. A casuística é hipócrita. É um pensamento hipócrita. ‘Pode – não pode… que depois se torna mais sutil, mais diabólico: mas até que ponto posso? Mas daqui até aqui não posso. É a enganação da casuística”.

O caminho do cristão, portanto, não cede à lógica da casuística, mas responde com a verdade que o acompanha, a exemplo de Jesus, “porque Ele é a encarnação da Misericórdia do Pai, e não pode negar a si mesmo. Não pode negar a si mesmo porque é a Verdade do Pai, e não pode negar a si mesmo porque é a Misericórdia do Pai”. “Este é o caminho que Jesus nos ensina”, notou o Papa, difícil de ser aplicado diante das tentações da vida.

“Quando a tentação toca o coração, este caminho de sair da casuística à verdade e à misericórdia não é fácil: é necessária a graça de Deus para que nos ajude a ir assim avante. E devemos pedi-la sempre. ‘Senhor, que eu seja justo, mas justo com misericórdia’. Não justo, coberto com a casuística. Justo na misericórdia. Como és Tu. Justo na misericórdia. Depois, uma pessoa de mentalidade casuística pode se perguntar: ‘Mas o que é mais importante em Deus? Justiça ou misericórdia?’. Este também é um pensamento doente… o que é mais importante? Não são duas: é somente uma, uma só coisa. Em Deus, justiça é misericórdia e misericórdia é justiça. Que o Senhor nos ajude a entender esta estrada, que não é fácil, mas nos fará felizes, a nós, e fará felizes muitas pessoas”.

Como superar as perdas na vida?

O tempo de Deus é um grande aliado em matéria de superação

Certamente, você já ouviu falar sobre a fábula “A raposa e as uvas”, atribuída a Esopo, lendário grego. O conto fala de uma raposa faminta que, ao vir pela estrada, encontrou uma parreira carregada de uvas maduras e apetitosas, no entanto, um pouco mais alta do que ela conseguiria alcançar. Então, com muitas tentativas para alcançá-las sem sucesso e já cansada pelo esforço frustrado, a raposa saiu amargurada, afirmando para si mesma que, na verdade, não queria aquelas uvas, porque estavam verdes e não deviam ser boas. Porém, quando já havia dado alguns passos conduzida pelo insucesso, escutou um barulho como se alguma coisa tivesse caído no chão. O coração disparou e ela não pensou duas vezes. Voltou correndo, achando que as uvas tivessem caído, mas, para sua decepção, era apenas uma folha que havia despencado da parreira. A raposa virou as costas e foi-se embora ainda mais chateada e resmungando amargurada.

Agora pense um pouco: será que isso só aconteceu com a raposa ou acontece também conosco? Dizem que chega a ser uma tendência natural da humanidade denegrir uma meta, quando não se consegue alcançá-la, para diminuir o peso do insucesso. No entanto, essa não é uma postura madura e está longe de solucionar o problema, ao menos para quem deseja viver em paz consigo mesmo e com seus semelhantes.

Acredito que ninguém consiga ser autenticamente feliz fugindo da verdade. A mentira escraviza, rouba a liberdade e, sem a verdadeira liberdade, como ser feliz? É claro que a essa altura você pode pensar: “Mas quando a verdade é dura demais para ser assumida, o que fazer?”. Assuma-a mesmo assim! Encare sua dor unida a Jesus Cristo. Ele também sofreu decepções e perdas enquanto esteve neste mundo e jamais fugiu da verdade. Ele está disposto a ajudá-lo a vencer e lhe ensina o caminho: “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará” (Jo 8,32).

A raposa sabia que as uvas estavam maduras e apetitosas, mas foi injusta consigo mesma ao afirmar que estavam verdes e que não tinha interesse nelas. Não podemos agir assim! Ao mentirmos para nós mesmos optamos por viver na ilusão, travamos um duelo entre a verdade que está diante dos nossos olhos e a mentira que escolhemos ostentar. É como se criássemos um monstro que irá nos seguir por toda a vida. Deus não deseja isso para nenhum dos Seus filhos! Ele nos criou para sermos livres e felizes.

Portanto, reconciliemo-nos com a verdade e fujamos das máscaras que a dor sugere. Elas até podem ser atrativas, mas são máscaras que um dia perderão sua cor e cairão trazendo à tona a dor da verdade.

A vida nos ensina que nem sempre ganhamos e nem sempre perdemos, mas uma coisa é certa: em cada acontecimento acrescentamos experiência à nossa existência e temos mais chances de acertar numa próxima vez. Portanto, coragem! Se as “uvas” que você deseja hoje estão longe do seu alcance, não se desespere nem se deixe levar pelo orgulho, considerando que elas estão “verdes” e já não lhe interessam. Admita a perda e não tenha medo de passar pelo processo necessário da dor que o fará crescer. Continue caminhando e fazendo o bem. Outras “uvas maduras” aparecerão em sua jornada, talvez bem antes do que você imagina!

O tempo de Deus é diferente do nosso, mas é um grande aliado em matéria de superação. Quem sabe, se a raposa tivesse esperado um pouco mais, não teria visto as uvas caírem aos seus pés? Sua atitude de ir embora apoiada numa mentira foi alicerçada na terrível dor da desilusão, por isso precipitada, imatura e tempestuosa. Não tive mais notícias da “Dona Raposa”, mas duvido que ela esteja feliz caso não tenha se reconciliado com a perda das uvas, assumindo sua verdade.

E você, como tem lidado com a dor das perdas? Sua verdade tem o feito livre ou prisioneiro? Pode ser que a vida esteja lhe pedindo calma. O imediatismo próprio da nossa época nos distancia da sublime arte do saber esperar o tempo certo para cada coisa.

Respirar fundo, contar até dez (ou até mil dependendo do caso), pode nos livrar de grandes catástrofes. Espere mais um pouco, talvez suas “uvas” caiam. Esperar o tempo de Deus. Reconciliado com sua verdade, esse pode ser o caminho para a felicidade que você deseja alcançar.

Lembre-se: com os raios do sol de cada amanhecer, Deus também lhe concede uma nova chance de acertar. Recomeçar, entre perdas e ganhos, faz parte da bonita dinâmica da vida. Não pare na dor! Você nasceu para a felicidade. E esta é uma conquista que se faz todos os dias, a partir da decisão de assumir a verdade.

Coragem! Rezo por você.

Dijanira Silva
dijanira@geracaophn.com

O que é o Credo?

Fonte: http://afeexplicada.wordpress.com/category/credo/

No encerramento do “Ano da Fé” (30/6/1967 a 30/6/1968), em comemoração dos 1900 anos dos martírios de São Pedro e São Paulo, o Papa Paulo VI quis oferecer à Igreja a sua “Profissão de Fé”, que se chamou o “Credo do Povo de Deus”. Muitas razões tornaram este CREDO de Paulo VI de grande importância para a Igreja, sendo muito utilizado e citado nos documentos posteriores da Igreja. Desde o início de sua vida apostólica, a Igreja elaborou o que passou a ser chamado de “Símbolo dos Apóstolos”, assim chamado por ser o resumo fiel da fé dos Apóstolos; foi uma maneira simples e eficaz da Igreja apostólica exprimir e transmitir a sua fé em fórmulas breves e normativas para todos. Nos seus Doze artigos, o Creio sintetiza tudo aquilo que o católico crê. Este é como que “o mais antigo Catecismo romano”. É o antigo símbolo batismal da Igreja de Roma.
Santo Ambrósio (340-397), bispo de Milão, doutor da Igreja, que batizou santo Agostinho, mostra de onde vem a autoridade do Símbolo dos Apóstolos, e a sua importância: “Ele é o Símbolo guardado pela Igreja Romana, aquela onde Pedro, o primeiro dos Apóstolos, teve a sua Sé e para onde ele trouxe a comum expressão da fé” (Expl. Symb. ,7; PL 17, 1158D; CIC §194). “Este Símbolo é o sêlo espiritual, a mediação do nosso coração e o guardião sempre presente; ele é seguramente o tesouro da nossa alma” (Expl. Symb. 1: PL, 1155C; CIC §197). Os seus Doze artigos, segundo uma tradição atestada por Santo Ambrósio, simbolizam com o número dos Apóstolos o conjunto da fé apostólica (cf. CIC §191). A palavra grega “symbolon” significa a metade de um objeto quebrado (como por exemplo, um sinete que traz em baixo ou alto relevo um brasão), e que era apresentada como um sinal de identificação e reconhecimento. As partes quebradas eram então juntadas para formar um todo e identificar assim o seu portador.
Portanto, o Símbolo da fé, o Creio, é a identificação do católico. Assim, ele é professado solenemente no Dia do Senhor, no Batismo e em outras oportunidades. Por causa das heresias trinitárias e cristológicas que agitaram a Igreja nos séculos II a IV, ela foi obrigada a realizar uma série de Concílios ecumênicos (universais), para dissipar os erros dos hereges. Os mais importantes para definir os dogmas básicos da fé cristã, foram os Concílios de Nicéia (325) e Constantinopla I (381). O primeiro condenou o arianismo de Ário, que ensinava que Jesus não era Deus, mas apenas a maior de todas as criaturas; o segundo condenou o macedonismo, de Macedônio, patriarca de Constantinopla, que ensinava que o Espírito Santo não era Deus.
Desses dois importantes Concílios, originou-se o Creio chamado Niceno-constantinopolitano, que traz os mesmos doze artigos da fé do Símbolo dos Apóstolos, porém de maneira mais explícita e detalhada, especialmente no que se refere às Pessoas divinas de Jesus e do Espírito Santo. Além desses dois símbolos da fé, mais importantes, outros Credos foram elaborados ao longo dos séculos, sempre em resposta a determinadas dificuldades ou dúvidas vividas nas Igrejas apostólicas antigas. Por exemplo, temos notícia do Símbolo “Quicumque”, dito de Santo Atanásio (295-373), bispo de Alexandria; as profissões de fé dos Concílios de Toledo (DS 525-541), Latrão (DS 800-802), Lião (DS 851-861), Trento (DS 1862-1870), e também de certos Papas, como a “Fides Damasi” (DS 71-72), do Papa Dâmaso.
O Catecismo da Igreja nos assegura, que: “Nenhum dos símbolos das diferentes etapas da vida da Igreja pode ser considerado como ultrapassado e inútil. Eles nos ajudam a tocar e a aprofundar hoje a fé de sempre através dos diversos resumos que dela têm sido feitos” (CIC § 193). Falando do Credo, São Cirilo de Jerusalém (315-386), assim se expressa nas Cathecheses illuminandorum (5, 12; PG 33, 521-524; CIC §186): “Este símbolo da fé não foi elaborado segundo opiniões humanas, mas da Escritura inteira recolheu-se o que há de mais importante, para dar, na sua totalidade, a única doutrina da fé. E assim como a semente de mostarda contém em um pequeníssimo grão um grande número de ramos, da mesma forma este resumo da fé encerra em algumas palavras todo o conhecimento da verdadeira piedade contida no Antigo e no Novo Testamento”.
Também o Papa Paulo VI, em 1968, achou oportuno fazer a soleníssima Profissão de Fé, no encerramento do Ano da Fé, que aqui publicamos conforme foi publicado no L’Osservatore Romano, 1-2 de julho de 1968. De fato este Credo do Povo de Deus é um marco da maior importância. Quem o aceita plenamente e o vive de todo o coração, é de fato católico; caso contrário, não será, ainda que afirme ser católico. Na verdade, o Papa Paulo VI quis colocá-lo como um farol e uma âncora para a Igreja caminhar nos tempos difíceis de vivemos, por entre tantas falsas doutrinas e falsos profetas, que se misturam sorrateiramente como o joio no meio do trigo, mesmo dentro da Igreja.
Ao apresentar a sua Profissão de Fé, o Papa Paulo VI disse que a sua intenção era a de cumprir a missão petrina, dada por Jesus, de “confirmar os irmãos na fé” (Lc 22,32), que “sem ser uma definição dogmática propriamente dita, repete substancialmente…o CREDO da imortal Tradição da Santa Igreja”.
O Papa justificou a apresentação da Profissão de Fé, em vista da “inquietação que agita certos meios modernos, em relação à fé”, diante deste mundo que põe em “discussão tantas certezas”.
O Papa não deixa de dizer que preocupa-o “que até católicos se deixam dominar por uma espécie de sede de mudança e de novidade”. São Paulo, há cerca de 1950 anos atrás, já tinha falado a Timóteo desta “sede de novidades”, que acaba levando muitos católicos para o caminho do erro: “Porque virá tempo em que os homens já não suportarão a sã doutrina da salvação. Levados pelas próprias paixões e pela curiosidade de escutar novidades, ajuntarão mestres para si. Apartarão os ouvidos da verdade e se atirarão às fábulas” (2Tm 4, 7). Paulo VI fala também daqueles que atentam “contra os ensinamentos da doutrina cristã”, causando “perturbação e perplexidade em muitas almas fiéis, como se pode verificar nos dias de hoje”.
Assim, fica claro que o Papa quis com a sua Profissão de Fé corrigir erros de doutrina surgidos após o Concílio Vaticano II, às vezes por interpretação errada de suas intenções. Preocupa o Papa as “hipóteses arbitrárias” e subjetivas que são usadas por alguns, mesmo teólogos, para uma interpretação da Revelação divina (hermenêutica), em discordância da autêntica interpretação dada pelo Magistério da Igreja.
Na apresentação do Credo, o Papa conclui dizendo: “Queremos que a nossa Profissão de Fé seja bastante completa e explícita para responder, de maneira adequada, à necessidade de luz que tantas almas fiéis sentem, e que experimentam também todos os que, no mundo, seja qual for a família espiritual a que pertençam, estão em situação de procura da Verdade”. Sabemos que é a Verdade que nos leva à salvação. São Paulo, como já citamos acima, fala da “sã doutrina da salvação” (2Tm 4, 7), e afirma que “a Igreja é a coluna e o fundamento da verdade” (1Tm 3, 15). Na mesma Carta a Timóteo, Paulo alerta o seu fiel discípulo, bispo de Éfeso, que “Deus quer que todos se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade” (1Tm 2, 4). Note que para o Apóstolo, a “salvação” e o “conhecimento da verdade” são coisas conexas. Quando ele fala aos tessalonicenses sobre a grande provação que a Igreja deve passar antes da volta de Jesus, as terríveis seduções do homem da iniquidade, com as armas de satanás, ele diz que os que se perderem terão como causa não terem se apegado à verdade que salva. “Ele usará de todas as seduções do mal com aqueles que se perdem por não terem cultivado o amor à verdade que os teria podido salvar” (2Ts 2, 10). “Desse modo serão julgados e condenados todos os que não deram crédito à verdade, mas consentiram no mal” (2Ts 2, 12). Enfim, o Apóstolo exorta os tessalonicenses: “ficai firmes e conservai os ensinamentos que de nós aprendestes, seja por palavras , seja por carta nossa” (2Ts 2, 15). Claramente notamos que a preocupação do Apóstolo é manter os fiéis firmes na verdade ensinada pela Igreja, seja de maneira oral (Tradição), seja por escrito. Jesus é a Verdade (Jo 14,6) e disse que a Verdade nos libertará (Jo 8, 32).
O Credo do Povo de Deus é mais uma das inúmeras maneiras que a Igreja usa para manter o Rebanho do Senhor no caminho da verdade que liberta e salva. Quando o Papa João Paulo II apresentou o Catecismo da Igreja Católica, através da Constituição Apostólica “Fidei Depositum”, fez questão de dizer, logo no início: “Guardar o depósito da fé é a missão que Cristo confiou à sua Igreja e que ela cumpre em todos os tempos”. De fato, em todos os tempos – já vinte séculos – a Igreja cumpre bem este mandato do Senhor, assistida pelo Espírito Santo, não permitindo que se corrompa o “depósito da fé”. Vinte e um concílios ecumênicos foram realizados nestes dois mil anos, a maioria deles a fim de debelar as heresias que ameaçavam o sagrado depósito da verdade que o Senhor confiou à sua Igreja.
E, como essas ameaças à fé são contínuas, a Igreja não cessa de chamar os seus filhos a viverem de acordo com a autêntica verdade que Paulo VI ensina na sua solene Profissão de Fé. Com alegria entregamos aos nossos leitores esse Credo, tão profundo e detalhado, para que fique claro aos nossos olhos a verdade da nossa fé. Que, vivendo a “obediência da fé” (Rm 1, 5), fiéis e submissos à Santa Igreja e ao Sagrado Magistério, possamos chegar todos à salvação; pois, como diz o Apóstolo, “sem fé é impossível agradar a Deus” (Hb 11, 6), já que o “justo vive pela fé” (Rm 1, 17).

SÍMBOLO DOS APÓSTOLOS (Os Doze Artigos)
1. Creio em Deus Pai todo-poderoso Criador do céu e da terra.
2. E em Jesus Cristo, seu Único Filho, Nosso Senhor;
3. que foi concebido pelo poder do Espírito Santo; nasceu da Virgem Maria;
4. padeceu sob Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado.
5. Desceu à mansão dos mortos; ressuscitou ao terceiro dia;
6. subiu aos céus; está sentado à direita de Deus Pai; todo-poderoso;
7. donde há de vir a julgar os vivos e os mortos.
8. Creio no Espírito Santo;
9. na Santa Igreja Católica; na Comunhão dos Santos;
10. na remissão dos pecados;
11. na ressurreição da carne;
12. na vida eterna. Amém.

SÍMBOLO NICENO-CONSTANTINOPOLITANO
1. Creio em um só Deus, Pai todo-poderoso, Criador do céu e da terra, de todas as coisas visíveis e invisíveis.
2. Creio em um só Senhor, Jesus Cristo, Filho Unigênito de Deus, nascido do Pai antes de todos os séculos: Deus de Deus; Luz da Luz; Deus verdadeiro de Deus verdadeiro; gerado, não criado, consubstancial ao Pai. Por ele todas as coisas foram feitas. E por nós homens e pela nossa salvação, desceu dos céus
3. e se encarnou pelo Espírito Santo, no seio da Virgem Maria, e se fez homem.
4. Também por nós foi crucificado sob Pôncio Pilatos; padeceu e foi sepultado.
5. Ressuscitou ao terceiro dia, conforme as Escrituras,
6. e subiu aos céus, onde está sentado à direita do Pai.
7. E de novo há de vir em sua glória, para julgar os vivos e os mortos; e o seu reino não terá fim.
8. Creio no Espírito Santo, Senhor que dá a vida, e procede do Pai e do Filho; e com o Pai e o Filho é adorado e glorificado: Ele falou pelos profetas.
9. Creio na Igreja, una, santa, católica e apostólica.
10. Professo um só batismo para a remissão dos pecados.
11. E espero a ressurreição dos mortos
12. e a vida do mundo que há de vir. Amém.

SÍMBOLO DE NICÉIA
Creio em um só Deus Pai todo-poderoso, criador do céu e da terra de todas as coisas visíveis e invisíveis.
Creio em um só Senhor, Jesus Cristo, Filho Unigênito de Deus, nascido do Pai antes de todos os séculos; Deus de Deus, Luz da Luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro; gerado, não criado, consubstancial ao Pai.
Por ele todas as coisas foram feitas.
E por nós, homens, e para nossa salvação, desceu dos céus e se encarnou pelo Espírito Santo, no seio da Virgem Maria, e se fez homem.
Também por nós foi crucificado sob Pôncio Pilatos; padeceu e foi sepultado.
Ressuscitou ao terceiro dia, conforme as Escrituras, e subiu aos céus, onde está sentado à direita do Pai.
E de novo há de vir, em sua glória, para julgar os vivos e os mortos; e o seu reino não terá fim.
Creio no Espírito Santo, Senhor que dá a vida, e procede do Pai e do Filho; e com o Pai e o Filho é adorado e glorificado: Ele falou pelos profetas. Creio na Igreja, una, santa, católica e apostólica.
Professo um só batismo para a remissão dos pecados.
E espero a ressurreição dos mortos e vida do mundo que há de vir. Amém.

CREDO DE SANTO ATANÁSIO
Este credo, apesar do nome, foi divulgado por Santo Ambrósio, foi incluído na liturgia, é autêntica profissão de fé e é totalmente reconhecido pela Igreja Católica.
01. Quem quiser salvar-se deve antes de tudo professar a fé católica.
02. Porque aquele que não a professar, integral e inviolavelmente, perecerá sem dúvida por toda a eternidade.
03. A fé católica consiste em adorar um só Deus em três Pessoas e três Pessoas em um só Deus.
04. Sem confundir as Pessoas nem separar a substância.
05. Porque uma só é a Pessoa do Pai, outra a do Filho, outra a do Espírito Santo.
06. Mas uma só é a divindade do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo, igual a glória, coeterna a majestade.
07. Tal como é o Pai, tal é o Filho, tal é o Espírito Santo.
08. O Pai é incriado, o Filho é incriado, o Espírito Santo é incriado.
09. O Pai é imenso, o Filho é imenso, o Espírito Santo é imenso.
10. O Pai é eterno, o Filho é eterno, o Espírito Santo é eterno.
11. E contudo não são três eternos, mas um só eterno.
12. Assim como não são três incriados, nem três imensos, mas um só incriado e um só imenso.
13. Da mesma maneira, o Pai é onipotente, o Filho é onipotente, o Espírito Santo é onipotente.
14. E contudo não são três onipotentes, mas um só onipotente.
15. Assim o Pai é Deus, o Filho é Deus, o Espírito Santo é Deus.
16. E contudo não são três deuses, mas um só Deus.
17. Do mesmo modo, o Pai é Senhor, o Filho é Senhor, o Espírito Santo é Senhor.
18. E contudo não são três senhores, mas um só Senhor.
19. Porque, assim como a verdade cristã nos manda confessar que cada uma das Pessoas é Deus e Senhor, do mesmo modo a religião católica nos proíbe dizer que são três deuses ou senhores.
20. O Pai não foi feito, nem gerado, nem criado por ninguém.
21. O Filho procede do Pai; não foi feito, nem criado, mas gerado.
22. O Espírito Santo não foi feito, nem criado, nem gerado, mas procede do Pai e do Filho.
23. Não há, pois, senão um só Pai, e não três Pais; um só Filho, e não três Filhos; um só Espírito Santo, e não três Espíritos Santos.
24. E nesta Trindade não há nem mais antigo nem menos antigo, nem maior nem menor, mas as três Pessoas são coeternas e iguais entre si.
25. De sorte que, como se disse acima, em tudo se deve adorar a unidade na Trindade e a Trindade na unidade.
26. Quem, pois, quiser salvar-se, deve pensar assim a respeito da Trindade.
27. Mas, para alcançar a salvação, é necessário ainda crer firmemente na Encarnação de Nosso Senhor Jesus Cristo.
28. A pureza da nossa fé consiste, pois, em crer ainda e confessar que Nosso Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, é Deus e homem.
29. É Deus, gerado na substância do Pai desde toda a eternidade; é homem porque nasceu, no tempo, da substância da sua Mãe.
30. Deus perfeito e homem perfeito, com alma racional e carne humana.
31. Igual ao Pai segundo a divindade; menor que o Pai segundo a humanidade.
32. E embora seja Deus e homem, contudo não são dois, mas um só Cristo.
33. É um, não porque a divindade se tenha convertido em humanidade, mas porque Deus assumiu a humanidade.
34. Um, finalmente, não por confusão de substâncias, mas pela unidade da Pessoa.
35. Porque, assim como a alma racional e o corpo formam um só homem, assim também a divindade e a humanidade formam um só Cristo.
36. Ele sofreu a morte por nossa salvação, desceu aos infernos e ao terceiro dia ressuscitou dos mortos.
37. Subiu aos Céus e está sentado a direita de Deus Pai todo-poderoso, donde há de vir a julgar os vivos e os mortos.
38. E quando vier, todos os homens ressuscitarão com os seus corpos, para prestar conta dos seus atos.
39. E os que tiverem praticado o bem irão para a vida eterna, e os maus para o fogo eterno.
40. Esta é a fé católica, e quem não a professar fiel e firmemente não se poderá salvar”.

CREDO NA BÍBLIA
CREIO EM DEUS- Nosso Deus é o único Senhor (Deuteronômio 6, 4; Marcos 12, 29).
PAI TODO-PODEROSO – O que é impossível para os homens é possível para Deus (Lucas 18, 27).
CRIADOR DO CÉU E DA TERRA – No princípio, Deus criou o céu e a terra (Gênesis 1, 1).
CREIO EM JESUS CRISTO – Ele é o resplendor glorioso de Deus, a imagem própria do que Deus é (Hebreus 1, 3).
SEU ÚNICO FILHO – Pois Deus amou tanto o mundo que lhe deu seu Filho único, para que todo aquele que crer nele não morra, mas tenha a vida eterna (João 3, 16).
NOSSO SENHOR – Deus o fez Senhor e Messias (Atos 2, 36).
QUE FOI CONCEBIDO POR OBRA E GRAÇA DO ESPÍRITO SANTO – O Espírito Santo virá sobre ti e o poder do Deus Altíssimo repousará sobre ti como uma nuvem. Por isso, o menino que irá nascer será chamado Santo e Filho de Deus (Lucas 1, 35).
NASCEU DA SANTA VIRGEM MARIA – Tudo isto ocorreu para que se cumprisse o que o Senhor havia dito por meio do profeta: A virgem conceberá e dará à luz um filho, o qual será chamado Emanuel, que significa: Deus está conosco) (Mateus 1, 22-23).
PADECEU SOB O PODER DE PÔNCIO PILATOS – Pilatos tomou então a Jesus e mandou açoitá-lo. Os soldados trançaram uma coroa de espinhos, a puseram na cabeça de Jesus e o vestiram com uma capa escarlate (João 19, 1-2).
FOI CRUCIFICADO – Jesus saiu carregando sua cruz para ir ao chamado lugar da caveira (que em hebraico chama-se Gólgota). Ali o crucificaram e, com ele, outros dois, um de cada lado. Pilatos mandou afixar sobre a cruz um cartaz, que dizia: Jesus de Nazaré, rei dos judeus (João 19, 17-19).
MORTO E SEPULTADO – Jesus gritou fortemente: Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito! e, ao dizer isto, morreu (Lucas 23, 46). Depois de baixá-lo da cruz, o envolveram em um lençol de linho e o puseram em um sepulcro escavado na rocha, onde ninguém ainda havia sido sepultado (Lucas 23, 53).
DESCEU AOS INFERNOS – Como homem, morreu; porém, como ser espiritual que era, voltou à vida. E como ser espiritual, foi e pregou aos espíritos encarcerados (1Pedro 3, 18-19).
AO TERCEIRO DIA, RESSUSCITOU DENTRE OS MORTOS- Cristo morreu por nossos pecados, como dizem as Escrituras; foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia (1Coríntios 15, 3-4).
SUBIU AOS CÉUS, ONDE ESTÁ SENTADO À DIREITA DE DEUS PAI TODO-PODEROSO – O Senhor Jesus foi levado ao céu e se sentou à direita de Deus (Marcos 16, 19).
DE ONDE HÁ DE VIR PARA JULGAR OS VIVOS E OS MORTOS – Ele nos enviou para anunciar ao povo que Deus o constituiu juiz dos vivos e dos mortos (Atos 10, 42).
CREIO NO ESPÍRITO SANTO – Pois Deus encheu nosso coração com o seu amor por meio do Espírito Santo que nos deu (Romanos 5, 5).
CREIO NA IGREJA QUE É UNA – Para que todos sejam um, como tu, Pai, em mim e Eu em ti; que eles sejam também um em Nós para que o mundo creia que Tu me enviaste (João 17, 21; João 10, 14; Efésios 4, 4-5).
É SANTA – A fé confessa que a Igreja… não pode deixar de ser santa (Efésios 1, 1). Com efeito, Cristo, o Filho de Deus, a quem o Pai e com o Espírito Santo se proclama o Santo, amou a sua Igreja como sua esposa (Efésios 5, 25). Ele se entregou por ela para santificá-la, a uniu a Si mesmo como seu próprio corpo e a encheu do dom do Espírito Santo para a glória de Deus (Efésios 5, 26-27). A Igreja é, portanto, o povo santo de Deus (1Pedro 2, 9) e seus membros são chamados santos (Atos 9, 13; 1Coríntios 6, 1; 16, 1).
É CATÓLICA – E Eu te digo que tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja e nem o poder da morte poderá vencê-la (Mateus 16, 18). Possui a plenitude que Cristo lhe confere (Efésios 1, 22-23). É católica porque foi enviada em missão por Cristo à totalidade do gênero humano (cf. Mateus 28, 19).
É APOSTÓLICA- O Senhor Jesus dotou a sua comunidade de uma estrutura que permanecerá até a total consumação do Reino. Antes de mais nada houve a escolha dos Doze Apóstolos, tendo Pedro como cabeça (cf. Mateus 3, 14-15), visto que representavam as Doze Tribos de Israel (cf. Mateus 19, 28; Lucas 22, 30). Eles são os fundamentos da Nova Jerusalém (cf. Apocalipse 21, 12-14). Os Doze (cf. Marcos 6, 7) e os outros discípulos (cf. Lucas 10, 1-2) participaram da missão de Cristo, em seu poder e também em sua sorte (cf. Mateus 10, 25; João 15, 20). Com todas estas providências, Cristo preparou e edificou a sua Igreja (2Timóteo 2, 2).
CREIO NA COMUNHÃO DOS SANTOS – Depois disso, olhei e vi uma grande multidão de todas as nações, raças, línguas e povos. Estavam de pé diante do trono e do Cordeiro, e eram tantos que ninguém podia contá-los (Apocalipse 7, 9).
NO PERDÃO DOS PECADOS – Aqueles a quem perdoares os pecados ser-lhe-ão perdoados (João 20, 23).
NA RESSURREIÇÃO DA CARNE – Cristo dará nova vida a seus corpos mortais (Romanos 8, 11).
E NA VIDA ETERNA – Ali não haverá noite e os que ali vivem não precisarão da luz da lâmpada, nem da luz do sol, porque Deus, o Senhor, lhes dará sua luz e eles reinarão por todos os séculos (Apocalipse 22, 5).

CREIO EM DEUS
Em primeiro lugar devemos crer que Deus existe. E o que significa este nome – Deus?
Significa precisamente Aquele que governa e cuida de todas as coisas. Tudo o que há no mundo está subordinada à sua providência. Portanto, nada tem sua origem no acaso, mas em Deus que é o único que cria a partir do nada. “Creio em Deus” nossa profissão de fé começa com Deus, pois Ele é o “Primeiro e o Último” (Is 44, 6), o Começo e o Fim de tudo. A confissão da Unicidade de Deus, que tem a sua raiz na Revelação Divina na Antiga Aliança, é inseparável da confissão da existência de Deus, e igualmente fundamental. Deus é Único: só existe um Deus: “A fé cristã confessa que há Um só Deus, por natureza, por Substância e por essência”.
Crer em Deus, o Único, e amá-lo com todo o seu ser, tem conseqüências imensas para toda a nossa vida:
– Significa conhecer a grandeza e a majestade de Deus: “Deus é grande demais para que o possamos conhecer” (Jó 36, 26). É por isso que Deus deve ser o “primeiro a ser servido” (Santa Joana d’Arc).
– Significa viver em ação de graças: Se Deus é o único, tudo o que somos e tudo o que possuímos vem Dele: “Que é que possuis, que não tenhas recebido?” (1Cor 4, 7). “Como retribuirei ao Senhor todo o bem que me faz?” (Sl 116, 12).
– Significa conhecer a unidade e a verdadeira dignidade de todos os homens: Todos eles são feitos a ” imagem e semelhança de Deus” (Gn 1, 26).
– Significa usar corretamente das coisas criadas: A fé no Deus Único nos leva a usar de tudo o que não é ele na medida em que isto nos aproxima dele, e a desapegar-se das coisas na medida em que nos desviam dele (Mt 5, 29-30; 16, 24; 19, 23-24).
– Significa confiar em Deus em qualquer circunstância, mesmo na adversidade: A oração de Santa Teresa de Jesus expressa esta confiança inabalável em Deus – Nada te perturbe/ Nada te assuste / Tudo passa / Deus alcança / Quem a Deus tem, Nada lhe falta. Só Deus basta. Pai todo poderoso… (Cat. 238-248) A invocação de Deus como “Pai” é conhecida em muitas religiões. A divindade é muitas vezes considerada como “pai dos deuses e dos homens”. Deus é pai, mas ainda, em razão da Aliança do dom da Lei a Israel, seu “filho primogênito” (Ex 4, 22).
Ao designar Deus com o nome de “Pai “, a linguagem da fé indica principalmente dois aspectos:
– que Deus é origem primeira de tudo e autoridade transcendente, e
– que ao mesmo tempo é bondade e solicitude de amor para todos os seus filhos. A linguagem da fé inspira-se assim na experiência humana dos pais (genitores), que são de certo modo os primeiros representantes de Deus para o homem. Mas esta experiência humana ensina também que os pais humanos são falíveis e que podem desfigurar o rosto da paternidade. Convém lembrar que Deus transcende à paternidade humana (Sl 27, 10), embora seja a sua origem e medida (Ef 3, 14; Is 49, 15). Ninguém é pai como Deus o é. Muito particularmente ele é o “Pai dos pobres”, do órfão e da viúva que estão sob sua proteção de amor (Sl 68, 6). A encarnação do Filho de Deus revela que DEUS é o Pai eterno, e que o Filho é consubstancial a Ele, isto é, que o Filho é no Pai e com o Pai o mesmo Deus único. Deus é o Pai todo-poderoso. Sua paternidade e seu poder iluminam-se mutuamente. As Sagradas Escrituras professam várias vezes o poder universal de Deus. Ele é chamado “o Poderoso de Jacó” (Gn 49, 24; Is 1, 24), o “Forte, o Valente” (Sl 24, 8-10). Se Deus é todo-poderoso “no céu e na terra” (Sl 135, 6), é porque os fez. Ele é o Senhor do universo, cuja ordem estabeleceu, ordem esta que lhe permanece inteiramente submissa e disponível; Ele é o Senhor da história. Com efeito, mostra a sua onipotência paternal pela maneira que cuida das nossas necessidades (Mt 6, 32). Por isso, nada é mais propício para sedimentar nossa fé e a nossa esperança do que a certeza profunda gravada no nosso coração que nada é impossível a Deus (Lc 1, 37).
“A fé católica é esta: que veneramos o único Deus na Trindade, e a Trindade na unidade, não confundindo as pessoas, nem separando a substância: pois uma é a pessoa do Pai, outra a do Filho, outra a do Espírito Santo; mas uma é a divindade do Pai, do Filho e do Espírito Santo; mas uma só é a divindade do Pai, do Filho e do Espírito Santo, igual a glória, co-eterna a majestade” (Cat. 266). Criador do céu e da terra… (Cat. 279-382) Deus é a causa universal de todas as coisas, e não só cria a forma, mas também a matéria. Por isso fez todas as coisas do nada. Recitamos no Credo essa verdade: criador do céu e da terra.
Há diferença entre criar e fazer? criar, é tirar do nada. Fazer, por sua vez, é produzir a partir de uma matéria pré-existente. Se Deus criou as coisas do nada, também pode refazê-las. Pode dar vista a um cego, ressuscitar um morto e fazer outros milagres. Diz a Escritura: O poder está a Vós submetido, quando quereis (Sab 12, 18). Só Deus criou o universo, livre e direta. Nenhuma criatura tem o poder necessário para “criar” no sentido próprio da palavra, isto é produzir e dar o ser àquilo que não o tinha de modo algum. O Símbolo da fé retoma estas palavras confessando Deus Pai todo-poderoso como “o Criador do céu e da terra”, “de todas as coisas visíveis e invisíveis”. Existe um mundo sobrenatural que não podemos ver. Apenas O conhecemos por revelação divina, e mesmo assim, imperfeitamente. Sabemos que existem anjos, espíritos puros, sem corpo, que servem a Deus noite e dia, e que têm como missão o cuidado de cada um nós; há também anjos decaídos, inimigos de Deus e nossos. Temos um céu a ganhar, um inferno a evitar. Mas depois de nos revelar tudo isso, Deus poderia nos dizer: “Vocês terão muito tempo para contemplar todas estas coisas mais tarde”. Deus fez o céu e a terra para nós. Quer se trate de coisas presentes, quer de coisas futuras, diz São Paulo, “tudo é nosso”. Vivemos rodeados pelas criaturas de Deus.
A profissão de fé do IV Concílio de Latrão afirma que Deus “criou conjuntamente, do nada, desde o início do tempo, ambas as criaturas, a espiritual e a corporal, isto é, os anjos e o mundo terrestre; em seguida, a criatura humana que tem algo de ambas por compor-se de espírito e de corpo” (DS 3002). A hierarquia das criaturas é expressa pela ordem dos “seis” dias, que vai do menos ao mais perfeito. Deus ama todas as suas criaturas (Sl 145, 9), cuida de cada uma, até mesmo os pássaros. Jesus diz: “Vós valeis mais do que muitos pássaros” (Lc 12, 6-7), ou ainda: “Um homem vale muito mais que uma ovelha” (Mt 12, 12).
Deus criou o homem à sua imagem e semelhança, homem e mulher Ele os criou (Gn 1, 27), nesta afirmação vamos encontrar dois aspectos importante:
– Deus é o Criador do homem e o criou por amor, criando-o capaz de degustar o Bem eterno.
– Criado a imagem e semelhança de Deus por estar dotado de inteligência e vontade. Deus criou tudo para o homem, este porém, foi criado para servir e amar a Deus e para oferecer-lhe toda a criação. O homem foi criado por Deus e para Deus (Cat. 358). Por exemplo, quando “criamos” alguma coisa , ela passa a pertencer-nos. Deus nos possui: é para Ele que existimos; fazer sua vontade é algo que deve interessar-nos muito mais do que fazer nossa própria vontade. A criação é o fundamento de “todos os desígnios salvíficos de Deus”, “o começo da história da salvação” que culmina em Cristo. Desde o início, Deus tinha em vista a glória da nova criação em Cristo (Rm 8, 18-23). As criaturas existem para nos ajudarem a ter Deus perto de nós, para que, através delas, pensemos como o seu Autor deve ser grande, como deve ser poderoso e possuir uma beleza mais fascinante que o pôr-do-sol. As criaturas existem também, para nos tornarmos agradecidos por sua existência e beleza. Tudo isto é verdade acerca das criaturas terrenas de Deus. Ele fez o céu e a terra. E não é só a terra que é nossa, também o céu é nosso, isto é, existe para que gozemos de suas maravilhas. Contamos já agora com a proteção dos anjos e com as preces de Nossa Senhora e dos Santos, porque somos filhos de Deus, para que possamos deixar para trás o purgatório e encontrarmos no céu o fim para o qual fomos realmente criados, a existência que verdadeiramente satisfaz todos os anseios da nossa natureza.

A ORAÇÃO DO CREDO NA BÍBLIA
O Credo é uma fórmula doutrinária ou profissão de fé. No cristianismo também é conhecido como símbolo dos apóstolos. A palavra tem origem na palavra credo que significa creio.Em 325, passou a ser uma síntese dos dogmas da fé promulgada pela autoridade eclesiástica, através do Concílio de Nicéia (I). A primeira formulação do tipo credo encontra-se no original de uma carta (c. 225) do bispo Marcelo Ancyra. De uma tradução, com algumas alterações, do credo de Ancyra se deriva o credo latino ainda hoje adotado. O Credo Niceno-Constantinopolitano, ou o Ícone/Símbolo da Fé, é uma declaração de fé cristã que é aceite pela Igreja Católica, pela Igreja Ortodoxa Oriental, pela Igreja Anglicana pelas principais igrejas protestantes. O nome tem a ver com o Primeiro Concílio de Nicéia (325), no qual foi adotado, e com o Primeiro Concílio de Constantinopla (381), onde foi aceite uma versão revista.Por esse motivo, ele pode ser referido especificamente como o Credo Niceno-Constantinopolitano para o distinguir tanto da versão de 325 como de versões posteriores que incluem a cláusula fililoque. Houve vários outros credos elaborados em reação a doutrinas que apareceram posteriormente como heresias, mas este, na sua revisão de 381, foi o último em que as comunhões católica e ortodoxa conseguiram concordar em todos os pontos. Segundo uma antiga tradição, certamente lendária, os doze apóstolos, reunidos em Jerusalém, teriam estabelecido em comum os rudimentos da nova fé, cada um ditando seu artigo. Essa versão era recitada pelos novos cristãos no momento do batismo, e ficou conhecida como credo apostólico. É este credo que iremos meditar dentro das passagens bíblicas que se seguem, para que o leitor possa perceber que toda a profissão de fé proferida pela Igreja católica tem fundamentação bíblica.
1. Creio em Deus, Pai Todo-Poderoso
(2 Timóteo 1, 2) A Timóteo, filho caríssimo: graça, misericórdia, paz, da parte de Deus Pai e de Jesus Cristo, nosso Senhor!
2. Criador do Céu e da Terra
(Judite 13, 24) Bendito seja o Senhor, criador do céu e da terra, que te guiou para cortar a cabeça de nosso maior inimigo!
3. E em Jesus Cristo, seu único Filho, Nosso Senhor
(São Mateus 14, 33) Então aqueles que estavam na barca prostraram-se diante dele e disseram: Tu és verdadeiramente o Filho de Deus.
(Fl 2, 11) E toda língua confesse, para a glória de Deus Pai, que Jesus Cristo é Senhor.
4. Concebido pelo poder do Espírito Santo, Nasceu da Virgem Maria
(Lc 1, 35) Respondeu-lhe o anjo: O Espírito Santo descerá sobre ti, e a força do Altíssimo te envolverá com a sua sombra. Por isso o ente santo que nascer de ti será chamado Filho de Deus.
(Lc 2, 6s) Estando eles ali, completaram-se os dias dela. E deu à luz seu filho primogênito, e, envolvendo-o em faixas, reclinou-o num presépio; porque não havia lugar para eles na hospedaria.
5. Padeceu sob Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado
(São João 19, 1.5) Pilatos mandou então flagelar Jesus. Apareceu então Jesus, trazendo a coroa de espinhos e o manto de púrpura. Pilatos disse: Eis o homem!
(São Mateus 28, 5) Mas o anjo disse às mulheres: Não temais! Sei que procurais Jesus, que foi crucificado.
(São João 19, 33) Chegando, porém, a Jesus, como o vissem já morto, não lhe quebraram as pernas,
(São João 20, 2) Correu e foi dizer a Simão Pedro e ao outro discípulo a quem Jesus amava: Tiraram o Senhor do sepulcro, e não sabemos onde o puseram!
6. Desceu à mansão dos mortos; Ressuscitou ao terceiro dia
(São Marcos 10, 34) Escarnecerão dele, cuspirão nele, açoitá-lo-ão, e hão de matá-lo; mas ao terceiro dia ele ressurgirá.
(Romanos 8, 34) Quem os condenará? Cristo Jesus, que morreu, ou melhor, que ressuscitou que está à mão direita de Deus, é quem intercede por nós!
NT. Mansão dos mortos: Na antiguidade mundo inferior, império da morte. As histórias da Bíblia transmitem-nos a “palavra de Deus expressa em línguas humanas”. Isto significa que os homens que testemunham a sua experiência de Deus, o fazem com as representações e as imagens do seu tempo. Imaginam a terra como um disco. Sobre ela, encontra-se a abóbada celeste, o “domínio” onde Deus reina sobre os viventes. Em baixo o mundo subterrâneo (sheol), a região onde reina a morte sobre os defuntos. Por isso se diz: Jesus “desceu” à mansão dos mortos.
7. Subiu aos Céu está sentado à direita de Deus Pai Todo-Poderoso
(São Marcos 16, 19) Depois que o Senhor Jesus lhes falou, foi levado ao céu e está sentado à direita de Deus.
(2 Macabeus 11, 13) Mas Lísias era inteligente. Refletiu, pois, na derrota e concluiu que os hebreus eram invencíveis porque o Deus poderoso combatia com eles.
8. De onde há de vir a julgar os vivos e os mortos
(Atos dos Apóstolos 10, 42) Ele nos mandou pregar ao povo e testemunhar que é ele quem foi constituído por Deus juiz dos vivos e dos mortos.
9. Creio no Espírito Santo
(São Marcos 1, 8) Eu vos batizei com água; ele, porém, vos batizará no Espírito Santo”.
10. Na Santa Igreja Católica
(At 2, 41-47) Os que receberam a sua palavra foram batizados. E naquele dia elevou-se a mais ou menos três mil o número dos adeptos. Perseveravam eles na doutrina dos apóstolos, na reunião em comum, na fração do pão e nas orações. De todos eles se apoderou o temor, pois pelos apóstolos foram feitos também muitos prodígios e milagres em Jerusalém e o temor estava em todos os corações. Vendiam as suas propriedades e os seus bens, e dividiam-nos por todos, segundo a necessidade de cada um. Todos os fiéis viviam unidos e tinham tudo em comum. Unidos de coração freqüentavam todos os dias o templo. Partiam o pão nas casas e tomavam a comida com alegria e singeleza de coração, louvando a Deus e cativando a simpatia de todo o povo. E o Senhor cada dia lhes ajuntava outros que estavam a caminho da salvação.
NT. O primeiro papa da Igreja Católica Apostólica Romana foi São Pedro, seu primeiro discurso está inserido no livro dos Atos dos apóstolos no capítulo 2. Pedro ainda escreveu 2 cartas que estão contidas no segundo testamento. As outras igrejas e seitas de denominações cristãs surgiram após o movimento de protestantismo iniciados por Calvino e Lutero. Não tendo tais den0ominações cristãs menção na Bíblia como a Igreja.
NT2. O nome Igreja Católica Apostólica Romana significa: A comunidade dos cristãos que não distingue grupos nacionais, étnicos, sociais entre outros, tendo uma visão universal dos filhos de Deus. Sediada em Roma; Igreja Romana. Procedente dos apóstolos. Dependente da Santa Sé, de caráter Papal.
11. Na comunhão dos santos
(Apocalipse 7, 9) Depois disso, vi uma grande multidão que ninguém podia contar, de toda nação, tribo, povo e língua: conservavam-se em pé diante do trono e diante do Cordeiro, de vestes brancas e palmas na mão,
(Sabedoria 18, 9) Por isso, os santos filhos dos justos ofereciam secretamente um sacrifício; de comum acordo estabeleciam o pacto divino: que os santos participariam dos mesmos bens e correriam os mesmos perigos; e entoavam já os hinos de seus pais,
(Efésios 1, 18) que ilumine os olhos do vosso coração, para que compreendais a que esperança fostes chamados, quão rica e gloriosa é a herança que ele reserva aos santos,
12. Na remissão dos pecados
(Atos dos Apóstolos 5, 31) Deus elevou-o pela mão direita como Príncipe e Salvador, a fim de dar a Israel o arrependimento e a remissão dos pecados.
(Atos dos Apóstolos 13, 38) Sabei, pois, irmãos, que por ele se vos anuncia a remissão dos pecados.
13. Na ressurreição dos mortos e a vida eterna
(Mt 27, 52s) Os sepulcros se abriram e os corpos de muitos justos ressuscitaram. Saindo de suas sepulturas, entraram na Cidade Santa depois da ressurreição de Jesus e apareceram a muitas pessoas.
(Mt 22, 31s) Quanto à ressurreição dos mortos, não lestes o que Deus vos disse: Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacó
(Ex 3, 6)? Ora, ele não é Deus dos mortos, mas Deus dos vivos.
(São João 3, 16) Com efeito, de tal modo Deus amou o mundo, que lhe deu seu Filho único, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna.
14. Amém – Sim, assim seja
(Apocalipse 22, 20) Aquele que atesta estas coisas diz: Sim! Eu venho depressa! Amém. Vem Senhor Jesus! Quem diz “Amém” confirma a sua decisão. Amém – sim, assim seja, eu adiro, aceito. Este Evangelho é válido para mim. Agradeço ao Senhor por isto.

Papa: pastores, digam a verdade acolhendo as pessoas

Cidade do Vaticano (RV) – João Batista foi a figura central da homilia do Papa Francisco na missa matutina celebrada na Capela da Santa Marta, nesta quinta-feira (15/12/2016).

A liturgia do Advento reflete sobre o ministério desse homem que vivia no deserto, pregava e batizava. Todos iam ao seu encontro, até mesmo os fariseus e os doutores da lei, mas “com distância”, para julgá-lo e não para se batizar.

No Evangelho de hoje, Jesus pergunta às multidões: O que vocês foram ver no deserto? Um caniço agitado pelo vento? Um homem vestido com roupas finas? Não um homem vestido com roupas preciosas porque aqueles que vivem no luxo estão nos palácios dos reis, “alguns nos episcopados”, acrescentou o Papa.

O que eles foram ver é um profeta, “alguém que é mais do que um profeta”. “Entre os nascidos de mulher, ninguém é maior do que João”, “o último dos profetas” porque depois dele há o Messias, explicou Francisco, que se deteve nos motivos dessa grandeza: “Era um homem fiel ao que o Senhor lhe pediu”, “grande porque fiel” e essa grandeza se via em suas pregações:

Vigor na pregação

“Pregava com vigor, dizia coisas fortes aos fariseus, aos doutores da lei, aos sacerdotes. Não lhes dizia: Queridos, comportem-se bem! Não! Dizia-lhes simplesmente: ‘Raça de víboras’. Não fazia rodeios, porque eles se aproximavam para controlar e para ver, mas nunca com o coração aberto: Raça de víboras! Arriscava a vida, mas era fiel. A Herodes dizia na cara: ‘Adúltero, isso não é lícito! Se um sacerdote hoje na homilia dominical dizer: Entre vocês existem alguns que são raça de víboras e existem também adúlteros, certamente o bispo receberia uma reclamação: Mande embora este pároco que nos insulta. E João Batista insultava. Por que? Porque era fiel à sua vocação e à verdade.”

O Papa observou que com as pessoas comuns João Batista era compreensivo. Aos publicanos, pecadores públicos porque exploravam o povo, ele dizia: “Não peçam mais do que o justo”. “Começava do pouco. Depois, veremos. E os batizava”, prosseguiu Francisco. “Primeiro este passo, depois a gente vê”.

Responsabilidade

Aos soldados, aos policiais pedia para não ameaçar nem denunciar ninguém e de se contentar com o seu salário. “Isso significa não entrar no mundo das propinas”, explicou o Papa. João batizava todos esses pecadores, mas com esse mínimo passo adiante porque sabia que com esse passo, depois o Senhor fazia o resto. E eles se convertiam. “É um pastor que entendia a situação das pessoas, que ajudava as pessoas a caminhar com o Senhor.” João foi o único dos profetas a quem foi dada a graça de indicar: “Este é Jesus”.

Mas, apesar de João ser grande, forte, certo da sua vocação, “também tinha momentos escuros”, “tinha as suas dúvidas”, diz Francisco. João, de fato, da prisão começa a duvidar, apesar de ter batizado Jesus, “porque era um Salvador, não como ele havia imaginado”. Ele, então, envia dois dos seus discípulos a perguntar-lhe se era realmente ele o Messias. E Jesus corrige a visão de João com uma resposta clara. Diz para referir a João que “os cegos recuperam a vista”, “os surdos ouvem”, “os mortos ressuscitam”. “Os grandes podem se dar ao luxo de duvidar, porque são grandes”, comenta o Papa:

Conversão

“Os grandes podem se dar ao luxo de duvidar, e isso é bom. Eles têm certeza da vocação, mas sempre que o Senhor lhes mostra uma nova estrada eles têm dúvidas. ‘Mas isso não é ortodoxo, isto é herético, este não é o Messias que eu esperava’. O diabo faz este trabalho e qualquer amigo também ajuda, certo? Esta é a grandeza de João, um grande, o último daquele grupo de crentes que começou com Abraão, aquele que prega a conversão, que não usa meias palavras para condenar os orgulhosos, que no fim da vida se permite de duvidar. E este é um bom programa de vida cristã”.

Francisco, em seguida, resume os pontos principais da sua homilia: dizer as coisas com verdade e receber das pessoas o que consegue dar, um primeiro passo:

“Peçamos a João a graça da coragem apostólica de sempre dizer as coisas com a verdade do amor pastoral, de receber pessoas com o pouco que pode dar, o primeiro passo. Deus fará o resto. E também a graça para duvidar. Muitas vezes, talvez no final da vida, alguém se pode perguntar: ‘Mas é verdade tudo aquilo que eu acreditei ou são fantasias?’ A tentação contra a fé, contra o Senhor. Que o grande João, que é o menor no reino dos Céus, por isso é grande, nos ajude neste caminho nas pegadas do Senhor”. (MJ-SP)

 

Conheça mais sobre a Palavra de Deus

Dei Verbum: Um documento sobre a Revelação

Um documento importantíssimo do Concílio Vaticano II é a Constituição Dogmática Dei Verbum sobre a Revelação. Nossa tentação é pensar logo que este documento fala sobre a Bíblia. Errado! Para o Cristianismo, a revelação não é a Bíblia, não é um livro, mas uma Pessoa: Jesus Cristo, rosto e Palavra de Deus para nós, cheio de graça e de verdade. E mais, não um Jesus qualquer, fruto simplesmente de uma pesquisa ou da opinião de algum erudito. O Jesus Cristo real, vivo e vivificante é aquele crido, adorado, vivido e testemunhado pela Igreja. É ele a Revelação! A Dei Verbum compõe-se de um proêmio, isto é, uma introdução e seis capítulos. Vamos a eles.

Já na sua introdução, o documento deixa claro que o Concílio (e a Igreja) coloca-se debaixo da Palavra de Deus, que é Jesus Cristo (cf. DV 1). Depois, no capítulo I, passa a tratar do que é a Revelação Divina: Deus, livremente no Seu amor e sabedoria, quis revelar-se aos homens por meio de Jesus Cristo para chamá-los a participar da vida divina. Então, o Senhor Deus não quer revelar coisas, mas deseja revelar Seu coração amoroso.

A Revelação é um diálogo de Deus com a humanidade por meio de Sua Palavra eterna feita carne: Jesus. Este diálogo é para nos levar à vida com Deus, à vida eterna, nossa plenitude (cf. DV 2). Depois, a Dei Verbum mostra como a Revelação foi sendo preparada ao longo da história, preparando para Jesus: na própria criação, o Senhor já se manifesta pela sua amorosa providência, na eleição de Abraão, nosso Pai na fé, na aliança com Israel e na palavra dos profetas. Assim, o Senhor foi preparando Israel e a humanidade para Jesus Cristo (cf. DV 3). Finalmente, chega Jesus, plenitude da revelação: Ele é a própria Palavra de Deus feita gente, feita carne. N’Ele, o Senhor se deu a nós totalmente (cf. DV 4).

Ainda neste capítulo, primeiro coloca-se a questão: como receber esta revelação de Deus? Qual a nossa atitude, a nossa resposta? A Dei Verbum responde: “A Deus revelador, é devida a obediência da fé!” (DV 5). Em outras palavras: a Revelação deve ser acolhida com fé, com aquela abertura amorosa e disponível que atinge e engloba a pessoa como um todo. A Revelação não é um conjunto de informações para a inteligência, mas Alguém que vem ao nosso encontro e a quem devemos acolher com todo o nosso ser. No entanto, a Revelação inclui também verdades reveladas que devem ser cridas, porque foram reveladas por Deus (cf. DV 6).

O capítulo II trata da transmissão da Revelação. Eis as ideias mais importantes: Cristo, Revelação do Pai, confiou-a aos apóstolos que pregaram, viveram e, por inspiração do Espírito Santo, colocaram por escrito a mensagem salvífica. Para que essa mensagem de salvação continuasse viva na Igreja, os apóstolos deixaram os bispos como seus sucessores e guardiões da verdade salvífica, contida na tradição oral e na Sagrada Escritura (cf. DV 7). Quanto à tradição apostólica, ela abrange tudo aquilo que coopera para a vida santa do povo de Deus e para o aumento da sua fé. Onde está a tradição? Na doutrina, na vida e no culto da Igreja, que é guiada pelo Espírito Santo.

Compete aos bispos, em comunhão com o Papa, o discernimento da tradição apostólica, a qual vai sempre progredindo na Igreja sob a inspiração do Santo Espírito (cf. DV 8). Ainda quanto à tradição, ela está intimamente unida à Sagrada Escritura, pois ambas dão testemunho do mesmo Cristo. Escritura e tradição devem ser recebidas e veneradas com igual reverência (DV 9). Compete aos bispos, em comunhão com o Papa, a interpretação última seja da Escritura seja da tradição: eles receberam autoridade de Cristo para isso e nesse discernimento são guiados pelo Espírito Santo (cf. DV 10).

O capítulo III afirma que a Escritura é toda ela inspirada por Deus, pois os seus autores escreveram por inspiração do Espírito Santo, de modo que, mesmo que cada autor dos livros bíblicos tenha seu estilo e sua visão, o autor final da Escritura é o próprio Deus e a Bíblia é realmente palavra d’Ele que nos transmite a verdade para a nossa salvação. Não se trata de verdade científica ou histórica, mas a verdade sobre o Senhor, sobre o homem e sobre o sentido da vida e do mundo (cf. DV 11).

Por isso mesmo, a interpretação correta da Palavra de Deus requer que se conheça a cultura do povo da Bíblia, a mentalidade e intenção do autor sagrado, bem como o gênero literário em que tal ou qual obra foi escrita. Sem contar que toda interpretação deve estar de acordo com o Magistério da Igreja (cf. DV 12). Uma coisa é certa: seja o simples crente, seja o estudioso erudito, deve procurar o sentido último da Escritura em Cristo e procurar interpretá-la no mesmo Espírito Santo que a inspirou e a entregou à Santa Igreja (cf. DV 21).

Depois, no capítulo IV, a Dei Verbum recorda que o Antigo Testamento é Palavra de Deus e prepara para o Cristo e, por isso, somente pode ser bem compreendido à luz de Cristo. No capítulo V, fala do Novo Testamento, mostrando que ele é mais excelente que o Antigo, porque é o cumprimento em Cristo daquilo que o Antigo anunciava. Ensina também que os evangelhos são de origem apostólica e contêm uma interpretação segundo a fé e inspirada pelo Espírito da vida, palavras e missão de Jesus Cristo.

Finalmente, o capítulo VI recorda a veneração que a Igreja tem pelas Sagradas Escrituras como Palavra de Deus e exorta os fiéis a que se alimentem dessa Santa Palavra para o bem de sua vida espiritual e da sua vida moral. Também recorda que a Sagrada Escritura deve ser a alma da Teologia. Exorta os ministros sagrados a que preguem a Palavra, sobretudo cuidando bem das homilias na Santa Missa. A celebração da Eucaristia é o lugar por excelência para se proclamar e escutar a Palavra de Deus, pois aí, a Palavra anunciada, que é Jesus Cristo, faz-se carne que alimenta e dá vida. A salvação anunciada na Escritura é celebrada na Páscoa Eucarística.

Eis, em linhas gerais, a belíssima Dei Verbum.

Dom Henrique Soares da Costa
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