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Papa Francisco: proximidade ao povo dava autoridade a Jesus

Rádio Vaticano (RV) – Jesus tinha autoridade porque servia as pessoas, estava próximo das pessoas e era coerente, ao contrário dos doutores da lei que se sentiam príncipes. Estas três características da autoridade de Jesus foram destacadas pelo Papa na reflexão matutina da terça-feira (10/1/2017), na Casa Santa Marta.

O Pontífice sublinhou que os doutores da lei ensinavam com autoridade “clericarística”, afastados das pessoas, não viviam aquilo que pregavam.

A autoridade de Jesus e aquela dos fariseus são os dois eixos em torno dos quais orbita a homilia do Papa. Um é uma autoridade real, o outro formal. No Evangelho do dia se fala do estupor das pessoas porque Jesus ensinava “como alguém que tem autoridade” e não como os escribas: eram as autoridades do povo, destaca Francisco, mas aquilo que ensinavam não entrava no coração, enquanto Jesus havia uma autoridade real: não era “um sedutor”, ensinava a Lei “até o último detalhe”, ensinava a Verdade com a autoridade.

O Papa desce aos pormenores e reflete sobre as três características que diferenciam a autoridade de Jesus daquela dos doutores da Lei. Enquanto Jesus “ensinava com humildade”, e diz aos seus discípulos que “o maior seja como aquele que serve: faça-se menor”, os fariseus se sentiam príncipes:

“Jesus servia as pessoas, explicava as coisas para que as pessoas entendessem bem: estava ao serviço das pessoas. Havia um comportamento de servidor, e isto Lhe dava autoridade. Ao invés, os doutores da lei que as pessoas… sim, escutavam, respeitavam mas não reconheciam que tivessem autoridade sobre eles, estes tinham uma psicologia de príncipes: ‘Somos os mestres, os príncipes, e nós ensinamos vocês. Não serviço: nós mandamos, vocês obedecem”. E Jesus nunca se fez passar por um príncipe: era sempre servidor de todos e isto é o que Lhe dava autoridade”.

É o estar próximo das pessoas, na verdade, que confere autoridade. A proximidade é a segunda característica que diferencia a autoridade de Jesus daquela dos fariseus. “Jesus não era alérgico às pessoas: tocava os leprosos, os doentes, não lhe dava repugnância”, explica Francisco, enquanto os fariseus desprezavam “as pobres pessoas, ignorantes”, eles gostavam de passear pelas praças, bem vestidos:

“Eram distantes das pessoas, não eram próximos; Jesus era muito próximo das pessoas, e isso dava autoridade. Os distantes, aqueles doutores, tinham uma psicologia clericalística: ensinavam com uma autoridade clericalística, isto é, o clericalismo. Eu gosto tanto quando leio a proximidade às pessoas que tinha o Beato Paulo VI; no número 48 da “Evangelii Nuntiandi” se vê o coração do pastor próximo: ali está a autoridade daquele Papa, a proximidade”.

Mas há um terceiro ponto que diferencia a autoridade dos escrivas daquela de Jesus, e é a coerência, Jesus “vivia o que pregava”: “havia como uma unidade, uma harmonia entre aquilo que pensava, sentia e fazia”.” Enquanto quem se sente príncipe tem “uma atitude clericalística”, isto é hipócrita,  diz uma coisa e faz outra:

“Ao invés, essas pessoas não eram coerentes e sua personalidade era dividida a ponto que Jesus aconselhava seus discípulos: “Façam o que dizem, mas não o que fazem”: diziam uma coisa e faziam outra. Incoerência. Eram incoerentes. E o adjetivo que Jesus usa muitas vezes é hipócrita. E dá para entender que quem se sente príncipe, que tem uma atitude clericalística, que é uma hipócrita, não tem autoridade! Dirá verdades, mas sem autoridade. Jesus, ao invés, que é humilde, que está a serviço, que está próximo, que não despreza as pessoas e que é coerente, tem autoridade. E esta é a autoridade que o povo de Deus sente”.

Concluindo, para explicar plenamente isto, o Papa recorda a parábola do Bom Samaritano. Diante do homem abandonado meio morto na estrada pelos brigantes, passa o sacerdote e vai embora porque tem sangue e pensa que se o tivesse tocado se tornaria impuro; passa o levita,  diz o Papa, e “creio pensasse” que se tivesse se envolvido, depois deveria testemunhar no tribunal” e tinha tantas coisas para fazer. E também ele vai embora. No final, vem o samaritano, um pecador que, ao invés, sente piedade. Mas tem outro personagem, o hospedeiro, nota o Papa, que fica impressionado não com o ataque dos brigantes, porque era uma coisa que acontecia naquela estrada, não pelo  comportamento do sacerdote e do levita, porque os conhecia, mas pelo comportamento do samaritano. O estupor do hospedeiro diante do samaritano: “Mas ele é louco”, “não é hebreu, é um pecador”, podia pensar. Francisco então liga este episódio com o estupor das pessoas do Evangelho de hoje diante da autoridade de Jesus: “uma autoridade humilde, de serviço”, “uma autoridade próxima das pessoas” e “coerente”. (rbf)

Santo Inácio de Antioquia – 17 de Outubro

Se pudesse falar de campeões no martírio, como símbolo do testemunho máximo do cristão, eu proporia, para ocupar esse lugar, Santo Inácio de Antioquia. A sua amável figura, amassada com doçura, mística e valentia, desconhecendo o medo à dor e à morte, resplandece, desde os tempos apostólicos, como farol e convite para todos os que têm de sofrer para se mostrarem fiéis a Jesus Cristo. O seu retrato está envolto em luz celestial, não pelo extraordinário dos milagres ou de qualquer forma de prodígios, mas pela sobrenatural simplicidade do seu proceder, movendo-se unicamente no mundo da fé, a partir do qual adquire lógica indomável aquilo que, aos nossos olhos humanos, parece encerrar aterradoras perspectivas de dor. Além disso, Santo Inácio é, sem pretendê-lo, o cantor do seu próprio martírio.

As suas cartas apaixonadas, de estilo único, continuam a ser vivas, agitando o leitor, que descobre nelas o rugido das feras, o bater das garras que tiram sangue, o ranger dos ossos triturados e todo o horror do circo romano, em que pereciam as primícias do Cristianismo, convertidas em semente de sangue, cuja esplêndida colheita recolheu a história. Mas estes horrores perdem em Santo Inácio os seus tons repulsivos, para se transformarem em canto de glória. Não é a morte cruel, mas o martírio por Jesus Cristo; não é o sofrimento, mas a oferta duma hóstia pacífica – aquilo que ali se retrata.

A crueldade fica sepultada na caridade, a morte é entrada triunfal na vida eterna e a ignomínia da condenação fica convertida em apoteose de imortalidade. As cartas do santo bispo de Antioquia, que hoje nos comovem, certamente constituiriam, para os cristãos dos séculos de perseguição, para aqueles que sabiam estar destinados para morte violenta, uma incitação ao combate, uma fonte pura de fortaleza e de esperança, porque nelas estava presente a eternidade, iluminando a passagem tenebrosa desta vida para a outra. Inácio é cognominado de Theophóros, portador de Deus.

O Martyrium, que relata a sua vida, atribuiu ao santo bispo – ao apresentar-se voluntariamente em Antioquia a Trajano, orgulhoso este pelo seu triunfo militar contra os dácios – o seguinte diálogo que, se historicamente não parece genuíno, reflete a verdade da sua vida. Trajano pergunta-lhe: – Quem és tu, demônio mísero, que tanto empenho pões em transgredir as minhas ordens e persuades outros a transgredi-Ias, para que miseriamente pereçam? Responde Inácio: – Ninguém pode chamar demônio mísero ao portador de Deus, sendo que os demônios fogem dos servos de Deus. Mais, se por ser eu objeto de aborrecimentos para os demônios, me chamas mau contra eles, estou conforme contigo, pois, tendo Cristo, rei celestial, comigo, desfaço todas as ciladas dos demônios. Disse Trajano: – Quem é Theophóros ou portador de Deus? Respondeu Inácio: – O que tem a Cristo no seu peito…

Nada sabemos com certeza dos primeiros anos de Inácio. A lenda, todavia, aureolando a sua figura, viu nele aquele menino de que São Mateus conta: «Naquele momento, os discípulos aproximaram-se de Jesus, e perguntaram-Lhe: “Quem é o maior no reino dos Céus?” Ele chamou um menino, colocou-o no meio deles e disse: “Em verdade vos digo: Se não voltardes a ser como as criancinhas, não podereis entrar no reino dos Céus. Quem, pois, se fizer humilde como este menino será o maior no reino dos céus. Quem receber um menino como este em meu nome, é a Mim que recebe. Mas se alguém escandalizar um destes pequeninos que crêem em Mim seria preferível que lhe suspendessem em volta do pescoço uma mó de moinho, das movidas pelos jumentos, e o lançassem nas profundezas do mar”» (Mt 18, 1-6).

A fé em Santo Inácio é completa, com formulações dum credo que prelúdio já o símbolo de Niceia: «Assim, pois, fechai os vossos ouvidos, escreve aos Tralenses, onde quer que se vos fale fora de Jesus Cristo, que é da linhagem de David e filho de Maria; que nasceu verdadeiramente e comeu e bebeu; foi verdadeiramente perseguido sob Pôncio Pilatos e verdadeiramente crucificado e morto, à vista dos moradores do céu e da terra e do inferno. O qual em verdade também ressuscitou dentre os mortos por virtude do seu Pai, que, à semelhança sua, nos ressuscitará também a nós, crentes n’Ele. Sim, o seu Pai nos ressuscitará em Jesus Cristo, fora de quem não teremos a vida verdadeira» (Trall. IX). As cartas de Inácio podem considerar-se como a «segunda formulação doutrina I cristã»; nelas reflete-se o que pensavam os cristãos da segunda geração, a imediatamente posterior aos apóstolos.

Está nelas toda a doutrina evangélica e paulina, elaborada, profundamente compartilhada e aceite, matizada diante dos ataques dos primeiros desvios heréticos, desejosos de romper a unidade, tanto hierárquica como doutrinal. A semelhança de doutrina não é tanto repetição de textos quanto princípio idêntico, do qual brotam as fórmulas sem citações, mas com a coincidência exata de quem vive na alma a mesma fé e as mesmas verdades, todas emanadas da mesma fonte, Jesus Cristo. Por isso, o pensamento de Santo Inácio está centrado na união com Cristo dentro da Igreja: «Como o amor não consente calar-se a respeito de vós, daí veio determinar-me a exortar-vos a correr à uma para o pensamento de Deus. Com efeito, ao modo de Jesus Cristo, vida nossa inseparável, é o pensamento do Pai; assim os bispos, estabelecidos pelos confins da terra, estão no pensamento de Jesus Cristo» (Eph. TIl, 3).

É o inventor da palavra católica aplicada à Igreja. «Nas cartas de Inácio – escreve L. de Grandmaison – enlaça-se pela primeira vez o epíteto glorioso de católica ao nome da Igreja: “Onde aparecer o bispo, aí está também a multidão, de maneira que, onde estiver Jesus Cristo, aí está a Igreja Católica” (Smyrn. VIII, 2). Desta maneira, o bispo encarna a sua Igreja particular, exatamente como a grande Igreja é a encarnação continuada do Filho de Deus. Não julgaríamos estar a ler um dos campeões da unidade eclesiástica do nosso tempo, um Adan Moehle, um Jaime Balmes, um Eduardo Pie?» Mostra-nos deste modo Santo Inácio que no seu tempo, fins do século I, a estrutura e o pensamento sobre a Igreja estão completos e amadurecidos. Bispos, presbíteros e diáconos constituem a hierarquia tripartida, sobre a qual se apóia toda a realidade do Cristianismo.

É necessário permanecermos unidos a esta hierarquia para viver dentro do espírito de Cristo. «Por conseguinte, da maneira que o Senhor nada fez sem contar com o seu Pai, feito como estava uma coisa com Ele – nada, digo, nem por Si mesmo nem pelos seus apóstolos -; assim vós nada façais também sem contar com o vosso bispo e com os anciãos; nem trateis de colorir, como louvável, nada que façais por vós somente, mas sim reunidos em comum; haja uma só oração, uma só esperança na caridade, na alegria sem mancha, que é Jesus Cristo; melhor que Ele nada existe» (Mag. VII, 1). Sem esta hierarquia não existe a Igreja: «Por vossa parte, escreve aos Tralenses, todos haveis também de respeitar os diáconos como a Jesus Cristo. O mesmo digo do bispo, que é figura do Pai, e dos anciãos (presbíteros), que representam o senado de Deus e a aliança ou colégio dos Apóstolos. Tirados estes, não há nome de Igreja» (Trai/. m, 1).

Santo Inácio foi detido e condenado a ser devorado pelas feras em Roma. Ouvida a sentença, o Santo responde: «Dou-te graças, Senhor, porque Te dignaste honrar-me com perfeita caridade para contigo, prendendo-me juntamente com o apóstolo Paulo, em cadeias de ferro…» (Mart. 11, 8). Não há nesta atitude nada que se pareça com o orgulho do revolucionário ou com a rigidez do rebelde. Não existe a menor partícula de protesto contra os poderes temporais, nem sequer contra as leis. A disposição do mártir cristão é coisa inédita e única na história. A serenidade e o valor são mantidos por uma visão sobrenatural interna, na consciência de cumprir uma missão: a de ser testemunha – isso significa mártir – de Jesus Cristo, fazendo-se semelhante a Ele no seu sacrifício. Assim o afirma o nosso bispo, escrevendo aos fiéis de Éfeso: «Logo que ficastes informados que vinha eu, da Síria – carregado de cadeias, pelo nome comum e nossa comum esperança, confiando que, pelas vossas orações, conseguirei lutar em Roma contra as feras para poder desse modo ser discípulo – apressastes-vos a sair para me ver» (Eph. I, 1).

Desde o momento da sua detenção, podemos seguir passo a passo os de Santo Inácio, devido à preciosa coleção das suas sete cartas autênticas, escritas durante a peregrinação que fez como preso. Com Zósimo e Rufo, outros dois cristãos condenados como ele, e guardados por um pelotão de soldados, embarcam em Selêucia, porto de Antioquia, para arribarem às costas da Cilícia ou Panfília, continuando desde aí outra parte da viagem por terra. Estes ásperos caminhos da Ásia Menor – poucos anos antes percorridos por S. Paulo, fazendo sementeira de cristandades – seriam para Santo Inácio novas provas da sua ansiada semelhança com o grande Apóstolo. As fervorosas comunidades daquelas terras transformam a viagem em ronda triunfal de admiração e caridade. Ao chegar a Esmirna, toda a comunidade cristã, presidida pelo seu bispo S. Policarpo, discípulo pessoal de São João Evangelista, sai a recebê-lo e prestar-lhe homenagem como se fosse Jesus Cristo em pessoa.

Devido a esta recepção, escrever-lhes-amais tarde: «Eu glorifico a Jesus Cristo, Deus, que é quem até esse ponto vos fez sábios; pois muito bem me dei conta de quão preparados estais com fé indestrutível, bem assim como se estivésseis pregados, em carne e em espírito, sobre a cruz de Jesus Cristo, e estivésseis assegurados na caridade pelo sangue do mesmo Cristo. É que vos vi cheios de certeza no que diz respeito a nosso Senhor» (Esm. 1). Outras comunidades vêm saudá-lo e ajudá-lo com a maior caridade. Algumas delas ficam enriquecidas com as suas cartas: Éfeso, Trales e Magnésia. Escreve-as de Esmirna, como também a enviada aos fiéis de Roma. Esta carta, documento único e impressionante da literatura universal, merece menção à parte.

Teve Santo Inácio conhecimento de que os romanos tratavam de interpor toda a sua influência para salvar-lhe a vida; e alarma-se profundamente, porque essa caridade é o mesmo que apartá-lo do martírio, da sua anelada meta. Para evitar esta possibilidade, escreve a famosa carta. O próprio Renan viu-se obrigado a comentá-la assim:

«A mais viva fé e a sede ardente da morte não inspiraram nunca traços tão apaixonados. O entusiasmo dos mártires, que foi durante 200 anos o espírito dominante de todo o Cristianismo, recebeu do autor desta peça extraordinária a sua expressão mais exaltada». Seria necessário copiar a carta inteira, mas, não sendo possível, uns parágrafos darão a idéia da sua altura celestial. Depois de saudar a Igreja de Roma, dando testemunho do seu lugar na hierarquia – ao dizer que «preside na capital do território dos romanos» e está «posta na cabeça da caridade», títulos preciosos para provar que a Igreja de Roma era considerada já como cabeça da cristandade – escreve:

«Por fim, à força de orações a Deus, consegui ver os vossos rostos divinos, e de tal maneira o alcancei que me é concedido mais do que pedia. Com efeito, encadeado por Jesus Cristo, tenho esperança de ir-vos saudar, se for vontade do Senhor fazer-me a graça de chegar até ao fim. Porque os começos, sem dúvida, bem postos estão, contanto que obtenha graça para alcançar sem impedimento a herança que me toca. E é que temo com razão a vossa caridade, não seja ela quem me prejudique. Porque para vós, na verdade, coisa fácil é fazerdes o que pretendeis; para mim, pelo contrário, se vós não tendes consideração comigo, vai ser-me difícil alcançar a Deus… O fato é que nem eu terei nunca ocasião de alcançar a Deus, nem vós, só com vos calardes, podeis pôr a vossa assinatura em obra mais bela. Porque, se vós vos calardes quanto a mim, eu converter-me-ei em palavra de Deus; mas, se vos deixardes levar pelo amor à minha carne, ficará tudo outra vez em mera voz humana. Não me procureis outra coisa senão permitir que me imole a Deus, enquanto há ainda um altar preparado, a fim de, formando um coro pela caridade, cantardes ao Pai por meio de Jesus Cristo, por ter Deus feito a graça, ao bispo da Síria, de chegar até ao Ocidente depois de o ter mandado chamar do Oriente. Como é belo que o sol da minha vida, ao sair do mundo, se transponha para Deus, a fim de n’Ele eu amanhecer!

«Pelo que a mim toca, escrevo a todas as igrejas, e diante de todas encareço que estou pronto a morrer de boa vontade por Deus, contanto que vós não mo impeçais. Eu vo-lo suplico: não mostreis para comigo uma benevolência inoportuna. Permiti-me ser pasto das feras, por meio das quais me é dado alcançar Deus. Trigo sou de Deus, e pelos dentes das feras hei-de ser moído, a fim de ser apresentado como limpo pão de Cristo. Afagai, pelo contrário, as feras, para se converterem em sepulcro meu e não deixarem sinal do meu corpo; assim, depois da minha morte, não serei molesto a ninguém. Quando o mundo já não vir nem sequer o meu corpo, então serei verdadeiro discípulo de Jesus Cristo. Pedi a Cristo por mim, para que por esses instrumentos consiga ser sacrifício para Deus. Não vos dou ordens como Pedro e Paulo. Eles foram apóstolos, eu não sou senão um condenado à morte; eles foram livres, eu, até ao presente, sou escravo. Mas, se conseguir sofrer o martírio, ficarei sendo liberto de Jesus Cristo e ressuscitarei livre n’Ele. E é agora que aprendo, encadeado como estou, a não ter desejo algum.

«Desde a Síria até Roma estou já a lutar com as feras, por terra e por mar, de noite e de dia, atado como estou a dez leopardos, quer dizer, a um pelotão de soldados que, mesmo com benefícios que lhes são feitos, se tomam piores. Agora sim, com os seus maus tratos, aprendo eu a ser melhor discípulo do Senhor, embora nem por isto me tenha por justificado.

«Oxalá goze eu das feras que estão para mim destinadas e que faço votos se mostrem velozes para comigo! Eu mesmo as atiçarei para que me devorem rapidamente, e não seja eu como alguns, a quem, cheias de medo, elas não se atrevem a tocar. E se elas não quiserem aquilo que de boa vontade se lhes oferece, eu mesmo as obrigarei. Perdoai-me, eu sei o que me convém. Agora começo a ser discípulo. Nenhuma coisa, visível nem invisível, seja posta diante de mim por má vontade, impedindo-me alcançar Jesus Cristo. Fogo e cruz, e manadas de feras, quebras dos meus ossos, desconjunta mentos de membros, triturações de todo o meu corpo, tormentos atrozes do diabo, tudo venha sobre mim, unicamente sob a condição de eu alcançar Jesus Cristo.

«Porque vos escrevo agora com ânsias de morte. O meu amor está crucificado e já não há em mim fogo que busque alimentar-se de matéria; mas sim, em troca, há uma água viva que murmura dentro de mim e do íntimo me está dizendo: “Vem para o Pai”. Não sinto prazer pela comida corruptível nem me atraem os deleites desta vida. Quero o pão de Deus, que é a carne de Jesus Cristo, da linhagem de David; o seu sangue quero por bebida, que é amor incorruptível».

Partindo de Esmirna, toca em Alexandria de Troas, donde escreve aos fila delfins, aos esmirniotas e a Policarpo, bispo destes últimos. Seguem viagem, parando também em Filipos; atravessam a Macedônia. Tomam a embarcar em Dirráquio, rodeiam o Sul da Itália, desembarcando em Óstia. Em Roma estavam no fim umas festas nunca vistas, para comemorar o triunfo de Trajano, conseguido dos dácios no ano 106. Duraram cento e vinte e três dias, e nelas morreram dez mil gladiadores e doze mil feras. A 18 de Dezembro do ano seguinte, 107, foram lançados às feras Zósimo e Rufo, os dois companheiros de Santo Inácio, e dois dias mais tarde, o santo bispo de Antioquia.

As suas poucas relíquias corporais foram enviadas para Antioquia. Mas as verdadeiras relíquias imortais foram as suas cartas; sobre elas escreveu o Padre J. Huby: «Inácio, entregue às feras no tempo de Trajano, é o exemplar do pontífice entusiasta e o modelo de mártir. É a realização viva das palavras apostólicas: Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim… Desejo ser desfeito e estar em Cristo. As suas insistências não comoveram menos a Igreja que as de São Paulo, e em certas frases, mil vezes citadas, parece estar concentrado todo o espírito dos mártires».

A beleza de Deus refletida na Mãe

A mensagem de Aparecida

No dia 27 de julho, o Papa Francisco se encontrou com um grupo de bispos brasileiros que participavam da Jornada Mundial da Juventude, no Rio de Janeiro. Dentre os temas abordados, um deles – que teve como título: “Aparecida, chave de leitura para a missão da Igreja” – poderia ser visto como uma síntese atualizada e adaptada para o Brasil, da obra que São Luís Maria Grignion de Montfort escreveu em 1712: “Tratado da verdadeira devoção à Santíssima Virgem Maria”. Trazemos seu pensamento resumido em alguns tópicos mais incisivos.

Em Aparecida, Deus deu ao Brasil a sua própria Mãe e, com ela, uma lição sobre a sua maneira de ser e de agir, impregnada de humildade, que é o traço essencial de Deus, o seu DNA.

Tudo começa com as privações sofridas por pobres pescadores: muita fome e poucos recursos! As pessoas precisam de pão. Também hoje – não se deve esquecer – os homens partem sempre de suas carências, inclusive em sua busca religiosa.

Os pescadores dispõem apenas de um barco frágil e inadequado, e as redes são rotas e insuficientes.

No início, há a labuta, o cansaço. O resultado é escasso. Apesar dos esforços, as redes estão vazias. Depois, quando foi de sua vontade, Deus aparece em seu mistério. As águas profundas sempre encerram a possibilidade de um encontro com Deus. Ele surge de improviso, talvez quando já se comece a perder a esperança. A paciência dos que o aguardam é posta à prova. Deus chega de maneira inesperada: numa imagem de barro frágil, escurecida pelas águas do rio, envelhecida pelo tempo. Deus sempre vem nas vestes da fraqueza, da pequenez, da pobreza.

É a estátua da Imaculada Conceição. A Senhora Aparecida se apresenta com os traços de uma raça marginalizada. Primeiro o corpo, depois a cabeça. Em seguida, a junção do corpo e da cabeça. O que estava separado, retoma a unidade. O Brasil colonial era dividido pelo muro da escravidão e das castas. Pelas mãos dos pescadores, o que estava quebrado se recompõe.

É a grande lição oferecida por Deus a Seus filhos. Sua beleza refletida na Mãe, concebida sem pecado original, emerge da obscuridade do rio. Em Aparecida, desde o início, Deus fala de recomposição do que está fraturado, de compactação do que está dividido. Muros, abismos, distâncias que ainda hoje existem, devem desaparecer. A Igreja não pode esquecer sua missão de ser instrumento de reconciliação.

Há muito que aprender na atitude dos pescadores. Como eles, a Igreja precisa acolher o mistério de Deus com simplicidade e intensidade. É assim que conseguirá encantar as pessoas. Somente a beleza de Deus pode atrair.

Deus se faz levar para casa. Ele desperta no homem o desejo de guardá-lo em sua própria vida, na própria casa, em seu coração. Ele faz nascer em nós a vontade de chamar os vizinhos para lhes dar a conhecer a sua beleza. A missão nasce dessa fascinação divina, desse encontro maravilhoso. Os pescadores chamam seus vizinhos para verem o mistério da Virgem. Sem essa simplicidade e esse entusiasmo, a nossa missão está fadada ao fracasso.

A Igreja não pode esquecer a lição de Aparecida. As redes da Igreja são frágeis, talvez remendadas; a barca da Igreja não tem a força dos grandes transatlânticos que cruzam os oceanos. Contudo, Deus quer se manifestar através dos nossos meios pobres e fracos, porque quem age é sempre Ele.

O resultado do trabalho pastoral não assenta na riqueza dos recursos, mas na criatividade do amor. Certamente não deve faltar a tenacidade, a fadiga, o trabalho, o planejamento, a organização; mas, não se pode esquecer que a força da Igreja deve ser buscada nas águas profundas de Deus, onde ela é chamada a lançar as suas redes.

Por fim, convém lembrar que Aparecida nasceu numa encruzilhada do Brasil: na estrada que ligava Rio (a capital) com São Paulo (a Província empreendedora que estava nascendo) e Minas Gerais (as riquezas cobiçadas pelas cortes europeias). Deus aparece em cruzamentos, com direções e sentidos diferentes. A Igreja no Brasil não pode esquecer esta vocação inscrita em si mesma desde a sua primeira respiração: ser capaz de sístole e diástole, recolher e irradiar, espiritualidade e missão.

Dom Redovino Rizzardo, cs
Bispo de Dourados (MS) 
redovinorizzardo@gmail.com

Não adianta falar de paz se o coração está em guerra

Quinta-feira, 8 de setembro de 2016, Da Redação, com Rádio Vaticano

Papa retomou hoje Missa na Casa Santa Marta; na homilia, ênfase para a promoção da paz nas pequenas coisas

É preciso construir a paz a partir das pequenas coisas do dia a dia, explica o Papa / Foto: L’Osservatore Romano

O Papa Francisco retomou as Missas na Casa Santa Marta nesta quinta-feira, 8, após uma pausa devido ao período de verão. Na homilia, ele destacou a necessidade de pedir o dom da sabedoria para promover a paz nas pequenas coisas do cotidiano, pois é a partir de pequenos gestos que nasce a possibilidade de paz em escala global.

A paz não se constrói por meio de grandes consensos internacionais, ponderou o Papa. A paz é um dom de Deus que nasce em lugares pequenos, em um coração, por exemplo, ou em um sonho, como acontece a José, quando um anjo lhe diz que não deve ter medo de se casar com Maria, porque ela doará ao mundo o Emanuel, o “Deus conosco”. E o Deus conosco, diz o Papa, “é a paz”.

Deste ponto parte a reflexão, de uma liturgia que pronuncia a palavra “paz” desde a primeira oração. O que atrai a atenção de Francisco em particular é o verbo que se ressalta na oração da coleta, “que todos nós possamos crescer na unidade e na paz”. “Crescer” porque, destaca o Papa, a paz é um dom que tem seu caminho de vida e, portanto, cada um deve trabalhar para que este se desenvolva.

“Esta estrada de santos e pecadores nos diz que também nós devemos pegar este dom da paz e abrir-lhe caminho em nossa vida, fazê-lo entrar em nós, fazê-lo entrar no mundo. A paz não se constrói da noite para o dia; a paz é um dom, mas um dom que deve ser tomado e trabalhado todos os dias. Para isto, podemos dizer que a paz é um dom artesanal nas mãos dos homens. Somos nós, homens, todos os dias, que devemos dar um passo para a paz: é o nosso trabalho. É o nosso trabalho com o dom recebido: promover a paz”.

Guerra nos corações, guerra no mundo

O Papa questionou, então, como é possível atingir essa meta. Na liturgia do dia, explica, há uma outra palavra que fala de “pequenez”. Aquela da Virgem, da qual se festeja a Natividade, e também aquela de Belém, tão pequena que tampouco consta nos mapas, ressalta Francisco.

“A paz é um dom, é um dom artesanal que devemos trabalhar, todos os dias, mas trabalhá-lo nas pequenas coisas: nas pequenezes cotidianas. Não são suficientes os grandes manifestos pela paz, os grandes encontros internacionais se depois não se realiza esta paz no pequeno. Aliás, tu podes falar da paz com palavras esplendidas, fazer uma grande conferência… Mas se no teu pequeno, no teu coração não há paz, na tua família não há paz, no teu bairro não há paz, no teu trabalho não há paz, não haverá tampouco no mundo”.

É preciso pedir a Deus, sugere o Papa, a graça da sabedoria de promover a paz nas pequenas coisas cotidianas, mas mirando ao horizonte de toda a humanidade, justamente hoje, repetiu o Papa, quando se vive uma guerra e todos pedem a paz.

“Como está teu coração hoje? Está em paz? Se não está em paz, antes de falar de paz, coloca teu coração em paz. Como está a tua família hoje? Está em paz? Se não és capaz de levar adiante a tua família, o teu presbitério, a tua congregação, levá-la adiante em paz, não bastam palavras de paz para o mundo… Esta é a pergunta que hoje gostaria de fazer: como está o coração de cada um de nós? Está em paz? Como está a família de cada um de nós? Está em paz? É assim, não? Para chegar a um mundo em paz”.

Por que ficar a vida inteira com traumas na sexualidade?

Precisamos ter a visão correta do nosso corpo

Muitas vezes, temos sérios traumas relacionados ao nosso corpo, à nossa sexualidade. Queríamos ser mais altos ou mais baixos, mais magros ou mais gordos. Passamos a vida inteira insatisfeitos, tentando mudar, fazendo plástica, colocando silicone, tomando remédios para modelar o corpo. Não admitimos a santidade e a beleza do nosso corpo. A Bíblia não tem medo de afirmar, muitas e muitas vezes, que o autor do meu corpo é Deus. Enquanto não chegarmos a essa experiência de termos a visão correta de nós mesmos, que fomos gerados no seio de nossa mãe, vamos carregar embutidas ideias erradas.

Temos vivido a exploração do “voyeurismo”, que nada mais é do que a transmissão de valores, ideias e visões erradas em relação à sexualidade e ao corpo. Uma prova disso são as revistas pornográficas.

O homem moderno está bastante evoluído. Se a sexualidade está sendo vivida de modo tão natural como dizem que está, por que então, a cada dia que passa, inventam-se e criam-se novas publicidades nesse campo?

Mesmo tendo trezentas mulheres, Davi não se saciava, pois seu problema não era afetivo. Ele não queria amar alguém, mas ter prazer.

Essa desarmonia está ligada à gestação do ser humano, à sua concepção. Por isso é muito importante fazer a oração de cura interior tomando posse da graça de Deus que estava presente em cada um desses momentos.

Quando começarmos a compreender que a concepção de uma vida é natural do ponto de vista humano e que o ser humano é chamado a exercer esse ministério participando da graça de Deus, começaremos a mudar a mentalidade relacionada a nossa sexualidade.

Não podemos mais deixar o demônio nos prender, nos amarrar em algo que vamos carregar conosco a vida inteira. Traumas assim não se resolvem nem durante a velhice. Por que ficar a vida inteira com traumas nesta área?

A sexualidade deve ser revestida de um momento, de um lugar sagrado, porque pela unidade física o ser humano está participando de um momento lindo da criação de Deus. Isso precisa ser solenizado, mas o “encardido” tem nos convencido de que é feio e que precisa ser escondido. Por que um casal deve viver essa intimidade a portas fechadas? Porque o momento é lindo demais para ser dividido, íntimo demais para ser partilhado e solene demais para ser vulgarizado. O casal está em íntima comunhão consigo, marido e mulher, daí a nudez total não só de tirar a roupa mas de abrir o coração, porque Deus está presente.

É algo lindo, maravilhoso, mas o “encardido” espalhou que é feio e que precisa ser escondido. Começa a despertar malícia na criança, no adolescente, nas outras pessoas. Esse é, de fato, o objetivo do demônio: fazer com que o ser humano não se aceite no seu corpo.

São João nos revela um critério de discernimento para saber se a pessoa tem ou não contaminação demoníaca. O demônio e qualquer espírito maligno jamais conseguem confessar que Jesus Cristo veio na carne, porque o Verbo de Deus se fez carne e habitou entre nós para nos salvar. Ao fazer com que olhemos para a carne com uma ideia pecaminosa, com visão distorcida, o “encardido” está nos fazendo não aceitar a salvação. Por que a sexualidade torna-se fonte de tanto pecado? Porque ela está associada, e não há como separá-la, ao mistério da salvação do ser humano; da minha e da sua salvação.

Padre Léo, scj
(Extraído do livro “Homens e mulheres restaurados”)

Santo Agostinho de Hipona

“A Lei foi dada para que se implore a graça; a graça foi dada para que se observe a lei.” [ Santo Agostinho de Hipona ]

“Bem como a verdade se produz pela medida, também a medida se produz pela verdade.” [ Santo Agostinho de Hipona ]

“Bem como toda carência é desgraça, toda desgraça é carência.” [ Santo Agostinho de Hipona ]

“A razão não se submeteria nunca, se não se julgasse que há ocasiões em que deve submeter-se.” [ Santo Agostinho de Hipona ]

“Quem toma bens dos pobres é um assassino da caridade. Quem a eles ajuda, é um virtuoso da justiça.” [ Santo Agostinho de Hipona ]

“A ociosidade caminha com lentidão, por isso todos os vícios a atingem.” [ Santo Agostinho  ]

“Existirá a verdade ainda que o mundo pereça.” [ Santo Agostinho de Hipona ]

“No Céu dizem Aleluia, porque na Terra disseram Amém.” [ Santo Agostinho ]

“A necessidade não conhece leis.” [ Santo Agostinho de Hipona ]

“A mesma debilidade de Deus procede de sua onipotência.” [ Santo Agostinho ]

“Deus, que te criou sem ti, não te salvará sem ti.” [ Santo Agostinho de Hipona ]

“Que é, pois o tempo? Se ninguém me pergunta, eu sei; se quero explicá-lo a quem me pede, não sei.” [ Santo Agostinho de Hipona ]

“Ninguém pode ser perfeitamente livre até que todos o sejam.” [ Santo Agostinho de Hipona ]

“Não há riqueza mais perigosa do que uma pobreza presunçosa.” [ Santo Agostinho de Hipona ]

“Convém matar o erro, porém salvar aos que vão errados.” [ Santo Agostinho de Hipona ]

“Pensa em tudo o que crê. Porque a fé, se não se pensa no que crê, é nula.”  [ Santo Agostinho de Hipona ]

“Uma coisa é ter percorrido mais o caminho e outra ter caminhado mais devagar.” [ Santo Agostinho de Hipona ]

“O mundo não foi feito no tempo, mas sim com o tempo.” [ Santo Agostinho de Hipona ]

“No jardim da Igreja se cultivam: As rosas dos mártires, os lírios das virgens, as rosas dos casados, as violetas das viúvas.” [ Santo Agostinho de Hipona ]

“Amai a esta Igreja, permanecei nesta Igreja, é de vocês esta Igreja.” [ Santo Agostinho de Hipona ]

“A alma desordenada leva em sua culpa a pena.” [ Santo Agostinho de Hipona ]

“Não teve tempo algum em que não tivesse tempo.” [ Santo Agostinho de Hipona ]

“Nas coisas necessárias, a unidade; nas duvidosas, a liberdade; e em todas, a caridade.” [ Santo Agostinho de Hipona ]

“Quando estiver em Roma, comporta-te como os romanos.” [ Santo Agostinho de Hipona ]

“Uma virtude simulada é uma impiedade duplicada: à  malícia une-se a falsidade.”  [ Santo Agostinho de Hipona ]

“O homem não reza para dar a Deus uma orientação, mas para orientar-se devidamente a si mesmo.” [ Santo Agostinho de Hipona ]

“Creio para compreender, e compreendo para crer melhor.” [ Santo Agostinho de Hipona ]

“Não se chega à verdade senão através do amor.” [ Santo Agostinho de Hipona ]

“Dai-me o que mandas e manda-me o que queiras de mim.” [ Santo Agostinho de Hipona ]

“Os homens estão sempre dispostos a vasculhar e averiguar sobre as vidas alheias, mas lhes dá preguiça conhecer-se a si mesmos e corrigir sua própria vida.” [ Santo Agostinho de Hipona ]

“Se somos arrastados para Cristo, cremos sem querer; usa-se então a violência, não a liberdade.” [ Santo Agostinho de Hipona ]

“O que mais Deus odeia depois do pecado é a tristeza, porque nos predispõe ao pecado.” [ Santo Agostinho de Hipona ]

“A oração é o encontro da sede de Deus e da sede do homem.” [ Santo Agostinho de Hipona ]

“Aprova aos bons, tolera os maus e ama a todos.” [ Santo Agostinho de Hipona ]

“É melhor coxear pelo caminho do que avançar a grandes passos fora dele. Pois quem coxea no caminho, ainda que avance pouco, atem-se à meta,enquanto quem vai fora dele, quanto mais corre, mais se afasta.” [ Santo Agostinho de Hipona ]

“Casar-se está bem. Não se casar está melhor.” [ Santo Agostinho de Hipona ]

“Ninguém nega a Deus, senão aquele a quem lhe convém que Deus não exista.”  [ Santo Agostinho de Hipona ]

“O passado já não é mais e o futuro não é ainda.” [  Santo Agostinho de Hipona ]  “A sabedoria não é outra coisa senão a medida do espírito, isto é, a que nivela ao espírito para que não se extrapole nem se estreite.” [ Santo Agostinho de Hipona ]

“Obedecei mais aos que ensinam do que aos que mandam.” [ Santo Agostinho de Hipona ]

“A soberba não é grandeza mas sim inchaço; e o que está inchado parece grande mas não está são.” [ Santo Agostinho de Hipona ]

“Não vás para fora, volta a ti mesmo. No homem interior habita a verdade.”  [ Santo Agostinho de Hipona ]

“Se duvido, se me alucino, vivo. Se me engano, existo. Como enganar-me ao afirmar que existo, se tenho que existir para enganar-me?” [ Santo Agostinho de Hipona ]

“Uma vez ao ano é lícito fazer loucuras.” [ Santo Agostinho de Hipona ]

“Dá o que tens para que mereças receber o que te falta.” [ Santo Agostinho de Hipona ]

“Quando rezamos falamos com Deus, mas quando lemos é Deus quem fala conosco.” [ Santo Agostinho de Hipona ]

“Quanto melhor é o bom, tanto mais incômodo é para o mau.” [ Santo Agostinho de Hipona ]

“Onde não há caridade não pode haver justiça.” [ Santo Agostinho de Hipona ]

“As lágrimas são o sangue do alma.” [ Santo Agostinho de Hipona ]

“Quem não teve atribulações para suportar, é porque não começou a ser cristão para valer.” [ Santo Agostinho de Hipona ]

“Conhece-te, aceita-te, supera-te.” [ Santo Agostinho de Hipona ]

“Deus não manda coisas impossíveis, mas sim, ao mandar o que manda, convida-te a fazer o que possas e pedir o que não possas e te ajuda para que possas.” [ Santo Agostinho de Hipona ]

“Se queres conhecer a uma pessoa, não lhe perguntes o que pensa mas sim o que ela ama.” [ Santo Agostinho de Hipona ]

“Aquele que não tem ciúmes não está apaixonado.” [ Santo Agostinho de Hipona ]

“Se precisas uma mão, recorda que eu tenho duas.” [ Santo Agostinho de Hipona ]

O significado de cada letra da palavra família

Compromissos definitivos

Saiba qual o significado de cada letra da palavra família

Qual o significado da família? Pare e pense um instante para responder essa pergunta. O valor contido nessa instituição, um ambiente familiar, é imenso, incalculável. Isso nos remete aos nossos ancestrais: pais, avós e bisavós. Graças à união deles, à nossa árvore genealógica, estamos aqui para refletir e ter o coração grato ao nosso passado. Para este olhamos com gratidão; para o presente, com paixão, e contemplamos o futuro com esperança. Atento às necessidades do mundo atual, o Santo Padre acompanhou, com ternura de pai, a realização do Sínodo Ordinário dos Bispos sobre a Família até a sua conclusão. Depois de três semanas de trabalhos, o Papa ouviu atentamente as declarações dos cerca de trezentos participantes.

Com sabedoria e discernimento próprios, o primeiro Papa jesuíta da Igreja Católica apresentou seu discurso de conclusão. A palavra “significado” acompanhou cada parágrafo do documento. As três semanas de trabalho no Vaticano foram o ponto de chegada de um longo caminho percorrido por cristãos do mundo todo. Os debates deram demonstrações da vitalidade da Igreja Católica. Quase despercebido, no rodapé, um detalhe do discurso do Papa Francisco, disponível na internet, chama à atenção. Uma análise em forma de acróstico ajuda a resumir a missão da família na Igreja.

O significado de cada letra da palavra família

O texto original foi escrito em italiano, portanto, as iniciais são da palavra famiglia:

Formar as novas gerações para viverem seriamente o amor, não como pretensão individualista, baseada apenas no prazer e no «usa e joga fora», mas para acreditarem novamente no amor autêntico, fecundo e perpétuo, como único caminho para sair de si mesmo, para abrir-se ao outro, sair da solidão e viver a vontade de Deus, para realizar-se plenamente e compreender que o matrimônio é o «espaço onde se manifesta o amor divino, para defender a sacralidade da vida, de toda a vida, e defender a unidade e a indissolubilidade do vínculo conjugal como sinal da graça de Deus e da capacidade que o homem tem de amar seriamente» (Homilia na Missa de Abertura do Sínodo, 4 de Outubro de 2015); enfim, para valorizar os cursos pré-matrimoniais como oportunidade de aprofundar o sentido cristão do sacramento do matrimônio;

Aviar-se ao encontro dos outros, porque uma Igreja fechada em si mesma é morta; uma Igreja que não sai do seu aprisco para procurar, acolher e conduzir todos a Cristo atraiçoa a sua missão e vocação;

Manifestar e estender a misericórdia de Deus às famílias necessitadas, às pessoas abandonadas, aos idosos negligenciados, aos filhos feridos pela separação dos pais, às famílias pobres que lutam para sobreviver, aos pecadores que batem às nossas portas e àqueles que se mantêm longe, aos deficientes e a todos aqueles que se sentem feridos na alma e no corpo e aos casais dilacerados pela dor, doença, morte ou perseguição;

Iluminar as consciências, frequentemente rodeadas por dinâmicas nocivas e subtis

Iluminar as consciências, frequentemente rodeadas por dinâmicas nocivas e subtis, que procuram até se pôr no lugar de Deus Criador. Tais dinâmicas devem ser desmascaradas e combatidas no pleno respeito pela dignidade de cada pessoa; ganhar e reconstruir com humildade a confiança na Igreja, seriamente diminuída por causa da conduta e dos pecados dos seus próprios filhos. Infelizmente, o contratestemunho e os escândalos cometidos dentro da Igreja por alguns clérigos afetaram a sua credibilidade e obscureceram o fulgor da sua mensagem salvífica;

Labutar intensamente por apoiar e incentivar as famílias sãs, as famílias fiéis e numerosas que continuam, não obstante as suas fadigas diárias, a dar um grande testemunho de fidelidade aos ensinamentos da Igreja e aos mandamentos do Senhor;

Tirar do coração dos jovens o medo de assumir compromissos definitivos

Idear uma pastoral familiar renovada, que esteja baseada no Evangelho e respeite as diferenças culturais; uma pastoral capaz de transmitir a Boa Nova com linguagem atraente e jubilosa, tirar do coração dos jovens o medo de assumir compromissos definitivos; uma pastoral que preste uma atenção particular aos filhos que são as verdadeiras vítimas das lacerações familiares; uma pastoral inovadora que implemente uma preparação adequada para o sacramento do matrimônio e ponha termo a costumes vigentes, os quais, muitas vezes, preocupam-se mais com a aparência de uma formalidade do que com a educação para um compromisso que dure a vida inteira;

Amar incondicionalmente todas as famílias e, de modo particular, aquelas que atravessam um período de dificuldade. Nenhuma família deve sentir-se sozinha ou excluída do amor e do abraço da Igreja; o verdadeiro escândalo é o medo de amar e manifestar concretamente esse amor.

A Igreja não tem medo de abalar as consciências anestesiadas

O Santo Padre afirma que a Igreja “não tem medo de abalar as consciências anestesiadas ou sujar as mãos com discussões animadas e francas sobre a família”. Os bispos buscaram olhar e ler as realidades com os olhos de Deus, para acender e iluminar com a chama da fé os corações das pessoas numa época marcada por desânimo, crise social, econômica, moral e negativa. Corações fechados também foram observados, bem como tentativas de julgamento, com sinais de superioridade e superficialidade. No entanto, no caminho desse Sínodo prevaleceram livre expressão de opiniões e resultaram em um diálogo rico e animado, “proporcionando a imagem viva de uma Igreja que não usa «impressos prontos», mas que, da fonte inexaurível da sua fé, tira água viva para saciar os corações ressequidos”.

Rodrigo Luiz dos Santos é editor-chefe de Jornalismo da TVCN e apresentador de programas relacionados à Igreja. Missionário na Canção Nova, estudou Filosofia e formou-se em Jornalismo pela Faculdade Canção Nova. Casado com Adelita Stoebel, missionária na mesma comunidade católica, Rodrigo é pai de Tobias.

 

Festa de São Pedro, unidade e missão da Igreja

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Primeira lição da Festa de São Pedro é a naturalidade, que não se confunde com banalidade

Pedro vem de pedra, Pedro vem de Simão, Simão, irmão de André, Simão companheiro de Paulo, Pedro escolhido para confirmar os irmãos. Pedro, homem escolhido para fundamento, ponto de unidade, ainda que limitado e fraco. Apenas uma brincadeira com as palavras? Uma realidade, diante da qual nos inclinamos respeitosos, pela grandeza da obra realizada por Deus. Celebramos a Festa de São Pedro, e com ela a unidade e a missão da Igreja.

Hoje, o Sucessor de Pedro tem nome de Francisco, e Francisco, o de Assis, encontrou um dia uma igreja em ruínas, dedicada a São Damião. O Senhor crucificado lhe dirigiu a palavra, pedindo-lhe para reconstruir. Francisco entendeu “igreja” e Jesus queria dizer “Igreja”, a Igreja! Aquela que está sempre em construção, pois, nascida como esposa imaculada do lado do Senhor crucificado, é confiada aos homens e mulheres de todos os tempos, até a volta do Senhor. Como edificá-la? Francisco de Assis entendeu: “Se você quiser servir a Deus, faça poucas coisas, mas as faça bem, pedra por pedra, com esperança de ver Jesus, dia após dia, com alegria!”.

Há poucos dias estive mais uma vez com o Papa Francisco e tive a alegria de estar bem perto dele. Impressionou-me a naturalidade com que se relaciona com as pessoas, fazendo-se um com os cerca de mil e cem sacerdotes reunidos em Retiro na Basílica de São João de Latrão, em Roma. Depois, a profundidade de suas reflexões, destiladas em palavras que entram imediatamente no coração das pessoas. Quando respondia às perguntas feitas pelos padres, dirigia-se logo ao âmago dos problemas apresentados, sem medo dos desafios. Mais uma vez pediu orações a todos os presentes, dizendo com simplicidade “porque eu sou um pecador!”. E a Santa Missa! Celebrada com intenso espírito de fé! Como o Pedro das margens do Mar da Galileia, o Francisco de hoje tem a missão de confirmar os irmãos!

Primeira lição da Festa de São Pedro é a naturalidade, que não se confunde com banalidade. O cristão que se preze convive com os outros com simplicidade, recolhendo tudo o que existe de bom, valorizando os pequenos gestos e as alegrias gratuitas que a Providência de Deus lhe proporciona. Não tem necessidade de empolar-se de afetações ou palavras complicadas. Tudo deve ser vivido com serenidade, aproveitando as lições que são oferecidas a cada momento. Ninguém despreze um sorriso de criança, ou o olhar provocante e esperançoso de um jovem, ou, quem sabe, a pele enrugada de um ancião que testemunha a grandeza dos anos bem vividos! Pedro é pedra do cotidiano! Ao lado dos outros, ele sabe que está trabalhando na terra que é de Deus. Foi também a experiência de outra grande coluna da Igreja, Paulo, confrontado com a diversidade dos apóstolos: “Quando um declara: ‘Eu sou de Paulo’ e outro: ‘Eu sou de Apolo’, não estais apenas no nível humano? Pois, que é Apolo? Que é Paulo? Não passam de servos pelos quais chegastes à fé.

A cada um o Senhor deu sua tarefa: eu plantei, Apolo regou, mas era Deus que fazia crescer. De modo que nem o que planta nem o que rega são, propriamente, importantes. Importante é aquele que faz crescer: Deus. Aquele que planta e aquele que rega são a mesma coisa, mas cada qual receberá o salário correspondente ao seu trabalho. Pois nós somos cooperadores de Deus, e vós, lavoura de Deus, construção de Deus. Paulo, Apolo, Cefas, o mundo, a vida, a morte, o presente, o futuro, tudo é vosso, mas vós sois de Cristo e Cristo é de Deus” (1 Cor 3, 4-9. 22-23). Pedra por pedra!

Um dos desafios de nosso tempo é a superação da superficialidade com que as questões são tratadas, faltando a dedicação e o tempo necessário ao amadurecimento das respostas aos grandes problemas. Carecemos de maior seriedade, estudo, atenção, competência! As pessoas e as situações em que se encontram sejam levadas a sério. Suas eventuais crises não sejam minimizadas com desprezo. Cuide-se que a sua fama seja respeitada, sem espalhar, como folhas ao vento, notícias ou fofocas destruidoras, como infelizmente tem acontecido através de instrumentos preciosos, mas utilizados inadequadamente, como são as redes sociais. O Apóstolo Paulo, sofrendo por causa de “falsos irmãos, intrusos, que sorrateiramente se introduziram entre nós, para espionar a liberdade que temos no Cristo Jesus, com o fim de nos escravizarem” (Gl 2, 5) foi a Jerusalém, confrontou-se com Pedro e os outros, enfrentou os problemas existentes com seriedade, foi, por sua vez, lavado a sério: “Viram que a evangelização dos pagãos fora confiada a mim, como a Pedro tinha sido confiada a dos judeus. De fato, o mesmo que tinha preparado Pedro para o apostolado entre os judeus, preparou também a mim para o apostolado entre os pagãos. Reconhecendo a graça que me foi dada, Tiago, Cefas e João, considerados as colunas da igreja, deram-nos a mão, a mim e a Barnabé, como sinal de nossa comunhão recíproca” (Gl 2, 7-9). Pedra por pedra!

O primeiro Pedro, pescador das águas do Lago de Genesaré, cujas fragilidades não ficaram escondidas, experimentou a grandeza da presença misericordiosa do Senhor. Diante da pesca milagrosa, “Simão Pedro caiu de joelhos diante de Jesus, dizendo: ‘Afasta-te de mim, Senhor, porque sou um pecador!’ Ele e todos os que estavam com ele ficaram espantados com a quantidade de peixes que tinham pescado. O mesmo ocorreu a Tiago e João, filhos de Zebedeu e sócios de Simão. Jesus disse a Simão: ‘Não tenhas medo! De agora em diante serás pescador de homens!’ Eles levaram os barcos para a margem, deixaram tudo e seguiram Jesus” (Lc 5, 8-11). Mais tarde, depois de ter pecado gravemente, por ter negado conhecer Jesus, diante do olhar do Senhor, “chorou amargamente” (Lc 22, 62). O Papa Francisco, quando pede orações, dizendo-se pecador, é o que tem condições para a infalibilidade garantida quando declara as verdades da fé! Pedra por pedra!

Aos padres reunidos em Retiro, o Papa Francisco recomendou algo que serve para todos os cristãos: rezar sempre, rezar muito! Com simplicidade, disse aos sacerdotes que não se assustem se alguma vez “cochilarem” quando estiverem em silêncio diante da presença do Senhor no Tabernáculo! E candidamente acrescentou que isso ocorre também com o Papa!

Recordo-me de tantas pessoas preocupadas com suas eventuais distrações na oração, às quais cabe-me estimular a aproveitarem justamente o “assunto da distração” para tratar com o Senhor, agradecer, pedir, chorar, reclamar, louvar! O coração da oração estará no reconhecimento da presença salvadora do Senhor, parecidos que somos com o Pedro da primeira hora: “Jesus foi à região de Cesareia de Filipe e ali perguntou aos discípulos: ‘Quem dizem as pessoas ser o Filho do Homem?’ Eles responderam: ‘Alguns dizem que és João Batista; outros, Elias; outros ainda, Jeremias ou algum dos profetas’. ‘E vós’, retomou Jesus, ‘quem dizeis que eu sou?’ Simão Pedro respondeu: ‘Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo’” (Mt 16, 13-16). Pedra por pedra!

Na festa de São Pedro e São Paulo, Igreja celebra Dia do Papa

29 de junho

“Oremus pro Pontifice nostro Francisco” – Nos Atos dos Apóstolos já aparece a origem da prática de “rezar por Pedro”

Cardeal Odilo Pedro Scherer  
Arcebispo de São Paulo

No dia 29 de junho, a Igreja celebra a festa solene dos apóstolos Pedro e Paulo. De fato, é a comemoração do martírio desses dois “príncipes dos apóstolos”, cujo sangue foi derramado em Roma em testemunho por Jesus Cristo e pelo Evangelho; seus túmulos são venerados em Roma também em nossos dias.

São Pedro representa a unidade da Igreja e o pastoreio universal das ovelhas do rebanho do Senhor, conforme encargo por ele recebido do próprio Jesus, após a ressurreição: “apascenta os meus cordeiros… apascenta as minhas ovelhas” (cf Jo. 21,15-17). Pedro também foi encarregado de “confirmar os irmãos na fé” (cf Lc 22,32) e esta missão já lhe é reconhecida pela Igreja apostólica; o próprio Paulo foi confrontar sua pregação com Pedro, “para verificar se eu não estava correndo em vão” (cf Gl 2,2.7-9).

São Paulo representa a Igreja “em missão”, anunciando o Evangelho a todos os povos; ele mesmo reconhece que esta foi a missão recebida de Jesus e sua ação missionária ardorosa e incansável o demonstrou bem. A Liturgia desta festa destaca o papel diverso dos dois apóstolos, mas que contribuíram para a mesma missão da Igreja: “por meios diferentes, os dois congregaram a única família de Cristo” (Prefácio da missa).

O Papa, enquanto sucessor de Pedro, representa ambas essas missões da Igreja. Por isso, ele se ocupa e preocupa com a unidade da Igreja na confissão da mesma fé e com a superação das divisões; ao mesmo tempo, anima a Igreja para manter viva e dinâmica a ação missionária, em toda parte. O papa Francisco, como seus predecessores, está profundamente empenhado nesta dupla missão da Igreja de Cristo. Esta mesma dúplice missão também é compartilhada pelo colégio episcopal, junto com o Papa, e por todos e cada um dos bispos em sua diocese.

A missão evangelizadora não é obra apenas de vontades e projetos humanos; a Igreja age e faz a sua parte, “confiada à graça de Deus”, como fizeram Paulo e seus companheiros de missão (cf At. 14,26). Por isso, a oração é necessária, quer para se colocar na sintonia constante com Deus e seu desígnio sobre nós e o mundo, quer para obter do Espírito Santo a fecundidade e o fruto para a sua ação.

Na festa de São Pedro e São Paulo, a Igreja Católica comemora o “dia do Papa” e convida as suas comunidades, em todo o mundo, a fazerem oração pelo Sucessor de Pedro e a renovar a consciência da sua comunhão com ele; ao mesmo tempo, pede que expressem sua adesão ao Papa e sua missão, de maneira concreta, através do “óbolo de São Pedro”; com essa ajuda, o Papa pode realizar, em nome de todos, a caridade em situações de necessidade urgente, como catástrofes, e apoiar a vida e a missão da Igreja em lugares muito carentes.

Nos Atos dos Apóstolos já aparece a origem da prática de “rezar por Pedro”: enquanto o apóstolo estava na prisão, por ordem de Herodes, “a Igreja rezava continuamente a Deus por ele” (At 12,5). Pedro é libertado da prisão por um anjo de Deus. E a Igreja nunca mais deixou de rezar “por Pedro” e o faz ainda hoje, na Oração Eucarística de cada Missa, após a consagração.

E não é outro o pedido do papa Francisco, desde o primeiro momento de sua apresentação ao mundo, após a sua eleição: antes de dar a bênção apostólica ao povo, ele convidou todos a pedirem a bênção de Deus para ele. Em muitas outras ocasiões, ele o fez publicamente e, em privado, encontrando as pessoas: rezem por mim! Já pude testemunhar vários desses pedidos pessoalmente. Portanto, “oremus pro Pontifice nostro Francisco”! No dia do Papa e todos os dias.

São Pedro e São Paulo: colunas da fé

No exemplo destes homens aprendemos a amar a Cristo

Celebramos, no dia 29 de junho (no Brasil, 02 e 03 de julho), a Solenidade de São Pedro e São Paulo, duas colunas da Igreja, dois homens de Deus. São Pedro nasceu em Betsaida, cidade da Galileia. Conheceu Jesus por meio de seu irmão André. O Senhor, “fixando nele o olhar” (Jo 1,42), o chamou para segui-Lo. Jesus Cristo conquistou São Pedro pelo olhar cheio de carinho.

Aquele olhar do Mestre devia ser arrebatador, convincente e encerrava a radicalidade de entrega a Deus de maneira bem atraente. Simão é chamado Cefas, pedra, Pedro. De simples pescador, converteu-se num pescador de homens. Foi o vigário de Cristo na Terra, aquele que fez as vezes do Senhor aqui quando Ele já não estava entre os Seus em corpo mortal.

Jesus quis instituir a Sua Igreja tendo Pedro à frente dela, e isso para sempre. Daí que o ministério petrino foi perpetuado: Pedro, Lino, Cleto, Clemente, Evaristo, Alexandre, Sisto, Telésforo, Higino, Pio, Aniceto, Sotero, Eleutério, Vitor…. Paulo VI, João Paulo I, João Paulo II, Bento XVI: 266 papas, 265 sucessores de São Pedro. Uma realidade maravilhosa! Professemos entusiasmados a nossa fé nesta Igreja, que é “una, santa, católica e apostólica, edificada por Jesus Cristo, sociedade visível instituída com órgãos hierárquicos e comunidade espiritual simultaneamente (…); fundada sobre os apóstolos e transmitindo, de geração em geração, a Sua Palavra sempre viva e os Seus poderes de Pastores no sucessor de Pedro e nos bispos em comunhão com Ele; perpetuamente assistida pelo Espírito Santo” (Paulo VI, Credo do Povo de Deus).

As palavras de São Jerônimo (+420) são taxativas: “Não sigo nenhum primado a não ser o de Cristo; por isso ponho-me em comunhão com a Sua Santidade, ou seja, com a cátedra de Pedro. Sei que sobre esta pedra está edificada a Igreja. Quem se alimenta do Cordeiro fora dessa casa é um ímpio. Quem não está na arca de Noé perecerá no dia do dilúvio” (Carta ao Papa Damaso, 2). Observe: a Igreja é qual outra arca de Noé. Pedro está à sua frente. Atualmente, é Bento XVI quem governa essa grande barca. Perigoso é ficar fora dela em tempos de dilúvios!

Há tempestades nos tempos atuais? Deixarei a resposta para os que me lerem. Contudo, preocupa-me tanto o fato de que o homem fique eclipsado diante de si mesmo; até parece que se afoga nas próprias concepções em torno da vida, da pessoa humana, da sexualidade e de tantos outros temas. Onde está o seu norte? Para onde se encaminha?

Escutar a voz do Pedro dos nossos tempos e não deixar-se sufocar pelas novidades que obscurecem a nossa fé em Deus e esfriam o nosso amor a Ele é algo muito sábio. Não! Nem todas as novidades colocam em perigo a nossa fé e o nosso amor. Frequentemente, o mais perigoso é a atitude diante delas. Não podemos ser orgulhosos, aprendamos da nossa mãe, a Igreja, aprendamos de quem Jesus colocou à frente dessa grande família de filhos de Deus, o Papa, e tenhamos atitudes de acordo com o Evangelho.

Que dizer de São Paulo? Ele foi um homem que, na pregação do Evangelho, colocou todas as suas potencialidades a serviço de Deus. Um homem totalmente entregue às coisas do Senhor. De perseguidor de cristãos, tornou-se um dos cristãos mais fervorosos, homem inflamado de zelo apostólico. Como não identificar, por detrás dessas frases, um homem magnânimo e cheio do amor de Deus?

“Estou pregado à cruz de Cristo” (Gl 2,19). “Eu vivo, mas já não sou eu; é Cristo que vive em mim. A minha vida presente, na carne, eu a vivo na fé no Filho de Deus, que me amou e se entregou por mim” (Gl 2,20). “Quanto a mim, não pretendo, jamais, gloriar-me, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pelo qual o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo” (Gl 6,14).

Nos exorta: “não persistais em viver como os pagãos, que andam à mercê de suas ideias frívolas. Têm o entendimento obscurecido. Sua ignorância e o endurecimento de seu coração mantêm-nos afastados da vida de Deus. Indolentes, entregaram-se à dissolução, à prática apaixonada de toda espécie de impureza” (Ef 17-19). “Contanto que de todas as maneiras, por pretexto ou por verdade, Cristo seja anunciado, nisto não só me alegro, mas sempre me alegrarei” (Fl 1,18). Em Cristo “estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e da ciência” (Cl 2,3). “Combati o bom combate, terminei a minha carreira, guardei a fé” (2 Tim 4,7).

É preciso que também nós sejamos apóstolos enamorados, apaixonados por Deus e que façamos o nosso apostolado sempre em unidade com o Papa, sucessor de Pedro, e com todos os bispos em comunhão com ele.

Digamos, como um homem de Deus do século XX, São Josemaria Escrivá: “Venero, com todas as minhas forças, Roma de Pedro e de Paulo, banhada pelo sangue dos mártires, centro de onde saíram tantos para propagar, no mundo inteiro, a Palavra salvadora de Cristo. Ser romano não entranha nenhuma amostra de particularismo, mas de ecumenismo autêntico; supõe o desejo de aumentar o coração, de abri-lo a todos com as ânsias redentoras de Cristo, que busca e acolhe a todos, porque os amou por primeiro. (…)

O amor ao Romano Pontífice há de ser em nós uma bela paixão, porque nele vemos Cristo”.

Pe. Françoá Costa
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