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Solenidade de Cristo Rei do Universo – Ano B

Por Mons. Inácio José Schuster

Vós o vereis vir entre as nuvens do céu…
Daniel 7, 13-14; Apocalipse 1, 5-8; João 18, 33b-37

No Evangelho deste domingo, Pilatos pergunta a Jesus: «Tu és o rei dos judeus?», e Jesus responde: «Tu o dizes, eu sou Rei». Pouco antes, Caifás lhe havia dirigido a mesma pergunta de outra forma: «És tu o Filho de Deus bendito?», e também desta vez Jesus respondeu afirmativamente: «Sim, eu sou». E mais: segundo o Evangelho de Marcos [Mc 14, 62. ndt.], Jesus reforçou esta resposta, citando e aplicando a si mesmo aquilo que o profeta Daniel havia dito do Filho do homem que vem entre as nuvens do céu e recebe o reino que nunca passará (primeira leitura). Uma visão grandiosa na qual Cristo aparece dentro da história e acima dela, temporal e eterno. Junto a esta imagem gloriosa de Cristo, encontramos, nas leituras da solenidade, a do Jesus humilde e sofredor, mais preocupado por fazer de seus discípulos reis que de reinar sobre eles. Na passagem do Apocalipse, Ele é definido como quem «nos ama e nos lavou com seu sangue de nossos pecados e fez de nós um Reino de Sacerdotes para seu Deus e Pai». Foi sempre difícil manter unidas estas duas prerrogativas de Cristo — majestade e humildade –, derivadas de suas duas naturezas, divina e humana. O homem de hoje não tem dificuldade para reconhecer em Jesus o amigo e o irmão universal, mas acha difícil proclamá-lo também Senhor e reconhecer n’Ele um poder real sobre ele. Nos filmes sobre Jesus, esta dificuldade salta à vista. Em geral, o cinema optou pelo Jesus humilde, perseguido, incompreendido, tão perto do homem como para compartilhar suas lutas, suas rebeliões, seu desejo de uma vida normal. Nesta linha se situam Jesus Cristo Superstar e, de maneira mais crua e dessacralizadora, A última tentação de Cristo — de Martin Scorsese. Também Píer Paolo Pasolini, no Evangelho segundo Mateus, nos apresenta esse Jesus amigo dos apóstolos e dos homens, a nosso alcance, ainda que não carente de certa dimensão de mistério, expressada com muita poesia, sobretudo através de alguns eficazes silêncios. Só Franco Zeffirelli, em seu Jesus de Nazaré, se esforçou por manter juntas as duas marcas d’Ele. Aí se vê a Jesus como homem entre os homens, afável e à mão, mas por sua vez como alguém que, com seus milagres e sua ressurreição, nos situa ante o mistério de sua pessoa que transcende o humano. Não se trata de desqualificar os intentos de voltar a propor em termos acessíveis e populares o acontecimento de Jesus. Em seu tempo, Jesus não se ofendia se «as pessoas» o consideravam um dos profetas. Mas perguntava aos apóstolos: «E vós, quem dizeis que eu sou?», dando a entender que as respostas das pessoas não eram suficientes. O Jesus que a Igreja nos apresenta na solenidade de Cristo Rei é o Jesus completo, humaníssimo e transcendente. Em Paris se conserva, sob custódia especial, a barra que serve para estabelecer a longitude exata do metro, a fim de que esta unidade de medida, introduzida pela Revolução Francesa, não se altere com o passar do tempo. De forma similar, na comunidade de crentes que é a Igreja, se custodia a verdadeira imagem de Jesus de Nazaré que deve servir como critério para medir a legitimidade de toda representação sua na literatura, no cinema, na arte. Não se trata de uma imagem fixa e inerte, que é preciso conservar ao vazio, como o metro, mas de um Cristo vivo que cresce na compreensão da Igreja, também a partir das questões e das provocações sempre novas propostas pela cultura e pelo progresso humano.

 

Evangelho segundo São João 18, 33-37
Pilatos entrou de novo no edifício da sede, chamou Jesus e perguntou-lhe: «Tu és rei dos judeus?» Respondeu-lhe Jesus: «Tu perguntas isso por ti mesmo, ou porque outros to disseram de mim?» Pilatos replicou: «Serei eu, porventura, judeu? A tua gente e os sumos sacerdotes é que te entregaram a mim! Que fizeste?» Jesus respondeu: «A minha realeza não é deste mundo; se a minha realeza fosse deste mundo, os meus guardas teriam lutado para que Eu não fosse entregue às autoridades judaicas; portanto, o meu reino não é de cá.» Disse-lhe Pilatos: «Logo, Tu és rei!» Respondeu-lhe Jesus: «É como dizes: Eu sou rei! Para isto nasci, para isto vim ao mundo: para dar testemunho da Verdade. Todo aquele que vive da Verdade escuta a minha voz.»

Com toda Igreja, neste último domingo começamos o ano litúrgico, celebramos a solenidade de Cristo Rei do universo. Pede-me – diz Deus no salmo segundo – a teu Cristo, e Eu te darei as nações por herança, reergueras com cetro de ferro. Na verdade, Satanás havia antecipado a esta oferta do Pai a Jesus. Nas tentações, havia oferecido os reinos deste mundo. Dizem os Evangelistas, Matheus e Lucas, que tendo conduzido Jesus a um alto monte, numa tentação imaginativa, Satanás lhes mostra os reinos desta terra: “Tudo isto é meu, eu possuo, e tudo isto eu te darei se me adorares”. Naquela ocasião, repeliu para longe Satanás. Ele estava consciente de que receberia todos os reinos deste mundo, mas não das mãos de Satanás, e sim das mãos do Pai. E o Pai lhe daria estes reinos todos, apos uma vida de entrega e de serviço abnegado a todos os seres humanos. Como é diferente a realeza de Cristo que hoje nós celebramos, como é diferente o Seu Reino dos Reinos e realezas que conhecemos neste mundo. Neste mundo os poucos monarcas que ainda subsistem estão distantes, normalmente não s misturam com os povos. Os chefes das nações nem sempre buscam daqueles que comandam. Quantos candidatos, fazem promessas mirabolantes nos tempos de eleição, que eles mesmos estão conscientes que não poderão realizar? Quanta demagogia, quanta corrupção nos reinos e nos domínios deste mundo. Como somos diariamente vítimas deste desserviço que muitos dos grandes nos prestam na nossa história. Jesus assumiu a Sua realeza, através do duro sacrifício da cruz, foi oferecendo a vida toda inteira, se deixando alto destruir por cada um de nós, que Ele se tornou não apenas o nosso redentor, mas o Rei do Universo. Doravante, todos os redimidos, todos aqueles que de maneira misteriosa se encaminham em direção da vida eterna, possuem em Jesus um ponto de absoluta referência. Você também, juntamente comigo, tem em Cristo o centro de suas atenções. Ele deseja dominar diferentemente dos chefes deste mundo. Ele não é demagogo, não faz promessas temporais, e não nos promete bens deste mundo, Ele deseja possuir o nosso afeto, Ele deseja entrar em nosso coração. O Reino de Deus não vem com ostentação, o Reino de Deus está dentro dos corações de cada um de nós e realiza, pouco a pouco, progressos e crescimentos. Agradeçamos a Deus hoje por nos ter arrancado do poder das trevas e nos ter transferido através da graça e do sacramento da iluminação ao Reino do Seu Filho bem amado, Jesus Cristo.

 

«Venha o Teu Reino» (Mt 6, 10)
Orígenes (c. 185-253), presbítero e teólogo
A oração, 25; GCS 3, 356 (a partir da trad. do breviário)

O reino do pecado é inconciliável com o reino de Deus. Portanto se queremos que Deus reine sobre nós, «que o pecado não reine mais no vosso corpo mortal». Mas «crucifiquemos os nossos membros no que toca à prática de coisas da terra», demos frutos do Espírito. Assim, como num paraíso espiritual, o Senhor passeará em nós, reinando sozinho com o Seu Cristo. Este será entronado em nós «à direita do Todo-Poderoso» que desejamos receber até que todos os Seus inimigos presentes em nós «se tornem estrado para os Seus pés» e seja expulso para longe «todo o principado, toda a dominação e poder». Tudo isto pode acontecer em cada um de nós até que seja destruído «o último inimigo […]: a morte» e Cristo diga em nós: «Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está, ó morte, o teu aguilhão?» Por isso, desde agora, que tudo o que é «corruptível» em nós se torne santo e «se revista de incorruptibilidade» e o que é «mortal» […] se «revista da imortalidade» do Pai. Assim, Deus reinará sobre nós e estaremos desde já na alegria do novo nascimento e da ressurreição. (Referências bíblicas: Rom 6, 12; Col 3, 5; Gn 3, 8; Mt 26, 64; Sl 110, 1; 1Cor 15, 24.26.55.53)

 

O Meu Reino não é deste mundo
Padre Paulinho

Com esta celebração estamos dando início a última semana do tempo comum, preparando nosso coração para o advento, nascimento do menino Jesus. Na verdade Jesus nasce, se dá e quer nos visitar todos os dias. Hoje proclamamos Jesus Rei do universo, e todo reino precisa de um trono. Você sabe em qual trono que Jesus quer sentar? No Trono do nosso coração. E como todo Rei, Ele quer indicar os caminhos, organizar seu reino. Pilatos perguntou para Jesus: “você é Rei?” e Jesus lhe questiona: “é você que está dizendo ou outros te disseram?”. E Jesus diz: “meu reino não é deste mundo”. Todos temos saudades de Deus, era pequenos, fomos crescendo e a saudade de Deus foi ficando maior. Todos temos saudades de nosso familiares, eu me lembro quando fiquei por 4 anos no Tocantins, quanta saudade eu senti de meus pais. Mas existe uma saudade no nosso coração muito maior da que sentimos de nossos familiares, que é a saudade do Rei do Reis, e enquanto não dermos o trono para esse Rei, sentiremos saudades, pois só Deus pode matar essa saudade de nosso coração. É só Jesus que pode organizar a nossa vida. Enquanto eu estava levando Jesus no ostensório, o Rei que se faz pequeno em uma pedaço de pão, para chegar mais perto de nós, eu pude sentir que muitas pessoas foram tocadas. Mesmo que você tenha vindo para cá por outros motivos, Jesus já te esperava. Ele esperava esse momento de se encontrar conosco, pois somos criaturas, somos filhos amados de Deus. Quando nós nos afastamos de Deus, que tristeza para o Seu coração. Eu tenho a graça de atender as pessoas em confissão, e eu vejo o que o pecado faz na vida do ser humano, ele acaba com o ser humano. O inimigo de Deus que quer nos afastar cada vez mais do Pai. Jesus tem pressa te trazer para Ele, para que você proclame que sua vida não é aqui nesta terra, que você precisa buscar as coisas do céu. Você tem que ter suas coisas aqui na terra, mas é preciso ter os pés no chão, mas o coração no céu. Quem vai na missa, está adiantando esta graça, de se chegar no céu. Quando rezamos o terço precisamos deixar a oração passar no coração, para que você experimentar a manifestação de Jesus como Rei na sua vida. Jesus nasceu na pobreza, no meio das ovelhas, cavalos, e este reinado que o Senhor vem trazer para nós. É preciso que o Reinado de Deus se manifeste em nossos atos. Daqui a pouco você irá voltar para casa, e você precisa levar o que experimentou aqui, a alegria, o amor de Deus que nos encontra como estamos. Se fossemos esperar estarmos prontos para encontrar Deus estávamos perdidos. A graça de Deus irá nos conduzir, o que experimentamos aqui, não pode ficar para trás, apenas a vida velha pode ficar para trás. Nós temos que continuar seguindo em frente, só podemos seguir em frente, e a partir desse acampamento dizer: “não dá mais para voltar.” É o amor de deus que nos faz dizer sim a vontade de Deus. Em Dezembro vai fazer dois anos que sou padre, é uma decisão a cada dia, é esta decisão de cada dia que nós fará ter uma vida plena. As coisas deste mundo passam, os desejos, os prazeres da vida passam, mas as coisas do céu não passam. Busque as coisas do céu, as coisas que nos faz matar as saudades de Deus, até que enfim possamos vê-Lo face a face. Eu trabalhava na roça, meu último trabalho ficava a 9km de casa, eu ia de bicicleta rezando o terço, e no meu coração havia uma sede de Deus que eu não tinha controle, eu ia no grupo de oração, na missa. Mas no meio de semana enquanto eu esperava chegar o dia da missa, aquela sede ia aumentando em meu coração. E eu buscava cada vez mais a Deus e eu ia descobrindo os sacramentos, sacramento da confissão. E quando eu comecei a buscar a Deus de todo o meu coração, o Senhor começou a curar essa saudade que muitas vezes eu refletia nas pessoas, indo a festas, numa vida desregrada. E Deus ia me curando, me restaurando, pois a saudade não era de pessoas, mas do próprio Deus. Reze, meu irmão e você verá que sua vida irá mudar muito. Assuma seu chamado, seu lugar na Igreja, se você já faz, continue a fazer. Continue sendo a manifestação de Deus nas vidas das pessoas, mostre a elas que quem dá ordens na sua vida é Jesus. Busquemos as coisas de Deus e sairemos saciados. Minha mãe sempre foi religiosa e ela cuidava das coisas da igreja, e um dia minha mãe, Adelaide seu nome, estava diante do santíssimo, rezando de uma forma diferente, limpando e uma mulher que estava rezando, dona Lia, olhou para ela e percebeu que estava chorando. E Dona Lia perguntou o que tinha acontecido e minha mãe chorosa disse: “eu acho que estou grávida”, e dona Lia ficou feliz e minha mãe continuou chorando, dizendo que está gravidez não poderia ter acontecido, pois ela não tinha condições de ter mais um filho e dona Lia disse: “não se preocupe dona Adelaide, é menino e vai ser padre”. E hoje eu estou aqui, sacerdote de Cristo, para glória do Senhor.

 

SOLENIDADE DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO REI DO UNIVERSO

Esta é a solenidade teve sua origem com o Papa Pio XI, o qual, na Encíclica “Quas primas”, de 11 de dezembro de 1925, “desenvolve a idéia de que um dos meios mais eficazes contra as forças destruidoras da época seria o reconhecimento da realeza de Cristo”. Sua colocação no fim do Ano Litúrgico fica mais dentro daquele contexto escatológico, em que sempre se caracterizou o último domingo na liturgia. A restauração do mundo em Cristo (Cf. Cl 1,15-20), que se consumou na sua Paixão, Morte e ressurreição, com sua vitória definitiva sobre a morte (Cf. 1Cor 15,26), sendo o Cordeiro imolado digno de receber a glória e o poder (Cf. Ap 5,12), traz realmente a característica principal desta solenidade: Aquele que restaura o mundo, nele próprio criado e nele próprio subsistente, é aquele também que vai exercer sobre ele a sua realeza, e esta transcende a dimensão temporal e cósmica, isto é, os domínios de um mundo visível. A realeza, pois, que se celebra nesta solenidade é total, plena e celeste, exercida à direita do Pai (Cf. At 7,56; Hb 1,3-4; Ap 22,1). Saibamos também que a realeza de Cristo é aquela que se manifestou no sacrifício da cruz, com seu paradoxo, com sua “loucura” e com sua simplicidade redentora. Portanto, “supera de longe o modelo davídico”, embora seja, biblicamente, de sua linhagem. Escarnecido por espectadores (Cf. Mt 27,39-44), insultado pelo ladrão impenitente (Lc 23,39) e por soldados da vassalagem imperial (Lc 22,63-65), reverenciado, porém, pelas santas mulheres, venerado e adorado pela própria Mãe, estimado por amigos, mesmo trêmulos e hesitantes, Cristo lhes dá, como também a todos nós, na resposta ao ladrão arrependido, a dimensão mais profunda de sua realeza: “Hoje mesmo estarás comigo no Paraíso” (Lc 23,43). De fato, se ele não fosse rei, no verdadeiro sentido, com domínio, pois, até sobre a morte, jamais poderia fazer tal afirmação. “Hoje”, ou seja, “agora”, para mim, para você, para todos, e não só para o ladrão arrependido, começa então de maneira viva, eficaz, definitiva e solene, o início da imortalidade, com nossa participação definitiva na realeza de Cristo, inseridos que fomos, pela graça batismal, no sacerdócio do Filho de Deus, graça que nos confere ainda, além da dimensão régia e sacerdotal, também a dimensão profética para a nossa vida. Sendo a origem, o centro e o fim do universo criado, Cristo é também a sua consumação mais profunda, na medida em que o restaura e o entrega ao Pai (Cf. 1Cor 15,24). O Rei da eterna realeza é o mesmo, “hoje, amanhã e por todos os séculos” (Cf. Hb 13,8), como também é “o Alfa e o Omega, o Primeiro e o Último, o Princípio e o Fim” (Cf. Ap 22,13). A liturgia faz contemplar a visão do Filho do Homem descrita na primeira leitura (Ano B), ao qual são dados o poder, a majestade e o império, e a segunda leitura, do mesmo ano, mostra o Cristo como “a testemunha fiel, o Primogênito dos Mortos, o Príncipe dos reis da Terra. São aqui títulos ainda tímidos para a compreensão da verdadeira soberania de Cristo. No seu mistério pascal, Ele fez de nós um reino de sacerdotes para Deus (Ap 5,10) e, ressuscitado, garantiu a nossa ressurreição, pois “Ele é o Senhor que destruirá também a morte como o último inimigo (Cf. 1Cor 15,26). A exaltação de Cristo, na solenidade de sua realeza, vai permitir-nos rogar-lhe com o coração cheio de confiança: “…fazei que todas as criaturas, libertas da escravidão e servindo à vossa majestade, vos glorifiquem eternamente” (Oração do dia – Anos A e B). Esta celebração, colocada no fim do Ano Litúrgico, como que o coroa na glória do Cristo-Rei, fazendo também ressoar em toda a Igreja e na vida de todos nós o caráter escatológico de toda a liturgia e seu dinamismo santificador, como já se falou antes. O Reino de Cristo é, pois, um reino que começa por dentro e que não se deixa corroer por forças exteriores, opostas a ele, ou não muito propensas a submeter-se a ele. É o reino da verdade, não deste mundo (Cf. Jo 18,36), que dá testemunho da Verdade, e não como os reinos da Terra, que manipulam a verdade, fabricando-a a seu gosto, substituindo-a pela mentira, fazendo com que ambas (verdade e mentira) vistam a mesma roupagem e dando-lhes o mesmo conceito e o mesmo valor. Sim, diga-se mais: o Reino de Deus não é um reino de interesses mesquinhos, de vassalos e de caricaturas, mas um reino de amor, tão-somente um reino de amor, que não se contenta com “servos”, mas que se abre para a intimidade de “amigos” (Cf. Jo 15,15). Um reino, pois, cujo Senhor revela totalmente seus segredos aos mais humildes e aos mais pequeninos (Cf. Mt 11,25; Lc 10,21).

 

Cristo é um Rei que domina com o amor, explica Papa Não se impõe, mas respeita a liberdade

CIDADE DO VATICANO, domingo, 22 de novembro de 2009 (ZENIT.org).- Cristo é um Rei que domina com o amor, sem impor-se, respeitando a liberdade do homem, explicou Bento XVI na solenidade de Cristo Rei, que a Igreja celebrou neste domingo. A realeza de Cristo não é a dos grandes deste mundo, mas consiste no poder de derrotar o mal e a morte, de “acender a esperança”, inclusive no coração mais endurecido, acrescentou o pontífice, ao rezar ao meio-dia a oração mariana do Ângelus. No último domingo antes do início do Advento, o tempo litúrgico de preparação para o Natal, o Santo Padre explicou aos fiéis reunidos na Praça de São Pedro que o poder de Cristo “não é como o dos reis e dos grandes deste mundo; é o poder divino para dar a vida eterna, para libertar do mal, derrotar o domínio da morte”. “É o poder do Amor, que sabe extrair bem do mal, enternecer um coração endurecido, levar paz ao conflito mais agudo, acender a esperança na escuridão mais densa. Este Reino da Graça não se impõe jamais, mas respeita sempre nossa liberdade”, acrescentou, falando da janela dos seus aposentos. Segundo o pontífice, “o título de ‘rei’ referido a Jesus é muito importante nos Evangelhos e permite dar uma leitura completa da sua figura e da sua missão de salvação”. “Pode-se observar, neste sentido, uma progressão: começa-se com a expressão ‘rei de Israel’ e se chega à de ‘rei universal’, Senhor do cosmos e da história; portanto, muito além das expectativas do próprio povo judeu”, esclareceu. Diante da grandeza desta realeza, diante do paradoxo do seu sinal, a cruz, toda consciência tem que realizar necessariamente uma “opção”, indicou Bento XVI: “A quem quero seguir? Deus ou o maligno? A verdade ou a mentira?”. “Optar por Cristo não garante o êxito segundo os critérios do mundo, mas assegura essa paz e essa alegria que somente Ele pode dar”, reconheceu. “Demonstra-o, em toda época, a experiência de tantos homens e mulheres que, em nome de Cristo, em nome da verdade e da justiça, souberam opor-se às adulações dos poderes terrenos com suas diferentes máscaras, até selar esta fidelidade com o martírio”, concluiu.

Papa explica valor e missão dos idosos na família

Quarta-feira, 11 de março de 2015, Jéssica Marçal / Da Redação

Na catequese de hoje, Francisco destacou a riqueza da oração dos idosos e o testemunho que eles têm a dar para os jovens

O valor e a importância do papel dos idosos na família foi o foco da reflexão do Papa Francisco na catequese desta quarta-feira, 11, na Praça São Pedro.

O Pontífice deu continuidade à catequese da semana passada, quando falou da realidade atual dos idosos, marcada, muitas vezes, pela solidão. Hoje o Santo Padre destacou a graça e a missão contida nessa fase da vida, que deixa aos jovens um testemunho de fidelidade.

A sociedade tende a descartar as pessoas idosas, reconheceu o Papa, lembrando que Deus, porém, não as descarta jamais. “Ele nos chama a segui-Lo em cada idade da vida e mesmo a velhice contém uma graça e uma missão, uma verdadeira vocação do Senhor”.

Francisco recordou o Dia para os Idosos promovido na Praça São Pedro no ano passado e que reuniu avôs e avós de todo o mundo. Dessa ocasião, ele destacou o testemunho de fidelidade dado por tantos idosos que estavam casados há 50, 60 anos.

Ao mencionar a experiência de Simeão e Ana, que reconheceram Jesus no pequeno menino apresentado no Templo, Francisco convidou os idosos a seguirem os passos desse casal, tornando-se “poetas da oração”.

“É um grande dom para a Igreja a oração dos avós e dos idosos! (…) Uma grande injeção de sabedoria também para toda a sociedade humana: sobretudo para aquela que está muito ocupada, muito presa, muito distraída”.

Como exemplo, o Santo Padre citou o Papa Emérito Bento XVI, que escolheu passar a última etapa de sua vida dedicando-se à oração e à escuta de Deus. “Os avôs e avós formam o ‘coro’ permanente de um grande santuário espiritual, onde a oração de súplica e o canto de louvor apoiam a comunidade que trabalha e luta no campo da vida”.

Francisco encerrou sua reflexão manifestando o desejo por uma Igreja que desafia a cultura do descartável com a alegria de um novo abraço entre jovens e idosos. “Isto é o que peço hoje ao Senhor, este abraço!”.

 

CATEQUESE

Queridos irmãos e irmãs, bom dia.

Na catequese de hoje, prosseguimos a reflexão sobre os avós, considerando o valor e a importância do seu papel na família. Faço isso identificando-me com essas pessoas, porque também eu pertenço a essa faixa de idade.

Quando estive nas Filipinas, o povo filipino me saudava dizendo “Lolo Kiko” – isso é, vovô Francisco – “Lolo Kiko”, diziam! Uma primeira coisa é importante destacar: é verdade que a sociedade tende a nos descartar, mas certamente não o Senhor. O Senhor não nos descarta nunca. Ele nos chama a segui-Lo em cada idade da vida e mesmo a velhice contém uma graça e uma missão, uma verdadeira vocação do Senhor. A velhice é uma vocação. Não é ainda o momento de “tirar os remos do barco”. Este período da vida é diferente dos precedentes, não há dúvida; devemos também “criá-lo” um pouco, porque as nossas sociedades não estão prontas, espiritualmente e moralmente, para dar a isso, a esse momento da vida, o seu pleno valor. Uma vez, de fato, não era assim normal ter tempo à disposição; hoje é muito mais. E mesmo a espiritualidade cristã foi pega um pouco de surpresa e se trata de delinear uma espiritualidade das pessoas idosas. Mas graças a Deus não faltam os testemunhos de santos e santas idosos!

Fiquei muito impressionado com o “Dia para os idosos” que fizemos aqui na Praça São Pedro no ano passado, a praça estava cheia. Ouvi histórias de idosos que se gastam pelos outros e também histórias de casais de esposos que diziam: “Completamos os 50 anos de matrimônio, 60 anos de matrimônio”. É importante mostrar isso aos jovens que se cansam cedo; é importante o testemunho dos idosos na fidelidade. E nesta praça estavam tantos naquele dia. É uma reflexão a continuar, em âmbito seja eclesial seja civil. O Evangelho vem ao nosso encontro com uma imagem muito bela e comovente e encorajante. É a imagem de Simeão e de Ana, dos quais nos fala o Evangelho da infância de Jesus composto por Lucas. Eram certamente idosos, o “velho” Simeão e a “profetisa” Ana que tinha 84 anos. Esta mulher não escondia a idade. O Evangelho diz que esperavam a vinda de Deus todos os dias, com grande fidelidade, há muitos anos. Queriam propriamente vê-lo aquele dia, colher os sinais, intuir o início. Talvez estivessem um pouco resignados, por agora, a morrer primeiro: aquela longa espera continuava, porém, a ocupar toda a vida deles, não tinham compromissos mais importantes que isso: esperar o Senhor e rezar. Bem, quando Maria e José foram ao templo para cumprir as disposições da Lei, Simeão e Ana se moveram animados pelo Espírito Santo (cfr Lc 2, 27). O peso da idade e da espera desapareceu em um momento. Esses reconheceram o Menino e descobriram uma nova força, para uma nova tarefa: dar graças e dar testemunho para este Sinal de Deus. Simeão improvisou um belíssimo hino de júbilo (cfr Lc 2, 29-32) – foi um poeta naquele momento – e Ana se tornou a primeira pegadora de Jesus: “falava do menino a quantos esperavam a redenção de Jerusalém” (Lc 2, 38).

Queridos avós, queridos idosos, coloquemo-nos nos passos desses anciãos extraordinários! Tornemo-nos também nós um pouco poetas da oração: tomemos gosto por procurar palavras nossas, reapropriemo-nos daquelas que a Palavra de Deus nos ensina. É um grande dom para a Igreja, a oração dos avós e dos idosos! A oração dos idosos e dos avós é um dom para a Igreja, é uma riqueza! Uma grande injeção de sabedoria também para toda a sociedade humana: sobretudo para aquela que está muito ocupada, muito presa, muito distraída. Alguém deve, então, cantar, também para eles, cantar os sinais de Deus, proclamar os sinais de Deus, rezar por eles! Olhemos para Bento XVI, que escolheu passar na oração e na escuta de Deus a última etapa de sua vida! É belo isso! Um grande crente do século passado, de tradição ortodoxa, Olivier Clément, dizia: “Uma civilização onde não se reza mais é uma civilização onde a velhice não tem mais sentido. E isso é terrível, nós precisamos antes de tudo de idosos que rezam, porque a velhice nos é dada para isso”. Precisamos de idosos que rezam porque a velhice nos é dada justamente para isso. É algo belo a oração dos idosos.

Nós podemos agradecer ao Senhor pelos benefícios recebidos e preencher o vazio da ingratidão que o circunda. Podemos interceder pelas expectativas das novas gerações e dar dignidade à memória e aos sacrifícios daquelas passadas. Nós podemos recordar aos jovens ambiciosos que uma vida sem amor é uma vida árida. Podemos dizer aos jovens amedrontados que a angústia do futuro pode ser vencida. Podemos ensinar aos jovens muito apaixonados por si mesmos que há mais alegria em dar do que em receber. Os avôs e as avós formam o “coro” permanente de um grande santuário espiritual, onde a oração de súplica e o canto de louvor apoiam a comunidade que trabalha e luta no campo da vida.

A oração, enfim, purifica incessantemente o coração. O louvor e a súplica a Deus previnem o endurecimento do coração no ressentimento e no egoísmo. Como é ruim o cinismo de um idoso que perdeu o sentido do seu testemunho, despreza os jovens e não comunica a sabedoria de vida! Em vez disso, como é bonito o encorajamento que o idoso consegue transmitir ao jovem em busca do sentido da fé e da vida! É realmente a missão dos avós, a vocação dos idosos. As palavras dos avós têm algo de especial, para os jovens. E eles sabem disso. As palavras que a minha avó me entregou por escrito no dia da minha ordenação sacerdotal as levo ainda comigo, sempre, no breviário e as leio e me faz bem.

Como gostaria de uma Igreja que desafia a cultura do descartável com a alegria transbordante de um novo abraço entre os jovens e os idosos! E isso é o que peço hoje ao Senhor, este abraço!

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