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O mundo não precisa de palavras, mas sim de testemunhas

Papa São Paulo VI

22 de outubro de 2010, Posted by Pe. Mateus Maria

Caros irmãos, posto uma pregação muito bela, embora que não saiba a origem, mas serve para cada um de nós, é sobre o martírio, o testemunho, a vivência cristã, e abaixo posto um belo texto que traduzi do italiano – um pronunciamento do Papa São Paulo VI.
O Grande Papa São Paulo VI, um verdadeiro combatente de Deus, terminou a sua vida dizendo: “Combati o bom combate, guardei a fé, amei a Igreja e os Irmãos, e agora estou indo ao encontro, do meu Senhor!”.
Papa Montini, ainda quando era cardeal, pronunciadas em 26/6/1955 e 26/9/1958, aos sacerdotes, mas servem de meta para cada cristão:
“O nosso povo quer um padre, que seja padre, exemplo de dedicação e sacrifício, de desinteresse e de coragem, um exemplo de generosidade, um homem livre e sem medos, sendo para todos um pai e um servo para cada necessitado, de modo que não seja preso em suas ações, em seus pensamentos, mas perseverante no seu caráter sacro. Mas lembremos que não é por causa disso, de nossa bondade, que encontraremos favores e acolhida, e por isto, vos recordo neste momento de grandeza espiritual: “Ecce Ego mitto vos, sicut oves in médio luporum” (Mt 10, 16).
Sim, irmãos, A Igreja, Nosso Senhor vos envia fracos, em meio aos fortes, desarmados, entre os armados, vos envia como arautos do amor, em um campo de ódio e morte, vos envia como profetas do espírito em um mundo, em um mercado da matéria, vos envia como anunciadores do futuro prometido, com a riqueza de uma tradição, em um mundo sem esperança, sem um ontem e sem um amanhã, em um mundo baseado na conquista do sucesso presente. A Igreja não vos garante a tranqüilidade, ou imunidade, mas lhes diz com Cristo: ‘Nolite Temere!’ Não tenhas Medo!
Hoje a Igreja, tem necessidade de uma fidelidade maior, pois o perigo na luta que ela enfrente, exige um amor maior a Ela e a Cristo, um amor sem medos, um amor maior, porque muitos filhos não a amam mais. ‘Nolite Temere!’ Não tenhas Medo! A vida com Cristo é grandiosa, maravilhosa, mas ao mesmo tempo é um risco, não é feita para os oportunistas, mas é feita de amor e sacrifício, de risco e confiança. Devemos saber que estamos em uma trincheira, onde nós devemos estar bem armados, pois se não estamos armados, e não somos capazes de combater, estamos já derrotados.
Pode ser que na dura luta não resistiremos, mas o Senhor está conosco e não temos o que temer. Posso até dizer que a Providência, quer que nós a sua Igreja, sejamos militantes, e ainda mais, nós que fizemos um juramento a Cristo, um voto, uma promessa no altar, nos oferecemos como sacrifício, e neste mundo moderno, devemos testemunhar o evangelho, devemos sofrer as suas conseqüências, sem medo.
O Senhor não quer aplainar as estradas, não quer tornar fácil o nosso caminho, o nosso ministério, não quer tornar a sua Igreja triunfante, mas nos quer sofredores, lutadores, que dêem o testemunho com perseverança, dom fadiga, com suor, e se a ele agradar, também testemunhar com o sangue, sangrando de fidelidade e amor a Cristo. Ousemos irmãos, ‘Nolite Temere!’ Esta expressão retorna sempre no evangelho, Não tenhas Medo!
Mostremos ao Senhor que o queremos bem. Sejamos dispostos a superar os medos, a ignorar também os insucessos, sejamos dispostos a sacrificar-nos, e a fazer as coisas para o Senhor, para a Igreja, para os irmãos de modo sério, pois se tivermos esta psicologia de querer enfrentar e afrontar os problemas, o mundo, e aquilo que a providência nos colocar a diante no caminho, enfrentando com o Senhor, já somos mais que vencedores! Ousemos!
Por fim, eu não tenho mais o que dizer e a oferecer-vos, além destas palavras: Nolite Temere!’ Não tenhas Medo! Recordo-lhes que Jesus é nosso guia, o mestre, ele é o Senhor vivo na vossa alma, é a vossa coragem, e deseja dar-vos uma grande recompensa, e vos promete: “Gaudete autem, quod nomina vestra scripta sun in caelis” (Lc 10, 20) “Os vossos nomes estarão escritos no céu!”.

 

Confissão do Papa São Paulo VI

Ao Papa São Paulo VI coube dirigir a Barca de Pedro nos difíceis tempos pós-conciliares. Em 1977, numa confissão marcada pela angústia e, ao mesmo tempo, pela confiança em Deus, que jamais abandona a Igreja, disse:

“Há uma grande perturbação, neste momento, no mundo e na Igreja, e está relacionada com a fé. Vem-me agora repetidamente à memória a frase obscura de Jesus no Evangelho de S. Lucas: ´Quando o Filho do homem retornar, encontrará ainda fé sobre a Terra?´ Vem-me à memória que se publicam livros nos quais a fé está em retirada, em alguns pontos importantes, e que o episcopado se cale, não achando estranhos estes livros; isto, segundo minha opinião, é estranho. Releio às vezes o Evangelho do fim dos tempos e constato que, neste momento, emergem alguns sinais deste fim. Estamos próximos do fim? Isto jamais saberemos. É necessário estarmos sempre prontos, mas tudo pode durar ainda muito tempo. O que me impressiona, quando considero o mundo católico, é que, no interior do catolicismo, parece às vezes dominar um pensamento do tipo não católico e pode acontecer que este pensamento não católico, no interior do catolicismo, torne-se amanhã o mais forte. Mas jamais representará o pensamento da Igreja. É necessário que subsista um pequeno rebanho, por menor que seja” (In.: Jean Guitton. Paulo VI Segredo, p. 152-153).

 

A autoridade da Igreja – audiência de São Paulo VI

Diletos filhos e filhas!

A boa palavra, que é esperada de Nós para dar nesta Audiência qualquer simples motivo de reflexão espiritual, refere-se a uma impressão, que quase sempre produz na mente dos visitantes para o encontro com o Papa: a impressão da “autoridade”.

E é impressão exata. Aqui tudo fala de autoridade: as chaves de Pedro figuram em todos os lugares. A composição própria desta reunião coloca em evidência a estrutura orgânica e hierárquica da Igreja. A presença do Papa, da Cabeça visível da Igreja, acentua esta impressão recordando a todos como existe na Igreja um poder maior, que é a prerrogativa pessoal, que tem autoridade sobre toda a comunidade em nome de Cristo; poder não só puramente externo, mas capaz de criar ou dissolver obrigação interna à consciência; e não já deixado à escolha opcional dos fiéis, mas necessário à estrutura da Igreja; e não deriva dessa, mas de Cristo e de Deus. Será útil, peregrinos ou visitantes que são vós, refletirdes sobre esse aspecto da Igreja Católica, o qual adquire nesta sede a sua mais manifesta expressão.

Sim, aqui estamos no centro da autoridade da Igreja. E qual reação desperta em seus corações esta observação, aqui tão óbvia e documentada? Isso: Pode ser que a primeira reação espontânea não seja de alegria. Será talvez uma reação de interesse curioso ou de admiração; mas não em todos, não sempre, de satisfação. Em alguns, de fato, pouco formados ao “sentido da Igreja”, será de desconfiança e quase de defesa, de repulsa para com um poder tão alto e tão indiscutível. Como assim? Por que esta atitude negativa a um poder de paternidade, de serviço e de salvação?

Levaria muito tempo para explicá-lo. Mas todos podem ver que se difundiu bastante em toda parte a mentalidade do protestantismo e do modernismo, negadora da necessidade e existência legítima de uma autoridade intermediária na relação da alma com Deus. “Quantos homens entre mim e Deus!” (Rousseau) exclama a voz famosa de um seguidor dessa mentalidade. E se há falado de religião de autoridade e de religião de espírito, em oposição um ao outro, por identificar na religião da autoridade o catolicismo, e na religião do espírito as correntes do sentimento religioso liberal e subjetivista do nosso tempo, e por concluir que a primeira, a religião chamada da autoridade, não é autêntica e que a segunda deve proceder  e realizar por si só, sem vínculo exterior, arbitrário e sufocante. E assim o plausível progresso da cultura moderna, sobre a personalidade humana, acerca da liberdade individual, acerca da primazia moral da consciência muitas vezes conspiram para tal função, ou diminuir a competência, ou a mortificar o prestígio da autoridade religiosa.

Se realmente a autoridade religiosa – falamos daquela constitutiva e diretiva da Igreja católica – fosse um poder arbitrário, ou fosse contrário à vida espiritual, ou colocasse vínculos indevidos à consciência, ou até mesmo se concebesse à mesma maneira da autoridade temporal, esta desconfiança, este ressentimento, esta reivindicação de autonomia subjetiva teria razão de ser. Mas vós sabeis que não é.

Vós que tendes, e quereis ter o “sentido da Igreja” sabeis muito bem de duas coisas, nesta discussão muito importante. E sabeis, em primeiro lugar, que a autoridade na Igreja, e, portanto, na religião, não se constitui por si só, mas ela foi instituída por Cristo; é o seu pensamento, é sua vontade, é obra sua; e, portanto, antes da autoridade da Igreja, devemos sentir a presença de Cristo. “Quem vos ouve, a mim ouve” (Luc. 10, 16), disse o Senhor. E todas as vezes que se tenta impugnar esta instituição, que é o poder apostólico, tanto de santificação, quanto de magistério e de governo na Igreja, se colide contra a palavra, contra o desejo, contra o amor de Cristo.

Sim, até contra o amor de Cristo. Porque a autoridade na Igreja, para ser eficaz, mesmo quando ela é forte e serva, é um instrumento da sua caridade. A autoridade na Igreja é o veículo do dom divino, é serviço de caridade para a caridade; de fato instituída a fim de pôr em exercício a favor da salvação o grande preceito do amor; não é expressão de orgulho, não está para realizar vantagem própria, nem mesmo é uma cópia da autoridade civil, armada com uma espada e vestida de glória. É uma função pastoral, direcionada para condução e para a prosperidade dos outros; e não só não é contrária à dignidade a vitalidade espiritual da alma em que é exercido, mas é instituída para conferir com precisão a sua dignidade e vitalidade espiritual e para garantir a sua luz da verdade divina, para distribuir os seus dons do Espírito, e para assegurar-lhes o caminho certo para Deus. Santa Catarina diz bem, trazendo palavras sugeridas pelo Senhor: “Eu quis que alguém tivesse necessidade do outro, e assim foram meus ministros para ministrar as graças e dons que receberam de mim. Pois, queira o homem ou não, não pode exercer nada menos do que um ato da caridade.” (Dialogo, Ed. Ferrari, Roma, 1947, p. 19-20). E é, portanto, função providencial e indispensável. Retornamos à Nossa mente as palavras do Pontifical, que Nós dizemos na ordenação do Sacerdote:  «Quanto fragiliores sumus, tanto his pluribus indigemus». [Quanto mais frágeis somos, mais precisamos de vossa ajuda].

Caríssimos Filhos. Gostaríamos que esta Audiência provocasse em vós a meditação deste aspecto da vida eclesiástica, para confortar-lhes o reconhecimento ao Senhor que por sua vontade estabeleceu e para reavivar em si a adesão cordial e fiel a autoridade da Igreja, na qual autoridade agora Nós de todo corações vos abençoamos.

Audiência de Paulo VI, 04 de novembro de 1964.

 

Oração ao Espírito Santo  

“Ó Espírito Santo, dai-me um coração grande, aberto à vossa silenciosa e forte palavra inspiradora, fechado a todas as ambições mesquinhas, alheio a qualquer desprezível competição humana, compenetrado do sentido da santa Igreja! Um coração grande, desejoso de tornar-se semelhante ao Coração do Senhor Jesus! Um coração grande e forte para amar todos, para servir a todos, para sofrer por todos! Um coração grande e forte para superar todas as provações, todo tédio, todo cansaço, toda desilusão, toda ofensa! Um coração grande e forte, constante até o sacrifício, quando for necessário!  Um coração cuja felicidade é palpitar com o Coração de Cristo e cumprir humilde, fiel e virilmente a vontade do Pai. Amém.”
Papa São Paulo VI 

Pais: ensinar a fé às crianças e fazê-la crescer

Festa do Batismo do Senhor

Domingo, 8 de janeiro de 2017, Da redação, com Rádio Vaticano

Na Solenidade do Batismo do Senhor, o Papa observou que a fé não é apenas “recitar o Creio quando vamos à Missa no domingo, não é só isto!…”

Na Festa do Batismo de Jesus, neste domingo, 8, o Papa  Francisco presidiu à celebração Eucarística na Capela Sistina, batizando 28 crianças.

Em sua breve homilia, pronunciada de forma espontânea, Francisco exortou os pais a “custodiarem a fé das crianças e a fazê-la crescer, para que se torne um testemunho para os outros”.

“Vocês pediram para vossas crianças a fé que será dada no Batismo – explicou – porque a fé deve ser vivida. Caminhar na estrada da fé e dar testemunho da fé”.

O Papa observou que a fé não é apenas “recitar o Creio quando vamos à Missa no domingo, não é só isto! A fé é acreditar naquilo que é a verdade: o Pai que enviou o Filho e o Espírito que nos vivifica”. E ressaltou:

“Mas a fé também é confiar-se a Deus e isto vocês devem ensinar a eles com vosso exemplo, vossa vida. A fé é luz”.

Ao referir-se à vela presente no rito do Batismo, Francisco recordou que nos primeiros tempos do cristianismo, o Batismo era chamado de “a iluminação, porque a fé ilumina o coração, faz ver as coisas com outra luz”.

“A Igreja dá a fé pelo Batismo aos vossos filhos e vocês têm a missão de fazê-la crescer, custodiá-la para se tornar testemunho para todos os outros. Este é o sentido de toda esta cerimônia”.

Ao final da homilia, de forma muito descontraída, o Papa referiu-se ao “concerto” proporcionado pelo choro de algumas crianças:

“Começou o concerto, hein?!?! Porque as crianças estão em um lugar que não conhecem, talvez tenham se levantado mais cedo do que o habitual. Aí uma começa, dá o tom, e as outras vão atrás. Muitas choram porque a outra chora. E gosto de recordar que Jesus também fez isto. A primeira oração de Jesus na estrebaria foi um choro”.

Antes de concluir, Francisco disse às mães para sentirem-se à vontade caso quisessem amamentar seus filhos durante a cerimônia na Capela Sistina, visto a duração da cerimônia e as crianças poderiam estar com fome.

Após suas palavras, Francisco batizou uma por uma das 28 crianças.

Maria, mãe da Igreja e da nossa fé

Catequese para a família, semana de 6 a 12 de outubro de 2013
http://www.zenit.org/pt/articles/maria-mae-da-igreja-e-da-nossa-fe

Nesta semana, Nossa Senhora nos incentiva a crescer na fé de forma ativa, mediante a oração e o testemunho.

Começamos esta segunda-feira, dia 7, com a memória de Nossa Senhora, a Virgem do Rosário, e terminamos, no sábado, com a festa de Nossa Senhora Aparecida, no Brasil, e de Nossa Senhora do Pilar, na Espanha: uma semana muito mariana, em que podemos percorrer com os nossos dedos e com o nosso coração as contas do rosário ou a coroa mariana, contemplando, com os olhos da Nossa Mãe, ao lado dela e sob a sua orientação, cada palavra e gesto dos mistérios gozosos, luminosos, dolorosos e gloriosos de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Finalizamos a semana, no sábado, dia 12, com a festa dupla da padroeira do Brasil e da “Virgen del Pilar”. A história de Nossa Senhora Aparecida todos nós já conhecemos. A da Virgem do Pilar remonta à venerada tradição espanhola segundo a qual Maria apareceu para o apóstolo São Tiago em Saragoça, na Espanha, em cima de uma coluna ou pilar, como sinal visível da sua presença para incentivá-lo a evangelizar.

No último dia 2 de outubro, na Basílica do Pilar, o sacristão encarregado de fechar o acesso à área do altar maior e do coro adiantou o horário em alguns minutos, perto das duas horas da tarde, porque tinha outras tarefas a realizar. Assim, o acesso ficou interditado ao público alguns minutos antes do horário habitual e não havia fiéis naquela área às duas da tarde [período do dia que equivale, na Espanha, mais ou menos ao nosso meio-dia: é o horário de fechamento temporário para o almoço]. Pois bem: nada menos que uma bomba de fabricação caseira explodiu exatamente naquela hora, exatamente naquela área. A bomba tinha sido colocada embaixo de um banco aveludado, usado em cerimônias oficiais na basílica. O banco saltou em pedaços que arderam em chamas. Houve apenas uma pessoa ferida de leve: a onda expansiva da explosão afetou os tímpanos de uma mulher. Será que a Virgem Maria teve alguma coisa a ver com essa coincidência do fechamento da igreja com alguns minutos de antecedência?

Com o título duplo desta reflexão, “Mãe da Igreja e mãe da nossa fé”, termina a mais recente encíclica papal, a Lumen fidei. Com a mesma oração e intenções, com sentimentos de gratidão à mãe que tanto vela por nós, seus filhos, finalizemos:

“Mãe, ajudai a nossa fé!

Abri o nosso ouvido à Palavra, para que reconheçamos a voz de Deus e o seu chamado.

Avivai em nós o desejo de seguir os seus passos, deixando a nossa terra e confiando em sua promessa.

Ajudai-nos a acolher o seu amor, para podermos tocá-lo na fé.

Ajudai-nos a confiar plenamente nele, a crer no seu amor, em especial nos momentos de tribulação e de cruz, quando a nossa fé é chamada a crescer e a amadurecer.

Semeai em nossa fé a alegria do Ressuscitado.

Recordai-nos que aquele que crê não está sozinho nunca.

Ensinai-nos a olhar com os olhos de Jesus, para que ele seja a luz em nosso caminho.

E que esta luz da fé cresça continuamente em nós, até que chegue o dia sem ocaso, que é o próprio Cristo, vosso Filho, nosso Senhor”.

O cristão é missionário de esperança

Quarta-feira, 4 de outubro de 2017, Da Redação, com Rádio Vaticano

Reflexão da catequese de hoje teve como contexto o mês das missões, celebrado pela Igreja em outubro

O tema da catequese do Papa Francisco nesta quarta-feira, 4, foi “missionários de esperança hoje”, tendo em vista o início do mês das missões para a Igreja católica e o dia de um grande missionário de esperança, São Francisco de Assis , como recordou o Papa. O Santo Padre destacou que o cristão é um missionário de esperança, não um profeta de desgraças, como se tudo tivesse terminado no calvário ou na sepultura.

Dirigindo-se aos mais de 15 mil fiéis presentes na Praça São Pedro, o Papa recordou que os discípulos estavam abatidos depois da crucifixão e sepultamento de Jesus. Aquela pedra, rolada contra a entrada do sepulcro, pôs fim a três anos de vida esperançosa e entusiasmante na companhia do Mestre vindo de Nazaré. Parecia o fim de tudo, e alguns já começavam a deixar Jerusalém para regressar para suas casas.

“Mas Jesus ressuscita!”, lembrou o Papa, este fato inesperado transformou a mente e o coração dos discípulos, uma transformação que ficou completa quando receberam a força do Espírito Santo no dia de Pentecostes. “Não terão somente uma bela notícia para levar a todos – sublinhou o Santo Padre – mas estarão eles mesmos diferentes de antes, como renascidos para uma vida nova”.

“Como é bonito pensar que se é anunciadores da ressurreição de Jesus, não somente com palavras, mas com os fatos e com o testemunho de vida! Jesus não quer discípulos capazes somente de repetir fórmulas aprendidas de memória. Quer testemunhos: pessoas que propagam esperança com o seu modo de acolher, de sorrir, de amar. Sobretudo de amar: porque a força da ressurreição torna os cristãos capazes de amar mesmo quando o amor parece ter perdido as suas razões”.

Francisco destacou que a fé e a esperança cristãs não são somente um otimismo, mas algo a mais; é como se os crentes fossem pessoas com um “pedaço de céu a mais” sobre suas cabeças, acompanhados de uma esperança que o mundo sequer consegue intuir. “Assim a tarefa dos cristãos neste mundo é a de abrir espaços de salvação, como células de regeneração capazes de restituir a seiva vital àquilo que parecia perdido para sempre”.

O Santo Padre não deixou de comentar o alto preço que os discípulos terão que pagar por esta esperança dada por Jesus. Ele citou como exemplo os cristãos perseguidos, pessoas que não abandonaram seu povo e continuaram esperando em Deus. “E pensemos em nossos irmãos, em nossas irmãs do Oriente Médio que dão testemunho de esperança e também oferecem a vida por este testemunho. Estes são verdadeiros cristãos! Eles trazem o céu no coração, olham além. Quem teve a graça de abraçar a ressurreição de Jesus, pode ainda esperar no inesperado”.

Concluindo a catequese, o Papa reforçou que quem tem Cristo a seu lado não teme nada, por isso os verdadeiros cristãos nunca são acomodados e são missionários de esperança. “Não por mérito seu, mas graças a Jesus, o grão de trigo que, caído em terra, morreu e deu muito fruto”.

Evangelizar não é se exibir, é dar testemunho de vida

Sexta-feira, 9 de setembro de 2016, Da Redação, com Rádio Vaticano

Na homilia desta sexta-feira, Papa refletiu sobre o que é evangelizar: não é proselitismo nem passeio, mas testemunho

Não reduzir a evangelização ao funcionalismo nem a um simples ‘passeio’: é o convite feito pelo Papa Francisco na homilia desta sexta-feira, 9, na Casa Santa Marta. O Pontífice destacou a importância que o testemunho deve assumir na vida dos cristãos, alertando para a tentação de fazer proselitismo ou convencer à força de palavras.

O que significa evangelizar e como fazê-lo? Francisco se inspirou na Carta de São Paulo aos Coríntios e questionou o significado de dar testemunho de Cristo. Primeiramente, explicou o que não é evangelizar: ‘reduzi-la a uma função’.

Evangelizar não é se exibir

Infelizmente – disse – hoje, em algumas paróquias, este serviço é vivido como uma função. Leigos e sacerdotes se exibem sobre o que fazem.

“Isto é ostentação: é se exibir”; reduzir o Evangelho a uma função ou a uma ostentação. “Eu vou evangelizar e levo a Igreja a muitos”. É fazer proselitismo, que é também uma exibição.

Evangelizar não é fazer proselitismo e nem fazer um passeio, nem reduzir o Evangelho a uma função, explicou Francisco. Isto é o que Paulo diz: “Para mim não é um motivo de exibição, para mim é uma necessidade que se impõe”.

Mas qual seria, então, o “estilo” da evangelização?, perguntou o Papa. “É fazer tudo a todos, é ir e compartilhar a vida com os outros, acompanhar no caminho de fé, fazer crescer no caminho da fé”.

Evangelizar é dar testemunho

O Papa atentou ainda para a necessidade das pessoas se colocarem na condição do outro. “Se ele está doente, me aproximo e não o atormento com argumentos, é estar próximo, assistir, ajudar”. Evangeliza-se, segundo o Papa, com este comportamento de misericórdia: fazer tudo a todos; é este o testemunho que leva a Palavra”.

Enfim, Francisco recordou que, durante o almoço com os jovens na JMJ de Cracóvia, um jovem lhe perguntou o que deveria dizer a um amigo querido, ateu.

“É uma boa pergunta! Todos conhecemos pessoas que estão afastadas da Igreja: o que devemos dizer a elas? E eu respondi: ‘A última coisa que deve fazer é dizer algo! Começa a fazer e ele verá o que tu fazes e te perguntará; e quando te perguntar, tu dizes. Evangelizar é dar este testemunho: eu vivo assim, porque creio em Jesus Cristo; eu reacendo em ti a curiosidade da pergunta ‘mas porque fazes estas coisas?’. Porque creio em Jesus Cristo e anuncio Jesus Cristo e não somente com a Palavra – se deve anunciá-lo com a Palavra – mas com a vida”.

Este evangelizar, disse o Papa, também é um ato gratuito, “porque recebemos de graça o Evangelho, a graça, a salvação, não se compra nem se vende: é grátis! E de graça devemos dá-la”.

Viver a fé

O Santo Padre finalizou a homilia recordando São Pedro Claver, que a Igreja celebra nesta sexta-feira. Um missionário, pontuou, que “foi anunciar o Evangelho”. Talvez, refletiu o Papa, ele pensasse que seu futuro seria pregar: no seu futuro o Senhor pediu-lhe que estivesse próximo, junto aos descartados daquele tempo, aos escravos, aos negros, que chegavam lá da África para ser vendidos.

“E este homem não passeou, dizendo que evangelizava; não reduziu a evangelização a um funcionalismo e tampouco a um proselitismo: anunciou Jesus Cristo com gestos, falando aos escravos, vivendo com eles, vivendo como eles! E como ele na Igreja existem tantos! Tantos que anulam a si mesmos para anunciar Jesus Cristo. E também todos nós, irmãos e irmãs, temos a obrigação de evangelizar, que não é bater à porta do vizinho ou da vizinha e dizer: ‘Cristo ressuscitou’. É viver a fé, é falar da fé com docilidade, com amor, sem vontade de convencer ninguém, mas gratuitamente. É dar de graça aquilo que Deus nos deu gratuitamente: isto é evangelizar”.

4 conselhos de um ex-protestante convertido para a defesa da fé católica ante os ataques

https://www.acidigital.com/noticias/4-conselhos-de-um-ex-protestante-convertido-para-a-defesa-da-fe-catolica-ante-os-ataques-89579

Fernando Casanova / Crédito: EWTN

REDAÇÃO CENTRAL, 02 Ago. 18 / 04:00 pm (ACI).- O ex-pastor protestante convertido ao catolicismo, Dr. Fernando Casanova, deu quatro conselhos para os católicos que buscam defender sua fé ante os insultos e ameaças.

Em diálogo com o Grupo ACI, o reconhecido conferencista internacional, doutor em teologia e apresentador das séries de EWNT “Defenda tua Fé” e “Estou em casa”, quis oferecer estas pautas após revelar que não só recebeu ataques de membros de igrejas protestantes formadas de maneira “raivosamente anticatólica”, mas também de vários católicos que o classificaram de “fanático conservador”, “apóstata liberal” e por não promover ou aceitar uma nova “revelação”.

A seguir, os quatro conselho de Dr. Fernando Casanova:

1. Paciência

“Não se trata de que os católicos estejamos equivocados ou que a Bíblia diga tal coisa; trata-se do preconceito (para com o catolicismo). Deve-se ter paciência para ter a calma, a clareza de mente e análise, para demonstrar a mansidão e a humildade de Jesus Cristo que, ao final das contas, manifesta sua verdade e autoridade”, indicou Dr. Casanova.

2. Formação

O conferencista internacional destacou que a “formação inclui saber” e, portanto, “informação”. Porém, isso não é tudo.

“É claro que é preciso aprender e ter dados, conteúdos; é preciso estudar, pesquisar, consultar. Porém, é algo mais. Formação do caráter cristão; formação e práticas e vivências espirituais. Trata-se de que vejam um pacote completo, que não haja contradição, de convencer com a palavra e com o caráter”, indicou.

Nesse sentido, disse que “a palavra é o que se diz, o que poderia dissuadir, mas o exemplo, o testemunho, a atitude, convencem e arrasam”.

“Primeiro, espiritualidade de verdade: católica, sólida, madura, sinceramente humilde. Depois, os livros, estudos e essas coisas. Permitam-me aqui outra máxima: ‘não se pode dar o que não se tem’”, afirmou o apresentador de séries da EWTN.

3. Testemunho

Dr. Casanova reiterou que uma pessoa bem formada sempre “é de bom testemunho”, porque assim “veriam em nós o melhor cristão possível”.

Do mesmo modo, referiu-se ao testemunho que se relata a outros, por exemplo, “podem ser coisas milagrosas, até mesmo restituições, curas, eventos eloquentes de aprendizagem e crescimento espiritual”.

“Eu uso, como se sabe, acontecimentos de minha vida passada e presente, e testemunho de outras pessoas também, que demonstram a pertinência e a veracidade de nossa fé e do poder que a Igreja dispensa”, destacou Dr. Casanova, acrescentando a importância de validar o que foi dito usando a doutrina correta e a Bíblia.

4. Santo Terço

“Esta é minha arma secreta. Devemos considerar esta oração mariana de forma especialíssima. É uma devoção de muita piedade que desperta o fervor e provê muitos frutos espirituais e apostólicos”, afirmou o doutor em teologia.

Nesse sentido, recordou que “a Virgem entregou pessoalmente o terço a santo Domingo de Gusmão como uma arma poderosíssima para a conversão dos que não estavam em comunhão com a Igreja”.

Por esse motivo, recomendou “a todos, mas em especial aos que estamos em diálogo ou expostos, e a nossos pastores também, que rezem devotamente o terço todos os dias”.

“Que peça, entre outras intenções, pela conversão desses irmãos em questão, e pela nossa santificação, dos fiéis da Igreja”, concluiu.

São José de Anchieta – Apóstolo do Brasil – 09 de Junho

José de Anchieta é o terceiro Santo do Brasil

“Anchieta é considerado um ícone da evangelização. Canonizar Anchieta significa declarar que a ação dos primeiros missionários estava correta, mesmo com alguns enganos”, afirma o padre jesuíta Cesar Augusto dos Santos, vice-postulador (espécie de advogado da causa) da canonização de José de Anchieta e responsável pelo Programa Brasileiro na Rádio Vaticano, emissora radiofônica da Santa Sé, na Cidade do Vaticano. O padre José de Anchieta (1534/1597), um dos fundadores da cidade de São Paulo e conhecido como “apóstolo do Brasil”, será canonizado em Roma, conforme anunciado por alguns setores da Igreja no Brasil, após pedido da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB. O papa Francisco dispensou a comprovação de um milagre para a canonização do padre Anchieta. “Na história da Igreja, houve muitos casos semelhantes. Mesmo porque a exigência de comprovação de milagres é relativamente recente”, explica o padre Cesar Augusto. Segundo ele, “a questão é provar os milagres por causa da falta de documentação. No caso de Anchieta, as principais dificuldades para conhecer a fundo sua vida e distinguir fatos reais de fantasiosos, foram a perda de documentação e o contato pessoal com os grandes conhecedores, pois já haviam morrido. Para levantar informações que comprovassem a santidade de Anchieta, o vice-postulador Cesar Augusto foi buscar apoio científico fazendo mestrado em História do Brasil Colonial, além de viajar algumas vezes às Ilhas Canárias, Coimbra, Roma e cidade de Anchieta (ES), além de uma série de visitas à biblioteca do Pateo do Collegio (centro de SP). “Pesquisei em muitos livros e até músicas ajudaram, como ‘Sinfonia 10 – Ameríndia, de Villa Lobos.” O resultado desse trabalho de padre Cesar Augusto e demais postuladores jesuítas, entregue ao Vaticano, é uma ampla documentação sobre a vida de Anchieta, com 488 páginas, onde há o registro de 5350 pessoas que alcançaram graças rezando ao beato. “Podemos assegurar, com nomes e endereços, que Anchieta tem mais de 50 devotos e multiplicadores de sua causa em cada Estado”, diz o padre. Segundo Cesar Augusto, há registros de 35 paróquias dedicadas à Anchieta, e 1154 divulgadores (que rezam e propagam a sua fé em Anchieta, por meio de grupos de oração). No entanto, conforme explica o vice-postulador, milagres atribuídos a Anchieta são muitos: “Temos as curas de doenças e as ações sobre a natureza”. À Anchieta também foram atribuídos os poderes de levitação, a bilocação (estar em dois lugares ao mesmo tempo) e de falar com animais. “Um dos mais sensacionais relatos do poder sobrenatural do padre é o ocorrido em uma de suas viagens de catequese (1575). Para proteger seus irmãos do sol, o jesuíta teria pedido ajuda aos pássaros guarás-vermelho, que se juntaram em uma nuvem sobre a canoa dos missionários”. Para o vice-postulador da Causa, o que fez José de Anchieta ser merecedor da canonização foi a sua humildade, seu testemunho de fé inabalável em Deus, a esperança e a caridade. “Para a Companhia de Jesus, tornar Anchieta santo significa que os primeiros passos da Ordem Religiosa foram acertados e produziram testemunhas fortíssimas do amor de Deus, conforme queria Inácio de Loyola, fundador da Ordem”. Ao longo da história da Igreja Católica, 150 jesuítas já foram beatificados e cerca de 50 canonizados. Anchieta é o terceiro santo considerado brasileiro, depois de Madre Paulina (em 2002) e Frei Galvão (em 2007). “Na verdade, ele é reconhecido como o santo de três pátrias, Espanha, onde nasceu; Portugal, onde viveu e entrou para a Companhia de Jesus, e Brasil, onde viveu, evangelizou e fez o seu apostolado”, afirma Cesar Augusto. Anchieta é ainda o primeiro a ser canonizado em 2014 e o segundo jesuíta a ser canonizado pelo Papa Francisco (antes dele, foi o francês Pedro Fabro). O Papa Francisco assinou o decreto de canonização de Anchieta em seu escritório no Palácio Apostólico e no dia 24 de Abril celebrará missa em ação de graças na Igreja de Santo Inácio, em Roma. Na mesma data, o papa também declarou santos dois missionários franceses que viveram no Canadá, o bispo François Monseigneur de Laval (1623-1708) e a freira Marie de L’Incarnation (1599-1672). “O papa canonizou, em uma só ação, os evangelizadores da América. Laval e L’Incarnation são os da América do Norte e Anchieta, da América do Sul”, explica o padre Cesar Augusto. Após a celebração em Roma, houve comemorações na Espanha, Portugal e no Brasil, nas cidades de Vitória/ES (onde Anchieta foi sepultado) e Anchieta/ES (Reritiba, nome na época, onde faleceu), Aparecida/SP, Rio de Janeiro/RJ, Salvador/BA e outras cidades. Em São Paulo, capital, badalaram os sinos das 300 igrejas da arquidiocese, no momento de sua canonização em Roma. Os templos que levam o nome de Anchieta, como Igreja José de Anchieta (SP/SP) e o Santuário de José de Anchieta (Anchieta/ES), deverão mudaram para São José de Anchieta ou Santo Anchieta.

Vida e obra de Anchieta

Apesar de ter nascido na Ilha de Tenerife, no arquipélago das Canárias, na Espanha, padre José de Anchieta ficou conhecido como o “apóstolo do Brasil” por sua atuação no País. Chegou ao Brasil em julho de 1553, com outros seis jesuítas e, em menos de um ano, dominava o tupi com perfeição. Ao longo dos 43 anos em que viveu no Brasil, participou da fundação de escolas, cidades e igrejas. Foi um dos fundadores do Colégio de São Paulo de Piratininga (hoje Pateo do Collegio), que deu origem à cidade de São Paulo. Historiador, gramático, poeta e teatrólogo, redigia seus textos, tanto em prosa quanto em verso, em quatro línguas, português, castelhano, latim e tupi. Foi autor da primeira gramática brasileira, “A Arte da Gramática da Lingua Mais Usada na Costa do Brasil”, que sistematizou a língua tupi. O movimento de catequese influenciou seu teatro e sua poesia, deixando contribuições em poesias em verso alexandrino, como “Poema à Virgem” (com 4172 versos) e em outras obras   Sua vasta obra foi integralmente publicada no Brasil na segunda metade do século XX. A pé ou de barco, Anchieta viajou pelo País inaugurando missões, com aulas de catequese, gramática e conhecimentos gerais. Os alunos eram os índios, os colonos e, por vezes, até os padres. Essas viagens foram essenciais para a consolidação do cristianismo e do sistema do ensino no País. Além de São Paulo, o padre também esteve no Rio de Janeiro, Espirito Santo e em cidades do Nordeste. Ensinar preceitos cristãos utilizando características locais, como celebrações musicadas ao ritmo de tambores, em aulas ao ar livre, era uma das peculariedades de Anchieta. Outra dádiva de sua personalidade: além de educar e catequizar, o jesuíta também defendia os indígenas dos abusos dos colonizadores portugueses, que queriam escravizá-los e tomar suas mulheres e filhos. Mais tarde, com a chegada dos chamados negros da Guiné, Anchieta também tomou sobre si o cuidado deles se preocupando com o modo deles viverem e com sua cura pastoral. Os inacianos, a começar pelo padre Manuel da Nobrega, chefe da primeira missão jesuíta no Brasil (fundada em março de 1549), se opunham ferrenhamente à escravização dos índios pelos portugueses. Em maio de 1563, com o apoio dos franceses, a tribo dos Tamoios se rebelou contra a colonização portuguesa. Anchieta se ofereceu como refém na aldeia de Iperoig (onde moravam os chefes da aldeia dos índios Tamoios), enquanto Nobrega partiu para São Vicente, negociar a paz. Durante o cativeiro na praia, Anchieta sofreu a tentação da quebra da castidade. Era comum aos índios oferecerem mulheres aos prisioneiros, antes de sua morte. Nesse momento, o jesuíta fez uma promessa a Nossa Senhora: escreveria o mais belo poema já feito em sua homenagem, se conseguisse sair casto do cativeiro. Como prova da fé, começou a escrever os versos na areia da praia e assim surgiu o “Poema à Virgem”. Após cinco meses de confinamento, Anchieta foi libertado. Sem ter cedido à tentação. Anchieta nasceu em 19 de março de 1534. Era parente de Santo Inácio de Loyola (fundador da Companhia de Jesus). Ingressou para a Companhia em 1551. Sua vida agitada e a entrega total aos compromissos religiosos comprometeram a sua saúde. Reclamava constantemente de dores na coluna e nas articulações. Padre Anchieta veio ao Brasil, obedecendo ao conselho dos médicos da época. Em 1566, aos 32 anos de idade, foi ordenado sacerdote. Em 1569, fundou a povoação de Reritiba (atual Anchieta), no Espirito Santo. De 1570 a 1573, dirigiu o Colégio dos Jesuítas do Rio de Janeiro. Em 1577, foi nomeado Provincial da Companhia de Jesus no Brasil, função que exerceu por dez anos, sendo substituído em 1587, a seu pedido. Antes, porém, teve de dirigir o Colégio dos Jesuítas em Vitória, no Espírito Santo. Em 1595, obteve dispensa dessa função e retirou-se para Reritiba, onde faleceu em 9 de junho 1597. Logo depois de sua morte, foi cercado por uma multidão de índios, que levou o corpo em procissão silenciosa até a cidade de Vitoria, onde foi sepultado. Entre as imagens existentes de Anchieta, está uma imponente estátua de bronze, que retrata o padre caminhando para Portugal, do artista brasileiro Bruno Giorgi, na cidade de San Cristóbal de Laguna (Espanha) ─ um presente do Governo do Brasil para a cidade natal do Santo. Há ainda uma pintura de Anchieta fundando a cidade de São Paulo, na Basílica de Nossa Senhora da Candelária, santuário da padroeira das Ilhas Canárias, na Espanha.

Processo de canonização de padre Anchieta

1597 – José de Anchieta morre, aos 63 anos, em Reritiba, Espírito Santo.
1617 – Os jesuítas brasileiros oficializam junto à Companhia de Jesus, em Roma, o pedido de canonização do padre.
1634 – As regras de canonização são mudadas pelo papa Urbano VIII (1623-1644). Passa a ser necessário esperar 50 anos da morte do candidato a santo para o Vaticano começar a examinar os processos.
1649 – O episcopado brasileiro retoma os pedidos de canonização – 52 anos após a morte de Anchieta.
1652 – Anchieta é declarado servo de Deus pelo papa Inocêncio X (1644-1655).
1668 – A causa é interrompida pela Companhia de Jesus, por falta de recursos.
1736 – Anchieta teve declaradas as Virtudes Heroicas pelo papa Clemente XII (1730-1740).
1773 – Processo de canonização é interrompido, após o papa Clemente XIV (1769-1774) decretar a supressão da Companhia de Jesus. 1980 – Anchieta é beatificado pelo papa João Paulo II (1978-2005) – a última etapa que antecede a canonização.
2013 – A CNBB pede ao papa Francisco a canonização de Anchieta.
2014 – O Vaticano confirma que Anchieta será declarado santo, mesmo sem a comprovação de um milagre.

Fonte: Assessoria de Imprensa/Companhia de Jesus

 

COMPAIXÃO E PRANTO DA VIRGEM NA MORTE DO FILHO
Poema a Virgem – Padre José de Anchieta  
Escrito pelo Padre nas areias da Praia de Iperoig em Ubatuba

Minha alma, por que tu te abandonas ao profundo sono?  Por que no pesado sono, tão fundo ressonas?  Não te move à aflição dessa Mãe toda em pranto,  Que a morte tão cruel do FILHO chora tanto?

E cujas entranhas sofre e se consome de dor,  Ao ver, ali presente, as chagas que ELE padece?  Em qualquer parte que olha, vê JESUS,  Apresentando aos teus olhos cheios de sangue.

Olha como está prostrado diante da Face do PAI,  Todo o suor de sangue do seu corpo se esvai.  Olha a multidão se comporta como ELE se ladrão fosse,  Pisam-NO e amarram as mãos presas ao pescoço.

Olha, diante de Anás, como um cruel soldado  O esbofeteia forte, com punho bem cerrado.  Vê como diante Caifás, em humildes meneios,  Aguenta mil opróbrios, socos e escarros feios.

Não afasta o rosto ao que bate, e do perverso  Que arranca Tua barba com golpes violento.  Olha com que chicote o carrasco sombrio  Dilacera do SENHOR a meiga carne a frio.

Olha como lhe rasgou a sagrada cabeça os espinhos,  E o sangue corre pela Face pura e bela.  Pois não vês que seu corpo, grosseiramente ferido  Mal susterá ao ombro o desumano peso?

Vê como os carrascos pregaram no lenho  As inocentes mãos atravessadas por cravos.  Olha como na Cruz o algoz cruel prega  Os inocentes pés o cravo atravessa.

Eis o SENHOR, grosseiramente dilacerado pendurado no tronco,  Pagando com Teu Divino Sangue o antigo crime! (Pecado Original cometido pelos primeiros pais)  Vê: quão grande e funesta ferida transpassa o peito, aberto  Donde corre mistura de sangue e água.

Se o não sabes, a Mãe dolorosa reclama  Para si, as chagas que vê suportar o FILHO que ama.  Pois quanto sofreu aquele corpo inocente em reparação,  Tanto suporta o Coração compassivo da Mãe, em expiação.

Ergue-te, pois e, embora irritado com os injustos judeus  Procura o Coração da MÃE DE DEUS.  Um e outro deixaram sinais bem marcados  Do caminho claro e certo feito para todos nós.

ELE aos rastros tingiu com seu sangue tais sendas,  Ela o solo regou com lágrimas tremendas.  A boa Mãe procura, talvez chorando se consolar,  Se as vezes triste e piedosa as lágrimas se entregar.

Mas se tanta dor não admite consolação  É porque a cruel morte levou a vida de sua vida,  Ao menos chorarás lastimando a injúria,  Injúria, que causou a morte violenta.

Mas onde te levou Mãe, o tormento dessa dor?  Que região te guardou a prantear tal morte?  Acaso as montanhas ouvirão Teus lamentos?  Onde está a terra podre dos ossos humanos?

Acaso está nas trevas a árvore da Cruz,  Onde o Teu JESUS foi pregado por Amor?

Esta tristeza é a primeira punição da Mãe,  No lugar da alegria, segura uma dor cruel,  Enquanto a turba gozava de insensata ousadia,  Impedindo Aquele que foi destruído na Cruz.

Mãe, mas este precioso fruto de Teu ventre  Deu vida eterna a todos os fieis que O amam,  E prefere a magia do nascer à força da morte,  Ressurgindo, deixou a ti como penhor e herança.

Mas finda Tua vida, Teu Coração perseverou no amor,  Foi para o Teu repouso com um amor muito forte!  O inimigo Te arrastou a esta cruz amarga,  Que pesou incomodo em Teu doce seio.

Morreu JESUS traspassado com terríveis chagas  ELE, formoso espírito, glória e luz do mundo;  Quanta chaga sofreu e tantas LHE causaram dores;  Efetivamente, uma vida em vós era duas!  (Natureza Humana e Divina do SENHOR)

Todavia conserva o Amor em Teu Coração, e jamais  Evidentemente deixou de o hospedar no Coração,  Feito em pedaços pela morte cruel que suportou  Pois à lança rasgou o Teu Coração enrijecido.

O Teu Espírito piedoso e comovido quebrou na flagelação,  A coroa de espinhos ensanguentou o Teu Coração fiel.  Contra Ti conspirou os terríveis cravos sangrentos,  Tudo que é amargo e cruel o Teu FILHO suportou na Cruz.

Morto DEUS, então porque vives Tu a Tua vida?  Porque não foste arrastada em morte parecida?  E como é que, ao morrer, não levou o Teu espírito,  Se o Teu Coração sempre uniu os dois espíritos?

Admito, não pode tantas dores em Tua vida  Suportar, aguentando se não com um amor imenso;  Se não Te alentar a força do nascimento Divino  Deixará o Teu Coração sofrendo muito mais.

Vives ainda, Mãe, sofrendo muitos trabalhos,  Já te assalta no mar onda maior e cruel.  Mas cobre Tua Face Mãe, ocultando o piedoso olhar:  Eis que a lança em fúria ataca pelo espaço leve,  Rasga o sagrado peito ao teu FILHO já morto,  Tremendo a lança indiferente no Teu Coração.

Sem dúvida tão grande sofrimento foi à síntese,  Faltava acrescentá-lo a Tuas chagas!  Esta ferida cruel permaneceu com o suplício!  Tão penoso sofrimento este castigo guardava!

Com O querido FILHO pregado a Cruz Tu querias  Que também pregassem Teus pés e mãos virginais.  ELE tomou para SI a dura Cruz e os cravos,  E deu-Te a lança para guardar no Coração.

Agora podes, ó Mãe, descansar, que possui o desejado,  A dor mudou para o fundo do Teu Coração.  Este golpe deixou o Teu corpo frio e desligado,  Só Tu compassiva guarda a cruel chaga no peito.

Ó chaga sagrada feita pelo ferro da lança,  Que imensamente nos faz amar o Amor!  Ó rio, fonte que transborda do Paraíso,  Que intumesce com água fartamente a terra!

Ó caminho real com pedras preciosas, porta do Céu,  Torre de abrigo, lugar de refúgio da alma pura!  Ó rosa que exala o perfume da virtude Divina!  Jóia lapidada que no Céu o pobre um trono tem!

Doce ninho onde as puras pombas põem ovinhos,  E as castas rolas têm garantia de suster os filhotinhos!  Ó chaga, que és um adorno vermelho e esplendor,  Feres os piedosos peitos com divinal amor!

Ó doce chaga, que repara os corações feridos,  Abrindo larga estrada para o Coração de CRISTO.  Prova do novo amor que nos conduz a união!  (Amai uns aos outros como EU vos amo) Porto do mar que protege o barco de afundar!

Em TI todos se refugiam dos inimigos que ameaçam:  TU, SENHOR, és medicina presente a todo mal!  Quem se acabrunha em tristeza, em consolo se alegra:  A dor da tristeza coloca um fardo no coração!

Por Ti Mãe, o pecador está firme na esperança,  Caminhar para o Céu, lar da bem-aventurança!  Ó Morada de Paz! Canal de água sempre vivo,  Jorrando água para a vida eterna!

Esta ferida do peito, ó Mãe, é só Tua,  Somente Tu sofres com ela, só Tu a podes dar.  Dá-me acalentar neste peito aberto pela lança,  Para que possa viver no Coração do meu SENHOR!

Entrando no âmago amoroso da piedade Divina,  Este será meu repouso, a minha casa preferida.  No sangue jorrado redimi meus delitos,  E purifiquei com água a sujeira espiritual!

Embaixo deste teto  (Céu)  que é morada de todos,  Viver e morrer com prazer, este é o meu grande desejo.

 

Anchieta e Nossa Senhora

O Pe. José de Anchieta grande devoto da Virgem Maria escreveu várias poesias sobre a Mãe de Deus e nossa. Além do famoso Poema da Virgem Maria Mãe de Deus, uma infinidade de versos saíram de seu coração e de sua pena em louvor à Nossa Senhora. Pe. Anchieta escreveu em várias línguas: tupi, português, espanhol e latim. Hoje, nesta festa de Nossa Senhora, vamos recordar a poesia “EVA JANDÉ SY YPÝ” que como perceberam foi escrita na língua Tupi e em português recebeu o título: “DA CONCEIÇÃO DE NOSSA SENHORA”.

No “Auto de Guaraparim”, escrito em 1564 para a inauguração da Aldeia de Guaraparim, o mais expressivo auto escrito em tupi, o Beato Anchieta, no 4º Ato, ou seja, na despedida, faz comparação entre Eva, a mulher que iniciou o pecado no mundo com sua desobediência e Maria que foi isenta dele pelos méritos de seu Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo, o nosso Salvador.

Eva, nossa mãe primeira, apaixonou-se, sem conto, por essa fruta fagueira, à voz da cobra matreira, colhendo, comendo, e pronto! Ao marido ela em seguida a fruta induz a engolir. Por sua esposa querida, ele em comer não duvida, antes de a morte nos vir. A todos, quais suas preias, nos apanhou o diabo. Com suas ações alheias, de toda a gente deu cabo, sempre, em folganças feias. Não chega a Santa Maria o pecado original. Em sua virtuosa via, calcando o demo, fazia desaparecer o mal. Do mau a fronte ela pisa, muito sem força o deixando. Nossa alma assim se harmoniza, e a lei de Deus autoriza, o amor de demo afastando. Pois fez bem Nosso Senhor em guardar Santa Maria, para ao demo medo impor. À mãe de Deus nosso amor, por ela nossa folia! Corretos hábitos tendo, nossa alma se alegrará. Porque sem brigas vivendo, Jesus nos visitará, nos vendo e sempre revendo. Tendo seu filho consigo, Tupansy, Santa Maria, assusta nosso inimigo, sempre nos traz seu abrigo, e do demo nos desvia. Atenção! se em nosso peito Santa Maria levamos, na ânsia do viver perfeito, amando-a em fundo respeito, ao gozo de Deus nós vamos.

Fonte: Rádio Vaticano, 09/12/2010

Solenidade de Pentecostes – Aniversário da Igreja Católica – Ano B

Por Mons. Inácio José Schuster

PENTECOSTES OU BABEL?
Atos 2, 1-11; 1 Coríntios 12, 3b-7.12-13; João 20, 19, 23

O sentido de Pentecostes se contém na frase dos Atos dos Apóstolos: «Ficaram todos cheios do Espírito Santo». O que quer dizer que «ficaram cheios do Espírito Santo», e o que experimentaram naquele momento os apóstolos? Tiveram uma experiência envolvente do amor de Deus, sentiram-se inundados de amor, como por um oceano. Assegura-o São Paulo, quando diz que «o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado» (Rm 5,5). Todos os que tiveram uma experiência forte do Espírito Santo estão de acordo em confirmar isso. O primeiro efeito que o Espírito Santo produz quando chega a uma pessoa é fazer que se sinta amada por Deus por um amor muito terno, infinito. O fenômeno das línguas é o sinal de que algo novo ocorreu no mundo. O surpreendente é que este falar em «línguas novas e diversas», em vez de gerar confusão, cria ao contrário um admirável entendimento e unidade. Com isso, a Escritura quis mostrar o contraste entre Babel e Pentecostes. Em Babel todos falam a mesma língua e em certo momento ninguém entende já o outro, nasce a confusão das línguas; em Pentecostes cada um fala uma língua diferente e todos se entendem. Como é isto? Para descobrir basta observar do que falam os construtores de Babel e de que falam os apóstolos em Pentecostes. Os primeiros se dizem entre si: «Vamos edificar uma cidade e uma torre com o ápice no céu, e façamo-nos famosos, para não dispersarmo-nos por toda a face da terra» (Gen 11, 4). Estes homens estão animados por uma vontade de poder, querem se «fazer famosos», buscam sua glória. Em Pentecostes os apóstolos proclamam, ao contrário, «as grandes obras de Deus». Não pensam em fazer um nome, mas em fazer-se a Deus; não buscam sua afirmação pessoal, mas a de Deus. Por isso todos os compreendem. Deus voltou a estar no centro; a vontade de poder substituiu-se pela vontade de serviço, a lei do egoísmo pela do amor. Nisso há uma mensagem de vital importância para o mundo de hoje. Vivemos na era das comunicações de massa. Os chamados «meios de comunicação» são os grandes protagonistas do mundo. Tudo isto marca um progresso grandioso, mas implica também um risco. De que comunicação se trata de fato? Uma comunicação exclusivamente horizontal, superficial, freqüentemente manipulada e venal, ou seja, usada para fazer dinheiro. O oposto, em resumo, a uma informação criativa, de manancial, que introduz no ciclo contidos qualitativamente novos e ajuda a cavar em profundidade em nós mesmos e nos acontecimentos. A comunicação converte em um intercâmbio de pobreza, de ânsias, de inseguranças e de gritos de ajuda desatendidos. É falar entre surdos. Quanto mais cresce a comunicação, mais se experimenta a incomunicação. Redescobrir o sentido do Pentecostes cristão é a única coisa que pode salvar nossa sociedade moderna de precipitar-se cada vez mais em um Babel de línguas. Com efeito, o Espírito Santo introduz na comunicação humana a forma e a lei da comunicação divina, que é a pedra e o amor. Por que Deus se comunica com os homens, entretém-se e fala com eles, ao longo de toda a história da salvação? Só por amor, porque o bem é por sua natureza «comunicativo». Na medida em que é acolhido, o Espírito Santo cura as águas contaminadas da comunicação humana, faz dela um instrumento de enriquecimento, de possibilidade de compartilhar e de solidariedade. Cada iniciativa nossa civil ou religiosa, privada ou pública encontra-se ante uma eleição: pode ser Babel ou Pentecostes: é Babel se está ditada por egoísmo e vontade de atropelo; é Pentecostes se está ditada por amor e respeito da liberdade dos demais.

 

Evangelho segundo São João 15, 26-27.16, 12-15
«Quando vier o Paráclito, o Espírito da Verdade, que procede do Pai, e que Eu vos hei-de enviar da parte do Pai, Ele dará testemunho a meu favor. E vós também haveis de dar testemunho, porque estais comigo desde o princípio.» «Tenho ainda muitas coisas a dizer-vos, mas não sois capazes de as compreender por agora. Quando Ele vier, o Espírito da Verdade, há-de guiar-vos para a Verdade completa. Ele não falará por si próprio, mas há-de dar-vos a conhecer quanto ouvir e anunciar-vos o que há-de vir. Ele há-de manifestar a minha glória, porque receberá do que é meu e vo-lo dará a conhecer. Tudo o que o Pai tem é meu; por isso é que Eu disse: ‘Receberá do que é meu e vo-lo dará a conhecer’.»

Eis-nos na solenidade de Pentecostes. Esta solenidade provavelmente nos tempos de Lucas, era celebração judaica do Dom da Lei, mas nós não celebramos hoje o Dom da Lei e sim o Dom do Espírito Santo, que é o amor personificado do Pai para com o Filho e do Filho para com o Pai. Hoje nós celebramos de certa maneira, o aniversário da nossa Igreja, que é bela. Embora tenha dois mil anos de idade, a nossa Igreja é bela, e tenha passado por tantas vicissitudes, porque ainda hoje, como no passado, ela contagia tantos corações jovens e adultos. Nossa Igreja é bela porque ela alimenta tantos espíritos com a Palavra de Cristo. A nossa Igreja é bela, sobretudo porque nela age o Espírito de Deus. Por vezes nós temos a tentação de imaginá-la ultrapassada, anacrônica, fora de época, mas o Espírito Santo, de quando em quando a sacode, é capaz de fazê-la ressuscitar como um Ícaro de suas próprias cinzas. O Espírito Santo agiu fortemente na Igreja por ocasião do Concílio Vaticano II, que infelizmente não é bem conhecido dos fiéis católicos até os dias de hoje, quarenta anos depois que ele foi convocado pelo então Papa João XXIII. Mas o Espírito Santo age fora das fronteiras da Igreja católica, Ele é capaz de derrubar os muros de Berlim e de Jerusalém. Ele é capaz de derrubar os racismos onde quer que eles existam, Ele é capaz de derrubar as escravidões que ainda subsistam. O Espírito de Deus trabalha não apenas dentro das fronteiras da Igreja católica. Alarguemos as nossas vistas, olhemos para a nossa história onde quer que haja uma ação boa realizada por uma pessoa de boa vontade, qualquer que seja a religião de sua pertença, ali está o Espírito Santo. Ele não é católico, Ele não é propriedade exclusiva da Igreja católica, Ele age no mundo todo inteiro, Ele fermenta positivamente a massa de bilhões e bilhões de seres humanos, porque graças a Deus, embora a maioria não seja católica, nós temos uma grande porção na humanidade de seres de boa vontade. Todos estes de uma maneira misteriosa, são conduzidos pelo Espírito de Deus, encerrando, pois o tempo Pascal com a presença do Espírito na Igreja e fora da Igreja. Nós louvamos e bendizemos a Deus apesar dos percalços, das perseguições, das incompreensões, de certos anacronismos acusados, Ela caminha em direção ao seu final, conduzida pelo Espírito do Senhor ressuscitado. Feliz e alegre festa de Pentecostes. Que o Espírito Santo traga alegria também ao seu coração.

 

Do Pentecostes judaico ao Pentecostes cristão
São Bruno de Segni (c. 1045-1123), bispo
Comentário ao Êxodo, cap. 15 (trad. Sr Isabelle de la Source, Lire la Bible, vol. 2, p. 78)

O Monte Sinai é o símbolo do Monte Sião. […] Reparai até que ponto as duas alianças se ecoam uma à outra, com que harmonia a festa de Pentecostes é celebrada em cada uma delas. […] O Senhor desceu ao Monte Sião no mesmo dia e de maneira muito semelhante a como tinha descido ao Monte Sinai. […] Escreve Lucas: «Subitamente ressoou, vindo do céu, um som comparável ao de forte rajada de vento, que encheu toda a casa onde se encontravam. Viram então aparecer umas línguas à maneira de fogo, que se iam dividindo, e pousou uma sobre cada um deles» (At 2, 2-3). […] Sim, tanto num como noutro monte se ouve um ruído violento e se vê um fogo. No Sinai, foi uma nuvem espessa, no Sião o esplendor de uma luz muito forte. No primeiro caso, tratava-se de «imagem e sombra» (Hb 8, 5), no segundo caso da realidade verdadeira. No passado, ouviu-se o trovão, hoje discernem-se as vozes dos apóstolos. De um lado, o brilho dos relâmpagos; do outro, prodígios por todo o lado. […] «Moisés mandou sair o povo do acampamento, para ir ao encontro de Deus, e pararam junto do monte» (Ex 19, 17). E, nos Atos dos Apóstolos, lemos que «ao ouvir aquele som poderoso, a multidão reuniu-se e ficou estupefata» (v. 6). […] O povo de toda a Jerusalém reuniu-se aos pés da montanha de Sião, ou seja, no lugar onde Sião, a imagem da Santa Igreja, começou a ser edificado, a colocar os seus fundamentos. […] «Todo o Monte Sinai fumegava, porque o Senhor havia descido sobre ele no meio de chamas», diz o Êxodo (v. 18). […] Como poderiam deixar de arder aqueles que tinham sido abrasados pelo fogo do Espírito Santo? Assim como o fumo assinala a presença do fogo, assim também, pela segurança dos seus discursos e pela diversidade das línguas que falavam, o fogo do Espírito Santo manifestou a Sua presença no coração dos apóstolos. Felizes os corações que estão cheios deste fogo! Felizes os homens que ardem com este calor! «Todo o monte estremecia violentamente. Os sons da trombeta repercutiam-se cada vez mais» (vv. 18-19). […] Assim também a voz dos apóstolos e a sua pregação se tornaram cada vez mais fortes, fazendo-se ouvir cada vez mais longe, até que «por toda a terra caminha o seu eco, até aos confins do universo a sua palavra» (Sl 18, 5).

 

SOMOS CHAMADOS A PROCLAMAR AS MARAVILHAS DE DEUS
Padre José Augusto

A missa se inicia com a seguinte Oração: Ó Deus, que pelo mistério da festa de hoje, santificais a vossa Igreja inteira, em todos os povos e nações, derramai por toda a extensão do mundo os dons do Espírito Santo, e realizai agora no coração dos fiéis as maravilhas que operastes no início da pregação do Evangelho. Por Nosso Senhor Jesus Cristo. Que você seja santificado no dia de hoje, que o Espírito Santo derrame sobre você e a toda extensão do mundo os Seus dons. Nós não podemos ser cristãos frios, não podemos continuar evangelizando na frieza, nós precisamos fazer com que hoje essa oração se realize em nossas vidas, pois tem muita gente que precisa conhecer Jesus Cristo, tem muitas pessoas não evangelizadas. Pesa sobre nós um cargo que nos impede de sermos frios, precisamos evangelizar para que as pessoas rezem como você reza, nós precisamos anunciar o evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo. Por causa de muitas palavras de pessoas que não acreditam em Jesus, fomos tomados de uma frieza, e por causa dessa frieza veio o medo. Nós só vamos atrás de pessoas que rezam e que podem rezar por nós. Não! Somos nós que precisamos rezar pelos outros, nós que somos testemunhas do evangelho, somos testemunhas vivas do evangelho de hoje; precisamos tomar consciência disso, o demônio está querendo nos calar, nossos grupos precisam ter aquele fervor de antes, dos inícios, onde aquele fogo caia, agora parece que cai água gelada, nós não podemos esfriar. Hoje em qualquer lugar do mundo, a Igreja está proclamando para que aconteça o que aconteceu no início da Igreja. Mas o que aconteceu no início da Igreja? Atos 1, Jesus está se despedindo dos apóstolos e a partir do versículo 6, Jesus vai subir para o céu e este é o último diálogo com os discípulos. Eu quero que você atualize essa palavra para você, nós somos os discípulos dos tempos de hoje. “mas descerá sobre vós o Espírito Santo e vos dará força; e sereis minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judéia e Samaria e até os confins do mundo.” (Atos 1, 8). Força aqui na palavra quer dizer poder. Diga comigo: “o Espírito Santo descerá sobre mim e Ele me dará poder”. O Espírito descerá sobre você para que seja testemunha viva de Jesus a partir de sua cidade, para cidade mais próxima até os confins do mundo. Diga: “eu quero e preciso”. Depois deste momento Jesus sobe para o céu e promete voltar novamente, então os discípulos vão para o cenáculo, aguardando a realização da promessa, e de repente, dentro do cenáculo, onde eles estavam, o Espírito vem como um vento, como um fogo, e vem como línguas. Línguas de fogo desceu e eles começaram a proclamar, ele começaram a anunciar as maravilhas de Deus. ‘Você é chamado a anunciar as maravilhas de Deus’, diz: Padre José Augusto Você é chamado a anunciar as maravilhas de Deus, está é a grande alegria de Deus nos tempos de hoje. Que alegria você ser chamado a proclamar as maravilhas de Deus. Tem muita gente dizendo que Deus não faz maravilhas, não fiquem frio, mas proclamem as maravilhas de Deus. Hoje nós estamos pedindo o Espírito de Deus para voltarmos para casa e proclamarmos as maravilhas de Deus, para contarmos para todo mundo as maravilhas do Senhor e tem uma coisa, nós somos aqueles que tem visto as maravilhas do Senhor, nós temos visto o poder de Deus. Todos estamos aqui para proclamarmos as maravilhas do Senhor, nós não podemos ficar frios, precisamos proclamar o que Deus fez em nossa vida, e na vida daqueles que estão ao nosso redor. Não importa se você fez faculdade ou não, não importa se você sabe falar direito ou não, se nasceu na roça ou em Nova York, todos precisamos proclamar as maravilhas do Senhor. Não precisa fazer faculdade para proclamar as maravilhas do Senhor, pois não fala com a boca, mas fala com a vida. Da Dona Maria a Mary, do João ao John, todos precisam proclamar as maravilhas de Deus, para aqueles que não creem. Os discípulos saíram de lá tomados do Espírito; saíram e proclamaram com prodígios e milagres, e a cada dia ajuntavam mais. Tem muitos que tem vergonha de falarem de Jesus. Cristãos camuflados não tenham vergonha, “saiam para fora”! Se tem vergonha, precisam ser sem-vergonhas, mas cheios do Espírito Santo, proclamando as maravilhas de Deus. “Enquanto isso, realizavam-se entre o povo pelas mãos dos apóstolos muitos milagres e prodígios. Reuniam-se eles todos unânimes no pórtico de Salomão.” (Atos 5,12) diga: “muitos milagres e muitos prodígios”, nossas igrejas precisam aumentarem, nossos grupos de orações precisam se encher novamente, porque estão vendo o poder de Deus realizando em suas vidas. Eu quero pedir que Deus comece a fazer essas coisas a partir de você. É muito simples, não precisam imaginar que terão que ficar em cima de um palco, proclamando as curas, não. Quando você chegar em casa, se tiver alguém doente, imponha as mãos e ore, quando tiver no ônibus, a boca fala do que o coração está cheio, fale de Jesus para pessoas que sentar do seu lado. Na faculdade, no trabalho fale de Jesus, o mundo precisa conhecê-Lo.

 

O ESPÍRITO DO SENHOR REPOUSA SOBRE NÓS!
Dom Eurico dos Santos Veloso, Arcebispo Emérito de Juiz de Fora (MG)

Na festa de PENTECOSTES somos convidados a recordar o grande Dom do Espírito Santo e o encerramento do festivo e glorioso tempo Pascal. Os judeus já comemoravam a festa de Pentecostes. Era uma festa eminentemente agrícola celebrada cinqüenta dias após a Páscoa. Nos primórdios era em ação de graças pelas colheitas. Posteriormente os judeus começaram a celebrar em Pentecostes a Aliança, como dom da Lei no Sinai e a constituição do Povo Santo de Deus. Para nós cristãos Pentecostes quer significar o Espírito de Deus, que vem habitar em nosso meio, como Nova e Eterna Aliança, na constituição do novo Povo de Deus. Assim, os apóstolos estão reunidos, trancados numa casa quando o fogo do Espírito se reparte em forma de línguas sobre cada um deles. E eles saem do cenáculo e, em praça pública começam a falar do Cristo ressuscitado, com grande entusiasmo e sabedoria. É a primeira e grande manifestação missionária da Igreja. E seus missionários são os doze apóstolos. E o povo espantado se questiona: “Como os escutamos na nossa língua?” Por obra do Espírito Santo, todos falam uma língua que todos compreendem e que une a todos: a linguagem do amor. Por isso São Lucas apresenta a Igreja como Comunidade que nasce de Jesus, que é animada pelo Espírito e que é chamada a testemunhar aos homens o projeto libertador do Pai. O Evangelho que será lido nesta Solenidade é o de São João que colocou o Dom do Espírito Santo no dia da Páscoa. (Jo 20, 19-23) Os Sinais externos: “anoitecer”, “portas fechadas”, “medo” – revelam a situação de uma Comunidade desamparada, desorientada e insegura. Jesus aparece “no meio deles” e lhes deseja a “PAZ”. Confia a Missão: “Como o Pai me enviou, eu VOS ENVIO”. “Soprou” sobre eles e falou: “Recebei o ESPÍRITO SANTO”.  Nessa perspectiva, Páscoa e Pentecostes são partes do mesmo acontecimento. A preocupação dos evangelistas não foi escrever uma crônica histórica, mas uma catequese sobre o Mistério Pascal e a Igreja. Afirmam a mesma coisa, expressando-se numa linguagem diferente. O Papa Bento XVI disse que “O Espírito Santo, ao contrário, torna os corações capazes de compreender as línguas de todos, porque restabelece a ponte da comunicação autêntica entre a Terra e o Céu. O Espírito Santo é Amor. Mas como entrar no mistério do Espírito Santo, como compreender o segredo do Amor? A página evangélica conduz-nos hoje ao Cenáculo onde, tendo terminado a última Ceia, um sentido de desorientação entristece os Apóstolos. A razão é que as palavras de Jesus suscitam interrogativos preocupantes: Ele fala do ódio do mundo para com Ele e para com os seus, fala de uma sua misteriosa partida e há muitas outras coisas ainda para dizer, mas no momento os Apóstolos não são capazes de carregar o seu peso (cf. Jo 16, 12). Para os confortar explica o significado do seu afastamento: irá mas voltará; entretanto não os abandonará, não os deixará órfãos. Enviará o Consolador, o Espírito do Pai, e será o Espírito que dará a conhecer que a obra de Cristo é obra de amor: amor d’Ele que se ofereceu, amor do Pai que o concedeu. É este o mistério do Pentecostes: o Espírito Santo ilumina o espírito humano e, revelando Cristo crucificado e ressuscitado, indica o caminho para se tornar mais semelhantes a Ele, isto é, ser “expressão e instrumento do amor que d’Ele promana” (Deus caritas est 33). Reunida com Maria, como na sua origem, a Igreja hoje reza: “Veni Sancte Spiritus! Vem, Espírito Santo, enche os corações dos teus fiéis e acende neles o fogo do teu amor!” O grande Pentecostes continua a acontecer na Igreja. Não só na recepção do Sacramento da Crisma, quando recebemos a plenitude do Espírito Santo para cumprir a nossa missão de discípulos-missionários. O cristão é um enviado: “Como o Pai me enviou, eu também vos envio”. Para viver e contagiar a PAZ. É um dom precioso e ausente muitas vezes no mundo. Cristo e seu Espírito são fontes de paz para que o mundo creia. Para experimentar o PERDÃO e a MISERICÓRDIA. O perdão e a misericórdia são as atitudes da Igreja diante do mundo. Para ser construtores da COMUNIDADE. O Espírito de Deus foi derramado em cada um para conseguir a unidade de todos no amor. O Pentecostes, para nós, é a plenitude da Páscoa. É o nascimento da Igreja com a missão de dar continuidade à obra de Cristo através dos tempos, em meio à diversidade dos povos. Por isso nesta grande festa somos chamados a nos enamorar pelo Amor verdadeiro, aquele que o Espírito sopra sobre nós. Vinde Espírito Santo! Que o Espírito do Senhor Repouse sobre nós e nos ajude a sermos discípulos-missionários! Amém!

Santo Evangelho (Jo 15, 26–16, 4a)

6ª Semana da Páscoa – Segunda-feira 07/05/2018

Primeira Leitura (At 16,11-15)
Leitura dos Atos dos Apóstolos.

11Embarcamos em Trôade e navegamos diretamente para a ilha de Samotrácia. No dia seguinte, ancoramos em Neápolis, 12de onde passamos para Filipos, que é uma das principais cidades da Macedônia, e que tem direitos de colônia romana. Passamos alguns dias nessa cidade. 13No sábado, saímos além da porta da cidade para um lugar junto ao rio, onde nos parecia haver oração. Sentados, começamos a falar com as mulheres que estavam aí reunidas. 14Uma delas chamava-se Lídia; era comerciante de púrpura, da cidade de Tiatira. Lídia acreditava em Deus e escutava com atenção. O Senhor abriu o seu coração para que aceitasse as palavras de Paulo. 15Após ter sido batizada, assim como toda a sua família, ela convidou-nos: “Se vós me considerais uma fiel do Senhor, permanecei em minha casa”. E forçou-nos a aceitar.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Responsório (Sl 149)

— O Senhor ama seu povo de verdade.
— O Senhor ama seu povo de verdade.

— Cantai ao Senhor Deus um canto novo, e o seu louvor na assembleia dos fiéis! Alegre-se Israel em quem o fez, e Sião se rejubile no seu Rei!

— Com danças glorifiquem o seu nome, toquem harpa e tambor em sua honra! Porque, de fato, o Senhor ama seu povo e coroa com vitória aos seus humildes.

— Exultem os fiéis por sua glória, e cantando se levantem de seus leitos, com louvores do Senhor em sua boca, eis a glória para todos os seus santos.

 

Evangelho (Jo 15,26–16,4a)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo João.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 15,26“Quando vier o Defensor que eu vos mandarei da parte do Pai, o Espírito da Verdade, que procede do Pai, ele dará testemunho de mim. 27E vós também dareis testemunho, porque estais comigo desde o começo. 16,1Eu vos disse estas coisas para que a vossa fé não seja abalada. 2Expulsar-vos-ão das sinagogas, e virá a hora em que aquele que vos matar julgará estar prestando culto a Deus. 3Agirão assim, porque não conheceram o Pai, nem a mim. 4aEu vos digo isto, para que vos lembreis de que eu o disse, quando chegar a hora”.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

 

A IGREJA CATÓLICA CELEBRA E VENERA HOJE
Santa Flávia Domitila, socorria os pobres

Santa Flávia socorria os pobres e cuidava do enterro dos mártires

Era esposa do governador romano chamado Flávio Clemente, pertencente à família dos flavianos.

Os imperadores Vespaziano, Tito e Domiciano pertenciam também a esta família. Os dois primeiros não aplicaram o edito de Nero, que tornava cada cristão um criminoso, mas Domiciano sim. Com interesses econômicos e de impostos, oprimia judeus e cristãos.

Flávia, cujo marido permitia que ela vivesse a fé, vivia a caridade. Socorria os pobres, cuidava do enterro dos mártires. Porém, seu esposo foi assassinado por Domiciano, que não admitia ter uma cristã em sua família. Ele então desterrou Flávia para uma ilha, onde sofreu muitos maus tratos e foi martirizada.

Peçamos a intercessão da santa de hoje, para que o nosso testemunho seja atual na fé e expresso na caridade.

Santa Flávia Domitila, rogai por nós!

São Jorge é santo mesmo?

http://blog.cancaonova.com/felipeaquino/2015/04/23/sao-jorge-e-santo-mesmo/

Recebi um  e-mail de uma pessoa me perguntando:

“São Jorge, qual a verdadeira história dele, é um santo mesmo? Da Igreja Católica ou de macumba? Nunca me senti bem em relação a ele, pois já vi sua imagem em lugares nada cristãos… Poderia me esclarecer por favor?”

A Igreja não tem dúvida de que São Jorge existiu e é Santo; tanto assim que sua memória é celebrada no Calendário litúrgico no dia 23 de abril. São Jorge foi mártir; a Igreja possui os “Atos do seu martírio” e  sua “Paixão”, que foi considerada apócrifa pelo Decreto Gelasiano do século VI. Mas não se pode negar de maneira simplista uma tradição tão universal como veremos: a Igreja do Oriente o chama de “grande mártir” e todos os calendários cristãos incluíram-no no elenco dos seus santos.

São Jorge é considerado um dos “oito santos auxiliadores” (8 de agosto). Já no século IV o grande imperador romano Constantino, que se converteu ao cristianismo em 313, construiu uma igreja em sua honra. No século V já havia cerca de 40 igrejas em sua honra no Egito. Em toda a Europa multiplicaram as suas igrejas. Em 1222, o Concílio Regional de Oxford na Inglaterra estabeleceu uma festa em sua honra, e nos primeiros anos do século XV, o arcebispo de Cantuária na Inglaterra ordenou que esta festa fosse celebrada com tanta celebridade como o Natal. No ano de 1330, o rei católico Eduardo III da Inglaterra já tinha fundado a Ordem dos Cavaleiros de São Jorge.

São Jorge, além de haver dado nome a cidades e povoados, foi proclamado padroeiro de muitas cidades como Gênova, Ravena, Roma, de regiões inteiras espanholas, de Portugal, da Lituânia e da Inglaterra, com a solene confirmação, para esta última, do Papa Bento XIV.

O culto de São Jorge começou desde os primeiros anos da Igreja em Lida, na Palestina, onde o mártir foi decapitado e sepultado no início do século IV. Seu túmulo era alvo de peregrinações na época das Cruzadas, no século XII, quando o sultão muçulmano Saladino destruiu a igreja construída em sua honra.

A conhecida imagem de São Jorge como cavaleiro que luta contra o dragão, difundida na Idade Média, é parte de uma lenda contada em suas muitas narrativas de sua paixão.

Diz a lenda que um horrível dragão saía de vez em quando de um lago perto de Silena, na Líbia, e se atirava contra os muros da cidade fazendo morrer muita gente com seu hálito mortal, sendo que os exércitos não conseguiam exterminá-los. Então, o povo, para se livrar desse perigo lhe ofereciam jovens vítimas, escolhidas por sorteio. Só que num desses sorteios, à filha do rei foi sorteada para ser oferecida em comida ao monstro. Desesperado, o rei, que nada pôde fazer para evitar isso, acompanhou-a em prantos até às margens do lago. Mas, de repente apareceu um corajoso cavaleiro vindo da Capadócia. Era são Jorge, que marchou com seu cavalo em direção ao dragão e  atravessou-o com sua lança. Outra lenda diz que ele amansou o dragão como um cordeiro manso, que a jovem levou preso numa corrente, até dentro dos muros da cidade, entre a admiração de todos os habitantes que se fechavam em casa, cheios de pavor. O misterioso cavaleiro lhes assegurou, gritando-lhes que tinha vindo, em nome de Cristo para vencer o dragão. Eles deviam converter-se e ser batizados.

Continua a narração dizendo que  o tribuno e cavaleiro Jorge fez ao povo idólatra da cidade um belo sermão, após o qual o rei e seus súditos se converteram e pediram o batismo. O rei  lhe teria oferecida muito dinheiro, mas Jorge teria partido sem nada levar, mandando o rei distribuir o dinheiro aos pobres.

É claro que isso é uma lenda na qual não somos obrigados a acreditar; mas é preciso entender o valor subjetivo das lendas religiosas sobre os santos. O povo as criava e divulgava para enaltecer a grandeza do santo, de maneira parabólica e fantasiosa; mas nela há um fundo de verdade. É um estilo de literatura, fantasiosa sim, mas que não pode ser desprezada de todo.

Muitos artistas e escultores famosos pintaram e esculpiram imagens do Santo: Rafael, Donatelo, Carpaccio, etc.

Segundo a tradição São Jorge foi condenado  à morte por ter renegado aos deuses do império, o que muito acontecia com os cristãos. Ele foi torturado, mas parecia  que era de ferro, não se queixava. Diz a tradição que diante de sua  coragem e de sua fé, a própria mulher do imperador se converteu, e que muitos cristãos, diante dos carrascos, encontraram a força de dar o testemunho a Cristo com o próprio martírio. Por fim, também são Jorge inclinou a cabeça sobre uma coluna e uma espada super afiada pôs fim à sua jovem vida.

Como houve muitos cristãos que morreram mártires nesses tempos da perseguição romana, nada impede que um deles tenha sido o cavaleiro e tribuno militar Jorge.

Prof. Felipe Aquino

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