Tag: tempo

Milagres de Santo Antônio

Santo Antônio, um dos santos mais venerados da Igreja no Brasil

O milagre dos peixes

Santo Antônio foi em vida pregar na cidade de Rímini, onde dominavam os hereges. Eles resolveram, de comum acordo, não ouvi-lo em hipótese alguma. Frei Antônio subiu ao púlpito e viu que, diante de sua presença, quase todos se retiravam e fugiam. Não esmoreceu porém o seu zelo, pregou aos que tinham ficado e, inflamado de ardor celeste, falou com tal energia que aqueles hereges reconheceram seu erro e resolveram mudar de vida. O Santo não se contentou com aquele resultado parcial e, retirando-se a uma cela, elevou preces ao Altíssimo para que toda a cidade se convertesse. Saindo do retiro, foi direto às praias do Mar Adriático e, em altas, clamou aos peixes que o ouvissem e celebrassem os louvores do seu supremo Criador, já que os homens ingratos não queriam fazê-lo. Diante daquela voz imperiosa, apareceram logo os incontáveis habitantes das águas, e se distribuíram ordenadamente, cada qual junto com os da sua espécie e tamanho. Os peixes ergueram suas cabeças da água e ficaram longo tempo imóveis, a ouvi-lo.

O prato envenenado

Alguns hereges resolveram matar Santo Antônio, envenenando-o. Convidaram-no certo dia a comer com eles, dando como pretexto debater alguns artigos da Fé. Santo Antônio nunca se negava a comparecer a essas disputas e polêmicas. Os hereges puseram diante dele, entre outros pratos, um que continha veneno mortal. Antes que o tocasse, Deus revelou-lhe a cilada e o Santo, conservando toda a calma, repreendeu os hereges pela traição que lhe faziam. Vendo descoberto seu intento perverso, não se abalaram e responderam cinicamente: “É verdade que esse prato tem veneno, mas nós o colocamos aí porque desejamos fazer uma experiência: no Evangelho está escrito que Jesus Cristo disse aos seus discípulos que ainda que tomassem veneno mortal nenhum mal sofreriam, e estamos querendo saber se és de fato discípulo de Cristo”. Santo Antônio fez o sinal da Cruz sobre aquele prato e o comeu com apetite, saboreando a comida envenenada como se fosse alimento saudável, e nada sofreu, deixando mais uma vez os hereges confusos e assombrados.

O milagre da bilocação

No domingo de Páscoa, enquanto pregava na Catedral, Santo Antônio lembrou-se de que fora designado para entoar a Alleluia, na Missa que se celebrava naquele momento na Igreja do Convento franciscano. Não querendo faltar com a obediência e não podendo descer do púlpito, parou um pouco, calou-se como se estivesse retomando a respiração e, nesse momento foi milagrosamente visto no Coro de seu convento, entoando a Alleluia. Esse prodigioso milagre de bi locação foi visto e certificado por testemunhas, e logo se divulgou, aumentando em todos os locais a veneração pelo grande taumaturgo. Isso, evidentemente, resultou em ainda maior proveito para seu trabalho apostólico.

Controle sobre o tempo

Num dia de festa, em Limoges, Santo Antônio pediu licença para pregar numa igreja paroquial. Como era imensa a sua fama, juntou-se tanto povo que não cabia no recinto, e foi obrigado a pregar em praça pública. Mal havia começado o sermão, os céus se escureceram, e principiaram relâmpagos e trovões, anunciando tempestade próxima. O povo, atemorizado, começou a murmurar e já se dispunha a sair dali em busca de abrigo. Mas Santo Antônio pediu silêncio e, em nome de Deus, assegurou que não choveria naquele local, recomendando a todos que ficassem atentos à pregação. Tranquilizados, os fiéis ouviram o sermão até o fim. Quando se retiravam para suas casas verificaram, com muita admiração, que embora estivesse perfeitamente seco o local da pregação, todas as redondezas estavam completamente alagadas pela tempestade.

Santo Antônio cura um insano

Em meio a um sermão de Santo Antônio, entrou um louco que, com vozes e gestos desordenados, perturbava os ouvintes, que não conseguiam prestar atenção nas palavras do pregador. De repente, em meio à agitação, o louco disse: “Não sossegarei enquanto aquele homem (e apontou para Santo Antônio) não me der o cordão que usa na cintura”. O Santo retirou o cordão e com ele envolveu o louco, que foi imediatamente curado e adquiriu juizo perfeito.

Menino salvo pela fé

Quando pregava em Briba, uma senhora, na pressa de ir ouvi-lo, deixou sobre o fogo um caldeirão com água, sem se lembrar que seu filho pequeno ficava sozinho em casa. Ao chegar da pregação, viu com horror que o menino havia caído dentro do caldeirão e que a água estava fervendo. Bem se pode imaginar os gritos de desespero que deu a pobre mãe! Nem se atrevia a se aproximar, certa de se encontrar a inocente vítima horrivelmente queimada e morta. Mas, cheia de fé em Santo Antônio, invocou-o e quando chegou o filho estava são e salvo, brincando e pulando na água fervente, sem que esta lhe fizesse mal.

A chuva não molhou as roupas de uma criada

Certo dia, faltou ao convento de Briba alimentação para a comunidade, e Frei Antônio mandou que se fosse pedir a uma senhora devota que possuía uma grande propriedade, a esmola de algumas verduras. Apesar de estar chovendo fortemente, a piedosa senhora ordenou a uma criada que fosse apanhar as verduras na horta, que ficava distante da casa. A criada obedeceu, mas muito mal-humorada com aquela ordem incômoda e inesperada. Foi quando se deu conta de que, apesar da chuva torrencial que caía, não estava molhando nem os pés nem a roupa. Chegou à horta, colheu as verduras, foi entregá-las no convento e retornou à casa completamente seca. Tanto ela quanto sua senhora ficaram assombradas diante daquele prodígio, e não mais se cansaram de apregoar os altos merecimentos do Santo.

Ressuscitou um morto

Vinha Frei Antônio de uma aldeia, carregado e muito cansado, quando encontrou no caminho um carroceiro que levava no veículo um homem adormecido. O Santo pediu-lhe por amor de Deus que levasse nele alguns víveres que ele e seu companheiro haviam recebido de esmola para o sustento da comunidade e que traziam penosamente às costas. O carroceiro respondeu de modo rude que não podia, porque estava conduzindo um defunto no carro. O Santo acreditou, rezou pelo descanso eterno da alma do falecido e continuou seu caminho. Qual não foi o espanto do carroceiro quando, mais tarde, foi acordar o amigo que supunha adormecido e o encontrou realmente morto! Cheio de confusão e arrependimento, foi em busca de Santo Antônio e prostrou-se aos seus pés, pedindo-lhe humildemente perdão. Frei Antônio se compadeceu do homem, aproximou-se da carroça e, depois de uma curta oração, fez o sinal da Cruz sobre o cadáver e o restituiu milagrosamente à vida.

Salvou um homem da morte por esmagamento

Durante a construção do convento de Leontino, aconteceu o seguinte milagre: Estava sendo conduzida para o portal da igreja uma grande pedra; ao ser retirada da carroça, caiu sobre o carroceiro e lhe esmagou o corpo, deixando-o à beira da morte. Frei Antônio, querendo por humildade ocultar seu dom de fazer milagres, disse aos presentes que invocassem o auxílio do Venerável Pai São Francisco. Imediatamente levantou-se o homem ferido, perfeitamente são, como se nenhum acidente lhe tivesse ocorrido.

Curou um menino paralítico

Aproximou-se dele uma mulher, trazendo nos braços um filho paralítico de nascença, e rogando em altos brados que o curasse. O Santo manifestou certo desagrado por aquela forma ruidosa de pedir algo que o repugnava a sua humildade, mas a mulher não se calou. Tanto ela pediu e suplicou, auxiliada por Frei Lucas, que na ocasião acompanhava o Santo, que este, afinal, se deixou vencer e fez sobre o menino paralítico o sinal da cruz, curando-o imediatamente. Com modéstia, atribuiu o milagre não à sua virtude, mas à fé da boa mulher e recomendou-lhe que não contasse o ocorrido à ninguém enquanto ele fosse vivo.

O Menino Jesus aparece para o Santo

Certa vez, Santo Antônio precisou de um alojamento em Pádua, e um senhor nobre de nome tiso, da família dos Condes de Camposampiero, teve a honra de o acolher em sua casa. Uma noite, vendo o lado de fora do quarto em que Frei Antônio rezava alguns raios de luz extraordinária, aproximou-se e viu o Santo segurando nos braços um gracioso Menino que suavemente o acariciava. Ficou cheio de espanto por tão extraordinária maravilha, e compreendeu que era o Menino Jesus que se tornara visível ao Santo para o recompensar com celestes consolações das grandes fadigas que sofria por sua glória. Nesse meio tempo, o Menino desapareceu. Saindo do êxtase, Frei Antônio deixou o quarto e dirigiu-se ao dono da casa, dando-lhe a conhecer que já sabia ter ele observado a aparição. Pediu então com a maior insistência que não revelasse o que tinha visto. Tiso cumpriu a palavra, e somente depois da morte do Santo deu a público o extraordinário acontecimento, que de tal modo o tocara que, todas as vezes que o relatava, não conseguia reter as lágrimas.

Reconstitui um pé decepado

Um jovem chamado Leonardo confessou-se com o Santo e acusou-se de ter, levado pela cólera, dado um pontapé em sua mãe. Frei Antônio, para fazê-lo compreender a gravidade do pecado que cometera, disse-lhe: “Teu pé bem merecia ser cortado”. Essas palavras impressionaram tão fortemente o jovem, que este,chegando a sua casa, aterrado com o que fizera, cortou fora o pé, o qual, caindo com ruído no chão, fez com que sua mãe acorresse para ver o que estava acontecendo. Horrorizada com a cena e por saber as razões pelas quais o filho assim procedera, correu logo a procurar Frei Antônio, que foi à casa do rapaz. Comovido pelo estado em que o encontrou, quase à beira da morte pelo sangue perdido, animou-o a ter confiança em Deus. O rapaz se reanimou e o Santo, pegando o pé cortado, recolocou-o no lugar. Imediatamente se reuniram na perfeição os ossos, os nervos, as artérias, os músculos, a carne e a pele. O sangue voltou a circular, cessaram as dores e só ficou um sinal do golpe, em testemunho do grande milagre sucedido.

Faz um morto falar para defender seu pai

Aconteceu que um rapaz foi assassinado perto da casa de Martim de Bulhões, e os assassinos, por malvadez, levaram o corpo para o quintal de Martim e ali o enterraram sem que o proprietário do terreno se desse conta. Mais tarde, foi descoberto pela Justiça o corpo de delito em casa do infeliz fidalgo, e este foi acusado pelo crime. Diante dos gravíssimos indícios de que era culpado, permaneceu quinze meses preso e, afinal, estava sendo julgado e seria com certeza condenado à morte. Deus, porém, houve por bem avisar a Frei Antônio do perigo que ameaçava seu pai terreno, e o Santo foi logo pedir ao Guardião do convento que o deixasse ausentar-se de Pádua por um tempo breve. De Pádua, viu-se transportado num instante a Lisboa, onde se apresentou ao tribunal e, depois de beijar a mão de seu pai em sinal de respeito, tomou a sua defesa. Os juízes ficaram impressionados com o aparecimento daquele inesperado advogado, e com a segurança com que ele falava, mas não se convenceram da inocência do réu, tantas eram as aparências de que Martim de Bulhões era culpado. Faltando testemunhas de defesa, Santo Antônio apelou para o depoimento do assassinado. Os assistentes, surpresos com a estranha proposta, já se dispunham a rir. Mas Frei Antônio insistiu e os juízes levados pela curiosidade, consentiram que ele chamasse o morto como testemunha da defesa. Chegados à sepultura do falecido, o Santo ordenou que a abrissem, e chamou o frio cadáver em voz alta, ordenando-lhe em nome de Deus que dissesse aos juízes se era verdade que Martim de Bulhões o assassinara. Levantou-se logo o morto e, como se estivesse vivo, respondeu com voz sonora e ouvida por todos que Martim de Bulhões era inocente e não se havia manchado no seu sangue. Em seguida, novamente se deitou na sepultura, e o Santo, depois de se despedir do pai, desapareceu. Ficaram os juízes e a assistência assombrados com o milagre portentoso que acabavam de presenciar, e o nobre Martim de Bulhões, graças ao seu santo filho, salvou a vida e conservou seu nome sem desonra.

Salva seu pai da prisão

Já anteriormente, enquanto o Santo estava em Milão, havia salvado seu pai da desonra e do descrédito. Martim de Bulhões era depositário, em Lisboa, de valores elevados pertencentes ao Rei, destinados ao pagamento de despesas relativas ao serviço público. Confiando em pessoas que não eram dignas, Martim adiantou quantias consideráveis a várias pessoas que deveriam recebê-las, mas não lhes pediu os recibos. Quando chegou a hora da prestação de contas ao tesouro real, os indivíduos mentiram, negando ter recebido as quantias, e Martim foi preso, sendo seus bens embargados. Estava o Santo pregando numa praça de Milão quando soube que naquele momento estava o pai diante dos juízes. Encostou-se no púlpito e naquela mesma hora apareceu em Lisboa, diante do tribunal. Saudou os juízes e depois, com ar severo, increpou os mentirosos que negavam ter recebido o dinheiro: “Vós desafiais a Deus, negando que recebestes o dinheiro de meu pai. Ele confiou em vós, e vós lhe retribuís arrastando-o para a desonta, juntamente com sua família! Vós, em tal dia (e foi dizendo a cada um), em tal hora, em tal lugar, recebestes tanto, vós tanto, vós, tanto… Confessai a verdade, se não quereis que Deus vos mande um terrível castigo”. Os culpados confessaram que haviam mentido e o Santo ainda conseguiu dos juízes que fossem perdoados. Depois abraçou o pai, beijou-lhe respeitosamente a mão e… no mesmo instante recomeçava em Milão o sermão interrompido!

Recupera os cabelos arrancados de uma mulher

Em Arezzo vivia um homem nobre, mas tão colérico que quando se irritava parecia ter perdido o juízo. A esposa, senhora de muito siso e prudência, teve um dia a infelicidade de proferir umas palavras que encolerizaram o marido, a tal ponto que ele se atirou sobre ela a maltratou cruelmente, chegando a lhe arrancar os cabelos. Aos gritos da infeliz acorreram os vizinhos, socorrendo-a e deixando-a quase morta na cama. O marido, depois de serenar, envergonhou-se do que tinha feito. Lembrando-se da fama de Santo Antônio, foi procurá-lo e, arrependido, pediu que o ajudasse. O piedoso Santo foi logo procurar a senhora, abençoou-a, e fez-lhe o sinal da Cruz e se pôs a rezar. Pouco a pouco ela foi recuperando o antigo vigor e, por milagre insigne, quando se ajoelhou aos pés do Santo reapareceu lhe todo o cabelo.

Conserva um copo intacto e faz nascer uvas numa videira sem frutos

Um soldado espanhol, chamado Aleardino, que havia perdido a Fé católica, chegou a Pádua no dia do enterro de Santo Antônio. Jactando-se de sua incredulidade, segurou um grande compo de vidro e disse a muitas pessoas que o censuravam: “Se este copo ficar inteiro depois que eu o atirar àquelas pedras, acreditarei que esse padre faz milagres”. E atirou o copo com toda a força, mas ele não se partiu. Abjurou então de seus erros, publicamente, e quis converter a um amigo, também incrédulo. Chegou, pois, ao amigo e lhe contou todo o acontecido, mostrando-lhe o copo objeto do prodígio. O amigo ouviu-o com risadas e sinais de desprezo, e respondeu: “Não acredito no que dizes. O que estás dizendo é tão impossível como aquela videira (e apontou para uma que estava perto, completamente sem folhas e frutos) de repente se ver carregada de ramos e cachos, e nós com suas uvas fazermos um vinho que encha esse teu copo!” Mal acabara de falar, a videira se encheu prodigiosamente de folhas e belos cachos de saborosas uvas, as quais, espremidas por Aleardino, encheram o copo com seu licor maravilhoso. Esse copo ainda hoje se conserva no relicário da Basílica de Santo Antônio, em Pádua.

Faz achar um anel sumido

D. Inácio Manrique, Bispo de Córdoba e Inquisidor Geral da Espanha, muito devoto de Santo Antônio, possuía um anel que estimava grandemente. Certo dia notou a falta dele: ou o tinha perdido, ou o tinham furtado. Passou-se muito tempo sem que o anel aparecesse. Um dia, estava o Prelado à mesa com alguns senhores seus parentes, quando casualmente se falou no poder de Santo Antônio para encontrar bens perdidos. Disse então o Bispo: “Tenho recebido grandes favores do Santo, mas ele ainda não ouviu as súplicas que lhe tenho feito para achar um anel que perdi”. Mal tinha acabado de proferir essas palavras quando o anel desaparecido caiu no meio da mesa, à vista de todos, sem que ninguém soubesse explicar de onde vinha…

Ajuda um Bispo a recuperar papéis perdidos

Estava saindo de Tolosa o Bispo D. Frei Ambrósio Catarino, grande escritor. Levava na bagagem muitos papéis e apontamentos particulares para polemizar com os hereges, e um livro intitulado A Glória dos Santos. Já tinha caminhado dezenas de quilômetros quando notou que haviam caído no caminho três escritos preciosos que muito trabalho lhe tinham dado. Com enorme tristeza, refez o caminho, para ver se os encontrava. Não houve cuidado nem providência que não tomasse para reencontrar os manuscritos, mas tudo em vão. Lembrou-se então de Santo Antônio, dirigiu a ele uma prece fervorosa, prometendo que se encontrasse o que perdera, acrescentaria ao livro A Glória dos Santos a narração daquela graça de Santo Antônio. Nesse mesmo instante aproxima-se dele um desconhecido que lhe pergunta se não havia perdido uns papéis. E, ante a reposta afirmativa do Prelado, estende-lhe os papéis tão desejados!

Recupera um anel desaparecido

Na vila de Alcácer do Sal vivia um homem rico muito devoto, que tinha o costume de todos os anos pagar as despesas da festa de Santo Antônio. Aconteceu que esse senhor certo dia foi lavar as mãos junto a um poço muito profundo que possuía em seu quintal e, num movimento desastrado, deixou cair dentro um anel pelo qual tinha muita estima. Todas as tentativas feitas para recuperá-lo foram inúteis. Confiou então o caso a Santo Antônio e não pensou mais nele. Tempos depois, durante a festa de Santo Antônio que, como de costume custeara, estava o homem dentro da igreja, assistindo à solenidade. Nisso aproximou-se dele um criado muito contente, e lhe estendeu o anel. Ante a curiosidade do senhor, esclareceu que tinha ido tirar água do poço e deixara nele cair o balde. Lançara então um gancho para prendê-lo e, ao puxar, na ponta do gancho viera o anel, tão bem encaixadinho que parecia ter sido posto de propósito por alguém. Curiosamente, Santo Antônio parece ter querido demorar a devolução do anel até sua festa, para manifestar quanto lhe agradava a devoção do bom homem pela mesma festa.

Fonte: Site Igreja Hoje  

3 conquistas de quem é conduzido pelo Espírito Santo

Quarta-feira, 16 de maio de 2012 / Kelen Galvan / Da Redação / Reuters  

Papa saúda peregrinos presentes na Praça São Pedro, no Vaticano, para a Catequese desta quarta-feira, 16  

Após ter dedicado as últimas catequeses sobre a oração nos Atos dos Apostólos, o Papa Bento XVI anunciou que a partir desta quarta-feira, 16, as próximas catequeses refletirão sobre a oração nas cartas de São Paulo.

O Santo Padre destacou que um primeiro elemento ensinado pelo apóstolo Paulo é que a oração não deve ser vista como uma “simples boa obra” que as pessoas fazem para Deus mas, antes de tudo, é um dom, fruto da presença vivificante do Pai e de Jesus Cristo em cada um.

Sabemos que é verdadeiro o que diz São Paulo, na carta aos Romanos, afirmou Bento XVI, de que “não sabemos rezar de modo conveniente” (Rm 8, 26). “Queremos rezar, mas Deus está distante, não temos as palavras, a linguagem para falar com Deus, nem mesmo o pensamento. Podemos somente nos abrir, colocar o nosso tempo à disposição de Deus, esperar que Ele nos ajude a entre em verdadeiro diálogo”, explicou o Papa.

Mas é exatamente essa falta de palavras e também o desejo de entrar em contato com Deus, que é “a oração que o Espírito Santo não somente entende, como leva e interpreta diante de Deus”, disse o Santo Padre explicando as palavras do apóstolo. “Exatamente essa nossa fraqueza se torna, através do Espírito Santo, verdadeira oração, verdadeiro contato com Deus. O Espírito Santo é quase um intérprete que faz com que Deus entenda aquilo que queremos dizer”, ressaltou.

Bento XVI destacou também três consequências na vida dos cristãos quando se deixam conduzir pelo Espírito Santo.       A primeira é que com a oração a pessoa experimenta a liberdade doada pelo Espírito: “uma liberdade autêntica, que é liberdade do mal e do pecado, para o bem e para a vida, para Deus”. O Papa explicou que sem a oração animada pelo Espírito, que alimenta a cada dia a intimidade dos fiéis com Cristo, esses permanecerão na condição descrita pelo Apóstolo: “não fazemos o bem que queremos, mas sim, o mal que não queremos” (Rm 7, 19).

Uma segunda consequência, de acordo com o Santo Padre, é que “o relacionamento com o próprio Deus se torna tão profundo” ao ponto de não ser corrompido por nenhuma realidade ou situação. “Compreendemos então que com a oração não somos liberados das provas ou dos sofrimentos, mas podemos vivê-los em união com Cristo, com os seus sofrimentos, na perspectiva de participar também da sua glória” (Rom 8,17), enfatizou.

E o terceiro ponto é que a oração do fiel se abre às dimensões da humanidade e de toda criação, se torna intercessão pelos outros e assim, ele libera a si mesmo, para ser canal de esperança para toda criação (cf. Rm 8, 19). “A oração, sustentada pelo Espírito de Cristo que fala no íntimo de nós mesmos, não fica nunca presa em si mesma, não é somente uma oração por mim, mas se abre à divisão dos sofrimentos do nosso tempo, dos outros”, disse Bento XVI.

Por fim, o Papa destacou que São Paulo ensina os cristãos quanto ao dever de se abrirem na oração à presença do Espírito Santo, “o qual reza em nós com gemidos inexprimíveis para nos levar a aderir a Deus de todo o coração”.

“O Espírito de Cristo se torna a força da nossa oração ‘fraca’, a luz da nossa oração ‘apagada’, o fogo da nossa oração ‘árida’, doando-nos a verdadeira liberdade interior, ensinando-nos a viver enfrentando as provas da existência, na certeza de não estarmos sós e abrindo-nos aos horizontes da humanidade e da criação”, concluiu.

 

Catequese Bento XVI – Oração Cartas de Paulo (1)
Boletim de Sala de Imprensa da Santa Sé (Tradução: Mirticeli Medeiros – equipe do CN notícias)

Queridos irmãos e irmãs,

Nas últimas catequeses refletimos sobre a oração nos Atos dos Apóstolos, hoje gostaria de começar a falar sobre a oração nas cartas de São Paulo, o apóstolo dos gentios. Antes de tudo, queria fazer notar como as suas cartas sejam introduzidas e se fechem com expressões de oração: no início agradecimento e louvor, e no final, desejo de que a graça de Deus guie o caminho das comunidades as quais é endereçada a carta. Entre a fórmula de abertura: “agradeço o meu Deus por meio de JEsus Cristo” (Rm 1,8), e o desejo final: “a graça do Senhor Jesus esteja com todos vocÊs” (I Cor. 16,23), se desenvolvem os conteúdos das cartas do Apóstolo. Aquela de São Paulo é uma oração que se manifesta em uma grande riqueza de formas que vão desde o agradecimento à benção, do louvor ao pedido de intercessão, do hino à súplica: uma variedade de expressões que demonstra como a oração envolva e penetre todas as situações da vida, sejam aquelas pessoais, sejam aquelas das comunidade às quais se dirige.

Um primeiro elemento que o apóstolo quer nos fazer compreender é que a oração não deve ser vista como uma simples obra boa feita por nós para Deus, uma ação nossa. É, antes de tudo, um dom, fruto da presença viva, vivificante do Pai e de Jesus Cristo em nós. Na carta aos Romnanos, escreve: “Do mesmo modo, o Espírito Santo vem em auxílio à nossa fraqueza: não sabemos, de fato, como rezar em modo conveniente, mas o Espírito mesmo intercede com gemidos inefáveis (8,26). E sabemos como é verdadeiro o que diz o Apóstolo: “Não sabemos como rezar em modo conveniente”. Queremos rezar, mas Deus está distante, não temos as palavras, a linguagem para falar com Deus, nem mesmo o pensamento. Podemos somente nos abrir, colocar o nosso tempo à disposição de Deus, esperar que Ele nos ajude a entre em verdadeiro diálogo. O apóstolo diz: exatamente essa falta de palavas, essa ausência de palavras, e também o desejo de entrar em contato com Deus, é a oração que o Espírito Santo não somente entende, como leva, interpreta diante de Deus. Exatamente essa nossa fraqueza se torna, através do Espírito Santo, verdadeira oração, verdadeiro contato com Deus. O Espírito Santo é quase um intérprete que faz com que Deus entenda aquilo que queremos dizer.

Na oração nós experimentamos, mais que em outras dimensões da existência, a nossa fraqueza, a nossa pobreza, o nosso ser criaturas, porque somos colocados diante da Onipotência e da transcendência de Deus. E quanto mais progredimos na escuta e no diálogo com Deus, para que a oração se torne o respiro cotidiano da nossa alma, mais percebemos a dimensão do nosso limite, não somente diante das situações concretas de cada dia, mas também em relação ao próprio relacionamento com o Senhor. Cresce então em nós, a necessidade de confiar, de confiarmo-nos sempre mais a Ele; compreendemos que “não sabemos…como rezar de modo conveniente” (Rom 8,26). E é o Espírito Santo que ajuda a nossa incapacidade, ilumina a nossa mente e esquenta o nosso coração, guiando o nosso dirigir-se a Deus. Para São Paulo, a oração é, sobretudo, o agir do Espírito Santo na nossa humanidade, que se encarrega da nossa fraqueza e transforma-nos de homens ligados às realidades materiais em homem espirituais. Na primeira Carta aos Coríntios diz: “Agora, nós não recebemos o espírito do mundo, mas o Espírito de Deus para conhecer aquilo que Deus nos deu. Desta nós falamos, com palavras não sugeridas pela sabedoria humana, mas sim, ensinadas pelo Espírito, exprimindo coisas espirituais em termos espirituais” (2,2-12). Com o seu habitar na nossa fragilidade humana, o Espírito Santo nos transforma, intercede por nós, nos conduz às alturas de Deus (Rom 8,26).

Com essa presença do Espírito Santo se realiza a nossa união a Cristo, já que se trata do Espírito do Filho de Deus, no qual nos tornamos filhos. São Paulo fala do Espírito de Cristo (Rom 8,9), não somente do Espírito de Deus. É obvio: se Cristo é o Filho de Deus, o seu Espírito é também Espírito de Deus e assim, se o Espírito de Deus, Espírito de Cristo, se torna já muito próximo a nós no Filho de Deus e no Filho do Homem, o Espírito de Deus se torna também espírito humano e nos toca; podemos entrar na comunhão do Espírito. É como se disesse que não somente Deus Pai se fez visível: na Encarnação do Filho, mas também o Espírito de Deus se manifesta na vida e na ação de Jesus, de Jesus Cristo, que viveu, foi crucificado, morreu e ressuscitou. O Apóstolo recorda que “ninguém pode dizer “Jesus é o Senhor”, se não sob a ação do Espírito Santo” (I Cor 12,3). Portanto, o Espírito orienta o nosso coração a Jesus Cristo, de modo que não sejamos mais nós a viver, mas Cristo a viver em nós” (Gal 2,20). Nas suas Catequeses sobre os Sacramentos, refletindo sobre a Eucaristia, Santo Ambrósio afirma: “Quem se inebria do Espírito, está enraizado em Cristo” (5,3.17: PL 16, 450).

E gostaria agora de evidenciar três consequências da nossa vida cristã quando deixar operar em nós não o Espírito do mundo, mas o Espírito de Cristo como princípio interior de todo o nosso agir.

Antes de tudo, com a oração animada pelo Espírito, somos colocados em condição de abandonar e superar todo medo e escravidão, vivendo a autêntica liberdade dos filhos de Deus. Sem a oração que alimenta cada dia o nosso ser em Cristo, em uma intimidade que cresce progressivamente, nos encontramos na condição descrita por São Paulo na Carta aos Romanos: não fazemos o bem que queremos, mas sim, o mal que não queremos (Rom 7,19). E esta é a expressão de alienação do ser humano, de destruição da nossa liberdade, para as circunstâncias do nosso ser para o pecado original: queremos o bem que não fazemos e fazemo aquilo que não queremos, o mal. O Apóstolo quer fazer entender que não é a nossa vontade a liberar-nos desta condições e nem mesmo a Lei, mas sim, o Espírito Santo. E já que, “onde está o Espírito do Senhor, está a liberdade” (II Cor 3,17), com a oração experimentamos a liberdade doada pelo Espírito: uma liberdade autêntica, que é liberdade  do mal e do pecado, para o bem e para a vida, para Deus. A liberdade do Espírito, continua São Paulo, não se identifica nunca com a libertinagem, nem com a possibilidade de fazer a escolha pelo mal, mas sim, com o fruto do Espírito que é amor, alegria, paz, magnamidade, benevolência, bondade, fidelidade, mansidão e domínio de si” (Gal 5,22). Esta é a verdadeira liberdade: poder realmente seguir o desejo do bem, da verdaeira alegria, da comunhão com Deus e não ser oprimido pelas circunstâncias que nos pedem outras direções.

Uma segunda consequência se verifica na nossa vida quando deixamos agir em nós o Espírito de Cristo é que o relacionamento com o próprio Deus se torna tão profundo ao ponto de não ser corrompido por nenhuma realidade ou situação. Compreendemos então que com a oração não somos liberados das provas ou dos sofrimentos, mas podemos vivê-los em união com Cristo, com os seus sofrimentos, na expectativa de participar também da sua glória (Rom 8,17). Muitas vezes, na nossa oração, pedimos a Deus de sermos liberados do mal físico e espiritual, e o fazemos com grande confiança. Todavia, frequentemente temos a impressão de não sermos ouvidos e então caímos no risco de nos desencorajarmos e de não perseverar. Na realidade, não existe grito humano que não escutado por Deus e exatamente na oração constante e fiel, compreendemos com São Paulo que os sofrimentos do tempo presente não impedem a glória futura que será revelada em nós (Rom 8,18). A oração não nos isenta da prova ou dos sofrimentos, mas – diz São Paulo –  nós gememos interiormente esperando a adoração de filhos, a redenção do nosso corpo” (Rom 8,26); ele diz que a oração não nos isenta do sofrimento, mas a oração nos permite vivê-lo e enfrentá-lo com uma força nova, com a mesma confiança de Jesus, o qual – segundo a carta aos hebreus – “nos dias da sua vida terrana ofereceu orações e súplicas com fortes gritos e lágrimas, a Deus que podia savá-lo da morte e, pelo seu pleno abandono, foi ouvido” (5,7). A resposta de Deus Pai ao Filho, aos seus fortes gritos e lágrimas, não foi a libertação dos sofrimentos, da cruz, da morte, mas foi uma realização muito maior, uma resposta muito mais profunda; através da cruz e da morte, Deus respondeu com a ressurreição do Filho, com a nova vida. A oração animada pelo Espírito Santo leva-nos também a viver cada dia o caminho da vida com suas provas e sofrimentos, na plena esperança, na confiança em Deus que responde como respondeu a seu Filho.

E, terceiro, a oração do fiel se abre também às dimensões da humanidade e de toda a criação, tomando a ardente expectativa da criação, colocada em direção à revelação dos filhos de Deus (Rom 8,19). Isso significa que a oração, sustentada pelo Espírito de Cristo que fala no íntimo de nós mesmos, não fica nunca presa em si mesma, não é somente uma oração por mim, mas se abre à divisão dos sofrimentos do nosso tempo, dos outros. Se torna intercessão pelos outros, e assim liberação de mim, canal de esperança para toda a criação, expressão daquele amor de Deus que foi derramos sobre os nosso corações por meio do Espírito que nos foi dado (Rom 5,5). E exatamente esse é um sinal de verdadeira oração, que não se encerra em nós mesmos, mas se abre aos outros e assim me libera, assim ajuda a redenção do mundo.

Queridos irmãos e irmãs, São Paulo nos ensina que na nossa oração devemos abrir-nos à presença do Espírito Santo, o qual reza em nós com gemidos inexprimíveis, para levar-nos a aderir a Deus com todo o nosso coração e com todo o nosso ser. O Espírito de Cristo se torna a força da nossa oração “fraca”, a luz da nossa oração “apagada”, o fogo da nossa oração “árida”, doando-nos a verdadeira liberdade interior, ensinando-nos a viver enfrentando as provas da existência, na certeza de não estarmos sós, abrindo-nos aos horizontes da humanidade e da criação ” que geme e sofre as dores de parto” (Rom 8,22).

Obrigado!

Oração das mães pelos filhos

Maternidade

É grande o poder da oração de uma mãe para seu filho

Deus estabeleceu uma lei: precisamos pedir a Ele as graças necessárias em nossa vida para sermos atendidos. Jesus foi enfático: “E eu vos digo: pedi e dar-se-vos-á; buscai e achareis; batei e abrir-se-vos-á. Pois todo aquele que pede, recebe; aquele que procura, acha; e ao que bater, se lhe abrirá” (Lc 11,8-10).

Jesus disse isso depois de contar aquele caso do vizinho que bateu na porta da casa do outro para pedir um pouco de pão à meia noite, porque tinha recebido uma visita e estava sem pão. Como o outro não o quis atender, Jesus disse: “Eu vos digo: no caso de não se levantar para lhe dar os pães por ser seu amigo, certamente por causa da sua importunação, se levantará e lhe dará quantos pães necessitar”.

A oração da mãe pelos filhos

Ora, o que Jesus está querendo nos ensinar com isso? Que devemos fazer o mesmo com Deus. Importuná-lo! Mas por que Deus faz assim? É para saber se, de fato, confiamos n’Ele, se temos fé de verdade, como aquela mulher cananeia, que não era judia, mas pediu, com insistência, que Ele curasse o filho endemoniado dela.

“E eis que uma cananeia, originária daquela terra, gritava: ‘Senhor, filho de Davi, tem piedade de mim! Minha filha está cruelmente atormentada por um demônio’” (Mt 15, 22). Quando Jesus lhe disse que não podia tirar os pães dos filhos (judeus) para dar aos cachorrinhos (pagãos), ela não desistiu, e pediu para receber, ao menos, as migalhas que caiam da mesa. Jesus ficou tocado e curou a filha dela. “Ó mulher, grande é a tua fé! Seja-te feito como desejas”. E na mesma hora sua filha ficou curada.

Se pedimos uma vez ou duas, mas não recebemos a graça, e não pedimos mais, é porque não confiamos no Senhor. Santo Agostinho ensinou o seguinte:

“Deus não nos mandaria pedir se não nos quisesse ouvir. A oração é uma chave que nos abre as portas do céu. Quando vires que tua oração não se apartou de ti, podes estar certo de que a misericórdia tão pouco se afastou de ti. Os grandes dons exigem um grande desejo, porquanto tudo o que se alcança com facilidade não se estima tanto como o que se desejou por muito tempo. Deus não quer te dar logo o que pedes, para aprenderes a desejar com grande desejo”.

Ninguém como ele entendeu a força da oração de uma mãe por seu filho; pois, durante vinte anos, sua mãe Santa Mônica rezou pela conversão dele e conseguiu. Ele mesmo conta isso no seu livro “Confissões”.

O santo disse que ela ia, três vezes por dia, diante do sacrário em Hipona, e pedia a Jesus que seu Agostinho se tornasse “um bom cristão”. Era tudo o que ela queria, não pedia que ele fosse, um dia, padre, bispo, santo, doutor da Igreja ou um dos maiores teólogos e filósofos de todos os tempos. Mas Deus queria lhe dar mais. Queria que Agostinho fosse esse ‘gigante’ da Igreja, por isso ela precisou rezar mais tempo e sem desanimar. Santa Mônica não desanimou! Por isso temos, hoje, esse gigante da fé. Fico pensando se ela parasse de rezar depois de pedir durante 19 anos. Não teria o seu filho convertido e nós não teríamos o Doutor da Graça.

Quando Agostinho deixou a África do Norte e foi ser o orador oficial do imperador romano, em Milão, ela foi atrás dele. Tomou o navio, atravessou o Mediterrâneo e foi rezar por seu filho. Um dia, foi ao bispo de Milão, em lágrimas, dizer-lhe que não sabia mais o que fazer pela conversão de seu Agostinho, que o bispo bem conhecia por sua fama. Simplesmente, o bispo lhe respondeu: “Minha filha, é impossível que Deus não converta o filho de tantas lágrimas”. E aconteceu. Santo Agostinho, ouvindo as pregações de Santo Ambrósio, bispo de Milão, se converteu; foi batizado por ele, e, logo, foi ordenado padre, escolhido para bispo e um dos maiores santos da Igreja. Tudo porque aquela mãe não se cansou de rezar pela conversão de seu filho… vinte anos!

Santo Agostinho disse, em “Confissões”, que as lágrimas de sua mãe, diante do Senhor no Sacrário, era como “o sangue do seu coração destilado em lágrimas nos seus olhos”.  Que beleza! Que fé! É exatamente o que a Igreja ensina: que nossa oração deve ser humilde, confiante e perseverante. Humilde como a do publicano, que batia no peito e pedia perdão diante do fariseu orgulhoso; confiante como a da mãe cananeia e perseverante como a da mãe Mônica. Deus não resiste às lágrimas e às orações de uma mãe que reza assim.

Prof. Felipe Aquino

Santo Evangelho (Jo 16, 16-20)

6ª Semana da Páscoa – Quinta-feira 10/05/2018

Primeira Leitura (At 18,1-8)
Leitura dos Atos dos Apóstolos.

Naqueles dias, 1Paulo deixou Atenas e foi para Corinto. 2Aí encontrou um judeu chamado Áquila, natural do Ponto, que acabava de chegar da Itália, e sua esposa Priscila, pois o imperador Cláudio tinha decretado que todos os judeus saíssem de Roma. Paulo entrou em contato com eles. 3E, como tinham a mesma profissão – eram fabricantes de tendas – Paulo passou a morar com eles e trabalhavam juntos. 4Todos os sábados, Paulo discutia na sinagoga, procurando convencer judeus e gregos. 5Quando Silas e Timóteo chegaram da Macedônia, Paulo dedicou-se inteiramente à Palavra, testemunhando diante dos judeus que Jesus era o Messias. 6Mas, por causa da resistência e blasfêmias deles, Paulo sacudiu as vestes e disse: “Vós sois responsáveis pelo que acontecer. Eu não tenho culpa; de agora em diante, vou dirigir-me aos pagãos”. 7Então, saindo dali, Paulo foi para casa de um pagão, um certo Tício Justo, adorador do Deus único, que morava ao lado da sinagoga. 8Crispo, o chefe da sinagoga, acreditou no Senhor com toda a sua família; e muitos coríntios, que escutavam Paulo, acreditavam e recebiam o batismo.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Responsório (Sl 97)

— O Senhor fez conhecer seu poder salvador perante as nações.
— O Senhor fez conhecer seu poder salvador perante as nações.

— Cantai ao Senhor Deus um canto novo, porque ele fez prodígios! Sua mão e o seu braço forte e santo alcançaram-lhe a vitória.

— O Senhor fez conhecer a salvação, e às nações, sua justiça; recordou o seu amor sempre fiel pela casa de Israel.

— Os confins do universo contemplaram a salvação do nosso Deus. Aclamai o Senhor Deus, ó terra inteira, alegrai-vos e exultai!

 

Evangelho (Jo 16,16-20)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo João.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 16“Pouco tempo ainda, e já não me vereis. E outra vez pouco tempo, e me vereis de novo”. 17Alguns dos seus discípulos disseram então entre si: “O que significa o que ele nos está dizendo: ‘Pouco tempo, e não me vereis, e outra vez pouco tempo, e me vereis de novo’, e: ‘Eu vou para junto do Pai?’”. 18Diziam, pois: “O que significa este pouco tempo? Não entendemos o que ele quer dizer”. 19Jesus compreendeu que eles queriam interrogá-lo; então disse-lhes: ‘Estais discutindo entre vós porque eu disse: ‘Pouco tempo e já não me vereis, e outra vez pouco tempo e me vereis?’ 20Em verdade, em verdade vos digo: Vós chorareis e vos lamentareis, mas o mundo se alegrará; vós ficareis tristes, mas a vossa tristeza se transformará em alegria”.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

 

A IGREJA CATÓLICA CELEBRA E VENERA HOJE
Santo Antonino – Bispo e Arcebispo de Florença

Santo Antonino, trabalhou com prudência e energia contra tudo o que atrapalhava as famílias

Neste dia, lembramos um grande santo que nasceu na Itália, no ano de 1389, cujo nome de batismo era Antônio (e que ficou conhecido como Antonino devido sua estatura). Pertencente a uma família nobre, Antonino caminhou para os estudos de Direito, mas devido ao forte chamado do Senhor, tomou a decisão de ser religioso.

Encontrou certa dificuldade para ingressar nos Dominicanos, mas com humildade e perseverança superou as barreiras e expectativas, pois por sua radicalidade na vivência do Evangelho tornou-se um exemplo como religioso. Obediente à regra e perseverante, começou a ocupar grandes responsabilidades de serviço chegando a Superior.

Convocado pelo Papa, Antonino, o pequeno gigante, foi chamado para ser Bispo e logo Arcebispo de Florença. Cheio do Espírito Santo, trabalhou com prudência e energia contra tudo o que atrapalhava as famílias e por isso sofreu muito, mas por uma causa justa, ou seja, para levar muitos para Deus. Entrou na Igreja triunfante com 70 anos.

Santo Antonino, rogai por nós!

III Domingo do Tempo Comum – Ano B

Por Mons. Inácio José Schuster

Jonas 3, 1-5; 1 Coríntios 7, 29-31; Marcos 1, 14-20

Convertei-vos e crede no Evangelho!

Depois que João foi preso, Jesus aproximou-se da Galiléia pregando o Evangelho de Deus e dizia: «O tempo cumpriu-se e o Reino de Deus está próximo; convertei-vos e crede na Boa Nova». Devemos eliminar imediatamente os preconceitos. Primeiro: a conversão não se refere somente aos não-crentes, ou àqueles que se declaram «leigos»; todos indistintamente temos necessidade de converter-nos; segundo: a conversão, entendida em sentido genuinamente evangélico, não é sinônimo de renúncia, esforço e tristeza, mas de liberdade e de alegria; não é um estado regressivo, mas progressivo. Antes de Jesus, converter-se significava um «voltar atrás» (o termo hebreu, shub, significa inverter o rumo, regressar sobre os próprios passos). Indicava o ato de quem, em certo ponto da vida, percebia estar «fora do caminho»; então se detém, faz um novo planejamento; decide mudar de atitude e regressar à observância da lei e voltar a entrar na aliança com Deus. Há uma verdadeira mudança de sentido. A conversão, neste caso, tem um significado moral; consiste em mudar os costumes, em reformar a própria vida. Nos lábios de Jesus este significado muda. Converter-se já não quer dizer voltar atrás, à antiga aliança e à observância da lei, mas significa mais dar um salto adiante e entrar no Reino, acolher a salvação que veio aos homens gratuitamente, por livre e soberana iniciativa de Deus. Conversão e salvação trocaram de lugar. Já não está, como o primeiro, a conversão por parte do homem e portanto a salvação como recompensa da parte de Deus; mas está primeiro a salvação, como oferecimento generoso e gratuito de Deus, e depois a conversão como resposta do homem. Nisto consiste o «alegre anúncio», o caráter gozoso da conversão evangélica. Deus não espera que o homem dê o primeiro passo, que mude de vida, que faça obras boas, como se a salvação fosse a recompensa a seus esforços. Não; antes está a graça, a iniciativa de Deus. Nisto, o cristianismo se distingue de qualquer outra religião: não começa pregando o dever, mas o dom; não começa com a lei, mas com a graça. «Convertei-vos e crede»: esta frase não significa portanto duas coisas distintas e sucessivas, mas a mesma ação fundamental: Convertei-vos, isto é, crede! Convertei-vos crendo! A fé é a porta pela qual se entra no Reino. Se tivesse dito: a porta é a inocência, a porta é a observância exata de todos os mandamentos, a porta é a paciência, a pureza, poder-se-ia dizer: não é para mim, eu não sou inocente, careço de tal ou qual virtude. Mas se diz: a porta é a fé. A ninguém é impossível crer, porque Deus nos criou livres e inteligentes precisamente para fazer-nos possível o ato de fé nele. A fé tem diferentes caras: está a fé-assentimento do intelecto, a fé-confiança. Em nosso caso trata-se de uma fé-apropriação. Ou seja, de um ato pelo qual apropria-se, quase por prepotência, de algo. São Bernardo até utiliza o verbo usurpar: «Eu, o que não posso obter por mim mesmo, usurpo de Cristo!». «Converter-se e crer» significa fazer propriamente um tipo de ação repentina e engenhosa. Com ela, antes ainda de ter-nos fatigado e adquirido méritos, conseguimos a salvação, apropriamo-nos inclusive de um «reino». É Deus mesmo quem nos convida a fazê-lo; encanta-lhe ver este engenho, e é o primeiro em surpreender-se de que «tão poucos o realizem». «Convertei-vos!» não é, como se vê, uma ameaça, uma coisa que ponha triste e obrigue a caminhar com a cabeça baixa e por isso a tardar o mais possível. Ao contrário, é uma oferta incrível, um convite à liberdade e à alegria. É a «boa notícia» de Jesus aos homens de todos os tempos.

 

3º DOMINGO DO TEMPO COMUM – B
Padre Wagner Augusto Portugal, Vigário Judicial da Diocese da Campanha, MG

“Cantai ao Senhor um canto novo, cantai ao Senhor, ó terra inteira; esplendor, majestade e beleza brilham no seu templo santo” (cf. Sl. 95,1.6).

Novamente estamos diante da figura do Batista. João Batista é realçado no Evangelho de Marcos(Mc 1,14-20) como aquele que fala da conversão. Marcos apresenta o Batista como o profeta escatológico, dando ênfase para a chegada do Reino de Deus. A liturgia deste domingo nos permite fazer uma ligação entre as três leituras que acabamos de ouvir. Jonas(primeira leitura Jn 3,1-5.10) nos exorta sobre a conversão de Nínive, uma cidade que vivia no pecado e na luxúria, tendo o contexto presente das coisas que passam rapidamente, como as coisas do mundo, o prazer, o sexo, o dinheiro, a pornografia, o ter, o poder, tudo aquilo que vai na contra-mão da história do Reino de Deus. Jesus assimilou este mundo maravilhoso anunciando o primordial: a comunhão com a Trindade Santíssima, que ao contrário das coisas do mundo, tem uma beleza perene e eterna. O livro de Jonas tem como tônica mostrar que Deus quer a conversão de todos, e não só do povo de Israel. Por isso, Jonas deve pregar a conversão em Nínive, capital do Império dos gentios. Deus oferece como graça o chamado à conversão; quem o aceita, é salvo.
Meus irmãos, O Evangelho de hoje(Mc 1,14-20) nos apresenta o Reino de Deus: aqui está o mistério central da Encarnação do Senhor. O Reino de Deus não é somente aquele que viveremos depois da morte. O Reino de Deus começa aqui e agora. A plenitude do Reino de Deus fica para a vida eterna. “Kairós” é o tempo que temos neste momento e na situação peculiar em que nos encontramos, que é rico de graça, porque impregnado da presença de Deus. A nossa vida pessoal para tornar-se “kairós”  e abrir-nos a porta do Reino de Deus exige de cada um duas condições básicas: conversão e crença nos santos Evangelhos. Todos nós somos convidados, com insistência pela Santa Igreja, a nos convertermos e a crer em Cristo. Crendo em Cristo, aderindo ao seu projeto de Salvação, todos nós poderemos ter acesso a maior beleza da vida deste e do outro mundo: a vida em Deus – sentir-se na palma da mão de Deus, sentir-se amado e querido por Deus, sentir-se na presença de Deus. O eixo de toda a vida de Jesus é a instauração do Reino de Deus, que é o eixo de todo o Evangelho. Os próprios discípulos são escolhidos em função do Reino de Deus. Por isso Jesus começou a sua pregação na Galiléia, a marginal de todas as cidades de então, para demonstrar que o seu Reino é para os pequenos, para os pobres, para os excluídos da sociedade. Jesus usa do pequeno para que a grandeza do seu Reino infunde a vida dos homens e das mulheres com grande entusiasmo e revigorada vida de fé e esperança. Marcos anuncia a missão universal de Jesus à beira de um lago, o lago da Galiléia, à parte norte da Palestina, onde, aliás, em torno do lago de Genesaré, Jesus passou a maior parte de sua vida pública. Contemplaram-se os tempos, tanto para Jesus, como para a criatura humana. Jesus é a plenitude dos tempos. Deus se fez igual a nós tem tudo, menos no pecado, elevando a criatura humana à dignidade de filho e o transformando em parceiro da história. Simão e André, Tiago e João, chamados por Jesus, somos todos nós. Todos somos chamados. No Evangelho Jesus escolheu quatro pescadores, profissão malvista naquele tempo e considerada imprópria para pessoas boas e tementes a Deus.  Nenhum pecador, nenhum pobre, nenhuma criatura é excluída. As condições continuam as mesmas duas: converter-se e crer no Evangelho, na pessoa de Jesus, nos seus ensinamentos e na sua missão. Uma fé comunitária e dialogal, desapegando-se de tudo, tanto dos bens materiais, quanto dos bens pessoais e dos bens sentimentais. O desapego provavelmente é a condição mais difícil do discipulado no Novo testamento, mesmo porque, a piedade do Antigo Testamento estava muito ligada a posse de bens materiais e sociais. No desapego Jesus é o grande mestre: nada teve de próprio, nem onde reclinar a cabeça.
Meus irmãos, A segunda leitura(1Cor 7,29-31) nos relata o matrimônio e o celibato. Paulo esboça uma visão global referente à questão do estado de vida. O estado de vida não é o mais importante, acha ele, pois é uma realidade provisória, perdendo sua importância diante do definitivo, que se aproxima depressa. Casamento, prazer, posse, como também o contrário de tudo isso, são o revestimento próprio da vida, o esquema como diz o texto grego. Este esquema desaparecerá. Já temos em nós o germe de uma realidade completamente nova, e esta é que importa. Assim Paulo evoca a dialética entre o provisório e o definitivo, o necessário e o significativo, o urgente e o importante. Mas esta dialética deve ser formulada novamente por cada geração e cada pessoa.
A Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios é uma explicação de São Paulo respondendo a perguntas dos coríntios com relação ao matrimônio. As respostas, cheias de bom senso e sem desprezo algum da sexualidade, revelam um tom de “relativismo escatológico”, ou seja: tudo isso não é o mais importante, para quem vive na expectativa da Parusia. Porque o “tempo é breve”(1 Cor 7,29), matrimônio ou celibato, dor ou alegria, posse ou pobreza são, num certo sentido, indiferentes: são um esquema que passa. Paulo continua, pois, mostrando o valor de seu celibato, com plena disponibilidade para as coisas de Cristo: uma espécie de antecipação da Parusia. Irmãos, Como os primeiros apóstolos somos convidados a pescar gente dentro do projeto do Reino de Deus. Não se trata só de pescar gente para vir à Igreja, mas sim de formar parceria com muita gente para construir um mundo melhor. O pescador de peixe pesca para seu próprio benefício. A Igreja não é uma organização voltada só para si mesma, preocupada apenas com seu próprio sucesso. A pesca da Igreja, que é povo de Deus em marcha, tem que ser diferente: não é estratégia para aumentar a clientela. O pescador de gente, à moda de Jesus, pesca para dar às pessoas pescadas uma tarefa empolgante, uma oportunidade maior de fazer diferença neste mundo atribulado. Nossa pesca é concreta, com problemas, angústias, conquistas e alegrias próprios da nossa região e do nosso tempo. Aqui onde estamos, o projeto do Reino está também entre o já e o ainda-não. Temos já e ainda-não no trabalho, nas escolas, nas famílias, na política, nas Igrejas, na ciência…e tendo esperança e fé que Deus está em nós, tempo de paz e de prosperidade. Diante de tantas propostas efêmeras e falas de felicidade, o Reino de Deus é a opção mais acertada de felicidade e de compromisso de amor e de paz!

 

Jesus: o “como se” desta vida
Evangelho do terceiro domingo do Tempo Comum
Pe. Angelo del Favero *

ROMA, sexta-feira, 20 de janeiro de 2012 (ZENIT.org) – 1 Cor 7,29-31: “Isto vos digo, irmãos: o tempo é breve. A partir de agora, aqueles que têm esposas vivam como se não as tivessem; aqueles que choram, como se não chorassem; aqueles que se alegram, como se não se alegrassem; aqueles que compram, como se não possuíssem; aqueles que usam os bens do mundo, como se não os usassem plenamente. Porque a figura deste mundo passa”.

Mc 1,14-20: “Depois que João foi preso, Jesus foi para a Galiléia, pregando o evangelho de Deus e dizendo: ‘O tempo foi cumprido e o reino de Deus está próximo. Arrependei-vos e crede no evangelho’. Passando à beira do Mar da Galileia, viu Simão e André, irmão de Simão, que lançavam a rede ao mar, pois eram pescadores. Jesus lhes disse: ‘Vinde e segui-me. Eu vos farei pescadores de homens’. E eles deixaram imediatamente as redes e o seguiram. Um pouco adiante, viu Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão, que também estavam no barco a consertar as redes. E logo chamou-os. Também eles deixaram seu pai, Zebedeu, no barco com os ajudantes e foram atrás dele”.

A resposta imediata dos primeiros discípulos chamados pelo Senhor mostra claramente o significado da exortação de Paulo a viver “como se” o que acontece ao nosso redor fosse, em si mesmo, completamente insignificante: “Isto vos digo, irmãos: o tempo é breve. E a figura deste mundo passa” (1 Cor 7,29-31). É claro que Simão, André, Tiago e João nunca teriam deixado o trabalho e a família se não fosse Jesus quem os chamasse. Isso quer dizer que o desapego emocional do próprio mundo não pode ser compreendido sem um encontro com aquele por meio de quem “todas as coisas foram feitas”, e sem o qual “nada foi feito de tudo o que existe” (1 Jo , 3). Quando um homem parte de casa para um lugar distante, de férias, ou para participar de uma convenção, ele se hospeda durante algum tempo num hotel. Ali ele come, dorme, usa o necessário para o dia-a-dia, conhece novas pessoas, e, no caso da convenção, participa ativamente nos trabalhos. Tudo isso é real e importante para ele, mas é temporário, de breve duração. Ele está ciente de que terá que retornar à sua cidade, à sua casa e ao seu trabalho, porque aquelas coisas é que são o seu mundo real. Este “outro” mundo do hotel é alheio a ele. Ele usa todas as coisas dali “como se não as usasse plenamente” (1 Cor 7,31), porque elas não são suas e ele as terá que abandonar. Essa convenção, ou as férias, são apenas um parêntese na sua vida e em breve serão apenas passado. A santa carmelita Teresa de Ávila comparava a existência terrena com o curto espaço de uma noite passada numa hospedaria ruim. Teresa certamente não desprezava este mundo, mas o conhecimento que lhe tinha sido concedido da sublimidade do Outro a fazia desejar a morte, como um parto necessário para começar a viver em plenitude a felicidade inefável do Reino dos Céus. Por isso ela não considerava a morte como uma destruição da vida, mas como a sua meta cobiçada, como implicitamente anuncia o Evangelho: “O tempo está cumprido e o reino de Deus está próximo” (Mc 1.14). Tal como para Teresa, também para os primeiros discípulos tudo isso tem apenas um nome: Jesus Cristo. “Segui-me, e eu vos farei pescadores de homens. E eles deixaram imediatamente as redes e o seguiram”(Mc 4.17). O reino de Deus é seguir Jesus. E é apenas pelo nome de Jesus que São Paulo nos exorta a viver o cenário passageiro deste mundo com um feliz e responsável desprendimento, animados e sustentados pelo pensamento da “definitividade” beata do Outro: “A partir de agora, aqueles que têm esposas vivam como se não as tivessem; os que choram, como se não chorassem; os que se alegram, como se não se alegrassem…” (1 Cor 7,29-31). O apóstolo dá um testemunho significativo na carta aos Filipenses: “Eu certamente não alcancei a meta, não cheguei à perfeição, mas estou correndo para conquistá-la, porque fui conquistado por Cristo Jesus. Irmãos, eu não considero ainda que cheguei à conquista. Tudo o que sei é isto: esquecendo o que está por trás de mim e voltado em direção ao que está na minha frente, eu corro para a meta, para o prêmio que Deus me chama a receber no céu, em Cristo Jesus” (Fil. 3,12-14). Estas palavras vêm de um homem que está cheio da alegria de viver. Como os primeiros discípulos e todos os santos, Paulo foi capturado por Cristo não para abandonar a imagem deste mundo, mas para ser fermento misturado com ele. Também para nós, na medida em que conseguimos viver “santos e irrepreensíveis diante dele no amor” (Ef 1.4), a comunhão em Cristo pode se tornar uma energia incontrolável para espalharmos a alegria do Evangelho pelo mundo inteiro. O “ainda não” do Paraíso se torna um “já” na figura deste mundo, porque, de algum modo e sempre, “o viver é Cristo” (Fil. 1,21-23). Isso nos ajuda a entender aquele “como se”, que foi repetido cinco vezes e que nos soa completamente impossível do ponto de vista psicológico. O que significa, para o marido, viver como se não tivesse mulher, e vice-versa? O que quer dizer, para aqueles que trabalham, viver como se não trabalhassem; para quem estuda, como se não estudasse; para aqueles que têm, como se não tivessem; para aqueles que vivem na imagem deste mundo, como se não vivessem? Significa viver e fazer todas essas coisas sem absolutizá-las como fins em si mesmas, mas usá-las como meios para fazer a vontade de Deus, realizando o Bem e anunciando com a própria vida o Evangelho do seu amor. A alegria de viver está na Verdade e no Amor. E a Verdade e Amor é Cristo. Converter-se e crer no evangelho é exatamente isso.
——–
* Cardiologista, o Pe. Angelo del Favero co-fundou em 1978 um dos primeiros Centros de Apoio à Vida perto da Catedral de Trento. Tornou-se carmelita em 1987 e sacerdote em 1991. Foi conselheiro espiritual no santuário de Tombetta, perto de Verona. Atualmente se dedica à espiritualidade da vida no convento carmelita de Bolzano, na paróquia de Nossa Senhora do Monte Carmelo.

 

 

3º Domingo do Tempo Comum  

14Depois que João foi preso, Jesus dirigiu-se para a Galiléia. Pregava o Evangelho de Deus, e dizia: 15“Completou-se o tempo e o Reino de Deus está próximo; fazei penitência e crede no Evangelho.” 16Passando ao longo do mar da Galiléia, viu Simão e André, seu irmão, que lançavam as redes ao mar, pois eram pescadores. 17Jesus disse-lhes: “Vinde após mim; eu vos farei pescadores de homens.” 18Eles, no mesmo instante, deixaram as redes e seguiram-no. 19Uns poucos passos mais adiante, viu Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão, que estavam numa barca, consertando as redes. E chamou-os logo. 20Eles deixaram na barca seu pai Zebedeu com os empregados e o seguiram.

João Batista é preso e Jesus começa sua pregação do “Evangelho de Deus”, ou seja, a Boa Nova. Aqui, já se destaca a divindade de Jesus Cristo, que inicia a pregação pela chegada iminente do Reino, onde exige conversão autêntica do homem a Deus, conforme, outrora, fizeram os Profetas (Jr 3,22; Is 30,15; Os 14,2 etc…). Tanto João Batista como Cristo e os Seus Apóstolos insistem que é preciso converter-se, mudar de atitude e de vida como condição prévia para receber o Reino de Deus. Alguns anos atrás, o Beato João Paulo II (†2005) realça a importância da conversão, expressão clara da misericórdia de Deus: “Portanto, a Igreja professa e proclama a conversão. A conversão a Deus consiste sempre em descobrir a Sua misericórdia, isto é, esse amor que é paciente e benigno” (cf. 1Cor 13,4); amor, que é fiel até às últimas conseqüências na história da aliança com o homem: até à cruz, até a morte e à ressurreição de Seu Filho. A conversão a Deus é sempre fruto do ‘reencontro’ com este Pai, rico em misericórdia.   O autêntico conhecimento de Deus, Deus da misericórdia e do amor benigno, é uma fonte constante e inesgotável de conversão, não somente como momentâneo ato interior, mas também como disposição permanente, como estado de espírito. Aqueles que assim chegam ao conhecimento de Deus, aqueles que assim O ‘vêem’, não podem viver de outro modo que não seja convertendo-se a Ele continuamente. Passam a viver in statu conversionis, em estado de conversão; e é este estado que constitui a característica mais profunda da peregrinação de todo homem sobre a terra in statu viatoris, em estado de peregrino” (Encíclica Dives in Misericórdia nº 13, João Paulo II, 1980).   O Evangelista narra nestes versículos o chamamento de Jesus a alguns dos que formariam parte do Colégio Apostólico. O Messias desde o começo do Seu ministério público na Galiléia, busca colaboradores para levar a cabo a Sua missão de Salvador e Redentor. E busca aqueles habituados ao trabalho, acostumados ao esforço e à luta constantes, simples de costumes, enfim os ocupados. A desproporção humana é patente, mas isso não constitui um obstáculo para que a entrega seja generosa e livre. A luz acesa nos seus corações foi suficiente para abandonar tudo. O simples convite ao seguimento bastou para se porem incondicionalmente à disposição do Mestre.   É Jesus quem escolhe; meteu-Se na vida dos Apóstolos, como Se mete na nossa, sem pedir autorização: Ele é o nosso Senhor.

Concluímos com trecho da canção “Caminhada” (Pe. Jonas Abib)
Alguém chama, Ele me ama e me conduz e me quer feliz.  Ele fala, só escuto, paro mudo, e o que Ele me diz…  Vem me seguir, que Eu caminho junto com você ao fim  Depois da caminhada você é feliz,  se deixa todas coisas só por mim…  Por mim!… vem me seguir…  Que o Meu caminho é o da porta estreita sim,  Porém ao acabar junto de mim,  Você vai entender porque é bom, é bom seguir…

 

Férias com Deus e não sem Ele

Será que o Senhor aprovaria os locais que escolhemos para descansar?
Pe. Anderson Marçal

Mesmo não querendo desenvolver uma teologia de férias ou de descanso, nos propomos a olhar a Palavra de Deus com esse tema em mente. Ao fazer isso, deparamos com alguns fatos que deveriam nos conduzir a uma reflexão pessoal de como encaramos esse período de descanso e como esse tempo é vivido para a glória do Criador. Nas primeiras páginas da Bíblia, vemos um fato que não pode passar despercebido para quem pensa nesse assunto. Vemos ali como Deus nos apresenta, pelo exemplo, o que deveria ser nossa atitude para com o trabalho e para com o descanso. “No sétimo dia Deus já havia concluído a obra que realizara, e nesse dia descansou. Abençoou Deus o sétimo dia e o santificou, porque nele descansou de toda a obra que realizara na criação” (Gn 2, 2.3). O Altíssimo não nos dá um exemplo de alguém que busca “sombra e água fresca”, Ele trabalhara muito fazendo com que a criação toda chegasse à existência. Mesmo que não precisasse tanto como nós de descanso após um esforço intenso, o Senhor nos mostra que o descanso tem o seu lugar. E mais ainda: Ele abençoa esse dia e o santifica. Mesmo sendo muito dedicado e esforçado, mesmo que não seja preguiçoso, o Todo-Poderoso também não está viciado em trabalho e proporciona a si mesmo um momento de descanso. O primeiro ensinamento a respeito de descanso e de férias é dado pelo exemplo de Deus, logo após a criação. Mas logo em seguida, nas próximas páginas da Bíblia, encontramos uma palavra de Deus a esse respeito, em forma de ordenação. “Lembra-te do dia de sábado, para santificá-lo. Trabalharás seis dias e neles farás todos os teus trabalhos, mas o sétimo dia é o sábado dedicado ao SENHOR, o teu Deus. Nesse dia não farás trabalho algum, nem tu, nem teus filhos ou filhas, nem teus servos ou servas, nem teus animais, nem os estrangeiros que morarem em tuas cidades” (Ex 20, 8-10). Certamente, Deus não faz nada sem propósito. Se Ele ordena que descansemos no sétimo dia, então, além de usarmos este dia para a glória do Criador, o Senhor está consciente do fato de precisarmos regularmente do descanso. O Novo Testamento nos diz que o nosso corpo é o templo de Espírito Santo. Diante disso é difícil de imaginar que Deus Pai queira para si um templo que esteja cansado e exausto. Isso não seria um lugar agradável para morar. Virando várias páginas da Sagrada Escritura, chegamos ao Novo Testamento. Ali deparamos com um fato bem interessante com relação ao descanso e, por que não dizer, com relação às férias. “Os apóstolos reuniram-se a Jesus e lhe relataram tudo o que tinham feito e ensinado. Havia muita gente indo e vindo, a ponto de eles não terem tempo para comer. Jesus lhes disse: “Venham comigo para um lugar deserto e descansem um pouco” (Mc 6, 30.31). Os apóstolos acabam de retornar de um esforço missionário evangelístico. Além disso, recebem a notícia de que João Batista fora decapitado. O movimento em torno de Nosso Senhor Jesus Cristo estava tão intenso que nem mesmo há condições para alimentação adequada. Naquele momento, Cristo entra em ação com esta proposta brilhante: Ele afirma que devem procurar um lugar deserto, isto é, um lugar em que não haja tantas pessoas, um lugar que proporcione tempo e oportunidade de estarem a sós com Ele. Apesar do sucesso do Seu ministério, o Senhor está consciente de que precisa prevenir o estresse, como resultado de atividades tão intensas. Ainda outro assunto é discutido na Bíblia e bem destacado. Lemos em Êxodo 20 que todos da unidade doméstica estariam incluídos no descanso regular semanal. Interessante notar ali também que inclusive os animais não deveriam fazer tarefa alguma no dia do descanso. Isso fez com que eu me desse conta de que o Criador prevê o descanso para a natureza. Veja, por exemplo, o que lemos em Levítico 25, 2-5: “Diga o seguinte aos israelitas: Quando vocês entrarem na terra que lhes dou, a própria terra guardará um sábado para o SENHOR. Durante seis anos semeiem as suas lavouras, aparem as suas vinhas e façam a colheita de suas plantações. Mas no sétimo ano a terra terá um sábado de descanso, um sábado dedicado ao SENHOR. Não semeiem as suas lavouras, nem aparem as suas vinhas”. Assim como os homens e os animais precisam de descanso, a natureza também precisa dessa pausa e Deus já estabeleceu isso junto ao Seu povo. Há mais um momento na vida de Jesus Cristo que merece a nossa atenção nesse contexto. Mesmo que anteriormente tenha estimulado o descanso ao levar os discípulos a uma viagem de recreação, o Senhor aponta agora que o repouso também pode ocorrer em hora errada. Ele diz aos Seus seguidores, ali no Getsémani, o seguinte: “Vocês ainda dormem e descansam? Basta! Chegou a hora! Eis que o Filho do homem está sendo entregue nas mãos dos pecadores” (Mc 14, 41). Há momentos em que não comportam descanso e ócio; é preciso adotar uma atitude bem diferente. Na realidade, não se pode indicar os momentos não apropriados para o descanso, mas certamente teremos a devida orientação por parte de Deus a respeito dessa questão. Ciente de não ter esgotado esse pano de fundo para as férias e descanso, nós nos propomos agora a fazer algumas indagações e reflexões. Deus quer que tenhamos tempo para restaurar as forças físicas, mentais e espirituais. Nossa inquietação, no entanto, é o que nós chamamos de descanso, o que nós praticamos como descanso e que nós, por isso, encaramos como as bem merecidas férias. Estaria o Senhor contente com o repouso que praticamos? Ele convidou os discípulos para uma viagem de férias para estarem com Ele e terem tempo para estar em sintonia com o Filho de Deus. Será que planejamos as nossas férias para alcançar esse propósito? Podemos nos perguntar também: “Será que Deus aprovaria os locais que escolhemos para descansar?” Os lugares mais badalados e também procurados são as praias e os balneários das termas. Será que esses lugares nos proporcionam descanso e restauração física, mental e espiritual? Uma vez que ali há um aglomerado tão grande de pessoas, sempre há alguma coisa acontecendo e nos convidando para envolvimento. Por outro lado, corre solta a sensualidade em todas as formas, ela parece ser o fator principal nesses “locais de férias”. Se formos honestos e atenciosos não descobriremos que, em vez de descanso, alcançamos algo bem mais forte em emoções e adrenalina e, por que não dizer, em estímulos sexuais? Como se isso não bastasse ainda, muitos ali ficarão com a autoestima tão abalada ao verem que o corpo não está dentro dos padrões de beleza estabelecidos por aqueles que procuram e desenvolvem os padrões de beleza em nossos dias. Toda a mídia se esforça a desenvolver um modelo de repouso que prevê e precisa que as férias sejam regadas a muita bebida alcoólica. É mais do que evidente que em nossos dias realmente precisamos de férias, precisamos de descanso e precisamos “recarregar as nossas baterias”. O nosso esgotamento ocorre nas três áreas que já indicamos anteriormente: física, mental e espiritual. Muitas vezes, somos exigidos de forma tão vigorosa fisicamente que o corpo fica arrasado. Isso tem conseqüências sobre a mente e certamente também sobre a parte espiritual. Outras vezes, e isso depende da nossa atividade, a mente é exigida tanto que afeta o corpo também e, em conseqüência disso, o nosso espírito. Já outras atividades exigem tanto do “coração e do espírito”, que nos deixam arrasados nessa área. E se estamos exaustos, este cansaço também afeta o corpo e a mente. Mesmo que teoricamente funcionemos em áreas, nós formamos um todo e o todo sofre com dificuldades em uma ou outra área. Dentro desse raciocínio deve-se ter uma inquietação: nossas férias facilmente se tornam o momento ou o período em que nós também damos férias a Deus? As coisas parecem estar tão perfeitas e gostosas que não precisamos do Senhor. Ou então dormimos tanto pela manhã para já não haver mais tempo para um período devocional antes de irmos aos passeios. Por outro lado, esses passeios nos cansam tanto que à tarde temos de ter aquela soneca gostosa. À noite, muitas vezes, acontece alguma festa com amigos ou parentes que estão no mesmo lugar e a hora fica avançada demais para ainda termos tempo para Deus. Dentro dessa linha uma pergunta: Será que Deus aprovaria o fato de darmos, em nossas férias, férias também para Ele?

Os caminhos de preparação para o fim dos tempos

Homilia na Casa Santa Marta, terça-feira, 26 de novembro  de 2013, Da Redação, com Rádio Vaticano

Na homilia, Papa indicou a oração para discernir cada momento da vida e a esperança para olhar para o fim dos tempos

O homem pode sentir-se dono do momento, mas Papa ressaltou que somente Deus é o mestre do tempo / Foto: L’Osservatore Romano

Na Missa desta terça-feira, 26, Papa Francisco falou dos dois conselhos para compreender o fluxo do tempo presente e preparar-se para o fim dos tempos: oração e esperança. Ele indicou na oração a virtude para discernir cada momento da vida e na esperança em Jesus a virtude para olhar ao fim dos tempos.

As reflexões do Papa vieram do Evangelho do dia, no qual Jesus explica aos fiéis o que deverá acontecer antes do fim da humanidade, assegurando que nem o pior dos dramas poderá colocar em desespero aqueles que acreditam em Deus. E ao longo deste caminho, Francisco observou a diferença entre viver o momento e viver o tempo.

Segundo ele, o cristão é o homem ou a mulher que sabe viver tanto no momento quanto no tempo. “O momento é aquele que nós temos em mãos agora: mas este não é o tempo, este passa! Talvez nós podemos nos sentir patrões do momento, mas o engano é acreditar sermos patrões do tempo: o tempo não é nosso, o tempo é de Deus!”.

Citando as palavras de Jesus, o Pontífice advertiu que não se deve deixar enganar no momento, pois haverá quem se aproveitará da confusão para apresentar-se como Cristo. Dessa forma, as virtudes necessárias para o cristão viver o momento são a oração e o discernimento. Já para olhar para o tempo, cujo único mestre é Jesus, não há nenhuma virtude humana, mas sim aquela dada pelo Senhor: a esperança.

“O cristão sabe esperar o Senhor em todo momento, mas espera no Senhor o fim dos tempos. Homem e mulher de momento e de tempo: de oração e de discernimento, e de esperança. O Senhor nos dê a graça de caminhar com a sabedoria, que também é um dom Dele: a sabedoria que no momento nos leva a rezar e discernir. E no tempo, que é o mensageiro de Deus, nos faça viver com esperança”.

Plenitude do tempo chegou através do sim de Maria

Sexta-feira, 1 de janeiro de 2016, Kelen Galvan / Da redação

Na Solenidade de Santa Maria Mãe de Deus, o Papa Francisco explica o significado da plenitude dos tempos, e destaca que é preciso interpretá-la a partir de Deus

Neste primeiro dia de 2016, o Papa Francisco presidiu, na Basílica São Pedro, no Vaticano, a Missa pela Solenidade de Maria Santíssima, Mãe de Deus.

Na homilia, o Santo Padre explicou o significado histórico das palavras de São Paulo, presentes na segunda leitura de hoje (cf. Gl 4, 4-7): “Quando chegou a plenitude do tempo, Deus enviou o seu Filho, nascido de uma mulher”.

Francisco destacou que é preciso interpretar a “plenitude do tempo”, a partir de Deus. Pois, aos olhos humanos, aquele não era certamente o melhor tempo para os contemporâneos de Jesus, diante do império de Roma, que dominava grande parte do mundo com suas forças militares.

Porém, Deus estabeleceu o momento de cumprir sua promessa à humanidade. “Não foi a história que decidiu a hora do nascimento de Cristo. Pelo contrário, a sua vinda ao mundo permitiu à história chegar à sua plenitude”.

Foi por isso, enfatizou o Papa, que o cálculo de uma nova era começou com o nascimento do Filho de Deus:

“Logo, a plenitude do tempo é a presença de Deus em pessoa na nossa história. Agora, podemos ver a sua glória, que refulge na pobreza de uma estrebaria, e ser encorajados e sustentados pelo seu Verbo, que se fez ‘pequeno’ em uma criança. Graças a Ele, o nosso tempo encontra a sua plenitude”.

A plenitude do tempo

Entretanto, o Pontífice explicou que este mistério sempre contrasta com a dramática experiência histórica. A “plenitude do tempo” parece desmoronar diante de tantas formas de injustiça e violência, que ferem diariamente a humanidade.

“Como é possível que perdure a prepotência do homem sobre o homem? Que a arrogância do mais forte continue a humilhar o mais fraco, relegando-o às margens mais esquálidas do nosso mundo? Até quando a maldade humana semeará violência e ódio na terra, causando vítimas inocentes? Como pode ser ‘tempo da plenitude’ quando, diante dos nossos olhos, multidões de homens, mulheres e crianças fogem da guerra, da fome, da perseguição, dispostos a arriscar a vida para que sejam respeitados os seus direitos fundamentais?”, indagou o Papa.

Contudo, o Santo Padre afirmou que nada disso é maior que o oceano da misericórdia divina que inunda o mundo.

“Todos nós somos chamados a mergulhar neste oceano, a deixar-nos regenerar, para vencer a indiferença que impede a solidariedade. A graça de Cristo, que realiza a expectativa da salvação, nos impele a sermos seus cooperadores na construção de um mundo mais justo e fraterno, onde as pessoas e as criaturas possam viver em paz, na harmonia da criação primordial de Deus”.

Francisco disse ainda que, no início de um novo ano, a Igreja destaca como ícone de paz, a maternidade divina de Maria. “A antiga promessa realiza-se na sua pessoa, que acreditou nas palavras do Anjo; ela concebeu o Filho e tornou-se Mãe do Senhor. Através do ‘sim’ de Maria chegou a ‘plenitude do tempo’.”

Por fim, o Papa explicou que a “plenitude do tempo” leva a singularizar o sentido dos acontecimentos que tocam cada pessoa, cada família, país e o mundo inteiro.

“Aonde não pode chegar a razão dos filósofos, nem as negociações políticas conseguem fazer o que a força da fé e da graça do Evangelho de Cristo faz, abrindo sempre novos caminhos à razão e às negociações”.

 

HOMILIA
Santa Missa na Solenidade de Santa Maria Mãe de Deus

Ouvimos as palavras do apóstolo Paulo: «Quando chegou a plenitude do tempo, Deus enviou o seu Filho, nascido de uma mulher» (Gl 4, 4).

Que significa Jesus nasceu na «plenitude do tempo»? Se o nosso olhar se fixa no momento histórico, podemos imediatamente ficar decepcionados. Sobre grande parte do mundo conhecido de então, dominava Roma com o seu poderio militar. O imperador Augusto chegara ao poder depois de cinco guerras civis. Também Israel fora conquistado pelo Império Romano e o povo eleito estava privado da liberdade. Por conseguinte, aquele não era certamente o tempo melhor para os contemporâneos de Jesus. Portanto, se queremos definir o clímax do tempo, não é para a esfera geopolítica que devemos olhar.

É necessária uma interpretação diferente, que entenda a plenitude a partir de Deus. No momento em que Deus estabelece ter chegado a hora de cumprir a promessa feita, realiza-se então, para a humanidade, a plenitude do tempo. Por isso, não é a história que decide acerca do nascimento de Cristo; mas, ao invés, é a sua vinda ao mundo que permite à história chegar à sua plenitude. É por isso que se começa, do nascimento do Filho de Deus, o cálculo duma nova era, ou seja, a que vê o cumprimento da antiga promessa. Como escreve o autor da Carta aos Hebreus, «muitas vezes e de muitos modos, falou Deus aos nossos pais, nos tempos antigos, por meio dos profetas. Nestes dias, que são os últimos, Deus falou-nos por meio do Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas, e por meio de quem fez o mundo. Este Filho é resplendor da sua glória e imagem fiel da sua substância e tudo sustenta com a sua palavra poderosa» (1, 1-3). Assim, a plenitude do tempo é a presença de Deus em pessoa na nossa história. Agora, podemos ver a sua glória que refulge na pobreza dum estábulo, e ser encorajados e sustentados pelo seu Verbo que Se fez «pequeno» numa criança. Graças a Ele, o nosso tempo pode encontrar a sua plenitude.

Este mistério, porém, sempre contrasta com a dramática experiência histórica. Cada dia, quereríamos ser sustentados pelos sinais da presença de Deus, mas o que constatamos são sinais opostos, negativos, que fazem antes senti-Lo como ausente. A plenitude do tempo parece esboroar-se perante as inúmeras formas de injustiça e violência que ferem diariamente a humanidade. Às vezes perguntamo-nos: Como é possível que perdure a prepotência do homem sobre o homem? Que a arrogância do mais forte continue a humilhar o mais fraco, relegando-o para as margens mais esquálidas do nosso mundo? Até quando a maldade humana semeará na terra violência e ódio, causando vítimas inocentes? Como pode ser o tempo da plenitude este que coloca diante dos nossos olhos multidões de homens, mulheres e crianças que fogem da guerra, da fome, da perseguição, dispostos a arriscar a vida para verem respeitados os seus direitos fundamentais? Um rio de miséria, alimentado pelo pecado, parece contradizer a plenitude do tempo realizada por Cristo.

Contudo este rio alagador nada pode contra o oceano de misericórdia que inunda o nosso mundo. Todos nós somos chamados a mergulhar neste oceano, a deixarmo-nos regenerar, para vencer a indiferença que impede a solidariedade e sair da falsa neutralidade que dificulta a partilha. A graça de Cristo, que realiza a expectativa da salvação, impele a tornar-nos seus cooperadores na construção dum mundo mais justo e fraterno, onde cada pessoa e cada criatura possam viver em paz, na harmonia da criação primordial de Deus.

No início dum novo ano, a Igreja faz-nos contemplar, como ícone de paz, a maternidade divina de Maria. A antiga promessa realiza-se na sua pessoa, que acreditou nas palavras do Anjo, concebeu o Filho, tornou-Se Mãe do Senhor. Através d’Ela, por meio do seu «sim», chegou a plenitude do tempo. O Evangelho, que escutámos, diz que a Virgem «conservava todas estas coisas, ponderando-as no seu coração» (Lc 2, 19). Aparece-nos como vaso sempre cheio da memória de Jesus, Sede da Sabedoria, onde recorrer para termos a interpretação coerente do seu ensinamento. Hoje dá-nos a possibilidade de individuar o sentido dos acontecimentos que nos tocam pessoalmente a nós, às nossas famílias, aos nossos países e ao mundo inteiro. Aonde não pode chegar a razão dos filósofos, nem as negociações da política, consegue fazê-lo a força da fé que a graça do Evangelho de Cristo nos traz e que pode abrir sempre novos caminhos à razão e às negociações.

Feliz sois Vós, ó Maria, por terdes dado ao mundo o Filho de Deus; mas mais feliz ainda sois porque acreditastes n’Ele. Cheia de fé, concebestes Jesus, primeiro no coração e depois no seio, para Vos tornardes Mãe de todos os crentes (cf. Santo Agostinho, Sermo 215, 4). Lançai sobre nós a vossa bênção neste dia que Vos é consagrado; mostrai-nos o rosto do vosso Filho Jesus, que dá ao mundo inteiro a misericórdia e a paz.

 

Primeiro Angelus de 2016: Paz deve ser conquistada, diz Papa
Sexta-feira, 1 de janeiro de 2016, Da redação, com Rádio Vaticano

Neste dia em que se celebra o Dia Mundial da Paz, o Papa disse no Angelus que a paz que Deus deseja semear no mundo deve ser cultivada por cada pessoa

Após presidir a Missa por ocasião da Solenidade da Mãe de Deus, o Papa Francisco rezou o Angelus da janela do apartamento pontifício, com os milhares de fiéis reunidos na Praça São Pedro, no Vaticano.

Neste primeiro dia de 2016, Francisco quis desejar a todos um futuro amparado por “uma esperança real”.

O Santo Padre observou que a troca de felicitações na virada no ano é “um sinal da esperança que nos anima e nos convida a acreditar na vida”, de que aquilo que nos espera “seja um pouco melhor”. Recordando também que todos sabemos “que com o ano novo nem tudo mudará, e que tantos problemas de ontem permanecerão também amanhã”. Apesar desta constatação, a sua mensagem é de esperança.

Inspirado nas palavras da liturgia do dia em que “o Senhor mesmo quis abençoar o seu povo”, Francisco diz que também ele deseja isto: “que o Senhor coloque o seu olhar sobre vocês e que possam se alegrar, sabendo que em cada dia o seu rosto misericordioso, mais radiante do que o sol, resplandece sobre vós e não se põe nunca!”.

O Pontífice disse ainda que descobrir o rosto de Deus renova a vida. “Porque é um Pai enamorado do homem, que não se cansa nunca de recomeçar conosco do início, para nos renovar. Porém, não promete mudanças mágicas. Ele não usa a varinha mágica. Ama mudar a realidade a partir de dentro, com paciência e amor; pede para entrar na nossa vida com delicadeza, como a chuva na terra, para dar fruto. E sempre nos espera e nos olha com ternura. A cada manhã, ao despertar, podemos dizer: ‘Hoje o Senhor faz resplandecer a sua face sobre mim!’”.

Dia Mundial da Paz

O Papa recordou que a Igreja celebra hoje o Dia Mundial da Paz com o tema “Vença a indiferença e conquista a paz”. “A paz que Deus deseja semear no mundo – disse – deve ser cultivada por nós. E não somente, mas deve ser “conquistada””:

“Isto comporta uma verdadeira luta, um combate espiritual, que tem lugar em nosso coração. Porque inimiga da paz não é somente a guerra, mas também a indiferença, que faz pensar somente em si mesma e cria barreiras, suspeitas, medos, fechamentos. Temos, graças a Deus, tantas informações; mas às vezes somos tão bombardeados por notícias que ficamos distraídos da realidade, do irmão e da irmã que tem necessidade de nós. Comecemos a abrir o coração, despertando a atenção pelo próximo. Este é o caminho para a conquista da paz”.

Ao concluir sua reflexão, o Santo Padre dirige-se a Rainha da Paz, a Mãe de Deus, cuja Solenidade é celebrada neste 1º de janeiro, perguntando “de que se trata estas coisas que ela guardava, meditando-as em seu coração?”:

“Certamente da alegria pelo nascimento de Jesus, mas também das dificuldades que havia encontrado: teve que colocar o seu Filho em uma manjedoura porque para eles não havia lugar no alojamento e o futuro era muito incerto. As esperanças e as preocupações, a gratidão e os problemas: tudo aquilo que acontecia na vida tornava-se, no coração de Maria, oração, diálogo com Deus. Eis o segredo da Mãe de Deus. E ela faz isto também por nós: guarda as alegrias e desata os nós da nossa vida, entregando-os ao Senhor”.

Após recitar a oração do Angelus, o Papa dirigiu-se aos fieis manifestando o seu reconhecimento “pelas inúmeras iniciativas de oração e de ação pela paz organizadas e todas as partes do mundo por ocasião do Dia Mundial da Paz.

O Pontífice também saudou os “Cantores da Estrela” – “crianças e jovens que na Alemanha e na Áustria levam nas casas a bênção de Jesus e fazem uma coleta de ofertas para os pobres”.

Ao concluir, o Santo Padre desejou a todos um “ano de paz na graça do Senhor, rico de misericórdia, e com a proteção materna de Maria, a Santa Mãe de Deus”.

Ação de Graças pelo fim do Ano

Por Mons. Inácio José Schuster

Chegamos ao final do ano da graça de 2017! Muitas comemorações serão feitas na passagem de 31 de dezembro para 1º de janeiro de 2018! Dos corações retos e sinceros brota uma prece neste dia, prece de pedido de perdão pelo tempo desperdiçado, de agradecimento pelas graças recebidas e um desejo que consagrar ao Senhor o tempo que está para vir.

“Obrigado, Senhor, por este ano que vai terminando. Obrigado pelo ano que começa. Obrigado, Senhor, por tudo, pelo tempo, pela vida, por tudo o que faremos e por tudo o que viveremos, pelo que receberemos e pelo que daremos, sempre a ti unidos” (André Delapierre).

“Meu Deus, eu vos ofereço este ano que começa. Em vossa bondade fazei com que seja um tempo de ascensão para vós. Que cada dia eu me encontre mais forte na fé e no amor. Eu vos ofereço todos aqueles que estão sob os meus cuidados, diante dos quais treme meu coração tão frágil. Que eu não venha a faltar a todos eles e que possa ser para eles um canal invisível de vossa graça. Meu Deus eu vos ofereço também a grande dor deste mundo, a dor dos inocentes e os fardos que pesam sobre tantos. Meu Deus, que uma chispa de vossa caridade espanque as trevas e que a aurora da paz se erga diante de nós” (Madeleine Daniélou).

Eis a verdade: amar-se uns aos outros. Amar… amar a todos, não em determinadas horas, mas toda a vida. Amar os pobres e amar as pessoas felizes (…). Amar o vizinho, amar o desconhecido, amar o próximo que se encontra no extremo do mundo…amar, amar (Raul Foulerau).

 

Fim de ano – tudo tem seu tempo e ocasião
Ao longo do ano, vivemos envolvidos no amor do Pai
Por Maria Emmir Nogueira, Co-fundadora da Comunidade Shalom, Revista Shalom Maná

“Tudo tem seu tempo e ocasião”, diz o Eclesiastes. “Para cada coisa”, dirá outra tradução, “há um tempo debaixo do sol.” O autor continua a repetir as palavras, sem a menor pressa, criando, em sua narrativa, um ritmo que, por si só, expressa o que ele quer dizer: tudo tem seu tempo, tudo tem seu ritmo. “Tempo de nascer, tempo de morrer; tempo de plantar, tempo de colher; tempo de derrubar, tempo de construir; tempo de chorar, tempo de rir; tempo de fazer luto, tempo de bailar; tempo de abraçar, tempo de separar-se; tempo de procurar, tempo de perder; tempo de calar, tempo de falar; tempo de amar, tempo de odiar; tempo de guerra, tempo de paz”. Como não rezar com esta passagem a cada final de ano? Como vivi os tempos que o Senhor providenciou? Como acertei o meu passo ao sábio compasso que marca o ritmo da vida, de tudo o que existe debaixo do sol, inclusive eu? Quem nasceu? Quem morreu? Em que nasci? Em que morri? O que plantei? O que colhi? O que derrubei? O que construí? Como chorei? Como ri? Como vivi o luto e a dança? A quem acolhi? De quem parti? A quem deixei partir? Como falei? Como calei? O que calei? Para que calei? O que falei? Como falei? Para que falei? Odiei? Fiz guerra? Perdi, então, todo o meu ritmo, todo o meu tempo. Gastei inutilmente os tempos que o Senhor providenciou. Atravessei o compasso que marca o ritmo da vida, inclusive da minha. Matei e morri. Plantei, mas não colhi. Destruí. Se ri, foi pantomima. Se chorei, foi de desgosto. Se dancei, foi grotesco. Se acolhi, só foi a mim mesma. A tudo e a todos enxotei. Minhas palavras destruíram, meu silêncio foi omissão, falsa proteção a mim mesma. Odiei. Amei? Então construí e promovi a paz, encontrei, então, o sábio ritmo da vida, o tempo interior só conhecido de quem ama. Aproveitei bem os tempos que me deu a Providência. Dancei, feliz e equilibrada, conduzida por meu divino par, ora valsas, ora noturnos, ora barcarolas, ora polcas e mazurcas, ao compasso que marca o ritmo da vida, de toda vida, da minha vida, da sua vida. Dancei, com toda a criação, com Deus e com os irmãos. Deixei-me conduzir pelo hábil Cavalheiro. Nasci e dei à luz. Plantei e colhi. Derrubei feiúra, colhi beleza, bem, verdade. Ri, feliz ao acolher, nas dobras da renúncia do amor, meu irmão, a vida, as circunstâncias. Rodopiei, confiante e tranquila, a guardar segredos de amor em meu coração. Amei. Ora amei, ora odiei? Natural. Sou pecadora. Sou imperfeita. Sou humana. Simplesmente vivi. Colhi os frutos do meu ódio e do meu amor. Uma coisa sei que, com a mais absoluta certeza, tive, eu, assim como você: o amor do Pai em toda circunstância. A salvação do Filho todos os dias do nosso ano. A ação santificadora do Espírito, disponível em toda ocasião. Criador e criatura dançamos juntos, tal pai e filha na festa dos quinze anos, tal casal de noivos nas bodas, envolvidos, sempre, por muitos outros pares, milhares, milhões, bilhões de outros pares. Chegamos ao fim de mais um ano em nossa bela sonata da vida. É preciso dar o comando de replay e assisti-la outra vez, serenamente, ouvindo detalhes perdidos na correria, na emoção dos acontecimentos: stacatos sutis, ligaduras ressonantes, fermatas desconcertantes. Começa uma nova página. Quantos compassos teremos? Que temas se repetirão? Que novos tons serão adotados? Que novas frases musicais serão relidas, recriadas? Que outros instrumentos entrarão? Que interpretação escolheremos dar? Que passos criaremos? Como faremos a leitura, compasso a compasso? Deus sabe! E é nisso que reside nossa tranqüilidade, nossa confiança. Não conhecemos o que virá, mas pelos temas, frases, harmonias e compassos, pelo ritmo e pelo tom já tocados, sabemos que, tocada a quatro mãos, nossa composição será bela. O ritmo, por vezes sincopado, combinará com soluços. O compasso em sua batida convencional, evocará a rotina, que também revela beleza. As notas que voam, oração. As que ficam na memória, contemplação. As que marcam a base, convicção. As que desenham a melodia, inventividade. Deus sabe! Deus sabe! Deus sabe! Que a proposta de uma vida alucinada não nos seduza. Que o ritmo da evangelização, do amor, este, sim, seja alucinado, sem medida: Jesus tem sede, tem pressa. O ritmo interior, porém, este seja aquele secreto, confiante, sábio, paciente ritmo interior de Maria: “Deus sabe! Deus sabe! Deus sabe! Tudo passa! Deus fica! Deus sabe! Para tudo há um tempo debaixo do sol. Não temo! Deus sabe! Deus sabe! Deus sabe!” Neste ano, conceda-nos Deus dançarmos tranqüilos, ao ritmo interior do mistério da vida.

 

Sete dicas para permanecer na graça
Felipe Aquino

O mais importante é aprender a permanecer na graça de Deus, permanecer na graça que recebemos. O mundo é mal educado, mas Jesus é muito educado e não arromba a porta do coração de ninguém. Ele pede que aceitemos o seu amor e assim entra no nosso coração na medida em que dizemos sim. Então diga: “Senhor Jesus eu te aceito na minha vida, eu abro a porta aqui do meu coração e ponho a minha mão no meu coração para com este gesto eu também me ajudar, eu abro a porta do meu coração entra Jesus na minha vida, eu te quero e sei que Tu me amas como sou, pode vir, pode entrar na minha vida. Jesus é muito educado, o mal não, ele invade a vida da gente, se aproveita de nossas quedas e da nossa inclinação ao pecado. Nós recebemos muitas graças, mas o mais importante que receber as graças é permanecer é ser fiel todos os dias. E não podemos nos enganar, pois estamos em um mundo que não quer Deus, e se você se sente remando contra a maré, se você se sente assim, considere-se o cristão mais normal do mundo e quem não se sente assim é preciso rever-se como cristão. É como aquela música: “Procuro abrigo nos corações, de porta em porta desejo entrar, se alguém me acolhe com gratidão faremos juntos a refeição”. Eu vou lhe indicar sete pontos para permanecer na graça de Deus:

Primeiro: A vida espiritual. Não deixe a oração para depois. Não diga vou rezar depois. Coloque a oração como mais importante. Ficar a sós com Deus que continua cantando que procura abrigo nos corações. A oração tem que estar em primeiro lugar. Orar é parar para estar com Deus, é colocar a oração acima de tudo. Não deixe que paire na sua cabeça de que aquilo que Deus te deu é só isso, não, porque Ele tem muito mais para você.

Segundo: Amizades verdadeiras. Escolha bem as suas amizades, não despreze ninguém a sua volta, mas preste atenção com quem você anda, são pessoas que te constroem? Nós precisamos de amizades verdadeiras que nos levem a compreender a ação de Deus na nossa vida. É preciso andar com quem constrói em você a novidade de Deus. Não ande com quem não lhe constrói. Agora o que vamos fazer com as pessoas que estão ao nosso lado? Partilhar com o outro pedindo que a pessoa te ajude a ser mais de Deus, que ela te ajude a não ter mais os comportamentos que não são coerentes. Se não somos sinceros um com o outro então não é amizade. Quem tem que fazer a escolha é você que recebeu as graças, porque o mais importante é permanecer na graça.

Terceiro: Tenha metas. Que tipo de pessoa você decide ser? Santa Tereza de Calcutá dizia: “Não importam as circunstancias, nem se ninguém vai me compreender, eu vou seguir em frente, porque eu vou me transformar na pessoa que eu me decidi ser. Depois das graças recebidas qual é a sua meta. Uma meta que diz respeito a você? Um convite que a Canção Nova, a Igreja, é um convite de Nosso Senhor, é para que você seja santo, mas que você o seja em todos os aspectos. Escreva sobre as suas metas, é claro que a nossa meta é o céu, mas qual é a meta na sua família? É perdoar? É sorrir? Porque talvez você já não de nenhum sorriso há muito tempo. Talvez a sua meta seja não reclamar mais, e você terá que reunir todas as forças para não reclamar. Não brinquemos com a graça que recebemos. Foi Deus que te ama, quem derramou sobre você essas graças e a gente não brinca com quem nos ama. É preciso se confessar. Não construa coisas novas em cima das máscaras. Deus te ama então não tenha medo de tirar as máscaras. Deus vê o coração sonda com compaixão, pois Deus só sabe amar você.

Quarto: Você tem que ter quem te conhece de verdade. Estamos em um mundo de muitas mentiras, um mundo de aparências. É preciso ter alguém com quem você se encontre, e que você pode falar tudo. Pode ser um diretor espiritual ou um amigo. Nosso Senhor não constrói nada sobre os escombros, Ele quer fazer tudo novo. É preciso eleger uma pessoa e dizer a ela(e): meu amigo eu quero contar tudo para você o que está se passando comigo, coisas da minha alma. Você precisa ser quem você é, por causa da graça que você recebeu, e porque você não quer entrar nessa onda de viver de aparências e por isso você precisa ter alguém que te conhece mesmo, de verdade.

Quinto: Viver em atitude de vigilância. O que precisamos vigiar? O que você quer de fato? Eu quero ser de Deus. Então vigie naquilo que te rouba de Deus, aquilo que te leva ao pecado. Vigiar para que o mal não se aproxime. Você tem todo o direito de pedir a Nosso Senhor, então peça agora: “Meu Deus me livra da tentação que me derruba, me livra da tentação que me faz cair, porque eu não tenho forças. Livra-me Senhor do mal que domina o meu jeito de falar. Viver assim é muito duro, mas é assim que um cristão vive. É assim mesmo, nós ainda não estamos no céu, mas nós vamos para lá em uma atitude de vigilância, e por isso recebemos tanta graça de Deus. É por causa da vontade de Deus, por causa dos seus desígnios, que eu aqui estou, mas eu sou igualzinho a você, então por isso preciso vigiar sempre. Santo Agostinho diz que o cristão que não controla a boca, não consegue controlar mais nada. Jesus não está brincando conosco e o tempo está passando rápido.

Sexto: Colocar-se a serviço do próximo. Você precisa ter um apostolado, este é o remédio contra todo o egoísmo. Porque a graça que Deus deu, ela não é só para você, ela é tão grande que deve crescer em você e transbordar para o outro. Já não perguntamos mais como o outro está com medo que ele diga que não está bem e aí você ter que ouvir, e você está sem tempo. Isso não é ser cristão. Quem não sabe fazer coisas ao outro, nunca vai saber se dar ao outro, porque ficamos com medo de entregar o nosso olhar ao outro. Quando é que vamos ser capazes de fazer da nossa vida um serviço? De dar o nosso rosto e poder chegarmos a ser como Jesus? Você precisa servir alguém. Mate de amor aquele que está ao seu lado! Quem sabe dando um copo d’água.

Sétimo: Tenha paciência consigo mesmo e com os outros. É isso mesmo. Sabe porque? Nem tudo acontece de uma só vez. A vida do cristão é um cai e levanta, então tenha paciência com você e com os outros. Jesus está dizendo aqui nesta parábola (ver: São Mateus 13, 24) como o reino de Deus se estabelece aqui dentro de mim e de você e São Paulo nos explica, sobre as lutas que vivemos dentro de nós. Por isso: Agüenta firme meu filho! Porque temos tanta coisa boa, mas dentro de nós cresce trigo e também o joio, então tenha paciência, porque muitas vezes temos vontade de arrancar tudo, não faça isso. Tenha paciência, porque nosso Senhor vai voltar e os anjos vão separar o joio do trigo de dentro de nós. O trigo quanto mais cresce, mais ele floresce, e ele se dobra, agora o joio não se dobra. Esta luta dentro de nós deve nos levar a adoração ao Santíssimo Sacramento para nos dobrar diante de nosso Senhor Jesus Cristo. Se vivermos um desses sete pontos buscando a perfeição, com certeza nós vamos nos santificar. Abra-se, pois Jesus quer se revelar a você!

Que devemos fazer?

Como preparar-se para o Natal

Sempre que irrompe diante de nossos olhos a novidade, surgem com ela as interrogações e as provocações a uma reação. Os fatos mais corriqueiros, positivos ou negativos, podem ser compreendidos como sinais que pedem nossa resposta, tanto que um mínimo de consciência pessoal e social causa indignação quando se espalha a indiferença e a insensibilidade. Passar pela rua e ver um acidente de trânsito suscita curiosidade, dela se vai à pergunta sobre as causas, verifica-se a ocorrência de ajuda às pessoas envolvidas, provoca-se a coragem para parar e perguntar se se pode fazer algo. É um processo que pode durar segundos ou horas, mas faz parte de nossa humanidade desejar envolver-se e participar, responder com gestos concretos aos fatos que nos cercam.

Diante do fato mais significativo de toda a história, o mistério do Verbo de Deus encarnado, em torno do qual gira o tempo, não é possível ficar indiferentes. Ao preparar a estrada do mundo e dos corações para a manifestação de Jesus Cristo, seu precursor João Batista (Lc 3,10-18) suscitou na multidão a pergunta que muda a vida: “Que devemos fazer?” Nos tempos que correm, quando a humanidade deve, pela duomilésima décima segunda vez dizer “bem vindo” ao Menino de Belém de Judá, nosso Senhor Jesus Cristo, Redentor da humanidade, repete-se a mesma interrogação. Das respostas dadas por João Batista, colhemos indicações precisas e atuais.

Prepara-se a vinda de Jesus e se estabelece o clima para com ele conviver, quando quem “tiver duas túnicas, dê uma a quem não tem; e quem tiver comida, faça o mesmo!” Existem no mundo recursos para uma vida digna de todos os seus habitantes. A natureza pode oferecer o necessário para alimentar sua população. São conceitos de uma “demografia” diferente, que parte da partilha e da comunhão, semelhante à coleta feita por São Paulo: “De fato, quando existe a boa vontade, ela é bem aceita com aquilo que se tem; não se exige o que não se tem. Não se trata de vos pôr em aperto para aliviar os outros. O que se deseja é que haja igualdade: que, nas atuais circunstâncias, a vossa fartura supra a penúria deles e, por outro lado, o que eles têm em abundância complete o que acaso vos falte. Assim, haverá igualdade, como está escrito: Quem recolheu muito não teve de sobra, e quem recolheu pouco não teve falta” (2 Cor 8,12-15). Fala-se tanto de uma crise mundial, e não poucos alertam para sua possível chegada às nossas plagas, e chegará mesmo, porque a era do individualismo, da ganância e do consumo descontrolado veio na frente. Independente das eventuais crises, realiza-se como pessoa humana quem se lança na aventura da partilha e da comunhão!

No tempo de João Batista, “até alguns cobradores de impostos foram para o batismo e perguntaram: Mestre, que devemos fazer? Ele respondeu: Não cobreis nada mais do que foi estabelecido”. Recentemente celebrou-se um dia de movimentação contra a corrupção! De João Batista para cá, as mazelas humanas continuam tendo características semelhantes e as respostas são as mesmas! Se criássemos juízo, nem seriam necessárias as sucessivas operações policiais para a mudança. É hora de retornar à proposta do Evangelho!

“Alguns soldados também lhe perguntaram: E nós, que devemos fazer? João respondeu: Não maltrateis a ninguém; não façais denúncias falsas e contentai-vos com o vosso soldo”. Mais uma vez a atualidade da Palavra se revela. Todos os que detêm algum poder da sociedade podem ouvir e descobrir atual a resposta de João Batista. Se o conselho foi dado aos soldados, que dizer aos que têm parentesco ou conluio com o crime organizado? Que se pode pensar da violência organizada no campo ou na cidade, em nosso Estado e em nosso País? Ou, se voltarmos ao recesso de nosso lar, onde tantas vezes se inicia a corrupção e o relaxamento moral, ali comece a superação da violência!

Santa ingenuidade! Poderão dizer algumas pessoas. É simplória a proposta da Igreja, que pede partilha dos bens, superação da corrupção, amor ao próximo? No entanto, a realidade demonstra que não há caminho mais verdadeiro. Quando o Evangelho diz que “assim e com muitas outras exortações, João anunciava ao povo” (Lc 3,18), fica aberta a conversa, para que cada um de nós pergunte ao Precursor, com coragem para ouvir a resposta, o que deve fazer para receber Jesus, aquele de quem João disse com sinceridade: “Virá aquele que é mais forte do que eu. Eu não sou digno de desatar a correia das suas sandálias. Ele vos batizará com o Espírito Santo e com fogo. Ele traz a pá em sua mão para limpar a eira, a fim de guardar o trigo no celeiro; mas a palha, ele queimará num fogo que não se apaga” (Lc 3,16-17).

Dom Alberto Taveira Corrêa  
Arcebispo Metropolitano de Belém

 

O que devemos fazer?
Como podemos manifestar de maneira concreta a conversão à qual o Senhor nos chama?

É a pergunta que as diversas situações fazem a João Batista diante da pregação da chegada do Messias, Salvador do Mundo. E João convida a todos à mudança concreta de vida. Essa mudança é para nós demonstrada com a celebração penitencial. Aproximamo-nos da grande solenidade do Natal do Senhor, quando a liturgia nos fará penetrar no mistério do Salvador, que se faz homem para nos redimir e elevar-nos à Sua divina dignidade. Como na noite de Natal, há dois mil anos passados, somos chamados a reconhecer a luz que ilumina as trevas da humanidade, e, reconhecendo-a, acercar-se dela e contemplá-la, a fim de que ela nos ilumine e nos faça partícipes da sua graça. Nessa perspectiva, somos chamados a olhar para o nosso interior e perceber o quanto cada um de nós, de maneira tanto particular quanto comunitária, vive o momento propício que o Tempo do Advento nos proporciona, no qual realizamos a caminhada do Povo de Deus da antiga Aliança, que, na expectativa do Messias, vivencia uma caminhada de penitência, a fim de se preparar para a chegada d’Ele. Precisamente por isso, no tempo do Advento a Igreja celebra o Mistério do Senhor revestida da cor litúrgica roxa, remetendo-nos à penitência e à conversão, chamando-nos a corresponder a esse sinal e a manifestar desse modo que, assim como o povo de Deus de outrora, nós também estamos na expectativa pela chegada do Senhor e desejamos que ela aconteça mediante nossa pureza de coração. No Evangelho do domingo passado, vimos o clamor de João Batista incitando o povo a “aplainar os caminhos do Senhor” e “endireitar suas veredas”. Esse brado veemente que o precursor do Messias exclamava por onde passava, precisamente na iminência da chegada d’Ele, também hoje é dirigido a todo o povo de Deus. Diante dessa certeza, precisamos assumir a nossa responsabilidade e reconhecermo-nos como sendo esse povo, e, desse modo, mergulhar nesse processo de penitência e conversão a que o Senhor, pelos lábios de João Batista, nos convoca. Todavia, como podemos manifestar de maneira concreta a conversão à qual o Senhor nos chama? Certamente é preciso tomar parte de um processo de reconciliação que se inicia no íntimo de cada um de nós. A conclusão desse processo, onde se manifesta a graça salvífica de Cristo, é o Sacramento da Confissão. É por ele que somos reconduzidos ao Senhor e, desta forma, reabilitados na vida da graça. Assim sendo, somos todos convidados a voltar sua atenção para a figura dos pastores, como apresentada na noite de Natal pelos evangelhos. Eles, sempre vigilantes, estavam prontos para caminharem até o Salvador quando da Sua chegada. Precisamente a eles, o anjo do Senhor dirigiu de modo primordial o anúncio alegre e solene da Sua chegada. E este anúncio primordial que os pastores receberam certamente tem sua razão de ser na vigilância em que eles se encontravam na noite em que o Senhor chegou para nós. E nós, até que ponto somos vigilantes? O próprio Senhor, no Evangelho, nos alerta para a necessidade de mantermos tanto a vigilância quanto a oração, pois não sabemos nem o dia nem a horaem que Elevirá. Exatamente por isso, somos todos convidados a observar a importância do Sacramento da Confissão nesse contexto de penitência e conversão que o tempo do Advento nos proporciona. Iniciemos por fazer nosso devido exame de consciência e observemos a figura de Maria, mulher da pureza e da oração, sempre confiante nas promessas do Senhor e a primeira a aderir de todo o coração ao convite do próprio Deus que a escolhera para ser a mãe do Salvador e, assim, colaborar com a salvação de toda a humanidade. Em seguida, olhemos para dentro de nós mesmos e observemos até que ponto nos configuramos ao Senhor, tendo por exemplo a figura de Maria.
Nesse sentido, o nosso convite para que todos reconheçamos no tempo litúrgico do Advento o momento propício para reconciliarmo-nos com Deus, para poder assim acolher generosa e dignamente o Salvador. Os sacerdotes são convidados a assumir o papel de João Batista, anunciando a chegada do Salvador e a necessidade de uma conversão verdadeira, que faça de cada cristão verdadeiras manjedouras onde se reclina o Salvador não só na noite de Natal, mas durante toda a caminhada da vida. Os padres assumem o papel de “aplainar a caminho do Senhor” na vida de quantos lhes são confiados, tendo a viva consciência de que são os mediadores da graça sacramental e de que depende largamente de sua eficiente ação pastoral a reconciliação do povo com o seu Deus. Precisamente por isso, sabendo do valioso momento dos “mutirões de confissões” em todas as paróquias, seria muito importante neste tempo que em todas as paróquias, institutos religiosos, oratórios, comunidades diversas seja ministrado de modo mais frequente o sacramento da Penitência, de maneira auricular, criando-se para isso horários condizentes com as realidades pastorais em que estão inseridos, não se medindo os esforços necessários para que o maior número de fiéis aproxime-se desse sacramento por meio do qual são reconduzidos à vida da graça. Ainda mais neste Ano da Fé será importante essa missão nas Igrejas de “peregrinação” para obter as indulgências. Reconheçamos no Senhor que está para chegar a “luz” que ilumina a nossa escuridão e nos dá a conhecer a maravilha que Ele traz: a felicidade eterna, a nossa Salvação. Nesta perspectiva, observemos como caminha nossa sociedade nesse período de aproximação do Natal e vejamos que em não poucos ambientes o protagonismo de Cristo, como “o esperado” na noite santa, “o aniversariante” que dá sentido a toda esta comemoração, está sendo cada vez mais ofuscado nos corações e nas vidas de tantas pessoas. Esse “pecado social” certamente possui uma dimensão particular que toca a cada um de nós, porquanto nos faz enxergar que se Cristo está sendo esquecido pela nossa sociedade, há uma parcela de culpa em cada cristão. Precisamente por isso, é preciso que nos reconheçamos pecadores, pois indiretamente somos carentes de um testemunho eficaz que manifeste ao mundo a beleza e a razão de ser do Nascimento do Salvador. Poderíamos, a partir dessa constatação, iniciar o nosso exame de consciência. A nossa pequenez nos convida a uma reflexão aprofundada, por meio da qual devemos eliminar de nossa vida tudo o que reconheçamos nos afastar de Deus. E o façamos de modo concreto, recorrendo ao Sacramento da Confissão. Enfim, voltemos novamente o nosso olhar para a figura dos pastores e reconheçamos neles a figura do cristão que vive “acordado” e a quem pode chegar a mensagem solene do anjo na noite santa. Precisamente porque os pastores estavam acordados, a eles chegou a notícia que a humanidade esperava, e diante deles os anjos apareceram entoando louvores a Deus por tão grande evento. Estar acordados significa estar despertados para a realidade objetiva, não se fechando em um mundo particular, onde só existe lugar para nossos próprios impulsos e inclinações. Conduzidos por essa visão particular da vida, muitos mergulham no egoísmo e fecham-se para a liberdade própria da boa-nova de Cristo. Estar acordados, ou melhor, “estar vigilantes”, significa sair do mundo particular e abraçar a Verdade que é o próprio Cristo, que caminha ao nosso encontro e chegará de maneira solene e intensa na liturgia do Natal que estamos a esperar. É neste sentido que o nosso despertar para o Natal do Senhor concretiza-se quando nos conscientizamos da realidade de que é preciso abandonar o pecado, deixar de lado tudo o que nos afasta de Deus, realizar um sincero e compromissado exame de consciência e mergulhar na graça do Sacramento da Confissão. O mesmo Cristo cujo nascimento celebraremos na noite do Natal do Senhor é o que nos espera nos confessionários. E a luz que guiou outrora os magos do Oriente no seu caminho a Belém para adorar o Messias é a mesma que deseja guiar a nossa vida se lhe formos ao encontro. Deste modo, enquanto povo de Deus que na liturgia do Tempo do Advento caminha rumo à chegada do Salvador, vivenciamos um tempo de penitência que não deve ser próprio somente da liturgia, mas da nossa vida de maneira completa. Por isso, não tenhamos medo, não recusemos tomar parte dentre os que buscam o Sacramento da Confissão, afim de que, iluminados pela estrela de Belém, sejamos manjedouras onde o Senhor dignamente quer se reclinar na noite santa do seu Natal.

† Orani João Tempesta, O. Cist.  
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ

Desenvolvido por Origy Networks – Criação de sites e propaganda