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Pais que amam seus filhos sabem corrigi-los

Conquiste seu filho doando-se a ele

São João Paulo II dizia que a família é santuário da vida, mas ela está sendo ameaçada. Estão criando famílias falsas, alternativas, assim como moedas sem valor. Criar uma moeda falsa é crime, porque ela desvaloriza a verdadeira. Os filhos são frutos de casais. Deus disse ao casal: “crescei e multiplicai”, é uma ordem do Pai e ela não é facultativa.

A primeira dimensão do casal é crescer. A mulher tem de crescer por causa do marido, tem de ser mais feliz por causa dele; e o marido precisa crescer por causa da esposa, precisa ser feliz por causa dela. O casamento começa a fracassar quando um não é fermento de crescimento para o outro. Eu tenho certeza que, na eternidade, Deus vai dizer a muitas mulheres: “muito obrigado, porque eu lhe dei um homem difícil, sem fé, mas você mudou a vida desse meu filho, você o fez crescer, entrar para a glória”. O Senhor também vai dizer para muitos homens: “eu lhe dei uma mulher complicada, mas você a fez crescer”. Essa é a beleza do casamento, você ver o outro crescer.

Quando um casal se ama de verdade, a educação dos filhos é muito fácil, porque o exemplo transborda para eles. Educamos os filhos pela vida. Se esse casal vive brigando, não reza, será difícil educar seus filhos.

Hoje, muitos jovens não querem casar por causa do exemplo de seus pais. Não podemos passar para os filhos essa imagem negativa do casamento. O matrimônio é obra de Deus. Não separe o homem o que Deus uniu, disse Jesus. Por amor aos filhos temos de viver bem, eles têm de ser motivação para que nós casais superemos as dificuldades.

Reze pela pessoa antes de apontar um defeito. Aponte primeiro a qualidade, escolha a hora certa para falar, não corrija na frente do outros, corrija com carinho, com palavras doces, não humilhando na frente dos outros. Não desenterre os erros do passado, todos nós os temos.

Às vezes, numa briga, jogamos erros do passado que machucam os outros. Não seja displicente com a pessoa amada. Quando o marido chega, você tem de parar o que está fazendo e recebê-lo. Regue seu casamento. Saiba pedir perdão, perdoe: “eu errei, não vou mais fazer isso”. Todos nós erramos e temos direito de ser perdoados, mas devemos pedir perdão também. Quando um não quer, dois não brigam, católico não briga. A melhor educação que damos para os filhos é a nossa vida. “Filho de peixe é peixinho”.

Os pais que amam seus filhos os corrigem. Deus deu autoridade aos pais para a correção, pois toda paternidade vem de Deus, diz o apóstolo. Não precisa usar de violência, palavras ofensivas. Corrija com amor, senão, mais tarde, você não conseguirá educá-los.

Meu pai sempre dizia: ”não façam nada contra sua consciência, não compensa”. Quando estávamos numa situação difícil, ele dizia: “sustenta o fogo, a vitoria será nossa”. Eu tive um pai maravilhoso!

Para que os pais deem ensinamentos aos seus filhos é preciso que esses os conquistem. Se não conquistá-los, ele não vai ouvi-los. Como conquistar um filho? É fazendo-o ter orgulho de você, um santo orgulho. Dando para ele todo o dinheiro que ele quer? Não! Se assim for, o pobre não vai poder conquistar os filhos. Você não conquista seu filho dando-lhe coisas, mas o conquista quando se dá a ele. É claro que podemos dar algumas coisas, dentro do equilíbrio, dentro da condição financeira, mas não é isso que vai conquistá-lo.

Você precisa ter tempo para seu filho, gaste seu tempo com ele, principalmente quando criança até adolescência. “Ah! Mas tenho as coisas da Igreja”. A Igreja precisa vir em segundo lugar, pois você é pai não é padre. Deus nos dá o tempo suficiente, não somos padres e freiras, somos pais e mães, não podemos deixar nossos filhos carentes de pai e mãe. Deus quer que cuidemos de nossos filhos.

O casamento é uma missão sagrada e uma parte dessa missão é educar os filhos para Deus. Muito mais importante que criar um computador é criar um filho, um ser humano imagem e semelhança de Deus. “O filho é o dom mais excelente do casamento” (CIC). João Paulo II dizia: “Não tenham medo da vida”. Os casais católicos estão com medo da vida, alguns por comodismo, porque filho gasta, dá trabalho… é claro que dá trabalho, é uma pérola. Não tenham medo da vida, a coisa mais importante na vida é a vida. Amem-na.

Conquiste seu filho dando-se a ele. Você não vai mimar essa criança, mas dar a ela aquilo que ela precisa receber: educação religiosa, moral e intelectual. E isso não é só para o filho pequeno.

Quando for preciso chamar atenção de seu filho, reze por ele e chame a sua atenção em um lugar reservado, nunca na frente dos outros. Uma coisa que precisamos aprender é que pai também erra e precisa pedir perdão ao filho. Se você não perder sua autoridade, seu filho vai amá-lo mais.

Outra coisa que ajuda a conquistar os filhos é levá-los para Deus. Temos de levar os filhos para o Senhor. Você não vai conseguir levá-los para Deus sem antes conquistá-los. Não adianta querer levá-lo pelo colarinho, porque ele vai só até os 15 anos e depois abandona a Igreja. Antes de dizer ao seu filho que Deus o ama, você precisa dizer: “eu te amo”. Ele vai sentir o amor de Deus pelo amor dos pais.

“A bênção do pai fortalece a casa de seus filhos, a maldição de uma mãe a arrasa atér os alicerces” (Eclesiástico 3,11). Você precisa abençoar seus filhos.

Prof. Felipe Aquino
felipeaquino@cancaonova.com

Um milhão de amigos

O que você vai fazer com eles?

“Eu quero ter um milhão de amigos e bem mais forte poder cantar…” Quem não conhece essa música do Roberto Carlos? Muito bonitinha mesmo, tem um ritmo alegre, refrão super bonder (basta passar uma vez pela sua cabeça para ficar grudado), mas será que é bom mesmo ter um milhão de amigos? Você teria tempo para todos eles? Conseguiria responder os recados do Twitter, Facebook, e-mail, SMS (mensagem de celular) de um milhão de pessoas? Será que você conseguiria ter intimidade e se sentir livre para revelar seus maiores segredos para um milhão de pessoas? Vamos descobrir se alguém consegue, realmente, ter um milhão de amigos?

Fico me perguntando o que se passa na cabeça de uma pessoa que, ao encontrar alguém que não conhece e, muitas vezes, de quem nem sabe o nome nem jamais ouviu uma só palavra sobre sua história, de repente, começa um diálogo chamando-o de “amiga”.

Sabe quando você está perdido e não consegue chegar a determinado lugar, mas encontra alguém e lhe diz: “amigo!”; chama um garçom ou recepcionista e lhe pede: ”Amigo, por favor…”

Amigo? Que história é essa? Você conhece, de verdade, o significado dessa palavra? Talvez existam outras fomas de tratamento mais adequadas para essas pessoas, como senhor (a), você…

A palavra “amigo” é sagrada. João Paulo II disse que “Cristo é o maior amigo e, simultaneamente, o educador de toda a amizade autêntica”. Se Ele é um educador, pode nos ensinar como descobrir quem são nossos verdadeiros amigos. Não é difícil descobri-los, basta pegar a Bíblia e abri-la em Jo 15,15b.

Jesus disse: “Eu vos chamo amigos”. Você acha que Ele disse isso para quantas pessoas? Será que o Senhor chamava o balconista da hospedaria de amigo? Ou o beduíno que lhe deu uma informação no meio do deserto? Não. Ele só falou isso para um grupo bem seleto de 12 pessoas, as quais possuíam, pelo menos, quatro características básicas:

1º – Escolha divina: não existia essa história de amizade forçada, pois esta não se inventa, mas é descoberta;

2º – Tempo: só depois de terem passado um bom tempo juntos, Jesus os chama de “amigos”. Essa história de amigo de Orkut, de Facebook ou um “amigo” que conhecemos, hoje, e já é nosso amigo (a) amanhã… não dá, não é bem por aí, não;

3º – Liberdade: os doze não ficaram falando na cabeça de Jesus: “diz que eu sou seu amigo vai, por favor” ou “eu sou seu melhor amigo?”. Não se esqueça de que o amor só pode florir no solo regado pela liberdade;

4º – Intimidade: Jesus disse: “Eu vos chamo amigos, porque vos dei a conhecer tudo o que ouvi do meu Pai”. O dom da intimidade (recíproca) é característica básica de amizades autênticas.

Jesus tinha também “amigos íntimos”. Alguns os chamam de melhores amigos, mas talvez não seja esta a melhor forma de se referir a eles, no entanto, é uma forma de diferenciá-los. Sabe quem são? Pedro, Tiago e João. É só observar como Jesus os levava para situações-chave da Sua vida, como a Transfiguração (cf. Mt 17,1-9), o Monte das Oliveiras (cf. Mc 14,33) etc.

O mais interessante é que, mesmo que Jesus tivesse amigos íntimos, amigos, discípulos, o povo etc., Ele amava todos! Não lhe importava o “tipo de relacionamento”. Portanto, se você não é o amigo íntimo de alguém ou não consegue tratar todos os amigos da mesma maneira, fique tranquilo, porque isso é normal, chama-se “ser humano”; ser diferente disso que é o problema, pois se chama: “falsidade”. “Eu quero ter um milhão de amigos…” Você quer?

No fim das contas, o que vai valer mesmo não é quantidade de amigos que você tem ou acha que tem, mas se você vai fazer com os amigos que Deus lhe concedeu o mesmo que Jesus fez com os d’Ele: “Eu os amei até o fim (Jo 13,1)”.

Padre Sóstenes Vieira

Você é teimoso ou persistente?

É fácil identificar a diferença entre os dois

O teimoso é fechado às opiniões alheias, é rebelde e intransigente, faz tudo contrário ao que lhe é pedido. Por vezes, chega a ser avesso, simplesmente pelo prazer de contrariar. A Palavra de Deus nos apresenta os fariseus e escribas no tempo de Jesus como exemplo de teimosia.

Já o persistente tem a mente aberta às visões diferentes, por isso mesmo tem mais propriedade e sensibilidade para crer em sua intuição. Ele acata ordens, age com humildade e, quando não prevalece sua “certeza”, confia que as coisas se resolverão no tempo de Deus, e não segundo sua urgência. A tenacidade que ele manifesta não é sinal de obediência cega e irracional, mas fruto da esperança evangélica, pois, ele acredita que a verdade prevalecerá.

Realmente não é fácil nos dobrarmos a um direcionamento que, a princípio, nos parece absurdo e infundado, como aquelas ordens que recebemos e sabemos que não tratam da verdade, mas sim da vontade, do bel-prazer de quem detém o poder.

A teimosia leva à incoerência e ao descrédito; já a persistência gera constância e solidez nos propósitos que trazemos no coração. Se você tem razão, se o que faz é, verdadeiramente, de qualidade, não se preocupe, porque, em algum momento, você será justificado, pois tudo provém de Deus e “Deus é verdade”. (cf. Catecismo da Igreja Católica nº. 214)

São Francisco de Assis é um grande exemplo de persistência. Em atenção à Palavra do Senhor, ele corrigiu os erros de muitos religiosos de sua época, não por força de argumentos ou de acusações, mas por seus atos coerentes, por meio de uma fidelidade inabalavél a Deus e à Igreja. Sua convicção do que deveria ser mudado foi combustível, primeiramente, de seu próprio carisma de vida: “viver a radicalidade da pobreza”. Assim, por meio de seu testemunho, demonstrou que as igrejas deveriam, urgentemente, rever muitos de seus conceitos aplicados naquele tempo.

Entretanto, diante das dificuldades e dos julgamentos, São Francisco podeira ter virado as costas para a Igreja Católica e fundar sua própria, como fizeram tantas pessoas ao longo dos séculos. Porém, preferiu se manter obediente, pois, se assim procedesse, estaria acatando o pedido do Senhor: “Francisco, reconstrua a minha Igreja”.

“A Igreja não precisa de reformadores, mas de santos”, afirmava o saudoso beato Papa João Paulo II. Desta forma, para vivermos a vontade de Deus devemos ter persistência, “esperança”, principalmente nos relacionamentos, no trabalho, na escola… Enfim, em todos os momentos de nossa vida.

Possamos assim, mesmo diante das injustiças ou simplesmente do não reconhecimento dos dons que trazemos, sermos fiéis àquilo que Deus nos pede ou confia a nós.

Acredite que a intuição e o talento que lhe são dados pelo Senhor terão mérito um dia. Mas para isso é preciso ser persistente, mas não teimoso!

São Francisco de Assis, rogai por nós!

Sandro Ap. Arquejada
blog.cancaonova.com/sandro

3 conquistas de quem é conduzido pelo Espírito Santo

Quarta-feira, 16 de maio de 2012 / Kelen Galvan / Da Redação / Reuters  

Papa saúda peregrinos presentes na Praça São Pedro, no Vaticano, para a Catequese desta quarta-feira, 16  

Após ter dedicado as últimas catequeses sobre a oração nos Atos dos Apostólos, o Papa Bento XVI anunciou que a partir desta quarta-feira, 16, as próximas catequeses refletirão sobre a oração nas cartas de São Paulo.

O Santo Padre destacou que um primeiro elemento ensinado pelo apóstolo Paulo é que a oração não deve ser vista como uma “simples boa obra” que as pessoas fazem para Deus mas, antes de tudo, é um dom, fruto da presença vivificante do Pai e de Jesus Cristo em cada um.

Sabemos que é verdadeiro o que diz São Paulo, na carta aos Romanos, afirmou Bento XVI, de que “não sabemos rezar de modo conveniente” (Rm 8, 26). “Queremos rezar, mas Deus está distante, não temos as palavras, a linguagem para falar com Deus, nem mesmo o pensamento. Podemos somente nos abrir, colocar o nosso tempo à disposição de Deus, esperar que Ele nos ajude a entre em verdadeiro diálogo”, explicou o Papa.

Mas é exatamente essa falta de palavras e também o desejo de entrar em contato com Deus, que é “a oração que o Espírito Santo não somente entende, como leva e interpreta diante de Deus”, disse o Santo Padre explicando as palavras do apóstolo. “Exatamente essa nossa fraqueza se torna, através do Espírito Santo, verdadeira oração, verdadeiro contato com Deus. O Espírito Santo é quase um intérprete que faz com que Deus entenda aquilo que queremos dizer”, ressaltou.

Bento XVI destacou também três consequências na vida dos cristãos quando se deixam conduzir pelo Espírito Santo.       A primeira é que com a oração a pessoa experimenta a liberdade doada pelo Espírito: “uma liberdade autêntica, que é liberdade do mal e do pecado, para o bem e para a vida, para Deus”. O Papa explicou que sem a oração animada pelo Espírito, que alimenta a cada dia a intimidade dos fiéis com Cristo, esses permanecerão na condição descrita pelo Apóstolo: “não fazemos o bem que queremos, mas sim, o mal que não queremos” (Rm 7, 19).

Uma segunda consequência, de acordo com o Santo Padre, é que “o relacionamento com o próprio Deus se torna tão profundo” ao ponto de não ser corrompido por nenhuma realidade ou situação. “Compreendemos então que com a oração não somos liberados das provas ou dos sofrimentos, mas podemos vivê-los em união com Cristo, com os seus sofrimentos, na perspectiva de participar também da sua glória” (Rom 8,17), enfatizou.

E o terceiro ponto é que a oração do fiel se abre às dimensões da humanidade e de toda criação, se torna intercessão pelos outros e assim, ele libera a si mesmo, para ser canal de esperança para toda criação (cf. Rm 8, 19). “A oração, sustentada pelo Espírito de Cristo que fala no íntimo de nós mesmos, não fica nunca presa em si mesma, não é somente uma oração por mim, mas se abre à divisão dos sofrimentos do nosso tempo, dos outros”, disse Bento XVI.

Por fim, o Papa destacou que São Paulo ensina os cristãos quanto ao dever de se abrirem na oração à presença do Espírito Santo, “o qual reza em nós com gemidos inexprimíveis para nos levar a aderir a Deus de todo o coração”.

“O Espírito de Cristo se torna a força da nossa oração ‘fraca’, a luz da nossa oração ‘apagada’, o fogo da nossa oração ‘árida’, doando-nos a verdadeira liberdade interior, ensinando-nos a viver enfrentando as provas da existência, na certeza de não estarmos sós e abrindo-nos aos horizontes da humanidade e da criação”, concluiu.

 

Catequese Bento XVI – Oração Cartas de Paulo (1)
Boletim de Sala de Imprensa da Santa Sé (Tradução: Mirticeli Medeiros – equipe do CN notícias)

Queridos irmãos e irmãs,

Nas últimas catequeses refletimos sobre a oração nos Atos dos Apóstolos, hoje gostaria de começar a falar sobre a oração nas cartas de São Paulo, o apóstolo dos gentios. Antes de tudo, queria fazer notar como as suas cartas sejam introduzidas e se fechem com expressões de oração: no início agradecimento e louvor, e no final, desejo de que a graça de Deus guie o caminho das comunidades as quais é endereçada a carta. Entre a fórmula de abertura: “agradeço o meu Deus por meio de JEsus Cristo” (Rm 1,8), e o desejo final: “a graça do Senhor Jesus esteja com todos vocÊs” (I Cor. 16,23), se desenvolvem os conteúdos das cartas do Apóstolo. Aquela de São Paulo é uma oração que se manifesta em uma grande riqueza de formas que vão desde o agradecimento à benção, do louvor ao pedido de intercessão, do hino à súplica: uma variedade de expressões que demonstra como a oração envolva e penetre todas as situações da vida, sejam aquelas pessoais, sejam aquelas das comunidade às quais se dirige.

Um primeiro elemento que o apóstolo quer nos fazer compreender é que a oração não deve ser vista como uma simples obra boa feita por nós para Deus, uma ação nossa. É, antes de tudo, um dom, fruto da presença viva, vivificante do Pai e de Jesus Cristo em nós. Na carta aos Romnanos, escreve: “Do mesmo modo, o Espírito Santo vem em auxílio à nossa fraqueza: não sabemos, de fato, como rezar em modo conveniente, mas o Espírito mesmo intercede com gemidos inefáveis (8,26). E sabemos como é verdadeiro o que diz o Apóstolo: “Não sabemos como rezar em modo conveniente”. Queremos rezar, mas Deus está distante, não temos as palavras, a linguagem para falar com Deus, nem mesmo o pensamento. Podemos somente nos abrir, colocar o nosso tempo à disposição de Deus, esperar que Ele nos ajude a entre em verdadeiro diálogo. O apóstolo diz: exatamente essa falta de palavas, essa ausência de palavras, e também o desejo de entrar em contato com Deus, é a oração que o Espírito Santo não somente entende, como leva, interpreta diante de Deus. Exatamente essa nossa fraqueza se torna, através do Espírito Santo, verdadeira oração, verdadeiro contato com Deus. O Espírito Santo é quase um intérprete que faz com que Deus entenda aquilo que queremos dizer.

Na oração nós experimentamos, mais que em outras dimensões da existência, a nossa fraqueza, a nossa pobreza, o nosso ser criaturas, porque somos colocados diante da Onipotência e da transcendência de Deus. E quanto mais progredimos na escuta e no diálogo com Deus, para que a oração se torne o respiro cotidiano da nossa alma, mais percebemos a dimensão do nosso limite, não somente diante das situações concretas de cada dia, mas também em relação ao próprio relacionamento com o Senhor. Cresce então em nós, a necessidade de confiar, de confiarmo-nos sempre mais a Ele; compreendemos que “não sabemos…como rezar de modo conveniente” (Rom 8,26). E é o Espírito Santo que ajuda a nossa incapacidade, ilumina a nossa mente e esquenta o nosso coração, guiando o nosso dirigir-se a Deus. Para São Paulo, a oração é, sobretudo, o agir do Espírito Santo na nossa humanidade, que se encarrega da nossa fraqueza e transforma-nos de homens ligados às realidades materiais em homem espirituais. Na primeira Carta aos Coríntios diz: “Agora, nós não recebemos o espírito do mundo, mas o Espírito de Deus para conhecer aquilo que Deus nos deu. Desta nós falamos, com palavras não sugeridas pela sabedoria humana, mas sim, ensinadas pelo Espírito, exprimindo coisas espirituais em termos espirituais” (2,2-12). Com o seu habitar na nossa fragilidade humana, o Espírito Santo nos transforma, intercede por nós, nos conduz às alturas de Deus (Rom 8,26).

Com essa presença do Espírito Santo se realiza a nossa união a Cristo, já que se trata do Espírito do Filho de Deus, no qual nos tornamos filhos. São Paulo fala do Espírito de Cristo (Rom 8,9), não somente do Espírito de Deus. É obvio: se Cristo é o Filho de Deus, o seu Espírito é também Espírito de Deus e assim, se o Espírito de Deus, Espírito de Cristo, se torna já muito próximo a nós no Filho de Deus e no Filho do Homem, o Espírito de Deus se torna também espírito humano e nos toca; podemos entrar na comunhão do Espírito. É como se disesse que não somente Deus Pai se fez visível: na Encarnação do Filho, mas também o Espírito de Deus se manifesta na vida e na ação de Jesus, de Jesus Cristo, que viveu, foi crucificado, morreu e ressuscitou. O Apóstolo recorda que “ninguém pode dizer “Jesus é o Senhor”, se não sob a ação do Espírito Santo” (I Cor 12,3). Portanto, o Espírito orienta o nosso coração a Jesus Cristo, de modo que não sejamos mais nós a viver, mas Cristo a viver em nós” (Gal 2,20). Nas suas Catequeses sobre os Sacramentos, refletindo sobre a Eucaristia, Santo Ambrósio afirma: “Quem se inebria do Espírito, está enraizado em Cristo” (5,3.17: PL 16, 450).

E gostaria agora de evidenciar três consequências da nossa vida cristã quando deixar operar em nós não o Espírito do mundo, mas o Espírito de Cristo como princípio interior de todo o nosso agir.

Antes de tudo, com a oração animada pelo Espírito, somos colocados em condição de abandonar e superar todo medo e escravidão, vivendo a autêntica liberdade dos filhos de Deus. Sem a oração que alimenta cada dia o nosso ser em Cristo, em uma intimidade que cresce progressivamente, nos encontramos na condição descrita por São Paulo na Carta aos Romanos: não fazemos o bem que queremos, mas sim, o mal que não queremos (Rom 7,19). E esta é a expressão de alienação do ser humano, de destruição da nossa liberdade, para as circunstâncias do nosso ser para o pecado original: queremos o bem que não fazemos e fazemo aquilo que não queremos, o mal. O Apóstolo quer fazer entender que não é a nossa vontade a liberar-nos desta condições e nem mesmo a Lei, mas sim, o Espírito Santo. E já que, “onde está o Espírito do Senhor, está a liberdade” (II Cor 3,17), com a oração experimentamos a liberdade doada pelo Espírito: uma liberdade autêntica, que é liberdade  do mal e do pecado, para o bem e para a vida, para Deus. A liberdade do Espírito, continua São Paulo, não se identifica nunca com a libertinagem, nem com a possibilidade de fazer a escolha pelo mal, mas sim, com o fruto do Espírito que é amor, alegria, paz, magnamidade, benevolência, bondade, fidelidade, mansidão e domínio de si” (Gal 5,22). Esta é a verdadeira liberdade: poder realmente seguir o desejo do bem, da verdaeira alegria, da comunhão com Deus e não ser oprimido pelas circunstâncias que nos pedem outras direções.

Uma segunda consequência se verifica na nossa vida quando deixamos agir em nós o Espírito de Cristo é que o relacionamento com o próprio Deus se torna tão profundo ao ponto de não ser corrompido por nenhuma realidade ou situação. Compreendemos então que com a oração não somos liberados das provas ou dos sofrimentos, mas podemos vivê-los em união com Cristo, com os seus sofrimentos, na expectativa de participar também da sua glória (Rom 8,17). Muitas vezes, na nossa oração, pedimos a Deus de sermos liberados do mal físico e espiritual, e o fazemos com grande confiança. Todavia, frequentemente temos a impressão de não sermos ouvidos e então caímos no risco de nos desencorajarmos e de não perseverar. Na realidade, não existe grito humano que não escutado por Deus e exatamente na oração constante e fiel, compreendemos com São Paulo que os sofrimentos do tempo presente não impedem a glória futura que será revelada em nós (Rom 8,18). A oração não nos isenta da prova ou dos sofrimentos, mas – diz São Paulo –  nós gememos interiormente esperando a adoração de filhos, a redenção do nosso corpo” (Rom 8,26); ele diz que a oração não nos isenta do sofrimento, mas a oração nos permite vivê-lo e enfrentá-lo com uma força nova, com a mesma confiança de Jesus, o qual – segundo a carta aos hebreus – “nos dias da sua vida terrana ofereceu orações e súplicas com fortes gritos e lágrimas, a Deus que podia savá-lo da morte e, pelo seu pleno abandono, foi ouvido” (5,7). A resposta de Deus Pai ao Filho, aos seus fortes gritos e lágrimas, não foi a libertação dos sofrimentos, da cruz, da morte, mas foi uma realização muito maior, uma resposta muito mais profunda; através da cruz e da morte, Deus respondeu com a ressurreição do Filho, com a nova vida. A oração animada pelo Espírito Santo leva-nos também a viver cada dia o caminho da vida com suas provas e sofrimentos, na plena esperança, na confiança em Deus que responde como respondeu a seu Filho.

E, terceiro, a oração do fiel se abre também às dimensões da humanidade e de toda a criação, tomando a ardente expectativa da criação, colocada em direção à revelação dos filhos de Deus (Rom 8,19). Isso significa que a oração, sustentada pelo Espírito de Cristo que fala no íntimo de nós mesmos, não fica nunca presa em si mesma, não é somente uma oração por mim, mas se abre à divisão dos sofrimentos do nosso tempo, dos outros. Se torna intercessão pelos outros, e assim liberação de mim, canal de esperança para toda a criação, expressão daquele amor de Deus que foi derramos sobre os nosso corações por meio do Espírito que nos foi dado (Rom 5,5). E exatamente esse é um sinal de verdadeira oração, que não se encerra em nós mesmos, mas se abre aos outros e assim me libera, assim ajuda a redenção do mundo.

Queridos irmãos e irmãs, São Paulo nos ensina que na nossa oração devemos abrir-nos à presença do Espírito Santo, o qual reza em nós com gemidos inexprimíveis, para levar-nos a aderir a Deus com todo o nosso coração e com todo o nosso ser. O Espírito de Cristo se torna a força da nossa oração “fraca”, a luz da nossa oração “apagada”, o fogo da nossa oração “árida”, doando-nos a verdadeira liberdade interior, ensinando-nos a viver enfrentando as provas da existência, na certeza de não estarmos sós, abrindo-nos aos horizontes da humanidade e da criação ” que geme e sofre as dores de parto” (Rom 8,22).

Obrigado!

Milagres de Santo Antônio

Santo Antônio, um dos santos mais venerados da Igreja no Brasil

O milagre dos peixes

Santo Antônio foi em vida pregar na cidade de Rímini, onde dominavam os hereges. Eles resolveram, de comum acordo, não ouvi-lo em hipótese alguma. Frei Antônio subiu ao púlpito e viu que, diante de sua presença, quase todos se retiravam e fugiam. Não esmoreceu porém o seu zelo, pregou aos que tinham ficado e, inflamado de ardor celeste, falou com tal energia que aqueles hereges reconheceram seu erro e resolveram mudar de vida. O Santo não se contentou com aquele resultado parcial e, retirando-se a uma cela, elevou preces ao Altíssimo para que toda a cidade se convertesse. Saindo do retiro, foi direto às praias do Mar Adriático e, em altas, clamou aos peixes que o ouvissem e celebrassem os louvores do seu supremo Criador, já que os homens ingratos não queriam fazê-lo. Diante daquela voz imperiosa, apareceram logo os incontáveis habitantes das águas, e se distribuíram ordenadamente, cada qual junto com os da sua espécie e tamanho. Os peixes ergueram suas cabeças da água e ficaram longo tempo imóveis, a ouvi-lo.

O prato envenenado

Alguns hereges resolveram matar Santo Antônio, envenenando-o. Convidaram-no certo dia a comer com eles, dando como pretexto debater alguns artigos da Fé. Santo Antônio nunca se negava a comparecer a essas disputas e polêmicas. Os hereges puseram diante dele, entre outros pratos, um que continha veneno mortal. Antes que o tocasse, Deus revelou-lhe a cilada e o Santo, conservando toda a calma, repreendeu os hereges pela traição que lhe faziam. Vendo descoberto seu intento perverso, não se abalaram e responderam cinicamente: “É verdade que esse prato tem veneno, mas nós o colocamos aí porque desejamos fazer uma experiência: no Evangelho está escrito que Jesus Cristo disse aos seus discípulos que ainda que tomassem veneno mortal nenhum mal sofreriam, e estamos querendo saber se és de fato discípulo de Cristo”. Santo Antônio fez o sinal da Cruz sobre aquele prato e o comeu com apetite, saboreando a comida envenenada como se fosse alimento saudável, e nada sofreu, deixando mais uma vez os hereges confusos e assombrados.

O milagre da bilocação

No domingo de Páscoa, enquanto pregava na Catedral, Santo Antônio lembrou-se de que fora designado para entoar a Alleluia, na Missa que se celebrava naquele momento na Igreja do Convento franciscano. Não querendo faltar com a obediência e não podendo descer do púlpito, parou um pouco, calou-se como se estivesse retomando a respiração e, nesse momento foi milagrosamente visto no Coro de seu convento, entoando a Alleluia. Esse prodigioso milagre de bi locação foi visto e certificado por testemunhas, e logo se divulgou, aumentando em todos os locais a veneração pelo grande taumaturgo. Isso, evidentemente, resultou em ainda maior proveito para seu trabalho apostólico.

Controle sobre o tempo

Num dia de festa, em Limoges, Santo Antônio pediu licença para pregar numa igreja paroquial. Como era imensa a sua fama, juntou-se tanto povo que não cabia no recinto, e foi obrigado a pregar em praça pública. Mal havia começado o sermão, os céus se escureceram, e principiaram relâmpagos e trovões, anunciando tempestade próxima. O povo, atemorizado, começou a murmurar e já se dispunha a sair dali em busca de abrigo. Mas Santo Antônio pediu silêncio e, em nome de Deus, assegurou que não choveria naquele local, recomendando a todos que ficassem atentos à pregação. Tranquilizados, os fiéis ouviram o sermão até o fim. Quando se retiravam para suas casas verificaram, com muita admiração, que embora estivesse perfeitamente seco o local da pregação, todas as redondezas estavam completamente alagadas pela tempestade.

Santo Antônio cura um insano

Em meio a um sermão de Santo Antônio, entrou um louco que, com vozes e gestos desordenados, perturbava os ouvintes, que não conseguiam prestar atenção nas palavras do pregador. De repente, em meio à agitação, o louco disse: “Não sossegarei enquanto aquele homem (e apontou para Santo Antônio) não me der o cordão que usa na cintura”. O Santo retirou o cordão e com ele envolveu o louco, que foi imediatamente curado e adquiriu juizo perfeito.

Menino salvo pela fé

Quando pregava em Briba, uma senhora, na pressa de ir ouvi-lo, deixou sobre o fogo um caldeirão com água, sem se lembrar que seu filho pequeno ficava sozinho em casa. Ao chegar da pregação, viu com horror que o menino havia caído dentro do caldeirão e que a água estava fervendo. Bem se pode imaginar os gritos de desespero que deu a pobre mãe! Nem se atrevia a se aproximar, certa de se encontrar a inocente vítima horrivelmente queimada e morta. Mas, cheia de fé em Santo Antônio, invocou-o e quando chegou o filho estava são e salvo, brincando e pulando na água fervente, sem que esta lhe fizesse mal.

A chuva não molhou as roupas de uma criada

Certo dia, faltou ao convento de Briba alimentação para a comunidade, e Frei Antônio mandou que se fosse pedir a uma senhora devota que possuía uma grande propriedade, a esmola de algumas verduras. Apesar de estar chovendo fortemente, a piedosa senhora ordenou a uma criada que fosse apanhar as verduras na horta, que ficava distante da casa. A criada obedeceu, mas muito mal-humorada com aquela ordem incômoda e inesperada. Foi quando se deu conta de que, apesar da chuva torrencial que caía, não estava molhando nem os pés nem a roupa. Chegou à horta, colheu as verduras, foi entregá-las no convento e retornou à casa completamente seca. Tanto ela quanto sua senhora ficaram assombradas diante daquele prodígio, e não mais se cansaram de apregoar os altos merecimentos do Santo.

Ressuscitou um morto

Vinha Frei Antônio de uma aldeia, carregado e muito cansado, quando encontrou no caminho um carroceiro que levava no veículo um homem adormecido. O Santo pediu-lhe por amor de Deus que levasse nele alguns víveres que ele e seu companheiro haviam recebido de esmola para o sustento da comunidade e que traziam penosamente às costas. O carroceiro respondeu de modo rude que não podia, porque estava conduzindo um defunto no carro. O Santo acreditou, rezou pelo descanso eterno da alma do falecido e continuou seu caminho. Qual não foi o espanto do carroceiro quando, mais tarde, foi acordar o amigo que supunha adormecido e o encontrou realmente morto! Cheio de confusão e arrependimento, foi em busca de Santo Antônio e prostrou-se aos seus pés, pedindo-lhe humildemente perdão. Frei Antônio se compadeceu do homem, aproximou-se da carroça e, depois de uma curta oração, fez o sinal da Cruz sobre o cadáver e o restituiu milagrosamente à vida.

Salvou um homem da morte por esmagamento

Durante a construção do convento de Leontino, aconteceu o seguinte milagre: Estava sendo conduzida para o portal da igreja uma grande pedra; ao ser retirada da carroça, caiu sobre o carroceiro e lhe esmagou o corpo, deixando-o à beira da morte. Frei Antônio, querendo por humildade ocultar seu dom de fazer milagres, disse aos presentes que invocassem o auxílio do Venerável Pai São Francisco. Imediatamente levantou-se o homem ferido, perfeitamente são, como se nenhum acidente lhe tivesse ocorrido.

Curou um menino paralítico

Aproximou-se dele uma mulher, trazendo nos braços um filho paralítico de nascença, e rogando em altos brados que o curasse. O Santo manifestou certo desagrado por aquela forma ruidosa de pedir algo que o repugnava a sua humildade, mas a mulher não se calou. Tanto ela pediu e suplicou, auxiliada por Frei Lucas, que na ocasião acompanhava o Santo, que este, afinal, se deixou vencer e fez sobre o menino paralítico o sinal da cruz, curando-o imediatamente. Com modéstia, atribuiu o milagre não à sua virtude, mas à fé da boa mulher e recomendou-lhe que não contasse o ocorrido à ninguém enquanto ele fosse vivo.

O Menino Jesus aparece para o Santo

Certa vez, Santo Antônio precisou de um alojamento em Pádua, e um senhor nobre de nome tiso, da família dos Condes de Camposampiero, teve a honra de o acolher em sua casa. Uma noite, vendo o lado de fora do quarto em que Frei Antônio rezava alguns raios de luz extraordinária, aproximou-se e viu o Santo segurando nos braços um gracioso Menino que suavemente o acariciava. Ficou cheio de espanto por tão extraordinária maravilha, e compreendeu que era o Menino Jesus que se tornara visível ao Santo para o recompensar com celestes consolações das grandes fadigas que sofria por sua glória. Nesse meio tempo, o Menino desapareceu. Saindo do êxtase, Frei Antônio deixou o quarto e dirigiu-se ao dono da casa, dando-lhe a conhecer que já sabia ter ele observado a aparição. Pediu então com a maior insistência que não revelasse o que tinha visto. Tiso cumpriu a palavra, e somente depois da morte do Santo deu a público o extraordinário acontecimento, que de tal modo o tocara que, todas as vezes que o relatava, não conseguia reter as lágrimas.

Reconstitui um pé decepado

Um jovem chamado Leonardo confessou-se com o Santo e acusou-se de ter, levado pela cólera, dado um pontapé em sua mãe. Frei Antônio, para fazê-lo compreender a gravidade do pecado que cometera, disse-lhe: “Teu pé bem merecia ser cortado”. Essas palavras impressionaram tão fortemente o jovem, que este,chegando a sua casa, aterrado com o que fizera, cortou fora o pé, o qual, caindo com ruído no chão, fez com que sua mãe acorresse para ver o que estava acontecendo. Horrorizada com a cena e por saber as razões pelas quais o filho assim procedera, correu logo a procurar Frei Antônio, que foi à casa do rapaz. Comovido pelo estado em que o encontrou, quase à beira da morte pelo sangue perdido, animou-o a ter confiança em Deus. O rapaz se reanimou e o Santo, pegando o pé cortado, recolocou-o no lugar. Imediatamente se reuniram na perfeição os ossos, os nervos, as artérias, os músculos, a carne e a pele. O sangue voltou a circular, cessaram as dores e só ficou um sinal do golpe, em testemunho do grande milagre sucedido.

Faz um morto falar para defender seu pai

Aconteceu que um rapaz foi assassinado perto da casa de Martim de Bulhões, e os assassinos, por malvadez, levaram o corpo para o quintal de Martim e ali o enterraram sem que o proprietário do terreno se desse conta. Mais tarde, foi descoberto pela Justiça o corpo de delito em casa do infeliz fidalgo, e este foi acusado pelo crime. Diante dos gravíssimos indícios de que era culpado, permaneceu quinze meses preso e, afinal, estava sendo julgado e seria com certeza condenado à morte. Deus, porém, houve por bem avisar a Frei Antônio do perigo que ameaçava seu pai terreno, e o Santo foi logo pedir ao Guardião do convento que o deixasse ausentar-se de Pádua por um tempo breve. De Pádua, viu-se transportado num instante a Lisboa, onde se apresentou ao tribunal e, depois de beijar a mão de seu pai em sinal de respeito, tomou a sua defesa. Os juízes ficaram impressionados com o aparecimento daquele inesperado advogado, e com a segurança com que ele falava, mas não se convenceram da inocência do réu, tantas eram as aparências de que Martim de Bulhões era culpado. Faltando testemunhas de defesa, Santo Antônio apelou para o depoimento do assassinado. Os assistentes, surpresos com a estranha proposta, já se dispunham a rir. Mas Frei Antônio insistiu e os juízes levados pela curiosidade, consentiram que ele chamasse o morto como testemunha da defesa. Chegados à sepultura do falecido, o Santo ordenou que a abrissem, e chamou o frio cadáver em voz alta, ordenando-lhe em nome de Deus que dissesse aos juízes se era verdade que Martim de Bulhões o assassinara. Levantou-se logo o morto e, como se estivesse vivo, respondeu com voz sonora e ouvida por todos que Martim de Bulhões era inocente e não se havia manchado no seu sangue. Em seguida, novamente se deitou na sepultura, e o Santo, depois de se despedir do pai, desapareceu. Ficaram os juízes e a assistência assombrados com o milagre portentoso que acabavam de presenciar, e o nobre Martim de Bulhões, graças ao seu santo filho, salvou a vida e conservou seu nome sem desonra.

Salva seu pai da prisão

Já anteriormente, enquanto o Santo estava em Milão, havia salvado seu pai da desonra e do descrédito. Martim de Bulhões era depositário, em Lisboa, de valores elevados pertencentes ao Rei, destinados ao pagamento de despesas relativas ao serviço público. Confiando em pessoas que não eram dignas, Martim adiantou quantias consideráveis a várias pessoas que deveriam recebê-las, mas não lhes pediu os recibos. Quando chegou a hora da prestação de contas ao tesouro real, os indivíduos mentiram, negando ter recebido as quantias, e Martim foi preso, sendo seus bens embargados. Estava o Santo pregando numa praça de Milão quando soube que naquele momento estava o pai diante dos juízes. Encostou-se no púlpito e naquela mesma hora apareceu em Lisboa, diante do tribunal. Saudou os juízes e depois, com ar severo, increpou os mentirosos que negavam ter recebido o dinheiro: “Vós desafiais a Deus, negando que recebestes o dinheiro de meu pai. Ele confiou em vós, e vós lhe retribuís arrastando-o para a desonta, juntamente com sua família! Vós, em tal dia (e foi dizendo a cada um), em tal hora, em tal lugar, recebestes tanto, vós tanto, vós, tanto… Confessai a verdade, se não quereis que Deus vos mande um terrível castigo”. Os culpados confessaram que haviam mentido e o Santo ainda conseguiu dos juízes que fossem perdoados. Depois abraçou o pai, beijou-lhe respeitosamente a mão e… no mesmo instante recomeçava em Milão o sermão interrompido!

Recupera os cabelos arrancados de uma mulher

Em Arezzo vivia um homem nobre, mas tão colérico que quando se irritava parecia ter perdido o juízo. A esposa, senhora de muito siso e prudência, teve um dia a infelicidade de proferir umas palavras que encolerizaram o marido, a tal ponto que ele se atirou sobre ela a maltratou cruelmente, chegando a lhe arrancar os cabelos. Aos gritos da infeliz acorreram os vizinhos, socorrendo-a e deixando-a quase morta na cama. O marido, depois de serenar, envergonhou-se do que tinha feito. Lembrando-se da fama de Santo Antônio, foi procurá-lo e, arrependido, pediu que o ajudasse. O piedoso Santo foi logo procurar a senhora, abençoou-a, e fez-lhe o sinal da Cruz e se pôs a rezar. Pouco a pouco ela foi recuperando o antigo vigor e, por milagre insigne, quando se ajoelhou aos pés do Santo reapareceu lhe todo o cabelo.

Conserva um copo intacto e faz nascer uvas numa videira sem frutos

Um soldado espanhol, chamado Aleardino, que havia perdido a Fé católica, chegou a Pádua no dia do enterro de Santo Antônio. Jactando-se de sua incredulidade, segurou um grande compo de vidro e disse a muitas pessoas que o censuravam: “Se este copo ficar inteiro depois que eu o atirar àquelas pedras, acreditarei que esse padre faz milagres”. E atirou o copo com toda a força, mas ele não se partiu. Abjurou então de seus erros, publicamente, e quis converter a um amigo, também incrédulo. Chegou, pois, ao amigo e lhe contou todo o acontecido, mostrando-lhe o copo objeto do prodígio. O amigo ouviu-o com risadas e sinais de desprezo, e respondeu: “Não acredito no que dizes. O que estás dizendo é tão impossível como aquela videira (e apontou para uma que estava perto, completamente sem folhas e frutos) de repente se ver carregada de ramos e cachos, e nós com suas uvas fazermos um vinho que encha esse teu copo!” Mal acabara de falar, a videira se encheu prodigiosamente de folhas e belos cachos de saborosas uvas, as quais, espremidas por Aleardino, encheram o copo com seu licor maravilhoso. Esse copo ainda hoje se conserva no relicário da Basílica de Santo Antônio, em Pádua.

Faz achar um anel sumido

D. Inácio Manrique, Bispo de Córdoba e Inquisidor Geral da Espanha, muito devoto de Santo Antônio, possuía um anel que estimava grandemente. Certo dia notou a falta dele: ou o tinha perdido, ou o tinham furtado. Passou-se muito tempo sem que o anel aparecesse. Um dia, estava o Prelado à mesa com alguns senhores seus parentes, quando casualmente se falou no poder de Santo Antônio para encontrar bens perdidos. Disse então o Bispo: “Tenho recebido grandes favores do Santo, mas ele ainda não ouviu as súplicas que lhe tenho feito para achar um anel que perdi”. Mal tinha acabado de proferir essas palavras quando o anel desaparecido caiu no meio da mesa, à vista de todos, sem que ninguém soubesse explicar de onde vinha…

Ajuda um Bispo a recuperar papéis perdidos

Estava saindo de Tolosa o Bispo D. Frei Ambrósio Catarino, grande escritor. Levava na bagagem muitos papéis e apontamentos particulares para polemizar com os hereges, e um livro intitulado A Glória dos Santos. Já tinha caminhado dezenas de quilômetros quando notou que haviam caído no caminho três escritos preciosos que muito trabalho lhe tinham dado. Com enorme tristeza, refez o caminho, para ver se os encontrava. Não houve cuidado nem providência que não tomasse para reencontrar os manuscritos, mas tudo em vão. Lembrou-se então de Santo Antônio, dirigiu a ele uma prece fervorosa, prometendo que se encontrasse o que perdera, acrescentaria ao livro A Glória dos Santos a narração daquela graça de Santo Antônio. Nesse mesmo instante aproxima-se dele um desconhecido que lhe pergunta se não havia perdido uns papéis. E, ante a reposta afirmativa do Prelado, estende-lhe os papéis tão desejados!

Recupera um anel desaparecido

Na vila de Alcácer do Sal vivia um homem rico muito devoto, que tinha o costume de todos os anos pagar as despesas da festa de Santo Antônio. Aconteceu que esse senhor certo dia foi lavar as mãos junto a um poço muito profundo que possuía em seu quintal e, num movimento desastrado, deixou cair dentro um anel pelo qual tinha muita estima. Todas as tentativas feitas para recuperá-lo foram inúteis. Confiou então o caso a Santo Antônio e não pensou mais nele. Tempos depois, durante a festa de Santo Antônio que, como de costume custeara, estava o homem dentro da igreja, assistindo à solenidade. Nisso aproximou-se dele um criado muito contente, e lhe estendeu o anel. Ante a curiosidade do senhor, esclareceu que tinha ido tirar água do poço e deixara nele cair o balde. Lançara então um gancho para prendê-lo e, ao puxar, na ponta do gancho viera o anel, tão bem encaixadinho que parecia ter sido posto de propósito por alguém. Curiosamente, Santo Antônio parece ter querido demorar a devolução do anel até sua festa, para manifestar quanto lhe agradava a devoção do bom homem pela mesma festa.

Fonte: Site Igreja Hoje  

Santo Evangelho (Jo 16, 16-20)

6ª Semana da Páscoa – Quinta-feira 25/05/2017

Primeira Leitura (At 18,1-8)
Leitura dos Atos dos Apóstolos.

Naqueles dias, 1Paulo deixou Atenas e foi para Corinto. 2Aí encontrou um judeu chamado Áquila, natural do Ponto, que acabava de chegar da Itália, e sua esposa Priscila, pois o imperador Cláudio tinha decretado que todos os judeus saíssem de Roma. Paulo entrou em contato com eles. 3E, como tinham a mesma profissão – eram fabricantes de tendas – Paulo passou a morar com eles e trabalhavam juntos. 4Todos os sábados, Paulo discutia na sinagoga, procurando convencer judeus e gregos. 5Quando Silas e Timóteo chegaram da Macedônia, Paulo dedicou-se inteiramente à Palavra, testemunhando diante dos judeus que Jesus era o Messias. 6Mas, por causa da resistência e blasfêmias deles, Paulo sacudiu as vestes e disse: “Vós sois responsáveis pelo que acontecer. Eu não tenho culpa; de agora em diante, vou dirigir-me aos pagãos”. 7Então, saindo dali, Paulo foi para casa de um pagão, um certo Tício Justo, adorador do Deus único, que morava ao lado da sinagoga. 8Crispo, o chefe da sinagoga, acreditou no Senhor com toda a sua família; e muitos coríntios, que escutavam Paulo, acreditavam e recebiam o batismo.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Responsório (Sl 97)

— O Senhor fez conhecer seu poder salvador perante as nações.
— O Senhor fez conhecer seu poder salvador perante as nações.

— Cantai ao Senhor Deus um canto novo, porque ele fez prodígios! Sua mão e o seu braço forte e santo alcançaram-lhe a vitória.

— O Senhor fez conhecer a salvação, e às nações, sua justiça; recordou o seu amor sempre fiel pela casa de Israel.

— Os confins do universo contemplaram a salvação do nosso Deus. Aclamai o Senhor Deus, ó terra inteira, alegrai-vos e exultai!

 

Evangelho (Jo 16,16-20)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo João.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 16“Pouco tempo ainda, e já não me vereis. E outra vez pouco tempo, e me vereis de novo”. 17Alguns dos seus discípulos disseram então entre si: “O que significa o que ele nos está dizendo: ‘Pouco tempo, e não me vereis, e outra vez pouco tempo, e me vereis de novo’, e: ‘Eu vou para junto do Pai?’”. 18Diziam, pois: “O que significa este pouco tempo? Não entendemos o que ele quer dizer”. 19Jesus compreendeu que eles queriam interrogá-lo; então disse-lhes: ‘Estais discutindo entre vós porque eu disse: ‘Pouco tempo e já não me vereis, e outra vez pouco tempo e me vereis?’ 20Em verdade, em verdade vos digo: Vós chorareis e vos lamentareis, mas o mundo se alegrará; vós ficareis tristes, mas a vossa tristeza se transformará em alegria”.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

 

A IGREJA CATÓLICA CELEBRA E VENERA HOJE
Santa Maria Madalena de Pazzi, entrou para a Ordem Carmelita 

Abandonou tudo, os bens e projetos para consagrar-se totalmente a Deus

Nasceu no ano de 1566 em Florença, na Itália, e pertenceu a uma nobre família.

Ela muito cedo se viu chamada à vida religiosa e queria consagrar-se totalmente. Abandonou tudo: os bens e os projetos. Entrou para a Ordem Carmelita e ali viveu por 25 anos. Uma aventura espiritual mística que resultou em uma grande obra com suas experiências carismáticas.

Todos os santos foram carismáticos. E a nossa Igreja é carismática, pois ela é marcada pelas manifestações do Espírito Santo. Precisamos aprender com os santos a sermos dóceis ao Espírito Santo. Ela sofreu muito. Amou a cruz de cada dia. Santa Maria sofreu com várias enfermidades até que entrou no Céu, com 41 anos. Seu lema foi: “Padecer, Senhor, e não morrer!”

Santa Maria Madalena de Pazzi, rogai por nós!

Oração, força em meio a tribulação

Os barcos da época de Jesus eram conduzidos pelo vento ou por remo, pois não tinham motor. A parte da frente, chamada proa, cortava as águas em direção à outra margem e recebia pancadas das fortes ondas. Mas era na parte de trás, na popa do barco, que se localizava o leme ou timão, uma importante estrutura de madeira usada pelo navegador mais experiente (timoneiro) para direcionar toda a embarcação. Ela define para qual direção a embarcação seria deslocada sobre a água. Por isso a enorme importância do timoneiro, principalmente no momento da tempestade. Ele não podia deixar seu poto em nenhuma circunstância, pois, em meio à agitação do temporal, o único que poderia influenciar do direcionamento da embarcação era o Grande Timoneiro: Jesus Cristo.

Ao acalmar a tempestade, Ele se direciona para os discípulos e, ali mesmo, proporciona a eles uma formação. Faz uma pergunta: “Por que sois tão medrosos?”.

O medo nasce, automaticamente, no coração de quem se vê sozinho, desamparado e sente-se “órfão do Pai do Céu”. Aqueles discípulos estavam apavorados, porque ainda não haviam encontrado Jesus na parte posterior do barco. Eles sabiam “teoricamente” da presença de Jesus, mas, de fato, precisavam fazer uma experiência da presença ativa de Jesus e do seu Senhorio em suas vidas. É incompreensível que, ainda hoje, muitos cristãos vivam sua fé apenas na teoria, sem ter um encontro pessoal com Jesus, o qual pode sustentá-los no tempo da tribulação.

Para o cristão, a passagem pela tribulação é uma oportunidade de vivenciar uma conversão pessoal a partir de um esvaziamento de si mesmo (processo kenótico), para estar cheio de Deus. Aprender a lidar com as tribulações e sofrimentos é um credenciamento necessário para o seguimento de Cristo. Ele disse: “Se alguém quer vir após mim, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz, cada dia, e siga-me” (Lc9, 23). Trate-se de uma exigência do Senhor para os que querem segui-Lo; e Ele não abre exceção para ninguém. “Quem não carrega sua cruz e não caminha após mim, não pode ser meu discípulo” (Lc 14, 27). Jesus não fez propaganda enganosa de um “Cristianismo light e frouxo”, mas deixou claro que deveríamos tomar a cruz a cada dia. Aquela que, tantas vezes, é motivo de reclamação, mas que Ele mesmo avisou que existiria. Perceba que os ensinamento de Jesus são válidos até hoje para nós. Ele não enganou ninguém a respeito das exigências necessárias para ser um discípulo, um verdadeiro cristão.

Cientes de todas as dificuldades do tempo da provação, devemos nos empenhar no fortalecimento da nossa fé, que em nada se assemelha a uma vida sem lutas ou sofrimentos, mas solidificada, que pode nos dar o suporte necessário para o enfrentamento do tempo da tribulação. A nossa fé deve se firmar, crescer e amadurecer à medida que enfrentamos os sofrimentos e as adversidades.

Trecho do livro “Fortes na Tribulação” do Padre Fabrício Andrade

Oração das mães pelos filhos

Maternidade

É grande o poder da oração de uma mãe para seu filho

Deus estabeleceu uma lei: precisamos pedir a Ele as graças necessárias em nossa vida para sermos atendidos. Jesus foi enfático: “E eu vos digo: pedi e dar-se-vos-á; buscai e achareis; batei e abrir-se-vos-á. Pois todo aquele que pede, recebe; aquele que procura, acha; e ao que bater, se lhe abrirá” (Lc 11,8-10).

Jesus disse isso depois de contar aquele caso do vizinho que bateu na porta da casa do outro para pedir um pouco de pão à meia noite, porque tinha recebido uma visita e estava sem pão. Como o outro não o quis atender, Jesus disse: “Eu vos digo: no caso de não se levantar para lhe dar os pães por ser seu amigo, certamente por causa da sua importunação, se levantará e lhe dará quantos pães necessitar”.

A oração da mãe pelos filhos

Ora, o que Jesus está querendo nos ensinar com isso? Que devemos fazer o mesmo com Deus. Importuná-lo! Mas por que Deus faz assim? É para saber se, de fato, confiamos n’Ele, se temos fé de verdade, como aquela mulher cananeia, que não era judia, mas pediu, com insistência, que Ele curasse o filho endemoniado dela.

“E eis que uma cananeia, originária daquela terra, gritava: ‘Senhor, filho de Davi, tem piedade de mim! Minha filha está cruelmente atormentada por um demônio’” (Mt 15, 22). Quando Jesus lhe disse que não podia tirar os pães dos filhos (judeus) para dar aos cachorrinhos (pagãos), ela não desistiu, e pediu para receber, ao menos, as migalhas que caiam da mesa. Jesus ficou tocado e curou a filha dela. “Ó mulher, grande é a tua fé! Seja-te feito como desejas”. E na mesma hora sua filha ficou curada.

Se pedimos uma vez ou duas, mas não recebemos a graça, e não pedimos mais, é porque não confiamos no Senhor. Santo Agostinho ensinou o seguinte:

“Deus não nos mandaria pedir se não nos quisesse ouvir. A oração é uma chave que nos abre as portas do céu. Quando vires que tua oração não se apartou de ti, podes estar certo de que a misericórdia tão pouco se afastou de ti. Os grandes dons exigem um grande desejo, porquanto tudo o que se alcança com facilidade não se estima tanto como o que se desejou por muito tempo. Deus não quer te dar logo o que pedes, para aprenderes a desejar com grande desejo”.

Ninguém como ele entendeu a força da oração de uma mãe por seu filho; pois, durante vinte anos, sua mãe Santa Mônica rezou pela conversão dele e conseguiu. Ele mesmo conta isso no seu livro “Confissões”.

O santo disse que ela ia, três vezes por dia, diante do sacrário em Hipona, e pedia a Jesus que seu Agostinho se tornasse “um bom cristão”. Era tudo o que ela queria, não pedia que ele fosse, um dia, padre, bispo, santo, doutor da Igreja ou um dos maiores teólogos e filósofos de todos os tempos. Mas Deus queria lhe dar mais. Queria que Agostinho fosse esse ‘gigante’ da Igreja, por isso ela precisou rezar mais tempo e sem desanimar. Santa Mônica não desanimou! Por isso temos, hoje, esse gigante da fé. Fico pensando se ela parasse de rezar depois de pedir durante 19 anos. Não teria o seu filho convertido e nós não teríamos o Doutor da Graça.

Quando Agostinho deixou a África do Norte e foi ser o orador oficial do imperador romano, em Milão, ela foi atrás dele. Tomou o navio, atravessou o Mediterrâneo e foi rezar por seu filho. Um dia, foi ao bispo de Milão, em lágrimas, dizer-lhe que não sabia mais o que fazer pela conversão de seu Agostinho, que o bispo bem conhecia por sua fama. Simplesmente, o bispo lhe respondeu: “Minha filha, é impossível que Deus não converta o filho de tantas lágrimas”. E aconteceu. Santo Agostinho, ouvindo as pregações de Santo Ambrósio, bispo de Milão, se converteu; foi batizado por ele, e, logo, foi ordenado padre, escolhido para bispo e um dos maiores santos da Igreja. Tudo porque aquela mãe não se cansou de rezar pela conversão de seu filho… vinte anos!

Santo Agostinho disse, em “Confissões”, que as lágrimas de sua mãe, diante do Senhor no Sacrário, era como “o sangue do seu coração destilado em lágrimas nos seus olhos”.  Que beleza! Que fé! É exatamente o que a Igreja ensina: que nossa oração deve ser humilde, confiante e perseverante. Humilde como a do publicano, que batia no peito e pedia perdão diante do fariseu orgulhoso; confiante como a da mãe cananeia e perseverante como a da mãe Mônica. Deus não resiste às lágrimas e às orações de uma mãe que reza assim.

Prof. Felipe Aquino

Indulgências: o que são e quais seus efeitos

Segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013, André Luiz / Da Redação

“A indulgência é a Igreja que vem em socorro do fiel que faz penitência para, como mãe, aliviá-la,” explica Padre Paulo Ricardo.

“A absolvição sacramental livra a pessoa do inferno e a indulgência livra a pessoa do purgatório”, explica o sacerdote da Arquidiocese de Cuiabá, padre Paulo Ricardo de Azevedo Júnior.

Segundo ele, o perdão dos pecados não resolve o problema das doenças espirituais do homem, portanto, as indulgências são necessárias para que os efeitos do pecado, ainda no coração humano, sejam curados.

As indulgências são uma realidade antiga na Igreja Católica. E no decorrer dos anos, foram motivo de questionamentos para muitos, como também foram, para os que creem, um meio de rezar pelos falecidos e buscar a remissão dos pecados.

Em entrevista à equipe do noticias.cancaonova.com, padre Paulo traz uma definição simples e clara sobre a realidade das indulgências. O sacerdote também explica como elas surgiram na Igreja, qual seu objetivo e o que fazer para obtê-las.

noticias.cancaonova.com – De forma prática e simples, como o senhor definiria as indulgências?

Padre Paulo – Para que as pessoas entendam o que é indulgência é necessário entender antes o que é pena temporal. Quando vamos nos confessar o sacerdote perdoa a pena eterna. Por causa dos nossos pecados, nós merecemos o inferno, então, o sacerdote perdoa os nossos pecados e com isso nós seremos salvos.

Mas, ao mesmo tempo, o pecado tornou o nosso coração pior, nosso coração não está pronto para entrar no céu. Se eu me confessar e morrer imediatamente após a confissão, eu estou salvo, mas não estou santo. Por que ainda não amo a Deus de todo o coração, de toda alma e todo o entendimento. Então, a pessoa que morre nesta situação vai para o purgatório e, ali, purifica-se.

A indulgência é a remissão deste tempo do purgatório. A absolvição sacramental livra a pessoa do inferno e a indulgência livra a pessoa do purgatório.

noticias.cancaonova.com – Como surgiram as indulgências na Igreja?

Padre Paulo – No início do Cristianismo, quando as pessoas iam recorrer ao Sacramento da Reconciliação, a ordem das coisas era diferente como nos tempos de hoje. Atualmente, nós vamos ao padre, ele nos dá o perdão dos pecados e passa uma penitência para cumprirmos depois da confissão. No início da Igreja, era diferente: a pessoa confessava os seus pecados, o padre passava a penitência e, então, a pessoa ficava cumprindo aquela penitência durante vários meses e, às vezes, longos anos para que, finalmente, fosse perdoada.

Acontece que nesta época, havia a perseguição da Igreja e também havia vários mártires. Então, os cristãos que estavam aprisionados e que iam morrer condenados à morte pelos perseguidores do Império Romano, muitas vezes, escreviam cartas aos bispos dizendo: “senhor bispo, eu vou morrer e a minha morte será uma penitência. Use esta minha penitência para remir as penas, para perdoar a penitência de outra pessoa”.

Eram mártires que se ofereciam para cumprir penitência no lugar daquelas pessoas. A origem da indulgência consiste nisso: sabermos que somos um só corpo. E sendo um só corpo enquanto Igreja, a penitência, o martírio de alguns, pode servir para compensar a penitência de outros. Na verdade, essa história de amor está na raiz do surgimento das indulgências.

noticias.cancaonova.com – A questão das indulgências é uma prática antiga na Igreja e sofreu algumas incompreensões em certos momentos da história. A que se deve a visão negativa que muitos tiveram com relação às indulgências?

Padre Paulo – Deve-se principalmente à reação de Lutero àquilo que era a prática das indulgências na Alemanha, na época da reforma protestante. A Igreja acredita que essas penitências que o fiel faz, podem realmente remir a pena do purgatório. Seja do próprio fiel, sejam das almas que estão no purgatório.

Entre essas várias práticas penitencial, existe a esmola. Acontece que na época da Alemanha, do tempo de Lutero, havia alguns pregadores que estavam abusando da prática da esmola. Havia na realidade uma espécie de venda das indulgências, ou seja, as pessoas recebiam a indulgência gratuitamente, mas a obra penitencial exigida delas era uma esmola. Então, isso fazia parecer que os pregadores estavam vendendo a indulgência. Lutero se revoltou contra isso e a partir da sua reação houve a revolta protestante.

noticias.cancaonova.com – Por que é necessário buscar as indulgências mesmo após ter recebido o Sacramento da Reconciliação?

Padre Paulo – Por que o perdão dos pecados não resolve o problema das nossas doenças espirituais, ou seja, uma vez que nós formos perdoados, nós precisamos ainda assim fazer práticas penitenciais. Por que é a penitência que irá, aos poucos, tornar o nosso coração um coração melhor. A indulgência é a Igreja que vem em socorro do fiel que faz penitência para, como mãe, aliviá-la.

noticias.cancaonova.com – Qual a diferença entre a indulgência plenária e a parcial?

Padre Paulo – Indulgência plenária, o próprio nome diz, ela redime totalmente a pena que a pessoa teria que cumprir no purgatório. Enquanto a parcial, redime só em partes. A plenária é totalmente eficaz e definitiva para as pessoas mortas. Por exemplo, se eu tenho um parente que faleceu e cumpro uma obra indulgenciada, essa pessoa então, estaria liberta de todo o tempo do seu purgatório.

noticias.cancaonova.com – A Igreja ensina que para obter as indulgências o fiel precisa estar em estado de graça. O vem a ser este estado?

Padre Paulo – É um estado de amizade com Deus em que a pessoa não só recebeu o perdão dos pecados, mas também está disposta a abandonar qualquer tipo de pecado, até mesmo o venial.

noticias.cancaonova.com – Quais as outras condições para se obter indulgências? Quem pode e quem não pode recebê-las?

Padre Paulo – As indulgências plenárias, geralmente, consistem em uma obra que é indulgenciada e mais outras três condições: confissão, comunhão e oração pelo Santo Padre, o Papa. Estas três condições básicas sempre acompanham as obras que são indulgências plenárias.

A pessoa, para receber a indulgência, precisa ter condição para cumprir as obras. Se uma pessoa está em estado de pecado, numa situação irregular e não pode se confessar, logo, é evidente que ela não pode receber indulgência.

noticias.cancaonova.com – Quais as obras que, cumpridas, oferecem indulgência aos fiéis?

Padre Paulo – As obras podem ser: uma visita a um cemitério, uma Igreja, a um santuário; fazer uma peregrinação, dentre outras práticas. Mas, neste Ano da Fé, o Santo Padre indulgenciou o fato de as pessoas estudarem o Catecismo da Igreja Católica ou os documentos do Concílio Vaticano II.

Então, se as pessoas que, durante esse Ano da Fé, estudarem o Catecismo num certo tempo ou lerem piedosamente os documentos do Vaticano II, elas podem, fazendo aquelas três condições básicas de confissão, comunhão e oração pelo Papa, receber indulgências plenárias.

Papa: “A Bíblia como o celular, sempre conosco para lermos as mensagens”

Discurso do Pontífice fez os fiéis refletirem sobre como cuidar da Bíblia – AFP

Cidade do Vaticano (RV) – “Durante os quarenta dias da Quaresma, nós cristãos somos convidados a usar a força da Palavra de Deus na batalha espiritual contra o Mal”: esta foi a recomendação feita pelo Papa aos fiéis neste I Domingo de Quaresma, 5 de março.

Antes de rezar a oração mariana do Angelus neste final de inverno chuvoso na Praça de São Pedro, Francisco comentou a passagem do Evangelho de Mateus que narra como Jesus venceu as tentações e artimanhas sugeridas pelo Diabo: com a Palavra de Deus.

Naquela ocasião, Jesus enfrentou o diabo ‘corpo a corpo’. Às três tentações de Satanás para tentar impedi-lo de cumprir a sua missão, Ele respondeu com a Palavra e, com a força do Espírito Santo, saiu vitorioso do deserto.

“Por isso – disse o Pontífice – é preciso conhecer bem, ler, meditar e assimilar a Bíblia, pois a Palavra de Deus é sempre ‘atual e eficaz’.

A Bíblia como o celular

“O que aconteceria se usássemos a Bíblia como usamos o nosso celular? Se a levássemos sempre conosco (ou pelo menos um Evangelho de bolso), o que aconteceria? Se voltássemos quando a esquecemos, se a abríssemos várias vezes por dia; se lêssemos as mensagens de Deus contidas na Bíblia como lemos as mensagens em nosso celular, o que aconteceria?. É uma comparação paradoxal, mas faz pensar…”

“Com efeito, concluiu, se tivéssemos a Palavra de Deus sempre no coração, nenhuma tentação poderia nos afastar de Deus e nenhum obstáculo poderia nos desviar no caminho do bem; saberíamos vencer as propostas do Mal que está dentro e fora de nós; e seríamos mais capazes de viver uma vida ressuscitada segundo o Espírito, acolhendo e amando nossos irmãos, especialmente os mais frágeis e carentes, inclusive nossos inimigos”.

Tempo de conversão

Depois de rezar o Angelus e abençoar os fiéis, o Papa lembrou que o caminho de conversão da Quaresma requer de nós muita oração, jejum e obras de caridade. E concluindo, pediu a todos que rezem por ele e seus colaboradores, que durante esta semana estarão em Ariccia, (localidade fora de Roma) fazendo exercícios espirituais. 

(CM)

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