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XXIII Domingo do Tempo Comum – Ano A

Por Mons. Inácio José Schuster

Celebramos hoje o 23° Domingo do Tempo Comum. Mateus, no texto que ouvimos na Liturgia, diz-nos: “Se teu irmão cometer uma falta, vai e repreende-o a sós. Se te escutar, ganhaste teu irmão”. O capítulo 18° de Mateus trata da disciplina eclesiástica interna, ou seja, como devem proceder, internamente, os discípulos de Jesus; como deve viver a Comunidade. A correção, como vem descrita aqui pelo Evangelista Mateus, é uma correção ampla. Mateus não coloca limites para essa correção fraterna. Que dizer então? Em linha de princípio, é preciso corrigir. Mas atenção: em primeiro lugar, se se trata de uma culpa contra mim, não devo corrigir. Aqui, neste caso, é melhor perdoar. Se se trata de culpa contra outros ou, sobretudo, quando está em jogo o bem comum, a seriedade, a compostura, a dignidade ou a santidade da Comunidade, então é dever de consciência corrigir. Mas, também neste particular, uma atenção redobrada: em primeiro lugar a correção deve ser feita tu a tu, isto é, a sós. E para que? Para não humilhar desnecessariamente a pessoa do outro. Em segundo lugar, para ser uma correção evangélica. Nós devemos elevar a pessoa, e elevamos a pessoa não quando a massacramos, vomitando-lhe no rosto uma série de defeitos que detestamos, e contemplamos nela. Isto não é evangélico. Isto é rudeza, isto é falta de educação e com isto não se ganha, não se conquista o irmão. Neste caso, então, a correção deve começar pela parte positiva. É bom  dizer ao irmão errado, qual o bem que ele já fez, o que se espera dele e onde ele pode melhorar. Ainda devemos acrescentar algo neste discurso de Mateus que é essencial para a vida de uma igreja e de uma comunidade descente, digna e santa. Muitas vezes sentimo-nos apenas credores de perdão. Mas, se fizermos um exame de consciência atento, deveremos confessar que, as mais das vezes, devemos nós pedir perdão também. Somos devedores de perdão, e não apenas seus credores. E, sobretudo, devemos perdoar sempre, corrigir e perdoar, porque Deus nos perdoa sempre, e nós devemos agir com o irmão, como Deus age constantemente e pacientemente com cada um de nós.

 

COMUNIDADE CRISTÃ, LUGAR DA ACOLHIDA E MISERICÓRDIA
Padre Bantu Mendonça

Para entendermos melhor o trecho de hoje temos de ter em mente a figura do pastor que vai procurar a ovelha que se perdeu, deixando as noventa e nove nas montanhas. Só assim chegamos ao caso concreto: alguém da comunidade cometeu falta grave contra seu irmão. Como reagir? Fazendo-se de vítima? “Pondo a boca no mundo” e denunciando o erro? A primeira atitude – talvez a mais difícil – é perdoar e ir à procura de quem errou na qualidade de quem já perdoou, a fim de mostrar ao outro o erro e convidá-lo novamente a se reintegrar na comunidade: “Se o seu irmão pecar, vá e mostre o seu erro, mas em particular, só entre vocês dois. Se ele lhe der ouvidos, você ganhou o seu irmão”. Quero, porém, recordar a você que não se trata de “ganhar o irmão para si”, mas sim para a comunidade e, sobretudo, para Deus. Porque quem ofendeu um membro da comunidade rompeu, de certa forma, com a comunidade como um todo. Como o pastor que procura a ovelha perdida, a justiça do Reino não se cansa e tenta outra forma de aproximar quem errou: “Se ele não lhe der ouvidos, tome consigo mais uma ou duas pessoas, para que toda a questão seja decidida sob a palavra de duas ou três testemunhas”. À primeira vista, tem-se a impressão de que estaríamos fazendo um cerco em torno de quem errou. Mas essa atitude pode ser vista sob a ótica da justiça do Reino, que tem como princípio fazer de tudo para que o irmão não se perca. E se isso não der certo, toda a comunidade é chamada a se pronunciar: “Caso não dê ouvidos, comunique à Igreja”. E se, depois de esgotados todos os recursos, depois de ter dado a quem errou a oportunidade de ouvir o parecer de toda a comunidade é que a pessoa, por decisão de todos, é excluída: “Se nem mesmo à Igreja ele der ouvidos, seja tratado como se fosse um pagão ou um cobrador de impostos”. Mesmo nesse caso a comunidade deve manter-se em atitude prudente, dando uma chance a longo prazo para que a pessoa se arrependa e volte à comunidade. Antes de condenar ou excluir alguém, é preciso aprender a justiça do Reino. E ter consciência de que os passos aconselhados por Jesus não são normas rígidas, e sim um modo de agir que tempera com justiça, misericórdia e caridade as relações entre pessoas. Em outras palavras, é preciso ser criativo no esforço de recuperar quem erra e se afasta da comunidade. E o espírito que anima essa tarefa não é o da exclusão, mas o da busca para reintegrá-lo. Se no capítulo 16 de Mateus, Jesus confia a Pedro a tarefa de ligar e desligar, no texto de hoje, essa missão é confiada à comunidade como um todo. Pois Pedro é sinal, é figura representativa de toda a comunidade dos seguidores de Jesus. Ligar e desligar são termos jurídicos e atribuições da comunidade inteira: “Tudo o que vocês ligarem na terra será ligado no céu, e tudo o que vocês desligarem na terra será desligado no céu”. Mateus nos mostra que o mais importante para a comunidade não é excluir alguém, mas sim a capacidade de integrar a essa pessoa. Tomar a decisão de incluir ou excluir pessoas da comunidade não é tarefa fácil, como pretendiam e faziam os chefes da sinagoga daquele tempo. É necessário que tenhamos sempre em conta a advertência de Jesus: “Se a justiça de vocês não superar a dos doutores da Lei e dos fariseus, vocês não entrarão no Reino dos Céus”. Para tanto, Cristo dá algumas indicações, que passam pela necessidade das pessoas se reunirem em nome d’Ele, a fim de – mediante a oração – chegarem a um consenso: “Se dois de vocês estiverem de acordo na terra sobre qualquer coisa (isto é, sobre qualquer tipo de litígio) que queiram pedir, isto lhes será concedido por meu Pai que está no céu. Pois onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu estou ali, no meio deles”. É urgente que a comunidade esteja sempre ligada a Cristo pelo fato de que, nela, existem tensões entre os diversos grupos e problemas de convivência: há irmãos que se julgam superiores aos outros e que querem ocupar os primeiros lugares. Há irmãos que tomam atitudes prepotentes e que escandalizam os pobres e os débeis. Há irmãos que magoam e ofendem outros membros da comunidade. Há irmãos que têm dificuldade em perdoar as falhas e os erros dos outros. Somente estando em permanente sintonia com Jesus, que nos convida à simplicidade e humildade, ao acolhimento dos pequenos, pobres e excluídos, ao perdão e ao amor que conseguiremos vencer. Aliás, com Jesus e pela força da oração tudo pode ser mudado. Só assim seremos uma comunidade verdadeiramente família de irmãos, que vive em harmonia, que dá atenção aos pequenos e aos débeis, que escuta os apelos e conselhos do Pai e que vive no amor do Filho, animada pelo Espírito Santo.

 

23º Domingo do Tempo Comum, A.
“Vós sois justo, Senhor, e justa é a vossa sentença; tratai o vosso segundo a vossa misericórdia”(cf. Sl. 118,137.124).
Padre Wagner Augusto Portugal, Vigário Judicial da Diocese da Campanha (MG)

Refletimos na liturgia de hoje a “Igreja, comunidade de salvação”. O profeta é o homem que enxerga por cima dos telhados, que tem uma visão de conjunto da realidade eclesial, é aquele que faz uma análise das coisas certas e das coisas erradas, anunciando a vontade de Deus, o hoje da salvação. O profeta enxerga o lado interior das coisas, principalmente as coisas surpresas e as maldades dos corações. O profeta é uma sentinela, que deve dar o alerta se enxergar algo suspeito no comportamento dos fiéis e na caminhada da comunidade. É o profeta que faz com que a comunidade volte para o caminho da verdade, da salvação e da fraternidade. A primeira leitura tirada do livro de Ezequiel(33, 7-9) nos adverte que como cristãos, temos todos responsabilidades uns para com os outros. Somos sentinelas da fidelidade para com Deus e para com o próximo.  Os profetas eram sentinelas em Israel; deviam dar alerta, e o fizeram. Mas o povo não prestou atenção. Veio a catástrofe – exílio. Sobra um pequeno resto. Ainda assim precisa de sentinela, de alguém que lhe avise para mudar seu caminho. E aí da sentinela que não cumprir seu dever: ela é responsável pela perda do irmão. Irmãos e Irmãs, Jesus hoje nos ensina como deve ser o comportamento cristão diante do pecador, de quem peca, de cada um dos irmãos, que pecamos quotidianamente, na caminhada para a santidade. Jesus nos adverte que a lei fundamental do cristianismo é a lei do amor, que tudo perdoa, tudo acolhe, tudo ama. A correlação fraterna deve ser ditada pelo amor fraterno e pressupõe a correspondente humildade e compreensão da parte de quem corrige. O orgulhoso não tem autoridade para corrigir. O Evangelho fala da correção fraterna, penitência e oração comunitária(cf. Mt 18,15-20). A Igreja é ao mesmo tempo santa e pecadora. Na santidade de filhos de Deus, somos irmãos, responsáveis uns pelos outros, mesmo e, sobretudo, quando o pecado está destruindo esta santidade. Só em última instância, quando a preocupação do cristão individual ou da comunidade nada resolvem, a comunidade pode excluir o pecador, para o conscientizar de que ele já não está participando da santa comunhão eclesial. A ovelha desgarrada é o pecador. Jesus se comporta diante do pecador de maneira diferente da dos homens: vai à sua procura com interesse e carinho e sente alegria em encontrar o pecador. Assim não foi com Zaqueu que desceu da árvore para atender ao apelo convocatório do Mestre que dizia que iria hospedar-se na sua casa, a casa de um pecador, anunciando que naquele dia a salvação havia entrado na sua casa. Jesus nos aponta o comportamento correto dos cristãos: o perdão e acolhida devem ser as maiores novidades do Novo Testamento. Mas amar, perdoar e acolher é uma tarefa árdua, às vezes inatingível, porque o orgulho e a auto-suficiência campeiam a mentalidade dos homens e das mulheres de nossos dias. Meus irmãos, O perdão é difícil de entender e mais difícil de viver. O Antigo Testamento não conheceu o perdão gratuito. Foi Jesus quem o trouxe, anunciou e viveu pela primeira vez na sua própria vida. O Antigo Testamento ensinou a vingança, depois a lei de talião, olho por olho, dente por dente. Entretanto, Jesus no sermão da Montanha lembrou a norma jurídica e a declarou insuficiente e superada. Jesus virou a mesa dando um passo significativo, muito adiante do seu tempo e do tempo em que vivemos: Jesus instituiu o perdão gratuito, nunca olhando o tamanho da ofensa, mas dimensionando o tamanho superior da acolhida e do perdão. Se Deus no céu nos perdoa de todas as nossas infidelidades, quem seremos nós os homens para não acolher esta diretiva de perdão, perdoar hoje, amanhã e sempre. Voltar ao irmão que foi vilipendiado e abaixar-se se humilhando no perdão misericordioso. Os cristãos tem o grave dever de ser “os mensageiros da reconciliação”, os “mensageiros do perdão”. A Igreja, ao defender aos excluídos, deve ser a mensageira no mundo da mensagem evangélica e do mandato apostólico do perdão e da reconciliação. Jesus foi o próprio modelo de quem sabe perdoar gratuitamente. Mesmo na Cruz, depois de tanto vilipêndio, injustiças e traições ele suplicou: “Pai, perdoar-lhes, eles não sabem o que fazem”. E olhando para o ladrão arrependido, São Dimas exclamou: “Hoje mesmos estarás comigo no paraíso” (Cf. Lc 23,43), perdoando-lhe os seus pecados: “Os teus pecados te são perdoados” (Cf. Lc 7,48). Meus amigos, A repreensão tem o sentimento e o gosto do perdão. Tudo isso por que o pecado, mesmo cometido por uma só pessoa, tem sentido e significado comunitário. Por que isso? Porque se corrigirmos um irmão individualmente, depois se ele não aceita, é pedido que se chame a Igreja. Quando o Padre perdoa os pecados ele age em nome da Igreja, agindo em nome de um poder que foi a ela confiada em nome de Jesus Cristo. Dentro do cristianismo e repreensão já tem o gosto de perdão. Está, portanto, muito longe de certo sadismo que sentem alguns que vivem julgando todo mundo e se arrogam o direito de corrigir os da direita, os da esquerda e os de trás, bem como os da frente. A repreensão significa compreensão e coração dilatado para a abertura. Nós cristãos formamos uma comunidade. “Igreja” significa comunidade de crentes. Por isso Jesus admitiu a possibilidade de duas ou mais pessoas terem de repreender, quando alguém errou e não quis ouvir em particular uma reprimenda. Jesus fala em “testemunhas” ao falar de correção. Ao falar em correção Jesus quis resguardar que a Igreja não se transformasse numa seita de pequenos, mesquinhas e puros, bem ao estilo dos judeus de então. Jesus não exclui, Jesus, ao contrário, acolhe. Amigos, amados, Jesus não falou em nenhum momento em julgar. Ele apenas conjugou o verbo perdoar. O perdão necessita de recolhimento, de intimidade com o Senhor, de enxergar o hoje de Deus. A misericórdia de Deus ultrapassa todos os limites imagináveis da justiça e se expressou no sangue do Filho bendito, derramado na cruz para o perdão de nossos pecados, assim o nosso perdão, fundamentado no amor e embebido no sangue do Senhor deve ir além da justiça humana e muito, muito além das satisfações que nosso coração possa exigir. Desenvolver o senso de justiça sem perdão não adianta. A justiça é apanágio da acolhida e do perdão. Caros Irmãos, A segunda Leitura(cf. Rm 13,8-10 nos ensina que Paulo, nas suas exortações resume a prática da vida cristã não ficar devendo nada aos outros senão a caridade, que é sempre insuficiente. O amor é o pleno cumprimento da Lei. Na sua justiça, Deus dá a todos o que precisam: fundamentalmente, seu amor de Pai. Nós, para sermos justos, devemos também dar-nos mutuamente este dom, embora sempre ficaremos devendo. Toda a justiça está incluída nisso. Pois a caridade é o resumo de tudo. Vamos nesta semana refletir e colocar em prática a caridade que é o resumo da liturgia de hoje. Se nos esforçamos pela caridade salvamos automaticamente todas as outras obrigações: “O amor é pleno cumprimento da lei” (cf. Rm 23,8-10). O verdadeiro amor não deixa as pessoas como são, com seus defeitos e as suas limitações. Amar um irmão significa ajudá-lo a crescer em todos os níveis, querer concretamente a sua libertação, daquilo que é defeituoso e mau, lutar por sua plena humanização. Corrigir é a grande obra de amor. Na correção fraterna o cristão faz largo uso do encorajamento. Corrigir o irmão para os caminhos de Deus é uma das maiores facetas da caridade.

 

CORREÇÃO FRATERNA NO SENHOR
Por Dom Emanuele Bargellini, Prior do Mosteiro da Transfiguração
23° DOMINGO DO TEMPO COMUM
Leituras: Ez 33, 7-9; Rm 13, 8-10; Mt 18, 15-20

“Se alguém está em Cristo, é nova criatura. Passaram-se as coisas antigas; eis que se faz realidade nova. Tudo isto vem de Deus que nos reconciliou consigo por meio de Cristo” (2 Cor 5, 17). Talvez poucas outras afirmações de Paulo nos apresentem, em síntese tão clara, a novidade radical operada por Deus na pessoa que encontrou Cristo pela fé e pelo batismo. No centro da “nova criação”, inaugurada em Cristo, está o “homem novo”, criado no Espírito para uma vida nova de justiça e santidade. Este dinamismo novo marca desde já suas relações com Deus, com os irmãos e até com a própria criação, com a qual ele partilha o mesmo anseio à plena liberdade dos filhos e filhas de Deus. Com a páscoa de Jesus, teve início uma comunidade tão rica em humanidade que, pela novidade divina que a anima, pode-se chamar comunidade do Senhor. Ela recuperou o projeto original de Deus sobre a família humana, enquanto antecipa, como profecia, a plenitude do reino de Deus na regeneração escatológica Por enquanto, porém, ela caminha na história segundo a dinâmica divina da pequena semente, guardando em si mesma a energia de uma vitalidade que não se pode conter, revestida de fragilidade e exposta a toda sorte de adversidade: como o Verbo de Deus que escolheu ficar entre nós na fragilidade da carne. O Apóstolo, com a mesma clareza, acrescenta: “Em nome de Cristo suplicamo-vos: reconciliai-vos com Deus… Eis agora o tempo favorável, por excelência. Eis agora o dia da salvação” (2 Cor 5, 20. 6,2). O dom de Deus se torna chamado a assumir uma colaboração responsável com a graça do Senhor, junto com a sua renovada oferta de perdão e reconciliação. Fragilidade e graça, ofensa e reconciliação, pecado e perdão: ações humanas e dons recebidos de Deus, que partilhados entre irmãos e irmãs constituem a “veste cotidiana” do discípulo e da comunidade, enquanto eles se empenham em realizar a vocação de despojar-se do homem velho e revestir-se plenamente do homem novo em Cristo (cf Ef 4,24). Como lidar com estas potencialidades de renovação pascal tão radical, e, por outro lado, com estas contradições, evidenciadas pela experiência cotidiana, além de toda tentativa de mascará-las? Mateus oferece à comunidade do seu tempo, assim como à nossa, um conjunto de exortações de Jesus sobre a vida da comunidade, que tem como ponto de referência os anúncios da sua paixão e ressurreição e o evento da sua transfiguração. Isso é, indica a própria pessoa de Jesus e seu mistério pascal. O batismo mergulhou o discípulo no dinamismo pascal de Jesus. Desta participação lhe derivam a energia e os critérios capazes de inspirar sua conduta. Os critérios para uma correta relação com o Pai e com os irmãos, a construir cada dia em maneira sempre nova, são os do próprio Jesus: total dedicação ao Pai e aos irmãos no amor, e no perdão sem limite. Estes critérios, no evangelho de hoje assumem a forma da correção fraterna, atenta e generosa, e no trecho que será proclamado domingo próximo (Mt 20, 21-35), se exprimirão no perdão recebido por Deus e partilhado entre os irmãos. A comunidade se torna o lugar onde se pode experimentar e testemunhar a energia criadora da páscoa, comunidade frágil, mas animada e partícipe da mesma santidade de Deus. Com humildade e renovada confiança, em cada eucaristia, celebração memorial da páscoa, a Igreja com verdade reza: “E a nós, que somos povo santo e pecador, dai força para construirmos juntos o vosso reino que também é nosso” (Oração Eucarística V). A pedagogia sugerida por Jesus para os irmãos sustentarem-se uns aos outros e corrigirem-se entre si, quando um venha a falhar contra o outro, é a mesma que ele usa com os pequenos, os marginalizados, os pecadores. Jesus vai à procura deles. Como o bom pastor que deixa nos montes as noventa e nove ovelhas para procurar aquela desgarrada (Mt 18, 12-14): assim nos lembra a pequena parábola que precede imediatamente o texto do evangelho sobre a correção fraterna. Jesus não espera que sejam aqueles que se desviaram a fazer o primeiro passo, depois de terem-se “convertido”. Ao invés os atrai a si com sua iniciativa e os transforma. No centro da pedagogia de Jesus não se encontra a legítima preocupação de restabelecer a justiça da lei violada, nem a necessária salvaguarda da mesma comunidade, que também merecem atenção (cf 1 Cor 5, 2-13; 2 Ts 3, 6). Quem escandaliza um dos pequeninos, amados pelo Pai, merece a mais dura condenação (cf Mt 18,6). Todavia no centro da atenção e da ação de Jesus está sempre a pessoa, o cuidado para ajudá-la a tomar consciência do seu desvio do caminho da vida, e a voltar para o caminho certo. Os gestos a serem assumidos por parte da pessoa ofendida, ou pela própria comunidade no seu conjunto, são gestos despojados de toda aparência de poder e de vingança, cheios, pelo contrário, de ternura persistente e apaixonada pelo irmão que falha. Os passos indicados para a correção, feitos por graus, que vão desde o dialogo a sós com o irmão, ao encontro com ele estendido à participação de algumas testemunhas, e enfim à comunidade, não descrevem somente um correto procedimento jurídico. Eles dizem respeito à progressiva aproximação a ser feita ao coração desnorteado do irmão, para carregar sobre si o peso dele, como o bom pastor põe sobre seus ombros a ovelha reencontrada e faz festa (cf Lc 15, 8-10), a fim de fazer perceber ao irmão o amor do Pai, que não desiste nem diante das resistências do filho perdido (cf Lc 15, 11-32). A correção fraterna, exercitada no estilo de Deus e de Jesus, é a maneira de atuar do próprio Deus na comunidade, e a maneira em que a comunidade vive e testemunha o reino de Deus entre os homens. Por isso, quem, consciente dos próprios limites, pretende ajudar o irmão que está errando, deve procurar a ajuda da comunidade inteira. Diante da resistência a qualquer solicitação fraterna, a ele não resta que assumir a mesma atitude de Jesus, em relação aos pecadores: redobrar a dedicação e entregar o irmão ao amor de Deus, que só conhece os mistérios do coração do homem e pode renová-lo. É verdadeiramente extraordinária a perspectiva indicada por Jesus que coloca em oração a comunidade, como seu esforço extremo e mais eficaz para ajudar o irmão! A estas condições, a sofrida tomada de distância do irmão (Mt 20, 17) assume seu verdadeiro caráter de último remédio. Assume a forma do gesto da mão estendida, que procura a solidariedade de todos os irmãos, enquanto o entregam ao Pai. A oração da comunidade se torna divinamente eficaz, enquanto nasce da caridade. O que exprime caridade realiza plenamente o projeto de Deus, em sintonia entre céu e terra (Mt 18, 18 -20). O estilo de Jesus é tremendamente desafiador! Hoje em dia, diante das fraquezas cotidianas presentes nas comunidades cristãs, não falta quem faça apelo para uma mais rigorosa e estreita aplicação da disciplina canônica, como primeiro instrumento a ser usado para corrigir os que falham, dissuadir outras faltas, e como critério para marcar mais claramente quem pertence e que não pertence à Igreja. Razões para despertar, e até revoltar, a consciência comum e de cada um de nós diante dos enfraquecimentos da fé e da falta de coerência nos comportamentos com certeza não faltam. Seria suficiente pensar aos graves abusos contra as crianças, também por parte do clero, denunciados nos últimos anos. O apelo, porém, à mais rígida aplicação da disciplina canônica para enfrentar os problemas existentes na comunidade cristã seria uma tentação e uma fuga da realidade, se a situação não nos interpelasse, antes de tudo, para uma renovada tomada de consciência da exigência de fundamentar melhor no evangelho e na experiência da iniciação cristã o caminho espiritual das pessoas e a praxe pastoral das comunidades. A comunidade não é a soma de um certo número de habitantes da paróquia, a gerenciar como um todo, mas o conjunto de pessoas individuais, cada uma em busca do cuidado do Pai e da atenção à sua situação peculiar por parte dos pastores e de cada um de nós. O descuido recíproco entre as ovelhas é condenado pelo profeta com palavras fortes, assim como o descuido dos pastores em relação às ovelhas (Ez. 34, 17-22). Para enxergar razoavelmente no olho do irmão o cisco, é preciso antes cuidar que não se encontre uma trave no próprio! (Mt 7,3-5). O apóstolo destaca que os critérios apropriados para construir relações certas dentro da comunidade, assim como na sociedade civil, são os indicados por Jesus ao mestre da Lei (cf. Mt 22, 34-40). “Não fiqueis devendo nada a ninguém, a não ser o amor mútuo, pois quem ama o próximo está cumprindo a lei… Os mandamentos… se resumem neste: ‘Amarás ao teu próximo, como a ti mesmo’. Portanto, o amor é cumprimento perfeito da lei” (2ª leitura – Rm 13, 8. 10). Os pastores receberam do Senhor a tarefa de vigiar em favor dos irmãos como sentinela, que vigia sobre a segurança da cidade e antecipa o alvorecer do novo dia, dando esperança aos que ficam sob o peso da noite. A missão do profeta, assim como de todos os chamados a colaborar com o Senhor, é antes de tudo ficar atentos à Palavra do próprio Senhor, para tornar-se seu fiel porta-voz “Logo que ouvires alguma palavra de minha boca, tu os deves advertir em meu nome” (Ez 33,7). A vida ou a morte do irmão podem depender da atenção ao Senhor e da coragem para transmitir sua palavra. Por isso a grave responsabilidade do profeta/pastor (1ª leitura – Ez 33, 8-9). É preciso sublinhar que a missão do pastor não é simplesmente guardar a boa ordem na comunidade, mas servir à palavra do Senhor. Por isso é a ele que será chamado a responder antes de tudo. Na comunidade dos discípulos, a autoridade é sempre reconduzida à sua verdadeira origem e finalidade: servir ao Senhor e aos irmãos, para que estes possam realizar sua verdadeira relação com o Senhor, na obediência da fé e na liberdade do amor. São Bento, na Regra para os monges, atribui muita relevância à autoridade do abade, guia e animador da comunidade, que ele convida a reconhecer em espírito de fé como aquele que no Mosteiro desempenha o papel de Cristo (Regra dos monges, indicada com a sigla RB,  c. 2, 1-2).  Ao longo da Regra, enquanto evidencia sua responsabilidade e autoridade, sublinha constantemente o fato que de toda sua decisão, o abade, assim como qualquer outro irmão em autoridade, há de dar conta a Deus. Pela correção dos irmãos que erram, São Bento prescreve (RB, c. 23-25) exatamente os passos de cuidado fraternal e paterno, indicados por Jesus no evangelho de hoje. Encontramos também um último toque, que bem evidencia o caráter evangélico da comunidade monástica e da autoridade. Se, depois de ter exercitado com diligência e amor, as artes do sábio médico e os cuidados do bom pastor (RB c. 27), o abade não conseguir algum resultado, “e ver que nada obtém com sua indústria, aplique então o que é maior: a sua oração e a de todos os irmãos por ele, para que o Senhor, que tudo pode, opere a salvação do irmão enfermo” (RB c. 28, 5). Quando a atenção ao irmão se faz plena, a correção cuidadosa se torna antecipação ao doar-se um ao outro a honra do amor fraternal, e a obediência recíproca que precede até os desejos (RB 73). A comunidade cristã: é uma comunidade não de perfeitos, mas de irmãos e irmãs que se ajudam reciprocamente a seguir o Senhor, com o mesmo coração do Pai e o mesmo estilo solidário de Jesus. Domingo próximo, iremos contemplar que esta comunidade não é somente o lugar onde a solidariedade se faz cuidado e correção fraterna, mas também lugar do perdão, recebido de Deus e generosamente partilhado uns com os outros.

Bíblia muda rumo na vida de jovem após falecimento da mãe

Segunda-feira, 02 de setembro de 2013, André Alves / Da Redação

Kaique Duarte é universitário e mora em Teófilo Otoni, Minas Gerais.

Os cristãos consideram a Bíblia um livro sagrado, a Palavra de Deus para a humanidade. O jovem católico, Kaique Duarte também acredita nesta verdade e busca um contato diário com a Sagrada Escritura, utilizando-a como orientação para sua vida.

Segundo Kaique, a Bíblia, celebrada pela Igreja neste mês de setembro, é um caminho para o encontro com Deus em meio à pluralidade de opções do cotidiano. “Hoje com tanta coisa pra ler, assistir e fazer, a Bíblia se torna um ponto culminante de encontro verdadeiro com Jesus, é a oportunidade que tenho de aprender com Ele um pouco mais todos os dias”, afirmou o jovem de 19 anos, residente em Teófilo Otoni (MG).

Estudante de Ciência e Tecnologia, Kaique faz o estudo bíblico todos os dias e busca levar os ensinamentos de Cristo para as situações do dia a dia. Na leitura da Bíblia afirma ouvir a voz de Deus e buscar os nortes para sua vida pessoal. Segundo ele, nenhuma decisão é tomada sem antes recorrer à Palavra de Deus.

De fato, Kaique relata como a leitura bíblica influenciou suas decisões em um momento marcante da sua história: a perda da mãe, em 2011. No mesmo período, ele começaria a cursar Medicina na Universidade Federal de Minas Gerais. O jovem já havia perdido o pai anos antes, ficando somente com uma irmã. Diante disso, precisou escolher entre estudar ou cuidar da irmã. “Eu me vi em meio a uma decisão complexa e que mudaria os rumos da minha vida”, recordou.

A decisão

Em meio à dúvida, Kaique procurou direção na Bíblia. “Foi quando Deus falou comigo por meio da passagem de Eclesiastes, capítulo 3, que afirma haver um tempo para tudo. Senti Deus me dizendo que não deveria ser impaciente e soubesse esperar o tempo certo. Desde então, optei por não fazer o curso e ficar em minha cidade. Tenho trabalhado muito o meu relacionamento com a minha irmã, e creio que se eu tivesse saído da cidade para cursar medicina, nem mesmo teria chegado onde estou hoje”, disse o jovem, convicto.

A certeza de que esta palavra se tratava de uma inspiração divina veio por um discernimento espiritual. “A palavra confortou meu coração”, afirmou. “Era algo que eu já sentia e se confirmou na leitura dela. Eu realmente poderia ter ido embora, até mesmo para mudar de ambiente e mascarar a dor da perda, mas a partir dessa palavra eu escolhi o desafio de ficar e encarar para que minha dor não virasse um ‘fantasma’ que pudesse me escravizar e me atormentar”.

Diante disso, kaique explica que preferiu dar atenção a essa inspiração interior a tomar uma decisão racional e evitar um possível erro. “Eu posso tomar as decisões por mim mesmo sem refletir ou orar, sou livre pra fazer isso, porém não é conveniente que eu faça, porque as minhas vontades são falhas e egoístas mesmo sem que eu perceba”, salientou.

O jovem, empenhado nos trabalhos de evangelização da Igreja, terminou o Ensino Médio em 2011; prestou vestibular e passou em três Universidades renomadas do país: Universidade Federal de Minas Gerais, Universidade de Viçosa (MG) e Universidade Federal de São Paulo. Ambas para o curso de medicina. Após a escolha por ficar próximo à irmã, Kaique optou por cursar uma faculdade de Ciências e Tecnologia, na Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha, em Teófilo Otoni.

Para Kaique, ser um jovem contemporâneo, que busca alimentar a vida com a Palavra de Deus (para alguns, “ultrapassada”), representa um grande desafio, porém, viável e satisfatório, segundo ele. E testemunha que aquele que “busca conhecer a Palavra e praticá-la é muito mais feliz do que se vivesse nos padrões do mundo”.

“Os tempos mudam é claro, porém, os ensinamentos de Jesus são imutáveis, e é perfeitamente possível vivê-los atualmente, não burlando aquilo que a Palavra diz, mas atualizando-a em minha vida, não de acordo com a minha conveniência, mas de acordo com o desejo pela santidade”, reforçou.

A interpretação dos textos bíblicos

Não “burlar” aquilo que a Bíblia diz significa para Kaique interpretá-la segundo o Magistério da Igreja Católica, ou seja, segundo o discernimento dos Papas e bispos. Para evitar possíveis interpretações distorcidas, o jovem explica como procura entender o que está nos textos bíblicos.

“Existem pontos na Sagrada Escritura que são metáforas, mas mesmo assim o ensinamento transmitido por meio delas é muito grande e essencial. É difícil saber aquilo que é ou não linguagem metafórica, por isso que eu sou muito cauteloso na hora de interpretar pontos que me deixam com uma ‘pulga atrás da orelha’. Às vezes, não tem jeito, tenho que recorrer a um Padre para saber interpretar de maneira correta aquela parte”, disse.

Outro recurso utilizado por ele é o Catecismo da Igreja que apresenta a doutrina católica, assim como, a interpretação bíblica a partir da “Sagrada Tradição”, do Magistério, dos dados bíblicos contextualizados na cultura e história da época.

Vocação, dom gratuito de Deus

Discernimento

Toda vocação nos remete a uma experiência de felicidade

Vocação é um dom gratuito de Deus e nós precisamos entendê-lo muito bem. A primeira vocação que recebemos é a vida; a segunda é o chamado à santidade que todo cristão recebe de Deus. Depois, existem as vocações específicas, pessoas que são vocacionadas para a medicina, outras para o direito etc. Mas existe também a vocação cristã. É o caso da vocação ao matrimônio, à vida religiosa, ao sacerdócio, ou seja, é Deus quem nos inspira; é Ele quem nos vocaciona e coloca em nós essa iniciativa.

Algumas pessoas vão discernir que a vocação delas vai ser só a do batismo e não vão se casar; outras, vão ver que não são vocacionados a uma comunidade, à vida religiosa ou ao sacerdócio. O importante é descobrir a felicidade, porque a vocação nos remete a uma experiência de felicidade.

Para a vocação religiosa, por exemplo, é fundamental estar em Deus e ver os caminhos pelos quais Ele nos leva. Para discernir uma vocação como o matrimônio, a vida ao sacerdócio ou a uma comunidade é sempre bom ter um diretor espiritual que o acompanhe, é bom fazer uma leitura de sua história e ver para onde Deus o chama, onde Ele o encaixa.

Vocação, dom gratuito de Deus  Já vocação profissional é aquela dinâmica de saber com o que nos identificamos. É uma identificação pessoal.

São vários os sinais. Na vocação religiosa, por exemplo, nós vamos percebendo cada um deles. Eu nunca me imaginei padre, não nasci sonhando que ia ser um sacerdote, não me imaginava celebrando a vida quando era criança, nunca fui coroinha. Mas, com o decorrer do tempo, eu fui me observando, vendo essas aptidões e percebendo que Deus estava me encaminhando à vocação sacerdotal, porque eu ia rezar e me vinha uma Palavra na Bíblia que me indicava essa vocação. Eu ia para a Santa Missa e me via celebrando no lugar do padre. Isso foi algo muito novo para mim, porque não era uma vontade do meu coração. A vontade que eu tinha era a de constituir uma família, mas Deus foi me convencendo a ser padre. Então, é a partir dessa experiência com o Senhor que vai se revelando a nós aquilo que é o nosso chamado.

Deus não nos obriga a nada. Ele não me obrigou a ser padre, Ele me chamou, esperou pela minha resposta e eu a dei livremente; mas poderia ter dito ‘não’. Um exemplo: eu sinto um chamado vocacional ao sacerdócio, mas vou casar. Eu não estaria pecando, não nesse mérito de pecado. Talvez, eu cometesse um pecado contra mim, porque se eu não der uma resposta positiva e não caminhar onde Deus me quer, eu posso não ser plenamente feliz como eu seria se respondesse ao Senhor. Mas eu não acho que isso entre em mérito de pecado, mas sim de liberdade. Deus não nos deu o livre-arbítrio? Eu o tenho para dizer ‘sim’ ou ‘não’ para o Senhor.

Às vezes, pai e mãe sonham que o filho será padre e ficam pressionado-o; ele se torna sacerdote, mas essa não é a vocação dele. O mesmo acontece quando o pai é médico e quer que seu filho também o seja, mas o jovem não quer, e acaba sendo infeliz ao seguir o desejo do pai.

Também pode acontecer a forma negativa, ou seja, o filho quer ser padre, mas os pais querem impedi-lo de seguir sua vocação. Geralmente, aquele que tem um chamado vai em frente, independentemente do apoio da família. É claro que, se essa pessoa foi chamada, mas se deixa influenciar pela voz dos familiares, corre o risco de não se sentir realizado. O importante é discernir o que Deus quer para nós; discernindo isso, vamos nos encontrar com Ele e ser felizes.

Eu, com um ano de caminhada com Deus, comecei a frequentar a Santa Missa diariamente e a me apaixonar pelo altar e pela Palavra. Eu via o padre celebrando e pregando, e a minha vontade era de estar no lugar dele, mas eu achava que aquilo era “coisa da minha cabeça”. Eu ia rezar, abria a Palavra e vinha-me a vocação do profeta: “Eu não sei falar, sou apenas uma criança” (Jr 1,6). Rezando, eu abria a Palavra no Salmo: “Mas que poderei retribuir ao Senhor por tudo o que Ele me tem dado? Erguerei o cálice da salvação, invocando o nome do Senhor” (Sl 115,3). Ou, então: “Tu és sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque” (Sl 109,4). E eu pensava: “Isso tudo é coisa da minha cabeça”.

Procurei o padre da minha paróquia para me ajudar a discernir. Falei para ele todas as coisas erradas que eu tinha feito na minha vida, pois queria que ele me dissesse: “Não, essa não é a sua vocação”. Mas, pelo contrário, ele me mostrou que eu poderia ser, realmente, um padre, mesmo tendo o passado obscuro que eu tive. No entanto, eu lhe disse: “Olhe, padre, o senhor me desculpa, mas eu não quero ser padre”. “Tudo bem, disse ele, então arruma uma namorada, viva um namoro santo como você nunca viveu antes”.

Eu saí de lá liberto, achando que eu tinha encontrado ali a resposta, mas fui percebendo, no dia-a-dia, que não era o matrimônio a minha vocação. Eu namorei e não me preenchi. A partir daí, procurei o padre e disse que queria ser acompanhado dentro da dinâmica do sacerdócio. Então, fui descobrindo que, realmente, a minha felicidade estava na vocação sacerdotal.

Padre Roger Luís
Missionário da Canção Nova

Sacerdote, o procurador da misericórdia de Deus

Confissão, ato em que você se acusa, mas não é condenado

Quem é que nunca ouviu alguém dizer: “Eu não vou me confessar com um homem, um pecador. Jamais!” Além dessas pessoas, existem outras que não se confessam por vergonha; outras, porque acham que não precisam. Enfim, os motivos são muitos, mas, de todos os motivos, o mais grave ou, talvez, que faça parte de todos os outros é a falta de conhecimento. O que você acha de conhecer a real importância da confissão?

Todo ser humano tem necessidade de compartilhar com outro sobre algo que está vivendo, sobretudo se é algo difícil, um erro, por exemplo. Já percebeu que quando você faz alguma coisa errada, sempre há alguém (às vezes a própria pessoa que praticou o erro com você) que você procura e lhe pede: “Não conta para ninguém”. Então, você fala tudo para essa pessoa. Não é verdade que, muitas vezes, depois de conversar, você se sente um pouco mais leve? É mais ou menos assim que acontece com a confissão, mas com algumas vantagens a mais.

A primeira vantagem da confissão é que você não precisa pedir sigilo ao padre, porque este não pode falar nada a ninguém, não importa o que aconteça. Segundo: quando você fala com uma pessoa qualquer, ainda continua com uma grande culpa pesando sobre você, mas quando você se confessa com o padre, na verdade, está se confessando com Jesus.

O sacerdote, no momento da confissão, é como um procurador. Quando alguém está doente e não pode ir ao banco nem resolver situações jurídicas, este faz uma procuração, e o procurador pode agir civilmente em nome do enfermo. Assim também é o sacerdote. Não importa se a pessoa que está com a procuração tem dinheiro no banco, o que importa mesmo é se quem fez a procuração tem dinheiro no banco; e para nós quem fez a procuração foi Jesus, e Este é riquíssimo em santidade e misericórdia; portanto, pecado confessado, com arrependimento no coração, é pecado perdoado. Além do mais, o Senhor mesmo nos disse para procurarmos os padres e a Igreja, a fim de nos confessarmos (cf. Jo 20,23).

Como dizia o nosso saudoso padre Léo: “Quem se confessa é absolvido, e quem não se confessa é absorvido”. Não seja mais absorvido pelo mal, pelo passado, pelos pecados; não espere a santidade do padre para se confessar, pois, por mais santo que ele possa ser, nunca poderá ter o poder por ele mesmo para perdoar você. O sacerdote é constituído e querido por Jesus, é o “procurador”, aquele quem tem a procuração da Misericórdia de Deus. Procure o padre, não tenha vergonha ou medo, pois a confissão é o ato por meio do qual você se acusa, mas não é acusado; expõe-se, mas não é exposto; pelas palavras, condena, mas não é condenado. Entra como réu confesso e sai absolvido pelo procurador da misericórdia do Senhor.

Pe. Sóstenes Vieira

Transcendência Divina

Quatro pontos que caracterizam a História da Igreja

Percorrendo as vicissitudes históricas da Santa Igreja, apontamos as linhas gerais do governo de Deus. São quatro os pontos que melhor caracterizam a História da Igreja e manifestam a sua transcendência divina.

1- Invicta estabilidade. É uma lei inexorável que todas as coisas tendem para a sua decomposição. Este princípio é aplicado por Santo Agostinho à história com a profundidade e poder do seu gênio. Nota que qualquer instituição conhece três períodos: o início, ao qual sucede quase sempre um triunfo relativo, e depois a decadência até a extinção. E aduz, como exemplos, os grandes impérios da Babilônia, da Pérsia, da Macedônia. Também o intelectual Jacques-Bénigne Bossuet na História Universal, e o erudito Henri Lacordaire, na Conferência sobre as Leis da História, põem em evidência essa verdade.

De fato, nenhuma instituição humana resistiu à erosão do tempo: empresas industriais, comerciais e econômicas, associações filantrópicas, artísticas, literárias, poderosas famílias aristocráticas, cidades, ditaduras implacáveis, monarquias absolutistas, reinos e impérios, tudo acabou no rápido turbilhão dos anos.

Mas, há uma instituição que resistiu às provas mais difíceis e renova continuamente a sua perene juventude: a Igreja Católica de Cristo. Depois de vinte séculos de existência, mantém os mesmos elementos essenciais, a mesma hierarquia, o mesmo Credo, os mesmos sacramentos, o mesmo sacrifício. As mudanças efetuadas são simplesmente acidentais. Como se explica tão poderosa vitalidade? Muito mais se pensarmos na guerra encarniçada que sempre teve de suportar.

Quantas vezes foi anunciado o seu fim! Plínio, no tempo de Trajano, escrevia: “Dentro em breve, a Igreja desaparecerá”. Mais tarde, Juliano apóstata gloriava-se de ter preparado “o caixão para o Carpinteiro de Nazaré”. Martinho Lutero, reformador alemão e inimigo de Roma, lançava o grito: “Ó Papa, eu serei a tua morte”. Também Voltaire afirmava que estava iminente o fim do Papado. Napoleão Bonaparte, à noticia da morte de Pio IV, exclamou: “Morreu o último Papa!”

E, contudo, o Papa e a Igreja continuam hoje mais vivos do que nunca. Nem se creia poder explicar o fenômeno afirmando que a Igreja encontrou caminho favorável para a sua expansão. Pelo contrário. Já vimos que nenhuma outra instituição teve tanto que sofrer como a Igreja. A única explicação conveniente é que a Igreja não é uma instituição humana. Como diz o Papa Francisco: “A Igreja não é uma ONG piedosa”. Teve origem na vontade de Deus e é sustentada pelo Pai celeste. Por isso, nem o diabo, nem o tempo, nem as vicissitudes humanas poderão destruí-la.

2- Unidade católica. Outro fenômeno singular é a unidade da Igreja de Cristo. Munida do magistério infalível e da autoridade suprema, goza duma ordem perfeita, donde deriva a indefectível coesão de todos os seus elementos. Tal unidade manifesta-se visivelmente na doutrina, no culto e no governo. Os mais diversos povos por origem, por ação, por língua, por caráter, por costumes e por civilização fazem parte da Igreja Católica Apostólica Romana. Apesar disso, todos professam o mesmo Credo, participam dos mesmos sacramentos, assistem ao mesmo sacrifício e praticam a mesma moral. E a unidade também aparece perfeita no governo. Em toda a parte a hierarquia é composta de párocos, sujeitos aos seus bispos e todos conjuntamente ao Papa. Essa unidade, glória e grandeza da Igreja Católica, é tanto mais admirável se a comparamos com as infinitas divisões das Igrejas dissidentes, cada uma das quais tem uma doutrina, um culto e um governos próprios.

Existe na Igreja Romana, além da unidade, a catolicidade. Universal é a sua fisionomia e abrange, acima das divisões nacionalistas e raciais, povos de todas as cores e civilizações. Aqui está, em parte, o segredo da sua força expansionista. Não tem preconceitos que a impeçam ou barreiras que a detenham no seu caminho. A sua missão é a plena obediência ao Seu Senhor de anunciar o Seu Santo Evangelho no mundo inteiro.

Nos três primeiros séculos, embora no seio das mais tremendas dificuldades, conquista a maior parte do mundo greco-romano. Depois, expande-se por toda a Europa. Descobertas novas terras pelos navegadores e exploradores intrépidos, espalha os seus valentes missionários por todos os cantos do mundo. Hoje, conta milhões de católicos na Ásia, na África, nas Américas e na Oceania e, enquanto os missionários pacientes, mas continuamente estendem o seu reino entre os cismáticos, muitos são os que voltam do cisma e do protestantismo para unidade católica.

3- Santidade admirável. Outra característica da Igreja de Cristo, refulgente ainda hoje de luz admirável, é a sua santidade. Santa é a doutrina da Igreja. Ela ensinou sempre as mais belas virtudes individuais e sociais: a caridade, a humildade, a justiça, o amor para com os inimigos. Deu à família uma vida nova, repudiando a poligamia, impondo a indissolubilidade do matrimônio, defendendo os direitos da mulher, da criança e do idoso.

No campo social, primeiro suavizou e, a seguir, trabalhou contra a escravatura, condenou sempre o despotismo absoluto, limitando as funções do Estado, inculcou aos súditos a submissão que não deriva do terror servil, mas da convicção religiosa de que toda a autoridade vem de Deus. Deus é amor e justiça, daí as autoridades têm que praticar esses valores para o bem comum.

Doutrina tão sublime não podia deixar de produzir frutos admiráveis de santidade, e eis que ao lado dos mártires que deram a vida com heroísmo sobre-humano para defender esta mesma doutrina, germinaram no seio da Igreja falanges escolhidas de virgens, de confessores, de eremitas, monges, frades e de apóstolos. Forjas de santidade souberam ser as famílias espirituais – as ordens religiosas – no seio das quais desabrocham os mais ilustres campeões do catolicismo.

Tal floração maravilhosa de santidade não impede que na Igreja Romana se tenham manifestado fraquezas. Não devemos exagerar como fazem os nossos adversários. A luz excede em muito as sombras e as próprias sombras contribuem para salientar mais a ação da assistência divina a uma instituição em que entra o elemento humano com as suas inevitáveis deficiências.

4- Fecundidade inesgotável. Com a santidade admirável está intimamente ligada a fecundidade prodigiosa que se manifesta, sobretudo na conservação do patrimônio de fé por intermédio das provas mais árduas e do pulular contínuo das mais diversas heresias.

A este propósito escreve o célebre historiador G. Kurtb, autor das “Origens das civilizações modernas”: “Sozinha no meio do turbilhão, que agitava os espíritos com todos os ventos de doutrina, a Igreja de Roma, semelhante a um farol sublime na noite tempestuosa, fez sempre brilhar a chama da ortodoxia. Sempre fez ouvir a voz da mais pura tradição apostólica. O apóstolo que tinha recebido a gloriosa missão de confirmar os seus irmãos na fé, não cessou de denunciar o erro e de proclamar a verdade e tal foi a vigor desta palavra invicta e invencível no meio de todas as revoluções dogmáticas que deteve todas as heresias e Roma sozinha salvou a unidade da sociedade cristã e a integridade da sua fé”.

E a Igreja aumenta e desenvolve esta fé assimilando, entretanto, tudo o que de verdade, de belo e de bom encontra nas outras doutrinas. Aos poucos e simples escritos dos tempos apostólicos seguem-se as grandes obras dos Santos Padres, as imensas coleções conciliares, as Sumas Teológicas. A mestra da fé tornou-se a mestra da ciência. Das escolas de Alexandrina e de Antioquia às Universidades medievais, aos Seminários, às faculdades filosóficas, teológicas, às universidades católicas, dos últimos tempos, é um gigantesco caminho percorrido pela Igreja no campo científico e da cultura em beneficio da civilização cristã.

Padre Inácio José do Vale
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Por que a Igreja Católica é Santa?

Alguns confundem os pecados dos “filhos da Igreja” com “pecados da Igreja”. É dogma de fé que a Igreja não tem pecado. O Papa Paulo VI disse no Credo do Povo de Deus, que ela é “indefectivelmente Santa”. Mas, por que ela é santa?

Em primeiro lugar porque é divina, Cristo é sua Cabeça e o Espírito Santo é sua alma. O seu único Fundador é santo: Jesus Cristo, o Verbo de Deus. Ele é a fonte de toda santidade, o “único santo”[LG, 39]. Todos os outros santos chegaram à santidade porque participaram da Sua Santidade. São Paulo disse aos efésios que Cristo santificou a Igreja – “se entregou por ela para santifica-la”. “Cristo amou a Igreja e se entregou por ela, para santificá-la, purificando-a pela água do batismo com a palavra, para apresentá-la a si mesmo toda gloriosa, sem mácula, sem ruga, sem qualquer outro defeito semelhante, mas santa e irrepreensível (Ef 5, 25-27).”

A Igreja é santa pelos meios de santificação que ela oferece: a graça santificante. Só quem é santa pode dar levar outros à santidade. O Papa João Paulo II disse que a Igreja existe para nos levar à santidade. É pelos Sacramentos, pela doutrina que está nos Evangelhos, pela Liturgia, etc., que a Igreja santifica. Paulo VI disse no seu Credo que ela “não possui outra vida senão a da graça”[n.19] a qual procede de seu Fundador. Por isso o nosso Catecismo afirma que: “A Igreja, unida a Cristo, é santificada por Ele; por Ele e n’Ele torna-se também santificante. Todas as obras da Igreja tendem, como seu fim, ‘à santificação dos homens em Cristo e à glorificação de Deus’. É na Igreja que está depositada ‘a plenitude dos meios de salvação’. É nela que ‘adquirimos a santidade pela graça de Deus’.”[n.824]

E a Igreja é santa também em seus membros: São Paulo chamava os cristãos de “santos”[ Cf. Rm 1,7; Rm 15,26; Rm 16,15; 1Cor 1,2; 2Cor 1,1; Ef 1,1; Fl 1,1; 1Te 5,27; Hb 3,1.]. Todo cristão que está em estado de graça assemelha-se a Cristo, e vive a santidade. E a Igreja já canonizou mais de vinte mil santos; mesmo em nossos tempos de tanto paganismo e pecado, a Igreja continua canonizando santos: João Paulo II, João XIII, José de Anchieta, Padre Pio, Madre Paulina, Santa Faustina, Edith Sthein… Continuamente o Papa proclama novos beatos e santos. Essas pessoas são o reflexo da santidade da Igreja. Ela os levou à santidade.

A santa por excelência, Santíssima, foi a Virgem Maria, isenta de toda culpa do pecado original e de toda culpa pessoal. Nela, diz o Catecismo da Igreja,  “a Igreja já atingiu a perfeição, pela qual existe sem mácula e sem ruga, nela, a Igreja é já a toda santa”[n.829]. Além de Imaculada, ela é Virgem Perpétua e Assunta ao céu de corpo e alma, porque é a Santa Mãe de Deus (Aghios Theotókos).

Ao fundar a Igreja Jesus já sabia que nela haveria pecadores como Judas. Ele comparou sua Igreja à “rede que apanha maus e bons peixes” (cf Mt 13, 47-50); ao joio no meio do trigo (cf Mt 13, 24-30); à festa de casamento onde há convidados  sem a veste nupcial (cf Mt 22, 11-14)”.

A Igreja é santa porque é a única Instituição terrena que tem uma dimensão divina. Sua substância [=natureza, essência] permanece pura. Os homens  podem pecar, mas a Igreja não.

Prof. Felipe Aquino

Van Thuan: um homem de esperança que amava os seus perseguidores

OS CINCO DEFEITOS DE JESUS
O Cardeal vietnamita Francisco Xavier Nguyen Van Thuan declara-se apaixonado pelos defeitos de Jesus e os descreve no livro “Testemunhas da Esperança”:

PRIMEIRO DEFEITO: JESUS NÃO TEM MEMÓRIA
No calvário, no auge da indescritível agonia, Jesus ouve a voz do ladrão à sua direita: “Jesus, lembra-te de mim quando estiveres em teu reino” (Lc 23, 43). Se fosse eu, teria respondido: “Não vou esquecê-lo, mas seus crimes devem ser pagos por longos anos no purgatório”. No entanto, Jesus respondeu-lhe: “… hoje estarás comigo no Paraíso” (Lc 23, 43). Jesus esqueceu todos os crimes desse homem.
Semelhante atitude Jesus teve com a pecadora que banhou os seus pés com perfume… Não faz nenhuma pergunta sobre seu escandaloso passado. Simplesmente diz: “Seus inúmeros pecados estão perdoados, porque muito amor demonstrou” (Lc 7, 47)…
A memória de Jesus não é igual à minha…

SEGUNDO DEFEITO: JESUS NÃO “SABE” MATEMÁTICA
Se Jesus tivesse se submetido a um exame de matemática, por certo teria sido reprovado… “Um pastor tinha 100 ovelhas. Uma se extravia. Ele, imediatamente, deixa as 99 no redil e vai em busca da desgarrada. Reencontra-a, coloca-a no ombro e volta feliz” (cf. Lc 15, 4-7).
Para Jesus, uma pessoa tem o mesmo valor de noventa e nove e, talvez, até mais. Quem aceita tal procedimento? Sua misericórdia se estende de geração em geração…

TERCEIRO DEFEITO: JESUS DESCONHECE A LÓGICA
Uma mulher possuía 10 dracmas. Perdeu uma. Acende a lâmpada; varre a casa… procura até encontrá-la. Quando a encontra convida suas amigas para partilhar sua alegria pelo reencontro da dracma… (Lc 15, 8-10)… de fato, não tem lógica fazer festa por uma dracma… O coração tem motivações que a razão desconhece… Jesus deu uma pista: “Eu vos digo que haverá mais alegria diante dos anjos de Deus por um só pecador que se converte…” (Lc 15, 10).

QUARTO DEFEITO: JESUS É AVENTUREIRO
Executivos, pessoas encarregadas do “marketing das empresas”, levam em suas pastas projetos, planos cuidadosamente elaborados… Em todas as instituições, organizações civis ou religiosas não faltam programas prioritários; objetivos, estratégias…
Nada semelhante acontece com Jesus. Humanamente analisando, seu projeto está destinado ao fracasso.
Aos apóstolos, que deixaram tudo para segui-lo, não garante sustento material, casa para morar, somente partilhar do seu estilo de vida. A um desejoso de unir-se aos seus, responde: “As raposas têm tocas e as aves do céu ninhos, mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça” (Mt 8, 20)…
Os doze confiaram neste aventureiro. Milhões e milhões de outros igualmente. Já vão lá mais de dois mil anos e a incalculável multidão de seguidores continua a peregrinar. Galerias enormes de santos e santas, bem-aventurados, heróis e heroínas da aventura. No Universo inteiro esta abençoada romaria continua… Vai que este aventureiro tem razão…? Neste caso, a mais fantástica viagem na “contramão” da história será a verdadeira…! “A quem iremos?”…

QUINTO DEFEITO: JESUS NÃO ENTENDE DE FINANÇAS NEM ECONOMIA
Se Jesus fosse o administrador da empresa, da comunidade, a falência seria uma questão de dias. Como entender um administrador que paga o mesmo salário a quem inicia o trabalho cedo e a outro que só trabalha uma hora? Um descuido? Jesus errou a conta?…
Por que Jesus tem esses defeitos? Porque é o Deus da Misericórdia e Amor Encarnado. Deus Amor (cf. 1Jo 4, 16). Portanto, não um amor racional, calculista, que condiciona, recorda ofensas recebidas. Mas um amor doação, serviço, misericórdia, perdão, compreensão, acolhida… Em que medida? Infinita.
Os defeitos de Jesus são o caminho da felicidade. Por isso, damos graças a Deus. Para alegria e esperança da humanidade, esses defeitos são incorrigíveis.

 

Entrevista com o postulador da causa de beatificação do cardeal vietnamita José Antonio Varela Vidal

ROMA, quarta-feira, 25 de julho de 2012 (ZENIT.org) – Falar do Servo de Deus François-Xavier Nguyen Van Thuan significa tratar de uma vida provada pelo sofrimento, pela injustiça e pelas três virtudes teologais: fé, esperança e caridade. Ele passou fome e frio e sofreu o desprezo da prisão. Foi vítima de um sistema totalitário e cego, que o prendeu sem acusação alguma, só porque era “perigoso”. Mas ele estava convencido de que tudo fazia parte do plano de Deus, esperava contra toda esperança e amava os seus perseguidores a ponto de alguns deles terem se convertido durante a época em que o cardeal ficou na prisão. ZENIT conversou com Waldery Hilgeman, postuladora do processo de beatificação.

De tudo o que aconteceu na vida do cardeal Van Thuan, o que a impacta mais?
Waldery Hilgeman: Ele é um personagem muito complexo, no sentido de que toda a vida dele foi como gotas contínuas de evangelho, uma chuva incessante de santidade, desde o início. Uma coisa que me impressiona em sua espiritualidade é a constância do amor ao próximo. Ele foi até preso, e, na cadeia, nunca deixou de amar aqueles que o perseguiam, desde os funcionários de mais alto grau do sistema até os carcereiros. Esse amor total de Cristo pelo inimigo, sem interesses pessoais, nos atinge com muita força ainda hoje, neste contexto social de tanto egoísmo.

De que exatamente ele foi acusado?
Waldery Hilgeman: O cardeal Van Thuan foi um prisioneiro sem culpa. Nunca houve uma acusação contra ele de verdade, assim como também nunca houve um julgamento, muito menos uma sentença. Então, dizer de que ele foi acusado é uma grande dificuldade até para nós. Há muitos fatores no ambiente social daquele período que indicam que esse bispo era “perigoso” para um sistema vazio, um sistema baseado em nada, como é o sistema comunista, mas ele nunca foi formalmente acusado de nada concreto.

A partir dos escritos do cardeal na prisão, qual era o seu espírito, a sua reflexão como prisioneiro?
Waldery Hilgeman: O pensamento mais frequente do cardeal desde o primeiro momento do cativeiro, que durou treze anos, era que Deus estava pedindo que ele desse tudo, que ele abandonasse tudo e vivesse para Deus. Ele sentiu, especialmente no primeiro período de prisão, algo muito forte: a obra de Deus é Deus. Já desde antes, como arcebispo coadjutor, Van Thuan vivia para a obra de Deus. E ele sentiu que, naquele cativeiro, Deus pedia que ele deixasse o trabalho e vivesse só para Ele.

Você deve ter lido muitas histórias e relatos de testemunhas oculares do período na prisão…
Waldery Hilgeman: A história mais bonita é a da conversão de um dos guardas. Vários daqueles guardas, responsáveis pelo acompanhamento dos presos, no final se converteram. O cardeal Van Thuan, com amor total por essas pessoas, mostrou o que é o amor de Cristo. Sem poder pregar, sem poder falar diretamente de Cristo com aquelas pessoas, ele conseguiu convertê-los ao longo do tempo com o seu exemplo de Cristo encarnado. Isto continua sendo muito peculiar.

Para o processo de beatificação, a Igreja conseguiu contatar esses guardas?
Waldery Hilgeman: O ambiente político torna muito difícil ter contato com essas pessoas. Eles não foram questionados durante o julgamento, mas, talvez de maneira muito excepcional, vamos colocar o depoimento deles nos documentos processuais, que reconstroem a vida e as virtudes heroicas do cardeal Van Thuan.

Depois da transferência para Roma, qual foi a principal contribuição do cardeal Van Thuan à Igreja, como chefe de dicastério do Vaticano?
Waldery Hilgeman: Na verdade, parece que Deus queria desde o início preparar o cardeal Van Thuan para o ministério na Cúria Romana e no serviço do papa e da Igreja. Porque, já como jovem bispo, ele tinha se concentrado muito no papel dos leigos na diocese dele e no maior envolvimento dos leigos na vida social vietnamita. Basta pensar que em poucos anos ele conseguiu dobrar o número de vocações: ele queria bons leigos a serviço da Igreja, que poderiam ser chamado por Cristo.

Ele também trabalhou no Pontifício Conselho para os Leigos…
Waldery Hilgeman: O cardeal Van Thuan sempre lutou pelo papel dos leigos no Vietnã, porque justificava a presença deles como testemunhas diretas de Cristo na vida política, social, no trabalho. Não foi à toa que ele foi um dos primeiros a serem chamados para o Pontifício Conselho para os Leigos, que ainda estava sendo criado. Apesar de viver a meio mundo de distância, a Santa Sé estava de olho desde o início no potencial desse homem.

Ele colaborou também no Conselho Justiça e Paz…
Waldery Hilgeman: Sim. Com a chegada dele a Roma, as coisas mudaram, porque o papel do Pontifício Conselho Justiça e Paz é de extrema sensibilidade no nosso contexto, porque ele monitora a economia, a justiça, a fome no mundo, a solidariedade, a paz, e assim por diante; ele abrange toda a doutrina social da Igreja. Um bispo que veio de um tecido social de extrema pobreza, como era o Vietnã, e que, além disso, tinha sido preso, viveu na própria pele o que é a injustiça no mundo pelo simples fato de ser cristão. Não há dúvidas de que Cristo o preparou muito bem para o ministério aqui em Roma.

Pode nos contar algo sobre o processo de beatificação?
Waldery Hilgeman: O processo é muito especial. E nós temos a sorte de que este processo está no Tribunal do Vicariato de Roma, que é um tribunal com grande experiência. É uma causa muito grande, de um personagem que viajou muito, que envolve fiéis e imigrantes que moram em todos os continentes. O trabalho é imenso. Desde que o processo começou, em outubro de 2010, na paróquia, até agora, nós já demos grandes passos, ouvimos cerca de 130 testemunhas, incluindo cardeais, bispos, sacerdotes, religiosos e leigos, toda a realidade da Igreja. Até o processo “viajou”, por assim dizer, já que nós fomos para a Austrália, onde ouvimos inúmeras testemunhas; nos Estados Unidos, onde uma proporção significativa da população é de imigrantes vietnamitas, também ouvimos muita gente. Fomos à Alemanha, onde encontramos muitos fiéis de países vizinhos, Holanda e Bélgica, e fomos também à França. Eu diria que estamos em um estágio bem avançado.

Há relatos de algum suposto milagre?
Waldery Hilgeman: Vários! Eu, como postuladora, juntamente com o Conselho Pontifício Justiça e Paz, que promove a causa, estou estudando com a ajuda de especialistas médicos qual seria a forma mais adequada de iniciar um processo sobre o milagre que poderia levar o cardeal à canonização.

Que mensagem você pode mandar para os muitos “devotos” do cardeal Van Thuan, que esperam vê-lo logo nos altares?
Waldery Hilgeman: Nos escritos e nos livros dele, existe um tema recorrente, que também aparece nos depoimentos que chegam ao tribunal: a esperança, não perder a esperançaem Deus. François-Xavier Nguyen Van Thuan vai ser o “santo da esperança”.
(Tradução:ZENIT)

Jejuar é não envergonhar-se da carne de Cristo

É dividir o pão com os esfomeados, tratar os doentes e idosos – o Papa em Santa Marta

‘Eu envergonho-me da carne do meu irmão ou da minha irmã?’ – esta a principal pergunta feita pelo Papa Francisco na Missa em Santa Marta nesta sexta-feira. O cristianismo – afirmou o Santo Padre – não é uma regra sem alma; um prontuário de observações formais para gente com o coração vazio de caridade. O cristianismo é a própria carne de Cristo que se inclina sem envergonhar-se sobre quem sofre. Tomando a Palavra do Evangelho do dia, proposta por S. Mateus, o Papa Francisco refere-se ao facto dos discípulos de Jesus não jejuarem e serem criticados pelos fariseus que, por sua vez, jejuavam muito. Tinham transformado os Mandamentos numa ética, numa formalidade – observou o Santo Padre:

“Receber do Senhor o amor de um Pai, receber do Senhor a identidade de um povo e depois transforma-la numa ética é recusar aquele dom de amor. Esta gente hipócrita são pessoas boas, fazem tudo aquilo que se deve fazer. Parecem boas!”

Segundo o Papa Francisco já o profeta Isaías na Primeira Leitura tinha deixado claro qual fosse o jejum na visão de Deus: ‘libertar os que foram presos injustamente, (…) pôr em liberdade os oprimidos, quebrar toda a espécie de opressão, repartir o teu pão com os esfomeados, dar abrigo aos infelizes sem casa’. E o jejum mais difícil apresentou-o Jesus na Parábola do Bom Samaritano – referiu o Papa – ter a capacidade de se inclinar sobre o homem ferido. E não esqueçamos que o sacerdote passa, olha mas não pára, se calhar com medo de contaminar-se – afirmou o Papa Francisco:

“Aquele é o jejum que quer o Senhor! Jejum que se preocupa da vida do irmão, que não se envergonha da carne do irmão – di-lo o próprio Isaías. A nossa perfeição, a nossa santidade vai para a frente com o nosso povo, no qual nós somos eleitos e inseridos. O nosso maior ato de santidade está na carne do irmão e na carne de Jesus Cristo. O ato de santidade hoje, nosso, aqui no altar, não é um jejum hipócrita: é não envergonharmo-nos da carne de Cristo que vem hoje aqui! É o mistério do Corpo e do Sangue de Cristo. É ir dividir o pão com o esfomeado, tratar os doentes, os idosos, aqueles que não podem dar-nos nada em troca: aquilo é não envergonhar-se da carne!”

“Quando eu dou a esmola, deixo cair a moeda sem tocar a mão? E se por acaso a toco, faço assim, de repente? Quando eu dou uma esmola olho nos olhos o meu irmão ou irmã? Quando eu sei que uma pessoa está doente vou visitá-la? Cumprimento-a com ternura? Há um sinal que talvez nos ajudará, é uma pergunta: sei acariciar os doentes, os idosos, as crianças, ou perdi o sentido da carícia? Estes hipócritas não sabiam acariciar! Tinham-se esquecido… Não envergonhar-se da carne do nosso irmão: é a nossa carne! Como nós fazemos com este irmão e com esta irmã, seremos julgados”.

A purificação do coração transformará o mundo

Seja extirpada a mentira do coração e da fala!

Da Igreja se diz que sempre pode ser reformada e renovada. Verdadeiras transformações são realizadas em seu seio, muito mais pela santidade de seus filhos do que por eventuais projetos de transformação, ainda que estes sejam necessários, na justa medida e no realismo de seus encaminhamentos. A santidade presente na Igreja é prova de que nela habita seu esposo, que a amou e se entregou por ela, para torná-la santa e perfeita. À santidade que é dom descido do Céu, pela ação do Espírito Santificador, derramado abundantemente em todas as épocas da história, deve corresponder o esforço humano, que se expressa na prática da virtude em todos os seus membros.

O povo de Deus recebeu, por intermédio de Moisés, a perfeição da lei (cf. Ex 20, 1-17ss). Um santo orgulho era cultivado por todos, por saberem ter, no decálogo, o que existe de melhor para toda a humanidade. No entanto, muitas vezes aqueles que tinham sido escolhidos com tamanha gratuidade e generosidade se tornaram um povo de cabeça dura, infiéis aos preceitos do Senhor, profanando a santidade com a qual tinham sido escolhidos. A este povo foram enviados continuamente os profetas, que anunciavam a misericórdia e o perdão e, ao mesmo tempo, denunciavam as falhas das sucessivas gerações. Nem sempre foram bem acolhidos, alguns morreram testemunhas da verdade, mas todos eles, quando verdadeiros profetas, iluminaram com sabedoria a prática religiosa.

Profeta é aquele que fala diante dos outros com clareza, ou aquele que põe à disposição de Deus a sua fala, para que o Senhor se dirija ao povo. Jesus, que é profeta e mais do que profeta, encontra pecadores e os perdoa, acolhe publicanos e prostitutas, cura as doenças do corpo e da alma. Seus gestos proféticos, como a purificação do templo (cf. Jo 2, 13-15), expressam o zelo amoroso e forte de Deus que O devora por dentro. O verdadeiro Templo, edificado por Deus e reedificado após a morte redentora em três dias, na ressurreição, é o próprio Cristo. Está agora presente em toda parte. Seu amor salvador é destinado a todos os homens e mulheres de todos os tempos. Dali para frente, Jesus atrai todas as gerações. O ponto de chegada, Nova Jerusalém, abre-se como espaço acolhedor, casa de oração para todos os povos, abraço amigo em que, começando dos mais distantes, todos podem ser recebidos.

Templo a ser purificado são também os corações e os corpos de todos os homens e mulheres que professam a fé. Deixando o Senhor entrar em suas casas e em suas almas, proclamem um tempo de conversão, deixem-se tocar pela palavra da penitência e se voltem de novo para Deus. Ressoe o pregão quaresmal incansavelmente em nossas ruas e casas!

Nossa geração precisa também ser purificada e acolher o convite a uma renovação de vida. O “chicote” da verdade, que fere e cura a ferida, é-nos de novo oferecido como dom. Quem se submete à Palavra de Deus entenderá a dureza da palavra da verdade, que ao mesmo tempo cauteriza todos os machucados. Caia o orgulho de Babel, terra da confusão, desmorone-se a grande Babilônia, cidade que quer se edificar sem Deus! Caiam e renasçam renovadas e purificadas as estruturas humanas construídas sobre os fundamentos do egoísmo. Sejam expulsos dos pátios dos templos e dos espaços abertos nos corações os negócios ilícitos. Seja extirpada a mentira do coração e da fala! A profanação do sagrado seja superada e a vida dos cristãos seja o desagravo por todo o desrespeito reinante. O descaso pela vida seja curado, a saúde se difunda sobre a terra!

Para chegar lá, a purificação dos templos e dos corações ilumine os passos de todos os cristãos, para que eles sejam fermento de novos valores nas estruturas do mundo. Superando o denuncismo fácil, sejam construtores e companheiros de tantas pessoas de boa vontade, para edificar juntos as desejadas estruturas diferentes na sociedade. Sejam eles próprios homens e mulheres de tamanha capacidade de relacionamento, que arrebanhem, mesmo no silêncio, multidões de pessoas.

O que não pode faltar, neste tempo da Quaresma, é o engajamento de todos no projeto de um mundo diferente. Seu início ocorre nos corações, pelo que havemos de pedir confiantes: “Ó Deus, fonte de toda misericórdia e de toda bondade, vós nos indicastes o jejum, a esmola e a oração como remédio contra o pecado. Acolhei esta confissão da nossa fraqueza para que, humilhados pela consciência de nossas faltas, sejamos confortados pela vossa misericórdia” (Oração do dia no III Domingo da Quaresma).

Dom Alberto Taveira Corrêa Arcebispo de Belém – PA

Retiro de carnaval

Sex

LEVE UMA VIDA SANTA
Padre José Augusto

Quero lhes fazer um pedido: sejam santos, lutem pela santidade. A única coisa que Deus quer de nós é a santidade, pois é por meio dela que estaremos com Ele na eternidade. Não tenham vergonha de Jesus Cristo, porque se isso ocorrer, o Senhor também terá vergonha de você. Não há motivos para termos vergonha de Cristo. É ilógico termos vergonha de quem que deu a vida por nós! No dia a dia, numa conversa na faculdade, não tenha vergonha de se dizer cristão, de dizer que vai à Missa, que participa de grupos de jovens. Estamos numa sociedade secularizada que está se esquecendo de Jesus Cristo, pois os filmes, as novelas, os jornais e livros não falam mais do Senhor. A intenção é abafar, fazer com que o nome de Cristo seja esquecido totalmente. Mas se, junto dessa sociedade, nós também nos calarmos, ficarmos frios e nos esquivarmos do Senhor, Deus realmente será esquecido. Daí, eu lhes pergunto: “Quem irá nos salvar?”.
A segunda condição para você ser santo é amar mais o céu do que a terra. Nós estamos no mundo, mas precisamos saber que Jesus veio do céu. Nós fomos criados do nada, depois gerados no ventre de nossa mãe. No entanto, agora estamos caminhando em direção ao céu. Nós estamos neste mundo apenas de passagem. Quando vocês passarem a amar mais o céu, serão mais santos. Desejem ter uma vida santa para um dia estarem com Deus. Aspirem a eternidade. O Evangelho de hoje nos diz: “de que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro se perde a própria vida?” (Marcos 8, 36). Amar a Deus sobre todas as coisas, ser somente d’Ele, fazer tudo por Ele; tudo por Jesus. Não estou falando de uma fantasia, de um super-herói, mas de uma realidade, que é Jesus Cristo, pois Ele morreu por nós, ressuscitou ao terceiro dia, subiu aos céus e está sentado ao lado do Pai. Essa é a minha fé, essa é a fé da Igreja. Esse é o grito que a humanidade precisa ouvir. No entanto, querem abafá-la de nós, mas isso não irá acontecer, porque somos de Cristo. No Evangelho, Jesus diz: “Se alguém me quer seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga” (Marcos 8, 34).
Você, que é seguidor de Nosso Senhor, o que Ele tem lhe pedido para renunciar? Estou junto com você nesse processo de renúncia. Eu não nego que sou seguidor de Jesus; há 26 anos eu O sigo, mas ainda há muita coisa que eu preciso abdicar. Há coisas neste mundo que não são fáceis de serem renunciadas. Não pensem que isso é feito num piscar de olhos. Se você sabe disso, empenhe-se cem vezes mais do que já tem feito, pois pode ser isso que o impeça de entrar no céu. Peça ao Senhor que lhe dê força, que lhe dê a graça de ser melhor cada vez mais. Precisamos ser melhores. Rezem pelo amor de Deus, rezem por vocês. Uma vida santa é um contínuo questionamento para sabermos quem somos. “Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos, renovando vossa maneira de pensar e julgar, para que possais distinguir o que é da vontade de Deus, a saber, o que é bom, o que lhe agrada, o que é perfeito” (Romanos 12, 2). Neste mundo secularizado, procure ver o que é bom e o que agrada a Deus. O Evangelho é Palavra de salvação, por isso precisa ser pronunciado.

 

Sab

É PRECISO VIVER NA VONTADE DE DEUS
Padre Roger Luís

Deus nos convida neste carnaval para nos retirarmos para Ele revelar Sua vontade para a nossa vida. O apóstolo Paulo diz que Deus preparou para aqueles que O ama, nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem ninguém sentiu. Escolher passar o carnaval na Canção Nova é prova de amor, Deus reservou graças para você neste carnaval. Às vezes ficamos esperando e não damos nenhum passo para nossa felicidade.
“Naquele tempo, Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João, e os levou sozinhos a um lugar à parte sobre uma alta montanha. E transfigurou-se diante deles. Suas roupas ficaram brilhantes e tão brancas como nenhuma lavadeira sobre a terra poderia alvejar. Apareceram-lhe Elias e Moisés, e estavam conversando com Jesus. Então Pedro tomou a palavra e disse a Jesus: “Mestre, é bom ficarmos aqui. Vamos fazer três tendas: uma para ti, outra para Moisés e outra para Elias”. Pedro não sabia o que dizer, pois estavam todos com muito medo. Então desceu uma nuvem e os encobriu com sua sombra. E da nuvem saiu uma voz: “Este é o meu Filho amado. Escutai o que ele diz!” “E, de repente, olhando em volta, não viram mais ninguém, a não ser somente Jesus com eles. Ao descerem da montanha, Jesus ordenou que não contassem a ninguém o que tinham visto, até que o Filho do Homem tivesse ressuscitado dos mortos. Eles observaram esta ordem, mas comentavam entre si o que queria dizer “ressuscitar dos mortos. Os três discípulos perguntaram a Jesus: “Por que os mestres da Lei dizem que antes deve vir Elias?” Jesus respondeu: “De fato, antes vem Elias, para pôr tudo em ordem. Mas, como dizem as Escrituras, que o Filho do Homem deve sofrer muito e ser rejeitado? Eu, porém, vos digo: Elias já veio, e fizeram com ele tudo o que quiseram, exatamente como as Escrituras falaram a respeito dele”.
Ser discípulo de quem faz milagre é fácil, mas é difícil ser discípulo daquele que vai até a cruz, e que nos promete a cruz em nossas vidas. Deus coloca os discípulos no Monte Tabor eles experimentarem um pouco do céu. A Canção Nova tem tentado ser um Monte Tabor para que quando descermos para a nossa realidade, lembremos que existe um céu e que vale a pena perseverar. Não desista quando a cruz pesar, lembre que vale a pena deixar a droga, vale a pena renunciar o sexo antes do casamento. Tudo isso vale a pena por causa do céu. Que nos momentos da cruz em nossa vida, lembremos que há um céu para nós. Você é convidado fazer a vontade de Deus, estar na vontade de Deus nos realiza até na dor.

 

UM CORAÇÃO PURO E DECIDIDO
Dunga

“Cria em mim, ó Deus, um coração puro, renova em mim um espírito resoluto” (Salmo 51,12). Buscar a Deus já é uma tremenda decisão da parte de cada um de nós. Muitos vem até a Canção Nova motivados por amigos, ou por diversos problemas na sua vida, são muitas motivações que te trouxeram aqui neste retiro, mas tenha a certeza absoluta que Deus está olhando para você sorrindo, Ele está feliz em te ver aqui, por você ter optado por estar aqui e rezar. Quem toma uma decisão está praticamente resolvendo um problema, e quem demora muito para tomar uma decisão, está praticamente arrumando um problema.
Lembra da Palavra: “se fôsseis morno Deus te vomitaria?” – o morno cria problema para si próprio. Ele vai retardando a decisão. Quem dá vida a minha alma é o Espírito, isso diz o salmista, renova em mim um espírito resoluto, uma alma decidida, pura, resoluta, com personalidade.
Você diz assim: “eu resolvo amanhã”, mas o amanhã não existe, o único dia que existe é o hoje. Para se fazer o papel, a matéria prima é o eucalipto, que passa por todo um processo até se tornar branco. Se nós comparássemos este processo com cada um de nós, iríamos perceber como Deus tem trabalhado em nós com sua misericórdia infinita. Muitas vezes no auge do nosso pecado, ficamos cansados, porque o pecado nos cansa, até o prazer do corpo tem fim, mesmo o prazer da comida dura rápido, o corpo não aguenta tanto tempo no pecado. Você não pode dormir mais de 8 horas, que seu corpo já começa a reclamar, você começa a ter dores no corpo, dores de cabeça. Se o processo da madeira para fazer o papel é duro, para que se torne um papel branco, imagine cumprir esta palavra: ”criai em mim um coração puro”, pensa no trabalho de Deus para tornar este coração puro, vai dar trabalho, é isso mesmo que você quer ?
A cada passo que você dá em direção a Deus, as impurezas do seu coração vão saindo. Aquele pensamento em que você se deleitava nele, hoje você pede a Deus que ele saia. Você pediu um coração puro e você o terá, você verá que seus atos vão mudar, a natureza vai continuar a pedir para atender os desejos da carne, mas o seu interior vai querer viver na santidade. Como foi difícil você chegar até aqui arrastando estas tralhas que você trouxe, eu não sei o que é, pode ser o homem velho, o pecado, seus problemas. É muito esforço que você está fazendo de carregar tudo isso, eu nem desconfio que peso é esse que você carrega, mas o Espírito Santo já está trabalhando em você. Você precisa cortar a corda que está te amarrando em todo este peso, você precisa tomar esta decisão. Você não pode viver de ressentimento, viver de novo aqueles sentimentos que tanto te fizeram mal, isso vai acabando com você. Você vai ao médico e não encontra nada em você, mas você está sofrendo por causa do seu desejo de vingança, do seu ressentimento. Você se confessou, mas você não assumiu que Deus já te perdoou. A decisão que você está tomando de vir para cá é fácil, mas a decisão de cortar tudo aquilo que te prende é muito mais difícil.
Quando você tomar a decisão, você entrará num novo tempo, você vai ver a graça de Deus acontecer na sua vida. Jesus na Palavra se encontrou com aqueles dez leprosos, e você pode considerar que aqueles dez leprosos é a sua casa, aqueles que moram com você. Jesus os ouvia gritar: ”Jesus, mestre tem compaixão de nós”. A sua casa precisa gritar essa frase. Jesus não curou os leprosos imediatamente, mas Ele disse para os leprosos se apresentarem ao sacerdote, e no caminho a cada passo as feridas iam embora e eles iam vendo um no outro a cura realizada por Jesus. Você eu temos uma vida inteira para vermos um no outro a cura de Deus nos irmãos, nos da nossa casa.

 

LIBERTOS DAS AMARRADAS DO PASSADO
Márcio Mendes

Você é um homem de Deus, você é uma mulher de Deus. Quando estamos em Deus queremos descobrir o que Deus tem para nós. Se você busca a Deus, você nunca ficará perdido. Você pode dizer que houve momentos na sua vida que você ficou perdido, mas Deus te encontrou.
“Desde o princípio Deus criou o ser humano e o entregou às mãos do seu arbítrio, * { e o deixou em poder da sua concupiscência. }15.Acrescentou-lhe seus mandamentos e preceitos e a inteligência, para fazer o que lhe é agradável.16.Se quiseres observar os mandamentos, eles te guardarão; se confias em Deus, tu também viverás.17.Diante de ti, ele colocou o fogo e a água; para o que quiseres, tu podes estender a mão.18.Diante do ser humano estão a vida e a morte, o bem e o mal; ele receberá aquilo que preferir.19.A Sabedoria do Senhor é imensa, Ele é forte e poderoso e tudo vê * { continuamente. }20.Os olhos do Senhor estão voltados para os que o temem; Ele conhece todas as obras do ser humano.21.Não mandou ninguém agir como ímpio e a ninguém deu licença para pecar” (Eclesiástico 15, 14-21).
Toda transformação na vida da gente tem que partir da verdade. A verdade é o ponto de partida para a transformação, para a vida nova. Quando você busca o Senhor Ele ilumina seu caminho, e a sabedoria passa a te visitar de maneira nova. Quem busca o Senhor nunca fica perdido, Deus mostra por onde caminhar. Existe um caminho infalível para a felicidade. Quando a pessoa coloca em prática a Palavra de Deus, a pessoa é resguardada pela Palavra. O caminho infalível para a felicidade, é colocar em prática a Palavra de Deus. Não adianta saber, é preciso querer fazer a coisa certa. A pergunta que deve acompanhar você que veio até aqui é: “Estou fazendo a coisa certa? Nesta minha vida tão curta eu estou sendo agradável àquele que me criou?” Peça a Deus o que você quiser, mas saiba que quem manda na sua vida é Deus, pelo contrário, você será o deus e não Ele. É Deus quem governa a nossa vida, basta nos lembrarmos disso para que nossos fardos se tornem mais leves. Você já parou para pensar que talvez você seja o grande meio para salvar as pessoas que convivem com você? É nossa missão.
Imagine se você estivesse nesse mundo só para se realizar e ser feliz, sua vida seria um fracasso. Quanta coisa difícil você já experimentou e teve que superar, quem quer só se realizar, diminui muito o que é a vida. Os grandes homens descobriram que o sentido da vida é servir a Deus e por causa de Deus servir aos outros. Quantas pessoas você conhece que se tornaram infelizes porque a vida delas era se preocupar consigo. Quanta gente você conhece que se tornaram infelizes porque se fecharam em seu passado, vivem dos restos que não voltam mais, estão presas nas lembranças e não conseguem avançar. São João da Cruz diz: “não importa se o passarinho está amarrado com uma corrente de aço ou um barbante, ele nunca vai voar”. Essas coisas que no seu passado foram românticas e bonitas, e quando você se lembra te prende ao passado, não irão voltar. Às vezes as pessoas fazem de tudo para avançar, mas a vida delas não deslancha. Por que é que não deslancha? Porque o coração está amarrado a um fato que ela não se liberta, não avança.
Você precisa se desamarrar do passado que te prende na tristeza. Deus não te fez triste, a tua tristeza não é agradável a Deus. Existe um remédio para a tristeza, ela precisa ser lavada com o perdão. Você não é, nunca foi e nunca será uma pessoa triste porque Deus não te fez triste, você pode está triste, mas se você lavar o seu passado com o perdão você ficará livre da tristeza. Você não pode deixar que a paixão vivida no passado te impeça de viver um novo amor. Quantas mulheres não se realizaram afetivamente porque ficaram presas a um amor ilusório. Quantos homens casaram com uma mulher, com o coração preso a outra; não deixe que uma paixão do passado continue destruindo seu relacionamento.

 

O DESEJO DE SER FELIZ
Adriano Gonçalves

Estou muito feliz de está aqui, e mais feliz ainda de saber que você escolheu nestes dias de carnaval viver uma experiência com Deus. Tenho certeza que estes dias serão dias de felicidades. Quero convidar vocês a tirarem uma foto da pessoa que está do seu lado, para registrar este momento de felicidade. A sua alegria aqui é grande, mas será maior ainda quando vocês voltarem para casa, porque estes dias vocês terá um tratamento de “beleza” com Jesus, pois tenho certeza todos viverão uma experiência com Jesus. Porém, a maior felicidade deste mundo, ainda não se pode comparar com a alegria que nos espera no céu. O que poderia fazer você mais feliz? Ganhar na loteria? Perder alguns quilos? Encontrar a pessoa amada e ouvir ela dizendo que te ama? Sinceramente você acha que tudo isso é capaz de lhe dar a felicidade?
Pesquisadores americanos da Universidade de Harvard, foram pesquisar a razão da felicidade, e divulgaram o resultado no ano passado, descobriram que a felicidade não está nas coisas, conquistas, mas sim dentro do coração. E para alcançá-la são necessários dois pontos: Fortes laços afetivos, e um sentido para a vida, ou seja, busca a Deus. Nos cristão já entendemos isso há muito tempo, Jesus nos ensinou dois mandamentos que resumem toda a pesquisa dos cientistas, a ordem de amar a Deus e ao próximo. Se vivemos isso, nós doando a Deus e aos outros, certamente seremos felizes. Recentemente li um testemunho de um homem que perdeu tudo na vida após um acidente, uma queda, ficou cego por alguns dias, mudou de profissão, foi abandonado por seus amigos, preso em virtude de suas novas ideias e valores, apanhou muito, como se não bastasse o navio no qual ele viajava afundou, mas suportou tudo isso com alegria, e na cadeia escreveu uma carta aos seus amigos, dizendo o seguinte: “Alegrai-vos sempre no Senhor. Repito: alegrai-vos! Seja conhecida de todos os homens a vossa bondade. O Senhor está próximo. Não vos inquieteis com nada! Em todas as circunstâncias apresentai a Deus as vossas preocupações, mediante a oração, as súplicas e a ação de graças”. Este homem foi São Paulo, a carta se encontra em Filipenses 4, 4-6.
O Apóstolo Paulo, mesmo em meio a muitos sofrimentos descobriu o segredo da felicidade na alegria de servir ao Senhor. Meus irmãos, é a busca pela felicidade que move o mundo, as indústrias já descobriram que o homem deseja incansavelmente ser feliz, por isso querem colocar nos produtos, nas coisas a felicidade, porém ela está dentro de nós, de forma alguma podemos encontrá-la nas coisas, mas sim dentro do nosso coração. Quando buscamos a felicidade fora caímos em um abismo e jamais seremos saciados, por isso, não podemos projetar nossa capacidade de sermos felizes nas coisas. Basta olhar para galera que está no carnaval enchendo a cara, fantasiados, entendemos que eles estão buscando a felicidade nestas coisas, porém, estão jamais serão verdadeiramente saciados, procuram a felicidade fora de Deus, longe da voz do seu coração.
No carnaval cristão não há fantasias, máscaras, porque assumimos que somos filhos de Deus, e entendemos que nossa felicidade está nele, e o buscamos em sua morada dentro de nós. Meus irmãos, nestes dias iremos encontrar verdadeiramente nossa felicidade, pois em nosso coração pulsa está vontade, e aqui, independente de tudo o que vivemos até agora, inclusive nossos pecados, hoje Deus nos dá uma oportunidade única, no lugar certo, nos dias certos, para encontramos a felicidade que tem um nome: Jesus!
O Catecismo da Igreja Católica, no parágrafo 33 nos ensina que o desejo de felicidade foi colocado pelo próprio Deus no coração do homem. Esta felicidade ela tem um nome, tem um rosto, Jesus de Nazaré, conforme afirmou Papa Bento XVI. Meus irmãos agora é o momento de ser feliz, você nasceu para ser feliz, neste carnaval, o maior evento é você, seu encontro com a verdadeira felicidade, Jesus. Por isso lhe convido a dá uma chance a Ele, e certamente Jesus te encontrará, e você será feliz. Porém, você é livre, há em suas mãos está bela oportunidade de ser feliz. Tenho certeza que a alegria fruto do Espírito Santo vai te envolver nestes dias, e assim você produzira sementes para a eternidade. Saiba que a força do Senhor é a nossa alegria, Ele mesmo promete a plenitude da alegria.
Você nasceu para ter um sorriso largo, uma felicidade do céu, pois a força do Senhor é a sua alegria. Então lhe digo coragem, assuma o Senhor em sua vida hoje, pois Ele quer lhe dá a felicidade verdadeira. Assim, não nos resta outra coisa a não ser cantarmos a música: Santos ou Nada! Cantemos com todo o nosso coração desejando a santidade, na alegria, na certeza que Ele não nos tira nada, nos dá tudo, que é a verdadeira felicidade. Ou Santos ou Nada! Santos queremos ser!

 

Dom

ADESÃO A FILIAÇÃO DIVINA
Padre Fabrício Andrade

É Deus que confirma, a nós e a vós, em nossa adesão a Cristo. A liturgia de hoje nos convida a tomarmos uma decisão, a configurar a nossa vida com a de Cristo Jesus, para assim, testemunhá-lo com autenticidade. Adesão é consentir, tomar parte, é Deus quem nos confirma, em nossa adesão e ela requer uma mudança de vida. Porque, quando tomamos uma decisão, esta vai configurando nossa vida! Hoje é dia de decisão. Precisamos dar uma resposta a Deus.
As leituras de hoje, Deus mesmo vem nos advertir: Pare de ficar lembrando das coisas do passado, Deus hoje quer atualizar em você a sua filiação divina (Isaías 43, 25): Sou eu, eu mesmo, que cancelo tuas culpas por minha causa e já não me lembrarei de teus pecados”. Deus que tomou a iniciativa de escolher você, Ele é sempre fiel. E quantas e quantas vezes nós vacilamos em nossa fé e nos afastamos de Deus, e pouco a pouco fomos nos desconfigurando, paralisando no processo de conversão e espiritual. Hoje, precisamos fazer um exame de consciência, para tomarmos uma decisão madura.
O evangelho diz que hoje é o tempo favorável. Jesus estava cercado por uma multidão, e anunciava-lhes a Palavra de Deus, e é o que nós estamos experimentando nesse carnaval, uma grande multidão, onde o centro deste carnaval é Jesus Cristo. Levaram para Jesus um paralítico, carregado por quatro homens, vou parar por aqui, porque, esse é o detalhe mais importante deste evangelho, e muita gente deve ter perdido este detalhe. Por isso, eu quero chamar a sua atenção, porque muitas vezes o mundo não nos deixa entender as palavras escritas no evangelho, aqui no evangelho diz que havia quatro homens e um paralitico, e é isso que o mundo quer fazer conosco, nos rotular, veja, eram cinco homens, porque o paralítico era um homem, mas o que mais chamou a atenção deles foi o seu “rótulo” de paralítico… hoje o mundo quer nos rotular pelo nosso pecado, como por exemplo: a pessoa que roubou é um ladrão, a pessoa que matou alguém é um assassino, a pessoa que faz o uso de drogas é um drogado ou viciado.
Mas hoje Deus vem nos mostrar que o pecado e o erro não tem o poder de transformar a nossa identidade. O evangelista narra do começo ao fim esta passagem usando o rótulo daquele como um paralítico. Mas a principal característica deste evangelho foi o encontro do paralítico com Jesus. Jesus vê a fé daqueles homens, assim como também nós precisamos ter fé para ultrapassar as nossas paralisias, aqueles amigos do paralítico, não desistiram diante dos obstáculos, nem mesmo uma multidão, mas persistiram para levá-lo até Jesus. Veja, Jesus estava pregando em uma casa e de repente, o centro atenção daqueles que ali estavam, passa a ser o paralítico, onde muitas vezes em nossa vida colocamos no centro de nossa vida a nossa paralisia, diz o evangelista que Jesus fala com o paralítico, que neste texto todo era citado como paralítico, Jesus diz: “Filho, seus pecados estão perdoados”.
Jesus inicia um processo de cura daquele homem, através do resgate de sua identidade de filho de Deus. Quantas e quantas vezes rotulamos as pessoas, e esquecemos que por detrás dos rótulos existe uma pessoa. Jesus está nos ensinando a não olharmos para os rótulos, pecados e misérias das pessoas, mais nos incentiva a olhamos primeiramente para a pessoa.
Na segunda leitura (2Cor 1, 22)Deus mesmo nos fala: “Foi ele que nos marcou com o seu selo e nos adiantou como sinal o Espírito derramado em nossos corações”. Ninguém tem a coragem de pedir perdão se não se reconhece como filho de Deus, mas quando nós nos esquecemos desta condição, de que fomos feito as imagem e semelhança de Deus, começa em nossa vida um verdadeiro baile de máscaras. O mundo quer que esqueçamos que somos filhos de Deus. O filho que esquece que tem Pai transforma a sua própria vida em baile a fantasia, quando eu esqueço que eu sou um filho de Deus eu me empresto, desgasto o meu corpo, o alugo o tempo inteiro para o pecado.
Todo pecado dos mais graves aos mais leves que seja, são precedidos pela falta da experiência de Deus. Quando nós perdemos a referência de Deus, perdemos tudo. Passamos querer naturalizar as nossas fantasias em realidade. Quando nós perdemos a referência de Deus, transforma mentira em verdade.
O que a liturgia está nos mostrando é que não podemos perder a nossa referência, somos filhos de Deus. Em Romanos 8, 19 diz: “De fato, toda a criação espera ansiosamente a revelação dos filhos de Deus; pois sua criação foi sujeita ao que é vão e ilusório, não por seu querer, mas por dependência daquele que a sujeitou. O mundo está querendo mascarar os filhos de Deus, para que esta manifestação dos filhos de Deus não aconteça.
O carnaval do mundo nos fala que nos podemos ser o que queremos, podemos realizar as nossas fantasias, pois são só quatro dias, mas depois do carnaval nos tornamos um nada. O paralitico do evangelho de hoje entrou naquela casa como um nada, ele nem era contado com o número dos homens presentes, e saiu de lá como um filho de Deus. “Quem esquece que é filho de Deus se transforma num filho de qualquer uma”.
O evangelho começou com um paralítico, hoje somos nós estes paralíticos e estamos em muitos aqui, só que o centro da nossa atenção não é a nossa paralisia, e sim o ser filho de Deus, A filiação divina desmorona a nossa fantasia, E Jesus continua falar com o paralítico: “Levanta-te,” nesta ordem Jesus toca na realidade dele naquele momento, “toma a tua cama,” imagine o sofrimento daquele homem, quanto que ele sofreu naquela cama, e Jesus mandou ele tomar aquele cama, justamente para lembrá-lo do seu passado, da sua história, e como ele chegou diante de Jesus, mas a ultima ordem de Jesus é espetacular: “vai para tua casa!” e a mais bonita, porque Jesus não estava apenas curando aquele homem, Ele estava pensando na família e no futuro daquele homem, Quando um homem lembra que é um filho de Deus o mundo não consegue fantasiá-lo de outra coisa.
Hoje nós somos convidados a temos uma atitude, que ira mostrar a nossa adesão à filiação divina, vou-lhe fazer uma pergunta e a sua resposta precisa ser decisiva, a partir da liturgia de hoje, o que você é paralitico ou filho de Deus? Quando a proposta do pecado chegar até você, você também convidado a proclamar que você é filho de Deus!

 

A ESCOLHA ENTRE DUAS ESTRADAS
Ricardo Sá: Eu sei que Nossa Senhora está aqui para trabalhar em seu coração como você nunca tinha percebido. Nossa Senhora revelou para nós que precisamos fixar nossos olhos em Jesus. Sou eu quem escolho ter Jesus por perto, pois eu quero e eu acolho Jesus na minha vida. “Se quiseres observar os mandamentos, eles te guardarão; se confias em Deus, tu também viverás. Diante de ti, ele colocou o fogo e a água; para o que quiseres, tu podes estender a mão” (Eclesiástico 15, 17-16).
Eliana Sá: Durante a oração da manhã foi pedido para aqueles que não oravam em língua que levantassem o braço, Deus quer dar este dom a você hoje, Ele quer dar este dom que é o menor de todos, é com este auxílio do céu que vamos aprender a decidir entre o bem e o mau.
Ricardo: Queremos seguir em frente sabendo que precisamos escolher novamente a cada dia. As suas lágrimas vão te levar para o céu, suas dores, seus pés ensanguentados vão te levar para o céu. É preciso renunciar a si mesmo a cada dia. O que ninguém vê em você, mas que faz de você um cristão de verdade, tenha a certeza que Jesus vê.
Eliana: Não perca tempo com aquilo que é passageiro, não perca tempo com novelas. Eu me preocupo muito com o que as novelas fazem nas nossas famílias. Os cristãos não podem dar IBOPE para as novelas. As novelas podem ter bons atores, podem até parecer um cinema, mas só tem feito mau às nossas famílias. O bem e o mau estão a sua frente, só Deus te dá forças para escolher o bem. O que você tem escolhido? O caminho fácil ou o caminho estreito, cheio de espinhos e de pedras? Nós tropeçamos tentando acertar, e isso acontece mesmo, caímos por cima das pedras, dos espinhos, mas no final desta estrada, diz Santa Faustina, há um jardim de felicidades.

 

DECOLAR COM O AUXÍLIO DA GRAÇA
Padre Roger Luís

“Grandes multidões acompanhavam Jesus. Voltando-se, ele lhes disse:26.“Se alguém vem a mim, mas não me prefere a seu pai e sua mãe, sua mulher e seus filhos, seus irmãos e suas irmãs, e até à sua própria vida, não pode ser meu discípulo.27.Quem não carrega sua cruz e não caminha após mim, não pode ser meu discípulo.28.De fato, se algum de vós quer construir uma torre, não se senta primeiro para calcular os gastos, para ver se tem o suficiente para terminar?29.Caso contrário, ele vai pôr o alicerce e não será capaz de acabar. E todos os que virem isso começarão a zombar:30.‘Este homem começou a construir e não foi capaz de acabar! ’31.Ou ainda: um rei que sai à guerra contra um outro não se senta primeiro e examina bem se com dez mil homens poderá enfrentar o outro que marcha contra ele com vinte mil?32.Se ele vê que não pode, envia uma delegação, enquanto o outro ainda está longe, para negociar as condições de paz.33.Do mesmo modo, portanto, qualquer um de vós, se não renunciar a tudo o que tem, não pode ser meu discípulo!34.“O sal é bom. Mas se até o sal perder o sabor, com que se há de salgar?35.Não serve nem para a terra, nem para o esterco, mas só para ser jogado fora. Quem tem ouvidos para ouvir, ouça” (Lucas 14, 25-35).
É preciso entender esse ensinamento de Jesus sobre a renúncia. Você é capaz de dar passos decididos no seguimento de Cristo porque você é do céu, e Deus te faz capaz. Nós precisamos ser realistas, é fácil renunciar as coisas desse mundo? Não. É bonito ver a revelação de Deus que não nos engana, que fala que nós teremos uma cruz, mas é de Deus que recebemos essa força para renunciar as coisas velhas. Para preparar essa pregação eu precisei olhar para as minhas fraquezas, pois eu não estou pronto. Mas eu posso dizer é possível viver o discipulado de Jesus Cristo aqui nesta terra. Deus te trouxe aqui para te dar uma vida nova, para transformar você em um homem novo.
Vale a pena seguir Jesus, existe uma graça atual, que atua hoje e nos faz capaz de dar os passos na radicalidade do Evangelho e renunciar aquilo que não é de Deus, é graça eficiente. Eu vivia nas baladas, até que um dia eu fui batizado no Espírito Santo, e a graça eficiente começou atuar na minha vida. E depois quando eu ouvi uma pregação do Monsenhor Jonas Abib eu mudei de vida. “Se alguém está em Cristo é criatura nova, passou o que era velho. Tudo se fez novo” (conforme II Cor 5,17). Eu aprendi com Padre Paulo Ricardo que nós que já experimentamos um dia a conversão, temos uma segunda “decolagem”, segunda conversão. Você não pode voltar atrás na sua conversão. “De fato, se, pelo conhecimento do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, escaparam uma vez da contaminação do mundo, mas novamente se deixam enredar e por ela são dominados, no fim estão piores que no começo” (II Pedro 2, 20).
Não podemos voltar atrás na nossa decisão por Deus. Precisamos da segunda conversão, e que passo devemos dar? É hora da segunda “decolagem” que é aquela da virtude teologal da caridade e do amor, é amar a Deus com toda a força e com todo coração. Foi essa decisão que os santos tomaram, que Madre Teresa de Calcutá tomou. Aqui recebemos uma graça santificante que confirma nossa decisão, mas é preciso tomar uma decisão. A primeira decisão Deus já tomou por você e Ele nunca vai voltar a atrás, e você? Será que não chegou a hora?
Peça ao Senhor a graça de tomar a decisão para a segunda “decolagem”, essa segunda “decolagem” é quando não temos mais vergonha do que as pessoas falam de nós por sermos radicais, o importante é o que Deus pensa de mim. Deus pensa em céu, vida eterna, salvação. “O que esperamos, de acordo com a sua promessa, são novos céus e uma nova terra, nos quais habitará a justiça” (II Pedro 3, 13). Leia II Pedro 3, 1-13. Eu não sei qual é o seu pecado, sua fraqueza, eu sei que céus novos e uma terra nova vão se realizar, e Deus não quer perder você.

 

A SANTIDADE ESTÁ A CAMINHO
Eugênio Jorge

Meus irmãos, amar, seguir, adorar, entregar a Jesus é fruto de uma decisão, nesta tarde somos convidados a buscar dentro do nosso coração a motivação para glorificarmos a Deus, porque ninguém pode impedir-nos de tomarmos a decisão pelo Senhor. Quando queremos, ninguém tem o poder de nos deter, então vamos obedecer, amar, adorar a Deus de verdade nesta tarde. Hoje eu lhe convido a adorá-lo com toda a sua vida. Quantos de vocês querem adorar a Deus de verdade hoje? Sei que muitos estão unidos a nós em todo o mundo com o desejo verdadeiro de adorar a Deus. Então levante a sua voz, e solte o seu louvor a Deus. Deus quer estabelecer conosco uma relação, sua essência é salvar. Ele deseja amar e salvar a todos nós.
Então diga no íntimo do seu coração: Salva-me Senhor, ama-me Senhor, perdoa-me, cura-me, lava-me, sonda o meu coração e livra-me das minhas lepras, dos meus pecados, dos pesos que carrego sobre mim, visita Senhor o meu coração, as áreas escondidas e salva-me. Há 28 anos atrás quando compus a canção: “A Ele a Glória”. A canção que diz: “Alfa, Ômega, Princípio e Fim, sim Ele É, sim Ele É…” Não imagina que uma frase desta música, teria a força de guiar toda a minha vida, quando canto: “A Ele o Domínio, Ele é meu Senhor”. Tenho certeza que Ele é o meu Senhor, o Deus da minha vida. Mas não é nada fácil ainda hoje estou aqui neste vale de lágrimas lutando para que Deus dite as coisas para que eu obedeça, pois infelizmente fomos marcados pelo pecado, e há um homem novo que luta pela santidade, mas há o pecado que nos ronda quer roubar de mim a capacidade de servir a Deus.
Descobrir há muito tempo que Jesus quer ser o meu Senhor, não porque Ele quer prevalecer apenas sobre mim, mas porque Ele quer me fazer feliz, e felicidade é obedecer ao Senhor. Agora é a hora de decidirmos pela santidade. E cantar com coragem que Ele é meu Senhor! Imagine que você ganhou o direito de sacar dos bancos o maior valor possível, e assim você entra no cofre do banco, abre-o e vê um monte de notas novas de 100,00 reais, porém no canto do cofre há um pequeno pacote de notas de 1,00 real, e você pega apenas um nota de 1,00 real. Sai do banco, devolve as chaves e com apenas 1,00 real. De quem é a “culpa” por você não ficar rico? É apenas sua. Mas no Reino dos Céus, Deus abre para nós todas as portas, para desfrutarmos da riqueza de graça. Com ele somos ricos, por isso meu irmão tome posse da graça de Deus em sua vida, não viva na miséria Ele quer nos dá tudo, todas as suas bênçãos.
Desperta povo de Deus, porque Deus está gritando! Estamos vivendo um tempo de sonolência, são tantas vozes, correrias, informações, etc, que nos envolvem, colocando-nos em uma situação de paralisia, ficamos presos em uma teia de aranha, parados, incapazes de viver a Palavra de Deus, e por fim, esquecemos que somos filhos de Deus, e deixamos de viver a sua vontade. Desperta meu irmão, porque Deus está chamando você! Não fica parado, vem para fora, e volta a vida! Se você ofendeu alguém, se pisou na bola, volte, peça perdão e recomece a vida! Pois onde quer que você esteja o amor de Deus pode nos salvar! Isso aconteceu comigo, eu era sambista e em 1979 o Senhor veio a meu encontro, e desde daquele tempo é ele que vem conduzindo a minha vida.
Hoje é o tempo de você tomar uma decisão, e proclamar que Ele é o seu Senhor! Deus quer de nós a santidade e são de pequenos gestos que vivemos na santidade. Meu irmão, a santidade está a caminho, assuma que Ele é o seu Senhor! Então cante comigo: “A Ele a Glória. Alfa, Ômega, Princípio e Fim, sim Ele É, sim Ele É… A Ele o Domínio, Ele é meu Senhor”.

 

Seg

ONDE ESTÁ DEUS?
Padre Reinaldo Cazumbá

Onde está Deus? Ora ou outra, diante dos sofrimentos, decepções, fazemos a nós mesmos esta pergunta. Somos um povo que gosta de viver o toque, a sensibilidade, e compreender. Quero conduzir você a uma maturidade espiritual na fé. Mas por que em nós surge esta pergunta, se não sentimos Deus, não tocamos e não vemos mudança na nossa vida? Se não sinto Deus, se não tenho relação com Ele, se não tenho resposta, se o Senhor não corresponde ao que espero, a minha tendência é sempre de querer abandoná-Lo.
”Isso é motivo de alegria para vós, embora seja necessário que no momento estejais por algum tempo aflitos, por causa de várias provações. Deste modo, o quilate de vossa fé, que tem mais valor que o ouro testado no fogo, alcançará louvor, honra e glória, no dia da revelação de Jesus Cristo” (1 Pedro 1, 6-7).
Precisamos descobrir o novo de Deus na nossa vida espiritual, precisamos buscar, pois o Senhor vai agir no momento oportuno.
“Durante as noites, no meu leito, busquei aquele que meu coração ama; procurei-o, sem o encontrar” (Cântico do Cânticos 3, 1).
O sofrimento gera fé. Muitas vezes, sucumbimos ao sofrimento por não entender o seu significado. Veja a vida dos santos, nós não somos 100% na vida de oração, a nossa vida é feita de altos e baixos, existem vezes em que procuramos Deus, mas em outras não. No entanto, o sofrimento não deve nos afastar de Deus.
Como rezar diante de uma secura espiritual? De uma frieza espiritual? Como sair desta situação? Como se libertar de seus pecados e entrar num relacionamento com Deus?
Agarre-se a Deus se você está sofrendo! A secura espiritual, que é esta privação do sentimental, na qual você não sente mais nada, deve ser vista como um momento propício para um relacionamento com Deus Pai. Muitas vezes, seu corpo não quer permanecer, mas a sua razão vai fazê-lo permanecer. É preciso servir a Deus mesmo sem gosto, é preciso ter perseverança. Eu sei quem é Deus, por isso eu vou. Não se preenche vazio com vazio. Não adianta você tentar preencher com outra coisa o que somente Deus pode preencher.
O deserto é lugar de encontro com o Senhor, a tendência deste lugar é de haver tentações, purificações, assim como há o risco de construir falsos deuses. O deserto é uma etapa na nossa vida espiritual na qual nós precisamos caminhar somente com o Senhor. Deserto é o lugar onde temos sede de Deus, mas não nos saciamos, no entanto, não é um tempo eterno na nossa vida. Mesmo que eu não sinta Deus eu quero permanecer n’Ele.
”Conheço a tua conduta. Não és frio, nem quente. Oxalá fosses frio ou quente! Mas, porque és morno, nem frio nem quente, estou para vomitar-te deminha boca” (Ap 3, 15-16).
Tibieza nos leva ao pecado, e se você não tem vontade de confessar os pecados capitais talvez seja porque já tenha se tornado uma pessoa tíbia. Para o tíbio sair da tibieza ele precisa se converter, ele precisa da parusia, do fervor, da disposição para com o Senhor. Ele só consegue essa mudança pelo batismo no Espírito Santo, sem Ele não funciona. Somente com a busca de santidade seremos cristãos que não se deixam se abalar por nada, pois somos de Deus e devemos permanecer n’Ele.

 

PEREGRINO DE DEUS RUMO AO CÉU
Padre Wagner Ferreira

O céu é a vida de Deus, por isso nós podemos afirmar que, mesmo sabendo que devemos experimentar essa vida de forma plena, aquele que cultiva a comunhão com Deus sabe onde está seu destino.
Santo Agostinho nos diz que o coração humano só encontra a sua plenitude no louvor de Deus, porque o Senhor nos fez para Ele e nosso coração não descansará enquanto não repousar n’Ele.
Deus nos criou, por isso, nossa origem e nosso destino é o próprio Pai. Nós somos peregrinos de Deus, trazendo no coração um desejo de realização, mas jamais esquecendo que nosso verdadeiro repouso só será alcançado por intermédio da comunhão eterna com Nosso Senhor.
O Pai nos dá a graça de saborearmos o céu em vida, pois aqueles que, pela fé, cultivam a união com Deus, já saboreiam o céu.
Quem já fez uma experiência concreta de felicidade e realizações? Se a experiência que você fez aqui valeu a pena, não se empolgue ainda, porque a experiência feita no céu será muito melhor.
Nós precisamos orientar nossa vida para a glória de Deus. E, dessa forma, Jesus nos ensina que devemos viver como bem- aventurados.
O bem-aventurado tem Deus como sua riqueza, ele não coloca a esperança da sua felicidade no poder ou no dinheiro. Os pobres de espírito cultivam a humildade, como pessoas que colocam em Deus a sua confiança e o sonho de suas realizações.
O sofrimento é próprio do cristão, mas é preciso passar pela experiência da dor agarrados a Deus. É claro que Nosso Senhor não quer masoquismo da nossa parte, mas devemos buscar, inclusive com ajuda da ciência, os auxílios necessários para nossa cura e restauração.
A fidelidade a Cristo nos leva a compartilhar o mistério do Seu sofrimento. Peça a graça de permanecer fiel ao Senhor na hora da dor e do sofrimento, pois bem -aventurados os que choram, pois serão consolados.
Existem pessoas que, mesmo em meio às tormentas e tribulações, conseguem seguir calmas. Essa é a mansidão de quem se deixa conduzir pela Palavra de Jesus. Aquele que experimenta a mansidão de Deus, mesmo em meio às tribulações e tempestades, consegue se decidir pela verdade do Pai.
O cristão que busca a justiça será recompensado com a eternidade; assim como todo aquele que não se compromete com o suborno e falsas promessas o será. Os misericordiosos são aqueles que, pela sua vida, testemunham o amor de Deus.
Os bem-aventurados conseguem compreender as limitações humanas e se compadecem do outro procurando proporcionar a reconciliação. Assim como o puro de coração que não deixa que as impurezas entrem em sua vida.
Feliz daquele que é capaz de superar as tentações, pois dele será o Reino dos Céus. O céu começa aqui, então tome posse do seu lugar no céu, como um peregrino de Deus. Seja manso, humilde, justo e paciente; dessa forma será recompensado com a eternidade ao lado do Pai.

 

CONSTRUIR A QUALIDADE DE VIDA
Padre Adriano Zandoná

Meus irmãos e irmãs, vocês são corajosos se desfazendo deste feriado para estar na presença do Senhor. Meu coração se alegra ainda mais por dirigir estas palavras a heróis e heroínas que escolheram a melhor parte – o Senhor! Eu me sinto muito pequeno em dirigir hoje a Palavra de Deus a vocês, por recordar que, no Carnaval do ano passado, eu estava sentado no presbitério como diácono, aprendendo a dar os primeiros passos no ministério, e hoje estou aqui, presidindo a Eucaristia e partilhando com vocês a Palavra de Deus.
Nestes dias estamos reunidos com o único propósito de louvar a Deus por intermédio de um sacrifício de louvor, e o louvor que o Senhor deseja de nós é o sacrifício de nossas vidas, e, assim, na doação de nossa vida, nos transformamos à imagem de Cristo. Meu irmão, para fazer da própria vida um louvor é preciso seguir um itinerário concreto.
Na primeira leitura São Tiago nos apresenta a sabedoria como uma realidade que possibilita fazer da nossa vida um sacrifício de louvor. Construindo, dessa forma, uma qualidade de vida. Esta qualidade de vida não está nas coisas externas apenas, mas antes e acima de tudo ela começa dentro de nós, a partir da forma na qual organizamos as coisas em nós. A sabedoria é a qualidade que acrescenta o sabor à vida humana, sem ela a vida fica sem “sal”.
Segundo São Tiago, a sabedoria é um elemento necessário em nosso itinerário de vida. Mas esta realidade é construída na humildade, no perdão, não na esperteza e no orgulho. Quantos lares não possuem harmonia, as pessoas se suportam. Muitos estão sofrendo, doentes porque gastam a sua vida não na verdadeira sabedoria, são escravos da inveja, da concorrência, faltando-lhes a verdadeira sabedoria. A sabedoria proposta por São Tiago nos ensina a perdoar. O perdão nos proporciona a aquisição de qualidade de vida para nós mesmos.
A Palavra nos diz que a Lei do Senhor Deus é um conforto para a alma, e este caminho é feito no saber perder para ganhar em Deus, quando obedecemos a Ele fazemos o bem em primeiro lugar para nós mesmos. Este conforto para a alma é a qualidade de vida, que está dentro, na alma. Quando vivemos os preceitos do Senhor nossa alma se abre para receber o sopro de Deus, e assim, alcançamos a verdadeira qualidade de vida.
O Evangelho de hoje nos apresenta Jesus que expulsou o demônio de um menino e afirmou que alguns tipos de demônio somente serão vencidos pela oração. Este ensinamento de Jesus nos apresenta a oração como um elemento essencial para que construamos a qualidade de vida por meio da intimidade com Deus. Sabemos que viver as realidades do dia a dia não é fácil, estamos em uma sociedade sensualizada e sensualizante, todos os dias temos um “leão” para matar. Como São Paulo nos ensina: fazemos o mal que não queremos. Vivemos em um campo de tensão, e como gerir tudo isso?
Jesus nos ensina a oração como o meio para administrarmos tudo o que está desordenado em nós. Não tenha medo de rezar, de entregar tudo para Deus, principalmente os jovens: não tenham vergonha de ser de Deus e testemunhar o Evangelho em todas as suas realidades. Não tenham medo de falar da Palavra de Deus! Jesus está chamando vocês hoje para que sejam somente d’Ele. Então sonhem com a santidade e não tenham medo dela, pois o Senhor quer vocês por inteiro. Eu sinto que muitos dos jovens aqui hoje estão sendo chamados por Jesus para uma vocação especial, não fechem os ouvidos a Ele!
Então, meus irmãos, antes de tudo, é necessário que vocês se ajoelhem diante de Jesus Cristo e se prostrem, pois quem não se prostra diante de Jesus, se prostra diante da vida. Quem não gerir a sua vida, acabará sendo possuído por ela. Deixemos, portanto, de ser “moles”, e construamos a verdadeira qualidade de vida, que se dá em um relacionamento verdadeiro com Jesus.
Convido todos os jovens a se levantarem. Vamos rezar por vocês suplicando que sejam batizados no Espírito Santo, a fim de que tenham uma vida de sabedoria e santidade. Louvado seja Deus!

 

Ter

FEITOS PARA A FELICIDADE ETERNA
Felipe Aquino

“De que me vale viver bem nesta vida se eu não puder viver para sempre?” (Santo Agostinho).
De que vale ganhar o mundo inteiro se viermos a perder a vida eterna?
Jesus disse claramente a Pilatos que o Reino d’Ele não era deste mundo, e vocês vão entender por que esta frase mudou a história do mundo. Durante o Império de Nero, quando os cristãos eram perseguidos e mortos, queimados e degolados, eles entregavam a vida para não negar Jesus Cristo. Os cristãos morriam na certeza absoluta de que eles iriam ressuscitar em Deus.
Uma rica moça chamada Perpétua, que morava na cidade de Cartago, foi presa, pois era cristã, foi levada a uma masmorra fedida, suja, num calor sufocante, e estava prestes a dar à luz, no oitavo mês de gravidez. Certo dia, na cadeia, seu pai foi lhe suplicar  que queimasse incenso aos ídolos para que sua vida fosse poupada, mas ela não aceitou e, na véspera de ser morta, ela deu à luz na cadeia. Quando sofria as dores do parto na masmorra o guarda lhe disse que ela iria sofrer ainda mais no dia seguinte, dia de sua morte. Essa santa respondeu-lhe que chorava, sim, naquele momento do parto, e disse que ali era ela mesma quem sofria, mas no dia seguinte, quando seria lançada aos animais, ela não iria gritar, pois já não era mais ela quem sofreria, mas o próprio Cristo que sofreria nela e, assim, foi o que aconteceu. Perpétua foi jogada aos animais e, mesmo toda machucada, ela não morria; foi preciso um guarda ir até ela e perfurar seu pescoço com uma lança.
Quem vive os Mandamentos de Deus não peca e agrada o coração de Deus. Se você quer viver para ser como Deus o criou, então viva os Dez Mandamentos. O domingo pertence ao Senhor e não a você. Não podemos paganizar esse dia [domingo]. Domingo significa dominus, isto é, do Senhor, é o Dia do Senhor. Um dos Dez Mandamentos é o: “Honra teu pai e tua mãe”, cuide deles, principalmente na velhice, não os jogue num asilo, dê a eles uma morte digna. Se você quer honrá-los, coloque uma coroa neles, cuide deles.
Eu peço a Deus que o braço da Sua justiça não pese sobre nós, pois eu nunca vi tanta podridão como nos tempos em que estamos vivendo! Quanto cristão que comunga e que reza, mas que só pensa em trapacear o outro, em levar vantagem, quer vender o carro para o outro porque o motor está fundindo, para que o outro  seja prejudicado no lugar dele.
São Tiago diz: o homem que domina a sua língua é um homem perfeito, com a sua língua, com um comentário, você incendeia a vida de uma comunidade. Nossas palavras devem ser somente para santificar e para salvar.
Não podemos nem beber um copo d’água sem louvar o Senhor, pois tudo o que temos vem de Deus. Obrigado, Senhor, por tudo! Temos que passar o dia no louvor a Deus Pai. Nós não temos o nosso ser sem Deus, então nós só temos que louvá-Lo. Servir a Deus nesta vida é a coisa mais bonita que existe. Tudo o que vocês fizerem façam-no para a glória de Deus Pai, não para os homens, para o Senhor. Se você é professor e vai dar uma aula, dê essa aula como se Jesus fosse o aluno; se você é médico aja como se Jesus fosse o seu paciente, e assim por diante. Isso mudará a sua vida. Seja um marido, uma esposa, uma mãe em nome de Jesus, por causa de Jesus e Deus lhe dará a herança que Ele prometeu.
Quando temos de buscar o céu nós não temos de desprezar a terra. Jesus nos mandou fazer render os talentos, e todos nós temos talentos, nós fomos criados à imagem de Deus. O talento que você tem eu não tenho e vice-versa e isso faz que eu precise de você e você de mim. Você precisa dos outros para tudo, então saiba amá-los e respeitá-los, e louvar a Deus por ele. Dê graças a Deus pelo dom que o o outro tem, o dom dele vai beneficiar você.
Meus irmãos, esta é a nossa alegria: Amar, louvar, servir e abraçar este Deus pela eternidade!

 

VIDA BOA
Diácono Nelsinho Corrêa

Quando uma mulher está grávida, tudo que ela faz é pensando no bebê, e o que ela prepara para chegada da criança se chama enxoval. Deus também preparou um grande “enxoval” para nós. Sabe qual é esse enxoval? É a natureza. O Altíssimo, ao criar as montanhas, já pensava em você, Ele fazia as estrelas e a lua e já pensava em você. Deus criou a natureza para o homem ser feliz.
Quando você acorda mal-humorado, os passarinhos já de madrugada estavam cantando, declarando o amor de Deus por você. A natureza é um presente do Senhor para mim e para você.
Deus Pai o criou à Sua imagem e semelhança. O Senhor não o criou para a depressão, Ele o criou para a felicidade, o criou para ter uma vida boa e não uma vida ruim. No paraíso o homem e a mulher, Adão e Eva, tinham uma vida boa, até que um dia eles comeram do fruto que não era para ser comido, pois achavam que lhes faltava alguma coisa, e cometeram o pecado do orgulho. O início do pecado do homem é o orgulho, ele quis ser mais que Deus.
No paraíso o homem estava unido a Deus e, ao pecar, ele rompeu com o Senhor. Se unido a Deus ele tinha alegria, sem Deus ele passou a ter tristeza. Se unido a Deus o homem tinha vida, sem Deus ele passou a ter a morte.
Deus não nos criou para a tristeza, mas para sermos felizes e, mesmo assim, o homem quer negar ao Senhor. Mesmo com o pecado original, o Senhor não nos abandonou, Ele nos deu Jesus. E criou o homem para ser feliz, por isso Ele enviou Jesus ao mundo.
Ser rico ou ser pobre não é pecado; o pecado é ser apegado às coisas.
Deus Pai nos criou para uma vida boa, mas nós estamos sempre reclamando, nós estragamos nossa vida com a reclamação. O Senhor não tem culpa do seu sofrimento; é você quem procura a encrenca. Nós nos expomos ao ridículo quando abandonamos Deus.
Vida boa é estar com Deus!

 

ALINHADOS PELA FORÇA DO ESPÍRITO
Padre Fabrício Andrade

Nós não poderíamos encerrar este acampamento sem o desafio de levar um pouco do que você experimentou aqui até a sua casa. O desafio de agora é experimentar a grandiosidade do Salmo 96, 1-12:
“Cantai ao SENHOR um cântico novo, cantai ao SENHOR, terra inteira. Cantai ao SENHOR, bendizei o seu nome, anunciai dia após dia a sua salvação. Entre os povos narrai a sua glória, entre todas as nações dizei seus prodígios. Pois o SENHOR é grande e digno de todo louvor, terrível acima de todos os deuses. Todos os deuses das nações são um nada, mas o SENHOR fez os céus. Majestade e beleza estão à sua frente, poder e esplendor moram no seu santuário. Dai ao SENHOR, ó famílias dos povos, dai ao SENHOR glória e poder, dai ao SENHOR a glória do seu nome. Trazei oferta e entrai nos seus átrios, adorai o SENHOR na sua santa aparição. Tremei diante dele, terra inteira. Dizei entre os povos: “O SENHOR reina!” Ele sustenta o mundo para que não vacile; julga as nações com retidão”.
No fim deste acampamento, somos enviados a cantar uma “canção nova”. Vocês precisam sustentar esse cântico novo em seu dia a dia, agora é a hora de anunciar a todas as nações o que experimentaram aqui. Vocês são hoje os apóstolos do cântico novo. Um homem e uma mulher renovados não cantam um cântico velho. Se, em seu dia a dia, você não atualizar a sua experiência com Deus, você correrá o risco de ficar uma “pessoa velha”.
E para que o cântico novo seja atualizado em nós diariamente, precisamos estar “alinhados” e encontrar a harmonia entre o que sentimos, falamos e pensamos.
Assim como o carro precisa estar bem alinhado e balanceado, porque se ele não estiver nessa condição, acontecerá um desgaste maior em um lado do pneu do que do outro e poderá até provocar um acidente. Da mesma forma, o homem novo precisa estar equilibrado, “alinhado” entre a sua cabeça, sua boca e o seu coração.
Hoje a Palavra de Deus quer nos alinhar, porque se estamos desalinhados, desequilibrados, a probabilidade de um “acidente” é muito grande, principalmente na parte afetiva.
Precisamos nos deixarmos ser “alinhados” por Deus, assim como o carro precisa ser ser alinhado pelo mecânico.
Vou apresentar para você duas rédeas que vão ajudá-lo a refrear a sua boca, a começar da sua língua. Acompanhe comigo: Carta de São Tiago 1, 26: “Se alguém julga ser religioso, mas não refreia a sua língua, engana-se a si mesmo: a sua religiosidade é vazia.” Se a nossa língua não está em sintonia com a nossa cabeça e com o nosso coração, corremos o risco de estragar tudo com a nossa amargura, murmuração e reclamação. Por isso, precisamos colocar freios em nossa língua. Quantas vezes você falou uma bobagem, porque não pensou e logo falou e estragou tudo.
A língua desenfreada gera desordem e confusão, o “homem novo” tem sua língua em harmonia com o coração.
Leia comigo o Salmo 32, 9 e descubra o que a língua pode fazer: “Não sejas como o cavalo ou o jumento sem inteligência; se avanças para dominá-los com freio e rédea, de ti não se aproximam”.
Por isso é preciso usar a inteligência para colocar rédeas na língua.
É pelo louvor que vamos alinhar a cabeça, a língua e o coração.
Precisamos colocar duas rédeas: uma em nossa língua, como vimos, e outra em nosso coração, ou seja, em nossos sentimentos.
Vamos entender a importância delas [rédeas] em nosso coração: “Disse o SENHOR: “Esse povo me procura só de palavra, honra-me apenas com a boca, enquanto o coração está longe de mim. Seu temor para comigo é feito de obrigações tradicionais e rotineiras” (Isaías 29, 13). Se a boca não estiver em sintonia com o coração, correremos o risco de nos aproximarmos do Senhor só com a boca e não com o coração, correremos o risco de esvaziar a nossa espiritualidade. É por intermédio do Espírito Santo de Deus que seremos “alinhados” e encontraremos o equilíbrio entre o que pensamos, sentimos e como agimos.
A evangelização dos nossos sentimentos é necessária para o “homem novo” vir à tona e cantar o cântico novo.
Outra rédea de que precisamos é a da cabeça, porque, muitas vezes, falamos sem pensar e causamos um desastre.
“Por isso, aprontai a vossa mente, sede sóbrios e colocai toda a vossa esperança na graça que vos será oferecida no dia da revelação de Jesus Cristo. Como filhos obedientes, não moldeis a vossa vida de acordo com as paixões de antigamente, do tempo de vossa ignorância” (I Pedro 1, 13-14).
A ignorância é falta de conhecimento, por isso a Palavra nos aconselha: “não moldeis a vossa vida segundo as vossas paixões de antigamente” (ou de quatro dias atrás).
São Paulo diz, em sua Carta aos Efésios 4, 22-24: “Precisais deixar a vossa antiga maneira de viver e despojar-vos do homem velho, que vai se corrompendo ao sabor das paixões enganadoras. Por outro lado, precisais renovar-vos, pela transformação espiritual de vossa mente, e vestir-vos do homem novo, criado à imagem de Deus, na verdadeira justiça e santidade”. É necessária a conversão do nosso coração e também da nossa mente.
Nessas passagens bíblicas está o segredo do “alinhamento” da nossa cabeça, coração e língua.
O “homem novo” é imagem e semelhança de Deus.
Acabaram-se os desfiles próprios do Carnaval e agora chegou a nossa vez de nos apresentarmos para este mundo vestidos como “homens novos”, criados à imagem de Deus, na verdadeira justiça e santidade.
Precisamos investir nessa “fantasia”! Irmãos, acabou o Carnaval e começa agora a nossa missão.
Mais do que falar, é preciso purificar a nossa cabeça, pensamentos e o coração. Você já parou para pensar que todos as vezes em que fazemos o sinal da cruz abençoamos nossa cabeça, nosso corpo e nosso coração, que está no “eixo” do nosso corpo. São Paulo continua nos exortando em Efésios 1, 11-14: “Em Cristo, segundo o propósito daquele que opera tudo de acordo com a decisão de sua vontade, fomos feitos seus herdeiros, predestinados a ser, para louvor da sua glória, os primeiros a pôr em Cristo nossa esperança. Nele, também vós ouvistes a palavra da verdade, a Boa Nova da vossa salvação. Nele acreditastes e recebestes a marca do Espírito Santo prometido, que é a garantia da nossa herança, até o resgate completo e definitivo, para louvor da sua glória”.

 

DISCÍPULOS FORMADOS PARA SERVIR
Padre Donizete Heleno

Meus irmãos e irmãs, em breve vamos retornar as nossas casas, na força e no poder do Espírito Santo. Gostaria que você pegasse comigo o Evangelho de hoje que se encontra em São Marcos 9, 30-37. Nesta leitura vimos Jesus deixando a Galileia, que significa o seu lugar familiar, para se dirigir a Jerusalém. Estamos aqui como Jesus em um lugar de conforto, familiar, e logo iremos voltar para a nossa Jerusalém.
Você sabe o que Jesus iria encontrar em Jerusalém? Iria encontrar a sua cruz, mas principalmente a vontade de Deus. Logo retornaremos para a nossa Jerusalém, que é nosso trabalho, família, e lá não encontraremos apenas nossa cruz, mas principalmente a vontade de Deus para nós. Este carnaval foi portanto o lugar onde Jesus nos falou ao coração, assim como aos discípulos, conforme a narrativa de São Marcos, no qual Jesus revelou a eles que iria sofrer, morrer, mas ressuscitaria ao terceiro dia.
Quando Jesus anunciou sua paixão, revelando o projeto de Deus em sua vida, muitos de seus discípulos reagiram contrariamente, alguns queriam sentar ao lado do Senhor na glória, alcançando alguns privilégios, outros, não queriam que ele sofresse, inclusive Pedro, este por sinal foi repreendido duramente pelo Senhor, com a frase: Afasta-te de mim satanás!
O Evangelho de Marcos narra três anúncios da paixão, a liturgia de hoje afirma que os discípulos não entendiam a palavra, e tinham medo de perguntar. Entendemos neste ensinamento de Jesus que o Filho do homem será entregue, morto e ressuscitado no terceiro dia. O autor sagrado usa todos os verbos na voz passiva, que é aquela no qual o sujeito sofre a “ação” do verbo. Jesus entregou a sua vida nas mãos dos homens, o entregou em nossas mãos.
O mistério que hoje celebramos é esta entrega de amor no qual Deus nos oferece seu Filho, não há nada mais precioso que o amor do Pai por mim e por você, é um escândalo de amor. Você pode mudar o rumo da sua vida se assumir este escândalo de amor, do Senhor que dá a vida por nós.
A narrativa de hoje diz que Jesus entrou em casa (Mc 9, 32) em Cafarnaum, quer dizer, que Ele entrou na intimidade, e falou coisas preciosas. Como seria bom se nossas casas fossem um lugar de intimidade com o Senhor, infelizmente transformamos suas casas em verdadeiros cassinos, bares, e o pior em motéis domésticos, permitindo que seus filhos mantém relações sexuais em casa, dando a desculpa que é mais seguro, alimentando assim o pecado em casa.
Jesus está em casa, e Ele quer transformar a sua casa em céu, onde a vontade Dele acontece, e eu creio que o Senhor transformará a sua casa, e reinará se você abrir as portas, seu coração para que Ele tome posse da sua intimidade. O Senhor corrige seus discípulos em casa, e em sua pedagogia orienta-os a vontade de Deus. E neste ambiente de intimidade Ele quer tomar posse de sua vida.
Na continuação do capítulo 9 do Evangelho de São Marcos, os discípulos estão discutindo quem é o maior, estão ambicionados por cargos, enquanto Jesus anunciava sua paixão, eles queriam saber quem era o maior. Ora, autoridade quer dizer serviço, nos precisamos compreender isso, que a vontade de Deus em nossa vida é que sejamos servos. Entendemos assim, que a mentalidade dos discípulos destoava do pensamento de Jesus, do projeto de Deus para eles.
Infelizmente em nossa casa não é diferente, muitos católicos estão dando ibope para programas de TV no qual a mentalidade é eliminar o outro, este pensamento diabólico sorrateiramente vai entrando em nossa vida, nos ensinamento a eliminar o outro para sermos felizes.
Não tenha medo de assumir uma postura de cristão de verdade, de abraçar o projeto de Deus, este que Jesus ensinou-nos na intimidade, dentro de casa aos discípulos, que iria morrer, e ressuscitar no terceiro dia. Caso contrário você discutirá no caminho como os discípulos, cheio de vaidade, murmuração, querendo eliminar e humilhando os outros.
Meus irmãos, o ensinamento de Jesus é para sermos melhores, a partir da humildade, de sermos como crianças, e nas Sagradas Escrituras o termo original referente a criança quer dizer trabalhador que não recebe salário, ou seja servos, sem remuneração, Ele sentou-se para ensinar-nos a sermos servos humildes, e desta forma Ele verdadeiramente se torna o centro de nossa vida, e nós operários de sua obra.
O Senhor hoje nos chama e nos envia para voltarmos para nossa casa com humildade, aceitando o projeto Dele, servindo os irmãos por causa do Reino de Deus. Sabemos que nosso coração não está pronto, em nós ainda há o orgulho, não entendemos que os discípulos devem se colocar a serviço, ainda queremos méritos e cargos.
Por isso vamos pedir a Jesus, aquele que tem um coração humilde e simples, que nos dê um coração como o Dele, e assim Ele se torne o centro da nossa vida. Pois fomos muitos amados nestes dias, Jesus nos falou através de tantas pregações, orações, deu inclusive na Santa Missa o seu Corpo e Sangue por nós. Supliquemos a Ele, que nos ensine hoje o caminho para a nossa Jerusalém, e que neste retorno para casa verdadeiramente sejamos propriedades do Senhor, assim Ele será o centro da nossa vida.
Cantemos: “Lava, purifica e restaura-me de novo, será o nosso Deus e nós seremos o teu povo, derrama sobre nós a água do amor, Espírito de Deus, nosso Senhor. Jesus manda teu Espírito para transformar meu coração, Jesus manda teu Espírito para transformar meu coração”.
Meus irmãos, vocês levarão Deus para a sua família, para sua casa, para a sua Jerusalém, se vocês verdadeiramente aprender com Ele a humildade para serem servos um dos outros, em todos os lugares, na paróquia, no trabalho, na família, esta é a vontade de Deus para nós.
Voltemos para a casa, para nossa Jerusalém, livres de toda a disputa, e assim encontraremos a vontade de Deus em nossa vida.
Deus nos abençoe.

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