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São Bernardo de Claraval, doce poeta de Nossa Senhora

E o nome da Virgem era Maria
Exortação a invocar Maria, a Estrela do Mar (São Bernardo)

E o nome da Virgem era Maria (Lc 1, 27). Falemos um pouco deste nome que significa, segundo se diz, Estrela do mar, e que convém maravilhosamente à Virgem Mãe. … Ela é verdadeiramente esta esplêndida estrela que devia se levantar sobre a imensidade do mar, toda brilhante por seus méritos, radiante por seus exemplos.

Ó tu, quem quer que sejas, que te sentes longe da terra firme, arrastado pelas ondas deste mundo, no meio das borrascas e tempestades, se não queres soçobrar, não tires os olhos da luz desta estrela.

Se o vento das tentações se levanta, se o escolho das tribulações se interpõe em teu caminho, olha a estrela, invoca Maria.

Se és balouçado pelas vagas do orgulho, da ambição, da maledicência, da inveja, olha a estrela, invoca Maria.

Se a cólera, a avareza, os desejos impuros sacodem a frágil embarcação de tua alma, levanta os olhos para Maria.

Se, perturbado pela lembrança da enormidade de teus crimes, confuso à vista das torpezas de tua consciência, aterrorizado pelo medo do juízo, começas a te deixar arrastar pelo turbilhão da tristeza, a despencar no abismo do desespero, pensa em Maria.

Nos perigos, nas angústias, nas dúvidas, pensa em Maria, invoca Maria.

Que seu nome nunca se afaste de teus lábios, jamais abandone teu coração; e para alcançar o socorro da intercessão dela, não negligencies os exemplos de sua vida.

Seguindo-A, não te transviarás; rezando a Ela, não desesperarás; pensando nela, evitarás todo erro.

Se Ela te sustenta, não cairás; se Ela te protege, nada terás a temer; se Ela te conduz, não te cansarás; se Ela te é favorável, alcançarás o fim.

E assim verificarás, por tua própria experiência, com quanta razão foi dito: “E o nome da Virgem, era Maria”.

 

O segredo do último lugar

Se soubéssemos claramente em que lugar Deus põe cada um de nós, deveríamos aceitar tal decisão, sem nunca nos pormos nem acima nem abaixo desse lugar. Mas, no nosso presente estado, os decretos de Deus estão envoltos em trevas e a sua vontade nos está oculta. Por isso, é mais seguro, de acordo com o conselho da própria Verdade, escolher o último lugar, de onde nos tirarão depois com honra, para nos darem um melhor. Se passarmos debaixo de uma porta muito baixa, podemos baixar-nos tanto quanto quisermos sem nada temer mas, se nos levantarmos um dedo que seja acima da altura da porta, bateremos com a cabeça. É por isso que não se deve recear qualquer humilhação, mas antes temer e reprimir o menor movimento de auto-suficiência. Não vos compareis nem aos que são maiores que vós, nem aos vossos inferiores, nem a quaisquer outros, nem sequer a um só. Que sabeis deles? Imaginemos um homem que parece o mais vil e desprezível de todos, cuja vida infame nos horroriza. Pensais que o podeis desprezar, não só por comparação convosco mesmos, que aparentemente viveis na sobriedade, na justiça e na piedade, mas até por comparação a outros malfeitores, dizendo que ele é o pior de todos. Mas sabeis se ele não será um dia melhor que vós e se o não é já aos olhos do Senhor? Por isso é que Deus não quis que ocupássemos um lugar intermédio, nem o penúltimo, nem sequer um dos últimos, mas disse: “Toma o último lugar” a fim de se ficar verdadeiramente só na última fila. Desse modo não pensarás, já não digo a preferir-te, mas simplesmente a comparar-te a quem quer que seja.

São Bernardo (1091-1153), monge cisterciense e doutor da Igreja
Sermão 37 sobre o Cântico dos Cânticos

 

São Bernardo de Claraval, doce poeta de Nossa Senhora

CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 21 de outubro de 2009
Catequese pronunciada pelo Papa Bento XVI

Queridos irmãos e irmãs: Hoje, eu gostaria de falar sobre São Bernardo de Claraval, chamado de “o último dos Padres” da Igreja, porque no século XII, mais uma vez, ele renovou e fez presente a grande teologia dos padres. Não conhecemos em detalhe os anos da sua juventude; sabemos, contudo, ele nasceu em 1090 em Fontaines, na França, em uma família numerosa e discretamente acomodada. Ainda muito jovem, dedicou-se ao estudo das chamadas artes liberais – especialmente da gramática, retórica e dialética – na Escola dos Canônicos da igreja de Saint-Vorles, em Châtillon-sur-Seine, e amadureceu lentamente a decisão de entrar na vida religiosa. Por volta dos 20 anos, entrou em Cîteaux (Cister, N. da T.), uma fundação monástica nova, mais ágil com relação dos antigos e veneráveis mosteiros de então e, ao mesmo tempo, mais rigorosa na prática dos conselhos evangélicos. Alguns anos mais tarde, em 1115, Bernardo foi enviado por Santo Estêvão Harding, terceiro abade de Cister, a fundar o mosteiro de Claraval (Clairvaux). O jovem abade, com somente 25 anos, pôde aqui afinar sua própria concepção da vida monástica e empenhar-se em traduzi-la à prática. Observando a disciplina de outros mosteiros, Bernardo falou com decisão da necessidade de uma vida sóbria e comedida, tanto à mesa como na indumentária e nos edifícios monásticos, recomendando a sustentação e o cuidado dos pobres. Entretanto, a comunidade de Claraval era cada vez mais numerosa e multiplicava suas fundações. Nessa mesma época, antes de 1130, Bernardo empreendeu uma vasta correspondência com muitas pessoas, tanto importantes como de modestas condições sociais. Às muitas cartas deste período, é preciso acrescentar os numerosos Sermões, como também Sentenças e Tratados. Destaca-se também, nesses anos, a grande amizade de Bernardo com Guilherme, abade de Saint-Thierry, e com Guilherme de Champeaux, uma das figuras mais importantes do século XII. De 1130 em diante, começou a ocupar-se de muitas e graves questões da Santa Sé e da Igreja. Por este motivo, teve de sair mais frequentemente do seu mosteiro, inclusive fora da França. Fundou também alguns mosteiros femininos e foi protagonista de um vivo epistolário com Pedro o Venerável, abade de Cluny, sobre quem falei na última quarta-feira. Ele dirigiu seus escritos polêmicos sobretudo contra Abelardo, um grande pensador que iniciou uma nova forma de fazer teologia, introduzindo o método dialético-filosófico na construção do pensamento teológico. Outra frente contra a qual Bernardo lutou foi a heresia dos Cátaros, que desprezavam a matéria e o corpo humano, desprezando, por conseguinte, o Criador. Ele, no entanto, sentiu-se no dever de defender os judeus, condenando os cada vez mais difundidos brotos de antissemitismo. Por este último aspecto de sua ação apostólica, algumas décadas mais tarde, Epharim, rabino de Bonn, dedicou a Bernardo uma vibrante homenagem. Nesse mesmo período, o santo abade escreveu suas obras mais famosas, como os celebérrimos Sermões sobre o Cântico dos cânticos. Nos últimos anos da sua vida – ele faleceu em 1153 –, Bernardo teve de limitar as viagens, ainda que sem interrompê-las totalmente. Aproveitou para revisar definitivamente o conjunto das Cartas, dos Sermões e dos Tratados. Vale a pena mencionar um livro bastante particular, que ele terminou precisamente nesse período, em 1145, quando um aluno seu, Bernardo Pignatelli, foi eleito Papa com o nome de Eugênio III. Nessa circunstância, Bernardo, em qualidade de pai espiritual, escreveu a esse filho espiritual o texto De Consideratione, que contém ensinamentos para poder ser um bom papa. Nesse livro, que continua sendo uma leitura conveniente para os papas de todos os tempos, Bernardo não indica somente como ser um bom papa, mas expressa também uma profunda visão do mistério da Igreja e do mistério de Cristo, que se resolve, no final, com a contemplação do mistério de Deus uno e trino: “Deveria prosseguir ainda a busca desse Deus que ainda não foi bastante buscado – escreve o santo abade –, mas talvez se possa buscar e encontrar mais facilmente coma oração que com a discussão. Terminemos, portanto, aqui o livro, mas não a busca” (XIV, 32: PL 182, 808). Eu gostaria de deter-me somente em dois aspectos centrais da rica doutrina de Bernardo: estes se referem a Jesus Cristo e a Maria Santíssima, sua Mãe. Sua solicitude pela íntima e vital participação do cristão no amor de Deus em Jesus Cristo não traz orientações novas no status científico da teologia. Mas, de forma mais decidida que nunca, o abade de Claraval configura o teólogo com o contemplativo e o místico. Só Jesus – insiste Bernardo, frente às complexas reflexões dialéticas do seu tempo – é “mel na boca, cântico no ouvido, júbilo no coração” (mel in ore, in aure melos, in corde iubilum). Daqui provém o título, atribuído a ele pela tradição, de Doctor mellifluus: seu louvor a Jesus Cristo “se derrama como o mel”. Nas extenuantes batalhas entre nominalistas e realistas – duas correntes filosóficas da época –, o abade de Claraval não se cansa de repetir que só há um nome que conta, o de Jesus Nazareno. “Árido é todo alimento da alma – confessa – se não for tocado por este óleo; é insípido se não for temperado com este sal. O que escreves não tem sabor para mim, se não leio nele Jesus”. E conclui: “Quando discutes ou falas, nada tem sabor para mim, se não sinto ressoar o nome de Jesus” (Sermões em Cantica Canticorum XV, 6: PL 183,847). Para Bernardo, de fato, o verdadeiro conhecimento de Deus consiste na experiência pessoal, profunda, de Jesus Cristo e do seu amor. E isso, queridos irmãos e irmãs, vale para todo cristão: a fé é, antes de mais nada, um encontro pessoal e íntimo com Jesus; é fazer a experiência da sua proximidade, da sua amizade, do seu amor, e somente assim se aprende a conhecê-lo cada vez mais, a amá-lo e segui-lo cada vez mais. Que isso possa acontecer com cada um de nós! Em outro célebre sermão do domingo dentro da oitava da Assunção, o santo abade descreveu em termos apaixonados a íntima participação de Maria no sacrifício redentor do seu Filho: “Ó santa Mãe – exclama –, verdadeiramente uma espada transpassou tua alma! (…) Até tal ponto a violência da dor transpassou tua alma, que com razão podemos te chamar mais que mártir, porque em ti a participação na paixão do Filho superou muito em intensidade os sofrimentos físicos do martírio” (14: PL 183,437-438). Bernardo não hesita: “per Mariam ad Iesum”: através de Maria somos conduzidos a Jesus. Ele confirma com clareza a subordinação de Maria a Jesus, segundo os fundamentos da mariologia tradicional. Mas o corpo do Sermão documenta também o lugar privilegiado da Virgem na economia da salvação, dada sua particularíssima participação como Mãe (compassio) no sacrifício do Filho. Não por acaso, um século e meio depois da morte de Bernardo, Dante Alighieri, no último canto da “Divina Comédia”, colocará nos lábios do Doutor melífluo a sublime oração a Maria: “Virgem Mãe, filha do teu Filho/ humilde e mais alta criatura / término fixo do eterno conselho…” (Paraíso 33, vv. 1ss.). Estas reflexões, características de um enamorado de Jesus e de Maria, como São Bernardo, provocam ainda hoje, de forma saudável, não somente os teólogos, mas todos os crentes. Às vezes se pretende resolver as questões fundamentais sobre Deus, sobre o homem e sobre o mundo com as únicas forças da razão. São Bernardo, ao contrário, solidamente fundado na Bíblia e nos Padres da Igreja, recorda-nos que sem uma profunda fé em Deus, alimentada pela oração e pela contemplação, por uma relação íntima com o Senhor, nossas reflexões sobre os mistérios divinos correm o risco de serem um vão exercício intelectual e perdem sua credibilidade. A teologia reenvia à “ciência dos santos” a sua intuição dos mistérios do Deus vivo, a sua sabedoria, dom do Espírito Santo, que são ponto de referência do pensamento teológico. Junto a Bernardo de Claraval, também nós devemos reconhecer que o homem busca melhor e encontra mais facilmente Deus “com a oração que com a discussão”. No final, a figura mais verdadeira do teólogo continua sendo a do apóstolo João, que apoiou sua cabeça no coração do Mestre. Eu gostaria de concluir estas reflexões sobre São Bernardo com as invocações a Maria, que lemos em sua bela homilia: “Nos perigos, nas angústias, nas dúvidas, pensa em Maria, invoca Maria. Que seu nome nunca se afaste de teus lábios, jamais abandone teu coração; e para alcançar o socorro da intercessão dela, não negligencies os exemplos de sua vida. Seguindo-a, não te transviarás; rezando a Ela, não desesperarás; pensando nela, evitarás todo erro. Se Ela te sustenta, não cairás; se Ela te protege, nada terás a temer; se Ela te conduz, não te cansarás; se Ela te é favorável, alcançarás o fim” (Hom. II super “Missus est”, 17: PL 183, 70-71).

O Batismo de Jesus

Papa dá orientações de como educar os filhos na Fé e na vida
Mirticeli Medeiros / Da Redação / Radio Vaticana

O Papa Bento XVI presidiu na manhã deste domingo, 08, na Capela Sistina, no Vaticano, a Missa da Solenidade do Batismo do Senhor, na qual foi administrado o Sacramento do Batismo a 16 crianças. Durante toda a homilia, o Santo Padre falou sobre a arte de educar, que segundo ele, acontece primordialmente através do testemunho dos pais e daqueles que são responsáveis pelas pessoas que lhes são confiadas. “Como pessoas adultas, temos o compromisso de atingir fontes boas, pelo nosso bem e daqueles que foram confiados à nossa responsabilidade, em particular, vós, caros pais, padrinhos e madrinhas, para o bem destas crianças. E quais são as fontes de salvação? São a Palavra de Deus e os Sacramentos”, disse. Ainda falando sobre a educação passada de pais para filhos, o Pontífice ressaltou que as crianças devem ser conduzidas desde cedo a um relacionamento profundo com a verdade, para que, a partir disso, possam fazer suas escolhas definitivas. “O verdadeiro educador não liga as pessoas a si, não é possessivo. Quer que o filho, o discípulos, aprenda a conhecer a verdade e estabeleça com ela um relacionamento pessoal”, salientou. Entretanto, o Papa destacou que para que a educação aconteça de forma eficaz, é necessária a ação do Espírito Santo, com o qual, pais e responsáveis devem fazer uma forte experiência de fé. “A oração é a primeira condição para educar, porque rezando, nos colocamos na disposição de deixar a Deus a iniciativa, de confiar os filhos à Ele, que os conhece antes ou melhor que nós e sabe, perfeitamente qual é o verdadeiro bem deles”, citou.

 

HOMILIA Santa Missa na Festa do Batismo do Senhor Capela Sistina
Vaticano Domingo, 08 de janeiro de 2012

Queridos irmãos e irmãs É sempre uma alegria celebrar esta Santa Missa com o Batismo das crianças. Vos saúdo com afeto, caros pais, padrinhos e madrinhas, e todos vocês familiares e amigos! Viestes – a dissestes em alta voz – para que os vossos bebês recebam o dom da graça de Deus, a semente de vida eterna. Vós pais quisestes isso. Pensastes no Batismo antes mesmo que o vosso filho ou a vossa filha viesse à luz. A vossa responsabilidade de pais cristãos vos fez pensar logo no Sacramento que marca o ingresso na vida divina, na Comunidade da Igreja. Podemos dizer que esta foi a vossa primeira escolha educativa como testemunhas da fé em relação aos vossos filhos: a escolha é fundamental. O objetivo dos pais, ajudados pelo padrinho e pela madrinha é o de educar o filho ou a filha. Educar é muito trabalhoso, às vezes é árduo para as nossas capacidades humanas, sempre limitadas. Mas educar se torna uma maravilhosa missão se a cumprimos em colaboração com Deus, que é o primeiro e verdadeiro educador de todos os homens. Na primeira leitura que escutamos tirada do livro do profeta Isaías, Deus se volta para o seu povo exatamente como educador. Protege os israelitas para que estes não saciem a sede e fome em fontes erradas: “Por que gastais dinheiro com aquilo que não é pão, o vosso salário com aquilo que não sacia?” (Is 55,2). Deus quer dar-nos, sobretudo Si mesmo e a sua Palavra: sabe que distanciando-nos dEle, nos encontraremos logo em dificuldade, como o filho pródigo da palavra, e sobretudo perderemos a nossa dignidade humana. E por isto, nos assegura que Ele é misericórdia infinita, que os seus pensamentos e as suas vias não são como as nossas – por sorte nossa! – e que podemos sempre retornar a Ele, à casa do Pai. Nos assegura que se acolhermos a sua Palavra, a mesma trará frutos bons para nossa vida, como a chuva que irriga a terra (Is 55, 10-11). A esta Palavra que o Senhor dirigiu mediante o profeta Isaias, nós respondemos com o refrão do Salmo: “Chegaremos com alegria às fontes de salvação”. Como pessoas adultas, temos o compromisso de atingir fontes boas, pelo nosso bem e daqueles que foram confiados à nossa responsabilidade, em particular, vós, caros pais, padrinhos e madrinhas, para o bem destas crianças. E quais são as fontes de salvação? São a Palavra de Deus e os Sacramentos. Os adultos são os primeiros a alimentarem-se destas fontes, para poder guiar os mais jovens no crescimento deles. Os pais devem dar tanto, mas para poder dar têm a necessidade às vezes de receber, ao contrário, se esvaziarão, se secarão. Os pais não são a fonte, como também nós sacerdotes não somos a fontes: somos os canais, através dos quais deve passar a proteína vital do amor de Deus. Se nos distanciamos da fonte, nós mesmos por primeiro seremos atingidos negativamente e não teremos a capacidade de educar os outros. Por isto nos comprometemos dizendo: “Chegaremos com alegria às fontes da salvação”. E agora vamos para a segunda leitura e para o Evangelho. Os trechos nos dizem que a primeira e principal educação vem através do testemunho. O Evangelho nos fala de João o Batista. João foi um grande educador dos seus discípulos porque os conduziu ao encontro com Jesus, ao qual rendeu testemunho. Não exaltou a si mesmo, não quis ter os discípulos ligados a si. João também era um grande profeta, a sua fama era muito grande. Quando Jesus chegou, ele se colocou atrás e indicou-o: “Depois de mim vem àquele que é mais forte que eu. Eu vos batizei com água, mas ele vos batizará no Espírito Santo” (Mc 1, 7-8). O verdadeiro educador não liga as pessoas a si, não é possessivo. Quer que o filho, o discípulo, aprenda a conhecer a verdade e estabeleça com ela um relacionamento pessoal. O educador cumpre o seu dever até o fim, não permite que falte a sua presença atenta e fiel, mas o seu objetivo é que o educando escute a voz da verdade falar ao seu coração e a siga em um caminho pessoal. Retornemos agora ao testemunho. Na segunda leitura, o apóstolo João escreve: “É o Espirito que dá testemunho” (I Jo 5,6). Se refere ao Espírito Santo, o Espírito de Deus, que rende testemunho a Jesus, atestando que é o Cristo, o Filho de Deus. Isso se vê também na cena do batismo no rio Jordão: o Espírito Santo desce sobre Jesus como uma pomba para revelar que Ele é o Filho Unigênito do eterno Pai (Mc 1,10). Também no seu Evangelho, João sublinha este aspecto, lá onde Jesus diz aos discípulos: “Quando vier o Paráclito, que eu vos mandarei do Pai, o Espírito da verdade que procede do Pai, ele dará testemunho de mim, e também vós dareis testemunho, porque estais comigo desde o princípio” (Jo 15, 26-27). Este é um grande conforto no empenho de educar à fé, porque sabemos que não estamos sós e que o nosso testemunho é sustentado pelo Espírito Santo. É muito importante para vós pais e também para os padrinhos e madrinhas, acreditar fortemente na presença e na ação do Espírito Santo, invocá-lo e acolhê-lo em vós, mediante a oração e os Sacramentos. É Ele, de fato, que ilumina a mente, inflama o coração do educador para que saiba transmitir o conhecimento e Amor de Jesus. A oração é a primeira condição para educar, porque rezando, nos colocamos na disposição de deixar a Deus a iniciativa, de confiar os filhos à Ele, que os conhece antes o melhor que nós, e sabe perfeitamente qual é o verdadeiro bem deles. E, ao mesmo tempo, quando rezamos, nos colocamos em escuta das inspirações de Deus para fazer bem a nossa parte, que nos cabe e devemos realizar. Os Sacramentos, especialmente a Eucaristia e a Penitência, nos permitem de cumprir a ação educativa em união com Cristo, em comunhão com Ele e continuamente renovados pelo seu perdão. A oração e os Sacramentos nos obtém a luz da verdade, graças a qual podemos estar ao mesmo tempo serenos e fortes, usar a docilidade e a firmeza, calar e falar no momento certo, exortar e corrigir na maneira justa. Caros amigos, invoquemos juntos o Espírito Santo, a fim que desça em abundância sobre estas crianças, as consagre à imagem de Jesus Cristo e as acompanhe sempre no caminho da vida deles. As confiamos à direção materna de Maria Santíssima, para que cresçam em idade, sabedoria e graça e se tornem verdadeiros cristãos, testemunhas fiéis e alegres do amor de Deus. Amém.

 

BENTO XVI EXPLICA O SENTIDO DO BATISMO NA INFÂNCIA
Mirticeli Medeiros / Da Redação

Após a celebração da Missa na Solenidade do Batismo do Senhor, o Papa Bento XVI se dirigiu à sacada do Palácio Apostólico para rezar com os fiéis a tradicional oração mariana do Angelus. Durante o discurso que precedeu a oração, o Santo Padre fez um discurso no qual explicou o real sentido do Batismo, Sacramento que nos eleva à qualidade de Filhos de Deus. “O Batismo é um novo nascimento, que precede o nosso fazer. Com a nossa fé podemos ir ao encontro de Cristo, mas somente Ele pode fazer-nos cristãos e dar a esta nossa vontade, a este nosso desejo a resposta, a dignidade, o poder de nos tornarmos filhos de Deus que nós mesmos não temos”, explicou. O Pontífice, que administrou o batismo a 16 crianças na Capela Sistina neste domingo, 08, aproveitou a celebração deste acontecimento para fazer uma breve catequese sobre a administração desse Sacramento, o qual acontece comumente na infância. “Precisamos ter claro que ninguém se faz homem: nascemos sem o nosso próprio fazer, o passivo de ter nascido precede o ativo do nosso fazer. O mesmo também se diz do ser cristão: ninguém pode fazer-se cristão somente pela própria vontade, também ser cristão é um dom que precede nosso fazer”, ressalto.

 

ANGELUS DE BENTO XVI – 08/01/2012
Boletim Sala de Imprensa da Santa Sé (Tradução: Mirticeli Medeiros – equipe do CN notícias)
Queridos irmãos e irmãs Hoje celebramos a festa do Batismo do Senhor. Esta manhã conferi o Batismo a 16 crianças e por isto, gostaria de propor uma breve reflexão sobre nosso ser filhos de Deus. Antes de tudo, partamos do nosso ser simplesmente filhos: esta é a condição fundamental que nos une. Nem todos são pais, mas todos seguramente são filhos. Vir ao mundo não é nunca uma escolha, não nos vem pedido antes de nascer. Mas durante a vida, podemos amadurecer uma atitude livre em relação a própria vida: podemos acolhê-la como um dom e, em um certo sentido, tornar aquilo que já somos: filhos. Esta passagem sinaliza uma etapa de maturidade do nosso ser e no relacionamento com nossos pais, que se enche de reconhecimento. É uma passagem que nos torna também capazes de ser também genitores, não biologicamente, mas moralmente. Também em relação a Deus somos todos filhos. Deus é a origem da existência de toda criatura e é Pai em modo singular de cada ser humano: tem como ele ou com ela uma relação única, pessoal. Cada de nós é querido, é amado por Deus. E também nesta relação com Deus, por assim dizer, podemos renascer, isto é, nos tornar aquilo que somos, Isto acontece mediante a fé, mediante um sim profundo e pessoal a Deus como origem e fundamento da nossa existência. Com este “sim” eu acolho a vida como dom do Pai que está nos céus, um Pai que não vejo, mas no qual creio e que sinto no profundo do coração ser o Meu Pai e de todos os meus irmãos em humanidade, um Pai imensamente bom e fiel. Sobre o que se baseia esta fé em Deus Pai? Se baseia em Jesus Cristo: a sua pessoa e a sua história nos revelam o Pai, o fazem conhecer, o quanto é possível deste modo. Crer que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, nos conduz a renascer do alto, isto é, de Deus, que é amor (Jo 3,3). E precisamos ter claro que ninguém se faz homem: nascemos sem o nosso próprio fazer, o passivo de ter nascido precede o ativo do nosso fazer. O mesmo é também se diz do ser cristão: ninguém pode fazer-se cristão somente pela própria vontade, também ser cristão é um dom que precede o nosso fazer: devemos renascer em um novo nascimento. São João diz: A quantos o acolheram deu o poder de se tornarem filhos de Deus (Jo 1,12). Este é o sentido do Sacramento do Batismo, o Batismo é um novo nascimento, que precede o nosso fazer. Com a nossa fé podemos ir ao encontro de Cristo, mas somente Ele mesmo pode fazer-nos cristãos e dar a esta nossa vontade, a este nosso desejo a resposta, a dignidade, o poder de nos tornarmos filhos de Deus que de nós mesmos não temos. Caros amigos, este domingo do Batismo do Senhor conclui o Tempo do Natal. Rendamos graças a Deus por esse grande mistério, que é fonte de regeneração para a Igreja e para o mundo inteiro. Deus se fez Filho do Homem, para que o homem se tornasse filho de Deus, mediante o Batismo. À Virgem Maria, Mãe de Cristo e de todos aqueles que crêem nEle, pedimos que nos ajude a viver realmente como filhos de Deus, não com as palavras, e não somente com as palavras, mas com os fatos. Escreve ainda São João: “Este é o seu mandamento: que creiamos no nome do seu Filho Jesus e nos amemos uns aos outros, este é o preceito que Ele nos deu (I Jo 3,23).

Aceitar Jesus não é mudar de Igreja, mas mudar de vida

http://berakash.blogspot.com.br/2015/11/aceitar-jesus-nao-e-mudar-de-igreja-mas.html

Eu aceito Jesus quando experimento de seu amor e de sua misericórdia e digo SIM a Ele. Sim Senhor, eu quero Te amar acima de todas as coisas, Jesus! Quero, por meio dos meus irmãos, levar Seu amor a quem precisar.
Maria aceitou Jesus quando disse: “Eis aqui a serva do Senhor, faça se em mim segundo a tua palavra”.Mas antes de tudo, aceitar Jesus é dizer não ao mal e ao pecado e a tudo que é contra o plano e projeto de Deus para nós e para o mundo.É encarar o que o Evangelho nos diz e fazer de tudo para segui-lo através do magistério seguro da Igreja.
Por isso, não tenhamos medo de dizer: SOU CRISTÃO, SOU CATÓLICO E ACEITO E RENOVO MINHA EXPERIÊNCIA COM JESUS TODOS OS DIAS!
Aceito Jesus quando reconheço que minha vida é d’Ele, aceito Jesus em cada Santa Missa e todas as vezes que Ele vem até mim na Eucaristia. Eu te aceito Jesus!
Aceitar Jesus – O que é verdadeiramente?

1)- Eu já aceitei Jesus e já me batizei em outra denominação Cristã, preciso aceitar de novo e me re-batizar?
Não!!! Pois isto não tem respaldo nem na bíblia e nem na tradição dos primeiros Cristãos. A palavra de Deus diz em Efésios 4, 4-5: “Há um só corpo e um só Espírito, como também fostes chamados em uma só esperança da vossa vocação; Um só Senhor, uma só fé, um só batismo…” Aceitar Jesus é uma decisão que se toma uma vez só, é um compromisso que assumimos diante do Senhor e publicamente na Igreja, desde que seja verdadeiro não há necessidade de aceitar novamente. Com relação ao batismo deste que tenha sido na forma ordenada por Cristo em nome da Trindade (Mateus 28, 19), é válido. É evidente que todos os dias devemos estar renovando este nosso compromisso com Deus.

2)- Depois de aceitar a Jesus, eu preciso continuar indo na igreja?
Sim. Muitas pessoas vão à igreja, aceitam o Senhorio de Jesus e depois não voltam mais, isto está errado. Aceitar viver sob o Senhorio de Jesus é apenas o início da nossa caminhada com o Senhor, temos que cultivar e renovar constantemente este nosso compromisso. Veja o que diz em Mateus 24, 13: “Mas aquele que perseverar até ao fim será salvo”. Perceba que a salvação é condicional à nossa fidelidade a Deus em seu caminho até o fim, e sozinho é muito difícil perseverar.

3)- O que vai mudar na minha vida depois que eu aceitar Jesus?
O primeiro e principal acontecimento será a salvação, todos aqueles que arrependem-se de seus pecados, os confessa e aceitam Jesus como Senhor e Salvador verdadeiramente em seus corações e são batizados, são salvos, e já não pesa mais nenhuma condenação.Veja o que diz em Romanos 10, 9:
“Se com a tua boca confessares ao Senhor Jesus, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo”.
Mas isto não significa que você não tenha que mudar ainda a sua vida, pois inúmeras pessoas aceitam Jesus tendo suas vidas completamente tortas, porém isto será mudado gradativamente com a operação do Espírito Santo na vida desta nova pessoa e sua livre colaboração, pois assim está escrito:
Filipenses 2, 12-16: “Efetuai a vossa salvação com temor e tremor”.

4)- E se não for verdadeira a minha decisão de aceitar Jesus?
Muitas pessoas aceitam Jesus da boca para fora, isto é, não fazem isto com o coração. É importante observar aqui que mesmo que tenha sido de forma inexpressiva, Deus vai considerar a sua decisão, cabendo agora a você assumir ou não, o compromisso diante de Deus. Contudo a salvação só é operada naqueles que aceitarem Jesus de forma verdadeira e só será mantida naqueles que permanecerem nos caminhos do Senhor.

5)- Depois de aceitar Jesus, posso perder a salvação?
Sim. Basta você abandonar o compromisso que fez com Jesus e afastar dos seus caminhos. O que nos revela a palavra de Deus sobre isto?
“Considera, pois, a bondade e a severidade de Deus: severidade para com aqueles que caíram, bondade para contigo, suposto que permaneça fiel a essa bondade; do contrário, também tu serás cortada” (Romanos 11, 22).
“Porque é impossível que os que já uma vez foram iluminados, e provaram o dom celestial, e se tornaram participantes do Espírito Santo, e provaram a boa palavra de Deus, e as virtudes do século futuro, e recaíram, sejam outra vez renovados para arrependimento; pois assim, quanto a eles, de novo crucificam o Filho de Deus, e o expõem ao vitupério. Porque a terra que embebe a chuva, que muitas vezes cai sobre ela, e produz erva proveitosa para aqueles por quem é lavrada, recebe a bênção de Deus; Mas a que produz espinhos e abrolhos, é reprovada, e perto está da maldição; o seu fim é ser queimada” (Hb 6, 4-8).
“Aquele, pois, que estar em pé, cuide para que não caia” (1Cor 10, 12).
“Sede sóbrios; vigiai; porque o diabo, vosso adversário, anda em derredor, bramando como leão, buscando a quem possa tragar…” (1Pd 5, 8).
“Nem todo aquele que me diz: ‘Senhor, Senhor’, entrará no Reino dos céus, mas apenas aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus. Muitos me dirão naquele dia: ‘Senhor, Senhor, não profetizamos em teu nome? Em teu nome não expulsamos demônios e não realizamos muitos milagres? Então eu lhes direi claramente: Nunca os conheci. Afastem-se de mim vocês que praticam o mal (Mateus 7, 21-23).
O próprio Paulo é inseguro da sua própria salvação:
“Com a esperança de conseguir a ressurreição dentre os mortos não pretendo dizer que já alcancei (esta meta) e que cheguei à perfeição. Não. Mas eu me empenho em conquistá-la, uma vez que também eu fui conquistado por Jesus Cristo. Consciente de não tê-la ainda conquistado, só procuro isto: prescindindo do passado e atirando-me ao que resta para frente. Persigo o alvo, rumo ao prêmio celeste, ao qual Deus nos chama, em Jesus Cristo” (Filipenses 3, 11-14).
“Antes subjugo o meu corpo, e o reduzo à servidão, para que, pregando aos outros, eu mesmo não venha de alguma maneira a ficar reprovado” (1Cor 9, 27).

6)- Preciso mudar de denominação Cristã para aceitar Jesus e ser salvo?
Aceitar Jesus é algo que tem que acontecer no coração, é uma experiência marcante, profunda entre você e o Senhor Jesus. Envolve arrependimento, quebrantamento de coração e entrega pessoal e total a Deus no filho por meio da graça do Espírito Santo. Se a sua denominação Cristão está comprometida com a palavra de Deus, prega que seus membros devam buscar a viver em santidade, que precisam obedecer a palavra de Deus, e ao sagrado magistério como nos ordena as escrituras, neste caso específico, não precisa sair, mas cada caso é um caso. Nosso Senhor disse aos apóstolos:
“Quem vos ouve, a mim ouve, e o que vos despreza a Mim despreza” (Lc 10, 16).
E disse a Pedro:
“Apascenta as minhas ovelhas” (Jo 21, 15-18).
E declarou que a Pedro daria as chaves do Reino dos Céus (Mateus 16, 18). Portanto isto é grave e muito relevante a salvação. Não queira cair no pecado do orgulho de satanás. Quem não aceita Pedro, e quem não ouve os apóstolos despreza o próprio Cristo, coisa que o ladrão arrependido não fez. O bom ladrão confessou que Cristo era o Senhor, dizendo:
“Senhor, lembra-te de mim, quando entrares em teu Reino” (Lc 23, 42).
Ele se salvou confessando a Deus, e foi batizado por seu sangue. Porque há também um batismo de sangue. E no juízo final Cristo julgará os homens pela Fé e pela observância da lei de Deus, da qual “nem um só jota será tirado” (Mt 5, 18).E no juízo ele dirá “não vos conheço” para aqueles que não alimentaram a lâmpada da fé com as boas obras. Por isso lhes dirá “Tive fome, e não me destes de comer” (Mt 25, 34-46).
Hereges e filhos do diabo são, pois os que deformam a doutrina e a lei de Deus, ora negando o que Cristo ensinou, ora se atribuindo uma fé que recusa as boas obras. De modo que só se salvam as ovelhas de Cristo, e quem recusa ouvir a Pedro, despreza Cristo, e será punido por ele como filho do demônio.
“Fora da Igreja não há salvação”
O que esta frase quer dizer? Esta sentença é dos grandes Padres da Igreja, como Santo Agostinho (430), São Justino (165), Santo Irineu (200), etc., e mostra que a Igreja é fundamental para a nossa salvação.
Como entender esta afirmação?
De maneira positiva, ela significa que toda salvação vem de Cristo-Cabeça através da Igreja que é o seu Corpo, explica o Catecismo da Igreja:
“Apoiado na Sagrada Escritura e na Tradição, [o Concílio Vaticano II] ensina que esta Igreja peregrina é necessária para a salvação”.
Jesus Cristo é o único mediador e caminho da salvação, mas Ele se torna presente para nós no seu Corpo, que é a Igreja. Ele, mostrando a necessidade da fé e do batismo para a nossa salvação [Mc 16, 16 – “Quem crer e for batizado será salvo…”], ao mesmo tempo confirmou a necessidade da Igreja, na qual os homens entram pelo batismo, como que por uma porta. Diz o Catecismo que:
“Por isso não podem salvar-se aqueles que, sabendo que a Igreja Católica foi fundada por Deus através de Jesus Cristo como instituição necessária, apesar disso não quiserem nela entrar, ou então perseverar (LG 14)” (Cat. § 846).
Quando a Igreja nos toca pelos Sacramentos, é o próprio Cristo que nos toca. Jesus disse aos Apóstolos (hoje os bispos):
“Quem vos ouve a mim ouve, quem vos rejeita a mim rejeita; e quem me rejeita, rejeita aquele que me enviou’ (Lc 10, 16).
Desprezar a Igreja e seu magistério sagrado, é desprezar a Cristo. São Paulo na Carta a S. Timóteo diz que: “Deus quer que todos se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade” (1Tm 2, 4), e afirma em seguida que:
“A Igreja é a coluna e o fundamento da verdade” (1Tm 3, 15).
A Igreja é apostólica: está construída sobre “Os doze Apóstolos do Cordeiro” (Ap 21, 14); ela é indestrutível (Mt 16, 18); é infalivelmente mantida na verdade (Jo 14, 25; 16, 13; § 869).
Para manter a Igreja isenta de erros de doutrina “Cristo quis conferir à sua Igreja uma participação na sua própria infalibilidade, ele que é a Verdade” (LG 12; DV 10).
Mas o Catecismo Católico explica que:
“Aqueles, portanto, que sem culpa ignoram o Evangelho de Cristo e sua Igreja, mas buscam a Deus com o coração sincero e tentam, sob o influxo da graça, cumprir por obras a sua vontade conhecida através do ditame da consciência, podem conseguir a salvação eterna” (§ 848).
Ora o ladrão na Cruz não era Cristão e foi salvo por Cristo, sem proclamar solenemente Cristo como seu único senhor e salvador. Um índio e os povos de uma cultura não Cristã se salvariam, diz a doutrina Católica, se obedecessem toda a lei natural, lei que Deus colocou no coração de cada homem.
Diz São Paulo que aqueles que não podem conhecer a verdade católica por uma situação de ignorância invencível, isto é, que não tinham meio algum de conhecer a Revelação, ELES SERIAM JULGADOS PELA LEI NATURAL, pois obedecendo essa lei natural que todos conhecem, eles se salvariam (Romanos 2, 12-16). Tais pessoas, como o índio, não pertencem ao corpo da Igreja, mas pertencem à alma da Igreja.

7)- Para aceitar Jesus é necessário que eu esteja na igreja ou posso aceitar e ficar na minha própria casa? Cristo Sim, Igreja não?
O grupo que se autodenomina como os “Sem Igreja” (Cristo sim igreja não) se dizem salvos também. E você o que acha? Eles estão salvos ou a Caminho da Condenação?. Se os “sem igreja” estão salvos, tal como aqueles que frequentam denominações, podemos dizer que igrejas protestantes não servem para nada já que não são essenciais para a salvação? Sim ou não?. Qual dos grupos está salvo? Os “Sem Igreja” ou os “Com milhares de Igrejas”?. Se ambos estão salvos, para que então frequentar Igrejas? e ainda tentar fazer proselitismo? Tentando ganhar adeptos para uma denominação?
O QUE NOS DIZ A PALAVRA DE DEUS SOBRE ISTO?
“Não deixando a nossa congregação, como é costume de alguns, antes admoestando-nos uns aos outros; e tanto mais, quanto vedes que se vai aproximando aquele dia” (Hb 10, 25).
Ajuntai-vos, e vinde, todos os gentios em redor, e congregai-vos. Ó Senhor, faze descer ali os teus fortes (Joel 3, 11).
Alegrei-me quando me disseram: Vamos à casa do Senhor (Salmos 122, 1).
Lc 24, 53: E estavam sempre no templo, louvando e bendizendo a Deus.

8)- É possível aceitar Jesus pelo rádio, TV, ou internet?
Sim. Como visto nas perguntas acima, aceitar Jesus é algo a princípio particular entre você e o Senhor Jesus, portanto não importa o meio que alguém usou para dizer que você precisa aceitar Jesus. Se você sentiu tocado pelo Espírito Santo e deseja se entregar a Jesus poderá ser sim pela internet, rádio, TV, ou qualquer outro meio lícito. Depois é necessário tornar isto público, pois assim nos diz as escrituras:
“E digo-vos que todo aquele que me confessar diante dos homens, também o Filho do homem o confessará diante dos anjos de Deus, mas quem me negar diante dos homens, será negado diante dos anjos de Deus…” (Lucas 12, 8-9).

9)- QUAL A VERDADEIRA IGREJA “VISÍVEL” QUE CRISTO NOS DEIXOU? Qual igreja devo frequentar?
Apresento cinco Critérios bíblicos para você confirmar:
1. Que Possua Unidade: Consenso de doutrina e crença (Atos 2, 46; Efésios 4, 3.13).
2. Que seja Universal (CATÓLICA): Prega o evangelho no mundo todo e para todos (Hebreus 12, 23; Apocalipse 14, 6; Marcos 16, 15)
3. Que esta Igreja esteja de acordo com a doutrina dos apóstolos (Apostolicidade: Atos 2, 42) – Pergunta que não cala: Teologia da Prosperidade, campanhas, votos e desafios em dinheiro é bíblico? Blasfemar contra a mãe de Deus e aos Santos, faz parte do ensino dos apóstolos? Faça a você mesmo estas perguntas e compare com a atual denominação que você está e seja dócil e obediente a vós de Deus, mesmo que isto lhe custe perder amizades e suas seguranças humanas.
4. NÃO É POPULAR NEM DEMOCRÁTICA – VAI CONTRA O PENSAMENTO DO MUNDO: Contra o aborto, contra a homossexualidade e a depravação sexual, a favor da família constituída por um homem e uma mulher, que favoreça a moral e os bons costumes (Apocalipse 12, 17; Romanos 9, 27 e Lucas 12, 32).
5. Ensina a salvação pela fé em Jesus Cristo, mas acompanhada das BOAS OBRAS: Enquanto os protestantes estão preocupados em decorar trechos bíblicos e ATACAR OS CATÓLICOS, generalizar falhas e buscar controvérsias, etc, os Católicos procuram viver o Evangelho, portanto tire suas conclusões. Os protestantes como revela a palavra de Deus, são muito lentos e retardados no entendimento das coisas de Deus: “Teríamos muita coisa a dizer sobre isso, e coisas bem difíceis de explicar, dada a vossa lentidão em compreender. A julgar pelo tempo, já devíeis ser mestres! Contudo, ainda necessitais que vos ensinem os primeiros rudimentos da palavra de Deus” (Hebreus 5, 11-14).
A Religião perfeita é: “A religião pura e verdadeira é esta: Ajudar os órfãos e as viúvas nas suas aflições e não se manchar com as coisas más deste mundo” (Tiago 1, 26-27).

Onde está escrito na bíblia que Religião não salva ninguém?
Os protestantes não sabem nem ao menos o que dizem, apenas repetem como PAPAGAIOS o que seus FALSOS PASTORES lhe impõem. Ora dizer que a verdadeira religião não salva é negar a própria RELIGIÃO CRISTÃ, pois Cristo disse em João 14, 5: Eu Sou o caminho a verdade e a vida, e NINGUEM VEM AO PAI SENÃO POR MIM… Com esta promessa Cristo estabeleceu a única e verdadeira Religião (Religare) e a confiou a Pedro em Mateus 16, 18. E como poderão salvar-se os que não conhecem Jesus ou consideram verdadeira a sua própria religião? Obviamente neste caso a fé será substituída pelas obras de misericórdia, necessárias também entre os cristãos porque a fé sem obras está morta (Tg 2, 17) e Paulo afirma que a fé só tem valor mediante o amor (Gl 5, 6). Por fim a promessa de Cristo é dirigida aqueles que combinaram a fé com as boas obras: “VINDE BENDITOS DO MEU PAI, tive fome e me deste de beber, nu e me vestistes, preso e fostes me visitar, estrangeiro e me acolhestes… (Mt 25, 31-46). Não agir assim é uma fé vazia, esta que o próprio Cristo combate:
“Este povo me louva com a boca, mas o seu coração está longe de mim…” (Mt 15, 8).
Por fim, a própria passagem que os protestantes adoram citar (incompleta claro), fala da necessidade das boas obras para confirmar a verdadeira fé professada:
“Mas Deus, que é riquíssimo em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos amou, Estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos), E nos ressuscitou juntamente com ele e nos fez assentar nos lugares celestiais, em Cristo Jesus; Para mostrar nos séculos vindouros as abundantes riquezas da sua graça pela sua benignidade para conosco em Cristo Jesus. Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie; Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas” (Efésios 2, 4-10).
Analise na verdade e na sinceridade, e veja em qual Igreja você encontrará estes 5 pontos em um só lugar?Não fiquem espantados com a saída de falsos católicos e a diminuição dos fieis e verdadeiros católicos, pois é preciso que se cumpra as escrituras:
Quando Jesus vier buscar a sua igreja ele não irá levar a maioria, pois será salvo apenas um resto como está profetizado em Romanos 9, 27.
1Jo 2, 19 – “Eles Saíram do nosso meio, mas não eram dos nossos; pois, se tivessem sido dos nossos, teriam permanecido conosco. Mas, [saíram] para que se mostrasse que nem todos são dos nossos, nem do número dos eleitos.
“Ninguém pode servir a dois senhores, porque ou odiará a um e amará a outro, ou se prenderá a um e desprezará o outro. Não podeis servir simultaneamente a Deus e a Mamon…” PERGUNTA QUE NÃO QUER CALAR: Por que os protestantes e suas lideranças pulam essa parte do Evangelho? – Nunca os vi comentarem sobre esse trecho do Evangelho – Devem sentir-se constrangidos em ter de enfrentar a esta verdade dita pelo Cristo, contradizendo suas pregações de bençolatria, dizimolatria, sucessolatria e seus altos padrões de vida a custo dos ignorantes.
Procure uma paróquia próxima de você, ou algum grupo de oração que siga os cinco critérios acima, e diga ao padre, ou coordenador do grupo que você experimentou da misericórdia de Deus, por meio de seu filho Jesus, ouvindo um programa de rádio, TV ou através da internet, e diga que deseja segui-lo e servi-lo. Procure estar presente nas reuniões de louvor, e serviço. Procure fazer os cursos oferecidos pela paróquia ou grupo de oração, pois são importantes para enriquecer o seu conhecimento de Cristo e de sua vontade, e responder as dúvidas que são muito comuns nesta fase da caminhada cristã.

ALGUNS ESCLARECIMENTOS NECESSÁRIOS:
As igrejas que conhecemos hoje, com nome, CNPJ e até marca registrada, são instituições fundadas e geridas por homens, elas possuem um papel importante no ponto de vista da organização, e apoio aos crentes na expansão da fé cristã através de trabalhos missionários, pois sem as igrejas e seus missionários, os primeiros Cristãos não teriam sido alcançados pelo evangelho, e consequentemente nós também não, portanto devemos nossa gratidão sim, a todos os Santos missionários do passado e do presente.
Sendo a Igreja uma instituição inspirada por Deus, mas gerida pelo homem, é natural que nela haja falhas, afinal o homem é falho, nos ensina as Sagradas Escrituras:
“não há homem justo sobre a terra, que faça o bem e nunca peque” (Eclesiastes 7, 20).
Todas as denominações, sem exceções, têm suas virtudes e também suas falhas, somente “o caminho de Deus é perfeito”, em somente o magistério Petrino, auxiliado pelo Espírito Santo é infalível e somente “a palavra do Senhor é pura” e somente Deus “é um escudo para todos os que nele se refugiam” (Salmo 18, 30).
A igreja que disser não ter defeitos, que seus ministros não pecam, que as palavras ditas nos seus púlpitos são puras, está tentando roubar o papel principal da fé cristã, que é o de Jesus, único perfeito, que é também o autor da salvação (Hebreus 5, 9). Nem sempre as falhas que originam os defeitos nas igrejas são originados com más intenções, nem sempre são premeditadas, o problema é a falibilidade e limitação humana mesmo. Geralmente os dirigentes em sua maioria, estão imbuídos de bons sentimentos e boas intenções. Lógico que há pessoas que por vaidade, politicagem, ganância e poder acham que os fins justificam os meios, há “servos” que agem por interesses próprios, não servindo a Deus, mas a si próprio; estes, porém já receberam seu galardão.

10)- Podemos continuar buscando a Deus em lugares que estão cheio de erros e que conhecemos muitos destes erros?
Como disse acima, não existe igreja e nem grupo perfeito, a busca por uma igreja perfeita seria infinita, porém, existem igrejas maduras e você pode se fixar em qualquer uma delas desde que se sinta acolhido por ela, mas não se iluda, até mesmo as igrejas maduras possuem defeitos, por isso, devemos agir como os crentes de Beréia que se aplicavam em conhecer as Sagradas Escrituras e agir conforme a orientação do apostolo Paulo, que disse:
“examinai tudo, retenha apenas o que é bom” (I Tessalonicenses 21).
Deus se permite ser encontrado por todos que o buscam (Jeremias 29, 13). Então, a princípio, não deixe de buscar a Deus e experimentar de seu amor e de sua misericórdia. Deixe que Espírito Santo seja o teu guia, reze e peça a Deus a direção com sinceridade de coração e Ele será fiel, pois diz a palavra:
“Porque qualquer que pede recebe; e quem busca acha; e a quem bate abrir-se-lhe-á. E qual o pai de entre vós que, se o filho lhe pedir pão, lhe dará uma pedra? Ou, também, se lhe pedir um peixe, lhe dará por peixe uma serpente? Ou, também, se lhe pedir um ovo, lhe dará um escorpião? Pois se vós, sendo maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais dará o Pai celestial o Espírito Santo àqueles que lho pedirem?…” (Lucas 11, 10-13).
Não precisamos necessariamente esperar estar numa igreja para conhecer a Bíblia (principalmente se próximo a você não tem uma ou um grupo de pessoas que se reúnem para partilhá-la comunitariamente), nada impede que você abra sua Bíblia na sua casa, e estude a palavra pura que foi inspirada por Deus (2° Timóteo 3, 16-17) e é rica em verdade que liberta (João 8, 32) o homem do jugo pesado imposto pelos homens que lideram uma igreja ou grupo com fardos pesados que nem eles estão dispostos a carregar, com dízimos interesseiros e exploradores, deturpando a palavra de Deus para seus interesses mesquinhos.
Muitas vezes nós erramos, e somos coniventes com os erros da igreja exatamente por não conhecer as Escrituras (Mateus 22, 29).

11) – Será que Deus está presente “também” na denominação onde Congrego? Caso contrário, o que devemos fazer?
Deus se faz presente onde dois ou três em seu nome se reunirem (Mateus 18, 20). Dei ênfase no “também” porque alguns tomam o próprio lugar de Deus e do Espírito que sopra onde Ele quer, e não onde nós determinamos, pois assim está escrito:
“O Ruah sopra onde quer; ouves-lhe o ruído, mas não sabes de onde vem, nem para onde vai…” (João 3, 8).
Podemos concluir então, que Deus está presente onde dois ou mais se reunirem em seu nome (cf. Mateus 18, 20) mas, já não podemos afirmar com a mesma certeza que todos os líderes destas reuniões estejam com Deus, pois assim está escrito:
“Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não pregamos nós em teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitas maravilhas? E então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade…” (Mateus 7, 22-23). Não se espante, pois homem é falho, é corruptível e muitas vezes fazem associações obscuras e incompatíveis com a fé que professa.

O que fazer?
Conte sempre com Deus e com sua Palavra, que é “lâmpada para seus pés e luz para seus caminhos” (Salmos 119, 105) e também trás consolo e esperança (Romanos 15, 4). Mas principalmente sigamos o conselho de Cristo:
“Dirigindo-se, então, Jesus à multidão e aos seus discípulos, disse: Os escribas e os fariseus (Sacerdotes, e bispos) sentaram-se na cadeira de Moisés (No caso Católico na cadeira de Pedro). Observai e fazei tudo o que eles dizem, mas não façais como eles, pois dizem e não fazem. Atam fardos pesados e esmagadores e com eles sobrecarregam os ombros dos homens, mas não querem movê-los sequer com o dedo. Fazem todas as suas ações para serem vistos pelos homens…” (Mateus 23, 1-5).
Independente de qual igreja você esteja, sempre reze a Deus pelos teus ministros, sacerdotes, bispos, e lideranças Cristãs, e pelos seus ministérios nas igrejas de Deus em geral na face da Terra, para que a vontade Dele seja sempre manifesta e que as ervas daninhas sejam extirpadas do seio da igreja, e assim possamos melhor servir ao Senhor em verdade e em santidade e com sincero coração. Servimos a Deus, não ao homem. Devemos sim honrar e respeitar nossos ministros, mas aquilo que é ensinado por eles se não tem fundamento bíblico, magisterial ou tradicional, deve ser rejeitado e combatido (Gálatas 1, 8).
Hoje em dia, muitos buscam as igrejas motivados por necessidades materiais ou sentimentais, e podem buscar, mas naquela frase, o Mestre atingiu a essência da necessidade humana: o novo nascimento. Sem esta experiência, todas as bênçãos serão inúteis ou de pouco valor. É como se Jesus dissesse a cada pessoa: “Sua vida não tem conserto. Você precisa nascer de novo”. O evangelho não oferece uma simples reforma na vida do homem, mas sim uma nova vida.
O novo nascimento não é reencarnação, mas um nascimento espiritual que acontece quando o indivíduo crê em Jesus Cristo como seu Salvador e o recebe sinceramente no coração pela fé. Podemos ilustrar este conceito bíblico por meio de dois animais: a lagarta e a borboleta. A lagarta é feia, repugnante, tem visão limitada, anda arrastando, é um bicho devorador de plantações e, algumas vezes, nocivo ao ser humano. Como consequência, é temida, desprezada, rejeitada e pisada pelas pessoas. A borboleta, embora não seja uma espécie diferente da lagarta, passou por uma transformação. Agora, ela é bonita, agradável, tem visão mais ampla e consegue voar. A borboleta é admirada, elogiada e sempre bem-vinda em nossos lares.
Podemos comparar a lagarta ao homem sem Cristo, e a borboleta ao homem convertido. Paulo usaria as expressões “velho homem” e “novo homem”. O contraste entre a lagarta e a borboleta é muito grande e essa transformação acontece durante um período intermediário em que o animal toma a forma de crisálida. Ao final do processo, ocorre o que podemos chamar de “novo nascimento”, ou METANOIA (Conversão). Agora, tudo será diferente. Algo semelhante é experimentado por aqueles que recebem a Jesus como Senhor de suas vidas. A conversão, de acordo com a bíblia, não é mudança de religião, mas uma profunda transformação na vida, de dentro para fora. É uma mudança de caráter que afeta também as ações. Isto nos faz lembrar a mudança experimentada por Jacó, que se tornou Israel, e por Saulo de Tarso, que veio a ser o grande apóstolo Paulo. Embora a fase da crisálida seja para o bem, parece morte e sepultamento. A situação do animal parece ter piorado. Antes se arrastava, agora não se move. Antes, tinha companhia, agora há solidão. Antes, devorava tudo, agora tem uma nova fome de Deus. Assim também acontece com as transformações espirituais. Elas podem não ser imediatas, mas sim o fruto de um processo demorado que, a princípio, parece piorar a condição do indivíduo. Jacó saiu mancando do seu encontro com Deus, mas, enquanto doía por fora, o Senhor operava por dentro.
Saulo, quando se encontrou com Jesus, caiu por terra e ficou cego. As coisas pareciam piorar. Ele perdeu suas prerrogativas entre os judeus e não foi recebido logo pelos cristãos. Começou então um período de reclusão, isolamento. Deve ter sido um tempo muito difícil, mas útil para sua preparação espiritual antes de iniciar seu magnífico ministério. Quando termina o tempo da crisálida, uma nova vida começa. A borboleta mudou de nome e de aparência, mas não foi apenas isso. Seu comportamento é outro. Ela passa a frequentar outros ambientes e tem novas companhias. Sua visão agora é superior e até o seu alimento mudou.
Precisamos nos conscientizar do que Deus espera de nós, mesmo sabendo que não o surpreendemos com nossas quedas e fraquezas:
Ele espera por tudo aquilo que Ele mesmo gratuitamente nos deu, aguarda um modo de vida coerente com o novo nascimento. Talvez pensássemos que tudo isso fosse automático, mas não é. Afinal de contas, temos uma nova natureza, mas não perdemos a antiga. Temos duas naturezas que lutam dentro de nós. A borboleta tem condições de voar, mas não perdeu a capacidade de caminhar. Portanto, ela pode escolher abdicar-se de sua nova habilidade, voltando aos antigos ambientes e à velha vida. Quantos cristãos transformados em águias, vivem como se fossem galinhas. São como filhos pródigos entre os porcos. Antes, você era incapaz de vencer o pecado. Agora, pode vencê-lo, mas precisa escolher e re escolher isto todos os dias. Vem a primeira conversão e a fase do testemunho. Depois vem a segunda conversão e a fase do CONTRA TESTEMUNHO, mas quando re escolhemos Deus, o contra testemunho se torna um grande testemunho. Nesta linha de pensamento enquadram-se diversas admoestações de Paulo para as igrejas ao orientar os irmãos no sentido de viverem de acordo com sua nova condição espiritual:
“Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos como um sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. E não vos conformeis a este mundo, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus” (Rm 12, 1-3).
“Quanto ao procedimento anterior, vos despojeis do velho homem, que se corrompe pelas concupiscências do engano; e vos renoveis no espírito da vossa mente; e revesti-vos do novo homem, que segundo Deus foi criado em verdadeira justiça e santidade. Pelo que deixai a mentira, e falai a verdade cada um com o seu próximo, pois somos membros uns dos outros. Irai-vos, e não pequeis; não se ponha o sol sobre a vossa ira; nem deis lugar ao Diabo. Aquele que furtava, não furte mais; antes trabalhe, fazendo com as mãos o que é bom, para que tenha o que repartir com o que tem necessidade. Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, mas só a que seja boa para a necessária edificação, a fim de que ministre graça aos que a ouvem. E não entristeçais o Espírito Santo de Deus, no qual fostes selados para o dia da redenção. Toda a amargura, e cólera, e ira, e gritaria, e blasfêmia sejam tiradas dentre vós, bem como toda a malícia. Antes sede bondosos uns para com os outros, compassivos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus vos perdoou em Cristo” (Ef 4, 22-32).
“Se, pois, fostes ressuscitados juntamente com Cristo, buscai as coisas que são de cima, onde Cristo está assentado à destra de Deus. Pensai nas coisas que são de cima, e não nas que são da terra; porque morrestes, e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus. Quando Cristo, que é a nossa vida, se manifestar, então também vós vos manifestareis com ele em glória. Exterminai, pois, as vossas inclinações carnais; a prostituição, a impureza, a paixão, a vil concupiscência, e a avareza, que é idolatria; pelas quais coisas vêm a ira de Deus sobre os filhos da desobediência; nas quais também em outro tempo andastes, quando vivíeis nelas; mas agora despojai-vos também de tudo isto: da ira, da cólera, da malícia, da maledicência, das palavras torpes da vossa boca; não mintais uns aos outros, pois que já vos despistes do homem velho com os seus feitos, e vos vestistes do novo, que se renova para o pleno conhecimento, segundo a imagem daquele que o criou” (Cl 3, 1-10).
Sempre encontramos pessoas em condição degradante, rejeitadas pela sociedade. Algumas vezes, isto ocorre por causa de crimes que cometeram, ou por um conjunto de outras situações. A nossa tendência é rejeitar e pisar nessas vidas marginalizadas, mas Deus vê potencial nelas. Se receberem o Senhor Jesus em seus corações, experimentarão verdadeira metanoia (Conversão/Mudança).
Assim, aqueles que se convertem pela fé no evangelho são transformados, não com o propósito de serem ricos ou famosos, mas para serem cada vez mais parecidos com o Senhor Jesus Cristo, em comunhão com ele e em obediência aos seus mandamentos. Sabendo que Deus nunca serve o melhor vinho no começo, mas no fim, portanto, paciência com você mesmo(a),e perseveremos até o fim.
“Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!”

Redescobrir o sabor da verdadeira alegria

Domingo, 11 de dezembro de 2016, Da redação, com Rádio Vaticano

Francisco disse que o Natal está chegando e é oportunidade para ir ao encontro de quem sofre

Com a proximidade do Natal, o Papa Francisco destacou no Angelus deste domingo, 11, que Jesus indica o caminho da fidelidade e da perseverança.

O Santo Padre explicou que este 3º Domingo do Advento caracteriza-se pelo convite de São Paulo: “Alegrai-vos sempre no Senhor” – “O Senhor está próximo!”.

“Não é uma alegria superficial ou puramente emotiva, nem sequer aquela mundana ou do consumismo, mas trata-se de uma verdadeira alegria, da qual somos chamados a redescobrir o sabor”, assinalou o Papa.

Francisco sublinhou a importância da “alegria” na vida cristã e sustentou que, no Natal, os católicos devem celebrar a “intervenção de salvação e de amor de Deus” na história da humanidade.

“Somos chamados a partilhar esta alegria com os outros, dando conforto e esperança aos pobres, aos doentes, às pessoas sós e infelizes”, prosseguiu.

A Liturgia da Palavra deste domingo oferece-nos o contexto adequado para compreender a viver esta alegria, disse o Pontífice.

Francisco explicou que o profeta Isaías fala de ‘deserto’, de ‘terra árida’ e aponta um quadro de uma ‘situação de desolação’ de um destino inexorável sem Deus, e a salvação anunciada pelo profeta realiza-se em Jesus e Ele mesmo o afirma respondendo aos mensageiros enviados por João Batista: “os cegos veem, os coxos andam, os leprosos são purificados, os surdos ouvem, os mortos são ressuscitados” (Mt 11,5).

“Somos chamados a deixarmo-nos envolver pelo sentimento de exultação, da qual está plena a liturgia do dia, para a vinda do Senhor na nossa vida como libertador. É Ele que nos indica o caminho da fidelidade, da paciência e da perseverança, para que no seu regresso, a nossa alegria será completa”, disse o Papa.

O Papa lembrou os sinais da proximidade do Natal nas ruas e nas casas, como a árvore e o presépio e destacou: “Estes sinais exteriores convidam-nos a acolher o Senhor que vem sempre e bate à nossa porta; convidam-nos a reconhecer os seus passos entre os dos irmãos que passam ao nosso lado, especialmente os mais fracos e necessitados”.

Após a oração do Angelus o Papa Francisco fez um apelo pela população da cidade de Aleppo na Síria: famílias, crianças, idosos e pessoas doentes.

Bênção das imagens do menino Jesus

Como é tradição no 3º Domingo do Advento, centenas de crianças e adolescentes enchem a Praça de São Pedro, no Vaticano, para bênção dos “bambinelli”, que são as pequenas imagens do Menino Jesus que as crianças romanas levarão para o presépio de suas casas.

“Caras crianças, quando rezardes diante do vosso presépio, com os vossos pais, pedi ao Menino Jesus que nos ajude todos a amar a Deus e ao próximo. E lembrai-vos de rezar também por mim, como eu me lembro de vós”, pediu Francisco.

 

Papa: colonização ideológica impõe sistema educativo aos jovens

Quinta-feira, 23 de novembro de 2017, Rádio Vaticano

Em homilia nesta quinta-feira, Papa voltou ao tema da colonização cultural e ideológica

Tirar a liberdade, cancelar a memória, doutrinar os jovens: são os três indicadores de colonização cultural e ideológica, em todos os tempos. O Papa Francisco voltou a este tema na homilia desta quinta-feira, 23, na Casa Santa Marta, inspirando-se mais uma vez nas leituras desta semana, que narram a perseguição do rei Antíoco Epifane contra os Macabeus fieis à lei dos Pais.

O que aconteceu, comentou Francisco ao povo de Deus, acontece todas as vezes que surge uma ditadura na terra: ‘pensem’ – disse o Papa sem citar nomes – ‘no que fizeram as ditaduras do século passado na Europa’ e nas ‘escolas de endoutrinamento’ que nasceram.

“Tira-se a liberdade, destrói-se a história, a memória do povo, e impõe-se um sistema educativo aos jovens. Todas, todas fazem isso; todas fazem assim. Algumas com luvas brancas: um país, uma nação pede um empréstimo… ‘eu dou, mas nas suas escolas, devem ensinar isso, isso e aquilo’ e indicam os livros… livros que cancelam tudo o que Deus criou e como o criou. Cancelam as diferenças, cancelam a história: a partir de hoje, começa-se a pensar assim. Quem não pensa assim deve ser deixado de lado, ou até perseguido’”.

Também na Europa, reiterou o Papa, ‘aqueles que se opunham às ditaduras genocidas eram perseguidos’, ameaçados, privados da liberdade, que corresponde a ‘outra forma de tortura’. E com a liberdade, as colonizações culturais tiram a memória, reduzindo-a a ‘fábulas’, ‘mentiras’, ‘coisa de velho’.

Recordando a figura da mãe dos Macabeus, que exorta os filhos a resistirem diante do martírio, o Papa sublinhou o papel único da mulher na custódia da memória e das raízes históricas. “Preservar a memória: a memória da salvação, a memória do povo de Deus, a memória que fortalecia a fé deste povo perseguido pela colonização ideológica e cultural. A memória nos ajuda a vencer qualquer sistema educativo perverso. Recordar: recordar os valores, recordar a História, recordar as coisas que aprendemos. E depois, a mãe, a mãe que falava duas vezes – como diz o texto – na ‘língua dos pais’: falava em dialeto. E não existe nenhuma colonização cultural que possa vencer o dialeto..’”.

A ‘ternura feminina’ e ‘a coragem viril’ da mãe dos Macabeus que se sente forte pelas raízes históricas da língua dos Pais na defesa de seus filhos e do Povo de Deus, faz pensar – observou o Papa – que somente a força das mulheres é capaz de resistir a uma colonização cultural. As mulheres são, portanto, guardiãs da memória, do dialeto e também da fé.

“O povo de Deus foi adiante graças a tantas mulheres boas, que souberam dar aos filhos a fé e somente elas – as mães – sabem transmitir a fé em dialeto. Que o Senhor nos dê sempre a graça, na Igreja, de fazer memória, de não esquecermos o dialeto dos pais e de ter mulheres corajosas”.

Deus não exclui ninguém, no Reino há lugar para todos

Cidade do Vaticano (RV) – “Deus não exclui ninguém e quer que cada um chegue a sua plenitude”: foi o que disse o Papa Francisco comentando na sua alocução que precedeu a oração mariana do Angelus neste domingo (24/9/2017), na Praça São Pedro, a parábola do patrão que recompensa do mesmo modo, trabalhadores que trabalharam por tempos diversos.

“A recompensa – explicou – é a salvação eterna. Jesus não quer falar do problema do trabalho e do salário justo, mas do Reino de Deus! E a mensagem é essa: no Reino de Deus não há desempregados, todos são chamados a fazer a sua parte; e para todos, no final, haverá a recompensa que vem da justiça divina, não humana, para a nossa sorte, isto é a salvação que Jesus Cristo nos adquiriu com a sua morte e ressurreição”.

Em mérito a isso o Papa recordou: “a salvação não é merecida, mas doada, gratuita, porque os últimos serão os primeiros e os primeiros serão os últimos”.

Segundo Francisco, “com esta parábola, Jesus quer abrir os nossos corações à lógica do amor do Pai, que é gratuito e generoso. Trata-se de deixar-se maravilhar e fascinar pelos pensamentos e pelos caminhos de Deus, que como recorda o profeta Isaías, não são os nossos pensamentos e não são os nossos caminhos”.

“Os pensamentos humanos – disse Francisco -, são muitas vezes marcados por egoísmos e ambições pessoais, e os nossos estreitos e tortuosos caminhos não são comparáveis ​​com os caminhos largos e retos do Senhor. Ele usa misericórdia, perdoa amplamente, é cheio de generosidade e bondade que derrama sobre cada um de nós, abre a todos os territórios ilimitados de seu amor e de sua graça, que somente podem dar ao coração humano a plenitude da alegria”.

“Jesus – sintetizou o Papa -, quer que contemplemos o olhar daquele patrão: o olhar com o qual ele vê cada um dos trabalhadores que esperam trabalho, e os chama a ir à sua vinha”.

“É um olhar cheio de atenção, de benevolência; é um olhar que chama, que convida a se levantar, a caminhar, porque deseja a vida para cada um de nós, quer uma vida plena, comprometida, salvada do vazio e da inércia. Deus não exclui ninguém e quer que cada um alcance sua plenitude. É esse o amor do nosso Deus que é Pai”.

Enfim o Papa invocou Maria Santíssima para que nos ajude a acolher em nossa vida a lógica do amor, que nos liberta da presunção de merecer a recompensa de Deus e do julgamento negativo sobre os outros.

Em seguida o Papa rezou a oração do Angelus e concedeu a todos a sua Benção Apostólica.

Após a oração o Papa recordou que neste sábado em Oklahoma City (Estados Unidos da América), foi proclamado Beato Stanley Francis Rother, sacerdote missionário, assassinado por ódio à fé por seu trabalho de evangelização e promoção humana em favor dos mais pobres na Guatemala.

Seu exemplo heróico – disse o Papa -, nos ajude a sermos testemunhas corajosas do Evangelho, comprometendo-nos em favor da dignidade do homem.

Francisco saudou ainda todos os romanos e peregrinos provenientes de diversos países. Em particular, saudou o coral da Missão Católica Italiana de Berna, a comunidade romana de Comunhão e Libertação, os fiéis de Villadossola, Offanengo e Nola. Concluiu desejando a todos um bom domingo. “E, por favor – repetiu mais uma vez -, não se esqueçam de rezar por mim. Bom almoço e até breve! (SP)

Não fechar as portas da Igreja para quem precisa, pede Francisco

Quinta-feira, 19 de outubro de 2017, Da redação, com Rádio Vaticano

Papa afirma que é a iniciativa de Deus que salva o homem e destaca responsabilidade dos pastores que fecham a porta aos outros

Na Missa desta quinta-feira, 19, na Casa Santa Marta, o Papa Francisco rogou a Deus que ajude os fiéis a lembrar a gratuidade da salvação, a proximidade de Deus e as obras concretas de misericórdia que quer de cada pessoa, seja material ou espiritual. “Desta forma, nos tornaremos pessoas que ajudam a ‘abrir a porta’ para nós mesmos e para os outros”, afirmou.

Na homilia, o Santo Padre inspirou-se na passagem do Evangelho de São Lucas (Lc 11, 47-54), proposto pela liturgia do dia, que refere que os escribas e fariseus se consideram justos e a quem Jesus mostra que só Deus é justo. Francisco explicou que o motivo pelo qual os doutores da lei tomaram “conhecimento”, com a consequência de “não entrarem no Reino e, nem sequer, deixar os outros entrarem”.

“Esta habilidade para entender a revelação de Deus, para entender o coração de Deus, entender a salvação de Deus – e a chave para o conhecimento – podemos dizer que é um grave esquecimento. Se esquece a gratuidade da salvação. Se esquece a proximidade de Deus e Sua misericórdia. E aqueles que se esquecem da gratuidade da salvação, da proximidade e da misericórdia de Deus, tiraram a chave do conhecimento”, explicou o Pontífice.

O Papa acrescentou que é a iniciativa de Deus que salva o homem, e a lei, por outro lado, é sempre uma resposta ao amor gratuito de Deus. “Quando a gratuidade é esquecida, se cai, se perde a chave da inteligência da história da salvação, perdendo o sentido da proximidade de Deus”.

“Para eles Deus é aquele que fez a lei. E esse não é o Deus da revelação. O Deus da revelação é Deus que começou a caminhar conosco a partir de Abraão até Jesus Cristo, Deus que caminha com seu povo. E quando se perde essa relação de proximidade com o Senhor, se cai nessa mentalidade obtusa que acredita na autossuficiência da salvação com o cumprimento da lei. A proximidade de Deus.”

Francisco disse ainda que quando há falta de proximidade com Deus e falta de oração, não se pode ensinar a Doutrina e nem mesmo “fazer teologia”, muito menos a teologia moral. “[A teologia] está de joelhos, sempre perto de Deus”, enfatizou.

E a proximidade do Senhor chega “ao cume de Jesus Cristo crucificado”, sendo que nós fomos “justificados” pelo sangue de Cristo, como diz São Paulo. Por isso, explicou o Papa, as obras de misericórdia “são a pedra de toque do cumprimento da lei”, porque se toca a carne de Cristo, ”tocar Cristo que sofre numa pessoa, seja corporalmente, seja espiritualmente”.

Ademais, Francisco chamou a atenção para o fato que quando se perde a chave do conhecimento, se acaba por chegar até mesmo “à corrupção”. Por fim, o Papa pensou na “responsabilidade” dos pastores, hoje na Igreja: quando perdem ou levam embora “a chave da inteligência”, fechando “a porta para nós e para os outros”.

“Em meu país ouvi muitas vezes acerca de párocos que não batizavam os filhos de jovens mães, porque não tinham nascido no matrimônio canônico. Fechavam a porta, escandalizavam o povo de Deus, por qual motivo? Porque o coração destes párocos tinha perdido a chave do conhecimento. Sem ir tão longe no tempo e no espaço, três meses atrás, num país, numa cidade, uma mãe queria batizar o filho recém-nascido, mas ela era casada civilmente com um divorciado. O pároco disse: “Sim, sim. Batizo a criança. Mas seu marido é divorciado. Fique de fora, não poderá estar presente na cerimônia”. Isso acontece hoje. Os fariseus, os doutores da lei não são coisas daqueles tempos, também hoje existem muitos. Por isso é necessário rezar por nós pastores. Rezar, a fim de que não percamos a chave do conhecimento e não fechemos a porta para nós e para o povo que quer entrar.

A veneração da Misericórdia do Senhor

A última tábua da salvação!
Ricardo Sá

Parece o fim, mas não o é! O fato é que Jesus Cristo, mesmo após ter a vida entregue à morte na cruz, não obstante Seus inúmeros feitos como o Filho de Deus que era; após caminhar sobre as águas, ressuscitar mortos, renascer após três dias, subir aos céus e assim dar início à maior e mais profunda revolução na história da humanidade… Após ter o Corpo exposto à vergonha e chagas, ter o peito aberto, a fronte coroada de espinhos, sendo submetido à humilhação e ao desprezo… Este homem, ainda assim, considerou Seus feitos – por fraqueza nossa – ineficazes. Motivo pelo qual apareceu para a Irmã Faustina Kowalska, na Polônia, em 1931. Nessa oportunidade, Jesus pediu que fosse celebrada a Festa da Misericórdia. Em seu diário, na página 49 Irmã Faustina registra esse pedido para que Sua “imagem seja benta solenemente no primeiro domingo depois da Páscoa, e esse domingo deve ser a Festa da Misericórdia”. Disse que o perdão total das faltas e dos castigos será concedido àquele que nesse dia se aproximar da Fonte da Vida. “Neste dia, estão abertas as entranhas da Minha Misericórdia. Que nenhuma alma tenha medo de se aproximar de Mim, ainda que seus pecados sejam como o escarlate.” Assim, ao escolher o primeiro domingo depois da Páscoa, o Senhor desejou indicar a estreita união entre o mistério pascal da Redenção e o mistério da Misericórdia de Deus. “As almas se perdem apesar da Minha amarga paixão. Estou lhes dando a última tábua de salvação, isto é, a Festa da Misericórdia. Se não venerarem a Minha Misericórdia, perecerão por toda a eternidade.” A Festa da Misericórdia destina-se aos pecadores, considerados por Jesus os mais dignos de Suas graças. Sua mensagem tem pressa, pois evoca a brevidade do tempo e a teimosia de quem não quer ou pouco consegue enxergar que a humanidade inteira afunda num mar de desencontros e mal. Suas palavras são repletas de esperança e salvação, concedendo uma intensa luz a quem já se sente cego por causa de seus próprios erros e desorientação. É a imagem de Jesus ressuscitado que traz aos homens a paz pela remissão dos pecados! Assim é Jesus Misericordioso! Suas vestes são brancas, Seu peito está aberto, de onde brotam sangue e água, para a salvação de todos sem distinção. Seus olhos são os mesmos expostos em Seu rosto na exata hora da crucificação; Suas chagas são a mais perfeita identificação com os menores de Seu Reino e são plenas indicações de que o caminho é mesmo feito em meio a dores, perda de sangue e entrega. Suas mãos abençoam! São bênçãos para todos, sob a condição de que saibam escolher que o tempo é agora! As graças? São colhidas com o vaso da confiança! Em poucas palavras, o tempo chegou! É tempo de Misericórdia!

 

O fundamento da misericórdia está na confiança
Padre Marcos Pacheco

A palavra que vamos partilhar está em (São Lucas 15, 11-32). “O vaso que acolhe o coração do Pai chama-se confiança” (Santa Faustina). Não existe um discípulo da misericórdia que não se deixe tomar pelo amor misericordioso de Deus. Do portão de casa pra fora é fácil viver a “misericórdia”, todo mundo é bom e misericordioso. Mas na vida daqueles que conhecem as nossas misérias, não é fácil viver a misericórdia. O demônio sabe que a misericórdia de Deus é infinita, que ele não possui a última palavra em nossa vida, ele quer que não consigamos ver o Senhor como Ele é. São Lucas quer apresentar um Deus que é Pai tomado de compaixão, de misericórdia, que perdoa, acolhe, quer nos apresentar um Deus que nos resgata. O demônio sabe: “Quando fazemos o encontro pessoal com Deus, a nossa vida nunca mais se torna a mesma”. A desconfiança nos faz sairmos da presença do Pai. E caímos na bobagem de pedir a parte na herança. Herança? Só existe uma, que é Deus. Precisamos cair em nós mesmos e voltarmos para casa. É preciso nos perguntarmos: “O que eu estou fazendo de minha vida?” O ingresso para entrar na misericórdia é a nossa miséria, através o pecado. Miserável é aquele que é necessitado da misericórdia, que somos nós. Ao voltar para casa o filho prepara um discurso: ‘Pai, pequei contra Deus e contra ti. Já não mereço ser chamado teu filho’. Quando chega em casa, não foi o filho que viu o pai, mas o pai que viu o filho de longe. Se eu chegasse agora em minha casa, e só tocasse na corrente do portão. Minha mãe saberia que era eu. Pai e mãe conhece o filho de longe, pois conhece o filho que tem. Se conhecemos o filho de longe imagina Deus? “O pai viu o filho se aproximar, e tomado de compaixão correu ao seu encontro.”
Entrei para o seminário aos 13 anos. Meus pais foram as pessoas que mais me trouxeram dificuldades para que eu pudesse ser padre. Meu pai foi tão pai, que eu queria ser pai para os meus filhos. A mesma saudade que eu tinha de meus pais, eles também a tinham. Imagina a saudade do Pai por nós. ‘Correu-lhe ao encontro, abraçou-o e o cobriu de beijos.’ Ele apertou o filho com força, mas o enchendo de beijos. O discípulo da misericórdia não pode apertar ninguém sobre o passado da vida dos outros. Não conseguimos amar, pois estamos ressentidos. Jesus nunca perguntou sobre o passado de ninguém. Acolher, não significa aceitar o pecado do outro, mas amar. Esta foi a atitude do pai que não o questionou. Como é bom sermos abraçados por Deus! Tive a graça de fazer uma experiência com o Senhor aos 5 anos. Em um hospital vi imagem de Jesus, naquele momento estava próximo ao ouvido do meu pai e ali cochichando disse: “Seu veio, quem é aquele homem no fundo daquela parede?” Ele disse: “Tu não conhece?” Foi o próprio Senhor me falando naquele momento. “Você não faz idéia de quem Ele é?” Foi Ele que deu você para mim. Enquanto muitos pais deveriam levar e seus filhos para Deus, estão o levando para “zona”. Ainda não há a misericórdia na nossa casa, pois não estamos levando o testemunho. Meu pai e minha mãe foram o canal de misericórdia para mim e meus irmãos. Não devemos questionar as pessoas que amamos. Quando o filho começou a falar: Trata-me como a um dos teus empregados’. Seu pai pediu para que matassem um boi. Para ter um boi da qualidade narrado por Lucas, foi por mais de 6 meses tratando do animal. O pai sabia que o filho iria voltar e sabendo não se preocupou com a maneira que chegaria. Para dizer que Deus não nos olha como chegamos, o que importa para Ele é que estamos chegando. O que nos faz perder a confiança em Deus é a concepção como Deus nos olha, a nossa confiança em Deus. Você não é amado pelo que faz, mas pelo que é. Lugar do filho é no colo do Pai. Porque o filho mais velho se encolerizou? ‘Eu trabalho para ti há tantos anos, jamais desobedeci a qualquer ordem tua. E nunca me deste um cabrito para eu festejar com meus amigos.´ Ele não se tornou o canal da misericórdia, mas um trator na vida do outro. Quando eu faço a experiência: Sou amado pelo que sou filho de Deus. Quando o outro faz errado, eu me compadeço. Em Bethânia, certa vez chegou um filho andarilho que não conseguia tirar o calçado dos pés, pois estava inchado devido aos dez dias caminhando. A perna desta pessoa cheirava de carniça, mesmo depois de tomado o banho. E, naquela sala rezando o terço não agüentávamos o cheiro. O odor de Cristo não é fácil, acredito que Jesus estava ali naquele homem. Ele resolveu pedir a herança e assim como filho pródigo. Depois de algum tempo, ele voltou entorpecido com um discurso igual ao filho mais moço disse: “Eu vim aqui para ver se tem alguma vaga. Se não tiver, poderia me arrumar uma comida?” Não poderia deixar ele ir embora. Não tinha vagas, disse: Daqui deste lugar tu não vai levar comida nenhuma, eu pensei em te levar para onde estava, mas não! Porque você vai ficar aqui, é tua casa. Naquele momento o efeito da droga saiu daquele filho. Só toca na misericórdia, quem acredita em Deus. Aquele que foi tocado pela misericórdia com certeza será o canal. Depois de tomado banho, disse: “Vamos dormir?”. Ele me respondeu: “Quero rezar com vocês por esta graça.” Precisamos pedir a graça da libertação da concepção errada ao Senhor. O Senhor não esta ao nosso lado, pois Ele sempre esteve dentro de nós.

 

Seja misericórdia para sua família
Ricardo e Eliana Sá

A festa da misericórdia é o primeiro domingo depois da Páscoa. Esta devoção nasceu na Polônia, terra natal do Papa João Paulo II. O Papa que elevou Santa Faustina aos altares. Jesus quer que celebremos bem a festa da misericórdia, devemos estar com o coração aberto para receber todas as graças que Deus tem para nós e para nossas famílias.
O que mais o demônio tem atacado é as nossas famílias. A sua casa precisa de você, não sei as circunstâncias que sua família está vivendo, problemas com alcoolismo, drogas, relacionamentos com mágoas, ódio. A sua família precisa de você, busque graças para sua família. Diga: “Jesus eu confio em vós.” Deixa Jesus fazer a renovação em sua família. “Senhor eu creio no teu amor, por minha família mando embora toda descrença, para que ela seja renovada.” Não desanime com a salvação dos seus, por pior que seja a situação eles são amados por Jesus misericordioso. “Envolve Senhor as nossas família com o sangue e água que jorram de seu coração.” Deus disse a Santa Faustina: “Ainda que a alma esteja em decomposição – como um cadáver, e ainda que humanamente já não haja possibilidade de restauração e tudo se encontre perdido, as coisas não são assim para Deus. A maravilha da Misericórdia de Deus fará ressurgir a alma para uma vida plena. (D 1448). Tenha esperança, Deus não vê a nossa família como vemos. Proclame: “A minha família é uma benção, é abençoada, é querida por Deus, e o lugar da minha família é o céu!”. Olhe com os olhos do Pai, olhe com esperança para a sua família, ela precisa do olhar de Jesus. Deus tem muito mais para os da sua casa, mais do que você pode imaginar, chega de grito e reclamação dentro do seu lar. O seus precisa de você, seja o canal da graça frente as necessidades. No lugar do desespero a esperança e a oração. Sabe aquelas situação dolorosas que vivemos em nossa família e que já imaginamos a solução, mas Deus tem soluções inexplicáveis, melhores que a nossa, Ele tem o melhor para a nossa família. Muitas vezes você olha para a Deus e diz: o Senhor precisa fazer isto. Deixe Deus ser Deus em sua família e irá se surpreender. Precisamos abrir as portas da misericórdia, por isso abra um sorriso para a sua família. O mais lindo que hoje é o dia da preparação para a festa da misericórdia e o nosso fundador Monsenhor Jonas declarou a Canção Nova como casa da misericórdia. No ano de 2002, Monsenhor Jonas saiu em retiro com o diário da Santa Faustina. Ele disse que a Canção Nova não é a apenas um lugar físico, mas que cada um de nós (membro da Canção Nova) seja a misericórdia de Jesus para o outro. Amanhã é uma data muito importante teremos um momento em que veneramos a imagem de Jesus misericordioso. Ele quer que sua misericórdia chegue as nossas casas. Jesus conta com você para a salvação do seu lar, não maldiga a sua família, mas abençoe. O Senhor tem planos para sua casa, na sua família você tem que ser o primeiro a perdoar, acolher, a ter paciência, misericórdia. Você tem que ter a misericórdia primeiro. Tenha misericórdia entre lagrimas, Deus nuca te decepcionará. Jesus está curando você, deixa Jesus te curar. Jesus tem caminho que só a misericórdia conhece. Uma vez que Jesus não desiste de sua família você também não pode. Pode ser que você não veja mudanças em sua família. No último segundo entre a vida e a morte a misericórdia de Deus pode alcançar sua vida. A Igreja nos convida a esperança dos pecados. As nossas famílias devem ir ao céu. Tudo é um grande mistério não conhecemos o tempo, as horas. Você pode dizer este homem bebeu até a morte, mas não pode dizer que ele foi para o inferno. Pois a misericórdia pode ter lhe alcançado. São os piores da sua família que precisam de misericórdia. Você é o apostolo da divina misericórdia, precisa ser misericordioso com quem está ao seu redor. O inimigo quer que digamos que tudo esta perdido. Mas, Jesus misericordioso nos diz que não está, Ele tem soluções melhores. Confia no Senhor. Quem confia se entrega, se abandona, não se desespera. Não pense quem confia não experimenta a dor, a cruz, mas quem confia é feliz, segue em frente não abandona sua casa, Seu marido, pois confia no Senhor. A sua família precisa conhecer a divina misericórdia através de você. Jesus quer dar a salvação para sua família. Seja instrumento para que a salvação se concretize. Diário de Santa Faustina: 1577- “Diz às almas que não impeçam a entrada da Minha misericórdia nos seus corações, pois Ela deseja tanto agir neles. A Minha misericórdia trabalha em todos os corações que lhe abrem as suas portas. E tanto o pecador como o justo necessitam da Minha Misericórdia. A conversão e a perseverança são uma graça da Minha misericórdia”.

Rezemos a Via Sacra

O QUE É E COMO TEVE ORIGEM?

O exercício espiritual da Via Sacra consiste em que os fiéis percorram mentalmente a caminhada de Jesus a carregar a Cruz desde o pretório de Pilatos até o monte Calvário, meditando simultaneamente a Paixão do Senhor. Tal exercício, muito usual no tempo da Quaresma, teve origem na época das Cruzadas (séculos XI/XIII): os fiéis que então percorriam na Terra Santa os lugares sagrados da Paixão de Cristo quiseram reproduzir no Ocidente a peregrinação feita ao longo da Via Dolorosa em Jerusalém. O número de estações ou etapas dessa caminhada foi sendo definido paulatinamente, chegando à forma atual, de quatorze estações, no século XVI.
O Papa João Paulo II introduziu, em Roma, a mudança de certas cenas desse percurso não relatadas nos Evangelhos por outros quadros narrados pelos Evangelistas. A nova configuração ainda não se tornou geral. O exercício da Via Sacra tem sido muito recomendado pelos Sumos Pontífices, pois ocasiona frutuosa meditação da Paixão do Senhor Jesus. Compreende quatorze estações ou etapas, cada uma das quais apresenta uma cena da Paixão a ser meditada pelo discípulo de Cristo.
A Via Sacra é um exercício espiritual onde quem reza faz uma mini-peregrinação na Vida de Jesus Cristo contemplando os Mistérios de nossa Salvação, exercício este muito proveitoso para alma, costuma-se rezar nas sextas-feiras durante a quaresma.

1ª Estação: JESUS É SENTENCIADO À MORTE
Nós Vos adoramos Senhor Jesus Cristo, e Vos bendizemos: porque pela Vossa Santa Cruz  remistes o mundo.
Sentenciado e não por um tribunal, mas sim por todos e por nossos pecados. Condenado pelos mesmos que vos tinham aclamado pouco antes. E Ele cala… Nós fugimos de ser reprovados. E saltamos imediatamente… Dai-me, Senhor, vos imitar, me unindo a Ti pelo Silêncio quando alguém me faça sofrer ou me condene injustamente. Eu o mereço. Ajudai-me!
Pequei Senhor, tem piedade e misericórdia de mim.
Pai Nosso, Ave Maria e Glória…

2ª Estação: JESUS CARREGA A CRUZ
Nós Vos adoramos Senhor Jesus Cristo, e Vos bendizemos: porque pela Vossa Santa Cruz  remistes o mundo.
Que eu compreenda, Senhor, o valor da cruz, de minhas pequenas cruzes de cada dia, de meus achaques, de minhas doenças, de minha solidão. Que eu não desanime, mas tome a minha cruz de cada dia e te siga, faça dela um instrumento de salvação. Dai-me converter em oferta amorosa, em reparação por minha vida e no apostolado por  meus irmãos, minha cruz de cada dia.
Pequei Senhor, tem piedade e misericórdia de mim.
Pai Nosso, Ave Maria e Glória…

3ª Estação: JESUS CAI, PELA PRIMEIRA VEZ, COM O PESO DA CRUZ
Nós Vos adoramos Senhor Jesus Cristo, e Vos bendizemos: porque pela Vossa Santa Cruz  remistes o mundo.
Tu cais Senhor, para me redimir. Para me ajudar a me levantar em minhas quedas diárias, quando depois de ter me proposto a ser fiel, volto a reincidir em meus pecados e defeitos cotidianos. Ajuda-me a levantar-me sempre e a seguir meu caminho a Ti!
Pequei Senhor, tem piedade e misericórdia de mim.
Pai Nosso, Ave Maria e Glória…

4ª Estação: ENCONTRO COM A VIRGEM MARIA
Nós Vos adoramos Senhor Jesus Cristo, e Vos bendizemos: porque pela Vossa Santa Cruz  remistes o mundo.
Faz Senhor, com que eu me encontre ao lado de tua Mãe em todos os momentos de minha vida. Com ela, apoiando-me em seu carinho maternal, tenho a segurança de chegar a Ti no último dia de minha existência. Ajuda-me Mãe!
Pequei Senhor, tem piedade e misericórdia de mim.
Pai Nosso, Ave Maria e Glória…

5ª Estação: O CIRINEU AJUDA O SENHOR A CARREGAR A CRUZ
Nós Vos adoramos Senhor Jesus Cristo, e Vos bendizemos: porque pela Vossa Santa Cruz  remistes o mundo.
Cada um de nós tem nossa vocação, viemos ao mundo para algo concreto, para nos realizarmos de uma maneira particular. Qual é a minha vocação e como eu a vivo? Mas, há algo, Senhor, que é minha missão e de todos: a de ser Cirineu dos demais, a de ajudar a todos. Como levo adiante a realização de minha missão de Cirineu?
Pequei Senhor, tem piedade e misericórdia de mim.
Pai Nosso, Ave Maria e Glória…

6ª Estação: VERÔNICA ENXUGA O ROSTO DE JESUS
Nós Vos adoramos Senhor Jesus Cristo, e Vos bendizemos: porque pela Vossa Santa Cruz  remistes o mundo.
É a mulher valente, decidida, que se aproxima de Ti quando todos te abandonam. Eu, Senhor, te abandono quando me deixo levar por ele “que dirão”, do respeito humano, quando não me atrevo a defender o próximo ausente, quando não me atrevo a replicar uma brincadeira que ridiculariza aos que tratam de aproximar-se de Ti. E em tantas outras ocasiões. Ajuda-me a não me deixar levar pelo respeito humano, pelo “o que dirão”.
Pequei Senhor, tem piedade e misericórdia de mim.
Pai Nosso, Ave Maria e Glória…

7ª Estação: SEGUNDA QUEDA NO CAMINHO DA CRUZ
Nós Vos adoramos Senhor Jesus Cristo, e Vos bendizemos: porque pela Vossa Santa Cruz  remistes o mundo.
Cais, Senhor, pela segunda vez. A Via Sacra nos indica três quedas em teu caminhar até o Calvário. Talvez foram mais. Cais diante de todos… Quando aprenderei a não temer ficar mal diante dos demais, por um erro, pelo orgulho, por um equívoco? Quando aprenderei que também isso pode se converter em oferenda?
Pequei Senhor, tem piedade e misericórdia de mim.
Pai Nosso, Ave Maria e Glória…

8ª Estação: JESUS CONSOLA AS FILHAS DE JERUSALÉM
Nós Vos adoramos Senhor Jesus Cristo, e Vos bendizemos: porque pela Vossa Santa Cruz  remistes o mundo.
Muitas vezes, teria eu que analisar a causa de minhas lágrimas. Ao menos, de meus pesares, de minhas preocupações. Talvez haja neles um fundo de orgulho, de amor próprio mal entendido, de egoísmo, de inveja. Deveria chorar por minha falta de correspondência a teus inúmeros benefícios de cada dia, que me manifestam Senhor, quanto me queres. Dai-me profunda gratidão e correspondência a tua misericórdia.
Pequei Senhor, tem piedade e misericórdia de mim.
Pai Nosso, Ave Maria e Glória…

9ª Estação: JESUS CAI PELA TERCEIRA VEZ
Nós Vos adoramos Senhor Jesus Cristo, e Vos bendizemos: porque pela Vossa Santa Cruz  remistes o mundo.
Terceira queda. Mais perto da Cruz. Mais esgotado, mais falta de forças. Cais desfalecido, Senhor. Eu digo que me pesam os anos, que não sou o mesmo de antes, que me sinto incapaz. Dai-me, Senhor, imitar-te nesta terceira queda e faz com que meu desfalecimento seja benéfico para outros, porque eu os dou a Ti para eles.
Pequei Senhor, tem piedade e misericórdia de mim.
Pai Nosso, Ave Maria e Glória…

10ª Estação: JESUS É DESPOJADO DE SUAS VESTES
Nós Vos adoramos Senhor Jesus Cristo, e Vos bendizemos: porque pela Vossa Santa Cruz  remistes o mundo.
Arrancam tuas vestes, aderidas a Ti pelo sangue de tuas feridas. A infinita distância de tua dor, eu senti, às vezes, como algo que arrancava dolorosamente de mim pela perda de meus seres queridos. Que eu saiba oferecer a lembrança das separações que me desgarraram, unindo-me a tua paixão a consolar aos que sofrem, fugindo de meu próprio egoísmo.
Pequei Senhor, tem piedade e misericórdia de mim.
Pai Nosso, Ave Maria e Glória…

11ª Estação: JESUS É PREGADO NA CRUZ
Nós Vos adoramos Senhor Jesus Cristo, e Vos bendizemos: porque pela Vossa Santa Cruz  remistes o mundo.
Senhor, que eu diminua minhas limitações com meu esforço e assim possa ajudar a meus irmãos. Quero pregar na cruz contigo todos os meus pecados, o meu homem velho, meus vícios, egoísmos e autossuficiências… E que quando meu esforço não consiga diminuí-las, me esforce em oferecê-las  também por eles.
Pequei Senhor, tem piedade e misericórdia de mim.
Pai Nosso, Ave Maria e Glória…

12ª Estação: JESUS MORRE NA CRUZ
Nós Vos adoramos Senhor Jesus Cristo, e Vos bendizemos: porque pela Vossa Santa Cruz  remistes o mundo.
Eu te adoro,  meu Senhor, morto na Cruz para me salvar.  Adoro e beijo suas chagas, as feridas dos cravos, o golpe de lança no lado, de onde jorrou sangue e água fonte de misericórdia para nós… Obrigado Senhor, obrigado! Morreste para me  salvar, para salvar a todos nós e nos dar a vida em plenitude. Dai-me responder a teu amor com amor, cumprir a tua Vontade, trabalhar por minha salvação, ajudado por tua graça. E dai-me trabalhar com afinco pela salvação de meus irmãos e pela defesa da vida.
Pequei Senhor, tem piedade e misericórdia de mim.
Pai Nosso, Ave Maria e Glória…

13ª Estação: JESUS NOS BRAÇOS DE SUA MÃE
Nós Vos adoramos Senhor Jesus Cristo, e Vos bendizemos: porque pela Vossa Santa Cruz  remistes o mundo.
Deixa-me estar ao teu lado, Mãe, especialmente  nestes momentos de tua incomparável dor. Deixa-me estar ao teu lado. Mais te peço: que hoje e sempre me tenhas perto de Ti e te compadeças de mim. Nos momentos de dor e sofrimento ponha-me no teu colo. Olhai-me com compaixão, não me deixes ó minha Mãe!
Pequei Senhor, tem piedade e misericórdia de mim.
Pai Nosso, Ave Maria e Glória…

14ª Estação: JESUS É DEPOSITADO NO SEPULCRO
Nós Vos adoramos Senhor Jesus Cristo, e Vos bendizemos: porque pela Vossa Santa Cruz  remistes o mundo.
Tudo está terminado. Mas não: depois da morte, a Ressurreição. Ensina-me a ver tudo o que passa, o transitório e passageiro, à luz do que não passa. E que essa luz ilumine todos meus atos. Que eu nunca perca a esperança, pois o amor é mais forte do que a morte! Coloco no sepulcro vazio todos os meus pecados e o homem velho. Assim seja.
Pequei Senhor, tem piedade e misericórdia de mim.
Pai Nosso, Ave Maria e Glória…

ORAÇÃO FINAL
Eu te suplico Senhor, que me concedas, por intercessão de Tua Mãe a Virgem Maria, que cada vez que medite Tua Paixão, fique gravado em mim com marca de atualidade constante, o que Tu fizeste por mim e Teus constantes benefícios. Faz Senhor, que me acompanhe, durante toda minha vida, um agradecimento imenso a Tua Bondade. Amém.

 

VIA-SACRA
A Igreja guarda o grande silêncio diante da Morte do seu Senhor

A devoção da Via-Sacra consiste na oração mental de acompanhar o Senhor Jesus em seus sofrimentos – conhecidos como a Paixão de Nosso Senhor –, desde o Tribunal de Pilatos até o Monte Calvário. Essa meditação teve origem no tempo das Cruzadas (século X). Os fiéis, que peregrinavam à Terra Santa e visitavam os lugares sagrados da Paixão de Jesus, continuaram recordando os passos da Via Dolorosa de Jerusalém em suas pátrias, unindo essa devoção à Paixão. Apresentamos aqui uma das versões, adaptada pelo Papa João Paulo II.

Oremos: (Alguns momentos de silêncio).
Olhai, Pai Santo, o sangue que jorra do peito trespassado do Salvador; olhai o sangue derramado por tantas vítimas do ódio, da guerra, do terrorismo, e concedei, benigno, que o curso dos acontecimentos no mundo se desenrole segundo a vossa vontade na justiça e na paz, e a vossa Igreja se entregue com serena confiança ao vosso serviço e à libertação do homem. Por Cristo nosso Senhor. R. Amém.
Ao final de cada estação reza-se: Pai Nosso, Ave Maria e Glória…

PRIMEIRA ESTAÇÃO
Nós vos adoramos, SENHOR JESUS CRISTO, e vos bendizemos! Porque pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo!
Jesus em agonia no Horto das Oliveiras
Jesus que acalmava as águas agitadas pelo vento, agora não pode dar a paz a Si mesmo. A tempestade é a dúvida que lhe agita a mente e o peito, como agita o espírito de milhões de homens e mulheres ontem, hoje e amanhã, pois a verdadeira paz só virá depois da ressurreição.

SEGUNDA ESTAÇÃO
Nós vos adoramos, SENHOR JESUS CRISTO, e vos bendizemos! Porque pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo!
Jesus, atraiçoado por Judas, é preso
Naquela trágica noite escura do Getsémani, o Filho de Deus suscita em nós, com as suas palavras e gestos, sentimentos vários e estremecemos com a mesquinhez da traição. A partir da morte de Cristo, floresce a vida nova, memória e anúncio duma esperança que não morre: a salvação universal.

TERCEIRA ESTAÇÃO
Nós vos adoramos, SENHOR JESUS CRISTO, e vos bendizemos! Porque pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo!
Jesus é condenado pelo Sinédrio
Deixar a própria identidade e anunciar a sua fé às vezes são atos passíveis de morte. Mas quantos são os que procuram Deus? Quantos O procuram atrás das grades? Quantos na prisão da sua vida, dos seus sofrimentos? Quantos no escarne suportado e na tortura sofrida? Aquela que condena sem provas, acusa sem motivo, julga sem apelo, esmaga o inocente.

QUARTA ESTAÇÃO
Nós vos adoramos, SENHOR JESUS CRISTO, e vos bendizemos! Porque pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo!
Jesus é renegado por Pedro
Pedro revela a sua fraqueza. Tinha temerariamente prometido antes morrer. Humilhado, chora e pede perdão a Deus.Grande é a lição de Pedro: até os mais íntimos ofenderão Jesus com o pecado. Mas logo que o olhar de Jesus se cruza com o de Pedro o Apóstolo reconhece o seu triste erro.

QUINTA ESTAÇÃO
Nós vos adoramos, SENHOR JESUS CRISTO, e vos bendizemos! Porque pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo!
Jesus é julgado por Pilatos
Sempre encontramos uma justificação para as nossas culpas e os nossos erros. Jesus responde com o silêncio ao ver a hipocrisia e a soberba do poder, a indiferença daqueles que se subtraem às suas responsabilidades.

SEXTA ESTAÇÃO
Nós vos adoramos, SENHOR JESUS CRISTO, e vos bendizemos! Porque pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo!
Jesus é flagelado e coroado de espinhos
Verdadeiro homem sofreu dores indescritíveis; contemplando o vosso rosto, conseguimos suportar as nossas dores, na esperança de ser acolhidos no vosso Reino, o verdadeiro e único Reino. O vosso Reino não é deste mundo, mas nós, homens, esperamos favores, poder, sucesso, riquezas: um mundo sem sofrimento.

SÉTIMA ESTAÇÃO
Nós vos adoramos, SENHOR JESUS CRISTO, e vos bendizemos! Porque pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo!
Jesus recebe a Cruz aos ombros
Não obstante fosse revestido da glória e do poder que Lhe fora dado pelo Pai, Jesus aceitou uma morte horrível, inglória, antes, vergonhosa. Os poderosos do mundo aliam-se, para cumprir represálias, para atingir as populações pobres e extenuadas. Justifica-se até mesmo o terrorismo em nome da justiça e da defesa dos pobres.

OITAVA ESTAÇÃO
Nós vos adoramos, SENHOR JESUS CRISTO, e vos bendizemos! Porque pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo!
Jesus é ajudado por Simão de Cirene a levar a Cruz
Um homem que vinha do campo entrou em Jerusalém para negociar. Lucrou com isso: cinco minutos na história da salvação, uma frase no Evangelho. A cruz é pesada demais para Deus, que se fez homem. Jesus necessita de solidariedade. O homem tem necessidade de solidariedade. Foi-nos dito: Levai os fardos uns dos outros.

NONA ESTAÇÃO
Nós vos adoramos, SENHOR JESUS CRISTO, e vos bendizemos! Porque pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo!
Jesus encontra as mulheres de Jerusalém
Um lamento fúnebre acompanha a caminhada do Condenado a morte. No caminho que leva ao Calvário as mulheres choram batendo no peito. Ele, levando a cruz aos ombros, vacila sob o peso do pecado e da dor dos homens, que quis como irmãos. Bem sabe como é longa na história a via dolorosa que leva aos Calvários do mundo.

DÉCIMA ESTAÇÃO
Nós vos adoramos, SENHOR JESUS CRISTO, e vos bendizemos! Porque pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo!
Jesus é crucificado
As chagas do Salvador continuam hoje a sangrar, agravadas pelos cravos da injustiça, da mentira e do ódio, dos ultrajes, sacrilégios e indiferenças. Nas palmas das Suas mãos trespassadas pelos cravos está escrito o nome dos que, com Ele, continuam a ser crucificados.

DÉCIMA PRIMEIRA ESTAÇÃO
Nós vos adoramos, SENHOR JESUS CRISTO, e vos bendizemos! Porque pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo!
Jesus promete o seu Reino ao bom ladrão
O bom ladrão, certamente, tinha matado, possivelmente mais de uma vez, e de Jesus nada sabia, a não ser aquilo que escutou gritar pela multidão. Um sentimento de solidariedade e um grito de ajuda bastaram para salvá-lo. Aquele ladrão representa todos nós. A sua rápida aventura nos ensina que o Reino pregado por Jesus não é difícil de alcançar para os que o invocam.

DÉCIMA SEGUNDA ESTAÇÃO
Nós vos adoramos, SENHOR JESUS CRISTO, e vos bendizemos! Porque pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo!
Jesus na Cruz, a Mãe e o Discípulo
Maria está de pé junto à Cruz; o discípulo mais jovem está ao teu lado. Agora oferece o teu Filho ao mundo e recebes o discípulo que Ele amava. Daquele instante, João te acolhe na morada do coração e na sua vida, e a força do Amor nele se difunde. Ele é agora, na Igreja, a testemunha da luz e com o seu Evangelho revela o Amor do Salvador.

DÉCIMA TERCEIRA ESTAÇÃO
Nós vos adoramos, SENHOR JESUS CRISTO, e vos bendizemos! Porque pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo!
Jesus morre na Cruz
Sofre com o tormento de sua Mãe, escolhida para dar à vida um Filho que verá morrer. No entanto Jesus, no amor e na obediência, aceita o projeto do Pai. Sabe que sem o dom da Sua vida a nossa morte seria sem esperança; as trevas do desespero não se transformariam em luz; a dor não resultaria na consolação, na esperança da eternidade.

DÉCIMA QUARTA ESTAÇÃO
Nós vos adoramos, SENHOR JESUS CRISTO, e vos bendizemos! Porque pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo!
Jesus é colocado no sepulcro
Após o terrível trovão no instante da morte, o grande silêncio. O Filho de Deus desce à mansão dos mortos para resgatar aqueles que a morte retém. A Sua luz transtorna as trevas do Inferno. A terra treme e os sepulcros se abrem. Jesus vem para libertar os justos e devolvê-los à luz da ressurreição.
Pai Nosso, Ave Maria e Glória…

Oração Final
Eu te suplico Senhor, que me concedas, por intercessão de tua Mãe a Virgem Maria, que cada vez que medite tua Paixão, fique gravado em mim com marca de atualidade constante, o que Tu fizeste por mim e teus constantes benefícios. Faz Senhor, que me acompanhe, durante toda minha vida, um agradecimento imenso a tua Bondade. Amém.

Canção Nova / Da redação

Via-Sacra Meditada

Em sua 7ª edição, na última terça-feira, às 19h30min, na Praça Monsenhor Edmundo Backes, juntamente com os jovens do ONDA, CLJ e a PJESC do Colégio Santa Catarina, a comunidade católica de Hamburgo Velho, reuniu-se para acompanhar a encenação das 14 estações da Via Sacra.

Foi uma forma de meditar o caminho doloroso que Jesus percorreu até a crucifixão e morte na cruz e a Igreja nos propõe esta meditação para nos ajudar a rezar e a mergulhar na misericórdia de Jesus que se doou por nós.

A celebração contou com a participação das famílias e do Coral Nossa Senhora da Piedade.

A reflexão foi concluída no interior do templo, onde o pároco, Monsenhor Schuster, aprofundou o sentido e o significado da Semana Santa, a Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus Cristo.

A cruz, erguida sobre o mundo, segue de pé como sinal de salvação e esperança.

“Vitória, Tu reinarás. Ó Cruz, Tu nos salvarás!”

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