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Aceitar Jesus não é mudar de Igreja, mas mudar de vida

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Eu aceito Jesus quando experimento de seu amor e de sua misericórdia e digo SIM a Ele. Sim Senhor, eu quero Te amar acima de todas as coisas, Jesus! Quero, por meio dos meus irmãos, levar Seu amor a quem precisar.
Maria aceitou Jesus quando disse: “Eis aqui a serva do Senhor, faça se em mim segundo a tua palavra”.Mas antes de tudo, aceitar Jesus é dizer não ao mal e ao pecado e a tudo que é contra o plano e projeto de Deus para nós e para o mundo.É encarar o que o Evangelho nos diz e fazer de tudo para segui-lo através do magistério seguro da Igreja.
Por isso, não tenhamos medo de dizer: SOU CRISTÃO, SOU CATÓLICO E ACEITO E RENOVO MINHA EXPERIÊNCIA COM JESUS TODOS OS DIAS!
Aceito Jesus quando reconheço que minha vida é d’Ele, aceito Jesus em cada Santa Missa e todas as vezes que Ele vem até mim na Eucaristia. Eu te aceito Jesus!
Aceitar Jesus – O que é verdadeiramente?

1)- Eu já aceitei Jesus e já me batizei em outra denominação Cristã, preciso aceitar de novo e me re-batizar?
Não!!! Pois isto não tem respaldo nem na bíblia e nem na tradição dos primeiros Cristãos. A palavra de Deus diz em Efésios 4, 4-5: “Há um só corpo e um só Espírito, como também fostes chamados em uma só esperança da vossa vocação; Um só Senhor, uma só fé, um só batismo…” Aceitar Jesus é uma decisão que se toma uma vez só, é um compromisso que assumimos diante do Senhor e publicamente na Igreja, desde que seja verdadeiro não há necessidade de aceitar novamente. Com relação ao batismo deste que tenha sido na forma ordenada por Cristo em nome da Trindade (Mateus 28, 19), é válido. É evidente que todos os dias devemos estar renovando este nosso compromisso com Deus.

2)- Depois de aceitar a Jesus, eu preciso continuar indo na igreja?
Sim. Muitas pessoas vão à igreja, aceitam o Senhorio de Jesus e depois não voltam mais, isto está errado. Aceitar viver sob o Senhorio de Jesus é apenas o início da nossa caminhada com o Senhor, temos que cultivar e renovar constantemente este nosso compromisso. Veja o que diz em Mateus 24, 13: “Mas aquele que perseverar até ao fim será salvo”. Perceba que a salvação é condicional à nossa fidelidade a Deus em seu caminho até o fim, e sozinho é muito difícil perseverar.

3)- O que vai mudar na minha vida depois que eu aceitar Jesus?
O primeiro e principal acontecimento será a salvação, todos aqueles que arrependem-se de seus pecados, os confessa e aceitam Jesus como Senhor e Salvador verdadeiramente em seus corações e são batizados, são salvos, e já não pesa mais nenhuma condenação.Veja o que diz em Romanos 10, 9:
“Se com a tua boca confessares ao Senhor Jesus, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo”.
Mas isto não significa que você não tenha que mudar ainda a sua vida, pois inúmeras pessoas aceitam Jesus tendo suas vidas completamente tortas, porém isto será mudado gradativamente com a operação do Espírito Santo na vida desta nova pessoa e sua livre colaboração, pois assim está escrito:
Filipenses 2, 12-16: “Efetuai a vossa salvação com temor e tremor”.

4)- E se não for verdadeira a minha decisão de aceitar Jesus?
Muitas pessoas aceitam Jesus da boca para fora, isto é, não fazem isto com o coração. É importante observar aqui que mesmo que tenha sido de forma inexpressiva, Deus vai considerar a sua decisão, cabendo agora a você assumir ou não, o compromisso diante de Deus. Contudo a salvação só é operada naqueles que aceitarem Jesus de forma verdadeira e só será mantida naqueles que permanecerem nos caminhos do Senhor.

5)- Depois de aceitar Jesus, posso perder a salvação?
Sim. Basta você abandonar o compromisso que fez com Jesus e afastar dos seus caminhos. O que nos revela a palavra de Deus sobre isto?
“Considera, pois, a bondade e a severidade de Deus: severidade para com aqueles que caíram, bondade para contigo, suposto que permaneça fiel a essa bondade; do contrário, também tu serás cortada” (Romanos 11, 22).
“Porque é impossível que os que já uma vez foram iluminados, e provaram o dom celestial, e se tornaram participantes do Espírito Santo, e provaram a boa palavra de Deus, e as virtudes do século futuro, e recaíram, sejam outra vez renovados para arrependimento; pois assim, quanto a eles, de novo crucificam o Filho de Deus, e o expõem ao vitupério. Porque a terra que embebe a chuva, que muitas vezes cai sobre ela, e produz erva proveitosa para aqueles por quem é lavrada, recebe a bênção de Deus; Mas a que produz espinhos e abrolhos, é reprovada, e perto está da maldição; o seu fim é ser queimada” (Hb 6, 4-8).
“Aquele, pois, que estar em pé, cuide para que não caia” (1Cor 10, 12).
“Sede sóbrios; vigiai; porque o diabo, vosso adversário, anda em derredor, bramando como leão, buscando a quem possa tragar…” (1Pd 5, 8).
“Nem todo aquele que me diz: ‘Senhor, Senhor’, entrará no Reino dos céus, mas apenas aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus. Muitos me dirão naquele dia: ‘Senhor, Senhor, não profetizamos em teu nome? Em teu nome não expulsamos demônios e não realizamos muitos milagres? Então eu lhes direi claramente: Nunca os conheci. Afastem-se de mim vocês que praticam o mal (Mateus 7, 21-23).
O próprio Paulo é inseguro da sua própria salvação:
“Com a esperança de conseguir a ressurreição dentre os mortos não pretendo dizer que já alcancei (esta meta) e que cheguei à perfeição. Não. Mas eu me empenho em conquistá-la, uma vez que também eu fui conquistado por Jesus Cristo. Consciente de não tê-la ainda conquistado, só procuro isto: prescindindo do passado e atirando-me ao que resta para frente. Persigo o alvo, rumo ao prêmio celeste, ao qual Deus nos chama, em Jesus Cristo” (Filipenses 3, 11-14).
“Antes subjugo o meu corpo, e o reduzo à servidão, para que, pregando aos outros, eu mesmo não venha de alguma maneira a ficar reprovado” (1Cor 9, 27).

6)- Preciso mudar de denominação Cristã para aceitar Jesus e ser salvo?
Aceitar Jesus é algo que tem que acontecer no coração, é uma experiência marcante, profunda entre você e o Senhor Jesus. Envolve arrependimento, quebrantamento de coração e entrega pessoal e total a Deus no filho por meio da graça do Espírito Santo. Se a sua denominação Cristão está comprometida com a palavra de Deus, prega que seus membros devam buscar a viver em santidade, que precisam obedecer a palavra de Deus, e ao sagrado magistério como nos ordena as escrituras, neste caso específico, não precisa sair, mas cada caso é um caso. Nosso Senhor disse aos apóstolos:
“Quem vos ouve, a mim ouve, e o que vos despreza a Mim despreza” (Lc 10, 16).
E disse a Pedro:
“Apascenta as minhas ovelhas” (Jo 21, 15-18).
E declarou que a Pedro daria as chaves do Reino dos Céus (Mateus 16, 18). Portanto isto é grave e muito relevante a salvação. Não queira cair no pecado do orgulho de satanás. Quem não aceita Pedro, e quem não ouve os apóstolos despreza o próprio Cristo, coisa que o ladrão arrependido não fez. O bom ladrão confessou que Cristo era o Senhor, dizendo:
“Senhor, lembra-te de mim, quando entrares em teu Reino” (Lc 23, 42).
Ele se salvou confessando a Deus, e foi batizado por seu sangue. Porque há também um batismo de sangue. E no juízo final Cristo julgará os homens pela Fé e pela observância da lei de Deus, da qual “nem um só jota será tirado” (Mt 5, 18).E no juízo ele dirá “não vos conheço” para aqueles que não alimentaram a lâmpada da fé com as boas obras. Por isso lhes dirá “Tive fome, e não me destes de comer” (Mt 25, 34-46).
Hereges e filhos do diabo são, pois os que deformam a doutrina e a lei de Deus, ora negando o que Cristo ensinou, ora se atribuindo uma fé que recusa as boas obras. De modo que só se salvam as ovelhas de Cristo, e quem recusa ouvir a Pedro, despreza Cristo, e será punido por ele como filho do demônio.
“Fora da Igreja não há salvação”
O que esta frase quer dizer? Esta sentença é dos grandes Padres da Igreja, como Santo Agostinho (430), São Justino (165), Santo Irineu (200), etc., e mostra que a Igreja é fundamental para a nossa salvação.
Como entender esta afirmação?
De maneira positiva, ela significa que toda salvação vem de Cristo-Cabeça através da Igreja que é o seu Corpo, explica o Catecismo da Igreja:
“Apoiado na Sagrada Escritura e na Tradição, [o Concílio Vaticano II] ensina que esta Igreja peregrina é necessária para a salvação”.
Jesus Cristo é o único mediador e caminho da salvação, mas Ele se torna presente para nós no seu Corpo, que é a Igreja. Ele, mostrando a necessidade da fé e do batismo para a nossa salvação [Mc 16, 16 – “Quem crer e for batizado será salvo…”], ao mesmo tempo confirmou a necessidade da Igreja, na qual os homens entram pelo batismo, como que por uma porta. Diz o Catecismo que:
“Por isso não podem salvar-se aqueles que, sabendo que a Igreja Católica foi fundada por Deus através de Jesus Cristo como instituição necessária, apesar disso não quiserem nela entrar, ou então perseverar (LG 14)” (Cat. § 846).
Quando a Igreja nos toca pelos Sacramentos, é o próprio Cristo que nos toca. Jesus disse aos Apóstolos (hoje os bispos):
“Quem vos ouve a mim ouve, quem vos rejeita a mim rejeita; e quem me rejeita, rejeita aquele que me enviou’ (Lc 10, 16).
Desprezar a Igreja e seu magistério sagrado, é desprezar a Cristo. São Paulo na Carta a S. Timóteo diz que: “Deus quer que todos se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade” (1Tm 2, 4), e afirma em seguida que:
“A Igreja é a coluna e o fundamento da verdade” (1Tm 3, 15).
A Igreja é apostólica: está construída sobre “Os doze Apóstolos do Cordeiro” (Ap 21, 14); ela é indestrutível (Mt 16, 18); é infalivelmente mantida na verdade (Jo 14, 25; 16, 13; § 869).
Para manter a Igreja isenta de erros de doutrina “Cristo quis conferir à sua Igreja uma participação na sua própria infalibilidade, ele que é a Verdade” (LG 12; DV 10).
Mas o Catecismo Católico explica que:
“Aqueles, portanto, que sem culpa ignoram o Evangelho de Cristo e sua Igreja, mas buscam a Deus com o coração sincero e tentam, sob o influxo da graça, cumprir por obras a sua vontade conhecida através do ditame da consciência, podem conseguir a salvação eterna” (§ 848).
Ora o ladrão na Cruz não era Cristão e foi salvo por Cristo, sem proclamar solenemente Cristo como seu único senhor e salvador. Um índio e os povos de uma cultura não Cristã se salvariam, diz a doutrina Católica, se obedecessem toda a lei natural, lei que Deus colocou no coração de cada homem.
Diz São Paulo que aqueles que não podem conhecer a verdade católica por uma situação de ignorância invencível, isto é, que não tinham meio algum de conhecer a Revelação, ELES SERIAM JULGADOS PELA LEI NATURAL, pois obedecendo essa lei natural que todos conhecem, eles se salvariam (Romanos 2, 12-16). Tais pessoas, como o índio, não pertencem ao corpo da Igreja, mas pertencem à alma da Igreja.

7)- Para aceitar Jesus é necessário que eu esteja na igreja ou posso aceitar e ficar na minha própria casa? Cristo Sim, Igreja não?
O grupo que se autodenomina como os “Sem Igreja” (Cristo sim igreja não) se dizem salvos também. E você o que acha? Eles estão salvos ou a Caminho da Condenação?. Se os “sem igreja” estão salvos, tal como aqueles que frequentam denominações, podemos dizer que igrejas protestantes não servem para nada já que não são essenciais para a salvação? Sim ou não?. Qual dos grupos está salvo? Os “Sem Igreja” ou os “Com milhares de Igrejas”?. Se ambos estão salvos, para que então frequentar Igrejas? e ainda tentar fazer proselitismo? Tentando ganhar adeptos para uma denominação?
O QUE NOS DIZ A PALAVRA DE DEUS SOBRE ISTO?
“Não deixando a nossa congregação, como é costume de alguns, antes admoestando-nos uns aos outros; e tanto mais, quanto vedes que se vai aproximando aquele dia” (Hb 10, 25).
Ajuntai-vos, e vinde, todos os gentios em redor, e congregai-vos. Ó Senhor, faze descer ali os teus fortes (Joel 3, 11).
Alegrei-me quando me disseram: Vamos à casa do Senhor (Salmos 122, 1).
Lc 24, 53: E estavam sempre no templo, louvando e bendizendo a Deus.

8)- É possível aceitar Jesus pelo rádio, TV, ou internet?
Sim. Como visto nas perguntas acima, aceitar Jesus é algo a princípio particular entre você e o Senhor Jesus, portanto não importa o meio que alguém usou para dizer que você precisa aceitar Jesus. Se você sentiu tocado pelo Espírito Santo e deseja se entregar a Jesus poderá ser sim pela internet, rádio, TV, ou qualquer outro meio lícito. Depois é necessário tornar isto público, pois assim nos diz as escrituras:
“E digo-vos que todo aquele que me confessar diante dos homens, também o Filho do homem o confessará diante dos anjos de Deus, mas quem me negar diante dos homens, será negado diante dos anjos de Deus…” (Lucas 12, 8-9).

9)- QUAL A VERDADEIRA IGREJA “VISÍVEL” QUE CRISTO NOS DEIXOU? Qual igreja devo frequentar?
Apresento cinco Critérios bíblicos para você confirmar:
1. Que Possua Unidade: Consenso de doutrina e crença (Atos 2, 46; Efésios 4, 3.13).
2. Que seja Universal (CATÓLICA): Prega o evangelho no mundo todo e para todos (Hebreus 12, 23; Apocalipse 14, 6; Marcos 16, 15)
3. Que esta Igreja esteja de acordo com a doutrina dos apóstolos (Apostolicidade: Atos 2, 42) – Pergunta que não cala: Teologia da Prosperidade, campanhas, votos e desafios em dinheiro é bíblico? Blasfemar contra a mãe de Deus e aos Santos, faz parte do ensino dos apóstolos? Faça a você mesmo estas perguntas e compare com a atual denominação que você está e seja dócil e obediente a vós de Deus, mesmo que isto lhe custe perder amizades e suas seguranças humanas.
4. NÃO É POPULAR NEM DEMOCRÁTICA – VAI CONTRA O PENSAMENTO DO MUNDO: Contra o aborto, contra a homossexualidade e a depravação sexual, a favor da família constituída por um homem e uma mulher, que favoreça a moral e os bons costumes (Apocalipse 12, 17; Romanos 9, 27 e Lucas 12, 32).
5. Ensina a salvação pela fé em Jesus Cristo, mas acompanhada das BOAS OBRAS: Enquanto os protestantes estão preocupados em decorar trechos bíblicos e ATACAR OS CATÓLICOS, generalizar falhas e buscar controvérsias, etc, os Católicos procuram viver o Evangelho, portanto tire suas conclusões. Os protestantes como revela a palavra de Deus, são muito lentos e retardados no entendimento das coisas de Deus: “Teríamos muita coisa a dizer sobre isso, e coisas bem difíceis de explicar, dada a vossa lentidão em compreender. A julgar pelo tempo, já devíeis ser mestres! Contudo, ainda necessitais que vos ensinem os primeiros rudimentos da palavra de Deus” (Hebreus 5, 11-14).
A Religião perfeita é: “A religião pura e verdadeira é esta: Ajudar os órfãos e as viúvas nas suas aflições e não se manchar com as coisas más deste mundo” (Tiago 1, 26-27).

Onde está escrito na bíblia que Religião não salva ninguém?
Os protestantes não sabem nem ao menos o que dizem, apenas repetem como PAPAGAIOS o que seus FALSOS PASTORES lhe impõem. Ora dizer que a verdadeira religião não salva é negar a própria RELIGIÃO CRISTÃ, pois Cristo disse em João 14, 5: Eu Sou o caminho a verdade e a vida, e NINGUEM VEM AO PAI SENÃO POR MIM… Com esta promessa Cristo estabeleceu a única e verdadeira Religião (Religare) e a confiou a Pedro em Mateus 16, 18. E como poderão salvar-se os que não conhecem Jesus ou consideram verdadeira a sua própria religião? Obviamente neste caso a fé será substituída pelas obras de misericórdia, necessárias também entre os cristãos porque a fé sem obras está morta (Tg 2, 17) e Paulo afirma que a fé só tem valor mediante o amor (Gl 5, 6). Por fim a promessa de Cristo é dirigida aqueles que combinaram a fé com as boas obras: “VINDE BENDITOS DO MEU PAI, tive fome e me deste de beber, nu e me vestistes, preso e fostes me visitar, estrangeiro e me acolhestes… (Mt 25, 31-46). Não agir assim é uma fé vazia, esta que o próprio Cristo combate:
“Este povo me louva com a boca, mas o seu coração está longe de mim…” (Mt 15, 8).
Por fim, a própria passagem que os protestantes adoram citar (incompleta claro), fala da necessidade das boas obras para confirmar a verdadeira fé professada:
“Mas Deus, que é riquíssimo em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos amou, Estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos), E nos ressuscitou juntamente com ele e nos fez assentar nos lugares celestiais, em Cristo Jesus; Para mostrar nos séculos vindouros as abundantes riquezas da sua graça pela sua benignidade para conosco em Cristo Jesus. Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie; Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas” (Efésios 2, 4-10).
Analise na verdade e na sinceridade, e veja em qual Igreja você encontrará estes 5 pontos em um só lugar?Não fiquem espantados com a saída de falsos católicos e a diminuição dos fieis e verdadeiros católicos, pois é preciso que se cumpra as escrituras:
Quando Jesus vier buscar a sua igreja ele não irá levar a maioria, pois será salvo apenas um resto como está profetizado em Romanos 9, 27.
1Jo 2, 19 – “Eles Saíram do nosso meio, mas não eram dos nossos; pois, se tivessem sido dos nossos, teriam permanecido conosco. Mas, [saíram] para que se mostrasse que nem todos são dos nossos, nem do número dos eleitos.
“Ninguém pode servir a dois senhores, porque ou odiará a um e amará a outro, ou se prenderá a um e desprezará o outro. Não podeis servir simultaneamente a Deus e a Mamon…” PERGUNTA QUE NÃO QUER CALAR: Por que os protestantes e suas lideranças pulam essa parte do Evangelho? – Nunca os vi comentarem sobre esse trecho do Evangelho – Devem sentir-se constrangidos em ter de enfrentar a esta verdade dita pelo Cristo, contradizendo suas pregações de bençolatria, dizimolatria, sucessolatria e seus altos padrões de vida a custo dos ignorantes.
Procure uma paróquia próxima de você, ou algum grupo de oração que siga os cinco critérios acima, e diga ao padre, ou coordenador do grupo que você experimentou da misericórdia de Deus, por meio de seu filho Jesus, ouvindo um programa de rádio, TV ou através da internet, e diga que deseja segui-lo e servi-lo. Procure estar presente nas reuniões de louvor, e serviço. Procure fazer os cursos oferecidos pela paróquia ou grupo de oração, pois são importantes para enriquecer o seu conhecimento de Cristo e de sua vontade, e responder as dúvidas que são muito comuns nesta fase da caminhada cristã.

ALGUNS ESCLARECIMENTOS NECESSÁRIOS:
As igrejas que conhecemos hoje, com nome, CNPJ e até marca registrada, são instituições fundadas e geridas por homens, elas possuem um papel importante no ponto de vista da organização, e apoio aos crentes na expansão da fé cristã através de trabalhos missionários, pois sem as igrejas e seus missionários, os primeiros Cristãos não teriam sido alcançados pelo evangelho, e consequentemente nós também não, portanto devemos nossa gratidão sim, a todos os Santos missionários do passado e do presente.
Sendo a Igreja uma instituição inspirada por Deus, mas gerida pelo homem, é natural que nela haja falhas, afinal o homem é falho, nos ensina as Sagradas Escrituras:
“não há homem justo sobre a terra, que faça o bem e nunca peque” (Eclesiastes 7, 20).
Todas as denominações, sem exceções, têm suas virtudes e também suas falhas, somente “o caminho de Deus é perfeito”, em somente o magistério Petrino, auxiliado pelo Espírito Santo é infalível e somente “a palavra do Senhor é pura” e somente Deus “é um escudo para todos os que nele se refugiam” (Salmo 18, 30).
A igreja que disser não ter defeitos, que seus ministros não pecam, que as palavras ditas nos seus púlpitos são puras, está tentando roubar o papel principal da fé cristã, que é o de Jesus, único perfeito, que é também o autor da salvação (Hebreus 5, 9). Nem sempre as falhas que originam os defeitos nas igrejas são originados com más intenções, nem sempre são premeditadas, o problema é a falibilidade e limitação humana mesmo. Geralmente os dirigentes em sua maioria, estão imbuídos de bons sentimentos e boas intenções. Lógico que há pessoas que por vaidade, politicagem, ganância e poder acham que os fins justificam os meios, há “servos” que agem por interesses próprios, não servindo a Deus, mas a si próprio; estes, porém já receberam seu galardão.

10)- Podemos continuar buscando a Deus em lugares que estão cheio de erros e que conhecemos muitos destes erros?
Como disse acima, não existe igreja e nem grupo perfeito, a busca por uma igreja perfeita seria infinita, porém, existem igrejas maduras e você pode se fixar em qualquer uma delas desde que se sinta acolhido por ela, mas não se iluda, até mesmo as igrejas maduras possuem defeitos, por isso, devemos agir como os crentes de Beréia que se aplicavam em conhecer as Sagradas Escrituras e agir conforme a orientação do apostolo Paulo, que disse:
“examinai tudo, retenha apenas o que é bom” (I Tessalonicenses 21).
Deus se permite ser encontrado por todos que o buscam (Jeremias 29, 13). Então, a princípio, não deixe de buscar a Deus e experimentar de seu amor e de sua misericórdia. Deixe que Espírito Santo seja o teu guia, reze e peça a Deus a direção com sinceridade de coração e Ele será fiel, pois diz a palavra:
“Porque qualquer que pede recebe; e quem busca acha; e a quem bate abrir-se-lhe-á. E qual o pai de entre vós que, se o filho lhe pedir pão, lhe dará uma pedra? Ou, também, se lhe pedir um peixe, lhe dará por peixe uma serpente? Ou, também, se lhe pedir um ovo, lhe dará um escorpião? Pois se vós, sendo maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais dará o Pai celestial o Espírito Santo àqueles que lho pedirem?…” (Lucas 11, 10-13).
Não precisamos necessariamente esperar estar numa igreja para conhecer a Bíblia (principalmente se próximo a você não tem uma ou um grupo de pessoas que se reúnem para partilhá-la comunitariamente), nada impede que você abra sua Bíblia na sua casa, e estude a palavra pura que foi inspirada por Deus (2° Timóteo 3, 16-17) e é rica em verdade que liberta (João 8, 32) o homem do jugo pesado imposto pelos homens que lideram uma igreja ou grupo com fardos pesados que nem eles estão dispostos a carregar, com dízimos interesseiros e exploradores, deturpando a palavra de Deus para seus interesses mesquinhos.
Muitas vezes nós erramos, e somos coniventes com os erros da igreja exatamente por não conhecer as Escrituras (Mateus 22, 29).

11) – Será que Deus está presente “também” na denominação onde Congrego? Caso contrário, o que devemos fazer?
Deus se faz presente onde dois ou três em seu nome se reunirem (Mateus 18, 20). Dei ênfase no “também” porque alguns tomam o próprio lugar de Deus e do Espírito que sopra onde Ele quer, e não onde nós determinamos, pois assim está escrito:
“O Ruah sopra onde quer; ouves-lhe o ruído, mas não sabes de onde vem, nem para onde vai…” (João 3, 8).
Podemos concluir então, que Deus está presente onde dois ou mais se reunirem em seu nome (cf. Mateus 18, 20) mas, já não podemos afirmar com a mesma certeza que todos os líderes destas reuniões estejam com Deus, pois assim está escrito:
“Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não pregamos nós em teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitas maravilhas? E então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade…” (Mateus 7, 22-23). Não se espante, pois homem é falho, é corruptível e muitas vezes fazem associações obscuras e incompatíveis com a fé que professa.

O que fazer?
Conte sempre com Deus e com sua Palavra, que é “lâmpada para seus pés e luz para seus caminhos” (Salmos 119, 105) e também trás consolo e esperança (Romanos 15, 4). Mas principalmente sigamos o conselho de Cristo:
“Dirigindo-se, então, Jesus à multidão e aos seus discípulos, disse: Os escribas e os fariseus (Sacerdotes, e bispos) sentaram-se na cadeira de Moisés (No caso Católico na cadeira de Pedro). Observai e fazei tudo o que eles dizem, mas não façais como eles, pois dizem e não fazem. Atam fardos pesados e esmagadores e com eles sobrecarregam os ombros dos homens, mas não querem movê-los sequer com o dedo. Fazem todas as suas ações para serem vistos pelos homens…” (Mateus 23, 1-5).
Independente de qual igreja você esteja, sempre reze a Deus pelos teus ministros, sacerdotes, bispos, e lideranças Cristãs, e pelos seus ministérios nas igrejas de Deus em geral na face da Terra, para que a vontade Dele seja sempre manifesta e que as ervas daninhas sejam extirpadas do seio da igreja, e assim possamos melhor servir ao Senhor em verdade e em santidade e com sincero coração. Servimos a Deus, não ao homem. Devemos sim honrar e respeitar nossos ministros, mas aquilo que é ensinado por eles se não tem fundamento bíblico, magisterial ou tradicional, deve ser rejeitado e combatido (Gálatas 1, 8).
Hoje em dia, muitos buscam as igrejas motivados por necessidades materiais ou sentimentais, e podem buscar, mas naquela frase, o Mestre atingiu a essência da necessidade humana: o novo nascimento. Sem esta experiência, todas as bênçãos serão inúteis ou de pouco valor. É como se Jesus dissesse a cada pessoa: “Sua vida não tem conserto. Você precisa nascer de novo”. O evangelho não oferece uma simples reforma na vida do homem, mas sim uma nova vida.
O novo nascimento não é reencarnação, mas um nascimento espiritual que acontece quando o indivíduo crê em Jesus Cristo como seu Salvador e o recebe sinceramente no coração pela fé. Podemos ilustrar este conceito bíblico por meio de dois animais: a lagarta e a borboleta. A lagarta é feia, repugnante, tem visão limitada, anda arrastando, é um bicho devorador de plantações e, algumas vezes, nocivo ao ser humano. Como consequência, é temida, desprezada, rejeitada e pisada pelas pessoas. A borboleta, embora não seja uma espécie diferente da lagarta, passou por uma transformação. Agora, ela é bonita, agradável, tem visão mais ampla e consegue voar. A borboleta é admirada, elogiada e sempre bem-vinda em nossos lares.
Podemos comparar a lagarta ao homem sem Cristo, e a borboleta ao homem convertido. Paulo usaria as expressões “velho homem” e “novo homem”. O contraste entre a lagarta e a borboleta é muito grande e essa transformação acontece durante um período intermediário em que o animal toma a forma de crisálida. Ao final do processo, ocorre o que podemos chamar de “novo nascimento”, ou METANOIA (Conversão). Agora, tudo será diferente. Algo semelhante é experimentado por aqueles que recebem a Jesus como Senhor de suas vidas. A conversão, de acordo com a bíblia, não é mudança de religião, mas uma profunda transformação na vida, de dentro para fora. É uma mudança de caráter que afeta também as ações. Isto nos faz lembrar a mudança experimentada por Jacó, que se tornou Israel, e por Saulo de Tarso, que veio a ser o grande apóstolo Paulo. Embora a fase da crisálida seja para o bem, parece morte e sepultamento. A situação do animal parece ter piorado. Antes se arrastava, agora não se move. Antes, tinha companhia, agora há solidão. Antes, devorava tudo, agora tem uma nova fome de Deus. Assim também acontece com as transformações espirituais. Elas podem não ser imediatas, mas sim o fruto de um processo demorado que, a princípio, parece piorar a condição do indivíduo. Jacó saiu mancando do seu encontro com Deus, mas, enquanto doía por fora, o Senhor operava por dentro.
Saulo, quando se encontrou com Jesus, caiu por terra e ficou cego. As coisas pareciam piorar. Ele perdeu suas prerrogativas entre os judeus e não foi recebido logo pelos cristãos. Começou então um período de reclusão, isolamento. Deve ter sido um tempo muito difícil, mas útil para sua preparação espiritual antes de iniciar seu magnífico ministério. Quando termina o tempo da crisálida, uma nova vida começa. A borboleta mudou de nome e de aparência, mas não foi apenas isso. Seu comportamento é outro. Ela passa a frequentar outros ambientes e tem novas companhias. Sua visão agora é superior e até o seu alimento mudou.
Precisamos nos conscientizar do que Deus espera de nós, mesmo sabendo que não o surpreendemos com nossas quedas e fraquezas:
Ele espera por tudo aquilo que Ele mesmo gratuitamente nos deu, aguarda um modo de vida coerente com o novo nascimento. Talvez pensássemos que tudo isso fosse automático, mas não é. Afinal de contas, temos uma nova natureza, mas não perdemos a antiga. Temos duas naturezas que lutam dentro de nós. A borboleta tem condições de voar, mas não perdeu a capacidade de caminhar. Portanto, ela pode escolher abdicar-se de sua nova habilidade, voltando aos antigos ambientes e à velha vida. Quantos cristãos transformados em águias, vivem como se fossem galinhas. São como filhos pródigos entre os porcos. Antes, você era incapaz de vencer o pecado. Agora, pode vencê-lo, mas precisa escolher e re escolher isto todos os dias. Vem a primeira conversão e a fase do testemunho. Depois vem a segunda conversão e a fase do CONTRA TESTEMUNHO, mas quando re escolhemos Deus, o contra testemunho se torna um grande testemunho. Nesta linha de pensamento enquadram-se diversas admoestações de Paulo para as igrejas ao orientar os irmãos no sentido de viverem de acordo com sua nova condição espiritual:
“Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos como um sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. E não vos conformeis a este mundo, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus” (Rm 12, 1-3).
“Quanto ao procedimento anterior, vos despojeis do velho homem, que se corrompe pelas concupiscências do engano; e vos renoveis no espírito da vossa mente; e revesti-vos do novo homem, que segundo Deus foi criado em verdadeira justiça e santidade. Pelo que deixai a mentira, e falai a verdade cada um com o seu próximo, pois somos membros uns dos outros. Irai-vos, e não pequeis; não se ponha o sol sobre a vossa ira; nem deis lugar ao Diabo. Aquele que furtava, não furte mais; antes trabalhe, fazendo com as mãos o que é bom, para que tenha o que repartir com o que tem necessidade. Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, mas só a que seja boa para a necessária edificação, a fim de que ministre graça aos que a ouvem. E não entristeçais o Espírito Santo de Deus, no qual fostes selados para o dia da redenção. Toda a amargura, e cólera, e ira, e gritaria, e blasfêmia sejam tiradas dentre vós, bem como toda a malícia. Antes sede bondosos uns para com os outros, compassivos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus vos perdoou em Cristo” (Ef 4, 22-32).
“Se, pois, fostes ressuscitados juntamente com Cristo, buscai as coisas que são de cima, onde Cristo está assentado à destra de Deus. Pensai nas coisas que são de cima, e não nas que são da terra; porque morrestes, e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus. Quando Cristo, que é a nossa vida, se manifestar, então também vós vos manifestareis com ele em glória. Exterminai, pois, as vossas inclinações carnais; a prostituição, a impureza, a paixão, a vil concupiscência, e a avareza, que é idolatria; pelas quais coisas vêm a ira de Deus sobre os filhos da desobediência; nas quais também em outro tempo andastes, quando vivíeis nelas; mas agora despojai-vos também de tudo isto: da ira, da cólera, da malícia, da maledicência, das palavras torpes da vossa boca; não mintais uns aos outros, pois que já vos despistes do homem velho com os seus feitos, e vos vestistes do novo, que se renova para o pleno conhecimento, segundo a imagem daquele que o criou” (Cl 3, 1-10).
Sempre encontramos pessoas em condição degradante, rejeitadas pela sociedade. Algumas vezes, isto ocorre por causa de crimes que cometeram, ou por um conjunto de outras situações. A nossa tendência é rejeitar e pisar nessas vidas marginalizadas, mas Deus vê potencial nelas. Se receberem o Senhor Jesus em seus corações, experimentarão verdadeira metanoia (Conversão/Mudança).
Assim, aqueles que se convertem pela fé no evangelho são transformados, não com o propósito de serem ricos ou famosos, mas para serem cada vez mais parecidos com o Senhor Jesus Cristo, em comunhão com ele e em obediência aos seus mandamentos. Sabendo que Deus nunca serve o melhor vinho no começo, mas no fim, portanto, paciência com você mesmo(a),e perseveremos até o fim.
“Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!”

São Bernardo de Claraval, doce poeta de Nossa Senhora

E o nome da Virgem era Maria
Exortação a invocar Maria, a Estrela do Mar (São Bernardo)

E o nome da Virgem era Maria (Lc 1, 27). Falemos um pouco deste nome que significa, segundo se diz, Estrela do mar, e que convém maravilhosamente à Virgem Mãe. … Ela é verdadeiramente esta esplêndida estrela que devia se levantar sobre a imensidade do mar, toda brilhante por seus méritos, radiante por seus exemplos.

Ó tu, quem quer que sejas, que te sentes longe da terra firme, arrastado pelas ondas deste mundo, no meio das borrascas e tempestades, se não queres soçobrar, não tires os olhos da luz desta estrela.

Se o vento das tentações se levanta, se o escolho das tribulações se interpõe em teu caminho, olha a estrela, invoca Maria.

Se és balouçado pelas vagas do orgulho, da ambição, da maledicência, da inveja, olha a estrela, invoca Maria.

Se a cólera, a avareza, os desejos impuros sacodem a frágil embarcação de tua alma, levanta os olhos para Maria.

Se, perturbado pela lembrança da enormidade de teus crimes, confuso à vista das torpezas de tua consciência, aterrorizado pelo medo do juízo, começas a te deixar arrastar pelo turbilhão da tristeza, a despencar no abismo do desespero, pensa em Maria.

Nos perigos, nas angústias, nas dúvidas, pensa em Maria, invoca Maria.

Que seu nome nunca se afaste de teus lábios, jamais abandone teu coração; e para alcançar o socorro da intercessão dela, não negligencies os exemplos de sua vida.

Seguindo-A, não te transviarás; rezando a Ela, não desesperarás; pensando nela, evitarás todo erro.

Se Ela te sustenta, não cairás; se Ela te protege, nada terás a temer; se Ela te conduz, não te cansarás; se Ela te é favorável, alcançarás o fim.

E assim verificarás, por tua própria experiência, com quanta razão foi dito: “E o nome da Virgem, era Maria”.

 

O segredo do último lugar

Se soubéssemos claramente em que lugar Deus põe cada um de nós, deveríamos aceitar tal decisão, sem nunca nos pormos nem acima nem abaixo desse lugar. Mas, no nosso presente estado, os decretos de Deus estão envoltos em trevas e a sua vontade nos está oculta. Por isso, é mais seguro, de acordo com o conselho da própria Verdade, escolher o último lugar, de onde nos tirarão depois com honra, para nos darem um melhor. Se passarmos debaixo de uma porta muito baixa, podemos baixar-nos tanto quanto quisermos sem nada temer mas, se nos levantarmos um dedo que seja acima da altura da porta, bateremos com a cabeça. É por isso que não se deve recear qualquer humilhação, mas antes temer e reprimir o menor movimento de auto-suficiência. Não vos compareis nem aos que são maiores que vós, nem aos vossos inferiores, nem a quaisquer outros, nem sequer a um só. Que sabeis deles? Imaginemos um homem que parece o mais vil e desprezível de todos, cuja vida infame nos horroriza. Pensais que o podeis desprezar, não só por comparação convosco mesmos, que aparentemente viveis na sobriedade, na justiça e na piedade, mas até por comparação a outros malfeitores, dizendo que ele é o pior de todos. Mas sabeis se ele não será um dia melhor que vós e se o não é já aos olhos do Senhor? Por isso é que Deus não quis que ocupássemos um lugar intermédio, nem o penúltimo, nem sequer um dos últimos, mas disse: “Toma o último lugar” a fim de se ficar verdadeiramente só na última fila. Desse modo não pensarás, já não digo a preferir-te, mas simplesmente a comparar-te a quem quer que seja.

São Bernardo (1091-1153), monge cisterciense e doutor da Igreja
Sermão 37 sobre o Cântico dos Cânticos

 

São Bernardo de Claraval, doce poeta de Nossa Senhora

CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 21 de outubro de 2009
Catequese pronunciada pelo Papa Bento XVI

Queridos irmãos e irmãs: Hoje, eu gostaria de falar sobre São Bernardo de Claraval, chamado de “o último dos Padres” da Igreja, porque no século XII, mais uma vez, ele renovou e fez presente a grande teologia dos padres. Não conhecemos em detalhe os anos da sua juventude; sabemos, contudo, ele nasceu em 1090 em Fontaines, na França, em uma família numerosa e discretamente acomodada. Ainda muito jovem, dedicou-se ao estudo das chamadas artes liberais – especialmente da gramática, retórica e dialética – na Escola dos Canônicos da igreja de Saint-Vorles, em Châtillon-sur-Seine, e amadureceu lentamente a decisão de entrar na vida religiosa. Por volta dos 20 anos, entrou em Cîteaux (Cister, N. da T.), uma fundação monástica nova, mais ágil com relação dos antigos e veneráveis mosteiros de então e, ao mesmo tempo, mais rigorosa na prática dos conselhos evangélicos. Alguns anos mais tarde, em 1115, Bernardo foi enviado por Santo Estêvão Harding, terceiro abade de Cister, a fundar o mosteiro de Claraval (Clairvaux). O jovem abade, com somente 25 anos, pôde aqui afinar sua própria concepção da vida monástica e empenhar-se em traduzi-la à prática. Observando a disciplina de outros mosteiros, Bernardo falou com decisão da necessidade de uma vida sóbria e comedida, tanto à mesa como na indumentária e nos edifícios monásticos, recomendando a sustentação e o cuidado dos pobres. Entretanto, a comunidade de Claraval era cada vez mais numerosa e multiplicava suas fundações. Nessa mesma época, antes de 1130, Bernardo empreendeu uma vasta correspondência com muitas pessoas, tanto importantes como de modestas condições sociais. Às muitas cartas deste período, é preciso acrescentar os numerosos Sermões, como também Sentenças e Tratados. Destaca-se também, nesses anos, a grande amizade de Bernardo com Guilherme, abade de Saint-Thierry, e com Guilherme de Champeaux, uma das figuras mais importantes do século XII. De 1130 em diante, começou a ocupar-se de muitas e graves questões da Santa Sé e da Igreja. Por este motivo, teve de sair mais frequentemente do seu mosteiro, inclusive fora da França. Fundou também alguns mosteiros femininos e foi protagonista de um vivo epistolário com Pedro o Venerável, abade de Cluny, sobre quem falei na última quarta-feira. Ele dirigiu seus escritos polêmicos sobretudo contra Abelardo, um grande pensador que iniciou uma nova forma de fazer teologia, introduzindo o método dialético-filosófico na construção do pensamento teológico. Outra frente contra a qual Bernardo lutou foi a heresia dos Cátaros, que desprezavam a matéria e o corpo humano, desprezando, por conseguinte, o Criador. Ele, no entanto, sentiu-se no dever de defender os judeus, condenando os cada vez mais difundidos brotos de antissemitismo. Por este último aspecto de sua ação apostólica, algumas décadas mais tarde, Epharim, rabino de Bonn, dedicou a Bernardo uma vibrante homenagem. Nesse mesmo período, o santo abade escreveu suas obras mais famosas, como os celebérrimos Sermões sobre o Cântico dos cânticos. Nos últimos anos da sua vida – ele faleceu em 1153 –, Bernardo teve de limitar as viagens, ainda que sem interrompê-las totalmente. Aproveitou para revisar definitivamente o conjunto das Cartas, dos Sermões e dos Tratados. Vale a pena mencionar um livro bastante particular, que ele terminou precisamente nesse período, em 1145, quando um aluno seu, Bernardo Pignatelli, foi eleito Papa com o nome de Eugênio III. Nessa circunstância, Bernardo, em qualidade de pai espiritual, escreveu a esse filho espiritual o texto De Consideratione, que contém ensinamentos para poder ser um bom papa. Nesse livro, que continua sendo uma leitura conveniente para os papas de todos os tempos, Bernardo não indica somente como ser um bom papa, mas expressa também uma profunda visão do mistério da Igreja e do mistério de Cristo, que se resolve, no final, com a contemplação do mistério de Deus uno e trino: “Deveria prosseguir ainda a busca desse Deus que ainda não foi bastante buscado – escreve o santo abade –, mas talvez se possa buscar e encontrar mais facilmente coma oração que com a discussão. Terminemos, portanto, aqui o livro, mas não a busca” (XIV, 32: PL 182, 808). Eu gostaria de deter-me somente em dois aspectos centrais da rica doutrina de Bernardo: estes se referem a Jesus Cristo e a Maria Santíssima, sua Mãe. Sua solicitude pela íntima e vital participação do cristão no amor de Deus em Jesus Cristo não traz orientações novas no status científico da teologia. Mas, de forma mais decidida que nunca, o abade de Claraval configura o teólogo com o contemplativo e o místico. Só Jesus – insiste Bernardo, frente às complexas reflexões dialéticas do seu tempo – é “mel na boca, cântico no ouvido, júbilo no coração” (mel in ore, in aure melos, in corde iubilum). Daqui provém o título, atribuído a ele pela tradição, de Doctor mellifluus: seu louvor a Jesus Cristo “se derrama como o mel”. Nas extenuantes batalhas entre nominalistas e realistas – duas correntes filosóficas da época –, o abade de Claraval não se cansa de repetir que só há um nome que conta, o de Jesus Nazareno. “Árido é todo alimento da alma – confessa – se não for tocado por este óleo; é insípido se não for temperado com este sal. O que escreves não tem sabor para mim, se não leio nele Jesus”. E conclui: “Quando discutes ou falas, nada tem sabor para mim, se não sinto ressoar o nome de Jesus” (Sermões em Cantica Canticorum XV, 6: PL 183,847). Para Bernardo, de fato, o verdadeiro conhecimento de Deus consiste na experiência pessoal, profunda, de Jesus Cristo e do seu amor. E isso, queridos irmãos e irmãs, vale para todo cristão: a fé é, antes de mais nada, um encontro pessoal e íntimo com Jesus; é fazer a experiência da sua proximidade, da sua amizade, do seu amor, e somente assim se aprende a conhecê-lo cada vez mais, a amá-lo e segui-lo cada vez mais. Que isso possa acontecer com cada um de nós! Em outro célebre sermão do domingo dentro da oitava da Assunção, o santo abade descreveu em termos apaixonados a íntima participação de Maria no sacrifício redentor do seu Filho: “Ó santa Mãe – exclama –, verdadeiramente uma espada transpassou tua alma! (…) Até tal ponto a violência da dor transpassou tua alma, que com razão podemos te chamar mais que mártir, porque em ti a participação na paixão do Filho superou muito em intensidade os sofrimentos físicos do martírio” (14: PL 183,437-438). Bernardo não hesita: “per Mariam ad Iesum”: através de Maria somos conduzidos a Jesus. Ele confirma com clareza a subordinação de Maria a Jesus, segundo os fundamentos da mariologia tradicional. Mas o corpo do Sermão documenta também o lugar privilegiado da Virgem na economia da salvação, dada sua particularíssima participação como Mãe (compassio) no sacrifício do Filho. Não por acaso, um século e meio depois da morte de Bernardo, Dante Alighieri, no último canto da “Divina Comédia”, colocará nos lábios do Doutor melífluo a sublime oração a Maria: “Virgem Mãe, filha do teu Filho/ humilde e mais alta criatura / término fixo do eterno conselho…” (Paraíso 33, vv. 1ss.). Estas reflexões, características de um enamorado de Jesus e de Maria, como São Bernardo, provocam ainda hoje, de forma saudável, não somente os teólogos, mas todos os crentes. Às vezes se pretende resolver as questões fundamentais sobre Deus, sobre o homem e sobre o mundo com as únicas forças da razão. São Bernardo, ao contrário, solidamente fundado na Bíblia e nos Padres da Igreja, recorda-nos que sem uma profunda fé em Deus, alimentada pela oração e pela contemplação, por uma relação íntima com o Senhor, nossas reflexões sobre os mistérios divinos correm o risco de serem um vão exercício intelectual e perdem sua credibilidade. A teologia reenvia à “ciência dos santos” a sua intuição dos mistérios do Deus vivo, a sua sabedoria, dom do Espírito Santo, que são ponto de referência do pensamento teológico. Junto a Bernardo de Claraval, também nós devemos reconhecer que o homem busca melhor e encontra mais facilmente Deus “com a oração que com a discussão”. No final, a figura mais verdadeira do teólogo continua sendo a do apóstolo João, que apoiou sua cabeça no coração do Mestre. Eu gostaria de concluir estas reflexões sobre São Bernardo com as invocações a Maria, que lemos em sua bela homilia: “Nos perigos, nas angústias, nas dúvidas, pensa em Maria, invoca Maria. Que seu nome nunca se afaste de teus lábios, jamais abandone teu coração; e para alcançar o socorro da intercessão dela, não negligencies os exemplos de sua vida. Seguindo-a, não te transviarás; rezando a Ela, não desesperarás; pensando nela, evitarás todo erro. Se Ela te sustenta, não cairás; se Ela te protege, nada terás a temer; se Ela te conduz, não te cansarás; se Ela te é favorável, alcançarás o fim” (Hom. II super “Missus est”, 17: PL 183, 70-71).

A veneração da Misericórdia do Senhor

A última tábua da salvação!
Ricardo Sá

Parece o fim, mas não o é! O fato é que Jesus Cristo, mesmo após ter a vida entregue à morte na cruz, não obstante Seus inúmeros feitos como o Filho de Deus que era; após caminhar sobre as águas, ressuscitar mortos, renascer após três dias, subir aos céus e assim dar início à maior e mais profunda revolução na história da humanidade… Após ter o Corpo exposto à vergonha e chagas, ter o peito aberto, a fronte coroada de espinhos, sendo submetido à humilhação e ao desprezo… Este homem, ainda assim, considerou Seus feitos – por fraqueza nossa – ineficazes. Motivo pelo qual apareceu para a Irmã Faustina Kowalska, na Polônia, em 1931. Nessa oportunidade, Jesus pediu que fosse celebrada a Festa da Misericórdia. Em seu diário, na página 49 Irmã Faustina registra esse pedido para que Sua “imagem seja benta solenemente no primeiro domingo depois da Páscoa, e esse domingo deve ser a Festa da Misericórdia”. Disse que o perdão total das faltas e dos castigos será concedido àquele que nesse dia se aproximar da Fonte da Vida. “Neste dia, estão abertas as entranhas da Minha Misericórdia. Que nenhuma alma tenha medo de se aproximar de Mim, ainda que seus pecados sejam como o escarlate.” Assim, ao escolher o primeiro domingo depois da Páscoa, o Senhor desejou indicar a estreita união entre o mistério pascal da Redenção e o mistério da Misericórdia de Deus. “As almas se perdem apesar da Minha amarga paixão. Estou lhes dando a última tábua de salvação, isto é, a Festa da Misericórdia. Se não venerarem a Minha Misericórdia, perecerão por toda a eternidade.” A Festa da Misericórdia destina-se aos pecadores, considerados por Jesus os mais dignos de Suas graças. Sua mensagem tem pressa, pois evoca a brevidade do tempo e a teimosia de quem não quer ou pouco consegue enxergar que a humanidade inteira afunda num mar de desencontros e mal. Suas palavras são repletas de esperança e salvação, concedendo uma intensa luz a quem já se sente cego por causa de seus próprios erros e desorientação. É a imagem de Jesus ressuscitado que traz aos homens a paz pela remissão dos pecados! Assim é Jesus Misericordioso! Suas vestes são brancas, Seu peito está aberto, de onde brotam sangue e água, para a salvação de todos sem distinção. Seus olhos são os mesmos expostos em Seu rosto na exata hora da crucificação; Suas chagas são a mais perfeita identificação com os menores de Seu Reino e são plenas indicações de que o caminho é mesmo feito em meio a dores, perda de sangue e entrega. Suas mãos abençoam! São bênçãos para todos, sob a condição de que saibam escolher que o tempo é agora! As graças? São colhidas com o vaso da confiança! Em poucas palavras, o tempo chegou! É tempo de Misericórdia!

 

O fundamento da misericórdia está na confiança
Padre Marcos Pacheco

A palavra que vamos partilhar está em (São Lucas 15, 11-32). “O vaso que acolhe o coração do Pai chama-se confiança” (Santa Faustina). Não existe um discípulo da misericórdia que não se deixe tomar pelo amor misericordioso de Deus. Do portão de casa pra fora é fácil viver a “misericórdia”, todo mundo é bom e misericordioso. Mas na vida daqueles que conhecem as nossas misérias, não é fácil viver a misericórdia. O demônio sabe que a misericórdia de Deus é infinita, que ele não possui a última palavra em nossa vida, ele quer que não consigamos ver o Senhor como Ele é. São Lucas quer apresentar um Deus que é Pai tomado de compaixão, de misericórdia, que perdoa, acolhe, quer nos apresentar um Deus que nos resgata. O demônio sabe: “Quando fazemos o encontro pessoal com Deus, a nossa vida nunca mais se torna a mesma”. A desconfiança nos faz sairmos da presença do Pai. E caímos na bobagem de pedir a parte na herança. Herança? Só existe uma, que é Deus. Precisamos cair em nós mesmos e voltarmos para casa. É preciso nos perguntarmos: “O que eu estou fazendo de minha vida?” O ingresso para entrar na misericórdia é a nossa miséria, através o pecado. Miserável é aquele que é necessitado da misericórdia, que somos nós. Ao voltar para casa o filho prepara um discurso: ‘Pai, pequei contra Deus e contra ti. Já não mereço ser chamado teu filho’. Quando chega em casa, não foi o filho que viu o pai, mas o pai que viu o filho de longe. Se eu chegasse agora em minha casa, e só tocasse na corrente do portão. Minha mãe saberia que era eu. Pai e mãe conhece o filho de longe, pois conhece o filho que tem. Se conhecemos o filho de longe imagina Deus? “O pai viu o filho se aproximar, e tomado de compaixão correu ao seu encontro.”
Entrei para o seminário aos 13 anos. Meus pais foram as pessoas que mais me trouxeram dificuldades para que eu pudesse ser padre. Meu pai foi tão pai, que eu queria ser pai para os meus filhos. A mesma saudade que eu tinha de meus pais, eles também a tinham. Imagina a saudade do Pai por nós. ‘Correu-lhe ao encontro, abraçou-o e o cobriu de beijos.’ Ele apertou o filho com força, mas o enchendo de beijos. O discípulo da misericórdia não pode apertar ninguém sobre o passado da vida dos outros. Não conseguimos amar, pois estamos ressentidos. Jesus nunca perguntou sobre o passado de ninguém. Acolher, não significa aceitar o pecado do outro, mas amar. Esta foi a atitude do pai que não o questionou. Como é bom sermos abraçados por Deus! Tive a graça de fazer uma experiência com o Senhor aos 5 anos. Em um hospital vi imagem de Jesus, naquele momento estava próximo ao ouvido do meu pai e ali cochichando disse: “Seu veio, quem é aquele homem no fundo daquela parede?” Ele disse: “Tu não conhece?” Foi o próprio Senhor me falando naquele momento. “Você não faz idéia de quem Ele é?” Foi Ele que deu você para mim. Enquanto muitos pais deveriam levar e seus filhos para Deus, estão o levando para “zona”. Ainda não há a misericórdia na nossa casa, pois não estamos levando o testemunho. Meu pai e minha mãe foram o canal de misericórdia para mim e meus irmãos. Não devemos questionar as pessoas que amamos. Quando o filho começou a falar: Trata-me como a um dos teus empregados’. Seu pai pediu para que matassem um boi. Para ter um boi da qualidade narrado por Lucas, foi por mais de 6 meses tratando do animal. O pai sabia que o filho iria voltar e sabendo não se preocupou com a maneira que chegaria. Para dizer que Deus não nos olha como chegamos, o que importa para Ele é que estamos chegando. O que nos faz perder a confiança em Deus é a concepção como Deus nos olha, a nossa confiança em Deus. Você não é amado pelo que faz, mas pelo que é. Lugar do filho é no colo do Pai. Porque o filho mais velho se encolerizou? ‘Eu trabalho para ti há tantos anos, jamais desobedeci a qualquer ordem tua. E nunca me deste um cabrito para eu festejar com meus amigos.´ Ele não se tornou o canal da misericórdia, mas um trator na vida do outro. Quando eu faço a experiência: Sou amado pelo que sou filho de Deus. Quando o outro faz errado, eu me compadeço. Em Bethânia, certa vez chegou um filho andarilho que não conseguia tirar o calçado dos pés, pois estava inchado devido aos dez dias caminhando. A perna desta pessoa cheirava de carniça, mesmo depois de tomado o banho. E, naquela sala rezando o terço não agüentávamos o cheiro. O odor de Cristo não é fácil, acredito que Jesus estava ali naquele homem. Ele resolveu pedir a herança e assim como filho pródigo. Depois de algum tempo, ele voltou entorpecido com um discurso igual ao filho mais moço disse: “Eu vim aqui para ver se tem alguma vaga. Se não tiver, poderia me arrumar uma comida?” Não poderia deixar ele ir embora. Não tinha vagas, disse: Daqui deste lugar tu não vai levar comida nenhuma, eu pensei em te levar para onde estava, mas não! Porque você vai ficar aqui, é tua casa. Naquele momento o efeito da droga saiu daquele filho. Só toca na misericórdia, quem acredita em Deus. Aquele que foi tocado pela misericórdia com certeza será o canal. Depois de tomado banho, disse: “Vamos dormir?”. Ele me respondeu: “Quero rezar com vocês por esta graça.” Precisamos pedir a graça da libertação da concepção errada ao Senhor. O Senhor não esta ao nosso lado, pois Ele sempre esteve dentro de nós.

 

Seja misericórdia para sua família
Ricardo e Eliana Sá

A festa da misericórdia é o primeiro domingo depois da Páscoa. Esta devoção nasceu na Polônia, terra natal do Papa João Paulo II. O Papa que elevou Santa Faustina aos altares. Jesus quer que celebremos bem a festa da misericórdia, devemos estar com o coração aberto para receber todas as graças que Deus tem para nós e para nossas famílias.
O que mais o demônio tem atacado é as nossas famílias. A sua casa precisa de você, não sei as circunstâncias que sua família está vivendo, problemas com alcoolismo, drogas, relacionamentos com mágoas, ódio. A sua família precisa de você, busque graças para sua família. Diga: “Jesus eu confio em vós.” Deixa Jesus fazer a renovação em sua família. “Senhor eu creio no teu amor, por minha família mando embora toda descrença, para que ela seja renovada.” Não desanime com a salvação dos seus, por pior que seja a situação eles são amados por Jesus misericordioso. “Envolve Senhor as nossas família com o sangue e água que jorram de seu coração.” Deus disse a Santa Faustina: “Ainda que a alma esteja em decomposição – como um cadáver, e ainda que humanamente já não haja possibilidade de restauração e tudo se encontre perdido, as coisas não são assim para Deus. A maravilha da Misericórdia de Deus fará ressurgir a alma para uma vida plena. (D 1448). Tenha esperança, Deus não vê a nossa família como vemos. Proclame: “A minha família é uma benção, é abençoada, é querida por Deus, e o lugar da minha família é o céu!”. Olhe com os olhos do Pai, olhe com esperança para a sua família, ela precisa do olhar de Jesus. Deus tem muito mais para os da sua casa, mais do que você pode imaginar, chega de grito e reclamação dentro do seu lar. O seus precisa de você, seja o canal da graça frente as necessidades. No lugar do desespero a esperança e a oração. Sabe aquelas situação dolorosas que vivemos em nossa família e que já imaginamos a solução, mas Deus tem soluções inexplicáveis, melhores que a nossa, Ele tem o melhor para a nossa família. Muitas vezes você olha para a Deus e diz: o Senhor precisa fazer isto. Deixe Deus ser Deus em sua família e irá se surpreender. Precisamos abrir as portas da misericórdia, por isso abra um sorriso para a sua família. O mais lindo que hoje é o dia da preparação para a festa da misericórdia e o nosso fundador Monsenhor Jonas declarou a Canção Nova como casa da misericórdia. No ano de 2002, Monsenhor Jonas saiu em retiro com o diário da Santa Faustina. Ele disse que a Canção Nova não é a apenas um lugar físico, mas que cada um de nós (membro da Canção Nova) seja a misericórdia de Jesus para o outro. Amanhã é uma data muito importante teremos um momento em que veneramos a imagem de Jesus misericordioso. Ele quer que sua misericórdia chegue as nossas casas. Jesus conta com você para a salvação do seu lar, não maldiga a sua família, mas abençoe. O Senhor tem planos para sua casa, na sua família você tem que ser o primeiro a perdoar, acolher, a ter paciência, misericórdia. Você tem que ter a misericórdia primeiro. Tenha misericórdia entre lagrimas, Deus nuca te decepcionará. Jesus está curando você, deixa Jesus te curar. Jesus tem caminho que só a misericórdia conhece. Uma vez que Jesus não desiste de sua família você também não pode. Pode ser que você não veja mudanças em sua família. No último segundo entre a vida e a morte a misericórdia de Deus pode alcançar sua vida. A Igreja nos convida a esperança dos pecados. As nossas famílias devem ir ao céu. Tudo é um grande mistério não conhecemos o tempo, as horas. Você pode dizer este homem bebeu até a morte, mas não pode dizer que ele foi para o inferno. Pois a misericórdia pode ter lhe alcançado. São os piores da sua família que precisam de misericórdia. Você é o apostolo da divina misericórdia, precisa ser misericordioso com quem está ao seu redor. O inimigo quer que digamos que tudo esta perdido. Mas, Jesus misericordioso nos diz que não está, Ele tem soluções melhores. Confia no Senhor. Quem confia se entrega, se abandona, não se desespera. Não pense quem confia não experimenta a dor, a cruz, mas quem confia é feliz, segue em frente não abandona sua casa, Seu marido, pois confia no Senhor. A sua família precisa conhecer a divina misericórdia através de você. Jesus quer dar a salvação para sua família. Seja instrumento para que a salvação se concretize. Diário de Santa Faustina: 1577- “Diz às almas que não impeçam a entrada da Minha misericórdia nos seus corações, pois Ela deseja tanto agir neles. A Minha misericórdia trabalha em todos os corações que lhe abrem as suas portas. E tanto o pecador como o justo necessitam da Minha Misericórdia. A conversão e a perseverança são uma graça da Minha misericórdia”.

Rezemos a Via Sacra

O QUE É E COMO TEVE ORIGEM?

O exercício espiritual da Via Sacra consiste em que os fiéis percorram mentalmente a caminhada de Jesus a carregar a Cruz desde o pretório de Pilatos até o monte Calvário, meditando simultaneamente a Paixão do Senhor. Tal exercício, muito usual no tempo da Quaresma, teve origem na época das Cruzadas (séculos XI/XIII): os fiéis que então percorriam na Terra Santa os lugares sagrados da Paixão de Cristo quiseram reproduzir no Ocidente a peregrinação feita ao longo da Via Dolorosa em Jerusalém. O número de estações ou etapas dessa caminhada foi sendo definido paulatinamente, chegando à forma atual, de quatorze estações, no século XVI.
O Papa João Paulo II introduziu, em Roma, a mudança de certas cenas desse percurso não relatadas nos Evangelhos por outros quadros narrados pelos Evangelistas. A nova configuração ainda não se tornou geral. O exercício da Via Sacra tem sido muito recomendado pelos Sumos Pontífices, pois ocasiona frutuosa meditação da Paixão do Senhor Jesus. Compreende quatorze estações ou etapas, cada uma das quais apresenta uma cena da Paixão a ser meditada pelo discípulo de Cristo.
A Via Sacra é um exercício espiritual onde quem reza faz uma mini-peregrinação na Vida de Jesus Cristo contemplando os Mistérios de nossa Salvação, exercício este muito proveitoso para alma, costuma-se rezar nas sextas-feiras durante a quaresma.

1ª Estação: JESUS É SENTENCIADO À MORTE
Nós Vos adoramos Senhor Jesus Cristo, e Vos bendizemos: porque pela Vossa Santa Cruz  remistes o mundo.
Sentenciado e não por um tribunal, mas sim por todos e por nossos pecados. Condenado pelos mesmos que vos tinham aclamado pouco antes. E Ele cala… Nós fugimos de ser reprovados. E saltamos imediatamente… Dai-me, Senhor, vos imitar, me unindo a Ti pelo Silêncio quando alguém me faça sofrer ou me condene injustamente. Eu o mereço. Ajudai-me!
Pequei Senhor, tem piedade e misericórdia de mim.
Pai Nosso, Ave Maria e Glória…

2ª Estação: JESUS CARREGA A CRUZ
Nós Vos adoramos Senhor Jesus Cristo, e Vos bendizemos: porque pela Vossa Santa Cruz  remistes o mundo.
Que eu compreenda, Senhor, o valor da cruz, de minhas pequenas cruzes de cada dia, de meus achaques, de minhas doenças, de minha solidão. Que eu não desanime, mas tome a minha cruz de cada dia e te siga, faça dela um instrumento de salvação. Dai-me converter em oferta amorosa, em reparação por minha vida e no apostolado por  meus irmãos, minha cruz de cada dia.
Pequei Senhor, tem piedade e misericórdia de mim.
Pai Nosso, Ave Maria e Glória…

3ª Estação: JESUS CAI, PELA PRIMEIRA VEZ, COM O PESO DA CRUZ
Nós Vos adoramos Senhor Jesus Cristo, e Vos bendizemos: porque pela Vossa Santa Cruz  remistes o mundo.
Tu cais Senhor, para me redimir. Para me ajudar a me levantar em minhas quedas diárias, quando depois de ter me proposto a ser fiel, volto a reincidir em meus pecados e defeitos cotidianos. Ajuda-me a levantar-me sempre e a seguir meu caminho a Ti!
Pequei Senhor, tem piedade e misericórdia de mim.
Pai Nosso, Ave Maria e Glória…

4ª Estação: ENCONTRO COM A VIRGEM MARIA
Nós Vos adoramos Senhor Jesus Cristo, e Vos bendizemos: porque pela Vossa Santa Cruz  remistes o mundo.
Faz Senhor, com que eu me encontre ao lado de tua Mãe em todos os momentos de minha vida. Com ela, apoiando-me em seu carinho maternal, tenho a segurança de chegar a Ti no último dia de minha existência. Ajuda-me Mãe!
Pequei Senhor, tem piedade e misericórdia de mim.
Pai Nosso, Ave Maria e Glória…

5ª Estação: O CIRINEU AJUDA O SENHOR A CARREGAR A CRUZ
Nós Vos adoramos Senhor Jesus Cristo, e Vos bendizemos: porque pela Vossa Santa Cruz  remistes o mundo.
Cada um de nós tem nossa vocação, viemos ao mundo para algo concreto, para nos realizarmos de uma maneira particular. Qual é a minha vocação e como eu a vivo? Mas, há algo, Senhor, que é minha missão e de todos: a de ser Cirineu dos demais, a de ajudar a todos. Como levo adiante a realização de minha missão de Cirineu?
Pequei Senhor, tem piedade e misericórdia de mim.
Pai Nosso, Ave Maria e Glória…

6ª Estação: VERÔNICA ENXUGA O ROSTO DE JESUS
Nós Vos adoramos Senhor Jesus Cristo, e Vos bendizemos: porque pela Vossa Santa Cruz  remistes o mundo.
É a mulher valente, decidida, que se aproxima de Ti quando todos te abandonam. Eu, Senhor, te abandono quando me deixo levar por ele “que dirão”, do respeito humano, quando não me atrevo a defender o próximo ausente, quando não me atrevo a replicar uma brincadeira que ridiculariza aos que tratam de aproximar-se de Ti. E em tantas outras ocasiões. Ajuda-me a não me deixar levar pelo respeito humano, pelo “o que dirão”.
Pequei Senhor, tem piedade e misericórdia de mim.
Pai Nosso, Ave Maria e Glória…

7ª Estação: SEGUNDA QUEDA NO CAMINHO DA CRUZ
Nós Vos adoramos Senhor Jesus Cristo, e Vos bendizemos: porque pela Vossa Santa Cruz  remistes o mundo.
Cais, Senhor, pela segunda vez. A Via Sacra nos indica três quedas em teu caminhar até o Calvário. Talvez foram mais. Cais diante de todos… Quando aprenderei a não temer ficar mal diante dos demais, por um erro, pelo orgulho, por um equívoco? Quando aprenderei que também isso pode se converter em oferenda?
Pequei Senhor, tem piedade e misericórdia de mim.
Pai Nosso, Ave Maria e Glória…

8ª Estação: JESUS CONSOLA AS FILHAS DE JERUSALÉM
Nós Vos adoramos Senhor Jesus Cristo, e Vos bendizemos: porque pela Vossa Santa Cruz  remistes o mundo.
Muitas vezes, teria eu que analisar a causa de minhas lágrimas. Ao menos, de meus pesares, de minhas preocupações. Talvez haja neles um fundo de orgulho, de amor próprio mal entendido, de egoísmo, de inveja. Deveria chorar por minha falta de correspondência a teus inúmeros benefícios de cada dia, que me manifestam Senhor, quanto me queres. Dai-me profunda gratidão e correspondência a tua misericórdia.
Pequei Senhor, tem piedade e misericórdia de mim.
Pai Nosso, Ave Maria e Glória…

9ª Estação: JESUS CAI PELA TERCEIRA VEZ
Nós Vos adoramos Senhor Jesus Cristo, e Vos bendizemos: porque pela Vossa Santa Cruz  remistes o mundo.
Terceira queda. Mais perto da Cruz. Mais esgotado, mais falta de forças. Cais desfalecido, Senhor. Eu digo que me pesam os anos, que não sou o mesmo de antes, que me sinto incapaz. Dai-me, Senhor, imitar-te nesta terceira queda e faz com que meu desfalecimento seja benéfico para outros, porque eu os dou a Ti para eles.
Pequei Senhor, tem piedade e misericórdia de mim.
Pai Nosso, Ave Maria e Glória…

10ª Estação: JESUS É DESPOJADO DE SUAS VESTES
Nós Vos adoramos Senhor Jesus Cristo, e Vos bendizemos: porque pela Vossa Santa Cruz  remistes o mundo.
Arrancam tuas vestes, aderidas a Ti pelo sangue de tuas feridas. A infinita distância de tua dor, eu senti, às vezes, como algo que arrancava dolorosamente de mim pela perda de meus seres queridos. Que eu saiba oferecer a lembrança das separações que me desgarraram, unindo-me a tua paixão a consolar aos que sofrem, fugindo de meu próprio egoísmo.
Pequei Senhor, tem piedade e misericórdia de mim.
Pai Nosso, Ave Maria e Glória…

11ª Estação: JESUS É PREGADO NA CRUZ
Nós Vos adoramos Senhor Jesus Cristo, e Vos bendizemos: porque pela Vossa Santa Cruz  remistes o mundo.
Senhor, que eu diminua minhas limitações com meu esforço e assim possa ajudar a meus irmãos. Quero pregar na cruz contigo todos os meus pecados, o meu homem velho, meus vícios, egoísmos e autossuficiências… E que quando meu esforço não consiga diminuí-las, me esforce em oferecê-las  também por eles.
Pequei Senhor, tem piedade e misericórdia de mim.
Pai Nosso, Ave Maria e Glória…

12ª Estação: JESUS MORRE NA CRUZ
Nós Vos adoramos Senhor Jesus Cristo, e Vos bendizemos: porque pela Vossa Santa Cruz  remistes o mundo.
Eu te adoro,  meu Senhor, morto na Cruz para me salvar.  Adoro e beijo suas chagas, as feridas dos cravos, o golpe de lança no lado, de onde jorrou sangue e água fonte de misericórdia para nós… Obrigado Senhor, obrigado! Morreste para me  salvar, para salvar a todos nós e nos dar a vida em plenitude. Dai-me responder a teu amor com amor, cumprir a tua Vontade, trabalhar por minha salvação, ajudado por tua graça. E dai-me trabalhar com afinco pela salvação de meus irmãos e pela defesa da vida.
Pequei Senhor, tem piedade e misericórdia de mim.
Pai Nosso, Ave Maria e Glória…

13ª Estação: JESUS NOS BRAÇOS DE SUA MÃE
Nós Vos adoramos Senhor Jesus Cristo, e Vos bendizemos: porque pela Vossa Santa Cruz  remistes o mundo.
Deixa-me estar ao teu lado, Mãe, especialmente  nestes momentos de tua incomparável dor. Deixa-me estar ao teu lado. Mais te peço: que hoje e sempre me tenhas perto de Ti e te compadeças de mim. Nos momentos de dor e sofrimento ponha-me no teu colo. Olhai-me com compaixão, não me deixes ó minha Mãe!
Pequei Senhor, tem piedade e misericórdia de mim.
Pai Nosso, Ave Maria e Glória…

14ª Estação: JESUS É DEPOSITADO NO SEPULCRO
Nós Vos adoramos Senhor Jesus Cristo, e Vos bendizemos: porque pela Vossa Santa Cruz  remistes o mundo.
Tudo está terminado. Mas não: depois da morte, a Ressurreição. Ensina-me a ver tudo o que passa, o transitório e passageiro, à luz do que não passa. E que essa luz ilumine todos meus atos. Que eu nunca perca a esperança, pois o amor é mais forte do que a morte! Coloco no sepulcro vazio todos os meus pecados e o homem velho. Assim seja.
Pequei Senhor, tem piedade e misericórdia de mim.
Pai Nosso, Ave Maria e Glória…

ORAÇÃO FINAL
Eu te suplico Senhor, que me concedas, por intercessão de Tua Mãe a Virgem Maria, que cada vez que medite Tua Paixão, fique gravado em mim com marca de atualidade constante, o que Tu fizeste por mim e Teus constantes benefícios. Faz Senhor, que me acompanhe, durante toda minha vida, um agradecimento imenso a Tua Bondade. Amém.

 

VIA-SACRA
A Igreja guarda o grande silêncio diante da Morte do seu Senhor

A devoção da Via-Sacra consiste na oração mental de acompanhar o Senhor Jesus em seus sofrimentos – conhecidos como a Paixão de Nosso Senhor –, desde o Tribunal de Pilatos até o Monte Calvário. Essa meditação teve origem no tempo das Cruzadas (século X). Os fiéis, que peregrinavam à Terra Santa e visitavam os lugares sagrados da Paixão de Jesus, continuaram recordando os passos da Via Dolorosa de Jerusalém em suas pátrias, unindo essa devoção à Paixão. Apresentamos aqui uma das versões, adaptada pelo Papa João Paulo II.

Oremos: (Alguns momentos de silêncio).
Olhai, Pai Santo, o sangue que jorra do peito trespassado do Salvador; olhai o sangue derramado por tantas vítimas do ódio, da guerra, do terrorismo, e concedei, benigno, que o curso dos acontecimentos no mundo se desenrole segundo a vossa vontade na justiça e na paz, e a vossa Igreja se entregue com serena confiança ao vosso serviço e à libertação do homem. Por Cristo nosso Senhor. R. Amém.
Ao final de cada estação reza-se: Pai Nosso, Ave Maria e Glória…

PRIMEIRA ESTAÇÃO
Nós vos adoramos, SENHOR JESUS CRISTO, e vos bendizemos! Porque pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo!
Jesus em agonia no Horto das Oliveiras
Jesus que acalmava as águas agitadas pelo vento, agora não pode dar a paz a Si mesmo. A tempestade é a dúvida que lhe agita a mente e o peito, como agita o espírito de milhões de homens e mulheres ontem, hoje e amanhã, pois a verdadeira paz só virá depois da ressurreição.

SEGUNDA ESTAÇÃO
Nós vos adoramos, SENHOR JESUS CRISTO, e vos bendizemos! Porque pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo!
Jesus, atraiçoado por Judas, é preso
Naquela trágica noite escura do Getsémani, o Filho de Deus suscita em nós, com as suas palavras e gestos, sentimentos vários e estremecemos com a mesquinhez da traição. A partir da morte de Cristo, floresce a vida nova, memória e anúncio duma esperança que não morre: a salvação universal.

TERCEIRA ESTAÇÃO
Nós vos adoramos, SENHOR JESUS CRISTO, e vos bendizemos! Porque pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo!
Jesus é condenado pelo Sinédrio
Deixar a própria identidade e anunciar a sua fé às vezes são atos passíveis de morte. Mas quantos são os que procuram Deus? Quantos O procuram atrás das grades? Quantos na prisão da sua vida, dos seus sofrimentos? Quantos no escarne suportado e na tortura sofrida? Aquela que condena sem provas, acusa sem motivo, julga sem apelo, esmaga o inocente.

QUARTA ESTAÇÃO
Nós vos adoramos, SENHOR JESUS CRISTO, e vos bendizemos! Porque pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo!
Jesus é renegado por Pedro
Pedro revela a sua fraqueza. Tinha temerariamente prometido antes morrer. Humilhado, chora e pede perdão a Deus.Grande é a lição de Pedro: até os mais íntimos ofenderão Jesus com o pecado. Mas logo que o olhar de Jesus se cruza com o de Pedro o Apóstolo reconhece o seu triste erro.

QUINTA ESTAÇÃO
Nós vos adoramos, SENHOR JESUS CRISTO, e vos bendizemos! Porque pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo!
Jesus é julgado por Pilatos
Sempre encontramos uma justificação para as nossas culpas e os nossos erros. Jesus responde com o silêncio ao ver a hipocrisia e a soberba do poder, a indiferença daqueles que se subtraem às suas responsabilidades.

SEXTA ESTAÇÃO
Nós vos adoramos, SENHOR JESUS CRISTO, e vos bendizemos! Porque pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo!
Jesus é flagelado e coroado de espinhos
Verdadeiro homem sofreu dores indescritíveis; contemplando o vosso rosto, conseguimos suportar as nossas dores, na esperança de ser acolhidos no vosso Reino, o verdadeiro e único Reino. O vosso Reino não é deste mundo, mas nós, homens, esperamos favores, poder, sucesso, riquezas: um mundo sem sofrimento.

SÉTIMA ESTAÇÃO
Nós vos adoramos, SENHOR JESUS CRISTO, e vos bendizemos! Porque pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo!
Jesus recebe a Cruz aos ombros
Não obstante fosse revestido da glória e do poder que Lhe fora dado pelo Pai, Jesus aceitou uma morte horrível, inglória, antes, vergonhosa. Os poderosos do mundo aliam-se, para cumprir represálias, para atingir as populações pobres e extenuadas. Justifica-se até mesmo o terrorismo em nome da justiça e da defesa dos pobres.

OITAVA ESTAÇÃO
Nós vos adoramos, SENHOR JESUS CRISTO, e vos bendizemos! Porque pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo!
Jesus é ajudado por Simão de Cirene a levar a Cruz
Um homem que vinha do campo entrou em Jerusalém para negociar. Lucrou com isso: cinco minutos na história da salvação, uma frase no Evangelho. A cruz é pesada demais para Deus, que se fez homem. Jesus necessita de solidariedade. O homem tem necessidade de solidariedade. Foi-nos dito: Levai os fardos uns dos outros.

NONA ESTAÇÃO
Nós vos adoramos, SENHOR JESUS CRISTO, e vos bendizemos! Porque pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo!
Jesus encontra as mulheres de Jerusalém
Um lamento fúnebre acompanha a caminhada do Condenado a morte. No caminho que leva ao Calvário as mulheres choram batendo no peito. Ele, levando a cruz aos ombros, vacila sob o peso do pecado e da dor dos homens, que quis como irmãos. Bem sabe como é longa na história a via dolorosa que leva aos Calvários do mundo.

DÉCIMA ESTAÇÃO
Nós vos adoramos, SENHOR JESUS CRISTO, e vos bendizemos! Porque pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo!
Jesus é crucificado
As chagas do Salvador continuam hoje a sangrar, agravadas pelos cravos da injustiça, da mentira e do ódio, dos ultrajes, sacrilégios e indiferenças. Nas palmas das Suas mãos trespassadas pelos cravos está escrito o nome dos que, com Ele, continuam a ser crucificados.

DÉCIMA PRIMEIRA ESTAÇÃO
Nós vos adoramos, SENHOR JESUS CRISTO, e vos bendizemos! Porque pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo!
Jesus promete o seu Reino ao bom ladrão
O bom ladrão, certamente, tinha matado, possivelmente mais de uma vez, e de Jesus nada sabia, a não ser aquilo que escutou gritar pela multidão. Um sentimento de solidariedade e um grito de ajuda bastaram para salvá-lo. Aquele ladrão representa todos nós. A sua rápida aventura nos ensina que o Reino pregado por Jesus não é difícil de alcançar para os que o invocam.

DÉCIMA SEGUNDA ESTAÇÃO
Nós vos adoramos, SENHOR JESUS CRISTO, e vos bendizemos! Porque pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo!
Jesus na Cruz, a Mãe e o Discípulo
Maria está de pé junto à Cruz; o discípulo mais jovem está ao teu lado. Agora oferece o teu Filho ao mundo e recebes o discípulo que Ele amava. Daquele instante, João te acolhe na morada do coração e na sua vida, e a força do Amor nele se difunde. Ele é agora, na Igreja, a testemunha da luz e com o seu Evangelho revela o Amor do Salvador.

DÉCIMA TERCEIRA ESTAÇÃO
Nós vos adoramos, SENHOR JESUS CRISTO, e vos bendizemos! Porque pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo!
Jesus morre na Cruz
Sofre com o tormento de sua Mãe, escolhida para dar à vida um Filho que verá morrer. No entanto Jesus, no amor e na obediência, aceita o projeto do Pai. Sabe que sem o dom da Sua vida a nossa morte seria sem esperança; as trevas do desespero não se transformariam em luz; a dor não resultaria na consolação, na esperança da eternidade.

DÉCIMA QUARTA ESTAÇÃO
Nós vos adoramos, SENHOR JESUS CRISTO, e vos bendizemos! Porque pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo!
Jesus é colocado no sepulcro
Após o terrível trovão no instante da morte, o grande silêncio. O Filho de Deus desce à mansão dos mortos para resgatar aqueles que a morte retém. A Sua luz transtorna as trevas do Inferno. A terra treme e os sepulcros se abrem. Jesus vem para libertar os justos e devolvê-los à luz da ressurreição.
Pai Nosso, Ave Maria e Glória…

Oração Final
Eu te suplico Senhor, que me concedas, por intercessão de tua Mãe a Virgem Maria, que cada vez que medite tua Paixão, fique gravado em mim com marca de atualidade constante, o que Tu fizeste por mim e teus constantes benefícios. Faz Senhor, que me acompanhe, durante toda minha vida, um agradecimento imenso a tua Bondade. Amém.

Canção Nova / Da redação

Via-Sacra Meditada

Em sua 7ª edição, na última terça-feira, às 19h30min, na Praça Monsenhor Edmundo Backes, juntamente com os jovens do ONDA, CLJ e a PJESC do Colégio Santa Catarina, a comunidade católica de Hamburgo Velho, reuniu-se para acompanhar a encenação das 14 estações da Via Sacra.

Foi uma forma de meditar o caminho doloroso que Jesus percorreu até a crucifixão e morte na cruz e a Igreja nos propõe esta meditação para nos ajudar a rezar e a mergulhar na misericórdia de Jesus que se doou por nós.

A celebração contou com a participação das famílias e do Coral Nossa Senhora da Piedade.

A reflexão foi concluída no interior do templo, onde o pároco, Monsenhor Schuster, aprofundou o sentido e o significado da Semana Santa, a Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus Cristo.

A cruz, erguida sobre o mundo, segue de pé como sinal de salvação e esperança.

“Vitória, Tu reinarás. Ó Cruz, Tu nos salvarás!”

A Semana Santa que o mundo precisa

Celebrar a Semana Santa é celebrar a vida, a vitória para sempre

O maior acontecimento da história da humanidade é a Encarnação, Vida, Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus Cristo, o Filho de Deus feito homem. Nada neste mundo supera a grandiosidade desse acontecimento. Os grandes homens e as grandes mulheres – sobretudo os Santos e Santas – se debruçaram sobre esse acontecimento e dele tiraram a razão de ser de suas vidas. Depois da Encarnação e Morte cruel de Jesus na Cruz, ninguém mais tem o direito de duvidar do amor de Deus pela humanidade. Disse o próprio Jesus que “Deus amou a tal ponto o mundo que deu o seu Filho Único para que todo aquele que nele crer não morra, mas tenha a vida eterna” (João 3, 16). São Paulo explica a grandeza desse amor de Deus por nós com as seguintes palavras aos romanos: “Mas eis aqui uma prova brilhante de amor de Deus por nós: quando éramos ainda pecadores, Cristo morreu por nós… Se, quando éramos ainda inimigos, fomos reconciliados com Deus pela morte de seu Filho, com muito mais razão, estando já reconciliados, seremos salvos por sua vida” (Romanos 5, 8-10).

Cristo veio a este mundo para nos salvar, para morrer por nós. Deus, humanizado, morreu por nós. O que mais poderíamos exigir do Senhor para demonstrar a nós o seu amor? Sem isso, a humanidade estaria definitivamente longe de Deus por toda a eternidade, vivendo o inferno, a separação de Deus. Por quê? Porque o homem pecou e peca desde os nossos primeiros antepassados; e o pecado é uma ofensa grave a Deus, uma desobediência às suas santas Leis, a qual rompe nossa comunhão com Ele. Por isso, diante da Justiça de Deus, somente uma reparação de valor infinito poderia reparar essa ofensa da humanidade ao Senhor. E, como não havia um homem sequer capaz de reparar, com o seu sacrifício, essa ofensa infinita a Ele, então, o próprio Deus – na Pessoa do Verbo – veio realizar essa missão. Não pense que Deus seja malvado e que exige o sacrifício cruento do Seu Filho na Cruz por mero deleite ou para se vingar da humanidade. Não, não se trata disso. Acontece que Deus é Amor, mas também é Justiça. O Amor é Justo. Quem erra deve reparar o seu erro; mesmo humanamente exigimos isso; esta lei só não existe entre os animais. Então, como a humanidade prevaricou contra Deus, ela tinha de reparar essa ofensa não simplesmente a Ele, mas à justiça divina sob a qual este mundo foi erigido. Sabemos que no Juízo Final Deus fará toda justiça com cada um; e cada injustiça da qual fomos vítimas também será reparada no Dia do Juízo. Nisso vemos o quanto Deus ama, valoriza, respeita o homem. O Verbo Divino se apresentou diante do Pai e se ofereceu para salvar a sua mais bela criatura, gerada “à sua imagem e semelhança” (Gênesis 1, 26).

A Carta aos Hebreus explica bem este fato transcendente: “Eis por que, ao entrar no mundo, Cristo diz: Não quiseste sacrifício nem oblação, mas me formaste um corpo. Holocaustos e sacrifícios pelo pecado não te agradam. Então eu disse: ‘Eis que venho (porque é de mim que está escrito no rolo do livro), venho, ó Deus, para fazer a tua vontade’ (Sl 39, 7ss). Disse primeiro: Tu não quiseste, tu não recebeste com agrado os sacrifícios nem as ofertas, nem os holocaustos, nem as vítimas pelo pecado (quer dizer, as imolações legais). Em seguida, ajuntou: Eis que venho para fazer a tua vontade. Assim, aboliu o antigo regime e estabeleceu uma nova economia. Foi em virtude desta vontade de Deus que temos sido santificados uma vez para sempre, pela oblação do corpo de Jesus Cristo. Enquanto todo sacerdote se ocupa diariamente com o seu ministério e repete inúmeras vezes os mesmos sacrifícios que, todavia, não conseguem apagar os pecados, Cristo ofereceu pelos pecados um único sacrifício e logo em seguida tomou lugar para sempre à direita de Deus” (Hebreus 10, 5-10).

A Semana Santa celebra todos os anos este acontecimento inefável: a Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus Cristo para a salvação da humanidade; para o resgate desta das mãos do demônio, e a sua transferência para o mundo da luz, para a liberdade dos filhos de Deus. Estávamos todos cativos do demônio, que no Paraíso tomou posse da humanidade pelo pecado. E com o pecado veio a morte (cf. Rom 6, 23). Mas agora Jesus nos libertou; “pagou o preço do nosso resgate”. Disse São Paulo: “Sepultados com ele no batismo, com ele também ressuscitastes por vossa fé no poder de Deus, que o ressuscitou dos mortos. Mortos pelos vossos pecados e pela incircuncisão da vossa carne, chamou-vos novamente à vida em companhia com ele. É ele que nos perdoou todos os pecados, cancelando o documento escrito contra nós, cujas prescrições nos condenavam. Aboliu-o definitivamente, ao encravá-lo na cruz. Espoliou os principados e potestades, e os expôs ao ridículo, triunfando deles pela cruz” (Col 2, 12-14). Quando fomos batizados, aplicou-se a cada um de nós os efeitos da Morte e Ressurreição de Cristo; a pia batismal é, portanto o túmulo do nosso homem velho e o berço do nosso homem novo que vive para Deus e sua justiça. É por isso que na Vigília Pascal, do Sábado Santo, renovamos as promessas do Batismo.

O cristão, que entendeu tudo isso, celebra a Semana Santa com grande alegria e recebe muitas graças. Por outro lado, aqueles que fogem para as praias e os passeios, fazendo dela apenas um grande feriado, é porque ainda não entenderam a grandeza dessa data sagrada e não experimentaram ainda suas graças. Ajudemos essas pessoas a conhecerem tão grande mistério de amor! O cristão católico, convicto, celebra com alegria cada função litúrgica do Tríduo Pascal e da Páscoa. Toda a Quaresma nos prepara para celebrar com as disposições necessárias a Semana Santa. Ela inicia-se com a celebração da entrada de Jesus em Jerusalém (Domingo de Ramos). O povo simples e fervoroso aclama Jesus como Salvador. E grita: “Hosana!”; “Salva-nos!” Ele é o Redentor do homem. Nós também precisamos proclamar que Ele – e só Ele – é o nosso Salvador (cf. At 4, 12). Na Missa dos Santos Óleos a Igreja celebra a Instituição do Sacramento da Ordem e a bênção dos santos óleos do Batismo, da Crisma e da Unção dos Enfermos. Na Missa do Lava-Pés, na noite da Quinta-Feira Santa, a Igreja celebra a Última Ceia de Jesus com os Apóstolos, na qual o Senhor instituiu a sagrada Eucaristia e lhes deu as últimas orientações. Na Sexta-Feira Santa a Igreja guarda o Grande Silêncio diante da celebração da Morte do seu Senhor. Às três horas da tarde é celebrada a Paixão e Morte do Senhor. Em seguida há a Procissão do Senhor morto por cada um de nós. Cristo não está morto nem morre outra vez, mas celebrar a sua Morte é participar dos frutos da Redenção. Na Vigília Pascal a Igreja canta o “Exultet”, o canto da Páscoa, a celebração da Ressurreição do Senhor, que venceu a morte, a dor, o inferno, o pecado. É o canto da Vitória. “Ó morte onde está o teu aguilhão?” A vitória de Cristo é a vitória de cada um de nós que morreu com Ele no Batismo e ressuscitou para a vida permanente em Deus; agora e na eternidade.

Celebrar a Semana Santa é celebrar a vida, a vitória para sempre. É recomeçar uma vida nova, longe do pecado e em comunhão mais intima com Deus. Diante de um mundo carente de esperança, que desanima da vida porque não conhece a sua beleza, celebrar a Semana Santa é fortalecer a esperança que dá a vida. O Papa Bento XVI disse – em sua Encíclica “Spe Salvi” – que sem Deus não há esperança; e sem esperança não há vida. Esta é a Semana Santa que o mundo precisa celebrar para vencer seus males, suas tristezas, suas desesperanças.

Prof. Felipe Aquino
felipeaquino@cancaonova.com

 

VIVER A SEMANA SANTA
Nós queremos acompanhar os passos de Cristo

Semana Santa, tempo da misericórdia do Pai, da ternura do Filho e do amor do Espírito Santo. Esta semana chama-se Santa, porque nos introduz diretamente no mistério da Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo. Cada um destes acontecimentos tem um conteúdo eminentemente profético e salvífico. O fiel cristão verdadeiramente apaixonado por Jesus Cristo não pode deixar de acompanhar ativamente a Liturgia da Semana Santa. Infelizmente, a maioria dos católicos tem outras preferências na semana mais santa do ano. Não são capazes de “vigiar e orar” uma só hora com Jesus (cf. Mc 14, 37-38). Nós queremos acompanhar os passos de Cristo e sentir de perto o que vai acontecer a nosso melhor Amigo e Salvador, procurando sentir o que Jesus sentia em seu coração, ao se aproximar a Hora decisiva de glorificar o Pai. Ele viveu esses dias com mansidão e serenidade na presença do Pai. Seu coração estava inundado por uma imensa ternura para com todos os filhos e filhas de Deus dispersos. Mostremo-nos, pois, solidários a Jesus. Passemos esta última semana de sua vida terrena com Ele, num último gesto de amor e amizade, recolhidos em oração fervorosa e contemplação profunda, de modo que a Páscoa do Senhor seja um dia verdadeiramente “novo” para nós. Ao participarmos da bênção e procissão de ramos, queremos homenagear a Cristo e proclamar publicamente a sua Divina Realeza. No Evangelho lido na Segunda-feira Santa, contemplamos Maria de Betânia ungindo os pés do Mestre com o perfume do amor e da gratidão. Na Terça-feira, Cristo revela o que se passa no coração de Judas Iscariotes. Na Quarta-feira, Mateus relata Cristo celebrando com os Apóstolos a festa da Páscoa judia e a traição de Judas. Na Quinta-feira Santa, pela manhã é celebrada a Missa Crismal. Esta Missa, que o Bispo concelebra com o seu presbitério e dentro da qual consagra o santo crisma e benze os óleos usados no Batismo e na unção dos enfermos, é a manifestação da comunhão dos presbíteros com o seu Bispo. No período vespertino, inicia-se o Tríduo Sacro. Com a celebração da Missa da Ceia do Senhor (cerimônia do Lava-pés), recordamos a instituição da Eucaristia e do sacerdócio católico, bem como o mandamento do amor com que Cristo nos amou até o fim (cf. Jo 13, 1). A Sexta-feira Santa é o grande dia de luto para a Igreja. Não há Santa Missa, mas celebração da Paixão do Senhor que consta de três partes: liturgia da Palavra, adoração da Cruz e sagrada Comunhão. Vivamos este dia em clima de silêncio e de extrema gratidão, contemplando a morte de Jesus na cruz por nosso amor. O Sábado Santo é dia de oração silenciosa e de profunda contemplação junto ao túmulo de Jesus. São horas de solidão e de saudade… É ocasião para acompanharmos Nossa Senhora da Soledade e as santas mulheres junto ao túmulo de Jesus, sentindo com elas a medida do amor que Cristo suscita nos corações que O conhecem de perto. A Vigília Pascal, “a mãe de todas as vigílias”, na qual a Igreja espera, velando, a Ressurreição de Cristo, compõe-se da liturgia da Luz, da liturgia da Palavra, da liturgia Batismal e da liturgia Eucarística. A participação no Mistério redentor de Cristo leva-nos a ser no mundo descrente testemunhas autênticas da ressurreição de Cristo. Não podemos retardar o anúncio da ressurreição. A alegria de Cristo ressuscitado penetre nosso ser, domine nosso pensamento, tome conta de nossos sentimentos e ações. Precisamos de gente que tenha feito experiência da ressurreição. Existe uma única prova de que Cristo tenha ressuscitado: que as pessoas vivam a Sua vida e se amem com o amor com que Ele nos ama… Guiados pela luz do círio pascal, e ressuscitados para uma vida nova de fé, esperança e amor, sejamos testemunhas vivas da Ressurreição do Senhor Jesus. Que a Mãe do Ressuscitado nos aponte o caminho para Jesus Cristo, nosso único Salvador.

Dom Nelson Westrupp
Bispo diocesano de Santo André – SP

 

CRISTIANISMO VIVE SUA SEMANA MAIOR

Domingo de Ramos inicia percurso mais importante do chamado ano litúrgico   São fatos repletos de realismo, os que se celebram na Semana Santa. Vividos num mistério de fé, são também dramatizados em diferentes expressões e para reviver os quadros da paixão e morte de Cristo na cruz. Assim acontece ao longo da história, gerando um conjunto de tradições que caracterizam a Semana Maior para os Cristãos. Assim acontece também nos dias de hoje, com novas formas de “representar” um Mistério. A celebração dos mistérios da Redenção, realizados por Jesus nos últimos dias da sua vida, começa pela sua entrada messiânica em Jerusalém. O Domingo de Ramos abriu solenemente a Semana Santa, com a lembrança das Palmas e da Paixão do Senhor. Duas celebrações marcam a Quinta-Feira Santa: a Missa Crismal e a Missa da Ceia do Senhor. Antigamente, na manhã deste dia celebrava-se o rito da reconciliação dos penitentes, a quem tinha sido imposto o cilício em quarta-feira de cinzas. A manhã foi preenchida pela Missa Crismal, que reúne em torno do Bispo o clero da Diocese e são abençoados os óleos dos catecúmenos e dos enfermos e consagrado o Santo Óleo do Crisma. A origem da bênção dos óleos santos e do sagrado crisma é romana, embora o rito tenha marcas galicanas. Em conformidade com a tradição latina, a bênção do óleo dos doentes faz-se antes da conclusão da oração eucarística; a bênção do óleo dos catecúmenos e do crisma é dada depois da comunhão. Permite-se, todavia, por razões pastorais, cumprir todo o rito de bênção depois da liturgia da Palavra, conservando, porém, a ordem indicada no próprio rito. Com a Missa vespertina da Ceia do Senhor tem início o Tríduo Pascal da Paixão, Morte e Ressurreição do Senhor. É comemorada a instituição dos Sacramentos da Eucaristia e da Ordem e o mandamento do Amor (o gesto do lava-pés). A simbologia do sacrifício é expressa pela separação dos dois elementos “o pão” e “o vinho”. Esse evento do mistério de Jesus também se tornou manifesto no gesto do lava-pés. Depois do longo silêncio quaresmal, a liturgia canta o Glória. No final da Missa, o Santíssimo Sacramento é trasladado para um outro local, desnudando-se então os altares. Na Sexta-feira Santa não se celebra a missa, tendo lugar a celebração da morte do Senhor, com a adoração da cruz. O silêncio, o jejum e a oração marcam este dia. A celebração da tarde é uma espécie de drama em três atos: proclamação da Palavra de Deus, apresentação e adoração da cruz, comunhão. O Sábado Santo é dia alitúrgico: a Igreja debruça-se, no silêncio e na meditação, sobre o sepulcro do Senhor. A única celebração primitiva parece ter sido o jejum. A Vigília Pascal é a “mãe de todas as celebrações” da Igreja. Celebra-se a Ressurreição de Cristo, a Luz que ilumina o mundo, e para transmitir esse simbolismo deve ser celebrada não antes do anoitecer e terminada antes da aurora. Cinco elementos compõem a liturgia da Vigília Pascal: a bênção do fogo novo e do círio pascal; a proclamação da Páscoa, que é um canto de júbilo anunciando a Ressurreição do Senhor; a série de leituras sobre a História da Salvação; a renovação das promessas do Batismo e, por fim, a liturgia Eucarística. Ainda hoje continua a ser a noite por excelência do Batismo.   História O ano litúrgico como hoje o conhecemos pretende levar os católicos a celebrar sacramentalmente a pessoa de Jesus Cristo como “memória”, “presença”, “profecia”. Na Igreja primitiva, o mistério, a celebração, a pregação, a vida cristã tiveram um único centro: a Páscoa – o culto da Igreja primitiva nasceu da Páscoa e para celebrar a Páscoa. No início da vida cristã encontra-se o Domingo como única festa, com a única denominação de “Dia do Senhor”. Por influência das comunidades cristãs provenientes do judaísmo, surgiu depois um “grande Domingo”, como celebração anual da Páscoa. A partir do séc. IV, com os decretos que garantiam a liberdade de culto aos cristãos, começaram-se a celebrar na Terra Santa os acontecimentos da Paixão e morte de Jesus Cristo, nos locais e às horas em que eram relatados nos Evangelhos. Nasceu assim a Semana Santa e os peregrinos estenderam este uso a todas as igrejas. A celebração do batismo na noite de Páscoa, já em uso no século III, e a disciplina penitencial com a reconciliação dos penitentes na manhã de Quinta-feira Santa, já no século V, fizeram nascer também o período preparatório da Páscoa, ou seja, a Quaresma, inspirada nos “quarenta dias bíblicos”. A Semana Santa apresenta-se, neste contexto, como a Semana Maior do ano litúrgico. Graças à peregrina Egéria, que viveu no final do século IV, conhecemos os rituais que envolviam estas celebrações no princípio do Cristianismo. Ela descreve em seu livro “Itinerarium” a liturgia que se desenvolveu em Jerusalém, teatro das últimas horas de vida de Jesus, e compreende o intervalo de tempo que vai do Domingo de Ramos à Páscoa. Na Idade Média, esta semana era chamada a “semana dolorosa”, porque a Paixão de Cristo era dramatizada pelo povo, pondo em destaque os aspectos do sofrimento e da compaixão. Atualmente, muitas igrejas locais dão ainda vida a essa tradição dramática, que se desenrola em procissões e representações da Paixão de Jesus.

Fonte: Agência Ecclesia 16/3/2008

Cruz não é ornamento, mas sinal do amor de Deus, destaca Papa

Terça-feira, 4 de abril de 2017, Da Redação, com Rádio Vaticano

Na homilia de hoje, Papa frisou significado da Cruz de Cristo e convidou fiéis a refletir sobre o uso que fazem dela

“A salvação não provém somente da cruz, mas da cruz que é Deus feito carne, pois não há salvação nas ideias ou na boa vontade”. Foi o que recordou o Papa Francisco na Missa desta terça-feira, 4, na Casa Santa Marta. Francisco convidou a não carregar a cruz apenas como um símbolo de pertença, mas a olhar ao Crucificado, ao “Deus que se fez pecado” para receber a salvação.

No Evangelho do dia, por três vezes Jesus diz aos fariseus: “Morrereis nos vossos pecados”, porque tinham o coração fechado e não entendiam aquele mistério que o Senhor representava. “Morrer no próprio pecado é algo ruim”, destacou o Papa. No diálogo com eles, Jesus então recorda: “Quando tiverdes elevado o Filho do Homem, então sabereis que eu sou, e que nada faço por mim mesmo”.

Jesus se refere àquilo que aconteceu no deserto, narrado na Primeira Leitura, quando o povo que não podia suportar o caminho se afastou do Senhor e falou mal Dele e de Moisés. Então chegaram as serpentes que morderam e provocaram a morte. O Senhor pediu a Moisés que fizesse uma serpente de bronze e a colocasse como sinal sobre uma haste: Quando alguém era mordido e olhava para a serpente de bronze, ficava curado. A serpente é o “símbolo do diabo”, “o pai da mentira”, “o pai do pecado, que fez a humanidade pecar”. E Jesus recorda: “Quando eu for elevado, todos virão a mim”.

Este é o mistério da cruz, disse Francisco. “A serpente de bronze curava, mas era sinal de duas coisas: do pecado cometido pela serpente, de sua sedução, de sua astúcia; e também era sinal da cruz de Cristo. Era uma profecia”, explicou o Papa. Portanto, Jesus se “fez pecado”, como diz São Paulo, e tomou sobre si todas as sujeiras da humanidade, se fez elevar para que todas as pessoas feridas pelo pecado olhassem para Ele. E quem não reconhecer naquele homem elevado a força de Deus que se fez pecado para curar a humanidade, morrerá no próprio pecado:

“Não há salvação nas ideias, não há salvação na boa vontade, no desejo de ser bons… não. A única salvação está em Cristo crucificado, porque somente Ele, como a serpente de bronze, foi capaz de tomar para si todo o veneno do pecado e nos curar. Mas o que é a cruz para nós? Sim, é o sinal dos cristãos, é o símbolo dos cristãos. Nós fazemos o sinal da cruz, mas nem sempre o fazemos bem; porque não temos fé na cruz. Outras vezes, para algumas pessoas, é um distintivo de pertença: ‘Sim, eu uso uma cruz para mostrar que sou cristão’. É bom isso, mas não só como distintivo, como se fosse de um time, mas como memória daquele que se fez pecado”.

Outros, ainda, usam a cruz como um ornamento, observou o Santo Padre; alguns usam cruzes com pedras preciosas, para se mostrar. “Deus disse a Moisés: Quem olhará para a serpente será curado”. Jesus diz a seus inimigos: “Quanto tiverdes elevado o Filho do Homem, então sabereis que eu sou”. Quem não olha para a cruz assim, com fé, morrerá nos próprios pecados, não receberá a salvação”.

A Igreja propõe um diálogo com o mistério da cruz, finalizou o Papa. “Hoje, a Igreja nos propõe um diálogo com este mistério da cruz, com este Deus que se fez pecado por amor a mim. E cada um de nós pode dizer: “Por amor a mim”. E podemos pensar: Como eu uso a cruz? Como uma recordação? Quando faço o sinal da cruz tenho consciência do que faço? Como levo a cruz? Somente como um símbolo de pertença a um grupo religioso? Como uma decoração? Como uma joia, com pedras preciosas… de ouro? Aprendi a levá-la nas costas, aonde machuca? Cada um de nós, hoje, observe o Crucifixado, olhe para este Deus que se fez pecado para que nós não morramos nos nossos pecados e responda a estas perguntas que acabei de sugerir”.

A esperança cristã não exclui ninguém, diz Papa na catequese

Quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017, Da Redação, com Rádio Vaticano

Santo Padre frisou que a esperança cristã não decepciona e tem como fundamento o amor de Deus pela humanidade

O Papa Francisco deu continuidade nesta quarta-feira, 15, ao ciclo de catequeses sobre a esperança cristã. O Santo Padre explicou que a consciência do amor de Deus pela humanidade é a raiz da esperança cristã, que nunca desilude nem exclui ou marginaliza ninguém.

A reflexão de hoje foi baseada na Carta de São Paulo aos Romanos, que surpreende com o convite a vangloriar-se, tendo em vista que se aprende desde cedo que gabar-se não é uma atitude boa. “Mas, do que é justo nos vangloriar? Como é possível fazer isso sem ofender, sem excluir ninguém?”, perguntou o Papa.

Segundo Francisco, no primeiro caso, o homem é convidado a se vangloriar da abundância da graça de Deus que se recebe de Jesus Cristo. “Paulo quer nos fazer entender que, se aprendemos a ver os acontecimentos à luz do Espírito Santo, percebemos que tudo é graça! Se prestarmos atenção, quem age na história, assim como em nossa vida, não somos nós sozinhos mas é sobretudo Deus. Ele é o protagonista absoluto que cria todas as coisas como um dom de amor, que tece a trama de seu desígnio de salvação, levado à plenitude em Jesus. Quando acolhemos com gratidão essa manifestação do amor de Deus, experimentamos uma paz que se estende a todas as dimensões de nossa vida: Estamos em paz conosco mesmos, estamos em paz na família, em nossa comunidade, no trabalho e com as pessoas que encontramos a cada dia em nosso caminho”, acrescentou Francisco.

O Santo Padre destacou ainda que a esperança cristã é sólida, não decepciona. O seu fundamento não está no que o homem pode ou não fazer, mas no amor de Deus, o fundamento mais fiel e seguro. “É fácil dizer: Deus nos ama. Todos dizemos isso. Mas pensem um pouco: cada um de nós é capaz de dizer: Estou certo de que Deus me ama? Não é muito fácil dizer isso. É um bom exercício dizer a si mesmo: Deus me ama. Esta é a raiz de nossa segurança, a raiz da esperança”, sublinhou Francisco.

Vangloriar-se do amor de Deus

“O Senhor infundiu abundantemente em nossos corações o Espírito, que é o amor de Deus, como artífice, como garante, para que possa alimentar dentro de nós a fé e manter vida essa esperança. Deus me ama! Mas neste momento difícil? Deus me ama. E eu que fiz coisas feias e más? Deus me ama. Esta certeza ninguém pode nos tirar e devemos repeti-la como uma oração: Deus me ama. Estou certo de que Deus me ama.”

Por fim, Francisco explicou porque o Apóstolo Paulo convida a se vangloriar sempre de tudo isso. “Vanglorio-me do amor de Deus, porque Ele me ama. A esperança que nos foi dada não nos separa dos outros, e muito menos me leva a desacreditá-los ou marginalizá-los. Trata-se de um dom extraordinário do qual somos chamados a ser ‘canais’ para todos, com humildade e simplicidade. Então, a nossa maior glória será a de ter como Pai um Deus que não tem preferências, que não exclui ninguém, mas que abre a sua casa a todos os seres humanos, começando pelos marginalizados e distantes, para que como seus filhos aprendamos a nos consolar e nos ajudar reciprocamente”.

Por que não devo cometer suicídio?

Suicídio assistido

É hoje alarmante o aumento do número de pessoas que recorrem ao chamado “suicídio assistido”

No dia 01/11/2014, nos Estados Unidos, Brittany Maynard, uma jovem americana com 29 anos, com um câncer no cérebro, decidiu tomar um comprimido para se suicidar com autorização do Estado.

Lamentavelmente, a sociedade “eficiente” de hoje tende a marginalizar os irmãos vulneráveis, especialmente as pessoas de idade avançada, como se elas fossem só um “peso” e um “problema para a sociedade”. Muitas delas são induzidas a praticar o suicídio.

A fonte “Forum Libertas” informa que “o turismo do suicídio duplicou na Suíça nos 4 anos (2008-2012): “um total de 611 residentes de 31 países receberam ajuda para morrer na Suíça nesses anos. Foram 268 alemães, 126 britânicos, 66 franceses, 44 italianos, 21 americanos, 14 austríacos, 12 canadenses, 8 espanhóis, vários israelenses e algumas pessoas de outras nacionalidades”.

O suicídio é causa comum de morte entre jovens de acordo com dados do Instituto Nacional de Saúde Mental norte-americano. Na Suíça, uma decisão da Suprema Corte abriu o caminho para a legalização da assistência ao suicídio até de pacientes mentalmente doentes. O país já permite legalmente o suicídio assistido para outros tipos de pacientes com uma ampla faixa de doenças e incapacidades físicas. O Estado ateu e laicista incentiva a morte de pessoas “improdutivas”.

A partir dessa decisão, o homem passa a ocupar o lugar de Deus como senhor da vida e da morte. Voltamos ao pecado dos anjos maus e de Adão e Eva, que queriam “ser como deuses”. Abrem-se as portas para a queda livre no abismo da “cultura da morte”. Será que a morte pode ser solução para os problemas da vida?

A Igreja sempre ensinou que não somos proprietários da nossa vida, e sim Deus, por isso não podemos pôr fim a ela. Em nosso tempo, a vida só tem valor enquanto o ser humano é produtivo, enquanto está feliz, bonito e saudável. Quando estamos perto da morte, a vida perde o seu valor para aqueles que não creem na vida eterna, na possibilidade da salvação da alma da pessoa, ainda que seja no sofrimento dos últimos dias de vida. Muitos se salvam na hora da morte natural, mediante um arrependimento sincero de seus pecados. Quantos decidiram chamar um padre para se confessar nos últimos momentos de vida! O suicídio pode impedir a salvação.

A Igreja sempre defendeu e ensinou que a vida humana é sagrada: “A vida humana é sagrada, porque, na sua origem, ela encerra a ação criadora de Deus e permanece para sempre numa relação especial com o Criador, seu único fim. Só Deus é o dono da vida, do começo ao fim; ninguém, em nenhuma circunstância, pode reivindicar para si o direito de destruir diretamente um ser humano inocente” (Congregação da Doutrina da Fé, Donum Vitae, 5, 1988).

Na Carta Encíclica Evangelium Vitae, sobre o valor da vida e a inviolabilidade da vida humana (1995), o Papa João Paulo II afirmou que “a vida é um dom divino”, daí ter “um caráter sagrado e inviolável no qual se reflete a própria inviolabilidade do Criador”. “O Criador confiou a vida do homem à sua solicitude responsável, não para que disponha arbitrariamente dela, mas a guarde com sabedoria e administre com fidelidade” (n° 76, 2° parágrafo).

João Paulo II disse que “o homem vive hoje com se Deus não existisse”. E o ateísmo, teórico ou prático, continua implantando no mundo a “a cultura da morte”.

A Igreja sempre ensinou que: “Cada um é responsável por sua vida diante de Deus, que lhe deu e que dela é sempre o único e soberano Senhor. Devemos receber a vida com reconhecimento e preservá-la para honra dele e salvação de nossas almas. Somos os administradores e não os proprietários da vida que Deus nos confiou. Não podemos dispor dela” (Cat. § 2280).

“O suicídio contradiz a inclinação natural do ser humano a conservar e perpetuar a própria vida. É gravemente contrário ao justo amor de si mesmo. Ofende igualmente ao amor do próximo, porque rompe os vínculos de solidariedade com as sociedades familiar, nacional e humana, às quais nos ligam muitas obrigações. O suicídio é contrário ao amor do Deus vivo” (Cat. § 2281). O suicídio rompe a comunhão com as pessoas amadas da família. E, muitas vezes, a família pode ficar desamparada com a morte do pai ou da mãe.

Cooperar com o suicídio de alguém é também falta grave. A Igreja reconhece que as motivações ao suicídio podem ser complexas. Não podemos dizer que aquele que se suicidou esteja condenado por Deus. “Distúrbios psíquicos graves, a angústia ou o medo grave da provação, do sofrimento ou da tortura podem diminuir a responsabilidade do suicida” (Cat. § 2282).

“Não se deve desesperar da salvação das pessoas que se mataram. Deus pode, por caminhos que só Ele conhece, dar-lhes ocasião de um arrependimento salutar. A Igreja ora pelas pessoas que atentaram contra a própria vida” (Cat. § 2283).

Infelizmente, alguns filósofos ateus propunham e ainda propõem essa prática [suicídio] diante de uma vida que consideram um absurdo e sem sentido. “A vida humana, por mais debilitada e fraca que seja, é um belo dom de Deus”, ensinava o saudoso Papa João Paulo II; e de forma alguma pode ser eliminada pela pessoa.

Graças a Cristo, o sofrimento e a morte cristã tem um sentido positivo. “Para mim, a vida é Cristo, e morrer é lucro” (Fl 1, 21). “Fiel é esta palavra: se com Ele morremos, com Ele viveremos” (2Tm 1, 11). O nosso sofrimento é salvífico. “Completo na minha carne o que falta à paixão de Cristo no seu corpo que é a Igreja” (Col 1, 24). O cristão quando sofre, e oferece seu sofrimento a Deus, está salvando o mundo com Cristo.

O nosso Catecismo ensina que: “A morte é o fim da peregrinação terrestre do homem, do tempo de graça e de misericórdia que Deus lhe oferece para realizar sua vida terrestre segundo o projeto divino e para decidir seu destino último. Quando tiver terminado “o único curso de nossa vida terrestre”, não voltaremos mais a outras vidas terrestres. “Os homens devem morrer uma só vez” (Hb 9, 27). Não existe “reencarnação” depois da morte” (n. 1013).

Professor Felipe Aquino é viuvo, pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova. Página do professor: www.cleofas.com.br Twitter: @pfelipeaquino

A verdadeira devoção a Nossa Senhora dos Navegantes

Entenda

http://formacao.cancaonova.com/nossa-senhora/devocao-nossa-senhora/a-verdadeira-devocao-a-nossa-senhora-dos-navegantes/

Nossa Senhora dos Navegantes é a Estrela que nos conduz no mar, por vezes tempestuoso e sombrio, da história da salvação

A devoção a Nossa Senhora dos Navegantes remonta a Idade Média, na época das Cruzadas, e está intimamente ligada ao título “Estrela do Mar”. Naquele tempo, os cruzados atravessavam o Mar Mediterrâneo rumo à Palestina para proteger os peregrinos e os lugares santos dos infiéis. Tendo em vista os perigos que enfrentariam, esses bravos homens invocavam a Santíssima Virgem Maria pelo nome de “Estrela do Mar”, pois, sob esse título, ela era conhecida como aquela que protegia os navegantes, mostrando-lhes sempre o melhor caminho e um porto seguro para a sua chegada.

Antes das travessias, os navegantes participavam da Santa Missa, na qual pediam proteção de Nossa Senhora dos Navegantes para enfrentar, com coragem, os perigos do mar, as tempestades e os ataques dos piratas.

Com o início das grandes navegações, por parte dos portugueses e espanhóis, e a descoberta de novas rotas comerciais e terras pelo mundo, a devoção a Nossa Senhora dos Navegantes cresceu ainda mais e chegou a terras cada vez mais longínquas. Sob esse título, a Santa Virgem é a padroeira dos navegantes e dos viajantes, e é também chamada de Nossa Senhora da Boa Viagem.

A origem da devoção a Nossa Senhora dos Navegantes

Essa devoção tem sua origem mais remota no título mariano “Estrela do Mar”. Até nossos dias, não foi possível datar com precisão e saber a origem desse título. No entanto, o hino litúrgico em latim “Ave maris stella”, que pode ser traduzido por “Ave, do mar estrela”, composto por volta do século VII, atesta a antiguidade da devoção a Santíssima Virgem sob este título. Todavia, não há uma unanimidade quanto à autoria e a data da composição do hino litúrgico.

Santo Tomás de Aquino, o Doutor Angélico, no seu comentário “A Saudação Angélica”, ensina-nos que a Virgem Maria foi isenta de toda maldição e é bendita entre as mulheres. Nossa Senhora é a única que suprime a maldição, traz a bênção e abre as portas do paraíso. Por isso, convém-Lhe o nome de Maria, que significa “Estrela do mar”1. Da mesma forma que os navegadores são conduzidos pela estrela do mar ao porto, os cristãos são conduzidos à glória do Reino dos Céus por Maria.

Em uma de suas memoráveis homilias, São Bernardo de Claraval, Abade e Doutor da Igreja, afirma que a Virgem Maria é comparada muito apropriadamente a uma estrela, pois esta dá a sua luz sem se alterar, tal como Nossa Senhora deu à luz o seu Filho sem danificar o seu corpo virgem. “Ela é efetivamente essa nobre ‘estrela surgida de Jacob’2, cujo esplendor ilumina o mundo inteiro, que brilha nos céus e penetra até aos infernos. […] Ela é verdadeiramente essa linda e admirável estrela que havia de elevar-se acima do mar imenso, cintilante de méritos, iluminando pelo exemplo”3.

Nossa Senhora, a padroeira dos navegantes e dos viajantes

A primeira razão da devoção a Nossa Senhora dos Navegantes, ou Nossa Senhora da Boa Viagem, é obviamente por sua proteção contras os perigos do mar, o seu socorro nas tempestades. Foi por esse motivo que essa devoção chegou aqui, juntamente com os navegantes portugueses, desde a época do descobrimento do Brasil em 22 de abril de 1500. Naquele tempo, as embarcações eram menores e não tão seguras quanto as atuais. Por isso, as pessoas que viajavam de barco não sabiam se retornariam com vida. Além disso, os recursos de navegação eram quase inexistentes. Então, era muito comum que os marinheiros se orientassem pelo sol, durante o dia; e pelas estrelas durante a noite. Dessa forma, a “Estrela do Mar”, que é a Virgem Maria, tornou-se a Senhora dos navegantes, que por ela se orientavam nas “noites escuras” das suas viagens.

Muitas são as comunidades paroquiais, e até cidades, que tem Nossa Senhora dos Navegantes como padroeira, por todo o Brasil. A sua festa é celebrada no dia 2 de fevereiro. Especialmente nas cidades litorâneas, que têm muitos pescadores e se usa muito o transporte marítimo, a devoção a Virgem Maria sob este título é muito popular, atraindo milhares de peregrinos em suas festas. Na tradicional Festa de Nossa Senhora dos Navegantes de Porto Alegre (RS), que chega este ano à sua 140ª edição, a previsão é de que cerca de 300 mil peregrinos participem4. Na cidade de Navegantes (SC), comemora-se a 120ª Festa de Nossa Senhora dos Navegantes, que é a Padroeira da cidade5. No entanto, a Festa de Nossa Senhora da Boa Viagem, que tem sua raiz na devoção a Nossa Senhora dos Navegantes, não se limitou às cidades litorâneas, mas chegou a lugares bem distantes do mar, como Belo Horizonte (MG), de onde ela é padroeira.

A devoção a Nossa Senhora dos Navegantes é associada popularmente a Iemanjá. Entretanto, a primeira, que é uma devoção católica, não tem nenhuma relação com a segunda, a não ser que as suas festas são comemoradas no mesmo dia, 2 de fevereiro. Iemanjá é um orixá feminino do Candomblé, da Umbanda e de outras crenças afro-brasileiras, que é comemorada também nos dias 15 de agosto e 8 de dezembro, datas marianas, talvez para associá-la a Nossa Senhora. A raiz dessa associação entre ambas está historicamente ligada à religiosidade do tempo da escravatura, na qual os portugueses não permitiam aos escravos o culto aos seus “deuses”. Em vista disso, muitos escravos continuaram a cultuar essas entidades nas imagens católicas, para evitar problemas com seus senhores. Infelizmente, isso ainda está enraizado na cultura e na religiosidade de muitas pessoas, que continuam a associar a Senhora dos Navegantes com Iemanjá.

Nossa Senhora dos Navegantes, a Estrela do Mar

A segunda e mais importante razão da devoção a Nossa Senhora dos Navegantes está associada com o título que lhe deu origem: “Estrela do Mar”. A Virgem Maria é essa estrela luminosa, que nos guia, que nos mostra a direção certa no mar por vezes tempestuoso da nossa história, para chegarmos ao porto seguro, que é Jesus Cristo. Dessa forma, compreendemos que a Senhora dos Navegantes não é somente a protetora e a intercessora dos navegantes, mas de todos nós, que navegamos nessa grande embarcação que é a Igreja, no mar tantas vezes agitado e perigoso deste mundo.

Seja nas calmarias ou em meio às tempestades, sigamos a Estrela do Mar pelo caminho espiritual indicado por São Bernardo: “Vós todos, quem quer que sejais, seja o que for que sentirdes hoje, em pleno mar, sacudidos pela tormenta e pela tempestade, longe da terra firme, mantende os olhos na luz dessa estrela para evitar o naufrágio. Se se levantarem os ventos da tentação, se vires aproximar-se o escolho das provações, olha para a estrela, invoca Maria! Se te sentires sacudido pelas vagas do orgulho, da ambição, da maledicência ou do ciúme, eleva os olhos para a estrela, invoca Maria. […] Se te sentires perturbado pela enormidade dos teus pecados, humilhado pela vergonha da tua consciência, assustado pelo temor do julgamento, se estiveres a ponto de naufragar nas profundezas da tristeza e do desespero, pensa em Maria. No perigo, na angústia, na dúvida, pensa em Maria, invoca Maria!
Que o seu nome nunca saia dos teus lábios nem do teu coração. […] Seguindo-a, não te perderás; rezando-lhe, não desesperarás; pensando nela, evitarás enganar-te no caminho. Se Ela te agarrar pela mão, não te afundarás; se Ela te proteger, nada temerás; conduzido por Ela, ignorarás a fadiga; sob a sua proteção, chegarás ao objetivo. E compreenderás, pela tua própria experiência, como são verdadeiras essas palavras: ‘O nome da virgem era Maria’6”7.

Nossa Senhora dos Navegantes, a Estrela da Esperança

Nossa Senhora dos Navegantes, portanto, é a “Estrela do Mar”, que guia e protege os pescadores, marinheiros e viajantes em suas jornadas pelos mares e os leva a um porto seguro. Em sentido ainda mais profundo e espiritual, a Virgem Maria é a Estrela que nos conduz ao porto seguro da salvação, que é Jesus Cristo. Da mesma forma que os magos do oriente foram guiados pela estrela para Belém, para lá encontrar o Menino Deus e o adorar8, também nós somos guiados pela Estrela do Mar até nos encontrar definitivamente com seu divino Filho, no porto seguro, que é o Reino dos Céus. Por isso, Nossa Senhora é modelo de Igreja, intercessora e auxílio nas tribulações, e Mãe de todos nós, seus filhos e escravos de amor. Diante dessa bela e luminosa Estrela do Mar, que é Maria Santíssima, não temos que temer as tempestades, os mares revoltos, as grandes ondas que por vezes ameaçam nos levar ao naufrágio.

Como disse o Papa Emérito Bento XVI: “A vida é como uma viagem no mar da história, com frequência enevoada e tempestuosa, uma viagem na qual perscrutamos os astros que nos indicam a rota. As verdadeiras estrelas da nossa vida são as pessoas que souberam viver com retidão. Elas são luzes de esperança. Certamente, Jesus Cristo é a luz por antonomásia, o sol erguido sobre todas as trevas da história. Mas para chegar até Ele precisamos também de luzes vizinhas, de pessoas que dão luz recebida da luz d’Ele e oferecem, assim, orientação para a nossa travessia. E quem mais do que Maria poderia ser para nós estrela de esperança?”9

No mar tempestuoso da história da salvação, a Virgem Maria é esta Estrela da Esperança, que nos guia principalmente quando a escuridão, ou densas névoas, não nos permite enxergar para onde vamos. Por isso, não tenhamos medo, mas nos confiemos inteiramente a Nossa Senhora: “Vós permaneceis no meio dos discípulos como a sua Mãe, como Mãe da esperança. Santa Maria, Mãe de Deus, Mãe nossa, ensinai-nos a crer, esperar e amar convosco. Indicai-nos o caminho para o Seu Reino! Estrela do mar, brilhai sobre nós e guiai-nos no nosso caminho!”10 Nossa Senhora dos Navegantes, rogai por nós!

1 – SÃO TOMÁS DE AQUINO. O Pai-Nosso e a Ave-Maria.

2 – Cf. Nm 24, 17.

3 – SÃO BERNARDO. Homílias sobre estas palavras do Evangelho: “O anjo foi enviado”.

4 – A12. Festa de Navegantes: 140 anos de devoção em Porto Alegre.

5 – NAVEGANTES. Santuário divulga programação da 120ª Festa de Nossa Senhora dos Navegantes.

6 – Lc 1, 27.

7 – SÃO BERNARDO. Op. cit.

8 – Cf. Mt 2, 1-12.

9 – PAPA BENTO XVI. Carta Encíclica Spe Salvi, 49.

10 –  Idem 50.

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