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Na Quaresma, renovar as promessas do Batismo

Tempo de conversão, domingo, 9 de março  de 2014, Jéssica Marçal / Da Redação

Antes de rezar o Angelus com os fiéis, Francisco refletiu sobre as tentações que Jesus sofreu no deserto

No Angelus deste domingo, 9, Papa Francisco concentrou-se sobre a passagem do Evangelho que relata as tentações que Jesus sofreu no deserto. Ele recordou que a Quaresma é um tempo propício para um caminho de conversão, confrontando-se sinceramente com este trecho do Evangelho.

Francisco explicou que a tentação procura desviar Jesus do projeto de Deus, tentando fazê-lo escolher um caminho fácil de sucesso e poder. Foram três os tipos de tentação, conforme explicou o Papa: o bem-estar econômico, o estilo espetacular e mirabolante e o atalho do poder e do domínio.

Jesus resistiu às tentações e reiterou a determinação de seguir o caminho estabelecido pelo Pai. Em suas respostas, conforme explicou o Santo Padre, Cristo lembra que “não só de pão vive o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus” (Mt 4, 4; cfr Dt 8, 3).

“Isto nos dá força, apóia-nos na luta contra a mentalidade mundana que reduz o homem ao nível das necessidades primárias, fazendo-o perder a fome daquilo que é verdadeiro, bom e belo, a fome de Deus e de seu amor”.

O Papa ressaltou ainda que, ao ser tentado, Jesus não dialogou com Satanás, mas refugiou-se na Palavra de Deus, atitude que deve ser um exemplo também para os dias de hoje. “No momento da tentação, das nossas tentações, nada de argumentos com Satanás, mas sempre defendidos pela Palavra de Deus! E isto nos salvará”

Lembrando que a Quaresma é tempo propício para a conversão, Francisco convidou os fiéis a renovarem as promessas do Batismo, renunciando a Satanás e a todas as suas obras e seduções.

Após a oração mariana, o Santo Padre saudou fiéis e peregrinos e desejou um rico caminho quaresmal para todos, pedindo orações pelo retiro que ele e a Cúria Romana iniciam hoje.

“Peço uma lembrança em oração por mim e pelos colaboradores da Cúria Romana, que esta noite iniciaremos a semana dos Exercícios espirituais. Obrigado”.

 

ANGELUS

Queridos irmãos e irmãs,

O Evangelho deste primeiro domingo da Quaresma nos apresenta todos os anos o episódio das tentações de Jesus, quando o Espírito Santo, que desceu sobre Ele depois do Batismo no Rio Jordão, impeliu-o a enfrentar abertamente Satanás no deserto, por quarenta dias, antes de iniciar a sua missão pública.

O tentador procura desviar Jesus do projeto do Pai, isso é, do sacrifício, do amor que oferece a si mesmo em expiação, para fazer-lhe adotar um caminho fácil, de sucesso e de poder. O duelo entre Jesus e Satanás se realiza através de citações da Sagrada Escritura. O diabo, de fato, para desviar Jesus do caminho da cruz, apresenta-lhe as falsas esperanças messiânicas: o bem-estar econômico, indicado pela possibilidade de transformar as pedras em pão; o estilo espetacular e mirabolante, com a idéia de atirar-se do ponto mais alto do templo de Jerusalém e fazer-se salvar pelos anjos; e por fim um atalho do poder e do domínio, em troca de um ato de adoração a Satanás. São três os grupos de tentações: também nós o conhecemos bem!

Jesus resiste decididamente a todas estas tentações e confirma a firme vontade de seguir o caminho estabelecido pelo Pai, sem qualquer compromisso com o pecado e com a lógica do mundo. Reparem bem como responde Jesus. Ele não dialoga com Satanás, como tinha feito Eva no paraíso terrestre. Jesus sabe bem que com Satanás não se pode dialogar, porque é muito esperto. Por isto, Jesus, em vez de dialogar como tinha feito Eva, escolhe refugiar-se na Palavra de Deus e responde com a força desta Palavra. Lembremo-nos disso: no momento da tentação, das nossas tentações, nada de argumentos com Satanás, mas sempre defendidos pela Palavra de Deus! E isto nos salvará. Nas suas respostas a Satanás, o Senhor, usando a Palavra de Deus, recorda-nos, antes de tudo, que “não só de pão vive o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus” (Mt 4, 4; cfr Dt 8, 3); e isto nos dá força, apóia-nos na luta contra a mentalidade mundana que reduz o homem ao nível das necessidades primárias, fazendo-o perder a fome daquilo que é verdadeiro, bom e belo, a fome de Deus e de seu amor. Lembra também que “também está escrito: ‘Não tentarás o Senhor teu Deus’” (v. 7), porque o caminho da fé passa também através da escuridão, da dúvida, e se alimenta de paciência e de espera perseverante. Jesus recorda, enfim, que “está escrito: ‘Adorarás o Senhor teu Deus, e só a ele servirás” (v. 10), isso é, devemos livrar-nos dos ídolos, das coisas vãs, e construir a nossa vida sobre o essencial.

Estas palavras de Jesus encontrarão depois confirmação em suas ações. A sua absoluta fidelidade ao desígnio de amor do Pai o conduzirá depois de cerca de três anos ao confronto final com o “príncipe deste mundo” (Jo 16, 11), na hora da paixão e da cruz, e ali Jesus resgatará a sua vitória definitiva, a vitória do amor!

Queridos irmãos, o tempo da Quaresma é ocasião propícia para todos nós cumprirmos um caminho de conversão, confrontando-nos sinceramente com esta página do Evangelho. Renovemos as promessas do nosso Batismo: renunciemos a Satanás e a todas as suas obras e seduções – porque é um sedutor ele – para caminhar nas sendas de Deus e “chegar à Páscoa na alegria do Espírito” (Oração coleta do I Domingo da Quaresma Ano A).

Aurora e Dia do Santo Natal – 25 de Dezembro

Por Mons. Inácio José Schuster

Evangelho segundo São João 1, 1-18
No princípio existia o Verbo; o Verbo estava em Deus; e o Verbo era Deus. No princípio Ele estava em Deus. Por Ele é que tudo começou a existir; e sem Ele nada veio à existência. Nele é que estava a Vida de tudo o que veio a existir. E a Vida era a Luz dos homens. A Luz brilhou nas trevas, mas as trevas não a receberam. Apareceu um homem, enviado por Deus, que se chamava João. Este vinha como testemunha, para dar testemunho da Luz e todos crerem por meio dele. Ele não era a Luz, mas vinha para dar testemunho da Luz. O Verbo era a Luz verdadeira, que, ao vir ao mundo, a todo o homem ilumina. Ele estava no mundo e por Ele o mundo veio à existência, mas o mundo não o reconheceu. Veio para o que era seu, e os seus não o receberam. Mas, a quantos o receberam, aos que nele crêem, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus. Estes não nasceram de laços de sangue, nem de um impulso da carne, nem da vontade de um homem, mas sim de Deus. E o Verbo fez-se homem e veio habitar conosco. E nós contemplamos a sua glória, a glória que possui como Filho Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade. João deu testemunho dele ao clamar: «Este era aquele de quem eu disse: ‘O que vem depois de mim passou-me à frente, porque existia antes de mim.’» Sim, todos nós participamos da sua plenitude, recebendo graças sobre graças. É que a Lei foi dada por Moisés, mas a graça e a verdade vieram-nos por Jesus Cristo. A Deus jamais alguém o viu. O Filho Unigênito, que é Deus e está no seio do Pai, foi Ele quem o deu a conhecer.

Natal do Senhor. Na missa da noite, Lucas nos diz que Jesus não nasceu em uma hospedaria. Não convinha que o Filho de Deus, nascesse num hotel como um hóspede que ali passa uma ou duas noites apenas e depois se vai.  Ele veio para ficar. A presença da manjedoura por três vezes repetidas no texto de Lucas é também uma alusão a Isaías, outrora um oráculo negativo: “O boi conhece a manjedoura do seu Senhor, mas o meu povo não me conhece”. Ao mostrar que Jesus foi reclinado numa manjedoura e reconhecido pelos pastores, Lucas quer dizer que esta profecia negativa já não tem mais valor também. Os pastores representam antecipadamente, aquela porção de judeus que se converteria mais tarde à sua pregação. Na missa do dia, a mais solene das três celebradas no Natal, existe, no entanto uma nota destoante de tristeza. Sim, um tom triste vem perturbar a serenidade de alegria e tranqüilidade deste dia. Diz-nos o evangelista João: “Ele veio para o que era Seu, mas os seus não O receberam”. A todos aqueles que O receberam porém, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus. Eis um milagre atual e presente: a sua presença. Você que me escuta neste dia de Natal e me escutou o ano inteiro, é o símbolo de um milagre de Deus. Existem muitos como você, que se prepararam longamente para um Natal diferente. Não um Natal que se consome em ceias, bebidas e presentes, mas um Natal que abra progressivamente o coração para receber o maior presente de Deus que é Jesus. Você que crê neste dia é um símbolo, é uma prova, é um milagre de Deus. Você que crê é um sinal de que a graça de Deus é mais eficaz do que o mundo. São muitos aqueles como você que crêem e celebram um Natal diferente,  porque recebem o Rei nos próprios corações. Mas a multidão dos que celebram um Natal superficial, um Natal secularizado, um Natal que os símbolos cristãos desaparecem do meio, são muitos, é a maioria. Você é uma pessoa diferente das outras, eu repito, todos estes que se abrem para receber Cristo, terão um Natal permanente, um Natal estável, um Natal que não terminará neste dia e você pode louvar e bendizer a Deus, juntamente com os seus irmãos na fé, porque ainda existem, apesar de o mundo e o nosso país estar extremamente secularizado, pessoas que recebem Cristo na fé. A você e a todos os seus um feliz e santo Natal.

 

«E o Verbo fez-se homem e veio habitar conosco»
São Leão Magno (?-c. 461), papa e Doutor da Igreja 
1º sermão para a Natividade do Senhor; PL 59,190 (a partir da trad. cf SC 22 bis, pp. 67ss., breviário e Orval)

Nosso Senhor, irmãos bem-amados, nasceu hoje: regozijemo-nos! Não é permitido estarmos tristes neste dia em que nasce a vida. Este dia destrói o receio da morte e enche-nos da alegria que a promessa da eternidade dá. Ninguém ficou afastado desta alegria; um único e mesmo motivo de alegria é comum a todos. Pois Nosso Senhor, ao vir destruir o pecado e a morte […], veio libertar todos os homens. Que o santo exulte, pois aproxima-se da vitória. Que o pecador se alegre, pois é convidado ao perdão. Que o pagão tome coragem, pois é chamado à vida. Com efeito, quando chegou a plenitude dos tempos determinada pela profundidade insondável do plano divino, o Filho de Deus desposou a nossa natureza humana para reconciliá-la com o seu Criador. […] O Verbo, a Palavra de Deus, que é Deus, Filho de Deus, que «no princípio estava em Deus, por Quem tudo começou a existir, e sem Quem nada veio à existência», tornou-Se homem para libertar o homem de uma morte eterna. Baixou-Se para assumir a nossa condição humilde sem que a Sua majestade ficasse diminuída. Continuando a ser o que era e assumindo o que não era, Ele uniu a nossa condição de escravos à Sua condição de igual a Deus Pai. […] A majestade reveste-Se de humildade, a força de fraqueza, a eternidade de mortalidade: verdadeiro Deus e verdadeiro homem, na unidade de um único Senhor, «único mediador entre Deus e os homens» (1Tim 2, 5). […] Demos graças, portanto, irmãos bem-amados a Deus Pai, pelo Seu Filho, no Espírito Santo. Porque, na Sua grande misericórdia e no Seu amor por nós, Ele teve piedade de nós. «Quando estávamos mortos pelo pecado, Ele fez-nos tornar a viver por Cristo», querendo que sejamos n’Ele uma nova criação, uma nova obra das Suas mãos (Ef 2, 4-5; 2Cor 5,1 7). […] Cristão, toma consciência da tua dignidade.

 

NATAL DO SENHOR
Isaías 52, 7-10; Hebreus 1, 1-6; João 1, 1-18

Por que Deus se fez homem? Vamos diretos ao cume do prólogo de João, que constitui o Evangelho da terceira Missa de Natal, chamada «do dia». No Credo há uma frase que este dia se recita de joelhos: «Por nós os homens e por nossa salvação desceu do céu». É a resposta fundamental e perenemente válida à pergunta: «Por que o Verbo se fez carne?», mas precisa ser compreendida e integrada. A questão de fato reaparece sob outra forma: E por que se fez homem «por nossa salvação»? Só porque havíamos pecado e precisávamos ser salvos? Um filão da teologia, inaugurado pelo beato Duns Escoto, teólogo franciscano, desliga a encarnação de um vínculo demasiado exclusivo com o pecado do homem e a designa, como motivo primário, à glória de Deus: «Deus decreta a encarnação do Filho para ter alguém, fora de si, que o ame de maneira suma e digna de si». Esta resposta, ainda belíssima, não é ainda definitiva. Para a Bíblia o mais importante não é, como para os filósofos gregos, que Deus seja amado, mas que Deus «ama» e ama primeiro (1 João 4, 10.19). Deus quis a encarnação do Filho não tanto para ter alguém fora da Trindade que o amasse de forma digna de si, mas para ter alguém a quem amar de maneira digna de si, isto é, sem medida! No Natal, quando chega Jesus Menino, Deus Pai tem alguém a quem amar com medida infinita porque Jesus é homem e Deus por sua vez. Mas não só a Jesus, mas também a nós junto a Ele. Nós estamos inclusive neste amor, tendo-nos convertido em membros do corpo de Cristo, «filhos no Filho». Recorda-nos o próprio prólogo de João: «Mas a todos que o receberam deu o poder de se tornarem filhos de Deus». Cristo, portanto, desceu do céu «por nossa salvação», mas o que o impulsionou a descer do céu por nossa salvação foi o amor, nada mais que o amor. Natal é a prova suprema da «filantropia» de Deus, como a chama a Escritura (Tito 3, 4), ou seja, literalmente, de seu amor pelos homens. Esta resposta ao por que da encarnação estava escrita com clareza na Escritura, pelo mesmo evangelista que fez o prólogo: «Pois Deus amou tanto o mundo, que entregou o seu filho único, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha vida eterna» (João 3, 16). Qual deve ser então nossa resposta à mensagem de Natal? O canto natalino Adeste fideles diz: «A quem assim nos ama quem não amará?». Podem-se fazer muitas coisas para celebrar o Natal, mas o mais verdadeiro e profundo nos é sugerido por estas palavras. Um pensamento sincero de gratidão, de comoção e de amor por quem veio habitar entre nós, é o dom mais maravilhoso que podemos levar ao Menino Jesus, o adorno mais belo em meio a seu presépio. Para ser sincero, também o amor precisa ser traduzido em gestos concretos. O mais simples e universal – quando é limpo e inocente – o beijo. Demos portanto um beijo em Jesus, como se deseja fazer com todas as crianças recém-nascidas. Mas não nos contentemos em dá-lo só à imagem de gesso ou de porcelana; demos a um Jesus Menino de carne e osso. Demos a um pobre, a alguém que sofre, e o teremos dado nEle! Dar um beijo, neste sentido, significa dar uma ajuda concreta, mas também uma boa palavra, alento, uma visita, um sorriso, e às vezes, por que não, um beijo de verdade. São as luzes mais belas que podemos acender em nosso presépio.

A santidade é a vocação do cristão

O primeiro chamado do cristão é a santidade

Desde a Antiga Aliança, Patriarcas, Deus chama o povo à santidade: “Eu sou o Senhor que vos tirou do Egito para ser o vosso Deus. Sereis santos porque Eu sou Santo”. (Lv 1, 44-45)

O desígnio de Deus é claro: uma vez que fomos criados à sua “imagem e semelhança” (Gn 1,26) e Ele é Santo, nós devemos ser santos também. O Senhor não deixa por menos. A medida e a essência dessa santidade é o próprio Deus. São Pedro repete esta ordem dada ao povo no deserto, em sua primeira carta, convocando os cristãos a imitarem a santidade de Deus:

“A exemplo da santidade daquele que vos chamou, sede também vós santos, em todas as vossas ações, pois está escrito: Sede santos, porque eu sou santo.” (1Pd 1,15-16)

São Pedro exige dos fieis que “todas as vossas ações” espelhem esta santidade de Deus, já que “vós sois, uma raça escolhida, um sacerdócio régio, uma nação santa, um povo adquirido para Deus, a fim de que publiqueis o poder daquele que das trevas vos chamou à sua luz maravilhosa”. (1Pd 2,9)Para São Pedro a vida de santidade era uma imediata consequência de um povo que ele chamava de “quais outras pedras vivas… materiais deste edifício espiritual, um sacerdócio santo”. (1Pd 2,5)

Neste sentido exortava os cristãos do seu tempo a romper com a vida carnal: “luxúrias, concupiscências, embriagues, orgias, bebedeiras e criminosas idolatrias” (1Pd 4,3)vivendo na caridade, já que esta “cobre a multidão dos pecados”. (1Pd 4,8)

Jesus, no Sermão da Montanha chama os discípulos à perfeição do Pai: “Sede perfeitos assim como o vosso Pai celeste é perfeito”. (Mt 5,48)

Essas palavras fazem eco ao que Deus já tinha ordenado ao povo no deserto: “Sede santos, porque eu sou santo”. (Lv 11,44)

Jesus falava da bondade do Pai, que ama não só os bons, mas também os maus, e que “faz nascer o sol tanto sobre os maus como sobre os bons, e faz chover sobre os justos e sobre os injustos”. (Mt 5,45) Jesus pergunta aos discípulos: “Se amais somente os quevos amam, que recompensa tereis?” (46). Para o Senhor, ser perfeito como o Pai celeste, é amar também os inimigos, os que não nos amam. “Amai os vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam, orai pelos que vos perseguem e vos maltratam”(44) e mais ainda: “Não resistais ao mau. Se alguém te ferir a face direita, oferece-lhe também a outra”. (39)

Sem dúvida não é fácil viver essa grande exigência que Jesus nos faz, mas é por isso mesmo que ao cumpri-las vamos nos tornando santos, perfeitos, como o Pai celeste.

Todo o Sermão da Montanha, que São Mateus relata nos capítulos 5, 6 e 7, apresenta-nos o verdadeiro código da santidade. É como dizem os teólogos, a “Constituição do Reino de Deus”. Santo Agostinho nos assegura que:

“Aquele que quiser meditar com piedade e perspicácia o Sermão que nosso Senhor pronunciou no Monte, tal como o lemos no Evangelho de São Mateus, aí encontrará, sem sombra de dúvida, a carta magna da vida cristã” (CIC, nº 1966).

É por isso que na festa de todos os Santos a Igreja nos faz meditar no Evangelho das Bem-aventuranças, que são o início, e como que o resumo, de todo o Sermão do Monte.

São Paulo começa quase todas as suas Cartas lembrando os cristãos do seu tempo de que são chamados à santidade. Aos romanos, logo no início, ele se dirige dizendo:

“A todos os que estão em Roma, queridos de Deus, chamados a serem santos“. (Rm 1,7)

Aos corintios ele repete: “à Igreja de Deus que está em Corinto, aos fiéis santificados em Cristo Jesus chamados à santidade com todos…” (1Cor 1,2).

Aos efésios ele lembra, logo no início, que o Pai nos escolheu em Cristo “antes da criação do mundo para sermos santos e irrepreensíveis diante de seus olhos” (Ef 1,5).

Aos filipenses ele pede que: “o discernimento das coisas úteis vos torne puros e irrepreensíveis para o dia de Cristo” (Fil 1,10).

“Fazei todas as coisas sem hesitações e murmurações a fim de serdes irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus íntegros no meio de uma geração má e perversa” (Fil 2,14) .

Para o Apóstolo a santidade é a grande vocação do cristão. Ele diz aos efésios:

“Exorto-vos pois (…) que leveis uma vida digna da vocação a qualfostes chamados, com toda humildade, mansidão e paciência”. (Ef 4,1)

De maneira mais clara ainda ele fala aos tessalonicenses sobre o que Deus quer de nós:

“Esta é a vontade de Deus: a vossa santificação; que eviteis a impureza; que cada um de vós saiba possuir o seu corpo em santificação e honestidade, sem se deixar levar pelas paixões desregradas como fazem os pagãos que não conhecem a Deus”. (1 Tess 4,3-5)

Aos cristãos de Corinto, Paulo volta a insistir na sua segunda Carta:

“Purifiquemo-nos de toda a imundice da carne e do espírito realizando a obra de nossa santificação no temor de Deus” (2 Cor 7,1) e também a carta aos Hebreus, nos manda procurar a santidade:

“Procurai a paz com todos e ao mesmo tempo a santidade, sem a qual ninguém pode ver o Senhor”. (Hb 12,14)

Santa Teresa de Ávila afirma que: “O demônio faz tudo para nos parecer um orgulho o querer imitar os santos”.

A santidade é o meio de voltarmos a ser “imagem e semelhança” de Deus, conforme saímos de suas mãos.

São Paulo ensina na carta aos romanos que Deus nos quer como autênticas imagens de Jesus:

“Os que ele distinguiu de antemão, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que este seja o primogênito entre uma multidão de irmãos”. (Rm 8,29)

A santificação, portanto, consiste em cada cristão se transformar numa cópia viva de Jesus, “um outro Cristo” como diziam os santos Padres. Quando a imagem de Jesus estiver formada em nossa alma, então teremos chegado à meta que Deus nos propõe. É aquele estado de vida que levou, por exemplo, São Paulo a exclamar:“Eu vivo, mas já não sou mais eu, é Cristo que vive em mim. A minha vida presente, na carne, eu a vivo na fé no Filho de Deus”. (Gl 2,20)

Jesus sofreu a sua Paixão e Morte para que recuperássemos diante do Pai a santidade. É o que o Apóstolo nos ensina: “Eis que agora Ele vos reconciliou pela morte de seu corpo humano, para que vos possais apresentar santos, imaculados, irrepreensíveis aos olhos do Pai”. (Col 1,22)

Fomos criados por Deus e para Deus, e a Ele pertencemos; por isso, somos chamados à santidade. O salmista canta essa verdade essencial:

“Ele é nosso Deus; nós somos o povo de que ele é o pastor,

“As ovelhas que as suas mãos conduzem.” (Sl 94,7)

“Sabei que o Senhor é Deus: somos o seu povo e as ovelhas de seu rebanho.” (Sl 99,3)

Essa pertença a Deus é que nos obriga acima de tudo a buscarmos como meta da nossa vida a santidade, que é a marca de Deus, três vezes Santo. O Papa João Paulo II, que era um pregador incansável da santidade, disse certa vez:

“Não tenhais medo da santidade, porque nela consiste a plena realização de toda a autêntica aspiração do coração humano.” (LR,N.17, 7/4/96)

“Entre as maravilhas que Deus realiza continuamente, reveste singular importância a obra maravilhosa da santidade, porque ela se refere diretamente à pessoa humana.”

E o Papa resume tudo dizendo que:

“A santidade é a plenitude da vida.” (LR, N.20, 18/5/96)

Com a mesma ênfase, São Paulo afirma para os corintios que não nos pertencemos, porque fomos comprados por um alto preço que é o sangue de Cristo (cf. 1 Cor 6,19). Aos romanos o Apóstolo diz: “Nenhum de vós vive para si e ninguém morre para si. Se vivemos, vivemos para o Senhor; se morremos, morremos para o Senhor. Quer vivamos, quer morramos, pertencemos ao Senhor. (Rm 14,7)

Em homilia, Papa diz que cristãos devem rezar pelos governantes

Segunda-feira, 18 de setembro de 2017, Da Redação, com Rádio Vaticano

Na homilia de hoje, Papa destacou que é preciso acompanhar os governantes com a oração

O Papa Francisco presidiu a Missa na Capela da Casa Santa Marta nesta segunda-feira, 18, e em sua homilia pediu aos cristãos para rezarem pelos seus governantes, apesar de seus erros. O Pontífice pediu também aos governantes para rezar, caso contrário, correm o risco de fecharem-se no próprio grupo. O governante que tem a consciência de ser subalterno ao povo e a Deus, reza.

A reflexão de Francisco partiu da Primeira Leitura de hoje e do Evangelho. Na primeira leitura, São Paulo aconselha a Timóteo a rezar pelos governantes. No Evangelho, há um governante que reza: é o oficial romano que tinha um empregado que estava doente. Amava o povo, não obstante fosse estrangeiro, e amava o empregado, pois, de fato, se preocupava.

“Este homem sentiu a necessidade de rezar”, disse o Papa. Ele explicou que o homem rezava não somente porque amava, mas também porque tinha a consciência de não ser o patrão de tudo, de não ser a última instância. Sabia que, acima dele, há outro que comanda. Havia subalternos, soldados, mas ele também estava na condição de subordinado. E isso o levou a rezar. O governante que tem essa consciência, reza.

“Se não reza, fecha-se na própria ‘autorreferencialidade’ ou na de seu partido, naquele círculo do qual não se sai. É um homem fechado em si mesmo. Porém, quando vê os problemas verdadeiros, tem a consciência de ser subalterno, que existe outro que tem mais poder que ele. Quem tem mais poder do que o governante? O povo, que lhe deu o poder, e Deus, do qual vem o poder através do povo. Quando um governante tem a consciência de ser subordinado, reza”.

A oração do governante

O Papa Francisco ressaltou a importância da oração do governante, porque é a oração para o bem comum do povo que lhe foi confiado. Ele recordou, a esse propósito, a conversa com um governante que todos os dias passava duas horas em silêncio diante de Deus, apesar de ter muitos afazeres. É preciso pedir a Deus a graça de governar bem como Salomão, que não pediu a Deus ouro ou riquezas, mas sabedoria para governar.

Os governantes, diz Francisco, devem pedir ao Senhor essa sabedoria. “É tão importante que os governantes rezem”, reiterou o Papa. Nessa oração, pedir ao Senhor que não cancele a “consciência de ser subalterno” a Deus e do povo.

E a quem poderia se opor dizendo ser agnóstico ou ateu, o Papa diz: “Se você não pode rezar, confronte-se”, “com a sua consciência”, com “os sábios do seu povo”, mas “não fique sozinho com o pequeno grupo do seu partido”, ressalta. “Isto é ser auto-referencial”.

Rezar pelos governantes

Na primeira leitura, Paulo convida a rezar pelos reis, “para que – afirma – possamos levar uma vida calma, pacífica, digna e dedicada a Deus”. Francisco observa que, no entanto, quando um governante faz algo que não agrada, ele é criticado ou, de outra forma, louvado. É deixado sozinho com o seu partido, com o Parlamento.

“’Não, eu o votei – eu o votei’ – ‘Eu não o votei, problema seu’. Não, não podemos deixar os governantes sozinhos: devemos acompanhá-los com a oração. Os cristãos devem rezar pelos governantes. “Mas, Padre, como vou rezar por ele que faz tantas coisas ruins?”. Ele precisa mais do que nunca da oração. Reze, faça penitência pelo governante. A oração de intercessão – isso é tão bonito que Paulo diz – é para todos os reis, para todos aqueles que estão no poder. Por quê? Porque podemos levar uma vida calma e tranquila. Quando o governante é livre e pode governar em paz, todo o povo irá se beneficiar disso”.

E o Papa conclui pedindo que se faça um exame de consciência sobre a oração pelos governantes. “Peço-lhes um favor: cada um de vocês pegue hoje cinco minutos, não mais. Se você é um governante, se pergunte: ‘Eu rezo por aquele que me deu o poder através do povo?’ Se não é um governante, ‘rezo pelos governantes? Sim, por esse e por aquele sim, porque gosto deles; por aqueles outros, não’. Esses têm mais necessidade do que os outros! ‘Rezo por todos os governantes?’ E se você perceber, quando faz exame de consciência para se confessar, que não reza pelos governantes, leve isso à confissão. Porque não rezar pelos governantes é um pecado”.

Crer que Deus é Pai é um ato de fé e conversão

Quarta-feira, 30 de janeiro de 2013, André Alves / Da Redação

“Deus é um Pai que não abandona nunca os seus filhos, um Pai amoroso que sustenta, ajuda, acolhe, perdoa, salva….”, disse o Papa

O Papa Bento XVI prosseguiu nesta quarta-feira, 30, as reflexões sobre o “Credo” – profissão da fé católica, como tem feito desde a semana passada, quando falou sobre “Eu creio em Deus”.

Nesta segunda reflexão, o Santo Padre concentrou os ensinamentos em torno da primeira definição de Deus que o Credo apresenta: Ele é Pai. Bento XVI ressaltou que quando a paternidade de Deus é professada, deposita-se a  fé no poder do seu amor que no seu Filho morto e ressuscitado derrota o ódio, o mal, o pecado e abre a vida eterna aos que creem.

“Dizer ‘Eu creio em Deus Pai onipotente’, no seu poder, no seu modo de ser Pai, é sempre um ato de fé, de conversão, de transformação do nosso pensamento, de todo o nosso afeto, de todo o nosso modo de viver”, explicou o Pontífice.

O Papa disse que o reconhecimento de Deus como Pai é uma tarefa dificultada pelo estilo de vida ocorrente principalmente no mundo ocidental.

Segundo Bento XVI, a vida familiar passa por diversas intervenções como os compromissos de trabalho mais exigentes, as preocupações, a dificuldade de enquadrar as contas familiares e a invasão dos meios de comunicação de massa na vida cotidiana.

Com isso as referências de paternidade acabam ficando prejudicadas, diz o Papa. “Para quem teve a experiência de um pai demasiado autoritário e inflexível, ou indiferente e pouco afetuoso, ou até mesmo ausente, não é fácil pensar com serenidade em Deus como Pai e abandonar-se a Ele com confiança”.

No entanto, o Santo Padre acredita que nos Evangelhos, a figura de Deus como Pai é construída, especialmente no Mistério Pascal de Cristo Jesus. O Papa citou alguns exemplos bíblicos que reforçam a imagem amorosa e paterna de Deus. A partir deles, é possível afirmar: “Deus é um Pai que não abandona nunca os seus filhos, um Pai amoroso que sustenta, ajuda, acolhe, perdoa, salva, com uma fidelidade que supera imensamente a dos homens, para abrir-se a uma dimensão da eternidade.”

O Papa ressaltou que é necessário entender que o pensamento de Deus é diferente do pensamento humano. Suas vias diferentes e sua onipotência são diferente: não se exprime como força automática ou arbitrária, mas é marcada por uma liberdade amorosa e paterna.

Ao concluir a reflexão, o Santo Padre rezou pedindo a Deus que conceda a todos a graça do dom da filiação, “para viver em plenitude a realidade do Credo, no abandono confiante ao amor do Pai e à sua misericordiosa onipotência que é a verdadeira onipotência e salvação.”

II Domingo da Páscoa – Ano A – Divina Misericórdia

Por Mons. Inácio José Schuster

Nesta oitava de Páscoa, a Igreja apresenta um texto significativo de João, oito dias após a primeira aparição de Jesus ressuscitado. Na teologia deste Evangelista, as aparições são ambientadas no domingo porque as comunidades estavam já trocando o sábado judaico pelo primeiro dia da semana, o domingo Cristão. Jesus apresenta-Se: “A paz esteja convosco”, é o dom do ressuscitado. E desta feita – diz o Evangelista – Tomé, que não estava oito dias antes, encontra-se agora presente. Tomé não é a figura de um racionalista ou de um cético quase ateu. Tomé é uma figura simpática no Evangelho. Tomé era generoso. Certa vez insistiu com os seus colegas a marcharem resolutamente a Jerusalém, a fim de morrerem com Jesus. Tomé era observador e cuidadoso: “Senhor, não sabemos para onde vais, e como poderemos seguir-Te?” E recebe de Jesus a famosa resposta: “Eu Sou o Caminho, a Verdade e a Vida”. Tomé tinha sim suas dúvidas, e as dúvidas de Tomé são as dúvidas de uma multidão de lá para cá, são as dúvidas de todos os tempos. Mas não são seres humanos desqualificados estes que tem dúvidas, não são pessoas necessariamente de má fé, não são pessoas que se fecharam a Deus. São pessoas, muitas delas, que sofrem em busca de uma razão última para a própria existência, mas não a encontraram ainda. Todas estas pessoas que giram ou vivem corroídas pelas próprias dúvidas podem ter, como seu padroeiro especial, Tomé. São Gregório nos diz que as dúvidas de Tomé fizeram mais bem à Igreja, do que o ímpeto da fé de Maria Madalena e das outras mulheres, que não duvidaram porque, através da dúvida de Tomé, e retratando o Evangelista nele a dúvida Apostólica, cura nossas perplexidades. Efetivamente, aqueles discípulos eram simples, eram Galileos, não eram estudados como nós, não tinham doutorados em universidades famosas como nós, mas também não eram credulões, não eram idiotas como muitos pensam, não eram pessoas ignorantes e pessoas que se deixassem levar por qualquer coisa. Tiveram as suas dúvidas sim, não aceitaram, à primeira vista, o incrível; o à primeira vista inacreditável, e só depois se curvaram diante da evidência do realismo da ressurreição de Jesus. E desta maneira eles podem curar também nossas dúvidas e nossas perplexidades. Afinal, é grande demais o mistério em que cremos, e do qual tornamo-nos também portadores neste mundo cético indiferente, mas que não coloca nada melhor em seu lugar.

 

2º DOMINGO DA PÁSCOA, A
“Como crianças recém-nascidas, desejai o puro leite espiritual para crescerdes na salvação, aleluia!” (cf. 1Pd 2, 2).
Padre Wagner Augusto Portugal, Vigário Judicial da Diocese da Campanha(MG)

Meus queridos irmãos, Somos convidados nestes domingos seguintes ao Domingo da Páscoa a conviver com a primeira comunidade cristã. As primeiras leituras são uma seqüência de Leituras dos Atos dos Apóstolos com o Evangelho de São João. As segundas leituras são tiradas das Cartas de Pedro. Assim, neste domingo, o tema da fé batismal, permeia toda a celebração. Os fiéis são “como crianças recém-nascidas”  e reza-se por um mais profundo entendimento do mistério da ressurreição e do batismo. Neste tempo, não existe, necessariamente, uma estreita coerência temática entre as três leituras. Porém, todas elas nos fazem participar do espírito do mistério pascal. Assim, na primeira leitura deste domingo (cf. At 2,42-47), os Atos dos Apóstolos nos apresenta como deve ser a comunidade dos cristãos batizados, que deve ter como centro a comunhão fraterna, repartindo tudo em comum, a exemplo de Cristo. Comunhão que deve ser testemunho, vivência para os que não crêem. Logo depois da Páscoa os cristãos davam demonstração de como deveria ser a sua vida: um convite permanente para restabelecermos a pureza cristã  das origens. Assim, com o Salmo Responsorial, podemos cantar as alegrais da criação e do Senhor: DAI GRAÇAS AO SENHOR, PORQUE ELE É BOM! ETERNA É A SUA MISERICÓRDIA! Nos primórdios da Igreja os fiéis tinham tudo em comum. A primeira leitura descreve a vida da comunidade apostólica em Jerusalém. A leitura de hoje se completa em At 4,32-35, que consiste em ter tudo em comum. O ensino dos apóstolos e o culto realizavam-se no templo. A alegria e a magnanimidade do grupo eram contagiosas; aí está o sucesso missionário. Estimados irmãos, A Segunda Leitura, retirada de Pedro (cf. Pd 1,3-9), é uma espécie de homilia batismal. Na perspectiva de seu autor, a volta gloriosa do Senhor estava próxima; os cristãos deviam passar por um tempo de prova, como ouro na fornalha, para depois brilhar com Cristo na sua glória. Neste horizonte, a fé batismal se concebe como antecipação da plena revelação escatológica: é amar e crer naquele que ainda não vimos, o coração já repleto de alegria com vistas à salvação que se aproxima e que já é alcançada na medida em que a fé nos coloca em verdadeira união com Cristo. A Primeira Carta de Pedro é uma carta de consolação aos cristãos oriundos do paganismo – Ásia Menor – ameaçados pela perseguição. A introdução tem um estilo de um hino. As graças recebidas são penhor dos dons definitivos – a esperança cristã. No batismo somos adotados como filhos: isto também é fundamento de uma esperança ainda maior. Esta esperança é viva, porque é baseada no Cristo Ressuscitado. Produz alegria e firmeza. Irmãos e Irmãs, Estamos celebrando os 50 dias do mistério pascal. Este tempo é chamado de um grande domingo, ou seja, um grande Dia do Senhor. Assim, como na Eucaristia, tudo é iniciado com o Ato Penitencial, a liturgia de hoje é iniciada com a reconciliação e a pacificação. Jesus se encontra com seus apóstolos, que se tinham comportado covardemente durante a Paixão e Morte. Mas Jesus, manso e misericordioso, não se mostra decepcionado e nem os repreende. Jesus vem e deseja A PAZ. A PAZ ESTEJA CONVOSCO! (cf. Jo 20, 19). Paz que é sinônimo de amor e de misericórdia! Paz que é sinônimo de perdão e de acolhida do diferente. Paz que tudo supera e que tudo ama! E Jesus dá aos seus discípulos o poder divino de perdoar os pecados, assim transmitindo a graça de Deus e a santificação do povo de Deus. O próprio Cristo dá este poder aos seus apóstolos: “A quem perdoardes os pecados, eles lhe serão perdoados; a quem os não perdoardes, eles lhe serão retidos”. O Evangelho de hoje – Jo 20,19-31 nos demonstra que são felizes os que crêem sem terem visto. O cenário deste acontecimento foi no oitavo dia após a Páscoa. Tomé, duvidoso e incrédulo, embora zeloso apóstolo de Jesus, representa muitos cristãos que, distanciados da Páscoa no tempo, devem viver perto dela pela fé e fazer da Ressurreição o fundamento de sua vida.  Tudo isso para que nós e todo o povo, de ontem, de hoje e de sempre, sejamos testemunhas autênticas do Senhor Ressuscitado, para que “creais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo tenhais a vida em seu nome” (cf. Jo 20,31). Crer em Deus, o Deus da vida, que irrompeu a morte e nos deu a possibilidade de sermos elevados à condição de filhos e filhas de Deus. Estimados Irmãos, Oh dúvida providencial a de Tomé. E não foi só Tomé que demorou a acreditar na Ressurreição. A dúvida de Tomé é positiva. É sempre parte do caminho andado na procura da verdade. Por isso mesmo, Jesus não repreendeu Tomé. Ajudou-o a superar a dúvida e o levou a uma perfeita profissão de fé: “Meu Senhor e Meu Deus!” (cf. Jo 20, 28).  Esses dois títulos juntos, de Senhor e Deus meu, na antiga aliança era designação de JAVÉ, O NOSSO DEUS!  Tomé não só passou a acreditar que Jesus ressuscitara, porque aí estava e ele podia por o dedo nas chagas, mas também viu nele o Cristo de Deus. A Palavra SENHOR, para designar Jesus, só aparece depois da Ressurreição nos Escritos Sagrados. Assim somos convidados a ver, com Tomé, com novos olhos e um novo jeito o Senhor, ouvindo a sua voz e tendo a sua presença em nosso meio pela fé que celebramos, fé eucarística, porque o SENHOR ESTEJA CONVOSCO, ELE ESTÁ NO MEIO DE NÓS! Amigos e amigas, O poder das chaves que é confiado por Cristo aos discípulos é o poder de morte e de vida, de ressurreição e de condenação eterna. Jesus reparte hoje com seus seguidores o poder de santificar, de salvar, o poder de arrancar alguém do pecado e da morte eterna. Isso porque a criatura humana sozinha é incapaz de salvar-se e de salvar quem quer que seja. Mas na forca do Espírito Santo, dado por Cristo ressuscitado, prolongamos o poder redentor de Jesus na história humana. Jesus dá aos seus discípulos os meios de serem suas testemunhas, isto é, de afirmarem sua divindade e a sua missão, repartindo o perdão, a benção, a graça. Ligado a esse poder está o envio por partes de Cristo. Ele foi enviado pelo Pai e por sua vez está enviando a nós para a missão, para a evangelização. Envio que é comunidade. Envio que é convivência. Envio que benção. Envio que é partilha. Envio que é santidade. Envido que é perdão. Envio que é amor pleno. Como o Pai enviou Jesus hoje é Ele que nos envia para a missão. E Jesus nos envia com o seu espírito de conciliação, de misericórdia, de caridade, de aceitar o diferente, de sempre perdoar os “tomés” que surgirem no nosso horizonte. Aí está, queridos amigos, o Jesus humilde que reparte tudo conosco, até os seus poderes. Isso porque somente quem é humilde sabe repartir. Porque só o humilde acolhe e tem misericórdia. Jesus perdoa a traição de seus apóstolos nos ensinando que essa deve ser a nossa atitude, o perdão sempre. Estimados Irmãos, Jesus é o grande sinal de Deus entre os homens. Por isso a fé da comunidade apostólica é a nossa. Através da comunidade apostólica, da primeira leitura, nós somos partícipes da fé, antecipação da comunhão eterna com Cristo e nossa salvação. Por isso, este domingo, antigamente chamado de domingo “in albis”, no tempo em que os batizados da noite pascal depunham as vestes brancas do batismo, encerrando a oitava da Páscoa nos convida a todos para que sejamos testemunhas do Ressuscitado renovando o nosso compromisso de batizados, crismados e de homens e mulheres que buscam na Eucaristia  o alimento que dá combustível a nossa fé, fé apostólica, fé nossa de cada dia, porque a Páscoa não é só hoje, a páscoa é todo dia e se eu levar o Cristo em minha vida tudo será um eterno aleluia! Amém! Aleluia!

 

“VIMOS O SENHOR!”
Por Dom Emanuele Bargellini, Prior do Mosteiro da Transfiguração
II DOMINGO DA PÁSCOA
Leituras: At 2, 42-47; 1 Pd 1, 3-9; Jo 20, 19-31

“Este é o dia que o Senhor fez para nós: alegremo-nos e nele exultemos” (Sl 117, 24- Salmo responsorial). Este grito de alegria acompanhou a celebração da Eucaristia e da Liturgia das Horas, desde o dia da Páscoa até o dia de hoje, oitavo dia da solenidade. A Eucaristia e a Liturgia das Horas são a fonte da vida divina da Igreja e o cume da sua relação esponsal com Cristo, a expressão mais alta da sua fé e a nascente que alimenta sua vida. No pano do fundo do canto incessante deste salmo messiânico está a visão de fé segundo a qual, contra todas as expectativas humanas, com a morte e ressurreição de Jesus, o projeto de salvação do Pai se realizou, e teve início o tempo novo, o dia definitivo, do qual Cristo é luz e vida (cf Sl 117, 22-24). É o tempo no qual estamos vivendo, animados pela mesma vida divina de Jesus e iluminados pela sua luz. É o “hoje” da atuação incessante do Espírito do Senhor que se torna sempre contemporâneo para nós. Na tarde da Páscoa Jesus ressuscitado, como atesta o evangelho de hoje, derramou o Espírito criador que tudo renova sobre os discípulos e sobre o mundo inteiro, para a remissão dos pecados, re-estabelecendo a verdadeira relação das pessoas com Deus, consigo mesmas e com os demais (cf. Jo 20, 22-23). Cristo ressuscitado é o novo Adão, a origem e a fonte da nova humanidade. Os batizados são as  primícias desta humanidade chamada a viver a mesma qualidade de vida de Cristo. (cf. Rm 5, 12-17). O segundo domingo é o oitavo dia depois da páscoa. É a sua “oitava”, como se diz na linguagem litúrgica. Celebrar uma festa durante oito dias é privilegio das Solenidades fundamentais do mistério de Cristo: seu nascimento (Natal) e sua morte e ressurreição (Páscoa). Na linguagem simbólica da bíblia, o numero oito diz plenitude, paz, fecundidade divina e repouso. O dia oitavo é o dia do descanso de Deus e de toda a criação (cf. Gn 2,3). A extensão da Solenidade da Páscoa por oito dias indica que, com o evento pascal de Jesus, a história da salvação alcançou sua meta. Nela o mundo goza finalmente a plenitude da vida pela qual foi criado. O dia da ressurreição será indicado pelos cristãos como o “dia do Senhor” por excelência –  “o domingo” – , celebrado como o dia que qualifica a existência dos discípulos, totalmente orientado para Cristo, proclamado “Senhor” da história e da própria vida. A Páscoa é assim ao mesmo tempo o “dia oitavo” (plenitude) e o “dia primeiro” (início e nascente) da nova história. Ela orienta o cristão para a meta da vida na eternidade de Deus, e em certa medida doa-lhe a graça de antecipá-la e de antegozá-la, através do seu clima de liberdade interior, da oração, da partilha fraterna e do descanso. A língua portuguesa guarda felizmente este profundo sentido antropológico e teológico do tempo presente semanal, que é derivado da relação com o Domingo, a páscoa semanal, do momento que se denominam os dias da semana como “segunda-feira”, “terça–feira”, etc., isto é, segunda-festa, terceira-festa…, haja vista que a festa primordial é o próprio Domingo. Quem sabe quantas pessoas estejam conscientes disso? Não seria uma simples e feliz oportunidade para desenvolver uma profunda e vital catequese sobre o sentido pascal da existência cristã? A partir desta perspectiva espiritual, a celebração comunitária e solene do domingo se tornou cedo para os cristãos como o dia específico da própria fé e sinal da própria identidade, e por isso mesmo irrenunciável, ainda que ao custo da própria vida. Talvez muitas pessoas conheçam a declaração feita diante do juiz por uma mártir de Abitina (África romana) no séc. IV. Para reivindicar tal direito constitutivo do cristão, dizia ela: “Não podemos viver sem a ceia do Senhor… Sim, fui à assembléia e celebrei a ceia do Senhor com os meus irmãos, porque sou cristã” [1]. Os dias da oitava estão atravessados pelo dinamismo existencial do mistério pascal, ao qual os batizados foram iniciados, e que agora procuram seguir na vida cotidiana, ansiando sua plenitude na eternidade. Do ponto de vista pastoral, seria importante valorizar o tecido espiritual de todos os dias da oitava como contexto interior dos domingos que se seguem durante o tempo pascal. No dia da Páscoa a Igreja louvou a Deus porque em Cristo, morto e ressuscitado, “nos abristes as portas da eternidade” (Oração do dia), enquanto na segunda-feira pediu que o Senhor “acompanhe” o caminho do seu povo até conseguir a autêntica liberdade, para “um dia alegrar-se no céu como exulta agora na terra” (Oração do dia). Na sexta-feira se tornou explícito o pedido da graça para “realizar em nossa vida o mistério que celebramos na fé” (Oração do dia). A Oração depois da comunhão do segundo domingo implora que “conservemos em nossa vida o sacramento pascal que recebemos”. Na base desta atitude orante da Igreja está, portanto, a clara consciência de que, em qualquer estágio do caminho cristão, somos ainda “criancinhas recém-nascidas”, que precisamos do leite do Espírito para alcançar a maturidade espiritual (Antífona de Entrada – 1 Pd 2,2). É fundamental ter presente a sábia insistência com a qual a liturgia hoje, nas leituras bíblicas, assim como nas orações, destaca que este processo dinâmico é fruto da iniciativa compassiva e misericordiosa de Deus, e se ativa graças à fé e não ao esforço humano. Pedro sublinha que “em sua grande misericórdia, pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, ele nos fez nascer de novo, para uma esperança viva, para uma herança incorruptível” (1 Pd 1, 3-4). Na Oração do dia a Igreja volve seu olhar confiante ao Senhor “Deus de eterna misericórdia”, que “reacende a fé do seu povo na renovação da páscoa”. A ele pede a graça de compreender sempre melhor a experiência da iniciação cristã do batismo, da confirmação e da eucaristia. Acho que seja esta a razão profunda pela qual o bem-aventurado papa João Paulo II desejou que este domingo da oitava se qualificasse também como o “Domingo da misericórdia” de Deus para todo mundo. Focaliza mais uma vez no coração do Pai a nascente da história da salvação, do mistério pascal de Cristo, a origem e a meta do nosso caminho, seguindo a Jesus morto e ressuscitado. Este dinamismo espiritual, fundamentado na experiência sacramental da iniciação cristã, caracteriza o ciclo inteiro do tempo pascal até a celebração do Pentecostes, constituindo como uma extensão sem interrupção do único e mesmo dia da Páscoa! É um tempo precioso, para aprofundar em espírito de meditação, oração e sensibilidade pastoral, as grandes oportunidades que a liturgia oferece para viver um intenso caminho de graça, desenvolver uma autêntica formação espiritual dos fiéis a partir da liturgia e iniciá-los a uma participação sempre mais profunda e vital.  Neste segundo domingo, contemplamos a páscoa atuando na pessoa de Jesus (evangelho), nos batizados de todos os tempos (2ª leitura) e na comunidade dos primeiros discípulos (1ª leitura). É uma visão de conjunto que destaca o dinamismo permanente da páscoa e da palavra de Deus recebida na fé. Jesus, depois de ter removido, no poder do Espírito, a grande pedra do seu sepulcro, consegue não somente superar o obstáculo dos muros, mas sobretudo derrubar as barreiras do medo e as resistências da frágil fé dos discípulos, fechados em si mesmos e como sepultados em casa por medo dos judeus. O anúncio da paz por parte de Jesus, o sopro do Espírito sobre eles num gesto de nova criação, a experiência de “ver o Senhor”, transformam o pequeno grupo de medrosos em pessoas cheias de alegria e coragem, prontas para ser enviadas ao mundo, com a mesma disponibilidade livre com a qual Jesus acolheu e atuou o envio recebido pelo Pai. Na força do Espírito, eles se tornam colaboradores do próprio Senhor ao anunciar o reino ao mundo inteiro, e para a instauração da aliança nova, preanunciada pelos profetas em prol do novo povo de Deus. O novo encontro com os discípulos no domingo seguinte destaca as exigências do caminho de fé que cada discípulo é chamado a cumprir no seguimento do Senhor. Jesus frisa a bem-aventurança da fé, única condição para “ver o Senhor”, isto é, para entrar de maneira vital em relação com Jesus, até deixar que ele seja efetivamente o Senhor da própria existência. A profissão de fé em Tomé está finalmente completa e o caminho que ele utilizou para chegar a ela torna-se modelo de todo caminho e profissão de fé: “…‘Não sejas incrédulo mas fiel’. Tomé respondeu: ‘Meu Senhor e meu Deus!’. Jesus disse: ‘Acreditaste porque me viste? Bem-aventurados os que creram sem ter visto” (Jo 20, 27-29). Não cessará jamais a tensão entre o desejo de “ver o Senhor”, no sentido de procurar a experiência pessoal do Senhor como fundamento da vida, e a beatitude da fé sustentada pelo amor confiante, que não pretende outras provas. “Sem ter visto o Senhor, vós o amais. Sem o ver ainda, nele acreditais. Isso será para vós fonte de alegria indizível e gloriosa, pois obtereis aquilo em que acreditais: a vossa salvação” (1 Pd 1, 8-9). A comunidade dos discípulos em Jerusalém (At 2, 42-47) é  o primeiro fruto da Páscoa e modelo de toda possível comunidade futura: uma comunidade de homens e mulheres participantes da ressurreição de Jesus. A vida deles testemunha que é possível agora uma nova maneira de viver e de relacionar-se. Ela se constrói através de um processo contínuo, sobre os fundamentos que serão os pilares da comunidade cristã de todos os tempos: a escuta perseverante da palavra dos apóstolos no espírito de fé; a comunhão fraterna que nasce da união interior, que chega até a partilha dos bens, dando atenção às necessidades diferentes de cada um; a partilha da mesa do pão eucarístico; a oração comunitária, expressão da comum orientação da vida em relação com o Senhor. O dinamismo da ressurreição se estende da pessoa de Jesus de Nazaré ao seu corpo vivente, os discípulos e a Igreja inteira ao longo do tempo. Hoje, no domingo antigamente chamado “in albis” [2], em Roma a Igreja proclama com rito solene que o Senhor fez brilhar a luz radiante e o esplendor da sua cruz e da sua ressurreição no seu servo, o Bem-aventurado papa João Paulo II. Certamente uma testemunha pascal dos nossos dias! Na vigorosa energia da sua fé e do seu ministério pastoral, assim como nas tribulações da violência sofrida e na fraqueza da doença, suportada com espírito heróico e simplicidade de criança, ele está hoje no centro da atenção da Igreja e do mundo, com o rosto do Cristo ressuscitado, portador da sua promessa: “Eis, que eu estou convosco todos os dias até a consumação dos séculos!” (Mt 28,20) Notas: 1. Ata dos Santos mártires…. PL 8, 709-710. Hoje em dia uma visão sempre mais secular da vida, o consumismo e até mesmo a complexa organização social do trabalho, põem novos riscos e desafios ao entendimento e à prática cristã do domingo. Para valorizar as dimensões teológicas, espirituais e pastorais do domingo para o nosso tempo, à luz da páscoa e no contexto das mutações culturais e sociais, é ainda muito proveitosa uma leitura atenta da Carta apostólica do papa João Paulo II sobre o domingo. Trata-se de uma autêntica pérola de espiritualidade e de sabedoria pastoral. Cf. JOÃO PAULO II. “Dies Domini – O dia do Senhor”. São Paulo: Paulinas, 1998. n. 158. 2. In albis é uma referência às túnicas “alvas”, isto é, brancas, usadas pelos recém-batizados na noite  da Vigília Pascal, como sinal que eles tinham sido “revestidos de Cristo”, como diz Paulo. Os neófitos permaneciam vestidos com as vestes brancas durante todo o período da oitava, depondo-as neste domingo.

 

O toque da Misericórdia de Jesus
Palestra Monsenhor Jonas Abib do Domingo da Misericórdia dia 07 de Abril de 2002

Jesus pediu que o domingo da Sua misericórdia fosse justamente o segundo domingo depois da Páscoa. O centro de tudo é a Misericórdia Divina. Atos dos Apóstolos 2, 47 está escrito: “E o Senhor cada dia lhes ajuntava outros, que estavam a caminho da salvação”. Os que se refugiam no Coração Misericordioso de Jesus estão guardados para a salvação que deve se revelar nos últimos tempos. Deus Pai enviou Seu Filho ao mundo para perdoar os pecados, para tirar a ruptura que havia entre Ele e os homens e nos abrir de novo o caminho para a eternidade, para o céu. Jesus veio para perdoar todo o pecado. O Senhor quer que nós toquemos na Sua Misericórdia expressa nas Suas chagas. Jesus quer que entremos em Seu Coração ressuscitado para experimentarmos também a ressurreição. A máxima expressão de Jesus na Sua vida foi a convivência com Maria, Marta e Lázaro, porque Lázaro era leproso, eles viviam em uma cidade separada, onde viviam os leprosos. Jesus convivia com eles, comia com eles, todos tinham pavor dos leprosos, especialmente naquele tempo, mas aquela casa era a preferida de Jesus Cristo. Depois de Lázaro aparece aquela mulher que lava os pés de Jesus, inclusive no jantar de festa pela ressurreição dele [Lázaro]. Essa mulher era uma pecadora e Cristo deixou que ela Lhe lavasse os pés. Porque ela muito amou, Jesus perdoou seus pecados. Quem demonstra muito amor é porque foi muito perdoado. Os três Evangelhos de Mateus, Marcos e João mostram esse fato, que aconteceu depois da ressurreição de Lázaro. Jesus convivia com leprosos e pecadores. Isso mostra o excesso da Divina Misericórdia. Jesus Nazareno não tem medo de nada, nem da lepra nem do pecado. O Senhor não é leproso, não cometeu pecado, pelo contrário, Ele não quer a lepra nem o pecado. Mas Jesus se coloca lado a lado, até se une a leprosos e pecadores para que eles experimentem a ressurreição. Que beleza a ressurreição de Lázaro! Jesus mandou tirar a pedra do seu sepulcro. Ele não tem medo de nada, nem do cheiro da morte e do pecado. O que andava o matando e o fazendo cheirar mal? A morte traz mau cheiro e Cristo, sem dó e sem se preocupar com nada, manda tirar a pedra. Você não precisa esconder aquilo que fazia você cheirar mal porque Jesus não tem medo, muito pelo contrário, Ele o manda vir para fora. Quando apontamos para Jesus, sem medo, Ele destrói o pecado. É como a luz que entra e ilumina o escuro. São raios de Misericórdia que saem do Coração de Nosso Senhor Jesus e atingem o seu pecado para acabar com ele. Você não precisa esconder o que lhe causava morte e cheirava mal, porque o Senhor não tem nenhuma repugnância disso, muito pelo contrário, Ele manda tirar a pedra, colocar tudo às claras. Sem medo nem receio, com Jesus é preciso revelar, mostrar, apontar sem medo para Ele, pois quando fazemos isso é como a luz que entra. Eu mergulho e jogo minhas misérias na fornalha da Divina Misericórdia para que sejam incineradas! É isso que Jesus quer de você. Tire a pedra. Cristo disse para Lázaro: “Vem para fora!”, houve minutos de silêncio de expectativa. Naquele momento a vida voltou a Lázaro, mas ele estava todo amarrado, cheio de faixas, imagine-o no chão mexendo-se o que podia e como podia para vir para fora. Lázaro literalmente vem rastejando no chão. Era a força da vida, mas muito limitada, imagine a dificuldade para vir amarrado como estava. Hoje, o Dia da Misericórdia Jesus Cristo mostra o que ninguém pode fazer, só Ele pode fazer: que é nos ressuscitar sempre. O Senhor é disposto e suficientemente poderoso para ressuscitar todo aquele que se joga na Sua infinita Misericórdia e se arrepende, quer perdão e quer vida nova. Jesus tem o poder de ressuscitá-lo e Ele é a ressurreição. Ele o tira do que quer que seja e o levanta. Entre Jesus nos ressuscitar e ficarmos de pé existe toda nossa luta. Somos ressuscitados, mas ainda estamos enfaixados, aí existe todo nosso esforço, pois “o teu Deus, que te criou sem ti, não te salvará sem ti” (Santo Agostinho). É preciso esforço, luta, seja qual foi sua situação. Para ficar em pé é preciso heroísmo e sem sua luta e esforço de nada vai adiantar Cristo tê-lo ressuscitado. Cada um de nós poderia morrer de novo depois de ressuscitados se não houver nosso esforço. O que nós podemos fazer Jesus não o faz por nós, o Senhor só faz aquilo que só Ele pode fazer. Claro que também nessa luta a graça está presente porque a ressurreição já aconteceu e a vida leva para a vida. É por graça que nos movemos, nos arrastamos, nos levantamos, mas é preciso esforço e luta. Para os moles não há possibilidade, mas para os que enfrentam o duro tudo se torna mole. Sem o seu heroísmo não haverá a sua salvação, a sua ressurreição. Cristo precisa ver sua lágrima, seu suor, o seu sangue, sua luta. Lute, a misericórdia do Senhor está aí, mas isso não quer dizer cruzarmos os braços e deslizarmos nessa graça [misericórdia]. Não! A misericórdia faz o que não podemos fazer. Ela nos dá vida e força, mas quem imprime a força e vida é você, quem se levanta é você. Do contrário você nunca sairá da sua situação. É preciso luta e heroísmo, agüente firme porque não é Jesus quem o faz se sentir assim, mas a própria situação na qual você estava, mas Ele o ressuscitou! Hoje é o dia da sua ressurreição! Oito dias depois da ressurreição de Jesus Cristo acontece o dia da sua ressurreição. Até se arrastar e sair do sepulcro Lázaro conseguiu, mas quando chegou do lado de fora precisou de outros para tirarem as faixas. Até ali precisou do próprio esforço, mas chegou a hora em que precisou dos outros. Talvez você tenha alguém na sua casa que também precisa de você. Corra para o “Lázaro” que está perto de você e retire as faixas dele. Se você não fizer isso ele não irá conseguir, pois Jesus precisa de você como auxiliar na Misericórdia d’Ele. A Misericórdia d’Ele ressuscita, nenhum de nós é capaz de ressuscitar. E o que você não pode fazer, Ele o faz, mas o restante exige de nós. A coisa mais importante é a confiança, confiar n’Aquele que recebeu a graça da ressurreição. A confiança que colocamos em Nosso Senhor Jesus Cristo e a misericórdia que colocamos n’Ele precisam ser refletidas na confiança e misericórdia para com nossos irmãos. Hoje Jesus ressuscita o seu coração duro que não tinha a “confiança de confiar”. Receba o Espírito Santo de Deus e ressuscite agora! Saia dessa vida e deixe o passado na Misericórdia de Deus.

I Domingo da Quaresma – Ano A

Por Mons. Inácio José Schuster

As famosas tentações de Jesus, que são nossas tentações também, e que com Sua graça, queremos vencer, ao longo desta quaresma. Três foram as tentações de Jesus, logo após o Batismo de João, induzido pelo Espírito Santo ao deserto, a realizar uma espécie de retiro preparador de Sua vida Apostólica, de Sua pregação do Reino de Deus, Seu Pai. Três tentações de Cristo e nossas também. A primeira tentação de Cristo, a do prazer fácil. Ele não podia multiplicar pães? Ele não faria esse milagre no decorrer de Sua vida terrestre, ou vida pública? Ele não poderia saciar a si mesmo, pois seria capaz de saciar a fome de cinco mil pessoas? “Ordeneis que estas pedras se transformem em pães”. Existe para nós a tentação do prazer fácil, a de Jesus foi servir da própria divindade para satisfazer o prazer da comida, seu estomago estava vazio. “Nem só de pão vive o homem, mas de toda Palavra que vem de Deus”. Nós também corremos o risco de buscar um sem número de prazeres na existência. Não que os prazeres sejam errados, ou ofendam a Deus, mas eles são fáceis demais e podem ser considerados a meta da própria existência, e é fácil a criança passar de uma montanha de brinquedos ao sexo, sem nenhum controle. O prazer quando é desenfreado, quando não conhece limites, é um empecilho para se chegar a Deus. Existem pessoas que vivem literalmente à busca de prazeres. Ele se transforma num ídolo, num pequeno, ou substituto deus. A segunda tentação de Jesus foi a tentação da fé fácil. Nós também somos tentados assim. Não gostamos que Deus fique silencioso, durante o nosso peregrinar terrestre. Não gostamos que Ele se intrometa em nossas vidas. Que Deus deixe as pedras em nossos caminhos a ferir os nossos pés. Deus nos deixa, a primeira vista, Ele nos abandona, a ver até onde vai a nossa perseverança. Esta tentação nos traz algo de bom no seu bojo: para vermos até onde confiamos Nele, e até que ponto nos entregamos a Ele. A última tentação de Jesus, que é também nossa, foi a tentação do poder. O tentador, grotescamente, lhe ofereceu todos os reinos deste mundo, com uma condição: que o adorasse. Quantos não são aqueles que lutam para se parafusarem à uma cadeira de deputado, de governador ou de presidente de alguma associação, qualquer que seja, contanto que se mande, e esteja acima de outros, que tenha “o cetro do poder”. Três tentações, de Cristo e nossa também. Ele nos oferece a Sua graça, para que, nesta quaresma e ao longo de nossas existências, não cedamos à tentação do prazer fácil, da fé fácil e do poder sem limites.

 

Sobre a tentação escreve São Gregório Magno: “Sabemos que na tentação, há três graus ou fases: a sugestão, a atração, o consentimento. E nós, quando somos tentados, nós vamos geralmente até a atração, ou mesmo até o consentimento. Pois, nascidos da carne do pecado, trazemos em nós mesmos o combate que devemos manter. Mas Deus que, encarnado no seio da Virgem, veio ao mundo isento de pecado, não trazia em si nenhuma contradição. Ele pode ser tentado até à sugestão, mas a atração maldosa não teve nenhum lugar em seu espírito. Por isso toda esta tentação diabólica se passa no exterior, não no interior”. Jesus foi conduzido pelo Espírito Santo a dedicar quarenta dias e quarenta noites à oração e ao jejum no deserto. Por que é que Jesus foi compelido a buscar a solidão? Era, simplesmente, o desejo de se preparar para a sua missão ou era por que o diabo queria atraí-lo para tentá-lo? A palavra “tentar” significa na Bíblia, não só atrair para o pecado, mas também purificar e provar para ver se alguém já está pronto para sua missão. Abraão, por exemplo, é tentado para provar sua fé.  O diabo, que aponta para aquele que divide, que desune, quer provar Jesus. Jesus o vence porque está em total comunhão com o Pai e Nele coloca toda sua confiança. A obediência de Jesus ao Pai e a liberdade com a qual abraça a cruz invertem o curso da desobediência de Adão. Sua vitória sobre o pecado e a morte concede-nos não só o perdão para nossos pecados, mas nossa adoção como filhos e filhas de Deus. Jesus está pronto para derramar o Espírito, que nos dará força e coragem para resistir ao pecado e rejeitar as mentiras e atrações do Inimigo. É a atração do poder, do prazer e da glória, que é vencida. Tal poder será manifestado pelo Filho ao longo de sua missão, não unicamente pelos milagres, mas particularmente pela poder da Palavra que converte os corações e renova a vida dos que acolhem Jesus.

 

ESCOLHE, POIS, A VIDA

Estamos refletindo o quanto Deus nos ama, e o que Ele fez para nos salvar. Foi Deus quem realizou a criação, a natureza tão linda. Toda a obra saída das mãos de Deus canta a glória de Deus. Olhar para a natureza e não ver sinais da bondade e ternura de Deus é quase impossível. Deus criou o paraíso terrestre para nele habitar com o homem. Nós somos criaturas, pessoas limitadas, a todo momento estamos verificando nosso limite. Nem sempre conseguimos levar a frente o nosso propósito. Todos nós somos criaturas e somos limitados, mas nós não gostamos de nos reconhecer limitados. Todos nós sem exceção somos limitados porque somos criaturas, nós saímos das mãos de Deus, das mãos do criador. Muitos de nós reclamamos que Deus não nos ajuda, isso é mentira, é uma injustiça contra Deus. Pois Deus nos criou para viver no paraíso. Todos nós temos duas opções na vida, a árvore da vida e a árvore do bem e do mal. E qual foi a sedução do maligno? Seduziu a mulher da árvore da vida e os arrastou para a árvore do mal. A grande tentação é o homem não aceitar ser criatura, mas ser como Deus. Ainda hoje o homem sofre essa tentação de querer ser como Deus, e isso produz uma cultura de morte. Apesar do homem ter querido viver sua vida sem Deus, Deus não desistiu, o Senhor foi atrás do ser humano, deu a vida e nos salvou. Nós hoje podemos resistir, não precisamos fazer o caminho que Adão e Eva fizeram. Nós podemos fazer um caminho diferente, podemos tomar uma decisão de estar com Deus. ‘A oração é o oxigênio da alma para vencermos as tentações diabólicas’. A oração é o oxigênio da alma para vencermos as tentações diabólicas. Nossos primeiros pais no paraíso optaram pela morte, eu e você, todas as vezes, que não nos deixamos ser conduzidos pelo Senhor optamos pela morte. E dentro de nós há um grito pela vida. Hoje é domingo da “tentação”, pois Jesus foi tentado pelo demônio. A Igreja nos ensina que Jesus conduzido pelo Espírito Santo deixou-se ser tentado pelo demônio para dizer que assim como nosso Senhor venceu o inimigo, também nós, cheios do Espírito Santo com Jesus, venceremos as tentações. O demônio veio tentar Jesus quando Jesus sentiu fome. A tentação de nós nos acomodarmos. Muitas vezes estamos desanimados e corremos a tentação de cruzar os braços, e aí vem a tentação e vamos desanimando da vida. Não podemos ficar parados, quem fica parado, aceita qualquer coisa que aparece por aí. Na segunda tentação o demônio levou Jesus no templo mais alto para que ele pulasse dali de cima. Quantos de nós estamos provando a Deus e colocando Deus na parede. Não temos direito de colocar Jesus na parede. Deus não nos cura porque a gente merece, Deus nos cura porque nos ama. A terceira tentação o demônio disse para Jesus o adorar que ele daria o reino a Jesus. Não podemos nos colocar no lugar de Deus. E nem podemos adorar a não ser a Deus. Tudo que eu coloco no lugar de Deus me escraviza. As tentações que o Senhor passou e venceu, se estivermos com Ele também passaremos e venceremos.

 

I Domingo da Quaresma
Gênesis 2, 7-9; 3.1-7; Romanos 5, 12-19; Mateus 4, 1-11

O demônio, o satanismo e outros fenômenos relacionados são de grande atualidade e inquietam frequentemente a nossa sociedade. Nosso mundo tecnológico e industrializado está repletos de magos, bruxos urbanos, ocultismo, espiritismo, escrutinadores de horóscopos, vendedores de feitiços, de amuletos, assim como de autênticas seitas satânicas. Expulso pela porta, o diabo entrou pela janela. Ou seja, expulso pela fé, voltou a entrar com a superstição.
O episódio das tentações de Jesus no deserto, que se lê no primeiro domingo da Quaresma, ajuda-nos a oferecer um pouco de clareza a este tema. Antes de tudo, existe demônio? Isto é, a palavra “demônio” indica de verdade alguma realidade pessoal, dotada de inteligência e vontade, ou é simplesmente um símbolo, um modo de falar que indica a soma do mal moral do mundo, o inconsciente coletivo, a alienação coletiva e coisas pelo estilo? Muitos, entre os intelectuais, não crêem no demônio segundo o primeiro sentido. Mas se deve observar que grandes escritores e pensadores, como Goethe ou Dostoievski, levaram muito a sério a existência de satanás. Baudelaire, que não era certamente trigo limpo, disse que «a maior astúcia do demônio é fazer crer ele que não existe».
A principal prova da existência do demônio nos evangelhos não está nos numerosos episódios de libertação de possessos, porque na interpretação destes fatos pode haver influência de crenças antigas sobre a origem de certas doenças. Jesus tentado no deserto pelo demônio: esta é a prova. Provas são também os muitos santos que lutaram em vida contra o príncipe das trevas. Não são Quixotes que brigam contra moinhos de vento. Ao contrário: foram homens e mulheres concretos e de psicologia saudável.
Se muitos acham absurdo crer no demônio, é porque se baseiam em livros, passam a vida em bibliotecas ou no escritório, enquanto o demônio não se interessa por literatura, mas pelas pessoas, especialmente os santos. O que pode saber sobre satanás quem jamais teve nada a ver com sua realidade, mas só com sua idéia, isto é, com as tradições culturais, religiosas, etnológicas sobre satanás? Esses tratam habitualmente deste tema com grande segurança e superioridade, liquidando tudo como «obscurantismo medieval». Mas trata-se de uma falsa segurança. Como se alguém deixasse de temer o leão aduzindo como prova o fato de que viu muitas vezes sua imagem e jamais lhe deu medo. Por outro lado, é totalmente normal e coerente que não creia no diabo quem não crê em Deus. Seria até trágico se alguém que não crê em Deus acreditasse no diabo!
O mais importante que a fé cristã tem a dizer-nos não é, no entanto, que o demônio existe, mas que Cristo venceu o demônio. Cristo e o demônio não são para os cristãos dois princípios iguais e contrários, como em certas religiões dualistas. Jesus é o único Senhor; satanás não é senão uma criatura que «se perdeu». Se lhe concede poder sobre os homens, é para que estes tenham a possibilidade de fazer livremente uma escolha e também para que «não se ensoberbeçam» (2Cor 12, 7), crendo-se auto-suficientes e sem necessidade de redentor algum. «Que loucura a do velho satanás – diz um canto espiritual negro. Atirou para destruir minha alma, mas errou o tiro e destruiu por outro lado o meu pecado.»
Com Cristo não temos nada a temer. Nada nem ninguém pode fazer-nos dano se nós não quisermos. Satanás – dizia um antigo padre da Igreja –, após a vinda de Cristo, é como um cão atado na árvore; pode latir e balançar quanto quiser; se não nos aproximamos, não pode morder. Jesus no deserto se libertou de satanás para libertar-nos de satanás! É a gozosa notícia com a qual iniciamos nosso caminho quaresmal para a Páscoa.

 

Há realidades que devem entrar “pelos olhos adentro”, como costumamos dizer. Neste domingo, os fiéis deverão perceber-se de que a igreja se “vestiu” de Quaresma. A cor litúrgica é o roxo. No altar e no presbitério, está somente aquilo que deve estar. Nem flores. Os instrumentos musicais irão tocar, somente para acompanhar o canto da assembléia. De tal maneira, que haja o sentimento de que até ao edifício (igreja) foram impostas as cinzas.
Para muitos fiéis, somente neste domingo iniciam o seu itinerário quaresmal, porque não tiveram possibilidade de participar na celebração de quarta-feira de Cinzas. Com expressões litúrgicas, poderemos explicar, brevemente, o que é a Quaresma e como celebrá-la e vivê-la. A Quaresma é um tempo da vida cristã que supõe um certo esforço espiritual. É um caminho e um tempo de purificação que têm como finalidade à purificação dos pecados: “para que, fiéis à observância quaresmal, (os fiéis) mereçam chegar, de coração purificado, à celebração do mistério pascal do vosso Filho”; para que reconhecendo que somos pó da terra e a terra havemos de voltar, alcancemos, pelo fervor da observância quaresmal, o perdão dos pecados e uma vida nova à imagem do vosso Filho ressuscitado” (Bênção das cinzas). A observância quaresmal concretiza-se em obras de “penitência” e em “obras de caridade”; com o jejum: Jesus, “jejuando quarenta dias, santificou a observância quaresmal” (Prefácio do 1º domingo); seguindo o exemplo de Cristo e uma vida sacramental mais intensa, porque “é este o verdadeiro jejum agradável a vossos olhos” (Oração depois da Comunhão, quarta-feira de cinzas).  Resumindo, tudo aquilo que nos ajude a “alcançar maior compreensão do mistério de Cristo” (Oração Coleta do 1º domingo). Neste domingo, é importante fazer uma pequena Catequese sobre o que é a Quaresma e sobre o modo de viver a penitência (jejum), a oração (não esquecendo a leitura da Sagrada Escritura) e a prática da caridade. Seria bom fazer um programa paroquial para ajudar os fiéis a viver este tempo de graça.
“As leituras do Antigo Testamento referem-se à história da salvação, que é um tema fundamental da catequese quaresmal”. Assim, é apresentada “uma série de textos que nos fornecem os elementos principais desta história, desde o seu início até à promessa da nova aliança” (n. 97). Neste domingo, as leituras começam pelo Livro do Gênesis, que nos recorda a obra admirável da criação e também a infidelidade do homem a Deus Criador, quase desde o início. A 1ª leitura é completada pela 2ª leitura, da Carta aos Romanos, onde São Paulo faz uma catequese sobre a obra do 1º Adão e as graças de Cristo, o 2º Adão.
Jesus encontra-se no deserto, jejuando quarenta dias e quarenta noites. Pelas suas palavras e pelo seu testemunho, sentimos que, em comunhão com Ele, venceremos toda a tentação de infidelidade ao nosso Deus. Jesus vence as mesmas tentações do Povo de Israel, quando atravessou o deserto: teve fome e foi necessário recordar que nem só de pão vive o homem; adorou outros deuses e foi necessário recordar que só a Deus se deve prestar culto; por fim, pôs Deus à prova em Massa. Jesus venceu estas tentações, para que, com Ele e com a Sua Palavra, possamos “vencer as tentações do pecado” e as “insídias da antiga serpente” (Prefácio do 1º domingo). É bom não perder de vista a mensagem que nos é dada a Oração depois da Comunhão deste domingo: “Saciados com o pão do céu, que alimenta a fé, confirma a esperança e fortalece a caridade”, “ensinai-nos a ter fome de Cristo… e a alimentar-nos de toda a palavra que da vossa boca nos vem”.

A verdadeira riqueza da Igreja são os pobres

Terça-feira, 15 de dezembro de 2015, Da Redação, com Rádio Vaticano

Na homilia de hoje, Papa pediu que a Igreja seja humilde, pobre e confiante em Deus; a verdadeira riqueza da Igreja são os pobres, enfatizou

A Igreja seja humilde, pobre e confiante no Senhor. Esse foi o convite do Papa Francisco na Missa desta terça-feira, 15, na Casa Santa Marta. O Papa destacou que a pobreza é a primeira das bem-aventuranças e acrescentou que a verdadeira riqueza da Igreja são os pobres, não o dinheiro ou o poder mundano.

Jesus repreende com força os chefes dos sacerdotes e os adverte que até mesmo as prostitutas os precederão no Reino dos Céus. O Papa partiu do Evangelho do dia para alertar sobre tentações que mesmo hoje podem corromper o testemunho da Igreja. Também na Primeira Leitura, do Livro de Sofonias, se veem as consequências de um povo que se torna impuro e rebelde por não ter ouvido o Senhor.

Segundo Francisco, a Igreja fiel ao Senhor deve ser humilde, pobre e confiante em Deus. “Uma Igreja humilde, que não se escore em poderes, em grandezas. Humildade não significa uma pessoa lânguida, apática, que faz olhos brancos…Não, isso não é humildade, isso é teatro! Isso é fingir humildade. A humildade tem um primeiro passo: ‘eu sou pecador’. Se você não é capaz de dizer a você mesmo que é pecador e que os outros são melhores que você, não é humilde. O primeiro passo na Igreja humilde é sentir-se pecadora, o primeiro passo de todos nós é o mesmo”.

O segundo passo é a pobreza, que é a primeira das bem-aventuranças, disse o Papa, enfatizando que a Igreja não pode ser apegada ao dinheiro.“Os pobres são as riquezas da Igreja. Se você tem um banco seu, você é o patrão de um banco, mas o teu coração é pobre, não é apegado ao dinheiro, está a serviço sempre. A pobreza é esse desprendimento, para servir aos necessitados, para servir aos outros”, acrescentou.

O terceiro ponto destacado pelo Papa foi a confiança em Deus. “Onde está a minha confiança? No poder, nos amigos, no dinheiro? No Senhor! Essa é a herança que o Senhor nos promete: ‘Deixarei em meio a vós um povo humilde e pobre, que confiará no nome do Senhor”.

“Nesta espera pelo Senhor, pelo Natal, peçamos que nos dê um coração humilde, um coração pobre e, sobretudo, um coração confiante no Senhor porque o Senhor não desilude jamais”, concluiu Francisco.

A teologia da libertação não faz falta para cuidar dos pobres

ROMA, 26 Ago. 13 / 01:30 pm (ACI/EWTN Noticias).- O secretário da Pontifícia Comissão para a América Latina, o leigo Guzmán Carriquiry, afirmou que “não faz falta uma teologia da libertação” para cuidar dos pobres, basta viver o Evangelho, “o abraço da caridade, o testemunho comovido de si”.

O leigo uruguaio fez esta afirmação durante um encontro convocado pelo movimento Comunhão e Libertação na cidade de Rímini, ao norte da Itália, no último dia 21 de agosto, onde também disse que a Igreja precisa “libertar” a fé de “incrustações mundanas” para torna-la novamente atrativa.

“Certamente já seus predecessores iniciaram um progressivo desmantelamento da sujeira real da cúria. João Paulo II preferia estar pelas ruas do mundo que no Vaticano. E Bento XVI disparou raios contra o carreirismo, o clericalismo, a mundanidade, a divisão, as ambições de poder e a sujeira na Igreja. Agora Francisco realiza o que seu predecessor pediu tantas vezes… e muito mais. Tudo isto faz parte da ‘revolução evangélica’ que marca uma profunda mudança do modo mesmo de ser Papa”, afirmou.

Nesse sentido, destacou a continuidade entre Bento XVI e Francisco. Concluiu propondo que a encíclica Lumen Fidei seja lida à luz do pontificado do Papa Francisco, das “pérolas” de suas homilias cotidianas, de sua catequese e do “sair missionário” para compartilhar a luz da fé ad gentes.

 

A Teologia da Libertação não era necessária para pregar o evangelho aos pobres
Professor Carriquiry, no Meeting de Rímini: É diabólico insistir numa descontinuidade entre Bento XVI e Francisco
Por Sergio Mora

ROMA, 22 de Agosto de 2013 (Zenit.org) – Após a palestra do padre José Maria “Pepe” Di Paola, sobre o trabalho de integração da população marginalizada que lhe rendeu ameaças de morte por combater as drogas na favela Villa 21, de Buenos Aires, o Meeting de Rímini para a Amizade entre os Povos passou a palavra ao professor Guzmán Carriquiry, durante a conferência sobre a encíclica Lumen Fidei. O secretário da Pontifícia Comissão para a América Latina afirmou que “quando ouvimos o padre ‘Pepe’ falar da sua experiência nas favelas de Buenos Aires, é como se víssemos o bispo Jorge Mário Bergoglio quando compartilhava o pão com os pobres, junto com seus sacerdotes, naquelas mesmas favelas”. “No fundo”, disse o professor uruguaio, “é a mesma imagem que nós vimos quando ele lavou os pés dos menores no centro para menores infratores; quando ele visitou Lampedusa, a favela de Varginha, o hospital para dependentes químicos no Rio de Janeiro…”. E enfatizou: “Não precisa de uma teologia da libertação para isso. É suficiente o evangelho vivido, o abraço da caridade, o testemunho comovido de si mesmo”. Sobre a encíclica Lumen Fidei, depois de elogiar o trabalho dos pontífices vindos de contextos tão diferentes, com sensibilidades e estilos diversos, Carriquiry avaliou como “obra do demônio, príncipe da mentira e da divisão, esse esforço obsessivo em querer confrontar o bispo emérito de Roma e o seu sucessor”. “Isso vale tanto para o desmedido apego nostálgico ao papa anterior, que vira uma ‘nostalgia canalha’ quando se degenera em julgamentos farisaicos sobre o papa atual, quanto para os elogios ao papa atual feitos para denegrir os predecessores”. O palestrante recordou ainda: “Apesar de que as favelas cresceram muito nas últimas décadas, Buenos Aires é certamente muito mais do que isso”. E complementa: “É uma enorme cidade cosmopolita, onde há raízes católicas populares, mas que também é marcada por todas as realidades, estímulos e chagas da cultura global”, onde existe um “norte e um sul” que apresentam “grandes desafios pastorais”. O secretário do Pontifício Conselho recordou também as palavras do papa Bento XVI no voo de São Paulo a Aparecida, quando disse: “Tenho certeza, pelo menos em parte, que aqui se decide o futuro da Igreja católica. Para mim, isto sempre foi evidente”. Sobre a situação atual da Igreja, Carriquiry comentou que “era preciso libertar a fé das incrustações mundanas, para torná-la novamente atraente”. E, citando um autor italiano, prosseguiu: “Os predecessores começaram, sem dúvida, um progressivo desmantelamento desse aspecto realmente pesado da cúria. João Paulo II preferia andar pelas ruas do mundo a ficar no Vaticano. E Bento XVI disparou raios contra o carreirismo, o clericalismo, a mundanidade, a divisão, as ambições de poder e a sujeira na Igreja. Agora, Francisco realiza o que o seu predecessor pediu tantas vezes… E muito mais. Tudo isso faz parte da ‘revolução evangélica’, que marca uma profunda mudança do próprio modo de ser papa”. Carriquiry finalizou propondo que a encíclica Lumen Fidei seja lida à luz do pontificado do papa Francisco, das “joias” das suas homilias cotidianas, da sua catequese e do “ato de sair como missionário” para compartilhar a luz da fé “ad gentes”.

Não há orações inúteis e Deus responde a todas

VATICANO, 12 Set. 12 / 03:23 pm (ACI/EWTN Noticias).- O Papa Bento XVI explicou que não há orações inúteis e Deus, que é Amor e Misericórdia infinita, sempre responde a todas embora às vezes essa resposta seja misteriosa.

Em sua catequese da audiência geral de hoje realizada na Sala Pablo VI, ante milhares de fiéis presentes, o Santo Padre prosseguiu com sua reflexão sobre a oração no livro do Apocalipse, e ressaltou que as orações são como incenso “cuja fragrância doce se oferece (…) a Deus”.

“Precisamos estar seguros de que não existem orações supérfluas, inúteis; nada está perdido.? E elas são respondidas, mesmo que às vezes de forma misteriosa, porque Deus é Amor e Misericórdia infinita”.

O incenso no Apocalipse, continuou, “é um simbolismo que nos diz como todas as nossas orações – com todas as limitações, a fadiga, a pobreza, a aridez, as imperfeições que podem ter – vêm quase purificar e alcançar o coração de Deus”.

Bento XVI disse também que “Deus não é indiferente às nossas súplicas, intervém e faz sentir seu poder e sua voz na terra, faz tremer e altera o sistema do Maligno”.

“Muitas vezes, diante do mal se tem a sensação de não poder fazer nada, mas é a nossa própria oração a primeira resposta e mais eficaz que podemos dar e que faz mais forte o nosso cotidiano empenho em espalhar o bem. O poder de Deus fecunda a nossa fraqueza”.

O Santo Padre explicou também que “o Apocalipse nos diz que a oração alimenta em cada um de nós e nas nossas comunidades esta visão de luz e de profunda esperança: nos convida a não nos deixarmos vencer pelo mal, mas a vencer o mal com o bem, a olhar para Cristo Crucificado e Ressuscitado que nos associa à sua vitória”.

“A Igreja vive na história, não se fecha em si mesma, mas enfrenta com coragem o seu caminho em meio à dificuldade e sofrimento, afirmando com força que o mal em definitivo não vence o bem, a escuridão não ofusca o esplendor de Deus”.

A seguir o Papa sublinhou que “como cristãos não podemos nunca ser pessimistas; sabemos bem que no caminho da nossa vida encontramos muita violência, mentira, ódio, perseguição, mas isto não nos desencoraja”.

“Sobretudo, a oração nos educa a ver os sinais de Deus, a sua presença e ação nos faz sermos nós mesmos luzes do bem, que espalham a esperança e indicam que a vitória é de Deus”.

Um dos símbolos do Apocalipse, um personagem de tal beleza que não é descrito por São João, representa a “Deus onipotente que não permaneceu fechado no seu Céu, mas se fez próximo ao homem, entrando em aliança com ele; Deus que faz sentir na história, de modo misterioso mas real, a sua voz simbolizada pelo relâmpago e pelo trovão”.

Outros dois símbolos são o livro que contém o plano de Deus e o Cordeiro que representa a Jesus Ressuscitado, que é o único capaz de “abrir o texto e iluminá-lo (…)?é o próprio Cordeiro, o Cristo morto e ressuscitado, que progressivamente abre o selo e revela o plano de Deus, o sentido profundo da história.”.

O Papa ressalta logo que “a oração é como uma janela aberta que nos permite ter o olhar voltado para Deus, não somente para nos recordar a meta para a qual nos dirigimos, mas também para deixar que a vontade de Deus ilumine o nosso caminho terrestre e nos ajude a vivê-lo com intensidade e compromisso”.

“De que modo o Senhor guia a comunidade cristã a uma leitura mais profunda da história? Primeiro convidando-a a considerar com realismo o presente que estamos vivendo”.

Bento XVI explica que “existem os males que o homem causa, como a violência, que nasce do desejo de possuir, de prevalecer uns sobre os outros, de modo a atingir para matar (…); ou a injustiça, porque os homens não respeitam as leis que lhes são dadas (…)”.

“A estes se unem os males que o homem deve sofrer, como a morte, a fome, a enfermidade (…).?Diante dessa realidade, muitas vezes dramática, a comunidade eclesial é convidada a não perder nunca a esperança, a crer firmemente que a aparente onipotência do Maligno colide com a verdadeira onipotência de Deus”.

O Papa afirma também que “o Apocalipse, mesmo na complexidade de símbolos, nos envolve numa oração muito rica, pela qual também nós escutamos, elogiamos, agradecemos, contemplamos o Senhor, lhe pedimos perdão”.

Sua estrutura, de grande oração litúrgica, conclui, “é também um forte chamado a redescobrir o encargo extraordinário e poder transformador que tem a Eucaristia; em particular quero convidar com força a serem fiéis à Santa Missa dominical no Dia do Senhor, o Domingo, verdadeiro centro da semana! Obrigado”.

A síntese em português da catequese desta quarta-feira está disponível no canal Youtube da ACI Digital, visite: http://www.youtube.com/watch?v=cKAX0eiTjXw&feature=player_embedded

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