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Crer que Deus é Pai é um ato de fé e conversão

Quarta-feira, 30 de janeiro de 2013, André Alves / Da Redação

“Deus é um Pai que não abandona nunca os seus filhos, um Pai amoroso que sustenta, ajuda, acolhe, perdoa, salva….”, disse o Papa

O Papa Bento XVI prosseguiu nesta quarta-feira, 30, as reflexões sobre o “Credo” – profissão da fé católica, como tem feito desde a semana passada, quando falou sobre “Eu creio em Deus”.

Nesta segunda reflexão, o Santo Padre concentrou os ensinamentos em torno da primeira definição de Deus que o Credo apresenta: Ele é Pai. Bento XVI ressaltou que quando a paternidade de Deus é professada, deposita-se a  fé no poder do seu amor que no seu Filho morto e ressuscitado derrota o ódio, o mal, o pecado e abre a vida eterna aos que creem.

“Dizer ‘Eu creio em Deus Pai onipotente’, no seu poder, no seu modo de ser Pai, é sempre um ato de fé, de conversão, de transformação do nosso pensamento, de todo o nosso afeto, de todo o nosso modo de viver”, explicou o Pontífice.

O Papa disse que o reconhecimento de Deus como Pai é uma tarefa dificultada pelo estilo de vida ocorrente principalmente no mundo ocidental.

Segundo Bento XVI, a vida familiar passa por diversas intervenções como os compromissos de trabalho mais exigentes, as preocupações, a dificuldade de enquadrar as contas familiares e a invasão dos meios de comunicação de massa na vida cotidiana.

Com isso as referências de paternidade acabam ficando prejudicadas, diz o Papa. “Para quem teve a experiência de um pai demasiado autoritário e inflexível, ou indiferente e pouco afetuoso, ou até mesmo ausente, não é fácil pensar com serenidade em Deus como Pai e abandonar-se a Ele com confiança”.

No entanto, o Santo Padre acredita que nos Evangelhos, a figura de Deus como Pai é construída, especialmente no Mistério Pascal de Cristo Jesus. O Papa citou alguns exemplos bíblicos que reforçam a imagem amorosa e paterna de Deus. A partir deles, é possível afirmar: “Deus é um Pai que não abandona nunca os seus filhos, um Pai amoroso que sustenta, ajuda, acolhe, perdoa, salva, com uma fidelidade que supera imensamente a dos homens, para abrir-se a uma dimensão da eternidade.”

O Papa ressaltou que é necessário entender que o pensamento de Deus é diferente do pensamento humano. Suas vias diferentes e sua onipotência são diferente: não se exprime como força automática ou arbitrária, mas é marcada por uma liberdade amorosa e paterna.

Ao concluir a reflexão, o Santo Padre rezou pedindo a Deus que conceda a todos a graça do dom da filiação, “para viver em plenitude a realidade do Credo, no abandono confiante ao amor do Pai e à sua misericordiosa onipotência que é a verdadeira onipotência e salvação.”

Jesus Cristo, Deus e Homem verdadeiro

Ele assumiu a natureza humana sem deixar de ser Deus

“Ao chegar a plenitude dos tempos, enviou Deus seu Filho, nascido de uma mulher” (cf. Gal 4,4). Assim se cumpre a promessa de um Salvador, que Deus fez a Adão e Eva ao serem expulsos do Paraíso: “Porei inimizades entre ti e a mulher, e entre a tua descendência e a dela; ela te pisará a cabeça e tu armarás traições ao seu calcanhar” (Gn 3,15). Este versículo do Gênesis é conhecido por “Proto-Evangelho”, pois constitui o primeiro anúncio da Boa Nova da salvação. Tradicionalmente, tem-se interpretado que a mulher a que se refere é tanto Eva, em sentido imediato, como Maria em sentido pleno; e que a descendência da mulher refere-se tanto à humanidade como a Cristo.

Desde então, até o momento em que “o Verbo se fez carne e habitou entre nós” (Jo 1,14), Deus foi preparando a humanidade para que pudesse acolher, frutuosamente, a seu Filho Unigênito. Deus escolheu para si o povo israelita, estabeleceu com ele uma aliança e o formou progressivamente, intervindo em sua história, manifestando-lhe Seus desígnios por meio dos patriarcas e dos profetas, santificando-o para si. Tudo isso, como preparação e figura daquela nova e perfeita aliança que havia de concluir-se em Cristo e daquela plena e definitiva revelação que devia ser efetuada pelo próprio Verbo encarnado.

Ainda que Deus tenha preparado a vinda do Salvador, principalmente mediante a eleição do povo de Israel, isto não significa que abandonasse os demais povos, os “gentios”, pois nunca deixou de dar testemunho de si mesmo (cfr. Atos 14,16-17). A Providência divina fez com que os gentios tivessem uma consciência mais ou menos explícita, da necessidade da salvação, e até nos últimos rincões da Terra se conservava o desejo de serem redimidos.

A Encarnação tem sua origem no amor de Deus pelos homens: “Nisto se manifestou o amor de Deus para conosco, em que Deus enviou ao mundo o seu Filho único, para que vivamos por meio dEle” (1Jo 4,9). A Encarnação é a demonstração por excelência do amor do Pai para com os homens, já que nela é o próprio Senhor que se entrega aos homens, fazendo-se participante da natureza humana na unidade da pessoa.

Após a queda de Adão e Eva no Paraíso, a Encarnação tem uma finalidade salvadora e redentora, como professamos no Credo: “por nós homens e para nossa salvação, desceu dos céus e se encarnou pelo Espírito Santo, no seio da Virgem Maria, e se fez homem”. Cristo afirmou de Si mesmo que o Filho do homem veio para buscar e salvar o que estava perdido” (Lc 19, 19; cf. Mt 18,11) e que “Deus não enviou seu Filho para condenar o mundo, mas que o mundo fosse salvo por Ele” (Jo 3,17).

A Encarnação não só manifesta o infinito amor de Deus aos homens, Sua infinita misericórdia, Sua justiça, Seu poder, mas também a coerência do plano divino da salvação. A profunda sabedoria divina consiste na forma segundo o qual Deus decidiu salvar o homem, isto é, do modo como convém à natureza, que é precisamente mediante a Encarnação do Verbo.

Jesus Cristo, o Verbo encarnado, “não é um mito nem uma ideia abstrata qualquer. É um Homem que viveu em um contexto concreto e que morreu depois de ter levado Sua própria existência dentro da evolução da história. A investigação histórica sobre Ele é, pois, uma exigência da fé cristã” .

A existência de Jesus é um fato provado pela ciência histórica, sobretudo mediante a análise do Novo Testamento, cujo valor histórico está fora de dúvida. Há outros testemunhos antigos não cristãos, pagãos e judeus sobre a existência de Jesus. Precisamente por isto, não são aceitáveis as posições de quem contrapõe um Jesus histórico ao Jesus da fé e defendem a hipótese de que quase tudo o que o Novo Testamento diz acerca de Cristo seria uma interpretação de fé que fizeram os Seus discípulos, mas não Sua autêntica figura histórica, que ainda permaneceria oculta para nós.

Essas posturas, as quais encerram um forte preconceito contra o sobrenatural, não levam em conta que a investigação histórica contemporânea concorda em afirmar que a apresentação feita pelo Cristianismo primitivo de Jesus baseia-se em fatos autênticos sucedidos realmente.

José Antonio Riestra
http://www.opusdei.org.br

Papa: o amor de Jesus é sem medida, não seguir os “amores” mundanos

Cidade do Vaticano (RV) – O amor de Jesus é sem medida, não como os amores mundanos, que buscam poder e vaidade. Foi o que disse o Papa Francisco na Missa matutina (18/5/2017) na Casa Santa Marta.
 
“Assim como o Pai me amou, também eu vos amei”: o Pontífice desenvolveu sua homilia partindo da afirmação de Jesus, que destaca como o seu amor seja infinito. O Senhor, observou ainda, nos pede que permaneçamos no Seu amor “porque é o amor do Pai” e nos convida a observar os Seus mandamentos. Para Francisco, “certamente  os Dez Mandamentos são a base, o fundamento, mas é preciso seguir todas as coisas que Jesus nos ensinou, os mandamentos da vida cotidiana”, que representam “um modo de viver cristão”.

Uma coisa é querer bem, outra é amar

A lista dos mandamentos de Jesus é muito ampla, afirmou Francisco, mas “o cerne é um: o amor do Pai por Ele o amor Dele por nós”:

“Existem outros amores. Também o mundo nos propõe outros amores: o amor ao dinheiro, por exemplo, o amor à vaidade, exibir-se, o amor ao orgulho, o amor ao poder, inclusive cometendo muitas injustiças para ter mais poder… São outros amores, este não é de Jesus e não é do Pai. Ele nos pede para permanecer no seu amor, que é o amor do Pai. Pensemos também nesses outros amores que nos afastam do amor de Jesus. E também, existem outras medidas para amar: amar pela metade, isso não é amar. Uma coisa é querer bem, outra é amar.”

O amor de Deus é sem medida

“Amar – destacou – é mais do que querer bem”. Qual é, portanto, “a medida do amor”, se pergunta Francisco: “A medida do amor é amar sem medida”:

“E assim, realizando esses mandamentos que Jesus nos deixou, permaneceremos no Seu amor, que é o amor do Pai, é o mesmo. Sem medida. Sem este amor morno ou interesseiro. ‘Mas porque, Senhor, nos lembra dessas coisas?’, podemos perguntar. ‘Para que a minha alegria esteja em vocês e esta alegria seja plena’. Se o amor do Pai vai até Jesus, Jesus nos ensina o caminho do amor: o coração aberto, amar sem medida, deixando de lado outros amores”.

A missão do cristão é obedecer a Deus e doar alegria às pessoas

“O grande amor por Ele – acrescentou o Papa – é permanecer neste amo e se há alegria”; “o amor e a alegria são um dom”. Dons que devemos pedir ao Senhor:

“Pouco tempo atrás, um sacerdote foi nomeado bispo. Foi visitar seu pai, já idoso, para dar-lhe a notícia. Este homem idoso, aposentado, homem humilde, um operário durante toda a vida, não tinha frequentado a universidade, mas tinha a sabedoria da vida. Deu somente dois conselhos para o filho: ‘Obedeça e dê alegria às pessoas’. Este homem tinha entendido isso: obedeça ao amor do Pai, sem outros amores, obedeça a este dom e, depois, dê alegria às pessoas. E nós, cristãos, leigos, sacerdotes, consagrados, bispos, devemos dar alegria às pessoas. Mas por que? Por isso, pelo caminho do amor, sem qualquer interesse, somente pelo caminho do amor. A nossa missão cristã é dar alegria às pessoas.”

O Papa concluiu: “Que o Senhor proteja, como pedimos nas orações, este dom de permanecer no amor de Jesus para poder dar alegria às pessoas”.

 

II Domingo da Páscoa – Ano A – Divina Misericórdia

Por Mons. Inácio José Schuster

Nesta oitava de Páscoa, a Igreja apresenta um texto significativo de João, oito dias após a primeira aparição de Jesus ressuscitado. Na teologia deste Evangelista, as aparições são ambientadas no domingo porque as comunidades estavam já trocando o sábado judaico pelo primeiro dia da semana, o domingo Cristão. Jesus apresenta-Se: “A paz esteja convosco”, é o dom do ressuscitado. E desta feita – diz o Evangelista – Tomé, que não estava oito dias antes, encontra-se agora presente. Tomé não é a figura de um racionalista ou de um cético quase ateu. Tomé é uma figura simpática no Evangelho. Tomé era generoso. Certa vez insistiu com os seus colegas a marcharem resolutamente a Jerusalém, a fim de morrerem com Jesus. Tomé era observador e cuidadoso: “Senhor, não sabemos para onde vais, e como poderemos seguir-Te?” E recebe de Jesus a famosa resposta: “Eu Sou o Caminho, a Verdade e a Vida”. Tomé tinha sim suas dúvidas, e as dúvidas de Tomé são as dúvidas de uma multidão de lá para cá, são as dúvidas de todos os tempos. Mas não são seres humanos desqualificados estes que tem dúvidas, não são pessoas necessariamente de má fé, não são pessoas que se fecharam a Deus. São pessoas, muitas delas, que sofrem em busca de uma razão última para a própria existência, mas não a encontraram ainda. Todas estas pessoas que giram ou vivem corroídas pelas próprias dúvidas podem ter, como seu padroeiro especial, Tomé. São Gregório nos diz que as dúvidas de Tomé fizeram mais bem à Igreja, do que o ímpeto da fé de Maria Madalena e das outras mulheres, que não duvidaram porque, através da dúvida de Tomé, e retratando o Evangelista nele a dúvida Apostólica, cura nossas perplexidades. Efetivamente, aqueles discípulos eram simples, eram Galileos, não eram estudados como nós, não tinham doutorados em universidades famosas como nós, mas também não eram credulões, não eram idiotas como muitos pensam, não eram pessoas ignorantes e pessoas que se deixassem levar por qualquer coisa. Tiveram as suas dúvidas sim, não aceitaram, à primeira vista, o incrível; o à primeira vista inacreditável, e só depois se curvaram diante da evidência do realismo da ressurreição de Jesus. E desta maneira eles podem curar também nossas dúvidas e nossas perplexidades. Afinal, é grande demais o mistério em que cremos, e do qual tornamo-nos também portadores neste mundo cético indiferente, mas que não coloca nada melhor em seu lugar.

 

2º DOMINGO DA PÁSCOA, A
“Como crianças recém-nascidas, desejai o puro leite espiritual para crescerdes na salvação, aleluia!” (cf. 1Pd 2, 2).
Padre Wagner Augusto Portugal, Vigário Judicial da Diocese da Campanha(MG)

Meus queridos irmãos, Somos convidados nestes domingos seguintes ao Domingo da Páscoa a conviver com a primeira comunidade cristã. As primeiras leituras são uma seqüência de Leituras dos Atos dos Apóstolos com o Evangelho de São João. As segundas leituras são tiradas das Cartas de Pedro. Assim, neste domingo, o tema da fé batismal, permeia toda a celebração. Os fiéis são “como crianças recém-nascidas”  e reza-se por um mais profundo entendimento do mistério da ressurreição e do batismo. Neste tempo, não existe, necessariamente, uma estreita coerência temática entre as três leituras. Porém, todas elas nos fazem participar do espírito do mistério pascal. Assim, na primeira leitura deste domingo (cf. At 2,42-47), os Atos dos Apóstolos nos apresenta como deve ser a comunidade dos cristãos batizados, que deve ter como centro a comunhão fraterna, repartindo tudo em comum, a exemplo de Cristo. Comunhão que deve ser testemunho, vivência para os que não crêem. Logo depois da Páscoa os cristãos davam demonstração de como deveria ser a sua vida: um convite permanente para restabelecermos a pureza cristã  das origens. Assim, com o Salmo Responsorial, podemos cantar as alegrais da criação e do Senhor: DAI GRAÇAS AO SENHOR, PORQUE ELE É BOM! ETERNA É A SUA MISERICÓRDIA! Nos primórdios da Igreja os fiéis tinham tudo em comum. A primeira leitura descreve a vida da comunidade apostólica em Jerusalém. A leitura de hoje se completa em At 4,32-35, que consiste em ter tudo em comum. O ensino dos apóstolos e o culto realizavam-se no templo. A alegria e a magnanimidade do grupo eram contagiosas; aí está o sucesso missionário. Estimados irmãos, A Segunda Leitura, retirada de Pedro (cf. Pd 1,3-9), é uma espécie de homilia batismal. Na perspectiva de seu autor, a volta gloriosa do Senhor estava próxima; os cristãos deviam passar por um tempo de prova, como ouro na fornalha, para depois brilhar com Cristo na sua glória. Neste horizonte, a fé batismal se concebe como antecipação da plena revelação escatológica: é amar e crer naquele que ainda não vimos, o coração já repleto de alegria com vistas à salvação que se aproxima e que já é alcançada na medida em que a fé nos coloca em verdadeira união com Cristo. A Primeira Carta de Pedro é uma carta de consolação aos cristãos oriundos do paganismo – Ásia Menor – ameaçados pela perseguição. A introdução tem um estilo de um hino. As graças recebidas são penhor dos dons definitivos – a esperança cristã. No batismo somos adotados como filhos: isto também é fundamento de uma esperança ainda maior. Esta esperança é viva, porque é baseada no Cristo Ressuscitado. Produz alegria e firmeza. Irmãos e Irmãs, Estamos celebrando os 50 dias do mistério pascal. Este tempo é chamado de um grande domingo, ou seja, um grande Dia do Senhor. Assim, como na Eucaristia, tudo é iniciado com o Ato Penitencial, a liturgia de hoje é iniciada com a reconciliação e a pacificação. Jesus se encontra com seus apóstolos, que se tinham comportado covardemente durante a Paixão e Morte. Mas Jesus, manso e misericordioso, não se mostra decepcionado e nem os repreende. Jesus vem e deseja A PAZ. A PAZ ESTEJA CONVOSCO! (cf. Jo 20, 19). Paz que é sinônimo de amor e de misericórdia! Paz que é sinônimo de perdão e de acolhida do diferente. Paz que tudo supera e que tudo ama! E Jesus dá aos seus discípulos o poder divino de perdoar os pecados, assim transmitindo a graça de Deus e a santificação do povo de Deus. O próprio Cristo dá este poder aos seus apóstolos: “A quem perdoardes os pecados, eles lhe serão perdoados; a quem os não perdoardes, eles lhe serão retidos”. O Evangelho de hoje – Jo 20,19-31 nos demonstra que são felizes os que crêem sem terem visto. O cenário deste acontecimento foi no oitavo dia após a Páscoa. Tomé, duvidoso e incrédulo, embora zeloso apóstolo de Jesus, representa muitos cristãos que, distanciados da Páscoa no tempo, devem viver perto dela pela fé e fazer da Ressurreição o fundamento de sua vida.  Tudo isso para que nós e todo o povo, de ontem, de hoje e de sempre, sejamos testemunhas autênticas do Senhor Ressuscitado, para que “creais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo tenhais a vida em seu nome” (cf. Jo 20,31). Crer em Deus, o Deus da vida, que irrompeu a morte e nos deu a possibilidade de sermos elevados à condição de filhos e filhas de Deus. Estimados Irmãos, Oh dúvida providencial a de Tomé. E não foi só Tomé que demorou a acreditar na Ressurreição. A dúvida de Tomé é positiva. É sempre parte do caminho andado na procura da verdade. Por isso mesmo, Jesus não repreendeu Tomé. Ajudou-o a superar a dúvida e o levou a uma perfeita profissão de fé: “Meu Senhor e Meu Deus!” (cf. Jo 20, 28).  Esses dois títulos juntos, de Senhor e Deus meu, na antiga aliança era designação de JAVÉ, O NOSSO DEUS!  Tomé não só passou a acreditar que Jesus ressuscitara, porque aí estava e ele podia por o dedo nas chagas, mas também viu nele o Cristo de Deus. A Palavra SENHOR, para designar Jesus, só aparece depois da Ressurreição nos Escritos Sagrados. Assim somos convidados a ver, com Tomé, com novos olhos e um novo jeito o Senhor, ouvindo a sua voz e tendo a sua presença em nosso meio pela fé que celebramos, fé eucarística, porque o SENHOR ESTEJA CONVOSCO, ELE ESTÁ NO MEIO DE NÓS! Amigos e amigas, O poder das chaves que é confiado por Cristo aos discípulos é o poder de morte e de vida, de ressurreição e de condenação eterna. Jesus reparte hoje com seus seguidores o poder de santificar, de salvar, o poder de arrancar alguém do pecado e da morte eterna. Isso porque a criatura humana sozinha é incapaz de salvar-se e de salvar quem quer que seja. Mas na forca do Espírito Santo, dado por Cristo ressuscitado, prolongamos o poder redentor de Jesus na história humana. Jesus dá aos seus discípulos os meios de serem suas testemunhas, isto é, de afirmarem sua divindade e a sua missão, repartindo o perdão, a benção, a graça. Ligado a esse poder está o envio por partes de Cristo. Ele foi enviado pelo Pai e por sua vez está enviando a nós para a missão, para a evangelização. Envio que é comunidade. Envio que é convivência. Envio que benção. Envio que é partilha. Envio que é santidade. Envido que é perdão. Envio que é amor pleno. Como o Pai enviou Jesus hoje é Ele que nos envia para a missão. E Jesus nos envia com o seu espírito de conciliação, de misericórdia, de caridade, de aceitar o diferente, de sempre perdoar os “tomés” que surgirem no nosso horizonte. Aí está, queridos amigos, o Jesus humilde que reparte tudo conosco, até os seus poderes. Isso porque somente quem é humilde sabe repartir. Porque só o humilde acolhe e tem misericórdia. Jesus perdoa a traição de seus apóstolos nos ensinando que essa deve ser a nossa atitude, o perdão sempre. Estimados Irmãos, Jesus é o grande sinal de Deus entre os homens. Por isso a fé da comunidade apostólica é a nossa. Através da comunidade apostólica, da primeira leitura, nós somos partícipes da fé, antecipação da comunhão eterna com Cristo e nossa salvação. Por isso, este domingo, antigamente chamado de domingo “in albis”, no tempo em que os batizados da noite pascal depunham as vestes brancas do batismo, encerrando a oitava da Páscoa nos convida a todos para que sejamos testemunhas do Ressuscitado renovando o nosso compromisso de batizados, crismados e de homens e mulheres que buscam na Eucaristia  o alimento que dá combustível a nossa fé, fé apostólica, fé nossa de cada dia, porque a Páscoa não é só hoje, a páscoa é todo dia e se eu levar o Cristo em minha vida tudo será um eterno aleluia! Amém! Aleluia!

 

“VIMOS O SENHOR!”
Por Dom Emanuele Bargellini, Prior do Mosteiro da Transfiguração
II DOMINGO DA PÁSCOA
Leituras: At 2, 42-47; 1 Pd 1, 3-9; Jo 20, 19-31

“Este é o dia que o Senhor fez para nós: alegremo-nos e nele exultemos” (Sl 117, 24- Salmo responsorial). Este grito de alegria acompanhou a celebração da Eucaristia e da Liturgia das Horas, desde o dia da Páscoa até o dia de hoje, oitavo dia da solenidade. A Eucaristia e a Liturgia das Horas são a fonte da vida divina da Igreja e o cume da sua relação esponsal com Cristo, a expressão mais alta da sua fé e a nascente que alimenta sua vida. No pano do fundo do canto incessante deste salmo messiânico está a visão de fé segundo a qual, contra todas as expectativas humanas, com a morte e ressurreição de Jesus, o projeto de salvação do Pai se realizou, e teve início o tempo novo, o dia definitivo, do qual Cristo é luz e vida (cf Sl 117, 22-24). É o tempo no qual estamos vivendo, animados pela mesma vida divina de Jesus e iluminados pela sua luz. É o “hoje” da atuação incessante do Espírito do Senhor que se torna sempre contemporâneo para nós. Na tarde da Páscoa Jesus ressuscitado, como atesta o evangelho de hoje, derramou o Espírito criador que tudo renova sobre os discípulos e sobre o mundo inteiro, para a remissão dos pecados, re-estabelecendo a verdadeira relação das pessoas com Deus, consigo mesmas e com os demais (cf. Jo 20, 22-23). Cristo ressuscitado é o novo Adão, a origem e a fonte da nova humanidade. Os batizados são as  primícias desta humanidade chamada a viver a mesma qualidade de vida de Cristo. (cf. Rm 5, 12-17). O segundo domingo é o oitavo dia depois da páscoa. É a sua “oitava”, como se diz na linguagem litúrgica. Celebrar uma festa durante oito dias é privilegio das Solenidades fundamentais do mistério de Cristo: seu nascimento (Natal) e sua morte e ressurreição (Páscoa). Na linguagem simbólica da bíblia, o numero oito diz plenitude, paz, fecundidade divina e repouso. O dia oitavo é o dia do descanso de Deus e de toda a criação (cf. Gn 2,3). A extensão da Solenidade da Páscoa por oito dias indica que, com o evento pascal de Jesus, a história da salvação alcançou sua meta. Nela o mundo goza finalmente a plenitude da vida pela qual foi criado. O dia da ressurreição será indicado pelos cristãos como o “dia do Senhor” por excelência –  “o domingo” – , celebrado como o dia que qualifica a existência dos discípulos, totalmente orientado para Cristo, proclamado “Senhor” da história e da própria vida. A Páscoa é assim ao mesmo tempo o “dia oitavo” (plenitude) e o “dia primeiro” (início e nascente) da nova história. Ela orienta o cristão para a meta da vida na eternidade de Deus, e em certa medida doa-lhe a graça de antecipá-la e de antegozá-la, através do seu clima de liberdade interior, da oração, da partilha fraterna e do descanso. A língua portuguesa guarda felizmente este profundo sentido antropológico e teológico do tempo presente semanal, que é derivado da relação com o Domingo, a páscoa semanal, do momento que se denominam os dias da semana como “segunda-feira”, “terça–feira”, etc., isto é, segunda-festa, terceira-festa…, haja vista que a festa primordial é o próprio Domingo. Quem sabe quantas pessoas estejam conscientes disso? Não seria uma simples e feliz oportunidade para desenvolver uma profunda e vital catequese sobre o sentido pascal da existência cristã? A partir desta perspectiva espiritual, a celebração comunitária e solene do domingo se tornou cedo para os cristãos como o dia específico da própria fé e sinal da própria identidade, e por isso mesmo irrenunciável, ainda que ao custo da própria vida. Talvez muitas pessoas conheçam a declaração feita diante do juiz por uma mártir de Abitina (África romana) no séc. IV. Para reivindicar tal direito constitutivo do cristão, dizia ela: “Não podemos viver sem a ceia do Senhor… Sim, fui à assembléia e celebrei a ceia do Senhor com os meus irmãos, porque sou cristã” [1]. Os dias da oitava estão atravessados pelo dinamismo existencial do mistério pascal, ao qual os batizados foram iniciados, e que agora procuram seguir na vida cotidiana, ansiando sua plenitude na eternidade. Do ponto de vista pastoral, seria importante valorizar o tecido espiritual de todos os dias da oitava como contexto interior dos domingos que se seguem durante o tempo pascal. No dia da Páscoa a Igreja louvou a Deus porque em Cristo, morto e ressuscitado, “nos abristes as portas da eternidade” (Oração do dia), enquanto na segunda-feira pediu que o Senhor “acompanhe” o caminho do seu povo até conseguir a autêntica liberdade, para “um dia alegrar-se no céu como exulta agora na terra” (Oração do dia). Na sexta-feira se tornou explícito o pedido da graça para “realizar em nossa vida o mistério que celebramos na fé” (Oração do dia). A Oração depois da comunhão do segundo domingo implora que “conservemos em nossa vida o sacramento pascal que recebemos”. Na base desta atitude orante da Igreja está, portanto, a clara consciência de que, em qualquer estágio do caminho cristão, somos ainda “criancinhas recém-nascidas”, que precisamos do leite do Espírito para alcançar a maturidade espiritual (Antífona de Entrada – 1 Pd 2,2). É fundamental ter presente a sábia insistência com a qual a liturgia hoje, nas leituras bíblicas, assim como nas orações, destaca que este processo dinâmico é fruto da iniciativa compassiva e misericordiosa de Deus, e se ativa graças à fé e não ao esforço humano. Pedro sublinha que “em sua grande misericórdia, pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, ele nos fez nascer de novo, para uma esperança viva, para uma herança incorruptível” (1 Pd 1, 3-4). Na Oração do dia a Igreja volve seu olhar confiante ao Senhor “Deus de eterna misericórdia”, que “reacende a fé do seu povo na renovação da páscoa”. A ele pede a graça de compreender sempre melhor a experiência da iniciação cristã do batismo, da confirmação e da eucaristia. Acho que seja esta a razão profunda pela qual o bem-aventurado papa João Paulo II desejou que este domingo da oitava se qualificasse também como o “Domingo da misericórdia” de Deus para todo mundo. Focaliza mais uma vez no coração do Pai a nascente da história da salvação, do mistério pascal de Cristo, a origem e a meta do nosso caminho, seguindo a Jesus morto e ressuscitado. Este dinamismo espiritual, fundamentado na experiência sacramental da iniciação cristã, caracteriza o ciclo inteiro do tempo pascal até a celebração do Pentecostes, constituindo como uma extensão sem interrupção do único e mesmo dia da Páscoa! É um tempo precioso, para aprofundar em espírito de meditação, oração e sensibilidade pastoral, as grandes oportunidades que a liturgia oferece para viver um intenso caminho de graça, desenvolver uma autêntica formação espiritual dos fiéis a partir da liturgia e iniciá-los a uma participação sempre mais profunda e vital.  Neste segundo domingo, contemplamos a páscoa atuando na pessoa de Jesus (evangelho), nos batizados de todos os tempos (2ª leitura) e na comunidade dos primeiros discípulos (1ª leitura). É uma visão de conjunto que destaca o dinamismo permanente da páscoa e da palavra de Deus recebida na fé. Jesus, depois de ter removido, no poder do Espírito, a grande pedra do seu sepulcro, consegue não somente superar o obstáculo dos muros, mas sobretudo derrubar as barreiras do medo e as resistências da frágil fé dos discípulos, fechados em si mesmos e como sepultados em casa por medo dos judeus. O anúncio da paz por parte de Jesus, o sopro do Espírito sobre eles num gesto de nova criação, a experiência de “ver o Senhor”, transformam o pequeno grupo de medrosos em pessoas cheias de alegria e coragem, prontas para ser enviadas ao mundo, com a mesma disponibilidade livre com a qual Jesus acolheu e atuou o envio recebido pelo Pai. Na força do Espírito, eles se tornam colaboradores do próprio Senhor ao anunciar o reino ao mundo inteiro, e para a instauração da aliança nova, preanunciada pelos profetas em prol do novo povo de Deus. O novo encontro com os discípulos no domingo seguinte destaca as exigências do caminho de fé que cada discípulo é chamado a cumprir no seguimento do Senhor. Jesus frisa a bem-aventurança da fé, única condição para “ver o Senhor”, isto é, para entrar de maneira vital em relação com Jesus, até deixar que ele seja efetivamente o Senhor da própria existência. A profissão de fé em Tomé está finalmente completa e o caminho que ele utilizou para chegar a ela torna-se modelo de todo caminho e profissão de fé: “…‘Não sejas incrédulo mas fiel’. Tomé respondeu: ‘Meu Senhor e meu Deus!’. Jesus disse: ‘Acreditaste porque me viste? Bem-aventurados os que creram sem ter visto” (Jo 20, 27-29). Não cessará jamais a tensão entre o desejo de “ver o Senhor”, no sentido de procurar a experiência pessoal do Senhor como fundamento da vida, e a beatitude da fé sustentada pelo amor confiante, que não pretende outras provas. “Sem ter visto o Senhor, vós o amais. Sem o ver ainda, nele acreditais. Isso será para vós fonte de alegria indizível e gloriosa, pois obtereis aquilo em que acreditais: a vossa salvação” (1 Pd 1, 8-9). A comunidade dos discípulos em Jerusalém (At 2, 42-47) é  o primeiro fruto da Páscoa e modelo de toda possível comunidade futura: uma comunidade de homens e mulheres participantes da ressurreição de Jesus. A vida deles testemunha que é possível agora uma nova maneira de viver e de relacionar-se. Ela se constrói através de um processo contínuo, sobre os fundamentos que serão os pilares da comunidade cristã de todos os tempos: a escuta perseverante da palavra dos apóstolos no espírito de fé; a comunhão fraterna que nasce da união interior, que chega até a partilha dos bens, dando atenção às necessidades diferentes de cada um; a partilha da mesa do pão eucarístico; a oração comunitária, expressão da comum orientação da vida em relação com o Senhor. O dinamismo da ressurreição se estende da pessoa de Jesus de Nazaré ao seu corpo vivente, os discípulos e a Igreja inteira ao longo do tempo. Hoje, no domingo antigamente chamado “in albis” [2], em Roma a Igreja proclama com rito solene que o Senhor fez brilhar a luz radiante e o esplendor da sua cruz e da sua ressurreição no seu servo, o Bem-aventurado papa João Paulo II. Certamente uma testemunha pascal dos nossos dias! Na vigorosa energia da sua fé e do seu ministério pastoral, assim como nas tribulações da violência sofrida e na fraqueza da doença, suportada com espírito heróico e simplicidade de criança, ele está hoje no centro da atenção da Igreja e do mundo, com o rosto do Cristo ressuscitado, portador da sua promessa: “Eis, que eu estou convosco todos os dias até a consumação dos séculos!” (Mt 28,20) Notas: 1. Ata dos Santos mártires…. PL 8, 709-710. Hoje em dia uma visão sempre mais secular da vida, o consumismo e até mesmo a complexa organização social do trabalho, põem novos riscos e desafios ao entendimento e à prática cristã do domingo. Para valorizar as dimensões teológicas, espirituais e pastorais do domingo para o nosso tempo, à luz da páscoa e no contexto das mutações culturais e sociais, é ainda muito proveitosa uma leitura atenta da Carta apostólica do papa João Paulo II sobre o domingo. Trata-se de uma autêntica pérola de espiritualidade e de sabedoria pastoral. Cf. JOÃO PAULO II. “Dies Domini – O dia do Senhor”. São Paulo: Paulinas, 1998. n. 158. 2. In albis é uma referência às túnicas “alvas”, isto é, brancas, usadas pelos recém-batizados na noite  da Vigília Pascal, como sinal que eles tinham sido “revestidos de Cristo”, como diz Paulo. Os neófitos permaneciam vestidos com as vestes brancas durante todo o período da oitava, depondo-as neste domingo.

 

O toque da Misericórdia de Jesus
Palestra Monsenhor Jonas Abib do Domingo da Misericórdia dia 07 de Abril de 2002

Jesus pediu que o domingo da Sua misericórdia fosse justamente o segundo domingo depois da Páscoa. O centro de tudo é a Misericórdia Divina. Atos dos Apóstolos 2, 47 está escrito: “E o Senhor cada dia lhes ajuntava outros, que estavam a caminho da salvação”. Os que se refugiam no Coração Misericordioso de Jesus estão guardados para a salvação que deve se revelar nos últimos tempos. Deus Pai enviou Seu Filho ao mundo para perdoar os pecados, para tirar a ruptura que havia entre Ele e os homens e nos abrir de novo o caminho para a eternidade, para o céu. Jesus veio para perdoar todo o pecado. O Senhor quer que nós toquemos na Sua Misericórdia expressa nas Suas chagas. Jesus quer que entremos em Seu Coração ressuscitado para experimentarmos também a ressurreição. A máxima expressão de Jesus na Sua vida foi a convivência com Maria, Marta e Lázaro, porque Lázaro era leproso, eles viviam em uma cidade separada, onde viviam os leprosos. Jesus convivia com eles, comia com eles, todos tinham pavor dos leprosos, especialmente naquele tempo, mas aquela casa era a preferida de Jesus Cristo. Depois de Lázaro aparece aquela mulher que lava os pés de Jesus, inclusive no jantar de festa pela ressurreição dele [Lázaro]. Essa mulher era uma pecadora e Cristo deixou que ela Lhe lavasse os pés. Porque ela muito amou, Jesus perdoou seus pecados. Quem demonstra muito amor é porque foi muito perdoado. Os três Evangelhos de Mateus, Marcos e João mostram esse fato, que aconteceu depois da ressurreição de Lázaro. Jesus convivia com leprosos e pecadores. Isso mostra o excesso da Divina Misericórdia. Jesus Nazareno não tem medo de nada, nem da lepra nem do pecado. O Senhor não é leproso, não cometeu pecado, pelo contrário, Ele não quer a lepra nem o pecado. Mas Jesus se coloca lado a lado, até se une a leprosos e pecadores para que eles experimentem a ressurreição. Que beleza a ressurreição de Lázaro! Jesus mandou tirar a pedra do seu sepulcro. Ele não tem medo de nada, nem do cheiro da morte e do pecado. O que andava o matando e o fazendo cheirar mal? A morte traz mau cheiro e Cristo, sem dó e sem se preocupar com nada, manda tirar a pedra. Você não precisa esconder aquilo que fazia você cheirar mal porque Jesus não tem medo, muito pelo contrário, Ele o manda vir para fora. Quando apontamos para Jesus, sem medo, Ele destrói o pecado. É como a luz que entra e ilumina o escuro. São raios de Misericórdia que saem do Coração de Nosso Senhor Jesus e atingem o seu pecado para acabar com ele. Você não precisa esconder o que lhe causava morte e cheirava mal, porque o Senhor não tem nenhuma repugnância disso, muito pelo contrário, Ele manda tirar a pedra, colocar tudo às claras. Sem medo nem receio, com Jesus é preciso revelar, mostrar, apontar sem medo para Ele, pois quando fazemos isso é como a luz que entra. Eu mergulho e jogo minhas misérias na fornalha da Divina Misericórdia para que sejam incineradas! É isso que Jesus quer de você. Tire a pedra. Cristo disse para Lázaro: “Vem para fora!”, houve minutos de silêncio de expectativa. Naquele momento a vida voltou a Lázaro, mas ele estava todo amarrado, cheio de faixas, imagine-o no chão mexendo-se o que podia e como podia para vir para fora. Lázaro literalmente vem rastejando no chão. Era a força da vida, mas muito limitada, imagine a dificuldade para vir amarrado como estava. Hoje, o Dia da Misericórdia Jesus Cristo mostra o que ninguém pode fazer, só Ele pode fazer: que é nos ressuscitar sempre. O Senhor é disposto e suficientemente poderoso para ressuscitar todo aquele que se joga na Sua infinita Misericórdia e se arrepende, quer perdão e quer vida nova. Jesus tem o poder de ressuscitá-lo e Ele é a ressurreição. Ele o tira do que quer que seja e o levanta. Entre Jesus nos ressuscitar e ficarmos de pé existe toda nossa luta. Somos ressuscitados, mas ainda estamos enfaixados, aí existe todo nosso esforço, pois “o teu Deus, que te criou sem ti, não te salvará sem ti” (Santo Agostinho). É preciso esforço, luta, seja qual foi sua situação. Para ficar em pé é preciso heroísmo e sem sua luta e esforço de nada vai adiantar Cristo tê-lo ressuscitado. Cada um de nós poderia morrer de novo depois de ressuscitados se não houver nosso esforço. O que nós podemos fazer Jesus não o faz por nós, o Senhor só faz aquilo que só Ele pode fazer. Claro que também nessa luta a graça está presente porque a ressurreição já aconteceu e a vida leva para a vida. É por graça que nos movemos, nos arrastamos, nos levantamos, mas é preciso esforço e luta. Para os moles não há possibilidade, mas para os que enfrentam o duro tudo se torna mole. Sem o seu heroísmo não haverá a sua salvação, a sua ressurreição. Cristo precisa ver sua lágrima, seu suor, o seu sangue, sua luta. Lute, a misericórdia do Senhor está aí, mas isso não quer dizer cruzarmos os braços e deslizarmos nessa graça [misericórdia]. Não! A misericórdia faz o que não podemos fazer. Ela nos dá vida e força, mas quem imprime a força e vida é você, quem se levanta é você. Do contrário você nunca sairá da sua situação. É preciso luta e heroísmo, agüente firme porque não é Jesus quem o faz se sentir assim, mas a própria situação na qual você estava, mas Ele o ressuscitou! Hoje é o dia da sua ressurreição! Oito dias depois da ressurreição de Jesus Cristo acontece o dia da sua ressurreição. Até se arrastar e sair do sepulcro Lázaro conseguiu, mas quando chegou do lado de fora precisou de outros para tirarem as faixas. Até ali precisou do próprio esforço, mas chegou a hora em que precisou dos outros. Talvez você tenha alguém na sua casa que também precisa de você. Corra para o “Lázaro” que está perto de você e retire as faixas dele. Se você não fizer isso ele não irá conseguir, pois Jesus precisa de você como auxiliar na Misericórdia d’Ele. A Misericórdia d’Ele ressuscita, nenhum de nós é capaz de ressuscitar. E o que você não pode fazer, Ele o faz, mas o restante exige de nós. A coisa mais importante é a confiança, confiar n’Aquele que recebeu a graça da ressurreição. A confiança que colocamos em Nosso Senhor Jesus Cristo e a misericórdia que colocamos n’Ele precisam ser refletidas na confiança e misericórdia para com nossos irmãos. Hoje Jesus ressuscita o seu coração duro que não tinha a “confiança de confiar”. Receba o Espírito Santo de Deus e ressuscite agora! Saia dessa vida e deixe o passado na Misericórdia de Deus.

I Domingo da Quaresma – Ano A

Por Mons. Inácio José Schuster

As famosas tentações de Jesus, que são nossas tentações também, e que com Sua graça, queremos vencer, ao longo desta quaresma. Três foram as tentações de Jesus, logo após o Batismo de João, induzido pelo Espírito Santo ao deserto, a realizar uma espécie de retiro preparador de Sua vida Apostólica, de Sua pregação do Reino de Deus, Seu Pai. Três tentações de Cristo e nossas também. A primeira tentação de Cristo, a do prazer fácil. Ele não podia multiplicar pães? Ele não faria esse milagre no decorrer de Sua vida terrestre, ou vida pública? Ele não poderia saciar a si mesmo, pois seria capaz de saciar a fome de cinco mil pessoas? “Ordeneis que estas pedras se transformem em pães”. Existe para nós a tentação do prazer fácil, a de Jesus foi servir da própria divindade para satisfazer o prazer da comida, seu estomago estava vazio. “Nem só de pão vive o homem, mas de toda Palavra que vem de Deus”. Nós também corremos o risco de buscar um sem número de prazeres na existência. Não que os prazeres sejam errados, ou ofendam a Deus, mas eles são fáceis demais e podem ser considerados a meta da própria existência, e é fácil a criança passar de uma montanha de brinquedos ao sexo, sem nenhum controle. O prazer quando é desenfreado, quando não conhece limites, é um empecilho para se chegar a Deus. Existem pessoas que vivem literalmente à busca de prazeres. Ele se transforma num ídolo, num pequeno, ou substituto deus. A segunda tentação de Jesus foi a tentação da fé fácil. Nós também somos tentados assim. Não gostamos que Deus fique silencioso, durante o nosso peregrinar terrestre. Não gostamos que Ele se intrometa em nossas vidas. Que Deus deixe as pedras em nossos caminhos a ferir os nossos pés. Deus nos deixa, a primeira vista, Ele nos abandona, a ver até onde vai a nossa perseverança. Esta tentação nos traz algo de bom no seu bojo: para vermos até onde confiamos Nele, e até que ponto nos entregamos a Ele. A última tentação de Jesus, que é também nossa, foi a tentação do poder. O tentador, grotescamente, lhe ofereceu todos os reinos deste mundo, com uma condição: que o adorasse. Quantos não são aqueles que lutam para se parafusarem à uma cadeira de deputado, de governador ou de presidente de alguma associação, qualquer que seja, contanto que se mande, e esteja acima de outros, que tenha “o cetro do poder”. Três tentações, de Cristo e nossa também. Ele nos oferece a Sua graça, para que, nesta quaresma e ao longo de nossas existências, não cedamos à tentação do prazer fácil, da fé fácil e do poder sem limites.

 

Sobre a tentação escreve São Gregório Magno: “Sabemos que na tentação, há três graus ou fases: a sugestão, a atração, o consentimento. E nós, quando somos tentados, nós vamos geralmente até a atração, ou mesmo até o consentimento. Pois, nascidos da carne do pecado, trazemos em nós mesmos o combate que devemos manter. Mas Deus que, encarnado no seio da Virgem, veio ao mundo isento de pecado, não trazia em si nenhuma contradição. Ele pode ser tentado até à sugestão, mas a atração maldosa não teve nenhum lugar em seu espírito. Por isso toda esta tentação diabólica se passa no exterior, não no interior”. Jesus foi conduzido pelo Espírito Santo a dedicar quarenta dias e quarenta noites à oração e ao jejum no deserto. Por que é que Jesus foi compelido a buscar a solidão? Era, simplesmente, o desejo de se preparar para a sua missão ou era por que o diabo queria atraí-lo para tentá-lo? A palavra “tentar” significa na Bíblia, não só atrair para o pecado, mas também purificar e provar para ver se alguém já está pronto para sua missão. Abraão, por exemplo, é tentado para provar sua fé.  O diabo, que aponta para aquele que divide, que desune, quer provar Jesus. Jesus o vence porque está em total comunhão com o Pai e Nele coloca toda sua confiança. A obediência de Jesus ao Pai e a liberdade com a qual abraça a cruz invertem o curso da desobediência de Adão. Sua vitória sobre o pecado e a morte concede-nos não só o perdão para nossos pecados, mas nossa adoção como filhos e filhas de Deus. Jesus está pronto para derramar o Espírito, que nos dará força e coragem para resistir ao pecado e rejeitar as mentiras e atrações do Inimigo. É a atração do poder, do prazer e da glória, que é vencida. Tal poder será manifestado pelo Filho ao longo de sua missão, não unicamente pelos milagres, mas particularmente pela poder da Palavra que converte os corações e renova a vida dos que acolhem Jesus.

 

ESCOLHE, POIS, A VIDA

Estamos refletindo o quanto Deus nos ama, e o que Ele fez para nos salvar. Foi Deus quem realizou a criação, a natureza tão linda. Toda a obra saída das mãos de Deus canta a glória de Deus. Olhar para a natureza e não ver sinais da bondade e ternura de Deus é quase impossível. Deus criou o paraíso terrestre para nele habitar com o homem. Nós somos criaturas, pessoas limitadas, a todo momento estamos verificando nosso limite. Nem sempre conseguimos levar a frente o nosso propósito. Todos nós somos criaturas e somos limitados, mas nós não gostamos de nos reconhecer limitados. Todos nós sem exceção somos limitados porque somos criaturas, nós saímos das mãos de Deus, das mãos do criador. Muitos de nós reclamamos que Deus não nos ajuda, isso é mentira, é uma injustiça contra Deus. Pois Deus nos criou para viver no paraíso. Todos nós temos duas opções na vida, a árvore da vida e a árvore do bem e do mal. E qual foi a sedução do maligno? Seduziu a mulher da árvore da vida e os arrastou para a árvore do mal. A grande tentação é o homem não aceitar ser criatura, mas ser como Deus. Ainda hoje o homem sofre essa tentação de querer ser como Deus, e isso produz uma cultura de morte. Apesar do homem ter querido viver sua vida sem Deus, Deus não desistiu, o Senhor foi atrás do ser humano, deu a vida e nos salvou. Nós hoje podemos resistir, não precisamos fazer o caminho que Adão e Eva fizeram. Nós podemos fazer um caminho diferente, podemos tomar uma decisão de estar com Deus. ‘A oração é o oxigênio da alma para vencermos as tentações diabólicas’. A oração é o oxigênio da alma para vencermos as tentações diabólicas. Nossos primeiros pais no paraíso optaram pela morte, eu e você, todas as vezes, que não nos deixamos ser conduzidos pelo Senhor optamos pela morte. E dentro de nós há um grito pela vida. Hoje é domingo da “tentação”, pois Jesus foi tentado pelo demônio. A Igreja nos ensina que Jesus conduzido pelo Espírito Santo deixou-se ser tentado pelo demônio para dizer que assim como nosso Senhor venceu o inimigo, também nós, cheios do Espírito Santo com Jesus, venceremos as tentações. O demônio veio tentar Jesus quando Jesus sentiu fome. A tentação de nós nos acomodarmos. Muitas vezes estamos desanimados e corremos a tentação de cruzar os braços, e aí vem a tentação e vamos desanimando da vida. Não podemos ficar parados, quem fica parado, aceita qualquer coisa que aparece por aí. Na segunda tentação o demônio levou Jesus no templo mais alto para que ele pulasse dali de cima. Quantos de nós estamos provando a Deus e colocando Deus na parede. Não temos direito de colocar Jesus na parede. Deus não nos cura porque a gente merece, Deus nos cura porque nos ama. A terceira tentação o demônio disse para Jesus o adorar que ele daria o reino a Jesus. Não podemos nos colocar no lugar de Deus. E nem podemos adorar a não ser a Deus. Tudo que eu coloco no lugar de Deus me escraviza. As tentações que o Senhor passou e venceu, se estivermos com Ele também passaremos e venceremos.

 

I Domingo da Quaresma
Gênesis 2, 7-9; 3.1-7; Romanos 5, 12-19; Mateus 4, 1-11

O demônio, o satanismo e outros fenômenos relacionados são de grande atualidade e inquietam frequentemente a nossa sociedade. Nosso mundo tecnológico e industrializado está repletos de magos, bruxos urbanos, ocultismo, espiritismo, escrutinadores de horóscopos, vendedores de feitiços, de amuletos, assim como de autênticas seitas satânicas. Expulso pela porta, o diabo entrou pela janela. Ou seja, expulso pela fé, voltou a entrar com a superstição.
O episódio das tentações de Jesus no deserto, que se lê no primeiro domingo da Quaresma, ajuda-nos a oferecer um pouco de clareza a este tema. Antes de tudo, existe demônio? Isto é, a palavra “demônio” indica de verdade alguma realidade pessoal, dotada de inteligência e vontade, ou é simplesmente um símbolo, um modo de falar que indica a soma do mal moral do mundo, o inconsciente coletivo, a alienação coletiva e coisas pelo estilo? Muitos, entre os intelectuais, não crêem no demônio segundo o primeiro sentido. Mas se deve observar que grandes escritores e pensadores, como Goethe ou Dostoievski, levaram muito a sério a existência de satanás. Baudelaire, que não era certamente trigo limpo, disse que «a maior astúcia do demônio é fazer crer ele que não existe».
A principal prova da existência do demônio nos evangelhos não está nos numerosos episódios de libertação de possessos, porque na interpretação destes fatos pode haver influência de crenças antigas sobre a origem de certas doenças. Jesus tentado no deserto pelo demônio: esta é a prova. Provas são também os muitos santos que lutaram em vida contra o príncipe das trevas. Não são Quixotes que brigam contra moinhos de vento. Ao contrário: foram homens e mulheres concretos e de psicologia saudável.
Se muitos acham absurdo crer no demônio, é porque se baseiam em livros, passam a vida em bibliotecas ou no escritório, enquanto o demônio não se interessa por literatura, mas pelas pessoas, especialmente os santos. O que pode saber sobre satanás quem jamais teve nada a ver com sua realidade, mas só com sua idéia, isto é, com as tradições culturais, religiosas, etnológicas sobre satanás? Esses tratam habitualmente deste tema com grande segurança e superioridade, liquidando tudo como «obscurantismo medieval». Mas trata-se de uma falsa segurança. Como se alguém deixasse de temer o leão aduzindo como prova o fato de que viu muitas vezes sua imagem e jamais lhe deu medo. Por outro lado, é totalmente normal e coerente que não creia no diabo quem não crê em Deus. Seria até trágico se alguém que não crê em Deus acreditasse no diabo!
O mais importante que a fé cristã tem a dizer-nos não é, no entanto, que o demônio existe, mas que Cristo venceu o demônio. Cristo e o demônio não são para os cristãos dois princípios iguais e contrários, como em certas religiões dualistas. Jesus é o único Senhor; satanás não é senão uma criatura que «se perdeu». Se lhe concede poder sobre os homens, é para que estes tenham a possibilidade de fazer livremente uma escolha e também para que «não se ensoberbeçam» (2Cor 12, 7), crendo-se auto-suficientes e sem necessidade de redentor algum. «Que loucura a do velho satanás – diz um canto espiritual negro. Atirou para destruir minha alma, mas errou o tiro e destruiu por outro lado o meu pecado.»
Com Cristo não temos nada a temer. Nada nem ninguém pode fazer-nos dano se nós não quisermos. Satanás – dizia um antigo padre da Igreja –, após a vinda de Cristo, é como um cão atado na árvore; pode latir e balançar quanto quiser; se não nos aproximamos, não pode morder. Jesus no deserto se libertou de satanás para libertar-nos de satanás! É a gozosa notícia com a qual iniciamos nosso caminho quaresmal para a Páscoa.

 

Há realidades que devem entrar “pelos olhos adentro”, como costumamos dizer. Neste domingo, os fiéis deverão perceber-se de que a igreja se “vestiu” de Quaresma. A cor litúrgica é o roxo. No altar e no presbitério, está somente aquilo que deve estar. Nem flores. Os instrumentos musicais irão tocar, somente para acompanhar o canto da assembléia. De tal maneira, que haja o sentimento de que até ao edifício (igreja) foram impostas as cinzas.
Para muitos fiéis, somente neste domingo iniciam o seu itinerário quaresmal, porque não tiveram possibilidade de participar na celebração de quarta-feira de Cinzas. Com expressões litúrgicas, poderemos explicar, brevemente, o que é a Quaresma e como celebrá-la e vivê-la. A Quaresma é um tempo da vida cristã que supõe um certo esforço espiritual. É um caminho e um tempo de purificação que têm como finalidade à purificação dos pecados: “para que, fiéis à observância quaresmal, (os fiéis) mereçam chegar, de coração purificado, à celebração do mistério pascal do vosso Filho”; para que reconhecendo que somos pó da terra e a terra havemos de voltar, alcancemos, pelo fervor da observância quaresmal, o perdão dos pecados e uma vida nova à imagem do vosso Filho ressuscitado” (Bênção das cinzas). A observância quaresmal concretiza-se em obras de “penitência” e em “obras de caridade”; com o jejum: Jesus, “jejuando quarenta dias, santificou a observância quaresmal” (Prefácio do 1º domingo); seguindo o exemplo de Cristo e uma vida sacramental mais intensa, porque “é este o verdadeiro jejum agradável a vossos olhos” (Oração depois da Comunhão, quarta-feira de cinzas).  Resumindo, tudo aquilo que nos ajude a “alcançar maior compreensão do mistério de Cristo” (Oração Coleta do 1º domingo). Neste domingo, é importante fazer uma pequena Catequese sobre o que é a Quaresma e sobre o modo de viver a penitência (jejum), a oração (não esquecendo a leitura da Sagrada Escritura) e a prática da caridade. Seria bom fazer um programa paroquial para ajudar os fiéis a viver este tempo de graça.
“As leituras do Antigo Testamento referem-se à história da salvação, que é um tema fundamental da catequese quaresmal”. Assim, é apresentada “uma série de textos que nos fornecem os elementos principais desta história, desde o seu início até à promessa da nova aliança” (n. 97). Neste domingo, as leituras começam pelo Livro do Gênesis, que nos recorda a obra admirável da criação e também a infidelidade do homem a Deus Criador, quase desde o início. A 1ª leitura é completada pela 2ª leitura, da Carta aos Romanos, onde São Paulo faz uma catequese sobre a obra do 1º Adão e as graças de Cristo, o 2º Adão.
Jesus encontra-se no deserto, jejuando quarenta dias e quarenta noites. Pelas suas palavras e pelo seu testemunho, sentimos que, em comunhão com Ele, venceremos toda a tentação de infidelidade ao nosso Deus. Jesus vence as mesmas tentações do Povo de Israel, quando atravessou o deserto: teve fome e foi necessário recordar que nem só de pão vive o homem; adorou outros deuses e foi necessário recordar que só a Deus se deve prestar culto; por fim, pôs Deus à prova em Massa. Jesus venceu estas tentações, para que, com Ele e com a Sua Palavra, possamos “vencer as tentações do pecado” e as “insídias da antiga serpente” (Prefácio do 1º domingo). É bom não perder de vista a mensagem que nos é dada a Oração depois da Comunhão deste domingo: “Saciados com o pão do céu, que alimenta a fé, confirma a esperança e fortalece a caridade”, “ensinai-nos a ter fome de Cristo… e a alimentar-nos de toda a palavra que da vossa boca nos vem”.

A verdadeira riqueza da Igreja são os pobres

Terça-feira, 15 de dezembro de 2015, Da Redação, com Rádio Vaticano

Na homilia de hoje, Papa pediu que a Igreja seja humilde, pobre e confiante em Deus; a verdadeira riqueza da Igreja são os pobres, enfatizou

A Igreja seja humilde, pobre e confiante no Senhor. Esse foi o convite do Papa Francisco na Missa desta terça-feira, 15, na Casa Santa Marta. O Papa destacou que a pobreza é a primeira das bem-aventuranças e acrescentou que a verdadeira riqueza da Igreja são os pobres, não o dinheiro ou o poder mundano.

Jesus repreende com força os chefes dos sacerdotes e os adverte que até mesmo as prostitutas os precederão no Reino dos Céus. O Papa partiu do Evangelho do dia para alertar sobre tentações que mesmo hoje podem corromper o testemunho da Igreja. Também na Primeira Leitura, do Livro de Sofonias, se veem as consequências de um povo que se torna impuro e rebelde por não ter ouvido o Senhor.

Segundo Francisco, a Igreja fiel ao Senhor deve ser humilde, pobre e confiante em Deus. “Uma Igreja humilde, que não se escore em poderes, em grandezas. Humildade não significa uma pessoa lânguida, apática, que faz olhos brancos…Não, isso não é humildade, isso é teatro! Isso é fingir humildade. A humildade tem um primeiro passo: ‘eu sou pecador’. Se você não é capaz de dizer a você mesmo que é pecador e que os outros são melhores que você, não é humilde. O primeiro passo na Igreja humilde é sentir-se pecadora, o primeiro passo de todos nós é o mesmo”.

O segundo passo é a pobreza, que é a primeira das bem-aventuranças, disse o Papa, enfatizando que a Igreja não pode ser apegada ao dinheiro.“Os pobres são as riquezas da Igreja. Se você tem um banco seu, você é o patrão de um banco, mas o teu coração é pobre, não é apegado ao dinheiro, está a serviço sempre. A pobreza é esse desprendimento, para servir aos necessitados, para servir aos outros”, acrescentou.

O terceiro ponto destacado pelo Papa foi a confiança em Deus. “Onde está a minha confiança? No poder, nos amigos, no dinheiro? No Senhor! Essa é a herança que o Senhor nos promete: ‘Deixarei em meio a vós um povo humilde e pobre, que confiará no nome do Senhor”.

“Nesta espera pelo Senhor, pelo Natal, peçamos que nos dê um coração humilde, um coração pobre e, sobretudo, um coração confiante no Senhor porque o Senhor não desilude jamais”, concluiu Francisco.

A teologia da libertação não faz falta para cuidar dos pobres

ROMA, 26 Ago. 13 / 01:30 pm (ACI/EWTN Noticias).- O secretário da Pontifícia Comissão para a América Latina, o leigo Guzmán Carriquiry, afirmou que “não faz falta uma teologia da libertação” para cuidar dos pobres, basta viver o Evangelho, “o abraço da caridade, o testemunho comovido de si”.

O leigo uruguaio fez esta afirmação durante um encontro convocado pelo movimento Comunhão e Libertação na cidade de Rímini, ao norte da Itália, no último dia 21 de agosto, onde também disse que a Igreja precisa “libertar” a fé de “incrustações mundanas” para torna-la novamente atrativa.

“Certamente já seus predecessores iniciaram um progressivo desmantelamento da sujeira real da cúria. João Paulo II preferia estar pelas ruas do mundo que no Vaticano. E Bento XVI disparou raios contra o carreirismo, o clericalismo, a mundanidade, a divisão, as ambições de poder e a sujeira na Igreja. Agora Francisco realiza o que seu predecessor pediu tantas vezes… e muito mais. Tudo isto faz parte da ‘revolução evangélica’ que marca uma profunda mudança do modo mesmo de ser Papa”, afirmou.

Nesse sentido, destacou a continuidade entre Bento XVI e Francisco. Concluiu propondo que a encíclica Lumen Fidei seja lida à luz do pontificado do Papa Francisco, das “pérolas” de suas homilias cotidianas, de sua catequese e do “sair missionário” para compartilhar a luz da fé ad gentes.

 

A Teologia da Libertação não era necessária para pregar o evangelho aos pobres
Professor Carriquiry, no Meeting de Rímini: É diabólico insistir numa descontinuidade entre Bento XVI e Francisco
Por Sergio Mora

ROMA, 22 de Agosto de 2013 (Zenit.org) – Após a palestra do padre José Maria “Pepe” Di Paola, sobre o trabalho de integração da população marginalizada que lhe rendeu ameaças de morte por combater as drogas na favela Villa 21, de Buenos Aires, o Meeting de Rímini para a Amizade entre os Povos passou a palavra ao professor Guzmán Carriquiry, durante a conferência sobre a encíclica Lumen Fidei. O secretário da Pontifícia Comissão para a América Latina afirmou que “quando ouvimos o padre ‘Pepe’ falar da sua experiência nas favelas de Buenos Aires, é como se víssemos o bispo Jorge Mário Bergoglio quando compartilhava o pão com os pobres, junto com seus sacerdotes, naquelas mesmas favelas”. “No fundo”, disse o professor uruguaio, “é a mesma imagem que nós vimos quando ele lavou os pés dos menores no centro para menores infratores; quando ele visitou Lampedusa, a favela de Varginha, o hospital para dependentes químicos no Rio de Janeiro…”. E enfatizou: “Não precisa de uma teologia da libertação para isso. É suficiente o evangelho vivido, o abraço da caridade, o testemunho comovido de si mesmo”. Sobre a encíclica Lumen Fidei, depois de elogiar o trabalho dos pontífices vindos de contextos tão diferentes, com sensibilidades e estilos diversos, Carriquiry avaliou como “obra do demônio, príncipe da mentira e da divisão, esse esforço obsessivo em querer confrontar o bispo emérito de Roma e o seu sucessor”. “Isso vale tanto para o desmedido apego nostálgico ao papa anterior, que vira uma ‘nostalgia canalha’ quando se degenera em julgamentos farisaicos sobre o papa atual, quanto para os elogios ao papa atual feitos para denegrir os predecessores”. O palestrante recordou ainda: “Apesar de que as favelas cresceram muito nas últimas décadas, Buenos Aires é certamente muito mais do que isso”. E complementa: “É uma enorme cidade cosmopolita, onde há raízes católicas populares, mas que também é marcada por todas as realidades, estímulos e chagas da cultura global”, onde existe um “norte e um sul” que apresentam “grandes desafios pastorais”. O secretário do Pontifício Conselho recordou também as palavras do papa Bento XVI no voo de São Paulo a Aparecida, quando disse: “Tenho certeza, pelo menos em parte, que aqui se decide o futuro da Igreja católica. Para mim, isto sempre foi evidente”. Sobre a situação atual da Igreja, Carriquiry comentou que “era preciso libertar a fé das incrustações mundanas, para torná-la novamente atraente”. E, citando um autor italiano, prosseguiu: “Os predecessores começaram, sem dúvida, um progressivo desmantelamento desse aspecto realmente pesado da cúria. João Paulo II preferia andar pelas ruas do mundo a ficar no Vaticano. E Bento XVI disparou raios contra o carreirismo, o clericalismo, a mundanidade, a divisão, as ambições de poder e a sujeira na Igreja. Agora, Francisco realiza o que o seu predecessor pediu tantas vezes… E muito mais. Tudo isso faz parte da ‘revolução evangélica’, que marca uma profunda mudança do próprio modo de ser papa”. Carriquiry finalizou propondo que a encíclica Lumen Fidei seja lida à luz do pontificado do papa Francisco, das “joias” das suas homilias cotidianas, da sua catequese e do “ato de sair como missionário” para compartilhar a luz da fé “ad gentes”.

Não há orações inúteis e Deus responde a todas

VATICANO, 12 Set. 12 / 03:23 pm (ACI/EWTN Noticias).- O Papa Bento XVI explicou que não há orações inúteis e Deus, que é Amor e Misericórdia infinita, sempre responde a todas embora às vezes essa resposta seja misteriosa.

Em sua catequese da audiência geral de hoje realizada na Sala Pablo VI, ante milhares de fiéis presentes, o Santo Padre prosseguiu com sua reflexão sobre a oração no livro do Apocalipse, e ressaltou que as orações são como incenso “cuja fragrância doce se oferece (…) a Deus”.

“Precisamos estar seguros de que não existem orações supérfluas, inúteis; nada está perdido.? E elas são respondidas, mesmo que às vezes de forma misteriosa, porque Deus é Amor e Misericórdia infinita”.

O incenso no Apocalipse, continuou, “é um simbolismo que nos diz como todas as nossas orações – com todas as limitações, a fadiga, a pobreza, a aridez, as imperfeições que podem ter – vêm quase purificar e alcançar o coração de Deus”.

Bento XVI disse também que “Deus não é indiferente às nossas súplicas, intervém e faz sentir seu poder e sua voz na terra, faz tremer e altera o sistema do Maligno”.

“Muitas vezes, diante do mal se tem a sensação de não poder fazer nada, mas é a nossa própria oração a primeira resposta e mais eficaz que podemos dar e que faz mais forte o nosso cotidiano empenho em espalhar o bem. O poder de Deus fecunda a nossa fraqueza”.

O Santo Padre explicou também que “o Apocalipse nos diz que a oração alimenta em cada um de nós e nas nossas comunidades esta visão de luz e de profunda esperança: nos convida a não nos deixarmos vencer pelo mal, mas a vencer o mal com o bem, a olhar para Cristo Crucificado e Ressuscitado que nos associa à sua vitória”.

“A Igreja vive na história, não se fecha em si mesma, mas enfrenta com coragem o seu caminho em meio à dificuldade e sofrimento, afirmando com força que o mal em definitivo não vence o bem, a escuridão não ofusca o esplendor de Deus”.

A seguir o Papa sublinhou que “como cristãos não podemos nunca ser pessimistas; sabemos bem que no caminho da nossa vida encontramos muita violência, mentira, ódio, perseguição, mas isto não nos desencoraja”.

“Sobretudo, a oração nos educa a ver os sinais de Deus, a sua presença e ação nos faz sermos nós mesmos luzes do bem, que espalham a esperança e indicam que a vitória é de Deus”.

Um dos símbolos do Apocalipse, um personagem de tal beleza que não é descrito por São João, representa a “Deus onipotente que não permaneceu fechado no seu Céu, mas se fez próximo ao homem, entrando em aliança com ele; Deus que faz sentir na história, de modo misterioso mas real, a sua voz simbolizada pelo relâmpago e pelo trovão”.

Outros dois símbolos são o livro que contém o plano de Deus e o Cordeiro que representa a Jesus Ressuscitado, que é o único capaz de “abrir o texto e iluminá-lo (…)?é o próprio Cordeiro, o Cristo morto e ressuscitado, que progressivamente abre o selo e revela o plano de Deus, o sentido profundo da história.”.

O Papa ressalta logo que “a oração é como uma janela aberta que nos permite ter o olhar voltado para Deus, não somente para nos recordar a meta para a qual nos dirigimos, mas também para deixar que a vontade de Deus ilumine o nosso caminho terrestre e nos ajude a vivê-lo com intensidade e compromisso”.

“De que modo o Senhor guia a comunidade cristã a uma leitura mais profunda da história? Primeiro convidando-a a considerar com realismo o presente que estamos vivendo”.

Bento XVI explica que “existem os males que o homem causa, como a violência, que nasce do desejo de possuir, de prevalecer uns sobre os outros, de modo a atingir para matar (…); ou a injustiça, porque os homens não respeitam as leis que lhes são dadas (…)”.

“A estes se unem os males que o homem deve sofrer, como a morte, a fome, a enfermidade (…).?Diante dessa realidade, muitas vezes dramática, a comunidade eclesial é convidada a não perder nunca a esperança, a crer firmemente que a aparente onipotência do Maligno colide com a verdadeira onipotência de Deus”.

O Papa afirma também que “o Apocalipse, mesmo na complexidade de símbolos, nos envolve numa oração muito rica, pela qual também nós escutamos, elogiamos, agradecemos, contemplamos o Senhor, lhe pedimos perdão”.

Sua estrutura, de grande oração litúrgica, conclui, “é também um forte chamado a redescobrir o encargo extraordinário e poder transformador que tem a Eucaristia; em particular quero convidar com força a serem fiéis à Santa Missa dominical no Dia do Senhor, o Domingo, verdadeiro centro da semana! Obrigado”.

A síntese em português da catequese desta quarta-feira está disponível no canal Youtube da ACI Digital, visite: http://www.youtube.com/watch?v=cKAX0eiTjXw&feature=player_embedded

Transfiguração do Senhor – 06 de Agosto

Por Mons. Inácio José Schuster

Evangelho segundo São Lucas 9, 28-36
Uns oito dias depois destas palavras, levando consigo Pedro, João e Tiago, Jesus subiu ao monte para orar. Enquanto orava, o aspecto do seu rosto modificou-se, e as suas vestes tornaram-se de uma brancura fulgurante. E dois homens conversavam com Ele: Moisés e Elias, os quais, aparecendo rodeados de glória, falavam da sua morte, que ia acontecer em Jerusalém. Pedro e os companheiros estavam a cair de sono; mas, despertando, viram a glória de Jesus e os dois homens que estavam com Ele. Quando eles iam separar-se de Jesus, Pedro disse-lhe: «Mestre, é bom estarmos aqui. Façamos três tendas: uma para ti, uma para Moisés e outra para Elias.» Não sabia o que estava a dizer. Enquanto dizia isto, surgiu uma nuvem que os cobriu e, quando entraram na nuvem, ficaram atemorizados. E da nuvem veio uma voz que disse: «Este é o meu Filho predileto. Escutai-o.» Quando a voz se fez ouvir, Jesus ficou só. Os discípulos guardaram silêncio e, naqueles dias, nada contaram a ninguém do que tinham visto.

Celebra a Igreja neste dia seis de agosto a transfiguração do Senhor. Lemos este evento nas três versões dos Evangelistas sinóticos; neste ano nós o lemos na versão lucana. Quando conduzo peregrinos à Terra Santa e, na Galiléia, vou com eles ao monte Tabor, tradicionalmente apontado como o local da transfiguração de Jesus, digo-lhes mais ou menos isto: “Jesus – diz-nos o texto do Evangelho – transfigurou-se; a beleza interna de Jesus – somente conhecida do Pai – foi, naquele momento, revelada, ainda que furtivamente, a três discípulos escolhidos, que ficaram atônitos quando O viram transfigurado. No entanto, esta transfiguração não era definitiva, pois Jesus ainda se encontrava neste mundo; a verdadeira e definitiva deu-se apenas com Sua Ressurreição dentre os mortos, quando assumiu toda a Sua realeza e poder, sentando-se à direita de Deus”. O autor da carta aos Efésios diz-nos que o Senhor Jesus, com o poder que tem, também transfigurará nosso pobre e miserável corpo, configurando-o ao Seu Corpo glorioso e ressuscitado. Contudo, esta transfiguração é apenas futura e para nós objeto de uma promessa que ainda não se realizou neste mundo e nem aqui se realizará. Ao contrário, envelhecemos e a beleza da juventude vai sendo paulatinamente perdida. Paulo diz-nos – e Santo Agostinho mais tarde, a partir daí, faz uma belíssima exegese: à medida que nosso homem exterior vai-se arruinando, o que perdemos em agilidade, beleza e atração física pode ser constantemente reciclado em nosso proveito e favor, transformando-se no homem interior em energia, virtude e beleza que atraem a Deus. Esta transfiguração, que se chama transfiguração do coração, é possível a todos já neste mundo. Você certamente terá notado pessoas de coração transfigurado, embora nem sempre ou necessariamente pessoas fisicamente atraentes. Essa beleza interna é de ordem superior à primeira, que é apenas uma casca que se esvai. Essa beleza que se adquire pouco a pouco com uma vida dedicada a Deus e à escuta da Sua palavra mantêm-se por toda Eternidade. Esta beleza do coração, agora invisível, é prévia e indispensável para que haja a futura. Persiga-a neste momento e você também se verá inteiramente transfigurado diante de Deus com Cristo.

 

«Moisés e Elias […] falavam da Sua morte, que ia acontecer em Jerusalém»
São Cirilo de Alexandria (380-444), bispo e Doutor da Igreja
Homilias sobre a Transfiguração, 9; PG 77, 1011 (a partir da trad. de Delhougne, Les Pères commentent, p. 342)

Jesus subiu à montanha com os três discípulos que escolheu. Depois foi transfigurado por uma luz fulgurante e divina, a ponto de as Suas vestes parecerem brilhar como a luz. Seguidamente, Moisés e Elias envolveram Jesus, falaram entre eles da Sua partida, que devia acontecer em Jerusalém, quer dizer, do mistério da Sua incarnação e da Sua Paixão salvadora, que devia concretizar-se na cruz. Porque é verdade que a lei de Moisés e a pregação dos profetas tinham mostrado antecipadamente o mistério de Cristo. […] Esta presença de Moisés e de Elias e a conversa entre eles tinha como objectivo mostrar que a Lei e os profetas formavam como que o cortejo de Nosso Senhor Jesus Cristo, o Senhor que tinham profetizado. […] Depois de terem aparecido não se calavam, falando da glória de que o Senhor ia ser cumulado em Jerusalém pela Sua Paixão e pela Sua cruz e, sobretudo, pela Sua ressurreição. Talvez o bem-aventurado São Pedro, acreditando que tinha chegado o Reino de Deus, tenha desejado permanecer na montanha, porque disse que deviam fazer «»três tendas». […]. Não sabia o que estava a dizer». Porque ainda não tinha chegado o momento  do fim do mundo e não será no tempo presente que os santos usufruirão da esperança que lhes foi prometida. É que São Paulo afirma: «Ele transfigurará o nosso pobre corpo, conformando-o ao Seu corpo glorioso» (Fil 3, 21). Uma vez que o projecto da Salvação ainda não estava completo, estando apenas no seu começo, não era possível que Cristo, que tinha vindo ao mundo por amor, renunciasse a querer sofrer por ele. Porque Ele manteve a natureza humana para sofrer a morte na Sua carne, e para a destruir pela Sua ressurreição de entre os mortos.

 

Subamos a montanha para nos transfigurarmos
Padre Pacheco

Hoje, celebramos, com toda a Igreja, a festa da Transfiguração do Senhor, que é a manifestação gloriosa de Jesus aos apóstolos Pedro, Tiago e João no Monte Tabor. Este local está situado a 840m de altitude do nível do mar, na região da Galileia. Um dos lugares mais lindos existentes no mundo. Ali viveram – os apóstolos – a experiência da Ressurreição de Cristo. Os três evangelistas – Mateus, Marcos e Lucas – relatam em seus Evangelhos esse estado glorioso em que Jesus Cristo apareceu aos três discípulos; todavia, Lucas nos apresenta algumas particularidades sobre o fato, as quais não constam nos outros Evangelhos. Vale a pena deter-nos. Somente Lucas especifica a razão pela qual o Senhor subiu ao monte: lá foi para orar. Jesus, muitas e muitas vezes, dedicava horas, grandes momentos – por vezes uma noite inteira – para estar em intimidade com o Pai. O Filho de Deus saía da planície do cotidiano da vida, muitas e muitas vezes, para subir à montanha, ou seja, sabia desde sempre que esse é o grande lugar da manifestação de Deus. Ali se dirigia para viver e conviver com o Pai. Nosso Senhor Jesus Cristo, desde o início de Sua vida entre os homens, assumindo a humanidade toda e toda a humanidade, nunca soube totalmente com clareza a Sua missão; conforme ia crescendo, se desenvolvendo e desenvolvendo a missão que Deus Pai lhe confiara, Ele ia percebendo e tomando consciência do plano do Pai em Sua vida e por intermédio da Sua vida, ou seja, salvar a humanidade. Durante a oração, transformou-se o rosto de Jesus; de modo diverso aos outros evangelistas, Lucas não fala da transfiguração, mas do rosto transformado. Cristo Jesus é o novo Moisés; Moisés prefigurou Jesus. Jesus, como Moisés, em contato e comunhão com Deus – com o Pai – sente seu rosto tornar-se brilhante pelo fato de estar com o Pai. Quando estamos em Deus e com Deus, numa profunda intimidade com Ele, tudo começa a se tornar brilhoso em nós; nosso rosto, nosso corpo começam a resplandecer a luz que vem do alto; mas o que mais resplandece é o testemunho de vida, que ilumina a vida dos outros. Para dizer: você anda resplandecendo o amor de Deus por onde você anda? Ou melhor, você costuma sair da planície, a exemplo de Jesus, para se encontrar com o Pai, subindo a montanha? Subir a montanha significa mergulhar a vida em Deus. Rasgar as vestes (coração). Cada encontro autêntico com Deus deixa marcas visíveis em nosso rosto, em nosso ser. A luz no rosto de Jesus indica que, durante a oração, Ele compreendeu e fez Seu o projeto do Pai; entendeu que Seu sacrifício não estaria concluído na derrota, mas na ressurreição. Lucas também ressalta que enquanto Jesus trata de realidades relacionadas com a Sua Paixão e Morte, os três apóstolos encontram-se sonolentos, dormindo; da mesma forma aconteceu no Horto das Oliveiras. O sono dos apóstolos significa que eles não estão entendendo o que acontece com Jesus. Quando Cristo realiza milagres, prodígios e curas, eles encontram-se bem acordados; agora, quando o assunto é a vontade do Pai, mesmo que custe a própria vida, uma sonolência toma conta dos apóstolos. Da mesma forma somos nós. Como estamos bem espertos, acordados, bem atentos, quando queremos as graças de Deus, os milagres, as curas; todavia, quando o Altíssimo nos quer dar e confiar a vontade d’Ele na nossa vida, principalmente quando isso envolve esforço, renúncia, sacrifício e a própria vida, logo apoderam-se de nós uma sonolência, um cansaço, uma fadiga. Subamos a montanha para que nosso rosto, nossa vida, nossas atitudes mudem; o coração é nosso, mas o rosto e vida são dos e para os outros.

 

Hoje a Igreja celebra a festa da Transfiguração do Senhor. “Mostra-me o Teu rosto, mostra-me a Tua face”. É o desejo de todo Israelita piedoso do Antigo Testamento. Moisés e Elias são dois personagens, daquela época, que se esforçaram por contemplar a Face de Deus. Nós somos convidados a deixar de contemplar por um instante o rosto dos apresentadores de televisão e dos artistas com os quais estamos acostumados a conviver diariamente, para nos concentrar na visão do Rosto de Cristo que brilha através da Sua Páscoa da Ressurreição. “Deus de Deus, Luz da Luz”, afirma-nos o credo Nicenoconstantinapolitano, Jesus Cristo é Luz da luz. A sua Face é Luz da luz.  Ela é o reflexo da Luz incriada, o próprio Pai. Esta visão se deu no alto de um monte; foi no alto da montanha que o céu procurou naquele dia se unir à Terra. Três foram os Apóstolos escolhidos para contemplar antecipadamente o que é sonho e esperança de todo Cristão: a Face de Deus, que brilha através da luminosidade da Face de Cristo. Nós temos o direito de alimentar esse desejo; ele nada mais é do que o desejo do Céu. Porque, o que é o Céu, se não a contemplação sempre mais profunda de Deus em Jesus Cristo? Mas Deus adverte no Evangelho de Mateus e no sermão da Montanha: “Bem aventurados os puros de coração, porque verão a Deus”. Se você alimenta a esperança de um dia ver a Face de Deus, se você se sacrifica por causa dessa esperança, se evita o mal e faz o bem, se evita o que ofende a Deus, e não pode estar presente diante de Sua Face, então a sua esperança um dia se tornará realidade. Seria insanidade, veleidade, esperarmos contemplar a Face do Nosso Deus, se nunca nos procuramos em ser semelhante a Ele, se nunca tivemos a preocupação de sermos puros de coração. Sim, neste dia, em que com a Igreja celebramos a festa da Transfiguração, celebremos a festa da nossa esperança, celebremos a festa do fim que nos espera. Mas preparemos desde já o nosso coração para sermos admitidos à Sua Visão.

 

“Diante de testemunhas escolhidas, escreve São Leão Magno (461), o Senhor desvela sua glória… O que pretendia  fazer era, com a transfiguração, banir do coração dos discípulos o escândalo da Cruz, e que a humilhação de sua Paixão voluntária não perturbasse a fé deles, pois Ele já lhes revelava a eminência de sua dignidade escondida”.  Mas, continua São Leão, “ao mesmo tempo, e por uma igual providência, Ele fundava a fé da Santa Igreja, para que o Corpo total do Cristo soubesse de qual feliz transformação seria gratificado, e aos membros se dá a esperança de fazer parte da honra que resplandecia no Chefe”. Jesus está como que ansioso para partilhar a sua glória conosco. O sinal deste desejo é justamente a visão que os Apóstolos tem de Jesus transfigurado no alto da montanha. O Evangelho ao dizer que Ele foi transfigurado nos reenvia a Deus, autor desta transformação extraordinária. Permanecendo em sua humanidade, Jesus deixa por um instante que o brilho de sua divindade impregne seu corpo, que se torna irradiante. O divino Mestre sobe a montanha sabendo muito bem o que o aguardava em Jerusalém, a traição, rejeição e crucifixão. Na montanha, e só esta única vez, Jesus deixa aparecer a sua Glória. Ele quer que compreendamos o benefício de crer sem ter visto e que Ele há de revelar sua glória a todos os que seriamente o buscam com fé. “Ele se manifesta aos filhos da luz, que afastam as obras das trevas, escreve Orígenes (254), para que se tornem filhos do dia, e andem honestamente como de dia. Ele brilhará sobre eles não simplesmente como o sol, mas como demonstrou ser o sol de justiça”. A transfiguração de Cristo anuncia nosso estado glorioso no céu, onde o brilho da alma na comunhão com Deus tornará nossos corpos ressuscitados “gloriosos”, livres dos incômodos terrestres e participantes da Glória de Deus. Compreenderemos as palavras do Apóstolo: “Cristo em vós, esperança da Glória” (Col 1, 27).

Como escolher um bom candidato?

Não podemos ser cristãos apenas de bons sentimentos

Estamos num momento significativo na história da sociedade. Teremos de votar novamente, colocando em prática nosso direito de cidadãos brasileiros. Com isto, vamos escolher todos os nossos próximos representantes no poder executivo e legislativo dos diversos municípios. Cada eleito vai agir como nosso porta-voz e em nome do povo de seu município.

É hora de pensar em duas palavras decisivas: fé e fidelidade. Isto significa autenticidade, fato que não tem sido levado em conta em nosso país. Muitos políticos não são tementes a Deus, mas infiéis, carreiristas e não se colocam a serviço do bem comum. O povo sofre com isto e acaba assistindo às atitudes de desonestidade. O poder, verdadeiramente constituído, vem de Deus, mas isto passa pela ação livre dos eleitores. Significa que a autoridade escolhida não tem real poder se foi eleita por quem não tenha agido, na hora de votar, com plena liberdade. Comprar e vender o voto não significa liberdade plena, não é ato totalmente divino e não é voto com nobreza e consciência madura.

Todo candidato, nas eleições, procura se apresentar bem, com boa aparência e propósitos muito firmados. Mas acontece que há uma mentalidade de triunfo e muito individualista. Ela esconde interesses que não são os do povo. É como falar de fé sem obras, aparências que tentam convencer, mas privilegiam interesses próprios ou de grupos particulares.

Na verdade, ser porta-voz é ser luz para o povo. Isto é diferente de ser opressor, que tira a esperança e a alegria das pessoas. Por outro lado, o povo quase não acompanha nem é resistente diante das atitudes dos políticos eleitos. É cômodo ser passivo, porque agir supõe coragem e enfrentamento. Não podemos ser cristãos apenas de bons sentimentos e intenções, porque a fé exige fidelidade e compromisso bem definidos, principalmente nos momentos decisivos da sociedade. Não basta confessar a fé, como o fez Pedro diante de Cristo. Temos de enfrentar as diversidades e maldades que impedem a realização do bem. É um caminho de cruz, de maturidade e coragem.

Dom Paulo Mendes Peixoto

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