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A santidade é a vocação do cristão

O primeiro chamado do cristão é a santidade

Desde a Antiga Aliança, Patriarcas, Deus chama o povo à santidade: “Eu sou o Senhor que vos tirou do Egito para ser o vosso Deus. Sereis santos porque Eu sou Santo”. (Lv 1, 44-45)

O desígnio de Deus é claro: uma vez que fomos criados à sua “imagem e semelhança” (Gn 1,26) e Ele é Santo, nós devemos ser santos também. O Senhor não deixa por menos. A medida e a essência dessa santidade é o próprio Deus. São Pedro repete esta ordem dada ao povo no deserto, em sua primeira carta, convocando os cristãos a imitarem a santidade de Deus:

“A exemplo da santidade daquele que vos chamou, sede também vós santos, em todas as vossas ações, pois está escrito: Sede santos, porque eu sou santo.” (1Pd 1,15-16)

São Pedro exige dos fieis que “todas as vossas ações” espelhem esta santidade de Deus, já que “vós sois, uma raça escolhida, um sacerdócio régio, uma nação santa, um povo adquirido para Deus, a fim de que publiqueis o poder daquele que das trevas vos chamou à sua luz maravilhosa”. (1Pd 2,9)Para São Pedro a vida de santidade era uma imediata consequência de um povo que ele chamava de “quais outras pedras vivas… materiais deste edifício espiritual, um sacerdócio santo”. (1Pd 2,5)

Neste sentido exortava os cristãos do seu tempo a romper com a vida carnal: “luxúrias, concupiscências, embriagues, orgias, bebedeiras e criminosas idolatrias” (1Pd 4,3)vivendo na caridade, já que esta “cobre a multidão dos pecados”. (1Pd 4,8)

Jesus, no Sermão da Montanha chama os discípulos à perfeição do Pai: “Sede perfeitos assim como o vosso Pai celeste é perfeito”. (Mt 5,48)

Essas palavras fazem eco ao que Deus já tinha ordenado ao povo no deserto: “Sede santos, porque eu sou santo”. (Lv 11,44)

Jesus falava da bondade do Pai, que ama não só os bons, mas também os maus, e que “faz nascer o sol tanto sobre os maus como sobre os bons, e faz chover sobre os justos e sobre os injustos”. (Mt 5,45) Jesus pergunta aos discípulos: “Se amais somente os quevos amam, que recompensa tereis?” (46). Para o Senhor, ser perfeito como o Pai celeste, é amar também os inimigos, os que não nos amam. “Amai os vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam, orai pelos que vos perseguem e vos maltratam”(44) e mais ainda: “Não resistais ao mau. Se alguém te ferir a face direita, oferece-lhe também a outra”. (39)

Sem dúvida não é fácil viver essa grande exigência que Jesus nos faz, mas é por isso mesmo que ao cumpri-las vamos nos tornando santos, perfeitos, como o Pai celeste.

Todo o Sermão da Montanha, que São Mateus relata nos capítulos 5, 6 e 7, apresenta-nos o verdadeiro código da santidade. É como dizem os teólogos, a “Constituição do Reino de Deus”. Santo Agostinho nos assegura que:

“Aquele que quiser meditar com piedade e perspicácia o Sermão que nosso Senhor pronunciou no Monte, tal como o lemos no Evangelho de São Mateus, aí encontrará, sem sombra de dúvida, a carta magna da vida cristã” (CIC, nº 1966).

É por isso que na festa de todos os Santos a Igreja nos faz meditar no Evangelho das Bem-aventuranças, que são o início, e como que o resumo, de todo o Sermão do Monte.

São Paulo começa quase todas as suas Cartas lembrando os cristãos do seu tempo de que são chamados à santidade. Aos romanos, logo no início, ele se dirige dizendo:

“A todos os que estão em Roma, queridos de Deus, chamados a serem santos“. (Rm 1,7)

Aos corintios ele repete: “à Igreja de Deus que está em Corinto, aos fiéis santificados em Cristo Jesus chamados à santidade com todos…” (1Cor 1,2).

Aos efésios ele lembra, logo no início, que o Pai nos escolheu em Cristo “antes da criação do mundo para sermos santos e irrepreensíveis diante de seus olhos” (Ef 1,5).

Aos filipenses ele pede que: “o discernimento das coisas úteis vos torne puros e irrepreensíveis para o dia de Cristo” (Fil 1,10).

“Fazei todas as coisas sem hesitações e murmurações a fim de serdes irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus íntegros no meio de uma geração má e perversa” (Fil 2,14) .

Para o Apóstolo a santidade é a grande vocação do cristão. Ele diz aos efésios:

“Exorto-vos pois (…) que leveis uma vida digna da vocação a qualfostes chamados, com toda humildade, mansidão e paciência”. (Ef 4,1)

De maneira mais clara ainda ele fala aos tessalonicenses sobre o que Deus quer de nós:

“Esta é a vontade de Deus: a vossa santificação; que eviteis a impureza; que cada um de vós saiba possuir o seu corpo em santificação e honestidade, sem se deixar levar pelas paixões desregradas como fazem os pagãos que não conhecem a Deus”. (1 Tess 4,3-5)

Aos cristãos de Corinto, Paulo volta a insistir na sua segunda Carta:

“Purifiquemo-nos de toda a imundice da carne e do espírito realizando a obra de nossa santificação no temor de Deus” (2 Cor 7,1) e também a carta aos Hebreus, nos manda procurar a santidade:

“Procurai a paz com todos e ao mesmo tempo a santidade, sem a qual ninguém pode ver o Senhor”. (Hb 12,14)

Santa Teresa de Ávila afirma que: “O demônio faz tudo para nos parecer um orgulho o querer imitar os santos”.

A santidade é o meio de voltarmos a ser “imagem e semelhança” de Deus, conforme saímos de suas mãos.

São Paulo ensina na carta aos romanos que Deus nos quer como autênticas imagens de Jesus:

“Os que ele distinguiu de antemão, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que este seja o primogênito entre uma multidão de irmãos”. (Rm 8,29)

A santificação, portanto, consiste em cada cristão se transformar numa cópia viva de Jesus, “um outro Cristo” como diziam os santos Padres. Quando a imagem de Jesus estiver formada em nossa alma, então teremos chegado à meta que Deus nos propõe. É aquele estado de vida que levou, por exemplo, São Paulo a exclamar:“Eu vivo, mas já não sou mais eu, é Cristo que vive em mim. A minha vida presente, na carne, eu a vivo na fé no Filho de Deus”. (Gl 2,20)

Jesus sofreu a sua Paixão e Morte para que recuperássemos diante do Pai a santidade. É o que o Apóstolo nos ensina: “Eis que agora Ele vos reconciliou pela morte de seu corpo humano, para que vos possais apresentar santos, imaculados, irrepreensíveis aos olhos do Pai”. (Col 1,22)

Fomos criados por Deus e para Deus, e a Ele pertencemos; por isso, somos chamados à santidade. O salmista canta essa verdade essencial:

“Ele é nosso Deus; nós somos o povo de que ele é o pastor,

“As ovelhas que as suas mãos conduzem.” (Sl 94,7)

“Sabei que o Senhor é Deus: somos o seu povo e as ovelhas de seu rebanho.” (Sl 99,3)

Essa pertença a Deus é que nos obriga acima de tudo a buscarmos como meta da nossa vida a santidade, que é a marca de Deus, três vezes Santo. O Papa João Paulo II, que era um pregador incansável da santidade, disse certa vez:

“Não tenhais medo da santidade, porque nela consiste a plena realização de toda a autêntica aspiração do coração humano.” (LR,N.17, 7/4/96)

“Entre as maravilhas que Deus realiza continuamente, reveste singular importância a obra maravilhosa da santidade, porque ela se refere diretamente à pessoa humana.”

E o Papa resume tudo dizendo que:

“A santidade é a plenitude da vida.” (LR, N.20, 18/5/96)

Com a mesma ênfase, São Paulo afirma para os corintios que não nos pertencemos, porque fomos comprados por um alto preço que é o sangue de Cristo (cf. 1 Cor 6,19). Aos romanos o Apóstolo diz: “Nenhum de vós vive para si e ninguém morre para si. Se vivemos, vivemos para o Senhor; se morremos, morremos para o Senhor. Quer vivamos, quer morramos, pertencemos ao Senhor. (Rm 14,7)

Qual o valor das bênçãos dadas pelos padres artistas que trabalham no rádio ou na televisão?

BÊNÇÃOS À DISTÂNCIA
Qual o valor das bênçãos dadas pelos padres artistas que trabalham no rádio ou na televisão sobre a água que fica em cima do rádio?
Aquela bênção realmente funciona?
A Igreja autoriza isso ou devemos receber isto com um certo cuidado?
Pe. Zezinho, SCJ

Em primeiro lugar, deve ficar bem claro que devoção é uma coisa e Sacramento é outra. Os fiéis têm o direito de praticar devoções e viver alguns sinais que favoreçam a prática da fé, mas nenhuma das devoções é obrigatória; já os Sacramentos para a Igreja têm maior peso e este é objeto de estudo, de regulamentos e de normas muito claras porque é uma vivência aprovada universalmente, de unidade da fé católica. Isto posto, a sua pergunta deve ser respondida da seguinte maneira: se formos lógicos ao aprovarmos e acreditarmos que uma bênção dada pelo rádio realmente abençoou aquela água teremos que permitir também uma missa pelo rádio e amanhã, nada obsta[1] que os fiéis que receberam uma benção do padre XYZ para o seu copo d’água no rádio, nada impede que eles coloquem um cálice com vinho e as hóstias para que também o padre as consagre através do rádio; se vale abençoar a água porque não valeria consagrar o vinho e o pão? Como você vê, não é muito fácil esse assunto de fé virtual. Se o padre tem o poder de abençoar aquela água à distância também vai poder celebrar missa à distância. Acontece que a Igreja proíbe a celebração de missa à distância e não considera válido que os fiéis recebam do cálice o vinho ou pão consagrados através da televisão à distância. Então, também não deve permitir benzeduras com aquela água que foi abençoada através da televisão à distância. É questão de lógica. Respondendo a você, eu não faço isso porque tenho sérias dúvidas sobre a validade desse tipo de bênção. Jesus pode abençoar à distância, como no caso do servo, mas Jesus era Filho de Deus e eu não sou, por mais que seja mensageiro ou porta voz dele; a Igreja não vê com naturalidade esse tipo de prática. Deixa muitas dúvidas no ar… Na dúvida, prefiro não brincar com um sacramental tão sério que é a água benta. Não, eu jamais abençoaria a água pelo rádio; acho que a Igreja não aprova. Pós escrito: existe uma bênção e comunhão espiritual que é muito diferente disto que esses companheiros estão ensinando a você… Duvido que aquela água realmente foi abençoada…

[1] Obsta: atrapalha

 

Bênção pela mídia
Fonte: www.padrezezinhoscj.com
Autor: Pe. José Fernandes de Oliveira, scj

Não é incomum ver pregadores católicos, evangélicos e pentecostais abençoarem através da mídia. Nada mais natural, pois a benção não está restrita a lugar. Percebe-se, com freqüência, que alguns deles, abençoam copos de água e o bebem e sugerem a quem pôs o copo de água diante da televisão e do rádio, que também o beba. Atribuem poder de benção sobre objetos à distância. Isso também está na Bíblia. Mas, daí a concluir que a benção dada pelo pastor ou padre, pelo padre ou pastor, através da televisão é mais forte do que a benção dada pelo seu pároco é um passo ousado. Equivale a dizer que a benção de perto, dada pelo padre em carne e osso, vale menos do que a benção de longe dada pelo pregador famoso. Aí confunde-se a fama do pregador com o poder de benção que ele tem. O que não é a mesma coisa! Se é para receber a benção de uma Igreja, qualquer pregador daquela Igreja, por ela autorizado, deve dá-la. Pode-se recebê-la pelo rádio, ou pessoalmente, lá na Igreja matriz com o pároco. Não é porque um padre famoso fez o sinal da cruz a dois mil quilômetros e a benção veio televisão que, de repente, a benção do padre a quinhentos metros daquela casa valerá menos! Mas é o que tem acontecido! Foi a história a mim contada por um pároco de cidade do interior de Minas Gerais, que ouviu da fiel, que morava a menos de um quilômetro da sua Igreja, que ela não ia perder tempo de andar um quilômetro para ir receber uma benção, se ela poderia recebê-la na casa dela, sentada, pela televisão, por um padre que tinha mais poder do que ele, porque abençoava mais gente do que ele. O pároco se calou, diante do marido dela, estupefato ele com a dureza da esposa. Mais tarde o marido foi ao padre pedir desculpas. Ele, o esposo não pensava daquele jeito. Disse: – “Minha mulher se deixou influenciar por alguns pregadores de televisão. Porque eles estão mais lá em casa do que o senhor, concluiu que os pastores dela são aqueles que falam pela televisão. Para ele é mais fácil porque podem estar em milhões de casas ao mesmo tempo, para o senhor eu sei que é difícil, porque uma coisa é pregador de mídia e outra é pregador de paróquia. Minha mulher ainda não entendeu isso. Ela foi convencida pela mídia e pelo marketing e ainda não conseguiu estabelecer a diferença. Para ela, padre de mídia tem mais autoridade do que o bispo e o pároco. Mil perdões por minha esposa. Não há santo que a convença que pregador famoso não é o mesmo que pregador preparado”. Embora com a língua a coçar, o pároco nunca falou do fato na paróquia. Limitou-se a me pedir que, na entrevista que eu daria na emissora de rádio, eu transmitisse essa catequese, coisa que eu fiz com muito prazer, porque acredito que padre de mídia não pode substituir padre de paróquia, de hospital e de colégio e por achar que o dízimo primeiro deve ser dado à paróquia e só depois alguma contribuição para o movimento ou para a televisão. No máximo somos humildes colaboradores. Nunca podemos usurpar. Cabe a nós que trabalhamos na mídia dizer com clareza: – “Minha benção vale menos ou tanto quanto outras bênçãos. Não atribua a mim uma santidade ou um poder que eu não tenho só porque estou na mídia. Seu padre aí pertinho da sua casa, tem muito mais direito do que eu até porque tem mais deveres junto a você.” É o que digo, falo e faço. Sei dos limites de trabalhar na mídia, sei também do valor de um bispo e de um sacerdote que se desgastam no seu cotidiano pelo bem do povo de Deus a ele confiado. Trabalhar na mídia pode até ser mais sensacional, mas não é nem deve ser mais importante. Registre-se esta observação de quem já tem 45 anos de mídia!…

Sede de poder e deslealdade são incompatíveis com o serviço

Terça-feira, 8 de novembro de 2016, Da Redação, com Rádio Vaticano

Santo Padre reiterou na Missa de hoje que não se pode servir Deus e o mundo

Para servir bem o Senhor, não se pode ser desleal nem buscar o poder. Essa é a síntese da homilia do Papa Francisco na Missa celebrada nesta terça-feira, 8, na Casa Santa Marta. O Pontífice reiterou que não se pode servir Deus e o mundo.

“Somos servos inúteis”, disse o Papa, reiterando que “todo verdadeiro discípulo do Senhor deve repetir esta afirmação repetir a si mesmo”. Mas quais são, questiona o Papa, os obstáculos que impedem de servir o Senhor com liberdade? São muitos, constata com amargura, e um é a sede de poder.

“Quantas vezes vimos, até em nossas casas: ‘aqui sou eu que comando!’. E quantas vezes, sem dizê-lo, fizemos ouvir aos outros ‘que aqui eu comando’, não? Mostrar isso… A sede de poder… E Jesus nos ensinou que aquele que comanda se torna como aquele que serve. Ou se alguém quiser ser o primeiro, seja servidor de todos. Jesus reverte os valores da mundanidade, do mundo. E este desejo de poder não é o caminho para se tornar um servo do Senhor, ao contrário: é um obstáculo, um destes obstáculos que rezamos ao Senhor para que afaste de nós”.

Não à deslealdade de quem quer servir Deus e o dinheiro

O outro obstáculo, segundo o Papa, se verifica também na vida da Igreja e é a deslealdade. Isto acontece quando alguém quer servir o Senhor enquanto serve outras coisas que não são o Senhor.

“O Senhor nos disse que nenhum serviço pode ter dois patrões. Ou serve Deus ou serve o dinheiro. Foi Jesus que o disse. E este é um obstáculo: a deslealdade; que não é o mesmo de ser pecador. Todos somos pecadores e nos arrependemos disso, mas ser desleais é fazer jogo duplo, não? Jogar à direita e à esquerda, jogar com Deus e jogar com o mundo, não? Isto é um obstáculo. Aquele que tem sede de poder e aquele que é desleal dificilmente podem servir ou serem servos livres do Senhor”.

Estes obstáculos, a sede de poder e a deslealdade, retomou Francisco, tiram a paz e causam um tremor no coração que não deixa em paz, mas sempre ansioso. E isto leva a viver na tensão da vaidade mundana, viver para aparecer.

Quanta gente vive somente para ser vitrina, ponderou o Papa, para aparecer, para que digam: ‘Ah, como ele é bom…’, tudo pela fama. Fama mundana”. E assim não se pode servir o Senhor”. Por isso, acrescentou o Santo Padre, “pedimos ao Senhor para remover os obstáculos para que com serenidade, seja do corpo, seja do espírito, possamos dedicar-nos livremente ao seu serviço”.

“O serviço de Deus é livre: nós somos filhos, não escravos. E servir Deus em paz, com serenidade, quando Ele mesmo tirou de nós os obstáculos que tiram a paz e serenidade, é servi-Lo com a liberdade. E quando servimos o Senhor com liberdade, sentimos a paz ainda mais profunda, não é verdade? Da voz do Senhor: ‘Oh, vem, vem, vem, servo bom e fiel’. E todos nós queremos servir o Senhor com bondade e fidelidade, mas precisamos de sua graça: sozinhos não podemos. E por isso, pedir sempre esta graça, que seja Ele a remover esses obstáculos, que seja Ele a nos dar essa serenidade, essa paz do coração para servi-Lo livremente, não como escravos: mas como filhos”.

“Liberdade no serviço”. Francisco evidencia, assim, que também quando o serviço é livre, deve-se repetir que “somos servos inúteis” conscientes de que sozinhos não se pode fazer nada. “Somente devemos pedir e dar espaço para que Ele faça em nós, e Ele nos transforme em servos livres, em filhos, não em escravos. Que o Senhor nos ajude a abrir o coração e deixar trabalhar o Espírito Santo, para que remova de nós esses obstáculos, especialmente o desejo de poder que faz tanto mal, e a deslealdade, a dupla face de querer servir Deus e o mundo. E assim nos dê essa serenidade, essa paz para poder servi-Lo como filho livre, que no final, com muito amor, Lhe diz: ‘Pai, obrigado, mas o Senhor sabe: eu sou um servo inútil”.

Em homilia, Papa diz que cristãos devem rezar pelos governantes

Segunda-feira, 18 de setembro de 2017, Da Redação, com Rádio Vaticano

Na homilia de hoje, Papa destacou que é preciso acompanhar os governantes com a oração

O Papa Francisco presidiu a Missa na Capela da Casa Santa Marta nesta segunda-feira, 18, e em sua homilia pediu aos cristãos para rezarem pelos seus governantes, apesar de seus erros. O Pontífice pediu também aos governantes para rezar, caso contrário, correm o risco de fecharem-se no próprio grupo. O governante que tem a consciência de ser subalterno ao povo e a Deus, reza.

A reflexão de Francisco partiu da Primeira Leitura de hoje e do Evangelho. Na primeira leitura, São Paulo aconselha a Timóteo a rezar pelos governantes. No Evangelho, há um governante que reza: é o oficial romano que tinha um empregado que estava doente. Amava o povo, não obstante fosse estrangeiro, e amava o empregado, pois, de fato, se preocupava.

“Este homem sentiu a necessidade de rezar”, disse o Papa. Ele explicou que o homem rezava não somente porque amava, mas também porque tinha a consciência de não ser o patrão de tudo, de não ser a última instância. Sabia que, acima dele, há outro que comanda. Havia subalternos, soldados, mas ele também estava na condição de subordinado. E isso o levou a rezar. O governante que tem essa consciência, reza.

“Se não reza, fecha-se na própria ‘autorreferencialidade’ ou na de seu partido, naquele círculo do qual não se sai. É um homem fechado em si mesmo. Porém, quando vê os problemas verdadeiros, tem a consciência de ser subalterno, que existe outro que tem mais poder que ele. Quem tem mais poder do que o governante? O povo, que lhe deu o poder, e Deus, do qual vem o poder através do povo. Quando um governante tem a consciência de ser subordinado, reza”.

A oração do governante

O Papa Francisco ressaltou a importância da oração do governante, porque é a oração para o bem comum do povo que lhe foi confiado. Ele recordou, a esse propósito, a conversa com um governante que todos os dias passava duas horas em silêncio diante de Deus, apesar de ter muitos afazeres. É preciso pedir a Deus a graça de governar bem como Salomão, que não pediu a Deus ouro ou riquezas, mas sabedoria para governar.

Os governantes, diz Francisco, devem pedir ao Senhor essa sabedoria. “É tão importante que os governantes rezem”, reiterou o Papa. Nessa oração, pedir ao Senhor que não cancele a “consciência de ser subalterno” a Deus e do povo.

E a quem poderia se opor dizendo ser agnóstico ou ateu, o Papa diz: “Se você não pode rezar, confronte-se”, “com a sua consciência”, com “os sábios do seu povo”, mas “não fique sozinho com o pequeno grupo do seu partido”, ressalta. “Isto é ser auto-referencial”.

Rezar pelos governantes

Na primeira leitura, Paulo convida a rezar pelos reis, “para que – afirma – possamos levar uma vida calma, pacífica, digna e dedicada a Deus”. Francisco observa que, no entanto, quando um governante faz algo que não agrada, ele é criticado ou, de outra forma, louvado. É deixado sozinho com o seu partido, com o Parlamento.

“’Não, eu o votei – eu o votei’ – ‘Eu não o votei, problema seu’. Não, não podemos deixar os governantes sozinhos: devemos acompanhá-los com a oração. Os cristãos devem rezar pelos governantes. “Mas, Padre, como vou rezar por ele que faz tantas coisas ruins?”. Ele precisa mais do que nunca da oração. Reze, faça penitência pelo governante. A oração de intercessão – isso é tão bonito que Paulo diz – é para todos os reis, para todos aqueles que estão no poder. Por quê? Porque podemos levar uma vida calma e tranquila. Quando o governante é livre e pode governar em paz, todo o povo irá se beneficiar disso”.

E o Papa conclui pedindo que se faça um exame de consciência sobre a oração pelos governantes. “Peço-lhes um favor: cada um de vocês pegue hoje cinco minutos, não mais. Se você é um governante, se pergunte: ‘Eu rezo por aquele que me deu o poder através do povo?’ Se não é um governante, ‘rezo pelos governantes? Sim, por esse e por aquele sim, porque gosto deles; por aqueles outros, não’. Esses têm mais necessidade do que os outros! ‘Rezo por todos os governantes?’ E se você perceber, quando faz exame de consciência para se confessar, que não reza pelos governantes, leve isso à confissão. Porque não rezar pelos governantes é um pecado”.

Natividade de Nossa Senhora – 08 de Setembro

Por Mons. Inácio José Schuster

Evangelho segundo São Mateus 1, 1-16.18-23

Genealogia de Jesus Cristo, filho de David, filho de Abraão: Abraão gerou Isaac; Isaac gerou Jacob; Jacob gerou Judá e seus irmãos; Judá gerou, de Tamar, Peres e Zera; Peres gerou Hesron; Hesron gerou Rame; Rame gerou Aminadab; Aminadab gerou Nachon; Nachon gerou Salmon; Salmon gerou, de Raab, Booz; Booz gerou, de Rute, Obed; Obed gerou Jessé; Jessé gerou o rei David. David, da mulher de Urias, gerou Salomão; Salomão gerou Roboão; Roboão gerou Abias; Abias gerou Asa; Asa gerou Josafat; Josafat gerou Jorão; Jorão gerou Uzias; Uzias gerou Jotam; Jotam gerou Acaz; Acaz gerou Ezequias; Ezequias gerou Manassés; Manassés gerou Amon; Amon gerou Josias; Josias gerou Jeconias e seus irmãos, na época da deportação para Babilônia. Depois da deportação para Babilónia, Jeconias gerou Salatiel; Salatiel gerou Zorobabel; Zorobabel gerou Abiud. Abiud gerou Eliaquim; Eliaquim gerou Azur; Azur gerou Sadoc; Sadoc gerou Aquim; Aquim gerou Eliud; Eliud gerou Eleázar; Eleázar gerou Matan; Matan gerou Jacob. Jacob gerou José, esposo de Maria, da qual nasceu Jesus, que se chama Cristo. Ora, o nascimento de Jesus Cristo foi assim: Maria, sua mãe, estava desposada com José; antes de coabitarem, notou-se que tinha concebido pelo poder do Espírito Santo. José, seu esposo, que era um homem justo e não queria difamá-la, resolveu deixá-la secretamente. Andando ele a pensar nisto, eis que o anjo do Senhor lhe apareceu em sonhos e lhe disse: «José, filho de David, não temas receber Maria, tua esposa, pois o que ela concebeu é obra do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho, ao qual darás o nome de Jesus, porque Ele salvará o povo dos seus pecados.» Tudo isto aconteceu para se cumprir o que o Senhor tinha dito pelo profeta: Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho; e hão-de chamá-lo Emanuel, que quer dizer: Deus conosco.

Hoje, oito de setembro, nós celebramos a Natividade, isto é, o nascimento da Virgem Maria. Não se trata de uma festa escriturística ou bíblica, nada há na Escritura a respeito do nascimento de Nossa Senhora. Não conhecemos com exatidão os nomes de seus pais, que uma tradição ocidental convencionou chamar Joaquim e Ana. Não sabemos onde Nossa Senhora nasceu, em que ano ela nasceu, e com quantos anos ela deixou este mundo. Com outras palavras ignoramos a extensão da vida da Virgem Maria. Eu gostaria de transmitir a todos hoje um aspecto de Nossa Senhora que me chamou muito a atenção ultimamente e me foi transmitido por um sacerdote profundo. Dizia-me: “Padre já teve em mente o seguinte: a pessoa mais querida de Deus, a pessoa que hoje depois de Jesus Cristo, é a mais celebrada na Igreja e a pessoa mais desconhecida?” O que terá feito Nossa Senhora durante toda a vida que esteve neste mundo? Absolutamente nada de extraordinário, ninguém deve ter dado muita importância a Nossa Senhora, ninguém deve ter pedido ou suplicado graça alguma a Nossa Senhora. Deve ter vivido uma vida de família, e depois de viuvez e solidão, bastante provada para os parâmetros deste mundo aqui. Deus não terá poupado Nossa Senhora como nem mesmo Jesus Cristo foi libertado de suas angustias e suas dores. A pessoa mais querida, a criatura mais ovacionada na nossa Igreja, foi uma mulher do povo, que cresceu no meio do povo, uma mulher que jamais se distinguiu do povo, em vida nunca se sobressaiu por nada, uma mulher que simplesmente levou uma vida de dona de casa, que nunca realizou nada de extraordinário, uma vida totalmente escondida com Cristo em Deus. Hoje esta mulher é aclamada. No mundo inteiro hoje, nove meses depois de oito de dezembro, depois de termos celebrado a sua Imaculada Conceição, celebramos o seu nascimento. No dia da Assunção celebramos outro nascimento: o seu nascimento para a Glória. Poderíamos dizer que Deus esconde para si dos olhares curiosos deste mundo, todas as pessoas que Ele escolhe, ou que Ele ama com carinho todo especial.

 

Hoje desponta a aurora da salvação
Santo André de Creta (660-740), monge e bispo
Homilia 1, para a Natividade da Santa Mãe de Deus; PG 97, 805 (a partir da trad. do breviário francês)

Já não vivemos sob a escravidão dos elementos do mundo, como diz o apóstolo Paulo. Já não estamos submetidos à letra da Lei (Col 2, 8; Rom 7, 6). Com efeito, é nisto que consiste o essencial das graças de Cristo; é aqui que o mistério se manifesta e que a natureza é renovada: Deus fez-se homem e a humanidade assim assumida é divinizada. Foi, portanto, necessário que a esplêndida habitação de Deus, tão visível entre os homens, fosse precedida por uma introdução à alegria, de que decorreria para nós o magnífico dom da salvação. Tal é o objeto da festa que celebramos: o nascimento da Mãe de Deus inaugura o mistério que tem por conclusão e termo a união do Verbo com a carne. […] Agora que a Virgem acaba de nascer e se prepara para ser Mãe do Rei universal de todos os séculos […], é o momento em que recebemos do Verbo uma dupla mercê: somos conduzidos à verdade e libertados da vida de escravidão sob a letra da Lei. Como? Por que forma? Sem dúvida nenhuma, porque as sombras se desvanecem com a chegada da luz, porque a graça faz com que a liberdade substitua a letra. A festa que celebramos está nesta fronteira, porque faz a ligação entre a verdade e as imagens que a prefiguram, substitui o que era velho por coisas novas. […] Que toda a criação cante e dance e dê o seu melhor contributo para a alegria deste dia! Que o céu e a terra formem hoje uma única assembléia! Que tudo o que está no mundo e acima do mundo se una no mesmo concerto de festa. Com efeito, hoje o santuário criado eleva-se até onde residirá o Criador do universo. E uma criatura é preparada, por esta disposição inteiramente nova, para oferecer ao Criador uma morada santa.

 

Festa da Natividade de Nossa Senhora
Santo Antônio de Pádua  

1. Digamos: A gloriosa Virgem Maria foi como a estrela da manhã entre as nuvens. Escreve o Eclesiástico: A beleza do céu é a glória das estrelas, que ilumina o mundo (Eclo 43, 10). Nestas três palavras observam-se os três fatos que resplandeceram admiravelmente na Natividade de Maria Santíssima. Primeiramente, a exultação dos Anjos, quando se diz: A beleza do céu. Conta-se que um homem santo, mergulhado em devota oração, ouviu a doce melodia dum canto angélico no céu. Passado um ano, no mesmo dia, voltou a ouvi-lo e perguntou ao Senhor que lhe revelasse o que vinha a ser aquilo. Foi-lhe respondido que nesse dia nascera Maria Santíssima. Por esse motivo, os Anjos no céu cantavam louvores ao Senhor. Esta a razão de se celebrar nesse dia a Natividade da gloriosa Virgem. Na segunda palavra observa-se o segundo fato, a pureza da sua Natividade, quando se afirma: A glória das estrelas. Assim como uma estrela difere de outra estrela em claridade (1Coríntios 15, 41), assim a Natividade da Virgem Maria difere da natividade de todos os santos. Na terceira palavra observa-se o terceiro fato, a iluminação de todo o mundo, quando se diz: Que ilumina o mundo. A natividade da gloriosa Virgem iluminou o mundo, coberto de trevas e da sombra da morte. E por isso diz bem o Eclesiástico: Como estrela da manhã no meio da névoa etc. Maria Santíssima, mensageira do Salvador e perfeita em tudo.

2. A estrela da manhã é chamada de Lúcifer, por luzir mais claramente entre todos os astros. Por isso é chamada a estrela por excelência. Lúcifer, precedendo o sol e anunciando a manhã, com a luz do seu fulgor afasta as trevas da noite. A estrela da manhã ou Lúcifer é Maria Santíssima, que, nascida no meio da névoa, afugentou a névoa tenebrosa, e na manhã da graça anunciou o sol da justiça aos que habitavam nas trevas. Dela diz o Senhor a Jó: És tu porventura que fazes aparecer a seu tempo a estrela da manhã (Jó 38, 32). Quando chegou o tempo da misericórdia (Salmo 101, 14), o tempo de edificar a casa do Senhor, o tempo aceitável e o dia da salvação, o Senhor fez aparecer a estrela da manhã, Maria Santíssima, para luz dos povos. Os povos devem dizer o que disseram a Judite, como se lê no seu livro: O Senhor abençoou-te com a sua fortaleza, porque ele por ti aniquilou os nossos inimigos… Ó filha, tu és bendita do Senhor Deus altíssimo, sobre todas as mulheres que há sobre a terra. Bendito seja o Senhor, que criou o céu e a terra, que te dirigiu para cortares a cabeça ao príncipe dos nossos inimigos. Porque hoje engrandeceu o teu nome tanto, que nunca o teu louvor se apartará da boca dos homens (Judite 13, 22-25). Foi, portanto, Maria Santíssima, na sua Natividade, como a estrela da manhã. Dela diz ainda Isaías: Sairá uma vara do tronco de Jessé, e uma flor brotará da sua raiz (Isaías 11, 1). Repare-se que Maria Santíssima se chama vara, por causa das cinco propriedades que esta possui: é longa, reta, sólida, grácil e flexível. Maria Santíssima foi longa na contemplação, reta na perfeição da justiça, sólida na estabilidade do entendimento, grácil na pobreza, flexível na humildade. Esta vara saiu da raiz de Jessé, pai de Davi, de quem proveio Maria, da qual nasceu Jesus, que se chama o Cristo (Mateus 1, 16). Por isso se lê no Evangelho de hoje: Livro da geração de Jesus Cristo, filho de Davi (Mateus 1, 1).

3. Sairá uma vara da raiz de Jessé e uma flor sairá das suas raízes. Vejamos o que significam, no sentido moral, as três palavras: raiz, vara, flor. A raiz significa a humildade de coração; a vara, a retidão da confissão e a disciplina da satisfação; a flor, a esperança da felicidade eterna. Jessé interpreta-se ilha ou sacrifício, e significa o penitente, cujo espírito deve ser uma espécie de ilha. Chama-se ilha, por estar situado no sal, isto é, no mar. O espírito do penitente situa-se no mar, ou seja, na amargura. O penitente é batido pelas ondas das tentações e, todavia, fica firme. E oferece ao Senhor um sacrifício em odor de suavidade. A raiz de Jessé é a humildade da contrição, de que sai a vara da confissão reta e a disciplina da discreta mortificação. E observe-se que a flor não brota do cimo da vara, mas da raiz. Uma flor brotará da sua raiz, porque a flor, ou a esperança da felicidade eterna, brota, não da mortificação do corpo, mas da humildade do espírito. Com tudo isto concorda o que se lê no Evangelho de hoje, em que São Mateus, descrevendo a geração de Cristo, primeiro põe Abraão, em segundo lugar Davi, em terceiro a transmigração da Babilônia. Abraão que disse: Falarei ao meu Senhor, embora eu seja pó e cinza (Gênesis 18, 27), designa a humildade do coração; Davi, cujo coração reto esteve com o Senhor: Encontrei Davi, um homem segundo o meu coração (Atos 13, 22), a retidão da confissão; a transmigração de Babilônia, a disciplina da mortificação e a tolerância da tribulação. Se existirem em ti estas três gerações, conseguirás a quarta geração, a de Jesus Cristo, que nasceu da Virgem Maria, de cuja Natividade se diz hoje: Como a estrela da manhã no meio da névoa.

4. E enfim: E como a lua cheia brilha durante a sua vida. Maria Santíssima chama-se lua cheia, porque perfeita sob todos os aspectos. A lua é imperfeita no quarto crescente ou minguante, porque tem mancha e pontas. Mas a gloriosa Virgem nem na sua Natividade teve mancha, porque foi santificada no ventre materno e guardada pelos Anjos, nem durante a vida possuiu as pontas da soberba, e, por isso, brilha plena e perfeita. Chama-se luz, por diluir as trevas. Rogamos-te, portanto, Senhora nossa, que tu, Estrela da manhã, afastes com o teu esplendor a névoa da sugestão diabólica, que encobre a terra do nosso espírito; tu que és a lua cheia, enchas o nosso vazio, diluas as trevas dos nossos pecados, a fim de que mereçamos chegar à plenitude da vida eterna, à luz da glória sem falha. Auxilie-nos o Senhor, que te criou para seres a nossa luz. Para nascer de ti, fez-te nascer hoje. A Ele seja prestada honra e glória pelos séculos dos séculos. Amém.   Santo Antônio de Lisboa, Obras Completas, Lello & Irmão – Editores, 1987, Volume I, pp. 901-905. Compilação: Frei Antônio Corniatti, OFM Conv

 

Natividade de Nossa Senhora
P. António Vieira, Sermão do Nascimento da Mãe de Deus, pregado em Odivelas

Maria sabe para que nasceu
Se eu licitamente me pudera queixar do Evangelista, neste dia me queixara, e cuido que com razão. Cala nele o Evangelho três coisas não pequenas, que devera dizer, e diz só uma, posto que grande, que devera calar. A obrigação dos historiadores dos nascimentos das grandes personagens é dizer o lugar onde nasceram, o tempo em que nasceram, e os pais de quem nasceram. E celebrando o mundo hoje o Nascimento da maior Pessoa depois de Deus, que saiu à luz do mesmo mundo, o Evangelho que conta e nos propõe a Igreja Católica: nem do lugar, nem do tempo, nem dos pais de que nasceu, faz menção ou memória alguma. Isto é o que cala o Evangelista que devera dizer. E que é o que diz, que devera calar? – Diz que de Maria, nasceu Jesus. É verdade que antecipando os olhos ao futuro, a soberana Princesa que hoje nasce, nasce para que d’Ela haja de nascer Jesus; mas se o Evangelista cala o mundo, se cala o donde, e se cala o de quem nasceu: porque diz o para quê? Bem se mostra que a pena que isto escreveu foi tirada das asas do Espírito Santo… Nos nascimentos humanos, fazem grande caso os filhos de Adão (…) da grandeza da terra e da pátria onde nascem; estimam, e estimam-se sobretudo da nobreza da geração e pais de que nascem. Mas quando nasce A que o Espírito Santo preveniu com a Graça Original para Esposa sua, não quer o mesmo Espírito Santo que se diga que nasceu na sexta idade do mundo, e no quarto ano da Olimpíada cento e noventa; nem que nasceu na cidade de Nazaré, chamada por antonomásia Flor da Galiléia; nem que nasceu de Joaquim e Ana – nos quais se uniu desde Abraão e David por legítima e continuada descendência o sangue de todos os Patriarcas e Reis -, e só manda escrever, que nasce A de que nasceu Jesus. Por quê? – Porque só quando se sabe o para que nasceu cada um, se pode fazer verdadeiro juízo do seu nascimento. Quereis saber quão feliz, quão alto e quão digno de ser festejado o Nascimento de Maria? – Vede o para que nasceu. Nasceu para que d’Ela nascesse Deus: da qual nasceu Jesus. (…).

Figuras de Maria
Nasce hoje Eva para meter debaixo do pé e quebrar a cabeça à antiga e enganadora Serpente, que com o veneno original tinha infeccionado toda a sua descendência. Nasce hoje Sara para ser Mãe universal da Fé, e de todos os que desde então haviam de esperar escuramente, e depois crer com toda a luz, a divindade do Messias. Nasce Rebeca para tirar a bênção do cego Isaac ao rústico e fero Isaú, e dá-la ao manso e religioso Jacob. Nasce Raquel para ser a mais formosa, a mais servida e mais amada que Lia, mas como Lia a mais fecunda. Nasce Ester para ser a maior Senhora do Mundo, a mais respeitada do seu Supremo Monarca, isenta de todas as leis e superior a todas. Nasce Débora, a famosa guerreira, a quem seguiam como soldados em ordenados esquadrões as estrelas do céu, e por quem os soldados venciam sem ferida como estrelas na terra. Nasce Judite para libertar dos exércitos inimigos a sitiada Betúlia, e arvorar sobre seus muros, cortada com a própria espada, a cabeça do soberbo Holofernes. Nasce Abigail para convencer com a sua prudência e aplacar com a sua piedade, não a David descortesmente ofendido, mas ao mesmo Deus das vinganças justamente irado. Nasce Rute não só para colher, mas para regar com orvalho do céu e criar as espigas, de que irá fazer o pão que sustentará o mundo. Nasce finalmente hoje Maria, não a irmã, mas a Mãe do verdadeiro Moisés, para passar o Mar Vermelho a pé enxuto, para ser a primeira que cante o triunfo da tirania do Faraó, e a primeira que ponha os passos seguros no caminho da Terra da Promissão.(…) Nasce (ide agora lembrando-vos ou desenrolando as figuras). Nasce para se Arca de Noé, em que o gênero humano afogado no dilúvio se reparasse do naufrágio universal do mundo; nasce para ser Escada de Jacob, e não para que os descuidados de sua salvação se não aproveitassem d’Ela, como o mesmo Jacob dormindo, mas para que vigilantes e seguros subam por Ela da terra ao Céu; nasce como Vara de Moisés, para ser o instrumento de todas as maravilhas de Deus, e a segunda jurisdição, fama e alegria de sua Onipotência; nasce para ser o verdadeiro e infalível Propiciatório em que Deus, ofendido e irado, trocada a justiça em misericórdia, O tenhamos sempre propício; nasce para ser Trono do Rei dos reis, o Salomão divino, ao qual trono as três hierarquias das criaturas visíveis e as três das invisíveis servem de peanha, não humildes como degraus por se confessarem sujeitas a sua grandeza, mas soberbas como leões por acrescentarem altura a sua majestade; nasce para ser Torre fortíssima de David, fornecida e armada de milhares de escudos, tão prontos, sempre à nossa defesa, como seguros e impenetráveis a todos os golpes de nossos inimigos; nasce para ser verdadeira Arca do Testamento, coroada com as duas coroas de Mãe e Virgem, dentro da qual não só se conservam inteiras as Tábuas da Lei, mas esteve e está encerrado o Maná que desceu do Céu, donde quotidianamente O podemos colher, por isso coberto e encoberto, mas não fechado. Nasce para ser, não uma, senão as duas árvores famosas do Paraíso terreal: a da Vida e a da Ciência; porque d’Ela havia de nascer o Bendito Fruto em que estão depositados todos os tesouros da Ciência e Sabedoria de Deus, e o da Vida da Graça, no mesmo Paraíso perdida, e por Ela restaurada; Nasce para ser em seus passos como os daquelas duas colunas que guiaram o Povo escolhido até à Terra da Promissão: uma de nuvem para nos amparar e defender dos raios do Sol de Justiça; e outra de fogo, para nos iluminar na noite escura desta vida, até nos colocar seguros no dia eterno da Glória. Nasce, enfim, para ser Vara de Jessé, de cujas raízes havia de nascer a mesma Vara – Maria – que hoje nasce, e a mesma Flor – Cristo Jesus – que d ‘Ela nasceu. Auxílio dos Cristãos Para todos estes bens nasce hoje esta grande menina, posto que entre figuras e enigmas, como Sol entre nuvens. (…) Infinitos são os nomes, ou sobrenomes, com que a mesma Virgem Maria costuma ser invocada e louvada, nascidos todos (notai) na etimologia dos mesmos benefícios, que é o mais nobre e sublime nascimento que eles podem ter. (…) Tais são todos os nomes e sobrenomes com que a Cristandade invoca, venera e dão graças à Virgem Maria, tirados todos e fundados nas etimologias dos benefícios já experimentados e recebidos, para obra dos quais hoje nasce ao mundo. Perguntai aos enfermos para que nasce esta Celestial Menina, dir-vos-ão que nasce para SENHORA DA SAÚDE; perguntai aos pobres, dirão que nasce para SENHORA DOS REMÉDIOS; perguntai aos desamparados, dirão que nasce para SENHORA DO AMPARO; perguntai aos desconsolados, dirão que nasce para SENHORA DA CONSOLAÇÃO; perguntai aos tristes, dirão que nasce para SENHORA DOS PRAZERES; perguntai aos desesperados, dirão que nasce para SENHORA DA ESPERANÇA. Os cegos dirão que nasce para SENHORA DA LUZ; os discordes: para SENHORA DA PAZ; os desencaminhados: para SENHORA DA GUIA; os cativos: para SENHORA DO LIVRAMENTO; os cercados: para SENHORA DA VITÓRIA. Dirão os pleiteantes que nasce para SENHORA DO BOM DESPACHO; os navegantes: para SENHORA DA BOA VIAGEM; os temerosos da sua fortuna: para SENHORA DO BOM SUCESSO; os desconfiados da vida: para SENHORA DA BOA MORTE; os pecadores todos: para SENHORA DA GRAÇA; e todos os seus devotos: para SENHORA DA GLÓRIA. E se todas estas vozes se unirem em uma só voz (…), dirão que nasce (u.) para ser MARIA E MÃE DE JESUS. (…)

 

Deus quis imprimir em Maria um referencial
“Vinde, todas as nações, vinde, homens de todas as raças, línguas e idades, de todas as condições: com jubilo celebremos a natividade da alegria do mundo inteiro!” Este é o trecho inicial da Homilia de São João Damasceno por ocasião da festa da Natividade.

No ano 431 DC, após o Concílio de Éfeso, onde foi declarado o Dogma da Santa Mãe de Deus, surge na Igreja o interesse de recuperar as tradições Marianas.

O portal Canção Nova fez uma entrevista exclusiva com Padre Antônio Xavier, que faz seu mestrado em Ciências Bíblicas em Jerusalém. Ele irá nos introduzir no contexto desta festa que hoje celebramos.

Ele nos conta que existe um apócrifo chamado Proto Evangelho de S. Tiago que narra a história de São Joaquim e Santana, os acontecimentos que antecedem o nascimento de Maria, tratando inclusive da sua Imaculada Conceição e da sua natividade: “Este Evangelho apócrifo nos informa que São Joaquim era um sacerdote do Templo e que Ana já de idade avançada não tinha tido nenhum filho.”

S. Tiago indica o local do Nascimento da Virgem Maria, que seria numa casa nas proximidades do Templo em Jerusalém. Ali foi construída uma pequena capela nos primeiros séculos do Cristianismo.

Esta data da natividade da Virgem foi instituída no século quinto, no mesmo dia em que foi feita a dedicação da pequena igreja, dia 08 de setembro: “Ressalto que esta data também define o dia da Imaculada Conceição, dia 8 de Dezembro, são exatamente 9 meses, da sua concepção ao nascimento.”

Esta igreja existe ate hoje apesar de ter sido reconstruída muitas vezes: “É importante lembrar e celebrar a Natividade de Nossa Senhora, porque sua história tem seu cume na pessoa de Jesus. Não nos esqueçamos que ela foi preparada para ser a Mãe do Messias.”

Deus em Maria prepara o caminho para Jesus: “Era natural que Ele também nascesse de alguém puro e santo, não que alguém que nasça de maneira natural não possa ter uma vida Santa, porém Deus quis imprimir um referencial na Virgem Maria. De certa forma é o fato dela ser a Mãe de Jesus que já a coloca numa posição diferente.”

“Ela é gente, pessoa humana como nos somos”, ressalta o sacerdote: “Mas é importante atentarmos que a dignidade individual de cada um é impressa por fatores particulares, por detalhes e não somente pela natureza humana.”

Esta festa foi difusa pelo mundo inteiro, e chega a Roma por volta do seculo XVII, assim ganhou a forca que temos hoje: “Maria deu a luz a Jesus, este lugar e de extrema importância; Ela não deu a Jesus simplesmente a vida, ela preparou o caminho.”

“Nossa Senhora é uma figura singular na historia da Salvação, a mais ninguém foi dada essa oportunidade, nem antes, nem durante, nem depois. Jesus se encarnou uma única vez.” Ressalta padre Xavier.

Maria narra os fatos que eram secretos. Conheceram Jesus o profeta, mas é Maria quem narra como se deu o seu nascimento no Evangelho de São Lucas, porem tudo isso apos sua ascensão ao Céu: “Maria guardava tudo no coração. As pessoas acreditavam em Jesus por Jesus e não porque Maria fazia propaganda Dele, não foi feito um marketing na pessoa de Cristo. Não foi isso que sua mãe fez.”

Maria era uma mulher de intimidade com o Pai, uma mulher de profunda oração: “Nossa confiança em Deus não esta baseada na quantidade de respostas que temos, mas na certeza de que Ele nos respondera , a certeza de que Deus nos mostrara o que e necessário.”

A Virgem e modelo para nos cristãos e nos indica um caminho a seguir, nos aponta o sacerdote: “As dúvidas não a impediram de seguir em frente. Hoje em dia as pessoas mudam de ideia quando pensam que não encontraram respostas para tudo, ai começam a achar que aquilo não e valido e que é preciso mudar o percurso. A resposta que eu estou procurando existe e tenho que caminhar de encontro a ela. Olhemos para Maria, o principal para ela, era estar sempre agindo, não se deixava derrotar pelo que não era capaz de compreender.”

“Santo é o Pai, que quis que em ti e por ti se cumprisse o mistério que predeterminara antes de todos os séculos. Tu és a única esperança de alegria, a protetora da vida e, junto de teu Filho, a reconciliadora e firme garantia da salvação.” São João Damasceno

Crer que Deus é Pai é um ato de fé e conversão

Quarta-feira, 30 de janeiro de 2013, André Alves / Da Redação

“Deus é um Pai que não abandona nunca os seus filhos, um Pai amoroso que sustenta, ajuda, acolhe, perdoa, salva….”, disse o Papa

O Papa Bento XVI prosseguiu nesta quarta-feira, 30, as reflexões sobre o “Credo” – profissão da fé católica, como tem feito desde a semana passada, quando falou sobre “Eu creio em Deus”.

Nesta segunda reflexão, o Santo Padre concentrou os ensinamentos em torno da primeira definição de Deus que o Credo apresenta: Ele é Pai. Bento XVI ressaltou que quando a paternidade de Deus é professada, deposita-se a  fé no poder do seu amor que no seu Filho morto e ressuscitado derrota o ódio, o mal, o pecado e abre a vida eterna aos que creem.

“Dizer ‘Eu creio em Deus Pai onipotente’, no seu poder, no seu modo de ser Pai, é sempre um ato de fé, de conversão, de transformação do nosso pensamento, de todo o nosso afeto, de todo o nosso modo de viver”, explicou o Pontífice.

O Papa disse que o reconhecimento de Deus como Pai é uma tarefa dificultada pelo estilo de vida ocorrente principalmente no mundo ocidental.

Segundo Bento XVI, a vida familiar passa por diversas intervenções como os compromissos de trabalho mais exigentes, as preocupações, a dificuldade de enquadrar as contas familiares e a invasão dos meios de comunicação de massa na vida cotidiana.

Com isso as referências de paternidade acabam ficando prejudicadas, diz o Papa. “Para quem teve a experiência de um pai demasiado autoritário e inflexível, ou indiferente e pouco afetuoso, ou até mesmo ausente, não é fácil pensar com serenidade em Deus como Pai e abandonar-se a Ele com confiança”.

No entanto, o Santo Padre acredita que nos Evangelhos, a figura de Deus como Pai é construída, especialmente no Mistério Pascal de Cristo Jesus. O Papa citou alguns exemplos bíblicos que reforçam a imagem amorosa e paterna de Deus. A partir deles, é possível afirmar: “Deus é um Pai que não abandona nunca os seus filhos, um Pai amoroso que sustenta, ajuda, acolhe, perdoa, salva, com uma fidelidade que supera imensamente a dos homens, para abrir-se a uma dimensão da eternidade.”

O Papa ressaltou que é necessário entender que o pensamento de Deus é diferente do pensamento humano. Suas vias diferentes e sua onipotência são diferente: não se exprime como força automática ou arbitrária, mas é marcada por uma liberdade amorosa e paterna.

Ao concluir a reflexão, o Santo Padre rezou pedindo a Deus que conceda a todos a graça do dom da filiação, “para viver em plenitude a realidade do Credo, no abandono confiante ao amor do Pai e à sua misericordiosa onipotência que é a verdadeira onipotência e salvação.”

Santo Evangelho (Jo 17, 1-11a)

7ª Semana da Páscoa – Terça-feira 30/05/2017

Primeira Leitura (At 20,17-27)
Leitura dos Atos dos Apóstolos.

Naqueles dias, 17de Mileto, Paulo mandou um recado a Éfeso, convocando os anciãos da Igreja. 18Quando os anciãos chegaram, Paulo disse-lhes: “Vós bem sabeis de que modo me comportei em relação a vós, durante todo o tempo, desde o primeiro dia em que cheguei à Ásia. 19Servi ao Senhor com toda a humildade, com lágrimas e no meio das provações que sofri por causa das ciladas dos judeus. 20Nunca deixei de anunciar aquilo que pudesse ser de proveito para vós, nem de vos ensinar publicamente e também de casa em casa. 21Insisti, com judeus e gregos, para que se convertessem a Deus e acreditassem em Jesus nosso Senhor. 22E agora, prisioneiro do Espírito, vou para Jerusalém sem saber o que aí me acontecerá. 23Sei apenas que, de cidade em cidade, o Espírito Santo me adverte, dizendo que me aguardam cadeias e tribulações. 24Mas, de modo nenhum, considero a minha vida preciosa para mim mesmo, contanto que eu leve a bom termo a minha carreira e realize o serviço que recebi do Senhor, ou seja, testemunhar o Evangelho da graça de Deus. 25Agora, porém, tenho a certeza de que vós não vereis mais o meu rosto, todos vós entre os quais passei anunciando o Reino. 26Portanto, hoje dou testemunho diante de todos vós: eu não sou responsável se algum de vós se perder, 27pois não deixei de vos anunciar todo o projeto de Deus a vosso respeito”.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Responsório (Sl 67)

— Reinos da terra, cantai ao Senhor.
— Reinos da terra, cantai ao Senhor.

— Derramastes lá do alto uma chuva generosa, e vossa terra, vossa herança, já cansada, renovastes; e ali vosso rebanho encontrou sua morada; com carinho preparastes essa terra para o pobre.

— Bendito seja Deus, bendito seja cada dia, o Deus da nossa salvação, que carrega os nossos fardos! Nosso Deus é um Deus que salva, é um Deus libertador; o Senhor, só o Senhor, nos poderá livrar da morte!

 

Evangelho (Jo 17,1-11a)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo João.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 1Jesus ergueu os olhos ao céu e disse: “Pai, chegou a hora. Glorifica o teu Filho, para que o teu Filho te glorifique a ti, 2e, porque lhe deste poder sobre todo homem, ele dê a vida eterna a todos aqueles que lhe confiaste. 3Ora, a vida eterna é esta: que eles te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e àquele que tu enviaste, Jesus Cristo. 4Eu te glorifiquei na terra e levei a termo a obra que me deste para fazer. 5E agora, Pai, glorifica-me junto de ti, com a glória que eu tinha junto de ti antes que o mundo existisse. 6Manifestei o teu nome aos homens que tu me deste do meio do mundo. Eram teus, e tu os confiaste a mim, e eles guardaram a tua palavra. 7Agora eles sabem que tudo quanto me deste vem de ti, 8pois dei-lhes as palavras que tu me deste, e eles as acolheram, e reconheceram verdadeiramente que eu saí de ti e acreditaram que tu me enviaste. 9Eu te rogo por eles. Não te rogo pelo mundo, mas por aqueles que me deste, porque são teus. 10Tudo o que é meu é teu e tudo o que é teu é meu. E eu sou glorificado neles. 11aJá não estou no mundo, mas eles permanecem no mundo, enquanto eu vou para junto de ti”.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

 

A IGREJA CATÓLICA CELEBRA E VENERA HOJE
São Fernando, um jovem mariano e eucarístico 

São Fernando viveu um reinado justo marcado pela fé, caridade e esperança

Nasceu na Espanha, no ano de 1199, na família real. Fugiu daquilo que poderia perverter sua vida moral e tinha grande amor a Virgem Santíssima, pelo fato de ter ficado muito enfermo quando criança, e, através da intercessão de Nossa Senhora ele recuperou a saúde. Foi um jovem mariano e eucarístico.

Fernando descobriu sua vocação ao matrimônio e casou-se com Beatriz. Teve 13 filhos. Assumiu o reinado e não descuidou de seu povo, tratando-os como filhos, em especial os pobres.

Viveu um reinado justo marcado pela fé, caridade e esperança.

Com a saúde fragilizada aos 54 anos, pegou uma grave enfermidade, recebeu os Sacramentos e quis comungar Jesus Eucarístico de joelhos, num ato de adoração. Abraçou a cruz, aconselhou os filhos e partiu para a Glória.

São Fernando, rogai por nós!

Jesus Cristo, Deus e Homem verdadeiro

Ele assumiu a natureza humana sem deixar de ser Deus

“Ao chegar a plenitude dos tempos, enviou Deus seu Filho, nascido de uma mulher” (cf. Gal 4,4). Assim se cumpre a promessa de um Salvador, que Deus fez a Adão e Eva ao serem expulsos do Paraíso: “Porei inimizades entre ti e a mulher, e entre a tua descendência e a dela; ela te pisará a cabeça e tu armarás traições ao seu calcanhar” (Gn 3,15). Este versículo do Gênesis é conhecido por “Proto-Evangelho”, pois constitui o primeiro anúncio da Boa Nova da salvação. Tradicionalmente, tem-se interpretado que a mulher a que se refere é tanto Eva, em sentido imediato, como Maria em sentido pleno; e que a descendência da mulher refere-se tanto à humanidade como a Cristo.

Desde então, até o momento em que “o Verbo se fez carne e habitou entre nós” (Jo 1,14), Deus foi preparando a humanidade para que pudesse acolher, frutuosamente, a seu Filho Unigênito. Deus escolheu para si o povo israelita, estabeleceu com ele uma aliança e o formou progressivamente, intervindo em sua história, manifestando-lhe Seus desígnios por meio dos patriarcas e dos profetas, santificando-o para si. Tudo isso, como preparação e figura daquela nova e perfeita aliança que havia de concluir-se em Cristo e daquela plena e definitiva revelação que devia ser efetuada pelo próprio Verbo encarnado.

Ainda que Deus tenha preparado a vinda do Salvador, principalmente mediante a eleição do povo de Israel, isto não significa que abandonasse os demais povos, os “gentios”, pois nunca deixou de dar testemunho de si mesmo (cfr. Atos 14,16-17). A Providência divina fez com que os gentios tivessem uma consciência mais ou menos explícita, da necessidade da salvação, e até nos últimos rincões da Terra se conservava o desejo de serem redimidos.

A Encarnação tem sua origem no amor de Deus pelos homens: “Nisto se manifestou o amor de Deus para conosco, em que Deus enviou ao mundo o seu Filho único, para que vivamos por meio dEle” (1Jo 4,9). A Encarnação é a demonstração por excelência do amor do Pai para com os homens, já que nela é o próprio Senhor que se entrega aos homens, fazendo-se participante da natureza humana na unidade da pessoa.

Após a queda de Adão e Eva no Paraíso, a Encarnação tem uma finalidade salvadora e redentora, como professamos no Credo: “por nós homens e para nossa salvação, desceu dos céus e se encarnou pelo Espírito Santo, no seio da Virgem Maria, e se fez homem”. Cristo afirmou de Si mesmo que o Filho do homem veio para buscar e salvar o que estava perdido” (Lc 19, 19; cf. Mt 18,11) e que “Deus não enviou seu Filho para condenar o mundo, mas que o mundo fosse salvo por Ele” (Jo 3,17).

A Encarnação não só manifesta o infinito amor de Deus aos homens, Sua infinita misericórdia, Sua justiça, Seu poder, mas também a coerência do plano divino da salvação. A profunda sabedoria divina consiste na forma segundo o qual Deus decidiu salvar o homem, isto é, do modo como convém à natureza, que é precisamente mediante a Encarnação do Verbo.

Jesus Cristo, o Verbo encarnado, “não é um mito nem uma ideia abstrata qualquer. É um Homem que viveu em um contexto concreto e que morreu depois de ter levado Sua própria existência dentro da evolução da história. A investigação histórica sobre Ele é, pois, uma exigência da fé cristã” .

A existência de Jesus é um fato provado pela ciência histórica, sobretudo mediante a análise do Novo Testamento, cujo valor histórico está fora de dúvida. Há outros testemunhos antigos não cristãos, pagãos e judeus sobre a existência de Jesus. Precisamente por isto, não são aceitáveis as posições de quem contrapõe um Jesus histórico ao Jesus da fé e defendem a hipótese de que quase tudo o que o Novo Testamento diz acerca de Cristo seria uma interpretação de fé que fizeram os Seus discípulos, mas não Sua autêntica figura histórica, que ainda permaneceria oculta para nós.

Essas posturas, as quais encerram um forte preconceito contra o sobrenatural, não levam em conta que a investigação histórica contemporânea concorda em afirmar que a apresentação feita pelo Cristianismo primitivo de Jesus baseia-se em fatos autênticos sucedidos realmente.

José Antonio Riestra
http://www.opusdei.org.br

Papa: o amor de Jesus é sem medida, não seguir os “amores” mundanos

Cidade do Vaticano (RV) – O amor de Jesus é sem medida, não como os amores mundanos, que buscam poder e vaidade. Foi o que disse o Papa Francisco na Missa matutina (18/5/2017) na Casa Santa Marta.
 
“Assim como o Pai me amou, também eu vos amei”: o Pontífice desenvolveu sua homilia partindo da afirmação de Jesus, que destaca como o seu amor seja infinito. O Senhor, observou ainda, nos pede que permaneçamos no Seu amor “porque é o amor do Pai” e nos convida a observar os Seus mandamentos. Para Francisco, “certamente  os Dez Mandamentos são a base, o fundamento, mas é preciso seguir todas as coisas que Jesus nos ensinou, os mandamentos da vida cotidiana”, que representam “um modo de viver cristão”.

Uma coisa é querer bem, outra é amar

A lista dos mandamentos de Jesus é muito ampla, afirmou Francisco, mas “o cerne é um: o amor do Pai por Ele o amor Dele por nós”:

“Existem outros amores. Também o mundo nos propõe outros amores: o amor ao dinheiro, por exemplo, o amor à vaidade, exibir-se, o amor ao orgulho, o amor ao poder, inclusive cometendo muitas injustiças para ter mais poder… São outros amores, este não é de Jesus e não é do Pai. Ele nos pede para permanecer no seu amor, que é o amor do Pai. Pensemos também nesses outros amores que nos afastam do amor de Jesus. E também, existem outras medidas para amar: amar pela metade, isso não é amar. Uma coisa é querer bem, outra é amar.”

O amor de Deus é sem medida

“Amar – destacou – é mais do que querer bem”. Qual é, portanto, “a medida do amor”, se pergunta Francisco: “A medida do amor é amar sem medida”:

“E assim, realizando esses mandamentos que Jesus nos deixou, permaneceremos no Seu amor, que é o amor do Pai, é o mesmo. Sem medida. Sem este amor morno ou interesseiro. ‘Mas porque, Senhor, nos lembra dessas coisas?’, podemos perguntar. ‘Para que a minha alegria esteja em vocês e esta alegria seja plena’. Se o amor do Pai vai até Jesus, Jesus nos ensina o caminho do amor: o coração aberto, amar sem medida, deixando de lado outros amores”.

A missão do cristão é obedecer a Deus e doar alegria às pessoas

“O grande amor por Ele – acrescentou o Papa – é permanecer neste amo e se há alegria”; “o amor e a alegria são um dom”. Dons que devemos pedir ao Senhor:

“Pouco tempo atrás, um sacerdote foi nomeado bispo. Foi visitar seu pai, já idoso, para dar-lhe a notícia. Este homem idoso, aposentado, homem humilde, um operário durante toda a vida, não tinha frequentado a universidade, mas tinha a sabedoria da vida. Deu somente dois conselhos para o filho: ‘Obedeça e dê alegria às pessoas’. Este homem tinha entendido isso: obedeça ao amor do Pai, sem outros amores, obedeça a este dom e, depois, dê alegria às pessoas. E nós, cristãos, leigos, sacerdotes, consagrados, bispos, devemos dar alegria às pessoas. Mas por que? Por isso, pelo caminho do amor, sem qualquer interesse, somente pelo caminho do amor. A nossa missão cristã é dar alegria às pessoas.”

O Papa concluiu: “Que o Senhor proteja, como pedimos nas orações, este dom de permanecer no amor de Jesus para poder dar alegria às pessoas”.

 

II Domingo da Páscoa – Ano A – Divina Misericórdia

Por Mons. Inácio José Schuster

Nesta oitava de Páscoa, a Igreja apresenta um texto significativo de João, oito dias após a primeira aparição de Jesus ressuscitado. Na teologia deste Evangelista, as aparições são ambientadas no domingo porque as comunidades estavam já trocando o sábado judaico pelo primeiro dia da semana, o domingo Cristão. Jesus apresenta-Se: “A paz esteja convosco”, é o dom do ressuscitado. E desta feita – diz o Evangelista – Tomé, que não estava oito dias antes, encontra-se agora presente. Tomé não é a figura de um racionalista ou de um cético quase ateu. Tomé é uma figura simpática no Evangelho. Tomé era generoso. Certa vez insistiu com os seus colegas a marcharem resolutamente a Jerusalém, a fim de morrerem com Jesus. Tomé era observador e cuidadoso: “Senhor, não sabemos para onde vais, e como poderemos seguir-Te?” E recebe de Jesus a famosa resposta: “Eu Sou o Caminho, a Verdade e a Vida”. Tomé tinha sim suas dúvidas, e as dúvidas de Tomé são as dúvidas de uma multidão de lá para cá, são as dúvidas de todos os tempos. Mas não são seres humanos desqualificados estes que tem dúvidas, não são pessoas necessariamente de má fé, não são pessoas que se fecharam a Deus. São pessoas, muitas delas, que sofrem em busca de uma razão última para a própria existência, mas não a encontraram ainda. Todas estas pessoas que giram ou vivem corroídas pelas próprias dúvidas podem ter, como seu padroeiro especial, Tomé. São Gregório nos diz que as dúvidas de Tomé fizeram mais bem à Igreja, do que o ímpeto da fé de Maria Madalena e das outras mulheres, que não duvidaram porque, através da dúvida de Tomé, e retratando o Evangelista nele a dúvida Apostólica, cura nossas perplexidades. Efetivamente, aqueles discípulos eram simples, eram Galileos, não eram estudados como nós, não tinham doutorados em universidades famosas como nós, mas também não eram credulões, não eram idiotas como muitos pensam, não eram pessoas ignorantes e pessoas que se deixassem levar por qualquer coisa. Tiveram as suas dúvidas sim, não aceitaram, à primeira vista, o incrível; o à primeira vista inacreditável, e só depois se curvaram diante da evidência do realismo da ressurreição de Jesus. E desta maneira eles podem curar também nossas dúvidas e nossas perplexidades. Afinal, é grande demais o mistério em que cremos, e do qual tornamo-nos também portadores neste mundo cético indiferente, mas que não coloca nada melhor em seu lugar.

 

2º DOMINGO DA PÁSCOA, A
“Como crianças recém-nascidas, desejai o puro leite espiritual para crescerdes na salvação, aleluia!” (cf. 1Pd 2, 2).
Padre Wagner Augusto Portugal, Vigário Judicial da Diocese da Campanha(MG)

Meus queridos irmãos, Somos convidados nestes domingos seguintes ao Domingo da Páscoa a conviver com a primeira comunidade cristã. As primeiras leituras são uma seqüência de Leituras dos Atos dos Apóstolos com o Evangelho de São João. As segundas leituras são tiradas das Cartas de Pedro. Assim, neste domingo, o tema da fé batismal, permeia toda a celebração. Os fiéis são “como crianças recém-nascidas”  e reza-se por um mais profundo entendimento do mistério da ressurreição e do batismo. Neste tempo, não existe, necessariamente, uma estreita coerência temática entre as três leituras. Porém, todas elas nos fazem participar do espírito do mistério pascal. Assim, na primeira leitura deste domingo (cf. At 2,42-47), os Atos dos Apóstolos nos apresenta como deve ser a comunidade dos cristãos batizados, que deve ter como centro a comunhão fraterna, repartindo tudo em comum, a exemplo de Cristo. Comunhão que deve ser testemunho, vivência para os que não crêem. Logo depois da Páscoa os cristãos davam demonstração de como deveria ser a sua vida: um convite permanente para restabelecermos a pureza cristã  das origens. Assim, com o Salmo Responsorial, podemos cantar as alegrais da criação e do Senhor: DAI GRAÇAS AO SENHOR, PORQUE ELE É BOM! ETERNA É A SUA MISERICÓRDIA! Nos primórdios da Igreja os fiéis tinham tudo em comum. A primeira leitura descreve a vida da comunidade apostólica em Jerusalém. A leitura de hoje se completa em At 4,32-35, que consiste em ter tudo em comum. O ensino dos apóstolos e o culto realizavam-se no templo. A alegria e a magnanimidade do grupo eram contagiosas; aí está o sucesso missionário. Estimados irmãos, A Segunda Leitura, retirada de Pedro (cf. Pd 1,3-9), é uma espécie de homilia batismal. Na perspectiva de seu autor, a volta gloriosa do Senhor estava próxima; os cristãos deviam passar por um tempo de prova, como ouro na fornalha, para depois brilhar com Cristo na sua glória. Neste horizonte, a fé batismal se concebe como antecipação da plena revelação escatológica: é amar e crer naquele que ainda não vimos, o coração já repleto de alegria com vistas à salvação que se aproxima e que já é alcançada na medida em que a fé nos coloca em verdadeira união com Cristo. A Primeira Carta de Pedro é uma carta de consolação aos cristãos oriundos do paganismo – Ásia Menor – ameaçados pela perseguição. A introdução tem um estilo de um hino. As graças recebidas são penhor dos dons definitivos – a esperança cristã. No batismo somos adotados como filhos: isto também é fundamento de uma esperança ainda maior. Esta esperança é viva, porque é baseada no Cristo Ressuscitado. Produz alegria e firmeza. Irmãos e Irmãs, Estamos celebrando os 50 dias do mistério pascal. Este tempo é chamado de um grande domingo, ou seja, um grande Dia do Senhor. Assim, como na Eucaristia, tudo é iniciado com o Ato Penitencial, a liturgia de hoje é iniciada com a reconciliação e a pacificação. Jesus se encontra com seus apóstolos, que se tinham comportado covardemente durante a Paixão e Morte. Mas Jesus, manso e misericordioso, não se mostra decepcionado e nem os repreende. Jesus vem e deseja A PAZ. A PAZ ESTEJA CONVOSCO! (cf. Jo 20, 19). Paz que é sinônimo de amor e de misericórdia! Paz que é sinônimo de perdão e de acolhida do diferente. Paz que tudo supera e que tudo ama! E Jesus dá aos seus discípulos o poder divino de perdoar os pecados, assim transmitindo a graça de Deus e a santificação do povo de Deus. O próprio Cristo dá este poder aos seus apóstolos: “A quem perdoardes os pecados, eles lhe serão perdoados; a quem os não perdoardes, eles lhe serão retidos”. O Evangelho de hoje – Jo 20,19-31 nos demonstra que são felizes os que crêem sem terem visto. O cenário deste acontecimento foi no oitavo dia após a Páscoa. Tomé, duvidoso e incrédulo, embora zeloso apóstolo de Jesus, representa muitos cristãos que, distanciados da Páscoa no tempo, devem viver perto dela pela fé e fazer da Ressurreição o fundamento de sua vida.  Tudo isso para que nós e todo o povo, de ontem, de hoje e de sempre, sejamos testemunhas autênticas do Senhor Ressuscitado, para que “creais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo tenhais a vida em seu nome” (cf. Jo 20,31). Crer em Deus, o Deus da vida, que irrompeu a morte e nos deu a possibilidade de sermos elevados à condição de filhos e filhas de Deus. Estimados Irmãos, Oh dúvida providencial a de Tomé. E não foi só Tomé que demorou a acreditar na Ressurreição. A dúvida de Tomé é positiva. É sempre parte do caminho andado na procura da verdade. Por isso mesmo, Jesus não repreendeu Tomé. Ajudou-o a superar a dúvida e o levou a uma perfeita profissão de fé: “Meu Senhor e Meu Deus!” (cf. Jo 20, 28).  Esses dois títulos juntos, de Senhor e Deus meu, na antiga aliança era designação de JAVÉ, O NOSSO DEUS!  Tomé não só passou a acreditar que Jesus ressuscitara, porque aí estava e ele podia por o dedo nas chagas, mas também viu nele o Cristo de Deus. A Palavra SENHOR, para designar Jesus, só aparece depois da Ressurreição nos Escritos Sagrados. Assim somos convidados a ver, com Tomé, com novos olhos e um novo jeito o Senhor, ouvindo a sua voz e tendo a sua presença em nosso meio pela fé que celebramos, fé eucarística, porque o SENHOR ESTEJA CONVOSCO, ELE ESTÁ NO MEIO DE NÓS! Amigos e amigas, O poder das chaves que é confiado por Cristo aos discípulos é o poder de morte e de vida, de ressurreição e de condenação eterna. Jesus reparte hoje com seus seguidores o poder de santificar, de salvar, o poder de arrancar alguém do pecado e da morte eterna. Isso porque a criatura humana sozinha é incapaz de salvar-se e de salvar quem quer que seja. Mas na forca do Espírito Santo, dado por Cristo ressuscitado, prolongamos o poder redentor de Jesus na história humana. Jesus dá aos seus discípulos os meios de serem suas testemunhas, isto é, de afirmarem sua divindade e a sua missão, repartindo o perdão, a benção, a graça. Ligado a esse poder está o envio por partes de Cristo. Ele foi enviado pelo Pai e por sua vez está enviando a nós para a missão, para a evangelização. Envio que é comunidade. Envio que é convivência. Envio que benção. Envio que é partilha. Envio que é santidade. Envido que é perdão. Envio que é amor pleno. Como o Pai enviou Jesus hoje é Ele que nos envia para a missão. E Jesus nos envia com o seu espírito de conciliação, de misericórdia, de caridade, de aceitar o diferente, de sempre perdoar os “tomés” que surgirem no nosso horizonte. Aí está, queridos amigos, o Jesus humilde que reparte tudo conosco, até os seus poderes. Isso porque somente quem é humilde sabe repartir. Porque só o humilde acolhe e tem misericórdia. Jesus perdoa a traição de seus apóstolos nos ensinando que essa deve ser a nossa atitude, o perdão sempre. Estimados Irmãos, Jesus é o grande sinal de Deus entre os homens. Por isso a fé da comunidade apostólica é a nossa. Através da comunidade apostólica, da primeira leitura, nós somos partícipes da fé, antecipação da comunhão eterna com Cristo e nossa salvação. Por isso, este domingo, antigamente chamado de domingo “in albis”, no tempo em que os batizados da noite pascal depunham as vestes brancas do batismo, encerrando a oitava da Páscoa nos convida a todos para que sejamos testemunhas do Ressuscitado renovando o nosso compromisso de batizados, crismados e de homens e mulheres que buscam na Eucaristia  o alimento que dá combustível a nossa fé, fé apostólica, fé nossa de cada dia, porque a Páscoa não é só hoje, a páscoa é todo dia e se eu levar o Cristo em minha vida tudo será um eterno aleluia! Amém! Aleluia!

 

“VIMOS O SENHOR!”
Por Dom Emanuele Bargellini, Prior do Mosteiro da Transfiguração
II DOMINGO DA PÁSCOA
Leituras: At 2, 42-47; 1 Pd 1, 3-9; Jo 20, 19-31

“Este é o dia que o Senhor fez para nós: alegremo-nos e nele exultemos” (Sl 117, 24- Salmo responsorial). Este grito de alegria acompanhou a celebração da Eucaristia e da Liturgia das Horas, desde o dia da Páscoa até o dia de hoje, oitavo dia da solenidade. A Eucaristia e a Liturgia das Horas são a fonte da vida divina da Igreja e o cume da sua relação esponsal com Cristo, a expressão mais alta da sua fé e a nascente que alimenta sua vida. No pano do fundo do canto incessante deste salmo messiânico está a visão de fé segundo a qual, contra todas as expectativas humanas, com a morte e ressurreição de Jesus, o projeto de salvação do Pai se realizou, e teve início o tempo novo, o dia definitivo, do qual Cristo é luz e vida (cf Sl 117, 22-24). É o tempo no qual estamos vivendo, animados pela mesma vida divina de Jesus e iluminados pela sua luz. É o “hoje” da atuação incessante do Espírito do Senhor que se torna sempre contemporâneo para nós. Na tarde da Páscoa Jesus ressuscitado, como atesta o evangelho de hoje, derramou o Espírito criador que tudo renova sobre os discípulos e sobre o mundo inteiro, para a remissão dos pecados, re-estabelecendo a verdadeira relação das pessoas com Deus, consigo mesmas e com os demais (cf. Jo 20, 22-23). Cristo ressuscitado é o novo Adão, a origem e a fonte da nova humanidade. Os batizados são as  primícias desta humanidade chamada a viver a mesma qualidade de vida de Cristo. (cf. Rm 5, 12-17). O segundo domingo é o oitavo dia depois da páscoa. É a sua “oitava”, como se diz na linguagem litúrgica. Celebrar uma festa durante oito dias é privilegio das Solenidades fundamentais do mistério de Cristo: seu nascimento (Natal) e sua morte e ressurreição (Páscoa). Na linguagem simbólica da bíblia, o numero oito diz plenitude, paz, fecundidade divina e repouso. O dia oitavo é o dia do descanso de Deus e de toda a criação (cf. Gn 2,3). A extensão da Solenidade da Páscoa por oito dias indica que, com o evento pascal de Jesus, a história da salvação alcançou sua meta. Nela o mundo goza finalmente a plenitude da vida pela qual foi criado. O dia da ressurreição será indicado pelos cristãos como o “dia do Senhor” por excelência –  “o domingo” – , celebrado como o dia que qualifica a existência dos discípulos, totalmente orientado para Cristo, proclamado “Senhor” da história e da própria vida. A Páscoa é assim ao mesmo tempo o “dia oitavo” (plenitude) e o “dia primeiro” (início e nascente) da nova história. Ela orienta o cristão para a meta da vida na eternidade de Deus, e em certa medida doa-lhe a graça de antecipá-la e de antegozá-la, através do seu clima de liberdade interior, da oração, da partilha fraterna e do descanso. A língua portuguesa guarda felizmente este profundo sentido antropológico e teológico do tempo presente semanal, que é derivado da relação com o Domingo, a páscoa semanal, do momento que se denominam os dias da semana como “segunda-feira”, “terça–feira”, etc., isto é, segunda-festa, terceira-festa…, haja vista que a festa primordial é o próprio Domingo. Quem sabe quantas pessoas estejam conscientes disso? Não seria uma simples e feliz oportunidade para desenvolver uma profunda e vital catequese sobre o sentido pascal da existência cristã? A partir desta perspectiva espiritual, a celebração comunitária e solene do domingo se tornou cedo para os cristãos como o dia específico da própria fé e sinal da própria identidade, e por isso mesmo irrenunciável, ainda que ao custo da própria vida. Talvez muitas pessoas conheçam a declaração feita diante do juiz por uma mártir de Abitina (África romana) no séc. IV. Para reivindicar tal direito constitutivo do cristão, dizia ela: “Não podemos viver sem a ceia do Senhor… Sim, fui à assembléia e celebrei a ceia do Senhor com os meus irmãos, porque sou cristã” [1]. Os dias da oitava estão atravessados pelo dinamismo existencial do mistério pascal, ao qual os batizados foram iniciados, e que agora procuram seguir na vida cotidiana, ansiando sua plenitude na eternidade. Do ponto de vista pastoral, seria importante valorizar o tecido espiritual de todos os dias da oitava como contexto interior dos domingos que se seguem durante o tempo pascal. No dia da Páscoa a Igreja louvou a Deus porque em Cristo, morto e ressuscitado, “nos abristes as portas da eternidade” (Oração do dia), enquanto na segunda-feira pediu que o Senhor “acompanhe” o caminho do seu povo até conseguir a autêntica liberdade, para “um dia alegrar-se no céu como exulta agora na terra” (Oração do dia). Na sexta-feira se tornou explícito o pedido da graça para “realizar em nossa vida o mistério que celebramos na fé” (Oração do dia). A Oração depois da comunhão do segundo domingo implora que “conservemos em nossa vida o sacramento pascal que recebemos”. Na base desta atitude orante da Igreja está, portanto, a clara consciência de que, em qualquer estágio do caminho cristão, somos ainda “criancinhas recém-nascidas”, que precisamos do leite do Espírito para alcançar a maturidade espiritual (Antífona de Entrada – 1 Pd 2,2). É fundamental ter presente a sábia insistência com a qual a liturgia hoje, nas leituras bíblicas, assim como nas orações, destaca que este processo dinâmico é fruto da iniciativa compassiva e misericordiosa de Deus, e se ativa graças à fé e não ao esforço humano. Pedro sublinha que “em sua grande misericórdia, pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, ele nos fez nascer de novo, para uma esperança viva, para uma herança incorruptível” (1 Pd 1, 3-4). Na Oração do dia a Igreja volve seu olhar confiante ao Senhor “Deus de eterna misericórdia”, que “reacende a fé do seu povo na renovação da páscoa”. A ele pede a graça de compreender sempre melhor a experiência da iniciação cristã do batismo, da confirmação e da eucaristia. Acho que seja esta a razão profunda pela qual o bem-aventurado papa João Paulo II desejou que este domingo da oitava se qualificasse também como o “Domingo da misericórdia” de Deus para todo mundo. Focaliza mais uma vez no coração do Pai a nascente da história da salvação, do mistério pascal de Cristo, a origem e a meta do nosso caminho, seguindo a Jesus morto e ressuscitado. Este dinamismo espiritual, fundamentado na experiência sacramental da iniciação cristã, caracteriza o ciclo inteiro do tempo pascal até a celebração do Pentecostes, constituindo como uma extensão sem interrupção do único e mesmo dia da Páscoa! É um tempo precioso, para aprofundar em espírito de meditação, oração e sensibilidade pastoral, as grandes oportunidades que a liturgia oferece para viver um intenso caminho de graça, desenvolver uma autêntica formação espiritual dos fiéis a partir da liturgia e iniciá-los a uma participação sempre mais profunda e vital.  Neste segundo domingo, contemplamos a páscoa atuando na pessoa de Jesus (evangelho), nos batizados de todos os tempos (2ª leitura) e na comunidade dos primeiros discípulos (1ª leitura). É uma visão de conjunto que destaca o dinamismo permanente da páscoa e da palavra de Deus recebida na fé. Jesus, depois de ter removido, no poder do Espírito, a grande pedra do seu sepulcro, consegue não somente superar o obstáculo dos muros, mas sobretudo derrubar as barreiras do medo e as resistências da frágil fé dos discípulos, fechados em si mesmos e como sepultados em casa por medo dos judeus. O anúncio da paz por parte de Jesus, o sopro do Espírito sobre eles num gesto de nova criação, a experiência de “ver o Senhor”, transformam o pequeno grupo de medrosos em pessoas cheias de alegria e coragem, prontas para ser enviadas ao mundo, com a mesma disponibilidade livre com a qual Jesus acolheu e atuou o envio recebido pelo Pai. Na força do Espírito, eles se tornam colaboradores do próprio Senhor ao anunciar o reino ao mundo inteiro, e para a instauração da aliança nova, preanunciada pelos profetas em prol do novo povo de Deus. O novo encontro com os discípulos no domingo seguinte destaca as exigências do caminho de fé que cada discípulo é chamado a cumprir no seguimento do Senhor. Jesus frisa a bem-aventurança da fé, única condição para “ver o Senhor”, isto é, para entrar de maneira vital em relação com Jesus, até deixar que ele seja efetivamente o Senhor da própria existência. A profissão de fé em Tomé está finalmente completa e o caminho que ele utilizou para chegar a ela torna-se modelo de todo caminho e profissão de fé: “…‘Não sejas incrédulo mas fiel’. Tomé respondeu: ‘Meu Senhor e meu Deus!’. Jesus disse: ‘Acreditaste porque me viste? Bem-aventurados os que creram sem ter visto” (Jo 20, 27-29). Não cessará jamais a tensão entre o desejo de “ver o Senhor”, no sentido de procurar a experiência pessoal do Senhor como fundamento da vida, e a beatitude da fé sustentada pelo amor confiante, que não pretende outras provas. “Sem ter visto o Senhor, vós o amais. Sem o ver ainda, nele acreditais. Isso será para vós fonte de alegria indizível e gloriosa, pois obtereis aquilo em que acreditais: a vossa salvação” (1 Pd 1, 8-9). A comunidade dos discípulos em Jerusalém (At 2, 42-47) é  o primeiro fruto da Páscoa e modelo de toda possível comunidade futura: uma comunidade de homens e mulheres participantes da ressurreição de Jesus. A vida deles testemunha que é possível agora uma nova maneira de viver e de relacionar-se. Ela se constrói através de um processo contínuo, sobre os fundamentos que serão os pilares da comunidade cristã de todos os tempos: a escuta perseverante da palavra dos apóstolos no espírito de fé; a comunhão fraterna que nasce da união interior, que chega até a partilha dos bens, dando atenção às necessidades diferentes de cada um; a partilha da mesa do pão eucarístico; a oração comunitária, expressão da comum orientação da vida em relação com o Senhor. O dinamismo da ressurreição se estende da pessoa de Jesus de Nazaré ao seu corpo vivente, os discípulos e a Igreja inteira ao longo do tempo. Hoje, no domingo antigamente chamado “in albis” [2], em Roma a Igreja proclama com rito solene que o Senhor fez brilhar a luz radiante e o esplendor da sua cruz e da sua ressurreição no seu servo, o Bem-aventurado papa João Paulo II. Certamente uma testemunha pascal dos nossos dias! Na vigorosa energia da sua fé e do seu ministério pastoral, assim como nas tribulações da violência sofrida e na fraqueza da doença, suportada com espírito heróico e simplicidade de criança, ele está hoje no centro da atenção da Igreja e do mundo, com o rosto do Cristo ressuscitado, portador da sua promessa: “Eis, que eu estou convosco todos os dias até a consumação dos séculos!” (Mt 28,20) Notas: 1. Ata dos Santos mártires…. PL 8, 709-710. Hoje em dia uma visão sempre mais secular da vida, o consumismo e até mesmo a complexa organização social do trabalho, põem novos riscos e desafios ao entendimento e à prática cristã do domingo. Para valorizar as dimensões teológicas, espirituais e pastorais do domingo para o nosso tempo, à luz da páscoa e no contexto das mutações culturais e sociais, é ainda muito proveitosa uma leitura atenta da Carta apostólica do papa João Paulo II sobre o domingo. Trata-se de uma autêntica pérola de espiritualidade e de sabedoria pastoral. Cf. JOÃO PAULO II. “Dies Domini – O dia do Senhor”. São Paulo: Paulinas, 1998. n. 158. 2. In albis é uma referência às túnicas “alvas”, isto é, brancas, usadas pelos recém-batizados na noite  da Vigília Pascal, como sinal que eles tinham sido “revestidos de Cristo”, como diz Paulo. Os neófitos permaneciam vestidos com as vestes brancas durante todo o período da oitava, depondo-as neste domingo.

 

O toque da Misericórdia de Jesus
Palestra Monsenhor Jonas Abib do Domingo da Misericórdia dia 07 de Abril de 2002

Jesus pediu que o domingo da Sua misericórdia fosse justamente o segundo domingo depois da Páscoa. O centro de tudo é a Misericórdia Divina. Atos dos Apóstolos 2, 47 está escrito: “E o Senhor cada dia lhes ajuntava outros, que estavam a caminho da salvação”. Os que se refugiam no Coração Misericordioso de Jesus estão guardados para a salvação que deve se revelar nos últimos tempos. Deus Pai enviou Seu Filho ao mundo para perdoar os pecados, para tirar a ruptura que havia entre Ele e os homens e nos abrir de novo o caminho para a eternidade, para o céu. Jesus veio para perdoar todo o pecado. O Senhor quer que nós toquemos na Sua Misericórdia expressa nas Suas chagas. Jesus quer que entremos em Seu Coração ressuscitado para experimentarmos também a ressurreição. A máxima expressão de Jesus na Sua vida foi a convivência com Maria, Marta e Lázaro, porque Lázaro era leproso, eles viviam em uma cidade separada, onde viviam os leprosos. Jesus convivia com eles, comia com eles, todos tinham pavor dos leprosos, especialmente naquele tempo, mas aquela casa era a preferida de Jesus Cristo. Depois de Lázaro aparece aquela mulher que lava os pés de Jesus, inclusive no jantar de festa pela ressurreição dele [Lázaro]. Essa mulher era uma pecadora e Cristo deixou que ela Lhe lavasse os pés. Porque ela muito amou, Jesus perdoou seus pecados. Quem demonstra muito amor é porque foi muito perdoado. Os três Evangelhos de Mateus, Marcos e João mostram esse fato, que aconteceu depois da ressurreição de Lázaro. Jesus convivia com leprosos e pecadores. Isso mostra o excesso da Divina Misericórdia. Jesus Nazareno não tem medo de nada, nem da lepra nem do pecado. O Senhor não é leproso, não cometeu pecado, pelo contrário, Ele não quer a lepra nem o pecado. Mas Jesus se coloca lado a lado, até se une a leprosos e pecadores para que eles experimentem a ressurreição. Que beleza a ressurreição de Lázaro! Jesus mandou tirar a pedra do seu sepulcro. Ele não tem medo de nada, nem do cheiro da morte e do pecado. O que andava o matando e o fazendo cheirar mal? A morte traz mau cheiro e Cristo, sem dó e sem se preocupar com nada, manda tirar a pedra. Você não precisa esconder aquilo que fazia você cheirar mal porque Jesus não tem medo, muito pelo contrário, Ele o manda vir para fora. Quando apontamos para Jesus, sem medo, Ele destrói o pecado. É como a luz que entra e ilumina o escuro. São raios de Misericórdia que saem do Coração de Nosso Senhor Jesus e atingem o seu pecado para acabar com ele. Você não precisa esconder o que lhe causava morte e cheirava mal, porque o Senhor não tem nenhuma repugnância disso, muito pelo contrário, Ele manda tirar a pedra, colocar tudo às claras. Sem medo nem receio, com Jesus é preciso revelar, mostrar, apontar sem medo para Ele, pois quando fazemos isso é como a luz que entra. Eu mergulho e jogo minhas misérias na fornalha da Divina Misericórdia para que sejam incineradas! É isso que Jesus quer de você. Tire a pedra. Cristo disse para Lázaro: “Vem para fora!”, houve minutos de silêncio de expectativa. Naquele momento a vida voltou a Lázaro, mas ele estava todo amarrado, cheio de faixas, imagine-o no chão mexendo-se o que podia e como podia para vir para fora. Lázaro literalmente vem rastejando no chão. Era a força da vida, mas muito limitada, imagine a dificuldade para vir amarrado como estava. Hoje, o Dia da Misericórdia Jesus Cristo mostra o que ninguém pode fazer, só Ele pode fazer: que é nos ressuscitar sempre. O Senhor é disposto e suficientemente poderoso para ressuscitar todo aquele que se joga na Sua infinita Misericórdia e se arrepende, quer perdão e quer vida nova. Jesus tem o poder de ressuscitá-lo e Ele é a ressurreição. Ele o tira do que quer que seja e o levanta. Entre Jesus nos ressuscitar e ficarmos de pé existe toda nossa luta. Somos ressuscitados, mas ainda estamos enfaixados, aí existe todo nosso esforço, pois “o teu Deus, que te criou sem ti, não te salvará sem ti” (Santo Agostinho). É preciso esforço, luta, seja qual foi sua situação. Para ficar em pé é preciso heroísmo e sem sua luta e esforço de nada vai adiantar Cristo tê-lo ressuscitado. Cada um de nós poderia morrer de novo depois de ressuscitados se não houver nosso esforço. O que nós podemos fazer Jesus não o faz por nós, o Senhor só faz aquilo que só Ele pode fazer. Claro que também nessa luta a graça está presente porque a ressurreição já aconteceu e a vida leva para a vida. É por graça que nos movemos, nos arrastamos, nos levantamos, mas é preciso esforço e luta. Para os moles não há possibilidade, mas para os que enfrentam o duro tudo se torna mole. Sem o seu heroísmo não haverá a sua salvação, a sua ressurreição. Cristo precisa ver sua lágrima, seu suor, o seu sangue, sua luta. Lute, a misericórdia do Senhor está aí, mas isso não quer dizer cruzarmos os braços e deslizarmos nessa graça [misericórdia]. Não! A misericórdia faz o que não podemos fazer. Ela nos dá vida e força, mas quem imprime a força e vida é você, quem se levanta é você. Do contrário você nunca sairá da sua situação. É preciso luta e heroísmo, agüente firme porque não é Jesus quem o faz se sentir assim, mas a própria situação na qual você estava, mas Ele o ressuscitou! Hoje é o dia da sua ressurreição! Oito dias depois da ressurreição de Jesus Cristo acontece o dia da sua ressurreição. Até se arrastar e sair do sepulcro Lázaro conseguiu, mas quando chegou do lado de fora precisou de outros para tirarem as faixas. Até ali precisou do próprio esforço, mas chegou a hora em que precisou dos outros. Talvez você tenha alguém na sua casa que também precisa de você. Corra para o “Lázaro” que está perto de você e retire as faixas dele. Se você não fizer isso ele não irá conseguir, pois Jesus precisa de você como auxiliar na Misericórdia d’Ele. A Misericórdia d’Ele ressuscita, nenhum de nós é capaz de ressuscitar. E o que você não pode fazer, Ele o faz, mas o restante exige de nós. A coisa mais importante é a confiança, confiar n’Aquele que recebeu a graça da ressurreição. A confiança que colocamos em Nosso Senhor Jesus Cristo e a misericórdia que colocamos n’Ele precisam ser refletidas na confiança e misericórdia para com nossos irmãos. Hoje Jesus ressuscita o seu coração duro que não tinha a “confiança de confiar”. Receba o Espírito Santo de Deus e ressuscite agora! Saia dessa vida e deixe o passado na Misericórdia de Deus.

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