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Aurora e Dia do Santo Natal – 25 de Dezembro

Por Pe. Fernando José Cardoso

Evangelho segundo São João 1, 1-18
No princípio existia o Verbo; o Verbo estava em Deus; e o Verbo era Deus. No princípio Ele estava em Deus. Por Ele é que tudo começou a existir; e sem Ele nada veio à existência. Nele é que estava a Vida de tudo o que veio a existir. E a Vida era a Luz dos homens. A Luz brilhou nas trevas, mas as trevas não a receberam. Apareceu um homem, enviado por Deus, que se chamava João. Este vinha como testemunha, para dar testemunho da Luz e todos crerem por meio dele. Ele não era a Luz, mas vinha para dar testemunho da Luz. O Verbo era a Luz verdadeira, que, ao vir ao mundo, a todo o homem ilumina. Ele estava no mundo e por Ele o mundo veio à existência, mas o mundo não o reconheceu. Veio para o que era seu, e os seus não o receberam. Mas, a quantos o receberam, aos que nele crêem, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus. Estes não nasceram de laços de sangue, nem de um impulso da carne, nem da vontade de um homem, mas sim de Deus. E o Verbo fez-se homem e veio habitar conosco. E nós contemplamos a sua glória, a glória que possui como Filho Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade. João deu testemunho dele ao clamar: «Este era aquele de quem eu disse: ‘O que vem depois de mim passou-me à frente, porque existia antes de mim.’» Sim, todos nós participamos da sua plenitude, recebendo graças sobre graças. É que a Lei foi dada por Moisés, mas a graça e a verdade vieram-nos por Jesus Cristo. A Deus jamais alguém o viu. O Filho Unigênito, que é Deus e está no seio do Pai, foi Ele quem o deu a conhecer.

Natal do Senhor. Na missa da noite, Lucas nos diz que Jesus não nasceu em uma hospedaria. Não convinha que o Filho de Deus, nascesse num hotel como um hóspede que ali passa uma ou duas noites apenas e depois se vai.  Ele veio para ficar. A presença da manjedoura por três vezes repetidas no texto de Lucas é também uma alusão a Isaías, outrora um oráculo negativo: “O boi conhece a manjedoura do seu Senhor, mas o meu povo não me conhece”. Ao mostrar que Jesus foi reclinado numa manjedoura e reconhecido pelos pastores, Lucas quer dizer que esta profecia negativa já não tem mais valor também. Os pastores representam antecipadamente, aquela porção de judeus que se converteria mais tarde à sua pregação. Na missa do dia, a mais solene das três celebradas no Natal, existe, no entanto uma nota destoante de tristeza. Sim, um tom triste vem perturbar a serenidade de alegria e tranqüilidade deste dia. Diz-nos o evangelista João: “Ele veio para o que era Seu, mas os seus não O receberam”. A todos aqueles que O receberam porém, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus. Eis um milagre atual e presente: a sua presença. Você que me escuta neste dia de Natal e me escutou o ano inteiro, é o símbolo de um milagre de Deus. Existem muitos como você, que se prepararam longamente para um Natal diferente. Não um Natal que se consome em ceias, bebidas e presentes, mas um Natal que abra progressivamente o coração para receber o maior presente de Deus que é Jesus. Você que crê neste dia é um símbolo, é uma prova, é um milagre de Deus. Você que crê é um sinal de que a graça de Deus é mais eficaz do que o mundo. São muitos aqueles como você que crêem e celebram um Natal diferente,  porque recebem o Rei nos próprios corações. Mas a multidão dos que celebram um Natal superficial, um Natal secularizado, um Natal que os símbolos cristãos desaparecem do meio, são muitos, é a maioria. Você é uma pessoa diferente das outras, eu repito, todos estes que se abrem para receber Cristo, terão um Natal permanente, um Natal estável, um Natal que não terminará neste dia e você pode louvar e bendizer a Deus, juntamente com os seus irmãos na fé, porque ainda existem, apesar de o mundo e o nosso país estar extremamente secularizado, pessoas que recebem Cristo na fé. A você e a todos os seus um feliz e santo Natal.

 

«E o Verbo fez-se homem e veio habitar conosco»
São Leão Magno (?-c. 461), papa e Doutor da Igreja 
1º sermão para a Natividade do Senhor; PL 59,190 (a partir da trad. cf SC 22 bis, pp. 67ss., breviário e Orval)

Nosso Senhor, irmãos bem-amados, nasceu hoje: regozijemo-nos! Não é permitido estarmos tristes neste dia em que nasce a vida. Este dia destrói o receio da morte e enche-nos da alegria que a promessa da eternidade dá. Ninguém ficou afastado desta alegria; um único e mesmo motivo de alegria é comum a todos. Pois Nosso Senhor, ao vir destruir o pecado e a morte […], veio libertar todos os homens. Que o santo exulte, pois aproxima-se da vitória. Que o pecador se alegre, pois é convidado ao perdão. Que o pagão tome coragem, pois é chamado à vida. Com efeito, quando chegou a plenitude dos tempos determinada pela profundidade insondável do plano divino, o Filho de Deus desposou a nossa natureza humana para reconciliá-la com o seu Criador. […] O Verbo, a Palavra de Deus, que é Deus, Filho de Deus, que «no princípio estava em Deus, por Quem tudo começou a existir, e sem Quem nada veio à existência», tornou-Se homem para libertar o homem de uma morte eterna. Baixou-Se para assumir a nossa condição humilde sem que a Sua majestade ficasse diminuída. Continuando a ser o que era e assumindo o que não era, Ele uniu a nossa condição de escravos à Sua condição de igual a Deus Pai. […] A majestade reveste-Se de humildade, a força de fraqueza, a eternidade de mortalidade: verdadeiro Deus e verdadeiro homem, na unidade de um único Senhor, «único mediador entre Deus e os homens» (1Tim 2, 5). […] Demos graças, portanto, irmãos bem-amados a Deus Pai, pelo Seu Filho, no Espírito Santo. Porque, na Sua grande misericórdia e no Seu amor por nós, Ele teve piedade de nós. «Quando estávamos mortos pelo pecado, Ele fez-nos tornar a viver por Cristo», querendo que sejamos n’Ele uma nova criação, uma nova obra das Suas mãos (Ef 2, 4-5; 2Cor 5,1 7). […] Cristão, toma consciência da tua dignidade.

 

NATAL DO SENHOR
Isaías 52, 7-10; Hebreus 1, 1-6; João 1, 1-18

Por que Deus se fez homem? Vamos diretos ao cume do prólogo de João, que constitui o Evangelho da terceira Missa de Natal, chamada «do dia». No Credo há uma frase que este dia se recita de joelhos: «Por nós os homens e por nossa salvação desceu do céu». É a resposta fundamental e perenemente válida à pergunta: «Por que o Verbo se fez carne?», mas precisa ser compreendida e integrada. A questão de fato reaparece sob outra forma: E por que se fez homem «por nossa salvação»? Só porque havíamos pecado e precisávamos ser salvos? Um filão da teologia, inaugurado pelo beato Duns Escoto, teólogo franciscano, desliga a encarnação de um vínculo demasiado exclusivo com o pecado do homem e a designa, como motivo primário, à glória de Deus: «Deus decreta a encarnação do Filho para ter alguém, fora de si, que o ame de maneira suma e digna de si». Esta resposta, ainda belíssima, não é ainda definitiva. Para a Bíblia o mais importante não é, como para os filósofos gregos, que Deus seja amado, mas que Deus «ama» e ama primeiro (1 João 4, 10.19). Deus quis a encarnação do Filho não tanto para ter alguém fora da Trindade que o amasse de forma digna de si, mas para ter alguém a quem amar de maneira digna de si, isto é, sem medida! No Natal, quando chega Jesus Menino, Deus Pai tem alguém a quem amar com medida infinita porque Jesus é homem e Deus por sua vez. Mas não só a Jesus, mas também a nós junto a Ele. Nós estamos inclusive neste amor, tendo-nos convertido em membros do corpo de Cristo, «filhos no Filho». Recorda-nos o próprio prólogo de João: «Mas a todos que o receberam deu o poder de se tornarem filhos de Deus». Cristo, portanto, desceu do céu «por nossa salvação», mas o que o impulsionou a descer do céu por nossa salvação foi o amor, nada mais que o amor. Natal é a prova suprema da «filantropia» de Deus, como a chama a Escritura (Tito 3, 4), ou seja, literalmente, de seu amor pelos homens. Esta resposta ao por que da encarnação estava escrita com clareza na Escritura, pelo mesmo evangelista que fez o prólogo: «Pois Deus amou tanto o mundo, que entregou o seu filho único, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha vida eterna» (João 3, 16). Qual deve ser então nossa resposta à mensagem de Natal? O canto natalino Adeste fideles diz: «A quem assim nos ama quem não amará?». Podem-se fazer muitas coisas para celebrar o Natal, mas o mais verdadeiro e profundo nos é sugerido por estas palavras. Um pensamento sincero de gratidão, de comoção e de amor por quem veio habitar entre nós, é o dom mais maravilhoso que podemos levar ao Menino Jesus, o adorno mais belo em meio a seu presépio. Para ser sincero, também o amor precisa ser traduzido em gestos concretos. O mais simples e universal – quando é limpo e inocente – o beijo. Demos portanto um beijo em Jesus, como se deseja fazer com todas as crianças recém-nascidas. Mas não nos contentemos em dá-lo só à imagem de gesso ou de porcelana; demos a um Jesus Menino de carne e osso. Demos a um pobre, a alguém que sofre, e o teremos dado nEle! Dar um beijo, neste sentido, significa dar uma ajuda concreta, mas também uma boa palavra, alento, uma visita, um sorriso, e às vezes, por que não, um beijo de verdade. São as luzes mais belas que podemos acender em nosso presépio.

Santo Evangelho (Lc 21, 25-28.34-36)

1º Domingo do Advento – 02/12/2018

Primeira Leitura (Jr 33,14-16)
Leitura do Livro do profeta Jeremias:

14“Eis que virão dias, diz o Senhor, em que farei cumprir a promessa de bens futuros para a casa de Israel e para a casa de Judá. 15Naqueles dias, naquele tempo, farei brotar de Davi a semente da justiça, que fará valer a lei e a justiça na terra. 16Naqueles dias, Judá será salvo e Jerusalém terá uma população confiante; este é o nome que servirá para designá-la: ‘O Senhor é a nossa justiça’”.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Responsório (Sl 24)

— Senhor meu Deus, a vós elevo a minha alma!
— Senhor meu Deus, a vós elevo a minha alma!

— Mostrai-me, ó Senhor, vossos caminhos, e fazei-me conhecer a vossa estrada! Vossa verdade me oriente e me conduza, porque sois o Deus da minha salvação!

— O Senhor é piedade e retidão, e reconduz ao bom caminho os pecadores. Ele dirige os humildes na justiça, e aos pobres ele ensina o seu caminho.

— Verdade e amor são os caminhos do Senhor para quem guarda sua Aliança e seus preceitos. O Senhor se torna íntimo aos que o temem e lhes dá a conhecer sua Aliança.

 

Segunda Leitura (1Ts 3,12-4,2)
Leitura da Primeira Carta de São Paulo aos Tessalonicenses:

Irmãos: 3,12O Senhor vos conceda que o amor entre vós e para com todos aumente e transborde sempre mais, a exemplo do amor que temos por vós. 13Que assim ele confirme os vossos corações numa santidade sem defeito aos olhos de Deus, nosso Pai, no dia da vinda de nosso Senhor Jesus, com todos os seus santos. 4,1Enfim, meus irmãos, eis que vos pedimos e exortamos no Senhor Jesus: Aprendestes de nós como deveis viver para agradar a Deus, e já estais vivendo assim. Fazei progressos ainda maiores! 2Conheceis, de fato, as instruções que temos dado em nome do Senhor Jesus.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Anúncio do Evangelho (Lc 21,25-28.34-36)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós!
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Lucas.
— Glória a vós, Senhor!

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: 25“Haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas. Na terra, as nações ficarão angustiadas, com pavor do barulho do mar e das ondas. 26Os homens vão desmaiar de medo, só em pensar no que vai acontecer ao mundo, porque as forças do céu serão abaladas. 27Então eles verão o Filho do Homem, vindo numa nuvem com grande poder e glória. 28Quando estas coisas começarem a acontecer, levantai-vos e erguei a cabeça, porque a vossa libertação está próxima. 34Tomai cuidado para que vossos corações não fiquem insensíveis por causa da gula, da embriaguez e das preocupações da vida, e esse dia não caia de repente sobre vós; 35pois esse dia cairá como uma armadilha sobre todos os habitantes de toda a terra. 36Portanto, ficai atentos e orai a todo momento, a fim de terdes força para escapar de tudo o que deve acontecer e para ficardes em pé diante do Filho do Homem”.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

 

A IGREJA CATÓLICA CELEBRA E VENERA HOJE
São Cromácio – Bispo de Aquiléia (Itália)

A casa de São Cromácio era centro de atividade espiritual, de estudo, oração

Hoje a Igreja nos apresenta São Cromácio, Bispo de Aquiléia (Itália). Esta cidade da Europa, por um tempo foi muito importante para o Império Romano, que a tinha como centro político e principalmente para o Cristianismo, pois São Jerônimo a chamou: “Comunidade de santos”. Neste contexto que, no século IV, Cromácio aparece como pertencente do Clero de Aquiléia e ajudante fiel do Bispo Valeriano. Cromácio nasceu em Aquiléia no ano 345.

São Cromácio colaborou na organização da diocese e na luta contra o Arianismo, que semeava a mentira em que Jesus Cristo seria criatura escolhida, e não Deus. A casa de São Cromácio era centro de atividade espiritual, de estudo, oração e encontro de amigos sacerdotes e leigos, dispostos a cresceram para Deus. Quando Valeriano morreu, todos – Clero e o povo – não tiveram dúvida em aclamar Cromácio para Bispo de Aquiléia. Isto em 388.

Como Bispo, foi santo e sábio pastor, culto, enérgico na defesa da doutrina e incansável na evangelização dos povos, o próprio São Cromácio se destacou como pregador e escritor, além de cooperar para que São Jerônimo e Rufino trabalhassem cada um na sua tradução das Sagradas Escrituras. São Cromácio faleceu em sua cidade – Aquiléia – no ano de 408, local que jamais esqueceu deste santo Bispo.

São Cromácio, rogai por nós!

 

Primeiro Domingo do Advento – Ano C

Por Pe. Fernando José Cardoso

Evangelho segundo São Lucas 21, 25-28.34-36
«Haverá sinais no Sol, na Lua e nas estrelas; e, na Terra, angústia entre os povos, aterrados com o bramido e a agitação do mar; os homens morrerão de pavor, na expectativa do que vai acontecer ao universo, pois as forças celestes serão abaladas. Então, hão-de ver o Filho do Homem vir numa nuvem com grande poder e glória. Quando estas coisas começarem a acontecer, cobrai ânimo e levantai a cabeça, porque a vossa redenção está próxima.» «Tende cuidado convosco: que os vossos corações não se tornem pesados com a devassidão, a embriaguez e as preocupações da vida, e que esse dia não caia sobre vós subitamente, como um laço; pois atingirá todos os que habitam a terra inteira. Velai, pois, orando continuamente, a fim de terdes força para escapar a tudo o que vai acontecer e aparecerdes firmes diante do Filho do Homem.»

Estamos em um novo ano da graça, um novo ano litúrgico, uma nova oportunidade que no tempo presente Deus concede a todos os cristãos que querem chegar à estatura perfeita de Jesus Cristo. Recomeçamos a repassar um a um, os seus mistérios terrestres e celestes com o desejo de assimilá-los. Neste primeiro domingo do advento contrariamente ao que se poderia esperar a Igreja não nos faz recordar nos inícios da humanidade. Os inícios absolutos do nosso planeta, da nossa história ou quando éramos apenas embriões. Na verdade, Deus nunca nos pensou embriões. Deus tem um sonho para com cada um de nós e deseja realizá-lo com a nossa cooperação, com a nossa liberdade, com a nossa responsabilidade, o que supõe um estado adulto. Neste primeiro domingo do advento, a Igreja deseja que iniciemos nova peregrinação, nova apropriação dos mistérios de Cristo contemplando o final grandioso. O final grandioso da nossa história, que para nós que temos fé, será a grande manifestação da Glória de Jesus Cristo. Ele, não se esqueçam, foi expulso deste mundo mediante um processo sumário, e uma morte dolorosíssima numa cruz. Apenas nós cristãos cremos na Sua Ressurreição, na Sua vitória e na Sua realeza. E apenas escondidamente, através do Seu Espírito, Ele age na Igreja, em cada um de nossos corações. Mas, naquele dia derradeiro, último e definitivo, convém que toda história passada e presente, O contemple na majestade de Sua Glória. Até mesmo aqueles que o traspassaram, e todos aqueles que O rejeitaram de mil maneiras na própria existência. E assim, a partir de mais um início de ano litúrgico, somos endereçados para a meta final da nossa existência. O que importa é o que está pela frente; é o que vem ainda, não o que ficou para trás. Não nos esqueçamos que aquele grandioso final é antecipado pessoalmente no pequeno apocalipse, que é a morte individual de cada um de nós, e o nosso encontro definitivo com o Cristo, juiz e Senhor dos nossos atos. Assim, vamo-nos preparando, não apenas para recebê-Lo no próximo Natal, mas para recebê-Lo no final, no Último e definitivo dia que será o grande Natal, a grande apresentação, a definitiva e permanente manifestação de Jesus entre nós.

 

«Então hão-de ver o Filho do Homem vir»
Bem-aventurado Jan van Ruusbroec (1293-1381), cônego regular
Les Noces spirituelles, 1 (a partir da trad. Louf, Bellefontaine 1993, p. 39 rev.)

«Aí vem o esposo» (Mt 25, 6). Cristo, o nosso esposo, pronuncia esta palavra. Em latim, o termo «venit» contém em si dois tempos do verbo: o passado e o presente, o que não impede de visar também o futuro. É por isso que vamos considerar três vindas do nosso esposo, Jesus Cristo. Quando da primeira vinda, Ele fez-Se homem por causa do homem, por amor. A segunda vinda tem lugar todos os dias, freqüentemente e em muitas ocasiões, em todos os corações que amam, acompanhada de novas graças e de novas dádivas, consoante a capacidade de cada um. A terceira vinda é aquela que terá lugar no dia do Juízo ou na hora da morte. […] O motivo por que Deus criou os anjos e os homens foi a Sua bondade infinita e a Sua nobreza, uma vez que Ele quis fazê-lo para que a beatitude e a riqueza que Ele próprio é sejam reveladas às criaturas dotadas de razão e para que estas possam saboreá-Lo no tempo e usufruí-Lo para lá do tempo, na eternidade. O motivo por que Deus Se fez homem foi o seu amor imenso e o infortúnio dos homens, pois eles estavam alterados pela queda do pecado original e eram incapazes de se curarem dele. Mas o motivo por que Cristo realizou todas as Suas obras na terra não apenas segundo a Sua divindade, mas também segundo a Sua humanidade é quádruplo, a saber: o Seu amor divino que não tem fim; o amor criado, ou caridade, que possuía na Sua alma graças à união com o Verbo eterno e graças à dádiva perfeita que Seu Pai Lhe fez; o grande infortúnio em que se encontrava a natureza humana; e, por fim, a honra de Seu Pai. Eis os motivos da vinda de Cristo, o nosso esposo, e de todas as Suas obras.

 

‘Deus não mente, Ele cumpre suas promessas’
Padre Delton

Advento significa a espera d’Aquele que vem. Quando nos reunimos na Eucaristia, celebramos a presença de Jesus e esperamos sua volta. Estamos nos preparando para o Natal e também para o retorno de Jesus. Se Jesus viesse hoje, você estaria pronto? Tem gente que passa o ano todo preparando as férias, e não tem pecado nisso, se você tem condições de preparar as férias como você está preparando para a vida eterna? Não sei quantos anos você vai viver, mas o que são 90 anos diante da eternidade? Quando o Senhor vier será para julgar os vivos e os mortos, assim diz a Palavra. Seremos julgados pelo amor, a execução da pena será quando Ele vier em sua glória. Não existe tempo depois da morte. O Senhor é cumpridor de promessas, o coração de Deus não se engana, o que Ele prometeu para mim há de si cumprir. Na Palavra tem milhares de promessas para mim e para você, ainda que você tenha sido vítima de tanta mentira, Deus não mente, Deus não falha. A primeira leitura [Jeremias 33, 14-16], quer nos encher de esperança. Mesmo que para você, todas as esperanças humanas tenham se acabado, Deus quer cumprir Suas promessas em tua vida. Reze: “Senhor Deus, eu quero, aceito e peço o cumprimento de suas promessas em minha vida, na família. A minha casa te pertence, cumpra as Suas promessas”. O Senhor diz para você: “hoje a salvação entrou na sua casa”. O Senhor quer ser o teu íntimo. O grande dom que Deus nos deu foi Jesus e Ele quer ser seu íntimo. Acorda! O Senhor não quer passar pela tua vida, o Senhor quer ser teu íntimo e quer que você reconheça a potência dessa intimidade. Quando o Senhor está em nosso íntimo a nossa vida muda. Não pode permanecer numa vida de pecado quem recebeu Jesus como hóspede. Toda santidade é fruto da habitação de Deus. “Progrida, não pare em tua vida espiritual” Sabe qual é nosso maior defeito? Temos memória curta, quebramos a “cara”, depois passa um tempo e cometemos o mesmo erro. Na vida espiritual ou você vai para frente ou você vai para trás. É preciso progredir passo a passo, não podemos ficar parados. Progrida, não pare em tua vida espiritual. Se você está impedido de comungar, não deixe de ir ao encontro do Senhor através da Palavra, da devoção mariana, não fique parado, faça progressos. Hoje mais do que nunca estamos vendo o mundo virado, estamos vendo as mudanças climáticas. Estamos num mundo sempre a beira do colapso. Perceba os sinais de Deus em sua vida, o Senhor está investindo tudo para que você não pereça. Diga: “Senhor Jesus, eu quero assumir essa Palavra, a minha libertação está próxima”. Lá onde você é medo o Espírito Santo é coragem, onde você é fraco o Espírito Santo é a tua fortaleza. Não sabemos como orar, o que dizer, por isso Espírito Santo há de vir em nosso socorro para nos ajudar a orar.

 

Iniciamos, hoje, um novo Ano Litúrgico, muito antes do início de mais um ano civil. O ambiente social, através do comércio, da publicidade, já respira um “ar natalício”. Vale a pena aproveitar esta antecipação e valorizar aquilo que é interessante. Para nós, cristãos, o tempo tem outro sentido. O centro, a plenitude dos tempos, o núcleo do ano é a Páscoa do Senhor, o Tríduo Pascal no qual celebramos o mistério salvador da morte e da ressurreição de Jesus Cristo que nos convoca em cada domingo à eucaristia. Porém, há que preparar o Advento e as festas do Natal. Iremos preparar, novamente, o nosso interior para receber de novo, no hoje da nossa vida, o nascimento Daquele que dá sentido ao tempo, à história e à nossa vida. É importante que se note que estamos iniciando um novo tempo que é forte e importante. Ao começar o Advento, coloquemos já o nosso olhar na celebração do Natal – Epifania, como fazemos quando iniciamos a Quaresma que só tem sentido a partir da Páscoa. Na nossa celebração e na pastoral da comunidade, tudo tem que expressar que estamos começando de novo: a coroa do Advento, cartazes com frases alusivas ao tempo, cânticos adequados, a programação de uma celebração penitencial, vigílias de oração, atividades formativas e catequéticas, etc. O Advento situa-nos entre as duas vindas do Filho do Homem. O Prefácio do Advento I diz-nos claramente: “Ele veio a primeira vez … de novo há-de vir”. O primeiro domingo do ano litúrgico põe-nos sempre à nossa reflexão esta segunda vinda do Filho do Homem. Para esta segunda vinda, na celebração tudo nos convida a estar preparados e vigilantes, mesmo a recordação da primeira vinda. Aguardaremos pela segunda vinda do Senhor em vigilância e oração. Mas hoje, o Senhor também está presente, porque vem assiduamente ao encontro de cada um e da história. É preciso saber descobrir o Senhor, é necessário estar atento para que Ele não passe despercebido. O momento presente não é só preparação para a vinda definitiva, mas também acolher hoje a vinda do Senhor que é salvadora. Jesus diz-nos no evangelho: “Erguei-vos, levantai a cabeça, porque a vossa libertação está próxima”. Libertação de quê? Jesus dá a resposta: de todas as coisas que escurecem e preocupam demasiado o nosso coração. Que programa mais belo para o Advento: o contraste com tudo aquilo que nestes dias que antecedem o Natal nos preocupa demais; quantos negócios e compras nos preocupam demais! Tudo isto pode criar em nós uma insensibilidade a Deus que vem para nos libertar de todas as escravidões da vida. A livre pobreza do Natal recordar-nos-á de tudo isto. A nossa pregação deverá ajudar a que todos “compareçam de pé diante do Filho do Homem” que vem amorosamente à vida humana. Como São Paulo nos diz, temos que valorizar o esforço que cada um faz na sua caminhada de fé. Não vale a pena ter sempre um discurso negativo e deprimente. “Deveis proceder para agradar a Deus e assim estais procedendo; mas deveis progredir ainda mais” (2ª leitura). Só assim tem sentido o Advento. A Oração Coleta deste domingo faz-nos pedir a Deus que despertemos em nós “a vontade firme, pela prática das boas obras, para ir ao encontro de Cristo”. “Para Vós, Senhor, elevo a minha alma”, cantaremos no Salmo Responsorial. É também o texto da Antífona de Entrada. Quando nos preparamos para viver de novo a “humilhação” de Deus que assumiu a nossa condição humana, exceto o pecado, deveremos corresponder com a nossa “elevação”. “Corações ao alto! O nosso coração está em Deus”, proclamaremos no início da Oração Eucarística. “Ensinais a amar os bens do Céu e a viver para os valores eternos”, diremos na Oração Depois da Comunhão. Este “subir” e “descer” que vivemos na Eucaristia tem de estar bem firme nos nossos corações “para nos apresentarmos santos e irrepreensíveis” diante de Deus. Esta é a nossa esperança, é a esperança do Advento.

 

PRIMEIRO DOMINGO DO ADVENTO
Lucas 21, 25-28.34-36
“A libertação de vocês está próxima”

Neste primeiro domingo do Ano Litúrgico, Lucas nos mergulha num dos discursos escatalógicos do seu Evangelho. Sendo assim, usa imagens e símbolos que não são da nossa cultura e época, e por isso nem sempre são fáceis a serem compreendidos pelos ouvintes de hoje. Porém, na literatura apocalíptica não é necessário interpretar cada imagem detalhadamente – o mais importante não é cada pedra do mosaico, mas o padrão inteiro – não cada imagem e símbolo, mas a sua mensagem de conjunto. O texto nos apresenta a figura do “Filho do Homem” – o título que nos Evangelhos Jesus mais usava para si mesmo, e que nós pouco usamos. Este título vem de um trecho do livro apocalíptico de Daniel: “Em imagens noturnas, tive esta visão: entre as nuvens do céu vinha alguém como um filho de homem… Foi-lhe dado poder, glória e reino, e todos os povos, nações e línguas o serviram. O seu poder é um poder eterno, que nunca lhe será tirado. E o seu reino é tal que jamais será destruído” (Dn 7, 13s). Então, Jesus recorda aos seus discípulos a mensagem de ânimo que trazia o Livro de Daniel aos perseguidos do tempo dos Macabeus, pelo ano 175 a.C. – que embora possa parecer que os poderes deste mundo, os impérios opressores sejam mais fortes do que o poder de Deus, isso não passa de uma ilusão. Pois, na plenitude dos tempos, Deus, através do seu Ungido – o Filho do Homem – revelará o seu poder, e estabelecerá um Reino que jamais será destruído. Isso acontece agora em Jesus! Qualquer interpretação de um texto apocalíptico que bota medo nos ouvintes é necessariamente errada, pois a função da literatura apocalíptica é de animar e dar coragem aos oprimidos e sofredores. Por isso, o ponto central do nosso texto de hoje é uma mensagem de ânimo, coragem e fé: “Quando essas coisas começarem a acontecer, levantem-se e erguem a cabeça, porque a libertação de vocês está próxima” (v. 28). Este trecho tem uma dimensão fortemente cristológica – nos afirma que Jesus, o Filho do Homem vitorioso, tem em controle todas as forças, sejam elas de guerra (v. 9) ou do mar – símbolo de forças indomináveis na literatura judaica da época (v. 25). O versículo acima citado traz uma mensagem cheia de confiança: em contraste com a atitude de covardia dos malvados (v. 26), os discípulos ficarão com a cabeça erguida, para acolher o juiz justo, o Filho do Homem. Mesmo assim, os eleitos devem ficar atentos para não caírem. Devem cuidar muito para que: “Os corações não fiquem insensíveis por causa da gula, da embriaguez e das preocupações da vida” (v. 34). Pois, é fácil assumir as atitudes do mundo, sem que notemos, a não ser que sejamos vigilantes. Por isso, o texto de hoje termina com um conselho válido também para os discípulos dos tempos modernos: “Fiquem atentos e rezem todo o tempo, a fim de terem força” (v. 36). O Advento é tempo oportuno para que examinemos a nossa vida para descobrir se realmente estamos atentos o tempo todo para não perdermos as manifestações da presença de Jesus no meio de nós. É tempo de nos dedicarmos mais à oração, para renovarmos as nossas forças, para não cairmos na armadilha da “inatenção” no meio das preocupações e barulhos do mundo moderno, para que os nossos corações continuem “sensíveis” aos apelos do Senhor, através dos irmãos e irmãs, no nosso dia-a-dia!

A santidade é a vocação do cristão

O primeiro chamado do cristão é a santidade

Desde a Antiga Aliança, Patriarcas, Deus chama o povo à santidade: “Eu sou o Senhor que vos tirou do Egito para ser o vosso Deus. Sereis santos porque Eu sou Santo”. (Lv 1, 44-45)

O desígnio de Deus é claro: uma vez que fomos criados à sua “imagem e semelhança” (Gn 1,26) e Ele é Santo, nós devemos ser santos também. O Senhor não deixa por menos. A medida e a essência dessa santidade é o próprio Deus. São Pedro repete esta ordem dada ao povo no deserto, em sua primeira carta, convocando os cristãos a imitarem a santidade de Deus:

“A exemplo da santidade daquele que vos chamou, sede também vós santos, em todas as vossas ações, pois está escrito: Sede santos, porque eu sou santo.” (1Pd 1,15-16)

São Pedro exige dos fieis que “todas as vossas ações” espelhem esta santidade de Deus, já que “vós sois, uma raça escolhida, um sacerdócio régio, uma nação santa, um povo adquirido para Deus, a fim de que publiqueis o poder daquele que das trevas vos chamou à sua luz maravilhosa”. (1Pd 2,9)Para São Pedro a vida de santidade era uma imediata consequência de um povo que ele chamava de “quais outras pedras vivas… materiais deste edifício espiritual, um sacerdócio santo”. (1Pd 2,5)

Neste sentido exortava os cristãos do seu tempo a romper com a vida carnal: “luxúrias, concupiscências, embriagues, orgias, bebedeiras e criminosas idolatrias” (1Pd 4,3)vivendo na caridade, já que esta “cobre a multidão dos pecados”. (1Pd 4,8)

Jesus, no Sermão da Montanha chama os discípulos à perfeição do Pai: “Sede perfeitos assim como o vosso Pai celeste é perfeito”. (Mt 5,48)

Essas palavras fazem eco ao que Deus já tinha ordenado ao povo no deserto: “Sede santos, porque eu sou santo”. (Lv 11,44)

Jesus falava da bondade do Pai, que ama não só os bons, mas também os maus, e que “faz nascer o sol tanto sobre os maus como sobre os bons, e faz chover sobre os justos e sobre os injustos”. (Mt 5,45) Jesus pergunta aos discípulos: “Se amais somente os quevos amam, que recompensa tereis?” (46). Para o Senhor, ser perfeito como o Pai celeste, é amar também os inimigos, os que não nos amam. “Amai os vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam, orai pelos que vos perseguem e vos maltratam”(44) e mais ainda: “Não resistais ao mau. Se alguém te ferir a face direita, oferece-lhe também a outra”. (39)

Sem dúvida não é fácil viver essa grande exigência que Jesus nos faz, mas é por isso mesmo que ao cumpri-las vamos nos tornando santos, perfeitos, como o Pai celeste.

Todo o Sermão da Montanha, que São Mateus relata nos capítulos 5, 6 e 7, apresenta-nos o verdadeiro código da santidade. É como dizem os teólogos, a “Constituição do Reino de Deus”. Santo Agostinho nos assegura que:

“Aquele que quiser meditar com piedade e perspicácia o Sermão que nosso Senhor pronunciou no Monte, tal como o lemos no Evangelho de São Mateus, aí encontrará, sem sombra de dúvida, a carta magna da vida cristã” (CIC, nº 1966).

É por isso que na festa de todos os Santos a Igreja nos faz meditar no Evangelho das Bem-aventuranças, que são o início, e como que o resumo, de todo o Sermão do Monte.

São Paulo começa quase todas as suas Cartas lembrando os cristãos do seu tempo de que são chamados à santidade. Aos romanos, logo no início, ele se dirige dizendo:

“A todos os que estão em Roma, queridos de Deus, chamados a serem santos“. (Rm 1,7)

Aos corintios ele repete: “à Igreja de Deus que está em Corinto, aos fiéis santificados em Cristo Jesus chamados à santidade com todos…” (1Cor 1,2).

Aos efésios ele lembra, logo no início, que o Pai nos escolheu em Cristo “antes da criação do mundo para sermos santos e irrepreensíveis diante de seus olhos” (Ef 1,5).

Aos filipenses ele pede que: “o discernimento das coisas úteis vos torne puros e irrepreensíveis para o dia de Cristo” (Fil 1,10).

“Fazei todas as coisas sem hesitações e murmurações a fim de serdes irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus íntegros no meio de uma geração má e perversa” (Fil 2,14) .

Para o Apóstolo a santidade é a grande vocação do cristão. Ele diz aos efésios:

“Exorto-vos pois (…) que leveis uma vida digna da vocação a qualfostes chamados, com toda humildade, mansidão e paciência”. (Ef 4,1)

De maneira mais clara ainda ele fala aos tessalonicenses sobre o que Deus quer de nós:

“Esta é a vontade de Deus: a vossa santificação; que eviteis a impureza; que cada um de vós saiba possuir o seu corpo em santificação e honestidade, sem se deixar levar pelas paixões desregradas como fazem os pagãos que não conhecem a Deus”. (1 Tess 4,3-5)

Aos cristãos de Corinto, Paulo volta a insistir na sua segunda Carta:

“Purifiquemo-nos de toda a imundice da carne e do espírito realizando a obra de nossa santificação no temor de Deus” (2 Cor 7,1) e também a carta aos Hebreus, nos manda procurar a santidade:

“Procurai a paz com todos e ao mesmo tempo a santidade, sem a qual ninguém pode ver o Senhor”. (Hb 12,14)

Santa Teresa de Ávila afirma que: “O demônio faz tudo para nos parecer um orgulho o querer imitar os santos”.

A santidade é o meio de voltarmos a ser “imagem e semelhança” de Deus, conforme saímos de suas mãos.

São Paulo ensina na carta aos romanos que Deus nos quer como autênticas imagens de Jesus:

“Os que ele distinguiu de antemão, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que este seja o primogênito entre uma multidão de irmãos”. (Rm 8,29)

A santificação, portanto, consiste em cada cristão se transformar numa cópia viva de Jesus, “um outro Cristo” como diziam os santos Padres. Quando a imagem de Jesus estiver formada em nossa alma, então teremos chegado à meta que Deus nos propõe. É aquele estado de vida que levou, por exemplo, São Paulo a exclamar:“Eu vivo, mas já não sou mais eu, é Cristo que vive em mim. A minha vida presente, na carne, eu a vivo na fé no Filho de Deus”. (Gl 2,20)

Jesus sofreu a sua Paixão e Morte para que recuperássemos diante do Pai a santidade. É o que o Apóstolo nos ensina: “Eis que agora Ele vos reconciliou pela morte de seu corpo humano, para que vos possais apresentar santos, imaculados, irrepreensíveis aos olhos do Pai”. (Col 1,22)

Fomos criados por Deus e para Deus, e a Ele pertencemos; por isso, somos chamados à santidade. O salmista canta essa verdade essencial:

“Ele é nosso Deus; nós somos o povo de que ele é o pastor,

“As ovelhas que as suas mãos conduzem.” (Sl 94,7)

“Sabei que o Senhor é Deus: somos o seu povo e as ovelhas de seu rebanho.” (Sl 99,3)

Essa pertença a Deus é que nos obriga acima de tudo a buscarmos como meta da nossa vida a santidade, que é a marca de Deus, três vezes Santo. O Papa João Paulo II, que era um pregador incansável da santidade, disse certa vez:

“Não tenhais medo da santidade, porque nela consiste a plena realização de toda a autêntica aspiração do coração humano.” (LR,N.17, 7/4/96)

“Entre as maravilhas que Deus realiza continuamente, reveste singular importância a obra maravilhosa da santidade, porque ela se refere diretamente à pessoa humana.”

E o Papa resume tudo dizendo que:

“A santidade é a plenitude da vida.” (LR, N.20, 18/5/96)

Com a mesma ênfase, São Paulo afirma para os corintios que não nos pertencemos, porque fomos comprados por um alto preço que é o sangue de Cristo (cf. 1 Cor 6,19). Aos romanos o Apóstolo diz: “Nenhum de vós vive para si e ninguém morre para si. Se vivemos, vivemos para o Senhor; se morremos, morremos para o Senhor. Quer vivamos, quer morramos, pertencemos ao Senhor. (Rm 14,7)

XXXIII Domingo do tempo comum – Ano B

Por Pe. Inácio José Schuster

Naqueles dias… 
Daniel 12, 1-3; Hebreus 10, 11-14. 18; Marcos 13, 24-32

O Evangelho do penúltimo domingo do ano litúrgico é o clássico texto sobre o fim do mundo. Em todas as épocas, houve quem se encarregou de agitar ameaçadoramente esta página do Evangelho ante seus contemporâneos, alimentando psicoses e angústia. Meu conselho é permanecer tranquilos e não se deixar abater por estas previsões catastróficas. Basta ler a frase final da mesma passagem evangélica: «Mas daquele dia e hora, ninguém sabe nada, nem os anjos no céu, nem o Filho, só o Pai». Se nem sequer os anjos e o Filho» (se entende que enquanto homem, não enquanto Deus) conhecem o dia nem a hora do final, é possível que saiba e esteja autorizado a anunciá-lo o último adepto de alguma seita ou fanático religioso? No Evangelho, Jesus nos assegura o fato de que Ele voltará um dia e reunirá seus escolhidos desde os quatro ventos; o quando e como virá (entre as nuvens do céu, o escurecimento do sol e a queda das estrelas) fazem parte da linguagem figurada própria do gênero literário destes relatos. Outra observação pode ajudar a explicar certas páginas do Evangelho. Quando nós falamos do fim do mundo, segundo a idéia que temos hoje do tempo, pensamos imediatamente no fim do mundo em absoluto, depois do qual já não pode haver mais que a eternidade. Mas a Bíblia raciocina com categorias relativas e históricas, mais que absolutas e metafísicas. Quando por isso fala do fim do mundo, entende com muita freqüência o mundo concreto, aquele que de fato existe e é conhecido por certo grupo de homens: seu mundo. Trata-se, em resumo, mais do fim de um mundo que do fim do mundo, ainda que as duas perspectivas às vezes se entrecruzam. Jesus diz: «Não passará esta geração sem que tudo isto aconteça». Equivocou-se? Não; aquela geração, de fato, não passou; o mundo conhecido por aqueles que o escutavam, o mundo judaico, passou tragicamente com a destruição de Jerusalém no ano 70 depois de Cristo. Quando, no ano 410, sucedeu o saque de Roma por obra dos vândalos, muitos grandes espíritos do tempo pensaram que era o fim do mundo. Não erravam muito; acabava um mundo, o criado por Roma com seu império. Neste sentido, não se equivocavam tampouco aqueles que em 11 de setembro de 2001, vendo a queda das Torres Gêmeas, pensaram no fim do mundo… Tudo isto não diminui, mas acrescenta a seriedade do compromisso cristão. Seria a maior estupidez consolar-se dizendo que, afinal, ninguém conhece quando será o fim do mundo, esquecendo que pode ser, para cada um, esta mesma noite. Por isso, Jesus conclui o Evangelho de hoje com a recomendação: «Estai atentos e vigiai, porque não sabeis quando será o momento preciso». Devemos — considero — mudar completamente o estado de ânimo com o qual escutamos estes Evangelhos que falam do fim do mundo e do retorno de Cristo. Terminou-se por considerar um castigo e uma escura ameaça aquilo que a Escritura chama «a feliz esperança» dos cristãos, isto é, a vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo (Tito 2, 13). Também está em jogo a idéia que temos de Deus. Os recorrentes discursos sobre o fim do mundo, obra freqüente de pessoas com um sentimento religioso distorcido, têm sobre muitos um efeito devastador: reforçar a idéia de um Deus perenemente bravo, disposto a dar corda à sua ira sobre o mundo. Mas este não é o Deus da Bíblia, a quem um salmo descreve como «clemente e compassivo, lento para a cólera e cheio de amor, que não se aborrece eternamente nem para sempre guarda seu rancor… ele se lembra do pó que somos nós» (Sl 103, 8-14).

 

Evangelho de São Marcos 13, 24-32
«Mas nesses dias, depois daquela aflição, o Sol vai escurecer-se e a Lua não dará a sua claridade, as estrelas cairão do céu e as forças que estão no céu serão abaladas. Então, verão o Filho do Homem vir sobre as nuvens com grande poder e glória. Ele enviará os seus anjos e reunirá os seus eleitos dos quatro ventos, da extremidade da terra à extremidade do céu.» «Aprendei, pois, a parábola da figueira. Quando já os seus ramos estão tenros e brotam as folhas, sabeis que o Verão está próximo. Assim, também, quando virdes acontecer estas coisas, sabei que Ele está próximo, às portas. Em verdade vos digo: Não passará esta geração sem que todas estas coisas aconteçam. O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não passarão. Quanto a esse dia ou a essa hora, ninguém os conhece: nem os anjos do Céu, nem o Filho; só o Pai.»

Por Pe. Fernando José Cardoso
Jesus se havia distanciado do templo de Jerusalém. Do alto do Monte das Oliveiras alguns discípulos chamam sua atenção diante da belíssima construção. Jesus não se faz ilusão: “Vedes este templo, pois eu vos digo não ficará pedra sobre pedra”. Neste penúltimo domingo do tempo comum, a liturgia e as leituras nos fazem voltar a atenção para o futuro, para o grande futuro, para o derradeiro futuro da história e de todos nós. Em dois momentos distintos, Jesus fala a respeito da destruição de Jerusalém, o que se verificou no ano setenta de nossa era, com Tito e num segundo plano fala do final de todas as coisas, do final da história. Nós não sabemos como será este final, nós não sabemos se o nosso planeta entrará numa era glacial ou se será frito literalmente por uma elevação insuportável da temperatura. Nós não sabemos se alguns dos duzentos asteróides e cometas que giram aqui por perto algum dia se chocarão terrível e fatalmente com a nossa terra. Sabemos que nós encaminhamos para o fim e aqueles que têm fé sabe que no fim haverá de se manifestar plenamente a vitória de Jesus crucificado e ressuscitado. De resto, este fim de todas as coisas se antecipa para cada um de nós num pequeno cataclismo ou no apocalipse penoso daquele que parte. O último combate na agonia, medo diante do mistério desconhecido, dores físicas atiçadas por satanás nas suas últimas tentações, um mundo e a vida que se esvai das nossas mãos. Quando isto acontecer, o Evangelho de hoje nos afirma, que está próximo o grande encontro para o qual nós cristãos católicos nos preparamos a vida inteira. Pois o cristão católico naquele derradeiro e definitivo dia não entregará sua vida ao pó da terra ou a sepultura, isto o faz aqueles que não têm fé. Aquele que tem fé entrega a sua vida cheia de esperança nas mãos misericordiosas do Pai, porém é preciso viver esta esperança e vivermos de tal modo a seriedade do cristianismo que, aquele dia tremendo e ao mesmo tempo glorioso que se antecipará no ato da nossa morte, não nos apanhe despreocupados, desprevenidos e, sobretudo com as mãos vazias. Para aqueles que morrem no Senhor e carregados de boas obras, diz o Espírito no Apocalipse: “Que descansem em paz” para toda a eternidade, porque suas obras, suas boas obras, o crescimento que tiverem realizado no amor vertical para com Deus e no amor horizontal para com os irmãos, estas são as obras que nos acompanharão e advogarão a nossa causa diante do Justo Juiz.

 

Da multidão ao grupo dos discípulos
Frei Josué

Nosso Senhor em sua infinita sabedoria nos dá algumas pistas para não ficarmos preocupados com o dia e nem a hora em que Ele voltará, pois ninguém sabe quando será, somente o Pai do céu sabe. Por outro lado Ele também nos diz quando vocês começarem ver catástrofes a nível mundial, vocês estejam atentos, estejam prontos. Fazendo comparação com a figueira, quando vermos os sinais, que nós não devemos ficar desesperados como os pagãos, mas ter certeza sim que Ele está próximo. Todos nós devemos estar prontos, porque o Senhor virá ou nós iremos a Ele. Por isso a Palavra nos alerta, pedindo que estejamos vigilantes. Nosso Senhor sabe que a vida aqui na terra nos fascina, e pode nos fazer perder o verdadeiro sentido da nossa existência. A vida aqui é passageira, a nossa casa definitiva é com Deus e nós não podemos nos acostumar. Nós amamos demais as coisas deste mundo e elas acabam tomando o lugar de Deus. Se acreditamos que existe o céu e acreditamos em tudo o que a Palavra de Deus nos ensina, vivamos então de maneira diferente, porque a gloria futura não se compara a esta vida. Tenham sonhos e queiram construir famílias, nesse mundo que despreza a família, não tenha medo, pois Deus dará a graça de criá-los. Jovem descubra o seu lugar na Igreja, ande na graça de Deus porque quando o Senhor voltar ou você ir a Ele, você receberá um premio. Deus sabe que cada dia mais temos que estar em oração. Deus salvará o seu povo, então você precisa sair do grupo da multidão, e vir para o grupo dos discípulos. A multidão procura milagres e sinais e quando Jesus não faz a multidão fica revoltada, a mesma multidão que gritava hosana ao filho de Davi, gritou crucifica-o. Esta é a multidão que esta atrás das graças de Deus e não de Deus. Dessa multidão Nosso Senhor Jesus Cristo escolheu os seus discípulos, e nesse Evangelho Jesus fala para os discípulos e não para a multidão. Aos seus Jesus não dá pão da padaria, mas dá o seu corpo sangue alma e divindade. Quando foi que Jesus instituiu a Eucaristia, não foi na multiplicação dos pães, mas foi na quinta-feira junto com os seus discípulos. ‘Não faltará o pão na sua casa, não faltará alegria, porque o Senhor é fiel.’ Quem são os discípulos amados de Jesus? Aos discípulos amados Jesus entrega a sua mãe a Virgem Maria, Ele confia São Miguel Arcanjo defensor do povo de Deus como diz na primeira leitura, aos discípulos Jesus vai dar os maiores dons e ensinamentos. Não seja apenas multidão, não seja aqueles que correm para Jesus resolver os problemas, Jesus não é o teu empregado Ele é o teu Senhor. Você precisa ser servo de Deus, e você poderá dizer como o Salmista: “Guardai-me oh Deus porque em Vós me refugio”. Meus irmãos, os discípulos Jesus também recebem a cruz. “Quem quiser ser meu discípulo, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga. E diz também vinde a mim todos vós que estais cansados e Eu vos aliviarei”. Aos seus o Senhor oferece o seu lado aberto, também oferece o seu peito, como João você pode reclinar a sua cabeça. Discípulo sofre um pouquinho mais, mas recebe muito mais e quanto maior a dificuldade maior será a proteção. E como é bom saber que estamos na proteção de Deus e mesmo na noite escura onde você não vê nada, você sabe que a mão do Senhor está sobre a sua vida. Vale a pena entregar a nossa vida a Ele, viver nesse mundo já antecipando o céu, fugindo do pecado, fazendo o bem, andando retamente, trazendo as pessoas para perto de Deus, para que elas também experimentem esta paz. Nós somos a geração que precisa mostrar ao mundo que vale a pena ser de Deus, que vale a pena rezar, ser honesto, caminhar na justiça, mesmo que você seja tido como tolo, mas você sabe em quem você colocou a sua fé. Irmãos vivamos a santidade, saia da multidão, esse é o maior milagre que Jesus quer fazer na sua vida e lhe garanto que como Davi você dirá: “O Senhor é o meu pastor e nada me faltará”. Não faltará o pão na sua casa, não faltará alegria, porque o Senhor é fiel.

 

O exemplo da figueira
Cardeal John Henry Newman (1801-1890), presbítero, fundador de comunidade religiosa, teólogo
«The Invisible World» PPS, IV, 13

Apenas uma vez por ano, mas ainda assim uma vez, o mundo que vemos manifesta subitamente as suas capacidades escondidas e revela-se de várias formas. Então as folhas aparecem, as árvores de fruto e as flores desabrocham, a erva e o trigo germinam. Há subitamente um impulso e irrompe a vida escondida que Deus colocou no mundo material. Ora bem! Isto serve-nos como exemplo do que o mundo pode fazer a uma ordem de Deus. Esta terra […] explodirá um dia num mundo novo de luz e de glória, no qual veremos os santos e os anjos. Quem pensaria, sem a experiência que teve das Primaveras precedentes, quem poderia conceber, dois ou três meses antes, que a face da Natureza, que parecia morta, pudesse tornar-se tão esplêndida e tão variada ? […] O mesmo se passa com respeito a essa Primavera eterna que espera todos os cristãos: virá, mesmo que tarde. Esperemo-la porque «o que há-de vir virá e não tardará» (Heb 10, 37). É por isso que dizemos todos os dias «Venha a nós o Vosso reino!» O que quer dizer: Mostra a Tua grandeza, Senhor; Tu que tens o Teu trono sobre os querubins, mostra a Tua grandeza. Desperta o Teu poder e vem salvar-nos [cf. Sl 80 (79), 2-3].

 

Estamos no penúltimo domingo do Ano Litúrgico. Todo o ciclo litúrgico ajudou-nos não só a conhecer melhor Jesus Cristo, mas também a conhecer melhor o significado do Reino. Progressivamente, Jesus foi revelando o mistério de Deus. Da nossa parte, como será importante assimilar e compreender toda a mensagem divina e destruir no nosso íntimo tudo o que nos impede de ver e de seguir Jesus! Como verdadeiros discípulos, queremos viver a nossa fé. Jesus entregou-se por nós, mas a Igreja propõe uma nova reflexão a partir das palavras que Jesus proferiu diante do Templo para nos sentirmos fortes nos momentos em que os esquemas que nos dão segurança poderão vacilar. Quem poderia prever que o Templo, sinal do orgulho e da vaidade da alma judaica daquele tempo, desapareceria? Quando isso aconteceu, as palavras de Jesus converteram-se numa nova fonte de esperança, de realismo, de conforto. Quando o evangelho de São Marcos foi escrito, já a comunidade cristã tinha vivido a destruição do Templo de Jerusalém e já conhecia com sofrimento o que significava dar testemunho da fé. O Livro de Daniel diz-nos umas palavras que poderão ser muito atuais e adequadas ao mundo de hoje: “será um tempo de angústia, como não terá havido até então, desde que existem nações. O profeta fala de uma situação de guerra em que o povo de Israel se tinha envolvido e tinha perdido, provocando uma grande mortandade. A linguagem de Jesus, olhando o Templo a partir do Monte das Oliveiras a dois dias da sua paixão, é de desânimo e angústia: “Depois de uma grande aflição, o sol escurecerá e a lua não dará a sua claridade; as estrelas cairão do céu e as forças que há no céu serão abaladas”. Há que salientar que esta linguagem é apocalíptica. Não se trata de levar à letra esta frase, mas o texto transmite poeticamente uma vivência dura e desesperada. Também hoje há experiências duras e cheias de desespero. Contudo, a linguagem apocalíptica não fica numa visão negativa. O profeta Daniel fala de Miguel, “o grande chefe dos Anjos”, “que protege os filhos do teu povo” e diz que “muitos dos que dormem no pó da terra acordarão”, ou seja, fala da ressurreição dos mortos. A mensagem de Jesus fala da vinda do Filho do Homem, um título messiânico, da força da salvação. A sua vinda, a Parusia, é a manifestação evidente do seu Poder e da sua Glória e reunirá todos aqueles que se sentiram irmãos na fé e vivem agora unidos ao coração do Pai. No evangelho, Jesus diz-nos que olhando para uma figueira damos conta que as coisas mudam, “sabeis que o Verão está próximo”. Esta parábola ensina-nos a ler a realidade das coisas (no contexto do evangelho é a destruição de Jerusalém e do Templo) como um sinal de que Ele se aproxima, está já “à porta”. Perante as situações catastróficas, a escatologia bíblica ensina-nos que há coisas terrestres que mudam, mas o Espírito de Deus estará sempre presente. Esta é a consolação que deveremos neste dia gravar no nosso coração. Saber ler a vida é também tomar consciência de que, quando no evangelho lemos a frase “as minhas palavras não passarão”, está a dizer-nos que apesar das coisas naturais mudarem, a realidade eclesial mudar, as transformações culturais e sociais acontecerem, a Palavra de Deus permanece sempre e será sempre sinal de salvação. É importante a convicção de que Deus virá ao nosso encontro. Somos peregrinos, vivemos provisoriamente, a caminho do Paraíso, do Reino, do Céu, para viver na plenitude de Deus.

 

TRIGÉSIMO TERCEIRO DOMINGO COMUM
Mc 13, 24-32

“O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não passarão”

O texto nos apresenta diversas dificuldades de interpretação, pois está saturado com conceitos apocalípticos, referências veladas a possíveis eventos históricos, e referências tiradas de escritos do tempo do Antigo Testamento, muitas das quais desconhecidas para nós. Porém, a sua mensagem central fica clara – o triunfo final do Filho do Homem, mandando por Deus para estabelecer o seu Reino. A linguagem vetero-testamentária de sinais cósmicos, a figura do Filho do Homem e a reunião dos eleitos de Deus são unidas num contexto novo, em que a vinda escatalógica de Jesus como Filho do Homem se torna o evento central. A sua vinda gloriosa no fim dos tempos servirá como prova da vitória de Deus – e a expectativa desta chegada serve como base da vigilância paciente que é recomendada aos discípulos ao longo de todo o Discurso Escatalógico de Marcos. Os sinais cósmicos que antecederão o fim fazem referência a textos do Antigo Testamento: Is 13, 10; Ez 32, 7; Am 8, 9; Jl 2, 10.31; 3, 1-5; Is 34, 4; Ag 2, 6.21. Mas, em nenhum lugar no Antigo Testamento se referem à vinda do Filho do Homem – é uma novidade do evangelho. A lista desses sinais é uma maneira de dizer que toda a citação assinalará a sua vinda final. A descrição da chegada do Filho do Homem, rodeado das nuvens, é tirada do livro de Daniel 7, 13; mas, aqui se refere claramente a Jesus e não à figura angélica “em forma humana” do livro apocalíptico de Daniel. A ação de Jesus em reunir os eleitos é o oposto de Zc 2, 10. Este reunir-se dos eleitos do seu povo por parte de Deus se encontra em Dt 30, 4; Is 11, 11.16; 27, 12, Ez 39, 7 etc, – mas nunca no Antigo Testamento é o Filho do Homem que faz esse trabalho. A segunda parte do texto consiste numa parábola (vv. 28-29), um ditado sobre a hora do fim (v. 30), sobre a autoridade de Jesus (v. 31) e de novo sobre a hora (v. 32). Nem sempre fica claro a que se refere – o que se fala sobre essas coisas acontecerem “nessa geração” tem como contrabalanço o v. 32 que diz que somente Deus sabe a hora exata. A parábola sobre os sinais claros da chegada do fim (vv. 28-29) tem em contraposição a parábola da vigilância constante (vv. 33-37). Mas, continua clara a mensagem básica – a vitória final do projeto de Deus, concretizada através de Jesus, o Filho do Homem. Mas, a certeza dessa vitória não dispensa a atitude de vigilância constante por parte dos discípulos, para que não se desviem do caminho. Pode parecer confuso o nosso texto – e para nós hoje, de uma certa forma o é. Mas, inserido no contexto do Discurso Escatalógico (referente aos tempos finais) do Evangelho, nos traz uma mensagem de esperança e uma advertência. A esperança nasce do fato de que a vitória de Deus é garantida – um elemento fundamental em todo apocaliptismo. A advertência está na necessidade de vigilância constante, para que não percamos a hora do Filho. Num mundo de desesperança e falta de ânimo por parte de muitos, o texto nos convida, os discípulos, a uma atitude positiva que nos leva a um engajamento maior em prol da construção do Reino entre nós. Mas, também nos desafia para que estejamos sempre vigilantes para não sermos cooptados pela sociedade vigente, opressora e consumista, que muitas vezes se baseia em princípios contrários aos do Reino de Deus. As palavras de Jesus têm um valor permanente, para que possamos julgar as diversas propostas de vida que o mundo nos apresenta. “O céu a terra passarão, mas as minhas palavras não passarão”.

A teologia da libertação não faz falta para cuidar dos pobres

ROMA, 26 Ago. 13 / 01:30 pm (ACI/EWTN Noticias).- O secretário da Pontifícia Comissão para a América Latina, o leigo Guzmán Carriquiry, afirmou que “não faz falta uma teologia da libertação” para cuidar dos pobres, basta viver o Evangelho, “o abraço da caridade, o testemunho comovido de si”.

O leigo uruguaio fez esta afirmação durante um encontro convocado pelo movimento Comunhão e Libertação na cidade de Rímini, ao norte da Itália, no último dia 21 de agosto, onde também disse que a Igreja precisa “libertar” a fé de “incrustações mundanas” para torna-la novamente atrativa.

“Certamente já seus predecessores iniciaram um progressivo desmantelamento da sujeira real da cúria. João Paulo II preferia estar pelas ruas do mundo que no Vaticano. E Bento XVI disparou raios contra o carreirismo, o clericalismo, a mundanidade, a divisão, as ambições de poder e a sujeira na Igreja. Agora Francisco realiza o que seu predecessor pediu tantas vezes… e muito mais. Tudo isto faz parte da ‘revolução evangélica’ que marca uma profunda mudança do modo mesmo de ser Papa”, afirmou.

Nesse sentido, destacou a continuidade entre Bento XVI e Francisco. Concluiu propondo que a encíclica Lumen Fidei seja lida à luz do pontificado do Papa Francisco, das “pérolas” de suas homilias cotidianas, de sua catequese e do “sair missionário” para compartilhar a luz da fé ad gentes.

 

A Teologia da Libertação não era necessária para pregar o evangelho aos pobres
Professor Carriquiry, no Meeting de Rímini: É diabólico insistir numa descontinuidade entre Bento XVI e Francisco
Por Sergio Mora

ROMA, 22 de Agosto de 2013 (Zenit.org) – Após a palestra do padre José Maria “Pepe” Di Paola, sobre o trabalho de integração da população marginalizada que lhe rendeu ameaças de morte por combater as drogas na favela Villa 21, de Buenos Aires, o Meeting de Rímini para a Amizade entre os Povos passou a palavra ao professor Guzmán Carriquiry, durante a conferência sobre a encíclica Lumen Fidei. O secretário da Pontifícia Comissão para a América Latina afirmou que “quando ouvimos o padre ‘Pepe’ falar da sua experiência nas favelas de Buenos Aires, é como se víssemos o bispo Jorge Mário Bergoglio quando compartilhava o pão com os pobres, junto com seus sacerdotes, naquelas mesmas favelas”. “No fundo”, disse o professor uruguaio, “é a mesma imagem que nós vimos quando ele lavou os pés dos menores no centro para menores infratores; quando ele visitou Lampedusa, a favela de Varginha, o hospital para dependentes químicos no Rio de Janeiro…”. E enfatizou: “Não precisa de uma teologia da libertação para isso. É suficiente o evangelho vivido, o abraço da caridade, o testemunho comovido de si mesmo”. Sobre a encíclica Lumen Fidei, depois de elogiar o trabalho dos pontífices vindos de contextos tão diferentes, com sensibilidades e estilos diversos, Carriquiry avaliou como “obra do demônio, príncipe da mentira e da divisão, esse esforço obsessivo em querer confrontar o bispo emérito de Roma e o seu sucessor”. “Isso vale tanto para o desmedido apego nostálgico ao papa anterior, que vira uma ‘nostalgia canalha’ quando se degenera em julgamentos farisaicos sobre o papa atual, quanto para os elogios ao papa atual feitos para denegrir os predecessores”. O palestrante recordou ainda: “Apesar de que as favelas cresceram muito nas últimas décadas, Buenos Aires é certamente muito mais do que isso”. E complementa: “É uma enorme cidade cosmopolita, onde há raízes católicas populares, mas que também é marcada por todas as realidades, estímulos e chagas da cultura global”, onde existe um “norte e um sul” que apresentam “grandes desafios pastorais”. O secretário do Pontifício Conselho recordou também as palavras do papa Bento XVI no voo de São Paulo a Aparecida, quando disse: “Tenho certeza, pelo menos em parte, que aqui se decide o futuro da Igreja católica. Para mim, isto sempre foi evidente”. Sobre a situação atual da Igreja, Carriquiry comentou que “era preciso libertar a fé das incrustações mundanas, para torná-la novamente atraente”. E, citando um autor italiano, prosseguiu: “Os predecessores começaram, sem dúvida, um progressivo desmantelamento desse aspecto realmente pesado da cúria. João Paulo II preferia andar pelas ruas do mundo a ficar no Vaticano. E Bento XVI disparou raios contra o carreirismo, o clericalismo, a mundanidade, a divisão, as ambições de poder e a sujeira na Igreja. Agora, Francisco realiza o que o seu predecessor pediu tantas vezes… E muito mais. Tudo isso faz parte da ‘revolução evangélica’, que marca uma profunda mudança do próprio modo de ser papa”. Carriquiry finalizou propondo que a encíclica Lumen Fidei seja lida à luz do pontificado do papa Francisco, das “joias” das suas homilias cotidianas, da sua catequese e do “ato de sair como missionário” para compartilhar a luz da fé “ad gentes”.

Sede de poder e deslealdade são incompatíveis com o serviço

Terça-feira, 8 de novembro de 2016, Da Redação, com Rádio Vaticano

Santo Padre reiterou na Missa de hoje que não se pode servir Deus e o mundo

Para servir bem o Senhor, não se pode ser desleal nem buscar o poder. Essa é a síntese da homilia do Papa Francisco na Missa celebrada nesta terça-feira, 8, na Casa Santa Marta. O Pontífice reiterou que não se pode servir Deus e o mundo.

“Somos servos inúteis”, disse o Papa, reiterando que “todo verdadeiro discípulo do Senhor deve repetir esta afirmação repetir a si mesmo”. Mas quais são, questiona o Papa, os obstáculos que impedem de servir o Senhor com liberdade? São muitos, constata com amargura, e um é a sede de poder.

“Quantas vezes vimos, até em nossas casas: ‘aqui sou eu que comando!’. E quantas vezes, sem dizê-lo, fizemos ouvir aos outros ‘que aqui eu comando’, não? Mostrar isso… A sede de poder… E Jesus nos ensinou que aquele que comanda se torna como aquele que serve. Ou se alguém quiser ser o primeiro, seja servidor de todos. Jesus reverte os valores da mundanidade, do mundo. E este desejo de poder não é o caminho para se tornar um servo do Senhor, ao contrário: é um obstáculo, um destes obstáculos que rezamos ao Senhor para que afaste de nós”.

Não à deslealdade de quem quer servir Deus e o dinheiro

O outro obstáculo, segundo o Papa, se verifica também na vida da Igreja e é a deslealdade. Isto acontece quando alguém quer servir o Senhor enquanto serve outras coisas que não são o Senhor.

“O Senhor nos disse que nenhum serviço pode ter dois patrões. Ou serve Deus ou serve o dinheiro. Foi Jesus que o disse. E este é um obstáculo: a deslealdade; que não é o mesmo de ser pecador. Todos somos pecadores e nos arrependemos disso, mas ser desleais é fazer jogo duplo, não? Jogar à direita e à esquerda, jogar com Deus e jogar com o mundo, não? Isto é um obstáculo. Aquele que tem sede de poder e aquele que é desleal dificilmente podem servir ou serem servos livres do Senhor”.

Estes obstáculos, a sede de poder e a deslealdade, retomou Francisco, tiram a paz e causam um tremor no coração que não deixa em paz, mas sempre ansioso. E isto leva a viver na tensão da vaidade mundana, viver para aparecer.

Quanta gente vive somente para ser vitrina, ponderou o Papa, para aparecer, para que digam: ‘Ah, como ele é bom…’, tudo pela fama. Fama mundana”. E assim não se pode servir o Senhor”. Por isso, acrescentou o Santo Padre, “pedimos ao Senhor para remover os obstáculos para que com serenidade, seja do corpo, seja do espírito, possamos dedicar-nos livremente ao seu serviço”.

“O serviço de Deus é livre: nós somos filhos, não escravos. E servir Deus em paz, com serenidade, quando Ele mesmo tirou de nós os obstáculos que tiram a paz e serenidade, é servi-Lo com a liberdade. E quando servimos o Senhor com liberdade, sentimos a paz ainda mais profunda, não é verdade? Da voz do Senhor: ‘Oh, vem, vem, vem, servo bom e fiel’. E todos nós queremos servir o Senhor com bondade e fidelidade, mas precisamos de sua graça: sozinhos não podemos. E por isso, pedir sempre esta graça, que seja Ele a remover esses obstáculos, que seja Ele a nos dar essa serenidade, essa paz do coração para servi-Lo livremente, não como escravos: mas como filhos”.

“Liberdade no serviço”. Francisco evidencia, assim, que também quando o serviço é livre, deve-se repetir que “somos servos inúteis” conscientes de que sozinhos não se pode fazer nada. “Somente devemos pedir e dar espaço para que Ele faça em nós, e Ele nos transforme em servos livres, em filhos, não em escravos. Que o Senhor nos ajude a abrir o coração e deixar trabalhar o Espírito Santo, para que remova de nós esses obstáculos, especialmente o desejo de poder que faz tanto mal, e a deslealdade, a dupla face de querer servir Deus e o mundo. E assim nos dê essa serenidade, essa paz para poder servi-Lo como filho livre, que no final, com muito amor, Lhe diz: ‘Pai, obrigado, mas o Senhor sabe: eu sou um servo inútil”.

Como escolher um bom candidato?

Não podemos ser cristãos apenas de bons sentimentos

Estamos num momento significativo na história da sociedade. Teremos de votar novamente, colocando em prática nosso direito de cidadãos brasileiros. Com isto, vamos escolher todos os nossos próximos representantes no poder executivo e legislativo dos diversos municípios. Cada eleito vai agir como nosso porta-voz e em nome do povo de seu município.

É hora de pensar em duas palavras decisivas: fé e fidelidade. Isto significa autenticidade, fato que não tem sido levado em conta em nosso país. Muitos políticos não são tementes a Deus, mas infiéis, carreiristas e não se colocam a serviço do bem comum. O povo sofre com isto e acaba assistindo às atitudes de desonestidade. O poder, verdadeiramente constituído, vem de Deus, mas isto passa pela ação livre dos eleitores. Significa que a autoridade escolhida não tem real poder se foi eleita por quem não tenha agido, na hora de votar, com plena liberdade. Comprar e vender o voto não significa liberdade plena, não é ato totalmente divino e não é voto com nobreza e consciência madura.

Todo candidato, nas eleições, procura se apresentar bem, com boa aparência e propósitos muito firmados. Mas acontece que há uma mentalidade de triunfo e muito individualista. Ela esconde interesses que não são os do povo. É como falar de fé sem obras, aparências que tentam convencer, mas privilegiam interesses próprios ou de grupos particulares.

Na verdade, ser porta-voz é ser luz para o povo. Isto é diferente de ser opressor, que tira a esperança e a alegria das pessoas. Por outro lado, o povo quase não acompanha nem é resistente diante das atitudes dos políticos eleitos. É cômodo ser passivo, porque agir supõe coragem e enfrentamento. Não podemos ser cristãos apenas de bons sentimentos e intenções, porque a fé exige fidelidade e compromisso bem definidos, principalmente nos momentos decisivos da sociedade. Não basta confessar a fé, como o fez Pedro diante de Cristo. Temos de enfrentar as diversidades e maldades que impedem a realização do bem. É um caminho de cruz, de maturidade e coragem.

Dom Paulo Mendes Peixoto

Natividade de Nossa Senhora – 08 de Setembro

Por Pe. Fernando José Cardoso

Evangelho segundo São Mateus 1, 1-16.18-23

Genealogia de Jesus Cristo, filho de David, filho de Abraão: Abraão gerou Isaac; Isaac gerou Jacob; Jacob gerou Judá e seus irmãos; Judá gerou, de Tamar, Peres e Zera; Peres gerou Hesron; Hesron gerou Rame; Rame gerou Aminadab; Aminadab gerou Nachon; Nachon gerou Salmon; Salmon gerou, de Raab, Booz; Booz gerou, de Rute, Obed; Obed gerou Jessé; Jessé gerou o rei David. David, da mulher de Urias, gerou Salomão; Salomão gerou Roboão; Roboão gerou Abias; Abias gerou Asa; Asa gerou Josafat; Josafat gerou Jorão; Jorão gerou Uzias; Uzias gerou Jotam; Jotam gerou Acaz; Acaz gerou Ezequias; Ezequias gerou Manassés; Manassés gerou Amon; Amon gerou Josias; Josias gerou Jeconias e seus irmãos, na época da deportação para Babilônia. Depois da deportação para Babilónia, Jeconias gerou Salatiel; Salatiel gerou Zorobabel; Zorobabel gerou Abiud. Abiud gerou Eliaquim; Eliaquim gerou Azur; Azur gerou Sadoc; Sadoc gerou Aquim; Aquim gerou Eliud; Eliud gerou Eleázar; Eleázar gerou Matan; Matan gerou Jacob. Jacob gerou José, esposo de Maria, da qual nasceu Jesus, que se chama Cristo. Ora, o nascimento de Jesus Cristo foi assim: Maria, sua mãe, estava desposada com José; antes de coabitarem, notou-se que tinha concebido pelo poder do Espírito Santo. José, seu esposo, que era um homem justo e não queria difamá-la, resolveu deixá-la secretamente. Andando ele a pensar nisto, eis que o anjo do Senhor lhe apareceu em sonhos e lhe disse: «José, filho de David, não temas receber Maria, tua esposa, pois o que ela concebeu é obra do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho, ao qual darás o nome de Jesus, porque Ele salvará o povo dos seus pecados.» Tudo isto aconteceu para se cumprir o que o Senhor tinha dito pelo profeta: Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho; e hão-de chamá-lo Emanuel, que quer dizer: Deus conosco.

Hoje, oito de setembro, nós celebramos a Natividade, isto é, o nascimento da Virgem Maria. Não se trata de uma festa escriturística ou bíblica, nada há na Escritura a respeito do nascimento de Nossa Senhora. Não conhecemos com exatidão os nomes de seus pais, que uma tradição ocidental convencionou chamar Joaquim e Ana. Não sabemos onde Nossa Senhora nasceu, em que ano ela nasceu, e com quantos anos ela deixou este mundo. Com outras palavras ignoramos a extensão da vida da Virgem Maria. Eu gostaria de transmitir a todos hoje um aspecto de Nossa Senhora que me chamou muito a atenção ultimamente e me foi transmitido por um sacerdote profundo. Dizia-me: “Padre já teve em mente o seguinte: a pessoa mais querida de Deus, a pessoa que hoje depois de Jesus Cristo, é a mais celebrada na Igreja e a pessoa mais desconhecida?” O que terá feito Nossa Senhora durante toda a vida que esteve neste mundo? Absolutamente nada de extraordinário, ninguém deve ter dado muita importância a Nossa Senhora, ninguém deve ter pedido ou suplicado graça alguma a Nossa Senhora. Deve ter vivido uma vida de família, e depois de viuvez e solidão, bastante provada para os parâmetros deste mundo aqui. Deus não terá poupado Nossa Senhora como nem mesmo Jesus Cristo foi libertado de suas angustias e suas dores. A pessoa mais querida, a criatura mais ovacionada na nossa Igreja, foi uma mulher do povo, que cresceu no meio do povo, uma mulher que jamais se distinguiu do povo, em vida nunca se sobressaiu por nada, uma mulher que simplesmente levou uma vida de dona de casa, que nunca realizou nada de extraordinário, uma vida totalmente escondida com Cristo em Deus. Hoje esta mulher é aclamada. No mundo inteiro hoje, nove meses depois de oito de dezembro, depois de termos celebrado a sua Imaculada Conceição, celebramos o seu nascimento. No dia da Assunção celebramos outro nascimento: o seu nascimento para a Glória. Poderíamos dizer que Deus esconde para si dos olhares curiosos deste mundo, todas as pessoas que Ele escolhe, ou que Ele ama com carinho todo especial.

 

Hoje desponta a aurora da salvação
Santo André de Creta (660-740), monge e bispo
Homilia 1, para a Natividade da Santa Mãe de Deus; PG 97, 805 (a partir da trad. do breviário francês)

Já não vivemos sob a escravidão dos elementos do mundo, como diz o apóstolo Paulo. Já não estamos submetidos à letra da Lei (Col 2, 8; Rom 7, 6). Com efeito, é nisto que consiste o essencial das graças de Cristo; é aqui que o mistério se manifesta e que a natureza é renovada: Deus fez-se homem e a humanidade assim assumida é divinizada. Foi, portanto, necessário que a esplêndida habitação de Deus, tão visível entre os homens, fosse precedida por uma introdução à alegria, de que decorreria para nós o magnífico dom da salvação. Tal é o objeto da festa que celebramos: o nascimento da Mãe de Deus inaugura o mistério que tem por conclusão e termo a união do Verbo com a carne. […] Agora que a Virgem acaba de nascer e se prepara para ser Mãe do Rei universal de todos os séculos […], é o momento em que recebemos do Verbo uma dupla mercê: somos conduzidos à verdade e libertados da vida de escravidão sob a letra da Lei. Como? Por que forma? Sem dúvida nenhuma, porque as sombras se desvanecem com a chegada da luz, porque a graça faz com que a liberdade substitua a letra. A festa que celebramos está nesta fronteira, porque faz a ligação entre a verdade e as imagens que a prefiguram, substitui o que era velho por coisas novas. […] Que toda a criação cante e dance e dê o seu melhor contributo para a alegria deste dia! Que o céu e a terra formem hoje uma única assembléia! Que tudo o que está no mundo e acima do mundo se una no mesmo concerto de festa. Com efeito, hoje o santuário criado eleva-se até onde residirá o Criador do universo. E uma criatura é preparada, por esta disposição inteiramente nova, para oferecer ao Criador uma morada santa.

 

Festa da Natividade de Nossa Senhora
Santo Antônio de Pádua  

1. Digamos: A gloriosa Virgem Maria foi como a estrela da manhã entre as nuvens. Escreve o Eclesiástico: A beleza do céu é a glória das estrelas, que ilumina o mundo (Eclo 43, 10). Nestas três palavras observam-se os três fatos que resplandeceram admiravelmente na Natividade de Maria Santíssima. Primeiramente, a exultação dos Anjos, quando se diz: A beleza do céu. Conta-se que um homem santo, mergulhado em devota oração, ouviu a doce melodia dum canto angélico no céu. Passado um ano, no mesmo dia, voltou a ouvi-lo e perguntou ao Senhor que lhe revelasse o que vinha a ser aquilo. Foi-lhe respondido que nesse dia nascera Maria Santíssima. Por esse motivo, os Anjos no céu cantavam louvores ao Senhor. Esta a razão de se celebrar nesse dia a Natividade da gloriosa Virgem. Na segunda palavra observa-se o segundo fato, a pureza da sua Natividade, quando se afirma: A glória das estrelas. Assim como uma estrela difere de outra estrela em claridade (1Coríntios 15, 41), assim a Natividade da Virgem Maria difere da natividade de todos os santos. Na terceira palavra observa-se o terceiro fato, a iluminação de todo o mundo, quando se diz: Que ilumina o mundo. A natividade da gloriosa Virgem iluminou o mundo, coberto de trevas e da sombra da morte. E por isso diz bem o Eclesiástico: Como estrela da manhã no meio da névoa etc. Maria Santíssima, mensageira do Salvador e perfeita em tudo.

2. A estrela da manhã é chamada de Lúcifer, por luzir mais claramente entre todos os astros. Por isso é chamada a estrela por excelência. Lúcifer, precedendo o sol e anunciando a manhã, com a luz do seu fulgor afasta as trevas da noite. A estrela da manhã ou Lúcifer é Maria Santíssima, que, nascida no meio da névoa, afugentou a névoa tenebrosa, e na manhã da graça anunciou o sol da justiça aos que habitavam nas trevas. Dela diz o Senhor a Jó: És tu porventura que fazes aparecer a seu tempo a estrela da manhã (Jó 38, 32). Quando chegou o tempo da misericórdia (Salmo 101, 14), o tempo de edificar a casa do Senhor, o tempo aceitável e o dia da salvação, o Senhor fez aparecer a estrela da manhã, Maria Santíssima, para luz dos povos. Os povos devem dizer o que disseram a Judite, como se lê no seu livro: O Senhor abençoou-te com a sua fortaleza, porque ele por ti aniquilou os nossos inimigos… Ó filha, tu és bendita do Senhor Deus altíssimo, sobre todas as mulheres que há sobre a terra. Bendito seja o Senhor, que criou o céu e a terra, que te dirigiu para cortares a cabeça ao príncipe dos nossos inimigos. Porque hoje engrandeceu o teu nome tanto, que nunca o teu louvor se apartará da boca dos homens (Judite 13, 22-25). Foi, portanto, Maria Santíssima, na sua Natividade, como a estrela da manhã. Dela diz ainda Isaías: Sairá uma vara do tronco de Jessé, e uma flor brotará da sua raiz (Isaías 11, 1). Repare-se que Maria Santíssima se chama vara, por causa das cinco propriedades que esta possui: é longa, reta, sólida, grácil e flexível. Maria Santíssima foi longa na contemplação, reta na perfeição da justiça, sólida na estabilidade do entendimento, grácil na pobreza, flexível na humildade. Esta vara saiu da raiz de Jessé, pai de Davi, de quem proveio Maria, da qual nasceu Jesus, que se chama o Cristo (Mateus 1, 16). Por isso se lê no Evangelho de hoje: Livro da geração de Jesus Cristo, filho de Davi (Mateus 1, 1).

3. Sairá uma vara da raiz de Jessé e uma flor sairá das suas raízes. Vejamos o que significam, no sentido moral, as três palavras: raiz, vara, flor. A raiz significa a humildade de coração; a vara, a retidão da confissão e a disciplina da satisfação; a flor, a esperança da felicidade eterna. Jessé interpreta-se ilha ou sacrifício, e significa o penitente, cujo espírito deve ser uma espécie de ilha. Chama-se ilha, por estar situado no sal, isto é, no mar. O espírito do penitente situa-se no mar, ou seja, na amargura. O penitente é batido pelas ondas das tentações e, todavia, fica firme. E oferece ao Senhor um sacrifício em odor de suavidade. A raiz de Jessé é a humildade da contrição, de que sai a vara da confissão reta e a disciplina da discreta mortificação. E observe-se que a flor não brota do cimo da vara, mas da raiz. Uma flor brotará da sua raiz, porque a flor, ou a esperança da felicidade eterna, brota, não da mortificação do corpo, mas da humildade do espírito. Com tudo isto concorda o que se lê no Evangelho de hoje, em que São Mateus, descrevendo a geração de Cristo, primeiro põe Abraão, em segundo lugar Davi, em terceiro a transmigração da Babilônia. Abraão que disse: Falarei ao meu Senhor, embora eu seja pó e cinza (Gênesis 18, 27), designa a humildade do coração; Davi, cujo coração reto esteve com o Senhor: Encontrei Davi, um homem segundo o meu coração (Atos 13, 22), a retidão da confissão; a transmigração de Babilônia, a disciplina da mortificação e a tolerância da tribulação. Se existirem em ti estas três gerações, conseguirás a quarta geração, a de Jesus Cristo, que nasceu da Virgem Maria, de cuja Natividade se diz hoje: Como a estrela da manhã no meio da névoa.

4. E enfim: E como a lua cheia brilha durante a sua vida. Maria Santíssima chama-se lua cheia, porque perfeita sob todos os aspectos. A lua é imperfeita no quarto crescente ou minguante, porque tem mancha e pontas. Mas a gloriosa Virgem nem na sua Natividade teve mancha, porque foi santificada no ventre materno e guardada pelos Anjos, nem durante a vida possuiu as pontas da soberba, e, por isso, brilha plena e perfeita. Chama-se luz, por diluir as trevas. Rogamos-te, portanto, Senhora nossa, que tu, Estrela da manhã, afastes com o teu esplendor a névoa da sugestão diabólica, que encobre a terra do nosso espírito; tu que és a lua cheia, enchas o nosso vazio, diluas as trevas dos nossos pecados, a fim de que mereçamos chegar à plenitude da vida eterna, à luz da glória sem falha. Auxilie-nos o Senhor, que te criou para seres a nossa luz. Para nascer de ti, fez-te nascer hoje. A Ele seja prestada honra e glória pelos séculos dos séculos. Amém.   Santo Antônio de Lisboa, Obras Completas, Lello & Irmão – Editores, 1987, Volume I, pp. 901-905. Compilação: Frei Antônio Corniatti, OFM Conv

 

Natividade de Nossa Senhora
P. António Vieira, Sermão do Nascimento da Mãe de Deus, pregado em Odivelas

Maria sabe para que nasceu
Se eu licitamente me pudera queixar do Evangelista, neste dia me queixara, e cuido que com razão. Cala nele o Evangelho três coisas não pequenas, que devera dizer, e diz só uma, posto que grande, que devera calar. A obrigação dos historiadores dos nascimentos das grandes personagens é dizer o lugar onde nasceram, o tempo em que nasceram, e os pais de quem nasceram. E celebrando o mundo hoje o Nascimento da maior Pessoa depois de Deus, que saiu à luz do mesmo mundo, o Evangelho que conta e nos propõe a Igreja Católica: nem do lugar, nem do tempo, nem dos pais de que nasceu, faz menção ou memória alguma. Isto é o que cala o Evangelista que devera dizer. E que é o que diz, que devera calar? – Diz que de Maria, nasceu Jesus. É verdade que antecipando os olhos ao futuro, a soberana Princesa que hoje nasce, nasce para que d’Ela haja de nascer Jesus; mas se o Evangelista cala o mundo, se cala o donde, e se cala o de quem nasceu: porque diz o para quê? Bem se mostra que a pena que isto escreveu foi tirada das asas do Espírito Santo… Nos nascimentos humanos, fazem grande caso os filhos de Adão (…) da grandeza da terra e da pátria onde nascem; estimam, e estimam-se sobretudo da nobreza da geração e pais de que nascem. Mas quando nasce A que o Espírito Santo preveniu com a Graça Original para Esposa sua, não quer o mesmo Espírito Santo que se diga que nasceu na sexta idade do mundo, e no quarto ano da Olimpíada cento e noventa; nem que nasceu na cidade de Nazaré, chamada por antonomásia Flor da Galiléia; nem que nasceu de Joaquim e Ana – nos quais se uniu desde Abraão e David por legítima e continuada descendência o sangue de todos os Patriarcas e Reis -, e só manda escrever, que nasce A de que nasceu Jesus. Por quê? – Porque só quando se sabe o para que nasceu cada um, se pode fazer verdadeiro juízo do seu nascimento. Quereis saber quão feliz, quão alto e quão digno de ser festejado o Nascimento de Maria? – Vede o para que nasceu. Nasceu para que d’Ela nascesse Deus: da qual nasceu Jesus. (…).

Figuras de Maria
Nasce hoje Eva para meter debaixo do pé e quebrar a cabeça à antiga e enganadora Serpente, que com o veneno original tinha infeccionado toda a sua descendência. Nasce hoje Sara para ser Mãe universal da Fé, e de todos os que desde então haviam de esperar escuramente, e depois crer com toda a luz, a divindade do Messias. Nasce Rebeca para tirar a bênção do cego Isaac ao rústico e fero Isaú, e dá-la ao manso e religioso Jacob. Nasce Raquel para ser a mais formosa, a mais servida e mais amada que Lia, mas como Lia a mais fecunda. Nasce Ester para ser a maior Senhora do Mundo, a mais respeitada do seu Supremo Monarca, isenta de todas as leis e superior a todas. Nasce Débora, a famosa guerreira, a quem seguiam como soldados em ordenados esquadrões as estrelas do céu, e por quem os soldados venciam sem ferida como estrelas na terra. Nasce Judite para libertar dos exércitos inimigos a sitiada Betúlia, e arvorar sobre seus muros, cortada com a própria espada, a cabeça do soberbo Holofernes. Nasce Abigail para convencer com a sua prudência e aplacar com a sua piedade, não a David descortesmente ofendido, mas ao mesmo Deus das vinganças justamente irado. Nasce Rute não só para colher, mas para regar com orvalho do céu e criar as espigas, de que irá fazer o pão que sustentará o mundo. Nasce finalmente hoje Maria, não a irmã, mas a Mãe do verdadeiro Moisés, para passar o Mar Vermelho a pé enxuto, para ser a primeira que cante o triunfo da tirania do Faraó, e a primeira que ponha os passos seguros no caminho da Terra da Promissão.(…) Nasce (ide agora lembrando-vos ou desenrolando as figuras). Nasce para se Arca de Noé, em que o gênero humano afogado no dilúvio se reparasse do naufrágio universal do mundo; nasce para ser Escada de Jacob, e não para que os descuidados de sua salvação se não aproveitassem d’Ela, como o mesmo Jacob dormindo, mas para que vigilantes e seguros subam por Ela da terra ao Céu; nasce como Vara de Moisés, para ser o instrumento de todas as maravilhas de Deus, e a segunda jurisdição, fama e alegria de sua Onipotência; nasce para ser o verdadeiro e infalível Propiciatório em que Deus, ofendido e irado, trocada a justiça em misericórdia, O tenhamos sempre propício; nasce para ser Trono do Rei dos reis, o Salomão divino, ao qual trono as três hierarquias das criaturas visíveis e as três das invisíveis servem de peanha, não humildes como degraus por se confessarem sujeitas a sua grandeza, mas soberbas como leões por acrescentarem altura a sua majestade; nasce para ser Torre fortíssima de David, fornecida e armada de milhares de escudos, tão prontos, sempre à nossa defesa, como seguros e impenetráveis a todos os golpes de nossos inimigos; nasce para ser verdadeira Arca do Testamento, coroada com as duas coroas de Mãe e Virgem, dentro da qual não só se conservam inteiras as Tábuas da Lei, mas esteve e está encerrado o Maná que desceu do Céu, donde quotidianamente O podemos colher, por isso coberto e encoberto, mas não fechado. Nasce para ser, não uma, senão as duas árvores famosas do Paraíso terreal: a da Vida e a da Ciência; porque d’Ela havia de nascer o Bendito Fruto em que estão depositados todos os tesouros da Ciência e Sabedoria de Deus, e o da Vida da Graça, no mesmo Paraíso perdida, e por Ela restaurada; Nasce para ser em seus passos como os daquelas duas colunas que guiaram o Povo escolhido até à Terra da Promissão: uma de nuvem para nos amparar e defender dos raios do Sol de Justiça; e outra de fogo, para nos iluminar na noite escura desta vida, até nos colocar seguros no dia eterno da Glória. Nasce, enfim, para ser Vara de Jessé, de cujas raízes havia de nascer a mesma Vara – Maria – que hoje nasce, e a mesma Flor – Cristo Jesus – que d ‘Ela nasceu. Auxílio dos Cristãos Para todos estes bens nasce hoje esta grande menina, posto que entre figuras e enigmas, como Sol entre nuvens. (…) Infinitos são os nomes, ou sobrenomes, com que a mesma Virgem Maria costuma ser invocada e louvada, nascidos todos (notai) na etimologia dos mesmos benefícios, que é o mais nobre e sublime nascimento que eles podem ter. (…) Tais são todos os nomes e sobrenomes com que a Cristandade invoca, venera e dão graças à Virgem Maria, tirados todos e fundados nas etimologias dos benefícios já experimentados e recebidos, para obra dos quais hoje nasce ao mundo. Perguntai aos enfermos para que nasce esta Celestial Menina, dir-vos-ão que nasce para SENHORA DA SAÚDE; perguntai aos pobres, dirão que nasce para SENHORA DOS REMÉDIOS; perguntai aos desamparados, dirão que nasce para SENHORA DO AMPARO; perguntai aos desconsolados, dirão que nasce para SENHORA DA CONSOLAÇÃO; perguntai aos tristes, dirão que nasce para SENHORA DOS PRAZERES; perguntai aos desesperados, dirão que nasce para SENHORA DA ESPERANÇA. Os cegos dirão que nasce para SENHORA DA LUZ; os discordes: para SENHORA DA PAZ; os desencaminhados: para SENHORA DA GUIA; os cativos: para SENHORA DO LIVRAMENTO; os cercados: para SENHORA DA VITÓRIA. Dirão os pleiteantes que nasce para SENHORA DO BOM DESPACHO; os navegantes: para SENHORA DA BOA VIAGEM; os temerosos da sua fortuna: para SENHORA DO BOM SUCESSO; os desconfiados da vida: para SENHORA DA BOA MORTE; os pecadores todos: para SENHORA DA GRAÇA; e todos os seus devotos: para SENHORA DA GLÓRIA. E se todas estas vozes se unirem em uma só voz (…), dirão que nasce (u.) para ser MARIA E MÃE DE JESUS. (…)

 

Deus quis imprimir em Maria um referencial
“Vinde, todas as nações, vinde, homens de todas as raças, línguas e idades, de todas as condições: com jubilo celebremos a natividade da alegria do mundo inteiro!” Este é o trecho inicial da Homilia de São João Damasceno por ocasião da festa da Natividade.

No ano 431 DC, após o Concílio de Éfeso, onde foi declarado o Dogma da Santa Mãe de Deus, surge na Igreja o interesse de recuperar as tradições Marianas.

O portal Canção Nova fez uma entrevista exclusiva com Padre Antônio Xavier, que faz seu mestrado em Ciências Bíblicas em Jerusalém. Ele irá nos introduzir no contexto desta festa que hoje celebramos.

Ele nos conta que existe um apócrifo chamado Proto Evangelho de S. Tiago que narra a história de São Joaquim e Santana, os acontecimentos que antecedem o nascimento de Maria, tratando inclusive da sua Imaculada Conceição e da sua natividade: “Este Evangelho apócrifo nos informa que São Joaquim era um sacerdote do Templo e que Ana já de idade avançada não tinha tido nenhum filho.”

S. Tiago indica o local do Nascimento da Virgem Maria, que seria numa casa nas proximidades do Templo em Jerusalém. Ali foi construída uma pequena capela nos primeiros séculos do Cristianismo.

Esta data da natividade da Virgem foi instituída no século quinto, no mesmo dia em que foi feita a dedicação da pequena igreja, dia 08 de setembro: “Ressalto que esta data também define o dia da Imaculada Conceição, dia 8 de Dezembro, são exatamente 9 meses, da sua concepção ao nascimento.”

Esta igreja existe ate hoje apesar de ter sido reconstruída muitas vezes: “É importante lembrar e celebrar a Natividade de Nossa Senhora, porque sua história tem seu cume na pessoa de Jesus. Não nos esqueçamos que ela foi preparada para ser a Mãe do Messias.”

Deus em Maria prepara o caminho para Jesus: “Era natural que Ele também nascesse de alguém puro e santo, não que alguém que nasça de maneira natural não possa ter uma vida Santa, porém Deus quis imprimir um referencial na Virgem Maria. De certa forma é o fato dela ser a Mãe de Jesus que já a coloca numa posição diferente.”

“Ela é gente, pessoa humana como nos somos”, ressalta o sacerdote: “Mas é importante atentarmos que a dignidade individual de cada um é impressa por fatores particulares, por detalhes e não somente pela natureza humana.”

Esta festa foi difusa pelo mundo inteiro, e chega a Roma por volta do seculo XVII, assim ganhou a forca que temos hoje: “Maria deu a luz a Jesus, este lugar e de extrema importância; Ela não deu a Jesus simplesmente a vida, ela preparou o caminho.”

“Nossa Senhora é uma figura singular na historia da Salvação, a mais ninguém foi dada essa oportunidade, nem antes, nem durante, nem depois. Jesus se encarnou uma única vez.” Ressalta padre Xavier.

Maria narra os fatos que eram secretos. Conheceram Jesus o profeta, mas é Maria quem narra como se deu o seu nascimento no Evangelho de São Lucas, porem tudo isso apos sua ascensão ao Céu: “Maria guardava tudo no coração. As pessoas acreditavam em Jesus por Jesus e não porque Maria fazia propaganda Dele, não foi feito um marketing na pessoa de Cristo. Não foi isso que sua mãe fez.”

Maria era uma mulher de intimidade com o Pai, uma mulher de profunda oração: “Nossa confiança em Deus não esta baseada na quantidade de respostas que temos, mas na certeza de que Ele nos respondera , a certeza de que Deus nos mostrara o que e necessário.”

A Virgem e modelo para nos cristãos e nos indica um caminho a seguir, nos aponta o sacerdote: “As dúvidas não a impediram de seguir em frente. Hoje em dia as pessoas mudam de ideia quando pensam que não encontraram respostas para tudo, ai começam a achar que aquilo não e valido e que é preciso mudar o percurso. A resposta que eu estou procurando existe e tenho que caminhar de encontro a ela. Olhemos para Maria, o principal para ela, era estar sempre agindo, não se deixava derrotar pelo que não era capaz de compreender.”

“Santo é o Pai, que quis que em ti e por ti se cumprisse o mistério que predeterminara antes de todos os séculos. Tu és a única esperança de alegria, a protetora da vida e, junto de teu Filho, a reconciliadora e firme garantia da salvação.” São João Damasceno

O amor de Jesus é sem medida, não seguir os “amores” mundanos

Cidade do Vaticano (RV) – O amor de Jesus é sem medida, não como os amores mundanos, que buscam poder e vaidade. Foi o que disse o Papa Francisco na Missa matutina (18/5/2017) na Casa Santa Marta.
 
“Assim como o Pai me amou, também eu vos amei”: o Pontífice desenvolveu sua homilia partindo da afirmação de Jesus, que destaca como o seu amor seja infinito. O Senhor, observou ainda, nos pede que permaneçamos no Seu amor “porque é o amor do Pai” e nos convida a observar os Seus mandamentos. Para Francisco, “certamente  os Dez Mandamentos são a base, o fundamento, mas é preciso seguir todas as coisas que Jesus nos ensinou, os mandamentos da vida cotidiana”, que representam “um modo de viver cristão”.

Uma coisa é querer bem, outra é amar

A lista dos mandamentos de Jesus é muito ampla, afirmou Francisco, mas “o cerne é um: o amor do Pai por Ele o amor Dele por nós”:

“Existem outros amores. Também o mundo nos propõe outros amores: o amor ao dinheiro, por exemplo, o amor à vaidade, exibir-se, o amor ao orgulho, o amor ao poder, inclusive cometendo muitas injustiças para ter mais poder… São outros amores, este não é de Jesus e não é do Pai. Ele nos pede para permanecer no seu amor, que é o amor do Pai. Pensemos também nesses outros amores que nos afastam do amor de Jesus. E também, existem outras medidas para amar: amar pela metade, isso não é amar. Uma coisa é querer bem, outra é amar.”

O amor de Deus é sem medida

“Amar – destacou – é mais do que querer bem”. Qual é, portanto, “a medida do amor”, se pergunta Francisco: “A medida do amor é amar sem medida”:

“E assim, realizando esses mandamentos que Jesus nos deixou, permaneceremos no Seu amor, que é o amor do Pai, é o mesmo. Sem medida. Sem este amor morno ou interesseiro. ‘Mas porque, Senhor, nos lembra dessas coisas?’, podemos perguntar. ‘Para que a minha alegria esteja em vocês e esta alegria seja plena’. Se o amor do Pai vai até Jesus, Jesus nos ensina o caminho do amor: o coração aberto, amar sem medida, deixando de lado outros amores”.

A missão do cristão é obedecer a Deus e doar alegria às pessoas

“O grande amor por Ele – acrescentou o Papa – é permanecer neste amo e se há alegria”; “o amor e a alegria são um dom”. Dons que devemos pedir ao Senhor:

“Pouco tempo atrás, um sacerdote foi nomeado bispo. Foi visitar seu pai, já idoso, para dar-lhe a notícia. Este homem idoso, aposentado, homem humilde, um operário durante toda a vida, não tinha frequentado a universidade, mas tinha a sabedoria da vida. Deu somente dois conselhos para o filho: ‘Obedeça e dê alegria às pessoas’. Este homem tinha entendido isso: obedeça ao amor do Pai, sem outros amores, obedeça a este dom e, depois, dê alegria às pessoas. E nós, cristãos, leigos, sacerdotes, consagrados, bispos, devemos dar alegria às pessoas. Mas por que? Por isso, pelo caminho do amor, sem qualquer interesse, somente pelo caminho do amor. A nossa missão cristã é dar alegria às pessoas.”

O Papa concluiu: “Que o Senhor proteja, como pedimos nas orações, este dom de permanecer no amor de Jesus para poder dar alegria às pessoas”.

 

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