Tag: pecados

Santo Evangelho (Lc 11, 1-4)

27ª Semana Comum – Quarta-feira 10/10/2018 

Primeira Leitura (Gl 2,1-2.7-14)
Leitura da Carta de São Paulo aos Gálatas.

Irmãos, 1catorze anos mais tarde, subi, de novo, a Jerusalém, com Barnabé, levando também Tito comigo. 2Fui lá, por causa de uma revelação. Expus-lhes o evangelho que tenho pregado entre os pagãos, o que fiz em particular aos líderes da Igreja, para não acontecer estivesse eu correndo em vão ou tivesse corrido em vão. 7Pelo contrário, viram que a evangelização dos pagãos foi confiada a mim, como a Pedro foi confiada a evangelização dos judeus. 8De fato, aquele que preparou Pedro para o apostolado entre os judeus preparou-me também a mim para o apostolado entre os pagãos. 9Reconhecendo a graça que me foi dada, Tiago, Cefas e João, considerados as colunas da Igreja, deram-nos a mão, a mim e a Barnabé, como sinal de nossa comunhão recíproca. Assim ficou confirmado que nós iríamos aos pagãos e eles iriam aos judeus. 10O que nos recomendaram foi somente que nos lembrássemos dos pobres. E isso procurei fazer sempre, com toda solicitude. 11Mas, quando Cefas chegou a Antioquia, opus-me a ele abertamente, pois ele merecia censura. 12Com efeito, antes que chegassem alguns da comunidade de Tiago, ele tomava refeição com os gentios. Mas, depois que eles chegaram, Cefas começou a esquivar-se e a afastar-se, por medo dos circuncidados. 13E os demais judeus acompanharam-no nessa dissimulação, a ponto de até Barnabé se deixar arrastar pela hipocrisia deles. 14Quando vi que não estavam procedendo direito, de acordo com a verdade do Evangelho, disse a Cefas, diante de todos: “Se tu, que és judeu, vives como pagão e não como judeu, como podes obrigar os pagãos a viverem como judeus?”

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Responsório (Sl 116)

— Ide por todo mundo, e a todos pregai o Evangelho!
— Ide por todo mundo, e a todos pregai o Evangelho!

— Cantai louvores ao Senhor, todas as gentes, povos todos, festejai-o!

— Pois comprovado é seu amor para conosco, para sempre ele é fiel!

 

Evangelho (Lc 11,1-4)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Lucas.
— Glória a vós, Senhor.

1Um dia, Jesus estava rezando num certo lugar. Quando terminou, um de seus discípulos pediu-lhe: “Senhor, ensina-nos a rezar, como também João ensinou a seus discípulos”. 2Jesus respondeu: “Quando rezardes, dizei: ‘Pai, santificado seja o teu nome. Venha o teu Reino. 3Dá-nos a cada dia o pão de que precisamos, 4e perdoa-nos os nossos pecados, pois nós também perdoamos a todos os nossos devedores; e não nos deixes cair em tentação’”.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

 

A IGREJA CATÓLICA CELEBRA E VENERA HOJE
São Daniel Comboni – Bispo da África Central

São Daniel Comboni, fundou o ‘Instituto para as Missões’, a ideia do projeto era salvar a África

São Daniel Comboni nasceu em Limone (Itália), em 1831. Único sobrevivente de oito irmãos. Aos dez anos ingressou num internato de Verona. Quando tinha dezessete anos, ouvindo contar as vicissitudes dos missionários na África, decidiu dedicar sua vida à evangelização dos africanos.

Em 1854 é ordenado sacerdote, quando contava 23 anos de idade. Depois de uma cuidadosa preparação, estudando árabe, medicina, música etc., partiu para África em 1857.

Estando lá, impressionou-se com a terrível situação dos escravos. A prática do tráfico de escravos estava de tal maneira arraigada que, no Egito e no Sudão, o único local onde os escravos encontravam asilo eram as missões de Daniel Comboni.

Após dois anos, teve de regressar à Itália. Mas Comboni não desanima e idealiza um projeto que ele chamou “Plano para a regeneração da África”. A ideia central do projeto era salvar a África por meio dos próprios africanos. Propunha-se fundar escolas, hospitais, universidades, ao longo de toda a costa africana. Nestes centros formariam-se os futuros cristãos, professores, enfermeiros, sacerdotes e religiosas, que depois penetrariam no interior, a fim de evangelizar as populações africanas e promover o seu desenvolvimento.

Fundou em 1867 o Instituto para as Missões na África que deu lugar ao que hoje são os Missionários Combonianos.

Em 1877 é ordenado Bispo da África Central e logo a seguir ordena sacerdote um antigo escravo, primeiro padre africano daquele lugar, quando na Europa alguns ainda negavam ao africano a evidência de ser pessoa.

Grande missionário, Comboni era capaz de atravessar o deserto para fundar um centro missionário no sul do Sudão, como também empenhava-se em falar para associações missionárias, Bispos, em Paris, Colônia (Alemanha) etc, com o objetivo de arrecadar auxílio econômico e de pessoal, organizando grupos e equipes de missionários para a Missão na África Central.

Morreu aos 50 anos, a 10 de outubro de 1881, no meio desta gente que tanto amou. No momento da morte abençoa os seus companheiros dizendo: “Não temais; eu morro, mas a minha obra não morrerá”.

Beatificado por João Paulo II a 17 de março de 1996, São Daniel Comboni foi canonizado pelo mesmo Sumo Pontífice em 5 de outubro de 2003.

São Daniel Comboni, rogai por nós!

Papa: diabo usa os hipócritas, Jesus ensina o amor verdadeiro

Quinta-feira, 20 de setembro de 2018, Da Redação, com Vatican News
https://noticias.cancaonova.com/especiais/pontificado/francisco/papa-diabo-usa-os-hipocritas-jesus-ensina-o-amor-verdadeiro/

Na homilia de hoje, Papa alertou que a força do diabo é a hipocrisia

Papa Francisco durante celebração eucarística na Casa Santa Marta / Foto: Vatican Media

Peçamos a Jesus para proteger sempre “com a sua misericórdia e o seu perdão” a nossa Igreja, que como mãe é santa, mas cheia de filhos pecadores como nós. Esta foi a oração feita pelo Papa Francisco na missa desta quinta-feira, 20, na Casa Santa Marta, refletindo sobre a Primeira Leitura, extraída da Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios, e sobre o Evangelho de Lucas, centrado nas palavras de Jesus: “Os seus pecados estão perdoados porque mostrou muito amor”.

O Pontífice enquadra imediatamente três grupos de pessoas nas leituras de hoje: Jesus e seus discípulos; Paulo e a mulher, daquelas cujo destino era o de ser “ser visitada em segredo” até mesmos pelos “fariseus” ou “ser apedrejada”; e os doutores da Lei.

O Papa evidencia como a mulher se mostra com muito amor a Jesus, não escondendo ser pecadora. O mesmo acontece com Paulo, que afirma: “Com efeito, transmiti-vos, em primeiro lugar, aquilo que eu mesmo tinha recebido, a saber: que Cristo morreu por nossos pecados”.

Os dois procuravam Deus com amor, mas um amor pela metade, explicou o Papa. Paulo pensava que o amor fosse uma lei e tinha o coração fechado para a revelação de Jesus Cristo: perseguia os cristãos, mas pelo zelo da lei, por isso era um amor imaturo.

A mulher buscava o amor, o “pequeno amor”. Os fariseus comentavam, mas Jesus explicou que os pecados cometidos por ela foram perdoados porque ela mostrou muito amor. Jesus olha o pequeno gesto de amor, o pequeno gesto de boa vontade, pega esse gesto e o leva adiante. Esta é a misericórdia de Jesus: sempre perdoa e sempre recebe.

O “escândalo” dos hipócritas

No que diz respeito aos “doutores da lei”, Francisco nota que têm uma atitude que somente os hipócritas usam com frequência: se escandalizam. E dizem: “Mas olha, que escândalo! Não se pode viver assim! Perdemos os valores…” O escândalo dos hipócritas, a hipocrisia dos “justos”, dos “puros”, daqueles que se creem salvos pelos próprios méritos externos.

Jesus afirma que essas pessoas exteriormente mostram “tudo belo” – fala de “sepulcros polidos” – mas dentro têm “podridão”. E a Igreja, quando caminha na história, é perseguida pelos hipócritas: hipócritas por dentro e por fora.

Ele explicou que o diabo não tem relação com os pecadores arrependidos, porque olham para Deus e dizem: “Senhor, sou pecador, ajuda-me”. E o diabo é impotente, mas é forte com os hipócritas. É forte, e os usa para destruir, destruir as pessoas, destruir a sociedade, destruir a Igreja. A força do diabo é a hipocrisia, porque ele é mentiroso: se mostra como príncipe poderoso, belíssimo, e por trás é um assassino.

Francisco concluiu a homilia retomando os três grupos de pessoas: Jesus, que é misericordioso; Paulo e a mulher, ambos pecadores, mas com um amor; e os hipócritas, que são incapazes de encontrar o amor porque têm o coração fechado.

São Mateus, Apóstolo e Evangelista – 21 de Setembro

Por Mons. Inácio José Schuster

No início da primavera celebramos com a Igreja, a festa de São Mateus; os outros Evangelistas o chamam Levi. Mateus se autodenomina com seu próprio nome em seu Evangelho, que hoje vem proclamado. Poderíamos afirmar que assim fazendo Mateus, quer que o leitor compreenda de onde foi que ele veio. Mateus deseja que cada um de nós compreenda o que foi ele antes de conhecer Jesus. Era um homem egoísta, um cobrador de impostos, provavelmente desonesto e que roubava da pobre gente, para poder pagar o imposto a Herodes Antipas, na Galiléia. Jesus o chamou de onde ele estava. Mateus fecha pela última vez aquela gaveta maldita, na qual se encerrava a sua contabilidade desonesta e se põe a serviço de Jesus, modificando-se, convertendo-se para sempre. Celebrou uma grande festa não apenas para Jesus, mas para marcar o início de uma vida nova, o início de uma conversão verdadeira. Nós costumamos chamar os Apóstolos de Jesus de príncipes da Igreja, mas Mateus prefere outro título; prefere ser conhecido de seus leitores como um antigo cobrador de impostos, como um antigo publicano, um antigo judeu que trabalhava de maneira ambígua, ou pouco honesta. Mateus nos quer dizer que por primeiro encontrou misericórdia da parte de Deus, e tendo abandonado uma vida de pecados, se colocou a serviço de Jesus para o resto da sua existência. Somente aqueles que experimentaram em primeira pessoa a misericórdia de Deus ao lhe perdoar os próprios pecados, podem no futuro se tornarem-se apóstolos verdadeiros, falando a partir de experiências próprias, da bondade e do amor desinteressado de Deus em Cristo. Se Mateus não tivesse experimentado o perdão, jamais falaria da maneira como nos manifesta a respeito do infinito perdão de Deus em Cristo. Ele se sentiu perdoado dos pecados graves que havia cometido e como Santo Agostinho diria bem mais tarde, ele deve ter se sentido agradecido a Deus por tê-lo arrancado de um lamaçal e por tê-lo feito evitar novos pecados, que se não fosse a graça do chamamento de Cristo naquele momento, ele continuaria cometer até o resto  de sua miserável existência. E assim somos nós também. Cada um de nós se sinta como Mateus, um pecador perdoado, ainda que não tenha cometido pecados gravíssimos em sua vida. Santo Agostinho louvava e bendizia a Deus pelo perdão que Deus lhe havia dado aos próprios pecados cometidos e por outros muitos, que não fosse a bondade de Deus ao chamá-lo à conversão, também certamente teria cometido, enchendo a sua vida de misérias até o seu final. Todos somos pecadores perdoados como Mateus, todos podemos hoje louvá-lo e bendizer a Deus, porque em Cristo Jesus, nos oferece gratuitamente um perdão que não merecemos. Estes que passaram por esta experiência, sabem acolher com bondade e com misericórdia os outros grandes pecadores que o procurarem eventualmente na existência.

 

SÃO MATEUS
São Mateus é um dos apóstolos, homem decidido e generoso desde o primeiro momento da sua vocação. É também evangelista, o primeiro que por inspiração divina pôs por escrito a mensagem messiânica de Jesus. Foi ainda fervoroso pregador da boa nova,  que veio a selar com o seu sangue, como testemunha da verdade e divindade de Cristo. São Mateus foi judeu, como indica o nome de seu pai, Alfeu, e mesmo o seu, que na nossa língua é o mesmo que «dom de Deus», como Teodoro ou Adeodato. Exercia em Cafarnaum, lugar fronteiriço e porto de grande movimento, o oficio de cobrador dos direitos de portagem, como chefe subalterno, ao serviço de Herodes Antipas. Um dia em que Jesus saía da cidade de Cafarnaum em direção ao lago, fixou-se em Mateus, sentado no seu mocho diante da mesa da contribuição. Foi um fixar-se próprio de Jesus; olhou para ele com atenção e, sobretudo com amor. O olhar equivalia já a um convite carinhoso. Seguiu-se logo a palavra, que fala ao ouvido e ao coração: «Mateus, segue-me». Não foi preciso mais. Mateus devia saber quem era aquele Mestre, que seguiam muito de perto outros discípulos e muita gente. Levantou-se sem hesitar um instante, obedeceu ao convite, ao chamamento de Jesus, à vocação; deixou o serviço do rei Herodes, o negócio terreno, e pôs-se às ordens de Jesus, ao serviço do Reino dos céus. Não se sabe que admirar mais na vocação de São Mateus, se a bondade do Mestre que se fixa num publicano, homem de negócios e pecador – segundo a voz do vulgo – para o fazer coluna da sua Igreja; a autoridade e energia doce com que o chama; ou a generosidade pronta e decidida do agraciado. A voz da graça é forte e misericordiosa, e a correspondência humana um mistério também. São Mateus foi generoso em seguir o chamamento e agradecido ao mesmo tempo. Deu-se conta desde o primeiro instante de que tinha recebido um beneficio e quis corresponder e agradecê-lo. Deu um banquete em sua casa, para o qual convidou Jesus e os seus discípulos, e muitos colegas seus, «publicanos e pecadores», como disseram os Escribas e os Fariseus. O Novo Testamento não toma a falar de são Mateus, a não ser na lista dos doze apóstolos. Como todos eles, acompanhou o Salvador durante o ministério público; foi testemunha da Ressurreição e de diversas aparições; e por último assistiu à Ascensão e recebeu o Espírito Santo no dia de Pentecostes, para tomar parte na fundação da Igreja-Mãe de Jerusalém. Os dados que acrescenta a tradição não nos fornecem plena segurança sobre o aposto lado concreto de São Mateus e sobre o seu fim glorioso. É certo que a sua primeira pregação foi na Palestina, aos judeus. Clemente de Alexandria diz-nos, no século m, que o seu apostolado palestinense durou quinze anos. As outras regiões evangelizadas pelo primeiro evangelista não podemos determiná-las com certeza, porque os testemunhos são já tardios e não concordam plenamente entre si. São Gregório Magno fala-nos da Etiópia e Santo Isidoro da Macedônia. Parece certo que morreu mártir, pois assim o acreditou sempre a Igreja do Oriente e Ocidente, mas não podemos determinar nem o ano, nem o lugar, nem a espécie de martírio. A glória principal e importantíssima de são Mateus é o seu Evangelho, escrito primeiro em aramaico para os judeus convertidos e traduzido pouco depois para grego. O seu livro é conhecido e utilizado por todos os autores cristãos do século I e nomeado expressamente como obra do Apóstolo pelos principais historiadores dos séculos 11. Nele revela-se São Mateus como grande organizador de materiais dispersos, profundo conhecedor da riqueza da doutrina cristã e dos livros sagrados dos Judeus. São Mateus, como toda a alma grande e generosa, possui profunda humildade e desprezo de si mesmo. Possuía dois nomes, o de Levi e o de Mateus, tal como Simão e Pedro ou Paulo e Saulo designaram em cada um dos dois casos a mesma pessoa. Entre os cristãos, era conhecido por Mateus. Ora, enquanto Marcos e Lucas, ao contarem a vocação dos apóstolos, o mencionam simplesmente com o nome de Levi, e ao colocá-lo na lista dos Doze, pelo de Mateus, ele próprio dá-se invariavelmente o nome de Mateus e acrescenta-lhe o qualificativo de “publicano”, como se dissesse: Mateus, o publicano, isto é, o pecador, indigno de figurar entre os apóstolos e escolhidos de Jesus. Este espírito de humildade e desprezo próprio é genuinamente cristão, que aprenderam e ensinaram com o seu exemplo e a sua palavra os que estiveram mais perto do nosso Divino Fundador.

Papa Francisco recorda a “dor e a amargura” dos casos de abusos sexuais na Irlanda

https://www.acidigital.com/noticias/papa-francisco-recorda-a-dor-e-a-amargura-dos-casos-de-abusos-sexuais-na-irlanda-65000

Papa Francisco no início da Audiência Geral. Foto: Daniel Ibáñez / ACI Prensa

29 Ago. 18 / 09:25 am (ACI).- Na Audiência Geral desta quarta-feira, o Papa Francisco recordou sua recente viagem à Irlanda por ocasião do Encontro Mundial das Famílias da semana passada e lembrou a dor pelos casos de abusos sexuais.

“Minha visita à Irlanda, além da grande alegria, deveria também recordar e assumir a dor e a amargura pelos sofrimentos causados neste país por várias formas de abuso, também por parte de membros da Igreja, e pelo fato de que as autoridades eclesiásticas no passado não souberam enfrentar de maneira adequada esses crimes”.

“O encontro com alguns sobreviventes – continuou – deixou um sinal profundo; e várias vezes pedi perdão ao Senhor por esses pecados, pelo escândalo e o sentimento de traição provocado”.

Francisco recordou que implorou “à Virgem para que interceda pela cura das vítimas e nos dê a força de prosseguir com firmeza a verdade e a justiça”.

“Os bispos irlandeses deram início a um sério caminho de purificação e reconciliação com aqueles que sofreram abusos e, com a ajuda das autoridades nacionais, estabeleceram uma série de normas severas para garantir a segurança dos jovens”, explicou.

Sobre o mesmo tema, argumentou que no encontro com os bispos “os encorajei no esforço para remediar os fracassos do passado com honestidade e coragem, confiando nas promessas do Senhor e contando com a aprofunda fé do povo irlandês para dar início a um tempo de renovação da Igreja na Irlanda”.

Por outro lado, afirmou que sua presença na Irlanda tinha como objetivo “confirmar as famílias cristãs em sua vocação e na missão”. “As milhares de famílias – casais, avós, filhos – reunidos em Dublin, com toda a sua variedade de línguas, culturas e experiências, foram um sinal eloquente da beleza do sonho de Deus para toda a família humana”.

“O sonho de Deus é a unidade, a harmonia e a paz, fruto da fidelidade, do perdão e da reconciliação que Ele nos doou em Cristo”.

“As famílias são chamadas a fazer resplandecer a alegria evangélica, irradiando o amor de Cristo”, ressaltou.

Francisco agradeceu a acolhida das autoridades do país e disse que “os testemunhos de amor conjugal dados pelos casais de todas as idades” recordaram “que o amor do matrimônio é um especial dom de Deus, que deve ser cultivado todos os dias na ‘igreja doméstica’, que é a família”.

“Mostrou-nos também como a fé se coloca em prática na vida cotidiana, ‘em torno da mesa de casa’ e difunde sua beleza na grande comunidade da Igreja e da sociedade”.

“Quanto o mundo tem necessidade de uma revolução de amor, de ternura!”, exclamou na catequese na Praça de São Pedro.

Sobre o encontro na Pró-Catedral de Dublin, contou que ali “recordei que o matrimônio cristão, pacto sacramental fundado no amor de Cristo, é fonte de contínua graça para caminhar juntos e superar a cultura do provisório”.

Na Festa das Famílias, no sábado à noite, “ouvimos testemunhos muito tocantes, de famílias que sofreram pelas guerras, famílias renovadas pelo perdão, famílias que o amor salvou da espiral das dependências, famílias que aprenderam a usar bem os smartphones e tablets e a dar prioridade a passar tempo juntos”.

Após recordar brevemente sua visita ao santuário de Knock, sublinhou que o Encontro Mundial das Famílias “foi uma experiência profética, reconfortante de muitas famílias comprometidas no caminho evangélico do matrimônio e da vida familiar; famílias discípulas e missionárias, fermento de bondade, santidade, justiça e paz”.

“No caminho para o próximo Encontro Mundial, que acontecerá em Roma em 2021, confiemos à proteção da Santa Família de Jesus, Maria e José, para que em suas casas, paróquias e comunidades possam ser verdadeiramente ‘alegria para o mundo’”, concluiu.

A transformação de Jesus não é magia, renova o coração

Segunda-feira, 5 de dezembro de 2016, Da Redação, com Rádio Vaticano
 
Na Missa desta manhã, Papa convidou fiéis a se abrirem à transformação trazida por Jesus

Deixar-se transformar por Jesus, permitindo que Ele liberte dos pecados, disse o Papa Francisco na Missa desta segunda-feira, 5, na capela da Casa Santa Marta. Em sua homilia, o Pontífice comentou a primeira leitura, que fala da renovação, de como tudo será transformado para melhor, pois era isso que o povo de Israel esperava do Messias.

Ao falar do Evangelho do dia, o Papa observou que Jesus curava e mostrava um caminho de mudança para as pessoas e, por isso, elas o seguiam. Não o seguiam porque estava na moda, mas porque a sua mensagem chegava ao coração. O povo via que Jesus curava e o seguia também por isso.

“Mas o que Jesus fazia não era somente uma mudança da feiura à beleza, do ruim ao bom: Jesus fez uma transformação. Não é um problema de fazer bonito, não é problema de maquiagem, de magia: transformou tudo a partir de dentro! Transformou com uma recriação: Deus tinha criado o mundo; o homem caiu no pecado; chega Jesus para recriar o mundo. E esta é a mensagem; a mensagem do Evangelho, que se vê claramente: antes de curar aquele homem, Jesus perdoa os seus pecados. Vai ali, à recriação, recria aquele homem de pecador a homem justo: o recria como justo. O faz de novo, totalmente novo. E isso escandaliza: isso escandaliza!”

Por isso, afirmou o Papa, os Doutores da Lei começaram a discutir, a murmurar, porque não podiam aceitar a sua autoridade. Jesus, disse, é capaz de fazer dos homens – pecadores – pessoas novas. É algo que Madalena intuiu, ela que era saudável, mas tinha uma chaga dentro: era uma pecadora. Intuiu, portanto, que aquele homem podia curar não o corpo, mas a chaga da alma. Podia recriá-la e para isso precisava de tanta fé.

“Que o Senhor nos ajude a nos preparar para o Natal com grande fé, porque precisa de muita fé para a cura da alma, para a cura existencial, para a recriação que Jesus nos traz. Ser transformados é a graça da saúde que Jesus traz. E precisa vencer a tentação de dizer ‘eu não consigo’, mas, ao invés, se deixar ‘transformar’, ‘recriar’ por Jesus”.

O Santo Padre lembrou que todos são pecadores, mas é preciso que cada um olhe para a raiz do seu pecado para que Deus possa recriar essa pessoa. “Mas se nós dizemos ‘sim, sim, tenho pecados; vou, me confesso… duas palavrinhas e depois continuo assim…’, não me deixo recriar pelo Senhor. Somente duas pinceladas de verniz e acreditamos que com isso encerro o caso! Não! Os meus pecados, com nome e sobrenome: eu fiz isso, isso, isso e me vergonho dentro do coração! E abro o coração: ‘Senhor, o único que tenho. Recria-me! Recria-me!’ E assim teremos a coragem de ir com fé verdadeira – como pedimos – em direção ao Natal”.

O Papa acrescentou que sempre se tenta esconder a gravidade dos pecados. Um exemplo é quando não se dá importância à inveja sendo que esta é algo terrível, é como veneno de serpente que tenta destruir o outro. Francisco encorajou então a olhar a fundo para os pecados e depois entregá-los ao Senhor, para que Ele os cancele e ajude a seguir adiante com fé. E destacou este trecho, contando uma anedota de um Santo, “estudioso da Bíblia”, que tinha um caráter muito forte, com momentos de ira e que pedia perdão ao Senhor, fazendo muitas renúncias e penitências.

“O Santo, falando com o Senhor, dizia: ‘Está feliz, Senhor?’ – ‘Não!’ – ‘Mas dei tudo!’ – ‘Não, falta alguma coisa…’. E este pobre homem fazia outra penitência, outra oração, outra vigília: ‘Dei-lhe isto Senhor. Está bom assim?’ – ‘Não! Falta alguma coisa…’ – ‘Mas o que falta, Senhor?’ – ‘Faltam os seus pecados! Dê-me os seus pecados!’. Isso é o que o Senhor pede a nós hoje: ‘Coragem! Dê-me os seus pecados e eu farei de você um novo homem e uma nova mulher’. Que o Senhor nos dê fé para acreditar nisto”.

Santa Maria Madalena – 22 de Julho

http://www.arautos.org/especial/28131/Santa-Maria-Madalena.html  

Para o amor de Deus, nada é impossível. E, no entardecer da vida, seremos julgados segundo o amor. Os Evangelhos nos contam a história de Madalena. Uma pecadora que tanto admirou e amou Nosso Senhor Jesus Cristo que não só foi perdoada, mas que dela disse o Senhor: “em toda parte será contado em sua memória o que ela fez” (Mt 26, 13).

» As três Marias e Santa Maria Madalena
» Ela escolheu a melhor parte…
» Na Via Dolorosa, no Calvário, …de pé…
» Frutos do Amor a Deus
» “‘Maria!’ Ela voltou-se e exclamou: ‘Rabûni!’…
» A História de uma Virgem

Quem ouve o nome “Maria Madalena”, na maioria das vezes, lembra-se da mulher pecadora e de má vida do Evangelho. Poucos se recordam que dela foram tirados sete demônios (Lc 8, 2) e que ela foi perdoada de seus numerosos pecados (Lc 7, 47 – Mc 16, 9). Muitos ignoram que ela arrependeu-se do mal que praticou. Esquecem que ela viveu uma vida de penitente, que foi uma grande Santa. E que se santificou por amar intensamente a Deus. Ninguém comenta que foi a propósito dela que Nosso Senhor disse: “Em verdade vos digo: em toda parte onde for pregado este Evangelho pelo mundo inteiro, será contado em sua memória o que ela fez” (Mt 26, 13). E… quem tem nela um exemplo de virgindade e pureza? Vejamos um pouco da história de Santa Maria Madalena.

As três Marias e Santa Maria Madalena
O Papa São Gregório Magno, foi um zeloso reformador da Igreja, foi quem estabeleceu regras para o canto e cerimônias litúrgicas na Igreja e tornou-se mais conhecido como o criador do Calendário Gregoriano. Além disso, ele foi também um grande estudioso da vida dos santos e das Escrituras Sagradas. São Gregório Magno afirma que Maria Madalena, Maria de Betânia e Maria pecadora, citadas no evangelho, são a mesma pessoa. Por isso mesmo é que Santa Maria Madalena é, entre as mulheres, a que mais tem seu nome citado nos Santos Evangelhos. Ela nasceu em Magdala e viveu no século I. Conheceu Nosso Senhor, foi contemporânea de Nossa Senhora, dos Apóstolos, dos primeiros cristãos. “E Lázaro (…) era seu irmão” (Jo 11, 1-2).  Ela era irmã de Santa Marta e de Lázaro, a quem o Mestre Divino ressuscitou. “Lázaro havia caído doente em Bethania onde estavam Maria e sua irmã Marta. Maria era quem ungira o Senhor com óleos perfumados e Lhe enxugara os pés com seus cabelos” durante um banquete do qual Jesus participava.

Ela escolheu a melhor parte…
“Jesus andava pelas cidades e aldeias anunciando a boa nova do Reino de Deus. Os doze estavam com Ele, como também algumas mulheres que tinham sido livradas de espíritos malignos e curadas de enfermidades: Maria, chamada Madalena, da qual tinham saído sete demônios” (Lc 8, 2). Madalena foi a mulher a quem Jesus exorcizou (Mc 16, 9). Depois disso, ela acompanhava Jesus, agradecida, contemplando sua divindade, amando a Deus, santificando-se. Santa Maria Madalena tinha uma alma admirativa e, por isso mesmo, era uma pessoa capaz de contemplar. Nas principais citações que o Evangelho traz dela sua admiração por Nosso Senhor fica destacada. E contemplar a Deus na Pessoa de Nosso Senhor Jesus Cristo foi um dos pontos altos de sua vida. Sem dúvida, ela exercia tarefas que estavam destinadas às Santas Mulheres, contudo, em suas atividades ela procurava dar mais importância ao “Deus das obras que às obras de Deus”: ela havia escolhido a melhor parte… Esta afirmação está contida nos Evangelhos, são palavras do próprio Nosso Senhor: “Jesus estava em viagem, e entrou em uma aldeia e uma mulher chamada Marta o recebeu em sua casa. Marta tinha uma irmã chamada Maria que se assentou aos pés do Senhor para ouvi-lo falar. Marta toda preocupada com a lida da casa, veio a Jesus e disse: Senhor não te importas que minha irmã me deixe só a servir? Dize-lhe que me ajude. Respondeu-lhe o Senhor: “Marta, Marta, andas muito inquieta e te preocupas com muitas coisas; no entanto, uma só coisa é necessária; Maria escolheu a melhor parte, que lhe não será tirada” (Lc 10, 38-42). Muito embora ainda fosse uma pecadora, ela já havia dado mostras de sua escolha pela admiração contemplativa. Isso ficou evidente naquele banquete onde outras pessoas estavam com Jesus e não viam nele o Filho de Deus, mas um homem inteligente, esperto, talvez predestinado e, no máximo, um profeta: “Um fariseu convidou Jesus a ir comer com ele. Jesus entrou na casa dele e pôs-se à mesa. Uma mulher pecadora da cidade, quando soube que estava à mesa em casa do fariseu, trouxe um vaso de alabastro cheio de perfume; e, estando a seus pés, por detrás dele, começou a chorar. Pouco depois suas lagrimas banhavam os pés do Senhor, e ela os enxugava com os cabelos, beijando-os e os ungia com perfume (Lc 7, 36-38).

Na Via Dolorosa, no Calvário, … de pé, com a Virgem Maria!
Esta mulher contemplativa esteve no Calvário. “Havia ali algumas mulheres (…) que tinham seguido Jesus desde a Galileia para servi-lo. Entre elas Maria Madalena” (Mt 27, 55-56).  É certo que durante a peregrinação na via dolorosa Santa Maria Madalena esteve ao lado da Virgem Mãe de Deus, Nossa Senhora, a quem ela admirava e venerava afetuosamente e que naquela ocasião era quem mais sofria espiritualmente as dores pelas quais seu Divino Filho passava para a salvação dos homens. E essa, sem dúvida, foi uma ocasião oportuna que, aquela que muito havia pecado, encontrou para consolar quem nunca havia pecado.  No Calvário, quando todos fugiram, “junto à cruz de Jesus estavam de pé sua Mãe, a irmã de sua Mãe, Maria, mulher de Cléofas, e… Maria Madalena” (Jo 19, 25).

Frutos do Amor a Deus
O amor contemplativo de Maria Madalena rendeu-lhe os melhores frutos. E estes frutos não foram só o perdão de seus pecados e a graça de seu insigne e exemplar arrependimento. Outras graças espirituais ainda lhe foram concedidas por causa de sua admiração e amorosa contemplação da Segunda Pessoa da Santíssima Trindade encarnada na Humanidade Santíssima de Nosso Senhor Jesus Cristo. Talvez a maior das graças recebidas por ela tenha sido dada por ocasião da Ressurreição do Divino Salvador: “Tendo Jesus ressuscitado de manhã, no primeiro dia da semana apareceu primeiramente a Maria de Magdalena, de quem tinha expulsado sete demônios (Mc 16, 9). Seu amor a Nosso Senhor já tinha feito com que ela, após a morte do Salvador estivesse junto Dele também em Seu sepultamento. E, depois que a pedra foi rolada, “Maria Madalena e a outra Maria ficaram lá, sentadas diante do túmulo” (Mt 27, 61).  No que pensava ela ali sentada? Não se sabe. A certeza que se tem é que ela não pensava em si, pois, Seu Senhor era sempre o centro de suas cogitações.

“‘Maria!’ Ela voltou-se e exclamou: ‘Rabôni!’ (Jo 20, 16)
Passou-se a sexta feira, passou-se o sábado. “Depois do sábado, quando amanhecia o primeiro dia da semana, Maria Madalena, e a outra Maria foram ver o túmulo” (Mt 28, 1). Ela descobriu o túmulo vazio e ouviu dois seres angélicos anunciarem a Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo. Ela seria a primeira testemunha da Ressurreição do Senhor e a primeira a ver Cristo mais tarde no mesmo dia quando o Mestre deu a ela a mensagem para entregar aos demais discípulos (Jo 20, 1-18). Depois disso, que sentido teria continuar vivendo nessa Terra? Após ter sido curada e os demônios terem sido expulsos por Jesus, Maria Madalena coloca-se a serviço do Reino de Deus, fazendo um caminho de discipulado, seguindo Nosso Senhor no amor e no serviço. A partir deste encontro com Jesus Ressuscitado, Maria Madalena, a discípula fiel, continuou vivendo entre os apóstolos e discípulos, sendo um exemplo vivo das graças que o Senhor dispensou a ela, levando uma vida de testemunho e de luta por uma santidade maior.

A História de uma Virgem
A tradição nos conta que juntamente com a Virgem Maria e o Apóstolo João, ela foi evangelizar em Éfeso. Outra história, que desde muito corre no Ocidente, diz que ela viajou para Provença, França, com seus irmãos Marta e Lázaro com mais outros discípulos para evangelizar Gaul. Neste local ela passou 30 anos de sua vida na caverna de La Saint-Baume, nos Alpes Marítimos. Foi milagrosamente transportada, pouco antes de sua morte, para a Capela de Saint-Maximin, onde recebeu os últimos sacramentos da Santa Igreja. Ela foi enterrada em Aix. Em Vazelay, na França, todos afirmam que suas relíquias ali estão desde o século XI. No Ocidente, o culto à Santa Maria Madalena propagou-se a partir do Século XII. Na arte litúrgica da Igreja ela é representada com longos cabelos, segurando uma jarra própria para guardar óleos perfumados. Sua festa é celebrada no dia 22 de julho. Quando rezamos a Ladainha de Todos os Santos encontramos o nome de Santa Maria Madalena como a primeira das invocações das Santas Virgens. Isso não causa espanto a quem sabe que a Deus nada é impossível. É a beleza da contrição e do perdão. Aquele que é capaz de “transformar as pedras brutas em Filhos de Abraão”, pode perfeitamente devolver a integridade a uma pecadora. E isso, sobretudo se ela arrependeu-se muito, se admirou muito, se amou muito. Como foi o caso dela.
(Fonte: Bíblia Sagrada – Editora Ave Maria – São Paulo – 2008)

 

Santa Maria Madalena – porque muito amou…
http://ifte.blog.arautos.org/2011/07/santa-maria-madalena-porque-muito-amou/  

“Ama et quod vis fac”, ou seja, ama e faze o que quiseres. Frase ousada de Santo Agostinho, porém inteiramente teológica, por ser a caridade a virtude essencial, sem a qual, as demais virtudes carecem de valor 1.

O próprio São Paulo assim inicia seu nobre, distinto e angélico cântico sobre a rainha das virtudes: “Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver caridade sou como o bronze que soa, ou como o címbalo que retine. Mesmo que eu tivesse o dom da profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência; mesmo que tivesse toda a fé, a ponto de transportar montanhas, se não tiver caridade, não sou nada. Ainda que distribuísse todos os meus bens em sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, se não tiver caridade, de nada valeria!” (1Cor 13, 1-3).
Diversos autores afirmam que a caridade supera em beleza, valor e essência a todas as demais virtudes, inclusive a própria Fé e Esperança pelo fato de Deus constituir-Se no seu objeto primário e principal 2, e porque estas não ultrapassarão os umbrais da eternidade, enquanto que “a caridade jamais acabará” (1Cor 13, 8).
Segundo São Tomás, o progresso na vida sobrenatural consiste, essencialmente, na perfeição da caridade  3. Ela é a virtude que nos une diretamente a Deus conforme no-lo demonstra o discípulo amado: “Deus é amor, e quem permanece no amor permanece em Deus e Deus nele” (1Jo 4, 16). Disto procede a supremacia do amor: porque as demais virtudes somente preparam e iniciam essa união, mas quem a realiza de modo pleno é a caridade 4.
Por outro lado, o Apóstolo São Paulo mostra-nos que “o amor de Cristo nos pressiona” (2Cor 5, 14). Mas, no que consiste esse “pressionar”? Vejamos o que nos explica o Revmo. Monsenhor João Clá:
“É um modo de exprimir a força que tem o amor de Nosso Senhor por nós; este amor é transformante, infunde bondade e faz com que sejamos aquilo que jamais seríamos pelos nossos esforços ou natureza; é um amor que faz com que eu dê em relação ao Bem que é Ele, aquilo que eu nunca conseguiria dar por meu esforço. (…) Ele nos confisca [pois] é um amor tão superior, exuberante, rico, transbordante e incomensurável, que uma vez manifestado, torna-se impossível, de nossa parte, não vivermos para Ele” 5.
Estes foram os efeitos do amor do Divino Mestre em Santa Maria Madalena, “que foi cativada e transformada pela força deste amor, a tal ponto que depois de uma vida de vícios e desvarios, atingiu tão eminente grau de admiração e enlevo por Nosso Senhor Jesus Cristo e, sobretudo, foi tão amada por Ele que obteve a restauração da inocência” 6.
Voltemo-nos, pois, para sua vida e veremos as grandes maravilhas operadas por Deus naquela alma.
Maria Madalena nasceu de uma família muito digna, talvez a mais rica de Israel. Possuindo, desde pequena, uma aparência privilegiada, sua mãe tinha o costume de colocá-la sentada encima de uma almofada na janela, para que todos pudessem admirar sua beleza e seu bom comportamento. As ruas daquela época eram estreitas e os que por ali transitavam viam-na, conversavam um pouco com ela e, encantados, elogiavam tão extraordinária menina. Elogios estes, que serviram para dar início a um processo que a levaria a cometer os piores pecados, porque, “quando a pessoa não sabe se defender dos elogios e restituí-los a Deus, isso produz na alma um estrago tremendo” 7, pois, o “orgulho leva à impureza” 8. Foi justamente o que aconteceu com a jovem Maria Madalena.
Com a perda dos pais, deu-se a divisão da vasta herança. Coube a Lázaro — sendo o primogênito — herdar todas as terras e propriedades que possuíam em Jerusalém, assumindo com isso o encargo social e político da família. Marta, por sua vez, ficou em Betânia e viu-se obrigada a administrar as propriedades do irmão. Restou à Maria — por ser a caçula — o castelo que a família possuía em Mágdala, cidade muito mundana da época, devido à sua localização às margens do Mar da Galiléia.
Chegando a idade das paixões que rejeitam todo freio; quando a presença de toda pessoa honesta e séria resulta-lhe pesada” e sendo Maria Madalena “muito adulada e muito bela, circundada de adoradores, desfrutando ao respirar o incenso agradável dos elogios e sobretudo o perfume embriagante do prazer, fugiu da companhia de sua irmã” 9, aos quinze anos, para estabelecer-se em Mágdala. No entanto, em pouco tempo, “começou a levar uma vida afastada dos Mandamentos da Lei de Deus, tornando-se, assim, uma pecadora” 10.
Em certo momento chega a Mágdala rumores de estupefação, admiração e entusiasmo pelo grande profeta: Jesus Nazareno. Muito dada a estar de acordo com as notícias de acontecimentos mais recentes, Maria decidiu reunir uma caravana e ir ao encontro daquele, do qual todos comentavam. Quando chegaram ao lugar onde o Divino Mestre se encontrava, Ele “a viu, a olhou e a curou” 11, e, sobretudo, infundiu em sua alma graças superabundantes, operando assim sua conversão. Abandonando tudo o que tinha e todos os antigos amigos que a levaram ao pecado, seguiu a Nosso Senhor.
Entretanto, após passar um longo período acompanhando a Jesus juntamente com as outras Santas Mulheres, sentiu um desejo de voltar à Mágdala e à sua antiga vida. A pretexto de buscar algumas coisas, embora Marta e as outras insistissem à que não retornasse, ela decidiu ir e lá chegando retomou a sua vida de pecado.
Um dia, estando Nosso Senhor a pregar perto de Cafarnaum, dá-se o reencontro. Aquele Divino Olhar recai sobre Maria, mas desta vez, “esse olhar do Salvador e essa palavra penetrante mudaram seu coração mais dolorido que endurecido. Em seguida, ela seguiu a Jesus e não O deixou mais” 12.
Algum tempo depois, o Divino Mestre é convidado para jantar em casa de um fariseu. Maria Madalena rompendo as praxes da época — as quais proibiam a entrada de mulheres durante os banquetes — foi até Jesus para assim manifestar publicamente seu arrependimento e seu amor por Aquele que a havia transformado. Ali entrando, permaneceu aos pés do Salvador, e lhe ofertou o que de mais precioso possuía: suas lágrimas que, como sinal de penitência, lavaram aqueles Sagrados Pés; em seguida enxugou-Os com seus próprios cabelos; beijou-Os e por último, Os ungiu com o mais precioso perfume. Atos simbólicos de “seu coração que ela se empenhava em lançar todo inteiro no coração do Mestre” 13. Tal veneração e escravidão mereceu como recompensa do Salvador as seguintes palavras: “seus numerosos pecados estão perdoados, porque ela muito amou” (Lc 7, 47) e “em verdade vos digo: onde quer que for pregado em todo o mundo o Evangelho, será contado para sua memória o que ela fez” (Mc 14, 9).
Estando o Mestre em Betânia, Maria despreocupava-se de todos os assuntos da casa e permanecia aos Seus pés, ouvindo-O e admirando-O. Tinha o pensamento unicamente posto no Salvador, já que guardava um delírio de amor a Ele e não se interessava por outra coisa, a não ser o Mestre, que para ela era tudo 14. Por esta razão, recebeu esse elogio: “Maria escolheu a melhor parte e esta não lhe será tirada” (Lc 10, 42). Ou seja, desde que a pessoa se ponha a amar, o demônio não consegue tirar nada e “ninguém rouba aquilo que o amor constrói” 15.
O Senhor concedeu imensos benefícios a Maria Madalena e distinguiu-a com sinais de predileção, infamou-a totalmente de amor por Ele e tornou-se íntimo dela.
Uma das características do enlevo é fazer com que o enlevado saia de si e se fixe em algo que lhe é superior 16, por isso, Santa Maria Madalena “se une a Ele em todos os estados pelos quais Ele faz passar sua humanidade. Ela se une a Jesus vivendo (…), a Jesus sofrendo (…) a Jesus morrendo e a Jesus morto” 17, de tal maneira, que acompanhou o Divino Mestre até na hora suprema do “Consummatum est”, quando todos O abandonaram. Mostrando que o enlevo verdadeiro é aquele que está disposto até ao holocausto, se isso for necessário, em favor do Amado.
Quando mataram a Nosso Senhor, ela — em contraposição aos discípulos, os quais “tinham fechado as portas do lugar onde se achavam, por medo dos judeus” (Jo 20, 19) — ia por todos os cantos, proclamando que haviam cometido um crime infame contra o Mestre, pois Este não tinha feito outra coisa senão o bem. Atraindo para si, o ódio de todo Sinédrio.
Sendo “a que mais fervorosamente amava o Senhor, (…) não podia conter-se de desejo de adorar e perfumar Seu sagrado Corpo” 18. Por isso, já na madrugada do domingo, quando uma dama não podia estar andando pelas ruas, ainda sem o sol ter nascido, com verdadeiro empressement desejava chegar o quanto antes ao túmulo, para assim venerar o Corpo Daquele que era o objeto absoluto de seu encanto. Estava de tal modo inebriada de amor, que neste ato de “imprudência” nem sequer se preocupava com os guardas, nem com a pesada laje a ser removida.
Chegando ao túmulo, encontrou-o aberto e os soldados não estavam mais lá. Aproximou-se e não viu o Sagrado Corpo do Redentor, julgando que o tivessem roubado. Sua primeira preocupação foi a de informar aos Apóstolos, demonstrando a pureza de seu amor todo feito de sabedoria e amor à hierarquia. Saiu correndo rumo ao Cenáculo. “Com seu ardor sem medida, Madalena contagiou os Apóstolos, e estes, associando-se aos mesmos sentimentos de amor, temor e esperança, partiram cheios de ânimo” 19. São Pedro e São João entraram na gruta, constataram que de fato o corpo não estava ali e saíram. Ela ficou, pois não possuía outro desejo a não ser o de empregar todos os meios para saber onde colocaram o Divino Corpo de seu Mestre. Estando nesta aflição, aparecem dois Anjos. Estes lhe dirigem a palavra, interrogando-a sobre o porquê de seu pranto. Ela, tomada de zelo, afirma: “Levaram o meu senhor e não sei onde o puseram” (Jo 20, 13), declarando, com isso, sua posição de escrava e incitando-os, respeitosamente, a dizer onde é que puseram o Corpo ou a indicar onde ele pudesse estar. O amor é cheio de educação, de elegância; o amor, quando é autêntico e puro, leva a um trato elevadíssimo 20.
Tendo dito isto, ela se volta para trás, e sem dar-se conta vê Nosso Senhor em pé, contudo, não O reconhece. E Nosso Senhor lhe pergunta: “Mulher, por que choras? Quem procuras?” (Jo 20, 15). Jesus disse isto para fazer aumentar ainda mais o seu amor, pois este é passível de crescimento, ou de diminuição. E quanto mais a pessoa explicita o amor que tem, mais nele cresce. Por esta razão, era conveniente que Madalena externasse seu entusiasmo e enlevo. Então, Jesus disse: Maria! (Jo 20, 16). Bastou que o Salvador pronunciasse seu nome para que ela O reconhecesse. Imediatamente, atira-se aos pés de Nosso Senhor. Este, porém, a impede, para que sua Fé e Caridade atingissem um grau mais eminente. Maria obedece de imediato, por se tratar de uma ordem de ‘seu Senhor’. Quer dizer, ela procurava o Corpo, e o que encontrou? Encontrou o próprio Nosso Senhor Jesus Cristo. Este é, justamente, o fruto do amor. Quando a pessoa deseja com muito amor, devoção, enlevo, e, sobretudo, com labaredas de entusiasmo, especialmente quando se trata de algo ligado a Deus, recebe mais do que aquilo que procura. O Criador sempre concede muito mais do que se pede. Durante as perseguições, Maria Madalena juntamente com seus irmãos foram postos em um barco à deriva que chegou em Marselha no sul da França onde pregou a doutrina de Cristo e converteu um bom número de pessoas. Morreu em um local solitário nas montanhas de Sainte-Baume, onde vivia em contemplação e penitência. Concluamos com as palavras cheias de veneração sobre Santa Maria Madalena de São Francisco de Sales: “Ainda que não a honremos como virgem, se levarmos em conta a eminentíssima pureza que guardou depois de sua conversão, deve ser chamada arqui-virgem, porque, uma vez purificada na fogueira do amor sagrado, recebeu tão excelente castidade, e tão perfeita caridade, que depois da Mãe de Deus, ela foi quem mais amou a Jesus Cristo. Amou-O com os serafins, e ao amá-Lo foi mais admirável que eles, pois os serafins obtêm o amor sem dificuldades e conservam, mas esta santa o adquiriu com grandes suores e cuidados e o conservou com temor e solicitude” 21.

1 Cf. ROYO MARÍN, A. Teología de la perfeccíon cristiana. Madrid: BAC, 2006.
2  Cf. Clá Dias, João. Homilia sobre o enlevo. Caieiras: Igreja Nossa Senhora do Rosário, 9/5/2010.
3  Cf. SÃO TOMÁS DE AQUINO. Suma Teológica, II-II q.184, a.1.
4 Cf. ROYO MARÍN, op. cit., ibidem
5 Clá Dias, João. Homilia sobre Santa Maria Madalena. Caieiras: Igreja Nossa Senhora do Rosário, 22/07/2008, p.1-2
6  CORRÊA DE OLIVEIRA, Plinio. Inocência e penitência. In: Dr. Plinio. São Paulo: Agosto, N.17, p.4, 1999.
7 CLÁ DIAS, João , op. cit., p.3 1 CLÁ DIAS, 2006, p.5(Arquivo IFTE)
8 OLLIVIER, P. Les amitiés de Marie. L’Ami du clergé. Paris: Mai, n. 20, 8v., p.328, 1896.
9  CLÁ DIAS, 2008, p.4(Arquivo IFTE)
10  OLLIVIER, P. Les amitiés de Marie. L’Ami du clergé. Paris: Mai, n. 20, 8v., p.329, 1896.
11  OLLIVIER, P. Les amitiés de Marie. L’Ami du clergé. Paris: Mai, n. 20, 8v., p.329, 1896.
12  OLLIVIER, P. Les amitiés de Marie. L’Ami du clergé. Paris: Mai, n. 20, 8v.,330, 1896.
13 Cf.CLÁ DIAS, 2006(Arquivo IFTE)
14 CLÁ DIAS, 2008, p.4(Arquivo IFTE)
15  Cf. CLÁ DIAS, 2010(Arquivo IFTE)
16 MAITRIER, J. Petit sermon pour la féte de Sainte Marie-Madeleine. L’Ami du clergé. Paris: Juillet, n.28, 4v., 433-435, 1892.
17CLÁ DIAS, 2008, p.13(Arquivo IFTE)
18 CLÁ DIAS, 2008, p.15(Arquivo IFTE)
19 Cf. CLÁ DIAS, 2008(Arquivo IFTE)
20 Cf. CLÁ DIAS, 2008(Arquivo IFTE)
21 SALLES, F. Obras Selectas. Madrid: BAC, 1953, 1v, p.432-433

 

Anúncio oficial

Papa eleva à FESTA dia da memória de SANTA MARIA MADALENA  

Sexta-feira, 10 de junho de 2016, Da Redação, com Rádio Vaticano

Decisão do Papa de criar a Festa de Maria Madalena exalta a dignidade da mulher e destaca a santa que foi a primeira testemunha da ressurreição de Jesus

O Dia de Santa Maria Madalena foi elevado à condição de festa na Igreja católica. A decisão, por “desejo expresso do Papa”, foi comunicada nesta sexta-feira, 10, pelo Vaticano. A festa da santa será comemorada no calendário romano em 22 de julho, mesmo dia em que era celebrada sua memória.

Apostolorum Apostola, ou Apóstola dos Apóstolos: assim Santo Tomás de Aquino definia Santa Maria Madalena, testemunha ocular da ressurreição de Cristo e primeira a dar a notícia aos Apóstolos.

Dignidade da mulher

“A decisão se inscreve no atual contexto eclesial, que pede uma reflexão mais profunda sobre a dignidade da mulher, sobre a nova evangelização e sobre a grandeza do mistério da misericórdia divina”, explica Dom Artur Roche, secretário da Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos.

A mensagem de São João Paulo II, na Carta Apostólica Mulieris dignitatem, que trouxe novo alento à questão das mulheres, segue importante hoje para a Igreja. E ganha uma nuance especial com o Jubileu da Misericórdia.

“Santa Maria Madalena é um exemplo de verdadeira e autêntica evangelizadora, uma evangelista que anuncia a alegre mensagem central da Páscoa. O Papa tomou esta decisão neste contexto jubilar para ressaltar esta mulher que mostrou um grande amor a Cristo e por Cristo tão amada”, disse ainda Dom Roche.

Santo Evangelho (Mt 9, 1-8)

13ª Semana Comum – Quinta-feira 05/07/2018

ANO PAR

Primeira Leitura (Am 7,10-17)
Leitura da Profecia de Amós.

Naqueles dias, 10Amasias, sacerdote de Betel, mandou dizer a Jeroboão, rei de Israel: “Amós conspira contra ti, dentro da própria casa de Israel; o país não consegue evitar que se espalhem todas as suas palavras. 11Ele anda dizendo: ‘Jeroboão morrerá pela espada, e Israel será deportado de sua própria pátria, como escravo’”. 12Disse depois Amasias a Amós: “Vidente, sai e procura refúgio em Judá, onde possas ganhar teu pão e exercer a profecia; 13mas em Betel não deverás insistir em profetizar, porque aí fica o santuário do rei e a corte do reino”. 14Respondeu Amós a Amasias, dizendo: “Não sou profeta nem sou filho de profeta; sou pastor de gado e cultivo sicômoros. 15O Senhor chamou-me, quando eu tangia o rebanho, e o Senhor me disse: ‘Vai profetizar para Israel, meu povo’. 16E agora ouve a Palavra do Senhor. Tu dizes: ‘Não profetizes contra Israel e não insinues palavras contra a casa de Isaac’. 17Pois bem, isto diz o Senhor: ‘Tua mulher se prostituirá na cidade, teus filhos e filhas morrerão pela espada, tuas terras serão tomadas e loteadas; tu mesmo morrerás em terra poluída, e Israel será levado em cativeiro para longe de seu país’”.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Responsório (Sl 18)

— Os julgamentos do Senhor são corretos e justos igualmente.
— Os julgamentos do Senhor são corretos e justos igualmente.

— A lei do Senhor Deus é perfeita, conforto para a alma! O testemunho do Senhor é fiel, sabedoria dos humildes.

— Os preceitos do Senhor são precisos, alegria ao coração. O mandamento do Senhor é brilhante, para os olhos é uma luz.

— É puro o temor do Senhor, imutável para sempre. Os julgamentos do Senhor são corretos e justos igualmente.

— Mais desejáveis do que o ouro são eles, do que o ouro refinado. Suas palavras são mais doces que o mel, que o mel que sai dos favos.

 

ANO ÍMPAR

Primeira Leitura (Gn 22,1-19)
Leitura do Livro do Gênesis.

Naqueles dias, 1 Deus pôs Abraão à prova. Chamando-o, disse: “Abraão!” E ele respondeu: “Aqui estou”. 2 E Deus disse: “Toma teu filho único, Isaac, a quem tanto amas, dirige-te à terra de Moriá, e oferece-o ali em holocausto sobre um monte que eu te indicar”. 3 Abraão levantou-se bem cedo, selou o jumento, tomou consigo dois dos seus servos e seu filho Isaac. Depois de ter rachado lenha para o holocausto, pôs-se a caminho, para o lugar que Deus lhe havia ordenado. 4 No terceiro dia, Abraão, levantando os olhos, viu de longe o lugar. 5 Disse, então, aos seus servos: “Esperai aqui com o jumento, enquanto eu e o menino vamos até lá. Depois de adorarmos a Deus, voltaremos a vós”. 6 Abraão tomou a lenha para o holocausto e a pôs às costas do seu filho Isaac, enquanto ele levava o fogo e a faca. E os dois continuaram caminhando juntos. 7 lsaac disse a Abraão: “Meu pai . “Que queres, meu filho?”, respondeu ele. E o menino disse: “Temos o fogo e a lenha, mas onde está a vítima para o holo­causto?” 8 Abraão respondeu: “Deus providenciará a vítima para o holocausto, meu filho”. E os dois continuaram caminhando juntos. 9 Chegados ao lugar indicado por Deus, Abraão ergueu um altar, colocou a lenha em cima, amarrou o filho e o pôs sobre a lenha em cima do altar. 10 Depois, estendeu a mão, empunhando a faca para sacrificar o filho. 11 E eis que o anjo do Senhor gritou do céu, dizendo: “Abraão! Abraão!” Ele respondeu: “Aqui estou!” 12 E o anjo lhe disse: “Não estendas a mão contra teu filho e não lhe faças nenhum mal! Agora sei que temes a Deus, pois não me recusaste teu filho único”. 13 Abraão, erguendo os olhos, viu um carneiro preso num espinheiro pelos chifres; foi buscá-lo e ofereceu-o em holocausto no lugar do seu filho. 14 Abraão passou a chamar aquele lugar: “O Senhor providenciará”. Donde até hoje se diz: “O monte onde o Senhor providenciará”. 15 O anjo do Senhor chamou Abraão, pela segunda vez, do céu, 16 e lhe disse: “Juro por mim mesmo — oráculo do Senhor —, uma vez que agiste deste modo e não me recusaste teu filho único, 17 eu te abençoarei e tomarei tão numerosa tua descendência como as estrelas do céu e como as areias da praia do mar. Teus descenden­tes conquistarão as cidades dos inimigos. 18 Por tua descendência serão abençoadas todas as nações da terra, porque me obedeces­te”. 19 Abraão tornou para junto dos seus servos, e, juntos, puse­ram-se a caminho de Bersabeia, onde Abraão passou a morar.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Responsório (Sl 114)

— Andarei na presença de Deus, junto a ele, na terra dos vivos.
— Andarei na presença de Deus, junto a ele, na terra dos vivos.

— Eu amo o Senhor, porque ouve o grito da minha oração. Inclinou para mim seu ouvido, no dia em que eu o invoquei.

— Prendiam-me as cordas da morte, apertavam-me os laços do abismo; invadiam-me angústia e tristeza: eu então invoquei o Senhor “Salvai, ó Senhor, minha vida!”

— O Senhor é justiça e bondade, nosso Deus é amor-compaixão. É o Senhor quem defende os humildes: eu estava oprimido, e salvou-me.

— Libertou minha vida da morte, enxugou de meus olhos o pranto e livrou os meus pés do tropeço. Andarei na presença de Deus, junto a ele na terra dos vivos.

 

Evangelho (Mt 9,1-8)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 1 entrando em um barco, Jesus atravessou para a outra margem do lago e foi para a sua cidade. 2 Apresentaram-lhe, então, um paralítico deitado numa cama. Vendo a fé que eles tinham, Jesus disse ao paralítico: “Coragem, filho, os teus pecados estão perdoados!” 3 Então alguns mestres da Lei pensaram: “Esse homem está blasfemando!” 4 Mas Jesus, conhecendo os pensamentos deles, disse: “Por que tendes esses maus pensamentos em vossos corações? 5 O que é mais fácil, dizer: ‘Os teus pecados estão perdoados’, ou dizer: ‘Levanta-te e anda’? 6 Pois bem, para que saibais que o Filho do Homem tem na terra poder para perdoar pecados, — disse, então, ao paralítico — “Levanta-te, pega a tua cama e vai para a tua casa”. 7 O paralítico então se levantou, e foi para a sua casa. 8 Vendo isso, a multidão ficou com medo e glorificou a Deus, por ter dado tal poder aos homens.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

 

A IGREJA CATÓLICA CELEBRA E VENERA HOJE
Santo Antônio Maria Zaccaria, apaixonado por Jesus Eucarístico

O santo de hoje foi um grande apaixonado por Jesus Eucarístico e pela Virgem Maria

Antônio Maria, nasceu em Cremona, no norte da Itália em 1502 e, ao perder o pai muito cedo teve de sua mãe o grande gesto de amor que consistiu em dedicar-se somente para sua educação, tanto assim que, com apenas 22 anos, já era médico.

Ele fazia de sua profissão um apostolado, por isso não cuidava só do corpo, mas também da alma dos seus pacientes que eram tratados como irmãos deste médico corajoso, pois viviam em um ambiente impregnado pelo humanismo sem Deus.

Chamado por Cristo, ampliou seu apostolado ao ser ordenado sacerdote e, desta forma, pôde testemunhar Jesus e a unidade da Igreja num tempo em que as ciências de fundo pagão, a decadência das ordens religiosas, do clero, pediam não uma Reforma Protestante, mas sim uma santidade transformadora.

Fundador dos Clérigos Regulares de São Paulo e, com a ajuda de uma condessa, da Congregação das Angélicas de São Paulo, Antônio viveu, comunicou vida num dos períodos mais difíceis da Igreja de Cristo. Depois de muito propagar a devoção a Jesus Eucarístico, por ter trabalhado demais, veio com 37 anos “dormir” nos braços de sua mãe terrestre e acordar nos braços de sua Mãe Celeste.

Santo Antônio Maria Zaccaria, rogai por nós!

Não há santo sem passado nem pecador sem futuro

Terça-feira, 19 de janeiro de 2016, Da Redação, com Rádio Vaticano

Na homilia de hoje, Papa comentou o exemplo do Rei Davi, homem santo e pecador

Deus não fica nas aparências, mas vê o coração, afirmou o Papa Francisco na Missa desta terça-feira, 19, na Casa Santa Marta. O Santo Padre destacou que também na vida dos santos há tentações e pecados, como demonstra a própria vida de Davi, mas jamais se pode usar Deus para vencer uma causa própria.

A homilia teve como fio condutor a Primeira Leitura do dia, que narra a eleição do jovem Davi como rei de Israel. O Senhor rejeita Saul porque tinha o coração fechado, não havia obedecido ao Senhor e pensa, portanto, em escolher outro rei. Uma escolha distante dos critérios humanos, já que Davi era o menor dos filhos de Jessé, um rapaz. Mas o Senhor faz o profeta Samuel entender que, para Ele, não conta a aparência, pois Deus vê o coração.

“Nós somos tantas vezes escravos das aparências, escravos das coisas que aparecem e nos deixamos levar por essas coisas: ‘Mas isso parece …’ Mas o Senhor sabe a verdade. É assim esta história. Passam os sete filhos de Jessé e o Senhor não escolhe ninguém, os deixa passar. Samuel se encontra um pouco em dificuldade e diz ao Pai: ‘’A este tampouco o Senhor escolheu’?’ ‘Estão aqui todos os teus filhos?’ ‘’Resta ainda o mais novo, que está apascentando as ovelhas’’. Aos olhos dos homens, este jovem não contava”.

Davi: santo e pecador

Francisco explicou que, embora não contasse para os homens, Davi foi o escolhido de Deus, que ordenou a Samuel ungi-lo. A partir daquele dia, toda a vida de Davi foi a de um homem ungido pelo Senhor, mas Deus não o fez santo. O Rei Davi, explicou o Papa, é o santo Rei Davi, isso é verdade, mas santo depois de uma longa vida, também marcada por pecados.

“Santo e pecador. Um homem que soube unir o Reino, soube levar adiante o povo de Israel. Mas tinha as suas tentações… tinha seus pecados: foi também um assassino. Para encobrir sua luxúria, o pecado de adultério, mandou… comandou que matassem. Ele! ‘Mas o santo Rei Davi matou?’ Mas quando Deus enviou o profeta Natã para que visse esta realidade, porque ele não tinha se dado conta da barbárie que havia ordenado, reconheceu: ‘pequei’. E pediu perdão”.

Assim, a vida de Davi seguiu adiante. Sofreu na carne a traição do filho, mas nunca usou Deus para vencer uma causa própria. Quando Davi deve fugir de Jerusalém, devolve a Arca e declara que não usará o Senhor em sua defesa. E quando era insultado, Davi, em seu coração, pensava: “eu mereço”.

Não há santo sem passado, tampouco pecador sem futuro

Depois, destacou Francisco, chega à vida de Davi a “magnanimidade”: poderia matar Saul, mas não o fez. Eis o santo rei Davi, grande pecador, mas arrependido. “Me comove a vida deste homem”, confessou o Papa, uma história que faz as pessoas pensarem em suas vidas hoje.

“Todos fomos escolhidos pelo Senhor para o Batismo, para estar no seu povo, para ser santos; fomos consagrados pelo Senhor neste caminho da santidade. Foi lendo esta vida, de um menino – aliás, não um menino, um rapaz – de um rapaz a um idoso, que fez tantas coisas boas e outras nem tanto, que me ocorre que no caminho cristão, no caminho que o Senhor nos convidou a percorrer, não há nenhum santo sem passado, tampouco um pecador sem futuro”.

X Domingo do Tempo Comum – Ano B

Aquele que fizer a vontade de Deus: eis a família de Jesus (Mc 3, 20-35).

20E voltou para casa. E de novo a multidão se apinhou, de tal modo que eles não podiam se alimentar. 21E quando os seus tomaram conhecimento disso, saíram para detê-lo, porque diziam: “Enlouqueceu!” 22E os escribas que haviam descido de Jerusalém diziam: “Está possuído por Beelzebu”, e também “É pelo principie dos demônios que Ele expulsa os demônios”. 23Chamando-os para junto de si, falou-lhes por parábolas: 24Se um reino se divide contra si mesmo, tal reino não poderá subsistir. 25E se uma casa se divide contra si mesma, tal casa não poderá manter-se. 26Ora, se Satanás se atira contra si próprio e se divide, não poderá subsistir, mas acabará. 27Ninguém pode entrar na casa de um homem forte e roubar os seus pertences, se primeiro não amarrar o homem forte; só então poderá roubar e sua casa. 28“Na verdade Eu vos digo: tudo será perdoado aos filhos dos homens, os pecados e todas as blasfêmias que tiverem proferido. 29Aquele, porém, que blasfemar contra o Espírito Santo, não terá remissão para sempre. Pelo contrário, é culpado de uma pecado eterno”. 30É porque eles diziam: “Ele está possuído por um espírito impuro”. 31Chegaram então sua mãe e seus irmãos e, ficando do lado de fora, mandaram chamá-lo. 32Havia uma multidão sentada em torno dele. Disseram-lhe: “Eis que tua mãe, teus irmãos e tuas irmãs estão lá fora e te procuram”. 33Ele perguntou: “Quem é minha mãe e meus irmãos?” 34E, repassando com o olhar os que estavam sentados ao seu redor, disse: “Eis a minha mãe e os meus irmãos. 35Quem fizer a vontade de Deus, esse é meu irmão, irmã e mãe”.

Inquietação dos parentes de Jesus
Alguns dos parentes de Jesus, conforme nos narra o Evangelho nos vv.21-22, se deixam levar por pensamentos mundanos e encaram a dedicação de Jesus a seu apostolado, como um exagero, uma perda de juízo. Citam que Jesus “enlouqueceu”. Muitos santos, a exemplo de Cristo, também se passarão por loucos. Mas, loucos por amor a Jesus Cristo.

Calúnia dos escribas
Até os milagres de Jesus foram mal entendidos pelos escribas que o acusam de ser instrumento de Beelzebu (vv.22-23). É o mesmo personagem misterioso, mas real, que Jesus chama de Satanás, que significa o adversário, e que Cristo veio para arrancar o seu domínio sobre o mundo, numa luta incessante.
Nos vv. 24-27, o Senhor fala aos fariseus e a cada um de nós: – Num coração petrificado o Espírito não tem liberdade de atuar; dessa resistência à ação do Espírito brotam as doentias divisões internas. São os dinamismos “dia-bólicos” (aquilo que divide) que se instalam em nosso interior, atrofiam nossas forças criativas e nos distanciam da comunhão com tudo e com todos.
A vitória de Jesus sobre o poder das trevas, que culmina na Sua Morte e Ressurreição, demonstra que a luz já está no mundo.

Pecado contra o Espírito Santo
Jesus acaba de realizar um milagre, mas os escribas não o reconhecem: “eles diziam: Ele está possuído por um espírito impuro” (v.30). Não querem admitir que Deus é o autor do milagre. Nessa atitude, consiste a gravidade da blasfêmia contra o Espírito Santo: atribuir ao príncipe do mal, a Satanás, as obras de bondade realizadas pelo próprio Deus.
Diz o Senhor, aquele que blasfema contra o Espírito Santo não terá perdão: não porque Deus não possa perdoar todos os pecados, mas porque esse homem, na sua obcecação perante Deus, rejeita Jesus Cristo, sua doutrina e os seus milagres, e com isto, despreza as graças do Espírito Santo.
O Espírito procura entrar para fecundar, recolocar em ordem, restaurar, unificar.
Agrada-lhe reunir, integrar, conciliar, pacificar, conduzir-nos a um “lugar interior”, a um centro de calma, onde tudo tem seu lugar, onde tudo encontra seu espaço. Soltar as asas nos momentos mais petrificados e pesados de nossa vida é sinal de sua silenciosa Presença.
Em outras palavras: “viver segundo o Espírito” não se define como um combate, como luta para debilitar o “eu”, mas como experiência para ativar o impulso para o “mais” e “ordenar” os dinamismos humanos em direção a um horizonte de sentido: o Reino.

Os verdadeiros parentes de Jesus
31Chegaram então sua mãe e seus irmãos e, ficando do lado de fora, mandaram chamá-lo. 32Havia uma multidão sentada em torno dele. Disseram-lhe: “Eis que tua mãe, teus irmãos e tuas irmãs estão lá fora e te procuram”. 33Ele perguntou: “Quem é minha mãe e meus irmãos?” 34E, repassando com o olhar os que estavam sentados ao seu redor, disse: “Eis a minha mãe e os meus irmãos. 35Quem fizer a vontade de Deus, esse é meu irmão, irmã e mãe”.
A palavra “irmãos” era em aramaico, uma expressão genérica para indicar um parentesco: irmãos também se chamavam os sobrinhos, os primos diretos e os parentes em geral. “Jesus não disse estas palavras para renegar Sua mãe, mas para mostrar que só é digna de honra por ter gerado Cristo, mas também pelo cortejo de todas as virtudes” (Teofilacto de Ácrida ou da Bulgária, †1107).
Por isso, a Igreja nos recorda que a Santíssima Virgem: “acolheu as palavras com que o Filho, pondo o reino acima de todas as relações de parentesco, proclamou bem-aventurados todos os que ouvem a palavra de Deus e a põem em prática; coisa que ela fazia fielmente” (Lumen Gentium, 58).
É no mais íntimo que se reza ao Senhor. É no mais profundo da interioridade que se escuta o Senhor. Deixe-se invadir pela luz e pela vida d’Aquele que “armou sua tenda entre nós”.
Semana Abençoada!

 

A pessoa humana, experimentando seus próprios limites, ora faz opção pelo bem, ora pelo mal. Mas sempre lutando por se sobreviver, tendo como pano de fundo a confirmação de sua existência, estabilidade e realização final. O importante é não ser enganado pelo mal que a cerda e se tornar uma pessoa infeliz.
Na descrição bíblica do paraíso, havia ali a árvore do bem e do mal. Diante dela, o homem e a mulher deveriam fazer sua opção e escolha de vida. Era um ato de obediência ou não, uma escolha que teria grandes consequências. Aí estava em jogo o destino de toda a humanidade e, também, até a perda do paraíso.
Nesse cenário bíblico encontramos inspirações profundas para nossas realizações de hoje. Às vezes descartamos a esperança diante de opções que matam a vida. Podemos até perder o sentido do novo paraíso, a vida em Deus. Isto acontece quando desconhecemos o sentido do sagrado e da dignidade da pessoa humana.
A força do mal leva consigo falsas promessas. É como o poder dominador, que faz parceria com quem age da mesma forma e não dá valor às iniciativas dos outros. Cai por terra a prática da fraternidade e a convivência entre os irmãos. As consequências de tudo isto é o endeusamento do individualismo, fato tão proclamado pela nova cultura.
Seis são os pecados contra o Espírito Santo:
1º – Desesperação da salvação, ou seja, quando a pessoa perde as esperanças na salvação de Deus, achando que sua vida já está perdida. Julga, assim, que a misericórdia de Deus é mesquinha e por isso não se preocupa em orientar sua vida para o bem. Perdeu as esperanças em Deus.
2º – Presunção de salvação sem merecimento, ou seja, a pessoa cultiva em sua alma uma vaidade egoísta, achando-se já salva, quando na verdade nada fez para que merecesse a salvação. Isso cria uma fácil acomodação a ponto da pessoa não se mover em nenhum aspecto para que melhore. Se já está salva para que melhorar? – pode perguntar-se. Assim, a pessoa torna-se seu próprio juiz, abandonando o Juízo Absoluto que pertence somente a Deus.
3º – Negar a verdade conhecida como tal, ou seja, quando a pessoa percebe que está errada, mas por uma questão meramente orgulhosa, não aceita: prefere persistir no erro, do que reconhecer-se errada. Nega-se assim a Verdade que é o próprio Deus.
4º – Inveja da graça que Deus dá a outrem, ou seja, a inveja é um sentimento que consiste primeiramente em entristecer-se porque o outro conseguiu algo de bom, independentemente se eu já possua aquilo ou não. É o não querer que a pessoa fique bem. Ora, se eu me invejo da graça que Deus dá alguém, estou dizendo que aquela pessoa não merece tal graça, me tornando assim o regulador do mundo, inclusive de Deus, determinando a quem deve ser dada tal ou tal coisa.
5º – Obstinação no pecado, ou seja, é a teimosia, a firmeza, a relutância de permanecer no erro por qualquer motivo. Como o Papa São João Paulo II disse, é quando o homem “reivindica seu pretenso ‘direito’ de perseverar no mal – em qualquer pecado – e recusa por isso mesmo a Redenção”.
6º – Impenitência final, ou seja, é o resultado de toda uma vida que rejeita a ação de Deus: persiste no erro até o final e recusa arrepender-se e penitenciar-se.
O pecado contra o Espírito Santo consiste na rejeição consciente da graça de Deus; é a recusa da salvação que, consequentemente, impede Deus de agir, pois Ele está à porta e bate, e a abre quem quiser. A persistência neste pecado, que é contra o Espírito Santo, pois este tem a missão de mostrar a Verdade, levará o pecador para longe de Deus, para onde ele escolheu estar. Apesar disso, o Senhor continuará a amá-lo com o mesmo amor de Pai que tem para com todos, porém respeitando a decisão de seu filho que é inteligente e livre.
A condição humana está ligada à liberdade e à capacidade de escolha. Tem como segurança a esperança, que deve sempre ser alimentada e concretizada em Jesus Cristo. Supõe firme convicção de fé na ressurreição e na vida eterna. A morada terrestre, que será destruída, transformar-se-á em uma morada eterna em Deus.
A vida é sempre marcada por um paraíso perdido, passageiro, e pelo mal que nos leva a perdê-lo. Isto é fruto da tendência que todos temos para o mal, para atos de injustiça e por atitudes muitas vezes desumanas. Assim ficamos perdidos na busca do bem e de uma condição humana que nos terna realizados. A dignidade é fonte de humanização e divinização.

 

Nós celebramos, hoje, o décimo domingo do tempo Comum e, no texto Evangélico de Marcos, se proclama, em primeiro lugar, aquela passagem onde os familiares de Jesus imaginaram que Ele tivesse perdido o juízo, imaginaram que estivesse louco, uma vergonha e humilhação para a família, queriam trazê-lo à qualquer custo de volta para Nazaré e foram a Cafarnaum buscá-lo. Dando espaço para que a família de Nazaré chegasse em dois dias de viagem a Cafarnaum, o evangelista inseriu uma perícope mediana. Jesus Se encontra com judeus provindos de Jerusalém e estes trazem uma acusação ainda mais forte e satânica. Acusam Jesus de ter conchavo com Belzebu; com outras palavras, não negam, e não poderiam negar, ações prodigiosas e extraordinárias que Jesus fazia. Porém, não podendo negá-las, atribuíram-nas não à Deus, mas ao espírito impuro, ou seja, a Belzebu, a Satanás e arrancam de Jesus uma afirmação forte no Novo Testamento: “Todos os pecados serão perdoados, mas aquele que blasfemar contra o Espírito Santo, não terá perdão nem nesta, nem na outra vida.”
E nós nos perguntamos qual seria, dentro do contexto imediato de Marcos, o pecado famoso contra o Espírito Santo, pecado que não tem perdão nem neste mundo e nem no outro? É não aceitar, sistematicamente, Jesus. Pior ainda, atribuir a loucura e, sobretudo, a engano satânico tudo aquilo que realizou Jesus, ou Jesus continua a realizar através do Seu grande sacramento que é a Igreja. Existem diversas maneiras de se pecar, existem os que pecam por fragilidade, existem aqueles que pecam por uma certa ignorância não desculpável, existem os que pecam por indiferença e existem aqueles também, que satanicamente se opõe, de maneira violenta e sistemática, ao desígnio de Deus, se opõe com relação a si mesmos e se opõe com relação à outros, impedindo explicitamente outros de receberem o evangelho de Jesus; estes são aqueles que pecam contra o Espírito Santo.
Nós não afirmamos que Jesus é louco e, muito menos, que Jesus agisse com o poder e sobre o impulso de Belzebu, o príncipe dos demônios. Deste texto de hoje nós podemos colher o seguinte: um profeta não é recebido em sua pátria, não é recebido entre os seus, Jesus fez esta experiência, Jesus passou por esta humilhação e nós, seus discípulos, podemos passar pela mesma experiência ao constatar que as pessoas mais íntimas nossas não nos compreendem, não nos aceitam, criticam-nos por causa de nossa Fé.

 

SOU CATÓLICO E NÃO DESISTO NUNCA!
Padre Bantu Mendonça

Neste 10º domingo do Tempo Comum, vemos que a multidão procura Jesus para tocá-Lo e ser curada das suas enfermidades; ela compreende e reconhece n’Ele um poder sobrenatural. Porém, os parentes de Jesus foram segurá-Lo, porque diziam: “Enlouqueceu”. Os familiares temem que esta maneira de agir possa comprometer o nome da família, então decidem tomar o controle da situação.
Vendo a atitude dos parentes d’Ele, podemos nos perguntar: “Quantas vezes somos chamados de loucos?”. Principalmente as pessoas que assumem uma proposta de vida radical, deixando tudo para seguir Cristo mais de perto, como consagrados, casais comprometidos com as pastorais nas capelas, nas paróquias e na diocese, entre tantas outras pessoas que dedicam sua vida para que haja esperança na comunidade. São os nossos próprios parentes que, às vezes, nos acusam de loucos, de “beatos e beatas” da sacristia.
Jesus está dentro da casa. A multidão e Seus parentes estão do lado de fora e ao Seu redor, ouvindo-O. Estão reunidos os discípulos em torno de Jesus, como também as multidões, pessoas do povo capazes de deixar tudo para segui-Lo. São os aleijados, coxos, pobres, doentes que estão “como ovelhas sem pastor” (Mc 6, 34).
“Participar da casa” é estar presente no banquete da vida, aproximar-se do outro como espaço de diálogo e compreensão. Mas para entrar na casa é preciso romper com o sistema de opressão que há em nossa sociedade, à medida em que faço do outro instrumento da minha vontade e o coloco em disputa com os demais. A casa é o lugar apropriado para desenhar a proposta que Jesus deseja anunciar e promover o sistema de relação social.
Um profeta só é desprezado em sua pátria, em sua parentela e em sua casa (cf. Mc 6, 4). As pessoas capazes de compreender a missão de Jesus são aquelas que fazem uma experiência com Ele. Os mais próximos se afastam diante da missão de Jesus, enquanto os mais distantes se aproximam d’Ele e de Sua missão.
“Aproximar-se da missão” é se encontrar dentro da casa e reconhecer em Jesus a presença do Reino de Deus. É preciso compreender os gestos e não ter o coração endurecido. Os que estão fora da casa são os adversários, os que querem interromper a missão, concordando com uma ideologia que domina as pessoas e que controla o sistema opressor.
Estar na casa é o principal foco e eixo de partida. Jesus se sente próximo e familiar a todos que se deixam envolver por Seu projeto. O grau de parentesco é como um título para que se possa fazer parte da nova comunidade, a qual requer fidelidade acima de tudo. Jesus se recusa a aceitar quem não aceita Sua missão.
É preciso ser obediente a Deus, estar sentado à Sua volta e atentar-se aos Seus ensinamentos. É a unidade em Jesus que se deve fazer evidente numa opção de vida, na instauração de uma família, como também na vida. Viver a vida com adesão ao projeto de Deus e na construção de um mundo novo, no qual a esperança nos mova para frente para podermos chegar à terra onde jorra leite e mel. Falem o que quiserem falar, mas nós precisamos dizer: “Sou católico e não desisto nunca!”.
A oração que devemos rezar é: “Ó Deus, assim como nos enviaste o Vosso Filho que se fez louco por amor à Vossa vontade, assim fazei de nós loucos. Loucos para aceitar qualquer tipo de trabalho e ir a qualquer lugar, sempre num sentido de vida simples, humilde, amando e promovendo a paz, a justiça, a restauração e a reconciliação entre as famílias”.
Essa pequena oração retrata a opção de vida por Jesus, a quem Sua própria parentela chamou de louco ao tenta impedi-Lo de prosseguir com Sua missão, quando julga que Ele está fora de si devido à multidão que O acompanha. Este aglomeramento da multidão suscita uma preocupação dos parentes e a intervenção destes pode ser motivada pela atividade de Jesus e Seu modo de se comportar, que fugia aos esquemas dos moldes comuns. “Ele fala com autoridade”, ou ainda, “nunca alguém falou como este homem fala”.

 

“O Senhor é minha luz e minha salvação, a quem poderia eu temer? O Senhor é o baluarte de minha vida, perante quem tremerei? Meus opressores e inimigos, são eles que vacilam e sucumbem”(Sl 26,1-2).
Padre Wagner Augusto Portugal, Vigário Judicial da Diocese da Campanha(MG).

Neste domingo nós nos colocaremos diante dos verdadeiros irmãos e os adversários de Nosso Senhor Jesus Cristo. O pecado de Adão e a ameaça à serpente nos é anunciado na Primeira Leitura(Gn 3,9-16). “Adão” significa “o Homem”. O pecado de Adão e de o todos nós é: o orgulho de querer ser igual a Deus, querer ser seu próprio Deus. O resultado do “abrir os olhos”(Gn 3,5.7) não é o que o homem procurou, ou seja, ser igual a Deus, mas apenas a consciência de sua nudez e desproteção: medo perante Deus. Porém, Deus não rejeita ao homem, mas apenas à serpente. A descendência humana há de esmagar a serpente, ou seja, o demônio: prefiguração de que Jesus vence o pecado.

Caros irmãos,
O Evangelho deste domingo(Mc 3,20-35) nos apresenta Jesus e Beelzebul; adversários e irmãos de Jesus. Depois de que os escribas decidiram matar Jesus, este, em meio a uma intensa atividade messiânica, constituiu um discipulado, os doze, não, porém, entre seus irmãos de sangue; pois estes o acham extravagante, enquanto Jesus recusa suas prerrogativas parentais apontando como sua verdadeira família os fazedores da vontade do Pai. No meio do episódio dos parentes é inserida uma discussão com os escribas. Ao mesmo tempo que mostra a incompatibilidade de Jesus com as autoridades religiosas, esta inserção sugere, também, o quanto Jesus se afastou do “senso comum” de seus parentes, que não o entendem. A discussão trata do seguinte: Quando Jesus expulsa demônios, os escribas acusam-no de exorcizar pela própria força do demônio. A resposta de Jesus é significativa: 1. Um reino ou uma casa dividida contra si mesma, não fica em pé; 2. Para penetrar numa casa, o saqueador – Jesus – deve amarrar o valentão lá dentro – o demônio. 3. Quem não quer entender isso, a saber, que Jesus age com autoridade de Deus vencer o demônio, blasfema contra o Espírito de Deus, que age em Cristo de modo visível.

Prezados irmãos,
Devemos ter claro a pessoa e a missão de Jesus. Jesus não faz a sua reunião numa sinagoga. Ele se reúne com os seus em uma casa. Jesus veio para a multidão que está como “rebanho de ovelhas sem pastor”(Mc 6,34), que Jesus, auxiliado pelos Apóstolos, deverá transformar em novo povo eleito, em nova família de Deus, em nova comunidade de santos. Não será o laço de parentesco, não será o sangue de raça que decidirá a entrada ou não entrada na nova família. Entrarão, na nova família, os que estão dispostos a “cumprir a vontade de Deus”.
A lição do Evangelho deste domingo é fácil. Todos nós experimentamos a fragmentação entre tempo de graça e tempo de maldade. Todos nós temos esta experiência. Muitos procuram explicações para o pecado, que marca profundamente a criatura humana. O Magistério da Igreja nos ensina que: “Sem o conhecimento que a Revelação nos dá de Deus não se pode reconhecer com clareza o pecado, sendo-se tentado a explicá-lo unicamente como uma falta de crescimento, como uma fraqueza psicológica, um erro, a conseqüência necessária de uma estrutura social inadequada”(Cf. Catecismo da Igreja Católica n. 387).
O homem de dupla face: que São Paulo chama de carne/espírito, está presente  no Evangelho deste domingo. A luta entre o bem e o mal, que acompanha o ser humano desde o paraíso terrestre. A maior expressão do mal é o próprio demônio. Negar que Jesus tenha o poder de perdoar pecados, de expulsar os demônios e de vencer as forças do mal, negar-lhe o seu poder divino e redentor, opor-se à sua obra salvadora é “blasfemar contra o Espírito Santo”.

Caros fiéis,
Os fariseus ensinavam que no mundo havia dois espíritos em luta para governá-lo: um o espírito do bem – que é Deus – e o outro o espírito do mal – o dem6onio – e que o espírito do  mal estaria governando. Mas chegaria um tempo em que o espírito do bem haveria de vencer e libertaria o mundo do mal. Assim o lindo e poético texto de Isaías: “Israel, meu eleito, derramarei água no solo árido e torrentes na terra seca; derramarei o meu espírito sobre a tua descendência e a minha bênção sobre a sua prole… e então um dirá: Eu pertenço ao Senhor; e o outro tatuará no braço: Sou do Senhor!”(Is 44,2-5). O resultado do Espírito era a certeza da pertença e a fidelidade a toda prova ao Senhor.
O sonho do povo de Israel realiza-se: aí estava Jesus de Nazaré. Ele começara a sua vida pública exatamente com estas palavras: “O Espírito do Senhor está sobre mim, ele me ungiu para evangelizar os pobres e anunciar a libertação”(Lc 4,18). Seus gestos, seus sinais, suas palavras e doutrina se orientavam nessa direção. Curava os enfermos atacados pelas piores doenças, perdoava os pecados, expulsava os demônios. Essas obras “do espírito”os fariseus viam com os próprios olhos. Em vez de se abrirem à novidade divina, em vez de verem que era chegada a plenitude dos tempos, jogavam-lhe na cara que ele fazia essas obras pela força dos demônios. Aliás, como as obras de Jesus eram grandes, diziam que era pela força do chefe de todos os demônios que ele agia. Ao chefe dos demônios os fariseus chamavam com o nome de um deus cananeu: Belzebu, que significa o “deus do esterco”. Um ataque, portanto, violento e baixo a Jesus e as suas obras. Equiparar Deus ao Demônio é blasfêmia, porque atenta contra a santidade divina. A essa blasfêmia Jesus chama de “blasfêmia contra o Espírito Santo”.
Jesus nos chama a fazer parte da nova família de Deus, que ele mesmo fundou, não ligada pelos laços familiares, por maiores que fossem, que daria direito à pertença. Fazem parte da família de Deus, quem faz a vontade de Deus.

Caros fiéis,
São Paulo(2Cor 4,13-5,1) mostra a perspectiva escatológica do apostolado. Continuando o tema do dom passado, este trecho mostra a força do Espírito da fé, a força carismática, leva o apóstolo a testemunhar a sua fé, sustentada pela esperança do encontro escatológico com Cristo.
A existência cristã começa com a vitória radical sobre o mal e sobre satanás, no batismo. A vitória de Cristo pelos sacramentos nos anima sempre, em nossa vida, a ser toda a vida, como a de Cristo, de uma luta, um duelo com o mal e as potências do maligno.
Cristo vence o pecado! Cristo vence o demônio! Cristo inaugura um novo tempo da graça e da salvação. Assim vivamos a nossa vida renunciando sempre o pecado, fugindo as tentações do demônio, e procurando a via ordinária da santidade que brota do Redentor!

 

 

Sacerdote, o procurador da misericórdia de Deus

Confissão, ato em que você se acusa, mas não é condenado

Quem é que nunca ouviu alguém dizer: “Eu não vou me confessar com um homem, um pecador. Jamais!” Além dessas pessoas, existem outras que não se confessam por vergonha; outras, porque acham que não precisam. Enfim, os motivos são muitos, mas, de todos os motivos, o mais grave ou, talvez, que faça parte de todos os outros é a falta de conhecimento. O que você acha de conhecer a real importância da confissão?

Todo ser humano tem necessidade de compartilhar com outro sobre algo que está vivendo, sobretudo se é algo difícil, um erro, por exemplo. Já percebeu que quando você faz alguma coisa errada, sempre há alguém (às vezes a própria pessoa que praticou o erro com você) que você procura e lhe pede: “Não conta para ninguém”. Então, você fala tudo para essa pessoa. Não é verdade que, muitas vezes, depois de conversar, você se sente um pouco mais leve? É mais ou menos assim que acontece com a confissão, mas com algumas vantagens a mais.

A primeira vantagem da confissão é que você não precisa pedir sigilo ao padre, porque este não pode falar nada a ninguém, não importa o que aconteça. Segundo: quando você fala com uma pessoa qualquer, ainda continua com uma grande culpa pesando sobre você, mas quando você se confessa com o padre, na verdade, está se confessando com Jesus.

O sacerdote, no momento da confissão, é como um procurador. Quando alguém está doente e não pode ir ao banco nem resolver situações jurídicas, este faz uma procuração, e o procurador pode agir civilmente em nome do enfermo. Assim também é o sacerdote. Não importa se a pessoa que está com a procuração tem dinheiro no banco, o que importa mesmo é se quem fez a procuração tem dinheiro no banco; e para nós quem fez a procuração foi Jesus, e Este é riquíssimo em santidade e misericórdia; portanto, pecado confessado, com arrependimento no coração, é pecado perdoado. Além do mais, o Senhor mesmo nos disse para procurarmos os padres e a Igreja, a fim de nos confessarmos (cf. Jo 20,23).

Como dizia o nosso saudoso padre Léo: “Quem se confessa é absolvido, e quem não se confessa é absorvido”. Não seja mais absorvido pelo mal, pelo passado, pelos pecados; não espere a santidade do padre para se confessar, pois, por mais santo que ele possa ser, nunca poderá ter o poder por ele mesmo para perdoar você. O sacerdote é constituído e querido por Jesus, é o “procurador”, aquele quem tem a procuração da Misericórdia de Deus. Procure o padre, não tenha vergonha ou medo, pois a confissão é o ato por meio do qual você se acusa, mas não é acusado; expõe-se, mas não é exposto; pelas palavras, condena, mas não é condenado. Entra como réu confesso e sai absolvido pelo procurador da misericórdia do Senhor.

Pe. Sóstenes Vieira

Desenvolvido por Origy Networks – Criação de sites e propaganda