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III Domingo do Advento – Ano A

Por Mons. Inácio José Schuster

Evangelho segundo São Mateus 11, 2-11
Ora João, que estava no cárcere, tendo ouvido falar das obras de Cristo, enviou-lhe os seus discípulos com esta pergunta: «És Tu aquele que há-de vir, ou devemos esperar outro?» Jesus respondeu-lhes: «Ide contar a João o que vedes e ouvis: Os cegos vêem e os coxos andam, os leprosos ficam limpos e os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e a Boa-Nova é anunciada aos pobres. E bem aventurado aquele que não encontra em mim ocasião de escândalo.» Depois de eles terem partido, Jesus começou a falar às multidões a respeito de João: «Que fostes ver ao deserto? Uma cana agitada pelo vento? Então que fostes ver? Um homem vestido de roupas luxuosas? Mas aqueles que usam roupas luxuosas encontram-se nos palácios dos reis. Que fostes, então, ver? Um profeta? Sim, Eu vo-lo digo, e mais que um profeta. É aquele de quem está escrito: Eis que envio o meu mensageiro diante de ti, para te preparar o caminho. Em verdade vos digo: Entre os nascidos de mulher, não apareceu ninguém maior do que João Batista; e, no entanto, o mais pequeno no Reino do Céu é maior do que ele.

Neste terceiro domingo do Advento, João, da prisão e envolto em dúvidas, envia mensageiros a Jesus. És tu aquele que deveria vir ou devemos esperar outro? Neste mesmo evangelho, no capítulo terceiro, ele, em sua pregação, havia aludido a um mais forte que ele que viria depois. És tu aquele que deve vir ou devemos esperar outro? Dada a tendência do evangelista Mateus em cristianizar fortemente João Batista, é de se supor que esta dúvida fosse real e mortificasse os últimos dias da vida de João. Jesus não responde diretamente aos mensageiros. Nem mesmo, como o diz Lucas, realiza curas naquele exato momento. Manda que os discípulos façam a releitura do que ele já havia operado. E os leitores deste evangelho conhecem as obras de Jesus antecedentes a este capítulo que nos envolve hoje, o capítulo décimo primeiro. São o sermão da montanha e, sobretudo, os milagres narrados nos capítulos oitavo e nono. Ide dizer a João o que vistes e ouvistes e, no final, bem aventurado aquele que não se escandalizar de mim. Este texto hoje é lido no terceiro domingo do Advento e traz uma lição importante para nós. Há muitos cristãos que jamais se interessaram em saber quem é Jesus. Há muitos cristãos que jamais gastaram o seu tempo para ler uma página sequer de um sadio catecismo da Igreja Católica. Ide dizer a esta gente o que vistes e ouvistes. Ou então, modificando um pouquinho os termos, dizei a esta gente superficial,  e vítima eles próprios de sua própria superficialidade, que se informem um pouco melhor a respeito de Jesus; que leiam alguma coisa de profundo, de sério e de consistente a respeito de Jesus. Então, não mais na ignorância e não mais na superficialidade, poderão eles também, ou melhor, poderemos nós também, formar a nossa opinião a respeito de Jesus. Quando os discípulos vão-se, Jesus faz um elogio rasgado do Batista: Dentre os nascidos de mulher, não houve maior que João. No entanto, o menor no Reino dos céus é-lhe superior. Não se trata, evidentemente, de uma graduação moral. Mas, tudo somado, João ainda se situava no limiar do Antigo Testamento. E nós recebemos muito mais que o precursor. A nossa responsabilidade é, portanto bem maior.

 

«Entre os nascidos de mulher, não apareceu ninguém maior do que João Baptista; e, no entanto, o mais pequeno no Reino do Céu é maior do que ele.»
Homilia atribuída a Santo Hipólito de Roma (?-c. 235), presbítero e mártir
Sermão sobre a santa Teofania; PG 10, 852 (a partir da trad. Année en fêtes, Migne 2000, p.136 rev.)

Veneremos a compaixão de um Deus que veio salvar e não julgar o mundo. João, o percursor do Mestre, que até então desconhecia este mistério, logo que percebeu que Jesus era verdadeiramente o Senhor, clamou àqueles que tinham vindo pedir o batismo: «Raça de víboras» (Mt 3, 6), porque me olhais com tanta insistência? Eu não sou o Cristo. Sou um servo e não o Mestre. Sou um simples súbdito, não sou o rei. Sou uma ovelha, não o pastor. Sou um homem, não um Deus. Curei a esterilidade da minha mãe vindo ao mundo, mas não tornei fecunda a sua virgindade; fui tirado de baixo, não desci das alturas. Emudeci a língua do meu pai (Lc 1, 20), não manifestei a graça divina. […] Sou miserável e pequeno, mas depois de mim virá Aquele que é antes de mim (Jo 1, 30). Ele vem depois, no tempo; mas anteriormente estava na luz inacessível e inefável da divindade. «Aquele que vem depois de mim é mais poderoso do que eu e não sou digno de Lhe descalçar as sandálias. Ele há-de baptizar-vos no Espírito Santo e no fogo» (Mt 3, 11). Eu estou subordinado; Ele é livre. Eu estou sujeito ao pecado, Ele destrói o pecado. Eu ensino a Lei, Ele traz-nos a luz da graça. Eu prego como escravo, Ele legisla como mestre. Eu tenho por leito o chão, Ele os Céus. Eu dou-vos o baptismo do arrependimento, Ele dá a graça da adopção. «Ele há-de baptizar-vos no Espírito Santo e no fogo». Porque me venerais? Eu não sou o Cristo.

 

Alegrai-vos no Senhor!
Padre Donizete Heleno, Comunidade Canção Nova

Alegremo-nos todos no Senhor, pois Ele está próximo! O Advento nos pede uma preparação digna, plena de motivações, para esse acontecimento tão significativo. A Palavra de Deus exorta-nos neste domingo a expressar nossa alegria, pois o Senhor está para chegar! “Alegra-te, cheia de graça, porque o Senhor está contigo” (Lc 1, 28), diz o Anjo a Maria. A causa da alegria na Virgem é a proximidade de Deus. João Batista, ainda no ventre de Isabel, saltará de alegria, ante a proximidade do Messias. A alegria é ter Jesus no coração, a tristeza é perdê-lo. Esta é a marca deste terceiro domingo do Advento. Na liturgia deste domingo ainda contemplamos a figura de João Batista. No início do evangelho diz-se que este está preso. Podemos nos recordar qual o motivo desta prisão. “O rei Herodes, por ele repreendido por viver com a mulher de se irmão, lanço João na prisão” (Lc 3,18). O amor pela verdade levou João ao cárcere. A atitude de João nos inquieta. Como alguém que desde o ventre de sua mãe encontra-se com o Messias; que proclama em alta voz “preparai o caminho do Senhor”; que batiza o próprio Jesus; que ouve a voz do Pai confirmando “este é meu Filho amado, escutai-O”, pode duvidar que Jesus seja mesmo aquele que devia vir? A resposta é que João é um homem que tem expectativas messiânicas próprias do seu povo. Basta ver em seus discursos a ênfase que dá à necessidade da conversão, a radicalidade com que fala que “a pá já está pronta, a árvore que não der bom fruto será cortada e lançada ao fogo”, que “a palha seca queimará no fogo que não tem fim”. O messianismo que João conhece não corresponde ao de Jesus. Este apresenta o reino do amor, do perdão aos inimigos, do lugar dos pobres em espírito, dos que promovem a paz. E que alegria poder contemplar esta verdade neste domingo. Alegria de poder confiar no Deus da misericórdia que quer salvar a todos. A resposta que Jesus dá aos discípulos de João está na profecia de Isaías 61. Com certeza João reconhecerá nela os sinais que antecederiam a chegada do Messias. No elenco dos sinais vemos em último lugar “os pobres são evangelizados”. Com toda certeza o maior sinal do reino é um coração que acolhe Deus, um coração vazio das coisas deste mundo, mas, todo aberto à chegada do Messias. E este sinal ainda continua acontecendo na Igreja de Cristo. De modo particular no mistério da Eucaristia que hoje celebramos Cristo nos visita e nos alegra com sua presença. A nossa atitude hoje deve estar apoiada na primeira leitura desta liturgia. Com Isaías somos chamados a anunciar a todos que “fortaleçam suas mãos enfraquecidas, firmem seus joelhos debilitados, criem ânimo, não tenham medo, pois é Deus que vem para nos salvar”. Voltemos para nossas casas entoando louvores, pois o Salvador veio nos visitar. E esta alegria deve estar estampada em nossos rostos para contagiar a todos os que estão à nossa volta.

 

Não temais, eis o vosso Deus Depois de 700 anos a profecia se cumpre na pessoa de Jesus, ela se torna fato. “Jesus respondeu: Ide contar a João o que estais ouvindo e vendo: os cegos recuperam a vista, os paralíticos andam, os leprosos são curados, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam, os pobres são evangelizados. Feliz aquele que não se escandaliza por causa de mim”. Você que está sofrendo eu te digo: espera mais um pouco. Talvez o seu coração esteja ansioso para que a profecia se cumpra hoje, ou você pode voltar com ela cumprida hoje, quem sabe. Mas nesta tarde, eu quero dizer aquilo que Isaias disse a seu povo: “dizei aos que estão deprimidos: criai animo, não temais. Vede, é o nosso Deus” Não se deprima, não entre em pânico, espere o cumprimento da profecia. Nós precisamos cultivar a virtude da esperança. Quantos aqui no meio de nós gostaria de que as coisas fossem resolvidas hoje, mas a palavra esta dizendo: “não tenhais medo!”. A salvação está mais próxima de você hoje do que ontem, por isso não se deprima, não entre em pânico.

 

Este domingo é conhecido pelo nome de “Gaudete”, palavra latina que inicia a antífona de entrada deste dia: Alegrai-vos. Muitas vezes, estas antífonas dão o mote à celebração comunitária: hoje, é um convite à alegria que nos aparece também na primeira leitura. Hoje, inicia-se a segunda fase deste percurso pedagógico do Advento: o mistério da encarnação aparece mais explícito. Isaías e o evangelho, através do simbolismo usado, ajudam-nos a descobrir o Messias desejado. Para esta descoberta, é-nos pedida a paciência na segunda leitura. No domingo passado, refletimos no estilo de vida, na linguagem e no tema central da pregação de João Baptista. A sua pregação parecia ser ameaçadora, porque dizia para os fariseus e saduceus que não se podia escapar à justiça que estava iminente: “O machado já está posto à raiz das árvores”. A sua pregação tinha como finalidade preparar a humanidade para a justiça de Deus que seria posta em prática por Jesus Cristo. João Baptista foi preso por causa das suas convicções. Enviou a Jesus os seus discípulos com a pergunta: “És Tu Aquele que há-de vir ou devemos esperar outro?”. Jesus responde, convidando a observar o que está a acontecer: aqueles que são desprezados pela sociedade são atendidos, ou seja, recuperam a vista, a saúde, a audição, ressuscitam e recuperam a sua dignidade. Esta é a Justiça do Reino. É esta a justiça que os cristãos terão de praticar. Porém, não podemos esquecer que os milagres são sinais de uma realidade espiritual. É preciso, então, contemplar a ação libertadora do Messias numa dupla dimensão: a espiritual e a material. Esta é a nova forma de expressão da presença de Deus no meio dos homens e das mulheres. A missão de João foi preparar a vinda da justiça de Deus. Jesus afirma que João Baptista é o maior dos profetas, mas viver segundo os critérios do Reino é muito mais importante: “Mas o menor do Reino dos Céus é maior do que ele”. Esta é a missão para todos os que desejam viver no Reino: viver a justiça da misericórdia. Para esta missão, é muito importante a paciência. Como é necessário falar dela, quando à nossa volta há tanta falta desta virtude. Na segunda leitura, São Tiago, para nos falar da paciência, apresenta-nos o exemplo do lavrador que “espera pacientemente o precioso fruto da terra, aguardando a chuva temporã e tardia” e ano após ano conforma-se com a colheita, dependendo sempre do clima estável ou instável. A vida espiritual é muito parecida com esta imagem, especialmente no ambiente de comunidade paroquial. A falta de paciência e o desinteresse pelo o outro dificultam viver a esperança. Passa-se de um desejo para a ansiedade (querer o imediato das coisas). A paciência pelo encontro com Deus deve ser serena, tranquila, mesmo com momentos de sofrimento e de insegurança, mas nunca pode ser uma paciência passiva, porque supõe luta, trabalho, firmeza, sem perder a serenidade. As primeiras palavras da leitura de Isaías introduzem os aspectos importantes que o profeta quer salientar: “Alegrem-se o deserto e o descampado, rejubile e floresça a terra árida”. Estas palavras convidam-nos a encarar a realidade de outra maneira. O deserto, o lugar onde reina o mal, pode florescer. O combate contra o mal faz surgir uma nova realidade, aquela com a qual Jesus se identificava quando os discípulos de João lhe perguntavam pela sua identidade. Então, será com esta realidade que todos nos devemos identificar. Teriam que ser os nossos sinais de identidade, concretizados por Deus. A travessia do deserto é um trabalho pessoal, mas também é comunitário, ou seja, de toda a comunidade que caminha. E é muito importante ter a capacidade de, enquanto caminhamos, olhar o bem que surge e que floresce. Nem tudo é um jardim, mas pouco a pouco tudo se pode ir transformando. A alegria surge graças à fé. Não é algo banal, é um desejo de esperar o Amor, porque é com amor que Deus salva. Temos de aprender a maneira de amar de Deus e só assim viveremos com alegria. Há que fazer um exercício pessoal… que rosto temos? Não se trata de olhar os outros, mas de nos olharmos interiormente e ver se a alegria do amor de Deus habita em nós. A alegria existe, quando nos sentimos amados por Deus: “Aí está o vosso Deus”, vem para fazer justiça e dar a recompensa. Ele próprio vem salvar-nos”.

 

“Alegrai-vos sempre no Senhor… O Senhor está perto”
Por Dom Emanuele Bargellini, Prior do Mosteiro da Transfiguração

III Domingo do Advento – A
Leituras: Is 35, 1- 6a.10; Tg 5, 7 – 10; Mt 11, 2-11
“Gaudete” (Alegrai-vos) é o nome que a antiga liturgia romana dá ao terceiro domingo do Advento, derivando-o da primeira palavra da Antífona da Entrada. Este domingo nos introduz numa nova etapa do caminho do Advento e numa nova dimensão da espiritualidade deste tempo litúrgico e da vida cristã: a alegria e a paz. Ambas, quando autênticas, são dons messiânicos específicos que acompanham a salvação de Deus e que brotam do Espírito do Senhor e da conformação de si mesmos a Ele, graças a uma relação de intimidade progressiva com ele mesmo. Gostaria de tomar esta antífona da entrada como ponto de referência para iluminar a mensagem da liturgia da Palavra deste domingo no seu conjunto. A cor rosa dos paramentos litúrgicos, vestidos pelos ministros segundo uma antiga tradição, contribuem para destacar o caráter festivo da celebração. “Gaudete – Alegrai-vos sempre no Senhor… O Senhor está perto!”, canta a santa mãe Igreja com as palavras apaixonadas do apóstolo Paulo aos filipenses (Fl 4,4-5). São palavras dirigidas a uma comunidade cujos membros experimentam a incapacidade de se relacionar uns com os outros e com os acontecimentos da vida através do autêntico espírito dos discípulos de Jesus. São palavras repetidas hoje com ousadia e confiança para nós, que conhecemos as mesmas dificuldades e estamos sob o pesadelo dos muitos desafios que provêm da vida complicada de todos os dias. Para sair desta estrada sem rumo, Paulo indica aos filipenses o exemplo desafiador do próprio Cristo: estando na forma de Deus, Ele despojou a si mesmo tomando a condição de escravo, abaixou-se, tornando-se obediente até a morte sobre uma cruz, e por isso Deus o exaltou e o fez fonte e critério de vida nova para aqueles que o seguem (cf Fl 2,6-11). A proximidade do Senhor indicada por Paulo como razão de alegria e esperança é, antes de tudo, a abertura à sua amizade, a disponibilidade a partilhar seu estilo de vida e sua sorte. É abertura ao futuro e à vida segundo o projeto de Deus para nós. É espera ativa da sua vinda gloriosa, a qual faz assumir na vida cotidiana os sentimentos de confiança em Deus e de entrega ao seu amor e ao dos irmãos, sentimentos estes que caracterizaram Jesus até o dom de si mesmo. Quando a pessoa e a comunidade se abrem ao Senhor, completamente e com total confiança, e permitem que ele se torne o único guia da existência, tudo se transfigura: encontra-se a verdadeira paz e alegria. Numa certa maneira se antecipa a sua vinda gloriosa. Eis a surpresa e o paradoxo da experiência cristã! Eis o paradoxo do novo povo de Deus chamado e capacitado pelo Espírito a viver segundo o estatuto da nova aliança proclamado nas bem-aventuranças, vivenciado pelo próprio Jesus e entregue aos discípulos como fermento de nova humanidade (cf Mt 5, 1-12). Paz e alegria são dom de Deus e tarefa a ser cumprida pelos discípulos e discípulas de todo tempo. A alegria do discípulo não é algo de superficial e emocional, algo de individual e “intimístico”. Algo que nasce da autorrealização ou da ausência de dificuldades. Pelo contrário, é força do Espírito que alimenta a esperança e se traduz em testemunho e empenho em prol da comunidade. Faz o cristão enxugar as lágrimas do irmão que chora e transforma seu coração e seus braços nos do bom samaritano atento aos feridos e abandonados às margens das estradas da vida (cf Lc 10, 29-37). Entram em jogo as melhores energias da pessoa: “Ocupai-vos – acrescenta o apóstolo – com tudo o que é verdadeiro, respeitável, justo, puro, amável, honroso, tudo o que é virtude ou de qualquer modo mereça louvor” (Fl 4,7). A espera é dimensão que atravessa toda nossa existência pessoal, familiar, social, cultural. política. Mas surge uma pergunta radical: O que cada um de nós deve esperar de verdade como horizonte do seu caminho, para fundamentar sua luta de cada dia, suas expectativas, para não desanimar e perseverar frente aos atrasos e mesmo diante dos insucessos? A relação de intimidade na fé com o próprio Jesus é a fonte daquela alegria e paz de origem divina, que “ultrapassa todo entendimento humano” (Fl 4,7), e acompanha surpreendentemente os discípulos no caminho pessoal e ao longo da história. “Não fiqueis perturbados. Crede em Deus e crede em mim” (Jo 14,1). “Eu vos deixo a paz, eu vos dou a minha paz;  não vo-la dou como a dá o mundo. Não vos perturbeis nem vos acovardeis” (Jo 14,26). Partindo deste horizonte divino se assiste ao paradoxo evangélico da alegria de sofrer por e com Jesus. Desde os primeiros discípulos diante do tribunal de Jerusalém (At 5,41-42), até os intrépidos cristãos e cristãs, que ainda hoje em dia enfrentam com coragem e perseverança a perseguição e a morte por amor de Jesus. A sociedade secularizada, sem perspectivas espirituais e transcendentais, tenta responder ao inextinguível desejo de felicidade do coração humano oferecendo paraísos artificiais de breve duração: é o bem estar baseado na procura e no consumo incessante de bens materiais; é o poder e o dinheiro; é a corrida pelo sucesso social; é o culto pela própria imagem; são as drogas, etc. Mesmo um certo ativismo pastoral pode tornar-se busca inconsciente de um arremedo da alegria evangélica. Ninguém está imune contra os possíveis desvios do ânimo humano. O Advento nos indica o caminho certo para construir sobre a rocha a casa da felicidade e, ao mesmo tempo, a encontrar uma resposta para os desafios das armadilhas e dos sofrimentos que acompanham nossa peregrinação na fé. O Advento constitui uma verdadeira proposta alternativa de cultura e de civilização, fundada sobre a energia transformadora do Espírito que abre e dilata os corações à procura e à promoção do que é autenticamente humano, na medida em que se deixa construir sobre a relação profunda com Senhor. A carta de Tiago destaca como o dinamismo da espera e da esperança faz os cristãos ficarem firmes e criativos diante das vicissitudes da existência. Exemplos inspiradores desta atitude são o agricultor e os profetas. O agricultor tem a coragem de entregar a semente à terra e esperar com ânimo forte, com alegria antecipada, o tempo da colheita; embora exposta aos imprevistos das estacões. Os profetas do antigo testamento, por sua vez, experimentaram a profunda tensão determinada pela espera do cumprimento das promessas de Deus. Eles conseguiram somente vislumbrar de longe o que anunciavam e confiaram na fidelidade de Deus. Os cristãos são os sucessores dos profetas nesta vocação de reconhecer e testemunhar a novidade de Deus e a esperança, ainda escondidas nas frágeis contradições do presente. A dimensão profética inscrita no batismo felizmente voltou a ser colocada em destaque pelo Concílio Vaticano II, como parte integrante da identidade e da vocação de todo cristão e cristã. Recuperar esta consciência e esta atitude profética por parte dos cristãos hoje em dia se faz particularmente urgente, devido ao vazio espiritual e à falta de perspectivas capazes de darem sentido à existência e que afligem tantos homens e mulheres. Tarefa exaltante e desafiadora ao mesmo tempo. “O fato de sermos cristãos exige que tenhamos fé e esperança, mas a paciência é necessária para que elas possam dar seus frutos” (São Cipriano). “És tu, aquele que há de vir, ou devemos esperar um outro?”(Mt 11,3). João Batista é o exemplo de como deixar-se renovar na espera e na confiança em Deus. Ele é aquele que fez ressoar no deserto sua voz potente, convidando o povo à conversão para acolher o Messias de Deus. Ele é aquele que por fidelidade à sua missão desafia o potente Herodes arriscando a vida. Diante do “estilo inusitado” com que Jesus atua e prega a Boa Nova do Reino de Deus, fazendo-se próximo sobretudo aos pecadores e marginalizados de todo tipo e proclamando a misericórdia de Deus, João fica perplexo, pois Jesus parece caminhar num estilo messiânico bem diferente daquele que ele havia destacado (Mt 3,10-12). “És tu, aquele que há de vir, ou devemos esperar um outro?”. Jesus responde simplesmente mostrando que a potência transformadora do Reino está já operando, segundo a promessa de Deus (Is 35,5-10). É preciso somente se adequar ao estilo de Deus em Jesus: “Feliz aquele que não se escandaliza por causa de mim” (Mt 11,6). João vive dedicado totalmente à própria missão ao serviço de Jesus, apontando-o a seus discípulos como o Cordeiro de Deus destinado a tirar o pecado do mundo (Jo 21,29) e afirmando com lealdade de amigo: “É preciso que ele cresça e eu diminua” (Jo 3,30). Por isso Jesus o exalta como “mais do que profeta” e como o maior entre os homens (Mt 11,9-11). Mas surpreendentemente acrescenta que todo aquele que consegue entrar na lógica nova que Deus manifesta em Jesus “é maior do que João Batista”, pois vive afinado com o próprio Deus. Somos convidados a escutar com toda atenção o convite de João à conversão, mas também a segui-lo no caminho da sua própria conversão ao estilo de Deus e à esperança que o acompanha. É o caminho indicado por Jesus. Se seguirmos, todo deserto voltará a florescer e mesmo as histórias mais complicadas se abrirão a um novo futuro: “Alegre-se a terra que era deserta e intransitável, exulte a solidão e floresça como um lírio… Criai ânimo, não tenhais medo!” (Is 35,1;4).

 

TERCEIRO DOMINGO DO ADVENTO
Mt 11, 2-11 “És tu aquele que há de vir, ou devemos esperar outro?”

O tempo de Jesus era uma época de expectativas – dentro do sofrimento do povo, duramente reprimido pela ocupação romana e pela elite de Jerusalém, cresceu muito a esperança na vinda iminente de um Messias libertador, esperado há séculos. O primeiro século da nossa era foi marcado pelo aparecimento de muitos líderes populares, se propondo como Messias. Cada grupo da Palestina tinha as suas expectativas sobre como seria a pessoa e a atuação desse Messias prometido. João, o Batista, era figura importante no cenário religioso palestinense da época. Mt 3, 11-12 (o evangelho do Domingo passado) nos apresenta a imagem do Messias apresentado pelo Precursor. Mas, a atuação concreta de Jesus, conforme relatada em Mt 8-9 parecia destoar tanto dessa expectativa, que causava dúvidas na mente de muita gente. Jesus era realmente o Esperado, ou seria ele mais uma decepção para o povo? Jesus não se defende, explicando quem Ele é – pelo contrário, mostra que era o Messias, pelo que ele fazia! Usando textos do profeta Isaías, Ele mostra que o Reino de Deus chegou n’Ele, pois acontecem as obras de libertação que são características do Reino: com os mortos (Is 26, 19), os surdos (Is 29,18-19), os cegos, surdos, coxos e pobres (Is 35, 5-6), e o anúncio da Boa-Nova aos pobres (Is 61, 1). O messianismo de Jesus não se enquadrava dentro das expectativas de muitas pessoas que esperavam a derrota dos opressores, mas não vislumbravam um mundo novo baseado em solidariedade e justiça. Jesus veio estabelecer no meio de nós o Reino de Deus, fundamentado no conceito de “justiça” – o restabelecimento de relações corretas de cada pessoa com Deus, consigo mesmo, com o outro e com a natureza. Veio realmente criar novas relações – não somente velhas relações com os papéis invertidos, onde o oprimido vira opressor. Jesus sempre é questionador, pois Ele e o seu projeto desafiam as nossas expectativas. Para muitos, a proposta de Jesus era difícil demais, pois mexia com o seu comodismo. Ele era uma novidade total que não se enquadrava nos velhos esquemas – por isso diz “E feliz de quem não se escandalizar (cair) por cause de mim” (v 11). Hoje também a pessoa e o projeto de Jesus desafiam a todos – especialmente nós cristãos. Pois facilmente temos a nossa ideia de como deve ser a figura do Messias – triunfal, poderoso, milagreiro, que não mexe com as estruturas sociais, políticas e econômicas da sociedade, que não nos desafia para que criemos novas relações, na contramão da sociedade materialista, individualista e consumista. Muitos hoje preferem um Jesus “light” – que funciona como analgésico, que nos apazigua a consciência, que nos dá emoções fortes, mas que não nos joga na luta dura da criação de uma nova sociedade baseada nos princípios do Reino! E onde existe esse Reino? Existe onde se faz o que Jesus fazia – onde os mais excluídos estão integrados, os rejeitados estão acolhidos, a Boa-Nova de libertação total é pregada e vivenciada, e se faz a vontade de Jesus que veio “para que todos tenham a vida e a tenham em abundância” (Jo 10, 10). É este Jesus que aguardamos no Natal. Portanto, que Advento seja também tempo de purificação das falsas imagens d’Ele que talvez permeiem as nossas mentes. Pois só renasce Jesus onde as pessoas, sejam elas cristãs ou não, se comprometem com as mesmas metas dele, conforme o texto nos demonstra. Felizes de nós se essas exigências não sejam escândalo para nós. A novidade perene do Evangelho e de Jesus nos desafia a rompermos com os nossos velhos esquemas para que concretizemos nas nossas vidas a vinda do Reino.

 

Sociedade da Alegria
”Para nós, a santidade está em sermos muito alegres. Procuramos evitar o pecado que nos rouba a alegria do coração…”

“Nas minhas primeiras quatro classes – escreve Dom Bosco – tive de aprender, às minhas custas, a lidar com os colegas”. Apesar da severa vida cristã imposta pela escola – os meninos deviam até provar que tinham confessado -, havia alunos maus. ”Um deles foi tão descarado que me aconselhou a roubar a minha patroa para comprar balas”. João logo se afastou desses garotos, para não acabar como o rato nas garras do gato. Muito cedo, porém, seu sucesso possibilitou-lhe manter com eles um relacionamento diferente, de prestígio. Por que não aproveitar para fazer-lhes um pouco de bem? “Os companheiros que me queriam levar às confusões eram os mais desleixados no estudo – recorda -, e assim começaram a me pedir que os ajudasse nos deveres escolares”. Ajudou-os. Exagerou até, passando-lhes traduções completas por baixo da carteira. Foi pego num exame quando passava cola, e só conseguiu se salvar graças à amizade de um professor, que o obrigou a repetir a tradução de latim. “Conquistei os meus colegas, que começaram a me procurar durante os recreios. Antes por causa dos deveres escolares, depois para ouvir as minhas histórias e, por fim, sem motivo nenhum”. Juntos sentiam-se bem. Formaram uma espécie de clube. João batizou-o com o nome de “Sociedade da Alegria”. Deu-lhe um regulamento muito simples: 1- Nenhuma ação, nenhuma conversa indigna de cristão. 2- Cumprir os próprios deveres escolares e religiosos. 3- Alegria. A alegria será uma idéia fixa em Dom Bosco. Domingos Sávio, seu aluno predileto, chegará a dizer: – Para nós, a santidade está em sermos muito alegres. Procuramos evitar o pecado que nos rouba a alegria do coração. Para Dom Bosco, a alegria é a profunda satisfação que nasce de saber que estamos nas mãos de Deus e, portanto, em boas mãos. É a palavra que indica um grande valor: a esperança. “Em 1832 eu era o capitão de um pequeno exército”. Nos recreios, jogavam malha, andavam de pernas-de-pau, corriam. Eram partidas animadas e muito alegres. Quando se cansavam, João fazia mágicas. “Do copinho dos dados tirava uma centena de bolinhas coloridas; de um pote vazio, uma dúzia de ovos. Tirava bolas de vidro do nariz dos espectadores, adivinhava quanto dinheiro tinham no bolso e, com um simples toque de dedos, transformava em pó moedas de qualquer metal”. Como antes, em Becchi, toda aquela alegria terminava em oração. “Nos dias santos íamos à igreja de Santo Antônio, onde os jesuítas faziam uma catequese animada, cheia de histórias que ainda relembro”…
Trecho do livro ”Um sonho Uma vida” Terésio Bosco – Editora Salesiana

Rezar ao Deus da paz independente da religião

Terça-feira, 20 de setembro de 2016, Da Redação, com Rádio Vaticano

Na homilia de hoje, Papa comentou o espírito de paz que o leva até Assis, onde líderes religiosos estão reunidos em prol da paz

Antes de partir para Assis nesta terça-feira, 20, o Papa Francisco celebrou a Missa na capela da Casa Santa Marta. Na homilia, explicou com que espírito partiu para a cidade de São Francisco.

“Não existe um deus da guerra”, disse o Papa, explicando que a guerra, a desumanidade de uma bomba que explode fazendo mortos e feridos, fechando a estrada para a ajuda humanitária que não pode chegar até as crianças, aos idosos e aos doentes é obra do maligno, que quer matar todo mundo. Por isso, é necessário rezar, e também chorar pela paz, todas as religiões unidas na convicção de que “Deus é Deus de paz”.

“Hoje, homens e mulheres de todas as religiões, iremos a Assis. Não para fazer um espetáculo: simplesmente para rezar e rezar pela paz”, foram as primeiras palavras do Papa na homilia. E em todos os lugares, como pediu o Papa numa carta a todos os bispos, hoje foram organizados encontros de oração que convidam os cristãos, os fiéis e todos os homens e as mulheres de boa vontade, de qualquer religião, a rezar pela paz, já que – exclamou novamente o Papa – “o mundo está em guerra! O mundo sofre!”

“Hoje, a Primeira leitura termina assim: ‘Quem tapa os ouvidos ao clamor do pobre, também há de clamar, mas não será ouvido’. Se nós hoje fechamos os ouvidos ao clamor desta gente que sofre sob as bombas, que sofre a exploração dos traficantes de armas, pode ser que, quando caberá a nós, não obteremos respostas. Não podemos fechar os ouvidos ao grito de dor desses nossos irmãos e irmãs que sofrem pela guerra”.

A guerra começa no coração

O Papa afirmou que as pessoas não veem a guerra; elas até se assustam quando há algum ato de terrorismo, mas isso nada tem a ver com o que acontece naqueles países, naquelas terras onde dia e noite as bombas caem e matam crianças, idosos, homens e mulheres. “A guerra está distante? Não! Está muito perto, porque a guerra atinge a todos, a guerra começa no coração”.

“Que o Senhor nos dê paz ao coração, nos tire qualquer vontade de avidez, de cobiça, de luta. Não! Paz, paz! Que o nosso coração seja um coração de homem e mulher de paz. Além das divisões das religiões: todos, todos, todos! Porque todos somos filhos de Deus. E Deus é Deus de paz. Não existe um deus da guerra: aquele que faz a guerra é o maligno, é o diabo, que quer matar todos”.

Sentir vergonha

Diante disso não podem haver divisões de fé, reitera Francisco. Não basta agradecer a Deus porque talvez a guerra “não nos atinge”. Sim, agradeçamos por isso – disse – mas pensemos também nos outros.

“Pensemos hoje não somente nas bombas, nos mortos, nos feridos; mas também nas crianças e idosos a quem a ajuda humanitária não chega com alimentos e remédios. Estão famintos, doentes! Porque as bombas impedem isso. E, enquanto hoje rezamos, seria bom que cada um de nós sentisse vergonha. Vergonha disso: que os humanos, os nossos irmãos, sejam capazes de fazer isso. Hoje, dia de oração, de penitência, de lágrimas pela paz; dia para ouvir o grito do pobre. Este grito que abre nosso coração à misericórdia, ao amor e nos salva do egoísmo”.

Não adianta falar de paz se o coração está em guerra

Quinta-feira, 8 de setembro de 2016, Da Redação, com Rádio Vaticano

Papa retomou hoje Missa na Casa Santa Marta; na homilia, ênfase para a promoção da paz nas pequenas coisas

É preciso construir a paz a partir das pequenas coisas do dia a dia, explica o Papa / Foto: L’Osservatore Romano

O Papa Francisco retomou as Missas na Casa Santa Marta nesta quinta-feira, 8, após uma pausa devido ao período de verão. Na homilia, ele destacou a necessidade de pedir o dom da sabedoria para promover a paz nas pequenas coisas do cotidiano, pois é a partir de pequenos gestos que nasce a possibilidade de paz em escala global.

A paz não se constrói por meio de grandes consensos internacionais, ponderou o Papa. A paz é um dom de Deus que nasce em lugares pequenos, em um coração, por exemplo, ou em um sonho, como acontece a José, quando um anjo lhe diz que não deve ter medo de se casar com Maria, porque ela doará ao mundo o Emanuel, o “Deus conosco”. E o Deus conosco, diz o Papa, “é a paz”.

Deste ponto parte a reflexão, de uma liturgia que pronuncia a palavra “paz” desde a primeira oração. O que atrai a atenção de Francisco em particular é o verbo que se ressalta na oração da coleta, “que todos nós possamos crescer na unidade e na paz”. “Crescer” porque, destaca o Papa, a paz é um dom que tem seu caminho de vida e, portanto, cada um deve trabalhar para que este se desenvolva.

“Esta estrada de santos e pecadores nos diz que também nós devemos pegar este dom da paz e abrir-lhe caminho em nossa vida, fazê-lo entrar em nós, fazê-lo entrar no mundo. A paz não se constrói da noite para o dia; a paz é um dom, mas um dom que deve ser tomado e trabalhado todos os dias. Para isto, podemos dizer que a paz é um dom artesanal nas mãos dos homens. Somos nós, homens, todos os dias, que devemos dar um passo para a paz: é o nosso trabalho. É o nosso trabalho com o dom recebido: promover a paz”.

Guerra nos corações, guerra no mundo

O Papa questionou, então, como é possível atingir essa meta. Na liturgia do dia, explica, há uma outra palavra que fala de “pequenez”. Aquela da Virgem, da qual se festeja a Natividade, e também aquela de Belém, tão pequena que tampouco consta nos mapas, ressalta Francisco.

“A paz é um dom, é um dom artesanal que devemos trabalhar, todos os dias, mas trabalhá-lo nas pequenas coisas: nas pequenezes cotidianas. Não são suficientes os grandes manifestos pela paz, os grandes encontros internacionais se depois não se realiza esta paz no pequeno. Aliás, tu podes falar da paz com palavras esplendidas, fazer uma grande conferência… Mas se no teu pequeno, no teu coração não há paz, na tua família não há paz, no teu bairro não há paz, no teu trabalho não há paz, não haverá tampouco no mundo”.

É preciso pedir a Deus, sugere o Papa, a graça da sabedoria de promover a paz nas pequenas coisas cotidianas, mas mirando ao horizonte de toda a humanidade, justamente hoje, repetiu o Papa, quando se vive uma guerra e todos pedem a paz.

“Como está teu coração hoje? Está em paz? Se não está em paz, antes de falar de paz, coloca teu coração em paz. Como está a tua família hoje? Está em paz? Se não és capaz de levar adiante a tua família, o teu presbitério, a tua congregação, levá-la adiante em paz, não bastam palavras de paz para o mundo… Esta é a pergunta que hoje gostaria de fazer: como está o coração de cada um de nós? Está em paz? Como está a família de cada um de nós? Está em paz? É assim, não? Para chegar a um mundo em paz”.

XX Domingo do Tempo Comum, Ano C

EU VIM TRAZER A DIVISÃO À TERRA
Jeremias 38, 4-6.8-10; Hebreus 12, 1-4; Lucas 12, 49-57
Frei Raniero Cantalamessa, OFM Cap.

A passagem do Evangelho desse domingo contém algumas das palavras mais provocadoras pronunciadas por Jesus: «Pensais que eu vim trazer a paz à terra? Pelo contrário, eu vos digo, vim trazer a divisão. Pois daqui em diante, numa família de cinco pessoas, três ficarão divididas contra duas e duas contra três; ficarão divididos: pai contra filho e filho contra pai; mãe contra filha e filha contra mãe; sogra contra nora e nora contra sogra».
E pensar que quem diz essas palavras é a mesma pessoa cujo nascimento foi saudado com as palavras: «Paz na terra aos homens», e que durante sua vida havia proclamado: «Bem-aventurados os que trabalham pela paz»! A mesma pessoa que, no momento de sua prisão, ordenou a Pedro: «Coloque a espada na bainha!» (Mt 26, 52)! Como se explica esta contradição?
É muito simples. Trata-se de ver qual é a paz e a unidade que Jesus veio trazer e qual é a paz e a unidade que veio suprimir. Ele veio trazer a paz e a unidade no bem, a que conduz à vida eterna, e veio tirar essa falsa paz e unidade que só serve para adormecer as consciências e levar à ruína.
Não é que Jesus tenha vindo propositalmente para trazer a divisão e a guerra, mas de sua vinda resultará inevitavelmente divisão e contraste, porque Ele situa as pessoas ante a disjuntiva. E ante a necessidade de decidir-se, sabe-se que a liberdade humana reagirá de forma variada. Sua palavra e sua própria pessoa trarão à luz o que está mais oculto no profundo do coração humano. O ancião Simeão o havia predito ao tomar Jesus Menino nos braços: «Este está colocado para queda e elevação de muitos em Israel, e para ser sinal de contradição, a fim de que fiquem ao descoberto as intenções de muitos corações» (Lucas 2, 35).
A primeira vítima dessa contradição, o primeiro em sofrer a «espada» que veio trazer à terra, será precisamente Ele, que neste choque perderá a vida. Depois d’Ele, a pessoa mais diretamente envolvida neste drama é Maria, sua Mãe, a quem, de fato, Simeão, naquela ocasião, disse: «Uma espada te transpassará a alma».
Jesus mesmo distingue os dois tipos de paz. Diz aos apóstolos: «Deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz. Não é à maneira do mundo que eu a dou. Não se perturbe, nem se atemorize o vosso coração» (João 14, 27). Depois de ter destruído, com sua morte, a falsa paz e solidariedade do gênero humano no mal e no pecado, inaugura a nova paz e unidade que é fruto do Espírito. Esta é a paz que oferece aos apóstolos na tarde da Páscoa, dizendo: «Paz a vós!».
Jesus diz que esta «divisão» pode ocorrer também dentro da família: entre pai e filho, mãe e filha, irmão e irmã, nora e sogra. E lamentavelmente sabemos que isso às vezes é certo e doloroso. A pessoa que descobriu o Senhor e quer segui-lo seriamente se encontra com freqüência na difícil situação de ter de escolher: ou contentar aos de casa e descuidar Deus e as práticas religiosas, ou seguir estas e estar em contraste com os seus, que lhe jogam na cara cada minuto que dedica a Deus e às práticas de piedade.
Mas o choque chega também mais profundamente, dentro da própria pessoa, e se configura como luta entre a carne e o espírito, entre o clamor do egoísmo e dos sentidos e o da consciência. A divisão e o conflito começam dentro de nós. Paulo o explicou de forma maravilhosa: «A carne de fato tem desejos contrários ao Espírito e o Espírito tem desejos contrários à carne; estas coisas se opõem reciprocamente, de maneira que não fazeis o que gostaríeis».
O homem está apegado à sua pequena paz e tranqüilidade, ainda que seja precária e ilusória, e esta imagem de Jesus que vem trazer o desconcerto poderia indispô-lo e levá-lo a considerar Cristo como um inimigo de sua quietude. É necessário tentar superar esta impressão e perceber que também isso é amor por parte de Jesus, talvez o mais puro e genuíno.

Como lido com as opiniões a meu respeito?

A habilidade de conhecer-se é importante

Quando você ouve as pessoas falarem sobre você, qual sua primeira reação? Quais os sentimentos que surgem em você quando recebe uma crítica, por exemplo?

Ao falar sobre autoestima positiva, ressaltamos como é importante reconhecer em nós nossas qualidades e pontos fracos, saber bem quem somos para que, ao ouvir um comentário a nosso respeito, possamos, de fato, amadurecer sobre as situações ocorridas.

Ao ouvir uma crítica a nosso respeito, vale muito a pena pensar: “O que está envolvido naquela crítica?”, “Existe alguma verdade naquilo?”. Claro que existem pessoas que são especialistas em apenas criticar e, muitas vezes, não estão bem consigo, então disparam comentários a todo momento.

Se falam de mim, posso pensar: “Existe algum aprendizado nisso?”. Falo isso especialmente quando um comentário nos irrita, quando nos tira a paz. Certamente, você já viveu essa situação. Por isso a habilidade de conhecer-se é tão importante. Quanto mais entendemos nossas reações, melhor podemos lidar com elas quando passamos por esta situação.

Muitas vezes, em nossa vida somos criticados desde pequenos. Quando isso ocorre, já temos uma certa sensibilidade ou ainda nos tornamos muito inseguros; qualquer coisa que se diga a nosso respeito, já é motivo para um mal estar e até mesmo uma dificuldade de questionar os motivos daquela crítica.

A força do diálogo e a coragem de perguntar nos aproxima do outro e, com isso, propicia uma melhor compreensão das situações que para nós são motivos de insegurança. Imagina se você se sente mal com algo em sua aparência, no modo de falar ou de cuidar dos filhos, por exemplo, e você é alertado por alguém que conheça? Poxa, isso pode lhe dar uma imensa dor de cabeça e preocupação!

Por um momento, deixe o sentimento de lado e observe o conteúdo do que lhe foi dito; a partir daí, entender os motivos será um pouco mais fácil.

Ao formar os filhos é também um ato de amor e cuidado ensiná-los a enfrentar as diferenças, lidar com os amigos e com aqueles que podem não gostar deles, e claro, com as críticas. Às vezes, como pais, protege-se tanto o filho que não se admite que sejam apontados, comentados, enfim, evita-se, isola-se, estimula-se a competição e não se prepara a criança para lidar com o mundo real.

Quando nos abrimos a ouvir o que o outro fala a nosso respeito, ganhamos a oportunidade de estarmos olhando para nossa vida, excluindo os fatos irreais, mas tendo a grande chance de fazer diferente.

Elaine Ribeiro
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Santo Evangelho (Mt 10, 34-11, 1)

15ª Semana Comum – Segunda-feira 11/07/2016

Primeira Leitura (Is 1,10-17)
Leitura do Livro do Profeta Isaías.

10Ouvi a palavra do Senhor, magistrados de Sodoma, prestai ouvidos ao ensinamento do nosso Deus, povo de Gomorra. 11Que me importa a abundância de vossos sacrifícios? — diz o Senhor. Estou farto de holocaustos de carneiros e de gordura de animais cevados; do sangue de touros, de cordeiros e de bodes, não me agrado. 12Quando entrais para vos apresentar diante de mim, quem vos pediu para pisardes os meus átrios? 13Não continueis a trazer oferendas vazias! O incenso é para mim uma abominação! Não suporto lua nova, sábado, convocação de assembleia: iniquidade com reunião solene! 14Vossas luas novas e vossas solenidades, eu as detesto! Elas são para mim um peso, estou cansado de suportá-las. 15Quando estendeis as vossas mãos, escondo de vós os meus olhos. Ainda que multipliqueis a oração, eu não ouço: Vossas mãos estão cheias de sangue! 16Lavai-vos, purificai-vos. Tirai a maldade de vossas ações de minha frente. Deixai de fazer o mal! 17Aprendei a fazer o bem! Procurai o direito, corrigi o opressor. Julgai a causa do órfão, defendei a viúva.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Responsório (Sl 49)

— A todo homem que procede retamente, eu mostrarei a salvação que vem de Deus.
— A todo homem que procede retamente, eu mostrarei a salvação que vem de Deus.

— Eu não venho censurar teus sacrifícios, pois sempre estão perante mim teus holocaustos; não preciso dos novilhos de tua casa nem dos carneiros que estão nos teus rebanhos.

— “Como ousas repetir os meus preceitos e trazer minha Aliança em tua boca? Tu que odiaste minhas leis e meus conselhos e deste as costas às palavras dos meus lábios!

— Diante disso que fizeste, eu calarei? Acaso pensas que eu sou igual a ti? É disso que te acuso e repreendo e manifesto essas coisas aos teus olhos”.

— Quem me oferece um sacrifício de louvor, este sim é que honra de verdade. A todo homem que procede retamente eu mostrarei a salvação que vem de Deus.

 

Evangelho (Mt 10,34-11,1)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 10,34“Não penseis que vim trazer a paz à terra; não vim trazer a paz, mas sim a espada. 35De fato, vim separar o filho de seu pai, a filha de sua mãe, a nora de sua sogra. 36E os inimigos do homem serão os seus próprios familiares. 37Quem ama seu pai ou sua mãe mais do que a mim, não é digno de mim. Quem ama seu filho ou sua filha mais do que a mim, não é digno de mim. 38Quem não toma a sua cruz e não me segue, não é digno de mim. 39Quem procura conservar a sua vida vai perdê-la. E quem perde a sua vida por causa de mim vai encontrá-la. 40Quem vos recebe a mim recebe; e quem me recebe, recebe aquele que me enviou. 41Quem recebe um profeta, por ser profeta, receberá a recompensa de profeta. E quem recebe um justo, por ser justo, receberá a recompensa de justo. 42Quem der, ainda que seja apenas um copo de água fresca, a um desses pequeninos, por ser meu discípulo, em verdade vos digo: não perderá a sua recompensa”. 11,1Quando Jesus acabou de dar essas instruções aos doze discípulos, partiu daí, a fim de ensinar e pregar nas cidades deles.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

 

A IGREJA CATÓLICA CELEBRA E VENERA HOJE
São Bento, vida de oração e meditação

Dedicou-se à vida de oração, meditação e aos diversos exercícios para a santidade

Abade vem de “Abbá”, que significa pai, e isto o santo de hoje bem soube ser do monaquismo ocidental. São Bento nasceu em Núrcia, próximo de Roma, em 480, numa nobre família que o enviou para estudar na Cidade Eterna, no período de decadência do Império.

Diante da decadência – também moral e espiritual – o jovem Bento abandonou todos os projetos humanos para se retirar nas montanhas da Úmbria, onde dedicou-se à vida de oração, meditação e aos diversos exercícios para a santidade. Depois de três anos numa retirada gruta, passou a atrair outros que se tornaram discípulos de Cristo pelos passos traçados por ele, que buscou nas Regras de São Pacômio e de São Basílio uma maneira ocidental e romana de vida monástica. Foi assim que nasceu o famoso mosteiro de Monte Cassino.

A Regra Beneditina, devido a sua eficácia de inspiração que formava cristãos santos por meio do seguimento dos ensinamentos de Jesus e da prática dos Mandamentos e conselhos evangélicos, logo encantou e dominou a Europa, principalmente com a máxima “Ora et labora”. Para São Bento a vida comunitária facilitaria a vivência da Regra, pois dela depende o total equilíbrio psicológico; desta maneira os inúmeros mosteiros, que enriqueceram o Cristianismo no Ocidente, tornaram-se faróis de evangelização, ciência, escolas de agricultura, entre outras, isso até mesmo depois de São Bento ter entrado no céu com 67 anos.

São Bento, rogai por nós!

Você crê em milagres?

Segundo o Papa Bento XVI, “o Espírito Santo é Aquele que vivifica a Igreja e nos impulsiona a grandes prodígios”.

O cardeal Franc Rode faz um paralelo sobre a ação do Espírito Santo quando diz que “Ele é como a eletricidade que se manifesta de diversas maneiras, gerando luz, som, calor, etc. Mas ela não anda sozinha; são necessários fios condutores. Se desligarmos a tomada, acabará a energia elétrica. Acontece o mesmo com o Espírito Santo, que se utiliza de uma rede de pessoas repletas d’Ele, que manifestam os dons: ora é uma palavra de sabedoria, ora de profecia; ora é uma cura e ora é um milagre. Sempre de acordo com a vontade do Senhor e a necessidade do povo”.

Mas então, tais fatos, serão sempre milagres?
Sobre isso, o Catecismo da Igreja Católica traz uma explicação: “Os milagres fortificam a fé naquele que realiza as obras de seu Pai; testemunham que Ele é o Filho de Deus. Não se destinam a satisfazer a curiosidade e os desejos mágicos. Ao libertar certas pessoas dos males terrestres da fome, da injustiça, da doença e da morte, Jesus operou sinais messiânicos; não veio, no entanto, para abolir todos os males da terra, mas para libertar os homens da mais grave das escravidões, a do pecado, que os entrava em sua vocação de filhos de Deus e causa todas as suas escravidões humanas” (§548 e §549).

Foi exatamente isso que Cristo quis ensinar ao atender pessoas em busca de milagres e prodígios. Sempre me impressionou um fato narrado pelo evangelista Mateus. Um grupo de amigos leva um paralítico a Jesus para que o cure. O Senhor, porém, aparenta não entender e oferece ao doente a liberdade e a paz, por meio do perdão dos pecados, coisa que ninguém havia pedido.

Para Deus, a saúde física tem sentido se existe a saúde espiritual: “Para que se saiba que o Filho do Homem tem autoridade na terra para perdoar pecados – disse, então, ao paralítico –, levanta-te, toma a tua maca e vai para casa!” (Mt 9, 6).

Os milagres visam sempre o amadurecimento na fé, o crescimento na santidade e a decisão de fazer da própria vida um serviço aos irmãos. Foi o que fez a sogra de Pedro: ao ser curada por Jesus, “ela se levantou e se pôs a servir” (Mc 1, 31).

Não se trata de milagres, ou seja, de intervenções divinas, se o que se tem em vista são apenas caprichos e vaidades. Aliás, mesmo que Deus atendesse a todos os pedidos que fazemos, nunca estaríamos saciados, haveria sempre uma queixa e, na melhor das hipóteses, ao fim da vida, como diz o salmo 49, “seria semelhante ao gado gordo pronto para o matadouro”.

Santo Evangelho (Jo 20, 19-31)

2º Domingo da Páscoa – 03/04/2016 – Ano C

Primeira Leitura (At 5, 12-16)
Leitura dos Atos dos Apóstolos:

12Muitos sinais e maravilhas eram realizados entre o povo pelas mãos dos apóstolos. Todos os fiéis se reuniam, com muita união, no Pórtico de Salomão. 13Nenhum dos outros ousava juntar-se a eles, mas o povo estimava-os muito. 14Crescia sempre mais o número dos que aderiam ao Senhor pela fé; era uma multidão de homens e mulheres. 15Chegavam a transportar para as praças os doentes em camas e macas, a fim de que, quando Pedro passasse, pelo menos a sua sombra tocasse alguns deles. 16A multidão vinha até das cidades vizinhas de Jerusalém, trazendo doentes e pessoas atormentadas por maus espíritos. E todos eram curados.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Responsório (Sl 117)

— Dai graças ao Senhor, porque ele é bom! “Eterna é a sua misericórdia!”
— Dai graças ao Senhor, porque ele é bom! “Eterna é a sua misericórdia!”

— A casa de Israel agora o diga:/ “Eterna é a sua misericórdia!’/ A casa de Aarão agora o diga:/ “Eterna é a sua misericórdia!”/ Os que temem o Senhor, agora o digam:/ “Eterna é a sua misericórdia!”

— “A pedra que os pedreiros rejeitaram/ tornou-se agora pedra angular./ Pelo Senhor é que foi feito tudo isso:/ Que maravilhas ele fez a nossos olhos!/ Este é o dia que o Senhor fez para nós,/ Alegremo-nos e nele exultemos!

— Ó Senhor, dai-nos a vossa salvação,/ ó Senhor,/ dai-nos também prosperidade!”/ Bendito seja, / em nome do Senhor,/ aquele que em seus átrios vai entrando!/ Desta casa do Senhor vos bendizemos./ Que o Senhor e nosso Deus nos ilumine!

 

Segunda Leitura (Ap 1,9-11a.12-13.17-19)
Leitura do Livro do Apocalipse de São João:

9Eu, João, vosso irmão e companheiro na tribulação, e também no reino e na perseverança em Jesus, fui levado à ilha de Patmos, por causa da Palavra de Deus e do testemunho que eu dava de Jesus. 10No dia do Senhor, fui arrebatado pelo Espírito e ouvi atrás de mim uma voz forte, como de trombeta, 11aa qual dizia: “O que vais ver, escreve-o num livro”. 12Então voltei-me para ver quem estava falando; e ao voltar-me, vi sete candelabros de ouro. 13No meio dos candelabros havia alguém semelhante a um “filho de homem”, vestido com uma túnica comprida e com uma faixa de ouro em volta do peito. 17Ao vê-lo, caí como morto a seus pés, mas ele colocou sobre mim sua mão direita e disse: “Não tenhas medo. Eu sou o Primeiro e o Último, 18aquele que vive. Estive morto, mas agora estou vivo para sempre. Eu tenho a chave da morte e da região dos mortos. 19Escreve pois o que viste, aquilo que está acontecendo e que vai acontecer depois”.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Anúncio do Evangelho (Jo 20,19-31)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo João.
— Glória a vós, Senhor.

19Ao anoitecer daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas, por medo dos judeus, as portas do lugar onde os discípulos se encontravam, Jesus entrou e, pondo-se no meio deles, disse: “A paz esteja convosco”. 20Depois dessas palavras, mostrou-lhes as mãos e o lado. Então os discípulos se alegraram por verem o Senhor. 21Novamente, Jesus disse: “A paz esteja convosco. Como o Pai me enviou, também eu vos envio”. 22E, depois de ter dito isso, soprou sobre eles e disse: “Recebei o Espírito Santo. 23A quem perdoardes os pecados, eles lhes serão perdoados; a quem os não perdoardes, eles lhes serão retidos”. 24Tomé, chamado Dídimo, que era um dos doze, não estava com eles quando Jesus veio. 25Os outros discípulos contaram-lhe depois: “Vimos o Senhor!” Mas Tomé disse-lhes: “Se eu não vir a marca dos pregos em suas mãos, se eu não puser o dedo nas marcas dos pregos e não puser a mão no seu lado, não acreditarei”. 26Oito dias depois, encontravam-se os discípulos novamente reunidos em casa, e Tomé estava com eles. Estando fechadas as portas, Jesus entrou, pôs-se no meio deles e disse: “A paz esteja convosco”. 27Depois disse a Tomé: “Põe o teu dedo aqui e olha as minhas mãos. Estende a tua mão e coloca-a no meu lado. E não sejas incrédulo, mas fiel”. 28Tomé respondeu: “Meu Senhor e meu Deus!” 29Jesus lhe disse: “Acreditaste, porque me viste? Bem-aventurados os que creram sem terem visto!” 30Jesus realizou muitos outros sinais diante dos discípulos, que não estão escritos neste livro. 31Mas estes foram escritos para que acrediteis que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais a vida em seu nome.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

 

A IGREJA CATÓLICA CELEBRA E VENERA HOJE
São Ricardo, santificou nos mosteiros

Com alegria contemplamos a vida de santidade do nosso irmão da fé São Ricardo, que hoje brilha no Céu como intercessor de todos os irmãos que peregrinam na Igreja terrestre.

Nascido em 1197, era pobre, teve dificuldade de estudar e perdeu muito cedo seus pais. No seu tempo, Ricardo começou a ver a ignorância e superstição; ambição dos nobres; luxo do clero; regalismo do trono e decadência da vida monástica. Diante de sua realidade, não se entregou a murmurações e desânimos, mas como professor e reitor da Universidade de Oxford decidiu-se pela santidade, a fim de ser instrumento de renovação da Igreja na Inglaterra.

Unido aos frades franciscanos e dominicanos, Ricardo fez de tudo, – como leigo, sacerdote e bispo ordenado pelo Papa – para reverter a resistência do rei que não queria a sua ordenação e, de toda situação triste que acabava atingindo duramente o povo.

São Ricardo, até entrar na Casa do Pai com 56 anos, por dois anos coordenou sua diocese clandestinamente, visitando pobres, doentes e fazendo de tudo para evangelizar e ajudar na santificação dos mosteiros, clero e nobres ingleses, isto principalmente depois que o rei se dobrou sob ameaça de excomunhão do Papa.

São Ricardo, rogai por nós!

O sentido cristão do sexo

Antes de tudo o casal cristão precisa conhecer bem o sentido do sexo no plano de Deus. Ele o quis. De todas as alternativas possíveis que Deus poderia ter empregado para gerar e manter a espécie humana, Ele escolheu a relação física e espiritual do amor conjugal. Deus quis que o casal humano fosse o arquétipo da humanidade, e que sua geração fosse por meio da via sexual.

Além disso, por meio deste ato, quis aprofundar o amor do casal. Então, a conclusão a que se chega, é que Deus não só inventou o sexo, mas o dotou de profunda dignidade e sentido, e por isso colocou normas para ser vivido de maneira correta, para que não causasse desajustamento e sofrimento.

Deus quis que o ser humano fosse material e espiritual, algo como uma síntese bela do animal que apenas tem corpo, com o anjo que apenas é espírito.

E dotando-o de corpo quis que o homem fosse sexuado como os animais; porém, a sua vida sexual devia ser guiada não pelo instinto, como nos animais, mas, pela alma, e iluminada pela inteligência, embelezada pela liberdade, conduzida pela vontade e vivida no amor.

A vida sexual é algo muito sublime no plano de Deus; por isso, jamais um casal deve pensar que Deus esteja longe no momento de sua união mais íntima; pois este ato é santo e santificador no casamento e querido por Deus.

O amor conjugal tem um sentido único; o amor entre dois seres do mesmo sexo, como, por exemplo, pai e filho ou dois amigos, não contém a complementação no plano físico. O uso do sexo no seu devido lugar, no casamento, bem entendido nos seus aspectos espiritual e psicológico, é um dos atos mais nobres e significativos que o ser humano pode realizar; pois ele é a fonte da vida e da celebração do amor. A virtude da castidade, mais do que consistir na renúncia ao sexo, significa o seu uso adequado.

Diz o Dr. Alphone H. Clemens, Diretor do Centro de Aconselhamento da Universidade Católica da América, Washington, D.C., sobre o ato sexual:

“É um ato de grande beleza e profunda significação espiritual, pois o amor conjugal entre dois cristãos em estado de graça, é uma fusão de dois corpos que são templos da Trindade, e uma fusão de duas almas que participam da mesma Vida Divina… Por outro lado, usado com propriedade, torna-se uma fonte de união, harmonia, paz e ajustamento. Intensifica o amor entre o esposo e a esposa, e funciona como escudo contra a infidelidade e incontinência. A personalidade humana integral, mesmo nos seus aspectos sobrenaturais, é enriquecida pelo sexo, uma vez que o ato do amor conjugal também é merecedor de graças” (Clemens, 1969, p. 175).

Afirma Raoul de Gutchenere, em “Judgment on Birth Control” que:

“Foi reconhecido há já bastante tempo, que […] as relações sexuais produzem efeitos psicológicos profundos, especialmente sobre a mulher”, uma vez que o esperma absorvido por seu corpo, desempenha um papel dinamogênico, promovendo o equilíbrio. De modo geral, o ato de amor conjugal provoca o relaxamento, vigor, autoconfiança, satisfação, sensação geral de bem estar, sensação de segurança e uma disposição que conduz ao esquecimento de atritos e tensões de menor importância entre o casal” (Apud Clemens, p. 177).

Não é à toa que São Paulo, há 2000 anos já recomendava aos cônjuges cristãos: “não vos recuseis um ao outro… afim de que Satanás não vos tente” (1Cor 7,5).

A recusa do sexo sem motivo pode representar não apenas uma injustiça para com o cônjuge, mas também o perigo de o expor à infidelidade e o casamento ao fracasso. Isso mostra que os casais não devem ficar muito tempo separados quaisquer que sejam os motivos, especialmente por razões menores. O afastamento prolongado deles pode gerar uma situação de estresse especialmente para o homem. Alguns conseguem superar essa abstinência sexual forçada com uma sublimação religiosa, mas nem todos tem a mesma disposição.

No entanto, é preciso dizer que os especialistas mostram em suas pesquisas que “outros fatores que não o sexo são mais importantes para a felicidade matrimonial”, uma vez que muitos casais superam seus problemas e angústias com um amor autêntico.

Prof. Felipe Aquino
Trecho retirado do livro: A vida sexual no casamento – Editora Cléofas

Não se pode pensar em uma Igreja sem alegria, diz Papa

Homilia na Casa Santa Marta, terça-feira, 3 de dezembro  de 2013, Da Redação, com Rádio Vaticano

Na homilia desta manhã, Papa falou de paz e alegria, destacando a necessidade de uma Igreja alegre no anúncio de Cristo

A Igreja deve ser sempre alegre como Jesus, disse o Papa Francisco, na Missa celebrada nesta terça-feira, 3, na Casa Santa Marta. O Pontífice destacou que a Igreja é chamada a transmitir a alegria do Senhor aos seus filhos, pois é ela quem lhes dá a verdadeira paz.

A homilia do Santo Padre concentrou-se no binômio paz e alegria. Da primeira leitura, vinda do Livro do profeta Isaías, ele observou o desejo de paz que todos têm. Trata-se de uma paz que, como diz o profeta, nos levará a Cristo. Do Evangelho, Francisco destacou que se pode ver um pouco da alma de Jesus, do Seu coração alegre.

Este lado de Jesus nem sempre é alvo do pensamento dos fiéis, observou Francisco, dizendo que é comum pensarmos em Cristo rezando, curando, caminhando, mas não há o hábito de pensarmos n’Ele sorrindo, alegrando-se. Mas Cristo era cheio de alegria interior, a mesma que Ele dá a cada um de nós.

“Esta alegria é a verdadeira paz. Não uma paz estática, quieta, tranquila. A paz cristã é alegre, porque o nosso Senhor é alegre, também quando fala de Deus. Ele ama tanto o Pai que não pode falar d’Ele sem alegria”.

E sendo alegre, Jesus quis que a Igreja também o fosse. Dessa forma, o Santo Padre disse que não se pode pensar em uma Igreja sem alegria. Ele recordou as palavras do Papa Paulo VI, que dizia que a alegria da Igreja é evangelizar.

“Mesmo na sua viuvez – porque a Igreja tem uma parte de viúva que espera o seu Esposo voltar –,  a Igreja é alegre na esperança. O Senhor dê a todos nós esta alegria de Jesus, louvando ao Pai no Espírito. Esta alegria da nossa mãe Igreja na evangelização, no anunciar o seu Esposo”.

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