Tag: paz

Como lido com as opiniões a meu respeito?

A habilidade de conhecer-se é importante

Quando você ouve as pessoas falarem sobre você, qual sua primeira reação? Quais os sentimentos que surgem em você quando recebe uma crítica, por exemplo?

Ao falar sobre autoestima positiva, ressaltamos como é importante reconhecer em nós nossas qualidades e pontos fracos, saber bem quem somos para que, ao ouvir um comentário a nosso respeito, possamos, de fato, amadurecer sobre as situações ocorridas.

Ao ouvir uma crítica a nosso respeito, vale muito a pena pensar: “O que está envolvido naquela crítica?”, “Existe alguma verdade naquilo?”. Claro que existem pessoas que são especialistas em apenas criticar e, muitas vezes, não estão bem consigo, então disparam comentários a todo momento.

Se falam de mim, posso pensar: “Existe algum aprendizado nisso?”. Falo isso especialmente quando um comentário nos irrita, quando nos tira a paz. Certamente, você já viveu essa situação. Por isso a habilidade de conhecer-se é tão importante. Quanto mais entendemos nossas reações, melhor podemos lidar com elas quando passamos por esta situação.

Muitas vezes, em nossa vida somos criticados desde pequenos. Quando isso ocorre, já temos uma certa sensibilidade ou ainda nos tornamos muito inseguros; qualquer coisa que se diga a nosso respeito, já é motivo para um mal estar e até mesmo uma dificuldade de questionar os motivos daquela crítica.

A força do diálogo e a coragem de perguntar nos aproxima do outro e, com isso, propicia uma melhor compreensão das situações que para nós são motivos de insegurança. Imagina se você se sente mal com algo em sua aparência, no modo de falar ou de cuidar dos filhos, por exemplo, e você é alertado por alguém que conheça? Poxa, isso pode lhe dar uma imensa dor de cabeça e preocupação!

Por um momento, deixe o sentimento de lado e observe o conteúdo do que lhe foi dito; a partir daí, entender os motivos será um pouco mais fácil.

Ao formar os filhos é também um ato de amor e cuidado ensiná-los a enfrentar as diferenças, lidar com os amigos e com aqueles que podem não gostar deles, e claro, com as críticas. Às vezes, como pais, protege-se tanto o filho que não se admite que sejam apontados, comentados, enfim, evita-se, isola-se, estimula-se a competição e não se prepara a criança para lidar com o mundo real.

Quando nos abrimos a ouvir o que o outro fala a nosso respeito, ganhamos a oportunidade de estarmos olhando para nossa vida, excluindo os fatos irreais, mas tendo a grande chance de fazer diferente.

Elaine Ribeiro
[email protected]

Santo Evangelho (Mt 10, 34-11, 1)

15ª Semana Comum – Segunda-feira 11/07/2016

Primeira Leitura (Is 1,10-17)
Leitura do Livro do Profeta Isaías.

10Ouvi a palavra do Senhor, magistrados de Sodoma, prestai ouvidos ao ensinamento do nosso Deus, povo de Gomorra. 11Que me importa a abundância de vossos sacrifícios? — diz o Senhor. Estou farto de holocaustos de carneiros e de gordura de animais cevados; do sangue de touros, de cordeiros e de bodes, não me agrado. 12Quando entrais para vos apresentar diante de mim, quem vos pediu para pisardes os meus átrios? 13Não continueis a trazer oferendas vazias! O incenso é para mim uma abominação! Não suporto lua nova, sábado, convocação de assembleia: iniquidade com reunião solene! 14Vossas luas novas e vossas solenidades, eu as detesto! Elas são para mim um peso, estou cansado de suportá-las. 15Quando estendeis as vossas mãos, escondo de vós os meus olhos. Ainda que multipliqueis a oração, eu não ouço: Vossas mãos estão cheias de sangue! 16Lavai-vos, purificai-vos. Tirai a maldade de vossas ações de minha frente. Deixai de fazer o mal! 17Aprendei a fazer o bem! Procurai o direito, corrigi o opressor. Julgai a causa do órfão, defendei a viúva.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Responsório (Sl 49)

— A todo homem que procede retamente, eu mostrarei a salvação que vem de Deus.
— A todo homem que procede retamente, eu mostrarei a salvação que vem de Deus.

— Eu não venho censurar teus sacrifícios, pois sempre estão perante mim teus holocaustos; não preciso dos novilhos de tua casa nem dos carneiros que estão nos teus rebanhos.

— “Como ousas repetir os meus preceitos e trazer minha Aliança em tua boca? Tu que odiaste minhas leis e meus conselhos e deste as costas às palavras dos meus lábios!

— Diante disso que fizeste, eu calarei? Acaso pensas que eu sou igual a ti? É disso que te acuso e repreendo e manifesto essas coisas aos teus olhos”.

— Quem me oferece um sacrifício de louvor, este sim é que honra de verdade. A todo homem que procede retamente eu mostrarei a salvação que vem de Deus.

 

Evangelho (Mt 10,34-11,1)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 10,34“Não penseis que vim trazer a paz à terra; não vim trazer a paz, mas sim a espada. 35De fato, vim separar o filho de seu pai, a filha de sua mãe, a nora de sua sogra. 36E os inimigos do homem serão os seus próprios familiares. 37Quem ama seu pai ou sua mãe mais do que a mim, não é digno de mim. Quem ama seu filho ou sua filha mais do que a mim, não é digno de mim. 38Quem não toma a sua cruz e não me segue, não é digno de mim. 39Quem procura conservar a sua vida vai perdê-la. E quem perde a sua vida por causa de mim vai encontrá-la. 40Quem vos recebe a mim recebe; e quem me recebe, recebe aquele que me enviou. 41Quem recebe um profeta, por ser profeta, receberá a recompensa de profeta. E quem recebe um justo, por ser justo, receberá a recompensa de justo. 42Quem der, ainda que seja apenas um copo de água fresca, a um desses pequeninos, por ser meu discípulo, em verdade vos digo: não perderá a sua recompensa”. 11,1Quando Jesus acabou de dar essas instruções aos doze discípulos, partiu daí, a fim de ensinar e pregar nas cidades deles.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

 

A IGREJA CATÓLICA CELEBRA E VENERA HOJE
São Bento, vida de oração e meditação

Dedicou-se à vida de oração, meditação e aos diversos exercícios para a santidade

Abade vem de “Abbá”, que significa pai, e isto o santo de hoje bem soube ser do monaquismo ocidental. São Bento nasceu em Núrcia, próximo de Roma, em 480, numa nobre família que o enviou para estudar na Cidade Eterna, no período de decadência do Império.

Diante da decadência – também moral e espiritual – o jovem Bento abandonou todos os projetos humanos para se retirar nas montanhas da Úmbria, onde dedicou-se à vida de oração, meditação e aos diversos exercícios para a santidade. Depois de três anos numa retirada gruta, passou a atrair outros que se tornaram discípulos de Cristo pelos passos traçados por ele, que buscou nas Regras de São Pacômio e de São Basílio uma maneira ocidental e romana de vida monástica. Foi assim que nasceu o famoso mosteiro de Monte Cassino.

A Regra Beneditina, devido a sua eficácia de inspiração que formava cristãos santos por meio do seguimento dos ensinamentos de Jesus e da prática dos Mandamentos e conselhos evangélicos, logo encantou e dominou a Europa, principalmente com a máxima “Ora et labora”. Para São Bento a vida comunitária facilitaria a vivência da Regra, pois dela depende o total equilíbrio psicológico; desta maneira os inúmeros mosteiros, que enriqueceram o Cristianismo no Ocidente, tornaram-se faróis de evangelização, ciência, escolas de agricultura, entre outras, isso até mesmo depois de São Bento ter entrado no céu com 67 anos.

São Bento, rogai por nós!

Você crê em milagres?

Segundo o Papa Bento XVI, “o Espírito Santo é Aquele que vivifica a Igreja e nos impulsiona a grandes prodígios”.

O cardeal Franc Rode faz um paralelo sobre a ação do Espírito Santo quando diz que “Ele é como a eletricidade que se manifesta de diversas maneiras, gerando luz, som, calor, etc. Mas ela não anda sozinha; são necessários fios condutores. Se desligarmos a tomada, acabará a energia elétrica. Acontece o mesmo com o Espírito Santo, que se utiliza de uma rede de pessoas repletas d’Ele, que manifestam os dons: ora é uma palavra de sabedoria, ora de profecia; ora é uma cura e ora é um milagre. Sempre de acordo com a vontade do Senhor e a necessidade do povo”.

Mas então, tais fatos, serão sempre milagres?
Sobre isso, o Catecismo da Igreja Católica traz uma explicação: “Os milagres fortificam a fé naquele que realiza as obras de seu Pai; testemunham que Ele é o Filho de Deus. Não se destinam a satisfazer a curiosidade e os desejos mágicos. Ao libertar certas pessoas dos males terrestres da fome, da injustiça, da doença e da morte, Jesus operou sinais messiânicos; não veio, no entanto, para abolir todos os males da terra, mas para libertar os homens da mais grave das escravidões, a do pecado, que os entrava em sua vocação de filhos de Deus e causa todas as suas escravidões humanas” (§548 e §549).

Foi exatamente isso que Cristo quis ensinar ao atender pessoas em busca de milagres e prodígios. Sempre me impressionou um fato narrado pelo evangelista Mateus. Um grupo de amigos leva um paralítico a Jesus para que o cure. O Senhor, porém, aparenta não entender e oferece ao doente a liberdade e a paz, por meio do perdão dos pecados, coisa que ninguém havia pedido.

Para Deus, a saúde física tem sentido se existe a saúde espiritual: “Para que se saiba que o Filho do Homem tem autoridade na terra para perdoar pecados – disse, então, ao paralítico –, levanta-te, toma a tua maca e vai para casa!” (Mt 9, 6).

Os milagres visam sempre o amadurecimento na fé, o crescimento na santidade e a decisão de fazer da própria vida um serviço aos irmãos. Foi o que fez a sogra de Pedro: ao ser curada por Jesus, “ela se levantou e se pôs a servir” (Mc 1, 31).

Não se trata de milagres, ou seja, de intervenções divinas, se o que se tem em vista são apenas caprichos e vaidades. Aliás, mesmo que Deus atendesse a todos os pedidos que fazemos, nunca estaríamos saciados, haveria sempre uma queixa e, na melhor das hipóteses, ao fim da vida, como diz o salmo 49, “seria semelhante ao gado gordo pronto para o matadouro”.

Santo Evangelho (Jo 20, 19-31)

2º Domingo da Páscoa – 03/04/2016 – Ano C

Primeira Leitura (At 5, 12-16)
Leitura dos Atos dos Apóstolos:

12Muitos sinais e maravilhas eram realizados entre o povo pelas mãos dos apóstolos. Todos os fiéis se reuniam, com muita união, no Pórtico de Salomão. 13Nenhum dos outros ousava juntar-se a eles, mas o povo estimava-os muito. 14Crescia sempre mais o número dos que aderiam ao Senhor pela fé; era uma multidão de homens e mulheres. 15Chegavam a transportar para as praças os doentes em camas e macas, a fim de que, quando Pedro passasse, pelo menos a sua sombra tocasse alguns deles. 16A multidão vinha até das cidades vizinhas de Jerusalém, trazendo doentes e pessoas atormentadas por maus espíritos. E todos eram curados.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Responsório (Sl 117)

— Dai graças ao Senhor, porque ele é bom! “Eterna é a sua misericórdia!”
— Dai graças ao Senhor, porque ele é bom! “Eterna é a sua misericórdia!”

— A casa de Israel agora o diga:/ “Eterna é a sua misericórdia!’/ A casa de Aarão agora o diga:/ “Eterna é a sua misericórdia!”/ Os que temem o Senhor, agora o digam:/ “Eterna é a sua misericórdia!”

— “A pedra que os pedreiros rejeitaram/ tornou-se agora pedra angular./ Pelo Senhor é que foi feito tudo isso:/ Que maravilhas ele fez a nossos olhos!/ Este é o dia que o Senhor fez para nós,/ Alegremo-nos e nele exultemos!

— Ó Senhor, dai-nos a vossa salvação,/ ó Senhor,/ dai-nos também prosperidade!”/ Bendito seja, / em nome do Senhor,/ aquele que em seus átrios vai entrando!/ Desta casa do Senhor vos bendizemos./ Que o Senhor e nosso Deus nos ilumine!

 

Segunda Leitura (Ap 1,9-11a.12-13.17-19)
Leitura do Livro do Apocalipse de São João:

9Eu, João, vosso irmão e companheiro na tribulação, e também no reino e na perseverança em Jesus, fui levado à ilha de Patmos, por causa da Palavra de Deus e do testemunho que eu dava de Jesus. 10No dia do Senhor, fui arrebatado pelo Espírito e ouvi atrás de mim uma voz forte, como de trombeta, 11aa qual dizia: “O que vais ver, escreve-o num livro”. 12Então voltei-me para ver quem estava falando; e ao voltar-me, vi sete candelabros de ouro. 13No meio dos candelabros havia alguém semelhante a um “filho de homem”, vestido com uma túnica comprida e com uma faixa de ouro em volta do peito. 17Ao vê-lo, caí como morto a seus pés, mas ele colocou sobre mim sua mão direita e disse: “Não tenhas medo. Eu sou o Primeiro e o Último, 18aquele que vive. Estive morto, mas agora estou vivo para sempre. Eu tenho a chave da morte e da região dos mortos. 19Escreve pois o que viste, aquilo que está acontecendo e que vai acontecer depois”.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Anúncio do Evangelho (Jo 20,19-31)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo João.
— Glória a vós, Senhor.

19Ao anoitecer daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas, por medo dos judeus, as portas do lugar onde os discípulos se encontravam, Jesus entrou e, pondo-se no meio deles, disse: “A paz esteja convosco”. 20Depois dessas palavras, mostrou-lhes as mãos e o lado. Então os discípulos se alegraram por verem o Senhor. 21Novamente, Jesus disse: “A paz esteja convosco. Como o Pai me enviou, também eu vos envio”. 22E, depois de ter dito isso, soprou sobre eles e disse: “Recebei o Espírito Santo. 23A quem perdoardes os pecados, eles lhes serão perdoados; a quem os não perdoardes, eles lhes serão retidos”. 24Tomé, chamado Dídimo, que era um dos doze, não estava com eles quando Jesus veio. 25Os outros discípulos contaram-lhe depois: “Vimos o Senhor!” Mas Tomé disse-lhes: “Se eu não vir a marca dos pregos em suas mãos, se eu não puser o dedo nas marcas dos pregos e não puser a mão no seu lado, não acreditarei”. 26Oito dias depois, encontravam-se os discípulos novamente reunidos em casa, e Tomé estava com eles. Estando fechadas as portas, Jesus entrou, pôs-se no meio deles e disse: “A paz esteja convosco”. 27Depois disse a Tomé: “Põe o teu dedo aqui e olha as minhas mãos. Estende a tua mão e coloca-a no meu lado. E não sejas incrédulo, mas fiel”. 28Tomé respondeu: “Meu Senhor e meu Deus!” 29Jesus lhe disse: “Acreditaste, porque me viste? Bem-aventurados os que creram sem terem visto!” 30Jesus realizou muitos outros sinais diante dos discípulos, que não estão escritos neste livro. 31Mas estes foram escritos para que acrediteis que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais a vida em seu nome.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

 

A IGREJA CATÓLICA CELEBRA E VENERA HOJE
São Ricardo, santificou nos mosteiros

Com alegria contemplamos a vida de santidade do nosso irmão da fé São Ricardo, que hoje brilha no Céu como intercessor de todos os irmãos que peregrinam na Igreja terrestre.

Nascido em 1197, era pobre, teve dificuldade de estudar e perdeu muito cedo seus pais. No seu tempo, Ricardo começou a ver a ignorância e superstição; ambição dos nobres; luxo do clero; regalismo do trono e decadência da vida monástica. Diante de sua realidade, não se entregou a murmurações e desânimos, mas como professor e reitor da Universidade de Oxford decidiu-se pela santidade, a fim de ser instrumento de renovação da Igreja na Inglaterra.

Unido aos frades franciscanos e dominicanos, Ricardo fez de tudo, – como leigo, sacerdote e bispo ordenado pelo Papa – para reverter a resistência do rei que não queria a sua ordenação e, de toda situação triste que acabava atingindo duramente o povo.

São Ricardo, até entrar na Casa do Pai com 56 anos, por dois anos coordenou sua diocese clandestinamente, visitando pobres, doentes e fazendo de tudo para evangelizar e ajudar na santificação dos mosteiros, clero e nobres ingleses, isto principalmente depois que o rei se dobrou sob ameaça de excomunhão do Papa.

São Ricardo, rogai por nós!

O sentido cristão do sexo

Antes de tudo o casal cristão precisa conhecer bem o sentido do sexo no plano de Deus. Ele o quis. De todas as alternativas possíveis que Deus poderia ter empregado para gerar e manter a espécie humana, Ele escolheu a relação física e espiritual do amor conjugal. Deus quis que o casal humano fosse o arquétipo da humanidade, e que sua geração fosse por meio da via sexual.

Além disso, por meio deste ato, quis aprofundar o amor do casal. Então, a conclusão a que se chega, é que Deus não só inventou o sexo, mas o dotou de profunda dignidade e sentido, e por isso colocou normas para ser vivido de maneira correta, para que não causasse desajustamento e sofrimento.

Deus quis que o ser humano fosse material e espiritual, algo como uma síntese bela do animal que apenas tem corpo, com o anjo que apenas é espírito.

E dotando-o de corpo quis que o homem fosse sexuado como os animais; porém, a sua vida sexual devia ser guiada não pelo instinto, como nos animais, mas, pela alma, e iluminada pela inteligência, embelezada pela liberdade, conduzida pela vontade e vivida no amor.

A vida sexual é algo muito sublime no plano de Deus; por isso, jamais um casal deve pensar que Deus esteja longe no momento de sua união mais íntima; pois este ato é santo e santificador no casamento e querido por Deus.

O amor conjugal tem um sentido único; o amor entre dois seres do mesmo sexo, como, por exemplo, pai e filho ou dois amigos, não contém a complementação no plano físico. O uso do sexo no seu devido lugar, no casamento, bem entendido nos seus aspectos espiritual e psicológico, é um dos atos mais nobres e significativos que o ser humano pode realizar; pois ele é a fonte da vida e da celebração do amor. A virtude da castidade, mais do que consistir na renúncia ao sexo, significa o seu uso adequado.

Diz o Dr. Alphone H. Clemens, Diretor do Centro de Aconselhamento da Universidade Católica da América, Washington, D.C., sobre o ato sexual:

“É um ato de grande beleza e profunda significação espiritual, pois o amor conjugal entre dois cristãos em estado de graça, é uma fusão de dois corpos que são templos da Trindade, e uma fusão de duas almas que participam da mesma Vida Divina… Por outro lado, usado com propriedade, torna-se uma fonte de união, harmonia, paz e ajustamento. Intensifica o amor entre o esposo e a esposa, e funciona como escudo contra a infidelidade e incontinência. A personalidade humana integral, mesmo nos seus aspectos sobrenaturais, é enriquecida pelo sexo, uma vez que o ato do amor conjugal também é merecedor de graças” (Clemens, 1969, p. 175).

Afirma Raoul de Gutchenere, em “Judgment on Birth Control” que:

“Foi reconhecido há já bastante tempo, que […] as relações sexuais produzem efeitos psicológicos profundos, especialmente sobre a mulher”, uma vez que o esperma absorvido por seu corpo, desempenha um papel dinamogênico, promovendo o equilíbrio. De modo geral, o ato de amor conjugal provoca o relaxamento, vigor, autoconfiança, satisfação, sensação geral de bem estar, sensação de segurança e uma disposição que conduz ao esquecimento de atritos e tensões de menor importância entre o casal” (Apud Clemens, p. 177).

Não é à toa que São Paulo, há 2000 anos já recomendava aos cônjuges cristãos: “não vos recuseis um ao outro… afim de que Satanás não vos tente” (1Cor 7,5).

A recusa do sexo sem motivo pode representar não apenas uma injustiça para com o cônjuge, mas também o perigo de o expor à infidelidade e o casamento ao fracasso. Isso mostra que os casais não devem ficar muito tempo separados quaisquer que sejam os motivos, especialmente por razões menores. O afastamento prolongado deles pode gerar uma situação de estresse especialmente para o homem. Alguns conseguem superar essa abstinência sexual forçada com uma sublimação religiosa, mas nem todos tem a mesma disposição.

No entanto, é preciso dizer que os especialistas mostram em suas pesquisas que “outros fatores que não o sexo são mais importantes para a felicidade matrimonial”, uma vez que muitos casais superam seus problemas e angústias com um amor autêntico.

Prof. Felipe Aquino
Trecho retirado do livro: A vida sexual no casamento – Editora Cléofas

Santa Missa do Galo – 24 de Dezembro

Por Mons. Inácio José Schuster

A palavra do Evangelho diz: “Nasceu hoje, para nós, o Salvador, que é Cristo Senhor”. A liturgia atualiza o que aconteceu no passado. Ela é um mistério e, infelizmente, nós católicos, não temos entrado neste mistério. É como na Santa Missa, na consagração: o que a gente faz é narrado, mas a liturgia atualiza, renova. Enquanto o sacerdote narra, acontece a atualização. Por isso a liturgia é mistério. Assim como na Páscoa se renova a ressurreição, hoje nasceu o Salvador, nasceu para sua vida, para sua casa e para a sua família. Por pior que seja a sua situação, saiba: nasceu para você, para sua casa, o Salvador, que é Cristo Senhor. Só falta você acolher. A liturgia atualiza o mistério e a graça vem do céu, mas se a gente não canaliza, não recolhe, se perde. A liturgia é diferente de qualquer representação: Jesus nasce para sua vida. Então prepare o seu coração para que Jesus, trazendo a salvação, nasça em você que é o presépio. O presépio é você! Pegue o menino Jesus, mesmo que Ele tenha que chorar por causa de seus problemas. Ele se compadece de você e a salvação acontece, porque você é o presépio. Ele não tem medo: Ele nasce no meio dos seus espinhos. Ele está aí para salvar você e a sua família. Talvez você tenha que pegar o Menino no colo e apertar, porque os seus não O acolhem, mas Ele nasceu. Deus te ama com amor incondicional. Você é amado por Jesus, por isso Ele nasceu na situação em que você se encontra. Ele nasce para sua vida miserável. Quanto mais miserável você é, mais Ele te ama. Ele nasceu em Belém e nasce hoje em você. Acredite: Jesus foi até a cruz por você, Ele já libertou as suas misérias. Se você aceita o perdão, o amor de Jesus, Ele nasce em você. Saiba: José e Maria trazem a salvação ao seu coração, mesmo que o seu berço esteja sujo. Não se preocupe, não espere retirar os espinhos para receber o Menino Jesus. Receba-O como você está. É Ele quem vai retirar os espinhos com a ajuda de Maria e José.

 

O NATAL É UMA DECLARAÇÃO DO AMOR DE DEUS POR NÓS
Padre Roger Luís, Comunidade Canção Nova

Estávamos enclausurados nas trevas, era preciso trazer a luz para nos libertar, cativos esperávamos um Salvador’. Assim diz São Gregório. “Quando ninguém cuida de você, Deus cuida”. Hoje a Salvação me alcança, alcança minha família, somos salvos porque Jesus é o salvador que veio nos libertar. Éramos escravos e precisávamos de um libertador. Deus precisava se encarnar para nos salvar, sim precisávamos, porque éramos cativos. O Verbo se fez carne e habitou no meio de nós, o Verbo se encarnou para que nesta noite possamos proclamar que Jesus nos salvou. ‘Nisto consiste o amor: não em termos nós amado a Deus, mas em ter-nos ele amado, e enviado o seu Filho para expiar os nossos pecados’ (1Jo 4-10). Em Jesus os nossos pecados são expiados, o Verbo se encarnou para que experimentemos a graça da expiação dos nossos pecados. Na noite de Natal a esperança precisa está nos nossos corações, precisamos esperar a salvação do mundo, que Jesus já nos deu, e não ficarmos desesperados diante das más notícias. Assuma a salvação de Deus nesta noite, a salvação para você e sua família. Por que o Verbo se encarnou? Para que assim experimentássemos o amor. O Emanuel, se fez homem para tocar na nossa humanidade, se fez alguém como nós para que o amor de Deus se manifestasse entre nós. Deus enviou o seu filho único ao mundo, para que nós tenhamos a vida por meio Dele. Esta noite é de alegria, de vitória, a promessa se cumpriu. O natal é uma declaração explicita do amor de Deus por nós, assuma o amor de Deus por você. Jesus é carta de amor de Deus para toda humanidade. Agradeça a Deus pela manifestação de tanto amor em sua vida. Jesus se encarnou para nos ensinar o caminho da santificação. Jesus é o caminho da santidade. “Manifestou-se, com efeito, a graça de Deus, fonte de salvação para todos os homens. Veio para nos ensinar a renunciar à impiedade e às paixões mundanas e a viver neste mundo com toda sobriedade, justiça e piedade, na expectativa da nossa esperança feliz, a aparição gloriosa de nosso grande Deus e Salvador, Jesus Cristo, que se entregou por nós, a fim de nos resgatar de toda a iniqüidade, nos purificar e nos constituir seu povo de predileção, zeloso na prática do bem” (Tito 3, 13-14). O Natal nos leva a olhar o Menino que nasce, e olhar para Jesus que voltará, e precisa nos encontrar vivendo a salvação que Ele mesmos nos deu.

 

NASCEU PARA NÓS O SALVADOR
Mons. Jonas Abib na Missa de Natal na Comunidade Canção Nova

Naquela época, se uma criança nascesse numa situação como a de Jesus, numa estrebaria, era considerada uma criança impura, e para o judeu essas crianças eram consideradas como os leprosos que ficavam separados, num lugar à parte na cidade. Os leprosos eram os impuros, eles só deixavam de ser impuros se acontecesse a cura e os sacerdotes fizessem um ritual de purificação com eles. Jesus nasceu como um impuro. E por que Deus permitiu uma coisa dessas? Fazer o Filho nascer impuro… Aí está o grande segredo para nós: o Pai quis, e Jesus aceitou nascer impuro para salvar o Puro, o Perfeito, o Santo. Digo impuro diante da lei, a lei dos judeus. Era a cultura deles, mas Deus permitiu isso para nos salvar. E assim trazer todo impuro para o Seu coração. É isso que Jesus quer fazer na vida de cada um de nós no Natal: salvar-nos da nossa impureza. E por isso a necessidade de assumir essa Salvação. E hoje, especialmente, a Salvação está no meio de nós, porque Deus vai se adequando às festas litúrgicas, a Salvação vem hoje no Natal. Abramo-nos para a Salvação porque hoje nasceu para nós Cristo, o Senhor. Por pior que seja a sua impureza e a sua maldade, abra-se à Salvação. Jesus se faz pecador para salvar o pecador, esteja o pecador em que pecado estiver. É por isso que Ele acolheu a Zaqueu, acolheu a Maria Madalena… e tantos pecadores. Jesus diz a você: ‘Filho, filha, seja qual for a sua situação, teus pecados estão perdoados’. Somente que para isso você precisa abrir-se para essa misericórdia. Em nenhum outro há Salvação, só em Jesus, o Senhor. A Carta aos Gálatas repete que Aquele que é pregado no madeiro é um maldito – minha mãe e meu pai não me deixavam dizer “maldito” porque é uma palavra pesada –, mas Aquele que ia para a cruz era considerado um maldito, quer dizer: completamente fora da graça de Deus. Cristo nos resgatou da maldição. Por que o Pai exigiu tanto do Senhor? Meus irmãos, é justamente porque Jesus se fez maldito para libertar a mim e a você de toda maldição. O ladrão, ao lado de Jesus na cruz, disse: ‘Senhor, lembra-te de mim quando estiveres no teu reino’, e Jesus respondeu: ‘Hoje mesmo estarás comigo no Paraíso’. Jesus que falar isso para você hoje. O ladrão precisou render-se. Renda-se você também. A divisão da cruz está justamente entre aqueles que acolhem a Salvação e aqueles que não a acolhem. A decisão é sua! É você quem decide! Todos nós temos medo de decisões, mas essa é a mais linda decisão. Decida-se esta noite! Para que esse medo de se decidir por Jesus? Por que já se acostumou? Já se decepcionou com pessoas? Meu irmão, pelo amor de Deus, deixe de bobagem! Para que ficar com raiva? Por que guardar mágoa? Por que querer viver no mal? Na corrupção? Na impureza? Numa sexualidade errada? Por quê? Por isso que o Pai quis que o Seu Filho nascesse impuro para que você se tornasse puro. Meu irmão, não é por mérito, ou porque você seja bom, é por graça! Talvez você não esteja numa vida errada, mas traz em si sentimentos de culpa, não se perdoa por algo que fez. Isso é um grande mal! Por favor, agarre-se a Jesus nesta noite. Aceite Jesus como seu Senhor, Aquele que manda na sua vida. Se você entrega as rédeas da sua vida a Jesus, você está no caminho da Salvação.

 

GLÓRIA A DEUS NAS ALTURAS E PAZ NA TERRA
Mons. Jonas Abib

“Hoje, na cidade de Davi, nasceu para vós um salvador que é o Cristo, o Senhor” (Lc 2, 1-14). Leve isso a sério. Ele nasceu para vós. A Palavra de Deus é sempre presente. Nós nos regemos pelo cronômetro, mas Deus se rege pelo “kayros”, outra palavra para dizer tempo, o tempo de Deus. E o tempo de Deus é agora. É aquilo que São Paulo vai dizer em 2Cor 5, 6: “Agora é o momento favorável”. Eu me recordo bem. Numa das primeiras peregrinações que nós da Canção Nova fizemos à Terra Santa. O programa da peregrinação foi totalmente mudado. Iríamos à Jerusalém, mas fomos aos redores de Jerusalém, porque lá havia explodido um carro-bomba. O guia estava o meu lado e eu o disse: “Quando que esta terra vai ter paz?” Ele me disse: “Padre, essa terra só vai ter paz quando o Messias vier”. Aquilo causou um impacto muito grande dentro de mim. Aquele judeu me ensinou naquele dia. Eu o disse: “Para vocês, ainda é a primeira vinda, para nós será a segunda, pois Ele já veio”. Nós nos abraçamos e ele disse que esperaríamos juntos. É por isso, justamente, que a 2ª leitura, diz: “A graça de Deus se manifestou trazendo salvação para todos os homens. Ela nos ensina a abandonar a impiedade e as paixões mundanas e a viver neste mundo com equilíbrio, justiça e piedade, aguardando a feliz esperança e a manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador, Jesus Cristo” (Tt 2, 11-14). Veja onde está colocado o Menino Jesus, neste presépio: no colo de Nossa Senhora. Ao lado deles está São José. Mas, olhando para este Natal nós fixamos nossos olhos e coração para o Natal que está para chegar. Precisamos olhar para esta vinda definitiva de Jesus. Está na hora dos católicos deixarem de ter pavor da segunda vinda de Jesus. Alguns, infelizmente, não aceitarão, mas nós não. É por isso que você precisa escolher o seu lado. Você não pode viver numa “coluna do meio”, como se ela existisse. Ou estamos com Ele, ou estamos fora d’Ele. É mais fácil ficar com Ele do que nesse negócio de “coluna do meio”. Pega o Caminho, pois Ele é o Caminho, a Verdade e a Vida. Deixa de querer levar a vida cristão “com a barriga”. É difícil, eu sei que é, porque o pecado entrou no mundo. É como andar em cima da corda bamba. Fixando seus olhos no segundo, derradeiro e definitivo Natal que é segunda e gloriosa vinda de Jesus fique com Ele. Há muito tempo está sendo cada vez maior sobre a humanidade como uma espessa nuvem negra de impiedade, indiferença. As pessoas têm vivido uma indiferença para com Deus. É como se nós, homens, fôssemos donos de nós mesmos, da vida. E quem sabe, nós mesmos, estejamos nos tornando insensíveis. O pior é a insensibilidade. A Palavra de Deus, hoje, vem dizer a nós que precisamos renunciar a toda impiedade que está nos ares. Essa nuvem quer tomar conta também da gente que é de Igreja. Hoje é o dia de nós, pela graça do Salvador, renunciar a toda impiedade. A própria Palavra de Deus também diz para renunciarmos a todas as paixões mundanas. Coisas que nós não imaginávamos, vemos dentro de casa. Quanto pai e quanta mãe chorando na Noite de Natal por causa de seus filhos… Talvez você quisesse que eu fizesse uma pregação muito romântica, mas o próprio Senhor vem nos pedir para renunciar a toda a impiedade e as paixões mundanas. A Palavra de Deus já agiu no seu coração. Que bom, meu irmão! “Senhor, quero estar com o Senhor! Mesmo que uma onda de desconfiança me pegue, eu renuncio a toda insensibilidade para contigo. Quero ter fervor. Obrigado, Senhor, porque a tua Palavra se realiza em minha vida”. Com isso, os anjos, como na gruta de Belém, já estão cantando na sua vida, na sua casa, no seu coração. “Glória a Deus no mais alto dos céus e paz na terra aos homens por ele amados”. Desculpe por não ter feito uma pregação romântica. Nós abrimos os olhos para a realidade e Natal se fez.

 

Homilia de Bento XVI na Missa da noite de Natal
“Foi superada a distância infinita entre Deus e o homem”
CIDADE DO VATICANO, sábado, 25 de dezembro de 2010 (ZENIT.org) – Apresentamos, a seguir, a homilia que Bento XVI pronunciou durante a Missa da noite de Natal, na Basílica de São Pedro, no Vaticano.

* * *
Amados irmãos e irmãs! «Tu és meu filho, Eu hoje te gerei» – com estas palavras do Salmo segundo, a Igreja dá início à liturgia da Noite Santa. Ela sabe que esta frase pertencia, originariamente, ao rito da coroação do rei de Israel. O rei, que por si só é um ser humano como os outros homens, torna-se «filho de Deus» por meio do chamamento e entronização na sua função: trata-se de uma espécie de adoção por parte de Deus, uma ata da decisão, pela qual Ele concede a este homem uma nova existência, atraindo-o para o seu próprio ser. De modo ainda mais claro, a leitura tirada do profeta Isaías, que acabamos de ouvir, apresenta o mesmo processo numa situação de tribulação e ameaça para Israel: «Um menino nasceu para nós, um filho nos foi concedido. Tem o poder sobre os ombros» (9, 5). A entronização na função régia é como um novo nascimento. E, precisamente como recém-nascido por decisão pessoal de Deus, como menino proveniente de Deus, o rei constitui uma esperança. O futuro assenta sobre os seus ombros. É o detentor da promessa de paz. Na noite de Belém, esta palavra profética realizou-se de um modo que, no tempo de Isaías, teria ainda sido inimaginável. Sim, agora Aquele sobre cujos ombros está o poder é verdadeiramente um menino. N’Ele aparece a nova realeza que Deus institui no mundo. Este menino nasceu verdadeiramente de Deus. É a Palavra eterna de Deus, que une mutuamente humanidade e divindade. Para este menino, são válidos os títulos de dignidade que lhe atribui o cântico de coroação de Isaías: Conselheiro admirável, Deus forte, Pai para sempre, Príncipe da paz (9, 5). Sim, este rei não precisa de conselheiros pertencentes aos sábios do mundo. Em Si mesmo traz a sapiência e o conselho de Deus. Precisamente na fragilidade de menino que é, Ele é o Deus forte e assim nos mostra, face aos pretensiosos poderes do mundo, a fortaleza própria de Deus. Na verdade, as palavras do rito da coroação em Israel não passavam de palavras rituais de esperança, que de longe previam um futuro que haveria de ser dado por Deus. Nenhum dos reis, assim homenageados, correspondia à sublimidade de tais palavras. Neles, todas as expressões sobre a filiação de Deus, sobre a entronização na herança dos povos, sobre o domínio das terras distantes (Sal 2, 8) permaneciam apenas presságio de um futuro – como se fossem painéis sinalizadores da esperança, indicações apontando para um futuro que então era ainda inconcebível. Assim o cumprimento da palavra, que tem início na noite de Belém, é ao mesmo tempo imensamente maior e – do ponto de vista do mundo – mais humilde do que a palavra profética deixava intuir. É maior, porque este menino é verdadeiramente Filho de Deus, é verdadeiramente «Deus de Deus, Luz da Luz, gerado, não criado, consubstancial ao Pai». Fica superada a distância infinita entre Deus e o homem. Deus não Se limitou a inclinar o olhar para baixo, como dizem os Salmos; Ele «desceu» verdadeiramente, entrou no mundo, tornou-Se um de nós para nos atrair a todos para Si. Este menino é verdadeiramente o Emanuel, o Deus-conosco. O seu reino estende-se verdadeiramente até aos confins da terra. Na imensidão universal da Sagrada Eucaristia, Ele verdadeiramente instituiu ilhas de paz. Em todo o lado onde ela é celebrada, temos uma ilha de paz, daquela paz que é própria de Deus. Este menino acendeu, nos homens, a luz da bondade e deu-lhes a força para resistir à tirania do poder. Em cada geração, Ele constrói o seu reino a partir de dentro, a partir do coração. Mas é verdade também que «o bastão do opressor» não foi quebrado. Também hoje marcha o calçado ruidoso dos soldados e temos ainda incessantemente a «veste manchada de sangue» (Is 9, 3-4). Assim faz parte desta noite o júbilo pela proximidade de Deus. Damos graças porque Deus, como menino, Se confia às nossas mãos, por assim dizer mendiga o nosso amor, infunde a sua paz no nosso coração. Mas este júbilo é também uma prece: Senhor, realizai totalmente a vossa promessa. Quebrai o bastão dos opressores. Queimai o calçado ruidoso. Fazei com que o tempo das vestes manchadas de sangue acabe. Realizai a promessa de «uma paz sem fim» (Is 9, 6). Nós Vos agradecemos pela vossa bondade, mas pedimos-Vos também: mostrai a vossa força. Instituí no mundo o domínio da vossa verdade, do vosso amor – o «reino da justiça, do amor e da paz». «Maria deu à luz o seu filho primogênito» (Lc 2, 7). Com esta frase, São Lucas narra, de modo absolutamente sóbrio, o grande acontecimento que as palavras proféticas, na história de Israel, tinham com antecedência vislumbrado. Lucas designa o menino como «primogênito». Na linguagem que se foi formando na Sagrada Escritura da Antiga Aliança, «primogênito» não significa o primeiro de uma série de outros filhos. A palavra «primogênito» é um título de honra, independentemente do fato se depois se seguem outros irmãs e irmãs ou não. Assim, no Livro do Êxodo, Israel é chamado por Deus «o meu filho primogênito» (Ex 4, 22), exprimindo-se deste modo a sua eleição, a sua dignidade única, o particular amor de Deus Pai. A Igreja nascente sabia que esta palavra ganhara uma nova profundidade em Jesus; que n’Ele estão compendiadas as promessas feitas a Israel. Assim a Carta aos Hebreus chama Jesus «o primogênito» simplesmente para O qualificar, depois das preparações no Antigo Testamento, como o Filho que Deus manda ao mundo (cf. Heb 1, 5-7). O primogênito pertence de maneira especial a Deus, e por isso – como sucede em muitas religiões – devia ser entregue de modo particular a Deus e resgatado com um sacrifício de substituição, como São Lucas narra no episódio da apresentação de Jesus no templo. O primogênito pertence a Deus de modo particular, é por assim dizer destinado ao sacrifício. No sacrifício de Jesus na cruz, realiza-se de uma forma única o destino do primogênito. Em Si mesmo, Jesus oferece a humanidade a Deus, unindo o homem e Deus de uma maneira tal que Deus seja tudo em todos. São Paulo, nas Cartas aos Colossenses e aos Efésios, ampliou e aprofundou a idéia de Jesus como primogênito: Jesus – dizem-nos as referidas Cartas – é o primogênito da criação, o verdadeiro arquétipo segundo o qual Deus formou a criatura-homem. O homem pode ser imagem de Deus, porque Jesus é Deus e Homem, a verdadeira imagem de Deus e do homem. Ele é o primogênito dos mortos: dizem-nos ainda aquelas Cartas. Na Ressurreição, atravessou o muro da morte por todos nós. Abriu ao homem a dimensão da vida eterna na comunhão com Deus. Por fim, é-nos dito: Ele é o primogênito de muitos irmãos. Sim, agora Ele também é o primeiro duma série de irmãos, isto é, o primeiro que inaugura para nós a vida em comunhão com Deus. Cria a verdadeira fraternidade: não a fraternidade, deturpada pelo pecado, de Caim e Abel, de Rômulo e Remo, mas a fraternidade nova na qual somos a própria família de Deus. Esta nova família de Deus começa no momento em que Maria envolve o «primogênito» em faixas e O reclina na manjedoura. Supliquemos-Lhe: Senhor Jesus, Vós que quisestes nascer como o primeiro de muitos irmãos, dai-nos a verdadeira fraternidade. Ajudai-nos a tornarmo-nos semelhantes a Vós. Ajudai-nos a reconhecer no outro que tem necessidade de mim, naqueles que sofrem ou estão abandonados, em todos os homens, o vosso rosto, e a viver, juntamente convosco, como irmãos e irmãs para nos tornarmos uma família, a vossa família. No fim, o Evangelho de Natal narra-nos que uma multidão de anjos do exército celeste louvava a Deus e dizia: «Glória a Deus nas alturas, e paz na terra aos homens que Ele ama» (Lc 2, 14). A Igreja ampliou, no hino «Glória…», este louvor que os anjos entoaram à vista do acontecimento da Noite Santa, fazendo dele um hino de júbilo sobre a glória de Deus. «Nós Vos damos graças por vossa imensa glória». Nós Vos damos graças pela beleza, pela grandeza, pela tua bondade, que, nesta noite, se tornam visíveis para nós. A manifestação da beleza, do belo, torna-nos felizes sem que devamos interrogar-nos sobre a sua utilidade. A glória de Deus, da qual provém toda a beleza, faz explodir em nós o deslumbramento e a alegria. Quem vislumbra Deus, sente alegria; e, nesta noite, vemos algo da sua luz. Mas a mensagem dos anjos na Noite Santa também fala dos homens: «Paz aos homens que Ele ama». A tradução latina desta frase, que usamos na Liturgia e remonta a São Jerônimo, interpreta diversamente: «Paz aos homens de boa vontade». Precisamente nos últimos decênios, esta expressão «os homens de boa vontade» entrou de modo particular no vocabulário da Igreja. Mas qual é a tradução justa? Devemos ler, juntas, as duas versões; só assim compreendemos retamente a frase dos anjos. Seria errada uma interpretação que reconhecesse apenas o agir exclusivo de Deus, como se Ele não tivesse chamado o homem a uma resposta livre e amorosa. Mas seria errada também uma resposta moralizante, segundo a qual o homem com a sua boa vontade poder-se-ia, por assim dizer, redimir a si próprio. As duas coisas andam juntas: graça e liberdade; o amor de Deus, que nos precede e sem o qual não O poderemos amar, e a nossa resposta, que Ele espera e até no-la suplica no nascimento do seu Filho. O entrelaçamento de graça e liberdade, o entrelaçamento de apelo e resposta não podemos dividi-lo em partes separadas uma da outra. Ambas estão indivisivelmente entrançadas entre si. Assim esta frase é simultaneamente promessa e apelo. Deus precedeu-nos com o dom do seu Filho. E, sempre de novo e de forma inesperada, Deus nos precede. Não cessa de nos procurar, de nos levantar todas as vezes que o necessitamos. Não abandona a ovelha extraviada no deserto, onde se perdeu. Deus não se deixa confundir pelo nosso pecado. Sempre de novo recomeça conosco. Todavia espera que amemos juntamente com Ele. Ama-nos para que nos seja possível tornarmo-nos pessoas que amam juntamente com Ele e, assim, possa haver paz na terra. Lucas não disse que os anjos cantaram. Muito sobriamente, escreve que o exército celeste louvava a Deus e dizia: «Glória a Deus nas alturas…» (Lc 2, 13-14). Mas desde sempre os homens souberam que o falar dos anjos é diverso do dos homens; e que, precisamente nesta noite da jubilosa mensagem, tal falar foi um canto no qual brilhou a glória sublime de Deus. Assim, desde o início, este canto dos anjos foi entendido como música vinda de Deus, mais ainda, como convite a unirmo-nos ao canto com o coração em júbilo pelo fato de sermos amados por Deus. Diz Santo Agostinho: Cantare amantis est – cantar é próprio de quem ama. Assim ao longo dos séculos, o canto dos anjos tornou-se sempre de novo um canto de amor e de júbilo, um canto daqueles que amam. Nesta hora, associemo-nos, cheios de gratidão, a este cantar de todos os séculos, que une céu e terra, anjos e homens. Sim, Senhor, nós Vos damos graças por vossa imensa glória. Nós Vos damos graças pelo vosso amor. Fazei que nos tornemos cada vez mais pessoas que amam juntamente convosco e, conseqüentemente, pessoas de paz. Amém. © Copyright 2010 – Libreria Editrice Vaticana

 

MISSA DA MEIA NOITE SOLENIDADE DO NATAL DO SENHOR
HOMILIA DO SANTO PADRE BENTO XVI
Basílica Vaticana 25 de Dezembro de 2008

«Quem se compara ao Senhor, nosso Deus, que tem o seu trono nas alturas e Se inclina lá do alto a olhar os céus e a terra?» Assim canta Israel num dos seus Salmos (113/112, 5s.), onde exalta simultaneamente a grandeza de Deus e sua benigna proximidade dos homens. Deus habita nas alturas, mas inclina-Se para baixo… Deus é imensamente grande e está incomparavelmente acima de nós. Esta é a primeira experiência do homem. A distância parece infinita. O Criador do universo, Aquele que tudo guia, está muito longe de nós: assim parece ao início. Mas depois vem a experiência surpreendente: Aquele que não é comparável a ninguém, que «está sentado nas alturas», Ele olha para baixo. Inclina-se para baixo. Ele vê-nos a nós, e vê a mim. Este olhar de Deus para baixo é mais do que um olhar lá das alturas. O olhar de Deus é um agir. O fato de Ele me ver, me olhar, transforma-me a mim e o mundo ao meu redor. Por isso logo a seguir diz o Salmo: «Levanta o pobre da miséria…» Com o seu olhar para baixo, Ele levanta-me, toma-me benignamente pela mão e ajuda-me, a mim próprio, a subir de baixo para as alturas. «Deus inclina-Se». Esta é uma palavra profética; e, na noite de Belém, adquiriu um significado completamente novo. O inclinar-Se de Deus assumiu um realismo inaudito, antes inimaginável. Ele inclina-Se: desce, Ele mesmo, como criança na miséria do curral, símbolo de toda a necessidade e estado de abandono dos homens. Deus desce realmente. Torna-Se criança, colocando-Se na condição de dependência total, própria de um ser humano recém-nascido. O Criador que tudo sustenta em suas mãos, de Quem todos nós dependemos, faz-Se pequeno e necessitado do amor humano. Deus está no curral. No Antigo Testamento, o templo era considerado quase como o estrado dos pés de Deus; a arca santa, como o lugar onde Ele estava misteriosamente presente no meio dos homens. Deste modo sabia-se que sobre o templo, escondida, estava a nuvem da glória de Deus. Agora, está sobre o curral. Deus está na nuvem da miséria de uma criança sem lugar na hospedaria: que nuvem impenetrável e, no entanto, nuvem da glória! De fato, de que modo poderia aparecer maior e mais pura a sua predileção pelo homem, a sua solicitude por ele? A nuvem do encobrimento, da pobreza da criança totalmente necessitada do amor, é ao mesmo tempo a nuvem da glória. É que nada pode ser mais sublime e maior do que o amor que assim se inclina, desce, se torna dependente. A glória do verdadeiro Deus torna-se visível quando se abrem os nossos olhos do coração diante do curral de Belém. A narração do Natal feita por São Lucas conta-nos que Deus levantou um pouco o véu do seu encobrimento primeiro diante de pessoas de condição muito humilde, diante de pessoas que habitualmente eram desprezadas na grande sociedade: diante dos pastores que, nos campos ao redor de Belém, guardavam os animais. Lucas diz-nos que estas pessoas «velavam». Nisto podemos ouvir ressoar um motivo central da mensagem de Jesus, na qual volta, repetidamente e com crescente urgência até ao Jardim das Oliveiras, o convite à vigilância, a permanecer acordados para nos darmos conta da vinda do Senhor e estarmos preparados para ela. Por isso, também aqui talvez a palavra signifique algo mais do que o simples estar externamente acordados durante as horas noturnas. Eram pessoas verdadeiramente vigilantes, nas quais estava vivo o sentido de Deus e da sua proximidade; pessoas que estavam à espera de Deus e não se resignavam com o aparente afastamento d’Ele na vida de cada dia. A um coração vigilante pode ser dirigida a mensagem da grande alegria: esta noite nasceu para vós o Salvador. Só o coração vigilante é capaz de crer na mensagem. Só o coração vigilante pode incutir a coragem de pôr-se a caminho para encontrar Deus nas condições de uma criança no curral. Peçamos ao Senhor para que nesta hora nos ajude, a nós também, a tornarmo-nos pessoas vigilantes. São Lucas narra-nos ainda que os próprios pastores ficaram «envolvidos» pela glória de Deus, pela nuvem de luz, encontravam-se dentro do resplendor desta glória. Envolvidos pela nuvem santa ouvem o cântico de louvor dos anjos: «Glória a Deus no mais alto dos céus e paz na terra aos homens por Ele amados». E quem são estes homens por Ele amados senão os pequenos, os vigilantes, aqueles que estão à espera, esperam na bondade de Deus e procuram-No olhando para Ele de longe? Nos Padres da Igreja, é possível encontrar um comentário surpreendente ao cântico com que os anjos saúdam o Redentor. Até àquele momento – dizem os Padres – os anjos tinham conhecido Deus na grandeza do universo, na lógica e na beleza do cosmos que provêm d’Ele e O refletem. Tinham acolhido por assim dizer o cântico de louvor mudo da criação e tinham-no transformado em música do céu. Mas agora acontecera um fato novo, até mesmo assombroso para eles. Aquele de quem fala o universo, o próprio Deus que tudo sustenta e traz na sua mão, Ele mesmo entrara na história dos homens, tornara-Se um que age e sofre na história. Do jubiloso assombro suscitado por este fato inconcebível, por esta segunda e nova maneira em que Deus Se manifestara – dizem os Padres – nasceu um cântico novo, tendo o Evangelho de Natal conservado uma estrofe para nós: «Glória a Deus no mais alto dos céus e paz na terra aos homens». Talvez se possa dizer, segundo a estrutura da poesia hebraica, que este versículo nas suas duas frases diz fundamentalmente a mesma coisa, mas duma perspectiva diversa. A glória de Deus está no alto dos céus, mas esta sublimidade de Deus encontra-se agora no curral, aquilo que era humilde tornou-se sublime. A sua glória está sobre a terra, é a glória da humildade e do amor. Mais ainda: a glória de Deus é a paz. Onde está Ele, lá está a paz. Ele está lá onde os homens não querem fazer, de modo autônomo, da terra o paraíso, servindo-se para tal fim da violência. Ele está com as pessoas de coração vigilante; com os humildes e com aqueles que correspondem à sua elevação, à elevação da humildade e do amor. A estes dá a sua paz, para que, por meio deles, entre a paz neste mundo. O teólogo medieval Guilherme de S. Thierry disse uma vez: Deus viu, a partir de Adão, que a sua grandeza suscitava no homem resistência; que o homem se sente limitado no ser ele próprio e ameaçado na sua liberdade. Portanto Deus escolheu um caminho novo. Tornou-Se um Menino. Tornou-Se dependente e frágil, necessitado do nosso amor. Agora – diz-nos aquele Deus que Se fez Menino – já não podeis ter medo de Mim, agora podeis apenas amar-Me. É com tais pensamentos que, esta noite, nos aproximamos do Menino de Belém, daquele Deus que por nós quis fazer-Se criança. Em cada criança, há o revérbero do Menino de Belém. Cada criança pede o nosso amor. Pensemos, pois, nesta noite de modo particular também naquelas crianças às quais é recusado o amor dos pais; nos meninos da rua que não têm o dom de um lar doméstico; nas crianças que são brutalmente usadas como soldados e feitas instrumentos da violência, em vez de poderem ser portadores da reconciliação e da paz; nas crianças que, através da indústria da pornografia e de todas as outras formas abomináveis de abuso, são feridas até ao fundo da sua alma. O Menino de Belém é um renovado apelo que nos é dirigido para fazermos tudo o que for possível a fim de que acabe a tribulação destas crianças; para fazermos tudo o que for possível a fim de que a luz de Belém toque os corações dos homens. Somente através da conversão dos corações, somente através de uma mudança no íntimo do homem se pode superar a causa de todo este mal, pode ser vencido o poder do maligno. Somente se mudarem os homens é que muda o mundo e, para os homens mudarem, precisam da luz que vem de Deus, daquela luz que de modo tão inesperado entrou na nossa noite. E falando do Menino de Belém, pensemos também na localidade que responde ao nome de Belém; pensemos naquela terra onde Jesus viveu e que Ele amou profundamente. E peçamos para que lá se crie a paz. Que cessem o ódio e a violência. Que desperte a compreensão recíproca, se realize uma abertura dos corações que abra as fronteiras. Que desça a paz que os anjos cantaram naquela noite. No Salmo 96/95, Israel e, com ele, a Igreja louvam a grandeza de Deus que se manifesta na criação. Todas as criaturas são chamadas a aderir a este cântico de louvor, encontrando-se lá também este convite: «Alegrem-se as árvores da floresta, diante do Senhor que vem» (12s.). A Igreja lê este Salmo também como uma profecia e simultaneamente uma missão. A vinda de Deus a Belém foi silenciosa. Somente os pastores que velavam foram por uns momentos envolvidos no esplendor luminoso da sua chegada e puderam ouvir uma parte daquele cântico novo que brotara da maravilha e da alegria dos anjos pela vinda de Deus. Esta vinda silenciosa da glória de Deus continua através dos séculos. Onde há fé, onde a sua palavra é anunciada e escutada, Deus reúne os homens e dá-Se-lhes no seu Corpo, transforma-os no seu Corpo. Ele «vem». E assim desperta o coração dos homens. O cântico novo dos anjos torna-se cântico dos homens que, ao longo de todos os séculos, de forma sempre nova cantam a vinda de Deus como Menino e, a partir do seu íntimo, tornam-se felizes. E as árvores da floresta vão até Ele e exultam. A árvore na Praça de São Pedro fala d’Ele, quer transmitir o seu esplendor e dizer: Sim, Ele veio e as árvores da floresta aclamam-No. As árvores nas cidades e nas casas deveriam ser algo mais do que um costume natalício: indicam Aquele que é a razão da nossa alegria – o próprio Deus que vem, o Deus que por nós Se fez menino. O cântico de louvor, no mais fundo, fala enfim d’Aquele que é a própria árvore da vida reencontrada. Pela fé n’Ele, recebemos a vida. No sacramento da Eucaristia, dá-Se a nós: dá uma vida que chega até a eternidade. Nesta hora, juntamo-nos ao cântico de louvor da criação e o nosso louvor é ao mesmo tempo uma oração: Sim, Senhor faça-nos ver algo do esplendor da vossa glória. E dai a paz à terra. Tornai-nos homens e mulheres da vossa paz. Amém. Fonte: © Copyright 2008 – Libreria Editrice Vaticana

 

Homilia do Papa na Missa da Noite Feliz

«O Senhor disse-Me: “Tu és meu filho, Eu hoje Te gerei”». Com estas palavras do Salmo segundo, a Igreja dá início à Santa Missa da vigília de Natal, na qual celebramos o nascimento do nosso Redentor Jesus Cristo no estábulo de Belém. Outrora, este Salmo pertencia ao ritual da coroação dos reis de Judá. O povo de Israel, por causa da sua eleição, sentia-se de modo particular filho de Deus, adotado por Deus. Uma vez que o rei era a personificação daquele povo, a sua entronização era vivida como um ato solene de adoção por parte de Deus, no qual o rei ficava, de certo modo, envolvido no próprio mistério de Deus. Na noite de Belém, estas palavras, que de fato eram mais a expressão duma esperança que realidade presente, ganharam um sentido novo e inesperado. O Menino no presépio é verdadeiramente o Filho de Deus. Deus não é perene solidão, mas um círculo de amor no recíproco dar-se e um dar-se sem cessar. Ele é Pai, Filho e Espírito Santo. Mais ainda: em Jesus Cristo, o Filho de Deus, o próprio Deus Se fez homem. É a Ele que o Pai diz: «Tu és meu filho». O hoje eterno de Deus desceu ao hoje efêmero do mundo e arrasta o nosso hoje passageiro para o hoje perene de Deus. Deus é tão grande que Se pode fazer pequeno. Deus é tão poderoso que Se pode fazer inerme e vir ter conosco como menino indefeso, para que O possamos amar. Deus é tão bom que renuncia ao seu esplendor divino e desce ao estábulo para que O possamos encontrar e, assim, a sua bondade chegue também a nós, se nos comunique e continue a agir por nosso intermédio. O Natal é isto: «Tu és meu Filho, Eu hoje Te gerei». Deus tornou-Se um de nós, para que nós pudéssemos viver com Ele, tornarmo-nos semelhantes a Ele. Como próprio sinal, escolheu o Menino no presépio: Deus é assim. Deste modo, aprendemos a conhecê-Lo. E em todo o menino brilha algo da luz daquele hoje, da proximidade de Deus que devemos amar e à qual nos devemos submeter – em todo o menino, mesmo na criança ainda não nascida. Ouçamos uma segunda palavra da liturgia desta Noite santa, tomada agora do Livro do profeta Isaías: «Para os que habitavam na terra da escuridão, uma luz começou a brilhar» (9, 1). A palavra «luz» permeia toda a liturgia desta Santa Missa. Aparece um novo aceno no texto da carta de São Paulo a Tito: «Manifestou-se a graça» (2, 11). A palavra «manifestou-se» diz, em língua grega e neste contexto, a mesma coisa que o hebraico exprime com as palavras «uma luz brilhou»: a «manifestação» – a «epifania» – é a irrupção da luz divina no mundo cheio de escuridão e de problemas insolúveis. Por fim, o Evangelho narra-nos que apareceu a glória de Deus aos pastores e «cercou-os de luz» (Lc 2, 9). Onde aparece a glória de Deus, aí irradia a luz pelo mundo. «Deus é luz e Nele não há trevas», diz-nos São João (1Jo 1, 5). A luz é fonte de vida. Mas luz significa, sobretudo conhecimento, significa verdade em contraposição com a escuridão da mentira e da ignorância. Deste modo, a luz faz-nos viver, indica-nos a estrada. Além disso, enquanto gera calor, a luz significa também amor. Onde há amor, levanta-se uma luz no mundo; onde há ódio, o mundo permanece na escuridão. É verdade, no estábulo de Belém, apareceu a grande luz que o mundo espera. Naquele Menino deitado na manjedoura, Deus mostra a sua glória – a glória do amor, em que Ele mesmo Se entrega em dom e Se despoja de toda a grandeza para nos conduzir pelo caminho do amor. A luz de Belém nunca mais se apagou. Ao longo de todos os séculos, envolveu homens e mulheres, «cercou-os de luz». Onde despontou a fé naquele Menino, aí desabrochou também a caridade – a bondade para com todos, a carinhosa atenção pelos débeis e os doentes, a graça do perdão. A partir de Belém, um rasto de luz, de amor, de verdade atravessa os séculos. Se olharmos os Santos – desde Paulo e Agostinho até São Francisco e São Domingos, desde Francisco Xavier e Teresa de Ávila até à Irmã Teresa de Calcutá – vemos esta corrente de bondade, este caminho de luz que se inflama, sempre de novo, no mistério de Belém, naquele Deus que Se fez Menino. Contra a violência deste mundo, Deus opõe, naquele Menino, a sua bondade e chama-nos a seguir o Menino. Juntamente com a árvore de Natal, os nossos amigos austríacos trouxeram-nos também uma pequena chama que tinham aceso em Belém, para nos dizer: o verdadeiro mistério do Natal é o esplendor interior que irradia deste Menino. Deixemos que se comunique a nós esse esplendor interior, que acenda no nosso coração a chama da bondade de Deus; todos nós levemos, com o nosso amor, a luz ao mundo! Não deixemos que esta chama luminosa se apague por causa das correntes frias do nosso tempo! Guardemo-la fielmente e demo-la aos outros! Nesta noite, em que voltamos o nosso olhar para Belém, queremos também rezar de modo especial pelo lugar do nascimento do nosso Redentor e pelos homens que lá vivem e sofrem. Queremos rezar pela paz na Terra Santa: Olhai, Senhor, este ângulo da terra que, como pátria vossa, tanto amais! Fazei que resplandeça lá a vossa luz! Fazei que lá chegue a paz! Com o termo «paz», chegamos à terceira palavra-mestra da liturgia desta Noite santa. Ao Menino que anuncia, Isaías chama-Lhe «Príncipe da paz». A propósito do seu reino, diz-se: «A paz não terá fim». No Evangelho, é anunciado aos pastores: «Glória a Deus nas alturas e paz na terra…». Outrora lia-se: «…aos homens de boa vontade»; na nova tradução, diz-se: «…aos homens que Ele ama». Que significa esta mudança? Deixou de ter valor a boa vontade? Ponhamos melhor a questão: Quais são os homens que Deus ama e porque é que os ama? Porventura Deus é parcial? Porventura ama apenas certas pessoas, deixando as outras entregues a si mesmas? O Evangelho responde a estas perguntas, mostrando-nos algumas pessoas concretas amadas por Deus. Há pessoas individuais – Maria, José, Isabel, Zacarias, Simeão, Ana, etc. Mas há também dois grupos de pessoas: os pastores e os sábios do Oriente, os chamados reis magos. Nesta noite, detenhamo-nos nos pastores. Que espécie de homens são eles? No seu ambiente, os pastores eram desprezados; eram considerados pouco sérios e, em tribunal, não eram admitidos como testemunhas. Mas, quem eram na realidade? Certamente não eram grandes santos, se por este termo entendemos pessoas de virtudes heróicas. Eram almas simples. O Evangelho evidencia uma característica que mais tarde, nas palavras de Jesus, havia de ter um papel importante: eram pessoas vigilantes. Isto vale primariamente em sentido exterior: de noite vigiavam, perto das suas ovelhas. Mas vale também num sentido mais profundo: estavam disponíveis à palavra de Deus. A sua vida não estava fechada em si mesma; o seu coração estava aberto. De certo modo, no mais fundo de si mesmos, estavam à espera Dele. A sua vigilância era disponibilidade – disponibilidade para ouvirem, disponibilidade para se porem caminho. Estavam à espera da luz que lhes indicasse o caminho. E isto é o que interessa a Deus. Ele ama a todos, porque todos são criaturas suas. Mas, algumas pessoas têm a sua alma fechada; o seu amor não encontra qualquer acesso a eles. Pensam que não têm necessidade de Deus; não O querem. Outros, que moralmente talvez sejam igualmente miseráveis e pecadores, pelo menos sofrem com isso. Estes esperam Deus. Sabem que têm necessidade da sua bondade, embora não tenham uma idéia precisa dela. No seu íntimo, aberto à expectativa, a luz de Deus pode entrar, e com ela a sua paz. Deus procura pessoas que levem e comuniquem a sua paz. Peçamos-Lhe para fazer com que não encontre fechado o nosso coração. Esforcemo-nos por nos tornarmos capazes de ser portadores ativos da sua paz – precisamente no nosso tempo. Além disso, a palavra paz assumiu entre os cristãos um significado de todo especial: tornou-se um nome para designar a Eucaristia. Nesta, está presente a paz de Cristo. Através de todos os lugares onde se celebra a Eucaristia, estende-se uma rede de paz sobre o mundo inteiro. As comunidades reunidas à volta da Eucaristia constituem um reino da paz largo como o mundo. Quando celebramos a Eucaristia, encontramo-nos em Belém, na «casa do pão». Cristo dá-Se a nós, e assim nos dá a sua paz. Dá-no-la para que levemos a luz da paz no nosso íntimo e a comuniquemos aos outros; para que nos tornemos obreiros de paz e contribuamos assim para a paz no mundo. Por isso, suplicamos: Senhor, realizai a vossa promessa! Fazei que, onde houver discórdia, nasça a paz! Fazei que desponte o amor, onde reinar o ódio! Fazei que surja a luz, onde dominarem as trevas! Fazei que nos tornemos portadores da vossa paz! Amém.

Não se pode pensar em uma Igreja sem alegria, diz Papa

Homilia na Casa Santa Marta, terça-feira, 3 de dezembro  de 2013, Da Redação, com Rádio Vaticano

Na homilia desta manhã, Papa falou de paz e alegria, destacando a necessidade de uma Igreja alegre no anúncio de Cristo

A Igreja deve ser sempre alegre como Jesus, disse o Papa Francisco, na Missa celebrada nesta terça-feira, 3, na Casa Santa Marta. O Pontífice destacou que a Igreja é chamada a transmitir a alegria do Senhor aos seus filhos, pois é ela quem lhes dá a verdadeira paz.

A homilia do Santo Padre concentrou-se no binômio paz e alegria. Da primeira leitura, vinda do Livro do profeta Isaías, ele observou o desejo de paz que todos têm. Trata-se de uma paz que, como diz o profeta, nos levará a Cristo. Do Evangelho, Francisco destacou que se pode ver um pouco da alma de Jesus, do Seu coração alegre.

Este lado de Jesus nem sempre é alvo do pensamento dos fiéis, observou Francisco, dizendo que é comum pensarmos em Cristo rezando, curando, caminhando, mas não há o hábito de pensarmos n’Ele sorrindo, alegrando-se. Mas Cristo era cheio de alegria interior, a mesma que Ele dá a cada um de nós.

“Esta alegria é a verdadeira paz. Não uma paz estática, quieta, tranquila. A paz cristã é alegre, porque o nosso Senhor é alegre, também quando fala de Deus. Ele ama tanto o Pai que não pode falar d’Ele sem alegria”.

E sendo alegre, Jesus quis que a Igreja também o fosse. Dessa forma, o Santo Padre disse que não se pode pensar em uma Igreja sem alegria. Ele recordou as palavras do Papa Paulo VI, que dizia que a alegria da Igreja é evangelizar.

“Mesmo na sua viuvez – porque a Igreja tem uma parte de viúva que espera o seu Esposo voltar –,  a Igreja é alegre na esperança. O Senhor dê a todos nós esta alegria de Jesus, louvando ao Pai no Espírito. Esta alegria da nossa mãe Igreja na evangelização, no anunciar o seu Esposo”.

Santo Evangelho (Lc 10, 1-12.17-20)

14ª Domingo do Tempo Comum – Domingo 07/07/13

Primeira Leitura (Is 66,10-14c)
Livro do profeta Isaías:

10 Alegrai-vos com Jerusalém e exultai com ela, todos vós, que a amais; tomai parte em seu júbilo, todos vós, que choráveis por ela, 11 para poderdes sugar e saciar-vos ao seio de sua consolação, e aleitar-vos e deliciar-vos aos úberes de sua glória. 12 Isto diz o Senhor: “Eis que farei correr para ela a paz como um rio e a glória das nações como torrente transbordante. Sereis amamentados, carregados ao colo e acariciados sobre os joelhos. 13 Como uma mãe que acaricia o filho, assim eu vos consolarei; e sereis consolados em Jerusalém. 14c Tudo isso haveis de ver e o vosso coração exultará, e o vosso vigor se renovará como a relva do campo. A mão do Senhor se manifestará em favor de seus servos”.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Responsório (Sl 65)

— Aclamai o Senhor Deus, ó terra inteira!
— Aclamai o Senhor Deus, ó terra inteira!

— Aclamai o Senhor Deus, ó terra inteira,/ cantai salmos a seu nome glorioso,/ dai a Deus a mais sublime louvação!/ Dizei a Deus: “Como são grandes vossas obras!

— Toda a terra vos adore com respeito/ e proclame o louvor do vosso nome!”/ Vinde ver todas as obras do Senhor:/ seus prodígios estupendos entre os homens!

— O mar ele mudou em terra firme,/ e passaram pelo rio a pé enxuto,/ Exultemos de alegria no Senhor!/ Ele domina para sempre com poder!

— Todos vós que a Deus temeis, vinde escutar:/ vou contar-vos todo bem que ele me fez!/ Bendito seja o Senhor Deus que me escutou,/ não rejeitou minha oração e meu clamor,/ nem afastou longe de mim o seu amor!

 

Segunda Leitura (Gl 6,14-18)
Carta de São Paulo aos Gálatas:

Irmãos: 14 Quanto a mim, que eu me glorie somente da cruz do Senhor nosso, Jesus Cristo. Por ele, o mundo está crucificado para mim, como eu estou crucificado para o mundo. 15 Pois nem a circuncisão nem a incircuncisão têm valor; o que conta é a criação nova. 16 E para todos os que seguirem esta norma, como para o Israel de Deus, paz e misericórdia. 17 Doravante, que ninguém me moleste, pois eu trago em meu corpo as marcas de Jesus. 18 Irmãos, a graça do Senhor nosso, Jesus Cristo, esteja convosco. Amém!

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Evangelho (Lc 10,1-12.17-20)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Lucas.
— Glória a vós, Senhor!

Naquele tempo, 1 o Senhor escolheu outros setenta e dois discípulos e os enviou dois a dois, na sua frente, a toda cidade e lugar aonde ele próprio devia ir. 2 E dizia-lhes: “A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos. Por isso, pedi ao dono da messe que mande trabalhadores para a colheita. 3 Eis que vos envio como cordeiros para o meio de lobos. 4 Não leveis bolsa, nem sacola, nem sandálias, e não cumprimenteis ninguém pelo caminho! 5 Em qualquer casa em que entrardes, dizei primeiro: ‘A paz esteja nesta casa!’ 6 Se ali morar um amigo da paz, a vossa paz repousará sobre ele; se não, ela voltará para vós. 7 Permanecei naquela mesma casa, comei e bebei do que tiverem, porque o trabalhador merece o seu salário. Não passeis de casa em casa. 8 Quando entrardes numa cidade e fordes bem recebidos, comei do que vos servirem, 9 curai os doentes que nela houver e dizei ao povo: ‘O Reino de Deus está próximo de vós’. 10 Mas, quando entrardes numa cidade e não fordes bem recebidos, saindo pelas ruas, dizei: 11 ‘Até a poeira de vossa cidade, que se apegou aos nossos pés, sacudimos contra vós. No entanto, sabei que o Reino de Deus está próximo!’ 12 Eu vos digo que, naquele dia, Sodoma será tratada com menos rigor do que essa cidade”. 17 Os setenta e dois voltaram muito contentes, dizendo: “Senhor, até os demônios nos obedeceram por causa do teu nome”. 18 Jesus respondeu: “Eu vi Satanás cair do céu, como um relâmpago. 19 Eu vos dei o poder de pisar em cima de cobras e escorpiões e sobre toda a força do inimigo. E nada vos poderá fazer mal. 20 Contudo, não vos alegreis porque os espíritos vos obedecem. Antes, ficai alegres porque vossos nomes estão escritos no céu”.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

 

A IGREJA CATÓLICA CELEBRA E VENERA HOJE
Santo Adriano

Adriano viveu no século IV. Era casado com Natália. Recebia oração e via o testemunho de sua esposa nas pequenas coisas, na fidelidade, no amor a Deus e a ele.

Adriano pertencia à chefia da guarda romana, onde o Imperador Diocleciano perseguia duramente os cristãos. Numa ocasião, foram presos 22 cristãos, que testemunharam Jesus perante os tribunais. O coração de Adriano se decidiu por Cristo naquele momento e quis pertencer ao número daqueles heróis do Senhor. Decidiu-se por Cristo, foi preso, sofreu todas as pressões para negar a fé em Cristo e na Igreja.

Natália acompanhou tudo e orava pela fidelidade de seu esposo a Cristo. Adriano teve uma última chance de declarar seu amor à esposa e foi martirizado, queimado vivo, juntamente com os outros 22 cristãos.

Santo Adriano, rogai por nós!

Desenvolvido por Origy Networks – Criação de sites e propaganda