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Santo Evangelho (Mt 19, 3-12)

19ª Semana Comum – Sexta-feira 18/08/2017

Primeira Leitura (Js 24,1-13)
Leitura do Livro de Josué.

Naqueles dias, 1Josué reuniu em Siquém todas as tribos de Israel e convocou os anciãos, os chefes, os juízes e os magistrados, que se apresentaram diante de Deus. 2Então Josué falou a todo o povo: “Assim diz o Senhor, Deus de Israel: Vossos pais, Taré, pai de Abraão e de Nacor habitaram outrora do outro lado do rio Eufrates e serviram a deuses estranhos. 3Mas eu tirei Abraão, vosso pai, dos confins da Mesopotâmia, e o conduzi através de toda a terra de Canaã, e multipliquei a sua descendência. 4Dei-lhe Isaac, e a este dei Jacó e Esaú. E a Esaú, um deles, dei em propriedade o monte Seir; Jacó, porém, e seus filhos, desceram para o Egito. 5Em seguida, enviei Moisés e Aarão e castiguei o Egito com prodígios que realizei em seu meio, e depois disso vos tirei de lá. 6Fiz, portanto, que vossos pais saíssem do Egito, e assim che­gastes ao mar. Os egípcios perseguiram vossos pais, com carros e cavaleiros, até o mar Vermelho. 7Vossos pais clamaram então ao Senhor, e ele colocou trevas entre vós e os egípcios. Depois trouxe sobre estes o mar, que os recobriu. Vossos olhos viram todas as coisas que eu fiz no Egito e habitastes no deserto muito tempo. 8Eu vos introduzi na terra dos amorreus que habitavam do outro lado do rio Jordão. E, quando guerrearam contra vós, eu os entreguei em vossas mãos, e assim ocupastes a sua terra e os exterminastes. 9Levantou-se então Balac, filho de Sefor, rei de Moab, e combateu contra Israel, e mandou chamar Balaão, filho de Beor, para que vos amaldiçoasse. 10Eu, porém, não o quis ouvir. Ao contrário, abençoei-vos por sua boca, e vos livrei de suas mãos. 11A seguir, atravessastes o Jordão e chegastes a Jericó. Mas combateram contra vós os habitantes desta cidade – os amorreus, os ferezeus, os cananeus, os hititas, os gergeseus, os heveus e os jebuseus. Eu, porém, entreguei-os em vossas mãos. 12Enviei à vossa frente vespões que os expulsaram da vossa presença – os dois reis dos amorreus – e isso não com a tua espada nem com o teu arco. 13Eu vos dei uma terra que não lavrastes, cidades que não edificastes, e nelas habitais, vinhas e olivais que não plantastes, e comeis de seus frutos.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Responsório (Sl 135)

— Eterna é a sua misericórdia!
— Eterna é a sua misericórdia!

— Demos graças ao Senhor, porque ele é bom: porque eterno é seu amor! Demos graças ao Senhor, Deus dos deuses: porque eterno é seu amor! Demos graças ao Senhor dos senhores: porque eterno é seu amor!

— Ele guiou pelo deserto o seu povo: porque eterno é seu amor! E feriu por causa dele grandes reis: porque eterno é seu amor! Reis poderosos fez morrer por causa dele: porque eterno é seu amor!

— Repartiu a terra deles como herança: porque eterno é seu amor! Como herança a Israel, seu servidor: porque eterno é seu amor! De nossos inimigos libertou-nos: porque eterno é seu amor!

 

Evangelho (Mt 19,3-12)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 3alguns fariseus aproximaram-se de Jesus, e perguntaram, para o tentar: “É permitido ao homem despedir sua esposa por qualquer motivo?” 4Jesus respondeu: “Nunca lestes que o Criador, desde o início, os fez homem e mulher? 5E disse: ‘Por isso, o homem deixará pai e mãe, e se unirá à sua mulher, e os dois serão uma só carne’? 6De modo que eles já não são dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus uniu, o homem não separe”. 7Os fariseus perguntaram: “Então, como é que Moisés mandou dar certidão de divórcio e despedir a mulher?” 8Jesus respondeu: “Moisés permitiu despedir a mulher, por causa da dureza do vosso coração. Mas não foi assim desde o início. 9Por isso, eu vos digo: quem despedir a sua mulher – a não ser em caso de união ilegítima – e se casar com outra, comete adultério”. 10Os discípulos disseram a Jesus: “Se a situação do homem com a mulher é assim, não vale a pena casar-se”. 11Jesus respondeu: “Nem todos são capazes de entender isso, a não ser aqueles a quem é concedido. 12Com efeito, existem homens incapazes para o casamento, porque nasceram assim; outros, porque os homens assim os fizeram; outros, ainda, se fizeram incapazes disso por causa do Reino dos Céus. Quem puder entender entenda”.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

 

A IGREJA CATÓLICA CELEBRA E VENERA HOJE
Santa Helena, dedicou-se ao Cristianismo

Santa Helena se dedicou na ajuda ao Cristianismo no tempo da liberdade religiosa acontecida durante o Império Romano

Nascida no ano de 255 em Bitínia, de família plebeia, no tempo da juventude trabalhava numa pensão, até conhecer e casar-se com o oficial do exército romano, chamado Constâncio Cloro.

Fruto do casamento de Helena foi Constantino, o futuro Imperador, o qual tornou-se seu consolo quando Constâncio Cloro deixou-a para casar-se com a princesa Teodora e governar o Império Romano. Diante do falecimento do esposo, o filho que avançava na carreira militar substituiu o pai na função imperial, e devido a vitória alcançada nas portas de Roma, tornou-se Imperador.

Aconteceu que Helena converteu-se ao Cristianismo, ou ainda tenha sido convertida pelo filho que decidiu seguir Jesus e proclamar em 313 o Édito de Milão, o qual deu liberdade à religião cristã, isto depois de vencer uma terrível batalha a partir de uma visão da Cruz. Certeza é que no Império Romano a fervorosa e religiosa Santa Helena foi quem encontrou a Cruz de Jesus e ajudou a Igreja de Cristo, a qual saindo das catacumbas pôde evangelizar e com o auxílio de Santa Helena construir basílicas nos lugares santos.

Faleceu em 327 ou 328 em Nicomédia, pouco depois de sua visita à Terra Santa. Os seus restos foram transportados para Roma, onde se vê ainda agora, no Vaticano, o sarcófago de pórfiro que os inclui.

Santa Helena, rogai por nós!

Espírito Santo nos impulsiona a chamar Deus de Pai

Quarta-feira, 23 de maio de 2012 / Nicole Melhado / Da Redação 

Junto aos fiéis e peregrinos reunidos na Praça São Pedro, o Papa deu continuidade ao ciclo de catequeses sobre a oração  

Nesta quarta-feira, 23, o Papa Bento XVI continuou o ciclo de Catequeses sobre a oração. Aos peregrinos e fiéis reunidos na Praça São Pedro, o Santo Padre ressaltou que o Espírito Santo “nos ensina a nos dirigir a Deus como filhos, chamando-O de ‘Abbá, Pai’” com a simplicidade, o respeito, a confiança e o afeto de um filho por seus pais.

“Queridos irmãos e irmãs, o Espírito Santo nos ensina a tratar Deus, na oração, com os termos afetuosos de ‘Abbá, Pai!’, como fez Jesus. São Paulo, tanto na carta aos Gálatas como na carta aos Romanos, afirma que é o Espírito que clama em nós ‘Abbá, Pai!’”, ressaltou o Pontífice.

Bento XVI enfatiza ainda que a Igreja acolheu esta invocação, que é repetida na oração do “Pai-Nosso” e “poder chamar Deus de Pai é um dom inestimável”. Ele não é somente o Criador, explica o Papa, mas é quem conhece cada um pelo nome, Aquele que cuida e ama todos imensamente, como ninguém no mundo é capaz de amar.

“Hoje muitos não se dão conta da grandeza e da consolação profunda contidas na palavra ‘Pai’, dita por nós a Deus na oração. O Espírito Santo ilumina o nosso espírito, unindo-nos à relação filial de Jesus com o Pai. Realmente, sempre que clamamos ‘Abbá, Pai!’, fazemos isso movidos pelo Espírito, com Cristo e em Cristo, e sempre em união com toda a Igreja”, afirma o Papa.

Talvez o homem de hoje, ressaltou o Pontífice, não perceba a beleza, a grandeza e a consolação profunda contida na palavra “pai”, porque a própria figura paterna não seja suficientemente presente e, muitas vezes, suficientemente positiva na vida cotidiana.

“A ausência do Pai, o fato de um pai não ser presente na vida de uma criança é um grande problema do nosso tempo, por isso, torna-se difícil entender na sua profundidade o que quer dizer que Deus é Pai para nós”, salienta.

Na oração, explica ainda Bento XVI, entramos numa relação de intimidade e familiaridade com um Deus pessoal, que quis nos fazer participantes da plenitude da vida, que nunca nos abandona. Na oração, não somente nos dirigimos a Deus, mas entramos numa relação recíproca com Ele. Uma relação em que nunca estamos sós: Cristo nos acompanha pessoalmente, e também a comunidade cristã, com toda a diversidade e a riqueza dos seus carismas, como família dos filhos de Deus.

No final da catequese, o Santo Padre saudou os fiéis e grupos de peregrinos nos vários idiomas, entre eles, os brasileiros.   “Queridos peregrinos de língua portuguesa: sede bem-vindos! Saúdo de modo particular os brasileiros do Rio de Janeiro, do Rio Grande de Sul, bem como as Irmãs Franciscanas de São José. Com a proximidade da solenidade de Pentecostes, procurai, a exemplo de Nossa Senhora, estar abertos à ação do Espírito Santo na vossa oração, de tal modo que o vosso pensar e agir se conformem sempre mais com os do seu Filho Jesus Cristo. De coração vos abençôo a vós e às vossas famílias!”, disse o Papa em português.

 

Catequese Bento XVI – Oração Cartas de Paulo (2)  
Boletim da Santa Sé (Tradução: Mirticeli Medeiros – equipe do CN notícias)

Queridos irmãos e irmãs.

Quarta-feira passada mostrei como São Paulo diz que o Espírito Santo é o grande mestre da oração e nos ensina a nos dirigirmos a Deus com os termos afetuosos de filhos, chamando-o de “Abbá, Pai”. Assim fez Jesus: também no momento mais dramático da sua vida terrena, Ele não perdeu a confiança no Pai e sempre o invocou com a intimidade do Filho Amado. No Getsêmani, quando sente a angústia da morte, a sua oração é: “Abbá! Pai! Tudo é possível a ti: afasta de mim este cálice! Mas, não se faça aquilo que quero, mas aquilo que queres” (Mc 14,36).

Desde os primeiros passos do seu caminho, a Igreja acolheu esta invocação e a fez própria, sobretudo na oração do Pai Nosso, na qual dizemos todos os dias: “Pai, seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu” (Mt 6, 9-10). Nas cartas de São Paulo a encontramos duas vezes. O apóstolo se dirige aos Gálatas com estas palavras: “E pelo fato de serdes filhos de Deus é a prova que Ele mandou aos nossos corações o Espírito de seu Filho, o qual grita em nós: “Abbá! Pai!” (Gal 4,6). E no centro desse canto ao Espírito que está no capítulo oitavo da carta aos Romanos, São Paulo afirma: “E vós não recebestes um espírito de escravos para cair no medo, mas recebestes o Espírito que vos torna filhos adotivos, por meio do qual gritamos: “Abbá, Pai!” (Rom 8,15). O cristianismo não é uma religião do medo, mas da confiança e do amor do Pai que nos ama. Essas duas grandes afirmações nos falam do envio e do acolhimento dado ao Espírito Santo, o dom do Ressuscitado, que nos torna filhos em Cristo, o Filho Unigênito, e nos coloca em uma relação filial com Deus, relação de profunda confiança, como aquela das crianças; uma relação filial análoga àquela de Jesus, mesmo essa sendo de origem e teor diferentes: Jesus é o Filho eterno de Deus que se fez carne, por outro lado, nós, nos tornamos filhos nele, no tempo, mediante a fé e os Sacramentos do Batismo e do Crisma; graças a esses dois Sacramentos, mergulhamos no Mistério Pascal de Cristo. O Espírito Santo é o dom precioso e necessário que nos torna filhos de Deus, que realiza aquela adoção filial a qual somos chamados, todos os seres humanos, para que, como retrata a benção divina da Carta aos Efésios, Deus, em Cristo, “nos escolheu antes da criação do mundo para sermos santos e imaculados diante dele na caridade, predestinando-nos a sermos para Ele filhos adotivos mediante Jesus Cristo” (Ef 1,4).

Talvez o homem de hoje não perceba a beleza, a grandeza, e a consolação profunda contidas na palavra “pai” com a qual podemos nos dirigir a Deus na oração, por causa da figura paterna que geralmente não é suficientemente presente, ou suficientemente positiva na vida cotidiana, nos tempos de hoje. A essência do pai, o problema de um pai não presente na vida de uma criança é um grande problema do nosso tempo, por isso, se torna difícil entender na sua profundidade o que significa dizer que Deus é Pai para nós. A partir do próprio Jesus, do seu relacionamento filial com Deus, podemos aprender o que significa exatamente o “pai”, qual é a verdadeira natureza do Pai que está nos céus. Críticos da religião disseram que falar do “Pai”, de Deus, seria uma projeção dos nossos pais ao céu. Mas, é verdade o contrário: no Evangelho, Cristo nos mostra quem é o pai e como é um verdadeiro pai, para que possamos intuir a verdadeira paternidade, aprender também a verdadeira paternidade. Pensemos nas palavras de Jesus no sermão da montanha onde diz: “amais os vossos inimigos e orais por aqueles que vos perseguem, para que sejais filhos do Pai vosso que está nos céus” (Mt 5,44-45). É exatamente no amor de Jesus, o Filho Unigênito – que é ampliado pelo dom de si mesmo na cruz –  que se é revelada a nós a verdadeira natureza do pai: “Ele é Amor, e também nós, na nossa oração de filhos, entramos nesse circuito de amor, amor de Deus que purifica os nosso desejos, as nossas atitudes marcadas pelo fechamento, autossuficiência, do egoísmo típico do homem velho.

Gostaria de concentrar-me sobre a paternidade de Deus, para que possamos fazer com que o nosso coração seja abrasado por esta profunda realidade que Jesus Cristo nos fez conhecer plenamente e para que a nossa oração seja nutrida. Podemos dizer, portanto, que em Deus, o ser Pai tem duas dimensões. Antes de tudo, Deus é nosso Pai, porque é nosso Criador. Cada um de nós, todo homem e toda mulher é um milagre de Deus, é desejado por Ele e é conhecido pessoalmente por Ele. Quando no livro do Gênesis se diz que o ser humano é criado à imagem de Deus (CFR 1,27), se deseja exprimir exatamente esta realidade: Deus é nosso Pai, para Ele não somos anônimos, impessoais, mas temos um nome. E uma palavra nos Salmos, me toca sempre quando a rezo: “As tuas mãos me plasmaram”, diz o salmista (Sal 119,73). Cada um de nós, pode dizer, nesta bela imagem da relação pessoal com Deus: “As tuas mãos me plasmaram. Pensaste em mim, me criaste, me quiseste”. Mas isso ainda não basta. O Espírito de Cristo nos abre a uma segunda dimensão da paternidade de Deus, além da criação, porque Jesus é o Filho em sentido pleno, consubstancial ao Pai, como professamos no Creio. Se tornando um ser humano como nós, com a encarnação, a morte e a ressurreição, Jesus, por sua vez, nos acolhe na sua humanidade e no próprio ser Filho, assim, também nós podemos entrar na sua específica pertença a Deus. Certamente o nosso ser filhos não tem a plenitude do ser Filho de Jesus: nós devemos nos tornar sempre mais, ao longo do caminho de toda a nossa existência cristã, crescendo no seguimento de Cristo, na comunhão com Ele para entrar sempre mais intimamente na relação de amor com Deus Pai, que sustenta nossa vida. E é essa a realidade fundamental que nos vem aberta quando nos abrimos ao Espírito Santo e Ele nos faz dirigir a Deus dizendo-lhe “Abbá”, Pai! Entramos realmente além da criação na adoção com Jesus; estamos realmente unidos em Deus, e filhos em um modo novo, em uma dimensão nova.

Mas gostaria agora de retornar aos dois trechos de São Paulo nos quais estamos considerando a ação do Espírito Santo na nossa oração; também aqui são dois passos que se correspondem, mas contém uma definição diferente. Na carta aos Gálatas, de fato, o apóstolo afirma que o Espírito grita em nós “Abbá!Pai!”; já na carta aos Romanos diz que somos nós a gritar “Abbá!Pai!”. E São Paulo quer nos fazer compreender que a oração cristã não é nunca, não acontece nunca em sentido único de nós a Deus, não é somente um “agir nosso”, mas é expressão de uma relação recíproca na qual Deus age primeiro: é o Espírito Santo que grita em nós, e nós podemos gritar para que o impulso venha do Espírito Santo. Nós não poderíamos rezar se não fosse inscrito na profundidade do nosso ser o desejo de Deus, o ser filhos de Deus. Desde quando passou a existir, o homo sapiens está sempre à procura de Deus, à procura de falar com Deus, porque Deus inscreveu-se nos nossos corações. Portanto, a primeira iniciativa vem de Deus, e com o Batismo, Ele de novo age em nós, o Espírito Santo age em nós; é o primeiro iniciador da oração para que possamos depois realmente falar com Deus e dizer “Abbá” a Deus. Portanto, a sua presença abre a nossa oração e a nossa vida, abre os horizontes da Trindade e da Igreja.

Além disso, compreendemos – este é um segundo ponto – que a oração do Espírito de Cristo em nós e a nossa nele, não é somente um ato individual, mas um ato de toda a Igreja. No rezar se abre o nosso coração, entramos em comunhão não somente com Deus, mas exatamente com todos os filhos de Deus, para que sejamos uma coisa só. Quando nos dirigimos ao Pai na nossa morada interior, no silêncio e no recolhimento, não estamos nunca sozinhos. Quem fala com Deus não está sozinho. Estamos na grande oração da Igreja, somos parte de uma grande sinfonia que  a comunidade cristã, espalhada em todas as partes da terra e em todos os tempos, eleva a Deus; claro, os músicos e os instrumentos são diferentes –  e isso é um elemento de riqueza – , mas a melodia de louvor é única e em harmonia. Todas as vezes, então, que gritamos e dizemos: “Abbá!Pai!” é a Igreja, toda a comunhão dos homens em oração que sustenta a nossa invocação, e a nossa invocação é a invocação da Igreja. Isso também se reflete na riqueza dos carismas, dos ministérios, das tarefas que realizamos na comunidade. São Paulo escreve aos cristãos de Corinto: “Existem diversos carismas, mas somente um é o Espírito; existem diversos ministérios, mas um só é o Senhor; existem diversas atividades, mas um só é o Deus que age em todos nós” (I Cor 12,4-6). A oração guiada pelo Espírito Santo, que nos faz dizer: “Abbá! Pai” com Cristo e em Cristo, nos insere no único grande mosaico da família de Deus no qual cada um tem um lugar importante e um papel importante, em profunda unidade com o todo.

Uma última reflexão: nós aprendemos a gritar “Abbá, Pai” também com Maria, a Mãe do Filho de Deus. O cumprimento da plenitude dos tempos, do qual fala São Paulo na Carta aos Gálatas (cfr 4,4), acontece no momento do sim de Maria, da sua adesão plena à vontade de Deus: “eis, sou a serva do Senhor” (Lc 1,38).

Queridos irmãos e irmãs, aprendemos a provar na nossa oração a beleza de sermos amigos, filhos de Deus, de poder invocá-lo com a confiança de uma criança que se dirige aos pais que a amam. Abramos a nossa oração à ação do Espírito Santo para que nós gritemos a Deus “Abbá! Pai” e para que a nossa oração transforme, converta constantemente o nosso pensar, o nosso agir para torná-lo sempre mais conforme àquele do Filho Unigênito, Jesus Cristo. Obrigado.

Papa fala da paternidade de Deus como fonte de esperança

Quarta-feira, 7 de junho de 2017, Da Redação, com Rádio Vaticano

Chamar Deus de “Pai” é uma grande revolução do cristianismo e exprime relação de confidência com Deus, disse o Papa

Na catequese desta quarta-feira, 7, o Papa Francisco abordou o tema “A paternidade de Deus, fonte da nossa esperança”, dando continuidade ao ciclo de reflexões sobre a esperança cristã.

Francisco explicou que chamar Deus com o nome de “Pai” é a grande revolução que o cristianismo imprime na psicologia religiosa do homem. O Evangelho de Lucas é o que melhor documenta o “Cristo orante” e a oração do Pai Nosso revela justamente esta intimidade de Jesus com seu Pai.

“Todo o mistério da vida cristã está resumido aqui, nesta palavra: ter a coragem de chamar Deus com o nome de Pai. Mesmo a Liturgia, quando nos convida a rezar o Pai Nosso na comunidade, utiliza a expressão ‘ousemos dizer’”.

O Santo Padre ressaltou que chamar Deus de “Pai” não é um fato óbvio, uma vez que o normal é que se use “títulos mais elevados”, que pareçam mais respeitosos à sua transcendência. “Ao invés disto, invocá-lo como ‘Pai’ nos coloca em relação de confiança com Ele, como uma criança que se dirige ao seu pai, sabendo ser amada e cuidada por ele. Esta é a grande revolução que o cristianismo imprime na psicologia religiosa do homem. O mistério de Deus, que sempre nos fascina e nos faz sentir pequenos, porém, não causa medo, não nos sufoca, não nos angustia. Esta é uma revolução difícil de acolher em nossa alma humana”.

Este Deus que é um Pai, que sabe ser somente amor por seus filhos, encontra grande expressão na Parábola do Filho Pródigo, narrada em Lucas. “Um Pai que não pune o filho pela sua arrogância e que é capaz até mesmo de confiar a ele a sua parte de herança e deixá-lo ir embora de casa. Deus é Pai, diz Jesus, mas não da maneira humana, porque não existe nenhum pai neste mundo que se comportaria como o protagonista desta parábola. Deus é Pai à sua maneira: bom, indefeso diante do livre arbítrio do homem, capaz somente de declinar o verbo amar”.

“O Evangelho de Jesus Cristo nos revela que Deus não pode estar sem nós: Ele nunca será um Deus ‘sem o homem’; é Ele que não pode estar sem nós, e isto é um grande mistério… Deus não pode ser Deus sem o homem: um grande mistério isto”, exclamou o Pontífice. “Mesmo que nos afastemos, sejamos hostis, nos professemos ‘sem Deus’. E esta certeza é a fonte de nossa esperança’, que está em todas as invocações do Pai Nosso”.

E quando o homem precisa de ajuda, observou por fim o Papa, Jesus não diz para ele se resignar e fechar-se em si mesmo, mas para dirigir-se ao Pai e pedir a Ele com confiança. “Todas as nossas necessidade, desde as mais evidentes e cotidianas, como a comida, a saúde, o trabalho, até aquelas como ser perdoados e sustentados nas tentações, não são o espelho de nossa solidão, pois existe um Pai que sempre nos olha com amor e que, seguramente, não nos abandona”.

Santo Evangelho (Jo 20, 19-23)

Pentecostes – Domingo 04/06/2017

Primeira Leitura (At 2,1-11)
Leitura dos Atos dos Apóstolos:

1Quando chegou o dia de Pentecostes, os discípulos estavam todos reunidos no mesmo lugar. 2De repente, veio do céu um barulho como se fosse uma forte ventania, que encheu a casa onde eles se encontravam. 3Então apareceram línguas como de fogo que se repartiram e pousaram sobre cada um deles. 4Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito os inspirava. 5Moravam em Jerusalém judeus devotos, de todas as nações do mundo. 6Quando ouviram o barulho, juntou-se a multidão, e todos ficaram confusos, pois cada um ouvia os discípulos falar em sua própria língua. 7Cheios de espanto e admiração, diziam: “Esses homens que estão falando não são todos galileus? 8Como é que nós os escutamos na nossa própria língua? 9Nós, que somos partos, medos e elamitas, habitantes da Mesopotâmia, da Judeia e da Capadócia, do Ponto e da Ásia, 10da Frígia e da Panfília, do Egito e da parte da Líbia próxima de Cirene, também romanos que aqui residem; 11judeus e prosélitos, cretenses e árabes, todos nós os escutamos anunciarem as maravilhas de Deus em nossa própria língua!”

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Responsório (Sl 103)

— Enviai o vosso Espírito, Senhor,/ e da terra toda a face renovai!
— Enviai o vosso Espírito, Senhor,/ e da terra toda a face renovai!

— Bendize, ó minha alma, ao Senhor!/ Ó meu Deus e meu Senhor, como sois grande!/ Quão numerosas, ó Senhor, são vossas obras!/ Encheu-se a terra com as vossas criaturas!

— Se tirais o seu respiro, elas perecem/ e voltam para o pó de onde vieram./ Enviais o vosso espírito e renascem/ e da terra toda a face renovais.

— Que a glória do Senhor perdure sempre,/ e alegre-se o Senhor em suas obras!/ Hoje seja-lhe agradável o meu canto,/ pois o Senhor é a minha grande alegria!

 

Segunda Leitura (1Cor 12,3b-7.12-13)
Leitura da Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios:

Irmãos: 3bNinguém pode dizer: Jesus é o Senhor, a não ser no Espírito Santo. 4Há diversidade de dons, mas um mesmo é o Espírito. 5Há diversidade de ministérios, mas um mesmo é o Senhor. 6Há diferentes atividades, mas um mesmo Deus que realiza todas as coisas em todos. 7A cada um é dada a manifestação do Espírito em vista do bem comum. 12Como o corpo é um, embora tenha muitos membros, e como todos os membros do corpo, embora sejam muitos, formam um só corpo, assim também acontece com Cristo. 13De fato, todos nós, judeus ou gregos, escravos ou livres, fomos batizados num único Espírito, para formarmos um único corpo, e todos nós bebemos de um único Espírito.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Anúncio do Evangelho (Jo 20,19-23)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo João.
— Glória a vós, Senhor.

19Ao anoitecer daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas, por medo dos judeus, as portas do lugar onde os discípulos se encontravam, Jesus entrou e, pondo-se no meio deles, disse: “A paz esteja convosco”. 20Depois dessas palavras, mostrou-lhes as mãos e o lado. Então os discípulos se alegraram por verem o Senhor. 21Novamente, Jesus disse: “A paz esteja convosco. Como o Pai me enviou, também eu vos envio”. 22E, depois de ter dito isso, soprou sobre eles e disse: “Recebei o Espírito Santo. 23A quem perdoardes os pecados, eles lhes serão perdoados; a quem não os perdoardes, eles lhes serão retidos”.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

 

A IGREJA CATÓLICA CELEBRA E VENERA HOJE
São Crispim, primeiro santo canonizado pelo Papa João Paulo II 

São Crispim, testemunhava em tudo o amor de Deus

Neste dia lembramos o primeiro santo canonizado pelo Papa João Paulo II: São Crispim, que nasceu em Viterbo, na Itália, em 1668.

Chamado à vida religiosa, recebeu uma formação jesuíta. Porém, acabou entrando para a família franciscana, despertado pela piedade dos noviços. Ocupou cargos de grande simplicidade dentro da comunidade como a horta, a cozinha, e tantos outros serviços onde ele testemunhava em tudo o amor de Deus.

Falava e vivia a seguinte frase: “Quem ama a Deus com pureza de coração, vive feliz e morre contente”

Crispim deixou essa marca da pureza e da alegria. Ele viveu tudo com pureza de coração, foi feliz e morreu contente em 1748.

Que nosso caminho seja marcado pelo amor e pela verdadeira alegria.

São Crispim, rogai por nós!

Subiu aos céus

Está sentado à direita de Deus

O evangelista São Marcos disse: “O Senhor Jesus, depois de ter-lhes falado, foi arrebatado ao Céu e sentou-se à direita de Deus” (Mc 9). O sentar-se à direita do Pai significa a inauguração do Reino do Messias, a realização daquela visão do profeta Daniel: “A Ele foram outorgados o império, a honra e o reino, e todos os povos, nações e línguas o serviram. Seu império é um império eterno que jamais passará, e seu reino jamais será destruído” (Dn 7,14).

A Ascensão do Senhor marca, assim, a entrada definitiva da humanidade de Jesus no céu, donde voltará, embora até esteja escondido dos homens. Com Ele a humanidade pode agora ser introduzida na comunhão plena com Deus que, por causa do pecado original, o homem perdeu. A Igreja ensina que, a partir desse momento, os apóstolos se tomaram as testemunhas do “Reino que não terá fim”.

Durante os quarenta dias, que ainda permaneceu na terra para dar as últimas instruções aos apóstolos, Jesus comeu e bebeu com eles, mostrando-lhes que era Ele mesmo. A sua última aparição a eles foi na  entrada irreversível de sua humanidade na glória divina; isso é simbolizado pela nuvem e pelo céu. O “sentar-se à direita de Deus” significa o lugar de honra no céu.

São João Damasceno (†749), doutor da Igreja de Constantinopla, ensinava que: “Por ‘direita do Pai’ entendemos a glória e a honra da divindade, no qual Aquele que existia como Filho de Deus antes de todos os séculos como Deus e consubstancial ao Pai, sentou-se corporalmente depois de encarnar-se e de sua carne ser glorificada” (De fide orthodoxa, 4,2,2).

O Corpo de Cristo foi glorificado desde a Sua Ressurreição e adquiriu propriedades novas e sobrenaturais; não está mais sujeito ao  tempo nem ao espaço; pode “atravessar paredes” como ao entrar no Cenáculo onde estavam os discípulos e se mostrar com feições diferentes à Madalena e aos discípulos de Emaús. Depois de ressuscitado, Jesus esteve, de fato, com os discípulos; eles o apalparam e com Ele comeram. Mostrou-lhes, assim, que Ele não é um espírito e que o Seu Corpo ressuscitado é o mesmo que foi martirizado e crucificado, pois traz as marcas da Paixão. Contudo, este corpo autêntico e real possui, ao mesmo tempo, as propriedades novas de um corpo glorioso. Não está mais situado no espaço ou no tempo, mas pode se tornar presente a seu modo, onde e quando quiser, pois sua humanidade não pode mais ficar presa à terra, mas já pertence ao domínio do Pai. Por esta razão, Jesus Ressuscitado, é livre de aparecer como quiser: sob a aparência de um jardineiro ou “de outra forma” (Mc 16,12)  para fortalecer a fé deles.

Sua glória ainda permaneceu velada aos discípulos como se fosse um homem comum; e isso pode ser notado na palavra misteriosa que Ele disse a Maria Madalena: “Ainda não subi para o Pai, mas vai aos meus irmãos e dizer-lhes ‘Eu subo para meu Pai e vosso Pai, para meu Deus e vosso Deus’” (Jo 20,17). Isso mostra a diferença entre a glória de Cristo ressuscitado e a glória de Cristo exaltado à direita do Pai.

A Igreja ensina que a Ascensão de Jesus ao céu é, ao mesmo tempo, um fato histórico e transcendente. Daí para frente, Jesus não mais se apresentará aos apóstolos. Um caso excepcional é quando Ele se apresenta a São Paulo no caminho de Damasco, como ele disse: “como a um abortivo” (1 Cor 15,8), em uma última aparição que o constitui apóstolo.

A subida de Jesus ao céu está unida à Sua descida do céu na encarnação. Ele disse que só aquele que “saiu do Pai” pode “retomar ao Pai” (cf.Jo 16,28). “Ninguém jamais subiu ao céu, a não ser aquele que desceu do céu, o Filho do Homem” (Jo 3,13). “Quando subiu ao alto, levou muitos cativos, cumulou de dons os homens” (Sl 67,19). Ora, que quer dizer “ele subiu”, senão que antes havia descido a esta terra? Aquele que desceu é também o que subiu acima de todos os céus para encher todas as coisas” (Ef 4,8-10).

Por si mesma a humanidade não consegue chegar à “Casa do Pai”, à vida e à felicidade de Deus. Só Cristo pôde abrir esta porta ao homem. Ele disse que: “Na casa de meu Pai há muitas moradas. Não fora assim, e eu vos teria dito; pois vou preparar-vos um lugar. Depois de ir e vos preparar um lugar, voltarei e tomar-vos-ei comigo, para que, onde eu estou, também vós estejais” (Jo 14,2). O prefácio da Missa da Ascensão reza: “de sorte que nós, seus membros, tenhamos a esperança de encontrá-lo lá onde Ele, nossa cabeça e nosso princípio, nos precedeu”. Jesus Cristo é a Cabeça da Igreja, por isso nos precede no Reino glorioso do Pai, para que nós, membros de Seu Corpo, vivamos na esperança de estarmos com Ele na eternidade.

A Igreja também nos ensina que a elevação de Jesus na Cruz significa e anuncia a elevação da ascensão ao céu. “E, quando eu for elevado da terra, atrairei todos os homens a mim” (Jo 12,32). É o começo da ascensão. Jesus é o Único Sacerdote da nova e eterna Aliança que entrou no céu. “Eis por que Cristo entrou, não em santuário feito por mãos de homens, que fosse apenas figura do santuário verdadeiro, mas no próprio céu, para agora se apresentar intercessor nosso ante a face de Deus”. (Hb 9,24)

O nosso Catecismo ensina (§665-667) que, no céu, Cristo exerce Seu sacerdócio, como diz a Carta aos Hebreus: “por isso é capaz de salvar totalmente aqueles que, por meio dele, se aproximam de Deus, visto que ele vive eternamente para interceder por eles” (Hb 7,25). Jesus intercede, sem cessar, por nós como mediador que nos garante a efusão do Espírito Santo. E, como “sumo sacerdote dos bens vindouros” (Hb 9,11), ele é o centro e o ator principal da liturgia que honra o Pai nos Céus.  Por isso São João pode escrever: “Filhinhos meus, isto vos escrevo para que não pequeis; mas, se alguém pecar, temos um intercessor junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo”. (I Jo 2,1)

Prof. Felipe Aquino
felipeaquino@cancaonova.com

Santo Evangelho (Jo 15, 9-11)

5ª Semana da Páscoa – Quinta-feira 18/05/2017 

Primeira Leitura (At 15,7-21)
Leitura dos Atos dos Apóstolos.

Naqueles dias, 7depois de longa discussão, Pedro levantou-se e falou aos apóstolos e anciãos: “Irmãos, vós sabeis que, desde os primeiros dias, Deus me escolheu, do vosso meio, para que os pagãos ouvissem de minha boca a palavra do Evangelho e acreditassem. 8Ora, Deus, que conhece os corações, testemunhou a favor deles, dando-lhes o Espírito Santo como o deu a nós. 9E não fez nenhuma distinção entre nós e eles, purificando o coração deles mediante a fé. 10Então, por que vós agora pondes Deus à prova, querendo impor aos discípulos um jugo que nem nossos pais e nem nós mesmos tivemos força para suportar? 11Ao contrário, é pela graça do Senhor Jesus que acreditamos ser salvos, exatamente como eles”. 12Houve então um grande silêncio em toda a assembleia. Depois disso, ouviram Barnabé e Paulo contar todos os sinais e prodígios que Deus havia realizado, por meio deles, entre os pagãos. 13Quando Barnabé e Paulo terminaram de falar, Tiago tomou a palavra e disse: “Irmãos, ouvi-me: 14Simão acaba de nos lembrar como, desde o começo, Deus se dignou tomar homens das nações pagãs para formar um povo dedicado ao seu Nome. 15Isso concorda com as palavras dos profetas, pois está escrito: 16“Depois disso, eu voltarei e reconstruirei a tenda de Davi que havia caído; reconstruirei as ruínas que ficaram e a reerguerei, 17a fim de que o resto dos homens procure o Senhor com todas as nações que foram consagradas ao meu Nome. É o que diz o Senhor, que fez estas coisas, 18conhecidas há muito tempo’. 19Por isso, sou do parecer que devemos parar de importunar os pagãos que se convertem a Deus. 20Vamos somente prescrever que eles evitem o que está contaminado pelos ídolos, as uniões ilegítimas, comer carne de animal sufocado e o uso do sangue. 21Com efeito, desde os tempos antigos, em cada cidade, Moisés tem os seus pregadores, que leem todos os sábados nas sinagogas”.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Responsório (Sl 95)

— Anunciai as maravilhas do Senhor entre todas as nações.
— Anunciai as maravilhas do Senhor entre todas as nações.

— Cantai ao Senhor Deus um canto novo, cantai ao Senhor Deus, ó terra inteira! cantai e bendizei seu santo nome!

— Dia após dia anunciai sua salvação, manifestai a sua glória entre as nações, e entre os povos do universo seus prodígios!

— Publicai entre as nações: “Reina o Senhor!” Ele firmou o universo inabalável pois os povos ele julga com justiça.

 

Evangelho (Jo 15,9-11)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo João.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: 9“Como meu Pai me amou, assim também eu vos amei. Permanecei no meu amor. 10Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor, assim como eu guardei os mandamentos do meu Pai e permaneço no seu amor. 11Eu vos disse isto, para que a minha alegria esteja em vós e a vossa alegria seja plena”.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

 

A IGREJA CATÓLICA CELEBRA E VENERA HOJE
São João I – eleito o sucessor de Pedro 

São João I, viveu uma vida de oração, oferecendo e sempre buscando ser dócil à vontade de Deus

O santo de hoje governou a Igreja por apenas dois anos e meio. Foi eleito Papa em 523. Nasceu na Toscana, Florência, no século V. De Florência foi para Roma e tornou-se um sacerdote, um presbítero cardeal. Com a morte do Papa, ele foi eleito o sucessor de Pedro.

Marcou a Igreja com muitos trabalhos pastorais, foi o precursor do canto gregoriano e da restauração de muitas igrejas, mas o objetivo dele como Papa, foi de confirmar a fé dos irmãos; sem dúvida nenhuma, era o serviço da salvação das almas.

Papa João I viveu num tempo e contexto político-religioso complexo. Quem reinava na Itália era Teodorico, um cristão ariano, ou seja, não era fiel à doutrina católica, mas se dizia cristão. Por outro lado, existia um conflito entre Teodorico e Justino; e os dois imperadores se chocavam. No meio deste contexto complexo, a vítima foi o Papa João I, que foi forçado por Teodorico a uma missão. Nunca um Papa tinha saído da Itália; ele foi o primeiro.

A missão não agradou, porque Teodorico queria que o Papa fosse o porta-voz de uma mensagem ariana, por interesses econômicos e políticos. Mas o que podemos perceber é que este homem santo, autoridade máxima da Igreja de Cristo, não perdeu sua paz, não perdeu sua obediência a Deus. Tornou-se santo em meio aos conflitos.

Ele viveu uma vida de oração, uma vida penitencial, oferecendo e sempre buscando ser dócil à vontade de Deus. Papa João I, por causa do ódio de Teodorico, foi aprisionado para morrer de fome e de sede. Foi mártir.

Hoje, podemos recordar este Pastor da Igreja como o pastor que, a exemplo de Cristo, deu a vida pelo rebanho.

São João I, rogai por nós!

Santo Evangelho (Jo 14, 1-12)

5º Domingo da Páscoa – Domingo 14/05/2017 

Primeira Leitura (At 6,1-7)
Leitura dos Atos dos Apóstolos:

1Naqueles dias: o número dos discípulos tinha aumentado, e os fiéis de origem grega começaram a queixar-se dos fiéis de origem hebraica. Os de origem grega diziam que suas viúvas eram deixadas de lado no atendimento diário. 2Então os Doze Apóstolos reuniram a multidão dos discípulos e disseram: “Não está certo que nós deixemos a pregação da Palavra de Deus para servir às mesas. 3Irmãos, é melhor que escolhais entre vós sete homens de boa fama, repletos do Espírito e de sabedoria, e nós os encarregaremos dessa tarefa. 4Desse modo nós poderemos dedicar-nos inteiramente à oração e ao serviço da Palavra”. 5A proposta agradou a toda a multidão. Então escolheram Estêvão, homem cheio de fé e do Espírito Santo; e também Filipe, Prócoro, Nicanor, Timon, Pármenas e Nicolau de Antioquia, um grego que seguia a religião dos judeus. 6Eles foram apresentados aos apóstolos, que oraram e impuseram as mãos sobre eles. 7Entretanto, a Palavra do Senhor se espalhava. O número dos discípulos crescia muito em Jerusalém, e grande multidão de sacerdotes judeus aceitava a fé.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Responsório (Sl 32)

— Sobre nós venha, Senhor, a vossa graça,/ da mesma forma que em vós nós esperamos!
— Sobre nós venha, Senhor, a vossa graça,/ da mesma forma que em vós nós esperamos!

— Ó justos, alegrai-vos no Senhor!/ Aos retos fica bem glorificá-lo./ Dai graças ao Senhor ao som da harpa,/ na lira de dez cordas celebrai-o!

— Pois reta é a palavra do Senhor,/ e tudo o que ele faz merece fé./ Deus ama o direito e a justiça,/ transborda em toda a terra a sua graça.

— O Senhor pousa o olhar sobre os que o temem,/ e que confiam esperando em seu amor,/ para da morte libertar as suas vidas/ e alimentá-los quando é tempo de penúria.

 

Segunda Leitura (1Pd 2,4-9)
Leitura da Primeira Carta de São Pedro:

Caríssimos: 4Aproximai-vos do Senhor, pedra viva, rejeitada pelos homens, mas escolhida e honrosa aos olhos de Deus. 5Do mesmo modo, também vós, como pedras vivas, formai um edifício espiritual, um sacerdócio santo, a fim de oferecerdes sacrifícios espirituais, agradáveis a Deus, por Jesus Cristo. 6Com efeito, nas Escrituras se lê: “Eis que ponho em Sião uma pedra angular, escolhida e magnífica; quem nela confiar, não será confundido”. 7A vós, portanto, que tendes fé, cabe a honra. Mas, para os que não creem, “a pedra que os construtores rejeitaram tornou-se a pedra angular, 8pedra de tropeço e rocha que faz cair”. Nela tropeçam os que não acolhem a Palavra; esse é o destino deles. 9Mas vós sois a raça escolhida, o sacerdócio do Reino, a nação santa, o povo que ele conquistou para proclamar as obras admiráveis daquele que vos chamou das trevas para a sua luz maravilhosa.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Anúncio do Evangelho (Jo 14,1-12)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo João.
— Glória a vós, Senhor!

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: 1”Não se perturbe o vosso coração. Tendes fé em Deus, tende fé em mim também. 2Na casa de meu Pai há muitas moradas. Se assim não fosse, eu vos teria dito. Vou preparar um lugar para vós 3e, quando eu tiver ido preparar-vos um lugar, voltarei e vos levarei comigo, a fim de que onde eu estiver estejais também vós. 4E, para onde eu vou, vós conheceis o caminho”. 5Tomé disse a Jesus: “Senhor, nós não sabemos para onde vais. Como podemos conhecer o caminho?” 6Jesus respondeu: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém vai ao Pai senão por mim. 7Se vós me conhecêsseis, conheceríeis também o meu Pai. E desde agora o conheceis e o vistes”. 8Disse Felipe: “Senhor, mostra-nos o Pai, isso nos basta!” 9Jesus respondeu: “Há tanto tempo estou convosco, e não me conheces, Felipe? Quem me viu, viu o Pai. Como é que tu dizes: ‘Mostra-nos o Pai’? 10Não acreditas que eu estou no Pai e o Pai está em mim? As palavras que eu vos digo, não as digo por mim mesmo, mas é o Pai, que, permanecendo em mim, realiza as suas obras. 11Acreditai-me: eu estou no Pai e o Pai está em mim. Acreditai, ao menos, por causa destas mesmas obras. 12Em verdade, em verdade vos digo, quem acredita em mim fará as obras que eu faço, e fará ainda maiores do que estas. Pois eu vou para o Pai”.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

 

A IGREJA CATÓLICA CELEBRA E VENERA HOJE
São Matias, testemunha do Ressuscitado 

Nós estamos em festa com toda a Igreja, pois lembramos a santidade de vida de um escolhido do Espírito Santo para o grupo dos apóstolos. São Matias era um discípulo que acompanhou Jesus no tempo de Seu apostolado e foi tão fiel na vivência dos ensinamentos do Mestre, que tornou-se testemunha de Sua ressurreição.

No livro dos Atos dos Apóstolos, estão registrados os fatos que levaram à escolha de um discípulo que ocupasse o lugar deixado por Judas, o traidor: “…é preciso, pois, que um dentre eles se torne conosco testemunha de sua ressurreição. Apresentaram então dois homens: José chamado Barsabás, que tinha o apelido de Justo, e Matias” (Atos 1,22-23).

São Matias recebeu em Pentecostes a efusão do Espírito Santo, e tornou-se um apóstolo ardoroso como os demais, testemunha do Ressuscitado. Evangelizou na Palestina e na Ásia Menor, e morreu mártir por apedrejamento.

São Matias, rogai por nós!

V Domingo da Páscoa – Ano A

Por Mons. Inácio José Schuster

Estamos à meio do Tempo Pascal. Celebramos há quase um mês o Domingo da Ressurreição. Nunca é demais recordar o tom festivo que devem ter as nossas celebrações dominicais, não esquecendo alguns elementos litúrgicos que nos ajudam a manter a alegria pascal: as flores, a iluminação, o rito da aspersão da água benta, o canto do Glória, o uso da terceira fórmula de aclamação depois da consagração (cantada, se possível), a bênção solene sobre o povo… Nos primeiros domingos da Páscoa, os textos evangélicos narravam-nos as aparições de Jesus Ressuscitado. No domingo passado, Jesus foi apresentado como o Bom Pastor e como a única Porta que dá acesso ao Pai. Nos próximos domingos (5º e 6º), teremos as palavras de despedida de Jesus, ditas na Última Ceia aos discípulos. Hoje, o texto evangélico recorda-nos que o centro da nossa fé é Jesus Cristo: “Se acreditais em Deus, acreditai também em Mim”. Também Jesus nos diz que Ele é o caminho, a verdade e a vida. 1) Perante os imensos caminhos que o mundo nos oferece para alcançar a felicidade que desejamos, Jesus é o caminho certo para a obter. Não é um caminho, mas o caminho, porque Jesus nos conduz para o Pai: “Ninguém vai ao Pai senão por Mim”. Quanto mais acolhermos Deus na nossa vida, tanto mais seremos repletos do seu amor, fonte da verdadeira felicidade. As coisas deste mundo somente geram uma felicidade passageira e superficial. Recordemos a célebre frase de Santo Agostinho: “Criastes-nos para Vós, Senhor, e o nosso coração não descansa enquanto não repousar em Vós” (Confissões 1,1). 2) Jesus diz que é a verdade. Jesus concede a verdade ao ser humano, porque “o mistério do homem só se esclarece verdadeiramente no mistério do Verbo Encarnado” (GS 22). Jesus, Homem Perfeito, diz-nos como o homem (humanidade) deve ser. Ele é o modelo para todos aqueles que desejam a plenitude humana. 3) Jesus diz-nos que é a vida. Ele dá-nos a verdadeira vida. Quem se configura a Jesus, vivendo à sua maneira e ao seu jeito, é consciente do que vive, perante uma humanidade que se limita a sobreviver. Além disso, por Cristo a vida divina brota do coração humano, alcançando assim a nossa vocação mais sublime: a divinização. Cristo oferece-nos a plenitude da vida: a imortalidade, como nos diz o evangelho: “virei novamente para vos levar comigo, para que, onde Eu estou, estejais vós também”. Cristo faz-nos participar da sua ressurreição. Tendo em conta a segunda leitura, este domingo é um dia propício para uma reflexão sobre o sacramento do Batismo, tão vinculado está à Páscoa. Nos domingos anteriores, foi feita uma reflexão sobre a Eucaristia. No próximo domingo e no domingo de Pentecostes, poder-se dedicar um pouco da homilia para refletir sobre o sacramento da Confirmação. Assim, os três sacramentos da iniciação cristã, o grande sacramento que nos une à Páscoa de Cristo, não perdem o seu protagonismo neste Tempo Pascal. São Pedro, na segunda leitura, diz-nos que somos “uma geração eleita, sacerdócio real, nação santa”. 1) Por um lado, é o batismo que nos introduz nesse “povo adquirido por Deus”, que é a Igreja, aberta a todos os homens e mulheres. Por isso, Pedro convida todos os batizados a proclamarem “os louvores d’ Aquele que vos chamou das trevas para a sua luz admirável”. Assim, atrairemos outros a fazer parte, como “pedras vivas, na construção deste templo espiritual”. 2) Por outro lado, é o batismo que nos “enxerta” em Cristo, participando do seu sacerdócio (o sacerdócio batismal). Assim, todos os batizados são convidados a “oferecer os seus corpos como sacrifício vivo, santo, agradável a Deus”, mas o melhor sacrifício é a oferta de nós próprios como “hóstia viva”, imitando Jesus Cristo.

 

O “VERDADEIRO JESUS” NÃO É AQUELE QUE CADA UM SE CONSTRÓI
Há muitas imagens distorcidas e fantasiadas…
“EU SOU O CAMINHO, A VERDADE E A VIDA”, diz Jesus.

Convido os católicos a não se contentaram com qualquer imagem de Jesus Cristo. Não devemos nos contentar com as imagens de Jesus que só prometem milagres e não pedem a conversão do coração, ou escondem o caminho da cruz. São tantas as imagens distorcidas e fantasiadas sobre Jesus, ao longo da história e também hoje. A Igreja, comunidade dos discípulos de Jesus Cristo, sofreu muito no seu início para afirmar e preservar a imagem fidedigna de Jesus Cristo e para transmiti-la, de modo fiel, através dos séculos. Ela nunca assumiu interpretações discordantes com o testemunho dos apóstolos, aqueles que ‘viram’ Jesus, estiveram com ele e o encontraram depois de sua morte e ressurreição – ‘não podemos deixar de falar do que vimos e ouvimos’ (At 4, 20). As celebrações da Semana Santa e da Páscoa suscitaram algumas perguntas para as quais se devemos buscar respostas sinceras. Afinal, quem é Jesus Cristo? Quais foram seus ensinamentos? Por que foi condenado à morte de cruz? O que dizem os testemunhos do Novo Testamento sobre os fatos recordados na celebração da Páscoa? Que significado tem sua vida, paixão e morte para a humanidade e para cada um de nós? Qual é minha relação pessoal com Jesus Cristo? Recentemente foi publicada a tradução portuguesa da 2ª parte do livro do papa Bento 16 – Jesus de Nazaré – que se ocupa, justamente, da entrada de Jesus em Jerusalém até a ressurreição. Seria ótimo ler esse livro no tempo pascal. Uma das preocupações do Papa é a de proporcionar aos leitores o acesso ao ‘verdadeiro Jesus’ e o encontro com ele, como nos é dado a conhecer pela Escritura e pela fé da Igreja. É isso mesmo: o ‘verdadeiro Jesus’ não é aquele que cada um se constrói, conforme suas conveniências, sentimentos ou preconceitos, mas aquele que nos é dado a conhecer por aqueles que estiveram com ele e deixaram isso relatado no Novo Testamento. E também pela fé da comunidade dos fiéis, na Igreja, que persevera ‘no ensinamento dos apóstolos, na comunhão fraterna, na fração do pão e nas orações’ (cf. At 2,42); ali, o próprio Ressuscitado continua presente e se manifesta aos seus, como fez após a ressurreição.

 

5º DOMINGO DA PÁSCOA, A
Padre Wagner Augusto Portugal, Vigário Judicial da Diocese da Campanha(MG)

“Cantai ao Senhor um canto novo,  porque ele fez maravilhas; e revelou sua justiça diante das nações, aleluia!”(cf. Sl. 97, 1s)

Meus queridos Irmãos, Depois de termos contemplado no domingo passado Jesus como a porta que dá acesso ao Reino dos Céus à liturgia deste domingo nos convida a ver em Jesus como o CAMINHO, A VERDADE E A VIDA. O acesso ao Pai passa por Jesus. Assim, o sentido destes três termos que constituem a unidade – o Caminho da Verdade e da Vida – é apresentado através de uma pequena encenação. Jesus inicia sua despedida dizendo que é uma viagem necessária, para lhes preparar um lugar, e que eles conhecem o caminho. Tomé responde que não. Jesus explica que ele mesmo é o caminho da Verdade e da Vida, o caminho pelo qual se chega ao Pai. Toda pessoa piedosa sonha ou deseja, ou melhor, quer ver e conhecer a Deus. Mas, nos anuncia João no prólogo de seu Evangelho, que ninguém jamais o viu…(cf. Jo 1,18). Agora, Jesus explica a Filipe, que lhe pede para mostrar-lhe o Pai, e a resposta de Jesus é a seguinte: “Quem me vê, vê o Pai!”. Em outras palavras: em Jesus, o Cristo contemplamos Deus. Nosso perguntar encontra Nele resposta, nosso espírito, verdade; nossa angústia, a fonte da vida. Neste sentido, ele mesmo é o caminho que nos conduz ao Pai e, ao mesmo tempo, a Verdade e a Vida que se tornam acessíveis para nós. Estimados Irmãos, Jesus hoje nos ensina que Ele e o Pai são um só. Jesus nos ensina que Ele voltará para junto do Pai; que as criatura humanas têm um destino eterno; Jesus nos ensina que Ele é o único caminho de acesso a Deus, e que os apóstolos, em conhecendo esse caminho, deviam encher-se de fé e de confiança na sua misericórdia. O homem e a mulher vive sempre apreensivo. A apreensão faz parte da natureza humana e não poderia ser diferente com os apóstolos. Todos nós queremos ver ao Pai, sentindo um desejo, menor ou mais intenso, de ver o rosto de Deus. E na procura de Deus, precisamos de pontos de referência para não nos perder. Jesus se coloca como ponto de referência, seja para vencer a angústia pelo que pode acontecer, seja para encontrar a Casa do Pai e fazer comunhão com Ele. Amados e amadas, O Evangelho de hoje(cf. Jo 14,1-12) é o Testamento de Jesus. Por isso os ensinamentos são repletos de emoção, conselho e de encantamento espiritual. E o testamento de Jesus nos deixa verdades acerca de nossa fé: Jesus é igual ao Pai; toda a obra de Jesus é divina e salvadora; a criatura humana tem um destino e um horizonte eterno; esse horizonte e destino é garantido por Jesus aos que tiverem fé nele; Jesus é o caminho que une a terra ao Céu e por esse caminho a criatura humana pode chegar a Deus; por Jesus conhecemos toda a verdade em torno de Deus; a vida não se esgota aqui na terra e Jesus reparte com o homem o poder de salvar. Estas são as verdades fundamentais do cristianismo, por isso não podemos deixar o nosso coração se perturbar por coisas pequenas diante da normalidade da vida. Jesus confia no homem e na mulher e o cobre com seu manto protetor!  Por isso o próprio Cristo anunciou aos seus: “Eu estarei convosco todos os dias até a consumação dos tempos”(cf. Mt 28,20). Jesus não só assumiu a condição humana nos anos de sua vida terrena, mas para todo o sempre.  Jesus é o nosso companheiro de caminhada, de trajetória e por isso nos encoraja. Irmãos e Irmãs, Jesus no Evangelho de hoje anima e consola os seus discípulos. Por isso nada deve perturbar o coração do discípulo fiel. Isso porque na hora de nossa morte, Jesus virá ao nosso encontro pessoalmente. Vê-lo-emos face a face. Será pela mão de Jesus que entraremos no céu. Ele virá para nos julgar com misericórdia e justiça, conforme professamos em nosso Credo. A misericórdia de Cristo é a misericórdia que vem ao nosso socorro e que em cada sacrifício Eucarístico repetidos com fé: “ajudados pela Vossa Misericórdia, sejamos protegidos de todos os perigos, enquanto aguardamos a vinda do Cristo Salvador”, depois da recitação da Oração que o Senhor nos ensinou. Caríssimos amigos, A Primeira Leitura de hoje(cf. At 6,1-7) nos fala dos diáconos no contexto da expansão da Igreja entre os helenistas. Continua os Atos dos Apóstolos a narração dos primórdios da Igreja. O seu vertiginoso crescimento traz problemas. Além dos convertidos do judaísmo tradicional, ascendem a Igreja também os convertidos do judaísmo helênico, ou seja, daqueles que vêem das cidades comerciais da Grécia, da Armênia, da Síria, etc, ou pagãos convertidos anteriormente ao judaísmo, como os prosélitos. A organização da assistência às viúvas deste grupo provocou um novo serviço na comunidade: os diáconos, os que são servidores da caridade e que assumem o ministério da caridade entre os mais pobres da comunidade. Prezados irmãos, A Segunda leitura hodierna(cf. 1Pd 2,4-9) apresenta a Igreja – como templo de pedras vivas, da qual Jesus Cristo é a pedra angular. A presente leitura é rica de imagens, que se determinam mutuamente. Cristo é a pedra viva, rejeitada pelos sumos sacerdotes e pelos mestres da lei; pedra morta, mas ressuscitada por Deus. Quem a Jesus se une na construção do Seu Reino é pedra viva também. Cristo é o sacrifício espiritual; quem adora a ele, o é também. Por isso somos santificados com ele pelo sacerdócio real que recebemos pelo batismo. Irmãos caríssimos, Cristo é a verdade, na confusão ruidosa das mil “verdades”que só duram um dia. Jesus permanece como o termo último de todas as verdades. Cristo é a vida: todos os esforços do homem para vencer as barreiras da morte só conseguem retardar de um momento o terrível encontro. Só Cristo destrói essa barreira e nos abre as portas para um vida sem fim, em plenitude total. Jesus ao se proclamar como o Caminho único de se chegar ao Pai lembra que é possível chegar ao Pai somente por meio dele. Assim a segunda leitura, continuação da Carta de Pedro canta a dignidade do povo constituído em Cristo, construído com pedras vivas sobre a pedra rejeitada pelos construtores, que se tornou à pedra angular. Nem mesmo os conflitos da comunidade iniciante dos Atos pode nos abalar. Devemos dar louvor ao Deus bom e fiel, ou seja, a providência de Deus para todos os seus. Ele vem em nosso auxílio e em nosso refúgio. Com Jesus estamos no Pai, somos conduzidos ao Pai, participando de sua vida e do seu amor. Que Deus nos ajude e nos conduza todos ao único caminho, sempre lembrando do chamado da Igreja que peregrina no  Brasil  – pelos nossos Pastores – aonde somos convidados a Ver Jesus, único Caminho, Verdade e Vida. Amém!

 

BENTO XVI: JESUS, ROSTO VISÍVEL DO PAI
Palavras ao rezar o Regina Coeli
CIDADE DO VATICANO, domingo, 22 de maio de 2011

Queridos irmãos e irmãs! O Evangelho do domingo de hoje, Quinto de Páscoa, propõe um duplo mandamento da fé: crer em Deus e crer em Jesus. O Senhor, de fato, diz a seus discípulos: “Credes em Deus, crede também em mim” (Jo 14,1). Não são dados separados, mas um único ato de fé, a plena adesão à salvação realizada por Deus Pai mediante seu Filho Unigênito. O Novo Testamento pôs fim à invisibilidade do Pai. Deus mostrou seu rosto, como confirma a resposta de Jesus ao apóstolo Felipe: “Aquele que me viu, viu também o Pai (Jo 14, 9). O Filho de Deus, com sua encarnação, morte e ressurreição, libertou-nos da escravidão do pecado, para nos dar a liberdade de filhos de Deus, e nos revelou o rosto de Deus, que é amor: Deus pode ser visto, é visível em Cristo. Santa Teresa d’Ávila escreve que “não devemos nos afastar do que constitui todo nosso bem e nosso remédio, quer dizer, da santíssima humanidade de Nosso Senhor Jesus Cristo” (Castello interiore, 7, 6: Opere Complete, Milano 1998, 1001). Portanto, só crendo em Cristo, permanecendo unidos a Ele, os discípulos, entre os quais estamos nós, podem continuar sua ação permanente na história: “Em verdade, em verdade vos digo: aquele que crê em mim fará também as obras que eu faço (Jo 14, 12). A fé em Jesus implica segui-lo cotidianamente, nas simples ações que compõem nossa jornada. “É próprio do mistério de Deus atuar de modo oculto. Só pouco a pouco Ele constrói na grande história da humanidade sua história. Faz-se homem mas de maneira que possa ser ignorado por seus contemporâneos, pelas forças que contam na história. Sofre e morre e, como Ressuscitado, quer chegar à humanidade só através da fé dos seus, a quem se manifesta. Continuamente Ele bate às portas do nosso coração e, se abrimos, lentamente nos torna capazes de ‘ver’” (Jesus de Nazaré II, 2011). Santo Agostinho afirma: “era necessário que Jesus dissesse: ‘eu sou o caminho, a verdade e a vida’ (Jo 14, 6), porque uma vez conhecido o caminho, faltava conhecer a meta” (Tractatus in Ioh., 69, 2: CCL 36, 500), e a meta é o Pai. Para os cristãos, para cada um de nós, portanto, o Caminho para o Pai é se deixar guiar por Jesus, por sua palavra de Verdade, e acolher o dom de sua Vida. Façamos nosso o convite de São Boaventura: “Abre portanto os olhos, tende um ouvido espiritual, abre teus lábios e dispõe ter coração, para que possas em todas as criaturas ver, escutar, louvar, amar, venerar, glorificar, honrar teu Deus” (Itinerarium mentis in Deum, I, 15). Queridos amigos, o compromisso de anunciar Jesus Cristo, “o caminho, a verdade e a vida” (Jo 14, 6), constitui a tarefa principal da Igreja. Invoquemos a Virgem Maria, para que auxilie sempre os Pastores e todos que nos diversos ministérios anunciam a alegre Mensagem de salvação, para que a Palavra de Deus se difunda e o número dos discípulos se multiplique (cf. At 6, 7).
[Traduzido por ZENIT ©Libreria Editrice Vaticana]

 

“QUEM ME VÊ, VÊ O PAI”
Por Gabriel Frade, professor de Liturgia e Sacramentos
5º Domingo da Páscoa
Leituras: At 6, 1-7; Sl 32 (33) 1-2.4-5.18-19; 1Pd 2, 4-9; Jo 14 1-12

“Os cinqüenta dias entre a Ressurreição e o Domingo de Pentecostes sejam celebrados com alegria e exultação, como se fossem um só dia de festa, ou melhor, ‘como um grande domingo’.” (Normas Universais sobre o Ano litúrgico e o Calendário, n. 22). Ainda marcada pela alegria pascal, a liturgia da Palavra deste V Domingo da Páscoa nos apresenta uma grande riqueza de conteúdos. A leitura semi-contínua do livro dos Atos dos Apóstolos nos oferece uma imagem da Igreja nascente na qual a comunidade, impelida pelo Espírito do seu Senhor Ressuscitado e à semelhança de sua Pessoa (cf. Lc 2, 40), é descrita como um organismo que cresce de modo progressivo, encontrando graça aos olhos do Pai. Apesar disso, dentro da comunidade cristã aparentemente nem tudo é dom, nem tudo é bondade. Ao contrário daquela imagem idealizada pelo autor dos Atos no capítulo segundo, onde todos eram unânimes na partilha dos bens e nas orações (cf. At 2, 42ss), a passagem apresentada neste sexto capítulo nos mostra uma comunidade onde há murmurações e divisões. No centro da contenda, algo escandaloso: no momento de distribuir os bens da comunidade às viúvas dos chamados “helenistas” – provavelmente judeus advindos da diáspora e falantes da língua grega – ocorre um “esquecimento”, por parte dos “hebreus”. Diante do problema, os Doze não hesitam em pedir a participação da comunidade – identificada possivelmente com a “multidão dos discípulos” mencionada no v. 2: esta deve escolher de seu meio “sete homens de boa reputação, repletos do Espírito e de sabedoria” (v. 3) para proverem às necessidades da igreja. O papel da comunidade nesse processo, ou seja, na eleição madura daqueles membros que deverão exercer um ministério – escolha esta a ser confirmada pelos Apóstolos –, encontra um paralelismo muito belo e profundo na segunda leitura. São Pedro, ao dirigir-se a toda comunidade, lembra com palavras fortes o seu protagonismo, através de uma referência à dignidade sacerdotal que todo fiel possui: “Mas vós sois uma raça eleita, um sacerdócio real, uma nação santa, o povo de sua particular propriedade […] Vós que outrora não éreis povo, mas agora sois o Povo de Deus, que não tínheis alcançado misericórdia, mas agora alcançastes misericórdia” (vv. 9-10). Diante da eleição feita pela comunidade e a julgar pelo nome dos escolhidos – todos nomes oriundos da língua grega –, é possível intuir que tenham sido eleitos apenas membros do grupo dos helenistas para exercer a diakonia, isto é, o serviço dentro da comunidade. Se assim foi, é interessante notar que a escolha recaiu sobre aqueles que estariam de certo modo “contaminados” pelo paganismo da cultura helênica e, por isso mesmo, possivelmente discriminados por aqueles membros da comunidade cristã, chamados no texto de “hebreus” (v. 1). Estes eram assim denominados porque eram provavelmente cristãos ligados ao judaísmo hierosolimitano, talvez considerado mais puro, mais tradicional em relação ao elemento estrangeiro. Nesse sentido, sabe-se, por exemplo, que naquela época os judeus de língua grega tinham sinagogas separadas daqueles que falavam o aramaico: para além de uma questão apenas lingüística, há a possibilidade de uma separação dessas comunidades judaicas em função de outros elementos de caráter discriminatório. O mais curioso é que não obstante o fato de ter sido justamente no grupo dos helenistas o local onde surgiram as “murmurações” contra a injustiça perpetrada pelos hebreus, o autor dos Atos não hesita em nomear um desses escolhidos para servir a comunidade como “homem cheio de fé e do Espírito Santo” (v. 5). Ao que parece, este episódio contém algum elemento de uma escolha inusual e que nos remete a uma mesma lógica já delineada pelas escolhas divinas no Antigo Testamento. De fato, existem várias passagens onde Deus expressa uma predileção pelos mais fracos. Por exemplo, as grandes figuras bíblicas sobre as quais recaiu a escolha de Deus não seriam, segundo uma lógica puramente humana, os modelos mais indicados, já que se apresentam cheios de falhas: Moisés, por exemplo, cometera um assassinato (Ex 2, 12); o Patriarca Jacó havia roubado a bênção de seu irmão Esaú (Gn 27, 1ss); Davi, além de adúltero, tramou a morte de Urias (2 Sam 11), um homem inocente… Obviamente há que se dizer que Moisés, Jacó e Davi se sobressaíram não propriamente por esses pecados, mas justamente pelo fato que, não obstante suas fraquezas humanas, não se fecharam para a ação de Deus, mas antes, voltaram-se para Deus com todas as suas forças. Outro elemento que exprime a predileção divina no AT pelos pobres e fracos é a tríplice categoria que sintetiza de modo emblemático a situação de todo pobre em Israel: além dos órfãos, compunham essa categoria os estrangeiros e as viúvas (ver, por exemplo, Dt 24, 17ss e 1 Re 17, 9ss). De fato, na pregação de Jesus, recorre com certa freqüência a figura da viúva, especialmente no evangelho de S. Lucas, autor também dos Atos dos Apóstolos (Lc, 2, 37; Lc 4, 26; Lc 7, 12; Lc 18, 3; Lc 20, 28; Lc 21,2). Por esse motivo, o “esquecimento” narrado em Atos, nos parece na verdade um forte indício de algo ainda mais grave: um fechamento ao amor mútuo entre irmãos. Um dobrar-se às tradições humanas em detrimento à correspondência do amor ao próximo (“Dou-vos um mandamento novo: que vos ameis uns aos outros”. Jo 13, 34). Deus não fica indiferente a isso: “Eis que o olho do Senhor está sobre os que o temem, sobre aqueles que esperam seu amor, para da morte libertar a sua vida e no tempo da fome fazê-los viver”. (Salmo Responsorial. Trad. Bíblia de Jerusalém) Apesar dessas incongruências, a comunidade cristã é animada pela força do Espírito, fruto do Mistério Pascal de seu Senhor que supera toda dificuldade humana. Aliás, esse é o modo misterioso do agir de Deus: sua ação se coloca muitas vezes contra a lógica meramente humana (1 Cor 1, 27): “A pedra que os edificadores rejeitaram, essa tornou-se a pedra angular” (1Pd 2, 7. Segunda Leitura). Diante das fraquezas humanas, do medo da solidão e do abandono, Deus se revela como um Deus condescendente, um Deus que quer a salvação de todos os homens (cf. 1Tm 2, 3-4) e oferece paz ao nosso coração irrequieto, muitas vezes tomado pelas preocupações humanas: “Cesse de perturbar-se o vosso coração” (Evangelho, v. 1). Deus conhece nossas limitações e se nos faz próximo, nos oferece um ambiente familiar, um lar onde possamos encontrá-lo e fazer comunhão com ele: “Na casa de meu Pai há muitas moradas” (Evangelho, v. 2). Mas muitas vezes nos encontramos tão céticos que não conseguimos enxergar – assim como os discípulos de Emaús (Lc 24) – a predileção de Deus por nós e sua presença em nossas vidas. Perante nossa freqüente incapacidade de perceber como seja possível encontrar Deus, Cristo se nos apresenta como “Caminho, verdade e vida” (v. 6): Ele é, de certo modo, o “método” por excelência que o Pai nos doa para que possamos realizar o desejo mais profundo de toda a humanidade, que é aquele de contemplar o rosto do Pai, de viver em comunhão com Deus. Jesus, Mestre Divino, inspirou um grande número de fiéis na Igreja a buscarem no rosto do Filho a contemplação do Pai – dentre estes fiéis, lembramos do Beato Pe. Tiago Alberione e a irmã Tecla Merlo, fundadores da família paulina e que tinham particular veneração por Cristo Caminho, Verdade e Vida. Cristo inspira ainda hoje sua amada esposa, a Igreja, a ter o mesmo carinho e solicitude, para que todos os homens possam ter a vida e a vida em abundância, pois para isso Cristo nossa Páscoa foi imolado, com sua morte venceu a corrupção do pecado destruiu nossa morte e nos garantiu a vida em plenitude (cf. Prefácio IV da Páscoa). Essa inspiração está particularmente presente na América Latina e no Caribe, onde a Igreja está atenta a ouvir o Cristo Mestre, como bem o afirmaram os bispos reunidos na Conferência de Aparecida: Com a luz do Senhor ressuscitado e com a força do Espírito Santo, nós os bispos da América nos reunimos em Aparecida, Brasil, para celebrar a V Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe. Fizemos isso como pastores que querem seguir estimulando a ação evangelizadora da Igreja, chamada a fazer de todos os seus membros discípulos e missionários de Cristo, Caminho, Verdade e Vida, para que nossos povos tenham vida n’Ele. (Documento de Aparecida, n. 1) “Quem me vê, vê o Pai” (v. 9). Essa percepção da presença do Senhor na Igreja (“Cristo está sempre presente na sua Igreja, especialmente nas ações litúrgicas” – SC 7), se traduz em grande alegria pascal, que da celebração litúrgica deve reverberar ao longo da vida concreta do cristão, no seu dia a dia, pois o “O gesto litúrgico não é autêntico se não implica um compromisso de caridade, um esforço sempre renovado para ter os sentimentos de Jesus Cristo e uma continua conversão” – Documento de Medellin, 9,3. A Igreja é de fato esse “edifício espiritual” do qual cada um de nós é chamado a ser “pedra viva” para oferecer “sacrifícios espirituais agradáveis a Deus”. Em sendo assim, ao nos tornarmos templos do Espírito Santo (cf. 1 Cor 6, 19) fazemos presente o rosto de Cristo no hoje de nossa história: na medida em que seguimos Cristo Caminho, Verdade e Vida, fazemos as mesmas obras que Jesus faz (Evangelho, v. 12), fazemos a Palavra de Deus Crescer [1] (Primeira leitura v. 7), finalmente, fazemos presente no mundo o rosto do Filho, nos tornamos para o outro um “alter Christus” (outro Cristo) onde é possível contemplar o rosto do Filho e bendizer as obras do Pai: “Vede como se amam! [2]”.
Notas: 1. É o princípio formulado por São Gregório Magno: Scriptura crescit cum legente, isto é, a Escritura cresce com quem a lê. O Espírito que repousa nas Escrituras está presente também em nós.
2. Essa expressão é do cristianismo antigo e nos foi conservada por Tertuliano. Tratava-se da exclamação que os pagãos emitiam ao ver o despojamento e amor dos cristãos, dispostos a dar a vida pelos irmãos.

“Eu vos dou um novo mandamento”

A beleza da Quinta-feira Santa

Na véspera da festa da Páscoa, Jesus, por saber que havia chegado a Sua hora de voltar para o Pai e que este era o momento do supremo amor, pois Ele mesmo “tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim” (cf. Jo 13,1), durante a Santa Ceia lavou os pés dos discípulos e instituiu a Eucaristia.

A Igreja, com o mesmo amor de Jesus pelos homens, celebra na Quinta-feira Santa o mistério da instituição da Eucaristia e realiza novamente a cerimônia dos lava-pés. Para entender o que significa esse belo sinal de Cristo, precisamos voltar ao tempo e entender a cultura judaica. Todo aquele que se sentava à mesa, tinha que passar pelo rito da purificação exterior, caracterizado pelo ato de lavar-se. Normalmente esse gesto era realizado pelos servos.

Quando Jesus se despojou de Suas vestes e colocou o manto dos servos para lavar os discípulos já causou grande espanto, o primeiro gesto do Rei que se despoja de Seu manto glorioso e se rebaixa como servo. Pedro, assustado a princípio, queria impedir o Senhor de realizar tal ato, mas foi exortado imediatamente por Ele, não lhe restando outra atitude a tomar a não ser a de suplicar ao Mestre que não apenas lavasse os seus pés, mas sim, todo o seu corpo.

Jesus purifica os discípulos por meio de Suas palavras e gestos, assim, nós somos chamados a entrar com Ele em Seu mistério, e purificados pelo Senhor, mudar toda a nossa forma de existir e de pensar, nos colocando a partir disso como servos dos homens.

A Sagrada Eucaristia é o sacramento em que Jesus entrega o Seu Corpo e o Seu Sangue – Ele próprio, por nós, para que também nos entreguemos a Ele em amor e nos unamos a Ele na Sagrada Comunhão. É o próprio sacrifício do Corpo e do Sangue do Senhor Jesus, que Ele instituiu para perpetuar o sacrifício da cruz no decorrer dos séculos até o Seu regresso, confiando assim à Sua Igreja o memorial da Sua Morte e Ressurreição. É o sinal da unidade, o vínculo da caridade, o banquete pascal, em que se recebe Cristo, nossa alma se enche de graça e nos é dado o penhor da vida eterna.

Portanto, a Eucaristia é um memorial no sentido que torna presente e atual o sacrifício que Cristo ofereceu ao Pai, uma vez por todas, na cruz, em favor da humanidade. O carácter sacrificial da Eucaristia manifesta-se nas próprias palavras da instituição dela: “Isto é o meu corpo, que vai ser entregue por vós” e “este cálice é a nova aliança no meu sangue, que vai ser derramado por vós” (Lc 22,19-20). O sacrifício da cruz e o sacrifício da Eucaristia são um único sacrifício. Idênticos são a vítima e Aquele que oferece, diverso é só o modo de oferecer-se: cruento na cruz, incruento na Eucaristia.

A Igreja participa do Sacrifício Eucarístico de forma direta, pois, na Eucaristia, o sacrifício de Cristo torna-se também o sacrifício dos membros do Seu Corpo. A vida dos fiéis, o seu louvor, o seu sofrimento, a sua oração, o seu trabalho são unidos aos de Cristo. Enquanto sacrifício, a Eucaristia é também oferecida por todos os fiéis vivos e defuntos em reparação dos pecados de todos os homens e para obter de Deus benefícios espirituais e temporais. A Igreja do céu está unida também à oferta de Cristo.

Jesus Cristo está presente na Eucaristia de um modo único e incomparável. De fato, está presente de modo verdadeiro, real, substancial: com o Seu Corpo e o Seu Sangue, com a Sua Alma e a Sua Divindade. Nela está presente em modo sacramental, isto é, sob as Espécies Eucarísticas do pão e do vinho, Cristo completo: Deus e homem.

Comecemos desde já a pedir ao Espírito Santo que nos prepare para podermos entender cada expressão e cada gesto de Jesus Cristo, a fim de entrarmos em comunhão com Ele e, assim, colocarmos toda a nossa existência a Seu serviço, lavando os pés dos irmãos e tendo uma vida de profundo amor pela Eucaristia, na certeza de que o Senhor, naquela noite, não nos deixou um símbolo, mas a própria realidade: Ele mesmo, sob as espécies do pão e do vinho.

Redação Portal

Quinta-feira Santa

Por Mons. Inácio José Schuster

As atenções de todos nós se voltam para a liturgia desta noite: a missa na Ceia do Senhor.

É o último dia em que Jesus passou conosco neste mundo, antes de ir para o Pai. Jesus, caríssimos Irmãos, não era um Kamikaze, que assumiu de maneira forte e decidida a sua própria morte. Jesus não era um Legionário Romano que se entregava para o bem do Império. Jesus não era um General, como o General Patton da última Grande Guerra que caminhava à frente dos seus exércitos, orgulhoso por onde entrava e dominava. Jesus na noite em que foi entregue, colocou gestos pequenos, mas gestos de amor.

Esta noite, no entanto, caríssimos irmãos é conhecida como a noite da ingratidão. Sim a noite da ingratidão e nós imaginamos em primeiro lugar a figura sinistra de um Judas Iscariotes, aquele foi escolhido por amor, mas depois entregou Jesus por trinta moedas…

Irmãos, só quem já experimentou a traição de um marido ou de uma esposa pode aquilatar a dor que este gesto deve ter causado em Jesus!

Noite da ingratidão, porque dentro em breve os Apóstolos todos irão debandar diante da prisão de Jesus, deixando-o absolutamente só!

Noite da ingratidão porque dentro de poucos instantes também aquele que havia jurado ir com Jesus até a morte, Pedro o negará por três vezes.

Caríssimos irmãos, a noite da ingratidão humana se prolonga no tempo: não existe um Judas também dentro de nós? Não nos mostra a consciência nesta noite que nós o traímos algumas vezes? Não é possível que um Pedro durma dentro nós e se tenha despertado alguma vez? Meus irmãos, noite também do silêncio de Deus Pai, porque, se os homens debandam, o Pai também Se silenciou e Jesus afrontou os seus últimos momentos numa solidão pavorosa.

A noite da ingratidão é também a noite do Amor. Foi a noite em que o amor de Jesus mais se manifestou a nós com presentes que nos relegou: presentes simples e presentes de profundo significado. O presente do lava-pés; o presente do serviço; Jesus continua a lavar os nossos pés todos os dias, durante toda nossa vida; o presente do pão consagrado que entrega como sendo seu Corpo, o presente do vinho consagrado que nos dá como sendo o seu Sangue. O presente que nos faz do Sacerdócio que prolongará na Igreja Católica, a sua presença como chefe, guia e pastor até que Ele volte sobre as nuvens do céu.

Caríssimos, notem a antítese: Jesus responde a todos os pecados com um amor sempre renovado.

Repita a você mesmo muitas vezes nesta quinta feira santa e sobre tudo nesta noite da traição, da ingratidão, mas noite também do Amor sem limites; repita a modo de jaculatória: Ele me amou e se entregou por mim!

 

ORAÇÃO PARA QUINTA-FEIRA SANTA  

Vós partireis dentro de poucas horas, mas não Vos esquecestes de nós e não nos deixareis órfãos.
Com gestos singelos e carregados de grande simbolismo Vos despedistes de nós. E hoje, Convosco, celebramos Vosso adeus a todos nós!
Deixai-nos recordar em Vossa presença estes gestos carregados de tão grande amor.

O gesto do lava-pés.
Senhor, quantas vezes dissestes que o segredo da Vossa vida estava no serviço desinteressado que Deus presta aos seres humanos que criou. Deus ajoelhado diante de meus pés! Dá-me vontade, Senhor, de repetir como Pedro: “Jamais me lavarás os pés!”. Mas, Senhor, compreendo a grandeza e a importância deste gesto: “Se Tu não te lavar ,não terás parte comigo!” Compreendo então, Senhor, que deveis lavar-me. E compreendo também de que lavacro se trata. Não é com água que me desejais lavar, é com Vosso Sangue! Compreendo finalmente, bom Jesus, que esta purificação se inicieis no dia do meu batismo e se prolonga por toda a minha vida, através de Eucaristia que recebo.

Gesto da “Fração do Pão”.
Dizem-nos os Evangelhos Sinóticos, que, nesta noite em que fostes entregue, tomastes um pão de última refeição com os Vossos. Quantas vezes Vos sentastes à mesa com grandes pecadores! Desta vez tomastes o pão, fruto da terra e do trabalho de nós homens e o divinizastes, fazendo que se transformasse em Vós. Tomastes em Cálice com Vinho, ele também fruto do labor humano e o transformastes no Vosso sangue por nós derramado! Senhor, quantas vezes Vos comungueis em Vosso sacrifício! Mas, nesta noite, Vos suplico: Comungai-me também! Fazei com que se realize entre nós aquela misteriosa simbiose que define todo verdadeiro e grande Amor: que eu seja Tu e que Tu sejas eu!

Gesto da instituição do Sacerdócio Católico: “Fazei isto em memória de mim”.
Senhor, sempre venerei Vossos ministros que sacramentalmente prolongam nas nossas comunidades Vossa presença de guia e Pastor. Aprendi também que existe uma analogia entre Pão e Vinho transformados em Vós e os Vossos ministros que sacramentalmente se transformam em Vós! Sei que a única diferença entre essas duas, “transubstanciações” esta no seguinte: enquanto Pão e Vinho cessam de ser tais, dissolvem-se em Vós nossos Sacerdotes, embora prolonguem nossa presença no meio de nós,não perdem suas entidades e personalidades!

Senhor, nesta noite de adeus, desejo sinceramente agradecer-Vos por Vossos ministros. E não excluo de minha gratidão nem mesmo aqueles que, tendo suas lanternas tão sujas, são incapazes de difundir a verdadeira Luz que sois Vós.

Gesto, finalmente, do amor fraterno e desinteressado.
Obrigado, Senhor, por ter eu experimentado em minha vida alguns gestos desinteressados! Hoje compreendo que estáveis Vós por detrás de todos eles!

Senhor, numa sociedade pós-cristã e secularizada; numa sociedade em que os crucifixos desaparecem sistematicamente dos lugares públicos, numa sociedade que não conhece mais a batina ou o hábito religioso, embora o foulard islâmico é sinal de forte pertença religiosa muçulmana, numa sociedade enfim, onde nada mais fala de Vós, nosso gesto cristão há de falar ainda. Talvez não tanto a linguagem do catecismo-ela faz tanta falta – mas a linguagem do Amor. Possa eu compreender, Senhor, nesta quinta-feira Santa, que esta linguagem será sempre atual; poucos a ela resistirão por longo tempo.
E já seremos bem-aventurados, porque- são palavras Vossas que soam hoje em meus ouvidos – “Há mais alegria em dar do que em receber?”.  Amém!

 

Evangelho segundo São João 13, 1-15
Antes da festa da Páscoa, Jesus, sabendo bem que tinha chegado a sua hora da passagem deste mundo para o Pai, Ele, que amara os seus que estavam no mundo, levou o seu amor por eles até ao extremo. O diabo já tinha metido no coração de Judas, filho de Simão Iscariotes, a decisão de o entregar. Enquanto celebravam a ceia, Jesus, sabendo perfeitamente que o Pai tudo lhe pusera nas mãos, e que saíra de Deus e para Deus voltava, levantou-se da mesa, tirou o manto, tomou uma toalha e atou-a à cintura. Depois deitou água na bacia e começou a lavar os pés aos discípulos e a enxugá-los com a toalha que atara à cintura. Chegou, pois, a Simão Pedro. Este disse-lhe: «Senhor, Tu é que me lavas os pés?» Jesus respondeu-lhe: «O que Eu estou a fazer tu não o entendes por agora, mas hás-de compreendê-lo depois.» Disse-lhe Pedro: «Não! Tu nunca me hás-de lavar os pés!» Replicou-lhe Jesus: «Se Eu não te lavar, nada terás a haver comigo.» Disse-lhe, então, Simão Pedro: «Ó Senhor! Não só os pés, mas também as mãos e a cabeça!» Respondeu-lhe Jesus: «Quem tomou banho não precisa de lavar senão os pés, pois está todo limpo. E vós estais limpos, mas não todos.» Ele bem sabia quem o ia entregar; por isso é que lhe disse: ‘Nem todos estais limpos’. Depois de lhes ter lavado os pés e de ter posto o manto, voltou a sentar-se à mesa e disse-lhes: «Compreendeis o que vos fiz? Vós chamais-me ‘o Mestre’ e ‘o Senhor’, e dizeis bem, porque o sou. Ora, se Eu, o Senhor e o Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns aos outros. Na verdade, dei-vos exemplo para que, assim como Eu fiz, vós façais também.

Hoje iniciamos o Tríduo Pascal. E nesta Quinta-feira Santa, nós contemplamos Jesus à mesa com os seus últimos discípulos. São as horas derradeiras, os derradeiros minutos de sua liberdade. Dentro de poucas horas, Ele não terá mais liberdade alguma. Ele será atado de mãos e pés. Ele será conduzido a Anás, a seguir a Caifás, Caifás o mandará a Pilatos e Pilatos o mandará para a cruz. O que faz Jesus nestas últimas horas de liberdade que lhe restam. Não se descompõe. Não clama ao Pai pedindo e suplicando libertação a qualquer modo. Não foge da cidade de Jerusalém. Pelo contrário, toma um pedaço de pão, olha para o céu, e dá graças a Deus. A seguir entrega-o aos seus discípulos e diz: “Tomai e comei, este é o meu Corpo que será imolado por vós”. Toma um cálice com vinho e repete a ação de graças a Deus: “Tomai e bebei, este é o cálice do meu Sangue, que será derramado por vós e por todos para a remissão dos pecados”, isto é, para a reconciliação de cada um e de todos com Deus. Jesus antecipa no pão e no vinho, o que acontecerá com Ele no dia seguinte. Jesus coloca no pão e no vinho a sua própria paixão, a sua morte redentora e a sua ressurreição.  E dá graças ao Pai, por poder se tornar pão imolado, Corpo imolado e Sangue derramado para cada um de nós. E depois de ter modificado o pão e transformado o vinho, no mesmo Corpo imolado e no mesmo Sangue derramado, o dá a beber aos seus e continua a dar a comer e a beber a cada um de nós. É impressionante a profundidade do amor de Cristo. Contemplando o futuro sombrio que esta iminente, Ele o antecipa no pão e no vinho, não sem antes ter dado graças a Deus. Ter louvado e bendito a Deus, por poder ser para nós Carne imolada e Sangue derramado, prestando-nos um imenso serviço de nos reconciliar com o seu Pai e de abrir para cada um de nós, de par em par as portas da eternidade. No Antigo Testamento, o esquema era contrário, primeiro uma pessoa se via aflita e recorria a Deus na sua aflição para que a libertasse. A seguir, uma vez experimentada a libertação, oferecia-lhe um sacrifício de ação de graças. Com Jesus não acontece isto. Não será libertado da morte, antecipa a morte no pão e no vinho, agradece a Deus por poder prestar-nos esse serviço e se dá a nós no Corpo imolado e no Sangue derramado, para que se torne comida minha, comida sua e bebida sua, para nossa redenção. Comovidamente é o que nós celebramos nesta Quinta-feira Santa.

 

«NINGUÉM TEM MAIOR AMOR do que aquele que dá a vida pelos seus amigos» (Jo 15, 13)
Papa Bento XVI
Exortação Apostólica «Sacramentum caritatis», §§ 1-2

Sacramento da Caridade, a santíssima Eucaristia é a doação que Jesus Cristo faz de Si mesmo, revelando-nos o amor infinito de Deus por cada homem. Neste sacramento admirável, manifesta-se o amor «maior»: o amor que leva a «dar a vida pelos amigos» (Jo 15, 13). De fato, Jesus «amou-os até ao fim» (Jo 13, 1). Com estas palavras, o evangelista introduz o gesto de infinita humildade que Ele realizou: na vigília da Sua morte por nós na cruz, pôs uma toalha à cintura e lavou os pés aos Seus discípulos. Do mesmo modo, no sacramento eucarístico, Jesus continua a amar-nos «até ao fim», até ao dom do Seu corpo e do Seu sangue. Que enlevo se deve ter apoderado do coração dos discípulos à vista dos gestos e palavras do Senhor durante aquela Ceia! Que maravilha deve suscitar, também no nosso coração, o mistério eucarístico! Com efeito, neste sacramento, Jesus torna-Se alimento para o homem, faminto de verdade e de liberdade. Uma vez que só a verdade nos pode tornar verdadeiramente livres (Jo 8, 36), Cristo faz-Se alimento de Verdade para nós. […] De fato, todo o homem traz dentro de si o desejo insuprimível da verdade última e definitiva. Por isso, o Senhor Jesus, «caminho, verdade e vida» (Jo 14, 6), dirige-Se ao coração anelante do homem que se sente peregrino e sedento, ao coração que suspira pela fonte da vida, ao coração mendigo da Verdade. Com efeito, Jesus Cristo é a Verdade feita Pessoa, que atrai a Si o mundo. […] No sacramento da Eucaristia, Jesus mostra-nos de modo particular a verdade do amor, que é a própria essência de Deus. Esta é a verdade evangélica que interessa a todo o homem e ao homem todo. Por isso a Igreja, que encontra na Eucaristia o seu centro vital, esforça-se constantemente por anunciar a todos, em tempo propício e fora dele (cf. 2 Tm 4, 2), que Deus é amor. Exatamente porque Cristo Se fez alimento de Verdade para nós, a Igreja dirige-se ao homem convidando-o a acolher livremente o dom de Deus.

 

QUINTA-FEIRA SANTA: O SACERDÓCIO E A EUCARISTIA MISTÉRIO DE AMOR!

Hoje é um dia duplamente feliz, pois Jesus com o coração mais generoso que a face da terra já viu, nos deu dois grandes presentes. Na última ceia, antecipando a Sua doação total, mesmo diante da traição e do Mistério de dor que teria que passar para salvar o mundo das trevas do pecado, entrega aos discípulos o Sacramento do Amor: A Eucaristia. “A Santíssima Eucaristia é a doação que Jesus Cristo faz de si mesmo, revelando-nos o amor infinito de Deus por cada homem. Neste Sacramento admirável, manifesta-se o amor maior: o amor que leva a dar a vida pelos amigos” (Bento XVI). Neste mesmo dia o Mestre “divide” o seu Sacerdócio com os Apóstolos e faz deles ministros do Sacramento do Amor, ministros do Perdão, ministros da misericórdia. O vínculo intrínseco entre a Eucaristia e o Sacramento da Ordem deduz-se das próprias palavras de Jesus no Cenáculo: “Fazei isto em memória de mim” (Lucas 22, 19). Nós sacerdotes usamos as mesmas palavras de Jesus quando instituiu O Mistério de Amor, porque somos os primeiros a estar no lugar de Cristo Jesus para a Salvação do mundo, portanto, o Sacerdócio é um movimento Divino do Amor de Deus Pai que continua agindo em sua Igreja em todo Tempo e o tempo todo. Onde existe um Sacerdote, há a possibilidade do Amor e da misericórdia de Deus se manifestarem pelo homem. Falando um pouco de mim, o lema do meu Sacerdócio é: “Tudo posso naquele que me dá força” (Filipenses 4, 13). A força do meu sacerdócio não vem de mim mesmo, mas a força do sacerdote vem da fonte pela qual ele oferece todos os dias torrentes de “Água Viva” ao povo fiel e sedento desse Amor que é Jesus. Eu busco A Força para exercer minha vida como ministro desse Sacramento nas Palavras que eu dirijo todos os dias ao Pai: “Tomai e comei, isto é o meu corpo; Tomai e bebei isto é o meu sangue, sangue da nova e eterna aliança, para a remissão dos pecados, fazei isto em memória de mim!” As mesmas Palavras de Cristo são fonte de vida, de salvação em primeiro lugar para mim, alimento substancioso para a minha intimidade com o Senhor e para servir ao povo de Deus, que procura no sacerdote não ele mesmo, mas Jesus Cristo o seu Salvador. O Papa João Pulo II disse para os Sacerdotes em sua última carta na Quinta-feira Santa de 2005: “O povo tem o direito de ver Jesus Cristo na pessoa do sacerdote”. Essas palavras do Santo Padre ficaram gravadas em minha alma como uma missão, apesar de ser pecador e cheio de limitações como todo homem, eu não sou um homem comum, eu sou ministro do Sacramento do Amor e da misericórdia. Cristo hoje na Última Ceia depôs do manto, sinal de sua dignidade de Senhor, de Rei, para servir aos discípulos, para lavar os seus pés, esse gesto de humildade revela o caminho que o discípulo deve seguir; Imitar o Mestre: “Compreendeis o que acabo de fazer? Vós me chamais Mestre e Senhor, e dizeis bem, pois eu o sou. Portanto, se eu, o Senhor e Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns dos outros. Dei-vos o exemplo, para que façais à mesma coisa que eu fiz”. “Amai-vos uns aos outros, como eu vos amei” (cf. Jo 13, 1-15). Aos sacerdotes hoje, felicidades, força e que eles saibam não estão sozinhos, pois disse o Senhor: “Eu estarei convosco todos os dias, até o final dos tempos!”.

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