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Papa: “Pai Nosso” convida à aproximação com Deus com confiança filial

Quarta-feira, 12 de dezembro de 2018, Da Redação, com Boletim da Santa Sé
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Santo Padre segue no ciclo de catequeses sobre a oração do Pai Nosso; hoje, destacou a proximidade através desta oração, chamando Deus de “Pai”

Rezar o Pai Nosso, chamado Deus de “Pai” ou “Papai”, diz Papa aos fiéis na catequese / Foto: Reprodução Youtube – Vatican News

O Papa Francisco deu continuidade nesta quarta-feira, 12, ao ciclo de catequeses sobre a oração do Pai Nosso, iniciado na semana passada. Francisco destacou que essa oração convida à aproximação de Deus com confiança filial, simplesmente chamando-O “Pai”.

Jesus convida os discípulos a dirigir-se a Deus com confidência, apresentando os pedidos; convida a rezar a oração fazendo cair as barreiras da sujeição e do medo. “Não diz para dirigir-se a Deus chamando-o ‘Onipotente’, ‘Altíssimo’, ‘Tu que és tão distante de nós, eu sou um miserável’: não, não diz assim, mas simplesmente ‘Pai’, com toda simplicidade, como as crianças se dirigem ao pai. E esta palavra ‘Pai’ exprime a confidência e a confiança filial”.

O Santo Padre explicou ainda que esta oração tem suas raízes na realidade concreta do homem: por exemplo, faz pedir o pão de cada dia, um pedido simples, mas essencial. Mas Jesus não quer o homem anestesiado, diminuindo os pedidos aprendendo a suportar tudo. Pelo contrário: deseja que as dificuldades e sofrimentos sejam elevadas ao céu.

Um exemplo para todos, nesse sentido, é o cego Bartimeu, lembrou o Papa, aquele homem descrito no Evangelho de Marcos que mendigava às portas de Jericó e não deu ouvidos aos que lhe falavam para ficar quieto e não perturbar Jesus. “Mas ele não escutava aqueles conselhos: com santa insistência, queria que a sua condição miserável pudesse finalmente encontrar Jesus”.

Concluindo a catequese, Francisco destacou que a oração de súplica é autêntica, espontânea, é um ato de fé em Deus que é Pai.

“Deus é o Pai que tem uma imensa compaixão por nós e quer que os seus filhos lhe falem sem medo, diretamente chamando-o ‘Pai’. Por isso podemos contar-lhe tudo, também as coisas que na nossa vida permanecem distorcidas e incompreensíveis. Rezemos o Pai Nosso começando assim, simplesmente: ‘Pai’ ou ‘Papai’. E Ele nos entende e nos ama tanto”.

É preciso pedir como os discípulos: “Senhor, ensina-nos a rezar”, diz Papa

Quarta-feira, 5 de dezembro de 2018, Da redação, com Vatican News
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Papa Francisco iniciou um novo ciclo de catequeses dedicado ao “Pai-Nosso”

Papa Francisco momentos antes do início da catequese desta quarta-feira, 5/ Foto: Vatican Media

“Senhor, ensina-nos a rezar”. Com essa frase o Papa Francisco iniciou um novo ciclo de catequeses dedicado ao “Pai-Nosso”. Concluída a série sobre os Dez Mandamentos, o Pontífice se concentra agora na figura de Jesus como homem de oração. Diante de milhares de fiéis na Sala Paulo VI, o Papa partiu sua explicação do Evangelho de Marcos.

Segundo Francisco, desde a primeira noite em Cafarnaum, Jesus demonstra ser um Messias original. “Na última parte da noite, quando o alvorecer se anuncia, os discípulos ainda o buscam, mas não conseguem encontrá-lo. Até que Pedro finalmente o encontra num lugar isolado, completamente absorto em oração. E lhe diz: ‘Todos te buscam!’ (Mc 1,37). Jesus diz aos seus que deve ir além; que não são as pessoas a buscá-Lo, mas é antes de tudo Ele a buscar os outros. Por isso, não deve fincar raízes, mas permanecer continuamente peregrino pelas estradas da Galileia. E também peregrino em relação ao Pai, isto é, rezando. Em caminho de oração”.

O Papa observou que a narração do livro de São Marcos mostra que tudo acontece numa noite de oração. “Em alguma página das Escrituras, parece ser a oração de Jesus, a sua intimidade com o Pai, a governar tudo”, explicou. O Pontífice ainda frisou, o que considera um ponto essencial: “Jesus rezava. Jesus rezava com intensidade nos momentos públicos, mas buscava também locais apartados que lhe permitissem entrar no segredo de sua alma. Rezava com as orações que a mãe lhe havia ensinado”, sublinhou.

“Jesus rezava como reza qualquer homem do mundo. E mesmo assim, no seu modo de rezar, estava contido um mistério, algo que certamente não passou desapercebido aos olhos dos seus discípulos, a ponto de dizerem: ‘Senhor, ensina-nos a rezar’. Eles viam Jesus rezar e tinham vontade de aprender”, contou o Santo Padre, que acrescentou: “E Jesus não recusa, não tem ciúme da sua intimidade com o Pai, mas veio justamente para nos introduzir nesta relação. E assim se torna mestre de oração dos seus discípulos, como certamente quer ser para todos nós”.

Mesmo rezando há muitos anos, Francisco afirmou que os cristãos devem sempre continuar a aprender. “A oração do homem, este anseio que nasce de modo assim tão natural da sua alma, é talvez um dos mistérios mais intensos do universo. E não sabemos nem mesmo se as orações que endereçamos a Deus são realmente as que Ele quer ouvir de nós”, refletiu. O Pontífice afirmou que há orações inoportunas, e citou a parábola do fariseu e do publicano.

“O fariseu era orgulhoso, fazia de conta que rezava, mas seu coração era frio. O primeiro passo para rezar é ser humilde. Ir ao Pai, a Nossa Senhora: ‘Olhe, sou pecador, fraco, malvado’, cada um sabe o que dizer. Mas sempre se começa com a humildade. O Senhor escuta, a oração humilde”, comentou. Para o Santo Padre, com o início deste ciclo de catequeses sobre a oração de Jesus, a coisa mais bela e mais justa que todos devem fazer é repetir a invocação dos discípulos.

De acordo com o Pontífice, será belo no tempo de Advento, que todos os fiéis repitam: “Senhor, ensina-nos a rezar”. Para o Papa, todos podem ir além e rezar melhor: “Ele certamente não deixará cair no vazio a nossa invocação”.

Ao final da catequese, ao saudar os peregrinos poloneses, o Santo Padre saudou os redatores da seção polonesa da Rádio Vaticano, que celebram 80 anos de fundação. “Eu lhes agradeço pelo serviço ao Papa e à Igreja”. Francisco recordou ainda a celebração no próximo domingo, na Polônia, da 19ª Jornada de oração e de Ajuda à Igreja no Leste: “Com reconhecimento penso a todos aqueles que com a oração e as obras concretas, apoiam as comunidades eclesiais dos países vizinhos”.

O Papa lembrou por fim a celebração no próximo sábado, 8 de dezembro, da solenidade da Imaculada Conceição. “Entreguemo-nos a Nossa Senhora! Ela, como modelo de fé e de obediência ao Senhor, nos ajude a preparar os nossos corações a acolher o Menino Jesus no seu Natal”, disse Francisco. Como é tradição, no dia 8 o Papa vai até a Praça de Espanha para uma homenagem com flores a Nossa Senhora.

Santo Evangelho (Mc 10, 2-16)

27º Domingo do Tempo Comum – 07/10/2018 

Primeira Leitura (Gn 2,18-24)
Leitura do Livro do Gênesis:

18O Senhor Deus disse: “Não é bom que o homem esteja só. Vou dar-lhe uma auxiliar semelhante a ele”. 19Então o Senhor Deus formou da terra todos os animais selvagens e todas as aves do céu, e trouxe-os a Adão para ver como os chamaria; todo o ser vivo teria o nome que Adão lhe desse. 20E Adão deu nome a todos os animais domésticos, a todas as aves do céu e a todos os animais selvagens; mas Adão não encontrou uma auxiliar semelhante a ele. 21Então o Senhor Deus fez cair um sono profundo sobre Adão. Quando este adormeceu, tirou-lhe uma das costelas e fechou o lugar com a carne. 22Depois, da costela tirada de Adão, o Senhor Deus formou a mulher e conduziu-a a Adão. 23E Adão exclamou: “Desta vez, sim, é osso dos meus ossos e carne da minha carne! Ela será chamada ‘mulher’ porque foi tirada do homem”. 24Por isso, o homem deixará seu pai e sua mãe e se unirá à sua mulher, e eles serão uma só carne.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Responsório(Sl 127)

— O Senhor te abençoe de Sião,/ cada dia de tua vida.
— O Senhor te abençoe de Sião,/ cada dia de tua vida.

— Feliz és tu, se temes o Senhor/ e trilhas seus caminhos!/ Do trabalho de tuas mãos hás de viver,/ serás feliz, tudo irá bem!

— A tua esposa é uma videira bem fecunda/ no coração da tua casa;/ os teus filhos são rebentos de oliveira/ ao redor de tua mesa.

— Será assim abençoado todo homem/ que teme o Senhor./ O Senhor te abençoe de Sião,/ cada dia de tua vida,

— O Senhor te abençoe de Sião,/ cada dia de tua vida.

— para que vejas prosperar Jerusalém,/ e os filhos dos teus filhos./ Ó Senhor, que venha a paz a Israel,/ que venha a paz ao vosso povo!

 

Segunda Leitura (Hb 2,9-11)
Leitura da Carta aos Hebreus:

Irmãos: 9Jesus, a quem Deus fez pouco menor do que os anjos, nós o vemos coroado de glória e honra, por ter sofrido a morte. Sim, pela graça de Deus em favor de todos, ele provou a morte. 10Convinha de fato que aquele, por quem e para quem todas as coisas existem, e que desejou conduzir muitos filhos à glória, levasse o iniciador da salvação deles à consumação, por meio de sofrimentos. 11Pois tanto Jesus, o Santificador, quanto os santificados, são descendentes do mesmo ancestral; por esta razão, ele não se envergonha de os chamar irmãos.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Anúncio do Evangelho (Mc 10,2-16)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós!
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Marcos.
— Glória a vós, Senhor!

Naquele tempo, 2alguns fariseus se aproximaram de Jesus. Para pô-lo à prova, perguntaram se era permitido ao homem divorciar-se de sua mulher. 3Jesus perguntou: “O que Moisés vos ordenou?” 4Os fariseus responderam: “Moisés permitiu escrever uma certidão de divórcio e despedi-la”. 5Jesus então disse: “Foi por causa da dureza do vosso coração que Moisés vos escreveu este mandamento. 6No entanto, desde o começo da criação, Deus os fez homem e mulher. 7Por isso, o homem deixará seu pai e sua mãe e os dois serão uma só carne. 8Assim, já não são dois, mas uma só carne. 9Portanto, o que Deus uniu o homem não separe!” 10Em casa, os discípulos fizeram, novamente, perguntas sobre o mesmo assunto. 11Jesus respondeu: “Quem se divorciar de sua mulher e casar com outra, cometerá adultério contra a primeira. 12E se a mulher se divorciar de seu marido e se casar com outro, cometerá adultério”. 13Depois disso, traziam crianças para que Jesus as tocasse. Mas os discípulos as repreendiam. 14Vendo isso, Jesus se aborreceu e disse: “Deixai vir a mim as crianças. Não as proibais, porque o Reino de Deus é dos que são como elas. 15Em verdade vos digo: quem não receber o Reino de Deus como uma criança, não entrará nele”. 16Ele abraçava as crianças e as abençoava, impondo-lhes as mãos.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

 

A IGREJA CATÓLICA CELEBRA E VENERA HOJE
Nossa Senhora do Rosário

Maria apareceu a São Domingos e indicou-lhe o Rosário como potente arma para a conversão

Esta festa foi instituída pelo Papa Pio V em 1571, quando celebrou-se a vitória dos cristãos na batalha naval de Lepanto. Nesta batalha os cristãos católicos, em meio a recitação do Rosário, resistiram aos ataques dos turcos otomanos vencendo-os em combate.

A celebração de hoje convida-nos à meditação dos Mistérios de Cristo, os quais nos guiam à Encarnação, Paixão, Morte e Ressurreição do Filho de Deus.

A origem do Rosário é muito antiga, pois conta-se que os monges anacoretas usavam pedrinhas para contar o número das orações vocais. Desta forma, nos conventos medievais, os irmãos leigos dispensados da recitação do Saltério (pela pouca familiaridade com o latim), completavam suas práticas de piedade com a recitação de Pai-Nossos e, para a contagem, o Doutor da Igreja São Beda, o Venerável (séc. VII-VIII), havia sugerido a adoção de vários grãos enfiados em um barbante.

Na história também encontramos Maria que apareceu a São Domingos e indicou-lhe o Rosário como potente arma para a conversão: “Quero que saiba que, a principal peça de combate, tem sido sempre o Saltério Angélico (Rosário) que é a pedra fundamental do Novo Testamento. Assim quero que alcances estas almas endurecidas e as conquiste para Deus, com a oração do meu Saltério”.

Essa devoção, propagada principalmente pelos filhos de São Domingos, recebe da Igreja a melhor aprovação e foi enriquecida por muitas indulgências. Essa grinalda de 200 rosas – por isso Rosário – é rezado praticamente em todas as línguas, e o saudoso Papa João Paulo II e tantos outros Papas que o precederam recomendaram esta singela e poderosa oração, com a qual, por intercessão da Virgem Maria, alcançamos muitas graças de Jesus, como nos ensina a própria Virgem Santíssima em todas as suas aparições.

Nossa Senhora do Rosário, rogai por nós!

Papa Francisco recorda o dever de respeitar os pais: “Deram-nos a vida”

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Papa saúda uma criança durante a Audiência Geral. Foto: Marina Testino / ACI Prensa

Vaticano, 19 Set. 18 / 09:27 am (ACI).- O Papa Francisco fez um chamado a honrar e respeitar os pais e recordou que “nunca se deve insultar os pais. Por favor: Nunca insultem os pais! Nunca! Deram-nos a vida”.

Durante a catequese da Audiência Geral celebrada nesta quarta-feira, 19 de setembro, na Praça de São Pedro do Vaticano, o Santo Padre refletiu sobre o quarto mandamento, “honra teu pai e tua mãe”, e convidou a se reconciliar com os pais quando aconteça uma situação de conflito e incompreensão.

“Se você se afastou dos seus pais, faça um esforço e volte, volte para eles. Talvez sejam idosos. Deram a vida a você. E depois, entre nós existe este costume de dizer coisas feias, mesmo palavrões. Por favor. Nunca, nunca, nunca insultar os outros, os pais dos outros. Nunca! Nunca se insulta a mãe, nem o pai. Nunca! Nunca! Tomem esta decisão interior. A partir de hoje nunca insultarei a mãe ou o pai de quem quer que seja. Deram-nos a vida. Nunca devem ser insultados”.

Durante a catequese, o Pontífice refletiu sobre “o que significa este ‘honra’”. “Honrar significa reconhecer seu valor. Não é uma questão de formas exteriores, mas de verdade. Honrar a Deus nas Escrituras quer dizer reconhecer a sua realidade, considerar a sua presença”.

“Isso se expressa também através de ritos, mas implica, sobretudo, atribuir a Deus o seu lugar próprio na existência. Honrar o pai e a mãe quer dizer, portanto, reconhecer a sua importância também com gestos concretos, que expressam dedicação, afeto, cuidado”.

Neste contexto, o Papa fez uma afirmação rotunda: “Honrar os pais leva a uma vida longa e feliz”.

Este quarto mandamento “não fala da bondade dos pais, nem pede a eles que sejam perfeitos. Fala de um ato dos filhos, independente dos méritos dos genitores, e diz uma coisa extraordinária e libertadora: mesmo que nem todos os pais sejam bons e nem todas as infâncias sejam serenas, todos os filhos podem ser felizes, porque a realização de uma vida plena e feliz depende do justo reconhecimento para com aqueles que nos colocaram no mundo”.

“Pensemos de que modo esta Palavra poder ser construtiva para tanto jovens que procedem de histórias de dor e para todos aqueles que sofreram em sua juventude. Muitos santos, muitíssimos cristãos, depois de uma infância dolorosa, viveram uma vida luminosa porque, graças a Jesus Cristo, reconciliaram-se com a vida”.

“O homem, independente da história da qual provém, recebe deste mandamento a orientação que conduz a Cristo: Ele, de fato, se manifesta como o verdadeiro Pai que nos oferece renascer do alto. Os enigmas de nossas vidas se iluminam quando se descobre que Deus desde sempre nos preparou a vida como seus filhos, onde cada ato é uma missão dele recebida”, finalizou o Papa Francisco.

Santo Evangelho (João 6, 41-51)

19º Domingo do Tempo Comum – 12/08/2018 

Primeira Leitura (1Rs 19,4-8)
Leitura do Primeiro Livro dos Reis:

Naqueles dias, 4Elias entrou deserto adentro e caminhou o dia todo. Sentou-se finalmente debaixo de um junípero e pediu para si a morte, dizendo: “Agora basta, Senhor! Tira a minha vida, pois não sou melhor que meus pais”. 5E, deitando-se no chão, adormeceu à sombra do junípero. De repente, um anjo tocou-o e disse: “Levanta-te e come!” 6Ele abriu os olhos e viu junto à sua cabeça um pão assado debaixo da cinza e um jarro de água. Comeu, bebeu e tornou a dormir. 7Mas o anjo do Senhor veio pela segunda vez, tocou-o e disse: “Levanta-te e come! Ainda tens um caminho longo a percorrer”. 8Elias levantou-se, comeu e bebeu, e, com a força desse alimento, andou quarenta dias e quarenta noites, até chegar ao Horeb, o monte de Deus.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Responsório (Sl 33)

— Provai e vede quão suave é o Senhor!
— Provai e vede quão suave é o Senhor!

— Bendirei o Senhor Deus em todo o tempo,/ seu louvor estará sempre em minha boca./ Minha alma se gloria no Senhor,/ que ouçam os humildes e se alegrem!

— Comigo engrandecei ao0 Senhor Deus,/ exaltemos todos juntos o seu nome!/ Todas as vezes que o busquei, ele me ouviu,/ e de todos os temores me livrou.

— Contemplai a sua face e alegrai-vos,/ e vosso rosto não se cubra de vergonha!/ Este infeliz gritou a Deus, e foi ouvido,/ e o Senhor o libertou de toda angústia.

— O anjo do Senhor vem acampar/ ao redor dos que o temem, e os salva./ Provai e vede quão suave é o Senhor!/ Feliz o homem que tem nele o seu refúgio!

 

Segunda Leitura (Ef 4,30-5,2)
Leitura da Carta de São Paulo aos Efésios:

Irmãos: 30Não contristeis o Espírito Santo com o qual Deus vos marcou como com um selo para o dia da libertação. 31Toda a amargura, irritação, cólera, gritaria, injúrias, tudo isso deve desaparecer do meio de vós, como toda espécie de maldade. 32Sede bons uns para com os outros, sede compassivos; perdoai-vos mutuamente, como Deus vos perdoou por meio de Cristo. 5,1Sede imitadores de Deus, como filhos que ele ama. 2Vivei no amor, como Cristo nos amou e se entregou a si mesmo a Deus por nós, em oblação e sacrifício de suave odor.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Anúncio do Evangelho (Jo 6,41-51)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo, + segundo João.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 41os judeus começaram a murmurar a respeito de Jesus, porque havia dito: “Eu sou o pão que desceu do céu”. 42Eles comentavam: “Não é este Jesus o filho de José? Não conhecemos seu pai e sua mãe? Como pode então dizer que desceu do céu?” 43Jesus respondeu: “Não murmureis entre vós. 44Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou não o atrai. E eu o ressuscitarei no último dia. 45Está escrito nos profetas: ‘Todos serão discípulos de Deus’. Ora, todo aquele que escutou o Pai, e por ele foi instruído, vem a mim. 46Não que alguém já tenha visto o Pai. Só aquele que vem de junto de Deus viu o Pai. 47Em verdade, em verdade vos digo, quem crê, possui a vida eterna. 48Eu sou o pão da vida. 49Os vossos pais comeram o maná no deserto e, no entanto, morreram. 50Eis aqui o pão que desce do céu: quem dele comer, nunca morrerá. 51Eu sou o pão vivo descido do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão que eu darei é a minha carne dada para a vida do mundo”.

– Palavra da Salvação.
– Glória a vós, Senhor.

 

A IGREJA CATÓLICA CELEBRA E VENERA HOJE
Santa Joana Francisca de Chantal

Santa Joana Francisca de Chantal, seguindo o exemplo de Maria, fez um grande bem à sociedade

Neste dia queremos lembrar a vida da santa Joana Francisca de Chantal, modelo de jovem, mãe, irmã e, por fim, de religiosa. Nasceu em Dijon, centro da França, em 1572 e foi pelas provações modelada até a santidade.

A mãe tão amada faleceu quando Joana era criança; o pai, homem de caráter exemplar, era presidente da câmara dos vereadores e por causa de maquinações políticas chegou a sofrer pobreza e muitas humilhações. Joana, que recebeu da família a riqueza da fé, deu com 5 anos um exemplo marcante quanto a presença de Jesus no Santíssimo Sacramente, pois falou a um calvinista que questionava o pai: “O Senhor Jesus Cristo está presente no Santíssimo Sacramento, porque Ele mesmo o disse. Se pretendeis não aceitar o que Ele falou, fazeis dele um mentiroso”.

Santa Joana Francisca com 20 anos casou-se com um Barão (Barão de Chantal), tiveram quatro filhos, e juntos começaram a educar os filhos, principalmente com o exemplo. Joana era sempre humilde, caridosa para com o esposo, filhos e empregados; amava e muito amada.

Tristemente perdeu seu esposo que foi vítima de um tiro durante uma caça e somente com a graça de Deus conseguiu perdoar os causadores, e corajosamente educar os filhos. Como santa viúva, Joana conheceu o Bispo Francisco de Sales que a assumiu em direção espiritual e encontrou na santa a pessoa ideal para a fundação de uma Ordem religiosa. Isto no ano de 1604. A partir disso, começou e se desenvolveu uma das mais belas amizades que se têm conhecido entre os santos da Igreja.

Santa Joana Francisca de Chantal, já com os filhos educados, encontrou resistência dos seus familiares, porém, diante do chamado de Cristo, tornou-se fundadora das Irmãs da Visitação de Nossa Senhora. Seguindo o exemplo de Maria, a santa de hoje com suas irmãs fizeram um grande bem à sociedade e à toda Igreja. A longa vida religiosa da Senhora de Chantal foi cheia de trabalhos, sofrimentos e consolações. Faleceu em Moulins, no ano de 1641. Nessa época, já existiam na França noventa casas da sua Ordem.

São Francisco de Sales nunca abandonou a filha espiritual; sobreviveu-lhe ela dezenove anos e repousa a seu lado na capela da Visitação, em Annecy (local da fundação da primeira casa da Ordem das Irmãs da Visitação de Nossa Senhora).

No dia 12 de agosto de 1767, santa Joana Francisca de Chantal, foi canonizada para ser venerada como modelo de perfeição evangélica em todos os estados de vida.

Santa Joana Francisca de Chantal, rogai por nós!

A bênção de um pequenino

Deus valoriza muito as bênçãos, seja dos sacerdotes como dos pais.

Toda Missa termina com a Bênção sacerdotal.

Quando Deus chamou Abraão – o pai de todos que creem – disse-lhe: “Farei de ti uma grande nação; eu te abençoarei e exaltarei o teu nome, e tu serás uma fonte de bênçãos” (Gen 2,2).

Abraão é como que a figura de todos os pais, “uma fonte de bênçãos” para os seus filhos. De modo muito significativo, o livro do Gênesis mostra a preocupação de Isaac em abençoar Esaú, antes de morrer.,

“Tu vês, estou velho e não sei quando vou morrer… Prepara-me o que gosto e traze-mo para que o coma e minha alma te abençoe antes que eu morra” (Gen 27,4).

Vemos em seguida todo o esforço de Rebeca para que a Benção do Patriarca seja dada a Jacó no lugar de Esaú. É porque esta benção era determinante: “Eu o abençoarei e ele será bendito” (Gen 27,33).

Esta palavra se aplica a cada pai que abençoa o seu filho em nome de Deus: “Eu o abençoarei e ele será bendito”. A benção dada pelos pais aos filhos é a própria benção de Deus, porque foi por meio deles que Deus os gerou. Urge portanto resgatar este santo costume: “A benção pai! A benção mãe!”

“Deus te abençoe meu filho!”

A Palavra de Deus diz: “Honra teu pai por teus atos, tuas palavras, tua paciência a fim de que ele te dê a sua bênção “… afim de que ele te dê a sua benção e que esta permaneça em ti até o teu último dia “ (Eclo 3,9-10).

Tenho para comigo que muitos filhos seriam livres de tantos perigos, no corpo e na alma, se sempre pedissem a benção de seus pais e dos sacerdotes. Diz o Eclesiástico que: “A benção do pai fortalece a casa de seus filhos, a maldição de uma mãe a arrasa até os alicerces” (3,11).

Gosto te pedir a Bênção, sobretudo aos bispos e padres, pois, pelo sacramento da Ordem, eles têm o poder de nos abençoar em nome de Cristo. No entanto, percebo, com tristeza, que alguns padres não correspondem com satisfação e fé quando os fiéis lhes pedem a bênção. Alguns simplesmente não respondem… e muito menos permitem que lhes beije a mão ungida pelo óleo santo.

Por outro lado, note que, sempre, quando dou uma esmola a um pequenino, mesmo sem lhe pedir, ele me diz: DEUS TE ABENÇOE! E eu acolho com alegria essa bênção em meu coração, pois o Espírito Santo diz: “Encerra a esmola no coração do pobre, e ela rogará por ti a fim de te preservar de todo mal” (Eclo 29,15). “Quem se apieda do pobre, empresta ao Senhor, que lhe restituirá o benefício” (Prov. 19,17). São Leão Magno dizia que “a mão do pobre é o banco de Deus”.

“Dá esmola de teus bens, e não te desvies de nenhum pobre, pois, assim fazendo, Deus tampouco se desviará de ti” (Tob 6,8).

É por isso que eu acolho com amor e gratidão as bênçãos que esses pequeninos me dão!

Prof. Felipe Aquino

Solenidade Nascimento de São João Batista – 24 de Junho

Por Mons. Inácio José Schuster

Evangelho segundo São Lucas 1, 57-66.80

Entretanto, chegou o dia em que Isabel devia dar à luz e teve um filho. Os seus vizinhos e parentes, sabendo que o Senhor manifestara nela a sua misericórdia, rejubilaram com ela. Ao oitavo dia, foram circuncidar o menino e queriam dar-lhe o nome do pai, Zacarias. Mas, tomando a palavra, a mãe disse: «Não; há-de chamar se João.» Disseram-lhe: «Não há ninguém na tua família que tenha esse nome.» Então, por sinais, perguntaram ao pai como queria que ele se chamasse. Pedindo uma placa, o pai escreveu: «O seu nome é João.» E todos se admiraram. Imediatamente a sua boca abriu-se, a língua desprendeu-se-lhe e começou a falar, bendizendo a Deus. O temor apoderou-se de todos os seus vizinhos, e por toda a montanha da Judéia se divulgaram aqueles fatos. Quantos os ouviam retinham-nos na memória e diziam para si próprios: «Quem virá a ser este menino?» Na verdade, a mão do Senhor estava com ele. Entretanto, o menino crescia, o seu espírito robustecia-se, e vivia em lugares desertos, até ao dia da sua apresentação a Israel.

Celebramos hoje com a Igreja o nascimento de São João Batista. Nós conhecemos a figura severa, hierática, distante do Batista. Graças aos Evangelistas Mateus e Lucas, ao testemunho de um judeu mais ou menos contemporâneo seu, chamado Flávio Josefo. Era um asceta, um homem que possuía uma pregação incendiária, que ameaçava aqueles que não se penitenciassem e não convertessem, suas próprias vidas no segmento reto da aliança com Deus. Era um homem que dizia sem meias palavras aos judeus contemporâneos seu, que o machado estava à raiz das árvores, que o judaísmo estava correndo um sério perigo de ser cortado e lançado ao fogo e se transformasse em uma árvore estéril ou infrutífera. O que pensava João Batista a respeito de si mesmo? É possível que ele se julgasse um arauto do próprio Deus, um precursor de Deus. Os Evangelistas sinóticos o identificaram mais tarde com a figura de Elias, graças à especulações populares relacionadas com o livro de Malaquias a respeito de uma volta de Elias redivivo. Os cristãos do final do século I o transformaram em precursor de Jesus, e assim trouxeram João Batista para dentro da história do cristianismo. Ao celebrarmos hoje, seis meses exatos antes do Natal, a solenidade do seu nascimento, nós nos recordamos do que ele mesmo dizia: “É necessário que Ele, Cristo, cresça e eu diminua”. Hoje é o dia mais comprido no hemisfério Norte, o dia em que a noite lá é mais curta, mas a partir de amanhã dá-se o contrário, progressivamente as noites se vão pouco a pouco encompridando e os dias diminuindo: “É necessário que Ele, Jesus cresça e Eu João diminua”. Nós hoje, na sua solenidade, somos chamados por Deus a sermos precursores da segunda vinda de Cristo, anunciando no meio de uma cidade cosmopolita ou secularizada como as nossas, até que Ele venha. Desta feita, cada um de nós será como João, um precursor a seu modo, de Jesus. Não é preciso que você seja padre, não é preciso que seja religioso, freira ou religiosa, basta que seja um cristão engajado, alegre e feliz, por poder anunciar aquele que virá e com o qual a história possui um encontro marcado no seu final.

 

«João não era a luz, mas veio para dar testemunho» (Jo 1, 8)
São Beda, o Venerável (c. 673-735), monge, Doutor da Igreja
Homilia II, 20; CCL 122, 328-330 (trad. Delhougne, Les Pères commentent, p. 487-488)

O fato de o nascimento de João ser comemorado quando os dias começam a diminuir e o do Senhor quando os dias começam a aumentar tem um significado simbólico. Com efeito, o próprio João revelou o segredo desta diferença. As multidões tomavam-no pelo Messias em razão das suas virtudes eminentes, e alguns consideravam que o Senhor não era o Messias, mas um profeta, devido à fragilidade da Sua condição corporal. E João declarou: «Convém que Ele cresça e que eu diminua» (Jo 3, 30). E o Senhor cresceu verdadeiramente porque, quando foi olhado como profeta, deu a conhecer aos crentes do mundo inteiro que era o Messias. João diminuiu, porque aquele que as pessoas julgavam ser o Messias lhes apareceu, não como Messias, mas como anunciador do Messias. É normal, pois, que a claridade do dia comece a diminuir a partir do nascimento de João, dado que a sua reputação de divindade havia de desvanecer-se e o seu batismo em breve desapareceria. Como também é normal que a claridade dos dias recomece a aumentar a partir do nascimento do Senhor, pois Ele veio à terra revelar a todos os pagãos as luzes de um conhecimento que, até então, só os judeus possuíam em parte, e difundir por todo o mundo o fogo do Seu amor.

 

A Igreja costuma evocar a memória dos santos – testemunhas e frutos excelsos da Páscoa – no dia aniversário da sua «passagem deste mundo para o Pai». Apenas de São João Batista e da Santíssima Virgem Maria se celebra também o aniversário do seu nascimento para este mundo. A razão é óbvia: tanto o «natal» de Nossa Senhora como o de São João Batista se subordinam e, de algum modo, se incluem já no Mistério de Cristo de que são prelúdio e preparação próxima. Eis porque, celebrando o nascimento de São João Batista com o máximo grau de solenidade e dando-lhe mesmo precedência no caso de ocorrer num Domingo do Tempo Comum, a Igreja não deixa de celebrar primariamente o mistério de Cristo. Sem defender todas as «folias» que se enraízam mais na religiosidade natural do que na revelação, não podemos, contudo esquecer que São João Batista é uma figura da alegria: ainda no ventre de sua mãe exultou de contentamento perante a aproximação do Salvador e, não obstante a austeridade da sua vida e a severidade da sua pregação, autodefiniu-se como o «amigo do Esposo» que se alegra ao ouvir a Palavra do Esposo: Cristo. Recomendamos, por isso, uma celebração particularmente festiva e cantada. Em particular, sugerimos que a ornamentação privilegie o Batistério e que se faça o rito da aspersão em vez do ato penitencial da Missa. Entre os cânticos não se omita em algum momento o cântico de Zacarias ou Benedictus: sendo o cântico evangélico quotidiano da hora de Laudes, não faltam melodias acessíveis.

É bom que a solenidade do nascimento de São João Batista, de vez em quando, coincida com o domingo, para que possamos conhecer melhor esta personagem tão importante do Novo Testamento. Esta festa não é casual, mas segue a cronologia do evangelho de São Lucas que, na narração da Anunciação a Maria, celebrada liturgicamente nove meses antes do Natal, diz que Isabel, a mãe de João, “concebeu um filho na sua velhice e já está no sexto mês” (Lc 1, 36). Todavia, há outro motivo para esta festa. João dizia: “Ele é que deve crescer e eu diminuir” (Jo 3, 30). Esta frase enquadra-se bem na celebração litúrgica do nascimento de João com o solstício de verão, a partir do qual os dias começam a diminuir (24 de Junho). Com Maria (8 de Setembro), João é o único santo do qual a Igreja celebra o seu nascimento. A causa da alegria deste dia (“concedei à vossa família o dom da alegria espiritual”, oração coleta) encontra-se já explícita nas palavras do Arcanjo Gabriel a Zacarias (“será para ti motivo de grande alegria e muitos hão-de alegrar-se com o seu nascimento”) e também nas palavras de Jesus (“entre os nascidos de mulher, não apareceu ninguém maior do que João Batista”, Mt 11, 11). Nos dois primeiros capítulos do evangelho de São Lucas encontramos assiduamente paralelismos entre o Precursor e o Messias, manifestando a grandeza do Messias, sem apagar a importância do Precursor. Por isso, é compreensível que a Igreja celebre o nascimento de João. Como aconteceu com Jesus, nem tudo acaba com a glória do nascimento. João Batista tem um “currículo”, bem resumido no prefácio desta solenidade. A partir deste texto, é possível preparar a homilia, salientando os quatro momentos da vida do Precursor: “antes de nascer, ele exultou de alegria”, “muitos se alegraram com o seu nascimento”, “mostrou o Cordeiro” e “por fim deu o mais belo testemunho de Cristo, derramando por Ele o seu sangue”. Jesus aprendeu muito com João: viu a sua vida de oração e de jejum, ouviu as suas pregações, admirou-se com a vida austera de João, os primeiros discípulos pertenciam ao grupo dos de João. A mensagem de Jesus foi inspirada na mensagem de João. Podemos afirmar que Jesus foi um “discípulo excepcional” de João, mas superou-o: João pregava a justiça de Deus e Jesus preferiu, antes, mostrar o rosto misericordioso de Deus. O nome “Batista” convida-nos neste dia a meditar na importância do batismo. O momento áureo da vida de João foi o batismo de Jesus. Os evangelhos apresentam este momento como uma das grandes revelações de Sua divindade. Porém, o batismo de Jesus teve um sentido diferente do nosso batismo: Ele é o justo, nós somos pecadores; Ele é batizado em solidariedade com os pecadores, nós somos batizados em nome da Santíssima Trindade. O Batismo é o ponto de partida da nossa filiação divina, da nossa caminhada com Jesus, seguindo-O. A figura de João Batista, intimamente ligado ao Messias e com o testemunho da verdade até à morte, tem ainda muito a dizer aos cristãos de todos os tempos.

 

PREPARAI O CAMINHO DO SENHOR
Luzia Santiago, Canção Nova

Tem uma música antiga da Renovação Carismática Católica cuja letra diz: “Ouço uma voz vindo da montanha, ouço cada dia melhor: Preparai o caminho, preparai o caminho do Senhor”… Esta canção diz, justamente, da missão de João Batista, que é o último e o maior dos profetas. Ele é um grande santo da Igreja que é celebrado no mês de junho. A ele foi dada a missão de preparar os caminhos do Senhor. Talvez muitos não saibam que a Igreja celebra o nascimento de João Batista como um acontecimento sagrado. Diz Santo Agostinho: “Dentre os nossos antepassados, não há nenhum cujo nascimento seja celebrado solenemente”. Celebramos o nascimento de João, celebramos também o de Cristo. Tal fato tem uma explicação: João nasceu de uma mulher já idosa e estéril; Cristo nasceu de uma jovem virgem. O pai de João não acredita que ele possa nascer e fica mudo; Maria acredita, e Cristo é concebido pela fé. João apareceu como ponto de encontro entre os dois Testamentos: o Antigo e o Novo. É declarado profeta ainda nas entranhas de sua mãe. Na verdade, antes mesmo de nascer, exultou de alegria no ventre materno à chegada de Maria. Antes de nascer, já é designado; revela- se de quem seria o precursor, antes de ser visto por ele. Tudo isto são coisas divinas que ultrapassam a limitação humana. Por fim, nasce. Recebe o nome e a língua do seu pai se solta. Zacarias emudece e perde a voz até o nascimento de João, o precursor do Senhor; só então recupera a voz. Se João anunciasse a si mesmo, Zacarias não abriria a boca. Solta-se a língua, porque nasce aquele que é a voz. Com efeito, quando João anunciava o Senhor, perguntaram-lhe: “Quem és tu”? (Jo 1, 19) E Ele respondeu: “Eu sou a voz do que clama no deserto” (Jo 1, 23) “João é a voz que clama no tempo”. João Batista foi escolhido por Deus para anunciar à humanidade a chegada de Seu Reino, para preparar os caminhos do Filho de Deus, preparar para o Senhor um povo bem disposto. Ele teve a graça de reconhecer o Cordeiro de Deus e anunciá-Lo. Foi este o testemunho que João deu do Senhor: O que virá depois de mim, já existia antes de mim. Ele veio dar testemunho da Luz a fim de que todos acreditassem por ele. No tempo de João Batista, Deus quis ser anunciado pela voz de um homem. Em nossos tempos, o Senhor quer enviar pelo mundo inteiro muitos mensageiros do seu Evangelho. É para isto que a Canção Nova existe. A nossa missão é a de João Batista, juntamente com cada Sócio Evangelizador. Somos os anunciadores d’Aquele que salva; as vozes que clamam num mundo que parece um deserto seco e árido da presença de Cristo. Que o Senhor nos conceda a ousadia, a coragem e a intrepidez de João Batista para anunciar e apontar a todos o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo.

 

Solenidade do Nascimento de João Batista
24 de Junho

Com muita alegria, a Igreja, solenemente, celebra o nascimento de São João Batista. Santo que, juntamente com a Santíssima Virgem Maria, é o único a ter o aniversário natalício recordado pela liturgia. São João Batista nasceu seis meses antes de Jesus Cristo, seu primo, e foi um anjo quem revelou o seu nome ao seu pai, Zacarias, que há muitos anos rezava com sua esposa para terem um filho. Estudiosos mostram que possivelmente depois de idade adequada, João teria participado da vida monástica de uma comunidade rigorista, na qual, à beira do Rio Jordão ou Mar Morto, vivia em profunda penitência e oração. Pode-se chegar a essa conclusão a partir do texto de Mateus: “João usava um traje de pêlo de camelo, com um cinto de couro à volta dos rins; alimentava-se de gafanhotos e mel silvestre”. O que o tornou tão importante para a história do Cristianismo é que, além de ser o último profeta a anunciar o Messias, foi ele quem preparou o caminho do Senhor com pregações conclamando os fiéis à mudança de vida e ao batismo de penitência (por isso “Batista”). Como nos ensinam as Sagradas Escrituras: “Eu vos batizo na água, em vista da conversão; mas aquele que vem depois de mim é mais forte do que eu: eu não sou digno de tirar-lhe as sandálias; ele vos batizará no Espírito Santo” (Mateus 3, 11). Os Evangelhos nos revelam a inauguração da Missão Salvífica de Jesus a partir do Batismo recebido pelas mãos do precursor João e da manifestação da Trindade Santa. São João, ao reconhecer e apresentar Jesus como o Cristo, continuou sua missão em sentido descendente, a fim de que somente o Messias aparecesse. Grande anunciador do Reino e denunciador dos pecados, ele foi preso por não concordar com as atitudes pecaminosas de Herodes, acabando decapitado devido ao ódio de Herodíades, que fora esposa do irmão deste [Herodes], com a qual este vivia pecaminosamente. O grande santo morreu na santidade e reconhecido do próprio Cristo: “Em verdade eu vos digo, dentre os que nasceram de mulher, não surgiu ninguém maior que João, o Batista” (Mateus 11, 11). São João Batista, rogai por nós!

Conta a tradição que quando São João Batista nasceu, sua mãe, Isabel teria acendido uma grande fogueira para anunciar o nascimento do bebê. Assim, sua prima Maria poderia saber do acontecido mesmo de longe, ao ver o sinal de fumaça no céu.  No entanto, historicamente, relata-se que no século 6, a Igreja Católica teria passado a homenagear São João no dia 24 de junho, próximo à época em que eram realizadas comemorações pelas colheitas na Europa. Só no século 13, outros santos completaram o ciclo de festas juninas. Dia 13 para Santo Antônio, dia 24 para São João Batista e dia 29 para São Pedro e São Paulo. A partir dessa união entre a festa por boas colheitas e a festa em louvor aos santos católicos, a fogueira – principal elemento nos festejos agrícolas – passou a ser também uma homenagem ao nascimento de São João. De uma forma ou de outra, sinais no céu são o que não faltam no dia desse santo. Fogos de artifício e os temidos balões são marcas da festa que é tradição em todo o Brasil. Enquanto isso, na terra, bandeiras, muita comida, bebidas e danças típicas são feitas em homenagem ao santo. Existem várias lendas sobre este santo e a tradição de sua festa. Uma delas é a de que São João adormece no seu dia, pois se estivesse acordado vendo as fogueiras que são acesas para homenageá-lo, não resistiria: desceria à Terra e esta correria o risco de incendiar-se. Segundo os devotos, os balões levam os pedidos para São João. Assim, acredita-se que se o balão queimar, o desejo não será realizado. Portanto, talvez o melhor seja não se arriscar. É preparado também um mastro para receber a bandeira do santo homenageado. Enquanto ela é levantada são feitas preces, pedidos e simpatias. São João Batista, primo de Jesus Cristo, nasceu a 24 de junho e morreu a 29 de agosto do ano 31 d.C., na Palestina. Foi degolado por ordem de Herodes, a pedido da sua enteada Salomé, que queria a cabeça dele numa bandeja. São João pregava publicamente às margens do rio Jordão, onde batizava homens e mulheres, preparando, segundo a crença, o caminho do messias. “Arrependei-vos e convertei-vos, pois o reino de Deus está próximo”, pregava. João também batizou Jesus, embora não quisesse fazê-lo, dizendo: “Eu é que tenho necessidade de ser batizado por ti e tu vens a mim?”. O evangelista São Lucas narra as circunstâncias sobrenaturais que precederam o nascimento do menino João. Isabel, estéril e já idosa, viu sua vontade de ter filhos satisfeita, quando o anjo Gabriel anunciou a Zacarias que a esposa lhe daria um filho, que devia se chamar João. Depois disso, Maria foi visitar Isabel. “Ora quando Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança lhe estremeceu no ventre, e Isabel ficou repleta do Espírito Santo. Com um grande grito, exclamou: ‘Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre ! Donde me vem que a mãe do meu Senhor me visite?”. Desse episódio bíblico nasce também a tradição de estourar bombinhas. Antes de São João nascer, seu pai São Zacarias andava muito triste por não ter filhos. Certa vez apareceu-lhe um anjo de asas coloridas, todo iluminado por uma luz misteriosa e anunciou que Zacarias seria pai. A sua alegria foi tão grande que Zacarias perdeu a voz e ficou mudo até o nascimento do seu filho. No esperado dia do nascimento, mostraram-lhe a criança e perguntaram como desejava que se chamasse. Zacarias fez grande esforço e por fim conseguiu dizer: – “João”. Desse instante em diante Zacarias voltou a falar. Todos ficaram tão felizes que o barulho foi enorme. Daí vem a tradição das bombinhas nas festas juninas, tão apreciadas por crianças e adultos.

Oração a São João Batista 
São João Batista, voz que clama no deserto: “Endireitai os caminhos do Senhor… fazei penitência, porque no meio de vós está quem não conheceis e do qual eu não sou digno de desatar os cordões das sandálias”, ajudai-me a fazer penitência das minhas faltas para que eu me torne digno do perdão daquele que vós anunciastes com estas palavras: “Eis o Cordeiro de Deus, eis aquele que tira os pecados do mundo”. São João, pregador da penitência, rogai por nós. São João, precursor do Messias, rogai por nós. São João, alegria do povo, rogai por nós.

Espírito Santo nos impulsiona a chamar Deus de Pai

Quarta-feira, 23 de maio de 2012 / Nicole Melhado / Da Redação 

Junto aos fiéis e peregrinos reunidos na Praça São Pedro, o Papa deu continuidade ao ciclo de catequeses sobre a oração  

Nesta quarta-feira, 23, o Papa Bento XVI continuou o ciclo de Catequeses sobre a oração. Aos peregrinos e fiéis reunidos na Praça São Pedro, o Santo Padre ressaltou que o Espírito Santo “nos ensina a nos dirigir a Deus como filhos, chamando-O de ‘Abbá, Pai’” com a simplicidade, o respeito, a confiança e o afeto de um filho por seus pais.

“Queridos irmãos e irmãs, o Espírito Santo nos ensina a tratar Deus, na oração, com os termos afetuosos de ‘Abbá, Pai!’, como fez Jesus. São Paulo, tanto na carta aos Gálatas como na carta aos Romanos, afirma que é o Espírito que clama em nós ‘Abbá, Pai!’”, ressaltou o Pontífice.

Bento XVI enfatiza ainda que a Igreja acolheu esta invocação, que é repetida na oração do “Pai-Nosso” e “poder chamar Deus de Pai é um dom inestimável”. Ele não é somente o Criador, explica o Papa, mas é quem conhece cada um pelo nome, Aquele que cuida e ama todos imensamente, como ninguém no mundo é capaz de amar.

“Hoje muitos não se dão conta da grandeza e da consolação profunda contidas na palavra ‘Pai’, dita por nós a Deus na oração. O Espírito Santo ilumina o nosso espírito, unindo-nos à relação filial de Jesus com o Pai. Realmente, sempre que clamamos ‘Abbá, Pai!’, fazemos isso movidos pelo Espírito, com Cristo e em Cristo, e sempre em união com toda a Igreja”, afirma o Papa.

Talvez o homem de hoje, ressaltou o Pontífice, não perceba a beleza, a grandeza e a consolação profunda contida na palavra “pai”, porque a própria figura paterna não seja suficientemente presente e, muitas vezes, suficientemente positiva na vida cotidiana.

“A ausência do Pai, o fato de um pai não ser presente na vida de uma criança é um grande problema do nosso tempo, por isso, torna-se difícil entender na sua profundidade o que quer dizer que Deus é Pai para nós”, salienta.

Na oração, explica ainda Bento XVI, entramos numa relação de intimidade e familiaridade com um Deus pessoal, que quis nos fazer participantes da plenitude da vida, que nunca nos abandona. Na oração, não somente nos dirigimos a Deus, mas entramos numa relação recíproca com Ele. Uma relação em que nunca estamos sós: Cristo nos acompanha pessoalmente, e também a comunidade cristã, com toda a diversidade e a riqueza dos seus carismas, como família dos filhos de Deus.

No final da catequese, o Santo Padre saudou os fiéis e grupos de peregrinos nos vários idiomas, entre eles, os brasileiros.   “Queridos peregrinos de língua portuguesa: sede bem-vindos! Saúdo de modo particular os brasileiros do Rio de Janeiro, do Rio Grande de Sul, bem como as Irmãs Franciscanas de São José. Com a proximidade da solenidade de Pentecostes, procurai, a exemplo de Nossa Senhora, estar abertos à ação do Espírito Santo na vossa oração, de tal modo que o vosso pensar e agir se conformem sempre mais com os do seu Filho Jesus Cristo. De coração vos abençôo a vós e às vossas famílias!”, disse o Papa em português.

 

Catequese Bento XVI – Oração Cartas de Paulo (2)  
Boletim da Santa Sé (Tradução: Mirticeli Medeiros – equipe do CN notícias)

Queridos irmãos e irmãs.

Quarta-feira passada mostrei como São Paulo diz que o Espírito Santo é o grande mestre da oração e nos ensina a nos dirigirmos a Deus com os termos afetuosos de filhos, chamando-o de “Abbá, Pai”. Assim fez Jesus: também no momento mais dramático da sua vida terrena, Ele não perdeu a confiança no Pai e sempre o invocou com a intimidade do Filho Amado. No Getsêmani, quando sente a angústia da morte, a sua oração é: “Abbá! Pai! Tudo é possível a ti: afasta de mim este cálice! Mas, não se faça aquilo que quero, mas aquilo que queres” (Mc 14,36).

Desde os primeiros passos do seu caminho, a Igreja acolheu esta invocação e a fez própria, sobretudo na oração do Pai Nosso, na qual dizemos todos os dias: “Pai, seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu” (Mt 6, 9-10). Nas cartas de São Paulo a encontramos duas vezes. O apóstolo se dirige aos Gálatas com estas palavras: “E pelo fato de serdes filhos de Deus é a prova que Ele mandou aos nossos corações o Espírito de seu Filho, o qual grita em nós: “Abbá! Pai!” (Gal 4,6). E no centro desse canto ao Espírito que está no capítulo oitavo da carta aos Romanos, São Paulo afirma: “E vós não recebestes um espírito de escravos para cair no medo, mas recebestes o Espírito que vos torna filhos adotivos, por meio do qual gritamos: “Abbá, Pai!” (Rom 8,15). O cristianismo não é uma religião do medo, mas da confiança e do amor do Pai que nos ama. Essas duas grandes afirmações nos falam do envio e do acolhimento dado ao Espírito Santo, o dom do Ressuscitado, que nos torna filhos em Cristo, o Filho Unigênito, e nos coloca em uma relação filial com Deus, relação de profunda confiança, como aquela das crianças; uma relação filial análoga àquela de Jesus, mesmo essa sendo de origem e teor diferentes: Jesus é o Filho eterno de Deus que se fez carne, por outro lado, nós, nos tornamos filhos nele, no tempo, mediante a fé e os Sacramentos do Batismo e do Crisma; graças a esses dois Sacramentos, mergulhamos no Mistério Pascal de Cristo. O Espírito Santo é o dom precioso e necessário que nos torna filhos de Deus, que realiza aquela adoção filial a qual somos chamados, todos os seres humanos, para que, como retrata a benção divina da Carta aos Efésios, Deus, em Cristo, “nos escolheu antes da criação do mundo para sermos santos e imaculados diante dele na caridade, predestinando-nos a sermos para Ele filhos adotivos mediante Jesus Cristo” (Ef 1,4).

Talvez o homem de hoje não perceba a beleza, a grandeza, e a consolação profunda contidas na palavra “pai” com a qual podemos nos dirigir a Deus na oração, por causa da figura paterna que geralmente não é suficientemente presente, ou suficientemente positiva na vida cotidiana, nos tempos de hoje. A essência do pai, o problema de um pai não presente na vida de uma criança é um grande problema do nosso tempo, por isso, se torna difícil entender na sua profundidade o que significa dizer que Deus é Pai para nós. A partir do próprio Jesus, do seu relacionamento filial com Deus, podemos aprender o que significa exatamente o “pai”, qual é a verdadeira natureza do Pai que está nos céus. Críticos da religião disseram que falar do “Pai”, de Deus, seria uma projeção dos nossos pais ao céu. Mas, é verdade o contrário: no Evangelho, Cristo nos mostra quem é o pai e como é um verdadeiro pai, para que possamos intuir a verdadeira paternidade, aprender também a verdadeira paternidade. Pensemos nas palavras de Jesus no sermão da montanha onde diz: “amais os vossos inimigos e orais por aqueles que vos perseguem, para que sejais filhos do Pai vosso que está nos céus” (Mt 5,44-45). É exatamente no amor de Jesus, o Filho Unigênito – que é ampliado pelo dom de si mesmo na cruz –  que se é revelada a nós a verdadeira natureza do pai: “Ele é Amor, e também nós, na nossa oração de filhos, entramos nesse circuito de amor, amor de Deus que purifica os nosso desejos, as nossas atitudes marcadas pelo fechamento, autossuficiência, do egoísmo típico do homem velho.

Gostaria de concentrar-me sobre a paternidade de Deus, para que possamos fazer com que o nosso coração seja abrasado por esta profunda realidade que Jesus Cristo nos fez conhecer plenamente e para que a nossa oração seja nutrida. Podemos dizer, portanto, que em Deus, o ser Pai tem duas dimensões. Antes de tudo, Deus é nosso Pai, porque é nosso Criador. Cada um de nós, todo homem e toda mulher é um milagre de Deus, é desejado por Ele e é conhecido pessoalmente por Ele. Quando no livro do Gênesis se diz que o ser humano é criado à imagem de Deus (CFR 1,27), se deseja exprimir exatamente esta realidade: Deus é nosso Pai, para Ele não somos anônimos, impessoais, mas temos um nome. E uma palavra nos Salmos, me toca sempre quando a rezo: “As tuas mãos me plasmaram”, diz o salmista (Sal 119,73). Cada um de nós, pode dizer, nesta bela imagem da relação pessoal com Deus: “As tuas mãos me plasmaram. Pensaste em mim, me criaste, me quiseste”. Mas isso ainda não basta. O Espírito de Cristo nos abre a uma segunda dimensão da paternidade de Deus, além da criação, porque Jesus é o Filho em sentido pleno, consubstancial ao Pai, como professamos no Creio. Se tornando um ser humano como nós, com a encarnação, a morte e a ressurreição, Jesus, por sua vez, nos acolhe na sua humanidade e no próprio ser Filho, assim, também nós podemos entrar na sua específica pertença a Deus. Certamente o nosso ser filhos não tem a plenitude do ser Filho de Jesus: nós devemos nos tornar sempre mais, ao longo do caminho de toda a nossa existência cristã, crescendo no seguimento de Cristo, na comunhão com Ele para entrar sempre mais intimamente na relação de amor com Deus Pai, que sustenta nossa vida. E é essa a realidade fundamental que nos vem aberta quando nos abrimos ao Espírito Santo e Ele nos faz dirigir a Deus dizendo-lhe “Abbá”, Pai! Entramos realmente além da criação na adoção com Jesus; estamos realmente unidos em Deus, e filhos em um modo novo, em uma dimensão nova.

Mas gostaria agora de retornar aos dois trechos de São Paulo nos quais estamos considerando a ação do Espírito Santo na nossa oração; também aqui são dois passos que se correspondem, mas contém uma definição diferente. Na carta aos Gálatas, de fato, o apóstolo afirma que o Espírito grita em nós “Abbá!Pai!”; já na carta aos Romanos diz que somos nós a gritar “Abbá!Pai!”. E São Paulo quer nos fazer compreender que a oração cristã não é nunca, não acontece nunca em sentido único de nós a Deus, não é somente um “agir nosso”, mas é expressão de uma relação recíproca na qual Deus age primeiro: é o Espírito Santo que grita em nós, e nós podemos gritar para que o impulso venha do Espírito Santo. Nós não poderíamos rezar se não fosse inscrito na profundidade do nosso ser o desejo de Deus, o ser filhos de Deus. Desde quando passou a existir, o homo sapiens está sempre à procura de Deus, à procura de falar com Deus, porque Deus inscreveu-se nos nossos corações. Portanto, a primeira iniciativa vem de Deus, e com o Batismo, Ele de novo age em nós, o Espírito Santo age em nós; é o primeiro iniciador da oração para que possamos depois realmente falar com Deus e dizer “Abbá” a Deus. Portanto, a sua presença abre a nossa oração e a nossa vida, abre os horizontes da Trindade e da Igreja.

Além disso, compreendemos – este é um segundo ponto – que a oração do Espírito de Cristo em nós e a nossa nele, não é somente um ato individual, mas um ato de toda a Igreja. No rezar se abre o nosso coração, entramos em comunhão não somente com Deus, mas exatamente com todos os filhos de Deus, para que sejamos uma coisa só. Quando nos dirigimos ao Pai na nossa morada interior, no silêncio e no recolhimento, não estamos nunca sozinhos. Quem fala com Deus não está sozinho. Estamos na grande oração da Igreja, somos parte de uma grande sinfonia que  a comunidade cristã, espalhada em todas as partes da terra e em todos os tempos, eleva a Deus; claro, os músicos e os instrumentos são diferentes –  e isso é um elemento de riqueza – , mas a melodia de louvor é única e em harmonia. Todas as vezes, então, que gritamos e dizemos: “Abbá!Pai!” é a Igreja, toda a comunhão dos homens em oração que sustenta a nossa invocação, e a nossa invocação é a invocação da Igreja. Isso também se reflete na riqueza dos carismas, dos ministérios, das tarefas que realizamos na comunidade. São Paulo escreve aos cristãos de Corinto: “Existem diversos carismas, mas somente um é o Espírito; existem diversos ministérios, mas um só é o Senhor; existem diversas atividades, mas um só é o Deus que age em todos nós” (I Cor 12,4-6). A oração guiada pelo Espírito Santo, que nos faz dizer: “Abbá! Pai” com Cristo e em Cristo, nos insere no único grande mosaico da família de Deus no qual cada um tem um lugar importante e um papel importante, em profunda unidade com o todo.

Uma última reflexão: nós aprendemos a gritar “Abbá, Pai” também com Maria, a Mãe do Filho de Deus. O cumprimento da plenitude dos tempos, do qual fala São Paulo na Carta aos Gálatas (cfr 4,4), acontece no momento do sim de Maria, da sua adesão plena à vontade de Deus: “eis, sou a serva do Senhor” (Lc 1,38).

Queridos irmãos e irmãs, aprendemos a provar na nossa oração a beleza de sermos amigos, filhos de Deus, de poder invocá-lo com a confiança de uma criança que se dirige aos pais que a amam. Abramos a nossa oração à ação do Espírito Santo para que nós gritemos a Deus “Abbá! Pai” e para que a nossa oração transforme, converta constantemente o nosso pensar, o nosso agir para torná-lo sempre mais conforme àquele do Filho Unigênito, Jesus Cristo. Obrigado.

Santo Evangelho (Jo 20, 19-23)

Pentecostes – Domingo 20/05/2018

Primeira Leitura (At 2,1-11)
Leitura dos Atos dos Apóstolos:

1Quando chegou o dia de Pentecostes, os discípulos estavam todos reunidos no mesmo lugar. 2De repente, veio do céu um barulho como se fosse uma forte ventania, que encheu a casa onde eles se encontravam. 3Então apareceram línguas como de fogo que se repartiram e pousaram sobre cada um deles. 4Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito os inspirava. 5Moravam em Jerusalém judeus devotos, de todas as nações do mundo. 6Quando ouviram o barulho, juntou-se a multidão, e todos ficaram confusos, pois cada um ouvia os discípulos falar em sua própria língua. 7Cheios de espanto e admiração, diziam: “Esses homens que estão falando não são todos galileus? 8Como é que nós os escutamos na nossa própria língua? 9Nós, que somos partos, medos e elamitas, habitantes da Mesopotâmia, da Judeia e da Capadócia, do Ponto e da Ásia, 10da Frígia e da Panfília, do Egito e da parte da Líbia próxima de Cirene, também romanos que aqui residem; 11judeus e prosélitos, cretenses e árabes, todos nós os escutamos anunciarem as maravilhas de Deus em nossa própria língua!”

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Responsório (Sl 103)

— Enviai o vosso Espírito, Senhor,/ e da terra toda a face renovai!
— Enviai o vosso Espírito, Senhor,/ e da terra toda a face renovai!

— Bendize, ó minha alma, ao Senhor!/ Ó meu Deus e meu Senhor, como sois grande!/ Quão numerosas, ó Senhor, são vossas obras!/ Encheu-se a terra com as vossas criaturas!

— Se tirais o seu respiro, elas perecem/ e voltam para o pó de onde vieram./ Enviais o vosso espírito e renascem/ e da terra toda a face renovais.

— Que a glória do Senhor perdure sempre,/ e alegre-se o Senhor em suas obras!/ Hoje seja-lhe agradável o meu canto,/ pois o Senhor é a minha grande alegria!

 

Segunda Leitura (1Cor 12,3b-7.12-13)
Leitura da Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios:

Irmãos: 3bNinguém pode dizer: Jesus é o Senhor, a não ser no Espírito Santo. 4Há diversidade de dons, mas um mesmo é o Espírito. 5Há diversidade de ministérios, mas um mesmo é o Senhor. 6Há diferentes atividades, mas um mesmo Deus que realiza todas as coisas em todos. 7A cada um é dada a manifestação do Espírito em vista do bem comum. 12Como o corpo é um, embora tenha muitos membros, e como todos os membros do corpo, embora sejam muitos, formam um só corpo, assim também acontece com Cristo. 13De fato, todos nós, judeus ou gregos, escravos ou livres, fomos batizados num único Espírito, para formarmos um único corpo, e todos nós bebemos de um único Espírito.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Anúncio do Evangelho (Jo 20,19-23)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo João.
— Glória a vós, Senhor.

19Ao anoitecer daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas, por medo dos judeus, as portas do lugar onde os discípulos se encontravam, Jesus entrou e, pondo-se no meio deles, disse: “A paz esteja convosco”. 20Depois dessas palavras, mostrou-lhes as mãos e o lado. Então os discípulos se alegraram por verem o Senhor. 21Novamente, Jesus disse: “A paz esteja convosco. Como o Pai me enviou, também eu vos envio”. 22E, depois de ter dito isso, soprou sobre eles e disse: “Recebei o Espírito Santo. 23A quem perdoardes os pecados, eles lhes serão perdoados; a quem não os perdoardes, eles lhes serão retidos”.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

 

A IGREJA CATÓLICA CELEBRA E VENERA HOJE
São Bernardino de Sena, homem zeloso

São Bernardino, liderou o movimento da observância em prol de uma vivência radical do carisma franciscano

Nasceu em Massa Marítima, na Toscana, Itália, no ano de 1380. Muito cedo, infelizmente, perdeu seus pais; mas, por outro lado, a Providência Santíssima agiu na sua formação através de tias cristãs fervorosas. Tanto que oraram, testemunharam, foram canais da Providência Divina para a vida de São Bernardino.

Numa vida de oração e penitência, ele discerniu seu chamado a uma vida consagrada, entrando para a família franciscana na Ordem dos Frades Menores. Ali, tornou-se sacerdote.

São Bernardino possuía muitas qualidades; muitas delas, sobrenaturais. Muitos dons, dentre eles, o carisma da pregação. Um homem zeloso, liderou o movimento da observância em prol de uma vivência radical do carisma franciscano. Quantas pessoas, na Itália, conheceram esse santo por causa da eficácia do nome de Jesus!

Grande devoto; tanto que nas leituras do ofício de hoje, encontramos um texto tirado de um de seus sermões: “O nome de Jesus é a luz dos pregadores, porque ilumina, com o seu esplendor, os que anunciam e os que ouvem a Sua Palavra. Por que razão a luz da fé se difundiu no mundo inteiro tão rápida e ardentemente, senão porque foi pregado este nome?”. Um grande pregador, ele reconhecia que tudo era graça na sua vida. Muitos puderam conhecer, através dos lábios desse pregador, o amor de Deus. Ele se expressou, revelou-se plenamente em Cristo Jesus na força do seu Espírito.

São Bernardino, como todos os santos e santas da Igreja de todos os tempos, foi conduzido pelo Espírito Santo. Centrado no mistério da Eucaristia, devotíssimo da Santíssima Virgem, ele se consumiu ao serviço da Palavra e do povo de Deus. No ano de 1444, ele partiu para o céu e intercede por nós para que sejamos todos servos da Palavra para glória e de Jesus.

São Bernardino de Sena, rogai por nós!

Subiu aos céus

Está sentado à direita de Deus

O evangelista São Marcos disse: “O Senhor Jesus, depois de ter-lhes falado, foi arrebatado ao Céu e sentou-se à direita de Deus” (Mc 9). O sentar-se à direita do Pai significa a inauguração do Reino do Messias, a realização daquela visão do profeta Daniel: “A Ele foram outorgados o império, a honra e o reino, e todos os povos, nações e línguas o serviram. Seu império é um império eterno que jamais passará, e seu reino jamais será destruído” (Dn 7,14).

A Ascensão do Senhor marca, assim, a entrada definitiva da humanidade de Jesus no céu, donde voltará, embora até esteja escondido dos homens. Com Ele a humanidade pode agora ser introduzida na comunhão plena com Deus que, por causa do pecado original, o homem perdeu. A Igreja ensina que, a partir desse momento, os apóstolos se tomaram as testemunhas do “Reino que não terá fim”.

Durante os quarenta dias, que ainda permaneceu na terra para dar as últimas instruções aos apóstolos, Jesus comeu e bebeu com eles, mostrando-lhes que era Ele mesmo. A sua última aparição a eles foi na  entrada irreversível de sua humanidade na glória divina; isso é simbolizado pela nuvem e pelo céu. O “sentar-se à direita de Deus” significa o lugar de honra no céu.

São João Damasceno (†749), doutor da Igreja de Constantinopla, ensinava que: “Por ‘direita do Pai’ entendemos a glória e a honra da divindade, no qual Aquele que existia como Filho de Deus antes de todos os séculos como Deus e consubstancial ao Pai, sentou-se corporalmente depois de encarnar-se e de sua carne ser glorificada” (De fide orthodoxa, 4,2,2).

O Corpo de Cristo foi glorificado desde a Sua Ressurreição e adquiriu propriedades novas e sobrenaturais; não está mais sujeito ao  tempo nem ao espaço; pode “atravessar paredes” como ao entrar no Cenáculo onde estavam os discípulos e se mostrar com feições diferentes à Madalena e aos discípulos de Emaús. Depois de ressuscitado, Jesus esteve, de fato, com os discípulos; eles o apalparam e com Ele comeram. Mostrou-lhes, assim, que Ele não é um espírito e que o Seu Corpo ressuscitado é o mesmo que foi martirizado e crucificado, pois traz as marcas da Paixão. Contudo, este corpo autêntico e real possui, ao mesmo tempo, as propriedades novas de um corpo glorioso. Não está mais situado no espaço ou no tempo, mas pode se tornar presente a seu modo, onde e quando quiser, pois sua humanidade não pode mais ficar presa à terra, mas já pertence ao domínio do Pai. Por esta razão, Jesus Ressuscitado, é livre de aparecer como quiser: sob a aparência de um jardineiro ou “de outra forma” (Mc 16,12)  para fortalecer a fé deles.

Sua glória ainda permaneceu velada aos discípulos como se fosse um homem comum; e isso pode ser notado na palavra misteriosa que Ele disse a Maria Madalena: “Ainda não subi para o Pai, mas vai aos meus irmãos e dizer-lhes ‘Eu subo para meu Pai e vosso Pai, para meu Deus e vosso Deus’” (Jo 20,17). Isso mostra a diferença entre a glória de Cristo ressuscitado e a glória de Cristo exaltado à direita do Pai.

A Igreja ensina que a Ascensão de Jesus ao céu é, ao mesmo tempo, um fato histórico e transcendente. Daí para frente, Jesus não mais se apresentará aos apóstolos. Um caso excepcional é quando Ele se apresenta a São Paulo no caminho de Damasco, como ele disse: “como a um abortivo” (1 Cor 15,8), em uma última aparição que o constitui apóstolo.

A subida de Jesus ao céu está unida à Sua descida do céu na encarnação. Ele disse que só aquele que “saiu do Pai” pode “retomar ao Pai” (cf.Jo 16,28). “Ninguém jamais subiu ao céu, a não ser aquele que desceu do céu, o Filho do Homem” (Jo 3,13). “Quando subiu ao alto, levou muitos cativos, cumulou de dons os homens” (Sl 67,19). Ora, que quer dizer “ele subiu”, senão que antes havia descido a esta terra? Aquele que desceu é também o que subiu acima de todos os céus para encher todas as coisas” (Ef 4,8-10).

Por si mesma a humanidade não consegue chegar à “Casa do Pai”, à vida e à felicidade de Deus. Só Cristo pôde abrir esta porta ao homem. Ele disse que: “Na casa de meu Pai há muitas moradas. Não fora assim, e eu vos teria dito; pois vou preparar-vos um lugar. Depois de ir e vos preparar um lugar, voltarei e tomar-vos-ei comigo, para que, onde eu estou, também vós estejais” (Jo 14,2). O prefácio da Missa da Ascensão reza: “de sorte que nós, seus membros, tenhamos a esperança de encontrá-lo lá onde Ele, nossa cabeça e nosso princípio, nos precedeu”. Jesus Cristo é a Cabeça da Igreja, por isso nos precede no Reino glorioso do Pai, para que nós, membros de Seu Corpo, vivamos na esperança de estarmos com Ele na eternidade.

A Igreja também nos ensina que a elevação de Jesus na Cruz significa e anuncia a elevação da ascensão ao céu. “E, quando eu for elevado da terra, atrairei todos os homens a mim” (Jo 12,32). É o começo da ascensão. Jesus é o Único Sacerdote da nova e eterna Aliança que entrou no céu. “Eis por que Cristo entrou, não em santuário feito por mãos de homens, que fosse apenas figura do santuário verdadeiro, mas no próprio céu, para agora se apresentar intercessor nosso ante a face de Deus”. (Hb 9,24)

O nosso Catecismo ensina (§665-667) que, no céu, Cristo exerce Seu sacerdócio, como diz a Carta aos Hebreus: “por isso é capaz de salvar totalmente aqueles que, por meio dele, se aproximam de Deus, visto que ele vive eternamente para interceder por eles” (Hb 7,25). Jesus intercede, sem cessar, por nós como mediador que nos garante a efusão do Espírito Santo. E, como “sumo sacerdote dos bens vindouros” (Hb 9,11), ele é o centro e o ator principal da liturgia que honra o Pai nos Céus.  Por isso São João pode escrever: “Filhinhos meus, isto vos escrevo para que não pequeis; mas, se alguém pecar, temos um intercessor junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo”. (I Jo 2,1)

Prof. Felipe Aquino
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