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8 conselhos para quem quer viver a castidade

Conteúdo enviado pelo internauta Thiago Thomaz Puccini

Há uma geração de jovens que buscam a santidade, e um dos grandes desafios dessa juventude é viver a castidade. Por isso, coloco abaixo alguns conselhos para aqueles que almejam essa virtude:

1. Participar da Santa Missa, se possível todos os dias. A Celebração Eucarística é um grande encontro com Jesus, Ele que se fez pão, que nos traz vida em abundância. Sua constância produzirá diversos frutos, dentre eles, a fortaleza.

2. Oração pessoal, comunitária e a oração do santo terço. Estar em contato com Deus nos permite aprofundar a amizade com Ele. Qual amigo quer decepcionar o outro? Portanto, rezar nos permite ser livres para viver a vontade do Senhor. Ao rezar o terço, comece com uma Ave-Maria, depois duas… Quando perceber, estará rezando o rosário. Nossa Senhora é sua grande auxiliadora, não se esqueça disso!

3. Jejuar. O jejum, se bem praticado, por mais simples que seja produz frutos como a disciplina e o autocontrole.

4. Ler a Palavra. É preciso buscar a leitura e a reflexão diária da Bíblia. Muitas vezes, estaremos como Jesus no deserto; o demônio tentará nos convencer de que devemos pecar contra a castidade. Mas é possível combatê-lo com o auxílio de Deus, por meio de Suas palavras.

5. Buscar o Sacramento da Reconciliação. Os santos sempre se confessavam. Não seria bom fazer o mesmo? A confissão renova nossa amizade com o Senhor e traz paz e ânimo necessários para continuarmos a caminhada. Caiu? Não consegue se arrepender? Peça a ajuda de Deus. Levante-se!

6. Pensamentos, palavras e olhares para o céu. Diante das fragilidades, é necessário que sempre sejam evitados o pensamento, a palavra e o olhar impuros. É preciso cortá-los pela raiz! Se um ambiente, um site ou algum tipo de roupa não transmitir pureza, é melhor percorrer outro caminho. Lembre-se: um vazamento pequeno pode se transformar em uma inundação!

7. Fuga do pecado. Esse tipo de fuga não é covardia; pelo contrário, é muito corajosa! Muitas vezes, o rapaz e a moça pensam que são capazes de suportar a tentação. Cuidado! Camufladamente, isso pode ser falta de humildade. O cristão deve compreender quais são os seus limites.

8. Castidade como objetivo. Muitas vezes, o jovem quer viver a castidade, mas, por falta de determinação, acaba caindo em pecados que poderiam ser evitados. É necessário levantar para si mesmo essa bandeira. PHN, “Por hoje não quero mais pecar”! Jovem, que Deus o ilumine e apresente mais caminhos seguros para você alcançar a castidade.

Lembre-se do que São Paulo disse ao jovem Timóteo: “Torna-te modelo para os fiéis no modo de falar e de viver, na caridade, na fé, na castidade”.

Nossa Senhora da Pureza, rogai por nós!

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Beata Regina Protmann – 13 de Junho – Aniversário da Beatificação – 18 anos

A Santíssima Virgem Maria e a Bem-Aventurada Regina Protmann

1º dia – Maria mulher geradora de vida e instrumento de salvação
Seria impossível falar da Beata Regina, de sua caminhada para Deus, sem falar da profunda veneração que devotava a Maria, que reconhecia como a fiel companheira de todas as horas e circunstâncias. Não se pode pensar em Cristo, na Igreja e no trabalho de construção do Reino de Deus, sem uma contínua referência à atuação de Maria, Mãe de Deus e Mãe da Igreja, o instrumento do mistério da salvação, a “cheia de graça” que fecunda a Comunhão dos Santos. Formada pelo Espírito Santo desde antes da concepção, Maria, não viveu passivamente a “santidade original”. Colaborou de maneira única e extraordinária com a graça. Bendita entre as mulheres, deixou-se conduzir e amoldar, sem nada perder de suas qualidades humanas e femininas. Aceitou ser Mãe de Deus e arcar com todas as consequências do SIM, até a morte cruenta de seu Filho na cruz.
Com o “Faça-se em mim segundo a tua palavra”, Maria não apenas aceitou que o Filho de Deus se aninhasse em seu seio, mas adotou também todos aqueles que seriam os irmãos e irmãs de Jesus. Isso se tornou muito claro aos pés da Cruz quando, na pessoa de João, Jesus disse à humanidade: “Eis aí a tua mãe”. No dia de Pentecostes, quando o Espírito Santo como que oficializa a nova Família de Deus, a Igreja, Maria oficializa seu papel de mãe de todos aqueles que crerem em Jesus de Nazaré como Filho de Deus Salvador. Entre a maternidade de Maria e a maternidade da Igreja há uma relação tão íntima e recíproca que não se podem mais separar.
Maria, 1ª cristã, é a mulher escolhida para representar toda humanidade na concretização do sonho de Deus em Jesus. No diálogo do Anjo podemos nos ver em Maria recebendo a proposta vocacional de Deus, numa dupla dimensão: a fragilidade ao ter dificuldade de entendê-la e sua coragem ao dizer sim. Maria se abre para o discernimento diante da Experiência de Deus a faz compreender a grande graça que lhe é oferecida. Ao assumir o ‘sim’ Maria assume todo o Projeto do Pai e se torna servidora. Maria vai ao encontro de Isabel, já em idade avançada e grávida de seis meses. O ‘sim’ a torna mais sensível às necessidades dos que mais precisam e sai ao encontro como missionária que leva a Boa Nova no ventre e na atitude. Um pequeno gesto de solidariedade revela a grandeza de uma vida doada. Do ‘sim’ verbal ao sim gestual, Maria revela, na atitude, o que traz no ventre, da força e do dinamismo capaz de mover o mundo. O ‘sim’ foi uma atitude que possibilitou a encarnação de Deus e com ela a possibilidade de divinizar a humanidade. É descendo até nós que Deus nos mostra como Ele é, e como nós devemos ser. Maria se faz oferta viva para Deus e em sua liberdade assume uma corresponsabilidade na edificação do Reino. Essa atitude é um convite para cada um de nós.
Colocar-nos no caminho e perceber se estamos no itinerário certo não é fácil. Isso exige discernimento para não nos enganarmos com outras propostas. Os reis magos também passaram por dificuldades e receberam outras propostas que poderiam levar ao aniquilamento do Projeto de Deus. Discernir significa saber olhar onde brilha a estrela, é preciso fixar a mente e os olhos em Jesus, percorrer novos caminhos, seguir a estrela como os magos, e encontrar Jesus, com José e Maria. E proclamar profeticamente que o Senhor está chegando, que seus sinais se manifestam quando nos colocamos a caminho, assumindo as lutas concretas dos pequenos (pobres, doentes, necessitados, excluídos) e de todos os que com eles se fazem solidários, contra todas as violências dos Herodes modernos.
Logo, os pais de Jesus o levam para ser apresentado no templo, segundo as orientações religiosas mostrando o cuidado na educação religiosa do Filho de Deus. Passados alguns anos, José e Maria procuram Jesus, e o encontram no templo, revelando sua preocupação de pais com o filho. Numa festa de casamento, Maria aparece atuando na missão de Jesus, mostrando uma presença atenta, capaz de ajudar seu Filho a visualizar as necessidades de seu povo. Depois, Maria aparece no momento muito difícil da vida e missão de Jesus, sua morte. Por fim Maria dá continuidade à missão junto aos apóstolos, após a morte e ressurreição de seu Filho. O ‘sim’ de Maria se tornou um projeto de vida que foi desde a concepção até a organização das primeiras comunidades. Este é um testemunho vocacional que nos convida a pensarmos sobre o compromisso que fazemos com o Projeto de Deus que vai além de um momento emotivo. Desde a promessa da fórmula dos votos de nossas Irmãs e antes já, em todo o processo vocacional onde cada um de nós se inclui, a Beata Regina insiste em ter Maria sempre presente nas orações. Isto destaca e reforça de que Maria é a Mãe fidelíssima, que gera a vida, e contempla o rosto visível de Cristo nas realidades em que serve e assim se oferece a cada dia como instrumento. Que bela lição para nós! Vamos imitar nossa Padroeira!

2º dia – Maria exemplo do amor que é entrega, doação e oferta de gratuidade
A Beata Regina conhece bem a obra-prima de Deus e faz caminho com ela. Admira, contempla e invoca a Mulher do silêncio e da escuta e também dela aprende a “ouvir o clamor do povo”, a compadecer-se das necessidades espirituais e materiais, e a tomar iniciativas a seu alcance para aliviar os sofrimentos. A Beata Regina sabe que a grandeza humana passa pelo mistério da cruz, mas sabe também que as criaturas não existem para o sofrimento e a morte.
Como Maria em Caná, a Beata Regina começa a agir pondo sua inteligência, seu jeito organizativo, seu trabalho, a serviço do povo. Olhando para Maria, que fez do SIM a Deus um SIM a toda a humanidade, e com isso viveu inteiramente consagrada ao seu Senhor, a Beata Regina transformou seu amor esponsal ao Cristo em amor ao próximo e fez desse amor prático aos necessitados sua forma de pertença total ao seu Senhor: “Como Deus Quer”.
Desde o início, a Beata Regina incentivou as Irmãs a se consagrarem a Nossa Senhora: “Prometo a Deus, à Bem-aventurada Virgem Maria…”, referindo-se à profissão religiosa. Recomenda à comunidade rezar, em voz alta, a Ladainha de Nossa Senhora. Ordena a recitação diária do terço, com seus mistérios e intenções para cada dia da semana. Prescreve o Ofício da Virgem Maria em todos os sábados. E para os domingos propõe a meditação sobre a Ressurreição de Jesus e sua aparição a Mãe Santíssima. Sabemos que essa aparição na manhã da Páscoa não consta no relato bíblico. Mas a Beata Regina, segundo a opinião de inúmeros Santos Padres, a oferece para a meditação de suas Irmãs, numa indicação clara de como uma mulher pode unir sua missão a missão redentora de Jesus.
Tudo é dom gratuito de Deus, tudo é graça, tudo é dom do seu amor por nós. O Anjo Gabriel chama Maria “cheia de graça”: nela não há espaço para o pecado, porque Deus a escolheu desde sempre mãe de Jesus e a preservou da culpa original. E Maria corresponde à graça e se abandona dizendo ao Anjo: “Faça-se em mim segundo a tua palavra”.
Não diz: “Eu farei segundo a tua palavra”: não! Mas: “Faça-se em mim…”. E o Verbo se fez carne em seu ventre. Também a nós é pedido escutar Deus que nos fala e acolher a sua vontade; segundo a lógica evangélica, nada é mais eficaz e fecundo que escutar e acolher a Palavra do Senhor, que vem do Evangelho. O Senhor nos fala sempre!
A atitude de Maria de Nazaré nos mostra que “ser” vem antes do “fazer” e que é preciso “deixar fazer” a Deus para “ser” verdadeiramente como Ele nos quer. É Ele que faz em nós tantas maravilhas. Maria é receptiva, mas não passiva. Como, a nível físico, recebe o poder do Espírito Santo, mas depois doa a carne e o sangue ao Filho de Deus que se forma nela, assim, no plano espiritual, acolhe a graça e corresponde a essa com a fé.
Por isso Santo Agostinho afirma que a Virgem “concebeu antes no coração que no ventre”. Concebeu primeiro a fé e depois o Senhor. Este mistério do acolhimento da graça, que em Maria, por um privilégio único, era sem obstáculo do pecado, é uma possibilidade para todos. São Paulo abre a sua Carta aos Efésios com estas palavras de louvor: “Bendito seja Deus, Pai do Senhor nosso Jesus Cristo, que nos abençoou com toda benção espiritual nos céus em Cristo”.
Como Maria é saudada por Santa Isabel como “bendita entre as mulheres”, assim também nós sempre fomos “bendito(a)s”, isso é, amado(a)s e por isso “escolhido(a)s antes da criação do mundo para sermos santo(a)s e imaculado(a)s”. Maria foi preservada, enquanto nós fomos salvos graças ao Batismo e à fé.
Diante do amor, diante da misericórdia, da graça divina derramada nos nossos corações, a consequência que se impõe é uma só: a gratuidade. Nenhum de nós pode comprar a salvação! A salvação é um dom gratuito do Senhor, que vem em nós e mora em nós. Como recebemos gratuitamente, assim gratuitamente somos chamados a dar. A exemplo de Maria que, logo depois de ter acolhido o anúncio do Anjo, vai partilhar o dom da fecundidade com Isabel. Porque, se tudo nos foi doado, tudo deve ser dado de volta, deixando que o Espírito Santo faça de nós um dom para os outros, nos faça instrumentos de acolhimento, de reconciliação, de perdão. Se a nossa existência se deixa transformar pela graça do Senhor, não poderemos reter para nós a luz que vem da sua face, mas a deixaremos passar para que ilumine os outros. Aprendamos de Maria, que teve constantemente o olhar fixo sobre o Filho e a sua Face se tornou “a Face que a Cristo mais se assemelha”.
Aprendamos da Beata Regina, nossa Padroeira, a ter Maria Santíssima como nossa fiel companheira de todas as horas boas e más da vida. Rogai por nós Santa Mãe da Visitação! Para que sejamos dignos das Promessas de Cristo!

3º dia – Como Maria conhecer e contemplar a Jesus Cristo para mergulhar em seu Mistério
Por causa da Beata Regina, nossa Padroeira, as nossas Irmãs de Santa Catarina sempre foram muito fiéis à devoção mariana e a ter Maria como modelo de sua consagração e de seu servir. A Visitação de Maria a Isabel tornou-se a festa da Congregação. A visita de Maria a Isabel recorda sempre às Irmãs e a nós, a bela atitude de ir ao encontro de quem precisa do seu(nosso) serviço. Quer dizer, traz de novo ao coração e à prática diária, a disponibilidade do tempo e a gratuidade do serviço que somos envolvidos. Mas nos recorda também a sacralidade e a grandeza do mistério de Deus, no entrelace entre o divino (oculto no seio de Maria) e o humano (oculto no seio de Isabel). Esse entrançamento entre as coisas de Deus e as coisas de cada dia acontece na vida e no trabalho diário de cada Irmã que, lidando com pobres, doentes, jovens em formação, sabe que seu trabalho tem um sentido redentor e divino… bem como o nosso trabalho profissional e o cuidado das nossas famílias. Maria SSma. apresenta Jesus às Irmãs e a nós, na espera de que O recebamos para levá-lo a todos que nos cercam. Qualquer que seja o trabalho das filhas de Madre Regina e o nosso, deve ser sempre um levar Cristo aos outros.
A expressão: “Ave Maria cheia de graça…” traz à tona em cada cristão católico histórias de fé. Construídas desde a infância, são momentos de angústia, de dor, de enfermidade, de crises e principalmente de gratidão. Por diversas graças alcançadas, pelo testemunho vivo de Nossa Senhora e por seu grande amor a Jesus Cristo, esta oração envolve a cada um de nós. A oração ganhou ainda mais profundidade e uma maneira nova de ser rezada ao longo dos séculos. Junto a Igreja, uma “Ave Maria” agora está entrelaçada a outras, construindo dezenas com o nome de Rosário, nos seus mistérios gozosos, luminosos, dolorosos e gloriosos.
A história relatada por diversas fontes nos leva ao século VIII. Na Irlanda, os monges rezavam diariamente os 150 Salmos, mas a grande maioria dos fiéis dessa região eram analfabetos. Com isso, os monges os ensinaram a rezar 150 Pai Nossos, e com o passar do tempo também a oração da “Ave Maria” ganhou esta mesma prática. Aos poucos foram definidas novas subdivisões como os grupos de dezenas, no qual, os “Pai Nossos” os intercalavam, e também foi acrescentado as contemplações da vida de Cristo.
Em 1214, com a aparição de Nossa Senhora a São Domingos de Gusmão, Maria o incentiva a rezar a “saudação angélica” em forma de intercessão, para desarmar os corações endurecidos, dos hereges daquela época, inclinando-os novamente para Cristo e sua Igreja. Em outros momentos da história, como em Lourdes na França em 1858, e na cidade de Fátima em Portugal, em maio de 1917, somos, novamente, envolvidos pelas aparições de Nossa Senhora e o incentivo a oração do Rosário, como um meio de trazer a paz para à humanidade mediante a conversão dos corações ao seu Filho Jesus.
Não é apenas uma repetição de orações a Maria. Não podemos ser superficiais. É preciso fazer a experiência, como ensina a Igreja, com o testemunho de nossa Padroeira a Beata Regina, e veremos que a oração do Rosário nos gera, em uma nova vida, partindo do coração de Maria, e assumindo a Jesus Cristo em cada passo que damos. São João Paulo II na Carta Apostólica Rosário da Virgem Maria, afirmou: “Rezar o Rosário é contemplar Cristo pelos olhos de Maria”. Lembremos que se o que contemplamos em cada mistério do Rosário é a vida de Cristo! Maria nos empresta o melhor ângulo para ver, sentir e amar a Jesus. O exemplo de Nossa Senhora gera em nós a graça da humildade. Com a oração, assim como Maria e a nossa Padroeira a Beata Regina, que a todo instante fizeram de suas vidas um testemunho autêntico, apontando para Jesus, nos tornamos verdadeiros cristãos assumindo um autêntico modelo de santidade, mediante o despojamento em favor do outro. Quem se inclina e mergulha nessa oração só poderá encontrar a força e o sentido de sua vida, e na configuração com o Cristo no sim de cada dia, na busca da intimidade com o Senhor gerará conversão e assim perceberá que o caminho que está sendo trilhado é o percurso percorrido e contemplado por Maria, um caminho percorrido pela nossa Padroeira a Beata Regina.
Mergulhemos na oração e nos deixemos ser surpreendidos pela aparente repetição que, no mais profundo, são passos de salvação. Passos que Maria trilhou. Passos que a Beata Regina trilhou e passos que eu e tu também devemos trilhar. Nossa Senhora da Visitação! Rogai por nós! A Beata Regina Protmann…

Festa – A Virgem Maria é Filha, Mãe e Esposa da Santíssima Trindade
Ao rezarmos o Rosário, invocamos inicialmente a Maria como Filha predileta do Pai, Mãe admirável do Filho e Esposa fidelíssima do Espírito Santo, Sacrário, Morada da Ssma.Trindade. A piedade católica atribui a Maria uma relação diversa com cada Pessoa Divina! O Espírito permanecia junto a Ela, o Pai deitou sobre Ela sua sombra e o Filho, sendo gerado em seu seio, morava nela. ‘Pois o Espírito Santo virá sobre Ti, e o poder do Altíssimo Te cobrirá com sua sombra. Portanto, o Menino que nascer de Ti, será chamado Filho de Deus’.
Nossa Senhora, a cheia de Graça, encantou de tal forma o Pai por sua beleza e sua santidade, que foi por Ele assumida como a melhor das filhas, à Qual comunicou, de certa forma, o seu poder de gerar o Verbo. Por sua vez, Deus Filho, podendo escolher sua Mãe terrena, preferiu, entre todas as mulheres, Maria, por ser a Ele semelhante na ordem da graça, e fez d’Ela a Mãe de todos os membros da Igreja. E o Espírito Santo, desejoso de levar ao auge seu poder e sua fecundidade, desposou misticamente Maria, pelo ardoroso afeto d’Ela à virgindade e exclusivo amor a Deus n’Ela formando, mediante o mais belo dos milagres, a humanidade do Verbo, e, posteriormente, tantos outros filhos e filhas de Deus pela graça.
Deus Pai e sua Filha Imaculada… Convinha ao Pai preservar Maria Santíssima da culpa original, por ser ela sua Filha primogênita. Como Jesus Cristo foi o primogênito de Deus Pai: “O Primogênito de toda a criação”, Nossa Senhora foi destinada a ser a Mãe do Filho de Deus e foi sempre considerada como primogênita de Deus por adoção. Deus a possuiu sempre pela sua graça. Para a honra do Filho, convinha que o Pai preservasse sua Mãe de toda a mácula do pecado original, destinando esta sua Filha para esmagar a cabeça da serpente infernal, que tinha seduzido o homem. Maria foi destinada para advogada dos pecadores, e daí convinha que Deus a preservasse da culpa, a fim de que não parecesse cúmplice dos nossos delitos, pelos quais deveria interceder, por mim e por ti.
O Filho de Deus e sua Mãe Imaculada… Não é possível que um filho, podendo ter por mãe uma rainha, escolhesse uma escrava. Diz Santo Agostinho: ‘A carne de Cristo é a carne de Maria’”. Ela foi sempre pura e imaculada. Santo Tomás de Aquino afirma que Nossa Senhora foi preservada de toda a culpa atual, até mesmo dos pecados veniais, porque sem isso não teria sido digna Mãe de Deus.
Santo Ambrósio dizia que Cristo procurou, não aqui na terra, mas no céu, um vaso de eleição, onde o Verbo Eterno veio ao mundo, e fez do seio da Virgem Santíssima seu templo sagrado: “O primeiro homem, formado da terra, é terreno; o segundo, vindo do céu, é celeste”. Maria é o vaso celeste pela graça, e excede os anjos do céu em santidade e pureza.
O Espírito Santo e sua Esposa Imaculada… Convinha ao Espírito Santo que a sua Esposa predileta permanecesse imaculada. Sendo decretada a redenção dos homens, que estavam caídos por causa do pecado, quis o Espírito que esta sua Esposa fosse redimida de um modo mais sublime, preservando-a de cair em pecado.
Se Deus preservou da corrupção o corpo morto de Maria, muito mais devemos crer que preservou a alma da Santíssima Virgem da corrupção do pecado. Sobre a alma bendita de Maria os inimigos de Deus nunca tiveram poder algum. Por isso, o Espírito chamou-a toda formosa, sempre amiga e toda pura.

Nascimento e infância

Regina era filha de Peter Protmann e Regina Tingels, ambos descendentes de famílias ricas e cristãs. Nascida em 1552, em Braunsberg, hoje Braniewo, Polônia, tornou-se uma fantástica personalidade religiosa do seu tempo, do seu povo e da Igreja Católica.

No século em que viveu, a Europa passou por intensas e tumultuadas mudanças sociais. No campo religioso e político aconteceram os movimentos da Reforma e da Contra Reforma da Igreja de Roma. Foi o grande cisma, que incluiu luta armada e dividiu a cristandade entre católicos e protestantes.

Nesse clima Regina cresceu, bonita, vaidosa e inteligente, apreciando as roupas elegantes, as diversões e festas, como todas as jovens de sua condição social. Tinha espírito de liderança, por isso se sobressaia às demais amigas. Era uma filha amorosa e obediente. Os pais lhe proporcionaram uma boa educação intelectual, moral e religiosa. Era hábito da família se reunir à noite em volta da lareira, onde o pai narrava sobre a história dos povos, a vida dos Santos e ensinava a Palavra de Cristo aos filhos.

Cardeal

Em março de 1551 o Cabido Diocesano escolhe o Padre Estanislau Hosius para Bispo do Ermland. No inverno de 1557/58 Hosius é chamado a Roma. Já é conhecido como grande teólogo e diplomata. O Papa Paulo IV lhe pede para colaborar nos preparativos da grande reunião do Concilio de Trento.

Aos 26 de fevereiro de 1561, Hosius é elevado à dignidade de Cardeal. Aos 7 de fevereiro de 1564 chega a Heilsberg (Ermland); e umas semanas após, segue a Braunsberg. Aos 24 de março, começa suas conferências com os magistrados da cidade. Consegue restabelecer a paz religiosa; com paciência e zelo leva os magistrados à adesão à fé, com exceção de dois deles que são excluídos. Porém, outro inimigo se apresenta: a peste.

Empregam-se todos os meios preventivos, enquanto nas Igrejas não cessam as orações coletivas. A Diocese do Ermland terá poucas vítimas. O Cardeal está atento a tudo, zela pelo bem do povo e pela formação do clero.

Ainda em Trento, pedira ao Geral dos Jesuítas, alguns padres para a formação de sacerdotes. Em novembro de 1564, chegam os primeiros Jesuítas a Frauenburg e a Heilsberg. Aos 8 de janeiro de 1565, após a extinção da peste, chegam em Braunsberg e fundam o Colégio.

Hosius confia seus diocesanos ao zelo dos Jesuítas e retorna a Roma na qualidade de embaixador da Polônia. Voltará a visitar o Ermland, pela última vez, na semana Santa de 1568. Regina terá 16 anos.

Vinagre

Apesar de ter passado o perigo da peste que deixou a cidade em sobressalto, Regina traz consigo o paninho embebido em vinagre. É um bom preventivo contra o contágio.

– Mamãe, como estão os doentes que a senhora visitou? Gostaria de ir junto. Mas tenho medo. Confessa a jovem. E cheira o paninho para desinfetar-se.

– A senhora parece triste!

– Filha, um dia você compreenderá. A caridade tem muitas dimensões…

A mãe parece desfalecer. Solícita, a jovem a faz recolher-se ao leito.

Peter chega do trabalho. Coloca o cesto das provisões sobre a mesa.

– Onde está a mãe?

Os olhos vermelhos da filha já dizem tudo.

De fato, Regina Tingels cumpria sua missão.

As colegas apreciam ouvir Regina… Elas já nem percebem as pessoas que param a fim de admirar-lhes a jovialidade que irradiam…

– Há pessoas que são como estas florzinhas. Enfeitam o pasto, lhe dão graça e perfume; mas só quando vem o inverno que tudo envolve no branco gélido é que se percebe o quanto elas fazem falta ao conjunto da paisagem.

– Você me faz lembrar algo!

– Que foi?

– As senhoras que cuidam dos pobres que a peste deixou na miséria!

Em casa, Regina ajuda no preparo do jantar…

Mudança de vida

Algo está acontecendo com Regina. Observa um dos irmãos.

– Parece apaixonada… Não sei por quem!

– É! Ela procura mais a Igreja e o silêncio. Passa horas em oração.

– Você reparou? Quando acaba a festa, ela se recolhe ao quarto. Não vibra mais com ela.

Um novo tipo de felicidade brilha em Regina. Percebe-se a transformação e não se consegue descobrir as razões.

– Onde vai, Regina?

– À igreja. Preciso falar com o Pároco.

Regina está amadurecendo. Deixa-se invadir pela Graça que, qual luz, lança nova compreensão em seu ser. Como Santa Catarina, ela escolhe o Senhor Jesus e se doa inteiramente a Ele. Inflamada deste amor, experimenta a dimensão profunda da vida de intimidade com Deus. Tudo o mais se toma relativo para Regina. Tudo não passa de sombra da realidade da vida que “Deus preparou para aqueles que o amam”. E a alegria parece transpirar-lhe de todos os poros. As conversas com suas duas amigas preferidas giram em torno disso. O luxo, os passatempos, antes tão desejados, se tornam insípidos para ela.

Oração pessoal

As duas amigas entram no quarto de Regina. Apontam para o escrito que Regina tem nas mãos e perguntam:

– Que é isso?

Regina… sorri e olha para as amigas… Regina lê pausadamente:

– “Ó meu Senhor e Deus, fere meu coração pecador com a flecha ardente de Teu grande amor, para que nenhuma criatura me distraia, mas somente Tu, Deus, nosso Senhor; dá-me tal amor que me abrase inteiramente e em Ti me dissolva. Ó meu querido Jesus, estejas Tu somente no meu coração e eu no Teu coração, para que eu possa agradar somente a Ti, eternamente. Ah! Tu, meu doce Jesus, meu Senhor e meu Deus, quando Te amarei perfeitamente?

Quando, meu dulcíssimo Esposo, Te receberei interiormente com os braços de minha alma indigna e repousarei aí eternamente? Ó Senhor Jesus, doçura de minha alma, Esposo do meu coração, oxalá pudesse eu desprezar a mim e a todo mundo por amor a Ti!

Ah! que minha alma se desfizesse e se derretesse de amor a Ti como a cera, pelo sol, e eu fosse inteiramente consumida em Ti, ó meu Senhor”.

E o silêncio envolve as três por longo tempo. Regina, sob o impulso do Espírito Santo, toma firme decisão.

Incompreensão pelos parentes e amigos

Ninguém consegue compreender a mudança de comportamento operada em Regina.

– Pai, Regina está doente?

– Onde está ela?

– Ora, deve estar na igreja.

– Não, recolheu-se ao quarto. Eu vi. Está em oração e nem percebeu que entrei lá.

Batem à porta da casa. Peter atende. Faz sinal com a mão para as jovens entrarem no quarto de Regina. – “Regina, suas amigas estão aí”. Na conversa, Regina lhes transmite as maravilhas que Deus está realizando nela.

– Sinto-me fortemente atraída pelo Senhor. Passaria o tempo todo pensando nele. E intuo tanto ensinamento quando assim me entretenho com Ele. Em Braunsberg não há convento.

Que está pensando?

Aqui em casa não dá para viver assim. Sou um escândalo para todos.

– Regina, eu também sinto o mesmo.

19 anos

Ante o protesto dos parentes, dos amigos e dos conhecidos, Regina e duas de suas amigas vão viver na casa de uma piedosa viúva.

Elas se ocupam com pequenos trabalhos e passam a maior parte do tempo em oração, meditação e estudo da Sagrada Escritura.

– Não dá para vivermos aqui.

– Por quê? lhe pergunta a viúva.

– As visitas são muitas e as reclamações e protestos dos parentes não têm fim.

– Que pretende fazer?

Regina decidira viver totalmente para o Senhor Deus. E, sem delongas, ela e suas companheiras mudam-se para a Kirchgasse, (Rua da Igreja) . Regina tem apenas 19 anos.

O berço

A casa está mais ou menos em ruínas e a desmoronar. As três, de mãos vazias, iniciam nova vida.

– Isto aqui se parece com o estábulo de Belém, berço de Jesus. Observa uma delas.

– Regina, já dei uma olhada em tudo: o porão, a despensa, as arcas e os baús, estão vazios; e as paredes, nuas! Exclama a outra.

– Achei um barril!

– Ótimo! Ele nos servirá de mesa.

Regina pendura o crucifixo na parede. E as três se olham e sorriem. Despojada de tudo, desprezada pelos parentes, malvista pelo povo, Regina lança os alicerces de sua obra, para a glória de Deus, seu Esposo. O frio, a fome e a penúria são seus companheiros. Porém, inexplicável alegria reina entre elas e tudo sofrem com fortaleza de coração.

Agora podem saborear, com novo gosto, a leitura das bem-aventuranças: “Felizes os pobres… porque deles é o reino dos céus. Felizes os mansos… possuirão a terra. Felizes os que choram… serão consolados. Felizes são vocês quando os insultam e perseguem e mentindo, dizem todo tipo de calúnia contra vocês por serem meus seguidores. Fiquem alegres e contentes, porque está guardada para vocês uma grande recompensa no céu. Pois foi assim que perseguiram os profetas que viveram antes de vocês”.

Regina mortifica-se com vigílias, orações, jejuns e disciplinas; mantém-se moderada, e sóbria no comer, no beber e no vestir. Transmite às companheiras as lições que aprende na intimidade com o Senhor, seu Esposo, e na Sagrada Escritura. Jamais está ociosa; maneja a roça com maestria. Com o trabalho de suas mãos, elas se provêm de alguma coisa do estritamente necessário.

Admiração

Passaram-se alguns anos.

– Peter, sua filha Regina, não é tão louca como diziam. Você reparou o que falam dela e de suas companheiras?

– Eu, que tanto me opus! Bem que podia tê-la ajudado! Quem poderia adivinhar?

– Encontrei gente da cidade vizinha que trouxe a filha. Ela também quer viver como Regina.

– Sabe quantas são?

– Não sei. Mas é bonito vê-las indo juntas à missa na igreja Matriz! Regina permanece ajoelhada durante as cinco missas do domingo, desde a primeira até a última. E não é ostentação. Parece que Deus lhe fala diretamente. Nunca vi coisa igual.

Assim falam Patrício e Peter. Peter levanta-se para disfarçar as lágrimas… No quintal, lava o rosto na bica. Nisto chegam os irmãos de Regina para passar o domingo em casa. As sobrinhas enchem de festa o ambiente. E a conversa continua em volta de Regina…

Partilha

– Chegam a dizer que elas vivem tal qual viviam os primeiros cristãos.

– E é a nossa irmã! Quem o diria?

– É inacreditável! Elas colocam tudo em comum.

– Não sei se é verdade, porque não entrei lá. Minha vizinha, que é muito amiga de Regina, contou-me que elas têm dormitório e alimento em comum. O trabalho é distribuído entre elas e o fazem com alegria. Não dá para ver quem é rica, nem quem é pobre. Tudo, entre elas, é colocado em comum. Nem procuram saber quem produz mais, nem quem produz menos. Cada uma faz seu trabalho com amor.

Caridade

– Não posso entender, Peter!

– O que?

– Elas vivem tão pobres e ajudam a tanta gente. Não cobram pelos serviços que prestam.

– Também, elas estão sempre ajudando às famílias mais pobres. Não dá para cobrar…

– Eu vi com meus olhos. Você lembra daquela família perto do Porto do Passarge?

– Sim.

– A mulher deu à luz uma criança. Regina ficou sabendo. Foi imediatamente lá com uma companheira e as duas fizeram os trabalhos da casa. Quando o marido chegou, encontrou a mãe e a criança dormindo e uma sopa quente que Regina acabara de fazer com os mantimentos que ela trouxe, pois este pobre homem não tinha deixado nada em casa.

Vida de Oração

– Fico maravilhada e envergonhada quando lembro da Madre.

– Por que?

– Ela tem uma vida de oração, de penitência e de jejum que não dá para imitar.

Nisto batem à porta. Uma das Irmãs atende.

– É uma senhora desconhecida. Exige sua presença, Madre.

Assim que Madre Regina chega à sala, a senhora vai logo dizendo com amabilidade!

– Vejo que está precisando de dinheiro.

E coloca sobre a mesa algumas dezenas de marcos de ouro.

– Por favor, agora peço que assine este recibo. É um comprovante de que a senhora me restituirá esta soma, daqui a sete anos.

A Madre fica maravilhada e quase confusa. Diz-lhe:

– Peço-lhe esperar um pouco até que chame uma de minhas Irmãs.

Regina vai ter com uma Irmã para preparar alguma coisa para dar à senhora. Quando retorna à sala:

– Que é isso? Onde está a senhora?

Procuram-na por toda parte. Ninguém sabe dar notícias da mulher. O dinheiro está sobre a mesa.

Humilde

Apesar de rica em virtudes e graças, ela é humilde e conhece suas limitações. Muitas vezes repete a prece que escreveu:

“Ó doce Senhor Jesus, conserva-me em tua graça, para que eu jamais Te abandone ou Te ofenda com pecados e vícios. Não deixes a mim, pobre serva, morrer e perecer; dá-me, ó Deus, a mim, pobre criaturinha, a mim, “pobre cachorrinho, as migalhas que caem de Tua mesa”. Não sou digna de tuas grandes graças; dá-me, ó Deus, que eu Te ame, honre e bendiga eternamente”.

Quando ouvia falar de guerra, ou perigos para a cidade de Braunsberg, assumia o caso juntamente com as Irmãs, fazia um jejum, uma oração de dois dias ou das 40 horas e silêncio; e os fazia com tanto empenho, como se a ela e a suas Irmãs coubesse a responsabilidade”.

Outros Conventos

Ano de 1586. A cidade de Wormditt está em festa. O povo recebe Madre Regina e as sete outras Irmãs. O bispo Martinho Cromer providenciou a residência das Irmãs. Ali, elas serão a presença visível da bondade de Deus entre os homens. As Irmãs, por sua vez, esperam que tudo seja para a maior glória de Deus e para o bem de todos. Wormditt dista 40 km de Braunsberg.

No ano seguinte, 1587, os moradores de Heilsberg assistem à chegada das Irmãs de Santa Catarina que são recebidas no Palácio Episcopal do Bispo Martinho Cromer. Algumas semanas depois, elas podem transferir-se para a residência definitiva que o Bispo adquiriu para elas, onde iniciam a escola para as meninas. Em 1593, Regina funda o quarto Convento das Irmãs de Santa Catarina, na cidade de Rõssel. Os novos Conventos de Wormditt, Heilsberg e Rõssel contam com sete Irmãs cada um. O Convento de Braunsberg  está com 14 Irmãs.   Regina consulta suas Irmãs para as iniciativas. As fundações e as obras são assumidas por todas. Cada Convento tem uma superiora escolhida pelas Irmãs da Comunidade. E os quatro Conventos prestam obediência à Madre Regina.

Madre Geral

Madre Regina medita muitas vezes sobre a responsabilidade de Fundadora e de Superiora Geral. Busca em Deus segurança, força e luzes para bem orientar as Irmãs. Regina é conhecida como “a Mãe dos pobres”. Sabe que sozinha, pouco consegue fazer. Empenha-se em formar aquelas jovens corajosas que deixaram tudo para se colocar sob sua orientação, a serviço dos pobres, dos doentes, por amor a Deus, na consagração total a Ele. Sabe que as Irmãs são continuadoras da tarefa que Deus lhe confia.

Não mede sacrifícios: “Nem granizo, nem neve, nem chuva, nem tempestade, nem vento ou frio, a atemorizam”, ou a impedem de visitar suas Irmãs dos quatro Conventos. Conversa com cada Irmã; encoraja e exorta a todas.

Mãe dedicada

As Irmãs colheram os frutos do pomar. Regina acaba de ver as conservas de legumes e verduras. Tudo está sendo colocado na adega.

– Irmã Scholástica, você pode me acompanhar nesta viagem?

– Madre Regina, o tempo está ruim; teremos que pernoitar em casa de camponeses, passar por lugares alagados e já se faz sentir o inverno que se aproxima. Parece-me que sua saúde não é mais a mesma!

– Preciso falar pessoalmente às Irmãs. Talvez é minha despedida. Seja como Deus quer!

As duas põem-se a caminho… vão pelas estradas… do campo. Depois de muitos dias, chegam a seu destino, cansadíssimas. A alegria é grande nas Comunidades. Madre Regina, como é bom revê-la! Depois dos cumprimentos, de se lavarem e comerem algo, as Irmãs se reúnem para ouvir a palavra da Madre, que é cheia de sabedoria.

61 anos de idade

Irmã Scholástica está preocupada. Percebe que as forças da Madre estão diminuindo. Passaram pelas Comunidades de Wormditt, Heilsberg e Rõssel. As Irmãs de Braunsberg recebem as duas, com entusiasmo. Mas este, logo se apaga. A Madre está visivelmente doente. Fazem-na deitar-se. Lá fora não se ouve mais o canto dos pássaros. Emigraram para outras regiões. Não se vê um ramo verde, sequer. O inverno cobriu tudo de neve. Madre não se levanta mais.

– Como está a Madre Regina? Pergunta o Padre que vem trazer-lhe os Sacramentos.

– Ela sempre responde: Como Deus quer. Já se vão oito semanas que está assim sofrendo as dores com paciência. Responde a Irmã Scholástica. E continua:

– Jamais se ouve dela uma pequena reclamação. Parece que se consome no desejo de se encontrar face a face com o Senhor, seu Deus.

O Padre entra no quarto, dá-lhe a Unção dos Enfermos e o Viático.

Madre Regina, mansa e tranquilamente, entrega seu espírito, aos 61 anos de idade.

E o calendário marca, Segunda-Feira – 18 de janeiro – 1613. O Papa São João Paulo II beatificou-a, em Varsóvia, aos 13 de junho de 1999.

Saudades

Regina deixou entre seus escritos, o seguinte testamento: “A vocês, queridas Irmãs, deixo minha modesta mensagem: Andem sempre na presença do Pai, do Cristo e de todos os homens, com simplicidade e dignidade, com profunda humildade, com paciência, obediência responsável e sincero amor fraternal. Procurem dominar não só as paixões perigosas, mas também as solicitações ilusórias que prejudicam a vivência cristã, quais sejam: conversas inúteis, suspeitas contra os irmãos, indiferença e atitudes levianas. Façam todo esforço para viver em paz e amor fraterno, não só na sua Comunidade, mas com todos os homens. Assim, a bênção do Pai estará em todos os empreendimentos de sua vida”.

A espiritualidade e o carisma de Madre Regina continuam através das Irmãs de Santa Catarina que hoje estão espalhadas em vários países. Assistem aos necessitados, aos doentes, nos Hospitais, a domicílios; trabalham em asilos, creches, orfanatos; em obras de assistência social, em escolas, em colégios, em comunidades eclesiais de base, em paróquias, nas missões e outros (Livro: Novidade no Ermland de Ir. Mª Berenice Ziviani).

Reflexão

Com as palavras de seu grande conterrâneo, São João Paulo II, concluímos a história de nossa santa: “A espiritualidade de uma comunidade religiosa deve inspirar-se sempre no carisma da fundação, deixar-se interpelar e confrontar-se com ele. A Beata Regina viveu o espírito da autêntica reforma religiosa no seguimento de Cristo. Ocupou-se dos pobres, doentes e crianças para lhes dar testemunho da bondade divina. Considerava como seu dever sagrado confortar os aflitos e cuidar dos doentes (cf. Mt 25, 35 ss.) e dar às crianças uma boa educação.

A Beata Regina Protmann, Fundadora da Congregação das Irmãs de Santa Catarina, proveniente de Braniewo, dedicou-se com todo o seu coração à obra de renovação da Igreja entre os séculos XVI e XVII. A sua atividade, que brotava do amor a Cristo acima de tudo, desenvolveu-se depois do Concílio de Trento. Ela inseriu-se ativamente na reforma pós-conciliar da Igreja, realizando com grande generosidade uma humilde obra de misericórdia. Fundou uma Congregação que unia a contemplação dos mistérios de Deus ao cuidado dos enfermos nas suas casas e com a educação das crianças e da juventude feminina. Dedicou uma atenção particular à pastoral das mulheres. Com abnegação, a Beata Regina abraçava com o olhar clarividente as necessidades do povo e da Igreja. As palavras: “Como Deus quiser” tornaram-se o mote da sua vida. O amor ardente levava-a a cumprir a vontade do Pai celeste, a exemplo do Filho de Deus. Ela não temia aceitar a cruz do serviço quotidiano, dando testemunho de Cristo ressuscitado…

Estreitamente ligada a este serviço de amor, a principal preocupação da Beata Regina Protmann era a relação viva com o seu Senhor e Esposo, Jesus. “Rezava na verdade e incessantemente”, diz o seu primeiro biógrafo. A oração prepara o terreno para a ação. “Ao abrir o coração ao amor de Deus, abre-o também ao amor dos irmãos, tornando-nos capazes de construir a história segundo o desígnio de Deus”. Beata Regina Protmann, rogai por nós. Amém!

Fonte:
http://www.madreregina.com.br
http://alexandrinabalasar.free.fr/regina_protmann.htm

http://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/speeches/2002/december/documents/hf_jp-ii_spe_20021212_congr-st-catherine_po.html

http://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/travels/documents/hf_jp-ii_hom_19990613_beatification_po.html

Diálogo e unidade são obras do Espírito Santo

Da Redação, com Rádio Vaticano

Francisco concentrou sua homilia na riqueza do Espírito Santo, promotor do diálogo e da unidade na Igreja

O Espírito Santo cria “movimento” na Igreja, o que aparentemente é visto como confusão; mas, quando acolhido em oração e com espírito de diálogo, gera sempre unidade entre os cristãos. Foi o que afirmou o Papa Francisco na homilia desta sexta-feira, 8, na Casa Santa Marta. A Santa Missa foi dedicada pelo Pontífice à sua pátria no dia de Nossa Senhora de Lujan, Padroeira da Argentina.

O Deus desconhecido movimenta as águas da Igreja e todas as vezes que os cristãos, a partir dos Apóstolos, se confrontaram com franqueza e no diálogo, sem fomentar traições e ‘correntes’ internas, sempre compreenderam o que era justo fazer, graças à inspiração do Espírito Santo.
Orientando-se pelos Atos dos Apóstolos, Francisco mencionou as situações de confronto e conflito que a primeira comunidade cristã teve que viver.

A leitura do dia narra a conclusão do primeiro Concílio de Jerusalém que estabeleceu, depois de alguns atritos, as poucas e simples regras que deviam ser observadas pelos novos convertidos ao Evangelho. O problema, recordou Francisco, é que antigamente, havia uma luta interna entre os definidos ‘fechados’ – grupo de cristãos muito ‘presos à lei’, que queriam ‘impor as condições do hebraísmo aos novos cristãos’ – e Paulo de Tarso, o apóstolo dos pagãos, firmemente contrário a esta constrição.

“Como resolvem o problema? Se reúnem e cada um dá o seu parecer, dá a sua opinião. Discutem, mas como irmãos e não como inimigos. Não fazem correntes para vencer, não vão aos poderes civis para ganhar, não matam para triunfar. Procuram o caminho da oração e do diálogo. Mesmo com opiniões totalmente opostas, dialogam e entram em acordo. É obra do Espírito Santo”.

A decisão final, destacou Francisco, é tomada na concórdia. E é sobre esta base que foi escrita no final do Concílio a carta a ser enviada aos “irmãos” que “provêm dos pagãos”. O conteúdo nela comunicado é fruto de uma compartilha bem diferente das manobras colocadas em ato pelos intransigentes da tradição:

“Uma Igreja onde jamais existem problemas do gênero me faz pensar que o Espírito não está tão presente. E numa Igreja onde sempre se discute e os irmãos se traem uns aos outros, ali não está o Espírito! O Espírito faz a novidade, cria a sabedoria que Jesus prometeu: ‘Ele vos ensinará!’. Ele move, mas é quem, no final, cria a unidade harmoniosa entre todos”.

A última observação do Papa foi sobre a frase adotada para concluir a carta. Palavras que revelam a alma da concórdia cristã, não um simples ato de boa vontade, mas um fruto do Espírito Santo.

“Isso é o que nos ensina hoje esta Leitura, que nos ensina o primeiro Concílio ecumênico. ‘De fato, pareceu bem ao Espírito Santo, e a nós…: esta é a fórmula, quando o Espírito nos coloca todos de acordo. Agora continuemos a celebração eucarística e peçamos ao Senhor Jesus, que está presente entre nós, que nos envie sempre o Espírito Santo, a nós, a cada um de nós. Que Ele nos envie à Igreja, e que a Igreja saiba ser fiel aos movimentos que o Espírito Santo faz”.

Papa: “Cristãos olhem para o Céu e anunciem Jesus ao mundo”

Sexta-feira, 26 de maio de 2017, Da redação, com Rádio Vaticano

Em homilia, Papa Francisco falou sobre a memória, a oração e o mundo nas Escrituras
 
Nesta sexta-feira, 26, o Papa Francisco presidiu a missa matutina na capela da Casa Santa Marta e na homilia, afirmou que “as Escrituras nos indicam três pontos de referência no caminho cristão”.

O primeiro é a memória. Jesus ressuscitado diz aos discípulos que o precedam na Galileia: este foi o primeiro encontro com o Senhor. E “cada um de nós tem a sua própria Galileia”, aquele lugar aonde Jesus se manifestou pela primeira vez, o conhecemos e “tivemos a alegria e o entusiasmo de segui-lo”. Para ser um bom cristão, precisamos sempre nos lembrar do primeiro encontro com Jesus ou dos seguintes”. Esta é “a graça da memória”, que “no momento da provação, me dá a certeza”.

O segundo ponto de referência é a oração. Quando Jesus sobe ao Céu, ele não se separa de nós: “fisicamente sim, mas fica sempre ligado, para interceder por nós. Mostra ao Pai as chagas, o preço que pagou por nós e pela nossa salvação”. Assim, “devemos pedir a graça de contemplar o Céu, a graça da oração, a relação com Jesus na oração que neste momento nos ouve, está conosco”:

“Enfim, o terceiro: o mundo. Antes de ir, Jesus diz aos discípulos: ‘Ide mundo afora e façam discípulos’. Ide. O lugar dos cristãos é o mundo no qual anunciar a Palavra de Jesus, para dizer que fomos salvos, que Ele veio para nos dar a graça, para nos levar com Ele diante do Pai”.

Esta é – observou Francisco – a “topografia do espírito cristão”, os três lugares de referência de nossa vida: a memória, a oração e a missão; e as três palavras de nosso caminho: Galileia, Céu e Mundo:

“Um cristão deve agir nestas três dimensões e pedir a graça da memória: “Que não me esqueça do momento que me elegeu, que não esqueça do momento em que nos encontramos”, dizendo ao Senhor. Depois, rezar e olhar ao Céu, porque Ele está ali para interceder. Ele intercede por nós. E depois, sair em missão… não quer dizer que todos devem ir ao exterior; ir em missão é viver e dar testemunho do Evangelho; é fazer saber aos outros como é Jesus. Mas fazer isso com o testemunho e com a Palavra, porque se eu falar como Jesus e como a vida cristã, mas viver como um pagão, não adianta. A missão não funciona”.

Se, ao contrário, vivermos na memória, na oração e em missão – concluiu Francisco – a vida cristã será bela e também alegre:

“E esta é a última frase que Jesus nos diz no Evangelho de hoje: “Naquele dia, no dia em que viverem a vida cristã assim, vocês saberão tudo e ninguém poderá lhes tirar a alegria”. Ninguém, porque terei a memória do encontro com Jesus e a certeza que Jesus está no Céu e intercede por mim, está comigo, eu rezo e tenho a coragem de dizer, de sair de mim, dizer aos outros e dar testemunho com a minha vida que o Senhor ressuscitou, está vivo. Memória, oração e missão. Que o Senhor nos dê a graça de entender esta topografia da vida cristã e seguir adiante com alegria, aquela alegria que ninguém pode nos tirar”.

Conselhos do Papa Francisco para ir à Missa com crianças

Comportamento

Choros ou gritos das crianças podem atrapalhar, mas a comunidade deve incentivar a participação de toda família

“Chata!” Respondi à minha avó quando me perguntou sobre o que eu havia achado da Missa. Na época, eu tinha uns seis anos. E olha que cresci em uma família católica, frequentando Missas e catequeses! Recordo que ir à Missa, muitas vezes, representava uma soneca durante a  homilia, pipocas doces e coloridas ou sorvete no fim. Confesso que minha participação não era exemplar, porém, creio que essa liberdade na participação foi ajudando a semear a fé em meu coração e em minha mente.

Conforme concluiu o Concílio Vaticano II, a Eucaristia é a fonte e ápice da vida cristã.  Conscientes da suma importância desse sacramento, muitos pais ficam preocupados se seus filhos estão participando da Missa de maneira adequada ou ainda se não estão atrapalhando as pessoas ao redor. Afinal, olhares de recriminação são rapidamente percebidos. Paciência e coragem! Vejam seis conselhos do Papa Francisco para continuarmos indo à Missa com nossas crianças:

1. O que fazer quando a criança chora?

“O choro da criança é a voz de Deus, é a melhor oração”, afirma o Papa Francisco. Disse que, quando alguém fica incomodado ao ver uma criança chorando na igreja e pede para retirá-la, está apagando a voz de Deus. “As crianças choram, fazem barulho em todos os lugares. Mas nunca podemos expulsar as crianças que choram na igreja”, completa. Afinal, o pedido de Jesus é claro: “Deixem as crianças virem a mim”.

2. O que fazer quando a criança sentir fome?

“Amamente-os, não se preocupem”, ensina. Muitas mães ficam constrangidas diante da necessidade de alimentar seus filhos. “Vocês mães dão leite às suas crianças e, mesmo agora, se eles chorarem por estarem com fome, amamente-os, não se preocupem”, disse o Papa em uma celebração na Capela Sistina. Nesses momentos, rezem por tantas mães pobres do mundo que não conseguem alimentar sua família.

3. Como ensinar as crianças?

O Santo Padre recorda que tudo depende da atitude que temos para com as crianças. Francisco questiona se o que se ensina às crianças com as palavras é vivido por quem transmite a fé. “Com as palavras não serve… Hoje, as palavras não servem! Neste mundo da imagem, todos estes têm telefone e as palavras não servem… Exemplo! Exemplo!”, exorta o Papa.

4. Como deve ser a oração das crianças?

“Rezem ao Senhor, rezem à Nossa Senhora, para que ajudem vocês neste caminho da verdade e do amor. ‘Vocês entenderam? Vocês vieram aqui para ver Jesus, de acordo? Ou deixamos Jesus de lado?’ (As crianças respondem: ‘não!’). Agora, Jesus vem ao altar. E todos nós O veremos! Neste momento, devemos pedir a Ele que nos ensine a caminhar na verdade e no amor”, ensina Francisco.

5. Coração das crianças: lugar de oração

O Papa destaca ainda gestos muito delicados, como quando as mães ensinam os filhos pequenos a mandarem um beijo a Jesus ou a Nossa Senhora. Falo disso em meu livro ‘Papa Francisco às Famílias, os segredos para a conquista de um lar feliz’: “Quanta ternura há nisso! Naquele momento, o coração das crianças se transforma em lugar de oração. E é um dom do Espírito Santo. Não nos esqueçamos nunca de pedir este dom para cada um de nós, porque o Espírito de Deus tem aquele seu modo especial de dizer, nos nossos corações, ‘Abá’ – ‘Pai’. Ele nos ensina a dizermos “Pai” propriamente como o dizia Jesus, um modo que nunca poderemos encontrar sozinhos.”

Uma graça oferecida a todos

Não entendendo direito o significado do que está acontecendo, os pequenos têm dificuldade de ficar sentados e tranquilos durante uma hora (tempo que costuma durar uma celebração dominical). Choros ou gritos de crianças parecem interromper a sacralidade das funções. Criança é criança. Não teria sentido fingir uma participação, fazer caras e bocas, já que o significado da celebração se aprende com o tempo.

O que nos consola é saber que, na Missa, há uma graça comunitária e pessoal oferecida a todos. Na Eucaristia, o Espírito Santo transforma pão e vinho em Corpo e Sangue de Cristo, agindo na comunidade para torná-la Corpo no Senhor. Meus pais e avós conseguiram transmitir a mim a fé, minha maior herança. Agora, é minha vez de transmitir a fé ao meu filho e às novas gerações. Claro, não estou sozinho, conto com pessoas mais experientes como meus familiares e amigos de caminhada.

Rodrigo Luiz dos Santos é editor-chefe de Jornalismo da TVCN e apresentador de programas relacionados à Igreja. Missionário na Canção Nova, estudou Filosofia e formou-se em Jornalismo pela Faculdade Canção Nova. Casado com Adelita Stoebel, missionária na mesma comunidade católica, Rodrigo é pai de Tobias.

 

Jejum e penitência quaresmal

JEJUM DA LÍNGUA: UMA PENITÊNCIA EFICAZ E NECESSÁRIA
Padre Carlos Victal

“A grande penitência e o grande jejum que a Quaresma nos pede é, em primeiro lugar, nos voltarmos para o Senhor”.
Atuante no ministério de evangelização infanto-juvenil e ministro do culto religioso, padre Carlos Alberto Victal, missionário da Comunidade Canção Nova há mais de 13 anos, fala sobre a vivência das crianças durante a Quaresma e explica a importância do jejum para a disciplina, a santificação e a proximidade com Deus. O sacerdote também esclarece o significado das práticas de penitência e esmola nesse tempo forte de oração. O consagrado esclarece que o jejum não é feito apenas ao deixarmos de comer ou beber algo de que se gostamos, apontando-nos outras formas de praticá-lo, como o “jejum da língua”.

O senhor trabalha com evangelização infantil. Como a vivência da Quaresma é ensinada às crianças? As crianças assimilam de um modo muito bonito esse tempo litúrgico que a Igreja oferece a todos, sem exceção. Quando falamos que esse tempo é de penitência, de jejum, de busca da confissão e de muita oração, é interessante que mesmo as crianças que ainda nem fizeram primeira comunhão reconhecem os seus pecados – desobediências, rebeldias, brigas um com o outro, xingatório – e querem confessar-se. Outro dia, na Santa Missa, falando do tempo de jejum e das tentações, eu perguntava para elas: “Quem se comprometeu com Deus a fazer, nestes 40 dias, uma penitência, um jejum?” Muitas levantaram as mãos. Eu resolvi ir mais a fundo com elas e perguntei a algumas: “O que você está oferecendo para Deus nestes dias?”. A primeira respondeu que estava oferecendo 40 dias sem o computador. Já o segundo ofereceu o refrigerante. Então, eu o instiguei: “Você já pensou que, quando houver uma festinha de aniversário, todo mundo vai tomar refrigerante e você não vai poder tomá-lo, porque o ofereceu a Deus? Aí, o ‘chifronildo’ [inimigo de Deus] vai tentar fazer você beber só um golinho, mas você vai dizer para ele: ‘Eu não vou beber, eu sou de Deus, eu ofereço isso para Deus'”. Então, o jejum é algo que oferecemos a Deus para a nossa purificação e para a purificação da nossa família, do nosso povo, da sociedade.

Além do jejum, a esmola e a penitência também são práticas que devem ser observadas durante a Quaresma. Qual o significado de cada uma delas? A esmola é o sentido da caridade. Quando alguém pede esmola, está com as mãos estendidas, necessitado de ajuda. E ajudar o outro é amá-lo. Não importa o nome, se é gordo ou magro, se é barbudo ou cabeludo, mas alguém com a mão estendida está precisando de auxílio. É assim também que nós fazemos com Deus: levantamos nossas mãos para o alto e pedimos ajuda a Ele. Na nossa pobreza, na nossa limitação, precisamos do socorro do Senhor. Esmola não é apenas no sentido de dar coisas, mas também de se dar para o outro, seja por meio de um sorriso ou um abraço. Quantas pessoas carentes de um abraço, porque estão feridas na sua afetividade paternal e maternal, que se sentem carentes do amor do pai e da mãe! A penitência é a mortificação, é morrer para si por causa do Senhor. Jesus se sacrificou, morreu por nós e penitenciou-se em nosso favor. A penitência nos leva a morrer um pouco no “eu”, na vontade própria, no egoísmo; principalmente no mundo de hoje, no qual o “eu” tem gritado muito e já não temos o sentido do “nosso”. Quando nós rezamos a oração que o Senhor nos ensinou, sempre dizemos “Pai nosso” e não “Pai meu”, porque Deus partilha tudo o que Ele tem com todos os filhos d’Ele. A penitência nos ajuda a ter uma profunda conversão, por meio da qual nos colocamos na presença de Deus e isso nos leva a uma disciplina de equilíbrio no comer, no beber, no vestir, no modo de ser, de falar, de agir e nos impulsos.

Qual a melhor maneira de fazê-las? Há muitas maneiras de ser viver a penitência e o jejum. O próprio monsenhor Jonas nos apresenta um livro chamado Práticas de Jejum, no qual ele nos dá opções para jejuar. É uma maneira de me abster de alguma coisa de que eu gosto e oferecê-la para Deus. A grande penitência e o grande jejum que a Quaresma nos pede é, em primeiro lugar, nos voltarmos para o Senhor. Uma outra maneira é que façamos também um retiro para nos aproximarmos mais de Deus.

Quando se fala em jejum, logo se pensa em deixar de comer ou beber algo de que se gosta. Há algum outro tipo de jejum? Eu vejo que uma das práticas mais eficazes de jejum, nos dias de hoje, é o “jejum da língua”. Quantas pessoas falando mal umas das outras, murmurando. Se faz um sol quente, dizem que não aguentam mais e reclamam; se chove, reclamam porque não podem sair de casa. Então, precisamos reter a língua e, ao virmos algo errado, em vez de murmurar, rezarmos para que Deus solucione aquilo. Há também o “jejum da fofoca”, que tem “matado” tanta gente; o “jejum do olhar”, pois Deus nos deu os olhos para os abrirmos e fecharmos, nos deu o pescoço flexível para que possamos olhar de um lado e de outro. Então, se o nosso olhar nos leva à malícia, ao pecado ou a um julgamento, não devemos olhar, mas virar nosso rosto para o outro lado. São pequenas práticas que nos ajudam a nos disciplinarmos no modo de ser cristãos.

Qual o significado da cor roxa na Quaresma? A cor roxa é, justamente, o sentido da penitência. Os padres, por exemplo, quando vão confessar os fiéis, colocam uma estola roxa que simboliza a conversão, a mudança de vida, a penitência. Por isso, as toalhas do altar também são roxas. Da mesma forma, nos funerais, usa-se a cor roxa, porque clamamos a misericórdia, o perdão e a conversão para a alma e suplicamos que Deus a salve.

Cobrir as imagens dos santos com tecidos roxos durante esses dias é prática comum nas igrejas católicas. Por que esse hábito? Elas são cobertas para mostrar o sentido de ausência, de vazio. Isso, geralmente, ocorre na Semana Santa, porque temos um Deus que se esvaziou de si mesmo e morreu por nós. Esse vazio é para mostrar que o único centro da vida de toda a humanidade passa a ser Jesus, o Grande Intercessor, Aquele que dá a vida por todos nós.

 

A PENITÊNCIA DA QUARESMA
Prof. Felipe Aquino

Desde o início do Cristianismo a Quaresma marcou para os cristãos um tempo de graça, oração, penitência e jejum, com o objetivo de se chegar à conversão. Ela nos faz lembrar as palavras de Jesus: “Se não fizerdes penitência, todos perecereis” (Lc 13, 3). Se não deixarmos o pecado, não poderemos ter a vida eterna em Deus; logo, a atividade mais importante é a nossa conversão, renunciar ao pecado.
Nada é pior do que o pecado para a vida do homem, da Igreja e do mundo, ensina a Igreja; por isso Cristo veio, exatamente, “para tirar pecado do mundo” (cf. Jo 1, 29). Ele é o Cordeiro de Deus imolado para isso.
São Paulo insistia: “Em nome de Cristo vos rogamos: reconciliai-vos com Deus!” (2Cor 5,  20);  “exortamo-vos a que não recebais a graça de Deus em vão. Pois ele diz: Eu te ouvi no tempo favorável e te ajudei no dia da salvação (Is 49, 8). Agora é o tempo favorável, agora é o dia da salvação” (2Cor 6, 1-2).
A Quaresma nos oferece, então, esse “tempo favorável” para se deixar o pecado e voltar para Deus. E para isto fazemos penitência. O seu objetivo não é nos fazer sofrer ou privar de algo que nos agrada, mas ser um meio de purificação de nossa alma. Sabemos o que devemos fazer e como viver para agradar a Deus, mas somos fracos; a penitência é feitar para nos dar forças espirituais na luta contra o pecado.
A melhor Penitência, sem dúvida, é a do Sacramento que tem esse nome. Jesus instituiu a Confissão em sua primeira aparição aos discípulos, no mesmo domingo da Ressurreição (Jo 20, 22) dizendo-lhes: “a quem vocês perdoarem os pecados, os pecados estarão perdoados”. Não há graça maior do que ser perdoado por Deus, estar livre das misérias da alma e estar em paz com a consciência.
Além do Sacramento da Confissão, a Igreja nos oferece outras penitências que nos ajudam a buscar a santidade: sobretudo o que Jesus recomendou no Sermão da Montanha (Mt 6, 1-8), “o jejum, a esmola e a oração”, que a Igreja chama de “remédios contra o pecado”. Cristo jejuou e rezou durante quarenta dias (um longo tempo) antes de enfrentar as tentações do demônio no deserto e nos ensinou a vencê-lo pela oração e pelo jejum. Da mesma forma a Igreja quer ensinar-nos como vencer as tentações de hoje.
Vencemos o pecado praticando a virtude oposta a ele. Assim, para vencer o orgulho, devemos viver a humildade; para vencer a ganância devemos dar esmolas; para vencer a impureza, praticar a castidade; para vencer a gula, jejuar; para vencer a ira, aprender a perdoar; para vencer a inveja, ser bom; para vencer a preguiça, levantar-se e ajudar os outros. Essas são boas penitências para a Quaresma. Todos os exercícios de piedade e de mortificação têm com objetivo livrar-nos do pecado.
O jejum fortalece o espírito e a vontade para que as paixões desordenadas, (gula, ira, inveja, soberba, ganância. luxúria, preguiça), não dominem a nossa vida e a nossa conduta. A oração fortalece a alma no combate contra o pecado. Jesus ensinou: “É necessário orar sempre sem jamais deixar de fazê-lo” (Lc 18, 1b); “Vigiai e orai para que não entreis em tentação” (Mt 26, 41a); “Pedi e se vos dará” (Mt 7, 7). E São Paulo recomendou: “Orai sem cessar” (1Ts 5, 17).
A Palavra de Deus nos ensina: “É boa a oração acompanhada do jejum e dar esmola vale mais do que juntar tesouros de ouro, porque a esmola livra da morte, e é a que apaga os pecados, e faz encontrar a misericórdia e a vida eterna” (Tb 12, 8-9). “A água apaga o fogo ardente, e a esmola resiste aos pecados” (Eclo 3, 33). “Encerra a esmola no seio do pobre, e ela rogará por ti para te livrar de todo o mal” (Eclo 29, 15).
Então, cada um deve fazer ma Quaresma um “programa” espiritual: fazer o jejum que consegue (cada um é diferente do outro); pode ser parcial ou total. Pode, por exemplo, deixar de ver  a TV, deixar de ir a uma festa, uma diversão, não comer uma comida que gosta ou uma bebida; não dizer uma palavra no momento de raiva ou contrariedade, não falar de si mesmo, dar a vez aos outros na igreja, na fila, no ônibus; ser manso e atencioso com os outros, perdoar a todos, dormir um pouco menos, rezar mais, ir à Missa durante da semana…
Enfim, há mil maneiras de fazer boas penitências que nos ajudam a fortalecer o espírito para que ele não fique sufocado e esmagado pelo corpo e pela matéria. A penitência não é um fim em si mesma; é um meio de purificação e santificação; por isso deve ser feita com alegria.

 

TODOS PODEM FAZER JEJUM  

Todos podem fazer jejum. Sejam idosos ou estejam cansados ou doentes; sejam gestantes, mães que amamentam, jovens ou adultos. Todos podem jejuar sem que isso lhes faça mal; pelo contrário, lhes faça bem. Muitas pessoas não jejuam porque não sabem fazê-lo. Imaginam que jejuar seja uma coisa muito difícil e dolorosa que elas não conseguirão fazer.

Existem várias modalidades de jejum (Jejum da Igreja, Jejum a pão e água, Jejum à base de líquidos, Jejum completo).

Vou apresentar-lhes o Jejum da Igreja. Assim é chamado o tipo de jejum prescrito para toda a Igreja e que, por isso, é extremamente simples, podendo ser feito por qualquer pessoa. Alguém poderia pensar que esse seja um jejum relaxado ou que nem seja realmente jejum, porque ele é muito fácil. Mas não é bem assim.

Esse modo de jejuar vem da Tradição da Igreja e pode ser praticado por todos sem exceção, sendo esse o motivo pelo qual é prescrito a toda a Igreja. O básico desse tipo de jejum é que você tome café da manhã normalmente e depois faça apenas uma refeição. Você escolhe essa refeição – almoço ou jantar -, a depender dos seus hábitos, de sua saúde e de seu trabalho.

A outra refeição, aquela que você não vai fazer, será substituída por um lanche simples, de acordo com as suas necessidades. Dessa maneira, por exemplo, se você escolher o almoço para fazer a refeição completa, no jantar faça um lanche que lhe dê condições de passar o resto da noite sem fome.

O conceito de jejum não exige que você passe fome. Em suas aparições em Medjugorje, a própria Nossa Senhora o repetiu várias vezes. Jejuar é refrear a nossa gula e disciplinar o nosso comer. O importante, e aí está a essência do jejum, é a disciplina, é você não comer nada além dessas três refeições.

O que interessa é cortar de vez o hábito de “beliscar”, de abrir a geladeira várias vezes ao dia para comer “uma coisinha”. Evitar completamente, nesse dia, as balas, os doces, os chocolates e os biscoitos. Deixar de lado os refrigerantes, as bebidas e os cafezinhos. Para quem é indisciplinado – e muitos de nós o somos -, isso é jejum, e dos “bravos”!

Nesse tipo de jejum, não se passa fome. Mas como “a gente” se disciplina; como refreia a gula! E é essa a finalidade do jejum. Qualquer pessoa pode fazer esse tipo de jejum, mesmo os doentes, porque água e remédios não quebram o jejum. Se for necessário leite para tomar os medicamentos, o jejum também não é quebrado, pois a disciplina fica mantida.

Para o doente e para o idoso, disciplina mesmo talvez seja tomar os remédios – e tomá-los corretamente.

(Trecho extraído do livro “Práticas de Jejum” de monsenhor Jonas Abib)

 

FONTES DA ABSTINÊNCIA DE CARNE
Por Rafael Vitola Brodbeck

Onde poderemos encontrar na Bíblia ou em outros escritos da tradição cristã, que não devemos comer carne no período Quaresmal. E o por quê de só consumir peixes?

1) A lei da Igreja:
Em sentido amplo, a expressão “jejum” abarca muitos significados: o jejum em sentido estrito e também a abstinência. Quando a Igreja fala em abstinência, em sua lei, refere-se à abstinência de carne, mas pode ser proveitosa qualquer outra abstinência. Já os nossos irmãos de rito oriental, pertençam ou não à Igreja Católica, utilizam o termo “jejum” com o mesmo significado de abstinência. Aqui falaremos, de acordo com a lei vigente entre os de rito ocidental, coerentemente aos nossos costumes e tradições. Daí que jejum é a renúncia ao alimento, e abstinência a renúncia à carne.
Há, inclusive, vários tipos de jejum: a pão e água, completo, a base de líquidos etc. A Igreja, entretanto, quando obriga ao jejum, é bem menos severa. É verdade que qualquer um desses jejuns pode ser feito, a critério de um seguro e prudente diretor espiritual ou confessor. A obrigação, contudo, é da observância do mínimo estipulado pela Igreja, em sua sabedoria, o chamado “jejum eclesiástico” ou “jejum da Igreja”. É a ele que estamos, pois obrigados.
Em que consiste esse jejum? Segundo o douto canonista Pe. Jesús Hortal, SJ, “trata-se de não tomar mais que uma refeição completa, permitindo-se, porém, algum alimento outras duas vezes pro dia” (comentário ao cân. 1252, Código de Direito Canônico).
Pode ser feito esse jejum em qualquer dia, exceto em solenidades e nos Domingos. O mesmo vale para os outros jejuns.
Ainda que facultativamente, o jejum possa ser adotado em qualquer dia, a Igreja obriga o fiel novamente ao mínimo. Recomenda que se faça muitas vezes ao ano, especialmente durante o Advento e, ainda mais, na Quaresma. Daí que a atitude de muitos católicos de jejuar durante os quarenta dias desse tempo litúrgico, se feita com prudência e afastada toda a vaidade espiritual, é louvável. Igualmente louvável a conduta dos que, sentindo que mínimo estipulado pela Igreja, o jejum eclesiástico, não é suficiente para sua própria condição espiritual pessoal, adotam jejum mais severo, sempre, anote-se, com a anuência de um diretor espiritual prudente, douto, piedoso e provado.
O fiel, mesmo que possa jejuar em outros dias, e de vários modos, é obrigado ao jejum eclesiástico (embora possa fazer outro, mais severo, lembre-se), na Quarta-feira de Cinzas e na Sexta-feira Santa. Eis os únicos dias, na Igreja Latina, a que estamos obrigados a jejuar. E com o jejum eclesiástico, o mínimo.
Por abstinência, de outra sorte, entende-se comumente a renúncia à carne. Também pode ser feita a qualquer tempo, exceto em solenidades e nos Domingos. Claro, há institutos religiosos severíssimos, aprovados pela suprema autoridade da Igreja, nos quais seus membros fazem votos de perpetuamente não ingerir carne. Também o simples fiel pode fazê-lo, não tratando-se, porém, de abstinência propriamente dita, mas de um voto que implica em uma mortificação.
A abstinência periódica, da qual estamos tratando e que é objeto da consulta, também é alvo da legislação canônica. Consiste em não ingerir carne ou alimento preparado à base de carne de animais de sangue quente (incluindo, evidentemente, o caldo de carne). O fiel é convidado a fazer abstinência sempre que desejar, especialmente durante o Advento e, especialmente, na Quaresma, como foi dito na explicação para o jejum. Contudo, existem dias obrigatórios para essa abstinência, além dessa faculdade do fiel de observá-la sempre.
“cân. 1251 – Observe-se a abstinência de carne ou de outro alimento, segundo as prescrições da Conferência dos Bispos, em todas as sextas-feiras do ano, a não ser que coincidam com algum dia enumerado entre as solenidades; observem-se a abstinência e o jejum na quarta-feira de Cinzas e na sexta-feira da Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo”.
Então, como exposto, estão obrigados os fiéis ao jejum (eclesiástico, segundo as explicações do Pe. Hortal, SJ, tradicionais na Igreja e que estavam dispostas no anterior Código de 1917 explicitamente, valendo como norma consuetudinária) na Quarta-feira de Cinzas e na Sexta-Feira Santa da Paixão. E obrigados à abstinência em todas as sextas-feiras do ano, desde que nelas não caia alguma solenidade (não basta ser festa ou memória; é preciso ser solenidade, o maior grau dentre as festividades do atual Calendário Litúrgico Romano e Universal e dos calendários particulares dos institutos e dioceses). Mesmo que não obrigados, podem os fiéis jejuar e abster-se de carne em outros dias.
Há um ponto, entretanto, a ser considerado. O dispositivo do cânon citado refere-se a normatização da conferência episcopal. É ela, pois, competente, para legislar diferentemente no que toca à abstinência das sextas-feiras do ano. Nunca em relação ao jejum ou à abstinência da Quarta-feira de Cinzas e da Sexta-Feira Santa.
No Brasil, a CNBB, por delegação expressa, pois da Santa Sé mediante o cânon aludido, concedeu a faculdade ao fiel de, nas sextas-feiras do ano, inclusive durante a Quaresma, substituir a abstinência de carne por “alguma forma de penitência, principalmente obra de caridade ou exercício de piedade” (Legislação Complementar da CNBB).
Assim, salvo a abstinência da Quarta-feira de Cinzas e da Sexta-feira Santa (que devem ser observadas juntamente com o jejum: não basta “não comer carne”, é preciso comer só uma refeição completa!), as demais, no Brasil, podem ser substituídas por outro tipo de mortificação ou penitência: renúncia a outro alimento, determinadas orações, atos de piedade ou caridade etc.

2) A abstinência de carne na Bíblia e na Tradição:
Como falamos, “jejum” em sentido amplo é gênero, do qual “abstinência” é espécie. Todas as referências bíblicas do jejum encaixam-se perfeitamente para a abstinência. Renunciar ao alimento, em si, ou a um alimento específico: ambos são, genericamente, jejuns. A sabedoria da Igreja intuiu, entretanto, que, dentre os alimentos a renunciar, a carne seria o mais adequado à nossa mentalidade, visto que é geralmente a parte nobre de nossas refeições. Também nela há um sentido místico, pois ela se identifica com o Verbo que “Se fez carne” e sofreu “na carne” por nossa salvação. Abster-se de carne implica em uma renúncia a um prato dos principais de nossa alimentação, e também em um lembrar-se sempre da santíssima carne de Jesus Cristo que por nós padeceu.
Existem muitas referências patrísticas ao jejum como um todo, no qual inclui-se, implicitamente, a abstinência de carne (bem como outras abstinências espirituais e corporais: de refrigerante, de álcool, de televisão, dos sentidos etc). São Leão Magno, Santo Agostinho, São Basílio de Cesaréia e São João Crisóstomo falam muito no jejum. Na Didaqué há também referências ao jejum e que englobam, claro, toda abstinência, principalmente de carne, pelo sentido espiritual que tem.
Não é a Bíblia ou a Tradição, todavia, que nos diz que não devemos comer carne em alguns dias especiais. Até porque esses dias foram fixados pela Igreja posteriormente. Deixar de comer carne não é uma doutrina, mas uma disciplina. Não pertence ao direito divino, mas ao direito humano eclesiástico. O que não significa que possamos deixar de obedecer, uma vez que estamos obrigados à observância da Lei da Igreja e não somente da Lei de Deus, por sermos súditos de sua autoridade, o Papa e os Bispos. Como lei humana que é, o Papa pode mudá-la a qualquer tempo. Não a obedecemos por estar na Bíblia, na Tradição ou por ser uma doutrina (até porque ela não é), e sim por assim ordenar a autoridade da Igreja.
Por outro lado, não se trata de um “comer peixe”. Quem não quiser, não precisa comer peixe ou outro alimento de que não goste. A Igreja nunca mandou que se comesse peixe, mas que se deixasse de comer carne.

Dúvidas sobre a Quaresma

Quaresma, tempo de recolhimento e de revisão de vida

O que é a Quaresma? E qual é a melhor atitude que o cristão pode ter, durante esse tempo, para que, realmente, este período tenha sentido em sua vida?

A Quaresma é esse tempo litúrgico que antecipa todo o período da Semana Santa, da Morte e da Ressurreição de Nosso Senhor, do mistério Pascal. Então, é um grande tempo que a Igreja nos dá para que possamos preparar o nosso coração, viver verdadeiramente o tempo da Páscoa.

A Quaresma é um tempo de recolhimento para que possamos rever a nossa vida, rever até que ponto a nossa vida de cristão corresponde àquilo que Nosso Senhor nos pede. Ela serve para analisarmos se estamos verdadeiramente amando Deus sobre todas as coisas ou se outras coisas estão dominando o nosso coração. É um tempo de balanço geral em nossa vida, de pararmos, silenciarmos e refletirmos. É bonito como a Liturgia vai nos levando até isso por meio das leituras, das Missas de cada dia. A Liturgia nos conduz a fazermos essa experiência de rever a vida, de fazer dela uma vida diferente e poder entrar no tempo Pascal desejoso de uma vida nova.

Não comer carne nem chocolate, não tomar refrigerante e não abusar das mensagens no celular. Mas do que vale tudo isso?

Vale para colocar Deus como o centro da nossa vida. Achei legal falar das mensagens no celular! Quanto tempo temos demorado nas redes sociais e quanto tempo temos nos dedicado a Deus? Coloque isso na ponta do lápis e você verá quem tem ganhado mais espaço na sua vida. Então, se o tempo do Facebook e do Watsapp têm sido maior do que o tempo que você reza, que se dirige a Deus, você vai entender quem está dominando a sua vida.

Todas as vezes que botamos freio em alguma realidade, principalmente no tempo da Quaresma, é para colocarmos Deus em um centro. Então, o que nós gostamos de comer não nos domina, o que assistimos não nos domina, o que ouvimos não nos domina, porque o nosso amor está todo para Deus.

Diz a Palavra de Deus que onde está o seu tesouro, ali está o seu coração. Infelizmente, muitas vezes, os nossos tesouros estão enterrados em solos que não são os do coração de Deus. Então, a Quaresma é esse tempo. Por isso vale largar o chocolate, o refrigerante, as mensagens, para poder fazer a experiência de colocar o Senhor como o centro na nossa vida. Vale a pena! Por este motivo, temos de recolocar Deus onde Ele deveria estar na nossa vida.

Na mensagem do Papa Francisco para a Quaresma de 2014, ele falou sobre a miséria material, moral e espiritual, e finalizou dizendo: “Não nos esqueçamos de que a verdadeira pobreza doí. Não seria válido um despojamento sem essa dimensão penitencial. Desconfio da esmola que não custa nem dói.

Nesta Quaresma, como podemos ajudar as pessoas que vivem a miséria material, moral e espiritual? Como seria a caridade nestes três âmbitos?

A miséria moral é exercer a caridade com uma pessoa que está trilhando um caminho errado, é chamá-la a exercer um pouco da verdade, aconselhá-la e mostrar a ela que existe outra realidade. Por exemplo, se você conhece um amigo da faculdade que está trilhando um caminho de bebida, de alcoolismo, chame-o, gaste do seu tempo com ele para poder instruí-lo e, talvez, tentar tirá-lo dessa realidade de miséria moral.

A miséria espiritual vai para o mesmo caminho. São pessoas que, às vezes, precisam de uma palavra, de um consolo ou aconselhamento. são pessoas que precisam ser ouvidas, precisam de alguém que se sente e as escute. É uma miséria espiritual, ou seja, ela tem a necessidade de alguém que reze com ela, que a assuma em oração. Nós podemos sanar a miséria espiritual dos nossos irmãos dando-lhes a nossa vida em oração, sentando com eles, rezando por eles.

A miséria moral e a espiritual estão muito relacionadas ao nosso tempo, à nossa vida. Mas existe a miséria material, sobre a qual o Papa está insistindo.

Como a Igreja pensa as práticas da Quaresma: oração, jejum, penitência, caridade e esmola? A oração nos leva para Deus quando nos lançamos para Ele. Quando revemos, na nossa vida, tudo o que está em excesso, aí entra a necessidade de jejum e penitência. Mas se isso parar apenas na nossa vida, e não transbordar na vida do irmão, não tem valor. É aí que entra a caridade e a esmola.

A sintonia é perfeita, porque nós nos lançamos em Deus, avaliamos nossa vida e refazemos o nosso relacionamento com Deus. Refazemos as coisas, refazemos nosso relacionamento com os irmãos, com a caridade que ela pode se dar nesse sentido; de se dar tempo, mas também no sentido concreto material.

Então, vamos para o exemplo: eu faço uma penitência de não tomar refrigerante, vou pegar essa que é uma bem simples, durante toda a Quaresma, aí você calcula, quanto eu gasto por dia com refrigerante. Ah, eu gasto dez reais de refrigerante por semana, eu transformo aqueles dez reais em esmola para uma família que precisa.

Este é o sentido da esmola, aquilo que a gente jejua e que gastaria algo, entregamos aos pobres. De ir ao encontro, de fazer um rateio, de chamar outras pessoas. Os seus dez reais, mais os dez reais de outro; porque não faz uma cesta básica para uma família que está passando fome? Então, temos um costume muito egoísta: Ah tá bom, vou ficar sem tomar refrigerante, vai me sobrar dinheiro. Não esse dinheiro não é seu e, sim do outro! É por isso, que a Igreja sempre nos propôs essas três realidades juntas. Porque elas nos lançam nos outros, elas nos lançam na realidade dos outro. Agora, uma realidade que fica fechada no meu relacionamento com Deus e, na minha vida de uma conversão interior e não transborda em amor por outro.

O Papa Francisco fala muito da cultura do encontro, de ir ao encontro do outro. Ela vai ser uma Quaresma estéril, sem fecundidade, porque ela vai ser igual a um tripé com o pé quebrado, ela não vai ficar de pé. Agora, se eu revejo o meu relacionamento com Deus com oração, revejo o meu relacionamento com as criaturas, com as coisas, com o jejum e com a penitência e revejo o meu relacionamento com meu irmão com a caridade, aí eu me coloco em uma Quaresma concreta. Pode ser alguém que você precise dar perdão, que você precise perdoar, que você precise ir ao encontro. Alguém que você vacilou com ela e, você precisa pedir perdão por este ato que fez. Isso tudo é maneira concreta de viver a caridade e de ir de encontro com essa miséria moral, espiritual ou real que, muitas vezes, as pessoas se encontram.

Renan Félix
renan@geracaophn.com

Quarta-feira de Cinzas, Ano A

Por Mons. Inácio José Schuster

O que é a Quarta Feira de Cinzas?

A Quarta Feira de cinzas é o dia que marca o início do Tempo Litúrgico da Quaresma.

Na liturgia da Quarta Feira de Cinzas é feita a imposição das cinzas sobre os fiéis. Gesto que visa recordar o período penitencial que se inicia e o chamado à verdadeira conversão do coração e dos próprios atos.

Na Quaresma, somos convidados a alimentar a fé com uma escuta mais atenta e prolongada da Palavra de Deus e a participação nos Sacramentos e, ao mesmo tempo, a crescer na caridade, no amor a Deus e ao próximo. Nela toda a Igreja é chamada a voltar-se mais para a oração e para a caridade, ou seja, para a real vivência do amor.

No período da Quaresma podemos manifestar nossa penitência pelo jejum, pela oração e pela esmola. O jejum expressa o esforço de conversão em relação a si mesmo, a oração manifesta a conversão em relação a Deus, e a esmola a conversão em relação aos outros.

Estas três formas de penitência tem o objetivo de fazer com que cresçamos no domínio dos impulsos da carne, numa vida de maior intimidade com Deus e de maior amor e misericórdia com as pessoas que convivem conosco.

Em todas estas atitudes em relação à penitência, o ideal é deixarmos Deus conduzir todas as coisas, nós nos esforçamos, mas é a graça de Deus que nos sustenta em nossos esforços de sermos melhores a cada dia.

 

A Liturgia deste dia não é lúgubre. Não é fúnebre, nem mesmo quando coloca um pouco de cinza sobre a cabeça de cada um e diz: lembra-te que és pó, e ao pó voltarás. Meus caríssimos irmãos e irmãs, somos pessoas criadas por Deus, em vista de Cristo. Deus, ao criar-nos, pensava em Jesus Cristo; Deus, ao criar-nos, desejava que tivéssemos o mesmo fim de Cristo, isto é, que morrêssemos com Cristo, para com Cristo podermos ressuscitar. A carne e o sangue – afirma Paulo – não podem entrar no Reino de Deus. Revestimo-nos, presentemente, do homem primeiro; carregamos, presentemente, a figura do Adão terrestre mas, sempre de acordo com Paulo, da mesma maneira como carregamos em nós a imagem ou figura do Adão terrestre, devemos nos transformar na imagem do Adão celeste, isto é, do segundo Adão, do antítipo do primeiro Adão, que é Jesus Cristo glorificado. Sim, recordamo-nos hoje que vamos para a morte, mas para uma morte com Cristo, morrer para este mundo provisório, inacabado, incompleto sob todos os aspectos, a fim de participarmos de Sua páscoa definitiva e vitória triunfante total no Reino dos Céus. Recordamo-nos que vamos para a morte, mas nos recordamos que vamos para a morte na esperança da ressurreição; nós nos recordamos de um determinado fim que é, ao mesmo tempo, o início do definitivo na glória de Jesus Cristo. Aqueles que conhecem o Seu fim podem preparar-se melhor para, de certa maneira, vivê-lo, e vivê-lo ativamente, por ocasião de sua páscoa pessoal, por ocasião da própria morte e da própria ressurreição. É com este sentimento que nós iniciamos o tempo quaresmal; é desta maneira que queremos nos encaminhar, com Cristo, através de nosso calvário pessoal, à participação em Sua vitória triunfante de páscoa. Não haverá páscoa de ressurreição para aqueles que não se dispuserem a primeiro morrer com Cristo, e morrer ao próprio pecado, enquanto Deus nos concede este tempo de graça e salvação. E, portanto, termino. Que ninguém assuma negligentemente este tempo; que este tempo não seja vivido em vão por nenhum de nós.

 

SÊ ASSÍDUO À ORAÇÃO E À MEDITAÇÃO
Padre Bantu Mendonça

Quaresma: Tempo de Penitência, de conversão, de jejum, oração e da salvação. É o tempo de mudança de vida, do kairós na minha vida e na sua vida. O texto de hoje nos ajuda a fazer uma reflexão, uma introspecção. Estamos diante de um Evangelho que determina o nosso ser cristão. É, diria eu, o termômetro da nossa própria fé católica. E não poderia existir passagem melhor do que a do Evangelho de hoje. A prática da justiça, no sentido religioso, significava a busca de justificação diante de Deus. As mais consagradas eram: a esmola, a oração e o jejum. Por esta prática o piedoso judeu julgava-se justo diante de Deus. Com atitude ostensiva, os líderes religiosos do templo e das sinagogas afirmavam seu prestígio e poder. A penitência, muitas vezes vista como uma prática de sofrimento, na verdade tem o caráter modificador, que nos transforma que nos faz perceber que podemos viver sem certas coisas do mundo. Que mais forte é Deus que nos dá o suficiente para viver. Compreendemos que os sacrifícios feitos deverão, portanto, ser fonte de crescimento, de amadurecimento espiritual e não motivo de promoção pessoal. E por isso, não devem ser expostos ao mundo, pois é interioridade, é intimidade com Deus. Isto vale para todos os nossos atos religiosos ou aparentemente humanitários. Não podem ser forma de se vangloriar de sua bondade, mas de promover sua espiritualidade e também o bem de outras pessoas. Sê assíduo à oração e à meditação. Disseste-me que já tinhas começado. Isso é um enorme consolo para um Pai que te ama como Ele te ama! Continua, pois, a progredir nesse exercício de amor a Deus. Dá todos os dias um passo: de noite, à suave luz da lamparina, entre as fraquezas e na secura de espírito; ou de dia, na alegria e na luminosidade que deslumbra a alma. Se conseguires, fala ao Senhor na oração, louva-o. Se não conseguires, por não teres ainda progredido o suficiente na vida espiritual, não te preocupes: fecha-te no teu quarto e põe-te na presença de Deus. Ele ver-te-á e apreciará a tua presença e o teu silêncio. Depois, pegar-te-á na mão, falará contigo, dará contigo cem passos pelas veredas do jardim que é a oração, onde encontrarás consolo. Permanecer na presença de Deus com o simples fito de manifestar a nossa vontade de nos reconhecermos como seus servidores é um excelente exercício espiritual, que nos faz progredir no caminho da perfeição. Quando estiveres unido a Deus pela oração, examina quem és verdadeiramente; fala com Ele, se conseguires; se te for impossível, detém-te, permanece diante dele. Em nada mais te empenhes como nisso. Não se trata de conceber a oração interior, livre de todas as formas tradicionais, como uma piedade simplesmente subjetiva, e de opô-la à liturgia, que seria a oração objetiva da Igreja; através de toda a verdadeira oração, alguma coisa se passa na Igreja e é a própria Igreja quem reza, porque é o Espírito Santo que vive nela que, em cada alma única, “intercede por nós com gemidos inefáveis” (Rm 8, 26). E essa é, justamente, a verdadeira oração, porque “ninguém pode dizer ‘Jesus é o Senhor’ senão por influência do Espírito Santo” (1Cor 12, 3). O que seria a oração da Igreja se não fosse a oferenda daqueles que, ardendo com grande amor, se entregam ao Deus que é amor? O dom de si a Deus, por amor e sem limites, e o dom divino que se recebe em troca, a união plena e constante, é a mais alta elevação do coração que nos é acessível, o mais alto grau da oração. As almas que o atingiram são, na verdade, o coração da Igreja; nelas vive o amor de Jesus, Sumo-Sacerdote. Escondidas com Cristo em Deus (Col 3, 3), não podem deixar de fazer irradiar para outros corações o amor divino de que estão cheias, concorrendo assim para o cumprimento da unidade perfeita de todos em Deus, como era e continua a ser o grande desejo de Jesus. Jesus nos mostra neste texto ao falar da oração, jejum e caridade de forma consciente o momento e o ato mais importante da nossa íntima união com Ele. E nos faz saber que estes atos devem ser livres e desimpedidos, desinteressados de reconhecimento. A partir do momento em que vivemos estas três lições de Cristo oração, jejum e penitência, em nossas vidas, tudo em nós será um eterno aleluia. Jesus terá verdadeiramente ressuscitado em nós. Espírito de piedade, do temor de Deus, ensina-me o modo de agir que realmente agrade ao Pai, para que este tempo da Quaresma seja o tempo de graça, de renovação e reavivamento da minha vida e família para que mereça celebrar a Páscoa da eternidade c a recompensa divina no dia final.

 

CONVERTEI-VOS E CREDE NO EVANGELHO
Padre José Augusto

Depois do carnaval, a Igreja entra em um período de silêncio e é assim que devemos estar. Em um mundo tão barulhento Deus chama o homem a silenciar. Só assim o homem tomará consciência do que ele é, e de quem Deus é. Não podemos viver neste mundo sem caminhar para um lugar. Se não temos uma meta, passamos viver ao léu, mas São Paulo diz em sua carta que este é o tempo favorável, é preciso escutar a Deus. É tempo de escutar a convocação que Deus nos faz. Nestes 40 dias vamos buscar voltar para Deus. Fomos criados para estarmos juntos com o Senhor, mas o mundo tem nos afastado do Senhor. E agora Deus clama: ‘Volta para mim! Volta ao meu coração!’ Precisamos fazer como Davi, reconhecer o nosso erro. Esses 40 dias é tempo de reconhecermos que falhamos, erramos, mas precisamos ser melhor, precisamos clamar a misericórdia do alto. Quaresma é tempo de revisão. É tempo de perguntar: Diante do Senhor como estou? Como estou diante dos irmãos? E diante de mim mesma? Deus mandou Seu Filho para morrer por nós. É tempo dos namorados reverem como está o relacionamento, e dos pais verem como está o tratamento com seus filhos e vice-versa. Vivemos em uma sociedade egoísta, mas não dá para o cristão ser egoísta, pois Deus deu tudo por nós. O Evangelho diz que é preciso dar esmola. Então doe. Doe roupas e coisas simples. Oferecer o lugar no ônibus, no metrô para uma pessoa mais velha, isso é caridade. faça este propósito. Saia de si para os outros. As vezes fazemos a penitência de não comer, mas também é penitência doar-se ao outro. Dar tempo ao outro. E no Evangelho também diz: orai. Eu deixo a dica, no momento em que você estaria na internet, entre no seu quarto e reze, converse com Deus, doe um pouco do tempo que você estaria no facebook e reze. Reze com a Palavra de Deus, leia a passagem da Bíblia. Jesus também fala no Evangelho sobre jejum. Jejum não é dieta. A dieta quem prescreve é o médico, mas o jejum é prescrito por Deus, o jejum fortalece o espírito, fortalece a carne para estar com Deus, cria-se na alma o desejo para estar com Deus. A quaresma não é tempo de comemorações, festas, é um tempo de reflexão para estar mais com Deus. Não é tempo de comilança, mas é tempo de recolhimento. Nós mudamos o tempo da quaresma, e queremos fazer da quaresma como queremos. Hoje quarta-feira de cinzas para lembramos que somos pó e para pó voltaremos, e ao colocar a cinza, lembre-se e preste atenção o que lhe falará o ministro. Uma boa e santa quaresma para você!

 

A oração, o jejum e a vigilância eram considerados pelos judeus como as obras mestras da vida religiosa. Eram vistos como os sinais chaves de uma pessoa piedosa, os três grandes pilares sobre os quais se baseava a vida virtuosa. Nesta passagem, Jesus nos mostra a razão pela qual praticamos tais obras. Trata-se, precisamente, de não querer simplesmente mostrar-se como justo de acordo com as impressões exteriores dos homens. É ser interiormente justo segundo Deus. A verdadeira piedade é mais do que parecer bom ou santo. O Evangelho nos fala da vigilância, propriamente dita, no sentido de permanecer à espera de Deus e de seu julgamento. Por isso, não se deve fazer algo simplesmente para ser visto pelos homens. Aliás, o verbo empregado em grego corresponde ao que nós utilizamos para designar “teatro”. Realizada diante de Deus, a boa obra é por si mesma luz. Ela “brilhará diante dos homens” não como teatro, só na aparência, porém, como resplendor da luz divina. São João Crisóstomo comenta as palavras de Jesus sobre a esmola lembrando que “uma pessoa pode de fato dar esmola diante dos homens, sem ter a intenção de ser vista. Como também pode dar esmola em segredo, mas desejando ser vista pelos homens. Por isso o Senhor não considera só o ato de dar esmola em si mesmo, mas acrescenta a vontade presente no ato de dá-la. O que conta mesmo é a vontade que traz punição ou recompensa”.  Assim a esmola é compreendida como sendo fundamentalmente ato fraterno, partilha, e, por conseguinte, proporcional às possibilidades da pessoa. Felizes os que dão até o que lhes é necessário, como o caso da esmola da viúva. A esmola é também uma espécie de restituição, sinal normal da penitência-conversão e assinala o retorno a Deus, como o fez Zaqueu. O jejum e a prece adquirem seu sentido profundo e o sacrifício de louvor assume todo o seu verdadeiro valor. São Gregório de Nissa pergunta: “Desejas uma glória imortal? Mostra tua vida, no segredo, Àquele que é suficientemente poderoso para proporcionar a glória que desejas. Tens medo de uma vergonha eterna? Tema aquele que manifestará tua vergonha, no Dia do Julgamento”. Deus revelará as boas obras no tempo devido. Escreve um autor anônimo, nos primeiros anos da vida da Igreja: “Deus reside no segredo do coração e não em um lugar secreto. É o próprio Deus que revela o bem realizado nesta vida e na outra glorificará quem o fez, pois a glória é de Deus”. Que “nossa vida esteja escondida em Cristo”, pois é no silêncio da alma, “no mais secreto”, ou seja, no centro de nossa alma, do nosso coração, no mistério de nossa união com o Cristo, o Filho unigênito do Pai eterno, que de fato rezamos, jejuamos e damos esmola. Senhor, dai-nos uma fé viva, uma esperança firme e uma caridade fervente, e um grande amor por Vós.

 

O Tráfico humano não escolhe classe social
Entrevista com Inês Virgínia Prado Soares, doutora em Direito pela PUC/SP e Procuradora Regional da República
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Por Thácio Lincon Soares de Siqueira

Brasília, 10 de Fevereiro de 2014 (Zenit.org) – E o tráfico de pessoas, como vai? É uma ótima pergunta a ser feita no ano da Copa do Mundo no Brasil. E quem faz essa pergunta e convida todo o Brasil a fazê-la dessa vez é a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. “Fraternidade e Tráfico Humano” será o tema da Campanha da Fraternidade (CF) desse ano de 2014. A CF é proposta todos os anos para os católicos e para a sociedade no tempo da quaresma, como um itinerário de libertação pessoal, comunitária e social. “A Campanha da Fraternidade de 2014 é um importante passo!”, disse a Dra Inês a ZENIT.  O motivo é que “Certamente um forte trabalho de esclarecimento e prevenção para a população ajuda que vítimas em potencial não sejam captadas pelos criminosos”. Para introduzir-nos no tema, ZENIT entrevistou Inês Virginia Prado Soares, que é doutora em Direito pela PUC/SP e Procuradora Regional da República. Acompanhe a entrevista a seguir:
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ZENIT: Cara Inês, podemos acreditar nas sondagens e estatísticas que mostram o número de pessoas em situação de tráfico humano no Brasil? Quais são as principais formas de tráfico conhecidas?
Inês Virginia: Existem três formas de tráfico humano, que são: tráfico para fins de exploração sexual, para fins de exploração para trabalho análogo ao escravo e para fins de extração de órgãos. As estatísticas realmente não representam o real número de pessoas traficadas no Brasil. Primeiro porque muitas vítimas não se sentem na condição de vitimas, elas acreditam que escolheram aquele caminho e que não há crime. Daí elas não denunciam às autoridades. Depois, há poucas pesquisas sobre o tema e o estabelecimento de metodologias para identificação do crime e das vítimas é uma tarefa que foi assumida bem recentemente pelo governo, pela Secretaria Nacional de Justiça do Ministério da Justiça. No mais, estatísticas são ainda muito precárias, seja porque não abrangem os três tipos principais de tráfico de pessoas, seja porque não engloba os diversos perfis de vítimas (potenciais, inclusive!).

ZENIT: Em quais ambientes é mais propício que aconteça, entre os mais pobres, nas cidades menos privilegiadas ou também pode acontecer entre a classe média e alta sociedade?
Inês Virgínia: Certamente as pessoas em situação de vulnerabilidade ficam mais frágeis para violação de seus direitos e são um alvo mais fácil para criminosos. Mas o crime do Tráfico de Pessoas não escolhe classe social. É um crime que trabalha com a ilusão, com a vontade que alguém tem de melhorar de vida, de ter oportunidades. É um crime perverso, porque tira a liberdade da pessoa depois que ela já foi enganada e já está vulnerável, geralmente longe de sua casa/terra e sua família. Daí a importância das campanhas preventivas. RECEBEU UMA PROPOSTA EXCELENTE DE EMPREGO NO EXTERIOR? PROCURE SABER TUDO DESSA EMPRESA OU PESSOA QUE LHE PROPÕE ANTES DE ACEITAR, por exemplo.

ZENIT: Qual é o pior tipo de tráfico humano?
Inês Virgínia: Não sei dizer qual é o pior, pois são formas de violência diferentes e todas gravíssimas. O tráfico para fins de exploração sexual é o que atinge o maior número de vítimas e há muitos relatos de atrocidades e até de mortes. Além disso, a pessoa traficada que consegue “escapar” sofre um grande preconceito e tem enorme dificuldade de recompor sua vida.

ZENIT: Como combatê-lo?
Inês Virgínia: Os especialistas no assunto indicam quatro tipos de atuação: a prevenção (campanhas educativas, como a Campanha da Fraternidade de 2014), a repressão/responsabilização (trabalho da polícia e do Ministério Público no combate ao crime organizado e especialmente às organizações criminosas envolvidas com o tráfico humano), o acolhimento às vítimas (trabalho para o poder público, mas também para a sociedade civil, inclusive para congregações religiosas que tenham estrutura para acolher essas pessoas com a finalidade de que não voltem a ser vítimas e também para que possam refazer suas vidas longe da marginalidade) e o estabelecimento de parcerias (entre ONGs, entre sociedade e poder público etc).

ZENIT: Como a instituição Igreja Católica poderia influenciar para o desmantelamento das redes de tráfico de pessoas escravidão no país?
Inês Virgínia: O tráfico de pessoas tem um pressuposto muito conhecido na doutrina católica: que é ver o próximo como alguém merecedor de direitos. Lembro o tema da Campanha da Fraternidade de 1969: “Para o outro, o próximo é você”. A Campanha da Fraternidade de 2014 é um importante passo! Certamente um forte trabalho de esclarecimento e prevenção para a população ajuda que vítimas em potencial não sejam captadas pelos criminosos. Além disso, a informação permite uma mudança de olhar: de que o crime existe e que a pessoa em situação de tráfico é uma vítima e não uma criminosa, que ela merece ser acolhida e protegida. Assim, se uma moça foi para o exterior (ou mesmo saiu de sua cidade para outra) porque quis e acreditou na proposta do aliciador (que lhe parecia alguém que não lhe faria mal) e lá ela foi privada de sua liberdade e explorada sexualmente, ela é uma vítima, nada mais que isso. Fiz referência à Campanha da Fraternidade de 1969 e sei que tínhamos outro cenário e naquele momento tinha um objetivo mais restrito… eram outros tempos no alcance pelos meios de comunicação, mas penso que no tema do tráfico de pessoas, é bem importante que os católicos lembrem que aquela pessoa em situação de tráfico precisa que o próximo/você a ampare.

ZENIT: A nossa legislação penal tipifica esses crimes e assegura penas severas para os mesmos?
Inês Virgínia: A nossa legislação precisa de aperfeiçoamentos para abranger todas as ações criminosas praticadas no tráfico de pessoas. São muitas etapas e partícipes. Mas estamos nos aperfeiçoando… No plano internacional temos um documento da ONU, o Protocolo de Palermo, que dá as diretrizes para que cada país trate do assunto no plano interno. Mas precisamos de leis mais rígidas, com certeza.

 

A nota da CNBB sobre as prisões brasileiras
As prisões brasileiras são, infelizmente, uma amostra grátis do inferno
Por Edson Sampel

São PAULO, 10 de Fevereiro de 2014 (Zenit.org) – Homens tratados como animais! Basta darmos uma olhada numa dessas inúmeras fotografias de cárceres que pululam na imprensa, para verificarmos que os cães recebem um tratamento bem melhor que os presos do Brasil. A regra do jogo democrático é a seguinte: alguém perpetra um crime grave, é julgado e, se condenado, vai para a cadeia, onde – prestemos atenção à norma democrática! – ficará privado da liberdade por certo período de tempo. Pensemos, a título de exemplo, no delito de homicídio. Determina o artigo 121 do Código Penal Brasileiro: “pena: reclusão de 12 a 30 anos”. Esta é a única pena imposta coercitivamente ao sentenciado: a privação da sua liberdade de 12 a 30 anos. E já não é infernal ou purgativo (de purgatório) estar sem o gozo da própria liberdade? A Lei 7.210/84, que cuida da execução das penas, preceitua: “Artigo 1.º. A execução penal tem por objetivo efetivar as disposições de sentença ou decisão criminal e proporcionar condições para a harmônica integração social do condenado e do internado.” Ora, a punição tem um caráter nitidamente medicinal, na esteira do direito canônico, pois visa a “proporcionar condições para a harmônica integração social do condenado e do internado”. Conforme reza a nota da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), “não podemos assistir passivamente à violação da dignidade humana como ocorre nos presídios brasileiros e em inúmeras situações de violência que grassa no país.” Nossa revolta contra esse estado de coisas está alicerçada num ditame de direito divino positivo, pois foi o próprio Senhor Jesus Cristo que se identificou com os prisioneiros: “Estive preso e viestes me visitar” (Mt 25, 36). Portanto, para um país fundamentado nos valores cristãos, temos de ver no preso o rosto transfigurado de Jesus Cristo e, desta feita, é-nos imperioso lutar pela dignidade dos que vivem nas enxovias.  No Brasil, desgraçadamente, vige uma mentalidade que enxerga a pena como vingança ou vindita social. Para muitos patrícios, o detento tem mesmo de sofrer, de ser humilhado, pisoteado e seviciado. Esta é uma postura antievangélica, que contrasta nitidamente com as palavras de Jesus acima citadas. De uma vez por todas, entendamos  que a privação da liberdade de uma pessoa vários anos a fio, por si só, causa um sofrimento atroz, o qual não deve ser recrudescido por outros vitupérios. A prisão precisa ser um purgatório na terra, não um inferno, um lugar (estado) sem esperança. Sendo católicos, pressionemos as autoridades por mudanças imediatas, não só com argumentos evangélicos, mas com o argumento de que o governante está obrigado a cumprir a lei.
Edson Sampel
Teólogo e Doutor em Direito Canônico. Membro da União dos Juristas Católicos de São Paulo (Ujucasp).

Papa pede coragem e humildade para anunciar o Evangelho

Terça-feira, 14 de fevereiro de 2017, Da Redação, com Rádio Vaticano

Na Missa de hoje, Francisco indicou as três características de quem é um arauto do Evangelho

Coragem, oração e humildade: estes são os traços que caracterizam os grandes “arautos” que ajudaram a Igreja a crescer no mundo, que contribuíram à sua missionariedade. Foi o que disse o Papa na Missa celebrada na manhã de terça-feira, 14, na capela da Casa Santa Marta.

Francisco reforçou que é preciso “semeadores de Palavra”, missionários, verdadeiros arautos para formar o povo de Deus, como foram Cirilo e Metódio, irmãos intrépidos e testemunhas de Deus que fizeram da Europa mais forte, padroeiros do continente. Na homilia, o Papa indicou as três características da personalidade de um “enviado” que proclama a Palavra de Deus, inspirando-se no Evangelho de Lucas que a liturgia propõe.

“A Palavra de Deus não pode ser levada como uma proposta – “bom, se você gostar…” – ou como uma ideia filosófica ou moral, boa – “você pode viver assim …” … Não. É outra coisa. Precisa ser proposta com esta franqueza, com aquela força, para que a Palavra penetre, como diz o próprio Paulo, até os ossos. A Palavra de Deus deve ser anunciada com esta franqueza, com esta força … com coragem. A pessoa que não tem coragem – coragem espiritual, coragem no coração, que não está apaixonada por Jesus, e dali vem a coragem! – não, dirá, sim, algo de interessante, algo moral, algo que fará bem, um bem filantrópico, mas não tem a Palavra de Deus. E esta palavra é incapaz de formar o povo de Deus. Somente a Palavra de Deus proclamada com esta franqueza, com esta coragem, é capaz de formar o povo de Deus”.

Necessidade de oração

Do capítulo décimo do Evangelho de Lucas foram extraídas outras duas características próprias de um arauto da Palavra de Deus. Um Evangelho “um pouco estranho”, afirmou o Papa, porque rico de elementos acerca do anúncio. “A messe é abundante, mas são poucos os operários. Rezem portanto ao Senhor da messe para que mande operários para a sua messe”, repetiu Francisco, e é assim, portanto, que depois da coragem está a oração.

“A Palavra de Deus deve ser proclamada com oração também, sempre. Sem oração, se pode fazer uma bela conferência, uma bela palestra: boa, boa; mas não é a Palavra de Deus. Somente de um coração em oração pode sair a Palavra de Deus. A oração, para que o Senhor acompanhe este ‘semear’ a Palavra, para que o Senhor regue a semente e ela brote, a Palavra. A Palavra de Deus deve ser proclamada com oração: a oração daquilo que anuncia a palavra de Deus”.

Humildade

No Evangelho consta também um terceiro ‘trecho interessante’. O Senhor envia os discípulos como “cordeiros em meio aos lobos”. “O verdadeiro pregador é o que sabe ser fraco, sabe que não se pode defender sozinho. ‘Tu vai como cordeiro em meio aos lobos’. ‘Mas, Senhor, para que eles me comam?’. ‘Tu, vai, é este o caminho’. E creio que o Crisóstomo faz uma reflexão muito profunda quando diz: “Se tu não for como cordeiro, mas como lobo entre os lobos, o Senhor não te protegerá: defende-te sozinho”. Quando o pregador se acha muito inteligente ou quando quem tem responsabilidade de levar adiante a Palavra de Deus e quer dar uma de esperto… ‘Ah, eu sei me sair com esta gente!’, ele termina mal. Negociará com a Palavra de Deus: aos poderosos, aos soberbos…”.

E para ressaltar a humildade dos grandes arautos, Francisco citou um episódio que lhe contaram de um sacerdote que “se vangloriava de pregar bem a Palavra de Deus e se sentia um lobo”: depois de uma bela pregação – recorda o Papa, foi ao confessionário e encontrou um grande pecador que chorava… queria pedir perdão”. Este confessor – prosseguiu Francisco – ‘começou a encher-se de vaidade e a curiosidade o levou a perguntar que Palavra o havia tocado tanto ao ponto de levá-lo ao arrependimento. “Foi quando o Senhor disse: passamos para outro assunto. “Não sei se é verdade – afirma o Papa – mas confirma que termina-se sempre mal quando se sente lobos e não cordeiros, faltando assim na defesa do Senhor”.

Esta é a missionariedade da Igreja e os grandes arautos que semearam e ajudaram a crescer as Igrejas no mundo, foram homens corajosos, de oração e humildes, reiterou Francisco. A oração final foi para que os Santos Cirilo e Metódio ajudem a proclamar a Palavra de Deus assim como eles o fizeram.

Capela Nossa Senhora de Lourdes

A Capela do Bairro Jardim Mauá convida a comunidade em geral para as Celebrações Eucarísticas, os momentos de oração e os eventos promocionais em vista da construção da futura e nova Capela há 50 anos almejada.

No dia 11 de fevereiro, Dia Mundial do Enfermo e Memória da Padroeira Nossa Senhora de Lourdes, teremos Santa Missa festiva, às 19h, com bênção da água e da saúde.

Sempre aos sábados, às 19h, temos a celebração da Santa Missa. Os que vem de carro, podem contar com um espaço interno para estacionamento gratuito, mas lembramos que não há seguro para os veículos.

Sempre às terças-feiras, temos a Oração do Terço Mariano, no horário das 19h30min às 20h30min, onde contamos com a participação das famílias da comunidade.

Temos programado neste ano de 2017:
-06/5 -Jantar Baile (sáb, 20h-02h, convites individuais, no salão festas igreja Matriz) / Missa 07/5 (dom, 19h)
-24, 25 e 26/5 -Tríduo (qua, qui, sex, 19h30min)
-27/5 -Santa Missa Solene da Padroeira com o Coral Misto, seguida de Terço Mariano (sáb, 19h)
-19/11 -Galeto só p/levar (coxa, sobrecoxa, salada, pão / no salão festas igreja Matriz)

A realização dos eventos sociais é no salão de festas da Paróquia Nossa Senhora da Piedade, localizado à Rua Leão XIII, n. 180, no Bairro Hamburgo Velho.

A nossa Capela está localizada no Bairro Jardim Mauá, na Rua Lagoa Vermelha, n. 45, esquina com a Rua Santa Vitória do Palmar. As entradas para a Capela e estacionamento, são pela Rua Santa Vitória do Palmar.

Venha participar conosco e traga toda a sua família! Sejam bem-vindos!

Pelo Conselho Econômico, 
Pedro Paulo Maynart

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