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A oração dos 7 passos

Uma forma prática para crescer na vida de oração

Por incrível que pareça é cada vez mais comum as pessoas do nosso tempo buscarem alguma forma para entrar em contato com o “ser superior” (como alguns chamam). Esse Ser Superior, para os cristãos e a maioria da humanidade, se chama “Deus”! Ele traz um profundo desejo de estar cada vez mais próximo de você e de conversar com você. Um dos meios mais comuns para entrar em contato com o Senhor se chama: “oração“. Porém, a maioria das pessoas sente muita dificuldade para orar e costuma dizer:

1. “…não sei o que é isso direito…”
2. “…não sei como começar isso…”
3. “…até sei começar, mas logo paro de rezar (orar)…” [inconstância]
4. “…só rezo (oro) quando passo por dificuldades…”
5. “rezo (oro), sim, mas do meu jeito…”
6. “rezo (oro) sempre, em todo lugar… (na maioria das vezes uma desculpa de que ainda não aprendeu a orar direito).

Então, para tentar resolver alguns desses problemas, quero mais do que ficar dando explicações teológicas sobre oração. Vou lhe mostrar uma forma muito fácil e prática para você aprender a orar, a ter constância e crescer no relacionamento com esse “Ser Superior”, a quem chamamos de Deus. Prepare-se, vamos aprender a “Oração dos 7 Passos“.

1° Passo: Determine um lugar para você orar, esse será o seu “cantinho de oração”; nada daquela história de “oro no ônibus”, “no caminho para a escola”, claro você também pode fazer isso nestes momentos, mas Deus é Pai e não quer que você fique só com “lanchinhos”, entende? A oração pessoal deve ter lugar próprio, porque é refeição completa! Você precisa de um lugar no qual as pessoas não o fiquem atrapalhando ou o interrompendo, estamos em busca de um lugar que lhe proporcione intimidade. Existem muitas opções: uma capela (igreja), um lugar mais afastado da casa, um quarto, etc. Agora descubra o seu lugar de oração!

2° Passo: Geralmente estamos acostumados a orar (rezar) enquanto sentimos vontade de orar (rezar), mas aprendi que “sem disciplina não há santidade” e poderia dizer mais: “sem disciplina não há intimidade”, por isso existem dias em que você ora (reza) muito tempo e outros em que você não quer rezar (orar) nada, e diz: “estou sem vontade”… “estou cansado”… “com sono”… “foi muito corrido o dia”; e por aí vai. Por isso você precisa determinar quanto tempo você vai dar para Deus por dia, talvez para alguns fique fácil de entender assim: é como um dízimo do tempo, pense quanto tempo você deu para a internet? Para a TV? Para os amigos? Para a família? Para o trabalho? Etc. E para Deus? Quanto tempo você tem? Uma dica e uma regra, primeiro a dica: nunca comece com muito tempo, é como na academia: vá devagar no começo (10 minutos?) e depois vá aumentando; e a regra: o tempo sempre pode aumentar, mas nunca diminuir! O importante para Deus não é quantidade, mas o amor com que você reza (ora) e não importa se está cansado ou coisa do tipo; o Senhor o aceita mesmo assim! Não tem desculpa. E aí? Quanto tempo vai dar para Deus? Ah! Escolha também o melhor horário do dia (manhã, tarde, noite ou madrugada?).

3° Passo: Rezar (orar) um Pai-Nosso e uma Ave-Maria. O Pai-Nosso foi a oração que Jesus nos ensinou (cf. Mt 6, 9-13), nela vamos encontrar grandes ensinamentos que o Senhor nos deixou; e também a Ave-Maria, pois, quando recitamos essa oração, realizamos uma profecia bíblica, você sabia? Veja o que a Bíblia diz em Lucas 1, 48: “…Sim, de agora em diante todas as gerações me proclamarão bem-aventurada”. A maior proclamação que ela é “bem-dita” na verdade é feita pelo próprio Deus, o Anjo Gabriel, disse: “Ave Maria, cheia de Graça, o Senhor é convosco” (Lc 1, 28). Recitar a Ave-Maria é fazer eco da voz de Deus no tempo que se chama hoje; e na segunda parte: “Santa Maria mãe de Deus, rogai por nós, pecadores, agora e na hora da nossa morte, amém”. Não há nada de errado também; que ela é santa todo o mundo sabe, nós a chamamos de Mãe de Deus somente porque Jesus é Deus e, no fim, pedimos que interceda por nós, mais ou menos como muitas pessoas fazem pedindo uns aos outros oração. Fique tranquilo, pode rezar (orar) sem medo.

4° Passo: Chegou a hora de louvar, isso significa agradecer. Neste momento você deve ir se lembrando de tudo o que você passou neste dia ou no dia anterior, ou até mesmo lembranças que vierem à sua mente neste momento, pode agradecer a Deus, pode fazer mais ou menos assim: “Senhor, eu Te louvo, porque hoje eu abri meus olhos e vi as nuvens no céu, elas estavam lindas. Senhor, eu Te louvo, porque hoje não me faltou o alimento, Te louvo porque sei que estás sempre ao meu lado. Eu Te louvo por tudo… por aquilo que foi bom e por aquilo que ainda não foi bom…”.

5° Passo: Todo o mundo erra, não é verdade? Então vamos pedir perdão ao Senhor por todas as coisas que fizemos e não foram muito legais, um dia li no Evangelho que Jesus chorava (cf. Lc 19,41), Ele chorava porque os pecados que aquelas pessoas cometiam não machucavam somente elas mesmas, mas machucavam também o Seu Coração… E o mesmo Jesus que as amava o ama também. Por isso, vamos pedir perdão ao Senhor pelas vezes em que erramos e fizemos aquilo que não deveríamos fazer; pode começar assim: “Senhor, me perdoe… hoje eu menti, tive vergonha de assumir a verdade. Senhor, me perdoe também quando fiquei com muita raiva daquela pessoa… Senhor, perdão…”.

6° Passo: Agora é o mais fácil: chegou a hora de pedir, fazer a sua prece, seus pedidos. Uma dica: você pode começar pedindo pelos outros e deixar para o fim os seus pedidos pessoais. Quando fizer os seus pedidos lembre-se disso: “A confiança que depositamos nele é esta: em tudo quanto lhe pedirmos, se for conforme à sua vontade, Ele nos atenderá” (I Jo 5,14).

7° Passo: Oração é diálogo, é conversa, e em uma conversa sempre existe a hora de ouvir; portanto, chegou a hora de ouvir. Hora de ouvir a Deus, talvez pense: “Nossa! Isso é muito difícil…” Não é não! Vou lhe mostrar: você tem Bíblia? Se não tiver é bom comprar uma, se perdeu é bom achá-la (risos). E se você estiver lendo esse texto no computador é só procurar no Google (ou outro buscador) por “Bíblia”, se quiser tem uma versão em pdf. Então pegue sua Bíblia e leia (ouça… risos) uma parte qualquer e depois em silêncio. Deixe ressoar dentro de você a “Voz de Deus”, viu como é fácil? Uma dica: se você está começando a ter contato com a Sagrada Escritura agora, então comece pelo Novo Testamento, é uma linguagem mais próxima da nossa ou então pelos Salmos, também será um bom começo e quando não entender alguma coisa, procure pessoas que realmente o ajudem e não o deixem mais confuso (a).

Pronto! Agora você já pode ter uma vida de oração constante, seja fiel, se marcou um lugar e uma hora, então você tem um encontro: “Um encontro com Deus”. Não falte, tenha certeza: Ele não vai faltar! Não pare de caminhar, esses simples 7 passos vão levá-lo ao Céu!

Orar com música também é muito bom.

Deus os abençoe!

Padre Sóstenes Vieira
http://blog.cancaonova.com/padresostenes/oracao-dos-7-passos

“Venha, seja minha luz”

Por Brian Kolodiejchuk

1. Se alguma vez vier a ser Santa – serei certamente uma Santa da ‘escuridão’. Estarei continuamente ausente do Céu – para acender a luz daqueles que se encontram na escuridão na Terra.
2. Muito frequentemente me sinto como um lápis nas Mãos de Deus. Ele escreve, Ele pensa, Ele faz os movimentos. Eu só tenho que ser o lápis.
3. Ele usava o seu “nada” para mostrar sua grandeza.
4. Venha, seja minha luz.
5. Sua dolorosa experiência interior: – Era um compartilhamento na Paixão de Cristo na Cruz, com particular ênfase na sede de Jesus. …
6. Sou perfeitamente feliz e grata a Deus por aquilo que Ele dá – Prefiro ser e permanecer pobre com Jesus e os Seus pobres.
7. Raízes de sua missão:… no mistério da missão de Jesus, na união com Aquele que, morrendo na Cruz, Se sentiu abandonado pelo Pai.
8. Ninguém pode receber a confissão sacramental escrevendo os pecados num papel e enviando-o a um sacerdote.

Capítulo I
9. Segure a mão Dele [Jesus], caminhe sozinha com Ele. Siga em frente porque, se olhar para trás, irá voltar.
10. Desde a infância que o Coração de Jesus foi o meu primeiro amor.
11. ADEUS
Estou deixando minha casa querida / E a minha terra amada / Para a fumegante Bengala eu vou / Para orlas longínquas.
Estou deixando meus velhos amigos / Renunciando a família e ao lar / Meu coração me impele avante / A servir ao meu Cristo.
Adeus, Oh mãe querida / Que Deus esteja com todos vocês / Um Poder mais Alto me compele / Em direção à tórrida Índia.
O navio avança lentamente / Cortando as ondas do mar, / Enquanto meus olhos se voltam pela última vez / Para o querido litoral da Europa.
Corajosamente de pé no convés / Alegre, de semblante pacificado, / A feliz pequenina de Cristo / Sua nova noiva prometida.
Tem na mão uma cruz de ferro / Sobre a qual pende o Salvador, / Enquanto sua alma ardente lá oferece o Seu doloroso sacrifício.
Oh Deus, aceitai este sacrifício / Como sinal do meu amor, / Ajudai, por favor, a Vossa criatura / A glorificar o vosso Nome!
Em troca apenas Vos peço / Ó doce Pai de todos nós: / Deixai-me salvar pelo menos uma alma / Uma que já conheçais.
Suaves e puras como o orvalho do verão / Suas delicadas lágrimas agora fluem, / Selando e santificando então / O seu doloroso sacrifício.
12. Se você soubesse como sou feliz, como pequena esposa de Jesus. Não poderia invejar ninguém, nem mesmo aqueles que estão desfrutando de uma felicidade que ao mundo parece perfeita, porque estou desfrutando de minha completa felicidade, mesmo quando sofro qualquer coisa por meu Amado Esposo.
13. Quando as coisas se tornam difíceis, consolo-me com a idéia de que dessa maneira as almas são salvas e de que o meu querido Jesus sofreu muito mais por elas.
14. Não pense que minha vida é um mar de rosas – essa é a flor que raramente encontro pelo caminho.
15. Preciso de muita graça, de muita força de Cristo para perseverar na confiança, neste amor cego que conduz somente a Jesus Crucificado.
16. Trabalho não é oração, oração não é trabalho, mas devemos rezar o trabalho por Ele, com Ele, e para Ele.
17. Na mesma proporção em que aumenta a caridade, diminui o medo do sofrimento e aumenta o medo do pecado, sem enfraquecimento da confiança.
18. Agora abraço a sofrimento mesmo antes de ele chegar, e assim Jesus e eu vivemos no amor.
19. Madre Teresa lutava efetivamente por “beber o cálice até a última gota”, vivendo o compromisso de “ser toda só de Jesus”.
20. Meu Deus, com que facilidade os faço felizes! Dá-me forças para ser sempre a luz da vida deles, a fim de conduzi-los a Ti.

Capítulo II
21. Voto privado: Fiz um voto a Deus, que me compromete sob [pena] de pecado mortal, a dar a Deus qualquer coisa que Ele possa pedir: ‘Não lhe recusar coisa alguma’.
22. Por que devemos nos entregar inteiramente a Deus? Porque Deus Se entregou a nós. Se Deus, que nada nos deve, está pronto a nos entregar nada menos que a Si próprio, responderemos apenas com uma parte de nós? Nos entregarmos inteiramente a Deus é um meio de recebermos o Próprio Deus. Eu por Deus e Deus por mim. Eu vivo por Deus e abdico de meu próprio ser, e, assim, eu o induzo a viver por mim. Conseqüentemente, para possuirmos a Deus devemos permitir que Ele possua a nossa Alma.
23. Pagar amor, com amor.
24. Aquele que ama deseja unir-se ao amado.
25. Voto de humildade: consiste, segundo Ele me disse, em reconhecer que nada sou sem a ajuda de Deus, e em desejar ser desconhecida e desprezada.
26. Um pecado mortal é uma infração grave à lei de Deus. Desvia o homem de Deus, que é o seu último fim, a sua bem-aventurança, preferindo um bem inferior. Se o pecado mortal não for resgatado pelo arrependimento e pelo perdão de Deus, originará a exclusão do Reino de Cristo e a morte eterna no inferno. Para haver pecado mortal, é preciso que sejam verificadas as seguintes condições: matéria grave, plena consciência e propósito deliberado.
27. No silêncio do coração Deus fala.
28. Quando vejo uma pessoa triste, ela costumava dizer, sempre penso que está recusando alguma coisa alguma coisa a Jesus. Era em dar a Jesus tudo o que Ele pedisse que ela encontrava a sua mais profunda e mais duradoura alegria; ao Lhe dar alegria, ela encontrava a sua própria alegria.
29. A alegria é muitas vezes uma capa que esconde uma vida de sacrifício, de contínua união com Deus, de fervor e generosidade.
30. Para o bom Deus nada é pequeno porque Ele é tão grande e nós tão pequenos – é por isso que Ele se abaixa e se dá o trabalho de fazer essas pequenas coisas para nós – para nos dar a chance de provar nosso amor por Ele. Por que Ele as faz, elas são muito grandes. Ele não pode fazer nada pequeno; elas são infinitas.
31. Não procurem coisas grandes, apenas façam coisas pequenas com grande amor.

Capítulo III
32. “Tenho sede”, disse Jesus na Cruz. Ele falou de Sua sede – não de água – mas de amor, de sacrifício.
33. Vamos permanecer sempre com Maria nossa Mãe no Calvário perto de Jesus crucificado, com o nosso cálice feito dos quatro votos, e preenchê-lo com o amor do sacrifício pessoal, o puro amor, sempre erguido próximo ao Seu Coração sofrido, para que Ele possa ficar feliz em aceitar o nosso amor.
34. “Todas as vezes que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, foi a mim que fizestes”.
35. Para uma pessoa que está apaixonada, a rendição é mais do que um dever, é uma bem-aventurança.
36. “Venha, venha, leve-Me aos buracos escuros dos pobres. Venha, seja Minha luz”.
37. … Tenho ansiado com muita freqüência por ser toda para Jesus e fazer com que outras almas – …venham e O amem fervorosamente –…
38. Há tantas almas – puras – santas que anseiam por se entregar somente a Deus
39. “Não vais ajudar?”
40. – Abraçar e escolher a solidão e a infância – a incerteza – e tudo isso porque Jesus assim o quer – porque alguma coisa me chama “a deixar tudo e a reunir o pouco – para viver a vida Dele”.
41. “Quero freiras indianas, vítimas do Meu amor, que sejam Maria e Marta. Que estejam tão unidas a Mim que irradiem o Meu amor por sobre as almas. Quero freiras livres, cobertas com Minha pobreza da Cruz”.
42. “Não – a sua vocação é amar e sofrer e salvar almas e, dando esse passo, realizará o desejo do Meu coração por você – É essa a sua vocação.”
43. “Você está sempre dizendo ‘faz comigo tudo o que quiseres’. E agora Eu quero agir – deixe-Me fazê-lo – Minha pequena esposa – Minha pequenina. Não tenha medo – Eu estarei sempre com você. – Sofrerá e sofrerá agora – mas se for a Minha pequena Esposa – a Esposa do Jesus Crucificado – terá que suportar estes tormentos no seu coração. – Deixe-Me agir – Não Me recuse. – Confie amorosamente em Mim – confie cegamente em Mim”.
44. O amor deve ser a palavra, o fogo, que as faça viver a vida em sua plenitude.
45. Deus me chama – indigna e pecadora como sou.
46. Anseio por ser realmente só Dele – por arder por completo por Ele e pelas almas.
47. “Vais recusar?”.

Capítulo IV
48. Se uma única criancinha infeliz passar a ser feliz com o amor de Jesus, … não valerá a pena… dar tudo por isso?
49. … Acreditava que, através da obediência aos representantes de Deus, a vontade divina acabaria por se tornar conhecida com segurança.
50. Ele tudo providenciará. – Quanto mais confiarmos Nele – mais Ele fará.
51. O meu lema é ‘Procurar a Deus em todos e em todas as coisas’.
52. … Aquele que é responsável precisa de discrição, oração fervorosa e constante, e prontidão para cumprir a vontade de Deus…
53. “Vai recusar a fazer isso por Mim?”
54. Não vale a pena passar por todos os sofrimentos possíveis, por uma só alma? Nosso Senhor não fez o mesmo? Que fracasso foi a Sua Cruz no Calvário – e tudo por mim, uma pecadora.
55. Se por um copo de água Ele prometeu tanto, o que não fará por corações vítimas entregues aos pobres? Ele fará tudo. Eu, eu sou apenas um pequeno instrumento nas mãos Dele e, justamente porque eu não sou nada, Ele quer me usar.
56. Confiemos cegamente Nele. – Ele fará com que a nossa confiança Nele não seja frustrada.
57. Por vezes, tenho medo, porque nada tenho, nem inteligência, nem conhecimentos, nem as qualidades que tal trabalho exige, mas, ainda assim, eu digo a Ele que o meu coração está livre de tudo, e por isso pertence por completo a Ele e só a Ele. Ele pode me usar como melhor Lhe agradar. Apenas agradá-Lo é a alegria que procuro.
58. O ‘pequeno nada’… ansiava por ‘levar a alegria ao Coração Sofrido de Jesus’.
59. Meu Deus, dá-me a Tua luz e o Teu amor, para que eu seja capaz de escrever estas coisas para Tua honra e glória. Não permitas que a minha ignorância me impeça de fazer a Tua vontade na perfeição. Supre o que falta em mim.
60. Ele era o seu “Tudo”.
61. Para estarmos completamente unidos e Ele, devemos ser pobres – livres de tudo – aqui entra a pobreza da Cruz – Pobreza Absoluta – e para sermos capazes de ver Deus nos pobres – Castidade Angélica – e para sermos capazes de estar sempre à Sua disposição – Obediência Alegre.
62. …agir a caridade de Cristo entre os mais pobres – fazendo assim com que eles O conheçam e O queiram nas suas vidas infelizes.
63. Nosso Senhor disse: “Não tenha medo – Eu estarei sempre com você […] Confie amorosamente em Mim – confie cegamente em Mim”.
64. Por que será que Nosso Senhor mesmo diz: “Como dói ver estas pobres criancinhas manchadas pelo pecado. […] Eles não Me conhecem – por isso não Me querem […] Como anseio por entrar nos seus buracos – seus lares escuros e tristes. Venha, seja a vítima deles. – Na sua imolação – no seu amor por Mim – eles irão Me ver – irão Me conhecer – irão Me querer […]”

Capítulo V
65. A salvação das almas, o saciar a sede de Cristo de amor e de almas, não é isto suficientemente sério?
66. São João da Cruz: “Os efeitos que estas visões (imaginativas) produzem na alma são a paz, a iluminação, uma alegria semelhante à da glória, doçura, pureza, amor, humildade, e a inclinação ou elevação da mente para Deus”.
67. “Trouxe-lhe aqui – para estar ao cuidado imediato do seu diretor espiritual. […] Obedeça-lhe em todos os pormenores, não serás enganada se obedeceres, pois ele Me pertence por completo. – Deixarei você conhecer a Minha vontade através dele”.
68. Nada é difícil para quem ama. Quem poderá ultrapassar a Deus em Sua generosidade – se nós, pobres seres humanos, Lhe entregamos tudo e submetermos todo o nosso ser ao Seu serviço? – Não – Ele não deixará de estar ao nosso lado, e conosco, porque tudo em nós será Dele.
69. A salvação das almas, o saciar a sede de Cristo de amor e de almas – não é isto suficientemente sério?
70. “A voz”. Não mudaram a minha vida. Elas me ajudaram a ter mais confiança e a me aproximar mais de Deus. Fizeram aumentar o meu desejo de ser cada vez mais a Sua criança.
71. …nada parecia tão sério a ela como “a salvação das almas, o saciar a sede de Cristo”. A sede de Jesus que se encontrava no coração do seu chamado era, em última análise, a razão suprema para prosseguir.
72. Dá-me luz. – Envia-me o Teu próprio Espírito – que me ensinará a Tua própria Vontade – que me dará forças para fazer as coisas que Te são agradáveis. Jesus, meu Jesus, não permitas que eu seja enganada. – Se és Tu que queres isto, dá provas disso, senão, permite que isto abandone minha alma.
73. Jesus, meu Jesus – sou somente Tua – sou tão ignorante – não sei o que dizer – mas faz comigo o que desejares. Não Te amo pelo que me dás, mas pelo que tiras.
74. Vais sofrer – sofrer muito – mas lembre-se de que Eu estou com você. – Mesmo que todo o mundo a rejeite – lembre-se de que você é Minha – e de que Eu somente seu. Não tenhas medo. Sou Eu.

Capítulo VI
75. Vou de livre e espontânea vontade com a bênção da obediência.
76. Ninguém pode me separar de Deus – estou consagrada e Ele e como tal desejo morrer…
77. O nosso trabalho termina aqui. … O resto é inteiramente obra de Deus e nós participamos como instrumentos. …
78. “Um instrumento Dele, e nada mais”.
79. … Estarmos realmente mortas para tudo quanto o mundo reclama como seu.
80. … – O trabalho que teremos que fazer será impossível sem a Sua contínua graça proveniente do sacrário. – Ele terá que fazer tudo. – Nós apenas teremos que segui-Lo.
81. Jesus tinha pedido “freiras cobertas com a Minha pobreza da
Cruz”.
82. No devido tempo, a resposta chegará, permaneça calma. Reze muito e viva intimamente com Nosso Senhor Jesus Cristo, pedindo por luz, forças, decisão; mas não antecipe a Obra Dele. Tente não colocar em tudo isto nada de si mesma. A senhora é instrumento Dele, e nada mais.
83. … Tenho que desaparecer por completo – se quero que Deus tenha tudo.
84. Sua riqueza, porém, estava no seu coração: uma fé inabalável em Deus e uma confiança absoluta na promessa que Ele tinha feito… “Não tenha medo – Eu estarei sempre com você […] – Confie amorosamente em Mim – confie cegamente em Mim”.

Capítulo VII
85. Ó Jesus, único amor do meu coração, desejo sofrer o que sofro e tudo o que Tu quiseres que eu sofra, por Teu puro amor, não pelos méritos que eu possa adquirir, nem pelas recompensas que Tu me prometeste, mas apenas para Te agradar, para Te louvar, para Te dar graças, tanto na dor quanto na alegria.
86. De minha livre escolha Meu Deus e por amor a Ti – desejo permanecer e fazer o que for a Tua Santa Vontade a meu respeito. – Não deixei que caísse uma só lágrima. – Mesmo que sofra mais do que agora sofro – ainda quero fazer a Tua Santa Vontade…
87. Nas minhas meditações e orações, que são atualmente tão cheias de distrações – uma coisa se destaca com grande clareza – minha fraqueza e Sua Graça. Receio tudo da minha fraqueza – mas confio cegamente na Sua Graça.
88. Jesus disse: “Em verdade vos digo, se o grão de trigo não cair na terra e não morrer, permanece sozinho. Mas se morrer dará muito fruto”.
89. O nosso trabalho é grande, mas sem penitência e muito sacrifício seria impossível.
90. “Beber o cálice até a última gota”.
91. – Beber apenas o cálice da dor Dele e dar à Santa Mãe Igreja verdadeiras santas.
92. Quanto aos sofrimentos, não precisa ir à procura deles. Deus Onipotente os proporciona diariamente: …
93. Quero ser santa, saciando a sede de Jesus de amor e de almas. …
94. A sua busca da santidade não era por motivos de auto-glorificação; ao contrário, era uma expressão da profundidade de sua relação com Deus.
95. “O amor exige sacrifícios. Mas, se amarmos até doer, Deus nos dará a Sua paz e a Sua alegria. […] Em si mesmo, o sofrimento nada é; mas o sofrimento partilhado com a Paixão de Cristo é um dom maravilhoso”.
96. … O objetivo de nossa Congregação é saciar a sede de Jesus na Cruz por amor das almas, trabalhando para a salvação e santificação dos pobres…

Capítulo VIII
97. Quero sorrir – mesmo para Jesus – e assim ocultar mesmo a Ele – se possível – a dor e a escuridão da minha alma.
98. O caminho a seguir poderá não ser sempre imediatamente claro. Reze por luz; não decida com demasiada rapidez, escute o que os outros têm a dizer, leve em consideração suas razões. Sempre encontrará alguma coisa que ajude.
99. Quando for muito difícil para você – apenas esconda-se no Sagrado Coração – onde o Meu com o seu encontrarão toda a força e o amor. Você quer sofrer em puro amor – diga antes, no amor que Ele escolher para você. – Precisa ser uma “hóstia imaculada”.
100. Apesar da noite interior, Jesus era o único centro da vida de Madre Teresa; ela O amava e queria estar unida a Ele, em especial na Sua Paixão. Um verdadeiro retrato de sua alma – não influenciada por sentimentos, mas na firme fé…
101. Você sofre muito e a sua alma está crucificada de dor – mas não é que Ele está vivendo a Sua vida na sua.
102. Você aprendeu muito. Saboreou o cálice da Sua agonia – e qual será a sua recompensa minha querida irmã? Mais sofrimento e uma semelhança mais profunda com Ele na Cruz.
103. “Lembrai-vos, ó Piíssima Virgem Maria, de que nunca se ouviu dizer que algum daqueles que tem recorrido à Vossa proteção, implorado a Vossa assistência ou reclamado o Vosso socorro fosse por Vós desamparado. Animado eu, pois, com igual confiança, a Vós Virgem entre todas singular, como a minha Mãe recorro, de Vós me valho e, gemendo sob o peso dos meus pecados, me prostro aos Vossos pés. Não desprezeis as minhas súplicas, ó Mãe do Filho de Deus Encarnado, mas dignai-Vos de as ouvir propícia, e de me alcançar o que vos rogo. Amém.
104. Não é Jesus glorificado, nem no presépio, mas na Cruz – sozinho – despido – sangrando – sofrendo – morrendo na Cruz.
105. Você ainda é uma criança e a vida é bela – mas o caminho que Ele escolheu para você é o caminho verdadeiro. – Por isso sorria – sorria à mão que lhe bate – beije a mão que está pregada na Cruz.
106. “Sagrado Coração de Jesus, eu confio em Ti – vou saciar a Tua sede de almas”.
107. O meu propósito – 1º é seguir a Jesus mais de perto nas humilhações. Com as Irmãs – amável – muito amável – mas firme na obediência. Com os pobres – gentil e atenciosa. Com os doentes – extremamente amável.
2º Sorrir para Deus. Reze por mim para que eu dê glória a Deus no primeiro e no segundo propósito.
108. “Só Deus, Deus em toda a parte, Deus em todos e em todas as coisas, Deus sempre”.
109. Santo Inácio: “O meu único anseio e desejo, a única coisa que almejo ter humildemente é a graça de amar a Deus, de amar só a Ele. Nada mais peço, além disso”.
110. “Por favor, reze por mim, pois agora mais do que nunca, compreendo quão perto de Deus devo chegar se quero levar almas a Ele”.
111. Desde que a escuridão se instalara, abafando o sentimento da presença de Jesus, Madre Teresa O vinha reconhecendo no disfarce angustiante dos pobres: “Quando atravesso as favelas ou entro nos buracos escuros onde vivem os pobres – lá Nosso Senhor está sempre verdadeiramente presente”.
112. – Reze por mim, por favor, para que eu continue sorrindo-Lhe apesar de tudo. Pois sou apenas Dele – então Ele tem todos os direitos sobre mim. Sou perfeitamente feliz por não ser ninguém nem mesmo para Deus.
113. Quero ser uma santa de acordo com o Seu Coração manso e humilde…
114. Quero sorrir – mesmo para Jesus – e assim ocultar mesmo a Ele – se possível – a dor e a escuridão da minha alma.
115. Apesar de tudo isso – sou a Sua pequena – e O amo, não por aquilo que Ele dá – mas por aquilo que tira.
116. “Não vale a pena passar por todos os sofrimentos possíveis, por uma só alma?” e “oferecer tudo – só por essa pessoa – porque essa levará grande alegria ao Coração de Jesus”.
117. Por favor, peça a Nossa Senhora que seja minha Mãe nesta escuridão.
118. Madre Teresa não gostava do sofrimento em si; na verdade, achava-o quase insuportável. Mas apreciava a oportunidade que assim lhe era concedida de estar unida a Jesus na Cruz e de demonstrar o amor que tinha por Ele.
119. A Congregação vive com a vida Dele – trabalha com o Seu poder.
120. O sorriso é uma grande capa que encobre uma multidão de dores.
121. Por favor, peça a nossa Senhora que me mantenha perto Dela para que eu não perca o caminho nesta escuridão.
122. O que realmente lhe importava era o fato de amar a Deus, quer Ele lhe concedesse o consolo e a alegria de sentir a Sua presença ou não. E Cristo preferia uni-la, como a unira a Sua Mãe, Sua sofrida Mãe, à “terrível sede” que Ele próprio sentira na Cruz.

Capítulo IX
123. O que estás fazendo, Meu Deus, a alguém tão pequeno?
124. Através de ti, Ó Mãe de Deus, ofereço o meu abandono absoluto à Santa Vontade de Deus agora, aceitando esta nomeação com fé amor e alegria. – Faz comigo tudo o que quiseres – estou a Tua disposição. Teu pronto instrumento.
125. Que maravilhoso é Deus no Seu simples e infinito amor.
125. A escuridão – a solidão e a dor – a perda e o vazio – da fé – do amor – da confiança – são o que tenho e os ofereço com toda a simplicidade a Deus…
126. Na escuridão… Senhor, meu Deus, quem sou eu para que Tu me abandones? Sou a criança do Teu amor – e agora se tornou a mais odiada – aquela que jogaste fora como indesejada – como não amada. Eu chamo, agarro-me, quero – e não há Ninguém. – Sozinha. A escuridão é tão escura – e eu estou sozinha. – Indesejada, abandonada. – A solidão do coração que quer amor é insuportável. Onde está a minha fé? – Mesmo lá no fundo, bem lá dentro, não há nada a não ser vazio e escuridão. – Meu Deus – que dolorosa é esta dor desconhecida. Dói sem cessar. – Não tenho fé. – Não me atrevo a proferir as palavras e os pensamentos que povoam o meu coração – e me fazem sofrer uma agonia inexpressável. Tantas perguntas sem resposta vivem dentro de mim – temo trazê-las à luz – por causa da blasfêmia. Se houver Deus, por favor, perdoa-me. – Confiança que tudo acaba no Céu com Jesus. – Quando tento elevar o pensamento para o Céu – há um vazio tão acusador que esses mesmos pensamentos regressam como punhais afiados e ferem a minha própria alma. Amor – a palavra – nada traz. Dizem-me que Deus me ama – e – contudo – a realidade da escuridão e da frieza e do vazio é tão grande que nada foca a minha alma.
Ante de iniciar a obra – havia tanta união – amor – fé – confiança – oração sacrifício. – Terei cometido um erro ao submeter-me cegamente ao chamado do Sagrado Coração? O trabalho não é uma dúvida – porque estou convencida de que é Dele e não meu. – Não sinto – nem um único simples pensamento ou tentação entra no meu coração para me apropriar coisa alguma do trabalho.
O tempo todo sorrindo – as pessoas fazem tais comentários. – Acham que a minha fé, confiança e amor enchem o meu próprio ser e que a intimidade com Deus e a união à Sua vontade devem estar absorvendo o meu coração. – Se eles soubessem – e como minha alegria é a capa com a qual cubro o vazio e a miséria.
Apesar de tudo – esta escuridão e este vazio não são tão dolorosos como a ânsia por Deus. – Temo que a contradição irá me desequilibrar. O que estás Tu fazendo meu Deus a alguém tão pequeno? Quando me pediste para imprimir a Tua Paixão no meu coração – é esta a resposta?
Se isto Te traz glória, se Tu obténs uma gota de alegria com isto – se as almas são levadas a Ti – que se o meu sofrimento saciar a Tua Sede – aqui estou Senhor, com alegria aceito tudo até ao final da vida – e sorrirei à Tua Face Oculta – sempre.
127. … O seu sorriso radiante escondia um abismo de dor, ocultava um Calvário interior.
128. “Você sofrerá e já sofre – mas se for a minha pequena Esposa – a Esposa de Jesus Crucificado – terá que suportar estes tormentos em seu coração”.
129. Madre Teresa limitava-se a aceitar a viver, em silêncio, o mistério da Cruz que Cristo a chamava a compartilhar.
130. Seja boa, seja santa – se anime. Não permita que o demônio leve o melhor de você. Sabe o que Jesus e a madre esperam de você. – Apenas fique alegre. Irradie Cristo…
131. – Olhe para a Face Daquele que a ama.
132. Algumas vezes me pego dizendo “Não agüento mais” e, com o mesmo alento, digo “Desculpa, faz comigo o que quiseres”.
133. Tenho muitas coisas a aprender e isso leva tempo.
134. Apesar de tudo quero amar a Deus por aquilo que Ele tira. – Ele destruiu tudo em mim.
135. Dizem que as pessoas no inferno sofrem uma dor eterna devido à perda de Deus – que passariam por todo esse sofrimento se apenas tivessem uma pequena esperança do possuir a Deus.
136. Esta escuridão que me rodeia por todos os lados – não posso elevar a minha alma para Deus – nem luz nem inspiração alguma entram em minha alma.
137. No meu coração não há fé – nem amor nem confiança – há tanta dor – a dor do anseio, a dor de não ser querida. Quero a Deus com toda a força de minha alma – porém, aí entre nós – há esta separação terrível.
138. – Já não rezo mais – A minha alma não é ‘uma’ Contigo – contudo, quando sozinha pelas ruas – falo Contigo durante horas – de meu anseio por Ti.
139. Fizeste comigo segundo a Tua vontade – e Jesus ouve a minha oração – se isto te agrada – se a minha dor e o meu sofrimento – a minha escuridão e a minha separação Te dão uma gota de consolo – meu Jesus, faz comigo o que quiseres – quando quiseres, sem nem sequer um olhar para os meus sofrimentos e a minha dor. Sou tua. – Imprime na minha alma a na minha vida os sofrimentos do Teu Coração.
140. A única coisa que almejava era a Sua (Jesus) felicidade; queria saciar a Sua sede com cada gota de seu sangue. E estava disposta a esperar, se necessário fosse, por toda a eternidade por Aquele em Quem acreditava, mas que sentia não existir, por Aquele a Quem amava mas Cujo amor não percebia.
141. Amei-O cegamente, totalmente, somente. Uso todo o poder em mim mesma – apesar dos meus sentimentos, para fazer que Ele seja pessoalmente amado – pelas irmãs e pelos outros. Vou deixá-Lo ter toda a liberdade comigo e em mim.
142. Sejam amáveis umas com as outras. – Prefiro que cometam erros com amabilidade – do que façam milagres com indelicadeza. Sejam amáveis em palavras. – Vejam o que amabilidade de Nossa Senhora trouxe para ela, vejam como ela falava. – Poderia facilmente ter revelado a São José a mensagem do Anjo – mas não disse uma palavra. – E então Deus mesmo interveio. Guardou todas aquelas coisas em seu coração. – Quem nos dera podermos guardar todas as nossas palavras no coração dela. Tanto sofrimento – tantos mal-entendidos e por quê? Só por uma palavra – um olhar – uma ação fortuita – e a escuridão preenche o coração de sua irmã. Peçam a Nossa Senhora durante esta novena que encha os seus corações de doçura.
143. Madre Teresa esforçava-se por ter um sorriso imediato, uma palavra amável, um gesto acolhedor para com todos.
144. Reze por mim – para que eu possa manter o sorriso de dar sem reservas. Reze para que eu possa encontrar coragem para caminhar corajosamente e com um sorriso. Peça a Jesus que não me permita recusar-Lhe coisa alguma por menor que seja – prefiro morrer.
145. O amor prova-se com obras; quanto mais nos custam, maior é a prova do nosso amor.

Capítulo X
146. Pela primeira vez… cheguei a amar a escuridão – pois estou agora convencida de que é uma parte, uma parte muito, muito pequena da escuridão e da dor de Jesus neste mundo.
147. A escuridão é tal, que realmente não vejo nada – nem com a mente nem com a razão. – O lugar de Deus na minha alma é um espaço vazio. – Não há Deus em mim – Quanta dor da ânsia é tão grande – só anseio e anseio por Deus – e é então que sinto – que Ele não me quer – que Ele não esta ali. Céu – almas são meras palavras – que nada significam para mim.
148. Anseio por Deus – quero amá-Lo – amá-Lo muito- viver apenas por amor e Ele – só amar – porém não há senão dor – anseio sem amor algum.
149. Quando fora – no trabalho – ou quando estou com pessoas – há uma presença – de alguém que vive muito perto – em mim mesma. – Não sei o que é isto – mas é muito freqüente e mesmo diário – esse amor de Deus em mim torna-se mais real. – Me pego dizendo a Jesus inconscientemente – estranhas palavras de amor.
150. Ensina-me a amar a Deus – ensina-me a amá-Lo muito. … Quero amar a Deus a Deus como o que Ele é para mim, “meu Pai”.
151. O meu coração e a minha alma e o meu corpo pertencem só a Deus.
152. Que Ele faça comigo o que quiser, como Ele quiser, por quanto tempo quiser. Se a minha escuridão é luz para alguma alma – mesmo se não for nada para ninguém – sou perfeitamente feliz – em ser flor do campo de Deus.
153. … Cheguei a amar a escuridão. – Pois agora acredito que é parte, uma parte muito, muito pequena da escuridão e da dor de Jesus neste mundo.
154. Quem sabe mais a cerca da água viva, a pessoa que abre a torneira todos os dias sem pensar muito no assunto, ou o viajante do deserto, torturado pela sede, que busca uma fonte de água?
155. “Deixa-me compartilhar contigo a Sua dor”.
156. “Um caloroso ‘Sim’ a Deus e um grande sorriso para todos”.
157. Continuem sorrindo – Rezem juntos – e Jesus irá sempre encher o coração de vocês com o Seu amor – um pelo outro.
158. São João da Cruz: “Quando a noite do espírito é essencialmente purificadora, sob a influência da graça, que se exerce principalmente pelo dom da compreensão, as virtudes teológicas e a humildade são purificadas de todo o lastro humano. … Assim purificada, a alma pode passar para além da fórmulas dos mistérios e entrar “nas profundezas de Deus”, como diz São Paulo (1Cor 2, 10). Então, apesar de todas as tentações contra a fé e a esperança, a alma acredita firmemente, por um ato direto e da forma mais pura e sublime, que ultrapassa a tentação; e acredita pelo motivo mais puro que se pode atingir sobrenaturalmente: a autoridade de Deus que revela. E também espera, pela simples razão de que Ele é sempre bom, a Misericórdia infinita. E ama-O na mais completa aridez, por que Ele é infinitamente melhor em Si mesmo do que todos os dons que pudesse nos conceder. Quando esta provação é essencialmente reparadora, quando tem como fim principal fazer com que a alma já purificada trabalhe pela salvação do próximo, então preserva as mesmas características elevadas atrás descritas, mas assume outro caráter, que recorda com mais precisão os sofrimentos íntimos de Jesus e de Maria, que não precisam ser purificados”.
159. “Sim” e “Sorriso”.
160. Madre Teresa tinha chegado a um ponto em que era capaz de se alegrar como os seus sofrimentos e de repetir as palavras de São Paulo: “Alegro-me nos sofrimentos suportados por vossa causa e completo na minha carne o que falta aos sofrimentos de Cristo pelo Seu Corpo, que é Igreja” (Col 1, 24).
161. Tentem aprofundar o seu conhecimento deste Mistério da Redenção. – Este conhecimento as conduzirá ao amor – e o amor as fará compartilhar através dos seus sacrifícios na Paixão de Cristo.
162. “Desejo viver neste mundo que está tão longe de Deus, que se afastou tanto da luz de Jesus, para ajudá-los – para tomar sobre mim um tanto do sofrimento deles”.
163. “O que disse Jesus, que carregássemos a cruz na frente Dele ou que O seguíssemos?” Com um grande sorriso, ela olhou para mim e respondeu: “Que O seguíssemos”. Então eu perguntei: “Por que tenta ir à frente Dele?”…
164. – Porque a escuridão é tão escura, a dor é tão dolorosa. Às vezes, o aperto da dor é tão grande – que eu posso ouvir a minha própria voz clamando – Meu Deus, ajuda-me.
165. Quanto maior for a dor e quanto mais escura for a escuridão mais doce será o meu sorriso para Deus.
166. Mas, como testemunhará o seu Amor, já que o Amor se prova com as obras? Pois bem, a criancinha lançará flores, perfumará com os seus aromas o trono real, e cantará com a sua voz prateada o Cântico dos Cânticos. Sim, meu Bem-Amado! Assim se consumirá a minha vida. Não tenho outro meio de Te provar o meu amor, senão o de lançar flores, isto é, não deixar escapar nenhum pequeno sacrifício, nenhum olhar, nenhuma palavra; aproveitar todas as mais pequenas coisas e fazê-las por amor. Quero sofrer por amor e gozar por amor. Assim lançarei flores diante do teu trono. Não encontrarei nenhuma sem desfolhar para Ti. E depois, ao laçar as minhas flores, cantarei…, mesmo quando tiver de colher as minhas flores no meio de espinhos; e o meu cantar será tanto mais melodioso quanto maiores e mais agudos forem aos espinhos (Santa Teresa do Menino Jesus e da Santa Face).
167. … Não estou sozinha. – Tenho a escuridão Dele – tenho a dor Dele – tenho este anseio terrível por Deus – de amar e não ser amada.
168. A escuridão não era apenas a escuridão “dela”, era a “escuridão Dele”; ela estava compartilhando a “dor Dele”. Com base na pura fé, sabia que se encontrava em um estado de “união inquebrantável” com Ele, porque percebia que tinha os pensamentos “fixados Nele e apenas Nele”. Estava firmemente unida a Jesus por sua vontade, embora a única coisa que ela sentia dessa “união inquebrantável” fosse a Sua agonia, a Sua Cruz.
169. Jesus, aceito tudo aquilo que deres – e dou-Te tudo aquilo que tirares. – Não há sentido nas minhas palavras, mas tenho certeza de que Ele entenderá.
170. “Toma tudo aquilo que Ele der e dá tudo aquilo que Ele tirar com um grande sorriso”.
171. “Dê a Jesus toda a liberdade e permita que Ele lhe use sem consultar-lhe”.
172. … A minha mente – o meu coração – todos os meus pensamentos e sentimentos parecem estar muito longe – tão longe que eu não sei onde estão, mas quando me recomponho descubro que estão com Deus.
173. Considerando-se incapaz de “chegar” a Deus, continuava alegrando-se por poder ajudar a outros a aproximar-se Dele.
174. Quanto a mim, tenho apenas a alegria de nada ter – nem sequer a realidade da Presença de Deus. – Nem oração, nem amor – nem fé – nada a não ser a dor contínua de ansiar por Deus.
175. … Madre Teresa chegava mesmo a tirar alegria espiritual de sua provação interior: a alegria dela era “a alegria de nada ter”, da “pobreza absoluta’, da pobreza da Cruz”…
176. Vocês devem estar no mundo, mas, não ser do mundo. A luz que dão deve ser tão pura, o amor com que amam deve ser tão ardente – a fé com que crêem deve ser tão convincente – que ao vê-los, eles realmente vejam apenas Jesus. O apostolado de vocês é belíssimo – dar Jesus. Mas só podem dá-Lo – somente se tiverem se rendido por completo a Ele.
177. Mantenha-se perto de Jesus com um rosto sorridente.
178. Santa Margarida Maria: – O seu amor por Jesus deu-me um anseio tão doloroso de amar como ela O amava. Que frio – que vazio – que dolorido está o meu coração. A Sagrada Comunhão – a Santa Missa – todas as coisas santas da vida espiritual – da vida de Cristo em mim – são todas vazias – tão frias – tão indesejadas.
179. A escuridão interior conferia a Madre Teresa a capacidade de compreender os sentimentos dos pobres. “O maior de todos os males é a falta de amor e caridade, a terrível indiferença em relação ao próximo que vive a beira da estrada, assaltado pela exploração, pela corrupção, pela pobreza e pela doença”, diria mais tarde.
180. Jesus foi enviado pelo Pai aos pobres e para ser capaz de compreender os pobres, Jesus teve que conhecer e experimentar essa pobreza no Seu próprio Corpo e na Sua Alma. Também nós devemos experimentar a pobreza se quisermos ser verdadeiras portadoras do amor de Deus. Para sermos capazes de proclamar a Boa Nova aos pobres devemos saber o que é pobreza.
181. O sofrimento de Madre Teresa era no nível mais profundo possível: o de sua relação com Deus. E, no seu zelo pela salvação dos outros, estava totalmente disposta a abraçar por completo esse sofrimento, para que os pobres que amava experimentassem toda a medida do amor de Deus. Consequentemente, a escuridão veio a ser a sua maior bênção: o seu “mais profundo segredo” era, na realidade, o seu maior dom.

Capítulo XI
182. Estou disposta aceitar tudo aquilo que Ele der e a dar tudo aquilo que Ele tirar, com um grande sorriso.
183. As suas dificuldades e as minhas – devemos oferecê-las a Jesus pelas almas. … Sei que quero, com todo o meu coração, o que Ele quiser, como Ele quiser e enquanto Ele quiser.
184. … A sua maneira de seguir Jesus na escuridão: “Só me resta fazer uma coisa, seguir de perto os passos do meu dono, como um cãozinho. Reze para que eu seja um cãozinho alegre”.
185. Com freqüência pergunto-me o que realmente Deus obtém de mim neste estado – sem fé, sem amor – nem sequer em sentimentos.
186. Madre Teresa tinha fé, uma fé bíblica, uma fé cega, uma fé que fora posta à prova e testada na fornalha do sofrimento e que abria cominho em direção a Ele através da escuridão.
187. – Eu simplesmente abro o meu coração – e Ele fala.
188. Pergunto-me o que Jesus vai me tirar por eles, uma vez que já me tirou tudo pelas irmãs. Estou disposta a aceitar tudo o que Ele me der e dar tudo o que Ele tirar com um grande sorriso.
189. “Dar toda a liberdade a Jesus” continuava sendo a medida da sua auto-entrega.
190. Dia após dia – repito a mesma coisa – talvez apenas com os meus lábios – “Faz-me sentir o que Tu sentiste. Faz-me compartilhar Contigo a Tua dor”. Quero estar à disposição Dele.
191. Ao longo de toda a Quaresma e, na realidade, ao longo de sua vida como Missionária da Caridade, a oração de Madre Teresa estava sendo respondida; “Faz-me sentir o que Tu sentistes. Faz-me compartilhar Contigo a Tua dor”. Não estava ela experimentando a agonia de Jesus e a agonia dos pobres também?
192. “Viva a sua vida de amor a Jesus com grande alegria – porque o que você tem é presente Dele – use tudo para maior glória do Seu nome, … Mantenha-se perto de Jesus sempre com um rosto sorridente – para que – possa aceitar tudo quanto Ele der e der tudo que Ele tirar”.
193. Aceito não com os meus sentimentos – mas com a minha vontade, a Vontade de Deus. – Aceito a Sua vontade – não só por um tempo, mas por toda eternidade. Na minha alma – não sou capaz de dizer – como está escuro, como é doloroso, como é terrível. – Os meus sentimentos são muito traiçoeiros. – Tenho a sensação de “recusar a Deus” e, contudo, o pior e mais difícil de suportar – é este terrível anseio por Deus.
194. – Não me queixarei. – Aceito Sua Santa Vontade tal como ela vem a mim.
195. “O pior e o mais difícil de suportar”, insistia Madre Teresa, era “este terrível anseio por Deus”. Ainda mais dolorosa do que a própria escuridão era esta sede de Deus. Na realidade, estava experimentando algo da sede de Jesus na Cruz,…
196. Essa sede “terrível” de Deus exprimia-se em uma ardente sede de almas, em especial das almas dos mais pobres dos pobres.
197. Quanto dano o pecado pode fazer. Que mundo terrível é este – sem o amor de Cristo.
198. “Terrível é o ódio quando começa a tocar os seres humanos”.
199. … A Madre via o ódio em ação e buscava permanentemente formas de substituí-lo pelo amor.
200. Só Deus pode pedir sacrifícios como estes.
201. Reze por mim – porque a vida dentro de mim está mais difícil de viver. Estar enamorada e – contudo – não amar, viver de fé e – contudo – não acreditar. Gastar-me por completo e – contudo – estar em total escuridão.
202. Não sei o que sentem as outras pessoas – mas eu amo as minhas Irmãs como a Jesus – com todo o meu coração, a minha alma e a minha mente e as minhas forças.
203. Madre Teresa reconhecia que a escuridão em que vivia era o preço a pagar por acender “o fogo do amor”.
204. Acontece com freqüência que aqueles que passam o tempo dando luz aos outros permanecem, eles próprios, na escuridão.
205. – Se há inferno – Este deve ser um. Que terrível é estar sem Deus – nem oração – nem fé – nem amor.
206. E contudo… Quero ser-Lhe fiel – quero esgotar-me por Ele, quero amá-Lo não por aquilo que Ele dá, mas por aquilo que tira – quero estar à Sua disposição. – Não Lhe peço que mude a Sua atitude para comigo ao os planos para mim. – Peço-Lhe apenas que me use…
207. “Que terrível é estar sem Deus”, … E, ainda mais terrível era para ela – que tinha estado tão perto Dele – ter, por assim dizer, perdido por completo o senso de Sua presença.
208. Na Encarnação, Jesus tornou-Se igual a nós em todas as coisas exceto no pecado; mas no momento da Paixão, tornou-se pecado. – Tomou sobre Si os nossos pecados e é por isso que foi rejeitado pelo Pai. Eu penso que esse foi o maior de todos os sofrimentos por que Ele teve de passar e aquilo que mais temia na agonia do Jardim. Essas Suas palavras na Cruz foram uma expressão da profundidade da Sua solidão e da Sua Paixão – que até mesmo o Seu próprio Pai não o reconheceu como Seu Filho. Que, apesar de todos os seus sofrimentos e angústia, Seu Pai não O reconheceu como Seu Filho amado, como tinha feito no Batismo por São João Batista e na Transfiguração. E podemos perguntar: Por quê? Porque Deus não pode aceitar o pecado e Jesus tinha tomado sobre Si – tinha-se tornado pecado.
209. “Venha, venha, salva-nos – leve-nos a Jesus. Ao abraçar a escuridão em que viviam, Madre Teresa os estava levando para a luz – Jesus”.
210. “Importa que Ele cresça e que eu diminua” (Jo 3, 30).
211. O calor aqui é simplesmente abrasador. – Uma grande consolação para mim – já que não posso arder com o amor de Deus – pelo menos deixe-me arder com o calor de Deus – e assim, desfruto do calor.
212. “Quero fazer a Sua Santa Vontade – Isso é tudo. Ainda que mal a compreenda”.
213. … Minha alma esta vazia – mas não tenho medo. – Ele fez maravilhas por mim – Santo é o Seu nome.
214. – Como minha alma anseia por Deus – e apenas por Ele, como é doloroso estar sem Ele.
215. – Como crescer na “profunda união pessoal do coração humano com o Coração de Cristo? Desde a infância que o Coração de Jesus é meu primeiro amor.
216. Jesus foi o primeiro amor de Madre Teresa e o seu único amor, em uma relação que foi se tornando mais intensa em cada período de sua vida. Seu coração seria atraído com singular intensidade para o Coração de Cristo até o dia de sua morte. Uma das melhores descrições de Madre Teresa a apresenta como uma mulher “totalmente, apaixonadamente, loucamente enamorada de Jesus”.
217. “O insulto despedaçou-me o coração e tornou-o incurável; esperei compaixão, mas em vão, alguém que me consolasse, mas não encontrei” (Sl 68, 21).
218. Diga a Jesus: “Eu serei esse ‘alguém’”. Irei reconfortá-Lo, encorajá-Lo e amá-Lo. Fique com Jesus. Ele rezou e rezou, e depois foi procurar consolo, mas não encontrou nenhum. Eu escrevo sempre esta frase: ‘Procurei alguém que Me consolasse, mas não encontrei ninguém’.
219. Seja esse alguém. … Seja esse alguém que saciará a Sede.
220. Sim, bastaria que voltássemos ao espírito de Cristo – bastaria que vivêssemos a vida eucarística, bastaria que percebêssemos o que é o Corpo de Cristo – não haveria tanto sofrimento – tanto do que temos hoje. – A Paixão de Cristo está sendo revivida mais uma vez em toda a sua realidade – Devemos rezar muito pela Igreja – a Igreja no Mundo – e o mundo na Igreja.
221. Estamos aqui para ir para lá – para casa junto de Deus – e lá não há infidelidade, mas apenas Shanti (paz) – uma verdadeira “Shanti Nagar” (Cidade da Paz).
222. … Nós mais e mais devemos ser Sua Luz – Seu caminho – Sua vida – Seu amor nas favelas.
223. Quero amá-lo como Ele nunca foi amado antes – com um amor terno, pessoal e íntimo.
224. Tenho um anseio tão profundo por Deus e pela morte. … Reze por mim para que eu use a alegria do Senhor como minha força.
225. Sofria imensamente ao ver os sofrimentos daqueles que amava, mas continuava salientando o valor e o sentido do sofrimento humano como forma de compartilhar a Paixão de Jesus.
226. Mantenham a luz da fé sempre acesa – pois só Jesus é o caminho que conduz ao Pai. Só Ele é a vida que habita no nosso coração. Só Ele é a luz que ilumina e escuridão. Não tenham medo, Cristo não nos enganará.
227. As palavras de Jesus no Evangelho de São Mateus – “o que fizestes ao mais pequenino… a Mim o fizestes – eram o rocha sobre a qual assentavam as suas convicções.
228. … Cristo não pode nos enganar. – Por isso tudo o que fizermos ao menor – é a Ele que fazemos. Que a alegria do Senhor seja a sua força. Porque só Ele é o caminho que vale a pena seguir, a luz que vale a pena acender, a vida que vale a pena viver – e o amor que vale a pena amar.

Capítulo XII
229. “Deus usa o que é nada para mostrar a Sua grandeza”.
230. Eu me maravilho com a Sua imensa humildade e a minha pequenez – o meu nada. Acredito que é aqui que Jesus e eu nos encontramos. – Ele é tudo para mim – e eu – a Sua pequenina – tão incapaz – tão vazia – tão pequena.
231. Só Jesus pode abaixar-Se tanto para enamorar-se de alguém como eu.
232. … Me maravilho com a Sua imensa humildade e minha pequenez – o meu nada. – Acredito que é aqui que Jesus e eu nos encontramos. – Ele é tudo para mim – e eu – a Sua pequenina – tão indefesa – tão vazia – tão pequena.
233. O Seu jeito é tão bonito – em pensar que temos a Deus Onipotente se inclinando tão baixo para amar a você e a mim e fazer uso de nós – e nos faz sentir que Ele realmente precisa de nós. – À medida que vou envelhecendo a minha admiração de Sua humildade vai aumentando mais e mais e O amo não por aquilo que Ele dá – mas por aquilo que Ele é – o Pão da Vida – o Faminto.
234. Ela fazia tudo como dizia: “Devemos mantê-Lo continuamente nos nossos corações e nas nossas mentes”.
235. Só quando percebemos o nosso nada, o nosso nada, o nosso vazio, é que Deus pode nos encher com Ele mesmo. Quando nos tornamos cheios de Deus então podemos dar Deus aos outros, porque da plenitude do coração fala a boca.
236. … Quero amar Jesus com o amor de Maria, e ao Pai com o amor de Jesus.
237. Tire os seus olhos de si mesmo e alegre-se por não ter nada – por não ser nada – por não poder fazer nada. Dê a Jesus um grande sorriso – cada vez que o seu nada o assustar.
238. Esta é a pobreza de Jesus. O senhor e eu devemos permitir-Lhe viver em nós e através de nós no mundo.
239. Agarre-se a Nossa Senhora – pois ela também – antes de poder se tornar cheia de graça – cheia de Jesus – teve que passar por essa escuridão. “Como pode ser isso?” – Mas no momento em que disse “Sim”, teve necessidade de ir apressadamente dar Jesus a João e à família dele.
Continue dando Jesus ao seu povo não pelas palavras, mas pelo seu exemplo – por estar enamorado de Jesus – por irradiar a santidade Dele e espalhar Sua fragrância de amor onde quer que o senhor vá.
Apenas mantenha a alegria de Jesus como sua força. Seja feliz e esteja em paz. Aceite tudo aquilo que Ele der – e dê tudo aquilo que Ele tirar com um grande sorriso. – O senhor pertence a Ele – diga-Lhe sou Teu e se me cortares em pedaços, cada um desses pedaços será somente e todo Teu.
240. Mantenha a luz, Jesus, acesa em você com o óleo de sua vida. As dores que você tem nas costas – a pobreza que sente são gotas de óleo que mantêm a luz, Jesus, acesa e afastam a escuridão do pecado – onde quer você vá. Não faça nada que leve a aumentar a dor – mas aceite com um grande sorriso o pouco que Ele lhe dá com grande amor.
241. A impressão que eu tinha era a de que estava lidando com uma mulher que, de alguma forma, via Deus e sentia Deus no sofrimento dos pobres, uma mulher que tinha uma fé imensa na luz e na escuridão.
242. … Isso é a santidade – fazer a vontade Dele com um grande sorriso.
243. Ainda bem que a Cruz nos leva ao Calvário e não a uma sala de estar. – A Cruz – o Calvário foi muito real durante algum tempo.
244. Jesus deu-me uma graça muito grande – aceitar tudo com um grande sorriso.
245. – Começo a aprender mais e mais porque Jesus quer que aprendamos com Ele a ser mansos e humildes de coração. Porque sem a mansidão nunca seremos capazes de aceitar os outros nem de amar os outros como Ele ama. – Então, antes de aprendermos a humildade, sem a qual não podemos amar a Deus – temos que aprender a amar-nos uns aos outros. Precisamos da mansidão e da humildade para poder comer o Pão da Vida.
246. … Peço-Lhe que diga a Jesus – quando pelas suas palavras o Pão se transforma no Seu Corpo e o vinho se transforma no Seu Sangue – que mude o meu coração – que me dê o Seu próprio Coração – para que eu possa amá-Lo como Ele me ama.
247. – Eu devo ser capaz de dar só Jesus ao mundo. As pessoas estão famintas de Deus. Que encontro terrível teríamos com o próximo se apenas lhe déssemos a nós mesmos.
248. “Os nossos sofrimentos, suportados como devem sê-lo, são, pois, como dissemos, beijos dados ao nosso Jesus Crucificado. Mas o sofrimento também é o beijo de Jesus Crucificado em nossa alma. As almas comuns nada mais costumam ver no sofrimento do que um castigo de Deus, uma prova da Sua injustiça ou do Seu desagrado. A alma generosa, pelo contrário, encontra no sofrimento uma prova do amor de Deus por ela, não vendo a cruz despida, mas vendo Jesus Crucificado nela, Jesus que a abraça com amor e que dela, espera, em troca, um assentimento generoso e amoroso. … A mim, a única coisa que me faz sofrer é Cruz de Jesus. Os beijos de Jesus à minha alma – por muito estranho que isso possa parecer – são os numerosos sofrimentos minúsculos da minha vida diária”.
249. A dor, o sofrimento, a solidão são “um beijo de Jesus” – um sinal de que você chegou tão perto de Jesus que Ele pode beijá-la.
250. O sofrimento, a dor, o fracasso – nada mais são do que um beijo de Jesus, um sinal de que você chegou tão perto de Jesus na Cruz que Ele pode beijá-la(lo).
251. Maior amor nem sequer Deus poderia dar do que o de entregar a Si Mesmo como o Pão da Vida.
252. A grandeza da humildade de Deus. Realmente não há amor maior – amor maior do que o amor de Cristo. – Estou certa de que o senhor deve sentir com freqüência o mesmo quando – às suas palavras – nas suas mãos – o pão se transforma no Sangue de Cristo. – Que grande deve ser o seu amor por Cristo. – Não há amor maior – do que o amor do sacerdote por Cristo seu Senhor e seu Deus.
253. “Não temos o direito de recusar nossa vida aos outros, nos quais contatamos com Cristo”.
254. “Ela nunca pensava em si própria, mas sempre pensava nos outros. ‘Deixem que as pessoas a devorem’. A Madre viveu essa frase plenamente até ao final de sua vida”.
255. Sim, quero ser pobre como Jesus – que sendo rico se fez pobre por amor a nós. … Não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim.
256. “Estou Crucificado com Cristo! Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé do Filho de Deus, que me amou e Se entregou por mim”, escreveu São Paulo, em palavras que descrevem, apropriadamente, a realidade da união de Madre Teresa com Deus: Cristo estava, de fato, vivendo e agindo nela, espalhando o Seu amor pelo mundo.
257. – Que Jesus faça o que quiser sem me consultar, porque eu pertenço a Ele.
258. Como podia sofrer tanto e não se quebrar, ela que olhava e escutava, mas nem via nem ouvia Aquele que procurava? Apenas havia silêncio e escuridão para tornar a sua escuridão dolorosa e assustadora. No entanto, apesar de se sentir, “indefesa”, era verdadeiramente “ousada”, porque estava mais decidida do que nunca a dar-Lhe “toda a liberdade”.
259. A Madre sempre nos disse: “Deus ama a quem dá com alegria. Se não vamos às pessoas com uma cara alegre, apenas aumentamos sua escuridão e suas misérias e suas aflições

23º Encontro de Casais com Cristo – 1ª Etapa

Os Princípios da Espiritualidade do ECC
Doação – Pobreza – Simplicidade – Alegria – Oração – Fraternidade, Gratuidade e Missionariedade
Organizado por Pe. Inácio José Schuster

 

Vida com Deus
ESPIRITUALIDADE? O que é isto?
A busca da espiritualidade deve nos ajudar a ser cada vez mais livres e senhores dos nossos instintos
Frei Patrício Sciadini, ocd

Uma das palavras mais usadas nestes últimos tempos é espiritualidade, porque nos faz muita falta para o equilíbrio de nossa vida. Dizem os psicólogos que quando se fala muito de uma coisa é porque não a possuímos e, portanto somos carentes do que falamos. Não sei se esta teoria está certa, não é minha especialidade. O que posso dizer é que a espiritualidade não é uma teoria que preenche o coração de ninguém. Para que a espiritualidade se torne algo de pessoal e de amado deve sair do papel e do campo das ideias e se fazer vida. Somente quem vive olhando para o alto, não se deixando escravizar pelas coisas da terra pode lentamente tornar-se uma pessoa espiritual. Devemos evitar o espiritualismo que nos impede de compreender que a ação é o caminho certo de toda forma de espiritualidade.
Se um dia você tiver a oportunidade de visitar uma livraria do aeroporto ou rodoviária ou qualquer outra livraria você fica espantado em ver tantos livros que são denominados de espiritualidade, mas que na verdade não passam de pequenas e às vezes insignificantes orientações emocionais e psicológicas que não atingem o verdadeiro sentido da vida. No respeito para todos estes autores que fazem um bem imenso aos que leem, discordo de tudo isto porque me parece que não pode existir uma autêntica espiritualidade sem uma referência explícita a determinados valores fundamentais como a defesa da vida, da paz, dos direitos humanos.
A liberdade e o caminho espiritual
A busca da espiritualidade não pode prejudicar a ninguém, mas deve nos ajudar a ser cada vez mais livres da matéria e senhores dos nossos instintos. A verdadeira espiritualidade é fruto de uma luta corajosa, forte, onde ficamos feridos, arranhados e sangrando, mas não desistimos da luta. Um dos textos que mais me ajudam como aprender a verdadeira e autêntica espiritualidade é a carta de São Paulo aos Gálatas. Ele nos recorda a beleza da nossa vocação, deste caminho espiritual que devemos percorrer e que devemos sempre ter presente na vida. “Fostes chamados para a liberdade”. Somente quem busca a autêntica liberdade se aventura no caminho espiritual.
A liberdade não é como normalmente se entende dentro da linguagem das pessoas no dia a dia. Livre é quem faz o que quer e como bem entende. Há muitos autores que dizem: tenho o direito de ser feliz e de buscar a minha felicidade e realização, portanto até que não encontre vou buscando, não importa se isto me faz romper os laços da família, do amor, dos compromissos do matrimônio ou do relacionamento familiar, o que vale é a minha felicidade. Na verdade nunca seremos felizes se nos deixarmos dominar pelo egoísmo que está em nós. A liberdade é um sonho duro a ser conquistado e que vai exigindo muito de nós. Esta liberdade nos leva à verdadeira espiritualidade do amor. Mais reflito sobre o amor e menos sei, e, no entanto me parece que com os anos que vão chegando o compreendo mais. Mesmo quem sabe por que a memória dos fracassos me faz ver em outra perspectiva o mesmo amor que devo conquistar.
Perceber a necessidade do amor para viver uma dimensão de vida que não pode ser “espiritualização” de nada, mas sim somente espiritualidade autêntica e vital. Será o mesmo Paulo que vai apresentando uma lista interminável de frutos da carne. São 15 nomeados e outros que ele não nomeia. E todos são causas de perturbações que nos afastam do valor fundamental da vida. Há quem acha que viver a feitiçaria ou espiritualismo é espiritualidade, ou quem vive até rancores e domínio dos outros… Pensa que para dominar os demais se necessite de uma forte espiritualidade. Não há dúvida que são visões distorcidas da verdadeira e autêntica espiritualidade. Não podemos confundir a espiritualidade no sentido católico do termo, esta não pode ter outro alicerce a não ser Cristo Jesus.
Tipos de espiritualidades
Existem várias espiritualidades: budista, muçulmana, hinduísta, judaica… são janelas pelas quais as pessoas veem a vida. Mas nós queremos ver a vida pela janela do evangelho e do coração de Deus, por isso o único alicerce de toda a espiritualidade é a palavra de Deus que nos alimenta em cada momento.
Paulo diz que os que vivem os frutos da carne não podem entrar no reino de Deus. Não é necessário termos todos os frutos da carne, é suficiente ter um que nos domine, para não termos acesso à mesma vivência do reino. Um fruto influencia toda a nossa vida e nos escraviza. Os frutos do Espírito, que são o sinal do autocontrole e do senhorio de nós mesmos, nos fazem entrar na verdadeira liberdade. Quais são estes frutos do Espírito?
Os frutos do espírito são: caridade, alegria, paz, longanimidade, afabilidade, bondade, fidelidade, mansidão, continência. Contra estes não há Lei (Gl 5, 22-23).
Aqueles que vivem estes frutos do espírito não tem mais lei porque são orientados pelo amor e quem ama sabe que jamais poderá fazer o mal nem a si mesmo e nem aos outros. São João da Cruz, na sua visão de liberdade e de plenitude da vida, ensina que quem chega no cimo do monte encontra somente a honra e a glória de Deus, e que para o justo não há lei…O justo tem uma única lei que o orienta, o amor. Este não lhe permite mais ser escravo de nada e de ninguém.
O caminho da verdadeira espiritualidade
O caminho da verdadeira espiritualidade é um processo de libertação interior onde tudo está debaixo do poder da nossa liberdade e que nada mais poderá nos impedir de sermos livres no nosso agir. Na espiritualidade então percebemos que é necessário superar as ideologias mágicas que não realizam nada em nós. Por exemplo, a espiritualidade dos perfumes, das cores, do incenso queimado ou das novenas feitas somente pelo intuito de receber a graça e nada mais. São espiritualidades vazias e sem fundamento. É preciso que o Espírito encontre em nós uma resposta e se faça carne. Deus nos dá um espaço de tempo para viver a nossa espiritualidade e somente neste espaço de vida que somos chamados a realizar o seu projeto de amor. Não há nada de reencarnação e de caminhos de volta para nos purificar e chegar assim à iluminação. É aqui e agora que a nossa vida deve se realizar. Não há outras vidas e nem outra existência a não ser a vida eterna que se conquista no dia a dia duro e difícil do nosso carregar a cruz, e na luta sem trégua contra o mal que está dentro e fora de nós.
Mas afinal o que é espiritualidade? É um estilo de vida pautado pelo evangelho que visa a imitar a pessoa de Jesus. Seremos espirituais quando pudermos dizer com sinceridade com Paulo apóstolo: não sou mais eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim.

 

DOAÇÃO
No Evangelho está escrito: “O Filho do homem não veio ao mundo para ser servido, mas para servir”. E ainda: “também vós deveis lavar os pés uns dos outros”. Estas duas passagens das escrituras nos remetem a um profundo exame de consciência, quanto a tudo aquilo que temos feito em relação aos nossos irmãos. Na verdade a nossa vida deveria ser toda um só ato de servir aos outros, anulando-se cada um nos seus próprios sentimentos e desejos, para viver no outro a alegria que existe em doar-se.
Vejam bem: servir, não é ser servil! Uma pessoa servil pode nem sempre ser sinônima de alguém que serve desinteressadamente – tal como pede o evangelho – mas sim o pode fazer com segundas intenções. Aqui se anula diante dos outros, mas adiante pretende a obtenção de alguma vantagem maior. Este é um comportamento farisaico e deplorável, em especial quando se faz muito mais em palavras, que em ações concretas. A pessoa então, se humilha fingidamente diante da outra, mas seu sentido não é servir de verdade e sim buscar explorá-la no momento oportuno.
Novamente o ato de servir – e servir sempre e sem reservas – exige de nós uma outra dose brutal de humildade. Aliás, exige humildade total! Neste particular temos como maior exemplo a humilde Maria, a serva dos servos de Deus, insuperável em todas as suas atitudes. Nem mesmo ao também humilde José ela deixou de se submeter, tornando-se assim, com esta virtude, a mais incrível das criaturas de Deus. Uma centelha da humildade de Maria – tivéssemos nós a iluminar nossos caminhos – e o mundo já teria sido literalmente transformado. Ela, de fato, desceu – na verdade subiu – a extremos tais, que ela nunca será superada por pessoa alguma na atitude de servir. De doar-se, de se entregar ao serviço dos outros.
Como uma das virgens do templo, onde entrou aos três anos e meio, Maria já de imediato se tornou a maior e a mais solícita serviçal. Eram dela os trabalhos mais simples e humildes, eram dela as funções mais estafantes. Muitas perseguições, inclusive, teve ela que enfrentar de suas superioras, ou das virgens mais velhas, tendo em vista que o comportamento humilde de nossa pequena Serva, acusava continuamente os procedimentos arrogantes das outras. Então ela sofreu muitas humilhações, mas jamais se revoltou contra quem quer que fosse, jamais elevou sua voz em defesa própria, jamais respondeu com rispidez à arrogância alguma. Onde buscar tamanha força para exercer este assombroso ministério do servir? De humilhar-se a tal ponto?
Ela deve ser buscada no exemplo de Jesus, que – sendo Ele Deus – veio para servir e não para ser servido como o merecia. Deve ser buscado no amor incondicional a Deus – eis aí a fonte inesgotável onde Maria bebeu – amor que se reflete no irmão necessitado, e até naquele que não precisa de coisa alguma. Se todos nós seguíssemos os preciosos exemplos de Jesus, Maria e José, com toda a certeza a terra já seria um paraíso, onde não faltaria coisa alguma para quem quer que fosse. Na verdade, todos seríamos ricos – falo em virtudes – que nos levariam também a uma grande fartura material, pois o próprio Deus proveria tudo para todos.
Nesta altura, o leitor poderá perguntar para mim, se consigo viver desta forma proposta por Jesus? E devo dizer que infelizmente ainda não consegui avançar muito neste sentido. Na verdade, todos nós somos um pouco egoístas e gostamos demais de ser servidos, não de servir. São muitíssimo poucos aqueles que têm, como que no sangue, esta vontade de servir aos outros, embora em certos momentos de nossa vida, possamos presenciar muitas provas de solidariedade. São, porém, provas momentâneas e de ímpeto, que acabam naquele momento, não sendo aquelas ações continuadas que o Evangelho nos pede e que devem palmilhar toda a nossa vida.
Ajudar alguém quanto ao carro que quebra na beira da estrada, muitos até fazem isto, mas com certeza a cada dia menos. Isso acontece ainda no interior, onde ainda é forte este sentimento de ajuda, mas nas cidades já está quase morto. Até porque o medo dos assaltos e de ser prejudicado é muito grande, pois o banditismo é tão intenso que até para quem é solicitado a apenas ajudar, muitas vezes sobram dissabores quando não a morte. Isso, aliás, é prova de um mundo que apodreceu, justamente porque a ganância, o querer tudo para si a qualquer custo, tem se tornado a tônica e a quase lei.
Vou dar um exemplo de servir, que levou a imensos dissabores, e aconteceu com um primo meu, já falecido e no céu. Ele sempre foi uma pessoa serviçal, que ajudou os outros o quanto podia. Foi sempre enganado nos negócios por causa de sua bondade e muitas vezes esteve em dificuldades financeiras por causa disto. E aconteceu que num dia, já de madrugada, veio a sua casa um vizinho, a pedir que ele fosse levá-lo de carro a uma localidade distante, para ver sua esposa que estava internada. Ele ponderou ao homem que naquele horário – duas horas da manhã – ele não conseguiria entrar no hospital, mas não teve nada no mundo que o fizesse desistir.
Pois aconteceu o pior! Talvez por estar meio estremunhado pelo sono, talvez por um pouco de pressa – pessoalmente acho que foi por ser um carro velho e mal cuidado – aconteceu um acidente e este homem que ia ver a esposa morreu. E o carro não tinha seguro obrigatório, e começou a confusão. Durante mais de cinco anos a família da esposa e ela própria, pressionaram para arrancar dinheiro, levaram processos à justiça, tomaram terras, e nada os parecia contentar. Enfim, depois de tudo e de uma grande indenização, finalmente eles pararam de exigir. E tudo isso porque foi servir a um homem que, na verdade, queria mesmo é ver a esposa para transar com ele, nada mais que isto.
Sim, alguns homens são serviçais, mas com certeza, as mulheres são mais solícitas e serviçais. As mães de um modo geral têm no servir aos filhos e aos esposos, um caminho fértil que tem dado o céu a muitas delas. Mas vejam, o simples servir aos seus, não é ainda prova deste amor que se doa, porque isso pode ser até intrínseco da nossa natureza animal. Também os animais das florestas, também as aves do céu, servem aos seus até limites extremos. Mas fazem isto como instinto de preservação, não como prova de amor. E assim, dos homens, ditos inteligentes, que receberam uma alma – dom superior de Deus – é esperado algo muito maior e mais nobre.
Na verdade, a doação que se espera dos filhos de Deus, é algo que ultrapassa todos os limites e vai até as últimas consequências. Se as mães servissem aos filhos como prova de amor, sem reclamar jamais – Maria nunca reclamou de coisa alguma – esta solicitude e esta entrega operariam verdadeiros milagres no seio das famílias. Na verdade, porém, as reclamações constantes, tornam a vida familiar estressante, até porque, grande parte das mães não consegue educar também os filhos para servir. De fato, uma mãe que não sabe instruir seus filhos quanto as suas obrigações para com os outros, acaba por se tornar uma escrava do lar, pois seus filhos, e mesmo o marido a escravizam!
Ora, a verdadeira caridade do servir, somente se consuma na reciprocidade mútua, na gentileza permanente de ambas as partes, esposas e maridos, pais e filhos e vice e versa. Quando uma das partes interrompe o ciclo, imediatamente sobram ônus demais para uns e vantagens demais para outros. Então, dificilmente encontraremos mães que são capazes de suportar tudo isso, durante a vida inteira, sem externarem de alguma forma o seu desagrado, ou sem explodirem mais tarde em doenças somáticas, ou no tal stress moderno, quem sabe até em depressão profunda e que pode até levar à morte.
Desta forma, uma mãe, um pai, jamais poderão pensar que é fazendo todas as vontades de seus filhos, que lhes estarão dando uma prova de amor. Isso antes é uma fábrica de tiranos, quando não de bandidos. Justo por isso o mundo não é solidário total, porque a imensa maioria das pessoas se acostumou a ser servido, servindo o mínimo ou nada. E tal atitude, não se verifica somente em relação aos ricos, que têm posses, que podem pagar empregados, mas também aos menos favorecidos e pobres. É do berço que se deve educar para o servir e para a solidariedade.
Vejam, é já no colo da mãe que a criança começa a delimitar seu campo e a sentir até onde ela pode exigir, sem dar nada em troca. É, então, também desde o berço que as mães devem começar a “torcer o pepino”, para evitar, de todas as formas, que a criança cresça sem a noção de servir, somente de querer para si, de ser atendida em tudo. E muitas vezes é com choro e lágrimas, birras e manhas, que eles conseguem ir muito além do desejável, tornando-se verdadeiros tiranos do lar. O mundo está cheio deles e justo por isso está tão mal.
Da mesma forma as relações entre marido e mulher, já desde os primeiros dias do casamento e até antes – o que seria bem melhor e correto – devem ser estabelecidos limites claros entre a ação de cada um e a ação conjunta para benefício de todos. Na verdade, já desde o namoro é que se formam os vícios, porque dificilmente os pares e casais se formam em cima do amor cristão e do servir mútuo, e sim no maior ou menor poder de coerção exercido por um deles, tanto homens quanto mulheres. Quase sempre é a mulher quem se rebaixa, até porque coagida pela força, quando na verdade Deus os fez “homem e mulher” para o amor, para a entrega total, e para o mútuo servir.
Na verdade, milhões de lares se desfizeram depois do processo liberalizante da mulher, que se julgava escrava da cozinha, quando na verdade era rainha do lar, foi assim que Deus a constituiu. Esta foi, com certeza, a maior erva daninha que o diabo conseguiu introduzir dentro das famílias, transtornando as relações familiares, pondo os filhos ao abandono e deixando os maridos mais livres para as relações extraconjugais. Em que número percentual aumentaram as traições mútuas depois disto?
Ora, uma moça que luta muito para conseguir um homem, fácil se torna escrava dele e este não um bom marido, um esposo santo, mas um patrão irascível, o que é algo indigno! Da mesma forma o homem, se luta demais para ficar com a mulher “dos seus sonhos”, pode facilmente cair em concessões excessivas durante o namoro, e vir a se tornar capacho na vida familiar, escravo da mulher, o que é aviltante! Isso tudo acontece porque cada um tende a achar demasiado o que faz para o outro e mínimo o que recebe em troca. Na verdade nós não conseguimos pesar bem o valor das nossas ações e por isso é comum as pessoas se sentirem injustiçadas. Aliás, quando medimos o valor de cada concessão nossa, estamos dando uma prova de não servir, mas de cobrança e exigência.
Servir, ajudar, participar da vida comunitária! Estes são caminhos a serem seguidos pelos filhos e filhas de Deus. A participação na comunidade é algo que nos exige muita doação e entrega, notadamente quando a função é exercida sem remuneração e quando exige da pessoa o dispêndio de muito tempo. No início da minha vida de casado, assumi uma série de funções na comunidade, em secretarias, em presidência, em direção e durante algum tempo preenchi todos os meus espaços. E tudo chegou a um tal ponto, em que me vi obrigado a dar um basta, e aos poucos me desvinculei de tudo.
Na verdade, neste sentido comunitário, até mesmo o servir tem limites, porque eu não posso dedicar minha vida a servir na comunidade, se deixo com isso de servir a meus filhos e milha família. Eu não posso jamais passar minhas noites em reuniões de clubes, de partidos políticos, de associações, de fundações e outras entidades sem fins lucrativos, quando deixo de me reunir com meus filhos, minha esposa, minha família. Para tudo tem um limite, e a família é mais importante.
Também no serviço da Igreja, é necessário que nos empenhemos bastante. Existe uma grande diversidade de ministérios e TODOS são convidados a servir em pelo menos um destes ministérios. NINGUÉM pode se considerar católico de verdade, quando se furta a participar de pelo menos uma atividade na sua Igreja. Se não existe o ministério, ou a vaga, deve no mínimo existir no coração a abertura, o desprendimento e a vontade de ajudar, nas festas, nas promoções, nas pastorais, em tudo que diz respeito à vida eclesial.
Mas o que acontece? Acontece que alguns ficam sempre sobrecarregados de muitos fardos, porque centenas de outros não se dispõem a carregar fardo algum. Sim, é sabido que existem aqueles centralizadores, que se adonam de tudo, e não confiam nos outros. Esta gente é de fato perniciosa, porque não faz seu trabalho por amor, por caridade cristã nem porque faz de sua vida um humilde serviço, mas fazem para aparecer, para receber as loas e louvações do povo, e até como inveja, para evitar o sucesso de outros. Estas pessoas são na verdade malignas e são prejudiciais à Igreja e à coletividade.
No entanto, o que se verifica na maioria dos lugares é justamente o contrário: muitas pessoas se furtam decididamente de prestar qualquer serviço ao bem comum, porque são egoístas ao extremo ou são preguiçosos demais. São pessoas que querem os serviços, sabem que todos precisam deles, mas jamais se prestam a ajudar, deixando tudo nas costas de uns poucos abnegados. Claro que muitas vezes falta um convite. Claro que outras tantas vezes falta a liderança que divide responsabilidades. Mas é a falta absoluta de caridade, o elemento pernicioso que coíbe a ação de servir, de doar-se pelos outros.
Jesus, que é Deus, quando na terra nos deu inumeráveis exemplos de servir. Falo em servir, também fisicamente, e são exemplos a multiplicação dos pães, as pescas milagrosas e tantos outros que não estão relatados nos Evangelhos. Mas Ele não precisava fazer isto. Entretanto, vejam, até no futuro Novo Reino está dito que “Ele estará na nossa presença e nos servirá”. Que “estando eles ainda pensando e já serão atendidos” o que prova a continuidade do servir pelo sempre e eterno afora. Então, se na eternidade continuaremos a servir, por qual motivo não começar agora, para tornar o mundo mais humano, mais fraterno e mais irmão?
Na eternidade serviremos a Deus. Os anjos servem a Deus! E Deus é tão perfeito e tão justo, que permitirá a todos, um crescer em alegria e graça, mesmo na eternidade, tudo dependendo de nosso desejo, ardente, forte, inquebrantável de amar e servir a Ele. De fato, na eternidade não viveremos o estático, a mesmice e a inoperância, mas deveremos e poderemos participar com Deus da renovação do Universo em mutação constante e até da criação de outros mundos, de acordo com o Plano e a Vontade criadora de Deus.
Mas tudo isso somente acontecerá, na medida de nosso desejo ardente de servi-Lo desde já – servindo também aos irmãos – jamais sendo apenas concessão de Deus sem a nossa vontade expressa e nossa ação efetiva. Então, por qual motivo não começamos já este exercício de servir incondicional, centrado no amor profundo, na humildade, força que se obtém somente pela oração? Se não começarmos já aqui, nesta vida, a exercitar esta humilde entrega a serviço dos outros, JAMAIS conseguiremos na eternidade galgar os passos necessários para termos a força de servir a Deus, num crescendo constante.
De fato, nenhum grau em virtude cresceremos na eternidade, se não dermos agora o passo decisivo neste sentido. Como já dissemos, Maria foi a serviçal por excelência. E tanto ela cresceu nesta virtude em vida, que continua na eternidade a ser a maior e a mais efetiva serviçal de Deus. Mais que os próprios anjos mais resplandecentes, mais que Miguel o Príncipe das Milícias Celestes, mais que todos aqueles que servem diante do Trono do Altíssimo e Onipotente, a todos Maria suplantou e suplanta, eis que foi a ela que a Trindade encarregou da missão assombrosa de esmagar a cabeça da serpente.
Quem não serve, é orgulhoso, e é, pois, a antítese de Maria Santíssima. O dragão infernal, Lúcifer, é o orgulho personificado, e foi por deixar de servir a Deus e se rebelar contra Ele, que se transformou em demônio. Ele não serve a ninguém, nem a si mesmo. Penso que Lúcifer é tão orgulhoso, que se não tivesse subalternos, outros demônios de poder como Belzebu, satanás, e outros, ele não atenderia nem os pedidos daqueles que lhe pedem o mal para as outras pessoas. De fato, ele é tão desejoso de não servir, que muitas vezes se compraz em devolver o “feitiço ao feiticeiro”, para ridicularizar de quem se humilha e pede, para gozar da cara daqueles que o servem.
A humildade e o servir são sinônimos e inseparáveis. Quem não é humilde não serve, quem não serve dificilmente consegue ganhar o céu. E se o ganha, é somente depois de um duríssimo purgatório, depois de muitos sofrimentos e dores, para que repare por seu orgulho, por sua inoperância, por sua falta de caridade, por sua falta de amor. E hoje, nos dias em que vivemos, não existe maior caridade nem maior servir, que procurar levar os outros à salvação; em buscar as almas para Deus; em procurar as ovelhas desgarradas e insensatas que andam por abismos de orgulho, em busca do ser, do ter e do poder.
Quem, assim, se preocupa com a salvação dos outros, que lhes leva livros, bons textos e bons conselhos, acaba por exercer a maior das caridades e executar o maior dos serviços, eis que assim serve ao próprio Deus. De fato, agora, sabendo das coisas que estão para acontecer, não comporta mais corremos atrás daquilo que passa, entre um egoísmo e outro, porque o importante é cuidar da nossa alma e da alma dos outros. “Não existe maior amor do que aquele que dá a vida pelos seus irmãos”, disse Jesus. Mas a grande e verdadeira vida que se pode dar a alguém é a vida eterna. Quem consegue uma conversão, consegue junto o Céu.
O tempo de servir é agora!

A AVAREZA, A TENTATIVA ILUSÓRIA DE POSSUIR A VIDA
Aprender a doar o que se recebeu gratuitamente é a única maneira de superar a solidão causada pela ânsia por posses que caracteriza a avareza.
Os aspectos essencialmente espirituais deste vício, conduz a atribuir ao dinheiro e coisas semelhantes um valor simbólico exagerado, transformando-os em sinônimos de estima, paz, segurança e poder.
A avareza, portanto, se identifica com a cobiça e a ânsia por posses, que endurecem o coração e conduzem à presunção de autossuficiência, de se bastar a si mesmo e de nada mais precisar.
Daí se compreende o aspecto religioso da avareza, pois o dinheiro oferece a ilusão de onipotência: o dinheiro, por sua natureza, confere uma autossuficiência que nenhum outro objeto pode fornecer. Para Péguy, constitui a única alternativa verdadeiramente ateia a Deus, porque dá a ilusão de que se pode obter tudo, de forma que qualquer realidade pode ser convertida em dinheiro, que por sua vez possibilita possuir qualquer coisa.
Também Marx, ao analisar a mentalidade capitalista, salientou o caráter de consagração de todo o próprio ser a uma realidade considerada absoluta, superior a qualquer outra.
A avareza, uma vez que não se refere a nenhuma necessidade do corpo nem a nenhum prazer corporal, busca uma satisfação de tipo afetivo, mas ao mesmo tempo intangível, ligada à imaginação.
Dessa forma se configura como uma forma mundana de consagração a um ídolo, algo para o qual se está disposto a oferecer a própria vida, sacrificando para isso a própria liberdade e dignidade.
De fato, o dinheiro, longe de pacificar, ao se tornar um fim em si mesmo gera sempre novos temores, ansiedades e inseguranças: o medo de perder o que foi conquistado, medo de que um rival consiga um bem cobiçado, ou de ainda de ser superado na escala social, tornando vãos todos os esforços de uma vida.
Outro sentimento típico do avarento é a tristeza, ligada à frustração de não poder nunca encontrar algo que o satisfaça, fazendo-o sentir-se cada vez mais indigente. De modo que o “estranho masoquismo” que caracteriza este vício está em pensar que a única fonte de felicidade é na verdade aquilo que está por arruinar a própria vida.
Além disso, há uma estreita ligação entre a avareza e a solidão: o avarento se encontra somente em companhia de coisas, a única realidade na qual pode confiar.
Assim, o melhor tratamento para o vício da avareza é a prática de abrir mão do que se recebeu para o bem-estar dos outros.
Esta disposição promove o desejo de viver bem a própria vida, tornando a pessoa capaz de sacrifícios notáveis, uma vez que seu coração se torna sensível ao sofrimento e às necessidades dos demais.
Paradoxalmente, talvez no fundo da avareza se encontre este esforço sobre-humano de querer dar valor à própria existência, a merecer viver; uma forma doentia de auto-estima.
Ao contrário, porém, é no encontro com o outro, na relação, que o homem encontra a verdade de si mesmo.
A verdadeira riqueza, que de fato nos pertence, é aquele que se recebe ao se oferecer o melhor de si, tornando-nos assim participantes da generosidade abundante de Deus.
Somente doando é possível superar a solidão infernal na qual se aprisiona o avarento.

 

POBREZA
Esta virtude foi iluminada pelo nascimento de Cristo, o qual sendo rico Se fez pobre para nos enriquecer com a sua pobreza (cf. 2Cor 8, 9). Se Jesus era rico até ao ponto de ser o Criador de todas as coisas (cf. Jo 1, 3) e quis nascer pobre, nós devemos também pretender a pobreza.
De fato, o nascimento do Senhor numa manjedoura, num curral, talvez destinado a ovelhas, e não no conforto de uma casa ou de uma estalagem, faz pensar não no acaso, numa má sorte, mas num desígnio do Alto, sobre o qual Maria e José terão meditado muitas vezes no seu coração (cf. Lc 2, 19). Nós podemos fazer outro tanto nesta quadra.
A pobreza cristã é uma atitude voluntária, de desprendimento dos bens, com a qual se alcança a liberdade interior que permite uma dedicação mais frutuosa a Deus e aos outros, e o alívio das necessidades dos mais carenciados. «Não esqueças: tem mais aquele que precisa de menos. – Não cries necessidades» (São Josemaria Escrivá, Caminho 630).
A pobreza não consiste em andar desmazelados ou sujos, nem era assim que andavam Maria e José. A nossa deve ser uma pobreza envergonhada, que não tem voz para dizer «sou pobre», mesmo que o sejamos realmente. É algo que temos por dentro e se traduz na generosidade com as nossas coisas, com os nossos talentos, com o nosso dinheiro e com o nosso tempo. Ao mesmo tempo, nunca podemos esquecer o conselho dado pelo Mestre: «que a tua mão esquerda não saiba o que faz a direita para que a tua esmola seja escondida, e o teu Pai, que vê o que está escondido, te dará a recompensa» (Mt 6, 3-4).
Manifestações práticas deste espírito de pobreza são considerar as nossas coisas como emprestadas e não como próprias, não nos queixarmos se vierem a faltar, e não ter coisas a mais, coisas que se podem considerar desnecessárias ou supérfluas. Mas, ao mesmo tempo, procurar andar elegantes, sorridentes, limpos e serenos.

POBREZA EVANGÉLICA
Dom Boaventura Kloppenburg, OFM
A pobreza evangélica une a atitude de abertura confiante em Deus e solidária com os homens, a uma vida simples, sóbria e austera, que aparta a tentação da avidez, da cobiça, da inveja e do orgulho.
A palavra “pobreza” é ambígua. Geralmente é entendida como falta do necessário à vida, sinônimo de penúria e escassez. Assim entendida, é uma realidade escandalosa que condenamos como antievangélica. E neste sentido certamente não se pode falar em virtude da pobreza. Ao mesmo tempo a longa tradição da vida cristã conheceu também a virtude da pobreza ou até um voto de pobreza. Para fugir da ambivalência do termo, os documentos da Igreja, principalmente os da América Latina, preferem agora falar da pobreza espiritual, cristã ou evangélica. Com o Concílio Vaticano II (LG 42) e os documentos das Conferências Gerais do Episcopado Latino-americano de Medellín (1968), Puebla (1979) e Santo Domingo (1992) preferimos a expressão “pobreza evangélica”, que nos indica uma excelente e necessária virtude cristã, muito atual para um continente que se afirma cristão como a América Latina e para uma sociedade dia a dia mais consumista.

1. Os pobres de Yhwh
São os humildes que temem a Deus e põem sua confiança em Yhwh
No sentido cristão nossa palavra “pobre” é tradução do vocábulo hebraico veterotestamentário anaw, trasladado para o grego como ptochós e que no latim da vulgata foi vertido para pauper. Daí nosso português pobre. No hebraico, o plural era anawim (os pobres) e o substantivo anawah (a pobreza).
Estas palavras tinham no ambiente hebreu do Antigo Testamento, depois do desterro babilônico, um sentido prevalentemente moral e religioso. Os anawim dos Salmos, dos Livros sapienciais e dos Profetas são os humildes que temem a Deus, que recorrem a Deus, que procuram a Deus, que põem sua confiança em Deus e por isso se consideram o verdadeiro “Israel”, o Povo de Deus, os herdeiros das promessas: são os santos, os justos, os que em sua vida são alcançados tantas vezes por toda sorte de provações, sem deixar de ser servidores de Deus. Sua espiritualidade se resume nestas palavras do Salmo 36,7: “Conserva-te em silêncio diante de Deus e espera nele”. A atitude contrária está nos orgulhosos, nos ímpios, nos que confiam em si mesmos, na pessoa altiva, vaidosa e impertinente, sem noção da humildade cristã.
No Antigo Testamento os anawim de Yhwh não formavam um partido religioso, como os hasidim da época macabéia, ou uma classe profissional, como os saduceus no tempo de Jesus, nem se identificavam com o povo de Israel, mas com um Israel qualificado como “resto de Israel”, ou aqueles que, ao viver as esperanças divinas da Aliança, esperavam a salvação de Deus, no meio das crises de sua nação. Sua nota era a humildade, que o profeta Sofonias pedia a seu povo, e que caracterizava Moisés e Davi, e se perpetua em Jeremias e no Servo de Yhwh. Este é o Messias dos anawim, que levava a noção de aliança, de justiça, de pobreza e de humildade a seu ponto culminante. A segunda parte do livro de Isaías o descreve duas vezes com os termos de pobreza. Temos aqui o autêntico clima espiritual dos anawim, o novo ideal de piedade, da confiança divina que se submete resignada e alegremente ao sofrimento, o ideal da humildade evangélica, que Jesus realizará, oferecendo-se como vítima expiatória pelos pecados de seu povo.

2. Bem-aventurados os pobres no espírito
O pobre, só pelo fato de ser indigente, não tem nenhuma vantagem sobre o remediado para entrar no Reinado de Deus
No Evangelho segundo Mateus (5, 3) Jesus proclama: “Bem-aventurados os pobres no espírito, porque deles é o Reino dos Céus!” (Mt 5, 3). Em grego: makárioi hoí ptochoì too pnéumati… O dativo too pnéumati é uma construção gramatical relativa ao espírito, isto é: à interna disposição da alma.
Aqui em Mateus 5, 3 Jesus assume a palavra “pobres” (é bem provável que tenha dito anawim) com o matiz moral perceptível já no profeta Sofonias 2, 3: “Buscai a Yhwh vós todos, anawim [assim está no original hebraico] da terra, que cumpris suas normas, buscai a justiça, buscai a humildade”. Estes pobres são para Sofonias os submissos à vontade de Deus, os piedosos. Neles se apoia a promessa do resto de Israel. “Eu deixarei no meio de ti um povo humilde e pobre e no nome de Yhwh se protegerá o resto de Israel” (Sf 3, 12). Neste contexto religioso os pobres ou os humildes são os que temem a Deus e, atentos à sua vontade, cumprem suas promessas. A eles se refere Isaías 61, 1 quando diz: “O espírito de Yhwh está sobre mim, porque me ungiu e me enviou para anunciar a boa nova aos anawim” (é a palavra no original hebraico).
Observa-se também que a versão de Mateus atenua a formulação mais radical (e por isso mais arcaica) de Lucas para não dar pé ao ressentimento social da comunidade religiosa, na qual havia confronto entre ricos e pobres (cf. Tg 1, 10-11; 2, 5-13; 4, 13). Esta atenuação, feita, não esqueçamos, pelo próprio texto inspirado do Evangelho, está mais de acordo com a idéia geral do Evangelho, que exclui todo rancor e luta de classes.
Os escritos Qumran, contemporâneos de Jesus, usam a expressão anawim ruah, literalmente “pobres no espírito”, em contextos que já não permitem dúvidas sobre seu verdadeiro sentido. São realmente os humildes. A atitude da alma expressada pela expressão usada em Mateus é a da humildade interior. Por isso é biblicamente correto falar de “pobreza espiritual” ou evangélica.
Na perspectiva evangélica, o pobre, só pelo fato de ser indigente, não tem nenhuma vantagem sobre o remediado para entrar no Reino de Deus. A versão de Mateus parece inspirar-se no ideal dos pobres de Yhwh segundo a expressão do Salmo 34: “Este pobre clamou e Yhwh o escutou” (v. 8); o pobre é descrito como quem teme a Yhwh (v. 8), aquele que o recebe (v. 9), o procura (v. 11), de coração contrito (v. 19) e confia em Yhwh (v. 23). Pois eles estão mais preparados para no Reino, que exige sacrifícios e renúncias (cf. At 14, 22). As dificuldades dos ricos são muito bem caracterizadas na parábola do semeador: “as preocupações do mundo e a sedução das riquezas afogam a Palavra e fica sem fruto” (Mt 12, 22).

3. “Pobreza” na perspectiva evangélica
A reforma social deve ter seu início no coração do homem
O que na bem-aventurança se exalta é a disposição da alma de abertura ao Reino de Deus, como se canta no Magnificat de Maria Santíssima: “Deus exaltou os humildes” (Lc 1, 52). Estes se sentem permanentemente mendigos de Deus e dele tudo esperam. O Reinado de Deus se fecha a todo aquele que se faz escravo do dinheiro, apegado a ele quase como valor supremo, transformando-o em ídolo. O rico se encontra sempre em maior perigo para entregar-se a uma vida mole, contra as exigências fundamentais da mensagem evangélica. Quem tem a atitude espiritual da abnegação, tão claramente exigida pelo Evangelho, pode até chegar a aceitar voluntariamente sua situação de pobre real e viver sem apego às riquezas possíveis ou efetivas.
Estes “pobres” se encontram então em princípio numa situação mais vantajosa para aceitar as renúncias do Reino de Deus, como o fizeram os apóstolos, que abandonaram o que tinham, em contraste com o jovem rico, que, diante do convite de Jesus, não teve ânimo para renunciar às riquezas e então seguir ao divino Mestre (cf. Mt 19, 22-23).
Não se pode negar que Jesus Cristo de fato não deu tanta importância às falsas esperanças de um messianismo temporalista com uma imediata promoção econômico-social. Jesus deixa bem claro que não veio em primeiro lugar para mudar estruturas sociais injustas, que não faltavam em seu ambiente e tempo, mas sobretudo para sanar o coração humano de sua propensão à avareza, ao hedonismo e à violência. Segundo Jesus a reforma social deve ter seu início no coração do homem: “Pois é de dentro, do coração humano, que saem as más intenções: pecados sexuais, roubos, homicídios, adultérios, ambições desmedidas, perversidades, fraudes, devassidão, inveja, calúnia, orgulho e insensatez. Todas essas coisas saem de dentro, e são elas que tornam alguém impuro” (Mc 7, 21-23).
Os exegetas observam também que o Senhor fala freqüentemente do perigo das riquezas (cf. Mt 6, 19-20; 16, 25-26; Lc 16, 13; Mc 8, 35-36), mas nunca as rejeita de modo absoluto. Ele condena o homem rico avarento e explorador do pobre. Mas o próprio Jesus teve amigos da alta sociedade judia, como Nicodemos e José de Arimatéia, dos quais não exigia que se desfizessem de seus bens para entrar no círculo de seus seguidores.
Por tudo isso, nossa palavra “pobre” não traduz com fidelidade o anaw hebraico, nem é capaz de insinuar a riqueza do conceito bíblico. Maria Santíssima que não era pobre-explorada, era no entanto anaw, a serva do Senhor. O Concílio Vaticano II sublinha que Maria “sobressai entre os humildes e pobres do Senhor que dele esperam e recebem com fé a salvação” (LG 55). “Salvação”, aqui, certamente não no sentido de libertação da pobreza material ou opressão social. Deus olhou para a anawah, humildade, de sua serva.
Em Mt 11, 25 Jesus louva o Pai “porque ocultaste estas coisas [sobre o Reinado de Deus] aos sábios e doutores e as revelaste aos pequeninos. Estes infantes (em grego está nepíois = os que ainda não falam; infantes em latim) que recebem a revelação sobre os mistérios do Reino e a entendem (cf. Mt 13, 11) são precisamente os que, como Cristo, são ”mansos e humildes de coração” (Mt 11, 29). A pobreza material, a opressão ou o cativeiro não são os fatores determinantes. Lázaro e suas irmãs Marta e Maria não eram materialmente pobres, mas amigos de Jesus. Assim também as mulheres que, segundo Lc 8, 3, ajudavam a Jesus “com seus bens”. Nem deixa de ser significativo que Jesus mandou preparar sua última páscoa e fez questão de instituir a Eucaristia não num rancho de pobre mas “numa grande sala arrumada com almofadas” (Mc 24, 15).
Até mesmo um oficial romano, do exército de ocupação da Palestina, recebe de Jesus um louvor especial (cf. Mt 8, 10). E é significativo que Deus tenha escolhido a um militar, centurião da coorte itálica, nem pobre nem oprimido, como primeiro não-judeu para abrir oficialmente os caminhos do anúncio da redenção ao mundo pagão (cf. At 10).
Tudo isso é perfeitamente compatível com a virtude da pobreza evangélica. São Francisco, o poverello de Assis, falecido em 1226, é o grande modelo cristão para a pobreza evangélica. Ele queria que seus discípulos se chamassem não “irmãos pobres” porém “irmãos menores”. A pobreza voluntária não era um fim, mas um meio para chegar à menoridade. Esta, por sua vez, era o modo por ele privilegiado para ser discípulo de Jesus, “manso e humilde de coração” (Mt 11, 29). Como membro da Ordo Fratrum Minorum (O.F.M.), da Ordem dos Frades Menores, não fiz um voto de miséria, mas de voluntária pobreza evangélica para conseguir viver como “menor” entre os cristãos, um anaw da Nova Aliança.

4. Uma divisão evangélica da humanidade
Quem se exalta será humilhado e quem se humilha será exaltado
Se, do ponto de vista do Evangelho ou de Jesus, queremos fazer uma divisão da humanidade em dois grupos ou classes, teríamos por um lado os “pequenos” ou humildes anawim (os materialmente pobres têm evidentemente mais disposições para pertencer a esta classe, mas não são absolutamente os únicos, pois há ricos humildes) e por outro lado os orgulhosos (e os materialmente ricos, os chefes ou poderosos e letrados têm evidentemente mais disposições subjetivas para pertencer a esta classe, mas não são absolutamente os únicos, pois há pobres orgulhosos).
Parece ser esta a lei das intervenções divinas na história da salvação: ”Deus resiste aos soberbos e dá sua graça aos humildes” (1Pd 5, 5); ou também: “Todo aquele que se exalta será humilhado, e quem se humilha será exaltado” (Lc 14, 11). Daí a regra de ouro dada por Jesus aos apóstolos: “O maior entre vós seja como menor e o que governa como aquele que serve” (Lc 22, 26). Neste ponto o divino Mestre é incisivo: “Em verdade vos digo que, se não mudardes e não vos tornardes como crianças, de modo algum entrareis no Reino dos Céus” (Mt 18, 3).
Estes, e não simplesmente os pobres, são o sujeito verdadeiro da autêntica e cristã Igreja popular. Estes são na verdade os prediletos de Deus. Deles é o Reinado de Deus. Eles entendem Sua Palavra.
Não há dúvida que temos o grave dever de escutar com grande sensibilidade o grito dos materialmente oprimidos, mas o ouvido especificamente cristão deve ser ainda mais sensível ao desesperado clamor dos pecadores que andam por um “espaçoso caminho que conduz à perdição” (Mt 7, 13). Esta pergunta se dirige também a nós: “Que é mais fácil dizer: os teus pecados te são perdoados, ou dizer: levanta-te e anda!” (Mt 9, 5). É evidente que a missão salvadora, redentora ou libertadora de Cristo – e em consequência também da Igreja – se põe em primeiro lugar e principalmente neste setor mais difícil e exclusivamente divino de perdoar os pecados, de restabelecer a perdida harmonia e amizade entre o homem pecador e Deus. Ora, pobres ou ricos, escravos ou livres, fracos ou poderosos, dependentes ou independentes, capitalistas ou coletivistas, enfermos ou sãos, jovens ou velhos, tristes ou alegres, pouco importa: diante de Deus “todos pecaram e todos estão privados da glória de Deus” (Rm 3, 23). No “pecado do mundo”, todos somos igualmente pecadores e este pecado do mundo unicamente o tira o Cordeiro de Deus (cf. Jo 1, 29). “Ninguém por si só e com as próprias forças se liberta do pecado e se eleva acima de si próprio. Ninguém se desprende em definitivo de sua fraqueza, solidão o servidão. Mas todos necessitam de Cristo exemplar, mestre, libertador, salvador, vivificador”, ensinou o Concílio em AG 8.
Neste campo está sem dúvida a obra mais urgente e insubstituível da Igreja. Aí está sua razão de ser. Tudo o mais será secundário. Como cristãos e continuadores da obra de Cristo, nossa opção primeira será pelos pecadores. “O Filho do Homem veio procurar e salvar o que estava perdido” (Lc 19, 10).
Jesus não trouxe diretamente nenhum revolução política, nem um novo regime de justiça social. Mas a libertação interior de seus discípulos deve produzir consequências no comportamento humano, fundamentando novas relações que transformam os costumes políticos e a situação social. A libertação da vontade de dominação e de açambarcamento de privilégios terá necessariamente repercussões no campo econômico e político. E a libertação do egoísmo modifica o relacionamento social. A fim de ser sincero e coerente, o amor cristão deve contribui para a implantação da justiça social. O caso do publicano Zaqueu é exemplar: sua libertação espiritual se traduz em resoluções relativas ao comportamento social: “Senhor, eis que eu dou a metade de meus bens aos pobres e se defraudei a alguém, restituo-lhe o quádruplo” (Lc 19, 8). Não era uma resolução de estrita justiça, mas de um amor mais generoso.

5. A pobreza cristã
O Criador não se compraz em suas criaturas irrealizadas
Durante o Concílio Vaticano II, entre 1962 e 1965, o próprio Papa João XXIII e um bom numero de Bispos haviam falado com certo entusiasmo da “Igreja dos pobres”. A Comissão Doutrinal, encarregada de elaborar o projeto de documento sobre a Igreja, constituiu então um grupo de trabalho especial para redigir um possível texto. O resultado foi a atual alínea terceira do n. 8 da Lumen gentium. Por causa da sua ambigüidade, o Concílio evitou a expressão Ecclesia pauperum (Igreja dos pobres). Mas o pensamento oficial do Concílio está no mencionado texto. Este conceito é desenvolvido nestas três comparações entre a atitude de Jesus e a tarefa da Igreja:
a) Como Jesus realizou a obra da redenção em pobreza e perseguição, assim a Igreja é chamada a seguir o mesmo caminho a fim de comunicar os frutos da redenção.
b) Como Cristo Jesus, “existindo na forma de Deus, despojou-se a si mesmo tomando a condição de servo” (Fp 2, 6-9), e por nossa causa “fez-se pobre embora fosse rico” (2Cr 8.9), assim também a Igreja, ainda que necessite de meios humanos para cumprir sua missão, não foi instituída para buscar a glória terrestre, mas para proclamar a humildade e a abnegação, também com seu exemplo.
c) Como Cristo foi enviado pelo Pai para “evangelizar os pobres, sanar os contritos de coração” (Lc 4, 18), “procurar e salvar o que tinha perecido” (Lc 19, 10), assim também a Igreja abraça com seu amor a todos os afligidos pela debilidade humana, reconhecendo mesmo nos pobres e sofredores a imagem de seu Fundador pobre e sofredor, fazendo o possível para mitigar-lhes a pobreza e neles procurar servir a Cristo.
Deus não se alegra em suas criaturas irrealizadas; ele as quer na alegria e não na tristeza, no centro e não na periferia, na saúde e não na enfermidade. O que importa é crescer no “ser mais” e não no “ter mais” (GS 35). E o que impede este “crescimento em humanidade” se opõe não apenas à criatura humana, mas também ao mesmo Criador. Assim se entende a solene afirmação de Puebla no n. 306: “Toda violação da dignidade humana é injúria ao próprio Deus, cuja imagem é o homem”. Quando alguém é impedido por outro ou por um sistema ou uma instituição em seu “crescer em humanidade”, temos o pobre no sentido de oprimido: é então aquilo que Puebla denuncia fortemente como “imagem de Deus obscurecida e escarnecida“. E conclui no n. 1142 “Por isso Deus toma sua defesa e os ama. É por isso que os pobres são os primeiros destinatários da missão e sua evangelização é o sinal e a prova da excelência da missão de Jesus”.
Os pobres, só pelo ato de serem pobre, não são sem mais cristãos nem tampouco “cristãos anônimos”: também eles devem ser convertidos e evangelizados. Puebla dedica os nn. 348-361 ao conceito de evangelização e descreve nos nn. 356-360 o rico processo por ele gerado. Todo aquele que conjunto deve ser aplicado também ao trabalho pastoral com os pobres, com a necessária distinção entre aquilo que na tarefa evangelizadora constitui seu “conteúdo essencial” (n. 351) e o que é sua “parte integrante” (n. 355).
Falando no n. 1145 do serviço ao irmão pobre, Puebla lembra três efeitos, de valor desigual, mas justapostos: disposição para realizar-se como filhos de Deus, libertação das injustiças e promoção humana integral. O primeiro efeito designa indiscutivelmente o campo direto, próprio e imenso da ação pastoral eclesial, com tudo o que está implicado nesta “realização como filhos de Deus”. Os outros dois efeitos não indicam um campo exclusivo da Igreja, nem devem ser demagogicamente anunciados ou projetados em direção de um mundo utópico irrealizável.
Assim, pois, entendemos que para o cristão o termo “pobreza” não é somente expressão de privação e marginalização de que nos precisamos libertar. Designa também um modelo de vida que, como vimos, já desponta no Antigo Testamento e é vivido e proclamado por Jesus como bem-aventurança. São Paulo resumiu este ensinamento dizendo que a atitude do cristão deve ser de usar os bens deste mundo, cujas estruturas são transitórias, sem absolutizá-los, pois são apenas meios para se chegar ao Reino de Deus (cf. 1Cr 7, 29-31). Este modelo de vida pobre é exigido pelo Evangelho de todos os que crêem em Cristo e por isso podemos chamá-lo “pobreza evangélica”. Não só os Religiosos, que fizeram o voto de pobreza, mas, afirma o Concílio na LG n. 42, todos os fiéis de Cristo “devem dirigir retamente seus afetos para que, por causa do uso das coisas deste mundo, por causa do apego às riquezas contra o espírito da pobreza evangélica, não sejam impedidos de tender à perfeição da caridade”.
No n. 1149 o documento de Puebla nos dá então esta definição: “A pobreza evangélica une a atitude de abertura confiante em Deus com uma vida simples, sóbria e austera, que aparta a tentação da cobiça e do orgulho”.
No mundo de hoje, tal tipo de pobreza é um desafio ao materialismo e abre as portas para soluções alternativas da sociedade de consumo.
A pobreza evangélica põe-se em prática também pela comunicação e participação dos bens materiais e espirituais; não por imposição, mas por amor, para que a abundância de uns remedeie a necessidade dos outros. Dito isso, a documento pueblano afirma no n. 1152: ”A Igreja se alegra por ver em muitos filhos seus, sobretudo na classe média mais modesta, a vivência concreta desta pobreza cristã”.

6. A Igreja dos pobres
Aberta a Deus e suas maravilhas e aos homens
No dia 02 de julho de 1980 o Papa João Paulo II pronunciou na favela de Vidigal, Rio de Janeiro, um admirável discurso sobre a “Igreja dos pobres”. Sobre este documento darei aqui apenas algumas indicações em forma esquemática:
1. Seu ponto de partida é esta declaração que Mateus atribui a Jesus “Bem-aventurados os pobres no espírito, porque deles é o Reino dos Céus” (Mt 5, 3).
2. Os “pobres no espírito” se caracterizam por duas aberturas:
a) Abertos a Deus e às maravilhas de Deus. São “pobres” porque estão prontos a aceitar sempre o dom divino; “no espírito”, porque vivem na consciência de ter recebido tudo das mãos de Deus, como um dom gratuito e vivem constantemente agradecidos.
b) Abertos aos homens. É uma derivação da abertura a Deus: “Os corações abertos a Deus são, por isso mesmo, mais abertos para os homens”. Dispostos a ajudar desinteressadamente, a compartir o que têm.
3, Quem não é pobre no espírito, está fora do Reino de Deus. Por isso todos devem esforçar-se para ser pobres no espírito, isto é: abertos a Deus e aos homens. Este convite é dirigido particularmente:
a) Aos que vivem na miséria: já estão mais próximos de Deus e de seu Reino, mas devem esforçar-se para abrir-se a Deus e aos irmãos. Só assim conservarão a dignidade humana.
b) Aos que vivem no bem-estar: devem animar-se para não se fechar em si mesmos. Para eles é mais difícil abrir-se a Deus. Devem partilhar seus bens com os outros.
c) Aos que vivem na abundância e têm de sobra: devem recordar que o valor do homem não é medido segundo aquilo que tem, mas segundo aquilo que é. Seu perigo maior é fechar-se em si mesmos. Seria a cegueira espiritual. Quem tem muito deve muito. “São pobres no espírito também os ricos que, à medida da própria riqueza, não cessam de dar-se a si mesmos e de servir os outros”. São então, também eles, membros vivos da Igreja dos pobres.
4. A Igreja de todo o mundo quer ser a Igreja dos pobres.
5. A Igreja dos pobres se dirige a todos os homens. É a Igreja universal. “Não é a Igreja de uma classe ou de um só casta”. Ela não quer servir àquilo que causa tensões e faz explodir a luta entre os homens. Em sua ação evangélica “a Igreja dos pobres não quer servir a fins imediatos políticos, às lutas pelo poder, e ao mesmo tempo procura com grande diligência que suas palavras e ações não sejam usadas para tal fim, ou que sejam instrumentalizadas”.
6. A Igreja dos pobres se dirige também às sociedades: “às sociedades em sua globalidade e às diversas camadas sociais, aos grupos e profissões diversas. Fala igualmente aos sistemas e às estruturas sociais, socio-econômicas e sociopolíticas. Prega na língua do Evangelho, explicando-o também à luz do progresso da ciência humana, mas sem introduzir elementos estranhos, heterodoxos, contrários ao seu espírito”.

 

SIMPLICIDADE
“Cuida que seu comportamento habitual no falar, no vestir, no atuar, esteja em concordância com suas intenções intimas, de tal modo que os demais possam conhecê-lo claramente, tal como é”.
A virtude da simplicidade é uma manifestação da atitude autêntica da pessoa. E é autêntico aquele que tem o devido valor humano. Isto é, a simplicidade requer clareza de inteligência e retidão da vontade.

A MANEIRA PESSOAL DE VIVER A SIMPLICIDADE
1. Tento atuar com clareza e transparência nas atividades íntimas frente aos demais e frente a Deus.
(Há dois problemas principais para viver a simplicidade. Em primeiro lugar se trata de ter claro o que se busca na vida, mas também se trata de evitar que haja uma coisa no coração e exteriorizar outra).
2. Reflito sobre os fins de minha vida e os tenho claros.
(A simplicidade será impossível no comportamento se não existe ordem no pensamento).
3. Entendo que a simplicidade é necessária para conhecer a verdade, para viver umas relações autênticas com os demais, e inclusive para não passar ridículo.
(Tentar ser o que não se é, simular ou atuar com hipocrisia são maneiras seguras de despertar lástima ou, inclusive, o deboche dos demais).
4. Tento que com minha atuação habitual seja congruente o que digo com o que penso.
(A atuação congruente constante não é fácil, mas produz um estilo pessoal reconhecido pelos demais como tal. Desta maneira poderão confiar mais na pessoa e desfrutar da relação).
5. Tento que minha maneira de vestir seja elegante, que retrate minha maneira de ser, e nunca produza um efeito nos demais que faz com que pensem que sou outro tipo de pessoa da qual realmente sou.
(Alguém disse que a elegância é fazer combinar a roupa ao corpo e os dois à circunstância. Não queremos dizer que uma pessoa não deve arrumar-se para uma ocasião especial, por exemplo. Mas evitar qualquer tipo de excesso sim).
6. Me expresso em uma linguagem adequada ao tema e às pessoas com as quais estou falando.
(A ironia, o convencimento e a hipocrisia são todas maneiras de faltar à simplicidade. Mas também usar uma linguagem que não se conforma com os próprios princípios, ou simular, pela linguagem usada, que somos diferentes do que somos na realidade).
7. Tento deixar-me conhecer intimamente em minha família e ainda mais em minhas relações com Deus. Em troca, compartilho minha intimidade de uma maneira prudente com os demais.
(Converter a própria intimidade em domínio público não é parte da simplicidade. Isto seria,no melhor dos casos, ingenuidade).
8. Nas relações com os demais tento interessar-me de verdade pelos temas que interessam a eles, de tal maneira que não caio em uma tática de interesse simulado.
(Se nota rapidamente quando as pessoas simulam interesse. “Que interessante”! é uma frase típica que utilizam. Também perguntam pela família quando se sabe que não lhes interessa. Ou, quando alguém está respondendo, interrompem para dirigir a palavra à outra pessoa ou para dar alguma indicação).
9. Nota-se minha simplicidade em algumas das seguintes manifestações: o trato delicado; a expressão manifesta de alegria ao encontrar um conhecido pela rua; a paciência mostrada em uma situação difícil; o modo de buscar o positivo nos demais e evitar as discussões rebuscadas; o elogiar cordialmente sem exagerar; o agradecimento com entusiasmo, o saber retificar, o vestir elegante, o trato confiado e respeitoso com Deus.
(Não são todas as maneiras de viver a simplicidade, mas servem como pontos concretos de reflexão).
10. Habitualmente mostro confiança e carinho com os demais.
(As pessoas desconfiadas ou egoístas não podem ser simples. O que lhes é próprio é o engano e a hipocrisia).

A EDUCAÇÃO DA SIMPLICIDADE
11. Preocupo-me de criar e aproveitar situações, com o fim de que os pequenos possam captar e viver o genuíno e chegar a impregnar-se de valores positivos.
(A simplicidade se relaciona com a naturalidade e a experiência de haver vivido manifestações da bondade, da beleza, da verdade, da ordem. Ajudará a criança a interiorizar os valores de uma maneira natural. Isto pode acontecer em excursões ao campo, ao visitar uma exposição, ao acompanhar a um doente, com o ambiente alegre de convivência na família, etc.).
12. Ensino aos pequenos a cumprir com determinadas normas que estão inspiradas nestes valores.
(Outra vez o que buscamos é a experiência de haver vivido ações relacionadas com os valores. Mas esta vez é porque algumas normas estão previstas para isso).
13. Consigo um ambiente de espontaneidade e naturalidade com as crianças apesar de que vou lhes exigindo para que controlem suas tendências básicas com sua vontade.
(A espontaneidade descontrolada não tem valor algum. É necessário que seja controlada. As crianças muito pequenas terão dificuldade em superar-se neste sentido, mas pouco a pouco convém que vão descobrindo quais são as ações adequadas em diferentes circunstâncias).
14. Ajudo aos filhos/alunos um pouco maiores a refletir sobre o que fazem para que vejam se está relacionado com algum dos valores familiares ou do colégio.
(A exigência no fazer passa a uma exigência no pensar. A simplicidade não exclui o uso da razão. Pelo contrário, o necessita).
15. Tento conseguir que vivam a simplicidade em suas relações com a família e com Deus para que possam ouvir a voz do Senhor.
(Pessoas com idéias confusas, com preocupações interiores ou que não querem ser quem são rarissimamente vão viver sua vida de cristão honestamente).
16. Ajudo aos adolescentes a descobrir qualquer tendência que podem ter de querer parecer mais ricos ou mais pobres do que são, ou de ter mais idade ou menos idade que o que têm, ou de querer imitar a seus colegas em vez de ser eles próprios.
(É frequente ver as meninas de treze ou quatorze anos vestindo-se ou maquiando-se como as de dezoito. Ou querendo vestir-se como membros do grupo, mas não porque é seu estilo, ou contando histórias fictícias para aparecer “mais” do que realmente são).
17. Ajudo aos adolescentes a não simular no que se refere a sua inteligência, ou a sua competência.
(São outras maneiras de viver com hipocrisia, que podem seguir durante toda a vida. Por exemplo, citar livros que não leram, usar um tom de voz que não é o próprio, atribuir-se todo tipo de excelências que não correspondem à realidade, ou atuar com uma ingenuidade absurda quando não é o caso).
18. Ajudo aos jovens a refletir sobre o conjunto de suas atividades com o fim de que distingam entre o que é essencial, o que é importante, o que é secundário e o que não é necessário ou o que é negativo em si. Isto é, tento conseguir que suas vidas não sejam tão complexas, resultado de um acúmulo de atividades de diferentes valores.
(Alguns jovens lêem de tudo com o pretexto de estar em dia, vêem tudo no cinema para não ficar “por baixo” seus colegas, gastam esforços e tempo excessivos em escutar música, ou em falar ao telefone, saem por sair ou dormem muito mais do que o corpo necessita).
19. Ajudo aos jovens a auto-conhecer-se com o fim de estabelecer pequenos pontos de luta.
(Com certo tipo de jovem haverá que ter cuidado, já que alguns são muito sensíveis e podem criar escrúpulos).
20. Ponho aos jovens em situações adequadas para que possam refletir sobre a relação entre suas atuações habituais e suas intenções íntimas.
(É fácil enganar-se. E não apenas são os jovens que o fazem. Necessitamos dos demais: do cônjuge, do pai, da mãe, do filho, do colega, do amigo, do professor ou do sacerdote para colaborar no processo de melhora pessoal).

A OPÇÃO DA SIMPLICIDADE
Muitas pessoas reclamam da correria de suas vidas.
Acham que têm compromissos demais e culpam a complexidade do mundo moderno.
Entretanto, inúmeras delas multiplicam suas tarefas sem real necessidade.
Viver com simplicidade é uma opção que se faz.
Muitas das coisas consideradas imprescindíveis à vida, na realidade, são supérfluas.
A rigor, enquanto buscam coisas, as criaturas se esquecem da vida em si.
Angustiadas por múltiplos compromissos, não refletem sobre sua realidade íntima.
Olvidam do que gostam, não pensam no que lhes traz paz, enquanto sufocam em buscas vãs.
De que adianta ganhar o mundo e perder-se a si próprio?
Se a criatura não tomar cuidado, ter e parecer podem tomar o lugar do ser.
Ninguém necessita trocar de carro constantemente, ter incontáveis sapatos, sair todo final de semana.
É possível reduzir a própria agitação, conter o consumismo e redescobrir a simplicidade.
O simples é aquele que não simula ser o que não é, que não dá demasiada importância a sua imagem, ao que os outros dizem ou pensam dele.
A pessoa simples não calcula os resultados de cada gesto, não tem artimanhas e nem segundas intenções.
Ela experiência a alegria de ser, apenas.
Não se trata de levar uma vida inconsciente, mas de reencontrar a própria infância.
Mas uma infância como virtude, não como estágio da vida.
Uma infância que não se angustia com as dúvidas de quem ainda tem tudo por fazer e conhecer.
A simplicidade não ignora, apenas aprendeu a valorizar o essencial.
Os pequenos prazeres da vida, uma conversa interessante, olhar as estrelas, andar de mãos dadas, tomar sorvete…
Tudo isso compõe a simplicidade do existir.
Não é necessário ter muito dinheiro ou ser importante para ser feliz.
Mas é difícil ter felicidade sem tempo para fazer o que se gosta.
Não há nada de errado com o dinheiro ou o sucesso.
É bom e importante trabalhar, estudar e aperfeiçoar-se.
Progredir sempre é uma necessidade humana.
Mas isso não implica viver angustiado, enquanto se tenta dar cabo de infinitas atividades.
Se o preço do sucesso for ausência de paz, talvez ele não valha a pena.
As coisas sempre ficam para trás, mais cedo ou mais tarde.
Mas há tesouros imateriais que jamais se esgotam.
As amizades genuínas, um amor cultivado, a serenidade e a paz de espírito são alguns deles.
Preste atenção em como você gasta seu tempo.
Analise as coisas que valoriza e veja se muitas delas não são apenas um peso desnecessário em sua existência.
Experimente desapegar-se dos excessos.
Ao optar pela simplicidade, talvez redescubra a alegria de viver.

 

ALEGRIA
Para você o que significa ser alegre? O que é alegria para você? Precisamos verbalizar o que acreditamos para compreendermos melhor o que está em nosso interior. Todos estamos buscando a verdadeira alegria. Precisamos nos questionar: “O que é alegria para mim? O que eu pautei como valor e princípio para alegrar a minha vida?” Pode ser que a nossa noção de alegria seja tão superficial e rasa que a gente não conseguirá ser feliz.
A alegria é uma coisa que vem de dentro e só Deus pode dar. Você só recebe a alegria de verdade quando você descobre uma realidade e toma posse dela. “Eu sou amado por Deus e ninguém vai roubar esse amor de mim!” O contentamento, às vezes, você perde, mas a alegria não.
“Se Deus é por nós quem será contra nós?” Para nos ajudar a refletir sobre a alegria cristã vou usar a reflexão que o papa Francisco fez sobre a alegria. “O coração do homem deseja alegria, todos nós aspiramos a alegria, cada família, cada povo aspira à felicidade. Mas, qual é a alegria que o cristão está chamado a viver e testemunhar? É aquela que vem da proximidade com Deus, da Sua presença na nossa vida. Uma vez que Jesus entrou na história com seu nascimento em Belém, a humanidade recebeu a semente do Reino de Deus como uma terra que recebe a semente, promessa de colheita futura. Não há necessidade de procurar em outro lugar! Jesus veio para trazer alegria para todos e para sempre. Não é só uma alegria esperada ou deslocada para o paraíso, ‘aqui na terra estamos tristes, mas no paraíso estaremos alegres’, não, não é isso. Mas, de uma alegria já real e que já é possível sentir agora, porque o mesmo Jesus é nossa alegria, é nossa casa”.

CINCO PONTOS PARA REFLETIR SOBRE A ALEGRIA CRISTÃ
1º) “O coração humano deseja alegria”. Todo mundo tem o desejo nato de felicidade. Até os grandes pecadores da história estão procurando a alegria.
2º) “Mas qual é a alegria que o cristão é chamado a viver”? Se o papa está perguntando qual, é porque existem outras alegrias. Qual é a alegria que você está procurando? Uma pedra de crack ou uma verdadeira alegria que brota do coração? Pode ser que você esteja pouco contente com as circunstâncias da sua vida, mas a alegria brota do coração. Percebo que, infelizmente, muitas pessoas tropeçam nessa pergunta do papa Francisco porque confundem alegria com prazer.
3º) “É aquela que vem da proximidade com Deus, da Sua presença na nossa vida”. A resposta da pergunta que o papa Francisco fez está nesse ponto, é a alegria que vem da proximidade de Deus. Se você quer ser alegre de verdade saiba que a fonte da alegria é a amizade com Deus. Amizade é, antes de tudo, um relacionamento. Gastar tempo com Deus na adoração, sacramentos, oração e Missa. Jovem, essa carência que tem dentro de você só Deus pode preencher e você não tem que mendigar o amor das pessoas. Você tem tantos dons lindos dentro de você!
4º) “Não há necessidade de procurar em outro lugar”. Não procure em cosméticos, festas, baladas aquilo que só Deus pode preencher e lhe dar.
5º) “Não é só uma alegria esperada ou deslocada para o paraíso, ‘aqui na terra estamos tristes, mas no paraíso estaremos alegres’, não, não é isso. Mas, de uma alegria já real e que já é possível sentir agora.” Deus te criou para viver a alegria já aqui nesta terra. A alegria não é a ausência de problemas e sofrimentos. Você precisa aprender de Deus uma sabedoria prática para saber ser alegre mesmo em meio aos desafios do dia.

SAIBA COMO DESENVOLVER A ALEGRIA
Primeiro: É preciso reconhecer o que há de bom em nossa vida. Cuidado com a tristeza, porque ela pode se tornar um vício! Você aponta a lua no alto do céu, alta e brilhante, e a pessoa triste fica olhando a ponta do seu dedo, mas não olha para a lua.
Segundo: Ajudar a quem precisa é fonte de alegria. É provado cientificamente que quando você ajuda uma outra pessoa, você sente uma alegria.
Terceiro: Compartilhar é fonte de alegria. Quando você compartilha algo ou você mesmo, aquilo que você é, é fonte de alegria. Quando você para e escuta alguém. Quando você não tem condições de ajudar, Deus manda pessoas. “Quando há menos de nós há mais de Deus” (Santa Teresa D’Ávila).
Quarto: Cultivar o bom humor e ser otimista. A pessoa que é otimista não para no negativo, mas ela sabe conversar. É tão bom conviver com pessoas bem humoradas. Papa Francisco exortou os cristãos dizendo: “o cristão não pode ser pessimista e ter cara de velório”.
Quinto: Desenvolver a capacidade de conquistar, ter metas na vida. Quando você se propõe a uma meta e trabalha com afinco para conquistá-la isso é fonte de alegria profunda para o seu coração.
Sexto: Cultivar a amizade com Deus por meio da oração. “Que alegria quando ouvi que me disseram vamos à casa do Senhor” (Salmo 122). Quanto tempo você separa para rezar? Ninguém pode ter a verdadeira alegria se não cultiva uma vida de oração.
Encerro com o Evangelho de São João: “Até agora nada pedistes em meu nome; pedi, e recebereis, para que o vosso gozo se cumpra” (Jo 16, 24).

A NOSSA ALEGRIA TEM AS RAÍZES EM FORMA DE CRUZ
Por quê?
Porque da cruz brotou toda a alegria: o júbilo exultante da Ressurreição, a certeza da nossa felicidade eterna; porque se o grão de trigo não morre, fica infecundo; mas se morre, dá muito fruto (Jo 12, 24-25). Quem conseguir tirar da morte, vida, e fazer da dor uma fonte de alegria, é sem dúvida um ser superior. E assim é o verdadeiro cristão: já começou aqui na terra a viver a permanente felicidade do céu, onde não haverá nem lágrimas nem despedidas.
E o Senhor vai-nos ensinando: esta humilhação deve servir-te para “podar” o teu orgulho, que tanto machuca os outros; essa frustração é para que comeces a perceber que a tua autossuficiência é infantil e tola; a perda dessa pessoa querida serve para que penses mais que estamos aqui de passagem; essa dor profunda, para que acabes por compreender que foi precisamente a Cruz o instrumento que Eu escolhi para redimir o mundo…
Contava-me o capelão do Hospital do Câncer de São Paulo, Pe. Humberto, uma história comovente. Ficou internado ali um garotinho de uns sete anos, Marcelo, com um câncer incurável e dolorosíssimo. E ele só sabia dizer a todos: – “Por que eu, por que eu… Que mal fiz eu para sofrer tanto?” Todos ficavam impressionados, extremamente sentidos, mas nada sabiam responder-lhe, até que um dia o Pe. Humberto foi visitá-lo. Sentou-se à beira da sua cama e começou a conversar com ele…
– Marcelo, você sofre muito?
– Muito, padre, muito… Por que eu?; Por que eu?…
O Pe. Humberto disse-lhe:
– Marcelo, olhe para o crucifixo: por que Ele, por que Ele?… Que mal fez Ele para sofrer tanto?
O menino ficou calado, perplexo, chocado… E perguntou mansamente, quase chorando:
– Porquê, Pe. Humberto, por quê?
– Porque padeceu na cruz pelos nossos pecados; porque, fazendo-se homem, quis satisfazer pelos delitos cometidos pelos homens. Deus, Pai, desejava essa satisfação. Você não gostaria de unir-se à Cruz de Jesus, ser tão bom como Ele e sofrer para redimir com Ele todos os homens?
– Sim, claro, mas como posso fazer isso?
– Olhe, você sabe que a Olívia, aquela moça nissei, que está tão grave, vai morrer, mas não quer
confessar-se. Por que você não oferece as suas dores para que ela se confesse?
– Sim, vou oferecê-las, sim. Mas escreva num papel o nome dela para eu não o esquecer…
A partir desse momento, a atitude de Marcelo mudou completamente. O protesto converteu-se em paz e sorriso. A enfermeira estava impressionada.
Marcelo entrou em agonia e perdeu os sentidos. A enfermeira observou que tinha o punho direito
sempre fechado e que pronunciava uma frase que ela não conseguia entender. Quando faleceu, abriu-lhe a mãozinha e dela tirou um papel amarrotado onde estava escrito: “OIívia”. Foi então que entendeu as palavras que Marcelo murmurava: – “Por OIívia …, por Olívia…” Mas o mais admirável foi que, exatamente à hora em que Marcelo falecia, Olivia, espontaneamente, sem nada saber do fato, dizia ao Pe. Humberto que queria confessar-se.
Os dois, Marcelo e Olívia, encontrar-se-iam lá em cima para rejubilar-se mutuamente ao entenderem, em toda a sua profundidade, que a dor unida ao sacrifício de Jesus desabrocha numa eterna alegria.
A dor leva-nos à decepção e à tristeza quando não sabemos encontrar o seu sentido sobrenatural. Quando, porém, sabemos que, através dela, nos estamos santificando e santificando os outros – que estamos sendo corredentores –, essa dor adquire tal valor aos nossos olhos que acabamos por sentir-nos felizes sacrificando-nos para que a vontade de Deus se realize. A Dor, entendemos, vai ao encontro do Amor.
Pensando nisto, poderíamos perguntar-nos: Procuramos encontrar sentido em nossas dores? Pedimos luzes para entrever o significado que Deus quer dar a todos os acontecimentos desagradáveis? Pedimos ao Senhor que nos ajude a fazer um ato de esperança dizendo: tudo será para meu bem! (cfr. Rm 8, 28). Sabemos olhar com frequência o crucifixo para oferecer os contratempos com espírito reparador? Pedimos ao Senhor a paciência necessária para carregar a cruz de cada dia com alegria cristã?
E então vamos adquirindo esse estado superior em que dos espinhos nascem rosas, em que do grão que morre brota a espiga fecunda, em que do Calvário emerge o exultante júbilo da Ressurreição, e da contrariedade o sorriso.

ALEGRIA NOS FILHOS
“…Vendo isso, Jesus se aborreceu e disse: Deixai as crianças virem a mim. Não as impeçais, porque a pessoas assim é que pertence o Reino de Deus. Em verdade vos digo: quem não receber o Reino de Deus como uma criança, não entrará nele. E abraçava as crianças e, impondo as mãos sobres elas, as abençoava” (Marcos 10, 14-16).
É comum conhecermos pessoas que optam por ter animais domésticos no lugar de filhos, pois, de acordo com seu ponto de vista, os bichos não dão tanto trabalho, não dão tantas despesas e exigem menos atenção que uma criança. Tornou-se comum, também, muitas pessoas acabarem tendo filhos mais por aderirem a uma convenção social que por convicção e, depois, acabam “terceirizando” a função de pai e mãe.
Todos nós sabemos que precisamos dar atenção aos filhos se quisermos conquistá-los, que precisamos destinar tempo a eles se quisermos que eles nos amem para que, assim, futuramente, não se tornem delinquentes ou sejam conquistados por um traficante. Contudo, não podemos enxergar o papel de pai e mãe apenas pelo lado da obrigação que temos, mas, também, pela alegria que isso nos proporciona. É muito bom ter crianças! Elas nos enchem de alegria, trazem-nos lembranças da infância, fazem-nos esquecer dos problemas deste mundo e nos ensinam muitas coisas por meio de sua pureza. É estranho como as pessoas investem em entretenimento enquanto que, a maior de todas as diversões, que é ficar com os filhos, não tem custo algum. Se o Reino dos Céus é amor e alegria, então, viver com crianças é uma amostra deste Paraíso.
Que possamos descobrir que o tempo de dedicamos para ficar com nossos filhos é muito bom não apenas para eles, mas, também para nós.

A ALEGRIA NO LAR
Cada lar tem de ser um santuário de paz e de alegria, uma autêntica “Igreja doméstica” (Rm 16, 5), um reflexo do lar de Nazaré, no qual se vive em trato íntimo com o Senhor.
A alegria e a paz não vêm de fora, brotam de dentro, ainda que se viva no último barracão da última favela. Por isso, se um lar não é alegre, não é por faltarem meios econômicos e sobrarem doenças. É simplesmente porque falta espírito cristão. Quando se vive de fé, a alegria transborda no meio da abundância e da carência, da saúde e da doença, do prazer e da dor.
É graças a essa fé que ganhamos forças para, por um lado, eliminar a tristeza e o pessimismo, e, por outro, incentivar o otimismo e o bom humor.
É graças a essa fé que conseguimos, em primeiro lugar, arrancar do lar as ervas daninhas da tristeza, e arrancá-las pela raiz, para que não se reproduzam. “Não compreendes – diz um dos primeiros escritos cristãos, o Pastor de Hermas – que a tristeza é o pior e o mais temível de todos os estados de espírito?” Não há nada pior para corromper um lar e estragar os filhos. Que os pais pensem nisso para superar, se necessário, essa tendência frequente à irritação, à dramatização, à zanga, ao mau gênio, à insegurança, à apreensão agourenta e ao pessimismo; que pensem também, com espírito de responsabilidade, que os angustiados e neuróticos são geralmente filhos de pais tristes e pessimistas.
E depois, é indispensável semear paz, bom humor e otimismo. Sim, é necessário no ambiente do lar saber rir, e fazer os outros rirem; aprender a contar uma boa piada; tirar importância aos pequenos incidentes da vida diária – o carro que enguiçou, o espelho que se quebrou, a sopeira cheia que caiu em cima do tapete, as gripes mensais, as enxaquecas diárias, as reprovações escolares e as brigas fraternas… –; saber olhar todas essas coisas pelo lado positivo, descontraído, amável e… divertido.
Por outro lado, é preciso cuidar dos detalhes: festejar os aniversários com carinho, não dispensar os presentes de Natal e especialmente celebrar com alegria as grandes festas da Igreja… Custa tão pouco fazer um bolo enfeitado com creme no dia da Páscoa, e também no ignorado dia de Pentecostes, e em tantos outros… Assim se conseguirá essa atmosfera do Lar de Nazaré.

A ALEGRIA É O SENTIDO DA ETERNIDADE
Se abra para a Sagrada Escritura para saber como deve se manifestar a verdadeira alegria. Se nos apegamos a tantos valores que não brotam da fonte que é a Palavra de Deus, nós mergulhamos naquilo que não é dom de Deus e que de alguma forma são referências de alegria para nós, que haja uma conversão de suas referências, mudança de coração. A Sagrada Escritura traz de forma profunda e densa a verdadeira referência.
Talvez você esteja caminhando, mas você não apresenta essa alegria porque suas motivações não são autênticas, estão corrompidas por coisas que não fazem parte da verdade de Deus.
Na Sagrada Escritura, a alegria vai transcendendo o sentido daquilo que é terrestre, e vai se tornando a marca da salvação que se aproxima. No Antigo Testamento vamos olhando que de forma crescente, a Palavra vai mostrando essa alegria verdadeira.
A Sagrada Escritura demonstra o limite e a brevidade dos bens terrestres que não sanam o desejo do coração do homem de fazer essa experiência com Deus. Será que sua alegria está estabelecida nos bens terrestres? E aqui você irá parar nos limites dos bens terrestres, e quando essa brevidade se aproxima a pessoa fica sem base. Depende de Deus a sua alegria.
Mesmo no sorrir, o coração pode estar triste. A experiência precisa ser interna de depender de Deus. A alegria é fruto da dependência de Deus, aquele que depende de Deus traz o júbilo de Deus.
A alegria é o sentido da eternidade, uma alegria que depende somente de Deus. Eu dependo em todas as coisas de Deus. Se você não depende, você não vai sair da tristeza que tem reinado em seu coração, você vai permanecer nas cadeias de mortes que foram construídas ao longo de sua história na busca vazia de si mesmo; seja na vocação ou em qualquer realidade. Muitos perdem a vocação por não fazerem a experiência de depender de Deus.
A dependência de Deus nos faz ver além, nos amadurece de tal forma que nos sentimos livres. Você só respira porque a graça de Deus lhe permite isso, é o dom da vida, sopro de vida que nos move.
O que é externo não pode matar o que é de Deus em nós. As dificuldades e sofrimentos são pobres diante da alegria divina. Dê um passo diante do Deus maior. Não há como fazer a experiência da alegria divina se não permanecemos no amor.
Tudo aquilo que não é amor e você tem dado espaço em seu coração não faz parte da alegria Divina, então não pode ser mais a motivação para você. Eis que o que era velho passou e tudo se faz novo.
Ao enfrentar as situações difíceis da vida se a pessoa centraliza na situação em si, não tem força para dar uma reposta diferente diante do fato. Quanto mais ela sofre, mais atualiza a dor, mergulha na dor, e vai ficando sem força para enfrentar a situação. Só enfrentamos essa realidade quando em nosso coração é atualizado a presença Divina. As pessoas esquecem-se disso e caem na ingratidão com Deus, esquecem do que Deus é e do que Deus fez.
A que você tem dado importância? Para coisas breves? Se assim for sua alegria será passageira, nunca será eterna, porque falta sentido de eternidade. Eternidade é para quem quer viver o presente com amor, pois quem não ama a vida presente não quer a vida para sempre; é uma existência que vai apodrecer no túmulo.
A nossa existência não é vazia, tem sentido, tem raiz em Jesus Cristo, pois Ele disse: “onde Eu estiver vós também estareis”. Esse lugar já foi alcançado, viva com seu olhar para eternidade, e não como alguém perdido. É em Deus que o homem deve por sua alegria acima de qualquer outro bem.
“Ao ouvir esse tumulto, minhas entranhas comoveram-se; ao seu ruído meus lábios tremeram; a cárie penetra nos meus ossos, e meus passos vacilam debaixo de mim. Esperarei em silêncio o dia da aflição, que se há de levantar sobre o povo que nos oprime, porque então a figueira não brotará, nulo será o produto das vinhas, faltará o fruto da oliveira, e os campos não darão de comer. Não haverá mais ovelhas no aprisco, nem gado nos estábulos. Eu, porém, regozijar-me-ei no Senhor. Encontrarei minha alegria no Deus de minha salvação. O Senhor é minha força; ele torna meus pés ágeis como os da corça, e me faz andar sobre os cimos. Ao mestre do canto. Para instrumentos de corda” (Habacuc 3, 16-19).
Quem tem a alegria presa nas coisas que passam, não suporta as angústias da vida terrestre. Você acha que uma pessoa que não depende de Deus fará uma oração como essa?
Não perca tempo de amar, valorize o que Deus te deu, não espere perder para valorizar o que Deus lhe deu. Deus nos perdoa sempre, mas a vida não nos perdoa, porque colhemos as consequências de nossas escolhas. Deus é amor, Ele não nos castiga, mas nós nos castigamos quando não vivemos o amor. Se nós não permanecemos no amor não encontramos a verdadeira alegria.
“Somos julgados tristes, nós que estamos sempre contentes; indigentes, porém enriquecendo a muitos; sem posses, nós que tudo possuímos!” (2 Coríntios 6, 10). É assim que nós enfrentamos as tribulações. Nada é maior que a alegria em Cristo. Identifique o que tem estado no ponto mais alto de sua vida. Você tem adorado a Deus?
“Tenho grande confiança em vós. Grande é o motivo de me gloriar de vós. Estou cheio de consolação, transbordo de gozo em todas as nossas tribulações” (2 Coríntios 7, 40). Parece utopia, como alguém pode transbordar de dor na tribulação? Porque a tribulação não é maior que a alegria em Deus. Essa alegria baseia-se na expectativa da salvação, mas é preciso ter uma profunda união com Cristo no amor.
Qual a qualidade de seu presente? De suas ações? De suas palavras? De seus relacionamentos? É um relacionamento que tem qualidade de eternidade? Você dá qualidade as suas palavras? As pessoas têm júbilo interior de estarem na sua presença?
Não espere eternidade para depois da morte, pois ela só terá sentido se você deu qualidade para a vida hoje. É hoje que sua vida tem que cantar o canto mais belo. É preciso crer na vida antes da morte, para esperar a vida depois da morte. Deus cria para a vida, porque Deus cria por amor. Se a lógica do amor não nos governa não experimentamos alegria e sim corrupção.
A visão de Deus transforma o homem, nos elava a qualidade verdadeira de nossa vida. O olhar de Deus nos penetra concede-nos uma visão perfeita da nossa condição de filho. A vida é o próprio Deus com amor. Dê uma resposta de eternidade a sua vida, para que quando as pessoas te olharem elas digam: “ali vem um filho do céu”, e não um filho do inferno.
A comunhão eterna se faz na dimensão fraterna. A eternidade valoriza o tempo, faz com que nossas ocupações humanas não sejam banais, na dimensão da eternidade todas as coisas são acompanhadas de esperança. A vida não permite ensaio, é única, quando a cortina se fechar, ou seja, a morte chegar, o espetáculo da vida terrena acabou. Viver é uma questão de urgência, não tem como ir ensaiando uma vida de sacerdócio, o tempo passa e não volta. Eu preciso ser inteiro naquilo que eu vivo e acredito. Aquilo que celebro determina aquilo que eu sou, é ali que eu construo. Eu preciso renunciar ao hábito de dar peso de pessimismo na minha vida.
Ganhe tempo amando, consuma tempo no amor, nada é perca de tempo no coração que ama.
“Contudo, não vos alegreis porque os espíritos vos estão sujeitos, mas alegrai-vos de que os vossos nomes estejam escritos nos céus” (Lucas 10, 20).
Seja alguém que não tem uma alegria que dependa das situações da vida para ser alegre, dependa de Deus. A felicidade não depende daquilo que falta, depende do bom uso daquilo que se tem.
A mãe de Madre Teresa de Calcutá disse para ela: “Segure a mão de Jesus e caminhe sozinha com Ele, pois se olhares para trás irás voltar”. Siga em frente com Jesus para a eternidade sem olhar para trás.

ALEGRIA OU TRISTEZA?
“Não se deixe dominar pela tristeza, nem se aflija com preocupações. Alegria do coração é vida para o homem e a satisfação lhe prolonga a vida” (Eclesiástico 30, 21-22).
Todos nós enfrentamos dificuldades e tristezas ao longo de nossas vidas. Algumas pessoas podem até ter provações maiores do que outras, mas todos enfrentam momentos turbulentos. Frente a estas dificuldades, o fraco reclamará e afirmará que o mundo se volta contra ele, que todos o perseguem e que as coisas ruins só acontecem com ele. Com suas lamentações, fará com que o problema se torne maior do que realmente é. Por fim, usará como justificativa de seus fracassos pessoais, familiares e profissionais o fato de ter sido uma vítima do mundo. O forte enfrentará a dificuldade sabendo que o sofrimento é inevitável e fará o máximo possível para resolver a situação. Com confiança em Deus, enxergará nos problemas da vida uma oportunidade para seu crescimento humano. E certo de conseguirá superá-los, os tornará menores sendo mais fáceis de serem vencidos. Cabe-nos optar em agir como o perfil que encara tudo na vida com tristeza ou como o perfil que, apesar das dificuldades, encara as coisas com alegria.

A VIRTUDE DA ALEGRIA
Realmente somos felizes. Deus nos deu a vida, o dom maior, a liberdade e muitos talentos. Reflita comigo:
“Pusestes em meu coração mais alegria do que quando seu trigo e seu vinho transbordam” (Sl 4, 8).
E isso não se trata de querer tapar o sol com a peneira, o que seria falta de honestidade conosco mesmos. Nem de fazer-se de “coitadinho”, de vítima pedindo carícias de lástima dos conhecidos. Trata-se, sim, de aceitar a realidade tal como se apresenta, e procurar tirar o melhor partido das dificuldades. Como diz o provérbio, “se a vida lhe oferece um limão amargo, faça com ele uma limonada”.
“Eu vos digo isso para que a minha alegria esteja em vós, e vossa alegria seja plena” (Jo 15, 11).
É bastante fácil ser alegre quando a vida desliza como uma canção, mas o homem verdadeiro é aquele que sorri ainda quando tudo vai terrivelmente mal. Pois o teste do coração são as dificuldades, e elas vêm com os anos, e o sorriso que merece os louvores da terra é aquele que brilha através das lágrimas.
“Vós vos entristeceis, mas a vossa tristeza se transformará em alegria” (Jo 16, 20).
Lembre-se: “um só ramo de flor tem mais futuro do que toda uma floresta seca. E numa só semente de trigo há mais vida do que num montão de feno“. É claro, a floresta seca interessa ao lenhador que anda em busca de madeira para queimar. Uma vez posta ao fogo, a lenha deixa de existir. Enquanto, um ramo de flor e uma semente de trigo trazem dentro de si a força da vida, a promessa de abundantes colheitas e de novos frutos. Trazem esperança, virtude alegre baseada na fé. Uma das alegrias mais fantásticas da vida será deixarmos este mundo diferente, porque passamos por ele e aí deixamos a marca da nossa criatividade, do nosso sorriso, da nossa alegria!!!.
“Ainda há esperança para quem está ligado a todos os vivos, e um cão vivo vale mais do que um leão morto” (Ecl 9, 4).
Realmente a alegria é essencial para as nossas vidas, mesmo em meio a essas dificuldades do dia a dia, não me deixo vencer pela tristeza, ao contrário sempre lembro que, o coração é nosso, mas o rosto é dos outros, então sigo em frente com fé.
É possível transformar dificuldades em momentos de “alegria”.
Deus transforma momentos difíceis em bênçãos.
A felicidade é um susto. Chega na calada da noite, na fala do dia, no improviso das horas. Chega sem chegar, insinua mais que propõe… Felicidade é animal arisco. Tem que ser admirada à distância porque não aceita a jaula que preparamos para ela. Vê-la solta e livre no campo, correndo com sua velocidade tão elegante é uma sublime forma de possuí-la.

SÃO FRANCISCO E A ALEGRIA – Francisco declara bem-aventurados os frades que vivem situações àquelas às quais o Evangelho qualifica de bem-aventuranças. Em geral são declarações dele a respeito de quem procede evangelicamente, como nas suas Admoestações diz: “bem-aventurado aquele que nada retém para si”.
Neste sentido encontrei – só nos escritos atribuídos a Francisco – 12 vezes a expressão bem-aventurado(s) e uma vez “felizes” como sinônimo de bem-aventurados. Na verdade são promessas de felicidade se os frades conseguirem realizar determinadas propostas evangélicas.
Quando Francisco lida com o dia-a-dia de seus irmãos e refere-se às qualidades e virtudes para a boa vivência da fraternidade, para o sucesso na luta contra Satanás e a eficiência da evangelização, ele fala 19 vezes em alegria.
Alegria como virtude – Não é muito fácil transformar a alegria em virtude, pois alegria parece constituir-se apenas de uma emoção primária agradável, fruto da posse de coisas desejadas. O problema está naquilo que se deseja. A alegria do Tio Patinhas por encontrar mais uma mina de ouro não é virtuosa, pois é fruto de sua desmedida cobiça e poderá incentivar outros a se entregarem ao materialismo.
Francisco, por sua vez, acabara de romper com o pai ganancioso e com a riqueza de que podia usufruir na família. Procurava em seu íntimo uma forma de viver mais de perto o ideal do Evangelho e do modo de ser do próprio Cristo.
Numa Missa ouve aquela passagem na qual Jesus envia seus discípulos a pregar. Depois pede ao sacerdote que lhe explique a leitura. Diante do quadro dos enviados “sem bastão”, sem dinheiro, sem reserva de pão, sem calçados”, ocupados unicamente em pregar o Reino de Deus e a penitência, Francisco tem uma iluminação. Segundo Tomás de Celano, ele exclama: “É isso que eu quero, isso que procuro, é isso que DESEJO DE TODO CORAÇÃO”. Ora, quem consegue conquistar “aquilo que deseja” de todo o coração, só pode experimentar uma alegria correspondente. É o que Jesus afirma ao comparar o Reino a um tesouro. Quem o encontrar abre mão de TUDO o que possui e, “cheio de alegria compra aquele campo” (Mt 13, 44). Para chegar ao TESOURO, Francisco teve que perder tudo. Enquanto ia perdendo, já sentia o coração enchendo-se de alegria. A conclusão disso foi claríssima para ele: a alegria é o certificado de qualidade da evangelização. Só é bom discípulo e bom anunciador do Reino quem não conseguir esconder aos demais – por causa da alegria irreprimível – que ele encontrou algo realmente extraordinário.
Desdobramentos da alegria – São Francisco está a uns cinco meses de sua morte.
Seu corpo reduziu-se a uma ruína humana. Não consegue mais escrever. O sofrimento físico é atroz e torturante. Dita assim mesmo um testamento com suas últimas recomendações. Depois pede que Frei Leão escreva o que ele tem a dizer sobre aquilo que considera ser a ALEGRIA PERFEITA. Francisco imagina duas situações. Na primeira chegam mensageiros anunciando sucessos inimagináveis de sua Ordem nos mais diversos recantos da Terra. “Digo-te – afirma ele – que em tudo isso não está a verdadeira alegria”. Na segunda Francisco imagina-se numa emergência hipotética. Ele próprio, o fundador da Ordem, volta para o conventinho da Porciúncula, “sua” casa-mãe, todo machucado, esgotado pela fadiga e quase morto pela mais violenta nevasca.
Bate muitas vezes na porta. Por três vezes, o porteiro abre, xinga Francisco de todas as formas. Conclui o santo: “Pois bem, se eu tive tido paciência e permanecer imperturbável, digo-te que aí está a verdadeira alegria, a verdadeira virtude e salvação da alma”.Por muito tempo, por mais que isso impressionasse, eu imaginava que era o tranvasar da expressividade dramática da alma latina, italiana, de Francisco.
Mas, eis que em um de seus biógrafos encontrei a explicação. Francisco não se ligava no conteúdo da ofensa de quem o agredia. Concentrava-se na desordem do coração e pecado do ofensor.
Em vez de ficar ofendido, enchia-se de cuidados e compaixão pelo irmão agressivo.
Deus e Jesus Cristo tornam-se cada vez mais a única e avassaladora paixão de São Francisco. No altar desta paixão, ele sacrifica tudo, inclusive todos os outros possíveis projetos e desejos. É isso que ele entende por POBREZA.
Sobra só um desejo irresistível: imitar em tudo seu Cristo-Paixão, sem sofrer menos que Ele “pela salvação de todos”. Assim, Francisco desenvolveu uma blindagem protetora contra todas as adversidades, todas as injustiças, toda forma de sofrimento. Todo sofrimento é sempre invadido pela luz e significado que brotam de seu CRISTO-MODELO. Ocorre uma verdadeira transubstanciação da dor e do sofrimento. Adquirem uma nova natureza. Aí fica difícil saber onde termina Francisco e onde começa Cristo.
Nesta comunhão, os contornos e as figuras de ambos se embaralham nossos olhos. Então toda sorte de sofrimentos simplesmente o fazem sentir-se mais perto, mais identificado com seu divino mestre e modelo, sua única paixão. Isso realimenta e purifica sua indefectível alegria. Por isso seus contemporâneos afirmavam que Francisco era outro Cristo.

A PERFEITA ALEGRIA
Neste mundo moderno de valores dúbios e altamente competitivos, nos deparamos, a cada momento com situações embaraçosas, constrangedoras e muitas vezes injustas.
Qual a postura correta a ser adotada?
Talvez a resposta esteja na pessoa de São Francisco, uma das criaturas mais perfeitas que Deus nos enviou para dar seu testemunho de humildade, simplicidade e amor ao próximo.
São Francisco abdicou de todos os bens materiais que possuía, fez voto de pobreza, castidade e obediência e dizia que sua maior virtude era a perfeita alegria. A felicidade de Francisco era mais do que o simples contentamento ou satisfação. Ele encontrou a sua própria plenitude em toda a natureza.
Com grande simplicidade respeitava a obra e o plano de Deus em sua concepção verdadeira e não se abalava com as agruras da vida. A perfeita alegria era um estado pleno e inabalável de felicidade que não podia ser dissipado nem mesmo pela provação mais feroz ou pelo momento mais difícil, era um encantamento infinito pela existência que nada podia abalar.
Para explicar a sua perfeita alegria ele narrava uma estória interessante.
Era um dia daqueles de estação barrenta e fria de um inverno rigoroso, onde as gotículas de água congelavam nas extremidades de sua túnica e continuamente feriam suas pernas, chegando a sangrar.
Todo coberto de lama, frio e gelo, na calada da noite, ao retornar de Perusa, chegando a uma das casas de seus confrades e após ter batido e chamado por muito tempo, vem alguém e pergunta:
– Quem é?
E ele responde:
– Sou eu, Francisco.
E a voz quem vem de dentro responde de forma rude:
– Vá embora, não é hora decente de chegar, aqui você não entra.
Com o corpo quase paralisado pelo frio Francisco insiste para abrir a porta, mas a resposta vem de forma mais rude ainda:
– Vai embora, você é um simplório e idiota: não existe a menor possibilidade de eu abrir a porta. Somos tantos aqui que não precisamos de você.
Ele insiste mais uma vez e mais uma vez a resposta é negativa:
– Já disse, não vou abrir, vai pedir hospedagem em outro lugar.
Ao invés de ficar furioso, o grande Francisco ensina.
Nesta situação se tiver paciência, tolerância e não ficar abalado, aí está a verdadeira alegria e a verdadeira virtude.
A mensagem maior de Francisco é sermos tão felizes e plenos em Deus que nossa alegria transcende qualquer barreira.
Este ensinamento de São Francisquinho vale para o mundo corporativo?
Eu diria que sim.
Quantas vezes nos deparamos com gestores mal humorados que descarregam toda a sua insegurança em seus colaboradores.
Quantas vezes nos sentimos injustiçados por aquela promoção que estava certa e no último momento nos é negada sem uma explicação plausível ou mesmo por motivo injusto.
Não estou dizendo que devemos ser passivos às provocações e injustiças e não lutar por aquilo que julgamos correto. Estou propondo que devemos ser tolerantes e inteligentes para nos impor, como seres humanos nos momentos certos.
Eu sei que não é fácil, é mesmo difícil diante de tantos obstáculos, diante de tantas provocações que a vida nos impõe.
Se você faz as coisas bem, faça-as melhor. Não seja ganancioso, mas seja audacioso, procure ser o primeiro sempre, seja diferente, mas acima de tudo seja justo e tudo isso faça com alegria, buscando a cada dia, a perfeita alegria, como fazia São Francisco de Assis, segundo ele a maior de todas as virtudes.

CULTIVE A ALEGRIA
Se ninguém o aplaudiu, não fique frustrado
“A alegria é um farol luminoso, em cujas lentes esbarram todos os pássaros da noite” (M. De Backer).
É preciso vencer a tristeza para ser feliz; ela é fonte de muitos sofrimentos; muitas vezes, ela vem acompanhada do mau humor. Jamais dê guarida à tristeza e ao mau humor se você quiser ser feliz. Rejeite e expulse esses sentimentos do seu coração com um ato de vontade e de fé. A tristeza nos adoece e nos mata.
A Bíblia diz que “A alegria do coração é a vida do homem, e um inesgotável tesouro de santidade. A alegria do homem torna mais longa a sua vida” (Eclo 30, 22-26). Lance fora a tristeza; ela não é uma boa companhia. Não guarde mágoas, ira, inveja, rancores e ressentimentos, pois esses sentimentos envenenam o coração. Faça como o sol:
“Se algum dia você se sentir desprezado pelas pessoas, não se aborreça. Se algum dia você perceber que não valorizam os seus esforços para melhorar, não fique aborrecido, isto só lhe faria mal. Se algum dia você se sentir rejeitado e esquecido, colocado em segundo lugar, não se aborreça, não será menor por causa disso.
Se algum dia as pessoas não notarem a beleza de sua inteligência e a grandeza da sua alma, também não fique com raiva delas, você não perderá nada por causa disso.
Se você se levantar todos os dias para fazer o bem aos outros, e mesmo assim ninguém lhe agradecer por isso, não fique aborrecido, você não perdeu o mérito de suas boas obras.
Se você fez um belo trabalho e ninguém o parabenizou e aplaudiu, não fique frustrado, a sua obra continuará grande.
Se você renova todos os dias, incansável e gratuitamente, o seu amor às pessoas, e elas não são gratas a isso, não fique triste, pois também o sol nasce todos os dias, gratuitamente, e a maioria não repara nisso. Todos os dias ele dá um grande espetáculo ao nascer, mas a maioria da platéia está dormindo e não pode aplaudi-lo”.
Precisamos criar em torno de nós um ambiente feliz e alegre, expulsando dele, decididamente, o mau humor, a lamentação, a acusação dos outros, etc. Especialmente o lar deve ser um lugar onde os filhos respirem um “oxigênio” puro, e gostem dele.
Os psicólogos hoje advertem que muitos jovens são levados às drogas porque fogem de suas casas por não suportarem o ambiente de brigas, confusões e tristezas.
Alguém me contou esta história:
“Um homem chegou em casa, naquela noite, trazendo o mau humor que o caracterizava há alguns meses. Afinal, eram tantos os problemas e as dificuldades, que ele se transformara em um ser amargo, triste, mal-humorado. Colocou a mão na maçaneta da porta e a abriu. Deteve o passo e pôde ouvir a voz do filho de seus quatro anos de idade:
– Mamãe, por que papai está sempre triste?
– Não sei, amor, respondeu a mãe, com paciência. Ele deve estar preocupado com seus negócios.
O homem parou, sem coragem de entrar e continuou ouvindo:
– Que são negócios, mamãe?
– São as lutas da vida, filho. Houve uma pequena pausa e depois, a voz infantil se fez ouvir outra vez:
– Papai fica alegre nos negócios?
– Fica, sim, respondeu a mãe.
– Mas, então, por que fica triste em casa?
Sensibilizado, o pai pôde ouvir a esposa explicar ao pequenino:
– Nas lutas de cada dia, meu filho, seu pai deve sempre demonstrar contentamento. Deve ser alegre para agradar ao chefe da repartição e aos clientes. É importante para o trabalho dele. Mas, quando ele volta para casa, ele traz muitas preocupações. Se fora de casa, precisa cuidar para não ferir os outros, e mostrar alegria, gentileza, não acontece o mesmo em casa.
– Aqui é o lar, meu filho, onde ele está com o direito de não esconder o seu cansaço, as suas preocupações. A criança pareceu escutar atenta e depois, suspirando, como se tivesse pensado por longo tempo, desabafou:
– Que pena, hein, mãe? Eu gostaria tanto de ter um pai feliz, ao menos de vez em quando. Gostaria que ele chegasse em casa e me pegasse no colo, brincasse comigo. Sorrisse para mim. Eu gostaria tanto…
Naquele momento, o homem pareceu sentir as pernas bambearem. Um líquido estranho lhe escorreu dos olhos e ele se descobriu chorando.
– Meu Deus, pensou, como estou maltratando minha família. E, ainda emocionado, irrompeu pela cozinha, abriu os braços, correu para o menino, abraçou-o com força e o convidou:
– Filho, vamos brincar?”
Todos nós temos problemas e os teremos a vida toda. O importante é não deixá-los nos sufocar. Deus nos manda buscar e cultivar a alegria, mesmo nas horas difíceis: “Alegrai-vos sempre no Senhor. Repito: alegrai-vos! O Senhor está próximo. Não vos inquieteis com nada! Em todas as circunstâncias apresentai a Deus as vossas preocupações, mediante a oração, as súplicas e a ação de graças. E a paz de Deus, que excede toda a inteligência, haverá de guardar vossos corações e vossos pensamentos, em Cristo Jesus” (Fil 4, 4-7).

 

ORAÇÃO
De modo geral costuma-se definir a oração como um diálogo entre a criatura e o criador e, neste sentido, parece que o mais importante nesse diálogo é aquele que reza.
Todavia esse conceito não exprime a verdade, uma vez que o mais importante na oração não é o eu, a criatura, mas o Tu, Deus.
Na oração o agente mais importante, assim é o próprio Deus que vem em auxilio da criatura para libertá-la da escravidão da corrupção e conduzi-la à libertação e à felicidade.
O Catecismo da Igreja Católica nos diz: “A oração é a vida do coração novo e ela deve nos animar a cada momento. Nós, porém, esquecemo-nos daquele que é nossa Vida e nosso Tudo. Por isso os Padres espirituais, na tradição do Deuteronômio e dos profetas, insistem na oração como “recordação de Deus”, despertar frequente da “memória do coração”: É preciso se lembrar de Deus com mais frequência do que se respira” (2697).
Embora pareça que somos nós que temos o impulso de orar, na verdade, esse impulso vem de Deus, por isso São Paulo na Epístola aos Romanos diz: “Também o Espírito vem em auxílio de nossa fraqueza, porque não sabemos pedir o que nos convém. O próprio Espírito é que advoga por nós com gemidos inefáveis”.
O inesquecível Papa São João Paulo II afirma: “O homem atinge a plenitude da oração não quando nela exprime com intensidade o seu próprio eu, mas quando permite que nela se torne plenamente presente o próprio Deus”.
Na tradição católica temos três tipos de oração: oração vocal, a meditação e a oração mental.
Na oração vocal Deus fala ao homem por sua palavra, mas o mais importante é presença do coração àquele a quem falamos na oração.
Aos discípulos encantados com a oração silenciosa do Mestre, ele lhes ensinou a oração do PAI NOSSO.
A oração vocal, por ser exterior é a mais proclamada pelas multidões, mas essa oração se torna interior, na medida em que tomamos consciência daquele a quem nos dirigimos. Isso é o mais importante.
A meditação, na verdade é uma procura, na qual o cristão busca compreender a palavra de Deus, se apropria do conteúdo lido, confronta-o com a própria vida e tira critérios para agir segundo a mentalidade de Deus.
Importante neste tipo de oração é substituir o nome referido no texto pelo próprio nome e escutar o que Deus me fala por aquela palavra.
“A oração cristã procura de preferência a meditar “os mistérios de Cristo”, como na “lectio divina” ou no Rosário. Esta forma de reflexão orante é de grande valor, mas a oração cristã deve ir mais longe: ao conhecimento de amor do Senhor Jesus, à união com Ele” (cf. Catecismo da Igreja Católica, 2708).
Finalmente temos a oração mental, que segundo o pensamento de Santa Teresa de Ávila “… é apenas um comércio de amizade em que conversamos muitas vezes a sós com esse Deus por quem nos sabemos amados”.
Assim, o primeiro mandamento, não consiste em amar a Deus, mas em deixar-se amar por Ele, daí, ainda afirmar Santa Teresa de Ávila, na oração ela busca “aquele que meu coração ama”.
“A oração mental é também um tempo forte por excelência da prece. Na oração, o Pai nos “arma de poder por seu Espírito para que se fortifique em nós o homem interior, para que Cristo habite em nossos corações pela fé e sejamos arraigados e fundados no amor” (Ef 3, 16-17 / Catecismo da Igreja Católica, 2714).
A oração é, assim, o olhar de fé fito em Jesus: “Eu olho para ele e ele olha para mim” dizia um camponês ao Santo Cura de Ars em oração diante do tabernáculo.
Vista a oração desta maneira, parece simples orar, mas não é. Nossa mente é como uma borboleta errante a esvoaçar, pois vive sempre inquieta e quando nos pomos a orar, nos lembramos de coisas e mais coisas e, desta forma, não ficamos com Deus, como aquele extasiado camponês.
A oração é uma arte e como arte necessitamos aprender a orar, subjugando nossa mente, para nos fixarmos no Deus único, que nos ama e a quem devemos reverencia e gratidão.
A oração é uma convergência entre a natureza e a graça.
A graça é dom de Deus e como tal, Ele pode por si sem qualquer auxílio conceder a qualquer pessoa o dom da oração, sem o auxílio de qualquer método.
Mas, no comum da vida, a natureza necessita ser educada para entrar em contato com o Deus único e, por isso, os métodos de pacificar nossa mente são não só úteis, mas necessários, para podermos entrar em colóquio com nosso Deus e Pai.
São João Paulo II faz um apelo na Carta Encíclica “Novo Millennio Ineunte”: “As nossas comunidades, amados irmãos e irmãs, devem torna-se autênticas “escolas” de oração, onde o encontro com Cristo não se exprima apenas em pedidos de ajuda, mas também em ação de graças, louvor, adoração, contemplação, escuta de alma, até se chegar a um coração verdadeiramente apaixonado”.
“Uma oração intensa, mas sem afastar do compromisso na história: ao abrir o coração ao amor de Deus, aquela abre-o também ao amor dos irmãos, tornando-nos capazes de construir a história segundo o desígnio de Deus” (cf. item 33, capitulo III).

‘ORAI E VIGIAI PARA NÃO CAIRDES EM TENTAÇÃO’ (Mateus 26, 41).
Deus criou todos os seus filhos para a comunhão com Ele, fomos criados para participar da vida divina em comunhão com o Pai, o Filho e o Espírito Santo.
São Paulo, na Carta aos Efésios, fala da importância da união de Deus com a Igreja. A coisa mais importante em nossa vida é a união com Jesus! Essa união passa pela fé, pelos Sacramentos e oração.
Sem a oração, nossa união com Deus se enfraquece; e a intenção do demônio é justamente essa: fazer-nos perder a graça de Deus. O demônio tem um ódio sem explicação contra Deus, mas ele não consegue nada de Deus.
O demônio concentra sua raiva naquilo que Deus mais ama, em nós, filhos do Senhor. Não podendo destruir o Pai, toda a sua fúria é voltada para destruir os filhos. Isso acontece muito na realidade humana, quando algumas pessoas odeiam as outras e canalizam a fúria em tudo que pertence a ela.
O que rompe a nossa união com Deus?
O maior mal em nossa vida é o pecado, todo resto é menos importante; para crescermos na união com o Senhor existem os meios, que são os sacramentos.
Como cresce a nossa união com o Pai?
Por meio da Eucaristia, que fortalece a nossa união com Cristo. Todos os sacramentos e nossas boas obras fazem com que nossa união cresça ainda mais.
O demônio se alegra muito mais quando uma alma comete pecado do que quando está amaldiçoada. Aquilo que parecia um grande mal, na realidade é uma grande bênção! Deus consegue reciclar todo mal em bênção, por isso o único mal é o pecado.
Em geral, rezamos pouco e, muitas vezes, não sabemos rezar muito bem. Existem tantas formas de oração e todas são importantes, até mesmo a oração na hora da refeição.
Jesus, no momento em que foi preso, viu todos os Seus discípulos sumirem. Pedro, Tiago, João… eles amavam Jesus, mas lhes faltava a oração. Apesar do grande amor por Cristo, caíram em tentação. Isso também acontece conosco.
À medida que os anos vão se passando, torna-se cada vez mais difícil ser de Jesus; é cada vez mais heróico ser de Deus, porque existe um mundo que O odeia.
Só é possível aguentar as provas se a nossa união com Jesus for forte! Para isso precisamos rezar muito!
Sempre tem de haver um “tu a Tu” com Jesus. É como uma amizade, se você não comparece, não chama, a amizade esfria.
O que acontece na oração?
Quando rezamos, chegamos de um jeito e saímos de outro. Se percebêssemos o jeito da nossa alma antes e após a oração, veríamos a diferença. A coisa mais importante é a presença de Deus em nossa alma, que se torna maior após a oração!
Jesus é o nosso modelo para tudo; sobretudo, deu-nos grandes exemplos. Imaginem o Filho do Homem rezando, cheio de graça e verdade. Jesus, que tantas vezes conta a Sagrada Escritura, levanta-se ainda cedo, vai para um lugar isolado e reza com o Pai.
Não comece o seu dia sem rezar. Leve o seu coração a Deus!
É cada vez mais difícil encontrar-se Jesus no silêncio, mais ainda fazer silêncio interior. Jesus não quer que fujamos das coisas que há dentro de nós, mas que as entreguemos a Ele. Essas coisas podem ser o ponto de partida para a conversa com Cristo.
Na oração, não somos só nós que falamos, a parte mais importante é o que Ele irá nos dizer. Entretanto, o nosso coração demora a compreender o que Jesus fala.
Como distinguir o que Deus nos pede?
Deus conta o que espera de nós por meio da oração. Muitas vezes, é como uma libertação, porque carregamos fardos pesados, mas, no encontro com Cristo, quando nos abrimos para Ele, a libertação acontece.
Nossa Senhora, em uma de suas aparições, pediu a três crianças que orassem. Ela poderia ter pedido tantas coisas, mas escolheu a melhor parte: a oração.
Jesus nos mostra onde está o nosso coração. Desse modo, a oração é sempre um momento de conversão e mudança de vida. Há uma frase muito bonita de Santo Afonso Maria de Ligório que diz: “Quem deixa, pois, a oração, deixará de amar Jesus”.

O PÁSSARO E A ORAÇÃO
Você já viu um passarinho dormindo num galho ou num fio, sem cair? Como é que ele consegue isso?
Se nós tentássemos dormir assim, iríamos cair e quebrar o pescoço.
O segredo está nos tendões das pernas do passarinho.
Eles são construídos de forma que, quando o joelho está dobrado, o pezinho segura firmemente qualquer coisa.
Os pés não irão soltar o galho até que ele desdobre o joelho para voar.
O joelho dobrado é o que dá ao passarinho a força para segurar qualquer coisa. É uma maravilha, não é?
Que desenho incrível que o Criador fez para segurar o passarinho. Mas, não é tão diferente em nós. Quando nosso “galho” na vida fica precário, quando tudo está ameaçado de cair, a maior segurança, a maior estabilidade nos vem de um joelho dobrado – dobrado em oração.
Se você algumas vezes, se vê num emaranhado de problemas que te fazem perder a fé, desanimar de caminhar; não caminhe mais sozinho, Jesus quer te fortalecer e caminhar contigo por toda sua vida!
É Ele quem renova suas forças e sua fé, e se cuida de um passarinho, imagina o que não fará por você Seu filho amado, basta você CRER!

 

FRATERNIDADE
UM ANTÍDOTO PARA A ALIENAÇÃO, PARA A CRISE E PARA O TERROR
A fraternidade é um nobre princípio que afirma que todo ser humano, imagem do Criador, deve ser solidário, procurar compreender e ajudar o seu semelhante
A sociedade contemporânea é marcada por uma série de graves problemas, entre eles é possível citar: os diversos níveis de alienação individual e social, as diversas crises que se abatem sobre os indivíduos e as instituições (crise ética, crise política, crise financeira, etc) e as diversas ondas de terror (terror religioso, terror no cotidiano, terror oriundo das políticas do Estado, etc) que, a cada dia, tornam a vida das pessoas mais ameaçadas.
Em muitos aspectos, as primeiras décadas do século XXI foram uma repetição de políticas autoritárias, do desejo de conquista e de vingança, de ideologias políticas alienadas (nazismo, socialismo, marxismo, etc) que marcaram o final do século XIX e a primeira metade do século XX. Parece que o ser humano não aprendeu com todo o horror vivido no século XX e, por isso, no século XXI ele está repetindo, em níveis e escalas diferentes, os mesmos erros e as mesmas políticas autoritárias desse século.
Não se deseja apresentar uma solução mágica, fácil e rápida para esse complexo sistema de crises, erros e de problemas. No entanto, apresenta-se a fraternidade como uma real possibilidade de ser um antídoto para o amplo conjunto formado pela alienação, pela crise e pelo terror. Um conjunto que, como uma sombra negra e maligna, assombra o século XXI.
A fraternidade é um nobre princípio que afirma que todo ser humano, imagem do Criador, deve ser solidário, procurar compreender e ajudar o seu semelhante. Essa ajuda vai desde as tarefas do cotidiano, passando por problemas (doença, prisão, loucura, viúves, criação dos filhos, aconselhamento matrimonial, etc) até chegar aos níveis mais distantes do cotidiano, como, por exemplo, os refugiados das guerras do Oriente Médio, a fome na África, a juventude drogada e alienada na Europa e nos EUA e outros. Trata-se de um princípio, o ser fraterno, que está estabelecido desde os gregos antigos, com a noção de ajuda mútua dentro da Pólis, passando pela pregação de Jesus Cristo e pelo cristianismo, até chegar à modernidade com a revolução francesa (1789-1799), a qual tinha como lema a celebre frase: “Liberdade, igualdade, fraternidade”.
Como demonstra o jurista Lafayette Pozzoli “Liberdade, igualdade, fraternidade” foram princípios interpretados pela revolução francesa politicamente, marcando a história do Ocidente moderno. Enquanto a liberdade e a igualdade foram assumidas como categorias políticas, a fraternidade teve outro destino. Enquanto a liberdade foi o tema político do século XIX, a igualdade foi o tema central das preocupações das políticas e das ideologias do século XX, a fraternidade foi reduzida a um segundo ou terceiro plano, não sendo central nos debates políticos, filosóficos e jurídicos do mundo moderno. É por isso que o pensador Antonio Maria Baggio afirma que a fraternidade é o princípio esquecido dentro do mundo moderno.
Por si só a fraternidade não poderá resolver os graves problemas e crises vividos pelo homem e pela sociedade moderna. No entanto, é necessário que a fraternidade deixe de ser o princípio esquecido. O mundo moderno só irá superar a alienação, a crise e o terror se tiver a coragem de voltar a pensar, a refletir e, acima de tudo, experimentar novamente a fraternidade. O clamor do Apóstolo Paulo, quando afirma que o ser humano deve ter e estar cheio de “misericórdia, de bondade, de humildade, de mansidão, de longanimidade. Suportai-vos uns aos outros” (Colossenses 3, 12), deve novamente ecoar dentro do coração do ser humano. Sem a experiência da fraternidade será difícil construir um mundo melhor, melhor do que foi as duas grandes guerras mundiais e todo horror vivido ao longo do século XX.

REPOR A FRATERNIDADE NO CENTRO DA SOCIEDADE
«Hoje é mais necessário do que nunca repor a fraternidade no centro da nossa sociedade tecnocrática e burocrática: assim, também a liberdade e a igualdade tomarão a sua correta modulação», declara o Papa Francisco na audiência geral da manhã desta Quarta-feira, 18 de Fevereiro de 2015.
Depois de ter meditado nos encontros anteriores sobre as figuras do pai e da mãe, o Papa dedicou a sua catequese à «beleza do vínculo fraterno»: «Ter um irmão ou uma irmã que nos ama é uma experiência forte, inestimável, insubstituível».
«A bênção que Deus, em Jesus Cristo, derrama sobre este vínculo de fraternidade dilata-o de modo inimaginável, tornando-o capaz de ultrapassar todas as diferenças de nação, de língua, de cultura e até de religião», afirmou.
O Papa advertiu: «Sem a fraternidade, até a liberdade e a igualdade podem encher-se de individualismo e de conformismo, também de interesse pessoal».
A fraternidade «resplandece de modo especial na atenção aos mais fracos», sublinhou o Papa: «Os mais pequeninos, frágeis e pobres devem enternecer-nos: eles têm o “direito” de arrebatar a nossa alma, o nosso coração. Sim, eles são nossos irmãos, e, como tal, devemos amá-los e tratá-los.
Catequese do Papa Francisco: A família – 5. Os irmãos
Prezados irmãos e irmãs, bom dia!
No nosso caminho de catequeses sobre a família, depois de ter meditado sobre o papel da mãe, do pai e dos filhos, agora é a vez dos irmãos. «Irmão» e «irmã» são palavras que o cristianismo aprecia muito. E, graças à experiência familiar, são palavras que todas as culturas e épocas compreendem.
O laço fraternal ocupa um lugar especial na história do povo de Deus, que recebe a sua revelação na essência da experiência humana. O salmista canta a beleza do vínculo fraterno: «Como é bom e agradável viverem os irmãos em harmonia!» (Sl 133 [132],1). E é verdade, a fraternidade é bonita! Jesus Cristo levou à sua plenitude também esta experiência humana de ser irmãos e irmãs, assumindo-a no amor trinitário e fortalecendo-a para que vá muito além dos vínculos de parentela e possa superar todos os muros de alienação.
Sabemos que quando a relação fraternal se corrompe, quando se desvirtua o relacionamento entre os irmãos, abre-se o caminho para dolorosas experiências de conflito, traição e ódio. A narração bíblica de Caim e Abel constitui o exemplo deste resultado negativo. Após o assassínio de Abel, Deus pergunta a Caim: «Onde está o teu irmão Abel?» (Gn 4, 9a). É uma pergunta que o Senhor continua a repetir a cada geração. E infelizmente, em cada geração, não cessa de se repetir também a dramática resposta de Caim: «Não sei. Sou porventura eu o guarda do meu irmão?» (Gn 4, 9b). A ruptura do vínculo entre irmãos é algo desagradável e negativo para a humanidade. Também em família, quantos irmãos discutem por causa de coisas insignificantes, ou de uma herança, e depois deixam de se falar, de se saudar uns aos outros. Isto é grave! A fraternidade é algo grandioso, quando se pensa que todos os irmãos habitaram no ventre da mesma mãe durante nove meses e vêm da carne da mesma mãe! E não se pode destruir a fraternidade. Pensemos um pouco: todos nós conhecemos famílias com irmãos divididos, que discutiram; peçamos ao Senhor por estas famílias — talvez na nossa família haja alguns casos — que as ajude a reunir os irmãos, a reconstruir a família. A fraternidade não se deve destruir, porque quando se destrói, verifica-se o que aconteceu com Caim e Abel. Quando o Senhor pergunta a Caim onde está o seu irmão, ele responde: «Não sei, não me interesso pelo meu irmão!». Isto é grave, é algo muito doloroso de ouvir. Nas nossas orações rezemos sempre pelos irmãos que se dividiram.
O laço de fraternidade que se forma em família, entre os filhos, quando se verifica num clima de educação para a abertura ao próximo, é uma grande escola de liberdade e de paz. Em família, entre irmãos, aprendemos a convivência humana, como devemos conviver com os outros em sociedade. Talvez nem sempre estejamos conscientes disto, mas é precisamente a família que introduz a fraternidade no mundo! A partir desta primeira experiência de fraternidade, alimentada pelos afetos e pela educação familiar, o estilo da fraternidade irradia como uma promessa sobre a sociedade inteira e sobre as relações entre os povos.
A bênção que Deus, em Jesus Cristo, derrama sobre este vínculo de fraternidade dilata-o de modo inimaginável, tornando-o capaz de ultrapassar todas as diferenças de nação, língua, cultura e até de religião.
Pensai no que se torna o vínculo entre os homens, mesmo que sejam muito diferentes entre si, quando podem dizer uns aos outros: «Para mim, ele é como um irmão, ela é como uma irmã!». Isto é bonito! De resto, a história demonstrou suficientemente que, sem a fraternidade, até a liberdade e a igualdade podem encher-se de individualismo e de conformismo, também de interesse pessoal.
A fraternidade em família resplandece de modo especial quando vemos o esmero, a paciência e o carinho com que é rodeado o irmãozinho ou a irmãzinha mais frágil, doente ou deficiente. Os irmãos e as irmãs que agem assim são muitíssimos, no mundo inteiro, e talvez não apreciemos de modo suficiente a sua generosidade. E quando numa família os irmãos são numerosos — hoje saudei uma família com nove filhos — o mais velho ou a mais velha ajuda o pai, a mãe, a cuidar dos mais pequeninos. Como é bonito este trabalho de entre ajuda dos irmãos!
Ter um irmão, uma irmã que nos ama é uma experiência forte, inestimável, insubstituível. Acontece o mesmo com a fraternidade cristã. Os mais pequeninos, frágeis e pobres devem enternecer-nos: eles têm o «direito» de arrebatar a nossa alma, o nosso coração. Sim, eles são nossos irmãos, e, como tal, devemos amá-los e tratá-los. Quando isto acontece, quando os pobres vivem como em casa, a nossa fraternidade cristã retoma vida. Com efeito, os cristãos vão ao encontro dos mais pobres e frágeis, não para seguir um programa ideológico, mas porque a palavra e o exemplo do Senhor nos dizem que somos todos irmãos. Este é o princípio do amor de Deus e de toda a justiça entre os homens. Sugiro-vos uma coisa: antes de concluir — só me faltam poucas linhas — cada um de nós pense nos seus irmãos e nas suas irmãs e, no silêncio do coração, reze por eles. Um momento de silêncio!
Eis que com esta prece os trouxemos todos, os nossos irmãos e as nossas irmãs, com o pensamento, com o coração, aqui à praça para receber a bênção.
Hoje é mais necessário do que nunca repor a fraternidade no centro da nossa sociedade tecnocrática e burocrática: assim, também a liberdade e a igualdade tomarão a sua correta modulação. Por isso, não privemos com leviandade as nossas famílias, por sujeição ou medo, da beleza de uma ampla experiência fraternal de filhos e filhas. E não percamos a nossa confiança na vastidão de horizonte que a fé é capaz de obter desta experiência, iluminada pela bênção de Deus.

 

GRATUIDADE
Jesus pede que nós sejamos gratuitos, ou que ao menos conheçamos a gratuidade.
Nós conhecemos e admiramos pessoas que são generosas, pessoas que são delicadas, pessoas que são capazes de perder tempo, e até mesmo dinheiro, com outros necessitados; pessoas que correm em ajuda de atribulados e pessoas que são as primeiras a perguntar em que posso ajudar, ou em que posso ser útil.
Quando nós encontramos pessoas assim, é preciso que nós toquemos os ombros dessas pessoas, e lhes peçamos um pouco de companhia para aprendermos, com elas, a sermos também nós generosos e gratuitos.
O fato é este: “nós escutamos uma pregação, a sentimos perfeitamente, conhecemos a gratuidade, aceitamos a sua necessidade, mostramo-nos abertos a isto, porém, imediatamente encerrada a pregação, nós nos esquecemos do que ouvimos, e a vida nossa se passa sempre na troca e na busca direta ou indireta de vantagens pessoais”.
“Eu sou generoso, a quem me é generoso; eu dou para receber a mesma coisa, ou até mais”. Mas é exatamente contra esta tendência a comercializar tudo, até mesmo os nossos sentimentos mais nobres, que Jesus fala.
De resto, que seria de nós se Deus nos tratasse da mesma maneira como tratamos? Se Deus nos desse na mesma proporção com que Lhe oferecemos ou damos alguma coisa? Deus é muito mais generoso conosco, a começar pelo ser que não nos pertence, mas nos foi dado, gratuitamente, por Ele.
Não tenhamos a mentalidade celetista. Saibamos fazer o bem, mesmo que, de quando em quando, ele não nos traga vantagens pessoais.

 

MISSIONARIEDADE
MISSIONÁRIOS DA TERNURA DE DEUS
No dia 05 de maio de 2014, o Papa Francisco não precisou nem mesmo utilizar os 140 caracteres, com espaço, permitidos pelo Twitter, para definir o significado essencial do ser missionário para todo discípulo de Jesus:
“Cada cristão é missionário na medida em que testemunha o amor de Deus. Sede missionários da ternura de Deus!”
Houve um tempo em que o missionário era uma pessoa que vinha de longe para ensinar verdades fundamentais da fé. Não se podia imaginar que todo cristão fosse um missionário. Esta consciência veio aos poucos e se tornou definitiva quando os bispos da América Latina, reunidos na Conferência de Aparecida, em 2007, colocaram “missionário” como adjetivo de “discípulo”. No início ainda se falava de “discípulo e missionário”. Em seguida passou-se a falar de “discípulo-missionário”, como um substantivo composto. Mas logo a expressão “discípulo missionário” se popularizou e tornou-se vocabulário comum na Igreja. Se alguém não é missionário não pode se considerar nem mesmo discípulo de Jesus. É uma propriedade fundamental do “ser cristão”.
Francisco, na época Dom Bergoglio, arcebispo de Buenos Aires, era da comissão de redação da Conferência de Aparecida. Ele utilizou muito esta expressão “discípulo missionário” e garantiu que fosse uma marca distintiva do texto final. Agora, como Papa, ele não se cansa de motivar os cristãos a que sejam de fato missionários. Mas o que é isso? Certamente é mais do que sair de uma terra e ir para outra mais distante. É importante. Mas o núcleo fundamental da missionariedade cristã é dar testemunho. Isto aparece claramente nesta mensagem do Papa no twitter: o cristão é missionário “na medida em que testemunha o amor de Deus”. Mais do que testemunhar a fé ou as convicções religiosas, mais do que ensinar verdades, o missionário evangeliza pelo testemunho do amor misericordioso de Deus.
Verificamos isso na vida de Maria que disse: Eis aqui a serva do Senhor… e não foi para a igreja rezar. Partiu às pressas para ajudar sua prima que precisava. Ser serva do Senhor significa servir o irmão. Este testemunho surtiu um efeito maravilhoso. Quando ela saudou Isabel o menino estremeceu de alegria no ventre de sua prima, ela ficou cheia do Espírito Santo e começou a rezar. Maria foi um canal da ternura de Deus por meio do seu serviço disponível e discreto.
Vivemos em um mundo onde se propaga a missão do barulho, da fama, do espetáculo. Espetacularizamos a fé. Há quem pense que missionários são apenas os que estão na TV ou no palco. Isto pode ser um ótimo fator motivacional e um canal eficiente para divulgar bons testemunhos. Mas todo cristão que se põe a serviço de alguém está vivendo a dimensão missionária de sua fé. O pai e a mãe que dão testemunho de ternura, honestidade, oração, simplicidade para seus filhos, estão sendo missionários sem precisar sair de casa.
Existem ainda os missionários da raiva. São pessoas que falam de Deus e até defendem a igreja. Mas no tom de suas palavras notamos algo de raivoso e beligerante. Parece que sempre estão com a razão e que existem pessoas muito erradas, verdadeiros hereges, a ser combatidos. Radicalizando este tipo de missionários da raiva, temos religiões que ainda matam em nome de Deus, em pleno século 21. Neste exato momento, existem cristãos sendo perseguidos e mortos em algum lugar do mundo. Diante deste quadro, o Papa nos provoca: “Sejam missionários da ternura de Deus”.

A MISSIONARIEDADE CRISTÃ
O que caracteriza a Igreja é sua missionariedade (cf. LG 1; 17; AG 1) tendo como fundamento o mandato do Senhor de evangelizar a todos os povos, tornando sua mensagem conhecida (cf. Mc 16, 15) Jesus diz: “Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura”. Portanto a missão da Igreja é evangelizar (DA 1.3 – 30).
A história da humanidade, história que Deus nunca abandona, transcorre sob seu olhar compassivo. Deus amou tanto nosso mundo que nos deu o seu filho. Ele anuncia a boa nova do reino aos pobres e aos pecadores. Por isso, nós, como discípulos e missionários de Jesus, queremos e devemos proclamar o evangelho, que é o próprio cristo. Anunciamos a nossos povos que Deus nos ama, que sua existência não é ameaça para o homem, que Ele está perto com o poder salvador e libertador de seu Reino, que Ele nos acompanha na tribulação, que alenta incessantemente nossa esperança em meio a todas as provas. Nós os cristãos somos portadores de boas novas para a humanidade e não profetas de desventuras (DA 30).
O DA, em continuidade com as conferencias anteriores faz uso do método, ver, julgar e agir (base de nossa missionariedade). Este método consiste em contemplar a Deus com os olhos da fé através de sua palavra revelada e o contato vivificador dos sacramentos, a fim de que na vida cotidiana, vejamos a realidade que nos circunda a luz de sua providência e a julguemos segundo Jesus Cristo, caminho, verdade e vida e atuemos a partir da Igreja Corpo Místico de Cristo e sacramento universal de salvação, na propagação do reino de Deus, que se semeia nesta terra e que frutifica plenamente no céu (DA 19).
Assim então, podemos entender que, nós cristãos, membros vivos do Corpo místico de Cristo precisamos aprender a ver, julgar e agir diante da realidade que o mundo nos insere hoje, sempre com os olhos de Deus, e esse é nosso desafio, levarmos o Cristo que conhecemos aos que não o conhece ou então o esqueceram.
Sabemos que hoje os povos vivem uma realidade marcada por grandes mudanças que afetam profundamente suas vidas. Como discípulos e missionários de Jesus Cristo, sentimo-nos desafiados a discernir os “sinais dos tempos”, à luz do Espírito Santo, para nos colocar a serviço do Reino, anunciado por Jesus, que veio para que todos tenham vida e “para que a tenham em plenitude” (Jo 10, 10; DA 33).
Nos anais de nossa história descobrimos que a vinda de Jesus cria um divisor de águas na história dos homens. De um lado encontramos os que são dele e, de outro, os que são do mundo. A partir dessa divisão se estabelece o conflito, que é caracterizado principalmente pela diferença de valores, e exige de todos os que abraçam a fé a consciência de suas consequências, entre elas a de ser odiado pelo mundo. Como cristãos, devemos enfrentar o conflito com o mundo, mas não com as mesmas armas do mundo, uma vez que estas levam à morte que é o grande valor do mundo. Devemos enfrentar o mundo com a fé, a espiritualidade, a entrega, a partilha, a doação, a fraternidade, o testemunho, o profetismo, que são valores do Reino e levam à vida.

JESUS, EXEMPLO DE MISSIONÁRIO
A Trindade, numa comunicação íntima entre as três pessoas divinas, decidiu que era necessário enviar sobre a terra alguém da mesma Trindade para ser “missionário”, para poder comunicar a plenitude da vida e tornar a todos nós participantes desta mesma vida. Jesus é o grande missionário do Pai, enviado pelo Espírito Santo. O Pai enviou o seu filho unigênito não para que ele revelasse a si mesmo, mas revelasse todo o mistério da Santíssima Trindade e comunicasse a plenitude da vida.
Como nos toca profundamente contemplar Jesus que, vindo entre nós, assume com clareza a sua missionariedade. Ele sabe que não pode enviar a si mesmo, que não tem mensagem própria e nem palavras próprias, mas a sua missão é anunciar tudo o que Ele ouve do Pai.
O Evangelista Lucas se detém nesta missionariedade de Jesus e nos diz: Jesus chegou a Nazaré onde se tinha criado. Segundo seu costume, entrou num sábado na sinagoga e se levantou para fazer a leitura. Deram-lhe o livro do profeta Isaías. Abrindo o livro, deu com a passagem onde se lia: O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me ungiu para anunciar a boa-nova aos pobres; enviou-me para proclamar aos aprisionados a libertação, aos cegos a recuperação da vista, para pôr em liberdade os oprimidos, e para anunciar um ano da graça do Senhor. Jesus fechou o livro, devolveu-o ao assistente e sentou-se (Lc 4, 16-20).
O que nós percebemos neste texto é que Jesus não tem uma mensagem própria, como nenhum missionário pode ter a sua mensagem, que ele espera a verdadeira e autêntica mensagem que é a Palavra de Deus. Jesus, na medida em que caminha para o fim da sua missão terrena, sente a necessidade de esperar a outros que possam continuar esta missão recebida pelo Pai, por isso faz surgir do seu amor os apóstolos e discípulos que, fortalecidos no Espírito Santo, abandonando todo o medo, com coragem vão enfrentando todos os perigos para comunicar não mais uma mensagem, mas sim ao Cristo ressuscitado.

“MISSÃO”, LEGADO QUE O PRÓPRIO JESUS DELEGOU AOS SEUS
Antes de se despedir dos seus discípulos Jesus levou os mais íntimos até a montanha das Oliveiras onde ele sobe ao céu e antes de subir ao céu dá uma ordem a todos: “IDE!” Ninguém mais poderá esquecer estas palavras de envio. O envio não é para os que estão perto e que pensam da mesma forma, mas sim o “ir a todas as nações e a todos os povos”, para que os seguidores de Jesus aumentem e para que o evangelho deixe os estreitos confins da Galiléia e se espalhe para o mundo inteiro. Todos foram… e onde passavam criavam novas missionariedades e novos missionários eram enviados, e o evangelho se fazia cada vez mais conhecido.
Ainda no Evangelho segundo São Mateus 9, 35-38.10, 1.6-8. podemos constatar o envio à missionariedade: Jesus percorria as cidades e as aldeias, ensinando nas sinagogas, proclamando o Evangelho do Reino e curando todas as enfermidades e doenças. Contemplando a multidão, encheu-se de compaixão por ela, pois estava cansada e abatida, como ovelhas sem pastor. Disse, então, aos seus discípulos: «A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos. Rogai, portanto, ao Senhor da messe para que envie trabalhadores para a sua messe». Jesus chamou doze discípulos e deu-lhes poder de expulsar os espíritos malignos e de curar todas as enfermidades e doenças. Ide, primeiramente, às ovelhas perdidas da casa de Israel. Pelo caminho, proclamai que o Reino do Céu está perto. Curai os enfermos, ressuscitai os mortos, purificai os leprosos, expulsai os demônios. Recebestes de graça, dai de graça.
Hoje a Igreja está preocupada com a pouca missionariedade. Os cristãos não se sentem comprometidos no anúncio. No máximo se esforçam para viver o evangelho no castelo do próprio coração, tentando evangelizar a própria família e, quando muito, o próprio ambiente de trabalho. Mas ir para outras terras, ultrapassar o estreito campo do próprio egoísmo, não entra na consciência evangelizadora de muitos cristãos. É necessário então repensar a “missionariedade” dentro da Igreja, fazer compreender que ser missionário não é uma tarefa restrita a um pequeno grupo: sacerdotes, diáconos, consagrados… mas sim é a missão de todos os batizados.
O trabalho é muito e os trabalhadores são poucos. Desde aquela época existiam dificuldades na missão dos cristãos. Infelizmente as pessoas não querem se comprometer, porque todo comprometimento exige dedicação, entrega, renúncia. Com certeza, evangelizar não é um trabalho fácil, existem muitos obstáculos no caminho e poucas pessoas dispostas a ouvirem e vir caminhar conosco. E Jesus nunca disse que ia ser diferente.
Neste Evangelho, Jesus antes de mandar os 72 em missão, já os previne de que nem em todos os lugares eles serão aceitos, mostra que serão rejeitados mesmo, mas é preciso continuar, mesmo que isto aconteça não se pode parar.
As dificuldades virão, principalmente nos locais que mais amamos, como nossas casas e até mesmo na Igreja. Evangelizar os que não conhecem nem sempre é o mais difícil, pior é fazer os que já conhecem converter-se diariamente, porque infelizmente muitos se acomodam. O importante é ser perseverante, é ir à busca desses corações e principalmente, levar a paz às essas pessoas e locais. Sem essa paz nunca poderemos cumprir nossa missão, pois em todos momentos seríamos levados a desistir, todavia, a certeza que nossa recompensa virá e que nossa voz poderá ajudar a tantos que necessitam, nos fortalece e nos faz cada vez mais missionários.
Vejamos no Evangelho de Jesus segundo Lucas (Lucas 10, 1-9): Naquele tempo, o Senhor escolheu outros setenta e dois discípulos e os enviou dois a dois, na sua frente, a toda cidade e lugar aonde ele próprio devia ir. E dizia-lhes: “A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos. Por isso, pedi ao dono da messe que mande trabalhadores para a colheita. Eis que vos envio como cordeiros para o meio de lobos. Não leveis bolsa, nem sacola, nem sandálias, e não cumprimenteis ninguém pelo caminho! Em qualquer casa em que entrardes, dizei primeiro: ‘A paz esteja nesta casa!’ Se ali morar um amigo da paz, a vossa paz repousará sobre ele; se não, ela voltará para vós. Permanecei naquela mesma casa, comei e bebei do que tiverem, porque o trabalhador merece o seu salário. Não passeis de casa em casa. Quando entrardes numa cidade e fordes bem recebidos, comei do que vos servirem, curai os doentes que nela houver e dizei ao povo: ‘O Reino de Deus está próximo de vós’ ”. Palavra da Salvação!
Precisamos para o momento reassumir as palavras programáticas do apóstolo Paulo: “Ai de mim se eu não evangelizar! Não evangelizamos porque nos sentimos bem ou porque não existem dificuldades, mas porque é uma exigência íntima e profunda do nosso ser cristão. Quem sabe é o momento de ir de porta em porta anunciando a todos a nossa fé, não ter medo de sermos rejeitados ou incompreendidos, de não esconder a nossa adesão ao Cristo e às nossas convicções no nosso dia a dia.
Não se pode mais ficar fechado no mundo interior, é necessário retomar o caminho das ruas e gritar a todos e de todos os lugares a nossa fé. Ser missionário é algo de fascinante. Não conservar o pequeno rebanho, mas deixar as 99 ovelhas no redil e ir ao encontro da ovelha perdida e das ovelhas que estão longe do redil de Cristo porque nunca ouviram falar de Cristo. O ser missionário é cada um de nós lutar com a palavra e especialmente com o nosso testemunho de vida para reconquistar os que, se esqueceram de Cristo. Sentir a dor de Jesus por toda pessoa que não o reconhece e não o ama por falta de anunciadores (Frei Patrício Sciadini, OCD).
Nos deixemos então ser guiados pela Graça de Deus que conhece todas as nossas limitações e potenciais, mas nos empenhemos ao máximo para deixarmos um pouco de Deus por onde formos. Assim nós conseguiremos cumprir a missão deixada a todos nós por Jesus Cristo: “Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a todas as criaturas”.

 

Síntese da Exortação “A alegria do amor”
08/04/2016 Cidade do Vaticano (RV) – “Amoris laetitia” (AL – “A alegria do amor”), a Exortação apostólica pós-sinodal “sobre o amor na família”, datada não por acaso de 19 de março, Solenidade de S. José, recolhe os resultados de dois Sínodos sobre a família convocados pelo Papa Francisco em 2014 e 2015, cujas Relações conclusivas são abundantemente citadas, juntamente com documentos e ensinamentos dos seus Predecessores e as numerosas catequeses sobre a família do próprio Papa Francisco. Contudo, como já sucedeu noutros documentos magisteriais, o Papa recorre também a contributos de diversas Conferências episcopais de todo o mundo (Quênia, Austrália, Argentina…) e a citações de personalidades de relevo, como Martin Luther King ou Erich Fromm. Ressalta em particular uma citação do filme “A Festa de Babette”, que o Papa recorda para explicar o conceito de gratuidade.

Premissa
A Exortação apostólica chama a atenção pela sua amplitude e articulação. Está dividida em nove capítulos e mais de 300 parágrafos. Tem início com sete parágrafos introdutórios que evidenciam a plena consciência da complexidade do tema, que requer ser aprofundado. Afirma-se que as intervenções dos Padres no Sínodo constituíram um «precioso poliedro» (AL 4) que deve ser preservado. Neste sentido, o Papa escreve que «nem todas as discussões doutrinais, morais ou pastorais devem ser resolvidas através de intervenções magisteriais». Por conseguinte, para algumas questões «em cada país ou região, é possível buscar soluções mais inculturadas, atentas às tradições e aos desafios locais. De fato, “as culturas são muito diferentes entre si e cada princípio geral (…), se quiser ser observado e aplicado, precisa de ser inculturado”» (AL 3). Este princípio de inculturação revela-se como muito importante até no modo de articular e compreender os problemas, modo esse que, sem entrar nas questões dogmáticas bem definidas pelo Magistério da Igreja, não pode ser «globalizado».
Mas, sobretudo o Papa afirma de imediato e com clareza que é necessário sair da estéril contraposição entre a ânsia de mudança e a aplicação pura e simples de normas abstratas. Escreve: «Os debates, que têm lugar nos meios de comunicação ou em publicações e mesmo entre ministros da Igreja, estendem-se desde o desejo desenfreado de mudar tudo sem suficiente reflexão ou fundamentação até à atitude que pretende resolver tudo através da aplicação de normas gerais ou deduzindo conclusões excessivas de algumas reflexões teológicas» (AL 2).

Capítulo primeiro: “À luz da Palavra”
Enunciadas estas premissas, o Papa articula a sua reflexão a partir das Sagradas Escrituras no primeiro capítulo, que se desenvolve como uma meditação acerca do Salmo 128, característico da liturgia nupcial hebraica, assim como da cristã. A Bíblia «aparece cheia de famílias, gerações, histórias de amor e de crises familiares» (AL 8) e a partir deste dado pode meditar-se como a família não é um ideal abstrato, mas uma «tarefa “artesanal”» (AL 16) que se exprime com ternura (AL 28), mas que se viu confrontada desde o início também pelo pecado, quando a relação de amor se transformou em domínio (cf. AL 19). Então, a Palavra de Deus «não se apresenta como uma sequência de teses abstratas, mas como uma companheira de viagem, mesmo para as famílias que estão em crise ou imersas nalguma tribulação, mostrando-lhes a meta do caminho» (AL 22).

Capítulo segundo: “A realidade e os desafios das famílias”
Partindo do terreno bíblico, o Papa considera no segundo capítulo a situação atual das famílias, mantendo «os pés assentes na terra» (AL 6), bebendo com abundância das Relações conclusivas dos dois Sínodo se enfrentando numerosos desafios, desde o fenômeno migratório à negação ideológica da diferença de sexo («ideologia de gênero»); da cultura do provisório à mentalidade anti-natalidade e ao impacto das biotecnologias no campo da procriação; da falta de habitação e de trabalho à pornografia e ao abuso de menores; da atenção às pessoas com deficiência ao respeito pelos idosos; da desconstrução jurídica da família à violência para com as mulheres. O Papa insiste no caráter concreto, que é um elemento fundamental da Exortação. E é este caráter concreto e realista que estabelece uma diferença substancial entre «teorias» de interpretação da realidade e «ideologias».
Citando a Familiaris consortio, Francisco afirma que «é salutar prestar atenção à realidade concreta, porque “os pedidos e os apelos do Espírito ressoam também nos acontecimentos da história” através dos quais “a Igreja pode ser guiada para uma compreensão mais profundado inexaurível mistério do matrimônio e da família”» (AL 31). Sem escutar a realidade não é possível compreender nem as exigências do presente nem os apelos do Espírito. O Papa nota que o individualismo exacerbado torna hoje difícil a doação a uma outra pessoa de uma maneira generosa (cf. AL 33). Eis um interessante retrato da situação: «Teme-se a solidão, deseja-se um espaço de proteção e fidelidade mas, ao mesmo tempo, cresce o medo de ficar encurralado numa relação que possa adiar a satisfação das aspirações pessoais» (AL 34).
A humildade do realismo ajuda a não apresentar «um ideal teológico do matrimônio demasiado abstrato, construído quase artificialmente, distante da situação concreta e das possibilidades efetivas das famílias tais como são» (AL 36). O idealismo não permite considerar o matrimônio assim como é, ou seja, «um caminho dinâmico de crescimento e realização». Por isso, também não se pode julgar que se possa apoiar as famílias «com a simples insistência em questões doutrinais, bioéticas e morais, sem motivar a abertura à graça» (AL 37). Convidando a uma certa “autocrítica” de uma apresentação não adequada da realidade matrimonial e familiar, o Papa insiste na necessidade de dar espaço à formação da consciência dos fiéis: «Somos chamados a formar as consciências, não a pretender substituí-las» (AL37). Jesus propunha um ideal exigente, mas «não perdia jamais a proximidade compassiva às pessoas frágeis como a samaritana ou a mulher adúltera» (AL 38).

Capítulo terceiro: “O olhar fixo em Jesus: a vocação da família”
O terceiro capítulo é dedicado a alguns elementos essenciais do ensinamento da Igreja acerca do matrimônio e da família. É importante a presença deste capítulo, porque ilustra de uma maneira sintética em 30 parágrafos a vocação à família de acordo com o Evangelho, assim como ela foi recebida pela Igreja ao longo do tempo, sobretudo quanto ao tema da indissolubilidade, da sacramentalidade do matrimônio, da transmissão da vida e da educação dos filhos. Fazem-se inúmeras citações da Gaudium et spes do Vaticano II, da Humanae vitae de Paulo VI, da Familiaris consortio de João Paulo II.
O olhar é amplo e inclui também as «situações imperfeitas». Com efeito, lemos: «“O discernimento da presença das semina Verbi nas outras culturas (cf. Ad gentes, 11) pode-se aplicar também à realidade matrimonial e familiar. Para além do verdadeiro matrimônio natural, há elementos positivos também nas formas matrimoniais doutras tradições religiosas”, embora não faltem também as sombras» (AL 77). A reflexão inclui ainda as «famílias feridas», a propósito das quais o Papa afirma – citando a Relatio finalis do Sínodo de 2015 —«é preciso lembrar sempre um princípio geral: “Saibam os pastores que, por amor à verdade, estão obrigados a discernir bem as situações” (Familiaris consortio, 84). O grau de responsabilidade não é igual em todos os casos, e podem existir fatores que limitem a capacidade de decisão. Por isso, ao mesmo tempo que se exprime com clareza a doutrina, há que evitar juízos que não tenham em conta a complexidade das diferentes situações,e é preciso estar atentos ao modo como as pessoas vivem e sofrem por causa da sua condição» (AL 79).

Capítulo quarto: “O amor no matrimônio”
O quarto capítulo trata do amor no matrimônio e ilustra-o a partir do “hino ao amor” de São Paulo de 1 Cor 13, 4-7. O capítulo é uma verdadeira e autêntica exegese cuidadosa, precisa, inspirada e poética do texto paulino. Poderemos dizer que se trata de uma coleção de fragmentos de um discurso amoroso que cuida de descrever o amor humano em termos absolutamente concretos. Surpreende-nos a capacidade de introspecção psicológica evidenciada por esta exegese. O aprofundamento psicológico chega ao mundo das emoções dos cônjuges – positivas e negativas – e à dimensão erótica do amor. Este é um contributo extremamente rico e precioso para a vida cristã dos cônjuges, que não tinha até agora paralelo em anteriores documentos papais.
À sua maneira, este capítulo constitui um pequeno tratado no conjunto de um desenvolvimento mais amplo, plenamente consciente do caráter quotidiano do amor que se opõe a todos os idealismos: «não se deve atirar para cima de duas pessoas limitadas o peso tremendo de ter que reproduzir perfeitamente a união que existe entre Cristo e a sua Igreja, porque o matrimônio como sinal implica “um processo dinâmico, que avança gradualmente com a progressiva integração dos dons de Deus”» (AL 122). Mas, por outro lado, o Papa insiste de modo enérgico e firme no fato de que «na própria natureza do amor conjugal, existe a abertura ao definitivo» (AL 123) precisamente no íntimo daquela «combinação necessária de alegrias e fadigas, de tensões e repouso, de sofrimentos e libertações, de satisfações e buscas, de aborrecimentos e prazeres» (Al 126) que é de fato o matrimônio.
O capítulo conclui-se com uma reflexão muito importante acerca da «transformação do amor» uma vez que «o alongamento da vida provocou algo que não era comum noutros tempos: a relação íntima e a mútua pertença devem ser mantidas durante quatro, cinco ou seis décadas, e isto gera a necessidade de renovar repetidas vezes a recíproca escolha» (AL 163). A aparência física transforma-se e a atração amorosa não desaparece, mas muda: com o tempo, o desejo sexual pode transformar-se em desejo de intimidade e «cumplicidade». «Não é possível prometer que teremos os mesmos sentimentos durante a vida inteira; mas podemos ter um projeto comum estável, comprometer-nos a amar-nos e a viver unidos até que a morte nos separe, e viver sempre uma rica intimidade» (AL 163).

Capítulo quinto: “O amor que se torna fecundo”
O quinto capítulo centra-se por completo na fecundidade e no caráter gerador do amor. Fala-se de uma maneira espiritualmente e psicologicamente profunda do acolher uma nova vida, da espera própria da gravidez, do amor de mãe e de pai. Mas também da fecundidade alargada, da adoção, do acolhimento do contributo das famílias para a promoção de uma “cultura do encontro”, da vida na família em sentido amplo, com a presença de tios, primos, parentes dos parentes, amigos. A Amoris laetitia não toma em consideração a família «mononuclear», mas está bem consciente da família como rede de relações alargadas. A própria mística do sacramento do matrimônio tem um profundo caráter social (cf. AL 186). E no âmbito desta dimensão social, o Papa sublinha em particular tanto o papel específico da relação entre jovens e idosos, como a relação entre irmãos como aprendizagem de crescimento na relação com os outros.

Capítulo sexto: “Algumas perspectivas pastorais”
No sexto capítulo, o Papa aborda algumas vias pastorais que orientam para a edificação de famílias sólidas e fecundas de acordo com o plano de Deus. Nesta parte, a Exortação recorre às Relações conclusivas dos dois Sínodos e às catequeses do Papa Francisco e de João Paulo II. Volta-se a sublinhar que as famílias são sujeito e não apenas objeto de evangelização. O Papa observa que «os ministros ordenados carecem, habitualmente, de formação adequada para tratar dos complexos problemas atuais das famílias» (AL 202). Se, por um lado, é necessário melhorar a formação psicoafetiva dos seminaristas e envolver mais a família na formação para o ministério (cf. AL 203), por outro «pode ser útil também a experiência da longa tradição oriental dos sacerdotes casados» (AL 202).
Em seguida, o Papa desenvolve o tema da orientação dos noivos no caminho de preparação para o matrimônio, do acompanhamento dos esposos nos primeiros anos da vida matrimonial (incluindo o tema da paternidade responsável), mas também em algumas situações complexas e, em particular, nas crises, sabendo que «cada crise esconde uma boa notícia, que é preciso saber escutar, afinando os ouvidos do coração» (AL 232). São analisadas algumas causas de crise, entre elas uma maturação afetiva retardada (cf. AL 239).
Além disso, fala-se também do acompanhamento das pessoas abandonadas, separadas ou divorciadas e sublinha-se a importância da recente reforma dos procedimentos para o reconhecimento dos casos de nulidade matrimonial. Coloca-se em relevo o sofrimento dos filhos nas situações de conflito e conclui-se: «O divórcio é um mal, e é muito preocupante o aumento do número de divórcios. Por isso, sem dúvida, a nossa tarefa pastoral mais importante relativamente às famílias é reforçar o amor e ajudar a curar as feridas, para podermos impedir o avanço deste drama do nosso tempo» (AL 246). Referem-se de seguida as situações dos matrimônios mistos e daqueles com disparidade de culto, e a situação das famílias que têm dentro de si pessoas com tendência homossexual, insistindo no respeito para com elas e na recusa de qualquer discriminação injusta e de todas das formas de agressão e violência. A parte final do capítulo, «quando a morte crava o seu aguilhão», é de grande valor pastoral, tocando o tema da perda das pessoas queridas e da viuvez.

Capítulo sétimo: “Reforçar a educação dos filhos”
O sétimo capítulo é totalmente dedicado à educação dos filhos: a sua formação ética, o valor da sanção como estímulo, o realismo paciente, a educação sexual, a transmissão da fé e, mais em geral, a vida familiar como contexto educativo. É interessante a sabedoria prática que transparece em cada parágrafo e, sobretudo a atenção à gradualidade e aos pequenos passos que «possam ser compreendidos, aceites e apreciados» (AL 271).
Há um parágrafo particularmente significativo e de um valor pedagógico fundamental em que Francisco afirma com clareza que «a obsessão (…) não é educativa; e também não é possível ter o controle de todas as situações onde um filho poderá chegar a encontrar-se (…). Se um progenitor está obcecado com saber onde está o seu filho e controlar todos os seus movimentos, procurará apenas dominar o seu espaço. Mas, desta forma, não o educará, não o reforçará, não o preparará para enfrentar os desafios. O que interessa acima de tudo é gerar no filho, com muito amor, processos de amadurecimento da sua liberdade, de preparação, de crescimento integral, de cultivo da autêntica autonomia» (AL 261).
A secção dedicada à educação sexual é notável, e intitula-se muito expressivamente: «Sim à educação sexual». Sustenta-se a sua necessidade e formula-se a interrogação de saber «se as nossas instituições educativas assumiram este desafio (…) num tempo em que se tende a banalizar e empobrecer a sexualidade». A educação sexual deve ser realizada «no contexto duma educação para o amor, para a doação mútua» (AL 280). É feita uma advertência em relação à expressão «sexo seguro», pois transmite «uma atitude negativa a respeito da finalidade procriadora natural da sexualidade, como se um possível filho fosse um inimigo de que é preciso proteger-se. Deste modo promove-se a agressividade narcisista, em vez do acolhimento» (AL 283).

Capítulo oitavo: “Acompanhar, discernir e integrar a fragilidade”
O capítulo oitavo representa um convite à misericórdia e ao discernimento pastoral diante de situações que não correspondem plenamente ao que o Senhor propõe. O Papa usa aqui três verbos muito importantes: «acompanhar, discernir e integrar», os quais são fundamentais para responder a situações de fragilidade, complexas ou irregulares. Em seguida, apresenta a necessária gradualidade na pastoral, a importância do discernimento, as normas e circunstâncias atenuantes no discernimento pastoral e, por fim, aquela que é por ele definida como a «lógica da misericórdia pastoral».
O oitavo capítulo é muito delicado. Na sua leitura deve recordar-se que «muitas vezes, o trabalho da Igreja é semelhante ao de um hospital de campanha» (AL 291). O Pontífice assume aqui aquilo que foi fruto da reflexão do Sínodo acerca de temáticas controversas. Reforça-se o que é o matrimônio cristão e acrescenta-se que «algumas formas de união contradizem radicalmente este ideal, enquanto outras o realizam pelo menos de forma parcial e analógica». Por conseguinte, «a Igreja não deixa de valorizar os elementos construtivos nas situações que ainda não correspondem ou já não correspondem à sua doutrina sobre o matrimônio» (AL 292).
No que respeita ao «discernimento» acerca das situações «irregulares», o Papa observa: «temos de evitar juízos que não tenham em conta a complexidade das diversas situações e é necessário estar atentos ao modo em que as pessoas vivem e sofrem por causa da sua condição» (AL 296). E continua: «Trata-se de integrar a todos, deve-se ajudar cada um a encontrar a sua própria maneira de participar na comunidade eclesial, para que se sinta objeto duma misericórdia “imerecida, incondicional e gratuita”»(AL 297). E ainda: «Os divorciados que vivem numa nova união, por exemplo, podem encontrar-se em situações muito diferentes, que não devem ser catalogadas ou encerradas em afirmações demasiado rígidas, sem deixar espaço para um adequado discernimento pessoal e pastoral» (AL 298).
Nesta linha, acolhendo as observações de muitos Padres sinodais , o Papa afirma que «os batizados que se divorciaram e voltaram a casar civilmente devem ser mais integrados na comunidade cristã sob as diferentes formas possíveis, evitando toda a ocasião de escândalo». «A sua participação pode exprimir-se em diferentes serviços eclesiais (…).Não devem sentir-se excomungados, mas podem viver e maturar como membros vivos da Igreja (…). Esta integração é necessária também para o cuidado e a educação cristã dos seus filhos» (AL 299).
Mais em geral, o Papa profere uma afirmação extremamente importante para que se compreenda a orientação e o sentido da Exortação: «Se se tiver em conta a variedade inumerável de situações concretas (…) é compreensível que se não devia esperar do Sínodo ou desta Exortação uma nova normativa geral de tipo canônico, aplicável a todos os casos. É possível apenas um novo encorajamento a um responsável discernimento pessoal e pastoral dos casos particulares, que deveria reconhecer: uma vez que “o grau de responsabilidade não é igual em todos os casos”, as consequências ou efeitos duma norma não devem necessariamente ser sempre os mesmos» (AL 300). O Papa desenvolve em profundidade as exigências e características do caminho de acompanhamento e discernimento em diálogo profundo entre fiéis e pastores. A este propósito, faz apelo à reflexão da Igreja «sobre os condicionamentos e as circunstâncias atenuantes» no que respeita à imputabilidade das ações e, apoiando-se em S. Tomás de Aquino, detém-se na relação entre «as normas e o discernimento», afirmando: «É verdade que as normas gerais apresentam um bem que nunca se deve ignorar nem transcurar, mas, na sua formulação, não podem abarcar absolutamente todas as situações particulares. Ao mesmo tempo é preciso afirmar que, precisamente por esta razão, aquilo que faz parte dum discernimento prático duma situação particular não pode ser elevado à categoria de norma» (AL 304).
Na última secção do capítulo, «A lógica da misericórdia pastoral», o Papa Francisco, para evitar equívocos, reafirma com vigor: «A compreensão pelas situações excepcionais não implica jamais esconder a luz do ideal mais pleno, nem propor menos de quanto Jesus oferece ao ser humano. Hoje, mais importante do que uma pastoral dos falimentos é o esforço pastoral para consolidar os matrimônio se assim evitar as rupturas» (AL 307). Mas o sentido abrangente do capítulo e do espírito que o Papa Francisco pretende imprimir à pastoral da Igreja encontra um resumo adequado nas palavras finais: «Convido os fiéis, que vivem situações complexas, a aproximar-se com confiança para falar com os seus pastores ou com leigos que vivem entregues ao Senhor. Nem sempre encontrarão neles uma confirmação das próprias ideias ou desejos, mas seguramente receberão uma luz que lhes permita compreender melhor o que está a acontecer e poderão descobrir um caminho de amadurecimento pessoal. E convido os pastores a escutar, com carinho e serenidade, com o desejo sincero de entrar no coração do drama das pessoas e compreender o seu ponto de vista, para ajudá-las a viver melhor e reconhecer o seu lugar na Igreja» (AL 312). Acerca da «lógica da misericórdia pastoral», o Papa Francisco afirma com força: «Às vezes custa-nos muito dar lugar, na pastoral, ao amor incondicional de Deus. Pomos tantas condições à misericórdia que a esvaziamos de sentido concreto e real significado, e esta é a pior maneira de aguar o Evangelho» (AL 311).

Capítulo nono: “Espiritualidade conjugal e familiar”
O nono capítulo é dedicado à espiritualidade conjugal e familiar, «feita de milhares de gestos reais e concretos» (AL 315). Diz-se com clareza que «aqueles que têm desejos espirituais profundos não devem sentir que a família os afasta do crescimento na vida do Espírito, mas é um percurso de que o Senhor Se serve para os levar às alturas da união mística» (AL 316). Tudo, «os momentos de alegria, o descanso ou a festa, e mesmo a sexualidade são sentidos como uma participação na vida plena da sua Ressurreição» (AL 317). Fala-se de seguida da oração à luz da Páscoa, da espiritualidade do amor exclusivo e livre diante do desafio e do desejo de envelhecer e gastar-se juntos, refletindo a fidelidade de Deus (cf. AL 319). E, por fim, a espiritualidade «da solicitude, da consolação e do estímulo». «Toda a vida da família é um “pastoreio” misericordioso. Cada um, cuidadosamente, desenha e escreve na vida do outro» (AL 322), escreve o Papa. «É uma experiência espiritual profunda contemplar cada ente querido com os olhos de Deus e reconhecer Cristo nele» (AL 323).
No parágrafo conclusivo,o Papa afirma: «Nenhuma família é uma realidade perfeita e confeccionada duma vez para sempre, mas requer um progressivo amadurecimento da sua capacidade de amar. (…). Todos somos chamados a manter viva a tensão para algo mais além de nós mesmos e dos nossos limites, e cada família deve viver neste estímulo constante. Avancemos, famílias; continuemos a caminhar! (…). Não percamos a esperança por causa dos nossos limites, mas também não renunciemos a procurar a plenitude de amor e comunhão que nos foi prometida» (AL 325).
A Exortação apostólica conclui-se com uma Oração à Sagrada Família (AL 325).
* * *
Como já se pode depreender a partir de um rápido exame dos seus conteúdos, a Exortação apostólica Amoris laetitia pretende reafirmar com força não o «ideal» da família, mas a sua realidade rica e complexa. Há nas suas páginas um olhar aberto, profundamente positivo, que se nutre não de abstrações ou projeções ideais, mas de uma atenção pastoral à realidade. O documento é uma leitura densa de motivos espirituais e de sabedoria prática útil a cada casal ou a pessoas que desejam construir uma família. Nota-se sobretudo que foi fruto de uma experiência concreta com pessoas que sabem a partir da experiência o que é a família e o viver juntos durante muitos anos. A Exortação fala de fato a linguagem da experiência e da esperança.

 

A alegria do amor: misericórdia e integração para todas as famílias
08/04/2016 Cidade do Vaticano (RV) – “A alegria do amor” (Amoris Laetitia) é o título da Exortação Apostólica pós-sinodal que o Papa Francisco assinou em 19 de março passado, Solenidade de São José, e que foi apresentada nesta sexta-feira, 8 de abril, no Vaticano.

A Exortação tem nove capítulos e a oração final à Santa Família. O documento reúne os resultados dos dois Sínodos sobre a família convocados pelo Papa Francisco em 2014 e 2015.

“À luz da Palavra”
No primeiro capítulo, o Papa indica a Palavra de Deus como uma “companheira de viagem para as famílias que estão em crise ou imersas em alguma tribulação, mostrando-lhes a meta do caminho”.

“A realidade e os desafios das famílias”
Partindo do terreno bíblico, no segundo capítulo, o Papa insiste no caráter concreto, que estabelece uma diferença substancial entre teorias de interpretação da realidade e ideologias. “Sem escutar a realidade não é possível compreender nem as exigências do presente nem os apelos do Espírito”, aponta. “Jesus propunha um ideal exigente, mas não perdia jamais a proximidade compassiva às pessoas frágeis”.

“O olhar fixo em Jesus: a vocação da família”
O terceiro capítulo é dedicado a alguns elementos essenciais do ensinamento da Igreja sobre o matrimônio e a família. Ilustra a vocação à família assim como ela foi recebida pela Igreja ao longo do tempo, sobretudo quanto ao tema da indissolubilidade, da sacramentalidade do matrimônio, da transmissão da vida e da educação dos filhos. A reflexão inclui ainda as famílias feridas e o Papa recorda aos pastores que, “por amor à verdade, estão obrigados a discernir bem as situações”, já que o grau de responsabilidade não é igual em todos os casos: “É preciso estar atentos ao modo como as pessoas vivem e sofrem por causa da sua condição”.

“O amor no matrimônio”
O quarto capítulo trata do amor no matrimônio. O Papa faz uma reflexão acerca da «transformação do amor» ao longo do casamento. A aparência física transforma-se e a atração amorosa não desaparece, mas muda. «Não é possível prometer que teremos os mesmos sentimentos durante a vida inteira; mas podemos ter um projeto comum estável».

“O amor que se torna fecundo”
O quinto capítulo centra-se por completo na fecundidade e no caráter gerador do amor. Fala-se de gestação e adoção. A Amoris laetitia não toma em consideração a família «mononuclear», mas está consciente da família como rede de relações alargadas.

“Algumas perspectivas pastorais”
No sexto capítulo, o Papa aborda algumas vias pastorais que orientam para a edificação de famílias sólidas. Fala-se também do acompanhamento das pessoas separadas ou divorciadas e sublinha-se a importância da recente reforma dos procedimentos para o reconhecimento dos casos de nulidade matrimonial. Coloca-se em relevo o sofrimento dos filhos nas situações de conflito e conclui-se: “O divórcio é um mal”. Fala-se da situação das famílias com pessoas com tendência homossexual, insistindo na recusa de qualquer discriminação.

“Reforçar a educação dos filhos”
O sétimo capítulo é totalmente dedicado à educação dos filhos, em todos os âmbitos, inclusive sexual. É feita uma advertência em relação à expressão «sexo seguro», pois transmite «uma atitude negativa a respeito da finalidade procriadora natural da sexualidade».

“Acompanhar, discernir e integrar a fragilidade”
O capítulo oitavo é muito delicado, representa um convite à misericórdia e ao discernimento pastoral. O Papa usa aqui três verbos muito importantes: «acompanhar, discernir e integrar». O Papa escreve: «Os divorciados que vivem numa nova união, por exemplo, podem encontrar-se em situações muito diferentes, que não devem ser catalogadas ou encerradas em afirmações demasiado rígidas, sem deixar espaço para um adequado discernimento pessoal e pastoral».
O Papa afirma que «os batizados que se divorciaram e voltaram a casar civilmente devem ser mais integrados na comunidade cristã sob as diferentes formas possíveis, evitando toda a ocasião de escândalo». «A sua participação pode exprimir-se em diferentes serviços eclesiais».
Francisco profere uma afirmação extremamente importante para que se compreenda a orientação e o sentido da Exortação: «Se se tiver em conta a variedade inumerável de situações concretas (…) é compreensível que se não devia esperar do Sínodo ou desta Exortação uma nova normativa geral de tipo canônico, aplicável a todos os casos. É possível apenas um novo encorajamento a um responsável discernimento pessoal e pastoral dos casos particulares».

“Espiritualidade conjugal e familiar”
O nono capítulo é dedicado à espiritualidade conjugal e familiar. O Papa afirma: «Nenhuma família é uma realidade perfeita, mas requer um progressivo amadurecimento da sua capacidade de amar».

Nota
Como já se pode depreender a partir de um rápido exame dos seus conteúdos, a Exortação apostólica não pretende reafirmar com força o «ideal» da família, mas a sua realidade rica e complexa. Há nas suas páginas um olhar aberto, profundamente positivo, que não se nutre de abstrações ou projeções ideais, mas de uma atenção pastoral à realidade. O documento é uma leitura densa de motivos espirituais e de sabedoria prática útil a cada casal ou a pessoas que desejam construir uma família. Nota-se, sobretudo que foi fruto de uma experiência concreta com pessoas que sabem a partir da experiência o que é a família e o viver juntos durante muitos anos. A Exortação fala a linguagem da experiência e da esperança.

Quirógrafo
A cópia da Exortação enviada aos bispos do mundo foi acompanhada por um quirógrafo do Papa: “Caro irmão, invocando a proteção da Sagrada Família de Nazaré, tenho a alegria de te enviar a minha Exortação “Amoris laetitia” para o bem de todas as famílias e de todas as pessoas, jovens e idosas, confiadas ao teu ministério pastoral. Unidos no Senhor Jesus, com Maria e José, peço-te que não te esqueças de rezar por mim”. (CM/BF)

 

«A Alegria do Amor»: Papa defende maior abertura, acompanhamento e «discernimento» das situações dos católicos divorciados
Agência Ecclesia, 08 de Abril de 2016
Nova exortação pastoral rejeita soluções únicas, sem abordar diretamente a possibilidade de acesso à Comunhão ou alterar doutrina
Cidade do Vaticano, 08 abr 2016 (Ecclesia) – O Papa propõe na sua nova exortação apostólica sobre a família um caminho de “discernimento” para os católicos divorciados que voltaram a casar civilmente, sublinhando que não existe uma solução única para estas situações.
“Não se devia esperar do Sínodo ou desta exortação uma nova normativa geral de tipo canônico, aplicável a todos os casos”, sublinha Francisco, no documento divulgado hoje, com o título ‘Amoris laetitia’ (A Alegria do Amor).
Tal como aconteceu com o relatório final da assembleia de outubro de 2015, a exortação apostólica pós-sinodal não aborda diretamente a possibilidade de acesso à Comunhão pelos divorciados recasados, que é negada pela Igreja Católica, mas numa das notas do texto, o Papa observa que “o discernimento pode reconhecer que, numa situação particular, não há culpa grave”.
“Ninguém pode ser condenado para sempre, porque esta não é a lógica do Evangelho”, escreve Francisco.
O Papa apresenta critérios de reflexão, recordando que há “condicionamentos” e “circunstâncias atenuantes” que podem anular ou diminuir a responsabilidade de uma ação.
“Por isso, já não é possível dizer que todos os que estão numa situação chamada ‘irregular’ vivem em estado de pecado mortal”, precisa.
Estas pessoas, reforça, precisam da “ajuda da Igreja”, procurando os “caminhos possíveis de resposta a Deus”, e “em certos casos, poderia haver também a ajuda dos sacramentos”.
O texto apela a um “responsável discernimento pessoal e pastoral dos casos particulares”, reconhecendo que há situações em que “a separação é inevitável” e, por vezes, “até moralmente necessária”.
“Acompanhar”, “discernir” e “integrar” são as indicações centrais do Papa nesta matéria, integradas numa “lógica da misericórdia pastoral”.
“Temos de evitar juízos que não tenham em conta a complexidade das diversas situações e é necessário estar atentos ao modo em que as pessoas vivem e sofrem por causa da sua condição”, assinala Francisco.
A exortação apostólica com as conclusões do Sínodo da Família, que decorreu em duas sessões (2014 e 2015), fala na necessidade de um “adequado discernimento pessoal e pastoral”, recordando que “o grau de responsabilidade não é igual em todos os casos”.
“Um pastor não pode sentir-se satisfeito apenas aplicando leis morais àqueles que vivem em situações ‘irregulares’, como se fossem pedras que se atiram contra a vida das pessoas”, adverte o Papa.
Francisco considera mesmo que seria “mesquinho” limitar-se a considerar “se o agir de uma pessoa corresponde ou não a uma lei ou norma geral”.
O Papa rejeita a ideia de que este “discernimento prático” coloque em causa a doutrina da Igreja e recorda que a reflexão sobre uma situação particular “não pode ser elevada à categoria de norma”.
O texto refere que é missão dos padres “acompanhar as pessoas no caminho do discernimento segundo o ensinamento da Igreja e as orientações do bispo”, apelando a um “exame de consciência” das pessoas em causa sobre a forma como trataram os seus filhos ou como viveram a “crise conjugal”.
Francisco sublinha ainda a importância da recente reforma dos procedimentos para o reconhecimento dos casos de nulidade matrimonial.
O pontífice observa que os divorciados que vivem numa nova união se podem encontrar em situações “muito diferentes”, que não devem ser “catalogadas ou encerradas em afirmações demasiado rígidas”.
“Não devem sentir-se excomungados, mas podem viver e amadurecer como membros vivos da Igreja”, realça.
Para o Papa, mais importante do que uma “pastoral dos falhanços” é o esforço de “consolidar os matrimônios e assim evitar as rupturas”.
A exortação pós-sinodal coloca os filhos como “primeira preocupação” para quem se separou, com atenção ao seu sofrimento.
“O divórcio é um mal, e é muito preocupante o aumento do número de divórcios”, lamenta o Papa.
Os temas da família estiveram no centro de duas assembleias do Sínodo dos Bispos, em outubro de 2014 e 2015, por decisão do Papa Francisco, antecedidas por inquéritos enviados às dioceses católicas de todo o mundo. OC

 

A alegria do amor pela família
Paulo Rocha, 08 de Abril de 2016

O Papa Francisco revela na exortação apostólica pós-sinodal “Amoris Laetitia” uma declarada alegria do seu amor pela família e a determinação em fazer da Igreja, com as suas normas, sacramentos, comunidades, grupos, líderes e instâncias de diálogo ou de decisão o ambiente propício para a experiência familiar, configurada num ideal afirmado neste documento em termos semelhantes aos dos últimos 50 anos, sem dar como adquirido, no entanto, o percurso que é necessário fazer para o atingir.
Feita esta consideração, tudo o mais deve seguir uma das primeiras indicações do Papa Francisco, logo no início do documento, que não aconselha uma “leitura geral apressada” do longo texto, porque considera “ser de maior proveito, tanto para as famílias como para os agentes de pastoral familiar, aprofundar pacientemente uma parte de cada vez ou procurar nela aquilo de que precisam em cada circunstância concreta”. Na atual, nos momentos seguintes à divulgação do texto, uma anotação metodológica e uma referência à questão que concentrou debates nas assembleias sinodais e nos meses que se seguiram.
Seguindo de perto as várias sugestões que resultaram de duas assembleias sinodais, assim como indicações de várias conferências episcopais, o Papa Francisco não se fixa na norma geral e na sua aplicação indiferenciada nem muda tudo a partir de um novo corpo normativo, ditado como todos a partir de um centro, sem atender a todas as periferias. Neste caso, a pastoral familiar na Igreja Católica tem no documento “A Alegria do Amor” uma referência que, por um lado, foge ao “desejo desenfreado de mudar tudo sem suficiente reflexão ou fundamentação” e, por outro, “não pretende resolver tudo através da aplicação de normas gerais ou deduzindo conclusões excessivas de algumas reflexões teológicas”. A partir da relevante auscultação que precedeu cada reunião dos bispos de todo o mundo reunidos em Sínodo, dos debates que aí decorreram e da síntese feita pelo Papa na exortação pós-sinodal, resulta uma porta aberta a “uma pastoral positiva” a respeito da família, que “torna possível um aprofundamento gradual das exigências do Evangelho”.
Particularmente significativa é esta atitude a respeito de designadas “situações irregulares”. Seguindo essa metodologia, o Papa não equipara uniões de fato ou entre pessoas do mesmo sexo ao matrimônio; nem diz que o primeiro é igual ao segundo casamento e afirma o ideal da “união entre um homem e uma mulher, que se doam reciprocamente com um amor exclusivo e livre fidelidade, se pertencem até à morte e abrem à transmissão da vida, consagrados pelo sacramento que lhes confere a graça para se constituírem como igreja doméstica e serem fermento de vida nova para a sociedade”.
Assumindo que algumas formas de união “contradizem radicalmente este ideal” e outras “o realizam pelo menos de forma parcial e analógica”, o documento afirma, como as conclusões do Sínodo, que “não é possível dizer que todos os que estão numa situação chamada ‘irregular’ vivem em estado de pecado mortal, privados da graça santificante”, declarando também que “um pastor não pode sentir-se satisfeito apenas aplicando leis morais àqueles que vivem em situações ‘irregulares’, como se fossem pedras que se atiram contra a vida das pessoas.
Assim, o Papa propõe três ações, acompanhar, discernir e integrar a fragilidade, admitindo que a História da Igreja foi-se construindo umas vezes a partir da lógica da marginalização e outras da integração, numa opção clara pela segunda, mesmo que seja um grande desafio com contornos pouco definidos.
A Alegria do amor do Papa Francisco pela família não se alarga a um relativismo generalizado nem esconde o realismo familiar da atualidade. É, aliás, a partir de famílias reais e que o Papa sugere o caminho de amor como o que oferece felicidade a famílias reais.

 

«A Alegria do Amor»: Exortação pós-sinodal propõe valorização da «dimensão erótica»
Agência Ecclesia, 08 de Abril de 2016
Papa adverte para discurso com atenção «quase exclusiva» na procriação
Cidade do Vaticano, 08 abr 2016 (Ecclesia) – A exortação apostólica do Papa Francisco com as conclusões do Sínodo da Família, divulgada hoje, propõe uma valorização da “dimensão erótica” do amor conjugal na reflexão da Igreja.
“Não podemos, de maneira alguma, entender a dimensão erótica do amor como um mal permitido ou como um peso tolerável para o bem da família, mas como dom de Deus que embeleza o encontro dos esposos”, refere, no documento que tem como título ‘Amoris laetitia’ (A Alegria do Amor).
Francisco assinala que a “união sexual”, no Matrimônio, é vista pela como “caminho de crescimento na vida da graça para os esposos”.
Nesse sentido, questiona a apresentação que é feita pelos responsáveis católicos, com “uma ênfase quase exclusiva no dever da procriação” que acaba por ofuscar “o convite a crescer no amor e o ideal de ajuda mútua”.
A exortação pós-sinodal deixa uma rejeição de qualquer forma de submissão sexual e questiona um “ideal de matrimônio” apenas como “doação generosa e sacrificada, onde cada um renuncia a qualquer necessidade pessoal e se preocupa apenas por fazer o bem ao outro, sem satisfação alguma”.
O Papa rejeita ainda “correntes espirituais que “insistem em eliminar o desejo para se libertar da dor”.
“A sexualidade não é um recurso para compensar ou entreter, mas trata-se de uma linguagem interpessoal onde o outro é tomado a sério, com o seu valor sagrado e inviolável”, escreve.
Francisco convida os casais a “cuidar a alegria do amor”, o que permite “encontrar prazer em realidades variadas” e nas várias fases da vida, dando “real importância ao outro”.
“A ternura é uma manifestação deste amor que se liberta do desejo da posse egoísta”, pode ler-se.
O texto apresenta uma reflexão acerca da “transformação do amor”, sublinhando que o aumento da esperança média de vida leva a que “a relação íntima e a mútua pertença” sejam mantidas “durante quatro, cinco ou seis décadas”, o que “gera a necessidade de renovar repetidas vezes a recíproca escolha”.
“A aparência física transforma-se e a atração amorosa não desaparece, mas muda: com o tempo, o desejo sexual pode transformar-se em desejo de intimidade e ‘cumplicidade’”, assinala Francisco.
O Papa admite que não é possível prometer “os mesmos sentimentos durante a vida inteira”, mas defende ser viável ter “um projeto comum estável”.
“Na própria natureza do amor conjugal, existe a abertura ao definitivo”, realça.
O documento adverte para as consequências do afastamento dos membros do casal: “Pouco a pouco, aquela que era ‘a pessoa que amo’ passa a ser ‘aquele que me acompanha sempre na vida’, a seguir apenas ‘o pai ou a mãe dos meus filhos’, e por fim um estranho”.
Os temas da família estiveram no centro de duas assembleias do Sínodo dos Bispos, em outubro de 2014 e 2015, por decisão do Papa Francisco, antecedidas por inquéritos enviados às dioceses católicas de todo o mundo. OC

 

Divulgada «A Alegria do Amor», exortação de Francisco após Sínodo sobre a Família
Documento com 325 pontos retrata «complexidade» dos temas e aponta a soluções atentas à realidade de cada local
Cidade do Vaticano, 08 abr 2016 (Ecclesia) – O Papa Francisco publicou hoje a exortação apostólica com as conclusões do Sínodo da Família, sublinhando a “complexidade” dos temas abordados, para os quais são necessárias soluções atentas à realidade de cada local.
“Na Igreja, é necessária uma unidade de doutrina e práxis, mas isto não impede que existam maneiras diferentes de interpretar alguns aspetos da doutrina ou algumas consequências que decorrem dela”, escreve, num documento que tem como título ‘Amoris laetitia’ (A Alegria do Amor).
O Papa observa que a intenção deste texto não é encerrar o debate, sublinhando que “nem todas as discussões doutrinais, morais ou pastorais devem ser resolvidas através de intervenções magisteriais”.
“Além disso, em cada país ou região, é possível buscar soluções mais inculturadas, atentas às tradições e aos desafios locais”, acrescenta.
Os temas da família estiveram no centro de duas assembleias do Sínodo dos Bispos, em outubro de 2014 e 2015, por decisão de Francisco, antecedidas por inquéritos enviados às dioceses católicas de todo o mundo.
“A complexidade dos temas tratados mostrou-nos a necessidade de continuar a aprofundar, com liberdade, algumas questões doutrinais, morais, espirituais e pastorais”, refere agora o Papa.
Nesse sentido, o pontífice argentino sustenta que as diferentes comunidades “deverão elaborar propostas mais práticas e eficazes, que tenham em conta tanto a doutrina da Igreja como as necessidades e desafios locais”.
A exortação apostólica pós-sinodal, “sobre o amor na família”, recolhe os resultados das duas assembleias de bispos, citando os seus relatórios, juntamente com documentos e ensinamentos dos Papas precedentes e as numerosas catequeses sobre a família do próprio Francisco.
À imagem do que fez noutros documentos magisteriais, o Papa recorre também a contributos de diversas Conferências episcopais de todo o mundo e a citações de personalidades como Martin Luther King ou Erich Fromm.
O texto está dividido em nove capítulos, num total de 325 pontos.
Sem entrar nas questões dogmáticas definidas pelo magistério da Igreja, o Papa afirma que é necessário sair da contraposição entre o desejo de mudar por mudar e a aplicação pura e simples de regras abstratas.
“Os debates, que têm lugar nos meios de comunicação ou em publicações – e mesmo entre ministros da Igreja – estendem-se desde o desejo desenfreado de mudar tudo sem suficiente reflexão ou fundamentação até à atitude que pretende resolver tudo através da aplicação de normas gerais”, adverte.

 

Papa pede acolhida a divorciados em segunda união, mas restrições à comunhão são mantidas
Documento chamado de Amoris Laetitia (A alegria do amor) deixa temas polêmicos em segundo plano e reforça valores familiares tradicionais
http://www.semprefamilia.com.br/papa-pede-acolhimento-a-divorciados-em-segunda-uniao-mas-restricoes-a-comunhao-sao-mantidas/

Foi publicado hoje o aguardado documento do Papa Francisco sobre a família, que apresenta as conclusões do pontífice após as intensas discussões ocorridas no Vaticano em 2014 e 2015, no Sínodo sobre a Família. Temas considerados polêmicos, como a questão das uniões homossexuais e a comunhão para divorciados recasados constam no texto, mas de forma secundária no extenso documento de 260 páginas, nove capítulos e 325 parágrafos. Como cardeais e analistas haviam previsto, o pontífice não tornou livre o acesso à comunhão eucarística por parte de divorciados em segunda união, mas insistiu no acolhimento pastoral dos católicos que se encontram nesta situação e pediu aos sacerdotes que tenham discernimento para analisar caso a caso.
Intitulada de Amoris Laetitia, “A alegria do amor”, a exortação apostólica parece não se preocupar em ser uma resposta a questões espinhosas, mas sim uma espécie de tratado sobre o casamento e a família na Igreja e no mundo de hoje.

Divorciados em segunda união
Tendo em vista que mudanças doutrinais não são possíveis na Igreja Católica, o pontífice opta por manter o tom pastoral em seu texto. “Nem todas as discussões doutrinárias devem ser resolvidas com intervenções magisteriais”, diz Francisco. Alguns analistas, contudo, afirmam que a exortação é mais flexível no que diz respeito à situação dos católicos que contraem um segundo casamento civil do que documentos anteriores da Igreja.
“Apesar de não citar explicitamente a admissão à eucaristia no texto, em uma nota se faz referência aos sacramentos. Francisco explica que não é possível fixar regras canônicas gerais, válidas para todos, então o caminho é o do discernimento caso por caso”, explicou o vaticanista Andrea Tornielli no site Vatican Insider.
“Não existem receitas simples”, reconhece Francisco em seu texto. O pontífice argentino, que cita os grandes escritores latino-americanos Jorge Luis Borges, Octavio Paz e Mario Benedetti, além do psicanalista Erich Fromm, pede que se evite julgamentos que “não levem em consideração a complexidade” das situações.
“Não é possível dizer que todos os que se encontram em alguma situação chamada ‘irregular’ vivem em uma situação de pecado mortal”, afirma o pontífice, que também reforça o fato de que divorciados em segunda união não estão excomungados.
Para a vaticanista Mirticeli Medeiros, Francisco não aderiu integralmente a nenhuma das duas alas da Igreja que defendiam posturas conflitantes durante o Sínodo, simbolizadas principalmente pelos cardeais alemães Kasper (defensor da liberação completa da comunhão aos recasados) e Muller (contrário às mudanças). “Não houve mudanças do ponto de vista canônico, como o papa bem sublinhou. Segundo ele, uma norma canônica não poderia ser promulgada, uma vez que cada caso é um caso e não se pode tratá-los da mesma forma”, disse a jornalista, que acompanhou a conferência em Roma. Mirticeli destaca que o texto é bem diferente do que foi proposto pelo cardeal Kasper, que propunha um possível “caminho penitencial” que, na prática, daria acesso indiscriminado a todos os divorciados em segunda união à comunhão eucarística. “O papa não foi nem pró-Kasper, nem pró-Muller. Ele indicou um caminho a partir daquilo que ele considera uma pastoral viva e concreta com os casais em segunda união”.

Homossexuais
No capítulo em que aborda as relações homossexuais, o papa reitera que toda pessoa, independente de sua tendência sexual, deve ser “respeitada em sua dignidade”, procurando evitar “qualquer discriminação injusta”.
No entanto, considera “inaceitável” equiparar as uniões entre pessoas do mesmo sexo com o matrimônio entre um homem e uma mulher. O texto destaca que “não existe fundamento para assimilar ou estabelecer analogias, nem sequer remotas”, entre ambas realidades.

Síntese
Segundo o cardeal austríaco Christoph Schönborn, que participou da conferência de imprensa que apresentou o documento nesta manhã, o texto representa um “verdadeiro desenvolvimento orgânico” da doutrina da Igreja, apresentando “verdadeiras novidades, mas não ruptura” com o ensinamento dos predecessores de Francisco.
A Santa Sé apresentou uma síntese do documento durante a conferência. No primeiro capítulo, o papa apresenta a base bíblica da sua reflexão, enquanto no segundo analisa a realidade das famílias hoje e as circunstâncias que a fragilizam, sem deixar de sublinhar atitudes positivas da mentalidade atual, como o apreço que muitos experimentam quando se deparam com a história de um casamento longo e afetuoso.
O terceiro capítulo compreende o ensinamento da Igreja sobre o tema, fazendo referência sobretudo ao Concílio Vaticano II e aos papas Paulo VI, João Paulo II e Bento XVI. O capítulo seguinte, talvez o mais original do documento, por sua abordagem e por suprir uma lacuna que havia nos relatórios dos sínodos, é uma reflexão sobre o amor no matrimônio, a partir da Primeira Carta aos Coríntios.
O quinto capítulo trata da abertura à vida no matrimônio, reafirmando o ensinamento da Igreja sobre a contracepção, mas alargando a perspectiva e falando da abertura a todos na família, enquanto rede de relações.
O sexto capítulo apresenta propostas pastorais, sugerindo atitudes de acolhimento e compaixão que o clero deve ter no acompanhamento das famílias, perpassando diversas situações, como o divórcio, a homossexualidade e o luto. O papa ressalta que deve haver maior preparação dos seminaristas para isso e acena para a experiência dos padres casados na tradição oriental da Igreja.
O capítulo seguinte trata da educação dos filhos, dando indicações para que os pais preparem os filhos para uma saudável autonomia. O papa cita ainda a importância da educação sexual, advertindo contra o uso da expressão “sexo seguro”, que denota uma atitude negativa frente à geração de filhos.
O oitavo capítulo é o mais delicado e trata da questão das segundas uniões. O papa resume as suas indicações nos verbos “acompanhar, discernir e integrar”. Afirma que não é possível esperar do documento normativas do tipo canônico, devido à variedade dos casos existentes, e encoraja a um discernimento pessoal e pastoral de cada caso. O papa insiste que o grau de responsabilidade não é sempre igual e por isso os efeitos de uma norma não devem ser sempre os mesmos. Com isso, acena para a possibilidade de que, juntos, pastores e fiéis possam discernir a participação do casal de segunda união na comunhão eucarística, segundo cada situação específica.
“É verdade que as normas gerais apresentam um bem que nunca se deve ignorar nem transcurar, mas, na sua formulação, não podem abarcar absolutamente todas as situações particulares”, escreve Francisco. “Ao mesmo tempo é preciso afirmar que, precisamente por esta razão, aquilo que faz parte dum discernimento prático duma situação particular não pode ser elevado à categoria de norma”.
O último capítulo oferece indicações para que os casais vivam uma espiritualidade específica de sua vocação matrimonial, vendo no casamento um caminho de comunhão com Deus e de vivência da santidade.
Colaborou: Felipe Koller

 

Papa defende Igreja menos rígida com divorciados
http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/deutschewelle/2016/04/08/papa-defende-igreja-menos-rigida-com-divorciados.htm

Francisco estabelece novas orientações sobre a família e casamento, num dos pronunciamentos mais importantes de seu pontificado. “Ninguém pode ser condenado para sempre”, afirma.
Em um dos pronunciamentos mais aguardados de seu pontificado, o papa Francisco pediu nesta sexta-feira (08/04) uma Igreja menos rígida e mais compassiva com os católicos “imperfeitos” – uma mensagem entendida como uma abertura para aqueles que se divorciam e voltam a se casar.
No documento de 260 páginas chamado Amoris Laetitia (“a alegria do amor”), elaborado durante dois anos de consultas com bispos de todo o mundo, Francisco estabelece novas orientações sobre a família e o casamento.
Ao apresentá-lo, Francisco citou o pastor e ativista americano Martin Luther King, o escritor e conterrâneo argentino Jorge Luis Borges e até o filme cult dinamarquês A festa de Babette para defender seu clamor por uma Igreja mais misericordiosa e amorosa.
O papa pediu a readmissão dos divorciados nos sacramentos, através de um processo de acompanhamento. Francisco indica um “caminho do discernimento” para que os padres analisem caso a caso as situações, permitindo a readmissão dos católicos “imperfeitos”.
“É importante que os divorciados que vivem uma nova união sintam que fazem parte da Igreja, que não estão excomungados, e não são tratados como tal, porque sempre integram a comunhão eclesiástica”, afirma o texto.

Comunhão
O documento não menciona ao acesso dos divorciados à comunhão, uma das principais reivindicações dos que voltaram a casar através dos registros civis.
Conforme os ensinamentos atuais da Igreja, divorciados não podem receber a comunhão a menos que se abstenham de sexo com o novo cônjuge, porque seu primeiro casamento ainda é válido aos olhos da Igreja e se considera que eles vivem em adultério, portanto em estado pecaminoso.
A única maneira de tais católicos poderem se casar novamente é receberem uma anulação, um veredicto religioso segundo o qual seu primeiro casamento jamais existiu por causa da falta de certos pré-requisitos, como maturidade psicológica ou livre arbítrio.
“Ninguém pode ser condenado para sempre, porque esta não é a lógica do Evangelho! Aqui eu estou falando não só dos que se divorciaram e voltaram a se casar, mas de todos, em qualquer situação em que se encontrem”, disse o papa.
Segundo o texto, as uniões livres de heterossexuais ou aqueles que casaram apenas pelo civil podem também ser “sinais de amor” quando atingem uma “estabilidade consistente através de um laço público”, ou quando a união é “caracterizada por uma afeição profunda”.

Homossexuais
Francisco defendeu o respeito e a não discriminação aos homossexuais, mas ressaltou que as uniões de casais do mesmo sexo não podem ser consideradas casamentos.
“Todas as pessoas, independentemente da orientação sexual, devem ser respeitadas em sua dignidade e acolhidas com respeito, procurando evitar qualquer sinal de discriminação injusta e, particularmente, qualquer forma de agressão e violência”, disse o papa.
Francisco, porém, condenou as pressões por parte de entidades que defendem a legalização do casamento gay. “É inaceitável que as igrejas locais sofram pressões e que organismos internacionais condicionem a ajuda financeira aos países pobres à introdução de leis para instituir o casamento entre pessoas do mesmo sexo”, disse. “Apenas a união exclusiva e indissolúvel entre um homem e uma mulher cumpre uma função social plena.”
O texto diz ainda que as crianças devem ser ensinadas a dizer sempre “por favor”, “obrigado” e a pedir desculpas. Elas devem ser punidas por mau comportamento e curadas do vício de “querer tudo já”.
Além disso, o papa diz que os pais devem evitar que as crianças assistam programas de televisão que possam prejudicar os valores familiares.
RC/lusa/rtr/afp

 

Amoris Laetitia: sete causas da desvalorização do casamento, segundo o Papa
http://www.semprefamilia.com.br/amoris-laetitia-sete-causas-da-desvalorizacao-do-casamento-segundo-o-papa/

Mais do que uma resposta a questões espinhosas, o documento é um grande tratado sobre o casamento e a família na Igreja e no mundo de hoje.
Na exortação apostólica Amoris Laetitia, “A alegria do amor”, publicada nesta sexta-feira, o papa dedica o segundo capítulo a analisar a situação da família na atualidade, porque pretende refletir “com os pés no chão” e atingir as famílias concretas, e não um ideal. Francisco constata ali os diversos problemas que levam à desvalorização do casamento.
O elenco de desafios é um bom exemplo do olhar global que caracteriza a exortação. Confira sete dos principais problemas, segundo o papa, que levam os jovens de hoje a não querer se casar, a adiar o casamento ou a construir um casamento frágil:

1. A instabilidade própria do ritmo de vida atual. Segundo o Papa, hoje se confunde a liberdade com a ideia de que cada um julga como lhe parece, como se “não houvesse verdades, valores, princípios”. Um vínculo definitivo, como o casamento, parece algo impensável nesse contexto. “Teme-se a solidão, deseja-se um espaço de proteção e fidelidade, mas, ao mesmo tempo, cresce o medo de ficar encurralado numa relação que possa adiar a satisfação das aspirações pessoais” (n. 34), constata Francisco.

2. Maneiras inadequadas de apresentar o ensinamento cristão sobre o casamento. O papa convida a Igreja a uma autocrítica: tem-se ensinado sobre o matrimônio de forma fiel? Percebe-se claramente a relação entre a mensagem da Igreja sobre a família e a pregação de Jesus? Ou enfatizam-se as exigências, sem se preocupar em despertar a abertura à graça? O papa chega a questionar até mesmo se a Igreja tem oferecido horários adequados para o acompanhamento dos jovens casais (n. 36-38).

3. A cultura do descarte. O papa denuncia a mentalidade atual que pensa os relacionamentos em termos de custo-benefício. “Transpõe-se para as relações afetivas o que acontece com os objetos e o meio ambiente: tudo é descartável, cada um usa e joga fora, gasta e rompe, aproveita e espreme enquanto serve; depois… adeus” (n. 39), diz ele. O foco nos próprios interesses adoenta a capacidade de se doar e impede a construção de um projeto comum.

4. Imaturidade emocional e sexual. Francisco fala que muitas pessoas tendem a ficar “nos estágios primários da vida emocional e sexual”, devido a uma afetividade narcisista, ao uso de pornografia, à própria desvalorização ideológica do matrimônio e a uma concepção exclusivamente romântica do amor (n. 40-41).

5. A mentalidade antinatalista. Às vezes o puro desejo de manter certa “liberdade e estilo de vida” leva ao temor de se ter filhos. Vários fatores somados, como os problemas econômicos e a revolução sexual, geraram uma mentalidade segundo a qual o filho é visto antes de tudo como um fardo. Segundo o papa, isso leva a uma “perda de esperança no futuro” (n. 42). Um Estado que intervenha de forma coercitiva a favor da contracepção age de forma contraditória e negligencia o próprio dever.

6. Carência de políticas para a família. “Quem casa quer casa”, diz o ditado. Muitas vezes adia-se o casamento indefinidamente por falta de uma habitação adequada. Francisco aponta que devemos insistir nos direitos da família, e não apenas nos individuais, e recorda um trecho de um documento de 1983 do Pontifício Conselho para a Família, a Carta dos direitos da família: “A família tem direito a uma habitação condigna, apropriada para a vida familiar e proporcional ao número dos seus membros” (n. 44). Como o bem que é para a sociedade, a família deve ser protegida, e isso inclui repensar diversas questões sociais, incluindo as relações de trabalho. A longa jornada de trabalho, por exemplo, muitas vezes agravada pelo deslocamento, impede a convivência familiar.

7. A desconstrução jurídica da família. Francisco alerta para os danos de se alargar a concepção de família. “As uniões de fato ou entre pessoas do mesmo sexo não podem ser simplistamente equiparadas ao matrimônio. Nenhuma união precária ou fechada à transmissão da vida garante o futuro da sociedade”, escreve o papa. Segundo ele, só “a união exclusiva e indissolúvel entre um homem e uma mulher realiza uma função social plena”, devido à sua estabilidade e fecundidade (n. 52-53).

Santo Cura D’Ars: belo dever do homem, orar e amar

Padre Luizinho, Canção Nova

Hoje a Igreja celebra a memória do Cura D´Ars. Um sacerdote que viveu na França e que se tornou um grande modelo de vida sacerdotal para todo padre. O Papa Bento XVI por ocasião dos 150 anos de seu falecimento promulgou o Ano Sacerdotal no ultimo dia 19 de Junho na Solenidade do Sagrado Coração de Jesus. Com o tema: “Fidelidade de Cristo, Fidelidade do sacerdote”, você conhece São João Maria Vianney? Vamos conhecê-lo mais um pouco a partir de sua vida espiritual com este texto que trago para meditarmos e rezarmos, depois clique em Santo do Dia e conheça mais um pouco do santo modelo para os padres e para todos os cristãos:

Belo dever do homem: Orar e amar
Prestai atenção, meus filhos: o tesouro do homem cristão não está na terra, mas no Céu. Por isso, o nosso pensamento deve voltar-se para onde está o nosso tesouro. O homem tem este belo dever e obrigação: orar e amar. Se orais e amais, tendes a felicidade do homem sobre a terra. A oração não é outra coisa senão a união com Deus. Quando alguém tem o coração puro e unido a Deus, experimenta em si mesmo uma certa suavidade e doçura que inebria e uma luz admirável que o circunda. Nesta íntima união, Deus e a alma são como dois pedaços de cera, fundidos num só, de tal modo que ninguém mais os pode separar. Como é bela esta união de Deus com a sua pequena criatura! É uma felicidade que supera toda a compreensão humana. Nós tornamo-nos indignos de orar; mas Deus, na sua bondade, permite-nos falar com Ele. A nossa oração é o incenso que mais Lhe agrada. Meus filhos, o vosso coração é pequeno, mas a oração dilata-o e torna-o capaz de amar a Deus. A oração faz-nos saborear antecipadamente a suavidade do Céu, é como se alguma coisa do Paraíso descesse até nós. Ela nunca nos deixa sem doçura; é como o mel que se derrama sobre a alma e faz com que tudo nos seja doce. Na oração bem feita desaparecem as dores, como a neve aos raios do sol. Outro benefício nos traz a oração: o tempo passa depressa e com tanto prazer que não se sente a sua duração. Escutai: quando era pároco em Bresse, em certa ocasião tive de percorrer grandes distâncias para substituir quase todos os meus colegas, que estavam doentes; e podeis estar certos disto: nessas longas caminhadas rezava ao bom Deus e o tempo não me parecia longo. Há pessoas que se submergem profundamente na oração, como os peixes na água, porque estão completamente entregues a Deus. O seu coração não está dividido. Oh como eu amo estas almas generosas! São Francisco de Assis e Santa Coleta viam Nosso Senhor e conversavam com Ele do mesmo modo que nós falamos uns com os outros. Nós, pelo contrário, quantas vezes vimos para a igreja sem saber o que havemos de fazer ou que pedir! No entanto, sempre que vamos ter com algum homem, sabemos perfeitamente o motivo por que vamos. Mais: há pessoas que parecem falar a Deus deste modo: «Só tenho a dizer-Vos duas palavras para ficar despachado…». Muitas vezes penso: Quando vimos para adorar a Deus, conseguiríamos tudo o que pedimos se pedíssemos com fé viva e coração puro (Liturgia das Horas, Da Catequese de São João Maria Vianney, presbítero).

O Senhor da messe não deixe faltar à sua Igreja numerosas e santas vocações sacerdotais e religiosas!

Oração: Pai santo olha para esta nossa humanidade, que dá os primeiros passos no caminho do terceiro milênio. A sua vida ainda é fortemente marcada pelo ódio, pela violência, pela opressão, mas a fome de justiça, de verdade e de graça ainda acha espaço no coração de muitos, que esperam que tragas a salvação realizada por ti, por meio de teu Filho Jesus. Precisamos de arautos corajosos do Evangelho, de servos generosos da humanidade sofredora. Manda à tua Igreja, nós te suplicamos presbíteros santos, que santifiquem o teu povo com os instrumentos da tua graça. Manda numerosos consagrados e consagradas, que mostrem a tua santidade no meio do mundo. Manda na tua vinha operários santos, que ajam com o ardor da caridade e, impelidos por teu Santo Espírito, levem a salvação de Cristo até os últimos confins da Terra. Amém (João Paulo II, De Castel Gandolfo, 08 de setembro de 2001).

“Uma alma pura tem todo o poder sobre o bom Deus, não é mais ela que faz a vontade de Deus, mas Deus que faz a sua” (São João Maria Vianney).

ORAÇÃO
Deus de poder e misericórdia, que tornastes São João Maria Vianney um pároco admirável por sua solicitude pastoral, dai-nos por sua intercessão e exemplo, conquistar no amor de Cristo os irmãos e irmãs para vós e alcançar com ele a gloria eterna. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém.

São João Maria Vianney, rogai por nós e por todos os nossos sacerdotes!

 

EXCERTOS DAS PALAVRAS do Santo Cura d’Ars
Com suas palavras, João Maria Vianney soube tocar os corações e guiá-los para Deus.
Fonte: Ars Net

Misericórdia e sacramento do perdão
Se compreendêssemos bem o que significa ser filho de Deus, não poderíamos fazer o mal […]; ser filho de Deus, oh, que bela dignidade! A misericórdia de Deus é como um rio que transbordou. Ao passar, arrebata os corações. Não é o pecador que retorna a Deus para lhe pedir perdão, é Deus que corre atrás do pecador e o faz voltar para Ele. Demos, portanto, esta alegria a esse Pai tão bom: voltemos a Ele… e seremos felizes. O bom Deus está sempre disposto a nos receber. Sua paciência nos espera! Há quem volte ao Pai Eterno um coração duro. Oh, como essas pessoas se enganam! O Pai Eterno, para desarmar sua justiça, deu a seu Filho um coração excessivamente bom: não damos o que não temos… Há quem diga: “Agi mal demais; Deus não pode me perdoar”. Trata-se de uma grande blasfêmia. Equivale a impor um limite à misericórdia de Deus, que não tem limites: é infinita. Nossos erros são grãozinhos de areia em comparação com a grande montanha da misericórdia de Deus. Quando o sacerdote dá a absolvição, precisamos pensar apenas numa coisa: que o sangue do bom Deus se derrama sobre nossa alma para lavá-la, purificá-la e torná-la bela como era depois do batismo. O bom Deus, no momento da absolvição, joga nossos pecados para trás das costas, ou seja, esquece-os, apaga-os: não reaparecerão nunca mais. Já não há o que falar dos pecados perdoados. Foram apagados, não existem mais!

A Eucaristia e a comunhão
Todas as boas obras, juntas, não se equivalem ao sacrifício da Missa, pois são obras dos homens, enquanto a Santa Missa é obra de Deus. Nada há tão grande quanto a Eucaristia. Oh, filhos meus, o que faz Nosso Senhor no Sacramento de seu amor? Toma seu coração bom para nos amar, e extrai desse coração uma transpiração de ternura e misericórdia, para sufocar os pecados do mundo. Aí está aquele que tanto nos ama! Por que não amá-lo? O alimento da alma é o corpo e o sangue de um Deus. Se pensarmos nisso, havemos de nos perder eternamente nesse abismo de amor! Venham à comunhão, venham a Jesus, venham viver d’Ele, para viver para Ele. O bom Deus, querendo oferecer-se a nós no sacramento de seu amor, deu-nos um desejo grande e profundo, que só Ele pode satisfazer. A comunhão produz na alma uma espécie de lufada de ar num fogo que começa a se apagar, mas em que ainda ardem muitas brasas! Depois que comungamos, se alguém nos dissesse: “O que você leva para casa?”, poderíamos responder: “Eu levo o céu”. Não digam que não são dignos disso. É verdade: vocês não são dignos, mas precisam disso.

A oração
A oração nada mais é que a união com Deus. A oração é uma doce amizade, uma familiaridade surpreendente; […] é um doce colóquio de uma criança com seu Pai. Quanto mais rezamos, mais queremos rezar. Vocês têm um coração pequeno, mas a oração o alarga e o torna capaz de amar a Deus. Não é para as longas nem para as belas orações que o bom Deus olha, mas para as que vêm do fundo do coração, com grande respeito e verdadeiro desejo de agradar a Deus. Como um pequeno quarto de hora que roubamos a nossas ocupações, a uma série de coisas inúteis, para rezar, lhe dá prazer! A oração particular assemelha-se à palha espalhada aqui e ali num campo. Se lhe ateamos fogo, a chama tem pouco ardor, mas, se reunimos a palha espalhada, a chama se torna abundante e se eleva para o alto do céu: o mesmo se dá com a oração pública. O homem é um pobre que precisa pedir tudo a Deus. O homem tem uma bela função: rezar e amar. […] Essa é a felicidade do homem na terra. Vamos, minh’alma, vai conversar com o bom Deus, trabalhar com Ele, caminhar com Ele, lutar e sofrer com Ele. Trabalharás, mas Ele abençoará teu trabalho; caminharás, mas Ele abençoará teus passos; sofrerás, mas Ele abençoará tuas lágrimas. Como é grande, como é nobre, como é consolador fazer tudo em companhia e sob o olhar do bom Deus, e pensar que Ele tudo vê, tudo enumera!…

O sacerdote
A ordem: é um sacramento que não parece dizer nada a nenhum de vocês, mas diz respeito a todos. É o sacerdote quem continua a obra da Ressurreição na terra. Quando vocês vêem o sacerdote, pensem em Nosso Senhor Jesus Cristo. O sacerdote não é sacerdote para si mesmo, mas por vocês. Tentem se confessar com a Santa Virgem ou com um anjo. Eles os absolverão? Darão o corpo e o sangue de Nosso Senhor a vocês? Não, a Santa Virgem não pode trazer seu divino Filho na hóstia. Ainda que vocês tivessem duzentos anjos a sua disposição, eles não poderiam absolvê-los. Um sacerdote, por mais simples que seja, pode fazer isso. Ele pode lhes dizer: vão em paz, eu os perdôo. Oh, o sacerdote é algo realmente grande! Um bom pastor, um pastor de acordo com o coração de Deus, é o maior tesouro que o bom Deus pode conceder a uma paróquia, e um dos dons mais preciosos da misericórdia divina. O Sacerdócio é o amor do coração de Jesus. Deixem uma paróquia vinte anos sem sacerdote: ali os animais serão adorados.

A Virgem Maria
A Santa Virgem é essa bela criatura que nunca desagradou ao bom Deus. O Pai adora contemplar o coração da Santíssima Virgem Maria, como a obra-prima de suas mãos. Jesus Cristo, depois de ter-nos dado tudo o que nos podia dar, quis ainda fazer-nos herdeiros do que tem de mais precioso, sua Santa Mãe. A Santa Virgem nos gerou duas vezes: na encarnação e aos pés da Cruz; logo, é nossa Mãe duas vezes. Não entramos numa casa sem falar com o porteiro! Pois bem: a Santa Virgem é a porteira do Céu! A ave-maria é uma oração que não cansa nunca. Tudo o que o Filho pede ao Pai lhe é concedido. Tudo o que a Mãe pede ao Filho também lhe é deferido. O meio mais seguro de conhecer a vontade de Deus é rezar a nossa boa Mãe. Quando nossas mãos tocaram um aroma, perfumam tudo o que tocam. Façamos nossas orações passarem pelas mãos da Santa Virgem: ela as perfumará. Creio que, no fim do mundo, a Santa Virgem ficará muito tranqüila, mas, enquanto durar o mundo, ela é puxada de todos os lados…

A tentação
“A tentação nos é útil e necessária”.
“Deus não nos pede o martírio; pede-nos que resistamos a umas poucas tentações”.
“Conhecemos o preço da nossa alma pelos esforços que o demônio faz para perdê-la. O inferno arma-se contra ela, o céu por ela… Como ela é grande! Quando o demônio prevê que uma alma caminha para a união com Deus, a sua raiva redobra … Feliz união!”
“Enquanto houver um cristão à face da terra, “ele” [o demônio] o tentará”.
“A maior tentação é não ter nenhuma”.
“Havia uma vez uma mulher (parece-me que era Santa Teresa) que se queixava a Nosso Senhor após uma tentação e lhe dizia: “Onde estáveis Vós, meu Jesus infinitamente amável, onde estáveis durante esta horrível tempestade?” Nosso Senhor respondeu-lhe: “Estava no meio do teu coração, feliz de te ver lutar” “.
“Todos os soldados são bons da caserna. É no campo de batalha que se vê a diferença entre os corajosos e os covardes”.
“Os combates levam-nos para junto da cruz, e a cruz é a porta do céu”.
“Quando fordes tentados, oferecei a Deus o mérito dessa tentação para obterdes a virtude oposta”.
“Muitos se entregam à moleza e à ociosidade. Não é de admirar que o demônio lhes ponha o pé em cima”.
“Três coisas nos são absolutamente necessárias para combater a tentação: a oração para obtermos luz, os sacramentos para ganharmos forças, a vigilância para nos preservarmos”.
“Se estivéssemos impregnados da presença de Deus, ser-nos-ia fácil resistir ao inimigo”.
“Quando o demônio quer perder uma pessoa, começa por incutir-lhe um grande desgosto pela oração”.
“O demônio é esperto, mas não é forte: basta fazer o sinal da cruz para pô-lo em fuga”.
“O demônio só tenta aqueles que querem sair do pecado e aqueles que estão em estado de graça. Os outros já lhe pertencem, não precisam de ser tentados”.

 

10 Ensinamentos de São João Vianney para a luta contra o mal
http://blog.cancaonova.com/felipeaquino/2016/08/04/10-ensinamentos-de-s-joao-vianney-para-a-luta-contra-o-mal/

O Santo Padre de Ars nasceu na França no ano 1786. Foi um grande pregador, fazia muitas mortificações, foi um homem de oração e caridade. Tinha um dom especial para a confissão. Por isso, vinham pessoas de diferentes lugares para confessar-se com ele e escutar seus santos conselhos. Devido a seu frutífero trabalho pastoral foi nomeado padroeiro dos sacerdotes. Também combateu contra o maligno em várias ocasiões, inclusive em algumas não só espiritualmente.

Em uma delas, enquanto se preparava para celebrar a missa, um homem lhe disse que seu dormitório estava pegando fogo. Qual foi sua resposta? “O Resmungão está furioso. Quando não consegue pegar o pássaro, ele queima a sua gaiola”. Entregou a chave para aqueles que iam ajudar a apagar o fogo. Sabia que Satanás queria impedir a missa e não o permitiu.

Deus premiou sua perseverança diante das provações com um poder extraordinário que lhe permitia expulsar demônios das pessoas possuídas.

Sua confiança em Deus e fé inabalável nos dão várias lições que podem também nos ajudar em nossas lutas do dia-a-dia em nossa caminhada nesta terra. Sim, o mal existe; mas, Deus pode mais… “Quem como Deus?”.

Confira:

1. Não imagine que exista um lugar na terra onde possamos escapar da luta contra o demônio, se tivermos a graça de Deus, que nunca nos é negada, podemos sempre triunfar.

2. Como o bom soldado não tem medo do combate, assim o bom cristão não deve ter medo da tentação. Todos os soldados são bons no acampamento, mas é no campo de batalha que se vê a diferença entre corajosos e covardes.

3. O demônio tenta somente as almas que querem sair do pecado e aquelas que estão em estado de graça. As outras já lhe pertencem, não precisa tentá-las.

4. Uma santa se queixou a Jesus depois da tentação, perguntando a Ele: “onde você estava, meu Jesus adorável, durante esta horrível tempestade?” Ao que Ele lhe respondeu: “Eu estava bem no meio do seu coração, encantado em vê-la lutar”.

5. Um cristão deve sempre estar pronto para o combate. Como em tempo de guerra, tem sempre sentinelas aqui e ali para ver se o inimigo se aproxima. Da mesma maneira, devemos estar atentos para ver se o inimigo não está nos preparando armadilhas e, se ele está vindo para nos pegar de surpresa…

6. Três coisas são absolutamente necessárias contra a tentação: a oração, para nos esclarecer; os sacramentos, para nos fortalecer; e a vigilância para nos preservar…

7. Com nossos instintos a luta é raramente de igual: ou nossos instintos nos governam ou nós governamos nossos instintos. Como é triste se deixar levar pelos instintos! Um cristão é um nobre; ele deve, como um grande senhor, mandar em seus vassalos.

8. Nosso anjo da guarda está sempre ao nosso lado, com a pena na mão, para escrever nossas vitórias. Precisamos dizer todas as manhãs: “Vamos, minh’alma, trabalhemos para ganhar o céu”.

9. O demônio deixa bem tranquilo os maus cristãos; ninguém se preocupa com eles, mas contra aqueles que fazem o bem ele suscita mil calúnias, mil ofensas.

10. O sinal da cruz é temido pelo demônio porque é pela cruz que escapamos dele. É preciso fazer o sinal da cruz com muito respeito. Começamos pela cabeça: é o principal, a criação, o Pai; depois o coração: o amor, a vida, a redenção, o Filho; por fim, os ombros: a força, o Espírito Santo. Tudo nos lembra a cruz. Nós mesmos somos feitos em forma de cruz.

Capela Nossa Senhora de Lourdes

A Capela do Bairro Jardim Mauá convida a comunidade em geral para as Celebrações Eucarísticas, os momentos de oração e os eventos promocionais em vista da construção da futura e nova Capela há 50 anos almejada.

Sempre aos sábados, às 19h, temos a celebração da Santa Missa. Os que vem de carro, podem contar com um espaço interno para estacionamento gratuito, mas lembramos que não há seguro para os veículos.

Sempre às terças-feiras, temos a Oração do Terço Mariano, no horário das 19h30min às 20h30min, onde contamos com a participação das famílias da comunidade, bem como aos sábados, às 18h30min, antes da Santa Missa.

Temos ainda programado neste ano de 2017:
23/7 -A Paróquia nos seus 137 anos e a Capela Nossa Senhora de Lourdes do Bairro Jardim Mauá no seu Jubileu de Ouro, convidam para o CHÁ FAMILIAR de ANIVERSÁRIO, no PRÓXIMO domingo, das 15h às 17h30min no salão de festas da igreja Matriz. Os cartões podem ser adquiridos na Secretaria Paroquial ou com os membros do conselho econômico e zeladoras do Apostolado da Oração, por R$ 20,00 (cartão adulto) e R$ 10,00 (crianças até 10 anos). Venha e traga toda a família!
19/11 -Galeto só p/levar (coxa, sobrecoxa, salada, pão / no salão festas igreja Matriz)

A realização dos eventos sociais é no salão de festas da Paróquia Nossa Senhora da Piedade, localizado à Rua Leão XIII, n. 180, no Bairro Hamburgo Velho.

A nossa Capela está localizada no Bairro Jardim Mauá, na Rua Lagoa Vermelha, n. 45, esquina com a Rua Santa Vitória do Palmar. As entradas para a Capela e estacionamento, são pela Rua Santa Vitória do Palmar.

Venha participar conosco e traga toda a sua família! Sejam bem-vindos!

Pelo Conselho Econômico, 
Pedro Paulo Maynart

 

Aniversário de Fundação da Capela Nossa Senhora de Lourdes do Bairro Jardim Mauá
– Jubileu de Ouro
30/12/1967 Α╬Ω 30/12/2017
Há 50 anos Nossa Senhora de Lourdes nos leva até seu Filho Jesus.

Do Livro Tombo II (1955-1975) da Paróquia Nossa Senhora da Piedade – Reunião 11/3/1967.
Local: Vila Fleck.
Número de pessoas: 22.
Assunto: Construção de uma Capela.

Relato: O Pároco afirmou que havia um terreno na Vila, pertencente ao Sr. Valburgo Adriano Fleck; é o único dono do terreno. Ele fará doação à Mitra. Providência do Pároco – ir ao Cartório para saber como proceder. É preciso consultar também o Sr. Ivo Lenz. Também há possibilidade de conseguir maior espaço pela doação de terrenos de outras 4 pessoas. Três delas já estão dispostas a entregar o terreno. Após a escrituração é preciso fazer a limpeza do terreno e fazer cerca. Também o grupo achou, aliás, o Pároco sugeriu que fosse eleita uma primeira Comissão. Foi assim constituída: 1º Presidente: Remy Cardoso Machado; Vice-presidente: José Cassemiro Vieira; Secretário: Alfredo Teodoro Kauer; Tesoureiro: Ciro Jaime Martins. Após conseguir a escrituração o Pe. sugeriu que fosse celebrada uma Missa na Vila. Quanto ao material da cerca o Sr. Remy achou que o conseguiria com relativa facilidade. O grupo deseja que antes de ser construída a Capela, deverá ser levantado um pavilhão, que terá finalidades múltiplas.
“Vila Fleck – Nova Capela. Já há algum tempo para cá, os moradores da Vila Fleck, demonstraram o desejo de possuírem uma Capela no bairro, já que dista bastante da igreja Matriz e não ter comunicação e acesso direto para Hamburgo Velho. Em março passado, em reunião efetuada no referido bairro, foi escolhida e empossada uma Diretoria para iniciar o trabalho. Como local da Capela foi escolhido um terreno de aproximadamente 3.200 m2, em si destinado, pelos loteadores, a ser praça, mas nunca ocupado pela municipalidade. O único herdeiro, ainda vivo, do dono do loteamento já falecido, é o Sr. Walburg Alfons Fleck e esposa Waly Fleck. Estes fazem questão que o referido terreno fosse aproveitado para a construção de uma Capela. Efetivamente, em setembro, foi iniciada a construção do prédio, com madeira roliça, tábuas de pinho, forrado, com as tesouras à vista. Os recursos foram adiantados pela Caixa da Comunidade depois dos entendimentos com a Diretoria e Conselho Paroquial. Em dezembro concluía-se a obra, com um puxado nos fundos e lado esquerdo, para funcionamento de copa e cozinha, por ocasião de festejos populares. No dia 30 de dezembro, sábado à tarde às 17h, o Pároco benzia e inaugurava festivamente a nova Capela simples e simpática, dedicada à Nossa Senhora de Lourdes, invocação da imagem, que em 1963, na Cruzada do Rosário em família, fora destacada à Vila Fleck. O povo lotou completamente o recinto, ainda sem bancos. O calor era intenso. O Coro da Paróquia acompanhou com seus cânticos, a 1ª Missa celebrada em honra de Nossa Senhora de Lourdes. A caixa da comunidade adiantou a importância de NCr$ 5.100,00 para cobertura das despesas. O prédio foi construído por empreitada pelo Sr. Alfredo Dapper. Esperamos que Maria Santíssima seja o início de uma nova vida religiosa para todos os moradores da Vila Fleck”.

Jesus não se impõe, mas se propõe doando-se

Papa Francisco no Angelus deste domingo

Cidade do Vaticano (RV) – O Papa Francisco rezou a oração mariana do Angelus, neste domingo (16/7/2017), com os fiéis e peregrinos de várias partes do mundo, presentes na Praça São Pedro.

Na alocução que precedeu a oração, o Pontífice disse que “quando Jesus falava usava uma linguagem simples e usava também imagens que eram exemplo de vida cotidiana a fim de ser compreendido facilmente por todos. Por isso, as pessoas o ouviam com boa vontade e apreciavam a sua mensagem que chegava diretamente ao coração”.

Não era uma linguagem complicada de entender como as dos doutores da lei daquele tempo, que não se entendia muito bem, pois “era cheia de rigidez e distanciava as pessoas”. “Com essa linguagem, Jesus faz entender o mistério do Reino de Deus. Não era uma teologia complicada e o exemplo disso nos é apresentado no Evangelho de hoje.”

Generosidade

“O semeador é Jesus. Observamos que com essa imagem, Ele se apresenta com um que não se impõe, mas se propõe. Não nos atrai conquistando-nos, mas doando-se. Ele propaga com paciência e generosidade a sua Palavra, que não é uma gaiola ou uma emboscada, mas uma semente que pode dar fruto”, disse Francisco, se estivermos dispostos a acolhê-la.

“Portanto, a parábola diz respeito sobretudo a nós. De fato, fala mais do terreno que do semeador. Jesus faz, por assim dizer, uma radiografia espiritual do nosso coração, que é o terreno sobre o qual cai a semente da Palavra. O nosso coração, como um terreno, pode ser bom e então a Palavra dá fruto, mas pode ser também duro, impermeável. Isso acontece quando ouvimos a Palavra, mas ele bate com força sobre nós, como numa estrada.”

Coração superficial

Entre o terreno bom e a estrada existem dois terrenos intermédios que, de várias medidas, podem existir em nós.

“O primeiro é o pedregoso. Vamos imaginá-lo! Um terreno pedregoso é um terreno onde não há muita terra. A semente germina, mas não consegue se enraizar profundamente. Assim, é o coração superficial, que acolhe o Senhor, quer rezar, amar e testemunhar, mas não persevera, se cansa e nunca decola. É um coração sem consistência onde as pedras da preguiça prevalecem sobre a terra boa, onde o amor é inconstante e passageiro. Quem acolhe o Senhor somente quando quer, não dá fruto.”

Vícios

Depois, há o último terreno, o espinhoso, cheio de sarças que sufocam as plantas boas.

“O que essas sarças representam? «A preocupação do mundo e a sedução da riqueza», diz Jesus. As sarças são os vícios que lutam com Deus, que sufocam a presença: sobretudo os ídolos da riqueza mundana, o viver com avidez, para si mesmo, para o ter e o poder. Se cultivamos essas sarças, sufocamos o crescimento de Deus em nós. Cada um pode reconhecer as suas pequenas ou grandes sarças que não agradam a Deus e impedem de ter um coração limpo. É preciso arrancá-las, caso contrário a Palavra não dá fruto.”

O Papa disse ainda que “Jesus nos convida hoje a nos olhar por dentro, a agradecer pelo nosso terreno bom e a trabalhar os terrenos que ainda não são bons. Perguntemo-nos se o nosso coração está aberto para acolher com fé a semente da Palavra de Deus. Perguntemo-nos se em nós as pedras da preguiça são ainda numerosas e grandes. Devemos encontrar e chamar por nome as sarças dos vícios. Encontremos a coragem de recuperar o terreno, levando ao Senhor na confissão e na oração as nossas pedras e nossas sarças”.

Purificar o coração

“Ao fazer isso”, sublinhou Francisco, “Jesus, o Bom semeador, ficará feliz de realizar um trabalho adicional: purificar os nossos corações, removendo as pedras e os espinhos que sufocam a sua Palavra”.

O Papa pediu à Virgem Maria, que hoje recordamos com o título de Nossa Senhora do Carmo, para que nos ajude a purificar o coração e conservar nele a presença do Senhor.

Saudações

Após a oração mariana do Angelus, o Santo Padre saudou todos os fiéis de Roma, os peregrinos de várias partes do mundo, famílias, grupos paroquias e associações.

Saudou de modo particular as Irmãs de Nossa Senhora das Dores que celebram 50 anos da aprovação pontifícia do instituto. Saudou também as Irmãs Franciscanas de São José que comemoram 150 anos de fundação, os diretores e hóspedes da “Domus Croata” de Roma, no 30° aniversário de sua instituição.

O Papa dirigiu uma saudação especial à comunidade católica da Venezuela, presente na Itália, renovando sua oração por esse “amado país”. (MJ)

Monge fala sobre vida austera dos seguidores de São Bento

Oração, silêncio e trabalho são a marca dos monges que seguem as regras deixadas por São Bento

Luciane Marins e Padre Roger Araújo

Nesta terça-feira, 11, dia em que a Igreja celebra São Bento, o Canção Nova em Foco conversa com Dom Filipe da Silva. O Abade do Mosteiro de São Bento no Rio de Janeiro, fala sobre a vida e obra deste santo, que embora tenha vivido no século quinto, até hoje conquista devotos em todo mundo.

A espiritualidade beneditina é fundamentada no amor a Jesus Cristo. Para Dom Filipe, a grande lição deixada por São Bento é despertar os homens para este amor. “Ele pede que nada seja anteposto a Cristo, é uma regra, um princípio, daí decorre tudo mais. Nada antepor ao amor de Cristo”, explica.

A austeridade, vivida pelo santo, é característica comum aos monges, que onde quer que estejam, têm uma vida marcada pela oração, silêncio e trabalho.

O dia beneditino tem a marca da organização que passa pela oração. Os monges rezam no início da manhã, depois no meio da manhã, ao meio dia, no meio da tarde, ao final da tarde, e um pouco mais a noite, encerrando o dia por volta das 20h.

“A primeira norma de São Bento é harmonizar, organizar e austerizar a vida de oração, porque essa oração voltada para Deus, através de Cristo, é que vai dar o tom espiritual ao Mosteiro que ele organizou”.

O santo deixou a chamada Regra Beneditina, uma série de “normas” que dirigem os costumes dos que a ela obedecem. No capítulo 16, São Bento deixou explícito como devem ser celebrados os ofícios durante o dia. “Rendamos, portanto, nessas horas, louvores ao nosso Criador ‘sobre os juízos da sua justiça’, isto é, nas Matinas, Prima, Terça, Sexta, Noa, Vésperas e Completas; e à noite, levantemo-nos para louvá-Lo’”.

Dom Filipe deixa claro que vida disciplinada e austera não significa vida dolorosa ou inquieta.

Trabalho

Ao lado da oração está o trabalho. A regra beneditina diz que a ociosidade é inimiga da alma. Entre uma oração e outra, o monge se volta ao trabalho, que depende do lugar em que o Mosteiro está.

O trabalho realizado em um Mosteiro da área urbana se diferencia de outro que esteja na área rural, neste último por exemplo o trabalho é voltado para a agricultura e trabalhos manuais.

Já no Mosteiro do Rio de Janeiro, do qual Dom Filipe é abade, o trabalho dos monges está relacionado ao Colégio, Faculdade, Livraria e Obra social que o Mosteiro mantém, além do acolhimento às pessoas que procuram o local para retiros e confissão. Outra característica dos beneditinos é o Apostolado da liturgia.

Missão dos monges

Independente do tipo de trabalho que desenvolvem, Dom Filipe explica que a missão dos monges é rezar pelo mundo e por tantas pessoas que devido às obrigações do dia a dia não o conseguem.

“Recolhidos no silêncio, paciência, trabalho, acolhimento, na oração damos a Deus o reconhecimento do seu senhorio. Deus é sumamente bom e perfeito, é justo que Deus seja permanentemente louvado por pessoas que deixam o mundo para ter como primeira missão esse louvor a Deus”.

Na entrevista Dom Filipe fala ainda sobre a rotina e horários dos monges, que costumam acordar as 4h30 da manhã, e destaca como a oração e a medalha de São Bento tem sido usada por devotos em várias partes do mundo para alcançar graças e proteção.

Nossa Senhora do Carmo – 16 de Julho

Por Mons. Inácio José Schuster

São Simão Stock era inglês e pertencia a uma ilustre família do condado de Kent. Favorecido desde criança com graças extraordinárias, aos 12 anos de idade foi conduzido pelo espírito de Deus a um deserto, onde vivia em austera penitência; servia-lhe de morada o tronco duma árvore, donde lhe veio o sobrenome de Stock, que em língua inglesa significa tronco. Vivia há 20 anos nesta solidão, ocupado somente na oração e penitência, quando chegaram à Inglaterra os religiosos Carmelitas, expulsos da Palestina pela perseguição religiosa dos sarracenos. Não tardou Simão em juntar-se-lhes, logo que foi testemunha das suas virtudes e, sobretudo da sua admirável devoção à Santíssima Virgem, a quem ele amava com entranhada ternura. De tal maneira se distinguiu o novo religioso pela sua eminente santidade e pelo ardor do seu zelo, que em 1245 os seus irmãos elegeram-no Superior Geral da Ordem.

Entre a Samaria e a Galileia, na Terra Santa, eleva-se uma montanha, de 600 metros de altitude, chamada monte Carmelo (em hebraico, «Carmo» significa vinha; e «elo» significa senhor; portanto, vinha do Senhor), onde o Profeta Elias realizou estupendos prodígios e onde o seu sucessor Eliseu viveu também. Estes dois profetas aí reuniram os seus discípulos e com eles viviam em ermidas. Aqui Elias terá visto Nossa Senhora simbolizada numa nuvem; aqui Maria, quando vivia na terra, terá vindo saudar os eremitas, sucessores dos dois grandes profetas. Estes eremitas ter-se-ão sucedido através de gerações, até que, pelo ano de 1205, o Patriarca de Jerusalém, Avogrado, lhes deu a regra que se resume no trabalho, meditação das Escrituras, devoção a Maria Santíssima, vida contemplativa e mística. Por isso, os Carmelitas se dizem fundados remotamente pelo Profeta Elias. Mas foi São Bertoldo que, pelos meados do séc. XII lhes deu a organização da vida religiosa, com a regra do Patriarca de Jerusalém.

Quando, no séc. XII, os muçulmanos conquistaram a Terra Santa, mataram e perseguiram os eremitas do Monte Carmelo. Os que fugiram para a Europa, elegeram, como atrás ficou dito, São Simão Stock para seu Superior Geral. No dia 16 de Julho de 1251, rezava o Santo no seu Convento de Cambridge, em Inglaterra, fervorosa e insistentemente, para que Nossa Senhora lhe desse um sinal do seu maternal carinho para com a Ordem por Ela tanto amada, mas então com violência perseguida. A Virgem Santíssima ouviu estas ardentes súplicas. Apresenta-se-lhe com o Escapulário na mão e diz-lhe: «Recebe, meu filho, este Escapulário da tua Ordem, que será o penhor do privilégio que eu alcancei para ti e para todos os filhos do Carmo. Todo o que morrer com este Escapulário será preservado do fogo eterno. É, pois, um sinal de salvação, uma defesa nos perigos e um penhor da minha especial proteção». O Papa Pio XII, na carta dirigida a todos os carmelitas, a 11 de Fevereiro de 1950, em preparação do sétimo Centenário da entrega do Escapulário a São Simão Stock (1251), escreveu que entre as manifestações da devoção à Santíssima Virgem «devemos colocar em primeiro lugar a devoção do Escapulário de Nossa Senhora do Carmo que, pela sua simplicidade, ao alcance de todos, pelos abundantes frutos de santificação, se encontra extensamente divulgada entre os fiéis cristãos».

As graças do Escapulário são valiosas e magníficas: a proteção da Santíssima Virgem Maria durante a vida e a salvação à hora da morte. Por isso, diz o mesmo Pontífice: «Não é coisa de pequena importância tratar-se da aquisição da vida eterna, segundo a tradicional promessa da Virgem Santíssima; trata-se, com efeito, da empresa mais importante e do modo mais seguro de a levar a cabo». Nossa Senhora não falta à sua palavra. É preciso que nós cumpramos também a nossa; que tragamos o Escapulário com piedade, como mostra da nossa consagração a Maria e que morramos com ele. Por isso, continua o Papa: «O Sagrado Escapulário, como veste mariana, é penhor e sinal da proteção de Deus, mas não julgue quem o usar poder conseguir a vida eterna, abandonando-se à indolência e à preguiça espiritual».

O Escapulário não é carta-branca para pecar; é uma lembrança para viver cristãmente e assim alcançar a graça duma boa morte. Nossa Senhora, nas aparições de Lurdes e Fátima, confirmou a devoção do Escapulário do Carmo. A última aparição de Lurdes teve lugar no dia 16 de Julho – festa de Nossa Senhora do Carmo – do ano de 1858. Bernadette comungara pela manhã. De tarde, estando em oração na igreja paroquial, sentiu que a Senhora a chamava à gruta. Apenas começara a rezar o terço, quando o rosto se lhe transfigurou ante o sorriso da Virgem Imaculada. «Só via a Santíssima Virgem – contava depois a pastorinha – e nunca a vi tão bela». Em Fátima, no dia 13 de Setembro, a branca Senhora prometeu: «Em Outubro virá também Nossa Senhora do Carmo». E assim aconteceu, realmente. No Inquérito Oficial de 8 de Julho de 1924, declarou a Vidente Lúcia: «Vi ainda outra figura que parecia ser Nossa Senhora do Carmo, porque tinha qualquer coisa pendurada na mão direita». Essa «qualquer coisa» era o Escapulário do Carmo.

E o que é esse Escapulário? São dois pedacinhos de lã castanha unidos por cordões. Este Escapulário tem de ser benzido e imposto por um Sacerdote. Em Dezembro de 1910, o Papa São Pio X concedeu que, depois de imposto o Escapulário, possa ser substituído por uma medalha benzida, contanto que essa medalha tenha dum lado o Coração de Jesus e do outro Nossa Senhora em qualquer das suas invocações: portanto, Fátima, Lurdes, Carmo, Conceição… Ganham-se com ela as mesmas graças e indulgências.

Em resumo: são estas as condições para ganhar as graças do Escapulário: 1) Ser imposto por um Sacerdote. 2) Trazê-lo piedosamente, durante a vida, a ele ou à medalha que o substitui, e assim morrer. Na base da devoção do Escapulário do Carmo está a imitação das virtudes de Nossa Senhora. Quem, por fora, se cobre com a sua veste, deve, por dentro, revestir-se com as suas virtudes. É o que dizia São Bernardo: «Ó vós todos que amais Maria, revesti-vos das suas virtudes». E o Cardeal Lercaro: «Nossa Senhora do Carmo, por meio do seu Escapulário, transmite às almas o seu espírito de oração, de mortificação e as virtudes cristãs». Os Santos – os melhores conhecedores das coisas celestes – amaram sempre com predileção o Escapulário, com o qual quiseram morrer. Leiam-se os escritos do Beato Cláudio La Colombiere, apóstolo da devoção ao Coração de Jesus, as obras de Santo Afonso Maria de Ligório, cantor das glórias de Maria, os discursos de Santo António Maria Claret, apóstolo da devoção ao Imaculado Coração de Maria. Poderiam multiplicar-se os nomes dos santos que desejaram morrer revestidos com o Escapulário. Recordemos o Santo Cura de Ars; Santa Bernadette, vidente de Lurdes; São João Bosco; São Domingos Sávio, São Gabriel das Dores.

O mesmo se diga dos Papas, particularmente dos últimos. LEÃO XIII, na agonia, beijava repetidamente o Escapulário. PIO XII, desde a tenra infância usava o Escapulário de lã, e queria que os fiéis o soubessem. JOÃO XXIII, visitando, como Núncio em Paris, o carmelo de Avon-Fontainebleau, assim se exprimia: «Por meio do Escapulário, pertenço à vossa família do Carmelo e aprecio muito esta graça, como garantia de especialíssima proteção de Nossa Senhora». No discurso da audiência geral de 15 de Julho de 1961, declarou o bom Papa: «Amanhã, 16 de Julho, é a comemoração de Nossa Senhora do Carmo. A piedade dos fiéis nos vários séculos quis honrar a celebrada Mãe de Deus com vários títulos e com atos da mais sentida veneração. Recordemos que foi o Pontífice João XXII que, no século XIV, promoveu a devoção a Maria sob este título. Da história devemos verdadeiramente tirar tudo quanto possa tomar cada vez mais claras e nítidas as formas de oração e de homenagem a Maria».

O Santo Padre Cruz, rigorosamente Servo de Deus, tinha confiança ilimitada no Escapulário de Nossa Senhora do Carmo. Ele próprio o usava. Conserva-se ainda a sua «Patente de ingresso na Confraria do Monte do Carmo», de Lisboa, na qual escreveu piedosamente, a 16 de Julho de 1940: «Há cerca de 60 anos que recebi o Santo Escapulário do Carmo». Distribuiu milhares com a intenção de afervorar a confiança em Nossa Senhora e ajudar a viver bem. Recomendava àqueles a quem impunha o Escapulário que o beijassem todos os dias e rezassem três Ave-Marias, pedindo a graça de não caírem em pecado mortal. Para além do privilégio da morte na graça de Deus, para quem tiver trazido piedosamente e morrido com o Escapulário do Carmo, há o chamado Privilégio Sabatino.

Nossa Senhora terá prometido ao Papa João XXII, no ano de 1322, que tiraria do Purgatório, no sábado a seguir à morte, as almas daqueles que: a) tivessem trazido piedosamente o Escapulário e com ele morrido; b) tivessem guardado a castidade própria do seu estado; c) tivessem rezado todos os dias o Oficio Menor de Nossa Senhora. A autenticidade da Bula, chamada Sabatina, que relata tal privilégio, foi muito discutida. Após longas controvérsias, o Papa Paulo V publicou, em 1613, a seguinte declaração: “Pode-se piedosamente acreditar que Nossa Senhora socorrerá principalmente no sábado as almas do Purgatório que tenham na vida trazido o Escapulário, guardado a castidade própria do seu estado e rezado todos os dias o Oficio Menor”. O Papa fala apenas duma piedosa crença quanto a um socorro de Nossa Senhora ao sábado. Não se refere propriamente a tirar do Purgatório as almas ao sábado. Neste mesmo sentido o confirmaram os Papas São Pio X (1911), Pio XI (1922), Pio XII (1950), João XXIII (1959).

Um Sacerdote, que tenha faculdades para isso, pode comutar a recitação do Oficio Menor de Nossa Senhora em qualquer destas práticas: a) reza do Oficio Divino (Liturgia das horas); b) guarda da abstinência nas quartas e sábados; c) reza do Terço ou de outra devoção. A Ordem do Carmo ou dos Carmelitas, nos seus dois setores, masculino e feminino, foi no século XVI reformada por Santa Teresa e São João da Cruz, ficando assim dividida em dois ramos: Carmelitas da primitiva observância ou Calçados, aos quais pertenceu o Beato Nuno Álvares Pereira, e Carmelitas reformados ou Descalços.

 

NOSSA SENHORA DO CARMO
16 de julho
Dom Pedro Fedalto, Arcebispo de Curitiba, In Jornal Gazeta do Povo

Monsenhor Fulton J. Sheen, Bispo Auxiliar de Nova Iorque, a 16 de maio de 1940, prefaciava o livro de John Haffert, “Maria na sua promessa do Escapulário”. Neste Prefácio, diz Monsenhor Fulton Sheen: “Este livro ocupa-se de um dos títulos mais gloriosos de Maria, a Mãe do Escapulário do Monte Carmelo. O Escapulário contém o testemunho de proteção de Maria contra as revoltas da carne provenientes da queda de nossos primeiros pais e a influência de Maria, como Medianeira de todas as Graças. Se ao menos uma só alma que, de outro modo, não tivesse possibilidade de chegar ao conhecimento de Maria e de seu Escapulário, vier a conhecê-la e amá-la por meio deste livro, tenho a certeza que John Jaffert dará por bem empregado seu tempo”. O livro é dividido em 16 capítulos, com 280 páginas. O primeiro capítulo descreve a origem da promessa, no Monte Carmelo, onde Deus escuta a oração do profeta Elias, faz descer o fogo do céu que devora o boi, a lenha, as pedras do altar e depois chover (IIIº Livro dos Reis, 18, 38). A nuvem, que trouxe abundante chuva, depois de prolongada seca, foi a figura de Maria (IIº Livro dos Reis, 18, 45). Pelo ano de 1222, dois cruzados ingleses levaram para a Inglaterra, alguns Carmelitas que habitavam o Monte Carmelo. Um homem penitente, austero, logo se uniu a eles. Era Simão Stock. Consta que tivesse ele recebido um aviso de Nossa Senhora que viriam da Palestina Monges devotos de Maria e que deveria unir-se a eles. Vieram depois tantos Carmelitas para a Europa que foi preciso nomear um Superior Geral para os mesmos. Em 1245, foi ele eleito para desempenhar este cargo. Encontrou ele dificuldades quase insuperáveis. Mandou que os Carmelitas estudassem: isto gerou uma discórdia interna, pois não queriam os mais velhos que contemplativos estudassem. O clero secular revoltou-se contra eles e pediu a Roma sua supressão. Diante de tanta oposição, Simão Stock, com seus 90 anos, retirou-se para o mosteiro de Cambridge, no Ducado de Kent, e pedia a proteção de Maria. Orava ele em sua cela, quando viu um clarão, na noite de 16 de julho de 1251. Rodeada de anjos, Maria Santíssima entregou-lhe o Escapulário, dizendo-lhe: “Recebe, filho queridissimo, este Escapulário de tua Ordem: isto será para ti e todos os Carmelitas um privilégio. Quem morrer revestido dele não sofrerá o fogo eterno”. Desde aquele 16 de julho de 1251, Nossa Senhora do Carmo jamais deixou de amparar seus devotos, revestidos do Escapulário. Passaram sete séculos, Milhões de cristãos, trouxeram o Escapulário de Maria. É verdade que aqui e acolá surgem vozes, negando a aparição e, por consequência, a devoção devida a Maria. John Haffert, em seu livro, fez questão de documentar a historicidade do Escapulário de Nossa Senhora do Carmo. O maior inimigo do Escapulário do Carmo foi o Galicano Launoy, dizendo que é uma lenda. O livro de Launoy foi colocado no Índice dos Livros Proibidos. O papa Bento XIV, um dos mais sábios teólogos de todos os tempos, não se limitou apenas a condenar Launoy, mas disse claramente que só um desprezador da Religião podia negar a autenticidade da Visão do Escapulário. Apesar disto, o livro de Launoy continuou a ser citado e as dúvidas persistiram. Foi devido aos ataques que se fez um estudo mais apurado e se descobriu o livro, denominado “Viridarium”, escrito em 1398 por Frei João Grossi, Superior Geral dos Carmelitas. Era um homem santo e letrado, célebre na Igreja pela atividade exercida para terminar com o Grande Cisma do Ocidente. Consultou os companheiros que conviveram com S. Simão Stock. Apresenta ele um Catálogo dos santos Carmelitas, dizendo que o nono é S. Simão Stock, o sexto superior geral da Ordem. Descreveu como aconteceu a aparição, a 16 de julho de 1251. Contou que São Simão Stock morreu em Bordeus, na França, quando visitava a Província de Vascônia em 1261. Infelizmente, a biblioteca de Bordeus foi queimada um século depois da aparição de Nossa Senhora do Carmo, por funcionários municipais, por causa de uma peste, com medo da propagação do contágio. Henrique VIII, rei da Inglaterra, ao se separar de Roma e, ao fundar a Igreja anglicana, mandou arrasar as bibliotecas católicas. Um carmelita contemporâneo de São Simão Stock, que vivia na Palestina, escreveu um livro intitulado: “De multiplicatione Religionis Carmelitarum per Provinciais Syriae et Europae; et de perditione Monasteriorum Terrae Sanctae”. Nesta obra, contava as terríveis perseguições e dissenções que arruinavam a Ordem do Carmo, antes da aparição de Nossa Senhora . Opinava ele que eram fomentadas por Satanás. Declarava ele que a Santíssima Virgem apareceu ao Prior Geral, São Simão Stock e que, após a Visão de Nossa Senhora do Carmo, o Papa não só aprovara a Ordem, mas ordenara que se empregassem censuras eclesiásticas contra todo aquele que, daí em diante, fosse contra os Carmelitas. O Papa mandou cartas a todos os Arcebispos e Bispos, exortando-os a tratar com mais caridade e consideração os seus amados irmãos Carmelitas e permitissem a construção de mosteiros adequados. Um ano depois da aparição de Nossa Senhora do Carmo, o Rei da França, Henrique III, em 1252, publicou diplomas de proteção real à Ordem recentemente transplantada para o seu reino. Em 1262, um ano após a morte de São Simão Stock, o Papa Urbano IV concedeu privilégios aos membros que compunham a Confraria do Carmo. Ora o Papa só dá privilégios a associações bem constituídas. Quinze anos depois da morte de S. Simão Stock, ocorrida em 1261, foi sepultado em Arezzo, a 10 de janeiro de 1276, o Papa Gregório X, que governou a Igreja, desde 1271. Consta que antes de ser Papa usava o Escapulário. Em 1830 quando foi exumado seu corpo para ser colocado num relicário de prata, foi encontrado intacto o Escapulário de Nossa Senhora do Carmo, de seda de carmezim, com precioso bordado a ouro, como convinha ao Papa. Encontra-se, hoje, no museu de Arezzo, como um dos tesouros. Este é o primeiro Escapulário pequeno conhecido na História. Em 1820, numa Assembléia, em Florença, Itália, os 40 Carmelitas reunidos falam do Escapulário, ocorrendo o mesmo, em julho de 1287, em Montpelier, França. As constituições de 1324, 1357 e 1369 dizem que o Escapulário é o hábito especial da Ordem e que os Carmelitas devem usá-lo. Diante disto, John Haffert diz: “Conclui-se, portanto, que a aparição da Santíssima Virgem a S. Simão Stock é, historicamente, ceríssima”. Uma vez demonstrada a historicidade da aparição de Nossa Senhora do Carmo, John Haffert analisa o cumprimento da Promessa de Maria, através dos sete séculos. Conta ele fatos e mais fatos ocorridos com o que, na vida, trouxeram o Escapulário de Nossa Senhora.

 

NOSSA SENHORA DO CARMO
Dom Eurico dos Santos Veloso
Arcebispo Emérito de Juiz de Fora(MG)

No próximo dia 16 de julho, iremos comemorar a festa de Nossa Senhora do Carmo, padroeira da Ordem Carmelitana. Essa festa remonta aos anos de 1376 e 1386, quando adveio o pio costume de celebrar uma festa especial em honra de Nossa Senhora, em ação de graças pela aprovação pontifícia da Regra Carmelitana, pelo Papa Honório III, em 1226. A data fixada de 16 de julho coincide, segundo a tradição carmelitana, com a data em que Nossa Senhora apareceu a São Simão Stock e lhe entregou o escapulário. Com o passar do tempo, no início do século XVII a data de dezesseis de julho se transformou em data oficial da “festa do escapulário” e, imediatamente, começou a ser celebrada também fora da Ordem Carmelitana. Em 1726, esta data solidificou-se como a festa da Virgem do Carmo por toda a Igreja do Ocidente, pela ação do Papa Bento XIII. No próprio da missa do dia não se faz menção ao escapulário ou à visão que teve São Simão; porém, ambos os fatos são mencionados nas leituras do segundo noturno das Matinas no antigo Breviário e o escapulário no prefácio especial usado pelos carmelitas. A Ordem dos Carmelitas, uma das mais antigas na história da Igreja, embora considere o profeta Elias como o seu patriarca modelo, não tem um verdadeiro fundador, mas um grande amor: o culto a Maria, honrada como a Bem-Aventurada Virgem do Carmo. “O Carmo – disse o cardeal Piazza, carmelita – existe para Maria e Maria é tudo para o Carmelo, na sua origem e na sua história, na sua vida de lutas e de triunfos, na sua vida interior e espiritual”. Elias e Maria estão unidos numa narração que tem sabor de lenda. Refere o Livro das Instituições dos primeiros monges: “Em lembrança da visão que mostrou ao profeta a vinda desta Virgem sob a figura de uma pequena nuvem que saía da terra e se dirigia para o Carmelo (1Rs 18,20-45), os monges, no ano 93 da Encarnação do Filho de Deus, destruíram sua antiga casa e construíram uma capela sobre o monte Carmelo, na Palestina, perto da fonte de Elias em honra desta primeira Virgem voltada a Deus. Expulsos pelos sarracenos no século XIII, os monges que haviam entretanto recebido do patriarca de Jerusalém, Santo Alberto, uma regra aprovada em 1226 pelo papa Honório III, voltaram ao Ocidente e na Europa fundaram vários mosteiros, superando várias dificuldades, nas quais, porém, puderam experimentar a proteção da Virgem. Um episódio em particular sensibilizou os devotos: os irmãos suplicavam humildemente a Maria que os livrasse das insídias infernais. A um deles, Simão Stock, enquanto assim rezava, a Mãe de Deus apareceu acompanhada de uma multidão de anjos, segurando nas mãos o escapulário da ordem e lhe disse: ‘Eis o privilégio que dou a ti e a todos os filhos do Carmelo: todo o que for revestido deste hábito será salvo’”. Numa bula de 11 de fevereiro de 1950, o Papa Pio XII convidava a “colocar em primeiro lugar, entre as devoções marianas, o escapulário que está ao alcance de todos”. Entendido como veste mariana, esse é de fato um ótimo símbolo da proteção da Mãe celeste, enquanto sacramental extrai o seu valor das orações da Igreja e da confiança e amor daqueles que o usam. Nossa Senhora é a nossa Mãe, colocada como insigne modelo de correspondência à graça e, ao contemplarmos a sua vida, o Senhor dar-nos-á luz para que saibamos divinizar a nossa existência vulgar. Durante o ano, quando celebramos as festas marianas, e cada dia em várias ocasiões, nós, os cristãos, pensamos muitas vezes na Virgem Maria. Se aproveitarmos, na festa que se avizinha, esses instantes, imaginando como se comportaria a nossa Mãe nas tarefas que temos de realizar, iremos aprendendo a pouco e pouco, até que acabaremos por nos parecermos com Ela, como os filhos se parecem com a sua mãe. Por isso somos chamados, como discípulos-missionários de Jesus, a imitar, em primeiro lugar, o seu amor. A caridade não se limita a sentimentos: há-de estar presente nas palavras e, sobretudo, nas obras. A Virgem não só disse fiat, mas também cumpriu essa decisão firme e irrevogável a todo o momento. Assim, também nós, quando o amor de Deus nos ferir e soubermos o que Ele quer, devemos comprometer-nos a ser fiéis, leais, mas a sê-lo efetivamente, porque “nem todo o que me diz: Senhor, Senhor, entrará no reino dos céus; mas o que faz a vontade de meu Pai, que está nos Céus, esse entrará no reino dos Céus”. Assim, unidos a todos as ordens Carmelitas, primários, secundários e terciários, particularmente os membros da Irmandade do Carmo da Sé Catedral de Juiz de Fora, queremos exortar a todos os fiéis que, seguindo a Maria, encontrem a Jesus, o verdadeiro sentido para que o amor de Deus recaia sobre cada um de nós. E que os sacramentais, sinais visíveis da graça de Deus, produzam seus frutos necessários de vida, de santidade, de disponibilidade total para um SIM permanente a convite de Jesus, para que sejamos missionários dentro da realidade em que estamos inseridos. Virgem do Carmo, Rogai por nós!

ORAÇÃOSenhora do Carmo, Rainha dos Anjos, canal das mais ternas mercês de Deus para com os homens. Refúgio e Advogada dos pecadores, com confiança eu me prostro diante de vós suplicando-vos que obtenhais… (pede-se a graça). Em reconhecimento, solenemente prometo recorrer a vós em todas as minhas dificuldades, sofrimentos e tentações, e farei tudo que ao meu alcance estiver, a fim de induzir outros a amar-vos, reverenciar-vos e invocar-vos em todas as suas necessidades. Agradeço-vos as inúmeras bênçãos que tenho recebido de vossa mercê e poderosa intercessão. Continuai a ser meu escudo nos perigos, minha guia na vida e minha consolação na hora da morte. Amém. Nossa Senhora do Carmo, advogada dos pecadores mais abandonados, rogai pela alma do pecador mais abandonado do mundo. Ó Senhora do Carmo, rogai por nós, que recorremos a vós. 

Papa elenca três palavras essenciais para a vida do apóstolo

Quinta-feira, 29 de junho de 2017, Da Redação, com Boletim da Santa Sé

Confissão, perseguição e oração são palavras que nortearam a homilia de Francisco na solenidade dos santos Pedro e Paulo

O Papa Francisco presidiu nesta quinta-feira, 29, a Santa Missa na solenidade dos santos apóstolos Pedro e Paulo, com o rito da entrega do pálio aos arcebispos metropolitanos nomeados no último ano.

A homilia de Francisco teve como base três palavras presentes na liturgia de hoje: confissão, perseguição e oração. Essas palavras, segundo o Papa, são essenciais para a vida do apóstolo.

A confissão refere-se à resposta de Pedro quando Jesus pergunta “E vós, quem dizeis que Eu sou?”. Pedro responde que Jesus é o Messias, o Filho do Deus vivo. “Esta é a confissão: reconhecer em Jesus o Messias esperado, o Deus vivo, o Senhor da nossa própria vida”.

Essa é uma pergunta dirigida também hoje a todos, disse o Papa, em especial aos pastores. “Com São Pedro, também nós renovamos hoje a nossa opção de vida como discípulos e apóstolos; passamos novamente da primeira à segunda pergunta de Jesus, para sermos ‘seus’ não só por palavras, mas com os fatos e a vida”.

Sobre a perseguição, Papa Francisco lembrou que não só Pedro e Paulo deram o sangue por Cristo, mas, nos primeiros tempos, toda a comunidade foi perseguida. E essa é uma realidade presente ainda hoje no mundo. “Muitos cristãos são marginalizados, caluniados, discriminados, vítimas de violências mesmo mortais, e não raro sem o devido empenho de quem poderia fazer respeitar os seus direitos sagrados”.

O Santo Padre destacou que sem a cruz não há sequer o cristão: é próprio da vida cristã não só fazer o bem, mas saber suportar o mal, disse o Papa citando Santo Agostinho. “Suportar o mal não é só ter paciência e prosseguir com resignação; suportar é imitar Jesus: é carregar o peso, levá-lo aos ombros por amor d’Ele e dos outros. É aceitar a cruz, prosseguindo confiadamente porque não estamos sozinhos: o Senhor crucificado e ressuscitado está conosco”.

A terceira palavra que o Papa destacou na homilia foi a oração, qualificando-a como água indispensável que alimenta a esperança e faz crescer a confiança. “A oração é a força que nos une e sustenta, o remédio contra o isolamento e a autossuficiência que levam à morte espiritual. Com efeito, o Espírito de vida não sopra, se não se reza; e, sem a oração, não se abrem as prisões interiores que nos mantêm prisioneiros”.

Na conclusão da homilia, Francisco deixou sua saudação à delegação do patriarcado ecumênico, que o Patriarca Bartolomeu enviou à Roma para esta solenidade em sinal de comunhão apostólica.

 

HOMILIA

A liturgia de hoje oferece-nos três palavras que são essenciais para a vida do apóstolo: confissão, perseguição, oração.

A confissão é a que ouvimos dos lábios de Pedro no Evangelho, quando a pergunta do Senhor, de geral, passa a particular. Com efeito Jesus, primeiro, pergunta: «Quem dizem os homens que é o Filho do Homem?» (Mt 16, 13). Desta «sondagem» resulta, de vários lados, que o povo considera Jesus um profeta. E então o Mestre coloca aos discípulos a pergunta verdadeiramente decisiva: «E vós, quem dizeis que Eu sou?» (16, 15). Agora responde apenas Pedro: «Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo» (16, 16). Esta é a confissão: reconhecer em Jesus o Messias esperado, o Deus vivo, o Senhor da nossa própria vida.

Hoje, Jesus dirige esta pergunta vital a nós, a todos nós e, de modo particular, a nós Pastores. É a pergunta decisiva, face à qual não valem respostas de circunstância, porque está em jogo a vida: e a pergunta da vida pede uma resposta de vida. Pois, de pouco serve conhecer os artigos de fé, se não se confessa Jesus como Senhor da nossa própria vida. Hoje Ele fixa-nos nos olhos e pergunta: «Quem sou Eu para ti?» Como se dissesse: «Sou ainda Eu o Senhor da tua vida, a direção do teu coração, a razão da tua esperança, a tua confiança inabalável?» Com São Pedro, também nós renovamos hoje a nossa opção de vida como discípulos e apóstolos; passamos novamente da primeira à segunda pergunta de Jesus, para sermos «seus» não só por palavras, mas com os factos e a vida.

Perguntemo-nos se somos cristãos de parlatório, que conversamos sobre como andam as coisas na Igreja e no mundo, ou apóstolos em caminho, que confessam Jesus com a vida, porque O têm no coração. Quem confessa Jesus, sabe que está obrigado não apenas a dar conselhos, mas a dar a vida; sabe que não pode crer de maneira tíbia, mas é chamado a «abrasar» por amor; sabe que, na vida, não pode «flutuar» ou reclinar-se no bem-estar, mas deve arriscar fazendo-se ao largo, apostando dia-a-dia com o dom de si mesmo. Quem confessa Jesus, faz como Pedro e Paulo: segue-O até ao fim; não até um certo ponto, mas até ao fim, e segue-O pelo seu caminho, não pelos nossos caminhos. O seu caminho é o caminho da vida nova, da alegria e da ressurreição, o caminho que passa também através da cruz e das perseguições.

E aqui temos a segunda palavra: perseguições. Não foram só Pedro e Paulo que deram o sangue por Cristo, mas, nos primeiros tempos, toda a comunidade foi perseguida, como nos recordou o livro dos Atos dos Apóstolos (cf. 12, 1). Também hoje, em várias partes do mundo, por vezes num clima de silêncio – e, não raro, um silêncio cúmplice –, muitos cristãos são marginalizados, caluniados, discriminados, vítimas de violências mesmo mortais, e não raro sem o devido empenho de quem poderia fazer respeitar os seus direitos sagrados.

Entretanto queria salientar sobretudo aquilo que o apóstolo Paulo afirma antes: «estou pronto – escreve ele – para oferecer-me como sacrifício» (2 Tim 4, 6). Para ele, viver era Cristo (cf. Flp 1, 21), e Cristo crucificado (cf. 1 Cor 2, 2), que deu a vida por ele (cf. Gal 2, 20). E assim Paulo, como discípulo fiel, seguiu o Mestre, oferecendo também ele a vida. Sem a cruz, não há Cristo; mas, sem a cruz, não há sequer o cristão. De facto, «é próprio da virtude cristã não só fazer o bem, mas também saber suportar os males» (Agostinho, Sermão 46, 13), como Jesus. Suportar o mal não é só ter paciência e prosseguir com resignação; suportar é imitar Jesus: é carregar o peso, levá-lo aos ombros por amor d’Ele e dos outros. É aceitar a cruz, prosseguindo confiadamente porque não estamos sozinhos: o Senhor crucificado e ressuscitado está connosco. Deste modo podemos dizer, com Paulo, que «em tudo somos atribulados, mas não esmagados; confundidos, mas não desesperados; perseguidos, mas não abandonados» (2 Cor 4, 8-9).

Suportar é saber vencer com Jesus e à maneira de Jesus, não à maneira do mundo. É por isso que Paulo se considera – como ouvimos – um vencedor que está prestes a receber a coroa (cf. 2 Tim 4, 8), escrevendo: «Combati o bom combate, terminei a corrida, conservei a fé» (4, 7). A única conduta do seu bom combate foi viver para: não para si próprio, mas para Jesus e para os outros. Viveu «correndo», isto é, sem se poupar, antes pelo contrário consumando-se. Há uma coisa que ele diz que conservou: não a saúde, mas a fé, isto é, a confissão de Cristo. Por amor d’Ele viveu as provações, as humilhações e os sofrimentos, que nunca se devem procurar, mas aceitar. E assim, no mistério do sofrimento oferecido por amor, neste mistério que muitos irmãos perseguidos, pobres e doentes encarnam também hoje, resplandece a força salvífica da cruz de Jesus.

A terceira palavra é oração. A vida do apóstolo, que brota da confissão e desagua na oferta, flui dia-a-dia na oração. A oração é a água indispensável que alimenta a esperança e faz crescer a confiança. A oração faz-nos sentir amados, e permite-nos amar. Faz-nos avançar nos momentos escuros, porque acende a luz de Deus. Na Igreja, é a oração que nos sustenta a todos e nos faz superar as provações. Vemo-lo na primeira Leitura: «Enquanto Pedro estava encerrado na prisão, a Igreja orava a Deus, instantemente, por ele» (At 12, 5). Uma Igreja que ora, é guardada pelo Senhor e caminha na companhia d’Ele. Orar é entregar-Lhe o caminho, para que o tome ao seu cuidado. A oração é a força que nos une e sustenta, o remédio contra o isolamento e a autossuficiência que levam à morte espiritual. Com efeito, o Espírito de vida não sopra, se não se reza; e, sem a oração, não se abrem as prisões interiores que nos mantêm prisioneiros.

Que os Santos Apóstolos nos obtenham um coração como o deles, fatigado e pacificado pela oração: fatigado, porque pede, bate à porta e intercede, carregado com tantas pessoas e situações que deve confiar a Deus; mas, ao mesmo tempo, pacificado, porque o Espírito traz consolação e fortaleza quando se ora. Como é urgente haver, na Igreja, mestres de oração, mas antes de tudo homens e mulheres de oração, que vivem a oração!

O Senhor intervém quando oramos, Ele que é fiel ao amor que Lhe confessamos e está perto de nós nas provações. Ele acompanhou o caminho dos Apóstolos e acompanhar-vos-á também a vós, queridos Irmãos Cardeais, aqui reunidos na caridade dos Apóstolos que confessaram a fé com o sangue. Ele estará perto também de vós, queridos Irmãos Arcebispos que, ao receberdes o pálio, sereis confirmados na opção de viver para o rebanho imitando o Bom Pastor, que vos sustenta carregando-vos aos ombros. O próprio Senhor, que deseja ardentemente ver todo o seu rebanho reunido, abençoe e guarde também a Delegação do Patriarcado Ecuménico, e o querido Irmão Bartolomeu que a enviou aqui em sinal de comunhão apostólica.

 

8 conselhos para quem quer viver a castidade

Conteúdo enviado pelo internauta Thiago Thomaz Puccini

Há uma geração de jovens que buscam a santidade, e um dos grandes desafios dessa juventude é viver a castidade. Por isso, coloco abaixo alguns conselhos para aqueles que almejam essa virtude:

1. Participar da Santa Missa, se possível todos os dias. A Celebração Eucarística é um grande encontro com Jesus, Ele que se fez pão, que nos traz vida em abundância. Sua constância produzirá diversos frutos, dentre eles, a fortaleza.

2. Oração pessoal, comunitária e a oração do santo terço. Estar em contato com Deus nos permite aprofundar a amizade com Ele. Qual amigo quer decepcionar o outro? Portanto, rezar nos permite ser livres para viver a vontade do Senhor. Ao rezar o terço, comece com uma Ave-Maria, depois duas… Quando perceber, estará rezando o rosário. Nossa Senhora é sua grande auxiliadora, não se esqueça disso!

3. Jejuar. O jejum, se bem praticado, por mais simples que seja produz frutos como a disciplina e o autocontrole.

4. Ler a Palavra. É preciso buscar a leitura e a reflexão diária da Bíblia. Muitas vezes, estaremos como Jesus no deserto; o demônio tentará nos convencer de que devemos pecar contra a castidade. Mas é possível combatê-lo com o auxílio de Deus, por meio de Suas palavras.

5. Buscar o Sacramento da Reconciliação. Os santos sempre se confessavam. Não seria bom fazer o mesmo? A confissão renova nossa amizade com o Senhor e traz paz e ânimo necessários para continuarmos a caminhada. Caiu? Não consegue se arrepender? Peça a ajuda de Deus. Levante-se!

6. Pensamentos, palavras e olhares para o céu. Diante das fragilidades, é necessário que sempre sejam evitados o pensamento, a palavra e o olhar impuros. É preciso cortá-los pela raiz! Se um ambiente, um site ou algum tipo de roupa não transmitir pureza, é melhor percorrer outro caminho. Lembre-se: um vazamento pequeno pode se transformar em uma inundação!

7. Fuga do pecado. Esse tipo de fuga não é covardia; pelo contrário, é muito corajosa! Muitas vezes, o rapaz e a moça pensam que são capazes de suportar a tentação. Cuidado! Camufladamente, isso pode ser falta de humildade. O cristão deve compreender quais são os seus limites.

8. Castidade como objetivo. Muitas vezes, o jovem quer viver a castidade, mas, por falta de determinação, acaba caindo em pecados que poderiam ser evitados. É necessário levantar para si mesmo essa bandeira. PHN, “Por hoje não quero mais pecar”! Jovem, que Deus o ilumine e apresente mais caminhos seguros para você alcançar a castidade.

Lembre-se do que São Paulo disse ao jovem Timóteo: “Torna-te modelo para os fiéis no modo de falar e de viver, na caridade, na fé, na castidade”.

Nossa Senhora da Pureza, rogai por nós!

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