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Conselhos do Papa Francisco para ir à Missa com crianças

Comportamento

Choros ou gritos das crianças podem atrapalhar, mas a comunidade deve incentivar a participação de toda família

“Chata!” Respondi à minha avó quando me perguntou sobre o que eu havia achado da Missa. Na época, eu tinha uns seis anos. E olha que cresci em uma família católica, frequentando Missas e catequeses! Recordo que ir à Missa, muitas vezes, representava uma soneca durante a  homilia, pipocas doces e coloridas ou sorvete no fim. Confesso que minha participação não era exemplar, porém, creio que essa liberdade na participação foi ajudando a semear a fé em meu coração e em minha mente.

Conforme concluiu o Concílio Vaticano II, a Eucaristia é a fonte e ápice da vida cristã.  Conscientes da suma importância desse sacramento, muitos pais ficam preocupados se seus filhos estão participando da Missa de maneira adequada ou ainda se não estão atrapalhando as pessoas ao redor. Afinal, olhares de recriminação são rapidamente percebidos. Paciência e coragem! Vejam seis conselhos do Papa Francisco para continuarmos indo à Missa com nossas crianças:

1. O que fazer quando a criança chora?

“O choro da criança é a voz de Deus, é a melhor oração”, afirma o Papa Francisco. Disse que, quando alguém fica incomodado ao ver uma criança chorando na igreja e pede para retirá-la, está apagando a voz de Deus. “As crianças choram, fazem barulho em todos os lugares. Mas nunca podemos expulsar as crianças que choram na igreja”, completa. Afinal, o pedido de Jesus é claro: “Deixem as crianças virem a mim”.

2. O que fazer quando a criança sentir fome?

“Amamente-os, não se preocupem”, ensina. Muitas mães ficam constrangidas diante da necessidade de alimentar seus filhos. “Vocês mães dão leite às suas crianças e, mesmo agora, se eles chorarem por estarem com fome, amamente-os, não se preocupem”, disse o Papa em uma celebração na Capela Sistina. Nesses momentos, rezem por tantas mães pobres do mundo que não conseguem alimentar sua família.

3. Como ensinar as crianças?

O Santo Padre recorda que tudo depende da atitude que temos para com as crianças. Francisco questiona se o que se ensina às crianças com as palavras é vivido por quem transmite a fé. “Com as palavras não serve… Hoje, as palavras não servem! Neste mundo da imagem, todos estes têm telefone e as palavras não servem… Exemplo! Exemplo!”, exorta o Papa.

4. Como deve ser a oração das crianças?

“Rezem ao Senhor, rezem à Nossa Senhora, para que ajudem vocês neste caminho da verdade e do amor. ‘Vocês entenderam? Vocês vieram aqui para ver Jesus, de acordo? Ou deixamos Jesus de lado?’ (As crianças respondem: ‘não!’). Agora, Jesus vem ao altar. E todos nós O veremos! Neste momento, devemos pedir a Ele que nos ensine a caminhar na verdade e no amor”, ensina Francisco.

5. Coração das crianças: lugar de oração

O Papa destaca ainda gestos muito delicados, como quando as mães ensinam os filhos pequenos a mandarem um beijo a Jesus ou a Nossa Senhora. Falo disso em meu livro ‘Papa Francisco às Famílias, os segredos para a conquista de um lar feliz’: “Quanta ternura há nisso! Naquele momento, o coração das crianças se transforma em lugar de oração. E é um dom do Espírito Santo. Não nos esqueçamos nunca de pedir este dom para cada um de nós, porque o Espírito de Deus tem aquele seu modo especial de dizer, nos nossos corações, ‘Abá’ – ‘Pai’. Ele nos ensina a dizermos “Pai” propriamente como o dizia Jesus, um modo que nunca poderemos encontrar sozinhos.”

Uma graça oferecida a todos

Não entendendo direito o significado do que está acontecendo, os pequenos têm dificuldade de ficar sentados e tranquilos durante uma hora (tempo que costuma durar uma celebração dominical). Choros ou gritos de crianças parecem interromper a sacralidade das funções. Criança é criança. Não teria sentido fingir uma participação, fazer caras e bocas, já que o significado da celebração se aprende com o tempo.

O que nos consola é saber que, na Missa, há uma graça comunitária e pessoal oferecida a todos. Na Eucaristia, o Espírito Santo transforma pão e vinho em Corpo e Sangue de Cristo, agindo na comunidade para torná-la Corpo no Senhor. Meus pais e avós conseguiram transmitir a mim a fé, minha maior herança. Agora, é minha vez de transmitir a fé ao meu filho e às novas gerações. Claro, não estou sozinho, conto com pessoas mais experientes como meus familiares e amigos de caminhada.

Rodrigo Luiz dos Santos é editor-chefe de Jornalismo da TVCN e apresentador de programas relacionados à Igreja. Missionário na Canção Nova, estudou Filosofia e formou-se em Jornalismo pela Faculdade Canção Nova. Casado com Adelita Stoebel, missionária na mesma comunidade católica, Rodrigo é pai de Tobias.

 

Jejum e penitência quaresmal

JEJUM DA LÍNGUA: UMA PENITÊNCIA EFICAZ E NECESSÁRIA
Padre Carlos Victal

“A grande penitência e o grande jejum que a Quaresma nos pede é, em primeiro lugar, nos voltarmos para o Senhor”.
Atuante no ministério de evangelização infanto-juvenil e ministro do culto religioso, padre Carlos Alberto Victal, missionário da Comunidade Canção Nova há mais de 13 anos, fala sobre a vivência das crianças durante a Quaresma e explica a importância do jejum para a disciplina, a santificação e a proximidade com Deus. O sacerdote também esclarece o significado das práticas de penitência e esmola nesse tempo forte de oração. O consagrado esclarece que o jejum não é feito apenas ao deixarmos de comer ou beber algo de que se gostamos, apontando-nos outras formas de praticá-lo, como o “jejum da língua”.

O senhor trabalha com evangelização infantil. Como a vivência da Quaresma é ensinada às crianças? As crianças assimilam de um modo muito bonito esse tempo litúrgico que a Igreja oferece a todos, sem exceção. Quando falamos que esse tempo é de penitência, de jejum, de busca da confissão e de muita oração, é interessante que mesmo as crianças que ainda nem fizeram primeira comunhão reconhecem os seus pecados – desobediências, rebeldias, brigas um com o outro, xingatório – e querem confessar-se. Outro dia, na Santa Missa, falando do tempo de jejum e das tentações, eu perguntava para elas: “Quem se comprometeu com Deus a fazer, nestes 40 dias, uma penitência, um jejum?” Muitas levantaram as mãos. Eu resolvi ir mais a fundo com elas e perguntei a algumas: “O que você está oferecendo para Deus nestes dias?”. A primeira respondeu que estava oferecendo 40 dias sem o computador. Já o segundo ofereceu o refrigerante. Então, eu o instiguei: “Você já pensou que, quando houver uma festinha de aniversário, todo mundo vai tomar refrigerante e você não vai poder tomá-lo, porque o ofereceu a Deus? Aí, o ‘chifronildo’ [inimigo de Deus] vai tentar fazer você beber só um golinho, mas você vai dizer para ele: ‘Eu não vou beber, eu sou de Deus, eu ofereço isso para Deus'”. Então, o jejum é algo que oferecemos a Deus para a nossa purificação e para a purificação da nossa família, do nosso povo, da sociedade.

Além do jejum, a esmola e a penitência também são práticas que devem ser observadas durante a Quaresma. Qual o significado de cada uma delas? A esmola é o sentido da caridade. Quando alguém pede esmola, está com as mãos estendidas, necessitado de ajuda. E ajudar o outro é amá-lo. Não importa o nome, se é gordo ou magro, se é barbudo ou cabeludo, mas alguém com a mão estendida está precisando de auxílio. É assim também que nós fazemos com Deus: levantamos nossas mãos para o alto e pedimos ajuda a Ele. Na nossa pobreza, na nossa limitação, precisamos do socorro do Senhor. Esmola não é apenas no sentido de dar coisas, mas também de se dar para o outro, seja por meio de um sorriso ou um abraço. Quantas pessoas carentes de um abraço, porque estão feridas na sua afetividade paternal e maternal, que se sentem carentes do amor do pai e da mãe! A penitência é a mortificação, é morrer para si por causa do Senhor. Jesus se sacrificou, morreu por nós e penitenciou-se em nosso favor. A penitência nos leva a morrer um pouco no “eu”, na vontade própria, no egoísmo; principalmente no mundo de hoje, no qual o “eu” tem gritado muito e já não temos o sentido do “nosso”. Quando nós rezamos a oração que o Senhor nos ensinou, sempre dizemos “Pai nosso” e não “Pai meu”, porque Deus partilha tudo o que Ele tem com todos os filhos d’Ele. A penitência nos ajuda a ter uma profunda conversão, por meio da qual nos colocamos na presença de Deus e isso nos leva a uma disciplina de equilíbrio no comer, no beber, no vestir, no modo de ser, de falar, de agir e nos impulsos.

Qual a melhor maneira de fazê-las? Há muitas maneiras de ser viver a penitência e o jejum. O próprio monsenhor Jonas nos apresenta um livro chamado Práticas de Jejum, no qual ele nos dá opções para jejuar. É uma maneira de me abster de alguma coisa de que eu gosto e oferecê-la para Deus. A grande penitência e o grande jejum que a Quaresma nos pede é, em primeiro lugar, nos voltarmos para o Senhor. Uma outra maneira é que façamos também um retiro para nos aproximarmos mais de Deus.

Quando se fala em jejum, logo se pensa em deixar de comer ou beber algo de que se gosta. Há algum outro tipo de jejum? Eu vejo que uma das práticas mais eficazes de jejum, nos dias de hoje, é o “jejum da língua”. Quantas pessoas falando mal umas das outras, murmurando. Se faz um sol quente, dizem que não aguentam mais e reclamam; se chove, reclamam porque não podem sair de casa. Então, precisamos reter a língua e, ao virmos algo errado, em vez de murmurar, rezarmos para que Deus solucione aquilo. Há também o “jejum da fofoca”, que tem “matado” tanta gente; o “jejum do olhar”, pois Deus nos deu os olhos para os abrirmos e fecharmos, nos deu o pescoço flexível para que possamos olhar de um lado e de outro. Então, se o nosso olhar nos leva à malícia, ao pecado ou a um julgamento, não devemos olhar, mas virar nosso rosto para o outro lado. São pequenas práticas que nos ajudam a nos disciplinarmos no modo de ser cristãos.

Qual o significado da cor roxa na Quaresma? A cor roxa é, justamente, o sentido da penitência. Os padres, por exemplo, quando vão confessar os fiéis, colocam uma estola roxa que simboliza a conversão, a mudança de vida, a penitência. Por isso, as toalhas do altar também são roxas. Da mesma forma, nos funerais, usa-se a cor roxa, porque clamamos a misericórdia, o perdão e a conversão para a alma e suplicamos que Deus a salve.

Cobrir as imagens dos santos com tecidos roxos durante esses dias é prática comum nas igrejas católicas. Por que esse hábito? Elas são cobertas para mostrar o sentido de ausência, de vazio. Isso, geralmente, ocorre na Semana Santa, porque temos um Deus que se esvaziou de si mesmo e morreu por nós. Esse vazio é para mostrar que o único centro da vida de toda a humanidade passa a ser Jesus, o Grande Intercessor, Aquele que dá a vida por todos nós.

 

A PENITÊNCIA DA QUARESMA
Prof. Felipe Aquino

Desde o início do Cristianismo a Quaresma marcou para os cristãos um tempo de graça, oração, penitência e jejum, com o objetivo de se chegar à conversão. Ela nos faz lembrar as palavras de Jesus: “Se não fizerdes penitência, todos perecereis” (Lc 13, 3). Se não deixarmos o pecado, não poderemos ter a vida eterna em Deus; logo, a atividade mais importante é a nossa conversão, renunciar ao pecado.
Nada é pior do que o pecado para a vida do homem, da Igreja e do mundo, ensina a Igreja; por isso Cristo veio, exatamente, “para tirar pecado do mundo” (cf. Jo 1, 29). Ele é o Cordeiro de Deus imolado para isso.
São Paulo insistia: “Em nome de Cristo vos rogamos: reconciliai-vos com Deus!” (2Cor 5,  20);  “exortamo-vos a que não recebais a graça de Deus em vão. Pois ele diz: Eu te ouvi no tempo favorável e te ajudei no dia da salvação (Is 49, 8). Agora é o tempo favorável, agora é o dia da salvação” (2Cor 6, 1-2).
A Quaresma nos oferece, então, esse “tempo favorável” para se deixar o pecado e voltar para Deus. E para isto fazemos penitência. O seu objetivo não é nos fazer sofrer ou privar de algo que nos agrada, mas ser um meio de purificação de nossa alma. Sabemos o que devemos fazer e como viver para agradar a Deus, mas somos fracos; a penitência é feitar para nos dar forças espirituais na luta contra o pecado.
A melhor Penitência, sem dúvida, é a do Sacramento que tem esse nome. Jesus instituiu a Confissão em sua primeira aparição aos discípulos, no mesmo domingo da Ressurreição (Jo 20, 22) dizendo-lhes: “a quem vocês perdoarem os pecados, os pecados estarão perdoados”. Não há graça maior do que ser perdoado por Deus, estar livre das misérias da alma e estar em paz com a consciência.
Além do Sacramento da Confissão, a Igreja nos oferece outras penitências que nos ajudam a buscar a santidade: sobretudo o que Jesus recomendou no Sermão da Montanha (Mt 6, 1-8), “o jejum, a esmola e a oração”, que a Igreja chama de “remédios contra o pecado”. Cristo jejuou e rezou durante quarenta dias (um longo tempo) antes de enfrentar as tentações do demônio no deserto e nos ensinou a vencê-lo pela oração e pelo jejum. Da mesma forma a Igreja quer ensinar-nos como vencer as tentações de hoje.
Vencemos o pecado praticando a virtude oposta a ele. Assim, para vencer o orgulho, devemos viver a humildade; para vencer a ganância devemos dar esmolas; para vencer a impureza, praticar a castidade; para vencer a gula, jejuar; para vencer a ira, aprender a perdoar; para vencer a inveja, ser bom; para vencer a preguiça, levantar-se e ajudar os outros. Essas são boas penitências para a Quaresma. Todos os exercícios de piedade e de mortificação têm com objetivo livrar-nos do pecado.
O jejum fortalece o espírito e a vontade para que as paixões desordenadas, (gula, ira, inveja, soberba, ganância. luxúria, preguiça), não dominem a nossa vida e a nossa conduta. A oração fortalece a alma no combate contra o pecado. Jesus ensinou: “É necessário orar sempre sem jamais deixar de fazê-lo” (Lc 18, 1b); “Vigiai e orai para que não entreis em tentação” (Mt 26, 41a); “Pedi e se vos dará” (Mt 7, 7). E São Paulo recomendou: “Orai sem cessar” (1Ts 5, 17).
A Palavra de Deus nos ensina: “É boa a oração acompanhada do jejum e dar esmola vale mais do que juntar tesouros de ouro, porque a esmola livra da morte, e é a que apaga os pecados, e faz encontrar a misericórdia e a vida eterna” (Tb 12, 8-9). “A água apaga o fogo ardente, e a esmola resiste aos pecados” (Eclo 3, 33). “Encerra a esmola no seio do pobre, e ela rogará por ti para te livrar de todo o mal” (Eclo 29, 15).
Então, cada um deve fazer ma Quaresma um “programa” espiritual: fazer o jejum que consegue (cada um é diferente do outro); pode ser parcial ou total. Pode, por exemplo, deixar de ver  a TV, deixar de ir a uma festa, uma diversão, não comer uma comida que gosta ou uma bebida; não dizer uma palavra no momento de raiva ou contrariedade, não falar de si mesmo, dar a vez aos outros na igreja, na fila, no ônibus; ser manso e atencioso com os outros, perdoar a todos, dormir um pouco menos, rezar mais, ir à Missa durante da semana…
Enfim, há mil maneiras de fazer boas penitências que nos ajudam a fortalecer o espírito para que ele não fique sufocado e esmagado pelo corpo e pela matéria. A penitência não é um fim em si mesma; é um meio de purificação e santificação; por isso deve ser feita com alegria.

 

TODOS PODEM FAZER JEJUM  

Todos podem fazer jejum. Sejam idosos ou estejam cansados ou doentes; sejam gestantes, mães que amamentam, jovens ou adultos. Todos podem jejuar sem que isso lhes faça mal; pelo contrário, lhes faça bem. Muitas pessoas não jejuam porque não sabem fazê-lo. Imaginam que jejuar seja uma coisa muito difícil e dolorosa que elas não conseguirão fazer.

Existem várias modalidades de jejum (Jejum da Igreja, Jejum a pão e água, Jejum à base de líquidos, Jejum completo).

Vou apresentar-lhes o Jejum da Igreja. Assim é chamado o tipo de jejum prescrito para toda a Igreja e que, por isso, é extremamente simples, podendo ser feito por qualquer pessoa. Alguém poderia pensar que esse seja um jejum relaxado ou que nem seja realmente jejum, porque ele é muito fácil. Mas não é bem assim.

Esse modo de jejuar vem da Tradição da Igreja e pode ser praticado por todos sem exceção, sendo esse o motivo pelo qual é prescrito a toda a Igreja. O básico desse tipo de jejum é que você tome café da manhã normalmente e depois faça apenas uma refeição. Você escolhe essa refeição – almoço ou jantar -, a depender dos seus hábitos, de sua saúde e de seu trabalho.

A outra refeição, aquela que você não vai fazer, será substituída por um lanche simples, de acordo com as suas necessidades. Dessa maneira, por exemplo, se você escolher o almoço para fazer a refeição completa, no jantar faça um lanche que lhe dê condições de passar o resto da noite sem fome.

O conceito de jejum não exige que você passe fome. Em suas aparições em Medjugorje, a própria Nossa Senhora o repetiu várias vezes. Jejuar é refrear a nossa gula e disciplinar o nosso comer. O importante, e aí está a essência do jejum, é a disciplina, é você não comer nada além dessas três refeições.

O que interessa é cortar de vez o hábito de “beliscar”, de abrir a geladeira várias vezes ao dia para comer “uma coisinha”. Evitar completamente, nesse dia, as balas, os doces, os chocolates e os biscoitos. Deixar de lado os refrigerantes, as bebidas e os cafezinhos. Para quem é indisciplinado – e muitos de nós o somos -, isso é jejum, e dos “bravos”!

Nesse tipo de jejum, não se passa fome. Mas como “a gente” se disciplina; como refreia a gula! E é essa a finalidade do jejum. Qualquer pessoa pode fazer esse tipo de jejum, mesmo os doentes, porque água e remédios não quebram o jejum. Se for necessário leite para tomar os medicamentos, o jejum também não é quebrado, pois a disciplina fica mantida.

Para o doente e para o idoso, disciplina mesmo talvez seja tomar os remédios – e tomá-los corretamente.

(Trecho extraído do livro “Práticas de Jejum” de monsenhor Jonas Abib)

 

FONTES DA ABSTINÊNCIA DE CARNE
Por Rafael Vitola Brodbeck

Onde poderemos encontrar na Bíblia ou em outros escritos da tradição cristã, que não devemos comer carne no período Quaresmal. E o por quê de só consumir peixes?

1) A lei da Igreja:
Em sentido amplo, a expressão “jejum” abarca muitos significados: o jejum em sentido estrito e também a abstinência. Quando a Igreja fala em abstinência, em sua lei, refere-se à abstinência de carne, mas pode ser proveitosa qualquer outra abstinência. Já os nossos irmãos de rito oriental, pertençam ou não à Igreja Católica, utilizam o termo “jejum” com o mesmo significado de abstinência. Aqui falaremos, de acordo com a lei vigente entre os de rito ocidental, coerentemente aos nossos costumes e tradições. Daí que jejum é a renúncia ao alimento, e abstinência a renúncia à carne.
Há, inclusive, vários tipos de jejum: a pão e água, completo, a base de líquidos etc. A Igreja, entretanto, quando obriga ao jejum, é bem menos severa. É verdade que qualquer um desses jejuns pode ser feito, a critério de um seguro e prudente diretor espiritual ou confessor. A obrigação, contudo, é da observância do mínimo estipulado pela Igreja, em sua sabedoria, o chamado “jejum eclesiástico” ou “jejum da Igreja”. É a ele que estamos, pois obrigados.
Em que consiste esse jejum? Segundo o douto canonista Pe. Jesús Hortal, SJ, “trata-se de não tomar mais que uma refeição completa, permitindo-se, porém, algum alimento outras duas vezes pro dia” (comentário ao cân. 1252, Código de Direito Canônico).
Pode ser feito esse jejum em qualquer dia, exceto em solenidades e nos Domingos. O mesmo vale para os outros jejuns.
Ainda que facultativamente, o jejum possa ser adotado em qualquer dia, a Igreja obriga o fiel novamente ao mínimo. Recomenda que se faça muitas vezes ao ano, especialmente durante o Advento e, ainda mais, na Quaresma. Daí que a atitude de muitos católicos de jejuar durante os quarenta dias desse tempo litúrgico, se feita com prudência e afastada toda a vaidade espiritual, é louvável. Igualmente louvável a conduta dos que, sentindo que mínimo estipulado pela Igreja, o jejum eclesiástico, não é suficiente para sua própria condição espiritual pessoal, adotam jejum mais severo, sempre, anote-se, com a anuência de um diretor espiritual prudente, douto, piedoso e provado.
O fiel, mesmo que possa jejuar em outros dias, e de vários modos, é obrigado ao jejum eclesiástico (embora possa fazer outro, mais severo, lembre-se), na Quarta-feira de Cinzas e na Sexta-feira Santa. Eis os únicos dias, na Igreja Latina, a que estamos obrigados a jejuar. E com o jejum eclesiástico, o mínimo.
Por abstinência, de outra sorte, entende-se comumente a renúncia à carne. Também pode ser feita a qualquer tempo, exceto em solenidades e nos Domingos. Claro, há institutos religiosos severíssimos, aprovados pela suprema autoridade da Igreja, nos quais seus membros fazem votos de perpetuamente não ingerir carne. Também o simples fiel pode fazê-lo, não tratando-se, porém, de abstinência propriamente dita, mas de um voto que implica em uma mortificação.
A abstinência periódica, da qual estamos tratando e que é objeto da consulta, também é alvo da legislação canônica. Consiste em não ingerir carne ou alimento preparado à base de carne de animais de sangue quente (incluindo, evidentemente, o caldo de carne). O fiel é convidado a fazer abstinência sempre que desejar, especialmente durante o Advento e, especialmente, na Quaresma, como foi dito na explicação para o jejum. Contudo, existem dias obrigatórios para essa abstinência, além dessa faculdade do fiel de observá-la sempre.
“cân. 1251 – Observe-se a abstinência de carne ou de outro alimento, segundo as prescrições da Conferência dos Bispos, em todas as sextas-feiras do ano, a não ser que coincidam com algum dia enumerado entre as solenidades; observem-se a abstinência e o jejum na quarta-feira de Cinzas e na sexta-feira da Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo”.
Então, como exposto, estão obrigados os fiéis ao jejum (eclesiástico, segundo as explicações do Pe. Hortal, SJ, tradicionais na Igreja e que estavam dispostas no anterior Código de 1917 explicitamente, valendo como norma consuetudinária) na Quarta-feira de Cinzas e na Sexta-Feira Santa da Paixão. E obrigados à abstinência em todas as sextas-feiras do ano, desde que nelas não caia alguma solenidade (não basta ser festa ou memória; é preciso ser solenidade, o maior grau dentre as festividades do atual Calendário Litúrgico Romano e Universal e dos calendários particulares dos institutos e dioceses). Mesmo que não obrigados, podem os fiéis jejuar e abster-se de carne em outros dias.
Há um ponto, entretanto, a ser considerado. O dispositivo do cânon citado refere-se a normatização da conferência episcopal. É ela, pois, competente, para legislar diferentemente no que toca à abstinência das sextas-feiras do ano. Nunca em relação ao jejum ou à abstinência da Quarta-feira de Cinzas e da Sexta-Feira Santa.
No Brasil, a CNBB, por delegação expressa, pois da Santa Sé mediante o cânon aludido, concedeu a faculdade ao fiel de, nas sextas-feiras do ano, inclusive durante a Quaresma, substituir a abstinência de carne por “alguma forma de penitência, principalmente obra de caridade ou exercício de piedade” (Legislação Complementar da CNBB).
Assim, salvo a abstinência da Quarta-feira de Cinzas e da Sexta-feira Santa (que devem ser observadas juntamente com o jejum: não basta “não comer carne”, é preciso comer só uma refeição completa!), as demais, no Brasil, podem ser substituídas por outro tipo de mortificação ou penitência: renúncia a outro alimento, determinadas orações, atos de piedade ou caridade etc.

2) A abstinência de carne na Bíblia e na Tradição:
Como falamos, “jejum” em sentido amplo é gênero, do qual “abstinência” é espécie. Todas as referências bíblicas do jejum encaixam-se perfeitamente para a abstinência. Renunciar ao alimento, em si, ou a um alimento específico: ambos são, genericamente, jejuns. A sabedoria da Igreja intuiu, entretanto, que, dentre os alimentos a renunciar, a carne seria o mais adequado à nossa mentalidade, visto que é geralmente a parte nobre de nossas refeições. Também nela há um sentido místico, pois ela se identifica com o Verbo que “Se fez carne” e sofreu “na carne” por nossa salvação. Abster-se de carne implica em uma renúncia a um prato dos principais de nossa alimentação, e também em um lembrar-se sempre da santíssima carne de Jesus Cristo que por nós padeceu.
Existem muitas referências patrísticas ao jejum como um todo, no qual inclui-se, implicitamente, a abstinência de carne (bem como outras abstinências espirituais e corporais: de refrigerante, de álcool, de televisão, dos sentidos etc). São Leão Magno, Santo Agostinho, São Basílio de Cesaréia e São João Crisóstomo falam muito no jejum. Na Didaqué há também referências ao jejum e que englobam, claro, toda abstinência, principalmente de carne, pelo sentido espiritual que tem.
Não é a Bíblia ou a Tradição, todavia, que nos diz que não devemos comer carne em alguns dias especiais. Até porque esses dias foram fixados pela Igreja posteriormente. Deixar de comer carne não é uma doutrina, mas uma disciplina. Não pertence ao direito divino, mas ao direito humano eclesiástico. O que não significa que possamos deixar de obedecer, uma vez que estamos obrigados à observância da Lei da Igreja e não somente da Lei de Deus, por sermos súditos de sua autoridade, o Papa e os Bispos. Como lei humana que é, o Papa pode mudá-la a qualquer tempo. Não a obedecemos por estar na Bíblia, na Tradição ou por ser uma doutrina (até porque ela não é), e sim por assim ordenar a autoridade da Igreja.
Por outro lado, não se trata de um “comer peixe”. Quem não quiser, não precisa comer peixe ou outro alimento de que não goste. A Igreja nunca mandou que se comesse peixe, mas que se deixasse de comer carne.

Dúvidas sobre a Quaresma

Quaresma, tempo de recolhimento e de revisão de vida

O que é a Quaresma? E qual é a melhor atitude que o cristão pode ter, durante esse tempo, para que, realmente, este período tenha sentido em sua vida?

A Quaresma é esse tempo litúrgico que antecipa todo o período da Semana Santa, da Morte e da Ressurreição de Nosso Senhor, do mistério Pascal. Então, é um grande tempo que a Igreja nos dá para que possamos preparar o nosso coração, viver verdadeiramente o tempo da Páscoa.

A Quaresma é um tempo de recolhimento para que possamos rever a nossa vida, rever até que ponto a nossa vida de cristão corresponde àquilo que Nosso Senhor nos pede. Ela serve para analisarmos se estamos verdadeiramente amando Deus sobre todas as coisas ou se outras coisas estão dominando o nosso coração. É um tempo de balanço geral em nossa vida, de pararmos, silenciarmos e refletirmos. É bonito como a Liturgia vai nos levando até isso por meio das leituras, das Missas de cada dia. A Liturgia nos conduz a fazermos essa experiência de rever a vida, de fazer dela uma vida diferente e poder entrar no tempo Pascal desejoso de uma vida nova.

Não comer carne nem chocolate, não tomar refrigerante e não abusar das mensagens no celular. Mas do que vale tudo isso?

Vale para colocar Deus como o centro da nossa vida. Achei legal falar das mensagens no celular! Quanto tempo temos demorado nas redes sociais e quanto tempo temos nos dedicado a Deus? Coloque isso na ponta do lápis e você verá quem tem ganhado mais espaço na sua vida. Então, se o tempo do Facebook e do Watsapp têm sido maior do que o tempo que você reza, que se dirige a Deus, você vai entender quem está dominando a sua vida.

Todas as vezes que botamos freio em alguma realidade, principalmente no tempo da Quaresma, é para colocarmos Deus em um centro. Então, o que nós gostamos de comer não nos domina, o que assistimos não nos domina, o que ouvimos não nos domina, porque o nosso amor está todo para Deus.

Diz a Palavra de Deus que onde está o seu tesouro, ali está o seu coração. Infelizmente, muitas vezes, os nossos tesouros estão enterrados em solos que não são os do coração de Deus. Então, a Quaresma é esse tempo. Por isso vale largar o chocolate, o refrigerante, as mensagens, para poder fazer a experiência de colocar o Senhor como o centro na nossa vida. Vale a pena! Por este motivo, temos de recolocar Deus onde Ele deveria estar na nossa vida.

Na mensagem do Papa Francisco para a Quaresma de 2014, ele falou sobre a miséria material, moral e espiritual, e finalizou dizendo: “Não nos esqueçamos de que a verdadeira pobreza doí. Não seria válido um despojamento sem essa dimensão penitencial. Desconfio da esmola que não custa nem dói.

Nesta Quaresma, como podemos ajudar as pessoas que vivem a miséria material, moral e espiritual? Como seria a caridade nestes três âmbitos?

A miséria moral é exercer a caridade com uma pessoa que está trilhando um caminho errado, é chamá-la a exercer um pouco da verdade, aconselhá-la e mostrar a ela que existe outra realidade. Por exemplo, se você conhece um amigo da faculdade que está trilhando um caminho de bebida, de alcoolismo, chame-o, gaste do seu tempo com ele para poder instruí-lo e, talvez, tentar tirá-lo dessa realidade de miséria moral.

A miséria espiritual vai para o mesmo caminho. São pessoas que, às vezes, precisam de uma palavra, de um consolo ou aconselhamento. são pessoas que precisam ser ouvidas, precisam de alguém que se sente e as escute. É uma miséria espiritual, ou seja, ela tem a necessidade de alguém que reze com ela, que a assuma em oração. Nós podemos sanar a miséria espiritual dos nossos irmãos dando-lhes a nossa vida em oração, sentando com eles, rezando por eles.

A miséria moral e a espiritual estão muito relacionadas ao nosso tempo, à nossa vida. Mas existe a miséria material, sobre a qual o Papa está insistindo.

Como a Igreja pensa as práticas da Quaresma: oração, jejum, penitência, caridade e esmola? A oração nos leva para Deus quando nos lançamos para Ele. Quando revemos, na nossa vida, tudo o que está em excesso, aí entra a necessidade de jejum e penitência. Mas se isso parar apenas na nossa vida, e não transbordar na vida do irmão, não tem valor. É aí que entra a caridade e a esmola.

A sintonia é perfeita, porque nós nos lançamos em Deus, avaliamos nossa vida e refazemos o nosso relacionamento com Deus. Refazemos as coisas, refazemos nosso relacionamento com os irmãos, com a caridade que ela pode se dar nesse sentido; de se dar tempo, mas também no sentido concreto material.

Então, vamos para o exemplo: eu faço uma penitência de não tomar refrigerante, vou pegar essa que é uma bem simples, durante toda a Quaresma, aí você calcula, quanto eu gasto por dia com refrigerante. Ah, eu gasto dez reais de refrigerante por semana, eu transformo aqueles dez reais em esmola para uma família que precisa.

Este é o sentido da esmola, aquilo que a gente jejua e que gastaria algo, entregamos aos pobres. De ir ao encontro, de fazer um rateio, de chamar outras pessoas. Os seus dez reais, mais os dez reais de outro; porque não faz uma cesta básica para uma família que está passando fome? Então, temos um costume muito egoísta: Ah tá bom, vou ficar sem tomar refrigerante, vai me sobrar dinheiro. Não esse dinheiro não é seu e, sim do outro! É por isso, que a Igreja sempre nos propôs essas três realidades juntas. Porque elas nos lançam nos outros, elas nos lançam na realidade dos outro. Agora, uma realidade que fica fechada no meu relacionamento com Deus e, na minha vida de uma conversão interior e não transborda em amor por outro.

O Papa Francisco fala muito da cultura do encontro, de ir ao encontro do outro. Ela vai ser uma Quaresma estéril, sem fecundidade, porque ela vai ser igual a um tripé com o pé quebrado, ela não vai ficar de pé. Agora, se eu revejo o meu relacionamento com Deus com oração, revejo o meu relacionamento com as criaturas, com as coisas, com o jejum e com a penitência e revejo o meu relacionamento com meu irmão com a caridade, aí eu me coloco em uma Quaresma concreta. Pode ser alguém que você precise dar perdão, que você precise perdoar, que você precise ir ao encontro. Alguém que você vacilou com ela e, você precisa pedir perdão por este ato que fez. Isso tudo é maneira concreta de viver a caridade e de ir de encontro com essa miséria moral, espiritual ou real que, muitas vezes, as pessoas se encontram.

Renan Félix
renan@geracaophn.com

Quarta-feira de Cinzas, Ano A

Por Mons. Inácio José Schuster

O que é a Quarta Feira de Cinzas?

A Quarta Feira de cinzas é o dia que marca o início do Tempo Litúrgico da Quaresma.

Na liturgia da Quarta Feira de Cinzas é feita a imposição das cinzas sobre os fiéis. Gesto que visa recordar o período penitencial que se inicia e o chamado à verdadeira conversão do coração e dos próprios atos.

Na Quaresma, somos convidados a alimentar a fé com uma escuta mais atenta e prolongada da Palavra de Deus e a participação nos Sacramentos e, ao mesmo tempo, a crescer na caridade, no amor a Deus e ao próximo. Nela toda a Igreja é chamada a voltar-se mais para a oração e para a caridade, ou seja, para a real vivência do amor.

No período da Quaresma podemos manifestar nossa penitência pelo jejum, pela oração e pela esmola. O jejum expressa o esforço de conversão em relação a si mesmo, a oração manifesta a conversão em relação a Deus, e a esmola a conversão em relação aos outros.

Estas três formas de penitência tem o objetivo de fazer com que cresçamos no domínio dos impulsos da carne, numa vida de maior intimidade com Deus e de maior amor e misericórdia com as pessoas que convivem conosco.

Em todas estas atitudes em relação à penitência, o ideal é deixarmos Deus conduzir todas as coisas, nós nos esforçamos, mas é a graça de Deus que nos sustenta em nossos esforços de sermos melhores a cada dia.

 

A Liturgia deste dia não é lúgubre. Não é fúnebre, nem mesmo quando coloca um pouco de cinza sobre a cabeça de cada um e diz: lembra-te que és pó, e ao pó voltarás. Meus caríssimos irmãos e irmãs, somos pessoas criadas por Deus, em vista de Cristo. Deus, ao criar-nos, pensava em Jesus Cristo; Deus, ao criar-nos, desejava que tivéssemos o mesmo fim de Cristo, isto é, que morrêssemos com Cristo, para com Cristo podermos ressuscitar. A carne e o sangue – afirma Paulo – não podem entrar no Reino de Deus. Revestimo-nos, presentemente, do homem primeiro; carregamos, presentemente, a figura do Adão terrestre mas, sempre de acordo com Paulo, da mesma maneira como carregamos em nós a imagem ou figura do Adão terrestre, devemos nos transformar na imagem do Adão celeste, isto é, do segundo Adão, do antítipo do primeiro Adão, que é Jesus Cristo glorificado. Sim, recordamo-nos hoje que vamos para a morte, mas para uma morte com Cristo, morrer para este mundo provisório, inacabado, incompleto sob todos os aspectos, a fim de participarmos de Sua páscoa definitiva e vitória triunfante total no Reino dos Céus. Recordamo-nos que vamos para a morte, mas nos recordamos que vamos para a morte na esperança da ressurreição; nós nos recordamos de um determinado fim que é, ao mesmo tempo, o início do definitivo na glória de Jesus Cristo. Aqueles que conhecem o Seu fim podem preparar-se melhor para, de certa maneira, vivê-lo, e vivê-lo ativamente, por ocasião de sua páscoa pessoal, por ocasião da própria morte e da própria ressurreição. É com este sentimento que nós iniciamos o tempo quaresmal; é desta maneira que queremos nos encaminhar, com Cristo, através de nosso calvário pessoal, à participação em Sua vitória triunfante de páscoa. Não haverá páscoa de ressurreição para aqueles que não se dispuserem a primeiro morrer com Cristo, e morrer ao próprio pecado, enquanto Deus nos concede este tempo de graça e salvação. E, portanto, termino. Que ninguém assuma negligentemente este tempo; que este tempo não seja vivido em vão por nenhum de nós.

 

SÊ ASSÍDUO À ORAÇÃO E À MEDITAÇÃO
Padre Bantu Mendonça

Quaresma: Tempo de Penitência, de conversão, de jejum, oração e da salvação. É o tempo de mudança de vida, do kairós na minha vida e na sua vida. O texto de hoje nos ajuda a fazer uma reflexão, uma introspecção. Estamos diante de um Evangelho que determina o nosso ser cristão. É, diria eu, o termômetro da nossa própria fé católica. E não poderia existir passagem melhor do que a do Evangelho de hoje. A prática da justiça, no sentido religioso, significava a busca de justificação diante de Deus. As mais consagradas eram: a esmola, a oração e o jejum. Por esta prática o piedoso judeu julgava-se justo diante de Deus. Com atitude ostensiva, os líderes religiosos do templo e das sinagogas afirmavam seu prestígio e poder. A penitência, muitas vezes vista como uma prática de sofrimento, na verdade tem o caráter modificador, que nos transforma que nos faz perceber que podemos viver sem certas coisas do mundo. Que mais forte é Deus que nos dá o suficiente para viver. Compreendemos que os sacrifícios feitos deverão, portanto, ser fonte de crescimento, de amadurecimento espiritual e não motivo de promoção pessoal. E por isso, não devem ser expostos ao mundo, pois é interioridade, é intimidade com Deus. Isto vale para todos os nossos atos religiosos ou aparentemente humanitários. Não podem ser forma de se vangloriar de sua bondade, mas de promover sua espiritualidade e também o bem de outras pessoas. Sê assíduo à oração e à meditação. Disseste-me que já tinhas começado. Isso é um enorme consolo para um Pai que te ama como Ele te ama! Continua, pois, a progredir nesse exercício de amor a Deus. Dá todos os dias um passo: de noite, à suave luz da lamparina, entre as fraquezas e na secura de espírito; ou de dia, na alegria e na luminosidade que deslumbra a alma. Se conseguires, fala ao Senhor na oração, louva-o. Se não conseguires, por não teres ainda progredido o suficiente na vida espiritual, não te preocupes: fecha-te no teu quarto e põe-te na presença de Deus. Ele ver-te-á e apreciará a tua presença e o teu silêncio. Depois, pegar-te-á na mão, falará contigo, dará contigo cem passos pelas veredas do jardim que é a oração, onde encontrarás consolo. Permanecer na presença de Deus com o simples fito de manifestar a nossa vontade de nos reconhecermos como seus servidores é um excelente exercício espiritual, que nos faz progredir no caminho da perfeição. Quando estiveres unido a Deus pela oração, examina quem és verdadeiramente; fala com Ele, se conseguires; se te for impossível, detém-te, permanece diante dele. Em nada mais te empenhes como nisso. Não se trata de conceber a oração interior, livre de todas as formas tradicionais, como uma piedade simplesmente subjetiva, e de opô-la à liturgia, que seria a oração objetiva da Igreja; através de toda a verdadeira oração, alguma coisa se passa na Igreja e é a própria Igreja quem reza, porque é o Espírito Santo que vive nela que, em cada alma única, “intercede por nós com gemidos inefáveis” (Rm 8, 26). E essa é, justamente, a verdadeira oração, porque “ninguém pode dizer ‘Jesus é o Senhor’ senão por influência do Espírito Santo” (1Cor 12, 3). O que seria a oração da Igreja se não fosse a oferenda daqueles que, ardendo com grande amor, se entregam ao Deus que é amor? O dom de si a Deus, por amor e sem limites, e o dom divino que se recebe em troca, a união plena e constante, é a mais alta elevação do coração que nos é acessível, o mais alto grau da oração. As almas que o atingiram são, na verdade, o coração da Igreja; nelas vive o amor de Jesus, Sumo-Sacerdote. Escondidas com Cristo em Deus (Col 3, 3), não podem deixar de fazer irradiar para outros corações o amor divino de que estão cheias, concorrendo assim para o cumprimento da unidade perfeita de todos em Deus, como era e continua a ser o grande desejo de Jesus. Jesus nos mostra neste texto ao falar da oração, jejum e caridade de forma consciente o momento e o ato mais importante da nossa íntima união com Ele. E nos faz saber que estes atos devem ser livres e desimpedidos, desinteressados de reconhecimento. A partir do momento em que vivemos estas três lições de Cristo oração, jejum e penitência, em nossas vidas, tudo em nós será um eterno aleluia. Jesus terá verdadeiramente ressuscitado em nós. Espírito de piedade, do temor de Deus, ensina-me o modo de agir que realmente agrade ao Pai, para que este tempo da Quaresma seja o tempo de graça, de renovação e reavivamento da minha vida e família para que mereça celebrar a Páscoa da eternidade c a recompensa divina no dia final.

 

CONVERTEI-VOS E CREDE NO EVANGELHO
Padre José Augusto

Depois do carnaval, a Igreja entra em um período de silêncio e é assim que devemos estar. Em um mundo tão barulhento Deus chama o homem a silenciar. Só assim o homem tomará consciência do que ele é, e de quem Deus é. Não podemos viver neste mundo sem caminhar para um lugar. Se não temos uma meta, passamos viver ao léu, mas São Paulo diz em sua carta que este é o tempo favorável, é preciso escutar a Deus. É tempo de escutar a convocação que Deus nos faz. Nestes 40 dias vamos buscar voltar para Deus. Fomos criados para estarmos juntos com o Senhor, mas o mundo tem nos afastado do Senhor. E agora Deus clama: ‘Volta para mim! Volta ao meu coração!’ Precisamos fazer como Davi, reconhecer o nosso erro. Esses 40 dias é tempo de reconhecermos que falhamos, erramos, mas precisamos ser melhor, precisamos clamar a misericórdia do alto. Quaresma é tempo de revisão. É tempo de perguntar: Diante do Senhor como estou? Como estou diante dos irmãos? E diante de mim mesma? Deus mandou Seu Filho para morrer por nós. É tempo dos namorados reverem como está o relacionamento, e dos pais verem como está o tratamento com seus filhos e vice-versa. Vivemos em uma sociedade egoísta, mas não dá para o cristão ser egoísta, pois Deus deu tudo por nós. O Evangelho diz que é preciso dar esmola. Então doe. Doe roupas e coisas simples. Oferecer o lugar no ônibus, no metrô para uma pessoa mais velha, isso é caridade. faça este propósito. Saia de si para os outros. As vezes fazemos a penitência de não comer, mas também é penitência doar-se ao outro. Dar tempo ao outro. E no Evangelho também diz: orai. Eu deixo a dica, no momento em que você estaria na internet, entre no seu quarto e reze, converse com Deus, doe um pouco do tempo que você estaria no facebook e reze. Reze com a Palavra de Deus, leia a passagem da Bíblia. Jesus também fala no Evangelho sobre jejum. Jejum não é dieta. A dieta quem prescreve é o médico, mas o jejum é prescrito por Deus, o jejum fortalece o espírito, fortalece a carne para estar com Deus, cria-se na alma o desejo para estar com Deus. A quaresma não é tempo de comemorações, festas, é um tempo de reflexão para estar mais com Deus. Não é tempo de comilança, mas é tempo de recolhimento. Nós mudamos o tempo da quaresma, e queremos fazer da quaresma como queremos. Hoje quarta-feira de cinzas para lembramos que somos pó e para pó voltaremos, e ao colocar a cinza, lembre-se e preste atenção o que lhe falará o ministro. Uma boa e santa quaresma para você!

 

A oração, o jejum e a vigilância eram considerados pelos judeus como as obras mestras da vida religiosa. Eram vistos como os sinais chaves de uma pessoa piedosa, os três grandes pilares sobre os quais se baseava a vida virtuosa. Nesta passagem, Jesus nos mostra a razão pela qual praticamos tais obras. Trata-se, precisamente, de não querer simplesmente mostrar-se como justo de acordo com as impressões exteriores dos homens. É ser interiormente justo segundo Deus. A verdadeira piedade é mais do que parecer bom ou santo. O Evangelho nos fala da vigilância, propriamente dita, no sentido de permanecer à espera de Deus e de seu julgamento. Por isso, não se deve fazer algo simplesmente para ser visto pelos homens. Aliás, o verbo empregado em grego corresponde ao que nós utilizamos para designar “teatro”. Realizada diante de Deus, a boa obra é por si mesma luz. Ela “brilhará diante dos homens” não como teatro, só na aparência, porém, como resplendor da luz divina. São João Crisóstomo comenta as palavras de Jesus sobre a esmola lembrando que “uma pessoa pode de fato dar esmola diante dos homens, sem ter a intenção de ser vista. Como também pode dar esmola em segredo, mas desejando ser vista pelos homens. Por isso o Senhor não considera só o ato de dar esmola em si mesmo, mas acrescenta a vontade presente no ato de dá-la. O que conta mesmo é a vontade que traz punição ou recompensa”.  Assim a esmola é compreendida como sendo fundamentalmente ato fraterno, partilha, e, por conseguinte, proporcional às possibilidades da pessoa. Felizes os que dão até o que lhes é necessário, como o caso da esmola da viúva. A esmola é também uma espécie de restituição, sinal normal da penitência-conversão e assinala o retorno a Deus, como o fez Zaqueu. O jejum e a prece adquirem seu sentido profundo e o sacrifício de louvor assume todo o seu verdadeiro valor. São Gregório de Nissa pergunta: “Desejas uma glória imortal? Mostra tua vida, no segredo, Àquele que é suficientemente poderoso para proporcionar a glória que desejas. Tens medo de uma vergonha eterna? Tema aquele que manifestará tua vergonha, no Dia do Julgamento”. Deus revelará as boas obras no tempo devido. Escreve um autor anônimo, nos primeiros anos da vida da Igreja: “Deus reside no segredo do coração e não em um lugar secreto. É o próprio Deus que revela o bem realizado nesta vida e na outra glorificará quem o fez, pois a glória é de Deus”. Que “nossa vida esteja escondida em Cristo”, pois é no silêncio da alma, “no mais secreto”, ou seja, no centro de nossa alma, do nosso coração, no mistério de nossa união com o Cristo, o Filho unigênito do Pai eterno, que de fato rezamos, jejuamos e damos esmola. Senhor, dai-nos uma fé viva, uma esperança firme e uma caridade fervente, e um grande amor por Vós.

 

O Tráfico humano não escolhe classe social
Entrevista com Inês Virgínia Prado Soares, doutora em Direito pela PUC/SP e Procuradora Regional da República
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Por Thácio Lincon Soares de Siqueira

Brasília, 10 de Fevereiro de 2014 (Zenit.org) – E o tráfico de pessoas, como vai? É uma ótima pergunta a ser feita no ano da Copa do Mundo no Brasil. E quem faz essa pergunta e convida todo o Brasil a fazê-la dessa vez é a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. “Fraternidade e Tráfico Humano” será o tema da Campanha da Fraternidade (CF) desse ano de 2014. A CF é proposta todos os anos para os católicos e para a sociedade no tempo da quaresma, como um itinerário de libertação pessoal, comunitária e social. “A Campanha da Fraternidade de 2014 é um importante passo!”, disse a Dra Inês a ZENIT.  O motivo é que “Certamente um forte trabalho de esclarecimento e prevenção para a população ajuda que vítimas em potencial não sejam captadas pelos criminosos”. Para introduzir-nos no tema, ZENIT entrevistou Inês Virginia Prado Soares, que é doutora em Direito pela PUC/SP e Procuradora Regional da República. Acompanhe a entrevista a seguir:
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ZENIT: Cara Inês, podemos acreditar nas sondagens e estatísticas que mostram o número de pessoas em situação de tráfico humano no Brasil? Quais são as principais formas de tráfico conhecidas?
Inês Virginia: Existem três formas de tráfico humano, que são: tráfico para fins de exploração sexual, para fins de exploração para trabalho análogo ao escravo e para fins de extração de órgãos. As estatísticas realmente não representam o real número de pessoas traficadas no Brasil. Primeiro porque muitas vítimas não se sentem na condição de vitimas, elas acreditam que escolheram aquele caminho e que não há crime. Daí elas não denunciam às autoridades. Depois, há poucas pesquisas sobre o tema e o estabelecimento de metodologias para identificação do crime e das vítimas é uma tarefa que foi assumida bem recentemente pelo governo, pela Secretaria Nacional de Justiça do Ministério da Justiça. No mais, estatísticas são ainda muito precárias, seja porque não abrangem os três tipos principais de tráfico de pessoas, seja porque não engloba os diversos perfis de vítimas (potenciais, inclusive!).

ZENIT: Em quais ambientes é mais propício que aconteça, entre os mais pobres, nas cidades menos privilegiadas ou também pode acontecer entre a classe média e alta sociedade?
Inês Virgínia: Certamente as pessoas em situação de vulnerabilidade ficam mais frágeis para violação de seus direitos e são um alvo mais fácil para criminosos. Mas o crime do Tráfico de Pessoas não escolhe classe social. É um crime que trabalha com a ilusão, com a vontade que alguém tem de melhorar de vida, de ter oportunidades. É um crime perverso, porque tira a liberdade da pessoa depois que ela já foi enganada e já está vulnerável, geralmente longe de sua casa/terra e sua família. Daí a importância das campanhas preventivas. RECEBEU UMA PROPOSTA EXCELENTE DE EMPREGO NO EXTERIOR? PROCURE SABER TUDO DESSA EMPRESA OU PESSOA QUE LHE PROPÕE ANTES DE ACEITAR, por exemplo.

ZENIT: Qual é o pior tipo de tráfico humano?
Inês Virgínia: Não sei dizer qual é o pior, pois são formas de violência diferentes e todas gravíssimas. O tráfico para fins de exploração sexual é o que atinge o maior número de vítimas e há muitos relatos de atrocidades e até de mortes. Além disso, a pessoa traficada que consegue “escapar” sofre um grande preconceito e tem enorme dificuldade de recompor sua vida.

ZENIT: Como combatê-lo?
Inês Virgínia: Os especialistas no assunto indicam quatro tipos de atuação: a prevenção (campanhas educativas, como a Campanha da Fraternidade de 2014), a repressão/responsabilização (trabalho da polícia e do Ministério Público no combate ao crime organizado e especialmente às organizações criminosas envolvidas com o tráfico humano), o acolhimento às vítimas (trabalho para o poder público, mas também para a sociedade civil, inclusive para congregações religiosas que tenham estrutura para acolher essas pessoas com a finalidade de que não voltem a ser vítimas e também para que possam refazer suas vidas longe da marginalidade) e o estabelecimento de parcerias (entre ONGs, entre sociedade e poder público etc).

ZENIT: Como a instituição Igreja Católica poderia influenciar para o desmantelamento das redes de tráfico de pessoas escravidão no país?
Inês Virgínia: O tráfico de pessoas tem um pressuposto muito conhecido na doutrina católica: que é ver o próximo como alguém merecedor de direitos. Lembro o tema da Campanha da Fraternidade de 1969: “Para o outro, o próximo é você”. A Campanha da Fraternidade de 2014 é um importante passo! Certamente um forte trabalho de esclarecimento e prevenção para a população ajuda que vítimas em potencial não sejam captadas pelos criminosos. Além disso, a informação permite uma mudança de olhar: de que o crime existe e que a pessoa em situação de tráfico é uma vítima e não uma criminosa, que ela merece ser acolhida e protegida. Assim, se uma moça foi para o exterior (ou mesmo saiu de sua cidade para outra) porque quis e acreditou na proposta do aliciador (que lhe parecia alguém que não lhe faria mal) e lá ela foi privada de sua liberdade e explorada sexualmente, ela é uma vítima, nada mais que isso. Fiz referência à Campanha da Fraternidade de 1969 e sei que tínhamos outro cenário e naquele momento tinha um objetivo mais restrito… eram outros tempos no alcance pelos meios de comunicação, mas penso que no tema do tráfico de pessoas, é bem importante que os católicos lembrem que aquela pessoa em situação de tráfico precisa que o próximo/você a ampare.

ZENIT: A nossa legislação penal tipifica esses crimes e assegura penas severas para os mesmos?
Inês Virgínia: A nossa legislação precisa de aperfeiçoamentos para abranger todas as ações criminosas praticadas no tráfico de pessoas. São muitas etapas e partícipes. Mas estamos nos aperfeiçoando… No plano internacional temos um documento da ONU, o Protocolo de Palermo, que dá as diretrizes para que cada país trate do assunto no plano interno. Mas precisamos de leis mais rígidas, com certeza.

 

A nota da CNBB sobre as prisões brasileiras
As prisões brasileiras são, infelizmente, uma amostra grátis do inferno
Por Edson Sampel

São PAULO, 10 de Fevereiro de 2014 (Zenit.org) – Homens tratados como animais! Basta darmos uma olhada numa dessas inúmeras fotografias de cárceres que pululam na imprensa, para verificarmos que os cães recebem um tratamento bem melhor que os presos do Brasil. A regra do jogo democrático é a seguinte: alguém perpetra um crime grave, é julgado e, se condenado, vai para a cadeia, onde – prestemos atenção à norma democrática! – ficará privado da liberdade por certo período de tempo. Pensemos, a título de exemplo, no delito de homicídio. Determina o artigo 121 do Código Penal Brasileiro: “pena: reclusão de 12 a 30 anos”. Esta é a única pena imposta coercitivamente ao sentenciado: a privação da sua liberdade de 12 a 30 anos. E já não é infernal ou purgativo (de purgatório) estar sem o gozo da própria liberdade? A Lei 7.210/84, que cuida da execução das penas, preceitua: “Artigo 1.º. A execução penal tem por objetivo efetivar as disposições de sentença ou decisão criminal e proporcionar condições para a harmônica integração social do condenado e do internado.” Ora, a punição tem um caráter nitidamente medicinal, na esteira do direito canônico, pois visa a “proporcionar condições para a harmônica integração social do condenado e do internado”. Conforme reza a nota da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), “não podemos assistir passivamente à violação da dignidade humana como ocorre nos presídios brasileiros e em inúmeras situações de violência que grassa no país.” Nossa revolta contra esse estado de coisas está alicerçada num ditame de direito divino positivo, pois foi o próprio Senhor Jesus Cristo que se identificou com os prisioneiros: “Estive preso e viestes me visitar” (Mt 25, 36). Portanto, para um país fundamentado nos valores cristãos, temos de ver no preso o rosto transfigurado de Jesus Cristo e, desta feita, é-nos imperioso lutar pela dignidade dos que vivem nas enxovias.  No Brasil, desgraçadamente, vige uma mentalidade que enxerga a pena como vingança ou vindita social. Para muitos patrícios, o detento tem mesmo de sofrer, de ser humilhado, pisoteado e seviciado. Esta é uma postura antievangélica, que contrasta nitidamente com as palavras de Jesus acima citadas. De uma vez por todas, entendamos  que a privação da liberdade de uma pessoa vários anos a fio, por si só, causa um sofrimento atroz, o qual não deve ser recrudescido por outros vitupérios. A prisão precisa ser um purgatório na terra, não um inferno, um lugar (estado) sem esperança. Sendo católicos, pressionemos as autoridades por mudanças imediatas, não só com argumentos evangélicos, mas com o argumento de que o governante está obrigado a cumprir a lei.
Edson Sampel
Teólogo e Doutor em Direito Canônico. Membro da União dos Juristas Católicos de São Paulo (Ujucasp).

Papa pede coragem e humildade para anunciar o Evangelho

Terça-feira, 14 de fevereiro de 2017, Da Redação, com Rádio Vaticano

Na Missa de hoje, Francisco indicou as três características de quem é um arauto do Evangelho

Coragem, oração e humildade: estes são os traços que caracterizam os grandes “arautos” que ajudaram a Igreja a crescer no mundo, que contribuíram à sua missionariedade. Foi o que disse o Papa na Missa celebrada na manhã de terça-feira, 14, na capela da Casa Santa Marta.

Francisco reforçou que é preciso “semeadores de Palavra”, missionários, verdadeiros arautos para formar o povo de Deus, como foram Cirilo e Metódio, irmãos intrépidos e testemunhas de Deus que fizeram da Europa mais forte, padroeiros do continente. Na homilia, o Papa indicou as três características da personalidade de um “enviado” que proclama a Palavra de Deus, inspirando-se no Evangelho de Lucas que a liturgia propõe.

“A Palavra de Deus não pode ser levada como uma proposta – “bom, se você gostar…” – ou como uma ideia filosófica ou moral, boa – “você pode viver assim …” … Não. É outra coisa. Precisa ser proposta com esta franqueza, com aquela força, para que a Palavra penetre, como diz o próprio Paulo, até os ossos. A Palavra de Deus deve ser anunciada com esta franqueza, com esta força … com coragem. A pessoa que não tem coragem – coragem espiritual, coragem no coração, que não está apaixonada por Jesus, e dali vem a coragem! – não, dirá, sim, algo de interessante, algo moral, algo que fará bem, um bem filantrópico, mas não tem a Palavra de Deus. E esta palavra é incapaz de formar o povo de Deus. Somente a Palavra de Deus proclamada com esta franqueza, com esta coragem, é capaz de formar o povo de Deus”.

Necessidade de oração

Do capítulo décimo do Evangelho de Lucas foram extraídas outras duas características próprias de um arauto da Palavra de Deus. Um Evangelho “um pouco estranho”, afirmou o Papa, porque rico de elementos acerca do anúncio. “A messe é abundante, mas são poucos os operários. Rezem portanto ao Senhor da messe para que mande operários para a sua messe”, repetiu Francisco, e é assim, portanto, que depois da coragem está a oração.

“A Palavra de Deus deve ser proclamada com oração também, sempre. Sem oração, se pode fazer uma bela conferência, uma bela palestra: boa, boa; mas não é a Palavra de Deus. Somente de um coração em oração pode sair a Palavra de Deus. A oração, para que o Senhor acompanhe este ‘semear’ a Palavra, para que o Senhor regue a semente e ela brote, a Palavra. A Palavra de Deus deve ser proclamada com oração: a oração daquilo que anuncia a palavra de Deus”.

Humildade

No Evangelho consta também um terceiro ‘trecho interessante’. O Senhor envia os discípulos como “cordeiros em meio aos lobos”. “O verdadeiro pregador é o que sabe ser fraco, sabe que não se pode defender sozinho. ‘Tu vai como cordeiro em meio aos lobos’. ‘Mas, Senhor, para que eles me comam?’. ‘Tu, vai, é este o caminho’. E creio que o Crisóstomo faz uma reflexão muito profunda quando diz: “Se tu não for como cordeiro, mas como lobo entre os lobos, o Senhor não te protegerá: defende-te sozinho”. Quando o pregador se acha muito inteligente ou quando quem tem responsabilidade de levar adiante a Palavra de Deus e quer dar uma de esperto… ‘Ah, eu sei me sair com esta gente!’, ele termina mal. Negociará com a Palavra de Deus: aos poderosos, aos soberbos…”.

E para ressaltar a humildade dos grandes arautos, Francisco citou um episódio que lhe contaram de um sacerdote que “se vangloriava de pregar bem a Palavra de Deus e se sentia um lobo”: depois de uma bela pregação – recorda o Papa, foi ao confessionário e encontrou um grande pecador que chorava… queria pedir perdão”. Este confessor – prosseguiu Francisco – ‘começou a encher-se de vaidade e a curiosidade o levou a perguntar que Palavra o havia tocado tanto ao ponto de levá-lo ao arrependimento. “Foi quando o Senhor disse: passamos para outro assunto. “Não sei se é verdade – afirma o Papa – mas confirma que termina-se sempre mal quando se sente lobos e não cordeiros, faltando assim na defesa do Senhor”.

Esta é a missionariedade da Igreja e os grandes arautos que semearam e ajudaram a crescer as Igrejas no mundo, foram homens corajosos, de oração e humildes, reiterou Francisco. A oração final foi para que os Santos Cirilo e Metódio ajudem a proclamar a Palavra de Deus assim como eles o fizeram.

Capela Nossa Senhora de Lourdes

A Capela do Bairro Jardim Mauá convida a comunidade em geral para as Celebrações Eucarísticas, os momentos de oração e os eventos promocionais em vista da construção da futura e nova Capela há 50 anos almejada.

No dia 11 de fevereiro, Dia Mundial do Enfermo e Memória da Padroeira Nossa Senhora de Lourdes, teremos Santa Missa festiva, às 19h, com bênção da água e da saúde.

Sempre aos sábados, às 19h, temos a celebração da Santa Missa. Os que vem de carro, podem contar com um espaço interno para estacionamento gratuito, mas lembramos que não há seguro para os veículos.

Sempre às terças-feiras, temos a Oração do Terço Mariano, no horário das 19h30min às 20h30min, onde contamos com a participação das famílias da comunidade.

Temos programado neste ano de 2017:
-06/5 -Jantar Baile (sáb, 20h-02h, convites individuais, no salão festas igreja Matriz) / Missa 07/5 (dom, 19h)
-24, 25 e 26/5 -Tríduo (qua, qui, sex, 19h30min)
-27/5 -Santa Missa Solene da Padroeira com o Coral Misto, seguida de Terço Mariano (sáb, 19h)
-19/11 -Galeto só p/levar (coxa, sobrecoxa, salada, pão / no salão festas igreja Matriz)

A realização dos eventos sociais é no salão de festas da Paróquia Nossa Senhora da Piedade, localizado à Rua Leão XIII, n. 180, no Bairro Hamburgo Velho.

A nossa Capela está localizada no Bairro Jardim Mauá, na Rua Lagoa Vermelha, n. 45, esquina com a Rua Santa Vitória do Palmar. As entradas para a Capela e estacionamento, são pela Rua Santa Vitória do Palmar.

Venha participar conosco e traga toda a sua família! Sejam bem-vindos!

Pelo Conselho Econômico, 
Pedro Paulo Maynart

Sem silêncio e solidão não há encontro com Deus

”As pessoas que não suportam o silêncio é porque, na verdade, não se suportam. Elas se sentem agredidas pelo silêncio …”.

“O encontro com Deus não é possível se não silenciarmos, pois se Deus nos fala, precisamos estar prontos para ouvir”. É o que defende o padre Paulo Ricardo Azevedo Júnior, sacerdote da Arquidiocese de Cuiabá (MT).

A Igreja, junto com o Pontífice, pede a Deus para que os homens e mulheres deste tempo, “tantas vezes mergulhados num ritmo frenético de vida, redescubram o valor do silêncio e saibam escutar Deus e os irmãos”.

Em meio à correria da vida moderna, é comum perceber o pouco número daqueles que conseguem buscar esse encontro consigo e com Deus. Nesse sentido, Padre Paulo ressalta a realidade dos que, mesmo sem perceber, têm medo do silêncio ou da solidão, e por isso têm também a necessidade de estar sempre conectados a algo ou a alguém.

“As pessoas que não suportam o silêncio é porque, na verdade, não se suportam. Elas se sentem agredidas pelo silêncio, porque ele nos obriga a nos encontrarmos conosco mesmo”.

Silêncio: porta de encontro consigo e com Deus

Para o sacerdote, o encontro do indivíduo com ele mesmo é a porta que dá acesso a “Jesus, Vivo e Verdadeiro”. “É a porta em que eu me abro para o Alto, me abrindo para dentro, para o encontro comigo mesmo”.

Portanto, segundo ele, o silêncio é fundamental na vida espiritual, no encontro com Deus que é Palavra. Sem silêncio não há encontro consigo mesmo, nem com Deus. Com isso, a vida espiritual não se desenvolve.

É possível promover esse tipo de encontro a todo o momento, diz o padre. “Se eu me encontro comigo, eu estou me recolhendo, por mais que haja barulho ao meu redor”. No entanto – destacou – “é preciso também me dar um espaço de silêncio e solidão que, poderia dizer, é quase um hábito higiênico. As pessoas precisam também ter o hábito de ter um momento de recolhimento, seu, com Deus”.

O silêncio e a solidão

Esse silêncio, porta para o encontro, está ligado à solidão, segundo o padre. Não se trata de um isolamento depressivo, mas um tipo de solidão que proporciona o contato com Deus, consigo mesmo e com o outro.

Na opinião de padre Paulo, as pessoas vivem agitadas, envolvidas por barulhos e experimentando corriqueiros encontros superficiais. “Não há encontros de coração a coração”, afirmou. Os profundos encontros, segundo o sacerdote, acontecem quando duas solidões se encontram.

“Para a gente se encontrar com uma pessoa, a minha solidão tem que se encontrar com a sua solidão, ou seja, eu preciso enquanto pessoa me encontrar com alguém que sei, é uma outra pessoa que não vai saciar plenamente a minha sede de felicidade. São duas solidões que se encontram. Só assim é possível o encontro”.

Entretanto, o único encontro capaz de produzir felicidade plena é o encontro com Deus. “O encontro com Deus é diferente no sentido que é Ele que consegue saciar essa solidão, mas ele fará isso plenamente no céu. Na vida de oração, a solidão e o silêncio estão juntos, porque estes são a condição para o encontro comigo mesmo e com Deus”.

A Igreja e o valor do silêncio

Nas diversas tradições religiosas da Igreja Católica, “a solidão e o silêncio constituem espaços privilegiados para ajudar as pessoas a encontrar-se a si mesmas e àquela Verdade que dá sentido a todas as coisas”. Essa afirmação é do Papa emérito Bento XVI, em sua mensagem para o 46º Dia Mundial das Comunicações Sociais.

Para o bispo emérito de Roma, é necessário criar um ambiente propício, quase uma espécie de “ecossistema” capaz de equilibrar silêncio, palavra, imagens e sons. Ele também afirma na mensagem que o silêncio é o canal de comunicação entre Deus e o homem, e do homem com Deus.

“Temos necessidade daquele silêncio que se torna contemplação, que nos faz entrar no silêncio de Deus e assim chegar ao ponto onde nasce a Palavra, a Palavra redentora”, escreveu o Pontífice.

O Batismo de Jesus

Papa dá orientações de como educar os filhos na Fé e na vida
Mirticeli Medeiros / Da Redação / Radio Vaticana

O Papa Bento XVI presidiu na manhã deste domingo, 08, na Capela Sistina, no Vaticano, a Missa da Solenidade do Batismo do Senhor, na qual foi administrado o Sacramento do Batismo a 16 crianças. Durante toda a homilia, o Santo Padre falou sobre a arte de educar, que segundo ele, acontece primordialmente através do testemunho dos pais e daqueles que são responsáveis pelas pessoas que lhes são confiadas. “Como pessoas adultas, temos o compromisso de atingir fontes boas, pelo nosso bem e daqueles que foram confiados à nossa responsabilidade, em particular, vós, caros pais, padrinhos e madrinhas, para o bem destas crianças. E quais são as fontes de salvação? São a Palavra de Deus e os Sacramentos”, disse. Ainda falando sobre a educação passada de pais para filhos, o Pontífice ressaltou que as crianças devem ser conduzidas desde cedo a um relacionamento profundo com a verdade, para que, a partir disso, possam fazer suas escolhas definitivas. “O verdadeiro educador não liga as pessoas a si, não é possessivo. Quer que o filho, o discípulos, aprenda a conhecer a verdade e estabeleça com ela um relacionamento pessoal”, salientou. Entretanto, o Papa destacou que para que a educação aconteça de forma eficaz, é necessária a ação do Espírito Santo, com o qual, pais e responsáveis devem fazer uma forte experiência de fé. “A oração é a primeira condição para educar, porque rezando, nos colocamos na disposição de deixar a Deus a iniciativa, de confiar os filhos à Ele, que os conhece antes ou melhor que nós e sabe, perfeitamente qual é o verdadeiro bem deles”, citou.

 

HOMILIA Santa Missa na Festa do Batismo do Senhor Capela Sistina
Vaticano Domingo, 08 de janeiro de 2012

Queridos irmãos e irmãs É sempre uma alegria celebrar esta Santa Missa com o Batismo das crianças. Vos saúdo com afeto, caros pais, padrinhos e madrinhas, e todos vocês familiares e amigos! Viestes – a dissestes em alta voz – para que os vossos bebês recebam o dom da graça de Deus, a semente de vida eterna. Vós pais quisestes isso. Pensastes no Batismo antes mesmo que o vosso filho ou a vossa filha viesse à luz. A vossa responsabilidade de pais cristãos vos fez pensar logo no Sacramento que marca o ingresso na vida divina, na Comunidade da Igreja. Podemos dizer que esta foi a vossa primeira escolha educativa como testemunhas da fé em relação aos vossos filhos: a escolha é fundamental. O objetivo dos pais, ajudados pelo padrinho e pela madrinha é o de educar o filho ou a filha. Educar é muito trabalhoso, às vezes é árduo para as nossas capacidades humanas, sempre limitadas. Mas educar se torna uma maravilhosa missão se a cumprimos em colaboração com Deus, que é o primeiro e verdadeiro educador de todos os homens. Na primeira leitura que escutamos tirada do livro do profeta Isaías, Deus se volta para o seu povo exatamente como educador. Protege os israelitas para que estes não saciem a sede e fome em fontes erradas: “Por que gastais dinheiro com aquilo que não é pão, o vosso salário com aquilo que não sacia?” (Is 55,2). Deus quer dar-nos, sobretudo Si mesmo e a sua Palavra: sabe que distanciando-nos dEle, nos encontraremos logo em dificuldade, como o filho pródigo da palavra, e sobretudo perderemos a nossa dignidade humana. E por isto, nos assegura que Ele é misericórdia infinita, que os seus pensamentos e as suas vias não são como as nossas – por sorte nossa! – e que podemos sempre retornar a Ele, à casa do Pai. Nos assegura que se acolhermos a sua Palavra, a mesma trará frutos bons para nossa vida, como a chuva que irriga a terra (Is 55, 10-11). A esta Palavra que o Senhor dirigiu mediante o profeta Isaias, nós respondemos com o refrão do Salmo: “Chegaremos com alegria às fontes de salvação”. Como pessoas adultas, temos o compromisso de atingir fontes boas, pelo nosso bem e daqueles que foram confiados à nossa responsabilidade, em particular, vós, caros pais, padrinhos e madrinhas, para o bem destas crianças. E quais são as fontes de salvação? São a Palavra de Deus e os Sacramentos. Os adultos são os primeiros a alimentarem-se destas fontes, para poder guiar os mais jovens no crescimento deles. Os pais devem dar tanto, mas para poder dar têm a necessidade às vezes de receber, ao contrário, se esvaziarão, se secarão. Os pais não são a fonte, como também nós sacerdotes não somos a fontes: somos os canais, através dos quais deve passar a proteína vital do amor de Deus. Se nos distanciamos da fonte, nós mesmos por primeiro seremos atingidos negativamente e não teremos a capacidade de educar os outros. Por isto nos comprometemos dizendo: “Chegaremos com alegria às fontes da salvação”. E agora vamos para a segunda leitura e para o Evangelho. Os trechos nos dizem que a primeira e principal educação vem através do testemunho. O Evangelho nos fala de João o Batista. João foi um grande educador dos seus discípulos porque os conduziu ao encontro com Jesus, ao qual rendeu testemunho. Não exaltou a si mesmo, não quis ter os discípulos ligados a si. João também era um grande profeta, a sua fama era muito grande. Quando Jesus chegou, ele se colocou atrás e indicou-o: “Depois de mim vem àquele que é mais forte que eu. Eu vos batizei com água, mas ele vos batizará no Espírito Santo” (Mc 1, 7-8). O verdadeiro educador não liga as pessoas a si, não é possessivo. Quer que o filho, o discípulo, aprenda a conhecer a verdade e estabeleça com ela um relacionamento pessoal. O educador cumpre o seu dever até o fim, não permite que falte a sua presença atenta e fiel, mas o seu objetivo é que o educando escute a voz da verdade falar ao seu coração e a siga em um caminho pessoal. Retornemos agora ao testemunho. Na segunda leitura, o apóstolo João escreve: “É o Espirito que dá testemunho” (I Jo 5,6). Se refere ao Espírito Santo, o Espírito de Deus, que rende testemunho a Jesus, atestando que é o Cristo, o Filho de Deus. Isso se vê também na cena do batismo no rio Jordão: o Espírito Santo desce sobre Jesus como uma pomba para revelar que Ele é o Filho Unigênito do eterno Pai (Mc 1,10). Também no seu Evangelho, João sublinha este aspecto, lá onde Jesus diz aos discípulos: “Quando vier o Paráclito, que eu vos mandarei do Pai, o Espírito da verdade que procede do Pai, ele dará testemunho de mim, e também vós dareis testemunho, porque estais comigo desde o princípio” (Jo 15, 26-27). Este é um grande conforto no empenho de educar à fé, porque sabemos que não estamos sós e que o nosso testemunho é sustentado pelo Espírito Santo. É muito importante para vós pais e também para os padrinhos e madrinhas, acreditar fortemente na presença e na ação do Espírito Santo, invocá-lo e acolhê-lo em vós, mediante a oração e os Sacramentos. É Ele, de fato, que ilumina a mente, inflama o coração do educador para que saiba transmitir o conhecimento e Amor de Jesus. A oração é a primeira condição para educar, porque rezando, nos colocamos na disposição de deixar a Deus a iniciativa, de confiar os filhos à Ele, que os conhece antes o melhor que nós, e sabe perfeitamente qual é o verdadeiro bem deles. E, ao mesmo tempo, quando rezamos, nos colocamos em escuta das inspirações de Deus para fazer bem a nossa parte, que nos cabe e devemos realizar. Os Sacramentos, especialmente a Eucaristia e a Penitência, nos permitem de cumprir a ação educativa em união com Cristo, em comunhão com Ele e continuamente renovados pelo seu perdão. A oração e os Sacramentos nos obtém a luz da verdade, graças a qual podemos estar ao mesmo tempo serenos e fortes, usar a docilidade e a firmeza, calar e falar no momento certo, exortar e corrigir na maneira justa. Caros amigos, invoquemos juntos o Espírito Santo, a fim que desça em abundância sobre estas crianças, as consagre à imagem de Jesus Cristo e as acompanhe sempre no caminho da vida deles. As confiamos à direção materna de Maria Santíssima, para que cresçam em idade, sabedoria e graça e se tornem verdadeiros cristãos, testemunhas fiéis e alegres do amor de Deus. Amém.

 

BENTO XVI EXPLICA O SENTIDO DO BATISMO NA INFÂNCIA
Mirticeli Medeiros / Da Redação

Após a celebração da Missa na Solenidade do Batismo do Senhor, o Papa Bento XVI se dirigiu à sacada do Palácio Apostólico para rezar com os fiéis a tradicional oração mariana do Angelus. Durante o discurso que precedeu a oração, o Santo Padre fez um discurso no qual explicou o real sentido do Batismo, Sacramento que nos eleva à qualidade de Filhos de Deus. “O Batismo é um novo nascimento, que precede o nosso fazer. Com a nossa fé podemos ir ao encontro de Cristo, mas somente Ele pode fazer-nos cristãos e dar a esta nossa vontade, a este nosso desejo a resposta, a dignidade, o poder de nos tornarmos filhos de Deus que nós mesmos não temos”, explicou. O Pontífice, que administrou o batismo a 16 crianças na Capela Sistina neste domingo, 08, aproveitou a celebração deste acontecimento para fazer uma breve catequese sobre a administração desse Sacramento, o qual acontece comumente na infância. “Precisamos ter claro que ninguém se faz homem: nascemos sem o nosso próprio fazer, o passivo de ter nascido precede o ativo do nosso fazer. O mesmo também se diz do ser cristão: ninguém pode fazer-se cristão somente pela própria vontade, também ser cristão é um dom que precede nosso fazer”, ressalto.

 

ANGELUS DE BENTO XVI – 08/01/2012
Boletim Sala de Imprensa da Santa Sé (Tradução: Mirticeli Medeiros – equipe do CN notícias)
Queridos irmãos e irmãs Hoje celebramos a festa do Batismo do Senhor. Esta manhã conferi o Batismo a 16 crianças e por isto, gostaria de propor uma breve reflexão sobre nosso ser filhos de Deus. Antes de tudo, partamos do nosso ser simplesmente filhos: esta é a condição fundamental que nos une. Nem todos são pais, mas todos seguramente são filhos. Vir ao mundo não é nunca uma escolha, não nos vem pedido antes de nascer. Mas durante a vida, podemos amadurecer uma atitude livre em relação a própria vida: podemos acolhê-la como um dom e, em um certo sentido, tornar aquilo que já somos: filhos. Esta passagem sinaliza uma etapa de maturidade do nosso ser e no relacionamento com nossos pais, que se enche de reconhecimento. É uma passagem que nos torna também capazes de ser também genitores, não biologicamente, mas moralmente. Também em relação a Deus somos todos filhos. Deus é a origem da existência de toda criatura e é Pai em modo singular de cada ser humano: tem como ele ou com ela uma relação única, pessoal. Cada de nós é querido, é amado por Deus. E também nesta relação com Deus, por assim dizer, podemos renascer, isto é, nos tornar aquilo que somos, Isto acontece mediante a fé, mediante um sim profundo e pessoal a Deus como origem e fundamento da nossa existência. Com este “sim” eu acolho a vida como dom do Pai que está nos céus, um Pai que não vejo, mas no qual creio e que sinto no profundo do coração ser o Meu Pai e de todos os meus irmãos em humanidade, um Pai imensamente bom e fiel. Sobre o que se baseia esta fé em Deus Pai? Se baseia em Jesus Cristo: a sua pessoa e a sua história nos revelam o Pai, o fazem conhecer, o quanto é possível deste modo. Crer que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, nos conduz a renascer do alto, isto é, de Deus, que é amor (Jo 3,3). E precisamos ter claro que ninguém se faz homem: nascemos sem o nosso próprio fazer, o passivo de ter nascido precede o ativo do nosso fazer. O mesmo é também se diz do ser cristão: ninguém pode fazer-se cristão somente pela própria vontade, também ser cristão é um dom que precede o nosso fazer: devemos renascer em um novo nascimento. São João diz: A quantos o acolheram deu o poder de se tornarem filhos de Deus (Jo 1,12). Este é o sentido do Sacramento do Batismo, o Batismo é um novo nascimento, que precede o nosso fazer. Com a nossa fé podemos ir ao encontro de Cristo, mas somente Ele mesmo pode fazer-nos cristãos e dar a esta nossa vontade, a este nosso desejo a resposta, a dignidade, o poder de nos tornarmos filhos de Deus que de nós mesmos não temos. Caros amigos, este domingo do Batismo do Senhor conclui o Tempo do Natal. Rendamos graças a Deus por esse grande mistério, que é fonte de regeneração para a Igreja e para o mundo inteiro. Deus se fez Filho do Homem, para que o homem se tornasse filho de Deus, mediante o Batismo. À Virgem Maria, Mãe de Cristo e de todos aqueles que crêem nEle, pedimos que nos ajude a viver realmente como filhos de Deus, não com as palavras, e não somente com as palavras, mas com os fatos. Escreve ainda São João: “Este é o seu mandamento: que creiamos no nome do seu Filho Jesus e nos amemos uns aos outros, este é o preceito que Ele nos deu (I Jo 3,23).

A fé cristã não é uma teoria, mas é o encontro com Jesus

Cidade do Vaticano (RV) – A fé cristã não é uma teoria ou uma filosofia, mas é o encontro com Jesus. Foi o que destacou o Papa celebrando a missa na capela da Casa Santa Marta na segunda-feira (28/11), no início do Tempo do Advento.
Em sua homilia, o Pontífice observou que neste período do Ano, a Liturgia nos propõe inúmeros encontros de Jesus: com a sua Mãe no ventre, com São João Batista, com os pastores, com os Magos. Tudo isso nos diz que o Advento é “um tempo para caminhar e ir ao encontro com o Senhor, isto é, um tempo para não ficar parado”.

Oração, caridade e louvor: assim encontraremos o Senhor
Eis então que devemos nos perguntar como podemos ir ao encontro de Jesus. “Quais são as atitudes que devo ter para encontrar o Senhor? Como devo preparar o meu coração para encontrar o Senhor?”, questionou o Papa.
“Na oração no início da Missa, a Liturgia nos fala de três atitudes: vigilantes na oração, operosos na caridade e exultantes no louvor. Ou seja, devo rezar com vigilância; devo ser operoso na caridade – a caridade fraterna: não somente dar esmola, não; mas também tolerar as pessoas que me incomodam, tolerar em casa as crianças quando fazem muito barulho, ou o marido ou a mulher quando estão em dificuldade, ou a sogra… não sei .. mas tolerar: tolerar … Sempre a caridade, mas operosa. E também a alegria de louvar o Senhor: ‘Exultantes na alegria’. Assim devemos viver este caminho, esta vontade de encontrar o Senhor. Para encontrá-lo bem. Não ficar parados. E encontraremos o Senhor”.
Porém, acrescentou o Papa, “ali haverá uma surpresa, porque Ele é o Senhor das surpresas”. Também o Senhor “não está parado”. Eu, afirmou Francisco, “estou em caminho para encontrá-Lo e ele está em caminho para me encontrar. E quando nos encontramos, vemos que a grande surpresa é que Ele está me procurando antes que eu comece a procurá-lo”.

O Senhor sempre nos precede no encontro
“Esta é a grande surpresa do encontro com o Senhor. Ele nos procurou por primeiro. É sempre o primeiro. Ele percorre o seu caminho para nos encontrar”. Foi o que aconteceu com o Centurião:
“O Senhor vai sempre além, vai primeiro. Nós fazemos um passo e Ele faz dez. Sempre. A abundância de sua graça, de seu amor, de sua ternura não se cansa de nos procurar, também, às vezes, com coisas pequenas: Pensamos que encontrar o Senhor seja algo magnífico, como aquele homem da Síria, Naamã, que tinha hanseníase: E não é simples. Ele também teve uma surpresa grande da maneira de Deus agir. O nosso é o Deus das surpresas, o Deus que está nos procurando, nos esperando, e nos pede somente o pequeno passo da boa vontade.”
Devemos ter a “vontade de encontrá-lo”. Depois, Ele “nos ajuda”. “O Senhor nos acompanhará durante a nossa vida”, disse o Papa. Muitas vezes, irá nos ver distanciar Dele, e nos esperará como o Pai do Filho Pródigo.

A fé não é saber tudo sobre dogmática, mas encontrar Jesus
“Muitas vezes”, acrescentou o pontífice, “verá que queremos nos aproximar e sairá ao nosso encontro. É o encontro com o Senhor: isto é importante! O encontro. “Sempre me impressionou o que o Papa Bento XVI disse: que a fé não é uma teoria, uma filosofia, uma ideia: é um encontro. Um encontro com Jesus”. Caso contrário, “se você não encontrou a sua misericórdia pode até rezar o Credo de cor, mas não ter fé”:
“Os doutores da lei sabiam tudo, tudo sobre a dogmática daquele tempo, tudo sobre a moral daquele tempo, tudo. Não tinham fé, porque o seu coração tinha se distanciado de Deus. Distanciar-se ou ter o desejo de ir ao encontro. Esta é a graça que nós hoje pedimos. Ó Deus, nosso Pai, suscite em nós a vontade de ir ao encontro de Cristo, com as boas obras. Ir ao encontro de Jesus. Por isso, recordamos a graça que pedimos na oração, com a vigilância na oração, operosos na caridade e exultantes no louvor. Assim, encontraremos o Senhor e teremos uma linda surpresa”. (BF/MJ)

Pequenos passos levam à santidade

Como ser santo?

Quarta-feira, 19 de novembro de 2014, Jéssica Marçal / Da Redação  

Francisco explicou que, longe de ser uma carga pesada e triste, santidade é um chamado à alegria e pode ser vivida nas ações do dia-a-dia

Francisco esclareceu que não é preciso fazer coisas extraordinárias para ser santo, mas dar testemunho cristão na vida diária / Foto: Reprodução CTV

A santidade foi o tema da catequese do Papa Francisco nesta quarta-feira, 19. O Santo Padre explicou que todos são chamados a ser santos e esse é um caminho que se percorre no dia-a-dia, com pequenos passos e em união com a Igreja.

Francisco destacou que a santidade é um dom dado por Deus e constitui a face mais bela da Igreja.  Trata-se de um convite feito a todos, de forma que não é preciso ser bispo, padre ou religioso para ser santo. Ele ressaltou que há a tentação de achar que a santidade é só para os que tiveram a possibilidade de se destacar por dedicar a vida à oração, mas não é assim.

“É vivendo com amor e oferecendo o próprio testemunho cristão nas ocupações de cada dia que somos chamados a nos tornarmos santos”, disse. Se a pessoa é casada, a santidade é amar sua esposa, seu esposo; se é religiosa, que seja santa dedicando sua vida a Deus; se é um catequista, seja santo tornando-se sinal da presença de Deus. Mesmo no ambiente de trabalho é possível ser santo, disse o Papa.

Francisco deu exemplos práticos de como caminhar rumo à santidade. Ele indicou pequenos passos que podem ser dados no dia-a-dia, como: não fofocar; escutar com paciência os problemas de um filho que está angustiado e quer conversar; ao fim do dia, mesmo cansado, fazer uma oração; ir à Missa aos domingos. “Pequenas coisas, são pequenos passos rumo à santidade. Cada passo à santidade nos fará uma pessoa melhor livre do egoísmo e do fechamento em si mesmo”.

Ao longo desse caminho, não se pode desanimar, pois a graça é dada pelo próprio Deus, explicou o Papa. A única coisa que Deus pede é a comunhão com Ele e o serviço aos irmãos. Nesse ponto, o Pontífice convidou todos a fazer um exame de consciência e se perguntar: “Como respondemos até agora ao chamado do Senhor à santidade?”.

Francisco disse, por fim, que a santidade não é triste e nem uma carga pesada, mas é um convite a partilhar da alegria de Deus, tornando-se um dom de amor para as pessoas ao redor. Compreender isso muda tudo.

“Acolhamos o convite à santidade com alegria e apoiemos uns aos outros porque o caminho rumo à santidade não se percorre sozinho, mas juntos, naquele único corpo que é a Igreja, amada e tornada santa pelo Senhor Jesus Cristo. Sigamos adiante com coragem nesse caminho da santidade”.

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