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Beata Regina Protmann – 13 de Junho – Aniversário da Beatificação – 19 anos

Nascimento e infância

Regina era filha de Peter Protmann e Regina Tingels, ambos descendentes de famílias ricas e cristãs. Nascida em 1552, em Braunsberg, hoje Braniewo, Polônia, tornou-se uma fantástica personalidade religiosa do seu tempo, do seu povo e da Igreja Católica.

No século em que viveu, a Europa passou por intensas e tumultuadas mudanças sociais. No campo religioso e político aconteceram os movimentos da Reforma e da Contra Reforma da Igreja de Roma. Foi o grande cisma, que incluiu luta armada e dividiu a cristandade entre católicos e protestantes.

Nesse clima Regina cresceu, bonita, vaidosa e inteligente, apreciando as roupas elegantes, as diversões e festas, como todas as jovens de sua condição social. Tinha espírito de liderança, por isso se sobressaia às demais amigas. Era uma filha amorosa e obediente. Os pais lhe proporcionaram uma boa educação intelectual, moral e religiosa. Era hábito da família se reunir à noite em volta da lareira, onde o pai narrava sobre a história dos povos, a vida dos Santos e ensinava a Palavra de Cristo aos filhos.

Cardeal

Em março de 1551 o Cabido Diocesano escolhe o Padre Estanislau Hosius para Bispo do Ermland. No inverno de 1557/58 Hosius é chamado a Roma. Já é conhecido como grande teólogo e diplomata. O Papa Paulo IV lhe pede para colaborar nos preparativos da grande reunião do Concilio de Trento.

Aos 26 de fevereiro de 1561, Hosius é elevado à dignidade de Cardeal. Aos 7 de fevereiro de 1564 chega a Heilsberg (Ermland); e umas semanas após, segue a Braunsberg. Aos 24 de março, começa suas conferências com os magistrados da cidade. Consegue restabelecer a paz religiosa; com paciência e zelo leva os magistrados à adesão à fé, com exceção de dois deles que são excluídos. Porém, outro inimigo se apresenta: a peste.

Empregam-se todos os meios preventivos, enquanto nas Igrejas não cessam as orações coletivas. A Diocese do Ermland terá poucas vítimas. O Cardeal está atento a tudo, zela pelo bem do povo e pela formação do clero.

Ainda em Trento, pedira ao Geral dos Jesuítas, alguns padres para a formação de sacerdotes. Em novembro de 1564, chegam os primeiros Jesuítas a Frauenburg e a Heilsberg. Aos 8 de janeiro de 1565, após a extinção da peste, chegam em Braunsberg e fundam o Colégio.

Hosius confia seus diocesanos ao zelo dos Jesuítas e retorna a Roma na qualidade de embaixador da Polônia. Voltará a visitar o Ermland, pela última vez, na semana Santa de 1568. Regina terá 16 anos.

Vinagre

Apesar de ter passado o perigo da peste que deixou a cidade em sobressalto, Regina traz consigo o paninho embebido em vinagre. É um bom preventivo contra o contágio.

– Mamãe, como estão os doentes que a senhora visitou? Gostaria de ir junto. Mas tenho medo. Confessa a jovem. E cheira o paninho para desinfetar-se.

– A senhora parece triste!

– Filha, um dia você compreenderá. A caridade tem muitas dimensões…

A mãe parece desfalecer. Solícita, a jovem a faz recolher-se ao leito.

Peter chega do trabalho. Coloca o cesto das provisões sobre a mesa.

– Onde está a mãe?

Os olhos vermelhos da filha já dizem tudo.

De fato, Regina Tingels cumpria sua missão.

As colegas apreciam ouvir Regina… Elas já nem percebem as pessoas que param a fim de admirar-lhes a jovialidade que irradiam…

– Há pessoas que são como estas florzinhas. Enfeitam o pasto, lhe dão graça e perfume; mas só quando vem o inverno que tudo envolve no branco gélido é que se percebe o quanto elas fazem falta ao conjunto da paisagem.

– Você me faz lembrar algo!

– Que foi?

– As senhoras que cuidam dos pobres que a peste deixou na miséria!

Em casa, Regina ajuda no preparo do jantar…

Mudança de vida

Algo está acontecendo com Regina. Observa um dos irmãos.

– Parece apaixonada… Não sei por quem!

– É! Ela procura mais a Igreja e o silêncio. Passa horas em oração.

– Você reparou? Quando acaba a festa, ela se recolhe ao quarto. Não vibra mais com ela.

Um novo tipo de felicidade brilha em Regina. Percebe-se a transformação e não se consegue descobrir as razões.

– Onde vai, Regina?

– À igreja. Preciso falar com o Pároco.

Regina está amadurecendo. Deixa-se invadir pela Graça que, qual luz, lança nova compreensão em seu ser. Como Santa Catarina, ela escolhe o Senhor Jesus e se doa inteiramente a Ele. Inflamada deste amor, experimenta a dimensão profunda da vida de intimidade com Deus. Tudo o mais se toma relativo para Regina. Tudo não passa de sombra da realidade da vida que “Deus preparou para aqueles que o amam”. E a alegria parece transpirar-lhe de todos os poros. As conversas com suas duas amigas preferidas giram em torno disso. O luxo, os passatempos, antes tão desejados, se tornam insípidos para ela.

Oração pessoal

As duas amigas entram no quarto de Regina. Apontam para o escrito que Regina tem nas mãos e perguntam:

– Que é isso?

Regina… sorri e olha para as amigas… Regina lê pausadamente:

– “Ó meu Senhor e Deus, fere meu coração pecador com a flecha ardente de Teu grande amor, para que nenhuma criatura me distraia, mas somente Tu, Deus, nosso Senhor; dá-me tal amor que me abrase inteiramente e em Ti me dissolva. Ó meu querido Jesus, estejas Tu somente no meu coração e eu no Teu coração, para que eu possa agradar somente a Ti, eternamente. Ah! Tu, meu doce Jesus, meu Senhor e meu Deus, quando Te amarei perfeitamente?

Quando, meu dulcíssimo Esposo, Te receberei interiormente com os braços de minha alma indigna e repousarei aí eternamente? Ó Senhor Jesus, doçura de minha alma, Esposo do meu coração, oxalá pudesse eu desprezar a mim e a todo mundo por amor a Ti!

Ah! que minha alma se desfizesse e se derretesse de amor a Ti como a cera, pelo sol, e eu fosse inteiramente consumida em Ti, ó meu Senhor”.

E o silêncio envolve as três por longo tempo. Regina, sob o impulso do Espírito Santo, toma firme decisão.

Incompreensão pelos parentes e amigos

Ninguém consegue compreender a mudança de comportamento operada em Regina.

– Pai, Regina está doente?

– Onde está ela?

– Ora, deve estar na igreja.

– Não, recolheu-se ao quarto. Eu vi. Está em oração e nem percebeu que entrei lá.

Batem à porta da casa. Peter atende. Faz sinal com a mão para as jovens entrarem no quarto de Regina. – “Regina, suas amigas estão aí”. Na conversa, Regina lhes transmite as maravilhas que Deus está realizando nela.

– Sinto-me fortemente atraída pelo Senhor. Passaria o tempo todo pensando nele. E intuo tanto ensinamento quando assim me entretenho com Ele. Em Braunsberg não há convento.

Que está pensando?

Aqui em casa não dá para viver assim. Sou um escândalo para todos.

– Regina, eu também sinto o mesmo.

19 anos

Ante o protesto dos parentes, dos amigos e dos conhecidos, Regina e duas de suas amigas vão viver na casa de uma piedosa viúva.

Elas se ocupam com pequenos trabalhos e passam a maior parte do tempo em oração, meditação e estudo da Sagrada Escritura.

– Não dá para vivermos aqui.

– Por quê? lhe pergunta a viúva.

– As visitas são muitas e as reclamações e protestos dos parentes não têm fim.

– Que pretende fazer?

Regina decidira viver totalmente para o Senhor Deus. E, sem delongas, ela e suas companheiras mudam-se para a Kirchgasse, (Rua da Igreja) . Regina tem apenas 19 anos.

O berço

A casa está mais ou menos em ruínas e a desmoronar. As três, de mãos vazias, iniciam nova vida.

– Isto aqui se parece com o estábulo de Belém, berço de Jesus. Observa uma delas.

– Regina, já dei uma olhada em tudo: o porão, a despensa, as arcas e os baús, estão vazios; e as paredes, nuas! Exclama a outra.

– Achei um barril!

– Ótimo! Ele nos servirá de mesa.

Regina pendura o crucifixo na parede. E as três se olham e sorriem. Despojada de tudo, desprezada pelos parentes, malvista pelo povo, Regina lança os alicerces de sua obra, para a glória de Deus, seu Esposo. O frio, a fome e a penúria são seus companheiros. Porém, inexplicável alegria reina entre elas e tudo sofrem com fortaleza de coração.

Agora podem saborear, com novo gosto, a leitura das bem-aventuranças: “Felizes os pobres… porque deles é o reino dos céus. Felizes os mansos… possuirão a terra. Felizes os que choram… serão consolados. Felizes são vocês quando os insultam e perseguem e mentindo, dizem todo tipo de calúnia contra vocês por serem meus seguidores. Fiquem alegres e contentes, porque está guardada para vocês uma grande recompensa no céu. Pois foi assim que perseguiram os profetas que viveram antes de vocês”.

Regina mortifica-se com vigílias, orações, jejuns e disciplinas; mantém-se moderada, e sóbria no comer, no beber e no vestir. Transmite às companheiras as lições que aprende na intimidade com o Senhor, seu Esposo, e na Sagrada Escritura. Jamais está ociosa; maneja a roça com maestria. Com o trabalho de suas mãos, elas se provêm de alguma coisa do estritamente necessário.

Admiração

Passaram-se alguns anos.

– Peter, sua filha Regina, não é tão louca como diziam. Você reparou o que falam dela e de suas companheiras?

– Eu, que tanto me opus! Bem que podia tê-la ajudado! Quem poderia adivinhar?

– Encontrei gente da cidade vizinha que trouxe a filha. Ela também quer viver como Regina.

– Sabe quantas são?

– Não sei. Mas é bonito vê-las indo juntas à missa na igreja Matriz! Regina permanece ajoelhada durante as cinco missas do domingo, desde a primeira até a última. E não é ostentação. Parece que Deus lhe fala diretamente. Nunca vi coisa igual.

Assim falam Patrício e Peter. Peter levanta-se para disfarçar as lágrimas… No quintal, lava o rosto na bica. Nisto chegam os irmãos de Regina para passar o domingo em casa. As sobrinhas enchem de festa o ambiente. E a conversa continua em volta de Regina…

Partilha

– Chegam a dizer que elas vivem tal qual viviam os primeiros cristãos.

– E é a nossa irmã! Quem o diria?

– É inacreditável! Elas colocam tudo em comum.

– Não sei se é verdade, porque não entrei lá. Minha vizinha, que é muito amiga de Regina, contou-me que elas têm dormitório e alimento em comum. O trabalho é distribuído entre elas e o fazem com alegria. Não dá para ver quem é rica, nem quem é pobre. Tudo, entre elas, é colocado em comum. Nem procuram saber quem produz mais, nem quem produz menos. Cada uma faz seu trabalho com amor.

Caridade

– Não posso entender, Peter!

– O que?

– Elas vivem tão pobres e ajudam a tanta gente. Não cobram pelos serviços que prestam.

– Também, elas estão sempre ajudando às famílias mais pobres. Não dá para cobrar…

– Eu vi com meus olhos. Você lembra daquela família perto do Porto do Passarge?

– Sim.

– A mulher deu à luz uma criança. Regina ficou sabendo. Foi imediatamente lá com uma companheira e as duas fizeram os trabalhos da casa. Quando o marido chegou, encontrou a mãe e a criança dormindo e uma sopa quente que Regina acabara de fazer com os mantimentos que ela trouxe, pois este pobre homem não tinha deixado nada em casa.

Vida de Oração

– Fico maravilhada e envergonhada quando lembro da Madre.

– Por que?

– Ela tem uma vida de oração, de penitência e de jejum que não dá para imitar.

Nisto batem à porta. Uma das Irmãs atende.

– É uma senhora desconhecida. Exige sua presença, Madre.

Assim que Madre Regina chega à sala, a senhora vai logo dizendo com amabilidade!

– Vejo que está precisando de dinheiro.

E coloca sobre a mesa algumas dezenas de marcos de ouro.

– Por favor, agora peço que assine este recibo. É um comprovante de que a senhora me restituirá esta soma, daqui a sete anos.

A Madre fica maravilhada e quase confusa. Diz-lhe:

– Peço-lhe esperar um pouco até que chame uma de minhas Irmãs.

Regina vai ter com uma Irmã para preparar alguma coisa para dar à senhora. Quando retorna à sala:

– Que é isso? Onde está a senhora?

Procuram-na por toda parte. Ninguém sabe dar notícias da mulher. O dinheiro está sobre a mesa.

Humilde

Apesar de rica em virtudes e graças, ela é humilde e conhece suas limitações. Muitas vezes repete a prece que escreveu:

“Ó doce Senhor Jesus, conserva-me em tua graça, para que eu jamais Te abandone ou Te ofenda com pecados e vícios. Não deixes a mim, pobre serva, morrer e perecer; dá-me, ó Deus, a mim, pobre criaturinha, a mim, “pobre cachorrinho, as migalhas que caem de Tua mesa”. Não sou digna de tuas grandes graças; dá-me, ó Deus, que eu Te ame, honre e bendiga eternamente”.

Quando ouvia falar de guerra, ou perigos para a cidade de Braunsberg, assumia o caso juntamente com as Irmãs, fazia um jejum, uma oração de dois dias ou das 40 horas e silêncio; e os fazia com tanto empenho, como se a ela e a suas Irmãs coubesse a responsabilidade”.

Outros Conventos

Ano de 1586. A cidade de Wormditt está em festa. O povo recebe Madre Regina e as sete outras Irmãs. O bispo Martinho Cromer providenciou a residência das Irmãs. Ali, elas serão a presença visível da bondade de Deus entre os homens. As Irmãs, por sua vez, esperam que tudo seja para a maior glória de Deus e para o bem de todos. Wormditt dista 40 km de Braunsberg.

No ano seguinte, 1587, os moradores de Heilsberg assistem à chegada das Irmãs de Santa Catarina que são recebidas no Palácio Episcopal do Bispo Martinho Cromer. Algumas semanas depois, elas podem transferir-se para a residência definitiva que o Bispo adquiriu para elas, onde iniciam a escola para as meninas. Em 1593, Regina funda o quarto Convento das Irmãs de Santa Catarina, na cidade de Rõssel. Os novos Conventos de Wormditt, Heilsberg e Rõssel contam com sete Irmãs cada um. O Convento de Braunsberg  está com 14 Irmãs.   Regina consulta suas Irmãs para as iniciativas. As fundações e as obras são assumidas por todas. Cada Convento tem uma superiora escolhida pelas Irmãs da Comunidade. E os quatro Conventos prestam obediência à Madre Regina.

Madre Geral

Madre Regina medita muitas vezes sobre a responsabilidade de Fundadora e de Superiora Geral. Busca em Deus segurança, força e luzes para bem orientar as Irmãs. Regina é conhecida como “a Mãe dos pobres”. Sabe que sozinha, pouco consegue fazer. Empenha-se em formar aquelas jovens corajosas que deixaram tudo para se colocar sob sua orientação, a serviço dos pobres, dos doentes, por amor a Deus, na consagração total a Ele. Sabe que as Irmãs são continuadoras da tarefa que Deus lhe confia.

Não mede sacrifícios: “Nem granizo, nem neve, nem chuva, nem tempestade, nem vento ou frio, a atemorizam”, ou a impedem de visitar suas Irmãs dos quatro Conventos. Conversa com cada Irmã; encoraja e exorta a todas.

Mãe dedicada

As Irmãs colheram os frutos do pomar. Regina acaba de ver as conservas de legumes e verduras. Tudo está sendo colocado na adega.

– Irmã Scholástica, você pode me acompanhar nesta viagem?

– Madre Regina, o tempo está ruim; teremos que pernoitar em casa de camponeses, passar por lugares alagados e já se faz sentir o inverno que se aproxima. Parece-me que sua saúde não é mais a mesma!

– Preciso falar pessoalmente às Irmãs. Talvez é minha despedida. Seja como Deus quer!

As duas põem-se a caminho… vão pelas estradas… do campo. Depois de muitos dias, chegam a seu destino, cansadíssimas. A alegria é grande nas Comunidades. Madre Regina, como é bom revê-la! Depois dos cumprimentos, de se lavarem e comerem algo, as Irmãs se reúnem para ouvir a palavra da Madre, que é cheia de sabedoria.

61 anos de idade

Irmã Scholástica está preocupada. Percebe que as forças da Madre estão diminuindo. Passaram pelas Comunidades de Wormditt, Heilsberg e Rõssel. As Irmãs de Braunsberg recebem as duas, com entusiasmo. Mas este, logo se apaga. A Madre está visivelmente doente. Fazem-na deitar-se. Lá fora não se ouve mais o canto dos pássaros. Emigraram para outras regiões. Não se vê um ramo verde, sequer. O inverno cobriu tudo de neve. Madre não se levanta mais.

– Como está a Madre Regina? Pergunta o Padre que vem trazer-lhe os Sacramentos.

– Ela sempre responde: Como Deus quer. Já se vão oito semanas que está assim sofrendo as dores com paciência. Responde a Irmã Scholástica. E continua:

– Jamais se ouve dela uma pequena reclamação. Parece que se consome no desejo de se encontrar face a face com o Senhor, seu Deus.

O Padre entra no quarto, dá-lhe a Unção dos Enfermos e o Viático.

Madre Regina, mansa e tranquilamente, entrega seu espírito, aos 61 anos de idade.

E o calendário marca, Segunda-Feira – 18 de janeiro – 1613. O Papa São João Paulo II beatificou-a, em Varsóvia, aos 13 de junho de 1999.

Saudades

Regina deixou entre seus escritos, o seguinte testamento: “A vocês, queridas Irmãs, deixo minha modesta mensagem: Andem sempre na presença do Pai, do Cristo e de todos os homens, com simplicidade e dignidade, com profunda humildade, com paciência, obediência responsável e sincero amor fraternal. Procurem dominar não só as paixões perigosas, mas também as solicitações ilusórias que prejudicam a vivência cristã, quais sejam: conversas inúteis, suspeitas contra os irmãos, indiferença e atitudes levianas. Façam todo esforço para viver em paz e amor fraterno, não só na sua Comunidade, mas com todos os homens. Assim, a bênção do Pai estará em todos os empreendimentos de sua vida”.

A espiritualidade e o carisma de Madre Regina continuam através das Irmãs de Santa Catarina que hoje estão espalhadas em vários países. Assistem aos necessitados, aos doentes, nos Hospitais, a domicílios; trabalham em asilos, creches, orfanatos; em obras de assistência social, em escolas, em colégios, em comunidades eclesiais de base, em paróquias, nas missões e outros (Livro: Novidade no Ermland de Ir. Mª Berenice Ziviani).

Reflexão

Com as palavras de seu grande conterrâneo, São João Paulo II, concluímos a história de nossa santa: “A espiritualidade de uma comunidade religiosa deve inspirar-se sempre no carisma da fundação, deixar-se interpelar e confrontar-se com ele. A Beata Regina viveu o espírito da autêntica reforma religiosa no seguimento de Cristo. Ocupou-se dos pobres, doentes e crianças para lhes dar testemunho da bondade divina. Considerava como seu dever sagrado confortar os aflitos e cuidar dos doentes (cf. Mt 25, 35 ss.) e dar às crianças uma boa educação.

A Beata Regina Protmann, Fundadora da Congregação das Irmãs de Santa Catarina, proveniente de Braniewo, dedicou-se com todo o seu coração à obra de renovação da Igreja entre os séculos XVI e XVII. A sua atividade, que brotava do amor a Cristo acima de tudo, desenvolveu-se depois do Concílio de Trento. Ela inseriu-se ativamente na reforma pós-conciliar da Igreja, realizando com grande generosidade uma humilde obra de misericórdia. Fundou uma Congregação que unia a contemplação dos mistérios de Deus ao cuidado dos enfermos nas suas casas e com a educação das crianças e da juventude feminina. Dedicou uma atenção particular à pastoral das mulheres. Com abnegação, a Beata Regina abraçava com o olhar clarividente as necessidades do povo e da Igreja. As palavras: “Como Deus quiser” tornaram-se o mote da sua vida. O amor ardente levava-a a cumprir a vontade do Pai celeste, a exemplo do Filho de Deus. Ela não temia aceitar a cruz do serviço quotidiano, dando testemunho de Cristo ressuscitado…

Estreitamente ligada a este serviço de amor, a principal preocupação da Beata Regina Protmann era a relação viva com o seu Senhor e Esposo, Jesus. “Rezava na verdade e incessantemente”, diz o seu primeiro biógrafo. A oração prepara o terreno para a ação. “Ao abrir o coração ao amor de Deus, abre-o também ao amor dos irmãos, tornando-nos capazes de construir a história segundo o desígnio de Deus”. Beata Regina Protmann, rogai por nós. Amém!

Fonte:
http://www.madreregina.com.br
http://alexandrinabalasar.free.fr/regina_protmann.htm

http://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/speeches/2002/december/documents/hf_jp-ii_spe_20021212_congr-st-catherine_po.html

http://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/travels/documents/hf_jp-ii_hom_19990613_beatification_po.html

Santo Evangelho (Mc 11, 11-26)

8ª Semana Comum – Sexta-feira 01/06/2018

ANO PAR

Primeira Leitura (1Pd 4,7-13)
Leitura da Primeira Carta de São Pedro.

Caríssimos, 7o fim de todas as coisas está próximo. Vivei com inteligência e vigiai, dados à oração. 8Sobretudo, cultivai o amor mútuo, com todo o ardor, porque o amor cobre uma multidão de pecados. 9Sede hospitaleiros uns com os outros, sem reclamações. 10Como bons administradores da multiforme graça de Deus, cada um ponha à disposição dos outros o dom que recebeu. 11Se alguém tem o dom de falar, proceda como com palavras de Deus. Se alguém tem o dom do serviço, exerça-o como capacidade proporcionada por Deus, a fim de que, em todas as coisas, Deus seja glorificado, em virtude de Jesus Cristo, a quem pertencem a glória e o poder, pelos séculos dos séculos. Amém. 12Caríssimos, não estranheis o fogo da provação que se alastra entre vós, como se algo de estranho vos estivesse acontecendo. 13Alegrai-vos por participar dos sofrimentos de Cristo, para que possais também exultar de alegria na revelação da sua glória.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Responsório(Sl 95 )

— O Senhor vem julgar nossa terra.
— O Senhor vem julgar nossa terra.

— Publicai entre as nações: “Reina o Senhor!” Ele firmou o universo inabalável, e os povos ele julga com justiça.

— O céu se rejubile e exulte a terra, aplauda o mar com o que vive em suas águas; os campos com seus frutos rejubilem e exultem as florestas e as matas

— Na presença do Senhor, pois ele vem, porque vem para julgar a terra inteira. Governará o mundo todo com justiça, e os povos julgará com lealdade.

 

ANO ÍMPAR

Primeira Leitura (Eclo 44,1.9-13)
Leitura do Livro do Eclesiástico.

‘Vamos fazer o elogio dos homens famosos, nossos antepassados através das gerações. 9Outros não deixaram lembrança alguma, desaparecendo como se não tivessem existido. Viveram como se não tivessem vivido, e seus filhos também, depois deles. Mas estes, ao contrário, são homens de misericórdia; seus gestos de bondade não serão esquecidos. Eles permanecem com seus descendentes; seus próprios netos são a sua melhor herança. 12A descendência deles mantém-se fiel às alianças, 13e, graças a eles, também os seus filhos. Sua descendência permanece para sempre, e sua glória jamais se apagará.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Responsório (Sl 149)

— O Senhor ama seu povo de verdade.
— O Senhor ama seu povo de verdade.

— Cantai ao Senhor Deus um canto novo, e o seu louvor na assembleia dos fiéis! Alegre-se Israel em quem o fez, e Sião se rejubile no seu Rei!

— Com danças glorifiquem o seu nome, toquem harpa e tambor em sua honra! Porque, de fato, o Senhor ama seu povo e coroa com vitória os seus humildes.

— Exultem os fiéis por sua glória, e cantando se levantem de seus leitos, com louvores do Senhor em sua boca. Eis a glória para todos os seus santos.

 

Evangelho (Mc 11,11-26)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Marcos.
— Glória a vós, Senhor.

Tendo sido aclamado pela multidão, 11Jesus entrou, no Templo, em Jerusalém, e observou tudo. Mas, como já era tarde, saiu para Betânia com os doze. 12No dia seguinte, quando saíam de Betânia, Jesus teve fome. 13De longe, ele viu uma figueira coberta de folhas e foi até lá ver se encontrava algum fruto. Quando chegou perto, encontrou somente folhas, pois não era tempo de figos. 14Então Jesus disse à figueira: “Que ninguém mais coma de teus frutos”. E os discípulos escutaram o que ele disse. 15Chegaram a Jerusalém. Jesus entrou no Templo e começou a expulsar os que vendiam e os que compravam no Templo. Derrubou as mesas dos cambistas e as cadeiras dos vendedores de pombas. 16Ele não deixava ninguém carregar nada através do Templo. 17E ensinava o povo, dizendo: “Não está escrito: ‘Minha casa será chamada casa de oração para todos os povos’? No entanto, vós fizestes dela uma toca de ladrões”. 18Os sumos sacerdotes e os mestres da Lei ouviram isso e começaram a procurar uma maneira de o matar. Mas tinham medo de Jesus, porque a multidão estava maravilhada com o ensinamento dele. 19Ao entardecer, Jesus e os discípulos saíram da cidade. 20Na manhã seguinte, quando passavam, Jesus e os discípulos viram que a figueira tinha secado até a raiz. 21Pedro lembrou-se e disse a Jesus: “Olha, Mestre: a figueira que amaldiçoaste secou”. 22Jesus lhes disse: “Tende fé em Deus. 23Em verdade vos digo, se alguém disser a esta montanha: ‘Levanta-te e atira-te no mar, e não duvidar no seu coração, mas acreditar que isso vai acontecer, assim acontecerá. 24Por isso vos digo, tudo o que pedirdes na oração, acreditai que já o recebestes, e assim será. 25Quando estiverdes rezando, perdoai tudo o que tiverdes contra alguém, 26para que vosso Pai que está nos céus também perdoe os vossos pecados”.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

 

A IGREJA CATÓLICA CELEBRA E VENERA HOJE
São Justino – Primeiro santo, padre

São Justino se tornou um grande filósofo cristão, buscou corresponder diariamente a sua fé

Nasceu na Palestina, na cidade de Siquém, em uma família que não conheceu Jesus. Justino buscou com aquilo que tinha, a verdade. Ele tinha essa sede e providencialmente pôs em sua vida um ancião que se aproximou dele para falar sobre a filosofia. E ele apresentou o ‘algo mais’ que faltava a Justino. Falou dos profetas, da fé, da verdade, do mistério de Deus e apresentou Jesus Cristo.

Justino se tornou um grande filósofo cristão, sacerdote, um homem que buscou corresponder diariamente a sua fé. E depois dos padres apostólicos, ele foi intitulado como o primeiro santo, padre. A Sagrada Tradição foi muito testemunhada nos escritos deste santo.

Por inveja e por não aceitar a verdade, um filosofo denunciou São Justino, que foi julgado injustamente, flagelado e por não renunciar a Jesus Cristo, foi decapitado. Isso no ano de 167.

Com fé e razão nós mergulhamos nosso ser no coração de Jesus, modelo e fonte de toda graça, bênção e santidade.

São Justino, rogai por nós!

Por que não devo usar roupas curtas dentro da igreja?

Por Padre Luiz Camilo Junior, C.Ss.R.
http://www.a12.com/redacaoa12/duvidas-religiosas/por-que-nao-devo-usar-roupas-curtas-dentro-da-igreja

Sabemos que a vida não se reduz a aparências. Porém devemos cuidar com muito carinho da nossa imagem, não no sentido de vaidade ou orgulho, mas porque fomos criados a imagem e semelhança de Deus. A imagem que mostramos de nós mesmos deve revelar Deus para os outros.
Todos os ambientes sociais tem uma forma específica de se comportar e se vestir. Numa audiência de um tribunal, por exemplo, os advogados e magistrados usam roupas apropriadas para tal ocasião e a roupa acaba revelando a seriedade e o respeito daquele momento em que se busca a verdade sobre determinado fato. Em hospitais, empresas, há uma forma de se vestir que revela o valor do lugar que se trabalha e a importância do que ali se faz. E na igreja não poderia ser diferente.
Na igreja a dignidade da roupa não está no luxo que esta exprime, mas sim na dignidade da pessoa que ela revela, pois o corpo é templo do Espírito Santo. Não é a roupa que tem que aparecer, no sentido de você se destacar dos outros porque se veste melhor, ou usa uma roupa de marca, mas, a dignidade das vestes está justamente para mostrar quem você é: Você é filho e filha de Deus.
Hoje, infelizmente, tem se relativizado a dignidade dos lugares sagrados. Acabamos nos comportando dentro das igrejas como se estivéssemos numa praça, numa lanchonete ou até mesmo num lugar de lazer. Talvez sobre o pretexto de se sentir confortável, vamos justificando cada vez mais a falta de pudor e até de respeito para com a Casa do Senhor. A casa de Deus é casa de oração, e por mais que a oração seja fundamentalmente a atitude do coração, nós rezamos também na forma como nosso corpo se apresenta, pois nosso corpo também se faz oração.
Observamos em muitas igrejas pessoas usando minissaias, blusas muito decotadas, shorts muito curtos. Talvez muitos digam: Ah! Tá muito calor mesmo, não quero suar. Mas olhemos os sacerdotes que usam as vestes próprias para o serviço do altar, os leitores, ministros extraordinários da Sagrada Comunhão, todos se revestem para revelar o mistério sagrado que está sendo celebrado. Por isso, cada fiel que vai à casa de Deus deve também se revestir da dignidade daquele momento. Roupas muito curtas que expõem demais o corpo, podem acabar atraindo a atenção dos outros para si, sendo que na missa o nosso olhar, nosso pensamento e nosso coração devem estar voltados para o altar. Na oração todos os nossos gestos devem revelar Jesus.
A dignidade das vestes que usamos para ir celebrar a fé na Casa de Deus está acima de tudo na simplicidade e no modo de se vestir. Ao mesmo tempo em que se deve evitar roupas curtas, não se deve fazer também da igreja um lugar de desfile de modas, onde a preocupação está mais com a aparência do que com a verdade de fé que o coração carrega.
Busquemos, então, o equilíbrio, a sobriedade, a discrição e, acima de tudo, o bom senso quando se refere às vestes para ir à igreja. Vale relembrar que no dia do nosso Batismo nós nos revestimos de Cristo, por isso, a humildade e a dignidade devem também ser expressar nas roupas que usamos para que elas sejam sinais de que buscamos a santidade de vida.

“Venha, seja minha luz”

Por Brian Kolodiejchuk

1. Se alguma vez vier a ser Santa – serei certamente uma Santa da ‘escuridão’. Estarei continuamente ausente do Céu – para acender a luz daqueles que se encontram na escuridão na Terra.
2. Muito frequentemente me sinto como um lápis nas Mãos de Deus. Ele escreve, Ele pensa, Ele faz os movimentos. Eu só tenho que ser o lápis.
3. Ele usava o seu “nada” para mostrar sua grandeza.
4. Venha, seja minha luz.
5. Sua dolorosa experiência interior: – Era um compartilhamento na Paixão de Cristo na Cruz, com particular ênfase na sede de Jesus. …
6. Sou perfeitamente feliz e grata a Deus por aquilo que Ele dá – Prefiro ser e permanecer pobre com Jesus e os Seus pobres.
7. Raízes de sua missão:… no mistério da missão de Jesus, na união com Aquele que, morrendo na Cruz, Se sentiu abandonado pelo Pai.
8. Ninguém pode receber a confissão sacramental escrevendo os pecados num papel e enviando-o a um sacerdote.

Capítulo I
9. Segure a mão Dele [Jesus], caminhe sozinha com Ele. Siga em frente porque, se olhar para trás, irá voltar.
10. Desde a infância que o Coração de Jesus foi o meu primeiro amor.
11. ADEUS
Estou deixando minha casa querida / E a minha terra amada / Para a fumegante Bengala eu vou / Para orlas longínquas.
Estou deixando meus velhos amigos / Renunciando a família e ao lar / Meu coração me impele avante / A servir ao meu Cristo.
Adeus, Oh mãe querida / Que Deus esteja com todos vocês / Um Poder mais Alto me compele / Em direção à tórrida Índia.
O navio avança lentamente / Cortando as ondas do mar, / Enquanto meus olhos se voltam pela última vez / Para o querido litoral da Europa.
Corajosamente de pé no convés / Alegre, de semblante pacificado, / A feliz pequenina de Cristo / Sua nova noiva prometida.
Tem na mão uma cruz de ferro / Sobre a qual pende o Salvador, / Enquanto sua alma ardente lá oferece o Seu doloroso sacrifício.
Oh Deus, aceitai este sacrifício / Como sinal do meu amor, / Ajudai, por favor, a Vossa criatura / A glorificar o vosso Nome!
Em troca apenas Vos peço / Ó doce Pai de todos nós: / Deixai-me salvar pelo menos uma alma / Uma que já conheçais.
Suaves e puras como o orvalho do verão / Suas delicadas lágrimas agora fluem, / Selando e santificando então / O seu doloroso sacrifício.
12. Se você soubesse como sou feliz, como pequena esposa de Jesus. Não poderia invejar ninguém, nem mesmo aqueles que estão desfrutando de uma felicidade que ao mundo parece perfeita, porque estou desfrutando de minha completa felicidade, mesmo quando sofro qualquer coisa por meu Amado Esposo.
13. Quando as coisas se tornam difíceis, consolo-me com a idéia de que dessa maneira as almas são salvas e de que o meu querido Jesus sofreu muito mais por elas.
14. Não pense que minha vida é um mar de rosas – essa é a flor que raramente encontro pelo caminho.
15. Preciso de muita graça, de muita força de Cristo para perseverar na confiança, neste amor cego que conduz somente a Jesus Crucificado.
16. Trabalho não é oração, oração não é trabalho, mas devemos rezar o trabalho por Ele, com Ele, e para Ele.
17. Na mesma proporção em que aumenta a caridade, diminui o medo do sofrimento e aumenta o medo do pecado, sem enfraquecimento da confiança.
18. Agora abraço a sofrimento mesmo antes de ele chegar, e assim Jesus e eu vivemos no amor.
19. Madre Teresa lutava efetivamente por “beber o cálice até a última gota”, vivendo o compromisso de “ser toda só de Jesus”.
20. Meu Deus, com que facilidade os faço felizes! Dá-me forças para ser sempre a luz da vida deles, a fim de conduzi-los a Ti.

Capítulo II
21. Voto privado: Fiz um voto a Deus, que me compromete sob [pena] de pecado mortal, a dar a Deus qualquer coisa que Ele possa pedir: ‘Não lhe recusar coisa alguma’.
22. Por que devemos nos entregar inteiramente a Deus? Porque Deus Se entregou a nós. Se Deus, que nada nos deve, está pronto a nos entregar nada menos que a Si próprio, responderemos apenas com uma parte de nós? Nos entregarmos inteiramente a Deus é um meio de recebermos o Próprio Deus. Eu por Deus e Deus por mim. Eu vivo por Deus e abdico de meu próprio ser, e, assim, eu o induzo a viver por mim. Conseqüentemente, para possuirmos a Deus devemos permitir que Ele possua a nossa Alma.
23. Pagar amor, com amor.
24. Aquele que ama deseja unir-se ao amado.
25. Voto de humildade: consiste, segundo Ele me disse, em reconhecer que nada sou sem a ajuda de Deus, e em desejar ser desconhecida e desprezada.
26. Um pecado mortal é uma infração grave à lei de Deus. Desvia o homem de Deus, que é o seu último fim, a sua bem-aventurança, preferindo um bem inferior. Se o pecado mortal não for resgatado pelo arrependimento e pelo perdão de Deus, originará a exclusão do Reino de Cristo e a morte eterna no inferno. Para haver pecado mortal, é preciso que sejam verificadas as seguintes condições: matéria grave, plena consciência e propósito deliberado.
27. No silêncio do coração Deus fala.
28. Quando vejo uma pessoa triste, ela costumava dizer, sempre penso que está recusando alguma coisa alguma coisa a Jesus. Era em dar a Jesus tudo o que Ele pedisse que ela encontrava a sua mais profunda e mais duradoura alegria; ao Lhe dar alegria, ela encontrava a sua própria alegria.
29. A alegria é muitas vezes uma capa que esconde uma vida de sacrifício, de contínua união com Deus, de fervor e generosidade.
30. Para o bom Deus nada é pequeno porque Ele é tão grande e nós tão pequenos – é por isso que Ele se abaixa e se dá o trabalho de fazer essas pequenas coisas para nós – para nos dar a chance de provar nosso amor por Ele. Por que Ele as faz, elas são muito grandes. Ele não pode fazer nada pequeno; elas são infinitas.
31. Não procurem coisas grandes, apenas façam coisas pequenas com grande amor.

Capítulo III
32. “Tenho sede”, disse Jesus na Cruz. Ele falou de Sua sede – não de água – mas de amor, de sacrifício.
33. Vamos permanecer sempre com Maria nossa Mãe no Calvário perto de Jesus crucificado, com o nosso cálice feito dos quatro votos, e preenchê-lo com o amor do sacrifício pessoal, o puro amor, sempre erguido próximo ao Seu Coração sofrido, para que Ele possa ficar feliz em aceitar o nosso amor.
34. “Todas as vezes que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, foi a mim que fizestes”.
35. Para uma pessoa que está apaixonada, a rendição é mais do que um dever, é uma bem-aventurança.
36. “Venha, venha, leve-Me aos buracos escuros dos pobres. Venha, seja Minha luz”.
37. … Tenho ansiado com muita freqüência por ser toda para Jesus e fazer com que outras almas – …venham e O amem fervorosamente –…
38. Há tantas almas – puras – santas que anseiam por se entregar somente a Deus
39. “Não vais ajudar?”
40. – Abraçar e escolher a solidão e a infância – a incerteza – e tudo isso porque Jesus assim o quer – porque alguma coisa me chama “a deixar tudo e a reunir o pouco – para viver a vida Dele”.
41. “Quero freiras indianas, vítimas do Meu amor, que sejam Maria e Marta. Que estejam tão unidas a Mim que irradiem o Meu amor por sobre as almas. Quero freiras livres, cobertas com Minha pobreza da Cruz”.
42. “Não – a sua vocação é amar e sofrer e salvar almas e, dando esse passo, realizará o desejo do Meu coração por você – É essa a sua vocação.”
43. “Você está sempre dizendo ‘faz comigo tudo o que quiseres’. E agora Eu quero agir – deixe-Me fazê-lo – Minha pequena esposa – Minha pequenina. Não tenha medo – Eu estarei sempre com você. – Sofrerá e sofrerá agora – mas se for a Minha pequena Esposa – a Esposa do Jesus Crucificado – terá que suportar estes tormentos no seu coração. – Deixe-Me agir – Não Me recuse. – Confie amorosamente em Mim – confie cegamente em Mim”.
44. O amor deve ser a palavra, o fogo, que as faça viver a vida em sua plenitude.
45. Deus me chama – indigna e pecadora como sou.
46. Anseio por ser realmente só Dele – por arder por completo por Ele e pelas almas.
47. “Vais recusar?”.

Capítulo IV
48. Se uma única criancinha infeliz passar a ser feliz com o amor de Jesus, … não valerá a pena… dar tudo por isso?
49. … Acreditava que, através da obediência aos representantes de Deus, a vontade divina acabaria por se tornar conhecida com segurança.
50. Ele tudo providenciará. – Quanto mais confiarmos Nele – mais Ele fará.
51. O meu lema é ‘Procurar a Deus em todos e em todas as coisas’.
52. … Aquele que é responsável precisa de discrição, oração fervorosa e constante, e prontidão para cumprir a vontade de Deus…
53. “Vai recusar a fazer isso por Mim?”
54. Não vale a pena passar por todos os sofrimentos possíveis, por uma só alma? Nosso Senhor não fez o mesmo? Que fracasso foi a Sua Cruz no Calvário – e tudo por mim, uma pecadora.
55. Se por um copo de água Ele prometeu tanto, o que não fará por corações vítimas entregues aos pobres? Ele fará tudo. Eu, eu sou apenas um pequeno instrumento nas mãos Dele e, justamente porque eu não sou nada, Ele quer me usar.
56. Confiemos cegamente Nele. – Ele fará com que a nossa confiança Nele não seja frustrada.
57. Por vezes, tenho medo, porque nada tenho, nem inteligência, nem conhecimentos, nem as qualidades que tal trabalho exige, mas, ainda assim, eu digo a Ele que o meu coração está livre de tudo, e por isso pertence por completo a Ele e só a Ele. Ele pode me usar como melhor Lhe agradar. Apenas agradá-Lo é a alegria que procuro.
58. O ‘pequeno nada’… ansiava por ‘levar a alegria ao Coração Sofrido de Jesus’.
59. Meu Deus, dá-me a Tua luz e o Teu amor, para que eu seja capaz de escrever estas coisas para Tua honra e glória. Não permitas que a minha ignorância me impeça de fazer a Tua vontade na perfeição. Supre o que falta em mim.
60. Ele era o seu “Tudo”.
61. Para estarmos completamente unidos e Ele, devemos ser pobres – livres de tudo – aqui entra a pobreza da Cruz – Pobreza Absoluta – e para sermos capazes de ver Deus nos pobres – Castidade Angélica – e para sermos capazes de estar sempre à Sua disposição – Obediência Alegre.
62. …agir a caridade de Cristo entre os mais pobres – fazendo assim com que eles O conheçam e O queiram nas suas vidas infelizes.
63. Nosso Senhor disse: “Não tenha medo – Eu estarei sempre com você […] Confie amorosamente em Mim – confie cegamente em Mim”.
64. Por que será que Nosso Senhor mesmo diz: “Como dói ver estas pobres criancinhas manchadas pelo pecado. […] Eles não Me conhecem – por isso não Me querem […] Como anseio por entrar nos seus buracos – seus lares escuros e tristes. Venha, seja a vítima deles. – Na sua imolação – no seu amor por Mim – eles irão Me ver – irão Me conhecer – irão Me querer […]”

Capítulo V
65. A salvação das almas, o saciar a sede de Cristo de amor e de almas, não é isto suficientemente sério?
66. São João da Cruz: “Os efeitos que estas visões (imaginativas) produzem na alma são a paz, a iluminação, uma alegria semelhante à da glória, doçura, pureza, amor, humildade, e a inclinação ou elevação da mente para Deus”.
67. “Trouxe-lhe aqui – para estar ao cuidado imediato do seu diretor espiritual. […] Obedeça-lhe em todos os pormenores, não serás enganada se obedeceres, pois ele Me pertence por completo. – Deixarei você conhecer a Minha vontade através dele”.
68. Nada é difícil para quem ama. Quem poderá ultrapassar a Deus em Sua generosidade – se nós, pobres seres humanos, Lhe entregamos tudo e submetermos todo o nosso ser ao Seu serviço? – Não – Ele não deixará de estar ao nosso lado, e conosco, porque tudo em nós será Dele.
69. A salvação das almas, o saciar a sede de Cristo de amor e de almas – não é isto suficientemente sério?
70. “A voz”. Não mudaram a minha vida. Elas me ajudaram a ter mais confiança e a me aproximar mais de Deus. Fizeram aumentar o meu desejo de ser cada vez mais a Sua criança.
71. …nada parecia tão sério a ela como “a salvação das almas, o saciar a sede de Cristo”. A sede de Jesus que se encontrava no coração do seu chamado era, em última análise, a razão suprema para prosseguir.
72. Dá-me luz. – Envia-me o Teu próprio Espírito – que me ensinará a Tua própria Vontade – que me dará forças para fazer as coisas que Te são agradáveis. Jesus, meu Jesus, não permitas que eu seja enganada. – Se és Tu que queres isto, dá provas disso, senão, permite que isto abandone minha alma.
73. Jesus, meu Jesus – sou somente Tua – sou tão ignorante – não sei o que dizer – mas faz comigo o que desejares. Não Te amo pelo que me dás, mas pelo que tiras.
74. Vais sofrer – sofrer muito – mas lembre-se de que Eu estou com você. – Mesmo que todo o mundo a rejeite – lembre-se de que você é Minha – e de que Eu somente seu. Não tenhas medo. Sou Eu.

Capítulo VI
75. Vou de livre e espontânea vontade com a bênção da obediência.
76. Ninguém pode me separar de Deus – estou consagrada e Ele e como tal desejo morrer…
77. O nosso trabalho termina aqui. … O resto é inteiramente obra de Deus e nós participamos como instrumentos. …
78. “Um instrumento Dele, e nada mais”.
79. … Estarmos realmente mortas para tudo quanto o mundo reclama como seu.
80. … – O trabalho que teremos que fazer será impossível sem a Sua contínua graça proveniente do sacrário. – Ele terá que fazer tudo. – Nós apenas teremos que segui-Lo.
81. Jesus tinha pedido “freiras cobertas com a Minha pobreza da
Cruz”.
82. No devido tempo, a resposta chegará, permaneça calma. Reze muito e viva intimamente com Nosso Senhor Jesus Cristo, pedindo por luz, forças, decisão; mas não antecipe a Obra Dele. Tente não colocar em tudo isto nada de si mesma. A senhora é instrumento Dele, e nada mais.
83. … Tenho que desaparecer por completo – se quero que Deus tenha tudo.
84. Sua riqueza, porém, estava no seu coração: uma fé inabalável em Deus e uma confiança absoluta na promessa que Ele tinha feito… “Não tenha medo – Eu estarei sempre com você […] – Confie amorosamente em Mim – confie cegamente em Mim”.

Capítulo VII
85. Ó Jesus, único amor do meu coração, desejo sofrer o que sofro e tudo o que Tu quiseres que eu sofra, por Teu puro amor, não pelos méritos que eu possa adquirir, nem pelas recompensas que Tu me prometeste, mas apenas para Te agradar, para Te louvar, para Te dar graças, tanto na dor quanto na alegria.
86. De minha livre escolha Meu Deus e por amor a Ti – desejo permanecer e fazer o que for a Tua Santa Vontade a meu respeito. – Não deixei que caísse uma só lágrima. – Mesmo que sofra mais do que agora sofro – ainda quero fazer a Tua Santa Vontade…
87. Nas minhas meditações e orações, que são atualmente tão cheias de distrações – uma coisa se destaca com grande clareza – minha fraqueza e Sua Graça. Receio tudo da minha fraqueza – mas confio cegamente na Sua Graça.
88. Jesus disse: “Em verdade vos digo, se o grão de trigo não cair na terra e não morrer, permanece sozinho. Mas se morrer dará muito fruto”.
89. O nosso trabalho é grande, mas sem penitência e muito sacrifício seria impossível.
90. “Beber o cálice até a última gota”.
91. – Beber apenas o cálice da dor Dele e dar à Santa Mãe Igreja verdadeiras santas.
92. Quanto aos sofrimentos, não precisa ir à procura deles. Deus Onipotente os proporciona diariamente: …
93. Quero ser santa, saciando a sede de Jesus de amor e de almas. …
94. A sua busca da santidade não era por motivos de auto-glorificação; ao contrário, era uma expressão da profundidade de sua relação com Deus.
95. “O amor exige sacrifícios. Mas, se amarmos até doer, Deus nos dará a Sua paz e a Sua alegria. […] Em si mesmo, o sofrimento nada é; mas o sofrimento partilhado com a Paixão de Cristo é um dom maravilhoso”.
96. … O objetivo de nossa Congregação é saciar a sede de Jesus na Cruz por amor das almas, trabalhando para a salvação e santificação dos pobres…

Capítulo VIII
97. Quero sorrir – mesmo para Jesus – e assim ocultar mesmo a Ele – se possível – a dor e a escuridão da minha alma.
98. O caminho a seguir poderá não ser sempre imediatamente claro. Reze por luz; não decida com demasiada rapidez, escute o que os outros têm a dizer, leve em consideração suas razões. Sempre encontrará alguma coisa que ajude.
99. Quando for muito difícil para você – apenas esconda-se no Sagrado Coração – onde o Meu com o seu encontrarão toda a força e o amor. Você quer sofrer em puro amor – diga antes, no amor que Ele escolher para você. – Precisa ser uma “hóstia imaculada”.
100. Apesar da noite interior, Jesus era o único centro da vida de Madre Teresa; ela O amava e queria estar unida a Ele, em especial na Sua Paixão. Um verdadeiro retrato de sua alma – não influenciada por sentimentos, mas na firme fé…
101. Você sofre muito e a sua alma está crucificada de dor – mas não é que Ele está vivendo a Sua vida na sua.
102. Você aprendeu muito. Saboreou o cálice da Sua agonia – e qual será a sua recompensa minha querida irmã? Mais sofrimento e uma semelhança mais profunda com Ele na Cruz.
103. “Lembrai-vos, ó Piíssima Virgem Maria, de que nunca se ouviu dizer que algum daqueles que tem recorrido à Vossa proteção, implorado a Vossa assistência ou reclamado o Vosso socorro fosse por Vós desamparado. Animado eu, pois, com igual confiança, a Vós Virgem entre todas singular, como a minha Mãe recorro, de Vós me valho e, gemendo sob o peso dos meus pecados, me prostro aos Vossos pés. Não desprezeis as minhas súplicas, ó Mãe do Filho de Deus Encarnado, mas dignai-Vos de as ouvir propícia, e de me alcançar o que vos rogo. Amém.
104. Não é Jesus glorificado, nem no presépio, mas na Cruz – sozinho – despido – sangrando – sofrendo – morrendo na Cruz.
105. Você ainda é uma criança e a vida é bela – mas o caminho que Ele escolheu para você é o caminho verdadeiro. – Por isso sorria – sorria à mão que lhe bate – beije a mão que está pregada na Cruz.
106. “Sagrado Coração de Jesus, eu confio em Ti – vou saciar a Tua sede de almas”.
107. O meu propósito – 1º é seguir a Jesus mais de perto nas humilhações. Com as Irmãs – amável – muito amável – mas firme na obediência. Com os pobres – gentil e atenciosa. Com os doentes – extremamente amável.
2º Sorrir para Deus. Reze por mim para que eu dê glória a Deus no primeiro e no segundo propósito.
108. “Só Deus, Deus em toda a parte, Deus em todos e em todas as coisas, Deus sempre”.
109. Santo Inácio: “O meu único anseio e desejo, a única coisa que almejo ter humildemente é a graça de amar a Deus, de amar só a Ele. Nada mais peço, além disso”.
110. “Por favor, reze por mim, pois agora mais do que nunca, compreendo quão perto de Deus devo chegar se quero levar almas a Ele”.
111. Desde que a escuridão se instalara, abafando o sentimento da presença de Jesus, Madre Teresa O vinha reconhecendo no disfarce angustiante dos pobres: “Quando atravesso as favelas ou entro nos buracos escuros onde vivem os pobres – lá Nosso Senhor está sempre verdadeiramente presente”.
112. – Reze por mim, por favor, para que eu continue sorrindo-Lhe apesar de tudo. Pois sou apenas Dele – então Ele tem todos os direitos sobre mim. Sou perfeitamente feliz por não ser ninguém nem mesmo para Deus.
113. Quero ser uma santa de acordo com o Seu Coração manso e humilde…
114. Quero sorrir – mesmo para Jesus – e assim ocultar mesmo a Ele – se possível – a dor e a escuridão da minha alma.
115. Apesar de tudo isso – sou a Sua pequena – e O amo, não por aquilo que Ele dá – mas por aquilo que tira.
116. “Não vale a pena passar por todos os sofrimentos possíveis, por uma só alma?” e “oferecer tudo – só por essa pessoa – porque essa levará grande alegria ao Coração de Jesus”.
117. Por favor, peça a Nossa Senhora que seja minha Mãe nesta escuridão.
118. Madre Teresa não gostava do sofrimento em si; na verdade, achava-o quase insuportável. Mas apreciava a oportunidade que assim lhe era concedida de estar unida a Jesus na Cruz e de demonstrar o amor que tinha por Ele.
119. A Congregação vive com a vida Dele – trabalha com o Seu poder.
120. O sorriso é uma grande capa que encobre uma multidão de dores.
121. Por favor, peça a nossa Senhora que me mantenha perto Dela para que eu não perca o caminho nesta escuridão.
122. O que realmente lhe importava era o fato de amar a Deus, quer Ele lhe concedesse o consolo e a alegria de sentir a Sua presença ou não. E Cristo preferia uni-la, como a unira a Sua Mãe, Sua sofrida Mãe, à “terrível sede” que Ele próprio sentira na Cruz.

Capítulo IX
123. O que estás fazendo, Meu Deus, a alguém tão pequeno?
124. Através de ti, Ó Mãe de Deus, ofereço o meu abandono absoluto à Santa Vontade de Deus agora, aceitando esta nomeação com fé amor e alegria. – Faz comigo tudo o que quiseres – estou a Tua disposição. Teu pronto instrumento.
125. Que maravilhoso é Deus no Seu simples e infinito amor.
125. A escuridão – a solidão e a dor – a perda e o vazio – da fé – do amor – da confiança – são o que tenho e os ofereço com toda a simplicidade a Deus…
126. Na escuridão… Senhor, meu Deus, quem sou eu para que Tu me abandones? Sou a criança do Teu amor – e agora se tornou a mais odiada – aquela que jogaste fora como indesejada – como não amada. Eu chamo, agarro-me, quero – e não há Ninguém. – Sozinha. A escuridão é tão escura – e eu estou sozinha. – Indesejada, abandonada. – A solidão do coração que quer amor é insuportável. Onde está a minha fé? – Mesmo lá no fundo, bem lá dentro, não há nada a não ser vazio e escuridão. – Meu Deus – que dolorosa é esta dor desconhecida. Dói sem cessar. – Não tenho fé. – Não me atrevo a proferir as palavras e os pensamentos que povoam o meu coração – e me fazem sofrer uma agonia inexpressável. Tantas perguntas sem resposta vivem dentro de mim – temo trazê-las à luz – por causa da blasfêmia. Se houver Deus, por favor, perdoa-me. – Confiança que tudo acaba no Céu com Jesus. – Quando tento elevar o pensamento para o Céu – há um vazio tão acusador que esses mesmos pensamentos regressam como punhais afiados e ferem a minha própria alma. Amor – a palavra – nada traz. Dizem-me que Deus me ama – e – contudo – a realidade da escuridão e da frieza e do vazio é tão grande que nada foca a minha alma.
Ante de iniciar a obra – havia tanta união – amor – fé – confiança – oração sacrifício. – Terei cometido um erro ao submeter-me cegamente ao chamado do Sagrado Coração? O trabalho não é uma dúvida – porque estou convencida de que é Dele e não meu. – Não sinto – nem um único simples pensamento ou tentação entra no meu coração para me apropriar coisa alguma do trabalho.
O tempo todo sorrindo – as pessoas fazem tais comentários. – Acham que a minha fé, confiança e amor enchem o meu próprio ser e que a intimidade com Deus e a união à Sua vontade devem estar absorvendo o meu coração. – Se eles soubessem – e como minha alegria é a capa com a qual cubro o vazio e a miséria.
Apesar de tudo – esta escuridão e este vazio não são tão dolorosos como a ânsia por Deus. – Temo que a contradição irá me desequilibrar. O que estás Tu fazendo meu Deus a alguém tão pequeno? Quando me pediste para imprimir a Tua Paixão no meu coração – é esta a resposta?
Se isto Te traz glória, se Tu obténs uma gota de alegria com isto – se as almas são levadas a Ti – que se o meu sofrimento saciar a Tua Sede – aqui estou Senhor, com alegria aceito tudo até ao final da vida – e sorrirei à Tua Face Oculta – sempre.
127. … O seu sorriso radiante escondia um abismo de dor, ocultava um Calvário interior.
128. “Você sofrerá e já sofre – mas se for a minha pequena Esposa – a Esposa de Jesus Crucificado – terá que suportar estes tormentos em seu coração”.
129. Madre Teresa limitava-se a aceitar a viver, em silêncio, o mistério da Cruz que Cristo a chamava a compartilhar.
130. Seja boa, seja santa – se anime. Não permita que o demônio leve o melhor de você. Sabe o que Jesus e a madre esperam de você. – Apenas fique alegre. Irradie Cristo…
131. – Olhe para a Face Daquele que a ama.
132. Algumas vezes me pego dizendo “Não agüento mais” e, com o mesmo alento, digo “Desculpa, faz comigo o que quiseres”.
133. Tenho muitas coisas a aprender e isso leva tempo.
134. Apesar de tudo quero amar a Deus por aquilo que Ele tira. – Ele destruiu tudo em mim.
135. Dizem que as pessoas no inferno sofrem uma dor eterna devido à perda de Deus – que passariam por todo esse sofrimento se apenas tivessem uma pequena esperança do possuir a Deus.
136. Esta escuridão que me rodeia por todos os lados – não posso elevar a minha alma para Deus – nem luz nem inspiração alguma entram em minha alma.
137. No meu coração não há fé – nem amor nem confiança – há tanta dor – a dor do anseio, a dor de não ser querida. Quero a Deus com toda a força de minha alma – porém, aí entre nós – há esta separação terrível.
138. – Já não rezo mais – A minha alma não é ‘uma’ Contigo – contudo, quando sozinha pelas ruas – falo Contigo durante horas – de meu anseio por Ti.
139. Fizeste comigo segundo a Tua vontade – e Jesus ouve a minha oração – se isto te agrada – se a minha dor e o meu sofrimento – a minha escuridão e a minha separação Te dão uma gota de consolo – meu Jesus, faz comigo o que quiseres – quando quiseres, sem nem sequer um olhar para os meus sofrimentos e a minha dor. Sou tua. – Imprime na minha alma a na minha vida os sofrimentos do Teu Coração.
140. A única coisa que almejava era a Sua (Jesus) felicidade; queria saciar a Sua sede com cada gota de seu sangue. E estava disposta a esperar, se necessário fosse, por toda a eternidade por Aquele em Quem acreditava, mas que sentia não existir, por Aquele a Quem amava mas Cujo amor não percebia.
141. Amei-O cegamente, totalmente, somente. Uso todo o poder em mim mesma – apesar dos meus sentimentos, para fazer que Ele seja pessoalmente amado – pelas irmãs e pelos outros. Vou deixá-Lo ter toda a liberdade comigo e em mim.
142. Sejam amáveis umas com as outras. – Prefiro que cometam erros com amabilidade – do que façam milagres com indelicadeza. Sejam amáveis em palavras. – Vejam o que amabilidade de Nossa Senhora trouxe para ela, vejam como ela falava. – Poderia facilmente ter revelado a São José a mensagem do Anjo – mas não disse uma palavra. – E então Deus mesmo interveio. Guardou todas aquelas coisas em seu coração. – Quem nos dera podermos guardar todas as nossas palavras no coração dela. Tanto sofrimento – tantos mal-entendidos e por quê? Só por uma palavra – um olhar – uma ação fortuita – e a escuridão preenche o coração de sua irmã. Peçam a Nossa Senhora durante esta novena que encha os seus corações de doçura.
143. Madre Teresa esforçava-se por ter um sorriso imediato, uma palavra amável, um gesto acolhedor para com todos.
144. Reze por mim – para que eu possa manter o sorriso de dar sem reservas. Reze para que eu possa encontrar coragem para caminhar corajosamente e com um sorriso. Peça a Jesus que não me permita recusar-Lhe coisa alguma por menor que seja – prefiro morrer.
145. O amor prova-se com obras; quanto mais nos custam, maior é a prova do nosso amor.

Capítulo X
146. Pela primeira vez… cheguei a amar a escuridão – pois estou agora convencida de que é uma parte, uma parte muito, muito pequena da escuridão e da dor de Jesus neste mundo.
147. A escuridão é tal, que realmente não vejo nada – nem com a mente nem com a razão. – O lugar de Deus na minha alma é um espaço vazio. – Não há Deus em mim – Quanta dor da ânsia é tão grande – só anseio e anseio por Deus – e é então que sinto – que Ele não me quer – que Ele não esta ali. Céu – almas são meras palavras – que nada significam para mim.
148. Anseio por Deus – quero amá-Lo – amá-Lo muito- viver apenas por amor e Ele – só amar – porém não há senão dor – anseio sem amor algum.
149. Quando fora – no trabalho – ou quando estou com pessoas – há uma presença – de alguém que vive muito perto – em mim mesma. – Não sei o que é isto – mas é muito freqüente e mesmo diário – esse amor de Deus em mim torna-se mais real. – Me pego dizendo a Jesus inconscientemente – estranhas palavras de amor.
150. Ensina-me a amar a Deus – ensina-me a amá-Lo muito. … Quero amar a Deus a Deus como o que Ele é para mim, “meu Pai”.
151. O meu coração e a minha alma e o meu corpo pertencem só a Deus.
152. Que Ele faça comigo o que quiser, como Ele quiser, por quanto tempo quiser. Se a minha escuridão é luz para alguma alma – mesmo se não for nada para ninguém – sou perfeitamente feliz – em ser flor do campo de Deus.
153. … Cheguei a amar a escuridão. – Pois agora acredito que é parte, uma parte muito, muito pequena da escuridão e da dor de Jesus neste mundo.
154. Quem sabe mais a cerca da água viva, a pessoa que abre a torneira todos os dias sem pensar muito no assunto, ou o viajante do deserto, torturado pela sede, que busca uma fonte de água?
155. “Deixa-me compartilhar contigo a Sua dor”.
156. “Um caloroso ‘Sim’ a Deus e um grande sorriso para todos”.
157. Continuem sorrindo – Rezem juntos – e Jesus irá sempre encher o coração de vocês com o Seu amor – um pelo outro.
158. São João da Cruz: “Quando a noite do espírito é essencialmente purificadora, sob a influência da graça, que se exerce principalmente pelo dom da compreensão, as virtudes teológicas e a humildade são purificadas de todo o lastro humano. … Assim purificada, a alma pode passar para além da fórmulas dos mistérios e entrar “nas profundezas de Deus”, como diz São Paulo (1Cor 2, 10). Então, apesar de todas as tentações contra a fé e a esperança, a alma acredita firmemente, por um ato direto e da forma mais pura e sublime, que ultrapassa a tentação; e acredita pelo motivo mais puro que se pode atingir sobrenaturalmente: a autoridade de Deus que revela. E também espera, pela simples razão de que Ele é sempre bom, a Misericórdia infinita. E ama-O na mais completa aridez, por que Ele é infinitamente melhor em Si mesmo do que todos os dons que pudesse nos conceder. Quando esta provação é essencialmente reparadora, quando tem como fim principal fazer com que a alma já purificada trabalhe pela salvação do próximo, então preserva as mesmas características elevadas atrás descritas, mas assume outro caráter, que recorda com mais precisão os sofrimentos íntimos de Jesus e de Maria, que não precisam ser purificados”.
159. “Sim” e “Sorriso”.
160. Madre Teresa tinha chegado a um ponto em que era capaz de se alegrar como os seus sofrimentos e de repetir as palavras de São Paulo: “Alegro-me nos sofrimentos suportados por vossa causa e completo na minha carne o que falta aos sofrimentos de Cristo pelo Seu Corpo, que é Igreja” (Col 1, 24).
161. Tentem aprofundar o seu conhecimento deste Mistério da Redenção. – Este conhecimento as conduzirá ao amor – e o amor as fará compartilhar através dos seus sacrifícios na Paixão de Cristo.
162. “Desejo viver neste mundo que está tão longe de Deus, que se afastou tanto da luz de Jesus, para ajudá-los – para tomar sobre mim um tanto do sofrimento deles”.
163. “O que disse Jesus, que carregássemos a cruz na frente Dele ou que O seguíssemos?” Com um grande sorriso, ela olhou para mim e respondeu: “Que O seguíssemos”. Então eu perguntei: “Por que tenta ir à frente Dele?”…
164. – Porque a escuridão é tão escura, a dor é tão dolorosa. Às vezes, o aperto da dor é tão grande – que eu posso ouvir a minha própria voz clamando – Meu Deus, ajuda-me.
165. Quanto maior for a dor e quanto mais escura for a escuridão mais doce será o meu sorriso para Deus.
166. Mas, como testemunhará o seu Amor, já que o Amor se prova com as obras? Pois bem, a criancinha lançará flores, perfumará com os seus aromas o trono real, e cantará com a sua voz prateada o Cântico dos Cânticos. Sim, meu Bem-Amado! Assim se consumirá a minha vida. Não tenho outro meio de Te provar o meu amor, senão o de lançar flores, isto é, não deixar escapar nenhum pequeno sacrifício, nenhum olhar, nenhuma palavra; aproveitar todas as mais pequenas coisas e fazê-las por amor. Quero sofrer por amor e gozar por amor. Assim lançarei flores diante do teu trono. Não encontrarei nenhuma sem desfolhar para Ti. E depois, ao laçar as minhas flores, cantarei…, mesmo quando tiver de colher as minhas flores no meio de espinhos; e o meu cantar será tanto mais melodioso quanto maiores e mais agudos forem aos espinhos (Santa Teresa do Menino Jesus e da Santa Face).
167. … Não estou sozinha. – Tenho a escuridão Dele – tenho a dor Dele – tenho este anseio terrível por Deus – de amar e não ser amada.
168. A escuridão não era apenas a escuridão “dela”, era a “escuridão Dele”; ela estava compartilhando a “dor Dele”. Com base na pura fé, sabia que se encontrava em um estado de “união inquebrantável” com Ele, porque percebia que tinha os pensamentos “fixados Nele e apenas Nele”. Estava firmemente unida a Jesus por sua vontade, embora a única coisa que ela sentia dessa “união inquebrantável” fosse a Sua agonia, a Sua Cruz.
169. Jesus, aceito tudo aquilo que deres – e dou-Te tudo aquilo que tirares. – Não há sentido nas minhas palavras, mas tenho certeza de que Ele entenderá.
170. “Toma tudo aquilo que Ele der e dá tudo aquilo que Ele tirar com um grande sorriso”.
171. “Dê a Jesus toda a liberdade e permita que Ele lhe use sem consultar-lhe”.
172. … A minha mente – o meu coração – todos os meus pensamentos e sentimentos parecem estar muito longe – tão longe que eu não sei onde estão, mas quando me recomponho descubro que estão com Deus.
173. Considerando-se incapaz de “chegar” a Deus, continuava alegrando-se por poder ajudar a outros a aproximar-se Dele.
174. Quanto a mim, tenho apenas a alegria de nada ter – nem sequer a realidade da Presença de Deus. – Nem oração, nem amor – nem fé – nada a não ser a dor contínua de ansiar por Deus.
175. … Madre Teresa chegava mesmo a tirar alegria espiritual de sua provação interior: a alegria dela era “a alegria de nada ter”, da “pobreza absoluta’, da pobreza da Cruz”…
176. Vocês devem estar no mundo, mas, não ser do mundo. A luz que dão deve ser tão pura, o amor com que amam deve ser tão ardente – a fé com que crêem deve ser tão convincente – que ao vê-los, eles realmente vejam apenas Jesus. O apostolado de vocês é belíssimo – dar Jesus. Mas só podem dá-Lo – somente se tiverem se rendido por completo a Ele.
177. Mantenha-se perto de Jesus com um rosto sorridente.
178. Santa Margarida Maria: – O seu amor por Jesus deu-me um anseio tão doloroso de amar como ela O amava. Que frio – que vazio – que dolorido está o meu coração. A Sagrada Comunhão – a Santa Missa – todas as coisas santas da vida espiritual – da vida de Cristo em mim – são todas vazias – tão frias – tão indesejadas.
179. A escuridão interior conferia a Madre Teresa a capacidade de compreender os sentimentos dos pobres. “O maior de todos os males é a falta de amor e caridade, a terrível indiferença em relação ao próximo que vive a beira da estrada, assaltado pela exploração, pela corrupção, pela pobreza e pela doença”, diria mais tarde.
180. Jesus foi enviado pelo Pai aos pobres e para ser capaz de compreender os pobres, Jesus teve que conhecer e experimentar essa pobreza no Seu próprio Corpo e na Sua Alma. Também nós devemos experimentar a pobreza se quisermos ser verdadeiras portadoras do amor de Deus. Para sermos capazes de proclamar a Boa Nova aos pobres devemos saber o que é pobreza.
181. O sofrimento de Madre Teresa era no nível mais profundo possível: o de sua relação com Deus. E, no seu zelo pela salvação dos outros, estava totalmente disposta a abraçar por completo esse sofrimento, para que os pobres que amava experimentassem toda a medida do amor de Deus. Consequentemente, a escuridão veio a ser a sua maior bênção: o seu “mais profundo segredo” era, na realidade, o seu maior dom.

Capítulo XI
182. Estou disposta aceitar tudo aquilo que Ele der e a dar tudo aquilo que Ele tirar, com um grande sorriso.
183. As suas dificuldades e as minhas – devemos oferecê-las a Jesus pelas almas. … Sei que quero, com todo o meu coração, o que Ele quiser, como Ele quiser e enquanto Ele quiser.
184. … A sua maneira de seguir Jesus na escuridão: “Só me resta fazer uma coisa, seguir de perto os passos do meu dono, como um cãozinho. Reze para que eu seja um cãozinho alegre”.
185. Com freqüência pergunto-me o que realmente Deus obtém de mim neste estado – sem fé, sem amor – nem sequer em sentimentos.
186. Madre Teresa tinha fé, uma fé bíblica, uma fé cega, uma fé que fora posta à prova e testada na fornalha do sofrimento e que abria cominho em direção a Ele através da escuridão.
187. – Eu simplesmente abro o meu coração – e Ele fala.
188. Pergunto-me o que Jesus vai me tirar por eles, uma vez que já me tirou tudo pelas irmãs. Estou disposta a aceitar tudo o que Ele me der e dar tudo o que Ele tirar com um grande sorriso.
189. “Dar toda a liberdade a Jesus” continuava sendo a medida da sua auto-entrega.
190. Dia após dia – repito a mesma coisa – talvez apenas com os meus lábios – “Faz-me sentir o que Tu sentiste. Faz-me compartilhar Contigo a Tua dor”. Quero estar à disposição Dele.
191. Ao longo de toda a Quaresma e, na realidade, ao longo de sua vida como Missionária da Caridade, a oração de Madre Teresa estava sendo respondida; “Faz-me sentir o que Tu sentistes. Faz-me compartilhar Contigo a Tua dor”. Não estava ela experimentando a agonia de Jesus e a agonia dos pobres também?
192. “Viva a sua vida de amor a Jesus com grande alegria – porque o que você tem é presente Dele – use tudo para maior glória do Seu nome, … Mantenha-se perto de Jesus sempre com um rosto sorridente – para que – possa aceitar tudo quanto Ele der e der tudo que Ele tirar”.
193. Aceito não com os meus sentimentos – mas com a minha vontade, a Vontade de Deus. – Aceito a Sua vontade – não só por um tempo, mas por toda eternidade. Na minha alma – não sou capaz de dizer – como está escuro, como é doloroso, como é terrível. – Os meus sentimentos são muito traiçoeiros. – Tenho a sensação de “recusar a Deus” e, contudo, o pior e mais difícil de suportar – é este terrível anseio por Deus.
194. – Não me queixarei. – Aceito Sua Santa Vontade tal como ela vem a mim.
195. “O pior e o mais difícil de suportar”, insistia Madre Teresa, era “este terrível anseio por Deus”. Ainda mais dolorosa do que a própria escuridão era esta sede de Deus. Na realidade, estava experimentando algo da sede de Jesus na Cruz,…
196. Essa sede “terrível” de Deus exprimia-se em uma ardente sede de almas, em especial das almas dos mais pobres dos pobres.
197. Quanto dano o pecado pode fazer. Que mundo terrível é este – sem o amor de Cristo.
198. “Terrível é o ódio quando começa a tocar os seres humanos”.
199. … A Madre via o ódio em ação e buscava permanentemente formas de substituí-lo pelo amor.
200. Só Deus pode pedir sacrifícios como estes.
201. Reze por mim – porque a vida dentro de mim está mais difícil de viver. Estar enamorada e – contudo – não amar, viver de fé e – contudo – não acreditar. Gastar-me por completo e – contudo – estar em total escuridão.
202. Não sei o que sentem as outras pessoas – mas eu amo as minhas Irmãs como a Jesus – com todo o meu coração, a minha alma e a minha mente e as minhas forças.
203. Madre Teresa reconhecia que a escuridão em que vivia era o preço a pagar por acender “o fogo do amor”.
204. Acontece com freqüência que aqueles que passam o tempo dando luz aos outros permanecem, eles próprios, na escuridão.
205. – Se há inferno – Este deve ser um. Que terrível é estar sem Deus – nem oração – nem fé – nem amor.
206. E contudo… Quero ser-Lhe fiel – quero esgotar-me por Ele, quero amá-Lo não por aquilo que Ele dá, mas por aquilo que tira – quero estar à Sua disposição. – Não Lhe peço que mude a Sua atitude para comigo ao os planos para mim. – Peço-Lhe apenas que me use…
207. “Que terrível é estar sem Deus”, … E, ainda mais terrível era para ela – que tinha estado tão perto Dele – ter, por assim dizer, perdido por completo o senso de Sua presença.
208. Na Encarnação, Jesus tornou-Se igual a nós em todas as coisas exceto no pecado; mas no momento da Paixão, tornou-se pecado. – Tomou sobre Si os nossos pecados e é por isso que foi rejeitado pelo Pai. Eu penso que esse foi o maior de todos os sofrimentos por que Ele teve de passar e aquilo que mais temia na agonia do Jardim. Essas Suas palavras na Cruz foram uma expressão da profundidade da Sua solidão e da Sua Paixão – que até mesmo o Seu próprio Pai não o reconheceu como Seu Filho. Que, apesar de todos os seus sofrimentos e angústia, Seu Pai não O reconheceu como Seu Filho amado, como tinha feito no Batismo por São João Batista e na Transfiguração. E podemos perguntar: Por quê? Porque Deus não pode aceitar o pecado e Jesus tinha tomado sobre Si – tinha-se tornado pecado.
209. “Venha, venha, salva-nos – leve-nos a Jesus. Ao abraçar a escuridão em que viviam, Madre Teresa os estava levando para a luz – Jesus”.
210. “Importa que Ele cresça e que eu diminua” (Jo 3, 30).
211. O calor aqui é simplesmente abrasador. – Uma grande consolação para mim – já que não posso arder com o amor de Deus – pelo menos deixe-me arder com o calor de Deus – e assim, desfruto do calor.
212. “Quero fazer a Sua Santa Vontade – Isso é tudo. Ainda que mal a compreenda”.
213. … Minha alma esta vazia – mas não tenho medo. – Ele fez maravilhas por mim – Santo é o Seu nome.
214. – Como minha alma anseia por Deus – e apenas por Ele, como é doloroso estar sem Ele.
215. – Como crescer na “profunda união pessoal do coração humano com o Coração de Cristo? Desde a infância que o Coração de Jesus é meu primeiro amor.
216. Jesus foi o primeiro amor de Madre Teresa e o seu único amor, em uma relação que foi se tornando mais intensa em cada período de sua vida. Seu coração seria atraído com singular intensidade para o Coração de Cristo até o dia de sua morte. Uma das melhores descrições de Madre Teresa a apresenta como uma mulher “totalmente, apaixonadamente, loucamente enamorada de Jesus”.
217. “O insulto despedaçou-me o coração e tornou-o incurável; esperei compaixão, mas em vão, alguém que me consolasse, mas não encontrei” (Sl 68, 21).
218. Diga a Jesus: “Eu serei esse ‘alguém’”. Irei reconfortá-Lo, encorajá-Lo e amá-Lo. Fique com Jesus. Ele rezou e rezou, e depois foi procurar consolo, mas não encontrou nenhum. Eu escrevo sempre esta frase: ‘Procurei alguém que Me consolasse, mas não encontrei ninguém’.
219. Seja esse alguém. … Seja esse alguém que saciará a Sede.
220. Sim, bastaria que voltássemos ao espírito de Cristo – bastaria que vivêssemos a vida eucarística, bastaria que percebêssemos o que é o Corpo de Cristo – não haveria tanto sofrimento – tanto do que temos hoje. – A Paixão de Cristo está sendo revivida mais uma vez em toda a sua realidade – Devemos rezar muito pela Igreja – a Igreja no Mundo – e o mundo na Igreja.
221. Estamos aqui para ir para lá – para casa junto de Deus – e lá não há infidelidade, mas apenas Shanti (paz) – uma verdadeira “Shanti Nagar” (Cidade da Paz).
222. … Nós mais e mais devemos ser Sua Luz – Seu caminho – Sua vida – Seu amor nas favelas.
223. Quero amá-lo como Ele nunca foi amado antes – com um amor terno, pessoal e íntimo.
224. Tenho um anseio tão profundo por Deus e pela morte. … Reze por mim para que eu use a alegria do Senhor como minha força.
225. Sofria imensamente ao ver os sofrimentos daqueles que amava, mas continuava salientando o valor e o sentido do sofrimento humano como forma de compartilhar a Paixão de Jesus.
226. Mantenham a luz da fé sempre acesa – pois só Jesus é o caminho que conduz ao Pai. Só Ele é a vida que habita no nosso coração. Só Ele é a luz que ilumina e escuridão. Não tenham medo, Cristo não nos enganará.
227. As palavras de Jesus no Evangelho de São Mateus – “o que fizestes ao mais pequenino… a Mim o fizestes – eram o rocha sobre a qual assentavam as suas convicções.
228. … Cristo não pode nos enganar. – Por isso tudo o que fizermos ao menor – é a Ele que fazemos. Que a alegria do Senhor seja a sua força. Porque só Ele é o caminho que vale a pena seguir, a luz que vale a pena acender, a vida que vale a pena viver – e o amor que vale a pena amar.

Capítulo XII
229. “Deus usa o que é nada para mostrar a Sua grandeza”.
230. Eu me maravilho com a Sua imensa humildade e a minha pequenez – o meu nada. Acredito que é aqui que Jesus e eu nos encontramos. – Ele é tudo para mim – e eu – a Sua pequenina – tão incapaz – tão vazia – tão pequena.
231. Só Jesus pode abaixar-Se tanto para enamorar-se de alguém como eu.
232. … Me maravilho com a Sua imensa humildade e minha pequenez – o meu nada. – Acredito que é aqui que Jesus e eu nos encontramos. – Ele é tudo para mim – e eu – a Sua pequenina – tão indefesa – tão vazia – tão pequena.
233. O Seu jeito é tão bonito – em pensar que temos a Deus Onipotente se inclinando tão baixo para amar a você e a mim e fazer uso de nós – e nos faz sentir que Ele realmente precisa de nós. – À medida que vou envelhecendo a minha admiração de Sua humildade vai aumentando mais e mais e O amo não por aquilo que Ele dá – mas por aquilo que Ele é – o Pão da Vida – o Faminto.
234. Ela fazia tudo como dizia: “Devemos mantê-Lo continuamente nos nossos corações e nas nossas mentes”.
235. Só quando percebemos o nosso nada, o nosso nada, o nosso vazio, é que Deus pode nos encher com Ele mesmo. Quando nos tornamos cheios de Deus então podemos dar Deus aos outros, porque da plenitude do coração fala a boca.
236. … Quero amar Jesus com o amor de Maria, e ao Pai com o amor de Jesus.
237. Tire os seus olhos de si mesmo e alegre-se por não ter nada – por não ser nada – por não poder fazer nada. Dê a Jesus um grande sorriso – cada vez que o seu nada o assustar.
238. Esta é a pobreza de Jesus. O senhor e eu devemos permitir-Lhe viver em nós e através de nós no mundo.
239. Agarre-se a Nossa Senhora – pois ela também – antes de poder se tornar cheia de graça – cheia de Jesus – teve que passar por essa escuridão. “Como pode ser isso?” – Mas no momento em que disse “Sim”, teve necessidade de ir apressadamente dar Jesus a João e à família dele.
Continue dando Jesus ao seu povo não pelas palavras, mas pelo seu exemplo – por estar enamorado de Jesus – por irradiar a santidade Dele e espalhar Sua fragrância de amor onde quer que o senhor vá.
Apenas mantenha a alegria de Jesus como sua força. Seja feliz e esteja em paz. Aceite tudo aquilo que Ele der – e dê tudo aquilo que Ele tirar com um grande sorriso. – O senhor pertence a Ele – diga-Lhe sou Teu e se me cortares em pedaços, cada um desses pedaços será somente e todo Teu.
240. Mantenha a luz, Jesus, acesa em você com o óleo de sua vida. As dores que você tem nas costas – a pobreza que sente são gotas de óleo que mantêm a luz, Jesus, acesa e afastam a escuridão do pecado – onde quer você vá. Não faça nada que leve a aumentar a dor – mas aceite com um grande sorriso o pouco que Ele lhe dá com grande amor.
241. A impressão que eu tinha era a de que estava lidando com uma mulher que, de alguma forma, via Deus e sentia Deus no sofrimento dos pobres, uma mulher que tinha uma fé imensa na luz e na escuridão.
242. … Isso é a santidade – fazer a vontade Dele com um grande sorriso.
243. Ainda bem que a Cruz nos leva ao Calvário e não a uma sala de estar. – A Cruz – o Calvário foi muito real durante algum tempo.
244. Jesus deu-me uma graça muito grande – aceitar tudo com um grande sorriso.
245. – Começo a aprender mais e mais porque Jesus quer que aprendamos com Ele a ser mansos e humildes de coração. Porque sem a mansidão nunca seremos capazes de aceitar os outros nem de amar os outros como Ele ama. – Então, antes de aprendermos a humildade, sem a qual não podemos amar a Deus – temos que aprender a amar-nos uns aos outros. Precisamos da mansidão e da humildade para poder comer o Pão da Vida.
246. … Peço-Lhe que diga a Jesus – quando pelas suas palavras o Pão se transforma no Seu Corpo e o vinho se transforma no Seu Sangue – que mude o meu coração – que me dê o Seu próprio Coração – para que eu possa amá-Lo como Ele me ama.
247. – Eu devo ser capaz de dar só Jesus ao mundo. As pessoas estão famintas de Deus. Que encontro terrível teríamos com o próximo se apenas lhe déssemos a nós mesmos.
248. “Os nossos sofrimentos, suportados como devem sê-lo, são, pois, como dissemos, beijos dados ao nosso Jesus Crucificado. Mas o sofrimento também é o beijo de Jesus Crucificado em nossa alma. As almas comuns nada mais costumam ver no sofrimento do que um castigo de Deus, uma prova da Sua injustiça ou do Seu desagrado. A alma generosa, pelo contrário, encontra no sofrimento uma prova do amor de Deus por ela, não vendo a cruz despida, mas vendo Jesus Crucificado nela, Jesus que a abraça com amor e que dela, espera, em troca, um assentimento generoso e amoroso. … A mim, a única coisa que me faz sofrer é Cruz de Jesus. Os beijos de Jesus à minha alma – por muito estranho que isso possa parecer – são os numerosos sofrimentos minúsculos da minha vida diária”.
249. A dor, o sofrimento, a solidão são “um beijo de Jesus” – um sinal de que você chegou tão perto de Jesus que Ele pode beijá-la.
250. O sofrimento, a dor, o fracasso – nada mais são do que um beijo de Jesus, um sinal de que você chegou tão perto de Jesus na Cruz que Ele pode beijá-la(lo).
251. Maior amor nem sequer Deus poderia dar do que o de entregar a Si Mesmo como o Pão da Vida.
252. A grandeza da humildade de Deus. Realmente não há amor maior – amor maior do que o amor de Cristo. – Estou certa de que o senhor deve sentir com freqüência o mesmo quando – às suas palavras – nas suas mãos – o pão se transforma no Sangue de Cristo. – Que grande deve ser o seu amor por Cristo. – Não há amor maior – do que o amor do sacerdote por Cristo seu Senhor e seu Deus.
253. “Não temos o direito de recusar nossa vida aos outros, nos quais contatamos com Cristo”.
254. “Ela nunca pensava em si própria, mas sempre pensava nos outros. ‘Deixem que as pessoas a devorem’. A Madre viveu essa frase plenamente até ao final de sua vida”.
255. Sim, quero ser pobre como Jesus – que sendo rico se fez pobre por amor a nós. … Não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim.
256. “Estou Crucificado com Cristo! Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé do Filho de Deus, que me amou e Se entregou por mim”, escreveu São Paulo, em palavras que descrevem, apropriadamente, a realidade da união de Madre Teresa com Deus: Cristo estava, de fato, vivendo e agindo nela, espalhando o Seu amor pelo mundo.
257. – Que Jesus faça o que quiser sem me consultar, porque eu pertenço a Ele.
258. Como podia sofrer tanto e não se quebrar, ela que olhava e escutava, mas nem via nem ouvia Aquele que procurava? Apenas havia silêncio e escuridão para tornar a sua escuridão dolorosa e assustadora. No entanto, apesar de se sentir, “indefesa”, era verdadeiramente “ousada”, porque estava mais decidida do que nunca a dar-Lhe “toda a liberdade”.
259. A Madre sempre nos disse: “Deus ama a quem dá com alegria. Se não vamos às pessoas com uma cara alegre, apenas aumentamos sua escuridão e suas misérias e suas aflições

Pequenos passos levam à santidade

Como ser santo?

Quarta-feira, 19 de novembro de 2014, Jéssica Marçal / Da Redação  

Francisco explicou que, longe de ser uma carga pesada e triste, santidade é um chamado à alegria e pode ser vivida nas ações do dia-a-dia

Francisco esclareceu que não é preciso fazer coisas extraordinárias para ser santo, mas dar testemunho cristão na vida diária / Foto: Reprodução CTV

A santidade foi o tema da catequese do Papa Francisco nesta quarta-feira, 19. O Santo Padre explicou que todos são chamados a ser santos e esse é um caminho que se percorre no dia-a-dia, com pequenos passos e em união com a Igreja.

Francisco destacou que a santidade é um dom dado por Deus e constitui a face mais bela da Igreja.  Trata-se de um convite feito a todos, de forma que não é preciso ser bispo, padre ou religioso para ser santo. Ele ressaltou que há a tentação de achar que a santidade é só para os que tiveram a possibilidade de se destacar por dedicar a vida à oração, mas não é assim.

“É vivendo com amor e oferecendo o próprio testemunho cristão nas ocupações de cada dia que somos chamados a nos tornarmos santos”, disse. Se a pessoa é casada, a santidade é amar sua esposa, seu esposo; se é religiosa, que seja santa dedicando sua vida a Deus; se é um catequista, seja santo tornando-se sinal da presença de Deus. Mesmo no ambiente de trabalho é possível ser santo, disse o Papa.

Francisco deu exemplos práticos de como caminhar rumo à santidade. Ele indicou pequenos passos que podem ser dados no dia-a-dia, como: não fofocar; escutar com paciência os problemas de um filho que está angustiado e quer conversar; ao fim do dia, mesmo cansado, fazer uma oração; ir à Missa aos domingos. “Pequenas coisas, são pequenos passos rumo à santidade. Cada passo à santidade nos fará uma pessoa melhor livre do egoísmo e do fechamento em si mesmo”.

Ao longo desse caminho, não se pode desanimar, pois a graça é dada pelo próprio Deus, explicou o Papa. A única coisa que Deus pede é a comunhão com Ele e o serviço aos irmãos. Nesse ponto, o Pontífice convidou todos a fazer um exame de consciência e se perguntar: “Como respondemos até agora ao chamado do Senhor à santidade?”.

Francisco disse, por fim, que a santidade não é triste e nem uma carga pesada, mas é um convite a partilhar da alegria de Deus, tornando-se um dom de amor para as pessoas ao redor. Compreender isso muda tudo.

“Acolhamos o convite à santidade com alegria e apoiemos uns aos outros porque o caminho rumo à santidade não se percorre sozinho, mas juntos, naquele único corpo que é a Igreja, amada e tornada santa pelo Senhor Jesus Cristo. Sigamos adiante com coragem nesse caminho da santidade”.

A vitória da vida

Tudo na Igreja celebra a vitória de Cristo!

“Cristo ressuscitou, aleluia, venceu a morte com amor, Aleluia! Tendo vencido a morte, o Senhor ficará para sempre entre nós, para manter viva a chama do amor que reside em cada cristão a caminho do Pai. Tendo vencido a morte, o Senhor nos abriu horizonte feliz, pois nosso peregrinar pela face do mundo terá seu final lá na casa do Pai”. Ressoa o canto transbordante de felicidade nos lábios dos fiéis que celebram a Páscoa de Cristo. Preparados pela Mãe Igreja, chegamos às celebrações pascais, nas quais se proclama e se experimenta a vitória de Jesus Cristo sobre o pecado, a tristeza e a morte. A vida não é um beco sem saída, mas fomos feitos para experimentar a plena comunhão com Deus e uns com os outros!

O acontecimento da Morte e Ressurreição de Jesus Cristo está na raiz da vida dos cristãos. Ser cristão significa ser enxertado na realidade sobrenatural do mistério pascal de Cristo. Ser não cristão é, simplesmente, desconhecer ou desconectar-se de modo consciente ou inconsciente, da realidade salvífica da Páscoa. A vida nova que brota do Cristo Ressuscitado é o mais importante para os cristãos, já que um mundo novo começou com Ele, tudo se fez realmente novo e a morte não tem mais a última palavra.

Nossa oração, as opções de vida que fazemos, a participação nos Sacramentos, tudo tem sua origem e aval de autenticidade na Páscoa de Cristo. Por isso nos reunimos para celebrar a Páscoa neste final de semana: na Quinta-feira Santa, a Páscoa da Ceia; na Sexta-feira Santa, a Páscoa da Cruz; de Sábado para Domingo, a Páscoa da Ressurreição. Não fazemos uma comemoração qualquer, mas se torna presente a única realidade do Cristo que passou da morte à vida, e somos chamados a participar com Ele da morte ao homem “velho” para viver o homem “novo”, no dizer do Apóstolo São Paulo.

Tudo na Igreja celebra a vitória de Cristo! Na Quinta-feira Santa, vence o amor, o espírito de serviço humilde ao próximo do lava-pés e o memorial permanente do Cristo vivo, a Eucaristia. A Sexta-feira Santa se celebra com paramentos vermelhos, o rubro do sangue, do fogo, coragem, martírio: a morte de Jesus é celebrada em sua grandeza infinita, porque se entregou por nós e em nosso lugar, para que vença a vida! Na Vigília Pascal e no Domingo de Páscoa a luz de Cristo vence as trevas. Nela nascem para a vida no Batismo os Catecúmenos e nós participamos da experiência dos que o encontraram por primeiro, Maria Madalena, Pedro e João, os peregrinos de Emaús ou os Apóstolos reunidos. Não temos outra coisa a oferecer a não ser dizer, com a mesma pregação dos primeiros cristãos, que Cristo morreu, Cristo Ressuscitou, Cristo há de voltar, Cristo é o Senhor! Em nós existe a certeza de que tal anúncio traz consigo a força e o poder de salvação para todos os homens e mulheres de todos os tempos, e que, fora de Jesus Cristo, não existe esperança e sentido para a vida!

O Cristo ressuscitado está presente na Palavra do Evangelho que é anunciada. Quem a acolhe experimenta a transformação profunda de sua existência. Ouvir e viver sua Palavra é fonte de vida eterna. Não se trata de uma “mágica”, mas transformação profunda, a partir de dentro! Que na Páscoa mais ouvidos e corações se abram para o anúncio do Evangelho.

O Cristo ressuscitado está presente nos irmãos e irmãs, especialmente nos mais pobres. Misteriosamente, sua vitória acontece quando as mãos se abrem para a caridade, tanto que, desde os primórdios da Igreja, a partilha dos bens é sinal seguro da autenticidade da vida cristã. Em Cristo e com Cristo são vencidas as desigualdades e a injustiça. Venham homens e mulheres de todas as raças e povos para a festa da fraternidade.

O Cristo ressuscitado está no meio de nós, quando nos reunimos em seu nome. Sabemos que dois ou mais reunidos na caridade e em nome de Cristo trazem consigo a potência transformadora do mundo em que vivemos. A sede de nosso tempo é de relacionamentos autênticos e sinceros, convivência transparente que atrai mais do que muitas palavras. Renovem-se as Comunidades de Igreja e a Páscoa de Cristo suscite nova e verdadeira capacidade para estabelecer laços. Ninguém passe em vão ao nosso lado.

O Cristo ressuscitado é portador da Paz. Aos seus temerosos discípulos se apresentou com os sinais da crucifixão, trazendo-lhes este dom precioso. Paz, poder para levar o perdão e a misericórdia, envio missionário e o sopro do Espírito Santo. Tudo o que a Igreja e os cristãos precisam já estava ali! Na Páscoa que celebramos neste ano, muitas portas fechadas sejam ultrapassadas pelo Ressuscitado, para que sua vitória vença as tristezas e os medos do nosso tempo. Venham todos ao Cenáculo do Domingo de Páscoa! Ele está disponível na Igreja, cujas portas querem estar escancaradas. Da Páscoa de Cristo para frente, nada é impossível, pois a vitória que vence o mundo é a nossa Fé no Ressuscitado!

O Cristo ressuscitado está presente na Eucaristia. Enquanto esperamos a sua vinda gloriosa na final dos tempos, é em torno do Altar da Eucaristia que se manifesta a exuberância de sua presença. Desde o princípio, Ele é reconhecido na fração do Pão, o primeiro nome da celebração eucarística. Na Santa Missa damos graças, ouvimos a Palavra, Ele está no meio da Comunidade Reunida, os pobres e os pecadores são acolhidos e o Senhor se faz sustento, na Sagrada Comunhão. Por isso, para nós, celebrar a Páscoa é achegar-nos à Assembleia Eucarística, onde Cristo se encontra! Venham, pois, todos os que se encontram distantes e dispersos, para celebrar a festa da vida! Aleluia!

Dom Alberto Taveira Corrêa
Arcebispo de Belém – PA

Sem silêncio e solidão não há encontro com Deus

”As pessoas que não suportam o silêncio é porque, na verdade, não se suportam. Elas se sentem agredidas pelo silêncio …”.

“O encontro com Deus não é possível se não silenciarmos, pois se Deus nos fala, precisamos estar prontos para ouvir”. É o que defende o padre Paulo Ricardo Azevedo Júnior, sacerdote da Arquidiocese de Cuiabá (MT).

A Igreja, junto com o Pontífice, pede a Deus para que os homens e mulheres deste tempo, “tantas vezes mergulhados num ritmo frenético de vida, redescubram o valor do silêncio e saibam escutar Deus e os irmãos”.

Em meio à correria da vida moderna, é comum perceber o pouco número daqueles que conseguem buscar esse encontro consigo e com Deus. Nesse sentido, Padre Paulo ressalta a realidade dos que, mesmo sem perceber, têm medo do silêncio ou da solidão, e por isso têm também a necessidade de estar sempre conectados a algo ou a alguém.

“As pessoas que não suportam o silêncio é porque, na verdade, não se suportam. Elas se sentem agredidas pelo silêncio, porque ele nos obriga a nos encontrarmos conosco mesmo”.

Silêncio: porta de encontro consigo e com Deus

Para o sacerdote, o encontro do indivíduo com ele mesmo é a porta que dá acesso a “Jesus, Vivo e Verdadeiro”. “É a porta em que eu me abro para o Alto, me abrindo para dentro, para o encontro comigo mesmo”.

Portanto, segundo ele, o silêncio é fundamental na vida espiritual, no encontro com Deus que é Palavra. Sem silêncio não há encontro consigo mesmo, nem com Deus. Com isso, a vida espiritual não se desenvolve.

É possível promover esse tipo de encontro a todo o momento, diz o padre. “Se eu me encontro comigo, eu estou me recolhendo, por mais que haja barulho ao meu redor”. No entanto – destacou – “é preciso também me dar um espaço de silêncio e solidão que, poderia dizer, é quase um hábito higiênico. As pessoas precisam também ter o hábito de ter um momento de recolhimento, seu, com Deus”.

O silêncio e a solidão

Esse silêncio, porta para o encontro, está ligado à solidão, segundo o padre. Não se trata de um isolamento depressivo, mas um tipo de solidão que proporciona o contato com Deus, consigo mesmo e com o outro.

Na opinião de padre Paulo, as pessoas vivem agitadas, envolvidas por barulhos e experimentando corriqueiros encontros superficiais. “Não há encontros de coração a coração”, afirmou. Os profundos encontros, segundo o sacerdote, acontecem quando duas solidões se encontram.

“Para a gente se encontrar com uma pessoa, a minha solidão tem que se encontrar com a sua solidão, ou seja, eu preciso enquanto pessoa me encontrar com alguém que sei, é uma outra pessoa que não vai saciar plenamente a minha sede de felicidade. São duas solidões que se encontram. Só assim é possível o encontro”.

Entretanto, o único encontro capaz de produzir felicidade plena é o encontro com Deus. “O encontro com Deus é diferente no sentido que é Ele que consegue saciar essa solidão, mas ele fará isso plenamente no céu. Na vida de oração, a solidão e o silêncio estão juntos, porque estes são a condição para o encontro comigo mesmo e com Deus”.

A Igreja e o valor do silêncio

Nas diversas tradições religiosas da Igreja Católica, “a solidão e o silêncio constituem espaços privilegiados para ajudar as pessoas a encontrar-se a si mesmas e àquela Verdade que dá sentido a todas as coisas”. Essa afirmação é do Papa emérito Bento XVI, em sua mensagem para o 46º Dia Mundial das Comunicações Sociais.

Para o bispo emérito de Roma, é necessário criar um ambiente propício, quase uma espécie de “ecossistema” capaz de equilibrar silêncio, palavra, imagens e sons. Ele também afirma na mensagem que o silêncio é o canal de comunicação entre Deus e o homem, e do homem com Deus.

“Temos necessidade daquele silêncio que se torna contemplação, que nos faz entrar no silêncio de Deus e assim chegar ao ponto onde nasce a Palavra, a Palavra redentora”, escreveu o Pontífice.

Durante Catequese, Papa fala sobre a força da Comunhão

Quarta-feira, 21 de março de 2018, Da redação, com Boletim da Santa Sé

Celebramos a Eucaristia para alimentar-nos de Cristo

A Comunhão foi o tema do Papa Francisco para a Catequese desta quarta-feira, 21. Após o tradicional rito eucarístico, o Sucesso de Pedro fez uma breve analogia entre a primavera ― que teve início no continente europeu ― e a fé cristã, que deve florescer e criar raízes.

“Mas o que acontece na primavera? As plantas florescem, as árvores florescem. Eu vos farei algumas perguntas. Uma árvore ou uma planta doente, florescem bem se estão doentes? Não! Uma árvore, uma planta que não é regada pela chuva ou artificialmente, pode florescer bem? Não. E uma árvore e uma planta das quais foram tiradas raízes ou não tem raízes, podem florescer? Não. Mas sem raízes se pode florescer? Não! E esta é uma mensagem: a vida cristã deve ser uma vida que deve floresce em obras de caridade, em fazer o bem”, disse o Pontífice.

E para a vida cristã florir, devemos estar atentos aos ensinamentos de Jesus, devemos irrigar nossa vida com seus princípios. Só assim poderemos evoluir. “Se você não regar sua vida com a oração e os sacramentos, você terá flores cristãs? Não! Porque a oração e os sacramentos regam as raízes e nossa vida floresce. Desejo que esta primavera seja para vocês uma primavera florida, assim como Páscoa é florida. Florida de boas obras, de virtude, de fazer o bem aos outros”, ponderou.

Francisco ainda recordou que a Comunhão pode ser um encontro com Cristo. Comungar, nas palavras do Sucessor de Pedro, significa nos aproximarmos ainda mais do Filho de Deus. “Toda vez que comungamos, nos parecemos mais com Jesus, nos transformamos mais em Jesus. Como o pão e o vinho são convertidos no Corpo e no Sangue do Senhor, aqueles que os recebem com fé são transformados em uma Eucaristia viva”, afirmou.

Papa celebra em San Giovanni Rotondo

Sábado, 17 de março de 2018, Denise Claro / Da redação

Celebração Eucarística aconteceu após visita do Papa Francisco ao Santuário Santa Maria das Graças e ao Hospital de Padre Pio

O Papa Francisco esteve, na manhã deste sábado, 17, logo após a ida a Pietrelcina, em San Giovanni Rotondo. Esta é a terceira visita de um Pontífice à terra de Padre Pio, depois de João Paulo II em 1987 e Bento XVI em 2009, que na ocasião inaugurou a nova Igreja de São Pio.

O Santo Padre visitou o Santuário de Santa Maria das Graças, onde foi recebido pelo Ministro provincial dos Capuchinhos, Padre Maurizio Placentino, pelo Guardião, Padre Carlo Laborde e pelo Reitor, padre Francesco Dileo.

No Santuário, o Papa cumprimentou a comunidade religiosa dos Capuchinhos e venerou o corpo de São Pio de Pietrelcina e o Crucifixo dos Estigmas.

Em seguida, Francisco seguiu para o hospital Casa Sollievo della Sofferenza e visitou as crianças doentes do departamento de Oncohematologia pediátrica.

A Santa Missa foi celebrada na praça diante da Igreja. Na homilia, Francisco falou sobre três pontos: a oração, a pequenez, e a sabedoria.

O Papa afirmou que o evangelho do dia apresenta Jesus orante, que rezava espontaneamente, pois costumava se retirar para lugares desertos e se pôr em oração. Lembrou que os discípulos, vendo isso, pediu a Jesus que os ensinassem a rezar, e falou sobre a importância da oração:

“Se quisermos imitar Jesus, também vamos começar onde Ele começou, isto é, da oração.

Podemos nos perguntar: nós, cristãos, pedimos o suficiente? Muitas vezes, no momento da oração, muitas desculpas vêm à mente, tantas coisas urgentes a fazer … Às vezes, então, você deixa de lado a oração porque é tomada por um ativismo que não é inconclusivo quando você esquece “a melhor parte”, quando esquecemos que, sem ele, não podemos fazer nada. São Pio, cinquenta anos depois de sua partida no céu, nos ajuda, porque ele queria nos deixar a oração.”

O Papa reforçou que a oração deve começar com o louvor, e não com pedidos.

“Nós não conhecemos o Pai sem nos abrir para louvar, sem dedicar tempo a Ele sozinho, sem adorar. É o contato pessoal, cara a cara, estar em silêncio diante do Senhor, o segredo para entrar cada vez mais em comunhão com ele. A oração pode nascer como um pedido, mesmo de pronta intervenção, mas maduro em louvor e adoração. (…) E então, em um diálogo livre e confiante, a oração é encarregada de toda a vida e traz isso diante de Deus.”

Francisco frisou que não se deve recorrer a Deus somente quando se precisa:

“Nossas orações se parecem com a de Jesus ou são reduzidas a chamadas ocasionais de emergência? Ou queremos dizer que eles são tranquilizantes para serem tomados em doses regulares, para aliviar o estresse? Não, a oração é um gesto de amor, é estar com Deus e trazer-lhe a vida do mundo: é uma obra indispensável de misericórdia espiritual. E se não confiarmos os irmãos, as situações para o Senhor, quem o fará? Quem intercederá, quem incomodará tocar o coração de Deus para abrir a porta da misericórdia para a humanidade carente? É por isso que Padre Pio nos deixou nos grupos de oração. Ele disse a eles: “É a oração, essa força unida de todas as almas boas, que move o mundo, que renova consciências, […] que cura os doentes, que santifica o trabalho, o que eleva os cuidados de saúde, que dá força moral […], que difunde o sorriso e bênção de Deus em toda languidez e fraqueza “.”

O segundo ponto sobre o qual o Papa falou foi a pequenez.

“Quem são os pequeninos, que sabem como acolher os segredos de Deus? Os pequeninos são aqueles que precisam do grande, que não são auto-suficientes, que não pensam que são auto-suficientes. Pequenos são aqueles que têm um coração ameno e aberto, pobres e necessitados, que sentem a necessidade de orar, confiar e acompanhar. O coração desses pequeninos é como uma antena, que captura o sinal de Deus. Porque Deus busca contato com todos, mas quem cresce cria uma enorme interferência: quando está cheio de si mesmo, não há lugar para Deus.”

Por fim, o Papa falou sobre a sabedoria, dizendo ser preciso saber procurar Deus onde ele está.

“Aqui há um santuário especial onde Ele está presente, porque há muitos pequenos preferidos por Ele. São Pio chamou de “um templo de oração e ciência”, onde todos são chamados a ser “reservas de amor” para os outros: é a Casa do Alívio do Sofrimento. No doente se encontra Jesus, e no cuidado amoroso daqueles que se dobram sobre as feridas do vizinho, há o caminho para encontrá-lo. Quem cuida das crianças está do lado de Deus e contra a cultura do lixo, que, pelo contrário, prefere os poderosos e considera inúteis os pobres. Os que preferem os pequeninos proclamam profecia da vida contra os profetas da morte de todos os tempos.”

Francisco ressaltou que a verdadeira sabedoria não reside em ter grandes qualidades e a verdadeira força não está no poder. “Aqueles que se mostram fortes e aqueles que respondem ao mal com o mal não são sábios. A única arma sábia e invencível é a caridade animada pela fé, porque tem o poder de desarmar as forças do mal.”

Por fim, o Papa lembrou que Padre Pio assim viveu e lutou contra o mal ao longo de sua vida, com sabedoria, como o Senhor: com humildade, com obediência, com a cruz, oferecendo dor por amor.

“São Pio ofereceu a sua vida e inúmeros sofrimentos para fazer com que os irmãos conhecessem o Senhor. E o meio decisivo para encontrá-lo foi a confissão, o sacramento da reconciliação. Padre Pio era um apóstolo do confessionário. Também hoje convidamos-nos para lá. “Venha, o Senhor está esperando por você. Coragem, não existe uma razão tão grave que te exclua da Sua misericórdia “.

Na Catequese, Papa fala sobre a Oração Eucarística

Quarta-feira, 7 de março de 2018, Da Redação, com Boletim da Santa Sé

Oração Eucarística é momento central da Santa Missa

O tema da Catequese desta quarta-feira, 7, do Papa Francisco girou em torno da Oração Eucarística. Seguindo o rito eucarístico, da apresentação do pão e do vinho, o Papa enfatizou que a Oração Eucarística qualifica a celebração da Missa e constitui o momento central, ordenado para a Sagrada Comunhão.

“Corresponde ao que o próprio Jesus fez, à mesa com os apóstolos na última ceia, quando “deu graças” pelo pão e depois o cálice do vinho (Mt 26,27, Mc 14,23, Lc 22,17,19; 1 Coríntios 11,24): sua ação de graças é revivida em toda Eucaristia, associando-nos a seu sacrifício de salvação”, destacou o Santo Padre.

No Missal há várias fórmulas de Oração Eucarística, todas constituídas por elementos característicos. “Antes de tudo, há o Prefácio, que é uma ação de graças pelos dons de Deus, especialmente para enviar seu Filho como Salvador. O Prefácio termina com a aclamação do ”Santo”, normalmente cantado. É lindo cantar o “Santo”: “Santo, Santo, Santo, o Senhor”. É bom cantar”, disse o Papa.

Francisco ainda recordou que não existe esquecimento durante a Eucaristia, mas sim uma recondução a Deus. “Ninguém é esquecido. E se eu tiver qualquer pessoa, parentes, amigos, necessitados ou pessoas que passaram deste mundo para outro, eu posso nomeá-los naquele momento, interiormente e em silêncio ou fazer escrever para que o nome seja lido”, exaltou.

Por fim, o Santo Padre lembrou uma fórmula antiga para compreender a Eucaristia em toda a sua plenitude. São três atitudes que jamais podem faltar aos discípulos de Jesus. “Primeiro, aprender a ‘dar graças, sempre e em todo os lugares’ e não apenas em certas ocasiões, quando tudo está certo; em segundo lugar, fazer da nossa vida um dom de amor, livre e gratuito; terceiro, construir a concreta comunhão na Igreja e com todos. Portanto, esta oração central da Missa nos educa, pouco a pouco, para tornar toda a nossa vida uma “Eucaristia”, isto é, uma Ação de Graças”, finalizou.

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