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A Adoração dos Magos

– A alegria de encontrar Jesus. Adoração na Sagrada Eucaristia.
– Os dons dos Magos. As nossas oferendas.
– Manifestação do Senhor a todos os homens. Apostolado.

I. EIS QUE VEIO o Senhor dos senhores; em suas mãos estão o reino, o poder e a glória1.
A Igreja celebra hoje a manifestação de Jesus ao mundo inteiro. Epifania significa “manifestação”; e os Magos representam os povos de todas as línguas e nações que se põem a caminho, chamados por Deus, para adorar Jesus. Os reis de Társis e das ilhas trar-lhe-ão presentes. Os reis da Arábia e de Sabá oferecer-lhe-ão os seus dons. Todos os reis o hão de adorar, hão de servi-lo todas as nações2.
Ao saírem os Magos de Jerusalém, a estrela que tinham visto no Oriente precedia-os, até que se deteve em cima do lugar onde estava o menino. Ao verem a estrela, eles sentiram uma imensa alegria3.
Não se admiram de terem sido conduzidos a uma aldeia, nem de a estrela se ter detido diante de uma casinha simples. Vêm de tão longe para ver um rei, e são conduzidos a uma casa pequena de uma aldeia! Quantos ensinamentos para nós!
Corremos talvez o perigo de não perceber completamente até que ponto o Senhor está perto das nossas vidas, “porque Deus se apresenta a nós sob a insignificante aparência de um pedaço de pão, porque não se revela na sua glória, porque não se impõe irresistivelmente, porque, enfim, desliza sobre a nossa vida como uma sombra, ao invés de fazer retumbar o seu poder sobre as coisas… Quantas almas oprimidas pela dúvida, porque Deus não se mostra como elas esperam!…”4
Muitos dos habitantes de Belém viram em Jesus uma criança semelhante às outras. Os Magos souberam ver nela o Menino-Deus, a quem, desde então, todos os séculos adoram. E a sua fé valeu-lhes um privilégio singular: serem os primeiros entre os gentios a adorá-lo, quando o mundo ainda o desconhecia. Como deve ter sido grande a alegria destes homens, vindos de tão longe, por terem podido contemplar o Messias pouco tempo depois de ter chegado ao mundo! Devemos estar atentos, porque o Senhor também se nos manifesta nas coisas habituais de cada dia. Saibamos recuperar essa luz interior que permite quebrar a monotonia dos dias iguais e encontrar Jesus na nossa vida normal.
E, entrando na casa, viram o Menino com Maria, sua mãe, e prostrando-se o adoraram5. “Nós também nos ajoelhamos diante de Jesus, do Deus escondido na humanidade: repetimos-lhe que não queremos dar as costas à sua chamada divina, que não nos afastaremos Dele; que tiraremos do nosso caminho tudo o que for obstáculo à fidelidade; que desejamos sinceramente ser dóceis às suas inspirações”6.
Adoraram-no. Sabem que é o Messias, Deus feito homem. O Concílio de Trento cita expressamente esta passagem da adoração dos Magos ao tratar do culto que se deve a Cristo na Eucaristia. Jesus presente no Sacrário é o mesmo que estes homens sábios encontraram nos braços de Maria. Talvez devamos ver como o adoramos quando está exposto no ostensório ou escondido no Sacrário, com que devoção nos ajoelhamos durante a Santa Missa nos momentos indicados, ou sempre que passamos por lugares onde está reservado o Santíssimo Sacramento.

II. OS MAGOS, abrindo os seus tesouros, ofereceram-lhe presentes de ouro, incenso e mirra7: os dons mais preciosos do Oriente; o melhor para Deus.
Oferecem-lhe ouro, símbolo da realeza. Nós, como cristãos, queremos também oferecer-lhe, em sinal de submissão, “o ouro fino do espírito de desprendimento do dinheiro e dos meios materiais. Não esqueçamos que são coisas boas, que procedem de Deus. Mas o Senhor dispôs que as utilizássemos sem nelas deixar o coração, fazendo-as render em proveito da humanidade”8.
Com os Magos, oferecemos-lhe incenso, o perfume que era queimado todas as tardes no altar como símbolo da esperança posta no Messias. São incenso “os desejos – que sobem até o Senhor – de levar uma vida nobre, da qual se desprenda o bonus odor Christi (2Cor 2, 15), o perfume de Cristo […]. O bom perfume do incenso é o resultado de uma brasa que queima sem espetáculo uma grande quantidade de grãos. O bonus odor Christi faz-se sentir entre os homens, não pelas labaredas de um fogo de palha, mas pela eficácia de um rescaldo de virtudes: a justiça, a lealdade, a fidelidade, a compreensão, a generosidade, a alegria”9.
E, com os Reis Magos, oferecemos também mirra, porque Deus encarnado tomará sobre si as nossas enfermidades e carregará as nossas dores. A mirra é “o sacrifício que não deve faltar na vida cristã. A mirra traz-nos à lembrança a paixão do Senhor: na Cruz, dão-lhe a beber mirra misturada com vinho (cfr. Mc 15, 23), e com mirra ungiram o seu corpo para a sepultura (cfr. Jo 19, 39). Mas não pensemos que a reflexão sobre a necessidade do sacrifício e da mortificação significa introduzir uma nota de tristeza na festa alegre que hoje celebramos. Mortificação não é pessimismo nem espírito acre”10; muito pelo contrário, está intimamente relacionada com a alegria, com a caridade, com a preocupação de tornar agradável a vida aos outros.
Via de regra, “não consistirá em grandes renúncias, que aliás não são freqüentes. Há de compor-se de pequenas vitórias: sorrir para quem nos aborrece, negar ao corpo o capricho de uns bens supérfluos, acostumar-se a escutar os outros, fazer render o tempo que Deus põe à nossa disposição… E tantos outros detalhes, aparentemente insignificantes – contrariedades, dificuldades, dissabores – que surgem ao longo do dia sem que os procuremos”11.
Podemos fazer diariamente a nossa oferenda ao Senhor, porque diariamente podemos ter um encontro com Ele na Santa Missa e na Comunhão: podemos colocar na patena do sacerdote a nossa oblação, feita de coisas pequenas que Jesus aceitará. Se o fizermos com reta intenção, essas pequenas coisas que oferecermos ganharão muito mais valor que o ouro, o incenso e a mirra, porque se unirão ao sacrifício de Cristo, Filho de Deus, que se oferece a si próprio12.

III. COM A FESTA DE HOJE, a Igreja proclama a manifestação de Jesus a todos os homens, de todos os tempos, sem distinção de raça ou nação. Ele “instituiu a nova aliança no seu sangue, convocando entre os judeus e os gentios um povo que se congregará na unidade… e constituirá o novo Povo de Deus”13. Nos Reis Magos, vemos milhares de almas de toda a terra que se põem a caminho para adorar o Senhor. Passaram vinte séculos desde aquela primeira adoração, e esse longo desfile do mundo gentio continua chegando a Cristo.
A festa da Epifania incita todos os fiéis a partilharem dos anseios e fadigas da Igreja, que “ora e trabalha ao mesmo tempo, para que a totalidade do mundo se incorpore ao Povo de Deus, Corpo do Senhor e Templo do Espírito Santo”14. Nós podemos ser daqueles que, estando no mundo, imersos nas realidades temporais, viram a estrela de uma chamada de Deus e são portadores dessa luz interior que se acende em conseqüência do trato diário com Jesus. Sentimos, pois, a necessidade de fazer com que muitos indecisos ou ignorantes se aproximem do Senhor e purifiquem a sua vida.
A Epifania é a festa da fé e do apostolado da fé. “Participam desta festa tanto os que já chegaram à fé como os que se põem a caminho para alcançá-la […]. Participa desta festa a Igreja, que cada ano se torna mais consciente da amplitude da sua missão. A quantos homens é necessário levar ainda a fé! Quantos homens é preciso reconquistar para a fé que perderam, numa tarefa que é às vezes mais difícil do que a primeira conversão! No entanto, a Igreja, consciente desse grande dom, o dom da Encarnação de Deus, não pode deter-se, não pode parar nunca. Deve procurar continuamente o acesso a Belém para todos os homens e para todas as épocas. A Epifania é a festa do desafio de Deus”15.
A Epifania recorda-nos que devemos esforçar-nos por todos os meios ao nosso alcance para que os nossos amigos, familiares e colegas se aproximem de Jesus: para uns, será fazer com que leiam um livro de boa doutrina; para outros, dizer-lhes ao ouvido umas palavras vibrantes a fim de que se decidam a pôr-se a caminho; para outros, enfim, falar-lhes da necessidade de uma formação espiritual.
Ao terminarmos hoje a nossa oração, não pedimos a estes santos Reis que nos dêem ouro, incenso e mirra; parece mais lógico que lhes peçamos que nos ensinem o caminho que leva a Cristo, a fim de que cada dia lhe levemos o nosso ouro, incenso e mirra. Peçamos também “à Mãe de Deus, que é nossa Mãe, que nos prepare o caminho que conduz à plenitude do amor: Cor Mariae dulcissimum, iter para tutum! Seu doce coração conhece o caminho mais seguro para encontrarmos o Senhor. Os Reis Magos tiveram uma estrela; nós temos Maria, Stella maris, Stella Orientis”16.

(1) Antífona de entrada da Missa do dia 6 de janeiro; (2) Sl 71; Salmo responsorial da Missa do dia 6 de janeiro; (3) Mt 2, 10; (4) Jacques Leclercq, Seguindo o ano litúrgico, pág. 100; (5) Mt 2, 11; (6) São Josemaría Escrivá, É Cristo que passa, n. 35; (7) Mt 2, 11; (8) São Josemaría Escrivá, É Cristo que passa, n. 35; (9)ibid., n. 36; (10) ibid., n. 37; (11) ibid.; (12) cfr. Oração sobre as oferendas da Missa do dia 6 de janeiro; (13) Concílio Vaticano II, Constituição Lumen gentium, 9; (14) ibid., 17; (15) João Paulo II, Homilia, 6-I-1979; (16) São Josemaría Escrivá,É Cristo que passa, n. 38.

 

EPIFANIA
Por Mons. Inácio José Schuster

Celebramos hoje no Brasil a solenidade da Epifania, isto é, a manifestação de Jesus.
Como são simpáticas estas figuras que o Evangelista Mateus, chama Magos. A tradição posterior se encarregou de enriquecê-los. Seriam três Reis, e até mesmo nomes lhes foram outorgados.
Teriam vindo da Pérsia, eram astrólogos, examinavam os astros, procuravam ler o futuro da história e dos homens nos astros, ou quem sabe, através do exame das vísceras de animais, uma prática supersticiosa, que a bem da verdade o Antigo Testamento sempre condenou.
Mas o Evangelista não nos apresenta estas figuras de maneira antipática, eles são extremamente simpáticos, se não vejamos, eles são capazes de perscrutar os céus, olham para os céus.
Enquanto nós teimarmos em não olhar para os céus, enquanto nós apenas olharmos para nossos talões de cheque, para os nossos cartões de crédito, para a terra que produz as nossas frutas, enquanto nós olharmos apenas para o dinheiro que possuímos no banco, ou então para as riquezas deste mundo e os bens de consumo, nós não encontraremos os sinais de Deus.
Estes olharam para os céus, e lá descobriram sinais que podiam conduzi-los ao Rei dos Judeus.
Bateram as portas do rei da Judéia ou da Palestina, Herodes. Quem melhor do que ele, não podia estar avisado a respeito do surgimento do Rei dos Judeus, mas Herodes não estava interessado em concorrentes, ele que havia mandado matar sua mulher e três filhos e a sogra.
Reuniu o alto-clero, que embora tendo apontado a profecias de Miquéias, não se dignou ir com estes Magos até Belém.
Foram perseverantes no encontro de Deus, e se encontraram com o Menino Jesus, se encontraram com Deus. Eles são uma lição para todos nós que começamos 2012.
Epifania é a festa da manifestação Jesus. Está pronto a se manifestar a todos os homens, esta é a festa missionária por excelência a todos os homens e mulheres deste mundo, quaisquer que sejam suas condições sociais, com uma condição: que eles se ponham a caminho como os Magos, que eles também olhem e perscrutem os Céus de Deus como os Magos.
Que eles perguntem e indaguem como os Magos, que eles não sejam preguiçosos nas coisas de Deus, como não foram os Magos, que hoje veneramos nesta solenidade tão alegre e tão significativa de nosso Natal.

 

EPIFANIA: A MANIFESTAÇÃO DE JESUS AOS HOMENS

Epifania significa “manifestação”. Jesus se dá a conhecer. Embora Jesus tenha aparecido em diferentes momentos a diferentes pessoas, a Igreja celebra como Epifanias três eventos:
A festa da Epifania tem sua origem na Igreja do Oriente. Diferentemente da Europa, no dia 6 de janeiro tanto no Egito como na Arábia se celebra o solstício, festejando o sol vitorioso com evocações míticas muito antigas. Epifanio explica que os pagãos celebravam o solstício invernal e o aumento da luz aos treze dias desta mudança; nos diz também que os pagãos faziam uma festa significativa e suntuosa no templo de Coré. Cosme de Jerusalém conta que os pagãos celebravam uma festa muito antes dos cristãos com ritos  noturnos nos quais gritavam: “a virgem deu à luz, a luz cresce”.
Entre os anos 120 e 140 dC os gnósticos trataram de cristianizar estes festejos celebrando o batismo de Jesus. Seguindo a crença gnóstica, os cristãos de Basílides celebravam a Encarnação do Verbo na humanidade de Jesus quando foi batizado. Epifanio trata de dar-lhes um sentido cristão ao dizer que Cristo demonstra assim ser a verdadeira luz e os cristãos celebram seu nascimento.
Até o século IV a Igreja começou a celebrar neste dia a Epifania do Senhor. Assim como a festa de Natal no ocidente, a Epifania nasce contemporaneamente no Oriente como resposta da Igreja à celebração solar pagã que tentam substituir. Assim se explica que a Epifania no oriente se chama: Hagia phota, quer dizer, a santa luz.
Esta festa nascida no Oriente já era celebrada na Gália a meados do séc. IV onde se encontram vestígios de ter sido uma grande festa para o ano 361 dC. A celebração desta festa é um pouco posterior à do Natal.

Os Reis Magos
Enquanto no Oriente a Epifania é a festa da Encarnação, no Ocidente se celebra com esta festa a revelação de Jesus ao mundo pagão, a verdadeira Epifania. A celebração gira em torno à adoração à qual foi sujeito o Menino Jesus por parte dos três Reis Magos (Mt 2, 1-12) como símbolo do reconhecimento do mundo pagão de que Cristo é o salvador de toda a humanidade.
De acordo com a tradição da Igreja do século I, estes magos são como homens poderosos e sábios, possivelmente reis de nações ao leste do Mediterrâneo, homens que por sua cultura e espiritualidade cultivavam seu conhecimento do homem e da natureza esforçando-se especialmente para manter um contato com Deus. Da  passagem bíblica sabemos que são magos, que vieram do Oriente e que como presente trouxeram incenso, ouro e mirra; da tradição dos primeiros séculos nos diz que foram três reis sábios: Belchior, Gaspar e Baltazar. Até o ano de 474 d.C seus restos estiveram na Constantinopla, a capital cristã mais importante no Oriente; em seguida foram trasladados para a catedral de Milão (Itália) e em 1164 foram trasladados para  a cidade de Colônia (Alemanha), onde permanecem até nossos dias.
Trazer presentes às crianças no dia 6 de janeiro corresponde à comemoração da generosidade que estes magos tiveram ao adorar o Menino Jesus e trazer-lhe presentes levando em conta que “o que fizerdes a cada um destes pequenos, a mim o fazeis” (Mt 25, 40); às crianças fazendo-lhes viver formosa e delicadamente a fantasia do acontecimento e aos adultos como mostra de amor e fé a Cristo recém nascido.

Fonte: ACI

Natal, Sagrada Família, Ano Novo

10 Verdades sobre o Natal
http://blog.cancaonova.com/felipeaquino/2015/12/28/10-verdades-sobre-o-natal/

1- O Papai Noel é um mito, Jesus é uma realidade! Papai Noel é um deleite, Jesus um Sacrifício.

2- A nossa expectativa em esperar o Natal é a mesma de toda a humanidade de todos os tempos a espera de que o Filho de Deus viesse a nós, em nossa natureza, para de novo ligar o Céu com a Terra.

3- O Natal nos lembra que estamos mergulhados no amor de Deus e não damos conta disso.

4- “Estarias morto para sempre, se Ele não tivesse nascido no tempo. Jamais te libertarias da carne do pecado”. Santo Agostinho

5- “O Natal é a primeira festa litúrgica, o recomeçar do ano religioso, como a nos ensinar que tudo recomeçou ali”. Dom Fernando Rifan

6- “O Natal é o terreno seguro e sempre fecundo, onde brota a esperança da humanidade”. São João Paulo II

7- “Se não tens nem incenso nem ouro para oferecer a Jesus, oferece-Lhe a mirra do teu sofrimento!” São Pio de Pietrelcina

8- Deus se fez homem e nasceu entre nós de maneira humilde e silenciosa, para dizer a cada pessoa de maneira muito concreta: “Eu te amo!”

9- Depois que o Verbo se fez Homem, assumiu nossas dores e sepultou a nossa morte, com a Sua morte, ninguém mais pode duvidar do Amor de Deus.

10- “És Maria, a beleza e o esplendor da terra, és o protótipo da santa Igreja. Por uma mulher, veio a morte, por outra mulher a Vida.” Santo Agostinho

 

NATAL
+ Eurico dos Santos Veloso

O ano litúrgico é composto de dois ciclos. Os ciclos do Natal e Páscoa. A Festa do Natal esta inserida no ciclo do Natal e sendo assim esta é a segunda festa mais importante do ano litúrgico, visto que a primeira festa mais importante é a Festa da Páscoa (ressurreição). O Natal é a festa da alegria, esperança e luz, que é celebrada todos os anos no final do ano civil e inicio do ano litúrgico para revigorar em cada filho e filha de Deus o valor pela própria vida com base nos ensinamentos divinos. O nascimento do menino Jesus ou a vinda do Messias foi predito pelos profetas do antigo testamento. O Filho de Deus era esperado como Aquele que libertaria os pequeninos dos poderes tirânicos dos grandes imperadores da época, mas que para a surpresa de muitos e desapontamento de outros se mostrou um Rei compassivo com uma nova forma de justiça diferente da justiça humana aplicada naquele contexto. A Justiça Divina desenvolvida na figura humano do Cristo igualou todas as raças. Esta Justiça vinda do alto ofereceu maior unidade no povo de Deus, diferente da justiça humana que é uma justiça distributiva dada somente a quem “merece” ou à aqueles que agradavam aos poderes.
O Cristo Rei do Universo vai nascer novamente, mesmo que esteja sufocado com uma contínua preocupação das pessoas com o aspecto material, uma situação que acaba por si mesma colocando em outro plano o que deveria ser primordial. Uma procura continua em comprar e em consumir o que acaba mudando totalmente o sentido natalino. Um Deus tão bondoso que quer se doar aos seus, acaba sendo esquecido e simplesmente o mercado coloca outra figura em seu lugar. Alguns personagens que o mercado usa para colocar no lugar Daquele que deveria ser rememorado vêm destruir não somente o valor da festa de Cristo, mas também valores familiares dando méritos a um ser fictício.
A Encarnação do Verbo é o Supremo ato de amor de Deus que assume a condição humana em sua totalidade. O nascimento do menino Jesus assume não somente a sua corporeidade individual, mas também a condição corpórea de toda a humanidade, integrada em todos os valores de dignidade, justiça e verdade. Todas estas nuâncias são revestidas do amor Divino. “Deus é amor e aquele que permanece no amor, permanece em Deus e Deus, nele” (1Jo 4,16). A encarnação do Filho de Deus é a revelação da presença real amorosa, terna, vivificante e eterna de Deus entre homens e mulheres.  O prólogo do evangelho de João apresenta a origem Divina de Jesus como a Palavra eterna que procede de Deus, fazendo-se carne, morando entre nós, e, por Graça, nos tornam filhos etenos na eternidade de Deus.
É verdade: no estábulo de Belém, na fragilidade de uma criança, se contempla a revelação de Deus na história da humanidade, onde apareceu a grande luz que o mundo esperou. Naquele Menino deitado na manjedoura, Deus mostra a sua glória – a glória do amor, em que Ele mesmo Se entrega em dom e Se despoja de toda a grandeza, para nos conduzir pelo caminho do amor. Esta luz de Belém nunca mais se apagou. Ao longo dos séculos, envolveu homens e mulheres, cercou-os de luz, onde despontou a fé naquele Menino, aí desabrochou também a caridade, a bondade para com todos, a carinhosa atenção pelos débeis e os doentes e a graça do perdão. A partir de Belém, um rastro de luz, de amor, de verdade atravessa os séculos. Olhando os Santos se vê esta corrente de bondade, este caminho de luz que se inflama, sempre de novo, no mistério de Belém, naquele Deus que Se fez Menino!
Celebrar o Natal é fazer memória dos fatos libertadores realizados por Deus por meio do seu Filho Jesus, que com sua luz, trouxe a salvação a toda humanidade, fazendo-a brilhar para extinguir as trevas e as incertezas humanas.
Exultem todos no Senhor: nascera o salvador do mundo. Do céu desce a verdadeira paz e felicidade. Na fragilidade da criança contempla-se a revelação de Deus na história da humanidade. Deus se encarna no humano para nos tornar divinos. Naquela manjedoura do presépio, a divindade de uma criança sinaliza-nos de que a salvação é uma realidade para os pobres e oprimidos, pois a graça de Deus traz essa salvação para cada um de seus filhos. Por meio do Menino Jesus, Deus entra na história da humanidade para fazer parte dela, uma vez que Jesus é o Senhor e o Sujeito da história Um Menino que se deixa conhecer pelas vias expressas do coração.
Portanto, acolhamos o Natal de Jesus, festa de alegria, esperança e luz. Este acontecimento é capaz de renovar a nossa vida em nosso itinerário humano nos dias de hoje. Que o encontro com o Menino Jesus nos transforme em pessoas que não pensem somente em si mesmas, mas que se abram às expectativas e às necessidades dos irmãos. “Natal é a presença salvífica de Deus no mundo. Com o nascimento da criança ou menino de Deus renasce a unidade nas famílias que formam o povo de Deus.

SAGRADA FAMÍLIA

Depois de contemplarmos o presépio vivendo ainda a oitava do Santo Natal a Igreja, peregrina e santa, nos convida a refletir sobre a realidade da família de Deus, que é a realidade de nossas famílias hoje.
A Sagrada Família passou por alegrias, dificuldades e, também, por grandes sofrimentos. Após o episódio do Templo, em que aparece no meio dos doutores da lei, os pais de Jesus reconheceram a sua missão específica. Eles não põem nenhuma objeção à vontade do Pai. Nesta família reinou a caridade e a ajuda entre todos, a chamada ajuda mútua, os elementos fundamentais da vivência familiar.
Porque celebrar a família de Deus? Tudo isso para sublinhar que Jesus teve um ambiente histórico e social. Ele teve necessidade de afeto e de cuidados como qualquer outra criança. Isso tudo ilumina nosso itinerário cristão para que os cristãos mirem na Sagrada Família para que, seguindo seus exemplos, possamos crer no Filho de Deus, o Cristo Redentor da Humanidade.
A Sagrada Família foi uma família do cotidiano. Foi uma família de pessoas normais. Maria e José procuravam com sofreguidão por Jesus: aqui está a humanidade da sagrada família que sofre e quer proteger o seu Filho. Este gesto demonstra bem o fio condutor do novo Testamento: a criatura humana é um ser à procura de Deus, que parece estar despreocupado conosco.
Todos temos essa experiência. Se Maria e José, que conviviam fisicamente com Ele, devem sair à sua procura, quanto mais os que como nós só podem viver com Ele pela fé. Mas, depois do desencontro, Jesus volta com seus pais para a sua casa. A obediência de Jesus é maior do que a obediência ao pai e a mãe terrenos; ela se prende à vontade do Pai do Céu. Enfim, o testemunho do Cristo e de seus pais demonstra, também, o imenso resplendor que pode atingir uma vida familiar comum, vivenciada em Deus, na simplicidade e num grande amor compartilhado entre todos.
Que as nossas famílias se espelhem na vida da Sagrada Família e que todos nós possamos valorizar a vida familiar, na graça, na paz e na oração que ilumina a família, nossa Igreja Doméstica.

ANO NOVO
+ Dom Paulo Mendes Peixoto
Ainda em clima de natal, mas com gosto de ano novo, iniciamos o 2016 celebrando o Dia Mundial da Paz e da Fraternidade Universal. A presença de Jesus Cristo, nascido de Maria, é a causa principal e motivadora de paz para todo o ano.
É fundamental, no primeiro dia, evocar a bênção de Deus, já que Ele é “o Senhor que salva”. Assim faz “brilhar sua face” sobre o povo e sobre a humanidade. Em Israel, no início do ano, o sacerdote dava a bênção sobre povo.
Pedir a bênção é querer a paz para a natureza e para o ser humano. Para quem a deseja, Deus deixa brilhar “a luz de sua face”. Só Ele pode abençoar, mas isto acontece também através de todos nós quando nos colocamos como seus verdadeiros instrumentos.
O ano novo deve ser tempo de liberdade, de superação de toda lei que massacra e causa escravidão. Não podemos colocar jugos, pesos sobre os ombros dos outros em nome de certos conceitos. As bênçãos de Deus nos tornam livres e irmãos de Jesus Cristo.
Recebemos um nome, que nos identifica e nos dá a dignidade de humanos. Ele é a nossa referência o ano todo, formando um caminho de responsabilidade. As atitudes sejam de pastores, que cuidam das ovelhas e são preocupados com o bem da humanidade.
Com um nome, com aquilo que nos dá cidadania, somos inseridos na sociedade humana tendo direitos e deveres, cidadãos de uma comunidade política na realização do bem comum. Que esta tarefa não seja traída neste novo ano!
De uma forma ou de outra, pertencemos a uma comunidade de pessoas, onde somos referência de identidade. Quem não pertence a nada não representa ninguém. A perda de identidade fragiliza os compromissos com o bem comum.
Que neste novo ano todas as nossas tradições, culturas, estruturas políticas, sociais e religiosas nos levem por um caminho de vida sadia, fraterna, justa e honesta. Que consigamos superar o mundo de corrupção tão nefasto para o nosso país.

Histórias e contos de Natal

Nenhum conto pode competir com o que escreveu Charles Dickens em 1844, Conto de Natal.
Através dos sonhos que sobressaltam ao rico avarento Mr Scrooge, Dickens sabe evocar todas as nostalgias do Natal. E mostra que o principal calor desses dias nasce do carinho nos lares. Boa pregação e mensagem para as festas. Poucos o terão lido e quase todos o terão visto em alguma das múltiplas versões cinematográficas. Porque é uma das histórias que mais vezes foi levada ao cinema. A primeira foi em 1913.
Desde então, se rodou de todas as maneiras possíveis, inclusive em desenhos animados (Murakami) e com fantoches (e Michel Caine). Mas a versão mais famosa é a de Brian Desmond Hust (1951), com um impressionante Alistair Sin como Mr Scrooge. Ano após ano, volta à tela, o inesquecível filme de Frank Capra, Que belo é viver. No fundo, é uma releitura da história de Dickens. Com James Stewart a ponto de suicidar! se, um simpático anjo não lhe fizesse pensar no que teria passado se não tivesse vivido. Ninguém está sobrando no mundo. Também é uma boa mensagem de Natal.
Algo tem o Natal quando suas histórias e contos podem dizer-nos simplesmente coisas tão importantes. Como se estivessem dirigidas a crianças, são recordadas aos grandes. Já as sabemos, mas, em outras circunstâncias, nos dá pudor dizê-las. Quiçá porque são enormemente bonitas, simples e ternas. Em outras épocas do ano, preferimos linguagens abstratas, que sempre são menos ternas que os contos. Provavelmente é uma maneira de resistir-se a reconhecer que, no fundo, seguimos sendo crianças. Porque aspiramos ao mesmo que elas: um pouco de carinho, um pouco de proteção, um pouco de festa e tempo para brincar. O mundo dos grandes, com suas seriedades e preocupações, é só para as horas de trabalho. Mas a felicidade tem que ver com o que ingenuamente desejam as crianças. Não há outra fórmula: “Se não vos fizerdes como as crianças, não entrareis no Reino dos Céus…”.
O Natal, por ser para as crianças, é tempo de histórias e contos. E, desde que existe a Internet, podem ser encontrados milhares na rede. Para todos os gostos. Também há contos horrorosos, desesperançados e pós-modernos. Querem ser contos para os grandes e, por isso mesmo, perderam o Norte, e não sabem aonde vão. Pelo contrário, me aconselharam o conto que publicou faz poucos anos Enrique Monasterio, A Manjedoura que Deus colocou. Começa de uma maneira preciosa: “No princípio Deus quis colocar um Presépio e criou o universo para enfeitar a manjedoura”. Explica que o Natal “não é um aniversário, nem uma recordação; muito menos é um sentimento; é o dia em que Deus coloca uma manjedoura em cada alma”. E com essa inspiração constrói seu relato. Estupendo.
Mas a principal história do Natal não é um conto nem uma recreação literária. É a recordação do Nascimento de Jesus, o Filho de Deus que nasceu de Maria naquela noite, santa desde então.
Por isso, antes que um conto, no Natal é preciso recomendar os começos do Evangelho de São Lucas e de São Mateus. Na Alemanha, existe o entranhável costume de ler em família, em voz alta, junto a Manjedoura, o capítulo 2 de São Lucas, na mesma noite de Natal. Ali aparecem Maria e José, e nos é contado que não encontraram lugar na pousada, e que tiveram que buscar um presépio. E se recorda a imensa alegria dos anjos e seu anúncio aos pastores. Com essa mensagem de Deus, que sempre é oportuna para os homens que devemos ser crianças: “Glória a Deus no Céu e paz na terra aos homens que ama o Senhor”.

JESUS VEM ME VISITAR!
Imagine que um amigo lhe telefona agora e avisa que daqui a 30 minutos Jesus virá visitá-lo.
Desligando o telefone você olha ao seu redor e vê que a faxina não foi feita, não há nada especial na geladeira ou na despensa para servir e corre para varrer rapidinho a sala, arruma umas almofadas no sofá para que Jesus se sinta mais confortável e coloca uma Bíblia estrategicamente aberta na mesa de centro.
Esconde os cigarros, os cinzeiros sujos, as bebidas alcoólicas, as revistas impróprias, CDs de rock pesado, forró duplo sentido, os livros de bruxas e Harry Potter dos seus filhos adolescentes, DVDs inadequados a uma casa cristã, o buda de gesso, os livros de Kardec, Paulo Coelho e esoterismo que estão na estante, e de repente bate o desespero.
É tanta coisa para esconder de Jesus que nem dará tempo tentar, e o pior, ainda preciso tomar um banho, pentear os cabelos e vestir uma roupa apropriada para a ocasião! Mas que roupa deveria vestir?
O desespero se instala!
O celular toca. É seu amigo novamente, agora avisando que Maria Santíssima virá com seu Filho Jesus e trarão também alguns anjos da corte celeste.
E agora? Como receberei o céu em minha casa no meio daquele caos? Sento-me exausto e choro. Choro e esqueço do relógio. Minha vida passa por meus pensamentos com um filme. A cada erro que relembro ter cometido, é como se uma espada penetrasse o meu coração por ter ofendido à Deus. Enquanto aquele choro sincero lava a minha alma esqueço da hora e me assusto com a campainha que toca. Vou cabisbaixo abrir a porta, como olharei para Jesus, Maria e seus anjos, todo desgrenhado, olhos inchados, suado e infeliz?
Ao me deparar com o Rei dos reis na minha porta, meu impulso é jogar-me ao chão. O impacto da Sua presença me paralisa. Passado o choque, mãos fortes e amorosas, mãos paternais me ajudam a levantar, e uma voz cálida e trovejante me transpassa a alma ferida. Aqueles olhos profundos, de uma santidade e misericórdia jamais descritíveis, me olham com um misto de piedade e alegria. Esqueço de quem sou e me entrego a um abraço longo, onde todo um passado equivocado é trocado por uma nova vida de certezas.
Já refeito, olho para a doce Mãe ali na porta da minha casa esperando ser acolhida, e então os convido:
Meu Senhor e minha Mãe, não tenho nada para ofertar-lhes, minha casa está despreparada assim como está também o meu coração, mas, vejo todo o amor do mundo em vossos olhos e seria uma imensa honra recebê-los. Se ainda quiserem, por favor, podem entrar!
Estamos no advento. Todos os anos nós cristãos deveríamos aproveitar este período para refazer nosso relacionamento com Deus e nos preparar dignamente para recebê-lo, não somente no natal, mas, em qualquer dia, todos os dias!
Quando Jesus veio pela primeira vez muitos O rejeitaram e nossos pecados O rejeitam até hoje.
Ele vem pela segunda e definitiva vez. A hora e o dia não sabemos, mas, estejamos prontos para que não sejamos surpreendidos de mãos e corações vazios.
“Haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas. Na terra a aflição e a angústia apoderar-se-ão das nações pelo bramido do mar e das ondas. Os homens definharão de medo na expectativa dos males que devem sobrevir a toda a terra. As próprias forças dos céus serão abaladas. Então verão o Filho do homem vir sobre uma nuvem com grande glória e majestade. Quando começarem a acontecer estas coisas, reanimai-vos e levantai as vossas cabeças; porque se aproxima a vossa libertação” (Lc 21, 25-28).
“Velai sobre vós mesmos, para que os vossos corações não se tornem pesados com o excesso de comer, com a embriaguez e com as preocupações da vida; para que aquele dia não vos apanhe de improviso. Como um laço cairá sobre aqueles que habitam a face de toda a terra. Vigiai, pois, em todo o tempo e orai, a fim de que vos torneis dignos de escapar a todos estes males que hão de acontecer, e de vos apresentar de pé diante do Filho do homem” (Lc 21, 34-36).
“Eis que Estou à porta e bato: se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei Eu com ele, e ele Comigo” (Ap 3, 20).
“Se alguém Me ama, guardará a Minha palavra e o meu Pai o amará e a ele viremos e nele estabeleceremos a nossa morada” (Jo 14, 23).

Natal

Em dezembro de 2008 foi publicada na Zero Hora esta charge: “Existe um homem que não vai descansar enquanto não matar Jesus e o verdadeiro sentido do Natal que ele representa. Herodes? Não papai Noel” (veja anexo). E hoje ao ler a Zero Hora vejo estampada na contra capa a imagem: Maria de braços abertos e Papai Noel descendo da Catedral de Pedra (veja anexo).
Diz a reportagem: “Em vez de trenó, rapel. Foi descendo pelas paredes da Catedral de Pedra, em Canela, que Papai Noel abriu oficialmente a programação natalina na cidade da Serra. E mais: “fazendo rapel, o bom velhinho, acompanhado de oito gnomos, desceu os 65 metros da fachada da torre do prédio”. Talvez seja bom saber o que são gnomos.
Segundo a WIKIPÉDIA– a enciclopédia livre…
“Os gnomos são espíritos de pequena estatura amplamente conhecidos e descritos entre os seres elementais da terra. A origem das lendas dos gnomos terá muito provavelmente sido no oriente e influenciado de forma decisiva a cultura antiga da Escandinávia.
Com a evolução dos contos, o gnomo tornou-se na imaginação popular um anão, senão um ser muito pequeno com poucos centímetros de altura. É comum serem representados como seres mágicos não só protetores da natureza e dos seus segredos como dos jardins, aparecendo como ornamento. Usam barretes vermelhos e barbas brancas, trajando por vezes túnicas azuis ou de cores suaves. Na mitologia nórdica, os gnomos confundem-se com a tradição dos anões, pelo que não é invulgar associá-los a seres que habitam as cavernas ou grutas escuras e não suportam a luz do sol. No conceito geral, têm a capacidade de penetrar em todos os poros de terra e até de se introduzirem nas raízes das montanhas, explorando os mais ricos minérios ocultos e trabalhando-os com intenso e delicado labor. Como são difíceis de ver, simbolizam o ser invisível que através do inconsciente ou da imaginação e visão onírica tornam visíveis os objetos e materiais desejados pela cobiça humana. São os guardiões de tesouros íntimos da humanidade. Por vezes um gnomo capturado pode conceder desejos a um humano que o capture, mas a maioria das vezes o desejo realizado pode acabar por se tornar uma maldição. Tal atitude deve-se ao fato que um gnomo castiga com ardis o ser que odeia e, por isso, na imaginação popular da cultura européia mediterrânea o gnomo é feio, disforme e malicioso”.
O segundo domingo do advento nos interpelou a “preparar o caminho do Senhor” (e não do Papai Noel) e esta preparação não só passa pelo coração (conversão para o perdão dos pecados) mas pelo testemunho de João passa também pelo jeito de comer e vestir (João vestia pele de camelo e comia mel do campo e gafanhotos (frutas do lokustbaum ).
Eu me pergunto: até que ponto estamos colaborando para matar Jesus e o verdadeiro espírito do Natal que ele representa, dando espaço para Papai Noel e os gnomos descerem das fachadas das nossas Igrejas? Estaremos ajudando a promover o consumismo do Natal e nos esquecendo que precisamos nos preparar para receber o Senhor e o novo que Ele nos traz? É neste espírito que mergulha a nossa evangelização? Nossas santas missões vão descer das fachadas de nossas igrejas e trazer um novo espírito que animem nossos cristãos a vivencia do Evangelho ou de nossas fachadas apenas vão continuar a descer o papai Noel e seus gnomos?
Os milhares de turistas voltam para casa do Natal Luz, do Sonho de Natal, do Natal dos Anjos (e de tantos outros que se criaram apenas com fins comerciais) convertidos para viverem o verdadeiro espírito do Natal? Ou tudo não passa de fachada? Se a nossa evangelização não atinge o centro do espírito do Natal o que restará no futuro para nosso povo? Jesus? Papai Noel?
Vamos pensar nesta charge, feita por um jornalista, mas que reflete o que estamos vivendo no momento presente…
Pe. Paulo Wendling

O Advento e a necessidade de vigilância

“Que o Senhor não nos encontre dormindo, mas vigilantes”, diz padre Mário destacando o Advento como tempo de vigilância e obras de caridade

Padre Mário Marcelo Coelho, scj
Doutor em Teologia Moral

“Alegrai-vos sempre no Senhor. De novo eu vos digo: alegrai-vos!  O Senhor está perto”

O termo Advento vem do latim adventum que significa vinda ou chegada e refere-se às quatro semanas antes do Natal. Pelo Advento, nos preparamos para celebrar a primeira vinda do Senhor, ou seja, o Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo e a expectativa da segunda vinda do Senhor. Por isso a característica deste tempo, com o qual começa o ano da Igreja, é a penitência como preparação para receber Aquele que está para vir. O caráter penitencial do advento é acentuado pela cor litúrgica, que é o roxo.

O tempo de Advento recorda-nos a realidade de um Senhor que vem ao encontro dos homens e que, no final da nossa caminhada por esta terra, nos oferecerá a vida definitiva, a felicidade sem fim. O tempo do Advento é, também, o tempo da espera do Senhor. A palavra fundamental é “vigilância”: o verdadeiro discípulo deve estar sempre “vigilante”, cumprindo com coragem e determinação a missão que Deus lhe confiou. Estar “vigilante” não significa, contudo, preocupar-se em ter sempre a “alma” limpa para que a morte não o apanhe com pecados; mas significa viver sempre ativo, empenhado, comprometido na construção de um mundo de vida, de amor e de paz.

Pedagogicamente dizendo, advento é um tempo que a Liturgia dispõe à Igreja com a finalidade de preparar os cristãos para a celebração do Natal. Como é natural, trata-se de uma preparação espiritual, incentivando os católicos a preparar o coração e a alma para o encontro com o Senhor. Mas, não é somente preparação do Natal. No caso do Advento, estamos diante de dois aspectos desta preparação: aquela da 2ª vinda e que Paulo escreve aos Tessalonicenses sobre o “Dia do Senhor”, o dia do juízo final, quando nos encontraremos face a face com Deus (1Ts 5,1-6) e, a preparação da 1ª vinda, que celebramos no Natal.

Quanto ao primeiro aspecto do Advento, de preparar-se para a 2ª vinda do Senhor, a vigilância espiritual pode ser considerada a partir do cuidado em vista do encontro final com o Senhor, no Final dos Tempos. Para isso, é preciso ficar atentos aos sinais dos tempos, como o próprio Jesus adverte, e o melhor meio para não se descuidar e nem se distrair dos sinais dos tempos é pela vigilância espiritual. Por vigilância espiritual entende-se o cuidado, para que o nosso espírito não se afaste das coisas de Deus, mas se mantenha fiel ao projeto divino. São muitas as ocasiões para distrair-se das coisas de Deus, podendo nos anestesiar daquilo que é divino e descuidar-nos de alimentar nosso espírito com as coisas do alto.

O Advento é tempo para incentivar com mais intensidade a oração, a leitura da Palavra, a penitência e as obras de caridade. A vigilância é feita preferencialmente com a oração e, a oração nos mantém acordados para o encontro do Senhor, em sua 2ª vinda.

Quanto ao segundo aspecto do Advento, da preparação para o Natal de Jesus, é a alegria da nossa salvação pela encarnação do Verbo de Deus. Neste tempo que a publicidade natalina vem alimentar nosso espírito com “belas” e “boas” mensagens de tempos novos, repletos de paz e de harmonia fraterna, é preciso ficar atentos para não nos alimentar com fantasias e imagens enganosas. O alimento espiritual deste tempo que nos aproxima do Natal não pode se limitar a poesias ou mensagens vazias. Precisa de algo mais sólido como a oração diária, a meditação da Palavra de Deus e as obras de caridade.

A coroa do Advento

Um dos muitos símbolos do Natal é a coroa do Advento que, por meio de seu formato circular e de suas cores, expressa a esperança e convida à alegre vigilância. Na confecção da coroa são usados ramos de pinheiro e cipreste, únicas árvores cujos ramos não perdem suas folhas no outono e estão sempre verdes, mesmo no inverno, ou seja, mesmo em tempos difíceis. Os ramos verdes são sinais da vida que resiste; são sinais da esperança. A coroa é envolvida com uma fita vermelha que lembra o amor de Deus que nos envolve e nos foi manifestado pelo nascimento de Jesus. Na coroa, são colocadas quatro velas referentes a cada domingo que antecede o Natal. A luz vai aumentando à medida em que se aproxima o Natal, festa da luz que é Cristo, quando a luz da salvação brilha para toda humanidade.

Quanto às cores das quatro velas, a mais usada é a cor vermelha. Em alguns lugares costumava-se usar velas nas cores roxa e uma vela cor rósea referente ao terceiro domingo do Advento, quando celebra-se o  “Domingo Gaudete” (Domingo da Alegria), a alegria de quem se sente perdoado. O terceiro domingo se inicia com a seguinte proclamação: “Alegrai-vos sempre no Senhor. De novo eu vos digo: alegrai-vos! O Senhor está perto”. Estando já próxima a chegada do Homem-Deus, a Igreja pede que “a bondade do Senhor seja conhecida de todos os homens”. Atualmente em muitos lugares tem-se usado cada uma de uma cor.

O tempo do Advento quer sensibilizar-nos para a celebração do Natal do Senhor e para a segunda vinda de Jesus. O apelo que Cristo nos lança à vigilância é para ser tomado bem a sério. Que o Senhor não nos encontre dormindo, mas vigilantes. Este é o convite que Jesus nos faz: “Vigiai!” Como os Profetas, Maria, José, os pastores, os Reis Magos… Se vigiamos, o nosso presente e o nosso futuro encontrar-se-ão. É isso a Esperança.

Quais são os dias santos de guarda?

Os “dias santos”, em que todos os católicos têm a obrigação, de preceito, de participar da Santa Missa são:

1 – Todos os domingos do ano;
2 – O dia de Natal, 25 de dezembro;
3 – A solenidade da Santíssima Mãe de Deus, no dia 1º de Janeiro,que comemora o dogma da Maternidade divina de Maria, fonte de todos os seus privilégios;
4 – A Epifania (festa dos reis magos), dia 6 de janeiro, mas que no Brasil passou para o domingo seguinte (mais próximo do dia 6 de janeiro). Comemora-se a manifestação de Jesus aos Magos, os primeiros pagãos, e, consequentemente a todos os povos; não só aos judeus;
5 – São José, dia 19 de março. No Brasil, a CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) não considerou como dia de preceito a Solenidade de São José (19 de março). Portanto, no Brasil não é dia santo de guarda.
6 – Ascensão de Jesus ao Céu (antigamente na quinta-feira, 40 dias depois da Páscoa), quando se comemora a subida gloriosa de Jesus aos céus. No Brasil é comemorada no domingo após os 40 dias decorridos da Páscoa);
7 – Corpus Christi, sempre numa quinta-feira após a oitava de Pentecostes (oito dias após a Solenidade de Pentecostes), quando a Igreja adora a Presença Real de Cristo no Sacramento da Eucaristia;
8 – São Pedro e São Paulo, dia 29 de junho; passou no Brasil para o domingo seguinte, mais próximo do dia 29 de junho. A Igreja celebra a santidade de vida dos santos considerados “os cabeças dos apóstolos”, “as colunas da Igreja”;
9 – Assunção de Nossa Senhora, dia 15 de agosto; no Brasil passou para o domingo mais próximo ao dia 15 de agosto, quando todo o povo é convidado a se alegrar com a entrada de Maria Santíssima em corpo e alma na glória do céu;
10- Festa de Todos os Santos, dia 1 de novembro, no Brasil passou para o domingo seguinte, mais próximo do dia 1 de novembro. Neste dia a Igreja honra todos os santos do céu;
11 – Festa da Imaculada Conceição de Nossa Senhora, dia 8 de dezembro, quando é celebrada a criação da alma de Maria livre do pecado original, o primeiro passo rumo à nossa redenção, já que previa o futuro nascimento de Jesus para a nossa salvação.
(cf. Código de Direito Canônico, cânon 1246)

OBSERVAÇÕES:
a) para um dia ser considerado dia santo de guarda é necessário que ele seja celebrado por toda a Igreja do mundo inteiro. Assim, a Festa do Padroeiro da sua cidade não é dia santo.
b) O fato de no Brasil nem todos os dias santos de guarda serem declarados feriados nacionais, fez com que a CNBB pedisse à Santa Sé o privilégio de transferir estes dias para o domingo mais próximo ao dia santo comemorado no mundo inteiro. Assim, nem todo o feriado religioso é dia santo e nem todo o dia santo é feriado.

Resumindo: dentre as solenidades do calendário geral da Igreja há as que não coincidem com os dias declarados feriado civil no Brasil. Por isso, estas festas são automaticamente transferidas para o domingo mais próximo, normalmente o domingo seguinte. Encontram-se neste caso: a Solenidade da Epifania ou manifestação do Senhor; a Ascensão do Senhor; São Pedro e São Paulo; a Assunção de Maria; o dia de Todos os Santos.

(Texto redigido com base em: http://www.nsrainha.com.br)

CÓDIGO DE DIREITO CANÔNICO
CAPÍTULO I
DOS DIAS FESTIVOS
Cân. 1246 — § l. O domingo, em que se celebra o mistério pascal, por tradição apostólica, deve guardar-se como dia festivo de preceito em toda a Igreja. Do mesmo modo devem guardar-se os dias do Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo, Epifania, Ascensão e santíssimo Corpo e Sangue de Cristo, Santa Maria Mãe de Deus, e sua Imaculada Conceição e Assunção, São José e os Apóstolos S. Pedro e S. Paulo, e finalmente de Todos os Santos.
§ 2. A Conferência episcopal contudo pode, com aprovação prévia da Sé Apostólica, abolir alguns dias festivos de preceito ou transferi-los para o domingo.
Cân. 1247 — No domingo e nos outros dias festivos de preceito os fiéis têm obrigação de participar na Missa; abstenham-se ainda daqueles trabalhos e negócios que impeçam o culto a prestar a Deus, a alegria própria do dia do Senhor, ou o devido repouso do espírito e do corpo.

Deus faz a história e a corrige quando o homem erra, diz Papa

História da salvação

Quinta-feira, 18 de dezembro de 2014, Da Redação, com Rádio Vaticano

Francisco pediu que fiéis confiem em Deus mesmo nos momentos difíceis, pois Ele faz a história sempre caminhando com Seu povo

Na Missa desta quinta-feira, 18, na Casa Santa Marta, o Papa Francisco se concentrou na história da salvação. Ele destacou a necessidade de confiar em Deus mesmo nos momentos obscuros, mesmo sem entender, pois o Senhor caminha com o homem e corrige o caminho quando a pessoa erra.

Francisco disse que a salvação da humanidade não é uma “salvação de laboratório”, mas é histórica. Deus quis salvar o homem e fez um caminho junto com o Seu povo. O Papa observou que não há, portanto, salvação sem história.

“Deus faz a história, também nós a fazemos; e quando nós erramos, Ele corrige a história e nos leva adiante, sempre caminhando conosco. Se não temos isso claro, nunca entenderemos o Natal, nunca entenderemos a Encarnação do Verbo. Nunca! É toda uma história que caminha. ‘Padre, essa história terminou com o Natal? ‘Não! Ainda agora o Senhor nos salva na história e caminha com o Seu povo’”.

Nesta história, disse o Papa, há os eleitos de Deus, aquelas pessoas que Ele escolhe para ajudar o seu povo a seguir adiante, como Abraão, Moisés e Elias. Para eles, há momentos brutos, escuros, de cansaço; mas Deus os incomoda para que façam história e muitas vezes os fazem seguir por caminhos que não querem. Como exemplo, Francisco citou Moisés e Elias que, a certo ponto, desejaram morrer, mas depois confiaram em Deus.

O Evangelho do dia fala de outro momento bruto na história da salvação: quando José descobre que Maria, sua esposa prometida, estava grávida. Francisco disse que, nesses momentos, as pessoas eleitas precisam levar os problemas nos ombros, mesmo sem entender, para que façam a história. E assim fez José, que confiou em Deus.

“Fazer história com o seu povo significa para Deus caminhar e colocar à prova os seus eleitos”, disse o Papa, lembrando que, no final, o Senhor os salva. O Santo Padre incentivou os fiéis a se colocarem nas mãos de Deus e mencionou qual é o ensinamento dessas pessoas que foram eleitas:

“Que Deus caminhe conosco, que Ele faça história conosco, nos coloque à prova e nos salve nos momentos mais brutos, porque é nosso Pai. Que o Senhor nos faça entender este mistério do Seu caminhar com o Seu povo na história, do Seu colocar à prova os Seus eleitos e a grandeza de coração dos Seus eleitos, que tomam sobre si as dores, os problemas, mesmo a aparência de pecadores – pensemos em Jesus – para levar a história adiante”.

Na catequese, Papa reflete sobre o mistério da encarnação de Jesus

Quarta-feira, 02 de janeiro de 2013, Jéssica Marçal / Da Redação

Na catequese desta quarta-feira, Bento XVI explicou sobre a origem de Jesus

Após uma pausa de uma semana, o Papa Bento XVI retomou nessa quarta-feira, 2, seu encontro com os fiéis na Audiência Geral. Na Sala Paulo VI, o Santo Padre dedicou a catequese para explicar sobre a origem de Jesus.

Bento XVI iniciou as reflexões lembrando que o Natal do Senhor ilumina sempre com a sua luz as trevas que muitas vezes cercam o mundo. E sobre a origem desta luz, a origem de Cristo, ele explicou que dos quatro Evangelhos emerge com clareza a resposta a essa pergunta.

“… a sua verdadeira origem é o Pai; Ele vem totalmente Dele, mas de modo diferente de qualquer profeta enviado por Deus que o precederam. Esta origem do mistério de Deus, “que ninguém conhece”, está contida já nas histórias sobre a infância dos Evangelhos de Mateus e de Lucas, que estamos lendo neste tempo natalício”, disse.

E ao refletir sobre a expressão “por obra do Espírito Santo encarnou-se no seio da Virgem Maria”, professada no Credo, Bento XVI lembrou a importância de Maria nesse contexto da origem de Jesus.

“Sem ela a entrada de Deus na história da humanidade não chegaria ao seu fim e não teria tido lugar aquele que é central na nossa Profissão de fé: Deus é um Deus conosco. Assim Maria pertence de modo irrenunciável à nossa fé no Deus que age, que entra na história”, afirmou.

O Pontífice destacou ainda que, também na vida cotidiana, os fiéis podem sentir a sua pobreza, a sua insuficiência, mas lembrou que Deus escolheu justamente uma mulher humilde, em uma vila desconhecida. “Sempre, também em meio às dificuldades mais difíceis de enfrentar, devemos ter confiança em Deus, renovando a fé na sua presença e ação na nossa história, como naquela de Maria. Nada é impossível para Deus!”.

Por fim, Bento XVI enfatizou que Jesus é o Filho unigênito do Pai, vem de Deus, e este é o grande mistério que se celebra no Natal: o Filho de Deus, por obra do Espírito Santo, encarnou-se no seio da Virgem Maria.

“Este é um anúncio que soa sempre novo e que traz em si esperança e alegria ao nosso coração, porque nos doa toda vez a certeza de que, mesmo se muitas vezes nos sentimos fracos, pobres, incapazes diante da dificuldade e do mal do mundo, o poder de Deus age sempre e opera maravilhas propriamente na fraqueza”, finalizou.

 

Catequese de Bento XVI: a origem de Jesus 02/01/2013  
Boletim da Santa Sé (Tradução: Jéssica Marçal, equipe CN Notícias)

Queridos irmãos e irmãs,

O Natal do Senhor ilumina mais uma vez com a sua luz as trevas que muitas vezes cercam o nosso mundo e o nosso coração e traz esperança e alegria. De onde vem esta luz? Da gruta de Belém, onde os pastores encontraram “Maria e José e o menino, deitado na manjedoura” (Lc 2,16). Diante desta Sagrada Família surge uma outra e mais profunda pergunta: como pode aquele pequeno e indefeso Menino ter levado uma novidade tão radical no mundo a ponto de mudar o curso da história? Não tem talvez algo de misterioso na sua origem vai além daquela gruta?

Sempre de novo emerge assim a pergunta sobre a origem de Jesus, a mesma que coloca o Procurador Pôncio Pilatos durante o processo: “De onde és tu?” (Gv 19,29). No entanto, trata-se de uma origem bem clara. No Evangelho de João, quando o Senhor afirma: “Eu sou o pão descido do céu”, os judeus reagem murmurando: “Não é este Jesus, o filho de José? Dele não conhecemos o pai e a mãe? Como então pode dizer: “Sou descido do céu? (Jo 6,42). E, um pouco mais tarde, os cidadãos de Jerusalém se opõem com força diante da messianidade de Jesus, afirmando que se sabe bem “de onde é; o Cristo, em vez disso, quando vier, ninguém saberá de onde é” (Jo 7,27). O próprio Jesus faz notar quanto seja inadequado a pretensão deles de conhecer a sua origem, e com isso oferece já uma orientação para saber de onde vem: “Não sou vindo de mim mesmo, mas quem me mandou é verdadeiro, e vós não o conheceis” (Jo 7, 28). Certamente, Jesus é originário de Nazaré, é nascido em Belém, mas o que se sabe da sua verdadeira origem?

Nos quatro Evangelhos emerge com clareza a resposta à pergunta “de onde” vem Jesus: a sua verdadeira origem é o Pai; Ele vem totalmente Dele, mas de modo diferente de qualquer profeta enviado por Deus que o precederam. Esta origem do mistério de Deus, “que ninguém conhece”, está contida já nas histórias sobre a infância dos Evangelhos de Mateus e de Lucas, que estamos lendo neste tempo natalício. O anjo Gabriel anuncia: “O Espírito Santo descerá sobre ti, e o poder do Altíssimo te envolverá com a sua sombra. Por isso aquele que nascerá será santo e chamado Filho de Deus” (Lc 1, 35). Repetimos estas palavras cada vez que recitamos o Credo, a Profissão de fé: “et incarnatus est de Spiritu Sancto, ex Maria Virgine”, “por obra do Espírito Santo encarnou-se no seio da Virgem Maria”. Nesta frase ajoelhamos porque o véu que escondia Deus, vem, por assim dizer, aberto e o seu mistério insondável e inacessível nos toca: Deus se torna o Emanuel, “Deus conosco”. Quando escutamos as missas compostas por grandes mestres da música sacra, penso no exemplo da Missa de Coroação de Mozart, notamos imediatamente como se afirmam, se baseiam especialmente sobre esta frase, como para tentar expressar com a linguagem universal da música isso que as palavras não podem manifestar: o grande mistério de Deus que se encarna, se fez homem.

Se considerarmos atentamente a expressão “por obra do Espírito Santo encarnou-se no seio da Virgem Maria”, encontramos que essa inclui quatro sujeitos que atuam. De modo explícito são mencionados o Espírito Santo e Maria, mas é subentendido “Ele”, isso é o Filho, que se fez carne no seio da Virgem. Na Profissão de fé, o Credo, Jesus aparece definido com nomes diversos: “Senhor, … Cristo, Filho unigênito de Deus …Deus de Deus, Luz da Luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro…consubstancial ao Pai” (Credo niceno-constantinopolitano). Vemos então que “Ele” refere-se a uma outra pessoa, aquela do Pai. O primeiro sujeito desta frase é então o Pai, que, com o Filho e o Espírito Santo, é o único Deus.

Esta afirmação do Credo não é sobre o ser eterno de Deus, mas nos fala de uma ação à qual tomam parte as três Pessoas divinas e que se realiza “ex Maria Virgem”. Sem ela a entrada de Deus na história da humanidade não chegaria ao seu fim e não teria tido lugar aquilo que é central na nossa Profissão de fé: Deus é um Deus conosco. Assim Maria pertence de modo irrenunciável à nossa fé no Deus que age, que entra na história. Ela coloca à disposição toda a sua pessoa, “aceita” transformar-se lugar da morada de Deus.

Às vezes, também no caminho e na vida de fé podemos sentir a nossa pobreza, a nossa insuficiência frente ao testemunho para oferecer ao mundo. Mas Deus escolheu justamente uma mulher humilde, em uma vila desconhecida, em uma das províncias mais distantes do império romano. Sempre, também em meio às dificuldades mais difíceis de enfrentar, devemos ter confiança em Deus, renovando a fé na sua presença e ação na nossa história, como naquela de Maria. Nada é impossível para Deus! Com Ele a nossa existência caminha sempre em terras seguras e está aberta a um futuro de firme esperança.

Professando no Credo: “por obra do Espírito Santo encarnou-se no seio da Virgem Maria”, afirmamos que o Espírito Santo, como força de Deus Altíssimo, operou de modo misterioso na Virgem Maria a concepção do Filho de Deus. O Evangelista Lucas reporta as palavras do arcanjo Gabriel: “O Espírito descerá sobre ti e o poder do Altíssimo te envolverá com a sua sombra” (1, 35). Duas referências são evidentes: a primeira é no momento da criação. No início do livro do Gênesis lemos que “o espírito de Deus pairava sobre as águas” (1, 2);  é o Espírito criador que deu vida a todas as coisas e ao ser humano. Isso que acontece em Maria, através da ação do mesmo Espírito divino, é uma nova criação: Deus, que chamou o ser do nada, com a Encarnação dá vida a um novo início da humanidade. Os Padres da Igreja muitas vezes falam de Cristo como do novo Adão, para marcar o início da nova criação do nascimento do Filho de Deus no seio da Virgem Maria. Isto nos faz refletir sobre como a fé traz também em nós uma novidade tão forte a ponto de produzir um segundo nascimento. De fato, no início do ser cristão tem o Batismo que nos faz renascer como filhos de Deus, nos faz participar da relação filial que Jesus tem com o Pai. E gostaria de salientar que como o Batismo se recebe, nós “somos batizados” – é um passivo – porque ninguém é capaz de tornar-se filho de Deus por si mesmo: é um dom que é conferido gratuitamente. São Paulo refere-se a esta filiação adotiva dos cristãos em uma passagem central da sua Carta aos Romanos, onde escreve: “Todos aqueles que são guiados pelo Espírito de Deus, estes são filhos de Deus. E vós não recebestes um espírito da escravidão para cair novamente no medo, mas recebestes o Espírito que torna filhos adotivos, por meio do qual clamamos: “Abá! Pai”. O próprio Espírito, junto ao nosso espírito, atesta que somos filhos de Deus”, não servos (8,14-16). Somente se nos abrimos à ação de Deus, como Maria, somente se confiamos a nossa vida ao Senhor como a um amigo no qual nós confiamos totalmente, tudo muda, a nossa vida adquire um novo sentido e uma nova face: aquela dos filhos de um Pai que nos ama e nunca nos abandona.

Falamos de dois elementos: o elemento primeiro o Espírito sobre as águas, o Espírito Criador; tem um outro elemento nas palavras da Anunciação.

O anjo diz a Maria: “O poder do Altíssimo te envolverá com a sua sombra”. É um lembrete da nuvem santa que, durante o caminho do êxodo, parava na tenda do encontro, na arca da aliança, que o povo de Israel levava consigo, e que indicava a presença de Deus (cfr Es 40,40,34-38). Maria, então, é a nova tenda santa, a nova arca da aliança: com o seu “sim” às palavras do arcanjo, Deus recebe uma morada neste mundo, Aquele que o universo não pode conter para habitar no ventre de uma virgem.

Retornamos então à questão com a qual começamos, aquela sobre a origem de Jesus, sintetizada pela pergunta de Pilatos: “De onde és tu?”.  Das nossas reflexões aparece claro, desde o início dos Evangelhos, qual é a verdadeira origem de Jesus: Ele é o Filho Unigênito do Pai, vem de Deus. Estamos diante do grande e perturbador mistério que celebramos neste tempo do Natal: o Filho de Deus, por obra do Espírito Santo, encarnou-se no seio da Virgem Maria. Este é um anúncio que soa sempre novo e que traz em si esperança e alegria ao nosso coração, porque nos doa toda vez a certeza de que, mesmo se muitas vezes nos sentimos fracos, pobres, incapazes diante da dificuldade e do mal do mundo, o poder de Deus age sempre e opera maravilhas propriamente na fraqueza. A sua graça é a nossa força. (cfr 2 Cor 12,9-10). Obrigado.

Solene Vigília do Natal do Senhor

Mt 1,1-25 ou Mt 1,18-25 (breve)

1Genealogia de Jesus Cristo, filho de Davi, filho de Abraão. 2Abraão gerou Isaac. Isaac gerou Jacó. Jacó gerou Judá e seus irmãos. 3Judá gerou, de Tamar, Farés e Zara. Farés gerou Esron. Esron gerou Arão. 4Arão gerou Aminadab. Aminadab gerou Naasson. Naasson gerou Salmon. 5Salmon gerou Booz, de Raab. Booz gerou Obed, de Rute. Obed gerou Jessé. Jessé gerou o rei Davi. 6O rei Davi gerou Salomão, daquela que fora mulher de Urias. 7Salomão gerou Roboão. Roboão gerou Abias. Abias gerou Asa. 8Asa gerou Josafá. Josafá gerou Jorão. Jorão gerou Ozias. 9Ozias gerou Joatão. Joatão gerou Acaz. Acaz gerou Ezequias. 10Ezequias gerou Manassés. Manassés gerou Amon. Amon gerou Josias. 11Josias gerou Jeconias e seus irmãos, no cativeiro de Babilônia. 12E, depois do cativeiro de Babilônia, Jeconias gerou Salatiel. Salatiel gerou Zorobabel. 13Zorobabel gerou Abiud. Abiud gerou Eliacim. Eliacim gerou Azor. 14Azor gerou Sadoc. Sadoc gerou Aquim. Aquim gerou Eliud. 15Eliud gerou Eleazar. Eleazar gerou Matã. Matã gerou Jacó. 16Jacó gerou José, esposo de Maria, da qual nasceu Jesus, que é chamado Cristo. 17Portanto, as gerações, desde Abraão até Davi, são quatorze. Desde Davi até o cativeiro de Babilônia, quatorze gerações. E, depois do cativeiro até Cristo, quatorze gerações. 18Eis como nasceu Jesus Cristo: Maria, sua mãe, estava desposada com José. Antes de coabitarem, aconteceu que ela concebeu por virtude do Espírito Santo. 19José, seu esposo, que era homem de bem, não querendo difamá-la, resolveu rejeitá-la secretamente. 20Enquanto assim pensava, eis que um anjo do Senhor lhe apareceu em sonhos e lhe disse: José, filho de Davi, não temas receber Maria por esposa, pois o que nela foi concebido vem do Espírito Santo. 21Ela dará à luz um filho, a quem porás o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo de seus pecados. 22Tudo isto aconteceu para que se cumprisse o que o Senhor falou pelo profeta: 23Eis que a Virgem conceberá e dará à luz um filho, que se chamará Emanuel (Is 7, 14), que significa: Deus conosco. 24Despertando, José fez como o anjo do Senhor lhe havia mandado e recebeu em sua casa sua esposa. 25E, sem que ele a tivesse conhecido, ela deu à luz o seu filho, que recebeu o nome de Jesus.
A solene vigília de Natal nos propõe o texto breve, mas quero optar pelo longo, devido a genealogia, onde:
1. Em Jesus Cristo se cumpre as promessas divinas de salvação feitas a Abraão em favor de toda a humanidade (Gn 12,3);
2. Em Jesus Cristo se cumpre a profecia de um reino eterno dado por meio do profeta Natan ao rei Davi (2Sm 7,12-16).
A genealogia quer mostrar, a ascendência de Jesus Cristo segundo a Sua humanidade, ao mesmo tempo revelar a plenitude da História da Salvação com a Encarnação do Filho de Deus, por obra do Espírito Santo. Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, é o Messias esperado.
A genealogia está dividida em de três grupos. Cada grupo consta de quatorze elos que mostram o desenvolvimento progressivo da história sagrada.
Entre os Judeus a árvore genealógica tinha grande importância. Pois, a identidade de uma pessoa estava especialmente ligada à família e tribo, sendo menos significativo o lugar. Inclusive, segundo essa árvore, as pessoas constituíam-se em sujeitos de direitos e obrigações. No povo hebreu a essas circunstâncias acrescentava-se o significado religioso de pertencer pelo sangue ao povo eleito.
Nesta genealogia são nomeadas quatro mulheres: Tamar (cf. Gn 38; 1Cr 2,4), Rahab (cf. Jo 2; 6,17), Betsabé (cf. 2Sm 11;12,24) e Rute (cf. Livro de Rute). Estas quatro mulheres estrangeiras, que de um ou outro modo se incorporam na história de Israel, são um símbolo, entre muitos outros, da salvação divina que abarca toda a humanidade.
Na genealogia, também, são citados outros personagens pecadores. Com isto, quer nos mostrar que os caminhos de Deus são diferentes dos caminhos humanos. Através do comportamento não reto de alguns homens, Deus realiza os seus planos de salvação. Isto nos mostra que Ele vem para nos salvar, santificar e nos escolhe para fazer o bem, apesar de nossos pecados e infidelidades. Esta é a realidade da nossa história da salvação, tal qual ocorreu na história de Jesus.
No versículo 11, fala-se em deportação para a Babilônia, é o Exílio, que é narrado no Segundo Livro do Reis, 24-25. Com este fato cumpre-se a ameaça dos profetas ao povo de Israel e aos seus reis, como castigo da sua infidelidade aos mandamentos da lei de Deus, especialmente ao primeiro.
Na cultura dos Hebreus as genealogias acontecem pela via masculina. José, como esposo de Maria, era o pai legal (dentro da lei) de Jesus, conforme nos é narrado no versículo 16. A figura do pai legal é equivalente quanto a direitos e obrigações à do verdadeiro pai. Neste fato se fundamenta solidamente a doutrina e a devoção ao Santo Patriarca como padroeiro universal da Igreja, visto que foi escolhido para desempenhar uma função muito singular no plano divino da nossa salvação: pela paternidade legal de São José é Jesus Cristo Messias descendente de Davi.
Concluída a genealogia, o evangelista Mateus começa a narrar como foi o nascimento de Cristo. Por isto, celebramos e veneramos por Mãe de Deus (Maria), por ter dado à luz uma pessoa divina, com duas naturezas: Divina e Humana.
Segundo as disposições da Lei de Moisés, aproximadamente um ano antes do casamento realizavam-se os desposórios. Estes tinham praticamente já o valor jurídico do matrimônio. O casamento propriamente dito consistia, entre outras cerimônias, na condução solene e festiva da esposa para casa do esposo (cf. Dt 20,7). E, desde os desposórios já era preciso o libelo de repúdio, no caso de ruptura das relações.
O relato do nascimento de Jesus (conforme nos é apresentado nos versículos 22 e 23), nada mais é, do que o cumprimento da profecia de Isaías 7,14, onde:
1º) Jesus é descendente de Davi pela via legal de José;
2º) Maria é a Virgem que dá à luz segundo a profecia;
3º) O caráter miraculoso do nascimento do Menino, acontece sem intervenção de varão.
José era um homem fiel a Deus. Soube viver, tal como o Senhor queria, todos e cada um dos acontecimentos que compuseram a sua vida. Por isso, a Escritura Santa louva José, afirmando que era justo. E, na linguagem hebraica, justo quer dizer piedoso, servidor, cumpridor da Vontade divina. Numa palavra, o justo é o que ama a Deus e demonstra esse amor, cumprindo os Seus mandamentos e orientando toda a sua vida ao serviço dos irmãos.
José considerava santa a sua esposa não obstante os sinais da sua maternidade. Por isso se encontrava perante uma situação inexplicável para ele. Procurando precisamente atuar de acordo com a vontade de Deus, no entanto, sentia-se obrigado a repudiá-la, mas, com o fim de evitar a infâmia pública de Maria, decide deixá-la privadamente.
É admirável o silêncio de Maria. A sua entrega perfeita a Deus. Perante um fato inexplicável por razões humanas, abandona-se confiadamente no amor e providência de Deus.
Devemos contemplar a magnitude da prova a que Deus submeteu estas duas almas santas: José e Maria. Também nós, por várias vezes somos submetidos, ao longo da vida, a provas duras; nelas temos de confiar em Deus e permanecer-Lhe fiéis, a exemplo de José e Maria.
Deus ilumina o ser humano que atua com retidão e que confia no poder e sabedoria divina, inclusive, perante situações que superam a compreensão da razão humana. Vemos na narração do versículo 20, onde o anjo quer recordar a José, ao chamar-lhe filho de Davi, que ele é o elo providencial que une Jesus com a estirpe de Davi, segundo a profecia messiânica de Natan (cf. 2Sm 7,12).
“Emanuel”: A profecia de Isaías 7,14 citada neste versículo, preanunciava, já desde há uns sete séculos, que o sinal da salvação divina ia ser o acontecimento extraordinário de uma virgem que vai dar a luz um filho. O Evangelho quer nos revelar duas verdades:
1. Jesus é o Deus conosco preanunciado pelo profeta. Cristo é, pois, verdadeiramente Deus conosco, não só pela Sua missão divina, mas porque é Deus feito homem (cf. Jo 1,14).
2. A Virgem Maria, em quem se cumpre a profecia de Is 7,14, permanece virgem antes do parto e no próprio parto. Precisamente o sinal miraculoso de que chegou a salvação é que uma mulher que é virgem, sem deixar de o ser, é também mãe. Assim, pois, com louvores merecidíssimos, celebramos a sua imaculada e perpétua virgindade.
Finalizando, citamos São Jerônimo (†420) que expõe as razões pelas quais convinha que a Mãe de Deus, além de ser virgem, estivesse desposada:
1) Para que pela genealogia de São José ficasse patente a estirpe de Santa Maria como descendente do rei Davi;
2) Para que ao dar à luz não sofresse detrimento na sua honra por parte dos judeus nem pudesse ser-lhe imputada pena alguma legal;
3) Para que na fuga para o Egito tivesse a ajuda e proteção de São José. (cf. Comentário sobre S. Mateus, 1,1).
Enfim, um Natal abençoado a todos!

Fonte: Bíblia Sagrada, Santos Evangelhos, Edições Theológica, Braga (Pt), 1994

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