Tag: mundo

No mundo atual ainda se reza?

As preocupações do homem moderno parece que se deslocaram. Seu comportamento é de quem assumiu com as próprias mãos o destino de seus dias. Os humanos não contam mais com auxílio externo para ter sucesso nos seus negócios. Os seus planos, a sua inteligência, e a sua capacidade de trabalho são a chave da vitória de seus empreendimentos. A atual crise econômica mundial, no entanto, vem desmentir essas soberanas convicções.
O que acontece é que a grande motivação cristã da felicidade, na eternidade, foi puxada para baixo. As promessas de plenitude do nosso ser aterrissaram. Tudo o que de belo a fé nos garantia virou paraíso terrestre.
O comunismo – que tinha alguns ideais muito interessantes – pecou por essa razão: seu olhar se baixou para o horizonte exclusivo desta vida. Por isso, nos dias atuais, a população quer cuidar do corpo, porque pretende viver sempre, precisa estudar sem parar para estar em condições de competir com qualquer contendor. O corpo deve ficar cada vez mais belo e perfeito; sente-se a necessidade de enriquecer para ter todo conforto possível; deve aprender a evitar conflitos desnecessários com o semelhante, pois a caminhada vai ser longa; a religião é proposta como garantia de prosperidade… neste mundo. Então, “comei, bebei, inebriai-vos” (Ct 5, 1). A oração toma contornos surreais; não é mais uma atividade necessária.
No entanto, o vazio da vida, que teima em nos incomodar, só o deixamos de sentir em comunicação com nosso Deus e amigo. “Por ti, ó Deus, suspira a minha alma” (Sl 42,1). Sem referência ao Eterno somos pássaros de uma asa só.
Jesus, o orante por excelência, nos mostrou que a atitude de busca pelo Pai se deve expressar no louvor, na humilde adoração, na gratidão. “Oferecei a Deus sacrifícios de louvor” (Am 4,5). É certo que, nós como Seus filhos, temos direito de pedir resultados para os nossos trabalhos. Mas Jesus selecionou – como forte sugestão – quais os pedidos, aos quais devemos dar preferência: que venha o Reino, que tenhamos o Espírito Santo e que se faça a vontade do Pai Criador.
Nada impede aos filhos acrescentar outras petições. O importante é nos aproximarmos desse Ser Amoroso, de cuja amizade depende a nossa realização.

Dom Aloísio R. Oppermann, scj
[email protected]

João Paulo II conquistou o amor do mundo

Por Mons. Inácio José Schuster

O Papa São João Paulo II, homem de Deus, durante 27 anos esteve à frente da Igreja de Cristo.
Sem armas, sem poder temporal, obediente somente ao mandato do Senhor, “Confirma teus irmãos na fé” (Lc 22,30), São João Paulo II conquistou o amor do mundo.
Dentre os inúmeros acontecimentos que atestaram esta realidade podemos destacar dois. Um foi a intensa e comovente reação em todos os quadrantes da terra ao atentado de 13 de maio de 1981. Sobre esse dia, escreveu ele no seu Testamento: “(…) no dia do atentado ao Papa, durante a audiência geral, na Praça de São Pedro, a Divina Providência salvou-me de modo milagroso da morte. Aquele que é o único Senhor da vida e da morte, Ele mesmo me prolongou esta vida, de certo modo concedeu-ma de novo. A partir desse momento, ela pertence-lhe ainda mais (…). Peço-lhe que me chame quando Ele mesmo quiser. ‘Na vida e na morte pertencemos ao Senhor… somos do Senhor’” (cf. Rm 14,8). Pessoas de todas as condições sociais, de crenças as mais diversas, sofreram terrível impacto e se uniram na dor, nas lágrimas e na confiança. Outro fato, não menos impactante, mas permeado de uma profunda espiritualidade, foram os momentos que se seguiram desde o final dos seus dias até o seu sepultamento. A 2 de abril de 2005, o mundo chorou a morte do Papa e se regozijou por ter mais um intercessor junto de Deus.
Em pouco tempo, São João Paulo II se constituiu em patrimônio da Humanidade. Todos nós fomos feridos nos sentimentos de amor e admiração pela figura invulgar daquele Papa que, para nós, brasileiros, o chamava-nos de “João de Deus”. Foi o guardião duma verdade que não é deste mundo, mas que nasce do mistério da Cruz e da Ressurreição de Cristo, sem interesses outros que não os de revelar ao homem sua sublime dignidade. Tornou-se símbolo de Fé para tantos que já não mais sabiam crer. Conseguiu devolver a muitos confiança e imortal esperança.
Quem não se lembra de seus ensinamentos? A dignidade intocável do homem, eis o grande tema básico! Em sua Encíclica “Dives in Misericordia”, de 30 de novembro de 1980, com voz poderosa, parece querer acordar um “gigantesco remorso” na consciência dos povos: “Enquanto uns, abastados e fartos, vivem na abundância, dominados pelo consumismo e pelo prazer, não faltam, na mesma família humana, indivíduos e grupos sociais que passam fome. Não faltam crianças que morrem de fome sob o olhar de suas mães” (VI, 11.4).
São João Paulo II compreendeu profundamente os arcanos, os abismos do coração. Descreveu, numa visão genial, as aspirações da época moderna. Diante do mistério da iniquidade, capaz de transformar em rancor, ódio e crueldade a promoção do direito, exclama: “A experiência do passado e do nosso tempo demonstra que a justiça, por si só, não é suficiente” (Idem VI, 12.3). Se o indivíduo não “recorrer a forças mais profundas do espírito, forças que condicionam a própria ordem da justiça”, será ameaçado o fundamento jurídico.
Constituído por Jesus Cristo como Pastor e Mestre, foi, em seu Pontificado, símbolo de misericórdia.
Hoje, com tamanhos sofrimentos que assolam o mundo, tanta dor, morte sem pranto, corações revoltados e que não querem aprender a confiança, repitamos o convite de São João Paulo II: “Devemos recorrer a esta mesma misericórdia em nome de Cristo e em união com ele (…). O Pai, aquele que vê o que é secreto, está continuamente à espera, por assim dizer, de que nós, apelando a ele em todas as necessidades, perscrutemos cada vez mais o seu mistério: o mistério do Pai e do seu amor” (“Dives in misericordia”, I, 2.7).
Quando falamos em São João Paulo II, naturalmente, vem à lembrança suas viagens ao Brasil. Particularmente, as duas vindas ao Rio de Janeiro. Em 1980 preparamos detalhadamente a primeira visita que teve a participação de uma multidão de fiéis, mas o que assisti em 1997, por ocasião do II Encontro Mundial do Papa com as Famílias, ultrapassou tudo o que já havia presenciado em outras ocasiões. Na verdade, convivi com um homem marcado pelo sofrimento, as angústias da humanidade. Ao mesmo tempo, percebia a leveza de espírito que anunciava a alegria do Evangelho autêntico.
Sem se cansar ele conquistou o afeto do povo brasileiro, que carinhosamente chamava de “João de Deus”. Os homens de cultura receberam suas sábias e exigentes orientações. Os doentes, os mais pobres, os leprosos, não só viram suas lágrimas, mas dele ouviram a palavra da Fé, da fraternidade, da esperança e do amor que já não morre. Os políticos e as crianças, índios, os agricultores, operários e presidiários, os sacerdotes, os religiosos, os bispos, todos acolhemos filialmente suas diretrizes, novo ânimo e segurança.
As vibrações do entusiasmo de nosso povo significavam realmente a imagem simbólica e representativa da admiração e gratidão que o mundo devota ao Papa São João Paulo II.
Nosso “João de Deus” fez renascer a confiança e esse estado de espírito jamais será estéril. Seu exemplo, ainda hoje, deve acordar nossas consciências para os ensinamentos de quem recebeu de Cristo a missão de encaminhar os homens para Deus.

A relação homem-animal à luz da teologia

Pe. Mário Marcelo Coelho, scj, doutor em Teologia Moral

O uso de animais para pesquisas científicas: uma reflexão teológica

Acompanhamos nos últimos tempos o debate público sobre o uso de animais em experimentos científicos. Este debate já vem acontecendo em vários países, no Reino Unido em 2004, a Frente de Libertação Animal impediu, com ameaças e ataques, a construção de centros de testes com animais em Oxford e Cambridge. No Brasil o debate sobre o uso dos animais em pesquisas “explodiu” após a invasão de um biotério em São Roque (SP) e que encontrou em nossa sociedade muitos adeptos.

Para que a reflexão teológica possa contribuir e elaborar um juízo ético sobre a prática dos experimentos com animais, torna-se necessário considerar o lugar que a teologia atribui aos seres humanos em sua relação com os animais.

Segundo o Magistério Católico, os animais enquanto criaturas, têm o seu próprio valor que o homem tem o dever de reconhecer e respeitar. Deus o colocou, junto aos animais, para que através destes o homem possa chegar ao seu desenvolvimento integral. “É o homem quem, desde sempre, governa as realidades terrenas, gerindo os outros seres, vivos ou não, segundo determinadas finalidades. É ainda na relação com o homem que se revela a medida axiológica (valor moral) de cada realidade existente, em desígnio universal harmônico e ordenado que indica toda a plenitude de compreensão da realidade”. Não existem dúvidas entre os teólogos sobre a soberania do homem imagem e semelhança de Deus na escala hierárquica da criação em relação aos animais. A dignidade própria da pessoa humana é dada pelo Criador e reconhecida por todos (Gn 1,28-29).

O homem sempre se serviu dos animais para as suas necessidades primárias (alimentação, trabalho, vestiário, etc.), numa constante relação de cooperação natural. Esta posição de domínio do homem sobre os animais “manifesta a superioridade ontológica do homem sobre outros seres terrenos; essa se funda sobre a própria natureza da pessoa humana, com suas dimensões de racionalidade e espiritualidade põem o homem no centro do universo, porque utiliza os recursos presentes (entre os quais os animais), de maneira sábia e responsável, à busca da autêntica promoção de cada ser” .

O uso dos animais com responsabilidade também é defendido pelos teólogos que avaliam a criação na Bíblia não numa visão antropocêntrica, mas numa perspectiva mais ecológica.Deus quer que o homem não somente domine e utilize o mundo animal, mas também dele cuide e adquira para isso os conhecimentos necessários (Conc. Ecum. Vat. II, GS, 36,2).

O homem deve agir de tal forma que os efeitos da sua ação não coloquem em risco a vida sobre a terra; que não haja a destruição de qualquer forma de vida. Que a ação do homem não destrua nenhuma possibilidade de vida no futuro. Todos os seres, de algum modo, participam da dignidade ética, e não apenas o ser humano. A dignidade ética não é exclusiva do ser humano mas de toda a natureza. Todos os seres participam, implicitamente, de algum grau da eticidade. Por isso, a exploração abusiva da natureza não é apenas uma questão tecnológica, é, antes de tudo, uma atitude antiética.

Com esta reflexão, como podemos avaliar as pesquisas que utilizam animais? Sabemos que em alguns casoso uso de animais ainda é inevitável, como testes de carcinogenicidade (capacidade de provocar tumores). Eliminar todas as cobaias implicaria impedir testes de segurança em novos inventos, muitos dos quais indicados para aliviar o sofrimento humano. Isso não significa autorizar cientistas a torturar, mutilar ou sacrificar quantos animais desejarem. O princípio ético deverá ser diminuir o sofrimento e o número de animais e investir em métodos alternativos capazes de oferecer os mesmos resultados que os testes sem seres vivos, que para muitos ficou conhecido, em inglês, como a regra dos três Rs: “replacement” (substituição), “reduction” (redução) e “refinement” (aperfeiçoamento).

O ideal é que os sofrimentos sejam reduzidos ao mínimo necessário com o objetivo de conseguir os resultados científicos, e que os animais sejam tratados com respeito;afirma o filósofo Peter Singer: “É preciso que toda a dor, sofrimento e estresse infligidos ao animal sejam reduzidos ao mínimo necessário para conseguir os resultados científicos e que eles sejam tratados com respeito”.

As leis devem exigir que o sofrimento dos animais usados em experimentos científicos seja o menor possível; que os animais sejam anestesiados antes dos procedimentos e que o número de animais seja reduzido o máximo e que sempre que possível, seu uso seja substituído por métodos alternativos. Nenhum animal deve sofrer.Experimentos em animais para a indústria dos cosméticos deverá ser impedida em todos os países.Toda instituição de pesquisa com animais deve ter uma comissão de ética composta por especialistas na área (biólogos, veterinários, zootecnistas, pesquisadores, etc.) e por bioeticistas.

Muito progresso está acontecendo com sistemas “in vitro”, como o cultivo de tecidos vivos para testar substâncias potencialmente tóxicas, com o objetivo de encontrar métodos que substituam o uso de seres vivos. Portanto, quando os animais são indispensáveis, cabe reduzir ao mínimo o número de espécimes e desenvolver métodos para prevenir sofrimento desnecessário. O que se afirmamos é que não se deve torturar e matar sempre que se possa evitar isso.

A defesa dos animais, que é importante, não pode prejudicar a defesa dos direitos humanos em particular o direito à saúde, entretanto, os avanços científicos não podem ser tomados como um valor superior e que justifique qualquer forma de tortura e sofrimento animal.

Padre Mário Marcelo é mestre em Zootecnia pela Universidade Federal de Lavras – MG (UFLA-MG). Licenciado em Filosofia pela Fundação Educacional de Brusque, SC (FEBE). Bacharel em Teologia pela Faculdade Dehoniana, Taubaté, SP. Mestre em Teologia Prática (núcleo Moral), pelo Centro Universitário Assunção, São Paulo, SP. Doutor em Teologia Moral pela Academia Alfonsiana, Roma/Itália. Autor e assessor na área de Bioética e Teologia Moral. Professor da Faculdade Dehoniana, Taubaté, SP e do Instituto de Teologia Bento XVI, Cachoeira Paulista, SP.

Santo Evangelho (Mt 16, 21-27)

22º Domingo Comum – Domingo 03/09/2017

Primeira Leitura (Jr 20, 7-9)  
Leitura do Livro do Profeta Jeremias:

7Seduziste-me, Senhor, e deixei-me seduzir; foste mais forte, tiveste mais poder. Tornei-me alvo de irrisão o dia inteiro, todos zombam de mim. 8Todas as vezes que falo, levanto a voz, clamando contra a maldade e invocando calamidades; a palavra do Senhor tornou-se para mim fonte de vergonha e de chacota o dia inteiro. 9Disse comigo: “Não quero mais lembrar-me disso nem falar mais em nome dele”. Senti, então, dentro de mim um fogo ardente a penetrar-me o corpo todo; desfaleci, sem forças para suportar.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Responsório (Sl 62)

— A minh’alma tem sede de vós/ como a terra sedenta, ó meu Deus!
— A minh’alma tem sede de vós/ como a terra sedenta, ó meu Deus!

— Sois vós, ó Senhor, o meu Deus!/ Desde a aurora ansioso vos busco!/ A minh’alma tem sede de vós,/ minha carne também vos deseja,/ como terra sedenta e sem água!

— Venho, assim, contemplar-vos no templo,/ para ver vossa glória e poder./ Vosso amor vale mais do que a vida:/ e por isso meus lábios vos louvam.

— Quero, pois, vos louvar pela vida,/ e elevar para vós minhas mãos!/ A minh’alma será saciada,/ como em grande banquete de festa;/ cantará a alegria em meus lábios,/ ao cantar para vós meu louvor!

— Para mim fostes sempre um socorro;/ de vossas asas à sombra eu exulto!/ Minha alma se agarra em vós;/ com poder vossa mão me sustenta.

 

Segunda Leitura (Rm 12, 1-2)
Leitura da Carta de São Paulo aos Romanos:

1Pela misericórdia de Deus, eu vos exorto, irmãos, a vos oferecerdes em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus: este é o vosso culto espiritual. 2Não vos conformeis com o mundo, mas transformai-vos, renovando vossa maneira de pensar e de julgar, para que possais distinguir o que é da vontade de Deus, isto é, o que é bom, o que lhe agrada, o que é perfeito.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Anúncio do Evangelho (Mt 16, 21-27)

—O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
—PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 21Jesus começou a mostrar a seus discípulos que devia ir a Jerusalém e sofrer muito da parte dos anciãos, dos sumos sacerdotes e dos mestres da Lei, e que devia ser morto e ressuscitar no terceiro dia. 22Então Pedro tomou Jesus à parte e começou a repreendê-lo, dizendo: “Deus não permita tal coisa, Senhor! Que isso nunca te aconteça!” 23Jesus, porém, voltou-se para Pedro e disse: “Vai para longe, Satanás! Tu és para mim uma pedra de tropeço, porque não pensas as coisas de Deus, mas sim as coisas dos homens!” 24Então Jesus disse aos discípulos: “Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga. 25Pois, quem quiser salvar a sua vida vai perdê-la; e quem perder a sua vida por causa de mim, vai encontrá-la. 26De fato, que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro, mas perder a sua vida? O que poderá alguém dar em troca de sua vida? 27Porque o Filho do Homem virá na glória do seu Pai, com os seus anjos, e então retribuirá a cada um de acordo com a sua conduta”.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

 

A IGREJA CATÓLICA CELEBRA E VENERA HOJE
São Gregório Magno – Papa e Doutor da Igreja

São Gregório Magno era alguém de senso de dever, de medida e dignidade

Hoje, celebramos a memória deste Magno (Grande) de Cristo: São Gregório I. Nascido em Roma no ano 540, numa família nobre que muito o motivou à vida pública.

Gregório (cujo nome significa “vigilante”), chegou a ser um ótimo prefeito de Roma, pois era desapegado dos próprios interesses devido sua constante renúncia de si mesmo. Atingido pela graça de Deus, São Gregório chegou a vender tudo o que tinha para auxiliar os pobres e a Igreja.

São Bento exercia forte influência na vida de Gregório, por isso, além de ajudar a construir muitos mosteiros, entrou para a vida religiosa do “Ora et Labora”.

Homem certo, no lugar certo, este foi Gregório que era alguém de senso de dever, de medida e dignidade. Além da intensa vida interior, bem percebida quando escreveu sobre o ‘ideal do pastor’:” O verdadeiro pastor das almas é puro em seu pensamento. Sabe aproximar-se de todos, com verdadeira caridade. Eleva-se acima de todos pela contemplação de Deus.”

Com a morte do Papa da época, São Gregório foi o escolhido para “sentar” na Cátedra de Pedro no ano de 590, e assim chefiar com segurança a Igreja num tempo em que o mundo romano passava para o mundo medieval.

São Gregório Magno, Papa e Doutor da Igreja que conquistou o Céu com 65 anos de idade (no ano 604), deixou marcas em todos os campos, valendo lembrar que na Liturgia há o Canto Gregoriano, o qual eleva os corações a Deus, fonte e autor de toda santidade.

São Gregório Magno, rogai por nós!

A Bíblia e a primavera

Deus se revela ao homem

O mês de setembro chega trazendo a primavera ao nosso hemisfério e, junto com a beleza do tempo, o tema da Sagrada Escritura. O fato de celebrarmos, no dia 30 de setembro, o dia do patrono dos estudos bíblicos, São Jerônimo, fez com que pudéssemos aprofundar esse tema durante este período. Setembro é o mês da Bíblia, sendo que, no último domingo, comemora-se o Dia Nacional da Bíblia.

A leitura orante da Bíblia ou a lectio divina aos poucos vai entrando na realidade de nosso povo, que passa a colocar a Palavra de Deus como início da reflexão que vai iluminar a realidade das pessoas. São passos que, pouco a pouco, os grupos e comunidades começam a dar, sempre em torno da Sagrada Escritura. Ela nos traz a revelação de Deus para a nossa salvação.

Na Sua misericórdia e sabedoria, quis Deus revelar-se a si mesmo a nós na pessoa de Cristo e pela unção do Espírito Santo para que tivéssemos acesso a Ele e participássemos de Sua glória.

Deus se revela ao homem e o convida a partir para uma terra desconhecida que lhe seria mostrada. Nessa caminhada, o Senhor vai se mostrando, revelando-se aos que creem e, quando é chegado o tempo, a revelação se completa em Cristo, a Palavra de Deus: “No principio era a Palavra e a Palavra estava em Deus, e a Palavra era Deus… E a Palavra se fez carne e veio morar entre nós” (Jo 1,1.14).

Por Cristo, somos glorificados! E todos nós que recebemos a Palavra e nela acreditamos, tornamo-nos filhos de Deus. Esse caminho Deus faz conosco. Respeita o nosso crescimento intelectual e volitivo, seja na nossa capacidade pessoal, seja na evolução cultural do grupamento humano, de tal forma que podemos sentir em nós mesmos a caminhada do povo de Deus.

À medida que nos abrimos à fé, partimos com Ele nos momentos de contemplação, de glória e, também, como as Escrituras nos mostram, nas traições, quando renunciamos a seu amor e vamos atrás dos “baals” de todos os tempos. Ouvindo a voz penitencial dos profetas, retornamos da “Babilônia” do pecado, que existe em todos os tempos e, também, no íntimo de nós.

Na bondade de Deus, como um resto, voltamos a “Sião”, sempre aguardando a plena revelação de Deus no Seu Filho, que nos salva por Sua morte e nos dá o Seu Espírito para que anunciemos em nós e em toda terra a Sua ressurreição e nossa participação no mistério trinitário de Deus.

A Bíblia Sagrada, com toda a Tradição da Igreja, em seguimento à Palavra de Cristo revela ao nosso coração este plano divino para a humanidade – restaurar tudo em Cristo – e nos envia: “Ide por todo o mundo, proclamai o Evangelho a toda a criatura. Aquele que crê e for batizado será salvo; o que não crer será condenado” (Mc 16,15-16).

A Bíblia é o relato da manifestação do amor de Deus que, gradativamente, nos leva por Cristo, em Cristo e com Cristo à intimidade da vida divina e, como consequência, a uma nova vida, fermento de um mundo novo.

Somos o povo que se encontra com a Palavra Viva, o Verbo Eterno, Jesus Cristo! Ele é a nossa vida e o caminho que nos conduz ao Pai. Eis um tempo favorável para aprofundarmos a importância de ser discípulos missionários à luz do Evangelho, procurando em nossos grupos de reflexão deixar a Palavra falar ao nosso coração e nos fazer renovados em Cristo.

A Primavera está associada à Pascoa: a certeza da vida que vence a morte! Que o mês da Bíblia, recém-iniciado, seja uma nova primavera: a certeza da vida que renasce e se abre, vencendo a morte e o pecado.

Dom Orani João Tempesta, O. Cist
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro (RJ)

Bem-Aventurado Cardeal Newman

JOHN HENRY Newman nasceu em Londres (1801) e faleceu em Edgbaston (1890). Foi uma sacerdote da Igreja Anglicana que, por meio de uma busca profundíssima, no estudo, na oração, na meditação e contemplação das coisas de Deus, terminou por ingressar à Casa de Deus e integrar o Corpo Místico de Cristo, a Igreja Católica.

O grande cardeal Ratzinger, no ano 1990, escreveu, com o habitual brilhantismo, a propósito do centenário da morte de Newman: “Foi sua consciência que o conduziu, dos antigos laços e das antigas certezas, para o difícil e estranho mundo do catolicismo”. Vinte anos depois, em 2010, o mesmo Ratzinger, então Papa Bento XVI, beatificou o Cardeal Newman em Coventry, Grã-Bretanha, aos 19 de setembro, durante sua viagem à Inglaterra.
Como bom pensador, Newman viveu a sua fé de maneira inquieta, como quem procura incessantemente o autoaprimoramento e não se contenta com menos que a Verdade (que é o próprio Cristo), e em suas inquietações sempre estiveram entrelaçadas fé e razão. À época da beatificação do Cardeal inglês, a escritora italiana Cristina Siccardi, autora do livro “Nello specchio del cardinale Newman” (No espelho do Cardeal Newman, 2010, ed. Fede e cultura), que escreve também para vários meios de comunicação católicos da Itália, concedeu entrevista à agência Zenit, na qual revelou diversas facetas interessantes a respeito de seu biografado. Reproduzimos, a seguir, a atemporal entrevista:

A infância de Newman
John Henry Newman era o primogênito dos seis filhos do casal John Newman e Jemina Fourdrinier. Nasceu em Londres e foi batizado na Igreja anglicana de Saint Bennet Fink.
Seu pai, um homem empreendedor, foi subindo de posição social até que se tornou banqueiro. Mas depois de vários anos de êxito, veio a derrocada. Foi o próprio John Henry que teve de manter toda a sua família quando frequentou a Universidade de Oxford.
“Fui educado durante minha infância para ter o grande prazer de ler a Bíblia, mas não tive sólidas convicções religiosas até os 15 anos”: assim Newman abriu o segundo parágrafo de sua obra-prima, intitulada Apologia pro vita, a história de suas convicções religiosas, que escreveu em 1864 para combater quem, à raiz de sua conversão, o atacava ferozmente.
Um dia, na ermida de Littlemore, onde se converteu, encontrou e folheou um velho caderno seu de escola. Na primeira página encontrou, maravilhado, um emblema que lhe cortou a respiração: tinha desenhado a figura de uma cruz robusta e, atrás, uma figura que representava um rosário com uma pequena cruz unida a este. Naquele momento tinha só dez anos. Estas imagens não teriam por que terem sido desenhadas a lápis por Newman, devido à aversão que os protestantes têm às imagens sacras.

Newman e os Padres da Igreja
No ano 1826, quando ainda era anglicano, Newman decidiu estudar com um método sistemático os Padres da Igreja (a Patrística), e (como ocorre no caso de diversos protestantes que se convertem ao catolicismo) nasceu daí um grande amor. Em primeiro lugar, examinou-os sob a ótica protestante; depois, em 1835 e 1839, retomou o estudo a partir de uma ótica mais parecida com a do catolicismo (ainda que ele não o soubesse).
Em uma carta a seu amigo Pusey, Newman disse: “Não me envergonho de basear-me nos Padres, e não penso em de forma alguma me afastar deles. A história dos seus tempos não é para mim um almanaque velho. Os Padres me fizeram católico e eu não pretendo me afastar da escada pela qual subi para entrar na Igreja”.
Os Padres da Igreja foram para Newman seu grande amor. Neles, encontrou a resposta às persistentes perguntas religiosas e de fé que o torturaram durante 44 anos, até que, aos 9 de outubro de 1945, foi acolhido na Igreja Católica pelo padre Domenico Barberi, passionista italiano que foi beatificado por Paulo VI em 1963.

Sobre a conversão ao catolicismo
A conversão chegou através de um cansativo percurso intelectual e espiritual. Sua biografia identifica-se com a elaboração do pensamento e com o empenho da alma. John Henry Newman está situado entre os grandes pensadores, filósofos e teólogos da história da humanidade. Sua bibliografia, que se têm edificado no mundo no transcurso dos 125 anos desde sua morte, é enorme.
Com espírito de explorador, atento e escrupuloso, pesquisou o interminável nó de caminhos que é o protestantismo. Primeiro como calvinista, depois como anglicano, para depois chegar com alegria à Igreja edificada pelo próprio Cristo sobre o Apóstolo Pedro, como pôde experimentar também outro convertido excepcional: Santo Agostinho. Newman comportou-se como o capitão que governa seu navio de guerra com destreza e competência e, sem trégua alguma, alcançou, com grande humildade e sobretudo com zelo, a meta desejada.
Newman, apesar de dar especial importância ao valor da amizade e aos laços profissionais, quando viu e compreendeu a Verdade, e ao mesmo tempo onde estava, não se preocupou com mais nada nem com ninguém, e abandonou tudo e todos, assim como fizeram os Apóstolos. Seus amigos anglicanos compreenderam que tinham perdido um grande homem: alguns lamentaram; outros o julgaram ferozmente; outros, em contrapartida, o apoiaram.
O elogio mais belo, a nosso parecer, que lhe deram em vida, foi a carta que Edward Pusey enviou a um amigo:

“Deus está ainda conosco e nos permitirá seguir adiante, apesar desta grande perda. Não devemos esconder sua importância, porque foi a maior perda que tivemos. Quem o conheceu sabe bem dos seus méritos. Nossa igreja não soube se beneficiar. Era como se uma espada afiada dormisse em sua bainha porque ninguém sabia empunhá-la. Era um homem predestinado a ser um grande instrumento divino, capaz de realizar um amplo projeto que restabelecesse a Igreja. Foi-se – como todos os grandes instrumentos de Deus – inconsciente de sua própria grandeza. Foi-se para cumprir um simples ato de dever, sem pensar em si mesmo, abandonando-se completamente nas mãos do Altíssimo. Assim são os homens em quem Deus confia. Poder-se-ia dizer que se transferiu para outra área da vinha, onde pode utilizar todas as energias de Cardeal sua poderosa mente.”

Os ataques
Certamente partiram da Igreja anglicana, dos intelectuais protestantes e também da própria Igreja católica(!). Os primeiros o consideravam um traidor, os segundos, alguém de quem se deve desconfiar. Também alguns católicos na Irlanda estiveram contra: ele foi removido do cargo de reitor da Universidade de Dublin. John Henry Newman escreveu a Apologia pro vita justamente para se defender dos ataques dos intelectuais. Este livro engendrou muitas conversões. Recordemos que o Papa Leão XIII afastou muitos rumores maliciosos, quando concedeu a Newman o barrete cardinalício.

A beatificação de Newman em uma sociedade onde reina o relativismo moral e intelectual
O Cardeal Newman combateu sincera e lealmente o liberalismo, trazendo, com seu método sistemático e analítico, um dos perfis mais reais daquela Europa em fase de corrupção, de abandono da civilização cristã e de agonizante apostasia. Conseguiu identificar as conotações de secularização e relativismo de nossos dias, fruto da presunção que já os gregos pagãos, depositários de verdadeiras sementes do Verbo, definiam übris (ύβρις = a arrogância de quem não se submete aos deuses), ou o que é o mesmo, a ideia de antepor os lugares comuns supostamente racionais da própria época à razoabilidade e racionalidade da Tradição.
Newman, de quem, como disse o cardeal Ratzinger em 1990, “pertence aos grandes doutores da Igreja”, esse grande cavalheiro do século XIX inglês, alcançou a Verdade quando tinha 44 anos, depois de décadas de estudo e aprofundamento. Com valentia, forçou sua própria mente para entender, indagar, sondar os meandros da História, da Filosofia, Teologia e descobrir finalmente a Pedra Preciosa. Assim, diz: “Vi meu rosto naquele espelho: era o rosto de um monofisista, o rosto de um herege anglicano, e o descobri quase com terror!”.
O epitáfio na tumba do futuro beato Newman, cuja vida é das provas mais evidentes e concretas de que a razão pode se unir à fé para trazer ao mundo a Igreja de Jesus Cristo, a única Verdade que leva à salvação eterna, fala sobre a relação entre crer na verdade e ser livre: “Se permanecerdes em minha Palavra, sereis verdadeiramente meus discípulos, e conhecereis a verdade, e a verdade vos tornará livres” (Jo 8,31-32). John Henry Newman  é o modelo que a Igreja propõe aos cristãos e aos católicos para seguir: foi uma resposta claríssima do Papa Bento XVI ao mundo relativista.[Fim da entrevista com  Cristina Siccardi]

Newman foi nomeado Cardeal pelo Papa Leão XIII (1879). Abaixo alguns momentos importantes de sua vida tais como narrados pelo próprio Papa Bento XVI na homilia do dia de sua beatificação:
“A conversão [do Cardeal Newman] ao Catolicismo, exigiu-lhe o abandono de quase tudo o que lhe era caro e precioso: os seus haveres e a sua profissão, o seu grau acadêmico, os laços familiares e muitos amigos. A renúncia que a obediência à verdade, à sua consciência, lhe pedia, ia mais além ainda. Newman sempre estivera consciente de ter uma missão para a Inglaterra. (…) Em Janeiro de 1863, escreveu no seu diário estas palavras impressionantes:
‘Como protestante, a minha religião parecia-me miserável, mas não a minha vida. E agora, como católico, a minha vida é miserável, mas não a minha religião’.”

O Cardeal Newman se referia à postura de total humildade e quebrantamento diante de Deus que só a aprendeu a ter sob a tutela da sã Doutrina Católica, e que é totalmente diferente da sua antiga maneira protestante de pensar, quando já “se achava salvo” e era muito seguro. – A intercessão do Beato Cardeal John Newman é uma importante ferramenta para todos os católicos que possuem amigos, parentes ou entes queridos que não acolhem a verdadeira Igreja de Cristo. Através dele podemos pedir ao Senhor que a luz da Verdade se acenda em seus corações.
____
Fontes:
ZENIT, “O cardeal Newman e a busca da verdade”, disponível em:
http://www.zenit.org/pt/articles/o-cardeal-newman-e-a-busca-da-verdade

 

CONDUZE-ME, DOCE LUZ,

Através das trevas que me envolvem.

Conduze-me, tu,  sempre mais avante!

A noite é de breu

E estou distante de casa:

Conduze-me, tu, sempre mais avante!

Vigia meus passos: não peço para ver agora

O que devemos ver lá: um passo de cada vez

É quanto basta para mim.

Não fui sempre assim

E não roguei sempre

Para que me conduzisses, tu, sempre mais avante,

Gostava antes de escolher, e ver o meu caminho;

mas agora:

Conduze-me, tu, sempre mais avante !

Amava os dias de glória, e a despeito dos receios

o orgulho comandava meu querer:

Oh! não penses mais nos anos decorridos.

Por muito tempo teu poder me abençoou:

certamente ainda ele

Saberá me conduzir sempre mais avante

Pelo terreno inculto e pelo lamaçal,

Sobre o rochedo abrupto e a força da corrente

Até que a noite se tenha ido,

E que, pela manhã, sorriam esses rostos de anjos

Que eu tinha amado há muito tempo

E que por algum tempo havia perdido !

Conduze-me, doce luz,

Conduze-me, tu, sempre mais avante !

(John Henry, Cardeal Newman, Beato).

 

A perfeita santidade da Mãe de Deus
Quando Deus se dispôs a preparar uma mãe humana para seu Filho, começou a lhe conceder uma concepção imaculada. Não começou lhe concedendo o dom do amor, da veracidade, da mansidão ou da devoção, pois todos esses dons Maria já os possuía quando nasceu. O que Deus fez foi começar a preparar sua grande obra antes que Ela nascesse; antes que pudesse pensar, falar, agir, a fez santa e, como consequência, mesmo Ela estando na terra, era cidadã do céu. Maria é toda bela. Jamais existiu nela nenhuma deformação do pecado. Por isso é diferente de todos os demais santos.

Pode-se dizer que, do mesmo modo que o Filho divino, por ser Deus, tem uma santidade que o distancia das criaturas, Maria se distancia dos santos e dos anjos porque é a “cheia de graça”.

(Cardeal Newman:  Reflexões sobre a Virgem Santíssima).

 

Ficai conosco, Jesus!

RESPLANDECEI em mim, chama que sempre ardeis, sem jamais vos consumir (Êx 3,2)! Começarei então, por meio de vossa luz e nela imerso, a ver também eu a Luz e a reconhecer-vos como verdadeira fonte de Luz.

Ficai conosco, ficai para sempre, doce Jesus, e dai à minha alma que enlanguesce, maior graça. Ficai comigo e começarei a resplandecer tanto em vosso esplendor, tanto, que serei luz até para os outros. A luz, ó Jesus, virá toda de vós: nenhuma parte nela terei, nenhum mérito, porque sereis vós a resplandecer nos outros, por meio de mim.

(John Henry Newman, beato – em Maturidade Cristã)

 

A Cristo Ressuscitado

Ó CRISTO RESSUSCITADO,  convosco também nós devemos ressuscitar. Desaparecestes das vistas dos homens e devemos nós seguir-vos. Voltastes para o Pai, e devemos agir de modo que nossa vida seja “escondida convosco em Deus” . . .  Dever e privilégio de todos os vossos discípulos é, ó Senhor, serem exaltados e transfigurados convosco!  Privilégio nosso é vivermos no céu com o pensamento, tendências, aspirações, desejos e afetos, embora estejamos ainda na terra . . .  Ensinai-nos a “buscar as coisas do alto” (Col 3,1), testemunhando que vos pertencemos, que o nosso coração ressuscitou convosco e em vós está escondida a nossa vida.

(Beato John Henry Newman, em Maturidade Cristã).

 

John Henry Newman: “Que me importa ver o horizonte distante? Um único passo me basta”.

A conversão é um caminho, uma via que dura a vida inteira.importa ver o horizonte distante? Um único passo me basta”

John Henry Newman nasceu no dia 21 de Fevereiro de 1801 em Londres e faleceu em Edgbaston no dia 11 de Agosto de 1890. Foi um sacerdote anglicano convertido a Católico em 1845. Foi nomeado cardeal pelo Papa Leão XIII em 1879. Foi Beatificado no dia 19 de Setembro de 2010 pelo Papa Bento XVI.

Estudou no Trinity College de Oxford (1816) e no Oriel College (1822) e foi ordenado sacerdote da Igreja Anglicana e um dos líderes do “Movimento de Oxford”. Naquela época, ele considerava o anglicanismo de seu tempo excessivamente protestante e laicizado e o catolicismo parecia-lhe corrompido em relação às origens do cristianismo. Buscou uma “via media” entre os dois, e, pesquisando sobre os primórdios da Igreja Católica, acabou por converter-se.

Depois de sua conversão ao catolicismo, foi ordenado sacerdote da Igreja Católica em Roma, abriu e dirigiu em Birmingham um oratório de S. Filipe Neri e foi ainda reitor da Universidade Católica da Irlanda.

Sobre Newman o então Cardeal Joseph Ratzinger, hoje Papa emérito Bento XVI, afirmou o seguinte num discurso em 1990: “foi ao longo de toda a sua vida uma pessoa que se converteu, que se transformou, e desta forma permaneceu sempre ele mesmo, e tornou-se sempre mais ele mesmo”[1].

Ainda sobre Newman ele disse que seu caminho de conversão tem muito a nos ensinar. “A conversão é um caminho, uma via que dura a vida inteira. Por isso, a fé é sempre desenvolvimento, e precisamente assim maturação da alma para a Verdade, que ‘nos é mais íntima de quanto nós o somos para nós mesmos’” disse o Cardeal Ratzinger.

A seguir deixo para você a letra de um conhecido Poema do hoje Beato Cardeal John H. Newman:

Lead, Kindly Light

Guia, terna Luz, no meio destas trevas,

guia-me mais longe.

A noite é sombria, e eu estou longe da minha casa,

guia-me mais longe.

Guarda os meus passos: que me importa ver

o horizonte distante? Um único passo me basta.

Nem sempre Te pedi como hoje

para seres assim Tu o meu Guia.

Gostava então de escolher e conhecer o meu caminho;

doravante sê o meu Guia.

Eu amava o brilho do dia; apesar dos meus medos

o orgulho dominava a minha vida: esquece todo esse passado.

Muitas vezes, estou certo, o Teu poder me abençoou,

apenas para ser meu Guia

por entre pântanos e marés, e rochas e torrentes,

enquanto dura a noite.

E com a manhã sorrir-me-ão aqueles rostos

que sempre amei e que um dia perdi.

Referência
[1] RATZINGER, Joseph. Discurso no centenário da morte do Cardeal John Henry Newman. Congregação para a Doutrina da Fé: 1990.

Santo Evangelho (Jo 3, 16-18)

Santíssima Trindade – Domingo 11/06/2017

Primeira Leitura (Êx 34,4b-6.8-9)
Leitura do Livro do Êxodo:

Naqueles dias: 4bMoisés levantou-se, quando ainda era noite, e subiu ao monte Sinai, como o Senhor lhe havia mandado, levando consigo as duas tábuas de pedra. 5O Senhor desceu na nuvem e permaneceu com Moisés, e este invocou o nome do Senhor. 6Enquanto o Senhor passava diante dele, Moisés gritou: “Senhor, Senhor! Deus misericordioso e clemente, paciente, rico em bondade e fiel”. 8Imediatamente, Moisés curvou-se até o chão 9e, prostrado por terra, disse: “Senhor, se é verdade que gozo de teu favor, peço-te, caminha conosco; embora este seja um povo de cabeça dura, perdoa nossas culpas e nossos pecados e acolhe-nos como propriedade tua”.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Responsório (Dn 3,52-56)

— A vós louvor, honra e glória eternamente!
— A vós louvor, honra e glória eternamente!

— Sede bendito, Senhor Deus de nossos pais.

— Sede bendito, nome santo e glorioso.

— No templo santo onde refulge a vossa glória.

— E em vosso trono de poder vitorioso.

— Sede bendito, que sondais as profundezas

— E superior aos querubins vos assentais.

— Sede bendito no celeste firmamento.

 

Segunda Leitura (2Cor 13,11-13)
Leitura da Segunda Carta de São Paulo aos Coríntios:

11Irmãos: Alegrai-vos, trabalhai no vosso aperfeiçoamento, encorajai-vos, cultivai a concórdia, vivei em paz, e o Deus do amor e da paz estará convosco. 12Saudai-vos uns aos outros com o beijo santo. Todos os santos vos saúdam. 13A graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo estejam com todos vós.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Anúncio do Evangelho (Jo 3,16-18)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo João.
— Glória a vós, Senhor.

16Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho unigênito, para que não morra todo o que nele crer, mas tenha a vida eterna. 17De fato, Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por ele. 18Quem nele crê, não é condenado, mas quem não crê, já está condenado, porque não acreditou no nome do Filho unigênito.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

 

A IGREJA CATÓLICA CELEBRA E VENERA HOJE
São Barnabé, filho da consolação 

Pertenceu a ‘era apostólica’, chamado também de Barnabé apóstolo, embora não tenha pertencido ao grupo dos Doze Apóstolos

Seu nome era José, chamado pelos apóstolos de Barnabé, que quer dizer “filho da consolação”.

O santo de hoje pertenceu a ‘era apostólica’, chamado também de Barnabé apóstolo, embora não tenha pertencido ao grupo dos Doze Apóstolos. Nós encontramos o seu testemunho enraizado nas Sagradas Escrituras, nos Atos dos Apóstolos 4,32ss.

Barnabé evangelizou comunitariamente, e o Espírito Santo contou com ele para que outro apóstolo exercesse o ministério: São Paulo. “Então Barnabé o tomou consigo, levou-o aos apóstolos e contou-lhes como Saulo tinha visto no caminho, o Senhor, que falara com ele, e como, na cidade de Damasco, ele havia pregado, corajosamente, no nome de Jesus. Daí em diante, Saulo permanecia com eles em Jerusalém e pregava, corajosamente, no nome do Senhor.” (Atos 9,27-28)

Escritos antigos dizem que Barnabé passou por Roma e morreu, no ano 70, em Salamina, por apedrejamento.

São Barnabé, rogai por nós!

As Virtudes e os Dons

http://www.portalcatolico.org.br/main.asp?View=%7BFA024D8E%2D7348%2D409C%2DB01E%2D3A19BE979AC2%7D&Team=&params=itemID=%7B3557CD49%2D020D%2D4FC1%2DB27E%2DD1AE722D045F%7D%3B&UIPartUID=%7B2C3D990E%2D0856%2D4F0C%2DAFA8%2D9B4E9C30CA74%7D

A vida moral não consiste numa sucessão de atos descontínuos, mas é a expressão de hábitos que dão continuidade e certa unidade ao comportamento humano;  se esses hábitos, arraigados no íntimo do sujeito, inclinam para o bem, são chamados virtudes; se inclinam para o mal, são chamados vícios.

A virtude é uma aptidão ou uma qualidade da mente que inclina o sujeito à pratica do bem. A palavra “virtude” vem do vir (varão, em latim) e significa uma disposição forte e vigorosa. A virtude, sendo um hábito permanente, pode-se tornar segunda natureza. Todas as virtudes culminam no amor a Deus e ao próximo; é também o amor que, em última instância, mobiliza as demais virtudes e estimula o cristão a cultivar a fortaleza, a temperança, a justiça… Vê-se, pois, que as virtudes estão intimamente relacionadas entre si: quem cultiva uma (a justiça, por exemplo) deve cultivar – as outras.

Distinguimos virtudes adquiridas e virtudes infusas.

As virtudes adquiridas são aquelas que decorrem de sucessivos atos bons da mesmo índole; estes vão predispondo o sujeito a novos e novos atos bons da mesmo índole, originando assim o hábito ou a virtude respectiva; assim quem se abstém de álcool durante 24 horas e renova o seu propósito sucessivamente, acaba por adquirir o hábito ou a virtude da temperança.

As virtudes infusas são princípios da ação-dons que Deus comunica às nossas almas, sem que façamos esforços por adquiri-los; são dons de Deus. São alude a isso, dizendo: “O amor de Deus foi difundido em nossos corações pelo Espírito Santo, que nos foi dado” (Rm 5,5). Todo cristão recebe, no Batismo, juntamente com a graça santificante, virtudes infusas, que o habilitam a agir num plano novo, ou seja, como filho de Deus.

Distinguim-se virtudes teologais e virtudes morais.

As virtudes teologais dizem respeito diretamente a Deus; são a fé, a esperança e a caridade, das quais trata freqüentemente São Paulo (cf. 1Cor 13,13; 1Ts 1,3;5,8). No cristão as virtudes teologais são virtudes infusas. Isto não quer dizer que todo cristão seja sempre uma pessoa de fé ou de amor…; mas significa que todo cristão, desde o seu Batismo, tem certas potencialidades para conhecer como Deus conhece e amar como Deus ama; essas potencialidades deverão ser desenvolvidas pela educação religiosa e pelo exercício mesmo dessas virtudes.

As virtudes morais dizem respeito diretamente às criaturas; guiam a conduta do homem em relação aos bens deste mundo. São também chamadas virtudes cardeais, por que constituem os cardines ou as dobradiças e os eixos em torno dos quais gira toda a Moral. Desde Platão (+ 347 ªC) enumeram-se as quatro seguintes:

* Prudência, que estuda os meios oportunos para chegar a determinado fim; tem sede na razão;

* Justiça, que quer observar a reta convivência com todos os homens, tem sede na vontade;

* Fortaleza ou coragem, que se volta para as coisas árduas e difíceis; tem por sujeito o apetite irascível;

* Temperança, que se volta para os bens desejáveis; tem por sujeito o apetite concupiscente ou a cobiça.

As virtudes morais podem ser naturais (ou adquiridas) e sobrenaturais (ou infusas). No batismo o cristão recebe a habilitação para ser prudente, justo, corajoso e temperante não só no plano da natureza, mas também no da filiação divina.

Papa: “Cristãos olhem para o Céu e anunciem Jesus ao mundo”

Sexta-feira, 26 de maio de 2017, Da redação, com Rádio Vaticano

Em homilia, Papa Francisco falou sobre a memória, a oração e o mundo nas Escrituras
 
Nesta sexta-feira, 26, o Papa Francisco presidiu a missa matutina na capela da Casa Santa Marta e na homilia, afirmou que “as Escrituras nos indicam três pontos de referência no caminho cristão”.

O primeiro é a memória. Jesus ressuscitado diz aos discípulos que o precedam na Galileia: este foi o primeiro encontro com o Senhor. E “cada um de nós tem a sua própria Galileia”, aquele lugar aonde Jesus se manifestou pela primeira vez, o conhecemos e “tivemos a alegria e o entusiasmo de segui-lo”. Para ser um bom cristão, precisamos sempre nos lembrar do primeiro encontro com Jesus ou dos seguintes”. Esta é “a graça da memória”, que “no momento da provação, me dá a certeza”.

O segundo ponto de referência é a oração. Quando Jesus sobe ao Céu, ele não se separa de nós: “fisicamente sim, mas fica sempre ligado, para interceder por nós. Mostra ao Pai as chagas, o preço que pagou por nós e pela nossa salvação”. Assim, “devemos pedir a graça de contemplar o Céu, a graça da oração, a relação com Jesus na oração que neste momento nos ouve, está conosco”:

“Enfim, o terceiro: o mundo. Antes de ir, Jesus diz aos discípulos: ‘Ide mundo afora e façam discípulos’. Ide. O lugar dos cristãos é o mundo no qual anunciar a Palavra de Jesus, para dizer que fomos salvos, que Ele veio para nos dar a graça, para nos levar com Ele diante do Pai”.

Esta é – observou Francisco – a “topografia do espírito cristão”, os três lugares de referência de nossa vida: a memória, a oração e a missão; e as três palavras de nosso caminho: Galileia, Céu e Mundo:

“Um cristão deve agir nestas três dimensões e pedir a graça da memória: “Que não me esqueça do momento que me elegeu, que não esqueça do momento em que nos encontramos”, dizendo ao Senhor. Depois, rezar e olhar ao Céu, porque Ele está ali para interceder. Ele intercede por nós. E depois, sair em missão… não quer dizer que todos devem ir ao exterior; ir em missão é viver e dar testemunho do Evangelho; é fazer saber aos outros como é Jesus. Mas fazer isso com o testemunho e com a Palavra, porque se eu falar como Jesus e como a vida cristã, mas viver como um pagão, não adianta. A missão não funciona”.

Se, ao contrário, vivermos na memória, na oração e em missão – concluiu Francisco – a vida cristã será bela e também alegre:

“E esta é a última frase que Jesus nos diz no Evangelho de hoje: “Naquele dia, no dia em que viverem a vida cristã assim, vocês saberão tudo e ninguém poderá lhes tirar a alegria”. Ninguém, porque terei a memória do encontro com Jesus e a certeza que Jesus está no Céu e intercede por mim, está comigo, eu rezo e tenho a coragem de dizer, de sair de mim, dizer aos outros e dar testemunho com a minha vida que o Senhor ressuscitou, está vivo. Memória, oração e missão. Que o Senhor nos dê a graça de entender esta topografia da vida cristã e seguir adiante com alegria, aquela alegria que ninguém pode nos tirar”.

A consagração e os três inimigos da alma

A consagração a Jesus por Maria como auxílio extraordinário para vencer os três inimigos da alma: a carne, o mundo e o Demônio.

A consagração a Jesus Cristo e a Virgem Maria é um auxílio muito eficaz para vencer os três inimigos da alma: a carne, o mundo e o Demônio. Todos nós temos que combater esses inimigos, primeiramente porque isto é dever de todos os católicos. Todavia, lutar contra estes três inimigos da nossa alma torna-se ainda mais importante quando queremos nos santificar, nos aproximar mais de Deus. Nesse caso, a consagração a Jesus por Maria tem se mostrado na história da Igreja um auxílio de extraordinária eficácia para combater a carne, o mundo e o Demônio e elevar as almas ao Senhor. Esta eficácia é comprovada na vida de muitos os santos, que se valeram desta consagração para combater esses três inimigos da alma e alcançar os altos cumes da santidade. Entre os mais conhecidos, podemos citar São João Bosco, Santa Teresinha do Menino Jesus, São Pio de Pietrelcina, Santo Antônio de Sant’anna Galvão.

Sonho de Dom Bosco com Nossa Senhora aos nove anos de idade

Não menos importante é São Luís Maria Grignion de Montfort, o grande apóstolo de Nossa Senhora, que transformou o legado de muitos santos e santas, que já viviam esta espiritualidade antes dele, no valiosíssimo tesouro que é o seu livro “Tratado da Verdadeira Devoção a Santíssima Virgem”. Este foi o livro de cabeceira do saudoso Papa São João Paulo II, que tinha como lema em latim “Totus Tuus”, que significa “Todo Teu”, ou “Todo de Maria”. No seu testamento espiritual, intitulado “Totus Tuus ego sum”, que quer dizer “Todo Teu eu sou”, São João Paulo II escreveu seis vezes o seu lema: “Totus Tuus”. Numa dessas referências, expressou sua profunda devoção a Jesus por Maria nestes termos: “Na vida e na morte Totus Tuus mediante a Imaculada”1. O lema “Totus Tuus” é a expressão abreviada do princípio fundamental que Karol Wojtyła, ainda seminarista, assumiu para toda a sua vida e que o ajudou a perseverar até a morte: “Totus tuus ego sum et omnia mea tua sunt. Accipio Te in mea omnia. Praebe mihi cor tuum, Maria – Sou todo vosso e tudo o que possuo é vosso. Tomo-vos como toda a minha riqueza. Dai-me o vosso coração, ó Maria”2.

O primeiro inimigo da nossa alma: a carne

O primeiro inimigo de nossa alma somos nós mesmos, a nossa própria carne. “As nossas melhores ações são ordinariamente manchadas e corrompidas pelo mau fundo que há em nós”3. Por isso, “quando Deus infunde em nossa alma, corrompida pelo pecado original e atual, as suas graças e orvalhos celestes, ou o vinho delicioso do seu Amor, assim também os Seus dons são ordinariamente manchados e estragados pelo mau fermento e mau fundo que o pecado deixou em nós”4.

Para adquirir a perfeição, que somente alcançamos pela nossa união com Jesus Cristo, devemos esvaziar-nos do que há de mau em nós. Este despojamento de nós mesmos só acontecerá se conhecermos bem, à luz do Espírito Santo, “o nosso fundo mau, a nossa incapacidade para qualquer bem útil à salvação, a nossa fraqueza em todas as coisas, a nossa permanente inconstância, a nossa indignidade de toda a graça, a nossa iniquidade em toda a parte”5. Não foi sem razão que o Senhor mandou renunciar a nós mesmos6, pois, se amamos a nossa alma, a perdemos, mas, se a odiamos, a salvamos7.

Depois de reconhecermos o nosso fundo mau, “para nos despojar de nós mesmos, é preciso morrer todos os dias. Isto quer dizer que é preciso renunciar às operações das potências da nossa alma e dos sentidos do nosso corpo”8. Renunciar as faculdades da nossa alma significa nos desapegar da inteligência, da memória e da vontade. A purificação destas se dá através das três virtudes teologais: fé, esperança e caridade. Quanto à purificação dos sentidos, esta se dá pela mortificação do olfato, da visão, da audição, do paladar e do tato. Como exemplos, podemos purificar: o olfato, deixando de usar perfumes ou usar aqueles que não gostamos; a visão, abstendo-nos de assistir filmes, novelas ou acessar conteúdos que transmitem sensualidade, violência, futilidade, mundanidade; a audição, evitando ouvir músicas do mundo, conversas tolas, piadas de mau gosto; o paladar, através de penitências e jejuns de alimentos e bebidas que gostamos e/ou de comer coisas que não gostamos; o tato, usando roupas ou calçados que não sejam tão confortáveis e macios, que causem um certo incômodo. Estas são medidas simples que fazem toda a diferença na vida espiritual.

A nossa luta contra a carne se faz ainda mais necessária em nossa vida de oração. Temos um exemplo desta renúncia de nós mesmos na comunhão, como nos explica São Luís Maria: “Mas recorda-te de que quanto mais deixares agir Maria na tua comunhão, mais Jesus será glorificado. E deixarás agir tanto mais Maria por Jesus e Jesus em Maria, quanto mais profundamente te humilhares e os escutares em paz e silêncio, sem procurar ver, gostar ou sentir. Pois o justo vive, em tudo, da fé9, e particularmente na sagrada comunhão, que é um ato de fé”10. Estas três operações: “ver, gostar e sentir” dizem respeito ao nosso corpo. Isto significa que quando mais renunciamos aos nossos sentidos e também a nossa inteligência, memória e vontade, mais crescemos na fé, esperança e caridade e consequentemente mais nos aproximamos de Deus.

O segundo inimigo da nossa alma: o mundo

O segundo inimigo de nossa alma é o mundo, corrompido pelo pecado, no qual vivemos. O mundo quer nos escravizar de vários modos, através do materialismo, do dinheiro, do poder, do prazer, das paixões, da moda, do álcool, do fumo, das drogas, da televisão, da internet, da pornografia, do sexo fora do Matrimônio, do “politicamente correto”, das ideologias, das falsas religiões. O resultado de tudo isso que o mundo oferece, com a falsa promessa de felicidade, é a confusão, o desespero, a frustração, a depressão, a neurose, a loucura, a degradação moral, as doenças, a escravidão, a violência, as guerras, o suicídio, a morte.

Pelas consequências, vemos que todas as coisas que o mundo nos oferece não nos darão felicidade. Ao contrário, nos farão cada vez mais infelizes e distantes de Deus. Por isso, devemos romper decididamente com o mundo. No entanto, o mundo “está, presentemente, tão corrompido, que se torna quase inevitável serem os corações religiosos manchados, senão pela sua lama, ao menos pela poeira. Assim, é quase um milagre conservar-se alguém firme no meio desta torrente impetuosa sem ser arrastado; andar neste mar tormentoso sem ser submergido ou pilhado pelos piratas e corsários; respirar este ar empestado sem lhe sentir as más consequências. É a Virgem, a única sempre fiel, sobre a qual a serpente jamais teve poder, quem faz este milagre a favor daqueles e daquelas que a servem da melhor maneira”11.

A Virgem Santíssima obtém de Deus a fidelidade e a perseverança para todos os que se dedicam a ela. Por isso, a Mãe da Igreja pode ser comparada a uma âncora firme, que nos retém e impede que naufraguemos no meio do mar agitado deste mundo, onde tantos perecem por se não segurarem a esta âncora segura. “Nós ligamos as almas à Vossa esperança, como a uma âncora firme”, dizia São Boaventura. “Foi a Ela que os santos que se salvaram mais se amarraram e mais amarraram os outros, para perseverar na virtude. Felizes, pois, mil vezes felizes os cristãos que agora se agarram fiel e inteiramente a Maria, como a uma âncora firme”12. Dessa forma, as tempestades deste mundo não nos fará naufragar, nem perder os seus tesouros celestes.

O terceiro inimigo da nossa alma: Satanás

Este terceiro, não é somente Inimigo de nossa alma, mas também de todos os escravos e filhos de Nossa Senhora. Pois, desde o pecado de Adão e Eva13, “Deus constituiu não somente uma inimizade, mas ‘inimizades’, não apenas entre Maria e o Demônio, mas também entre a descendência da Virgem Santa e a de Satanás”14. Isto significa que Deus estabeleceu inimizades, antipatias e ódios secretos entre os verdadeiros filhos e escravos da Santíssima Virgem e os filhos e escravos de Satanás. “Os filhos de Belial15, os escravos de Satanás, os amigos do mundo16, até hoje perseguiram sempre, e perseguirão mais do que nunca, aqueles que pertencem à Santíssima Virgem, como outrora Caim perseguiu seu irmão Abel, e Esaú perseguiu Jacó, figuras dos réprobos e dos predestinados”17.

Apesar desta perseguição infernal, não temos o que temer, pois a humilde Virgem Maria sempre alcançará a vitória sobre este orgulhoso, e essa vitória será tão grande que chegará a esmagar-lhe a cabeça, onde mora o seu orgulho. Nossa Senhora sempre descobrirá a sua malícia de serpente e nos mostrará as suas tramas infernais. Ela destruirá os seus conselhos e protegerá os seus servos fiéis contra as garras cruéis do Inimigo, até o fim dos tempos.

O poder de Maria Santíssima sobre todos os demônios brilhará particularmente nos últimos tempos, nos quais “Satanás armará ciladas contra o seu calcanhar, ou seja, contra os humildes escravos e pobres filhos, que ela suscitará para lhe fazer guerra. Eles serão pequenos e pobres na opinião do mundo, humilhados perante todos, calcados e perseguidos como o calcanhar o é em relação aos outros membros do corpo. Mas, em troca, serão ricos da graça de Deus, que Maria lhes distribuirá abundantemente. Serão grandes e de elevada santidade diante de Deus, e superiores a toda criatura pelo seu zelo ardente. Estarão tão fortemente apoiados no socorro divino que esmagarão, com a humildade de seu calcanhar e em união com Maria, a cabeça do Demônio, fazendo triunfar Jesus Cristo”18.

O segredo para vencer a carne, o mundo e o Demônio

Assim, compreendemos que a carne, o mundo e Satanás, são os três maiores inimigos da nossa alma. No entanto, se formos fiéis filhos e consagrados da Virgem Maria, nossa alma será forte e corajosa, para opor-se ao mundo com as suas modas e máximas; à carne com suas angústias e paixões; e ao demônio com suas astúcias e tentações. Uma pessoa verdadeiramente devota da Santíssima Virgem não é volúvel, melancólica, escrupulosa, nem medrosa. Entretanto, isto não significa que não caia em pecado de modo algum, ou que não mude algumas vezes na sensibilidade da sua devoção. “Mas, se cai, estende a mão à sua boa Mãe e levanta-se. Se perde o gosto e a devoção sensível, não se perturba, porque o justo e fiel servo de Maria vive da fé em Jesus e Maria, e não dos sentimentos do corpo”19. Desse modo, os fiéis consagrados serão “um grande esquadrão de bravos e valorosos soldados de Jesus e Maria, de ambos os sexos, que combaterão o mundo, o demônio e a sua própria natureza corrompida, nos tempos perigosos que mais do que nunca se aproximam!20 Façamos parte destes valorosos filhos e escravos, renunciemos ao Demônio, ao mundo, a nós mesmos e consequentemente ao pecado, e entreguemo-nos inteiramente a Jesus Cristo pelas mãos de Maria. Santa Maria, Mãe de Deus, Rogai por nós!

“Ato de entrega dos jovens a Maria: ‘Eis aí a tua Mãe!’21

É Jesus, ó Virgem Maria, que da cruz nos quer confiar a Ti, não para atenuar,

mas para confirmar o seu papel exclusivo de Salvador do mundo.

Se no discípulo João, te foram entregues todos os filhos da Igreja,

Tanto mais me apraz ver confiados a Ti, ó Maria, os jovens do mundo.

A Ti, doce Mãe, cuja proteção eu sempre experimentei, os entrego, novamente, nesta tarde.

Todos, sob o teu manto, procuram refúgio na tua proteção.

Tu, Mãe da divina graça, fá-los brilhar com a beleza de Cristo!

São os jovens deste século, que na aurora do novo milênio,

vivem ainda os tormentos derivados do pecado,

do ódio, da violência, do terrorismo e da guerra.

Mas são também os jovens para os quais a Igreja olha com confiança,

na consciência de que, com a ajuda da graça de Deus,

conseguirão acreditar e viver como testemunhas do Evangelho no hoje da história.

Ó Maria, ajuda-os a responder à sua vocação.

Guia-os para o conhecimento do amor verdadeiro e abençoa os seus afetos.

Ajuda-os no momento do sofrimento.

Torna-os anunciadores intrépidos da saudação de Cristo no dia de Páscoa: a Paz esteja convosco!

Com eles, também eu me confio mais uma vez a Ti e, com afeto confiante, te repito:

Totus tuus ego sum! Eu sou todo teu!

E também cada um deles Te dizem comigo: Totus tuus! Totus tuus! Amém”22.

 

Links relacionados:

PADRE PAULO RICARDO. A Mãe do Salvador e a Nossa Vida Interior.

TODO DE MARIA. Mudar de vida com o Projeto Segunda Morada.

TODO DE MARIA. Purificar: inteligência, memória e vontade.

Referências:

1 PAPA JOÃO PAULO II. O testamento de João Paulo II: Totus Tuus ego sum.

2 SÃO LUÍS MARIA GRIGNION DE MONTFORT. Tratado da Verdadeira Devoção a Santíssima Virgem, 266.

3 Idem, 78.

4 Idem, ibidem.

5 Idem, 79.

6 Cf. Mt 16, 24.

7 Cf. Jo 12, 25.

8 SÃO LUÍS MARIA GRIGNION DE MONTFORT. Op. cit., 81.

9 Cf. Hb 10, 38

10 SÃO LUÍS MARIA GRIGNION DE MONTFORT. Op. cit., 273.

11 Idem, 89.

12 Idem, 175.

13 Cf. Gn 3, 15.

14 SÃO LUÍS MARIA GRIGNION DE MONTFORT. Op. cit., 54.

15 Cf. Dt 13, 13

16 Segundo São Luís Maria, escravos de Satanás e amigos do mundo são sinônimos, não há diferença entre eles.

17 SÃO LUÍS MARIA GRIGNION DE MONTFORT. Op. cit., 54.

18 Idem, ibidem.

19 Idem, 109. Cf. Hb 10, 38.

20 Idem, 114.

21 Cf. Jo 19, 27.

22 PAPA JOÃO PAULO II. Ato de entrega dos jovens a Maria.

Natalino Ueda é brasileiro, católico, formado em Filosofia e Teologia. Na consagração a Virgem Maria, segundo o método de São Luís Maria Grignion de Montfort, explicado no seu livro “Tratado da Verdadeira Devoção a Santíssima Virgem”, descobriu o caminho fácil, rápido, perfeito e seguro para chegar a Jesus Cristo. Desde então, ensina e escreve sobre esta devoção, o caminho “a Jesus por Maria”, que é hoje o seu maior apostolado.

Desenvolvido por Origy Networks – Criação de sites e propaganda