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Santo Evangelho (Mc 16, 9-15)

Oitava da Páscoa – Sábado 07/04/2018

Primeira Leitura (At 4,13-21)
Leitura dos Atos dos Apóstolos.

Naqueles dias, os chefes dos sacerdotes, os anciãos e os escribas 13ficaram admirados ao ver a segurança com que Pedro e João falavam, pois eram pessoas simples e sem instrução. Reconheciam que eles tinham estado com Jesus. 14No entanto viam, de pé, junto a eles, o homem que tinha sido curado. E não podiam dizer nada em contrário. 15Mandaram que saíssem para fora do Sinédrio, e começaram a discutir entre si: 16“Que vamos fazer com esses homens? Eles realizaram um milagre cla­ríssimo, e o fato tornou-se de tal modo conhecido por todos os habitantes de Jerusalém, que não podemos negá-lo. 17Contudo, a fim de que a coisa não se espalhe ainda mais entre o povo, vamos ameaçá-los, para que não falem mais a ninguém a respeito do nome de Jesus”. 18Chamaram de novo Pedro e João e ordenaram-lhes que, de modo algum, falassem ou ensinassem em nome de Jesus. 19Pedro e João responderam: “Julgai vós mesmos, se é justo diante de Deus que obedeçamos a vós e não a Deus! 20Quanto a nós, não nos podemos calar sobre o que vimos e ouvimos”. 21Então, insistindo em suas ameaças, deixaram Pedro e João em liberdade, já que não tinham meio de castigá-los, por causa do povo. Pois todos glorificavam a Deus pelo que havia acontecido.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Responsório (Sl 117,1-21)

— Dou-vos graças, ó Senhor, porque me ouvistes.
— Dou-vos graças, ó Senhor, porque me ouvistes.

— Dai graças ao Senhor, porque ele é bom! “Eterna é a sua misericórdia!” O Senhor é minha força e o meu canto, e tornou-se para mim o Salvador. “Clamores de alegria e de vitória ressoem pelas tendas dos fiéis.

— A mão direita do Senhor fez maravilhas, a mão direita do Senhor me levantou, a mão direita do Senhor fez maravilhas! O Senhor severamente me provou, mas não me abandonou às mãos da morte.

— Abri-me vós, abri-me as portas da justiça: quero entrar para dar graças ao Senhor! “Sim, esta é a porta do Senhor, por ela só os justos entrarão!” Dou-vos graças, ó Senhor, porque me ou­vis­tes e vos tornastes para mim o Salvador!

 

Evangelho (Mc 16,9-15)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Marcos.
— Glória a vós, Senhor.

9Depois de ressuscitar, na madrugada do primeiro dia após o sábado, Jesus apareceu primeiro a Maria Madalena, da qual havia expulsado sete demônios. 10Ela foi anunciar isso aos seguidores de Jesus, que estavam de luto e chorando. 11Quando ouviram que ele estava vivo e fora visto por ela, não quiseram acreditar. 12Em seguida, Jesus apareceu a dois deles, com outra aparência, enquanto estavam indo para o campo. 13Eles também voltaram e anunciaram isso aos outros. Também a estes não deram crédito. 14Por fim, Jesus apareceu aos onze discípulos enquanto estavam comendo, repreendeu-os por causa da falta de fé e pela dureza de coração, porque não tinham acreditado naqueles que o tinham visto ressuscitado. 15E disse-lhes: “Ide pelo mundo inteiro e anunciai o Evangelho a toda criatura!”

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

 

A IGREJA CATÓLICA CELEBRA E VENERA HOJE
São João Batista de La Salle, intercessor dos mestres e educadores

Nasceu na França, em Reims, no ano de 1651, dentro de uma família abastada. Perdeu muito cedo seus pais, e foi ele, com este amor alimentado na oração, na vivência dos mandamentos, na vida sacramental, que educou os seus irmãos. E o carisma da educação foi brotando naquele coração chamado à vida religiosa e sacerdotal.

Estudou em Paris, e deu passos concretos de encontro às necessidades no campo da educação: cuidar e educar de maneira virtuosa os homens. Sendo assim, foi uma resposta de Deus para a Igreja.

La Salle teve uma santidade reconhecida pela sociedade. Doze ‘irmãos’ se uniram a ele nesse projeto de Deus. Esse sacerdote, centrado na Eucaristia, teve suas escolas populares espalhadas pela França, Europa, e hoje, pelo mundo.

São João Batista de La Salle, fundador dos “irmãos das escolas cristãs”, nos prova que quando se tem uma inspiração, e como Igreja, ela fará bem à sociedade, vale a pena nos doarmos, mesmo que a incompreensão nos visite.

Faleceu no dia 07 de abril de 1719, em Rouen, na França, e é intercessor dos mestres e educadores, para que sejamos na sociedade um sinal de esperança.

São João Batista de La Salle, rogai por nós!

Sexta-feira da Paixão: Mistério de amor

Nada o detém na sua entrega amorosa

Vamos começar nossa reflexão a partir das palavras que São João usa para sintetizar o que aconteceu na Última Ceia e na Paixão de Jesus: “Tendo amado os Seus que estavam no mundo, amou-os até o fim” (Jo 13, 1).
Amar até o fim significa que, no caminho da sua entrega por nós na cruz, Jesus seguiu todas as etapas, sem deixar uma só, e chegou até o final. As penúltimas palavras que pronunciou na cruz foram: “Tudo está consumado” (Jo 19, 30), antes de clamar: “Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito!” (Lc 23, 46).
Mas amar até o fim também significa que Cristo, na cruz, nos amou sem limite algum, sem recuo algum, sem se poupar em nada, até o extremo. Nada limitou o amor do Senhor por nós. Não se deteve em barreiras, não O arredou nenhuma dor, nenhum sacrifício, nenhum horror. Acima do Seu bem-estar, da Sua honra, da Sua vida, colocou a salvação dos que amava, de cada um de nós.
Já pensamos no que é um amor ilimitado? Um amor que não depende de nada, nem exige nada, para se dar por inteiro?
O amor de Cristo começa sem que nós O tenhamos amado, não é retribuição, é puro dom; e chega até o extremo ainda que nós não o correspondamos, melhor dizendo, no meio de uma brutal falta de correspondência. Nisso consiste o amor – esclarece São João –: “Não em termos nós amado a Deus, mas em que Ele nos amou primeiro e enviou o seu Filho para expiar os nossos pecados” (1 Jo 4, 10).
A meditação da Paixão, neste sentido, é transparente. Nenhum sofrimento físico aparta Jesus da cruz. Basta que contemplemos – como numa sequência rápida de planos cinematográficos – Cristo preso, amarrado, arrastado indignamente, esbofeteado, açoitado até a Sua carne se converter numa pura chaga, coroado de espinhos, esfolado e esmagado sob o peso da cruz e de nossos pecados, cravado com pregos ao madeiro, torturado pela dor, pela sede, pelo esgotamento… Nada O detém na Sua entrega amorosa.
Podemos projetar também – em flashes consecutivos – a sequência dos sofrimentos morais do Senhor, e perceber que tampouco conseguiram afastá-Lo de chegar até o fim. É caluniado, ridicularizado, julgado iniquamente, condenado injustamente; alvo de dolorosa ingratidão, de hedionda traição; é ferido pela infidelidade, pela falta de correspondência dos que amava e escolhera como Apóstolos; é atingido pelas troças mais grosseiras, pelos insultos mais ferinos, por escarros e tapas no rosto…
Nada O faz recuar, nem sequer a última humilhação, pois não O deixaram morrer em paz, e desrespeitaram com zombarias e insultos até os últimos instantes da Sua agonia. Os que passavam perto da cruz sacudiam a cabeça e diziam: “Se és o Filho de Deus, desce da cruz!”
Os príncipes dos sacerdotes, os escribas e os anciãos também zombavam de Jesus nessa hora: “Ele salvou a outros e não pode salvar-se a si mesmo! Se é rei de Israel, desça agora da cruz e creremos nele; confiou em Deus, que Deus o livre agora, se o ama…” (Mt 27, 39-43). Esta doação sem limites de Cristo é o Amor que nos salva, o caminho que Ele quis escolher para nos livrar do mal, afogando-o em si – no Seu Amor – como num abismo.
Ao mesmo tempo, é um contínuo apelo ao nosso amor. “Quem não amará o Seu Coração tão ferido? – perguntava São Boaventura. Quem não retribuirá o amor com amor? Quem não abraçará um Coração tão puro? Nós, que somos de carne, pagaremos amor com amor, abraçaremos o nosso Ferido, a quem os ímpios atravessaram as mãos e os pés, o lado e o Coração.
Peçamos que se digne prender o nosso coração com o vínculo do Seu amor e feri-lo com uma lança, pois é ainda duro e impenitente.

Padre Francisco Faus
http://www.padrefaus.org/

Santo Evangelho (João 13, 1-15)

Quinta-Feira Santa, 29 de Março de 2018 
Ceia do Senhor  

Primeira Leitura (Êx 12,1-8.11-14)
Leitura do Livro do Êxodo:

Naqueles dias: 1O Senhor disse a Moisés e a Aarão no Egito: 2”Este mês será para vós o começo dos meses; será o primeiro mês do ano. 3Falai a toda a comunidade dos filhos de Israel, dizendo: ‘No décimo dia deste mês, cada um tome um cordeiro por família, um cordeiro para cada casa. 4Se a família não for bastante numerosa para comer um cordeiro, convidará também o vizinho mais próximo, de acordo com o número de pessoas. Deveis calcular o número de comensais, conforme o tamanho do cordeiro. 5O cordeiro será sem defeito, macho, de um ano. Podereis escolher tanto um cordeiro, como um cabrito: 6e devereis guardá-lo preso até ao dia catorze deste mês. Então toda a comunidade de Israel reunida o imolará ao cair da tarde. 7Tomareis um pouco do seu sangue e untareis os marcos e a travessa da porta, nas casas em que o comerem. 8Comereis a carne nessa mesma noite, assada ao fogo, com pães ázimos e ervas amargas. 11Assim devereis comê-lo: com os rins cingidos, sandálias nos pés e cajado na mão. E comereis às pressas, pois é a Páscoa, isto é, a ‘Passagem’ do Senhor! 12E naquela noite passarei pela terra do Egito e ferirei na terra do Egito todos os primogênitos, desde os homens até os animais; e infligirei castigos contra todos os deuses do Egito, eu, o Senhor. 13O sangue servirá de sinal nas casas onde estiverdes. Ao ver o sangue, passarei adiante, e não vos atingirá a praga exterminadora, quando eu ferir a terra do Egito. 14Este dia será para vós uma festa memorável em honra do Senhor, que haveis de celebrar por todas as gerações, como instituição perpétua.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Responsório (Sl 115)

— O cálice por nós abençoado/ é a nossa comunhão com o sangue do Senhor.
— O cálice por nós abençoado/ é a nossa comunhão com o sangue do Senhor.

— Que poderei retribuir ao Senhor Deus/ por tudo aquilo que ele fez em meu favor?/ Elevo o cálice da minha salvação,/ invocando o nome santo do Senhor.

— É sentida por demais pelo Senhor/ a morte de seus santos, seus amigos./ Eis que sou o vosso servo, ó Senhor,/ mas me quebrastes os grilhões da escravidão!

— Por isso oferto um sacrifício de louvor,/ invocando o nome santo do Senhor./ Vou cumprir minhas promessas ao Senhor/ na presença de seu povo reunido.

 

Segunda Leitura (1Cor 11,23-26)
Leitura da Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios:

Irmãos: 23O que eu recebi do Senhor foi isso que eu vos transmiti: Na noite em que foi entregue, o Senhor Jesus tomou o pão 24e, depois de dar graças, partiu-o e disse: “Isto é o meu corpo que é dado por vós. Fazei isto em minha memória”. 25Do mesmo modo, depois da ceia, tomou também o cálice e disse: “Este cálice é a nova aliança, em meu sangue. Todas as vezes que dele beberdes, fazei isto em minha memória”. 26Todas as vezes, de fato, que comerdes deste pão e beberdes deste cálice, estareis proclamando a morte do Senhor, até que ele venha.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Anúncio do Evangelho (Jo 13,1-15)

— O Senhor esteja convosco!
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo, + escrito por João.
— Glória a vós, Senhor!

1Era antes da festa da Páscoa. Jesus sabia que tinha chegado a sua hora de passar deste mundo para o Pai; tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim.  2Estavam tomando a ceia. O diabo já tinha posto no coração de Judas, filho de Simão Iscariotes, o propósito de entregar Jesus.  3Jesus, sabendo que o Pai tinha colocado tudo em suas mãos e que de Deus tinha saído e para Deus voltava, 4levantou-se da mesa, tirou o manto, pegou uma toalha e amarrou-a na cintura. 5Derramou água numa bacia e começou a lavar os pés dos discípulos, enxugando-os com a toalha com que estava cingido.  6Chegou a vez de Simão Pedro. Pedro disse: “Senhor, tu me lavas os pés?” 7Respondeu Jesus: “Agora, não entendes o que estou fazendo; mais tarde compreenderás”.  8Disse-lhe Pedro: “Tu nunca me lavarás os pés!”  Mas Jesus respondeu: “Se eu não te lavar, não terás parte comigo”.  9Simão Pedro disse: “Senhor, então lava não somente os meus pés, mas também as mãos e a cabeça”.  10Jesus respondeu: “Quem já se banhou não precisa lavar senão os pés, porque já está todo limpo. Também vós estais limpos, mas não todos”.  11Jesus sabia quem o ia entregar; por isso disse: “Nem todos estais limpos”.  12Depois de ter lavado os pés dos discípulos, Jesus vestiu o manto e sentou-se de novo. E disse aos discípulos: “Compreendeis o que acabo de fazer? 13Vós me chamais Mestre e Senhor, e dizeis bem, pois eu o sou. 14Portanto, se eu, o Senhor e Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns dos outros. 15Dei-vos o exemplo, para que façais a mesma coisa que eu fiz.

– Palavra da Salvação.
– Glória a vós, Senhor.

 

A IGREJA CATÓLICA CELEBRA E VENERA HOJE
São Constantino, anunciava o nome de Jesus na Inglaterra

São Constantino, converteu-se ao Cristianismo e assumiu seriamente o chamado à santidade

Rei de uma região da Inglaterra, casou-se, mas não assumiu seriamente esta aliança, tanto que deixou a esposa para se dedicar às guerras militares. Nesta aventura de poder e fama, ele – como São Paulo – ‘caiu do cavalo’. Era pagão, converteu-se ao Cristianismo e assumiu seriamente o chamado à santidade.

Entrou para um mosteiro irlandês e descobriu seu chamado ao sacerdócio. Junto com outro santo, percorreu muitas regiões da Inglaterra anunciando o nome de Jesus, que tem o poder de nos dar a vitória sobre o ‘homem velho’.

Constantino foi martirizado no ano de 598, atacado por pagãos duros de coração ante o Evangelho.

São Constantino, rogai por nós!

Santo Evangelho (Jo 8, 21-30)

5ª Semana da Quaresma – Terça-feira 20/03/2018

Primeira Leitura (Nm 21,4-9)
Leitura do Livro dos Números.

Naqueles dias, 4os filhos de Israel partiram do monte Hor, pelo caminho que leva ao mar Vermelho, para contornarem o país de Edom. Durante a viagem, o povo começou a impacientar-se, 5e se pôs a falar contra Deus e contra Moisés, dizendo: “Por que nos fizestes sair do Egito para morrermos no deserto? Não há pão, falta água, e já estamos com nojo desse alimento miserável”. 6Então o Senhor mandou contra o povo serpentes venenosas, que os mordiam; e morreu muita gente em Israel. 7O povo foi ter com Moisés e disse: “Pecamos, falando contra o Senhor e contra ti. Roga ao Senhor que afaste de nós as serpentes”. Moisés intercedeu pelo povo, 8e o Senhor respondeu: “Faze uma serpente abrasadora e coloca-a como sinal sobre uma haste; aquele que for mordido e olhar para ela viverá”. 9Moisés fez, pois, uma serpente de bronze e colocou-a como sinal sobre uma haste. Quando alguém era mordido por uma serpente, e olhava para a serpente de bronze, ficava curado.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Responsório (Sl 101,2-21)

— Ouvi, Senhor, e escutai minha oração e chegue até vós o meu clamor.
— Ouvi, Senhor, e escutai minha oração e chegue até vós o meu clamor.

— Ouvi, Senhor, e escutai minha oração, e chegue até vós o meu clamor! De mim não oculteis a vossa face no dia em que estou angustiado! Inclinai o vosso ouvido para mim, ao invocar-vos atendei-me sem demora!

— As nações respeitarão o vosso nome, e os reis de toda a terra, a vossa glória; quando o Senhor reconstruir Jerusalém e aparecer com gloriosa majestade, ele ouvirá a oração dos oprimidos e não desprezará a sua prece.

— Para as futuras gerações se escreva isto, e um povo novo a ser criado louve a Deus. Ele inclinou-se de seu templo nas alturas, e o Senhor olhou a terra do alto céu, para os gemidos dos cativos escutar e da morte libertar os condenados.

 

Evangelho (Jo 8,21-30)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo João.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo disse Jesus aos fariseus: 21“Eu parto e vós me procurareis, mas morrereis no vosso pecado. Para onde eu vou, vós não podeis ir”. 22Os judeus comentavam: “Por acaso, vai-se matar? Pois ele diz: ‘Para onde eu vou, vós não podeis ir’?” 23Jesus continuou: “Vós sois daqui debaixo, eu sou do alto. Vós sois deste mundo, eu não sou deste mundo. 24Disse-vos que morrereis nos vossos pecados, porque, se não acreditais que eu sou, morrereis nos vossos pecados”. 25Perguntaram-lhe pois: “Quem és tu, então?” Jesus respondeu: “O que vos digo, desde o começo. 26Tenho muitas coisas a dizer a vosso respeito, e a julgar, também. Mas aquele que me enviou é fidedigno, e o que ouvi da parte dele é o que falo para o mundo”.27Eles não compreenderam que lhes estava falando do Pai. 28Por isso, Jesus continuou: “Quando tiverdes elevado o Filho do Homem, então sa­bereis que eu sou, e que nada faço por mim mesmo, mas apenas falo aquilo que o Pai me ensinou. 29Aquele que me enviou está comigo. Ele não me deixou sozinho, porque sempre faço o que é de seu agrado”. 30Enquanto Jesus assim falava, muitos acreditaram nele.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

 

A IGREJA CATÓLICA CELEBRA E VENERA HOJE
Santo Ambrósio de Sena, homem do perdão e da reconciliação
 

Tornando-se um pregador cheio do Espírito Santo; um homem do perdão e da reconciliação

O santo de hoje nasceu no ano de 1220 em Sena, Itália, dentro de um contexto familiar diferente. Ao ter nascido com uma deformação física, sua família – nobre – o renegou e o entregou a uma ama de leite, que recebeu a ordem de viver com a criança afastada deles. Isso tudo foi providência na vida de Ambrósio, porque esta ama, mulher de fé, foi uma verdadeira mãe, alimentado-o e assim, foi acontecendo a recuperação do menino.

Com uma certa idade a família o acolheu. Ambrósio estava no processo de cura interior de reconciliação, mas já os havia perdoado. Aceitou, para um bem maior, os bens terrenos que ele teve como direito, usando-os para o bem dos pobres. O castelo foi se tornando aos poucos um hospital, lugar de acolhimento aos mais necessitados. Com 18 anos renunciou a tudo e foi para os Dominicanos, tornando-se um pregador cheio do Espírito Santo. Um homem do perdão e da reconciliação. Faleceu em Sena, durante uma pregação. Morreu no serviço, no ministério.

Santo Ambrósio, rogai por nós!

4º Domingo de Quaresma – Ano B

Por Pe. Inácio José Schuster

DEUS AMOU TANTO O MUNDO!
2 Crônicas 36, 14-16. 19-23; Efésios 2, 4-10; João 3, 14-21

No Evangelho deste domingo, encontramos uma das frases absolutamente mais belas e consoladoras da Bíblia: «Deus tanto amou o mundo que deu seu Filho único, para que todo aquele que nele creia não pereça, mas tenha vida eterna». Para falar-nos de seu amor, Deus serviu-se das experiências de amor que o homem tem no âmbito natural. Dante diz que em Deus existe, como atado em um único volume, «o que no mundo se desencaderna».
Todos os amores humanos –conjugal, paterno, materno, de amizade– são páginas de um caderno, ou fagulhas de um incêndio, que tem em Deus sua fonte e plenitude. Antes de tudo, Deus, na Bíblia, fala-nos de seu amor por meio da imagem do amor paterno. O amor paterno está feito de estímulo, de impulso. O pai quer fazer crescer o filho, impulsionando-o a que dê o melhor de si. Por isso, dificilmente um pai louvará o filho incondicionalmente em sua presença. Teme que não se esforce mais.
Uma marca do amor paterno é também a correção. Mas um verdadeiro pai é desta forma aquele que dá liberdade, segurança ao filho, que o faz sentir-se protegido na vida. Eis aqui por que Deus se apresenta ao homem, ao longo de toda a revelação, como sua «rocha e baluarte», «fortaleza sempre perto nas angústias».
Outras vezes, Deus fala-nos com a imagem do amor materno. «Acaso uma mulher esquece seu filho, sem compadecer-se do filho de suas entranhas? Pois ainda que essas chegassem a esquecer, eu não te esqueço» (Is 49, 15). O amor da mãe está feito de acolhida, de compaixão e de ternura; é um amor «entranhável». As mães são sempre um pouco cúmplices dos filhos e com freqüência devem defendê-los e interceder por eles perante o pai. Fala-se sempre do poder de Deus e de sua força; mas a Bíblia fala-nos também de uma fraqueza de Deus, de uma impotência sua. É a «fraqueza» materna.
O homem conhece por experiência outro tipo de amor, o amor esponsal, do qual se diz que é «forte como a morte» e cujas chamas «são flechas de fogo» (Ct 8, 6). E também a este tipo de amor recorreu Deus para convencer-nos de seu apaixonado amor por nós. Todos os termos típicos do amor entre homem e mulher, inclusive o termo «sedução», são empregados na Bíblia para descrever o amor de Deus pelo homem. Jesus levou a cumprimento todas estas formas de amor, paterno, materno, esponsal (quantas vezes se comparou a um esposo!); mas lhes acrescentou outra: o amor de amizade. Dizia a seus discípulos: «Já não vos chamo de servos… chamo-vos de amigos, porque tudo o que ouvi de meu Pai vos dou a conhecer» (João 15, 15).
O que é a amizade? A amizade pode constituir um vínculo mais forte que o parentesco mesmo. O parentesco consiste em ter o mesmo sangue; a amizade em ter os mesmos gostos, ideais, interesses. Nasce da confidência, isto é, do fato de que confio a outro o mais íntimo e pessoal de meus pensamentos e experiências. Agora: Jesus explica que nos chama amigos porque tudo o que ele sabia de seu Pai celestial nos deu a conhecer, confiou-nos. Fez-nos partícipes dos segredos da família da Trindade! Por exemplo, do fato de que Deus prefere os pequenos e os pobres, de que nos ama como um pai, de que nos tem preparado um lugar. Jesus dá à palavra «amigos» seu sentido mais pleno.
Que devemos fazer depois de ter recordado este amor? Algo simplíssimo: crer no amor de Deus, acolhê-lo; repetir comovidos, com São João: «Nós cremos no amor que Deus tem por nós!» (I João 4, 16).

 

Por Pe. Fernando José Cardoso

Na tradição litúrgica da Igreja, este DOMINGO foi sempre conhecido pelo nome “LAETARE” (Alegrai-vos). A preparação da celebração e a sua própria realização devem ter em conta o que diz a Oração Coleta: “Deus de misericórdia… concedei ao povo cristão fé viva e espírito generoso, a fim de caminhar alegremente para as próximas solenidades pascais”. Os ornamentos de flores poderão aparecer, mas muito discretos, como sinal deste momento de alegria que se situa a meio do caminho da Páscoa.
Seguindo a sequência das etapas mais importantes da história da salvação, na 1ª Leitura iremos ouvir a crônica do exílio (Segundo Livro das Crônicas). Para o cronista, a história do povo judeu é um hino à fidelidade de Deus e à sua paciência que tudo fez para manter e renovar a fidelidade dos homens. No centro de toda esta narração, encontramos o templo, destruído em primeiro lugar, e depois a convocatória para a sua reconstrução.
O salmo 136 canta não só o passado marcado pelo pecado (“se eu me não lembrar de ti, Jerusalém”), mas também o futuro que poderá ser melhor, através da graça do perdão. São Paulo convida-nos a alegria, porque a ressurreição de Jesus é a nossa ressurreição por obra e graça do amor de Deus. Estando mortos por causa dos nossos pecados, Deus deu-nos a vida. “É pela graça que fostes salvos, por meio da fé”. Sendo assim, não podemos ficar indiferentes. Temos que corresponder com boas obras ao amor imenso de Deus, manifestado em Jesus Cristo.
O melhor itinerário quaresmal é ter os olhos fixos na morte e ressurreição de Cristo, realizando ao mesmo tempo uma conversão. Nas trevas da noite pessoal de Nicodemos, Jesus vem ao seu encontro e entra em diálogo com ele. Toda a caminhada de fé se orienta para o mistério pascal. Hoje, a partir da imagem da serpente elevada no deserto para ser salvação, este mistério apresenta-se através de uma linguagem de exaltação. O Filho do Homem será elevado pelos homens na cruz; Deus O exaltará na sua glorificação. A cruz e a glória encontram-se. A cruz torna-se luz e ilumina todos os homens e as suas obras.
A partir da cruz, o Filho do Homem torna-se visível a todos os homens que o queiram “ver”, que desejem vê-lo face a face para n’Ele descobrir toda a radicalidade da humanidade que é a mesma que Deus assumiu ao enviar o seu único Filho ao mundo para redimi-lo. Por isso, a cruz é o caminho da fé e, com ela, da verdadeira salvação, para que todos os que acreditam tenham a vida eterna. Deus não enviou o seu Filho ao mundo para julgar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por Ele.
Não podemos esquecer isto, porque, hoje, Deus envia a sua Igreja (todos nós) ao mundo para que continue a ser instrumento de salvação. Deus ama este mundo e nós devemos imitar o nosso Pai. Este amor divino é manifestado a todos nós na Eucaristia. Novamente, Deus é “elevado” e apresentado a todos, para que a nossa fé cresça e ansiemos pela salvação que nos vem da Páscoa do Senhor. “Nós somos obra de Deus, criados em Jesus Cristo, em vista das boas obras que Deus de antemão preparou, como caminho que devemos seguir” (2ª Leitura). Que Cristo continue a modelar a nossa vida.

 

A LUZ DA VERDADE ILUMINA NAS TREVAS
Evangelho do IV Domingo da Quaresma
Por Padre Angelo del Favero

Jo 3,14-21
“Então Jesus disse a Nicodemos: ‘Como Moisés levantou a serpente no deserto, assim é necessário que seja levantado o filho do Homem, a fim de que todo aquele que crer tenha nele vida eterna. Pois Deus não enviou o seu Filho ao mundo para julgar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por ele. Quem nele crê não é julgado; quem não crê, já está julgado; porque não creu no Nome do filho único de Deus. Este é o julgamento: a luz veio ao mundo, mas os homens preferiram as trevas à luz, porque as suas obras eram más. Pois quem faz o mal odeia a luz e não vem para a luz, para que suas obras não sejam demonstradas como culpáveis. Mas quem pratica a verdade vem para a luz, para que se manifeste que suas obras são feitas em Deus’.

Neste IV domingo da Quaresma (“laetare”), a Palavra divina bate em nosso coração trazendo a alegria de um grande anúncio: “Pois Deus amou tanto o mundo, que entregou o seu Filho único, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3,16); e é justamente o Filho unigênito que o revela “de noite” para Nicodemos, figura de cada homem, pesquisador (por natureza) da Verdade (Jo 3,1). Conversando com ele, Jesus declara: “Em verdade, em verdade, te digo: quem não nascer do alto não pode ver o Reino de Deus” (Jo 3,3); e o “mestre em Israel” ingenuamente pergunta como pode um homem voltar para útero materno. A resposta é um caminho da mente que começa há muito tempo: “Pois Deus amou o mundo ..”. Com este “pois”, Jesus traça um paralelo entre o fato narrado no livro dos Números e o seu destino: “Como Moisés levantou a serpente no deserto, assim é necessário que seja levantado o Filho Homem, a fim de que todo o que nele crê não pereça, mas tenha vida eterna”(Jo 3,14).
Lembro-me aqui do episódio: no tempo do êxodo dos israelitas no deserto, muitos deles morreram por causa da picada de serpentes venenosas enviadas por Deus para punir a desconfiança do povo. Só se salvaram aqueles que conseguiram olhar para uma serpente de bronze colocada em um poste por Moisés, sob as instruções do próprio Deus (Nm 21, 4b-9). A partir da figura deste evento bíblico, Jesus revela a Nicodemos a necessidade salvífica (“necessita”) que Ele mesmo seja levantado no madeira da cruz, em uma espécie de identificação vicária e reparadora com a serpente – pecado: “Aquele que não conhecera o pecado, Deus o fez pecado por causa de nós, a fim de que, por ele, nos tornemos justiça de Deus “(2 Cor 5,21). Essa nossa “justificação” consiste em uma espécie de “gravidez” da natureza humana na morte de Cristo, graças à qual cada um de nós foi regenerado Nele para a vida nova do Espírito Santo. Nenhum homem da história humana foi excluído deste renascimento “do alto”, mas só a vida daqueles que não querem fazer o mal pode ser efetivamente regenerada.
De fato, Jesus diz a Nicodemos: “quem faz o mal odeia a luz e não vem para luz, para que suas obras não sejam demonstradas como culpáveis. Mas quem pratica a verdade vem para a luz, para que se manifeste que suas obras são feitas em Deus”(Jo 3,20-21). Estas palavras do Senhor lançam um raio de luz divina na questão aparecida no dia 23 de Fevereiro de 2012 no Journal of Medical Ethics, título de um artigo de medicina moral. Ela foi colocada por dois estudiosos italianos que operam na Austrália, e já percorreu o mundo, não só científico. A questão (perversamente retórica) é esta: “O aborto depois do nascimento: por que a criança deveria viver?”.
A tese dos dois “pesquisadores” é expressa com palavras que comparam a vida da criança antes e depois do nascimento, aspecto que pode trazer o mal-entendido “gestacional” de Nicodemos. E eis aqui as suas declarações absurdas: “quando depois do nascimento se verificam as mesmas circunstâncias que justificam o aborto antes do nascimento, deveria ser permitido o que nós chamamos de aborto pós-natal” (do Zenit italiano, 13/03/2012: “O aborto após o nascimento? “). Porém, eis, ao contrário, a pergunta sincera de Nicodemos: “Como pode um homem nascer, sendo velho? Por acaso pode entrar pela segunda vez no ventre de sua mãe e renascer? “(Jo 3,4).
Do artigo em questão, eu só li as citações publicadas pela agência Zenit, que entre outras coisas, informa que “numa carta aberta, os autores do artigo se declararam maravilhados pela reação hostil, dizendo que “devia ser um mero exercício de lógica”” (Zenit, italiano, 12/03/2012: “O aborto eo infanticídio”). Apesar das minhas limitações, acho que posso comentar o conjunto com o juízo que Jesus faz hoje: “a luz veio ao mundo, mas os homens preferiram as trevas à luz, porque as suas obras eram más. Pois quem faz o mal odeia a luz, para que suas obras não sejam demonstradas como culpáveis. Mas quem pratica a verdade vem para a luz, para que se manifeste que suas obras são feitas em Deus” (Jo 3,19-21).
Em outras palavras, baseando-se somente na lógica “pura” (e não na razão iluminada pela luz da Verdade), é arriscado acabar no abismo moral do qual os autores escrevem: substituir o valor da vida com a qualidade da vida significa simplesmente não reconhecer a dignidade do homem. E a sua dignidade, fonte de grande alegria, é esta: “Deus amou tanto o mundo que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3,16).

 

QUARTO DOMINGO DA QUARESMA – Ano B
“Alegra-te, Jerusalém! Reuni-vos, vós todos que a amais; vós que estais tristes, exultai de alegria! Saciai-vos com a abundância de suas consolações” (Is 66, 10s).
Padre Wagner Augusto Portugal, Vigário Judicial da Diocese da Campanha, MG

Meus irmãos,
Estamos vivendo um momento de aproximação do teatro da Paixão, Morte e Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo. Este é o domingo LAETERE, ou seja, o domingo em que os paramentos podem ser róseos. Por isso, todos nós somos convidados a restaurar nossas vidas em Cristo Senhor.
Na Quaresma, a liturgia relaciona a caminhada de Israel com a revelação em Cristo e a nossa salvação pela fé, professada no Batismo. Por isso, pela recepção do Batismo o fiel é convidado a formar uma comunidade de luz e de misericórdia.
A primeira leitura – 2Cr 36,14-16.19-23) Deus encarregou Ciro de reconstruir o Templo. O final de 2Cr esboça uma teologia da história de Israel – que findou, pelo Exílio, em 587 aC. O Cronista pensa como Jeremias e Ezequiel: Deus advertiu bastante, pela boca dos profetas, mas Israel não obedeceu e os reis quiseram fazer a sua própria vontade: por isso veio o Juízo: a destruição de Jerusalém e o exílio de sua elite. Mas a última palavra de Deus é de misericórdia: como ele fez destruir, assim, também faz reconstruir. Para isso, usa-se do vencedor dos babilônios: Ciro, o persa. Deus castiga mas não para destruir, mas para renovar o homem.

Caros fiéis,
O trecho que relaciona o episódio referente a Israel, narrado neste domingo, à primeira vista não parece ilustrar o Evangelho. Contudo, é bom que se observe que a liturgia de hoje apareça atravessada de um fio homogêneo: a passagem da morte à vida, das trevas à luz, do pecado à reconciliação, do pecado à graça santificante. Israel estava morto, a terra e a cidade estavam destruídos. E, pior do que tudo isso, o povo hebreu estava exilado. Mas, Deus fez o povo hebreu reviver, levando-o de volta. E isso, sem mérito da parte daquele Povo, mas pelo intermédio de um pagão, o rei Ciro, conforme relata a primeira leitura, que se apresenta a si mesmo como encarregado de Javé para realizar esta obra.
Na mesma linha de entendimento, a segunda leitura fala de nossa revivificação com Cristo, numa terminologia eminentemente batismal. Acentua fortemente a gratuidade desse agir de Nosso Deus. Não foi por nossos méritos, mas porque Deus assim o quis, em sua grande e insondável misericórdia. O que não quer dizer que não precisamos fazer nada. Não somos salvos pelas obras, mas para as obras, para as obras boas que Deus nos preparou em sua eterna providência.  A Carta aos Efésios(Ef 2,4-10) apresenta Deus que restaurou a nossa vida em Cristo. Todos os homens afastaram-se de Deus e estão mais perto da morte do que da vida. A isso responde o texto deste domingo: Deus nos corressuscitou em Cristo e nos deu um lugar na sua vida. Morto mesmo é quem está entregue ao seu egoísmo; para reviver, precisa de amor que seja maior do que o seu fechamento à riqueza da graça, que Deus nos demonstra em Jesus Cristo. Esta maravilha do amor deve manifestar-se, também, na vida dos que assim são renovados: devem realizar a caridade que Deus desde sempre sonhou para eles.

Irmãos e Irmãs,
Da morte de Jesus nasce a vida. Por isso, celebramos este domingo que é chamado de Domingo da Alegria, conforme canta a antífona da entrada: “Alegra-te, Jerusalém! Exultai e alegrai-vos, vós todos que estáveis tristes!”. É o domingo do amor de Deus, do amor narrado – primeira leitura retirada do Livro das Crônicas -; do amor anunciado – segunda leitura; e do amor plenamente revelado na pessoa de Jesus Cristo – Evangelho. Um amor surpreendente e único de Jesus que assume a condição humana, inclusive a morte. Da morte de Jesus, porém, nasce a vida, a vida eterna. Da maldição da cruz brota a graça salvadora para as criaturas.
Nicodemos era fariseu, magistrado e membro do Sinédrio. Foi um dos poucos da classe dominante a reconhecer que na pessoa de Jesus havia alguma coisa a mais que profeta. Mas se manteve sempre com discrição, tanto que foi procurar Jesus pela noite, ou seja, às escondidas. Foi Nicodemos quem teve a oportunidade para defender Jesus, estando presente e agindo com desenvoltura no sepultamento de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Caríssimos irmãos,
Deus amou o mundo, assim anuncia o Evangelista João(cf. Jo 3,14-21). Mundo significa o universo e as criaturas criadas. Mundo pode significar a humanidade invadida pelo mal, que não quer receber a doutrina salvadora de Jesus, que se opõe ao Reino de Deus, especialmente nos grandes momentos da paixão, morte e ressurreição. Por isso, Jesus anunciou: “Coragem, eu venci o mundo!” (Jo 16,33).
É, pois, necessário fazer uma transposição de mundo para o sentido da liturgia de hoje: “Deus amou o mundo” (Jo 3, 16a). Esse amor de Deus mistura dois sentidos: o  de enviar o seu Filho ao mundo, não para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por Ele. O mundo é englobado por tudo: pecadores, ovelhas desgarradas, corações transviados, os Zaqueus, os Dimas, as Madalenas, os Judas. A condição para todos é a mesma: crer que no nome do Filho único de Deus.
Crer é ter a experiência de Cristo, como temos do alimento, da alegria, das cores. Crer implica entrar em contacto com o Mistério da Salvação. É preciso estar em comum união com Cristo, o que implica falar, agir, viver, conviver com o mistério da Cruz, que é escândalo para uns, loucura para outros, e poder e sabedoria de Deus para os cristãos verdadeiros, porque enquanto o mundo gira a Cruz permanece de pé.
A cruz não é um incidente de percurso. A cruz está prevista e querida por Deus, ainda que espante o modo de pensar humano. Aqui reside a novidade da liturgia de hoje: na Páscoa podemos vestir as vestes da luz, da salvação, da comunhão com Deus, sob a condição de ser levantado com o Cristo na cruz.
A salvação que vem da Cruz é certa. Cristo não mente. Não será por acaso que, no momento em que se fala da salvação que vem da Cruz, menciona-se a palavra “verdade” e a palavra “luz”. Quem age conforme a verdade, se aproxima da luz. João aproxima no seu Evangelho a verdade da luz. Luz, com um sentido maior que claridade, significa presença de Deus e o estado em que se encontram os que foram redimidos por Jesus. São Paulo diz que os cristãos são filhos da luz, isto é, vivem envolvidos por Deus.
Jesus se identificou com a verdade e é um único caminho da verdade e da vida. Agir conforme a verdade significa pautar o pensamento, o sentimento e a ação no modo de agir, sentir e pensar de Jesus. Como São Francisco, que fez da verdade um critério básico do seguimento de Cristo, iluminando sua vida e seu agir, podemos seguir o que nos ensinou Pio XI a respeito do pobre frade de Assis: “um quase Cristo redivivo”.

Meus irmãos,
Como batizados, podemos nos perguntar: participamos da comunidade? Nossa comunidade reflete a luz de Cristo? Nosso mundo é um pouco melhor porque nossa comunidade existe?
No momento em que a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil nos propõe um tema específico para meditação durante a Quaresma, por meio da Campanha da Fraternidade, busquemos nos identificar com tão salutar proposta e posicionemo-nos em defesa da dignidade humana, contra todas as formas de violência, construindo um mundo de paz. Isso porque cremos em Cristo e crer nEle significa segui-Lo. Crer em Cristo significa amá-Lo. Crer em Cristo significa viver nEle e por Ele em Deus.
Aproximamo-nos da grande Festa da Páscoa. Por isso, somos chamados à alegria de uma estreita preparação para esta festa da misericórdia, da redenção, do amor. Não há lugar para a tristeza onde o amor está vencendo. A certeza do amor de Deus nos enche de consolação e nos afasta de qualquer atitude de desesperança e de tristeza.
Apesar de nossas contínuas infidelidades, Deus, misericordioso e sempre fiel à sua aliança, incansavelmente nos chama à obediência filial e à reconciliação. Que Deus nos ajude e nos ilumine a perceber os sinais de amor presente na vida quotidiana, porque da morte gloriosa de Cristo nasceu a vida plena.

Caríssimos irmãos,
Nesta ocasião especial de uma experiência mística especial, em que a liturgia nos propõe a meditação da misericórdia de Deus que sempre se nos derrama como bálsamo em nossas chagas, abertas pelo pecado, as rosas deste domingo, no prenúncio da primavera (lembrando que estamos às vésperas da estação das flores nos trópicos), nos antecipa, por meio da Santa Igreja e, mais ainda, da participação à Sagrada Eucaristia, o gozo eterno que desfrutaremos no céu.
Na Antigüidade cristã, este Domingo era chamado Dia das Rosas, pois os cristãos se presenteavam mutuamente com as primeiras rosas da primavera. No século X, entrou na liturgia deste dia a singular Bênção da Rosa, sendo que em Roma a rosa passou a ser de ouro. O Papa ia à Basílica estacional de Santa Cruz de Jerusalém, levando na mão uma rosa de ouro que significava a alegria pela proximidade da Páscoa e, regressando, presenteava com ela o prefeito de Roma.
Dessa solenidade derivou o costume, ainda hoje em vigor, do Soberano Pontífice benzer neste dia uma rosa de ouro e a oferecer a uma pessoa, a uma igreja ou a uma instituição, em sinal de particular atenção. No Brasil há três rosas de ouro: uma que foi ofertada à Princesa Isabel, em 1888, pelo papa Leão XIII, pela abolição da escravatura; uma outra oferecidas à Basílica Nacional de Nossa Senhora Aparecida, em 1966, pelo papa Paulo VI, devido à monumentalidade de sua edificação; e o papa Bento XVI, em visita àquele Santuário Nacional, em 2007, ofereceu a simbólica rosa de ouro à Senhora Aparecida.
Neste dia, a Santa Igreja faz como que uma pausa na penitência quaresmal e demonstra alegria pelo toque do órgão, pelos ornamentos dos altares e pela cor rósea dos paramentos. Toda a missa respira alegria e júbilo pela grande festa que se aproxima.
Vivendo esse momento especial da liturgia, procederemos, após o Ofertório da Missa, a bênção das rosas. Na oração. Pediremos a Deus a graça de, ao experimentar a fragrância de tão belas rosas, sejamos reconciliados “no odor dos vossos ungüentos e, cheios de alegria e exaltando de fé, corramos ao encontro das festas que se aproximam”, a alegria pascal. Amém.

No mundo atual ainda se reza?

As preocupações do homem moderno parece que se deslocaram. Seu comportamento é de quem assumiu com as próprias mãos o destino de seus dias. Os humanos não contam mais com auxílio externo para ter sucesso nos seus negócios. Os seus planos, a sua inteligência, e a sua capacidade de trabalho são a chave da vitória de seus empreendimentos. A atual crise econômica mundial, no entanto, vem desmentir essas soberanas convicções.
O que acontece é que a grande motivação cristã da felicidade, na eternidade, foi puxada para baixo. As promessas de plenitude do nosso ser aterrissaram. Tudo o que de belo a fé nos garantia virou paraíso terrestre.
O comunismo – que tinha alguns ideais muito interessantes – pecou por essa razão: seu olhar se baixou para o horizonte exclusivo desta vida. Por isso, nos dias atuais, a população quer cuidar do corpo, porque pretende viver sempre, precisa estudar sem parar para estar em condições de competir com qualquer contendor. O corpo deve ficar cada vez mais belo e perfeito; sente-se a necessidade de enriquecer para ter todo conforto possível; deve aprender a evitar conflitos desnecessários com o semelhante, pois a caminhada vai ser longa; a religião é proposta como garantia de prosperidade… neste mundo. Então, “comei, bebei, inebriai-vos” (Ct 5, 1). A oração toma contornos surreais; não é mais uma atividade necessária.
No entanto, o vazio da vida, que teima em nos incomodar, só o deixamos de sentir em comunicação com nosso Deus e amigo. “Por ti, ó Deus, suspira a minha alma” (Sl 42,1). Sem referência ao Eterno somos pássaros de uma asa só.
Jesus, o orante por excelência, nos mostrou que a atitude de busca pelo Pai se deve expressar no louvor, na humilde adoração, na gratidão. “Oferecei a Deus sacrifícios de louvor” (Am 4,5). É certo que, nós como Seus filhos, temos direito de pedir resultados para os nossos trabalhos. Mas Jesus selecionou – como forte sugestão – quais os pedidos, aos quais devemos dar preferência: que venha o Reino, que tenhamos o Espírito Santo e que se faça a vontade do Pai Criador.
Nada impede aos filhos acrescentar outras petições. O importante é nos aproximarmos desse Ser Amoroso, de cuja amizade depende a nossa realização.

Dom Aloísio R. Oppermann, scj
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João Paulo II conquistou o amor do mundo

Por Mons. Inácio José Schuster

O Papa São João Paulo II, homem de Deus, durante 27 anos esteve à frente da Igreja de Cristo.
Sem armas, sem poder temporal, obediente somente ao mandato do Senhor, “Confirma teus irmãos na fé” (Lc 22,30), São João Paulo II conquistou o amor do mundo.
Dentre os inúmeros acontecimentos que atestaram esta realidade podemos destacar dois. Um foi a intensa e comovente reação em todos os quadrantes da terra ao atentado de 13 de maio de 1981. Sobre esse dia, escreveu ele no seu Testamento: “(…) no dia do atentado ao Papa, durante a audiência geral, na Praça de São Pedro, a Divina Providência salvou-me de modo milagroso da morte. Aquele que é o único Senhor da vida e da morte, Ele mesmo me prolongou esta vida, de certo modo concedeu-ma de novo. A partir desse momento, ela pertence-lhe ainda mais (…). Peço-lhe que me chame quando Ele mesmo quiser. ‘Na vida e na morte pertencemos ao Senhor… somos do Senhor’” (cf. Rm 14,8). Pessoas de todas as condições sociais, de crenças as mais diversas, sofreram terrível impacto e se uniram na dor, nas lágrimas e na confiança. Outro fato, não menos impactante, mas permeado de uma profunda espiritualidade, foram os momentos que se seguiram desde o final dos seus dias até o seu sepultamento. A 2 de abril de 2005, o mundo chorou a morte do Papa e se regozijou por ter mais um intercessor junto de Deus.
Em pouco tempo, São João Paulo II se constituiu em patrimônio da Humanidade. Todos nós fomos feridos nos sentimentos de amor e admiração pela figura invulgar daquele Papa que, para nós, brasileiros, o chamava-nos de “João de Deus”. Foi o guardião duma verdade que não é deste mundo, mas que nasce do mistério da Cruz e da Ressurreição de Cristo, sem interesses outros que não os de revelar ao homem sua sublime dignidade. Tornou-se símbolo de Fé para tantos que já não mais sabiam crer. Conseguiu devolver a muitos confiança e imortal esperança.
Quem não se lembra de seus ensinamentos? A dignidade intocável do homem, eis o grande tema básico! Em sua Encíclica “Dives in Misericordia”, de 30 de novembro de 1980, com voz poderosa, parece querer acordar um “gigantesco remorso” na consciência dos povos: “Enquanto uns, abastados e fartos, vivem na abundância, dominados pelo consumismo e pelo prazer, não faltam, na mesma família humana, indivíduos e grupos sociais que passam fome. Não faltam crianças que morrem de fome sob o olhar de suas mães” (VI, 11.4).
São João Paulo II compreendeu profundamente os arcanos, os abismos do coração. Descreveu, numa visão genial, as aspirações da época moderna. Diante do mistério da iniquidade, capaz de transformar em rancor, ódio e crueldade a promoção do direito, exclama: “A experiência do passado e do nosso tempo demonstra que a justiça, por si só, não é suficiente” (Idem VI, 12.3). Se o indivíduo não “recorrer a forças mais profundas do espírito, forças que condicionam a própria ordem da justiça”, será ameaçado o fundamento jurídico.
Constituído por Jesus Cristo como Pastor e Mestre, foi, em seu Pontificado, símbolo de misericórdia.
Hoje, com tamanhos sofrimentos que assolam o mundo, tanta dor, morte sem pranto, corações revoltados e que não querem aprender a confiança, repitamos o convite de São João Paulo II: “Devemos recorrer a esta mesma misericórdia em nome de Cristo e em união com ele (…). O Pai, aquele que vê o que é secreto, está continuamente à espera, por assim dizer, de que nós, apelando a ele em todas as necessidades, perscrutemos cada vez mais o seu mistério: o mistério do Pai e do seu amor” (“Dives in misericordia”, I, 2.7).
Quando falamos em São João Paulo II, naturalmente, vem à lembrança suas viagens ao Brasil. Particularmente, as duas vindas ao Rio de Janeiro. Em 1980 preparamos detalhadamente a primeira visita que teve a participação de uma multidão de fiéis, mas o que assisti em 1997, por ocasião do II Encontro Mundial do Papa com as Famílias, ultrapassou tudo o que já havia presenciado em outras ocasiões. Na verdade, convivi com um homem marcado pelo sofrimento, as angústias da humanidade. Ao mesmo tempo, percebia a leveza de espírito que anunciava a alegria do Evangelho autêntico.
Sem se cansar ele conquistou o afeto do povo brasileiro, que carinhosamente chamava de “João de Deus”. Os homens de cultura receberam suas sábias e exigentes orientações. Os doentes, os mais pobres, os leprosos, não só viram suas lágrimas, mas dele ouviram a palavra da Fé, da fraternidade, da esperança e do amor que já não morre. Os políticos e as crianças, índios, os agricultores, operários e presidiários, os sacerdotes, os religiosos, os bispos, todos acolhemos filialmente suas diretrizes, novo ânimo e segurança.
As vibrações do entusiasmo de nosso povo significavam realmente a imagem simbólica e representativa da admiração e gratidão que o mundo devota ao Papa São João Paulo II.
Nosso “João de Deus” fez renascer a confiança e esse estado de espírito jamais será estéril. Seu exemplo, ainda hoje, deve acordar nossas consciências para os ensinamentos de quem recebeu de Cristo a missão de encaminhar os homens para Deus.

A relação homem-animal à luz da teologia

Pe. Mário Marcelo Coelho, scj, doutor em Teologia Moral

O uso de animais para pesquisas científicas: uma reflexão teológica

Acompanhamos nos últimos tempos o debate público sobre o uso de animais em experimentos científicos. Este debate já vem acontecendo em vários países, no Reino Unido em 2004, a Frente de Libertação Animal impediu, com ameaças e ataques, a construção de centros de testes com animais em Oxford e Cambridge. No Brasil o debate sobre o uso dos animais em pesquisas “explodiu” após a invasão de um biotério em São Roque (SP) e que encontrou em nossa sociedade muitos adeptos.

Para que a reflexão teológica possa contribuir e elaborar um juízo ético sobre a prática dos experimentos com animais, torna-se necessário considerar o lugar que a teologia atribui aos seres humanos em sua relação com os animais.

Segundo o Magistério Católico, os animais enquanto criaturas, têm o seu próprio valor que o homem tem o dever de reconhecer e respeitar. Deus o colocou, junto aos animais, para que através destes o homem possa chegar ao seu desenvolvimento integral. “É o homem quem, desde sempre, governa as realidades terrenas, gerindo os outros seres, vivos ou não, segundo determinadas finalidades. É ainda na relação com o homem que se revela a medida axiológica (valor moral) de cada realidade existente, em desígnio universal harmônico e ordenado que indica toda a plenitude de compreensão da realidade”. Não existem dúvidas entre os teólogos sobre a soberania do homem imagem e semelhança de Deus na escala hierárquica da criação em relação aos animais. A dignidade própria da pessoa humana é dada pelo Criador e reconhecida por todos (Gn 1,28-29).

O homem sempre se serviu dos animais para as suas necessidades primárias (alimentação, trabalho, vestiário, etc.), numa constante relação de cooperação natural. Esta posição de domínio do homem sobre os animais “manifesta a superioridade ontológica do homem sobre outros seres terrenos; essa se funda sobre a própria natureza da pessoa humana, com suas dimensões de racionalidade e espiritualidade põem o homem no centro do universo, porque utiliza os recursos presentes (entre os quais os animais), de maneira sábia e responsável, à busca da autêntica promoção de cada ser” .

O uso dos animais com responsabilidade também é defendido pelos teólogos que avaliam a criação na Bíblia não numa visão antropocêntrica, mas numa perspectiva mais ecológica.Deus quer que o homem não somente domine e utilize o mundo animal, mas também dele cuide e adquira para isso os conhecimentos necessários (Conc. Ecum. Vat. II, GS, 36,2).

O homem deve agir de tal forma que os efeitos da sua ação não coloquem em risco a vida sobre a terra; que não haja a destruição de qualquer forma de vida. Que a ação do homem não destrua nenhuma possibilidade de vida no futuro. Todos os seres, de algum modo, participam da dignidade ética, e não apenas o ser humano. A dignidade ética não é exclusiva do ser humano mas de toda a natureza. Todos os seres participam, implicitamente, de algum grau da eticidade. Por isso, a exploração abusiva da natureza não é apenas uma questão tecnológica, é, antes de tudo, uma atitude antiética.

Com esta reflexão, como podemos avaliar as pesquisas que utilizam animais? Sabemos que em alguns casoso uso de animais ainda é inevitável, como testes de carcinogenicidade (capacidade de provocar tumores). Eliminar todas as cobaias implicaria impedir testes de segurança em novos inventos, muitos dos quais indicados para aliviar o sofrimento humano. Isso não significa autorizar cientistas a torturar, mutilar ou sacrificar quantos animais desejarem. O princípio ético deverá ser diminuir o sofrimento e o número de animais e investir em métodos alternativos capazes de oferecer os mesmos resultados que os testes sem seres vivos, que para muitos ficou conhecido, em inglês, como a regra dos três Rs: “replacement” (substituição), “reduction” (redução) e “refinement” (aperfeiçoamento).

O ideal é que os sofrimentos sejam reduzidos ao mínimo necessário com o objetivo de conseguir os resultados científicos, e que os animais sejam tratados com respeito;afirma o filósofo Peter Singer: “É preciso que toda a dor, sofrimento e estresse infligidos ao animal sejam reduzidos ao mínimo necessário para conseguir os resultados científicos e que eles sejam tratados com respeito”.

As leis devem exigir que o sofrimento dos animais usados em experimentos científicos seja o menor possível; que os animais sejam anestesiados antes dos procedimentos e que o número de animais seja reduzido o máximo e que sempre que possível, seu uso seja substituído por métodos alternativos. Nenhum animal deve sofrer.Experimentos em animais para a indústria dos cosméticos deverá ser impedida em todos os países.Toda instituição de pesquisa com animais deve ter uma comissão de ética composta por especialistas na área (biólogos, veterinários, zootecnistas, pesquisadores, etc.) e por bioeticistas.

Muito progresso está acontecendo com sistemas “in vitro”, como o cultivo de tecidos vivos para testar substâncias potencialmente tóxicas, com o objetivo de encontrar métodos que substituam o uso de seres vivos. Portanto, quando os animais são indispensáveis, cabe reduzir ao mínimo o número de espécimes e desenvolver métodos para prevenir sofrimento desnecessário. O que se afirmamos é que não se deve torturar e matar sempre que se possa evitar isso.

A defesa dos animais, que é importante, não pode prejudicar a defesa dos direitos humanos em particular o direito à saúde, entretanto, os avanços científicos não podem ser tomados como um valor superior e que justifique qualquer forma de tortura e sofrimento animal.

Padre Mário Marcelo é mestre em Zootecnia pela Universidade Federal de Lavras – MG (UFLA-MG). Licenciado em Filosofia pela Fundação Educacional de Brusque, SC (FEBE). Bacharel em Teologia pela Faculdade Dehoniana, Taubaté, SP. Mestre em Teologia Prática (núcleo Moral), pelo Centro Universitário Assunção, São Paulo, SP. Doutor em Teologia Moral pela Academia Alfonsiana, Roma/Itália. Autor e assessor na área de Bioética e Teologia Moral. Professor da Faculdade Dehoniana, Taubaté, SP e do Instituto de Teologia Bento XVI, Cachoeira Paulista, SP.

Santo Evangelho (Mt 16, 21-27)

22º Domingo Comum – Domingo 03/09/2017

Primeira Leitura (Jr 20, 7-9)  
Leitura do Livro do Profeta Jeremias:

7Seduziste-me, Senhor, e deixei-me seduzir; foste mais forte, tiveste mais poder. Tornei-me alvo de irrisão o dia inteiro, todos zombam de mim. 8Todas as vezes que falo, levanto a voz, clamando contra a maldade e invocando calamidades; a palavra do Senhor tornou-se para mim fonte de vergonha e de chacota o dia inteiro. 9Disse comigo: “Não quero mais lembrar-me disso nem falar mais em nome dele”. Senti, então, dentro de mim um fogo ardente a penetrar-me o corpo todo; desfaleci, sem forças para suportar.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Responsório (Sl 62)

— A minh’alma tem sede de vós/ como a terra sedenta, ó meu Deus!
— A minh’alma tem sede de vós/ como a terra sedenta, ó meu Deus!

— Sois vós, ó Senhor, o meu Deus!/ Desde a aurora ansioso vos busco!/ A minh’alma tem sede de vós,/ minha carne também vos deseja,/ como terra sedenta e sem água!

— Venho, assim, contemplar-vos no templo,/ para ver vossa glória e poder./ Vosso amor vale mais do que a vida:/ e por isso meus lábios vos louvam.

— Quero, pois, vos louvar pela vida,/ e elevar para vós minhas mãos!/ A minh’alma será saciada,/ como em grande banquete de festa;/ cantará a alegria em meus lábios,/ ao cantar para vós meu louvor!

— Para mim fostes sempre um socorro;/ de vossas asas à sombra eu exulto!/ Minha alma se agarra em vós;/ com poder vossa mão me sustenta.

 

Segunda Leitura (Rm 12, 1-2)
Leitura da Carta de São Paulo aos Romanos:

1Pela misericórdia de Deus, eu vos exorto, irmãos, a vos oferecerdes em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus: este é o vosso culto espiritual. 2Não vos conformeis com o mundo, mas transformai-vos, renovando vossa maneira de pensar e de julgar, para que possais distinguir o que é da vontade de Deus, isto é, o que é bom, o que lhe agrada, o que é perfeito.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Anúncio do Evangelho (Mt 16, 21-27)

—O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
—PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 21Jesus começou a mostrar a seus discípulos que devia ir a Jerusalém e sofrer muito da parte dos anciãos, dos sumos sacerdotes e dos mestres da Lei, e que devia ser morto e ressuscitar no terceiro dia. 22Então Pedro tomou Jesus à parte e começou a repreendê-lo, dizendo: “Deus não permita tal coisa, Senhor! Que isso nunca te aconteça!” 23Jesus, porém, voltou-se para Pedro e disse: “Vai para longe, Satanás! Tu és para mim uma pedra de tropeço, porque não pensas as coisas de Deus, mas sim as coisas dos homens!” 24Então Jesus disse aos discípulos: “Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga. 25Pois, quem quiser salvar a sua vida vai perdê-la; e quem perder a sua vida por causa de mim, vai encontrá-la. 26De fato, que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro, mas perder a sua vida? O que poderá alguém dar em troca de sua vida? 27Porque o Filho do Homem virá na glória do seu Pai, com os seus anjos, e então retribuirá a cada um de acordo com a sua conduta”.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

 

A IGREJA CATÓLICA CELEBRA E VENERA HOJE
São Gregório Magno – Papa e Doutor da Igreja

São Gregório Magno era alguém de senso de dever, de medida e dignidade

Hoje, celebramos a memória deste Magno (Grande) de Cristo: São Gregório I. Nascido em Roma no ano 540, numa família nobre que muito o motivou à vida pública.

Gregório (cujo nome significa “vigilante”), chegou a ser um ótimo prefeito de Roma, pois era desapegado dos próprios interesses devido sua constante renúncia de si mesmo. Atingido pela graça de Deus, São Gregório chegou a vender tudo o que tinha para auxiliar os pobres e a Igreja.

São Bento exercia forte influência na vida de Gregório, por isso, além de ajudar a construir muitos mosteiros, entrou para a vida religiosa do “Ora et Labora”.

Homem certo, no lugar certo, este foi Gregório que era alguém de senso de dever, de medida e dignidade. Além da intensa vida interior, bem percebida quando escreveu sobre o ‘ideal do pastor’:” O verdadeiro pastor das almas é puro em seu pensamento. Sabe aproximar-se de todos, com verdadeira caridade. Eleva-se acima de todos pela contemplação de Deus.”

Com a morte do Papa da época, São Gregório foi o escolhido para “sentar” na Cátedra de Pedro no ano de 590, e assim chefiar com segurança a Igreja num tempo em que o mundo romano passava para o mundo medieval.

São Gregório Magno, Papa e Doutor da Igreja que conquistou o Céu com 65 anos de idade (no ano 604), deixou marcas em todos os campos, valendo lembrar que na Liturgia há o Canto Gregoriano, o qual eleva os corações a Deus, fonte e autor de toda santidade.

São Gregório Magno, rogai por nós!

A Bíblia e a primavera

Deus se revela ao homem

O mês de setembro chega trazendo a primavera ao nosso hemisfério e, junto com a beleza do tempo, o tema da Sagrada Escritura. O fato de celebrarmos, no dia 30 de setembro, o dia do patrono dos estudos bíblicos, São Jerônimo, fez com que pudéssemos aprofundar esse tema durante este período. Setembro é o mês da Bíblia, sendo que, no último domingo, comemora-se o Dia Nacional da Bíblia.

A leitura orante da Bíblia ou a lectio divina aos poucos vai entrando na realidade de nosso povo, que passa a colocar a Palavra de Deus como início da reflexão que vai iluminar a realidade das pessoas. São passos que, pouco a pouco, os grupos e comunidades começam a dar, sempre em torno da Sagrada Escritura. Ela nos traz a revelação de Deus para a nossa salvação.

Na Sua misericórdia e sabedoria, quis Deus revelar-se a si mesmo a nós na pessoa de Cristo e pela unção do Espírito Santo para que tivéssemos acesso a Ele e participássemos de Sua glória.

Deus se revela ao homem e o convida a partir para uma terra desconhecida que lhe seria mostrada. Nessa caminhada, o Senhor vai se mostrando, revelando-se aos que creem e, quando é chegado o tempo, a revelação se completa em Cristo, a Palavra de Deus: “No principio era a Palavra e a Palavra estava em Deus, e a Palavra era Deus… E a Palavra se fez carne e veio morar entre nós” (Jo 1,1.14).

Por Cristo, somos glorificados! E todos nós que recebemos a Palavra e nela acreditamos, tornamo-nos filhos de Deus. Esse caminho Deus faz conosco. Respeita o nosso crescimento intelectual e volitivo, seja na nossa capacidade pessoal, seja na evolução cultural do grupamento humano, de tal forma que podemos sentir em nós mesmos a caminhada do povo de Deus.

À medida que nos abrimos à fé, partimos com Ele nos momentos de contemplação, de glória e, também, como as Escrituras nos mostram, nas traições, quando renunciamos a seu amor e vamos atrás dos “baals” de todos os tempos. Ouvindo a voz penitencial dos profetas, retornamos da “Babilônia” do pecado, que existe em todos os tempos e, também, no íntimo de nós.

Na bondade de Deus, como um resto, voltamos a “Sião”, sempre aguardando a plena revelação de Deus no Seu Filho, que nos salva por Sua morte e nos dá o Seu Espírito para que anunciemos em nós e em toda terra a Sua ressurreição e nossa participação no mistério trinitário de Deus.

A Bíblia Sagrada, com toda a Tradição da Igreja, em seguimento à Palavra de Cristo revela ao nosso coração este plano divino para a humanidade – restaurar tudo em Cristo – e nos envia: “Ide por todo o mundo, proclamai o Evangelho a toda a criatura. Aquele que crê e for batizado será salvo; o que não crer será condenado” (Mc 16,15-16).

A Bíblia é o relato da manifestação do amor de Deus que, gradativamente, nos leva por Cristo, em Cristo e com Cristo à intimidade da vida divina e, como consequência, a uma nova vida, fermento de um mundo novo.

Somos o povo que se encontra com a Palavra Viva, o Verbo Eterno, Jesus Cristo! Ele é a nossa vida e o caminho que nos conduz ao Pai. Eis um tempo favorável para aprofundarmos a importância de ser discípulos missionários à luz do Evangelho, procurando em nossos grupos de reflexão deixar a Palavra falar ao nosso coração e nos fazer renovados em Cristo.

A Primavera está associada à Pascoa: a certeza da vida que vence a morte! Que o mês da Bíblia, recém-iniciado, seja uma nova primavera: a certeza da vida que renasce e se abre, vencendo a morte e o pecado.

Dom Orani João Tempesta, O. Cist
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro (RJ)

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