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Matar em nome de Deus é satânico

Quarta-feira, 14 de setembro de 2016, Rádio Vaticano

Francisco celebrou Missa em memória do padre Jacques Hamel, assassinado na França em julho

Imagem de padre Hamel na Missa desta manhã / Foto: Reprodução CTV

O Papa Francisco celebrou a Missa na manhã desta quarta-feira, 14, na capela da Casa Santa Marta, em memória do padre Jacques Hamel, sacerdote assassinado na França enquanto celebrava a Missa.

O padre francês de 85 anos foi degolado por dois jihadistas em um atentado em 26 de julho durante a celebração eucarística na igreja de Saint-Etienne-du-Rouvray.
Em sua homilia, o Pontífice recordou que a Igreja celebra hoje a festa da Cruz de Jesus Cristo – e é na Cruz que se pode compreender plenamente o mistério de Cristo.

Cristo é o primeiro mártir

“Este mistério de aniquilação, de proximidade a nós. Como diz Paulo, vivendo na condição de Deus, Cristo não considera um privilégio ser como Deus, mas esvazia a si mesmo, assumindo uma condição de servo, tornando-se semelhante aos homens. Humilhou a si mesmo fazendo-se obediente até a morte, a uma morte de Cruz. Este é o mistério de Cristo. Jesus Cristo é o primeiro mártir, o primeiro que dá a vida por nós, e deste mistério de Cristo começa toda a história do martírio cristão, desde os primeiros séculos até hoje”.

Os primeiros cristãos, explicou o Papa, recebiam a proposta da apostasia, isto é: “Digam que o nosso deus é o verdadeiro. Façam um sacrifício ao nosso deus ou aos nossos deuses”, e se rejeitavam a apostasia, eram assassinados.

Matar em nome de Deus é satânico

“Esta história se repete até hoje na Igreja e hoje na Igreja há mais mártires cristãos do que nos primeiros tempos. Hoje há cristãos assassinados, torturados, encarcerados, degolados porque não renegam Jesus Cristo. Nesta história, chegamos ao nosso padre Jacques: ele faz parte dessa corrente de mártires. Os cristãos que hoje sofrem – seja na prisão ou com a morte ou com as torturas – para não renegar Jesus Cristo mostram precisamente a crueldade dessa perseguição. E esta crueldade que a apostasia exige, digamos a palavra, é satânica. E quanto seria bom que todas as confissões religiosas dissessem: “Matar em nome de Deus é satânico”.

Francisco recordou que Padre Jacques Hamel foi degolado na Cruz, justamente enquanto celebrava o sacrifício da Cruz de Cristo. “Homem bom, manso, de fraternidade, que sempre buscava fazer a paz, foi assassinado como se fosse um criminoso. Mas há algo, neste homem, que aceitou o seu martírio no altar, algo que me faz pensar muito: em meio ao momento difícil que vivia, em meio a esta tragédia que ele via se aproximar, um homem manso, um homem bom, um homem que fazia fraternidade, não perdeu a lucidez de acusar e dizer claramente o nome do assassino. E disse claramente: ‘Vai embora, Satanás!’. Deu a vida por nós, deu a vida para não renegar Jesus. Deu a vida no mesmo sacrifício de Jesus no altar e dali acusou o autor da perseguição: ‘Vai embora, Satanás!’.”

Padre Hamel é um mártir

O Pontífice concluiu: “Que esse exemplo de coragem, mas também de martírio da própria vida, de esvaziar a si mesmo para ajudar os outros, de fazer fraternidade entre os homens, ajude todos nós a ir avante sem medo. Ele do Céu, porque devemos rezar para ele, é um mártir! E os mártires são beatos – devemos rezar para ele, que nos dê a mansidão, a fraternidade, a paz e também a coragem de dizer a verdade: matar em nome de Deus é satânico”.

Peregrinos franceses

Participou da Missa um grupo de 80 peregrinos franceses de Rouen, acompanhados de seu Bispo, Dominique Lebrun. Também concelebrou o cardeal hondurenho Oscar Andrés Rodriguez Maradiaga, coordenador do Conselho de Cardeais, que conclui hoje mais um ciclo de reuniões com o Papa. No altar, foi colocada uma imagem de Padre Hamel.

Breviário de Padre Jacques em Roma

A Comunidade de Santo Egídio comunicou que o breviário de Padre Jacques Hamel será conservado em Roma. Nesta quinta-feira, 15, às 20h, haverá uma celebração em São Bartolomeu, a Igreja em Roma dedicada aos “novos mártires”, para recordar Padre Hamel.

Papa orienta como lidar com o luto na família

Quarta-feira, 17 de junho de 2015, Jéssica Marçal / Da Redação

Fé e amor são os caminhos para lidar com a situação de luto, disse ao Papa, ao falar sobre a morte que atinge os membros da família

Francisco reitera aos fiéis que Jesus venceu a morte de uma vez por todas; a fé é um consolo nos momentos de dor / Foto: Reprodução CTV

O luto na família foi o tema da catequese do Papa Francisco, nesta quarta-feira, 17. O Santo Padre destacou que a fé restitui a esperança das famílias que se encontram nessa situação de dor.

Francisco lembrou aos fiéis que a morte é uma experiência que diz respeito a todas as famílias, mas mesmo sendo uma realidade que faz parte da vida, nunca é vista como algo natural. “A perda de um filho ou de uma filha é como se o tempo parasse. Abre-se um buraco que engole o passado e também o futuro”.

O Papa disse que a morte na família é como um buraco negro que se abre na vida das famílias e elas não sabem dar uma explicação a isso, chegando, muitas vezes, a colocar a culpa em Deus. “Quanta gente, eu entendo, fica com raiva de Deus, diz blasfêmia. (…) Mas essa raiva é um pouco o que vem da dor grande, da perda de um filho, de uma filha, de um pai, de uma mãe. Isso ocorre continuamente nas famílias”.

A morte física tem também cúmplices, disse o Papa, que são, muitas vezes, piores que ela: ódio, inveja, soberba, avareza… Em síntese, o pecado do mundo trabalha pela morte e a torna ainda mais dolorosa e injusta. Mas, no povo de Deus, muitas famílias demonstram que a morte não tem a última palavra, e esse é um verdadeiro ato de fé, declarou o Papa.

“Todas as vezes em que a família, no luto, encontra a força de preservar a fé e o amor que nos unem àqueles que nos amam, ela impede já agora a morte de pegar tudo”.

O Papa deixou um conselho sobre como enfrentar essa situação de luto: com fé e um maior trabalho de amor. “Na fé, podemos nos consolar um com o outro sabendo que o Senhor venceu a morte de uma vez por todas. Nossos entes queridos não desapareceram na escuridão do nada. A esperança nos assegura que eles estão nas mãos boas e fortes de Deus”.

Converter-nos de um deus dos milagres ao milagre de Deus, Jesus Cristo

“O único privilégio aos olhos de Deus é o de não ter privilégios, de estar abandonados nas suas mãos” – AFP
31/01/2016

Cidade do Vaticano (RV) – “Que Maria nos ajude a nos converter de um deus dos milagres ao milagre de Deus, que é Jesus Cristo”. O Papa Francisco, no Angelus deste IV Domingo do Tempo Comum, refletiu sobre a pouca fé daqueles que necessitam de milagres para acreditar e advertiu para a tentação de considerar a religião “como um investimento humano”, que leva à negociar com Deus, buscando o próprio interesse.

Inspirado na narrativa de Lucas, proposta pela Liturgia do dia, o Papa ressaltou as palavras de Jesus de que “nenhum profeta é bem recebido em sua terra”, após deparar-se com as murmurações de seus conterrâneos que queriam vê-lo realizar prodígios e milagres. Ao não fazer isto, “sentem-se ofendidos e querem jogá-lo no precipício”. “A narrativa de Lucas – explica Francisco – revela a tentação à qual o homem religioso está sempre exposto”:

Esta passagem do evangelista Lucas não é simplesmente a narrativa de uma discussão entre companheiros, como às vezes acontece também nos nossos bairros, suscitada por invejas e por ciúmes, mas revela uma tentação à qual o homem religioso está sempre exposto – todos nós estamos expostos – e da qual é necessário tomar distância com decisão: a tentação de considerar a religião como um investimento humano e, por consequência, começar a “fazer contratos” com Deus, buscando o próprio interesse”.

Pelo contrário – observa – “na verdadeira religião trata-se de acolher a revelação de um Deus que é Pai e que tem cuidado por cada uma de suas criaturas, mesmo daquela menor e insignificante aos olhos dos homens”:

“Precisamente nisto consiste o ministério profético de Jesus: em anunciar que nenhuma condição humana pode constituir motivo de exclusão – nenhuma condição humana pode ser motivo de exclusão – do coração do Pai e que o único privilégio aos olhos de Deus é o de não ter privilégios. O único privilégio aos olhos de Deus é o de não ter privilégios, de não ter padrinhos, de estar abandonados nas suas mãos”.

O Santo Padre reitera que o “hoje” do “cumprimento das Escrituras” recorda a todos a necessidade da salvação trazida por Jesus à humanidade:

“Deus vem ao encontro dos homens e das mulheres de todos os tempos e lugares, na situação concreta em que estes se encontram. Vem também ao nosso encontro. É sempre ele que dá o primeiro passo: vem visitar-nos com a sua misericórdia, levantar-nos da poeira dos nossos pecados, vem estender-nos a mão para tirar-nos do abismo em que o nosso orgulho nos fez cair, e nos convida a acolher a consoladora verdade do Evangelho e a caminhar pelo caminho do bem. Mas é sempre ele que vem nos encontrar, nos procurar”.

Ao concluir, Francisco recorda que Maria também estava na Sinagoga, e ao ver “Jesus antes admirado, depois desafiado, depois insultado, ameaçado de morte”, tem uma “pequena antecipação” daquilo que sofrerá na cruz:

“Em seu coração, pleno de fé, ela guardava cada coisa. Que ela nos ajude a nos converter de um deus dos milagres ao milagre de Deus, que é Jesus Cristo”.

Após a oração do Angelus, o Papa dedicou sua oração ao doentes de hanseníase, cujo Dia Mundial é celebrado este domingo.

Francisco, ladeado por dois adolescentes, também saudou os inúmeros jovens da Ação Católica presentes na Praça São Pedro, na sua “caravana de paz”. Uma jovenzinha leu uma mensagem agradecendo ao Papa – o “maquinista do trem” em que viajam – e contou da iniciativa da coleta realizada em favor dos migrantes jovens como eles. Ao final, foral soltos balões coloridos na praça. (JE)

Santo Evangelho (Mt 4, 12-17.23-25)

Segunda-feira depois da Epifania – Segunda-feira 04/01/2016

Primeira Leitura (1Jo 3,22-4,6)
Leitura da Primeira Carta de São João.

Caríssimos: 22qualquer coisa que pedimos recebemos dele, porque guardamos os seus mandamentos e fazemos o que é do seu agrado. 23Este é o seu mandamento: que creiamos no nome do seu Filho, Jesus Cristo, e nos amemos uns aos outros, de acordo com o mandamento que ele nos deu. 24Quem guarda os seus mandamentos permanece com Deus e Deus permanece com ele. Que ele permanece conosco, sabemo-lo pelo Espírito que ele nos deu. 4,1Caríssimos, não acrediteis em qualquer espírito, mas examinai os espíritos para ver se são de Deus, pois muitos falsos profetas vieram ao mundo. 2Este é o critério para saber se uma inspiração vem de Deus: todo espírito que leva a professar que Jesus Cristo veio na carne é de Deus; 3e todo espírito que não professa a fé em Jesus não é de Deus; é o espírito do Anticristo. Ouvistes dizer que o Anticristo virá; pois bem, ele já está no mundo. 4Filhinhos, vós sois de Deus e vós vencestes o Anticristo. Pois convosco está quem é maior do que aquele que está no mundo. 5Os vossos adversários são do mundo; por isso, agem conforme o mundo, e o mundo lhes presta ouvidos. 6Nós somos de Deus. Quem conhece a Deus, escuta-nos; quem não é de Deus não nos escuta. Nisto reconhecemos o espírito da verdade e o espírito do erro.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Responsório (Sl 2)

— Eu te darei por herança os povos todos.
— Eu te darei por herança os povos todos.

— O decreto do Senhor promulgarei, foi assim que me falou o Senhor Deus: “Tu és o meu Filho, e eu hoje te gerei”!

— Podes pedir-me, e em resposta eu te darei por tua herança os povos todos e as nações, e há de ser a terra inteira o teu domínio.

— E agora, poderosos, en­tendei; soberanos, aprendei esta lição: Com temor servi a Deus, rendei-lhe glória e prestai-lhe homenagem com respeito!

 

Evangelho (Mt 4,12-17.23-25)

— O Senhor esteja convosco
— Ele está no meio de nós.
—Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Marcos.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 12Ao saber que João tinha sido preso, Jesus voltou para a Galileia. 13Deixou Na­zaré e foi morar em Cafarnaum, que fica às margens do mar da Galileia, 14no território de Zabulon e Neftali, para se cumprir o que foi dito pelo profeta Isaías: 15“Terra de Zabulon, terra de Neftali, caminho do mar, região do outro lado do rio Jordão, Galileia dos pagãos! 16O povo que vivia nas trevas viu uma grande luz; e para os que viviam na região escura da morte brilhou uma luz”. 17Daí em diante, Jesus começou a pregar, dizendo: “Convertei-vos, porque o Reino dos Céus está próximo”. 23Jesus andava por toda a Galileia, ensinando em suas sinagogas, pregando o Evangelho do Reino e curando todo tipo de doença e enfermidade do povo. 24E sua fama espalhou-se por toda a Síria. Levaram-lhe todos os doentes, que sofriam diversas enfermidades e tormentos: endemoninhados, epilépticos e paralíticos. E Jesus os curava. 25Numerosas multidões o seguiam, vindas da Galileia, da Decápole, de Jerusalém, da Judeia, e da região além do Jordão.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

 

A IGREJA CATÓLICA CELEBRA E VENERA HOJE
Santa Ângela de Foligno

Nasceu na Itália, no ano de 1248, em Foligno, próximo a Roma, numa família muito abastada. Mas, infelizmente, não vivia a maior riqueza, que é o amor a Deus. Dentro deste ambiente indiferente a Deus e à Igreja, a menina foi crescendo. Ela foi para o sacramento do matrimônio, teve vários filhos, mas, infelizmente, tanto os filhos e depois o esposo faleceram. Imagine como estava o coração dessa mulher! Mas, deixando-se levar por uma vida distante de Deus, entregava-se às festas, às vaidades, cada vez mais longe de Deus e dela mesma, até que sentiu o toque da misericórdia do Senhor. Ela tocou o seu vazio existencial. Foi quando recorreu à Virgem Maria e buscou o sacramento da reconciliação.

Ela tinha 40 anos quando se abriu para esse processo maravilhoso que se chama conversão. Numa peregrinação a Assis, ela fez uma profunda experiência com o amor de Deus. Doou todos os seus bens aos pobres, entrou para a família franciscana na ordem terceira, viveu uma vida reclusa e saía para peregrinações em Assis.

Santa Ângela foi instrumento de conversão a partir do momento em que se abriu e levou muito a sério sua vida de conversão.

Santa Ângela de Foligno, rogai por nós!

Meu corpo, minhas regras

… Uma propagação da cultura de morte

Sexta-feira, 6 de novembro de 2015, Prof. Felipe Aquino

“Meu corpo, minhas regras”, é uma defesa do aborto de crianças inocentes e indefesas

Alguns artistas da Rede Globo gravaram um vídeo intitulado “Meu corpo, minhas regras”, defendendo o aborto de crianças inocentes e indefesas. Além da propagação mórbida da “cultura morte”, o vídeo espalha mentiras sobre o que ensina a fé cristã, de modo especial sobre a Virgindade perpétua da Virgem Maria, que essas pessoas, que nada entendem de teologia e mariologia, interpretam como erro de tradução.

A vida humana começa com o embrião; e isso é um dado científico. Segundo o maior geneticista do século XX, Dr. Jerome Lejeune, que descobriu a Síndrome de Down, o embrião é um ser humano pois nele já estão todas as mensagens da vida desta pessoa.

De que vale salvar a criança já nascida, senão defendemos e protegemos a que está em gestação?

É triste verificar que alguns artistas, usando de sua penetração nos lares, use de um meio tão poderoso da mídia para difundir a morte de seres inocentes, indefesos, que um dia poderiam caminhar, pensar, sorrir e abraçar seus pais. É muito triste e incoerente ver atores que pedem dinheiro para o Criança Esperança defendendo publicamente o assassinato de crianças inocentes e indefesas, no ventre materno! De que vale salvar a criança já nascida, senão defendemos e protegemos a que está em gestação?

A criança também é parte do corpo da mulher?

As artistas argumentam falsamente que a mulher tem direito a seu corpo; tem sim, e deve cuidar bem dele, mas jamais pode matar uma criança no seu ventre, que não faz parte do seu corpo; é uma vida independente.

Será que é papel de um artista defender o assassinato de crianças no ventre das próprias mães? A vida de um bebê deve ser protegida em todas as circunstâncias. Sabemos que hoje uma criança que nasce prematura, com 12 semanas de gestação já sobrevive. É bom papel de artista difundir a “cultura da morte”?

Não podemos nos calar diante de tanto sangue inocente derramado!

Eliminar a vida é um pecado que brada justiça aos Céus. Nossa Pátria não pode ter as bênçãos de Deus ofendendo tanto o Criador, sobretudo naquilo que é mais sagrado, o dom inviolável da vida.

Não se omita, não caia nesse pecado; participe, proteste contra o extermínio de milhões de crianças por suas próprias mães.

Um bebê de 12 semanas já está bem desenvolvido

O que o aborto mata é uma vida humana, então, a criança, desde os primeiros meses de gestação, tem os mesmos direitos à vida que um bebê de seis meses de idade. Apenas com 12 semanas de gestação, o bebê é já bem desenvolvido. As únicas mudanças básicas serão o crescimento e o aperfeiçoamento do que já está formado. Todos os sistemas orgânicos funcionam. Ele respira e urina também. Quando sua mãe dorme, ele dorme, mas quando ela desde uma escada, ouve um ruído forte, no ambiente exterior, ele acorda. Neste estágio, o bebê pode sentir dor e é muito sensível à luz, ao calor e ao barulho. Sua personalidade já está em formação. Com oito semanas, um bebê segura qualquer objeto que for posto em sua mão. Se for feito um eletrocardiograma, com instrumentos de precisão, até as batidas do seu coração serão ouvidas. Observe um bebê de seis semanas. Com o auxílio de um microscópio, descobrimos que este pequeno ser tem 46 cromossomos em cada célula de seu corpo, demonstrando claramente que é um ser humano.

Cada um de nós foi um óvulo fertilizado, uma simples célula. Tudo o que somos já estava contido nesta simples célula: cor dos olhos, do cabelo, tamanho do pé, o fato de ficarmos carecas aos 50 anos. Nada foi acrescentado ao óvulo fertilizado que um dia fomos, exceto a nutrição.

Quando a pessoa passa a ser humana?

Alguns, arbitrariamente, marcaram uma linha no tempo e disseram: antes dessa idade, por exemplo três meses, não há ser humano: depois sim. Quanto a isso, tais pessoas estão de acordo: discordam, porém, quanto à idade em que o ser começa a existir como pessoa humana. Mas, se nos valermos da idade para determinar o direito que o feto tem à vida, será igualmente lógico estabelecer para a pessoa um limite de idade máxima, por exemplo, 80 anos. Podemos declarar que todos, acima desta idade, não terão mais sua vida protegida pela lei? Ambos os casos se identificam.

Alguns dizem que o ser não é humano até que não tenha certa experiência do amor. Mas que será, então, dos não-amados? Outros dizem que o ser é humano só quando passa a ter uma certa consciência de si mesmo. Mas o que dizer da criança excepcional? Do jovem em estado de coma há três semanas, após um acidente ? De uma avó depois de um derrame ?

Pode-se dar ao filho o direito de matar a mãe?

Se hoje damos o direito à mãe de matar legalmente seu filho não nascido, porque é estorvo para ela, amanhã, logicamente, devemos dar ao filho o direito, também legal, de matar sua mãe que se tornou um peso para ele?

Devemos proteger igualmente todas as vidas humanas, ou permitir que os legisladores definam o direito à vida? Podemos conscientemente permitir que os grandes matem os pequenos, os fortes eliminem os fracos, os conscientes destruam os inconscientes?

Até  os reformadores protestantes professaram a virgindade de Maria

A intérprete oficial da Bíblia, que é a Igreja – pois foi ela quem a compôs – não tem dúvida da Virgindade de Maria. Ela sempre foi Virgem: “antes do parto, no parto e depois do parto”, disse Santo Agostinho. Foi o Papa Paulo IV que, em 7-8-1555, apresentou a perpétua virgindade de Maria entre os temas fundamentais da fé. Assim se expressou: “A Bem-aventurada Virgem Maria foi verdadeira Mãe de Deus, e guardou sempre íntegra a virgindade, antes do parto, no parto e constantemente depois do parto”.

Até mesmo os reformadores protestantes, como Lutero e João Calvino, professaram a virgindade de Maria. Em 1537, em seus “Artigos da Doutrina Cristã”, é o próprio Lutero quem diz: “O Filho de Deus fez-se homem, de modo a ser concebido do Espírito Santo sem o concurso de varão e a nascer de Maria pura, santa e sempre virgem”. Em 1542, João Calvino publicou o seu catecismo de Genebra, onde se lê: “O Filho de Deus foi formado no seio da Virgem Maria… Isto aconteceu por ação milagrosa do Espírito Santo sem consórcio de varão”.

O Corão de Maomé professa a virgindade de Maria

Até mesmo o Corão de Maomé, que reproduz certas proposições do Cristianismo, professa a virgindade de Maria. O Concílio Vaticano II, na Constituição dogmática “Lumem Gentium”, afirmou: “Jesus, ao nascer, não lhe violou, mas sagrou a integridade virginal” (LG, n. 57), repetindo o que já tinha sido afirmado no Concílio de Latrão, no ano de 649.

Os Santos Padres gostavam de chamar Maria de “Mater inviolata”, “Mãe perfeitamente virgem”. Santo Antonino, em sua “Summa”, resumiu tudo: “Mãe de todos nós, em plena virgindade; Mãe que, por primeira, independente de preceito, conselho ou exemplo de outros, ofertou a Deus o presente de sua virgindade e assim gerou todas as virgens, à medida que são virgens por imitação de sua virgindade” (MM, p. 26). E assim os Santos Padres não se cansavam de exaltar a virgindade de Maria: “Virgem que gerou a Luz, sem ficar com nenhum sinal, como outrora a sarça (de Moisés) que ardia em fogo sem se consumir”, dizia Santo Efrém; ou como Santo Epifânio: “Virgem ainda mais pura depois do parto”; ou São João Crisóstomo: “Virgem que permaneceu Virgem, mesmo sendo verdadeiramente mãe”. Ou São Gregório Magno: “Virgem que deu à luz e, enquanto dava à luz, duplicava a virgindade”.

O profeta Isaías profetizou a virgindade de Maria como um sinal do Senhor: “Uma Virgem conceberá e dará à luz um filho, e o chamará ‘Deus Conosco’” (Is 7,14). Por que haveria de ser uma virgem a dar ao mundo o Redentor? Primeiro, ensinam os santos Padres da Igreja, porque foi uma virgem (Eva) que o pecado entrou no mundo; então, também por outra Virgem (Maria), haveria de entrar a salvação.

Santo Irineu, bispo e mártir do século II (†200), opondo Maria a Eva diz: “Como por uma virgem desobediente foi o homem ferido, caiu e morreu, assim também, por meio de uma Virgem obediente à palavra de Deus, o homem recobrou a vida..

Professor Felipe Aquino é viuvo, pai de cinco filhos. Na TV Canção Nova, apresenta o programa “Escola da Fé” e “Pergunte e Responderemos”, na Rádio apresenta o programa “No Coração da Igreja”. Nos finais de semana prega encontros de aprofundamento em todo o Brasil e no exterior. Escreveu 73 livros de formação católica pelas editoras Cléofas, Loyola e Canção Nova. Página do professor: www.cleofas.com.br Twitter: @pfelipeaquino

Luto: como superar o sentimento de culpa

O que fazer se junto com a morte de um ente querido vem o sentimento de culpa

Não existe nenhuma pessoa neste planeta que não tenha passado pela experiência da perda de um ente querido. Essa é uma experiência humana e profundamente dolorosa.

Como as pessoas reagem à morte?

Diante da morte, as reações são absolutamente únicas. Alguns tentam ignorar a tristeza, outros acabam se fechando em si mesmos. Existem aqueles ainda que reprimem a dor. Nada disso adianta! A dor é real e precisa corretamente vivida.

O luto é o tempo de que precisamos para retomar nossa vida. É um tempo difícil, mas muito importante. Muitas vezes a pessoa sente um misto de emoções: revolta, tristeza, conformismo, raiva, angústia e indignação. É normal misturar sentimentos. O coração não é uma mesa com várias gavetinhas onde separamos sentimentos, emoções e outros bichos. Por isso é preciso aprender a desabafar, em Deus. Mostre-lhe seu coração ferido e machucado.

Fiz pelo falecido tudo o que estava a meu alcance?

O luto saboreado ajuda a superar também as situações que ficaram sem solução. Não é incomum a pessoa ficar se perguntando: Fiz pelo falecido tudo o que estava a meu alcance? Será que poderia ter  feito de modo diferente?  Por que não  fiquei mais tempo a seu lado?

O triste dessas – inevitáveis – perguntas é que a pessoa acaba se autocondenando, sempre. Com isso, fica tentando achar uma desculpa ou uma justificativa. Alguns chegam a pensar que foram os culpados pela morte ou pela doença da pessoa. Outros passam o resto da vida tentando encontrar os porquês.

E se houver culpa?

Se houve culpa ou negligência, agora é hora de apresentar-se diante de Deus, com suas dores e tristezas, mas, acima de tudo, com o coração confiante de que Ele é misericordioso e poderoso o suficiente para curar seu coração confiante de que Ele é misericordioso e poderoso o suficiente para curar seu coração ferido e machucado. Deus não nos condena, e a pessoa falecida também não. A morte purifica tudo, inclusive as imperfeições de nossos relacionamentos.

Muitas vezes uma boa confissão ajuda bastante nessas horas. Diante de um sacerdote, abra seu coração ferido. Não tenha medo de reconhecer sua culpa. Entregue a pessoa falecida para Deus. Fale com o sacerdote sobre as dificuldades de relacionamento que tinha, sobre os pecados partilhados,  sobre palavras pesadas e omissões, e também sobre tudo que você acha que ficou devendo ao ente querido.

A pessoa que faleceu pode me perdoar?

Quando tenho a certeza de que meu falecido está em Deus, então não posso temer nenhuma conta a pagar. Quem está em Deus, está livre. Nenhuma ofensa atinge aquele que está no coração de Deus, porque quem morre em Deus chega a sua plenitude. Agora, do coração de Deus a pessoa enxerga com os olhos iluminados pela graça e compreende os motivos pelos quais agimos ou deixamos de agir. Ao encontrar Deus, na plenitude da vida, tudo que era imperfeito será purificado.

Tomar remédio ameniza a dor?

O luto saboreado ajuda a superar os transtornos e as tristezas da sempre dolorosa perda de alguém…

Pena que muitos não pratiquem mais nenhum ritual de luto. Tudo aparenta ser normal. Parece que nada mudou. No íntimo, todos sentem a perda. Precisamos saborear as etapas próprias do luto.

Velório, sepultamento, silêncio, missa de sétimo dia, de um mês, de um ano. Durante os primeiros dias nos reservamos para acolher melhor a dor da perda. Não adianta tomar remédio para amenizá-la: ela não deve ser amenizada, deve ser sentida, saboreada de forma madura e equilibrada.

Trecho do livro Cura dos Traumas da Morte de Padre Léo, SCJ

Desapego das falsas riquezas leva a vida verdadeira

Domingo, 11 de outubro de 2015, Da redação, com Rádio Vaticano

Na oração do Angelus, o Papa Francisco afirma que se há confiança em Deus, pode-se superar todos os obstáculos que impedem de segui-lo no caminho da fé

Neste domingo, 11, o Papa Francisco inspirou a oração do Angelus no Evangelho de Marcos e nos “três olhares” de Jesus. O Pontífice explicou a dualidade que não permitiu que o jovem rico seguisse o Senhor.

“Aquele jovem, entretanto, tem o coração dividido entre dois patrões: Deus e o dinheiro, e vai embora triste. Isso demonstra que a fé e o apego às riquezas não podem conviver. Assim, ao final, o ímpeto inicial do jovem se apaga na infelicidade de um seguimento que não advém”.

Francisco prosseguiu afirmando que somente acolhendo com humildade e gratidão o amor do Senhor, as pessoas se libertarão das seduções dos ídolos e da cegueira das ilusões. “O dinheiro, o prazer, o sucesso, deslumbram, mas depois desiludem: prometem vida, mas trazem morte. O Senhor nos pede para nos desapegarmos destas falsas riquezas para entrar na vida verdadeira, na vida plena, autêntica, iluminada”.

“O jovem não se deixou conquistar pelo olhar de amor de Jesus e, assim, não pôde mudar”, refletiu, ao recordar que ele tinha um coração bom, e que fitando-o, Jesus o amou, apesar do jovem não se ter deixado envolver pelo olhar de ternura de Cristo.,

Ao citar o olhar pensativo e de advertência de Jesus, o Papa recordou o trecho em que Cristo afirma aos discípulos: “Como é difícil a quem tem riquezas entrar no Reino de Deus”.

“Os discípulos, então, se perguntam: Quem pode ser salvo? Jesus responde com um olhar de encorajamento, o terceiro olhar, e diz: a salvação é sim, impossível aos homens, mas não a Deus. Se confiamos no Senhor, podemos superar todos os obstáculos que nos impedem de segui-lo no caminho da fé”.

Priva-se dos bens

E, assim, chegamos ao terceiro episódio, aquele da solene declaração de Jesus: “Em verdade vos digo: quem deixa tudo para me seguir terá a vida eterna no futuro e o cêntuplo já no presente”.

O Pontífice explica que este cêntuplo é feito das coisas antes possuídas e depois abandonadas, mas que são multiplicadas ao infinito. “Priva-se dos bens e recebe-se em troca a satisfação do verdadeiro bem; libera-se da escravidão das coisas e recebe-se a liberdade do serviço por amor; renuncia-se à posse e ganha-se a alegria do dom”.

Por fim, improvisando, o Papa lançou uma pergunta aos jovens presentes na Praça São Pedro: “Vocês sentiram o olhar de Jesus sobre vocês? O que vocês responderão a Ele? Preferem deixar esta praça com a alegria que Jesus nos dá ou com a tristeza no coração que a mundanidade nos oferece?”

O Santo Padre conclui pedindo a Nossa Senhora que ajude todos a abrir o coração ao amor de Jesus, pois somente Ele pode satisfazer nossa sede de felicidade.

A violência contra a mulher

A importância da espiritualidade no equilíbrio familiar

O Papa Francisco, durante entrevista, sublinhou a importância e necessidade de se buscar novos modos de participação da mulher na vida da Igreja. Uma sinalização esperançosa que pode fazer grande diferença no contexto eclesial, mas também uma indicação que deve desencadear um processo mais abrangente de mudança, com incidências em toda a sociedade. É preciso superar, sobretudo, um grave problema social, que infelizmente ocorre com muita frequência no contexto das famílias: a violência contra a mulher. É triste saber que a Lei Maria da Penha, segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), não reduziu os índices de morte de mulheres agredidas. Diante de todos, está essa chaga terrível, que aflige pessoas e atormenta ambientes familiares, com impactos incalculáveis, tanto na vida das vítimas quanto no contexto social mais amplo.

Os crimes contra mulheres são praticados quase sempre por parceiros e ex-parceiros. O estudo sobre “Violência contra a mulher, feminicídios no Brasil”, publicação do Ipea, serve de grande alerta e estímulo a ações corretivas mais incidentes para transformar essa abominável realidade. Feminicídio é o homicídio da mulher por questão de gênero, simplesmente porque é mulher. São geralmente abusos familiares, com consequentes prejuízos na consistência do tecido social. Ora, incontestável, hoje, é a convicção de que a família é célula vital da sociedade, e a agressão contra a mulher é também violência contra esta instituição.

Comprometidos os vínculos naturais de afeto, todos sofrem com prejuízos sem proporção. As consequências são muitas e de variados tipos, atingindo todos os membros de uma família. Instala-se um clima de irresponsabilidade geral, abrindo espaço para vícios como o alcoolismo, outras dependências químicas e o consequente comprometimento do sentido de cidadania. Aqueles que agridem as mulheres são, pois, perigosos no contexto familiar, mas também oferecem riscos para toda a sociedade.

Assim, o equilíbrio familiar deve se tornar meta a ser alcançada permanentemente. Reconhecendo a centralidade da família, é preciso encontrar caminhos para reverter esse quadro abominável de violência. Mostra a pesquisa publicada que a Lei Maria da Penha não tem sido eficaz no propósito de alcançar metas de superação da violência doméstica. Vale refletir que é preciso conquistar algo além de uma legislação ou mais peso a normas e sanções. Estas têm sua importância pedagógica e corretiva. Há, contudo, uma perspectiva talvez não muito valorizada, em razão da mentalidade vigente na sociedade contemporânea. Trata-se daquela que indica ser a espiritualidade um caminho eficaz para mudar ambientes familiares, pela transformação mais profunda dos homens.

Recentemente, surgiu um movimento espiritual chamado Terço dos Homens. É o cultivo da devoção a Nossa Senhora pela oração reverente, partilhada e meditada do Terço, uma vez por semana. Igrejas recebem um grande número de homens, acompanhados de jovens e de crianças, filhos ou netos. Os testemunhos têm sublinhado caminhos de grandes mudanças, como o abandono da bebida, a retomada da competência do homem exercida no lar pelo afeto e carinho, mais presença junto aos filhos, resgate da fidelidade ao matrimônio e a conquista de sensibilidades indispensáveis para se viver de modo adequado.

Vale conhecer e indicar o Terço dos Homens. Não são poucos os relatos de mulheres sobre as mudanças em suas casas. Um santo e eficaz remédio, a espiritualidade gerada e cultivada pela experiência simples da reza do Terço produz grandes mudanças. É um valioso caminho para acabar com a triste realidade da violência contra a mulher.

Dom Walmor Oliveira de Azevedo
Arcebispo Metropolitano de Belo Horizonte (MG)
21/10/2013

Desceu à mansão dos mortos

É na esperança que fomos Salvos!

O Credo ensina que “Jesus desceu à mansão dos mortos”. Isso significa que, de fato, Ele morreu e que, por Sua morte por nós, venceu a morte e o diabo, o dominador da morte (Hb 2,14). São João disse que Ele veio a nós para “destruir as obras do demônio” (1 Jo 3,8). “Ele foi eliminado da terra dos vivos” (Is 53,8). “Minha carne repousará na esperança, porque não abandonarás minha alma no Hades nem permitirás que teu Santo veja a corrupção” (At 2,26-27).

Jesus morreu, mas Sua alma, embora separada de Seu corpo, ficou unida à Sua Pessoa Divina, o Verbo, e desceu à morada dos mortos para abrir as portas do céu aos justos que o haviam precedido (cf. Cat. §637). Para lá foi como Salvador, proclamando a Boa Nova aos espíritos que ali estavam aprisionados. Os Santos Padres da igreja dos primeiros séculos explicaram bem isso. São Gregório de Nissa (†340) disse: “Deus [o Filho] não impediu a morte de separar a alma do corpo, segundo a ordem necessária à natureza, mas os reuniu novamente um ao outro pela Ressurreição, a fim de ser Ele mesmo, em Sua pessoa, o ponto de encontro da morte e da vida, e tornando-se, Ele mesmo, princípio de reunião para as partes separadas” (Or. Catech. , 16: PG: 45,52B).

São João Damasceno (†407), doutor da Igreja e patriarca de Constantinopla ensinou que: “Pelo fato de que, na morte de Cristo, a Sua alma tenha sido separada da carne, a única pessoa não foi dividida em duas pessoas, pois o corpo e alma de Jesus existiram da mesma forma desde o início na pessoa do Verbo; e na Morte, embora separados um do outro, ficaram cada um com a mesma e única pessoa do Verbo” (De fide orthodoxa, 3, 37: PG 94, 109 BA).

A Escritura chama de ‘Morada dos Mortos’, Inferno, Sheol ou Hades, o estado das almas privadas da visão de Deus; são todos os mortos, maus ou justos, à espera do Redentor. Mas o destino deles não é o mesmo como mostra Jesus na parábola do pobre Lázaro recebido no “seio de Abraão”. Jesus não desceu aos infernos (= interior) para ali libertar os condenados nem para destruir o inferno da condenação, mas para libertar os justos, diz o Catecismo (§ 633).

Assim, a Boa Nova foi anunciada também aos mortos, como fala São Pedro (1Pd 4,6). Esta descida de Jesus ao Hades é o cumprimento, até sua plenitude, do anúncio do Evangelho da salvação, e é a última fase da missão de Cristo, é a extensão da redenção a todos os homens de todos os tempos e de todos os lugares. São João disse que Cristo desceu ao seio da terra [um modo de falar], a fim de que “os mortos ouçam a voz do Filho de Deus, e os que a ouvirem vivam” (Jo 5,25). Assim, Jesus, “o Príncipe da vida”, “destruiu  pela morte o dominador da morte, isto é, o diabo, e libertou os que passaram toda a vida em estado de servidão, pelo temor da morte” (Hb 2,5). A partir de agora, Cristo ressuscitado “detém a chave da morte e do Hades” (Ap 1,18), e “ao nome de Jesus todo joelho se dobra no Céu, na Terra e nos Infernos” (Fl 2,10). Uma antiga homilia, de um autor grego desconhecido, e que a Igreja colocou na segunda leitura da Liturgia das Horas, no dia de Sábado Santo, diz:

“Um grande silêncio reina, hoje, na terra, um grande silêncio e uma grande solidão. Um grande silêncio, porque o Rei dorme. A terra tremeu e acalmou-se, porque Deus adormeceu na carne e foi acordar os que dormiam desde séculos. Ele vai procurar Adão, nosso primeiro Pai, a ovelha perdida. Quer visitar todos os que se assentaram nas trevas e à sombra da morte. Vai libertar de suas dores aqueles dos quais é filho e para os quais é Deus: Adão, acorrentado, e Eva com ele cativa. “Eu sou teu Deus e por causa de ti me tornei teu filho. Levanta-te, tu que dormes, pois não te criei para que fiques prisioneiro do Inferno: Levanta-te dentre os mortos, eu sou a Vida dos mortos.”

O Papa beato João Paulo II, falando sobre este mistério, disse: “Depois da deposição de Jesus no sepulcro, Maria é a única que permanece a ter viva a chama da fé, preparando-se para acolher o anúncio jubiloso e surpreendente da ressurreição. A espera vivida no Sábado Santo constitui um dos momentos mais altos da fé da Mãe do Senhor. Na obscuridade que envolve o universo, Ela se entrega plenamente ao Deus da vida e, recordando as palavras do Filho, espera a realização plena das promessas divinas”. (L’Osservatore Romano, ed. port. n.21, 24/05/1997, pag. 12(240).

Felipe Aquino
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