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Papa inicia ciclo de catequeses sobre crisma

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O Santo Padre inicia hoje (23), um novo ciclo de catequeses, desta vez dedicado ao sacramento da Crisma, também chamado Confirmação, quando os fiéis recebem o dom do Espírito Santo.

Na Audiência Geral, o Pontífice disse que Jesus confiou uma grande missão: ser sal da terra e luz do mundo. Segundo ele, este dom é recebido justamente no Sacramento da Confirmação. “Confirmação porque confirma o Batismo e reforça a sua graça; assim também “Crisma” porque recebemos o Espírito mediante a unção com o “crisma” – óleo consagrado pelo Bispo – termo que remete a “Cristo”, o Ungido pelo Espírito.

Francisco ressalta que renascer para a vida divina no Batismo é o primeiro passo, mas depois é preciso se comportar como filhos de Deus, ou seja, conformar-se ao Cristo que atua na santa Igreja.

“Sem a força do Espírito Santo não podemos fazer nada. Assim como toda a vida de Jesus foi animada pelo Espírito, assim também a vida da Igreja e de cada seu membro está sob a guia do mesmo Espírito.”

Francisco ressaltou o modo com o qual Jesus se apresenta na sinagoga de Nazaré, a sua a carteira de identidade, isto é, Ungido pelo Espírito. «O Espírito do Senhor está sobre mim; por isso me consagrou com a unção e me enviou a levar aos pobres o alegre anúncio » (Lc 4,18).

O “Respiro” do Cristo Ressuscitado enche de vida os pulmões da Igreja. Pentecostes é para a Igreja aquilo que para Cristo foi a unção do Espírito recebida no Jordão, isto é, o impulso missionário a viver a vida pela santificação dos homens, a glória de Deus.

No momento de fazer a unção, explicou ainda Francisco, o bispo diz estas palavras: “Receba o Espírito Santo que lhe foi confiado como dom”.

“É o grande dom de Deus”, finalizou o Pontífice. “Todos nós temos o Espírito dentro, o Espírito está no nosso coração, na nossa alma. E o Espírito nos guia para que nos tornemos sal e luz na medida certa aos homens. O testemunho cristão consiste em fazer somente e tudo aquilo que o Espírito de Cristo nos pede, concedendo-nos a graça de o realizar.”

Na Festa de Pentecostes, a ação do Espírito Santo

Solenidade de Pentecostes, Domingo, 19 de maio  de 2013, Kelen Galvan / Da Redação

Só o Espírito Santo “pode suscitar a diversidade, a pluralidade, a multiplicidade e, ao mesmo tempo, realizar a unidade”, disse Francisco

Na Festa de Pentecostes, celebrada neste domingo, 19, o Papa Francisco presidiu uma Missa na Praça de São Pedro, no Vaticano, na presença de representantes de movimentos e novas comunidades.

O Santo Padre destacou que a liturgia de hoje é uma grande súplica, que a Igreja juntamente com Jesus eleva ao Pai, para que se renove a efusão do Espírito Santo.

E ressaltou três palavras relacionadas à ação do Espírito: novidade, harmonia e missão.

Francisco comentou que a novidade sempre nos causa um pouco de receio, porque nos sentimos mais seguros com aquilo que já conhecemos, que é possível programar e controlar. Segundo ele, muitas vezes, também agimos assim quando se trata de Deus. “Seguimo-Lo e acolhemo-Lo, mas até um certo ponto; sentimos dificuldade em abandonar-nos a Ele com plena confiança”, disse.

Entretanto, explicou o Papa, em toda a história da salvação, quando Deus se revela, Ele sempre traz novidade, e pede que confiemos totalmente Nele. “Estamos abertos às ‘surpresas de Deus’?”, questionou Francisco, ou estamos fechados, com medo, à novidade do Espirito Santo?

“O Espírito Santo é a alma da missão”, é Ele que impulsiona a Igreja, que faz os fiéis entrarem no “mistério do Deus vivo, disse o Papa (Foto: L’Osservatore Romano)

O Papa afirmou que “a novidade que Deus traz à nossa vida é verdadeiramente o que nos realiza, o que nos dá a verdadeira alegria, a verdadeira serenidade, porque Deus nos ama e quer apenas o nosso bem”.

A segunda palavra é a “harmonia”. Francisco explicou que, a primeira vista, o Espírito Santo parece criar desordem na Igreja, por trazer a diversidade de dons e carismas, mas isso não é verdade. “Sob a sua ação, tudo isso é uma grande riqueza, porque o Espírito Santo é o Espírito de unidade, que não significa uniformidade, mas a recondução do todo à harmonia”, afirmou.

O Santo Padre falou ainda que se tentarmos fazer a diversidade ou a unidade sem o Espírito Santo, acabamos trazendo a divisão ou a homogeinização. “Se, pelo contrário, nos deixamos guiar pelo Espírito, a riqueza, a variedade, a diversidade nunca dão origem ao conflito, porque Ele nos impele a viver a variedade na comunhão da Igreja”.

“Só Ele pode suscitar a diversidade, a pluralidade, a multiplicidade e, ao mesmo tempo, realizar a unidade”, afirmou o Pontífice.

Por fim, o Papa refletiu sobre a terceira palavra: “missão”.

Francisco explicou que “o Espírito Santo é a alma da missão”, é Ele que impulsiona a Igreja, que faz os fiéis entrarem no “mistério do Deus vivo” e os impele a abrir as portas e sair para anunciar e testemunhar a “vida boa do Evangelho”, comunicar a “alegria da fé, do encontro com Cristo”.

O Santo Padre disse ainda que o Pentecostes ocorrido no Cenáculo em Jerusalém, há quase dois mil anos, não é um fato distante, mas um acontecimento que “nos alcança e se torna experiência viva em cada um de nós”.

“O Espírito Santo é o dom por excelência de Cristo ressuscitado aos seus Apóstolos, mas Ele quer que chegue a todos”, enfatizou Francisco.

E concluiu afirmando que, também hoje, a Igreja o invoca juntamente com Maria: “Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor”!

 

Homilia
Solenidade de Pentecostes
Domingo, 19 de maio de 2013

Amados irmãos e irmãs,

Neste dia, contemplamos e revivemos na liturgia a efusão do Espírito Santo realizada por Cristo ressuscitado sobre a sua Igreja; um evento de graça que encheu o Cenáculo de Jerusalém para se estender ao mundo inteiro.

Então que aconteceu naquele dia tão distante de nós e, ao mesmo tempo, tão perto que alcança o íntimo do nosso coração? São Lucas dá-nos a resposta na passagem dos Atos dos Apóstolos que ouvimos (2, 1-11). O evangelista leva-nos a Jerusalém, ao andar superior da casa onde se reuniram os Apóstolos. A primeira coisa que chama a nossa atenção é o rombo improviso que vem do céu, “comparável ao de forte rajada de vento”, e enche a casa; depois, as “línguas à maneira de fogo” que se iam dividindo e pousavam sobre cada um dos Apóstolos. Rombo e línguas de fogo são sinais claros e concretos, que tocam os Apóstolos não só externamente mas também no seu íntimo: na mente e no coração. Em consequência, “todos ficaram cheios do Espírito Santo”, que esparge seu dinamismo irresistível com efeitos surpreendentes: “começaram a falar outras línguas, conforme o Espírito lhes inspirava que se exprimissem”. Abre-se então diante de nós um cenário totalmente inesperado: acorre uma grande multidão e fica muito admirada, porque cada qual ouve os Apóstolos a falarem na própria língua. É uma coisa nova, experimentada por todos e que nunca tinha sucedido antes: “Ouvimo-los falar nas nossas línguas”. E de que falam? “Das grandes obras de Deus”.

À luz deste texto dos Atos, quereria refletir sobre três palavras relacionadas com a ação do Espírito: novidade, harmonia e missão.

1. A novidade causa sempre um pouco de medo, porque nos sentimos mais seguros se temos tudo sob controle, se somos nós a construir, programar, projetar a nossa vida de acordo com os nossos esquemas, as nossas seguranças, os nossos gostos. E isto verifica-se também quando se trata de Deus. Muitas vezes seguimo-Lo e acolhemo-Lo, mas até um certo ponto; sentimos dificuldade em abandonar-nos a Ele com plena confiança, deixando que o Espírito Santo seja a alma, o guia da nossa vida, em todas as decisões; temos medo que Deus nos faça seguir novas estradas, faça sair do nosso horizonte frequentemente limitado, fechado, egoísta, para nos abrir aos seus horizontes. Mas, em toda a história da salvação, quando Deus Se revela traz novidade – Deus traz sempre novidade -, transforma e pede para confiar totalmente n’Ele: Noé construiu uma arca, no meio da zombaria dos demais, e salva-se; Abraão deixa a sua terra, tendo na mão apenas uma promessa; Moisés enfrenta o poder do Faraó e guia o povo para a liberdade; os Apóstolos, antes temerosos e trancados no Cenáculo, saem corajosamente para anunciar o Evangelho. Não se trata de seguir a novidade pela novidade, a busca de coisas novas para se vencer o tédio, como sucede muitas vezes no nosso tempo. A novidade que Deus traz à nossa vida é verdadeiramente o que nos realiza, o que nos dá a verdadeira alegria, a verdadeira serenidade, porque Deus nos ama e quer apenas o nosso bem. Perguntemo-nos hoje a nós mesmos: Permanecemos abertos às “surpresas de Deus”? Ou fechamo-nos, com medo, à novidade do Espírito Santo? Mostramo-nos corajosos para seguir as novas estradas que a novidade de Deus nos oferece, ou pomo-nos à defesa fechando-nos em estruturas caducas que perderam a capacidade de acolhimento? Far-nos-á bem pormo-nos estas perguntas durante todo o dia.

2. Segundo pensamento: à primeira vista o Espírito Santo parece criar desordem na Igreja, porque traz a diversidade dos carismas, dos dons. Mas não; sob a sua ação, tudo isso é uma grande riqueza, porque o Espírito Santo é o Espírito de unidade, que não significa uniformidade, mas a recondução do todo à harmonia. Quem faz a harmonia na Igreja é o Espírito Santo. Um dos Padres da Igreja usa uma expressão de que gosto muito: o Espírito Santo «ipse harmonia est – Ele próprio é a harmonia». Só Ele pode suscitar a diversidade, a pluralidade, a multiplicidade e, ao mesmo tempo, realizar a unidade. Também aqui, quando somos nós a querer fazer a diversidade fechando-nos nos nossos particularismos, nos nossos exclusivismos, trazemos a divisão; e quando somos nós a querer fazer a unidade segundo os nossos desígnios humanos, acabamos por trazer a uniformidade, a homogeneização. Se, pelo contrário, nos deixamos guiar pelo Espírito, a riqueza, a variedade, a diversidade nunca dão origem ao conflito, porque Ele nos impele a viver a variedade na comunhão da Igreja. O caminhar juntos na Igreja, guiados pelos Pastores – que para isso têm um carisma e ministério especial – é sinal da ação do Espírito Santo; uma característica fundamental para cada cristão, cada comunidade, cada movimento é a eclesialidade. É a Igreja que me traz Cristo e me leva a Cristo; os caminhos paralelos são muito perigosos! Quando alguém se aventura ultrapassando (proagon) a doutrina e a Comunidade eclesial – diz o apóstolo João na sua Segunda Carta e deixa de permanecer nelas, não está unido ao Deus de Jesus Cristo (cf. 2 Jo 9). Por isso perguntemo-nos: Estou aberto à harmonia do Espírito Santo, superando todo o exclusivismo? Deixo-me guiar por Ele, vivendo na Igreja e com a Igreja?

3. O último ponto. Diziam os teólogos antigos: a alma é uma espécie de barca à vela; o Espírito Santo é o vento que sopra na vela, impelindo-a para a frente; os impulsos e incentivos do vento são os dons do Espírito. Sem o seu incentivo, sem a sua graça, não vamos para a frente. O Espírito Santo faz-nos entrar no mistério do Deus vivo e salva-nos do perigo de uma Igreja gnóstica e de uma Igreja narcisista, fechada no seu recinto; impele-nos a abrir as portas e sair para anunciar e testemunhar a vida boa do Evangelho, para comunicar a alegria da fé, do encontro com Cristo. O Espírito Santo é a alma da missão. O sucedido em Jerusalém, há quase dois mil anos, não é um fato distante de nós, mas um fato que nos alcança e se torna experiência viva em cada um de nós. O Pentecostes do Cenáculo de Jerusalém é o início, um início que se prolonga. O Espírito Santo é o dom por excelência de Cristo ressuscitado aos seus Apóstolos, mas Ele quer que chegue a todos. Como ouvimos no Evangelho, Jesus diz: “Eu apelarei ao Pai e Ele vos dará outro Paráclito para que esteja sempre convosco” (Jo 14, 16). É o Espírito Paráclito, o “Consolador”, que dá a coragem de levar o Evangelho pelas estradas do mundo! O Espírito Santo ergue o nosso olhar para o horizonte e impele-nos para as periferias da existência a fim de anunciar a vida de Jesus Cristo. Perguntemo-nos, se tendemos a fechar-nos em nós mesmos, no nosso grupo, ou se deixamos que o Espírito Santo nos abra à missão. Recordemos hoje estas três palavras: novidade, harmonia, missão.

A liturgia de hoje é uma grande súplica, que a Igreja com Jesus eleva ao Pai, para que renove a efusão do Espírito Santo. Cada um de nós, cada grupo, cada movimento, na harmonia da Igreja, se dirija ao Pai pedindo este dom. Também hoje, como no dia do seu nascimento, a Igreja invoca juntamente com Maria: “Veni Sancte Spiritus… – Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor”! Amém.

Pentecostes: Vem, Espírito da Vida, da Justiça e da Paz!

A Solenidade de Pentecostes permite aprofundar a importância, obra e missão do Espirito Santo nas almas, na Igreja e em toda Criação

Dom Roberto Francisco Ferreria Paz, Bispo de Campos (RJ)

O tempo Pascal alcança sua culminância na Solenidade de Pentecostes, que sempre foi considerada a Metrópole das Festas cristãs. A Quinquagésima Pascal como também é chamada esta Festa, pois se realiza aos 50 dias da Páscoa, celebra a plena efusão e doação do Espírito Santo aos Apóstolos e a Igreja.

A Igreja com a força, parresía e entusiasmo do Espírito inicia sua evangelização testemunhando com prodígios e o poder da Palavra, atingindo rapidamente a todos os povos e nações conhecidos naquela época. Esta Solenidade nos permite aprofundar a importância, obra e missão do Espirito Santo nas nossas almas, na Igreja e em toda Criação.

Em primeiro lugar o Paráclito, nos convence do pecado do mundo e nos leva a um encontro pessoal com a pessoa de Jesus Cristo, para que nos convertamos a Ele e optemos por segui-lo por toda a vida.

Ele nos comunica a vida nova, vida de Deus em nós, tornando-nos filhos de Deus, seguidores de Jesus e seus Templos espirituais. Ele nos insere no Corpo de Cristo, a Igreja, despertando dons, carismas e serviços, para animar e edificar a Comunidade de Salvação. Nos forja e educa como discípulos-missionários, capacitando-nos para o testemunho ungido e profético, capaz de confessar o nome de Jesus até o martírio.

O Espirito Santo nos impele a construirmos a unidade entre todos os cristãos e busquemos o diálogo convergente e servidor com todas as religiões e mentalidades culturais.

Nos converte em jardineiros e aliados da Terra, defendendo a vida e a integridade do planeta, anunciando uma verdadeira ecologia humana, que não exclua a pessoa humana do cuidado da criação, mas a considere como seu gerente, tutor e irmão, para promover um desenvolvimento harmônico, integral e sustentável.

Que o Espirito Santo nos fortaleça, ilumine e nos conduza para termos no Brasil uma Copa do Mundo, com Dignidade e Paz, e eleições limpas que signifiquem a arrancada de uma verdadeira e profunda Reforma Política, para construirmos juntos, um Brasil campeão de justiça, cidadania e solidariedade. Deus seja louvado!

Pentecostes inicia era do testemunho e da fraternidade

Domingo, 24 de maio de 2015, Da redação, com Rádio Vaticano

Segundo o Papa, Pentecostes é marcado pelo testemunho, a fraternidade e o início de uma Igreja missionária e universal

“O Espírito Santo derramado no Pentecostes, no coração dos discípulos, é o início de uma nova era: a era do testemunho e da fraternidade”. Foi o que afirmou o Papa Francisco neste domingo, 24, Solenidade de Pentecostes, durante a oração do Regina Coeli.

O pontífice destacou que a festa de Pentecostes faz reviver o início da Igreja, narrado pelo livro dos Atos dos Apóstolos. Naquela ocasião, disse o Papa, os discípulos foram completamente  transformados por essa efusão e o medo cedeu o lugar para a coragem, o fechamento para o anúncio e toda dúvida foi expulsa pela fé, cheia de amor. “É o batismo da Igreja que começa assim o seu caminho na história, guiada pela força do Espírito Santo”, disse.

Francisco recordou como este acontecimento mudou a vida dos apóstolos, abrindo as portas do Cenáculo e levando-os ao anúncio de Cristo Ressuscitado, bem como à experiência da universalidade da Igreja.

“Cada um dos presentes ouve os discípulos falar em sua própria língua. O dom do Espírito restabelece a harmonia das línguas que tinha sido perdida em Babel e prefigura a dimensão universal da missão dos Apóstolos. A Igreja nasce universal, una e católica, com uma identidade precisa, mas aberta, que abraça o mundo inteiro, sem excluir ninguém”, frisou o Santo Padre.

O livro dos Atos dos Apóstolos também relata que, sobre os discípulos desceram chamas de fogo. O Papa explicou que eram as chamas do amor que queimam toda amargura; era a língua do Evangelho que atravessa os confins impostos pelos homens e toca os corações da multidão, sem distinção de língua, raça ou nacionalidade.

“Com o dia de Pentecostes, o Espírito Santo é derramado continuamente também hoje sobre a Igreja e sobre cada um de nós para sairmos de nossa mediocridade e de nossos fechamentos e comunicar ao mundo o amor misericordioso do Senhor. Esta é a nossa missão! Também nos foi dado como dom a língua do Evangelho e o fogo do Espírito Santo para proclamarmos Jesus ressuscitado, vivo e presente em nosso meio, aproximando os povos a Ele que é caminho, verdade e vida”, sublinhou ainda Francisco.

“Confiemo-nos à materna intercessão de Maria, que estava presente como Mãe em meio aos discípulos no Cenáculo, para que o Espírito Santo desça abundantemente sobre a Igreja de nosso tempo, encha os corações de todos os fiéis e acenda neles o fogo de seu amor”, concluiu.

Ascensão do Senhor, continuação da missão por parte da Igreja

Cidade do Vaticano (RV) – O Papa Francisco rezou a oração do Regina Coeli, neste domingo (28/5/2017), com os fiéis e peregrinos na Praça São Pedro.

Na alocução que precedeu a oração, o Pontífice recordou a Ascensão do Senhor, celebrada neste domingo, quarenta dias depois da Páscoa.

“Os versículos que concluem o Evangelho de Mateus nos apresentam o momento da despedida definitiva do Ressuscitado aos seus discípulos. O cenário é o da Galileia, lugar onde Jesus os chamou para segui-lo e para formar o primeiro núcleo de sua comunidade nova. Agora, aqueles discípulos passaram através do fogo da paixão e da ressurreição. Ao verem Jesus ressuscitado eles se prostram diante dele, alguns porém ainda duvidam. A esta comunidade amedrontada, Jesus deixa a grande tarefa de evangelizar o mundo; e concretiza esta tarefa com o mandato de ensinar e batizar em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.”

Segundo o Papa, “a Ascensão de Jesus ao céu constitui o fim da missão que o Filho recebeu do Pai e o início da continuação desta missão por parte da Igreja. A partir deste momento, do momento da Ascensão, a presença de Cristo no mundo é mediada através de seus discípulos, daqueles que acreditam Nele e o anunciam. Esta missão durará até o fim da história e contará todos os dias com a assistência do Senhor ressuscitado, que garante: “Eu estarei convosco todos os dias, até ao fim do mundo”.

“A sua presença traz fortaleza nas perseguições, conforto nas tribulações, sustento nas situações difíceis que a missão e o anúncio do Evangelho encontram. A Ascensão nos recorda esta assistência de Jesus e de seu Espírito que dá confiança e segurança ao nosso testemunho cristão no mundo. Revela-nos porque existe a Igreja: a Igreja existe  para anunciar o Evangelho! Somente para isso! A alegria da Igreja é anunciar o Evangelho.”

Francisco disse ainda que “todos nós batizados somos a Igreja. Hoje, somos convidados a entender melhor que Deus nos deu a grande dignidade e responsabilidade de anunciá-lo ao mundo, de torná-lo acessível à humanidade. Esta é a nossa dignidade, esta é a maior honra de cada um de nós, batizados na Igreja!”

“Nesta festa da Ascensão, enquanto voltamos o nosso olhar para o céu, onde Cristo subiu e está sentado à direita do Pai, fortalecemos os nossos passos na terra para prosseguir com entusiasmo e coragem o nosso caminho, a nossa missão de testemunhar e viver o Evangelho em qualquer ambiente. Estamos bem conscientes de que isso não depende em primeiro lugar de nossas forças, da capacidade organizacional e recursos humanos. Somente com a luz e a força do Espírito Santo podemos efetivamente cumprir a nossa missão de fazer conhecer e experimentar cada vez aos outros o amor e a ternura de Jesus.”

O Papa pediu “à Virgem Maria para nos ajudar a contemplar os bens celestes, que o Senhor nos promete, e a nos tornar testemunhas cada vez mais críveis de sua Ressurreição, da vida verdadeira.”

(MJ)

Ser mãe: missão para a vida!

Os desafios de uma sociedade que passa por mudanças é uma das maiores preocupações trazidas pelas mulheres ao buscarem a maternidade. Inseguranças, desejos, expectativas sobre os filhos, futuro: uma imensidão de pensamentos invade o imaginário das futuras mamães ou daquelas que fazem esse plano. Mas, vamos pensar juntos: será que existe um “modelo ideal de mãe”?
A missão de mãe da mulher inicia-se no momento da concepção, a partir disso, todos os ideais vão sendo construídos. Não existe a mãe ideal, mas sim a mãe possível e disponível; isso, sim, é importante! Muitas vezes, constrói-se o ideal da “mãe perfeita”, da “mãe que não erra”.
Mas o que seria positivo para a criação de um filho? Ter o equilíbrio para cuidar dele, para protegê-lo, para educá-lo, para apoiá-lo, para prover-lhe as necessidades físicas e materiais, mas, especialmente, para prover as necessidades de afeto. Dar o consolo necessário, estar disponível e disposta a olhar, a conversar, ser empática, ou seja, a entender ou a colocar-se no lugar dos filhos e do seu momento de vida são algumas das formas de construir a missão de ser mãe.
É claro que a vida não é estática nem oferece condições que fazem com que tudo esteja bem o tempo todo: para isso, é necessário que saibamos nos observar para não transferirmos as experiências negativas vividas em nossa formação para a formação de nosso filho. Como diz o título de um livro, é importante que cada mãe possa “falar para seu filho ouvir e ouvir para seu filho falar (do livro: Falar para seu filho ouvir e ouvir para seu filho falar de Adele Faber e Elaine Mazlish). Recusar os sinais que ele dá, não olhar nos olhos dele, desconfiar dele, não dar peso às coisas que ele fala, não o ajuda em nada. É importante que saibamos ensinar, mas que também saibamos confiar e dar autonomia e possibilidade para que nosso filho amadureça com pessoa.
Estar bem emocionalmente faz que possamos contribuir para o crescimento e o desenvolvimento saudável de nossos filhos do ponto de vista psicológico. Faço aqui uma observação especial para as mães: cuide dos outros, mas também cuide de si. Viver em harmonia com sua dimensão espiritual, afetiva, social, biológica, é essencial para que você possa cuidar bem dos outros e consiga lidar com as alegrias, tristezas, conquistas e dificuldades próprias da vida. Lembre-se de que, em primeiro lugar, você é mulher, e com isso, toda a beleza do ser mulher virá com esses cuidados, que depois se farão extensão ao cuidado com o outro, com seu marido, com os filhos.
Mães aprendem a todo momento: desde o choro do bebê que identifica fome ou dor, aprendem também a ligação íntima e profunda que têm com seus filhos. Aprendem pela experiência do ser mãe e, sendo mães, reformulam, superam e vivem positivamente conflitos passados em sua vida. Há uma ligação tão profunda e poderosa existente entre mães e filhos que esta sobrevive para sempre em algum lugar muito além das palavras e é algo de uma beleza indescritível.
Você, mãe, trocaria essa beleza e o poder dessa ligação materna por alguma coisa?
Ser mãe é ser a todo tempo, a toda hora, sem limites. Os limites de uma mãe sempre serão testados, colocados à prova, mas o dom, o amor e a missão farão sempre com que esta supere tudo aquilo que seja lhe dado como prova, bem como a fará experimentar todas as alegrias que esta missão lhe concede!
Muito obrigada a você, mãe, por este e por todos os dias de sua missão!

Sacerdócio é continuidade da missão de Jesus, afirma Papa

Ordenação Sacerdotal

Domingo, 22 de abril de 2018, Da redação, com Boletim da Santa Sé

Durante missa de ordenação de dezesseis novos presbíteros no Vaticano, Francisco falou sobre a missão do sacerdote

Papa Francisco ordenou na manhã deste domingo, 22, dezesseis novos sacerdotes. A cerimônia foi realizada na Basílica do Vaticano e contou com uma exortação aos agora presbíteros. “Entre todos os seus discípulos, o Senhor Jesus quer escolher alguns em particular, para exercer publicamente na Igreja, em Seu nome, o sacerdócio em favor de todos os homens, uma continuidade da missão pessoal do mestre, como sacerdote e pastor”, sublinhou o Santo Padre.

O Pontífice contou que assim como Jesus foi enviado por Deus Pai ao mundo, assim os apóstolos, sacerdotes e bispos são chamados a colaborar no serviço ao povo de Deus. Todos os chamados por Cristo trabalham, de acordo com Francisco, em uma missão, a de edificar o Corpo de Cristo, que é a Igreja.

“O exercício do ministério da Santa Doutrina proporciona a participação da missão de Cristo, o único Mestre”, explicou o Santo Padre. Segundo o Papa, o sacerdote antes de ler, ensinar e propagar a Palavra de Deus e o que aprendeu na fé, deve viver o que ensina.

“Que o alimento da sua vida seja alimento para o povo de Deus, sua doutrina, alegria e apoio aos fiéis de Cristo. E que com a palavra e o exemplo vocês possam construir a Casa de Deus que é a Igreja”, exortou. O sacerdócio além de continuidade da obra de Cristo é, de acordo com o Pontífice, uma oportunidade do presbítero reconhecer e suportar a morte de Cristo no seu pecado e caminhar com Ele para uma vida nova.

Dezesseis novos sacerdotes durante cerimônia de ordenação/ Foto: Reprodução Youtube Vatican News

A ordenação proporciona aos novos sacerdotes agregar novos crentes ao povo de Deus, por meio do Batismo, e também perdoar os pecados em nome de Cristo e da Igreja, através do sacramento da Penitência, pontuou o Papa, que pediu: “Por favor, não se cansem de serem misericordiosos. Pensem em seus pecados, suas misérias que Jesus perdoa. Seja misericordioso”. Francisco relembrou também o uso do óleo sagrado por parte dos presbíteros, como alívio aos doentes.

Por último, o Santo Padre pediu aos novos sacerdotes que construam uma comunhão filial com os bispos e todo clero, e que se esforcem para unir os fiéis e levá-los a Deus Pai através de Cristo no Espírito Santo. “Tenham diante de seus olhos o exemplo do Bom Pastor, que não veio para ser servido, mas para servir e buscar salvar o que foi perdido”, concluiu.

 

 

No Regina Coeli, Papa afirma: “Jesus pode curar-nos”

Domingo, 22 de abril de 2018, Da redação, com Boletim da Santa Sé

Francisco aproveitou a reflexão que antecede a oração do Regina Coeli, para convidar fiéis a deixarem-se conhecer por Jesus

“Jesus pode curar-nos e pode tornar a nossa vida alegre e frutífera”. Esta frase é parte da reflexão do Papa Francisco no Regina Coeli deste domingo, 22. O Santo Padre, da janela do Palácio Apostólico do Vaticano, meditou sobre a liturgia do dia e convidou os fiéis a redescobrirem a identidade de discípulos do Senhor ressuscitado.

“Quem é o Cristo que cura? Em que consiste ser curado por Ele? Do que é que nos cura? E através de que atitudes? Encontramos a resposta para todas estas perguntas no Evangelho de hoje, onde Jesus diz: ‘Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a sua vida pelas ovelhas’ (Jo 10, 11)”, observou o Santo Padre. De acordo com o Pontífice, esta auto-apresentação de Jesus diz a cada pessoa que sua vida é valiosa para Cristo.

O mesmo Evangelho diz aos cristãos, segundo Francisco, em que condições Jesus pode curar e pode tornar a vida alegre e frutífera: “Eu sou o bom pastor – diz Jesus – conheço as minhas ovelhas e as minhas ovelhas conhecem-me, como eu conheço o Pai e o Pai me conhece (versículos 14-15). Jesus não fala de um conhecimento intelectual, não, mas de um relacionamento pessoal, de predileção, de ternura mútua, um reflexo do mesmo relacionamento íntimo de amor entre Ele e o Pai”, ressaltou o Santo Padre que aconselhou os fiéis a deixarem-se conhecer por Ele.

Para o Papa, ao abrir-se ao Senhor, a humanidade poderá compreender um Cristo que está atento a cada um, e que conhece profundamente o coração de todos. “[Jesus] conhece nossas forças e nossos defeitos, os projetos que alcançamos e as esperanças decepcionadas. Mas ele nos aceita como somos, mesmo com nossos pecados, para nos curar, para nos perdoar, para nos guiar com amor, porque podemos cruzar caminhos até inacessíveis sem perder o caminho. Ele nos acompanha”, recordou. Mas Francisco alertou que um encontro com Deus, implica abandonar atitudes para estabelecer novos caminhos.

O Santo Padre alertou os fiéis, que quando o desejo de viver a relação com Jesus é esfriada, é inevitável que prevaleçam outras maneiras de pensar e de viver que não são coerentes com o Evangelho. “Maria, nossa mãe, ajude-nos a desenvolver um relacionamento cada vez mais forte com Jesus, a nos abrirmos a Jesus, para que ele possa entrar em nós. Um relacionamento mais forte: ele ressuscitou. Então podemos segui-lo pela vida. Neste Dia Mundial de Oração pelas Vocações, Maria intercede porque muitos respondem com generosidade e perseverança ao Senhor, que chama a deixar tudo para o seu Reino”, concluiu.

Depois da oração Regina Coeli

Após a oração do Regina Coeli, o Papa manifestou sua preocupação diante das várias vítimas dos confrontos ocorridos na Nicarágua, consequências de um protesto social. “Exprimo a minha proximidade em oração àquele país, e junto-me aos bispos pedindo que toda a violência cesse, evite um derramamento de sangue inútil e as questões abertas sejam resolvidas pacificamente e com um sentido de responsabilidade”, rogou o Santo Padre.

O Pontífice prosseguiu fazendo alusão ao Dia de Oração pelas Vocações, celebrado em toda a Igreja neste quarto domingo de Páscoa, 22. O tema é, segundo Francisco, “Ouvindo, discernindo, vivendo o chamado do Senhor”. O Papa seguiu agradecendo ao Senhor por continuar a despertar na Igreja, histórias de amor por Jesus Cristo, e continuou agradecendo aos novos sacerdotes ordenados na manhã de hoje, na Basílica de São Pedro. “Pedimos ao Senhor que envie tantos bons obreiros para trabalhar em seu campo, e que multiplique as vocações à vida consagrada e ao matrimônio cristão”.

Ao final, Francisco saudou todos os romanos e peregrinos da Itália e de muitos países, especialmente os de Setúbal, de Lisboa, de Cracóvia, e os Piedosos Discípulos do Divino Mestre da Coreia. Os peregrinos de Castiglione d’Adda, Torralba, Modica, Cremona e Brescia, e o coro paroquial de Ugovizza; os meninos do Cresima de Gazzaniga, Pollenza e Cisano Sul Neva também foram recordados pelo Santo Padre. “Um bom domingo; e por favor não esqueça de orar por mim”, despediu-se.

Solenidade de São José – 19 de Março

Por Mons. Inácio José Schuster

Pouco conhecemos sobre a vida de São José; unicamente as rápidas referências transmitidas pelos evangelhos. Este pouco, contudo, é o suficiente para destacar seu papel primordial na história da salvação. José é o elo de ligação entre o Antigo e o Novo Testamento. É o último dos patriarcas.
Para destacar este caráter especial de José, o evangelho de São Mateus se apraz em atribuir-lhe “sonhos”, à exemplo dos grandes patriarcas, fundadores do povo judeu (Mt 1,20-24; 2,13-19). A fuga de José com sua família para o Egito repete, de certa forma, a viagem do patriarca José, para que nele e em seu filho Jesus se cumprisse o novo Êxodo (Mt 2,13-23; Os 11,1; Gn 37; 50,22-26).
A missão de José na história da salvação consistiu em dar a Jesus um nome, fazê-lo descendente da linhagem de Davi, como era necessário para cumprir as promessas. Sua pessoa fica na penumbra, mas o Evangelho nos indica concisamente as fontes de sua grandeza interior: era um “justo” (Abraão tinha buscado seis justos na cidade e não os tinha achado); de uma fé profunda, inteiramente disponível à vontade de Deus, alguém que “esperou contra toda esperança”. Sua figura quase desapareceu nos primeiros séculos do cristianismo, para que se firmasse melhor a origem divina de Jesus.
Mas já na Idade Média, São Bernardo, Santo Alberto Magno e Santo Tomás de Aquino lhe dedicaram tratados cheios de devoção e entusiasmo. Desde então, seu culto não tem feito senão crescer continuamente. Pio IX declarou-o padroeiro da Igreja universal com o decreto Quemadmodum Deus; Leão XIII, na encíclica Quamquam pluries, propunha-o como advogado dos lares cristão.
Em nossos dias foi declarado modelo dos operários.

 

SÃO JOSÉ – PAI DE JESUS, ESPOSO DE MARIA
“Jacó gerou José, o esposo de Maria, da qual nasceu Jesus, chamado o Cristo” (Mt 1, 16).

Quem foi São José? A Sagrada Escritura nos ensina que “José era um homem justo…”. Um homem simples e trabalhador, que vivia na humildade de Nazaré. Como Deus não faz acepção de pessoas, Ele inclui esse singelo homem no seu plano de salvação. Com isso percebemos que ninguém está excluído dos mistérios divinos. Também nós, fazemos parte desse plano de amor e redenção. Deus conta com o nosso testemunho de amor e fidelidade a Ele. Devemos como, o bom José, saber escutar a voz de Deus e nos colocar a disposição de sua vontade. O Pai confiou a São José uma grande e importante missão, por isso, também o cumulou de virtudes e santidade. “José era justo”.
Os santos doutores da Igreja dizem que essa afirmação atesta que José possuía todas as virtudes num grau elevado de perfeição. Isso porque ele deixava Deus agir em sua vida. São José é ainda chamado de “Santíssimo”, o que não acontece com nenhum outro santo. Ele era da família de Davi, a qual devia dar ao mundo o Salvador.
Da estirpe de Davi devia nascer o Messias prometido. “Que honra e que dignidade! Nele verificou-se o sonho de José do Egito. O sol de justiça, a lua mística o veneram, as estrelas da pátria celeste se curvam diante dele. A Igreja lhe atribui um culto especial. Seu nome enche de alegria o Céu e faz tremer o inferno. Os Anjos honram-no e cumprem suas ordens”.
Venerar São José é uma grande graça e presente do céu, pois esta é uma excelente devoção. José é assim honrado porque sempre esteve ao lado e junto de Jesus e Maria. É uma sólida devoção, por isso a Igreja e os Papas sempre a recomendaram e os Santos Doutores propagam e aconselham essa prática.
Quem é guiado por São José não se desvia, avança sem cair, sem recuar, a passos gigantes em direção a Deus. Santa Tereza de Jesus, santa carmelita, diz: “Tomei a São José por meu advogado e protetor e não me lembro de lhe ter pedido algo que não me atendesse. É de pasmar a enormidade de graças que Deus me tem concedido por sua intercessão e o número de perigos da alma e do corpo de que tem me livrado. Quisera persuadir o Mundo inteiro a ser devoto deste glorioso Santo pela grande experiência que tenho dos bens que ele concede. Contento-me, porém, em pedir, pelo amor de Deus, que o experimente quem nele não crê e verá, por si mesmo, que imenso bem é o recomendar-se o cristão ao glorioso Patriarca e ser se devoto”.
São José é invocado como Padroeiro da Igreja Universal, Advogado dos lares cristãos, modelo dos operários, Protetor dos agonizantes, entres outros.

 

SÃO JOSÉ: UM HOMEM JUSTO
19 de março

Uma existência vivida no anonimato de todos os dias, mas com uma fé segura na Providência. Hoje celebramos a solenidade de São José, Esposo de Maria (cf. Mt 1, 24; Lc 1, 27). A Escritura nos indica como “pai” de Jesus (cf. Lc 2, 27.33.41.43 e 48), pronto para realizar os desígnios divinos, mesmo quando fogem à compreensão humana. Foi a ele, “filho de David” (Mt 1, 20; Lc 1, 27), que Deus confiou a guarda do Verbo eterno feito homem, por obra do Espírito Santo, no seio da Virgem Maria. No Evangelho, São José é definido como um “homem justo” (Mt 1, 19) e, para todos os fiéis, é um modelo de vida na fé.
A palavra “justo” recorda a sua retidão moral, a sua sincera adesão ao exercício da lei e a sua atitude de abertura total à vontade do Pai celestial. Também nos momentos difíceis e às vezes dramáticos, o humilde carpinteiro de Nazaré nunca arroga para si mesmo o direito de pôr em discussão o projeto de Deus. Espera a chamada do Alto e em silêncio respeita o mistério, deixando-se orientar pelo Senhor. Com poucos mas significativos traços, São José é descrito pelos evangelistas como cuidadoso guardião de Jesus, esposo atento e fiel, que exerce a autoridade familiar numa constante atitude de serviço. As Sagradas Escrituras nada mais nos dizem sobre ele, mas neste silêncio está encerrado o próprio estilo da sua missão: uma existência vivida no anonimato de todos os dias, mas com uma fé segura na Providência.
São José tinha de prover às necessidades da família, com o duro trabalho manual. Justamente por isso, a Igreja indica-o como Padroeiro dos Trabalhadores. Portanto, a solenidade do dia de hoje constitui uma ocasião propícia para refletir também sobre a importância do trabalho na existência do homem, na família e na comunidade. O homem é sujeito e protagonista do trabalho e, à luz desta verdade, pode compreender-se o nexo fundamental existente entre pessoa, trabalho e sociedade.
A atividade humana, recorda o Concílio Vaticano II, deriva do homem e está orientada para o homem. Segundo o desígnio e a vontade de Deus, ela deve servir o verdadeiro bem da humanidade e permitir “ao homem, como indivíduo ou como membro da sociedade, cultivar e realizar a sua vocação integral” (cf. Gaudium et spes, 35). São José, santo tão grande e tão humilde, seja exemplo em que se inspirem todos os trabalhadores cristãos, invocando-o em todas as circunstâncias.
 São João Paulo II

 

SÃO JOSÉ, SANTO PATRONO DA IGREJA
José era o guarda, o administrador e o defensor legítimo e natural da casa divina de que era o chefe. Exerceu esses cargos durante a sua vida mortal. Aplicou-se a proteger com um amor soberano e uma solicitude quotidiana a sua Esposa e o divino Filho; ganhou dia a dia, com o seu trabalho, o que era necessário a um e a outro, para o alimento e para o vestuário; preservou da morte o Menino ameaçado pelo ciúme de um rei…; nas dificuldades da viagem e nas amarguras do exílio, foi constantemente o companheiro, o auxílio e o sustentáculo da Virgem e de Jesus.
Ora a divina casa que José governou com autoridade de pai continha as primícias da Igreja nascente. Tal como a Virgem santíssima é a mãe de Jesus, também ela é mãe de todos os cristãos que gerou no Calvário, no meio dos sofrimentos supremos do redentor; Jesus Cristo é também o primogênito dos cristãos que são seus irmãos, pela adoção e pela redenção (Rm 8, 29).
Tais são as razões pelas quais o bem-aventurado patriarca São José considera como sendo-lhe particularmente confiada a multidão dos cristãos que compõem a Igreja, isto é, essa imensa família espalhada por toda a terra, sobre a qual ele detém como que uma autoridade paternal, uma vez que é o esposo de Maria e o pai de Jesus Cristo. É, portanto, natural e muito digno do bem-aventurado São José que, tal como provia outrora a todas as necessidades de família de Nazaré e santamente a envolvia com a sua proteção, cubra agora com o seu patrocínio celeste a Igreja de Jesus Cristo e a defenda (Leão XIII, papa de 1878 a 1903 Quanquam pluries).

 

ESTUDO SOBRE SÃO JOSÉ
Salvatore Vitiello explica a história e a importância do santo carpinteiro
Por Antonio Gaspari

ROMA, segunda-feira, 19 dezembro, 2011 (ZENIT.org) – Tem centenas de milhões de devotos no mundo. Há milhões de meninos e meninas que têm o seu nome. Está bem presente no Evangelho, no Presépio e nas Igrejas, mas a sua história humana e a sua importância na história da salvação são pouco conhecidas.
Estamos falando de São José, esposo de Maria e pai adotivo de Jesus. Para saber mais ZENIT entrevistou o Reverendo Professor Salvatore Vitiello Coordenador do Mestrado em Arquitetura, arte sacra e Liturgia da Universidade Europeia de Roma e do Pontifício Ateneu Regina Apostolorum

Quem foi São José?
Vitiello: Era antes de mais nada um homem autêntico, que soube viver, com inteligência, fé e total dedicação, as circunstâncias nas quais Deus o tinha colocado, reconhecendo nelas a presença do mesmo mistério. Era um judeu observante, portanto, com profunda espera do cumprimento das promessas de Deus para o Seu povo. Nos falam dele sobretudo os santos Evangelistas Lucas e Mateus, quando nos contam o início da nossa Salvação, do Anúncio do anjo à Maria de Nazaré, “uma virgem prometida em casamento a um homem da casa de Davi, chamado José”, que se teria tornado Mãe do Altíssimo. A casa de Davi (cf. Lc 1,27) era a descendência genealógica, a partir da qual, segundo as profecias do Antigo Testamento, Deus teria suscitado o Rei, que teria libertado o povo de Israel. A história de São José, a sua santidade, a atualidade da sua intercessão e do seu modelo para nós hoje, e do seu patrocínio com relação à Igreja universal iniciam, por providencial Vontade divina, desde a ligação “esponsal” com Maria. Acolhendo a Maria, o Desenho de Deus sobre Ela atraía e envolvia também toda a sua vida. Na verdade, ele foi ainda convidado a “cooperar”, num modo único e extraordinário, na mesma Obra da Salvação, tomando consigo Maria como sua esposa e se tornando, portanto, o pai “legal” de Jesus. De fato, no início da manifestação pública do Senhor Jesus, a primeira reação de cética maravilha dos habitantes de Nazaré foi a de perguntar: “Não é ele o filho do carpinteiro?” (cf. Mt 13,55).

O que o convenceu a aceitar Maria já grávida?
Vitiello: O entender, por revelação divina, que esta aceitação coincidiria com a adesão à vontade de Deus para ele: acolher aquela jovem israelita, que Ele amava profundamente, com a sua Criança, significava, para José, acolher a entrada de Deus na história e na sua mesma vida. Havia começado, com a concepção de Jesus no seio imaculado da Virgem e com a especial Vocação de José, o novo “método” de Deus: o Altíssimo, Criador do universo e Senhor de Israel, Aquele do qual não se podia pronunciar o Nome, nem fazer imagem, o absolutamente Outro, se revelava, numa hora por meio de um ponto preciso, um rosto, aquele da Criança que Maria tinha concebido, aquele da Criança que tinha os mesmos traços de Maria. Tudo o que tinha a ver com essa mulher e com o seu filho, teria a ver com o próprio Deus. São José o tinha entendido: depois da inicial dificuldade de tomar posição diante daquele acontecimento – dificuldade na qual ele mostrou toda a própria “justiça” (cf. Mt 1,19), tomando a decisão de não repudiar Maria, mas somente de deixá-la no segredo, para não expô-la ao apedrejamento previsto nas leis judaicas – ele recebeu o anúncio do anjo que o chamava a assumir para si a sua esposa e a tornar-se pai Daquele que tinha sido gerado por obra do Espírito Santo. Daquele momento, ele se dedicou sem reserva alguma ao serviço humilde, silencioso e cheio de amor, da sua nova família, a Família de Deus.

Como ele desempenhou o papel de pai de Jesus, ainda sabendo que ele era o Filho de Deus?
Vitiello: O relacionamento pessoal entre Cristo e São José, tal como se desenvolveu diariamente e especialmente nos anos da “vida oculta” do Senhor em Nazaré, é para nós um mistério muito delicado e extraordinário. Sabemos, como a mesma Igreja que nos transmite nas Escrituras, que “Aquele de quem toma o nome toda paternidade no céu e na terra” (Ef 3.15) chamou José para se tornar, na terra, o pai de Jesus, o Filho eterno feito homem. Sabemos que ele aceitou, sem reservas e em obediência total, esta missão sublime, que, nas palavras do Papa Pio XI, foi colocada “recolhida, silenciosa, despercebida e desconhecida […] na humildade e no serviço” entre as duas missões de João Batista e de São Pedro (cf. Pio XI, Homilia na Solenidade de São José, 19 de março de 1928). Conhecemos, depois, os acontecimentos que se sucederam até o retorno a Nazaré do Egito, onde tinha levado a Sagrada Família para escapar da ira assassina do rei Herodes, até o reencontro de Jesus adolescente entre os doutores do Templo.
Sobre a paternidade de São José e a filiação de Jesus, no entanto, existe como um mistério – o mistério da íntima relação entre Cristo e José -, do qual podemos ter um vislumbre de algo, por ocasião do encontro de Jesus no Templo.
São Lucas escreve que, tendo-o encontrado, a Mãe disse-lhe: “Filho, por que você fez isso conosco? Eis que teu pai e eu ansiosos te procurávamos” (Lc 2,48). As palavras de Maria revelam a “angústia” de São José, o amor profundo que ele tinha por Jesus e também como se ele não estava sozinho para cumprir a missão recebida, mas a compartilhava – poderíamos dizer – cada “detalhe”, com a mesma Beata Virgem Maria, tendo diante de seus olhos o constante e feliz “sim” dela à Vontade de Deus, aprendendo dela a reconhecer no filho, com profunda admiração, o Mistério Presente. Na mesma passagem do Evangelho se diz que Jesus “desceu com eles a Nazaré e foi obediente” (Lc 2,51).
O Filho de Deus, nascido da Virgem, tinha-se despojado da glória divina para assumir a nossa condição humana, para abaixar-se até “mendigar” o nosso amor e a nossa acolhida, que eram o amor e acolhida de Maria e José de Nazaré. O mesmo Amor mendigava o ser amado e se confiava totalmente aos cuidados de São José, de tal forma que acreditamos que tenha sido, ainda na consciência orante da própria responsabilidade, extraordinariamente agradável poder tomar conta do Deus menino, tanto que na tradicional oração a São José recitamos: “O felicem virum, beatum Ioseph – oh, homem feliz, beato José, ao qual foi concedido não somente de ver Aquele que muitos reis desejaram ver e não viram, ouvir e não ouviram, mas também de abraçá-lo, beijá-lo, vesti-lo e cuidá-lo!”
(Tradução TS)

 

O NOSSO PAI SÃO JOSÉ
Homem que agradou a Deus

Não é sem razão que a Igreja, no meio da Quaresma, tira o roxo no dia 19 de março e coloca o branco na liturgia, para celebrar a festa de São José, esposo da Virgem Maria. Entre todos os homens do seu tempo, Deus escolheu o glorioso São José para ser pai adotivo de seu Filho divino e humanado. E Jesus lhe era submisso, como mostra São Lucas.

Santo Gertrudes (1256-1302), um grande místico da Saxônia, afirmou que “viu os Anjos inclinarem a cabeça quando no céu pronunciavam o nome de São José”.

Santa Teresa de Ávila (1515-1582), a primeira doutora da Igreja, a reformadora do Carmelo, disse: “Quem não achar mestre que lhe ensine a orar, tome São José por mestre e não errará o caminho”. E declarava que em todas as suas festas lhe fazia um pedido e que nunca deixou de ser atendida. Ensinava ainda que cada santo nos socorre em uma determinada necessidade, mas que São José nos socorre em todas.

O Evangelho fala pouco de sua vida, mas o exalta por ter vivido segundo “a obediência da fé” (cf. Rm 1,5). Deus nos dá a graça para viver pela fé (cf. Rm, 5,1.2; Hb 10,38) em todas as circunstâncias. São José, um homem humilde e justo, “viveu pela fé”, sem a qual “é impossível agradar a Deus” (cf. Hab 2,3; Rm 1,17; Hb 11,6).

O grande doutor da Igreja Santo Agostinho compara os outros santos às estrelas, e São José ele o compara ao Sol. A esse grande santo Deus confiou Suas riquezas: Jesus e a Virgem Maria. Por isso, o Papa Pio IX, em 1870,  declarou São José Padroeiro da Igreja Universal com o decreto “Quemadmodum Deus”. Leão XIII, na Encíclica “Quanquam Pluries”, propôs que ele fosse tido como “advogado dos lares cristãos”. Pio XII o declarou como “exemplo para todos os trabalhadores” e fixou o dia 1º de maio como festa ao José Trabalhador.

São José foi pai verdadeiro de Jesus, não pela carne, mas pelo coração; protegeu o Menino das mãos assassinas de Herodes o Grande, e ensinou-lhe o caminho do trabalho. O Senhor não se envergonhou de ser chamado “filho do carpinteiro”. Naquela rude carpintaria de Nazaré Ele trabalhou até iniciar Sua vida pública, mostrando-nos que o trabalho é redentor.

Na história da salvação coube a São José dar a Jesus um nome, fazendo-O descendente da linhagem de Davi, como era necessário para cumprir as promessas divinas. A José coube a honra e a glória de dar o nome a Jesus na Sua circuncisão. O Anjo disse-lhe: “Ela dará à luz um filho e tu o chamarás com o nome de Jesus, pois ele salvará o seu povo dos seus pecados” (Mt 1,21).

A vida exemplar desse grande santo da Igreja é exemplo para todos nós. Num tempo de crise de autoridade paterna, na qual os pais já não conseguem “conquistar seus filhos” e fazerem-se obedecer, o exemplo do Menino Jesus submisso a seu pai torna-se urgente. Isso mostra-nos a enorme importância do pai na vida dos filhos. Se o Filho de Deus quis ter um pai, ao menos adotivo, neste mundo, o que dizer de muitos filhos que crescem sem o genitor? O que dizer de tantos “filhos órfãos de pais vivos” que existem no Brasil, como nos disse aqui mesmo em 1997 o Papa João Paulo II? São José é o modelo de pai presente e atencioso, de esposo amoroso e fiel.

Celebrar a festa de São José é lembrar que a família é fundamental para a sociedade e que não pode ser destruída pelas falsas noções de  família, “caricaturas de família”, que nada têm a ver com o que Deus quer. É lutar para resgatar a família segundo a vontade e o coração de Deus. Em todos os tempos difíceis os Papas pediram aos fiéis que recorressem a São José; hoje, mais do que nunca é preciso clamar: “São José, valei-nos!” Ao falar desse santo, o Papa João Paulo II, na  exortação apostólica “Redemptoris Custos” (o protetor do Redentor), de 15 de agosto de 1989, declarou: “Assim como cuidou com amor de Maria e se dedicou com empenho à educação de Jesus Cristo, assim também guarda e protege o seu Corpo Místico, a Igreja” (nº1). “Hoje ainda temos motivos que perduram, para recomendar todos e cada um dos homens a São José (nº 31).

Celebrar a festa de São José é celebrar a vitória da fé e da obediência sobre a rebeldia e a descrença que hoje invadem os lares, a sociedade e até a Igreja. O homem moderno quer liberdade; “é proibido proibir!”; e, nesta loucura lança a humanidade no caos.

São José, tal como a Virgem Maria, com o seu “sim” a Deus, no meio da noite, preparou a chegada do Salvador. Deus Pai contou com ele e não foi decepcionado. Que o Altíssimo possa contar também conosco! Cada um de nós também tem uma missão a cumprir no plano divino. E o mais importante é dizer “sim” a Deus como São José. “Despertando, José fez como o anjo do Senhor lhe havia mandado” (Mt 1,24).

Celebrar a festa de São José é celebrar a santidade, a espiritualidade, o silêncio profundo e fértil. O pai adotivo de Jesus entrou mudo e saiu calado, mas nos deixou o Salvador pronto para começar a Sua missão. É como alguém destacou: “O servo que faz muito sem dizer nada; o especial agente secreto de Deus”. Ele é o mestre da oração e da contemplação, da obediência e da fé. Com ele aprendemos a amar a Deus e ao próximo.

São José viveu o que ensinou João Batista: “É preciso que Ele [Jesus] cresça e eu diminua” (Jo 3,30).

Felipe Aquino
[email protected]

Março, mês de São José

“José mereceu o nome de “Justo”

Sempre fui devoto de São José, graças a Deus; e há muitos anos me recomendo a Ele diariamente, bem como a todos os meus caros. Sinto sua especial proteção em tudo o que faço. Acabei de escrever um livro sobre este glorioso santo escolhido por Deus para ser o pai adotivo de Jesus. Pode haver honra maior para um homem?

Meu desejo de escrever sobre as glórias de São José aumentou ainda mais depois que eu e minha esposa, Maria Zila, recebemos uma imensa graça que suplicamos a Deus, por muitos anos, pela intercessão de São José.

Minha esposa adquiriu o hábito de fumar em sua adolescência e sempre fumou durante nossos quatro anos de namoro e noivado e mais trinta anos de casados. Mas sempre pedíamos a Deus a graça para ela deixar esse vício. Há seis anos ela lutava com muitas orações e súplicas para deixar o cigarro; pois bem, no dia 1º de maio de 2002, pouco antes da Procissão de São José, que houve em nossa cidade de Lorena (SP), eu disse a ela: “Vamos à procissão de São José e, depois, você vai jogar a sua carteira de cigarros fora”.

Movida por Deus, ela aceitou o convite e fomos acompanhar a Procissão de São José Operário; fizemos a ele o nosso pedido. Quando chegamos em casa, ela jogou fora o seu último maço de cigarros e não mais fumou, depois de 35 anos de vício prolongado. Deus seja louvado! São José não falha!

A Igreja sempre venerou São José com muita honra e confiança e muito nos recomenda à sua intercessão. É por isso que, no seu dia 19 de março, a Igreja interrompe a Quaresma, o sacerdote troca os paramentos roxos pelo branco, para celebrar o grande santo. São José permaneceu no silêncio e na mais profunda discrição para não atrapalhar a missão de Jesus, mas Deus quis que muitos santos, padres e papas pudessem vislumbrar toda a sua grandeza e glória. Em uma aparição a Santa Margarida de Cortona, ela conta que disse Jesus: “Filha, se desejas fazer-me algo agradável, rogo-te não deixeis passar um dia sem render algum tributo de louvor e de bênção ao meu Pai adotivo São José, porque me é caríssimo”.

Santo Afonso de Ligório (†1787), doutor da Igreja, garantia que todo dom ou privilégio que Deus concedeu a outro santo também o fez a São José. São Francisco de Sales, doutor da Igreja, diz que “São José ultrapassou, na pureza, os anjos da mais alta hierarquia”.

São Jerônimo, doutor da Igreja, diz que “José mereceu o nome de “Justo”, porque possuía, de modo perfeito, todas as virtudes”.

Se São José foi escolhido por Deus para Esposo da Virgem Maria, a mais santa de todas as mulheres, é porque ele era o mais santo de todos os homens. Se houvesse alguém mais santo que José, certamente seria este escolhido por Jesus para Esposo de Sua Mãe Maria. Nós não pudemos escolher nosso pai nem nossa mãe, mas Jesus pôde; então, escolheu os melhores que existiam.

São Bernardo (†1153), doutor da Igreja, disse de São José: “De sua vocação, considerai a multiplicidade, a excelência, a sublimidade dos dons sobrenaturais com que foi enriquecido por Deus”. Os Santos Padres e Doutores da Igreja concordam em dizer que São José foi escolhido para esposo de Maria pelo próprio Deus.

É eloquente o testemunho de Santa Teresa de Ávila (†1582), doutora da Igreja, devotíssima de São José. No “Livro da Vida”, sua autobiografia, ela escreveu: “Tomei por advogado e senhor o glorioso São José e muito me encomendei a ele. Claramente vi que dessa necessidade, como de outras maiores referentes à honra e à perda da alma, esse pai e senhor meu salvou-me com maior lucro do que eu lhe sabia pedir. Não me recordo de lhe haver, até agora, suplicado graça que tenha deixado de obter. Coisa admirável são os grandes favores que Deus me tem feito por intermédio desse bem-aventurado santo, e os perigos de que me tem livrado, tanto do corpo como da alma. A outros santos parece o Senhor ter dado graça para socorrer numa determinada necessidade. Ao glorioso São José tenho experiência de que socorre em todas. O Senhor quer dar a entender com isso como lhe foi submisso na terra, onde São José, como pai adotivo, o podia mandar, assim no céu atende a todos os seus pedidos. Por experiência, o mesmo viram outras pessoas a quem eu aconselhava encomendar-se a ele. A todos quisera persuadir que fossem devotos desse glorioso santo, pela experiência que tenho de quantos bens alcança de Deus. De alguns anos para cá, no dia de sua festa, sempre lhe peço algum favor especial. Nunca deixei de ser atendida”.

Próximo de Jesus e de Maria, São José é a estrela de primeira grandeza no Céu; por isso a Igreja lhe presta um culto de “proto-dulia”, em primeiro lugar na lista dos santos. Ele intercede e cuida da Igreja sem cessar, assim como, na terra, velava sem se descuidar, do Filho de Deus a ele confiado. Nos recomendemos todos a ele, todos os dias.

Prof. Felipe Aquino
[email protected]

Nossa Senhora de Lourdes, Saúde dos enfermos

Santíssima Virgem de Lourdes

Abriu-se o Templo de Deus no céu (Ap 11, 19); o véu da fé rasgou-se e deixou-nos passar, a fim de vermos o céu, o que se passa lá em cima, a sua glória e perene juventude, a sua força e o seu poder. Isto é Lurdes (em francês Lourdes), a porta do céu que se entreabre. Quando a ciência médica e cirúrgica pensava ter atingido o cume do progresso, a Virgem Santíssima valia àqueles que os médicos desenganavam. Quando a ciência racionalista se ria do sobrenatural e tinha como infantis os Vaticanistas que aceitavam a palavra infalível do “ultrapassado” Pontífice, que a 8 de Dezembro de 1854 definira solenemente a Imaculada Conceição, a muralha do sobrenatural deu passagem a Maria e ela apareceu no Sul da França a uma menina do campo, e disse-lhe também: “Sou a Imaculada Conceição”. A festa de hoje, ao que parece, mereceria ser chamada Memória ou Comemoração das aparições. porque, na verdade, de 11 de Fevereiro a 10 de Julho, a bem-aventurada Virgem Imaculada dignou-se transmitir uma missão durante 18 Aparições:

1ª Aparição – 11 de Fevereiro
Na manhã dessa quinta-feira, as duas irmãs Bernadette (ou Bernardina) e Antonieta, e uma amiga Joana Abadie, procuravam lenha junto à gruta de Massabielle, nas margens do rio Gave. As duas pequenas saltam sem dificuldade um regato. Bernadette descalça-se para meter os pés na água e passar ao outro lado. Entretanto – escreve ela – “vi numa cavidade do rochedo uma moita, uma só, que se agitava como se estivesse muito vento. Quase ao mesmo tempo saiu do interior da gruta uma nuvem do irada, e logo a seguir uma Senhora nova e bela, bela mais que todas as criaturas, como eu nunca tinha visto nenhuma.
Veio pôr-se à entrada da concavidade, por cima do tufo de verdura. Logo olhou para mim, sorriu-me e fez-me sinal para que me aproximasse, como o faria minha mãe. Tinha-me passado o medo, mas parecia-me que não sabia onde estava. Esfreguei os olhos, fechei-os, tomei-os a abrir; mas a Senhora estava lá sempre, continuando a sorrir-se e fazendo-me compreender não estar eu enganada. Sem saber o que fazia, tomei o terço e ajoelhei-me. A Senhora aprovou com um sinal de cabeça e passou para os seus dedos um rosário que trazia no braço direito. Quando quis começar a rezar e erguer a mão à testa, o meu braço ficou imóvel, como que paralisado. Só depois de a Senhora fazer o sinal da cruz é que eu o pude”, fazer também. A Senhora deixava-me rezar sozinha. Ela apenas passava as contas pelos dedos, sem falar. Só no fim de cada mistério dizia comigo: Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo… Quando acabou a reza, a Senhora voltou a entrar no interior do rochedo e a nuvem de ouro desapareceu com Ela”. A quem lhe perguntava como era a Senhora, Bernadette fazia esta descrição: “Tem as feições duma donzela de 16 ou 17 anos. Um vestido branco cingido com faixa azul até aos pés. Traz na cabeça véu igualmente branco, que mal deixa ver os cabelos, caindo-lhe pelas costas. Vem descalça, mas as últimas pregas do vestido encobrem-lhe um pouco os pés. Na ponta de cada um sobressai uma rosa doirada. Do braço direito pende um rosário de contas brancas encadeadas em ouro, brilhante como as duas rosas dos pés”.

2ª Aparição -14 de Fevereiro
Tudo, mais ou menos, como na primeira. Temendo que fosse alguma alma do outro mundo, como lhe tinham dito, Bernadette asperge o penedo com água benta. Ela não se zanga – diz a pequena com satisfação. Pelo contrário, sorri para todos nós. Nestas duas primeiras aparições, Nossa Senhora nada disse, além de rezar as Glórias dos mistérios.

3ª Aparição – 18 de Fevereiro
A celestial Aparição pergunta delicadamente à menina: – Queres fazer-me o favor de vir aqui durante 15 dias? – Assim o prometo – respondi. – Também eu prometo fazer-te feliz, não neste, mas no outro mundo.

4ª Aparição – 19 de Fevereiro
Enquanto a vidente rezava, uma multidão de vozes sinistras, que pareciam sair das cavernas da terra, cruzaram-se e entrechocaram-se, como os clamores duma multidão em desordem. Uma dessas vozes, que dominava as outras, gritava em tom estridente, raivoso, para a pastorinha: Foge! Foge daqui! Nossa Senhora ergueu a cabeça, franziu ligeiramente a fronte e logo aquelas vozes fugiram em debandada.

5ª Aparição – 20 de Fevereiro
Nossa Senhora ensinou pacientemente, palavra por palavra, uma oração só para Bernadette, que ela devia repetir todos os dias.

6ª Aparição – 21 de Fevereiro
“A Senhora – escreve a vidente – desviou durante um instante de mim o seu olhar, que alongou por cima da minha cabeça. Quando voltou a fixá-lo em mim, perguntei-lhe o que é que a entristecia e Ela respondeu-me: – Reza pelos pecadores, pelo mundo tão revolto”.

7ª Aparição – 23 de Fevereiro
A Vidente, caminhando de joelhos e beijando o chão, vai do lugar onde se encontrava até à gruta. Nossa Senhora comunica-lhe um segredo que a ninguém podia revelar.

8ª Aparição – 24 de Fevereiro
A Santíssima Virgem disse estas palavras: Reza a Deus pelos pecadores! Penitência! Penitência! Penitência! Beija a terra em penitência pela conversão dos pecadores.

9ª Aparição – 25 de Fevereiro
“A Senhora disse-me: – Vai beber à fonte e lavar-te nela. Não vendo ali fonte alguma, eu ia ao rio Gave beber. Ela disse-me que não era ali. Fez-me sinal com o dedo mostrando-me o local da fonte. Para lá me dirigi. Vi apenas um pouco de lama. Meti a mão e não pude apanhar água. Escavei e saiu água mais suja. Tirei a três vezes. A quarta já pude beber”. Era a água milagrosa que tantos prodígios tem realizado. Nossa Senhora mandou-lhe ainda fazer esta penitência pelos pecadores: – Come daquela erva que ali está! Quando troçavam da pequena por tão estranha ordem, respondia: – “Mas vocês também não comem salada!?”

10ª e 11ª Aparições – 27 e 28 de Fevereiro
Na primeira destas visitas, a Virgem Imaculada tomou a mandar beijar o chão em penitência pelos pecadores; na segunda sorriu e não respondeu quando a Vidente lhe perguntou o nome.

12ª Aparição -1º de Março
A Aparição manda a Bernadette rezar o terço pelas suas contas e não pelas duma companheira, Paulina Sans, que lhe tinha pedido para usar as suas.

13ª Aparição – 2 de Março
A Virgem pede: – Vai dizer aos sacerdotes que tragam aqui o povo em procissão e que me construam uma capela.

14ª Aparição – 3 de Março
A Senhora não aparece à hora habitual, mas sim ao entardecer e deu a explicação: – Não me viste esta manhã porque havia pessoas que desejavam examinar o que fazias enquanto eu estava presente. Mas elas eram indignas. Tinham passado a noite na gruta, profanando-a.

15ª Aparição – 4 de Março
No segundo mistério do primeiro terço, Bernadette começa a ver Nossa Senhora. Acabou esse terço e rezou outros dois, refletindo ora alegria, ora tristeza. Durante esta quinzena, Nossa Senhora comunicou à menina três segredos e uma oração com esta ordem: – Proibo-te de dizer isto, seja a quem for.

16ª Aparição – 25 de Março
Na manhã da festa da Anunciação dirigiu-se para a gruta a privilegiada menina. “Peguei no terço – escreve ela. Enquanto rezava, assaltava-me teimosamente o desejo de lhe pedir que dissesse o seu nome. Receava, porém, ser importuna com uma pergunta que já tinha ficado sem resposta mais de uma vez… Num impulso, que não me foi possível conter, as palavras saíram-me da boca… – Senhora, quereis ter a bondade de me dizer quem sois? A única resposta foi uma saudação de cabeça, acompanhada dum sorriso. Nova tentativa, seguida de idêntica resposta. A terceira vez que lhe perguntei, tomou um ar grave e humilde. Em seguida, juntou as mãos, ergueu-as… olhou para o céu… depois, separando lentamente as mãos e inclinando-as para mim, deixando tremer um pouco a voz, disse-me: – Eu sou a Imaculada Conceição”.

17ª Aparição – 7 de Abril
Nossa Senhora nada disse, mas verificou-se nesta aparição o chamado milagre da vela. A vela benta, que Bernadette segurava, escorregou lhe pela mão atingindo-lhe os dedos. – Meu Deus, ela queima-se! – gritam várias pessoas. – Deixem-na estar! – ordena o Dr. Dozous. Bernadette não se queimou.

18ª Aparição -16 de Julho
Como é festa de Nossa Senhora do Carmo, a Vidente assiste à missa e comunga na igreja. À tarde sente que Deus a chama para a gruta, mas não pode aproximar-se devido à sebe e aos soldados que, por malvada ordem do governo, cercam o recinto. A menina contempla a Senhora, de além do rio e da sebe. “Não via o rio, nem as tábuas – explicará ela mais tarde. Parecia-me que, entre mim e a Senhora, não havia mais distância que nas outras vezes. Só a via a Ela. Nunca a vi tão bela”. Foi o último adeus da Senhora até ao céu.

 

Saúde dos enfermos
http://blog.cancaonova.com/padrejoaozinho/2009/03/26/31-saude-dos-enfermos/

Algumas palavras são muito ricas de significados. A palavra “cura”, por exemplo, pode significar a solução para um mal que aflige o nosso corpo ou também o “cuidado” que umamãe tem por seu filho. Podemos dizer que Maria “cuida” de cada um de nós, ou seja, ela nos “cura”. É isso mesmo. Certa vez entrei em um hospital e havia na parede uma lista de nomes com a inscrição “Conselho Curador”. Perguntei se eram os médicos daquela casa. A recepcionista respondeu prontamente: “- Não, padre, são os nossos benfeitores e o grupo que cuida deste hospital”. Entendi que cuidar e curar é a mesma coisa. Há crianças que, quando estão um pouco doentes, ficam boas só de encontrar o refúgio no colo materno. Cheiro de mãe cura. Infelizmente, nos dias de hoje, não podemos dizer isso de todas as ães. Mas tems uma mãe no céu que sempre está pronta para nos dar seu colo, seu cuidado, sua cura. Você já ouviu falar de São João Maria Vianei? É o padrono de todos os párocos. Ele é cconhecido também como Santo Cura D’Ars. Sabe por quê? Ele era o pároco da pequena cidade francesa de Ars. Ali, como se dizia na época, ele era  “cura das almas”. Ou seja, ele “cuidava” do rebanho do Senhor. Mais uma vez vemos que cura é cuidado. Quem sabe cuidar das pessoas está colaborando com a sua cura. É por isso que chamamos Maria de “Saúde dos Enfermos”. Ela é mãe de todas as mães e cuida de nós… e cura cada um de nós. Quer saúde? Procure o colo de Maria.

A palavra “saúde” também tem raízes de vários significados. Salutar pode ignificar saudável ou salvífico. Quando Jesus realizava curas, na verdade estava fazendo o silencioso sermãode anunciar um Reino onde não haverá doenças, nem pranto, nem dor: o Reino nos céus, da salvação. Quando perguntaram se ele era de fato o Messias, ao invés de fazer um discurso ele simplesmente mandou olhar os sinais de vida que estavam acontecendo. Paralíticos andando, cegos vendo, leprosos purificados! O Reino havia chegado. É sempre assim. O Reino dos céus está no meio de nós, mas aguardamos sua plenitude para um dia junto de Deus.

Uma ocasião Jesus curou dez leprosos de uma vez. Somente um voltou para agradecer. Este recebeu o elogio de Jesus: “- Vai em paz, tua fé te salvou”. Viu o detalhe? Nove foram curados. Somente um foi salvo, porque mudou de vida. São tantos milagres que Deus realiza todos os dias. Alguns deles são realmente incríveis. Até os médicos ficam admirados com algumas curas que para a medicina seriam impossíveis. Mas será que todos estes estarão no céu? Este já é um outro discurso. Precisamos corresponder aos dons de Deus. Neste sentido, Maria não quer apenas a nossa cura física, sem somente a saúde do nosso corpo. Ela quer colaborar com a nossa saude eterna, ou seja, com a nossa salvação.

Ao enviar seus apóstlos em missão, Jesus lhes deu o poder de curar toda espécie de doença (Mc 16,18). De modo ainda mais sublime, Maria recebeu este ministério. Não erra quem se consagra aos cuidados da Mãe de Deus. Ela é realmente a “saúde dos enfermos”. A Igreja repete esta mesma invocação na celebração litúrgica da Unção dos Enfermos. Antes de ungir o doente, pedimos a intercessão da mãe.

Conheço muitos doentes que vivem o ministério da dor em uma cama de hospital. Como faz bem aquela visita serena e pacífica! Visitar os doentes é uma obra de misericórdia. Em cada um deles encontramos a face desfigurada do próprio Cristo sofredor. Devemos ser portadores desta boa notícia de cura e salvação. Levemos conosco  exemplo de Maria, saúde dos enfermos. Uma boa idéia é levar uma pequena estampa ou até um terço abençoado para aquele doente. Quem está enfermos precisa segurar na mãe de alguém. O terço é um jeito de segurar nas mãos de Maria, que nos leva até o Coração de seu Filho, aonde encontramos refúgio seguro.

Saúde dos enfermos, rogai por nós!

 

Santíssimo Nome de Maria
O Nome  de Maria é nome de salvação para os regenerados, sinal de todas as virtudes, honra da castidade; é o sacrifício agradável a Deus; é a virtude da hospitalidade; é a escola de santidade;  é, enfim, um nome completamente maternal.  

O nome de Maria é como um bálsamo que corre agradavelmente sobre os membros dos enfermos e os penetra com eficácia. Ele é semelhante a este óleo que, por suas unções, reanima e suaviza, dá força, flexibilidade e saúde. Mais do que o nome de todos os Santos. O de Maria nos repousa de nossas fadigas, cura todos os nossos males, ilumina nossa cegueira, comove nosso endurecimento e nos encoraja em nossos desânimos. Maria é a vida e a respiração de seus servidores, a saúde dos enfermos, o remédio dos pecadores. Ricardo de São Vítor, interpretando estas palavras do Eclesiastes (VII, 2): “É melhor o bom nome do que os bálsamos preciosos”, as aplica assim à Bem-aventurada Virgem: “O nome de Maria cura os males do pecador com maior eficácia do que a dos unguentos mais procurados; não há doença, por desastrosa que seja, que não ceda imediatamente à voz desse bendito nome”.

O nome de Maria abre o coração de Deus e põe todos os  seus tesouros à disposição da  alma que o invoca.

Nosso Divino Salvador, se não me engano, no-lo quis recomendar quando, ressuscitando dos mortos, o primeiro nome que aflorou em seus lábios foi o de Maria.

Com efeito, dirigindo-se à Madalena, a primeira a quem Ele aparecia após sua Ressurreição, disse-lha (Jo XX, 16): “Maria”, para nos significar que o nome de Maria encerra a vida em si mesmo, e se harmoniza tão bem com a vida imortal, que merece ser o primeiro a sair da boca do Salvador, já em possessão da imortalidade. Esta reflexão é de Cesário, em sua bomilia sobre a Visitação.

Nome que desarma e abre o coração de Deus, em favor dos homens  
E acrescentamos com o Pe. J. Guibert, que assim se expressa na sua Meditação para a festa do Santo Nome de Maria: “O nome de Maria desarma o coração de Deus. Não há pecador, por mais criminoso, que pronuncie em vão esse nome. Embora merecesse, por suas faltas, todas as cóleras do céu, ele se vê protegido como por inviolável pára-raios, logo que articule o nome de Maria.

A este nome, o perdão desce infalivelmente sobre as almas pecadoras, não porque tenha Ela o direito de concedê-lo, mas porque é onipotente para implorá-lo – Omnipotentia suppex. O nome de Maria abre o coração de Deus e põe todos os seus tesouros à disposição da alma que o invoca.

A História nos ensina que uma multidão de Santo caridosos fizeram voto de jamais recusar a esmola que lhes fosse pedida em tal ou tal nome. Assim que ouviam o nome amada, eles davam, davam sempre, até o último óbulo e até suas próprias vestimentas. O nome de Maria tem esse poder mágico sobre o coração de Deus. Deus Filho, Jesus Cristo, entrega tudo o que tem àqueles que Lhes estendem a mão em nome de sua Mãe; Deus Padre, fonte de toda riqueza, concede toda graça àqueles que mendigam diante dEle invocando o nome de sua Filha Bem-amada. (…)

Nome de salvação e de alegria  
O nome de Maria é um nome salvador, sobretudo nos perigos de ordem moral. Quantas tentações por ele foram vencidas, quantos pecados evitados, quantos imundos corações purificados, quantas penosas confissões extraídas de almas que se cria para sempre fechadas!   É também um nome de consolação e de alegria. Ele dissipa a tristeza na alma que o pronuncia. Tendes medo de Deus e de seus julgamentos? Pensai em Maria e invocai seu nome: vossa confiança em Deus renascerá. Tendes medo dos homens, diante dos quais vos cobristes de vergonha e perdestes a reputação? Pensai em Maria e invocai seu nome: e não tereis mais receio de levantar os olhos diante de vossos semelhantes. Esmaga-vos o peso da humilhação ou da dor física? Pensai em Maria, invocai seu nome, e sereis aliviado. Tendes a horrível morte que rompe e põe fim a tudo? Pensai em Maria, invocai seu nome, e tereis coragem de aceitar esse supremo sacrifício.

“Este nome tem mais virtude do que todos os nomes dos Santos para confortar os débeis, curar os enfermos, iluminar os cegos, abrandar os corações endurecidos, fortificar  os que  combatem, dar ânimo aos cansados e derrubar o poderio dos demônios”

Nome de força  
O nome de Maria, enfim, é um nome de força. Quaisquer que sejam os inimigos que vos ameaçam, venham eles do Inferno, como o demônio que vos tenta; ou venham do mundo, como os adversários que vos perseguem, invocai o poderoso nome de Maria e a todos vencereis.

Quaisquer que sejam vossas próprias fraquezas, provenham elas do orgulho, da inveja, da sensualidade ou da preguiça, confiai vosso débil coração à solicitude da Virgem, invocai o poderoso nome de Maria, e vos vencereis a vós mesmos.

Precioso tesouro da Santíssima Trindade  
Recolhendo opiniões dos santos Doutores sobre o nome de Maria, traça São João Eudes esta admirável síntese:

“O nome de Maria, diz Santo Antônio de Pádua, é júbilo para o coração, mel na boca e doce melodia no ouvido.”

“Bem-aventurado o que ama vosso nome, ó Maria (é São Boaventura quem fala), porque este santo nome é uma fonte de graça que refresca a alma sedenta e a faz produzir frutos de justiça.”

“Ó Mãe de Deus, diz o mesmo Santo, que glorioso e admirável é vosso nome. O que o leva em seu coração se verá livre do medo da morte. Basta pronunciá-lo para fazer tremer a todo inferno e por em fuga a todos os demônios. O que deseja possuir a paz e a alegria do coração, que honre vosso santo nome.”

“O nome de Maria, diz São Pedro Crisólogo, é nome de salvação para os regenerados, sinal de todas as virtudes, honra da castidade; é o sacrifício agradável a Deus; é a virtude da hospitalidade; é a escola de santidade; é, enfim, um nome completamente maternal.”

“Ó amabílissima Maria, exclama também São Bernardo, vosso santo nome não pode passar pela boca sem abrasar o coração! Os que Vos amam não podem pensar em Vós, sem um consolo e um gozo muito particulares. Nunca entrais sem doçura na memória dos que Vos honram.”

“Ó Maria, diz o Santo Abade Raimundo Jordão, o chamado Idiota, a Santíssima Trindade Vos deu um nome que, depois do de vosso Filho, está acima de todos os nomes; nome a cuja pronunciação devem dobrar o joelho todas as criaturas do Céu, da terra e do Inferno, e toda língua confessar e honrar a graça, a glória e a virtude do santo nome de Maria. Porque, depois do nome de vosso Filho, não há quem seja tão poderoso para nos assistir em nossas necessidades, nem de quem devamos esperar mais os socorros que necessitamos para nossa eterna salvação.”

“Este nome tem mais virtude do que todos os nomes dos Santos para confortar os débeis, curar os enfermos, iluminar os cegos, abrandar os corações endurecidos, fortificar os que combatem, dar ânimo aos cansados e derrubar o poderio dos demônios” (…).

“Ouçamos a São Germano de Constantinopla: “Como a respiração, diz, não só é o sinal como também a causa da vida, assim quando vedes cristãos que tem com frequência o santo nome de Maria na boca, é sinal de que estão vivos com a verdadeira vida. O afeto particular que se tem a este sagrado nome, dá vida aos mortos, a conserva nos vivos, e os enche de gozo e de benção.”

O nome de Maria é um nome salvador, sobretudo  nos perigos de ordem moral. Quantas tentações por ele  foram vencidas, quantos pecados evitados,  quantos imundos corações   purificados, quantas penosas confissões  extraídas  de almas que se cria  para sempre fechadas!

Numa palavra, quem diz Maria, diz o mais precioso tesouro da Santíssima Trindade, como afirma Orígenes.

Quem diz Maria, diz o mais admirável ornamento da casa de Deus. Quem diz Maria, diz a glória, o amor e as delícias do Céu e da Terra.

Nome terrível para os demônios 
Concluímos com estas fervorosas palavras do venerável Tomás de Kempis, a respeito do glorioso nome da Mãe de Deus:

Os espíritos malignos tremem ante a Rainha dos Céus, e fogem como se corre do fogo, ao ouvir seu santo nome. Causa-lhes pavor o santo e terrível nome de Maria, que para o cristão é um extremo amável e constantemente celebrado.

Não podem os demônios comparecer nem poder por em jogo suas artimanhas onde vêem resplandecer o nome de Maria. Como trovão que ressoa no céu, assim caem derrubados ao ouvirem o nome de Santa Maria. E quanto mais amiúde se profere este nome, e mais fervorosamente se invoca, mais céleres e para mais longe escapam.

Nome a ser continuamente invocado  
De outro lado, os Santos Anjos e os espíritos dos justos se alegram e se deliciam com a devoção dos fiéis, ao verem com quanto afeto e frequência celebram estes a memória de Santa Maria, cujo glorioso nome aparece em todas as igrejas do orbe, que tem especialmente consagradas a seu louvor. E é justo e digno que acima de todos os Santos seja honrada na Terra a Mãe de Deus, a quem os Anjos veneram todos a uma só voz, com sublimes cânticos.

Seja, pois, o nome de Maria venerado por todos os fiéis, sempre amado pelos devotos, vinculado aos religiosos, recomendado aos seculares, anunciado pelos pregadores, infundindo aos atribulados, invocado em toda sorte de perigos. É desejo de Deus que os homens amem a Nossa Senhora.

É desejo de Deus que os homens amem a Nossa Senhora   Devemos amar a Santíssima Virgem – escreve Santa Antônio Maria Claret – porque Deus o quer. (…) Ele próprio nos dá exemplo e nos incita a amar a Maria: O Padre Eterno A escolheu por Filha sua muito amada; o Filho Eterno A tomou por Mãe, e o Espírito Santo, por Esposa. Toda a Santíssima Trindade A coroou como Rainha e Imperatriz do Céu e da terra, e A constituiu dispensadora de todas as graças (…)

Devemos amar a Maria Santíssima porque Ela o merece, pelo cúmulo de graças que recebeu sobre a Terra, pela eminência da glória que possui no Céu, pela dignidade quase infinita de Mãe de Deus a que foi exaltada, e pelas prerrogativas inerentes a esta sublime dignidade. (…) Devemos amar a Maria Santíssima e ser seus devotos verdadeiros, porque a devoção a Ela é um meio poderosíssimo para alcançar a salvação.

Bem-aventurados os que amam a Maria
Feliz, feliz aquele que Vos ama, ó Maria, Mãe dulcíssima” – exclama Santo Afonso de Ligório. São João Berchmans, da Companhia de Jesus, costumava dizer: Se amo a Maria, estou certo da minha perseverança e de Deus obtenho tudo o que quiser. Renovava por isso sem cessar este propósito: Quero amar a Maria, quero amá-La sempre.

Oh! como esta boa Mãe excede em amor a todos os seus filhos! Amem-Na estes quanto puderem, sempre serão vencidos pelo amor que lhes consagra Maria, observa Pseudo-Inácio, mártir.

Tenham-lhe a mesma ternura de amor com que A tem amado tantos de seus servos, que já nem sabiam o que mais fazer como prova muito que Lhe bem-queriam. (…)

O nome de Maria cura os males do pecador com maior eficácia do que a dos unguentos mais procurados; não há doença, por desastrosa que seja, que não ceda  imediatamente à voz desse bendito nome”.

Estava uma vez ao pé de uma imagem de Maria o Venerável Afonso Rodriguez, da Companhia de Jesus. Abrasado de amor para com a Santíssima Virgem, disse-lhe: Minha Mãe amabilíssima, bem sei que Vós me amais; mas Vós não me quereis tanto quanto eu Vos amo. Então, Maria, como que ofendida em seu amor, lhes respondeu: Que dizes, Afonso, que dizes? Oh! Quanto é maior o meu amor por ti do que o teu por Mim! Sabe, lhe disse, que do meu amor ao teu há mais distância do que do céu à Terra.

Tem, pois, razão São Boaventura ao exclamar: Bem-aventurados aqueles que tem a felicidade de ser fiéis servos e amantes desta Mãe amantíssima! Sim, porque esta gratíssima Rainha não admite que em amor A vençam os seus devotos servidores. Maria, imitando nisto a Nosso Senhor Jesus Cristo, com seus benefícios e favores dá a quem A ama o seu amor duplicado.

Ao amor de Mãe, deve corresponder nosso amor de filhos   Sendo assim, ao amor de Mãe que nos tem Maria, devemos corresponder com nosso amor de filhos. Pois é justo que nosso coração se mostre conquistado pelo seu. Se nós A amamos, devemos nos comprazer com sua lembrança, falar dEla com agrado e obedecê-La com diligência (…)

Devemos nos esforçar por imitá-La. A mais bela homenagem que um filho pode render à sua mãe é de lhe reproduzir os traços em sua própria conduta. Que nosso coração, portanto, seja semelhante ao de Maria. Antes de tudo, que ele seja puro como o dEla; evitemos, pois, a imundície do pecado. Que nosso coração seja bom e terno como o dEla; compassivo, acolhedor, benévolo, generoso. Portanto, que nada exista de duro em nossos pensamentos nem em nossas palavras, em relação ao nosso próximo.

Enfim, que nosso coração seja forte, como o dEla, indomável quando se trata da salvação das almas, não abandonando jamais o terreno, quando nos tenha sido confiado o regate de uma alma, trabalhando para isto com o perigo de nossa própria vida. Portanto, nada dessas timidezes que se recusam a abordar as almas, nada de covardias que recuam diante dos dificuldades.

(Clá Dias, João – Pequeno Ofício da Imaculada Conceição Comentado, Artpress, São Paulo, 1997, p. 299 à 304)

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