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Deus não nos identifica com o mal que cometemos

Papa Francisco durante Angelus deste domingo – REUTERS

Cidade do Vaticano (RV) – O Papa Francisco rezou o oração mariana do Angelus, deste domingo (13/3/2016), com os fieis e peregrinos reunidos na Praça São Pedro.
Na alocução que precedeu a oração, o pontífice frisou que “o evangelista João apresenta o episódio da mulher adúltera, evidenciando o tema da misericórdia de Deus que não quer a morte do pecador, mas que se converta e viva”.
“A cena se realiza na esplanada do templo. Jesus está ensinando às pessoas e eis que chegam alguns escribas e fariseus que arrastam diante Dele uma mulher que tinha sido pega em adultério. Esta mulher se encontra ali, entre Jesus e a multidão, entre a misericórdia do Filho de Deus e a violência, a raiva de seus acusadores. Na realidade, eles não foram ao Mestre para pedir-lhe o seu parecer, mas para fazer-lhe uma armadilha. De fato, se Jesus seguir a severidade da lei, aprovando a lapidação da mulher, perderá a sua fama de mansidão e bondade que tanto fascina o povo; se ao invés for misericordioso, irá contra a lei que Ele mesmo disse não querer abolir, mas cumprir.”
Segundo Francisco, “esta má intenção se esconde debaixo da pergunta que eles fazem a Jesus: ‘E tu, o que dizes?’ Jesus não responde, se cala e realiza um gesto misterioso: ‘Inclinou-se e começou a escrever no chão com o dedo’. Desta maneira, convida todos à calma, a não agir de impulso e procurar a justiça de Deus. Mas aqueles, maus,  insistem e esperam dele uma resposta. Parece que tinham sede de sangue. Então, Jesus levanta o olhar e diz: ‘Quem de vocês não tiver pecado, atire-lhe a primeira pedra’.”
“Esta resposta abala os acusadores, desarma todos no verdadeiro sentido da palavra: Todos depuseram as armas, ou seja, as pedras prontas para serem lançadas, tanto aquelas visíveis contra a mulher, quanto as pedras escondidas contra Jesus. Enquanto o Senhor continua escrevendo no chão, os acusadores vão embora um por um, com a cabeça baixa, começando pelos idosos, mais conscientes de não serem sem pecado.”
“Quanto bem nos fará ser conscientes de que também nós somos pecadores! Quando falamos mal dos outros e todas essas coisas que nós conhecemos! Quanto bem nos fará ter a coragem de fazer cair no chão as pedras que lançamos contra os outros e pensar um pouco em nossos pecados”, sublinhou o Papa.
“Permaneceram ali a mulher e Jesus: a miséria e a misericórdia, uma diante da outra. Quantas vezes isso nos acontece, quando nos detemos diante do confessionário, com vergonha, para mostrar a nossa miséria e pedir perdão? ‘Mulher, onde estão eles?’, disse Jesus. Basta esta constatação e o seu olhar cheio de misericórdia, cheio de amor para fazer aquela pessoa sentir, talvez pela primeira vez, que tem uma dignidade, que ela não é o seu pecado, ela tem uma dignidade de pessoa, que pode mudar de vida, pode sair daquelas escravidões e caminhar numa estrada nova”, disse ainda o pontífice.
Francisco destacou que “aquela mulher representa todos nós que somos pecadores, ou seja, adúlteros diante de deus, traidores de sua fidelidade. A sua experiência representa a vontade de Deus para cada um de nós: não a nossa condenação, mas a nossa salvação através de Jesus. Ele é a graça que salva do pecado e da morte. Ele escreveu no chão, no pó do qual é formado todo ser humano, a sentença de Deus: Não quero que morra, mas que tenha vida.”
Segundo o pontífice, “Deus não nos prega ao nosso pecado, não nos identifica com o mal que cometemos. Temos um nome e Deus não identifica esse nome com o pecado que cometemos. Ele quer nos libertar e quer que também nós queiramos junto com Ele. Quer que a nossa liberdade se converta do mal para o bem, e isso é possível com a sua graça”.
O Papa concluiu pedindo à Virgem Maria que nos ajude a confiar-nos completamente à misericórdia de Deus para nos tornar novas criaturas. (MJ)

A Igreja não precisa de dinheiro sujo

Quarta-feira, 2 de março de 2016, Jéssica Marçal / Da Redação

Falando de misericórdia e correção, Papa frisou que Deus corrige com amor, não quer sacrifícios; a Igreja não precisa de dinheiro sujo, disse como exemplo

O Papa Francisco dedicou a catequese desta quarta-feira, 2, ao tema “misericórdia e correção”. Ele falou de Deus como o pai que ama e, justamente por isso, corrige seus filhos quando necessário.

Mas o caminho da misericórdia divina é aquele da correção afetuosa, que deixa a porta aberta à esperança. Francisco explicou que Deus não quer sacrifícios rituais, mas sim indica o caminho da justiça; como diz o profeta Isaías, a Deus não agrada o sangue de touros e cordeiros, sobretudo se a oferta é feita com as mãos sujas com o sangue dos irmãos.

Nesse ponto, o Papa fez uma crítica a algumas pessoas que fazem doações à Igreja mas com “dinheiro sujo”. “Penso em alguns benfeitores da Igreja, com boas ofertas, mas esta oferta é fruto de tanta gente explorada, maltratada, escravizada com o trabalho mal pago. Eu digo a estas pessoas: levem de volta este cheque, queime-o. O povo de Deus, isso é, a Igreja, não precisa de dinheiro sujo, mas de corações abertos à misericórdia de Deus”.

O Pai afetuoso que não renega seus filhos

A reflexão da catequese veio da leitura do livro do profeta Isaías, em que Deus, como pai afetuoso e atento, dirige-se a Israel acusando-o de infidelidade e corrupção para levá-lo de volta ao caminho da justiça.

“Deus, mediante o profeta, fala ao povo com a amargura de um pai desiludido: fez os filhos crescerem e agora eles se rebelaram contra Ele”. Mas mesmo ferido, Deus deixa o amor falar e apela à consciência de seus filhos para que se regenerem, explicou o Papa. Essa é a missão educativa dos pais, fazer os filhos crescerem na liberdade, responsáveis, capazes de fazer obras boas para si e para os outros. Mas por causa do pecado, a liberdade se torna pretensão de autonomia e orgulho, ressaltou Francisco, e por isso Deus apela à consciência de seu povo.

“Deus nunca nos renega, nós somos o seu povo. O mais maldoso dos homens, a mais maldosa das mulheres, o mais maldoso dos povos são seus filhos. E esse é Deus: nunca nos renega! Diz sempre: ‘filho, vem’. E esse é o amor do nosso Pai; essa misericórdia de Deus. Ter um pai assim nos dá esperança, confiança”.

O Papa enfatizou que onde se rejeita Deus não há vida possível, mas mesmo esse momento doloroso acontece em vista da salvação: a provação é dada para que o povo experimente a amargura de quem abandona Deus. “O sofrimento, consequência inevitável de uma decisão autodestrutiva, deve fazer o pecador refletir para abri-lo à conversão e ao perdão (…) Este é o caminho da misericórdia divina”.

A misericórdia de Deus leva à verdadeira justiça

Quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016, Jéssica Marçal / Da Redação

Na catequese de hoje, Papa levou aos fiéis o conforto da misericórdia de Deus, que leva à verdadeira justiça e quer a salvação de todos

Deus é misericórdia infinita e justiça perfeita, não quer a condenação de ninguém, mas a salvação de todos. Essas foram palavras do Papa Francisco na catequese desta quarta-feira, 3, na Praça São Pedro.

O Santo Padre explicou que pode parecer uma realidade contraditória Deus ser misericórdia e justiça, mas não existe contradição. “É justamente a misericórdia de Deus leva ao cumprimento da verdadeira justiça”.

Não se trata, disse o Papa, da justiça dos tribunais; esse caminho não leva à verdadeira justiça porque não vence o mal. “Só respondendo com o bem que o mal pode ser realmente vencido”.

Já a Bíblia indica o caminho-mestre a percorrer para fazer justiça: prevê que a vítima se dirija diretamente ao culpado para convidá-lo à conversão, ajudando a entender que está fazendo o mal, apelando à sua consciência. “O coração se abre ao perdão que lhe é oferecido”, disse o Papa, acrescentando que este é o modo de resolver os contrastes dentro das famílias, nas relações entre pais e filhos.

Deus e o pecador

O Pontífice reconheceu que este é um caminho difícil, requer que a pessoa que sofreu o mal esteja disposta a perdoar e deseje o bem e a salvação de quem o ofendeu. “Mas somente assim a justiça pode triunfar, porque se o culpado reconhece o mal feito e deixa de fazê-lo, não tem mais o mal e aquele que era injusto se torna justo, porque perdoado e ajudado a retomar o caminho do bem”.

É assim que Deus age com o pecador, afirmou o Papa. Deus oferece o seu perdão e ajuda o homem a acolhê-lo, a tomar consciência do mal para poder libertar, porque Deus não quer a condenação, mas a salvação. “Deus não quer a condenação de ninguém, de ninguém. Alguém poderia me dizer: ‘mas, padre, a condenação de Pilatos foi merecida, Deus a queria. Não, Deus queria salvar Pilatos, também Judas, todos. Ele, o Senhor da Misericórdia, quer salvar todos, o problema é deixar que Ele entre no coração”.

Padre, figura do Pai no confessionário

O coração de Deus, conforme lembrou Francisco, é um coração de Pai que ama e quer que seus filhos vivam no bem e na justiça. “Um coração de Pai que vai além do nosso pequeno conceito de justiça para nos abrir aos horizontes sem fim da sua misericórdia. Um coração de Pai que não nos trata segundo os nossos pecados e não nos repara segundo as nossas culpas”.

É precisamente um coração de Pai que as pessoas buscam quando vão ao confessionário, observou o Papa. Lá elas querem encontrar um pai que ajude a mudar de vida, que dê a força de ir adiante, que perdoe em nome de Deus. “Por isso, ser confessor é uma responsabilidade tão grande, tão grande, porque aquele filho ou filha que vem a você só quer encontrar um pai. E você, padre, que está ali no confessionário, está ali no lugar do Pai que faz justiça com a sua misericórdia”.

Transmitir a misericórdia de Deus é missão comum aos cristãos

Quarta-feira, 20 de janeiro de 2016, Jéssica Marçal / Da Redação

Na catequese de hoje, Papa falou da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, enfatizando a partilha do Batismo e a missão de levar a misericórdia de Deus

A catequese do Papa Francisco nesta quarta-feira, 20, foi dedicada à unidade entre os cristãos, tendo em vista que na Itália e em alguns outros países se celebra a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos desde segunda-feira, 18. Sem se distanciar do ciclo de catequeses sobre misericórdia, Francisco enfatizou que transmitir a misericórdia de Deus aos outros é uma missão comum aos cristãos.

O Santo Padre explicou que nesta Semana, os cristãos são convidados a redescobrir a graça do Batismo, um dos pontos de unidade, e ir além das divisões. Segundo ele, partilhar o Batismo significa reconhecer que todos são pecadores e precisam de salvação. O Batismo chama os cristãos ao encontro com o Deus vivo, cheio de misericórdia, acrescentou.

Francisco reconheceu que todos acabam fazendo a experiência do egoísmo que leva à divisão, mas partir novamente do Batismo significa reencontrar a fonte da misericórdia, que é fonte de esperança para todos, pois ninguém está excluído da misericórdia de Deus.

“A partilha dessa graça (do Batismo) cria uma ligação indissolúvel entre nós cristãos, de forma que no Batismo podemos nos considerar todos irmãos, somos povo santo de Deus mesmo que por causa de nossos pecados não sejamos um povo plenamente unido”.

Para os cristãos, acrescentou o Santo Padre, anunciar a força do Evangelho e partilhar as obras de misericórdia, corporais e espirituais, é uma experiência concreta de fraternidade. “Temos uma missão em comum que é aquela de transmitir a misericórdia recebida aos outros, partindo dos mais pobres e abandonados”.

Francisco concluiu a audiência pública com os fiéis pedindo que, nesta Semana de Oração, eles rezem para que todos os discípulos de Cristo encontrem, juntos, um modo de levar a misericórdia do Pai a todos os cantos da terra.

“Onde nasce paz, não há lugar para ódio e guerra”

Urbi et Orbi

Sexta-feira, 25 de dezembro de 2015, Da redação, com Rádio Vaticano

Na sua tradicional mensagem Urbi et Orbi,  o Papa  Francisco rezou pela  paz e recordou os conflitos existentes em diversas partes do mundo

“Onde nasce Deus, nasce a esperança, nasce a paz e floresce a misericórdia”. Essas foram as palavras iniciais do Papa Francisco na tradicional mensagem Urbi et Orbi, por ocasião do Natal. Durante a reflexão, o Pontífice rezou pela paz.

Ao recordar os tantos conflitos em andamentos nas diversas partes do mundo e as situações que ferem a dignidade humana, pediu: “Ao contemplar o presépio, fixemos o olhar nos braços abertos de Jesus, que mostram o abraço misericordioso de Deus, enquanto ouvimos as primeiras expressões do Menino que nos sussurra: A paz esteja contigo”.

Diante de milhares de fieis reunidos na Praça São Pedro e adjacências, o Papa Francisco dirigiu-se “à cidade e ao mundo” da sacada central da Basílica de São Pedro, para anunciar que “Cristo nasceu para nós (…) Ele é o dia luminoso que surgiu no horizonte da humanidade. Dia de misericórdia, em que Deus Pai revelou à humanidade a sua imensa ternura. Dia de luz que dissipa as trevas do medo e da angústia. Dia de paz, em que se torna possível encontrar-se, dialogar, reconciliar-se. Dia de alegria, Uma grande alegria para os pequenos e os humildes e para todo o povo”.

Presépio: Sinal de Deus

Francisco diz que o presépio mostra um sinal de Deus e convida todos para que, juntamente com os pastores, “prostremo-nos diante do Cordeiro, adoremos a Bondade de Deus feita carne e deixemos que lágrimas de arrependimento inundem os nossos olhos e lavem o nosso coração”.

“Ele, só Ele, pode nos salvar. Só a Misericórdia de Deus pode libertar a humanidade de tantas formas de mal, por vezes monstruosas, que o egoísmo gera nela. A graça de Deus pode converter os corações e suscitar vias de saída em situações humanamente irresolúveis”.

Ai prosseguir, o Pontífice afirma que onde nasce a paz, já não há lugar para o ódio e a guerra, e recorda que precisamente lá onde veio ao mundo o Filho de Deus feito carne, continuam tensões, violências e a paz continua um dom que deve ser invocado e construído.

“Oxalá israelenses e palestinos retomem um diálogo direto e cheguem a um acordo que permita a ambos os povos conviverem em harmonia, superando um conflito que há muito os mantém contrapostos, com graves repercussões na região inteira. Ao Senhor, pedimos que o entendimento alcançado nas Nações Unidas consiga quanto antes silenciar o fragor das armas na Síria e pôr remédio à gravíssima situação humanitária da população exausta. É urgente que o acordo sobre a Líbia encontre o apoio de todos, para se superarem as graves divisões e violências que afligem o país. Que a atenção da Comunidade Internacional se concentre unanimemente em fazer cessar as atrocidades que, tanto nos referidos países, como no Iraque, Líbia, Iêmen e na África subsaariana, ainda ceifam inúmeras vítimas, causam imensos sofrimentos e não poupam sequer o patrimônio histórico e cultural de povos inteiros”.

Atos terroristas

O Papa recordou ainda as vítimas dos hediondos atos terroristas, em particular pelos massacres recentes ocorridos no Egito, em Beirute, Paris, Bamaco e Túnis. Francisco pede também consolação e força ao Menino Jesus para os cristãos perseguidos em muitas partes do mundo por causa de sua fé. “São os mártires de hoje”.

Diálogo

O fortalecimento do diálogo na República Democrática do Congo, no Burundi e no Sudão do Sul foi ressaltado pelo Papa, “em prol da edificação de sociedades civis animadas por sincero espírito de reconciliação e compreensão mútua”.

O Papa referiu-se também à Ucrânia, pedindo que a verdadeira paz “inspire a vontade de cumprir os acordos assumidos para se restabelecer a concórdia no país inteiro” e que ilumine os esforços do povo colombiano, para que “continue empenhado na busca da desejada paz.

Dignidade humana

Francisco recordou também a existência de homens e mulheres que estão privados da sua dignidade humana e, como o Menino Jesus, sofrem o frio, a pobreza e a rejeição dos homens. “Chegue hoje a nossa solidariedade aos mais inermes, sobretudo às crianças-soldado, às mulheres que sofrem violência, às vítimas do tráfico de seres humanos e do narcotráfico”.

O drama das milhares de pessoas que viajam em condições desumanas, arriscando a própria vida em busca de segurança e de uma esperança também foram recordados por Francisco.

“Sejam recompensados com abundantes bênçãos quantos, indivíduos e Estados, generosamente se esforçam por socorrer e acolher os numerosos migrantes e refugiados, ajudando-os a construir um futuro digno para si e seus entes queridos e a integrar-se nas sociedades que os recebem”.

Desempregados

O Santo Padre também pediu que o Senhor dê esperança aos desempregados e sustente “o compromisso de quantos possuem responsabilidades públicas no campo político e econômico, a fim de darem o seu melhor na busca do bem comum e na protecção da dignidade de cada vida humana”.

Misericórdia

Ao falar da misericórdia, o Papa dirigiu-se aos encarcerados. “Onde nasce Deus, floresce a misericórdia. Este é o presente mais precioso que Deus nos dá, especialmente neste ano jubilar em que somos chamados a descobrir a ternura que o nosso Pai celeste tem por cada um de nós. O Senhor conceda, particularmente aos encarcerados, experimentar o seu amor misericordioso que cura as feridas e vence o mal”.

“E assim hoje e juntos, exultemos no dia da nossa salvação, fixando o olhar nos braços abertos de Jesus no presépio, que nos mostra o abraço misericordioso de Deus”. Francisco proclama: “A paz esteja contigo”, e após concedeu a todos sua Bênção com a Indulgência Plenária na forma prevista pela Igreja.

Feliz Natal

Ao concluir, Francisco dirigiu-se a todos os presentes na Praça São Pedro e àqueles que o acompanhavam pelos meios de comunicações, para desejar as suas mais cordiais felicitações de Natal.

“É o Natal do Ano Santo da Misericórdia, por isto, desejo a todos que possa acolher na própria vida a misericórdia de Deus, que Jesus Cristo nos deu, para sermos misericordiosos com os nossos irmãos. Assim, faremos crescer a paz.”

Quem não perdoa não é cristão, diz Papa

Quinta-feira, 10 de setembro de 2015, Da redação, com Rádio Vaticano

Em sua homilia, Papa Francisco frisou que o estilo de Jesus é a misericórdia, e que portanto, os cristãos devem perdoar

O Papa Francisco desenvolveu sua homilia na missa da manhã desta quinta-feira, 10, na Casa Santa Marta, sobre a paz e a reconciliação. O Pontífice condenou os que produzem armas para matar nas guerras, mas também chamou a atenção para os conflitos dentro das comunidades cristãs, e fez mais uma nova exortação aos sacerdotes a serem misericordiosos como é o Senhor. “Jesus é o Príncipe da Paz, porque gera paz em nossos corações.” E imediatamente perguntou se “nós agradecemos por este dom da paz que recebemos em Jesus”. A Paz, disse, “foi feita, mas não foi aceita”.

O Papa chamou a atenção para as notícias que temos recebido todos os dias nos jornais sobre as guerras, destruições, ódio e inimizades. “Há homens e mulheres que trabalham muito – trabalham muito! – para fazer armas para matar, armas que no fim se banham no sangue de tantas pessoas inocentes, de tanta gente. Há guerras! Há guerras e existe a maldade na preparação da guerra, de produzir armas contra os outros, para matar!” e destacou que a paz salva, nos faz viver e crescer, enquanto a guerra nos aniquila, nos rebaixa.

Quem não sabe perdoar, não é cristão

Francisco acrescentou que a guerra não é só essa. Que a guerra está também nas comunidades cristãs, e o conselho que a liturgia dá hoje aos fiéis é: fazer a paz. Assim como o Senhor perdoa, devem fazer assim também. “Se você não sabe perdoar, você não é um cristão. Você vai ser um homem bom, uma boa mulher … Mas, se você não perdoar, você não pode receber a paz do Senhor, o perdão do Senhor. E todos os dias, quando rezamos o Pai Nosso: Perdoai-nos assim como nós perdoamos … ‘ é um condicional. Procuramos convencer Deus de que somos bons, como nós somos bons perdoando. Palavras, não? Como se cantava naquela bela canção: ‘Palavras, palavras, palavras, certo?’ (Acho que Mina a cantava …) Palavras! Perdoem-se! Como o Senhor os perdoou, assim façam entre vocês”.

A língua destrói, faz a guerra

Há necessidade de “paciência cristã”, disse o Papa. “Quantas mulheres heróicas existem no nosso povo – disse – que suportam pelo bem da família, dos filhos tantas brutalidades, tantas injustiças: suportam e vão em frente com a família”. Quantos homens “heróicos existem em nosso povo cristão – continuou ele – que suportam se levantar de manhã cedo e ir para o trabalho – muitas vezes um trabalho injusto, mal pago – para voltar só à noite, para manter sua esposa e filhos. Estes são os justos”. Mas, advertiu, há também aqueles que “fazem trabalhar a língua e fazem a guerra”, porque “a língua destrói, faz a guerra!” Há outra palavra-chave, disse em seguida Francisco, “que é dita por Jesus no Evangelho”: “misericórdia”. É importante “compreender os outros, e não condená-los”. E disse aos sacerdotes que sejam misericordiosos, não “batam nas pessoas no confessionário. “Se você é um sacerdote e não se sente misericordioso, diga ao bispo para lhe dar um trabalho administrativo, não vá ao confessionário, por favor! Um sacerdote que não é misericordioso é um mal confessor! Dá bordoadas nas pessoas. ‘Não, papa, eu sou misericordioso, mas estou um pouco nervoso …’. “É verdade … Antes de ir ao confessionário vá ao médico para dar-lhe uma pílula contra os nervos! Mas seja misericordioso!’.

E mesmo entre nós, devemos ser misericordiosos. ‘Mas é ele que fez isso … eu o que fiz?’; ‘Aquele é mais pecador do que eu!’: quem pode dizer isso, que o outro é mais pecador do que eu? Nenhum de nós pode dizer isso! Só o Senhor sabe”.

Como ensina São Paulo, evidenciou em seguida o Papa, é necessário se vestir de “sentimentos de ternura, bondade, humildade, mansidão e paciência”. Este, disse Francisco, “é o estilo cristão”, “o estilo com o qual Jesus fez a paz e a reconciliação”. “Não é o orgulho, não é a condenação, não é falar mal dos outros”. Que o Senhor, concluiu, “nos conceda a todos a graça de nos suportarmos uns aos outros, de perdoar, de sermos misericordiosos, como o Senhor é misericordioso para conosco”.

Santo Evangelho (Mt 23, 23-26)

21ª Semana Comum – Terça-feira 25/08/2015

Primeira Leitura (1Ts 2,1-8)
Leitura da Primeira Carta de São Paulo aos Tessalonicenses.

1Bem sabeis, irmãos, que nossa vinda até vós não foi em vão. 2Apesar de maltratados e ultrajados em Filipos, como sabeis, encontramos em Deus a coragem de vos anunciar o Evangelho, em meio a grandes lutas. 3A nossa exortação não se baseia no erro, na ambiguidade ou no desejo de enganar. 4Ao contrário, uma vez que Deus nos achou dignos, a ponto de nos confiar o Evangelho, falamos não para agradar aos homens, mas a Deus, que examina os nossos corações. 5Bem sabeis que nunca usamos palavras de adulação, nem procedemos movidos por dis­farçada ganância. Deus é testemunha disso. 6E também não procuramos elogios humanos, nem da parte de vós, nem de outros, 7embora pudéssemos fazer valer a nossa autoridade de apóstolos de Cristo. Foi com muita ternura que nos apresentamos a vós, como uma mãe que acalenta os seus filhinhos. 8Tanto bem vos queríamos, que desejávamos dar-vos não somente o Evangelho de Deus, mas até a própria vida; a tal ponto chegou a nossa afeição por vós.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Responsório (Sl 95)

— Senhor, vós me sondais e me conheceis.
— Senhor, vós me sondais e me conheceis.

— Senhor, vós me sondais e me conheceis, sabeis quando me sento ou me levanto; de longe penetrais meus pensamentos, percebeis quando me deito e quando eu ando, os meus caminhos vos são todos conhecidos.

— A palavra nem chegou à minha língua, e já, Senhor, a conheceis inteiramente. Por detrás e pela frente me envolveis; pusestes sobre mim a vossa mão. Esta verdade é por demais maravilhosa, é tão sublime que não posso compreendê-la.

 

Evangelho (Mt 23,23-26)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, disse Jesus: 23Ai de vós, mestres da Lei e fariseus hipócritas! Vós pagais o dízimo da hortelã, da erva-doce e do cominho, e deixais de lado os ensinamentos mais importantes da Lei, como a justiça, a misericórdia e a fidelidade. Vós deveríeis praticar isto, sem contudo deixar aquilo. 24Guias cegos! Vós filtrais o mosquito, mas engolis o camelo. 25Ai de vós, mestres da Lei e fariseus hipócritas! Vós limpais o copo e o prato por fora, mas, por dentro, estais cheios de roubo e cobiça. 26Fariseu cego! Limpa primeiro o copo por dentro, para que também por fora fique limpo.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

 

A IGREJA CATÓLICA CELEBRA E VENERA HOJE
São Luís, homem de oração e caridade

Nós celebramos neste dia a vida do santo, que foi rei da França, Luís IX. Ele nasceu em Poissy a 25 de abril de 1214 e teve a graça de ter uma mãe muito religiosa, tanto assim que o aconselhava depois do Batismo: “Filhinho, agora és um templo do Espírito Santo, conserva sempre teu coração puro e jamais o manches com o pecado “.

A rainha-mãe, Branca de Castela, providenciou ótimos professores e instrutores para uma formação digna do filho, dessa forma quando o pai de Luís morreu, quando este tinha apenas 12 anos, o jovem pôde ser coroado e na idade de 21 anos começar a reger toda a nação, sem esquecer sua realidade de pai e esposo. São Luís era penitente, humilde, homem de oração e caridade; participava com tanta perseverança da Santa Missa diária que, ao ser provocado por nobres, respondia: “Se eu dedicasse tempo dobrado para os jogos ou para a caça, ninguém repreenderia!”

São Luís buscava intensamente viver a justiça do Reino de Deus enquanto rei e cristão, por isso praticava o que aconselhava: “Não tiremos o bem dos outros nem sequer para o dar a Deus”. Cheio de amor a Cristo, à Igreja e ao Papa, São Luís organizou até mesmo cruzadas a fim de resgatar os lugares santos; certa vez ficou preso durante 5 anos e depois de solto empenhou-se numa outra cruzada que o vitimou com uma peste mortífera (tifo). Ao receber os santos sacramentos esse grande santo entrou no Céu a 25 de agosto de 1270.

Foi canonizado em 1297, pelo Papa Bonifácio VIII.

São Luís, rogai por nós!

Deus o abençoe!

Seja um portador da bondade de Deus aos outros

Ao lembrar de meus queridos pais, de nossa casa lá em Sarandira, distrito de Juiz de Fora (MG) – onde eu nasci e fui criado -, a primeira recordação que vem à minha mente é aquele ensinamento basilar de meus queridos pais: “Bênção, papai”; “Bênção, mamãe”. Assim, eu fui criado num ambiente abençoado, de verdadeiro respeito e veneração por meus pais, avós, tios e familiares. Abençoado, porque tomava a bênção diária de meus pais para dormir, ao acordar, ao sair para os estudos ou para o trabalho. Em tudo nós éramos muito abençoados pelos nossos pais. Falo não só de mim, mas de todos os meus irmãos, os quais receberam a mesma educação e a mesma bênção que até hoje sentimos nos acompanhar.

Quando nós damos a bênção ou a recebemos, somos portadores da bondade, da clemência e da misericórdia divina. Diz o ditado que “a boca fala do que o coração está cheio”. Se o nosso coração está cheio e é portador de bênção, seremos sempre pessoas abençoadas pelo Deus Uno e Trino. Conforme fazemos o sinal da cruz na fronte, somos protegidos dos maus pensamentos. Ao fazer o sinal da cruz sobre o peito, somos protegidos dos maus sentimentos. E ao fazer, por fim, o sinal da cruz nos ombros, somos protegidos em nosso agir cristão.

Falo do costume de pedir a bênção aos pais, aos avós, aos tios, aos padrinhos, ao bispo e ao sacerdote, porque vejo, infelizmente, que no mundo agitado em que vivemos estamos perdendo as bonitas tradições que nos foram legadas pela nossa fé, e estamos perdendo a chance de sermos abençoados pelo Deus Uno e Trino.

Os pais que abençoam os seus filhos são também abençoados. Ela vai e volta. Por isso, quem vive sob a bênção divina é uma pessoa abençoada.

Que bom seria que nossos novos casais também passassem a abençoar os seus filhos como nossos pais nos abençoaram no passado!

Devemos dar a bênção aos nossos amigos. Nas despedidas, devemos dizer: “Que Deus o acompanhe”; “Que Deus o guarde”; “Vá com Deus, que Ele o abençoe”; todas essas manifestações são de nossa religiosidade e da nossa fé, e não devemos ter vergonha de proclamá-las.

O poder da palavra “bênção” é muito rico! Diz que a “bênção é um substantivo feminino que significa: s. f. 1. Expressão ou gesto com que se abençoa; 2. [Religião católica] Sinal da Cruz feito sobre o que se benze. 3. [Figurado] Benefício, graça, favor especial”.

Por isso, vamos ensinar aos nossos filhos e amigos o poder da bênção de Deus e a grandeza de nós, como batizados, podermos também fazer chegar essa consoladora bênção ao maior número possível de pessoas.

Deus o abençoe sempre!

Dom Eurico dos Santos Veloso
Arcebispo Emérito de Juiz de Fora (MG)

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