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XXIV Domingo do Tempo Comum – Ano C

Por Mons. Inácio José Schuster

Neste vigésimo quarto domingo do Tempo Comum, mostra-nos Lucas as três famosas parábolas de misericórdia: a ovelha desgarrada, a dracma perdida e o filho pródigo. Ninguém pode dizer que Deus não ama o pecador e o Evangelho não nos faz preferir o pecador ao justo. Por pouco o Evangelho não nos mostra uma preferência de Deus pelos pecadores, aos inocentes. Sim, Deus ama com amor paterno a todos e a cada um, porque os trouxe no seu próprio seio, como a mãe carrega um filho no seu próprio útero. Não existe ninguém que não tenha iniciado sua existência a partir de um gesto de amor a Deus e não existe ninguém para quem Deus não tenha um carinho de pai ou um carinho de mãe. Pode ser o pior pecador, pode ter cometido os maiores crimes ou todos os crimes pensáveis; jamais, com sua vida pecadora, superará o amor infinito que Deus lhe tem. Não existe pecado que não seja perdoado. Numa família, o filho que se alterca com o pai ou com a mãe e foge de casa, torna-se o filho mais querido, torna-se o filho mais buscado; o ausente, paradoxalmente, se torna o mais presente e o pai ou a mãe não descansam enquanto não o buscam. Não adianta quem quer que seja afirmar-lhes que aquele filho é ingrato, é alcoólatra, deu-se ao vício, entregou-se à droga, cometeu os piores crimes – o pai sempre terá para ele um lugar no seu coração, a mãe sempre o amará. Jesus buscou essa comparação humana longínqua e imperfeita para mostrar a intensidade do amor que Deus nos tem. Portanto, o maior pecado que poderíamos cometer é imaginar que não existe perdão para nós, que Deus nos afastou inteiramente, que Deus nos cancelou de Sua presença e não mais olha para nós. Podemos todos reler estas três parábolas e certamente nos encontraremos nas três.

 

A casa do Pai: lugar da festa
Padre Pacheco

Neste domingo, no qual somos convidados a celebrar a Páscoa do Senhor com toda a Igreja, a Palavra que nos é apresentada pelo Senhor, para que possamos orientar a nossa vida, é a do Evangelho de Lucas,  por meio da qual uma parábola nos é apresentada com três atitudes profunda de misericórdia. Aliás, Lucas tem a intenção, ao escrevê-lo, de nos apresentar um Deus, revelado por Jesus, tomado de compaixão, misericórdia e amor por cada um de nós. Esta parábola nos fala da ovelha perdida e que foi encontrada; da moeda que havia sido perdida e que foi encontrada; e do filho que se perdeu e foi acolhido pelo pai. Em todas as três situações, sempre o fim foi de muita alegria, pois a misericórdia de Deus tem como característica a festa do reencontro do pecador com o Pai; a misericórdia alcança e sempre alcançou o miserável – entenda o miserável de forma correta e não pejorativa, ou seja, miserável é todo aquele (cada um de nós) que é necessitado de misericórdia. Creio que é muito oportuno nos atermos à parte da parábola que nos apresenta a realidade do filho que resolve sair de casa, ou seja, o filho pródigo; até porque no que diz respeito á moeda e á ovelha, que são encontradas, o pano de fundo é a alegria e a festa que acontece quando são encontradas; e isso acontece porque a pessoa responsável se compadece e vai ao encontro do que está perdido até encontrar, pois o amor jamais se cansa. Na passagem do filho pródigo, o pai tinha dois filhos e um resolve sair de casa, quer ganhar o mundo; acha que está difícil continuar a viver em casa, pois acredita existir um lugar no mundo em que não encontrará dificuldades; começa aqui o seu erro e a sua frustração; aliás, é sempre longe de casa que encontraremos as verdadeiras angústias e sofrimentos – entendendo “casa” como este lugar mais íntimo em nós,  no qual só quem pode estar somos nós e Deus; o sacrário íntimo da alma. Por essa razão, esse jovem resolve abandonar a casa e quer a herança. Herança não serve para ser dividida, mas perpetuada através da vida, vivendo, ensinando e testemunhando aquilo que recebemos enquanto virtudes e valores (a verdadeira herança). E a herança material? A estes bens deram o nome de herança; na verdade, isso não é herança. Pois herança material, filho bom não precisa e filho mau não merece! Assim o jovem vai embora e o pai o deixa ir, pois o amor não obriga, não prende, não impõe nada, mas propõe, deixa livre. Ele vai e “quebra a cara” verdadeiramente. Arrependido, constata que nem a lavagem dos porcos ele tem para comer; é assim que o demônio nos trata e ilude: à base de mentira, nos propõe mundos e fundos; quando “caímos na dele” – na mentira, pois ele é o pai da mentira – então percebemos que nem à lavagem temos direito, pois nem isso ele tem condições de dar a alguém, pois ele é o senhor da miséria e da derrota. Ele é desgraçado, no mais profundo sentido da palavra – ele está sem a graça; ele é sem graça e quer todos afastados da graça de Deus. Quando este rapaz cai em si, percebe que todos na casa do pai são tratados com dignidade e respeito, a começar pelos empregados, que têm pão com fartura. Então resolve voltar para casa e pedir uma  oportunidade, ao menos de ser tratado com empregado, pois – segundo ele mesmo – não pode mais voltar a ser filho, pois fez muitas coisas erradas. Para chegar em casa e poder ser tratado, ao menos, como empregado, monta um discursozinho: “Ao chegar em casa vou dizer para o meu Pai: ‘Pai, pequei contra Deus e contra ti; já não merece ser trado como teu filho; trata-me como um de teus empregados’”. Ele veio decorando, pelo caminho, este discurso, pois tinha medo de não ser acolhido pelo pai por ter “pisado feio na bola”. Quando está distante de casa do pai, mas podendo vê-la, percebe que vem alguém correndo ao seu encontro. É o pai quem vem, pois é ele quem vê o filho e não o filho quem vê o pai. O pai sabia que o filho iria voltar, pois o conhecia. Corre em direção ao menino e enche-o de beijos; aperta-o, não perguntando acerca do seu passado, mas o aperta em seus braços, abraçando aquele filho que acabara de chegar: feio, arrebentado, sujo… O pai não se importa com o estado deste, pois o ama e o amor consiste em acolher o outro a partir daquilo que ele tem de pior. O filho começa a discorrer o discurso, mas quando vai pedir para ser tratado como um dos empregados do pai, este o interrompe imediatamente e manda vir todos os produtos necessários para a festa: boi para o churrasco, roupa, calçado e anel novos. O pai não é indiferente ao que o filho fez, meus irmãos e irmãs; a questão é que o genitor coloca tudo no seu devido lugar e dá atenção àquilo que merece atenção, ou seja, ele não põe panos quentes sobre o que o filho fez, mas o coloca no seu lugar, e, sobretudo, coloca o pecado do filho também no seu devido lugar. Para dizer que o pai se interessa pelo filho e não pelo pecado, ou seja, somos amados por Deus por aquilo que somos e não por aquilo que fazemos. E o que somos? Filhos! E o filho mais moço – porque aprendeu com o filho mais velho – acha que é amado por aquilo que faz; por isso preparou o discurso; para ser aceito. O pecado nunca terá condições de retirar o que somos essencialmente: filhos. Verdadeiramente, quem era o filho pródigo, nesta parábola, era o filho mais velho, pois viveu a vida toda pisando em cima dos manjares, por estar na casa do pai e morria constantemente de fome; o mais moço sentiu fome e teve a coragem de voltar; e porque teve a coragem de voltar, foi alimentado à base de festa, pois experimentou o amor do pai. Não interessa onde estivermos e como estivermos; voltemos, irmãos e irmãs; voltemos através do sacramento da reconciliação, pois a Ceia Eucarística está a nos esperar para que possamos reviver nos braços misericordiosos de Deus Pai.

 

XXIV Domingo do tempo comum [C]
Êxodo 32, 7-11.13-14; I Timóteo 1, 12-17; Lucas 15, 1-32
O PAI CORREU A SEU ENCONTRO

Na liturgia deste domingo, lê-se integramente o capítulo quinze do Evangelho de Lucas, que contém as três parábolas chamadas «da misericórdia»: a ovelha perdida, a dracma perdida e o filho pródigo. «Um pai tinha dois filhos…». Basta ouvir estas palavras para que quem tem uma mínima familiaridade com o Evangelho exclame imediatamente: a parábola do filho pródigo! Em outras ocasiões, sublinhei o significado espiritual de parábola: dessa vez eu gostaria de sublinhar nela um aspecto pouco desenvolvido, mas extremamente atual e próximo da vida. Em seu fundo, a parábola não é senão a história de uma reconciliação entre pai e filho, e todos sabemos quão vital é uma reconciliação assim para a felicidade tanto de pais como de filhos. Por que será que a literatura, a arte, o espetáculo, a publicidade, se aproveitam de uma só relação humana: a de fundo erótico entre o homem e a mulher, entre esposo e esposa? Publicidade e espetáculo não fazem mais que cozinhar este prato de mil maneiras. Deixamos, no entanto, sem explorar outra relação humana igualmente universal e vital, outra das grandes fontes de alegria da vida: a relação pai-filho, a alegria da paternidade. Na literatura, a única obra que trata realmente desse tema é a «Carta ao pai», de F. Kafka (a famosa novela «Pais e filhos», de Turgeney, não trata na verdade da relação entre pais e filhos, mas entre gerações diferentes). Se, ao contrário, mergulhássemos com serenidade e objetividade no coração do homem, descobriríamos que, na maioria dos casos, alcançar uma relação intensa e serena com os filhos é, para um homem adulto e maduro, não menos importante e satisfatória que a relação homem-mulher. Sabemos quão importante é esta relação também para o filho ou a filha e o grande vazio que deixa sua ruptura. Assim como o câncer ataca habitualmente os órgãos mais delicados do homem e da mulher, a potência destruidora do pecado e do mal ataca os núcleos vitais da existência humana. Não há nada que se submeta ao abuso, à exploração e à violência como a relação homem-mulher, e não há nada que esteja tão exposto à deformação como a relação pai-filho: autoritarismo, paternalismo, rebelião, rejeição, falta de comunicação. Não podemos generalizar. Existem casos de relações belíssimas entre pai e filho e eu mesmo conheci várias delas. Mas sabemos que há também, e mais numerosos, casos negativos de relações difíceis entre pais e filhos. No profeta Isaías se lê esta exclamação de Deus: «Eu criei filhos e os eduquei, e eles se rebelaram contra mim» (Is 1,2). Creio que muitos pais hoje em dia sabem, por experiência, o que estas palavras querem dizer. O sofrimento é recíproco; não é como na parábola, onde a culpa é única e exclusivamente do filho… Há pais cujo sofrimento mais profundo na vida é ser rejeitados ou até desprezados pelos filhos. E há filhos cujo sofrimento mais profundo e inconfessado é sentir-se incompreendidos, não estimados ou inclusive rejeitados pelos pais. Insisti no aspecto humano e existencial da parábola do filho pródigo. Mas não se trata só disso, ou seja, de melhorar a qualidade de vida neste mundo. Entra no esforço de uma nova evangelização a iniciativa de uma grande reconciliação entre pais e filhos e a necessidade de uma cura profunda de sua relação. Sabe-se o muito que a relação com o pai terreno pode influir, positiva ou negativamente, na própria relação com o Pai celestial e, portanto, a própria vida cristã. Quando nasceu o precursor João Batista, o anjo disse que uma de suas tarefas seria a de «fazer voltar os corações dos pais aos filhos e os corações dos filhos para os pais» [cf. Lc 1,17. ndr], uma missão mais atual que nunca.

 

VIGÉSIMO QUARTO DOMINGO COMUM 
Lucas 15, 1-32

O Evangelho de Lucas prima pela sua ênfase sobre a misericórdia de Deus.  Se fosse para classificar numa só palavra o rosto de Deus em Lucas, poderíamos sem hesitação assinalar “misericórdia”. Talvez nenhum capítulo saliente esta convicção tanto como o capítulo 15, que hoje lemos na sua totalidade. As três parábolas aqui relatadas são entre as mais conhecidas da Bíblia  – geralmente chamadas (com razão ou não) “A Ovelha Perdida”, “A Moeda Perdida” e “O Filho Pródigo”.  Talvez devamos ter um pouco de cuidado com esses títulos – já consagrados pelo uso –  pois já indicam uma possível interpretação do ponto central de cada parábola – não necessariamente a mais adequada! De fato, cada parábola poderia ficar independente, e ter a sua interpretação fora do contexto da sua colocação em Lucas.  Mas, para que sejamos fiéis à intenção do evangelista, devemos interpretá-las dentro do seu esquema teológico e literário.  A parábola da Ovelha também existe em Mateus, mas num outro contexto e com outros destinatário, tornando-se a parábola da Ovelha Desgarrada.  Em Mt 18,12-14, a parábola é dirigida aos discípulos, enquanto em Lc é contada para os fariseus e escribas.  Como os destinatários são diferentes, também a sua mensagem é diferente nos dois contextos. Para entender melhor o que Lucas quer ensinar, devemos dar muita atenção aos primeiros dois versículos do capítulo 15.  Pois estes versículos nos fornecem o motivo pelo qual Jesus contou as parábolas, e, por conseguinte, uma chave valiosa de interpretação.  Funcionam são como um gancho sobre o qual se pendura o resto do capítulo: “Todos os cobradores de impostos e  pecadores se aproximavam de Jesus  para o escutar.  Mas, os fariseus e os  doutores da Lei criticavam a Jesus,  dizendo: “Esse homem acolhe pecadores, e come com eles!” ( vv.1-2).  Depois vem a chave de interpretação: “Então Jesus contou lhes esta parábola”(v . 3). Ou seja, Jesus contou estas parábolas porque os fariseus e doutores da Lei o criticavam por associar-se  com gente de má fama!  Então a chave de interpretação é a atitude dos fariseus e doutores, contestada pelo ensinamento de Jesus.   Neste sentido podemos interpretar a parábola conhecida como a do “Ovelha Perdida”.  Jesus, diante da intransigência dos fariseus, pergunta: “Se um de vocês tem cem ovelhas e perde  uma, será que não deixa as noventa e nove  no campo para ir atrás da ovelha que se perdeu, até encontrá-la?” ( v. 4).  A resposta razoável é “não” – nenhum pastor, com a cabeça no lugar, deixaria noventa e nove ovelhas a deriva para tentar encontrar uma perdida.  Seria loucura!  Mas exatamente aqui está o sentido da parábola – Deus faz loucuras por amor a nós!!  Ele é capaz de fazer o que nenhuma pessoa humana faria – ir atrás da ovelha perdida, custe o que custar, até achar e trazer de volta!  Aqui a parábola funciona não por comparação, mas por contraste – Deus é o oposto dos homens, que só agem através de decisões calculistas.  Faz loucura – e a loucura do amor consegue o que a razão jamais conseguiria, a volta da ovelha perdida!  Assim se faz contraste entre a atitude de Deus e a dos fariseus e doutores da Lei! Nos questiona sobre as nossas atitudes diante das “ovelhas perdidas” das nossas comunidades e famílias! Agimos como os fariseus, com censuras e moralismos, ou como Deus, com a loucura do amor??? Retoma-se a mensagem na segunda parábola – a da “moeda perdida”.  Não que uma dracma fosse de tão grande valor.  Mas para a pobre, até uma moeda pequena faz falta!  Então a mulher faz questão de virar a casa (as casas não tinham janelas, por isso precisava acender uma lâmpada) até achá-la.  É assim com Deus – talvez a gente ache que uma pessoa não tenha grande valor, mas para Deus faz falta e Ele é capaz de “exagerar” para recuperar a pessoa perdida, por tão insignificante que possa parecer.  Mais uma vez, um contraste com a atitude elitista dos fariseus – e quem sabe, de muitos cristãos hoje!!! Por fim chegamos à parábola do “Filho Pródigo”, ou do “Pai que perdoa”, ou dos “Dois Irmãos”, conforme a interpretação e o gosto de cada um!  Ficamos somente com o texto sagrado e não com os subtítulos!  Podemos ler este texto a partir do filho perdido, ou do Pai, ou do irmão mais velho.  O título tradicional implica uma leitura a partir do “pródigo”.  Assim, ressaltaria o processo de conversão – sentir a situação perdida, decidir a pedir reconciliação, ser aceito pelo Pai, reativar os relacionamentos perdidos e estragados. Sem dúvida, uma leitura válida do texto como tal – mas diante dos primeiros dois versículos do capítulo, não a interpretação primária que Lucas quisesse dar. Outra possibilidade é de ler a história a partir do pai. Sem dúvida, também válido. Assim, o pai representa o próprio Deus, que em primeiro lugar, respeita a liberdade de decisão do filho, não impedindo que ele seja “sujeito” da sua vida; depois não espera a volta do “pródigo”, mas corre ao se encontro, numa atitude não “digna” dum patriarca oriental idoso, preocupado mais com a reconciliação do que com o prejuízo, e que se alegra com a volta de quem estava morto!  Mais uma vez, uma leitura mais do que aceitável! Mas o contexto do capítulo quinze, à luz dos primeiros versículos, sugere uma leitura diferente – a partir do irmão mais velho.  Pois Jesus conta a parábola para contestar a atitude dos fariseus e doutores da Lei, que o reprovam porque ele acolhe os pecadores!  Então o filho mais velho é imagem dos fariseus – “gente boa”, fiel na observância da Lei, mas cujos corações estão fechados, ao ponto de serem incapazes de alegrar-se com a volta dum irmão perdido. Assim, embora observem minuciosamente todas as prescrições da Lei, a sua atitude contradiz claramente a atitude de Deus! Aqui Jesus questiona todos nós que somos “praticantes”.  Somos capazes de reconhecer a nossa própria fraqueza e miséria espiritual, como fez o “pródigo”?  Somos capazes de correr ao encontro dum irmão perdido, como fez o pai?  Ou somos como o irmão mais velho – “gente boa”, gente de “observância”, mas gente incapaz de ter um coração de misericórdia, de alegrar-nos com a volta ao estado original do irmão ou irmã perdido/a? Podemos até dizer que o capítulo quinze de Lucas é o coração do seu Evangelho.  Pois Deus, o Deus de Jesus e o de Lucas, é o Deus que não se alegre com a perda de quem quer que seja, mas com a volta do pecador.  É o Deus que se encarnou em Jesus de Nazaré, para salvar quem estivesse perdido.  É o Deus de misericórdia e do perdão.  Como traduzimos esta visão de Deus em nossas vidas?

 

Será que o ponto central desta parábola seria mostrar o contraste entre o filho obediente e aquele desobediente? Não seria talvez destacar a acolhida dada pelo Pai ao filho pródigo e a acolhida dada pelo filho mais velho? Há sem dúvida uma grande diferença, destacada por Jesus, entre a atitude generosa e amorosa do Pai e a reação áspera e egoísta do irmão mais velho. O pai, apesar do filho ter esbanjado todo o dinheiro que ele lhe dera, tinha um amor inquebrantável para com ele. Distante, o filho pródigo tomou consciência do imenso amor que o pai lhe dedicava. Humilhado, mas arrependido, ele retorna decidido a declarar sua culpa diante do pai. O pai não necessita dizer palavras de perdão, suas ações falam mais alto e claramente. As roupas bonitas, o anel, o banquete, simbolizam a nova vida, pura, digna e alegre de alguém que retorna a Deus. No plano da fé a parábola ressalta que o eterno desígnio divino se realiza apesar dos pecados dos homens, sejam eles infiéis como o pródigo ou egoístas como o filho mais velho. O erro primordial do mais jovem é de não ter tido consciência do privilégio que era o seu, de nascimento, o fato de ser membro da família deste pai. Ele é dominado pelo ter e pelo prazer. O pai deixa a ambos os filhos a liberdade para escolher o tipo de relações que manteriam com ele: relações de um boêmio ou de permanência com ele. “Podemos, escreve São Gregório o grande, cair mais baixo que nós mesmos pelo excesso de desejos e preocupações, ou sermos elevados acima de nós mesmos pela graça da contemplação”. Ademais, a atitude do pai revela a sua misericórdia: Cada dia ele sobe à colina para esperar o filho, e quando o vê ao longe vai ao seu encontro com braços abertos para abraçá-lo e reconduzi-lo ao aconchego do lar. Por que esta alegria? Tertuliano responde que “seu filho perdido e reencontrado se tornava mais caro, porque reencontrado. Um pai mais pai que Deus, não há; um mais terno, não há. Tu que és seu filho, saiba que mesmo se tu o abandonas após ter ele te adotado, mesmo se tu voltas nu, ele te receberá: ele se alegrará ao te rever”. “Senhor, que eu jamais duvide de Vosso amor, mas que eu possa ser misericordioso, assim como Vós sois todo perdão e misericórdia”.

Jesus entra em nós com a sua misericórdia

JMJ 2016

Missa no Santuário João Paulo II 

Sábado, 30 de julho de 2016, Da redação, com Rádio Vaticano

Francisco explicou que desde o início, Jesus quis que a Igreja estivesse em saída pelo mundo

O Papa Francisco presidiu neste sábado, 30, uma Missa no Santuário de São João Paulo II, em Cracóvia, Polônia, com a presença de cerca de duas mil pessoas no interior da Igreja e cinco mil na área externa do Santuário.

Após a saudação do cardeal-arcebispo de Cracóvia, Dom Stanislaw Dziwisz, o Santo Padre pronunciou a homilia com base na liturgia da Missa votiva da Misericórdia de Deus, partindo da passagem evangélica, que se refere a um lugar, um discípulo e um livro.

O lugar é aquele onde se encontravam os discípulos, na tarde de Páscoa, chamado Cenáculo. Não obstante as portas estivessem fechadas, oito dias depois, Jesus entrou e transmitiu-lhes a paz, o Espírito Santo e o perdão dos pecados, ou seja, a misericórdia de Deus. Naquele lugar fechado, ressoa forte o seu convite: “Assim como o Pai me enviou, também eu vos envio”.

E o Papa explicou: “Jesus envia. Desde o início, ele quis que a Igreja estivesse em saída pelo mundo, como ele foi enviado pelo Pai: não com poder, mas como serviço; não para ser servido, mas para servir e levar a Boa-Nova. Assim, seus discípulos, em todos os tempos, foram enviados”.

Convite de Jesus

O Pontífice destacou que enquanto os discípulos estavam fechados no Cenáculo, com medo, Jesus entrava e os enviava em missão. “ele queria que os seus abrissem as portas e saíssem para transmitir ao mundo o perdão e a paz de Deus, com a força do Espírito Santo”. E complementou: “Este convite é dirigido também a nós e recorda as palavras de São João Paulo II: ‘Abram as portas’”!

Nós, sacerdotes e consagrados, advertiu o Pontífice, às vezes somos tentados a nos fechar em nós mesmos, por medo ou comodidade. Jesus não gosta de portas entreabertas, de vidas duplas. Nossa vida deve ser transparente, de amor concreto, de serviço e disponibilidade à evangelização.

No Evangelho de hoje, recordou Francisco, destaca-se a figura do discípulo Tomé, que tocou com sua mão as chagas de Jesus para crer. Nós, seus discípulos, devemos pôr a nossa humanidade em contato com a carne do Senhor. Ele quer corações abertos, ternos com os fracos, dóceis e transparentes:

“O Apóstolo Tomé, em sua busca apaixonada, chegou não só a acreditar na ressurreição de Jesus, mas encontrou o sentido da sua vida, ao confessar: ‘Meu Senhor e meu Deus’, como se quisesse dizer-lhe: ‘Vós sois meu único bem, o caminho e o coração da minha vida, o meu tudo!”.

Com a transmissão do Espírito Santo aos seus Apóstolos, Jesus deixou a sua misericórdia. Poderíamos dizer que o Evangelho, livro vivo da misericórdia de Deus, que devemos ler e reler continuamente, ainda tem páginas em branco, permanece um livro aberto, que somos chamados a escrever com as nossas obras de misericórdia.

Serviço e gratidão

Por fim, o Papa exortou os presentes a tomar o exemplo de Maria, que acolheu plenamente a Palavra de Deus na sua vida, como Mãe da Misericórdia, para que nos ensine a cuidar das chagas de Jesus nos nossos irmãos e irmãs necessitados, dos próximos como dos distantes, do enfermo e do migrante.

E concluiu:

“Queridos irmãos e irmãs, cada um de nós guarda no coração uma página muito pessoal do livro da Misericórdia de Deus: a história da nossa vocação, a voz do amor que fascinou e transformou a nossa vida, pela qual deixamos tudo e a seguimos. Reavivemos hoje, com gratidão, a memória da sua chamada. Agradeçamos ao Senhor por entrar nas nossas portas fechadas com a sua misericórdia. Como Tomé, ele nos chamou por nome e nos dá a graça de continuar a escrever o seu Evangelho de amor”.

Ao término da celebração da Santa Missa da Misericórdia de Deus, o Santo Padre deu de presente ao Santuário de São João Paulo II, um crucifixo de madre pérola, para ser colocado sobre o altar.

Enfim, o Papa regressou à sede do Arcebispado de Cracóvia, onde almoçou com doze jovens, representantes dos cinco Continentes.

Deus não nos identifica com o mal que cometemos

Papa Francisco durante Angelus deste domingo – REUTERS

Cidade do Vaticano (RV) – O Papa Francisco rezou o oração mariana do Angelus, deste domingo (13/3/2016), com os fieis e peregrinos reunidos na Praça São Pedro.
Na alocução que precedeu a oração, o pontífice frisou que “o evangelista João apresenta o episódio da mulher adúltera, evidenciando o tema da misericórdia de Deus que não quer a morte do pecador, mas que se converta e viva”.
“A cena se realiza na esplanada do templo. Jesus está ensinando às pessoas e eis que chegam alguns escribas e fariseus que arrastam diante Dele uma mulher que tinha sido pega em adultério. Esta mulher se encontra ali, entre Jesus e a multidão, entre a misericórdia do Filho de Deus e a violência, a raiva de seus acusadores. Na realidade, eles não foram ao Mestre para pedir-lhe o seu parecer, mas para fazer-lhe uma armadilha. De fato, se Jesus seguir a severidade da lei, aprovando a lapidação da mulher, perderá a sua fama de mansidão e bondade que tanto fascina o povo; se ao invés for misericordioso, irá contra a lei que Ele mesmo disse não querer abolir, mas cumprir.”
Segundo Francisco, “esta má intenção se esconde debaixo da pergunta que eles fazem a Jesus: ‘E tu, o que dizes?’ Jesus não responde, se cala e realiza um gesto misterioso: ‘Inclinou-se e começou a escrever no chão com o dedo’. Desta maneira, convida todos à calma, a não agir de impulso e procurar a justiça de Deus. Mas aqueles, maus,  insistem e esperam dele uma resposta. Parece que tinham sede de sangue. Então, Jesus levanta o olhar e diz: ‘Quem de vocês não tiver pecado, atire-lhe a primeira pedra’.”
“Esta resposta abala os acusadores, desarma todos no verdadeiro sentido da palavra: Todos depuseram as armas, ou seja, as pedras prontas para serem lançadas, tanto aquelas visíveis contra a mulher, quanto as pedras escondidas contra Jesus. Enquanto o Senhor continua escrevendo no chão, os acusadores vão embora um por um, com a cabeça baixa, começando pelos idosos, mais conscientes de não serem sem pecado.”
“Quanto bem nos fará ser conscientes de que também nós somos pecadores! Quando falamos mal dos outros e todas essas coisas que nós conhecemos! Quanto bem nos fará ter a coragem de fazer cair no chão as pedras que lançamos contra os outros e pensar um pouco em nossos pecados”, sublinhou o Papa.
“Permaneceram ali a mulher e Jesus: a miséria e a misericórdia, uma diante da outra. Quantas vezes isso nos acontece, quando nos detemos diante do confessionário, com vergonha, para mostrar a nossa miséria e pedir perdão? ‘Mulher, onde estão eles?’, disse Jesus. Basta esta constatação e o seu olhar cheio de misericórdia, cheio de amor para fazer aquela pessoa sentir, talvez pela primeira vez, que tem uma dignidade, que ela não é o seu pecado, ela tem uma dignidade de pessoa, que pode mudar de vida, pode sair daquelas escravidões e caminhar numa estrada nova”, disse ainda o pontífice.
Francisco destacou que “aquela mulher representa todos nós que somos pecadores, ou seja, adúlteros diante de deus, traidores de sua fidelidade. A sua experiência representa a vontade de Deus para cada um de nós: não a nossa condenação, mas a nossa salvação através de Jesus. Ele é a graça que salva do pecado e da morte. Ele escreveu no chão, no pó do qual é formado todo ser humano, a sentença de Deus: Não quero que morra, mas que tenha vida.”
Segundo o pontífice, “Deus não nos prega ao nosso pecado, não nos identifica com o mal que cometemos. Temos um nome e Deus não identifica esse nome com o pecado que cometemos. Ele quer nos libertar e quer que também nós queiramos junto com Ele. Quer que a nossa liberdade se converta do mal para o bem, e isso é possível com a sua graça”.
O Papa concluiu pedindo à Virgem Maria que nos ajude a confiar-nos completamente à misericórdia de Deus para nos tornar novas criaturas. (MJ)

A Igreja não precisa de dinheiro sujo

Quarta-feira, 2 de março de 2016, Jéssica Marçal / Da Redação

Falando de misericórdia e correção, Papa frisou que Deus corrige com amor, não quer sacrifícios; a Igreja não precisa de dinheiro sujo, disse como exemplo

O Papa Francisco dedicou a catequese desta quarta-feira, 2, ao tema “misericórdia e correção”. Ele falou de Deus como o pai que ama e, justamente por isso, corrige seus filhos quando necessário.

Mas o caminho da misericórdia divina é aquele da correção afetuosa, que deixa a porta aberta à esperança. Francisco explicou que Deus não quer sacrifícios rituais, mas sim indica o caminho da justiça; como diz o profeta Isaías, a Deus não agrada o sangue de touros e cordeiros, sobretudo se a oferta é feita com as mãos sujas com o sangue dos irmãos.

Nesse ponto, o Papa fez uma crítica a algumas pessoas que fazem doações à Igreja mas com “dinheiro sujo”. “Penso em alguns benfeitores da Igreja, com boas ofertas, mas esta oferta é fruto de tanta gente explorada, maltratada, escravizada com o trabalho mal pago. Eu digo a estas pessoas: levem de volta este cheque, queime-o. O povo de Deus, isso é, a Igreja, não precisa de dinheiro sujo, mas de corações abertos à misericórdia de Deus”.

O Pai afetuoso que não renega seus filhos

A reflexão da catequese veio da leitura do livro do profeta Isaías, em que Deus, como pai afetuoso e atento, dirige-se a Israel acusando-o de infidelidade e corrupção para levá-lo de volta ao caminho da justiça.

“Deus, mediante o profeta, fala ao povo com a amargura de um pai desiludido: fez os filhos crescerem e agora eles se rebelaram contra Ele”. Mas mesmo ferido, Deus deixa o amor falar e apela à consciência de seus filhos para que se regenerem, explicou o Papa. Essa é a missão educativa dos pais, fazer os filhos crescerem na liberdade, responsáveis, capazes de fazer obras boas para si e para os outros. Mas por causa do pecado, a liberdade se torna pretensão de autonomia e orgulho, ressaltou Francisco, e por isso Deus apela à consciência de seu povo.

“Deus nunca nos renega, nós somos o seu povo. O mais maldoso dos homens, a mais maldosa das mulheres, o mais maldoso dos povos são seus filhos. E esse é Deus: nunca nos renega! Diz sempre: ‘filho, vem’. E esse é o amor do nosso Pai; essa misericórdia de Deus. Ter um pai assim nos dá esperança, confiança”.

O Papa enfatizou que onde se rejeita Deus não há vida possível, mas mesmo esse momento doloroso acontece em vista da salvação: a provação é dada para que o povo experimente a amargura de quem abandona Deus. “O sofrimento, consequência inevitável de uma decisão autodestrutiva, deve fazer o pecador refletir para abri-lo à conversão e ao perdão (…) Este é o caminho da misericórdia divina”.

A misericórdia de Deus leva à verdadeira justiça

Quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016, Jéssica Marçal / Da Redação

Na catequese de hoje, Papa levou aos fiéis o conforto da misericórdia de Deus, que leva à verdadeira justiça e quer a salvação de todos

Deus é misericórdia infinita e justiça perfeita, não quer a condenação de ninguém, mas a salvação de todos. Essas foram palavras do Papa Francisco na catequese desta quarta-feira, 3, na Praça São Pedro.

O Santo Padre explicou que pode parecer uma realidade contraditória Deus ser misericórdia e justiça, mas não existe contradição. “É justamente a misericórdia de Deus leva ao cumprimento da verdadeira justiça”.

Não se trata, disse o Papa, da justiça dos tribunais; esse caminho não leva à verdadeira justiça porque não vence o mal. “Só respondendo com o bem que o mal pode ser realmente vencido”.

Já a Bíblia indica o caminho-mestre a percorrer para fazer justiça: prevê que a vítima se dirija diretamente ao culpado para convidá-lo à conversão, ajudando a entender que está fazendo o mal, apelando à sua consciência. “O coração se abre ao perdão que lhe é oferecido”, disse o Papa, acrescentando que este é o modo de resolver os contrastes dentro das famílias, nas relações entre pais e filhos.

Deus e o pecador

O Pontífice reconheceu que este é um caminho difícil, requer que a pessoa que sofreu o mal esteja disposta a perdoar e deseje o bem e a salvação de quem o ofendeu. “Mas somente assim a justiça pode triunfar, porque se o culpado reconhece o mal feito e deixa de fazê-lo, não tem mais o mal e aquele que era injusto se torna justo, porque perdoado e ajudado a retomar o caminho do bem”.

É assim que Deus age com o pecador, afirmou o Papa. Deus oferece o seu perdão e ajuda o homem a acolhê-lo, a tomar consciência do mal para poder libertar, porque Deus não quer a condenação, mas a salvação. “Deus não quer a condenação de ninguém, de ninguém. Alguém poderia me dizer: ‘mas, padre, a condenação de Pilatos foi merecida, Deus a queria. Não, Deus queria salvar Pilatos, também Judas, todos. Ele, o Senhor da Misericórdia, quer salvar todos, o problema é deixar que Ele entre no coração”.

Padre, figura do Pai no confessionário

O coração de Deus, conforme lembrou Francisco, é um coração de Pai que ama e quer que seus filhos vivam no bem e na justiça. “Um coração de Pai que vai além do nosso pequeno conceito de justiça para nos abrir aos horizontes sem fim da sua misericórdia. Um coração de Pai que não nos trata segundo os nossos pecados e não nos repara segundo as nossas culpas”.

É precisamente um coração de Pai que as pessoas buscam quando vão ao confessionário, observou o Papa. Lá elas querem encontrar um pai que ajude a mudar de vida, que dê a força de ir adiante, que perdoe em nome de Deus. “Por isso, ser confessor é uma responsabilidade tão grande, tão grande, porque aquele filho ou filha que vem a você só quer encontrar um pai. E você, padre, que está ali no confessionário, está ali no lugar do Pai que faz justiça com a sua misericórdia”.

Transmitir a misericórdia de Deus é missão comum aos cristãos

Quarta-feira, 20 de janeiro de 2016, Jéssica Marçal / Da Redação

Na catequese de hoje, Papa falou da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, enfatizando a partilha do Batismo e a missão de levar a misericórdia de Deus

A catequese do Papa Francisco nesta quarta-feira, 20, foi dedicada à unidade entre os cristãos, tendo em vista que na Itália e em alguns outros países se celebra a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos desde segunda-feira, 18. Sem se distanciar do ciclo de catequeses sobre misericórdia, Francisco enfatizou que transmitir a misericórdia de Deus aos outros é uma missão comum aos cristãos.

O Santo Padre explicou que nesta Semana, os cristãos são convidados a redescobrir a graça do Batismo, um dos pontos de unidade, e ir além das divisões. Segundo ele, partilhar o Batismo significa reconhecer que todos são pecadores e precisam de salvação. O Batismo chama os cristãos ao encontro com o Deus vivo, cheio de misericórdia, acrescentou.

Francisco reconheceu que todos acabam fazendo a experiência do egoísmo que leva à divisão, mas partir novamente do Batismo significa reencontrar a fonte da misericórdia, que é fonte de esperança para todos, pois ninguém está excluído da misericórdia de Deus.

“A partilha dessa graça (do Batismo) cria uma ligação indissolúvel entre nós cristãos, de forma que no Batismo podemos nos considerar todos irmãos, somos povo santo de Deus mesmo que por causa de nossos pecados não sejamos um povo plenamente unido”.

Para os cristãos, acrescentou o Santo Padre, anunciar a força do Evangelho e partilhar as obras de misericórdia, corporais e espirituais, é uma experiência concreta de fraternidade. “Temos uma missão em comum que é aquela de transmitir a misericórdia recebida aos outros, partindo dos mais pobres e abandonados”.

Francisco concluiu a audiência pública com os fiéis pedindo que, nesta Semana de Oração, eles rezem para que todos os discípulos de Cristo encontrem, juntos, um modo de levar a misericórdia do Pai a todos os cantos da terra.

Quem não perdoa não é cristão, diz Papa

Quinta-feira, 10 de setembro de 2015, Da redação, com Rádio Vaticano

Em sua homilia, Papa Francisco frisou que o estilo de Jesus é a misericórdia, e que portanto, os cristãos devem perdoar

O Papa Francisco desenvolveu sua homilia na missa da manhã desta quinta-feira, 10, na Casa Santa Marta, sobre a paz e a reconciliação. O Pontífice condenou os que produzem armas para matar nas guerras, mas também chamou a atenção para os conflitos dentro das comunidades cristãs, e fez mais uma nova exortação aos sacerdotes a serem misericordiosos como é o Senhor. “Jesus é o Príncipe da Paz, porque gera paz em nossos corações.” E imediatamente perguntou se “nós agradecemos por este dom da paz que recebemos em Jesus”. A Paz, disse, “foi feita, mas não foi aceita”.

O Papa chamou a atenção para as notícias que temos recebido todos os dias nos jornais sobre as guerras, destruições, ódio e inimizades. “Há homens e mulheres que trabalham muito – trabalham muito! – para fazer armas para matar, armas que no fim se banham no sangue de tantas pessoas inocentes, de tanta gente. Há guerras! Há guerras e existe a maldade na preparação da guerra, de produzir armas contra os outros, para matar!” e destacou que a paz salva, nos faz viver e crescer, enquanto a guerra nos aniquila, nos rebaixa.

Quem não sabe perdoar, não é cristão

Francisco acrescentou que a guerra não é só essa. Que a guerra está também nas comunidades cristãs, e o conselho que a liturgia dá hoje aos fiéis é: fazer a paz. Assim como o Senhor perdoa, devem fazer assim também. “Se você não sabe perdoar, você não é um cristão. Você vai ser um homem bom, uma boa mulher … Mas, se você não perdoar, você não pode receber a paz do Senhor, o perdão do Senhor. E todos os dias, quando rezamos o Pai Nosso: Perdoai-nos assim como nós perdoamos … ‘ é um condicional. Procuramos convencer Deus de que somos bons, como nós somos bons perdoando. Palavras, não? Como se cantava naquela bela canção: ‘Palavras, palavras, palavras, certo?’ (Acho que Mina a cantava …) Palavras! Perdoem-se! Como o Senhor os perdoou, assim façam entre vocês”.

A língua destrói, faz a guerra

Há necessidade de “paciência cristã”, disse o Papa. “Quantas mulheres heróicas existem no nosso povo – disse – que suportam pelo bem da família, dos filhos tantas brutalidades, tantas injustiças: suportam e vão em frente com a família”. Quantos homens “heróicos existem em nosso povo cristão – continuou ele – que suportam se levantar de manhã cedo e ir para o trabalho – muitas vezes um trabalho injusto, mal pago – para voltar só à noite, para manter sua esposa e filhos. Estes são os justos”. Mas, advertiu, há também aqueles que “fazem trabalhar a língua e fazem a guerra”, porque “a língua destrói, faz a guerra!” Há outra palavra-chave, disse em seguida Francisco, “que é dita por Jesus no Evangelho”: “misericórdia”. É importante “compreender os outros, e não condená-los”. E disse aos sacerdotes que sejam misericordiosos, não “batam nas pessoas no confessionário. “Se você é um sacerdote e não se sente misericordioso, diga ao bispo para lhe dar um trabalho administrativo, não vá ao confessionário, por favor! Um sacerdote que não é misericordioso é um mal confessor! Dá bordoadas nas pessoas. ‘Não, papa, eu sou misericordioso, mas estou um pouco nervoso …’. “É verdade … Antes de ir ao confessionário vá ao médico para dar-lhe uma pílula contra os nervos! Mas seja misericordioso!’.

E mesmo entre nós, devemos ser misericordiosos. ‘Mas é ele que fez isso … eu o que fiz?’; ‘Aquele é mais pecador do que eu!’: quem pode dizer isso, que o outro é mais pecador do que eu? Nenhum de nós pode dizer isso! Só o Senhor sabe”.

Como ensina São Paulo, evidenciou em seguida o Papa, é necessário se vestir de “sentimentos de ternura, bondade, humildade, mansidão e paciência”. Este, disse Francisco, “é o estilo cristão”, “o estilo com o qual Jesus fez a paz e a reconciliação”. “Não é o orgulho, não é a condenação, não é falar mal dos outros”. Que o Senhor, concluiu, “nos conceda a todos a graça de nos suportarmos uns aos outros, de perdoar, de sermos misericordiosos, como o Senhor é misericordioso para conosco”.

Santo Evangelho (Mt 23, 23-26)

21ª Semana Comum – Terça-feira 25/08/2015

Primeira Leitura (1Ts 2,1-8)
Leitura da Primeira Carta de São Paulo aos Tessalonicenses.

1Bem sabeis, irmãos, que nossa vinda até vós não foi em vão. 2Apesar de maltratados e ultrajados em Filipos, como sabeis, encontramos em Deus a coragem de vos anunciar o Evangelho, em meio a grandes lutas. 3A nossa exortação não se baseia no erro, na ambiguidade ou no desejo de enganar. 4Ao contrário, uma vez que Deus nos achou dignos, a ponto de nos confiar o Evangelho, falamos não para agradar aos homens, mas a Deus, que examina os nossos corações. 5Bem sabeis que nunca usamos palavras de adulação, nem procedemos movidos por dis­farçada ganância. Deus é testemunha disso. 6E também não procuramos elogios humanos, nem da parte de vós, nem de outros, 7embora pudéssemos fazer valer a nossa autoridade de apóstolos de Cristo. Foi com muita ternura que nos apresentamos a vós, como uma mãe que acalenta os seus filhinhos. 8Tanto bem vos queríamos, que desejávamos dar-vos não somente o Evangelho de Deus, mas até a própria vida; a tal ponto chegou a nossa afeição por vós.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Responsório (Sl 95)

— Senhor, vós me sondais e me conheceis.
— Senhor, vós me sondais e me conheceis.

— Senhor, vós me sondais e me conheceis, sabeis quando me sento ou me levanto; de longe penetrais meus pensamentos, percebeis quando me deito e quando eu ando, os meus caminhos vos são todos conhecidos.

— A palavra nem chegou à minha língua, e já, Senhor, a conheceis inteiramente. Por detrás e pela frente me envolveis; pusestes sobre mim a vossa mão. Esta verdade é por demais maravilhosa, é tão sublime que não posso compreendê-la.

 

Evangelho (Mt 23,23-26)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, disse Jesus: 23Ai de vós, mestres da Lei e fariseus hipócritas! Vós pagais o dízimo da hortelã, da erva-doce e do cominho, e deixais de lado os ensinamentos mais importantes da Lei, como a justiça, a misericórdia e a fidelidade. Vós deveríeis praticar isto, sem contudo deixar aquilo. 24Guias cegos! Vós filtrais o mosquito, mas engolis o camelo. 25Ai de vós, mestres da Lei e fariseus hipócritas! Vós limpais o copo e o prato por fora, mas, por dentro, estais cheios de roubo e cobiça. 26Fariseu cego! Limpa primeiro o copo por dentro, para que também por fora fique limpo.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

 

A IGREJA CATÓLICA CELEBRA E VENERA HOJE
São Luís, homem de oração e caridade

Nós celebramos neste dia a vida do santo, que foi rei da França, Luís IX. Ele nasceu em Poissy a 25 de abril de 1214 e teve a graça de ter uma mãe muito religiosa, tanto assim que o aconselhava depois do Batismo: “Filhinho, agora és um templo do Espírito Santo, conserva sempre teu coração puro e jamais o manches com o pecado “.

A rainha-mãe, Branca de Castela, providenciou ótimos professores e instrutores para uma formação digna do filho, dessa forma quando o pai de Luís morreu, quando este tinha apenas 12 anos, o jovem pôde ser coroado e na idade de 21 anos começar a reger toda a nação, sem esquecer sua realidade de pai e esposo. São Luís era penitente, humilde, homem de oração e caridade; participava com tanta perseverança da Santa Missa diária que, ao ser provocado por nobres, respondia: “Se eu dedicasse tempo dobrado para os jogos ou para a caça, ninguém repreenderia!”

São Luís buscava intensamente viver a justiça do Reino de Deus enquanto rei e cristão, por isso praticava o que aconselhava: “Não tiremos o bem dos outros nem sequer para o dar a Deus”. Cheio de amor a Cristo, à Igreja e ao Papa, São Luís organizou até mesmo cruzadas a fim de resgatar os lugares santos; certa vez ficou preso durante 5 anos e depois de solto empenhou-se numa outra cruzada que o vitimou com uma peste mortífera (tifo). Ao receber os santos sacramentos esse grande santo entrou no Céu a 25 de agosto de 1270.

Foi canonizado em 1297, pelo Papa Bonifácio VIII.

São Luís, rogai por nós!

Deus o abençoe!

Seja um portador da bondade de Deus aos outros

Ao lembrar de meus queridos pais, de nossa casa lá em Sarandira, distrito de Juiz de Fora (MG) – onde eu nasci e fui criado -, a primeira recordação que vem à minha mente é aquele ensinamento basilar de meus queridos pais: “Bênção, papai”; “Bênção, mamãe”. Assim, eu fui criado num ambiente abençoado, de verdadeiro respeito e veneração por meus pais, avós, tios e familiares. Abençoado, porque tomava a bênção diária de meus pais para dormir, ao acordar, ao sair para os estudos ou para o trabalho. Em tudo nós éramos muito abençoados pelos nossos pais. Falo não só de mim, mas de todos os meus irmãos, os quais receberam a mesma educação e a mesma bênção que até hoje sentimos nos acompanhar.

Quando nós damos a bênção ou a recebemos, somos portadores da bondade, da clemência e da misericórdia divina. Diz o ditado que “a boca fala do que o coração está cheio”. Se o nosso coração está cheio e é portador de bênção, seremos sempre pessoas abençoadas pelo Deus Uno e Trino. Conforme fazemos o sinal da cruz na fronte, somos protegidos dos maus pensamentos. Ao fazer o sinal da cruz sobre o peito, somos protegidos dos maus sentimentos. E ao fazer, por fim, o sinal da cruz nos ombros, somos protegidos em nosso agir cristão.

Falo do costume de pedir a bênção aos pais, aos avós, aos tios, aos padrinhos, ao bispo e ao sacerdote, porque vejo, infelizmente, que no mundo agitado em que vivemos estamos perdendo as bonitas tradições que nos foram legadas pela nossa fé, e estamos perdendo a chance de sermos abençoados pelo Deus Uno e Trino.

Os pais que abençoam os seus filhos são também abençoados. Ela vai e volta. Por isso, quem vive sob a bênção divina é uma pessoa abençoada.

Que bom seria que nossos novos casais também passassem a abençoar os seus filhos como nossos pais nos abençoaram no passado!

Devemos dar a bênção aos nossos amigos. Nas despedidas, devemos dizer: “Que Deus o acompanhe”; “Que Deus o guarde”; “Vá com Deus, que Ele o abençoe”; todas essas manifestações são de nossa religiosidade e da nossa fé, e não devemos ter vergonha de proclamá-las.

O poder da palavra “bênção” é muito rico! Diz que a “bênção é um substantivo feminino que significa: s. f. 1. Expressão ou gesto com que se abençoa; 2. [Religião católica] Sinal da Cruz feito sobre o que se benze. 3. [Figurado] Benefício, graça, favor especial”.

Por isso, vamos ensinar aos nossos filhos e amigos o poder da bênção de Deus e a grandeza de nós, como batizados, podermos também fazer chegar essa consoladora bênção ao maior número possível de pessoas.

Deus o abençoe sempre!

Dom Eurico dos Santos Veloso
Arcebispo Emérito de Juiz de Fora (MG)

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