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As 4 formas de comungar na Igreja Católica e…

… as 2 Mesas à nossa disposição

Nem todos podem tudo…

Por Mons. Inácio José Schuster

1) COMUNHÃO ESPIRITUAL (desejar)

Α╬Ω A Comunhão espiritual é uma devoção que consiste em unir-se a Jesus presente na Eucaristia recebendo-O não sacramentalmente, mas com um vivo desejo que procede da fé, animada pela caridade. Esta prática é muito louvada e desde o Concílio de Trento a Igreja exorta os fiéis a praticá-la. Os efeitos dessa prática são semelhantes ao da Comunhão Eucarística, menos a sua intensidade, que é menor, enquanto que o modo perfeito de comungar é o de receber o Sacramento. Às vezes, porém, estes efeitos podem ser superiores aos que são produzidos na Comunhão sacramental se as disposições são puríssimas, se bem que na igualdade das disposições, como já tínhamos dito, são evidentemente menos abundantes que na Comunhão Eucarística; de fato eles não se produzem ex opere operato (em virtude da instituição divina), mas só ex opere operantis (em virtude das disposições do indivíduo e são proporcionais a estas). A comunhão espiritual pode ser feita todas as vezes que a alma o desejar. Como prova disto, lembra claramente a Imitação de Cristo (1, IV, c. 10): “Toda pessoa pode, de resto, todos os dias e todas as horas, entregar-se livre e salutarmente às comunhões espirituais”.

Α╬Ω Sem a Comunhão Espiritual não pode existir a Comunhão Eucarística – A Exortação Apostólica do Beato João Paulo II, Familiaris Consortio, explica que existe uma diferença entre a comunhão espiritual e a comunhão eucarística, que afirma que sem a primeira, não pode existir a segunda. A comunhão espiritual é a forma em que a pessoa se une pessoalmente a Cristo no momento da redenção do Santo Sacrifício, para assim, depois, receber a comunhão eucarística. Isto não é uma disciplina inventada pela Igreja e, portanto, no matrimônio, os cônjuges fazem um pacto com Deus, e Deus faz um pacto com eles, que cria um sacramento indissolúvel. Para a comunhão é necessário preparar o coração para receber ao Senhor, e deste modo, quando os divorciados que voltaram a casar deixam de comungar, dão muito mais honra ao Senhor com seu sacrifício e oferecendo-se eles mesmos, através da dor que têm nos seus corações, no sacramento da Eucaristia. Eles sofrem por isso, mas, há mais honra dada pelo corpo de Cristo nesta situação, que quando os batizados vão de maneira superficial e às vezes, de maneira pouco digna, a receber a Comunhão, seja qual seja o estado de suas almas. A respeito, o Beato João Paulo II assinala que “a Igreja deseja que estes casais participem da vida da Igreja até onde lhes seja possível (e esta participação na Missa, adoração Eucarística, devoções e outros serão de grande ajuda espiritual para eles) enquanto trabalham para obter a completa participação sacramental”.

 

2) ADORAÇÃO EUCARÍSTICA (considerar, meditar, contemplar)

Α╬Ω «ADORAÇÃO é reconhecer que Jesus é meu Senhor, que Jesus me mostra o caminho a seguir, me faz entender que só vivo bem se conheço a estrada indicada por Ele, somente se sigo a via que Ele me mostra. Portanto, Adorar é dizer: “Jesus, eu sou Teu e Te sigo na minha vida, nunca gostaria de perder esta amizade, esta comunhão Contigo”. Poderia também dizer que a adoração na sua essência é um abraço com Jesus, no qual eu digo: “Eu sou Teu e Te peço que estejas também Tu sempre comigo”» (Papa emérito Bento XVI). A adoração é o primeiro ato da virtude da religião. Adorar a Deus é reconhecê-lo como Deus, como o Criador e o Salvador, o Senhor e o Mestre de Tudo o que existe, o Amor infinito e misericordioso. “Adorarás o Senhor teu Deus, e só a Ele prestarás culto” (Lc 4, 8), diz Jesus, citando o Deuteronômio (6, 13). “Adorar a Deus é, no respeito e na submissão absoluta, reconhecer o nada da criatura, que não existe a não ser por Deus. Adorar a Deus é, como Maria no Magnificat, louvá-lo, exaltá-lo e humilhar-se a si mesmo, confessando com gratidão que Ele fez grandes coisas e que Seu Nome é Santo. A Adoração do Deus único liberta o homem de se fechar em si mesmo, da escravidão do pecado e da idolatria do mundo” (Catecismo da Igreja Católica n. 2096 e 2097). Toda vez que estivermos perante o Santíssimo, esteja Ele exposto ou no sacrário, devemos nos colocar numa atitude de despojamento e professarmos a fé na Sua presença no pão e no vinho que para nós são Corpo e Sangue de Cristo. E podemos fazê-lo com estas palavras ou de forma espontânea: “Meu Deus! Eu creio, adoro, espero e amo-Vos; peço-Vos perdão para os que não crêem, não adoram, não esperam e não Vos amam”.

Α╬Ω Adorar o Senhor no Santíssimo Sacramento – Em sua Carta Apostólica “Mane Nobiscum Domine”, o Beato Papa João Paulo II nos apresenta o dom da Eucaristia como um grande mistério. Mistério a ser celebrado de maneira digna; que deve ser adorado e contemplado. Queremos assim nos animar mutuamente a estarmos unidos à Santíssima Eucaristia também em seu culto fora da Missa. De um lado, sabemos que antes de tudo a Eucaristia é o sacrifício pascal de Nosso Senhor; que é na Missa onde se atualiza o Mistério da vida, morte e ressurreição de Jesus. Daí a necessidade de celebrarmos com toda dignidade, não somente em decoro, mas em comunhão profunda com o Mistério celebrado e com o corpo comunitário. Participar ativa e conscientemente do inesgotável dom de Cristo. Por outro lado, a Igreja nos anima a estarmos diante do tabernáculo do Senhor ‘perdendo o nosso tempo’: “A presença de Jesus no tabernáculo deve constituir como que um pólo de atração para um número sempre maior” de almas apaixonadas por ele, capazes de ficar longo tempo escutando a voz e quase que sentindo o palpitar do coração” (MND, 18).

 

3) PRÁTICA DAS 14 OBRAS DE MISERICÓRDIA CORPORAIS E ESPIRITUAIS (caridade e justiça, pureza e misericórdia – praticar concretamente no dia a dia)

Α╬Ω Partindo da Palavra de Deus e da Tradição da Igreja (CIC § 2447), podemos falar em 14 obras de misericórdia. Das quais, 7 são obras de misericórdia espirituais e 7 corporais.

OBRAS DE MISERICÓRDIA CORPORAIS:
1ª) Dar de comer a quem tem fome;
2ª) Dar abrigo aos peregrinos;
3ª) Assistir os enfermos;
4ª) Dar de beber ao sedento;
5ª) Vestir os nus;
6ª) Socorrer os prisioneiros;
7ª) Enterrar os mortos.

OBRAS DE MISERICÓRDIA ESPIRITUAIS:
1ª) Instruir (ensinar os que não sabem);
2ª) Aconselhar (dar bons conselhos aos que necessitam);
3ª) Consolar (Aliviar o sofrimento dos aflitos);
4ª) Confortar (Fortalecer os angustiados e abatidos);
5ª) Perdoar (as injustiças de boa vontade);
6ª) Suportar com paciência (as adversidades e fraquezas do próximo);
7ª) Rogar a Deus pelos vivos e pelos mortos.

Α╬Ω 3.1. Envolvimento com as pastorais sociais da Igreja (comungar na vida dos irmãos)

╬Caritas Brasileira (atua tanto em calamidades, como através de programas no serviço especialmente dos mais pobres, no sentido de sua organização e busca de autonomia); ╬Pastoral da Criança (atende mães gestantes e crianças até 6 anos de idade, cuja atuação reduziu significativamente a mortalidade infantil no Brasil); ╬Pastoral da Saúde (junto aos que se dedicam a servir os doentes, na medicina preventiva e popular).
╬Pastorais por setores sociais: a Pastoral da Terra (mediando em conflitos pela terra e na promoção da Reforma Agrária), a Pastoral dos Pescadores, a Pastoral Operária.
╬Pastoral de pessoas em situação de especial vulnerabilidade: a Pastoral do Menor (menores infratores), da Mulher Marginalizada, dos Nômades, Carcerária, Migrantes, da Sobriedade, da Pessoa Idosa.
╬Pastoral de minorias étnicas: a Pastoral afro-brasileira, e com Indígenas (CIMI-Conselho Indigenista Missionário).
A CARIDADE “apaga uma multidão de pecados” (cf. 1Pd 4, 8); ela é sinal da autenticidade da nossa fé em Deus e a expressão mais coerente do seguimento de Jesus.

 

4) COMUNHÃO EUCARÍSTICA – CORPO E SANGUE DE CRISTO

Α╬Ω São Paulo já constatava entre os primeiros cristãos de Corinto: “O que fazeis não é comer a ceia do Senhor” (1Cor 11, 20) e advertia: Essa vossa maneira de agir “longe de vos levar ao melhor, vos prejudica” (11, 17). E finalmente, ele clama: “Que cada um examine a si mesmo, antes de comer deste pão e beber deste cálice, pois aquele que come sem discernir o Corpo do Senhor, come e bebe a própria condenação” (11, 28ss). Esse é o ensinamento da Igreja. Quem comunga em pecado grave “come e bebe a própria condenação” e quem vive numa união “de fato”, sem o Sacramento do Matrimônio, mesmo impossibilitado de regularizá-lo, deve praticar sua Fé, mas somente no que não implique o prévio estado de graça. Não tem valor à apreciação subjetiva ou autorização indébita de algum eclesiástico que ensine à margem da doutrina da Igreja. A consciência é farol seguro, quando formada objetivamente, segundo as orientações emanadas do Magistério legítimo. Faz-se necessário estar em condições exigidas, para que produza vida e não morte. O homem é condicionado ou, pelo menos, influenciado em seus comportamentos por costumes, imposição da opinião pública, controle social. Na atualidade, também em nome do subjetivismo e individualismo exacerbados. Segue um modo de pensar pessoal, impelido por seus interesses e conveniências e não pelos princípios que se radicam em Deus. Vivendo em desordem ética e moral, o homem tende a tornar-se norma de seus atos. E assim não só se expõe ao erro, mas se degrada em seu íntimo, pois, como ensina o Concílio Vaticano II, “no fundo da própria consciência o homem descobre uma lei que não se impôs a si mesmo”. Ela lhe é dada como dom e expressão de ser imagem de Deus. Duas conclusões imediatas são claras: a) nenhuma maioria de votos, nem o volume dos aplausos da opinião pública podem ser última instância moral; b) em quem não cultiva sua consciência, reorientando-a sempre de novo para a verdade, “a consciência vai-se progressivamente cegando com o hábito do pecado” (Gaudium et Spes, 16). Em se tratando dos males decorrentes de uma consciência mal formada, tornam-se mais graves quando atingem os valores sagrados. Esse desvio pode ser motivado por ignorância culposa da Lei do Senhor ou por influência de um subjetivismo prepotente. O mesmo se pode dizer quando essa consciência se relaciona com a dignidade de outrem, como na amizade, no matrimônio ou ainda na educação dos filhos, pois isso leva a prejuízos que já não são de nosso alcance sanar.

Α╬Ω Da Comunhão Eucarística, quem pode participar e em que condições?
Qualquer tomada de posição subjetiva e individualista – “eu sou cristão adulto”, ou “eu mesmo sei decidir” – torna-se não só uma irreverência leve, mas algo grave diante da verdade intrínseca desse Sacramento. Não é um exercício qualquer de piedade. O Concílio Vaticano II chama-o de “fonte e ápice de toda a vida cristã” (Lumen Gentium, 11). Nele, Deus se entrega a nós e o faz sob o signo da kénosis, isto é, do total aniquilamento do seu Filho amado. Ele se entrega, na hora da morte, às mãos do Pai para nos arrancar do pecado, do ódio, de toda perdição e poder do inferno. A Santa Comunhão supõe sempre esse profundo ato de Fé, esse desejo de se assemelhar a Jesus em seu abandono confiante ao Pai, em sua vitória sobre o pecado. Praticamente, isso significa converter-se, aceitar a verdade proposta pelo Magistério eclesiástico, os mandamentos e, com o radicalismo da entrega de Jesus, procurar viver a vontade de Deus. E ainda dar sua vida para edificar a Igreja como comunidade santa, em um mundo marcado pela desobediência a Deus. Contra todas as tentações, Jesus implora o derradeiro dom: “Eles não são do mundo, como eu não sou do mundo. Santifica-os na verdade. A tua palavra é a verdade” (cf. Jo 17, 16s). Não são critérios subjetivos que permitem a participação em tão santa Ceia, mas a obediência com amor a este Deus que se nos revela sob os sinais da morte redentora, neste Sacramento. Em nossos dias, faz-se necessário bradar fortemente para evitar o sacrilégio. Isto ocorre em particular nas celebrações matrimoniais, exéquias, em reuniões, quando se celebra o Santo Sacrifício da Missa. Nesta oportunidade e em outras, não é raro pessoas sem as condições requeridas se aproximarem do altar para comungar: “A Comunhão eucarística está desvirtuada do seu significado: Assiste-se a um fenômeno de ”dinâmica de grupo“ (todos participam nela), separada do discernimento do Corpo de Deus, de que São Paulo fala”.

Tomar e comer, conforme o pedido de Jesus na Última Ceia, e em cada Santa Missa, significa também considerar, significa meditar, significa contemplar. Toma e come, toma e bebe todo aquele e aquela que se põe diante do Santíssimo Sacramento do altar, contemplando a realidade de Jesus Cristo que, a todos, entrega-Se nestes sinais. Come e bebe aquele que adora o Santíssimo Sacramento no altar. E como são bonitas nossas igrejas quando, dentro delas, existe um tabernáculo; quando dentro delas existe uma lampadazinha vermelha convidando-nos à adoração e à contemplação. As nossas igrejas não são salões vazios, não são salões sem nenhuma festa e certamente não são salões despidos. Como existia em Israel a Arca da Aliança, existe aqui o tabernáculo onde Jesus é Emanuel, isto é, Deus conosco. Quando estamos ali em silêncio, estamos também, segundo Sua vontade, comendo e bebendo.

Cristãos se olhem no espelho antes de julgar

Segunda-feira, 20 de junho de 2016, Da Redação, com Rádio Vaticano

Papa lembra que só Deus tem o julgamento verdadeiro, pois julga com misericórdia

Antes de julgar os outros, devemos olhar no espelho para ver como somos, enfatizou o Papa Francisco na missa desta segunda-feira, 20, na Casa Santa Marta. O Pontífice sublinhou que aquilo que distingue o juízo de Deus do juízo humano não é a onipotência, mas a misericórdia.

O juízo pertence somente a Deus; por isso, se a pessoa não quiser ser julgada, também não deve julgar os outros. Concentrando-se no Evangelho do dia, o Papa observou que todos querem que no Dia do Juízo, o Senhor olhe com benevolência, que se esqueça das coisas feias que cada um fez na vida. Por isso, quem julga continuamente os outros será julgado com a mesma medida, advertiu Francisco.

Hipocrisia de quem julga

Segundo o Papa, o convite que Deus faz é para que cada um se olhe no espelho antes de qualquer julgamento.

“Olha no espelho… mas não para se maquiar, para que não se vejam suas rugas. Não, não, não é este o conselho… Olha no espelho para ver você mesmo, como é. ‘Por que olha o cisco que está no olho do seu irmão e não percebe a trave que está no seu? Como você pode dizer a seu irmão ‘Deixa eu tirar o cisco do seu olho, enquanto não presta atenção na trave que está no seu olho?’. E como nos define o Senhor, quando fazemos isso? Com uma só palavra: ‘Hipócrita’. Tira primeira a trave do seu olho, e só então, poderá ver direito e tirar o cisco do olho do seu irmão”.

Rezar pelos outros em vez de julgá-los

O Santo Padre explicou que Deus fica com um pouco de “raiva” nesse momento e chama os homens de hipócritas quando eles se colocam em Seu lugar. Isto, acrescentou, é o que a serpente persuadiu Adão e Eva a fazer. “Se vocês comerem isso, vocês serão como Ele”. Eles, disse o Papa, queriam tomar o lugar de Deus.

“Por isso é feio julgar. O juízo é só de Deus, somente d’Ele! A nós o amor, a compreensão, rezar pelos outros quando vemos coisas que não são boas, mas também falar com eles: ‘Mas, olha, eu vejo isso, talvez …’ Mas jamais julgar. Nunca. E isso é hipocrisia, se nós julgamos”.

Falta misericórdia, só Deus pode julgar

O Pontífice acrescentou que o julgamento humano é pobre, nunca pode ser um verdadeiro julgamento porque falta a misericórdia. Quando Deus julga, o faz com misericórdia.

“Pensemos hoje no que o Senhor nos diz: não julgar, para não ser julgado; a medida, o modo, a medida com a qual julgamos será a mesma que usarão para conosco; e, em terceiro lugar, vamos nos olhar no espelho antes de julgar. ‘Mas aquele faz isso… isto faz o outro…’ ‘Mas, espere um pouco… ‘, eu me olho no espelho e depois penso. Pelo contrário, eu vou ser um hipócrita, porque eu me coloco no lugar de Deus e, também, o meu julgamento é um julgamento pobre; carece-lhe algo tão importante que tem o julgamento de Deus, falta a misericórdia. Que o Senhor nos faça entender bem essas coisas”.

A morte e a vida eterna

1- O mundo passa. A vida é breve. A morte é certa. Quem faz o bem e cumpre o dever não precisa ter medo da morte, pelo contrário, espera a vida. O bem já é o céu antecipado. Nosso corpo na eternidade será glorioso, incorruptível, espiritual, imortal. O que parece ser um fim, um fracasso é na verdade um começo, um início. Quem tem fé já vive o início da festa eterna.

2- O cemitério é uma cidade viva. Sim, ali está viva a saudade e a recordação da vida dos nossos entes queridos. É cidade da saudade, da esperança na ressurreição, cidade que leva a pensar e até a mudar de vida. É a cidade da igualdade social, da paz, da transformação da morte em vida.

3- Os túmulos são também berços. Deus promete abrir os túmulos e então nascemos para a nova vida junto Dele. Eis o início da nova vida. A morte é fim da vida terrena e início da vida nova, da plenitude da vida. Descemos para o seio da terra e entramos no seio de Abraão, isto é, de Deus. Descemos ao túmulo, para subir aos céus. Voltamos para a terra para voltar ao Criador e com Ele conviver.

4- Levamos flores, neste dia. A flor vem de uma semente e de um botão que morreu. Eis o que é a páscoa pessoal. A flor é o símbolo de nossa realidade pascal. Ela é também sinônimo de gratidão, respeito, carinho, homenagem para quem esteve entre nós e está vivo em Deus, no jardim celeste e suas mansões. Transformemos o deserto em jardim.

5- No dia de finados costumamos acender velas. De fato, a luz das boas obras que nossos mortos praticaram ainda ilumina. O esplendor do bem, a luminosidade do amor não passa. O bem não morre. A vela acesa é símbolo da fé que transforma as trevas em luz e projeta o futuro. Somos como velas que quanto mais se consomem, tanto mais iluminam. Brilhe vossas boas obras, pediu Jesus.

6- Finados é dia de reflexão, de retiro, de interiorização. A morte nos faz todos iguais. Acabam as classes sociais. A morte faz pensar. Ela é escola de filosofia. Impele a vencer ilusões, enganos porque ajuda a parar, a rezar, a rever a vida. A morte faz parte da vida, é nossa irmã. Ela é parto e porta para a plenitude, a glória, a eterna felicidade. Morte é passagem para outra margem, é ponte que leva ao rumo certo.

7- As coroas sobre os túmulos querem lembrar a coroação da vida, do bem, do amor que os nossos mortos realizaram. No céu seremos coroados pela Santíssima Trindade, tomaremos posse do reino. A vida termina com o coroamento da pessoa humana, chamada a reinar com Cristo. Quem combateu o bom combate, receberá a coroa da glória.

8- A morte é benção porque através dela entramos na vida. Ela é condição para a glorificação dos pecadores perdoados. A face do Senhor é vossa verdadeira pátria. A morte não é inimiga, porque ela ajuda a viver com retidão e a praticar a justiça, o bem, o amor. Pensar na morte não é patologia, é sabedoria. “Pensa na morte e não pecarás”. Diante dos túmulos nós rezamos: “tu foste o que eu sou, eu serei o que tu és”.

9- A pior morte é o pecado, ou seja, a morte espiritual. A boa morte que devemos desejar e pedir, é a morte do egoísmo, do mal, do pecado, portanto a morte mística que nos torna altruístas, servidores, solidários. A morte biológica foi vencida pela ressurreição do Senhor. Jesus matou a morte. Somos seres de esperança.

10- Levaremos o amor com que fizemos todas as coisas. O amor não passa, o bem é eterno, a alma é imortal. Nossas boas obras são passaporte para o céu. Nossa vida não é tirada, mas transformada. A promessa de Jesus a quem se converte é esta: “hoje estarás comigo no paraíso”. Não há reencarnação na fé cristã. O sangue de Jesus é que salva e a fé nos torna justos, puros, santos, agradáveis a Deus. Um gesto de amor vale mais que toda beleza das coisas e a massa do universo. Somos uma cloaca, diz Pascal, que o sangue de Jesus lavou e perfumou. Nossa grandeza está em reconhecer nossa miséria e confiar na misericórdia.

 

A MORTE NA VIDA CRISTÃ

No ano 2006, Bento XVI dirigiu um discurso aos fiéis, começando com estas palavras: “Nestes dias, que se seguem à comemoração dos fiéis defuntos, celebra-se em muitas paróquias o oitavário dos defuntos. Uma ocasião propícia para recordar na oração os nossos familiares e meditar sobre a realidade da morte, que a chamada “civilização do bem-estar” muitas vezes procura remover da consciência do povo, completamente absorvida pelas preocupações da vida quotidiana. Morrer, na realidade, faz parte do viver, e isto não só no fim, mas, considerando bem, em cada momento” (Ângelus, 5-XI-2006). Paradoxalmente a reflexão sobre a morte ajuda a viver em plenitude a vida presente, pois só quem tem clara a meta – o destino eterno – é que sabe para onde está dirigindo os seus passos.

Uma realidade da qual não é possível fugir

Um antigo conto narra que um funcionário real ao abrir a porta de casa deu de cara com a morte. Ele ficou apavorado, mas viu que também a morte parecia surpresa de encontrá-lo. Rapidamente se dirigiu ao seu senhor para expor a situação e pedir o melhor cavalo para fugir bem longe. Foi-lhe concedido o seu desejo e começou uma fuga a toda velocidade. Ao cair da noite o cavalo não conseguia dar mais um passo. Ele próprio estava bem cansado, mas ainda conseguiu caminhar um bom trecho até que esgotado deitou ao pé de uma grande árvore. Pouco depois viu a morte se aproximar dele calmamente, e antes de que pudesse pegá-lo pediu licença para fazer uma pergunta. “Por que hoje ao abrir a porta e ver-me você se surpreendeu?”. E a morte respondeu: “Eu sabia que devia te pegar hoje a noite ao pé desta árvore, mas como estávamos tão longe pensei: Como será que ele vai fazer para chegar até aqui?”. O conto ilustra bem a nossa relação com a morte, e dá para tirar uma primeira conclusão: Já que não é possível fugir dela, é melhor encará-la.

O padre Antônio Vieira escreve num sermão que “três coisas fazem duvidosa, perigosa e terrível a morte. Ser uma, ser certa, e ser momentânea (…) E de todas estas dificuldades e perigos se livra seguramente só: quem? Quem não guarda a morte para a morte, quem acaba a vida antes de morrer, quem se resolve a ser pó antes de ser pó: pulvis es”  (Sermão2 da IV de Cinzas, n II). Vale pois a pena dedicar um tempo da vida a meditar na morte… e treinar para esse momento, não seja que nos pegue de surpresa e não saibamos como fazer quando ela se apresentar.

Uma pintura e uma reflexão (de um santo)

Juan de Valdés Leal (1622-1690) foi um artista famoso pelas pinturas que realizou para o Hospital da Caridade de Sevilha sobre a brevidade da vida e a caducidade dos bens temporais. Uma das mais famosas leva por título Finis gloriae mundi (O fim da glória do mundo). Certamente não é uma pintura alegre… mas ajuda a pensar.

Ao contemplar a imagem é fácil observar os detalhes. No lado esquerdo, há uma coruja e, voando por cima dela, um morcego, símbolos das trevas. No primeiro plano, o caixão aberto de um bispo paramentado (com mitra e báculo) e, junto dele, o cadáver de um cavaleiro com a capa da Ordem de Calatrava, referências diretas à morte.

No centro da composição, aparece uma referência ao juízo particular da alma após o falecimento: a mão chagada de Jesus – envolta por uma luz dourada – segura uma balança de dois pratos. No lado esquerdo, decorado com as palavras “Ni más” (nem mais) aparecem os símbolos dos pecados capitais, caminho da condenação eterna. No direito, que tem a inscrição “Ni menos” (nem menos),  mostram-se símbolos da virtude, da oração e da penitência. Segundo a opinião de Jonathan Brown  “o significado fica totalmente claro por causa das palavras pintadas em cada prato: não é preciso fazer mais (do que está representado) para cair no pecado, nem é preciso fazer menos (das virtudes que se mostram nesse prato) para sair do pecado” (Imágenes e ideas en la pintura española del siglo XVII).

Não apenas os críticos de arte fazem referência a esta obra, também os santos. Um deles escreveu: “Aqueles quadros de Valdez Leal, com tantos “restos” ilustres – bispos, cavaleiros – em viva podridão, parece-me impossível que não te impressionem [“muevan”, lemos no original espanhol]. Mas… e o gemido do duque de Gandia: Não mais servir a senhor que me possa morrer?” (São Josemaria Escrivá, Caminho, n.742). Em verdade o pensamento da morte é sobre o futuro para aprender a viver o presente.

O padre Vieira perguntava-se: “Como se aprende a escrever?”. E respondia: “Escrevendo”. E continuava: “Assim também se há de aprender a morrer não só meditando, mas morrendo”. E concluía: “Se quereis morrer bem (como é certo que quereis) não deixeis o morrer para a morte, morrei em vida; não deixeis o morrer para a enfermidade e para a cama, morrei na saúde e em pé” (Pe. Vieira, Sermão2 da IV de Cinzas, n III). Como só morremos uma vez, vale a pena saber como fazê-lo e, pelo menos, pensar nisso. É triste ficar sabendo de alguns que são expressão viva do que escreveu Blaise Pascal: “Não tendo os homens podido curar a morte, a miséria, a ignorância, acharam de bom aviso, para se tornarem felizes, não pensar nisso” (Pensamentos, art. XXI, XIV)… É a miséria humana!

Para fechar esta primeira parte resta só falar brevemente da personagem que São Josemaria Escrivá citava: O duque de Gandia. Quem ele era?

Com o apelido de “Duque de Gandia” se faz referência a São Francisco de Borja, por ser esse o titulo nobiliárquico que herdou da família. Ao falecer a imperatriz Isabel de Portugal, esposa de Carlos V, Francisco de Borja foi um dos nobres que acompanhou a procissão funerária desde Toledo até Granada. A data escolhida para o sepultamento foi o dia 17 de Maio de 1539. Mas antes disso os nobres que tinham acompanhado a procissão deviam reconhecer o cadáver jurando que era o da imperatriz. Ao chegar a vez de Francisco, perante esse corpo, que já foi belo mas que agora estava se descompondo, ele fez este propósito: “Não mais servir a Senhor que possa morrer”. Foi o primeiro passo de uma mudança de vida. Seria realmente arriscado deixar a reflexão sobre a morte para o último momento da vida!

Uma visão nova

Na verdade o pensamento sobre a morte não é apenas uma consideração sobre a brevidade da vida, ou sobre o sentido passageiro das coisas materiais. Para os cristãos, porém, tem um sentido mais profundo, que nasce da consciência de que Jesus Cristo venceu a morte, morrendo. Ele revolucionou o sentido da morte com o seu ensinamento, mas sobretudo enfrentando-a Ele próprio. “Com um Espírito que não podia morrer Cristo matou a morte que matava o homem” (Melitão de Sardes, Sobre a Páscoa, 66).

“O Filho de Deus quis desta forma (morrendo Ele próprio), partilhar até ao fim a nossa condição humana, para reabri-la à esperança. Em última análise, Ele nasceu para poder morrer, e assim, nos libertar da escravidão da morte. Diz a Carta aos Hebreus: experimentou ‘a morte em favor de todos’ (Hb 2, 9). Desde então, a morte já não é a mesma: foi privada, por assim dizer, do seu veneno” (Bento XVI, Ângelus, 5-XI-2006). A grande novidade é que Cristo, com a sua morte, abriu-nos as portas do céu: Agora, para quem quiser, é possível entrar nele. Que mistério profundo coloca diante de nossos olhos! Que grande mudança na compreensão da morte!

São João afirma que, em Cristo, a vida humana é “passagem deste mundo para o Pai” (Jo 13, 1). Por isso para o cristão a hora da morte é o momento no qual o trânsito para a eternidade realiza-se de maneira concreta e definitiva. O cristianismo deu um sentido novo a morte tão forte que até o local dos sepultamentos mudou de nome: de necrópole (cidade dos mortos) passou para cemitério (lugar para dormir). Em outras palavras, as sepulturas deixaram de ser lugares perenes para virar estações de passagem. Esta é a grande mudança que vale a pena não esquecer nunca: A morte é uma porta para a vida: “A vida é transformada, não tirada” (Prefácio I de Defuntos).

Os cristãos dos primeiros séculos tinham bem presente o sentido da morte como de passagem para uma vida plena. Num epitáfio do século III lê-se: “Uma mulher de vinte e oito anos morreu de parto; seu nome, Aurélia Licinia Flórida. Foi embora deste mundo no nome de Cristo, fiel (=cristã) em Cristo, feliz por isto”. Nela se exprime claramente que migrou deste mundo para o outro (Cf. M.T. Muñoz García de Iturrospe, Una destacada inscripción cristiana en la ‘Casa del Anfiteatro’ de Mérida). Quantos haverá – tal vez que não tenham fé – que morrem de medo ao pensar na morte! E aqui se nos apresenta uma mãe, jovem ainda, e fecunda, que está feliz por encontrar Jesus.

Alguns deixam o mundo angustiados, ou vêem a vida vazia, sem sentido. Bento XVI na sua segunda encíclica fez referência a um epitáfio de uma sepultura dos primeiros séculos. Desta vez corresponde a uma pessoa sem fé. Nela está escrito: “In nihil ab nihilo quam cito recidimus” (No nada, do nada, quão cedo recaímos) (Cf. Spe Salvi, n. 2). É o resumo de uma vida sem sentido. Não será que também há pessoas que dizem acreditar em Deus, mas, na verdade, não deixam espaço para Ele na própria vida? Homens e mulheres que pensam no presente (ficar ricos, ser famosos, cuidar do físico…) mas estão vazios por dentro? Não será que há quem viva no temor por não considerar que Jesus déu um sentido novo à morte… e à vida?

A fé da igreja primitiva, como aliás a de hoje, é a que nos transmite São Paulo. “Irmãos, não queremos que ignoreis coisa alguma a respeito dos mortos, para que não vos entristeçais, como os outros homens que não têm esperança. Se cremos que Jesus morreu e ressuscitou, cremos também que Deus levará com Jesus os que nele morreram” (1 Tes. 4, 13-14).

É bonito ver que esta imagem da existência – e do seu fim – não é apenas coisa do passado. Também hoje há quem, quando surpreendido pela morte, demonstra ter experiência acumulada, e também possuir o sentido cristão da passagem. Seria possível pensar em muitos exemplos. Um deles, bem recente é o de Chiara Badano, uma jovem italiana que faleceu aos 18 anos, vítima de um osteossarcoma. Foi escrito numa sua biografia: “Não teve medo de morrer. Disse à sua mãe: «Não peço mais a Jesus para vir me pegar e me levar para o Paraíso, porque quero ainda lhe oferecer o meu sofrimento, para dividir com ele, ainda por um pouco, a cruz». Um pensamento especial aos jovens: «…Os jovens são o futuro. Eu não posso mais correr. Porém, gostaria de lhes passar a tocha, como nas Olimpíadas. Os jovens têm uma vida só e vale a pena empregá-la bem!»”. Chiara faleceu no amanhecer do dia 7 de outubro de 1990, depois de uma noite muito dolorosa. “As suas últimas palavras foram: «Mãezinha, seja feliz, porque eu o sou. Adeus»” (Biografia do folheto da Celebração Eucarística para a beatificação da serva de Deus Chiara Badano, Roma 25-IX-2010).

Tomara que cada homem pudesse viver com um sentido transcendente da vida; e pedir, com uma oração tradicional da Igreja: “Que eu morra como o glorioso São José, acompanhado por Jesus e Maria, pronunciando estes nomes dulcíssimos, que espero bendizer por toda a eternidade”.

Reconhecer-se pecador é a porta para encontrar Jesus, diz Papa

Quinta-feira, 21 de setembro de 2017, Da Redação, com Rádio Vaticano

Homilia do Papa foi inspirada no relato da conversão de São Mateus, celebrado hoje pela Igreja

“A porta para encontrar Jesus é reconhecer-se pecador”, afirmou o Papa Francisco na Missa desta quinta-feira, 21, na Capela da Casa Santa Marta. Sua homilia repassou a conversão de São Mateus, festejado hoje pela Igreja.

O Santo Padre falou das etapas do acontecido: encontro, festa e escândalo. Jesus havia curado um paralítico e encontrou Mateus, sentado no banco dos impostos. Fazia o povo de Israel pagar os impostos para depois dá-los aos romanos e por isto era desprezado, considerado um traidor da pátria. Jesus olhou para ele e disse: “Segue-me”. Ele se levantou e o seguiu, como narra o Evangelho do dia.

De um lado, o olhar de São Mateus, um olhar desconfiado, que mirava com um olho Deus e com o outro o dinheiro, e também com um olhar impertinente. De outro, o olhar misericordioso de Jesus que – disse o Papa – olhou para ele com tanto amor. A resistência daquele homem que queria o dinheiro “cai”: levantou-se e o seguiu. “É a luta entre a misericórdia e o pecado”, sintetizou o Papa.

O amor de Jesus pôde entrar no coração daquele homem porque “sabia ser pecador”, sabia “não ser bem quisto por ninguém”, era desprezado. E justamente a consciência de pecador abriu a porta para a misericórdia de Jesus. Assim, deixou tudo e foi. Este é o encontro entre o pecador e Jesus.

“É a primeira condição para ser salvo: sentir-se em perigo; a primeira condição para ser curado: sentir-se doente. E sentir-se pecador, é a primeira condição para receber este olhar de misericórdia. Mas pensemos no olhar de Jesus, tão bonito, tão bom, tão misericordioso. E também nós, quando rezamos, sentimos este olhar sobre nós; é o olhar de amor, o olhar da misericórdia, o olhar que nos salva. Não ter medo”.

A festa

Como Zaqueu, também Mateus, sentindo-se feliz, convidou depois Jesus para comer em sua casa. A segunda etapa é justamente “a festa”. Mateus convidou todos os amigos, aqueles do mesmo sindicato, pecadores e publicanos. Certamente à mesa, faziam perguntas ao Senhor e ele respondia.

Isto – observou o Papa – faz pensar naquilo que disse Jesus no capítulo 15 de Lucas: “Haverá mais festa no Céu por um pecador que se converta do que por cem justos que permanecem justos”. Trata-se da festa do encontro do Pai, a festa da misericórdia. Jesus, de fato, trata a todos com misericórdia sem limite, afirmou Francisco.

O escândalo

Então, o terceiro momento, o do “escândalo”. Os fariseus, vendo que publicanos e pecadores sentaram-se à mesa com Jesus, perguntavam aos seus discípulos: “Por que vosso mestre come com os cobradores de impostos e pecadores?”. “Um escândalo sempre começa com esta frase: “Por que?””, explicou o Papa.

Os fariseus conheciam muito bem a Doutrina, sabiam como seguir pelo caminho do Reino de Deus, conheciam melhor do que ninguém como se devia fazer, mas haviam esquecido o primeiro mandamento do amor. Em síntese, acreditavam que a salvação viesse deles próprios, sentiam-se seguros. “Não! Deus nos salva, nos salva Jesus Cristo”, enfatizou o Papa.

“Aquele ‘por que’ que tantas vezes ouvimos entre os fiéis católicos quando viam obras de misericórdia. ‘Por que?’ E Jesus é claro, é muito claro: ‘Ir e aprender’. E os mandou aprender, não? ‘Ide e aprendei o que quer dizer misericórdia – (aquilo que) eu quero – e não sacrifícios, porque eu não vim, de fato, para chamar os justos, mas os pecadores’. Se tu queres ser chamado por Jesus, reconhece-te pecador”.

Francisco exortou os fiéis, portanto, a se reconhecerem pecadores, não de forma abstrata, mas com pecados concretos, que são tantos. “Deixemo-nos olhar por Jesus com aquele olhar misericordioso cheio de amor”, prosseguiu.

E detendo-se ainda no escândalo, o Papa ressaltou que existem tantos. “Existem tantos, tantos. E sempre, também na Igreja hoje. Dizem: “Não, não se pode, é tudo claro, é tudo, não, não… eles são pecadores, devemos afastá-los”. Também tantos Santos são perseguidos ou se levanta suspeitas sobre eles. Pensemos em Santa Joana d’Arc, mandada para a fogueira, porque pensavam que fosse uma bruxa, pensem no Beato Rosmini. “Misericórdia eu quero, e não sacrifícios”. E a porta para encontrar Jesus é reconhecer-se como somos, a verdade. Pecadores. E ele vem, e nos encontramos. É tão bonito encontrar Jesus!”

No perdão está todo o Evangelho, todo o Cristianismo

Rádio Vaticano

Qual é a alegria de Deus? Foi o que perguntou o Papa Francisco na manhã de hoje antes de rezar a Oração mariana do Angelus na Praça São Pedro, cheia de fiéis apesar da chuva que caia sobre a Cidade Eterna.

A resposta do Santo Padre foi imediata: “é perdoar, a alegria de Deus é perdoar! É a alegria de um pastor que reencontra a sua ovelha; a alegria de uma mulher que reencontra a sua moeda; é a alegria de um pai que recolhe em casa, o filho que estava perdido, estava morto, e voltou à vida. Aqui está todo o Evangelho, todo o Cristianismo!

O Papa disse isso recordando que na liturgia deste domingo, lemos o capítulo 15 do Evangelho de Lucas, que contém as três parábolas da misericórdia: a da ovelha perdida, a da moeda perdida, e depois a mais longa de todas as parábolas, típico de Lucas, a do pai e dos dois filhos, o filho “pródigo” e o filho que acredita ser o justo, o santo. Todas estas três parábolas falam da alegria de Deus, da misericórdia de Deus.

“Mas olhem que não é sentimento, não é “ser bonzinho”! Pelo contrário, a misericórdia é a verdadeira força que pode salvar o homem e o mundo do “câncer” que é o pecado, o mal moral, espiritual. Só o amor preenche os espaços vazios, os abismos negativos que o mal abre no coração e na história”.

 

Alegria de Deus é perdoar, diz Papa no Angelus 

“A misericórdia é a verdadeira força que pode salvar o homem e o mundo do ‘câncer’ que é o pecado, o mal moral, espiritual”

Da Redação, com Rádio Vaticano

No Angelus deste domingo, 15, o Papa Francisco afirmou que “a alegria de Deus é perdoar”. “É a alegria de um pastor que reencontra a sua ovelha; a alegria de uma mulher que reencontra a sua moeda; é a alegria de um pai que recolhe em casa, o filho que estava perdido, estava morto, e voltou à vida”.

Apesar da chuva desta manhã, a Praça de São Pedro estava cheia de peregrinos que foram a Roma para ouvir o Santo Padre.

Francisco refletiu sobre a liturgia deste domingo, e afirmou que nesta passagem  (cf. Lc 15) está todo o  Evangelho, todo o Cristianismo. O capítulo 15 do Evangelho de São Lucas contém as três parábolas da misericórdia, e que falam da alegria de Deus: a da ovelha perdida, da moeda perdida e a do filho filho pródigo.

“Mas olhem que não é sentimento, não é ‘ser bonzinho’! Pelo contrário, a misericórdia é a verdadeira força que pode salvar o homem e o mundo do ‘câncer’ que é o pecado, o mal moral, espiritual. Só o amor preenche os espaços vazios, os abismos negativos que o mal abre no coração e na história”.

Papa Francisco destacou que Jesus é todo misericórdia, todo amor: é Deus feito homem. E cada um de nós é a ovelha perdida, a moeda perdida, é o filho que desperdiçou sua liberdade seguindo ídolos falsos, ilusões de felicidade, e perdeu tudo. Entretanto, afirmou o Santo Padre, “Deus não se esquece de nós, o Pai nunca nos abandona. Respeita a nossa liberdade, mas permanece sempre fiel. E quando voltarmos a Ele, nos acolhe como filhos, em sua casa, porque ele não pára nunca, nem por um momento, de nos esperar, com amor. E o seu coração está em festa por cada filho que retorna”.

“Qual é o perigo? Que supomos ser justos, e julgamos os outros. Julgamos também Deus, porque pensamos que deveria punir os pecadores, condená-los à morte, em vez de perdoar. Então, sim, corremos o risco de ficar fora da casa do Pai! Como o irmão mais velho da parábola, que, em vez de ficar feliz porque seu irmão voltou, fica com raiva do pai, que o acolheu e faz festa. Se no nosso coração, não há misericórdia, a alegria do perdão, não estamos em comunhão com Deus, mesmo se observamos todos os preceitos, porque é o amor que salva, não só a prática dos preceitos. É o amor a Deus e ao próximo, que realiza todos os mandamentos”.

Em seguida, o Papa Francisco pediu aos fiéis reunidos na Praça São Pedro que rezassem um instante em silêncio por aquela pessoa com a qual se desentenderam. “Vamos pensar naquela pessoa e em silêncio vamos rezar por ela e assim nos tornaremos misericordiosos com ela”.

O Santo Padre disse ainda que se vivermos de acordo com a lei do “olho por olho, dente por dente”, jamais sairemos da espiral do mal. “O Maligno é inteligente, e nos ilude que com a nossa justiça humana podemos nos salvar e salvar o mundo. Na realidade, somente a justiça de Deus pode nos salvar! E a justiça de Deus se revelou na Cruz: a Cruz é o julgamento de Deus sobre todos nós e sobre este mundo”.

“Mas como Deus nos julga?”, indagou o Papa, e explicou: “Dando a vida por nós! Eis o ato supremo de justiça que derrotou, uma vez por todas, o Príncipe deste mundo; e esse ato supremo de justiça é também ato supremo de misericórdia. Jesus chama todos a seguirem este caminho: ‘Sede misericordiosos, como o vosso Pai é misericordioso’ (Lc 6:36)”.

Beatificação na Argentina

Após o Angelus o Papa Francisco recordou que neste sábado, na Argentina, foi proclamado Bem-aventurado José Gabriel Brochero, um sacerdote da diocese de Córdoba, que nasceu em 1840 e faleceu em 1914.

Impulsionado pelo amor de Cristo, dedicou-se inteiramente ao seu rebanho, para conduzir todos ao Reino de Deus com imensa misericórdia e zelo pelas almas. Ele estava com o povo, e procurava levar muitos aos exercícios espirituais. No final da vida, ficou cego e leproso, mas cheio de alegria, da alegria do Bom Pastor!

“Gostaria de unir-me à alegria da Igreja na Argentina pela beatificação deste pastor exemplar, que percorreu incansavelmente com uma mula, os caminhos áridos de sua paróquia, procurando casa por casa, as pessoas a ele confiadas para levá-las a Deus. Peçamos a Cristo, por intercessão do novo Beato, que se multipliquem os sacerdotes que, imitando Brochero, entreguem as suas vidas ao serviço da evangelização, de joelhos diante do Crucifixo, como também testemunhando em todos os lugares o amor e a misericórdia Deus”.

Semana Social dos Católicos italianos

O Papa lembrou ainda que neste domingo, em Turim, norte da Itália se conclui a Semana Social dos católicos italianos, sobre o tema “Família, esperança e futuro para a sociedade italiana.”

“Saúdo todos os participantes e congratulo-me pelo grande compromisso que existe na Igreja na Itália para com as famílias e pelas famílias, e isso é também um forte estímulo para as instituições e para todo o país. Coragem! Continuem neste caminho!”, concluiu o Papa.

Enfim concedeu a todos a sua Benção Apostólica.

A Igreja como família de Deus

Na audiência geral, quarta-feira, 29 de maio  de 2013, André Alves / Da redação

“A Igreja é uma família em que se ama e é amado”, disse o Santo Padre

“Mas é a Igreja que nos leva a Cristo, que nos leva a Deus, a Igreja é a grande família dos filhos de Deus”, ressaltou o Papa Francisco. (FOTO: L’Osservatore Romano)

Na catequese desta quarta-feira, 29, o Papa Francisco iniciou um novo ciclo de ensinamentos. O Pontífice fará, a partir de então, reflexões sobre o mistério da Igreja, explorando algumas expressões contidas nos textos do Concílio Vaticano II, partindo da primeira que trata da Igreja como família de Deus.

Durante a audiência geral, Francisco voltou a citar o Papa emérito Bento XVI, recordando sua afirmação de que a Igreja é obra de Deus, nascida de Seu plano de amor e que se concretiza progressivamente na história. “A Igreja nasce do desejo de Deus de chamar todo homem à comunhão com Ele, à Sua amizade e a participar como filhos de sua vida divina”, acrescentou o Pontífice.

O Santo Padre também criticou aqueles que dizem crer no Cristo, mas não crêem na Igreja, assim como, aqueles que afirmam: “eu acredito em Deus, mas não nos sacerdotes”. Segundo o Papa, é a Igreja que leva Cristo aos homens e também os leva a Deus, assim, afirmou Francisco, “a Igreja é a grande família dos filhos de Deus”.

No entanto, o Papa também reconheceu os aspectos humanos da Instituição, evidentes naqueles que a compõem – pastores e fiéis. “Há defeitos, imperfeições, pecados e o Papa também os tem e são muitos, mas o belo é que, quando nos damos conta de que somos pecadores, encontramos a misericórdia de Deus, que sempre perdoa. Não se esqueça: Deus sempre perdoa e nos recebe em seu amor de perdão e misericórdia”.

Enfatizando o tema central da audiência, o Papa destacou que a Igreja é uma família na qual se ama e se é amado. “Na família de Deus, na Igreja, a seiva vital é o amor de Deus que se constitui em amá-Lo e amar os outros, todos, sem distinção e medida.”

Diante disso, Francisco questionou os católicos a cerca do amor que se tem pela Igreja e como os mesmos estão cuidando desta Instituição que, segundo Francisco, é uma obra de inspiração de divina, gerada no coração de Deus.

“Nos perguntemos hoje: quanto amo a Igreja? Rezo por ela? Eu me sinto parte da família da Igreja? O que faço para que seja uma comunidade onde todos se sintam acolhidos e compreendidos, sintam a misericórdia e o amor de Deus que renova a vida?”, interrogou.

O Papa encerrou a catequese pedindo a Deus que, especialmente neste Ano da Fé, as comunidades católicas e toda a Igreja sejam cada vez mais verdadeiras famílias que vivam e levem o calor de Deus ao mundo.

 

Catequese
Praça de São Pedro, Vaticano
Quarta-feira, 29 de maio de 2013

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Quarta-feira passada eu abordei o vínculo profundo entre o Espírito Santo e a Igreja. Hoje gostaria de começar algumas reflexões sobre o mistério da Igreja, mistério que todos nós vivemos e do qual fazemos parte. Quero utilizar expressões contidas nos textos do Concílio Vaticano II.

Hoje, a primeira: a Igreja como Família de Deus.

Nos últimos meses, mais de uma vez eu fiz referência à Parábola do Filho Pródigo, ou melhor, do Pai Misericordioso (cf. Lc 15:11-32). O filho mais novo deixa a casa do pai, desperdiça tudo e decide voltar porque percebe que cometeu um erro, mas já não é considerado digno de ser filho e pensa em poder ser recebido de volta como servo. Mas o pai corre ao seu encontro e o abraça, lhe restitui de volta sua dignidade de filho e faz festa. Esta parábola, como outras no Evangelho, mostra bem o desígnio de Deus para a humanidade.

Qual é este plano de Deus? É fazer de todos nós uma única família de filhos, em que cada um se sinta próximo e amado por Ele, como na parábola do Evangelho, sinta o calor de ser família de Deus. Neste grande projeto, encontra sua raiz na Igreja, que não é uma organização fundada por pessoas, mas – como nos recordou tantas vezes o Papa Bento XVI – é obra de Deus, nasceu exatamente deste plano de amor que se concretiza progressivamente na história. A Igreja nasce do desejo de Deus de chamar todo homem à comunhão com Ele, à Sua amizade e a participar como filhos de sua vida divina. A própria palavra “Igreja”, do grego ekklesia, significa “convocação”: Deus nos chama, nos impulsiona a sair do individualismo, da tendência de nos fechar em nós mesmos e nos chama a fazer parte de sua família. E este chamado tem origem na própria criação. Deus nos criou para que vivêssemos em uma relação de profunda amizade com Ele e até mesmo quando o pecado quebrou esta relação com Deus, com os outros e com a criação, Deus não nos abandonou. Toda a história da salvação é a história de Deus que busca o homem, oferece-lhe seu amor, o acolhe. Ele chamou Abraão para ser o pai de uma multidão, escolheu o povo de Israel para firmar uma aliança que abraçasse todas as nações e enviou, na plenitude dos tempos, seu Filho, para que seu plano de amor e salvação fosse realizado em uma nova e eterna aliança com toda a humanidade. Quando lemos os Evangelhos, vemos que Jesus reúne em torno de si uma pequena comunidade que acolhe a sua palavra, segue-o, compartilha sua jornada, se torna Sua família e com esta comunidade Ele prepara e constrói Sua Igreja.

Onde nasce a Igreja, então? Nasce do supremo ato de amor na Cruz, do lado trespassado de Jesus, de onde jorram sangue e água, símbolo dos sacramentos da Eucaristia e do Batismo. Na família de Deus, na Igreja, a seiva vital é o amor de Deus que se constitui em amá-Lo e amar os outros, todos, sem distinção e medida. A Igreja é uma família em que se ama e é amado.

Quando se manifesta a Igreja? Celebramos esse momento há dois domingos. Se manifesta quando o dom do Espírito Santo enche o coração dos Apóstolos e os impele a sair e começar o caminho para anunciar o Evangelho, espalhar o amor de Deus.

Mesmo hoje em dia, alguém diz: “Cristo sim, a Igreja não”. Como aqueles que dizem “eu acredito em Deus, mas não nos sacerdotes”. Mas é a Igreja que nos leva a Cristo, que nos leva a Deus, a Igreja é a grande família dos filhos de Deus. Claro que há também aspectos humanos, naqueles que a compõem, pastores e fiéis, há defeitos, imperfeições, pecados e o Papa também os tem e são muitos, mas o belo é que, quando nos damos conta de que somos pecadores, encontramos a misericórdia de Deus, que sempre perdoa. Não se esqueça: Deus sempre perdoa e nos recebe em seu amor de perdão e misericórdia. Alguns dizem que o pecado é uma ofensa a Deus, mas também uma oportunidade de humilhação para perceber que não há nada mais belo: a misericórdia de Deus. Pensemos nisso.

Nos perguntemos hoje: quanto amo a Igreja? Rezo por ela? Eu me sinto parte da família da Igreja? O que faço para que seja uma comunidade onde todos se sintam acolhidos e compreendidos, sintam a misericórdia e o amor de Deus que renova a vida? A fé é um dom e um ato que nos afeta pessoalmente, mas Deus nos chama a viver a nossa fé juntos, como família, como Igreja.

Peçamos ao Senhor, de maneira especial neste Ano da Fé, que as nossas comunidades, toda a Igreja, sejam cada vez mais verdadeiras famílias que vivem e levam o calor de Deus.

20 conselhos do Papa Francisco aos recém-casados

Regra de Ouro
http://formacao.cancaonova.com/relacionamento/casamento/20-conselhos-do-papa-francisco-aos-recem-casados/

Momento especial para os recém-casados receber os conselhos do Santo Padre
Ao final das audiências gerais, já se tornou costume a saudação do Papa a casais recém-casados. Um momento muito especial para essas pessoas que iniciam uma vida a dois receber a benção do Santo Padre. Em primeiro lugar, Francisco elogia a coragem dos jovens por terem escolhido o matrimônio porque, segundo o Papa, casar “requer muita coragem”. Ao longo do ciclo de catequeses direcionadas às famílias, selecionei 20 conselhos aos novos casais:

Conselhos
1. Façam a experiência do amor gratuito como é o amor de Deus pela humanidade.
2. A mansidão dos santos indique a vocês o estilo das relações entre os cônjuges na família.
3. A fortaleza da santidade até o martírio aponte os valores que verdadeiramente valem a pena na vida familiar.
4. Amem a vida que é sempre sagrada, apesar de marcada por fragilidade e doenças.
5. As obras de misericórdia ajudem vocês a viverem a existência conjugal abrindo-a à necessidade dos irmãos.
6. Encontrem na aliança que, Cristo assumiu com Sua Igreja a preço de Seu Sangue, a base a do pacto conjugal de vocês.
7. Construam sua família sobre o mesmo amor que uniu José à Virgem Maria.
8. Desejo de coração que vocês cresçam na generosa disponibilidade em relação ao Senhor, seguindo o exemplo da Virgem Santa.
9. Coloquem Deus no centro para que sua história conjugal tenha mais amor e mais felicidade.
10. Vivam o matrimônio em concreta adesão a Cristo e aos ensinamentos do Evangelho.
11. Vivam o seu amor imitando o amor misericordioso de Jesus.

Virgem Maria
12. Aprendam da Virgem Maria a conceder espaço à escuta da Palavra de Deus e à prática da caridade, vivendo com alegria a pertença à Igreja, à família dos discípulos do Cristo Ressuscitado.
13. A cruz cotidiana seja a referência de vocês para que a vida familiar seja uma lareira de oração e recíproca compreensão.
14. Aprendam a cultivar a devoção à Mãe de Deus pedindo-a para que não falta nunca na casa de vocês o amor e o respeito recíproco.
15. O amor à Eucaristia nutrido pelos santos estimule vocês a fundar a família sobre o amor de Deus.
16. O apostolado dos santos nas periferias convide vocês a ajudar os mais frágeis e necessitados da família.
17. A Devoção ao Sagrado Coração de Jesus e ao Coração Imaculado de Maria sustente vocês no caminho conjugal e na educação com amor dos filhos que o Senhor quiser lhes dar.
18. No caminho que vocês assumiram, busquem a Eucaristia para que nutridos de Cristo sejam famílias cristãs tocadas pelo amor do Coração de Jesus.

Santa Mônica
19. Confiemos à intercessão de Santa Mônica, mãe de Santo Agostinho, os recém-casados e os pais cristãos para que como Mônica, acompanhem com o exemplo e com a oração o caminho dos filhos.
20. Santa Maria seja o modelo no caminho conjugal de dedicação e fidelidade.

Rodrigo Luiz dos Santos é Missionário, cursou Filosofia e é Jornalista. Atualmente, apresenta o programa ‘Manhã Viva’ na TV Canção Nova e é chefe de reportagem da Central de Jornalismo na mesma emissora. Rodrigo Luiz é casado com Adelita Stoebel, também missionária da Canção Nova, e pai de Tobias.

A fé é o motivo da grandeza de Maria

Sábado, 15 de agosto de 2015, Da redação, com Rádio Vaticano

A Praça São Pedro presenciou um Angelus especial neste sábado, 15, por ocasião da Solenidade da Assunção de Maria, celebrada por toda a Igreja

Mesmo com o tempo instável, milhares de fiéis de diversos países foram ouvir as palavras do Papa Francisco neste sábado, 15, no primeiro Angelus, em 61 anos, rezado no Vaticano, na Solenidade da Assunção de Maria. Pela tradição, era sempre rezado em Castel Gandolfo, residência de verão dos Papas.

A passagem da visita de Maria a sua prima Isabel – trecho do Evangelho proposto pela liturgia do dia – revela, segundo o Papa, “o motivo mais verdadeiro da grandeza de Maria”: a fé. De fato, Isabel a saúda com estas palavras: “Bem-aventurada aquela que acreditou, porque vai acontecer o que o Senhor lhe prometeu”.

“A fé é o coração de toda a história de Maria; ela é fiel, a grande fiel; ela sabe – e o disse – que na história pesa a violência dos prepotentes, o orgulho dos ricos, a arrogância dos soberbos. Todavia, Maria acredita e proclama que Deus não deixa sozinhos os seus filhos, humildes e pobres, mas os socorre com misericórdia, com solicitude, derrubando os poderosos de seus tronos, dispersando os orgulhosos nas tramas de seus corações. Esta é a fé de nossa Mãe, esta é a fé de Maria!”, explicou o Papa.

Francisco explicou que o “Cântico de Nossa Senhora” deixa também intuir que se a misericórdia de Deus é o “motor da história”, então não “poderia conhecer a corrupção do sepulcro aquela que gerou o Senhor da vida”. E as ‘grandes coisas’ que Deus fez em Maria, dizem respeito também aos fiéis que creem, pois fala da vida humana e os recordam a meta que os espera: “a casa do Pai”.

“A nossa vida, vista à luz de Maria assunta ao Céu, não e uma ociosidade sem sentido, mas é uma peregrinação que, mesmo com todas as suas incertezas e sofrimentos, tem uma meta segura: a casa de nosso Pai, que nos espera com amor. É bonito pensar nisto: que nós temos um Pai que nos espera com amor e que também a nossa Mãe Maria está lá, e nos espera com amor”.

Para o Papa, Maria é sinal de consolação e de segura esperança e que, como Igreja, somos destinados a partilhar de Sua glória, “porque, graças a Deus, também nós acreditamos no sacrifício de Cristo na cruz e através do Batismo, somos inseridos em tal mistério de salvação”.

“Hoje todos juntos rezemos a ela, para que, enquanto se desvela o nosso caminho sobre a terra, ela nos dirija os seus olhos misericordiosos, ilumine o nosso caminho, nos indique a meta, e nos mostre depois deste desterro Jesus, o fruto bendito do seu ventre. Ó clemente, ó piedosa, ó doce Virgem Maria!”, concluiu o Pontífice.

Pai, onde está o seu filho?

Pai, você sabe o que representa para o seu filho? E o que seu filho representa para você?

“Agora, diz o Senhor, voltai para mim com todo o vosso coração, com jejuns, lágrimas e gemidos; rasgai o coração e não as vestes; volte o Senhor vosso Deus: ele é benigno, e compassivo, paciente e cheio de misericórdia” (Joel 2, 12-13). Essa reflexão é para aquele pai que perdeu o endereço do seu filho e quer reencontrá-lo.

Lendo o livro ‘Eu e Deus, Deus e Eu’, da autora Cristiana Miranda Lima, fiquei pensando que ali estaria o jeito certo de iniciar este escrito. A autora nos provoca a pensar sobre a importância de nos apresentarmos a Jesus como somos e com o que trazemos dentro de nós. “Se teu coração já não cabe em você de tanta dor e sofrimento, traga-o, em lágrimas e gemidos, com todas as feridas, e junte-o ao coração de Jesus. O Sangue d’Ele vai curar o seu coração. Jesus é misericordioso e zela por você, porque n’Ele nasce e morre todos os nossos sentimentos”, assegura Cristiana Lima. Pois bem, queremos apresentar a esperança e o consolo a todos os pais que tanto desejaram ser pai, mas as circunstâncias mudaram os seus planos. Quer seja pela morte de um filho, uma separação indesejada, o abandono dos seus rebentos ou até mesmo, por não terem conseguido cumprir a sua missão dignamente, e hoje, se encontra só, arrependido, com o coração cheio de lágrimas e gemidos a Jesus.

Pai, onde está o teu filho?

Volte para o Senhor e, juntamente com você, traga o seu filho. Este seria, sem dúvida, um bom retorno. Não voltar sozinho, mas acompanhado de quem você permitiu que viesse ao mundo. Assim, grandes serão as possibilidades de perdão, reencontro, amor, compromisso e aceitação. O Senhor é benigno, compassivo, paciente e cheio de misericórdia para acompanhá-lo nesse retorno. O Senhor é aquele que larga as noventa e nove ovelhas e sai em uma busca de uma. Podemos imaginar o que ele não faria para obter uma família de volta; em especial, um relacionamento saudável entre pai e filho. Eu o convido a pensar na figura do Pai que esteve fora do lugar, mas que decidiu reconquistar o que nunca havia perdido: o amor do filho.

Pai, onde está o seu filho?

Ao entrar em uma casa de assistência aos idosos, observamos tantos pais ali presentes. Sem nenhum julgamento, a curiosidade pesa sobre as causas que os levaram a morar naquele espaço sem a presença da família. Assim também imagino o que levaria uma criança ou um adolescente, um jovem… Enfim, um filho a passar o dia na rua ou diante do WatsApp em busca de uma companhia virtual. Compreendo a semelhança entre o idoso na casa de abrigo, na maioria das vezes abandonado pela família, e esse adolescente na casa de abrigo conhecido como “internet”. Essa prática é consequência da indisciplina dos cuidadores.

Todos, com certeza, queriam estar em suas casas, ao redor da mesa, recebendo diariamente o carinho dos filhos; e os filhos, por sua vez, mesmo que não transpareçam, querendo ser alcançados pelos seus pais. Não é a proibição do computador que vai trazer de volta o filho à mesa, mas a inteligência do pai redimido ao reconhecer que se deixou ser substituído. É a brincadeira, o diálogo saudável, o ambiente alegre, a relação sólida entre pai e filho. É o cultivo da fé que manterá essa chama acesa.

E agora, José, onde estão os seus filhos?

Os pais precisam permitir que seus filhos os alcancem. Filhos precisam alcançar os pais quando pequenos, para que estes possam continuar lhes alcançando por toda a vida. Quem não alcança quem quer no tempo certo, perde-se desse alguém em algum tempo, não é mesmo? Portanto, de tudo fica a certeza de que os filhos não podem perder o pai de vista, e o pai deve aprender como e quando alcançar o filho que nasceu para ser seu para sempre.

Atenção, pais, aos filhos que não lhes correspondem, porque esses também correm o risco de ser abandonados. Os filhos que se assumiram homossexuais, aqueles outros envolvidos com drogas, os que não se formaram doutores, as filhas que não casaram com um bom partido ou aquelas que preferiram a prostituição também precisaram estar na consciência do seu coração. Ainda há tempo, e se assim fizer, não mais precisará continuar se apresentando ao Senhor com o coração cheio de lágrimas e gemidos, mas agradecido a Deus, por ter feito um caminho de volta a partir do reconhecimento das suas faltas.

Pai, busque o seu filho de volta

Que, ao terminar de ler este texto, seu coração e seus pensamentos estejam em movimento. Você se sentirá um pai perdoado por Deus e acolhido pela missão que, em algum momento da vida, quis ter. Pai, o seu filho precisa estar ao lado de alguém que não desistiu de ser pai dele. Lembre-se: “Maria é aquela que sabe transformar um curral de animais na casa de Jesus, com uns pobres paninhos e uma montanha de ternura” (Exortação Apostólica – A Alegria do Evangelho do Papa Francisco). Faça você o mesmo em sua casa.

Judinara Braz
Administradora de Empresa com Habilitação em Marketing. Psicóloga especializada em Análise de Comportamento. Autora do Livro “Sala de Aula, a vida como ela é.” Diretora Pedagógica da Escola João Paulo I – Feira de Santana (BA).

Na catequese, Papa fala do perdão como “motor da esperança”

Quarta-feira, 9 de agosto de 2017, Da Redação, com Rádio Vaticano

Reflexão foi centrada na misericórdia de Jesus; Papa lembrou que Igreja é feita de pecadores que experimentam o perdão de Deus

“O perdão divino, motor da esperança” foi o tema da catequese do Papa Francisco nesta quarta-feira, 9, para cerca de sete mil pessoas na Sala Paulo VI.

A reflexão partiu de um trecho do Evangelho de Lucas, em que Jesus, convidado à casa do fariseu Simão, perdoa os pecados de uma mulher que se inclinou sobre seus pés para lavá-los com óleo perfumado. Francisco comentou a reação dos convidados de Simão ao ver Jesus perdoar a pecadora, um gesto considerado ‘escandaloso’. Segundo a mentalidade da época, Jesus, profeta, não deveria permitir que a mulher se inclinasse sobre seus pés para lavá-los com perfume; a separação entre o santo e o pecador, entre o puro e o impuro, deveria ser nítida.

“Desde o início do seu ministério público, Jesus aproxima-Se e deixa aproximar de Si leprosos, endemoniados, doentes e marginalizados. Quando encontra uma pessoa que sofre, Ele assume como próprio o sofrimento dela: não prega que este sofrimento se deve suportar heroicamente, mas faz Sua aquela pena”.

Segundo o Papa, é este o comportamento que caracteriza o cristianismo: a misericórdia. Jesus sente compaixão. Onde houver um homem ou uma mulher sofrendo, Jesus vai querer a sua cura, sua libertação e sua vida plena. E é por isso, explicou, que Ele acolhe os pecadores de braços abertos.

“Quanta gente perpetua numa vida de erros por não encontrar ninguém que os veja com os olhos diferentes, com o coração de Deus, ou seja, com esperança? Jesus entrevê uma possibilidade de ressurreição mesmo para quem fez um monte de opções erradas”.

Essa atitude, porém, levou Jesus à Cruz, ressaltou o Santo Padre. Jesus foi crucificado sobretudo porque perdoa os pecados, porque quer a libertação total, definitiva do coração do homem. Assim, os pecadores são perdoados; Jesus oferece a quem errou a esperança de uma vida nova.

O Santo Padre acrescentou ainda uma reflexão sobre a Igreja. “Nos faz bem pensar que Deus não escolheu como primeira massa para formar a sua Igreja as pessoas que não erravam nunca. A Igreja é um povo de pecadores que experimentam a misericórdia e o perdão de Deus”.

Ele destacou, por fim, que todos somos pobres pecadores, carentes da misericórdia de Deus, que tem a força de transformar e de oferecer esperança, todos os dias. Concluindo, o Papa completou: “A quem compreendeu esta verdade basilar, Deus confia a missão mais bela do mundo: o anúncio de uma misericórdia que Ele não nega a ninguém”.

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