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Papa pede que fiéis se questionem: “Eu sou cristão do dizer ou do fazer?”

Quinta-feira, 6 de dezembro de 2018, Da redação, com Vatican News
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Durante homilia da missa desta quinta-feira, 6, Francisco refletiu sobre palavras que marcam caminhos opostos da vida cristã

Papa celebra a missa na Casa Santa Marta/ Foto: Vatican Media

Na homilia da missa desta quinta-feira, 6, o Papa Francisco, referindo-se ao Evangelho do dia, de São Mateus, e à Primeira Leitura extraída do livro do Profeta Isaías, indicou uma série de palavras em contraste umas com as outras, sendo as primeiras, as palavras “dizer e fazer”, que marcam dois caminhos opostos da vida cristã:

“O dizer é um modo de acreditar, mas muito superficial, na metade do caminho: eu digo que sou cristão, mas não faço as coisas do cristão. É um pouco – para dizê-lo simplesmente – maquiar-se como cristão: dizer somente é um truque, dizer sem fazer. A proposta de Jesus é concretude, sempre concreto. Quando alguém se aproximava e pedia conselho, sempre coisas concretas. As obras de misericórdia são concretas”, afirmou o Santo Padre.

As outras duas palavras em contraste são “areia e rocha”. “A areia não é sólida, é uma consequência do dizer, um maquiar-se como cristão, uma vida construída sem fundamentos. A rocha, ao invés, é o Senhor. É Ele, a força. Mas muitas vezes quem confia no Senhor não aparece, não tem sucesso, está escondido … mas é firme. Não tem a sua esperança no dizer, na vaidade, no orgulho, nos efêmeros poderes da vida … O Senhor, a rocha. A concretude da vida cristã nos faz ir avante e construir sobre aquela rocha que é Deus, que é Jesus; sobre o sólido da divindade. Não sobre as aparências ou as vaidades, o orgulho, as recomendações… Não. A verdade”, refletiu o Pontífice.

“O terceiro binômio, alto e baixo, contrapõe os passos dos orgulhosos, dos vaidosos aos passos dos humildes”, comentou o Papa. Recordando a Primeira Leitura extraída do livro do profeta Isaías, Francisco destacou que o Senhor derrubou os que habitam no alto, humilhando a cidade orgulhosa, deitando-a por terra, até fazê-la beijar chão: “Hão de pisá-la os pés, os pés dos pobres, as passadas dos humildes”. Neste trecho, do texto do profeta Isaías, o Santo Padre ressaltou a semelhança com o canto de Nossa Senhora, o Magnificat. “O Senhor eleva os humildes, os que estão na concretude de todos os dias, e abate os soberbos, os que construíram a sua vida na vaidade, no orgulho…estes não duram”.

Por fim, Francisco pediu aos fiéis que aproveitem o tempo litúrgico do Advento, para se questionarem: “Eu sou cristão do dizer ou do fazer? Construo a minha vida sobre a rocha de Deus ou sobre a areia da mundanidade, da vaidade? Sou humilde, procuro caminhar sempre por baixo, sem orgulho, e assim servir o Senhor?”.

A morte e a vida eterna

1- O mundo passa. A vida é breve. A morte é certa. Quem faz o bem e cumpre o dever não precisa ter medo da morte, pelo contrário, espera a vida. O bem já é o céu antecipado. Nosso corpo na eternidade será glorioso, incorruptível, espiritual, imortal. O que parece ser um fim, um fracasso é na verdade um começo, um início. Quem tem fé já vive o início da festa eterna.

2- O cemitério é uma cidade viva. Sim, ali está viva a saudade e a recordação da vida dos nossos entes queridos. É cidade da saudade, da esperança na ressurreição, cidade que leva a pensar e até a mudar de vida. É a cidade da igualdade social, da paz, da transformação da morte em vida.

3- Os túmulos são também berços. Deus promete abrir os túmulos e então nascemos para a nova vida junto Dele. Eis o início da nova vida. A morte é fim da vida terrena e início da vida nova, da plenitude da vida. Descemos para o seio da terra e entramos no seio de Abraão, isto é, de Deus. Descemos ao túmulo, para subir aos céus. Voltamos para a terra para voltar ao Criador e com Ele conviver.

4- Levamos flores, neste dia. A flor vem de uma semente e de um botão que morreu. Eis o que é a páscoa pessoal. A flor é o símbolo de nossa realidade pascal. Ela é também sinônimo de gratidão, respeito, carinho, homenagem para quem esteve entre nós e está vivo em Deus, no jardim celeste e suas mansões. Transformemos o deserto em jardim.

5- No dia de finados costumamos acender velas. De fato, a luz das boas obras que nossos mortos praticaram ainda ilumina. O esplendor do bem, a luminosidade do amor não passa. O bem não morre. A vela acesa é símbolo da fé que transforma as trevas em luz e projeta o futuro. Somos como velas que quanto mais se consomem, tanto mais iluminam. Brilhe vossas boas obras, pediu Jesus.

6- Finados é dia de reflexão, de retiro, de interiorização. A morte nos faz todos iguais. Acabam as classes sociais. A morte faz pensar. Ela é escola de filosofia. Impele a vencer ilusões, enganos porque ajuda a parar, a rezar, a rever a vida. A morte faz parte da vida, é nossa irmã. Ela é parto e porta para a plenitude, a glória, a eterna felicidade. Morte é passagem para outra margem, é ponte que leva ao rumo certo.

7- As coroas sobre os túmulos querem lembrar a coroação da vida, do bem, do amor que os nossos mortos realizaram. No céu seremos coroados pela Santíssima Trindade, tomaremos posse do reino. A vida termina com o coroamento da pessoa humana, chamada a reinar com Cristo. Quem combateu o bom combate, receberá a coroa da glória.

8- A morte é benção porque através dela entramos na vida. Ela é condição para a glorificação dos pecadores perdoados. A face do Senhor é vossa verdadeira pátria. A morte não é inimiga, porque ela ajuda a viver com retidão e a praticar a justiça, o bem, o amor. Pensar na morte não é patologia, é sabedoria. “Pensa na morte e não pecarás”. Diante dos túmulos nós rezamos: “tu foste o que eu sou, eu serei o que tu és”.

9- A pior morte é o pecado, ou seja, a morte espiritual. A boa morte que devemos desejar e pedir, é a morte do egoísmo, do mal, do pecado, portanto a morte mística que nos torna altruístas, servidores, solidários. A morte biológica foi vencida pela ressurreição do Senhor. Jesus matou a morte. Somos seres de esperança.

10- Levaremos o amor com que fizemos todas as coisas. O amor não passa, o bem é eterno, a alma é imortal. Nossas boas obras são passaporte para o céu. Nossa vida não é tirada, mas transformada. A promessa de Jesus a quem se converte é esta: “hoje estarás comigo no paraíso”. Não há reencarnação na fé cristã. O sangue de Jesus é que salva e a fé nos torna justos, puros, santos, agradáveis a Deus. Um gesto de amor vale mais que toda beleza das coisas e a massa do universo. Somos uma cloaca, diz Pascal, que o sangue de Jesus lavou e perfumou. Nossa grandeza está em reconhecer nossa miséria e confiar na misericórdia.

 

A MORTE NA VIDA CRISTÃ

No ano 2006, Bento XVI dirigiu um discurso aos fiéis, começando com estas palavras: “Nestes dias, que se seguem à comemoração dos fiéis defuntos, celebra-se em muitas paróquias o oitavário dos defuntos. Uma ocasião propícia para recordar na oração os nossos familiares e meditar sobre a realidade da morte, que a chamada “civilização do bem-estar” muitas vezes procura remover da consciência do povo, completamente absorvida pelas preocupações da vida quotidiana. Morrer, na realidade, faz parte do viver, e isto não só no fim, mas, considerando bem, em cada momento” (Ângelus, 5-XI-2006). Paradoxalmente a reflexão sobre a morte ajuda a viver em plenitude a vida presente, pois só quem tem clara a meta – o destino eterno – é que sabe para onde está dirigindo os seus passos.

Uma realidade da qual não é possível fugir

Um antigo conto narra que um funcionário real ao abrir a porta de casa deu de cara com a morte. Ele ficou apavorado, mas viu que também a morte parecia surpresa de encontrá-lo. Rapidamente se dirigiu ao seu senhor para expor a situação e pedir o melhor cavalo para fugir bem longe. Foi-lhe concedido o seu desejo e começou uma fuga a toda velocidade. Ao cair da noite o cavalo não conseguia dar mais um passo. Ele próprio estava bem cansado, mas ainda conseguiu caminhar um bom trecho até que esgotado deitou ao pé de uma grande árvore. Pouco depois viu a morte se aproximar dele calmamente, e antes de que pudesse pegá-lo pediu licença para fazer uma pergunta. “Por que hoje ao abrir a porta e ver-me você se surpreendeu?”. E a morte respondeu: “Eu sabia que devia te pegar hoje a noite ao pé desta árvore, mas como estávamos tão longe pensei: Como será que ele vai fazer para chegar até aqui?”. O conto ilustra bem a nossa relação com a morte, e dá para tirar uma primeira conclusão: Já que não é possível fugir dela, é melhor encará-la.

O padre Antônio Vieira escreve num sermão que “três coisas fazem duvidosa, perigosa e terrível a morte. Ser uma, ser certa, e ser momentânea (…) E de todas estas dificuldades e perigos se livra seguramente só: quem? Quem não guarda a morte para a morte, quem acaba a vida antes de morrer, quem se resolve a ser pó antes de ser pó: pulvis es”  (Sermão2 da IV de Cinzas, n II). Vale pois a pena dedicar um tempo da vida a meditar na morte… e treinar para esse momento, não seja que nos pegue de surpresa e não saibamos como fazer quando ela se apresentar.

Uma pintura e uma reflexão (de um santo)

Juan de Valdés Leal (1622-1690) foi um artista famoso pelas pinturas que realizou para o Hospital da Caridade de Sevilha sobre a brevidade da vida e a caducidade dos bens temporais. Uma das mais famosas leva por título Finis gloriae mundi (O fim da glória do mundo). Certamente não é uma pintura alegre… mas ajuda a pensar.

Ao contemplar a imagem é fácil observar os detalhes. No lado esquerdo, há uma coruja e, voando por cima dela, um morcego, símbolos das trevas. No primeiro plano, o caixão aberto de um bispo paramentado (com mitra e báculo) e, junto dele, o cadáver de um cavaleiro com a capa da Ordem de Calatrava, referências diretas à morte.

No centro da composição, aparece uma referência ao juízo particular da alma após o falecimento: a mão chagada de Jesus – envolta por uma luz dourada – segura uma balança de dois pratos. No lado esquerdo, decorado com as palavras “Ni más” (nem mais) aparecem os símbolos dos pecados capitais, caminho da condenação eterna. No direito, que tem a inscrição “Ni menos” (nem menos),  mostram-se símbolos da virtude, da oração e da penitência. Segundo a opinião de Jonathan Brown  “o significado fica totalmente claro por causa das palavras pintadas em cada prato: não é preciso fazer mais (do que está representado) para cair no pecado, nem é preciso fazer menos (das virtudes que se mostram nesse prato) para sair do pecado” (Imágenes e ideas en la pintura española del siglo XVII).

Não apenas os críticos de arte fazem referência a esta obra, também os santos. Um deles escreveu: “Aqueles quadros de Valdez Leal, com tantos “restos” ilustres – bispos, cavaleiros – em viva podridão, parece-me impossível que não te impressionem [“muevan”, lemos no original espanhol]. Mas… e o gemido do duque de Gandia: Não mais servir a senhor que me possa morrer?” (São Josemaria Escrivá, Caminho, n.742). Em verdade o pensamento da morte é sobre o futuro para aprender a viver o presente.

O padre Vieira perguntava-se: “Como se aprende a escrever?”. E respondia: “Escrevendo”. E continuava: “Assim também se há de aprender a morrer não só meditando, mas morrendo”. E concluía: “Se quereis morrer bem (como é certo que quereis) não deixeis o morrer para a morte, morrei em vida; não deixeis o morrer para a enfermidade e para a cama, morrei na saúde e em pé” (Pe. Vieira, Sermão2 da IV de Cinzas, n III). Como só morremos uma vez, vale a pena saber como fazê-lo e, pelo menos, pensar nisso. É triste ficar sabendo de alguns que são expressão viva do que escreveu Blaise Pascal: “Não tendo os homens podido curar a morte, a miséria, a ignorância, acharam de bom aviso, para se tornarem felizes, não pensar nisso” (Pensamentos, art. XXI, XIV)… É a miséria humana!

Para fechar esta primeira parte resta só falar brevemente da personagem que São Josemaria Escrivá citava: O duque de Gandia. Quem ele era?

Com o apelido de “Duque de Gandia” se faz referência a São Francisco de Borja, por ser esse o titulo nobiliárquico que herdou da família. Ao falecer a imperatriz Isabel de Portugal, esposa de Carlos V, Francisco de Borja foi um dos nobres que acompanhou a procissão funerária desde Toledo até Granada. A data escolhida para o sepultamento foi o dia 17 de Maio de 1539. Mas antes disso os nobres que tinham acompanhado a procissão deviam reconhecer o cadáver jurando que era o da imperatriz. Ao chegar a vez de Francisco, perante esse corpo, que já foi belo mas que agora estava se descompondo, ele fez este propósito: “Não mais servir a Senhor que possa morrer”. Foi o primeiro passo de uma mudança de vida. Seria realmente arriscado deixar a reflexão sobre a morte para o último momento da vida!

Uma visão nova

Na verdade o pensamento sobre a morte não é apenas uma consideração sobre a brevidade da vida, ou sobre o sentido passageiro das coisas materiais. Para os cristãos, porém, tem um sentido mais profundo, que nasce da consciência de que Jesus Cristo venceu a morte, morrendo. Ele revolucionou o sentido da morte com o seu ensinamento, mas sobretudo enfrentando-a Ele próprio. “Com um Espírito que não podia morrer Cristo matou a morte que matava o homem” (Melitão de Sardes, Sobre a Páscoa, 66).

“O Filho de Deus quis desta forma (morrendo Ele próprio), partilhar até ao fim a nossa condição humana, para reabri-la à esperança. Em última análise, Ele nasceu para poder morrer, e assim, nos libertar da escravidão da morte. Diz a Carta aos Hebreus: experimentou ‘a morte em favor de todos’ (Hb 2, 9). Desde então, a morte já não é a mesma: foi privada, por assim dizer, do seu veneno” (Bento XVI, Ângelus, 5-XI-2006). A grande novidade é que Cristo, com a sua morte, abriu-nos as portas do céu: Agora, para quem quiser, é possível entrar nele. Que mistério profundo coloca diante de nossos olhos! Que grande mudança na compreensão da morte!

São João afirma que, em Cristo, a vida humana é “passagem deste mundo para o Pai” (Jo 13, 1). Por isso para o cristão a hora da morte é o momento no qual o trânsito para a eternidade realiza-se de maneira concreta e definitiva. O cristianismo deu um sentido novo a morte tão forte que até o local dos sepultamentos mudou de nome: de necrópole (cidade dos mortos) passou para cemitério (lugar para dormir). Em outras palavras, as sepulturas deixaram de ser lugares perenes para virar estações de passagem. Esta é a grande mudança que vale a pena não esquecer nunca: A morte é uma porta para a vida: “A vida é transformada, não tirada” (Prefácio I de Defuntos).

Os cristãos dos primeiros séculos tinham bem presente o sentido da morte como de passagem para uma vida plena. Num epitáfio do século III lê-se: “Uma mulher de vinte e oito anos morreu de parto; seu nome, Aurélia Licinia Flórida. Foi embora deste mundo no nome de Cristo, fiel (=cristã) em Cristo, feliz por isto”. Nela se exprime claramente que migrou deste mundo para o outro (Cf. M.T. Muñoz García de Iturrospe, Una destacada inscripción cristiana en la ‘Casa del Anfiteatro’ de Mérida). Quantos haverá – tal vez que não tenham fé – que morrem de medo ao pensar na morte! E aqui se nos apresenta uma mãe, jovem ainda, e fecunda, que está feliz por encontrar Jesus.

Alguns deixam o mundo angustiados, ou vêem a vida vazia, sem sentido. Bento XVI na sua segunda encíclica fez referência a um epitáfio de uma sepultura dos primeiros séculos. Desta vez corresponde a uma pessoa sem fé. Nela está escrito: “In nihil ab nihilo quam cito recidimus” (No nada, do nada, quão cedo recaímos) (Cf. Spe Salvi, n. 2). É o resumo de uma vida sem sentido. Não será que também há pessoas que dizem acreditar em Deus, mas, na verdade, não deixam espaço para Ele na própria vida? Homens e mulheres que pensam no presente (ficar ricos, ser famosos, cuidar do físico…) mas estão vazios por dentro? Não será que há quem viva no temor por não considerar que Jesus déu um sentido novo à morte… e à vida?

A fé da igreja primitiva, como aliás a de hoje, é a que nos transmite São Paulo. “Irmãos, não queremos que ignoreis coisa alguma a respeito dos mortos, para que não vos entristeçais, como os outros homens que não têm esperança. Se cremos que Jesus morreu e ressuscitou, cremos também que Deus levará com Jesus os que nele morreram” (1 Tes. 4, 13-14).

É bonito ver que esta imagem da existência – e do seu fim – não é apenas coisa do passado. Também hoje há quem, quando surpreendido pela morte, demonstra ter experiência acumulada, e também possuir o sentido cristão da passagem. Seria possível pensar em muitos exemplos. Um deles, bem recente é o de Chiara Badano, uma jovem italiana que faleceu aos 18 anos, vítima de um osteossarcoma. Foi escrito numa sua biografia: “Não teve medo de morrer. Disse à sua mãe: «Não peço mais a Jesus para vir me pegar e me levar para o Paraíso, porque quero ainda lhe oferecer o meu sofrimento, para dividir com ele, ainda por um pouco, a cruz». Um pensamento especial aos jovens: «…Os jovens são o futuro. Eu não posso mais correr. Porém, gostaria de lhes passar a tocha, como nas Olimpíadas. Os jovens têm uma vida só e vale a pena empregá-la bem!»”. Chiara faleceu no amanhecer do dia 7 de outubro de 1990, depois de uma noite muito dolorosa. “As suas últimas palavras foram: «Mãezinha, seja feliz, porque eu o sou. Adeus»” (Biografia do folheto da Celebração Eucarística para a beatificação da serva de Deus Chiara Badano, Roma 25-IX-2010).

Tomara que cada homem pudesse viver com um sentido transcendente da vida; e pedir, com uma oração tradicional da Igreja: “Que eu morra como o glorioso São José, acompanhado por Jesus e Maria, pronunciando estes nomes dulcíssimos, que espero bendizer por toda a eternidade”.

A misericórdia é o caminho para o coração de Deus, diz Papa

Sexta-feira, 21 de setembro de 2018, Da Redação, com Vatican News
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Entender a misericórdia do Senhor é um mistério; mas o maior mistério é o coração de Deus, disse Francisco na homilia de hoje

Papa celebra Missa na Casa Santa Marta / Foto: Vatican Media

Na missa desta sexta-feira, 21, na Casa Santa Marta, o Papa Francisco destacou três expressões: desenho de misericórdia, escolher, instituir. O Pontífice conduziu a homilia a partir da Liturgia do dia, que traz o chamado de Mateus, publicano que foi escolhido por Deus e instituído apóstolo segundo o seu desenho de misericórdia.

Mateus era um corrupto “porque traia a pátria por dinheiro”, explicou Francisco. Um traidor do seu povo. Alguém pode dizer que Jesus “não tem bom gosto para escolher as pessoas”, observou o Papa, e parece que realmente não tem, porque além de Mateus escolheu muitos outros pegando-os “do lugar mais desprezado”. Foi assim com a Samaritana e muitos outros pecadores e os fez apóstolos.

“E depois, na vida da Igreja, muitos cristãos, muitos santos que foram escolhidos do mais raso … escolhidos do mais raso. Esta consciência de que nós cristãos deveríamos ter – de onde fui escolhido, de onde fui escolhida para ser cristão – deve durar toda a vida, permanecer ali e ter a memória dos nossos pecados, a memória que o Senhor teve misericórdia dos meus pecados e me escolheu para ser cristão, para ser apóstolo”.

Mateus não esqueceu suas origens

Depois, o Papa descreveu a reação de Mateus ao chamado do Senhor: não se vestiu de luxo, não começou a dizer aos outros: ‘eu sou o príncipe dos Apóstolos, aqui eu comando’. “Não! Trabalhou toda a vida pelo Evangelho”.

O Santo Padre explicou que quando o Apóstolo esquece as suas origens e começa a fazer carreira, se afasta do Senhor e se torna um funcionário; que trabalha muito bem, mas não é Apóstolo. Será incapaz de transmitir Jesus; será um organizador de planos pastorais, de tantas coisas; mas, no final, um negociante. Um negociante do Reino de Deus, porque esquece de onde foi escolhido.

Por isso, prosseguiu Francisco, é importante a memória das nossas origens: “Esta memória deve acompanhar a vida do Apóstolo e de todo cristão”.

Ao invés de olhar para si mesmo, porém, as pessoas são levadas a olhar os outros, seus pecados e a falar mal deles. Um costume que envenena. É melhor falar mal de si próprio, sugeriu o Papa, e recordar de onde o Senhor nos escolheu, trazendo-nos até aqui. O Senhor, acrescentou o Pontífice, quando escolhe, escolhe para algo maior.

“Ser cristão é algo grande, belo. Somos nós que nos afastamos e ficamos na metade do caminho”. A nós falta a generosidade e negociamos com o Senhor, mas Ele nos espera.
Diante da chamada, Mateus renuncia ao seu amor, ao dinheiro, para seguir Jesus. E convidou os amigos do seu grupo para almoçar com ele para festejar o Mestre. Assim, àquela mesa se sentava “o que havia de pior naquele tempo. E Jesus estava com eles”.

O escândalo dos doutores da Lei

Os doutores da Lei se escandalizaram. Chamaram os discípulos e disseram: “Mas como é possível que seu Mestre faça isso, com essas pessoas? Mas, se torna impuro!”: comer com um impuro é se contaminar com a impureza, não é mais puro. E Jesus toma a palavra e diz esta terceira expressão: “Vão aprender o que significa ‘Quero misericórdia e não sacrifício”. A misericórdia de Deus procura todo mundo, perdoa a todos. Pede somente que diga: “Sim, ajude-me”. Só isso.

Para quem se escandaliza, Jesus responde que não são os que têm saúde que precisam de médico, mas os doentes e: “Quero misericórdia e não sacrifício”.

“Entender a misericórdia do Senhor – conclui Francisco – é um mistério; mas o maior mistério, o mais belo, é o coração de Deus. Se quiser realmente chegar ao coração de Deus, siga o caminho da misericórdia, e se deixe tratar com misericórdia”.

Reconhecer-se pecador é a porta para encontrar Jesus

Quinta-feira, 21 de setembro de 2017, Da Redação, com Rádio Vaticano

Homilia do Papa foi inspirada no relato da conversão de São Mateus, celebrado hoje pela Igreja

“A porta para encontrar Jesus é reconhecer-se pecador”, afirmou o Papa Francisco na Missa desta quinta-feira, 21, na Capela da Casa Santa Marta. Sua homilia repassou a conversão de São Mateus, festejado hoje pela Igreja.

O Santo Padre falou das etapas do acontecido: encontro, festa e escândalo. Jesus havia curado um paralítico e encontrou Mateus, sentado no banco dos impostos. Fazia o povo de Israel pagar os impostos para depois dá-los aos romanos e por isto era desprezado, considerado um traidor da pátria. Jesus olhou para ele e disse: “Segue-me”. Ele se levantou e o seguiu, como narra o Evangelho do dia.

De um lado, o olhar de São Mateus, um olhar desconfiado, que mirava com um olho Deus e com o outro o dinheiro, e também com um olhar impertinente. De outro, o olhar misericordioso de Jesus que – disse o Papa – olhou para ele com tanto amor. A resistência daquele homem que queria o dinheiro “cai”: levantou-se e o seguiu. “É a luta entre a misericórdia e o pecado”, sintetizou o Papa.

O amor de Jesus pôde entrar no coração daquele homem porque “sabia ser pecador”, sabia “não ser bem quisto por ninguém”, era desprezado. E justamente a consciência de pecador abriu a porta para a misericórdia de Jesus. Assim, deixou tudo e foi. Este é o encontro entre o pecador e Jesus.

“É a primeira condição para ser salvo: sentir-se em perigo; a primeira condição para ser curado: sentir-se doente. E sentir-se pecador, é a primeira condição para receber este olhar de misericórdia. Mas pensemos no olhar de Jesus, tão bonito, tão bom, tão misericordioso. E também nós, quando rezamos, sentimos este olhar sobre nós; é o olhar de amor, o olhar da misericórdia, o olhar que nos salva. Não ter medo”.

A festa

Como Zaqueu, também Mateus, sentindo-se feliz, convidou depois Jesus para comer em sua casa. A segunda etapa é justamente “a festa”. Mateus convidou todos os amigos, aqueles do mesmo sindicato, pecadores e publicanos. Certamente à mesa, faziam perguntas ao Senhor e ele respondia.

Isto – observou o Papa – faz pensar naquilo que disse Jesus no capítulo 15 de Lucas: “Haverá mais festa no Céu por um pecador que se converta do que por cem justos que permanecem justos”. Trata-se da festa do encontro do Pai, a festa da misericórdia. Jesus, de fato, trata a todos com misericórdia sem limite, afirmou Francisco.

O escândalo

Então, o terceiro momento, o do “escândalo”. Os fariseus, vendo que publicanos e pecadores sentaram-se à mesa com Jesus, perguntavam aos seus discípulos: “Por que vosso mestre come com os cobradores de impostos e pecadores?”. “Um escândalo sempre começa com esta frase: “Por que?””, explicou o Papa.

Os fariseus conheciam muito bem a Doutrina, sabiam como seguir pelo caminho do Reino de Deus, conheciam melhor do que ninguém como se devia fazer, mas haviam esquecido o primeiro mandamento do amor. Em síntese, acreditavam que a salvação viesse deles próprios, sentiam-se seguros. “Não! Deus nos salva, nos salva Jesus Cristo”, enfatizou o Papa.

“Aquele ‘por que’ que tantas vezes ouvimos entre os fiéis católicos quando viam obras de misericórdia. ‘Por que?’ E Jesus é claro, é muito claro: ‘Ir e aprender’. E os mandou aprender, não? ‘Ide e aprendei o que quer dizer misericórdia – (aquilo que) eu quero – e não sacrifícios, porque eu não vim, de fato, para chamar os justos, mas os pecadores’. Se tu queres ser chamado por Jesus, reconhece-te pecador”.

Francisco exortou os fiéis, portanto, a se reconhecerem pecadores, não de forma abstrata, mas com pecados concretos, que são tantos. “Deixemo-nos olhar por Jesus com aquele olhar misericordioso cheio de amor”, prosseguiu.

E detendo-se ainda no escândalo, o Papa ressaltou que existem tantos. “Existem tantos, tantos. E sempre, também na Igreja hoje. Dizem: “Não, não se pode, é tudo claro, é tudo, não, não… eles são pecadores, devemos afastá-los”. Também tantos Santos são perseguidos ou se levanta suspeitas sobre eles. Pensemos em Santa Joana d’Arc, mandada para a fogueira, porque pensavam que fosse uma bruxa, pensem no Beato Rosmini. “Misericórdia eu quero, e não sacrifícios”. E a porta para encontrar Jesus é reconhecer-se como somos, a verdade. Pecadores. E ele vem, e nos encontramos. É tão bonito encontrar Jesus!”

Santo Evangelho (Mt 23, 23-26)

21ª Semana Comum – Terça-feira 28/08/2018 

Primeira Leitura (2Ts 2,1-3a.14-17)  
Leitura da Segunda Carta de São Paulo aos Tessalonicenses.

1No que se refere à vinda de nosso Senhor Jesus Cristo e à nossa união com ele, nós vos pedimos, irmãos: 2não deixeis tão facilmente transtornar a vossa cabeça, nem vos alarmeis por causa de alguma revelação ou carta atribuída a nós, afirmando que o Dia do Senhor está próximo. 3aQue ninguém vos engane de modo algum. 14Deus vos chamou para que, por meio do nosso evangelho, alcanceis a glória de nosso senhor Jesus Cristo. 15Assim, portanto, irmãos, ficai firmes e conservai firmemente as tradições que vos ensinamos, de viva voz ou por carta. 16Nosso Senhor Jesus Cristo e Deus nosso Pai, que nos amou em sua graça e nos proporcionou uma consolação eterna e feliz esperança, 17animem os vossos corações e vos confirmem em toda boa ação e palavra.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Responsório(Sl 95)  

— O Senhor vem julgar nossa terra.
— O Senhor vem julgar nossa terra.  

— Publicai entre as nações: “Reina o Senhor!” Ele firmou o universo inabalável, e os povos ele julga com justiça.

— O céu se rejubile e exulte a terra, aplauda o mar com o que vive em suas águas; os campos com seus frutos rejubilem.

— E exultem as florestas e as matas na presença do Senhor, pois ele vem, porque vem para julgar a terra inteira. Governará o mundo todo com justiça, e os povos julgará com lealdade.

 

Evangelho (Mt 23,23-26)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, disse Jesus: 23Ai de vós, mestres da Lei e fariseus hipócritas! Vós pagais o dízimo da hortelã, da erva-doce e do cominho, e deixais de lado os ensinamentos mais importantes da Lei, como a justiça, a misericórdia e a fidelidade. Vós deveríeis praticar isto, sem contudo deixar aquilo. 24Guias cegos! Vós filtrais o mosquito, mas engolis o camelo. 25Ai de vós, mestres da Lei e fariseus hipócritas! Vós limpais o copo e o prato por fora, mas, por dentro, estais cheios de roubo e cobiça. 26Fariseu cego! Limpa primeiro o copo por dentro, para que também por fora fique limpo.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

 

A IGREJA CATÓLICA CELEBRA E VENERA HOJE
Santo Agostinho, grande Bispo e Doutor da Igreja

Santo Agostinho fundou uma comunidade cristã atuante na oração, estudo da Palavra e caridade

Celebramos neste dia a memória do grande Bispo e Doutor da Igreja que nos enche de alegria, pois com a Graça de Deus tornou-se modelo de cristão para todos. Agostinho nasceu em Tagaste, no norte da África, em 354, filho de Patrício (convertido) e da cristã Santa Mônica, a qual rezou durante 33 anos para que o filho fosse de Deus.

Aconteceu que Agostinho era de grande capacidade intelectual, profundo, porém, preferiu saciar seu coração e procurar suas respostas existentes tanto nas paixões, como nas diversas correntes filosóficas, por isso tornou-se membro da seita dos maniqueus.

Com a morte do pai, Agostinho procurou se aprofundar nos estudos, principalmente na arte da retórica. Sendo assim, depois de passar em Roma, tornou-se professor em Milão, onde envolvido pela intercessão de Santa Mônica, acabou frequentando, por causa da oratória, os profundos e famosos Sermões de Santo Ambrósio. Até que por meio da Palavra anunciada, a Verdade começou a mudar sua vida.

O seu processo de conversão recebeu um “empurrão” quando, na luta contra os desejos da carne, acolheu o convite: “Toma e lê”, e assim encontrou na Palavra de Deus (Romanos 13, 13ss) a força para a decisão por Jesus:”…revesti-vos do Senhor Jesus Cristo…não vos abandoneis às preocupações da carne para lhe satisfazerdes as concupiscências”.

Santo Agostinho, que entrou no Céu com 76 anos de idade (no ano 430), converteu-se com 33 anos, quando foi catequizado e batizado por Santo Ambrósio. Depois de “perder” sua mãe, voltou para a África, onde fundou uma comunidade cristã ocupada na oração, estudo da Palavra e caridade. Isto, até ser ordenado Sacerdote e Bispo de Hipona, santo, sábio, apologista e fecundo filósofo e teólogo da Graça e da Verdade.

Santo Agostinho, rogai por nós!

As 4 formas de comungar na Igreja Católica e…

… as 2 Mesas à nossa disposição

Nem todos podem tudo…

Por Mons. Inácio José Schuster

1) COMUNHÃO ESPIRITUAL (desejar)

Α╬Ω A Comunhão espiritual é uma devoção que consiste em unir-se a Jesus presente na Eucaristia recebendo-O não sacramentalmente, mas com um vivo desejo que procede da fé, animada pela caridade. Esta prática é muito louvada e desde o Concílio de Trento a Igreja exorta os fiéis a praticá-la. Os efeitos dessa prática são semelhantes ao da Comunhão Eucarística, menos a sua intensidade, que é menor, enquanto que o modo perfeito de comungar é o de receber o Sacramento. Às vezes, porém, estes efeitos podem ser superiores aos que são produzidos na Comunhão sacramental se as disposições são puríssimas, se bem que na igualdade das disposições, como já tínhamos dito, são evidentemente menos abundantes que na Comunhão Eucarística; de fato eles não se produzem ex opere operato (em virtude da instituição divina), mas só ex opere operantis (em virtude das disposições do indivíduo e são proporcionais a estas). A comunhão espiritual pode ser feita todas as vezes que a alma o desejar. Como prova disto, lembra claramente a Imitação de Cristo (1, IV, c. 10): “Toda pessoa pode, de resto, todos os dias e todas as horas, entregar-se livre e salutarmente às comunhões espirituais”.

Α╬Ω Sem a Comunhão Espiritual não pode existir a Comunhão Eucarística – A Exortação Apostólica do Beato João Paulo II, Familiaris Consortio, explica que existe uma diferença entre a comunhão espiritual e a comunhão eucarística, que afirma que sem a primeira, não pode existir a segunda. A comunhão espiritual é a forma em que a pessoa se une pessoalmente a Cristo no momento da redenção do Santo Sacrifício, para assim, depois, receber a comunhão eucarística. Isto não é uma disciplina inventada pela Igreja e, portanto, no matrimônio, os cônjuges fazem um pacto com Deus, e Deus faz um pacto com eles, que cria um sacramento indissolúvel. Para a comunhão é necessário preparar o coração para receber ao Senhor, e deste modo, quando os divorciados que voltaram a casar deixam de comungar, dão muito mais honra ao Senhor com seu sacrifício e oferecendo-se eles mesmos, através da dor que têm nos seus corações, no sacramento da Eucaristia. Eles sofrem por isso, mas, há mais honra dada pelo corpo de Cristo nesta situação, que quando os batizados vão de maneira superficial e às vezes, de maneira pouco digna, a receber a Comunhão, seja qual seja o estado de suas almas. A respeito, o Beato João Paulo II assinala que “a Igreja deseja que estes casais participem da vida da Igreja até onde lhes seja possível (e esta participação na Missa, adoração Eucarística, devoções e outros serão de grande ajuda espiritual para eles) enquanto trabalham para obter a completa participação sacramental”.

 

2) ADORAÇÃO EUCARÍSTICA (considerar, meditar, contemplar)

Α╬Ω «ADORAÇÃO é reconhecer que Jesus é meu Senhor, que Jesus me mostra o caminho a seguir, me faz entender que só vivo bem se conheço a estrada indicada por Ele, somente se sigo a via que Ele me mostra. Portanto, Adorar é dizer: “Jesus, eu sou Teu e Te sigo na minha vida, nunca gostaria de perder esta amizade, esta comunhão Contigo”. Poderia também dizer que a adoração na sua essência é um abraço com Jesus, no qual eu digo: “Eu sou Teu e Te peço que estejas também Tu sempre comigo”» (Papa emérito Bento XVI). A adoração é o primeiro ato da virtude da religião. Adorar a Deus é reconhecê-lo como Deus, como o Criador e o Salvador, o Senhor e o Mestre de Tudo o que existe, o Amor infinito e misericordioso. “Adorarás o Senhor teu Deus, e só a Ele prestarás culto” (Lc 4, 8), diz Jesus, citando o Deuteronômio (6, 13). “Adorar a Deus é, no respeito e na submissão absoluta, reconhecer o nada da criatura, que não existe a não ser por Deus. Adorar a Deus é, como Maria no Magnificat, louvá-lo, exaltá-lo e humilhar-se a si mesmo, confessando com gratidão que Ele fez grandes coisas e que Seu Nome é Santo. A Adoração do Deus único liberta o homem de se fechar em si mesmo, da escravidão do pecado e da idolatria do mundo” (Catecismo da Igreja Católica n. 2096 e 2097). Toda vez que estivermos perante o Santíssimo, esteja Ele exposto ou no sacrário, devemos nos colocar numa atitude de despojamento e professarmos a fé na Sua presença no pão e no vinho que para nós são Corpo e Sangue de Cristo. E podemos fazê-lo com estas palavras ou de forma espontânea: “Meu Deus! Eu creio, adoro, espero e amo-Vos; peço-Vos perdão para os que não crêem, não adoram, não esperam e não Vos amam”.

Α╬Ω Adorar o Senhor no Santíssimo Sacramento – Em sua Carta Apostólica “Mane Nobiscum Domine”, o Beato Papa João Paulo II nos apresenta o dom da Eucaristia como um grande mistério. Mistério a ser celebrado de maneira digna; que deve ser adorado e contemplado. Queremos assim nos animar mutuamente a estarmos unidos à Santíssima Eucaristia também em seu culto fora da Missa. De um lado, sabemos que antes de tudo a Eucaristia é o sacrifício pascal de Nosso Senhor; que é na Missa onde se atualiza o Mistério da vida, morte e ressurreição de Jesus. Daí a necessidade de celebrarmos com toda dignidade, não somente em decoro, mas em comunhão profunda com o Mistério celebrado e com o corpo comunitário. Participar ativa e conscientemente do inesgotável dom de Cristo. Por outro lado, a Igreja nos anima a estarmos diante do tabernáculo do Senhor ‘perdendo o nosso tempo’: “A presença de Jesus no tabernáculo deve constituir como que um pólo de atração para um número sempre maior” de almas apaixonadas por ele, capazes de ficar longo tempo escutando a voz e quase que sentindo o palpitar do coração” (MND, 18).

 

3) PRÁTICA DAS 14 OBRAS DE MISERICÓRDIA CORPORAIS E ESPIRITUAIS (caridade e justiça, pureza e misericórdia – praticar concretamente no dia a dia)

Α╬Ω Partindo da Palavra de Deus e da Tradição da Igreja (CIC § 2447), podemos falar em 14 obras de misericórdia. Das quais, 7 são obras de misericórdia espirituais e 7 corporais.

OBRAS DE MISERICÓRDIA CORPORAIS:
1ª) Dar de comer a quem tem fome;
2ª) Dar abrigo aos peregrinos;
3ª) Assistir os enfermos;
4ª) Dar de beber ao sedento;
5ª) Vestir os nus;
6ª) Socorrer os prisioneiros;
7ª) Enterrar os mortos.

OBRAS DE MISERICÓRDIA ESPIRITUAIS:
1ª) Instruir (ensinar os que não sabem);
2ª) Aconselhar (dar bons conselhos aos que necessitam);
3ª) Consolar (Aliviar o sofrimento dos aflitos);
4ª) Confortar (Fortalecer os angustiados e abatidos);
5ª) Perdoar (as injustiças de boa vontade);
6ª) Suportar com paciência (as adversidades e fraquezas do próximo);
7ª) Rogar a Deus pelos vivos e pelos mortos.

Α╬Ω 3.1. Envolvimento com as pastorais sociais da Igreja (comungar na vida dos irmãos)

╬Caritas Brasileira (atua tanto em calamidades, como através de programas no serviço especialmente dos mais pobres, no sentido de sua organização e busca de autonomia); ╬Pastoral da Criança (atende mães gestantes e crianças até 6 anos de idade, cuja atuação reduziu significativamente a mortalidade infantil no Brasil); ╬Pastoral da Saúde (junto aos que se dedicam a servir os doentes, na medicina preventiva e popular).
╬Pastorais por setores sociais: a Pastoral da Terra (mediando em conflitos pela terra e na promoção da Reforma Agrária), a Pastoral dos Pescadores, a Pastoral Operária.
╬Pastoral de pessoas em situação de especial vulnerabilidade: a Pastoral do Menor (menores infratores), da Mulher Marginalizada, dos Nômades, Carcerária, Migrantes, da Sobriedade, da Pessoa Idosa.
╬Pastoral de minorias étnicas: a Pastoral afro-brasileira, e com Indígenas (CIMI-Conselho Indigenista Missionário).
A CARIDADE “apaga uma multidão de pecados” (cf. 1Pd 4, 8); ela é sinal da autenticidade da nossa fé em Deus e a expressão mais coerente do seguimento de Jesus.

 

4) COMUNHÃO EUCARÍSTICA – CORPO E SANGUE DE CRISTO

Α╬Ω São Paulo já constatava entre os primeiros cristãos de Corinto: “O que fazeis não é comer a ceia do Senhor” (1Cor 11, 20) e advertia: Essa vossa maneira de agir “longe de vos levar ao melhor, vos prejudica” (11, 17). E finalmente, ele clama: “Que cada um examine a si mesmo, antes de comer deste pão e beber deste cálice, pois aquele que come sem discernir o Corpo do Senhor, come e bebe a própria condenação” (11, 28ss). Esse é o ensinamento da Igreja. Quem comunga em pecado grave “come e bebe a própria condenação” e quem vive numa união “de fato”, sem o Sacramento do Matrimônio, mesmo impossibilitado de regularizá-lo, deve praticar sua Fé, mas somente no que não implique o prévio estado de graça. Não tem valor à apreciação subjetiva ou autorização indébita de algum eclesiástico que ensine à margem da doutrina da Igreja. A consciência é farol seguro, quando formada objetivamente, segundo as orientações emanadas do Magistério legítimo. Faz-se necessário estar em condições exigidas, para que produza vida e não morte. O homem é condicionado ou, pelo menos, influenciado em seus comportamentos por costumes, imposição da opinião pública, controle social. Na atualidade, também em nome do subjetivismo e individualismo exacerbados. Segue um modo de pensar pessoal, impelido por seus interesses e conveniências e não pelos princípios que se radicam em Deus. Vivendo em desordem ética e moral, o homem tende a tornar-se norma de seus atos. E assim não só se expõe ao erro, mas se degrada em seu íntimo, pois, como ensina o Concílio Vaticano II, “no fundo da própria consciência o homem descobre uma lei que não se impôs a si mesmo”. Ela lhe é dada como dom e expressão de ser imagem de Deus. Duas conclusões imediatas são claras: a) nenhuma maioria de votos, nem o volume dos aplausos da opinião pública podem ser última instância moral; b) em quem não cultiva sua consciência, reorientando-a sempre de novo para a verdade, “a consciência vai-se progressivamente cegando com o hábito do pecado” (Gaudium et Spes, 16). Em se tratando dos males decorrentes de uma consciência mal formada, tornam-se mais graves quando atingem os valores sagrados. Esse desvio pode ser motivado por ignorância culposa da Lei do Senhor ou por influência de um subjetivismo prepotente. O mesmo se pode dizer quando essa consciência se relaciona com a dignidade de outrem, como na amizade, no matrimônio ou ainda na educação dos filhos, pois isso leva a prejuízos que já não são de nosso alcance sanar.

Α╬Ω Da Comunhão Eucarística, quem pode participar e em que condições?
Qualquer tomada de posição subjetiva e individualista – “eu sou cristão adulto”, ou “eu mesmo sei decidir” – torna-se não só uma irreverência leve, mas algo grave diante da verdade intrínseca desse Sacramento. Não é um exercício qualquer de piedade. O Concílio Vaticano II chama-o de “fonte e ápice de toda a vida cristã” (Lumen Gentium, 11). Nele, Deus se entrega a nós e o faz sob o signo da kénosis, isto é, do total aniquilamento do seu Filho amado. Ele se entrega, na hora da morte, às mãos do Pai para nos arrancar do pecado, do ódio, de toda perdição e poder do inferno. A Santa Comunhão supõe sempre esse profundo ato de Fé, esse desejo de se assemelhar a Jesus em seu abandono confiante ao Pai, em sua vitória sobre o pecado. Praticamente, isso significa converter-se, aceitar a verdade proposta pelo Magistério eclesiástico, os mandamentos e, com o radicalismo da entrega de Jesus, procurar viver a vontade de Deus. E ainda dar sua vida para edificar a Igreja como comunidade santa, em um mundo marcado pela desobediência a Deus. Contra todas as tentações, Jesus implora o derradeiro dom: “Eles não são do mundo, como eu não sou do mundo. Santifica-os na verdade. A tua palavra é a verdade” (cf. Jo 17, 16s). Não são critérios subjetivos que permitem a participação em tão santa Ceia, mas a obediência com amor a este Deus que se nos revela sob os sinais da morte redentora, neste Sacramento. Em nossos dias, faz-se necessário bradar fortemente para evitar o sacrilégio. Isto ocorre em particular nas celebrações matrimoniais, exéquias, em reuniões, quando se celebra o Santo Sacrifício da Missa. Nesta oportunidade e em outras, não é raro pessoas sem as condições requeridas se aproximarem do altar para comungar: “A Comunhão eucarística está desvirtuada do seu significado: Assiste-se a um fenômeno de ”dinâmica de grupo“ (todos participam nela), separada do discernimento do Corpo de Deus, de que São Paulo fala”.

Tomar e comer, conforme o pedido de Jesus na Última Ceia, e em cada Santa Missa, significa também considerar, significa meditar, significa contemplar. Toma e come, toma e bebe todo aquele e aquela que se põe diante do Santíssimo Sacramento do altar, contemplando a realidade de Jesus Cristo que, a todos, entrega-Se nestes sinais. Come e bebe aquele que adora o Santíssimo Sacramento no altar. E como são bonitas nossas igrejas quando, dentro delas, existe um tabernáculo; quando dentro delas existe uma lampadazinha vermelha convidando-nos à adoração e à contemplação. As nossas igrejas não são salões vazios, não são salões sem nenhuma festa e certamente não são salões despidos. Como existia em Israel a Arca da Aliança, existe aqui o tabernáculo onde Jesus é Emanuel, isto é, Deus conosco. Quando estamos ali em silêncio, estamos também, segundo Sua vontade, comendo e bebendo.

A fé é o motivo da grandeza de Maria

Sábado, 15 de agosto de 2015, Da redação, com Rádio Vaticano

A Praça São Pedro presenciou um Angelus especial neste sábado, 15, por ocasião da Solenidade da Assunção de Maria, celebrada por toda a Igreja

Mesmo com o tempo instável, milhares de fiéis de diversos países foram ouvir as palavras do Papa Francisco neste sábado, 15, no primeiro Angelus, em 61 anos, rezado no Vaticano, na Solenidade da Assunção de Maria. Pela tradição, era sempre rezado em Castel Gandolfo, residência de verão dos Papas.

A passagem da visita de Maria a sua prima Isabel – trecho do Evangelho proposto pela liturgia do dia – revela, segundo o Papa, “o motivo mais verdadeiro da grandeza de Maria”: a fé. De fato, Isabel a saúda com estas palavras: “Bem-aventurada aquela que acreditou, porque vai acontecer o que o Senhor lhe prometeu”.

“A fé é o coração de toda a história de Maria; ela é fiel, a grande fiel; ela sabe – e o disse – que na história pesa a violência dos prepotentes, o orgulho dos ricos, a arrogância dos soberbos. Todavia, Maria acredita e proclama que Deus não deixa sozinhos os seus filhos, humildes e pobres, mas os socorre com misericórdia, com solicitude, derrubando os poderosos de seus tronos, dispersando os orgulhosos nas tramas de seus corações. Esta é a fé de nossa Mãe, esta é a fé de Maria!”, explicou o Papa.

Francisco explicou que o “Cântico de Nossa Senhora” deixa também intuir que se a misericórdia de Deus é o “motor da história”, então não “poderia conhecer a corrupção do sepulcro aquela que gerou o Senhor da vida”. E as ‘grandes coisas’ que Deus fez em Maria, dizem respeito também aos fiéis que creem, pois fala da vida humana e os recordam a meta que os espera: “a casa do Pai”.

“A nossa vida, vista à luz de Maria assunta ao Céu, não e uma ociosidade sem sentido, mas é uma peregrinação que, mesmo com todas as suas incertezas e sofrimentos, tem uma meta segura: a casa de nosso Pai, que nos espera com amor. É bonito pensar nisto: que nós temos um Pai que nos espera com amor e que também a nossa Mãe Maria está lá, e nos espera com amor”.

Para o Papa, Maria é sinal de consolação e de segura esperança e que, como Igreja, somos destinados a partilhar de Sua glória, “porque, graças a Deus, também nós acreditamos no sacrifício de Cristo na cruz e através do Batismo, somos inseridos em tal mistério de salvação”.

“Hoje todos juntos rezemos a ela, para que, enquanto se desvela o nosso caminho sobre a terra, ela nos dirija os seus olhos misericordiosos, ilumine o nosso caminho, nos indique a meta, e nos mostre depois deste desterro Jesus, o fruto bendito do seu ventre. Ó clemente, ó piedosa, ó doce Virgem Maria!”, concluiu o Pontífice.

Solenidade da Assunção de Maria Santíssima

Por Pe. Fernando José Cardoso

Evangelho segundo São Lucas 1, 39-56
Por aqueles dias, Maria pôs-se a caminho e dirigiu-se à pressa para a montanha, a uma cidade da Judeia. Entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel. Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, o menino saltou-lhe de alegria no seio e Isabel ficou cheia do Espírito Santo. Então, erguendo a voz, exclamou: «Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. E donde me é dado que venha ter comigo a mãe do meu Senhor? Pois, logo que chegou aos meus ouvidos a tua saudação, o menino saltou de alegria no meu seio. Feliz de ti que acreditaste, porque se vai cumprir tudo o que te foi dito da parte do Senhor.» Maria disse, então: «A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador. Porque pôs os olhos na humildade da sua serva. De hoje em diante, me chamarão bem-aventurada todas as gerações. O Todo-poderoso fez em mim maravilhas. Santo é o seu nome. A sua misericórdia se estende de geração em geração sobre aqueles que o temem. Manifestou o poder do seu braço e dispersou os soberbos. Derrubou os poderosos de seus tronos e exaltou os humildes. Aos famintos encheu de bens e aos ricos despediu de mãos vazias. Acolheu a Israel, seu servo, lembrado da sua misericórdia, como tinha prometido a nossos pais, a Abraão e à sua descendência, para sempre.» Maria ficou com Isabel cerca de três meses. Depois regressou a sua casa.

Hoje, 19 de agosto, com a Igreja do Brasil, nós celebramos a solenidade da Assunção da Santíssima Virgem aos céus em corpo e alma. Uma solenidade que bem examinada e meditada nos faz refletir: A Virgem Maria jamais realizou façanhas extraordinárias na sua vida. Até mesmo a concepção do verbo de Deus e o Seu nascimento se deram em circunstâncias absolutamente normais que não chamaram a atenção de quem quer que fosse. Nossa Senhora nunca realizou façanhas admiráveis, nunca realizou um milagre em sua vida. Durante os largos anos passados na aldeia de Nazaré, juntamente com seu esposo José e seu filho Jesus, jamais atirou e chamou a atenção de quem quer que fosse, a não ser pelo fato de conhecê-La como uma dona de casa. Alguém que na monotonia da existência lavava, cozinhava, passava, limpava a sua casinha. Mais tarde, depois da ressurreição de Jesus, Maria nunca recebeu um ministério publico ou oficial da igreja. Na verdade nós se quer sabemos o que se passou com a mãe de Jesus depois da morte de Jesus. Uma vida tão humilde, tão simples, aparentemente tão vazia, ou pelo menos vazia de coisas espetaculares aos olhos dos homens, termina com a Glória da Assunção somente a ela devida. Isto nos faz pensar: Deus, ao que tudo indica, prefere as pessoas humildes, simples e podemos dizer, como amava Maria, escondeu-A apenas para Si, de resto, nós praticamente nada sabemos de sua existência. A glória de Maria lhe adviria sim, mas lhe adviria somente no futuro, e não mais neste mundo. Somente após o término de sua existência terrestre entre nós. Conosco também Deus age da mesma maneira, ao que tudo indica a lógica de Deus não se modifica. Deus prefere pessoas humildes, simples, obedientes como Maria, pessoas que Lhe escutam a voz diariamente, que ruminam Suas Palavras em seus corações e que fora dos refletores da mídia e do estardalhaço do povo, crescem e amadurecem para Deus.

 

«Em Cristo, todos serão vivificados, cada qual na sua ordem» (1Cor 15, 22-23)
São Bernardo (1091-1153), monge cistercense e Doutor da Igreja
1º Sermão para a Assunção (a partir da trad. Pain de Cîteaux 32, p. 63 rev.)

Hoje a Virgem Maria sobe, gloriosa, ao céu. É o cúmulo de alegria dos anjos e dos santos. Com efeito, se uma simples palavra sua de saudação fez exultar o menino que ainda estava no seio materno (Lc 1, 44), qual não terá sido sido o regozijo dos anjos e dos santos, quando puderam ouvir a sua voz, ver o seu rosto, e gozar da sua presença abençoada! E para nós, irmãos bem-amados, que festa a da sua assunção gloriosa, que motivo de alegria e que fonte de júbilo temos hoje! A presença de Maria ilumina o mundo inteiro, a tal ponto resplandece o céu, irradiado pelo brilho desta Virgem plenamente santa. Por conseguinte, é justificadamente que ecoa nos céus a acção de graças e o louvor. Ora […], na medida em que o céu exulta da presença de Maria, não seria razoável que o nosso mundo chorasse a sua ausência? Mas não, não nos lastimemos, porque não temos aqui cidade permanente (Heb 13, 14), antes procuramos aquela aonde a Virgem Maria chegou hoje. Se já estamos inscritos no número de habitantes dessa cidade, convém que hoje nos lembremos dela […], compartilhemos a sua alegria, participemos nesta alegria que hoje deleita a cidade de Deus; uma alegria que depois se espalha como o orvalho sobre a nossa terra. Sim, Ela precedeu-nos, a nossa Rainha, precedeu-nos e foi recebida com tanta glória que nós, seus humildes servos, podemos seguir a nossa Rainha com toda confiança gritando [com a Esposa do Cântico dos Cânticos]: «Arrasta-me atrás de ti. Corramos ao odor dos teus perfumes!» (Ct 1, 3-4) Viajantes sobre a terra, enviamos à frente a nossa advogada […], a Mãe de misericórdia, para defender eficazmente a nossa salvação.

 

Maria assunta ao Céu
Padre Pacheco

Hoje, dia do Senhor, domingo, quando celebramos a Páscoa dominical da Ressurreição do Senhor, queremos também celebrar a Solenidade da Assunção de Nossa Senhora. O Papa Pio XII, em 1950, proclama o Dogma da Assunção da Santíssima Virgem Maria, que consiste no seguinte: “Cumprido o curso de sua vida terrena, Maria foi assunta ao Céu em corpo e alma”. Para dizer que: 1º) Maria tem especial participação na Ressurreição do Filho – Ela está unida à glória do Filho; 2º) Ela é a antecipação da sorte dos eleitos – primícias e exemplo da Igreja. Segundo a Tradição da Igreja, logo após a Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo, João a teria levado para morar com ele, assumindo-a como mãe, numa cidade chamada Éfeso; todavia, antes de Maria vir a morrer – entenda-se esta morte não como conseqüência do pecado, pois Maria não pecou. O termo “dormição” é para dizer de uma morte diferenciada, não como qualquer morte fruto de pecado; a verdade é esta: Maria morreu – João a teria trazido para Jerusalém. Maria morre e é assunta em Jerusalém; pode se dizer que ela tenha sido velada no Monte Sião, em Jerusalém e levada para ser sepultada ao lado do Monte das Oliveiras, túmulo este que se encontra vazio – obviamente – e que pode ser visitado e visto até hoje. A Santíssima Virgem Maria participa da Glória do Filho e é a antecipação da sorte dos eleitos; isso significa que já existe uma criatura ressuscitada no Céu, em copo e alma: Maria. Mas tudo isso devido ao fato de Deus lhe ter preparado para esta missão tão linda e particular: ser a Mãe do Filho d’Ele; todavia, houve uma colaboração e uma correspondência pela parte de Nossa Senhora. Para dizer que ela é modelo de como ser Igreja. O devoto da Virgem Maria é aquele que toma a decisão de viver as virtudes dela, a saber: Mulher do silêncio: Precisamos aprender de Maria a silenciar o nosso coração de todas as agitações do mundo e de todo barulho, fruto das realidades que são contrárias à vontade de Deus na nossa vida. Silenciar é muito mais que não fazer barulho; silenciar é ter a coragem de retirar-se constantemente para encontrar-se com o Senhor e aí escutar o Seu Coração. Mulher da Palavra: A Santíssima Virgem rezava os salmos; era íntima da Palavra de Deus; prova disso é ela repetir o Cântico de Ana ao se encontrar com Isabel, cântico este lá do Antigo Testamento. Muito mais que o fato de narrar esse cântico, a prova de que a Virgem Maria é a mulher da Palavra é a sua total confiança na misericórdia e na providência de Deus, que regia toda a sua vida e a vida do mundo. Mulher do serviço: Maria sobe a montanha para visitar a sua parenta Isabel; ela vai à casa da prima não tendo como prioridade tratar de serviços domésticos, mas vai para levar o mistério até a vida daquela mulher, que, com certeza, muitos traumas trazia pelo fato de ter sido estéril por muitos anos –  fato tido como sinal de maldição. O mistério em Maria, que é o próprio Deus, a leva até a prima, para que esta possa ser curada. Para dizer que devemos ser, efetivamente, portadores e condutores do mistério, que é Deus, às pessoas, pois Ele se encontra em nós, dentro de nós, desde o momento do nosso batismo. Mulher da obediência: Maria só tinha olhar para a vontade de Deus, para obedecer ao Todo-Poderoso nas circunstancias ordinárias da vida; é ela quem diz a cada um de nós – única frase de Maria na Sagrada Escritura, de forma direta: “Fazei tudo o que Ele vos disser.” Viver esta Solenidade da Assunção de Maria, ser devoto de Maria, por excelência, nada mais é que obedecer a Deus e fazer com que Ele seja o Senhor, verdadeiramente, da nossa vida.

 

Na escola de Maria aprendemos a servir
Padre Aloísio

Quando se caminha na fé não se pergunta, mas se obedece, porque a fé nos dá esta certeza. Obedeça a Deus e obedeça a Igreja, porque quando se vive a fé, tudo é possibilidade de encontro com Deus. Maria nos ensina o caminho da missionariedade, ela sobe a montanha para prestar serviço. A nossa visita à casa de alguém precisa ser carregada dessa espiritualidade. Na escola de Maria a missão é familiar, não é estranha. Se vai na casa de alguém é para prestar o grande serviço de amor. Quando sobe a montanha, que quer dizer lugar de oração e contemplação, não significa subir só para ficar parado, mas também para dizer coisas importantes, pois lá no alto é que Maria pode comunicar a profecia, chegar ao coração de Isabel, e no alto foi comunicado a boa nova e lá também Maria presta serviço.  Quem reza não pode rezar somente olhando para as suas necessidades e problemas, mas a oração deve ser um serviço para todos. Quando rezamos, nos lembramos de todos que nos pedem oração, isso mostra que nos colocamos a serviço do outro. Não deixe de prestar o seu serviço também na vida de oração, para aqueles que te pedem oração e também por aqueles que não estão te pedindo, mas que por amor você não deixe de orar. As riquezas do amor de Deus que chegam até nós, precisam ser transmitida aos outros. Não se vai transformar nenhuma pessoa se não for por amor. O amor que nós somos convidados a estudar com Maria é o amor Ágape, amor de fraternidade, amor de irmão. É lá na montanha que Nossa Senhora nos ensina o que é ter vida interior. Nós somos treinados a viver olhando para o externo, e nos deixamos apavorar, nos deixamos influenciar, e ao perceber as situações do mundo, vivemos tomados de revoltas e rancor, porque ouvimos muito barulho. Maria nos ensina em uma das suas virtudes: o silêncio. Este silêncio que nos ensina a ouvir a voz mais importante, a voz do Cristo. Mas também nos faz ouvir a voz dos nossos irmãos que nos pedem ajuda. A Festa da Assunção nos convida a dar esse espaço que Deus tem direito, de ser Deus dentro de nós, onde nós poderemos ouvir a voz e também o envio, porque esta missão tem missão de eternidade. Não podemos prestar serviço a Deus como se fosse algo comum, para servir a Deus é preciso servir com qualidade, empenho e amor. Para Deus não basta meia resposta, Deus quer tudo, Ele não quer migalhas, porque Ele se deu para nós no seu Filho por inteiro. Assim fez a Virgem Maria, ofereceu o sangue a carne a vida por amor, e por isso, Deus concede a ela a graça de ser aquela que nos precede na eternidade, que nos indica o caminho, mas para isso é preciso ser fiel. Fidelidade a Deus. “Na escola de Maria aprendemos a ser missionários” Quando se é fiel pode se cantar com todo entusiasmo as maravilhas do Senhor. Porque Ele não escolhe pessoas preparadas, mas escolhe os fracos e frágeis para manifestar a sua força e fazer maravilhas. Maria na sua fraqueza, lá na região de Nazaré, foi escolhida para manifestar a força de Deus, por isso ela canta o magnificat: “A minha alma glorifica o Senhor, meu espírito exulta de alegria, em Deus meu salvador”. Esse é um dos cânticos mais belos, porque ela não cantou só com os lábios, mas com todo o coração. Qual é a canção que você precisa cantar hoje na sua vida? A canção da adoração; da oração que diz a Deus que você depende d’Ele, porque esta é a melhor oração que precisamos cultivar em nós. Fruto disso tudo é essa graça de participar desse mistério tão profundo da gloria de seu Filho e de toda Trindade. Mas para isso é preciso ter a coragem de não trazer no seu corpo a mentira, estéticas, imoralidades e exaltações a um corpo vazio que não tem vida, porque um corpo vazio de Deus morre, mas um corpo habitado por Deus é fonte de vida. Você não pode tornar o seu corpo um esgoto. Nós precisamos proclamar com a nossa vida as maravilhas de Deus. Deus não faz “cadastro” para saber quanto você vai dar de lucro, ou para saber até quando você vai dar lucro para as muitas ilusões do mundo. Ele simplesmente oferece a você uma possibilidade, e sem fazer “cadastro” te acolhe, porque para ser santo não precisa fazer cadastro. Para mostrar que seu corpo é morada de Deus você não precisa se mostrar, mas precisa se recobrir de dignidade, porque você que se veste assim não será confundido. Precisamos nos preocupar em nos cuidar por inteiros, porque não somos metade, podemos até ficar aos cacos, mas Deus sabe pegar os cacos e transformá-los em uma linda obra de arte. Pedacinhos de nós colocados em Deus se torna uma linda obra. Na escola de Maria tudo é motivo de cantar a gloria de Deus, quer na alegria, na dor, nas incompreensões. “O Senhor fez em mim maravilhas e santo é seu nome”. Não podemos duvidar disso, pois Deus fez, faz e continuará fazendo maravilhas em nós. Nessa escola de Maria que você vai encontrar a felicidade e a razão da sua vida que é Jesus Cristo.

Papa altera parágrafo do Catecismo sobre pena de morte

Respeito a toda vida

Quinta-feira, 2 de agosto de 2018, Da redação, com Boletim da Santa Sé
https://noticias.cancaonova.com/especiais/pontificado/francisco/papa-altera-paragrafo-do-catecismo-sobre-pena-de-morte/

Alteração se dá a fim de reunir melhor o desenvolvimento da doutrina sobre a pena de morte nos últimos tempos

A Santa Sé anunciou nesta quinta-feira, 2, a nova redação do parágrafo 2267 do Catecismo da Igreja Católica, trecho que mostra a posição da Igreja sobre a pena de morte. A alteração foi aprovada pelo Papa Francisco. O objetivo da reformulação deste parágrafo é, segundo o Presidente da Congregação para a Doutrina da Fé, Cardeal Luis Francisco Ladaria, tornar cada vez mais claro o posicionamento da Igreja acerca do respeito a toda a vida humana. (Confira a nova redação do parágrafo ao final do texto).

“Se, de fato, a situação política e social do passado tornava a pena de morte um instrumento aceitável para a proteção do bem comum, hoje a consciência cada vez maior de que a dignidade de uma pessoa não se perde nem mesmo depois de ter cometido crimes gravíssimos, a compreensão aprofundada do sentido das sanções penais aplicadas pelo Estado e o desenvolvimento dos sistemas de detenção mais eficazes que garantem a indispensável defesa dos cidadãos, contribuíram para uma nova compreensão que reconhece a sua inadmissibilidade e, portanto, apela à sua abolição”, afirmou o cardeal Ladaria em carta aos bispos da Igreja Católica.

O ensinamento da Carta encíclica Evangelium vitae, de João Paulo II foi, segundo Cardeal Ladaria, um importante documento utilizado por Francisco no novo trecho sobre a pena de morte. “O Santo Padre incluiu entre os sinais de esperança de uma nova civilização da vida ‘a aversão cada vez mais difusa na opinião pública à pena de morte, mesmo vista só como instrumento de “legítima defesa” social, tendo em consideração as possibilidades que uma sociedade moderna dispõe para reprimir eficazmente o crime, de forma que, enquanto torna inofensivo aquele que o cometeu, não lhe tira definitivamente a possibilidade de se redimir’.”, afirmou.

Desde João Paulo II, o cardeal recordou que os esforços para a abolição da pena de morte e o apelo ao respeito à dignidade da pessoa são sucessivos entre os Pontífices. Dom Ladaria recordou Bento XVI, que teve seu pontificado marcado por pedidos voltados aos responsáveis da sociedade para a necessidade da eliminação da pena capital, e agora Francisco, que ao pedir a revisão da formulação do Catecismo da Igreja Católica, reafirmou que a pena de morte é inadmissível porque atenta contra a inviolabilidade e dignidade da pessoa.

A nova formulação do parágrafo 2267 do Catecismo, expressa, de acordo com o cardeal Ladaria, um autêntico desenvolvimento da doutrina, que não está em contradição com os ensinamentos anteriores do Magistério. A iniciativa impulsionará, segundo o cardeal, um firme compromisso e diálogo respeitoso com as autoridades políticas, uma mentalidade que reconheça a dignidade de toda vida humana e a criação de condições que permitam eliminar o instituto jurídico da pena de morte, em vigor em alguns países. “O Evangelho nos convida à misericórdia e à paciência do Senhor, que oferece a todos, tempo para se converterem”, reiterou.

Confira a nova redação do parágrafo 2267:

2267. Durante muito tempo, considerou-se o recurso à pena de morte por parte da autoridade legítima, depois de um processo regular, como uma resposta adequada à gravidade de alguns delitos e um meio aceitável, ainda que extremo, para a tutela do bem comum.

Hoje vai-se tornando cada vez mais viva a consciência de que a dignidade da pessoa não se perde, mesmo depois de ter cometido crimes gravíssimos. Além disso, difundiu-se uma nova compreensão do sentido das sanções penais por parte do Estado. Por fim, foram desenvolvidos sistemas de detenção mais eficazes, que garantem a indispensável defesa dos cidadãos sem, ao mesmo tempo, tirar definitivamente ao réu a possibilidade de se redimir.

Por isso a Igreja ensina, à luz do Evangelho, que «a pena de morte é inadmissível, porque atenta contra a inviolabilidade e dignidade da pessoa»[1], e empenha-se com determinação a favor da sua abolição em todo o mundo.

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[1] Francisco, Discurso aos participantes no encontro promovido pelo Conselho Pontifício para a Promoção da Nova Evangelização, 11 de outubro de 2017: L’Osservatore Romano, 13 de outubro de 2017, 5 (ed. port. 19 de outubro de 2017, 13).

Santo Evangelho (Mt 9, 9-13)

13ª Semana Comum – Sexta-feira 06/07/2018 

Primeira Leitura(Am 8,4-6.9-12)
Leitura da Profecia de Amós.

4Ouvi isto, vós que maltratais os humildes e causais a prostração dos pobres da terra; 5vós que andais dizendo: “Quando passará a lua nova, para vendermos bem a mercadoria? E o sábado, para darmos pronta saída ao trigo, para diminuir medidas, aumentar pesos, e adulterar balanças, 6e dominar os pobres com dinheiro e os humildes com um par de sandálias, e para pôr à venda o refugo do trigo? 9Acontecerá que naquele dia, diz o Senhor Deus, farei com que o sol se ponha ao meio-dia e em pleno dia escureça a terra; 10mudarei em luto vossas festas e em pranto todos os vossos cânticos; farei vestir saco a todas as cinturas e tornarei calvas todas as cabeças, o país porá luto, como por um filho único, e o final desse dia terminará em amargura. 11Eis que virão dias, diz o Senhor, em que enviarei fome sobre a terra; não fome de pão, nem sede de água, mas de ouvir a palavra do Senhor. Os homens vaguearão de um mar a outro mar, circulando do norte para o oriente, em busca da palavra do Senhor, mas não a encontrarão.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Responsório (Sl 118)

— O homem não vive somente de pão, mas de toda a palavra da boca de Deus.
— O homem não vive somente de pão, mas de toda a palavra da boca de Deus.

— Feliz o homem que observa seus preceitos, e de todo o coração procura a Deus! De todo o coração eu vos procuro, não deixeis que eu abandone a vossa lei!

— Minha alma se consome o tempo todo em desejar as vossas justas decisões. Escolhi seguir a trilha da verdade, diante de mim eu coloquei vossos preceitos.

— Como anseio pelos vossos mandamentos! Dai-me a vida, ó Senhor, porque sois justo! Abro a boca e aspiro largamente, pois estou ávido de vossos mandamentos.

 

Evangelho (Mt 9,9-13)

—O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 9Jesus viu um homem chamado Mateus, sentado na coletoria de impostos, e disse-lhe: “Segue-me!” Ele se levantou e seguiu a Jesus. 10Enquanto Jesus estava à mesa, em casa de Mateus, vieram muitos cobradores de impostos e pecadores e sentaram-se à mesa com Jesus e seus discípulos. 11Alguns fariseus viram isso e perguntaram aos discípulos: “Por que vosso mestre come com os cobradores de impostos e pecadores?” 12Jesus ouviu a pergunta e respondeu: “Aqueles que têm saúde não precisam de médico, mas sim os doentes. 13A­prendei, pois, o que significa: ‘Quero misericórdia e não sacrifício’. De fato, eu não vim para chamar os justos, mas os pecadores”.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

 

A IGREJA CATÓLICA CELEBRA E VENERA HOJE
Santa Maria Goretti, virgem e mártir

Santa Maria Goretti manteve-se pura e santa por causa do seu amor a Deus

A Igreja, neste dia, celebra a virgem e mártir que encantou e continua enriquecendo os cristãos com seu testemunho de “sim” a Deus e “não” ao pecado. Nascida em Corinaldo, centro da Itália, era de família pobre, numerosa e camponesa, mas muito temente a Deus.

Com a morte do pai, Maria Goretti, com os seus, foram morar num local perto de Roma, sob o mesmo teto de uma família composta por um pai viúvo e dois filhos, sendo um deles Alexandre. Aconteceu que este jovem por várias vezes tentou seduzir Goretti, que ficava em casa para cuidar dos irmãozinhos. E por ser uma menina temente a Deus, sua resposta era cheia de maturidade: “Não, não, Deus não quer; é pecado!”

Santa Maria Goretti, certa vez, estava em casa e em oração, por isso quando o jovem, que era de maior estatura e idade, tentou novamente seduzi-la, Goretti resistiu com mais um grande não. A resposta de Alexandre foram 14 facadas, enquanto da parte de Goretti, percebemos a santidade, na confidência à sua mãe: “Sim, o perdoo… Lá no céu, rogarei para que ele se arrependa… Quero que ele esteja junto comigo na glória eterna”.

O martírio desta adolescente, de apenas 12 anos, foi a causa da conversão do jovem assassino, que depois de sair da cadeia esteve com as 400 mil pessoas, na Praça de São Pedro, na ocasião da canonização dessa santa, e ao lado da mãe dela, que o perdoou também.

Santa Maria Goretti manteve-se pura e santa por causa do seu amor a Deus, por isso na glória reina com Cristo.

Santa Maria Goretti, rogai por nós!

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