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Reconhecer-se pecador é a porta para encontrar Jesus, diz Papa

Quinta-feira, 21 de setembro de 2017, Da Redação, com Rádio Vaticano

Homilia do Papa foi inspirada no relato da conversão de São Mateus, celebrado hoje pela Igreja

“A porta para encontrar Jesus é reconhecer-se pecador”, afirmou o Papa Francisco na Missa desta quinta-feira, 21, na Capela da Casa Santa Marta. Sua homilia repassou a conversão de São Mateus, festejado hoje pela Igreja.

O Santo Padre falou das etapas do acontecido: encontro, festa e escândalo. Jesus havia curado um paralítico e encontrou Mateus, sentado no banco dos impostos. Fazia o povo de Israel pagar os impostos para depois dá-los aos romanos e por isto era desprezado, considerado um traidor da pátria. Jesus olhou para ele e disse: “Segue-me”. Ele se levantou e o seguiu, como narra o Evangelho do dia.

De um lado, o olhar de São Mateus, um olhar desconfiado, que mirava com um olho Deus e com o outro o dinheiro, e também com um olhar impertinente. De outro, o olhar misericordioso de Jesus que – disse o Papa – olhou para ele com tanto amor. A resistência daquele homem que queria o dinheiro “cai”: levantou-se e o seguiu. “É a luta entre a misericórdia e o pecado”, sintetizou o Papa.

O amor de Jesus pôde entrar no coração daquele homem porque “sabia ser pecador”, sabia “não ser bem quisto por ninguém”, era desprezado. E justamente a consciência de pecador abriu a porta para a misericórdia de Jesus. Assim, deixou tudo e foi. Este é o encontro entre o pecador e Jesus.

“É a primeira condição para ser salvo: sentir-se em perigo; a primeira condição para ser curado: sentir-se doente. E sentir-se pecador, é a primeira condição para receber este olhar de misericórdia. Mas pensemos no olhar de Jesus, tão bonito, tão bom, tão misericordioso. E também nós, quando rezamos, sentimos este olhar sobre nós; é o olhar de amor, o olhar da misericórdia, o olhar que nos salva. Não ter medo”.

A festa

Como Zaqueu, também Mateus, sentindo-se feliz, convidou depois Jesus para comer em sua casa. A segunda etapa é justamente “a festa”. Mateus convidou todos os amigos, aqueles do mesmo sindicato, pecadores e publicanos. Certamente à mesa, faziam perguntas ao Senhor e ele respondia.

Isto – observou o Papa – faz pensar naquilo que disse Jesus no capítulo 15 de Lucas: “Haverá mais festa no Céu por um pecador que se converta do que por cem justos que permanecem justos”. Trata-se da festa do encontro do Pai, a festa da misericórdia. Jesus, de fato, trata a todos com misericórdia sem limite, afirmou Francisco.

O escândalo

Então, o terceiro momento, o do “escândalo”. Os fariseus, vendo que publicanos e pecadores sentaram-se à mesa com Jesus, perguntavam aos seus discípulos: “Por que vosso mestre come com os cobradores de impostos e pecadores?”. “Um escândalo sempre começa com esta frase: “Por que?””, explicou o Papa.

Os fariseus conheciam muito bem a Doutrina, sabiam como seguir pelo caminho do Reino de Deus, conheciam melhor do que ninguém como se devia fazer, mas haviam esquecido o primeiro mandamento do amor. Em síntese, acreditavam que a salvação viesse deles próprios, sentiam-se seguros. “Não! Deus nos salva, nos salva Jesus Cristo”, enfatizou o Papa.

“Aquele ‘por que’ que tantas vezes ouvimos entre os fiéis católicos quando viam obras de misericórdia. ‘Por que?’ E Jesus é claro, é muito claro: ‘Ir e aprender’. E os mandou aprender, não? ‘Ide e aprendei o que quer dizer misericórdia – (aquilo que) eu quero – e não sacrifícios, porque eu não vim, de fato, para chamar os justos, mas os pecadores’. Se tu queres ser chamado por Jesus, reconhece-te pecador”.

Francisco exortou os fiéis, portanto, a se reconhecerem pecadores, não de forma abstrata, mas com pecados concretos, que são tantos. “Deixemo-nos olhar por Jesus com aquele olhar misericordioso cheio de amor”, prosseguiu.

E detendo-se ainda no escândalo, o Papa ressaltou que existem tantos. “Existem tantos, tantos. E sempre, também na Igreja hoje. Dizem: “Não, não se pode, é tudo claro, é tudo, não, não… eles são pecadores, devemos afastá-los”. Também tantos Santos são perseguidos ou se levanta suspeitas sobre eles. Pensemos em Santa Joana d’Arc, mandada para a fogueira, porque pensavam que fosse uma bruxa, pensem no Beato Rosmini. “Misericórdia eu quero, e não sacrifícios”. E a porta para encontrar Jesus é reconhecer-se como somos, a verdade. Pecadores. E ele vem, e nos encontramos. É tão bonito encontrar Jesus!”

No perdão está todo o Evangelho, todo o Cristianismo

Rádio Vaticano

Qual é a alegria de Deus? Foi o que perguntou o Papa Francisco na manhã de hoje antes de rezar a Oração mariana do Angelus na Praça São Pedro, cheia de fiéis apesar da chuva que caia sobre a Cidade Eterna.

A resposta do Santo Padre foi imediata: “é perdoar, a alegria de Deus é perdoar! É a alegria de um pastor que reencontra a sua ovelha; a alegria de uma mulher que reencontra a sua moeda; é a alegria de um pai que recolhe em casa, o filho que estava perdido, estava morto, e voltou à vida. Aqui está todo o Evangelho, todo o Cristianismo!

O Papa disse isso recordando que na liturgia deste domingo, lemos o capítulo 15 do Evangelho de Lucas, que contém as três parábolas da misericórdia: a da ovelha perdida, a da moeda perdida, e depois a mais longa de todas as parábolas, típico de Lucas, a do pai e dos dois filhos, o filho “pródigo” e o filho que acredita ser o justo, o santo. Todas estas três parábolas falam da alegria de Deus, da misericórdia de Deus.

“Mas olhem que não é sentimento, não é “ser bonzinho”! Pelo contrário, a misericórdia é a verdadeira força que pode salvar o homem e o mundo do “câncer” que é o pecado, o mal moral, espiritual. Só o amor preenche os espaços vazios, os abismos negativos que o mal abre no coração e na história”.

 

Alegria de Deus é perdoar, diz Papa no Angelus 

“A misericórdia é a verdadeira força que pode salvar o homem e o mundo do ‘câncer’ que é o pecado, o mal moral, espiritual”

Da Redação, com Rádio Vaticano

No Angelus deste domingo, 15, o Papa Francisco afirmou que “a alegria de Deus é perdoar”. “É a alegria de um pastor que reencontra a sua ovelha; a alegria de uma mulher que reencontra a sua moeda; é a alegria de um pai que recolhe em casa, o filho que estava perdido, estava morto, e voltou à vida”.

Apesar da chuva desta manhã, a Praça de São Pedro estava cheia de peregrinos que foram a Roma para ouvir o Santo Padre.

Francisco refletiu sobre a liturgia deste domingo, e afirmou que nesta passagem  (cf. Lc 15) está todo o  Evangelho, todo o Cristianismo. O capítulo 15 do Evangelho de São Lucas contém as três parábolas da misericórdia, e que falam da alegria de Deus: a da ovelha perdida, da moeda perdida e a do filho filho pródigo.

“Mas olhem que não é sentimento, não é ‘ser bonzinho’! Pelo contrário, a misericórdia é a verdadeira força que pode salvar o homem e o mundo do ‘câncer’ que é o pecado, o mal moral, espiritual. Só o amor preenche os espaços vazios, os abismos negativos que o mal abre no coração e na história”.

Papa Francisco destacou que Jesus é todo misericórdia, todo amor: é Deus feito homem. E cada um de nós é a ovelha perdida, a moeda perdida, é o filho que desperdiçou sua liberdade seguindo ídolos falsos, ilusões de felicidade, e perdeu tudo. Entretanto, afirmou o Santo Padre, “Deus não se esquece de nós, o Pai nunca nos abandona. Respeita a nossa liberdade, mas permanece sempre fiel. E quando voltarmos a Ele, nos acolhe como filhos, em sua casa, porque ele não pára nunca, nem por um momento, de nos esperar, com amor. E o seu coração está em festa por cada filho que retorna”.

“Qual é o perigo? Que supomos ser justos, e julgamos os outros. Julgamos também Deus, porque pensamos que deveria punir os pecadores, condená-los à morte, em vez de perdoar. Então, sim, corremos o risco de ficar fora da casa do Pai! Como o irmão mais velho da parábola, que, em vez de ficar feliz porque seu irmão voltou, fica com raiva do pai, que o acolheu e faz festa. Se no nosso coração, não há misericórdia, a alegria do perdão, não estamos em comunhão com Deus, mesmo se observamos todos os preceitos, porque é o amor que salva, não só a prática dos preceitos. É o amor a Deus e ao próximo, que realiza todos os mandamentos”.

Em seguida, o Papa Francisco pediu aos fiéis reunidos na Praça São Pedro que rezassem um instante em silêncio por aquela pessoa com a qual se desentenderam. “Vamos pensar naquela pessoa e em silêncio vamos rezar por ela e assim nos tornaremos misericordiosos com ela”.

O Santo Padre disse ainda que se vivermos de acordo com a lei do “olho por olho, dente por dente”, jamais sairemos da espiral do mal. “O Maligno é inteligente, e nos ilude que com a nossa justiça humana podemos nos salvar e salvar o mundo. Na realidade, somente a justiça de Deus pode nos salvar! E a justiça de Deus se revelou na Cruz: a Cruz é o julgamento de Deus sobre todos nós e sobre este mundo”.

“Mas como Deus nos julga?”, indagou o Papa, e explicou: “Dando a vida por nós! Eis o ato supremo de justiça que derrotou, uma vez por todas, o Príncipe deste mundo; e esse ato supremo de justiça é também ato supremo de misericórdia. Jesus chama todos a seguirem este caminho: ‘Sede misericordiosos, como o vosso Pai é misericordioso’ (Lc 6:36)”.

Beatificação na Argentina

Após o Angelus o Papa Francisco recordou que neste sábado, na Argentina, foi proclamado Bem-aventurado José Gabriel Brochero, um sacerdote da diocese de Córdoba, que nasceu em 1840 e faleceu em 1914.

Impulsionado pelo amor de Cristo, dedicou-se inteiramente ao seu rebanho, para conduzir todos ao Reino de Deus com imensa misericórdia e zelo pelas almas. Ele estava com o povo, e procurava levar muitos aos exercícios espirituais. No final da vida, ficou cego e leproso, mas cheio de alegria, da alegria do Bom Pastor!

“Gostaria de unir-me à alegria da Igreja na Argentina pela beatificação deste pastor exemplar, que percorreu incansavelmente com uma mula, os caminhos áridos de sua paróquia, procurando casa por casa, as pessoas a ele confiadas para levá-las a Deus. Peçamos a Cristo, por intercessão do novo Beato, que se multipliquem os sacerdotes que, imitando Brochero, entreguem as suas vidas ao serviço da evangelização, de joelhos diante do Crucifixo, como também testemunhando em todos os lugares o amor e a misericórdia Deus”.

Semana Social dos Católicos italianos

O Papa lembrou ainda que neste domingo, em Turim, norte da Itália se conclui a Semana Social dos católicos italianos, sobre o tema “Família, esperança e futuro para a sociedade italiana.”

“Saúdo todos os participantes e congratulo-me pelo grande compromisso que existe na Igreja na Itália para com as famílias e pelas famílias, e isso é também um forte estímulo para as instituições e para todo o país. Coragem! Continuem neste caminho!”, concluiu o Papa.

Enfim concedeu a todos a sua Benção Apostólica.

A Igreja como família de Deus

Na audiência geral, quarta-feira, 29 de maio  de 2013, André Alves / Da redação

“A Igreja é uma família em que se ama e é amado”, disse o Santo Padre

“Mas é a Igreja que nos leva a Cristo, que nos leva a Deus, a Igreja é a grande família dos filhos de Deus”, ressaltou o Papa Francisco. (FOTO: L’Osservatore Romano)

Na catequese desta quarta-feira, 29, o Papa Francisco iniciou um novo ciclo de ensinamentos. O Pontífice fará, a partir de então, reflexões sobre o mistério da Igreja, explorando algumas expressões contidas nos textos do Concílio Vaticano II, partindo da primeira que trata da Igreja como família de Deus.

Durante a audiência geral, Francisco voltou a citar o Papa emérito Bento XVI, recordando sua afirmação de que a Igreja é obra de Deus, nascida de Seu plano de amor e que se concretiza progressivamente na história. “A Igreja nasce do desejo de Deus de chamar todo homem à comunhão com Ele, à Sua amizade e a participar como filhos de sua vida divina”, acrescentou o Pontífice.

O Santo Padre também criticou aqueles que dizem crer no Cristo, mas não crêem na Igreja, assim como, aqueles que afirmam: “eu acredito em Deus, mas não nos sacerdotes”. Segundo o Papa, é a Igreja que leva Cristo aos homens e também os leva a Deus, assim, afirmou Francisco, “a Igreja é a grande família dos filhos de Deus”.

No entanto, o Papa também reconheceu os aspectos humanos da Instituição, evidentes naqueles que a compõem – pastores e fiéis. “Há defeitos, imperfeições, pecados e o Papa também os tem e são muitos, mas o belo é que, quando nos damos conta de que somos pecadores, encontramos a misericórdia de Deus, que sempre perdoa. Não se esqueça: Deus sempre perdoa e nos recebe em seu amor de perdão e misericórdia”.

Enfatizando o tema central da audiência, o Papa destacou que a Igreja é uma família na qual se ama e se é amado. “Na família de Deus, na Igreja, a seiva vital é o amor de Deus que se constitui em amá-Lo e amar os outros, todos, sem distinção e medida.”

Diante disso, Francisco questionou os católicos a cerca do amor que se tem pela Igreja e como os mesmos estão cuidando desta Instituição que, segundo Francisco, é uma obra de inspiração de divina, gerada no coração de Deus.

“Nos perguntemos hoje: quanto amo a Igreja? Rezo por ela? Eu me sinto parte da família da Igreja? O que faço para que seja uma comunidade onde todos se sintam acolhidos e compreendidos, sintam a misericórdia e o amor de Deus que renova a vida?”, interrogou.

O Papa encerrou a catequese pedindo a Deus que, especialmente neste Ano da Fé, as comunidades católicas e toda a Igreja sejam cada vez mais verdadeiras famílias que vivam e levem o calor de Deus ao mundo.

 

Catequese
Praça de São Pedro, Vaticano
Quarta-feira, 29 de maio de 2013

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Quarta-feira passada eu abordei o vínculo profundo entre o Espírito Santo e a Igreja. Hoje gostaria de começar algumas reflexões sobre o mistério da Igreja, mistério que todos nós vivemos e do qual fazemos parte. Quero utilizar expressões contidas nos textos do Concílio Vaticano II.

Hoje, a primeira: a Igreja como Família de Deus.

Nos últimos meses, mais de uma vez eu fiz referência à Parábola do Filho Pródigo, ou melhor, do Pai Misericordioso (cf. Lc 15:11-32). O filho mais novo deixa a casa do pai, desperdiça tudo e decide voltar porque percebe que cometeu um erro, mas já não é considerado digno de ser filho e pensa em poder ser recebido de volta como servo. Mas o pai corre ao seu encontro e o abraça, lhe restitui de volta sua dignidade de filho e faz festa. Esta parábola, como outras no Evangelho, mostra bem o desígnio de Deus para a humanidade.

Qual é este plano de Deus? É fazer de todos nós uma única família de filhos, em que cada um se sinta próximo e amado por Ele, como na parábola do Evangelho, sinta o calor de ser família de Deus. Neste grande projeto, encontra sua raiz na Igreja, que não é uma organização fundada por pessoas, mas – como nos recordou tantas vezes o Papa Bento XVI – é obra de Deus, nasceu exatamente deste plano de amor que se concretiza progressivamente na história. A Igreja nasce do desejo de Deus de chamar todo homem à comunhão com Ele, à Sua amizade e a participar como filhos de sua vida divina. A própria palavra “Igreja”, do grego ekklesia, significa “convocação”: Deus nos chama, nos impulsiona a sair do individualismo, da tendência de nos fechar em nós mesmos e nos chama a fazer parte de sua família. E este chamado tem origem na própria criação. Deus nos criou para que vivêssemos em uma relação de profunda amizade com Ele e até mesmo quando o pecado quebrou esta relação com Deus, com os outros e com a criação, Deus não nos abandonou. Toda a história da salvação é a história de Deus que busca o homem, oferece-lhe seu amor, o acolhe. Ele chamou Abraão para ser o pai de uma multidão, escolheu o povo de Israel para firmar uma aliança que abraçasse todas as nações e enviou, na plenitude dos tempos, seu Filho, para que seu plano de amor e salvação fosse realizado em uma nova e eterna aliança com toda a humanidade. Quando lemos os Evangelhos, vemos que Jesus reúne em torno de si uma pequena comunidade que acolhe a sua palavra, segue-o, compartilha sua jornada, se torna Sua família e com esta comunidade Ele prepara e constrói Sua Igreja.

Onde nasce a Igreja, então? Nasce do supremo ato de amor na Cruz, do lado trespassado de Jesus, de onde jorram sangue e água, símbolo dos sacramentos da Eucaristia e do Batismo. Na família de Deus, na Igreja, a seiva vital é o amor de Deus que se constitui em amá-Lo e amar os outros, todos, sem distinção e medida. A Igreja é uma família em que se ama e é amado.

Quando se manifesta a Igreja? Celebramos esse momento há dois domingos. Se manifesta quando o dom do Espírito Santo enche o coração dos Apóstolos e os impele a sair e começar o caminho para anunciar o Evangelho, espalhar o amor de Deus.

Mesmo hoje em dia, alguém diz: “Cristo sim, a Igreja não”. Como aqueles que dizem “eu acredito em Deus, mas não nos sacerdotes”. Mas é a Igreja que nos leva a Cristo, que nos leva a Deus, a Igreja é a grande família dos filhos de Deus. Claro que há também aspectos humanos, naqueles que a compõem, pastores e fiéis, há defeitos, imperfeições, pecados e o Papa também os tem e são muitos, mas o belo é que, quando nos damos conta de que somos pecadores, encontramos a misericórdia de Deus, que sempre perdoa. Não se esqueça: Deus sempre perdoa e nos recebe em seu amor de perdão e misericórdia. Alguns dizem que o pecado é uma ofensa a Deus, mas também uma oportunidade de humilhação para perceber que não há nada mais belo: a misericórdia de Deus. Pensemos nisso.

Nos perguntemos hoje: quanto amo a Igreja? Rezo por ela? Eu me sinto parte da família da Igreja? O que faço para que seja uma comunidade onde todos se sintam acolhidos e compreendidos, sintam a misericórdia e o amor de Deus que renova a vida? A fé é um dom e um ato que nos afeta pessoalmente, mas Deus nos chama a viver a nossa fé juntos, como família, como Igreja.

Peçamos ao Senhor, de maneira especial neste Ano da Fé, que as nossas comunidades, toda a Igreja, sejam cada vez mais verdadeiras famílias que vivem e levam o calor de Deus.

20 conselhos do Papa Francisco aos recém-casados

Regra de Ouro
http://formacao.cancaonova.com/relacionamento/casamento/20-conselhos-do-papa-francisco-aos-recem-casados/

Momento especial para os recém-casados receber os conselhos do Santo Padre
Ao final das audiências gerais, já se tornou costume a saudação do Papa a casais recém-casados. Um momento muito especial para essas pessoas que iniciam uma vida a dois receber a benção do Santo Padre. Em primeiro lugar, Francisco elogia a coragem dos jovens por terem escolhido o matrimônio porque, segundo o Papa, casar “requer muita coragem”. Ao longo do ciclo de catequeses direcionadas às famílias, selecionei 20 conselhos aos novos casais:

Conselhos
1. Façam a experiência do amor gratuito como é o amor de Deus pela humanidade.
2. A mansidão dos santos indique a vocês o estilo das relações entre os cônjuges na família.
3. A fortaleza da santidade até o martírio aponte os valores que verdadeiramente valem a pena na vida familiar.
4. Amem a vida que é sempre sagrada, apesar de marcada por fragilidade e doenças.
5. As obras de misericórdia ajudem vocês a viverem a existência conjugal abrindo-a à necessidade dos irmãos.
6. Encontrem na aliança que, Cristo assumiu com Sua Igreja a preço de Seu Sangue, a base a do pacto conjugal de vocês.
7. Construam sua família sobre o mesmo amor que uniu José à Virgem Maria.
8. Desejo de coração que vocês cresçam na generosa disponibilidade em relação ao Senhor, seguindo o exemplo da Virgem Santa.
9. Coloquem Deus no centro para que sua história conjugal tenha mais amor e mais felicidade.
10. Vivam o matrimônio em concreta adesão a Cristo e aos ensinamentos do Evangelho.
11. Vivam o seu amor imitando o amor misericordioso de Jesus.

Virgem Maria
12. Aprendam da Virgem Maria a conceder espaço à escuta da Palavra de Deus e à prática da caridade, vivendo com alegria a pertença à Igreja, à família dos discípulos do Cristo Ressuscitado.
13. A cruz cotidiana seja a referência de vocês para que a vida familiar seja uma lareira de oração e recíproca compreensão.
14. Aprendam a cultivar a devoção à Mãe de Deus pedindo-a para que não falta nunca na casa de vocês o amor e o respeito recíproco.
15. O amor à Eucaristia nutrido pelos santos estimule vocês a fundar a família sobre o amor de Deus.
16. O apostolado dos santos nas periferias convide vocês a ajudar os mais frágeis e necessitados da família.
17. A Devoção ao Sagrado Coração de Jesus e ao Coração Imaculado de Maria sustente vocês no caminho conjugal e na educação com amor dos filhos que o Senhor quiser lhes dar.
18. No caminho que vocês assumiram, busquem a Eucaristia para que nutridos de Cristo sejam famílias cristãs tocadas pelo amor do Coração de Jesus.

Santa Mônica
19. Confiemos à intercessão de Santa Mônica, mãe de Santo Agostinho, os recém-casados e os pais cristãos para que como Mônica, acompanhem com o exemplo e com a oração o caminho dos filhos.
20. Santa Maria seja o modelo no caminho conjugal de dedicação e fidelidade.

Rodrigo Luiz dos Santos é Missionário, cursou Filosofia e é Jornalista. Atualmente, apresenta o programa ‘Manhã Viva’ na TV Canção Nova e é chefe de reportagem da Central de Jornalismo na mesma emissora. Rodrigo Luiz é casado com Adelita Stoebel, também missionária da Canção Nova, e pai de Tobias.

A fé é o motivo da grandeza de Maria

Sábado, 15 de agosto de 2015, Da redação, com Rádio Vaticano

A Praça São Pedro presenciou um Angelus especial neste sábado, 15, por ocasião da Solenidade da Assunção de Maria, celebrada por toda a Igreja

Mesmo com o tempo instável, milhares de fiéis de diversos países foram ouvir as palavras do Papa Francisco neste sábado, 15, no primeiro Angelus, em 61 anos, rezado no Vaticano, na Solenidade da Assunção de Maria. Pela tradição, era sempre rezado em Castel Gandolfo, residência de verão dos Papas.

A passagem da visita de Maria a sua prima Isabel – trecho do Evangelho proposto pela liturgia do dia – revela, segundo o Papa, “o motivo mais verdadeiro da grandeza de Maria”: a fé. De fato, Isabel a saúda com estas palavras: “Bem-aventurada aquela que acreditou, porque vai acontecer o que o Senhor lhe prometeu”.

“A fé é o coração de toda a história de Maria; ela é fiel, a grande fiel; ela sabe – e o disse – que na história pesa a violência dos prepotentes, o orgulho dos ricos, a arrogância dos soberbos. Todavia, Maria acredita e proclama que Deus não deixa sozinhos os seus filhos, humildes e pobres, mas os socorre com misericórdia, com solicitude, derrubando os poderosos de seus tronos, dispersando os orgulhosos nas tramas de seus corações. Esta é a fé de nossa Mãe, esta é a fé de Maria!”, explicou o Papa.

Francisco explicou que o “Cântico de Nossa Senhora” deixa também intuir que se a misericórdia de Deus é o “motor da história”, então não “poderia conhecer a corrupção do sepulcro aquela que gerou o Senhor da vida”. E as ‘grandes coisas’ que Deus fez em Maria, dizem respeito também aos fiéis que creem, pois fala da vida humana e os recordam a meta que os espera: “a casa do Pai”.

“A nossa vida, vista à luz de Maria assunta ao Céu, não e uma ociosidade sem sentido, mas é uma peregrinação que, mesmo com todas as suas incertezas e sofrimentos, tem uma meta segura: a casa de nosso Pai, que nos espera com amor. É bonito pensar nisto: que nós temos um Pai que nos espera com amor e que também a nossa Mãe Maria está lá, e nos espera com amor”.

Para o Papa, Maria é sinal de consolação e de segura esperança e que, como Igreja, somos destinados a partilhar de Sua glória, “porque, graças a Deus, também nós acreditamos no sacrifício de Cristo na cruz e através do Batismo, somos inseridos em tal mistério de salvação”.

“Hoje todos juntos rezemos a ela, para que, enquanto se desvela o nosso caminho sobre a terra, ela nos dirija os seus olhos misericordiosos, ilumine o nosso caminho, nos indique a meta, e nos mostre depois deste desterro Jesus, o fruto bendito do seu ventre. Ó clemente, ó piedosa, ó doce Virgem Maria!”, concluiu o Pontífice.

Pai, onde está o seu filho?

Pai, você sabe o que representa para o seu filho? E o que seu filho representa para você?

“Agora, diz o Senhor, voltai para mim com todo o vosso coração, com jejuns, lágrimas e gemidos; rasgai o coração e não as vestes; volte o Senhor vosso Deus: ele é benigno, e compassivo, paciente e cheio de misericórdia” (Joel 2, 12-13). Essa reflexão é para aquele pai que perdeu o endereço do seu filho e quer reencontrá-lo.

Lendo o livro ‘Eu e Deus, Deus e Eu’, da autora Cristiana Miranda Lima, fiquei pensando que ali estaria o jeito certo de iniciar este escrito. A autora nos provoca a pensar sobre a importância de nos apresentarmos a Jesus como somos e com o que trazemos dentro de nós. “Se teu coração já não cabe em você de tanta dor e sofrimento, traga-o, em lágrimas e gemidos, com todas as feridas, e junte-o ao coração de Jesus. O Sangue d’Ele vai curar o seu coração. Jesus é misericordioso e zela por você, porque n’Ele nasce e morre todos os nossos sentimentos”, assegura Cristiana Lima. Pois bem, queremos apresentar a esperança e o consolo a todos os pais que tanto desejaram ser pai, mas as circunstâncias mudaram os seus planos. Quer seja pela morte de um filho, uma separação indesejada, o abandono dos seus rebentos ou até mesmo, por não terem conseguido cumprir a sua missão dignamente, e hoje, se encontra só, arrependido, com o coração cheio de lágrimas e gemidos a Jesus.

Pai, onde está o teu filho?

Volte para o Senhor e, juntamente com você, traga o seu filho. Este seria, sem dúvida, um bom retorno. Não voltar sozinho, mas acompanhado de quem você permitiu que viesse ao mundo. Assim, grandes serão as possibilidades de perdão, reencontro, amor, compromisso e aceitação. O Senhor é benigno, compassivo, paciente e cheio de misericórdia para acompanhá-lo nesse retorno. O Senhor é aquele que larga as noventa e nove ovelhas e sai em uma busca de uma. Podemos imaginar o que ele não faria para obter uma família de volta; em especial, um relacionamento saudável entre pai e filho. Eu o convido a pensar na figura do Pai que esteve fora do lugar, mas que decidiu reconquistar o que nunca havia perdido: o amor do filho.

Pai, onde está o seu filho?

Ao entrar em uma casa de assistência aos idosos, observamos tantos pais ali presentes. Sem nenhum julgamento, a curiosidade pesa sobre as causas que os levaram a morar naquele espaço sem a presença da família. Assim também imagino o que levaria uma criança ou um adolescente, um jovem… Enfim, um filho a passar o dia na rua ou diante do WatsApp em busca de uma companhia virtual. Compreendo a semelhança entre o idoso na casa de abrigo, na maioria das vezes abandonado pela família, e esse adolescente na casa de abrigo conhecido como “internet”. Essa prática é consequência da indisciplina dos cuidadores.

Todos, com certeza, queriam estar em suas casas, ao redor da mesa, recebendo diariamente o carinho dos filhos; e os filhos, por sua vez, mesmo que não transpareçam, querendo ser alcançados pelos seus pais. Não é a proibição do computador que vai trazer de volta o filho à mesa, mas a inteligência do pai redimido ao reconhecer que se deixou ser substituído. É a brincadeira, o diálogo saudável, o ambiente alegre, a relação sólida entre pai e filho. É o cultivo da fé que manterá essa chama acesa.

E agora, José, onde estão os seus filhos?

Os pais precisam permitir que seus filhos os alcancem. Filhos precisam alcançar os pais quando pequenos, para que estes possam continuar lhes alcançando por toda a vida. Quem não alcança quem quer no tempo certo, perde-se desse alguém em algum tempo, não é mesmo? Portanto, de tudo fica a certeza de que os filhos não podem perder o pai de vista, e o pai deve aprender como e quando alcançar o filho que nasceu para ser seu para sempre.

Atenção, pais, aos filhos que não lhes correspondem, porque esses também correm o risco de ser abandonados. Os filhos que se assumiram homossexuais, aqueles outros envolvidos com drogas, os que não se formaram doutores, as filhas que não casaram com um bom partido ou aquelas que preferiram a prostituição também precisaram estar na consciência do seu coração. Ainda há tempo, e se assim fizer, não mais precisará continuar se apresentando ao Senhor com o coração cheio de lágrimas e gemidos, mas agradecido a Deus, por ter feito um caminho de volta a partir do reconhecimento das suas faltas.

Pai, busque o seu filho de volta

Que, ao terminar de ler este texto, seu coração e seus pensamentos estejam em movimento. Você se sentirá um pai perdoado por Deus e acolhido pela missão que, em algum momento da vida, quis ter. Pai, o seu filho precisa estar ao lado de alguém que não desistiu de ser pai dele. Lembre-se: “Maria é aquela que sabe transformar um curral de animais na casa de Jesus, com uns pobres paninhos e uma montanha de ternura” (Exortação Apostólica – A Alegria do Evangelho do Papa Francisco). Faça você o mesmo em sua casa.

Judinara Braz
Administradora de Empresa com Habilitação em Marketing. Psicóloga especializada em Análise de Comportamento. Autora do Livro “Sala de Aula, a vida como ela é.” Diretora Pedagógica da Escola João Paulo I – Feira de Santana (BA).

Na catequese, Papa fala do perdão como “motor da esperança”

Quarta-feira, 9 de agosto de 2017, Da Redação, com Rádio Vaticano

Reflexão foi centrada na misericórdia de Jesus; Papa lembrou que Igreja é feita de pecadores que experimentam o perdão de Deus

“O perdão divino, motor da esperança” foi o tema da catequese do Papa Francisco nesta quarta-feira, 9, para cerca de sete mil pessoas na Sala Paulo VI.

A reflexão partiu de um trecho do Evangelho de Lucas, em que Jesus, convidado à casa do fariseu Simão, perdoa os pecados de uma mulher que se inclinou sobre seus pés para lavá-los com óleo perfumado. Francisco comentou a reação dos convidados de Simão ao ver Jesus perdoar a pecadora, um gesto considerado ‘escandaloso’. Segundo a mentalidade da época, Jesus, profeta, não deveria permitir que a mulher se inclinasse sobre seus pés para lavá-los com perfume; a separação entre o santo e o pecador, entre o puro e o impuro, deveria ser nítida.

“Desde o início do seu ministério público, Jesus aproxima-Se e deixa aproximar de Si leprosos, endemoniados, doentes e marginalizados. Quando encontra uma pessoa que sofre, Ele assume como próprio o sofrimento dela: não prega que este sofrimento se deve suportar heroicamente, mas faz Sua aquela pena”.

Segundo o Papa, é este o comportamento que caracteriza o cristianismo: a misericórdia. Jesus sente compaixão. Onde houver um homem ou uma mulher sofrendo, Jesus vai querer a sua cura, sua libertação e sua vida plena. E é por isso, explicou, que Ele acolhe os pecadores de braços abertos.

“Quanta gente perpetua numa vida de erros por não encontrar ninguém que os veja com os olhos diferentes, com o coração de Deus, ou seja, com esperança? Jesus entrevê uma possibilidade de ressurreição mesmo para quem fez um monte de opções erradas”.

Essa atitude, porém, levou Jesus à Cruz, ressaltou o Santo Padre. Jesus foi crucificado sobretudo porque perdoa os pecados, porque quer a libertação total, definitiva do coração do homem. Assim, os pecadores são perdoados; Jesus oferece a quem errou a esperança de uma vida nova.

O Santo Padre acrescentou ainda uma reflexão sobre a Igreja. “Nos faz bem pensar que Deus não escolheu como primeira massa para formar a sua Igreja as pessoas que não erravam nunca. A Igreja é um povo de pecadores que experimentam a misericórdia e o perdão de Deus”.

Ele destacou, por fim, que todos somos pobres pecadores, carentes da misericórdia de Deus, que tem a força de transformar e de oferecer esperança, todos os dias. Concluindo, o Papa completou: “A quem compreendeu esta verdade basilar, Deus confia a missão mais bela do mundo: o anúncio de uma misericórdia que Ele não nega a ninguém”.

Em homilia, Papa explica sentido das obras de misericórdia

Segunda-feira, 5 de junho de 2017, Da Redação, com Rádio Vaticano
 
As obras de misericórdia não são para “descarregar” a consciência, disse Francisco, é preciso compadecer, partilhar e arriscar

As obras de misericórdia não sejam um “dar esmolas” para descarregar a consciência, mas um participar do sofrimento dos outros, mesmo a seu próprio risco e deixando-se incomodar. Esse foi o ensinamento central do Papa Francisco na Missa desta segunda-feira, 5, na Casa Santa Marta.

O ponto de partida da homilia foi a primeira leitura, do Livro de Tobias. Os hebreus foram deportados para a Assíria: um homem justo, chamado Tobias, ajuda compatriotas pobres e – com o risco da própria vida – secretamente enterra os hebreus que são mortos impunemente. Tobias fica triste diante do sofrimento dos outros. Daqui a reflexão sobre 14 obras de misericórdia corporais e espirituais. Realizá-las, explicou o Papa, não significa somente compartilhar o que se tem, mas compadecer.

“Isto é, sofrer com quem sofre. Uma obra de misericórdia não é fazer algo para descarregar a consciência: uma boa ação, assim estou mais tranquilo, tiro um peso das costas… Não! É também sofrer a dor dos outros. Compartilhar e compadecer: caminham juntos. É misericordioso aquele que sabe compartilhar e também se compadecer dos problemas de outras pessoas. E aqui a pergunta: “Eu sei compartilhar? Eu sou generoso? Eu sou generosa? Mas também, quando vejo uma pessoa que está sofrendo, que está em dificuldade, também eu sofro? Sei colocar-me nos sapatos dos outros? Na situação de sofrimento?”.

Aos judeus era proibido enterrar seus compatriotas: eles mesmos poderiam ser mortos. Então Tobias corria perigo. Realizar obras de misericórdia – disse o Papa – não significa apenas partilhar e ter compaixão, mas também arriscar.

“Mas, muitas vezes se corre o risco. Pensemos aqui, em Roma. Em plena guerra: quantos se arriscaram, começando por Pio XII, para esconder os hebreus, para que não fossem mortos, para que não fossem deportados. Eles arriscaram a sua pele! Mas era uma obra de misericórdia, salvar a vida daquelas pessoas! Arriscar”.

O Papa enfatizou dois outros aspectos. Quem faz obras de misericórdia pode ser ridicularizado por outros – como aconteceu com Tobias – porque é considerado uma pessoa que faz coisas loucas, em vez de estar tranquilo. E é alguém que se incomoda. “Fazer obras de misericórdia é desconfortável. Mas, eu tenho um amigo, um amigo doente, gostaria de visitá-lo, mas … não tenho vontade … prefiro descansar ou assistir TV … tranquilo…”. Fazer obras de misericórdia é sempre desconfortável. É inconveniente. Mas o Senhor sofreu a inconveniência por nós: foi para a cruz. Para nos dar misericórdia”.

Quem é capaz de fazer uma obra de misericórdia, disse o Papa, é porque sabe que recebeu misericórdia antes; que foi o Senhor a conceder misericórdia a ele. “As obras de misericórdia – concluiu Francisco – são as que tiram você do egoísmo e nos fazem imitar Jesus mais de perto”.

A Semana Santa

Quarta-feira, 27 de março de 2013, Da Redação, com Rádio Vaticano / Clarissa Oliveira / CN Roma

Papa Francisco faz primeira Catequese de seu Pontificado  

O Papa Francisco realizou sua primeira Audiência Geral nesta quarta-feira, 27, na Praça São Pedro, no Vaticano, que estava repleta de fiéis. O Santo Padre dedicou sua Catequese à Semana Santa e explicou que, após a Páscoa, irá retomar as Catequeses sobre o Ano da Fé, como vinha fazendo seu predecessor.

“Mas que significa viver a Semana Santa para nós?”, questionou o Papa. “É acompanhar Jesus no seu caminho rumo à Cruz e à Ressurreição. Em sua missão terrena, ele falou a todos, sem distinção, aos grandes e aos humildes, trouxe o perdão de Deus e sua misericórdia, ofereceu esperança; consolou e curou. Foi presença de amor”.

O Pontífice explicou que na Semana Santa, “vivemos o vértice dessa caminhada de Jesus, que se entregou voluntariamente à morte para corresponder ao amor de Deus Pai, em perfeita união com sua vontade, para demonstrar o seu amor por nós”.

Em seguida, o Santo Padre indagou: “O que tudo isso tem a ver conosco?”, e explicou que esta caminhada é também “a minha, a tua, a nossa caminhada”.

“Viver a Semana Santa seguindo Jesus quer dizer aprender a sair de nós mesmos, ir ao encontro dos outros, ir às periferias da existência, encontrar sobretudo os mais distantes, os que mais necessitam de compreensão, de consolação, de ajuda. Viver a Semana Santa é entrar sempre mais na lógica de Deus, do Evangelho. Mas acompanhar Cristo exige sair de nós mesmos, deixar de lado um modo cansado e rotineiro de viver a fé. Deus saiu de Si mesmo para vir ao nosso encontro e também nós devemos fazer o mesmo”.

A falta de tempo não é desculpa, disse o Papa. “Não podemos nos contentar com uma oração, uma Missa dominical distraída e não constante, de algum gesto de caridade, e não ter a coragem de ‘sair’ para levar Cristo”.

Após a Catequese, como de costume, o Pontífice saudou os grupos presentes. Francisco não falou nas várias línguas, mas sim em italiano. A síntese da catequese e da saudação foi lida por um tradutor. Em português, foi feita pelo padre Bruno Lins:

“Queridos irmãos e irmãs, na Semana Santa, centro de todo o Ano Litúrgico, somos chamados a seguir Jesus pelo caminho do Calvário em direção à Cruz e Ressurreição. Este é também o nosso caminho. Ele entregou-se voluntariamente ao amor de Deus Pai, unido perfeitamente à sua vontade, para demonstrar o seu amor por nós: assim o vemos na Última Ceia, dando-nos o seu Corpo e o seu Sangue, para permanecer sempre conosco. Portanto, a lógica da Semana Santa é a lógica do amor e do dom de si mesmo, que exige deixar de lado as comodidades de uma fé cansada e rotineira para levar Cristo aos demais, abrindo as portas do nosso coração, da nossa vida, das nossas paróquias, movimentos, associações, levando a luz e a alegria da nossa fé. Viver a Semana Santa seguindo Jesus significa aprender a sair de nós mesmos para ir ao encontro dos demais, até as periferias da existência. Há uma necessidade imensa de levar a presença viva de Jesus misericordioso e rico de amor. Queridos peregrinos de língua portuguesa, particularmente os grupos de jovens vindos de Portugal e do Brasil: sede bem-vindos! Desejo-vos uma Semana Santa abençoada, seguindo o Senhor com coragem e levando a quantos encontrardes o testemunho luminoso do seu amor. A todos dou a Bênção Apostólica!”

 

CATEQUESE
Praça São Pedro – Vaticano Quarta-feira, 27 de março de 2013
Boletim da Santa Sé Tradução: Jéssica Marçal

Irmãos e irmãs, bom dia!

Tenho o prazer de acolher-vos nesta minha primeira Audiência Geral. Com grande reconhecimento e veneração acolho o “testemunho” das mãos do meu amado predecessor Bento XVI. Depois da Páscoa retomaremos as catequeses do Ano da Fé. Hoje gostaria de concentrar-me um pouco sobre a Semana Santa. Com o Domingo de Ramos iniciamos esta Semana – centro de todo o Ano Litúrgico – na qual acompanhamos Jesus em sua Paixão, Morte e Ressurreição.

Mas o que pode querer dizer viver a Semana Santa para nós? O que significa seguir Jesus em seu caminho no Calvário para a Cruz e a ressurreição? Em sua missão terrena, Jesus percorreu os caminhos da Terra Santa; chamou 12 pessoas simples para que permanecessem com Ele, compartilhando o seu caminho e para que continuassem a sua missão; escolheu-as entre o povo cheio de fé nas promessas de Deus. Falou a todos, sem distinção, aos grandes e aos humildes, ao jovem rico e à pobre viúva, aos poderosos e aos indefesos; levou a misericórdia e o perdão de Deus; curou, consolou, compreendeu; doou esperança; levou a todos a presença de Deus que se interessa por cada homem e cada mulher, como faz um bom pai e uma boa mãe para cada um de seus filhos. Deus não esperou que fôssemos a Ele, mas foi Ele que se moveu para nós, sem cálculos, sem medidas. Deus é assim: Ele dá sempre o primeiro passo, Ele se move para nós. Jesus viveu a realidade cotidiana do povo mais comum: comoveu-se diante da multidão que parecia um rebanho sem pastor; chorou diante do sofrimento de Marta e Maria pela morte do irmão Lázaro; chamou um cobrador de impostos como seu discípulo; sofreu também a traição de um amigo. Nele Deus nos doou a certeza de que está conosco, em meio a nós. “As raposas – disse Ele, Jesus – as raposas têm suas tocas e as aves do céu os seus ninhos, mas o Filho do homem não tem onde repousar a cabeça” (Mt 8, 20). Jesus não tem casa porque a sua casa é o povo, somos nós, a sua missão é abrir a todos as portas de Deus, ser a presença do amor de Deus.

Na Semana Santa nós vivemos o ápice deste momento, deste plano de amor que percorre toda a história da relação entre Deus e a humanidade. Jesus entra em Jerusalém para cumprir o último passo, no qual reassume toda a sua existência: doa-se totalmente, não tem nada para si, nem mesmo a vida. Na Última Ceia, com os seus amigos, compartilha o pão e distribui o cálice “por nós”. O Filho de Deus se oferece a nós, entrega em nossas mãos o seu Corpo e o seu Sangue para estar sempre conosco, para morar em meio a nós. E no Monte das Oliveiras, como no processo diante de Pilatos, não oferece resistência, doa-se; é o Servo sofredor profetizado por Isaías que se despojou até a morte (cfr Is 53,12).

Jesus não vive este amor que conduz ao sacrifício de modo passivo ou como um destino fatal; certamente não esconde a sua profunda inquietação humana diante da morte violenta, mas se confia com plena confiança ao Pai. Jesus entregou-se voluntariamente à morte para corresponder ao amor de Deus Pai, em perfeita união com a sua vontade, para demonstrar o seu amor por nós. Na cruz Jesus “me amou e entregou a si mesmo” (Gal 2,20). Cada um de nós pode dizer: amou-me e entregou a si mesmo por mim. Cada um pode dizer este “por mim”.

O que significa tudo isto para nós? Significa que este é também o meu, o teu, o nosso caminho. Viver a Semana Santa seguindo Jesus não somente com a emoção do coração; viver a Semana Santa seguindo Jesus quer dizer aprender a sair de nós mesmos – como disse domingo passado – para ir ao encontro dos outros, para ir para as periferias da existência, mover-nos primeiro para os nossos irmãos e as nossas irmãs, sobretudo aqueles mais distantes, aqueles que são esquecidos, aqueles que tema mais necessidade de compreensão, de consolação, de ajuda. Há tanta necessidade de levar a presença viva de Jesus misericordioso e rico de amor!

Viver a Semana Santa é entrar sempre mais na lógica de Deus, na lógica da Cruz, que não é antes de tudo aquela da dor e da morte, mas aquela do amor e da doação de si que traz vida. É entrar na lógica do Evangelho. Seguir, acompanhar Cristo, permanecer com Ele exige um “sair”, sair. Sair de si mesmo, de um modo cansado e rotineiro de viver a fé, da tentação de fechar-se nos próprios padrões que terminam por fechar o horizonte da ação criativa de Deus. Deus saiu de si mesmo para vir em meio a nós, colocou a sua tenda entre nós para trazer-nos a sua misericórdia que salva e doa esperança. Também nós, se desejamos segui-Lo e permanecer com Ele, não devemos nos contentar em permanecer no recinto das 99 ovelhas, devemos “sair”, procurar com Ele a ovelha perdida, aquela mais distante. Lembrem-se bem: sair de nós mesmo, como Jesus, como Deus saiu de si mesmo em Jesus e Jesus saiu de si mesmo por todos nós.

Alguém poderia dizer-me: “Mas, padre, não tenho tempo”, “tenho tantas coisas a fazer”, “é difícil”, “o que posso fazer com as minhas poucas forças, também com o meu pecado, com tantas coisas?”. Sempre nos contentamos com alguma oração, com uma Missa dominical distraída e não constante, com qualquer gesto de caridade, mas não temos esta coragem de “sair” para levar Cristo. Somos um pouco como São Pedro. Assim que Jesus fala de paixão, morte e ressurreição, de doação de si, de amor para todos, o Apóstolo o leva para o lado e o repreende. Aquilo que diz Jesus perturba os seus planos, parece inaceitável, coloca em dificuldade as seguranças que se havia construído, a sua ideia de Messias. E Jesus olha para os discípulos e dirige a Pedro talvez uma das palavras mais duras dos Evangelhos: “Afasta-te de mim, Satanás, porque teus sentimentos não são os de Deus, mas os dos homens” (Mc 8, 33). Deus pensa sempre com misericórdia: não se esqueçam disso. Deus pensa sempre com misericórdia: é o Pai misericordioso! Deus pensa como o pai que espera o retorno do filho e vai ao seu encontro, vê-lo vir quando ainda é distante…O que isto significa? Que todos os dias ia ver se o filho retornava a casa: este é o nosso Pai misericordioso. É o sinal que o esperava de coração no terraço de sua casa. Deus pensa como o samaritano que não passa próximo à vítima olhando por outro lado, mas socorrendo-a sem pedir nada em troca; sem perguntar se era judeu, se era pagão, se era samaritano, se era rico, se era pobre: não pergunta nada. Não pergunta essas coisas, não pergunta nada. Vai em seu auxílio: assim é Deus. Deus pensa como o pastor que doa a sua vida para defender e salvar as ovelhas.

A Semana Santa é um tempo de graça que o Senhor nos doa para abrir as portas do nosso coração, da nossa vida, das nossas paróquias – que pena tantas paróquias fechadas! – dos movimentos, das associações, e “sair” de encontro aos outros, fazer-nos próximos para levar a luz e a alegria da nossa fé. Sair sempre! E isto com amor e com a ternura de Deus, no respeito e na paciência, sabendo que nós colocamos as nossas mãos, os nossos pés, o nosso coração, mas em seguida é Deus que os orienta e torna fecunda cada ação nossa.

Desejo a todos viver bem estes dias seguindo o Senhor com coragem, levando em nós mesmos um raio do seu amor a quantos encontrarmos.

Paixão do Senhor: “Apenas misericórdia pode salvar o mundo”

Sexta-feira, 25 de março de 2016, Agência Ecclesia

Pregador da Casa Pontifícia afirma que a misericórdia pode salvar matrimônio e família

O pregador da Casa Pontifícia destacou a “prova suprema” da morte de Jesus e explicou o apelo à reconciliação com Deus dirigido nesta Sexta-feira Santa, 25, a todos no Ano favorável da Misericórdia, na celebração da Paixão do Senhor, no Vaticano.

“A morte de Cristo devia ser para todos a prova suprema da misericórdia de Deus para com os pecadores. É por isso que ela não tem sequer a majestade de certa solidão, mas é enquadrada, entre dois ladrões”, assinalou frei Raniero Cantalamessa, esta tarde, na cerimônia presidida pelo Papa Francisco.

Na celebração da Paixão do Senhor, o franciscano capuchinho explicou que se deve perceber que “o oposto da misericórdia não é a justiça mas a vingança”.

O sacerdote indicou que Jesus “não opôs misericórdia à justiça, mas à lei de talião” e exemplificou que na cruz “não pediu ao Pai que vingasse a sua causa” mas que perdoasse os seus carrascos.

“Temos que desmitificar a vingança! Ela tornou-se um mito penetrante, que contamina tudo e todos, começando pelas crianças”, alertou o pregador da Casa Pontifícia dando como exemplo que “grande parte das histórias” no cinema e nos jogos eletrônicos são “histórias de vingança”.

Misericórdia pode salvar matrimônio e família

“Metade, se não mais, do sofrimento que há no mundo, quando não se trata de males naturais, vêm do desejo de vingança, seja nas relações entre as pessoas, seja nas relações entre países e povos”, acrescentou, sublinhando que apenas a misericórdia “pode salvar o mundo”.

“A misericórdia de Deus pelos homens e dos homens entre si. Ela pode salvar, em particular, a coisa mais preciosa e mais frágil que há no mundo neste momento: o matrimônio e a família”, alertou.

Neste contexto, observou que no matrimônio acontece algo semelhante ao que aconteceu “na relação entre Deus e a humanidade”, no início existe “amor” e não a misericórdia.

“A misericórdia só intervém depois do pecado do homem, também no casamento, no início não há misericórdia mas amor. Depois de anos, ou meses, de vida em comum revelam-se os limites pessoais, os problemas de saúde, dinheiro, filhos; a rotina, que apaga a alegria”, desenvolveu.

O religioso refletiu também sobre a reconciliação com Deus e disse que uma das razões, “talvez a principal”, da alienação do homem moderno com a religião e a fé “é a imagem distorcida de Deus”.

Justiça de Deus

Na Basílica de São Pedro, explicou que para descobrir qual a imagem “predefinida” de Deus no inconsciente humano coletivo “basta fazer” a pergunta: “Que associação de ideias, que sentimentos e reações surgem em mim, antes de qualquer reflexão, quando, na oração do Pai-nosso, chego às palavras ‘seja feita a vossa vontade’.”

“Quem as diz é como se inclinasse interiormente a cabeça em resignação, preparando-se para o pior. É um pouco como se Deus fosse o inimigo de toda festa, alegria, prazer. Um Deus ranzinza e inquisidor”, comentou.

Para o pregador da Casa Pontifícia é um resquício da ideia pagã de Deus, “nunca erradicada de todo, e talvez erradicável, do coração humano”.

Contudo, na homilia da Celebração da Paixão do Senhor, o religioso observa que no cristianismo “nunca foi ignorada” a misericórdia de Deus mas foi-lhe confiada “apenas” a missão de “moderar os rigores irrenunciáveis da justiça”.

Na cerimônia, com 38 cardeais e 33 arcebispos e bispos, o sacerdote considerou que existe “o perigo” de se ouvir falar em justiça de Deus e “ignorando o seu significado, ficar-se com medo em vez de encorajado”.

“A justiça de Deus é o ato pelo qual Deus faz justos, agradáveis a Si, aqueles que creem no Seu Filho. Não é um fazer-se justiça, mas um fazer justos”, acrescentou o pregador da Casa Pontifícia.

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