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Santo Evangelho (Mt 1, 18-24)

18 de Dezembro – Segunda-feira 18/12/2017

Primeira Leitura (Jr 23,5-8)
Leitura do Livro do Profeta Jeremias.

5“Eis que virão dias, diz o Senhor, em que farei nascer um descendente de Davi; reinará como rei e será sábio, fará valer a justiça e a retidão na terra. 6Naqueles dias, Judá será salvo e Israel viverá tranquilo; este é o nome com que o chamarão: ‘Senhor, nossa Justiça’. 7Eis que virão dias, diz o Senhor, em que já não se usará jurar ‘Pela vida do Senhor que tirou os filhos de Israel do Egito’ 8— mas sim: ‘Pela vida do Senhor que tirou e reconduziu os descendentes da casa de Israel desde o país do norte e todos os outros países’, para onde os expulsará; eles então irão habitar em sua terra”.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Responsório (Sl 71)

— Nos seus dias a justiça florirá e a paz em abundância para sempre.
— Nos seus dias a justiça florirá e paz em abundância para sempre.

— Dai ao Rei vossos poderes, Senhor Deus, vossa justiça ao descendente da realeza! Com justiça ele governe o vosso povo, com equidade ele julgue os vossos pobres.

— Libertará o indigente que suplica, e o pobre ao qual ninguém quer ajudar. Terá pena do indigente e do infeliz, e a vida dos humildes salvará.

— Bendito seja o Senhor Deus de Israel, porque só ele realiza maravilhas! Bendito seja o seu nome glorioso! Bendito seja eternamente! Amém, amém!

 

Evangelho (Mt 1,18-24)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus.
— Glória a vós, Senhor.

18A origem de Jesus Cristo foi assim: Maria, sua mãe, estava prometida em casamento a José, e, antes de viverem juntos, ela ficou grávida pela ação do Espírito Santo. 19José, seu marido, era justo e, não querendo denunciá-la, resolveu abandonar Maria, em segredo. 20Enquanto José pensava nisso, eis que o anjo do Senhor apareceu-lhe, em sonho, e lhe disse: “José, Filho de Davi, não tenhas medo de receber Maria como tua esposa, porque ela concebeu pela ação do Espírito Santo. 21Ela dará à luz um filho, e tu lhe darás o nome de Jesus, pois ele vai salvar o seu povo dos seus pecados”. 22Tudo isso aconteceu para se cumprir o que o Senhor havia dito pelo profeta: 23“Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho. Ele será chamado pelo nome de Emanuel, que significa: Deus está conosco”. 24Quando acordou, José fez conforme o anjo do Senhor havia mandado, e aceitou sua esposa.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

 

A IGREJA CATÓLICA CELEBRA E VENERA HOJE
Nossa Senhora do Ó – Festa católica de origem espanhola 

Festa católica de origem claramente espanhola, a festa de hoje é conhecida na liturgia com o nome de “Expectação do parto de Nossa Senhora”, e entre o povo com o título de “Nossa Senhora do Ó”. Os dois nomes têm o mesmo significado e objetivo: os anelos santos da Mãe de Deus por ver o seu Filho nascido. Anelos de milhares e milhares de gerações que suspiraram pela vinda do Salvador do mundo, desde Adão e Eva, e que se recolhem e concentram no Coração de Maria, como no mais puro e limpo dos espelhos. A Expectação (expectativa) do parto não é simplesmente a ansiedade, natural na mãe jovem que espera o seu primogênito; é o desejo inspirado e sobrenatural da “bendita entre as mulheres”, que foi escolhida para Mãe Virgem do Redentor dos homens, para corredentora da humanidade. Ao esperar o seu Filho, Nossa Senhora ultrapassa os ímpetos afetivos de uma mãe comum e eleva-se ao plano universal da Economia Divina da Salvação do mundo.

As antífonas maiores que põe a Igreja nos lábios dos seus sacerdotes desde hoje até a Véspera do Natal e começam sempre pela interjeição exclamativa Ó (“Ó Sabedoria… vinde ensinar-nos o caminho da salvação”; “Ó rebento da Raiz de Jessé… vinde libertar-nos, não tardeis mais”; “Ó Emanuel…, vinde salvar-nos, Senhor nosso Deus”), como expoente altíssimo do fervor e ardentes desejos da Igreja, que suspira pela vinda de Jesus, inspiraram ao povo espanhol a formosa invocação de “Nossa Senhora do Ó”. É ideia grande e inspirada: a Mãe de Deus, posta à frente da imensa caravana da humanidade, peregrina pelo deserto da vida, que levanta os braços suplicantes e abre o coração enternecido, para pedir ao céu que lhe envie o Justo, o Redentor.

A festa de Nossa Senhora do Ó foi instituída no século VI pelo décimo Concílio de Toledo, ilustre na História da Igreja pela dolorosa, humilde, edificante e pública confissão de Potâmio, Bispo bracarense, pela leitura do testamento de São Martinho de Dume e pela presença simultânea de três santos de origem espanhola: Santo Eugênio III de Toledo, São Frutuoso de Braga e o então abade agaliense Santo Ildefonso.

Primeiro comemorava-se hoje a Anunciação de Nossa Senhora e Encarnação do Verbo. Santo Ildefonso estabeleceu-a definitivamente e deu-lhe o título de “Expectação do parto”. Assim ficou sendo na Hispânia e passou a muitas Igrejas da França, etc. Ainda hoje é celebrada na Arquidiocese de Braga.

Nossa Senhora do Ó, rogai por nós!

Santo Evangelho (Lc 1, 26-38)

Imaculada Conceição da Santíssima Virgem Maria – Sexta-feira 08/12/2017

Primeira Leitura (Gn 3,9-15.20)
Leitura do Livro do Gênesis:

9O Senhor chamou Adão, dizendo: “Onde estás?” 10E ele respondeu: “Ouvi tua voz no jardim, e fiquei com medo porque estava nu; e me escondi”. 11Disse-lhe o Senhor Deus: “E quem te disse que estavas nu? Então comeste da árvore, de cujo fruto te proibi comer?” 12Adão disse: “A mulher que tu me deste por companheira , foi ela que me deu do fruto da árvore, e eu comi”. 13Disse o Senhor Deus à mulher: “Por que fizeste isso?” E a mulher respondeu: “A serpente enganou-me e eu comi”. 14Então o Senhor Deus disse à serpente: “Porque fizeste isso, serás maldita entre todos os animais domésticos e todos os animais selvagens! Rastejarás sobre o ventre e comerás pó todos os dias de tua vida! 15Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a dela. Esta te ferirá a cabeça e tu lhe ferirás o calcanhar”. 20E Adão chamou à sua mulher “Eva”, porque ela é a mãe de todos os viventes.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Salmo Responsorial (Sl 97)

— Cantai ao Senhor Deus um canto novo,/ porque ele fez prodígios!
— Cantai ao Senhor Deus um canto novo,/ porque ele fez prodígios!

— Cantai ao Senhor Deus um canto novo,/ porque ele fez prodígios!/ Sua mão e seu braço forte e santo/ alcançaram-lhe a vitória.

— O Senhor fez conhecer a salvação,/ e às nações, sua justiça;/ recordou o seu amor sempre fiel/ pela casa de Israel.

— Os confins do universo contemplaram/ a salvação do nosso Deus./ Aclamai o Senhor Deus, ó terra inteira,/ alegrai-vos e exultai!

 

Segunda Leitura (Ef 1,3-6.11-12)
Leitura da Carta de São Paulo aos Efésios:

3Bendito seja Deus, Pai de nosso Senhor Jesus Cristo. Ele nos abençoou com toda a bênção do seu Espírito em virtude de nossa união com Cristo, no céu. 4Em Cristo, ele nos escolheu, antes da fundação do mundo, para que sejamos santos e irrepreensíveis sob o seu olhar, no amor. 5Ele nos predestinou para sermos seus filhos adotivos por intermédio de Jesus Cristo, conforme a decisão de sua vontade, 6para o louvor da sua glória e da graça com que ele nos cumulou no seu Bem-amado. 11Nele também nós recebemos a nossa parte. Segundo o projeto daquele que conduz tudo conforme a decisão de sua vontade, nós fomos predestinados 12a sermos, para o louvor de sua glória, os que de antemão colocaram sua esperança em Cristo.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Evangelho (Lc 1,26-38)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Lucas.
— Glória a vós, Senhor!

Naquele tempo, 26no sexto mês, o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galileia, chamada Nazaré, 27a uma virgem, prometida em casamento a um homem chamado José. Ele era descendente de Davi e o nome da Virgem era Maria. 28O anjo entrou onde ela estava e disse: “Alegra-te, cheia de graça, o Senhor está contigo!” 29Maria ficou perturbada com estas palavras e começou a pensar qual seria o significado da saudação. 30O anjo, então, disse-lhe: “Não tenhas medo, Maria, porque encontraste graça diante de Deus. 31Eis que conceberás e darás à luz um filho, a quem porás o nome de Jesus. 32Ele será grande, será chamado Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus lhe dará o trono de seu pai Davi. 33Ele reinará para sempre sobre os descendentes de Jacó, e o seu reino não terá fim”. 34Maria perguntou ao anjo: “Como acontecerá isso, se eu não conheço homem algum?” 35O anjo respondeu: “O Espírito virá sobre ti, e o poder do Altíssimo te cobrirá com sua sombra. Por isso, o menino que vai nascer será chamado Santo, Filho de Deus. 36Também Isabel, tua parenta, concebeu um filho na velhice. Este já é o sexto mês daquela que era considerada estéril, 37porque para Deus nada é impossível”. 38Maria, então, disse: “Eis aqui a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra!” E o anjo retirou-se.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

 

A IGREJA CATÓLICA CELEBRA E VENERA HOJE
Nossa Senhora da Imaculada Conceição

Mais do que memória ou festa de um dos santos de Deus, neste dia estamos solenemente comemorando a Imaculada Conceição de Nossa Senhora, a Rainha de todos os santos.

Esta verdade, reconhecida pela Igreja de Cristo, é muito antiga. Muitos padres e doutores da Igreja oriental, ao exaltarem a grandeza de Maria, Mãe de Deus, usavam expressões como: cheia de graça, lírio da inocência, mais pura que os anjos.

A Igreja ocidental, que sempre muito amou a Santíssima Virgem, tinha uma certa dificuldade para a aceitação do mistério da Imaculada Conceição. Em 1304, o Papa Bento XI reuniu na Universidade de Paris uma assembleia dos doutores mais eminentes em Teologia, para terminar as questões de escola sobre a Imaculada Conceição da Virgem. Foi o franciscano João Duns Escoto quem solucionou a dificuldade ao mostrar que era sumamente conveniente que Deus preservasse Maria do pecado original, pois a Santíssima Virgem era destinada a ser mãe do seu Filho. Isso é possível para a Onipotência de Deus, portanto, o Senhor, de fato, a preservou, antecipando-lhe os frutos da redenção de Cristo.

Rapidamente a doutrina da Imaculada Conceição de Maria, no seio de sua mãe Sant’Ana, foi introduzido no calendário romano. A própria Virgem Maria apareceu em 1830 a Santa Catarina Labouré pedindo que se cunhasse uma medalha com a oração: “Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós”.

No dia 8 de dezembro de 1854, através da bula Ineffabilis Deus do Papa Pio IX, a Igreja oficialmente reconheceu e declarou solenemente como dogma: “Maria isenta do pecado original”.

A própria Virgem Maria, na sua aparição em Lourdes, em 1858, confirmou a definição dogmática e a fé do povo dizendo para Santa Bernadette e para todos nós: “Eu Sou a Imaculada Conceição”.

Nossa Senhora da Imaculada Conceição, rogai por nós!

 

Ó Virgem, pela tua bênção é abençoada a criação inteira!
Por Padre Luizinho

O céu e as estrelas, a terra e os rios, o dia e a noite, e tudo quanto obedece ou serve aos homens, congratulam-se, ó Senhora, porque a beleza perdida foi por ti de certo modo ressuscitada e dotada de uma graça nova e inefável. Todas as coisas pareciam mortas, ao perderem sua dignidade original que é de estar em poder e a serviço dos que louvam a Deus. Para isto é que foram criadas. Estavam oprimidas e desfiguradas pelo mau uso que delas faziam os idólatras, para os quais não haviam sido criadas. Agora, porém, como que ressuscitadas, alegram-se, pois são governadas pelo poder e embelezadas pelo uso dos que louvam a Deus.

Perante esta nova e inestimável graça, todas as coisas exultam de alegria ao sentirem que Deus, seu Criador, não apenas as governa invisivelmente lá do alto, mas também está visivelmente nelas, santificando-as com o uso que delas faz. Tão grandes bens procedem do bendito fruto do sagrado seio da Virgem Maria.

Pela plenitude da tua graça, aqueles que estavam na mansão dos mortos alegram-se, agora libertos; e os que estavam acima do céu rejubilam-se renovados. Com efeito, pelo Filho glorioso de tua gloriosa virgindade todos os justos que morreram antes da sua morte vivificante, exultam pelo fim de seu cativeiro, e os anjos se congratulam pela restauração de sua cidade quase em ruínas.

Ó mulher cheia e mais que cheia de graça, o transbordamento de tua plenitude faz renascer toda criatura! Ó Virgem bendita e mais que bendita, pela tua bênção é abençoada toda a natureza, não só as coisas criadas pelo Criador, mas também o Criador pela criatura!

Deus deu a Maria o seu próprio Filho, único gerado de seu coração, igual a si, a quem amava como a si mesmo. No seio de Maria, formou seu Filho, não outro qualquer, mas o mesmo, para que, por natureza, fosse realmente um só e o mesmo Filho de Deus e de Maria! Toda a criação é obra de Deus, e Deus nasceu de Maria. Deus criou todas as coisas, e Maria deu à luz Deus! Deus que tudo fez, formou-se a si próprio no seio de Maria. E deste modo refez tudo o que tinha feito. Ele que pode fazer tudo do nada, não quis refazer sem Maria o que fora profanado.

Por conseguinte, Deus é o Pai das coisas criadas, e Maria a mãe das coisas recriadas. Deus é o Pai da criação universal, e Maria a mãe da redenção universal. Pois Deus gerou aquele por quem tudo foi feito, e Maria deu à luz aquele por quem tudo foi salvo. Deus gerou aquele sem o qual nada absolutamente existe, e Maria deu à luz aquele sem o qual nada absolutamente é bom.

Verdadeiramente o Senhor é contigo, pois quis que toda a natureza reconheça que deve a ti, juntamente com ele, tão grande benefício.
(Das Meditações de Santo Anselmo, bispo – Séc. XII – Liturgia das Horas).

Reze com confiança essa oração: Hino do oficio das leituras

Cantando teus louvores, ó pura Mãe de Deus!  Os hinos que entoamos se elevam até os céus.  Do Adão terrestre filhos, nascemos para o mal;

Só tu cremos isenta da culpa original.  Teus níveos pés esmagaram as fauces do dragão,  Ó Virgem concebida em pura conceição.

Florão do estirpe humana, que amparas todo réu:  Ajuda-nos na terra, conduze-nos ao céu.  Esmaga a vil serpente, repele o tentador;

Contigo cantaremos as glórias do Senhor.  Louvor e honra ao Deus trino, que tanto te amou,  Pois já antes do pecado da culpa te livrou!

A vossa proteção recorremos Santa Mãe de Deus. Não desprezais as nossas súplicas em nossas necessidades, mas livrai-nos de todos os perigos ó Virgem gloriosa e bendita.

Ó Deus que preparastes uma digna habitação para o vosso Filho pela Imaculada Conceição da Virgem Maria, preservando-a de todo o pecado em previsão dos méritos de Cristo, concedei-nos chagar até vós, purificados também de toda culpa, por sua materna intercessão. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém

Nossa Senhora da Imaculada Conceição rogai por nós!

A Escatologia errônea das seitas

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Ao passar dos séculos, diversas civilizações e muitos indivíduos quiseram julgar, interpretar e catalogar a data especifica do fim dos tempos. Os maias, civilização indígena da América Central, por exemplo, antes mesmo de Cristianismo chegar as Américas, fizeram uma previsão do fim. Ao que constam, várias seitas e hereges tentaram ao longo dos anos preverem quando seria e se daria o advento de Cristo, mas falharam.
Não é um típico fenômeno de nossa época, existirem estes grupos. Se estudarmos de forma exegética as Sagradas Escrituras perceberemos que já na segunda epístola de Paulo aos Tessalonicenses (3, 10-12). Registra-se a existência de pessoas desordeiras que davam ouvidos à aqueles que diziam que o fim estava próximo e por isso deixaram seus afazeres civis esperando o retorno de Jesus Cristo. Entretanto, São Paulo os corrige duramente dizendo que se não trabalhassem não teriam também o direito de comer.
Não só foram estes como demonstrado contextualmente nas Escrituras há cerca de mil e novecentos anos atrás, nos últimos 50 anos cresceram os grupos sectários e seitas “cristãs” que disseminam de forma literal e como eminente a volta de Jesus.
Na edição de 15 de novembro de 1984, as Testemunhas de Jeová publicaram seu material “A Sentinela” dizendo que a geração de 1914 não passaria. Diz ainda tal material que ao menos parte dessa geração viveria o bastante para ver a concretização de todas as profecias de Jesus.
Mas não foram somente as TJ que quiseram predizer o que nem Jesus sabe (cf. Mt 24, 36). Os adventistas também quiseram marcar a volta de Cristo para o ano de 1843. Nos dias atuais, os adventistas dizem que o fim será “em breve”.
Curioso é o arranjo dessas seitas. Os adventistas, por exemplo, não parecem, ao menos em princípio, ter um estudo profundamente exegético e escatológico das Sagradas Escrituras. Seus teólogos inventaram que o Papa seria a besta do apocalipse, mas não conseguiram provar com sólidos argumentos esta falácia. Exemplo é o suposto titulo que assimilam como nome de cargo “Vigário do Filho de Deus”, os adventistas concluem que a soma dessa frase em latim (Vicarivs Filli Dei) resulta em no total de 666, o número da besta. Entretanto, a soma correta resulta em 664 e não em 666.
Outro problema para esta compreensão é o fato de o Novo Testamento ter sido escrito em grego, e não em latim; seria mais lógico que a soma resultasse 666 em grego ou hebraico, que era a língua dos judeus, mas jamais em latim [pois os autores desconheciam primariamente e língua latina]. Existe outro problema que reside no fato de que o Papa, ao que consta, jamais foi chamado canonicamente de “Vigário do Filho de Deus”, mas sim de Vigário de Cristo como é comumente utilizado. A exegese católica sugerem que a besta como narrada pelo Apocalipse tenha sido um imperador romano, como César Nero, perseguidor de cristãos, mas o significado real é incerto.
Os adventistas por várias vezes também foram acusados de plágios e mentirosos dentre eles, ex-membros da seita. Além de tudo isso, os adventistas demonstram um apego exagerado à lei dos judeus. Essa lei consistia em uma série de dietas alimentares, hábitos de lavar as mãos, guardar o sábado, circuncidar os fiéis e vários outros preceitos. A lei antiga foi, todavia, abolida por Jesus no Novo Testamento da Bíblia, especificamente “levada a perfeição” (cf. Lc 6, 5; Gl 4, 4-5; Rm 10, 4; Gl 4, 10-11, Gl 5, 4; Mt 15, 1-11; At 15, 1-30).
O Senhor Jesus ensinou-nos que toda a planta que o Pai não plantou será arrancada pela raiz (cf. Mt 15, 13) e certamente, essa é uma planta, assim como outros que o Pai não plantou. São Paulo também alerta que a lei é o ministério da morte e que o ministério de Cristo é algo muito superior a lei (cf. II Cor 3, 7-8).
Há muitos equívocos vindos das “hermenêuticas” destas seitas como as Testemunhas de Jeová, que por sua vez condenam a doação de sangue, a política e a submissão ao estado. Ora, a submissão ao estado é claramente recomendada por São Paulo (cf. Rm 13, 1-7). Essas duas seitas teimaram, conforme já visto, em prever o fim dos tempos e têm várias outras similaridades. As TJ têm, entretanto, um ponto extremamente diferente, pois negam a divindade de Cristo, o que é dito as claras São João (cf. Jo 1, 1-18).
Para a exacerbada preocupação dessas duas seitas com os “tempos do Fim”, entretanto, Jesus deixa uma mensagem reveladora. Que segundo a qual ninguém siga as pessoas que pregam que o fim está próximo (cf. Lc 21, 8).
Essas duas seitas, todavia, fazem mais que pregar o fim dos tempos. Pregam com terror que são as únicas igrejas de Cristo, ameaçando as pessoas a uma destruição eterna se não as seguirem, tendo em vista que nem uma e nem outra acreditam na existência do inferno.
Jesus disse que não devemos nos preocupar com o fim dos dias. Antes é melhor preocupar com o nosso fim, praticando o amor, que é a maior das virtudes (cf. 1Cor 13). É triste ver como comunidades e movimentos que intitulam-se cristãos possuem essa filosofia terrorista e pregação do medo, aspecto principal do fundamentalismo religioso, ameaçam as pessoas e defendem que apenas 144.000 pessoas serão salvas como dizem as TJs ou que são a igreja remanescente do Apocalipse, como afirmam ser os Adventistas, mas parece que seus adeptos pelo Mundo superam os dados de 144.000.
Que possamos tratar no amor de Deus, estes homens e mulheres que não alcançaram a verdade plenamente. Rezemos para aprender a cumprir nosso dever em viver os ensinamentos contidos nos Evangelhos e não a usá-los com a finalidade de ameaças, sim com apego a verdade. O senhor não veio para condenar, mas para salvar os que estavam perdidos (cf. Lc 19, 10).
Por fim não podemos usar o Evangelho para pregar um Reino de Deus através do medo e condenação como fazem os fundamentalistas, que possamos junto aos nossos pastores na fé proclamar o evangelho unidos a única e verdadeira Igreja fundada por Cristo e entregue a Pedro (cf. Mt 16, 18). É desta forma incoerente crer nos adventistas e nas testemunhas de Jeová, bem como outros grupos, para tributarmos confiança a estas fundações humanas e falhas, deveríamos pensar que Jesus tardou mais de 1800 anos para fundar sua Igreja, o que significa um erro crasso. Na concepção ideológica dessas comunidades, isso significa automaticamente que por mais de 1800 anos as almas se perderam, já que ninguém se salvará fora delas. Não é isso, entretanto, que Jesus pregou, fundando sobre São Pedro a sua única Igreja, que se manterá até “o fim do mundo” (cf. Mt 28, 20).

Notas: TJ; siglas que significam abreviadamente “Testemunhas de Jeová”

Referências: EX TESTEMUNHAS DE JEOVA. 1914 A geração que não passará, profetizou a Torre. Disponível em: http://extestemunhasdejeova.net/forum/viewtopic.php?f=46&t=3700 Acesso em: 14 novembro 2010.
DE CASTRO, F. C. O Apocalipse hoje. Editora Santuário, Aparecida, São Paulo. 1989, p. 123-132.
REA, P. W. T. A mentira branca. Edições eletrônicas. Disponível em: http://www.scribd.com/doc/3288026/A-Mentira-Branca-Walter-T-Rea Acesso em: 14 novembro 2010.
ARAÚJO, U. T. A Igreja de vidro. Edições eletrônicas, disponível em: http://www.veritatis.com.br/ebooks/a_igreja_vidro.pdf Acesso em: 14 novembro de 2010.
DE MELO, F. R. Religião e religiões: perguntas que muita gente faz. Editora Santuário, Aparecida, São Paulo. 1997, p. 79-83; 85-90.

Fonte: http://www.veritatis.com.br/

 

Os 10 Mandamentos do Papa São João Paulo II

Pe. Antônio Aguiar, fundador da comunidade da Divina Misericórdia – Niterói-RJ

1 – Não tenhais medo! São João Paulo II disse essa frase quando assumiu o Pontificado em 1978. Quando eu disser a Deus e a Maria “sou todo Teu”, o Espírito Santo começa a fazer em minha vida tudo o que é da vontade de Deus. Porém, muitas vezes o que Deus quer para mim não é o que eu quero, não é o que eu planejei. Por isso não tenhais medo! Se desejo ser um instrumento de Deus não posso ter medo da cruz e do sofrimento. E a cura para o medo está na confiança à Divina Misericórdia. Medo se cura com confiança.

2 – Abri as portas ao Redentor! Não se feche ao Espírito Santo, não queira ter um Deus intimista. Deus quer que você abra o seu coração de tal maneira há não existir mais nenhuma sombra dentro dele. Permita que Deus entre e ilumine cada canto do seu coração. Nossa Senhora nos diz “não ofenda mais o meu Filho, Ele já está tão ofendido”. Não se feche. Abra o seu coração. Abri as portas ao Redentor! Deixa o Senhor agir em sua vida.

3 – Creia e Adore Jesus na Eucaristia! São João Paulo II é o papa da Eucaristia. Como ele, creia e adore Jesus Eucarístico. Os que ficarão até o último instante na batalha final serão aqueles que crêem e adoram a Jesus Eucarístico. A eucaristia é um Sacramento onde Jesus se faz vivo, Corpo e Sangue, Alma e Divindade. Não queira entender a Eucaristia. O sacerdote ao consagrar o Corpo e o Sangue de Jesus nos diz “Eis o mistério da fé!” Mistério não se explica apenas se contempla e adora. Tudo aquilo que se explica deixa de ser mistério.

4 – Seja todo de Maria! Se eu for todo de Maria eu serei todo de Jesus. Nossa Senhora não pode ficar escondida. São Luis Grignion de Montfort diz que é mais fácil separa o sol da luz do que separar Maria de Jesus. Ele ainda explica os motivos Deus ter escondido Maria na primeira vinda de Jesus. Segundo Montfort, primeiro porque a Mãe é tão querida que se Ele não a escondesse nós iríamos nos direcionar mais à Mãe do que ao Filho. E também porque na segunda vinda de Jesus, Deus a colocará em linha de frente. Então, tudo o que acontecer até a vinda final de Jesus será pelas mãos da Mãe. São João Paulo II, obediente ao pedido da Mãe em Fátima, em 1999 chamou os 5 mil Bispos da Igreja, rezou o rosário e consagrou todo o mundo e a Igreja nas mãos da Mãe. A partir deste dia a Mãe tomou a linha de frente e assumiu o comando. Este foi o cumprimento da profecia que Maria cantou no Magnificat na casa de Isabel. “Todas as gerações me proclamaram bem-aventurada porque o todo poderoso fez em mim maravilhas” (Lc 1, 46). E o Senhor nos diz que muitos que não aceitam a Mãe vão ter que admitir que Ela é especial. Este é um dos sinais que nos mostrará que o retorno de Jesus está próximo. Se Maria não fosse importante Jesus não teria vindo por meio Dela, ele escolheria qualquer outro caminho. Vamos abrir o nosso coração, ser todo de Maria e assim Ela nos faz todo de Jesus. Não tenha medo de amar Maria imaginando que estará a colocando no lugar de Deus. Maria não sabe se colocar no lugar de Deus. O lugar de Maria é sempre debaixo da cruz de Cristo em pé, nunca acima Dele. Maria não é deusa, não é maior do que Deus. Maria é uma criatura de Deus como nós, apenas com uma diferença: Pura, Imaculada e toda de Deus.

5 – Peça perdão e perdoe sempre! Não tem como ser um seguidor de Cristo sem perdoar e ter a humildade de pedir perdão. Talvez perdoar seja até mais fácil do que pedir perdão porque nos sentimos valorizados quando alguém vem nos pedir perdão. Mas o que precisamos é ter a humildade de pedir perdão. Tomemos como exemplo a humildade de São João Paulo II que foi até a prisão pedir perdão e perdoar àquele que tentou tirar a sua vida.

6 – Carregue sua cruz com amor e alegria! A vida de São João Paulo II nos ensina a carregar a cruz com amor e com alegria. Porém, estar alegre não significa ficar dando gargalhadas. Há muitas pessoas alegres que estão com lágrimas nos olhos, pois a alegria é um estado da alma e não simplesmente algo exterior. Nem todos que estão dando risadas estão alegres e nem todos que estão chorando estão tristes. Uma pessoa pode estar se arrastando, mas está feliz porque conseguiu entende o mistério da cruz. Carregue a cruz, não arraste, não corte pedaços, não faça nenhuma barganha com a sua cruz. Não se deixe seduzir em ir cobrar a cruz do seu irmão achando que a dele é mais leve do que a sua. A tua cruz foi feita no teu tamanho e na tua medida. Se você acha que a sua cruz está pesada, olhe para trás e veja que o outro está carregando uma torra nas costas e nunca disse para Deus que estava pesada demais, porque ele conseguiu carregar com amor e com alegria. Quando eu carrego com amor e alegria eu estou reverenciando Deus, quando eu reclamo estou reverenciando o demônio. Não desanime com os problemas, seja corajoso e cante “Vitória tu reinarás, oh cruz tu nos libertará!” Seja ousado, é pela cruz que vem a vitória. Santo Agostinho diz que quem procura um Cristo sem cruz vai encontrar uma cruz vazia sem Cristo. A cruz é a marca de Deus. Se não tem cruz, não tem sofrimento, não é de Deus. Porque as coisas de Deus são seladas no sangue, no sofrimento. São seladas na dificuldade.

7 – Seja sempre uma pessoa de paz! Se alguém vir brigar com você, declare já no inicio: “eu sou da paz”. Sejamos pessoas de paz como foi São João Paulo II que durante o seu pontificado sempre demonstrou a preocupação pela paz no mundo sendo audacioso a ponto de intervir diretamente através de escritos e pronunciamentos televisivos.

8 – Defenda a vida com a tua vida! Se for preciso, defenda a vida com a tua vida. Lute contra o aborto, se for preciso morrer por uma pessoa, morra. Doe órgãos. Doe a vida dando a sua vida. No ano de 2000 a revista Times, nos Estados Unidos, que costuma todos os anos eleger o homem mais belo, mais elegante, etc., elegeu São João Paulo II o homem do ano, porque defendia a vida. “Podemos não concordar com aquilo que ele ensina, mas temos que admitir que é verdade”, justificavam sua escolha.

9 – Orai e vigiai sem cessar! Não deixe uma brecha para o inimigo. Se você der uma brecha ele entra. Ele fica rondando, ele não dorme, não tem corpo e não se cansa. Ele fica observando e a hora que você decide descansar ele entra. Portanto, vigiai orai sem cessar. É comum vermos as imagens de São João Paulo II com um terço na mão ajoelhado diante do Cristo Eucarístico, ou diante da imagem da Mãe mostrando-nos assim que era um homem de profunda oração e intimidade com Deus.

10 – Confie sempre na Misericórdia Divina! Poucos dias antes de morrer, São João Paulo II preparou um discurso, que após a sua morte foi lido para mais de 130 mil pessoas na Praça de São Pedro. Neste discurso ele escreveu: “que a humanidade acolha e compreenda a Divina Misericórdia”. Esta foi a última mensagem que São João Paulo II nos deixou. Depois disso, nos braços do Cristo misericordioso, no 1º sábado – dia do Imaculado Coração de Maria – do mês de abri de 2005 – vésperas da Festa da Misericórdia, São João Paulo II foi elevado ao céu. Um homem todo de Deus e todo de Maria.

Sejamos audaciosos e corajosos como ele. Quando olhamos para São João Paulo II o que vemos? “Sou todo Teu, faça de mim o que o Senhor quiser”. João Paulo se deixava guiar por Deus e aceitava tudo com amor. Também nós precisamos deixar Deus guiar nossa vida e aceitar com amor o que acontece conosco. Precisamos dizer ao Senhor “sou todo Teu”. Precisamos ser como Maria: “eis aqui a serva do Senhor, faça em mim a tua vontade” (Lc 1, 38). Tenhamos em nosso coração o desejo de santidade, de amar Maria e sermos misericordiosos. Tudo na vida passa muito rápido e a Mãe nos diz que está aguardando uma resposta ao que Ela pediu em Fátima. E se a Mãe pediu é por que Ela sabia que poderia contar conosco. O nosso compromisso com Ela nos traz a responsabilidade de aliviar o choro e os espinhos que envolvem o Seu coração Imaculado. O final da história da humanidade pode ser mudado se dissermos para o mundo que todos precisamos rezar mais, fazer mais sacrifícios, convertermos o nosso coração e confiarmos na Misericórdia Divina.

“O bem-estar e o fascínio do provisório nos afastam de Jesus”

Missa na Casa Santa Marta, segunda-feira, 27 de maio  de 2013 / Da redação, com Rádio Vaticano

“Não gostamos das propostas definitivas que Jesus nos faz e temos medo do tempo de Deus”, disse Francisco

“Para seguir Jesus, devemos nos despir da cultura do bem-estar e do fascínio provisório”. Foi o que disse o Papa Francisco, na manhã desta segunda-feira, 27, durante a Missa celebrada na Casa Santa Marta. Na homilia, o Papa comentou o Evangelho do dia, em que Jesus pede a um jovem que dê suas riquezas aos pobres e que O siga. Segundo o Papa, as riquezas são um empecilho, pois não facilitam o caminho rumo ao Reino de Deus. Em seguida, o Pontífice se referiu a duas “riquezas culturais”: a cultura do bem-estar e o fascínio do provisório. Segundo o Papa, a cultura do bem-estar deixa o homem pouco corajoso, preguiçoso e também egoísta.

“O bem-estar é uma anestesia”, afirmou o Pontífice. “Não, não, mais de um filho não, porque não podemos fazer férias, não podemos comprar a casa… Podemos seguir o Senhor, mas até certo ponto. Isso faz o bem-estar: nos despe daquela coragem forte que nos aproxima de Jesus. Esta é a primeira riqueza da nossa cultura de hoje, a cultura do bem-estar”, explicou. Sobre a segunda riqueza, o fascínio do provisório, o Santo Padre afirmou: “Nós estamos apaixonados pelo provisório.

Não gostamos das propostas definitivas que Jesus nos faz e temos medo do tempo de Deus”. “Ele é o Senhor do tempo, nós somos os senhores do momento. Uma vez, conheci uma pessoa que queria se tornar padre, mas só por dez anos, não mais. Além disso, muitos casais se casam pensando que o amor pode acabar e, com ele, a união”, ressaltou. Segundo Francisco, essas duas riquezas são as que, neste momento, impedem as pessoas de prosseguirem. Oposto a isso, o Papa lembrou os muitos homens e mulheres que deixaram a própria terra para serem missionários por toda a vida. “Isso é definitivo!”, afirmou.

Da mesma forma, recordou também os muitos homens e mulheres que deixaram a própria casa para um matrimônio por toda a vida. “Isso é seguir Jesus de perto! É o definitivo”, disse Francisco. Finalizando, o Papa rezou: “Peçamos ao Senhor que nos dê a coragem de prosseguir, despindo-nos desta cultura do bem-estar, com a esperança no tempo definitivo”.

Santo Evangelho (Lc 1, 26-38)

Nossa Senhora Rainha – Terça-feira 22/08/2017

Primeira Leitura (Is 9,1-6)
Leitura do Livro do Profeta Isaías.

1O povo, que andava na escuridão, viu uma grande luz; para os que habitavam nas sombras da morte, uma luz resplandeceu. 2Fizeste crescer a alegria, e aumentaste a felicidade; todos se regozijam em tua presença como alegres ceifeiros na colheita, ou como exaltados guerreiros ao dividirem os despojos. 3Pois o jugo que oprimia o povo, —a carga sobre os ombros, o orgulho dos fiscais — tu os abateste como na jornada de Madiã. 4Botas de tropa de assalto, trajes manchados de sangue, tudo será queimado e devorado pelas chamas. 5Porque nasceu para nós um menino, foi-nos dado um filho; ele traz aos ombros a marca da realeza; o nome que lhe foi dado é: Conselheiro admirável, Deus forte, Pai dos tempos futuros, Príncipe da Paz. 6Grande será o seu reino e a paz não há de ter fim sobre o trono de Davi e sobre o seu reinado, que ele irá consolidar e confirmar em justiça e santidade, a partir de agora e para todo o sempre. O amor zeloso do Senhor dos exércitos há de realizar estas coisas.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Responsório (Sl 112)

— Bendito seja o nome do Senhor, agora e por toda a eternidade!
— Bendito seja o nome do Senhor, agora e por toda a eternidade!

— Louvai, louvai ó servos do Senhor, louvai, louvai o nome do Senhor! Bendito seja o nome do Senhor, agora e por toda a eternidade!

— Do nascer do sol até o seu ocaso, louvado seja o nome do Senhor! O Senhor está acima das nações, sua glória vai além dos altos céus.

— Quem pode comparar-se ao nosso Deus, ao Senhor, que no alto céu tem o seu trono e se inclina para olhar o céu e a terra?

— Levanta da poeira o indigente e do lixo ele retira o pobrezinho, para fazê-lo assentar-se com os nobres, assentar-se com os nobres do seu povo!

 

Evangelho (Lc 1,26-38)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Lucas.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 26o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galileia, chamada Nazaré, 27a uma virgem, prometida em casamento a um homem chamado José. Ele era descendente de Davi e o nome da Virgem era Maria. 28O anjo entrou onde ela estava e disse: “Alegra-te, cheia de graça, o Senhor está contigo!” 29Maria ficou perturbada com estas palavras e começou a pensar qual seria o significado da saudação. 30O anjo, então, disse-lhe: “Não tenhas medo, Maria, porque encontraste graça diante de Deus. 31Eis que conceberás e darás à luz um filho, a quem porás o nome de Jesus. 32Ele será grande, será chamado Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus lhe dará o trono de seu pai Davi. 33Ele reinará para sempre sobre os descendentes de Jacó, e o seu reino não terá fim”. 34Maria perguntou ao anjo: “Como acontecerá isso, se eu não conheço homem algum?” 35O anjo respondeu: “O Espírito virá sobre ti, e o poder do Altíssimo te cobrirá com sua sombra. Por isso, o menino que vai nascer será chamado Santo, Filho de Deus. 36Também Isabel, tua parenta, concebeu um filho na velhice. Este já é o sexto mês daquela que era considerada estéril, 37porque para Deus nada é impossível”. 38Maria, então, disse: “Eis aqui a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra!” E o anjo retirou-se.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

 

A IGREJA CATÓLICA CELEBRA E VENERA HOJE
Nossa Senhora Rainha, Mãe da Igreja 

Instituída pelo Papa Pio XII, celebramos hoje a Memória de Nossa Senhora Rainha, que visa louvar o Filho, pois já dizia o Cardeal Suenens: “Toda devoção a Maria termina em Jesus, tal como o rio que se lança ao mar”.

Paralela ao reconhecimento do Cristo Rei encontramos a realeza da Virgem a qual foi Assunta ao Céu. Mãe da Cabeça, dos membros do Corpo místico e Mãe da Igreja; Nossa Senhora é aquela que do Céu reina sobre as almas cristãs, a fim de que haja a salvação: “É impossível que se perca quem se dirige com confiança a Maria e a quem Ela acolher” (Santo Anselmo).

Nossa Senhora Rainha, desde a Encarnação do Filho de Deus, buscou participar dos Mistérios de sua vida como discípula, porém sem nunca renunciar sua maternidade divina, por isso o evangelista São Lucas a identifica entre os primeiros cristãos: “Maria, a mãe de Jesus” (Atos 1,14). Diante desta doce realidade de se ter uma Rainha no Céu que influencia a Terra, podemos com toda a Igreja saudá-la: “Salve Rainha” e repetir com o Papa Pio XII que instituiu e escreveu a Carta Encíclica Ad Caeli Reginam (à Rainha do Céu): “A Jesus por Maria. Não há outro caminho”.

Nossa Senhora Rainha, rogai por nós!

A fé em Cristo nos dá segurança, apesar de nossas misérias e fraquezas

Domingo, 13 de agosto de 2017, Da redação, com Rádio Vaticano

Papa Francisco ressaltou importância da fé, no Angelus deste domingo

“A fé não é uma fuga dos problemas da vida, mas sustenta no caminho e lhe dá um sentido”: foi o que disse o Papa Francisco no Angelus deste domingo, 13, no habitual encontro dominical no qual rezou, ao meio-dia, a oração mariana com fiéis e peregrinos reunidos na Praça São Pedro.

Na alocução que precedeu a oração do Angelus, o Santo Padre destacou a página do Evangelho do dia (Mt 14, 22-33), que descreve o episódio de Jesus que, após ter rezado toda a noite à margem do lago da Galileia, se dirige rumo à barca de seus discípulos, caminhado sobre as águas.

A barca encontra-se no meio do lago – observa o Pontífice – parada, sem poder avançar, impedida por um forte vento contrário. Quando veem Jesus caminhando sobre as águas, os discípulos confundem-no com um fantasma e se amedrontam.

Mas Ele os tranquiliza: “Coragem, sou eu, não tenhais medo”. Pedro, com seu típico ímpeto, lhe diz: “Senhor, se és tu mande que eu vá ao teu encontro sobre as águas”; e Jesus o chama “vem!”, prosseguiu Francisco descrevendo a cena narrada pelo evangelista.

Descendo da barca, Pedro caminha sobre as águas e vai ao encontro de Jesus, mas, sentindo o vento, fica com medo e começa a afundar. Então grita: “Senhor, salva-me!”, e Jesus lhe estende a mão e o assegura.

Esta narração do Evangelho contém um rico simbolismo, afirmou o Papa, “e nos faz refletir sobre a nossa fé, quer como indivíduos, quer como comunidade eclesial, também a nossa fé de todos nós que estamos aqui, hoje, na Praça”, frisou. A comunidade, esta comunidade eclesial, tem fé? Como é a fé de cada um de nós e a fé da nossa comunidade? – perguntou Francisco.

“A barca é a vida de cada um de nós, mas é também a vida da Igreja; o vento contrário representa as dificuldades e as provações. A invocação de Pedro: ‘Senhor, manda que eu vá ao teu encontro!’ e o seu grito: ‘Senhor, salva-me!’ se assemelham muito ao nosso desejo de sentir a proximidade do Senhor, mas também o medo e a angústia que acompanham os momentos mais duros da nossa vida e das nossas comunidades, marcadas pela fragilidades internas e pelas dificuldades externas.”

Não foi suficiente para Pedro, naquele momento, a palavra segura de Jesus, que era como a corda lançada à qual agarra-se para enfrentar as águas hostis e agitadas.

“É aquilo que pode acontecer também conosco. Quando não se agarra à palavra do Senhor, para ter mais segurança se consultam horóscopos e cartomantes, se começa a ir para o fundo. Significa que a fé não é tão forte”, observou o Santo Padre.

O Evangelho deste domingo nos recorda que “a fé no Senhor e na sua palavra não nos abre um caminho onde tudo é fácil e tranquilo; não nos poupa das tempestades da vida”, destacou.

“A fé nos dá a segurança de uma Presença, a presença de Jesus que nos impele a superar os vendavais existenciais, a certeza de uma mão que nos agarra para ajudar-nos a enfrentar as dificuldades, indicando-nos o caminho inclusive quando é escuro. A fé, em suma, não é uma fuga dos problemas da vida, mas sustenta no caminho e lhe dá um sentido”, frisou o Papa.

Esse episódio é uma imagem estupenda da realidade da Igreja de todos os tempos: uma barca que, ao longo da travessia, deve enfrentar também ventos contrários e tempestades, que ameaçam devastá-la, acrescentou.

“O que salva não são a coragem e a qualidade de seus homens: a garantia contra o naufrágio é a fé em Cristo e na sua palavra. Essa é a garantia: a fé em Jesus e na sua palavra. Nessa barca estamos seguros, apesar das nossas misérias e fraquezas, sobretudo quando nos colocamos de joelhos e adoramos o Senhor, como os discípulos que, no final, ‘se prostraram diante d’Ele, dizendo: ‘Verdadeiramente tu és o Filho de Deus!’

Que belo dizer essa palavra a Jesus, disse o Papa Francisco convidando os presentes a repeti-la. “Que a Virgem Maria nos ajude a continuar firmes na fé para resistir aos vendavais da vida, a permanecer na barca da Igreja evitando a tentação de subir nos barcos fascinantes, mas inseguros das ideologias, das modas e dos slogans”.

Santo Evangelho (Mt 14, 22-33)

19º Domingo Comum – Domingo 13/08/2017 

Primeira Leitura (1Rs 19,9a.11-13a)
Leitura do Primeiro Livro dos Reis:

Naqueles dias, ao chegar a Horeb, o monte de Deus, 9ao profeta Elias entrou numa gruta, onde passou a noite. E eis que a palavra do Senhor lhe foi dirigida nestes termos: 11“Sai e permanece sobre o monte diante do Senhor, porque o Senhor vai passar”. Antes do Senhor, porém, veio um vento impetuoso e forte, que desfazia as montanhas e quebrava os rochedos. Mas o Senhor não estava no vento. Depois do vento, houve um terremoto. Mas o Senhor não estava no terremoto. 12Passado o terremoto, veio um fogo. Mas o Senhor não estava no fogo. E, depois do fogo, ouviu-se o murmúrio de uma leve brisa. 13aOuvindo isso, Elias cobriu o rosto com o manto, saiu e pôs-se à entrada da gruta.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Responsório (Sl 84)  

— Mostrai-nos, ó Senhor, vossa bondade,/ e a vossa salvação nos concedei!
— Mostrai-nos, ó Senhor, vossa bondade,/ e a vossa salvação nos concedei!

— Quero ouvir o que o Senhor irá falar:/ é a paz que ele vai anunciar./ Está perto a salvação dos que o temem,/ e a glória habitará em nossa terra.

— A verdade e o amor se encontrarão,/ a justiça e a paz se abraçarão;/ da terra brotará a fidelidade,/ e a justiça olhará dos altos céus.

— O Senhor nos dará tudo o que é bom,/ e a nossa terra nos dará suas colheitas;/ a justiça andará na sua frente/ e a salvação há de seguir os passos seus.

 

Segunda Leitura (Rm 9,1-5)
Leitura da Carta de São Paulo aos Romanos:

Irmãos: 1Não estou mentindo, mas, em Cristo, digo a verdade, apoiado no testemunho do Espírito Santo e da minha consciência. 2Tenho no coração uma grande tristeza e uma dor contínua, 3a ponto de desejar ser eu mesmo segregado por Cristo em favor de meus irmãos, os de minha raça. 4Eles são israelitas. A eles pertencem a filiação adotiva, a glória, as alianças, as leis, o culto, as promessas 5e também os patriarcas. Deles é que descende, quanto à sua humanidade, Cristo, o qual está acima de todos, Deus bendito para sempre! Amém!

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Anúncio do Evangelho (Mt 14,22-33)  

—O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
—PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus.
— Glória a vós, Senhor.

Depois da multiplicação dos pães, 22Jesus mandou que os discípulos entrassem na barca e seguissem, à sua frente, para o outro lado do mar, enquanto ele despediria as multidões. 23Depois de despedi-las, Jesus subiu ao monte, para orar a sós. A noite chegou, e Jesus continuava ali, sozinho. 24A barca, porém, já longe da terra, era agitada pelas ondas, pois o vento era contrário. 25Pelas três horas da manhã, Jesus veio até os discípulos, andando sobre o mar. 26Quando os discípulos o avistaram, andando sobre o mar, ficaram apavorados e disseram: “É um fantasma”. E gritaram de medo. 27Jesus, porém, logo lhes disse: “Coragem! Sou eu. Não tenhais medo!” 28Então Pedro lhe disse: “Senhor, se és tu, manda-me ir ao teu encontro, caminhando sobre a água”. 29E Jesus respondeu: “Vem!” Pedro desceu da barca e começou a andar sobre a água, em direção a Jesus. 30Mas, quando sentiu o vento, ficou com medo e, começando a afundar, gritou: “Senhor, salva-me!” 31Jesus logo estendeu a mão, segurou Pedro, e lhe disse: “Homem fraco na fé, por que duvidaste?” 32Assim que subiram no barco, o vento se acalmou. 33Os que estavam no barco prostraram-se diante dele, dizendo: “Verdadeiramente, tu és o Filho de Deus!”

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

 

A IGREJA CATÓLICA CELEBRA E VENERA HOJE
Santos Ponciano e Hipólito

Viveram caminhos que se chocaram durante a vida, no entanto, Ponciano e Hipólito se reconciliaram quando enfrentaram o exílio

Ponciano foi o zeloso Papa da Igreja de Cristo, eleito em 230, enquanto Hipólito, um fecundo escritor e orador.

Aconteceu que, naquele tempo, rompeu um cisma na Igreja, onde Hipólito defendia um tal rigorismo que os adúlteros, fornicadores e apóstatas não mereceriam perdão, mesmo diante de arrependimento. Ponciano, o Papa da Misericórdia, não concordava com este duro princípio e nem outras reflexíveis cheias de boa fé, porém que não revelavam o coração do Pai, o qual escolheu a Igreja como instrumento deste amor que perdoa e salva.

Ponciano, que confirmava a fé nos cristãos, diante do clima de perseguição criado pelo imperador Maximiano, foi denunciado e, por isso, preferiu prudentemente renunciar ao serviço de Papa, visando o bem da Igreja e acolheu o exílio. Na ilha da Sardenha encontrou exilado também o sacerdote Hipólito e, em meio aos trabalhos forçados, se reconciliaram, sendo que Hipólito renunciou aos seus erros, antes de colherem em 235 o “passaporte” do Céu, ou seja o martírio.

Santos Ponciano e Hipólito, rogai por nós!

Santo Evangelho (Mt 14, 22-36)

18ª Semana do Tempo Comum – Terça-feira 08/08/2017 

ANO PAR

Primeira Leitura (Jr 30,1-2.12-15.18-22)
Leitura do Livro do Profeta Jeremias.

1Palavra que foi dirigida a Jeremias, da parte do Senhor: 2“Isto diz o Senhor, Deus de Israel: Escreve para ti, num livro, todas as palavras que te falei. 12Isto diz o Senhor: Incurável é tua ferida, maligna tua chaga; 13não há quem conheça teu diagnóstico; uma úlcera tem remédio, mas em ti não se produz cicatrização. 14Todos os teus amigos te esqueceram, não te procuram mais; eu te causei uma ferida, como se fosses inimigo, como um castigo cruel: por causa do grande número de maldades que te fez endurecer no pecado. 15Por que gritas em teu sofrimento? É insanável a tua dor. Eu te tratei com rudeza por causa das tuas inúmeras maldades e por causa do teu endurecimento no pecado. 18Isto diz o Senhor: Eis que eu mudarei a sorte das tendas de Jacó e terei compaixão de suas moradias, a cidade ressurgirá das suas ruínas e a fortaleza terá lugar para suas fundações; 19de lá sairão cânticos de louvor e sons festivos. Hei de multiplicá-los, eles não diminuirão, hei de glorificá-los, eles não serão humilhados. 20Teus filhos serão felizes como outrora, e sua Comunidade, estável na minha presença; e agirei contra todos os que os molestarem. 21Para chefe será escolhido um dos seus, e o soberano sairá do seu meio; eu o incitarei, e ele se aproximará de mim. Quem dará a vida em penhor da sua aproximação de mim? – diz o Senhor. 22Sereis meu povo e eu serei vosso Deus.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Responsório (Sl 101)

— O Senhor olhou a terra do alto céu.
— O Senhor olhou a terra do alto céu.

— As nações respeitarão o vosso nome, e os reis de toda a terra, a vossa glória; quando o Senhor reconstruir Jerusalém e aparecer com gloriosa majestade, ele ouvirá a oração dos oprimidos e não desprezará a sua prece.

— Para as futuras gerações se escreva isto, e um povo novo a ser criado louve a Deus. Ele inclinou-se de seu templo nas alturas, e o Senhor olhou a terra do alto céu, para os gemidos dos cativos escutar e da morte libertar os condenados.

— Assim também a geração dos vossos servos terá casa e viverá em segurança, e ante vós se firmará sua descendência. Para que cantem o seu nome em Sião e louve ao Senhor Jerusalém, quando os povos e as nações se reunirem e todos os impérios o servirem.

 

ANO ÍMPAR

Primeira Leitura (Nm 12,1-13)
Leitura do Livro dos Números.

Naqueles dias, 1Maria e Aarão criticaram Moisés por causa de sua mulher etíope. 2E disseram: “Acaso o Senhor falou só através de Moisés? Não falou, também, por meio de nós?” E o Senhor ouviu isto. 3Moisés era um homem muito humilde, mais do que qualquer outro sobre a terra. 4Então o Senhor disse a Moisés, Aarão e Maria: “Ide todos os três à Tenda da Reunião”. E eles foram. 5O Senhor desceu na coluna de nuvem, parou à entrada da Tenda, e chamou Aarão e Maria. Quando se aproximaram, ele lhes disse: 6“Escutai minhas palavras! Se houver entre vós um profeta do Senhor, eu me revelarei a ele em visões e falarei com ele em sonhos. 7O mesmo, porém, não acontece com o meu servo Moisés, que é o mais fiel em toda a minha casa! 8Porque a ele eu falo face a face; é às claras, e não por figuras, que ele vê o Senhor! Como, pois, vos atreveis a rebaixar o meu servo Moisés?” 9E, indignado contra eles, o Senhor retirou-se. 10A nuvem que estava sobre a Tenda afastou-se, e no mesmo instante, Maria se achou coberta de lepra, branca como a neve. Quando Aarão olhou para ela e a viu toda coberta de lepra, 11disse a Moisés: “Rogo-te, meu Senhor! Não nos faças pagar pelo pecado que tivemos a insensatez de cometer. 12Que Maria não fique como morta, como um aborto que é lançado fora do ventre de sua mãe, já com metade da carne consumida pela lepra”. 13Então Moisés clamou ao Senhor, dizendo: “Ó Deus, eu te suplico, dá-lhe a cura!”

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Responsório (Sl 50)

— Misericórdia, ó Senhor, porque pecamos!
— Misericórdia, ó Senhor, porque pecamos!

— Tende piedade, ó meu Deus, misericórdia! Na imensidão de vosso amor, purificai-me! Lavai-me todo inteiro do pecado, e apagai completamente a minha culpa!

— Eu reconheço toda a minha iniquidade, o meu pecado está sempre à minha frente. Foi contra vós, só contra vós, que eu pequei, e pratiquei o que é mau aos vossos olhos!

— Mostrais assim quanto sois justo na sentença, e quanto é reto o julgamento que fazeis. Vede, Senhor, que eu nasci na iniquidade e pecador já minha mãe me concebeu.

— Criai em mim um coração que seja puro, dai-me de novo um espírito decidido. Ó Senhor, não me afasteis de vossa face, nem retireis de mim o vosso Santo Espírito!

 

Evangelho (Mt 14,22-36)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus.
— Glória a vós, Senhor.

Depois que a multidão comera até saciar-se, 22Jesus mandou que os discípulos entrassem na barca e seguissem, à sua frente, para o outro lado do mar, enquanto ele despediria as multidões. 23Depois de despedi-las, Jesus subiu ao monte, para orar a sós. A noite chegou, e Jesus continuava ali, sozinho. 24A barca, porém, já longe da terra, era agitada pelas ondas, pois o vento era contrário. 25Pelas três horas da manhã, Jesus veio até os discípulos, andando sobre o mar. 26Quando os discípulos o avistaram, andando sobre o mar, ficaram apavorados, e disseram: “É um fantasma”. E gritaram de medo. 27Jesus, porém, logo lhes disse: “Coragem! Sou eu. Não tenhais medo!” 28Então Pedro lhe disse: “Senhor, se és tu, manda-me ir ao teu encontro, caminhando sobre a água”. 29E Jesus respondeu: “Vem!” Pedro desceu da barca e começou a andar sobre a água, em direção a Jesus. 30Mas, quando sentiu o vento, ficou com medo e começando a afundar, gritou: “Senhor, salva-me!” 31Jesus logo estendeu a mão, segurou Pedro, e lhe disse: “Homem fraco na fé, por que duvidaste?” 32Assim que subiram na barca, o vento se acalmou. 33Os que estavam na barca, prostraram-se diante dele, dizendo: “Verdadeiramente, tu és o Filho de Deus!” 34Após a travessia desembarcaram em Genesaré. 35Os habitantes daquele lugar reconheceram Jesus e espalharam a notícia por toda a região. Então levaram a ele todos os doentes; 36e pediam que pudessem, ao menos, tocar a barra de sua veste. E todos os que a tocaram, ficaram curados.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

 

A IGREJA CATÓLICA CELEBRA E VENERA HOJE
São Domingos de Gusmão, homem de oração

São Domingos não fez outra coisa senão iluminar todo o seu tempo e a Igreja com a Luz do Evangelho

Neste dia lembramos aquele que, ao lado de São Francisco de Assis, marcou o século XIII com sua santidade vivida na mendicância e no total abandono em Deus e desapego material.

São Domingos nasceu em Caleruega, na Castela Velha em 1170, Espanha, e pertencia à alta linhagem dos Gusmão. O pai, Félix de Gusmão, queria entusiasmá-lo pelas armas; o menino preferia porém andar com a mãe, Joana de Aza, grande esmoler, e com clérigos e monges. Interessante é que antes de Domingos nascer sua mãe sonhou com um cão, que trazia na boca uma tocha acesa de que irradiava grande luz sobre o mundo. Mais do que sonho foi uma profecia, pois Domingos de Gusmão, de estatura mediana, corpo esguio, rosto bonito e levemente corado, cabelos e barba levemente vermelhos, belos olhos luminosos, não fez outra coisa senão iluminar todo o seu tempo e a Igreja com a Luz do Evangelho, isso depois de se desapegar a tal ponto de si e das coisas, que chegou a vender todos os seus ricos livros, a fim de comprar comida aos famintos.

Homem de oração, penitência e amor à Palavra de Deus, São Domingos acolheu o chamado ao sacerdócio e ao ser ordenado (no ano de 1203 em Osma, onde foi nomeado cônego). No ano de 1204, Domingos seguiu para Roma a fim de obter do Papa licença para evangelizar os bárbaros na Germânia.

No entanto, o Papa Inocêncio III orientou-o para a conversão dos Albigenses que infestavam todo o Sul da França com suas heresias. Desta forma, Domingos fez do sul da França, o seu principal campo de ação. Quando os hereges depararam com a verdadeira pobreza evangélica de São Domingos de Gusmão, muitos aderiram à Verdade, pois nesta altura já nascia, no ano de 1215 em Tolosa, a primeira casa dos Irmãos Pregadores, também conhecidos como Dominicanos (cães do Senhor) que na mendicância, amor e propagação do Rosário da Virgem Maria, rígida formação teológica e apologética, levavam em comunidade a Véritas, ou seja, a verdade libertadora.

São Domingos de Gusmão entrou no Céu com 51 anos e foi canonizado pelo Papa Gregório IX, em 1234.

São Domingos de Gusmão, rogai por nós!

XIX Domingo do Tempo Comum – Ano A

Por Mons. Inácio José Schuster

Cada pessoa tem o seu temperamento que, por vezes, não é o melhor para se relacionar com os outros ou para cumprir a missão que Deus lhe confiou. Elias era um profeta valente e firme nas suas convicções. Mas, quando foi perseguido pela rainha Jezebel, fugiu para o Monte Horeb com medo e desejando a morte. No monte, escutou a voz de Deus e com temor experimentou a Sua presença. Deus aproveitou esta ocasião. Passou uma forte rajada de vento, mas Deus não estava no vento. Depois, sentiu-se um terremoto, mas o Senhor não estava no terremoto. De seguida, acendeu-se um fogo, mas Deus não estava no fogo. Depois do fogo, ouviu-se uma ligeira brisa; aí estava o Senhor! Deus não se manifesta como nós queremos. Deus tem o seu estilo e o seu modo de Se manifestar; é um Deus de surpresas. Os seus caminhos não são os nossos caminhos. A Elias, que era um profeta forte e decidido, quase violento como um terremoto, Deus ensina-o a acalmar-se e a saber encontrá-Lo na paz e no silêncio e não na confusão, na dispersão e nos altos decibéis das conversas. “Deus fala de paz ao seu povo e aos seus fiéis” (Salmo Responsorial).
Jesus dá-nos também uma lição de paz e de serenidade. Depois de ter dedicado longas horas a ensinar e a fazer a multiplicação dos pães, como líamos no domingo anterior, Jesus reserva para Si um momento de descanso, de paz interior, separando-se de todos para rezar ao Pai. Tem tempo para tudo: para pregar, para caminhar, para atender os outros e também para se retirar para rezar. Quando sobe à barca dos apóstolos, imediatamente a tempestade desapareceu. Deveríamos sempre procurar momentos de paz, de silêncio e de serenidade. É saudável para nos libertarmos do stress da vida, dando tempo à leitura, à música, aos passatempos, ao contato com a natureza e ao convívio familiar. É importante ter tempo para nos encontrarmos interiormente com Jesus Cristo, para fazer uma oração mais pausada a sós ou em comunidade. Precisamos de paz, de silêncio, de uma serenidade psicológica e espiritual. Em férias ou não, precisamos de nos reencontrar conosco próprios, com os outros, com a natureza e com Deus. Tudo isto é necessário para o nosso crescimento humano e cristão, para a nossa unidade interior. A celebração eucarística também pode contribuir para encontrar esta paz se for celebrada com um ritmo sereno e com amabilidade.
Como Elias, Pedro também recebeu uma lição. Sentiu, como todos os outros que estavam no barco, medo e pânico com a tempestade e com a presença fantasmagórica de Jesus sobre as águas. Então, Pedro desceu do barco e foi ao encontro de Jesus. Começou a afundar-se, quando perdeu a confiança. Homem de pouca fé! A sua oração, breve e urgente, não podia ser outra: “Salva-me, Senhor!”. Assim, aprendeu a não confiar excessivamente nas suas próprias forças, mas em Deus.
Na nossa vida, por vezes, temos a tentação de pensar que Deus nos abandonou. Assaltam-nos as dúvidas. Parece que tudo de mal nos acontece, que a vida perdeu a razão de ser, que a Igreja e o mundo não vão muito longe. Talvez, Jesus, hoje, também diga: “Homens de pouca fé”. Precisamos continuar a ouvir a frase de Jesus: “Tende confiança. Sou Eu. Não temais”. Jesus convida-nos a ter uma visão positiva e pascal da vida. Nem termos muito medo, nem entusiasmo excessivo. É importante não perder a calma tanto nos momentos de êxito como nos momentos de fracasso. Confiar mais em Deus, mesmo que tenhamos a sensação de que Ele se esconde. A vitória de Cristo contra as forças do mal é a certeza de que também nós venceremos. Sem perder a paz interior, trabalhemos para a vitória contra o mal.

 

‘VERDADEIRAMENTE, TU ÉS O FILHO DE DEUS!’
Padre Bantu Mendonça

À noite os discípulos entram no barco e se dirigem para o outro lado do mar em direção a Cafarnaum. Um fenômeno estranho, mas natural no alto mar. O barco estava sendo sacudido pelas ondas, “pois o vento era contrário”. Os discípulos se encontram fatigados, atormentados em remar. E o vento soprando forte e agitando o mar. De repente, Jesus se apresenta andando sobre as águas. Na escuridão da noite, a Sua figura pareceu ser um fantasma que pretendia ultrapassar a embarcação. Daí, os gritos de espanto e medo dos apóstolos. Na realidade, com essa ação, o Senhor demonstrou ter poderes divinos, pois lemos em Jó 9,8: “O Senhor caminha sobre as águas dos mares”. É interessante observar que Pedro foi o único a também querer, com a permissão de Jesus Nazareno, andar sobre as águas, como que estando “por cima” do mal. O mar era símbolo do mal e do oculto, especialmente suas profundezas nas quais reinava o poder das trevas e de onde saíram os impérios contrários ao verdadeiro Reino de Deus (cf. Dn 7,1-8). Pedro, uma vez mais, mostrou-se impetuoso e mais confiante do que seus companheiros. Não só reconhece o Mestre, mas quer participar desse poder de estar acima do mal, representado pelas águas turbulentas do mar. Ele sabe que o poder de Jesus não é unicamente pessoal, mas atinge igualmente Seus mais íntimos amigos e reconhece na prática o que Ele dirá mais tarde: “Em ti unicamente eu confio, pois cremos e reconhecemos que tu és o Santo de Deus” (Jo 6,69). Porém, sempre existe a dúvida e a indecisão após tomar uma atitude valente e corajosa. O vento, o mar agitado, abala a fé e a confiança do grande apóstolo. E unicamente a resposta de Cristo, diante da súplica angustiada deste [Pedro], restabelece a situação e salva o discípulo. O “Salva-me, Senhor!” de Pedro deve ser o nosso grito que salvará muitas vidas do fracasso total. No “Salva-me, Senhor!” encontramos a força que nos falta e a fé que procuramos em Jesus, nosso Salvador. Cristo, através da deficiência na fé de Pedro, quis mostrar que sempre – por detrás das situações de perigo e domínio do mar, representante das forças do mal – não estamos sozinhos, pois Ele o sustentava. Por isso, os Padres da Igreja afirmam que onde está Pedro está a Igreja e onde está a Igreja está Jesus. E, logicamente, na época em que foi feita a afirmação dos Padres da Igreja, estes não se referiam a Pedro, o Simão, filho de Jonas, mas ao bispo de Roma. Jesus entra na barca e o vento se acalma. Era uma perturbação de ondas e vento sem chuva, pouco parecido com a descrita em Mateus 8,23. Mas, tendo entrado Jesus na barca nada temem os discípulos, porque a paz, a tranquilidade e o sossego haviam chegado. E, então, aproximando-se de Cristo lhe prestam homenagem, dizendo: “Verdadeiramente, tu és o Filho de Deus!” O que significa: Tu tens algo do poder divino em teu ser. Meu irmão, Jesus é a sua paz. Portanto, não tenha medo e nem receio de O proclamar. Ele veio para livrar a mim e a você do medo e da angústia. O trecho de hoje está escrito precisamente para nos demonstrar que a transcendência e independência de Jesus – manifestada com Suas palavras e Seu proceder diante das leis e costumes tradicionais e diante das leis físicas da natureza, – revelam Seu domínio absoluto sobre as crenças e Seu senhorio total como Criador – e não como criatura – sobre os acontecimentos e sobre tudo o que há, de modo que a nossa resposta, hoje, não pode ser outra diferente desta: “Verdadeiramente, tu és o Filho de Deus!”

 

VIVER O PROCESSO DA FÉ
Padre Fábio de Melo

Quanto sofrimento é preciso passar para chegar na verdade dessa frase “Deus caminha comigo, Deus é meu grande amigo, Ele é mais forte um abrigo, Ele caminha comigo, n’Ele posso confiar”? Não tem nada por acaso nessa vida, não podemos chegar se não caminharmos. Para se eu preciso andar 5 km, preciso ter a disposição do primeiro passo e acreditar que de passo em passo chegarei. Tudo é processo, tem começo, meio e fim. O processo da fé é pontuado. A fé cristã é audaciosa, o que Jesus nos propõe é uma verdade audaciosa. Hoje a Igreja nos convida a ter fé, a viver o processo da fé, acreditar mesmo que não tenha razões para isso. A nossa fé passa pelo processo da inteligência, mas ela acontece quando preciso passar uma situação humana que me parece insuportável. E Deus começa arrancar de você frutos que não semeou. É a fé como dom, que começa a ver a vida a partir de um olhar que antes ninguém tinha lhe ensinado. A Igreja diz que a fé é dom. E temos a responsabilidade de administrá-lo. A fé é dom, mas é tarefa. Eu preciso buscar a minha atitude para confirmar o Cristo realizou na minha vida. A fé humana indica para uma fé maior. A fé primeira que experimentamos na vida, é a fé natural. Entramos num restaurante e não pensamos que a comida pode estar envenenada, você confia que não tem nada naquele alimento. A fé uma experiência natural que dá para a gente. Para mim não há nada mais precioso que confiar em alguém. Como é importante para o padre a confiança em que está perto de nós. E a partir dessa experiência humana, Deus nos convida a experimentar algo muito maior. Pedro, homem que fez a experiência de Jesus e mostra aqui sua fragilidade no processo de fé. Acho que Jesus o chamou de Simão nessa hora, que não tinha feito a experiência de Jesus, que não tinha feito a travessia que ele precisava. A fé vai ser vivida enquanto formos gente. A Igreja nos pede a fé no Ressuscitado, pois só essa fé nos poderá direcionar para o homem, e mulher que Jesus idealizou para cada um de nós. Estou em travessia, processos que nunca termina, pois nunca estaremos prontos para Deus. Sempre estaremos inacabados. A arte é assim, sempre inacabada, porque se tiver acabada, não há mais o que fazer. Nós sobrevivemos daquilo que em nós é inacabado. O que Deus já fez na sua vida hoje, não será o suficiente para o que precisará amanhã. Não somos postes, postes ficam parados, somos estrelas em deslocamentos. Deus vai te visitar a partir da sua particularidade. Não devemos medir o quanto de fé cada um tem. Precisamos ser cada dia mais homens de fé. Às vezes o caminho que precisamos percorrer não é tão longo, mas por não termos dimensão, ficamos parados. Muitas vezes eu encontro ateus que estão muitos mais próximos de Deus que eu, porque as vezes eles estão mais honestos e se aproximaram mais das questões humanas. Precisamos nos aproximar das questões humanas, estamos inseridos numa sociedade e é preciso encarnar na minha história tudo aquilo que digo crer. Se você acredita no mesmo Deus que eu tenho com você uma responsabilidade. Pois não tenho o direito de negligenciar o conteúdo dessa pregação, por isso eu sou um padre de travessia. O papel de padre hoje é ser o testemunho coerente de quem fez essa opção radical por ser Jesus de novo através da vida sacramental. Os sacramentos que celebramos é para santificar nossa alma e dar sentido as atitudes do corpo. É a totalidade da salvação acontecendo em nós e através de nós. A Igreja quer cada dia mais que a fé que celebramos vire vida na comunidade, que você sinta em Jesus o motivo da sua atitude. Eu estou aqui configurado a Ele, quero ser como Ele. Quanto mais eu acredito em Deus, muito mais é a minha capacidade de acreditar nos meus irmãos. Que amor a Deus é esse que não te faz amar seus irmãos? A fé que eu tenho em Jesus muda o modo de como eu olho para aqueles que estão do meu lado. Se Jesus tivesse a oportunidade de passar aqui como eu estou Ele lhe diria: “vamos lá, não fique parado, vamos fazer o que será. Vamos visitar regiões do seu coração que você ainda não conseguiu ir.” Muitas vezes na nossa miséria não acreditamos que Deus acredita em nós. Vamos acelerar o processo de nosso crescimento pessoal. Quanto mais acreditarmos em Deus, e tivermos a fé para suportar o sofrimento, mais testemunharemos Deus. Hoje precisamos tomar a decisão de deixar Deus acelerar em nós o crescimento. Para isso você precisa dar passos, tratar melhor seu marido, seu funcionário, deixar de fumar, etc. Você precisa acreditar em você. O que você precisa fazer concretamente para dar um passo na fé? Faça seu compromisso consigo mesmo, acredite que a partir de hoje você será uma pessoa diferente, uma pessoa melhor. Acredite em si mesmo, para demonstrar que Deus crê em ti. Eu creio em Deus e Ele crê em mim, e nós dois juntos ninguém segura.

 

A narração evangélica que a liturgia oferece neste domingo coloca-nos diante de uma característica importante da Igreja: viver no mundo. O texto diz que Jesus “obrigou” os discípulos a subir para o barco. O verbo “obrigar” tem um significado não muito agradável para a maior parte das pessoas; mas no texto evangélico, significa o caminho dos discípulos no meio deste mundo que, por vezes, é tempestuoso, ou seja, existem ventos contrários ao projeto de Deus. Depois da multiplicação dos pães, somos convidados a refletir na nossa missão no mundo que consiste em partilhar o pão com os pobres e com todos os povos. Também o evangelho deste domingo diz que aqueles que são portadores do projeto de Deus, esta Igreja representada no barco dos discípulos, são frágeis, com muitas limitações, com dúvidas (por vezes, há a tentação de pensar que Jesus nos abandona por uns tempos!). Se a fragilidade e a pobreza são coisas próprias do mundo, também o são da Igreja. Isto leva-nos a esta conclusão: quando a Igreja abandona o mundo, ou quer estar nele com poder, deixa de ser a Igreja que Jesus fundou. A narração da tempestade acalmada segue-se à do milagre da multiplicação dos pães, onde Jesus dá de comer a todos, tendo uma atenção especial aos doentes e aos pobres. É este o valor da nossa “reunião dominical” e da missão que nos está confiada. O barco que avança com dificuldade num mar tempestuoso e com ventos contrários é, hoje, um convite a contemplar o Ressuscitado. Um mar, que é o mundo, onde Jesus caminha como Senhor, acompanhando a sua Igreja. Este texto é introduzido pelo extrato do Primeiro Livro dos Reis (1ª leitura). O profeta Elias é perseguido. Refugia-se numa gruta. A sua fuga não é para fazer um retiro espiritual, mas num contexto de perseguição e de sofrimento por causa de defender a justiça em nome de Deus, faz uma grande experiência espiritual. Na segunda, continuamos a ler a Carta de S. Paulo aos Romanos. Ele abre-nos o coração para expressar o seu sofrimento ao ver que o seu povo não aceita Jesus. Como o Apóstolo sofre, porque tem um coração de pastor, com aquelas pessoas que se desviam do caminho certo. Se os pastores de hoje dessem o seu testemunho pessoal do seu próprio ministério, marcado pela caridade pastoral… Na homilia, é de lançar um convite a contemplar Jesus na sua humanidade e na sua divindade. É o que faz São Mateus que vai respondendo às perguntas que a comunidade faz acerca de Jesus: “Não é este o filho do carpinteiro?”. São Mateus apresenta-nos Jesus com características que somente pertencem a Deus. Uma delas ouvimos no domingo passado na partilha e multiplicação dos pães, recordando o maná do deserto. Hoje, a divindade de Jesus encontramos no poder de andar sobre as águas, algo próprio de Deus, Senhor do mundo. O gesto de estender a mão a Pedro, um gesto frequente nos salmos, expressa que Deus estende a mão aos necessitados. Outro aspecto a explorar na homilia é aprofundar a identidade da Igreja no mundo. Deus ama o mundo, enviou o seu Filho que se fez homem. Viver no mundo, anunciando a novidade do Evangelho conscientes que o Senhor está no meio de nós, ainda que, por vezes, para alguns seja ainda um “fantasma”. No final da Eucaristia, há sempre o envio: “Ide em paz”. Depois da experiência íntima com Deus, Ele envia-nos para o mundo, mas também nos diz como a Pedro: “Vem”.

 

19º DOMINGO DO TEMPO COMUM
“Considerai, Senhor, vossa aliança, e não abandoneis para sempre o vosso povo. Levantai-vos, Senhor, defendei vossa causa, e não desprezeis o clamor de quem vos busca.” (cf. Sl 73,20.19.22s)
Padre Wagner Augusto Portugal, Vigário Judicial da Diocese da Campanha (MG)

Meus irmãos, Estamos celebrando neste domingo a vitória de Cristo sobre o mundo. Não podemos ter medo de vivenciar o seguimento cristão e cada um de nós é convidado a deixar a vivência pastoral pessoal e anunciar o evento evangelizador. Abandonar o comodismo e vivenciar o anúncio da mensagem evangélica que é sempre atual, questionadora, e, mais do que tudo isso, parte de uma mudança radical da vida da própria pessoa. Por isso, todos nós somos convidados a enxergar Deus nas coisas pequenas e simples da vida quotidiana. Apesar da violência humana, Deus está naquilo que significa paz e refrigério. Deus não está na tempestade(1Rs 19,9a.11-13a). Elias venceu os sacerdotes de Baal no monte Carmelo, invocado sobre eles o fogo do céu. Mas Deus lhe faz experimentar que o zelo não é sempre vitorioso e sua vocação não é a violência contra os homens, mas o serviço paciente. Elias, perseguido por Jezabel, fica sem força e foge até o Horeb. E aí Deus lhe fala, porém, não nos elementos violentos – tempestade, terremoto,fogo,  mas na brisa mansa. Dentro da brisa mansa, Ele confia a Elias uma nova missão, que é manifestada pela tempestade. A religiosidade mágica facilmente acredita que Deus se manifesta na tempestade. Mas Javé se manifesta acalmando a tempestade. Assim, ele se manifestou em Cristo, aos olhos dos Apóstolos, que estavam lutando contra o vento, no barco do lago de Genesaré. Por detrás de tudo isso, está a mitologia: o mar era o domínio de Leviatã, o monstro marinho, uma vez considerado como um deus, mais tarde, desmistificado até anjo ou diabo. A tempestade era a força do inimigo, acreditavam ainda os supersticiosos  pescadores galileus. Irmãos e Irmãs, Jesus se escondera no deserto, logo que soube da morte de João Batista. Havia perigo para o Divino Salvador. A multidão correu ao deserto atrás dele. Jesus teve compaixão dos peregrinos e multiplicou o pão. O povo, feliz e entusiasmado com a multiplicação dos pães, entusiasmou-se e quis proclamá-lo Rei. O momento era conflitante e profundamente delicado. Não era chegada a hora do Filho do Homem, porque Ele não viera para um reinado terreno. As coisas de Deus não podem ser confundidas com as coisas da política partidária dos homens. Por isso, coube ao próprio Jesus dispensar a multidão. No Evangelho deste domingo (cf. Mt 14,22-33) Jesus chegou aos discípulos que estavam na barca, depois que Ele despediu a multidão e foi rezar, andando sobre as águas. Isso foi uma demonstração aos seus mais próximos da grandiosidade de sua missão, que era exercida a mandado do Pai dos Céus. Jesus que andou sobre as águas é maior do que a maldade e tem o poder de “fazer da fossa surgir à vida” (cf. Jn 2, 7). Basta uma ordem dele e o peixe deixou Jonas em terra firme (cf. Jn 2,11), podendo cumprir a vontade de Deus de purificar os ninivitas. Há um plano de salvação por parte do Pai dos Céus. Jesus foi mandado ao mundo para dar pleno cumprimento deste projeto de salvação, conforme nos ensina São João 4,34. Entretanto, as forças do mal podem agir e reagir. Mesmo assim, o plano será cumprido na sua integralidade. Nenhuma porta do inferno levará vantagem, tendo em vista que Deus está conduzindo a sua Igreja pelos caminhos da História. É grandiosamente imenso o contraste entre o medo de um fantasma diabólico e a confiança de Pedro ao ouvir a voz de Jesus, que vinha caminhando sobre as ondas. Para Jesus é mais importante a confiança de Pedro do que o medo. No meio das dificuldades quotidianas da vida, é importante a comunidade substituir o medo pela partilha. Pedro, que teve a coragem de atirar-se às ondas encrespadas, ficou com medo do vento. Meus irmãos, Jesus multiplica o pão, o que foi motivo de grande contentamento e de admiração por parte do povo presente. A cena de Pedro o demonstra. A fé verdadeira pressupõe a humilde confiança e a humildade confiante, sem nenhuma exigência de milagres ou comprovações. Os apóstolos, reverentes, de joelhos comprovam o Senhorio de Jesus e a confiança daqueles que devem anunciar o seu projeto de Salvação: “Verdadeiramente, tu és o Filho de Deus!”(cf. Mt 14,33). A humildade de fazer a genuflexão, como se fosse para beijar os pés de Jesus, ou para adorá-Lo, é uma manifestação de quem reconhece ser Jesus, o dono da vida e do nosso destino. Essa deve ser a atitude do cristão, no seu comportamento diário, de não procurar milagres, mas ter uma fé autêntica, abalizada nas Sagradas Escrituras, levando adiante aquilo que o próprio Jesus disse: “Não tenha medo, creia, e venha ao Seguimento do Senhor!”. Meus irmãos, Paulo, na segunda leitura (cf. Rm 9,1-5), confessa sua paixão para com o povo de Israel, do qual ele é membro. O Apóstolo mesmo gostaria de ser condenado se, com isso, os seus irmãos judeus tivessem a salvação, conforme nos ensina Rm 9,3. Palavra forte, mas que não era mero exagero: Paulo sabia que seria impossível que eles estivessem pura e simplesmente perdidos. O plano de salvação vale para os judeus também, mesmo se aparentemente tenha sido passado adiante aos gentios. Com isso, podemos concluir da confiança que Paulo tem no plano de Deus, que ele pode dizer a nós hoje: se Israel for totalmente rejeitado, então, eu também! O Evangelho salva todo o que crê: primeiro o judeu, depois o grego(cf Rm 1,16). Os judeus têm sido privilegiados(cf Rm 3,1). Eles têm até o Messias. E, contudo, parece que não se verifica sua salvação, pois não tem a fé no Evangelho de Cristo. Caros fiéis, Ser cristão é ser voltado para a acolhida e para o entendimento do Deus da Brisa Mansa, que anda sobre as águas e leva para o mundo o testemunho inequívoco da necessidade de depositar nas mãos de Deus a confiança de nossa vida de fé. Vida de fé que o PAI DAS BEM-AVENTURANÇAS do céu abençoa e encaminha os pais da terra que tem o grave dever de nos fazer mais santos e imaculados, como o SENHOR DEUS fez ao enviar a Salvação por Jesus Cristo ao gênero humano!

 

“CORAGEM! SOU EU. NÃO TENHAIS MEDO!”
Por Dom Emanuele Bargellini, Prior do Mosteiro da Transfiguração
19º DOMINGO DO TEMPO COMUM – A
Leituras: 1 Rs 19,9a.11-13; Rm 9,1-5; Mt 14, 22-33

“Depois do fogo, ouviu-se o murmúrio de uma leve brisa. Ouvindo isso, Elias cobriu o rosto com o manto, saiu e pôs-se à entrada da gruta” (1 Rs 19,13a). “Assim que subiram no barco, o vento se acalmou. Os que estavam no barco prostraram-se diante dele, dizendo: Verdadeiramente, tu és o filho de Deus” (Mt 14,33). Duas cenas de calma e serenidade quase paradisíacas, que acabam de concluir a atribulada travessia do deserto por parte do profeta Elias, e a longa noite dos discípulos, cheia de angústia ao lutar contra as ondas do lago agitadas pela tempestade. Apesar desse quadro, os protagonistas das duas histórias estão gozando tranqüilidade e paz profunda: dom surpreendente que acompanha o inesperado e íntimo encontro com o Senhor, que até pouco antes parecia estar ausente, surdo e mudo perante os seus gritos de medo e de ajuda. Por um lado as cenas marcam o cume da condescendência de Deus para com o seu profeta Elias, e a intensa manifestação da senhoria de Jesus sobre os agitados acontecimentos da história, para com os discípulos. Por outra parte, a mudança radical do cenário marca o ponto de chegada do longo processo de conversão do profeta ao Senhor, assim como do crescimento da frágil fé de Pedro e dos demais discípulos. O medo paralisante de pouco antes se traduz na solene profissão de fé que proclama Jesus “Filho de Deus”. Quantas vezes Jesus, ao encerrar o encontro com um homem ou com uma mulher que vai em busca dele, confiante em sua ajuda, declara: “Vai, a tua fé te salvou!” (cf. Mc 5,34; Mt 15, 28). O Senhor abre para nós o mesmo trilho! A profissão de fé dos discípulos nos coloca em cheio na plena luz da páscoa; páscoa que celebramos hoje, assim como em todo domingo, para que ilumine e oriente a partir de uma perspectiva interior nossos dias. Eles se sucedem uns aos outros, aparentemente iguais na repetição da rotina, e não raramente provados por feridas e fatigas sem saída. A luz do Ressuscitado os resgata do “não sentido”, e os faz lugar do possível encontro com o Senhor. A Igreja nos acompanha com o dom da Palavra de Deus e com o pão de vida da Eucaristia, para que nos tornemos companheiros da longa trajetória interior de Elias e dos discípulos, partilhando com eles a mesma força transformadora da fé e a intimidade para com o Senhor, que caracterizam toda autêntica relação com ele. O breve trecho do 1 livro dos Reis, proclamado na primeira leitura, nos apresenta apenas a conclusão da complicada história humana e interior de Elias, o primeiro dos profetas históricos de Israel. Ele é apresentado pela mesma escritura do AT e do NT, como modelo de tantos homens de Deus, chamados por ele a tornar-se seus amigos e corajosas testemunhas, na defesa da justiça em prol dos pobres, na recuperação das exigências da aliança estabelecida por Deus com Israel, na espera da vinda do Messias que vai restabelecer as condições para cumprir a originária aliança. A compreensão profunda da extraordinária experiência de Deus, vivenciada pelo profeta na gruta do monte Horéb, pressupõe uma leitura atenta e partícipe da fascinante aventura humana e espiritual de Elias, narrada nos capítulos 18-19 do 1 livro dos reis. À sua luz se compreende a colocação desta história em conjunção com a narração da noite de Jesus mergulhado em profunda oração na montanha, e sua ida em socorro dos discípulos em dificuldade dentro do barco no meio da tempestade. Na complexidade das intrigas e das paixões humanas, se desvela a secreta pedagogia com que Deus dirige a história, chama e forma seus profetas para guardar e alcançar o cumprimento do seu projeto de vida. Talvez seja útil lembrar alguns pontos salientes deste trajeto interior de Elias, para iluminar um pouco nosso próprio caminho existencial. Poderia nos ajudar também a entender porque a sua figura se tornou tão emblemática na tradição da própria Escritura, na tradição judaica posterior, naquela cristã, sobretudo na sua vertente mística, e até mesmo na tradição muçulmana. Cada uma delas se reconhece num ou no outro aspecto da sua experiência espiritual, como num espelho. No momento mais alto da revelação da identidade e da missão de Jesus na transfiguração, ele aparece dialogando sobre o cumprimento da sua tarefa de messias sofredor com Moisés e Elias, os dois eixos do projeto salvífico de Deus na aliança, que está para se realizar na sua morte e ressurreição (cf Lc 9, 30-31). O profeta, com zelo ardente pela pureza da fé de Israel com a violência de todo fundamentalista religioso (1 Rs 18,20-40), foi progressivamente transformado pelo próprio Senhor, através de uma série de despojamentos interiores, sempre mais sofridos e radicais. O Senhor lhe ordena de morar no deserto, onde aprende a se alimentar confiando na providência divina: os corvos trazem o pão e a torrente de água o sacia por um tempo limitado. O Senhor o envia a morar em terra pagã, sustentado por uma pobre viúva em Sarepta (1 Rs 17, 2-24).  O profeta pretende defender Deus com a matança dos profetas de Baal (1 Rs 18, 16-40). Foge para o deserto para salvar-se da vingança da rainha Jezabel, cai no extremo desânimo, o Senhor o socorre alimentando-o através de seu anjo, e o fortalece para cumprir seu caminho até a montanha do Senhor (1 Rs 19, 1-8). O Senhor o interpela como profeta refugiado na gruta da montanha. Ele se queixa de estar correndo riscos mortais pelo Senhor, e reivindica mais uma vez o feito de ficar sozinho para defendê-lo (1 Rs 19, 10.14). Em resposta o Senhor lhe ordena de “sair da gruta” em que está amparado, para ficar diante dele que está para passar diante dele ( 1 Rs 19, 9-11; 13-14)).   A gruta em que está refugiado, mais que na rocha da montanha, está escavada na realidade em seu pequeno mundo ideológico, onde falta o ar livre da vida e a visão ampla da realidade. O Senhor faz sair Elias deste túmulo de morte, e o faz nascer à vida nova. O murmúrio suave e brando é a habitação verdadeira do Senhor. A sua voz profunda é o silêncio que chega ao coração. Elias pode somente entrever a face do Senhor através do manto que cobre seu rosto, como a mão protetora de Deus cobriu o rosto de Moisés, na montanha do Sinai, para protegê-lo da luz insustentável da sua glória, concedendo-lhe o privilégio de contemplá-lo somente pelas costas (cf  Ex 33, 18-23). Elias sai deste encontro radicalmente transformado (1 Rs 19, 9-14). Recebe a nova missão de promover a vida do povo, em Israel e em Damasco, e de transmitir seu carisma de profeta a Eliseu (1 Rs 19, 15-18). Somente quem tem em si mesmo a vida do Senhor pode transmitir vida. Iniciada como fuga diante do poder prepotente da rainha Jezabel, a aventurosa viagem de Elias se transforma numa verdadeira peregrinação interior rumo ao centro de si mesmo, mais que uma transferência forçada de lugar geográfico para outro, com a finalidade de esconder-se. Marca o retorno às origens espirituais de Israel a descida do profeta nas profundidades do seu coração, onde encontra a verdadeira habitação do Senhor e a linfa vital da sua missão de profeta ao serviço do Deus da aliança e da vida. Através da pedagogia, severa e doce ao mesmo tempo, dos progressivos despojamentos de si, o Senhor molda o seu profeta, até fazê-lo digno de encontrá-lo na intimidade e na paz, como supremo dom de graça. Está superada toda manifestação de força que se impõe, simbolicamente expressa pelos impetuosos elementos naturais do vento violento e forte que quebra as montanhas, ou do terremoto e do fogo ( cf  1 Rs 19,11-12). Tais sinais tinham acompanhado a manifestação de Deus a Moisés e ao povo junto do Monte Sinai no momento de estipular a aliança (cf Ex 19,16-24). Desaparece também toda pretensão de fazer-se como defensor de Deus e quase seu protetor! Deus não precisa de defensores, mas de testemunhas da sua graça e da salvação que vem dele. Testemunhas que, antes de mais nada, sabem escutar o testemunho interior do próprio Espírito do Senhor que fala dentro de nós, nos atrai a si próprio, nos fortalece, e nos sugere o que  é importante de verdade a se dizer, diante do tribunal da história ( cf Mt 10, 17-20).  Apreender o caminho espiritual, deixando-nos guiar pelo próprio Senhor e a ser moldados pela sua pedagogia purificadora e libertadora, em tempo de marcado individualismo e protagonismo também na busca espiritual, é uma herança preciosa que nos vem do profeta e do próprio Jesus: “Coragem! Sou eu. Não tenhais medo!” (Mt 14,27).  Enquanto com a fórmula “Sou eu”, Jesus evoca o poder do nome divino (cf Ex 3, 14-15) pelo qual ele domina o mal, como deixam vislumbrar seu caminhar em cima das ondas e a calma da tempestade, ele vai encontro dos discípulos, como um pai que cuida da sua criança assustada, os encoraja, e igualmente encoraja Pedro na fraqueza da sua fé, já que ele segura prontamente em sua mão respondendo a seu grito de ajuda, sobe no barco e a tempestade se acalma. A tradição cristã reconheceu neste evento, junto com a multiplicação dos pães, a imagem da Igreja na sua travessia ao longo da história, alimentada e sustentada pelo próprio Jesus. Na fé ela sabe e experimenta que Jesus não abandona os navegantes, assim como sabe que é ele mesmo a fortalecer a fé de Pedro e a garantir que o barco alcance seu destino, “para o outro lado do mar”, segundo o projeto de Deus.  Precisamos aprender o estilo da condescendência divina e da sua misericórdia solidária, num tempo em que cada um eleva o tom da voz para deixar-se ouvir, no atual show permanente e confuso das idéias e das propostas, onde se fica acentuando as cores de suas fardas e das suas bandeiras para afirmar seus princípios éticos, políticos, religiosos. Isto significa aprender com o profeta Elias a descer do monte Carmelo, lugar da matança dos profetas, e aprender a peregrinar com ele os duros trilhos do deserto até o monte Horeb, o lugar do encontro no silêncio com o Senhor e com as fontes da verdadeira vida. A mística não fecha a pessoa num mundo vazio, pelo contrário, a constrói com a mesma energia de Deus e a faz capaz de reconhecer e de cuidar do seu rosto divino, presente em toda pessoa e em toda situação. Estas passagens espirituais e culturais constituem um desafio permanente no caminho pessoal e das comunidades cristãs de todo tempo. É difícil fazer próprio o estilo de Deus e de Jesus. Depois que ele multiplicou os pães, o povo queria fazê-lo rei, destaca João, como que para garantir a continuidade da bonança material inesperada (Jo 6,15). Jesus, porém, refugiou-se sozinho na montanha, onde, numa noite de intensa oração face a face com o Pai, confirma sua escolha ao serviço do reino. Desta íntima relação com o Pai, ele desce em socorro potente e caridoso dos discípulos. Mas eles mesmos, observa S. Marcos, “ainda não tinham entendido nada a respeito dos pães, mas seu coração estava endurecido” (Mc 6, 52). A Igreja conhece bem o tesouro da fé que nos anima, embora exposta a tantas fragilidades diante das provações da vida. Por isso nos convida a rezar com confiança o Pai, para que o nosso coração de filhos e filhas seja por ele mesmo fortalecido e alcancemos a tranqüilidade e a intimidade da casa paterna que esperamos: “Deus eterno e todo poderoso, a quem ousamos chamar de Pai, dai-nos cada vez mais um coração de filhos, para alcançarmos um dia a herança que prometestes” (Oração do dia). A Oração Eucarística VI-B (Deus conduz sua Igreja pelo caminho da salvação) interpreta muito bem esta consciência viva da Igreja e a firme esperança que a anima em seu caminho.

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