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Caminhos que ajudam a entender o mistério de Deus

Homilia do Papa, terça-feira, 22 de outubro  de 2013, Da Redação, com Rádio Vaticano

Santo Padre destacou necessidade de contemplação, proximidade e abundância para entender o mistério de Deus

A homilia do Papa Francisco nesta terça-feira, 22, na Casa Santa Marta, desenvolveu-se a partir de termos como contemplação, proximidade e abundância para compreender o mistério de Deus. O Santo Padre explicou que não se pode entendê-lo somente com a inteligência e que o grande “desafio” do Pai Celeste é inserir-se na vida humana para curar as chagas do homem, como fez Jesus.

Partindo da Primeira Leitura do dia, ele explicou que quando a Igreja quer dizer algo sobre o mistério de Deus usa somente uma palavra: “maravilhoso”. “Contemplar o mistério, isto que Paulo nos diz aqui, sobre nossa salvação, sobre nossa redenção, somente se entende de joelhos, na contemplação. Não somente com a inteligência. Quando a inteligência quer explicar um mistério sempre se torna louca!”.

A proximidade também ajuda, segundo Francisco, a entrar no mistério de Deus. Ele lembrou como Deus está próximo ao homem, desde o primeiro momento até imergir-se na vida humana através de seu Filho Jesus.

“Pra mim, vem a imagem da enfermeira em um hospital: cura as nossas feridas uma a uma, mas com as suas mãos. Deus se envolve, coloca-se nas nossas misérias, aproxima-se das nossas chagas e as cura com as suas mãos (…) Deus não nos salva somente por um decreto, uma lei; salva-nos com ternura, com carícias, salva-nos com a sua vida, por nós”.

Quanto à terceira palavra – abundância – o Pontífice disse que onde há abundância de pecado há superabundância de graça. Lembrando que os homens têm os seus pecados, ele explicou que o “desafio” de Deus é vencer isto, curando as chagas, como fez Jesus.

“A graça de Deus sempre vence, porque é Ele mesmo que se doa, que se aproxima, que nos acaricia, que nos cura (…) Este mistério não é fácil de entender, não se entende bem somente com a inteligência. Somente, talvez nos ajudarão estas palavras: contemplação, proximidade e abundância”.

Com Deus tem jeito!

Jovem, reconheça a queda e levante a cabeça

Quero lhe falar de uma história real. Trata-se da vida de um jovem que aos 25 anos de idade não tinha mais nenhuma perspectiva, não conseguia ver esperança, era só um vazio existencial.

Os dias iam passando e o desespero aumentava no coração por não avistar uma saída. A entrada para o mercado de trabalho lhe parecia muito difícil, sem faculdade e sem currículo, quem o contrataria e quanto ganharia? Pois quem ganha bem é quem tem um excelente currículo e uma boa formação acadêmica, pensava este jovem. Casar-se e formar família também era complexo, já que não conseguia dirigir a sua própria vida, então não conseguia mirar uma vida de fidelidade a partir de uma única mulher, outro ponto se tornava mais distante ainda: ter filhos e dar-lhes uma educação moral e cristã.

Situações que resultavam numa conclusão: sem perspectiva profissional e sem perspectiva de ser bom esposo e bom pai. Além desses fatos, tinha jogado fora todas as oportunidades que estiveram em suas mãos, uma delas a carreira profissional de jogador de futebol de salão. O mais complicado para este jovem era achar que não tinha mais jeito de dar a volta por cima, não existia esperança em sair do caos.

Não sei a sua idade, nem quais são as suas perdas. Só sei de uma coisa, em meio a uma situação de desesperança, é hora de tomar cuidado para não perder os valores da a alegria e a esperança.

Há uma música que diz: “reconhece a queda e não desanima, levanta sacode a poeira e dá a volta por cima”. Jovem, é preciso reconhecer a queda, reconhecer a perda, reconhecer-se pequeno e não desanimar. Consciente que para levantar e dá a volta por cima é preciso o auxílio de cima, do alto, do céu. Levante a cabeça, acredite, é possível começar um tempo novo! Levantar-se sem Deus é arriscado e levantar-se com Deus é humildade.

“A alegria do coração é a vida da pessoa, tesouro inesgotável de santidade, a alegria da pessoa prolonga-lhe a vida. Tem compreensão contigo mesmo e consola teu coração; afugenta para longe de ti a tristeza. A tristeza matou a muitos e não traz proveito algum.” (Eclo 30,23-25).

Essa passagem bíblica nos apresenta um valor que deve ser cultivado, a alegria. Jovem, não deixe que nenhuma perda lhe roube a alegria. Somente a perda de Jesus é que deve nos questionar, pois Ele diz “sem mim nada podeis fazer”. Viver a vida sem Jesus, isso sim é perder a esperança de dias melhores.

Jesus é o seu amigo e está junto de você nestes momentos tão difíceis. Jesus é o único que não pode se fazer presente na sua lista de perdas. “Eu vos chamo amigos” (Jo 15, 15). O lindo desafio para este dia é virar a folha e começar a escrever um tempo novo. Coloque no início dessa folha “Jesus é meu amigo” e isso me basta para dar a volta por cima.

Este jovem hoje tem 43 anos de idade, casado há 15 anos e tem três filhos. Este jovem sou eu! Hoje sou “semeador de alegria e esperança” e aprendiz em descobrir valores em meio às perdas, não me canso de repetir: “Com Deus Tem Jeito!”

Cleto Coelho
http://blog.cancaonova.com/temjeito
11/9/2012

Santo Evangelho (Jo 20, 19-31)

2º Domingo da Páscoa – 03/04/2016 – Ano C

Primeira Leitura (At 5, 12-16)
Leitura dos Atos dos Apóstolos:

12Muitos sinais e maravilhas eram realizados entre o povo pelas mãos dos apóstolos. Todos os fiéis se reuniam, com muita união, no Pórtico de Salomão. 13Nenhum dos outros ousava juntar-se a eles, mas o povo estimava-os muito. 14Crescia sempre mais o número dos que aderiam ao Senhor pela fé; era uma multidão de homens e mulheres. 15Chegavam a transportar para as praças os doentes em camas e macas, a fim de que, quando Pedro passasse, pelo menos a sua sombra tocasse alguns deles. 16A multidão vinha até das cidades vizinhas de Jerusalém, trazendo doentes e pessoas atormentadas por maus espíritos. E todos eram curados.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Responsório (Sl 117)

— Dai graças ao Senhor, porque ele é bom! “Eterna é a sua misericórdia!”
— Dai graças ao Senhor, porque ele é bom! “Eterna é a sua misericórdia!”

— A casa de Israel agora o diga:/ “Eterna é a sua misericórdia!’/ A casa de Aarão agora o diga:/ “Eterna é a sua misericórdia!”/ Os que temem o Senhor, agora o digam:/ “Eterna é a sua misericórdia!”

— “A pedra que os pedreiros rejeitaram/ tornou-se agora pedra angular./ Pelo Senhor é que foi feito tudo isso:/ Que maravilhas ele fez a nossos olhos!/ Este é o dia que o Senhor fez para nós,/ Alegremo-nos e nele exultemos!

— Ó Senhor, dai-nos a vossa salvação,/ ó Senhor,/ dai-nos também prosperidade!”/ Bendito seja, / em nome do Senhor,/ aquele que em seus átrios vai entrando!/ Desta casa do Senhor vos bendizemos./ Que o Senhor e nosso Deus nos ilumine!

 

Segunda Leitura (Ap 1,9-11a.12-13.17-19)
Leitura do Livro do Apocalipse de São João:

9Eu, João, vosso irmão e companheiro na tribulação, e também no reino e na perseverança em Jesus, fui levado à ilha de Patmos, por causa da Palavra de Deus e do testemunho que eu dava de Jesus. 10No dia do Senhor, fui arrebatado pelo Espírito e ouvi atrás de mim uma voz forte, como de trombeta, 11aa qual dizia: “O que vais ver, escreve-o num livro”. 12Então voltei-me para ver quem estava falando; e ao voltar-me, vi sete candelabros de ouro. 13No meio dos candelabros havia alguém semelhante a um “filho de homem”, vestido com uma túnica comprida e com uma faixa de ouro em volta do peito. 17Ao vê-lo, caí como morto a seus pés, mas ele colocou sobre mim sua mão direita e disse: “Não tenhas medo. Eu sou o Primeiro e o Último, 18aquele que vive. Estive morto, mas agora estou vivo para sempre. Eu tenho a chave da morte e da região dos mortos. 19Escreve pois o que viste, aquilo que está acontecendo e que vai acontecer depois”.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Anúncio do Evangelho (Jo 20,19-31)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo João.
— Glória a vós, Senhor.

19Ao anoitecer daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas, por medo dos judeus, as portas do lugar onde os discípulos se encontravam, Jesus entrou e, pondo-se no meio deles, disse: “A paz esteja convosco”. 20Depois dessas palavras, mostrou-lhes as mãos e o lado. Então os discípulos se alegraram por verem o Senhor. 21Novamente, Jesus disse: “A paz esteja convosco. Como o Pai me enviou, também eu vos envio”. 22E, depois de ter dito isso, soprou sobre eles e disse: “Recebei o Espírito Santo. 23A quem perdoardes os pecados, eles lhes serão perdoados; a quem os não perdoardes, eles lhes serão retidos”. 24Tomé, chamado Dídimo, que era um dos doze, não estava com eles quando Jesus veio. 25Os outros discípulos contaram-lhe depois: “Vimos o Senhor!” Mas Tomé disse-lhes: “Se eu não vir a marca dos pregos em suas mãos, se eu não puser o dedo nas marcas dos pregos e não puser a mão no seu lado, não acreditarei”. 26Oito dias depois, encontravam-se os discípulos novamente reunidos em casa, e Tomé estava com eles. Estando fechadas as portas, Jesus entrou, pôs-se no meio deles e disse: “A paz esteja convosco”. 27Depois disse a Tomé: “Põe o teu dedo aqui e olha as minhas mãos. Estende a tua mão e coloca-a no meu lado. E não sejas incrédulo, mas fiel”. 28Tomé respondeu: “Meu Senhor e meu Deus!” 29Jesus lhe disse: “Acreditaste, porque me viste? Bem-aventurados os que creram sem terem visto!” 30Jesus realizou muitos outros sinais diante dos discípulos, que não estão escritos neste livro. 31Mas estes foram escritos para que acrediteis que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais a vida em seu nome.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

 

A IGREJA CATÓLICA CELEBRA E VENERA HOJE
São Ricardo, santificou nos mosteiros

Com alegria contemplamos a vida de santidade do nosso irmão da fé São Ricardo, que hoje brilha no Céu como intercessor de todos os irmãos que peregrinam na Igreja terrestre.

Nascido em 1197, era pobre, teve dificuldade de estudar e perdeu muito cedo seus pais. No seu tempo, Ricardo começou a ver a ignorância e superstição; ambição dos nobres; luxo do clero; regalismo do trono e decadência da vida monástica. Diante de sua realidade, não se entregou a murmurações e desânimos, mas como professor e reitor da Universidade de Oxford decidiu-se pela santidade, a fim de ser instrumento de renovação da Igreja na Inglaterra.

Unido aos frades franciscanos e dominicanos, Ricardo fez de tudo, – como leigo, sacerdote e bispo ordenado pelo Papa – para reverter a resistência do rei que não queria a sua ordenação e, de toda situação triste que acabava atingindo duramente o povo.

São Ricardo, até entrar na Casa do Pai com 56 anos, por dois anos coordenou sua diocese clandestinamente, visitando pobres, doentes e fazendo de tudo para evangelizar e ajudar na santificação dos mosteiros, clero e nobres ingleses, isto principalmente depois que o rei se dobrou sob ameaça de excomunhão do Papa.

São Ricardo, rogai por nós!

II Domingo da Páscoa – Ano C

Por Mons. Inácio José Schuster

Evangelho segundo São João 20, 19-31
Ao anoitecer daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas as portas do lugar onde os discípulos se encontravam, com medo das autoridades judaicas, veio Jesus, pôs-se no meio deles e disse-lhes: «A paz esteja convosco!» Dito isto, mostrou-lhes as mãos e o peito. Os discípulos encheram-se de alegria por verem o Senhor. E Ele voltou a dizer-lhes: «A paz seja convosco! Assim como o Pai me enviou, também Eu vos envio a vós.» Em seguida, soprou sobre eles e disse-lhes: «Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, ficarão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, ficarão retidos.» Tomé, um dos Doze, a quem chamavam o Gémeo, não estava com eles quando Jesus veio. Diziam-lhe os outros discípulos: «Vimos o Senhor!» Mas ele respondeu-lhes: «Se eu não vir o sinal dos pregos nas suas mãos e não meter o meu dedo nesse sinal dos pregos e a minha mão no seu peito, não acredito.» Oito dias depois, estavam os discípulos outra vez dentro de casa e Tomé com eles. Estando as portas fechadas, Jesus veio, pôs-se no meio deles e disse: «A paz seja convosco!» Depois, disse a Tomé: «Olha as minhas mãos: chega cá o teu dedo! Estende a tua mão e põe-na no meu peito. E não sejas incrédulo, mas fiel.» Tomé respondeu-lhe: «Meu Senhor e meu Deus!» Disse-lhe Jesus: «Porque me viste, acreditaste. Felizes os que crêem sem terem visto». Muitos outros sinais miraculosos realizou ainda Jesus, na presença dos seus discípulos, que não estão escritos neste livro. Estes, porém, foram escritos para acreditardes que Jesus é o Messias, o Filho de Deus, e, acreditando, terdes a vida nele.

Neste segundo domingo na oitava da Páscoa, o evangelista João – fiel a uma tradição anterior a ele – carregou e condensou no apóstolo Tomé a dúvida apostólica. Assim sendo, prestou-nos um grande favor, porque nos diz que os apóstolos, embora simples, não eram pessoas crédulas. Não foi a fé na ressurreição fruto de uma exaltação religiosa, ou fruto de uma alucinação psicológica; sofreram e tiveram que se render diante das evidências, afirmando que o seu Senhor, miseravelmente pregado numa cruz e morto, estava mais vivo do que nunca. Jesus ressuscitado, diz-nos o texto, sopra sobre eles numa ação simbólica, comunicando-lhes o Seu Espírito Santo. Doravante, cheios do Espírito do Ressuscitado, poderão perdoar todos os pecados, porque em Cristo – vencedor do pecado e da morte – Deus resolve dar uma grande absolvição a cada um sem nenhuma exceção, por maiores que possam ser os pecados. Nesta primeira aparição – de acordo com o texto – não estava presente o evangelista da dúvida. Ele se rende oito dias depois, num contexto dominical e, sem querer desvendar o mistério com as próprias mãos, pronuncia o ato de fé mais forte de todo o Novo Testamento, diante de Jesus Ressuscitado. O evangelista gostaria que fosse este o ato de fé provindo do nosso coração: “Meu Senhor e meu Deus”. Jesus – antes que o texto evangélico chegue ao seu final – liberta-Se das amarras do próprio texto e, contemplando-nos desde longe, pronuncia à imensa platéia que somos todos nós a bem-aventurança do final deste evangelho: “Bem aventurados aqueles que crêem sem terem visto” – bem aventurados aqueles que crêem sem sondar o mistério com as próprias mãos. Bem aventurados somos todos nós, desde que a nossa fé seja sincera e, ao mesmo tempo, alegre e feliz.

 

«Recebei o Espírito Santo»
Gregório de Narek (c. 944-c. 1010), monge e poeta arménio
Livro das orações, nº 33 (a partir da trad. SC 78, p. 206)

Onipotente, Benfeitor, Amigo dos homens, Deus de todos, Criador dos seres visíveis e invisíveis, Tu que salvas e fortaleces, Tu que curas e pacificas, Espírito poderoso do Pai […], Tu participas no mesmo trono e na mesma glória, e na ação criadora do Pai […]. Por meio de Ti nos foi revelada a trindade das Pessoas, na unidade da natureza da Divindade; e Tu és uma destas Pessoas, Tu, o Incompreensível. […] Moisés Te proclamou Espírito de Deus (Gn 1, 2): a Ti, que planavas sobre as águas, com protecção envolvente, temível e cheia de solicitude; Tu abriste as asas como sinal de auxílio compadecido aos recém-nascidos, revelando-nos assim o mistério da fonte baptismal. […] Tu criaste, ó Omnipotente, enquanto Senhor, todas as naturezas de tudo quanto existe, todos os seres a partir do nada. Por Ti se renovam pela ressurreição todos os seres por Ti criados, nesse momento que é o último dia da vida nesta terra e o primeiro dia da vida na Terra dos Vivos. Aquele que tem a mesma natureza que Tu, Aquele que é consubstancial ao Pai, o Filho Unigénito, obedeceu-Te, na nossa natureza, como a Seu Pai, unindo a Sua vontade à Tua. Ele Te anunciou como Deus verdadeiro, igual e consubstancial a Seu Pai omnipotente […] e calou aqueles que a Ti resistiam, esses que combatiam Deus (cf Mt 12, 28), perdoando embora àqueles que se Lhe opunham. Ele é o Justo e o Imaculado, o Salvador de todos, que foi entregue por causa dos nossos pecados, e que ressuscitou para nossa justificação (Rm 4, 25). A Ele a glória por Ti, e a Ti o louvor pelo Pai omnipotente, pelos séculos dos séculos, Amém.

 

Páscoa: Nova Criação
Padre Pacheco

O segundo domingo pascal, domingo das “vestes brancas”, acentua a nova existência do cristão regenerado pelo batismo (ou pela renovação do compromisso batismal). Na primeira leitura, início de uma série de leituras de At, esta novidade se manifesta na atuação da primeira comunidade cristã, suscitando admiração por causa de sua união e dos sinais que o acompanham. O novo povo de Deus cresce ligeiro. Com razão, o salmo responsorial comenta: a pedra rejeitada tornou-se a pedra angular. A segunda leitura é a visão inicial do Apocalipse. No “primeiro dia da semana”, dia da ressurreição e da assembléia cristã, ele vê o Cristo glorioso, o “primeiro e o último”, o “vivo que foi morto” e que “tem as chaves da morte”, ou seja, tem a morte em seu poder. É a aparição do Cristo como Senhor do Universo. Os tempos são nele resumidos e recapitulados. No fim do livro, ele se manifesta como o renovador do Universo. A novidade da situação pascal aparece também no legado que o ressuscitado deixa para a sua Igreja: a paz, como dom e como missão. A paz é dom escatológico por excelência, a renovação da harmonia com Deus, o perdão (evangelho). Esta nova realidade vem no Espírito, o Espírito do batismo, o Espírito de Cristo. Não é fruto do mero esforço, nosso. É um do dado a todos os verdadeiros fieis, os que se confiam a Cristo e em Cristo se tornam homens novos; os que não são determinados por critérios biológicos e sociológicos, mas “nasceram de Deus”. De modo especial, a liturgia de hoje se dirige aos recém-nascidos filhos de Deus. A esta novidade podemos dedicar uma consideração comunitária e histórica, como é sugerido especialmente pelas duas primeiras leituras. A comunidade cristã aparece, no mundo, como um mundo novo, escatológico. As pessoas aderem a ela para “serem salvas”. No Apocalipse, Cristo aparece como o Senhor da História. Este Senhor da História foi morto. Sua morte aconteceu por causa de sua total solidariedade com a história humana, na qual ele se integrou, numa práxis autêntica, conscientizadora e libertadora, procurando restituir ao homem seu Deus, e a Deus, sua Lei e seu povo. Sua prática em prol da vida o levou ao testemunho radical da morte. Ora, se este Senhor, que por nós e conosco enfrentou a rejeição e finalmente a morte, agora vive, então, a História, que ele assumiu, vive com ele. No Cristo pascal revive a História humana para uma vida nova, totalmente diferente, vencedora do antigo pecado, que em Cristo foi crucificado. Uma História que já pertence à não-História, ao fim dos tempos. Pois, “ele”é o primeiro dos homens, realizando a vocação original da humanidade, ou seja, a completa filiação divina; mas nisso ele é também o último, a plenitude. Essa novidade da História humana deve transparecer na comunidade dos renovados pelo batismo. A renovação pascal não é apenas uma revigoração interior, nem apenas um retomar de algumas boas práticas e um provisório discernir de alguns vícios. Temos de compor uma peça nova, tendo uma estrutura nova. E, mesmo se esta for a melhor, o fato de ser nova e melhor que a anterior será um sinal de escolhemos o lado daquele em quem nossa história antiga morreu, para ressuscitar na força de Deus.

 

Reze pelos sacerdotes e jamais lhe faltará Jesus Eucarístico
Padre José Augusto

Jesus está dizendo no Evangelho de hoje: “Disse-lhes outra vez: A paz esteja convosco! Como o Pai me enviou, assim também eu vos envio a vós. Depois dessas palavras, soprou sobre eles dizendo-lhes: Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos” (Evangelho de João 20, 21-23). Muitos se confessaram nesses dias. Alguém de vocês tiveram os pecados retidos pelos padres aqui? Não! Eles disseram a vocês: ‘Eu te absolvo em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo’. Então os pecados de vocês estão perdoados. Eu quero que vocês, cada vez mais olhem para nós, sacerdotes, e confiem no ministério que Deus deu a todos nós. Vocês não podem olhar para os ministros do Altíssimo com olhar de desprezo e desconfiança. Se eles estão aqui, é porque o Senhor dos Senhores os enviou, e se o Altíssimo os enviou, nós devemos acolhê-los. E nós sacerdotes só precisamos de uma coisa: que vocês rezem por nós, porque nós é que vamos dar Jesus para vocês. Eu não sei qual é a concepção que vocês estão tendo dos padres ultimamente, mas quero dizer a vocês que nós também recebemos a graça da misericórdia, porque nós também somos pecadores, por isso nós [sacerdotes] estamos aqui e viemos também receber a graça da misericórdia. Rezem pela nossa perseverança e jamais irá faltar Jesus na vida de vocês. Isso sem falar dos outros sacramentos, mas falo agora do Sacramento da Eucaristia, porque o mundo só não entrou ainda no caos, porque ainda existe a Santa Missa e ela só acontece por causa dos ministros de nosso Senhor Jesus Cristo. Então, amem muito o sacerdote da paróquia de vocês, porque o inferno está furioso e o demônio está com raiva da Igreja Católica, mas eu estou tranqüilo porque ele jamais vai ser o vencedor. Outra coisa, diante de qualquer acontecimento fiquem em paz, porque nada pode levar vocês ao desespero. Jesus Cristo está vivo e ressuscitou de verdade, e hoje Ele os atraiu aqui e por isso estamos unidos na festa da Divina Misericórdia, aconteça o que acontecer diga: “Jesus eu confio em Vós.” “Nós sacerdotes viemos para também receber a Misericórdia de Deus” Diante das calamidades que acontecerem daqui pra frente, o fruto do dia de hoje é dizer: “Jesus eu confio em Vós”. Coloque tudo na Misericórdia do Senhor, porque Ele tem cuidado de vocês, porque Deus não esquece nenhum de seus filhos. Por isso Ele chamou os maiores pecadores para estar perto d’Ele. Hoje o Senhor trouxe cada um para dizer que perdoa os nossos pecados. É preciso apenas que você busque o sacerdote e se confesse. O Senhor que derrama a sua misericórdia também quer hoje derramar o seu Espírito Santo sobre nós. Só o Espírito Santo pode dar a certeza de todas as coisas e a paz no nosso coração. Diga comigo: ‘Ó vinde Espírito Criador, as nossas almas visitai e enchei os nossos corações com Vossos dons celestiais. Vós sois chamado o Intercessor, do Deus excelso o dom sem par, a fonte viva, o fogo, o amor, a unção divina e salutar. Sois doador dos sete dons, e Sois poder na Mão do Pai, por Ele prometido a nós, por nós Seus feitos proclamai. A nossa mente iluminai, os corações enchei de amor, nossa fraqueza encorajai, qual força eterna e protetor. Nosso inimigo repeli, e concedei-nos Vossa paz, se pela graça nos guiais, o mal deixamos para trás. Ao Pai e ao Filho Salvador, por Vós possamos conhecer, que procedeis do Seu amor, fazei-nos sempre firmes crer’ (oração: Veni Creator).

 

A página evangélica deste domingo convida-nos a viver com os apóstolos a primeira semana – trabalho e festa – vivida com a novidade trazida pela ressurreição de Jesus. É a primeira semana de uma nova existência. A ressurreição de Jesus nada mudou no ritmo normal da semana, nem transtornou o trabalho nem o repouso. A Páscoa do Senhor faz que tudo se viva de uma maneira nova. No meio da normalidade da vida, os discípulos disseram: “Vimos o Senhor”, porque tinham feito essa experiência e deixaram-se tocar por Ele, pelo dom do seu Espírito e da sua paz. A narração evangélica somente nos fala de dois domingos, do primeiro e do segundo. Durante a semana, além do encontro com Tomé, nada se escreve sobre algo que tenha sido importante. Neste encontro, encontramos de forma explícita uma maneira de viver e de transmitir a fé em Jesus Ressuscitado. Viver, conviver, partilhar a vida normal na família, no trabalho, etc; momentos, onde não há nenhuma transcendência aparente. Os discípulos estão reunidos no mesmo lugar. É uma maneira de dizer que são uma comunidade eclesial. O “domingo” – as duas aparições acontecem no domingo – também nos fala de Igreja: é o dia em que nos reunimos para fazer o mesmo: celebrar o Ressuscitado que está no meio de nós. O primeiro dos dois domingos tem uma característica que não tem o segundo: estão fechados com medo dos judeus (esta expressão não tem sentido étnico; refere-se aos dirigentes religiosos do povo). Razões para tal não lhes faltavam. O evangelista João já nos tinha narrado que os seguidores de Jesus tinham “medo dos judeus”, por exemplo, na cura do cego de nascença. Eram tempos difíceis. Mas tanto naquela ocasião como nesta, ter visto o Senhor faz mudar as coisas: o cego, quando O viu perdeu o medo; com os discípulos fechados passa-se o mesmo: no segundo domingo, não se fala de medo. O medo e a fé são, pois, opostos. Como é oportuno fazer um exame de consciência sobre o estado de saúde da fé da Igreja atual! Haverá sintomas de medo e de isolamento? Estaremos, talvez, a viver tempos difíceis que originam tantos obstáculos à nossa confissão de fé em Jesus Cristo! Além do exame de consciência coletivo, que bom seria fazer um exame de consciência pessoal: hoje, como professo a fé na minha vida? Ver o Senhor, anima-nos? Apesar dos discípulos estarem fechados, o Ressuscitado visita-os, toma a iniciativa e aparece no meio deles. É a partir daqui que devemos fazer a nossa reflexão pessoal e comunitária: a Igreja só será construída com o ânimo de Jesus. “Assim como o Pai Me enviou”. O discípulo é convidado a deixar-se modelar por Jesus, da mesma forma que ele se deixou modelar pelo Pai. O que define o discípulo de Jesus é a missão, ser “enviado”. Os seus discípulos e a Igreja serão definidos pela missão que Jesus lhes dá. A missão evangelizadora e o próprio Evangelho têm sentido com a bem – aventurança que o Ressuscitado proclama: “Felizes os que acreditam sem terem visto”. A finalidade da evangelização é fazer “felizes” os que não conhecem Jesus, conhecendo-O; que sejam “felizes” na fé. Neste encontro alegre dos discípulos com o Senhor, tanto no primeiro como no segundo, ocupa um lugar de destaque o mostrar as mãos e o lado, onde estão as marcas da morte na cruz. O Ressuscitado é o próprio Crucificado. A eucaristia é celebrar isto mesmo. Não celebramos uma coisa qualquer, sobretudo não nos celebramos a nós próprios; o que celebramos é a Páscoa do Senhor, porque deste acontecimento vem a fé que nos liberta. Estamos na Páscoa. Oito dias depois, a celebração eucarística deve ser solene, a igreja ornada de flores, a água benta pronta para o rito da aspersão (que substitui o ato penitencial). O rito da aspersão dá às nossas celebrações um “tom” pascal. Para preparar a homilia, o mais importante é contemplar a Palavra de Deus e depois contemplar a vida da comunidade e das pessoas que a formam. Só depois deste duplo exercício, é que poderemos atualizar a Palavra de Deus que nos é proposta nas leituras deste domingo.

Os corruptos matam, a única saída é o arrependimento

– o Papa em Santa Marta

Os corruptos matam e a única saída possível é o arrependimento – esta a mensagem fundamental da homilia do Papa Francisco na Missa em Santa Marta na manhã desta terça-feira. Partindo da Leitura do Livro dos Reis o Santo Padre anota o que diz o profeta Elias sobre o rei Acab dizendo que ele vendeu-se. É como se torna-se numa mercadoria – afirmou o Papa Francisco:

“Esta é a definição: é uma mercadoria!… Ontem vimos que haviam três tipos: o corrupto político, o corrupto negociante e o corrupto eclesiástico. Os três faziam mal aos inocentes, aos pobres, porque são os pobres que pagam as festa dos corruptos!”

“O corrupto vende-se para fazer o mal, julgando que apenas o faz para ter mais dinheiro”. “O corrupto é um escândalo para a sociedade, é um escândalo para o povo de Deus” – com estas frases fortes e duras o Papa Francisco apresentou três aspetos que definem o corrupto:

“A primeira coisa na definição de corrupto é que é alguém que rouba, alguém que mata. A segunda coisa: o que acontece aos corruptos? …porque exploraram os inocentes, aqueles que não podem defender-se e fizeram-no com luvas brancas, à distância, sem sujarem as mãos. A terceira coisa: há uma saída para os corruptos? Sim! ‘Quando ouviu tais palavras, Acab rasgou as suas vestes e vestiu um saco sobre o seu corpo e jejuou’… Começou a fazer penitência.”

Na conclusão da sua homilia o Papa Francisco evidenciou que a única saída para um corrupto é pedir perdão, tal como fez Zaqueu, restituindo quatro vezes daquilo que roubou. O Papa Francisco disse ainda que quando lemos nos jornais que esta ou aquela pessoa é corrupta mesmo até quando são prelados da Igreja, devemos rezar por eles e pedir ao Senhor para que se arrependam e se convertam “e que não morram com o coração corrupto”. (RS)

Deus repreende-nos com uma carícia

O Papa Francisco na missa desta terça-feira convidou a confiarmos nas mãos de Deus

Confiemos em Deus como uma criança confia nas mãos do seu pai. Esta a mensagem principal da homilia de Papa Francisco na missa desta terça-feira na Casa de Santa Marta. O Santo Padre desenvolveu a sua meditação partindo da Primeira Leitura retirada do Livro da Sabedoria: “ A inveja do diabo” – disse o Papa – “fez com que se iniciasse este caminho que acaba com a morte”. Mas, nós estamos nas mãos de Deus desde o início:
“Todos devemos passar pela morte, mas uma coisa é passar por esta experiência com uma pertença ao diabo e uma outra coisa é passar por esta experiência na mão de Deus. E eu gosto de ouvir isto: Estamos nas mãos de Deus desde o início. A bíblia explica-nos a Criação usando uma imagem bela: Deus que, com as suas mãos, nos faz da lama, da terra, à sua imagem e semelhança. Foram as mãos de Deus que nos criaram: o Deus artesão! Como um artesão fez-nos. Estas mãos do Senhor… As mãos de Deus, que não nos abandonaram.”
“O nosso Pai, como um Pai ao próprio filho, ensina-nos a caminhar. Ensina-nos a ir pelo caminho da vida e da salvação. São as mãos de Deus que nos acariciam nos momentos de dor, confortam-nos. É o nosso Pai que nos acaricia! Gosta tanto de nós. E também nestas caricias tantas vezes está o perdão. Faz-me bem pensar nisto. Jesus, Deus, trouxe consigo as suas chagas: mostra-as ao Pai. Este é o preço: as mãos de Deus são mãos chagadas por amor! E isto consola-nos tanto.”
As mãos de Deus curam os males. Nas mãos de Deus – disse o Papa Francisco – estamos em máxima segurança:“Pensemos nas mãos de Jesus quando tocava os doentes e os curava… São as mãos de Deus: curam-nos! Eu não imagino Deus a dar-nos uma bofetada! Não imagino. A repreender-nos sim imagino. Mas não nos fere! Fá-lo com uma carícia.Mesmo quando nos tem que repreender fá-lo com uma carícia, porque é Pai. São mãos chagadas que nos acompanham no caminho da vida. Confiemo-nos nas mãos de Deus, como uma criança confia na mão do seu papá. É uma mão segura aquela.”

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