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Fazemos o bem ou o mal aos outros?, pergunta o Papa Francisco

Por Álvaro de Juana
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Papa abençoa Cruz de São Damião e imagem de Nossa Senhora de Loreto, que serão levadas ao Panamá (Vatican Media)

Vaticano, 12 Ago. 18 / 09:05 am (ACI).- O Papa Francisco abençoou os 70 mil jovens presentes na Praça de São Pedro por ocasião da iniciativa “Por mil estradas rumo a Roma” e os incentivou a “renunciar ao mal”, dando-lhes uma série de recomendações.

Depois que o presidente da Conferência Episcopal Italiana, Cardeal Gualtiero Bassetti, presidiu a Missa, Francisco foi à Praça e a percorreu, sandando os jovens presentes. Em seguida, deu-lhes um mandato missionário e abençoou os objetos que os jovens levarão à Jornada Mundial da Juventude (JMJ) do Panamá, entre os dias 22 e 27 de janeiro de 2019: o Crucifixo de São Damião e uma estátua da Virgem de Loreto.

Antes de rezar o Ângelus, Francisco afirmou que, “para não entristecer o Espírito Santo, é necessário viver de uma maneira coerente com as promessas do Batismo, renovadas na Crisma”, as quais “têm dois aspectos: renúncia do mal e adesão ao bem”.

“Renunciar ao mal significa dizer ‘não’ às tentações, ao pecado, a satanás. Mais concretamente, significa dizer “não” a uma cultura da morte, que se manifesta na fuga do real para uma falsa felicidade que se expressa nas mentiras, na fraude, na injustiça, no desprezo do outro”.

Além disso, o Bispo de Roma disseque “a vida nova que nos é dada no Batismo, e que tem como fonte o Espírito, rejeita um comportamento dominado por sentimentos de divisão e discórdia”.

Alertou contra a ira, o desprezo e a maledicência, “elementos ou vícios que perturbam a alegria do Espírito, envenenam o coração e levam a praguejar contra Deus e o próximo”.

Entretanto, assinalou que “não basta não fazer o mal para ser um bom cristão; é necessário aderir ao bem e fazer o bem”.

“Quantas pessoas não fazem o mal, mas nem mesmo o bem, e sua vida acaba na indiferença, a apatia, na tibiez. Essa atitude é contrária ao Evangelho, e também é contrária ao caráter de vocês jovens, que por natureza são dinâmicos, apaixonados e corajosos”.

O Pontífice os exortou “a serem protagonistas no bem” e a não se sentirem bem “quando vocês não fazem o mal”, porque “cada um é culpado pelo bem que poderia ter feito e não fez”.

“Não basta não odiar, é preciso perdoar; não basta não ter rancor, devemos orar pelos inimigos; não basta não ser causa de divisão, é preciso levar a paz onde ela não existe; não basta não falar mal dos outros, é preciso interromper quando ouvimos falando mal de alguém”.

“Se não nos opomos ao mal, nós o alimentamos calando. É necessário intervir onde o mal se espalha; porque o mal se espalha onde não há cristãos ousados ​​que se opõem com o bem”.

Se existe o mal, existe Deus?

O mal não existiria se não existisse o bem

«Os Salmos podiam afirmar que o Senhor “chovia” ou “trovejava”, que era Ele quem causava a guerra e mandava a peste. O Novo Testamento podia supor que determinada enfermidade era causada pelo demônio. Hoje, porém, isso não é mais possível. Mesmo que o quiséssemos, não poderíamos ignorar que a chuva e o trovão têm causas atmosféricas bem definidas; que a doença obedece a vírus, bactérias ou disfunções orgânicas; e que as guerras nascem do egoísmo humano. Ao falarmos de fenômenos acontecidos no mundo, impôs-se a evidência de que a “hipótese Deus” é supérflua como explicação. Mais ainda, é ilegítima e obstinar-se nela acaba, fatalmente, prejudicando a credibilidade da fé»

É com estas e outras considerações que Andrés Torres Queiruga procura explicar a ação de Deus no mundo em dois de seus livros: “Um Deus para hoje” e “Repensar o mal”. Dada a importância do assunto, permito-me aprofundá-lo em quatro artigos, deixando-me conduzir, nos três primeiros, pelo teólogo espanhol e, no último, por Bento XVI, que ratificará – ou retificará – o pensamento do padre Andrés.

Queiruga começa com um questionamento: «O problema mais sutil – e, por isso mesmo, a tarefa mais difícil – aparece pelas posições de meio-termo, em que ou se aceitam os princípios, mas não se tiram as consequências ou se admitem alguns elementos, mas se resiste a aceitar outros que, no entanto, são solidários. Assim, não se pensa mais que Deus “chova”, mas, em alguns lugares ou ocasiões, as pessoas fazem preces para pedir chuva; não se crê mais que Deus mande a guerra, mas celebram Missas por suas campanhas; reconhecem os gêneros literários na Bíblia, mas continuam tomando à letra o sacrifício de Isaac. A intenção pode ser boa, mas os danos acabam sendo muito graves».

A raiz do problema foi sintetizada no que se costuma denominar “O dilema de Epicuro”. Nele, o filósofo grego nega a existência de Deus a partir da presença do mal na história humana: «Ou Deus quer tirar o mal do mundo, mas não pode; ou pode, mas não quer; ou não pode nem quer; ou pode e quer. Se quer, mas não pode, é impotente; se pode, mas não quer, é mau; se não quer nem pode, é fraco e perverso; se pode e quer, então, por que não o elimina?».

Queiruga comenta o dilema com estas palavras: «Em vista dos grandes males que afligem o mundo, um Deus que, podendo, não os elimina, acaba, por força, aparecendo como ser mesquinho e insensível, indiferente e até mesmo cruel. Por que, quem, se pudesse, não eliminaria – sem pergunta prévia de qualquer tipo – a fome, as pestes e os genocídios que assolam o mundo?

Seremos nós melhores que Deus? Como disse Jürgen Moltmann, diante da recordação de Verdun, Stalingrado, Auschwitz ou Hiroxima, um Deus que permite tão escandalosos crimes, fazendo-se cúmplice dos homens, dificilmente se pode chamar Deus».

Para Santo Tomás de Aquino, porém, o que o argumento de Epicuro prova é a existência de Deus: «Se existe o mal, existe Deus. O mal não existiria se não existisse o bem, do qual é privação. E o bem não existiria se Deus não existisse». Outro teólogo para quem o sofrimento não impede a crença em Deus é o mártir evangélico Dietrich Bonhoeffer, morto num campo de concentração nazista em 1945. Para ele, a vida brota do amor – o qual, por se identificar com a busca do bem, exige uma constante conversão. Contudo, de acordo com o padre Andrés, tais conceitos precisam ser bem entendidos: «Bonhoeffer encontrou a melhor resposta para o nosso tempo: “Só o Deus sofredor pode salvar-nos”. Mas essa afirmação só é válida se se situa dentro do paradigma de um Deus não intervencionista e delicadamente respeitoso da autonomia do mundo. Enquanto se mantiver, de modo acrítico e talvez inconsciente, o velho pressuposto de uma onipotência abstrata e definitivamente arbitrária, no sentido de que Deus poderia, se quisesse, eliminar os males do mundo, converte-se a resposta em pura retórica, que, a longo prazo, mina pela raiz a possibilidade de crer. De nada serve a própria proclamação de que Deus sofre com nossos males, se, antes, pôde tê-los evitado, pois, nesse caso, chegariam tarde demais sua compaixão e sua dor. Pode até provocar o riso, como se diz do espanhol rico e piedoso que construiu um hospital para os pobres, depois de tê-los empobrecido!».

Dom Redovino Rizzardo, cs

O Pecado contra o Espírito Santo

http://www.universocatolico.com.br/index.php?/o-pecado-contra-o-espirito-santo.html

Alguém poderá duvidar da misericórdia de Deus? Claro que não.
Numa demonstração inefável de amor aos homens, Deus enviou seu Filho único para que, através d’Ele, o perdão ficasse disponível a todos. A salvação de Jesus Cristo é a maior prova, a mais cabal evidência de que “Deus é Amor”(1) e que jamais despreza o que criou, pois se odiasse alguma coisa, não a teria criado(2). E nós, que fomos criados à “imagem e semelhança”(3) do Deus que é Amor, somos convidados também a amar, de forma incondicional, e se assim não fazemos, nos frustramos, pois não exercemos o motivo de nossa existência. “Vocês ouviram o que foi dito: ‘Ame o seu próximo, e odeie o seu inimigo!’ Eu, porém, lhes digo: amem os seus inimigos, e rezem por aqueles que perseguem vocês! Assim vocês se tornarão filhos do Pai que está no céu, porque Ele faz o sol nascer sobre maus e bons, e a chuva cair sobre justos e injustos. Pois, se vocês amam somente aqueles que os amam, que recompensa terão? Os cobradores de impostos não fazem a mesma coisa? E se vocês cumprimentam somente seus irmãos, o que é que vocês fazem de extraordinário? Os pagãos não fazem a mesma coisa? Portanto, sejam perfeitos como é perfeito o Pai de vocês que está no céu”(4). São palavras como estas que fez de Jesus a maior personalidade de todos os tempos: mostrou aos homens que Deus ama a todos independentemente de qualquer coisa; e nós, espelho desse Amor, devemos procurar refleti-lo nitidamente, pois para isso fomos feitos. Contudo, uma curiosa passagem do Evangelho chama a atenção de quem conhece o Deus que é Amor Incondicional. Trata-se da fortíssima palavra de Jesus que é documentada por Mateus(5), Marcos(6) e Lucas(7): “Aos filhos dos homens serão perdoados todos os pecados e todas as blasfêmias que proferirem; todavia, quem blasfemar contra o Espírito Santo, jamais terá perdão, mas será réu de pecado eterno”. Duas perguntas nos surgem imediatamente: “Que pecado tão grave é este que não merece o perdão de Deus?” e “Deus, que é Amor, por causa deste pecado, esqueceria desse Amor para condenar eternamente o blasfemador do Espírito Santo?” Analisemos as questões.

a) que pecado é esse? Antes de sua volta para o Pai, Jesus prometeu um novo Consolador, um Advogado. Trata-se do Espírito Santo que viria para apanhar aquilo que é de Jesus e interpretar para os seus discípulos(8), para assim convencer o mundo “quanto ao pecado, quanto à justiça e quanto ao juízo”(9). Diante disso, nos ensina o Santo Padre João Paulo II que “a blasfêmia (contra o Espírito Santo) não consiste propriamente em ofender o Espírito Santo com palavras; consiste, antes, na recusa de aceitar a salvação que Deus oferece ao homem, mediante o mesmo Espírito Santo agindo em virtude do sacrifício da cruz. Se o homem rejeita o deixar-se ‘convencer quanto ao pecado’, que provém do Espírito Santo e tem caráter salvífico, ele rejeita ao mesmo tempo a ‘vinda’ do Consolador: aquela ‘vinda’ que se efetuou no mistério da Páscoa, em união com o poder redentor do sangue de Cristo que ‘purifica a consciência das obras mortas’. Sabemos que o fruto desta purificação é a remissão dos pecados. Por conseguinte, quem rejeita o Espírito Santo e o sangue, permanece nas ‘obras mortas’, no pecado. E a ‘blasfêmia contra o Espírito Santo’ consiste exatamente na recusa radical de aceitar esta remissão, de que ele é dispensador íntimo e que pressupõe a conversão verdadeira, por ele operada na consciência (…) Ora, a blasfêmia contra o Espírito Santo é o pecado cometido pelo homem, que reivindica seu pretenso ‘direito’ de perseverar no mal – em qualquer pecado – e recusa por isso mesmo a Redenção. O homem fica fechado no seu pecado, tornando impossível da sua parte a própria conversão e também, conseqüentemente, a remissão dos pecados, que considera não essencial ou não importante para a sua vida”(10). Como Deus poderá perdoar alguém que não quer ser perdoado? Para que o nosso entendimento ficasse mais claro acerca deste terrível pecado, o Papa São Pio X, que governou a Igreja de 1903 a 1914, no seu Catecismo Maior, ensinou que seis são os pecados contra o Espírito Santo:
1º – Desesperação da salvação, ou seja, quando a pessoa perde as esperanças na salvação de Deus, achando que sua vida já está perdida. Julga, assim, que a misericórdia de Deus é mesquinha e por isso não se preocupa em orientar sua vida para o bem. Perdeu as esperanças em Deus.
2º – Presunção de salvação sem merecimento, ou seja, a pessoa cultiva em sua alma uma vaidade egoísta, achando-se já salva, quando na verdade nada fez para que merecesse a salvação. Isso cria uma fácil acomodação a ponto da pessoa não se mover em nenhum aspecto para que melhore. Se já está salva para que melhorar? – pode perguntar-se. Assim, a pessoa torna-se seu próprio juiz, abandonando o Juízo Absoluto que pertence somente a Deus.
3º – Negar a verdade conhecida como tal, ou seja, quando a pessoa percebe que está errada, mas por uma questão meramente orgulhosa, não aceita: prefere persistir no erro, do que reconhecer-se errada. Nega-se assim a Verdade que é o próprio Deus.
4º – Inveja da graça que Deus dá a outrem, ou seja, a inveja é um sentimento que consiste primeiramente em entristecer-se porque o outro conseguiu algo de bom, independentemente se eu já possua aquilo ou não. É o não querer que a pessoa fique bem. Ora, se eu me invejo da graça que Deus dá alguém, estou dizendo que aquela pessoa não merece tal graça, me tornando assim o regulador do mundo, inclusive de Deus, determinando a quem deve ser dada tal ou tal coisa.
5º – Obstinação no pecado, ou seja, é a teimosia, a firmeza, a relutância de permanecer no erro por qualquer motivo. Como o Papa João Paulo II disse, é quando o homem “reivindica seu pretenso ‘direito’ de perseverar no mal – em qualquer pecado – e recusa por isso mesmo a Redenção”.
6º – Impenitência final, ou seja, é o resultado de toda uma vida que rejeita a ação de Deus: persiste no erro até o final e recusa arrepender-se e penitenciar-se.

b) por causa disso Deus abandona seu amor para condenar a criatura? Deus não condena ninguém. Ao contrário, “Deus não quer que ninguém se perca, mas que todos cheguem a se converter”(11). No entanto, Deus não criou os seres humanos como irracionais, mas os criou à sua ‘imagem e semelhança”, que quer dizer: nos deu inteligência, para separar o bem do mal; liberdade, para escolher o bem ou o mal; e vontade, para vivenciar o bem ou o mal. A escolha é nossa, é de cada um. Assim, vivemos a nossa vida direcionados pelos três pilares da imagem e semelhança de Deus: inteligência, liberdade e vontade, para que assim decidamos o que queremos trilhar. No fim da vida terrena, a morte confirmará a nossa decisão, dando-nos aquilo que escolhemos. Por isso, a conclusão torna-se óbvia: só está no inferno aqueles que realmente querem estar lá, aqueles que não querem a presença de Deus que ilumina suas imundícies. Por outro lado, Deus, que “não quer que ninguém se perca”, continua a amar sua criatura, mesmo esta preferindo estar longe. Como já disse, o amor de Deus não impõe condições, assim, onde quer que a criatura esteja, Deus a amará sempre, embora respeitando aquilo que a faz ser uma pessoa: sua inteligência, sua liberdade e sua vontade. Em suma: o pecado contra o Espírito Santo consiste na rejeição consciente da graça de Deus; é a recusa da salvação que, conseqüentemente, impede Deus de agir, pois Ele está à porta e bate(12), e a abre quem quiser. A persistência neste pecado, que é contra o Espírito Santo, pois este tem a missão de mostrar a Verdade, levará o pecador para longe de Deus, para onde ele escolheu estar. Apesar disso, o Senhor continuará a amá-lo com o mesmo amor de Pai que tem para com todos, porém respeitando a decisão de seu filho que é inteligente e livre.

(1) cf. 1Jo 4, 8.
(2) cf. Sb 11, 24.
(3) cf. Gn 1, 26.
(4) Mt 5, 43-48.
(5) cf. Mt 12, 31s.
(6) cf. Mc 3, 28-s.
(7) cf. Lc 12, 10.
(8) cf. Jo 16, 14.
(9) Jo 16, 8.
(10) Carta Encíclica Dominum Vivificantem, 46.
(11) 2Pd 3, 9.
(12) cf. Ap 3, 20.

 

PECADOS CONTRA O ESPÍRITO SANTO

Como nos ensina Cristo: “Aquele que pecar contra o Filho do homem será perdoado, mas aquele que blasfemar contra o Espírito Santo será réu da Justiça Divina” (Mc 3, 28-29). O pecado contra o Filho pode ser perdoado, mas o pecado contra o Amor de Deus – o Espírito Santo – não pode ser perdoado, não porque Deus não tenha poder de perdoar, mas porque o pecador não quer pedir perdão de seu pecado.

Os pecados contra o Espírito Santo são seis:

1º – Desesperação da salvação, ou seja, quando a pessoa perde as esperanças na salvação de Deus, achando que sua vida já está perdida. Julga, assim, que a misericórdia de Deus é mesquinha e por isso não se preocupa em orientar sua vida para o bem. Perdeu as esperanças em Deus. Quando a pessoa, como Judas, não pede perdão porque considera que Deus é incapaz de perdoá-lo. E não pedindo perdão, não é perdoado.

2º – Presunção de salvação sem merecimento, ou seja, a pessoa cultiva em sua alma uma vaidade egoísta, achando-se já salva, quando na verdade nada fez para que merecesse a salvação. Isso cria uma fácil acomodação a ponto da pessoa não se mover em nenhum aspecto para que melhore. Se já está salva para que melhorar? – pode perguntar-se. Assim, a pessoa torna-se seu próprio juiz, abandonando o Juízo Absoluto que pertence somente a Deus. Quando a pessoa se julga já salva, e, por isso, se recusa a pedir perdão a Deus.

3º – Negar a verdade conhecida como tal, ou seja, quando a pessoa percebe que está errada, mas por uma questão meramente orgulhosa, não aceita: prefere persistir no erro do que reconhecer-se errada. Nega-se assim a Verdade que é o próprio Deus. Quando o pecador de tal modo se entrega conscientemente à mentira a ponto de acabar acreditando na mentira como verdade, e, por isso, recusa até a evidência da verdade. Era o pecado dos fariseus que viam Cristo fazer milagres, e os negavam, apesar de vê-los. Não havia então modo de convertê-los.

4º – Inveja da graça que Deus dá a outrem, ou seja, a inveja é um sentimento que consiste primeiramente em entristecer-se porque o outro conseguiu algo de bom, independentemente se eu já possua aquilo ou não. É o não querer que a pessoa fique bem. Ora, se eu me invejo da graça que Deus dá alguém, estou dizendo que aquela pessoa não merece tal graça, me tornando assim o regulador do mundo, inclusive de Deus, determinando a quem deve ser dada tal ou tal coisa. Isto é, ter raiva de que Deus, por amor, tenha dado alguma graça a outros, e não a nós. Desse modo se odeia a bondade de Deus, que é o Espírito Santo.

5º – Obstinação no pecado, ou seja, é a teimosia, a firmeza, a relutância de permanecer no erro por qualquer motivo. Como o Papa João Paulo II disse, é quando o homem “reivindica seu pretenso ‘direito’ de perseverar no mal – em qualquer pecado – e recusa por isso mesmo a Redenção”.

6º – Impenitência final, ou seja, é o resultado de toda uma vida que rejeita a ação de Deus: persiste no erro até o final e recusa arrepender-se e penitenciar-se. Quando a pessoa recusa o perdão de Deus na hora da morte, recusando os sacramentos impiamente.

Os pecados contra o Espírito Santo não têm perdão, porque a pessoa não quer pedir perdão por eles, porque nem os considera pecados. Ninguém confessa pecado contra o Espírito Santo. Se uma pessoa vai confessar ter cometido pecado contra o Espírito Santo, é sinal claro que não cometeu esse pecado, porque, se o tivesse cometido, não pediria nunca perdão por ele.

 

Carta Encíclica DOMINUM ET VIVIFICANTEM sobre o Espírito Santo na vida da Igreja e do Mundo
Papa João Paulo II (18/5/1986)  

SEGUNDA PARTE – O ESPÍRITO QUE CONVENCE O MUNDO QUANTO AO PECADO

6. O pecado contra o Espírito Santo

46. Tendo em conta tudo o que temos vindo a dizer até agora, tornam-se mais compreensíveis algumas outras palavras impressionantes e surpreendentes de Jesus. Poderemos designá-las como as palavras do «não-perdão». São-nos referidas pelos Sinópticos, a propósito de um pecado particular, que é chamado «blasfêmia contra o Espírito Santo». Elas foram expressas na tríplice redação dos Evangelistas do seguinte modo: São Mateus: «Todo o pecado e blasfêmia serão perdoados aos homens, mas a blasfêmia contra o Espírito Santo não será perdoada. E àquele que falar contra o Filho do homem, ser-lhe-á perdoado; mas, a quem falar contra o Espírito Santo, não lhe será perdoado, nem neste mundo nem no futuro». 180 São Marcos: «Aos filhos dos homens serão perdoados todos os pecados e todas as blasfêmias que proferirem; todavia, quem blasfemar contra o Espírito Santo, jamais terá perdão, mas será réu de pecado eterno». 181 São Lucas: «E a todo aquele que disser uma palavra contra o Filho do homem, perdoar-se-á; mas a quem tiver blasfemado contra o Espírito Santo, não lhe será perdoado». 182 Porquê a «blasfêmia» contra o Espírito Santo é imperdoável? Em que sentido entender esta «blasfemia»? Santo Tomás de Aquino responde que se trata da um pecado «imperdoável por sua própria natureza, porque exclui aqueles elementos graças aos quais é concedida a remissão dos pecados». 183 Segundo uma tal exegese, a «blasfêmia» não consiste propriamente em ofender o Espírito Santo com palavras; consiste, antes, na recusa de aceitar a salvação que Deus oferece ao homem, mediante o mesmo Espírito Santo agindo em virtude do sacrifício da Cruz. Se o homem rejeita o deixar-se «convencer quanto ao pecado», que provém do Espírito Santo e tem caráter salvífico, ele rejeita contemporaneamente a «vinda» do Consolador: aquela «vinda» que se efetuou no mistério da Páscoa, em união com o poder redentor do Sangue de Cristo: o Sangue que «purifica a consciência das obras mortas». Sabemos que o fruto desta purificação é a remissão dos pecados. Por conseguinte, quem rejeita o Espírito e o Sangue permanece nas «obras mortas», no pecado. E a «blasfêmia contra o Espírito Santo» consiste exatamente na recusa radical de aceitar esta remissão, de que Ele é o dispensador íntimo e que pressupõe a conversão verdadeira, por Ele operada na consciência. Se Jesus diz que o pecado contra o Espírito Santo não pode ser perdoado nem nesta vida nem na futura, é porque esta «não-remissão» está ligada, como à sua causa, à «não-penitência», isto é, à recusa radical a converter-se. Isto equivale a uma recusa radical de ir até às fontes da Redenção; estas, porém, permanecem «sempre» abertas na economia da salvação, na qual se realiza a missão do Espírito Santo. Este tem o poder infinito de haurir destas fontes: «receberá do que é meu», disse Jesus. Deste modo, Ele completa nas almas humanas a obra da Redenção, operada por Cristo, distribuindo os seus frutos. Ora a blasfêmia contra o Espírito Santo é o pecado cometido pelo homem, que reivindica o seu pretenso «direito» de perseverar no mal — em qualquer pecado — e recusa por isso mesmo a Redenção. O homem fica fechado no pecado, tornando impossível da sua parte a própria conversão e também, consequentemente, a remissão dos pecados, que considera não essencial ou não importante para a sua vida. É uma situação de ruína espiritual, porque a blasfêmia contra o Espírito Santo não permite ao homem sair da prisão em que ele próprio se fechou e abrir-se às fontes divinas da purificação das consciências e da remissão dos pecados.

47. A ação do Espírito da verdade, que tende ao salvífico «convencer quanto ao pecado», encontra no homem que esteja em tal situação uma resistência interior, uma espécie de impermeabilidade da consciência, um estado de alma que se diria endurecido em razão de uma escolha livre: é aquilo que a Sagrada Escritura repetidamente designa como «dureza de coração». 184 Na nossa época, a esta atitude da mente e do coração corresponde talvez a perda do sentido do pecado, à qual dedica muitas páginas a Exortação Apostólica Reconciliatio et Paenitentia. 185 Já o Papa Pio XII tinha afirmado que «o pecado do século é a perda do sentido do pecado». 186 E esta perda vai de par com a «perda do sentido de Deus». Na Exortação acima citada, lemos: «Na realidade, Deus é a origem e o fim supremo do homem, e este leva consigo um gérmen divino. Por isso, é a realidade de Deus que desvenda e ilumina o mistério do homem. É inútil, pois, esperar que ganhe consistência um sentido do pecado no que respeita ao homem e aos valores humanos, quando falta o sentido da ofensa cometida contra Deus, isto é, o verdadeiro sentido do pecado». 187 É por isso que a Igreja não cessa de implorar de Deus a graça de que não venha a faltar nunca a retidão nas consciências humanas, que não se embote a sua sensibilidade sã diante do bem e do mal. Esta retidão e esta sensibilidade estão profundamente ligadas à ação íntima do Espírito da verdade. Sob esta luz, adquirem particular eloqüência as exortações do Apóstolo: «Não extingais o Espírito!». «Não contristeis o Espírito Santo!». 188 Mas, sobretudo, a Igreja não cessa de implorar, com todo o fervor, que não aumente no mundo o pecado designado no Evangelho por «blasfêmia contra o Espírito Santo»; e, mais ainda, que ele se desvie da alma dos homens — e como repercussão, dos próprios meios e das diversas expressões da sociedade — deixando espaço para a abertura das consciências, necessária para a ação salvífica do Espírito Santo. A Igreja implora que o perigoso pecado contra o Espírito Santo ceda o lugar a uma santa disponibilidade para aceitar a missão do Consolador, quando Ele vier para «convencer o mundo quanto ao pecado, quanto à justiça e quanto ao juízo».

48. Jesus, no seu discurso de despedida, uniu estes três domínios do «convencer», como componentes da missão do Paráclito: o pecado, a justiça e o juízo. Eles indicam o âmbito do «mistério da piedade», que na história do homem se opõe ao pecado, ao mistério da iniqüidade. 189 Por um lado, como se exprime Santo Agostinho, está o «amor de si mesmo levado até ao desprezo de Deus»; por outro, «o amor de Deus até ao desprezo de si mesmo». 190 A Igreja continuamente eleva a sua oração e presta o seu serviço, para que a história das consciências e a história das sociedades, na grande família humana, não se rebaixem voltando-se para o pólo do pecado, com a rejeição dos mandamentos de Deus «até ao desprezo do mesmo Deus»; mas, pelo contrário, se elevem no sentido do amor em que se revela o Espírito que dá a vida. Aqueles que se deixam «convencer quanto ao pecado» pelo Espírito Santo, deixam-se também convencer quanto «à justiça e quanto ao juízo». O Espírito da verdade que vem em auxílio dos homens e das consciências humanas, para conhecerem a verdade do pecado, ao mesmo tempo faz com que conheçam a verdade da justiça que entrou na história do homem com a vinda de Jesus Cristo. Deste modo, aqueles que, «convencidos quanto ao pecado», se convertem sob a ação do Consolador, são, em certo sentido, conduzidos para fora da órbita do «juízo»: daquele «juízo» com o qual «o Príncipe deste mundo já está julgado». 191 A conversão, na profundidade do seu mistério divino-humano, significa a ruptura de todos os vínculos com os quais o pecado prende o homem, no conjunto do «mistério da iniqüidade». Aqueles que se convertem, portanto, são conduzidos para fora da órbita do «juízo» pelo Espírito Santo», e introduzidos na justiça, que se encontra em Cristo Jesus, e está Nele porque a «recebe do Pai», 192 como um reflexo da santidade trinitária. Esta justiça é a do Evangelho e da Redenção, a justiça do Sermão da Montanha e da Cruz, que opera a «purificação da consciência» mediante o Sangue do Cordeiro. É a justiça que o Pai faz ao Filho e a todos aqueles que Lhe estão unidos na verdade e no amor. Nesta justiça o Espírito Santo, Espírito do Pai e do Filho, que «convence o mundo quanto ao pecado», revela-se e torna-se presente no homem, como Espírito de vida eterna.

180 Mt 12, 31 s.
181 Mc 3, 28 s.
182 Lc 12, 10.
183 S. TOMÁS DE AQUINO, Summa Theol. IIa-IIae, q. 14, a. 3; cf. S. AGOSTINHO, Epist. 185, 11, 48-49: PL 33, 814-815; S. BOAVENTURA, Comment. in Evan. S. Luc: cap. XIV, 15-16: Ad Claras Aquas, VII, 314 s.
184 Cf. Sl 81 [80], 13; Jer 7, 24; Mc 3, 5.
185 JOÃO PAULO II, Exort. Apost. pós-sinodal Reconciliatio et Paenitentia (2 de Dezembro de 1984), n. 18 AAS (1985), PP.224-228.
186 PIO XII, Radiomensagem ao Congresso Catequístico Nacional dos Estados Unidos da América, em Boston (26 de Outubro de 1946): Discorsi e Radiomessaggi, VIII (1946), 288.
187 JOÃO PAULO II, Exort. Apost. pós-sinodal Reconciliatio et paenitentia (2 de Dezembro de 1984), n. 18 AAS 77 (1985), PP. 225 s.
188 1 Tes 5, 19; Ef 4, 30.
189 Cf. JOÃO PAULO II, Exort. Apost. pós-sinodal Reconciliatio et paenitentia (2 de Dezembro de 1984), nn. 14-22: AAS 77 (1985), pp. 211-233. 190 Cf. S. AGOSTINHO, De Civitate Dei, XIV, 28: CCL 48, 451.
191 Cf. Jo 16, 11. 192 Cf. Jo 16, 15.

 

CONDIÇÃO HUMANA
Dom Paulo Mendes Peixoto

A pessoa humana, experimentando seus próprios limites, ora faz opção pelo bem, ora pelo mal. Mas sempre lutando por se sobreviver, tendo como pano de fundo a confirmação de sua existência, estabilidade e realização final. O importante é não ser enganado pelo mal que a cerda e se tornar uma pessoa infeliz.

Na descrição bíblica do paraíso, havia ali a árvore do bem e do mal. Diante dela, o homem e a mulher deveriam fazer sua opção e escolha de vida. Era um ato de obediência ou não, uma escolha que teria grandes consequências. Aí estava em jogo o destino de toda a humanidade e, também, até a perda do paraíso.

Nesse cenário bíblico encontramos inspirações profundas para nossas realizações de hoje. Às vezes descartamos a esperança diante de opções que matam a vida. Podemos até perder o sentido do novo paraíso, a vida em Deus. Isto acontece quando desconhecemos o sentido do sagrado e da dignidade da pessoa humana.

A força do mal leva consigo falsas promessas. É como o poder dominador, que faz parceria com quem age da mesma forma e não dá valor às iniciativas dos outros. Cai por terra a prática da fraternidade e a convivência entre os irmãos. As consequências de tudo isto é o endeusamento do individualismo, fato tão proclamado pela nova cultura.

A condição humana está ligada à liberdade e à capacidade de escolha. Tem como segurança a esperança, que deve sempre ser alimentada e concretizada em Jesus Cristo. Supõe firme convicção de fé na ressurreição e na vida eterna. A morada terrestre, que será destruída, transformar-se-á em uma morada eterna em Deus.

A vida é sempre marcada por um paraíso perdido, passageiro, e pelo mal que nos leva a perdê-lo. Isto é fruto da tendência que todos temos para o mal, para atos de injustiça e por atitudes muitas vezes desumanas. Assim ficamos perdidos na busca do bem e de uma condição humana que nos terna realizados. A dignidade é fonte de humanização e divinização.

Papa denuncia veneno mortal da inveja e único pecado imperdoável

Domingo, 10 de junho de 2018, Da redação

Francisco alerta que ao perceber a semente do mal germinar dentro de si, é preciso agir rápido antes que ela cresça e produza seu efeitos negativos

“O pecado mais grave é negar e blasfemar o Amor de Deus que está presente e atua em Jesus” / Foto: Reprodução VaticanNews

No Angelus deste domingo, 10, o Papa Francisco refletiu sobre o Evangelho de hoje que apresenta dois tipos de incompreensão que Jesus teve que enfrentar: a dos escribas e a dos seus próprios familiares.

O Papa explicou que os escribas eram homens instruídos nas Sagradas Escrituras e encarregados de explicá-las ao povo. Alguns deles foram mandados de Jerusalém para a Galileia, onde a fama de Jesus começava a se difundir, para desacreditá-lo, serem fofoqueiros e destruir a credibilidade de Jesus.

“Esses escribas chegaram até a Galileia com uma acusação terrível, eles iam no centro e diziam: ‘Ele está possuído por Belzebu e expulsa os demônios pelo príncipe dos demônios. Isto queria dizer, mais ou menos, ‘este homem é um endemoniado’. De fato, Jesus curava muitos doentes, mas eles queriam fazer crer que Ele não o fazia com o Espírito de Deus, mas com o com o Espírito do mal”.

Blasfêmia e inveja

Diante desta acusação, Jesus reage com palavras fortes e claras, pois os escribas, talvez sem perceber, estavam caindo no pecado mais grave: negar e blasfemar o Amor de Deus que está presente e atua em Jesus.

“A blasfêmia é o pecado contra o Espírito Santo, é o único pecado imperdoável, assim o diz Jesus, porque parte do fechamento do coração à misericórdia de Deus que age em Jesus”, afirma o Santo Padre.

Francisco explica que este episódio contém uma advertência para todos: “De fato, pode acontecer que uma forte inveja pela bondade, pelas obras boas, de uma pessoa, possa levar à acusá-la falsamente. Aqui está um veneno mortal, a malícia premeditada para destruir a boa fama do outro. Que Deus nos liberte desta terrível tentação”.

O Papa destaca ainda que, se ao examinar a própria consciência percebe-se que esta semente do mal está germinando dentro de si, é preciso ir rápido e confessá-la no sacramento da penitência, antes que ela cresça e produza seu efeitos negativos.

“Fiquem atentos, vocês, porque este comportamento destrói famílias, amizades, comunidades e até mesmo a sociedade”, afirmou.

Nova família

Em seguida, Francisco falou sobre outra incompreensão sofrida por Jesus: a de seus familiares. “Eles estavam preocupados porque a sua nova vida de itinerante lhes parecia uma loucura e ele não tinha nem tempo para comer”.

Quando o procuram para levá-lo de volta a Nazaré, Jesus olha para as pessoas que estavam à sua volta e afirma: “Eis minha mãe e meus irmãos! Aquele que faz a vontade de Deus é irmão, irmã e mãe para mim”.

O Papa explica que Jesus formou uma nova família, não mais baseada em relações naturais, mas na fé Nele, em seu amor que acolhe e une as pessoas no Espírito Santo. “Todos aqueles que acolhem a palavra de Jesus são filhos de Deus e irmãos entre si”, destacou.

“Aquela resposta de Jesus não foi uma falta de respeito por sua mãe e seus parentes; ao contrário. Para Maria, foi o maior reconhecimento, porque precisamente ela é a perfeita discípula que obedeceu totalmente à vontade de Deus”, esclareceu o Santo Padre.

É preciso ser concretos na confissão, aconselha o Papa Francisco em novo prólogo

https://www.acidigital.com/noticias/e-preciso-ser-concretos-na-confissao-aconselha-o-papa-francisco-em-novo-prologo-14345

Vaticano, 09 Jun. 18 / 09:00 am (ACI).- O Papa Francisco escreveu o prefácio da sexta edição do livro “Quem reza se salva”, que recolhe as orações mais simples da tradição cristã, no qual fala sobre o Sacramento da Penitência.

“No confessionário, devemos ser concretos no reconhecimento dos pecados, sem reticências”, porque, “logo vemos que é o próprio Senhor que nos ‘fecha a boca’, como se dissesse: está bem assim”, aconselha.

O Pontífice comenta a oração de Santo Ambrósio, “Vem, então, Senhor Jesus. Vem a mim, busca-me, encontra-me, toma-me nos braços, carrega-me”, e disse que recorda a todos que “é o Senhor quem toma a iniciativa e não podemos fazer nada sem ele”.

“O ponto de partida é o exame de consciência, a dor sincera pelo mal cometido. Segue o reconhecimento dos pecados, de modo concreto e com sobriedade. Sem ter vergonha da própria vergonha”.

Esta “é uma graça que nos leva a pedir perdão, assim como é uma graça o dom das lágrimas, que lava os nossos olhos e faz-nos ver melhor a realidade”, acrescenta.

Batismo não é fórmula mágica, mas dom do Espírito Santo, diz Papa

Quarta-feira, 25 de abril de 2018, Da Redação, com Boletim da Santa Sé

Na catequese de hoje, Santo Padre seguiu refletindo sobre o sacramento do Batismo, desta vez destacando a força para vencer o mal

O Papa Francisco segue com as catequeses sobre o Batismo. Nesta quarta-feira, 25, a ênfase foi para a força de vencer o mal, força que é habilitado na pessoa a partir desse sacramento.

O Santo Padre destacou que a pessoa não está sozinha na fonte batismal, mas sim acompanhada pela oração de toda a Igreja, oração esta que assiste a pessoa na luta contra o mal e a acompanha na vida do bem. “Nós Igreja rezamos pelos outros. É algo bonito rezar pelos outros”, disse.

Nesse sentido, o Papa lembrou que a vida cristã é sempre sujeita à tentação de separar-se de Deus, mas é o Batismo que prepara e dá a força para esta luta cotidiana, também para a luta contra o diabo. “O Batismo não é uma fórmula mágica, mas um dom do Espírito Santo que habilita quem o recebe a lutar contra o espírito do mal”.

Além do aspecto da oração, Francisco mencionou na catequese de hoje outro momento do rito do Batismo: a unção sobre o peito com o óleo dos catecúmenos, um sinal de salvação. “É cansativo combater contra o mal, fugir de seus enganos, retomar força depois de uma luta exaustiva, mas devemos saber que toda a vida cristã é um combate. Devemos, porém, saber que não estamos sozinhos, que a Mãe Igreja reza a fim de que os seus filhos, regenerados no Batismo, não sucumbam às ciladas do maligno, mas as vençam pelo poder da Páscoa de Cristo”.

“Nós todos podemos vencer, vencer tudo, mas com a força que vem de Jesus”, concluiu o Papa.

Onomástico Papa Francisco: “É São Jorge moderno”

Monsenhor Karcher segurou o microfone na noite da eleição do cardeal Bergoglio – ANSA
23/04/2015

Cidade do Vaticano (RV) – A Igreja recorda neste sábado (23/04), São Jorge e celebra, portanto, o onomástico de Jorge Mario Bergoglio, Papa Francisco.

A Rádio Vaticano entrevistou o sacerdote argentino Mons. Guillermo Karcher, membro do cerimonial pontifício e um dos colaboradores mais estreitos do Papa, que o conhece há mais de vinte anos.

Mons. Karcher: “Pensar hoje, neste onosmástico, no Santo do Papa, sendo o seu nome de Batismo Jorge, é bonito, porque quando penso nele e o vejo agir, posso dizer que é um ‘São Jorge moderno’, no sentido que é um grande lutador contra as forças do mal e o faz com um espírito realmente cristão. Nele vejo Cristo que semeia o bem, para combater o mal. Nisso ele é um exemplo, pois o fazia já em Buenos Aires e continua fazendo agora com aquela simplicidade que o caracteriza, que é tão forte, tão importante neste momento do mundo em que é necessária a presença do bem.”

Na Argentina, como cardeal, Francisco se apresentava como padre, como Pe. Jorge. Agora que é Papa, é forte esta dimensão da paternidade sacerdotal?

Mons. Karcher: “Sim, é verdade, mesmo porque ele é um jesuíta, é um padre e continua sendo. Me comove sempre todas às quartas-feiras, quando chegam os argentinos e muitos chamam o Papa Francisco de Padre, Pe. Jorge, Jorge. Realmente se nota a familiaridade, essa amizade que ele semeou durante anos em Buenos Aires, quando caminhava pelas estradas da cidade e ia visitar os lugares mais pobres da periferia da capital argentina. Eles continuam sentido ele próximo e o Papa se alegra e retribui com um sorriso, com um abraço, com um olhar paterno esta saudação que sai do coração das pessoas.”

Francisco tem um grande afeto e imensa popularidade, mas obviamente não faltam as críticas também do mundo católico. O senhor já viu o Papa triste por causa disso?

Mons. Karcher: “Não. São poucas as vezes que alguém faz um comentário assim. Ele sorri e diz: ‘Tudo bem. É melhor, pois assim conhecemos as pessoas’. Ele tem essa liberdade de espírito e essa força interior. Eu penso que seja um ungido pelo Espírito. Leva adiante o ministério confiado a ele pela Igreja para o bem da Igreja e do mundo, e o faz com serenidade e certeza de ânimo.”

O mundo é atraído pela espontaneidade de Francisco, mas no íntimo o Santo Padre é um homem de grande intensidade espiritual, imerso na oração. O senhor pode nos dizer alguma coisa sobre isso?

Mons. Karcher: “Sim, é uma pessoa que modelou, digo isso e reitero sempre, uma forte espiritualidade, porque é um homem de oração, um homem de Deus. Todos os dias ele dedica duas horas, pela manhã quando se levanta, à oração e reflexão. Depois vejo, como membro do cerimonial pontifício, a diferença que existe entre a sacristia antes e depois e a missa antes e depois. Explico melhor: ele é uma pessoa que gosta de cumprimentar todos os seminaristas, os ministrantes, e o faz, como o vemos na Praça São Pedro, com muito afeto. Depois que veste os paramentos litúrgicos, ele muda: vemos ele entrar na basílica ou se dirigir ao altar na praça como um homem de oração, homem concentrado no que está para celebrar, o mistério eucarístico. O mesmo acontece quando sai da nave central da basílica, quando todos chamam por ele: Francisco! Viva! Queremos bem a você! Ele, porém, vai em direção à sacristia. Isso é um exemplo também para o sacerdote, no sentido que nós estamos com o povo, mas quando devemos estar com Deus, estamos com Deus.”

Essas palavras são parecidas com as que o Cardeal Dziwisz disse como secretário de João Paulo II…

Mons. Karcher: “Sim. Posso dar testemunho também de João Paulo II, tendo sido membro ajudante do cerimonial pontifício, naquele tempo. Eles têm em comum essa presença de Deus, que se torna forte no momento oportuno.”

O senhor estava junto ao Papa Francisco na noite da eleição, segurava o microfone no qual Francisco falou pela primeira vez Urbi et Orbi. O que deseja ao seu bispo na festa de seu onomástico?

Mons. Karcher: “Que continue sendo si mesmo, com a sua coerência e transparência. Que continue assim, porque está fazendo tanto bem. Desejo que São Jorge o proteja e que ele continue lutando para o bem, semeando o bem como está fazendo agora.” (MJ)

O medo nos enfraquece

Sexta-feira, 15 de maio de 2015, Da Redação, com Rádio Vaticano

Homilia do Papa, nesta manhã, concentrou-se nas palavras “medo” e “alegria” para explicar que uma comunidade medrosa e triste está doente

“Medo e alegria” são as duas palavras da liturgia desta sexta-feira, 15. Elas foram o centro da homilia do Papa Francisco na Missa presidida na Casa Santa Marta.

“O medo  é uma atitude que nos faz mal,  enfraquece-nos, limita-nos e até nos paralisa. Quem tem medo não faz nada, não sabe o que fazer; concentra-se em si mesmo para que não lhe aconteça nada de mal. O medo leva a um ‘egocentrismo egoísta’, que paralisa. O cristão medroso é aquele que não entendeu a mensagem de Jesus”.

Por isso mesmo, o Papa recordou que Jesus disse a Paulo que ele não deveria temer, mas continuar a falar. “O medo não é cristão; é um comportamento de quem tem a alma aprisionada, presa, sem liberdade de olhar para frente, de criar e fazer o bem. E diz sempre: ‘Não, aqui há este perigo, aqui outro… e assim por diante. E isso é um vício. O medo faz mal”.

O Santo Padre destacou que não ter medo é pedir a graça da coragem do Espírito Santo. Ele lembrou que há comunidades medrosas, que apostam sempre em algo certeiro, como se na porta de entrada estivesse escrito “proibido”: tudo é proibido por medo. Quando se entra em uma comunidade assim, sente-se o marasmo, disse o Papa, porque se trata de uma comunidade doente.

“O medo deve ser distinguido do ‘temor de Deus’, que é santo, é o temor da adoração diante do Senhor. O temor de Deus é uma virtude, não é limitativo, não enfraquece, não paralisa: faz ir adiante para cumprir a missão dada pelo Senhor”.

A alegria

A outra palavra da liturgia é ‘alegria’. O Papa explicou que, nos momentos mais tristes e de dor, a alegria se torna paz. Ao contrário, uma diversão no momento da dor se torna sombrio, escurece.

“Um cristão sem alegria não é cristão; um cristão que continuamente vive na tristeza também não o é. E um cristão que, no momento da provação, das doenças ou das dificuldades, perde a paz… é porque lhe falta algo”.

O Papa lembrou ainda que a alegria cristã não é um simples divertimento nem algo passageiro, mas é um dom do Espírito Santo. Trata-se de ter o coração sempre alegre, porque Jesus venceu, está à direita do Pai.

“Uma comunidade sem alegria também é uma comunidade doente: pode até ser uma comunidade ‘divertida’, mas é ‘doente de mundanidade’, porque não tem a alegria de Jesus Cristo. Assim, quando a Igreja é medrosa e não recebe a alegria do Espírito Santo, ela adoece, as comunidades e os fiéis adoecem”.

O Papa concluiu a homilia com uma prece: “Elevai-nos, Senhor, ao Cristo, sentado à direita do Pai; elevai o nosso espírito. Despojai-nos de todo medo e dai-nos a alegria e a paz”.

Quarta-feira Santa

Por Pe. Fernando José Cardoso

Judas, um dos doze, vai em direção aos Sumos Sacerdotes: “Quanto me dareis se eu Vo-lo entregar?”. Todos nós condenamos este gesto insano. Antes de nós, muitos artistas, pintores, escultores, pessoas dedicadas à literatura o condenaram. Judas recebeu uma desaprovação absoluta pelo mal que praticou com Jesus; mas muitas vezes ao condenar Judas nós nos esquecemos de olhar para nós. Nós conhecemos muito mais Jesus, do que conhecia ele. Judas sabia que Jesus era Deus? Que Jesus era o Salvador do mundo? Sabia que com Sua Paixão e morte, seguida de ressurreição, Ele sairia vitorioso do mal do pecado e da própria morte? Judas conhecia a teologia cristã e Católica que nós conhecemos? Quando nós pecamos e, sobretudo quando pecamos gravemente, diz o autor da carta aos hebreus: “Nós desprezamos o Sangue de Jesus que já foi derramado por nós”. Cada um se ponha a pensar no pecador. Cada um se ponha a pensar no tempo em que viveu no pecado, então nas faltas graves que terá cometido. Cada um então, de uma maneira muito mais consciente, quem sabe, de uma maneira muito mais livre do que Judas terá também, a seu modo, entregue Jesus. Na desgraça nossa, na profunda humilhação, um gesto inconsiderado, desumano, de Judas, vem repetido por cada um de nós, todas as vezes que, deliberadamente, conscientemente, voltamos as costas pra Cristo, nos tornamos inimigos de Deus e preferimos o pecado a Sua Pessoa. É possível que um ou outro tenha sido libertado do pecado grave. Mas o pecado grave, repete esta ação: nós condenamos Judas,  mas muitas vezes agimos como ele. Hoje estamos cientes das nossas responsabilidades, mas num único ato não o imitaremos, nós não desesperaremos. Judas, desesperado foi enforcar-se! Nesta Semana Santa, confiados na Misericórdia Infinita de Jesus, batamos no peito, peçamos que arrebente Ele o nosso coração de pedra e nos transforme desde dentro capazes de O amar e, sobretudo, ao próximo como a nós mesmos.

 

O maior objetivo nesta vida é conhecer a Deus. Tal conhecimento é o que há de melhor na vida, trazendo alegria, vida e felicidade. Qual seria então o motivo que levou Judas a trair seu divino Mestre? Avareza, amargo desapontamento diante dos anúncios de Jesus sobre sua paixão e morte? Desilusão face à idéia do Messias rei? Por outro lado, será que Judas não queria forçar para que Jesus tomasse medidas que o levassem a estabelecer o Reino messiânico? A iniciativa, porém, é do próprio Judá, que espera o momento propício, o horto das Oliveiras, para beijando entregar Jesus. Já na ceia Jesus se refere a esta traição. Aliás, os laços profundos e quase sacramentais entre a Ceia e a Páscoa tornam-se como que palpáveis, e a ceia do adeus, toda intimidade, penetrada de fervor e de amor eterno, assume assim seu aspecto dramático e carregado. Após este fato, Jesus pede aos discípulos que preparem a ceia da Páscoa. Ele lhes diz: “Ide à cidade, à casa de alguém e dizei-lhe: “O Mestre diz: o meu tempo está próximo. Em tua casa irei celebrar a Páscoa com os meus discípulos”. André de Creta observa: “Ditosos os que pela fé podem receber o Senhor, preparando seu coração como um cenáculo e dispondo com devoção a ceia”. No início da ceia, porém, volta à questão da traição de Judas. Não bastava preparar o recinto exterior.  O grande drama era justamente o fato de Judas não aceitar Cristo como ele era. Muitas vezes também nós somos tentados a utilizar Deus para nossos próprios propósitos. Não é Deus que deve ser mudado, mas nós é que somos mudados por Ele. Jesus leva seus discípulos a se examinarem profundamente à luz da Verdade de Deus e se interrogarem sobre sua fé, esperança e amor, que devem permanecer sólidos em meio às tentações. “Deus, nosso Pai, nós somos fortemente refratários a uma vida virtuosa. Fortalecei nossa fraqueza, perdoando-nos para que possamos enfrentar esta luta espiritual. Ajudai-nos contra nossa própria negligência e covardia”.

 

Mateus, capítulo 26, versículos 14 a 25.

Ontem meditamos a cena da traição de Judas contida no evangelho de João. Hoje contemplamos a mesma cena descrita pelo evangelista Mateus. Jesus está à mesa pela última vez com seus pobres discípulos. Pela última vez Jesus faz mesa comum com os pobres pecadores. Judas caríssimos irmãos, está prestes a desencadear toda a ação. Os evangelistas buscam uma explicação imediata para aquele ato insano de seu antigo colega. Era ávido pelo dinheiro. Judas era ladrão. Mas Jesus não despreza Judas nem no último minuto.

Como um bom judeu e celebrando uma ceia pascal, Jesus lhe dá um gesto preferencial, Ele lhe oferece pessoalmente um pedaço de pão, molhado naquela sopa que costumava acompanhar os pães ázimos. Um último e supremo gesto da parte de Jesus. Como se Ele quisesse dizer a Judas: da minha parte, apesar de tudo, não existe nenhuma animosidade, vai apenas amizade, delicadeza e também respeito. Da minha parte não existe nenhum rancor.

Meus caríssimos irmãos, se Jesus tratou Judas até o último minuto, antes que deixasse aquela sala com tanta deferência, com tanto carinho e ao mesmo tempo com tanto respeito, com que deferência, com que carinho e com que respeito Jesus trata cada um de nós que se sente nesta Semana Santa um pobre pecador?

Talvez não tenhamos chegado ao gesto tresloucado de Judas, mas muitos de nós se sentem acabrunhados pelos seus pecados. Eu me sinto caríssimos irmãos, acabrunhado por meus próprios pecados, mas me consola o gesto supremo e último de Jesus para com Judas. Era a última vez que os dois se viam assim digamos, numa cena familiar. A próxima vez e a última vez em que se verão, será no jardim quando Judas conduzirá a tropa para prender Jesus.

Aqueles últimos olhares de Jesus para com Judas, hoje caríssimos irmãos, se renovam para cada um de nós, a cada um de nós, qualquer que tenha sido o seu passado, quaisquer que tenham sido os seus pecados e a gravidade dos mesmos, pode sentir o olhar de Jesus que “in extremis”, deseja-lhe oferecer as mãos para puxá-lo, para arrancá-lo do abismo e reconduzi-lo para Deus. É isto que Ele fará nestes três últimos dias que nós celebraremos como tríduo pascal de sua Paixão, Morte e Ressurreição.

Que amor, que gratidão imensa deveria surgir de nossos pobres corações. Ao mesmo tempo, que felicidade, que tranqüilidade sabermos que somos tão amados apesar de tudo o que fizemos por Jesus Cristo, nosso Salvador.

Quaresma não é tempo de tristeza, mas de penitência, diz Papa

Domingo, 18 de fevereiro de 2018, Da redação, com Boletim da Santa Sé

Papa explica os temas da tentação, da conversão e da Boa Nova

Neste domingo chuvoso, o primeiro da Quaresma, o Papa Francisco esteve com os fieis durante o Angelus, na Praça de São Pedro.

Francisco falou sobre o Evangelho do dia, que lembra os temas da tentação, da conversão e da Boa Nova.

“Jesus vai ao deserto para se preparar para sua missão no mundo. Ele não precisa de conversão, mas, como homem, ele deve passar por essa prova, tanto para si mesmo, para obedecer a vontade do Pai e, para nós, dar-nos a graça de superar a tentação.”, disse.

O Papa lembrou que esta preparação consiste em lutar contra o espírito do mal, e que também para nós, a Quaresma é um tempo de “agonia” espiritual, de luta: somos chamados a enfrentar o mal através da oração para poder, com a ajuda de Deus, superá-lo em nossa vida diária.

O Pontífice lembrou que após as tentações, Jesus começou a pregar a Boa Nova.

“E essa Boa Nova exige da conversão do homem – a terceira palavra – e fé. (…) Em nossa vida, sempre precisamos de conversão – todos os dias! -, e a Igreja nos faz orar por isso. Na verdade, nunca estamos suficientemente orientados para Deus e devemos direcionar continuamente nossa mente e coração para Ele. Para fazer isso, devemos ter a coragem de rejeitar tudo o que nos desvia, os falsos valores que nos enganam atraindo sorrateiros nosso egoísmo. Em vez disso, devemos confiar no Senhor, sua bondade e seu plano de amor para cada um de nós.”

Após a colocação acerca das três palavras importantes da liturgia, o Papa reforçou que a quaresma é um momento de penitência, mas que não deve nos abater: “É um momento de penitência, mas não é um momento triste de luto. É um compromisso alegre e sério para livrar-se do nosso egoísmo e renovar-nos de acordo com a graça do nosso batismo.”

Ao final, o Papa lembrou que somente Deus pode dar a verdadeira felicidade, sendo inútil desperdiçar o tempo procurando por outros lugares, nas riquezas, nos prazeres, no poder, na carreira:

“O reino de Deus é a realização de todas as nossas aspirações, porque é a salvação do homem e a glória de Deus. Neste primeiro domingo da Quaresma, somos convidados a ouvir atentamente e reunir esse chamado de Jesus para nos converter e acreditar no Evangelho. Somos exortados a começar com o compromisso da jornada para a Páscoa, para receber cada vez mais a graça de Deus, que quer transformar o mundo em um reino de justiça, paz e fraternidade.”

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