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Santo Evangelho (Lc 6, 6-11)

23º Semana Comum – Segunda-feira 11/09/2017

ANO PAR

Primeira Leitura (1Cor 5,1-8)
Leitura da Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios.

Irmãos, 1é voz geral que está acontecendo, entre vós, um caso de imoralidade; e de imoralidade tal que nem entre os pagãos costuma acontecer: um dentre vós está convivendo com a própria madrasta. 2No entanto, estais inchados de orgulho, ao invés de vestirdes luto, a fim de que fosse tirado do meio de vós aquele que assim procede? 3Pois bem, embora ausente de corpo, mas presente em espírito, eu julguei, como se tivesse aí entre vós, esse tal que tem procedido assim: 4Em nome do Senhor Jesus — estando vós e eu espiritualmente reunidos com o poder do Senhor nosso, Jesus—, 5entregamos tal homem a Satanás, para a ruína da carne, a fim de que o espírito seja salvo, no dia do Senhor. 6Vós vos gloriais sem razão! Acaso ignorais que um pouco de fermento leveda a massa toda? 7Lançai fora o fermento velho, para que sejais uma massa nova, já que deveis ser sem fermento. Pois o nosso cordeiro pascal, Cristo, já está imolado. 8Assim, celebremos a festa, não com velho fermento, nem com fermento de maldade ou de perversidade, mas com os pães ázimos de pureza e de verdade.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Responsório (Sl 5)

— Na vossa justiça guiai-me, Senhor!
— Na vossa justiça guiai-me, Senhor!

— Não sois um Deus a quem agrade a iniquidade, não pode o mau morar convosco; nem os ímpios poderão permanecer perante os vossos olhos.

— Detestais o que pratica a iniquidade e destruís o mentiroso. Ó Senhor, abominais o sanguinário, o perverso e enganador.

— Mas exulte de alegria todo aquele que em vós se refugia; sob a vossa proteção se regozijem, os que amam vosso nome!

 

ANO ÍMPAR

Primeira Leitura (Cl 1,24-2,3)
Leitura da Carta de São Paulo aos Colossenses.

Irmãos, 1,24alegro-me de tudo o que já sofri por vós e procuro completar na minha própria carne o que falta das tribulações de Cristo, em solidariedade com o seu corpo, isto é a Igreja. 25A ela eu sirvo, exercendo o cargo que Deus me confiou em sua plenitude: 26o mistério escondido por séculos e gerações, mas agora revelado aos seus santos. 27A estes Deus quis manifestar como é rico e glorioso entre as nações este mistério: a presença de Cristo em vós, a esperança da glória. 28Nós o anunciamos, admoestando a todos e ensinando a todos, com toda sabedoria, para a todos tornar perfeitos em sua união com Cristo. 29Para isso eu me esforço com todo o empenho, sustentado pela sua força que em mim opera. 2,1Quero pois que saibais que luta difícil sustento por vós, pelos fiéis de Laodiceia e por tantos outros, que não me conhecem pessoalmente, 2para que sejam consolados e se mantenham unidos na caridade, para que eles cheguem a entender profunda e plenamente o mistério de Deus Pai e de Cristo Jesus, 3no qual estão encerrados todos os tesouros da sabedoria e da ciência.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Responsório (Sl 61,6-7.9)

— A minha glória e salvação estão em Deus.
— A minha glória e salvação estão em Deus.

— Só em Deus a minha alma tem repouso, porque dele é que me vem a salvação! Só ele é meu rochedo e salvação, a fortaleza, onde encontro segurança!

— Povo todo, esperai sempre no Senhor, e abri diante dele o coração: nosso Deus é um refúgio para nós.

 

Evangelho (Lc 6,6-11)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Lucas.
— Glória a vós, Senhor.

Aconteceu num dia de sábado que, 6Jesus entrou na sinagoga, e começou a ensinar. Aí havia um homem cuja mão direita era seca. 7Os mestres da Lei e os fariseus o observavam, para ver se Jesus iria curá-lo em dia de sábado, e assim encontrarem motivo para acusá-lo. 8Jesus, porém, conhecendo seus pensamentos, disse ao homem da mão seca: “Levanta-te, e fica aqui no meio”. Ele se levantou, e ficou de pé. 9Disse-lhes Jesus: “Eu vos pergunto: O que é permitido fazer no sábado: o bem ou o mal, salvar uma vida ou deixar que se perca?” 10Então Jesus olhou para todos os que estavam ao seu redor, e disse ao homem: “Estende a tua mão”. O homem assim o fez e sua mão ficou curada. 11Eles ficaram com muita raiva, e começaram a discutir entre si sobre o que poderiam fazer contra Jesus.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

 

A IGREJA CATÓLICA CELEBRA E VENERA HOJE
São João Gabriel Perboyre, missionário na China

São João Gabriel Perboyre tornou-se o primeiro missionário da China a ser declarado santo pela Igreja

João Gabriel Perboyre nasceu em 5 de janeiro de 1802, em Mongesty (França), numa família de agricultores, numerosa e profundamente cristã. Era o primeiro dos oito filhos do casal, sendo educado para seguir a profissão do pai. Mas o menino era muito piedoso, demonstrando desde a infância sua vocação religiosa. Assim, aos quatorze anos, junto com dois de seus irmãos, Luís e Tiago, decidiu seguir o exemplo do seu tio Jacques Perboyre, que era sacerdote.

Ingressou na Congregação da missão fundada por São Vicente de Paulo para tornar-se um padre vicentino ou lazarista, como também são chamados os sacerdotes desta Ordem. João Gabriel recebeu a ordenação sacerdotal em 1826. Ficou alguns anos em Paris, como professor e diretor nos seminários vicentinos. Porém seu desejo era ser um missionário na China, onde os vicentinos atuavam e onde, recentemente, Padre Clet fora martirizado.

Em 1832, seu irmão, Padre Luís foi designado para lá. Mas ele morreu em pleno mar, antes de chegar nas Missões na China. Foi assim que João Gabriel pediu para substituí-lo. Foi atendido e, três anos depois, em 1835, chegou em Macau, deixando assim registrado: “Eis-me aqui. Bendito o Senhor que me guiou e trouxe”.

Na Missão, aprendeu a disfarçar-se de chinês, porque a presença de estrangeiros era proibida por lei. Estudou o idioma e os costumes e seguiu para ser missionário nas dioceses Ho-Nan e Hou-Pé. Entretanto foi denunciado e preso na perseguição de 1839. Permaneceu um ano no cativeiro, sofrendo torturas cruéis, até ser amarrado a uma cruz e estrangulado, no dia 11 de setembro de 1840.

Beatificado em 1889, João Gabriel Perboyre foi proclamado santo pelo Papa João Paulo II em 1996. Festejado no dia de sua morte, tornou-se o primeiro missionário da China a ser declarado santo pela Igreja.

São João Gabriel Perboyre, rogai por nós!

O Pecado contra o Espírito Santo

http://www.universocatolico.com.br/index.php?/o-pecado-contra-o-espirito-santo.html

Alguém poderá duvidar da misericórdia de Deus? Claro que não.
Numa demonstração inefável de amor aos homens, Deus enviou seu Filho único para que, através d’Ele, o perdão ficasse disponível a todos. A salvação de Jesus Cristo é a maior prova, a mais cabal evidência de que “Deus é Amor”(1) e que jamais despreza o que criou, pois se odiasse alguma coisa, não a teria criado(2). E nós, que fomos criados à “imagem e semelhança”(3) do Deus que é Amor, somos convidados também a amar, de forma incondicional, e se assim não fazemos, nos frustramos, pois não exercemos o motivo de nossa existência. “Vocês ouviram o que foi dito: ‘Ame o seu próximo, e odeie o seu inimigo!’ Eu, porém, lhes digo: amem os seus inimigos, e rezem por aqueles que perseguem vocês! Assim vocês se tornarão filhos do Pai que está no céu, porque Ele faz o sol nascer sobre maus e bons, e a chuva cair sobre justos e injustos. Pois, se vocês amam somente aqueles que os amam, que recompensa terão? Os cobradores de impostos não fazem a mesma coisa? E se vocês cumprimentam somente seus irmãos, o que é que vocês fazem de extraordinário? Os pagãos não fazem a mesma coisa? Portanto, sejam perfeitos como é perfeito o Pai de vocês que está no céu”(4). São palavras como estas que fez de Jesus a maior personalidade de todos os tempos: mostrou aos homens que Deus ama a todos independentemente de qualquer coisa; e nós, espelho desse Amor, devemos procurar refleti-lo nitidamente, pois para isso fomos feitos. Contudo, uma curiosa passagem do Evangelho chama a atenção de quem conhece o Deus que é Amor Incondicional. Trata-se da fortíssima palavra de Jesus que é documentada por Mateus(5), Marcos(6) e Lucas(7): “Aos filhos dos homens serão perdoados todos os pecados e todas as blasfêmias que proferirem; todavia, quem blasfemar contra o Espírito Santo, jamais terá perdão, mas será réu de pecado eterno”. Duas perguntas nos surgem imediatamente: “Que pecado tão grave é este que não merece o perdão de Deus?” e “Deus, que é Amor, por causa deste pecado, esqueceria desse Amor para condenar eternamente o blasfemador do Espírito Santo?” Analisemos as questões.

a) que pecado é esse? Antes de sua volta para o Pai, Jesus prometeu um novo Consolador, um Advogado. Trata-se do Espírito Santo que viria para apanhar aquilo que é de Jesus e interpretar para os seus discípulos(8), para assim convencer o mundo “quanto ao pecado, quanto à justiça e quanto ao juízo”(9). Diante disso, nos ensina o Santo Padre João Paulo II que “a blasfêmia (contra o Espírito Santo) não consiste propriamente em ofender o Espírito Santo com palavras; consiste, antes, na recusa de aceitar a salvação que Deus oferece ao homem, mediante o mesmo Espírito Santo agindo em virtude do sacrifício da cruz. Se o homem rejeita o deixar-se ‘convencer quanto ao pecado’, que provém do Espírito Santo e tem caráter salvífico, ele rejeita ao mesmo tempo a ‘vinda’ do Consolador: aquela ‘vinda’ que se efetuou no mistério da Páscoa, em união com o poder redentor do sangue de Cristo que ‘purifica a consciência das obras mortas’. Sabemos que o fruto desta purificação é a remissão dos pecados. Por conseguinte, quem rejeita o Espírito Santo e o sangue, permanece nas ‘obras mortas’, no pecado. E a ‘blasfêmia contra o Espírito Santo’ consiste exatamente na recusa radical de aceitar esta remissão, de que ele é dispensador íntimo e que pressupõe a conversão verdadeira, por ele operada na consciência (…) Ora, a blasfêmia contra o Espírito Santo é o pecado cometido pelo homem, que reivindica seu pretenso ‘direito’ de perseverar no mal – em qualquer pecado – e recusa por isso mesmo a Redenção. O homem fica fechado no seu pecado, tornando impossível da sua parte a própria conversão e também, conseqüentemente, a remissão dos pecados, que considera não essencial ou não importante para a sua vida”(10). Como Deus poderá perdoar alguém que não quer ser perdoado? Para que o nosso entendimento ficasse mais claro acerca deste terrível pecado, o Papa São Pio X, que governou a Igreja de 1903 a 1914, no seu Catecismo Maior, ensinou que seis são os pecados contra o Espírito Santo:
1º – Desesperação da salvação, ou seja, quando a pessoa perde as esperanças na salvação de Deus, achando que sua vida já está perdida. Julga, assim, que a misericórdia de Deus é mesquinha e por isso não se preocupa em orientar sua vida para o bem. Perdeu as esperanças em Deus.
2º – Presunção de salvação sem merecimento, ou seja, a pessoa cultiva em sua alma uma vaidade egoísta, achando-se já salva, quando na verdade nada fez para que merecesse a salvação. Isso cria uma fácil acomodação a ponto da pessoa não se mover em nenhum aspecto para que melhore. Se já está salva para que melhorar? – pode perguntar-se. Assim, a pessoa torna-se seu próprio juiz, abandonando o Juízo Absoluto que pertence somente a Deus.
3º – Negar a verdade conhecida como tal, ou seja, quando a pessoa percebe que está errada, mas por uma questão meramente orgulhosa, não aceita: prefere persistir no erro, do que reconhecer-se errada. Nega-se assim a Verdade que é o próprio Deus.
4º – Inveja da graça que Deus dá a outrem, ou seja, a inveja é um sentimento que consiste primeiramente em entristecer-se porque o outro conseguiu algo de bom, independentemente se eu já possua aquilo ou não. É o não querer que a pessoa fique bem. Ora, se eu me invejo da graça que Deus dá alguém, estou dizendo que aquela pessoa não merece tal graça, me tornando assim o regulador do mundo, inclusive de Deus, determinando a quem deve ser dada tal ou tal coisa.
5º – Obstinação no pecado, ou seja, é a teimosia, a firmeza, a relutância de permanecer no erro por qualquer motivo. Como o Papa João Paulo II disse, é quando o homem “reivindica seu pretenso ‘direito’ de perseverar no mal – em qualquer pecado – e recusa por isso mesmo a Redenção”.
6º – Impenitência final, ou seja, é o resultado de toda uma vida que rejeita a ação de Deus: persiste no erro até o final e recusa arrepender-se e penitenciar-se.

b) por causa disso Deus abandona seu amor para condenar a criatura? Deus não condena ninguém. Ao contrário, “Deus não quer que ninguém se perca, mas que todos cheguem a se converter”(11). No entanto, Deus não criou os seres humanos como irracionais, mas os criou à sua ‘imagem e semelhança”, que quer dizer: nos deu inteligência, para separar o bem do mal; liberdade, para escolher o bem ou o mal; e vontade, para vivenciar o bem ou o mal. A escolha é nossa, é de cada um. Assim, vivemos a nossa vida direcionados pelos três pilares da imagem e semelhança de Deus: inteligência, liberdade e vontade, para que assim decidamos o que queremos trilhar. No fim da vida terrena, a morte confirmará a nossa decisão, dando-nos aquilo que escolhemos. Por isso, a conclusão torna-se óbvia: só está no inferno aqueles que realmente querem estar lá, aqueles que não querem a presença de Deus que ilumina suas imundícies. Por outro lado, Deus, que “não quer que ninguém se perca”, continua a amar sua criatura, mesmo esta preferindo estar longe. Como já disse, o amor de Deus não impõe condições, assim, onde quer que a criatura esteja, Deus a amará sempre, embora respeitando aquilo que a faz ser uma pessoa: sua inteligência, sua liberdade e sua vontade. Em suma: o pecado contra o Espírito Santo consiste na rejeição consciente da graça de Deus; é a recusa da salvação que, conseqüentemente, impede Deus de agir, pois Ele está à porta e bate(12), e a abre quem quiser. A persistência neste pecado, que é contra o Espírito Santo, pois este tem a missão de mostrar a Verdade, levará o pecador para longe de Deus, para onde ele escolheu estar. Apesar disso, o Senhor continuará a amá-lo com o mesmo amor de Pai que tem para com todos, porém respeitando a decisão de seu filho que é inteligente e livre.

(1) cf. 1Jo 4, 8.
(2) cf. Sb 11, 24.
(3) cf. Gn 1, 26.
(4) Mt 5, 43-48.
(5) cf. Mt 12, 31s.
(6) cf. Mc 3, 28-s.
(7) cf. Lc 12, 10.
(8) cf. Jo 16, 14.
(9) Jo 16, 8.
(10) Carta Encíclica Dominum Vivificantem, 46.
(11) 2Pd 3, 9.
(12) cf. Ap 3, 20.

 

PECADOS CONTRA O ESPÍRITO SANTO

Como nos ensina Cristo: “Aquele que pecar contra o Filho do homem será perdoado, mas aquele que blasfemar contra o Espírito Santo será réu da Justiça Divina” (Mc 3, 28-29). O pecado contra o Filho pode ser perdoado, mas o pecado contra o Amor de Deus – o Espírito Santo – não pode ser perdoado, não porque Deus não tenha poder de perdoar, mas porque o pecador não quer pedir perdão de seu pecado.

Os pecados contra o Espírito Santo são seis:

1º – Desesperação da salvação, ou seja, quando a pessoa perde as esperanças na salvação de Deus, achando que sua vida já está perdida. Julga, assim, que a misericórdia de Deus é mesquinha e por isso não se preocupa em orientar sua vida para o bem. Perdeu as esperanças em Deus. Quando a pessoa, como Judas, não pede perdão porque considera que Deus é incapaz de perdoá-lo. E não pedindo perdão, não é perdoado.

2º – Presunção de salvação sem merecimento, ou seja, a pessoa cultiva em sua alma uma vaidade egoísta, achando-se já salva, quando na verdade nada fez para que merecesse a salvação. Isso cria uma fácil acomodação a ponto da pessoa não se mover em nenhum aspecto para que melhore. Se já está salva para que melhorar? – pode perguntar-se. Assim, a pessoa torna-se seu próprio juiz, abandonando o Juízo Absoluto que pertence somente a Deus. Quando a pessoa se julga já salva, e, por isso, se recusa a pedir perdão a Deus.

3º – Negar a verdade conhecida como tal, ou seja, quando a pessoa percebe que está errada, mas por uma questão meramente orgulhosa, não aceita: prefere persistir no erro do que reconhecer-se errada. Nega-se assim a Verdade que é o próprio Deus. Quando o pecador de tal modo se entrega conscientemente à mentira a ponto de acabar acreditando na mentira como verdade, e, por isso, recusa até a evidência da verdade. Era o pecado dos fariseus que viam Cristo fazer milagres, e os negavam, apesar de vê-los. Não havia então modo de convertê-los.

4º – Inveja da graça que Deus dá a outrem, ou seja, a inveja é um sentimento que consiste primeiramente em entristecer-se porque o outro conseguiu algo de bom, independentemente se eu já possua aquilo ou não. É o não querer que a pessoa fique bem. Ora, se eu me invejo da graça que Deus dá alguém, estou dizendo que aquela pessoa não merece tal graça, me tornando assim o regulador do mundo, inclusive de Deus, determinando a quem deve ser dada tal ou tal coisa. Isto é, ter raiva de que Deus, por amor, tenha dado alguma graça a outros, e não a nós. Desse modo se odeia a bondade de Deus, que é o Espírito Santo.

5º – Obstinação no pecado, ou seja, é a teimosia, a firmeza, a relutância de permanecer no erro por qualquer motivo. Como o Papa João Paulo II disse, é quando o homem “reivindica seu pretenso ‘direito’ de perseverar no mal – em qualquer pecado – e recusa por isso mesmo a Redenção”.

6º – Impenitência final, ou seja, é o resultado de toda uma vida que rejeita a ação de Deus: persiste no erro até o final e recusa arrepender-se e penitenciar-se. Quando a pessoa recusa o perdão de Deus na hora da morte, recusando os sacramentos impiamente.

Os pecados contra o Espírito Santo não têm perdão, porque a pessoa não quer pedir perdão por eles, porque nem os considera pecados. Ninguém confessa pecado contra o Espírito Santo. Se uma pessoa vai confessar ter cometido pecado contra o Espírito Santo, é sinal claro que não cometeu esse pecado, porque, se o tivesse cometido, não pediria nunca perdão por ele.

 

Carta Encíclica DOMINUM ET VIVIFICANTEM sobre o Espírito Santo na vida da Igreja e do Mundo
Papa João Paulo II (18/5/1986)  

SEGUNDA PARTE – O ESPÍRITO QUE CONVENCE O MUNDO QUANTO AO PECADO

6. O pecado contra o Espírito Santo

46. Tendo em conta tudo o que temos vindo a dizer até agora, tornam-se mais compreensíveis algumas outras palavras impressionantes e surpreendentes de Jesus. Poderemos designá-las como as palavras do «não-perdão». São-nos referidas pelos Sinópticos, a propósito de um pecado particular, que é chamado «blasfêmia contra o Espírito Santo». Elas foram expressas na tríplice redação dos Evangelistas do seguinte modo: São Mateus: «Todo o pecado e blasfêmia serão perdoados aos homens, mas a blasfêmia contra o Espírito Santo não será perdoada. E àquele que falar contra o Filho do homem, ser-lhe-á perdoado; mas, a quem falar contra o Espírito Santo, não lhe será perdoado, nem neste mundo nem no futuro». 180 São Marcos: «Aos filhos dos homens serão perdoados todos os pecados e todas as blasfêmias que proferirem; todavia, quem blasfemar contra o Espírito Santo, jamais terá perdão, mas será réu de pecado eterno». 181 São Lucas: «E a todo aquele que disser uma palavra contra o Filho do homem, perdoar-se-á; mas a quem tiver blasfemado contra o Espírito Santo, não lhe será perdoado». 182 Porquê a «blasfêmia» contra o Espírito Santo é imperdoável? Em que sentido entender esta «blasfemia»? Santo Tomás de Aquino responde que se trata da um pecado «imperdoável por sua própria natureza, porque exclui aqueles elementos graças aos quais é concedida a remissão dos pecados». 183 Segundo uma tal exegese, a «blasfêmia» não consiste propriamente em ofender o Espírito Santo com palavras; consiste, antes, na recusa de aceitar a salvação que Deus oferece ao homem, mediante o mesmo Espírito Santo agindo em virtude do sacrifício da Cruz. Se o homem rejeita o deixar-se «convencer quanto ao pecado», que provém do Espírito Santo e tem caráter salvífico, ele rejeita contemporaneamente a «vinda» do Consolador: aquela «vinda» que se efetuou no mistério da Páscoa, em união com o poder redentor do Sangue de Cristo: o Sangue que «purifica a consciência das obras mortas». Sabemos que o fruto desta purificação é a remissão dos pecados. Por conseguinte, quem rejeita o Espírito e o Sangue permanece nas «obras mortas», no pecado. E a «blasfêmia contra o Espírito Santo» consiste exatamente na recusa radical de aceitar esta remissão, de que Ele é o dispensador íntimo e que pressupõe a conversão verdadeira, por Ele operada na consciência. Se Jesus diz que o pecado contra o Espírito Santo não pode ser perdoado nem nesta vida nem na futura, é porque esta «não-remissão» está ligada, como à sua causa, à «não-penitência», isto é, à recusa radical a converter-se. Isto equivale a uma recusa radical de ir até às fontes da Redenção; estas, porém, permanecem «sempre» abertas na economia da salvação, na qual se realiza a missão do Espírito Santo. Este tem o poder infinito de haurir destas fontes: «receberá do que é meu», disse Jesus. Deste modo, Ele completa nas almas humanas a obra da Redenção, operada por Cristo, distribuindo os seus frutos. Ora a blasfêmia contra o Espírito Santo é o pecado cometido pelo homem, que reivindica o seu pretenso «direito» de perseverar no mal — em qualquer pecado — e recusa por isso mesmo a Redenção. O homem fica fechado no pecado, tornando impossível da sua parte a própria conversão e também, consequentemente, a remissão dos pecados, que considera não essencial ou não importante para a sua vida. É uma situação de ruína espiritual, porque a blasfêmia contra o Espírito Santo não permite ao homem sair da prisão em que ele próprio se fechou e abrir-se às fontes divinas da purificação das consciências e da remissão dos pecados.

47. A ação do Espírito da verdade, que tende ao salvífico «convencer quanto ao pecado», encontra no homem que esteja em tal situação uma resistência interior, uma espécie de impermeabilidade da consciência, um estado de alma que se diria endurecido em razão de uma escolha livre: é aquilo que a Sagrada Escritura repetidamente designa como «dureza de coração». 184 Na nossa época, a esta atitude da mente e do coração corresponde talvez a perda do sentido do pecado, à qual dedica muitas páginas a Exortação Apostólica Reconciliatio et Paenitentia. 185 Já o Papa Pio XII tinha afirmado que «o pecado do século é a perda do sentido do pecado». 186 E esta perda vai de par com a «perda do sentido de Deus». Na Exortação acima citada, lemos: «Na realidade, Deus é a origem e o fim supremo do homem, e este leva consigo um gérmen divino. Por isso, é a realidade de Deus que desvenda e ilumina o mistério do homem. É inútil, pois, esperar que ganhe consistência um sentido do pecado no que respeita ao homem e aos valores humanos, quando falta o sentido da ofensa cometida contra Deus, isto é, o verdadeiro sentido do pecado». 187 É por isso que a Igreja não cessa de implorar de Deus a graça de que não venha a faltar nunca a retidão nas consciências humanas, que não se embote a sua sensibilidade sã diante do bem e do mal. Esta retidão e esta sensibilidade estão profundamente ligadas à ação íntima do Espírito da verdade. Sob esta luz, adquirem particular eloqüência as exortações do Apóstolo: «Não extingais o Espírito!». «Não contristeis o Espírito Santo!». 188 Mas, sobretudo, a Igreja não cessa de implorar, com todo o fervor, que não aumente no mundo o pecado designado no Evangelho por «blasfêmia contra o Espírito Santo»; e, mais ainda, que ele se desvie da alma dos homens — e como repercussão, dos próprios meios e das diversas expressões da sociedade — deixando espaço para a abertura das consciências, necessária para a ação salvífica do Espírito Santo. A Igreja implora que o perigoso pecado contra o Espírito Santo ceda o lugar a uma santa disponibilidade para aceitar a missão do Consolador, quando Ele vier para «convencer o mundo quanto ao pecado, quanto à justiça e quanto ao juízo».

48. Jesus, no seu discurso de despedida, uniu estes três domínios do «convencer», como componentes da missão do Paráclito: o pecado, a justiça e o juízo. Eles indicam o âmbito do «mistério da piedade», que na história do homem se opõe ao pecado, ao mistério da iniqüidade. 189 Por um lado, como se exprime Santo Agostinho, está o «amor de si mesmo levado até ao desprezo de Deus»; por outro, «o amor de Deus até ao desprezo de si mesmo». 190 A Igreja continuamente eleva a sua oração e presta o seu serviço, para que a história das consciências e a história das sociedades, na grande família humana, não se rebaixem voltando-se para o pólo do pecado, com a rejeição dos mandamentos de Deus «até ao desprezo do mesmo Deus»; mas, pelo contrário, se elevem no sentido do amor em que se revela o Espírito que dá a vida. Aqueles que se deixam «convencer quanto ao pecado» pelo Espírito Santo, deixam-se também convencer quanto «à justiça e quanto ao juízo». O Espírito da verdade que vem em auxílio dos homens e das consciências humanas, para conhecerem a verdade do pecado, ao mesmo tempo faz com que conheçam a verdade da justiça que entrou na história do homem com a vinda de Jesus Cristo. Deste modo, aqueles que, «convencidos quanto ao pecado», se convertem sob a ação do Consolador, são, em certo sentido, conduzidos para fora da órbita do «juízo»: daquele «juízo» com o qual «o Príncipe deste mundo já está julgado». 191 A conversão, na profundidade do seu mistério divino-humano, significa a ruptura de todos os vínculos com os quais o pecado prende o homem, no conjunto do «mistério da iniqüidade». Aqueles que se convertem, portanto, são conduzidos para fora da órbita do «juízo» pelo Espírito Santo», e introduzidos na justiça, que se encontra em Cristo Jesus, e está Nele porque a «recebe do Pai», 192 como um reflexo da santidade trinitária. Esta justiça é a do Evangelho e da Redenção, a justiça do Sermão da Montanha e da Cruz, que opera a «purificação da consciência» mediante o Sangue do Cordeiro. É a justiça que o Pai faz ao Filho e a todos aqueles que Lhe estão unidos na verdade e no amor. Nesta justiça o Espírito Santo, Espírito do Pai e do Filho, que «convence o mundo quanto ao pecado», revela-se e torna-se presente no homem, como Espírito de vida eterna.

180 Mt 12, 31 s.
181 Mc 3, 28 s.
182 Lc 12, 10.
183 S. TOMÁS DE AQUINO, Summa Theol. IIa-IIae, q. 14, a. 3; cf. S. AGOSTINHO, Epist. 185, 11, 48-49: PL 33, 814-815; S. BOAVENTURA, Comment. in Evan. S. Luc: cap. XIV, 15-16: Ad Claras Aquas, VII, 314 s.
184 Cf. Sl 81 [80], 13; Jer 7, 24; Mc 3, 5.
185 JOÃO PAULO II, Exort. Apost. pós-sinodal Reconciliatio et Paenitentia (2 de Dezembro de 1984), n. 18 AAS (1985), PP.224-228.
186 PIO XII, Radiomensagem ao Congresso Catequístico Nacional dos Estados Unidos da América, em Boston (26 de Outubro de 1946): Discorsi e Radiomessaggi, VIII (1946), 288.
187 JOÃO PAULO II, Exort. Apost. pós-sinodal Reconciliatio et paenitentia (2 de Dezembro de 1984), n. 18 AAS 77 (1985), PP. 225 s.
188 1 Tes 5, 19; Ef 4, 30.
189 Cf. JOÃO PAULO II, Exort. Apost. pós-sinodal Reconciliatio et paenitentia (2 de Dezembro de 1984), nn. 14-22: AAS 77 (1985), pp. 211-233. 190 Cf. S. AGOSTINHO, De Civitate Dei, XIV, 28: CCL 48, 451.
191 Cf. Jo 16, 11. 192 Cf. Jo 16, 15.

 

CONDIÇÃO HUMANA
Dom Paulo Mendes Peixoto

A pessoa humana, experimentando seus próprios limites, ora faz opção pelo bem, ora pelo mal. Mas sempre lutando por se sobreviver, tendo como pano de fundo a confirmação de sua existência, estabilidade e realização final. O importante é não ser enganado pelo mal que a cerda e se tornar uma pessoa infeliz.

Na descrição bíblica do paraíso, havia ali a árvore do bem e do mal. Diante dela, o homem e a mulher deveriam fazer sua opção e escolha de vida. Era um ato de obediência ou não, uma escolha que teria grandes consequências. Aí estava em jogo o destino de toda a humanidade e, também, até a perda do paraíso.

Nesse cenário bíblico encontramos inspirações profundas para nossas realizações de hoje. Às vezes descartamos a esperança diante de opções que matam a vida. Podemos até perder o sentido do novo paraíso, a vida em Deus. Isto acontece quando desconhecemos o sentido do sagrado e da dignidade da pessoa humana.

A força do mal leva consigo falsas promessas. É como o poder dominador, que faz parceria com quem age da mesma forma e não dá valor às iniciativas dos outros. Cai por terra a prática da fraternidade e a convivência entre os irmãos. As consequências de tudo isto é o endeusamento do individualismo, fato tão proclamado pela nova cultura.

A condição humana está ligada à liberdade e à capacidade de escolha. Tem como segurança a esperança, que deve sempre ser alimentada e concretizada em Jesus Cristo. Supõe firme convicção de fé na ressurreição e na vida eterna. A morada terrestre, que será destruída, transformar-se-á em uma morada eterna em Deus.

A vida é sempre marcada por um paraíso perdido, passageiro, e pelo mal que nos leva a perdê-lo. Isto é fruto da tendência que todos temos para o mal, para atos de injustiça e por atitudes muitas vezes desumanas. Assim ficamos perdidos na busca do bem e de uma condição humana que nos terna realizados. A dignidade é fonte de humanização e divinização.

Santo Evangelho (Mt 7, 21-29)

12ª Semana Comum – Quinta-feira 29/06/2017

Primeira Leitura (Gn 16,6b-12.15-16)
Leitura do Livro do Gênesis.

Naqueles dias, 6b Sarai maltratou tanto Agar que ela fugiu. 7 Um anjo do Senhor, encontrando-a junto à fonte do deserto, no caminho de Sur, disse-lhe: 8 “Agar, escrava de Sarai, de onde vens e para onde vais?” Ela respondeu: “Estou fugindo de Sarai, minha senhora”. 9 E o anjo do Senhor lhe disse: “Volta para a tua senhora e sê submissa a ela”. 10 E acrescentou: “Multiplicarei a tua descendência de tal forma, que não se poderá contar”. 11 Disse, ainda, o anjo do Senhor: “Olha, estás grávida, e darás à luz um filho e o chamarás Ismael, porque o Senhor te ouviu na tua aflição. 12 Ele será indomável como um jumento selvagem, sua mão se levantará contra todos, e a mão de todos contra ele. E ele viverá separado de todos os seus irmãos”. 15 Agar deu à luz o filho de Abrão; e ele pôs o nome de Ismael ao filho que Agar lhe deu. 16 Abrão tinha oitenta e seis anos, quando Agar deu à luz Ismael.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Responsório (Sl 105,1-5)

— Dai graças ao Senhor, porque ele é bom.
— Dai graças ao Senhor, porque ele é bom.

— Dai graças ao Senhor, porque ele é bom, porque eterna é a sua misericórdia! Quem contará os grandes feitos do Senhor? Quem cantará todo o louvor que ele merece?

— Felizes os que guardam seus preceitos e praticam a justiça em todo o tempo! Lembrai-vos, ó Senhor, de mim, lembrai-vos, pelo amor que demonstrais a vosso povo!

— Visitai-me com a vossa salvação, para que eu veja o bem-estar do vosso povo, e exulte na alegria dos eleitos, e me glorie com os que são vossa herança.

 

Evangelho (Mt 7,21-29)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 21 “Nem todo aquele que me diz: ‘Senhor, Senhor’, entrará no Reino dos Céus, mas o que põe em prática a vontade de meu Pai que está nos céus. 22 Naquele dia, muitos vão me dizer: ‘Senhor, Senhor, não foi em teu nome que profetizamos? Não foi em teu nome que expulsamos demônios? E não foi em teu nome que fizemos muitos milagres? 23 Então eu lhes direi publicamente: Jamais vos conheci. Afastai-vos de mim, vós que praticais o mal. 24 Portanto, quem ouve estas minhas palavras e as põe em prática, é como um homem prudente, que construiu sua casa sobre a rocha. 25 Caiu a chuva, vieram as enchentes, os ventos deram contra a casa, mas a casa não caiu, porque estava construída sobre a rocha. 26 Por outro lado, quem ouve estas minhas palavras e não as põe em prática, é como um homem sem juízo, que construiu sua casa sobre a areia. 27 Caiu a chuva, vieram as enchentes, os ventos sopraram e deram contra a casa, e a casa caiu, e sua ruína foi completa!” 28 Quando Jesus acabou de dizer estas palavras, as multidões ficaram admiradas com seu en­sina­mento. 29 De fato, ele as ensinava como quem tem autoridade e não como os mestres da lei.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

 

A IGREJA CATÓLICA CELEBRA E VENERA HOJE
São Pedro e São Paulo Apóstolos – principais líderes da Igreja Cristã

Hoje a Igreja do mundo inteiro celebra a santidade de vida de São Pedro e São Paulo apóstolos

Estes santos são considerados “os cabeças dos apóstolos” por terem sido os principais líderes da Igreja Cristã Primitiva, tanto por sua fé e pregação, como pelo ardor e zelo missionários.

Pedro, que tinha como primeiro nome Simão, era natural de Betsaida, irmão do Apóstolo André. Pescador, foi chamado pelo próprio Jesus e, deixando tudo, seguiu ao Mestre, estando presente nos momentos mais importantes da vida do Senhor, que lhe deu o nome de Pedro.

Em princípio, fraco na fé, chegou a negar Jesus durante o processo que culminaria em Sua morte por crucifixão. O próprio Senhor o confirmou na fé após Sua ressurreição (da qual o apóstolo foi testemunha), tornando-o intrépido pregador do Evangelho através da descida do Espírito Santo de Deus, no Dia de Pentecostes, o que o tornou líder da primeira comunidade. Pregou no Dia de Pentecostes e selou seu apostolado com o próprio sangue, pois foi martirizado em uma das perseguições aos cristãos, sendo crucificado de cabeça para baixo a seu próprio pedido, por não se julgar digno de morrer como seu Senhor, Jesus Cristo. Escreveu duas Epístolas e, provavelmente, foi a fonte de informações para que São Marcos escrevesse seu Evangelho.

Paulo, cujo nome antes da conversão era Saulo ou Saul, era natural de Tarso. Recebeu educação esmerada “aos pés de Gamaliel”, um dos grandes mestres da Lei na época. Tornou-se fariseu zeloso, a ponto de perseguir e aprisionar os cristãos, sendo responsável pela morte de muitos deles.

Converteu-se à fé cristã no caminho de Damasco, quando o próprio Senhor Ressuscitado lhe apareceu e o chamou para o apostolado. Recebeu o batismo do Espírito Santo e preparou-se para o ministério.

Tornou-se um grande missionário e doutrinador, fundando muitas comunidades. De perseguidor passou a perseguido, sofreu muito pela fé e foi coroado com o martírio, sofrendo morte por decapitação. Escreveu treze Epístolas e ficou conhecido como o “Apóstolo dos gentios”.

São Pedro e São Paulo, rogai por nós!

Onomástico Papa Francisco: “É São Jorge moderno”

Monsenhor Karcher segurou o microfone na noite da eleição do cardeal Bergoglio – ANSA
23/04/2015

Cidade do Vaticano (RV) – A Igreja recorda neste sábado (23/04), São Jorge e celebra, portanto, o onomástico de Jorge Mario Bergoglio, Papa Francisco.

A Rádio Vaticano entrevistou o sacerdote argentino Mons. Guillermo Karcher, membro do cerimonial pontifício e um dos colaboradores mais estreitos do Papa, que o conhece há mais de vinte anos.

Mons. Karcher: “Pensar hoje, neste onosmástico, no Santo do Papa, sendo o seu nome de Batismo Jorge, é bonito, porque quando penso nele e o vejo agir, posso dizer que é um ‘São Jorge moderno’, no sentido que é um grande lutador contra as forças do mal e o faz com um espírito realmente cristão. Nele vejo Cristo que semeia o bem, para combater o mal. Nisso ele é um exemplo, pois o fazia já em Buenos Aires e continua fazendo agora com aquela simplicidade que o caracteriza, que é tão forte, tão importante neste momento do mundo em que é necessária a presença do bem.”

Na Argentina, como cardeal, Francisco se apresentava como padre, como Pe. Jorge. Agora que é Papa, é forte esta dimensão da paternidade sacerdotal?

Mons. Karcher: “Sim, é verdade, mesmo porque ele é um jesuíta, é um padre e continua sendo. Me comove sempre todas às quartas-feiras, quando chegam os argentinos e muitos chamam o Papa Francisco de Padre, Pe. Jorge, Jorge. Realmente se nota a familiaridade, essa amizade que ele semeou durante anos em Buenos Aires, quando caminhava pelas estradas da cidade e ia visitar os lugares mais pobres da periferia da capital argentina. Eles continuam sentido ele próximo e o Papa se alegra e retribui com um sorriso, com um abraço, com um olhar paterno esta saudação que sai do coração das pessoas.”

Francisco tem um grande afeto e imensa popularidade, mas obviamente não faltam as críticas também do mundo católico. O senhor já viu o Papa triste por causa disso?

Mons. Karcher: “Não. São poucas as vezes que alguém faz um comentário assim. Ele sorri e diz: ‘Tudo bem. É melhor, pois assim conhecemos as pessoas’. Ele tem essa liberdade de espírito e essa força interior. Eu penso que seja um ungido pelo Espírito. Leva adiante o ministério confiado a ele pela Igreja para o bem da Igreja e do mundo, e o faz com serenidade e certeza de ânimo.”

O mundo é atraído pela espontaneidade de Francisco, mas no íntimo o Santo Padre é um homem de grande intensidade espiritual, imerso na oração. O senhor pode nos dizer alguma coisa sobre isso?

Mons. Karcher: “Sim, é uma pessoa que modelou, digo isso e reitero sempre, uma forte espiritualidade, porque é um homem de oração, um homem de Deus. Todos os dias ele dedica duas horas, pela manhã quando se levanta, à oração e reflexão. Depois vejo, como membro do cerimonial pontifício, a diferença que existe entre a sacristia antes e depois e a missa antes e depois. Explico melhor: ele é uma pessoa que gosta de cumprimentar todos os seminaristas, os ministrantes, e o faz, como o vemos na Praça São Pedro, com muito afeto. Depois que veste os paramentos litúrgicos, ele muda: vemos ele entrar na basílica ou se dirigir ao altar na praça como um homem de oração, homem concentrado no que está para celebrar, o mistério eucarístico. O mesmo acontece quando sai da nave central da basílica, quando todos chamam por ele: Francisco! Viva! Queremos bem a você! Ele, porém, vai em direção à sacristia. Isso é um exemplo também para o sacerdote, no sentido que nós estamos com o povo, mas quando devemos estar com Deus, estamos com Deus.”

Essas palavras são parecidas com as que o Cardeal Dziwisz disse como secretário de João Paulo II…

Mons. Karcher: “Sim. Posso dar testemunho também de João Paulo II, tendo sido membro ajudante do cerimonial pontifício, naquele tempo. Eles têm em comum essa presença de Deus, que se torna forte no momento oportuno.”

O senhor estava junto ao Papa Francisco na noite da eleição, segurava o microfone no qual Francisco falou pela primeira vez Urbi et Orbi. O que deseja ao seu bispo na festa de seu onomástico?

Mons. Karcher: “Que continue sendo si mesmo, com a sua coerência e transparência. Que continue assim, porque está fazendo tanto bem. Desejo que São Jorge o proteja e que ele continue lutando para o bem, semeando o bem como está fazendo agora.” (MJ)

Quarta-feira Santa

Por Mons. Inácio José Schuster

Judas, um dos doze, vai em direção aos Sumos Sacerdotes: “Quanto me dareis se eu Vo-lo entregar?”. Todos nós condenamos este gesto insano. Antes de nós, muitos artistas, pintores, escultores, pessoas dedicadas à literatura o condenaram. Judas recebeu uma desaprovação absoluta pelo mal que praticou com Jesus; mas muitas vezes ao condenar Judas nós nos esquecemos de olhar para nós. Nós conhecemos muito mais Jesus, do que conhecia ele. Judas sabia que Jesus era Deus? Que Jesus era o Salvador do mundo? Sabia que com Sua Paixão e morte, seguida de ressurreição, Ele sairia vitorioso do mal do pecado e da própria morte? Judas conhecia a teologia cristã e Católica que nós conhecemos? Quando nós pecamos e, sobretudo quando pecamos gravemente, diz o autor da carta aos hebreus: “Nós desprezamos o Sangue de Jesus que já foi derramado por nós”. Cada um se ponha a pensar no pecador. Cada um se ponha a pensar no tempo em que viveu no pecado, então nas faltas graves que terá cometido. Cada um então, de uma maneira muito mais consciente, quem sabe, de uma maneira muito mais livre do que Judas terá também, a seu modo, entregue Jesus. Na desgraça nossa, na profunda humilhação, um gesto inconsiderado, desumano, de Judas, vem repetido por cada um de nós, todas as vezes que, deliberadamente, conscientemente, voltamos as costas pra Cristo, nos tornamos inimigos de Deus e preferimos o pecado a Sua Pessoa. É possível que um ou outro tenha sido libertado do pecado grave. Mas o pecado grave, repete esta ação: nós condenamos Judas,  mas muitas vezes agimos como ele. Hoje estamos cientes das nossas responsabilidades, mas num único ato não o imitaremos, nós não desesperaremos. Judas, desesperado foi enforcar-se! Nesta Semana Santa, confiados na Misericórdia Infinita de Jesus, batamos no peito, peçamos que arrebente Ele o nosso coração de pedra e nos transforme desde dentro capazes de O amar e, sobretudo, ao próximo como a nós mesmos.

 

O maior objetivo nesta vida é conhecer a Deus. Tal conhecimento é o que há de melhor na vida, trazendo alegria, vida e felicidade. Qual seria então o motivo que levou Judas a trair seu divino Mestre? Avareza, amargo desapontamento diante dos anúncios de Jesus sobre sua paixão e morte? Desilusão face à idéia do Messias rei? Por outro lado, será que Judas não queria forçar para que Jesus tomasse medidas que o levassem a estabelecer o Reino messiânico? A iniciativa, porém, é do próprio Judá, que espera o momento propício, o horto das Oliveiras, para beijando entregar Jesus. Já na ceia Jesus se refere a esta traição. Aliás, os laços profundos e quase sacramentais entre a Ceia e a Páscoa tornam-se como que palpáveis, e a ceia do adeus, toda intimidade, penetrada de fervor e de amor eterno, assume assim seu aspecto dramático e carregado. Após este fato, Jesus pede aos discípulos que preparem a ceia da Páscoa. Ele lhes diz: “Ide à cidade, à casa de alguém e dizei-lhe: “O Mestre diz: o meu tempo está próximo. Em tua casa irei celebrar a Páscoa com os meus discípulos”. André de Creta observa: “Ditosos os que pela fé podem receber o Senhor, preparando seu coração como um cenáculo e dispondo com devoção a ceia”. No início da ceia, porém, volta à questão da traição de Judas. Não bastava preparar o recinto exterior.  O grande drama era justamente o fato de Judas não aceitar Cristo como ele era. Muitas vezes também nós somos tentados a utilizar Deus para nossos próprios propósitos. Não é Deus que deve ser mudado, mas nós é que somos mudados por Ele. Jesus leva seus discípulos a se examinarem profundamente à luz da Verdade de Deus e se interrogarem sobre sua fé, esperança e amor, que devem permanecer sólidos em meio às tentações. “Deus, nosso Pai, nós somos fortemente refratários a uma vida virtuosa. Fortalecei nossa fraqueza, perdoando-nos para que possamos enfrentar esta luta espiritual. Ajudai-nos contra nossa própria negligência e covardia”.

 

Mateus, capítulo 26, versículos 14 a 25.

Ontem meditamos a cena da traição de Judas contida no evangelho de João. Hoje contemplamos a mesma cena descrita pelo evangelista Mateus. Jesus está à mesa pela última vez com seus pobres discípulos. Pela última vez Jesus faz mesa comum com os pobres pecadores. Judas caríssimos irmãos, está prestes a desencadear toda a ação. Os evangelistas buscam uma explicação imediata para aquele ato insano de seu antigo colega. Era ávido pelo dinheiro. Judas era ladrão. Mas Jesus não despreza Judas nem no último minuto.

Como um bom judeu e celebrando uma ceia pascal, Jesus lhe dá um gesto preferencial, Ele lhe oferece pessoalmente um pedaço de pão, molhado naquela sopa que costumava acompanhar os pães ázimos. Um último e supremo gesto da parte de Jesus. Como se Ele quisesse dizer a Judas: da minha parte, apesar de tudo, não existe nenhuma animosidade, vai apenas amizade, delicadeza e também respeito. Da minha parte não existe nenhum rancor.

Meus caríssimos irmãos, se Jesus tratou Judas até o último minuto, antes que deixasse aquela sala com tanta deferência, com tanto carinho e ao mesmo tempo com tanto respeito, com que deferência, com que carinho e com que respeito Jesus trata cada um de nós que se sente nesta Semana Santa um pobre pecador?

Talvez não tenhamos chegado ao gesto tresloucado de Judas, mas muitos de nós se sentem acabrunhados pelos seus pecados. Eu me sinto caríssimos irmãos, acabrunhado por meus próprios pecados, mas me consola o gesto supremo e último de Jesus para com Judas. Era a última vez que os dois se viam assim digamos, numa cena familiar. A próxima vez e a última vez em que se verão, será no jardim quando Judas conduzirá a tropa para prender Jesus.

Aqueles últimos olhares de Jesus para com Judas, hoje caríssimos irmãos, se renovam para cada um de nós, a cada um de nós, qualquer que tenha sido o seu passado, quaisquer que tenham sido os seus pecados e a gravidade dos mesmos, pode sentir o olhar de Jesus que “in extremis”, deseja-lhe oferecer as mãos para puxá-lo, para arrancá-lo do abismo e reconduzi-lo para Deus. É isto que Ele fará nestes três últimos dias que nós celebraremos como tríduo pascal de sua Paixão, Morte e Ressurreição.

Que amor, que gratidão imensa deveria surgir de nossos pobres corações. Ao mesmo tempo, que felicidade, que tranqüilidade sabermos que somos tão amados apesar de tudo o que fizemos por Jesus Cristo, nosso Salvador.

Jesus nos defende do diabo, que está sempre à espreita

Domingo, 3 de janeiro de 2016, Rádio Vaticano

Francisco explicou que “Jesus nos defende do mal, do diabo, que sempre está à espreita diante da nossa porta, diante do nosso coração, e quer entrar”

“A vocação e a alegria de todo batizado é indicar e dar Jesus aos outros, mas para fazer isso devemos conhecê-lo e tê-lo dentro de nós, como Senhor da nossa vida”. Foi o que disse o Papa Francisco no Angelus deste primeiro domingo de 2016.

Francisco destacou que a liturgia do segundo domingo depois do Natal nos apresenta o prólogo de São João, ressaltando que o Verbo que se fez carne veio habitar no meio de nós a fim de que escutássemos e pudéssemos conhecer e experimentar o amor do Pai. “O Verbo de Deus é seu próprio Filho Unigênito, feito homem, repleto de amor e de fidelidade”, acrescentou.

A Palavra é luz e, no entanto, os homens preferiram as trevas; a Palavra veio entre os seus, mas eles não acolheram, observou o Santo Padre referindo-se ao Evangelho dominical. “Fecharam a porta diante do Filho de Deus” acrescentou.

“É o mistério do mal que insidia também a nossa vida e que requer de nossa parte vigilância e atenção para que não prevaleça. O Livro do Gênesis diz uma bela frase que nos ajuda a entender isso: diz que o mal está à espreita diante da nossa porta (cfr. 4,7). Ai de nós se o deixamos entrar; seria então ele a fechar a nossa porta a qualquer outro. Ao invés, somos chamados a escancarar a porta do nosso coração à Palavra de Deus, a Jesus, para tornar-nos assim seus filhos.”

Acolher a salvação de Jesus

Em seguida, o Papa frisou que com a liturgia do segundo domingo depois do Natal a Igreja nos convida mais uma vez a acolher essa Palavra de salvação, esse mistério de luz. “Se o acolhemos, se acolhermos Jesus – acrescentou –, cresceremos no conhecimento e no amor do Senhor, aprenderemos a ser misericordiosos como Ele.

“Especialmente neste Ano Santo da Misericórdia, façamos de modo que o Evangelho se torne sempre mais carne também em nossa vida. Tomar o Evangelho, meditá-lo, encarná-lo em nossa vida cotidiana é o melhor modo para conhecer Jesus e levá-lo aos outros.”

“Jesus nos defende do mal, do diabo, que sempre está à espreita diante da nossa porta, diante do nosso coração, e quer entrar”, reiterou Francisco.

Após a oração mariana, o Santo Padre quis renovar a todos seus votos de paz e bem no Senhor. “Nos momentos alegres e nos momentos tristes, confiemo-nos a Ele, que é a nossa misericórdia e nossa esperança!” – foi a exortação do Papa.

Antes de concluir, o Pontífice recordou o compromisso assumido no Ano Novo, Dia Mundial da Paz: “Vence a indiferença e conquista a paz”; com a graça de Deus, poderemos colocá-lo em prática, acrescentou.

Ler a Bíblia todos os dias

O Papa Francisco concluiu recordando um conselho por ele dado reiteradas vezes:

“Todos os dias ler um trecho do Evangelho, uma passagem do Evangelho para conhecer melhor Jesus, para escancarar o nosso coração a Ele, e assim poderemos fazer com que os outros o conheçam melhor. Carregar consigo um pequeno Evangelho no bolso, na bolsa, nos fará bem. Não se esqueçam: todos os dias leiamos uma passagem do Evangelho.”
Por fim, a todos desejando um bom domingo, Francisco pediu que não se esquecessem de rezar por ele.

Papa destaca males causados pelas inimizades

Segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017, Da Redação, com Rádio Vaticano

Na missa celebrada nesta segunda-feira, Francisco explicou que a dor é cristã, mas o ressentimento não

O Papa Francisco iniciou a semana celebrando a missa na capela da Casa Santa Marta nesta segunda-feira, 13.

O Papa ofereceu a celebração por padre Adolfo Nicolás, prepósito-geral da Companhia de Jesus de 2008 a 2016, que na quarta-feira retorna ao Oriente para o seu trabalho. “Que o Senhor retribua todo o bem feito e o acompanhe na nova missão. Obrigado, padre Nicolás”. disse Francisco.

A primeira Leitura, extraída do Livro do Gênesis, que fala de Caim e Abel, esteve no centro da homilia de Francisco.

O Papa explicou que pela primeira vez na Bíblia se diz a palavra irmão. É a história de uma fraternidade que devia crescer, ser bela e acaba destruída. Uma história que começa com um pouco de ciúme: Caim fica irritado porque o seu sacrifício não é apreciado por Deus e começa a cultivar aquele sentimento dentro de si. Poderia controlá-lo, mas não o faz.

“E Caim preferiu o instinto, preferiu cozinhar dentro de si este sentimento, aumentá-lo, deixá-lo crescer. Este pecado que cometerá depois, que está oculto atrás do sentimento. E cresce. Cresce. Assim crescem as inimizades entre nós: começam com uma pequena coisa, um ciúme, uma inveja e depois cresce e nós vemos a vida somente daquele ponto e aquele cisco se torna para nós uma trave, mas a trave nós que temos, está lá. E a nossa vida gira em volta daquilo e destrói o elo de fraternidade, destrói a fraternidade”.

Francisco destacou que aos poucos a pessoa fica obcecada por aquele mal, que cresce sempre mais, e que assim cresce também a inimizade, de maneira que o outro já não é visto mais como um irmão, mas como um inimigo. Assim se destroem as pessoas, famílias, povos e tudo!

“Aquele corroer o fígado, sempre obcecado com aquilo. Isso aconteceu com Caim, e no final acabou com o irmão. Não: não há irmão. Somente eu. Não há fraternidade. Somente eu. Isso que aconteceu no início acontece a todos nós, a possibilidade; mas este processo deve ser detido imediatamente, no início, na primeira amargura, detido. A amargura não é cristã. A dor sim, a amargura não. O ressentimento não é cristão. A dor sim, o ressentimento não. Quantas inimizades, quantas rupturas”.

Inimizades

Alguns novos párocos concelebraram com o Papa. Francisco chamou atenção também para a inimizade entre os padres, nos presbitérios, nos colégios episcopais.

“Quantas rupturas começam assim! ‘Mas por que deram a sede a ele e não a mim? E por que isso?’ E … pequenas coisinhas… rupturas… Destrói-se a fraternidade”.

O Papa recorda o trecho em que Deus pergunta “Abel, onde está teu irmão?” e destaca que a resposta de Caim é irônica: “Não sei: Acaso sou o guarda do meu irmão?”, e então Deus responde: “Sim, és tu o guarda do teu irmão.”

O Papa afirmou que cada um de nós pode dizer que jamais matou alguém, mas que se tivermos um sentimento ruim por um irmão, o matamos, se o insultamos, o matamos em nosso coração.

“E quantos poderosos da Terra podem dizer isto: ‘Tenho interesse por este território, tenho interesse por aquele pedaço de terra, por aquele outro, se a bomba cair e matar 200 crianças não é culpa minha, é culpa da bomba. Tenho interesse naquele território…’. E tudo começa com aquele sentimento que o leva a se distanciar, a dizer ao outro: ‘Este é fulano, ele é assim, mas não irmão’, e acaba na guerra que mata. Mas você matou no início. Este é o processo do sangue, e o sangue hoje de tantas pessoas no mundo clama a Deus da terra. Mas está tudo ligado, eh? Aquele sangue lá tem uma relação, talvez uma pequena gota de sangue, que com a minha inveja, o meu ciúme fiz derramar, quando destrói uma fraternidade”.

Para concluir, o Papa pediu que o Senhor nos ajude a pensar naqueles que destruímos com a língua e a todos os que no mundo são tratados como coisas e não como irmãos.

V Domingo do Tempo Comum – Ano A

Por Mons. Inácio José Schuster

Após as oito bem aventuranças, Mateus, no Evangelho de hoje, mostra duas afirmações de Jesus a nós, discípulos Seus: “vós sois o sal da terra; vós sois a luz do mundo.” Em primeiro lugar, sal da terra foi o próprio Cristo, em Sua encarnação, em Suas parábolas, em Seu anúncio do Reino de Deus, em Sua morte e ressurreição. Luz do mundo é o próprio Cristo, que pôde afirmar de Si mesmo: “Eu sou a luz do mundo, quem Me segue, não anda em trevas, mas terá a luz da vida”. Se Jesus nos oferece esta possibilidade de sermos sal e luz, o faz subordinadamente a Ele. Enquanto possuirmos Sua sabedoria, poderemos oferecer Sua mensagem aos homens nossos irmãos; enquanto nós mesmos formos iluminados por Ele, poderemos iluminar por nossa vez. Não iluminamos de luz própria. Iluminamos porque somos iluminados, mas agora é preciso caminhar e progredir mais. Se realmente queremos prestar um serviço à nossa sociedade, nosso Brasil e à Comunidade da Igreja, é preciso que saibamos como ser concretamente sal, como salgar e preservar, como ser luz e iluminar. Isto nós o faremos através daquilo que eu chamaria a diferença Cristã. Diferença Cristã é um estilo de vida diferente do estilo de vida daqueles que não tem fé, um estilo diferente daqueles que são ateus ou agnósticos, e isto, não para através de privilégios indébitos, falarmos de altiplano e lançar de cima raios condenatórios sobre a pobre humanidade pecadora. Isto para prestar um serviço aos seres humanos. Sim, insisto nesta expressão: diferença Cristã. Pois se um Cristão não mostra certa diferença em seu estilo pessoal de vida, em seu estilo concreto, em seu modo de falar, em seu modo de reportar-se a outras pessoas, em seu modo de conviver com os demais, em seu modo de trabalhar nas mais diversas profissões, esse Cristão deixou de salgar; deixou de iluminar. Ele, por sua vez, não possui mais a luz de Cristo. E assim, lamentavelmente, são muitos Cristãos que se tornaram peso morto para a Igreja, e não me canso de usar esta expressão, totalmente incapazes de orientar quem quer que seja. Jesus aqui parece preferir a orientação que provém do estilo de vida da diferença Cristã do que propriamente das palavras esclarecedoras de nossa fé. É evidente que estas palavras também podem provir e serem úteis no momento oportuno. No entanto, a diferença Cristã, aquele modo de comportar-se do discípulo de Jesus, que o distingue dos demais, é um serviço que devemos, urgentemente, prestar à nossa Comunidade, à nossa família e à sociedade em geral.

 

O evangelho deste domingo, muito breve, coloca na boca de Jesus as duas características dos seus discípulos. A primeira característica é ser “sal da terra”: o discípulo de Jesus é aquele que contempla este mundo, através da “sabedoria” dos desígnios de Deus. No domingo passado, São Paulo dizia-nos que Jesus é para nós sabedoria de Deus. É Cristo, Palavra de Deus, que nos dá a conhecer os desígnios de Deus, manifestados, de um modo especial, na Cruz. Hoje, São Paulo diz-nos que para anunciar Cristo e a sua cruz não basta a sabedoria humana, mas também a força do Espírito Santo que nos faz compreender as palavras de Cristo, nas quais encontramos a “sabedoria” cristã. É esta a sabedoria que deve ser comunicada, pelos discípulos, ao mundo, sendo sal da terra, para que o mundo faça a experiência do sabor das coisas de Deus.
A segunda característica dos discípulos de Cristo é ser “luz do mundo”. Assim como Cristo é a “Luz da Luz” (Credo Niceno-Constantinopolitano), a luz verdadeira que, ao vir ao mundo, ilumina todos os homens, assim também devem ser os discípulos. Há bem pouco tempo, no evangelho, líamos que “para aqueles que habitavam na sombria região da morte, uma luz se levantou”. Neste domingo, o evangelho diz-nos como o discípulo de Cristo deve ser “luz”: pela prática do bem.
A palavra “sal” indica o testemunho dado pela palavra; a palavra “luz” indica o testemunho dado pelas obras. Na 1ª leitura, de Isaías, encontramos a ideia de que quando fazemos o bem ao próximo, “a tua luz brilhará na escuridão e a tua noite será como o meio-dia”. Assim, como resposta à 1ª leitura, cantaremos no Salmo Responsorial: Para o homem reto, nascerá uma luz no meio das trevas.
Fazer boas obras é acender a lâmpada sobre o candelabro, onde brilha para todos os que estão em casa. Praticar a caridade e o amor ao próximo é uma luz que ilumina todos aqueles que nos rodeiam, não para seu próprio louvor, mas para que o louvor a Deus Pai se espalhe a todos os povos, imitando Jesus no cumprimento da sua missão salvífica.

 

O Evangelho do discernimento
Padre Bantu Mendonça

Jesus acabou de apresentar o seu plano de pastoral. E então, didaticamente, Mateus faz uma coleção das grandes sentenças de estilo sapiencial, associadas a Jesus, para doutrinação. Ditos e sentenças esparsas, originários de palavras de Jesus, que circulavam livremente como tradição entre os cristãos. Vários destes ditos e sentenças aparecem dispersos ao longo dos outros evangelhos sinóticos, Marcos e Lucas. Depois de nos ter apresentado o seu plano de pastoral no Sermão da Montanha. Para Mateus, Jesus nos faz responsáveis pela vida dos nossos irmãos e irmãs. E por isso usa as figuras do sal, da cidade e da luz. Mas padre, o que é ser sal e luz para o meu irmão e minha irmã? E então eu responderia: Ser sal é ser o que dá gosto às coisas. Ser luz é ser o que ilumina. Todavia, cuidado. Porque a prerrogativa de ser sal e de ser luz pode tanto se inclinar para o bem, quanto para o mal. Aquele que se volta para o mal se torna também uma pessoa salgada, porém, salga a si mesma, dá gosto a si própria. Veja bem, aquele que se projeta como um grande político ateu, um maçom em alto grau, um empresário inescrupuloso, um déspota, ou mesmo um criminoso famoso são exemplos de ser sal, mas para o mal. Quer coisa mais salgada do que Hitler? Ele foi luz e sal, porém, em oposição ao bem. Quantas pessoas brilham por aí… brilhos efêmeros. Por exemplo, quantos cantores, compositores, atores, apresentadores, jogadores de futebol brilham ou brilharam como um cometa? Gostar de futebol, tudo bem! Mas quantos assalariados se privam de coisas para ir ao campo de futebol, fazendo com que certos jogadores ganhem fortunas. Isto é acender luzes. São luzes que acendemos impróprias, mas que “iluminam”. Poderiam ser chamadas de trevas, pois estão em oposição à luz de Deus, que é a verdadeira luz. Devemos ter muito cuidado com o nosso agir, com o nosso ser. Deus quer que sejamos sal e luz para glorificá-lo, para a construção do Seu Reino. E isto só é possível vivendo conforme nos ensina. Por isso termina dizendo que a luz deve ser mostrada. Devemos mostrar isso às pessoas em louvor a Deus. Ser luz e ser sal para glorificar a Deus é muito diferente do que se pensa e é difícil agir com este entendimento, porque a tentação está sempre a nos sugerir que sejamos luz e sal para nós mesmos. A todo momento sentimos aquela tentação: Por que ser luz de outra forma? Seja luz para si mesmo, assim vai brilhar muito mais. Por que ser gosto de outra forma? Seja gosto para si mesmo. Você é bonito, inteligente e vai perder tudo isto por uma bobagem? Não! Pense em você, colha para si mesmo os louros de seu trabalho, de sua vitória, de seu sucesso. O pecado original surgiu daí: da vaidade e da soberba. Este Evangelho é muito claro. Essa luz e esse sal podem ser dados para ambos os lados, adquirindo, obviamente, conotações opostas e consequências distintas. Jesus disse que não se acende uma luz para colocá-la debaixo da mesa, mas na luminária. Disse ainda que não se pode esconder uma cidade situada sobre uma montanha, quer dizer, se estivermos crescendo diante de Deus ou do demônio, vamos aparecer de forma positiva ou negativa, naturalmente. Este é também o Evangelho do discernimento. Devemos discernir a luz que brilha para Deus e o sal que salga para o bem. Precisamos desse discernimento, para refletirmos a luz de Deus e sermos o sal da terra louvando-o; caso contrário vamos brilhar e salgar para outras finalidades, que não conduzem ao Pai que está no Céu. Mas sim ao pai da mentira, ao pai das trevas que é satanás. Pai, tenho diante de mim o mundo todo a ser evangelizado. Transforma cada circunstância e cada momento da minha vida em chance para dar testemunho do teu Reino.

 

Todos os cristãos são chamados a ser sal da terra e luz
Padre Paulo Ricardo

“Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos Céus. Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem, e mentindo disserem todo tipo de mal contra vós, por causa de mim. Alegrai-vos e exultai, porque será grande a vossa recompensa nos céus.” Mateus 5,11-12 Esses versículos foi a última frase que ouvimos domingo passado, agora na continuação das bem aventuranças Jesus muda o tom do sermão nos dizendo:“Vós sois o sal da terra. Vós sois a luz do mundo”, esse contexto é para os cristãos perseguidos. Todos os cristãos são chamados a ser sal da terra e luz do mundo, mas principalmente os perseguidos. Que tipo de perseguição sofremos hoje na Igreja? Podemos ver pela vida de São Pio de Pietrelcina. Um frade que tinha estigmas, eram aspectos físicos de sua santidade, mas também aspectos interiores extraordinários, como o da perseguição, perseguição não somente dos de fora, mas dos que estavam dentro da Igreja, marcado pelo sofrimento e zelo pelas almas dizia: “A salvação das almas custam sangue.” É aquilo que está livro de Hebreus 9, 22: “Não há redenção sem derramamento de sangue.” Quantas vezes Padre Pio foi considerado um homem clinicamente morto, com as febres de mais de 50 °C, nesse período em que se encontrava doente, ele recebeu as chagas. Um homem com um dom, as experiências de confessar-se com ele era extraordinária por que ele lia a alma das pessoas, e também tinha um grande amor pela alma dos seus filhos espirituais, onde falava: “Quando o Senhor me chamar, eu direi: ‘Senhor, eu fico aqui, na porta do Paraíso. Entrarei quando tiver visto entrar o último de meus filhos espirituais’.” Ele realizava esse grande prodígio: Atender confissões e celebrar Missa. Padre Pio foi chamado a se configurar a Cristo de outras formas, não somente no físico através das chagas, mas pelas calúnias, onde foi condenado injustamente, alguns padres e bispos tiveram inveja dele, com tudo isso, ele nunca falou mal da igreja. Com ele aprendemos que cada alma deve ser salva, e que cada alma tem preço de sangue. Ele pagou o preço da salvação de muitos, foi o único sacerdote que teve as chagas de nosso Senhor, todos os outros foram leigos. A boa nova do Padre Pio é ter se configurado a Cristo Crucificado. Jesus sofreu e morreu na cruz por todos, mas Ele escolhe algumas pessoas, para partilhar seu sofrimento. “Assim também brilhe a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e louvem o vosso Pai que está nos céus.” Mateus 5,16 Jesus nos diz através de Padre Pio: “Vai ama-me de volta! Seja você também caluniado, chagado por mim! Ama-me de volta!” Por isso, Padre Pio brilha como luz, assim também que a sua luz brilhe para o mundo no seu sofrimento. Olha a história da igreja que está marcado por tantos inimigos de fora, mas também de dentro. O inimigo que devemos temer não é o que está no externo, mas no interno, aquele que não quer que sejamos fiéis a Deus. Outro exemplo que temos é o Bem aventurado José de Anchieta que não teve medo dos bárbaros de fora, mas dos bárbaros dentro dele, ainda seminarista escrevia poemas para a Virgem Maria, modo de preservar sua castidade. Reze portanto, pelas conversões. A Igreja Celeste, são cidades iluminadas edificadas na montanha que não podem ser escondidas, enquanto isso na terra precisamos dessa batalha, para que nossa chama, não se apague. Estamos em perigo, a Igreja triunfante já está plenamente realizado, aqui estamos em luta, contra os inimigos de Deus que estão foram da Igreja, e infiltrados nela, que estão fora e dentro de nós. Mas a nossa luz não é nossa, é como a luz da lua que não tem luz própria, mas que reflete a luz do Sol, assim é a Igreja. Vivemos o mistério da lua que reflete a luz de Cristo. É a luz de Cristo que precisa brilhar!

 

5º DOMINGO DO TEMPO COMUM, A
Padre Wagner Augusto Portugal, Vigário Judicial da Diocese da Campanha (MG)

“Entrai, inclinai-vos e prostrai-vos: adoremos o Senhor que nos criou, pois Ele é o nosso Deus” (cf. Sl. 94, 6s).
Meus queridos Irmãos, O Evangelho deste domingo (cf. Mt 5,13-16) é uma continuação do Sermão da Montanha, conforme Mateus, declarando que os que escutam e aceitam a Palavra de Jesus Cristo são sal da terra e a luz do mundo. Os autênticos e verdadeiros discípulos dão cor e sabor a este mundo. Mas, quando perdem estas qualidades, também não prestam para mais nada. A Primeira Leitura (cf. Is 58, 7-10) oferece um exemplo daquilo que os ouvintes de Jesus, acostumados aos textos do Antigo Testamento, ouviam ressoar nos seus ouvidos ao escutarem tais explicações: “Quando repartes teu pão com o faminto e concedes hospedagem ao pobre, então, tua luz surge como a aurora, tua justiça caminha diante de ti… Se expulsas de tua casa a opressão e sacias o oprimido, então surge tua luz nas trevas e tua escuridão resplandece como o pleno dia” (cf. Is 58, 6a.7-10). A Primeira Leitura apresenta o povo de Israel retornando do Exílio, mas a reconstrução da pátria não deslancha. Todo o jejum e a penitência parecem servir para nada. Aí, o terceiro Isaías aponta a raiz do problema: é impossível o verdadeiro bem, enquanto não se observam os mandamentos fundamentais da justiça e do amor. Sem isso, os pios exercícios não louvam a Deus. Sem isso, não pode haver diálogo com Deus. Assim poderíamos perguntar o que dá sabor e cor à vida? Não é, de maneira alguma, como muitos pensam, o prazer, a ostentação, o luxo; nem mesmo o progresso ou a erudição intelectual; nem mesmo a arte, a música e, muito menos a filosofia. O que oferece cor à vida é ocupar-se dos pobres, dos pequenos, dos lascados. Para os sábios deste mundo, Jesus tem um grande mau gosto! Para Jesus, dar cor e sabor a vida é ocupar-se com o fraco, o impotente, que aos olhos de Deus vale tanto e mais do que o forte. O pequeno, que merece atenção maior, porque não sabe se defender. Uma boa mãe não dedica atenção especial aos filhos mais fracos e desvalidos? Dar cor e sabor a vida não é eliminar o que é fraco, mas abrir espaço para todos os seres queridos por Deus. Amados Irmãos, As bem-aventuranças são a estrada a caminhar, ou o campo a cultivar. O ser sal, luz, sinal – as três imagens do Evangelho de hoje – são as conseqüências quase diria, são a colheita de quem plantou no campo das bem-aventuranças. Para ser sal ou um sinal é preciso antes termos assimilado, encarnado as bem-aventuranças. Três imagens permeam a liturgia de hoje: O SER SAL, LUZ E SINAL. Não são símbolos novos para a vida do judeu. O sal era usado no culto (cf. Lv 2, 13). A Luz perpassa a Sagrada Escritura como “vestimenta de Deus”  e era o símbolo da presença do Senhor. Com os três sinais, Deus mostra uma bela pintura em que está colocada o retrato da pessoa perfeita como o Pai do Céu. O sal nos recorda três qualidades essenciais para a vida do cristão: A primeira qualidade é a pureza. O sal como que nasce do mar e do sol, dois elementos puros, que se impõem por si mesmos. O tema da pureza esta em toda a Sagrada Escritura: pureza de intenções, pureza de ações, pureza de culto. A criatura perfeita tem uma palavra só: a sinceridade amanhece e anoitece no seu pensamento; a lealdade se espelha em todas as decisões; a honestidade lhe está tão pegada como a carne aos ossos. A segunda qualidade do sal é o preservar. Preserva tudo quanto envolve. A criatura bem-aventurada devera ser como o sal: dentro da sociedade será quem conservará sempre intactas as qualidades próprias do cidadão do Reino, entre as quais a piedade genuína, a bondade de coração, a compreensão para com todos, o perdão sem condições, o amor fraterno e o espírito da paz. A terceira qualidade do sal é o dar gosto. Como o sal tempera as coisas, a criatura bem-aventurada dará a sociedade o gosto pelas coisas de Deus, que a Sagrada Escritura chama de “SABEDORIA”. O gosto pela presença de Deus implica necessariamente o gosto pela vida, pela verdadeira vida, que é sempre divina na origem, humana no tempo presente, e divino-humana em seu destino. Estimados Irmãos, A segunda imagem da liturgia de hoje (cf. 1Cor 2, 1-5) é a LUZ DO MUNDO. Repete o sinal do sal e engrandece o mesmo sinal sobremaneira. A luz que clareia. A luz que ilumina. A luz que é necessária para a nossa sobrevivência. Nada vive ou cresce no escuro. E Cristo sabe disso porque Ele disse: “Eu sou a luz do mundo” (cf. Jo 8, 12). A luz que iluminou os hebreus no exílio e na volta para a terra prometida, demonstra a presença de Deus na humanidade, o Deus vivo, dador da vida, que indica o caminho correto a trilhar. A pessoa bem-aventurada é luz para a humanidade. Mostrar a beleza das criaturas, fecunda e vivifica tudo, e é salvação para a humanidade. O bem aventurado é chamado de “filho da luz” por São Paulo(Cf. 1 Ts 5,5). Jesus é a luz do mundo. Mas pede a cada um de nós que sejamos na nossa casa, no trabalho, na sociedade e na Igreja o sinal desta luz admirável e santificadora. Os discípulos de Jesus são responsáveis pelo mundo: devem dar-lhe clareza e sabor, por suas boas obras, que recolhem o louvor, não para eles, mas para o Pai. Pode acontecer também que o mundo responda de modo contrário: perseguição. Esta dupla possibilidade realizou-se também para o Mestre, que é a “luz do Mundo”. Meus caros irmãos, A terceira imagem é a da cidade sobre o monte. Garantia de segurança sempre foi o motivo de se construir sobre o monte. O Bem Aventurado esta protegido como uma cidade sobre o monte. Podem vir às tribulações, tempestades, atentados, sofrimentos, e até a morte e morte de Cruz num calvário. Nada o perturba. Ninguém o aprisiona. Goza da verdadeira liberdade. Ele está em Deus, a segurança absoluta e o santo refugio. E estando em Deus e com Deus, o homem bem-aventurado se torna segurança para os seus, para os que convivem com ele. Caros irmãos, A pergunta fundamental da liturgia de hoje é provocante: será que nós, cristãos, não apoiamos o sistema injusto e opressor dos fracos e dos pobres? A pobreza de nossos países latino-americanos não se explica pela recusa da técnica, ou da preguiça congênita e irremediável, mas pela secular exploração das matérias-primas, pela submissão forçada a uma raça, pelo comércio internacional baseado na intimidação ou na boicotagem, nas “ajudas” internacionais como modo de desfazer-se utilmente de mercadorias inúteis. Fica então uma interrogação: será que a luz de Cristo ainda ilumina este “mundo” ou ao contrário, ilumina só um “mundo futuro”, para o qual devemos caminhar como num êxodo? A luz de Cristo corre o risco de ser seriamente ofuscada e isso é perigoso. A inconsciência da solidariedade no testemunho, o desinteresse por uma expressão comunitária da nossa fé, a política de se lavar as mãos quanto aos fatos em que não estão em jogo os nossos interesses, a intervenção ingênua em defesa da “ordem constituída” impedem às nossas comunidades eclesiais de fazer ver a luz. É necessária uma contínua reflexão a fim de que as estruturas não se tornem barreira ou contra-testemunho da nossa Igreja. Por isso a nossa fé tem que se tornar ação, com sabedoria e eficácia, para não destruir nada de válido, para fazer brotar as sementes de bem que existem por toda a parte e que esperam um bom terreno, um cultivo cuidadoso e o confiante recurso ao auxílio decisivo de Deus. Amados Irmãos, Procuremos viver as bem-aventuranças com autenticidade porque se abrem, assim os portais da terra e do universo, alargando os horizontes do céu. A criatura humana que, no máximo, podia-se imaginar uma candeia, toma as dimensões de sol, que nasce por sobre a montanha e ilumina encostas e planícies: a luz do mundo. Desejemos pois a cidade sobre o monte, a Jerusalém Celeste, extasiante, santa e inesquecível. Assim todos desejarão conhecê-la, amá-la e vivê-la plenamente.

 

“Vós sois o sal da terra… Vós sois a luz do mundo”
Por Dom Emanuele Bargellini, Prior do Mosteiro da Transfiguração
V DOMINGO DO TEMPO COMUM
Leituras: Is 58, 7 -10; 1 Cor 2, 1-5; Mt 5, 13 -16

“Não vi nenhum templo nela (na nova Jerusalém), pois o seu templo é o Senhor, o Deus todo poderoso, e o Cordeiro. A cidade não precisa de sol ou da lua para iluminar, pois a glória de Deus a ilumina, e sua lâmpada é o Cordeiro” (Ap 21, 23) O profeta do Apocalipse nos faz contemplar a santa cidade de Jerusalém que, no cumprimento escatológico da sua história, brilha da luz do próprio Senhor, e quase que se identifica com ele mesmo, partilhando do seu esplendor. Seus habitantes, resgatados pelo sangue do Cordeiro imolado e vivente, ficam em relação de total adesão ao próprio Senhor e irradiam a vida dele, sua glória e sua luz. A cidade dos homens coincide ao final com a cidade de Deus. O futuro prometido e esperado através de tantas promessas divinas, ansiedades e provações, está finalmente presente. Até o símbolo mais sagrado da presença e do compromisso de Deus para com seu povo peregrino na história, o templo da Jerusalém terrestre, desaparece deixando o lugar à sua realidade, que é a presença de Deus penetrada na vida cotidiana do povo. Praças, ruas e lares coincidem com o templo, pois a vida dos habitantes da cidade santa corresponde à aliança para com Deus, e nesta correspondência entre vida e chamado de Deus realiza-se o verdadeiro culto ao Senhor. Ele é a luz que ilumina e orienta a vida dos habitantes da nova Jerusalém, e eles se tornam seu templo vivo. No centro do “novo céu e da nova terra”, símbolo da renovação messiânica universal, preanunciada pelos profetas (Is 65,17) e realizada plenamente em Cristo, abrangendo pessoas e a criação inteira, está a nova Jerusalém, a esposa do Cordeiro, enfeitada por ele mesmo para a festa das núpcias. O ideal do êxodo é finalmente atingido: “Vi também descer do céu, de junto de Deus, a cidade santa, a Jerusalém nova, pronta como uma esposa que se enfeitou para seu marido” (Ap 21, 2). Sonhos, fantasias? Fuga da ambígua e dura realidade do presente, à procura de consolo no imaginário? Quanta luz, esperança e força interior, projeta no precário caminho da história presente do povo de Deus esta visão da fé que antecipa a realidade escatológica que agora fica escondida no ventre materno da própria história! Ao longo dos séculos, ideologias filosóficas e políticas, e até intuições religiosas, não pouparam esforços para propor perspectivas de justiça, harmonia e paz que respondessem ao profundo anseio humano de plenitude da vida e da felicidade. Promessas messiânicas de auto-salvação. Com certeza algumas delas ajudaram numa certa medida o homem a fazer um trecho do caminho, mas muitas vezes falharam ao alcançar o objetivo principal prometido, e se transformaram em novas formas de escravidão humana e espiritual. É suficiente lembrar a dramática história do século vinte e das suas principais ideologias!  Mas mesmo as práticas religiosas não conseguem escapar ao risco da ilusão, – nos admoesta o profeta Isaías (1 leitura) – quando a elas não corresponde uma vida que assuma os horizontes e o estilo de Deus, que é a prática da justiça, o cuidado pelos necessitados e a dedicação em favor dos mais frágeis. “Assim diz o Senhor: Reparte o pão com o faminto, acolhe em casa os pobres e peregrinos. Quando encontrares um nu, cobre-o, e não desprezes a tua carne. Então brilhará tua luz como aurora…. a frente caminhará tua justiça e a glória do Senhor te seguirá” (Is 58,7-8). “O caminho do justo – canta a LH do comum dos santos homens – é uma luz a brilhar: vai crescendo da aurora até o dia mais pleno”. Uma vida que se deixa inspirar pelo estilo de Deus, é um caminho de profunda experiência da presença transformadora de Deus e de libertação. Ela está em continuidade com a saída do povo de Deus do Egito, quando o próprio Senhor guiava no deserto seu caminho para a terra prometida com a nuvem de dia e com a coluna de fogo de noite (cf. Ex 13,21). O dom da aliança e da Torá, deviam tornar permanente a luz oferecida por Deus, para guiar o povo na estrada da felicidade e da vida e construir uma sociedade digna dos filhos e das filhas de Deus. É impressionante o oráculo, cortante como uma espada, de todo o capítulo 58 de Isaías, o qual destaca a contradição em que vivem os chefes e o povo no que diz respeito à aliança e à Torá. Reclama a interiorização das práticas religiosas, segundo o espírito da aliança, como já tinham admoestado os grandes profetas antecedentes. A trágica experiência do exílio tinha colocado a nu a inconsistência de uma religiosidade, satisfeita com os aspectos exteriores, mas desprovida de autêntica experiência de Deus e de compromisso solidário com os irmãos. Da experiência do exílio nasce em Israel uma nova espiritualidade profundamente renovada. Talvez, na misteriosa Providência divina, nós também hoje tenhamos de tirar proveito da experiência purificadora da secularização da sociedade contemporânea, como o Israel do exílio, para abrir os olhos sobre a fragilidade de uma religiosidade às vezes superficial, e abrir os ouvidos à voz do Espírito, para fundamentar nossa fé em maneira mais profunda e coerente.  A mensagem do profeta antecipa as cortantes posições do Novo Testamento: Jesus identifica a si mesmo com os necessitados (cf. Mt 25, 40 ), Paulo, enraíza a exigência de um novo estilo de vida dos discípulos na experiência pascal de Jesus através do batismo (cf. Rm 12, 1-2; Cl 3, 1-4). Thiago reivindica a caridade operosa como sinal da autenticidade da fé (cf. 2, 14-17), assim como João vai repetindo nas suas cartas que “Aquele que não ama não conheceu a Deus, porque Deus é amor” (1 Jo 3, 8). A Igreja está plenamente consciente que o dinamismo transformador e iluminador vem do próprio Senhor. É a razão porque cada ano continua celebrando, em maneira nova, o mistério da luz de Cristo que brilha nas trevas e ilumina o caminho da humanidade. Toda a liturgia do Tempo de Natal-Epifania foi uma proclamação e uma celebração desta fé, feita com riqueza de textos bíblicos e litúrgicos, de cantos e ritos, e de alegria. Qual energia divina esta liturgia libertou dentro de nós? Quais compromissos ela suscitou, nos quais consiga irradiar-se a luz que nos atingiu? “O povo que andava na escuridão viu uma grande luz… Fizeste crescer a alegria e aumentaste a felicidade…” (Is 9, 1-6). As luzes que iluminaram as igrejas assim como as pequenas capelas das comunidades, e mesmo os arranjos luminosos das ruas das cidades e dos lares familiares, não deveriam apagar-se no vencimento da programação dos dias festivos. A Igreja está ciente de quão complicado seja o coração do homem e da mulher. A celebração da luz manifestada na fragilidade da carne de Jesus se faz uma invocação, para que ela nos acompanhe além da festa do Natal: “Ó Deus, que fizestes resplandecer esta noite santa com a claridade da verdadeira luz, concedei que, tendo vislumbrado na terra este mistério, possamos gozar no céu sua plenitude” (Natal- Missa da noite, Oração do dia). Ter os olhos fixos para Cristo, verdadeira luz, nos proporciona a capacidade de julgar e gozar em maneira correta das tantas luzes que hoje brilham no caminho dos homens e das mulheres, mesmo fora do tempo das festas natalinas. Luzes que deixam brilhar o amor de quem tem cuidado com ternura dos que estão na dor, no abandono, no desespero, fora dos holofotes da publicidade, escondidos nos apartamentos, nos hospitais, nas sombras obscuras das ruas super-iluminadas da cidade. Luzes dos escritórios e das lojas, acesas sem interrupção, testemunhas mudas do homem que fica empenhado sem parar na construção do próprio presente e do próprio futuro com suas próprias mãos. Luzes que às vezes se apresentam como alternativas definitivas na busca do sentido e da felicidade da vida, nos brilhantes shopping centers, as novas “catedrais” das metrópoles modernas, que atraem multidões ao novo culto da cobiça pelas mercadorias de todo tipo, expostas com abundância nas vitrines. Luzes e sombras, autenticidade e aparências, se misturam no dia a dia e parecem refletir-se umas nas outras. Babilônia e Jerusalém se cruzam. Somente o olho dos que “vivem na luz” do Senhor pode distinguir uma da outra e ajudar a cidade dos homens a tornar-se um pouco mais cidade de Deus desde já, na medida em que se torna mais autenticamente humana. A afirmação de Jesus no evangelho de hoje,“Vos sois a luz do mundo… assim também brilhe a vossa luz diante dos homens para que vejam as vossas boas obras e louvem o vosso Pai que está nos céus…” (Mt 5,14.16), pressupõe a experiência da autêntica relação pessoal com Cristo, a qual fundamenta o testemunho: “Eu sou a luz do mundo. Quem me segue não andará nas trevas, mas terá a luz da vida” (Jo 8,12). Essa relação transforma a pessoa e permite ao discípulo assumir os mesmos pensamentos e as mesmas atitudes de Jesus na própria vida. O processo da relação com Jesus, origem de luz verdadeira, coincide com o processo de conversão ao Senhor, conversão que jamais se poderá dizer plenamente terminada. Se faltar esta experiência transformadora e luminosa do Senhor, onde o discípulo poderá haurir e partilhar o “sabor do sal” da vida cristã? A Igreja do Concílio Vaticano II fez a escolha de voltar a confrontar-se e a mergulhar-se novamente na relação com Cristo, seu Senhor, “Luz dos povos”, para tornar-se mais capaz de irradiar a boa-nova do amor do Pai, para os homens e as mulheres do mundo contemporâneo (Constituição Lumen Gentium 1). Convida-nos a entrar no mesmo processo. Convida-nos a pegar nas mãos, com renovada consciência, a vela que recebemos no batismo, acendida no círio pascal, para que nos ponhamos a caminho, nesta que é uma vigília pascal que não acaba nunca, caminhando juntos com nossos irmãos e irmãs. Ninguém deveria se subtrair a esta humilde e fascinante peregrinação noturna, que nos encaminha rumo à luz plena e definitiva da Jerusalém celeste. “Nada mais frio do que um cristão que não se preocupa com a salvação dos outros…. Cada um de nós tem a possibilidade de ajudar ao próximo, se quiser cumprir os seus deveres…. Se o fermento, misturado à farinha, não fizer crescer a massa, terá tido fermento verdadeiro? Se o perfume não espalhar sua fragrância, ainda o chamaremos perfume? Não digas que és incapaz de influenciar os outros. Se fores cristão, é impossível que não o faças” (São João Crisóstomo, Homilia 20,4; LH, Comum dos Santos Homens).

Santo Evangelho (Mc 3, 1-6)

ANO ÍMPAR

Quarta-feira 18/01/2017 

Primeira Leitura (Hb 7,1-3.15-17)
Leitura da Carta aos Hebreus.

Irmãos, 1Melquisedec, rei de Salém, sacerdote do Deus Altíssimo, saiu ao encontro de Abraão, quando esse regressava do combate contra os reis, e o abençoou. 2Foi a ele que Abraão entregou o dízimo de tudo. E o seu nome significa, em primeiro lugar, “Rei de Justiça”; e, depois: “Rei de Salém”, o que quer dizer, “Rei da Paz”. 3Sem pai, sem mãe, sem genealogia, sem início de dias, nem fim de vida! É assim que ele se assemelha ao Filho de Deus e permanece sacerdote para sempre. 15Isto se torna ainda mais evidente quando surge um outro sacerdote, semelhante a Melquisedec, 16não em virtude de uma prescrição de ordem carnal, mas segundo a força de uma vida imperecível. 17Pois diz o testemunho: “Tu és sacerdote para sempre na ordem de Melquisedec”.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Responsório (Sl 109)

— Tu és sacerdote eternamente segundo a ordem do rei Melquisedec!
— Tu és sacerdote eternamente segundo a ordem do rei Melquisedec!

— Palavra do Senhor ao meu Senhor: “Assenta-te ao lado meu direito até que eu ponha os inimigos teus como escabelo por debaixo de teus pés!”

— O Senhor estenderá desde Sião vosso cetro de poder, pois Ele diz: “Domina com vigor teus inimigos;

— tu és príncipe desde o dia em que nasceste; na glória e esplendor da santidade, como o orvalho, antes da aurora, eu te gerei!” Jurou o Senhor e manterá sua palavra: “Tu és sacerdote eternamente, segundo a ordem do rei Melquisedec!”

 

Evangelho (Mc 3,1-6)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Marcos.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 1Jesus entrou de novo na sinagoga. Havia ali um homem com a mão seca. 2Alguns o observavam para ver se haveria de curar em dia de sábado, para poderem acusá-lo. 3Jesus disse ao homem da mão seca: “Levanta-te e fica aqui no meio!” 4E perguntou-lhes: “É permitido no sábado fazer o bem ou fazer o mal? Salvar uma vida ou deixá-la morrer?” Mas eles nada disseram. 5Jesus, então, olhou ao seu redor, cheio de ira e tristeza, porque eram duros de coração; e disse ao homem: “Estende a mão”. Ele a estendeu e a mão ficou curada. 6Ao saírem, os fariseus com os partidários de Herodes, imediatamente tramaram, contra Jesus, a maneira como haveriam de matá-lo.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

 

ANO PAR

Primeira Leitura (1Sm 17,32-33.37.40-51)
Leitura do Primeiro Livro de Samuel.

Naqueles dias, 32Davi foi conduzido a Saul e lhe disse: “Ninguém desanime por causa desse filisteu! Eu, teu servo, lutarei contra ele”. 33Mas Saul ponderou: “Não poderás enfrentar esse filisteu, pois tu és só ainda um jovem, e ele é um homem de guerra desde a sua mocidade”. 37Davi respondeu: “O Senhor me livrou das garras do leão e das garras do urso. Ele me salvará também das mãos deste filisteu”. Então Saul disse a Davi: “Vai, e que o Senhor esteja contigo”. 40Em seguida, tomou o seu cajado, escolheu no regato cinco pedras bem lisas e colocou-as no seu alforje de pastor, que lhe servia de bolsa para guardar pedras. Depois, com a sua funda na mão, avançou contra o filisteu. 41Este, que se vinha aproximando mais e mais, precedido do seu escudeiro, 42quando pode ver bem Davi desprezou-o, porque era muito jovem, ruivo e de bela aparência. 43E lhe disse: “Sou por acaso um cão, para vires a mim com um cajado?” E o filisteu amaldiçoou Davi em nome de seus deuses. 44E acrescentou: “Vem, e eu darei a tua carne às aves do céu e aos animais da terra!” 45Davi respondeu: “Tu vens a mim com espada, lança e escudo; eu, porém, vou a ti em nome do Senhor Todo-poderoso, o Deus dos exércitos de Israel que tu insultaste! 46Hoje mesmo, o Senhor te entregará em minhas mãos, e te abaterei e te cortarei a cabeça, e darei o teu cadáver e os cadáveres do exército dos filisteus às aves do céu e aos animais da terra, para que toda a terra saiba que há um Deus em Israel. 47E toda este multidão de homens conhecerá que não é pela espada nem pela lança que o Senhor concede a vitória; porque o Senhor é o árbitro da guerra, e ele vos entregará em nossas mãos”. 48Logo que o filisteu avançou e marchou em direção a Davi, este saiu das linhas de formação e correu ao encontro do filisteu. 49Davi meteu, então, a mão no alforje, apanhou uma pedra e arremessou-a com a funda, atingindo o filisteu na fronte com tanta força, que a pedra se encravou na sua testa e o gigante tombou com o rosto em terra. 50E assim Davi venceu o filisteu, ferindo-o de morte com uma funda e uma pedra. E, como não tinha espada na mão, 51correu para o filisteu, chegou junto dele, arrancou-lhe a espada da bainha e acabou de matá-lo, cortando-lhe a cabeça. Vendo morto o seu guerreiro mais valente, os filisteus fugiram.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Responsório (Sl 143)

— Bendito seja o Senhor, meu rochedo!
— Bendito seja o Senhor, meu rochedo!

— Bendito seja o Senhor, meu rochedo, que adestrou minhas mãos para a luta, e os meus dedos treinou para a guerra!

— Ele é meu amor, meu refúgio, libertador, fortaleza e abrigo; É meu escudo: é nele que espero, ele submete as nações a meus pés.

— Um canto novo, meu Deus, vou cantar-vos, nas dez cordas da harpa e louvar-vos, a vós que dais a vitória aos reis e salvais vosso servo Davi.

 

Evangelho (Mc 3,1-6)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Marcos.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo,1Jesus entrou de novo na sinagoga. Havia ali um homem com a mão seca. 2Alguns o observavam para ver se haveria de curar em dia de sábado, para poderem acusá-lo. 3Jesus disse ao homem da mão seca: “Levanta-te e fica aqui no meio!” 4E perguntou-lhes: “É permitido no sábado fazer o bem ou fazer o mal? Salvar uma vida ou deixá-la morrer?” Mas eles nada disseram. 5Jesus, então, olhou ao seu redor, cheio de ira e tristeza, porque eram duros de coração. E disse ao homem: “Estende a mão”. Ele a estendeu e a mão ficou curada. 6Ao saírem, os fariseus com os partidários de Herodes, imediatamente tramaram, contra Jesus, a maneira como haveriam de matá-lo.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

 

A IGREJA CATÓLICA CELEBRA E VENERA HOJE
Santa Margarida da Hungria, exemplo de vida comunitária 

Santa Margarida viveu o apego somente ao essencial; e as irmãs eram atingidas por esse testemunho

Nasceu no castelo de Turoc, em 1242. Filha de reis cristãos, convertidos, os pais passaram valores à filha, que, rapidamente, foi batizada e quis corresponder muito cedo à vocação e à vida religiosa. Formou-se junto às dominicanas e, depois de fazer os primeiros votos, ela foi viver num mosteiro que os seus pais construíram para ela na Ilha de Lebres.

Embora tivesse uma origem real, não era apegada aos bens materiais; brilhou por ser exemplo de pobreza, de desapego. Santa Margarida viveu o apego somente ao essencial; e as irmãs eram atingidas por esse testemunho. Mulher de oração, foi exemplo de vida comunitária e disposta a amar os irmãos como eles eram.

Santa Margarida da Hungria, rogai por nós!

Deus não deixa o homem à mercê do seu mal, diz Papa

Quinta-feira, 8 de dezembro de 2016, Da redação, com Rádio Vaticano

Para cada pessoa também existe uma história de salvação feita de sim e de não a Deus, explica Francisco

O Papa Francisco rezou a oração mariana do Angelus, nesta quinta-feira, 08, Solenidade da Imaculada Conceição de Nossa Senhora, com os fiéis reunidos na Praça São Pedro, no Vaticano.

“As leituras da Solenidade de hoje da Imaculada Conceição da Beata Virgem Maria apresentam duas passagens cruciais na história das relações entre o homem e Deus: podemos dizer que nos levam às origens do bem e do mal”, disse o Pontífice.

Não das origens

Francisco explicou que o livro do Gênesis mostra o “não das origens”, quando o homem preferiu olhar para si mesmo, ao invés do seu Criador, escolheu ser autossuficiente.

“Mas, assim fazendo, saindo da comunhão com Deus, perdeu a si mesmo e começou a ter medo, a se esconder e a acusar quem estava perto. Isto faz o pecado”, destacou.
Contudo, o Santo Padre disse que Deus não deixa o homem à mercê do seu mal.

“Imediatamente o procura e lhe faz uma pergunta cheia de apreensão: ‘Onde você está?’. É a pergunta de um pai ou de uma mãe que procura o filho perdido: ‘Onde você está? Em qual situação você se encontra?’. E este Deus o faz com tanta paciência, até preencher a distância criada nas origens.”

O sim de Maria

A segunda passagem crucial, narrada hoje no Evangelho, é quando Deus vem habitar entre nós, se faz homem como nós. E isso só foi possível por meio de um grande “Sim”, o de Maria no momento da Anunciação.

“Através deste “sim” Jesus começou o seu caminho nas estradas da humanidade; começou em Maria, transcorrendo os primeiros meses de vida no útero da mãe: não apareceu já adulto e forte, mas seguiu todo o percurso de um ser humano. Se fez em tudo igual a nós, exceto uma coisa: o pecado. Por isso, escolheu Maria, a única criatura sem pecado, imaculada. No Evangelho, com uma palavra, ela é chamada de “cheia de graça”, isto é cumulada de graça. Isso significa que nela, “imediatamente” cheia de graça, não há lugar para o pecado. E também nós, quando nos dirigimos a ela, reconhecemos esta beleza: a invocamos “cheia de graça”, sem sombra de mal”, sublinhou Francisco.

Maria responde à proposta de Deus dizendo: “Eis aqui a serva do Senhor”. Ela não diz: “Desta vez eu vou fazer a vontade de Deus, eu estou disponível, depois vamos ver…”. O seu é um “sim” total, incondicional. E como o “não” das origens tinha fechado a passagem do homem a Deus, assim o “sim” de Maria abriu o caminho para Deus entre nós. É o “sim” mais importante da história, o “sim” humilde que abate o “não” soberbo das origens, o “sim” fiel que cura a desobediência, o “sim” disponível que derrota o egoísmo do pecado.

Sim e não a Deus

O Pontífice disse ainda que para cada pessoa também existe uma história de salvação feita de sim e de não a Deus.

“Às vezes, porém, somos especialistas nos Sim à metade: somos bons em fingir de não entender bem o que Deus quer e o que a consciência sugere. Somos também astutos, e para não dizer um não verdadeiro a Deus dizemos: “eu não posso”, “não hoje, mas amanhã”; “amanhã serei melhor, amanhã eu vou rezar, vou fazer o bem, amanhã.” Assim, no entanto, fechamos a porta ao bem, e o mal aproveita desta falta de “sim”. Em vez disso, cada “sim” pleno a Deus dá origem a uma história nova: dizer sim a Deus é verdadeiramente “original”, não o pecado, que nos torna velhos dentro, nos envelhece por dentro. Cada sim a Deus origina histórias de salvação para nós e para os outros.”

Neste caminho do Advento, Deus quer nos visitar e espera o nosso “sim”, com o qual dizemos a ele: “Creio em Ti, espero em Ti, eu te amo; faça-se em mim segundo a tua vontade de bem”. Com generosidade e confiança, como Maria, vamos dizer hoje, cada um de nós, este sim pessoal a Deus.

Homenagem pública à Maria

“Nesta tarde eu vou até a Praça de Espanha para renovar o tradicional ato de homenagem e de oração aos pés do monumento à Imaculada. Depois vou à Basílica de Santa Maria Maior, para rezar diante da imagem de Nossa Senhora “Salus Populi Romani”. Peço-lhes que se unam a mim neste gesto que expressa a devoção filial a nossa Mãe celeste”.

O Papa concluiu desejando a todos boa festa e bom caminho de Advento sob a guia da Virgem Maria. “Por favor, não se esqueçam de rezar por mim. Bom almoço e até mais!”

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