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Que a santa cruz seja a nossa luz

Catequese para toda a família
Por Luis Javier Moxo Soto

MADRI, 10 de Julho de 2013 (Zenit.org) – A primeira encíclica do nosso papa Francisco, Lumen Fidei, foi começada pelo papa emérito Bento XVI e terminada por Francisco 114 dias após a sua eleição.
Se, como diz São Paulo, a fé vem da pregação e esta vem pela palavra de Cristo (Rom 10, 17), então pudemos ouvir esse doce Cristo na terra transmitir-nos a luz e o frescor do Evangelho.
Temos que nos perguntar quais são as sombras que povoam hoje a humanidade e qual é a luz que vem da fé da Igreja nesses tempos que nos couberam.
Há consciência da sombra e da escuridão? Há necessidade real da luz da fé, da verdade, do Evangelho?
Não de forma abstrata, mas na minha vida, na vida da minha família, da minha comunidade cristã, no meu trabalho e no meu lazer: sou daqueles que guardam num lugar escondido, longe da exposição pública, o tesouro da fé que me foi confiada? Ou não posso evitar que tudo o que eu penso, sinto e vivo esteja cheio do amor de Deus?
Porque se recebi o maior dos tesouros e não o aproveito, se não cuido dele todo dia, se não o exponho ao sol da verdade e ao ar livre da relação com os outros, como posso esperar que a minha vida se enraíze na única terra que realmente vale a pena e que me salva?
Acolher e amadurecer a fé é ser sal e luz no mundo. E é motivo de alegria constante saber que somos amados, incondicionalmente, não só por Quem nos deu esse tesouro, mas porque Ele próprio é esse tesouro.
Na medalha de São Bento de Núrsia, cuja festa celebramos em 11 de julho, está inscrito Crux Sacra Sit Mihi Lux (“Que a Santa Cruz seja a minha luz”). Isto nos lembra que, por trás da cruz de Cristo, temos sempre a luz da ressurreição e, para chegar a ela, devemos passar pela porta estreita do sofrimento.
Nesta décima quarta semana do Tempo Comum, avaliemos como estamos vivendo a relação da fé com a luz de que tanto precisamos, da cruz que carregamos todo dia com a presença real de Cristo. E também como vivemos essa relação na prática, como a transmitimos às nossas crianças e jovens, em nosso ambiente mais concreto.

“Venha, seja minha luz”

Por Brian Kolodiejchuk

1. Se alguma vez vier a ser Santa – serei certamente uma Santa da ‘escuridão’. Estarei continuamente ausente do Céu – para acender a luz daqueles que se encontram na escuridão na Terra.
2. Muito frequentemente me sinto como um lápis nas Mãos de Deus. Ele escreve, Ele pensa, Ele faz os movimentos. Eu só tenho que ser o lápis.
3. Ele usava o seu “nada” para mostrar sua grandeza.
4. Venha, seja minha luz.
5. Sua dolorosa experiência interior: – Era um compartilhamento na Paixão de Cristo na Cruz, com particular ênfase na sede de Jesus. …
6. Sou perfeitamente feliz e grata a Deus por aquilo que Ele dá – Prefiro ser e permanecer pobre com Jesus e os Seus pobres.
7. Raízes de sua missão:… no mistério da missão de Jesus, na união com Aquele que, morrendo na Cruz, Se sentiu abandonado pelo Pai.
8. Ninguém pode receber a confissão sacramental escrevendo os pecados num papel e enviando-o a um sacerdote.

Capítulo I
9. Segure a mão Dele [Jesus], caminhe sozinha com Ele. Siga em frente porque, se olhar para trás, irá voltar.
10. Desde a infância que o Coração de Jesus foi o meu primeiro amor.
11. ADEUS
Estou deixando minha casa querida / E a minha terra amada / Para a fumegante Bengala eu vou / Para orlas longínquas.
Estou deixando meus velhos amigos / Renunciando a família e ao lar / Meu coração me impele avante / A servir ao meu Cristo.
Adeus, Oh mãe querida / Que Deus esteja com todos vocês / Um Poder mais Alto me compele / Em direção à tórrida Índia.
O navio avança lentamente / Cortando as ondas do mar, / Enquanto meus olhos se voltam pela última vez / Para o querido litoral da Europa.
Corajosamente de pé no convés / Alegre, de semblante pacificado, / A feliz pequenina de Cristo / Sua nova noiva prometida.
Tem na mão uma cruz de ferro / Sobre a qual pende o Salvador, / Enquanto sua alma ardente lá oferece o Seu doloroso sacrifício.
Oh Deus, aceitai este sacrifício / Como sinal do meu amor, / Ajudai, por favor, a Vossa criatura / A glorificar o vosso Nome!
Em troca apenas Vos peço / Ó doce Pai de todos nós: / Deixai-me salvar pelo menos uma alma / Uma que já conheçais.
Suaves e puras como o orvalho do verão / Suas delicadas lágrimas agora fluem, / Selando e santificando então / O seu doloroso sacrifício.
12. Se você soubesse como sou feliz, como pequena esposa de Jesus. Não poderia invejar ninguém, nem mesmo aqueles que estão desfrutando de uma felicidade que ao mundo parece perfeita, porque estou desfrutando de minha completa felicidade, mesmo quando sofro qualquer coisa por meu Amado Esposo.
13. Quando as coisas se tornam difíceis, consolo-me com a idéia de que dessa maneira as almas são salvas e de que o meu querido Jesus sofreu muito mais por elas.
14. Não pense que minha vida é um mar de rosas – essa é a flor que raramente encontro pelo caminho.
15. Preciso de muita graça, de muita força de Cristo para perseverar na confiança, neste amor cego que conduz somente a Jesus Crucificado.
16. Trabalho não é oração, oração não é trabalho, mas devemos rezar o trabalho por Ele, com Ele, e para Ele.
17. Na mesma proporção em que aumenta a caridade, diminui o medo do sofrimento e aumenta o medo do pecado, sem enfraquecimento da confiança.
18. Agora abraço a sofrimento mesmo antes de ele chegar, e assim Jesus e eu vivemos no amor.
19. Madre Teresa lutava efetivamente por “beber o cálice até a última gota”, vivendo o compromisso de “ser toda só de Jesus”.
20. Meu Deus, com que facilidade os faço felizes! Dá-me forças para ser sempre a luz da vida deles, a fim de conduzi-los a Ti.

Capítulo II
21. Voto privado: Fiz um voto a Deus, que me compromete sob [pena] de pecado mortal, a dar a Deus qualquer coisa que Ele possa pedir: ‘Não lhe recusar coisa alguma’.
22. Por que devemos nos entregar inteiramente a Deus? Porque Deus Se entregou a nós. Se Deus, que nada nos deve, está pronto a nos entregar nada menos que a Si próprio, responderemos apenas com uma parte de nós? Nos entregarmos inteiramente a Deus é um meio de recebermos o Próprio Deus. Eu por Deus e Deus por mim. Eu vivo por Deus e abdico de meu próprio ser, e, assim, eu o induzo a viver por mim. Conseqüentemente, para possuirmos a Deus devemos permitir que Ele possua a nossa Alma.
23. Pagar amor, com amor.
24. Aquele que ama deseja unir-se ao amado.
25. Voto de humildade: consiste, segundo Ele me disse, em reconhecer que nada sou sem a ajuda de Deus, e em desejar ser desconhecida e desprezada.
26. Um pecado mortal é uma infração grave à lei de Deus. Desvia o homem de Deus, que é o seu último fim, a sua bem-aventurança, preferindo um bem inferior. Se o pecado mortal não for resgatado pelo arrependimento e pelo perdão de Deus, originará a exclusão do Reino de Cristo e a morte eterna no inferno. Para haver pecado mortal, é preciso que sejam verificadas as seguintes condições: matéria grave, plena consciência e propósito deliberado.
27. No silêncio do coração Deus fala.
28. Quando vejo uma pessoa triste, ela costumava dizer, sempre penso que está recusando alguma coisa alguma coisa a Jesus. Era em dar a Jesus tudo o que Ele pedisse que ela encontrava a sua mais profunda e mais duradoura alegria; ao Lhe dar alegria, ela encontrava a sua própria alegria.
29. A alegria é muitas vezes uma capa que esconde uma vida de sacrifício, de contínua união com Deus, de fervor e generosidade.
30. Para o bom Deus nada é pequeno porque Ele é tão grande e nós tão pequenos – é por isso que Ele se abaixa e se dá o trabalho de fazer essas pequenas coisas para nós – para nos dar a chance de provar nosso amor por Ele. Por que Ele as faz, elas são muito grandes. Ele não pode fazer nada pequeno; elas são infinitas.
31. Não procurem coisas grandes, apenas façam coisas pequenas com grande amor.

Capítulo III
32. “Tenho sede”, disse Jesus na Cruz. Ele falou de Sua sede – não de água – mas de amor, de sacrifício.
33. Vamos permanecer sempre com Maria nossa Mãe no Calvário perto de Jesus crucificado, com o nosso cálice feito dos quatro votos, e preenchê-lo com o amor do sacrifício pessoal, o puro amor, sempre erguido próximo ao Seu Coração sofrido, para que Ele possa ficar feliz em aceitar o nosso amor.
34. “Todas as vezes que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, foi a mim que fizestes”.
35. Para uma pessoa que está apaixonada, a rendição é mais do que um dever, é uma bem-aventurança.
36. “Venha, venha, leve-Me aos buracos escuros dos pobres. Venha, seja Minha luz”.
37. … Tenho ansiado com muita freqüência por ser toda para Jesus e fazer com que outras almas – …venham e O amem fervorosamente –…
38. Há tantas almas – puras – santas que anseiam por se entregar somente a Deus
39. “Não vais ajudar?”
40. – Abraçar e escolher a solidão e a infância – a incerteza – e tudo isso porque Jesus assim o quer – porque alguma coisa me chama “a deixar tudo e a reunir o pouco – para viver a vida Dele”.
41. “Quero freiras indianas, vítimas do Meu amor, que sejam Maria e Marta. Que estejam tão unidas a Mim que irradiem o Meu amor por sobre as almas. Quero freiras livres, cobertas com Minha pobreza da Cruz”.
42. “Não – a sua vocação é amar e sofrer e salvar almas e, dando esse passo, realizará o desejo do Meu coração por você – É essa a sua vocação.”
43. “Você está sempre dizendo ‘faz comigo tudo o que quiseres’. E agora Eu quero agir – deixe-Me fazê-lo – Minha pequena esposa – Minha pequenina. Não tenha medo – Eu estarei sempre com você. – Sofrerá e sofrerá agora – mas se for a Minha pequena Esposa – a Esposa do Jesus Crucificado – terá que suportar estes tormentos no seu coração. – Deixe-Me agir – Não Me recuse. – Confie amorosamente em Mim – confie cegamente em Mim”.
44. O amor deve ser a palavra, o fogo, que as faça viver a vida em sua plenitude.
45. Deus me chama – indigna e pecadora como sou.
46. Anseio por ser realmente só Dele – por arder por completo por Ele e pelas almas.
47. “Vais recusar?”.

Capítulo IV
48. Se uma única criancinha infeliz passar a ser feliz com o amor de Jesus, … não valerá a pena… dar tudo por isso?
49. … Acreditava que, através da obediência aos representantes de Deus, a vontade divina acabaria por se tornar conhecida com segurança.
50. Ele tudo providenciará. – Quanto mais confiarmos Nele – mais Ele fará.
51. O meu lema é ‘Procurar a Deus em todos e em todas as coisas’.
52. … Aquele que é responsável precisa de discrição, oração fervorosa e constante, e prontidão para cumprir a vontade de Deus…
53. “Vai recusar a fazer isso por Mim?”
54. Não vale a pena passar por todos os sofrimentos possíveis, por uma só alma? Nosso Senhor não fez o mesmo? Que fracasso foi a Sua Cruz no Calvário – e tudo por mim, uma pecadora.
55. Se por um copo de água Ele prometeu tanto, o que não fará por corações vítimas entregues aos pobres? Ele fará tudo. Eu, eu sou apenas um pequeno instrumento nas mãos Dele e, justamente porque eu não sou nada, Ele quer me usar.
56. Confiemos cegamente Nele. – Ele fará com que a nossa confiança Nele não seja frustrada.
57. Por vezes, tenho medo, porque nada tenho, nem inteligência, nem conhecimentos, nem as qualidades que tal trabalho exige, mas, ainda assim, eu digo a Ele que o meu coração está livre de tudo, e por isso pertence por completo a Ele e só a Ele. Ele pode me usar como melhor Lhe agradar. Apenas agradá-Lo é a alegria que procuro.
58. O ‘pequeno nada’… ansiava por ‘levar a alegria ao Coração Sofrido de Jesus’.
59. Meu Deus, dá-me a Tua luz e o Teu amor, para que eu seja capaz de escrever estas coisas para Tua honra e glória. Não permitas que a minha ignorância me impeça de fazer a Tua vontade na perfeição. Supre o que falta em mim.
60. Ele era o seu “Tudo”.
61. Para estarmos completamente unidos e Ele, devemos ser pobres – livres de tudo – aqui entra a pobreza da Cruz – Pobreza Absoluta – e para sermos capazes de ver Deus nos pobres – Castidade Angélica – e para sermos capazes de estar sempre à Sua disposição – Obediência Alegre.
62. …agir a caridade de Cristo entre os mais pobres – fazendo assim com que eles O conheçam e O queiram nas suas vidas infelizes.
63. Nosso Senhor disse: “Não tenha medo – Eu estarei sempre com você […] Confie amorosamente em Mim – confie cegamente em Mim”.
64. Por que será que Nosso Senhor mesmo diz: “Como dói ver estas pobres criancinhas manchadas pelo pecado. […] Eles não Me conhecem – por isso não Me querem […] Como anseio por entrar nos seus buracos – seus lares escuros e tristes. Venha, seja a vítima deles. – Na sua imolação – no seu amor por Mim – eles irão Me ver – irão Me conhecer – irão Me querer […]”

Capítulo V
65. A salvação das almas, o saciar a sede de Cristo de amor e de almas, não é isto suficientemente sério?
66. São João da Cruz: “Os efeitos que estas visões (imaginativas) produzem na alma são a paz, a iluminação, uma alegria semelhante à da glória, doçura, pureza, amor, humildade, e a inclinação ou elevação da mente para Deus”.
67. “Trouxe-lhe aqui – para estar ao cuidado imediato do seu diretor espiritual. […] Obedeça-lhe em todos os pormenores, não serás enganada se obedeceres, pois ele Me pertence por completo. – Deixarei você conhecer a Minha vontade através dele”.
68. Nada é difícil para quem ama. Quem poderá ultrapassar a Deus em Sua generosidade – se nós, pobres seres humanos, Lhe entregamos tudo e submetermos todo o nosso ser ao Seu serviço? – Não – Ele não deixará de estar ao nosso lado, e conosco, porque tudo em nós será Dele.
69. A salvação das almas, o saciar a sede de Cristo de amor e de almas – não é isto suficientemente sério?
70. “A voz”. Não mudaram a minha vida. Elas me ajudaram a ter mais confiança e a me aproximar mais de Deus. Fizeram aumentar o meu desejo de ser cada vez mais a Sua criança.
71. …nada parecia tão sério a ela como “a salvação das almas, o saciar a sede de Cristo”. A sede de Jesus que se encontrava no coração do seu chamado era, em última análise, a razão suprema para prosseguir.
72. Dá-me luz. – Envia-me o Teu próprio Espírito – que me ensinará a Tua própria Vontade – que me dará forças para fazer as coisas que Te são agradáveis. Jesus, meu Jesus, não permitas que eu seja enganada. – Se és Tu que queres isto, dá provas disso, senão, permite que isto abandone minha alma.
73. Jesus, meu Jesus – sou somente Tua – sou tão ignorante – não sei o que dizer – mas faz comigo o que desejares. Não Te amo pelo que me dás, mas pelo que tiras.
74. Vais sofrer – sofrer muito – mas lembre-se de que Eu estou com você. – Mesmo que todo o mundo a rejeite – lembre-se de que você é Minha – e de que Eu somente seu. Não tenhas medo. Sou Eu.

Capítulo VI
75. Vou de livre e espontânea vontade com a bênção da obediência.
76. Ninguém pode me separar de Deus – estou consagrada e Ele e como tal desejo morrer…
77. O nosso trabalho termina aqui. … O resto é inteiramente obra de Deus e nós participamos como instrumentos. …
78. “Um instrumento Dele, e nada mais”.
79. … Estarmos realmente mortas para tudo quanto o mundo reclama como seu.
80. … – O trabalho que teremos que fazer será impossível sem a Sua contínua graça proveniente do sacrário. – Ele terá que fazer tudo. – Nós apenas teremos que segui-Lo.
81. Jesus tinha pedido “freiras cobertas com a Minha pobreza da
Cruz”.
82. No devido tempo, a resposta chegará, permaneça calma. Reze muito e viva intimamente com Nosso Senhor Jesus Cristo, pedindo por luz, forças, decisão; mas não antecipe a Obra Dele. Tente não colocar em tudo isto nada de si mesma. A senhora é instrumento Dele, e nada mais.
83. … Tenho que desaparecer por completo – se quero que Deus tenha tudo.
84. Sua riqueza, porém, estava no seu coração: uma fé inabalável em Deus e uma confiança absoluta na promessa que Ele tinha feito… “Não tenha medo – Eu estarei sempre com você […] – Confie amorosamente em Mim – confie cegamente em Mim”.

Capítulo VII
85. Ó Jesus, único amor do meu coração, desejo sofrer o que sofro e tudo o que Tu quiseres que eu sofra, por Teu puro amor, não pelos méritos que eu possa adquirir, nem pelas recompensas que Tu me prometeste, mas apenas para Te agradar, para Te louvar, para Te dar graças, tanto na dor quanto na alegria.
86. De minha livre escolha Meu Deus e por amor a Ti – desejo permanecer e fazer o que for a Tua Santa Vontade a meu respeito. – Não deixei que caísse uma só lágrima. – Mesmo que sofra mais do que agora sofro – ainda quero fazer a Tua Santa Vontade…
87. Nas minhas meditações e orações, que são atualmente tão cheias de distrações – uma coisa se destaca com grande clareza – minha fraqueza e Sua Graça. Receio tudo da minha fraqueza – mas confio cegamente na Sua Graça.
88. Jesus disse: “Em verdade vos digo, se o grão de trigo não cair na terra e não morrer, permanece sozinho. Mas se morrer dará muito fruto”.
89. O nosso trabalho é grande, mas sem penitência e muito sacrifício seria impossível.
90. “Beber o cálice até a última gota”.
91. – Beber apenas o cálice da dor Dele e dar à Santa Mãe Igreja verdadeiras santas.
92. Quanto aos sofrimentos, não precisa ir à procura deles. Deus Onipotente os proporciona diariamente: …
93. Quero ser santa, saciando a sede de Jesus de amor e de almas. …
94. A sua busca da santidade não era por motivos de auto-glorificação; ao contrário, era uma expressão da profundidade de sua relação com Deus.
95. “O amor exige sacrifícios. Mas, se amarmos até doer, Deus nos dará a Sua paz e a Sua alegria. […] Em si mesmo, o sofrimento nada é; mas o sofrimento partilhado com a Paixão de Cristo é um dom maravilhoso”.
96. … O objetivo de nossa Congregação é saciar a sede de Jesus na Cruz por amor das almas, trabalhando para a salvação e santificação dos pobres…

Capítulo VIII
97. Quero sorrir – mesmo para Jesus – e assim ocultar mesmo a Ele – se possível – a dor e a escuridão da minha alma.
98. O caminho a seguir poderá não ser sempre imediatamente claro. Reze por luz; não decida com demasiada rapidez, escute o que os outros têm a dizer, leve em consideração suas razões. Sempre encontrará alguma coisa que ajude.
99. Quando for muito difícil para você – apenas esconda-se no Sagrado Coração – onde o Meu com o seu encontrarão toda a força e o amor. Você quer sofrer em puro amor – diga antes, no amor que Ele escolher para você. – Precisa ser uma “hóstia imaculada”.
100. Apesar da noite interior, Jesus era o único centro da vida de Madre Teresa; ela O amava e queria estar unida a Ele, em especial na Sua Paixão. Um verdadeiro retrato de sua alma – não influenciada por sentimentos, mas na firme fé…
101. Você sofre muito e a sua alma está crucificada de dor – mas não é que Ele está vivendo a Sua vida na sua.
102. Você aprendeu muito. Saboreou o cálice da Sua agonia – e qual será a sua recompensa minha querida irmã? Mais sofrimento e uma semelhança mais profunda com Ele na Cruz.
103. “Lembrai-vos, ó Piíssima Virgem Maria, de que nunca se ouviu dizer que algum daqueles que tem recorrido à Vossa proteção, implorado a Vossa assistência ou reclamado o Vosso socorro fosse por Vós desamparado. Animado eu, pois, com igual confiança, a Vós Virgem entre todas singular, como a minha Mãe recorro, de Vós me valho e, gemendo sob o peso dos meus pecados, me prostro aos Vossos pés. Não desprezeis as minhas súplicas, ó Mãe do Filho de Deus Encarnado, mas dignai-Vos de as ouvir propícia, e de me alcançar o que vos rogo. Amém.
104. Não é Jesus glorificado, nem no presépio, mas na Cruz – sozinho – despido – sangrando – sofrendo – morrendo na Cruz.
105. Você ainda é uma criança e a vida é bela – mas o caminho que Ele escolheu para você é o caminho verdadeiro. – Por isso sorria – sorria à mão que lhe bate – beije a mão que está pregada na Cruz.
106. “Sagrado Coração de Jesus, eu confio em Ti – vou saciar a Tua sede de almas”.
107. O meu propósito – 1º é seguir a Jesus mais de perto nas humilhações. Com as Irmãs – amável – muito amável – mas firme na obediência. Com os pobres – gentil e atenciosa. Com os doentes – extremamente amável.
2º Sorrir para Deus. Reze por mim para que eu dê glória a Deus no primeiro e no segundo propósito.
108. “Só Deus, Deus em toda a parte, Deus em todos e em todas as coisas, Deus sempre”.
109. Santo Inácio: “O meu único anseio e desejo, a única coisa que almejo ter humildemente é a graça de amar a Deus, de amar só a Ele. Nada mais peço, além disso”.
110. “Por favor, reze por mim, pois agora mais do que nunca, compreendo quão perto de Deus devo chegar se quero levar almas a Ele”.
111. Desde que a escuridão se instalara, abafando o sentimento da presença de Jesus, Madre Teresa O vinha reconhecendo no disfarce angustiante dos pobres: “Quando atravesso as favelas ou entro nos buracos escuros onde vivem os pobres – lá Nosso Senhor está sempre verdadeiramente presente”.
112. – Reze por mim, por favor, para que eu continue sorrindo-Lhe apesar de tudo. Pois sou apenas Dele – então Ele tem todos os direitos sobre mim. Sou perfeitamente feliz por não ser ninguém nem mesmo para Deus.
113. Quero ser uma santa de acordo com o Seu Coração manso e humilde…
114. Quero sorrir – mesmo para Jesus – e assim ocultar mesmo a Ele – se possível – a dor e a escuridão da minha alma.
115. Apesar de tudo isso – sou a Sua pequena – e O amo, não por aquilo que Ele dá – mas por aquilo que tira.
116. “Não vale a pena passar por todos os sofrimentos possíveis, por uma só alma?” e “oferecer tudo – só por essa pessoa – porque essa levará grande alegria ao Coração de Jesus”.
117. Por favor, peça a Nossa Senhora que seja minha Mãe nesta escuridão.
118. Madre Teresa não gostava do sofrimento em si; na verdade, achava-o quase insuportável. Mas apreciava a oportunidade que assim lhe era concedida de estar unida a Jesus na Cruz e de demonstrar o amor que tinha por Ele.
119. A Congregação vive com a vida Dele – trabalha com o Seu poder.
120. O sorriso é uma grande capa que encobre uma multidão de dores.
121. Por favor, peça a nossa Senhora que me mantenha perto Dela para que eu não perca o caminho nesta escuridão.
122. O que realmente lhe importava era o fato de amar a Deus, quer Ele lhe concedesse o consolo e a alegria de sentir a Sua presença ou não. E Cristo preferia uni-la, como a unira a Sua Mãe, Sua sofrida Mãe, à “terrível sede” que Ele próprio sentira na Cruz.

Capítulo IX
123. O que estás fazendo, Meu Deus, a alguém tão pequeno?
124. Através de ti, Ó Mãe de Deus, ofereço o meu abandono absoluto à Santa Vontade de Deus agora, aceitando esta nomeação com fé amor e alegria. – Faz comigo tudo o que quiseres – estou a Tua disposição. Teu pronto instrumento.
125. Que maravilhoso é Deus no Seu simples e infinito amor.
125. A escuridão – a solidão e a dor – a perda e o vazio – da fé – do amor – da confiança – são o que tenho e os ofereço com toda a simplicidade a Deus…
126. Na escuridão… Senhor, meu Deus, quem sou eu para que Tu me abandones? Sou a criança do Teu amor – e agora se tornou a mais odiada – aquela que jogaste fora como indesejada – como não amada. Eu chamo, agarro-me, quero – e não há Ninguém. – Sozinha. A escuridão é tão escura – e eu estou sozinha. – Indesejada, abandonada. – A solidão do coração que quer amor é insuportável. Onde está a minha fé? – Mesmo lá no fundo, bem lá dentro, não há nada a não ser vazio e escuridão. – Meu Deus – que dolorosa é esta dor desconhecida. Dói sem cessar. – Não tenho fé. – Não me atrevo a proferir as palavras e os pensamentos que povoam o meu coração – e me fazem sofrer uma agonia inexpressável. Tantas perguntas sem resposta vivem dentro de mim – temo trazê-las à luz – por causa da blasfêmia. Se houver Deus, por favor, perdoa-me. – Confiança que tudo acaba no Céu com Jesus. – Quando tento elevar o pensamento para o Céu – há um vazio tão acusador que esses mesmos pensamentos regressam como punhais afiados e ferem a minha própria alma. Amor – a palavra – nada traz. Dizem-me que Deus me ama – e – contudo – a realidade da escuridão e da frieza e do vazio é tão grande que nada foca a minha alma.
Ante de iniciar a obra – havia tanta união – amor – fé – confiança – oração sacrifício. – Terei cometido um erro ao submeter-me cegamente ao chamado do Sagrado Coração? O trabalho não é uma dúvida – porque estou convencida de que é Dele e não meu. – Não sinto – nem um único simples pensamento ou tentação entra no meu coração para me apropriar coisa alguma do trabalho.
O tempo todo sorrindo – as pessoas fazem tais comentários. – Acham que a minha fé, confiança e amor enchem o meu próprio ser e que a intimidade com Deus e a união à Sua vontade devem estar absorvendo o meu coração. – Se eles soubessem – e como minha alegria é a capa com a qual cubro o vazio e a miséria.
Apesar de tudo – esta escuridão e este vazio não são tão dolorosos como a ânsia por Deus. – Temo que a contradição irá me desequilibrar. O que estás Tu fazendo meu Deus a alguém tão pequeno? Quando me pediste para imprimir a Tua Paixão no meu coração – é esta a resposta?
Se isto Te traz glória, se Tu obténs uma gota de alegria com isto – se as almas são levadas a Ti – que se o meu sofrimento saciar a Tua Sede – aqui estou Senhor, com alegria aceito tudo até ao final da vida – e sorrirei à Tua Face Oculta – sempre.
127. … O seu sorriso radiante escondia um abismo de dor, ocultava um Calvário interior.
128. “Você sofrerá e já sofre – mas se for a minha pequena Esposa – a Esposa de Jesus Crucificado – terá que suportar estes tormentos em seu coração”.
129. Madre Teresa limitava-se a aceitar a viver, em silêncio, o mistério da Cruz que Cristo a chamava a compartilhar.
130. Seja boa, seja santa – se anime. Não permita que o demônio leve o melhor de você. Sabe o que Jesus e a madre esperam de você. – Apenas fique alegre. Irradie Cristo…
131. – Olhe para a Face Daquele que a ama.
132. Algumas vezes me pego dizendo “Não agüento mais” e, com o mesmo alento, digo “Desculpa, faz comigo o que quiseres”.
133. Tenho muitas coisas a aprender e isso leva tempo.
134. Apesar de tudo quero amar a Deus por aquilo que Ele tira. – Ele destruiu tudo em mim.
135. Dizem que as pessoas no inferno sofrem uma dor eterna devido à perda de Deus – que passariam por todo esse sofrimento se apenas tivessem uma pequena esperança do possuir a Deus.
136. Esta escuridão que me rodeia por todos os lados – não posso elevar a minha alma para Deus – nem luz nem inspiração alguma entram em minha alma.
137. No meu coração não há fé – nem amor nem confiança – há tanta dor – a dor do anseio, a dor de não ser querida. Quero a Deus com toda a força de minha alma – porém, aí entre nós – há esta separação terrível.
138. – Já não rezo mais – A minha alma não é ‘uma’ Contigo – contudo, quando sozinha pelas ruas – falo Contigo durante horas – de meu anseio por Ti.
139. Fizeste comigo segundo a Tua vontade – e Jesus ouve a minha oração – se isto te agrada – se a minha dor e o meu sofrimento – a minha escuridão e a minha separação Te dão uma gota de consolo – meu Jesus, faz comigo o que quiseres – quando quiseres, sem nem sequer um olhar para os meus sofrimentos e a minha dor. Sou tua. – Imprime na minha alma a na minha vida os sofrimentos do Teu Coração.
140. A única coisa que almejava era a Sua (Jesus) felicidade; queria saciar a Sua sede com cada gota de seu sangue. E estava disposta a esperar, se necessário fosse, por toda a eternidade por Aquele em Quem acreditava, mas que sentia não existir, por Aquele a Quem amava mas Cujo amor não percebia.
141. Amei-O cegamente, totalmente, somente. Uso todo o poder em mim mesma – apesar dos meus sentimentos, para fazer que Ele seja pessoalmente amado – pelas irmãs e pelos outros. Vou deixá-Lo ter toda a liberdade comigo e em mim.
142. Sejam amáveis umas com as outras. – Prefiro que cometam erros com amabilidade – do que façam milagres com indelicadeza. Sejam amáveis em palavras. – Vejam o que amabilidade de Nossa Senhora trouxe para ela, vejam como ela falava. – Poderia facilmente ter revelado a São José a mensagem do Anjo – mas não disse uma palavra. – E então Deus mesmo interveio. Guardou todas aquelas coisas em seu coração. – Quem nos dera podermos guardar todas as nossas palavras no coração dela. Tanto sofrimento – tantos mal-entendidos e por quê? Só por uma palavra – um olhar – uma ação fortuita – e a escuridão preenche o coração de sua irmã. Peçam a Nossa Senhora durante esta novena que encha os seus corações de doçura.
143. Madre Teresa esforçava-se por ter um sorriso imediato, uma palavra amável, um gesto acolhedor para com todos.
144. Reze por mim – para que eu possa manter o sorriso de dar sem reservas. Reze para que eu possa encontrar coragem para caminhar corajosamente e com um sorriso. Peça a Jesus que não me permita recusar-Lhe coisa alguma por menor que seja – prefiro morrer.
145. O amor prova-se com obras; quanto mais nos custam, maior é a prova do nosso amor.

Capítulo X
146. Pela primeira vez… cheguei a amar a escuridão – pois estou agora convencida de que é uma parte, uma parte muito, muito pequena da escuridão e da dor de Jesus neste mundo.
147. A escuridão é tal, que realmente não vejo nada – nem com a mente nem com a razão. – O lugar de Deus na minha alma é um espaço vazio. – Não há Deus em mim – Quanta dor da ânsia é tão grande – só anseio e anseio por Deus – e é então que sinto – que Ele não me quer – que Ele não esta ali. Céu – almas são meras palavras – que nada significam para mim.
148. Anseio por Deus – quero amá-Lo – amá-Lo muito- viver apenas por amor e Ele – só amar – porém não há senão dor – anseio sem amor algum.
149. Quando fora – no trabalho – ou quando estou com pessoas – há uma presença – de alguém que vive muito perto – em mim mesma. – Não sei o que é isto – mas é muito freqüente e mesmo diário – esse amor de Deus em mim torna-se mais real. – Me pego dizendo a Jesus inconscientemente – estranhas palavras de amor.
150. Ensina-me a amar a Deus – ensina-me a amá-Lo muito. … Quero amar a Deus a Deus como o que Ele é para mim, “meu Pai”.
151. O meu coração e a minha alma e o meu corpo pertencem só a Deus.
152. Que Ele faça comigo o que quiser, como Ele quiser, por quanto tempo quiser. Se a minha escuridão é luz para alguma alma – mesmo se não for nada para ninguém – sou perfeitamente feliz – em ser flor do campo de Deus.
153. … Cheguei a amar a escuridão. – Pois agora acredito que é parte, uma parte muito, muito pequena da escuridão e da dor de Jesus neste mundo.
154. Quem sabe mais a cerca da água viva, a pessoa que abre a torneira todos os dias sem pensar muito no assunto, ou o viajante do deserto, torturado pela sede, que busca uma fonte de água?
155. “Deixa-me compartilhar contigo a Sua dor”.
156. “Um caloroso ‘Sim’ a Deus e um grande sorriso para todos”.
157. Continuem sorrindo – Rezem juntos – e Jesus irá sempre encher o coração de vocês com o Seu amor – um pelo outro.
158. São João da Cruz: “Quando a noite do espírito é essencialmente purificadora, sob a influência da graça, que se exerce principalmente pelo dom da compreensão, as virtudes teológicas e a humildade são purificadas de todo o lastro humano. … Assim purificada, a alma pode passar para além da fórmulas dos mistérios e entrar “nas profundezas de Deus”, como diz São Paulo (1Cor 2, 10). Então, apesar de todas as tentações contra a fé e a esperança, a alma acredita firmemente, por um ato direto e da forma mais pura e sublime, que ultrapassa a tentação; e acredita pelo motivo mais puro que se pode atingir sobrenaturalmente: a autoridade de Deus que revela. E também espera, pela simples razão de que Ele é sempre bom, a Misericórdia infinita. E ama-O na mais completa aridez, por que Ele é infinitamente melhor em Si mesmo do que todos os dons que pudesse nos conceder. Quando esta provação é essencialmente reparadora, quando tem como fim principal fazer com que a alma já purificada trabalhe pela salvação do próximo, então preserva as mesmas características elevadas atrás descritas, mas assume outro caráter, que recorda com mais precisão os sofrimentos íntimos de Jesus e de Maria, que não precisam ser purificados”.
159. “Sim” e “Sorriso”.
160. Madre Teresa tinha chegado a um ponto em que era capaz de se alegrar como os seus sofrimentos e de repetir as palavras de São Paulo: “Alegro-me nos sofrimentos suportados por vossa causa e completo na minha carne o que falta aos sofrimentos de Cristo pelo Seu Corpo, que é Igreja” (Col 1, 24).
161. Tentem aprofundar o seu conhecimento deste Mistério da Redenção. – Este conhecimento as conduzirá ao amor – e o amor as fará compartilhar através dos seus sacrifícios na Paixão de Cristo.
162. “Desejo viver neste mundo que está tão longe de Deus, que se afastou tanto da luz de Jesus, para ajudá-los – para tomar sobre mim um tanto do sofrimento deles”.
163. “O que disse Jesus, que carregássemos a cruz na frente Dele ou que O seguíssemos?” Com um grande sorriso, ela olhou para mim e respondeu: “Que O seguíssemos”. Então eu perguntei: “Por que tenta ir à frente Dele?”…
164. – Porque a escuridão é tão escura, a dor é tão dolorosa. Às vezes, o aperto da dor é tão grande – que eu posso ouvir a minha própria voz clamando – Meu Deus, ajuda-me.
165. Quanto maior for a dor e quanto mais escura for a escuridão mais doce será o meu sorriso para Deus.
166. Mas, como testemunhará o seu Amor, já que o Amor se prova com as obras? Pois bem, a criancinha lançará flores, perfumará com os seus aromas o trono real, e cantará com a sua voz prateada o Cântico dos Cânticos. Sim, meu Bem-Amado! Assim se consumirá a minha vida. Não tenho outro meio de Te provar o meu amor, senão o de lançar flores, isto é, não deixar escapar nenhum pequeno sacrifício, nenhum olhar, nenhuma palavra; aproveitar todas as mais pequenas coisas e fazê-las por amor. Quero sofrer por amor e gozar por amor. Assim lançarei flores diante do teu trono. Não encontrarei nenhuma sem desfolhar para Ti. E depois, ao laçar as minhas flores, cantarei…, mesmo quando tiver de colher as minhas flores no meio de espinhos; e o meu cantar será tanto mais melodioso quanto maiores e mais agudos forem aos espinhos (Santa Teresa do Menino Jesus e da Santa Face).
167. … Não estou sozinha. – Tenho a escuridão Dele – tenho a dor Dele – tenho este anseio terrível por Deus – de amar e não ser amada.
168. A escuridão não era apenas a escuridão “dela”, era a “escuridão Dele”; ela estava compartilhando a “dor Dele”. Com base na pura fé, sabia que se encontrava em um estado de “união inquebrantável” com Ele, porque percebia que tinha os pensamentos “fixados Nele e apenas Nele”. Estava firmemente unida a Jesus por sua vontade, embora a única coisa que ela sentia dessa “união inquebrantável” fosse a Sua agonia, a Sua Cruz.
169. Jesus, aceito tudo aquilo que deres – e dou-Te tudo aquilo que tirares. – Não há sentido nas minhas palavras, mas tenho certeza de que Ele entenderá.
170. “Toma tudo aquilo que Ele der e dá tudo aquilo que Ele tirar com um grande sorriso”.
171. “Dê a Jesus toda a liberdade e permita que Ele lhe use sem consultar-lhe”.
172. … A minha mente – o meu coração – todos os meus pensamentos e sentimentos parecem estar muito longe – tão longe que eu não sei onde estão, mas quando me recomponho descubro que estão com Deus.
173. Considerando-se incapaz de “chegar” a Deus, continuava alegrando-se por poder ajudar a outros a aproximar-se Dele.
174. Quanto a mim, tenho apenas a alegria de nada ter – nem sequer a realidade da Presença de Deus. – Nem oração, nem amor – nem fé – nada a não ser a dor contínua de ansiar por Deus.
175. … Madre Teresa chegava mesmo a tirar alegria espiritual de sua provação interior: a alegria dela era “a alegria de nada ter”, da “pobreza absoluta’, da pobreza da Cruz”…
176. Vocês devem estar no mundo, mas, não ser do mundo. A luz que dão deve ser tão pura, o amor com que amam deve ser tão ardente – a fé com que crêem deve ser tão convincente – que ao vê-los, eles realmente vejam apenas Jesus. O apostolado de vocês é belíssimo – dar Jesus. Mas só podem dá-Lo – somente se tiverem se rendido por completo a Ele.
177. Mantenha-se perto de Jesus com um rosto sorridente.
178. Santa Margarida Maria: – O seu amor por Jesus deu-me um anseio tão doloroso de amar como ela O amava. Que frio – que vazio – que dolorido está o meu coração. A Sagrada Comunhão – a Santa Missa – todas as coisas santas da vida espiritual – da vida de Cristo em mim – são todas vazias – tão frias – tão indesejadas.
179. A escuridão interior conferia a Madre Teresa a capacidade de compreender os sentimentos dos pobres. “O maior de todos os males é a falta de amor e caridade, a terrível indiferença em relação ao próximo que vive a beira da estrada, assaltado pela exploração, pela corrupção, pela pobreza e pela doença”, diria mais tarde.
180. Jesus foi enviado pelo Pai aos pobres e para ser capaz de compreender os pobres, Jesus teve que conhecer e experimentar essa pobreza no Seu próprio Corpo e na Sua Alma. Também nós devemos experimentar a pobreza se quisermos ser verdadeiras portadoras do amor de Deus. Para sermos capazes de proclamar a Boa Nova aos pobres devemos saber o que é pobreza.
181. O sofrimento de Madre Teresa era no nível mais profundo possível: o de sua relação com Deus. E, no seu zelo pela salvação dos outros, estava totalmente disposta a abraçar por completo esse sofrimento, para que os pobres que amava experimentassem toda a medida do amor de Deus. Consequentemente, a escuridão veio a ser a sua maior bênção: o seu “mais profundo segredo” era, na realidade, o seu maior dom.

Capítulo XI
182. Estou disposta aceitar tudo aquilo que Ele der e a dar tudo aquilo que Ele tirar, com um grande sorriso.
183. As suas dificuldades e as minhas – devemos oferecê-las a Jesus pelas almas. … Sei que quero, com todo o meu coração, o que Ele quiser, como Ele quiser e enquanto Ele quiser.
184. … A sua maneira de seguir Jesus na escuridão: “Só me resta fazer uma coisa, seguir de perto os passos do meu dono, como um cãozinho. Reze para que eu seja um cãozinho alegre”.
185. Com freqüência pergunto-me o que realmente Deus obtém de mim neste estado – sem fé, sem amor – nem sequer em sentimentos.
186. Madre Teresa tinha fé, uma fé bíblica, uma fé cega, uma fé que fora posta à prova e testada na fornalha do sofrimento e que abria cominho em direção a Ele através da escuridão.
187. – Eu simplesmente abro o meu coração – e Ele fala.
188. Pergunto-me o que Jesus vai me tirar por eles, uma vez que já me tirou tudo pelas irmãs. Estou disposta a aceitar tudo o que Ele me der e dar tudo o que Ele tirar com um grande sorriso.
189. “Dar toda a liberdade a Jesus” continuava sendo a medida da sua auto-entrega.
190. Dia após dia – repito a mesma coisa – talvez apenas com os meus lábios – “Faz-me sentir o que Tu sentiste. Faz-me compartilhar Contigo a Tua dor”. Quero estar à disposição Dele.
191. Ao longo de toda a Quaresma e, na realidade, ao longo de sua vida como Missionária da Caridade, a oração de Madre Teresa estava sendo respondida; “Faz-me sentir o que Tu sentistes. Faz-me compartilhar Contigo a Tua dor”. Não estava ela experimentando a agonia de Jesus e a agonia dos pobres também?
192. “Viva a sua vida de amor a Jesus com grande alegria – porque o que você tem é presente Dele – use tudo para maior glória do Seu nome, … Mantenha-se perto de Jesus sempre com um rosto sorridente – para que – possa aceitar tudo quanto Ele der e der tudo que Ele tirar”.
193. Aceito não com os meus sentimentos – mas com a minha vontade, a Vontade de Deus. – Aceito a Sua vontade – não só por um tempo, mas por toda eternidade. Na minha alma – não sou capaz de dizer – como está escuro, como é doloroso, como é terrível. – Os meus sentimentos são muito traiçoeiros. – Tenho a sensação de “recusar a Deus” e, contudo, o pior e mais difícil de suportar – é este terrível anseio por Deus.
194. – Não me queixarei. – Aceito Sua Santa Vontade tal como ela vem a mim.
195. “O pior e o mais difícil de suportar”, insistia Madre Teresa, era “este terrível anseio por Deus”. Ainda mais dolorosa do que a própria escuridão era esta sede de Deus. Na realidade, estava experimentando algo da sede de Jesus na Cruz,…
196. Essa sede “terrível” de Deus exprimia-se em uma ardente sede de almas, em especial das almas dos mais pobres dos pobres.
197. Quanto dano o pecado pode fazer. Que mundo terrível é este – sem o amor de Cristo.
198. “Terrível é o ódio quando começa a tocar os seres humanos”.
199. … A Madre via o ódio em ação e buscava permanentemente formas de substituí-lo pelo amor.
200. Só Deus pode pedir sacrifícios como estes.
201. Reze por mim – porque a vida dentro de mim está mais difícil de viver. Estar enamorada e – contudo – não amar, viver de fé e – contudo – não acreditar. Gastar-me por completo e – contudo – estar em total escuridão.
202. Não sei o que sentem as outras pessoas – mas eu amo as minhas Irmãs como a Jesus – com todo o meu coração, a minha alma e a minha mente e as minhas forças.
203. Madre Teresa reconhecia que a escuridão em que vivia era o preço a pagar por acender “o fogo do amor”.
204. Acontece com freqüência que aqueles que passam o tempo dando luz aos outros permanecem, eles próprios, na escuridão.
205. – Se há inferno – Este deve ser um. Que terrível é estar sem Deus – nem oração – nem fé – nem amor.
206. E contudo… Quero ser-Lhe fiel – quero esgotar-me por Ele, quero amá-Lo não por aquilo que Ele dá, mas por aquilo que tira – quero estar à Sua disposição. – Não Lhe peço que mude a Sua atitude para comigo ao os planos para mim. – Peço-Lhe apenas que me use…
207. “Que terrível é estar sem Deus”, … E, ainda mais terrível era para ela – que tinha estado tão perto Dele – ter, por assim dizer, perdido por completo o senso de Sua presença.
208. Na Encarnação, Jesus tornou-Se igual a nós em todas as coisas exceto no pecado; mas no momento da Paixão, tornou-se pecado. – Tomou sobre Si os nossos pecados e é por isso que foi rejeitado pelo Pai. Eu penso que esse foi o maior de todos os sofrimentos por que Ele teve de passar e aquilo que mais temia na agonia do Jardim. Essas Suas palavras na Cruz foram uma expressão da profundidade da Sua solidão e da Sua Paixão – que até mesmo o Seu próprio Pai não o reconheceu como Seu Filho. Que, apesar de todos os seus sofrimentos e angústia, Seu Pai não O reconheceu como Seu Filho amado, como tinha feito no Batismo por São João Batista e na Transfiguração. E podemos perguntar: Por quê? Porque Deus não pode aceitar o pecado e Jesus tinha tomado sobre Si – tinha-se tornado pecado.
209. “Venha, venha, salva-nos – leve-nos a Jesus. Ao abraçar a escuridão em que viviam, Madre Teresa os estava levando para a luz – Jesus”.
210. “Importa que Ele cresça e que eu diminua” (Jo 3, 30).
211. O calor aqui é simplesmente abrasador. – Uma grande consolação para mim – já que não posso arder com o amor de Deus – pelo menos deixe-me arder com o calor de Deus – e assim, desfruto do calor.
212. “Quero fazer a Sua Santa Vontade – Isso é tudo. Ainda que mal a compreenda”.
213. … Minha alma esta vazia – mas não tenho medo. – Ele fez maravilhas por mim – Santo é o Seu nome.
214. – Como minha alma anseia por Deus – e apenas por Ele, como é doloroso estar sem Ele.
215. – Como crescer na “profunda união pessoal do coração humano com o Coração de Cristo? Desde a infância que o Coração de Jesus é meu primeiro amor.
216. Jesus foi o primeiro amor de Madre Teresa e o seu único amor, em uma relação que foi se tornando mais intensa em cada período de sua vida. Seu coração seria atraído com singular intensidade para o Coração de Cristo até o dia de sua morte. Uma das melhores descrições de Madre Teresa a apresenta como uma mulher “totalmente, apaixonadamente, loucamente enamorada de Jesus”.
217. “O insulto despedaçou-me o coração e tornou-o incurável; esperei compaixão, mas em vão, alguém que me consolasse, mas não encontrei” (Sl 68, 21).
218. Diga a Jesus: “Eu serei esse ‘alguém’”. Irei reconfortá-Lo, encorajá-Lo e amá-Lo. Fique com Jesus. Ele rezou e rezou, e depois foi procurar consolo, mas não encontrou nenhum. Eu escrevo sempre esta frase: ‘Procurei alguém que Me consolasse, mas não encontrei ninguém’.
219. Seja esse alguém. … Seja esse alguém que saciará a Sede.
220. Sim, bastaria que voltássemos ao espírito de Cristo – bastaria que vivêssemos a vida eucarística, bastaria que percebêssemos o que é o Corpo de Cristo – não haveria tanto sofrimento – tanto do que temos hoje. – A Paixão de Cristo está sendo revivida mais uma vez em toda a sua realidade – Devemos rezar muito pela Igreja – a Igreja no Mundo – e o mundo na Igreja.
221. Estamos aqui para ir para lá – para casa junto de Deus – e lá não há infidelidade, mas apenas Shanti (paz) – uma verdadeira “Shanti Nagar” (Cidade da Paz).
222. … Nós mais e mais devemos ser Sua Luz – Seu caminho – Sua vida – Seu amor nas favelas.
223. Quero amá-lo como Ele nunca foi amado antes – com um amor terno, pessoal e íntimo.
224. Tenho um anseio tão profundo por Deus e pela morte. … Reze por mim para que eu use a alegria do Senhor como minha força.
225. Sofria imensamente ao ver os sofrimentos daqueles que amava, mas continuava salientando o valor e o sentido do sofrimento humano como forma de compartilhar a Paixão de Jesus.
226. Mantenham a luz da fé sempre acesa – pois só Jesus é o caminho que conduz ao Pai. Só Ele é a vida que habita no nosso coração. Só Ele é a luz que ilumina e escuridão. Não tenham medo, Cristo não nos enganará.
227. As palavras de Jesus no Evangelho de São Mateus – “o que fizestes ao mais pequenino… a Mim o fizestes – eram o rocha sobre a qual assentavam as suas convicções.
228. … Cristo não pode nos enganar. – Por isso tudo o que fizermos ao menor – é a Ele que fazemos. Que a alegria do Senhor seja a sua força. Porque só Ele é o caminho que vale a pena seguir, a luz que vale a pena acender, a vida que vale a pena viver – e o amor que vale a pena amar.

Capítulo XII
229. “Deus usa o que é nada para mostrar a Sua grandeza”.
230. Eu me maravilho com a Sua imensa humildade e a minha pequenez – o meu nada. Acredito que é aqui que Jesus e eu nos encontramos. – Ele é tudo para mim – e eu – a Sua pequenina – tão incapaz – tão vazia – tão pequena.
231. Só Jesus pode abaixar-Se tanto para enamorar-se de alguém como eu.
232. … Me maravilho com a Sua imensa humildade e minha pequenez – o meu nada. – Acredito que é aqui que Jesus e eu nos encontramos. – Ele é tudo para mim – e eu – a Sua pequenina – tão indefesa – tão vazia – tão pequena.
233. O Seu jeito é tão bonito – em pensar que temos a Deus Onipotente se inclinando tão baixo para amar a você e a mim e fazer uso de nós – e nos faz sentir que Ele realmente precisa de nós. – À medida que vou envelhecendo a minha admiração de Sua humildade vai aumentando mais e mais e O amo não por aquilo que Ele dá – mas por aquilo que Ele é – o Pão da Vida – o Faminto.
234. Ela fazia tudo como dizia: “Devemos mantê-Lo continuamente nos nossos corações e nas nossas mentes”.
235. Só quando percebemos o nosso nada, o nosso nada, o nosso vazio, é que Deus pode nos encher com Ele mesmo. Quando nos tornamos cheios de Deus então podemos dar Deus aos outros, porque da plenitude do coração fala a boca.
236. … Quero amar Jesus com o amor de Maria, e ao Pai com o amor de Jesus.
237. Tire os seus olhos de si mesmo e alegre-se por não ter nada – por não ser nada – por não poder fazer nada. Dê a Jesus um grande sorriso – cada vez que o seu nada o assustar.
238. Esta é a pobreza de Jesus. O senhor e eu devemos permitir-Lhe viver em nós e através de nós no mundo.
239. Agarre-se a Nossa Senhora – pois ela também – antes de poder se tornar cheia de graça – cheia de Jesus – teve que passar por essa escuridão. “Como pode ser isso?” – Mas no momento em que disse “Sim”, teve necessidade de ir apressadamente dar Jesus a João e à família dele.
Continue dando Jesus ao seu povo não pelas palavras, mas pelo seu exemplo – por estar enamorado de Jesus – por irradiar a santidade Dele e espalhar Sua fragrância de amor onde quer que o senhor vá.
Apenas mantenha a alegria de Jesus como sua força. Seja feliz e esteja em paz. Aceite tudo aquilo que Ele der – e dê tudo aquilo que Ele tirar com um grande sorriso. – O senhor pertence a Ele – diga-Lhe sou Teu e se me cortares em pedaços, cada um desses pedaços será somente e todo Teu.
240. Mantenha a luz, Jesus, acesa em você com o óleo de sua vida. As dores que você tem nas costas – a pobreza que sente são gotas de óleo que mantêm a luz, Jesus, acesa e afastam a escuridão do pecado – onde quer você vá. Não faça nada que leve a aumentar a dor – mas aceite com um grande sorriso o pouco que Ele lhe dá com grande amor.
241. A impressão que eu tinha era a de que estava lidando com uma mulher que, de alguma forma, via Deus e sentia Deus no sofrimento dos pobres, uma mulher que tinha uma fé imensa na luz e na escuridão.
242. … Isso é a santidade – fazer a vontade Dele com um grande sorriso.
243. Ainda bem que a Cruz nos leva ao Calvário e não a uma sala de estar. – A Cruz – o Calvário foi muito real durante algum tempo.
244. Jesus deu-me uma graça muito grande – aceitar tudo com um grande sorriso.
245. – Começo a aprender mais e mais porque Jesus quer que aprendamos com Ele a ser mansos e humildes de coração. Porque sem a mansidão nunca seremos capazes de aceitar os outros nem de amar os outros como Ele ama. – Então, antes de aprendermos a humildade, sem a qual não podemos amar a Deus – temos que aprender a amar-nos uns aos outros. Precisamos da mansidão e da humildade para poder comer o Pão da Vida.
246. … Peço-Lhe que diga a Jesus – quando pelas suas palavras o Pão se transforma no Seu Corpo e o vinho se transforma no Seu Sangue – que mude o meu coração – que me dê o Seu próprio Coração – para que eu possa amá-Lo como Ele me ama.
247. – Eu devo ser capaz de dar só Jesus ao mundo. As pessoas estão famintas de Deus. Que encontro terrível teríamos com o próximo se apenas lhe déssemos a nós mesmos.
248. “Os nossos sofrimentos, suportados como devem sê-lo, são, pois, como dissemos, beijos dados ao nosso Jesus Crucificado. Mas o sofrimento também é o beijo de Jesus Crucificado em nossa alma. As almas comuns nada mais costumam ver no sofrimento do que um castigo de Deus, uma prova da Sua injustiça ou do Seu desagrado. A alma generosa, pelo contrário, encontra no sofrimento uma prova do amor de Deus por ela, não vendo a cruz despida, mas vendo Jesus Crucificado nela, Jesus que a abraça com amor e que dela, espera, em troca, um assentimento generoso e amoroso. … A mim, a única coisa que me faz sofrer é Cruz de Jesus. Os beijos de Jesus à minha alma – por muito estranho que isso possa parecer – são os numerosos sofrimentos minúsculos da minha vida diária”.
249. A dor, o sofrimento, a solidão são “um beijo de Jesus” – um sinal de que você chegou tão perto de Jesus que Ele pode beijá-la.
250. O sofrimento, a dor, o fracasso – nada mais são do que um beijo de Jesus, um sinal de que você chegou tão perto de Jesus na Cruz que Ele pode beijá-la(lo).
251. Maior amor nem sequer Deus poderia dar do que o de entregar a Si Mesmo como o Pão da Vida.
252. A grandeza da humildade de Deus. Realmente não há amor maior – amor maior do que o amor de Cristo. – Estou certa de que o senhor deve sentir com freqüência o mesmo quando – às suas palavras – nas suas mãos – o pão se transforma no Sangue de Cristo. – Que grande deve ser o seu amor por Cristo. – Não há amor maior – do que o amor do sacerdote por Cristo seu Senhor e seu Deus.
253. “Não temos o direito de recusar nossa vida aos outros, nos quais contatamos com Cristo”.
254. “Ela nunca pensava em si própria, mas sempre pensava nos outros. ‘Deixem que as pessoas a devorem’. A Madre viveu essa frase plenamente até ao final de sua vida”.
255. Sim, quero ser pobre como Jesus – que sendo rico se fez pobre por amor a nós. … Não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim.
256. “Estou Crucificado com Cristo! Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé do Filho de Deus, que me amou e Se entregou por mim”, escreveu São Paulo, em palavras que descrevem, apropriadamente, a realidade da união de Madre Teresa com Deus: Cristo estava, de fato, vivendo e agindo nela, espalhando o Seu amor pelo mundo.
257. – Que Jesus faça o que quiser sem me consultar, porque eu pertenço a Ele.
258. Como podia sofrer tanto e não se quebrar, ela que olhava e escutava, mas nem via nem ouvia Aquele que procurava? Apenas havia silêncio e escuridão para tornar a sua escuridão dolorosa e assustadora. No entanto, apesar de se sentir, “indefesa”, era verdadeiramente “ousada”, porque estava mais decidida do que nunca a dar-Lhe “toda a liberdade”.
259. A Madre sempre nos disse: “Deus ama a quem dá com alegria. Se não vamos às pessoas com uma cara alegre, apenas aumentamos sua escuridão e suas misérias e suas aflições

Viver a Bíblia ao pé da letra?

Podemos fazer tudo o que está escrito na Bíblia?

Algumas pessoas que não entendem bem da Bíblia, ou que foram doutrinadas em algumas seitas, pensam ainda que devemos interpretar a Bíblia ao pé da letra, de maneira fundamentalista. Ora, nada mais errado e perigoso. Por isso, o Magistério da Igreja interpreta a Sagrada Escritura, discernindo o que não pode ser mudado e o que é costume da época e que não vale mais hoje. Veja, por exemplo, os problemas que teríamos hoje se fossemos viver a Bíblia dessa forma:

Ex 21, 2: “quando comprares um escravo hebreu, ele servirá seis anos; no sétimo sairá livre, sem pagar nada”. Quer dizer que então podemos comprar escravos?

Levítico 25, 44 – estabelece que posso possuir escravos, tanto homens quanto mulheres, desde que sejam adquiridos de países vizinhos. “Vossos escravos, homens ou mulheres, tomá-los-eis dentre as nações que vos cercam; delas comprareis os vossos escravos, homens ou mulheres”.

Ex 21, 7: “Se um homem tiver vendido sua filha para ser escrava, ela não sairá em liberdade nas mesmas condições que o escravo”.Então, podemos vender a filha como serva?

Ex 21, 15: “Aquele que ferir seu pai ou sua mãe, será morto”. Então vamos decretar a pena de morte para muita gente.

Êxodo 35, 2: claramente estabelece que quem trabalha nos sábados deve receber a pena de morte. “Trabalharás durante seis dias, mas o sétimo (sábado) será um dia de descanso completo consagrado ao Senhor. Todo o que trabalhar nesse dia será morto.” Deveríamos, então, matar todo mundo que trabalha no sábado?

Levítico 21, 18-21: está estabelecido que uma pessoa não pode se aproximar do altar de Deus se tiver algum defeito. “Desse modo, serão excluídos todos aqueles que tiverem uma deformidade: cegos, coxos, mutilados, pessoas de membros desproporcionados, ou tendo uma fratura no pé ou na mão, corcundas ou anões, os que tiverem uma mancha no olho, ou a sarna, um dartro, ou os testículos quebrados… Sendo vítima de uma deformidade, não poderá apresentar-se para oferecer o pão de seu Deus”.

Lev. 19, 27 proibe cortar cabelo: “Não cortareis o cabelo em redondo, nem rapareis a barba pelos lados.”

Levítico 11, 6-8, quem tocar a pele de um porco morto fica impuro. “E enfim, como o porco, que tem a unha fendida e o pé dividido, mas não rumina; tê-lo-eis por impuro.”

Levítico 19, 19: “Não juntarás animais de espécies diferentes. Não semearás no teu campo grãos de espécies diferentes. Não usarás roupas tecidas de duas espécies de fios”. Ora, então não se poderia ter vacas, cabritos e galinhas na mesma terra. Não se poderia usar roupa de algodão misturado com poliéster como se usa hoje.

Levítico 20, 9-16: “Quem amaldiçoar o pai ou a mãe será punido de morte. Amaldiçoou o seu pai ou a sua mãe: levará a sua culpa. Se um homem cometer adultério com uma mulher casada, com a mulher de seu próximo, o homem e a mulher adúltera serão punidos de morte. Se um homem dormir com outro homem, como se fosse mulher, ambos cometerão uma coisa abominável. Serão punidos de morte e levarão a sua culpa. Se um homem tiver comércio com um animal, será punido de morte, e matareis também o animal.”

Veja quanta gente teria que ser morta hoje se fossemos seguir a Bíblia “ao pé da letra” de maneira fundamentalista; mas é lógico que isso não pode ser feito. Então a Bíblia errou? Não! O escritor sagrado narrou o que se vivia de costume no seu tempo; hoje não se pode viver isso a luz da verdade e do bom senso. A moral evoluiu até que Jesus Cristo a levou à perfeição.

É por isso que a “Dei Verbum” do Concilio Vaticano II ensina que: “O ofício de interpretar autenticamente a palavra de Deus escrita ou transmitida, foi confiado unicamente ao Magistério vivo da Igreja, cuja autoridade se exerce em nome de Jesus Cristo” (n. 10).

E São Pedro nos lembra algo muito importante: “Nelas [Sagradas Escrituras] há algumas passagens difíceis de entender, cujo sentido os espíritos ignorantes ou pouco fortalecidos deturpam, para a sua própria ruína, como o fazem também com as demais Escrituras” (2Pd 3, 16).

Prof. Felipe Aquino

Santo Evangelho (Mt 17, 1-9)

Transfiguração do Senhor – Domingo 06/08/2017 

Primeira Leitura (Dn 7,9-10.13-14)
Leitura da Profecia de Daniel.

9Eu continuava olhando até que foram colocados uns tronos, e um Ancião de muitos dias aí tomou lugar. Sua veste era branca como neve e os cabelos da cabeça, como lã pura; seu trono eram chamas de fogo, e as rodas do trono, como fogo em brasa. 10Derramava-se aí um rio de fogo que nascia diante dele; serviam-no milhares de milhares, e milhões de milhões assistiam-no ao trono; foi instalado o tribunal e os livros foram abertos. 13Continuei insistindo na visão noturna, e eis que, entre as nuvens do céu, vinha um como filho do homem, aproximando-se do Ancião de muitos dias, e foi conduzido à sua presença. 14Foram-lhe dados poder, glória e realeza, e todos os povos, nações e línguas o serviam: seu poder é um poder eterno que não lhe será tirado, e seu reino, um reino que não se dissolverá.

— Palavra do Senhor.
— Graças a Deus!

OU
(escolhe-se uma das leituras)

Primeira Leitura (2Pd 1,16-19)
Leitura da Segunda Carta de São Pedro.

Caríssimos, 16não foi seguindo fábulas habilmente inventadas que vos demos a conhecer o poder e a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, mas sim, por termos sido testemunhas oculares da sua majestade. 17Efetivamente, ele recebeu honra e glória da parte de Deus Pai, quando do seio da esplêndida glória se fez ouvir aquela voz que dizia: “Este é o meu Filho bem-amado, no qual ponho o meu bem-querer”. 18Esta voz, nós a ouvimos, vinda do céu, quando estávamos com ele no monte Santo. 19E assim se nos tornou ainda mais firme a palavra da profecia, que fazeis bem em ter diante dos olhos, como lâmpada que brilha em lugar escuro, até clarear o dia e levantar-se a estrela da manhã em vossos corações.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Responsório(Sl 96)

— Deus é Rei, é o Altíssimo, muito acima do universo.
— Deus é Rei, é o Altíssimo, muito acima do universo.

— Deus é Rei! Exulte a terra de alegria, e as ilhas numerosas rejubilem! Treva e nuvem o rodeiam no seu trono, que se apoia na justiça e no direito.

— As montanhas se derretem como cera ante a face do Senhor de toda a terra; e assim proclama o céu sua justiça, todos os povos podem ver a sua glória.

— Porque vós sois o altíssimo, Senhor, muito acima do universo que criastes, e de muito superais todos os deuses.

 

Evangelho (Mt 17,1-9)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 1Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João, seu irmão, e os levou a um lugar à parte, sobre uma alta montanha. 2E foi transfigurado diante deles; o seu rosto brilhou como o sol e as suas roupas ficaram brancas como a luz. 3Nisto apareceram-lhes Moisés e Elias, conversando com Jesus. 4Então Pedro tomou a palavra e disse: “Senhor, é bom ficarmos aqui. Se queres, vou fazer aqui três tendas: uma para ti, outra para Moisés, e outra para Elias”. 5Pedro ainda estava falando, quando uma nuvem luminosa os cobriu com sua sombra. E da nuvem uma voz dizia: “Este é o meu Filho amado, no qual eu pus todo meu agrado. Escutai-o!” 6Quando ouviram isto, os discípulos ficaram muito assustados e caíram com o rosto em terra. 7Jesus se aproximou, tocou neles e disse: “Levantai-vos, e não tenhais medo”. 8Os discípulos ergueram os olhos e não viram mais ninguém, a não ser somente Jesus. 9Quando desciam da montanha, Jesus ordenou-lhes: “Não conteis a ninguém esta visão até que o Filho do Homem tenha ressuscitado dos mortos”.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

 

A IGREJA CATÓLICA CELEBRA E VENERA HOJE
São Justo e São Pastor

Com alegria, toda a Igreja festeja neste dia, a Transfiguração de Nosso Senhor Jesus Cristo, a qual se encontra testemunhada nos Evangelhos de Mateus, Marcos e Lucas. Neste fato bíblico, nós nos deparamos com o segredo da santidade para todos os tempos: “Este é o meu Filho bem-amado, aquele que me aprove escolher. Ouvi-o!” (Mc 9,7)

Sem dúvida, os santos que estamos lembrando hoje, somente estão no Eterno Tabor, por terem vivido esta ordem do Pai. Conta-se que eram jovens cristãos e estavam na escola, quando souberam que o perseguidor e governador Daciano acabara de entrar na cidade. Sendo assim, os santos Justo e Pastor, fugiram, mas foram pegos e entregues por pagãos ao grande perseguidor dos cristãos.

Diante do governador que estava sobre o seu cavalo, os corajosos discípulos de Cristo não recuaram diante das ameaças, tanto assim que, frente à possibilidade do martírio, a resposta de São Justo e Pastor foi um canto de felicidade. O governador, ridicularizado pela fé que transfigurava aqueles jovens, mandou que lhes cortassem as cabeças, isto ocorreu em Alcalá de Henares, em Castela, no ano de 304.

Santos Justo e Pastor, rogai por nós!

Papa: ser batizado significa ser chamado a difundir a luz da esperança de Deus

Ser cristão “quer dizer olhar para a luz, continuar a fazer a profissão de fé na luz, mesmo quando o mundo é envolvido pela noite e pelas trevas” – AP

02/08/2017

Cidade do Vaticano (RV) – “Ser batizado significa ser chamado a difundir a luz da esperança de Deus neste mundo sem esperança”. Ao retomar as Audiências Gerais após a pausa no mês de julho, o Papa Francisco dedicou sua catequese ao “Batismo, como porta da esperança”.

Dirigindo-se ao sete mil presentes na Sala Paulo VI, Francisco começou sua reflexão recordando que nos tempos modernos praticamente desapareceu o fascínio pelos antigos ritos do Batismo, assim como alegorias que tinham um grande significado para o homem antigo, como a orientação das Igrejas para o Oriente, “local onde as trevas eram vencidas pela primeira luz da aurora, o que nos remete a Cristo”, “que nos vai trazer do alto a visita do Sol nascente.”

Permanece intacta em seu significado no entanto – observou o Papa – “a profissão de fé feita segundo a interrogação batismal, que é própria da celebração de alguns sacramentos”.

Mas, o que quer dizer “ser cristãos?”, pergunta. “Quer dizer olhar para a luz, continuar a fazer a profissão de fé na luz, mesmo quando o mundo é envolvido pela noite e pelas trevas”:

“Nós somos aqueles que acreditam que Deus é Pai: esta é a luz! Acreditamos que Jesus desceu entre nós, caminhou em nossas próprias vidas, tornando-se companheiro especialmente dos mais pobres e frágeis: esta é a luz! Nós acreditamos que o Espírito Santo age incansavelmente para o bem da humanidade e do mundo, e até mesmo as maiores dores da história serão superadas: esta é a esperança que nos desperta todas as manhãs! Acreditamos que cada afeto, cada amizade, cada desejo bom, cada amor, até mesmo aqueles mais momentâneos e negligenciados, um dia encontrarão o seu cumprimento em Deus: esta é a força que nos impulsiona a abraçar com entusiasmo a nossa vida todos os dias!”

O Papa recorda então outro sinal “muito bonito da liturgia batismal, que nos recorda a importância da luz”, que é quando ao final do rito é entregue aos pais da criança – ou ao adulto batizado – uma vela, cuja chama é acesa no Círio Pascal.

O Círio Pascal que na noite de Páscoa entra na igreja completamente escura, para manifestar a Ressurreição de Jesus:

“Daquele Círio – explica Francisco – todos acendem a própria vela e transmitem a chama aos vizinhos: neste sinal existe a lenta propagação da ressurreição de Jesus na vida de todos os cristãos. A vida da Igreja é contaminação de luz”.

O Santo Padre reitera então a importância de sempre recordarmos de nosso Batismo, explicando:

“Nós nascemos duas vezes: a primeira à vida natural, a segunda, graças ao encontro com Cristo, na fonte batismal. Ali somos mortos para a morte, para viver como filhos de Deus neste mundo. Ali nos tornamos humanos como nunca poderíamos ter imaginado. Eis porque todos devemos espalhar a fragrância do Crisma com o qual fomos marcados no dia do nosso Batismo. Em nós vive e opera o Espírito de Jesus, o primogênito de muitos irmãos, de todos aqueles que se opõem a inevitabilidade das trevas e da morte”.

“Que graça – exclama Francisco – quando um cristão torna-se realmente um “cristóforo”, um “portador de Cristo” no mundo!”, sobretudo “para aqueles que estão atravessando situações de luto, de desespero, de trevas e de ódio”, e isto pode ser percebido por tantos pequenos gestos:

“Da luz que um cristão traz nos olhos, da profunda serenidade que não é afetada mesmo nos dias mais complicados, pelo desejo de recomeçar a querer bem mesmo quando se tenha experimentado muitas decepções”.

“No futuro – pergunta o Papa ao concluir sua reflexão – quando for escrita a história do nosso dia, o que se dirá de nós? Que fomos capazes de esperança, ou que colocamos a nossa luz debaixo do alqueire? Se formos fiéis ao nosso Batismo, propagaremos a luz da esperança de Deus e poderemos passar para as gerações futuras razões de vida”.

Ao saudar os peregrinos em língua portuguesa, o Papa Francisco citou, em particular, os membros da Fraternidade dos “Irmãozinhos de Assis” presentes.

“Ser batizados – disse o Papa– significa ser chamado à Santidade. Peçamos a graça de poder viver os nossos compromissos batismais como verdadeiros imitadores de cristo, nossa esperança e nossa paz”. (JE)

A medalha de São Bento é a medalha da santa cruz

O sacramental é atribuído ao santo, porém o poder está na cruz de Cristo

São Bento foi um homem sedento de Deus. Segundo São Gregório Magno, seu biógrafo, em tudo ele quis agradar a Deus. Colocava o amor ao Senhor sobre todas as coisas, por isso foi um homem silencioso, obediente e humilde.

A medalha de São Bento é conhecida no mundo todo. Porém, não foi o santo quem a cunhou. Em sua época, os sacramentais não eram comuns. Esse santo ficou muito famoso, em sua época, pelo sinal da santa cruz. Certa vez, ofereceram-lhe um cálice envenenado; quando ele traçou o sinal da cruz sobre o objeto, o cálice se partiu e dele saiu uma cobra. Outra vez, aconteceu de lhe darem um pão envenenado; mais uma vez, ao traçar o sinal da cruz, um corvo voou em direção à sua mão e levou o pão embora.

A medalha de São Bento é a medalha da santa cruz. No século XI, na Alemanha, a esposa de um conde sonhou que um homem lhe falava, em sonho, que seu filho Bruno seria um grande homem. Tempos depois, esse mesmo rapaz ficou muito doente e viu a imagem de um homem que lhe colocava uma cruz sobre os lábios e o curava. O homem do sonho e da visão eram São Bento. A partir de então, começou a se cunhar a medalha desse santo e propagar sua devoção pelo mundo inteiro.

O sacramental é atribuído ao santo, porém o poder está na cruz de Cristo, temida pelo demônio, e na fé de cada cristão. O mais importante, portanto, não é São Bento, mas a santa cruz, Crux Sacra Sit Mihi Lux – “A Cruz Sagrada seja minha luz”. A medalha que conhecemos, hoje, com as iniciais da oração dedicada a São Bento, teve origem no mosteiro de Monte Cassino onde São Bento viveu e seu corpo foi sepultado.

Historicamente, não há como afirmar que foi o santo o autor dessa oração inscrita na medalha. Porém, existem nela palavras que se referem à vida dele. A oração tem como centro o pedido de que a cruz de Cristo seja a luz daquela pessoa e são as iniciais das palavras latinas que formam os versos seguintes:

C.S.P.B. : Crux Sancti Patris Benedicti – Cruz do Patriarca São Bento

Na linha vertical da cruz se lê:

C.S.S.M.L.: Crux Sacra Sit Mihi Lux – A Cruz sagrada seja minha luz

Na linha horizontal:

N.D.S.M.D.: Non Draco Sit Mihi Dux – Não seja o dragão o meu guia

Em torno da medalha:

V.R.S.: Vade Retro, Satana – Afasta-te Satanás

N.S.M.V.: Nunquam Suade Mihi Vana – Nunca me aconselhe coisas vãs

S.M.Q.L.: Sunt Mala Quae Libas – É mal o que me ofereces

I.V.B.: Ipse Venena Bibas – Beba, tu dos teus venenos

Os devotos a utilizam de diversas outras formas, como para defesa contra animais peçonhentos, colocando-a sobre uma parte do corpo com enfermidade; ou colocando-a na água e, depois, dando esta água de beber para um animal doente, dentre tantas outras maneiras. O que não pode ser feito é usar a medalha como um amuleto ou como um objeto mágico. Mais que a utilizar contra o maligno ou qualquer outra devoção, ela deve ser usada como testemunho de fé.

Pela intercessão de São Bento, poderoso na luta contra o veneno do pecado, que Deus abençoe a cada um!

Dom Paulo Banza
Reitor do mosteiro de São Bento em Vinhedo (SP).

Busquemos a Deus, único bem verdadeiro

Do tratado sobre a fuga do mundo

Onde está o coração do homem está bem o seu tesouro; pois Deus não costuma negar o bem aos que lhe pedem.

Porque o Senhor é bom, e é bom sobretudo para os que nele esperam, unamo-nos a ele, permaneçamos com ele de toda a nossa alma, de todo o coração e de todas as forças, para vivermos na sua luz, vermos a sua glória e gozarmos da graça da felicidade eterna. Elevemos nossos corações para esse bem, permaneçamos e vivamos unidos a ele, que está acima de tudo quanto possamos pensar ou imaginar; e concede a paz e a tranquilidade perpétuas, uma paz que ultrapassa toda a nossa compreensão e sentimento.

É esse o bem que tudo penetra; todos vivemos nele e dele dependemos; nada lhe é superior, porque é divino. Só Deus é bom e, portanto, o que é bom é divino e o que é divino é bom; por isso se diz no salmo: Vós abris a mão e todos se fartam de bens (Sl 103,28). É, com efeito, da bondade de Deus que nos vêm todos os bens, sem nenhuma mistura de mal.

Esses bens são os que a Escritura promete aos fiéis, dizendo: Comereis dos bens da terra (Is 1,19).

Nós morremos com Cristo e trazemos em nosso corpo a morte de Cristo, para que também a vida de Cristo se manifeste em nós. Portanto, já não é nossa própria vida que vivemos, mas a vida de Cristo: vida de inocência, vida de castidade, vida de sinceridade e de todas as virtudes. Também ressuscitamos com Cristo; vivamos, pois, unidos a ele, subamos com ele, a fim de que a serpente não possa encontrar na terra o nosso calcanhar e feri-lo.

Fujamos daqui. Podes fugir com o espírito, embora permaneças com o corpo; podes ficar aqui e estar ao mesmo tempo junto do Senhor, se teu coração estiver unido a ele, se teus pensamentos se fixarem nele, se percorreres seus caminhos, guiado pela fé e não pelas aparências, se te refugiares junto dele – que é nosso refúgio e nossa força, como disse Davi: Eu procuro meu refúgio em vós, Senhor, que eu não seja envergonhado para sempre (Sl 70,1).

Já que Deus é o nosso refúgio, e Deus está nos céus e no mais alto dos céus, é preciso fugir daqui para as alturas onde reina a paz, onde repousaremos de nossas fadigas, onde celebraremos o banquete do grande Sábado, como disse Moisés: O repouso sabático da terra será para vós ocasião de festim (Lv 25,6). Descansar em Deus e contemplar as suas delícias é, na verdade, um banquete, cheio de alegria e felicidade.

Fujamos, como os cervos, para as fontes das águas. Que a nossa alma sinta a mesma sede de Davi. Qual é esta fonte? Escuta o que ele diz: Em vós está a fonte da vida (Sl 35,10). Diga minha alma a esta fonte: Quando terei a alegria de ver a face de Deus? (Sl 41,3). Porque a fonte é o próprio Deus.

Santo Ambrósio, Bispo e Doutor da Igreja

(Extraído do livro “Alimento Sólido”)
Felipe Aquino
felipeaquino@cancaonova.com

Papa exorta fiéis a ser sal e luz no mundo

Terça-feira, 13 de junho de 2017, Da Redação, com Rádio Vaticano

Na Missa desta terça-feira, 13, na Casa Santa Marta, o Papa Francisco refletiu sobre a mensagem evangélica “ser sal e luz” do mundo, exortando os fiéis a não buscar seguranças artificiais, mas a confiar na ação do Espírito Santo.

“Em Jesus não há um ‘não’, mas sempre ‘sim’ para a glória do Pai. Mas, também nós participamos deste ‘sim’ de Jesus, porque Ele nos conferiu a unção, nos imprimiu o sigilo, que nos foram antecipados pelo Espírito. É o Espírito que nos levará ao ‘sim’ definitivo, até à nossa plenitude. É o Espírito que nos ajuda a tornar-nos ‘sal e luz’, ou seja, a sermos testemunhas cristãs”.

Nessa lógica, Francisco ressaltou que quem esconde a luz dá um contratestemunho, refugiando-se um pouco no “sim” e um pouco no “não”. São pessoas que possuem a luz, mas não a doam, e não a faz ver e se não a faz ver não glorifica o Pai que está nos céus.

O Papa destacou que Deus confiou à Igreja e a todos os batizados a atitude de segurança e de testemunho: segurança na plenitude das promessas em Cristo; testemunho aos outros. “E isso é ser cristão: iluminar, ajudar para que a mensagem e as pessoas não se corrompam (…) se se esconde a luz o sal torna-se insípido, sem força, enfraquece – o testemunho será fraco. Mas isso ocorre quando eu não aceito a unção, não aceito o sigilo, não aceito a ‘antecipação’ do Espírito que está em mim. E isso ocorre quando eu não aceito o ‘sim’ em Jesus Cristo”.

A proposta cristã, disse Francisco, é simples, mas decisiva e bela e traz esperança. “Eu sou a luz – podemos nos perguntar – para os outros? Eu – disse ainda o Papa – sou sal para os outros? Que dá sabor à vida e a defende da corrupção? Estou agarrado em Jesus Cristo, que é o ‘sim’? Sinto-me ungido, selado? Eu sei que eu tenho essa segurança que será plena no céu, mas pelo menos é ‘antecipação’, agora, o Espírito?”.

O Papa concluiu a homilia convidando os fiéis a pedir essa graça, de ser enraizado na plenitude das promessas em Cristo Jesus e levar essa plenitude com o sal e a luz do testemunho aos outros para dar glória ao Pai que está nos céus.

Santo Evangelho (Jo 3, 16-21)

2ª Semana da Páscoa – Quarta-feira 26/04/2017

Primeira Leitura (At 5,17-26)
Leitura dos Atos dos Apóstolos.

Naqueles dias, 17levantaram-se o sumo sacerdote e todos os do seu partido — isto é, o partido dos saduceus — cheios de raiva e mandaram prender os apóstolos e lançá-los na cadeia pública. 19Porém, durante a noite, o anjo do Senhor abriu as portas da prisão e os fez sair, dizendo: 20“Ide falar ao povo, no Templo, sobre tudo o que se refere a este modo de viver”. 21Eles obedeceram e, ao amanhecer, entraram no Templo e começaram a ensinar. O sumo sacerdote chegou com seus partidários e convocou o Sinédrio e o Conselho formado pelas pessoas importantes do povo de Israel. Então mandaram buscar os apóstolos na prisão. 22Mas, ao chegarem à prisão, os servos não os encontraram e voltaram dizendo: 23“Encontramos a prisão fechada, com toda segurança, e os guardas estavam a postos na frente da porta. Mas, quando abrimos a porta, não encontramos ninguém lá dentro”. 24Ao ouvirem essa notícia, o chefe da guarda do Templo e os sumos sacerdotes não sabiam o que pensar e perguntavam-se o que poderia ter acontecido. 25Chegou alguém que lhes disse: “Os homens que vós pu­sestes na prisão estão no Templo ensinando o povo!” 26Então o chefe da guarda do Templo saiu com os guardas e trouxe os apóstolos, mas sem violência, porque eles tinham medo que o povo os atacasse com pedras.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Responsório (Sl 33)

— Este infeliz gritou a Deus, e foi ouvido.
— Este infeliz gritou a Deus, e foi ouvido.

— Bendirei o Senhor Deus em todo o tempo, seu louvor estará sempre em minha boca. Minha alma se gloria no Senhor; que ouçam os humildes e se alegrem!

— Comigo engrandecei ao Senhor Deus, exaltemos todos juntos o seu nome! Todas as vezes que o busquei, ele me ouviu, e de todos os temores me livrou.

— Contemplai a sua face e alegrai-vos, e vosso rosto não se cubra de vergonha! Este infeliz gritou a Deus, e foi ouvido, e o Senhor o libertou de toda angústia.

— O anjo do Senhor vem acampar ao redor dos que o temem, e os salva. Provai e vede quão suave é o Senhor! Feliz o homem que tem nele o seu refúgio!

 

Evangelho (Jo 3,16-21)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo João.
— Glória a vós, Senhor.

16Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho unigênito, para que não morra todo o que nele crer, mas tenha a vida eterna. 17De fato, Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por ele. 18Quem nele crê não é condenado, mas quem não crê já está condenado, porque não acreditou no nome do Filho unigênito. 19Ora, o julgamento é este: a luz veio ao mundo, mas os homens preferiram as trevas à luz, porque suas ações eram más. 20Quem pratica o mal odeia a luz e não se aproxima da luz, para que suas ações não sejam denunciadas. 21Mas quem age conforme a verdade aproxima-se da luz, para que se manifeste que suas ações são realizadas em Deus.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

 

A IGREJA CATÓLICA CELEBRA E VENERA HOJE
São Pascásio, nasceu para ser escritor 

São Pascásio, foi um célebre professor, que deu celebridade às escolas de Corbie

Pascásio Radbert foi personagem considerável no seu tempo. Os historiadores da Teologia continuam a mencionar a teoria que ele imaginou para “esclarecer” o mistério da presença de Jesus no Santíssimo Sacramento. Como diplomata, viajou muito entre 822 e 834, para solucionar questões da Igreja e tentar apaziguar os conflitos que punham em campo os sucessores de Carlos Magno.

Era um enjeitado exposto no pórtico de Nossa Senhora de Soissons no fim do século VIII. A abadessa Teodarda, prima direita de Carlos Magno, recolheu-o e educou-o da melhor maneira que pôde. Sempre ele se referiu à sua mãe adotiva com reconhecimento e veneração; apesar disso, deixou-a algum tempo para se lançar em aventuras.

Converteu-se aos 22 anos, e foi então Adelardo, irmão de Teodarda, abade de Corbie, que o recebeu entre os seus monges. Veio a ser um célebre professor, que deu celebridade às escolas de Corbie.

Em 844, os seus colegas de elegeram-no como abade mas, sete anos mais tarde, fizeram uma espécie de revolução que o obrigou a refugiar-se noutra abadia. Não se afligiu. Nascera para ser escritor, e tinha várias obras em preparação: “Que felicidade, dizia, ser lançado nos braços da filosofia e da sabedoria, e poder de novo beber no meu outono o leite das Sagradas Escrituras, que alimentou a minha juventude!”

Mas afinal os monges de Corbie acabaram por o chamar; voltou a viver com eles como simples religioso, edificando-os com os exemplos e continuando a escrever. Aí morreu a 26 de abril de 865.

São Pascásio, rogai por nós!

A ressurreição da carne

Certeza de ressuscitar em Cristo

Quarta-feira, 4 de dezembro  de 2013, Jéssica Marçal / Da Redação

Francisco deu continuidade à reflexão sobre ressurreição da carne, iniciada na semana passada

Na catequese desta quarta-feira, 4, o Papa Francisco deu continuidade à reflexão sobre a ressurreição da carne. Ele se concentrou sobre a certeza da ressurreição em Cristo, uma espera que é a fonte da esperança cristã.

Francisco disse que, de fato, não é fácil compreender a ressurreição da carne estando imerso neste mundo, mas o Evangelho ilumina os fiéis neste caminho. Ele elencou alguns aspectos que dizem respeito à relação entre a ressurreição de Cristo e a ressurreição do homem.

“Porque Ele ressuscitou, também nós ressuscitaremos”, afirmou o Papa, enfatizando que Jesus leva o homem consigo em seu caminho de retorno ao Pai, doando aos seus discípulos o Espírito Santo. Esta espera constitui uma esperança que, se cultivada e protegida, torna-se luz para a história pessoal e comunitária.

“Lembremos sempre: somos discípulos Daquele que veio, vem todos os dias e virá no final. Se conseguirmos ter mais presente essa realidade, estaremos menos cansados do cotidiano, menos prisioneiros do efêmero e mais dispostos a caminhar com coração misericordioso na via da salvação”.

Sobre o significado da ressurreição, o Santo Padre explicou que, com a morte, a alma separa-se do corpo. Mas, no último dia, Deus restituirá a vida ao corpo e vai juntá-lo à alma. Essa transfiguração do corpo é preparada já nesta vida, no relacionamento com Jesus, nos sacramentos, especialmente na Eucaristia.

“Se Jesus está vivo, vocês pensam que Ele nos deixará morrer e não nos ressuscitará? Não! Ele nos espera. Porque Ele ressuscitou, a força da sua ressurreição ressuscitará todos nós. Já nesta vida temos uma participação na Ressurreição de Cristo. A vida eterna começa já neste momento”.

Pelo Batismo, conforme lembrou o Pontífice, o ser humano foi inserido na morte e ressurreição de Cristo, participando de uma vida nova. Assim, o corpo de cada um é ressonância de eternidade, de forma que deve ser respeitado.

“Esta é a nossa alegria, um dia encontrar Jesus e todos juntos, não aqui na Praça, mas em outro lugar, mas alegres com Jesus. Este é o nosso destino”.

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