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Santo Evangelho (Mt 4, 12-17.23-25)

Segunda-feira depois da Epifania – Segunda-feira 07/01/2019

Primeira Leitura (1Jo 3,22-4,6)
Leitura da Primeira Carta de São João.

Caríssimos: 22qualquer coisa que pedimos recebemos dele, porque guardamos os seus mandamentos e fazemos o que é do seu agrado. 23Este é o seu mandamento: que creiamos no nome do seu Filho, Jesus Cristo, e nos amemos uns aos outros, de acordo com o mandamento que ele nos deu. 24Quem guarda os seus mandamentos permanece com Deus e Deus permanece com ele. Que ele permanece conosco, sabemo-lo pelo Espírito que ele nos deu. 4,1Caríssimos, não acrediteis em qualquer espírito, mas examinai os espíritos para ver se são de Deus, pois muitos falsos profetas vieram ao mundo. 2Este é o critério para saber se uma inspiração vem de Deus: todo espírito que leva a professar que Jesus Cristo veio na carne é de Deus; 3e todo espírito que não professa a fé em Jesus não é de Deus; é o espírito do Anticristo. Ouvistes dizer que o Anticristo virá; pois bem, ele já está no mundo. 4Filhinhos, vós sois de Deus e vós vencestes o Anticristo. Pois convosco está quem é maior do que aquele que está no mundo. 5Os vossos adversários são do mundo; por isso, agem conforme o mundo, e o mundo lhes presta ouvidos. 6Nós somos de Deus. Quem conhece a Deus, escuta-nos; quem não é de Deus não nos escuta. Nisto reconhecemos o espírito da verdade e o espírito do erro.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Responsório (Sl 2)

— Eu te darei por herança os povos todos.
— Eu te darei por herança os povos todos.

— O decreto do Senhor promulgarei, foi assim que me falou o Senhor Deus: “Tu és o meu Filho, e eu hoje te gerei”!

— Podes pedir-me, e em resposta eu te darei por tua herança os povos todos e as nações, e há de ser a terra inteira o teu domínio.

— E agora, poderosos, en­tendei; soberanos, aprendei esta lição: Com temor servi a Deus, rendei-lhe glória e prestai-lhe homenagem com respeito!

 

Evangelho (Mt 4,12-17.23-25)

— O Senhor esteja convosco
— Ele está no meio de nós.
—Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Marcos.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 12Ao saber que João tinha sido preso, Jesus voltou para a Galileia. 13Deixou Na­zaré e foi morar em Cafarnaum, que fica às margens do mar da Galileia, 14no território de Zabulon e Neftali, para se cumprir o que foi dito pelo profeta Isaías: 15“Terra de Zabulon, terra de Neftali, caminho do mar, região do outro lado do rio Jordão, Galileia dos pagãos! 16O povo que vivia nas trevas viu uma grande luz; e para os que viviam na região escura da morte brilhou uma luz”. 17Daí em diante, Jesus começou a pregar, dizendo: “Convertei-vos, porque o Reino dos Céus está próximo”. 23Jesus andava por toda a Galileia, ensinando em suas sinagogas, pregando o Evangelho do Reino e curando todo tipo de doença e enfermidade do povo. 24E sua fama espalhou-se por toda a Síria. Levaram-lhe todos os doentes, que sofriam diversas enfermidades e tormentos: endemoninhados, epilépticos e paralíticos. E Jesus os curava. 25Numerosas multidões o seguiam, vindas da Galileia, da Decápole, de Jerusalém, da Judeia, e da região além do Jordão.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

 

A IGREJA CATÓLICA CELEBRA E VENERA HOJE
São Raimundo de Peñafort, homem de oração

São Raimundo de Penãfort foi fiel aquilo que davam a ele como trabalho para a edificação da Igreja

Nasceu no castelo de Peñafort, Barcelona, Espanha, no ano de 1175. Desde cedo, muito dedicado aos estudos, ele se especializou em Bolonha, na Itália, na universidade onde se tornou também um reconhecido mestre. Deixou aquela realidade que tanto amava para obedecer ao Bispo de Barcelona que o queria como cônego. Ele prestou esse serviço até discernir seu chamado à vida religiosa, quando entrou para a família dominicana e continuou em vários cargos de formação, mas aberto à realidade e às necessidades da Igreja, onde exerceu o papel de teólogo do Cardeal-bispo de Sabina; também foi legado na região de Castela e Aragão; depois, transferido para Roma, ocupou vários cargos.

Ele não buscava nem tinha em mente um projeto de ocupar este ou aquele serviço, mas foi fiel àquilo que davam a ele como trabalho para a edificação da Igreja. Na Cúria Romana, quantos cargos ligados a Teologia, Direito Canônico! Um homem de prudência, de governo. Seu último cargo foi de penitencieiro-mor do Sumo Pontífice. Quiseram até escolhê-lo como Arcebispo, mas, nesta altura, ele voltou para a Espanha; quis viver em seu convento, em Barcelona, como um simples frade, mas fossem os reis, o Papa e tantos outros sempre recorriam ao seu discernimento.

São Raimundo escreveu a respeito da casuística. Enfim, pelos escritos e pelos ensinos, ele investia numa ação de mestres e missionários, pois tinha consciência de que precisava de missionários bem formados para que a evangelização também fluísse. Ele não fez nada sozinho, contou com a ajuda de São Tomás de Aquino, ajudou outros a discernir a vontade do Senhor, como São Pedro Nolasco, que estava discernindo a fundação de uma nova ordem consagrada a Nossa Senhora das Mercês – os mercedários. Homem humilde que se fez servo, foi escolhido como Superior Geral dos Dominicanos. Homem de pobreza, de obediência e pureza; homem de oração. Por isso, os santos como São Raimundo, um exemplo. Faleceu em Roma, em 1275; cem anos consumindo-se pela obra do Senhor.

São Raimundo de Peñafort, rogai por nós!

Papa: só encontra o mistério de Deus quem deixa os apegos mundanos

Domingo, 6 de janeiro de 2019, Da redação, com Vatican News
https://noticias.cancaonova.com/especiais/pontificado/francisco/papa-encontra-o-misterio-de-deus-quem-deixa-os-apegos-mundanos/

“Para encontrar Jesus, (…) deve-se tomar outro caminho: o d’Ele, o caminho do amor humilde”, afirmou Francisco neste domingo, 6

Papa Francisco durante solenidade da Epifania do Senhor/ Foto: Vatican Media

Neste domingo, 6, Papa Francisco celebrou na Basílica de São Pedro, no Vaticano, a Solenidade da Epifania do Senhor. “Epifania: esta palavra indica a manifestação do Senhor, que se revela, como diz São Paulo, na segunda Leitura, aos gentios, hoje representados pelos Magos. Desvenda-se, assim, a verdade sublime que Deus veio para todos: todas as nações, línguas e povos são acolhidos e amados por Ele. Símbolo disso é a luz, que tudo alcança e ilumina”, disse o Pontífice.

“Ora, se é verdade que o nosso Deus Se manifesta para todos, surpreende, porém, o modo como o faz. O Evangelho nos mostra um movimento de gente desencadeado em torno do palácio do rei Herodes, precisamente quando se designa Jesus como rei: ‘Onde está, perguntam os Magos, o rei dos judeus que acaba de nascer?’. O encontram, mas não onde pensavam, não no palácio real de Jerusalém, mas numa casa humilde de Belém”, comentou Francisco.

Segundo o Papa, o mesmo paradoxo aparece nos textos de Natal, quando o evangelho falava do recenseamento de toda a terra no tempo do imperador Augusto e do governador Quirino. “Nenhum dos poderosos percebeu ter nascido, nos seus dias, o Rei da história”, comentou.

O Santo Padre recordou a manifestação pública de Jesus, após ter como seu percursor João Batista. “De novo o Evangelho nos proporciona uma solene apresentação do contexto: depois de elencar todos os ‘grandes’ de então, tanto no poder secular como no religioso, Tibério César, Pôncio Pilatos, Herodes, Filipe, Lisânias, os sumos-sacerdotes Anás e Caifás. A Palavra de Deus foi dirigida a João, filho de Zacarias, no deserto, ou seja, a nenhum dos grandes foi dirigida, mas a um homem que se retirara para o deserto. Eis a surpresa: Deus não sobe ao palco do mundo para se manifestar”.

“Ao ouvir aquela lista de personagens ilustres, poderia vir a tentação de fixar os holofotes neles. Poderíamos pensar: teria sido melhor se a estrela de Jesus aparecesse em Roma, na colina do Palatino, onde reinava Augusto sobre o mundo; todo o império teria se tornado cristão imediatamente. Ou então, se tivesse iluminado o palácio de Herodes, este poderia ter feito o bem em vez do mal. Mas, a luz de Deus não vai para quem brilha de luz própria. Deus propõe-se, não se impõe; ilumina, mas não ofusca. É sempre grande a tentação de confundir a luz de Deus com as luzes do mundo”, afirmou o Pontífice.

O Papa alertou os fiéis para as vezes que os cristãos se corrompem atrás de clarões sedutores do poder, convencidos de que prestam um bom serviço ao Evangelho. “Voltamos os holofotes para o lado errado, porque Deus não estava lá. A sua luz amável resplandece no amor humilde. Além disso, quantas vezes tentamos, como Igreja, brilhar de luz própria! Mas, não somos nós o sol da humanidade; somos a lua que, mesmo com as suas sombras, reflete a luz verdadeira, o Senhor: Ele é a luz do mundo. Ele…, não nós!”.

Francisco destacou que a luz de Deus vai para quem a acolhe: “Isaías, na primeira Leitura, nos lembra que a luz divina não impede as trevas e o nevoeiro denso de cobrirem a terra, mas resplandece em quem está pronto a recebê-la. Por isso, o profeta dirige um convite, que interpela a cada um: ‘Levanta-te e brilhe’”.

“É preciso levantar-se, isto é, erguer-se do próprio sedentarismo e prontificar-se a caminhar. Caso contrário, fica-se parado como os escribas consultados por Herodes, que sabiam bem onde nascera o Messias, mas não se moveram. Além disso, é preciso revestir-se de Deus – que é a luz – todos os dias, até que Jesus se torne a nossa vestimenta diária. Mas, para usar a vestimenta de Deus, que é simples como a luz, primeiro é preciso desfazer-se das roupas pomposas”, exortou o Pontífice.

O Santo Padre citou também o exemplo de Herodes, que preferia as luzes terrenas do sucesso e do poder à luz divina. “Ao invés, os Magos realizam a profecia, levantam-se para ser revestidos de luz. E são os únicos que veem a estrela no céu: nem os escribas, nem Herodes, ninguém em Jerusalém a viu. Para encontrar Jesus, deve-se planejar um itinerário diferente, deve-se tomar outro caminho: o d’Ele, o caminho do amor humilde. E deve-se perseverar nele. De fato, na conclusão do Evangelho de hoje, diz-se que os Magos, tendo encontrado Jesus, regressaram ao seu país por outro caminho. Outro caminho, diferente do de Herodes, distinto do caminho do mundo. Um caminho como o percorrido pelos que estão com Jesus, no Natal: Maria e José, os pastores. Eles, como os Magos, deixaram suas casas e tornaram-se peregrinos pelos caminhos de Deus. Com efeito, só encontra o mistério de Deus quem deixa os próprios apegos mundanos e se põe a caminho”.

Para Francisco, o mesmo vale para todos os fiéis: “Não basta saber onde nasceu Jesus, como os escribas, se não caminhamos até esse onde. Não basta saber que Jesus nasceu, como Herodes, se não o vamos encontrar. Quando o seu onde se torna o nosso onde, o seu quando o nosso quando, a sua pessoa a nossa vida, então cumprem-se em nós as profecias. Então Jesus nasce dentro e torna-se Deus vivo para mim”.

O evangelho deste domingo, 6, é, de acordo com o Pontífice, um convite para imitar os Magos. “Eles não discutem, mas caminham; não ficam olhando, mas entram na casa de Jesus; não se colocam no centro, mas se prostram aos pés d’Ele, que é o centro; não se fixam nos seus planos, mas se prontificam a tomar outro caminho. Nos seus gestos, temos um contato estreito com o Senhor, uma abertura radical a Ele, um envolvimento total com Ele. Com Ele, usam a linguagem do amor, a própria linguagem que Jesus, ainda infante, já fala. De fato, os Magos vão até o Senhor, não para receber, mas para dar. Perguntemo-nos: no Natal, trouxemos algum presente a Jesus, pela sua festa, ou trocamos presentes apenas entre nós?”

“Se fomos até o Senhor de mãos vazias, hoje podemos remediar. Com efeito, o Evangelho contém por assim dizer uma pequena lista de presentes: ouro, incenso e mirra. O ouro, considerado o elemento mais precioso, nos lembra que, a Deus, deve ser dado o primeiro lugar. Deve ser adorado. Mas, para isso, é preciso privar-se a si mesmo do primeiro lugar e considerar-se necessitado, não autossuficiente”, afirmou o Papa, que prosseguiu:

“E aqui entra o incenso, que simboliza o relacionamento com o Senhor, a oração, que se eleva para Deus como perfume (cf. Sal 141, 2). Ora, como o incenso para exalar o seu perfume se deve queimar, assim também para a oração é preciso ‘queimar’ um pouco de tempo, gastá-lo para o Senhor. Mas fazê-lo de verdade, e não só em palavras. A propósito de fatos, entra a mirra, unguento que seria utilizado ao envolver amorosamente o corpo de Jesus descido da cruz (cf. Jo 19, 39). Agrada ao Senhor que cuidemos dos corpos provados pelo sofrimento, da sua carne mais frágil, de quem ficou para trás, de quem só pode receber não tendo nada de material para retribuir.”

O Santo Padre concluiu a homilia, dizendo que é preciosa aos olhos de Deus a misericórdia com quem não tem para restituir, a gratuidade. “Neste tempo de Natal que está a terminar, não percamos a ocasião para dar um lindo presente ao nosso Rei, que veio para todos, não nos cenários faustosos do mundo, mas na pobreza luminosa de Belém. Se o fizermos, resplandecerá sobre nós a sua luz”, sublinhou.

 

Ângelus

“Deixemo-nos iluminar pela luz de Jesus” pede Francisco

Domingo, 6 de janeiro de 2019, Da redação, com Vatican News
https://noticias.cancaonova.com/especiais/pontificado/francisco/deixemo-nos-iluminar-pela-luz-de-jesus-pede-francisco/

Durante oração mariana do Ângelus, Francisco exortou os fiéis: “tenhamos a coragem de abrir-nos a esta luz que é mansa e discreta”

Papa Francisco no Angelus deste domingo, 6/ Foto: Vatican Media

Após a missa da Solenidade da Epifania do Senhor, celebrada na Basílica de São Pedro, o Papa Francisco rezou neste domingo, 6, a oração mariana do Angelus. “Hoje, Solenidade da Epifania do Senhor, é a festa da manifestação de Jesus, simbolizada pela luz. Nos textos proféticos, esta luz é promessa. Promete-se a luz. Isaías, de fato, se dirige a Jerusalém com essas palavras: ‘Levante-se, brilhe, pois chegou a sua luz, a glória do Senhor brilha sobre você’”, frisou o Pontífice em sua alocução.

Segundo o Papa, o convite do profeta a se levantar por que vem a luz aparece surpreendente, porque se insere depois do duro exílio e das inúmeras opressões que o povo havia vivido. “Este convite, hoje, ressoa também para nós, que celebramos o Natal de Jesus e nos encoraja a deixar-nos alcançar pela luz de Belém. Também nós fomos convidados a não nos deter nos sinais exteriores do acontecimento, mas a recomeçar dele e percorrer em novidade de vida o nosso caminho de homens e fiéis”.

“A luz que o profeta Isaías tinha preanunciado, no Evangelho está presente e foi encontrada. Jesus, nascido em Belém, cidade de Davi, veio para trazer a salvação aos próximos e distantes: a todos. O evangelista Mateus mostra diversas maneiras com as quais se pode encontrar Cristo e reagir à sua presença”, afirmou o Santo Padre, que prosseguiu: “Herodes e os escribas de Jerusalém têm um coração duro, que se obstina e rejeita a visita daquele Menino. É uma possibilidade, fechar-se para a luz. Eles representam os que, também nos nossos dias, têm medo da vinda de Jesus e fecham o coração aos irmãos e às irmãs que necessitam de ajuda”. O Santo Padre frisou a diferente experiência dos Magos, que se mostraram abertos à novidade. “Vindos do Oriente, eles representam todos os povos distantes da fé hebraica tradicional. E mesmo assim, se deixam guiar pela estrela e enfrentam uma longa e arriscada viagem para chegar à meta e conhecer a verdade sobre o Messias. Os Magos estavam abertos à ‘novidade’, e a eles se revela a maior e mais surpreendente novidade da história: Deus feito homem. Os Magos se prostram diante de Jesus e oferecem dons simbólicos: ouro, incenso e mirra; porque a busca do Senhor implica não somente a perseverança no caminho, mas também a generosidade do coração”.

“Irmãos e irmãs, toda vez que um homem e uma mulher encontra Jesus, muda o caminho, volta para a vida de forma diferente, volta renovado ‘por outro caminho’. Regressaram [os Magos] ao seu país levando dentro de si o mistério daquele Rei humilde e pobre. Podemos imaginar que contaram a todos a experiência vivida: a salvação oferecida por Deus em Cristo é para todos os homens, próximos ou distantes. Não é possível tomar posse daquele Menino: Ele é um dom para todos”, revelou o Pontífice.

O Santo Padre prosseguiu exortando os fiéis: “Também nós, façamos um pouco de silêncio em nosso coração e deixemo-nos iluminar pela luz de Jesus que provém de Belém. Não permitamos aos nossos medos de fechar-nos o coração, mas tenhamos a coragem de abrir-nos a esta luz que é mansa e discreta. Então, como os Magos, experimentaremos uma grande alegria que não poderemos manter para nós. Que Nos sustente neste caminho a Virgem Maria, estrela que nos conduz a Jesus, e Mãe que mostra Jesus aos Magos e a todos aqueles que se aproximam dele”.

Após o Ângelus

Após a oração mariana do Angelus, o Papa Francisco recordou que há vários dias quarenta e nove migrantes salvos no Mar Mediterrâneo estão a bordo de dois navios de organizações não governamentais, em busca de um porto seguro onde desembarcar. “Faço um apelo aos líderes europeus a fim que demostrem solidariedade concreta a essas pessoas”, pediu o Santo Padre.

Em seguida, Francisco lembrou que algumas Igrejas orientais, católicas e ortodoxas, que seguem o Calendário Juliano, celebrarão o Natal, nesta segunda-feira. “A elas dirijo minhas cordiais e fraternas saudações no sinal de comunhão entre todos nós cristãos, que reconhecem Jesus como Senhor e Salvador. Um Feliz Natal!”, comentou.

“A Epifania é também a Jornada Missionária dos Meninos que este ano convida os jovens missionários a serem ‘atletas de Jesus’, para testemunhar o Evangelho na família, na escola e nos lugares de diversão.”

O Papa saudou todos os peregrinos, famílias, paróquias e associações provenientes da Itália e outros países. Uma saudação especial foi dirigida ao cortejo histórico e folclórico que promove os valores da Epifania e que este ano é dedicado à Região de Abruzzo. Francisco recordou também o cortejo dos Magos que se realiza em muitas cidades da Polônia com uma grande participação de famílias e associações.

Por fim, o Santo Padre saudou também os músicos da banda que ouviu tocar. “Continuem soando a alegria deste dia da Epifania”, concluiu o Pontífice, pedindo aos fiéis para não se esquecerem de rezar por ele.

O relato de uma famosa Beata e mística que viu o Nascimento de Cristo

https://www.acidigital.com/noticias/o-relato-de-uma-famosa-beata-e-mistica-que-viu-o-nascimento-de-cristo-45854

REDAÇÃO CENTRAL, 25 Dez. 18 / 07:00 am (ACI).- No final do século XVIII e início do XIX, surgiu na Alemanha a famosa mística Anna Catarina Emmerick (1774-1824), que teve os estigmas da Paixão de Cristo e, nos últimos anos de vida, sustentou-se apenas da Eucaristia.

Deus lhe concedeu detalhadas revelações místicas da vida de Jesus. São João Paulo II a beatificou em 2004 e o ator Mel Gibson se inspirou em suas visões para realizar o filme “A Paixão de Cristo”.

A seguir, apresentamos o belo e significativo relato que ela contou sobre o que viu do Nascimento de nosso Senhor:

“Vi o esplendor em volta da Santíssima Virgem crescer mais e mais, de modo que a luz das lâmpadas que José acendera já não era visível. Ela estava de joelhos, coberta de um vestido largo, com o rosto voltado para o Oriente. À meia-noite ficou extasiada, suspensa acima do solo; tinha os braços cruzados sobre o peito. O resplendor em torno dela crescia a cada momento. Toda a natureza parecia sentir uma emoção de júbilo, até os seres inanimados. As rochas do teto, das paredes e do solo da gruta tornaram-se como vivas àquela luz

Então eu já não vi o teto da gruta; um caminho de luz se abriu acima de Maria, subindo com glória sempre maior em direção às alturas do céu. Nesse caminho de luz, havia um maravilhoso movimento de glórias interpenetrando-se umas às outras, e, conforme se aproximaram, pareciam mais claramente sob a forma de coros de espíritos celestes. A Virgem Santíssima, tomada em êxtase, estava agora olhando para baixo, adorando seu Deus, cuja mãe ela tinha-se tornado e que jaz no solo à sua frente, sob a forma de um indefeso recém-nascido.

Vi Nosso Senhor como uma criança pequenina, brilhando com uma luz que superava todo o esplendor circundante, e jazendo no tapete, junto aos joelhos de Maria. Pareceu-me que ele era a princípio bem pequeno e então cresceu aos meus olhos. Mas tudo isso era a irradiação de uma luz tão potente e deslumbrante que não posso explicar como pude olhá-la. A Virgem permaneceu por algum tempo envolta em êxtase; depois cobriu o Menino com um pano, mas a princípio Ela não O tocou ou pegou nos braços. Após certo tempo, vi o Menino Jesus se mover, e depois eu O ouvi chorar. Então, pareceu que Maria voltava a si, e pegou o Menino do tapete, envolvendo-O no pano que O cobria, e com Ele aos braços trouxe-O para si. Ficou ali, sentada, completamente envolvida, Ela e o Menino, em seu véu, e penso que Ela amamentou o Redentor. Vi, então, anjos à sua volta em forma humana, prostrando-se e adorando o Menino.

Talvez fosse uma hora após o nascimento quando Maria chamou José, que ainda estava prostrado em oração. Quando se aproximou, ele se lançou com o rosto ao chão, em devota alegria e humildade. Foi só quando Maria lhe pediu que carregasse, junto ao coração, em alegria e gratidão, o santo presente de Deus Altíssimo, que ele se ergueu, pegou nos braços o Menino Jesus, e louvou a Deus com lágrimas de felicidade.

Maria enfaixou o Menino: tinha apenas quatro paninhos. Mais tarde, vi Maria e José sentados no chão, um junto ao outro: não falavam, pareciam absortos em muda contemplação. Diante de Maria, enfaixado como um menino comum, estava recostado Jesus recém-nascido, belo e brilhante como um relâmpago. ‘Ah, eu dizia, este lugar contém a salvação do mundo inteiro e ninguém suspeita disso!’.

Vi em muitos lugares, até nos mais afastados, uma insólita alegria, um extraordinário movimento nesta noite. Vi os corações de muitos homens de boa vontade reanimados por um desejo, cheio de alegria, e ao contrário, os corações dos perversos cheios de temores. Até nos animais vi se manifestar alegria em seus movimentos e saltos. As flores levantavam suas coroas, as plantas e árvores tomavam novo vigor e verde e espalhavam suas fragrâncias e perfumes. Vi brotar fontes de água da terra. No momento do nascimento de Jesus, brotou uma fonte abundante na gruta da colina do Norte.

A mais ou menos uma légua e meia da gruta de Belém, no vale dos pastores, havia uma colina. Nas encostas da colina, estavam as cabanas de três pastores. Ao nascimento de Jesus Cristo, vi esses três pastores muito impressionados com o aspecto daquela noite tão maravilhosa; por isso, ficaram em torno de suas cabanas olhando para todos os lados.

Então, viram maravilhados a luz extraordinária sobre a gruta do presépio. Enquanto os três pastores estavam olhando para aquele lado do céu, vi descer sobre eles uma nuvem luminosa, dentro da qual notei um movimento à medida que se aproximava. Primeiro vi que se desenhavam formas vagas, depois, rostos, e finalmente ouvi cantos muito harmoniosos, muito alegres, cada vez mais claros. Como os pastores se assustaram a princípio, apareceu um anjo entre eles, que lhes disse: ‘Não temais, pois venho para anunciar-lhes uma grande alegria para todo o povo de Israel. Nasceu hoje para vós, na cidade de Davi, um Salvador, que é Cristo, o Senhor. Como sinal, dou-lhes isso: encontrareis o Menino envolto em faixas, deitado em uma manjedoura’. Enquanto o anjo dizia estas palavras, o resplendor se fazia cada vez mais intenso ao seu redor. Vi cinco ou sete grandes figuras de anjos, muito belos e luminosos. Ouvi que louvavam a Deus cantando: ‘Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens de boa vontade’.

Mais tarde, tiveram a mesma aparição os pastores que estavam junto à torre. Anjos também apareceram a outro grupo de pastores perto de uma fonte, a Leste da torre, a cerca de três léguas de Belém. Eu os vi consultando-se uns aos outros sobre o que levariam para o recém-nascido e preparando os presentes com toda a pressa. Chegaram à gruta da manjedoura ao amanhecer”.

Aurora e Dia do Santo Natal – 25 de Dezembro

Por Pe. Fernando José Cardoso

Evangelho segundo São João 1, 1-18
No princípio existia o Verbo; o Verbo estava em Deus; e o Verbo era Deus. No princípio Ele estava em Deus. Por Ele é que tudo começou a existir; e sem Ele nada veio à existência. Nele é que estava a Vida de tudo o que veio a existir. E a Vida era a Luz dos homens. A Luz brilhou nas trevas, mas as trevas não a receberam. Apareceu um homem, enviado por Deus, que se chamava João. Este vinha como testemunha, para dar testemunho da Luz e todos crerem por meio dele. Ele não era a Luz, mas vinha para dar testemunho da Luz. O Verbo era a Luz verdadeira, que, ao vir ao mundo, a todo o homem ilumina. Ele estava no mundo e por Ele o mundo veio à existência, mas o mundo não o reconheceu. Veio para o que era seu, e os seus não o receberam. Mas, a quantos o receberam, aos que nele crêem, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus. Estes não nasceram de laços de sangue, nem de um impulso da carne, nem da vontade de um homem, mas sim de Deus. E o Verbo fez-se homem e veio habitar conosco. E nós contemplamos a sua glória, a glória que possui como Filho Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade. João deu testemunho dele ao clamar: «Este era aquele de quem eu disse: ‘O que vem depois de mim passou-me à frente, porque existia antes de mim.’» Sim, todos nós participamos da sua plenitude, recebendo graças sobre graças. É que a Lei foi dada por Moisés, mas a graça e a verdade vieram-nos por Jesus Cristo. A Deus jamais alguém o viu. O Filho Unigênito, que é Deus e está no seio do Pai, foi Ele quem o deu a conhecer.

Natal do Senhor. Na missa da noite, Lucas nos diz que Jesus não nasceu em uma hospedaria. Não convinha que o Filho de Deus, nascesse num hotel como um hóspede que ali passa uma ou duas noites apenas e depois se vai.  Ele veio para ficar. A presença da manjedoura por três vezes repetidas no texto de Lucas é também uma alusão a Isaías, outrora um oráculo negativo: “O boi conhece a manjedoura do seu Senhor, mas o meu povo não me conhece”. Ao mostrar que Jesus foi reclinado numa manjedoura e reconhecido pelos pastores, Lucas quer dizer que esta profecia negativa já não tem mais valor também. Os pastores representam antecipadamente, aquela porção de judeus que se converteria mais tarde à sua pregação. Na missa do dia, a mais solene das três celebradas no Natal, existe, no entanto uma nota destoante de tristeza. Sim, um tom triste vem perturbar a serenidade de alegria e tranqüilidade deste dia. Diz-nos o evangelista João: “Ele veio para o que era Seu, mas os seus não O receberam”. A todos aqueles que O receberam porém, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus. Eis um milagre atual e presente: a sua presença. Você que me escuta neste dia de Natal e me escutou o ano inteiro, é o símbolo de um milagre de Deus. Existem muitos como você, que se prepararam longamente para um Natal diferente. Não um Natal que se consome em ceias, bebidas e presentes, mas um Natal que abra progressivamente o coração para receber o maior presente de Deus que é Jesus. Você que crê neste dia é um símbolo, é uma prova, é um milagre de Deus. Você que crê é um sinal de que a graça de Deus é mais eficaz do que o mundo. São muitos aqueles como você que crêem e celebram um Natal diferente,  porque recebem o Rei nos próprios corações. Mas a multidão dos que celebram um Natal superficial, um Natal secularizado, um Natal que os símbolos cristãos desaparecem do meio, são muitos, é a maioria. Você é uma pessoa diferente das outras, eu repito, todos estes que se abrem para receber Cristo, terão um Natal permanente, um Natal estável, um Natal que não terminará neste dia e você pode louvar e bendizer a Deus, juntamente com os seus irmãos na fé, porque ainda existem, apesar de o mundo e o nosso país estar extremamente secularizado, pessoas que recebem Cristo na fé. A você e a todos os seus um feliz e santo Natal.

 

«E o Verbo fez-se homem e veio habitar conosco»
São Leão Magno (?-c. 461), papa e Doutor da Igreja 
1º sermão para a Natividade do Senhor; PL 59,190 (a partir da trad. cf SC 22 bis, pp. 67ss., breviário e Orval)

Nosso Senhor, irmãos bem-amados, nasceu hoje: regozijemo-nos! Não é permitido estarmos tristes neste dia em que nasce a vida. Este dia destrói o receio da morte e enche-nos da alegria que a promessa da eternidade dá. Ninguém ficou afastado desta alegria; um único e mesmo motivo de alegria é comum a todos. Pois Nosso Senhor, ao vir destruir o pecado e a morte […], veio libertar todos os homens. Que o santo exulte, pois aproxima-se da vitória. Que o pecador se alegre, pois é convidado ao perdão. Que o pagão tome coragem, pois é chamado à vida. Com efeito, quando chegou a plenitude dos tempos determinada pela profundidade insondável do plano divino, o Filho de Deus desposou a nossa natureza humana para reconciliá-la com o seu Criador. […] O Verbo, a Palavra de Deus, que é Deus, Filho de Deus, que «no princípio estava em Deus, por Quem tudo começou a existir, e sem Quem nada veio à existência», tornou-Se homem para libertar o homem de uma morte eterna. Baixou-Se para assumir a nossa condição humilde sem que a Sua majestade ficasse diminuída. Continuando a ser o que era e assumindo o que não era, Ele uniu a nossa condição de escravos à Sua condição de igual a Deus Pai. […] A majestade reveste-Se de humildade, a força de fraqueza, a eternidade de mortalidade: verdadeiro Deus e verdadeiro homem, na unidade de um único Senhor, «único mediador entre Deus e os homens» (1Tim 2, 5). […] Demos graças, portanto, irmãos bem-amados a Deus Pai, pelo Seu Filho, no Espírito Santo. Porque, na Sua grande misericórdia e no Seu amor por nós, Ele teve piedade de nós. «Quando estávamos mortos pelo pecado, Ele fez-nos tornar a viver por Cristo», querendo que sejamos n’Ele uma nova criação, uma nova obra das Suas mãos (Ef 2, 4-5; 2Cor 5,1 7). […] Cristão, toma consciência da tua dignidade.

 

NATAL DO SENHOR
Isaías 52, 7-10; Hebreus 1, 1-6; João 1, 1-18

Por que Deus se fez homem? Vamos diretos ao cume do prólogo de João, que constitui o Evangelho da terceira Missa de Natal, chamada «do dia». No Credo há uma frase que este dia se recita de joelhos: «Por nós os homens e por nossa salvação desceu do céu». É a resposta fundamental e perenemente válida à pergunta: «Por que o Verbo se fez carne?», mas precisa ser compreendida e integrada. A questão de fato reaparece sob outra forma: E por que se fez homem «por nossa salvação»? Só porque havíamos pecado e precisávamos ser salvos? Um filão da teologia, inaugurado pelo beato Duns Escoto, teólogo franciscano, desliga a encarnação de um vínculo demasiado exclusivo com o pecado do homem e a designa, como motivo primário, à glória de Deus: «Deus decreta a encarnação do Filho para ter alguém, fora de si, que o ame de maneira suma e digna de si». Esta resposta, ainda belíssima, não é ainda definitiva. Para a Bíblia o mais importante não é, como para os filósofos gregos, que Deus seja amado, mas que Deus «ama» e ama primeiro (1 João 4, 10.19). Deus quis a encarnação do Filho não tanto para ter alguém fora da Trindade que o amasse de forma digna de si, mas para ter alguém a quem amar de maneira digna de si, isto é, sem medida! No Natal, quando chega Jesus Menino, Deus Pai tem alguém a quem amar com medida infinita porque Jesus é homem e Deus por sua vez. Mas não só a Jesus, mas também a nós junto a Ele. Nós estamos inclusive neste amor, tendo-nos convertido em membros do corpo de Cristo, «filhos no Filho». Recorda-nos o próprio prólogo de João: «Mas a todos que o receberam deu o poder de se tornarem filhos de Deus». Cristo, portanto, desceu do céu «por nossa salvação», mas o que o impulsionou a descer do céu por nossa salvação foi o amor, nada mais que o amor. Natal é a prova suprema da «filantropia» de Deus, como a chama a Escritura (Tito 3, 4), ou seja, literalmente, de seu amor pelos homens. Esta resposta ao por que da encarnação estava escrita com clareza na Escritura, pelo mesmo evangelista que fez o prólogo: «Pois Deus amou tanto o mundo, que entregou o seu filho único, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha vida eterna» (João 3, 16). Qual deve ser então nossa resposta à mensagem de Natal? O canto natalino Adeste fideles diz: «A quem assim nos ama quem não amará?». Podem-se fazer muitas coisas para celebrar o Natal, mas o mais verdadeiro e profundo nos é sugerido por estas palavras. Um pensamento sincero de gratidão, de comoção e de amor por quem veio habitar entre nós, é o dom mais maravilhoso que podemos levar ao Menino Jesus, o adorno mais belo em meio a seu presépio. Para ser sincero, também o amor precisa ser traduzido em gestos concretos. O mais simples e universal – quando é limpo e inocente – o beijo. Demos portanto um beijo em Jesus, como se deseja fazer com todas as crianças recém-nascidas. Mas não nos contentemos em dá-lo só à imagem de gesso ou de porcelana; demos a um Jesus Menino de carne e osso. Demos a um pobre, a alguém que sofre, e o teremos dado nEle! Dar um beijo, neste sentido, significa dar uma ajuda concreta, mas também uma boa palavra, alento, uma visita, um sorriso, e às vezes, por que não, um beijo de verdade. São as luzes mais belas que podemos acender em nosso presépio.

Abrir-se à luz de Jesus

Caminho de santidade / domingo, 30 de março de 2014, Jéssica Marçal / Da Redação

Santo Padre alertou sobre o perigo da “cegueira interior”, dizendo que é preciso abrir-se à luz de Jesus para que a vida dê frutos

No Angelus deste domingo, 30, Papa Francisco falou da passagem evangélica que retrata a cura, realizada por Jesus,  do homem cego. Ele destacou a necessidade do ser humano se abrir à luz de Jesus, para que a vida dê frutos, e não seguir pelo caminho da “cegueira interior”.

Francisco concentrou-se sobre dois comportamentos que se vê nessa passagem do Evangelho: a abertura do cego à luz de Cristo e o fechamento dos doutores da lei em suas próprias presunções.

“Enquanto o cego se aproxima da luz, os fariseus, ao contrário, se fecham cada vez mais na cegueira interior. Fechados em suas presunções, acreditam já ter a luz e por isto não se abrem à verdade de Jesus”.

Esses doutores da lei, segundo explicou o Papa, fazem de tudo para negar a evidência, colocam em dúvida a identidade do homem curado. Depois, negam a ação de Deus na cura, sob a alegação de que Deus não age aos sábados.

O Santo Padre enfatizou que este trecho do Evangelho chama a atenção para o drama da cegueira interior de tantas pessoas. Às vezes, disse, a vida é parecida com a do cego que se abriu à luz de Deus e à sua graça. Outras vezes, lamentavelmente, a vida se parece um pouco mais com a dos fariseus, de forma que o orgulho próprio leva a julgar os outros e até mesmo Deus.

“Hoje somos convidados a nos abrirmos à luz de Cristo para dar frutos na nossa vida, para eliminar comportamentos que não são cristãos, para caminhar decididamente pelo caminho da santidade que começa no Batismo”.

Francisco sugeriu que, ao voltarem para casa hoje, os fiéis leiam o capítulo 9 do Evangelho segundo São João. Segundo ele, isso fará bem para cada um refletir e se perguntar como anda o seu coração: aberto para Deus e para o próximo ou fechado. “Sempre temos em nós algum fechamento nascido do pecado, do erro, mas não tenhamos medo. Vamos nos abrir à luz do Senhor, Ele nos espera sempre, para nos fazer ver melhor, para nos dar a luz”.

Ele pediu, por fim, que nesse caminho de preparação para a Páscoa os fiéis possam reavivar em si o dom recebido no Batismo e alimentar essa chama com a oração e a caridade para com o próximo. “Confiemos à Virgem Maria o caminho quaresmal para que também nós, como o cego curado, possamos com a graça de Cristo ‘caminhar para a luz’, renascer para a vida nova”.

 

ANGELUS

Queridos irmãos e irmãs, bom dia

O Evangelho de hoje nos apresenta o episódio do homem cego de nascença, ao qual Jesus doa a visão. A longa história começa com um cego que começa a ver e se fecha – é curioso isto – com as supostas pessoas que veem que continuam a permanecer cegas na alma. O milagre é narrado por João em apenas dois versículos, porque o evangelista quer atrair a atenção não sobre o milagre, mas sobre o que acontece depois, sobre as discussões que suscita; também sobre as fofocas, tantas vezes uma obra boa, uma obra de caridade suscita fofocas e discussões, porque há alguns que não querem ver a verdade. O evangelista João quer atrair a atenção sobre isso que acontece também nos nossos dias quando se faz uma obra boa. O cego curado primeiro é interrogado pela multidão atônita – viram o milagre e o interrogam – depois pelos doutores da lei; e estes interrogam também seus pais. Ao final, o cego curado  chega à fé, e esta é a maior graça que lhe é feita por Jesus: não somente de ver, mas de conhecê-Lo, vê-Lo como “luz do mundo” (Jo 9, 5).

Enquanto o cego se aproximava gradualmente da luz, os doutores da lei, ao contrário, caíam sempre mais em sua cegueira interior. Fechados em suas presunções, acreditam já ter a luz; e por isso não se abrem à verdade de Jesus. Fizeram de tudo para negar a evidência. Colocaram em dúvida a identidade do homem curado; depois negaram a ação de Deus na cura, adotando como desculpa que Deus não age de sábado; chegaram até a duvidar que aquele homem tivesse nascido cego. O seu fechamento à luz torna-se agressivo e acaba na expulsão do homem curado do templo.

O caminho do cego, em vez disso, é um percurso de etapas, que parte do conhecimento do nome de Jesus. Não conhece outro além Dele; de fato diz: “Aquele homem que se chama Jesus fez lodo, ungiu-me os olhos” (v. 11). Seguindo as insistentes perguntas dos doutores da lei, considera-O antes de tudo um profeta (v. 17) e depois um homem próximo a Deus (v. 31). Depois que se afastou do templo, excluído da sociedade, Jesus encontra-o de novo e lhe “abre os olhos” pela segunda vez, revelando-lhe a própria identidade: “Eu sou o Messias”, assim lhe diz. Neste momento, aquele que estava cego exclama: “Creio, Senhor!” (v. 38), e se prostra diante de Jesus. Este é um trecho do Evangelho que faz ver o drama da cegueira interior de tanta gente, também a nossa, porque nós, algumas vezes, temos momentos de cegueira interior.

A nossa vida às vezes é similar àquela do cego que se abriu à luz, que se abriu a Deus, que se abriu à sua graça. Às vezes, infelizmente, é um pouco como a dos doutores da lei: do alto do nosso orgulho, julgamos os outros, e até mesmo o Senhor! Hoje somos convidados a nos abrirmos à luz de Cristo para levar frutos à nossa vida, para eliminar os comportamentos que não são cristãos; todos nós somos cristãos, mas todos nós, algumas vezes, temos comportamentos não cristãos, comportamentos que são pecados. Devemos nos arrepender disso, eliminar estes comportamentos para caminhar decididamente no caminho da santidade. Esse tem a sua origem no Batismo. Também nós, de fato, fomos “iluminados” por Cristo no Batismo, a fim de que, como nos recorda São Paulo, possamos nos comportar como “filhos da luz” (Ef 5, 8), com humildade, paciência, misericórdia. Estes doutores da lei não tinham nem humildade, nem paciência, nem misericórdia!

Eu sugiro a vocês, hoje, quando voltarem para casa, peguem o Evangelho de João e leiam este trecho do capítulo 9. Fará bem a vocês, porque assim vocês verão este caminho da cegueira à luz e o outro caminho mal rumo a uma mais profunda cegueira. Perguntemo-nos: como está o nosso coração? Tenho um coração aberto ou um coração fechado? Aberto ou fechado para Deus? Aberto ou fechado para o próximo? Sempre temos em nós algum fechamento nascido do pecado, dos erros. Não devemos ter medo! Abramo-nos à luz do Senhor, Ele nos espera sempre para nos fazer ver melhor, para nos dar mais luz, para nos perdoar. Não esqueçamos isto! À Virgem Maria confiemos o caminho quaresmal, para que também nós, como o cego curado, com a graça de Cristo, possamos ‘seguir rumo à luz’, andar mais adiante rumo à luz e renascer para uma vida nova.

A realeza anunciada por Jesus é a da verdade

Domingo, 25 de novembro de 2012, Jéssica Marçal / Da Redação

O Papa Bento XVI durante celebração eucarística na Solenidade de Cristo Rei neste domingo, 25  

O Papa Bento XVI presidiu neste domingo, 25, na Basílica Vaticana, a solenidade de Cristo Rei. A Eucaristia foi concelebrada com os seis novos Cardeais criados pelo Santo Padre neste sábado, 24. Em sua homilia, o Papa destacou que a realeza anunciada por Jesus é aquela da verdade, única capaz de dar sua luz e grandeza a todas as coisas deste mundo.

Neste último domingo do Ano Litúrgico, Bento XVI lembrou que os fiéis são convidados a voltarem seu olhar para a meta última da história, que é o reino definitivo e eterno de Cristo. E destacou que este reino é diferente dos reinos terrenos.

“Jesus veio para revelar e trazer uma nova realeza: a realeza de Deus. Veio para dar testemunho da verdade de um Deus que é amor (cf. 1 Jo 4, 8.16) e que deseja estabelecer um reino de justiça, de amor e de paz (cf. Prefácio). Quem está aberto ao amor, escuta este testemunho e acolhe-o com fé, para entrar no reino de Deus”.

Referindo-se à segunda leitura, o Papa lembrou que o povo também participa da realeza de Cristo. Este reino também é fundado na relação com Deus e com a verdade;  não se trata de um reino político. Bento XVI destacou que, em Cristo, todos se tornam verdadeiros filhos adotivos, participando desta realeza.

“Portanto, ser discípulos de Jesus significa não se deixar fascinar pela lógica mundana do poder, mas levar ao mundo a luz da verdade e do amor de Deus”, enfatizou.

Por fim, o Pontífice disse ao Cardeais, especialmente os que foram criados ontem, 24,  que eles têm a responsabilidade de dar testemunho do reino de Deus. Isso significa, segundo o Pontífice, destacar sempre a prioridade de Deus e de sua vontade frente aos interesses e poderes do mundo.

 

 

Homilia do Papa na Solenidade de Cristo Rei – 25/11/2012
Boletim da Santa Sé

Senhores Cardeais, Venerados Irmãos no Episcopado e no Sacerdócio, Amados irmãos e irmãs!

A solenidade de Jesus Cristo Rei do universo, que hoje coroa o Ano Litúrgico, vê-se enriquecida com a recepção no Colégio Cardinalício de seis novos membros, que convidei, como é tradição, para concelebrar comigo a Eucaristia nesta manhã. A cada um deles dirijo a minha saudação mais cordial, agradecendo ao Cardeal James Michael Harvey as amáveis palavras que em nome de todos me dirigiu. Saúdo os outros Purpurados e todos os Prelados presentes, bem como as ilustres Autoridades, os Senhores Embaixadores, os sacerdotes, os religiosos e todos os fiéis, especialmente quantos vieram das dioceses que estão confiadas ao cuidado pastoral dos novos Cardeais.

Neste último domingo do Ano Litúrgico, a Igreja convida-nos a celebrar Jesus Cristo como Rei do universo; chama-nos a dirigir o olhar em direção ao futuro, ou melhor em profundidade, para a meta última da história, que será o reino definitivo e eterno de Cristo. Estava com o Pai no início, quando o mundo foi criado, e manifestará plenamente o seu domínio no fim dos tempos, quando julgar todos os homens. As três leituras de hoje falam-nos desse reino. No texto evangélico que ouvimos, tirado do Evangelho de São João, Jesus encontra-Se numa situação humilhante – a de acusado – diante do poder romano. Foi preso, insultado, escarnecido, e agora os seus inimigos esperam obter a sua condenação ao suplício da cruz. Apresentaram-No a Pilatos como alguém que aspira ao poder político, como o pretenso rei dos judeus. O procurador romano faz a própria investigação e interroga Jesus: “Tu és rei dos judeus?” (Jo 18, 33). Na resposta a esta pergunta, Jesus esclarece a natureza do seu reino e da própria messianidade, que não é poder terreno, mas amor que serve; afirma que o seu reino de modo algum se confunde com qualquer reino político: “A minha realeza não é deste mundo (…) o meu reino não é de cá” (v. 36).

É claro que Jesus não tem nenhuma ambição política. Depois da multiplicação dos pães, o povo, entusiasmado com o milagre, queria pegar n’Ele e fazê-Lo rei, para derrubar o poder romano e assim estabelecer um novo reino político, que seria considerado como o reino de Deus tão esperado. Mas Jesus sabe que o reino de Deus é de gênero totalmente diverso; não se baseia sobre as armas e a violência. E é justamente a multiplicação dos pães que se torna, por um lado, sinal da sua messianidade, mas, por outro, assinala uma viragem decisiva na sua atividade: a partir daquele momento aparece cada vez mais claro o caminho para a Cruz; nesta, no supremo ato de amor, resplandecerá o reino prometido, o reino de Deus. Mas a multidão não entende, fica decepcionada, e Jesus retira-Se para o monte sozinho para rezar, para falar com o Pai (cf. Jo 6, 1-15). Na narração da Paixão, vemos como os próprios discípulos, apesar de terem partilhado a vida com Jesus e ouvido as suas palavras, pensavam em um reino político, instaurado mesmo com o uso da força. No Getsêmani, Pedro desembainhara a sua espada e começou a combater, mas Jesus deteve-o (cf. Jo 18, 10-11); não quer ser defendido com as armas, mas deseja cumprir a vontade do Pai até ao fim e estabelecer o seu reino, não com as armas e a violência, mas com a aparente fragilidade do amor que dá a vida. O reino de Deus é um reino completamente diferente dos reinos terrenos.

Por isso, diante de um homem indefeso, frágil, humilhado como se apresenta Jesus, um homem de poder como Pilatos fica surpreendido – surpreendido, porque ouve falar de um reino, de servidores – e faz uma pergunta, a seu ver paradoxal: “Logo, Tu és rei!”. Que tipo de rei pode ser um homem naquelas condições!? Mas Jesus responde afirmativamente: “É como dizes: Eu sou rei! Para isto nasci, para isto vim ao mundo: para dar testemunho da Verdade. Todo aquele que vive da Verdade escuta a minha voz” (18, 37). Jesus fala de rei, de reino, referindo-Se não ao domínio mas à verdade. Pilatos não entende: poderá haver um poder que não se obtenha com meios humanos? Um poder que não corresponda à lógica do domínio e da força? Jesus veio para revelar e trazer uma nova realeza: a realeza de Deus. Veio para dar testemunho da verdade de um Deus que é amor (cf. 1 Jo 4, 8.16) e que deseja estabelecer um reino de justiça, de amor e de paz (cf. Prefácio). Quem está aberto ao amor, escuta este testemunho e acolhe-o com fé, para entrar no reino de Deus.

Encontramos esta perspectiva na primeira leitura que ouvimos. O profeta Daniel prediz o poder de um personagem misterioso colocado entre o céu e a terra: “Vi aproximar-se, sobre as nuvens do céu, um ser semelhante a um filho de homem. Avançou até ao Ancião, diante do qual o conduziram. Foram-lhe dadas as soberanias, a glória e a realeza. Todos os povos, todas as nações e as gentes de todas as línguas o serviram. O seu império é um império eterno que não passará jamais, e o seu reino nunca será destruído” (7, 13-14). São palavras que prevêem um rei que domina de mar a mar até aos confins da terra, com um poder absoluto, que nunca será destruído. Esta visão do profeta, uma visão messiânica, é esclarecida e realiza-se em Cristo: o poder do verdadeiro Messias – poder que não mais desaparece e nunca será destruído – não é o poder dos reinos da terra que surgem e caem, mas o poder da verdade e do amor. Assim entendemos como a realeza, anunciada por Jesus nas parábolas e revelada aberta e explicitamente diante do Procurador romano, é a realeza da verdade, a única que dá a todas as coisas a sua luz e grandeza.

Na segunda leitura, o autor do Apocalipse afirma que também nós participamos na realeza de Cristo. Na aclamação dirigida “Àquele que nos ama e nos purificou dos nossos pecados com o seu sangue”, declara que Ele “fez de nós um reino, sacerdotes para Deus e seu Pai” (1, 5-6). Aqui está claro também que se trata de um reino fundado na relação com Deus, com a verdade, e não de um reino político. Com o seu sacrifício, Jesus abriu-nos a estrada para uma relação profunda com Deus: n’Ele tornamo-nos verdadeiros filhos adotivos, participando assim da sua realeza sobre o mundo. Portanto, ser discípulos de Jesus significa não se deixar fascinar pela lógica mundana do poder, mas levar ao mundo a luz da verdade e do amor de Deus. Depois o autor do Apocalipse estende o olhar até à segunda vinda de Jesus – quando Ele voltar para julgar os homens e estabelecer para sempre o reino divino – e recorda-nos que a conversão, como resposta à graça divina, é a condição para a instauração desse reino (cf. 1, 7). É um vigoroso convite dirigido a todos e cada um: converter-se sem cessar ao reino de Deus, ao domínio de Deus, da Verdade, na nossa vida. Pedimo-lo diariamente na oração do “Pai nosso” com as palavras “Venha a nós o vosso reino”, que equivale a dizer a Jesus: Senhor, fazei que sejamos vossos, vivei em nós, reuni a humanidade dispersa e atribulada, para que em Vós tudo se submeta ao Pai da misericórdia e do amor.

A vós, amados e venerados Irmãos Cardeais – penso de modo particular àqueles que foram criados ontem –, se confia esta responsabilidade impelente: dar testemunho do reino de Deus, da verdade. Isso significa fazer sobressair sempre a prioridade de Deus e da sua vontade face aos interesses do mundo e dos seus poderes. Fazei-vos imitadores de Jesus, que diante de Pilatos, na situação humilhante descrita pelo Evangelho, manifestou a sua glória: a glória de amar até ao fim, dando a própria vida pelas pessoas amadas. Esta é a revelação do reino de Jesus. E por isso, com um só coração e uma só alma, rezemos: “Adveniat regnum tuum”. Amen.

A santidade é a vocação do cristão

O primeiro chamado do cristão é a santidade

Desde a Antiga Aliança, Patriarcas, Deus chama o povo à santidade: “Eu sou o Senhor que vos tirou do Egito para ser o vosso Deus. Sereis santos porque Eu sou Santo”. (Lv 1, 44-45)

O desígnio de Deus é claro: uma vez que fomos criados à sua “imagem e semelhança” (Gn 1,26) e Ele é Santo, nós devemos ser santos também. O Senhor não deixa por menos. A medida e a essência dessa santidade é o próprio Deus. São Pedro repete esta ordem dada ao povo no deserto, em sua primeira carta, convocando os cristãos a imitarem a santidade de Deus:

“A exemplo da santidade daquele que vos chamou, sede também vós santos, em todas as vossas ações, pois está escrito: Sede santos, porque eu sou santo.” (1Pd 1,15-16)

São Pedro exige dos fieis que “todas as vossas ações” espelhem esta santidade de Deus, já que “vós sois, uma raça escolhida, um sacerdócio régio, uma nação santa, um povo adquirido para Deus, a fim de que publiqueis o poder daquele que das trevas vos chamou à sua luz maravilhosa”. (1Pd 2,9)Para São Pedro a vida de santidade era uma imediata consequência de um povo que ele chamava de “quais outras pedras vivas… materiais deste edifício espiritual, um sacerdócio santo”. (1Pd 2,5)

Neste sentido exortava os cristãos do seu tempo a romper com a vida carnal: “luxúrias, concupiscências, embriagues, orgias, bebedeiras e criminosas idolatrias” (1Pd 4,3)vivendo na caridade, já que esta “cobre a multidão dos pecados”. (1Pd 4,8)

Jesus, no Sermão da Montanha chama os discípulos à perfeição do Pai: “Sede perfeitos assim como o vosso Pai celeste é perfeito”. (Mt 5,48)

Essas palavras fazem eco ao que Deus já tinha ordenado ao povo no deserto: “Sede santos, porque eu sou santo”. (Lv 11,44)

Jesus falava da bondade do Pai, que ama não só os bons, mas também os maus, e que “faz nascer o sol tanto sobre os maus como sobre os bons, e faz chover sobre os justos e sobre os injustos”. (Mt 5,45) Jesus pergunta aos discípulos: “Se amais somente os quevos amam, que recompensa tereis?” (46). Para o Senhor, ser perfeito como o Pai celeste, é amar também os inimigos, os que não nos amam. “Amai os vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam, orai pelos que vos perseguem e vos maltratam”(44) e mais ainda: “Não resistais ao mau. Se alguém te ferir a face direita, oferece-lhe também a outra”. (39)

Sem dúvida não é fácil viver essa grande exigência que Jesus nos faz, mas é por isso mesmo que ao cumpri-las vamos nos tornando santos, perfeitos, como o Pai celeste.

Todo o Sermão da Montanha, que São Mateus relata nos capítulos 5, 6 e 7, apresenta-nos o verdadeiro código da santidade. É como dizem os teólogos, a “Constituição do Reino de Deus”. Santo Agostinho nos assegura que:

“Aquele que quiser meditar com piedade e perspicácia o Sermão que nosso Senhor pronunciou no Monte, tal como o lemos no Evangelho de São Mateus, aí encontrará, sem sombra de dúvida, a carta magna da vida cristã” (CIC, nº 1966).

É por isso que na festa de todos os Santos a Igreja nos faz meditar no Evangelho das Bem-aventuranças, que são o início, e como que o resumo, de todo o Sermão do Monte.

São Paulo começa quase todas as suas Cartas lembrando os cristãos do seu tempo de que são chamados à santidade. Aos romanos, logo no início, ele se dirige dizendo:

“A todos os que estão em Roma, queridos de Deus, chamados a serem santos“. (Rm 1,7)

Aos corintios ele repete: “à Igreja de Deus que está em Corinto, aos fiéis santificados em Cristo Jesus chamados à santidade com todos…” (1Cor 1,2).

Aos efésios ele lembra, logo no início, que o Pai nos escolheu em Cristo “antes da criação do mundo para sermos santos e irrepreensíveis diante de seus olhos” (Ef 1,5).

Aos filipenses ele pede que: “o discernimento das coisas úteis vos torne puros e irrepreensíveis para o dia de Cristo” (Fil 1,10).

“Fazei todas as coisas sem hesitações e murmurações a fim de serdes irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus íntegros no meio de uma geração má e perversa” (Fil 2,14) .

Para o Apóstolo a santidade é a grande vocação do cristão. Ele diz aos efésios:

“Exorto-vos pois (…) que leveis uma vida digna da vocação a qualfostes chamados, com toda humildade, mansidão e paciência”. (Ef 4,1)

De maneira mais clara ainda ele fala aos tessalonicenses sobre o que Deus quer de nós:

“Esta é a vontade de Deus: a vossa santificação; que eviteis a impureza; que cada um de vós saiba possuir o seu corpo em santificação e honestidade, sem se deixar levar pelas paixões desregradas como fazem os pagãos que não conhecem a Deus”. (1 Tess 4,3-5)

Aos cristãos de Corinto, Paulo volta a insistir na sua segunda Carta:

“Purifiquemo-nos de toda a imundice da carne e do espírito realizando a obra de nossa santificação no temor de Deus” (2 Cor 7,1) e também a carta aos Hebreus, nos manda procurar a santidade:

“Procurai a paz com todos e ao mesmo tempo a santidade, sem a qual ninguém pode ver o Senhor”. (Hb 12,14)

Santa Teresa de Ávila afirma que: “O demônio faz tudo para nos parecer um orgulho o querer imitar os santos”.

A santidade é o meio de voltarmos a ser “imagem e semelhança” de Deus, conforme saímos de suas mãos.

São Paulo ensina na carta aos romanos que Deus nos quer como autênticas imagens de Jesus:

“Os que ele distinguiu de antemão, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que este seja o primogênito entre uma multidão de irmãos”. (Rm 8,29)

A santificação, portanto, consiste em cada cristão se transformar numa cópia viva de Jesus, “um outro Cristo” como diziam os santos Padres. Quando a imagem de Jesus estiver formada em nossa alma, então teremos chegado à meta que Deus nos propõe. É aquele estado de vida que levou, por exemplo, São Paulo a exclamar:“Eu vivo, mas já não sou mais eu, é Cristo que vive em mim. A minha vida presente, na carne, eu a vivo na fé no Filho de Deus”. (Gl 2,20)

Jesus sofreu a sua Paixão e Morte para que recuperássemos diante do Pai a santidade. É o que o Apóstolo nos ensina: “Eis que agora Ele vos reconciliou pela morte de seu corpo humano, para que vos possais apresentar santos, imaculados, irrepreensíveis aos olhos do Pai”. (Col 1,22)

Fomos criados por Deus e para Deus, e a Ele pertencemos; por isso, somos chamados à santidade. O salmista canta essa verdade essencial:

“Ele é nosso Deus; nós somos o povo de que ele é o pastor,

“As ovelhas que as suas mãos conduzem.” (Sl 94,7)

“Sabei que o Senhor é Deus: somos o seu povo e as ovelhas de seu rebanho.” (Sl 99,3)

Essa pertença a Deus é que nos obriga acima de tudo a buscarmos como meta da nossa vida a santidade, que é a marca de Deus, três vezes Santo. O Papa João Paulo II, que era um pregador incansável da santidade, disse certa vez:

“Não tenhais medo da santidade, porque nela consiste a plena realização de toda a autêntica aspiração do coração humano.” (LR,N.17, 7/4/96)

“Entre as maravilhas que Deus realiza continuamente, reveste singular importância a obra maravilhosa da santidade, porque ela se refere diretamente à pessoa humana.”

E o Papa resume tudo dizendo que:

“A santidade é a plenitude da vida.” (LR, N.20, 18/5/96)

Com a mesma ênfase, São Paulo afirma para os corintios que não nos pertencemos, porque fomos comprados por um alto preço que é o sangue de Cristo (cf. 1 Cor 6,19). Aos romanos o Apóstolo diz: “Nenhum de vós vive para si e ninguém morre para si. Se vivemos, vivemos para o Senhor; se morremos, morremos para o Senhor. Quer vivamos, quer morramos, pertencemos ao Senhor. (Rm 14,7)

Jesus se misturou com nossas coisas, em nossas casas, nossas panelas

Sexta-feira, 25 de setembro de 2015, Rogéria Nair / Da redação

Citando Santa Teresa de Jesus, o Papa afirmou que o Senhor Se misturou com as nossas coisas, nas nossas casas, com as nossas panelas

Debaixo de palmas e assovios o Papa Francisco chegou ao Madison Square Garden, na noite desta sexta-feira, 25 de setembro. O local da Santa Celebração, é sede de importantes encontros desportivos, artísticos e musicais, que congregam pessoas de diferentes partes do mundo.  O Santo Padre, quando entrou no local, mais uma vez fez questão de cumprimentar com um aperto de mão a muitos que estavam em seu percurso.

Durante a homilia Francisco salientou que uma das características do povo crente passa pela sua capacidade de ver e contemplar no meio das suas obscuridades a luz que Cristo vem trazer.

Falou das dificuldade de um contexto multicultural e com grandes desafios difíceis de resolver, que são próprios de quem vive em uma cidade grande. Pois, escondem o rosto de muitos que parecem não ter cidadania ou ser cidadãos de segunda categoria, tais como os estrangeiros, seus filhos que não conseguem a escolaridade, as pessoas privadas de assistência médica, os sem-abrigo e os idosos sozinhos. Para Francisco essas pessoas são postas à margem das estradas num anonimato ensurdecedor.

“Nas grandes cidades, sob o ruído do tráfego, sob o ritmo das mudanças, permanecem silenciadas as vozes de tantos rostos que não têm direito à cidadania, não têm direito a fazer parte da cidade”, garantiu o Pontífice.

Bergóglio assegurou que Jesus continua a percorrer as nossas estradas, misturando-Se vitalmente com o seu povo, enchendo a todos de esperança. Esperança esta que liberta da força que impele as pessoas a isolar-se e ignorar a vida dos outros.

Como podemos encontrar-nos com Jesus vivo e operante no hoje das nossas cidades multiculturais?

Referindo-se ao Evangelho do dia, indagou: “Como podemos encontrar-nos com Jesus vivo e operante no hoje das nossas cidades multiculturais?”

Para responder a este questionamento, citou o profeta Isaías o qual apresenta Jesus como Conselheiro admirável, Deus forte, Pai eterno, Príncipe da Paz. Citando Santa Teresa de Jesus disse que o Senhor se misturou com as nossas coisas, nas nossas casas, com as nossas panelas, e que deste modo, Deus se aproxima e faz com que a vida de Seu Filho seja a vida de todos.

Ao explicar estas quatro características de Jesus, assegurou em uma delas que Ele caminha ao lado das pessoas, liberta do anonimato, duma vida sem rostos, vazia, e introduz cada homem na escola do encontro.

Francisco concluiu dizendo que Deus vive nas cidades, a Igreja vive nas cidades e quer ser fermento na massa, quer misturar-se com todos, acompanhando a todos, anunciando as maravilhas d’Aquele que é Conselheiro admirável, Deus forte, Pai eterno, Príncipe da paz.

 

Homilia
Santa Missa no Madison Square Garden

Nova Iorque
25 de setembro de 2015

Encontramo-nos no Madison Square Garden, lugar emblemático desta cidade, sede de importantes encontros desportivos, artísticos, musicais, que congregam pessoas de diferentes partes, e não só desta cidade, mas do mundo inteiro. Neste lugar, que representa as diferentes faces da vida dos cidadãos que se reúnem por interesses comuns, ouvimos: «O povo que caminhava nas trevas viu uma grande luz» (Is 9, 1). O povo que caminhava, o povo no meio das suas actividades, das suas ocupações diárias; o povo que caminhava carregando seus sucessos e erros, seus medos e oportunidades, viu uma grande luz. O povo que caminhava com as suas alegrias e esperanças, com as suas decepções e amarguras, viu uma grande luz.

O povo de Deus é chamado, em cada época, a contemplar esta luz. Luz que quer iluminar as nações: assim o proclamava, cheio de júbilo, o velho Simeão. Luz que quer chegar a cada canto desta cidade, aos nossos concidadãos, em cada espaço da nossa vida.

“O povo que caminhava nas trevas viu uma grande luz”. Uma das características do povo crente passa pela sua capacidade de ver, de contemplar no meio das suas obscuridades a luz que Cristo vem trazer.

O povo crente que sabe olhar, que sabe discernir, que sabe contemplar a presença viva de Deus no meio da sua vida, no meio da sua cidade. Hoje, com o profeta, podemos dizer: o povo que caminha, respira, vive no meio do smog, viu uma grande luz, experimentou um ar de vida.

Viver numa grande cidade é algo de bastante complexo: um contexto multicultural, com grandes desafios difíceis de resolver. As grandes cidades recordam-nos a riqueza escondida no nosso mundo: a variedade de culturas, tradições e histórias. A variedade de línguas, roupas, comida. As grandes cidades tornam-se pólos que parecem apresentar a pluralidade das formas que nós, seres humanos, encontramos para responder ao sentido da vida nas circunstâncias em que nos achávamos. Por sua vez, as grandes cidades escondem o rosto de muitos que parecem não ter cidadania ou ser cidadãos de segunda categoria. Nas grandes cidades, sob o ruído do tráfego, sob o ritmo das mudanças, permanecem silenciadas as vozes de tantos rostos que não têm direito à cidadania, não têm direito a fazer parte da cidade – os estrangeiros, os seus filhos (e não só) que não conseguem a escolaridade, as pessoas privadas de assistência médica, os sem-abrigo, os idosos sozinhos – postos à margem das nossas estradas, nos nossos passeios num anonimato ensurdecedor. Entram a fazer parte duma paisagem urbana que lentamente se torna natural aos nossos olhos e, especialmente, no nosso coração.

Saber que Jesus continua a percorrer as nossas estradas, misturando-Se vitalmente com o seu povo, envolvendo-Se e envolvendo as pessoas numa única história de salvação, enche-nos de esperança, uma esperança que nos liberta daquela força que nos impele a isolar-nos, a ignorar a vida dos outros, a vida da nossa cidade. Uma esperança que nos liberta de ligações vazias, das análises abstratas ou da necessidade de sensações fortes. Uma esperança que não tem medo de inserir-se, agindo como fermento, nos lugares onde nos toca viver e atuar. Uma esperança que nos chama a entrever, no meio do smod, a presença de Deus que continua a caminhar na nossa cidade.

Como é esta luz que passa pelas nossas estradas? Como podemos encontrar Deus que vive connosco no meio do smog das nossas cidades? Como podemos encontrar-nos com Jesus vivo e operante no hoje das nossas cidades multiculturais?

O profeta Isaías servir-nos-á de guia neste aprender a ver. Ele apresenta-nos Jesus como Conselheiro admirável, Deus forte, Pai eterno, Príncipe da Paz (9, 5). Assim, nos introduz na vida do Filho, para que seja a nossa vida também.

«Conselheiro admirável». Narram os Evangelhos que como muitos Lhe iam perguntar: Mestre, que devemos fazer? O primeiro movimento que Jesus gera com a sua resposta é propor, incitar, motivar. Sempre propõe aos seus discípulos que partam, que saiam. Impele-os a ir ao encontro dos outros, onde realmente estão e não onde gostaríamos que estivessem. Ide uma, duas, três vezes, ide sem medo, sem repugnância, ide e anunciai esta alegria que é para todo o povo.

«Deus forte». Em Jesus, Deus fez-Se Emanuel, o Deus-connosco, o Deus que caminha ao nosso lado, que Se misturou com as nossas coisas, nas nossas casas, com as nossas panelas, como gostava de dizer Santa Teresa de Jesus.

«Pai eterno». Nada e ninguém poderá separar-nos do seu Amor. Ide e anunciai, ide e vivei mostrando que Deus está no meio de vós como um Pai misericordioso que sai cada manhã e cada tarde para ver se o seu filho regressa a casa e, logo que o avista, corre a abraçá-lo. Abraço que quer acolher, purificar e elevar a dignidade dos seus filhos. Pai que, no seu abraço, é boa notícia para os pobres, alívio para os aflitos, liberdade para os oprimidos, consolação para os tristes (cf. Is 61, 1).

«Príncipe da paz». Ir ter com os outros para partilhar a boa notícia de que Deus é nosso Pai. Ele caminha ao nosso lado, liberta-nos do anonimato, duma vida sem rostos, vazia, e introduz-nos na escola do encontro. Liberta-nos da guerra da competição, da auto-referencialidade, para nos abrirmos ao caminho da paz. Aquela paz que nasce do reconhecimento do outro, aquela paz que surge no coração ao ver, de modo especial o mais necessitado, como um irmão.

Deus vive nas nossas cidades, a Igreja vive nas nossas cidades e quer ser fermento na massa, quer misturar-se com todos, acompanhando a todos, anunciando as maravilhas d’Aquele que é Conselheiro admirável, Deus forte, Pai eterno, Príncipe da paz.

«O povo que caminhava nas trevas viu uma grande luz», e nós somos suas testemunhas.

Que a santa cruz seja a nossa luz

Catequese para toda a família
Por Luis Javier Moxo Soto

MADRI, 10 de Julho de 2013 (Zenit.org) – A primeira encíclica do nosso papa Francisco, Lumen Fidei, foi começada pelo papa emérito Bento XVI e terminada por Francisco 114 dias após a sua eleição.
Se, como diz São Paulo, a fé vem da pregação e esta vem pela palavra de Cristo (Rom 10, 17), então pudemos ouvir esse doce Cristo na terra transmitir-nos a luz e o frescor do Evangelho.
Temos que nos perguntar quais são as sombras que povoam hoje a humanidade e qual é a luz que vem da fé da Igreja nesses tempos que nos couberam.
Há consciência da sombra e da escuridão? Há necessidade real da luz da fé, da verdade, do Evangelho?
Não de forma abstrata, mas na minha vida, na vida da minha família, da minha comunidade cristã, no meu trabalho e no meu lazer: sou daqueles que guardam num lugar escondido, longe da exposição pública, o tesouro da fé que me foi confiada? Ou não posso evitar que tudo o que eu penso, sinto e vivo esteja cheio do amor de Deus?
Porque se recebi o maior dos tesouros e não o aproveito, se não cuido dele todo dia, se não o exponho ao sol da verdade e ao ar livre da relação com os outros, como posso esperar que a minha vida se enraíze na única terra que realmente vale a pena e que me salva?
Acolher e amadurecer a fé é ser sal e luz no mundo. E é motivo de alegria constante saber que somos amados, incondicionalmente, não só por Quem nos deu esse tesouro, mas porque Ele próprio é esse tesouro.
Na medalha de São Bento de Núrsia, cuja festa celebramos em 11 de julho, está inscrito Crux Sacra Sit Mihi Lux (“Que a Santa Cruz seja a minha luz”). Isto nos lembra que, por trás da cruz de Cristo, temos sempre a luz da ressurreição e, para chegar a ela, devemos passar pela porta estreita do sofrimento.
Nesta décima quarta semana do Tempo Comum, avaliemos como estamos vivendo a relação da fé com a luz de que tanto precisamos, da cruz que carregamos todo dia com a presença real de Cristo. E também como vivemos essa relação na prática, como a transmitimos às nossas crianças e jovens, em nosso ambiente mais concreto.

“Venha, seja minha luz”

Por Brian Kolodiejchuk

1. Se alguma vez vier a ser Santa – serei certamente uma Santa da ‘escuridão’. Estarei continuamente ausente do Céu – para acender a luz daqueles que se encontram na escuridão na Terra.
2. Muito frequentemente me sinto como um lápis nas Mãos de Deus. Ele escreve, Ele pensa, Ele faz os movimentos. Eu só tenho que ser o lápis.
3. Ele usava o seu “nada” para mostrar sua grandeza.
4. Venha, seja minha luz.
5. Sua dolorosa experiência interior: – Era um compartilhamento na Paixão de Cristo na Cruz, com particular ênfase na sede de Jesus. …
6. Sou perfeitamente feliz e grata a Deus por aquilo que Ele dá – Prefiro ser e permanecer pobre com Jesus e os Seus pobres.
7. Raízes de sua missão:… no mistério da missão de Jesus, na união com Aquele que, morrendo na Cruz, Se sentiu abandonado pelo Pai.
8. Ninguém pode receber a confissão sacramental escrevendo os pecados num papel e enviando-o a um sacerdote.

Capítulo I
9. Segure a mão Dele [Jesus], caminhe sozinha com Ele. Siga em frente porque, se olhar para trás, irá voltar.
10. Desde a infância que o Coração de Jesus foi o meu primeiro amor.
11. ADEUS
Estou deixando minha casa querida / E a minha terra amada / Para a fumegante Bengala eu vou / Para orlas longínquas.
Estou deixando meus velhos amigos / Renunciando a família e ao lar / Meu coração me impele avante / A servir ao meu Cristo.
Adeus, Oh mãe querida / Que Deus esteja com todos vocês / Um Poder mais Alto me compele / Em direção à tórrida Índia.
O navio avança lentamente / Cortando as ondas do mar, / Enquanto meus olhos se voltam pela última vez / Para o querido litoral da Europa.
Corajosamente de pé no convés / Alegre, de semblante pacificado, / A feliz pequenina de Cristo / Sua nova noiva prometida.
Tem na mão uma cruz de ferro / Sobre a qual pende o Salvador, / Enquanto sua alma ardente lá oferece o Seu doloroso sacrifício.
Oh Deus, aceitai este sacrifício / Como sinal do meu amor, / Ajudai, por favor, a Vossa criatura / A glorificar o vosso Nome!
Em troca apenas Vos peço / Ó doce Pai de todos nós: / Deixai-me salvar pelo menos uma alma / Uma que já conheçais.
Suaves e puras como o orvalho do verão / Suas delicadas lágrimas agora fluem, / Selando e santificando então / O seu doloroso sacrifício.
12. Se você soubesse como sou feliz, como pequena esposa de Jesus. Não poderia invejar ninguém, nem mesmo aqueles que estão desfrutando de uma felicidade que ao mundo parece perfeita, porque estou desfrutando de minha completa felicidade, mesmo quando sofro qualquer coisa por meu Amado Esposo.
13. Quando as coisas se tornam difíceis, consolo-me com a idéia de que dessa maneira as almas são salvas e de que o meu querido Jesus sofreu muito mais por elas.
14. Não pense que minha vida é um mar de rosas – essa é a flor que raramente encontro pelo caminho.
15. Preciso de muita graça, de muita força de Cristo para perseverar na confiança, neste amor cego que conduz somente a Jesus Crucificado.
16. Trabalho não é oração, oração não é trabalho, mas devemos rezar o trabalho por Ele, com Ele, e para Ele.
17. Na mesma proporção em que aumenta a caridade, diminui o medo do sofrimento e aumenta o medo do pecado, sem enfraquecimento da confiança.
18. Agora abraço a sofrimento mesmo antes de ele chegar, e assim Jesus e eu vivemos no amor.
19. Madre Teresa lutava efetivamente por “beber o cálice até a última gota”, vivendo o compromisso de “ser toda só de Jesus”.
20. Meu Deus, com que facilidade os faço felizes! Dá-me forças para ser sempre a luz da vida deles, a fim de conduzi-los a Ti.

Capítulo II
21. Voto privado: Fiz um voto a Deus, que me compromete sob [pena] de pecado mortal, a dar a Deus qualquer coisa que Ele possa pedir: ‘Não lhe recusar coisa alguma’.
22. Por que devemos nos entregar inteiramente a Deus? Porque Deus Se entregou a nós. Se Deus, que nada nos deve, está pronto a nos entregar nada menos que a Si próprio, responderemos apenas com uma parte de nós? Nos entregarmos inteiramente a Deus é um meio de recebermos o Próprio Deus. Eu por Deus e Deus por mim. Eu vivo por Deus e abdico de meu próprio ser, e, assim, eu o induzo a viver por mim. Conseqüentemente, para possuirmos a Deus devemos permitir que Ele possua a nossa Alma.
23. Pagar amor, com amor.
24. Aquele que ama deseja unir-se ao amado.
25. Voto de humildade: consiste, segundo Ele me disse, em reconhecer que nada sou sem a ajuda de Deus, e em desejar ser desconhecida e desprezada.
26. Um pecado mortal é uma infração grave à lei de Deus. Desvia o homem de Deus, que é o seu último fim, a sua bem-aventurança, preferindo um bem inferior. Se o pecado mortal não for resgatado pelo arrependimento e pelo perdão de Deus, originará a exclusão do Reino de Cristo e a morte eterna no inferno. Para haver pecado mortal, é preciso que sejam verificadas as seguintes condições: matéria grave, plena consciência e propósito deliberado.
27. No silêncio do coração Deus fala.
28. Quando vejo uma pessoa triste, ela costumava dizer, sempre penso que está recusando alguma coisa alguma coisa a Jesus. Era em dar a Jesus tudo o que Ele pedisse que ela encontrava a sua mais profunda e mais duradoura alegria; ao Lhe dar alegria, ela encontrava a sua própria alegria.
29. A alegria é muitas vezes uma capa que esconde uma vida de sacrifício, de contínua união com Deus, de fervor e generosidade.
30. Para o bom Deus nada é pequeno porque Ele é tão grande e nós tão pequenos – é por isso que Ele se abaixa e se dá o trabalho de fazer essas pequenas coisas para nós – para nos dar a chance de provar nosso amor por Ele. Por que Ele as faz, elas são muito grandes. Ele não pode fazer nada pequeno; elas são infinitas.
31. Não procurem coisas grandes, apenas façam coisas pequenas com grande amor.

Capítulo III
32. “Tenho sede”, disse Jesus na Cruz. Ele falou de Sua sede – não de água – mas de amor, de sacrifício.
33. Vamos permanecer sempre com Maria nossa Mãe no Calvário perto de Jesus crucificado, com o nosso cálice feito dos quatro votos, e preenchê-lo com o amor do sacrifício pessoal, o puro amor, sempre erguido próximo ao Seu Coração sofrido, para que Ele possa ficar feliz em aceitar o nosso amor.
34. “Todas as vezes que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, foi a mim que fizestes”.
35. Para uma pessoa que está apaixonada, a rendição é mais do que um dever, é uma bem-aventurança.
36. “Venha, venha, leve-Me aos buracos escuros dos pobres. Venha, seja Minha luz”.
37. … Tenho ansiado com muita freqüência por ser toda para Jesus e fazer com que outras almas – …venham e O amem fervorosamente –…
38. Há tantas almas – puras – santas que anseiam por se entregar somente a Deus
39. “Não vais ajudar?”
40. – Abraçar e escolher a solidão e a infância – a incerteza – e tudo isso porque Jesus assim o quer – porque alguma coisa me chama “a deixar tudo e a reunir o pouco – para viver a vida Dele”.
41. “Quero freiras indianas, vítimas do Meu amor, que sejam Maria e Marta. Que estejam tão unidas a Mim que irradiem o Meu amor por sobre as almas. Quero freiras livres, cobertas com Minha pobreza da Cruz”.
42. “Não – a sua vocação é amar e sofrer e salvar almas e, dando esse passo, realizará o desejo do Meu coração por você – É essa a sua vocação.”
43. “Você está sempre dizendo ‘faz comigo tudo o que quiseres’. E agora Eu quero agir – deixe-Me fazê-lo – Minha pequena esposa – Minha pequenina. Não tenha medo – Eu estarei sempre com você. – Sofrerá e sofrerá agora – mas se for a Minha pequena Esposa – a Esposa do Jesus Crucificado – terá que suportar estes tormentos no seu coração. – Deixe-Me agir – Não Me recuse. – Confie amorosamente em Mim – confie cegamente em Mim”.
44. O amor deve ser a palavra, o fogo, que as faça viver a vida em sua plenitude.
45. Deus me chama – indigna e pecadora como sou.
46. Anseio por ser realmente só Dele – por arder por completo por Ele e pelas almas.
47. “Vais recusar?”.

Capítulo IV
48. Se uma única criancinha infeliz passar a ser feliz com o amor de Jesus, … não valerá a pena… dar tudo por isso?
49. … Acreditava que, através da obediência aos representantes de Deus, a vontade divina acabaria por se tornar conhecida com segurança.
50. Ele tudo providenciará. – Quanto mais confiarmos Nele – mais Ele fará.
51. O meu lema é ‘Procurar a Deus em todos e em todas as coisas’.
52. … Aquele que é responsável precisa de discrição, oração fervorosa e constante, e prontidão para cumprir a vontade de Deus…
53. “Vai recusar a fazer isso por Mim?”
54. Não vale a pena passar por todos os sofrimentos possíveis, por uma só alma? Nosso Senhor não fez o mesmo? Que fracasso foi a Sua Cruz no Calvário – e tudo por mim, uma pecadora.
55. Se por um copo de água Ele prometeu tanto, o que não fará por corações vítimas entregues aos pobres? Ele fará tudo. Eu, eu sou apenas um pequeno instrumento nas mãos Dele e, justamente porque eu não sou nada, Ele quer me usar.
56. Confiemos cegamente Nele. – Ele fará com que a nossa confiança Nele não seja frustrada.
57. Por vezes, tenho medo, porque nada tenho, nem inteligência, nem conhecimentos, nem as qualidades que tal trabalho exige, mas, ainda assim, eu digo a Ele que o meu coração está livre de tudo, e por isso pertence por completo a Ele e só a Ele. Ele pode me usar como melhor Lhe agradar. Apenas agradá-Lo é a alegria que procuro.
58. O ‘pequeno nada’… ansiava por ‘levar a alegria ao Coração Sofrido de Jesus’.
59. Meu Deus, dá-me a Tua luz e o Teu amor, para que eu seja capaz de escrever estas coisas para Tua honra e glória. Não permitas que a minha ignorância me impeça de fazer a Tua vontade na perfeição. Supre o que falta em mim.
60. Ele era o seu “Tudo”.
61. Para estarmos completamente unidos e Ele, devemos ser pobres – livres de tudo – aqui entra a pobreza da Cruz – Pobreza Absoluta – e para sermos capazes de ver Deus nos pobres – Castidade Angélica – e para sermos capazes de estar sempre à Sua disposição – Obediência Alegre.
62. …agir a caridade de Cristo entre os mais pobres – fazendo assim com que eles O conheçam e O queiram nas suas vidas infelizes.
63. Nosso Senhor disse: “Não tenha medo – Eu estarei sempre com você […] Confie amorosamente em Mim – confie cegamente em Mim”.
64. Por que será que Nosso Senhor mesmo diz: “Como dói ver estas pobres criancinhas manchadas pelo pecado. […] Eles não Me conhecem – por isso não Me querem […] Como anseio por entrar nos seus buracos – seus lares escuros e tristes. Venha, seja a vítima deles. – Na sua imolação – no seu amor por Mim – eles irão Me ver – irão Me conhecer – irão Me querer […]”

Capítulo V
65. A salvação das almas, o saciar a sede de Cristo de amor e de almas, não é isto suficientemente sério?
66. São João da Cruz: “Os efeitos que estas visões (imaginativas) produzem na alma são a paz, a iluminação, uma alegria semelhante à da glória, doçura, pureza, amor, humildade, e a inclinação ou elevação da mente para Deus”.
67. “Trouxe-lhe aqui – para estar ao cuidado imediato do seu diretor espiritual. […] Obedeça-lhe em todos os pormenores, não serás enganada se obedeceres, pois ele Me pertence por completo. – Deixarei você conhecer a Minha vontade através dele”.
68. Nada é difícil para quem ama. Quem poderá ultrapassar a Deus em Sua generosidade – se nós, pobres seres humanos, Lhe entregamos tudo e submetermos todo o nosso ser ao Seu serviço? – Não – Ele não deixará de estar ao nosso lado, e conosco, porque tudo em nós será Dele.
69. A salvação das almas, o saciar a sede de Cristo de amor e de almas – não é isto suficientemente sério?
70. “A voz”. Não mudaram a minha vida. Elas me ajudaram a ter mais confiança e a me aproximar mais de Deus. Fizeram aumentar o meu desejo de ser cada vez mais a Sua criança.
71. …nada parecia tão sério a ela como “a salvação das almas, o saciar a sede de Cristo”. A sede de Jesus que se encontrava no coração do seu chamado era, em última análise, a razão suprema para prosseguir.
72. Dá-me luz. – Envia-me o Teu próprio Espírito – que me ensinará a Tua própria Vontade – que me dará forças para fazer as coisas que Te são agradáveis. Jesus, meu Jesus, não permitas que eu seja enganada. – Se és Tu que queres isto, dá provas disso, senão, permite que isto abandone minha alma.
73. Jesus, meu Jesus – sou somente Tua – sou tão ignorante – não sei o que dizer – mas faz comigo o que desejares. Não Te amo pelo que me dás, mas pelo que tiras.
74. Vais sofrer – sofrer muito – mas lembre-se de que Eu estou com você. – Mesmo que todo o mundo a rejeite – lembre-se de que você é Minha – e de que Eu somente seu. Não tenhas medo. Sou Eu.

Capítulo VI
75. Vou de livre e espontânea vontade com a bênção da obediência.
76. Ninguém pode me separar de Deus – estou consagrada e Ele e como tal desejo morrer…
77. O nosso trabalho termina aqui. … O resto é inteiramente obra de Deus e nós participamos como instrumentos. …
78. “Um instrumento Dele, e nada mais”.
79. … Estarmos realmente mortas para tudo quanto o mundo reclama como seu.
80. … – O trabalho que teremos que fazer será impossível sem a Sua contínua graça proveniente do sacrário. – Ele terá que fazer tudo. – Nós apenas teremos que segui-Lo.
81. Jesus tinha pedido “freiras cobertas com a Minha pobreza da
Cruz”.
82. No devido tempo, a resposta chegará, permaneça calma. Reze muito e viva intimamente com Nosso Senhor Jesus Cristo, pedindo por luz, forças, decisão; mas não antecipe a Obra Dele. Tente não colocar em tudo isto nada de si mesma. A senhora é instrumento Dele, e nada mais.
83. … Tenho que desaparecer por completo – se quero que Deus tenha tudo.
84. Sua riqueza, porém, estava no seu coração: uma fé inabalável em Deus e uma confiança absoluta na promessa que Ele tinha feito… “Não tenha medo – Eu estarei sempre com você […] – Confie amorosamente em Mim – confie cegamente em Mim”.

Capítulo VII
85. Ó Jesus, único amor do meu coração, desejo sofrer o que sofro e tudo o que Tu quiseres que eu sofra, por Teu puro amor, não pelos méritos que eu possa adquirir, nem pelas recompensas que Tu me prometeste, mas apenas para Te agradar, para Te louvar, para Te dar graças, tanto na dor quanto na alegria.
86. De minha livre escolha Meu Deus e por amor a Ti – desejo permanecer e fazer o que for a Tua Santa Vontade a meu respeito. – Não deixei que caísse uma só lágrima. – Mesmo que sofra mais do que agora sofro – ainda quero fazer a Tua Santa Vontade…
87. Nas minhas meditações e orações, que são atualmente tão cheias de distrações – uma coisa se destaca com grande clareza – minha fraqueza e Sua Graça. Receio tudo da minha fraqueza – mas confio cegamente na Sua Graça.
88. Jesus disse: “Em verdade vos digo, se o grão de trigo não cair na terra e não morrer, permanece sozinho. Mas se morrer dará muito fruto”.
89. O nosso trabalho é grande, mas sem penitência e muito sacrifício seria impossível.
90. “Beber o cálice até a última gota”.
91. – Beber apenas o cálice da dor Dele e dar à Santa Mãe Igreja verdadeiras santas.
92. Quanto aos sofrimentos, não precisa ir à procura deles. Deus Onipotente os proporciona diariamente: …
93. Quero ser santa, saciando a sede de Jesus de amor e de almas. …
94. A sua busca da santidade não era por motivos de auto-glorificação; ao contrário, era uma expressão da profundidade de sua relação com Deus.
95. “O amor exige sacrifícios. Mas, se amarmos até doer, Deus nos dará a Sua paz e a Sua alegria. […] Em si mesmo, o sofrimento nada é; mas o sofrimento partilhado com a Paixão de Cristo é um dom maravilhoso”.
96. … O objetivo de nossa Congregação é saciar a sede de Jesus na Cruz por amor das almas, trabalhando para a salvação e santificação dos pobres…

Capítulo VIII
97. Quero sorrir – mesmo para Jesus – e assim ocultar mesmo a Ele – se possível – a dor e a escuridão da minha alma.
98. O caminho a seguir poderá não ser sempre imediatamente claro. Reze por luz; não decida com demasiada rapidez, escute o que os outros têm a dizer, leve em consideração suas razões. Sempre encontrará alguma coisa que ajude.
99. Quando for muito difícil para você – apenas esconda-se no Sagrado Coração – onde o Meu com o seu encontrarão toda a força e o amor. Você quer sofrer em puro amor – diga antes, no amor que Ele escolher para você. – Precisa ser uma “hóstia imaculada”.
100. Apesar da noite interior, Jesus era o único centro da vida de Madre Teresa; ela O amava e queria estar unida a Ele, em especial na Sua Paixão. Um verdadeiro retrato de sua alma – não influenciada por sentimentos, mas na firme fé…
101. Você sofre muito e a sua alma está crucificada de dor – mas não é que Ele está vivendo a Sua vida na sua.
102. Você aprendeu muito. Saboreou o cálice da Sua agonia – e qual será a sua recompensa minha querida irmã? Mais sofrimento e uma semelhança mais profunda com Ele na Cruz.
103. “Lembrai-vos, ó Piíssima Virgem Maria, de que nunca se ouviu dizer que algum daqueles que tem recorrido à Vossa proteção, implorado a Vossa assistência ou reclamado o Vosso socorro fosse por Vós desamparado. Animado eu, pois, com igual confiança, a Vós Virgem entre todas singular, como a minha Mãe recorro, de Vós me valho e, gemendo sob o peso dos meus pecados, me prostro aos Vossos pés. Não desprezeis as minhas súplicas, ó Mãe do Filho de Deus Encarnado, mas dignai-Vos de as ouvir propícia, e de me alcançar o que vos rogo. Amém.
104. Não é Jesus glorificado, nem no presépio, mas na Cruz – sozinho – despido – sangrando – sofrendo – morrendo na Cruz.
105. Você ainda é uma criança e a vida é bela – mas o caminho que Ele escolheu para você é o caminho verdadeiro. – Por isso sorria – sorria à mão que lhe bate – beije a mão que está pregada na Cruz.
106. “Sagrado Coração de Jesus, eu confio em Ti – vou saciar a Tua sede de almas”.
107. O meu propósito – 1º é seguir a Jesus mais de perto nas humilhações. Com as Irmãs – amável – muito amável – mas firme na obediência. Com os pobres – gentil e atenciosa. Com os doentes – extremamente amável.
2º Sorrir para Deus. Reze por mim para que eu dê glória a Deus no primeiro e no segundo propósito.
108. “Só Deus, Deus em toda a parte, Deus em todos e em todas as coisas, Deus sempre”.
109. Santo Inácio: “O meu único anseio e desejo, a única coisa que almejo ter humildemente é a graça de amar a Deus, de amar só a Ele. Nada mais peço, além disso”.
110. “Por favor, reze por mim, pois agora mais do que nunca, compreendo quão perto de Deus devo chegar se quero levar almas a Ele”.
111. Desde que a escuridão se instalara, abafando o sentimento da presença de Jesus, Madre Teresa O vinha reconhecendo no disfarce angustiante dos pobres: “Quando atravesso as favelas ou entro nos buracos escuros onde vivem os pobres – lá Nosso Senhor está sempre verdadeiramente presente”.
112. – Reze por mim, por favor, para que eu continue sorrindo-Lhe apesar de tudo. Pois sou apenas Dele – então Ele tem todos os direitos sobre mim. Sou perfeitamente feliz por não ser ninguém nem mesmo para Deus.
113. Quero ser uma santa de acordo com o Seu Coração manso e humilde…
114. Quero sorrir – mesmo para Jesus – e assim ocultar mesmo a Ele – se possível – a dor e a escuridão da minha alma.
115. Apesar de tudo isso – sou a Sua pequena – e O amo, não por aquilo que Ele dá – mas por aquilo que tira.
116. “Não vale a pena passar por todos os sofrimentos possíveis, por uma só alma?” e “oferecer tudo – só por essa pessoa – porque essa levará grande alegria ao Coração de Jesus”.
117. Por favor, peça a Nossa Senhora que seja minha Mãe nesta escuridão.
118. Madre Teresa não gostava do sofrimento em si; na verdade, achava-o quase insuportável. Mas apreciava a oportunidade que assim lhe era concedida de estar unida a Jesus na Cruz e de demonstrar o amor que tinha por Ele.
119. A Congregação vive com a vida Dele – trabalha com o Seu poder.
120. O sorriso é uma grande capa que encobre uma multidão de dores.
121. Por favor, peça a nossa Senhora que me mantenha perto Dela para que eu não perca o caminho nesta escuridão.
122. O que realmente lhe importava era o fato de amar a Deus, quer Ele lhe concedesse o consolo e a alegria de sentir a Sua presença ou não. E Cristo preferia uni-la, como a unira a Sua Mãe, Sua sofrida Mãe, à “terrível sede” que Ele próprio sentira na Cruz.

Capítulo IX
123. O que estás fazendo, Meu Deus, a alguém tão pequeno?
124. Através de ti, Ó Mãe de Deus, ofereço o meu abandono absoluto à Santa Vontade de Deus agora, aceitando esta nomeação com fé amor e alegria. – Faz comigo tudo o que quiseres – estou a Tua disposição. Teu pronto instrumento.
125. Que maravilhoso é Deus no Seu simples e infinito amor.
125. A escuridão – a solidão e a dor – a perda e o vazio – da fé – do amor – da confiança – são o que tenho e os ofereço com toda a simplicidade a Deus…
126. Na escuridão… Senhor, meu Deus, quem sou eu para que Tu me abandones? Sou a criança do Teu amor – e agora se tornou a mais odiada – aquela que jogaste fora como indesejada – como não amada. Eu chamo, agarro-me, quero – e não há Ninguém. – Sozinha. A escuridão é tão escura – e eu estou sozinha. – Indesejada, abandonada. – A solidão do coração que quer amor é insuportável. Onde está a minha fé? – Mesmo lá no fundo, bem lá dentro, não há nada a não ser vazio e escuridão. – Meu Deus – que dolorosa é esta dor desconhecida. Dói sem cessar. – Não tenho fé. – Não me atrevo a proferir as palavras e os pensamentos que povoam o meu coração – e me fazem sofrer uma agonia inexpressável. Tantas perguntas sem resposta vivem dentro de mim – temo trazê-las à luz – por causa da blasfêmia. Se houver Deus, por favor, perdoa-me. – Confiança que tudo acaba no Céu com Jesus. – Quando tento elevar o pensamento para o Céu – há um vazio tão acusador que esses mesmos pensamentos regressam como punhais afiados e ferem a minha própria alma. Amor – a palavra – nada traz. Dizem-me que Deus me ama – e – contudo – a realidade da escuridão e da frieza e do vazio é tão grande que nada foca a minha alma.
Ante de iniciar a obra – havia tanta união – amor – fé – confiança – oração sacrifício. – Terei cometido um erro ao submeter-me cegamente ao chamado do Sagrado Coração? O trabalho não é uma dúvida – porque estou convencida de que é Dele e não meu. – Não sinto – nem um único simples pensamento ou tentação entra no meu coração para me apropriar coisa alguma do trabalho.
O tempo todo sorrindo – as pessoas fazem tais comentários. – Acham que a minha fé, confiança e amor enchem o meu próprio ser e que a intimidade com Deus e a união à Sua vontade devem estar absorvendo o meu coração. – Se eles soubessem – e como minha alegria é a capa com a qual cubro o vazio e a miséria.
Apesar de tudo – esta escuridão e este vazio não são tão dolorosos como a ânsia por Deus. – Temo que a contradição irá me desequilibrar. O que estás Tu fazendo meu Deus a alguém tão pequeno? Quando me pediste para imprimir a Tua Paixão no meu coração – é esta a resposta?
Se isto Te traz glória, se Tu obténs uma gota de alegria com isto – se as almas são levadas a Ti – que se o meu sofrimento saciar a Tua Sede – aqui estou Senhor, com alegria aceito tudo até ao final da vida – e sorrirei à Tua Face Oculta – sempre.
127. … O seu sorriso radiante escondia um abismo de dor, ocultava um Calvário interior.
128. “Você sofrerá e já sofre – mas se for a minha pequena Esposa – a Esposa de Jesus Crucificado – terá que suportar estes tormentos em seu coração”.
129. Madre Teresa limitava-se a aceitar a viver, em silêncio, o mistério da Cruz que Cristo a chamava a compartilhar.
130. Seja boa, seja santa – se anime. Não permita que o demônio leve o melhor de você. Sabe o que Jesus e a madre esperam de você. – Apenas fique alegre. Irradie Cristo…
131. – Olhe para a Face Daquele que a ama.
132. Algumas vezes me pego dizendo “Não agüento mais” e, com o mesmo alento, digo “Desculpa, faz comigo o que quiseres”.
133. Tenho muitas coisas a aprender e isso leva tempo.
134. Apesar de tudo quero amar a Deus por aquilo que Ele tira. – Ele destruiu tudo em mim.
135. Dizem que as pessoas no inferno sofrem uma dor eterna devido à perda de Deus – que passariam por todo esse sofrimento se apenas tivessem uma pequena esperança do possuir a Deus.
136. Esta escuridão que me rodeia por todos os lados – não posso elevar a minha alma para Deus – nem luz nem inspiração alguma entram em minha alma.
137. No meu coração não há fé – nem amor nem confiança – há tanta dor – a dor do anseio, a dor de não ser querida. Quero a Deus com toda a força de minha alma – porém, aí entre nós – há esta separação terrível.
138. – Já não rezo mais – A minha alma não é ‘uma’ Contigo – contudo, quando sozinha pelas ruas – falo Contigo durante horas – de meu anseio por Ti.
139. Fizeste comigo segundo a Tua vontade – e Jesus ouve a minha oração – se isto te agrada – se a minha dor e o meu sofrimento – a minha escuridão e a minha separação Te dão uma gota de consolo – meu Jesus, faz comigo o que quiseres – quando quiseres, sem nem sequer um olhar para os meus sofrimentos e a minha dor. Sou tua. – Imprime na minha alma a na minha vida os sofrimentos do Teu Coração.
140. A única coisa que almejava era a Sua (Jesus) felicidade; queria saciar a Sua sede com cada gota de seu sangue. E estava disposta a esperar, se necessário fosse, por toda a eternidade por Aquele em Quem acreditava, mas que sentia não existir, por Aquele a Quem amava mas Cujo amor não percebia.
141. Amei-O cegamente, totalmente, somente. Uso todo o poder em mim mesma – apesar dos meus sentimentos, para fazer que Ele seja pessoalmente amado – pelas irmãs e pelos outros. Vou deixá-Lo ter toda a liberdade comigo e em mim.
142. Sejam amáveis umas com as outras. – Prefiro que cometam erros com amabilidade – do que façam milagres com indelicadeza. Sejam amáveis em palavras. – Vejam o que amabilidade de Nossa Senhora trouxe para ela, vejam como ela falava. – Poderia facilmente ter revelado a São José a mensagem do Anjo – mas não disse uma palavra. – E então Deus mesmo interveio. Guardou todas aquelas coisas em seu coração. – Quem nos dera podermos guardar todas as nossas palavras no coração dela. Tanto sofrimento – tantos mal-entendidos e por quê? Só por uma palavra – um olhar – uma ação fortuita – e a escuridão preenche o coração de sua irmã. Peçam a Nossa Senhora durante esta novena que encha os seus corações de doçura.
143. Madre Teresa esforçava-se por ter um sorriso imediato, uma palavra amável, um gesto acolhedor para com todos.
144. Reze por mim – para que eu possa manter o sorriso de dar sem reservas. Reze para que eu possa encontrar coragem para caminhar corajosamente e com um sorriso. Peça a Jesus que não me permita recusar-Lhe coisa alguma por menor que seja – prefiro morrer.
145. O amor prova-se com obras; quanto mais nos custam, maior é a prova do nosso amor.

Capítulo X
146. Pela primeira vez… cheguei a amar a escuridão – pois estou agora convencida de que é uma parte, uma parte muito, muito pequena da escuridão e da dor de Jesus neste mundo.
147. A escuridão é tal, que realmente não vejo nada – nem com a mente nem com a razão. – O lugar de Deus na minha alma é um espaço vazio. – Não há Deus em mim – Quanta dor da ânsia é tão grande – só anseio e anseio por Deus – e é então que sinto – que Ele não me quer – que Ele não esta ali. Céu – almas são meras palavras – que nada significam para mim.
148. Anseio por Deus – quero amá-Lo – amá-Lo muito- viver apenas por amor e Ele – só amar – porém não há senão dor – anseio sem amor algum.
149. Quando fora – no trabalho – ou quando estou com pessoas – há uma presença – de alguém que vive muito perto – em mim mesma. – Não sei o que é isto – mas é muito freqüente e mesmo diário – esse amor de Deus em mim torna-se mais real. – Me pego dizendo a Jesus inconscientemente – estranhas palavras de amor.
150. Ensina-me a amar a Deus – ensina-me a amá-Lo muito. … Quero amar a Deus a Deus como o que Ele é para mim, “meu Pai”.
151. O meu coração e a minha alma e o meu corpo pertencem só a Deus.
152. Que Ele faça comigo o que quiser, como Ele quiser, por quanto tempo quiser. Se a minha escuridão é luz para alguma alma – mesmo se não for nada para ninguém – sou perfeitamente feliz – em ser flor do campo de Deus.
153. … Cheguei a amar a escuridão. – Pois agora acredito que é parte, uma parte muito, muito pequena da escuridão e da dor de Jesus neste mundo.
154. Quem sabe mais a cerca da água viva, a pessoa que abre a torneira todos os dias sem pensar muito no assunto, ou o viajante do deserto, torturado pela sede, que busca uma fonte de água?
155. “Deixa-me compartilhar contigo a Sua dor”.
156. “Um caloroso ‘Sim’ a Deus e um grande sorriso para todos”.
157. Continuem sorrindo – Rezem juntos – e Jesus irá sempre encher o coração de vocês com o Seu amor – um pelo outro.
158. São João da Cruz: “Quando a noite do espírito é essencialmente purificadora, sob a influência da graça, que se exerce principalmente pelo dom da compreensão, as virtudes teológicas e a humildade são purificadas de todo o lastro humano. … Assim purificada, a alma pode passar para além da fórmulas dos mistérios e entrar “nas profundezas de Deus”, como diz São Paulo (1Cor 2, 10). Então, apesar de todas as tentações contra a fé e a esperança, a alma acredita firmemente, por um ato direto e da forma mais pura e sublime, que ultrapassa a tentação; e acredita pelo motivo mais puro que se pode atingir sobrenaturalmente: a autoridade de Deus que revela. E também espera, pela simples razão de que Ele é sempre bom, a Misericórdia infinita. E ama-O na mais completa aridez, por que Ele é infinitamente melhor em Si mesmo do que todos os dons que pudesse nos conceder. Quando esta provação é essencialmente reparadora, quando tem como fim principal fazer com que a alma já purificada trabalhe pela salvação do próximo, então preserva as mesmas características elevadas atrás descritas, mas assume outro caráter, que recorda com mais precisão os sofrimentos íntimos de Jesus e de Maria, que não precisam ser purificados”.
159. “Sim” e “Sorriso”.
160. Madre Teresa tinha chegado a um ponto em que era capaz de se alegrar como os seus sofrimentos e de repetir as palavras de São Paulo: “Alegro-me nos sofrimentos suportados por vossa causa e completo na minha carne o que falta aos sofrimentos de Cristo pelo Seu Corpo, que é Igreja” (Col 1, 24).
161. Tentem aprofundar o seu conhecimento deste Mistério da Redenção. – Este conhecimento as conduzirá ao amor – e o amor as fará compartilhar através dos seus sacrifícios na Paixão de Cristo.
162. “Desejo viver neste mundo que está tão longe de Deus, que se afastou tanto da luz de Jesus, para ajudá-los – para tomar sobre mim um tanto do sofrimento deles”.
163. “O que disse Jesus, que carregássemos a cruz na frente Dele ou que O seguíssemos?” Com um grande sorriso, ela olhou para mim e respondeu: “Que O seguíssemos”. Então eu perguntei: “Por que tenta ir à frente Dele?”…
164. – Porque a escuridão é tão escura, a dor é tão dolorosa. Às vezes, o aperto da dor é tão grande – que eu posso ouvir a minha própria voz clamando – Meu Deus, ajuda-me.
165. Quanto maior for a dor e quanto mais escura for a escuridão mais doce será o meu sorriso para Deus.
166. Mas, como testemunhará o seu Amor, já que o Amor se prova com as obras? Pois bem, a criancinha lançará flores, perfumará com os seus aromas o trono real, e cantará com a sua voz prateada o Cântico dos Cânticos. Sim, meu Bem-Amado! Assim se consumirá a minha vida. Não tenho outro meio de Te provar o meu amor, senão o de lançar flores, isto é, não deixar escapar nenhum pequeno sacrifício, nenhum olhar, nenhuma palavra; aproveitar todas as mais pequenas coisas e fazê-las por amor. Quero sofrer por amor e gozar por amor. Assim lançarei flores diante do teu trono. Não encontrarei nenhuma sem desfolhar para Ti. E depois, ao laçar as minhas flores, cantarei…, mesmo quando tiver de colher as minhas flores no meio de espinhos; e o meu cantar será tanto mais melodioso quanto maiores e mais agudos forem aos espinhos (Santa Teresa do Menino Jesus e da Santa Face).
167. … Não estou sozinha. – Tenho a escuridão Dele – tenho a dor Dele – tenho este anseio terrível por Deus – de amar e não ser amada.
168. A escuridão não era apenas a escuridão “dela”, era a “escuridão Dele”; ela estava compartilhando a “dor Dele”. Com base na pura fé, sabia que se encontrava em um estado de “união inquebrantável” com Ele, porque percebia que tinha os pensamentos “fixados Nele e apenas Nele”. Estava firmemente unida a Jesus por sua vontade, embora a única coisa que ela sentia dessa “união inquebrantável” fosse a Sua agonia, a Sua Cruz.
169. Jesus, aceito tudo aquilo que deres – e dou-Te tudo aquilo que tirares. – Não há sentido nas minhas palavras, mas tenho certeza de que Ele entenderá.
170. “Toma tudo aquilo que Ele der e dá tudo aquilo que Ele tirar com um grande sorriso”.
171. “Dê a Jesus toda a liberdade e permita que Ele lhe use sem consultar-lhe”.
172. … A minha mente – o meu coração – todos os meus pensamentos e sentimentos parecem estar muito longe – tão longe que eu não sei onde estão, mas quando me recomponho descubro que estão com Deus.
173. Considerando-se incapaz de “chegar” a Deus, continuava alegrando-se por poder ajudar a outros a aproximar-se Dele.
174. Quanto a mim, tenho apenas a alegria de nada ter – nem sequer a realidade da Presença de Deus. – Nem oração, nem amor – nem fé – nada a não ser a dor contínua de ansiar por Deus.
175. … Madre Teresa chegava mesmo a tirar alegria espiritual de sua provação interior: a alegria dela era “a alegria de nada ter”, da “pobreza absoluta’, da pobreza da Cruz”…
176. Vocês devem estar no mundo, mas, não ser do mundo. A luz que dão deve ser tão pura, o amor com que amam deve ser tão ardente – a fé com que crêem deve ser tão convincente – que ao vê-los, eles realmente vejam apenas Jesus. O apostolado de vocês é belíssimo – dar Jesus. Mas só podem dá-Lo – somente se tiverem se rendido por completo a Ele.
177. Mantenha-se perto de Jesus com um rosto sorridente.
178. Santa Margarida Maria: – O seu amor por Jesus deu-me um anseio tão doloroso de amar como ela O amava. Que frio – que vazio – que dolorido está o meu coração. A Sagrada Comunhão – a Santa Missa – todas as coisas santas da vida espiritual – da vida de Cristo em mim – são todas vazias – tão frias – tão indesejadas.
179. A escuridão interior conferia a Madre Teresa a capacidade de compreender os sentimentos dos pobres. “O maior de todos os males é a falta de amor e caridade, a terrível indiferença em relação ao próximo que vive a beira da estrada, assaltado pela exploração, pela corrupção, pela pobreza e pela doença”, diria mais tarde.
180. Jesus foi enviado pelo Pai aos pobres e para ser capaz de compreender os pobres, Jesus teve que conhecer e experimentar essa pobreza no Seu próprio Corpo e na Sua Alma. Também nós devemos experimentar a pobreza se quisermos ser verdadeiras portadoras do amor de Deus. Para sermos capazes de proclamar a Boa Nova aos pobres devemos saber o que é pobreza.
181. O sofrimento de Madre Teresa era no nível mais profundo possível: o de sua relação com Deus. E, no seu zelo pela salvação dos outros, estava totalmente disposta a abraçar por completo esse sofrimento, para que os pobres que amava experimentassem toda a medida do amor de Deus. Consequentemente, a escuridão veio a ser a sua maior bênção: o seu “mais profundo segredo” era, na realidade, o seu maior dom.

Capítulo XI
182. Estou disposta aceitar tudo aquilo que Ele der e a dar tudo aquilo que Ele tirar, com um grande sorriso.
183. As suas dificuldades e as minhas – devemos oferecê-las a Jesus pelas almas. … Sei que quero, com todo o meu coração, o que Ele quiser, como Ele quiser e enquanto Ele quiser.
184. … A sua maneira de seguir Jesus na escuridão: “Só me resta fazer uma coisa, seguir de perto os passos do meu dono, como um cãozinho. Reze para que eu seja um cãozinho alegre”.
185. Com freqüência pergunto-me o que realmente Deus obtém de mim neste estado – sem fé, sem amor – nem sequer em sentimentos.
186. Madre Teresa tinha fé, uma fé bíblica, uma fé cega, uma fé que fora posta à prova e testada na fornalha do sofrimento e que abria cominho em direção a Ele através da escuridão.
187. – Eu simplesmente abro o meu coração – e Ele fala.
188. Pergunto-me o que Jesus vai me tirar por eles, uma vez que já me tirou tudo pelas irmãs. Estou disposta a aceitar tudo o que Ele me der e dar tudo o que Ele tirar com um grande sorriso.
189. “Dar toda a liberdade a Jesus” continuava sendo a medida da sua auto-entrega.
190. Dia após dia – repito a mesma coisa – talvez apenas com os meus lábios – “Faz-me sentir o que Tu sentiste. Faz-me compartilhar Contigo a Tua dor”. Quero estar à disposição Dele.
191. Ao longo de toda a Quaresma e, na realidade, ao longo de sua vida como Missionária da Caridade, a oração de Madre Teresa estava sendo respondida; “Faz-me sentir o que Tu sentistes. Faz-me compartilhar Contigo a Tua dor”. Não estava ela experimentando a agonia de Jesus e a agonia dos pobres também?
192. “Viva a sua vida de amor a Jesus com grande alegria – porque o que você tem é presente Dele – use tudo para maior glória do Seu nome, … Mantenha-se perto de Jesus sempre com um rosto sorridente – para que – possa aceitar tudo quanto Ele der e der tudo que Ele tirar”.
193. Aceito não com os meus sentimentos – mas com a minha vontade, a Vontade de Deus. – Aceito a Sua vontade – não só por um tempo, mas por toda eternidade. Na minha alma – não sou capaz de dizer – como está escuro, como é doloroso, como é terrível. – Os meus sentimentos são muito traiçoeiros. – Tenho a sensação de “recusar a Deus” e, contudo, o pior e mais difícil de suportar – é este terrível anseio por Deus.
194. – Não me queixarei. – Aceito Sua Santa Vontade tal como ela vem a mim.
195. “O pior e o mais difícil de suportar”, insistia Madre Teresa, era “este terrível anseio por Deus”. Ainda mais dolorosa do que a própria escuridão era esta sede de Deus. Na realidade, estava experimentando algo da sede de Jesus na Cruz,…
196. Essa sede “terrível” de Deus exprimia-se em uma ardente sede de almas, em especial das almas dos mais pobres dos pobres.
197. Quanto dano o pecado pode fazer. Que mundo terrível é este – sem o amor de Cristo.
198. “Terrível é o ódio quando começa a tocar os seres humanos”.
199. … A Madre via o ódio em ação e buscava permanentemente formas de substituí-lo pelo amor.
200. Só Deus pode pedir sacrifícios como estes.
201. Reze por mim – porque a vida dentro de mim está mais difícil de viver. Estar enamorada e – contudo – não amar, viver de fé e – contudo – não acreditar. Gastar-me por completo e – contudo – estar em total escuridão.
202. Não sei o que sentem as outras pessoas – mas eu amo as minhas Irmãs como a Jesus – com todo o meu coração, a minha alma e a minha mente e as minhas forças.
203. Madre Teresa reconhecia que a escuridão em que vivia era o preço a pagar por acender “o fogo do amor”.
204. Acontece com freqüência que aqueles que passam o tempo dando luz aos outros permanecem, eles próprios, na escuridão.
205. – Se há inferno – Este deve ser um. Que terrível é estar sem Deus – nem oração – nem fé – nem amor.
206. E contudo… Quero ser-Lhe fiel – quero esgotar-me por Ele, quero amá-Lo não por aquilo que Ele dá, mas por aquilo que tira – quero estar à Sua disposição. – Não Lhe peço que mude a Sua atitude para comigo ao os planos para mim. – Peço-Lhe apenas que me use…
207. “Que terrível é estar sem Deus”, … E, ainda mais terrível era para ela – que tinha estado tão perto Dele – ter, por assim dizer, perdido por completo o senso de Sua presença.
208. Na Encarnação, Jesus tornou-Se igual a nós em todas as coisas exceto no pecado; mas no momento da Paixão, tornou-se pecado. – Tomou sobre Si os nossos pecados e é por isso que foi rejeitado pelo Pai. Eu penso que esse foi o maior de todos os sofrimentos por que Ele teve de passar e aquilo que mais temia na agonia do Jardim. Essas Suas palavras na Cruz foram uma expressão da profundidade da Sua solidão e da Sua Paixão – que até mesmo o Seu próprio Pai não o reconheceu como Seu Filho. Que, apesar de todos os seus sofrimentos e angústia, Seu Pai não O reconheceu como Seu Filho amado, como tinha feito no Batismo por São João Batista e na Transfiguração. E podemos perguntar: Por quê? Porque Deus não pode aceitar o pecado e Jesus tinha tomado sobre Si – tinha-se tornado pecado.
209. “Venha, venha, salva-nos – leve-nos a Jesus. Ao abraçar a escuridão em que viviam, Madre Teresa os estava levando para a luz – Jesus”.
210. “Importa que Ele cresça e que eu diminua” (Jo 3, 30).
211. O calor aqui é simplesmente abrasador. – Uma grande consolação para mim – já que não posso arder com o amor de Deus – pelo menos deixe-me arder com o calor de Deus – e assim, desfruto do calor.
212. “Quero fazer a Sua Santa Vontade – Isso é tudo. Ainda que mal a compreenda”.
213. … Minha alma esta vazia – mas não tenho medo. – Ele fez maravilhas por mim – Santo é o Seu nome.
214. – Como minha alma anseia por Deus – e apenas por Ele, como é doloroso estar sem Ele.
215. – Como crescer na “profunda união pessoal do coração humano com o Coração de Cristo? Desde a infância que o Coração de Jesus é meu primeiro amor.
216. Jesus foi o primeiro amor de Madre Teresa e o seu único amor, em uma relação que foi se tornando mais intensa em cada período de sua vida. Seu coração seria atraído com singular intensidade para o Coração de Cristo até o dia de sua morte. Uma das melhores descrições de Madre Teresa a apresenta como uma mulher “totalmente, apaixonadamente, loucamente enamorada de Jesus”.
217. “O insulto despedaçou-me o coração e tornou-o incurável; esperei compaixão, mas em vão, alguém que me consolasse, mas não encontrei” (Sl 68, 21).
218. Diga a Jesus: “Eu serei esse ‘alguém’”. Irei reconfortá-Lo, encorajá-Lo e amá-Lo. Fique com Jesus. Ele rezou e rezou, e depois foi procurar consolo, mas não encontrou nenhum. Eu escrevo sempre esta frase: ‘Procurei alguém que Me consolasse, mas não encontrei ninguém’.
219. Seja esse alguém. … Seja esse alguém que saciará a Sede.
220. Sim, bastaria que voltássemos ao espírito de Cristo – bastaria que vivêssemos a vida eucarística, bastaria que percebêssemos o que é o Corpo de Cristo – não haveria tanto sofrimento – tanto do que temos hoje. – A Paixão de Cristo está sendo revivida mais uma vez em toda a sua realidade – Devemos rezar muito pela Igreja – a Igreja no Mundo – e o mundo na Igreja.
221. Estamos aqui para ir para lá – para casa junto de Deus – e lá não há infidelidade, mas apenas Shanti (paz) – uma verdadeira “Shanti Nagar” (Cidade da Paz).
222. … Nós mais e mais devemos ser Sua Luz – Seu caminho – Sua vida – Seu amor nas favelas.
223. Quero amá-lo como Ele nunca foi amado antes – com um amor terno, pessoal e íntimo.
224. Tenho um anseio tão profundo por Deus e pela morte. … Reze por mim para que eu use a alegria do Senhor como minha força.
225. Sofria imensamente ao ver os sofrimentos daqueles que amava, mas continuava salientando o valor e o sentido do sofrimento humano como forma de compartilhar a Paixão de Jesus.
226. Mantenham a luz da fé sempre acesa – pois só Jesus é o caminho que conduz ao Pai. Só Ele é a vida que habita no nosso coração. Só Ele é a luz que ilumina e escuridão. Não tenham medo, Cristo não nos enganará.
227. As palavras de Jesus no Evangelho de São Mateus – “o que fizestes ao mais pequenino… a Mim o fizestes – eram o rocha sobre a qual assentavam as suas convicções.
228. … Cristo não pode nos enganar. – Por isso tudo o que fizermos ao menor – é a Ele que fazemos. Que a alegria do Senhor seja a sua força. Porque só Ele é o caminho que vale a pena seguir, a luz que vale a pena acender, a vida que vale a pena viver – e o amor que vale a pena amar.

Capítulo XII
229. “Deus usa o que é nada para mostrar a Sua grandeza”.
230. Eu me maravilho com a Sua imensa humildade e a minha pequenez – o meu nada. Acredito que é aqui que Jesus e eu nos encontramos. – Ele é tudo para mim – e eu – a Sua pequenina – tão incapaz – tão vazia – tão pequena.
231. Só Jesus pode abaixar-Se tanto para enamorar-se de alguém como eu.
232. … Me maravilho com a Sua imensa humildade e minha pequenez – o meu nada. – Acredito que é aqui que Jesus e eu nos encontramos. – Ele é tudo para mim – e eu – a Sua pequenina – tão indefesa – tão vazia – tão pequena.
233. O Seu jeito é tão bonito – em pensar que temos a Deus Onipotente se inclinando tão baixo para amar a você e a mim e fazer uso de nós – e nos faz sentir que Ele realmente precisa de nós. – À medida que vou envelhecendo a minha admiração de Sua humildade vai aumentando mais e mais e O amo não por aquilo que Ele dá – mas por aquilo que Ele é – o Pão da Vida – o Faminto.
234. Ela fazia tudo como dizia: “Devemos mantê-Lo continuamente nos nossos corações e nas nossas mentes”.
235. Só quando percebemos o nosso nada, o nosso nada, o nosso vazio, é que Deus pode nos encher com Ele mesmo. Quando nos tornamos cheios de Deus então podemos dar Deus aos outros, porque da plenitude do coração fala a boca.
236. … Quero amar Jesus com o amor de Maria, e ao Pai com o amor de Jesus.
237. Tire os seus olhos de si mesmo e alegre-se por não ter nada – por não ser nada – por não poder fazer nada. Dê a Jesus um grande sorriso – cada vez que o seu nada o assustar.
238. Esta é a pobreza de Jesus. O senhor e eu devemos permitir-Lhe viver em nós e através de nós no mundo.
239. Agarre-se a Nossa Senhora – pois ela também – antes de poder se tornar cheia de graça – cheia de Jesus – teve que passar por essa escuridão. “Como pode ser isso?” – Mas no momento em que disse “Sim”, teve necessidade de ir apressadamente dar Jesus a João e à família dele.
Continue dando Jesus ao seu povo não pelas palavras, mas pelo seu exemplo – por estar enamorado de Jesus – por irradiar a santidade Dele e espalhar Sua fragrância de amor onde quer que o senhor vá.
Apenas mantenha a alegria de Jesus como sua força. Seja feliz e esteja em paz. Aceite tudo aquilo que Ele der – e dê tudo aquilo que Ele tirar com um grande sorriso. – O senhor pertence a Ele – diga-Lhe sou Teu e se me cortares em pedaços, cada um desses pedaços será somente e todo Teu.
240. Mantenha a luz, Jesus, acesa em você com o óleo de sua vida. As dores que você tem nas costas – a pobreza que sente são gotas de óleo que mantêm a luz, Jesus, acesa e afastam a escuridão do pecado – onde quer você vá. Não faça nada que leve a aumentar a dor – mas aceite com um grande sorriso o pouco que Ele lhe dá com grande amor.
241. A impressão que eu tinha era a de que estava lidando com uma mulher que, de alguma forma, via Deus e sentia Deus no sofrimento dos pobres, uma mulher que tinha uma fé imensa na luz e na escuridão.
242. … Isso é a santidade – fazer a vontade Dele com um grande sorriso.
243. Ainda bem que a Cruz nos leva ao Calvário e não a uma sala de estar. – A Cruz – o Calvário foi muito real durante algum tempo.
244. Jesus deu-me uma graça muito grande – aceitar tudo com um grande sorriso.
245. – Começo a aprender mais e mais porque Jesus quer que aprendamos com Ele a ser mansos e humildes de coração. Porque sem a mansidão nunca seremos capazes de aceitar os outros nem de amar os outros como Ele ama. – Então, antes de aprendermos a humildade, sem a qual não podemos amar a Deus – temos que aprender a amar-nos uns aos outros. Precisamos da mansidão e da humildade para poder comer o Pão da Vida.
246. … Peço-Lhe que diga a Jesus – quando pelas suas palavras o Pão se transforma no Seu Corpo e o vinho se transforma no Seu Sangue – que mude o meu coração – que me dê o Seu próprio Coração – para que eu possa amá-Lo como Ele me ama.
247. – Eu devo ser capaz de dar só Jesus ao mundo. As pessoas estão famintas de Deus. Que encontro terrível teríamos com o próximo se apenas lhe déssemos a nós mesmos.
248. “Os nossos sofrimentos, suportados como devem sê-lo, são, pois, como dissemos, beijos dados ao nosso Jesus Crucificado. Mas o sofrimento também é o beijo de Jesus Crucificado em nossa alma. As almas comuns nada mais costumam ver no sofrimento do que um castigo de Deus, uma prova da Sua injustiça ou do Seu desagrado. A alma generosa, pelo contrário, encontra no sofrimento uma prova do amor de Deus por ela, não vendo a cruz despida, mas vendo Jesus Crucificado nela, Jesus que a abraça com amor e que dela, espera, em troca, um assentimento generoso e amoroso. … A mim, a única coisa que me faz sofrer é Cruz de Jesus. Os beijos de Jesus à minha alma – por muito estranho que isso possa parecer – são os numerosos sofrimentos minúsculos da minha vida diária”.
249. A dor, o sofrimento, a solidão são “um beijo de Jesus” – um sinal de que você chegou tão perto de Jesus que Ele pode beijá-la.
250. O sofrimento, a dor, o fracasso – nada mais são do que um beijo de Jesus, um sinal de que você chegou tão perto de Jesus na Cruz que Ele pode beijá-la(lo).
251. Maior amor nem sequer Deus poderia dar do que o de entregar a Si Mesmo como o Pão da Vida.
252. A grandeza da humildade de Deus. Realmente não há amor maior – amor maior do que o amor de Cristo. – Estou certa de que o senhor deve sentir com freqüência o mesmo quando – às suas palavras – nas suas mãos – o pão se transforma no Sangue de Cristo. – Que grande deve ser o seu amor por Cristo. – Não há amor maior – do que o amor do sacerdote por Cristo seu Senhor e seu Deus.
253. “Não temos o direito de recusar nossa vida aos outros, nos quais contatamos com Cristo”.
254. “Ela nunca pensava em si própria, mas sempre pensava nos outros. ‘Deixem que as pessoas a devorem’. A Madre viveu essa frase plenamente até ao final de sua vida”.
255. Sim, quero ser pobre como Jesus – que sendo rico se fez pobre por amor a nós. … Não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim.
256. “Estou Crucificado com Cristo! Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé do Filho de Deus, que me amou e Se entregou por mim”, escreveu São Paulo, em palavras que descrevem, apropriadamente, a realidade da união de Madre Teresa com Deus: Cristo estava, de fato, vivendo e agindo nela, espalhando o Seu amor pelo mundo.
257. – Que Jesus faça o que quiser sem me consultar, porque eu pertenço a Ele.
258. Como podia sofrer tanto e não se quebrar, ela que olhava e escutava, mas nem via nem ouvia Aquele que procurava? Apenas havia silêncio e escuridão para tornar a sua escuridão dolorosa e assustadora. No entanto, apesar de se sentir, “indefesa”, era verdadeiramente “ousada”, porque estava mais decidida do que nunca a dar-Lhe “toda a liberdade”.
259. A Madre sempre nos disse: “Deus ama a quem dá com alegria. Se não vamos às pessoas com uma cara alegre, apenas aumentamos sua escuridão e suas misérias e suas aflições

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