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Sede de poder e deslealdade são incompatíveis com o serviço

Terça-feira, 8 de novembro de 2016, Da Redação, com Rádio Vaticano

Santo Padre reiterou na Missa de hoje que não se pode servir Deus e o mundo

Para servir bem o Senhor, não se pode ser desleal nem buscar o poder. Essa é a síntese da homilia do Papa Francisco na Missa celebrada nesta terça-feira, 8, na Casa Santa Marta. O Pontífice reiterou que não se pode servir Deus e o mundo.

“Somos servos inúteis”, disse o Papa, reiterando que “todo verdadeiro discípulo do Senhor deve repetir esta afirmação repetir a si mesmo”. Mas quais são, questiona o Papa, os obstáculos que impedem de servir o Senhor com liberdade? São muitos, constata com amargura, e um é a sede de poder.

“Quantas vezes vimos, até em nossas casas: ‘aqui sou eu que comando!’. E quantas vezes, sem dizê-lo, fizemos ouvir aos outros ‘que aqui eu comando’, não? Mostrar isso… A sede de poder… E Jesus nos ensinou que aquele que comanda se torna como aquele que serve. Ou se alguém quiser ser o primeiro, seja servidor de todos. Jesus reverte os valores da mundanidade, do mundo. E este desejo de poder não é o caminho para se tornar um servo do Senhor, ao contrário: é um obstáculo, um destes obstáculos que rezamos ao Senhor para que afaste de nós”.

Não à deslealdade de quem quer servir Deus e o dinheiro

O outro obstáculo, segundo o Papa, se verifica também na vida da Igreja e é a deslealdade. Isto acontece quando alguém quer servir o Senhor enquanto serve outras coisas que não são o Senhor.

“O Senhor nos disse que nenhum serviço pode ter dois patrões. Ou serve Deus ou serve o dinheiro. Foi Jesus que o disse. E este é um obstáculo: a deslealdade; que não é o mesmo de ser pecador. Todos somos pecadores e nos arrependemos disso, mas ser desleais é fazer jogo duplo, não? Jogar à direita e à esquerda, jogar com Deus e jogar com o mundo, não? Isto é um obstáculo. Aquele que tem sede de poder e aquele que é desleal dificilmente podem servir ou serem servos livres do Senhor”.

Estes obstáculos, a sede de poder e a deslealdade, retomou Francisco, tiram a paz e causam um tremor no coração que não deixa em paz, mas sempre ansioso. E isto leva a viver na tensão da vaidade mundana, viver para aparecer.

Quanta gente vive somente para ser vitrina, ponderou o Papa, para aparecer, para que digam: ‘Ah, como ele é bom…’, tudo pela fama. Fama mundana”. E assim não se pode servir o Senhor”. Por isso, acrescentou o Santo Padre, “pedimos ao Senhor para remover os obstáculos para que com serenidade, seja do corpo, seja do espírito, possamos dedicar-nos livremente ao seu serviço”.

“O serviço de Deus é livre: nós somos filhos, não escravos. E servir Deus em paz, com serenidade, quando Ele mesmo tirou de nós os obstáculos que tiram a paz e serenidade, é servi-Lo com a liberdade. E quando servimos o Senhor com liberdade, sentimos a paz ainda mais profunda, não é verdade? Da voz do Senhor: ‘Oh, vem, vem, vem, servo bom e fiel’. E todos nós queremos servir o Senhor com bondade e fidelidade, mas precisamos de sua graça: sozinhos não podemos. E por isso, pedir sempre esta graça, que seja Ele a remover esses obstáculos, que seja Ele a nos dar essa serenidade, essa paz do coração para servi-Lo livremente, não como escravos: mas como filhos”.

“Liberdade no serviço”. Francisco evidencia, assim, que também quando o serviço é livre, deve-se repetir que “somos servos inúteis” conscientes de que sozinhos não se pode fazer nada. “Somente devemos pedir e dar espaço para que Ele faça em nós, e Ele nos transforme em servos livres, em filhos, não em escravos. Que o Senhor nos ajude a abrir o coração e deixar trabalhar o Espírito Santo, para que remova de nós esses obstáculos, especialmente o desejo de poder que faz tanto mal, e a deslealdade, a dupla face de querer servir Deus e o mundo. E assim nos dê essa serenidade, essa paz para poder servi-Lo como filho livre, que no final, com muito amor, Lhe diz: ‘Pai, obrigado, mas o Senhor sabe: eu sou um servo inútil”.

Seguir exemplo de Maria: caminhar com Deus

Natividade de Nossa Senhora

Segunda-feira, 8 de setembro de 2014, Da Redação, com Rádio Vaticano

Francisco ressaltou que o homem não faz seu caminho sozinho, pois Deus optou por caminhar com ele ao longo da história

“Olhando para a história de Maria, perguntemos se deixamos que Deus caminhe conosco”. Esta foi a reflexão proposta pelo Papa Francisco na Missa desta segunda-feira, 8, na Casa Santa Marta, no dia em que a Igreja celebra a Natividade de Nossa Senhora. O Pontífice destacou que Deus está nas coisas grandes, mas também nas pequenas e tem paciência de caminhar com o ser humano, mesmo se este é pecador.

Na homilia, Francisco falou da Criação e do caminho que Deus faz com o homem na história. Ao ler o livro do Gênesis, há o perigo de pensar em Deus como um “mágico” que fazia as coisas com uma “varinha mágica”. Porém, advertiu o Papa, não foi assim, pois Deus fez as coisas e as deixou andar conforme leis internas; deu ao universo autonomia, mas não independência.

“Porque Deus não é um mágico, é criador! Quando, no sexto dia, daquela história, chega à criação do homem dá uma outra autonomia, um pouco diversa, mas não independente: uma autonomia que é a liberdade. E diz ao homem para seguir adiante na história, faz dele o responsável pela criação, também para que a levasse adiante e, assim, chegasse à plenitude dos tempos. E qual era a plenitude dos tempos? Aquilo que Ele tinha no coração: a chegada do seu Filho”.

Deus predestinou todos a serem conforme a imagem do seu Filho e este é o caminho da humanidade, explicou o Santo Padre. Ele dirigiu o pensamento, então, para o Evangelho do dia, que fala da genealogia de Jesus. Trata-se de um elenco que conta com santos e pecadores, mas de toda forma a história segue adiante porque Deus quis que os homens fossem livres. Quando o homem usou mal a sua liberdade, Deus o expulsou do Paraíso, mas fez uma promessa e, com isso, o homem pôde sair do Paraíso com esperança.

“O homem não faz seu caminho sozinho: Deus caminha com ele. Porque Deus fez uma opção: optou pelo tempo, não pelo momento. É o Deus do tempo, é o Deus da história, é o Deus que caminha com os seus filhos, caminha com justos e pecadores”.

Ao mesmo tempo em que é grande, Deus está também nas coisas pequenas e caminha com cada um com paciência, disse Francisco. E assim, chega-se a Maria, pequena, santa, escolhida para se tornar a Mãe de Deus.

“Hoje podemos olhar para Nossa Senhora e nos perguntarmos: ‘Como eu caminho na minha história? Deixo que Deus caminhe comigo ou quero caminhar sozinho? Deixo que Ele me ajude, me perdoe, me leve adiante para chegar ao encontro com Jesus Cristo?’ Este será o fim do nosso caminho: encontramo-nos com o Senhor. (…) E assim podemos louvar o Senhor e pedir humildemente que nos dê a paz, aquela paz do coração que somente Ele pode nos dar, que somente nos dá quando deixamos que Ele caminhe conosco”.

O que é a castidade?

Defendendo um tesouro

Se você tivesse um grande tesouro, e ele estivesse sob o risco de ser roubado, o que você faria?

Começo esse texto chamando a atenção do leitor para que ele não confunda castidade com celibato. Esse é a continência sexual vivida pela causa do Reino de Deus. Já castidade é uma virtude que pode ser vivida em qualquer estado de vida, ou seja, como solteiro, casado e, inclusive, celibatário, religioso e padre.

Esclarecido isso, entramos na questão. Se você tivesse um grande tesouro, e ele estivesse sob o risco de ser roubado, o que você faria? Com certeza, você o protegeria da melhor maneira possível. Aliás, hoje em dia, os bancos existem para isso. E qual é seu maior tesouro? É a capacidade de amar, ou seja, o dom de dar e receber amor. Essa é a grandeza suprema do ser humano. A liberdade tem seu sentido mais profundo quando somos capazes de exercer esse dom do amor.

“A castidade é a energia espiritual que sabe defender o amor dos perigos do egoísmo e da agressividade, sabe promovê-lo para a sua mais plena realização” 1. A castidade, então, é a proteção, a defesa de nosso maior tesouro: o amor. Assim, a virtude da castidade não pode ser “entendida como uma virtude repressiva, mas, pelo contrário, como a transparência e, ao mesmo tempo, a guarda de um dom recebido, precioso e rico, o dom do amor, em vista do dom de si que se realiza na vocação específica de cada um” 2.

A capacidade de amar do ser humano vem do fato de Deus nos ter feito à Sua imagem e semelhança. “‘Deus é amor’ (1Jo 4,8) e vive em si mesmo um mistério de comunhão pessoal de amor. Criando-a à sua imagem, Ele inscreve na humanidade do homem e da mulher a vocação, e, assim, a capacidade e a responsabilidade do amor e da comunhão. O amor é, portanto, a fundamental e originária vocação do ser humano”. Assim, o ser humano, criado à imagem e semelhança de Deus, é “capaz de um tipo de amor superior: não o amor da concupiscência, que vê só objetos com que satisfazer os próprios apetites, mas o amor de amizade e oblatividade, capaz de reconhecer e amar as pessoas por si mesmas”4.

Essa capacidade de amar se manifesta em nossa vida através da nossa sexualidade e afetividade. Contudo, pelo pecado original, nossa capacidade de amar ficou deformada pelo egoísmo e pela busca de satisfação própria (prazer), por um amor desordenado e irracional por si mesmo. Essas marcas nos impedem de viver o amor livre e puro. É justamente aí que entra a castidade: ela nos educa e liberta, devolvendo-nos a capacidade de amar livremente a Deus e aos homens com toda plenitude do nosso ser. Ordena toda a dinâmica da nossa afetividade e sexualidade para Deus, limpando-as dos desvios e da desordem do pecado (amor centrado em si mesmo: egoísmo e busca da própria satisfação – prazer) para que possamos viver o amor na sua dimensão mais pura e sublime que é a caridade: ofertar-se inteiramente para o bem do outro.

Referências Bibliográficas
1- São João Paulo II, Exortação Apostólica Familiaris Consortio, n. 33
2- Conselho Pontifício para a Família, Sexualidade Humana: Verdade e Significado, n. 4.
3- São João Paulo II, Exortação Apostólica Familiaris Consortio, n. 11
4- Conselho Pontifício para a Família, Sexualidade Humana: Verdade e Significado, n. 9.

André L. Botelho de Andrade é casado e pai de três filhos. Com formação em Teologia e Filosofia Tomista, Andrade é fundador e moderador geral da comunidade católica Pantokrator, à qual se dedica integralmente. http://www.pantokrator.org.br Contato: http://facebook.com/andreluisbotelhodeandrade

Santo Agostinho de Hipona

“A Lei foi dada para que se implore a graça; a graça foi dada para que se observe a lei.” [ Santo Agostinho de Hipona ]

“Bem como a verdade se produz pela medida, também a medida se produz pela verdade.” [ Santo Agostinho de Hipona ]

“Bem como toda carência é desgraça, toda desgraça é carência.” [ Santo Agostinho de Hipona ]

“A razão não se submeteria nunca, se não se julgasse que há ocasiões em que deve submeter-se.” [ Santo Agostinho de Hipona ]

“Quem toma bens dos pobres é um assassino da caridade. Quem a eles ajuda, é um virtuoso da justiça.” [ Santo Agostinho de Hipona ]

“A ociosidade caminha com lentidão, por isso todos os vícios a atingem.” [ Santo Agostinho  ]

“Existirá a verdade ainda que o mundo pereça.” [ Santo Agostinho de Hipona ]

“No Céu dizem Aleluia, porque na Terra disseram Amém.” [ Santo Agostinho ]

“A necessidade não conhece leis.” [ Santo Agostinho de Hipona ]

“A mesma debilidade de Deus procede de sua onipotência.” [ Santo Agostinho ]

“Deus, que te criou sem ti, não te salvará sem ti.” [ Santo Agostinho de Hipona ]

“Que é, pois o tempo? Se ninguém me pergunta, eu sei; se quero explicá-lo a quem me pede, não sei.” [ Santo Agostinho de Hipona ]

“Ninguém pode ser perfeitamente livre até que todos o sejam.” [ Santo Agostinho de Hipona ]

“Não há riqueza mais perigosa do que uma pobreza presunçosa.” [ Santo Agostinho de Hipona ]

“Convém matar o erro, porém salvar aos que vão errados.” [ Santo Agostinho de Hipona ]

“Pensa em tudo o que crê. Porque a fé, se não se pensa no que crê, é nula.”  [ Santo Agostinho de Hipona ]

“Uma coisa é ter percorrido mais o caminho e outra ter caminhado mais devagar.” [ Santo Agostinho de Hipona ]

“O mundo não foi feito no tempo, mas sim com o tempo.” [ Santo Agostinho de Hipona ]

“No jardim da Igreja se cultivam: As rosas dos mártires, os lírios das virgens, as rosas dos casados, as violetas das viúvas.” [ Santo Agostinho de Hipona ]

“Amai a esta Igreja, permanecei nesta Igreja, é de vocês esta Igreja.” [ Santo Agostinho de Hipona ]

“A alma desordenada leva em sua culpa a pena.” [ Santo Agostinho de Hipona ]

“Não teve tempo algum em que não tivesse tempo.” [ Santo Agostinho de Hipona ]

“Nas coisas necessárias, a unidade; nas duvidosas, a liberdade; e em todas, a caridade.” [ Santo Agostinho de Hipona ]

“Quando estiver em Roma, comporta-te como os romanos.” [ Santo Agostinho de Hipona ]

“Uma virtude simulada é uma impiedade duplicada: à  malícia une-se a falsidade.”  [ Santo Agostinho de Hipona ]

“O homem não reza para dar a Deus uma orientação, mas para orientar-se devidamente a si mesmo.” [ Santo Agostinho de Hipona ]

“Creio para compreender, e compreendo para crer melhor.” [ Santo Agostinho de Hipona ]

“Não se chega à verdade senão através do amor.” [ Santo Agostinho de Hipona ]

“Dai-me o que mandas e manda-me o que queiras de mim.” [ Santo Agostinho de Hipona ]

“Os homens estão sempre dispostos a vasculhar e averiguar sobre as vidas alheias, mas lhes dá preguiça conhecer-se a si mesmos e corrigir sua própria vida.” [ Santo Agostinho de Hipona ]

“Se somos arrastados para Cristo, cremos sem querer; usa-se então a violência, não a liberdade.” [ Santo Agostinho de Hipona ]

“O que mais Deus odeia depois do pecado é a tristeza, porque nos predispõe ao pecado.” [ Santo Agostinho de Hipona ]

“A oração é o encontro da sede de Deus e da sede do homem.” [ Santo Agostinho de Hipona ]

“Aprova aos bons, tolera os maus e ama a todos.” [ Santo Agostinho de Hipona ]

“É melhor coxear pelo caminho do que avançar a grandes passos fora dele. Pois quem coxea no caminho, ainda que avance pouco, atem-se à meta,enquanto quem vai fora dele, quanto mais corre, mais se afasta.” [ Santo Agostinho de Hipona ]

“Casar-se está bem. Não se casar está melhor.” [ Santo Agostinho de Hipona ]

“Ninguém nega a Deus, senão aquele a quem lhe convém que Deus não exista.”  [ Santo Agostinho de Hipona ]

“O passado já não é mais e o futuro não é ainda.” [  Santo Agostinho de Hipona ]  “A sabedoria não é outra coisa senão a medida do espírito, isto é, a que nivela ao espírito para que não se extrapole nem se estreite.” [ Santo Agostinho de Hipona ]

“Obedecei mais aos que ensinam do que aos que mandam.” [ Santo Agostinho de Hipona ]

“A soberba não é grandeza mas sim inchaço; e o que está inchado parece grande mas não está são.” [ Santo Agostinho de Hipona ]

“Não vás para fora, volta a ti mesmo. No homem interior habita a verdade.”  [ Santo Agostinho de Hipona ]

“Se duvido, se me alucino, vivo. Se me engano, existo. Como enganar-me ao afirmar que existo, se tenho que existir para enganar-me?” [ Santo Agostinho de Hipona ]

“Uma vez ao ano é lícito fazer loucuras.” [ Santo Agostinho de Hipona ]

“Dá o que tens para que mereças receber o que te falta.” [ Santo Agostinho de Hipona ]

“Quando rezamos falamos com Deus, mas quando lemos é Deus quem fala conosco.” [ Santo Agostinho de Hipona ]

“Quanto melhor é o bom, tanto mais incômodo é para o mau.” [ Santo Agostinho de Hipona ]

“Onde não há caridade não pode haver justiça.” [ Santo Agostinho de Hipona ]

“As lágrimas são o sangue do alma.” [ Santo Agostinho de Hipona ]

“Quem não teve atribulações para suportar, é porque não começou a ser cristão para valer.” [ Santo Agostinho de Hipona ]

“Conhece-te, aceita-te, supera-te.” [ Santo Agostinho de Hipona ]

“Deus não manda coisas impossíveis, mas sim, ao mandar o que manda, convida-te a fazer o que possas e pedir o que não possas e te ajuda para que possas.” [ Santo Agostinho de Hipona ]

“Se queres conhecer a uma pessoa, não lhe perguntes o que pensa mas sim o que ela ama.” [ Santo Agostinho de Hipona ]

“Aquele que não tem ciúmes não está apaixonado.” [ Santo Agostinho de Hipona ]

“Se precisas uma mão, recorda que eu tenho duas.” [ Santo Agostinho de Hipona ]

Descobriu sua vocação após pergunta de amigo agnóstico e agora é sacerdote

https://www.acidigital.com/noticias/descobriu-sua-vocacao-apos-pergunta-de-amigo-agnostico-e-agora-e-sacerdote-51060

Ordenação de Pe. Juan Pablo Aroztegi pelo Bispo de San Sebastián, Dom José Ignacio Munilla. Foto: Diocese de San Sebastián

San Sebastián, 06 Jul. 18 / 10:00 am (ACI).- Pe. Juan Pablo Aroztegi foi ordenado sacerdote no dia 2 de julho pelo Bispo de San Sebastián (Espanha), Dom José Ignacio Munilla, na catedral do Bom Pastor. O novo presbítero tem 35 anos, é engenheiro industrial e agora também é o sacerdote mais jovem da diocese.

Segundo relataram diversos meios de comunicação locais, Pe. Juan Aroztegi começou a discernir sua vocação depois que um amigo agnóstico lhe perguntou por que era cristão.

Até então, não tinha se questionado por que seguia Jesus Cristo, nem o que queria fazer de sua vida. Na época, trabalhava em uma empresa de software livre em Pamplona (Espanha), mas, depois de uma profunda reflexão, decidiu ingressar no seminário.

Quando Pe. Juan Pablo decidiu entrar no seminário, em um dos “maiores momentos de liberdade” de sua vida, e comunicou ao amigo que tinha lhe feito essas perguntas que mudaram sua vida, este o respondeu que esperava por isso.

“Os teus amigos te conhecem e podem intuir as tuas decisões. É irônico que um amigo agnóstico tenha me feito questionar minha vida cristã e minha vocação”, afirmou.

E, embora a maioria de seus amigos não sejam crentes, Pe. Juan Pablo assegura que têm “muito respeito”, por isso, alguns foram à Missa de ordenação sacerdotal no último domingo.

“As conversas que tive com alguns deles para comunicar sobre minha decisão foi um dos momentos mais bonitos da minha vida. Eu me senti livre e me mostrei como sou. Falamos de temas importantes que nunca havíamos tratado antes”, recordou.

Pe. Aroztegi explicou ao ‘Diario Vasco’ que nos dias antes da ordenação estava “tranquilo e emocionado”, porque “o que a princípio era como uma chama de fogo dentro de mim, pequena mas da qual não podia duvidar, durante esses anos foi ganhando força. Chego [à ordenação] sereno, porque me sinto muito livre. E, ao mesmo tempo, a emoção é grande. Estou emocionado por tudo o que significa e porque poderei me dar totalmente àquilo ao qual me sinto chamado”.

Segundo afirmou, sua família se surpreendeu quando contou sua decisão, embora sempre tivesse vivido a fé “de uma maneira muito natural”.

“ia à Missa aos domingos com eles [sua família]. Claro que durante a minha juventude e adolescência, não via o sacerdócio para minha vida, pensava que meu futuro era o de formar uma família. Mas, a vida dá muitas voltas”, afirma.

Segundo declarações ao ‘Diario Vasco’, este jovem sacerdote assegurou que gosta de “estar aberto às surpresas da vida. Quem me diria com 15 ou 22 anos que ia acabar sendo sacerdote, nem me passava pela cabeça. Sem dúvidas, as melhores coisas que aconteceram na minha vida foram inesperadas. Nesse sentido, hoje estou ansioso por tudo o que me espera na vida sacerdotal. Sinceramente, espero uma vida intensa e apaixonante, com momentos bons e outros de cruz e sofrimento, como em qualquer outro caminho na vida”.

Além disso, indicou que gostaria de seguir o exemplo de alguns sacerdotes que foram importantes em sua vida.

“Admiro os [sacerdotes] que não buscam ter êxito nem aplausos, mas ajudar a quem precisa sem que ninguém saiba. Atrai-me o sacerdote que é humilde em todos os sentidos, o que vê a si mesmo como um cristãos a mais, um discípulo de Jesus que está a caminho como qualquer outro. O que é um homem de Deus, reza por seu povo e não busca nada mais do que as coisas de Deus. E, sobretudo, atrai-me o sacerdote que cria unidade, que sabe estar com os demais”, assegurou.

Explicou ainda que um dos desafios do sacerdote de hoje é “formar comunidades cristãs nas quais se possa viver a grandeza da vida em Cristo”. Para isso, incentiva a “ir ao essencial, ao que importa na vida, a amar e ser amados”. E afirmou que se o cristianismo é vivido com autenticidade, “é verdadeiramente atrativo”.

Meu corpo, regras de Deus

http://blog.cancaonova.com/diarioespiritual/2015/12/04/meu-corpo-regras-de-deus/

Os pagãos gritam: ‘meu corpo, minhas regras’ para eles, tudo é permitido. Mas os cristãos seguem outras regras. E cantam com a vida ‘meu corpo, regras de Deus.’

Meu corpo, regras de Deus

“Porventura ignorais que vossos corpos são membros de Cristo? Poderia eu fazer dos membros de Cristo, membros de uma prostituta?! De modo algum!”

É uma atitude heroica da parte dos cristãos diante de tão grande apelo moral à libertinagem a devassidão. Os Coríntios tinham um ditado: ‘A mim, tudo é permitido’ e com isso, misturavam sua fé aos costumes pagãos de libertinagem e devassidão, sem contar as outras atitudes reprováveis próprias de quem ainda não conheceu Jesus Cristo e vive entregue às próprias paixões. Entre eles, cada qual faz de seu corpo suas próprias regras e se considera livre por agir assim sem reprovação moral, mas aquele que foi lavado, resgatado, salvo pelo nome e pelo precioso sangue de Jesus Cristo, se tornou com ele um só corpo. Corpo santo que não pode ser maculado por causa dos nossos pecados. Aos cristãos, nem tudo convém… Por isso cantamos uma canção de amor e gratidão a Deus: meu corpo, regras de Deus! Porque já não sou eu quem vivo, é Cristo que vive em mim (Gl 2, 20).

Diante de tantos apelos, a nossa fé precisa ser cada vez mais marcada pelo amor genuíno intenso e verdadeiro que só Deus tem para nos dar gratuitamente. Assim, banhados neste amor estaremos fortalecidos para resistir à corrupção da carne e do Espírito pois em nossos corpos experimentamos um amor que está acima de todas as paixões desordenadas. Cada estado de vida pode experimentar esse amor de Deus banhando seu modo de amar humano em plena castidade e liberdade dentro de seu estado de vida abençoado por Deus. Amor que os que se entregam à devassidão sequer imaginam, mas buscam nas paixões ávida e inutilmente.

Leia o trecho em I Cor 6, 12-20

Na Bíblia cnbb página 1404-1405

Título: Liberdade cristã e libertinagem

Promessas

I Cor 6, 14

“E Deus, que ressuscitou o Senhor, nos ressuscitará também a nós, pelo seu poder.”

Ordens

I Cor 6, 18.20b

“Fugi da devassidão.”

“Então, glorificai a Deus no vosso corpo.”

Princípios Eternos

I Cor 6, 12-13.15-17.18b-20A

“A mim tudo é permitido, mas nem tudo me convém. A mim tudo é permitido, mas não me deixarei dominar por coisa alguma. Os alimentos são para o estômago e o estômago para os alimentos. Mas Deus destruirá uns e outros. O corpo, porém, não é para a prostituição, ele é para o Senhor, e o Senhor é para o corpo.”

“Porventura ignorais que vossos corpos são membros de Cristo? Poderia eu fazer dos membros de Cristo, membros de uma prostituta?! De modo algum! Não sabeis que aquele que se une a uma prostituta torna-se com ela um só corpo? Pois está escrito: ‘os dois serão uma só carne.’ Mas quem adere ao Senhor, torna-se com ele um só espírito.”

“Em geral, todo pecado que uma pessoa venha a cometer é exterior ao seu corpo. Mas quem pratica imoralidade sexual peca contra seu próprio corpo. Acaso ignorais que vosso corpo é templo do Espírito Santo que mora em vós e que recebestes de Deus? Ignorais que não pertenceis a vós mesmos? De fato, fostes comprados por preço muito alto!”

Qual a mensagem de Deus para mim hoje?

Glorificai a Deus com vosso corpo. Fugi da devassidão.

Como posso pôr isso em prática?

Buscando sempre mais fugir das ocasiões de pecado e procurando desenvolver as virtudes, sobretudo a castidade.

A primeira vitória de um homem é nascer

O homem tem o valor que dá a si próprio

Havia, na Índia, um sábio que era assiduamente procurado. Certa vez, um jovem ousado quis testar a sabedoria do velho sábio. Pegou um passarinho vivo, escondeu-o atrás do corpo e apresentou-se diante do homem de cabelos brancos.

– O senhor é sábio mesmo?

– Dizem que eu sou.

– Então, me responda: o que eu tenho em minhas mãos?

– Deve ser um pássaro; jovens como você gostam muito de caçar os pássaros.

– É verdade, o senhor acertou, parece que é sábio mesmo. Mas me diga: o pássaro está vivo ou está morto?

O sábio agora estava numa situação difícil. Se ele dissesse que o passarinho estava morto, o jovem o soltaria a voar; se dissesse que estava vivo, o jovem o mataria em suas mãos sem que o sábio o notasse. Uma cilada de mestre!

– Então, senhor sábio, o passarinho está vivo ou está morto? Responda-me. O senhor não é sábio?

O velho abaixou a cabeça e pensou um pouco. Depois, respondeu ao jovem:

– Depende de você!

Pensativo e cabisbaixo, o jovem foi se afastando e, ao longe, olhando para o velho, soltou o passarinho.

Cada um de nós tem esse passarinho dentro de si. Podemos matá-lo ou deixá-lo viver, depende de nós e de ninguém mais, pois recebemos o dom mais precioso deste mundo que é a liberdade.

Esse pássaro de ouro, que é sua vida, criada à imagem e semelhança de Deus, está em nossas mãos.

A vida é sua e de mais ninguém. É o único dom que, de fato, é inteiramente seu. O resto é seu, mas está fora de você.

A primeira vitória de um homem foi ter nascido. Cada pessoa é uma palavra de Deus que não se repete. A verdadeira medida do homem está não no que ele possui, mas no que ele é.

Tagore, prêmio Nobel de literatura em 1913, disse que “cada criança, ao nascer, nos traz a mensagem de que Deus não perdeu ainda a esperança nos homens”.

O homem tem o valor que dá a si próprio.

(Extraído do livro “Para ser feliz” escrito pelo Professor Felipe Aquino)
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Identidade cristã vem do Espírito Santo

Terça-feira, 2 de setembro de 2014, Da Redação, com Rádio Vaticano

Francisco explicou que não é a sabedoria humana que faz a identidade do cristão: “Você pode ter cinco diplomas em teologia e não ter o Espírito de Deus”, disse

A autoridade do cristão vem do Espírito Santo, não da sabedoria humana ou das graduações em teologia, afirmou o Papa Francisco na Missa desta terça-feira, 2, na Casa Santa Marta. O Pontífice reiterou que a identidade cristã é ter o Espírito de Cristo, não o “espírito do mundo”.

O povo ficava maravilhado com os ensinamentos de Jesus porque a sua palavra tinha autoridade. Francisco partiu desse trecho do Evangelho do dia para se concentrar na natureza da autoridade do Senhor e, consequentemente, do cristão.

“Jesus não era um pregador comum, pois a sua autoridade vinha da unção especial do Espírito Santo (…) Jesus é o Filho do Deus ungido e enviado para trazer a salvação, a liberdade. Algumas pessoas se escandalizavam com este estilo de Jesus, a sua identidade e liberdade”.

Francisco propôs uma reflexão sobre a identidade do cristão, partindo do exemplo de São Paulo, que não pregava por ter estudado em alguma universidade, e sim por ter tido a sabedoria vinda do Espírito Santo.

“Essa sabedoria lhe foi ensinada pelo Espírito. Ele dizia coisas espirituais em termos espirituais… mas o homem, com suas forças, não compreende o Espírito de Deus: o homem sozinho não pode entender isso!”.

Segundo o Papa, sem entender as coisas do Espírito não se pode oferecer testemunho, não se tem uma identidade.  Já o cristão é uma pessoa que tem o pensamento de Cristo, ou seja, do Espírito Santo.

“Esta é a identidade cristã; não ter o espírito do mundo, com seu modo de pensar, seu modo de julgar… Você pode ter cinco diplomas em teologia e não ter o Espírito de Deus! Pode até ser um grande teólogo, mas não ser um cristão, porque não tem o Espírito de Deus, aquele que dá autoridade, que dá identidade, a unção do Espírito Santo”.

Era justamente por isso que o povo não gostava das pregações dos doutores da lei, explicou Francisco, pois estes falavam de teologia, mas não tocavam o coração. Com suas palavras, o povo não encontrava a própria identidade, porque eles não eram ungidos pelo Espírito Santo.

“A autoridade de Jesus – e a do cristão – provém justamente desta capacidade de entender as coisas do Espírito, de falar a mesma língua do Espírito. Vem da unção do Espírito Santo. Muitas vezes, vemos entre nossos fiéis velhinhas simples, que nem terminaram o ensino fundamental, mas que sabem dizer as coisas melhor do que um teólogo, porque têm o Espírito de Cristo, o que São Paulo possuía e que todos devemos pedir”.

Combate ao comunismo no Pontificado de São João Paulo II

Questões históricas

Papa polonês conheceu de perto regime comunista e procurou, ao longo de seu pontificado, promover a dignidade da pessoa humana

Jéssica Marçal, com colaboração de Jakeline D’Onofrio / Da Redação

Ao longo da história, Igreja Católica e comunismo andaram em lados opostos, já que a ideologia materialista fere princípios defendidos pela doutrina católica, como a liberdade humana. Esse contraste se manifestou de forma especial no pontificado de João Paulo II, um Papa polonês eleito enquanto o regime ainda estava em vigor.

João Paulo II conheceu de perto o regime comunista, tendo vivido nele por mais de três décadas. Para o arcebispo de Porto Nacional (TO), Dom Romualdo Matias Kujawski, isso influenciou o discurso do Papa em relação ao comunismo.

“Sem dúvida nenhuma, o conhecimento pessoal influenciou nos discursos que o Santo Padre fazia. (…) Ele tentou positivamente explicar o Evangelho e concretizar a dignidade da pessoa humana”.

Assim como João Paulo II, Dom Romualdo é polonês. Ele conta que o Papa sofreu com esse sistema pautado por uma ideologia ateia, que acaba oprimindo a pessoa. Dessa forma, o posicionamento do Papa polonês, bem como o da Igreja, sempre foi contrário ao regime. “Sempre aquela luta, aquela fala, por necessidade da liberdade da pessoa e também liberdade religiosa”.

O esforço de João Paulo II em disseminar os princípios da liberdade e do direito do homem revelaram-se em seus documentos. Como exemplo, pode-se citar sua primeira encíclica, Redemptoris Hominis, de 1979, com reflexões sobre a liberdade do homem, sua situação no mundo contemporâneo e seus direitos. Em outro documento, datado de 1981, Laborem Exercens, o Santo Padre reflete sobre o trabalho humano.

Essas e outras reflexões de João Paulo II foram tão marcantes e incidentes que se atribui a ele uma grande contribuição para o fim do regime comunista, o que ficou marcado definitivamente pela queda do Muro de Berlim em 1989.

Pouco tempo depois, em 1º de dezembro de 1989, aconteceu a audiência histórica entre João Paulo II e o líder da União Soviética, Mikhail Gorbachov, que foi recebido cordialmente pelo então Pontífice.

“A casa do Papa é, desde sempre, a casa comum para todos os representantes dos povos da Terra. Senhor presidente, seja também cordialmente bem-vindo”, disse João Paulo II a Gorbachov na ocasião.

Nesse encontro, também foi abordada a situação internacional e alguns problemas mais urgentes na época.  João Paulo II e Gorbachov também falaram do desenvolvimento de contatos recíprocos tanto para a solução de problemas da Igreja Católica na União Soviética quanto para promover um empenho comum em favor da paz e da colaboração no mundo.

“Esta colaboração é possível já que tem como objeto e sujeito o homem. De fato, ‘o homem é a via da Igreja’, como tive oportunidade de recordar desde o início do meu pontificado  (Redemptores Hominis, 14), acrescentou o Santo Padre.

Dom Romualdo destaca ainda que, em sua caminhada para anunciar o Evangelho, João Paulo II não adotou uma postura moralista, mas simplesmente queria oferecer a visão de Jesus. Não se tratava de uma ideologia, mas de uma consequência do Salvador que criou o ser humano para a felicidade, para a liberdade.

“João Paulo II continua me inspirando nos contextos das dificuldades, para não agir de impulso, mas exatamente refletir um pouquinho mais e agir a partir do que Jesus faria”, conclui Dom Romualdo.

“Liberdade e criatividade” para cuidar do “sonho” de Deus

Na Missa em São Pedro, para a abertura do Sínodo, o Papa Francisco invoca para os Padres sinodais “liberdade e criatividade” para cuidar do “sonho” de Deus

Com a Missa concelebrada neste domingo de manhã, na basílica de São Pedro, pelo Papa Francisco, com os Padres sinodais, foi inaugurada a III Assembleia geral extraordinária do Sínodo dos Bispos, que decorrerá no Vaticano ao longo de duas semanas, tendo como tema “Os desafios pastorais da família, no contexto da evangelização”.

Na homilia, comentando as Leituras deste domingo, Papa Francisco observou que a vinha do Senhor é o “sonho” de Deus, o projecto que Ele cultiva com todo o seu amor, como um agricultar cuida da videira, com todos os cuidados… O «sonho» de Deus é o seu povo: Ele plantou-o e cultiva-o, com amor paciente e fiel, para se tornar um povo santo, um povo que produza muitos e bons frutos de justiça.

E contudo, tanto na antiga profecia como na parábola de Jesus, o sonho de Deus fica frustrado. Isaías diz que a vinha, tão amada e cuidada, «produziu agraços”. E no Evangelho, são os agricultores que arruínam o projecto do Senhor: não trabalham para o Senhor, mas só pensam nos seus interesses. Jesus dirige-se aos sumos sacerdotes e aos anciãos do povo, isto é, aos «sábios», à classe dirigente. Foi a eles, de modo particular, que Deus confiou o seu «sonho», isto é, o seu povo, para que o cultivem, cuidem dele e o guardem dos animais selvagens. Esta é a tarefa dos líderes do povo: cultivar a vinha com liberdade, criatividade e diligência.

Mas Jesus diz que aqueles agricultores se apoderaram da vinha; pela sua ganância e soberba, querem fazer dela aquilo que lhes apetece e, assim, tiram a Deus a possibilidade de realizar o seu sonho a respeito do povo que Ele escolheu.

A tentação da ganância está sempre presente – advertiu o Papa. Ganância de dinheiro e de poder. E, para saciar esta ganância, os maus pastores carregam sobre os ombros do povo pesos insuportáveis, que eles próprios não põem nem um dedo para os deslocar.

Também nós somos chamados a trabalhar para a vinha do Senhor, no Sínodo dos Bispos. As assembleias sinodais não servem para discutir ideias bonitas e originais, nem para ver quem é mais inteligente… Servem para cultivar e guardar melhor a vinha do Senhor, para cooperar no seu sonho, no seu projecto de amor a respeito do seu povo.

No caso desta assembleia sinodal – recordou o Papa – o Senhor pede-nos para cuidarmos da família, que, desde os primórdios, é parte integrante do desígnio de amor que ele tem para a humanidade. Contudo, a nós também nos pode vir a tentação de «nos apoderarmos» da vinha, por causa da ganância que nunca falta em nós, seres humanos. O sonho de Deus sempre se embate com a hipocrisia de alguns dos seus servidores. Podemos «frustrar» o sonho de Deus, se não nos deixarmos guiar pelo Espírito Santo. O Espírito dá-nos a sabedoria, que supera a ciência, para trabalharmos generosamente com verdadeira liberdade e humilde criatividade.

Para cultivar e guardar bem a vinha – sublinhou Papa Francisco, a concluir a homilia, dirigindo-se aos “Irmãos sinodais” – é preciso que os nossos corações e as nossas mentes sejam guardados em Cristo Jesus pela «paz de Deus que ultrapassa toda a inteligência», como diz São Paulo (Flp 4, 7). Assim, os nossos pensamentos e os nossos projectos estarão de acordo com o sonho de Deus: formar para Si um povo santo que Lhe pertença e produza os frutos do Reino de Deus.

A primeira intenção da Oração dos Fiéis, em chinês, invocou de Deus, para os Padres Sinodais o dom da paz: “Que a paz de Deus, que vai para além de toda a inteligência, conserve os seus corações e as suas mentes em Cristo Jesus, Caminho, Verdade e Vida”. Em português, rezou-se pelos povos em guerra… Em swahili, língua africana, rezou-se por todas as famílias – Para que a consolação do Espírito Santo as apoie nas dificuldades da vida quotidiana e as ajude as não se angustiarem em nenhum caso.

Eis o texto integral da homilia pronunciada pelo Papa:

Nas leituras de hoje, é usada a imagem da vinha do Senhor tanto pelo profeta Isaías como pelo Evangelho. A vinha do Senhor é o seu «sonho», o projecto que Ele cultiva com todo o seu amor, como um agricultor cuida do seu vinhedo. A videira é uma planta que requer muitos cuidados! O «sonho» de Deus é o seu povo: Ele plantou-o e cultiva-o, com amor paciente e fiel, para se tornar um povo santo, um povo que produza muitos e bons frutos de justiça. Mas, tanto na antiga profecia como na parábola de Jesus, o sonho de Deus fica frustrado. Isaías diz que a vinha, tão amada e cuidada, «produziu agraços» (5, 2.4), enquanto Deus «esperava a justiça, e eis que só há injustiça; esperava a rectidão, e eis que só há lamentações» (5, 7). Por sua vez, no Evangelho, são os agricultores que arruínam o projecto do Senhor: não trabalham para o Senhor, mas só pensam nos seus interesses.

Através da sua parábola, Jesus dirige-se aos sumos sacerdotes e aos anciãos do povo, isto é, aos «sábios», à classe dirigente. Foi a eles, de modo particular, que Deus confiou o seu «sonho», isto é, o seu povo, para que o cultivem, cuidem dele e o guardem dos animais selvagens. Esta é a tarefa dos líderes do povo: cultivar a vinha com liberdade, criatividade e diligência. Mas Jesus diz que aqueles agricultores se apoderaram da vinha; pela sua ganância e soberba, querem fazer dela aquilo que lhes apetece e, assim, tiram a Deus a possibilidade de realizar o seu sonho a respeito do povo que Ele escolheu. A tentação da ganância está sempre presente. Encontramo-la também na grande profecia de Ezequiel sobre os pastores (cf. cap. 34), comentada por Santo Agostinho num famoso Discurso que lemos, ainda nestes dias, na Liturgia das Horas. Ganância de dinheiro e de poder. E, para saciar esta ganância, os maus pastores carregam sobre os ombros do povo pesos insuportáveis, que eles próprios não põem nem um dedo para os deslocar (cf. Mt 23, 4). Também nós somos chamados a trabalhar para a vinha do Senhor, no Sínodo dos Bispos. As assembleias sinodais não servem para discutir ideias bonitas e originais, nem para ver quem é mais inteligente… Servem para cultivar e guardar melhor a vinha do Senhor, para cooperar no seu sonho, no seu projecto de amor a respeito do seu povo. Neste caso, o Senhor pede-nos para cuidarmos da família, que, desde os primórdios, é parte integrante do desígnio de amor que ele tem para a humanidade. A nós também nos pode vir a tentação de «nos apoderarmos» da vinha, por causa da ganância que nunca falta em nós, seres humanos. O sonho de Deus sempre se embate com a hipocrisia de alguns dos seus servidores. Podemos «frustrar» o sonho de Deus, se não nos deixarmos guiar pelo Espírito Santo. O Espírito dá-nos a sabedoria, que supera a ciência, para trabalharmos generosamente com verdadeira liberdade e humilde criatividade.

Irmãos, para cultivar e guardar bem a vinha, é preciso que os nossos corações e as nossas mentes sejam guardados em Cristo Jesus pela «paz de Deus que ultrapassa toda a inteligência», como diz São Paulo (Flp 4, 7). Assim, os nossos pensamentos e os nossos projectos estarão de acordo com o sonho de Deus: formar para Si um povo santo que Lhe pertença e produza os frutos do Reino de Deus (cf. Mt 21, 43).

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