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Identidade cristã vem do Espírito Santo

Terça-feira, 2 de setembro de 2014, Da Redação, com Rádio Vaticano

Francisco explicou que não é a sabedoria humana que faz a identidade do cristão: “Você pode ter cinco diplomas em teologia e não ter o Espírito de Deus”, disse

A autoridade do cristão vem do Espírito Santo, não da sabedoria humana ou das graduações em teologia, afirmou o Papa Francisco na Missa desta terça-feira, 2, na Casa Santa Marta. O Pontífice reiterou que a identidade cristã é ter o Espírito de Cristo, não o “espírito do mundo”.

O povo ficava maravilhado com os ensinamentos de Jesus porque a sua palavra tinha autoridade. Francisco partiu desse trecho do Evangelho do dia para se concentrar na natureza da autoridade do Senhor e, consequentemente, do cristão.

“Jesus não era um pregador comum, pois a sua autoridade vinha da unção especial do Espírito Santo (…) Jesus é o Filho do Deus ungido e enviado para trazer a salvação, a liberdade. Algumas pessoas se escandalizavam com este estilo de Jesus, a sua identidade e liberdade”.

Francisco propôs uma reflexão sobre a identidade do cristão, partindo do exemplo de São Paulo, que não pregava por ter estudado em alguma universidade, e sim por ter tido a sabedoria vinda do Espírito Santo.

“Essa sabedoria lhe foi ensinada pelo Espírito. Ele dizia coisas espirituais em termos espirituais… mas o homem, com suas forças, não compreende o Espírito de Deus: o homem sozinho não pode entender isso!”.

Segundo o Papa, sem entender as coisas do Espírito não se pode oferecer testemunho, não se tem uma identidade.  Já o cristão é uma pessoa que tem o pensamento de Cristo, ou seja, do Espírito Santo.

“Esta é a identidade cristã; não ter o espírito do mundo, com seu modo de pensar, seu modo de julgar… Você pode ter cinco diplomas em teologia e não ter o Espírito de Deus! Pode até ser um grande teólogo, mas não ser um cristão, porque não tem o Espírito de Deus, aquele que dá autoridade, que dá identidade, a unção do Espírito Santo”.

Era justamente por isso que o povo não gostava das pregações dos doutores da lei, explicou Francisco, pois estes falavam de teologia, mas não tocavam o coração. Com suas palavras, o povo não encontrava a própria identidade, porque eles não eram ungidos pelo Espírito Santo.

“A autoridade de Jesus – e a do cristão – provém justamente desta capacidade de entender as coisas do Espírito, de falar a mesma língua do Espírito. Vem da unção do Espírito Santo. Muitas vezes, vemos entre nossos fiéis velhinhas simples, que nem terminaram o ensino fundamental, mas que sabem dizer as coisas melhor do que um teólogo, porque têm o Espírito de Cristo, o que São Paulo possuía e que todos devemos pedir”.

Combate ao comunismo no Pontificado de São João Paulo II

Questões históricas

Papa polonês conheceu de perto regime comunista e procurou, ao longo de seu pontificado, promover a dignidade da pessoa humana

Jéssica Marçal, com colaboração de Jakeline D’Onofrio / Da Redação

Ao longo da história, Igreja Católica e comunismo andaram em lados opostos, já que a ideologia materialista fere princípios defendidos pela doutrina católica, como a liberdade humana. Esse contraste se manifestou de forma especial no pontificado de João Paulo II, um Papa polonês eleito enquanto o regime ainda estava em vigor.

João Paulo II conheceu de perto o regime comunista, tendo vivido nele por mais de três décadas. Para o arcebispo de Porto Nacional (TO), Dom Romualdo Matias Kujawski, isso influenciou o discurso do Papa em relação ao comunismo.

“Sem dúvida nenhuma, o conhecimento pessoal influenciou nos discursos que o Santo Padre fazia. (…) Ele tentou positivamente explicar o Evangelho e concretizar a dignidade da pessoa humana”.

Assim como João Paulo II, Dom Romualdo é polonês. Ele conta que o Papa sofreu com esse sistema pautado por uma ideologia ateia, que acaba oprimindo a pessoa. Dessa forma, o posicionamento do Papa polonês, bem como o da Igreja, sempre foi contrário ao regime. “Sempre aquela luta, aquela fala, por necessidade da liberdade da pessoa e também liberdade religiosa”.

O esforço de João Paulo II em disseminar os princípios da liberdade e do direito do homem revelaram-se em seus documentos. Como exemplo, pode-se citar sua primeira encíclica, Redemptoris Hominis, de 1979, com reflexões sobre a liberdade do homem, sua situação no mundo contemporâneo e seus direitos. Em outro documento, datado de 1981, Laborem Exercens, o Santo Padre reflete sobre o trabalho humano.

Essas e outras reflexões de João Paulo II foram tão marcantes e incidentes que se atribui a ele uma grande contribuição para o fim do regime comunista, o que ficou marcado definitivamente pela queda do Muro de Berlim em 1989.

Pouco tempo depois, em 1º de dezembro de 1989, aconteceu a audiência histórica entre João Paulo II e o líder da União Soviética, Mikhail Gorbachov, que foi recebido cordialmente pelo então Pontífice.

“A casa do Papa é, desde sempre, a casa comum para todos os representantes dos povos da Terra. Senhor presidente, seja também cordialmente bem-vindo”, disse João Paulo II a Gorbachov na ocasião.

Nesse encontro, também foi abordada a situação internacional e alguns problemas mais urgentes na época.  João Paulo II e Gorbachov também falaram do desenvolvimento de contatos recíprocos tanto para a solução de problemas da Igreja Católica na União Soviética quanto para promover um empenho comum em favor da paz e da colaboração no mundo.

“Esta colaboração é possível já que tem como objeto e sujeito o homem. De fato, ‘o homem é a via da Igreja’, como tive oportunidade de recordar desde o início do meu pontificado  (Redemptores Hominis, 14), acrescentou o Santo Padre.

Dom Romualdo destaca ainda que, em sua caminhada para anunciar o Evangelho, João Paulo II não adotou uma postura moralista, mas simplesmente queria oferecer a visão de Jesus. Não se tratava de uma ideologia, mas de uma consequência do Salvador que criou o ser humano para a felicidade, para a liberdade.

“João Paulo II continua me inspirando nos contextos das dificuldades, para não agir de impulso, mas exatamente refletir um pouquinho mais e agir a partir do que Jesus faria”, conclui Dom Romualdo.

“Liberdade e criatividade” para cuidar do “sonho” de Deus

Na Missa em São Pedro, para a abertura do Sínodo, o Papa Francisco invoca para os Padres sinodais “liberdade e criatividade” para cuidar do “sonho” de Deus

Com a Missa concelebrada neste domingo de manhã, na basílica de São Pedro, pelo Papa Francisco, com os Padres sinodais, foi inaugurada a III Assembleia geral extraordinária do Sínodo dos Bispos, que decorrerá no Vaticano ao longo de duas semanas, tendo como tema “Os desafios pastorais da família, no contexto da evangelização”.

Na homilia, comentando as Leituras deste domingo, Papa Francisco observou que a vinha do Senhor é o “sonho” de Deus, o projecto que Ele cultiva com todo o seu amor, como um agricultar cuida da videira, com todos os cuidados… O «sonho» de Deus é o seu povo: Ele plantou-o e cultiva-o, com amor paciente e fiel, para se tornar um povo santo, um povo que produza muitos e bons frutos de justiça.

E contudo, tanto na antiga profecia como na parábola de Jesus, o sonho de Deus fica frustrado. Isaías diz que a vinha, tão amada e cuidada, «produziu agraços”. E no Evangelho, são os agricultores que arruínam o projecto do Senhor: não trabalham para o Senhor, mas só pensam nos seus interesses. Jesus dirige-se aos sumos sacerdotes e aos anciãos do povo, isto é, aos «sábios», à classe dirigente. Foi a eles, de modo particular, que Deus confiou o seu «sonho», isto é, o seu povo, para que o cultivem, cuidem dele e o guardem dos animais selvagens. Esta é a tarefa dos líderes do povo: cultivar a vinha com liberdade, criatividade e diligência.

Mas Jesus diz que aqueles agricultores se apoderaram da vinha; pela sua ganância e soberba, querem fazer dela aquilo que lhes apetece e, assim, tiram a Deus a possibilidade de realizar o seu sonho a respeito do povo que Ele escolheu.

A tentação da ganância está sempre presente – advertiu o Papa. Ganância de dinheiro e de poder. E, para saciar esta ganância, os maus pastores carregam sobre os ombros do povo pesos insuportáveis, que eles próprios não põem nem um dedo para os deslocar.

Também nós somos chamados a trabalhar para a vinha do Senhor, no Sínodo dos Bispos. As assembleias sinodais não servem para discutir ideias bonitas e originais, nem para ver quem é mais inteligente… Servem para cultivar e guardar melhor a vinha do Senhor, para cooperar no seu sonho, no seu projecto de amor a respeito do seu povo.

No caso desta assembleia sinodal – recordou o Papa – o Senhor pede-nos para cuidarmos da família, que, desde os primórdios, é parte integrante do desígnio de amor que ele tem para a humanidade. Contudo, a nós também nos pode vir a tentação de «nos apoderarmos» da vinha, por causa da ganância que nunca falta em nós, seres humanos. O sonho de Deus sempre se embate com a hipocrisia de alguns dos seus servidores. Podemos «frustrar» o sonho de Deus, se não nos deixarmos guiar pelo Espírito Santo. O Espírito dá-nos a sabedoria, que supera a ciência, para trabalharmos generosamente com verdadeira liberdade e humilde criatividade.

Para cultivar e guardar bem a vinha – sublinhou Papa Francisco, a concluir a homilia, dirigindo-se aos “Irmãos sinodais” – é preciso que os nossos corações e as nossas mentes sejam guardados em Cristo Jesus pela «paz de Deus que ultrapassa toda a inteligência», como diz São Paulo (Flp 4, 7). Assim, os nossos pensamentos e os nossos projectos estarão de acordo com o sonho de Deus: formar para Si um povo santo que Lhe pertença e produza os frutos do Reino de Deus.

A primeira intenção da Oração dos Fiéis, em chinês, invocou de Deus, para os Padres Sinodais o dom da paz: “Que a paz de Deus, que vai para além de toda a inteligência, conserve os seus corações e as suas mentes em Cristo Jesus, Caminho, Verdade e Vida”. Em português, rezou-se pelos povos em guerra… Em swahili, língua africana, rezou-se por todas as famílias – Para que a consolação do Espírito Santo as apoie nas dificuldades da vida quotidiana e as ajude as não se angustiarem em nenhum caso.

Eis o texto integral da homilia pronunciada pelo Papa:

Nas leituras de hoje, é usada a imagem da vinha do Senhor tanto pelo profeta Isaías como pelo Evangelho. A vinha do Senhor é o seu «sonho», o projecto que Ele cultiva com todo o seu amor, como um agricultor cuida do seu vinhedo. A videira é uma planta que requer muitos cuidados! O «sonho» de Deus é o seu povo: Ele plantou-o e cultiva-o, com amor paciente e fiel, para se tornar um povo santo, um povo que produza muitos e bons frutos de justiça. Mas, tanto na antiga profecia como na parábola de Jesus, o sonho de Deus fica frustrado. Isaías diz que a vinha, tão amada e cuidada, «produziu agraços» (5, 2.4), enquanto Deus «esperava a justiça, e eis que só há injustiça; esperava a rectidão, e eis que só há lamentações» (5, 7). Por sua vez, no Evangelho, são os agricultores que arruínam o projecto do Senhor: não trabalham para o Senhor, mas só pensam nos seus interesses.

Através da sua parábola, Jesus dirige-se aos sumos sacerdotes e aos anciãos do povo, isto é, aos «sábios», à classe dirigente. Foi a eles, de modo particular, que Deus confiou o seu «sonho», isto é, o seu povo, para que o cultivem, cuidem dele e o guardem dos animais selvagens. Esta é a tarefa dos líderes do povo: cultivar a vinha com liberdade, criatividade e diligência. Mas Jesus diz que aqueles agricultores se apoderaram da vinha; pela sua ganância e soberba, querem fazer dela aquilo que lhes apetece e, assim, tiram a Deus a possibilidade de realizar o seu sonho a respeito do povo que Ele escolheu. A tentação da ganância está sempre presente. Encontramo-la também na grande profecia de Ezequiel sobre os pastores (cf. cap. 34), comentada por Santo Agostinho num famoso Discurso que lemos, ainda nestes dias, na Liturgia das Horas. Ganância de dinheiro e de poder. E, para saciar esta ganância, os maus pastores carregam sobre os ombros do povo pesos insuportáveis, que eles próprios não põem nem um dedo para os deslocar (cf. Mt 23, 4). Também nós somos chamados a trabalhar para a vinha do Senhor, no Sínodo dos Bispos. As assembleias sinodais não servem para discutir ideias bonitas e originais, nem para ver quem é mais inteligente… Servem para cultivar e guardar melhor a vinha do Senhor, para cooperar no seu sonho, no seu projecto de amor a respeito do seu povo. Neste caso, o Senhor pede-nos para cuidarmos da família, que, desde os primórdios, é parte integrante do desígnio de amor que ele tem para a humanidade. A nós também nos pode vir a tentação de «nos apoderarmos» da vinha, por causa da ganância que nunca falta em nós, seres humanos. O sonho de Deus sempre se embate com a hipocrisia de alguns dos seus servidores. Podemos «frustrar» o sonho de Deus, se não nos deixarmos guiar pelo Espírito Santo. O Espírito dá-nos a sabedoria, que supera a ciência, para trabalharmos generosamente com verdadeira liberdade e humilde criatividade.

Irmãos, para cultivar e guardar bem a vinha, é preciso que os nossos corações e as nossas mentes sejam guardados em Cristo Jesus pela «paz de Deus que ultrapassa toda a inteligência», como diz São Paulo (Flp 4, 7). Assim, os nossos pensamentos e os nossos projectos estarão de acordo com o sonho de Deus: formar para Si um povo santo que Lhe pertença e produza os frutos do Reino de Deus (cf. Mt 21, 43).

A consagração a Deus e à liberdade

Nossa vida está escondida no Cristo Senhor

No capítulo quinto do “Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem”, São Luís Maria Grignion de Montfort nos ensina alguns motivos para nos consagrar a Nossa Senhora. O sexto motivo apresentado pelo Santo para escolher a consagração total a Jesus Cristo pelas mãos da Virgem Maria é que “esta prática de devoção dá uma grande liberdade interior àqueles que a observam fielmente” (TVD 169). Tal liberdade interior é própria dos filhos de Deus: “O Senhor é o Espírito, e onde está o Espírito do Senhor, aí está a liberdade” (2 Cor 3, 17).

Pela consagração, segundo o método de São Luís, “nos tornamos escravos de Jesus Cristo” (cf. TVD 169), porém, isto não nos tira a liberdade. Ao contrário, ao fazer-nos escravos de amor da Virgem Maria, Jesus nos recompensa com graças. O Senhor “tira da alma todo escrúpulo e temor servil, que só servem para a estreitá-la, escravizá-la e confundi-la” (TVD 169). Ele tira de nós toda a dúvida ou inquietação espiritual que nos impede do crescimento na graça e na liberdade de espírito.

Cristo também tira de nós o temor servil, o medo de servir alguém, dando nos a liberdade e a clareza de espírito para as coisas de Deus. Montfort diz que a consagração total “dilata o coração para uma santa confiança em Deus, fazendo-o ver n’Ele seu Pai” (TVD 169), ou seja, consagrando-nos inteiramente a Jesus, somos tomados por uma fé inabalável em Deus, nosso Pai. Além disso, São Luís Maria ensina que, por esta devoção, Jesus nos concede um amor terno e filial para com Deus.

Para exemplificar sua doutrina sobre a liberdade de espírito, São Luís cita como exemplo a história da vida de Madre Inês de Jesus, religiosa jacobina do convento de Langeac, em Auvergne, que faleceu nesse mesmo local em odor de santidade em 1634. Ela não tinha mais de sete anos quando já sofria de grandes penas do espírito. “Foi então que ouviu uma voz dizer-lhe que, se desejava ser livre de todas as suas penas e protegida contra todos os seus inimigos, deveria tornar-se o mais depressa possível escrava de Jesus e de sua Santa Mãe” (TVD 170). Rapidamente, consagrou-se inteiramente como escrava a Jesus e à Sua Santa Mãe, embora não conhecesse esta devoção. Como sinal de sua consagração, cingiu-se com cadeia de ferro sobre os rins e usou-a até a morte.

Depois da consagração, cessaram todas as suas penas e escrúpulos. Madre Inês ficou em tanta paz e liberdade de coração que ensinou esta prática a várias pessoas, que fizeram grandes progressos espirituais. Entre estas pessoas, estava o padre Olier, fundador do Seminário de São Sulpício e a outros sacerdotes e membros do clero. Certo dia, “apareceu-lhe a Santíssima Virgem e pôs-lhe ao pescoço uma cadeia de ouro, testemunhando-lhe assim a alegria que sentia por ela se ter feito escrava sua e de seu Filho. Santa Cecília, que acompanhava a Santíssima Virgem, disse-lhe: Felizes os fiéis escravos da Rainha do Céu, porque gozarão a verdadeira liberdade: Ó Mãe, servir-Vos é a liberdade!” (TVD 170).

Assim, São Luís Maria prova que a devoção que ensina não é apenas uma teoria, mas é uma prática comprovada pela história. Além deste testemunho, hoje temos conhecimento de muitas outras pessoas que se consagraram a Virgem Maria e experimentaram a mesma liberdade de espírito para lançar-se nos mais altos desafios da vida espiritual e temporal. Um dos mais célebres e conhecidos é o saudoso Papa São João Paulo II, o qual teve sua vida marcada pela consagração total a Nossa Senhora. Sigamos os passos do “João de Deus” e nos consagremos inteiramente a Jesus Cristo pelas mãos de Sua Mãe Santíssima e experimentemos a verdadeira liberdade dos filhos de Deus.

A Cura entre Gerações

D. Estevão Bettencourt, osb
PERGUNTE E RESPONDEREMOS 551
maio 2008

Em síntese: A cura dita “entre gerações” não pode significar que uma geração tenha de prestar expiação pelos pecados dos antepassados, pois cada um responde por si apenas. Pode-se entender tal cura do seguinte modo: todo pecado deixa suas consequências na sociedade em que tenha sido cometido: mau exemplo, ódio de uns para os outros, estímulo à vingança… Ora o que o cristão pede a Deus, não é o perdão dos pecados alheios (no além já não há conversão), mas pede que faça cessar a má influência que os pecados dos antepassados exercem seja extinta, ficando todos os descendentes isentos de qualquer consequência negativa derivada dos pecados dos antepassados.
Debate-se muito a questão da “cura entre gerações”: Deveria uma geração prestar satisfação a Deus pelos pecados de seus antepassados? É o que passamos a examinar nas páginas subsequentes.

1. Uma falsa interpretação
Há quem julgue que o sofrimento que alguém hoje padece não é senão a consequência dos pecados dos antepassados, pois está escrito em Ex 20, 5: “Castigo a iniquidade dos pais nos filhos até a terceira e quarta geração dos que me odeiam”. Seria preciso então pedir a Deus a cessação de tal castigo. Esta concepção é falha a mais de um título:
a) pode dar a crer que estamos sujeitos a certa fatalidade, pesada e cruel, atormentando pessoas inocentes. O livre arbítrio não funcionaria; haveria um destino traçado para cada ser humano em consequência dos pecados dos antepassados:
b)- No tempo do exílio de Judá na Babilônia (587-538), muitos dos exilados se recusavam a fazer penitência, pois diziam que estavam sendo punidos não por causa de seus pecados, mas por causa da iniquidade dos ancestrais. Assim se exprimia a mentalidade do clã: todos pagam por um.
c)- A este modo de pensar se opuseram, em nome do Senhor, os profetas Jeremias e Ezequiel: Jr 31, 29s: “Naqueles dias não se dirá mais: os pais comeram uvas verdes, e os dentes dos filhos ficaram embotados. Mas cada um morrerá por sua própria iniquidade: todo aquele que comer uvas verdes, ficará com os dentes embotados”. Ver Ez 18, 1-9.
d)- Como se vê, a responsabilidade é pessoal, ao invés do que pensavam os antigos judeus, que professava a mentalidade do clã: esta não levava devidamente em conta o indivíduo, mas o clã, o conjunto a que pertencia cada indivíduo. Aos poucos foi-se valorizando o indivíduo como tal e suas responsabilidades pessoais. Não há destino; o livre arbítrio do homem é capaz de fazer suas opções, sem depender do que tenham feito ou não feito os antepassados. Locução semelhante ocorre em Ex 20, 8: “Uso de misericórdia até a milésima geração com aqueles que me amam e observam os meus mandamentos”. A alusão à mentalidade do clã chega a ser hiperbólica.
– Daí a pergunta:

2. Como entender a cura entre gerações?
Eis a explicação mais plausível: Toda iniquidade, principalmente as graves falhas, deixam marcas na sociedade em que vive o pecador: um mau exemplo, um precedente daninho que se abre, ódio, desejo de retaliação… Não é só o pecador que se prejudica pelo pecado, mas é a sociedade que com ele sofre danos físicos ou morais. Principalmente os familiares mais próximos descendentes do delinquente culpado sentirão a amargura da herança deixada pelo(s) ancestrais falecidos.
João Paulo II dizia: “Todo pecado trás uma hipoteca social para o conjunto da Igreja, pois se um membro do corpo sofre, todos padecem com ele”. Os pecados cometidos pelos antepassados podem ter consequências para as gerações futuras não porque Deus queira castigar a estas, mas porque transmitem um âmbito marcado pelo pecado.   Esse âmbito pode influenciar o livre arbítrio de alguns descendentes, mas não lhe tira a liberdade de optar pelo bem, à revelia do que sugere o legado recebido dos ancestrais. É sobre este pano de fundo que se coloca a cura das gerações. Esta não pede a Deus perdão pelas culpas dos antepassados, mas pede que os desgastes causados pelo pecado dos mais velhos não afetem os descendentes. O sofrimento de que padece alguém hoje não é necessariamente castigo; pode ser uma provação; Deus é pai, que ama seus filhos e, por isto, os educa e corrige, burilando suas arestas para que possam ser cidadãos dignos da Jerusalém celeste. A graça de Deus pode livrar determinado indivíduo dos seus sofrimentos, principalmente quando obtida através da Santa Missa. Mas, como dito, o sofrimento pode ser uma provação valiosa que faz amadurecer a nossa fé e que convém aceitar generosamente, sem que o cristão peça a sua cessação, mas antes peça a coragem para atravessar com alegria e magnanimidade o período da provação, do qual poderá sair ainda mais santificado.
Em conclusão dizemos:
a) após quanto ponderamos não creiamos que todo sofrimento é castigo de pecados do sofredor ou dos seus antepassados.
b) mas também reconheçamos que estamos sujeitos a sofrer das imprudências ou da altivez de nossos ancestrais (sem que Deus esteja punindo por pecados do passado).

 

Pergunte e Responderemos
Ano XLIV
Dezembro de 2003 – 498
Dom Estêvão Bettencourt, OSB
Piedade em questão: “COMO REZAR PELA CURA ENTRE GERAÇÕES”
(Análise do livro de Pe. Alberto Gambarini)

Em síntese: A tese do livro supõe que alguém possa estar atua!¬mente sofrendo males físicos ou psíquicos em decorrência de faltas cometidas pelos ancestrais — o que vem a ser falso; a própria Escritura dissuade de assim pensar (ver Jr 31, 29; Ez 18, 1-4). Ademais o livro emprega certas expressões inadequadas.
* * *
O Pe. Alberto Gambarini é benemérito por seus escritos e seus trabalhos apostólicos. Todavia em alguns de seus livros defende uma tese insustentável aos olhos da reta fé: com ênfase especial é proposta no livro “Como rezar pela cura entre gerações”, obra esta cujo conteúdo será, a seguir, comentado.

1. A tese do livro
O autor afirma que certas pessoas podem estar padecendo males físicos ou psíquicos em conseqüência de faltas cometidas pelos antepassados. Haveria também maldições hereditárias ou proferidas por ancestrais e aplicadas à geração presente. O autor explica seu modo de pensar relatando o seguinte caso: “Um exemplo simples de como a oração pelos falecidos é eficaz foi dado por uma pessoa de minha paróquia. ‘Quando comecei a fazer a árvore da família, não imaginava a possibilidade de ser curada de uma insônia crônica. Já havia tentado todo tipo de tratamento sem alcançar êxito. Aparentemente, não existia motivo para eu não conseguir dormir Perguntando aos meus familiares sobre os nossos antepassados, cheguei ao meu avô. Ele sofria de insônia e ficava acordado a noite inteira. Essa situação incomodava os filhos, que não entendiam seu sofrimento. E ele rogou uma praga dizendo que os filhos dos seus filhos teriam o mesmo problema. Eu era sua neta e estava sofrendo deste mal. Rezando, pude reviver todo o sofrimento de meu avô pela incompreensão dos familiares e, ao mesmo tempo, pedi a Deus para que seu amor misericordioso fosse dado a ele. Também mandei celebrar algumas missas pelo meu avô. Na medida em que eu intercedia em favor de meu avô, pelos seus filhos, meu pai e tios, meu coração foi invadido por uma experiência profunda de paz, e também fui curada para sempre da minha insônia”’ (pp. 22s). Para justificar sua tese, o Pe. Alberto cita passagens bíblicas: “Eu sou o Senhor, teu Deus, um Deus zelosa que vinga a iniqüidade dos pais nos filhos, nos netos e nos bisnetos daqueles que me odeiam”(Ex 20, 5). “Senhor, dignai-vos, pela vossa misericórdia, afastar de vossa cidade santa, Jerusalém, vossa cólera e vossa exasperação, porque é devido às nossas iniqüidades e aos pecados de nossos antepassados que Jerusalém e vosso povo são alvo de insultos de todos os nossos vizinhos”(Dn 9, 16).

2)- Pergunta-se agora: Que dizer?
Proporemos três ponderações:

2.1. Mentalidade do clã
Os textos bíblicos sobre os quais se baseia a tese do Pe. Gambarini, supõem a mentalidade do clã, segundo a qual o individuo não tem valor como tal; é o clã ou o grupo que dá significado ao indivíduo; o clã arca com as conseqüências daquilo que o indivíduo faz. Essa mentalidade primitiva foi posteriormente corrigida em Israel; com efeito, durante o exílio na Babilônia (587-538) os exilados alegavam estar sendo punidos por causa dos pecados dos antepassados; seriam eles, no exílio, inocentes e não teriam necessidade de fazer penitência. Intervieram então os Profetas para dissipar o raciocínio e o princípio que o sustentava: Ez 18, 1-4: “A palavra do Senhor veio a mim nestes termos: Que provérbio é este que andais repetindo na terra de Israel ‘Os pais comeram uvas verdes, e os dentes dos filhos ficaram embotados’ Juro por minha vida — oráculo do Senhor Deus — não repetireis mais esse provérbio. Tanto a vida do pai como a vida do filho me pertencem. Quem peca é que morrerá”. Jr 31, 29: “Nesses dias já não se dirá: ‘Os pais comeram uvas verdes e os dentes dos filhos se embotaram’. Mas cada um morrerá por sua própria falta. Todo homem que tenha comido uvas verdes, terá seus dentes embotados”. Por conseguinte vê-se que Deus não castiga os pecados dos antepassados ferindo os seus descendentes. Em conseqüência não se eximissem de fazer penitência os filhos de Israel exilados.

2.2. Transmissão do pecado
Pelas razões indicadas também não se deve dizer que o pecado se transmite como uma doença física se transmite; não se diga que alguém é hoje libertino(a) em matéria sexual porque sua avó foi tal. Existem micróbios e bactérias que transmitem doenças corporais, sim; mas não existem micróbios que transmitem doenças do espírito ou do comportamento. Não se pode negar que o mau exemplo seja um convite à prática do mal; assim os antepassados criminosos deixam aos seus descendentes uma afinidade familiar com o crime, que estimula a prática do mal não por um vírus do crime, mas por um apelo psicológico.

2.3. Os traumas dos antepassados
Pelo mesmo motivo não se pode dizer que os traumas, os choques ou os males sofridos pelos ancestrais perduram no além, como se as almas dos defuntos continuassem a sofrer as emoções e os sentimentos que sofriam na terra, podendo ser curadas desses traumas pelas orações de seus descendentes. Todas estas concepções redundam, de algum modo, em espiritismo kardecista ou em umbandismo e candomblé. Na verdade, não há comunicação das pessoas na Terra com o além senão pela oração. As preces que são feitas pelos falecidos ou pelas almas do purgatório têm por objetivo tão somente pedir a Deus que o amor as purifique de qualquer resquício de pecado pessoal para que possam desfrutar da visão de Deus sem demora. Podemos também rezar aos Santos, pedindo-lhes que intercedam por nós, a fim de que sejamos dotados das graças necessárias para chegarmos à pátria celeste.

3. Observações complementares

3.1. Feitiço
Às páginas 58s do livro de Gambarini lê-se a seguinte oração: ‘Pai, eu te peço que desfaças na vida de…todo mal. Quebra, Senhor, todo jugo hereditário negativo de …, que caiu sobre ele(a). Quebra toda maldição, praga, feitiço que possam ter recaído sobre esse(a) teu(tua) filho(a)”. Na verdade, nenhuma maldição tem poder mágico, nem é transmissível (como ensinam os profetas). Quanto ao feitiço, seria um objeto manipulado para fazer bem ou mal a alguém. Ora tal tipo de objeto não existe, de modo que é inútil pedir ao Senhor que afaste os malefícios do feitiço; chega a ser nociva tal prece porque dá a crer que feitiços são eficazes, como se crê em terreiros de Umbanda e em certas comunidades pentecostais protestantes.

3.2. Alívio para as almas do purgatório
A pag. 61 encontra-se a seguinte prece: “Pelo último suspiro na cruz, livrai as dores e abrandai as penas das almas santas e benditas do purgatório”. É errônea a concepção que parece estar subjacente a este texto. —O purgatório não é um castigo, mas uma concessão da misericórdia divina para que as almas que não se tenham purificado dos resquícios do pecado na vida presente, possam fazê-lo na vida futura. Na verdade, ninguém pode ver Deus face-a-face trazendo sombra de pecado ou “pecadinho” (impaciência, maledicência, preguiça…). Se o cristão não consegue extinguir as escórias de tais pecados antes de deixar este mundo, deverá fazê-lo posteriormente para poder entrar na visão de Deus. O sofrimento do purgatório não depende de maior ou menor rigor da parte do Juiz Divino, mas sim do fato de ter sido tal cristão negligente ou leviano sobre a Terra, de modo que não se preparou (não preparou a veste nupcial) para poder entrar na ceia da vida eterna logo depois da morte.   Essa dor não passa nem é aliviada por decreto divino; só passa na medida em que a alma se vai libertando do apego ao pecado. Os sufrágios pelos mortos, por conseguinte, não consistem em pedir a Deus anistia para as almas do purgatório, mas sim em pedir que o amor a Deus existente em tais almas acabe quanto antes de extinguir todo amor desregrado remanescente nessas almas; sem demora possa haver nelas tão somente o amor a Deus não contraditado por tendências desordenadas. À guisa de observação final, ainda perguntamos: Que são “os espíritos de hereditariedade má”? E que significa “amarrar esses espíritos”? Tal vocabulário é ambíguo. São estas algumas ponderações que podem ocorrer a um leitor da obra do Pe. Gambarini.

Palavra final: Reconheça-se a boa intenção do autor, mas não se pode deixar de apontar aí concepções estranhas à doutrina Católica.

 

Revista: “PERGUNTE E RESPONDEREMOS”
D. Estevão Bettencourt, osb
Nº 394
Ano: 1995 – PR. 131
Análise do livro de Pe. Robert De Grandis

O livro de Robert DeGrandis supõe que pecados cometidos e traumas sofridos por pessoas já falecidas estejam atualmente influenciando a vida dos respectivos descendentes; haveria uma hereditariedade de males morais e desgraças, que se dissiparia mediante a oração de cura interior. Supõe também que haja maldições de antepassados desgraçando a vida de pessoas existentes na Terra. Haveria outrossim objetos portadores de infelicidades…, objetos que atrairiam maus espíritos…
Respondemos que a presumida hereditariedade no plano moral não existe; cada ser humano responde por sua conduta pessoal e não pela de seus ancestrais; cf. Ez 18,2-32; Jr 31, 29s. Também não existem objetos contagiados e contagiantes por efeito de maus espíritos; a desgraça e o pecado não se transmitem por “micróbios ou bactérias espirituais”. São Paulo, em 1Cor 8, refere-se a um caso paralelo ao que consideramos: os cristãos de Corinto que tinham consciência fraca, não queriam comer carne que tivesse sido oferecida aos ídolos em templo pagão, porque a julgavam contaminada, veículo de comunhão com os demônios; o Apóstolo dissipou esta concepção, dizendo que os ídolos nada são (cf. 1Cor 8,4); por isto não contaminam os objetos a eles oferecidos.
Em suma, o livro de R. DeGrandis professa teorias pouco fundamentadas na doutrina católica, podendo até confundir-se com teses do espiritismo. Está circulando em ambientes católicos um livro que tem suscitado dúvidas e mal-entendidos.
Traz o título “Cura entre Gerações” e deve-se à autoria de Robert DeGrandis, membro da Associação Nacional de Terapeutas dos Estados Unidos e dedicado ministro da “cura interior” ou da cura de males espirituais mediante a oração inspirada pelo Espírito Santo.
O autor cita e segue freqüentemente a linha de pensamento e ação do Dr. Kenneth McAll, cirurgião e psiquiatra inglês, que escreveu Healing the Family Tree (Curando a Árvore da Família), “livro capaz de transformar vidas”. (p. 3). Visto que a obra é realmente inovadora, merecerá atenção nas páginas subseqüentes.

1. OS TRAÇOS PRINCIPAIS DO LIVRO

1. Antes do mais, pergunta-se: que significa “cura entre gerações”?
Para Roberto DeGrandis e seus seguidores, muitos dos males que as pessoas hoje em dia padecem, são herança recebida de gerações passadas (pais, avós, bisavós…). Por isto, para curar estes males, é preciso curar a respectiva fonte, isto é, a falha ou a deficiência ainda existente nas almas dos falecidos. O Espírito Santo revela aos carismáticos o tipo de causa que provoca a desgraça das pessoas na Terra. Após esta revelação, o cristão carismático faz a prece correspondente para sanar o(a) falecido(a) e assim libertar os que sofrem de má herança neste mundo. São palavras de Robert DeGrandis: “O cirurgião e psiquiatra inglês Dr. Kenneth McAll abriu meus olhos para alguns modos de cura… Ensinou-me a procurar fontes além dos vivos, para explicar alguns problemas dos vivos. Mas, enquanto ele toma um além, e fala de cura dos mortos através das orações dos vivos, não pretendo focalizar este aspecto. Orações pelos mortos são, porém, parte de nossa tradição católica, e creio que este é um campo importante para estudo… Neste livro falamos da cura dos vivos através de orações pelos mortos. Referimo-nos à cura de certos problemas físicos, mentais, emocionais e espirituais que não têm tratamento” (pp. 17s). “Equipes de oração, usando os dons carismáticos, descobriram, em meus ancestrais, uma variedade de espíritos e adoração do culto, assassinato e todo tipo de negatividade que se possa imaginar. Em minha família, é longa a historia de brutalidade e de tratar sem amor as pessoas. Muitos traços ancestrais de desamor refletiram-se, de certo modo, em minha própria natureza. O Senhor tem querido tocar essas áreas com seu amor e trazer a cura para que eu não aja sob a negatividade não resolvida de eras passadas. Quanto perdoo esses antepassados, cortando os laços com seus pecados, e visualizando-os na presença de Jesus, sinto ser curado. O fruto dessa cura é evidente em minha crescente capacidade de relacionar-se com as pessoas de modo mais solícito e amoroso”” (p. 20). O autor se detém no relato de outros exemplos típicos “Tome, por exemplo, uma mulher hipotética, Henriqueta, que tem um profundo medo irracional de homens. Esse medo pode estar ligado a um trauma não resolvido da bisavó, a quem um homem fez realmente mal. Isto abre algumas interessantes possibilidades na cura interior” (p. 17). “Em 1979, eu estava fazendo cura interior numa senhora negra. Ela e suas irmãs tinham um problema sempre que saíam a lugares públicos. Homens gravitavam em torno delas, mais do que se poderia normalmente esperar. Elas eram todas boas católicas, bastante simpáticas, mas exerciam uma atração sobre os homens mais do que o normal. Em oração com ela, tive uma visão do que pensei ser um navio negreiro. Porque ela era uma líder madura, e compreendia o processo da cura interior, continuei em profundidade: “Você está vendo alguma coisa?”, perguntei. Respondeu: “Estou vendo um navio negreiro”. Quando começou a descrever o que estava acontecendo, eu também o estava vendo em minha mente. Podia dizer, pelo estilo do navio e dos trajes, que estávamos vendo os dias da escravidão.A senhora descreveu uma mulher, que sentia ser sua antepassada. Eu a vi simultaneamente em visão. Usava um lenço vermelho em volta da cabeça e era, claramente, muito promíscua.Imaginamos se a promiscuidade não teria passado abaixo, de geração em geração. Consideramos a possibilidade de que a inexplicável atenção masculina fosse um efeito residual da atividade de sua ancestral promíscua” (P. 21).

2. Mais: segundo R. DeGrandis, pode haver também objetos impregnados de maldição (como se a maldição fosse um micróbio ou um vírus); têm que ser jogados fora.
Tais objetos constituem uma realidade que o livro designa como “o oculto”. Eis um caso típico: “Às vezes, quando estamos fazendo libertação, há bloqueio devido a um amuleto. Tive um caso, em certa cidade, em que um homem tinha uma ardência em sua boca. Ele tinha estado na Clínica Mayo, na Universidade de Alabama e na Clínica Lahey em Boston, e nenhuma delas pôde retirar a ardência de sua boca. Pus a mão sobre ele, e a primeira palavra que o Espírito Santo me deu em diagnóstico, foi “oculto”. Perguntei-lhe se tinha ido a um curandeiro ou adivinho. Disse que sim, de modo que rezei e lhe pedi que renunciasse a ter buscado auxílio em uma fonte oculta.Não houve alívio depois que ele fez a renúncia, de forma que rezei um pouco mais. A próxima ampliação do diagnóstico do Espírito Santo foi: “amuleto”. Perguntei-lhe se a pessoa a quem tinha ido lhe dera alguma coisa. Disse que recebera um amuleto. Perguntado se estava disposto a jogá-lo fora, disse que sim. Sua esposa o fez. Rezei de novo, e a ardência desapareceu. Isto foi há algum tempo, e a última vez que o vi, a ardência não tinha voltado” (p. 45). Mais outra história exemplar: “Lembro-me de ter estado numa cidade, onde pessoas estavam ouvindo vozes à noite. Pediram-nos que abençoássemos a casa. Fizemo-lo, lançando água benta em todos os quartos. Acredito que isto tenha resolvido a dificuldade. Como norma, dever-se-iam procurar na casa objetos do oculto, e então os donos renunciariam a eles e queimá-los-iam. Pedimos a todas as pessoas presentes que renunciassem ao envolvimento com o oculto. Amarramos o mal e o expulsamos, numa oração de libertação normal. Tenta-se obter a identidade da pessoa que assombra a casa, e oferece-se por ela o Santo Sacrifício da Missa. A Eucaristia é oferecida, quer se saiba, quer não se saiba o nome da pessoa. Os moradores então entregam-se ao Senhor Jesus Cristo” (p. 117)

3. Segundo o mesmo autor, a desgraça atual pode decorrer também de uma palavra de maldição proferida por antepassados em desabono das gerações futuras.
São dizeres de Robert DeGrandis: “As maldições são outra área servidão que o Espírito Santo revela com freqüência. A maioria das pessoas que fazem cura interior, identificou maldições, muitas vezes de gerações passadas. Por exemplo, na parte sul dos Estados Unidos, maldições de vudu são especialmente freqüentes. Há efeitos físicos dessas maldições. Assim como o Espírito do Senhor pode tocas as pessoas e libertá-las física, psicologicamente etc., o espírito maligno pode também ligar pessoas na época da maldição e em futuras gerações. A quebra das cadeias dessas maldições e a aplicação da luz e amor do Senhor as libertará na maioria dos casos, desde que não haja outras formas de “feitiço”. O Dr. McAll conta o caso e uma alcóolatra de 45 anos de idade, que destruiu totalmente a vida da família com seu vício. Sua mãe estava profundamente envolvida com o espiritismo e tentando contar seu falecido marido. O Dr. McAll soube que a excessiva bebida da mulher estava ligada com a maldição de mãe sobre ela, por recusar-se a assinar alguns documentos legais sem os ler primeiro. Ele quebrou a maldição sobre ela, ela parou de beber, e sua vida familiar foi restaurada. Quebramos uma maldição orando como segue: “Em nome de Jesus e por sua autoridade, eu venho contra esta maldição (etc.). Invoco o Preciosíssimo Sangue de Jesus e quebro esta maldição sobre minha família ou pessoa, no nome de Jesus”. Esta oração e, com freqüência, dita três vezes para quebrar a maldição porque, em rebelião contra a Santíssima Trindade, as maldições são, freqüentemente, pronunciadas três vezes quando feitas. É também importante que as pessoas compreendam porque devem não dar novamente poder à maldição” (pp. 44s).

4. É interessante notar a oração que DeGrandis profere e recomenda aos leitores para afastar os maus agouros ou as desgraças:
“Coloco-me na presença de Jesus Cristo, e submeto-me ao seu Senhorio. “Revisto-me da armadura de Deus para poder resistir às táticas do demônio” (Ef 6, 10-11). Ocupo o meu terreno, “com o cinturão da verdade em torno da cintura, e a justiça por couraça…” (Ef 6, 14). Empunho o “escudo da fé” para “extinguir os dardos inflamados do maligno …” (Ef 6, 16). Aceito “a salvação de Deus como meu capacete, e recebo a Palavra de Deus do Espírito, para usá-la como espada” (Ef 6,17).No nome de Jesus Cristo crucificado, morto e ressuscitado, amarro todos os espíritos do ar, da atmosfera, da água, do fogo, do vento, da terra, de debaixo da terra e do mundo inferior. Amarro também a influência de qualquer alma perdida ou caída, que possa estar presente, e todos os emissários do quartel-general demoníaco, ou todo círculo de bruxas, magos e feiticeiros ou adoradores de Satanás, que possam estar presentes de algum modo sobrenatural. Clamo o sangue de Jesus sobre o ar e a atmosfera, a água, o fogo, o vento, a terra e seus frutos à nossa volta, a região abaixo da terra e o mundo inferior.No nome de Jesus Cristo, proíbo todos os adversários mencionados de comunicarem-se com outros ou se ajudarem de alguma forma, ou comunicarem-se comigo, ou fazerem qualquer coisa senão o que eu mando em nome de Jesus.No nome de Jesus Cristo, eu selo este lugar e todos os presentes e suas famílias e associados, e seus lugares e posses e fontes de suprimento, no sangue de Jesus. (Repetir três vezes). No nome de Jesus Cristo, proíbo quaisquer espíritos perdidos, círculos de feiticeiras ou feiticeiros, grupos ou emissários satânicos ou qualquer de seus associados, subordinados ou superiores, de prejudicar ou tirar vingança de mim, minha família e meus associados, ou causar mal ou dano a qualquer coisa que tenhamos.No nome de Jesus Cristo, e pelos merecimentos de seu Preciosíssimo sangue, quebro e dissolvo toda maldição, malefício, selo, encantamento, feitiço, laço, tentação, armadilha, instrumento, mentira, pedra de tropeço, obstáculo, ilusão, engano, diversão ou distração, corrente espiritual ou influência espiritual, e também qualquer doença de corpo, alma ou espírito lançados sobre nós, ou sobre este lugar, ou sobre algumas pessoas, lugares e coisas mencionadas, por qualquer agente, ou lançada sobre nós por nossos próprios enganos ou pecados. (Repetir três vezes). Agora coloco a cruz de Jesus Cristo entre mim e todas as gerações de minha árvore genealógica. Digo, no nome de Jesus Cristo, que não haverá direta comunicação entre as gerações. Toda comunicação será filtrada no Preciosíssimo Sangue do Senhor Jesus Cristo” (pp. 9s).

4. Em suma, o livro inteiro de R. DeGrandis versa sobre a concepção de que existem forças ocultas derivadas de artimanhas, trabalhos ou também de pecados dos antepassados que causam a infelicidade dos viventes deste planeta. Pelo que se depreende da oração publicada às páginas 9 e 10 do livro, o autor parece acreditar na eficácia de feitiços, amuletos, bentinhos, bruxarias, encantamentos, despachos, etc.
– Daí a surpresa de muitos leitores católicos… Daí também a pergunta:

2. QUE DIZER?
Proporemos três observações conclusivas:

1ª)- Não existe hereditariedade espiritual a pagar de males morais cometidos no passado. Não se pode dizer que os pecados de familiares falecidos são punidos por Deus nos respectivos descendentes. O pecado é de responsabilidade estritamente pessoal: “Cada qual responde a Deus por seu comportamento próprio, e individualmente na liberdade de escolha que Deus lhe deu, prestará contas pessoalmente por ele”. É o que os Profetas do Antigo Testamento ensinaram muito enfaticamente, contradizendo à tese de que Deus castiga filhos e netos por causa das faltas dos antepassados: Jr 31, 29s: “Nesses dias já não se dirá: “Os pais comeram uvas verdes e os dentes dos filhos se embotaram”. Mas cada um morrerá por sua própria falta. Todo homem que tenha comido uvas verdes, terá seus dentes embotados”. Cf. Ez 18, 2-32.

2ª)- Por isto também, não se deve dizer que o nosso pecado pessoal se transmite como uma doença física se transmite. Não se diga que alguém é hoje libertino(a) em matéria sexual porque sua avó foi tal. Existem micróbios e bactérias que transmitem doenças corporais, sim; mas não existem micróbios que transmitam doenças do espírito.

3ª)- Pelo mesmo motivo não se pode dizer que os traumas, os choques ou os males sofridos pelos ancestrais perduram no além. Como se as almas dos defuntos continuassem a sofrer as emoções e os sentimentos que sofriam na terra, podendo ser curadas desses traumas pelas orações de seus descendentes, isto é um entendimento deturpado sobre a doutrina do Purgatório.

Contemplar o Crucificado, beijá-lo e dizer: “Obrigado, Jesus!”

Na audiência geral da Semana Santa

“… a meio da Semana Santa a liturgia apresenta-nos aquele episódio triste do relato da traição de Judas, que vai ter com os chefes do Sinédrio para mercadejar e entregar-lhes o seu Mestre. Quanto me dais se eu o Entrego? E Jesus passa a ter um preço. Este ato dramático marca o início da Paixão de Cristo, um percurso doloroso que Ele escolhe com absoluta liberdade. Di-Lo claramente Ele próprio: “Eu dou a minha vida…”

Nestes dias, vemos Jesus percorrer, de livre vontade, o caminho da humilhação e do despojamento – afirmou o Papa Francisco – o caminho que atinge o ponto mais profundo na morte de cruz: morre como um derrotado, um falido! Mas, aceitando esta falência por amor, supera-a e vence-a.

“A sua paixão não é um incidente; a sua morte – aquela morte – estava escrita. Trata-se de um mistério desconcertante, mas conhecemos o segredo deste mistério, desta extraordinária humildade: “Deus efetivamente amou tanto o mundo que deu o seu Filho Unigénito.”

Se, depois de todo o bem que realizara, não tivesse existido esta morte tão humilhante, Jesus não teria mostrado a medida total do seu amor – observou o Papa. A falência histórica de Jesus e as frustrações de muitas esperanças humanas são a estrada mestra, por onde Deus realiza a nossa salvação. É uma estrada que não coincide com os critérios humanos; pelo contrário, inverte-os, pois pelas suas chagas fomos curados. Quando tudo parece perdido, é então que Deus intervém com a força da ressurreição.

“A ressurreição de Jesus não é o final feliz de uma linda fábula ou de um filme, mas a intervenção de Deus Pai, quando já toda a esperança humana se tinha desmoronado.”

Também nós somos chamados a seguir Jesus por este caminho de humilhação – continuou o Santo Padre. Quando nos sentimos mergulhados na mais densa escuridão e não vemos qualquer via de saída para as nossas dificuldades, então esse é o momento da nossa humilhação e despojamento total, é a hora em que experimentamos como somos frágeis e pecadores. E nesse momento devemos abrir-nos à esperança tal como fez Jesus – advertiu o Papa Francisco que concluiu a sua catequese exortando todos para a contemplação do Mistério da Cruz:

“Esta semana vai-nos fazer bem pegar no crucifixo e beija-lo tantas vezes e dizer obrigado Jesus, obrigado Senhor. Assim seja.”

No final da audiência o Santo Padre saudou também os peregrinos de língua portuguesa:

“De coração saúdo todos os peregrinos de língua portuguesa, com menção particular do Colégio Nossa Senhora da Assunção. Tomai como amiga e modelo de vida a Virgem Maria, que permaneceu ao pé da cruz de Jesus, amando, também Ela, até ao fim. E quem ama passa da morte à vida. É o amor que faz a Páscoa. A todos vós e aos vossos entes queridos, desejo uma serena e santa Páscoa.”

O Papa Francisco a todos deu a sua bênção!

Distinguir entre pecado e pecador

Quarta-feira, 20 de abril de 2016, Da Redação, com Rádio Vaticano

A Palavra de Deus ensina a distinguir entre o pecado e o pecador, disse o Papa em mais uma catequese sobre misericórdia

É preciso diferenciar o pecado do pecador, disse, em síntese, o Papa Francisco na catequese desta quarta-feira, 20, no Vaticano. O Santo Padre segue no ciclo de reflexões relacionadas à misericórdia, por ocasião do Ano Santo.

Francisco comentou o trecho bíblico do Evangelho de Lucas, que mostra a história da mulher pecadora que chorou por seus pecados aos pés de Jesus, quando Ele Se encontrava à mesa na casa de um fariseu chamado Simão. O Santo Padre destacou a diferença de comportamento do fariseu, que embora tenha convidado Jesus não queria arriscar sua reputação, e o da mulher, que se confiou plenamente a Jesus com amor e veneração. Mas a Palavra de Deus ensina a distinguir entre o pecado e o pecador.

“Entre o comportamento do fariseu e o da pecadora, o Senhor escolhe a mulher. Livre de preconceitos que impeçam a misericórdia de se expressar, o Mestre deixa que ela faça o que lhe diz o coração: Ele Se deixa tocar por ela, sem medo de ser contaminado. Jesus é livre, porque está próximo de Deus. E esta proximidade ao Pai Misericordioso, dá a Cristo a liberdade”, acrescentou.

Jesus concedeu à mulher o perdão dos pecados, tirando-a da condição de isolamento à qual havia sido condenada por Simão e pelos fariseus. “De um lado, está a hipocrisia dos doutores da lei. De outro, a sinceridade, a humildade e a fé da mulher. Todos somos pecadores, mas muitas vezes caímos na tentação da hipocrisia, de acreditar que somos melhores que os outros. Todos devemos olhar os nossos pecados, as nossas caídas, os nossos erros. E olhemos para o Senhor. Esta é a linha da salvação entre o pecador e o Senhor. Se me sinto justo, esta relação de salvação não existe”.

O Papa atentou ainda para o fato de que Deus viu a sinceridade da fé da mulher e da sua conversão. Em Jesus habita a força da misericórdia de Deus, capaz de transformar os corações, disse. Neste texto, ressaltou Francisco, o termo “graça” é praticamente sinônimo de misericórdia.

“Queridos irmãos, devemos agradecer ao Senhor pelo seu amor tão grande e imerecido! Deixemos que o amor de Cristo se espalhe sobre nós e, assim, poderemos comunicar aos outros a misericórdia do Senhor”.

Liberdade para escolher

Por Dom Alberto Taveira Corrêa
Arcebispo de Belém – PA

Os cristãos foram chamados a estar no mundo e anunciar o nome de Jesus Cristo. Recebemos como legado das gerações passadas a tarefa de encontrar a linguagem adequada e o testemunho a ser oferecido em nosso ambiente. Os polos de tensão, geradores de vida, são a força do próprio Evangelho e as pessoas, onde se encontram hoje, com suas múltiplas interrogações. O Evangelho é sempre o mesmo por ser sempre novo, provocador de conversão para todos os que o conhecem. Não é adaptável às tendências de cada época, mas vai sempre à frente! As situações dos tempos e das pessoas são diferentes, mas sempre passíveis de transformação para melhor. Sabemos que o contato com a Boa Nova de Jesus Cristo não cancela nem prejudica qualquer cultura, mas a eleva e a aperfeiçoa, fazendo vir à tona os valores em todas elas presentes.
Qualquer realidade humana confiável foi conquistada a duras penas, passando inclusive pela dor, “sangue, suor e lágrimas”. Quem ganha de alguma sorte grande na loteria não sabe o que custou aquele dinheiro e o gasta com facilidade. Por outro lado, há muitas pessoas que conquistaram muito, mas à custa de muitos esforços, renúncias e sacrifícios, por isso sabem o que valem as vitórias alcançadas. Nessa vertente, existem em todas as culturas e ambientes pessoas de fibra. Este é um filão de ouro, pelo qual o Evangelho pode entrar.
No enfrentamento dos passos a serem dados no dia a dia, cabe-nos fazer escolhas correspondentes às nossas convicções. Buscar um Cristianismo mitigado, no qual se adaptem as exigências evangélicas às situações, é negar a verdade do próprio Cristianismo e a dignidade humana, pois fomos todos feitos para a perfeição e não para a mediocridade. O ensinamento da Sagrada Escritura é sempre verdadeiro e atual: “Se quiseres guardar os mandamentos, eles te guardarão; se confias em Deus, tu também viverás. Diante de ti, ele colocou o fogo e a água; para o que quiseres, tu podes estender a mão. Diante do ser humano estão a vida e a morte, o bem e o mal; ele receberá aquilo que preferir” (Eclo 15, 16-18). Pessoas que desenvolvem sua capacidade de decisão costumam entender as verdades do Evangelho!
Pessoas que gostam da verdade e da sinceridade certamente estão próximas do Evangelho de Cristo. Conheci um homem em cuja família foram feitas escolhas ideológicas diferentes. Um de seus sobrinhos, sem seguir os passos de extrema fidelidade à Igreja que o caracterizavam, declarou-me respeitoso, admirador e aprendiz da caridade daquele que o precedia nas estradas da vida. Aquele jovem tinha no coração a radicalidade dos que querem o bem dos mais pobres e fracos e o desejo de mudar o mundo! Era parecido com palavras do Sermão da Montanha: “Ouvistes também que foi dito aos antigos: Não jurarás falso, mas cumprirás os teus juramentos feitos ao Senhor. Ora, eu vos digo: não jureis de modo algum, nem pelo céu, porque é o trono de Deus; nem pela terra, porque é o apoio dos seus pés; nem por Jerusalém, porque é a cidade do Grande Rei. Também não jures pela tua cabeça, porque não podes tornar branco ou preto um só fio de cabelo. Seja o vosso sim, sim, e o vosso não, não. O que passa disso vem do Maligno” (Mt 5, 33-34). Estava bem próximo do Evangelho e, à sua morte precoce, certamente encontrou o Senhor!
Não está longe de Jesus Cristo quem vai além das obrigações, superando as normas estritas. Um mundo feito apenas de leis e deveres, ainda que todos as cumprissem, carece da unção do Espírito Santo, que suscita gratuidade, liberdade e espontaneidade. Gestos de generosidade e partilha são estradas de conversão.
Podem acontecer muitas discussões a respeito de doutrina. De nossa parte, cultivar as convicções e a verdade proclamada pela Igreja é dever cotidiano. Amar a Igreja exige conhecê-la. Fazer parte de uma comunidade cristã pede aprofundamento da fé. Mas o que incide radicalmente nas pessoas é o testemunho.
Para chegar aos outros e anunciar Jesus Cristo, é necessário escolher não o mais fácil, mas o melhor, cujo nome é amor, fazer-se um com os outros, a ponto de estes ficarem quase envergonhados, desejando fazer o mesmo! Aí o Evangelho entra e oferece Aquele a quem ninguém pode resistir, por ser o Salvador, Jesus Cristo. Seu nome há de ser anunciado até os confins da terra!

A contracepção e a paternidade responsável

Coletiva com jornalistas

Terça-feira, 20 de janeiro de 2015, Da Redação, com Boletim da Santa Sé

Cristãos não precisam ter filhos em série, disse o Papa, ressaltando que o que a Igreja defende é uma paternidade responsável

A contracepção foi um dos temas que os jornalistas abordaram com o Papa Francisco na coletiva que aconteceu no voo de Manila para a Roma nesta segunda-feira, 19. A resposta do Santo Padre reiterou o que a Igreja defende: uma paternidade responsável, de forma que os cristãos não precisam ser como coelhos, tendo filhos em série.

O Santo Padre contou que, há alguns meses, repreendeu uma mulher que estava grávida do oitavo filho, após sete cesáreas. “Esta é uma irresponsabilidade. ‘Não, eu confio em Deus’. ‘Mas, veja, Deus te dá os meios, seja responsável’. Alguns acreditam que – desculpem a palavra – para ser bons católicos devemos ser como coelhos. Não. Paternidade Responsável”.

A abordagem feita ao Papa foi ligando a contracepção ao mito de que os cristãos devem ter muitos filhos.  Francisco recordou que a Igreja sempre promoveu o princípio da paternidade e maternidade responsáveis, contido na encíclica Humanae vitae, de Paulo VI.

Ele lembrou que a abertura à vida é condição do Sacramento do matrimônio. Recordou também que Paulo VI estudou essa questão da abertura à vida com uma comissão, como fazer para ajudar tantos casos, tantos problemas. Mas Paulo VI não se deteve apenas aos problemas pessoais.

“Ele olhava para o neo-malthusianismo universal que estava em andamento (…) E como se chama este novo malthusianismo? É o menos de 1% do nível dos nascimentos na Itália, o mesmo na Espanha. Aquele neo-malthusianismo que procurava um controle da humanidade pelas potências. Isso não significa que o cristão deve fazer filhos em série”.

O Santo Padre acredita que três filhos é um número bom para a família a fim de manter a população, pois menos que isso ocasiona o outro extremo, que tem a Itália como exemplo: diz-se que em 2024 não haverá dinheiro para pagar os aposentados do país. Novamente, a palavra-chave é “paternidade responsável”, que se faz com diálogo.

Francisco destacou como curiosidade o outro aspecto dessa questão: o fato de que, para os mais pobres, um filho é um tesouro e Deus sabe como ajudá-los. “Talvez alguns não são prudentes nisso, é verdade. Paternidade responsável. Mas é preciso olhar também para a generosidade daquele pai e daquela mãe que veem em cada filho um tesouro”.

Corrupção

Quando a conversa com a imprensa chegou ao tema da corrupção, Francisco reiterou que este mal, e a prevaricação que se segue, são um problema mundial que encontra ninho facilmente nas instituições, fazendo dos pobres suas vítimas preferidas.

“A corrupção é tirar do povo. Com a pessoa corrupta, que faz negócios corruptos, ou governa de maneira corrupta ou vai associar-se com os outros para fazer um negócio corrupto, rouba o povo”.

Francisco comentou ainda a corrupção nas instituições eclesiais, dizendo que existem casos. “Quando eu falo de Igreja, gosto de falar dos fiéis, dos batizados, toda a Igreja. E ali é melhor falar de pecadores. Todos somos pecadores. Mas quando falamos de corrupção, falamos ou de pessoas corruptas ou de instituições da Igreja que caem na corrupção e há casos (…) Mas recordemos isso: pecadores sim, corruptos não! Corruptos nunca! Devemos pedir perdão por aqueles católicos, aqueles cristãos que escandalizam com a sua corrupção”.

Liberdade de expressão

Um dos jornalistas pediu ao Papa um esclarecimento sobre sua consideração na coletiva de imprensa no voo de Colombo para Manila, sobre limites da liberdade de expressão. A questão foi sobre o “soco” que o Pontífice disse que possivelmente daria em seu organizador de viagens caso ele falasse mal de sua mãe. Francisco reafirmou que, “em teoria”, todos concordam em oferecer a outra face em caso de provocação, mas a realidade é que “somos humanos” e, portanto, uma repetida ofensa pode desencadear em uma reação errada.

“Em teoria, podemos dizer que uma reação violenta diante de uma ofensa, de uma provocação, em teoria sim, não é uma coisa boa, não se deve fazer. Em teoria podemos dizer aquilo que o Evangelho diz, que devemos dar a outra face. Em teoria, podemos dizer que nós temos a liberdade de exprimir e esta é importante. Na teoria, estamos todos de acordo. Mas somos humanos, e há a prudência que é uma virtude da convivência humana. Eu não posso insultar, provocar uma pessoa continuamente, porque corro o risco de irritá-la, de receber uma reação não justa, não justa. Mas é humano, isso. Por isso digo que a liberdade de expressão deve considerar a realidade humana e por isso digo que deve ser prudente”.

“Colonização ideológica”

Também pediram que o Papa explicasse melhor o conceito de “colonização ideológica”, que ele citou no encontro com as famílias. Na resposta, o Francisco citou um episódio de 20 anos atrás, em que um ministro da Educação, que tinha pedido um grande empréstimo para construir escolas para os pobres, recebeu como condição a introdução nas escolas de um livro que ensinava a teoria do gênero.

“Esta é a colonização ideológica: entram em um povo com uma ideia que não tem nada a ver com o povo; sim, com grupos do povo, mas não com o povo, e colonizam o povo com uma ideia que muda ou quer mudar uma mentalidade ou uma estrutura (…) Mas isso não é novidade. O mesmo fizeram as ditaduras do século passado. Entraram com a sua doutrina. Pensem nos Balilla, pensem na Juventude Hitlerista. Colonizaram o povo, queriam fazê-lo. Mas quanto sofrimento! Os povos não devem perder a liberdade”.

Terrorismo

Sobre o seu apelo aos países islâmicos para que tomem uma posição contra os grupos terroristas, Francisco disse ser preciso dar um pouco de tempo, pois a situação deles não é fácil. “Tenho esperança porque há muita gente boa entre eles, tanta gente boa, tantos líderes bons”.

Reis magos tiveram coragem de caminhar para encontrar a glória

Cidade do Vaticano (RV) – O Papa presidiu na manhã da sexta-feira (06/1/2017) a Solenidade da Epifania do Senhor, na Basílica de São Pedro.

Em sua reflexão (íntegra), Francisco falou de uma “nostalgia” que impeliu os reis magos a colocarem-se a caminho e seguir a estrela de Belém.

“Os reis magos nos dão, assim, o retrato da pessoa que acredita, da pessoa que tem nostalgia de Deus; o retrato de quem tem saudade da sua casa: a pátria celeste. Refletem a imagem de todos os seres humanos que não deixaram, na sua vida, anestesiar o próprio coração”, disse Francisco.

Essa saudade, refletiu ainda o Papa, pode ser agente de grandes mudanças.

“A nostalgia de Deus tira-nos para fora dos nossos recintos deterministas, que nos induzem a pensar que nada pode mudar. A nostalgia de Deus é a disposição que rompe com inertes conformismos, impelindo a empenhar-nos na mudança que anelamos e precisamos”.

Surpresa

O Pontífice recordou a surpresa dos reis magos que foram até o palácio de Herodes, lugar em que o senso comum indicaria para o nascimento de um rei. Mas não era assim.

“E foi lá precisamente onde começou o caminho mais longo que tiveram de fazer aqueles homens vindos de longe. Lá teve início a ousadia mais difícil e complicada: descobrir que não se encontrava no palácio aquilo que procuravam, mas estava em outro lugar: e não só geográfico, mas também existencial”.

Assim, o novo rei se manifesta sob o signo da liberdade e não da tirania. Ele não humilha, não escraviza, não aprisiona.

“Como é distante, para alguns, Jerusalém de Belém!”, destacou o Papa ao concluir:

“Os Magos puderam adorar, porque tiveram a coragem de caminhar e, prostrando-se diante do pequenino, prostrando-se diante do pobre, prostrando-se diante do inerme, prostrando-se diante do insólito e desconhecido Menino de Belém, descobriram a Glória de Deus”. (rv0)

 

HOMILIA

“Onde está o Rei dos judeus que acaba de nascer? Vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-Lo” (Mt 2, 2).

Com estas palavras, os Magos, que vieram de terras distantes, explicam o motivo da sua longa caminhada: adorar o Rei recém-nascido. Ver e adorar são duas ações que sobressaem na narração evangélica: vimos uma estrela e queremos adorar.

Estes homens viram uma estrela, que os pôs em movimento. A descoberta de algo fora do comum, que aconteceu no céu, desencadeou uma série inumerável de acontecimentos. Não era uma estrela que brilhou exclusivamente para eles, nem possuíam um DNA especial para a descobrir.

Como justamente reconheceu um Pai da Igreja, os Magos não se puseram a caminho porque tinham visto a estrela, mas viram a estrela porque se tinham posto a caminho (cf. João Crisóstomo). Mantinham o coração fixo no horizonte, podendo assim ver aquilo que lhes mostrava o céu, porque havia neles um desejo que a tal os impelia: estavam abertos a uma novidade.

Os Magos nos dão, assim, o retrato da pessoa que acredita, da pessoa que tem nostalgia de Deus; o retrato de quem sente a falta da sua casa: a pátria celeste. Refletem a imagem de todos os seres humanos que não deixaram, na sua vida, anestesiar o próprio coração.

Esta nostalgia santa de Deus brota no coração que acredita, porque sabe que o Evangelho não é um acontecimento do passado, mas do presente. A nostalgia santa de Deus permite-nos manter os olhos abertos contra todas as tentativas de restringir e empobrecer a vida. A nostalgia santa de Deus é a memória fiel que se rebela contra tantos profetas de desgraça. É esta nostalgia que mantém viva a esperança da comunidade fiel que implora, semana após semana, com estas palavras: «Vinde, Senhor Jesus!»

Era precisamente esta nostalgia que impelia o velho Simeão a ir ao Templo todos os dias, tendo a certeza de que a sua vida não acabaria sem ter nos braços o Salvador. Foi esta nostalgia que impeliu o filho pródigo a sair de uma conduta autodestrutiva e procurar os braços de seu pai. Era esta nostalgia que sentia no seu coração o pastor, quando deixou as noventa e nove ovelhas para ir à procura da que se extraviara.

E foi também o que sentiu Maria Madalena na madrugada do Domingo de Páscoa, fazendo-a correr até ao sepulcro e encontrar o seu Mestre ressuscitado. A nostalgia de Deus tira-nos para fora dos nossos recintos deterministas, que nos induzem a pensar que nada pode mudar. A nostalgia de Deus é a disposição que rompe com inertes conformismos, impelindo a empenhar-nos na mudança que anelamos e precisamos.

A nostalgia de Deus tem as suas raízes no passado, mas não se detém lá: vai à procura do futuro. Impelido pela sua fé, o fiel «nostálgico» vai à procura de Deus, como os Magos, nos lugares mais recônditos da história, pois está seguro, em seu coração, de que lá o espera o seu Senhor. Vai à periferia, à fronteira, aos lugares não evangelizados, para poder encontrar-se com o seu Senhor; e não o faz, seguramente, com uma atitude de superioridade, mas como um mendigo que se dirige a alguém aos olhos de quem a Boa Nova é um terreno ainda a explorar.

Entretanto no palácio de Herodes que distava poucos quilômetros de Belém, animados de procedimento oposto, não se tinham apercebido do que estava a acontecer. Enquanto os Magos caminhavam, Jerusalém dormia; dormia em conluio com Herodes que, em vez de andar à procura, dormia também. Dormia sob a anestesia de uma consciência cauterizada.

E ficou perturbado; teve medo. É aquela perturbação que leva a pessoa, à vista da novidade que revoluciona a história, a fechar-se em si mesma, nos seus resultados, nos seus conhecimentos, nos seus sucessos. A perturbação de quem repousa na sua riqueza, incapaz de ver mais além. É a perturbação que nasce no coração de quem quer controlar tudo e todos; uma perturbação própria de quem vive imerso na cultura que impõe vencer a todo o custo, na cultura onde só há espaço para os “vencedores” e a qualquer preço.

Uma perturbação que nasce do medo e do temor face àquilo que nos interpela, pondo em risco as nossas seguranças e verdades, o nosso modo de nos apegarmos ao mundo e à vida. E Herodes teve medo, e aquele medo levou-o a procurar segurança no crime: «Necas parvulos corpore, quia te necat timor in corde – matas o corpo das crianças, porque o temor te matou o coração» (São Quodvultdeus, Sermo 2 de Symbolo: PL 40, 655).

Queremos adorar. Aqueles homens vieram do Oriente para adorar, decididos a fazê-lo no lugar próprio de um rei: no Palácio. Aqui chegaram eles com a sua busca; era o lugar idôneo, porque é próprio de um rei nascer em um palácio, ter a sua corte e os seus súditos. É sinal de poder, de êxito, de vida bem-sucedida.

E pode-se esperar que o rei seja reverenciado, temido e lisonjeado; mas não necessariamente amado. Estes são os esquemas mundanos, os pequenos ídolos a quem prestamos culto: o culto do poder, da aparência e da superioridade. Ídolos que prometem apenas tristeza e escravidão.

E foi lá precisamente onde começou o caminho mais longo que tiveram de fazer aqueles homens vindos de longe. Lá teve início a ousadia mais difícil e complicada: descobrir que não se encontrava no Palácio aquilo que procuravam, mas estava em outro lugar: e não só geográfico, mas também existencial.

Lá não veem a estrela que os levava a descobrir um Deus que quer ser amado, e isto só é possível sob o signo da liberdade e não da tirania; descobrir que o olhar deste Rei desconhecido – mas desejado – não humilha, não escraviza, não aprisiona.

Descobrir que o olhar de Deus levanta, perdoa, cura. Descobrir que Deus quis nascer onde não o esperávamos, onde talvez não o quiséssemos; ou onde muitas vezes o negamos. Descobrir que, no olhar de Deus, há lugar para os feridos, os cansados, os maltratados e os abandonados: que a sua força e o seu poder se chamam misericórdia.

Como é distante, para alguns, Jerusalém de Belém!

Herodes não pode adorar, porque não quis nem pôde mudar o seu olhar. Não quis deixar de prestar culto a si mesmo, pensando que tudo começava e terminava nele. Não pôde adorar, porque o seu objetivo era que o adorassem a ele. Nem sequer os sacerdotes puderam adorar, porque sabiam muito, conheciam as profecias, mas não estavam dispostos a caminhar nem a mudar.

Os Magos sentiram nostalgia, não queriam mais as coisas usuais. Estavam habituados, dominados e cansados dos Herodes do seu tempo. Mas lá, em Belém, havia uma promessa de novidade, uma promessa de gratuidade. Lá estava a acontecer algo de novo.

Os Magos puderam adorar, porque tiveram a coragem de caminhar e, prostrando-se diante do pequenino, prostrando-se diante do pobre, prostrando-se diante do inerme, prostrando-se diante do insólito e desconhecido Menino de Belém, descobriram a Glória de Deus.

 

Luz de Jesus vence as trevas, afirma Papa no Angelus 

Sexta-feira, 6 de janeiro de 2017, Rádio Vaticano

No Angelus, Papa convidou a todos “a não ter medo desta luz e abrir-se ao Senhor”

Cabe a nós escolher qual estrela seguir. Mas saindo de nossa acomodação e buscando a luz de Jesus, encontraremos a alegria verdadeira. Na Solenidade da Epifania, o Papa Francisco rezou o Angelus com cerca de 35 mil, convidando a todos “a não ter medo desta luz e abrir-se ao Senhor”. A sensação térmica na Praça São Pedro era abaixo de zero.

“O símbolo desta luz que resplandece no mundo e quer iluminar a vida de cada um – disse o Papa no início de sua reflexão – é a estrela que guiou os Magos a Belém”. Eles a viram despontar no horizonte e “decidiram segui-la, deixaram-se guiar pela estrela de Jesus”, “uma luz estável, uma luz gentil, que não se apaga, porque não é deste mundo, vem do céu, e resplandece no coração”:

“Também na nossa vida existem diversas estrelas, luzes que brilham e orientam. Cabe a nós escolher quais seguir. Por exemplo, existem luzes intermitentes, que vão e vem, como as pequenas satisfações na vida: ainda que boas, não são suficientes, porque duram pouco e não deixam a paz que buscamos. Existem depois as luzes deslumbrantes do dinheiro e do sucesso, que prometem tudo e logo: são sedutoras, com a sua força cegam e fazem passar dos sonhos de glória à escuridão mais densa”.

A luz verdadeira – reiterou o Papa – é o próprio Jesus, “ele é a nossa luz, uma luz que não ilude, mas acompanha e dá uma alegria única. Esta luz é para todos e chama a cada um: Levanta-te, reveste-te de luz”. Uma luz – a de Jesus – à qual somos chamados a seguir no início de cada novo dia, “entre as tantas estrelas cadentes no mundo (…). Seguindo-a, teremos a alegria, como acontece aos Reis Magos, que ao ver a estrela experimentaram uma alegria grandíssima, porque onde está Deus, ali há alegria”:

“Quem encontrou Jesus, experimentou a alegria da luz que ilumina as trevas e conhece esta luz que ilumina e irradia. Gostaria, com muito respeito, convidar a todos a não ter medo desta luz e abrir-se ao Senhor. Sobretudo gostaria de dizer a quem perdeu a força, está cansado, a quem, sobrecarregado pelas obscuridades da vida, perdeu o ânimo: levanta-te, coragem, a luz de Jesus sabe vencer as trevas mais obscuras, levanta-te, coragem”.

Para encontrar esta luz – recomendou o Papa –  devemos seguir o exemplo dos Magos, que o Evangelho descreve como “sempre em movimento”, “sair de si e buscar, não ficar fechado olhando o que acontece ao redor, mas arriscar a própria vida”:

“A vida cristã é um caminho contínuo, feito de esperança e feito de busca; um caminho que, como o dos Magos, prossegue também quando a estrela desaparece momentaneamente da vista. Neste caminho existem também insídias que devem ser evitadas: as conversas superficiais e mundanas, que freiam o passo; os caprichos paralisantes do egoísmo; o pessimismo, que aprisiona a esperança”.

“Não basta saber que Deus nasceu, se não se faz com Ele Natal no coração”, alertou Francisco. Os Magos fizeram isto, prostraram-se e o adoraram. “Não olharam para ele somente, não fizeram somente uma oração circunstancial e foram embora, mas o adoraram, “entraram em comunhão pessoal de amor com Jesus. Depois, deram a ele ouro, incenso e mirra, isto é, os bens mais preciosos”.

Neste sentido, o Papa exorta a aprendermos dos Magos a não dedicar a Jesus somente os “retalhos de tempo e algum pensamento de vez em quando, pois assim não teremos a sua luz”, mas devemos sim, “nos colocam a caminho, revestindo-nos de luz seguindo a estrela de Jesus e adorar o Senhor com todo nosso ser”.

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