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Fazer o bem com ações concretas, não com palavras, pede Papa

Terça-feira, 14 de março de 2017, Da Redação, com Rádio Vaticano

Retomando as Missas diárias, Papa indicou caminho da conversão quaresmal: fazer o bem com ações, não com palavras

Depois do retiro de Quaresma, o Papa retomou nesta terça-feira, 14, a celebração da Missa na capela da Casa Santa Marta, onde reside no Vaticano. Na homilia de hoje, ele indicou o caminho da conversão quaresmal, inspirando-se na primeira Leitura: fazer o bem com ações concretas, não com palavras.

O Profeta Isaías exorta a afastar-se do mal e a aprender a fazer o bem, um binômio inseparável neste percurso. Francisco explicou que cada pessoa faz algo de mau todos os dias, o problema está em se acostumar a viver nas “coisas feias”; é preciso afastar-se daquilo que envenena a alma e a torna pequena. É preciso aprender a fazer o bem, pontuou o Santo Padre.

“Não é fácil fazer o bem: devemos aprendê-lo, sempre. E Ele nos ensine. Mas: aprendam. Como as crianças. No caminho da vida, da vida cristã se aprende todos os dias. Deve-se aprender todos os dias a fazer algo, a ser melhores do que o dia anterior. Aprender. Afastar-se do mal e aprender a fazer o bem: esta é a regra da conversão. Porque converter-se não é consultar uma fada que com a varinha de condão nos converte: não! É um caminho. É um caminho de afastar-se e de aprender”.
Portanto, necessita-se coragem para afastar-se e humildade para aprender a fazer o bem que se explicita em fatos concretos”.

“Ele, o Senhor, aqui diz três ações concretas, mas existem muitas outras: busquem a justiça, socorram o oprimido, façam justiça ao órfão, defendam a causa da viúva… mas, ações concretas. Aprende-se a fazer o bem com ações concretas, não com palavras. Com fatos… Por isso, Jesus, no Evangelho que ouvimos, repreende esta classe dirigente do povo de Israel, porque ‘diz e não faz’, não conhecem a concretude. E se não há concretude, não pode haver a conversão”.

Depois, a primeira leitura prossegue com o convite do Senhor: “Vinde, debatamos”. “Vinde”: uma bela palavra, disse Francisco, uma palavra que Jesus dirigiu aos paralíticos, à filha de Jairo, assim como ao filho da viúva de Naim. E Deus nos dá uma mão para “ir”. E é humilde, se abaixa muito para dizer: “Vinde, debatamos”. O Papa ressaltou o modo com que Deus ajuda: caminhando junto, para ajudar o homem, para explicar as coisas, para tomá-los pela mão. O Senhor é capaz de fazer este milagre, isto é de transformar o homem, não de um dia para outro, mas no caminho.

“Convite à conversão, afastem-se do mal, aprendam a fazer o bem … ‘Vinde, debatamos, vinde a mim, debatamos e prossigamos’. ‘Mas tenho muitos pecados …’ – ‘Mas não se preocupe: se os seus pecados são como escarlate, se tornarão brancos como a neve’. E este é o caminho da conversão quaresmal. Simples. É um Pai que fala, é um Pai que nos quer bem, nos quer bem, bem. E nos acompanha neste caminho de conversão. Ele nos pede somente que sejamos humildes. Jesus diz aos dirigentes: ‘Quem se exaltar, será humilhado e quem se humilhar será exaltado’”.

Este é, portanto, o caminho da conversão quaresmal: afastar-se do mal, aprender a fazer o bem, levantar-se e ir com Ele. “Então, os nossos pecados serão todos perdoados”.

Santo Evangelho (Mt 6, 1-6.16-18)

Quarta-feira de Cinzas – Quarta-feira 01/03/2017

Primeira Leitura (Jl 2,12-18)
Leitura da Profecia de Joel:

12“Agora, diz o Senhor, voltai para mim com todo o vosso coração, com jejuns, lágrimas e gemidos; 13rasgai o coração, e não as vestes; e voltai para o Senhor, vosso Deus; ele é benigno e compassivo, paciente e cheio de misericórdia, inclinado a perdoar o castigo”. 14Quem sabe, se ele se volta para vós e vos perdoa, e deixa atrás de si a bênção, oblação e libação para o Senhor, vosso Deus? 15Tocai trombeta em Sião, prescrevei o jejum sagrado, convocai a assembleia; 16congregai o povo, realizai cerimônias de culto, reuni anciãos, ajuntai crianças e lactentes; deixe o esposo seu aposento, e a esposa, seu leito. 17Chorem, postos entre o vestíbulo e o altar, os ministros sagrados do Senhor, e digam: “Perdoa, Senhor, a teu povo, e não deixes que esta tua herança sofra infâmia e que as nações a dominem”. Por que se haveria de dizer entre os povos: “Onde está o Deus deles?” 18Então o Senhor encheu-se de zelo por sua terra e perdoou ao seu povo.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Responsório (Sl 50)

— Misericórdia, ó Senhor, pois pecamos!
— Misericórdia, ó Senhor, pois pecamos!

— Tende piedade, ó meu Deus, misericórdia!/ Na imensidão do vosso amor, purificai-me!/ Lavai-me todo inteiro do pecado/ e apagai completamente a minha culpa!

— Eu reconheço toda a minha iniquidade,/ o meu pecado está sempre à minha frente./ Foi contra vós, só contra vós, que eu pequei,/ pratiquei o que é mau aos vossos olhos!

— Criai em mim um coração que seja puro,/ dai-me de novo um espírito decidido./ Ó Senhor, não me afasteis de vossa face,/ nem retireis de mim o vosso Santo Espírito!

— Dai-me de novo a alegria de ser salvo/ e confirmai-me com espírito generoso!/ Abri meus lábios, ó Senhor, para cantar,/ e minha boca anunciará vosso louvor!

 

Segunda Leitura (2Cor 5,20 – 6,2)
Leitura da Segunda Carta de São Paulo aos Coríntios:

Irmãos: 20Somos embaixadores de Cristo, e é Deus mesmo que exorta através de nós. Em nome de Cristo, nós vos suplicamos: deixai-vos reconciliar com Deus. 21Aquele que não cometeu nenhum pecado, Deus o fez pecado por nós, para que nele nós nos tornemos justiça de Deus. 6,1Como colaboradores de Cristo, nós vos exortamos a não receberdes em vão a graça de Deus, 2pois ele diz: “No momento favorável, eu te ouvi e, no dia da salvação, eu te socorri”. É agora o momento favorável, é agora o dia da salvação.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Anúncio do Evangelho (Mt 6,1-6.16-18)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus.
— Glória a vós, Senhor!

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 1“Ficai atentos para não praticar a vossa justiça na frente dos homens, só para serdes vistos por eles. Caso contrário, não recebereis a recompensa do vosso Pai que está nos céus. 2Por isso, quando deres esmola, não toques a trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem elogiados pelos homens. Em verdade vos digo: eles já receberam a sua recompensa. 3Ao contrário, quando deres esmola, que a tua mão esquerda não saiba o que faz a tua mão direita, 4de modo que a tua esmola fique oculta. E o teu Pai, que vê o que está oculto, te dará a recompensa. 5Quando orardes, não sejais como os hipócritas, que gostam de rezar de pé, nas sinagogas e nas esquinas das praças, para serem vistos pelos homens. Em verdade vos digo: eles já receberam a sua recompensa. 6Ao contrário, quando orares, entra no teu quarto, fecha a porta, e reza ao teu Pai que está oculto. E o teu Pai, que vê o que está escondido, te dará a recompensa. 16Quando jejuardes, não fiqueis com o rosto triste como os hipócritas. Eles desfiguram o rosto, para que os homens vejam que estão jejuando. Em verdade vos digo: eles já receberam a sua recompensa. 17Tu, porém, quando jejuares, perfuma a cabeça e lava o rosto, 18para que os homens não vejam que tu estás jejuando, mas somente teu Pai, que está oculto. E o teu Pai, que vê o que está escondido, te dará a recompensa”.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

 

A IGREJA CATÓLICA CELEBRA E VENERA HOJE
São Rosendo – Jovem bispo de Mondoñedo 

São Rosendo, sinal de reconciliação e esperança, deixou por onde passou muitos filhos espirituais

São Rosendo nasceu no ano de 907, em Monte Córdova, dentro de uma família muito religiosa. Seus pais foram o Conde D. Guterre Mendez de Árias e Santa Ilduara.

Adolescente, passou Rosendo a Mondoñedo, onde seu tio paterno, Savarico, era bispo. É de presumir que tenha prosseguido os estudos nalgum mosteiro beneditino.

Em 925, apenas com dezoito anos, sucede ao bispo de Mondoñedo, sendo muito bem recebido. Esforçou-se por restabelecer e e consolidar a paz, reconstruindo – ajudado pelos pais – os mosteiros e igrejas que tinham sofrido com a desordem. Assim serenou e conquistou os abades de toda a Galiza, que formavam a nobreza eclesiástica; e atraiu a nobreza civil, a que estava muito ligado pelo sangue. Libertou os escravos dependentes da mitra e trabalhou para que os outros senhores fizessem o mesmo; ficou sendo o pai de todos os libertos.

Depois de ser bispo de Mondoñedo, passou a sê-lo de Dume. Veio a Portugal visitar o mosteiro em que era abadessa sua parente, Santa Senhorinha. Desejando apresentar uma comunidade-modelo, conseguiu regressar e edificar um grande mosteiro, depois de um irmão e uma prima lhe terem cedido a quinta de Villar, na diocese de Orense. Obteve doações de ricos e pobres, sobretudo da mãe. Ao fim de oito anos de construção, num domingo do ano de 942 inaugurou a casa, que se ficou chamando Celanova: recebeu as felicitações de 11 bispos da Galiza e de Leão; foi saudado por 24 condes; prestaram-lhe homenagem muitos abades, presbíteros, diáconos e monges; e ouviu os aplausos da multidão.

Ficou abade de Celanova o monge Franquila. E São Rosendo voltou a Mondoñedo a extinguir rancores, sufocar conspirações, acalmar avarezas e pacificar famílias. Entre 944 e 948, depois de renunciar o bispado, retirou-se para Celanova. Mas foi preciso que substituísse alguns parentes seus, na autoridade que lhes pertencera, pois esses tinham-se revoltado contra Ordonho III (955). Administrou a diocese de Iria-Compostela pelo ano de 970, quando a região era assolada por violentas incursões normandas.

Veio a falecer em Celanova, no 1º de março de 977, com testamento que reflete fé, ciência escriturística, humildade, amor à Ordem Beneditina, predileção por Celanova e desejo de viver na eternidade como vivera os seus dias de afadigado peregrinar na terra: “sob a providência de Deus”.

São Rosendo, rogai por nós!

Papa no Angelus: ser artesãos de comunhão e fraternidade

Papa Francisco durante Angelus deste domingo – REUTERS
 
Cidade do Vaticano (RV) – O Papa Francisco rezou a oração mariana do Angelus, deste domingo (19/2/2017), com os fiéis e peregrinos reunidos na Praça São Pedro.

Segundo o Pontífice, o Evangelho deste domingo “é uma das páginas que expressam melhor a revolução cristã. Jesus mostra o caminho da verdadeira justiça através da lei do amor que supera a de talião, ou seja, olho por olho e dente por dente. Esta regra antiga obrigava a infligir aos transgressores penas equivalentes aos danos causados: a morte a quem tinha matado, a amputação de quem tinha ferido alguém, e assim por diante. Jesus não pede aos seus discípulos para sofrer o mal, ao contrário, pede para reagir, porém não causando outro mal, mas com o bem”.
 
Bem

“Somente assim, se quebra a cadeia do mal, um mal causa outro mal. Quebra-se esta cadeira do mal e mudam-se realmente as coisas. O mal, de fato, é um vazio, um vazio do bem, e um vazio não pode ser preenchido com outro vazio, mas somente com um cheio, ou seja, com o bem. A retaliação nunca leva à resolução de conflitos. Você me fez isso. Vai me pagar! Isso não resolve um conflito, e não é cristão”.

“Para Jesus a rejeição da violência pode comportar também a renúncia a um direito legítimo e Ele dá alguns exemplos: oferecer a outra face, ceder também o manto ou o próprio dinheiro, aceitar outros sacrifícios. Mas esta renúncia não significa dizer que as exigências da justiça são ignoradas ou contrariadas, pelo contrário, o amor cristão, que se manifesta de modo especial na misericórdia, representa uma realização superior da justiça.”
 
Distinção

“O que Jesus quer nos ensinar é a distinção clara que devemos fazer entre justiça e vingança. Distinguir entre justiça e vingança. A vingança nunca é justa. Nos é permitido pedir justiça. É nosso dever praticar a justiça, mas somos proibidos de nos vingar ou fomentar de nenhuma forma a vingança, pois é expressão de ódio e violência.”
 
“Jesus não quer propor uma nova ordem civil, mas sim o mandamento do amor ao próximo, que também inclui o amor pelos inimigos: ‘Amem os seus inimigos, e rezem por aqueles que perseguem vocês!’ Isso não é fácil! Esta palavra não deve ser entendida como uma aprovação do mal perpetrado pelo inimigo, mas como um convite a uma perspectiva superior, uma perspectiva magnânima, semelhante a do Pai Celeste, que ‘faz nascer o seu sol sobre maus e bons, e faz chover sobre os justos e injustos’. O inimigo também é uma pessoa humana, criada como tal à imagem de Deus, embora no presente esta imagem seja ofuscada por uma má conduta.”

Artesãos

Segundo o Papa, “quando falamos de ‘inimigos’ não devemos pensar nas pessoas diferentes e distantes de nós; falamos também de nós mesmos, que podemos entrar em conflito com o nosso próximo, às vezes com os nossos familiares. Quantas inimizades nas famílias, quantas! Pensemos nisso! Inimigos são também aqueles que falam mal de nós, que nos caluniam e nos enganam. Não é fácil digerir isso. A todos eles, somos chamados a responder com o bem, que também tem as suas estratégias, inspiradas pelo amor”.

“Que a Virgem Maria nos ajude a seguir Jesus neste caminho exigente, que realmente exalta a dignidade humana e nos faz viver como filhos do nosso Pai que está nos céus. Nos ajude a praticar a paciência, o diálogo, o perdão, e a ser artesãos de comunhão, artesãos de fraternidade em nossa vida cotidiana, sobretudo em nossa família.”

(MJ)

IV Domingo do Tempo Comum – Ano A

A vida humana é uma procura constante da felicidade. Todos procuramos ser felizes na vida. Todavia, onde é que se procura a felicidade? As bem-aventuranças de Jesus são a sua proposta: um modelo de vida, um conjunto de valores que, segundo Ele podem fazer-nos felizes. O texto das bem-aventuranças, apesar de ser tão conhecido, é sempre surpreendente, porque contém pensamentos e refrões que poderão, ao primeiro contacto, causar confusão, perturbação e estranheza. Jesus diz que serão felizes “os pobres em espírito… os humildes… os que choram… os que têm fome e sede de justiça… os misericordiosos… os puros de coração… os que promovem a paz… os que sofrem perseguição por amor da justiça. As bem-aventuranças resumem toda a Boa Nova de Jesus, são o convite de Jesus a todos aqueles que O querem seguir, são uma proclamação profética do espírito e das atitudes de todos aqueles que optam pelo reino. Jesus diz que só serão felizes aqueles que colocam toda a sua confiança no Senhor, relativizando tudo o resto, ou seja, aqueles que vivem no desprendimento, na humildade, no desejo de justiça, de interesse e de preocupação com os problemas dos outros. Evidentemente que estamos aqui a falar de uma felicidade autêntica, profunda, ou seja, de uma felicidade que vai mais além dos prazeres ou das satisfações superficiais. Esta é a felicidade que reside no interior de cada pessoa, no íntimo diálogo transcendente; esta é a felicidade que nos indica a salvação.
Bem sabemos que estes valores não são hoje apresentados como modelo pela nossa sociedade. Por isso compreende-se que os caminhos de Deus não são os nossos, ou seja, que a vontade de Deus nem sempre coincide com a nossa vontade, que o modelo de Jesus não é o modelo do mundo. A partir da visão cristã, a noção de felicidade transforma-se, altera-se. As leituras que precedem o evangelho ajudam-nos a compreender esta mensagem. Por exemplo, na primeira leitura, o profeta Sofonias aconselha: “Procurai o Senhor, vós todos os humildes da terra… procurai a justiça, procurai a humildade”. Concluímos, assim, que os humildes, os simples, os que vivem um amor desinteressado estão mais próximos do Senhor, porque O acolhem no seu coração. O salmo responsorial diz-nos que “o Senhor faz justiça aos oprimidos, dá pão aos que têm fome e a liberdade aos cativos”, cuida especialmente dos cegos, dos abatidos, dos justos, dos peregrinos, dos órfãos e das viúvas. É como se Deus “transformasse” a ordem das coisas: onde há motivos para a angústia, o Senhor irradia felicidade. Por isso, é muito oportuna a reflexão de São Paulo na segunda leitura: “Vede quem sois vós, os que Deus chamou: não há muitos sábios, naturalmente falando, nem muitos influentes, nem muitos bem-nascidos. Mas Deus escolheu o que é louco aos olhos do mundo para confundir os sábios; escolheu o que é fraco, para confundir o forte; escolheu o que é vil e desprezível, o que nada vale aos olhos do mundo, para reduzir a nada aquilo que vale. É por Ele que vós estais em Cristo Jesus, o qual Se tornou para nós sabedoria de Deus, justiça, santidade e redenção”.
O caminho das bem-aventuranças, o caminho da felicidade, o caminho de “seguir Jesus” é este: um caminho que se faz todos os dias, crescendo gradualmente, com esforço e com vontade. É um caminho que vale a pena, porque nos conduz à felicidade, à verdadeira alegria: “Alegrai-vos e exultai, porque é grande nos Céus a vossa recompensa”.

 

Bem-aventurança: os traços do rosto humano de Deus
Dom Antônio

Nesta Missa de encerramento do Acampamento das Famílias, cujo tema central foi “Jesus visita a minha família”, nós queremos ouvir o que Jesus tem a nos dizer. Primeiro ponto de reflexão é ver como nós lidamos com o ser e o ter, com o ser e o fazer.
As leituras de hoje nos levam a refletir sobre o que estou escolhendo em minha vida: Estou escolhendo o ser ou o fazer? Na primeira leitura ouvimos o Espírito Santo nos falar que precisamos ser humildes, ser verdadeiros, ser justos. Já na segunda leitura Ele nos diz que precisamos ser conscientes das escolhas divinas e, no Evangelho, Jesus nos chama a ser como Ele foi. Nós temos que ver as bem-aventuranças como que o perfil de Deus na humanidade.
As bem-aventurança são os traços do rosto humano de Deus . “Bem-aventurados os pobres em espírito porque deles é o Reino dos Céus”. Jesus nasceu pobre e viveu desprendido de tudo, morreu até sem a roupa do corpo.
“Bem-aventurados os mansos porque possuirão a terra”. E com que mansidão Jesus dizia e corrigia os discípulos e com que mansidão Ele ensinava o povo.
“Bem-aventurados os misericordiosos, porque encontrarão misericórdia”. E com que misericórdia e compaixão Jesus olhava cada uma das pessoas que Ele encontrava.
“Bem-aventurados os pacíficos”. E esta era uma das palavras que Jesus mais se utilizava “A paz esteja convosco”.
As bem-aventuranças são um perfil de Cristo. Cristo visita a nossa família quando cada um exerce o seu papel, quando sabemos ser o rosto d’Ele para o outro.
Como é agradável viver em uma família que é desprendida das coisas materiais, no qual um sabe se entregar verdadeira e inteiramente ao outro. Não por uma razão econômica, essa questão do desapego e do desprendimento material não é apenas para se fazer um sacrifício. A verdadeira razão é para que se tenha o coração disposto e aberto para o amor.
“Bem-aventurados os pacíficos”. Cristo visita uma casa quando as pessoas são pacificadoras, pacificam os corações preocupados e as vidas agitadas, pessoas que pacificam os ambientes. Somos convidados a transformar os nossos lares em verdadeiros recantos de paz, um verdadeiro gerador de paz para o mundo. Somos convidados a ser semeadores da paz.
“Bem-aventurados os perseguidos”. Cristo visita uma casa quando ela sofre perseguições por amor a Ele. Temos que aprender como conviver e amar as pessoas que convivem conosco: nosso irmão, nosso pai, nosso esposo, nossa esposa e nossos filhos. Precisamos saber sofrer com os defeitos das pessoas do nosso lado. Precisamos aprender a amar o outro como ele é. É com amor e não com ardor que as pessoas mudam. O bom ladrão mudou ao ver o amor de Cristo na Cruz.
Temos que viver as bem-aventuranças porque elas são os traços do rosto humano de Deus no mundo. E se nós quisermos ter o rosto divino estampado em nosso semblante, temos que viver as bem-aventuranças. Por isso precisamos ser bem-aventurados e, por mais que o mundo queira retirar os símbolos religiosos do mundo, não conseguirão retirar do nosso semblante o retrato de Cristo.
Por isso as leituras de hoje nos convidam a escolhermos sempre o ser, e colocar o ter e o fazer em um patamar inferior. Então temos aqui um belo programa de vida: Cristo visita a nossa casa se realmente as bem-aventuranças passam as ser não apenas o que você tem que fazer, mas sim aquilo que cada um de nós tem que ser.

 

Bem-aventuranças, programa de vida
Intervenção por ocasião do Ângelus
CIDADE DO VATICANO, domingo, 30 de janeiro de 2011 (ZENIT.org) – Apresentamos as palavras que Bento XVI dirigiu hoje, ao rezar a oração mariana do Ângelus junto a milhares de peregrinos reunidos na Praça de São Pedro.
* * *
Queridos irmãos e irmãs:
Neste quarto domingo do Tempo Comum, o Evangelho apresenta o primeiro grande discurso que o Senhor dirige ao povo, sobre as doces colinas ao redor do lago da Galileia. “Vendo as multidões – escreve São Mateus -, Jesus subiu à montanha e sentou-se. Os discípulos aproximaram-se. E Ele começou a ensinar” (Mt 5, 1-2). Jesus, o novo Moisés, “assume a ‘cátedra da montanha” (Jesus de Nazaré, 2007) e proclama “bem-aventurados” os pobres de espírito, os que choram, os misericordiosos, os que têm fome e sede de justiça, os limpos de coração, os perseguidos (cf.  Mt 5, 3-10). Não se trata de uma nova ideologia, mas de ensinamento que procede do alto e que diz respeito à condição humana, que o Senhor, ao encarnar-se, quis assumir para salvar. Por esta razão, “o Sermão da Montanha é dirigido a todos, no presente e no futuro… e só pode ser compreendido e vivido no seguimento de Jesus, caminhando com Ele” (Jesus de Nazaré). As bem-aventuranças são um novo programa de vida para se livrar dos falsos valores do mundo e abrir-se aos verdadeiros bens presentes e futuros. Quando Deus conforta, sacia a fome de justiça, enxuga as lágrimas dos que choram, isso significa que, além de recompensar cada um de forma sensível, abre o Reino do Céu. “As bem-aventuranças são a transposição da cruz e da ressurreição na existência dos discípulos” (ibid.). Refletem a vida do Filho de Deus, que se deixa perseguir, desprezar até a sentença de morte para dar a salvação aos homens.
Um velho ermitão disse: “As bem-aventuranças são dons de Deus e devemos realmente agradecer por tê-las recebido e pelas recompensas que delas derivam, ou seja, o Reino do Céu na vida futura, o consolo aqui, a plenitude de todo bem e a misericórdia de Deus (…), quando a pessoa se converteu em imagem de Cristo sobre a terra” (Pedro de Damasco, em Filocalia, volumen 3, Turim 1985, p. 79). O Evangelho das bem-aventuranças é comentado na própria história da Igreja, a história da santidade cristã, porque – como escreve São Paulo – “o que para o mundo é loucura, Deus o escolheu para envergonhar os sábios, e o que para o mundo é fraqueza, Deus o escolheu para envergonhar o que é forte. Deus escolheu o que no mundo não tem nome nem prestígio, aquilo que é nada, para assim mostrar a nulidade dos que são alguma coisa” (1 Coríntios 1, 27-28). Por esta razão, a Igreja não tem medo da pobreza, do desprezo, da perseguição em uma sociedade frequentemente atraída pelo bem-estar material e pelo poder mundano. Santo Agostinho nos lembra que “o que ajuda não é sofrer desses males, mas suportá-los pelo nome de Jesus, não só com espírito sereno, mas inclusive com alegria” (De sermone Domini in monte, I, 5,13: CCL 35, 13).
Queridos irmãos e irmãs: invoquemos a Virgem Maria, a bem-aventurada por excelência, pedindo a força de buscar o Senhor (cf. Sofonias 2, 3) e de segui-lo sempre, com alegria, pelo caminho das bem-aventuranças.
[Tradução: Aline Banchieri. © Libreria Editrice Vaticana]

 

Diante de falsos valores, Bento XVI apresenta bem-aventuranças
São o programa de vida do cristão, afirma
CIDADE DO VATICANO, domingo, 30 de janeiro de 2011 (ZENIT.org) – Bento XVI apresentou hoje as bem-aventuranças como o programa de vida dos cristãos diante dos falsos valores do mundo.
Foi a proposta que fez ao rezar a oração mariana do Ângelus, junto a milhares de peregrinos reunidos na Praça de São Pedro, com quem comentou a passagem evangélica da liturgia deste dia, o sermão que Jesus pronunciou para proclamar “bem-aventurados” os pobres de espírito, os que choram, os misericordiosos, os que têm fome e sede de justiça, os limpos de coração, os perseguidos.
“Não se trata de uma nova ideologia, mas de ensinamento que procede do alto e que diz respeito à condição humana, que o Senhor, ao encarnar-se, quis assumir para salvar” explicou o Pontífice.
Pois bem, segundo o Bispo de Roma, as bem-aventuranças não são algo do passado; “o Sermão da Montanha é dirigido a todos, no presente e no futuro”.
“As bem-aventuranças são um novo programa de vida para se livrar dos falsos valores do mundo e abrir-se aos verdadeiros bens presentes e futuros”, sublinhou.
“Quando Deus conforta, sacia a fome de justiça, enxuga as lágrimas dos que choram, isso significa que, além de recompensar cada um de forma sensível, abre o Reino do Céu”, afirmou.
As bem-aventuranças, explicou, “refletem a vida do Filho de Deus, que se deixa perseguir, desprezar até a sentença de morte para dar a salvação aos homens”.
Bento XVI comentou o Evangelho das bem-aventuranças “na própria história da Igreja, a história da santidade cristã, porque – como escreve São Paulo – ‘o que para o mundo é loucura, Deus o escolheu para envergonhar os sábios, e o que para o mundo é fraqueza, Deus o escolheu para envergonhar o que é forte. Deus escolheu o que no mundo não tem nome nem prestígio, aquilo que é nada, para assim mostrar a nulidade dos que são alguma coisa'”.
Por este motivo, concluiu, “a Igreja não tem medo da pobreza, do desprezo, da perseguição em uma sociedade frequentemente atraída pelo bem-estar material e pelo poder mundano”.

 

O nome D`Ele é “defensor dos pobres”
Por Dom Emanuele Bargellini, Prior do Mosteiro da Transfiguração
São Paulo, quinta-feira, 27 de janeiro de 2011 (ZENIT.org) – Apresentamos o comentário à liturgia do próximo domingo – IV do Tempo Comum Sf 2, 3; 3, 12-13; 1 Cor 1, 26-31; Mt 5, 1-12a – redigido por Dom Emanuele Bargellini, Prior do Mosteiro da Transfiguração (Mogi das Cruzes – São Paulo). Doutor em liturgia pelo Pontificio Ateneo Santo Anselmo (Roma), Dom Emanuele, monge beneditino camaldolense, assina os comentários à liturgia dominical, sempre às quintas-feiras, na edição em língua portuguesa da Agência ZENIT.
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IV DOMINGO DO TEMPO COMUM
Leituras: Sf 2, 3; 3, 12-13; 1 Cor 1, 26-31;  Mt 5, 1-12a
Se Deus tem um nome, o nome D`Ele é “defensor dos pobres”.
Não se trata de qualquer pauperismo, não se trata de uma postura para limpar a consciência, não. Trata-se do próprio Nome de Deus. Não é um acaso da história o fato que Deus se manifeste na carne pobre de um menino, gerado por uma pessoa esquecida por todos (Maria), acolhido por pessoas consideradas as últimas da sociedade (os pastores); o próprio lugar onde ele nasce é um lugar para animais, Ele “o homem” por excelência.
Não é um acaso também, que ele acabe a sua vida humana como um malfeitor, considerado injustamente assim, pobreza suprema para Ele, o dispensador de todo Bem. Uma vida entre duas pobrezas, física/pessoal e moral.
Mateus, tão atento à história, destaca claramente esta situação e faz coincidir o início da pregação de Jesus com a proclamação da primeira bem aventurança: “Bem aventurados os pobres em espírito, porque deles é o reino dos céus” (Mt 5,3). Quem é o primeiro cidadão de reino dos céus senão o “pobre” Jesus? E o Mestre convida para esta cidadania os seus ouvintes, isto é, a todos, não somente os discípulos. Os destinatários deste “discurso” são as multidões, vindas de todos os lugares, da Galileia, do outro lado do Jordão, da Decápoli, de Jerusalém.
A mensagem de Jesus não tem fronteiras. Jesus sobe a montanha, lugar onde simbolicamente mora Deus. Este lugar recorda o Sinai, onde foi selada a Aliança entre Deus e o seu povo. Neste sentido as palavras que Jesus  pronuncia aqui, neste lugar, têm o sabor de uma nova Lei promulgada por um novo legislador, o próprio Jesus.
Mas se no deserto o povo não podia aproximar-se de Deus, do contrário ele morreria, hoje ele não só pode, mas, estando “com” Deus ele alcança a vida. Uma vida de felicidade, que é aquela proposta pelas “bem aventuranças”. Uma vida que alcança não um prêmio qualquer, mas a própria posse do Reino dos Céus. Nas bem aventuranças Deus não somente comunica uma mensagem de consolação, não somente cumpre uma revelação sobre os homens que o seguem. Muito mais, ele partilha com eles o Reino do qual ele mesmo é rei. Podemos afirmar que ele associa os homens à posse deste mesmo reino.
Jesus constata a  situação do povo, de pobreza, humilhação, submissão; percebe o esforço que o povo faz para mudar a situação, e o proclama feliz nesta busca, porque esta busca mora no próprio coração de Deus. Assim explica-se como a oitava bem aventurança consegue o mesmo resultado da primeira: “bem aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus” (Mt 5,10).
Estas duas bem aventuranças são as únicas que têm a promessa no presente: de fato, mais que uma promessa, trata-se de uma constatação. Quem é pobre e quem é perseguido, porque busca a justiça, já mora no Reino, como Jesus, o pobre e o justo por excelência, e que já mora no Reino. O que significa a expressão “pobres em espírito”? Fala-se dos “humildes”, independentemente da situação social? Ou dos anawim do Antigo Testamento, isto é, dos que confiam em Deus como última possibilidade, porque estão sem justiça por parte da sociedade?
São eles  também, mas não somente. São aqueles que no profundo do coração de si mesmos (“em espírito”) escolheram a pobreza: não por causa de um amor insano pela miséria, não por um ato de masoquismo social ou pessoal, não por causa de uma ascese tão heróica quanto inútil. Escolheram a pobreza com atitude “profética”: estes pobres anunciam o sonho de Deus para os homens, uma nova sociedade baseada na justiça e na solidariedade. Os pobres sabem partilhar, sabem administrar o tudo de cada um, bem como o tudo de todos. Esta é a nova sociedade amada por Deus porque, mais uma vez, realiza aquilo que Deus realizou pelos homens: o seu tudo tornou-se o tudo de todos, numa oblação sem fim. Eis porque são perseguidos: a presença silenciosa deles é insuportável por uma sociedade baseada num modelo totalmente contrário. Esta sociedade não suporta este modelo e quer eliminá-lo.
Isso acontecia já nos tempos de Jesus; hoje aquela intuição se torna ainda mais profética, ainda mais atual, parece pronunciada para o nosso mundo contemporâneo. Dá para ver como aquela pobreza de que Jesus fala é só parcialmente uma pobreza material. Trata-se de uma pobreza como escolha existencial, de uma postura existencial de simplicidade, de solidariedade, de partilha. Uma postura de unificação interior sobre o que é verdadeiramente essencial.
Se o Reino é algo que está já presente nos pobres e naqueles que lutam por causa da justiça, ao mesmo tempo, ele está em construção. As bem aventuranças que se concluem com uma promessa futura nos falam de um Reino que já aqui neste mundo vai se construindo. Os aflitos não podem se resignar a um sofrimento perene: no reino há uma consolação que vai se construindo através da ação daqueles que sabem detectar os sofrimentos dos homens e se fazem próximos.
Sabem que ninguém no Reino pode ficar sozinho, todos têm um irmão, sobretudo todos têm um Pai. Fazer presente o Pai aos homens aflitos é a capacidade de imaginar e construir vínculos de afeto, amor, presença, para todos aqueles que ficam abalados pelos seus sofrimentos.
A terra (entendida como “situação de vida dos homens”) tem de mudar de propriedade: não estará mais na posse dos violentos, daqueles que imaginam e atuam a possibilidade de estar bem “contra” os outros; a terra é para aqueles que nunca enfrentam o outro com violência, nem para se defender. É para os mansos, como Jesus que acolhe todos os cansados e oprimidos por este mundo violento e neurótico, ele, o puro de coração e o manso. Ele que responde àqueles de mãos fechadas com a mão aberta da mansidão.
A sede de justiça será saciada, não somente porque as relações injustas serão quebradas, mas porque o próprio Deus em Cristo “justificará”, fará de todos homens “justos”, restabelecerá os homens naquela imagem com que Deus os criou, isto é a própria imagem d’Ele. Fazer os homens “justos” será fazer os homens “deuses”, porque Deus é o Justo. Quem conseguirá ser misericordioso, ter um coração semelhante ao coração de Deus, se colocará no mesmo nível de Deus e alcançará por si mesmo o que conseguirá doar.
É a Lei de ouro: fazer aos outros aquilo que queremos seja feito para nós. Lei esta que chega até nós do Antigo Testamento, mas num nível mais profundo, pois não se limita a fazer ações de bondade, mas chega a participar do mesmo coração de Deus, o Misericordioso. Só uma vida totalmente desapegada pode alcançar este dom de Deus, só aquele que tem o olhar totalmente aberto ao outro e ao Outro pode perceber a importância desta bem aventurança que Jesus viveu e anunciou com palavras e com a própria vida, com insistência: misericórdia, para com todos, para sempre.
Esta participação à própria vida de Deus chega a um ponto profundo e máximo na bem aventurança seguinte: os puros de coração verão a Deus. Aquilo que era impossível no Antigo Testamento, aquilo que levava à morte, ver a Deus, se torna possível para os puros de coração, para aqueles que têm um coração unificado, não dividido, concentrado na profundeza e no centro de si mesmo onde mora Deus. É o que Jesus pede para Marta, ter um coração unificado, que não julga, e que sobretudo concentra todas as suas forças na identificação e no serviço do Mestre.
Em verdade, à luz da mensagem evangélica toda, acontece algo de extraordinário: por meio do Cristo Homem/Deus, o homem numa certa maneira não somente fica semelhante, mas participa, segundo a sua ordem na criação, da própria natureza de Deus. Assim, para ele, não somente é possível ver a Deus, mas também ver com os olhos de Deus, experimentar em si o próprio olhar de Deus. Este é o verdadeiro sentido da expressão ´filhos de Deus` que é a promessa da bem aventurança daqueles que buscam a paz: que não se torna somente uma ausência de conflitos, mas muito mais uma definição do próprio discípulo de Jesus. Ele é aquele que busca a paz como aquele acordo fundamental entre o céu e a terra, entre os homens, e dentro do homem em si mesmo.
As duas bem aventuranças dos puros de coração e promotores da paz são deste modo duas faces da mesma realidade profunda, a unificação profunda do homem: num sentido existencial os primeiros, no sentido ético os segundos. Estes homens que vivem nas bem aventuranças são aqueles dos quais o profeta Sofonias proclama ser o resto de Israel que “no nome do Senhor porá sua esperança” (Sf 3,12).
Quem pode participar deste povo, deste resto, será aquele que não é sábio da sabedoria humana, nem poderoso, nem nobre, como nos fala 1 Cor 1, 26-31. Os critérios hermenêuticos para vislumbrar a nova humanidade confundem – diz Paulo aos Coríntios – os costumes e as culturas do mundo, que gloria-se somente em si mesmo. Paulo nos apresentará a estrada mestra para reinterpretar a vida em Deus que, ao final, permanece a única e verdadeira maneira de se tornar verdadeiros homens e permanecer nisso.

 

QUARTO DOMINGO COMUM
Mt 5, 1-12ª “Fiquem alegres e contentes, porque será grande para vocês a recompensa nos céus”

Esses primeiros versículos do Cap. 5 servem ao mesmo tempo como introdução e resumo do Sermão da Montanha. Nos apresentam um retrato das qualidades do(a) verdadeiro(o) discípulo(a), daquele e daquela que, no seguimento de Jesus, procura viver os valores do Reino de Deus. Basta uma leitura superficial para ver que a proposta de Jesus está na contramão da proposta da sociedade vigente – tanto a do tempo de Jesus, como de hoje. Embora com uma linguagem menos contundente do que Lucas (Lc 6, 20-26), o texto de Mateus deixa claro que o seguimento de Jesus exige uma mudança radical na nossa maneira de pensar e viver.
Um primeiro elemento que chama a atenção é o fato de que a primeira e a última bem-aventurança estão com o verbo no presente – o Reino já é dos pobres em espírito e dos perseguidos por causa da justiça – na verdade, as mesmas pessoas, pois os que buscam a justiça são “pobres em espírito”. Eles já vivem a dependência total de Deus, pois só com Ele esses valores podem vigorar. Mas quem luta pela justiça será perseguido – e quem não se empenha nessa luta jamais poderá ser “pobre em espírito”.
As outras bem-aventuranças traçam as características de quem é pobre em espírito. É aflito, por causa das injustiças e do sofrimento dos outros, causados por uma sociedade materialista e consumista. É manso, não no sentido de passivo, mas porque não é movido pelo ódio e violência que marcam a ganância e a truculência dos que dominam, “amansando” os pobres e fracos.
Tem fome da Justiça do Reino, não a dos homens, que tantas vezes não passa de uma legitimação oficial da exploração e privilégio. Tem coração compassivo, como o próprio Pai do Céu, e é “puro de coração”, sem ídolos e falsos valores. Promove a paz, não “a paz que o mundo dá” (Jo 14, 27), mas o “shalom”, a paz que nasce do projeto de Deus, quando existe a justiça do Reino.
Mas, Jesus deixa clara a consequência de assumir esse projeto de vida – a perseguição! Pois um sistema baseado em valores antievangélicos não pode aguentar quem o contesta e questiona, algo que a história dos mártires do nosso Continente testemunha muita bem. Qualquer Igreja cristã que é bem aceita e elogiada pelo sistema hegemônico precisa se questionar sobre a sua fidelidade à vivência das bem-aventuranças do Sermão da Montanha. O martírio (= testemunho) é pedra-de-toque dessa fidelidade.
Continua válido para todos nós, como indivíduos e como comunidades, o desafio de estar “na contramão, com Jesus”, como diz Frei Carlos Mesters. Não somente na contramão da sociedade, mas com uma proposta de construção de uma sociedade fundamentada nos princípios do Sermão da Montanha, os de solidariedade, justiça, fraternidade e paz. No mundo onde estas metas e princípios são chamados da “ladainha dos perdedores”, cabe aos cristãos descobrir meios práticos de concretização desta utopia, a utopia de Deus, que impelia Jesus a doar a sua vida. É o grande desfio de sermos “no mundo, mas não do mundo” como dizia Jesus (Jo 14) e por isso temos que ser “vigilantes” (outro tema do evangelho de Mateus), para que não assumamos os princípios anti-evangélicos do neoliberalismo selvagem, quase por osmose! O mundo é o palco da nossa missão (Jo 16, 18), mas uma missão transformadora, norteada pelas Bem-Aventuranças.

Igreja deve anunciar Cristo e não a si mesma, diz Papa

Domingo, 15 de janeiro de 2017, Da redação, com Rádio Vaticano

“Somente Ele [Cristo] salva o povo do pecado, o liberta e o guia rumo à terra da vida e da liberdade”, afirma Papa no Angelus

No Angelus deste domingo, 15, o Papa Francisco explicou o sentido das palavras do Evangelho do dia (cf. Jo 1,29-34) proferidas por João Batista: “Eis o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”, às margens do Rio Jordão.

Enquanto João batiza as pessoas, homens e mulheres de várias idades, ele afirma que o Reino dos Céus está próximo e que o Messias está para se manifestar. Para isso, explica o Papa, é preciso se preparar, se converter e se comportar corretamente. O batismo é um sinal concreto de penitência. João sabe que o Consagrado está chegando e o sinal para reconhecê-lo é que Nele se pousará o Espírito Santo, que trará o verdadeiro batismo.

“Eis que naquele momento Jesus se apresenta às margens do rio, no peio do povo, dos pecadores, como nós. É o seu primeiro ato público, a primeira coisa que faz quando deixa sua casa de Nazaré: desce à Judeia, vai ao Jordão e se faz batizar por João Batista. Naquele momento, sobre Jesus desce o Espírito Santo em forma de pomba e a voz do Pai o proclama Filho predileto”.

O plano divino se realiza

João fica desconcertado pelo fato de o Messias se ter manifestado de modo tão impensável, em meio aos pecadores. O Papa explicou que iluminado pelo Espírito, João entende que assim se realizava a justiça divina, o plano de salvação de Deus, que “como Cordeiro de Deus, toma para si os pecados do mundo”.

Esta cena, segundo o Pontífice, é decisiva para a nossa fé e para a missão da Igreja, que deve indicar Jesus às pessoas, como fazem os padres na missa, todos os dias, quando apresentam o pão e o vinho aos fiéis como o Corpo e o Sangue de Cristo:

Anunciar sempre Jesus

“Este gesto litúrgico representa toda a missão da Igreja, que não anuncia si mesma, mas anuncia Cristo! Ai da Igreja quando anuncia si mesma… perde a bússola, não sabe para onde ir. Ela não leva si mesma, mas leva Cristo, porque é Ele e somente Ele que salva o povo do pecado, o liberta e o guia rumo à terra da vida e da liberdade”.

Concluindo, o Papa rezou a oração mariana do Angelus e pediu a Maria, Mãe do Cordeiro de Deus, que nos ajude a crer Nele e a Segui-Lo.

Santo Evangelho (Mt 3, 13-17)

Batismo do Senhor – Segunda-feira 09/1/2017

Primeira Leitura (Is 42,1-4.6-7)
Leitura do Livro do profeta Isaías:

Assim fala o Senhor: 1”Eis o meu servo — eu o recebo; eis o meu eleito — nele se compraz minh’alma; pus meu espírito sobre ele, ele promoverá o julgamento das nações. 2Ele não clama nem levanta a voz, nem se faz ouvir pelas ruas. 3Não quebra uma cana rachada nem apaga um pavio que ainda fumega; mas promoverá o julgamento para obter a verdade. 4Não esmorecerá nem se deixará abater, enquanto não estabelecer a justiça na terra; os países distantes esperam seus ensinamentos. 6Eu, o Senhor, te chamei para a justiça e te tomei pela mão; eu te formei e te constituí como o centro de aliança do povo, luz das nações, 7para abrires os olhos dos cegos, tirares os cativos da prisão, livrares do cárcere os que vivem nas trevas”.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Salmo Responsorial (Sl 28)

— Que o Senhor abençoe, com a paz, o seu povo!
— Que o Senhor abençoe, com a paz, o seu povo!

— Filhos de Deus, tributai ao Senhor,/ tributai-lhe a glória e poder!/ Dai-lhe a glória devida ao seu nome;/ adorai-o com santo ornamento!

— Eis a voz do Senhor sobre as águas,/ sua voz sobre as águas imensas!/ Eis a voz do Senhor com poder!/ Eis a voz do Senhor majestosa!

— Sua voz no trovão reboando!/ No seu templo os fiéis bradam: “Glória!”/ É o Senhor que domina os dilúvios,/ o Senhor reinará para sempre!

 

Segunda Leitura (At 10,34-38)
Leitura dos Atos dos Apóstolos:

Naqueles dias, 34Pedro tomou a palavra e disse: “De fato, estou compreendendo que Deus não faz distinção entre as pessoas. 35Pelo contrário, ele aceita quem o teme e pratica a justiça, qualquer que seja a nação a que pertença. 36Deus enviou sua palavra aos israelitas e lhes anunciou a Boa-nova da paz, por meio de Jesus Cristo, que é o Senhor de todos. 37Vós sabeis o que aconteceu em toda a Judeia, a começar pela Galileia, depois do batismo pregado por João: 38como Jesus de Nazaré foi ungido por Deus com o Espírito Santo e com poder. Ele andou por toda a parte, fazendo o bem e curando a todos os que estavam dominados pelo demônio; porque Deus estava com ele”.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Anúncio do Evangelho (Mt 3,13-17)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 13Jesus veio da Galileia para o rio Jordão, a fim de se encontrar com João e ser batizado por ele. 14Mas João protestou, dizendo: “Eu preciso ser batizado por ti, e tu vens a mim?” 15Jesus, porém, respondeu-lhe: “Por enquanto deixa como está, porque nós devemos cumprir toda a justiça!” E João concordou. 16Depois de ser batizado, Jesus saiu logo da água. Então o céu se abriu e Jesus viu o Espírito de Deus, descendo como pomba e vindo pousar sobre ele. 17E do céu veio uma voz que dizia: “Este é o meu Filho amado, no qual eu pus o meu agrado”.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

 

A IGREJA CATÓLICA CELEBRA E VENERA HOJE
Santo André Corsini, um santo bispo 

Santo André Corsini, passou humilhação, mas sempre centrado em Cristo

Nasceu no século XIV, dentro de uma família muito conhecida em Florença: a família Corsini. Nasceu no ano de 1302. Seus pais, Nicolau e Peregrina não podiam ter filhos, mas não desistiam, estavam sempre rezando nesta intenção até que veio esta graça e tiveram um filho. O nome: André.

Os pais fizeram de tudo para bem formá-lo. Com apenas 15 anos, ele dava tanto trabalho e decepções para seus pais que sua mãe chegou a desabafar: “Filho, você é, de fato, aquele lobo que eu sonhava”. Ele ficou assustado, não imaginava o quanto os caminhos errados e a vida de pecado que ele estava levando, ainda tão cedo, decepcionava tanto e feria a sua mãe. Mas a mãe completou o sonho: “Este lobo entrava numa igreja e se transformava em cordeiro”. André guardou aquilo no coração e, sem a mãe saber, no outro dia, ele entrou numa igreja. Aos pés de uma imagem de Nossa Senhora ele orava, orava e a graça aconteceu. Ele retomou seus valores, começou uma caminhada de conversão e falou para o provincial carmelita que queria entrar para a vida religiosa. Não se sabe, ao certo, se foi imediatamente ou fez um caminho vocacional, o fato é que entrou para a vida religiosa na obediência às regras, na vida de oração e penitência. Ele foi crescendo nessa liberdade, que é dom de Deus para o ser humano.

Santo André ia se colocando a serviço dos doentes, dos pobres, nos trabalhos tão simples como os da cozinha. Ele também saía para mendigar para as necessidades de sua comunidade. Passou humilhação, mas sempre centrado em Cristo.

Os santos foram e continuam a ser pessoas que comunicaram Cristo para o mundo. Mas Deus tinha mais para André. Ele ordenou-se padre e como tal continuava nesse testemunho de Cristo até que Nosso Senhor o escolheu para Bispo de Fiesoli. De início, ele não aceitou e fugiu para a Cartuxa de Florença e ficou escondido; ao ponto de as pessoas não saberem onde ele estava e escolher um outro para ser bispo, pela necessidade. Mas um anjo, uma criança apareceu no meio do povo indicando onde ele estava escondido. Apareceu também uma outra criança para ele dizendo-lhe que ele não devia temer, porque Deus estaria com ele e a Virgem Maria estaria presente em todos os momentos. Foi por essa confiança no amor de Deus que ele assumiu o episcopado e foi um santo bispo. Até que em 1373, no dia de Natal, Nossa Senhora apareceu para ele dizendo do seu falecimento que estava próximo. No dia da Epifania do Senhor, ele entrou para o céu.

Santo André Corsini, rogai por nós!

Papa: “é tempo que as armas se calem definitivamente”

Rádio Vaticano (RV) – Ao meio-dia deste domingo de Natal (25/12/2016), o Papa Francisco assomou ao balcão central da Basílica de São Pedro para a tradicional bênção Urbi et Orbi (para a cidade e para o mundo) do Pontífice.

Em suas intenções de paz, o Papa recordou as regiões em guerra e incentivou as negociações aos países que buscam a concórdia. Francisco também recordou as famílias que perderam entes queridos em atos de terrorismo.

Abaixo, a íntegra da mensagem de Francisco.

***

Queridos irmãos e irmãs, feliz Natal!

Hoje, a Igreja revive a maravilha sentida pela Virgem Maria, São José e os pastores de Belém ao contemplarem o Menino que nasceu e jaz em uma manjedoura: Jesus, o Salvador.

Neste dia cheio de luz, ressoa o anúncio profético:

«Um menino nasceu para nós, um filho nos foi dado; tem a soberania sobre os seus ombros e o seu nome é: Conselheiro-Admirável, Deus herói, Pai-Eterno, Príncipe da Paz» (Is 9, 5).

O poder deste Menino, Filho de Deus e de Maria, não é o poder deste mundo, baseado na força e na riqueza; é o poder do amor. É o poder que criou o céu e a terra, que dá vida a toda a criatura: aos minerais, às plantas, aos animais; é a força que atrai o homem e a mulher e faz deles uma só carne, uma só existência; é o poder que regenera a vida, que perdoa as culpas, reconcilia os inimigos, transforma o mal em bem. É o poder de Deus. Este poder do amor levou Jesus Cristo a despojar-Se da sua glória e fazer-Se homem; e o levará a dar a vida na cruz e ressurgir dentre os mortos. É o poder do serviço, que estabelece no mundo o reino de Deus, reino de justiça e paz.

Por isso, o nascimento de Jesus é acompanhado pelo canto dos anjos que anunciam:

«Glória a Deus nas alturas, e paz na terra aos homens do seu agrado» (Lc 2, 14).

Hoje este anúncio percorre a terra inteira e quer chegar a todos os povos, especialmente aos povos que vivem atribulados pela guerra e duros conflitos e sentem mais intensamente o desejo da paz.

Paz aos homens e mulheres na martirizada Síria, onde já demasiado sangue foi versado. Sobretudo na cidade de Aleppo, cenário nas últimas semanas de uma das batalhas mais atrozes, é tão urgente assegurar assistência e conforto à população civil exausta, respeitando o direito humanitário. É tempo que as armas se calem definitivamente, e a comunidade internacional se empenhe ativamente para se alcançar uma solução negociada e restabelecer a convivência civil no país.

Paz às mulheres e homens da amada Terra Santa, eleita e predileta de Deus. Israelenses e palestinos tenham a coragem e a determinação de escrever uma página nova da história, onde o ódio e a vingança cedam o lugar à vontade de construir, juntos, um futuro de mútua compreensão e harmonia. Possam reencontrar unidade e concórdia o Iraque, a Líbia e o Iêmen, onde as populações padecem a guerra e brutais ações terroristas.

Paz aos homens e mulheres em várias regiões da África, particularmente na Nigéria, onde o terrorismo fundamentalista usa mesmo as crianças para perpetrar horror e morte. Paz no Sudão do Sul e na República Democrática do Congo, para que sejam sanadas as divisões e todas as pessoas de boa vontade se esforcem por embocar um caminho de desenvolvimento e partilha, preferindo a cultura do diálogo à lógica do conflito.

Paz às mulheres e homens que sofrem ainda as consequências do conflito no leste da Ucrânia, onde urge uma vontade comum de levar alívio à população e implementar os compromissos assumidos.

Concórdia, invocamos para o querido povo colombiano, que sonha realizar um novo e corajoso caminho de diálogo e reconciliação. Tal coragem anime também a amada Venezuela a empreender os passos necessários para pôr fim às tensões atuais e edificar, juntos, um futuro de esperança para toda a população.

Paz para todos aqueles que, em diferentes áreas, suportam sofrimentos devido a perigos constantes e injustiças persistentes. Possa o Myanmar consolidar os esforços por favorecer a convivência pacífica e, com a ajuda da comunidade internacional, prestar a necessária proteção e assistência humanitária a quantos, delas, têm grave e urgente necessidade. Possa a Península Coreana ver as tensões que a atravessam superadas num renovado espírito de colaboração.

Paz para quem perdeu uma pessoa querida por causa de brutais atos de terrorismo, que semearam pavor e morte no coração de muitos países e cidades. Paz – não em palavras, mas real e concreta – aos nossos irmãos e irmãs abandonados e excluídos, àqueles que padecem a fome e a quantos são vítimas de violência. Paz aos deslocados, aos migrantes e aos refugiados, a todos aqueles hoje são objeto do tráfico de pessoas. Paz aos povos que sofrem por causa das ambições econômicos de poucos e da avidez insaciável do deus-dinheiro que leva à escravidão. Paz a quem suporta dificuldades sociais e econômicas e a quem padece as consequências dos terremotos ou de outras catástrofes naturais.

Paz às crianças, neste dia especial em que Deus Se faz criança, sobretudo às privadas das alegrias da infância por causa da fome, das guerras e do egoísmo dos adultos.

Paz na terra a todas as pessoas de boa vontade, que trabalham diariamente, com discrição e paciência, em família e na sociedade para construir um mundo mais humano e mais justo, sustentadas pela convicção de que só há possibilidade de um futuro mais próspero para todos com a paz.

Queridos irmãos e irmãs!

“Um menino nasceu para nós, um filho nos foi dado”: é o “Príncipe da Paz”. Acolhamo-Lo!

***

[depois da Bênção]

A vocês, queridos irmãos e irmãs, reunidos de todo o mundo nesta Praça e a quantos estão unidos conosco de vários países por meio do rádio, televisão e outros meios de comunicação, formulo os meus cordiais votos.

Neste dia de alegria, todos somos chamados a contemplar o Menino Jesus, que devolve a esperança a todo o ser humano sobre a face da terra. Com a sua graça, demos voz e demos corpo a esta esperança, testemunhando a solidariedade e a paz. Feliz Natal a todos!

Santo Evangelho (Lc 18, 1-8)

32ª Semana Comum – Sábado 12/11/2016 

Primeira Leitura (3Jo 5-8)
Leitura da Terceira Carta de São João.

5Caríssimo Gaio, é muito leal o teu proceder, agindo assim com teus irmãos, ainda que estrangeiros. 6Eles deram testemunho da tua caridade diante da Igreja. Farás bem em provê-los para a viagem de um modo digno de Deus. 7Pois, por amor do Nome, eles empreenderam a viagem, sem aceitar nada da parte dos pagãos. 8A nós, portanto, cabe acolhê-los, para sermos cooperadores da Verdade.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Responsório (Sl 111)

— Feliz aquele que respeita o Senhor!
— Feliz aquele que respeita o Senhor!

— Feliz o homem que respeita o Senhor e que ama com carinho a sua lei! Sua descendência será forte sobre a terra, abençoada a geração dos homens retos!

— Haverá glória e riqueza em sua casa, e permanece para sempre o bem que fez. Ele é correto, generoso e compassivo, como luz brilha nas trevas para os justos.

— Feliz o homem caridoso e prestativo, que resolve seus negócios com justiça. Porque jamais vacilará o homem reto, sua lembrança permanece eternamente!

 

Evangelho (Lc 18,1-8)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Lucas.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 1Jesus contou aos discípulos uma parábola, para mostrar-lhes a necessidade de rezar sempre, e nunca desistir, dizendo: 2“Numa cidade havia um juiz que não temia a Deus, e não respeitava homem algum. 3Na mesma cidade havia uma viúva, que vinha à procura do juiz, pedindo: ‘Faze-me justiça contra o meu adversário!’ 4Durante muito tempo, o juiz se recusou. Por fim, ele pensou: ‘Eu não temo a Deus, e não respeito homem algum. 5Mas esta viúva já me está aborrecendo. Vou fazer-lhe justiça, para que ela não venha agredir-me!’” 6E o Senhor acrescentou: “Escutai o que diz este juiz injusto. 7E Deus, não fará justiça aos seus escolhidos, que dia e noite gritam por ele? Será que vai fazê-los esperar? 8Eu vos digo que Deus lhes fará justiça bem depressa. Mas o Filho do homem, quando vier, será que ainda vai encontrar fé sobre a terra?”

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

 

A IGREJA CATÓLICA CELEBRA E VENERA HOJE
São Josafá, precursor do ecumenismo 

Hoje celebramos a memória do santo Bispo que derramou o seu sangue por amor do Supremo e Único Pastor das ovelhas, tornando-se precursor do ecumenismo

João Kuncevicz nasceu em Wladimir (Ucrânia), no ano de 1580, numa família de ortodoxos, ou seja, ligados à Igreja Bizantina e não à Igreja Romana.

Com a mudança de vida mudou também o nome para Josafá, pois era comerciante até que, tocado pelo Espírito do Senhor, abraçou a fé católica e entrou para a Ordem de São Basílio, na qual, como monge desde os 24 anos, tornou-se apóstolo da unidade e sacerdote do Senhor. Dotado de muitas virtudes e dons, foi superior de vários conventos, até tornar-se Arcebispo de Polotsk em 1618 e lutar pela formação do Clero, pela catequese do povo e pela evangelização de todos.

São Josafá, além de promover com o seu testemunho a caridade para com os pobres, desgastou-se por inteiro na promoção da unidade da Igreja Bizantina com a Romana; por isso conseguiu levar muitos a viverem unidos na Igreja de Cristo. Os que entravam em comunhão com a Igreja Romana, como Josafá, passaram a ser chamados de “uniatas”, ou seja, excluídos e acusados de maus patriotas e apóstolos, segundo os ortodoxos.

Aconteceu que numa viagem pastoral, Josafá, com 43 anos na época, foi atacado, maltratado e martirizado. Após ser assassinado, São Josafá foi preso a um cão morto e lançado num rio. Dessa forma, entrou no Céu, donde continua intercedendo pela unidade dos cristãos, tanto assim que os próprios assassinos mais tarde converteram-se à unidade desejada por Nosso Senhor Jesus Cristo.

São Josafá, rogai por nós!

Santos de carne e osso

O verdadeiro santo foge das condecorações e elogios
Pe. José Fernandes de Oliveira – Pe. Zezinho, scj

Há muitos santos modernos agindo em nome de Deus e vivendo uma caridade séria, não fingida, sem caricatura e sem teatralidade. Não parecem santos, mas o são. Guardaram-se para seu Criador, aceitam Jesus, vivem para sua família, para o grande amor de suas vidas, são fiéis à verdade, aos amigos, à palavra dada, e ao seu batismo. Não têm nem cara nem trejeitos de santos, mas estabeleceram um projeto de vida e o constroem tijolo por tijolo, ato por ato, coerência por coerência. Muitas pessoas nem percebem que eles são santos, porque são gente de carne e osso como nós. Mas uma análise do que fazem pelos outros, da sua humildade, da sua fé e da sua serenidade aponta para mais um dos santos que Jesus formou. Diferente é o santo fingido. Ele decidiu que gostaria de ser visto como santo pela projeção social, como no tempo de Jeremias, 650 anos antes de Jesus e no tempo do próprio Jesus, quando posar de santo e de profeta dava lucro e angariava louvores e primeiros lugares. Então muita gente fingia jejuar e orar ostentado uma santidade que não tinha. E havia os que garantiam que Deus falava com eles e que eles sabiam levar a Deus [aos demais]. Ganhavam seu sustento com sua cara de santos. Isaías, Jeremias, Jesus e os apóstolos alertaram sobre eles. Mas como muita gente adora uma novela e não dispensa um teatro, sempre haverá quem despreze o santo sereno que não dá espetáculo e corra atrás do que grita, chora, esperneia, garante visões, revelações quentíssimas, curas e milagres em local dia e hora marcados. Trocam a verdade, a simplicidade e a honestidade do santo que não faz marketing pelo “pseudossanto” que dá espetáculo, cura dramaticamente, entrevista o demônio ao microfone e transforma a fé em espetáculo. Até que ponto isso é válido? Que santidade é essa em que não só a mão esquerda sabe o que faz a direita como também câmeras e microfones veiculam aquilo para todo o mundo? O mesmo Jesus que disse para anunciar a verdade por sobre os telhados e que nossa luz brilhasse, teve o cuidado de mandar que orássemos de portas trancadas e que não fizéssemos alarde da nossa caridade e dos nossos carismas. Ele mesmo pedia que os beneficiados por Ele não espalhassem a notícia. Jesus, que é santo de verdade e nunca fingia poder ou santidade, e que nos pediu que seguíssemos Seu exemplo a ponto de, elogiados e incensados, dizermos que não fizemos mais do que nossa obrigação e que não buscássemos os primeiros lugares, este mesmo Jesus concordaria com o que se vê na mídia religiosa de hoje? Uma coisa é ser santo sem caricatura, sem cabeça torta, sem chorar orando e dando murros no chão, sem dramaticidade televisiva, com atos de justiça que só Deus vê porque aquele cristão não divulga o bem que faz. Outra coisa é buscar os holofotes e desabridamente, sem nenhum escrúpulo, chamar a atenção para si mesmo, para sua obra e garantir que Deus quer que ele ou ela apareçam para Sua maior honra e glória. Pior ainda: ganhar dinheiro grosso em cima dessa exibição de santidade. Cristo condenou e criticou os fariseus que assim agiam. Santo que é santo não finge que o é. É discreto. Faz o que deve fazer e foge do incenso, das condecorações e dos elogios. Há santos de verdade ao nosso redor e há caricaturas de santos vendendo e ostentando uma fé que aponta mais para si mesmos do que para Jesus, cujo nome usam com estardalhaço. Você que crê na Bíblia terá que escolher a quem seguir. Aos que dão a entender que são os novos santos ou os que nada dizem; simplesmente vivem a Palavra e a praticam. Se você é dos que dizem que ainda não estão convertidos, mas que estão se convertendo, merecerá mais crédito do que os que garantem que Jesus os salvou e que eles sabem o caminho. Em termos de fé quem segue procurando está mais perto do que aquele que diz ter achado e agora aponta para si mesmo como exemplo do que Deus faz por um pecador. Eu prefiro o santo que aponta para os outros convertidos e santos e não fala nada sobre si mesmo, exceto que precisa de preces para ser mais de Cristo. Desconfiemos de santos que gostam de medalhas, condecorações, incensos e elogios. Apostemos em que só os aceita por obediência.

Santo Evangelho (Lc 18, 1-8)

29º Domingo do Tempo Comum – Domingo 16/10/2016

Primeira Leitura (Êx 17,8-13)
Leitura do livro do Êxodo:

Naqueles dias, 8os amalecitas vieram atacar Israel em Rafidim. 9Moisés disse a Josué: “Escolhe alguns homens e vai combater contra os amalecitas. Amanhã estarei, de pé, no alto da colina, com a vara de Deus na mão”. 10Josué fez o que Moisés lhe tinha mandado e combateu os amalecitas. Moisés, Aarão e Ur subiram ao topo da colina. 11E, enquanto Moisés conservava a mão levantada, Israel vencia; quando abaixava a mão, vencia Amalec. 12Ora, as mãos de Moisés tornaram-se pesadas. Pegando então uma pedra, colocaram-na debaixo dele para que se sentasse, e Aarão e Ur, um de cada lado, sustentavam as mãos de Moisés. Assim, suas mãos não se fatigaram até ao pôr do sol, 13e Josué derrotou Amalec e sua gente a fio de espada.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Responsório (Sl 120)

— Do Senhor é que me vem o meu socorro,/ do Senhor, que fez o céu e fez a terra.
— Do Senhor é que me vem o meu socorro,/ do Senhor, que fez o céu e fez a terra.

— Eu levanto os meus olhos para os montes:/ de onde pode vir o meu socorro?/ “Do Senhor é que me vem o meu socorro,/ do Senhor que fez o céu e fez a terra!”
— Ele não deixa tropeçarem os meus pés,/ e não dorme quem te guarda e te vigia./ Oh! não! ele não dorme nem cochila,/ aquele que é o guarda de Israel!
— O Senhor é o teu guarda, o teu vigia,/ é uma sombra protetora à tua direita./ Não vai ferir-te o sol durante o dia,/ nem a lua através de toda a noite.
— O Senhor te guardará de todo o mal,/ ele mesmo vai cuidar da tua vida!/ Deus te guarda na partida e na chegada./ Ele te guarda desde agora e para sempre!

 

Segunda Leitura (2Tm 3,14-4,2)
Leitura da segunda Carta de São Paulo a Timóteo:

Caríssimo: 14Permanece firme naquilo que aprendeste e aceitaste como verdade; tu sabes de quem o aprendeste. 15Desde a infância conheces as Sagradas Escrituras: elas têm o poder de te comunicar a sabedoria que conduz à salvação pela fé em Cristo Jesus. 16Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para ensinar, para argumentar, para corrigir e para educar na justiça, 17a fim de que o homem de Deus seja perfeito e qualificado para toda boa obra. 4,1Diante de Deus e de Cristo Jesus, que há de vir a julgar os vivos e os mortos, e em virtude da sua manifestação gloriosa e do seu Reino, eu te peço com insistência: 2proclama a palavra, insiste oportuna ou importunamente, argumenta, repreende, aconselha, com toda a paciência e doutrina.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Evangelho (Lc 18,1-8)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Lucas.
— Glória a vós, Senhor!

Naquele tempo, 1Jesus contou aos discípulos uma parábola, para mostrar-lhes a necessidade de rezar sempre, e nunca desistir, dizendo: 2”Numa cidade havia um juiz que não temia a Deus, e não respeitava homem algum. 3Na mesma cidade havia uma viúva, que vinha à procura do juiz, pedindo: ‘Faze-me justiça contra o meu adversário!’ 4Durante muito tempo, o juiz se recusou. Por fim, ele pensou: ‘Eu não temo a Deus, e não respeito homem algum. 5Mas esta viúva já me está aborrecendo. Vou fazer-lhe justiça, para que ela não venha a agredir-me!’” 6E o Senhor acrescentou: “Escutai o que diz este juiz injusto. 7E Deus, não fará justiça aos seus escolhidos, que dia e noite gritam por ele? Será que vai fazê-los esperar? 8Eu vos digo que Deus lhes fará justiça bem depressa. Mas o Filho do homem, quando vier, será que ainda vai encontrar fé sobre a terra?”

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

 

A IGREJA CATÓLICA CELEBRA E VENERA HOJE
Santa Margarida Maria Alacoque, devota do Sagrado Coração de Jesus

Provada e preparada no cadinho da humilhação, começou a cultuar o Santíssimo Sacramento do Altar e diante do Coração Eucarístico começou a ter revelações divinas

Deus suscitou este luzeiro, ou seja, portadora da luz, que é Cristo, num período em que na Igreja penetrava as trevas do Jansenismo (doutrina que pregava um rigorismo que esfriava o amor de muitos e afastava o povo dos sacramentos). O nome de Santa Margarida Maria Alacoque está intimamente ligado à fervorosa devoção ao Sagrado Coração de Jesus. Nasceu na França em 1647, teve infância e adolescência provadas, sofridas. Órfã de pai e educada por Irmãs Clarissas, muito nova pegou uma estranha doença que só a deixou depois de fazer o voto à Santíssima Virgem.
Confira também: Consagração ao Sagrado Coração de Jesus
Com a intercessão da Virgem Maria, foi curada e pôde ser formada na cultura e religião. Até que provada e preparada no cadinho da humilhação, começou a cultuar o Santíssimo Sacramento do Altar e diante do Coração Eucarístico começou a ter revelações divinas.
“Eis aqui o coração que tanto amou os homens, até se esgotar e consumir para testemunhar-lhe seu amor e, em troca, não recebe da maior parte senão ingratidões, friezas e desprezos”. As muitas mensagens insistiram num maior amor à Santíssima Eucaristia, à Comunhão reparadora nas primeiras sextas-feiras do mês e à Hora Santa em reparação da humanidade.
Incompreendida por vários, Margarida teve o apoio de um sacerdote, recebeu o reconhecimento do povo que podia agora deixar o medo e mergulhar no amor de Deus. Leão XIII consagrou o mundo ao Sagrado Coração de Jesus e o Papa Pio XIII recomendou esta devoção que nos leva ao encontro do Coração Eucarístico de Jesus. Santa Margarida Maria Alacoque morreu em 1690 e foi canonizada pelo Papa Bento XV em 1920.
Santa Margarida Maria Alacoque, rogai por nós!

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