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Catequistas: despertar a memória de Deus no outro

Domingo, 29 de setembro de 2013, Jéssica Marçal / Da Redação

Rezemos para que possamos alimentar a memória de Deus na vida e nos outros, exortou o Papa  

Na manhã deste domingo, 29, Papa Francisco celebrou a Santa Missa por ocasião da Jornada dos Catequistas no Vaticano. Em sua homilia, o Santo Padre refletiu sobre quem é o catequista: aquele que traz em si a memória de Deus e a desperta nos outros.

Francisco iniciou a homilia falando do risco da comodidade, de se ter como centro o próprio bem-estar, o que acontece quando o homem perde a memória de Deus.

“Se falta a memória de Deus, tudo se nivela, tudo vai pelo ‘eu’, pelo meu bem-estar. A vida, o mundo, os outros perdem consistência, não contam para nada, tudo se reduz a uma única dimensão: o ter”.

E quem protege e alimenta essa memória de Deus é justamente o catequista, segundo disse o Papa. Ele citou o exemplo de Maria, que não se fechou em si mesma, mas levou adiante o agir de Deus em sua vida.

“O catequista é propriamente um cristão que coloca esta memória a serviço do anúncio; não para fazer-se ver, não para falar de si, mas para falar de Deus, do seu amor, da sua fidelidade. Falar e transmitir tudo aquilo que Deus revelou, isso é a doutrina na sua totalidade, sem cortar ou acrescentar nada”.

Francisco refletiu então sobre os caminhos a percorrer para não ceder ao risco de colocar a segurança em si mesmo e nas coisas materiais. A resposta, segundo ele, está no que diz São Paulo na Segunda Leitura do dia: tender à justiça, à piedade, à fé, à caridade, à paciência e à brandura. (1 Tm 6,11).

“Rezemos ao Senhor para que sejamos todos homens e mulheres que protegem e alimentam a memória de Deus na própria vida e sabem despertá-la no coração dos outros”.

Ao final da celebração, que também teve a presença do Patriarca grego-ortodoxo di Antiochia e de todo o Oriente, Sua Beatitudine Youhanna X, o Santo Padre rezou o Angelus com os fiéis.

 

HOMILIA
Santa Missa pela Jornada dos Catequistas em ocasião do Ano da Fé

Praça São Pedro
Domingo, 29 de setembro de 2013

1. Ai daqueles que vivem comodamente em Sião e daqueles que vivem tranquilos, … deitados em leitos de marfim (Am 6, 1.4), comem, bebem, cantam, divertem-se e não se preocupam com os problemas dos outros.

Palavras duras estas do profeta Amós, mas que nos advertem para o perigo que todos corremos. O que denuncia este mensageiro de Deus, o que coloca diante dos olhos de seus contemporâneos e também diante dos nossos olhos hoje? O risco de acomodar-se, da comodidade, da mundanidade na vida e no coração, de ter como centro o nosso bem-estar. É a mesma experiência do rico do Evangelho, que vestia roupas de luxo e todo dia dava banquetes abundantes; isto era importante para ele. E o pobre que estava à sua porta e não tinha de que se alimentar? Não era tarefa sua, não o olhava. Se as coisas, o dinheiro, a mundanidade transformam-se o centro da vida, apoderam-nos, nos possuem e nós perdemos a nossa própria identidade de homens: vejam bem, o rico do Evangelho não tem nome, é simplesmente “um rico”. As coisas, aquilo que possui são a sua face, não há outro.

Mas podemos nos perguntar: como isto acontece? Como os homens, talvez também nós, caímos no perigo de fechar-nos, de colocar a nossa segurança nas coisas, que no fim roubam-nos a face, a nossa face humana? Isto acontece quando perdemos a memória de Deus. “Ai daqueles que vivem comodamente em Sião”, dizia o profeta. Se falta a memória de Deus, tudo se nivela, tudo se nivela ao “eu”, sobre o meu bem-estar. A vida, o mundo, os outros, perdem a consistência, não contam mais nada, tudo se reduz a uma só dimensão: o ter. Se perdemos a memória de Deus, também nós perdemos a consistência, também nós nos esvaziamos, perdemos a nossa face como o rico do Evangelho! Quem corre atrás do nada se torna ele mesmo nulidade – diz um outro grande profeta, Jeremias (cfr Jer 2, 5). Nós somos feitos à imagem e semelhança de Deus, não à imagem e semelhança das coisas, dos ídolos!

2. Então, olhando-vos, pergunto-me: quem é o catequista? É aquele que protege e alimenta a memória de Deus; protege-a em si mesmo e a desperta nos outros. É bonito isto: fazer memória de Deus, como a Virgem Maria que, diante da ação maravilhosa de Deus em sua vida, não pensa na honra, no prestígio, nas riquezas, não se fecha em si mesma. Pelo contrário, depois de ter acolhido o anúncio do Anjo e ter concebido o Filho de Deus, o que faz? Parte, vai até a anciã parente Isabel, também esta grávida, para ajudá-la; e no encontro com ela  seu primeiro ato é a memória do agir de Deus, da fidelidade de Deus na sua vida, na história do seu povo, na nossa história: “A minha alma glorifica o Senhor…porque olhou para a humildade da sua serva…de geração em geração a sua misericórdia” (Lc 1, 46. 48. 50). Maria tem memória de Deus.

Neste cântico de Maria há também a memória da sua história pessoal, a história de Deus com ela, a sua própria experiência de fé. E é assim para cada um de nós, para cada cristão: a fé contém propriamente a memória da história de Deus conosco, a memória do encontro com Deus que se move primeiro, que cria e salva, que nos transforma; a fé é memória da sua Palavra que aquece o coração, das suas ações de salvação com a qual nos doa a vida, nos purifica, nos cura, nos alimenta. O catequista é propriamente um cristão que coloca esta memória a serviço do anúncio; não para fazer-se ver, não para falar de si, mas para falar de Deus, do seu amor, da sua fidelidade. Falar e transmitir tudo aquilo que Deus revelou, isso é a doutrina em sua totalidade, sem cortar ou acrescentar.

São Paulo recomenda ao seu discípulo e colaborador Timóteo sobretudo uma coisa: Lembre-se, lembre-se de Jesus Cristo, ressuscitado dos mortos, que eu anuncio e pelo qual sofro (cfr 2 Tm 2, 8-9). Mas o Apóstolo pode dizer isto porque ele primeiro lembrou-se de Cristo, que o chamou quando era perseguidor dos cristãos, tocou-o e transformou-o com a sua graça.

O catequista então é um cristão que leva em si a memória de Deus, deixa-se guiar pela memória de Deus em toda a sua vida, e sabe despertá-la no coração dos outros. É um desafio isto! Desafia toda a vida! O próprio Catecismo o que é senão a memória de Deus, memória da sua ação na história, do ser fazer-se próximo a nós em Cristo, presente na sua Palavra, nos Sacramentos, na sua Igreja, no seu amor? Queridos catequistas, pergunto a vocês: somos nós a memória de Deus? Somos verdadeiramente como sentinelas que despertam nos outros a memória de Deus, que aquece o coração?

3. “Ai daqueles que vivem comodamente em Sião”, diz o profeta. Qual caminho percorrer para não ser pessoas “despreocupadas”, que colocam a sua segurança em si mesmo e nas coisas, mas homens e mulheres da memória de Deus? Na Segunda Leitura, São Paulo, escrevendo sempre a Timóteo, dá algumas indicações que podem sinalizar também o caminho do catequista, o nosso caminho: tender à justiça, à piedade, à fé, à caridade, à paciência, à brandura (cfr 1 Tm 6, 11).

O catequista é homem da memória de Deus se tem uma constante, vital relação com Ele e com o próximo; se é homem de fé, que confia verdadeiramente em Deus e coloca Nele a sua segurança; se é homem de caridade, de amor, que vê todos como irmãos; se é homem de “hypomoné”, de paciência, de perseverança, que sabe enfrentar as dificuldades, as provações, os insucessos, com serenidade e esperança no Senhor; se é homem brando, capaz de compreensão e misericórdia.

Rezemos ao Senhor para que sejamos todos homens e mulheres que protegem e alimentam a memória de Deus na própria vida e sabem despertá-la no coração dos outros. Amém.

Jesus Cristo, Deus e Homem verdadeiro

Ele assumiu a natureza humana sem deixar de ser Deus

“Ao chegar a plenitude dos tempos, enviou Deus seu Filho, nascido de uma mulher” (cf. Gal 4,4). Assim se cumpre a promessa de um Salvador, que Deus fez a Adão e Eva ao serem expulsos do Paraíso: “Porei inimizades entre ti e a mulher, e entre a tua descendência e a dela; ela te pisará a cabeça e tu armarás traições ao seu calcanhar” (Gn 3,15). Este versículo do Gênesis é conhecido por “Proto-Evangelho”, pois constitui o primeiro anúncio da Boa Nova da salvação. Tradicionalmente, tem-se interpretado que a mulher a que se refere é tanto Eva, em sentido imediato, como Maria em sentido pleno; e que a descendência da mulher refere-se tanto à humanidade como a Cristo.

Desde então, até o momento em que “o Verbo se fez carne e habitou entre nós” (Jo 1,14), Deus foi preparando a humanidade para que pudesse acolher, frutuosamente, a seu Filho Unigênito. Deus escolheu para si o povo israelita, estabeleceu com ele uma aliança e o formou progressivamente, intervindo em sua história, manifestando-lhe Seus desígnios por meio dos patriarcas e dos profetas, santificando-o para si. Tudo isso, como preparação e figura daquela nova e perfeita aliança que havia de concluir-se em Cristo e daquela plena e definitiva revelação que devia ser efetuada pelo próprio Verbo encarnado.

Ainda que Deus tenha preparado a vinda do Salvador, principalmente mediante a eleição do povo de Israel, isto não significa que abandonasse os demais povos, os “gentios”, pois nunca deixou de dar testemunho de si mesmo (cfr. Atos 14,16-17). A Providência divina fez com que os gentios tivessem uma consciência mais ou menos explícita, da necessidade da salvação, e até nos últimos rincões da Terra se conservava o desejo de serem redimidos.

A Encarnação tem sua origem no amor de Deus pelos homens: “Nisto se manifestou o amor de Deus para conosco, em que Deus enviou ao mundo o seu Filho único, para que vivamos por meio dEle” (1Jo 4,9). A Encarnação é a demonstração por excelência do amor do Pai para com os homens, já que nela é o próprio Senhor que se entrega aos homens, fazendo-se participante da natureza humana na unidade da pessoa.

Após a queda de Adão e Eva no Paraíso, a Encarnação tem uma finalidade salvadora e redentora, como professamos no Credo: “por nós homens e para nossa salvação, desceu dos céus e se encarnou pelo Espírito Santo, no seio da Virgem Maria, e se fez homem”. Cristo afirmou de Si mesmo que o Filho do homem veio para buscar e salvar o que estava perdido” (Lc 19, 19; cf. Mt 18,11) e que “Deus não enviou seu Filho para condenar o mundo, mas que o mundo fosse salvo por Ele” (Jo 3,17).

A Encarnação não só manifesta o infinito amor de Deus aos homens, Sua infinita misericórdia, Sua justiça, Seu poder, mas também a coerência do plano divino da salvação. A profunda sabedoria divina consiste na forma segundo o qual Deus decidiu salvar o homem, isto é, do modo como convém à natureza, que é precisamente mediante a Encarnação do Verbo.

Jesus Cristo, o Verbo encarnado, “não é um mito nem uma ideia abstrata qualquer. É um Homem que viveu em um contexto concreto e que morreu depois de ter levado Sua própria existência dentro da evolução da história. A investigação histórica sobre Ele é, pois, uma exigência da fé cristã” .

A existência de Jesus é um fato provado pela ciência histórica, sobretudo mediante a análise do Novo Testamento, cujo valor histórico está fora de dúvida. Há outros testemunhos antigos não cristãos, pagãos e judeus sobre a existência de Jesus. Precisamente por isto, não são aceitáveis as posições de quem contrapõe um Jesus histórico ao Jesus da fé e defendem a hipótese de que quase tudo o que o Novo Testamento diz acerca de Cristo seria uma interpretação de fé que fizeram os Seus discípulos, mas não Sua autêntica figura histórica, que ainda permaneceria oculta para nós.

Essas posturas, as quais encerram um forte preconceito contra o sobrenatural, não levam em conta que a investigação histórica contemporânea concorda em afirmar que a apresentação feita pelo Cristianismo primitivo de Jesus baseia-se em fatos autênticos sucedidos realmente.

José Antonio Riestra
http://www.opusdei.org.br

Santo Evangelho (Jo 10, 1-10)

4º Domingo da Páscoa – Domingo 07/05/2017 

Primeira Leitura (At 2,14a.36-41)
Leitura dos Atos dos Apóstolos.

No dia de Pentecostes, 14aPedro, de pé, no meio dos Onze apóstolos, levantou a voz e falou à multidão: 36“Que todo o povo de Israel reconheça com plena certeza: Deus constituiu Senhor e Cristo a este Jesus que vós crucificastes”. 37Quando ouviram isso, eles ficaram com o coração aflito, e perguntaram a Pedro e aos outros apóstolos: “Irmãos, o que devemos fazer?” 38Pedro respondeu: “Convertei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para o perdão dos vossos pecados. E vós recebereis o dom do Espírito Santo. 39Pois a promessa é para vós e vossos filhos, e para todos aqueles que estão longe, todos aqueles que o Senhor nosso Deus chamar para si”. 40Com muitas outras palavras, Pedro lhes dava testemunho, e os exortava, dizendo: “Salvai-vos dessa gente corrompida!” 41Os que aceitaram as palavras de Pedro receberam o batismo. Naquele dia, mais ou menos três mil pessoas se uniram a eles.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Responsório (Sl 22)

— O Senhor é o pastor que me conduz;/ para as águas repousantes me encaminha.
— O Senhor é o pastor que me conduz,/ para as águas repousantes me encaminha.

— O Senhor é o pastor que me conduz,/ não me falta coisa alguma./ Pelos prados e campinas verdejantes/ ele me leva a descansar./ Para as águas repousantes me encaminha,/ e restaura as minhas forças.

— Ele me guia no caminho mais seguro,/ pela honra do seu nome./ Mesmo que eu passe pelo vale tenebroso,/ nenhum mal eu temerei;/ estais comigo com bastão e com cajado;/ eles me dão a segurança!

— Preparais à minha frente uma mesa,/ bem à vista do inimigo,/ e com óleo vós ungis minha cabeça;/ o meu cálice transborda.

— Felicidade e todo bem hão de seguir-me/ por toda a minha vida;/ e, na casa do Senhor, habitarei/ pelos tempos infinitos.

 

Segunda Leitura (1Pd 2,20b-25)
Leitura da Primeira Carta de São Pedro.

Caríssimos: 20bSe suportais com paciência aquilo que sofreis por terdes feito o bem, isto vos torna agradáveis diante de Deus. 21De fato, para isto fostes chamados. Também Cristo sofreu por vós deixando-vos um exemplo, a fim de que sigais os seus passos. 22Ele não cometeu pecado algum, mentira nenhuma foi encontrada em sua boca. 23Quando injuriado, não retribuía as injúrias; atormentado, não ameaçava; antes, colocava a sua causa nas mãos daquele que julga com justiça. 24Sobre a cruz, carregou nossos pecados em seu próprio corpo, a fim de que, mortos para os pecados, vivamos para a justiça. Por suas feridas fostes curados. 25Andáveis como ovelhas desgarradas, mas agora voltastes ao pastor e guarda de vossas vidas.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Anúncio do Evangelho (Jo 10,1-10)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo João.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, disse Jesus: 1“Em verdade, em verdade vos digo, quem não entra no redil das ovelhas pela porta, mas sobe por outro lugar, é ladrão e assaltante. 2Quem entra pela porta é o pastor das ovelhas. 3A esse o porteiro abre, e as ovelhas escutam a sua voz; ele chama as ovelhas pelo nome e as conduz para fora. 4E, depois de fazer sair todas as que são suas, caminha à sua frente, e as ovelhas o seguem, porque conhecem a sua voz. 5Mas não seguem um estranho, antes fogem dele, porque não conhecem a voz dos estranhos”. 6Jesus contou-lhes esta parábola, mas eles não entenderam o que ele queria dizer. 7Então Jesus continuou: “Em verdade, em verdade vos digo, eu sou a porta das ovelhas. 8Todos aqueles que vieram antes de mim são ladrões e assaltantes, mas as ovelhas não os escutaram. 9Eu sou a porta. Quem entrar por mim, será salvo; entrará e sairá e encontrará pastagem. 10O ladrão só vem para roubar, matar e destruir. Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância”.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

 

A IGREJA CATÓLICA CELEBRA E VENERA HOJE 
Santa Flávia Domitila, socorria os pobres 

Santa Flávia socorria os pobres e cuidava do enterro dos mártires

Era esposa do governador romano chamado Flávio Clemente, pertencente à família dos flavianos.

Os imperadores Vespaziano, Tito e Domiciano pertenciam também a esta família. Os dois primeiros não aplicaram o edito de Nero, que tornava cada cristão um criminoso, mas Domiciano sim. Com interesses econômicos e de impostos, oprimia judeus e cristãos.

Flávia, cujo marido permitia que ela vivesse a fé, vivia a caridade. Socorria os pobres, cuidava do enterro dos mártires. Porém, seu esposo foi assassinado por Domiciano, que não admitia ter uma cristã em sua família. Ele então desterrou Flávia para uma ilha, onde sofreu muitos maus tratos e foi martirizada.

Peçamos a intercessão da santa de hoje, para que o nosso testemunho seja atual na fé e expresso na caridade.

Santa Flávia Domitila, rogai por nós!

Papa: misericórdia aquece o coração e o torna sensível aos irmãos

23 de abril de 2017, II domingo da Páscoa, Domingo da Divina Misericórdia. Antes da oração do Regina Coeli, o Papa Francisco dirigindo-se aos milhares de fiéis e peregrinos presentes na Praça de S. Pedro, falou da ressurreição do Senhor Jesus da qual todos os domingos fazemos memória, reiterando que, neste período pascal, o Domingo tem um significado ainda mais iluminador. E o Papa explicou o sentido deste domingo, que a tradição da Igreja chamava “in albis” para  recordar o rito que realizavam os que tinham recebido o baptismo na Vigília Pascal, que recebiam uma veste branca – “alba” – para indicar a nova dignidade dos filhos de Deus:

“Ainda hoje aos recém-nascidos dá-se uma pequena veste simbólica, enquanto os adultos vestem uma veste real. Aquela veste branca, no passado, era vestida por uma semana, até ao domingo in albis, quando era despida, e os neófitos iniciavam a sua nova vida em Cristo e na Igreja”.

Em seguida, Francisco recordou S. JP II que no Jubileu de 2000 estabeleceu que este domingo seja dedicado à Divina Misericórdia. A poucos meses depois do Jubileu extraordinário da Misericórdia – reiterou Francisco – este domingo convida-nos a retomar com força a graça que vem da misericórdia de Deus. Misericórdia descrita no Evangelho de hoje quando S. João narra a aparição de Jesus ressuscitado aos discípulos reunidos no Cenáculo, dizendo-lhes: “Recebei o Espírito Santo. Para aqueles a quem perdoardes os pecados, serão perdoados”. E o Papa explicou:

“Eis o sentido da misericórdia que se apresenta no dia da ressurreição de Jesus como perdão dos pecados. Jesus ressuscitado transmitiu à sua Igreja, como primeira tarefa, a sua própria missão de levar a todos o anúncio concreto do perdão. Este sinal visível da sua misericórdia traz consigo a paz do coração e a alegria do encontro renovado com o Senhor”.

A misericórdia, portanto, à luz da Páscoa deixa-se perceber antes de tudo como uma verdadeira forma de conhecimento do mistério que vivemos, disse ainda o Santo Padre. Existem várias formas de conhecimento, observou Francisco: pelos sentidos, a intuição, a razão e outras, mas também se pode conhecer através da experiência da misericórdia:

“Ela abre a porta da mente para compreendermos melhor o mistério de Deus e da nossa existência pessoal. Faz perceber que a violência, o ressentimento, a vingança não fazem nenhum sentido, e as primeiras vítimas são aqueles que vivem desses sentimentos, porque se privam da sua dignidade. A misericórdia também abre a porta do coração e permite exprimir a proximidade, especialmente com aqueles que estão sós e marginalizados, porque faz com que se sintam irmãos e filhos do mesmo Pai. Ela facilita o reconhecimento dos que precisam de consolação e faz encontrar  palavras adequadas para dar conforto”.

“Irmãos e irmãs, a misericórdia aquece o coração e o torna sensível às necessidades dos irmãos com a partilha e a participação. A misericórdia, enfim, empenha todos a serem instrumentos de justiça, reconciliação e paz. Nunca nos esqueçamos que a misericórdia é a chave para a vida de fé, e a forma concreta em que damos visibilidade à ressurreição de Jesus”.

E o papa invocou Maria, Mãe de Misericórdia, para que nos ajude a crer e viver tudo isso com alegria.

***

Depois do Regina Coeli, o Papa recordou a beatificação, ontem em Oviedo, Espanha, do sacerdote Luis Antonio Rosa Ormières. Viveu no século XIX, dedicando as suas muitas qualidades humanas e espirituais ao serviço da educação, e para isso fundou a Congregação das Irmãs do Anjo da Guarda. O seu exemplo, disse o Papa, e a sua intercessão ajudem especialmente os que trabalham na escola e na educação.

Em seguida o Papa saudou cordialmente a todos, fiéis de Roma e peregrinos da Itália e dos vários Países do mundo, particularmente a Confraria de S. Sebastião de Kerkrade (na Holanda), o Secretariado católico da Nigéria e a paróquia de Liebfrauen de Bocholt (Alemanha).

Uma saudação particular aos peregrinos polacos, a quem Francisco exprimiu profundo apreço pela iniciativa da Caritas Polónia, em apoio de tantas famílias na Síria. E especial saudação para os devotos da Divina Misericórdia reunidos hoje na igreja de Santo Spirito in Sassia, bem como os participantes do “Corrida para a Paz”: uma corrida estafeta que hoje parte da Praça de S. Pedro para chegar a Wittenberg, na Alemanha.

Por último, o Papa agradeceu a todos os que que neste período lhe enviaram mensagens de felicitações para a Páscoa, dizendo que calorosamente as retribui, invocando todos e para cada família a graça do Senhor ressuscitado.

A todos o Papa desejou um bom domingo pedindo, por favor, para que não nos esqueçamos de rezar por ele [Buon pranzo e arrivederci] – Bom almoço e até logo! (BS)

Paixão do Senhor: “Apenas misericórdia pode salvar o mundo”

Sexta-feira, 25 de março de 2016, Agência Ecclesia

Pregador da Casa Pontifícia afirma que a misericórdia pode salvar matrimônio e família

O pregador da Casa Pontifícia destacou a “prova suprema” da morte de Jesus e explicou o apelo à reconciliação com Deus dirigido nesta Sexta-feira Santa, 25, a todos no Ano favorável da Misericórdia, na celebração da Paixão do Senhor, no Vaticano.

“A morte de Cristo devia ser para todos a prova suprema da misericórdia de Deus para com os pecadores. É por isso que ela não tem sequer a majestade de certa solidão, mas é enquadrada, entre dois ladrões”, assinalou frei Raniero Cantalamessa, esta tarde, na cerimônia presidida pelo Papa Francisco.

Na celebração da Paixão do Senhor, o franciscano capuchinho explicou que se deve perceber que “o oposto da misericórdia não é a justiça mas a vingança”.

O sacerdote indicou que Jesus “não opôs misericórdia à justiça, mas à lei de talião” e exemplificou que na cruz “não pediu ao Pai que vingasse a sua causa” mas que perdoasse os seus carrascos.

“Temos que desmitificar a vingança! Ela tornou-se um mito penetrante, que contamina tudo e todos, começando pelas crianças”, alertou o pregador da Casa Pontifícia dando como exemplo que “grande parte das histórias” no cinema e nos jogos eletrônicos são “histórias de vingança”.

Misericórdia pode salvar matrimônio e família

“Metade, se não mais, do sofrimento que há no mundo, quando não se trata de males naturais, vêm do desejo de vingança, seja nas relações entre as pessoas, seja nas relações entre países e povos”, acrescentou, sublinhando que apenas a misericórdia “pode salvar o mundo”.

“A misericórdia de Deus pelos homens e dos homens entre si. Ela pode salvar, em particular, a coisa mais preciosa e mais frágil que há no mundo neste momento: o matrimônio e a família”, alertou.

Neste contexto, observou que no matrimônio acontece algo semelhante ao que aconteceu “na relação entre Deus e a humanidade”, no início existe “amor” e não a misericórdia.

“A misericórdia só intervém depois do pecado do homem, também no casamento, no início não há misericórdia mas amor. Depois de anos, ou meses, de vida em comum revelam-se os limites pessoais, os problemas de saúde, dinheiro, filhos; a rotina, que apaga a alegria”, desenvolveu.

O religioso refletiu também sobre a reconciliação com Deus e disse que uma das razões, “talvez a principal”, da alienação do homem moderno com a religião e a fé “é a imagem distorcida de Deus”.

Justiça de Deus

Na Basílica de São Pedro, explicou que para descobrir qual a imagem “predefinida” de Deus no inconsciente humano coletivo “basta fazer” a pergunta: “Que associação de ideias, que sentimentos e reações surgem em mim, antes de qualquer reflexão, quando, na oração do Pai-nosso, chego às palavras ‘seja feita a vossa vontade’.”

“Quem as diz é como se inclinasse interiormente a cabeça em resignação, preparando-se para o pior. É um pouco como se Deus fosse o inimigo de toda festa, alegria, prazer. Um Deus ranzinza e inquisidor”, comentou.

Para o pregador da Casa Pontifícia é um resquício da ideia pagã de Deus, “nunca erradicada de todo, e talvez erradicável, do coração humano”.

Contudo, na homilia da Celebração da Paixão do Senhor, o religioso observa que no cristianismo “nunca foi ignorada” a misericórdia de Deus mas foi-lhe confiada “apenas” a missão de “moderar os rigores irrenunciáveis da justiça”.

Na cerimônia, com 38 cardeais e 33 arcebispos e bispos, o sacerdote considerou que existe “o perigo” de se ouvir falar em justiça de Deus e “ignorando o seu significado, ficar-se com medo em vez de encorajado”.

“A justiça de Deus é o ato pelo qual Deus faz justos, agradáveis a Si, aqueles que creem no Seu Filho. Não é um fazer-se justiça, mas um fazer justos”, acrescentou o pregador da Casa Pontifícia.

Fazer o bem com ações concretas, não com palavras, pede Papa

Terça-feira, 14 de março de 2017, Da Redação, com Rádio Vaticano

Retomando as Missas diárias, Papa indicou caminho da conversão quaresmal: fazer o bem com ações, não com palavras

Depois do retiro de Quaresma, o Papa retomou nesta terça-feira, 14, a celebração da Missa na capela da Casa Santa Marta, onde reside no Vaticano. Na homilia de hoje, ele indicou o caminho da conversão quaresmal, inspirando-se na primeira Leitura: fazer o bem com ações concretas, não com palavras.

O Profeta Isaías exorta a afastar-se do mal e a aprender a fazer o bem, um binômio inseparável neste percurso. Francisco explicou que cada pessoa faz algo de mau todos os dias, o problema está em se acostumar a viver nas “coisas feias”; é preciso afastar-se daquilo que envenena a alma e a torna pequena. É preciso aprender a fazer o bem, pontuou o Santo Padre.

“Não é fácil fazer o bem: devemos aprendê-lo, sempre. E Ele nos ensine. Mas: aprendam. Como as crianças. No caminho da vida, da vida cristã se aprende todos os dias. Deve-se aprender todos os dias a fazer algo, a ser melhores do que o dia anterior. Aprender. Afastar-se do mal e aprender a fazer o bem: esta é a regra da conversão. Porque converter-se não é consultar uma fada que com a varinha de condão nos converte: não! É um caminho. É um caminho de afastar-se e de aprender”.
Portanto, necessita-se coragem para afastar-se e humildade para aprender a fazer o bem que se explicita em fatos concretos”.

“Ele, o Senhor, aqui diz três ações concretas, mas existem muitas outras: busquem a justiça, socorram o oprimido, façam justiça ao órfão, defendam a causa da viúva… mas, ações concretas. Aprende-se a fazer o bem com ações concretas, não com palavras. Com fatos… Por isso, Jesus, no Evangelho que ouvimos, repreende esta classe dirigente do povo de Israel, porque ‘diz e não faz’, não conhecem a concretude. E se não há concretude, não pode haver a conversão”.

Depois, a primeira leitura prossegue com o convite do Senhor: “Vinde, debatamos”. “Vinde”: uma bela palavra, disse Francisco, uma palavra que Jesus dirigiu aos paralíticos, à filha de Jairo, assim como ao filho da viúva de Naim. E Deus nos dá uma mão para “ir”. E é humilde, se abaixa muito para dizer: “Vinde, debatamos”. O Papa ressaltou o modo com que Deus ajuda: caminhando junto, para ajudar o homem, para explicar as coisas, para tomá-los pela mão. O Senhor é capaz de fazer este milagre, isto é de transformar o homem, não de um dia para outro, mas no caminho.

“Convite à conversão, afastem-se do mal, aprendam a fazer o bem … ‘Vinde, debatamos, vinde a mim, debatamos e prossigamos’. ‘Mas tenho muitos pecados …’ – ‘Mas não se preocupe: se os seus pecados são como escarlate, se tornarão brancos como a neve’. E este é o caminho da conversão quaresmal. Simples. É um Pai que fala, é um Pai que nos quer bem, nos quer bem, bem. E nos acompanha neste caminho de conversão. Ele nos pede somente que sejamos humildes. Jesus diz aos dirigentes: ‘Quem se exaltar, será humilhado e quem se humilhar será exaltado’”.

Este é, portanto, o caminho da conversão quaresmal: afastar-se do mal, aprender a fazer o bem, levantar-se e ir com Ele. “Então, os nossos pecados serão todos perdoados”.

Santo Evangelho (Mt 6, 1-6.16-18)

Quarta-feira de Cinzas – Quarta-feira 01/03/2017

Primeira Leitura (Jl 2,12-18)
Leitura da Profecia de Joel:

12“Agora, diz o Senhor, voltai para mim com todo o vosso coração, com jejuns, lágrimas e gemidos; 13rasgai o coração, e não as vestes; e voltai para o Senhor, vosso Deus; ele é benigno e compassivo, paciente e cheio de misericórdia, inclinado a perdoar o castigo”. 14Quem sabe, se ele se volta para vós e vos perdoa, e deixa atrás de si a bênção, oblação e libação para o Senhor, vosso Deus? 15Tocai trombeta em Sião, prescrevei o jejum sagrado, convocai a assembleia; 16congregai o povo, realizai cerimônias de culto, reuni anciãos, ajuntai crianças e lactentes; deixe o esposo seu aposento, e a esposa, seu leito. 17Chorem, postos entre o vestíbulo e o altar, os ministros sagrados do Senhor, e digam: “Perdoa, Senhor, a teu povo, e não deixes que esta tua herança sofra infâmia e que as nações a dominem”. Por que se haveria de dizer entre os povos: “Onde está o Deus deles?” 18Então o Senhor encheu-se de zelo por sua terra e perdoou ao seu povo.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Responsório (Sl 50)

— Misericórdia, ó Senhor, pois pecamos!
— Misericórdia, ó Senhor, pois pecamos!

— Tende piedade, ó meu Deus, misericórdia!/ Na imensidão do vosso amor, purificai-me!/ Lavai-me todo inteiro do pecado/ e apagai completamente a minha culpa!

— Eu reconheço toda a minha iniquidade,/ o meu pecado está sempre à minha frente./ Foi contra vós, só contra vós, que eu pequei,/ pratiquei o que é mau aos vossos olhos!

— Criai em mim um coração que seja puro,/ dai-me de novo um espírito decidido./ Ó Senhor, não me afasteis de vossa face,/ nem retireis de mim o vosso Santo Espírito!

— Dai-me de novo a alegria de ser salvo/ e confirmai-me com espírito generoso!/ Abri meus lábios, ó Senhor, para cantar,/ e minha boca anunciará vosso louvor!

 

Segunda Leitura (2Cor 5,20 – 6,2)
Leitura da Segunda Carta de São Paulo aos Coríntios:

Irmãos: 20Somos embaixadores de Cristo, e é Deus mesmo que exorta através de nós. Em nome de Cristo, nós vos suplicamos: deixai-vos reconciliar com Deus. 21Aquele que não cometeu nenhum pecado, Deus o fez pecado por nós, para que nele nós nos tornemos justiça de Deus. 6,1Como colaboradores de Cristo, nós vos exortamos a não receberdes em vão a graça de Deus, 2pois ele diz: “No momento favorável, eu te ouvi e, no dia da salvação, eu te socorri”. É agora o momento favorável, é agora o dia da salvação.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Anúncio do Evangelho (Mt 6,1-6.16-18)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus.
— Glória a vós, Senhor!

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 1“Ficai atentos para não praticar a vossa justiça na frente dos homens, só para serdes vistos por eles. Caso contrário, não recebereis a recompensa do vosso Pai que está nos céus. 2Por isso, quando deres esmola, não toques a trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem elogiados pelos homens. Em verdade vos digo: eles já receberam a sua recompensa. 3Ao contrário, quando deres esmola, que a tua mão esquerda não saiba o que faz a tua mão direita, 4de modo que a tua esmola fique oculta. E o teu Pai, que vê o que está oculto, te dará a recompensa. 5Quando orardes, não sejais como os hipócritas, que gostam de rezar de pé, nas sinagogas e nas esquinas das praças, para serem vistos pelos homens. Em verdade vos digo: eles já receberam a sua recompensa. 6Ao contrário, quando orares, entra no teu quarto, fecha a porta, e reza ao teu Pai que está oculto. E o teu Pai, que vê o que está escondido, te dará a recompensa. 16Quando jejuardes, não fiqueis com o rosto triste como os hipócritas. Eles desfiguram o rosto, para que os homens vejam que estão jejuando. Em verdade vos digo: eles já receberam a sua recompensa. 17Tu, porém, quando jejuares, perfuma a cabeça e lava o rosto, 18para que os homens não vejam que tu estás jejuando, mas somente teu Pai, que está oculto. E o teu Pai, que vê o que está escondido, te dará a recompensa”.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

 

A IGREJA CATÓLICA CELEBRA E VENERA HOJE
São Rosendo – Jovem bispo de Mondoñedo 

São Rosendo, sinal de reconciliação e esperança, deixou por onde passou muitos filhos espirituais

São Rosendo nasceu no ano de 907, em Monte Córdova, dentro de uma família muito religiosa. Seus pais foram o Conde D. Guterre Mendez de Árias e Santa Ilduara.

Adolescente, passou Rosendo a Mondoñedo, onde seu tio paterno, Savarico, era bispo. É de presumir que tenha prosseguido os estudos nalgum mosteiro beneditino.

Em 925, apenas com dezoito anos, sucede ao bispo de Mondoñedo, sendo muito bem recebido. Esforçou-se por restabelecer e e consolidar a paz, reconstruindo – ajudado pelos pais – os mosteiros e igrejas que tinham sofrido com a desordem. Assim serenou e conquistou os abades de toda a Galiza, que formavam a nobreza eclesiástica; e atraiu a nobreza civil, a que estava muito ligado pelo sangue. Libertou os escravos dependentes da mitra e trabalhou para que os outros senhores fizessem o mesmo; ficou sendo o pai de todos os libertos.

Depois de ser bispo de Mondoñedo, passou a sê-lo de Dume. Veio a Portugal visitar o mosteiro em que era abadessa sua parente, Santa Senhorinha. Desejando apresentar uma comunidade-modelo, conseguiu regressar e edificar um grande mosteiro, depois de um irmão e uma prima lhe terem cedido a quinta de Villar, na diocese de Orense. Obteve doações de ricos e pobres, sobretudo da mãe. Ao fim de oito anos de construção, num domingo do ano de 942 inaugurou a casa, que se ficou chamando Celanova: recebeu as felicitações de 11 bispos da Galiza e de Leão; foi saudado por 24 condes; prestaram-lhe homenagem muitos abades, presbíteros, diáconos e monges; e ouviu os aplausos da multidão.

Ficou abade de Celanova o monge Franquila. E São Rosendo voltou a Mondoñedo a extinguir rancores, sufocar conspirações, acalmar avarezas e pacificar famílias. Entre 944 e 948, depois de renunciar o bispado, retirou-se para Celanova. Mas foi preciso que substituísse alguns parentes seus, na autoridade que lhes pertencera, pois esses tinham-se revoltado contra Ordonho III (955). Administrou a diocese de Iria-Compostela pelo ano de 970, quando a região era assolada por violentas incursões normandas.

Veio a falecer em Celanova, no 1º de março de 977, com testamento que reflete fé, ciência escriturística, humildade, amor à Ordem Beneditina, predileção por Celanova e desejo de viver na eternidade como vivera os seus dias de afadigado peregrinar na terra: “sob a providência de Deus”.

São Rosendo, rogai por nós!

Papa no Angelus: ser artesãos de comunhão e fraternidade

Papa Francisco durante Angelus deste domingo – REUTERS
 
Cidade do Vaticano (RV) – O Papa Francisco rezou a oração mariana do Angelus, deste domingo (19/2/2017), com os fiéis e peregrinos reunidos na Praça São Pedro.

Segundo o Pontífice, o Evangelho deste domingo “é uma das páginas que expressam melhor a revolução cristã. Jesus mostra o caminho da verdadeira justiça através da lei do amor que supera a de talião, ou seja, olho por olho e dente por dente. Esta regra antiga obrigava a infligir aos transgressores penas equivalentes aos danos causados: a morte a quem tinha matado, a amputação de quem tinha ferido alguém, e assim por diante. Jesus não pede aos seus discípulos para sofrer o mal, ao contrário, pede para reagir, porém não causando outro mal, mas com o bem”.
 
Bem

“Somente assim, se quebra a cadeia do mal, um mal causa outro mal. Quebra-se esta cadeira do mal e mudam-se realmente as coisas. O mal, de fato, é um vazio, um vazio do bem, e um vazio não pode ser preenchido com outro vazio, mas somente com um cheio, ou seja, com o bem. A retaliação nunca leva à resolução de conflitos. Você me fez isso. Vai me pagar! Isso não resolve um conflito, e não é cristão”.

“Para Jesus a rejeição da violência pode comportar também a renúncia a um direito legítimo e Ele dá alguns exemplos: oferecer a outra face, ceder também o manto ou o próprio dinheiro, aceitar outros sacrifícios. Mas esta renúncia não significa dizer que as exigências da justiça são ignoradas ou contrariadas, pelo contrário, o amor cristão, que se manifesta de modo especial na misericórdia, representa uma realização superior da justiça.”
 
Distinção

“O que Jesus quer nos ensinar é a distinção clara que devemos fazer entre justiça e vingança. Distinguir entre justiça e vingança. A vingança nunca é justa. Nos é permitido pedir justiça. É nosso dever praticar a justiça, mas somos proibidos de nos vingar ou fomentar de nenhuma forma a vingança, pois é expressão de ódio e violência.”
 
“Jesus não quer propor uma nova ordem civil, mas sim o mandamento do amor ao próximo, que também inclui o amor pelos inimigos: ‘Amem os seus inimigos, e rezem por aqueles que perseguem vocês!’ Isso não é fácil! Esta palavra não deve ser entendida como uma aprovação do mal perpetrado pelo inimigo, mas como um convite a uma perspectiva superior, uma perspectiva magnânima, semelhante a do Pai Celeste, que ‘faz nascer o seu sol sobre maus e bons, e faz chover sobre os justos e injustos’. O inimigo também é uma pessoa humana, criada como tal à imagem de Deus, embora no presente esta imagem seja ofuscada por uma má conduta.”

Artesãos

Segundo o Papa, “quando falamos de ‘inimigos’ não devemos pensar nas pessoas diferentes e distantes de nós; falamos também de nós mesmos, que podemos entrar em conflito com o nosso próximo, às vezes com os nossos familiares. Quantas inimizades nas famílias, quantas! Pensemos nisso! Inimigos são também aqueles que falam mal de nós, que nos caluniam e nos enganam. Não é fácil digerir isso. A todos eles, somos chamados a responder com o bem, que também tem as suas estratégias, inspiradas pelo amor”.

“Que a Virgem Maria nos ajude a seguir Jesus neste caminho exigente, que realmente exalta a dignidade humana e nos faz viver como filhos do nosso Pai que está nos céus. Nos ajude a praticar a paciência, o diálogo, o perdão, e a ser artesãos de comunhão, artesãos de fraternidade em nossa vida cotidiana, sobretudo em nossa família.”

(MJ)

IV Domingo do Tempo Comum – Ano A

A vida humana é uma procura constante da felicidade. Todos procuramos ser felizes na vida. Todavia, onde é que se procura a felicidade? As bem-aventuranças de Jesus são a sua proposta: um modelo de vida, um conjunto de valores que, segundo Ele podem fazer-nos felizes. O texto das bem-aventuranças, apesar de ser tão conhecido, é sempre surpreendente, porque contém pensamentos e refrões que poderão, ao primeiro contacto, causar confusão, perturbação e estranheza. Jesus diz que serão felizes “os pobres em espírito… os humildes… os que choram… os que têm fome e sede de justiça… os misericordiosos… os puros de coração… os que promovem a paz… os que sofrem perseguição por amor da justiça. As bem-aventuranças resumem toda a Boa Nova de Jesus, são o convite de Jesus a todos aqueles que O querem seguir, são uma proclamação profética do espírito e das atitudes de todos aqueles que optam pelo reino. Jesus diz que só serão felizes aqueles que colocam toda a sua confiança no Senhor, relativizando tudo o resto, ou seja, aqueles que vivem no desprendimento, na humildade, no desejo de justiça, de interesse e de preocupação com os problemas dos outros. Evidentemente que estamos aqui a falar de uma felicidade autêntica, profunda, ou seja, de uma felicidade que vai mais além dos prazeres ou das satisfações superficiais. Esta é a felicidade que reside no interior de cada pessoa, no íntimo diálogo transcendente; esta é a felicidade que nos indica a salvação.
Bem sabemos que estes valores não são hoje apresentados como modelo pela nossa sociedade. Por isso compreende-se que os caminhos de Deus não são os nossos, ou seja, que a vontade de Deus nem sempre coincide com a nossa vontade, que o modelo de Jesus não é o modelo do mundo. A partir da visão cristã, a noção de felicidade transforma-se, altera-se. As leituras que precedem o evangelho ajudam-nos a compreender esta mensagem. Por exemplo, na primeira leitura, o profeta Sofonias aconselha: “Procurai o Senhor, vós todos os humildes da terra… procurai a justiça, procurai a humildade”. Concluímos, assim, que os humildes, os simples, os que vivem um amor desinteressado estão mais próximos do Senhor, porque O acolhem no seu coração. O salmo responsorial diz-nos que “o Senhor faz justiça aos oprimidos, dá pão aos que têm fome e a liberdade aos cativos”, cuida especialmente dos cegos, dos abatidos, dos justos, dos peregrinos, dos órfãos e das viúvas. É como se Deus “transformasse” a ordem das coisas: onde há motivos para a angústia, o Senhor irradia felicidade. Por isso, é muito oportuna a reflexão de São Paulo na segunda leitura: “Vede quem sois vós, os que Deus chamou: não há muitos sábios, naturalmente falando, nem muitos influentes, nem muitos bem-nascidos. Mas Deus escolheu o que é louco aos olhos do mundo para confundir os sábios; escolheu o que é fraco, para confundir o forte; escolheu o que é vil e desprezível, o que nada vale aos olhos do mundo, para reduzir a nada aquilo que vale. É por Ele que vós estais em Cristo Jesus, o qual Se tornou para nós sabedoria de Deus, justiça, santidade e redenção”.
O caminho das bem-aventuranças, o caminho da felicidade, o caminho de “seguir Jesus” é este: um caminho que se faz todos os dias, crescendo gradualmente, com esforço e com vontade. É um caminho que vale a pena, porque nos conduz à felicidade, à verdadeira alegria: “Alegrai-vos e exultai, porque é grande nos Céus a vossa recompensa”.

 

Bem-aventurança: os traços do rosto humano de Deus
Dom Antônio

Nesta Missa de encerramento do Acampamento das Famílias, cujo tema central foi “Jesus visita a minha família”, nós queremos ouvir o que Jesus tem a nos dizer. Primeiro ponto de reflexão é ver como nós lidamos com o ser e o ter, com o ser e o fazer.
As leituras de hoje nos levam a refletir sobre o que estou escolhendo em minha vida: Estou escolhendo o ser ou o fazer? Na primeira leitura ouvimos o Espírito Santo nos falar que precisamos ser humildes, ser verdadeiros, ser justos. Já na segunda leitura Ele nos diz que precisamos ser conscientes das escolhas divinas e, no Evangelho, Jesus nos chama a ser como Ele foi. Nós temos que ver as bem-aventuranças como que o perfil de Deus na humanidade.
As bem-aventurança são os traços do rosto humano de Deus . “Bem-aventurados os pobres em espírito porque deles é o Reino dos Céus”. Jesus nasceu pobre e viveu desprendido de tudo, morreu até sem a roupa do corpo.
“Bem-aventurados os mansos porque possuirão a terra”. E com que mansidão Jesus dizia e corrigia os discípulos e com que mansidão Ele ensinava o povo.
“Bem-aventurados os misericordiosos, porque encontrarão misericórdia”. E com que misericórdia e compaixão Jesus olhava cada uma das pessoas que Ele encontrava.
“Bem-aventurados os pacíficos”. E esta era uma das palavras que Jesus mais se utilizava “A paz esteja convosco”.
As bem-aventuranças são um perfil de Cristo. Cristo visita a nossa família quando cada um exerce o seu papel, quando sabemos ser o rosto d’Ele para o outro.
Como é agradável viver em uma família que é desprendida das coisas materiais, no qual um sabe se entregar verdadeira e inteiramente ao outro. Não por uma razão econômica, essa questão do desapego e do desprendimento material não é apenas para se fazer um sacrifício. A verdadeira razão é para que se tenha o coração disposto e aberto para o amor.
“Bem-aventurados os pacíficos”. Cristo visita uma casa quando as pessoas são pacificadoras, pacificam os corações preocupados e as vidas agitadas, pessoas que pacificam os ambientes. Somos convidados a transformar os nossos lares em verdadeiros recantos de paz, um verdadeiro gerador de paz para o mundo. Somos convidados a ser semeadores da paz.
“Bem-aventurados os perseguidos”. Cristo visita uma casa quando ela sofre perseguições por amor a Ele. Temos que aprender como conviver e amar as pessoas que convivem conosco: nosso irmão, nosso pai, nosso esposo, nossa esposa e nossos filhos. Precisamos saber sofrer com os defeitos das pessoas do nosso lado. Precisamos aprender a amar o outro como ele é. É com amor e não com ardor que as pessoas mudam. O bom ladrão mudou ao ver o amor de Cristo na Cruz.
Temos que viver as bem-aventuranças porque elas são os traços do rosto humano de Deus no mundo. E se nós quisermos ter o rosto divino estampado em nosso semblante, temos que viver as bem-aventuranças. Por isso precisamos ser bem-aventurados e, por mais que o mundo queira retirar os símbolos religiosos do mundo, não conseguirão retirar do nosso semblante o retrato de Cristo.
Por isso as leituras de hoje nos convidam a escolhermos sempre o ser, e colocar o ter e o fazer em um patamar inferior. Então temos aqui um belo programa de vida: Cristo visita a nossa casa se realmente as bem-aventuranças passam as ser não apenas o que você tem que fazer, mas sim aquilo que cada um de nós tem que ser.

 

Bem-aventuranças, programa de vida
Intervenção por ocasião do Ângelus
CIDADE DO VATICANO, domingo, 30 de janeiro de 2011 (ZENIT.org) – Apresentamos as palavras que Bento XVI dirigiu hoje, ao rezar a oração mariana do Ângelus junto a milhares de peregrinos reunidos na Praça de São Pedro.
* * *
Queridos irmãos e irmãs:
Neste quarto domingo do Tempo Comum, o Evangelho apresenta o primeiro grande discurso que o Senhor dirige ao povo, sobre as doces colinas ao redor do lago da Galileia. “Vendo as multidões – escreve São Mateus -, Jesus subiu à montanha e sentou-se. Os discípulos aproximaram-se. E Ele começou a ensinar” (Mt 5, 1-2). Jesus, o novo Moisés, “assume a ‘cátedra da montanha” (Jesus de Nazaré, 2007) e proclama “bem-aventurados” os pobres de espírito, os que choram, os misericordiosos, os que têm fome e sede de justiça, os limpos de coração, os perseguidos (cf.  Mt 5, 3-10). Não se trata de uma nova ideologia, mas de ensinamento que procede do alto e que diz respeito à condição humana, que o Senhor, ao encarnar-se, quis assumir para salvar. Por esta razão, “o Sermão da Montanha é dirigido a todos, no presente e no futuro… e só pode ser compreendido e vivido no seguimento de Jesus, caminhando com Ele” (Jesus de Nazaré). As bem-aventuranças são um novo programa de vida para se livrar dos falsos valores do mundo e abrir-se aos verdadeiros bens presentes e futuros. Quando Deus conforta, sacia a fome de justiça, enxuga as lágrimas dos que choram, isso significa que, além de recompensar cada um de forma sensível, abre o Reino do Céu. “As bem-aventuranças são a transposição da cruz e da ressurreição na existência dos discípulos” (ibid.). Refletem a vida do Filho de Deus, que se deixa perseguir, desprezar até a sentença de morte para dar a salvação aos homens.
Um velho ermitão disse: “As bem-aventuranças são dons de Deus e devemos realmente agradecer por tê-las recebido e pelas recompensas que delas derivam, ou seja, o Reino do Céu na vida futura, o consolo aqui, a plenitude de todo bem e a misericórdia de Deus (…), quando a pessoa se converteu em imagem de Cristo sobre a terra” (Pedro de Damasco, em Filocalia, volumen 3, Turim 1985, p. 79). O Evangelho das bem-aventuranças é comentado na própria história da Igreja, a história da santidade cristã, porque – como escreve São Paulo – “o que para o mundo é loucura, Deus o escolheu para envergonhar os sábios, e o que para o mundo é fraqueza, Deus o escolheu para envergonhar o que é forte. Deus escolheu o que no mundo não tem nome nem prestígio, aquilo que é nada, para assim mostrar a nulidade dos que são alguma coisa” (1 Coríntios 1, 27-28). Por esta razão, a Igreja não tem medo da pobreza, do desprezo, da perseguição em uma sociedade frequentemente atraída pelo bem-estar material e pelo poder mundano. Santo Agostinho nos lembra que “o que ajuda não é sofrer desses males, mas suportá-los pelo nome de Jesus, não só com espírito sereno, mas inclusive com alegria” (De sermone Domini in monte, I, 5,13: CCL 35, 13).
Queridos irmãos e irmãs: invoquemos a Virgem Maria, a bem-aventurada por excelência, pedindo a força de buscar o Senhor (cf. Sofonias 2, 3) e de segui-lo sempre, com alegria, pelo caminho das bem-aventuranças.
[Tradução: Aline Banchieri. © Libreria Editrice Vaticana]

 

Diante de falsos valores, Bento XVI apresenta bem-aventuranças
São o programa de vida do cristão, afirma
CIDADE DO VATICANO, domingo, 30 de janeiro de 2011 (ZENIT.org) – Bento XVI apresentou hoje as bem-aventuranças como o programa de vida dos cristãos diante dos falsos valores do mundo.
Foi a proposta que fez ao rezar a oração mariana do Ângelus, junto a milhares de peregrinos reunidos na Praça de São Pedro, com quem comentou a passagem evangélica da liturgia deste dia, o sermão que Jesus pronunciou para proclamar “bem-aventurados” os pobres de espírito, os que choram, os misericordiosos, os que têm fome e sede de justiça, os limpos de coração, os perseguidos.
“Não se trata de uma nova ideologia, mas de ensinamento que procede do alto e que diz respeito à condição humana, que o Senhor, ao encarnar-se, quis assumir para salvar” explicou o Pontífice.
Pois bem, segundo o Bispo de Roma, as bem-aventuranças não são algo do passado; “o Sermão da Montanha é dirigido a todos, no presente e no futuro”.
“As bem-aventuranças são um novo programa de vida para se livrar dos falsos valores do mundo e abrir-se aos verdadeiros bens presentes e futuros”, sublinhou.
“Quando Deus conforta, sacia a fome de justiça, enxuga as lágrimas dos que choram, isso significa que, além de recompensar cada um de forma sensível, abre o Reino do Céu”, afirmou.
As bem-aventuranças, explicou, “refletem a vida do Filho de Deus, que se deixa perseguir, desprezar até a sentença de morte para dar a salvação aos homens”.
Bento XVI comentou o Evangelho das bem-aventuranças “na própria história da Igreja, a história da santidade cristã, porque – como escreve São Paulo – ‘o que para o mundo é loucura, Deus o escolheu para envergonhar os sábios, e o que para o mundo é fraqueza, Deus o escolheu para envergonhar o que é forte. Deus escolheu o que no mundo não tem nome nem prestígio, aquilo que é nada, para assim mostrar a nulidade dos que são alguma coisa'”.
Por este motivo, concluiu, “a Igreja não tem medo da pobreza, do desprezo, da perseguição em uma sociedade frequentemente atraída pelo bem-estar material e pelo poder mundano”.

 

O nome D`Ele é “defensor dos pobres”
Por Dom Emanuele Bargellini, Prior do Mosteiro da Transfiguração
São Paulo, quinta-feira, 27 de janeiro de 2011 (ZENIT.org) – Apresentamos o comentário à liturgia do próximo domingo – IV do Tempo Comum Sf 2, 3; 3, 12-13; 1 Cor 1, 26-31; Mt 5, 1-12a – redigido por Dom Emanuele Bargellini, Prior do Mosteiro da Transfiguração (Mogi das Cruzes – São Paulo). Doutor em liturgia pelo Pontificio Ateneo Santo Anselmo (Roma), Dom Emanuele, monge beneditino camaldolense, assina os comentários à liturgia dominical, sempre às quintas-feiras, na edição em língua portuguesa da Agência ZENIT.
* * *
IV DOMINGO DO TEMPO COMUM
Leituras: Sf 2, 3; 3, 12-13; 1 Cor 1, 26-31;  Mt 5, 1-12a
Se Deus tem um nome, o nome D`Ele é “defensor dos pobres”.
Não se trata de qualquer pauperismo, não se trata de uma postura para limpar a consciência, não. Trata-se do próprio Nome de Deus. Não é um acaso da história o fato que Deus se manifeste na carne pobre de um menino, gerado por uma pessoa esquecida por todos (Maria), acolhido por pessoas consideradas as últimas da sociedade (os pastores); o próprio lugar onde ele nasce é um lugar para animais, Ele “o homem” por excelência.
Não é um acaso também, que ele acabe a sua vida humana como um malfeitor, considerado injustamente assim, pobreza suprema para Ele, o dispensador de todo Bem. Uma vida entre duas pobrezas, física/pessoal e moral.
Mateus, tão atento à história, destaca claramente esta situação e faz coincidir o início da pregação de Jesus com a proclamação da primeira bem aventurança: “Bem aventurados os pobres em espírito, porque deles é o reino dos céus” (Mt 5,3). Quem é o primeiro cidadão de reino dos céus senão o “pobre” Jesus? E o Mestre convida para esta cidadania os seus ouvintes, isto é, a todos, não somente os discípulos. Os destinatários deste “discurso” são as multidões, vindas de todos os lugares, da Galileia, do outro lado do Jordão, da Decápoli, de Jerusalém.
A mensagem de Jesus não tem fronteiras. Jesus sobe a montanha, lugar onde simbolicamente mora Deus. Este lugar recorda o Sinai, onde foi selada a Aliança entre Deus e o seu povo. Neste sentido as palavras que Jesus  pronuncia aqui, neste lugar, têm o sabor de uma nova Lei promulgada por um novo legislador, o próprio Jesus.
Mas se no deserto o povo não podia aproximar-se de Deus, do contrário ele morreria, hoje ele não só pode, mas, estando “com” Deus ele alcança a vida. Uma vida de felicidade, que é aquela proposta pelas “bem aventuranças”. Uma vida que alcança não um prêmio qualquer, mas a própria posse do Reino dos Céus. Nas bem aventuranças Deus não somente comunica uma mensagem de consolação, não somente cumpre uma revelação sobre os homens que o seguem. Muito mais, ele partilha com eles o Reino do qual ele mesmo é rei. Podemos afirmar que ele associa os homens à posse deste mesmo reino.
Jesus constata a  situação do povo, de pobreza, humilhação, submissão; percebe o esforço que o povo faz para mudar a situação, e o proclama feliz nesta busca, porque esta busca mora no próprio coração de Deus. Assim explica-se como a oitava bem aventurança consegue o mesmo resultado da primeira: “bem aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus” (Mt 5,10).
Estas duas bem aventuranças são as únicas que têm a promessa no presente: de fato, mais que uma promessa, trata-se de uma constatação. Quem é pobre e quem é perseguido, porque busca a justiça, já mora no Reino, como Jesus, o pobre e o justo por excelência, e que já mora no Reino. O que significa a expressão “pobres em espírito”? Fala-se dos “humildes”, independentemente da situação social? Ou dos anawim do Antigo Testamento, isto é, dos que confiam em Deus como última possibilidade, porque estão sem justiça por parte da sociedade?
São eles  também, mas não somente. São aqueles que no profundo do coração de si mesmos (“em espírito”) escolheram a pobreza: não por causa de um amor insano pela miséria, não por um ato de masoquismo social ou pessoal, não por causa de uma ascese tão heróica quanto inútil. Escolheram a pobreza com atitude “profética”: estes pobres anunciam o sonho de Deus para os homens, uma nova sociedade baseada na justiça e na solidariedade. Os pobres sabem partilhar, sabem administrar o tudo de cada um, bem como o tudo de todos. Esta é a nova sociedade amada por Deus porque, mais uma vez, realiza aquilo que Deus realizou pelos homens: o seu tudo tornou-se o tudo de todos, numa oblação sem fim. Eis porque são perseguidos: a presença silenciosa deles é insuportável por uma sociedade baseada num modelo totalmente contrário. Esta sociedade não suporta este modelo e quer eliminá-lo.
Isso acontecia já nos tempos de Jesus; hoje aquela intuição se torna ainda mais profética, ainda mais atual, parece pronunciada para o nosso mundo contemporâneo. Dá para ver como aquela pobreza de que Jesus fala é só parcialmente uma pobreza material. Trata-se de uma pobreza como escolha existencial, de uma postura existencial de simplicidade, de solidariedade, de partilha. Uma postura de unificação interior sobre o que é verdadeiramente essencial.
Se o Reino é algo que está já presente nos pobres e naqueles que lutam por causa da justiça, ao mesmo tempo, ele está em construção. As bem aventuranças que se concluem com uma promessa futura nos falam de um Reino que já aqui neste mundo vai se construindo. Os aflitos não podem se resignar a um sofrimento perene: no reino há uma consolação que vai se construindo através da ação daqueles que sabem detectar os sofrimentos dos homens e se fazem próximos.
Sabem que ninguém no Reino pode ficar sozinho, todos têm um irmão, sobretudo todos têm um Pai. Fazer presente o Pai aos homens aflitos é a capacidade de imaginar e construir vínculos de afeto, amor, presença, para todos aqueles que ficam abalados pelos seus sofrimentos.
A terra (entendida como “situação de vida dos homens”) tem de mudar de propriedade: não estará mais na posse dos violentos, daqueles que imaginam e atuam a possibilidade de estar bem “contra” os outros; a terra é para aqueles que nunca enfrentam o outro com violência, nem para se defender. É para os mansos, como Jesus que acolhe todos os cansados e oprimidos por este mundo violento e neurótico, ele, o puro de coração e o manso. Ele que responde àqueles de mãos fechadas com a mão aberta da mansidão.
A sede de justiça será saciada, não somente porque as relações injustas serão quebradas, mas porque o próprio Deus em Cristo “justificará”, fará de todos homens “justos”, restabelecerá os homens naquela imagem com que Deus os criou, isto é a própria imagem d’Ele. Fazer os homens “justos” será fazer os homens “deuses”, porque Deus é o Justo. Quem conseguirá ser misericordioso, ter um coração semelhante ao coração de Deus, se colocará no mesmo nível de Deus e alcançará por si mesmo o que conseguirá doar.
É a Lei de ouro: fazer aos outros aquilo que queremos seja feito para nós. Lei esta que chega até nós do Antigo Testamento, mas num nível mais profundo, pois não se limita a fazer ações de bondade, mas chega a participar do mesmo coração de Deus, o Misericordioso. Só uma vida totalmente desapegada pode alcançar este dom de Deus, só aquele que tem o olhar totalmente aberto ao outro e ao Outro pode perceber a importância desta bem aventurança que Jesus viveu e anunciou com palavras e com a própria vida, com insistência: misericórdia, para com todos, para sempre.
Esta participação à própria vida de Deus chega a um ponto profundo e máximo na bem aventurança seguinte: os puros de coração verão a Deus. Aquilo que era impossível no Antigo Testamento, aquilo que levava à morte, ver a Deus, se torna possível para os puros de coração, para aqueles que têm um coração unificado, não dividido, concentrado na profundeza e no centro de si mesmo onde mora Deus. É o que Jesus pede para Marta, ter um coração unificado, que não julga, e que sobretudo concentra todas as suas forças na identificação e no serviço do Mestre.
Em verdade, à luz da mensagem evangélica toda, acontece algo de extraordinário: por meio do Cristo Homem/Deus, o homem numa certa maneira não somente fica semelhante, mas participa, segundo a sua ordem na criação, da própria natureza de Deus. Assim, para ele, não somente é possível ver a Deus, mas também ver com os olhos de Deus, experimentar em si o próprio olhar de Deus. Este é o verdadeiro sentido da expressão ´filhos de Deus` que é a promessa da bem aventurança daqueles que buscam a paz: que não se torna somente uma ausência de conflitos, mas muito mais uma definição do próprio discípulo de Jesus. Ele é aquele que busca a paz como aquele acordo fundamental entre o céu e a terra, entre os homens, e dentro do homem em si mesmo.
As duas bem aventuranças dos puros de coração e promotores da paz são deste modo duas faces da mesma realidade profunda, a unificação profunda do homem: num sentido existencial os primeiros, no sentido ético os segundos. Estes homens que vivem nas bem aventuranças são aqueles dos quais o profeta Sofonias proclama ser o resto de Israel que “no nome do Senhor porá sua esperança” (Sf 3,12).
Quem pode participar deste povo, deste resto, será aquele que não é sábio da sabedoria humana, nem poderoso, nem nobre, como nos fala 1 Cor 1, 26-31. Os critérios hermenêuticos para vislumbrar a nova humanidade confundem – diz Paulo aos Coríntios – os costumes e as culturas do mundo, que gloria-se somente em si mesmo. Paulo nos apresentará a estrada mestra para reinterpretar a vida em Deus que, ao final, permanece a única e verdadeira maneira de se tornar verdadeiros homens e permanecer nisso.

 

QUARTO DOMINGO COMUM
Mt 5, 1-12ª “Fiquem alegres e contentes, porque será grande para vocês a recompensa nos céus”

Esses primeiros versículos do Cap. 5 servem ao mesmo tempo como introdução e resumo do Sermão da Montanha. Nos apresentam um retrato das qualidades do(a) verdadeiro(o) discípulo(a), daquele e daquela que, no seguimento de Jesus, procura viver os valores do Reino de Deus. Basta uma leitura superficial para ver que a proposta de Jesus está na contramão da proposta da sociedade vigente – tanto a do tempo de Jesus, como de hoje. Embora com uma linguagem menos contundente do que Lucas (Lc 6, 20-26), o texto de Mateus deixa claro que o seguimento de Jesus exige uma mudança radical na nossa maneira de pensar e viver.
Um primeiro elemento que chama a atenção é o fato de que a primeira e a última bem-aventurança estão com o verbo no presente – o Reino já é dos pobres em espírito e dos perseguidos por causa da justiça – na verdade, as mesmas pessoas, pois os que buscam a justiça são “pobres em espírito”. Eles já vivem a dependência total de Deus, pois só com Ele esses valores podem vigorar. Mas quem luta pela justiça será perseguido – e quem não se empenha nessa luta jamais poderá ser “pobre em espírito”.
As outras bem-aventuranças traçam as características de quem é pobre em espírito. É aflito, por causa das injustiças e do sofrimento dos outros, causados por uma sociedade materialista e consumista. É manso, não no sentido de passivo, mas porque não é movido pelo ódio e violência que marcam a ganância e a truculência dos que dominam, “amansando” os pobres e fracos.
Tem fome da Justiça do Reino, não a dos homens, que tantas vezes não passa de uma legitimação oficial da exploração e privilégio. Tem coração compassivo, como o próprio Pai do Céu, e é “puro de coração”, sem ídolos e falsos valores. Promove a paz, não “a paz que o mundo dá” (Jo 14, 27), mas o “shalom”, a paz que nasce do projeto de Deus, quando existe a justiça do Reino.
Mas, Jesus deixa clara a consequência de assumir esse projeto de vida – a perseguição! Pois um sistema baseado em valores antievangélicos não pode aguentar quem o contesta e questiona, algo que a história dos mártires do nosso Continente testemunha muita bem. Qualquer Igreja cristã que é bem aceita e elogiada pelo sistema hegemônico precisa se questionar sobre a sua fidelidade à vivência das bem-aventuranças do Sermão da Montanha. O martírio (= testemunho) é pedra-de-toque dessa fidelidade.
Continua válido para todos nós, como indivíduos e como comunidades, o desafio de estar “na contramão, com Jesus”, como diz Frei Carlos Mesters. Não somente na contramão da sociedade, mas com uma proposta de construção de uma sociedade fundamentada nos princípios do Sermão da Montanha, os de solidariedade, justiça, fraternidade e paz. No mundo onde estas metas e princípios são chamados da “ladainha dos perdedores”, cabe aos cristãos descobrir meios práticos de concretização desta utopia, a utopia de Deus, que impelia Jesus a doar a sua vida. É o grande desfio de sermos “no mundo, mas não do mundo” como dizia Jesus (Jo 14) e por isso temos que ser “vigilantes” (outro tema do evangelho de Mateus), para que não assumamos os princípios anti-evangélicos do neoliberalismo selvagem, quase por osmose! O mundo é o palco da nossa missão (Jo 16, 18), mas uma missão transformadora, norteada pelas Bem-Aventuranças.

Igreja deve anunciar Cristo e não a si mesma, diz Papa

Domingo, 15 de janeiro de 2017, Da redação, com Rádio Vaticano

“Somente Ele [Cristo] salva o povo do pecado, o liberta e o guia rumo à terra da vida e da liberdade”, afirma Papa no Angelus

No Angelus deste domingo, 15, o Papa Francisco explicou o sentido das palavras do Evangelho do dia (cf. Jo 1,29-34) proferidas por João Batista: “Eis o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”, às margens do Rio Jordão.

Enquanto João batiza as pessoas, homens e mulheres de várias idades, ele afirma que o Reino dos Céus está próximo e que o Messias está para se manifestar. Para isso, explica o Papa, é preciso se preparar, se converter e se comportar corretamente. O batismo é um sinal concreto de penitência. João sabe que o Consagrado está chegando e o sinal para reconhecê-lo é que Nele se pousará o Espírito Santo, que trará o verdadeiro batismo.

“Eis que naquele momento Jesus se apresenta às margens do rio, no peio do povo, dos pecadores, como nós. É o seu primeiro ato público, a primeira coisa que faz quando deixa sua casa de Nazaré: desce à Judeia, vai ao Jordão e se faz batizar por João Batista. Naquele momento, sobre Jesus desce o Espírito Santo em forma de pomba e a voz do Pai o proclama Filho predileto”.

O plano divino se realiza

João fica desconcertado pelo fato de o Messias se ter manifestado de modo tão impensável, em meio aos pecadores. O Papa explicou que iluminado pelo Espírito, João entende que assim se realizava a justiça divina, o plano de salvação de Deus, que “como Cordeiro de Deus, toma para si os pecados do mundo”.

Esta cena, segundo o Pontífice, é decisiva para a nossa fé e para a missão da Igreja, que deve indicar Jesus às pessoas, como fazem os padres na missa, todos os dias, quando apresentam o pão e o vinho aos fiéis como o Corpo e o Sangue de Cristo:

Anunciar sempre Jesus

“Este gesto litúrgico representa toda a missão da Igreja, que não anuncia si mesma, mas anuncia Cristo! Ai da Igreja quando anuncia si mesma… perde a bússola, não sabe para onde ir. Ela não leva si mesma, mas leva Cristo, porque é Ele e somente Ele que salva o povo do pecado, o liberta e o guia rumo à terra da vida e da liberdade”.

Concluindo, o Papa rezou a oração mariana do Angelus e pediu a Maria, Mãe do Cordeiro de Deus, que nos ajude a crer Nele e a Segui-Lo.

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