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Terceiro Domingo do Advento – Gaudete – Ano C

Por Pe. Fernando José Cardoso

Evangelho segundo São Lucas 3, 10-18
E as multidões perguntavam-lhe: «Que devemos, então, fazer?» Respondia-lhes: «Quem tem duas túnicas reparta com quem não tem nenhuma, e quem tem mantimentos faça o mesmo.» Vieram também alguns cobradores de impostos, para serem batizados e disseram-lhe: «Mestre, que havemos de fazer?» Respondeu-lhes: «Nada exijais além do que vos foi estabelecido.» Por sua vez, os soldados perguntavam-lhe: «E nós, que devemos fazer?» Respondeu-lhes: «Não exerçais violência sobre ninguém, não denuncieis injustamente e contentai-vos com o vosso soldo.» Estando o povo na expectativa e pensando intimamente se ele não seria o Messias, João disse a todos: «Eu batizo-vos em água, mas vai chegar alguém mais forte do que eu, a quem não sou digno de desatar a correia das sandálias. Ele há-de batizar-vos no Espírito Santo e no fogo. Tem na mão a pá de joeirar, para limpar a sua eira e recolher o trigo no seu celeiro; mas queimará a palha num fogo inextinguível.» E, com estas e muitas outras exortações, anunciava a Boa-Nova ao povo.

Neste terceiro domingo do Advento, João nos ensina que ele não apenas batizava, mas se transformou também num catequista e evangelizador. Os que por ele eram batizados vinham novamente a ele e perguntavam: “Mestre e agora, o que devemos fazer?” O quanto os sacerdotes gostariam que o povo fiel viesse a sua procura com docilidade e prontidão: “Padre, que devo eu fazer após meu batismo, após minha conversão, para agradar a Deus?” As respostas que dá João são surpreendentes: “Aquele que tem duas túnicas, dê uma a quem nada tem, aos soldados exerçam a sua função sem realizarem violências inúteis”. A todos, de uma maneira ou de outra, João dá uma lição prática, não extraordinária, mas que pode ser posta em prática concretamente no nosso dia a dia: cada um seja capaz de co-dividir o que tem. Não haveria modo melhor de esperarmos Jesus Cristo e prepararmos nosso coração para sua nova visita neste natal se não co-dividir com os nossos irmãos, o muito ou pouco que possuímos. Você possui muitas riquezas? Seja sensível a quem nada tem. Você é rico em sabedoria ou em ciência? Reparta um pouco do seu saber com quem nada sabe. Você possui auto-suficiência na vida? Ajude um necessitado. Você sente bem e feliz? Distribua sorrisos a quem se encontra na tristeza ou na provação. Você já passou por provações? Console aquele que esta passando por esses momentos difíceis. Numa palavra, neste terceiro domingo do Advento, não há ninguém que não possa fazer algo de concreto para transformar a sua vida numa co-divisão de bens materiais, de bens psicológicos, e não se esqueça de bens espirituais também. Co-divida sua fé, sua catequese, o seu tempo livre com a Igreja, preste-se algum serviço voluntário em sua paróquia. Eis modos bem concretos e ao alcance de cada um de nós, pequenos e grandes, jovens e idosos, que o Batista aconselha neste terceiro domingo do advento.

 

«Vai chegar alguém mais forte do que eu»
São Máximo de Turim (?-c. 420), bispo
Sermão 88 (a partir da trad. Année en Fêtes, Migne 2000, p. 37)

João não falava apenas do seu tempo quando anunciou o Senhor aos fariseus, dizendo: «Preparai os caminhos do Senhor, endireitai as Suas veredas» (Mt 3, 3). João brada hoje em nós, e o trovão da sua voz abala o deserto dos nossos pecados. Mesmo abafada pelo sono do martírio, a sua voz ressoa ainda, e continua a dizer-nos: «Preparai os caminhos do Senhor, endireitai as Suas veredas». […] João Batista ordenou, pois, que preparássemos os caminhos do Senhor. Vejamos que caminho preparou ele para o Salvador. Desde o princípio, traçou e ordenou na perfeição o caminho para a chegada de Cristo, pois foi em todas as coisas sóbrio, humilde, contido e virgem. É ao descrever todas estas virtudes que o evangelista afirma: «João trazia um trajo de pêlos de camelo e um cinto de couro à volta da cintura; alimentava-se de gafanhotos e mel silvestre» (Mt 3, 4). Que sinal maior de humildade pode haver num profeta do que o desprezo pelas vestes elegantes, em troca de pêlos rugosos? Que mais profundo sinal de fé pode haver do que estar sempre pronto, de rins cingidos, para desempenhar todas as tarefas servis? Que marca de abstinência mais notável pode haver, do que a renúncia às delícias desta vida, para se alimentar de gafanhotos e mel silvestre? Todos estes comportamentos do profeta eram, a meu ver, proféticos em si mesmos. Que o mensageiro de Cristo se vestisse de pêlos de camelo significava, muito simplesmente, que Cristo, ao vir a este mundo, Se revestiria do nosso corpo humano, deste tecido grosso, enrugado pelos nossos pecados. […] O cinto de couro significa que a nossa frágil carne, orientada para o vício antes da vinda de Cristo, seria por Ele conduzida à virtude.

 

Advento é tempo de alegria
Padre Bruno

Estamos no domingo da alegria, alegria da expectativa do Senhor que há de vir. Quando se espera por uma visita, a primeira coisa que a dona de casa faz é a faxina, e este tempo é exatamente para isto, para limpar nossa casa, para esperar Jesus. Durante toda a semana que passou, a palavra que mais foi proclamada foi a esperança e nessa terceira semana, é a semana que precisamos nos alegrar, não é um tempo de tristezas, mas sim de mudança, de conversão, de dizer não as coisas de mal e assumir Jesus. A segunda leitura diz “Alegrai-vos sempre no Senhor; eu repito, alegrai-vos. Que a vossa bondade seja conhecida de todos os homens! O Senhor está próximo!” (Filipenses 4, 4-5). Por isso a urgência de uma mudança verdadeira, não podemos nos acostumar as coisas que do mundo, que quer vivamos no mais ou menos. Você pode até achar que está sozinho, mas o mestre de Israel nunca te abandona. “Não vos inquieteis com coisa alguma, mas apresentai as vossas necessidades a Deus, em orações e súplicas, acompanhadas de ação de graças. E a paz de Deus, que ultrapassa todo o entendimento, guardará os vossos corações e pensamento em Cristo Jesus” (Filipenses 4, 6-7). Nesse domingo temos que assumir essa palavra e vivê-la com desejo. Eu sei que todos trazemos dificuldades, mas alegrai-vos no Senhor. Se estivermos alicerçados na palavra de Deus, superaremos todas as tribulações. E precisamos pedir a Deus para que escutemos Sua voz e pratiquemos sua Palavra Devemos escutá-la [palavra de Deus], e colocar em prática. A nossa alegria, vem do Senhor. Diante de todas as tribulações que vivemos, temos que ter essa ordem em nossa mente “Alegrai-vos”. Mas nós na primeira dificuldade, queremos pular do barco. “Seja uma pessoa positiva, que acredita em Deus, que luta” Precisamos nos fortalecer na Palavra do Senhor com toda a radicalidade. Na primeira leitura diz: O Senhor revogou a sentença contra ti, afastou teus inimigos; o rei de Israel é o Senhor, ele está no meio de ti, nunca mais temerás o mal (Sofonias 3, 15). Para viver isso é preciso de fé, a palavra ainda fala “Naquele dia, se dirá a Jerusalém: “Não temas, Sião, não te deixes levar pelo desânimo! O Senhor, teu Deus, está no meio de ti” (Sofonias 3, 16-1a). O Senhor está no nosso meio. Não desanime, olhe para frente, não será tudo sempre maravilhas, problemas sempre tivemos, temos e teremos, mas Cristo é nossa força. As tribulações virão, mas essa profecia do Senhor se realiza. As promessas todas se realizarão, mas no seu tempo. Estamos num tempo de esperança, para mostrar que a Igreja espera o Senhor, mas para o Senhor vir, é preciso mudança de vida. Você não está aqui a toa, você tem um missão. O Senhor nos fala, e agora é preciso praticar. Eu preciso saber escutar e assumir a palavra de Deus na minha vida. Quem quer benção, restauração viva a palavra de Deus. 2012 foi um ano de dificuldades para todo o Brasil, mas quem é maior, Deus ou nossos problemas? Deus, então por que tanta tristeza? Vamos ser bálsamo de alegria para nossos irmãos. Seja uma pessoa positiva, que acredita em Deus, que luta. Sábio cristão é aquele que sabe se levantar.

 

A esperança é a característica do tempo do Advento
A esperança cristã faz viver no momento presente o que se espera no futuro; ainda não o vivemos plenamente, mas já o estamos a viver. Por isso, é uma esperança confiante, liberta de todas as escravidões do momento presente, permitindo viver agora o futuro; é uma esperança ativa que nos motiva a caminhar. Neste domingo, todos os momentos da celebração convidam-nos a viver nesta esperança. Toda a celebração convida-nos a uma alegria interior, serena e confiante naquilo que celebraremos no Natal com “alegria renovada” (Oração Coleta), porque um dia se realizará plenamente na nossa vida. A esperança e a fé estão intimamente ligadas; a fé conduz à esperança. Esta esperança convicta de que a vida tem sempre sentido e que de vale sempre a pena viver a vida é uma mensagem muito atual na sociedade hodierna, onde reina a idéia do imediato. Os nossos olhos estão postos em Deus que em nós continua a fazer prodígios. Toda a celebração deste domingo respira o júbilo e a alegria que brotam deste mistério da esperança fiel. “Clama jubilosamente, filha de Sião; solta brados de alegria, Israel. Exulta, rejubila de todo o coração, filha de Jerusalém”, diz o Profeta Sofonias na primeira leitura. “Entoai cânticos de alegria, habitantes de Sião”, clama o Profeta Isaías no Salmo Responsorial. “Alegrai-vos sempre o Senhor. Novamente vos digo: alegrai-vos”, diz São Paulo na Carta aos Filipenses. Mas, qual é o motivo para esta alegria? “O Senhor está próximo”, diz São Paulo (2ª leitura). “O Senhor, Rei de Israel, está no meio de ti”, diz Sofonias. “É grande no meio de vós o Santo de Israel”, canta o Salmo. No tempo do Advento, aguardamos pelas festas do Natal que se aproximam, apesar de sabermos que Aquele por quem esperamos, já está presente no meio de nós, no interior de cada um e de cada comunidade. Esperamo-Lo, porque já está presente; virá, porque já está aqui, da mesma forma como fez na primeira vez. O Prefácio do Advento II, próprio para os últimos dias do Advento, proclama: “Foi Ele que os Profetas anunciaram, a Virgem Mãe esperou com inefável amor, João Baptista proclamou estar para vir e mostrou já presente no meio dos homens. É Ele que nos dá a graça de nos prepararmos com alegria para o mistério do seu nascimento”. Seria bom que nesta semana celebrássemos o Sacramento da Reconciliação, sentindo ainda mais a presença de Deus encarnado entre nós, para O recebermos com toda a alegria. “Que devemos fazer?” Era a pergunta que faziam a João. É também a nossa questão. E João, de certeza, responderá: partilhar com os outros, viver praticando a justiça, considerar os outros como irmãos, sem abusar de ninguém. É assim que se prepara o Reino. Todavia, João sabe como é difícil viver assim! Ele somente pode aconselhar, batizar com água e pedir todo o esforço das pessoas. Mas esta é a preparação necessária para o verdadeiro batismo que ele não pode dar. Esta é a missão do Messias: “Ele batizar-vos-á com o Espírito Santo e com o fogo”. Então, a pregação de João não responde à pergunta “Que devemos fazer?”, mas a outra pergunta: “Como devemos ser?” Temos de ser novas criaturas e isso só acontece através da ação do Espírito Santo. Só Ele nos pode dar o dom da conversão e transformar este mundo num lugar onde reine a justiça que João pregava. No evangelho, vemos que o povo estava na expectativa. É a nossa missão: criar esperança em todos aqueles que nos rodeiam, porque só assim tem pleno sentido levar-lhes a Boa Nova. Como João, teremos que mostrar ao mundo e proclamar bem alto que não somos a boa nova, porque a salvação vem somente de Deus. Ele é a Boa Nova para a humanidade de hoje. A Oração Sobre as Oferendas resume muito bem o sentido da celebração deste domingo quando pedimos a Deus que “com a celebração do mistério por Vós instituído, realize em nós plenamente a obra da salvação”.

 

TERCEIRO DOMINGO DO ADVENTO
Lucas 3, 10-18
“Ele é quem batizará vocês com o Espírito Santo e com fogo”

Esta passagem trata da pregação de João Batista, que: “Percorria toda a região do rio Jordão, pregando um batismo de conversão para o perdão dos pecados” (v. 3) O início do texto de hoje, versículos 10-14, que constam somente em Lucas,  mostra bem a sua teologia e contexto – não são os líderes religiosos que estão prontos para arrepender-se, mas o povo comum, e até pessoas que estavam à margem da sociedade, – como cobradores de impostos e soldados.  Mais adiante no Evangelho, são estas as pessoas que vão responder positivamente diante da pregação do próprio Jesus.  Escrevendo para as comunidades pelo ano 80-85 d.C., Lucas quer lembrar aos cristãos que eles também devam estar abertos para achar sinceridade e bondade fora das vias “aceitáveis”- como fizeram João e Jesus! A frase lapidar do trecho é a pergunta que os diversos grupos formulam para João: “O que devemos fazer?”  Esta pergunta aparece mais vezes no Terceiro Evangelho, em Lc 10, 25 (na boca dum doutor da Lei) e Lc 18, 18 (uma pessoa importante), e também nos Atos dos Apóstolos: At 2, 37 (os judeus depois da pregação do Pedro), At 16, 30  (o carcereiro gentio de Filipos), At 22, 10 (Saulo, o perseguidor).  Usando este artifício, Lucas quer salientar que é uma pergunta que tem que ser feita constantemente durante a nossa caminhada.  Não há cristão que possa se dispensar de fazê-la sempre, por achar que já sabe a resposta. É interessante que João, embora uma pessoa de cunho fortemente ascético, não exige sacrifícios, ou práticas religiosos como jejum e abstinência.  Ela enfatiza uma exigência muito mais radical, que atinge o cerne do nosso ser – uma preocupação com os mais pobres, manifestada na busca de justiça e solidariedade.  As Campanhas da Fraternidade seguem esta linha de João – pois muitas vezes é mais fácil abster-se de uma carne ou uma bebida do que engajar-se na luta por um mundo melhor. Este trecho traz à tona mais uma vez um dos temas principais do Evangelho de Lucas – o uso correto dos bens materiais.  No fundo, João aqui prega antecipadamente o que mais tarde Jesus vai ensinar – a partilha dos bens com as pessoas que sofrem necessidades, a justiça nos relacionamentos econômicos e políticos,  a conversão que se manifesta numa mudança radical da vida. A segunda parte da passagem insiste que João é inferior a Jesus.  João batiza com água como agente de purificação, mas Jesus usará a força purificadora maior do Espírito Santo e do fogo.  Lucas vai mostrar em Atos 2 – na história de Pentecostes – como o fogo do Espírito Santo cumpre a sua missão nas pessoas. E o texto termina com a declaração que “João anunciava a Boa Notícia ao povo de muitos  outros modos” (v. 18). O que João prega é tão semelhante ao que Jesus pregará que também merece ser taxado de “Boa Notícia”.  A boa notícia da chegada da misericórdia e da salvação de Deus duma forma gratuita, mas que exige resposta de cada pessoa.  É a crise existencial do mundo todo – aceitar ou rejeitar a salvação oferecida gratuitamente em Jesus.  E para Lucas, esta decisão tem que ser renovada sempre, através da pergunta “o que devemos fazer”, enquanto continuamos andando “pelo caminho”!

Ângelus: o reino de Jesus não é deste mundo, afirma Papa

Domingo, 25 de novembro de 2018, Da redação, com Vatican News
https://noticias.cancaonova.com/especiais/pontificado/francisco/angelus-o-reino-de-jesus-nao-e-deste-mundo-afirma-papa/

Francisco, em mais uma oração mariana do Ângelus, falou a respeito do reino de Jesus, repleto de amor, paz e justiça

Papa Francisco durante o Ângelus deste domingo, 25 / Foto: Reprodução Vatican News

Neste 34º domingo do tempo comum, o Papa Francisco celebrou mais uma oração mariana do Ângelus. Desta feita, o discurso do Santo Padre foi centrado na passagem do Evangelho em que Jesus Cristo fora levado de Getsêmani ― amarrado, insultado e humilhado ― às autoridades de Jerusalém.

“Depois de apresentado ao procurador romano como alguém que atenta contra o poder político para se tornar o rei dos judeus, Pilatos faz sua investigação em um interrogatório dramático e pergunta a Ele por duas vezes se é mesmo um rei”, disse Francisco. “Jesus, primeiro, responde que Seu reino não é deste mundo. Tu dizes que sou rei”.

É óbvio, como ressaltou o Sucessor de Pedro, que Jesus jamais teve ambições políticas. “Após o milagre da multiplicação dos pães, o povo quis clamá-lo como um rei para derrubar o poder romano e restaurar o reino de Israel”. Para Jesus, porém, não era necessário o uso da força ou da violência para que suas ideias sejam absorvidas pelo povo.

A atitude de Jesus é deixar claro que acima do poder político a outro poder que não pode ser alcançado pelos humanos. “Ele veio à Terra para exercer esse poder, que é amor, dando testemunho da verdade a verdade. Trata-se da verdade divina que, em última análise, é a mensagem essencial do Evangelho: ‘Deus é amor’ e quer estabelecer no mundo o seu reino de amor, de justiça e de paz”, ponderou Francisco.

Para o Papa, Jesus nos pede que Ele se torne nosso rei. “Mas não devemos esquecer que o reino de Jesus não é deste mundo, Ele poderá dar um novo sentido à nossa vida, às vezes colocada à dura prova também por nossos erros e pecados ― somente com a condição de que nós não sigamos as lógicas do mundo e de seus ‘reis’”, finalizou.

Santo Evangelho (Lc 18, 1-8)

32ª Semana Comum – Sábado 17/11/2018 

Primeira Leitura (3Jo 5-8)
Leitura da Terceira Carta de São João.

5Caríssimo Gaio, é muito leal o teu proceder, agindo assim com teus irmãos, ainda que estrangeiros. 6Eles deram testemunho da tua caridade diante da Igreja. Farás bem em provê-los para a viagem de um modo digno de Deus. 7Pois, por amor do Nome, eles empreenderam a viagem, sem aceitar nada da parte dos pagãos. 8A nós, portanto, cabe acolhê-los, para sermos cooperadores da Verdade.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Responsório (Sl 111)

— Feliz aquele que respeita o Senhor!
— Feliz aquele que respeita o Senhor!

— Feliz o homem que respeita o Senhor e que ama com carinho a sua lei! Sua descendência será forte sobre a terra, abençoada a geração dos homens retos!

— Haverá glória e riqueza em sua casa, e permanece para sempre o bem que fez. Ele é correto, generoso e compassivo, como luz brilha nas trevas para os justos.

— Feliz o homem caridoso e prestativo, que resolve seus negócios com justiça. Porque jamais vacilará o homem reto, sua lembrança permanece eternamente!

 

Evangelho (Lc 18,1-8)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Lucas.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 1Jesus contou aos discípulos uma parábola, para mostrar-lhes a necessidade de rezar sempre, e nunca desistir, dizendo: 2“Numa cidade havia um juiz que não temia a Deus, e não respeitava homem algum. 3Na mesma cidade havia uma viúva, que vinha à procura do juiz, pedindo: ‘Faze-me justiça contra o meu adversário!’ 4Durante muito tempo, o juiz se recusou. Por fim, ele pensou: ‘Eu não temo a Deus, e não respeito homem algum. 5Mas esta viúva já me está aborrecendo. Vou fazer-lhe justiça, para que ela não venha agredir-me!’” 6E o Senhor acrescentou: “Escutai o que diz este juiz injusto. 7E Deus, não fará justiça aos seus escolhidos, que dia e noite gritam por ele? Será que vai fazê-los esperar? 8Eu vos digo que Deus lhes fará justiça bem depressa. Mas o Filho do homem, quando vier, será que ainda vai encontrar fé sobre a terra?”

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

 

A IGREJA CATÓLICA CELEBRA E VENERA HOJE
Santa Isabel da Hungria – Padroeira da Ordem Terceira Franciscana

Santa Isabel da Hungria, pôs-se a servir os doentes e enfermos até morrer

Isabel era filha de André, rei da Hungria, e nasceu num tempo em que os acordos das nações eram selados com o casamento. No caso de Isabel, ela fora prometida a Luís IV (duque hereditário da Turíngia) em matrimônio, um pouco depois de seu nascimento em 1207.

Santa Isabel foi morar na corte do futuro esposo e lá começou a sofrer veladas perseguições por parte da sogra que, invejando o amor do filho para com a santa, passou a caluniá-la como esbanjadora, já que tinha grande caridade para com os pobres. Mulher de oração e generosa em meio aos sofrimentos, Isabel sempre era em tudo socorrida por Deus. Quando já casada e com três filhos, perdeu o marido numa guerra e foi expulsa da corte pelo tio de seu falecido esposo, agora encarregado da regência.

Aconteceu que Isabel teve que se abrigar num curral de porcos com os filhos, até ser socorrida como pobre pelos franciscanos de Eisenach, uma vez que até mesmo os mendigos e enfermos ajudados por ela insultavam-na, por temerem desagradar o regente. Ajudada por um tio que era Bispo de Bamberga, Isabel logo foi chamada para voltar à corte, e seus direitos, como os de seus filhos, foram reconhecidos, isto porque os companheiros de cruzada do falecido rei tinham voltado com a missão de dar proteção à Isabel, pois nisto consistiu o último pedido de Luís IV.

Santa Isabel não quis retornar para Hungria; renunciou aos títulos, além de entrar na Ordem Terceira de São Francisco. Fundou um convento de franciscanas em 1229 e pôs-se a servir os doentes e enfermos até morrer, em 1231, com apenas 24 anos num hospital construído com seus bens.

Santa Isabel da Hungria, rogai por nós!

Santos de carne e osso

O verdadeiro santo foge das condecorações e elogios
Pe. José Fernandes de Oliveira – Pe. Zezinho, scj

Há muitos santos modernos agindo em nome de Deus e vivendo uma caridade séria, não fingida, sem caricatura e sem teatralidade. Não parecem santos, mas o são. Guardaram-se para seu Criador, aceitam Jesus, vivem para sua família, para o grande amor de suas vidas, são fiéis à verdade, aos amigos, à palavra dada, e ao seu batismo. Não têm nem cara nem trejeitos de santos, mas estabeleceram um projeto de vida e o constroem tijolo por tijolo, ato por ato, coerência por coerência. Muitas pessoas nem percebem que eles são santos, porque são gente de carne e osso como nós. Mas uma análise do que fazem pelos outros, da sua humildade, da sua fé e da sua serenidade aponta para mais um dos santos que Jesus formou. Diferente é o santo fingido. Ele decidiu que gostaria de ser visto como santo pela projeção social, como no tempo de Jeremias, 650 anos antes de Jesus e no tempo do próprio Jesus, quando posar de santo e de profeta dava lucro e angariava louvores e primeiros lugares. Então muita gente fingia jejuar e orar ostentado uma santidade que não tinha. E havia os que garantiam que Deus falava com eles e que eles sabiam levar a Deus [aos demais]. Ganhavam seu sustento com sua cara de santos. Isaías, Jeremias, Jesus e os apóstolos alertaram sobre eles. Mas como muita gente adora uma novela e não dispensa um teatro, sempre haverá quem despreze o santo sereno que não dá espetáculo e corra atrás do que grita, chora, esperneia, garante visões, revelações quentíssimas, curas e milagres em local dia e hora marcados. Trocam a verdade, a simplicidade e a honestidade do santo que não faz marketing pelo “pseudossanto” que dá espetáculo, cura dramaticamente, entrevista o demônio ao microfone e transforma a fé em espetáculo. Até que ponto isso é válido? Que santidade é essa em que não só a mão esquerda sabe o que faz a direita como também câmeras e microfones veiculam aquilo para todo o mundo? O mesmo Jesus que disse para anunciar a verdade por sobre os telhados e que nossa luz brilhasse, teve o cuidado de mandar que orássemos de portas trancadas e que não fizéssemos alarde da nossa caridade e dos nossos carismas. Ele mesmo pedia que os beneficiados por Ele não espalhassem a notícia. Jesus, que é santo de verdade e nunca fingia poder ou santidade, e que nos pediu que seguíssemos Seu exemplo a ponto de, elogiados e incensados, dizermos que não fizemos mais do que nossa obrigação e que não buscássemos os primeiros lugares, este mesmo Jesus concordaria com o que se vê na mídia religiosa de hoje? Uma coisa é ser santo sem caricatura, sem cabeça torta, sem chorar orando e dando murros no chão, sem dramaticidade televisiva, com atos de justiça que só Deus vê porque aquele cristão não divulga o bem que faz. Outra coisa é buscar os holofotes e desabridamente, sem nenhum escrúpulo, chamar a atenção para si mesmo, para sua obra e garantir que Deus quer que ele ou ela apareçam para Sua maior honra e glória. Pior ainda: ganhar dinheiro grosso em cima dessa exibição de santidade. Cristo condenou e criticou os fariseus que assim agiam. Santo que é santo não finge que o é. É discreto. Faz o que deve fazer e foge do incenso, das condecorações e dos elogios. Há santos de verdade ao nosso redor e há caricaturas de santos vendendo e ostentando uma fé que aponta mais para si mesmos do que para Jesus, cujo nome usam com estardalhaço. Você que crê na Bíblia terá que escolher a quem seguir. Aos que dão a entender que são os novos santos ou os que nada dizem; simplesmente vivem a Palavra e a praticam. Se você é dos que dizem que ainda não estão convertidos, mas que estão se convertendo, merecerá mais crédito do que os que garantem que Jesus os salvou e que eles sabem o caminho. Em termos de fé quem segue procurando está mais perto do que aquele que diz ter achado e agora aponta para si mesmo como exemplo do que Deus faz por um pecador. Eu prefiro o santo que aponta para os outros convertidos e santos e não fala nada sobre si mesmo, exceto que precisa de preces para ser mais de Cristo. Desconfiemos de santos que gostam de medalhas, condecorações, incensos e elogios. Apostemos em que só os aceita por obediência.

Santo Evangelho (Mt 5, 1-12a)

Solenidade de Todos os Santos – Domingo 04/11/2018 

Primeira Leitura (Ap 7,2-4.9-14)
Leitura do Livro do Apocalipse de São João:

Eu, João, 2vi um outro anjo, que subia do lado onde nasce o sol. Ele trazia a marca do Deus vivo e gritava, em alta voz, aos quatro anjos que tinham recebido o poder de danificar a terra e o mar, dizendo-lhes: 3“Não façais mal à terra, nem ao mar, nem às árvores, até que tenhamos marcado na fronte os servos do nosso Deus”. 4Ouvi então o número dos que tinham sido marcados: eram cento e quarenta e quatro mil, de todas as tribos dos filhos de Israel. 9Depois disso, vi uma multidão imensa de gente de todas as nações, tribos, povos e línguas, e que ninguém podia contar. Estavam de pé diante do trono e do Cordeiro; trajavam vestes brancas e traziam palmas na mão. 10Todos proclamavam com voz forte: “A salvação pertence ao nosso Deus, que está sentado no trono, e ao Cordeiro”. 11Todos os anjos estavam de pé, em volta do trono e dos Anciãos, e dos quatro Seres vivos, e prostravam-se, com o rosto por terra, diante do trono. E adoravam a Deus, dizendo: 12“Amém. O louvor, a glória e a sabedoria, a ação de graças, a honra, o poder e a força pertencem ao nosso Deus para sempre. Amém”. 13E um dos Anciãos falou comigo e perguntou: “Quem são esses vestidos com roupas brancas? De onde vieram?” 14Eu respondi: “Tu é que sabes, meu senhor”. E então ele me disse: “Esses são os que vieram da grande tribulação. Lavaram e alvejaram as suas roupas no sangue do Cordeiro”.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Responsório (Sl 23)

— É assim a geração dos que procuram o Senhor!
— É assim a geração dos que procuram o Senhor!

— Ao Senhor pertence a terra e o que ela encerra,/ o mundo inteiro com os seres que o povoam;/ porque ele a tornou firme sobre os mares,/ e sobre as águas a mantém inabalável.

— “Quem subirá até o monte do Senhor,/ quem ficará em sua santa habitação?”/ “Quem tem mãos puras e inocente o coração,/ quem não dirige sua mente para o crime.

— Sobre este desce a bênção do Senhor/ e a recompensa de seu Deus e Salvador”./ “É assim a geração dos que o procuram,/ e do Deus de Israel buscam a face”.

 

Segunda Leitura (1Jo 3,1-3)
Leitura da Primeira Carta de São João:

Caríssimos: 1Vede que grande presente de amor o Pai nos deu: de sermos chamados filhos de Deus! E nós o somos! Se o mundo não nos conhece, é porque não conheceu o Pai. 2Caríssimos, desde já somos filhos de Deus, mas nem sequer se manifestou o que seremos! Sabemos que, quando Jesus se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque o veremos tal como ele é. 3Todo o que espera nele purifica-se a si mesmo, como também ele é puro.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Anúncio do Evangelho (Mt 5,1-12a)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 1vendo Jesus as multidões, subiu ao monte e sentou-se. Os discípulos aproximaram-se, 2e Jesus começou a ensiná-los: 3“Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos Céus. 4Bem-aventurados os aflitos, porque serão consolados. 5Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a terra. 6Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados. 7Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia. 8Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus. 9Bem-aventurados os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus. 10Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos Céus! 11Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem, e, mentindo, disserem todo tipo de mal contra vós, por causa de mim. 12aAlegrai-vos e exultai, porque será grande a vossa recompensa nos céus”.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

 

A IGREJA CATÓLICA CELEBRA E VENERA HOJE
São Carlos Borromeu

São Carlos Borromeu, procurava os pobres doentes dos quais ninguém lembrava

Carlos, o segundo filho de Gilberto, nasceu em 2 de outubro de 1538. Menino ainda, revelou ótimo talento e uma inteligência rara. Ao lado destas qualidades, manifestou forte inclinação para a vida religiosa, pela piedade e o temor a Deus. Ainda criança, era seu prazer construir altares minúsculos, diante dos quais, em presença dos irmãos e companheiros de idade, imitava as funções sacerdotais que tinha observado na Igreja. O amor à oração e o aborrecimento aos divertimentos profanos, eram sinais mais positivos da vocação sacerdotal.

O ano de 1562 veio a Carlos com a graça do sacerdócio. No silêncio da meditação, lançou Carlos planos grandiosos para a reorganização da Igreja Católica. Estes todos se concentraram na ideia de concluir o Concílio de Trento. De fato, era o que a Igreja mais necessitava, como base e fundamento da renovação e consolidação da vida religiosa. Carlos, sem cessar, chamava a atenção do seu tio (que era Cardeal e foi eleito Papa, com o nome de Pio IV) para esta necessidade, reclamada por todos os amigos da Igreja. De fato, o Concílio se realizou, e Carlos quis ser o primeiro a executar as ordens da nova lei, ainda que por esta obediência tivesse de deixar sua posição para ocupar outra inferior.

Carlos sabia muito bem que a caridade abre os corações também à religião. Por isto foi que grande parte de sua receita pertencia aos pobres, reservando ele para si só o indispensável. Heranças ou rendimentos que lhe vinham dos bens de família, distribuía-os entre os desvalidos. Tudo isto não aguenta comparação com as obras de caridade que o Arcebispo praticou, quando em 1569-1570, a fome e uma epidemia, semelhante à peste, invadiram a cidade de Milão. Não tendo mais o que dar, pedia ele próprio esmolas para os pobres e abria assim fontes de auxílio, que teriam ficado fechadas.

Quando, porém, em 1576, a cidade foi atingida pela peste, e o povo abandonado pelos poderes públicos, visto que ninguém se compadecia do povo, ainda procurava os pobres doentes dos quais ninguém lembrava, consolava-os e dava-lhes os santos sacramentos. Tendo-se esgotado todas as fontes de recurso, Carlos lançou mão de tudo o que possuía, para amenizar a triste sorte dos doentes. Mais de cem sacerdotes tinham pago com a vida, na sua dedicação e serviço aos doentes. Deus conservava a vida do Arcebispo, e este se aproveitou da ocasião para dizer duras verdades aos ímpios e ricos esquecidos de Deus.

Gregório XIII, não só rejeitou as acusações infundados feitas ao Arcebispo, mas ainda recebeu Carlos Borromeu em Roma, com as mais altas distinções. Em resposta a este gesto do Papa, o governador de Milão, organizou no primeiro domingo da Quaresma de 1579, um indigno préstito carnavalesco pelas ruas de Milão, precisamente à hora da missa celebrada pelo Arcebispo. O mesmo governador, que tanta guerra ao Prelado movera, e tantas hostilidades contra São Carlos estimulara, no leito de morte reconheceu o erro e teve o consolo da assistência do santo Bispo na hora da agonia. Seu sucessor, Carlos de Aragão, duque de Terra Nova, viveu sempre em paz com a autoridade eclesiástica. O Arcebispo gozou deste período só dois anos.

Quando em outubro de 1584, como era de costume, se retirara para fazer os exercícios espirituais, teve fortes acessos de febre, aos quais não deu importância e dizia: “Um bom pastor de almas, deve saber suportar três febres, antes de se meter na cama”. Os acessos renovaram-se e consumiram as forças do Arcebispo. Ao receber os santos sacramentos, expirou aos 03 de novembro de 1584. Suas últimas palavras foram: “Eis Senhor, eu venho, vou já”. São Carlos Borromeu tinha alcançado a idade de 46 anos.

O Papa Paulo V, canonizou-o em 1610 e fixou-lhe a festa para o dia 04 de novembro.

São Carlos Borromeu, rogai por nós!

A teologia marxista da libertação está equivocada

Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé

ROMA, 26 Jul. 12 / 03:53 pm (ACI/EWTN Noticias) – O Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, o Arcebispo alemão Gerhard Müller, explicou que a teologia marxista da libertação está equivocada, em uma entrevista concedida ao jornal vaticano L’Osservatore Romano (LOR) e publicada em sua edição de 25 de julho em italiano.

Devido à sua importância para o contexto atual, apresentamos duas das perguntas e suas respectivas respostas na íntegra. As perguntas se referem à teologia da libertação, ao diálogo com os lefebvristas e uma investigação às religiosas dos Estados Unidos: todos eles temas tratados pelo dicastério agora chefiado pelo Arcebispo Müller.

LOR: Você tem muitos contatos com a América Latina: como nasce esta relação?

Dom Müller: Estive com freqüência na América Latina, no Peru, mas também em outros países. Em 1988 fui convidado a participar de um seminário com Gustavo Gutiérrez. Fui com algumas reservas como teólogo alemão, também porque conhecia bem as duas declarações da Congregação para a Doutrina da Fé sobre a teologia da libertação publicadas em 1984 e 1986.

Mas pude constatar que é necessário distinguir entre uma teologia da libertação equivocada e uma correta. Considero que toda boa teologia deve estar relacionada à liberdade e à alegria dos filhos de Deus. Indubitavelmente, entretanto, uma mistura da doutrina de uma auto-redenção marxista e a salvação doada por Deus, deve ser rechaçada.

Por outro lado devemos perguntar-nos sinceramente: como podemos falar do amor e da misericórdia de Deus ante o sofrimento de tantas pessoas que não têm alimento, água ou assistência sanitária, que não sabem como oferecer um futuro aos próprios filhos, onde realmente falta a dignidade humana, onde os direitos humanos são ignorados pelos poderosos?

Em última instância isto só é possível com a disposição de estar com as pessoas, de aceitá-las como irmãos e irmãs, sem paternalismo da outra parte. Se nos considerarmos a nós mesmos como família de Deus, então podemos contribuir a fazer que estas situações indignas do homem mudem e sejam melhoradas.

Na Europa, logo depois da Segunda guerra mundial e as ditaduras, construímos uma nova sociedade democrática também graças à doutrina social católica. Como cristãos devemos sublinhar que do cristianismo é que os valores de justiça, solidariedade e dignidade das pessoas foram introduzidos nas nossas Constituições.

Eu mesmo venho de Mainz. Ali, ao início do século XIX, houve um grande Bispo, o barão Wilhelm Emmanuel von Ketteler, que está nos inícios da doutrina e das encíclicas sociais. Um menino católico de Mainz tem a paixão social no sangue e por isso me sinto orgulhoso.

Foi certamente com miras a este horizonte do qual vim aos países da América Latina. Durante 15 anos sempre passava dois ou três meses por ano, vivendo em condições muito simples. Ao início para um cidadão da Europa central isto implica um grande esforço. Mas quando se aprende a conhecer as pessoas de forma pessoal e se vê como vivem, então a aceitação é possível. Estive também na Africa do Sul com nosso Domspatzen, o famoso coral que o irmão do Papa dirigiu por 30 anos.

Pude dar conferências em diversos seminários e universidades, não só na América Latina, mas também na Europa e na América do Norte. E isto foi o que pude experimentar: sente-se em casa em qualquer lugar, onde há um altar, Cristo está presente, onde quer que esteja, faz-se parte da grande família de Deus.

LOR: O que pensa das discussões com os lefebvristas e com as religiosas americanas?

Dom Müller: Para o futuro da Igreja é importante superar os enfrentamentos ideológicos donde quer que provenham. Existe uma única revelação de Deus em Jesus Cristo que foi confiada à Igreja inteira. Por isso não são negociáveis em relação à Palavra de Deus e não se pode acreditar e ao mesmo tempo não acreditar. Não se podem pronunciar os três votos religiosos e logo não tomá-los a sério. Não posso fazer referência à tradição da Igreja e logo aceitar apenas algumas das suas partes.

O caminho da Igreja segue adiante e todos são convidados a não fechar-se em um modo de pensar autorreferencial, mas a aceitar a vida plena e a fé plena da Igreja. Para a Igreja Católica é totalmente evidente que o homem e a mulher têm igual valor: já o relato da criação o disse e o confirma a ordem da salvação. O ser humano não tem necessidade de emancipar-se nem de criar ou inventar-se a si mesmo. Ele já está emancipado e liberado através da graça de Deus.

Muitas declarações se referem à admissão das mulheres ao sacramento da Ordem ignorando um aspecto importante do ministério sacerdotal. Ser sacerdote não significa criar uma posição. Não se pode considerar o ministério sacerdotal como uma espécie de posição de poder terreno e pensar que a emancipação se dará só quando todos possam ocupá-la.

A fé católica sabe que não formos nós quem colocamos as condições para a admissão ao ministério sacerdotal e que atrás do sacerdote estão sempre a vontade e a chamada de Cristo. Convido a renunciar às polêmicas e à ideologia e a inundar-se na doutrina da Igreja.

Nos próprios Estados Unidos as religiosas e os religiosos realizaram coisas extraordinárias para a Igreja, para a educação e a formação dos jovens. Cristo necessita de jovens que prossigam este caminho e que se identifiquem com a própria opção fundamental. O Concílio Vaticano II afirmou coisas maravilhosas para a renovação da vida religiosa, como também sobre a vocação comum à santidade. Importante reforçar a confiança recíproca em lugar de brigar os uns contra os outros.

Ele fez bem todas as coisas

Na obra criadora de Deus, existe a semente do bem

Ao modo de leitura orante da Palavra de Deus, chamada “Lectio Divina”, aproximemo-nos do Evangelho que a Igreja proclama nestes dias. Para tanto, comecemos bem longe, no princípio… “Deus viu tudo quanto havia feito, e era muito bom” (Gn 1,31). Na obra criadora do Senhor, existe a semente do bem. O sábio, que identifica o sentido daquilo que o Pai fez, tem consciência de que “Deus não fez a morte, nem se alegra com a perdição dos vivos. Ele criou todas as coisas para existirem, e as criaturas do orbe terrestre são saudáveis: nelas não há nenhum veneno mortal, e não é o mundo dos mortos que reina sobre a terra, pois a justiça é imortal” (Sb 1,13-15).

De fato, “No princípio era a Palavra, e a Palavra estava junto de Deus, e a Palavra era Deus. Ela existia, no princípio, junto de Deus. Tudo foi feito por meio dela, e sem ela nada foi feito de tudo o que existe. Nela estava a vida, e a vida era a luz dos homens” (Jo 1,1-3). E esta Palavra “se fez carne e habitou entre nós” (Jo 1,14). Jesus Cristo é o Verbo de Deus, Palavra eterna que se fez carne, em quem todas as coisas foram criadas, aquele que “faz bem todas as coisas” (Mc 7, 37), o que restaura toda a obra criadora do Pai, em quem tudo ganha sentido e valor (Cf. Ef 1,10).

Tornar-se discípulo da Palavra de Deus que se faz carne é acompanhar Jesus pelas estradas da vida e testemunhar o acontecimento da “nova criação”. Vamos lá! Jesus deixou a região de Tiro, passou por Sidônia e continuou até o mar da Galileia, atravessando a região da Decápole, onde tinha chegado sua fama. Cercava-o a incompreensão a respeito de sua pessoa e de suas ações. O Evangelista São Marcos, o único que conta este episódio, mostra a entrada em cena de um surdo-mudo que, curado, torna-se um sinal da abertura para acolher o mistério de Jesus. Pedem que o Senhor imponha as mãos sobre o homem.

Jesus, tomando-o à parte, longe da multidão, leva a sério sua presença e sua situação, pôs os dedos nos seus ouvidos, tocou com a própria saliva a língua do homem, olhou para o céu, suspirou e disse: “Efatá!”, que quer dizer: “Abre-te”. Imediatamente, os ouvidos do homem se abriram, sua língua soltou-se e ele começou a falar corretamente. Jesus recomendou, com insistência, que não contassem o ocorrido para ninguém. É que o anúncio do Evangelho e a resposta da fé devem ser os únicos sinais inequívocos da inauguração dos novos tempos que se realizam com sua chegada. Contudo, quanto mais ele insistia, mais a notícia se espalhava! Cheios de grande admiração, todos diziam: “Tudo ele tem feito bem. Faz os surdos ouvirem e os mudos falarem” (Cf. Mc 7,31-37). Em Jesus Cristo se realizam as promessas antigas reportadas pelo profeta Isaías (Is 35,4-7). Ele realiza uma nova criação e é portador da salvação definitiva. Ele é a Salvação! Os gestos de Jesus, que faz tudo bem feito, os dedos nos ouvidos do homem, a saliva na boca, o suspiro, a palavra forte que abre os sentidos humanos para Deus, conduzem ao nosso batismo, quando fomos introduzidos numa nova vida. Abram-se nossos sentidos da fé para reconhecer o Salvador e participarmos todos da nova criação! A consequência será um olhar otimista em relação às pessoas e situações, começando pela nossa própria vida. A esperança brotará quando entendermos que Jesus não é um milagreiro à nossa disposição, mas o Salvador, cuja presença e ação conferem novo e definitivo sentido à existência.

Os homens e mulheres renascidos pelo batismo são chamados a se comprometerem com esta nova criação. Cabe-lhes passar pela terra fazendo o bem e fazendo tudo bem feito! Nenhum recanto do mundo fique privado da presença dos cristãos. Antes, aceitem o desafio de transformá-lo a partir de dentro. Uma nova mentalidade ilumine o mundo do trabalho, a política, as relações sociais. E os valores da eternidade, já presentes nesta terra pelo mistério de Cristo, se espalharão por toda parte, pois ele faz bem todas as coisas.

Sabendo que somos frágeis para enfrentar tamanha empreitada, pedimos confiantes com a Igreja (oração do dia do vigésimo terceiro domingo do Tempo Comum): “Ó Deus, Pai de bondade, que nos redimistes e adotastes como filhos e filhas, concedei aos que creem em Cristo a verdadeira liberdade e a herança eterna”.

Dom Alberto Taveira Corrêa
Arcebispo de Belém – PA

Santo Evangelho (Mt 23, 23-26)

21ª Semana Comum – Terça-feira 28/08/2018 

Primeira Leitura (2Ts 2,1-3a.14-17)  
Leitura da Segunda Carta de São Paulo aos Tessalonicenses.

1No que se refere à vinda de nosso Senhor Jesus Cristo e à nossa união com ele, nós vos pedimos, irmãos: 2não deixeis tão facilmente transtornar a vossa cabeça, nem vos alarmeis por causa de alguma revelação ou carta atribuída a nós, afirmando que o Dia do Senhor está próximo. 3aQue ninguém vos engane de modo algum. 14Deus vos chamou para que, por meio do nosso evangelho, alcanceis a glória de nosso senhor Jesus Cristo. 15Assim, portanto, irmãos, ficai firmes e conservai firmemente as tradições que vos ensinamos, de viva voz ou por carta. 16Nosso Senhor Jesus Cristo e Deus nosso Pai, que nos amou em sua graça e nos proporcionou uma consolação eterna e feliz esperança, 17animem os vossos corações e vos confirmem em toda boa ação e palavra.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Responsório(Sl 95)  

— O Senhor vem julgar nossa terra.
— O Senhor vem julgar nossa terra.  

— Publicai entre as nações: “Reina o Senhor!” Ele firmou o universo inabalável, e os povos ele julga com justiça.

— O céu se rejubile e exulte a terra, aplauda o mar com o que vive em suas águas; os campos com seus frutos rejubilem.

— E exultem as florestas e as matas na presença do Senhor, pois ele vem, porque vem para julgar a terra inteira. Governará o mundo todo com justiça, e os povos julgará com lealdade.

 

Evangelho (Mt 23,23-26)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, disse Jesus: 23Ai de vós, mestres da Lei e fariseus hipócritas! Vós pagais o dízimo da hortelã, da erva-doce e do cominho, e deixais de lado os ensinamentos mais importantes da Lei, como a justiça, a misericórdia e a fidelidade. Vós deveríeis praticar isto, sem contudo deixar aquilo. 24Guias cegos! Vós filtrais o mosquito, mas engolis o camelo. 25Ai de vós, mestres da Lei e fariseus hipócritas! Vós limpais o copo e o prato por fora, mas, por dentro, estais cheios de roubo e cobiça. 26Fariseu cego! Limpa primeiro o copo por dentro, para que também por fora fique limpo.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

 

A IGREJA CATÓLICA CELEBRA E VENERA HOJE
Santo Agostinho, grande Bispo e Doutor da Igreja

Santo Agostinho fundou uma comunidade cristã atuante na oração, estudo da Palavra e caridade

Celebramos neste dia a memória do grande Bispo e Doutor da Igreja que nos enche de alegria, pois com a Graça de Deus tornou-se modelo de cristão para todos. Agostinho nasceu em Tagaste, no norte da África, em 354, filho de Patrício (convertido) e da cristã Santa Mônica, a qual rezou durante 33 anos para que o filho fosse de Deus.

Aconteceu que Agostinho era de grande capacidade intelectual, profundo, porém, preferiu saciar seu coração e procurar suas respostas existentes tanto nas paixões, como nas diversas correntes filosóficas, por isso tornou-se membro da seita dos maniqueus.

Com a morte do pai, Agostinho procurou se aprofundar nos estudos, principalmente na arte da retórica. Sendo assim, depois de passar em Roma, tornou-se professor em Milão, onde envolvido pela intercessão de Santa Mônica, acabou frequentando, por causa da oratória, os profundos e famosos Sermões de Santo Ambrósio. Até que por meio da Palavra anunciada, a Verdade começou a mudar sua vida.

O seu processo de conversão recebeu um “empurrão” quando, na luta contra os desejos da carne, acolheu o convite: “Toma e lê”, e assim encontrou na Palavra de Deus (Romanos 13, 13ss) a força para a decisão por Jesus:”…revesti-vos do Senhor Jesus Cristo…não vos abandoneis às preocupações da carne para lhe satisfazerdes as concupiscências”.

Santo Agostinho, que entrou no Céu com 76 anos de idade (no ano 430), converteu-se com 33 anos, quando foi catequizado e batizado por Santo Ambrósio. Depois de “perder” sua mãe, voltou para a África, onde fundou uma comunidade cristã ocupada na oração, estudo da Palavra e caridade. Isto, até ser ordenado Sacerdote e Bispo de Hipona, santo, sábio, apologista e fecundo filósofo e teólogo da Graça e da Verdade.

Santo Agostinho, rogai por nós!

Catequistas: despertar a memória de Deus no outro

Domingo, 29 de setembro de 2013, Jéssica Marçal / Da Redação

Rezemos para que possamos alimentar a memória de Deus na vida e nos outros, exortou o Papa  

Na manhã deste domingo, 29, Papa Francisco celebrou a Santa Missa por ocasião da Jornada dos Catequistas no Vaticano. Em sua homilia, o Santo Padre refletiu sobre quem é o catequista: aquele que traz em si a memória de Deus e a desperta nos outros.

Francisco iniciou a homilia falando do risco da comodidade, de se ter como centro o próprio bem-estar, o que acontece quando o homem perde a memória de Deus.

“Se falta a memória de Deus, tudo se nivela, tudo vai pelo ‘eu’, pelo meu bem-estar. A vida, o mundo, os outros perdem consistência, não contam para nada, tudo se reduz a uma única dimensão: o ter”.

E quem protege e alimenta essa memória de Deus é justamente o catequista, segundo disse o Papa. Ele citou o exemplo de Maria, que não se fechou em si mesma, mas levou adiante o agir de Deus em sua vida.

“O catequista é propriamente um cristão que coloca esta memória a serviço do anúncio; não para fazer-se ver, não para falar de si, mas para falar de Deus, do seu amor, da sua fidelidade. Falar e transmitir tudo aquilo que Deus revelou, isso é a doutrina na sua totalidade, sem cortar ou acrescentar nada”.

Francisco refletiu então sobre os caminhos a percorrer para não ceder ao risco de colocar a segurança em si mesmo e nas coisas materiais. A resposta, segundo ele, está no que diz São Paulo na Segunda Leitura do dia: tender à justiça, à piedade, à fé, à caridade, à paciência e à brandura. (1 Tm 6,11).

“Rezemos ao Senhor para que sejamos todos homens e mulheres que protegem e alimentam a memória de Deus na própria vida e sabem despertá-la no coração dos outros”.

Ao final da celebração, que também teve a presença do Patriarca grego-ortodoxo di Antiochia e de todo o Oriente, Sua Beatitudine Youhanna X, o Santo Padre rezou o Angelus com os fiéis.

 

HOMILIA
Santa Missa pela Jornada dos Catequistas em ocasião do Ano da Fé

Praça São Pedro
Domingo, 29 de setembro de 2013

1. Ai daqueles que vivem comodamente em Sião e daqueles que vivem tranquilos, … deitados em leitos de marfim (Am 6, 1.4), comem, bebem, cantam, divertem-se e não se preocupam com os problemas dos outros.

Palavras duras estas do profeta Amós, mas que nos advertem para o perigo que todos corremos. O que denuncia este mensageiro de Deus, o que coloca diante dos olhos de seus contemporâneos e também diante dos nossos olhos hoje? O risco de acomodar-se, da comodidade, da mundanidade na vida e no coração, de ter como centro o nosso bem-estar. É a mesma experiência do rico do Evangelho, que vestia roupas de luxo e todo dia dava banquetes abundantes; isto era importante para ele. E o pobre que estava à sua porta e não tinha de que se alimentar? Não era tarefa sua, não o olhava. Se as coisas, o dinheiro, a mundanidade transformam-se o centro da vida, apoderam-nos, nos possuem e nós perdemos a nossa própria identidade de homens: vejam bem, o rico do Evangelho não tem nome, é simplesmente “um rico”. As coisas, aquilo que possui são a sua face, não há outro.

Mas podemos nos perguntar: como isto acontece? Como os homens, talvez também nós, caímos no perigo de fechar-nos, de colocar a nossa segurança nas coisas, que no fim roubam-nos a face, a nossa face humana? Isto acontece quando perdemos a memória de Deus. “Ai daqueles que vivem comodamente em Sião”, dizia o profeta. Se falta a memória de Deus, tudo se nivela, tudo se nivela ao “eu”, sobre o meu bem-estar. A vida, o mundo, os outros, perdem a consistência, não contam mais nada, tudo se reduz a uma só dimensão: o ter. Se perdemos a memória de Deus, também nós perdemos a consistência, também nós nos esvaziamos, perdemos a nossa face como o rico do Evangelho! Quem corre atrás do nada se torna ele mesmo nulidade – diz um outro grande profeta, Jeremias (cfr Jer 2, 5). Nós somos feitos à imagem e semelhança de Deus, não à imagem e semelhança das coisas, dos ídolos!

2. Então, olhando-vos, pergunto-me: quem é o catequista? É aquele que protege e alimenta a memória de Deus; protege-a em si mesmo e a desperta nos outros. É bonito isto: fazer memória de Deus, como a Virgem Maria que, diante da ação maravilhosa de Deus em sua vida, não pensa na honra, no prestígio, nas riquezas, não se fecha em si mesma. Pelo contrário, depois de ter acolhido o anúncio do Anjo e ter concebido o Filho de Deus, o que faz? Parte, vai até a anciã parente Isabel, também esta grávida, para ajudá-la; e no encontro com ela  seu primeiro ato é a memória do agir de Deus, da fidelidade de Deus na sua vida, na história do seu povo, na nossa história: “A minha alma glorifica o Senhor…porque olhou para a humildade da sua serva…de geração em geração a sua misericórdia” (Lc 1, 46. 48. 50). Maria tem memória de Deus.

Neste cântico de Maria há também a memória da sua história pessoal, a história de Deus com ela, a sua própria experiência de fé. E é assim para cada um de nós, para cada cristão: a fé contém propriamente a memória da história de Deus conosco, a memória do encontro com Deus que se move primeiro, que cria e salva, que nos transforma; a fé é memória da sua Palavra que aquece o coração, das suas ações de salvação com a qual nos doa a vida, nos purifica, nos cura, nos alimenta. O catequista é propriamente um cristão que coloca esta memória a serviço do anúncio; não para fazer-se ver, não para falar de si, mas para falar de Deus, do seu amor, da sua fidelidade. Falar e transmitir tudo aquilo que Deus revelou, isso é a doutrina em sua totalidade, sem cortar ou acrescentar.

São Paulo recomenda ao seu discípulo e colaborador Timóteo sobretudo uma coisa: Lembre-se, lembre-se de Jesus Cristo, ressuscitado dos mortos, que eu anuncio e pelo qual sofro (cfr 2 Tm 2, 8-9). Mas o Apóstolo pode dizer isto porque ele primeiro lembrou-se de Cristo, que o chamou quando era perseguidor dos cristãos, tocou-o e transformou-o com a sua graça.

O catequista então é um cristão que leva em si a memória de Deus, deixa-se guiar pela memória de Deus em toda a sua vida, e sabe despertá-la no coração dos outros. É um desafio isto! Desafia toda a vida! O próprio Catecismo o que é senão a memória de Deus, memória da sua ação na história, do ser fazer-se próximo a nós em Cristo, presente na sua Palavra, nos Sacramentos, na sua Igreja, no seu amor? Queridos catequistas, pergunto a vocês: somos nós a memória de Deus? Somos verdadeiramente como sentinelas que despertam nos outros a memória de Deus, que aquece o coração?

3. “Ai daqueles que vivem comodamente em Sião”, diz o profeta. Qual caminho percorrer para não ser pessoas “despreocupadas”, que colocam a sua segurança em si mesmo e nas coisas, mas homens e mulheres da memória de Deus? Na Segunda Leitura, São Paulo, escrevendo sempre a Timóteo, dá algumas indicações que podem sinalizar também o caminho do catequista, o nosso caminho: tender à justiça, à piedade, à fé, à caridade, à paciência, à brandura (cfr 1 Tm 6, 11).

O catequista é homem da memória de Deus se tem uma constante, vital relação com Ele e com o próximo; se é homem de fé, que confia verdadeiramente em Deus e coloca Nele a sua segurança; se é homem de caridade, de amor, que vê todos como irmãos; se é homem de “hypomoné”, de paciência, de perseverança, que sabe enfrentar as dificuldades, as provações, os insucessos, com serenidade e esperança no Senhor; se é homem brando, capaz de compreensão e misericórdia.

Rezemos ao Senhor para que sejamos todos homens e mulheres que protegem e alimentam a memória de Deus na própria vida e sabem despertá-la no coração dos outros. Amém.

As exigências do Pai Nosso

Crer que Deus é nosso Pai tem consequências enormes para toda a nossa vida, e exige de nós algumas atitudes!

Sabemos que esta é a “Oração perfeita”, pois saiu do coração de Jesus quando um dos discípulos pediu-lhe que os ensinassem a rezar (Lc 11,1). São sete pedidos perfeitos ao Pai. Saudamos a Deus como Pai – uma ousadia de amor – e lhe fazemos três pedidos para a Sua Glória e realização de Sua santa vontade, e mais quatro pedidos para nossas necessidades.

O Pai Nosso é o resumo de todo o Evangelho, como disse Santo Agostinho, “Percorrei todas as orações que se encontram nas Escrituras, e eu não creio que possais encontrar nelas algo que não esteja incluído na Oração do Senhor”.

No Sermão da Montanha e no Pai Nosso a Igreja ensina que o Espírito Santo dá forma nova aos nossos desejos, o que anima a nossa vida. De um lado Jesus nos ensina uma “vida nova”, por palavras, e por outro lado nos ensina a pedi-la ao Pai na oração, para a podermos viver.

É a oração dos filhos de Deus, que deve ser rezada com o coração, na intimidade com o Pai, para que se torne em nós “espírito e vida”. Isto é possível porque o Pai enviou aos nossos corações o Espírito do Seu Filho que clama em nós Abba, Pai. (Gal 4,6), e nos fez seus filhos adotivos em Jesus Cristo.

De pecadores que somos, mas perdoados em Cristo, podemos levantar os olhos para o Pai e dizer “Pai Nosso”.

Crer que Deus é nosso Pai tem consequências enormes para toda a nossa vida, e exige de nós algumas atitudes:

1 – Conhecer a majestade e a grandeza de Deus. “Deus é grande demais para que o possamos conhecer”(Jó 36,26). Santa Joana D`Arc disse, “Deus deve ser o primeiro a ser servido”.

2 – Viver em ação de graças. Tudo o que somos e possuímos vem Dele. “Que é que possuis que não tenhas recebido?”(1Cor 4,7). “Como retribuirei ao Senhor todo o bem que Ele me fez?”(Sl 116,12).

3 – Confiar em Deus em qualquer circunstância, mesmo na adversidade. “Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e sua justiça e tudo o mais vos será dado por acréscimo”(Mt 6,33).

4 – Conversão continua e vida nova. Desejo e vontade de assemelhar-se a Ele, pois fomos criados a sua semelhança.

5 – Se comportar como filho e não como mercenário que age por interesse ou escravo que obedece por temor.

6 – Contemplar sem cessar a beleza do Pai e deixá-la impregnar a alma.cpa_como_fazer_a_vontade_de_deus

7 – Cultivar um coração de criança, humilde e confiante no Pai, pois é aos pequeninos que Ele se revela.

8 – Conversar com Deus como seu próprio Pai, familiarmente, com ternura e piedade.

9 – Ter a esperança de alcançar o que lhe pede na oração. Como Ele pode nos recusar alguma coisa se nos aceitou adotar como filhos.

10 – Conhecer a unidade e a verdadeira dignidade de todos os homens, todos criados a imagem e semelhança de Deus (Gen 1,27).

11 – Desapegar-se das coisas que nos desviam Dele. “Meu Senhor e meu Deus, tirai de mim tudo o que me afasta de vós. Meu Senhor e meu Deus, dai-me tudo que me aproxima de vós. Meu Senhor e meu Deus, desprendei-me de mim mesmo para doar-me inteiramente a vós.” (S. Nicolau de Flue).

O Pai nos ama tanto que não nos quer perder de forma alguma para os deuses falsos que querem lhe roubar a glória e o nosso coração. Por isso o Pai nos corrige com “correção paterna”(cf. Hb 12,4s). Nem sempre entendemos os seus mistérios, mas Ele sabe o que precisamos e conduz a nossa vida com amor.

Santa Catarina de Sena, doutora da Igreja disse, `Tudo procede do amor, tudo está ordenado a salvação do homem, Deus não faz nada que não seja para esta finalidade”.

Prof. Felipe Aquino

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