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A oração que tem transformado a vida dos homens

Masculinidade

Existe uma oração que está transformando a vida dos homens e impulsionando-os a buscar sua verdadeira missão

Algo novo tem acontecido nas paróquias. De modo até tímido, temos visto os chamados grupos de Terço dos Homens começarem e, aos poucos, angariarem cada vez mais varões, podendo, em não poucos casos, chegarem a mil, mil e quinhentas, duas mil pessoas para a oração do Santo Terço.

O mais importante é que essa oração tem transformado a vida de muitos homens, tirado muitos do vício, pornografia, adultério e seitas secretas; devolvendo-os à companhia da família e à frequência dos sacramentos da Igreja. Por isso achei importante escrever um livro que descrevesse todas essas maravilhas.

A obra retrata o que vem a ser o Terço dos Homens, a origem do movimento em nosso país, como acontecem essas conversões e o que se passa no íntimo desses homens. No entanto, não me contentei em falar somente do Terço dos Homens sob o aspecto da vida de oração e seus efeitos, mas vi uma ótima oportunidade de falar também de vida, de assuntos de interesse masculino, e ofertar alguma literatura que pudesse dar um norte ao homem de hoje, como é pedido pelo movimento Mãe Rainha três vezes admirável de Schoenstatt – de quem veio o principal impulso, nesses últimos tempos, para a propagação do Terço dos Homens –, em que um dos pilares dos grupos de Terço é a formação humana para os homens.

Tenho percebido que, a partir da oração do Rosário, os homens têm se convertido, voltado aos sacramentos e, a partir disso, buscado um sentido maior para a vida deles; daí vem a segunda parte do título do livro: ‘A grande missão masculina’.

Mas qual é essa grande missão?

Vou relatar, brevemente aqui, quatro características das quais Deus pensou para o homem em sua origem, desde quando formou o ser masculino, a fim de que este chegue a concretizar sua missão neste mundo.

Acolhedor – Deus fez o homem primeiro que a mulher. Por quê? Para ele ser maior que ela? Não! Para que, a partir do que Ele criou, preparar-lhe o ambiente. O homem é como o anfitrião da mulher.

Podemos ver essa imagem também na cultura judaica. Quando um casal estava prometido em casamento, sabemos, pela tradição, que a obrigação de construir a casa era do homem e, no dia do casamento, ele ia buscar, com os seus amigos (cf. Jo 3,29), a noiva, que o esperava na casa de seus pais junto com as virgens (cf. Mt 25,1). Portanto, a mulher foi dada ao homem, o Senhor a apresentou a ele (cf. Gn 2,22). Temos de ver as mulheres de forma diferente da que o mundo nos propõe; temos de vê-las pela ótica do Senhor, ou seja, como Deus as vê. A partir daí, conseguiremos enxergar a riqueza daquela que compartilhará nossa vocação esponsal.

Portanto, se um homem não respeita, não acolhe nem tem cuidado com a mulher, se ele a enxerga como objeto de sua satisfação, está agindo fora de sua própria essência, pois está desobedecendo ao sentido de sua existência e, consequentemente, não se realizará enquanto pessoa, não será feliz.

Você já viu algum homem feliz ou de bem com a vida, que usa ou expõe uma mulher, que a tortura psicologicamente, a agride verbal ou fisicamente?

Dom de autoridade de Deus Pai

Condutor – O homem deve “Chamar para si a responsabilidade de guiar sua esposa e seus filhos pelos caminhos corretos e santos para chegarem ao Céu.[…] Conduzir aqui não significa ser opressor, invasor, centrado em si mesmo, que faz com que todos sigam seu pensamento. Mas simboliza o sacrifício de si próprio para o bem-estar do outro. Muitas vezes, aquele que vai à frente numa viagem é o que se dispõe a colocar-se primeiro diante dos riscos, justamente para assegurar a vida daqueles que vêm atrás. Ele motiva e estimula quando necessário, mas está atento aos seus e ao ritmo diferente de cada um. Certa vez, lendo um livro de espiritualidade, encontrei uma representação do que é isso:[..] ‘Quando meu pai colocou o anel no dedo da minha mãe, e o padre os declarou marido e mulher, Nosso Senhor entregou ao meu pai um cajado, que parecia um pauzinho curvo de Luz, tratava-se de uma graça que Deus dá ao homem. É um dom de autoridade de Deus Pai, para esse homem guiar o pequeno rebanho que são os filhos, que nascem desse matrimônio, e também para defender o matrimônio’ (Lv. ‘O livro da vida! Da ilusão à verdade’. POLO, Glória. Goiânia: América Ltda, 2009. p. 40)”.

A mais profunda vocação do homem é ser pai

Paternidade – A mais profunda vocação do homem é ser pai. Ele nasce e se desenvolve para isso. O homem, com tudo o que lhe pertence – seus dons, talentos e habilidades, todo seu conhecimento, prática e técnica que adquire, tudo o que desenvolve durante sua vida –, só encontrará plena realização se canalizar tudo para o exercício da sua paternidade.

Geralmente, é a figura paterna quem ensina o filho a andar de bicicleta – segura-o para não cair, soltando-o quando vê que ele já adquiriu certo equilíbrio, ainda que o pequeno não confie em si mesmo. A criança experimenta o prazer de ser desafiada pelas ocasiões da existência e alcançar pequenas vitórias pessoais. Também é o pai quem, na maioria das vezes, brinca pedindo ao filho que pule de alguma altura para segurá-lo no colo. Dificilmente, veremos uma mãe brincando assim!

Tudo isso vai sendo registrado na cabecinha da criança como: “Você é capaz”, “Eu acredito em você”, “Existe alguém junto com você, alguém que o olha, mesmo quando você se sente sozinho no desafio”.

Na pré-adolescência ou juventude, também é comum que seja o pai a ensinar como o mundo funciona ou até mesmo ensinar um ofício ao seu filho. Jesus aprendeu a ser carpinteiro com seu pai José.

Se um pai não gosta de trabalhar, é adúltero ou cultiva vícios, seu filho seguirá seu exemplo ou entrará em “pé de guerra” contra ele.

Todo homem precisa de uma luta

Enfrentamento – “O substrato básico do ser humano está na feminilidade, e o sexo masculino, para se desenvolver, precisa surgir por meio de um esforço”. Isso é verdadeiro biológica, psíquica e espiritualmente.

Biológico, pois o embrião inicialmente é feminino. Se seguir de forma linear, ou seja, conforme já vem acontecendo o desenvolvimento do embrião desde sua fecundação, nascerá então uma menina. Para que surja um menino, é preciso que ocorra uma revolução química. Não que não haja as propriedades masculinas, o cromossomo Y está ali, mas precisa acontecer essa revolução.

Psíquico, porque tanto o menino quanto a menina são criados pela mãe; consequentemente, ficam mais tempo com ela. As meninas estão em harmonia com a mãe e se desenvolvem femininas. O menino precisa se afastar do mundo da mãe e, ao afastar-se, torna-se homem.

Espiritual, porque “o homem deixará seu pai e sua mãe e se unirá a sua mulher”.

Desde pequenos, buscamos autenticar nossa masculinidade – competimos entre nós, desafiamo-nos, impomos condições, ritos de passagem para sermos aceitos e aprovarmos o outro.

Todo homem precisa ter por que lutar. O prêmio final, a vitória será a consequência do que adquirirmos durante a batalha. Portanto, a grande missão masculina é sermos acolhedores, condutores e paternos, enfrentarmos o mundo como linha de frente.

Que grande graça é o Terço dos Homens! A partir da oração simples, mas feita com o coração, ele pode revelar e autenticar todas essas características que Deus já depositou em nós.

Não canso de repetir que esse movimento é iniciativa de Nossa Senhora, a mulher que gerou Jesus e quer formar, gerar em nós características, infundir em nós o mesmo Espírito de Seu Filho divino. Cristo é o modelo do homem que frequenta o Terço dos Homens.

Sandro Aparecido Arquejada é missionário da Comunidade Canção Nova. Formado em administração de empresas pela Faculdade Salesiana de Lins (SP). Atualmente trabalha no setor de Novas Tecnologias da TV Canção Nova. É autor do livro “Maria, humana como nós” e “As cinco fases do namoro”. Também é colunista do Portal Canção Nova, além de escrever para algumas mídias seculares.

Papa Francisco: a Igreja cresce no silêncio, sem dar espetáculo

Quinta-feira, 15 de novembro de 2018, Da redação, com Vatican News
https://noticias.cancaonova.com/especiais/pontificado/francisco/papa-francisco-igreja-cresce-no-silencio-sem-dar-espetaculo/

Em homilia, Papa falou sobre a Igreja e a chegada do Reino de Deus

Papa Francisco, durante a Missa na Casa Santa Marta, nesta quinta-feira, 15./ Foto: Vatican Media

A Igreja cresce “na simplicidade, no silêncio, no louvor, no sacrifício eucarístico, na comunidade fraterna, onde todos amam e não se prejudicam”. Foi o que disse o Papa Francisco ao celebrar a Missa na capela da Casa Santa Marta, nesta quinta-feira, 15.

Comentando o episódio do Evangelho do dia, de Lucas (Lc 17,20-25), o Pontífice reiterou que “o Reino de Deus” não é um espetáculo e cresce no silêncio.

As boas obras não fazem notícia

A Igreja, portanto, se manifesta “na Eucaristia e nas boas obras”, mesmo que aparentemente não “são notícia”. A Esposa de Cristo tem um temperamento silencioso, gera frutos “sem fazer barulho”, sem “tocar a trombeta como os fariseus”.

O Senhor nos explicou como cresce a Igreja com a parábola do semeador. O semeador semeia e a semente cresce de dia, de noite… – Deus provoca o crescimento – e depois se veem os frutos. Mas isto é importante: primeiro, a Igreja cresce em silêncio, escondida; é o estilo eclesial. E como se manifesta na Igreja? Através dos frutos das boas obras, para que as pessoas vejam e glorifiquem o Pai que está no céu – afirma Jesus – e na celebração – o louvor e o sacrifício do Senhor – isto é, na Eucaristia. Ali se manifesta a Igreja; na Eucaristia e nas boas obras.

A tentação da sedução

“A Igreja cresce por testemunho, por oração, por atração do Espírito que está dentro – insistiu o Papa na homilia – não pelos eventos”. Certamente que eles ajudam, mas “o crescimento da Igreja, que dá fruto, é em silêncio, escondido com as boas obras e a celebração da Páscoa do Senhor, o louvor de Deus”.

O Senhor nos ajuda a não cair na tentação da sedução. “Gostaríamos que a Igreja fosse mais visível; o que podemos fazer para que seja vista?” Eh! E normalmente se cai numa Igreja dos eventos que não é capaz de crescer em silêncio com as boas obras, escondido.

O espírito do mundo não tolera o martírio

Num mundo onde com frequência se cede à tentação de fazer espetáculo, da mundanidade, do aparecer, Francisco recordou que também Jesus ficou lisonjeado por essas fragilidades, mas Ele escolheu “o caminho da pregação, da oração, das boas obras”, “da cruz” e “do sofrimento”.

A Cruz e o sofrimento. A Igreja cresce também com o sangue dos mártires, homens e mulheres que dão a vida. Hoje existem muitos. Curioso: não são notícia. O mundo esconde isso. O espírito do mundo não tolera o martírio, o esconde.

Rezemos pelas almas do Purgatório

Hoje, 02, Dia de Finados, a Igreja celebra Missas nas paróquias e cemitérios, especialmente em intenção dos falecidos. Para nós cristãos participar desta celebração é um ato de gratidão e fé, pois é o dia em que nos lembramos de nossos entes queridos que estão juntos de Deus.

Para os que tem fé, a morte não é o fim da vida, mas o momento que partimos para a vida eterna. A liturgia nos diz: ‘Para os que creem a vida não é tirada, mas transformada’.

Segundo professor Felipe Aquino, essa frase é muito significativa, pois reforça que a vida não termina após a morte, mas continua de uma outra forma.

“Depois da morte, o corpo separa-se da alma. O corpo fica na terra; e a parte espiritual (alma), onde está todo o intelecto – a vontade, a liberdade, a ciência, a capacidade de amar e a memória – é preservada. Agora, a alma vive sem o corpo, é uma vida nova e volta-se para Deus”, explicou professor Felipe.

O Catecismo da Igreja Católica traz uma reflexão muito bonita e rica para falar sobre a morte, além de ser a visão correta e teológica da Igreja.

“Eu recomendaria que olhássemos, na primeira parte do Catecismo, o credo que diz: ‘Creio na vida eterna’. Este trecho traz uma visão muito bonita e correta, porque é a palavra da Igreja. Penso que é a melhor reflexão sobre a morte que está no Catecismo. Existem muitos livros sobre isso e vários santos escreveram sobre o assunto, como Santa Teresa, Santo Afonso de Ligório, Santo Agostinho e muitos outros, os quais falaram sobre a morte, mostrando exatamente que nós tivemos de morrer por causa do pecado original. A natureza humana foi criada sem defeitos por Deus, mas o pecado original se tornou a natureza defeituosa. Assim, o homem passa pela morte e se refez, ou seja, ele adquire uma vida na eternidade que não tem mais as sequelas desta vida terrena de sofrimento, angústia e tristeza”, citou o professor.

A morte é o momento de passagem e de alegria para aquele que tem fé, pois eles entenderam a beleza do que vem depois da morte.

Neste Dia de Finados, a Igreja propõe aos católicos que pensem nos mortos, mas com a esperança na Ressurreição. Portanto, para os cristãos que visitam o cemitério e rezam pelos falecidos, a Igreja concede uma indulgência plenária.

Na semana das almas, do dia 1º ao dia 8 de novembro, a Igreja concede Indulgência Plenária para aqueles que já faleceram, ou seja, é quando rezamos pela alma de alguém. É um momento especial que a Igreja coloca para o sufrágio da alma (oração pelos mortos).

“A indulgência é o cancelamento das penas devidas pelos pecados que nós cometemos e que já foram perdoados na confissão. Mas é preciso explicar uma coisa: quando se comete um pecado grave, há duas consequências: a culpa e a pena. A culpa é aquela ofensa que se faz a Deus e a confissão perdoa. No entanto, ainda fica a chamada ‘pena temporal’, o estrago causado pelo pecado na sua própria alma, porque você deixou de ser mais santo. Então, há de querer recuperar isso. Essa pena nós cumprimos aqui na terra com orações e penitências ou no purgatório se a pessoa morrer com elas”, esclarece professor Felipe.

Para ganhar essa indulgência é preciso fazer uma boa confissão, participar da Eucaristia, rezar um Pai-Nosso e uma Ave-Maria e realizar um destes momentos: um terço em família diante de uma imagem sagrada ou 30 minutos de adoração do Santíssimo na Igreja ou fazer a via-sacra na Igreja, seguindo as 14 estações ou 30 minutos de leitura meditada da Bíblia.

“Mas que um dia de tristeza, finados é um dia de esperança, assim como diz a liturgia: ‘Se um dia a lembrança da morte nos entristece, a certeza da Ressurreição nos alivia e nos consola’”, disse Aquino.

Amar Cristo sem a Igreja é dicotomia absurda

Homilia, quinta-feira, 30 de janeiro  de 2014, Da Redação, com Rádio Vaticano

Santo Padre destacou três pilares essenciais para o sentido de pertença à Igreja

“Não se entende um cristão sem a Igreja”. Este foi o aspecto enfatizado pelo Papa Francisco, na Missa desta quinta-feira, 30, na Casa Santa Marta. O Pontífice indicou três pilares do sentido de pertença eclesial: a humildade, a fidelidade e a oração pela Igreja.

A homilia do Papa partiu da figura do rei Davi, apresentada nas leituras do dia. Trata-se de um homem, explicou o Papa, que fala com o Senhor como um filho fala com o pai, e que tinha um sentimento forte de pertença ao povo de Deus. Isso leva o homem a refletir, hoje, sobre o sentido de sua pertença à Igreja.

“O cristão não é um batizado que recebe o batismo e, depois, segue adiante pelo seu caminho. O primeiro fruto do batismo é fazer-se pertencente à Igreja, ao povo de Deus. Não se entende um cristão sem Igreja. E, por isso, o grande Paulo VI dizia que é uma dicotomia absurda amar Cristo sem amar a Igreja; escutar Deus, mas não a Igreja; estar com Cristo à margem da Igreja. Não se pode. É uma dicotomia absurda”.

O sentido eclesial dessa pertença, segundo Francisco, está justamente no sentir, pensar e querer dentro da Igreja. O primeiro passo para isso é a humildade, reconhecendo a pequenez humana diante da grandeza de Deus. “A história da Igreja começou antes de nós e continuará depois de nós. Humildade: somos uma pequena parte de um grande povo, que segue na estrada do Senhor”.

O segundo aspecto destacado pelo Santo Padre é a fidelidade, que está ligada à obediência. Trata-se de ser fiel aos ensinamentos da Igreja, ao Credo, à Doutrina. Ele recordou o que dizia Paulo VI sobre a transmissão da mensagem do Evangelho: esta é recebida como um dom e deve ser transmitida como tal, o que requer fidelidade.

E como terceiro pilar, Francisco falou da necessidade de rezar pela Igreja. “Rezar por toda a Igreja, em todas as partes do mundo. Que o Senhor nos ajude a seguir por essa estrada para aprofundar a nossa pertença à Igreja e o nosso sentir com ela”.

As Religiões se equivalem?

Revista: PERGUNTE E RESPONDEREMOS / D. Estevão Bettencourt, osb

TODAS AS RELIGIÕES SÃO EQUIVALENTES ENTRE SI?

Em síntese: A resposta á pergunta exige a distinção entre o aspecto objetivo e o aspecto subjetivo da Religião.
Objetivamente falando, não são todas as religiões equivalentes entre Si, pois ensinam Credos diferentes, com Códigos de Ética diferentes (reencarnação ou não, poligamia ou não, divórcio ou não…). A Igreja Católica é a única portadora da Revelação confiada por Deus aos homens.
– Subjetivamente falando, pode-se dizer que o fiel de uma religião não católica poderá salvar-se nela, se a professar e vivenciar de coração sincero, julgando com certeza estar no caminho reto. Deus não pede mais do que aquilo que Ele revela e o coração do homem cândido e leal lhe pode dar. Não é raro ouvir-se que todas as religiões são boas ou são equivalentes entre Si.
Afirma-se que é preciso crer, … crer em alguma coisa, não importa em que coisa. O sentimento religioso seria um sentimento como a honestidade, a benevolência, o ser metódico…, sentimento que ‘cai bem’ ou que faz bem à saúde. O aspecto subjetivo da religiosidade prevaleceria. Ademais toda religião prega os bons costumes e a educação, de modo que não haveria por que preferir um a outro sistema religioso. É a esta temática que vamos dedicar a nossa atenção.
Refletindo…
O problema exige que distingamos o aspecto objetivo e o aspecto subjetivo da religião.

1. Aspecto objetivo
Não se pode dizer que todas as religiões são equivalentes entre Si, pois não coincidem entre si quanto ao Credo: algumas são politeístas (admitem vários deuses), outras são panteístas (identificam a Divindade, o mundo e o homem entre si), outras são monoteístas (professam um só Deus, distinto do mundo). Mesmo dentro de cada tronco há correntes e variantes… Ora a verdade é uma só, de modo que, objetivamente falando, haverá Credos verídicos (em grau pleno ou menos pleno) e Credos errôneos. Sem dúvida, o senso religioso nato é o mesmo em todos os homens. Ele tem as mesmas expressões religiosas, independentemente do Credo que professam; por efeito de sua religiosidade natural, todos os homens rezam, dobram os joelhos, prostram-se por terra, levantam as mãos ao céu, e praticam as virtudes ditadas pela Ética natural: o senso religioso ensina a não matar, não roubar, não caluniar, não adulterar… Todavia, além dessa base natural comum a todas as religiões, cada religião tem o seu Credo, seu culto e sua Moral própria; neste plano é que se dão as divergências: há quem creia na reencarnação e quem não a aceite; há quem admita o divórcio, o aborto, o homossexualismo, a guerra santa, a poligamia… e há quem não os admita.
Em conclusão: objetivamente falando, as religiões não são equivalentes entre si; não são igualmente verídicas, nem são igualmente boas. Os católicos, a bom título, dizem que só há uma religião revelada por Deus: a que culmina em Jesus Cristo e se prolonga através dos séculos no Corpo de Cristo que é a Igreja confiada por Jesus a Pedro e seus sucessores.
É o que o Concílio do Vaticano II professa na Declaração Dignitatis Humanae nº 1. Professa o Sacro Sínodo que o próprio Deus manifestou ao gênero humano o caminho pelo qual os homens, servindo a Ele, pudessem salvar-se e tornar-se felizes em Cristo. Cremos que essa única verdadeira Religião subsiste na Igreja católica e apostólica, a quem o Senhor Jesus confiou a tarefa de difundi-la aos homens todos, quando disse aos Apóstolos: `Ide pois e ensinai os povos todos, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-lhes a guardar tudo quanto vos mandei` (Mt 28, 19-20). Por sua vez, estão os homens todos obrigados a procurar a verdade, sobretudo aquela que diz respeito a Deus e a Sua Igreja e, depois de conhecê-la, a abraçá-la e praticá-la).
Na Constituição Lumen Gentium nº 8 lê-se: ‘Esta é a única Igreja de Cristo, que no Símbolo professamos una, santa, católica e apostólica (12), e que o nosso Salvador, depois da sua Ressurreição, confiou a Pedro para que ele a apascentasse (Jo 21, 17), encarregando-o, assim como aos demais Apóstolos, de a difundirem e de a governarem (cf. Mt 28, 18s), levantando-a para sempre como `coluna e esteio da verdade` (1Tm 3, 15). Esta Igreja, como sociedade constituída e organizada neste mundo, subsiste na Igreja Católica, governada pelo sucessor de Pedro e pelos Bispos em comunhão com ele, ainda que fora do seu corpo se encontrem realmente vários elementos de santificação e de verdade, elementos que, na sua qualidade de dons próprios da Igreja de Cristo, conduzem para a unidade católica’.

2. Aspecto subjetivo
É fato que nem todos os homens chegam ao conhecimento do Evangelho tal como Jesus Cristo o pregou e continua a pregar na sua Igreja; não tem culpa disto. Todavia tem coração reto e sincero ao seguir uma filosofia religiosa diferente do Catolicismo: não duvidam de que estão professando a verdade e a ela devem obedecer, mesmo praticando a poligamia ou crendo que a reencarnação divide os homens em castas diferentes, que tem que sofrer (uns) ou ser inclementes (outros). A tais pessoas Deus não pedirá contas do que não tiver revelado ou do que tiverem ignorado sem culpa própria. Poderão salvar-se não pelo falso Credo que professam, mas pela boa fé ou sinceridade cândida com que o professam.
É o que declara a Constituição Lumen Gentium nº 16: ‘Aqueles que ignoram sem culpa o Evangelho de Cristo e sua Igreja, mas buscam a Deus na sinceridade do coração, e se esforçam, sob a ação da graça, por cumprir na vida a sua vontade, conhecida através dos ditames da consciência, também esses podem alcançar a salvação eterna. Nem a Divina Providência nega os meios necessários para a salvação aqueles que, sem culpa, ainda não chegaram ao conhecimento explícito de Deus, mas procuram com a graça divina viver retamente. De fato, tudo o que neles há de bom e de verdadeiro, considera-o a Igreja como preparação evangélica e dom daquele que ilumina todo homem para que afinal venha a ter vida’.
Ou ainda a Constituição Gaudium et Spes nº 22: ‘Tendo Cristo morrido por todos e sendo uma só a vocação última do homem, isto é, divina, devemos admitir que o Espírito Santo oferece a todos a possibilidade de se associarem, de modo conhecido por Deus, a este mistério pascal)’. Assim, de um lado, fica excluído todo relativismo religioso – o que seria relativizar a verdade. Doutro lado, fica excluído também todo fanatismo cego, que não leva em conta a inocência ou a candura de quem, sem culpa própria, não adere à verdade, mas se esforça por cumprir o que o único Deus lhe revela através dos ditames da consciência reta e sincera. Deve-se acrescentar que quem se salva fora da Igreja visível, salva-se por Cristo e pela Igreja Católica, mesmo que não conheça Cristo e a Igreja. Não há outro caminho de salvação senão Jesus Cristo e seu Corpo Místico.

A Igreja é chamada a proclamar a Palavra até o martírio

Missa na Casa Santa Marta, segunda-feira, 24 de junho  de 2013, Da Redação, com Rádio Vaticano

Francisco destacou que a Igreja não deve conservar algo para si, mas estar sempre a serviço do Evangelho

Como São João, a Igreja é chamada a proclamar a Palavra de Deus até o martírio. Foi o que sublinhou o Papa Francisco na Missa celebrada nesta manhã, 24, na Casa Santa Marta. No dia em que a Igreja celebra a Solenidade do Nascimento de São João Batista, o Papa reafirmou que a Igreja não deve jamais conservar algo para si mesma, mas estar sempre a serviço do Evangelho.

O Santo Padre explicou que o mistério de João é que ele nunca se apodera da Palavra; o sentido de sua vida é indicar o outro. Francisco atentou ainda para o fato de que a Igreja escolheu para a festa de São João um período em que os dias são mais longos, em que há mais luz, e realmente João era o homem que carregava a luz.

“João parece ser nada. Essa é a vocação de João, anular-se. E quando contemplamos a vida deste homem, tão grande, tão poderoso – todos acreditavam que ele era o Messias -, quando contemplamos essa vida, como se anula até a escuridão de uma prisão, contemplamos um grande mistério. Nós não sabemos como foram os últimos dias de João. Não sabemos. Sabemos apenas que ele foi morto, a sua cabeça colocada em uma bandeja, como grande presente para uma dançarina e uma adúltera. Eu acho que mais do que isso ele não podia se rebaixar, anular-se. Esse foi o fim de João”.

O Papa contou que a figura de João o faz pensar muito na Igreja, que existe para proclamar, para ser a voz da Palavra e proclamá-la até o martírio. “João poderia tornar-se importante, poderia dizer algo sobre si mesmo. Mas eu creio jamais faria isso: indicava, sentia-se voz, não Palavra. (…) Ele não queria ser um ideólogo. Era o homem que negou a si mesmo para que a Palavra se sobressaísse. E nós, como Igreja, podemos pedir hoje a graça de não nos tornarmos uma Igreja ideologizada”, disse.

A Igreja, segundo acrescentou o Santo Padre, deve ouvir a Palavra de Jesus e se fazer voz, proclamá-la com coragem. Ele concluiu falando do “modelo” que João oferece neste dia de hoje para os fiéis e toda a Igreja: uma Igreja que esteja sempre a serviço da Palavra, que nunca tome nada para si mesma.

“Hoje na oração pedimos a graça da alegria, pedimos ao Senhor para animar esta Igreja no seu serviço à Palavra, de ser a voz desta Palavra, pregar essa Palavra. Vamos pedir a graça: a dignidade de João, sem idéias próprias, sem um Evangelho tomado como propriedade, apenas uma Igreja voz que indica a Palavra, e isso até o martírio. Assim seja!”

Não há lugar mais importante para transmitir a fé que o lar, afirma o Papa Francisco

https://www.acidigital.com/noticias/nao-ha-lugar-mais-importante-para-transmitir-a-fe-que-o-lar-afirma-o-papa-francisco-32219

O Papa abençoando os fiéis na Pro-catedral. Foto: Vatican Media.

DUBLIN, 25 Ago. 18 / 02:10 pm (ACI).– Um dos temas aos que o Papa Francisco aludiu na tarde do sábado em Dublin, durante sua visita a Pro-catedral de Santa Maria, é a transmissão da fé aos filhos, e afirmou que “o primeiro e mais importante lugar para transmitir a fé é o lar”.

Depois de escutar o testemunho de um casal de idosos que acaba de celebrar seus 50 anos de matrimônio, o Papa respondeu às perguntas de um casal de jovens.

Francisco assegurou que “em casa, que podemos chamar ‘igreja doméstica’, os filhos aprendem o significado da fidelidade, da honestidade e do sacrifício”. “Veem como mãe e pai se comportam entre eles, como se cuidam um do outro e dos outros, como eles amam a Deus e a Igreja”.

“Assim os filhos podem respirar o ar fresco do Evangelho e aprender a compreender, julgar e atuar de modo coerente com a fé que herdaram. A fé, irmãos e irmãs, transmite-se ao redor da mesa doméstica, na conversa do dia-a-dia, através da linguagem que só o amor perseverante sabe falar”.

Neste sentido, destacou que “a fé se transmite em dialeto, o dialeto da casa, o dialeto da vida do lar, da vida em família”.

O Santo Padre recomendou os casais a seguirem rezando “juntos em família”. “Falem de coisas boas e santas, deixem que Maria nossa Mãe entre em sua vida familiar. Celebrem as festas cristãs”.

“Vivam em profunda solidariedade com quantos sofrem e estão à margem da sociedade”, exortou.

“Quando fazem isto junto com seus filhos, seus corações pouco a pouco se enchem de amor generoso pelos demais. Pode parecer óbvio, mas às vezes nos esquecemos. Seus filhos aprenderão a compartilhar os bens da terra com outros, se virem que seus pais se preocupam por quem é mais pobre ou menos afortunado que eles. Enfim, seus filhos aprenderão de vocês o modo de viver cristão; vocês serão seus primeiros professores na fé”.

Dirigindo-se ao casal que celebrava seus 50 anos, o Papa perguntou: “vocês já discutiram muito?”. “É parte do matrimônio, o matrimônio onde não se discute é um pouco tedioso. Podem até voar pratos, mas o segredo é fazer as pazes antes de que termine o dia. E para fazer as pazes não é necessário um discurso, basta uma carícia e se faz as pazes”, afirmou.

O Pontífice lamentou que “hoje não estamos acostumados a algo que dure realmente toda a vida”.

“Não há nada verdadeiramente importante que dure? Nem sequer o amor?”, perguntou-se. “Sabemos o fácil que é hoje cair prisioneiros da cultura do provisório, do efêmero. Esta cultura ataca as próprias raízes de nossos processos de amadurecimento, do nosso crescimento na esperança e no amor. Como podemos experimentar, nesta cultura do efêmero, o que é verdadeiramente duradouro?”.

O Papa assegurou que “entre todas as formas da fecundidade humana, o matrimônio é único. É um amor que dá origem a uma vida nova. Implica a responsabilidade mútua na transmissão do dom divino da vida e oferece um ambiente estável em que a vida nova pode crescer e florescer”.

“O matrimônio na Igreja, quer dizer o sacramento do matrimônio, participa de modo especial no mistério do amor eterno de Deus. Quando um homem e uma mulher cristãos se unem no vínculo do matrimônio, a graça do Senhor os possibilita prometer-se livremente um ao outro em um amor exclusivo e duradouro. Desse modo sua união se converte em sinal sacramental da nova e eterna aliança entre o Senhor e sua esposa, a Igreja”.

O Papa convidou os presentes a “arriscar” porque “o matrimônio é um risco que vale a pena, para toda a vida. Porque o amor é assim”.

“Não tenham medo desse sonho. Sonhem grande! Custodiem-no como um tesouro e sonhem juntos cada dia de novo. Assim, serão capazes de se sustentar mutuamente com esperança, com força, e com o perdão nos momentos em que o caminho se faz árduo e resulta difícil percorrê-lo”.

O Matrimônio e a Família no Plano de Deus

1. O que ensina a Igreja sobre a família?

A Igreja ensina que a família é um dos bens mais preciosos da humanidade.

2. Por que é um bem tão precioso?

A família é um dom precioso porque forma parte do plano de Deus para que todas as pessoas possam nascer e desenvolver-se em uma comunidade de amor, ser bons filhos de Deus neste mundo e participar na vida futura do Reino dos Céus: Deus quis que os homens, formando a família, colaborem com Ele nesta tarefa.

3. Onde estão revelados os planos de Deus sobre o matrimônio e a família?

Nas Sagradas Escrituras -a Bíblia-, se narra a criação do primeiro homem e da primeira mulher: Deus os criou a sua imagem e semelhança; os fez varão e mulher, os abençoou e os mandou crescer e multiplicar-se para povoar a terra (cf. Gn 1, 27). E para que isto fosse possível de um modo verdadeiramente humano, Deus mandou que o homem e a mulher se unissem para formar a comunidade de vida e amor que é o matrimônio (cf. Gn 2, 19-24).

4. Que benefícios traz formar uma família como Deus manda?

Quando as famílias se formam segundo a vontade de Deus, são fortes, sanas e felizes; possibilitam a promoção humana e espiritual dos seus membros contribuindo à renovação de toda a sociedade e da mesma Igreja.

5. Como ajuda a Igreja aos homens para conheçam o bem da família?

A Igreja oferece sua ajuda a todos os homens recordando-lhes qual é o desígnio de Deus sobre a família e sobre o matrimônio. Corresponde de modo especial aos católicos compreender e dar testemunho dos ensinamentos de Jesus neste campo.

6 . Como é possível realizar plenamente o projeto de Deus sobre o matrimônio e a família?

Somente com a ajuda da graça de Deus, vivendo de verdade o Evangelho, é possível realizar plenamente o projeto de Deus sobre o matrimônio e a família.

7. Por que existem tantas famílias quebradas ou com dificuldades? Por que às vezes parece tão difícil cumprir a vontade de Deus sobre o matrimônio?

Adão e Eva pecaram desobedecendo a Deus e desde então todos os homens nasceu com o pecado original. Este pecado e os que cada pessoa comete tornam fazem que seja difícil conhecer e cumprir a vontade de Deus sobre o matrimônio Por isso Jesus Cristo quis vir ao mundo: para redimir-nos do pecado e para que pudéssemos viver como filhos de Deus nesta vida e alcançar o Céu. É necessária a luz do Evangelho e da graça de Cristo para devolver ao homem, e também ao matrimônio e à família, sua bondade e beleza originais.

8. Quais são as conseqüências para a sociedade por não cumprir o plano de Deus sobre a família e o matrimônio?

Quando a infidelidade, o egoísmo e a irresponsabilidade dos pais com respeito aos filhos são as normas de conduta, toda a sociedade se vê afetada pela corrupção, pela desonestidade de costumes e pela violência.

9. Qual é a situação da família e nossa sociedade?

As mudanças culturais das últimas décadas influenciaram fortemente no conceito tradicional da família. Entretanto, a família é uma instituição natural dotada de uma extraordinária vitalidade, com grande capacidade de reação e defesa. Não todas estas mudanças foram prejudiciais e por isso o panorama atual sobre a família se pode dizer que está composto de aspectos positivos e negativos.

10. Quais aspectos positivos se notam em muitas famílias?

O sentido cristão da vida influenciou muito para que em nossa sociedade se promova cada vez mais: uma consciência mais viva da liberdade e responsabilidades pessoais no seio das famílias; o desejo de que as relações entre os esposos e dos pais com os filhos sejam virtuosas; uma grande preocupação pela dignidade da mulher; uma atitude mais atenta à paternidade e maternidade responsáveis; um maior cuidado com a educação dos filhos; uma maior preocupação pelas famílias para que se relacionem e se ajudem entre si.

11. Quais aspectos negativos encontramos nas famílias do nosso país?

São muitos e todos eles revelam as conseqüências que provoca o rechaço do amor de Deus pelos homens e mulheres da nossa época. De modo resumido podemos indicar: uma equivocada concepção da independência dos esposos; defeitos na autoridade e na relação entre pais e filhos; dificuldades para que a família transmita os valores humanos e cristãos; crescente número de divórcios e de uniões não matrimoniais; o recurso fácil à esterilização, ao aborto e a extensão de uma mentalidade anti-natalista muito difundida entre os matrimônios; condições morais de miséria, insegurança e materialismo; a emergência silenciosa de grande número de crianças de rua fruto da irresponsabilidade ou da incapacidade educativa dos seus pais; grande quantidade de pessoas abandonadas pela falta de famílias estáveis e solidárias.

12. O que podemos fazer para que os sinais negativos não prevaleçam?

A única solução eficaz é que cada homem e cada mulher se esforcem para viver nas suas famílias os ensinamentos do Evangelho, com autenticidade. O sentido cristão da vida fará que sempre prevaleçam os sinais positivos sobre os negativos, por mais que estes nunca faltem.

13. Jesus Cristo nos deu algum exemplo especial sobre a família?

Sim, porque Jesus Cristo nasceu em uma família exemplar; seus pais foram José e Maria. Ele os obedeceu em tudo (cf. Lc 2, 51) e aprendeu deles a crescer como verdadeiro homem. Assim pois, a família de Cristo é exemplo e modelo para toda família.

14. Estes ensinamentos são válidos para a família dos dias de hoje?

Os exemplos da Sagrada Família alcançam os homens de todas as épocas e culturas, porque o único modo de conseguir a realização pessoal e a dos seres amados é criar um lar onde a ternura, o respeito, a fidelidade, o trabalho, o serviço desinteressado sejam as normas de vida.

15. Quem deve sentir-se responsável por fortalecer a instituição familiar?

Cada homem é responsável de uma maneira ou de outra pela sociedade em que vive, e portanto da instituição familiar, que é o seu fundamento. Os casados, devem responder pela família que formaram para que seja segundo o desígnio de Deus: os que permanecem solteiros, devem cuidar daquela na qual nasceram. Os jovens e adolescentes têm uma particular responsabilidade de prepararem-se para construir estavelmente sua futura família.

Fonte: Catecismo da família e do matrimônio
Padres Fernando Castro e Jaime Molina  

 

Se nos amamos e vamos nos casar, por que não podemos ter relações?
“A relação sexual dentro do matrimônio defende a integridade do amor: seja a dos cônjuges entre si, seja o amor deles para com o fruto natural do matrimônio: o filho”
Roma,  12 de Agosto de 2013  (Zenit.org)  Pe. Anderson Alves

Essa é uma pergunta que alguns namorados cristãos comprometidos se fazem. Se eles sentem um amor real, por que não podem expressá-lo num gesto de intimidade que poderia ajudar a crescer o afeto entre os dois? Se a união corporal será comum dentro de pouco tempo, por que não iniciá-la quando o amor parece já ser maduro? Certamente, a maioria dos cristãos aceita que uma relação realizada por pessoas que mal se conhecem é irresponsável e pecaminosa. Mas não seria exagerado dizer o mesmo do ato realizado por namorados sinceros, fiéis e que estão (quase) decididos a se casar?

Para responder a essa questão é preciso lembrar que a Igreja não tem autoridade para mudar o que Deus revelou. A Palavra de Deus é sempre viva e eficaz, é uma luz que guia nossos passos. E ela ensina: “O corpo não é para a fornicação, e sim para o Senhor, e o Senhor é para o corpo”; “Fugi da fornicação. Qualquer outro pecado que o homem comete é fora do corpo, mas o impuro peca contra o seu próprio corpo”[1]. Esses textos expressam o valor altíssimo do corpo humano, que é templo do Espírito Santo, e não algo que possa ser usado ou abusado. E a fornicação (ato sexual fora do casamento) é um ato pecaminoso, porque reduz o valor do corpo humano ao de uma coisa, a algo utilizável. As relações sexuais não são meros atos físicos, mas devem ser expressão de algo mais profundo: a doação total e incondicional de uma pessoa a outra. E essa doação é real e se concretiza com o pacto matrimonial. Por isso, o ato sexual é bom quando busca o bem do casal e está aberto à transmissão da vida[2]. Esses são os dois fins do matrimônio.

Mas como aceitar isso nos nossos dias? Há algum motivo racional que poderia convencer-nos da verdade desses ensinamentos? Cremos que há vários motivos. Apresentamos agora alguns.

1. A relação sexual dentro do matrimônio defende especialmente a mulher e o possível fruto dessa relação: o filho. Se a geração de um filho se dá antes do matrimônio, o que geralmente ocorre? Esse novo ser passa a ser visto mais como um problema do que como um dom. Pois a concepção de um filho não obriga ao homem (o pai) a se casar. Se o pai é reto e tem um sentido apurado de justiça, manterá suas obrigações financeiras para com esse filho e para com a mulher. Mas isso não basta para a criança. Cada filho tem o direito de nascer dentro de um matrimônio sólido, no qual os pais busquem a felicidade juntos. Dentro do matrimônio, o filho é seu fruto natural, está protegido social e juridicamente e é naturalmente visto como um dom, e não como um fruto indesejável;

2. Em geral, quem vive a castidade no namoro terá menos dificuldades de viver a fidelidade ao matrimônio. Hoje em dia, o “permissivismo” moral é grande. A “educação sexual” transmitida pelos meios de comunicação e, às vezes, pelas escolas, diz somente: “faça o que você quiser, desde que seja com preservativos e escondido dos seus pais”. Para vencer nesse ambiente hostil e irresponsável é necessária uma verdadeira educação à castidade, que é a proteção do amor autêntico. E o período de namoro serve para isso: para que o casal cresça no conhecimento mútuo, elabore projetos comuns e adquira virtudes indispensáveis para a vida matrimonial. Se o casal vive bem esse período, sem chegar a ter intimidades próprias da vida matrimonial, passará por uma verdadeira escola de castidade e de fidelidade. Constatamos que pecar contra a castidade antes do matrimônio é tão fácil quanto pecar contra a fidelidade dentro dele. Assim, estará mais preparado para viver a fidelidade quem se preparou bem antes, vivendo a castidade no namoro;

3. O amor matrimonial não se reduz a um exercício físico, mas é a comunhão total de vida. Certa vez, disse Chesterton: «Em tudo que vale a pena, até em cada prazer, há um ponto de dor ou tédio que deve ser preservado, para que o prazer possa reviver e durar. A alegria da batalha vem depois do primeiro medo da morte; a alegria em ler Virgílio vem depois do tédio de aprendê-lo; o brilho no banhista vem depois do choque gelado do banho do mar; e o sucesso do casamento vem depois da decepção com a lua-de-mel»[3]. O que diz esse autor, que foi um homem bem casado por muitos anos, é uma verdade comprovável. O prazer do ato sexual certamente existe, mas não é tudo na vida matrimonial. O ato sexual é, como todo ato humano, sempre ambíguo, pois ao mesmo tempo em que realiza quem o faz, causa certa frustração, porque o coração humano é feito para o infinito e não se contenta com atos singulares. Todo jovem deve reconhecer isso, que faz parte de todo processo de maturação, e o ideal é que isso ocorra dentro do matrimônio. Só quem supera a “decepção” inicial pode ser feliz no matrimônio, pois a felicidade vem de Deus, do amor fiel e responsável renovado diariamente em atos de doação mútua. O amor não é o mesmo que o prazer, mas é uma entrega voluntária e fiel, que supera todas as dificuldades.

4. Boa parte dos casais que fazem planos sérios de casamento acabam por se separar antes que isso se realize. Nem o namoro e nem o noivado dão ao casal o mesmo nível de comprometimento um com o outro que só dá o matrimônio. Por isso, quem tem relações sexuais antes do casamento corre o sério risco de se entregar a alguém com quem, ao fim, não se unirá sacramentalmente. E tal pecado sempre marca profundamente a alma e traz sérias consequências (principalmente afetivas), ainda que seja plenamente perdoado por Deus após uma boa Confissão.

Nos tempos atuais as pessoas “usam” o sexo como se fosse um jogo. E o que ocorre? Cada vez menos pessoas adquirem a capacidade de fazer escolhas definitivas, cada vez menos pessoas se casam. O ato matrimonial, ao qual Deus quis unir um prazer sensível, deve produzir um prazer superior, de natureza espiritual: a alegria de saber que se está cumprindo a vontade de Deus. E o ato de gerar um filho é algo de milagroso, no qual se dá a união das partes materiais provenientes dos pais e a criação de uma nova alma humana, diretamente por Deus. O prazer que os pais têm ao saber que estão colaborando com Deus é algo único.

A resposta à pergunta diz, portanto, que o amor não é somente um sentimento vago, nem mesmo se reduz ao prazer. Mas é algo bem prático e exigente, que implica a vontade concreta de colaborar com os planos de Deus, que concebeu o ato matrimonial como a expressão perfeita de uma doação integral de duas pessoas, um homem e uma mulher, colaborando assim com a mesma obra criadora de Deus.

[1] 1Cor 6, 13 e 18; cfr.: Tob 4, 13; At 21, 25; Ef 5, 3.
[2]  Cfr. Catecismo da Igreja Católica, § 2361-2363.
[3] Chesterton, O que há de errado no mundo, EditoraEcclesiae,Campinas2012.

 

Santo Evangelho (Mt 16, 13-23)

18ª Semana Comum – Quinta-feira 09/08/2018 

Primeira Leitura (Jr 31,31-34)
Leitura do Livro do Profeta Jeremias.

31“Eis que virão dias, diz o Senhor, em que concluirei com a casa de Israel e a casa de Judá uma nova aliança; 32não como a aliança que fiz com seus pais, quando os tomei pela mão para retirá-los da terra do Egito, e que eles violaram, mas eu fiz valer a força sobre eles, diz o Senhor. 33Esta será a aliança que concluirei com a casa de Israel, depois desses dias, diz o Senhor: imprimirei minha lei em suas entranhas, e hei de ins­crevê-la em seu coração; serei seu Deus e eles serão meu povo. 34Não será mais necessário ensinar seu próximo ou seu irmão, dizendo: ‘Conhece o Senhor!’; todos me reconhecerão, do menor ao maior deles, diz o Senhor, pois perdoarei sua maldade, e não mais lembrarei o seu pecado”.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Responsório(Sl 50)

— Ó Senhor, criai em mim um co­ração que seja puro!
— Ó Senhor, criai em mim um co­ração que seja puro!  

— Criai em mim um coração que seja puro, dai-me de novo um espírito decidido. Ó Senhor, não me afasteis de vossa face, nem retireis de mim o vosso Santo Espírito!

— Dai-me de novo a alegria de ser salvo e confirmai-me com espírito generoso! Ensinarei vosso caminho aos pecadores, e para vós se voltarão os transviados.

— Pois não são de vosso agrado os sacrifícios, e, se oferto um holocausto, o rejeitais. Meu sacrifício é minha alma penitente, não desprezeis um coração arrependido!

 

Evangelho (Mt 16,13-23)  

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 13Jesus foi à região de Cesareia de Filipe e ali perguntou a seus discípulos: “Quem dizem os homens ser o Filho do Homem?” 14Eles responderam: “Alguns dizem que é João Batista; outros que é Elias; Outros ainda, que é Jeremias ou algum dos profetas”. 15Então Jesus lhes perguntou: “E vós, quem dizeis que eu sou?” 16Simão Pedro respondeu: “Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo”. 17Respondendo, Jesus lhe disse: “Feliz és tu, Simão, filho de Jonas, porque não foi um ser humano que te revelou isso, mas o meu Pai que está no céu. 18Por isso eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra construirei a minha Igreja, e o poder do inferno nunca poderá vencê-la. 19Eu te darei as chaves do Reino dos Céus: tudo o que tu ligares na terra será ligado nos céus; tudo o que tu desligares na terra será desligado nos céus”. 20Jesus, então, ordenou aos discípulos que não dissessem a ninguém que ele era o Messias. 21Jesus começou a mostrar aos seus discípulos que devia ir a Jerusalém e sofrer muito da parte dos anciãos, dos sumos sacerdotes e dos mestres da Lei, e que devia ser morto e ressuscitar no terceiro dia. 22Então Pedro tomou Jesus à parte e começou a repreendê-lo, dizendo: “Deus não permita tal coisa, Senhor! Que isto nunca te aconteça!” 23Jesus, porém, voltou-se para Pedro, e disse: “Vai para longe, Satanás! Tu és para mim uma pedra de tropeço, porque não pensas as coisas de Deus, mas sim as coisas dos homens!”

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

 

A IGREJA CATÓLICA CELEBRA E VENERA HOJE
Santa Teresa Benedita da Cruz (Edith Stein)

Santa Teresa Benedita da Cruz é uma das “Patronas da Europa”

A santa de hoje também é conhecida pelo nome de Santa Edith Stein. Beatificada em 1 de Maio de 1987, acabou sendo canonizada 11 anos depois, em 11 de Outubro de 1998, pelo Papa João Paulo II.

Última de 11 irmãos, nasceu em Breslau (Alemanha), a 12 de Outubro de 1891, no dia em que a família festejava o “Dia da Expiação”, a grande festa judaica. Por esta razão, a mãe teve sempre uma predileção por esta filha. O pai, comerciante de madeiras, morreu quando Edith ainda não tinha completado os 2 anos. A mãe, mulher muito religiosa, solícita e voluntariosa, teve que assumir todo o cuidado da família, mas não conseguiu manter nos filhos uma fé viva. Stein perdeu a fé: “Com plena consciência e por livre eleição”, ela afirma mais tarde. Edith dedica-se então a uma vida de estudos na Universidade de Breslau tendo como meta a Filosofia. Os anos de estudos passam até que, no ano de 1921, Edith visita um casal convertido ao Evangelho. Na biblioteca deste casal ela encontra a autobiografia de Santa Teresa de Ávila. Edith lê o livro durante toda a noite. “Quando fechei o livro, disse para mim própria: é esta a verdade”, declarou ela mais tarde. Em Janeiro de 1922, Stein é batizada e no dia 02 de fevereiro desse mesmo ano é crismada pelo Bispo de Espira. Em 1932 lhe atribuída uma cátedra numa instituição católica, onde desenvolve a sua própria antropologia, encontrando a maneira de unir ciência e fé. Em 1933 a noite fecha-se sobre a Alemanha.

Edith Stein tem que deixar a docência e ela própria declarou nesta altura: “Tinha-me tornado uma estrangeira no mundo”. E no dia 14 de Outubro desse mesmo ano, entra para o Mosteiro das Carmelitas de Colônia, passando a chamar-se Teresa Benedita da Cruz. Após cinco anos, faz a sua profissão perpétua. Da Alemanha, Edith é transferida para a Holanda juntamente com sua irmã Rosa, que também é batizada na Igreja Católica e prestava serviço no convento. Neste período do regime nazista, os Bispos católicos dos Países Baixos fazem um comunicado contra as deportações dos judeus. Em represália a este comunicado, a Gestapo invade o convento na Holanda e prendem Edith e sua irmã. Ambas são levadas para o campo de concentração de Westerbork. No dia 07 de Agosto, ela parte para Auschwitz, ao lado de sua irmã e um grupo de 985 judeus. Por fim, no dia 09 de Agosto, a Irmã Teresa Benedita da Cruz, juntamente com a sua irmã Rosa, morre nas câmaras de gás e depois tem seu corpo queimado. Assim, através do martírio, Santa Teresa Benedita da Cruz, recebe a coroa da glória eterna no Céu.

Santa Teresa Benedita da Cruz, rogai por nós!

Festa de Santo Inácio de Loyola

Igreja Romana de Jesus
Quarta-feira, 31 de julho de 2013

Boletim da Santa Sé Tradução: Jéssica Marçal

Nesta Eucaristia na qual celebramos o nosso Pai Inácio de Loyola, à luz das leituras que escutamos, gostaria de propor três simples pensamentos guiados por três expressões: colocar no centro Cristo e a Igreja; deixar-se conquistar por Ele para servir; sentir a vergonha dos nossos limites e pecados, para ser humilde diante Dele e dos irmãos.

1. O brasão de nós Jesuítas é um monograma, significa “Iesus Hominum Salvator” (IHS). Cada um de vós poderá dizer-me: sabemos disso muito bem! Mas este brasão nos recorda continuamente uma realidade que não devemos nunca esquecer: a centralidade de Cristo para cada um de nós e para toda a Companhia, que Santo Inácio quis propriamente chamar de “de Jesus” para indicar o ponto de referência. Além disso, também no início dos Exercícios Espirituais, coloca-nos diante do nosso Senhor Jesus Cristo, do nosso Criador e Salvador (cfr EE, 6). E isto leva todos nós Jesuítas e toda a Companhia a sermos “descentralizados”, a ter adiante o “Cristo sempre maior”, o “Deus sempre maior”, o “intimior intimo meo“, que nos leva continuamente para fora de nós mesmos, leva-nos a uma certa kenosis, a “sair do próprio amor, querer e interesse” (EE, 189). Não é descontada a pergunta para nós, para todos nós: Cristo é o centro da minha vida? Coloco verdadeiramente Cristo no centro da minha vida? Porque há sempre a tentação de pensar estarmos nós no centro. E quando um Jesuíta coloca a si mesmo no centro e não Cristo, erra. Na primeira Leitura, Moisés repete com insistência ao povo para amar o Senhor, para caminhar pelos seus caminhos, “porque é Ele a tua vida” (cfr Dt 30, 16.20). Cristo é a nossa vida! À centralidade de Cristo corresponde também a centralidade da Igreja: são dois focos que não se pode separar: eu não posso seguir Cristo se não na Igreja e com a Igreja. E também neste caso nós Jesuítas e toda a Companhia não estamos no centro, estamos, por assim dizer, “movidos”, estamos a serviço de Cristo e da Igreja, a Esposa de Cristo nosso Senhor, que é a nossa Santa Mãe Igreja Hierárquica (cfr EE, 353). Ser homens enraizados e fundados na Igreja: assim nos quer Jesus. Não pode haver para nós caminhos paralelos ou isolados. Sim, caminhos de busca, caminhos criativos, sim, isto é importante: ir rumo às periferias, às tantas periferias. Por isto requer criatividade, mas sempre em comunidade, na Igreja, com esta pertença que nos dá coragem para seguir adiante. Servir Cristo é amar esta Igreja concreta, e servi-la com generosidade e espírito de obediência.

2. Qual é o caminho para viver esta dupla centralidade? Olhemos para a experiência de São Paulo, que é também a experiência de Santo Inácio. O Apóstolo, na Segunda Leitura que escutamos, escreve: esforço-me para correr rumo à perfeição de Cristo “porque também eu fui conquistado por Jesus Cristo” (Fil 3,12). Para Paulo, aconteceu no caminho de Damasco, para Inácio na sua casa de Loyola, mas o ponto fundamental é comum: deixar-se conquistar por Cristo. Eu procuro Jesus, eu sirvo Jesus porque Ele me procurou primeiro, porque fui conquistado por Ele: e este é o coração da nossa experiência. Mas Ele é o primeiro. Em espanhol, há uma palavra que é muito gráfica, que o explica bem: Ele nos “primeireia”, “Ele nos primeireia”. É o primeiro sempre. Quando nós chegamos, Ele já chegou e nos espera. E aqui gostaria de chamar a meditação para o Reino da Segunda Semana. Cristo, Nosso Senhor, Rei eterno, chama cada um de nós dizendo-nos: “quem quer vir comigo deve trabalhar comigo, para que seguindo-me no sofrimento, siga-me também na alegria” (EE, 95): Ser conquistado por Cristo para oferecer a este Rei toda a nossa pessoa e todo o nosso cansaço (cfr EE, 96); dizer ao Senhor querer fazer tudo pelo seu maior serviço e louvor, imitá-lo no suportar também as injúrias, desprezo, pobreza (cfr EE, 98). Mas penso no nosso irmão na Síria neste momento. Deixar-se conquistar por Cristo significa estar sempre voltado para o que está na frente, em direção à meta de Cristo (cfrFil 3,14) e perguntar-se com verdade e sinceridade: O que tenho feito por Cristo? O que faço por Cristo? O que devo fazer por Cristo? (cfr EE, 53).

3. E chego ao último ponto. No Evangelho Jesus nos diz: “Quem quer salvar a própria vida, a perderá, mas quem perder a própria vida por causa de mim, a salvará… Quem se envergonhar de mim…” (Lc 9, 23). E assim vai. A vergonha do Jesuíta. O convite que faz Jesus é de não envergonhar-se nunca Dele, mas de segui-lo sempre com dedicação total, confiando Nele. Mas olhando para Jesus, como nos ensina Santo Inácio na Primeira Semana, sobretudo olhando o Cristo crucificado, nós sentimos aquele sentimento tão humano e tão nobre que é a vergonha de não estar no alto; olhamos para a sabedoria de Cristo e à nossa ignorância, à sua onipotência e à nossa fraqueza, à sua justiça e à nossa iniquidade, à sua bondade e à nossa maldade (cfr EE, 59). Pedir a graça da vergonha; vergonha que vem do contínuo diálogo de misericórdia com Ele; vergonha que nos faz corar diante de Jesus Cristo; vergonha que nos coloca em sintonia com o coração de Cristo que se fez pecado por mim; vergonha que coloca em harmonia o nosso coração nas lágrimas e nos acompanha no seguimento cotidiano do “meu Senhor”. E isto nos leva sempre, como indivíduos e como Companhia, à humildade, a viver esta grande virtude. Humildade que nos torna conscientes a cada dia de que não somos nós a construir o Reino de Deus, mas é sempre a graça do Senhor que age em nós; humildade que nos impele a colocarmos todo o nosso ser não a serviço próprio ou das nossas ideias, mas a serviço de Cristo e da Igreja, como vasos de argila, frágeis, inadequados, insuficientes, mas nos quais há um tesouro imenso que levamos e que comunicamos (2 Cor 4, 7). A mim sempre agradou pensar no pôr-do-sol do jesuíta, quando um jesuíta termina a sua vida, quando ele se vai. E a mim vêm sempre dois ícones deste pôr-do-sol do jesuíta: um clássico, aquele de São Francisco Xavier, olhando a China. A arte o pintou tantas vezes este pôr-do-sol, este final de Xavier. Também a literatura, naquele belo pedaço de Pemán. No final, sem nada, mas diante do Senhor; isto a mim faz bem, pensar nisto. Outro pôr-do-sol, outro ícone que me vem como exemplo é aquele de Padre Arrupe no último diálogo no campo dos refugiados, quando nos tinha dito – uma coisa que ele mesmo dizia – “isto o digo como se fosse o meu canto de cisne: rezem”. A oração, a união com Jesus. E depois de ter dito isto, pegou o avião, chegou a Roma com l’ictus, que deu início àquele pôr-do-sol tão longo e tão exemplar. Dois pôr-do-sol, dois ícones que a todos nos fará bem olhar, e tornar a estes dois. E pedir a graça de que o nosso pôr-do-sol seja como o deles.

Queridos irmãos, dirijamo-nos à Nossa Senhora, Ela que levou Cristo em seu ventre e acompanhou os primeiros passos da Igreja, nos ajude a colocar sempre no centro da nossa vida e do nosso ministério Cristo e a sua Igreja; Ela que foi a primeira e mais perfeita discípula de seu Filho, nos ajude a deixar-nos conquistar por Cristo para segui-Lo e servi-Lo em cada situação; Ela que respondeu com a mais profunda humildade ao anúncio do Anjo: “Eis aqui a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra” (Lc 1, 38), nos faça provar a vergonha pela nossa insuficiência diante do tesouro que nos foi confiado, para viver a humildade diante de Deus. Acompanhe o nosso caminho a paterna intercessão de Santo Inácio e de todos os Santos Jesuítas, que continuam a ensinar-nos a fazer tudo com humildade, ad maiorem Dei gloriam.

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