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Aceitar Jesus não é mudar de Igreja, mas mudar de vida

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Eu aceito Jesus quando experimento de seu amor e de sua misericórdia e digo SIM a Ele. Sim Senhor, eu quero Te amar acima de todas as coisas, Jesus! Quero, por meio dos meus irmãos, levar Seu amor a quem precisar.
Maria aceitou Jesus quando disse: “Eis aqui a serva do Senhor, faça se em mim segundo a tua palavra”.Mas antes de tudo, aceitar Jesus é dizer não ao mal e ao pecado e a tudo que é contra o plano e projeto de Deus para nós e para o mundo.É encarar o que o Evangelho nos diz e fazer de tudo para segui-lo através do magistério seguro da Igreja.
Por isso, não tenhamos medo de dizer: SOU CRISTÃO, SOU CATÓLICO E ACEITO E RENOVO MINHA EXPERIÊNCIA COM JESUS TODOS OS DIAS!
Aceito Jesus quando reconheço que minha vida é d’Ele, aceito Jesus em cada Santa Missa e todas as vezes que Ele vem até mim na Eucaristia. Eu te aceito Jesus!
Aceitar Jesus – O que é verdadeiramente?

1)- Eu já aceitei Jesus e já me batizei em outra denominação Cristã, preciso aceitar de novo e me re-batizar?
Não!!! Pois isto não tem respaldo nem na bíblia e nem na tradição dos primeiros Cristãos. A palavra de Deus diz em Efésios 4, 4-5: “Há um só corpo e um só Espírito, como também fostes chamados em uma só esperança da vossa vocação; Um só Senhor, uma só fé, um só batismo…” Aceitar Jesus é uma decisão que se toma uma vez só, é um compromisso que assumimos diante do Senhor e publicamente na Igreja, desde que seja verdadeiro não há necessidade de aceitar novamente. Com relação ao batismo deste que tenha sido na forma ordenada por Cristo em nome da Trindade (Mateus 28, 19), é válido. É evidente que todos os dias devemos estar renovando este nosso compromisso com Deus.

2)- Depois de aceitar a Jesus, eu preciso continuar indo na igreja?
Sim. Muitas pessoas vão à igreja, aceitam o Senhorio de Jesus e depois não voltam mais, isto está errado. Aceitar viver sob o Senhorio de Jesus é apenas o início da nossa caminhada com o Senhor, temos que cultivar e renovar constantemente este nosso compromisso. Veja o que diz em Mateus 24, 13: “Mas aquele que perseverar até ao fim será salvo”. Perceba que a salvação é condicional à nossa fidelidade a Deus em seu caminho até o fim, e sozinho é muito difícil perseverar.

3)- O que vai mudar na minha vida depois que eu aceitar Jesus?
O primeiro e principal acontecimento será a salvação, todos aqueles que arrependem-se de seus pecados, os confessa e aceitam Jesus como Senhor e Salvador verdadeiramente em seus corações e são batizados, são salvos, e já não pesa mais nenhuma condenação.Veja o que diz em Romanos 10, 9:
“Se com a tua boca confessares ao Senhor Jesus, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo”.
Mas isto não significa que você não tenha que mudar ainda a sua vida, pois inúmeras pessoas aceitam Jesus tendo suas vidas completamente tortas, porém isto será mudado gradativamente com a operação do Espírito Santo na vida desta nova pessoa e sua livre colaboração, pois assim está escrito:
Filipenses 2, 12-16: “Efetuai a vossa salvação com temor e tremor”.

4)- E se não for verdadeira a minha decisão de aceitar Jesus?
Muitas pessoas aceitam Jesus da boca para fora, isto é, não fazem isto com o coração. É importante observar aqui que mesmo que tenha sido de forma inexpressiva, Deus vai considerar a sua decisão, cabendo agora a você assumir ou não, o compromisso diante de Deus. Contudo a salvação só é operada naqueles que aceitarem Jesus de forma verdadeira e só será mantida naqueles que permanecerem nos caminhos do Senhor.

5)- Depois de aceitar Jesus, posso perder a salvação?
Sim. Basta você abandonar o compromisso que fez com Jesus e afastar dos seus caminhos. O que nos revela a palavra de Deus sobre isto?
“Considera, pois, a bondade e a severidade de Deus: severidade para com aqueles que caíram, bondade para contigo, suposto que permaneça fiel a essa bondade; do contrário, também tu serás cortada” (Romanos 11, 22).
“Porque é impossível que os que já uma vez foram iluminados, e provaram o dom celestial, e se tornaram participantes do Espírito Santo, e provaram a boa palavra de Deus, e as virtudes do século futuro, e recaíram, sejam outra vez renovados para arrependimento; pois assim, quanto a eles, de novo crucificam o Filho de Deus, e o expõem ao vitupério. Porque a terra que embebe a chuva, que muitas vezes cai sobre ela, e produz erva proveitosa para aqueles por quem é lavrada, recebe a bênção de Deus; Mas a que produz espinhos e abrolhos, é reprovada, e perto está da maldição; o seu fim é ser queimada” (Hb 6, 4-8).
“Aquele, pois, que estar em pé, cuide para que não caia” (1Cor 10, 12).
“Sede sóbrios; vigiai; porque o diabo, vosso adversário, anda em derredor, bramando como leão, buscando a quem possa tragar…” (1Pd 5, 8).
“Nem todo aquele que me diz: ‘Senhor, Senhor’, entrará no Reino dos céus, mas apenas aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus. Muitos me dirão naquele dia: ‘Senhor, Senhor, não profetizamos em teu nome? Em teu nome não expulsamos demônios e não realizamos muitos milagres? Então eu lhes direi claramente: Nunca os conheci. Afastem-se de mim vocês que praticam o mal (Mateus 7, 21-23).
O próprio Paulo é inseguro da sua própria salvação:
“Com a esperança de conseguir a ressurreição dentre os mortos não pretendo dizer que já alcancei (esta meta) e que cheguei à perfeição. Não. Mas eu me empenho em conquistá-la, uma vez que também eu fui conquistado por Jesus Cristo. Consciente de não tê-la ainda conquistado, só procuro isto: prescindindo do passado e atirando-me ao que resta para frente. Persigo o alvo, rumo ao prêmio celeste, ao qual Deus nos chama, em Jesus Cristo” (Filipenses 3, 11-14).
“Antes subjugo o meu corpo, e o reduzo à servidão, para que, pregando aos outros, eu mesmo não venha de alguma maneira a ficar reprovado” (1Cor 9, 27).

6)- Preciso mudar de denominação Cristã para aceitar Jesus e ser salvo?
Aceitar Jesus é algo que tem que acontecer no coração, é uma experiência marcante, profunda entre você e o Senhor Jesus. Envolve arrependimento, quebrantamento de coração e entrega pessoal e total a Deus no filho por meio da graça do Espírito Santo. Se a sua denominação Cristão está comprometida com a palavra de Deus, prega que seus membros devam buscar a viver em santidade, que precisam obedecer a palavra de Deus, e ao sagrado magistério como nos ordena as escrituras, neste caso específico, não precisa sair, mas cada caso é um caso. Nosso Senhor disse aos apóstolos:
“Quem vos ouve, a mim ouve, e o que vos despreza a Mim despreza” (Lc 10, 16).
E disse a Pedro:
“Apascenta as minhas ovelhas” (Jo 21, 15-18).
E declarou que a Pedro daria as chaves do Reino dos Céus (Mateus 16, 18). Portanto isto é grave e muito relevante a salvação. Não queira cair no pecado do orgulho de satanás. Quem não aceita Pedro, e quem não ouve os apóstolos despreza o próprio Cristo, coisa que o ladrão arrependido não fez. O bom ladrão confessou que Cristo era o Senhor, dizendo:
“Senhor, lembra-te de mim, quando entrares em teu Reino” (Lc 23, 42).
Ele se salvou confessando a Deus, e foi batizado por seu sangue. Porque há também um batismo de sangue. E no juízo final Cristo julgará os homens pela Fé e pela observância da lei de Deus, da qual “nem um só jota será tirado” (Mt 5, 18).E no juízo ele dirá “não vos conheço” para aqueles que não alimentaram a lâmpada da fé com as boas obras. Por isso lhes dirá “Tive fome, e não me destes de comer” (Mt 25, 34-46).
Hereges e filhos do diabo são, pois os que deformam a doutrina e a lei de Deus, ora negando o que Cristo ensinou, ora se atribuindo uma fé que recusa as boas obras. De modo que só se salvam as ovelhas de Cristo, e quem recusa ouvir a Pedro, despreza Cristo, e será punido por ele como filho do demônio.
“Fora da Igreja não há salvação”
O que esta frase quer dizer? Esta sentença é dos grandes Padres da Igreja, como Santo Agostinho (430), São Justino (165), Santo Irineu (200), etc., e mostra que a Igreja é fundamental para a nossa salvação.
Como entender esta afirmação?
De maneira positiva, ela significa que toda salvação vem de Cristo-Cabeça através da Igreja que é o seu Corpo, explica o Catecismo da Igreja:
“Apoiado na Sagrada Escritura e na Tradição, [o Concílio Vaticano II] ensina que esta Igreja peregrina é necessária para a salvação”.
Jesus Cristo é o único mediador e caminho da salvação, mas Ele se torna presente para nós no seu Corpo, que é a Igreja. Ele, mostrando a necessidade da fé e do batismo para a nossa salvação [Mc 16, 16 – “Quem crer e for batizado será salvo…”], ao mesmo tempo confirmou a necessidade da Igreja, na qual os homens entram pelo batismo, como que por uma porta. Diz o Catecismo que:
“Por isso não podem salvar-se aqueles que, sabendo que a Igreja Católica foi fundada por Deus através de Jesus Cristo como instituição necessária, apesar disso não quiserem nela entrar, ou então perseverar (LG 14)” (Cat. § 846).
Quando a Igreja nos toca pelos Sacramentos, é o próprio Cristo que nos toca. Jesus disse aos Apóstolos (hoje os bispos):
“Quem vos ouve a mim ouve, quem vos rejeita a mim rejeita; e quem me rejeita, rejeita aquele que me enviou’ (Lc 10, 16).
Desprezar a Igreja e seu magistério sagrado, é desprezar a Cristo. São Paulo na Carta a S. Timóteo diz que: “Deus quer que todos se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade” (1Tm 2, 4), e afirma em seguida que:
“A Igreja é a coluna e o fundamento da verdade” (1Tm 3, 15).
A Igreja é apostólica: está construída sobre “Os doze Apóstolos do Cordeiro” (Ap 21, 14); ela é indestrutível (Mt 16, 18); é infalivelmente mantida na verdade (Jo 14, 25; 16, 13; § 869).
Para manter a Igreja isenta de erros de doutrina “Cristo quis conferir à sua Igreja uma participação na sua própria infalibilidade, ele que é a Verdade” (LG 12; DV 10).
Mas o Catecismo Católico explica que:
“Aqueles, portanto, que sem culpa ignoram o Evangelho de Cristo e sua Igreja, mas buscam a Deus com o coração sincero e tentam, sob o influxo da graça, cumprir por obras a sua vontade conhecida através do ditame da consciência, podem conseguir a salvação eterna” (§ 848).
Ora o ladrão na Cruz não era Cristão e foi salvo por Cristo, sem proclamar solenemente Cristo como seu único senhor e salvador. Um índio e os povos de uma cultura não Cristã se salvariam, diz a doutrina Católica, se obedecessem toda a lei natural, lei que Deus colocou no coração de cada homem.
Diz São Paulo que aqueles que não podem conhecer a verdade católica por uma situação de ignorância invencível, isto é, que não tinham meio algum de conhecer a Revelação, ELES SERIAM JULGADOS PELA LEI NATURAL, pois obedecendo essa lei natural que todos conhecem, eles se salvariam (Romanos 2, 12-16). Tais pessoas, como o índio, não pertencem ao corpo da Igreja, mas pertencem à alma da Igreja.

7)- Para aceitar Jesus é necessário que eu esteja na igreja ou posso aceitar e ficar na minha própria casa? Cristo Sim, Igreja não?
O grupo que se autodenomina como os “Sem Igreja” (Cristo sim igreja não) se dizem salvos também. E você o que acha? Eles estão salvos ou a Caminho da Condenação?. Se os “sem igreja” estão salvos, tal como aqueles que frequentam denominações, podemos dizer que igrejas protestantes não servem para nada já que não são essenciais para a salvação? Sim ou não?. Qual dos grupos está salvo? Os “Sem Igreja” ou os “Com milhares de Igrejas”?. Se ambos estão salvos, para que então frequentar Igrejas? e ainda tentar fazer proselitismo? Tentando ganhar adeptos para uma denominação?
O QUE NOS DIZ A PALAVRA DE DEUS SOBRE ISTO?
“Não deixando a nossa congregação, como é costume de alguns, antes admoestando-nos uns aos outros; e tanto mais, quanto vedes que se vai aproximando aquele dia” (Hb 10, 25).
Ajuntai-vos, e vinde, todos os gentios em redor, e congregai-vos. Ó Senhor, faze descer ali os teus fortes (Joel 3, 11).
Alegrei-me quando me disseram: Vamos à casa do Senhor (Salmos 122, 1).
Lc 24, 53: E estavam sempre no templo, louvando e bendizendo a Deus.

8)- É possível aceitar Jesus pelo rádio, TV, ou internet?
Sim. Como visto nas perguntas acima, aceitar Jesus é algo a princípio particular entre você e o Senhor Jesus, portanto não importa o meio que alguém usou para dizer que você precisa aceitar Jesus. Se você sentiu tocado pelo Espírito Santo e deseja se entregar a Jesus poderá ser sim pela internet, rádio, TV, ou qualquer outro meio lícito. Depois é necessário tornar isto público, pois assim nos diz as escrituras:
“E digo-vos que todo aquele que me confessar diante dos homens, também o Filho do homem o confessará diante dos anjos de Deus, mas quem me negar diante dos homens, será negado diante dos anjos de Deus…” (Lucas 12, 8-9).

9)- QUAL A VERDADEIRA IGREJA “VISÍVEL” QUE CRISTO NOS DEIXOU? Qual igreja devo frequentar?
Apresento cinco Critérios bíblicos para você confirmar:
1. Que Possua Unidade: Consenso de doutrina e crença (Atos 2, 46; Efésios 4, 3.13).
2. Que seja Universal (CATÓLICA): Prega o evangelho no mundo todo e para todos (Hebreus 12, 23; Apocalipse 14, 6; Marcos 16, 15)
3. Que esta Igreja esteja de acordo com a doutrina dos apóstolos (Apostolicidade: Atos 2, 42) – Pergunta que não cala: Teologia da Prosperidade, campanhas, votos e desafios em dinheiro é bíblico? Blasfemar contra a mãe de Deus e aos Santos, faz parte do ensino dos apóstolos? Faça a você mesmo estas perguntas e compare com a atual denominação que você está e seja dócil e obediente a vós de Deus, mesmo que isto lhe custe perder amizades e suas seguranças humanas.
4. NÃO É POPULAR NEM DEMOCRÁTICA – VAI CONTRA O PENSAMENTO DO MUNDO: Contra o aborto, contra a homossexualidade e a depravação sexual, a favor da família constituída por um homem e uma mulher, que favoreça a moral e os bons costumes (Apocalipse 12, 17; Romanos 9, 27 e Lucas 12, 32).
5. Ensina a salvação pela fé em Jesus Cristo, mas acompanhada das BOAS OBRAS: Enquanto os protestantes estão preocupados em decorar trechos bíblicos e ATACAR OS CATÓLICOS, generalizar falhas e buscar controvérsias, etc, os Católicos procuram viver o Evangelho, portanto tire suas conclusões. Os protestantes como revela a palavra de Deus, são muito lentos e retardados no entendimento das coisas de Deus: “Teríamos muita coisa a dizer sobre isso, e coisas bem difíceis de explicar, dada a vossa lentidão em compreender. A julgar pelo tempo, já devíeis ser mestres! Contudo, ainda necessitais que vos ensinem os primeiros rudimentos da palavra de Deus” (Hebreus 5, 11-14).
A Religião perfeita é: “A religião pura e verdadeira é esta: Ajudar os órfãos e as viúvas nas suas aflições e não se manchar com as coisas más deste mundo” (Tiago 1, 26-27).

Onde está escrito na bíblia que Religião não salva ninguém?
Os protestantes não sabem nem ao menos o que dizem, apenas repetem como PAPAGAIOS o que seus FALSOS PASTORES lhe impõem. Ora dizer que a verdadeira religião não salva é negar a própria RELIGIÃO CRISTÃ, pois Cristo disse em João 14, 5: Eu Sou o caminho a verdade e a vida, e NINGUEM VEM AO PAI SENÃO POR MIM… Com esta promessa Cristo estabeleceu a única e verdadeira Religião (Religare) e a confiou a Pedro em Mateus 16, 18. E como poderão salvar-se os que não conhecem Jesus ou consideram verdadeira a sua própria religião? Obviamente neste caso a fé será substituída pelas obras de misericórdia, necessárias também entre os cristãos porque a fé sem obras está morta (Tg 2, 17) e Paulo afirma que a fé só tem valor mediante o amor (Gl 5, 6). Por fim a promessa de Cristo é dirigida aqueles que combinaram a fé com as boas obras: “VINDE BENDITOS DO MEU PAI, tive fome e me deste de beber, nu e me vestistes, preso e fostes me visitar, estrangeiro e me acolhestes… (Mt 25, 31-46). Não agir assim é uma fé vazia, esta que o próprio Cristo combate:
“Este povo me louva com a boca, mas o seu coração está longe de mim…” (Mt 15, 8).
Por fim, a própria passagem que os protestantes adoram citar (incompleta claro), fala da necessidade das boas obras para confirmar a verdadeira fé professada:
“Mas Deus, que é riquíssimo em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos amou, Estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos), E nos ressuscitou juntamente com ele e nos fez assentar nos lugares celestiais, em Cristo Jesus; Para mostrar nos séculos vindouros as abundantes riquezas da sua graça pela sua benignidade para conosco em Cristo Jesus. Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie; Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas” (Efésios 2, 4-10).
Analise na verdade e na sinceridade, e veja em qual Igreja você encontrará estes 5 pontos em um só lugar?Não fiquem espantados com a saída de falsos católicos e a diminuição dos fieis e verdadeiros católicos, pois é preciso que se cumpra as escrituras:
Quando Jesus vier buscar a sua igreja ele não irá levar a maioria, pois será salvo apenas um resto como está profetizado em Romanos 9, 27.
1Jo 2, 19 – “Eles Saíram do nosso meio, mas não eram dos nossos; pois, se tivessem sido dos nossos, teriam permanecido conosco. Mas, [saíram] para que se mostrasse que nem todos são dos nossos, nem do número dos eleitos.
“Ninguém pode servir a dois senhores, porque ou odiará a um e amará a outro, ou se prenderá a um e desprezará o outro. Não podeis servir simultaneamente a Deus e a Mamon…” PERGUNTA QUE NÃO QUER CALAR: Por que os protestantes e suas lideranças pulam essa parte do Evangelho? – Nunca os vi comentarem sobre esse trecho do Evangelho – Devem sentir-se constrangidos em ter de enfrentar a esta verdade dita pelo Cristo, contradizendo suas pregações de bençolatria, dizimolatria, sucessolatria e seus altos padrões de vida a custo dos ignorantes.
Procure uma paróquia próxima de você, ou algum grupo de oração que siga os cinco critérios acima, e diga ao padre, ou coordenador do grupo que você experimentou da misericórdia de Deus, por meio de seu filho Jesus, ouvindo um programa de rádio, TV ou através da internet, e diga que deseja segui-lo e servi-lo. Procure estar presente nas reuniões de louvor, e serviço. Procure fazer os cursos oferecidos pela paróquia ou grupo de oração, pois são importantes para enriquecer o seu conhecimento de Cristo e de sua vontade, e responder as dúvidas que são muito comuns nesta fase da caminhada cristã.

ALGUNS ESCLARECIMENTOS NECESSÁRIOS:
As igrejas que conhecemos hoje, com nome, CNPJ e até marca registrada, são instituições fundadas e geridas por homens, elas possuem um papel importante no ponto de vista da organização, e apoio aos crentes na expansão da fé cristã através de trabalhos missionários, pois sem as igrejas e seus missionários, os primeiros Cristãos não teriam sido alcançados pelo evangelho, e consequentemente nós também não, portanto devemos nossa gratidão sim, a todos os Santos missionários do passado e do presente.
Sendo a Igreja uma instituição inspirada por Deus, mas gerida pelo homem, é natural que nela haja falhas, afinal o homem é falho, nos ensina as Sagradas Escrituras:
“não há homem justo sobre a terra, que faça o bem e nunca peque” (Eclesiastes 7, 20).
Todas as denominações, sem exceções, têm suas virtudes e também suas falhas, somente “o caminho de Deus é perfeito”, em somente o magistério Petrino, auxiliado pelo Espírito Santo é infalível e somente “a palavra do Senhor é pura” e somente Deus “é um escudo para todos os que nele se refugiam” (Salmo 18, 30).
A igreja que disser não ter defeitos, que seus ministros não pecam, que as palavras ditas nos seus púlpitos são puras, está tentando roubar o papel principal da fé cristã, que é o de Jesus, único perfeito, que é também o autor da salvação (Hebreus 5, 9). Nem sempre as falhas que originam os defeitos nas igrejas são originados com más intenções, nem sempre são premeditadas, o problema é a falibilidade e limitação humana mesmo. Geralmente os dirigentes em sua maioria, estão imbuídos de bons sentimentos e boas intenções. Lógico que há pessoas que por vaidade, politicagem, ganância e poder acham que os fins justificam os meios, há “servos” que agem por interesses próprios, não servindo a Deus, mas a si próprio; estes, porém já receberam seu galardão.

10)- Podemos continuar buscando a Deus em lugares que estão cheio de erros e que conhecemos muitos destes erros?
Como disse acima, não existe igreja e nem grupo perfeito, a busca por uma igreja perfeita seria infinita, porém, existem igrejas maduras e você pode se fixar em qualquer uma delas desde que se sinta acolhido por ela, mas não se iluda, até mesmo as igrejas maduras possuem defeitos, por isso, devemos agir como os crentes de Beréia que se aplicavam em conhecer as Sagradas Escrituras e agir conforme a orientação do apostolo Paulo, que disse:
“examinai tudo, retenha apenas o que é bom” (I Tessalonicenses 21).
Deus se permite ser encontrado por todos que o buscam (Jeremias 29, 13). Então, a princípio, não deixe de buscar a Deus e experimentar de seu amor e de sua misericórdia. Deixe que Espírito Santo seja o teu guia, reze e peça a Deus a direção com sinceridade de coração e Ele será fiel, pois diz a palavra:
“Porque qualquer que pede recebe; e quem busca acha; e a quem bate abrir-se-lhe-á. E qual o pai de entre vós que, se o filho lhe pedir pão, lhe dará uma pedra? Ou, também, se lhe pedir um peixe, lhe dará por peixe uma serpente? Ou, também, se lhe pedir um ovo, lhe dará um escorpião? Pois se vós, sendo maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais dará o Pai celestial o Espírito Santo àqueles que lho pedirem?…” (Lucas 11, 10-13).
Não precisamos necessariamente esperar estar numa igreja para conhecer a Bíblia (principalmente se próximo a você não tem uma ou um grupo de pessoas que se reúnem para partilhá-la comunitariamente), nada impede que você abra sua Bíblia na sua casa, e estude a palavra pura que foi inspirada por Deus (2° Timóteo 3, 16-17) e é rica em verdade que liberta (João 8, 32) o homem do jugo pesado imposto pelos homens que lideram uma igreja ou grupo com fardos pesados que nem eles estão dispostos a carregar, com dízimos interesseiros e exploradores, deturpando a palavra de Deus para seus interesses mesquinhos.
Muitas vezes nós erramos, e somos coniventes com os erros da igreja exatamente por não conhecer as Escrituras (Mateus 22, 29).

11) – Será que Deus está presente “também” na denominação onde Congrego? Caso contrário, o que devemos fazer?
Deus se faz presente onde dois ou três em seu nome se reunirem (Mateus 18, 20). Dei ênfase no “também” porque alguns tomam o próprio lugar de Deus e do Espírito que sopra onde Ele quer, e não onde nós determinamos, pois assim está escrito:
“O Ruah sopra onde quer; ouves-lhe o ruído, mas não sabes de onde vem, nem para onde vai…” (João 3, 8).
Podemos concluir então, que Deus está presente onde dois ou mais se reunirem em seu nome (cf. Mateus 18, 20) mas, já não podemos afirmar com a mesma certeza que todos os líderes destas reuniões estejam com Deus, pois assim está escrito:
“Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não pregamos nós em teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitas maravilhas? E então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade…” (Mateus 7, 22-23). Não se espante, pois homem é falho, é corruptível e muitas vezes fazem associações obscuras e incompatíveis com a fé que professa.

O que fazer?
Conte sempre com Deus e com sua Palavra, que é “lâmpada para seus pés e luz para seus caminhos” (Salmos 119, 105) e também trás consolo e esperança (Romanos 15, 4). Mas principalmente sigamos o conselho de Cristo:
“Dirigindo-se, então, Jesus à multidão e aos seus discípulos, disse: Os escribas e os fariseus (Sacerdotes, e bispos) sentaram-se na cadeira de Moisés (No caso Católico na cadeira de Pedro). Observai e fazei tudo o que eles dizem, mas não façais como eles, pois dizem e não fazem. Atam fardos pesados e esmagadores e com eles sobrecarregam os ombros dos homens, mas não querem movê-los sequer com o dedo. Fazem todas as suas ações para serem vistos pelos homens…” (Mateus 23, 1-5).
Independente de qual igreja você esteja, sempre reze a Deus pelos teus ministros, sacerdotes, bispos, e lideranças Cristãs, e pelos seus ministérios nas igrejas de Deus em geral na face da Terra, para que a vontade Dele seja sempre manifesta e que as ervas daninhas sejam extirpadas do seio da igreja, e assim possamos melhor servir ao Senhor em verdade e em santidade e com sincero coração. Servimos a Deus, não ao homem. Devemos sim honrar e respeitar nossos ministros, mas aquilo que é ensinado por eles se não tem fundamento bíblico, magisterial ou tradicional, deve ser rejeitado e combatido (Gálatas 1, 8).
Hoje em dia, muitos buscam as igrejas motivados por necessidades materiais ou sentimentais, e podem buscar, mas naquela frase, o Mestre atingiu a essência da necessidade humana: o novo nascimento. Sem esta experiência, todas as bênçãos serão inúteis ou de pouco valor. É como se Jesus dissesse a cada pessoa: “Sua vida não tem conserto. Você precisa nascer de novo”. O evangelho não oferece uma simples reforma na vida do homem, mas sim uma nova vida.
O novo nascimento não é reencarnação, mas um nascimento espiritual que acontece quando o indivíduo crê em Jesus Cristo como seu Salvador e o recebe sinceramente no coração pela fé. Podemos ilustrar este conceito bíblico por meio de dois animais: a lagarta e a borboleta. A lagarta é feia, repugnante, tem visão limitada, anda arrastando, é um bicho devorador de plantações e, algumas vezes, nocivo ao ser humano. Como consequência, é temida, desprezada, rejeitada e pisada pelas pessoas. A borboleta, embora não seja uma espécie diferente da lagarta, passou por uma transformação. Agora, ela é bonita, agradável, tem visão mais ampla e consegue voar. A borboleta é admirada, elogiada e sempre bem-vinda em nossos lares.
Podemos comparar a lagarta ao homem sem Cristo, e a borboleta ao homem convertido. Paulo usaria as expressões “velho homem” e “novo homem”. O contraste entre a lagarta e a borboleta é muito grande e essa transformação acontece durante um período intermediário em que o animal toma a forma de crisálida. Ao final do processo, ocorre o que podemos chamar de “novo nascimento”, ou METANOIA (Conversão). Agora, tudo será diferente. Algo semelhante é experimentado por aqueles que recebem a Jesus como Senhor de suas vidas. A conversão, de acordo com a bíblia, não é mudança de religião, mas uma profunda transformação na vida, de dentro para fora. É uma mudança de caráter que afeta também as ações. Isto nos faz lembrar a mudança experimentada por Jacó, que se tornou Israel, e por Saulo de Tarso, que veio a ser o grande apóstolo Paulo. Embora a fase da crisálida seja para o bem, parece morte e sepultamento. A situação do animal parece ter piorado. Antes se arrastava, agora não se move. Antes, tinha companhia, agora há solidão. Antes, devorava tudo, agora tem uma nova fome de Deus. Assim também acontece com as transformações espirituais. Elas podem não ser imediatas, mas sim o fruto de um processo demorado que, a princípio, parece piorar a condição do indivíduo. Jacó saiu mancando do seu encontro com Deus, mas, enquanto doía por fora, o Senhor operava por dentro.
Saulo, quando se encontrou com Jesus, caiu por terra e ficou cego. As coisas pareciam piorar. Ele perdeu suas prerrogativas entre os judeus e não foi recebido logo pelos cristãos. Começou então um período de reclusão, isolamento. Deve ter sido um tempo muito difícil, mas útil para sua preparação espiritual antes de iniciar seu magnífico ministério. Quando termina o tempo da crisálida, uma nova vida começa. A borboleta mudou de nome e de aparência, mas não foi apenas isso. Seu comportamento é outro. Ela passa a frequentar outros ambientes e tem novas companhias. Sua visão agora é superior e até o seu alimento mudou.
Precisamos nos conscientizar do que Deus espera de nós, mesmo sabendo que não o surpreendemos com nossas quedas e fraquezas:
Ele espera por tudo aquilo que Ele mesmo gratuitamente nos deu, aguarda um modo de vida coerente com o novo nascimento. Talvez pensássemos que tudo isso fosse automático, mas não é. Afinal de contas, temos uma nova natureza, mas não perdemos a antiga. Temos duas naturezas que lutam dentro de nós. A borboleta tem condições de voar, mas não perdeu a capacidade de caminhar. Portanto, ela pode escolher abdicar-se de sua nova habilidade, voltando aos antigos ambientes e à velha vida. Quantos cristãos transformados em águias, vivem como se fossem galinhas. São como filhos pródigos entre os porcos. Antes, você era incapaz de vencer o pecado. Agora, pode vencê-lo, mas precisa escolher e re escolher isto todos os dias. Vem a primeira conversão e a fase do testemunho. Depois vem a segunda conversão e a fase do CONTRA TESTEMUNHO, mas quando re escolhemos Deus, o contra testemunho se torna um grande testemunho. Nesta linha de pensamento enquadram-se diversas admoestações de Paulo para as igrejas ao orientar os irmãos no sentido de viverem de acordo com sua nova condição espiritual:
“Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos como um sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. E não vos conformeis a este mundo, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus” (Rm 12, 1-3).
“Quanto ao procedimento anterior, vos despojeis do velho homem, que se corrompe pelas concupiscências do engano; e vos renoveis no espírito da vossa mente; e revesti-vos do novo homem, que segundo Deus foi criado em verdadeira justiça e santidade. Pelo que deixai a mentira, e falai a verdade cada um com o seu próximo, pois somos membros uns dos outros. Irai-vos, e não pequeis; não se ponha o sol sobre a vossa ira; nem deis lugar ao Diabo. Aquele que furtava, não furte mais; antes trabalhe, fazendo com as mãos o que é bom, para que tenha o que repartir com o que tem necessidade. Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, mas só a que seja boa para a necessária edificação, a fim de que ministre graça aos que a ouvem. E não entristeçais o Espírito Santo de Deus, no qual fostes selados para o dia da redenção. Toda a amargura, e cólera, e ira, e gritaria, e blasfêmia sejam tiradas dentre vós, bem como toda a malícia. Antes sede bondosos uns para com os outros, compassivos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus vos perdoou em Cristo” (Ef 4, 22-32).
“Se, pois, fostes ressuscitados juntamente com Cristo, buscai as coisas que são de cima, onde Cristo está assentado à destra de Deus. Pensai nas coisas que são de cima, e não nas que são da terra; porque morrestes, e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus. Quando Cristo, que é a nossa vida, se manifestar, então também vós vos manifestareis com ele em glória. Exterminai, pois, as vossas inclinações carnais; a prostituição, a impureza, a paixão, a vil concupiscência, e a avareza, que é idolatria; pelas quais coisas vêm a ira de Deus sobre os filhos da desobediência; nas quais também em outro tempo andastes, quando vivíeis nelas; mas agora despojai-vos também de tudo isto: da ira, da cólera, da malícia, da maledicência, das palavras torpes da vossa boca; não mintais uns aos outros, pois que já vos despistes do homem velho com os seus feitos, e vos vestistes do novo, que se renova para o pleno conhecimento, segundo a imagem daquele que o criou” (Cl 3, 1-10).
Sempre encontramos pessoas em condição degradante, rejeitadas pela sociedade. Algumas vezes, isto ocorre por causa de crimes que cometeram, ou por um conjunto de outras situações. A nossa tendência é rejeitar e pisar nessas vidas marginalizadas, mas Deus vê potencial nelas. Se receberem o Senhor Jesus em seus corações, experimentarão verdadeira metanoia (Conversão/Mudança).
Assim, aqueles que se convertem pela fé no evangelho são transformados, não com o propósito de serem ricos ou famosos, mas para serem cada vez mais parecidos com o Senhor Jesus Cristo, em comunhão com ele e em obediência aos seus mandamentos. Sabendo que Deus nunca serve o melhor vinho no começo, mas no fim, portanto, paciência com você mesmo(a),e perseveremos até o fim.
“Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!”

Tempo Comum: Ritmo «tranqüilo» do Ano Litúrgico

Fala o Pe. Juan Javier Flores, reitor do Pontifício Instituto Litúrgico (PIL)
ROMA, segunda-feira, 29 de janeiro de 2007

Estamos recomeçando o tempo comum, liturgicamente falando.

É um tempo «menor»? Não se trata de um tempo fraco com relação aos demais tempos fortes, já que conta com os domingos que são a celebração semanal da Páscoa, que está na origem própria do ano litúrgico. Em si este tempo não tem nada que o torne inferior aos demais. O tempo comum não tem como objeto a celebração particular de um mistério preciso da vida de Cristo, mas a totalidade do mistério visto mais em seu conjunto que em algum mistério particular. São 33 ou 34 semanas que se situam depois da festa do Batismo do Senhor e continuam até a solenidade de Pentecostes. Não são semanas completas, pois a algumas falta o domingo ou alguns dias, como nos dias que seguem a Quarta-Feira de Cinzas.

Há formulários específicos para os dias feriais – não festivos – do tempo comum? Na liturgia atual deste tempo não se previram formulários específicos para os dias feriais, porém — aqui está a grande novidade — se preparou um duplo lecionário que enriquece notavelmente a celebração diária. As grandes pautas da espiritualidade do tempo comum estão marcadas pelo duplo lecionário ferial: o lecionário da Eucaristia e o lecionário bíblico bienal do ofício de leituras, ao que se acrescenta outro lecionário bíblico patrístico. Os dias do tempo comum têm uma distribuição própria de leituras em um ciclo de dois anos, mas o Evangelho é sempre o mesmo, pelo que é a primeira leitura a que oferece um ciclo diferente para cada ano. Os evangelhos diários estão divididos dessa forma: O evangelho de Marcos, desde a semana I à IX. O evangelho de Mateus, desde a semana X à XXI. O evangelho de Lucas, desde a semana XXII à XXXIV. O evangelho de João, no entanto, é lido durante todo o tempo pascal, a partir da quinta semana da Quaresma. Constitui um conjunto de cinco domingos, desde o 17º até o 21º no ciclo B do tempo comum. Trata-se de uma ocasião privilegiada para uma catequese sobre a Eucaristia, ambientada na adesão a Jesus na fé.

O tempo comum faz parte do ano litúrgico. Como podemos definir o ano litúrgico? O ano litúrgico pode ser descrito como o conjunto das celebrações com as quais a Igreja vive anualmente o mistério de Cristo. Assim expressa o Concílio Vaticano II em sua constituição de liturgia, n. 102: «a Santa Mãe Igreja considera dever seu celebrar com uma sagrada recordação, em dias determinados através do ano, a obra salvífica de seu divino Esposo», de modo que ao longo de um ano possamos percorrer os momentos cumes da história da salvação, introduzindo-nos nele. O ano litúrgico é, portanto, o ano do Senhor, do Kyrios glorioso, do Cristo ressuscitado presente no meio de sua Igreja com a longa história que o precede e o acompanha. Revivemos a aliança, a eleição do povo santo e a plenitude dos tempos messiânicos. Ao longo do ciclo anual, vamos repassando todo o mistério de Jesus Cristo, desde a encarnação até a espera de sua segunda vinda no final dos tempos, culminando este percurso na celebração mais importante do ano, isto é, na memória de seu Mistério Pascal. O ano litúrgico, em seus diversos momentos, não celebra outra coisa senão a plenitude desse mistério tem seu centro na Páscoa anual, tudo brota dela e tudo tende a ela.

A Páscoa é sempre o ponto culminante? Os documentos que acompanharam a reforma litúrgica insistem de modo muito especial nesta centralidade pascoal; daí se desprende a necessidade de destacar plenamente o mistério pascoal de Cristo na reforma do ano litúrgico, segundo as normas dadas pelo Concílio, tanto no que referente à ordenação do Próprio do tempo e dos santos, como à revisão do Calendário romano. A contínua celebração pascoal se constituiria, por isso, em ponto de partida de toda reforma do ano litúrgico. A constituição conciliar sobre a liturgia e os documentos posteriores é clara e rotunda, não existe mais que um ciclo, que é o pascoal, ainda que junto a ele se situem outros ciclos colaterais. A Páscoa de Cristo se encontra no centro da ação litúrgica; daí que toda espiritualidade cristã deva ser uma espiritualidade polarizada pelo fato divino da salvação, pelo mistério pascal vivido por Cristo e celebrado memorialmente pela Igreja.

Há espiritualidades específicas para cada tempo litúrgico? Sim. Os grandes tempos do ano litúrgico podemos dividi-los segundo a tonalidade do próprio tempo litúrgico, sempre partindo da unicidade da celebração da Páscoa, buscando a totalidade na simplicidade do mistério, ou seja, «o todo no fragmento»: Advento: uma espiritualidade escatológica; Natal: uma espiritualidade esponsal; Epifania: uma espiritualidade real; Quaresma: uma espiritualidade de conversão e penitência; Tríduo Pascal: imitar sacramentalmente o mistério pascoal de Cristo; Páscoa: uma espiritualidade pentecostal; e o tempo Comum: o ritmo tranqüilo do ano litúrgico.

Divorciados Recasados e a Eucaristia

Quando um cristão casou validamente e depois de alguns anos de vida matrimonial se separou, o que deverá fazer?
De acordo com a Sagrada Escritura e a Doutrina da Igreja, não lhe é permitido novo casamento.
Mas, se casou novamente, como fica a sua situação perante Deus e a Igreja?
O divorciado recasado não deixa de ser católico. Se ele deseja amar sinceramente a Deus, Deus não o deixará abandonado.
Mas, se Deus não o abandona, o divorciado que casou novamente pode receber a comunhão?
Não. Não pode, porque a comunhão significa a plena comunhão do cristão com Cristo. No entanto, ao mesmo tempo em que comunga, o divorciado recasado desmente esta plena comunhão com a sua própria vida. Seria falta de coerência e a Igreja quer ajudá-lo a ser coerente.
Então, tudo está perdido?
Não. Não está. Os divorciados que casaram novamente continuam sendo católicos e pelo fato de serem batizados não ficam isentos de cumprir a sua missão. Eles têm outros meios para ajudá-los na sua caminhada para Deus. São: a palavra de Deus, a oração, o sacrifício e a caridade. Se são pais, têm a obrigação de dar aos filhos uma digna educação física, social, cultural, moral e religiosa.
No dia 25 de janeiro de 1997, o Papa João Paulo II dizia: “Os divorciados que voltam a casar são e continuam sendo membros da Igreja; ela os ama, está perto deles e sofre com a situação deles. Certamente, uma nova união, depois do divórcio, é uma desordem moral que contrasta com as exigências da fé, o que não exclui o empenho da oração, nem o testemunho ativo da caridade”.
Depois, afirmou: “Os divorciados que casam novamente não podem ser admitidos à Comunhão Eucarística e isto em virtude da autoridade do próprio Senhor”.
E termina dizendo: “Se sabem perseverar na oração, na penitência e no verdadeiro amor, aqueles que se encontram numa situação não conforme à vontade de Deus, podem obter d’Ele a salvação”.
Quando alguém está separado e não casou novamente, poderá comungar normalmente, se vive na graça de Deus. Não poderá receber a Comunhão o divorciado que casou novamente pelo civil ou, simplesmente, se uniu a outro cônjuge para viver maritalmente com ele. Seguidamente, chegam pessoas dizendo: “Olha, eu sou divorciado e casei novamente. Agora me dou muito bem com o atual cônjuge. Consultei pessoas católicas, incluindo sacerdotes, e eles me disseram que posso comungar”. Diante do fato, “eu não julgo ninguém” (Jo 8, 15).
No entanto, “lembra-te de como recebeste e ouviste a doutrina” (Ap 3, 3), pois, “eu vos digo: no dia do juízo os homens prestarão contas de toda palavra vã que tiverem proferido” (Mt 12, 26). Também dos conselhos que não foram dados de acordo com os ensinamentos da Igreja e da Sagrada Escritura. Recordamos que, se pessoas, incluindo sacerdotes, aconselharam divorciados recasados a comungar, o fizeram em nome próprio, porque esta não é a Doutrina da Igreja.
Será que eles não se tornarão corresponsáveis perante Deus, com os que comungam neste estado?
A Doutrina da Igreja e da Sagrada Escritura está expressa nas palavras do Papa, quando diz: “Os divorciados que casam novamente não podem ser admitidos à Comunhão Eucarística e isto em virtude da autoridade do próprio Senhor”.
O caminho para os divorciados recasados poderem comungar é o de viverem como irmãos. Sem ter relações conjugais.
É difícil?
É. Mas existem muitos casais que, por amor de Nosso Senhor, o fazem. E vivem muito felizes. Não disse Jesus: “Quem não carrega a sua cruz e não vem após mim, não pode ser meu discípulo?” (Lc 14, 27).
Os divorciados recasados, ainda que não possam comungar, são amados por Deus e podem e devem participar da missa, rezar, praticar a caridade e assim “podem obter a salvação”.
Manoel Luís Osório – http://srv-net.diariopopular.com.br/17_08_01/artigo.html

 

POR QUE NÃO PODEM CONFESSAR E COMUNGAR?
Padre Luciano Scampini, Sacerdote da Paróquia Nossa Senhora Aparecida, da Arquidiocese de Campo Grande (MS)

A Sagrada Escritura começa pela criação do homem e da mulher, à imagem e semelhança de Deus (Gn 1, 26-27) e acaba pela visão das “núpcias do Cordeiro” (Ap 1, 7.9). O próprio Deus é o autor do matrimônio. O matrimônio foi elevado por Cristo à dignidade de sacramento: “os dois serão uma só carne (Ef 5, 31); “…casar-se… mas apenas no Senhor” (1Cor 7, 39). A Escritura diz que o matrimonio é a nova aliança de Cristo e da Igreja. O maior problema, o drama e a cruz que tocam diretamente os divorciados recasados é não poder ter acesso ao sacramento da Reconciliação – que prepararia e “abriria o caminho ao sacramento eucarístico” (Familiaris Consortio, FC 84) – e ao sacramento da Eucaristia, se viverem sexual e conjugalmente o seu segundo relacionamento não sacramental. A este ponto apresenta-se a pergunta espontânea: por que não podem receber estes dois sacramentos? O que os impede de receber os sacramentos da Reconciliação e da Eucaristia? Segundo a FC são dois os argumentos ou motivos: o Doutrinário-teológico e o Pastoral.

1º ARGUMENTO
DOUTRINÁRIO-TEOLÓGICO

A Eucaristia comunica, realiza, faz, atua, alimenta, sustenta, santifica a nova, eterna, indissolúvel união e fiel aliança de Cristo com a Igreja (os fiéis). As palavras de Jesus: “Este cálice é a nova aliança em meu sangue que é derramado por vós…” (Lc 22, 20). O Matrimônio-sacramento também comunica, realiza, faz, atua, alimenta, sustenta, santifica a indissolúvel união e a fiel aliança de Cristo com os esposos, elementos estes essenciais do matrimônio-sacramento. De fato, desta indissolúvel união e fiel aliança nasce a família, primeira célula da Igreja. “Maridos amai vossas mulheres como Cristo amou a Igreja e por ela se entregou… (fidelidade até a morte). É grande este mistério; digo-o em relação a Cristo e à Igreja” (Ef 5, 25.32). Pela Eucaristia os esposos participam desta união indissolúvel e fiel aliança de Cristo com a Igreja. Aqui está o problema: a segunda união rompeu, contradiz esta união indissolúvel e fiel aliança dos esposos em Cristo realizada pelo matrimônio-sacramento. Não pode haver em Cristo duas alianças. A segunda união é ruptura, contradição destes dois elementos essenciais do matrimônio-sacramento. A Pastoral Familiar se baseia sobre dois princípios: o princípio da compaixão e da misericórdia e o princípio da verdade e da coerência. Os Padres do Sínodo colocaram bem claro a coexistência e a influência mútua dos dois princípios. Sendo eles igualmente importantes e complementares, os mesmos andam juntos, de tal forma que um não pode ser mais acentuado do que o outro. Deste modo a Igreja professa a própria fidelidade a Cristo reconhecendo o princípio da verdade: o matrimônio sacramento é indissolúvel e o princípio da compaixão e da misericórdia infinita acolhedora “igualmente importante. Baseando-se nestes dois princípios complementares, a Igreja não pode mais do que convidar os seus filhos, que se encontram nestas situações dolorosas, a aproximarem-se da misericórdia divina por outras vias, mas não pela via dos sacramentos, especialmente da Penitência e da Eucaristia, até que não tenham podido alcançar as condições requeridas. A Igreja, mãe misericordiosa, comporta-se nestes casos com espírito materno para com estes filhos, esforçando-se infatigavelmente por oferecer-lhes os meios de salvação, ou seja, o caminho espiritual-pastoral. A Igreja lembra que há múltiplas presenças de Cristo… A Eucaristia é o grande encontro com Jesus, mas não é o único. A Palavra de Deus, o sacrifício da Missa, a Adoração ao Santíssimo, a oração, as obras de penitência e da caridade podem e são outrossim encontros com Jesus.

2º ARGUMENTO
PASTORAL
Existe outra dificuldade para a recepção dos Sacramentos da Reconciliação e da Eucaristia por parte dos divorciados recasados exposta pelo Papa: é a “razão pastoral”. “O respeito devido quer ao sacramento do matrimônio, quer aos próprios cônjuges e aos seus familiares, quer ainda à comunidade dos fiéis, proíbe os pastores, por qualquer motivo ou pretexto mesmo pastoral, de fazer, em favor dos divorciados que contraem nova união, cerimônia de qualquer gênero. Estas dariam a impressão de celebração de núpcias sacramentais válidas, e conseqüentemente induziriam em erro sobre a indissolubilidade do matrimônio contraído validamente”. Esta disposição da Igreja, porém, não impede que a mesma, como mãe carinhosa, tenha uma atitude pastoral materna. João Paulo II, de fato, na FC 84 ofereceu aos divorciados recasados a oportunidade de aproximar-se do Sacramento da Reconciliação – que abriria o caminho ao sacramento eucarístico – contanto que:
1. Sejam arrependidos de ter violado a indissolubilidade, que é o sinal da Aliança e da fidelidade a Cristo.
2. Sejam sinceramente dispostos a uma forma de vida não mais em contradição com a indissolubilidade do matrimônio.
3. Assumam a obrigação de viver em plena continência.
Não se deve esquecer, todavia, que a Igreja com firme confiança vê que, mesmo aqueles que se afastaram do mandamento do Senhor e vivem agora nesse estado, poderão obter de Deus a graça da conversão e da salvação, se perseverarem na oração, na penitência e na caridade.

O GRANDE VALOR DA COMUNHÃO ESPIRITUAL
A Comunhão Espiritual é um ato de desejo interior, consciencioso e sério, de receber a Sagrada Comunhão e, mais especificamente, de se unir ao Senhor. A Comunhão Espiritual pode ser feita por palavras ou por pensamentos interiores que levam a uma íntima união com Cristo, e Jesus não deixará de conceder as suas copiosas bênçãos. Nos dias de hoje se pode fazer com frequência a Comunhão Espiritual como desejo de maior união e intimidade com Deus, ao longo dos dias da nossa vida. A Comunhão Espiritual é e pode ser até o único meio de união e intimidade com Deus, por exemplo, para quem não guardou uma hora de jejum eucarístico, para quem vive numa situação de irregularidade perante a Igreja, ou até para quem pratica outra religião. A comunhão espiritual é o caminho para as pessoas que não podem recebê-lo sacramentalmente na missa, “mas podem recebê-lo espiritualmente” na Hora Santa ou quando entrar numa igreja ou quando estiver em casa ou no trabalho ou nas situações de dificuldade por que se passa na vida: “Senhor, que de Vós jamais me aparte” (Jo 6, 35), pois, “Quem come deste pão viverá eternamente” (Jo 6, 58). É bom cultivar o desejo da plena união com Cristo, por exemplo, através da prática da comunhão espiritual, recordada por João Paulo II e recomendada por santos mestres de vida espiritual (SC, 55). Uma visita ao Santíssimo Sacramento é uma boa oportunidade para se fazer uma Comunhão Espiritual (cf. universo católico-comunhão freqüente-comunhão espiritual).
a) Nos Documentos da Igreja. Um dos melhores meios para os divorciados recasados participar ativamente da comunidade cristã, é, segundo o ensinamento da Igreja, a Comunhão espiritual. Que o magistério reconheça a relação entre a graça e a Comunhão Espiritual se deduz especialmente do convite que a mesma Igreja faz aos divorciados recasados de unir-se a Cristo pela comunhão espiritual. Mais ainda: “Os fiéis devem ser ajudados na compreensão mais profunda do valor da participação ao sacrifício de Cristo na missa, da comunhão espiritual, da oração, da meditação da palavra de Deus, das obras de caridade e de justiça” (cf. Congregação para a Doutrina da Fé, Carta aos Bispos, 1994, n. 6). “A prática da comunhão espiritual, tão querida à tradição católica poderia e deveria ser em maior medida promovida e explicada, para ajudar os fiéis a melhor se comunicarem sacramentalmente quer para servir de verdadeiro conforto a quantos não podem receber a comunhão do Corpo e do Sangue de Cristo quer por várias razões. Pensamos que esta prática ajudaria as pessoas sozinhas, em particular os deficientes, os idosos, os presos e os refugiados. Conhecemos – afirmam os Bispos do Sínodo – a tristeza de quantos não podem ter acesso à comunhão sacramental devido a uma situação familiar não conforme com o mandamento do Senhor (cf. Mt 19, 3-9). Alguns divorciados que voltaram a casar aceitam com sofrimento não poder receber a comunhão sacramental e oferecem-no a Deus. Outros não compreendem esta restrição e vivem uma frustração interior. Reafirmamos que, mesmo se na irregularidade da sua situação (cf. CIC 2384), não estão excluídos da vida da Igreja. Pedimos-lhe que participem na Santa Missa dominical e que se dediquem assiduamente à escuta da palavra de Deus para que ela possa alimentar a sua vida de fé, de caridade e de partilha” (MENSAGEM DA XI ASSEMBLEIA GERAL ORDINÁRIA DO SÍNODO DOS BISPOS AO POVO DE DEUS. Cidade do Vaticano, 21 de outubro de 2005). A Exortação Apostólica pós-sinodal “Sacramentum caritatis” de 22 de fevereiro de 2007 confirma: “Mesmo quando não for possível abeirar-se da comunhão sacramental, a participação na Santa Missa permanece necessário, válida, significativa e frutuosa; neste caso, é bom cultivar o desejo da plena união com Cristo, por exemplo, através da prática da comunhão espiritual, recordada por João Paulo II (170) e recomendada por santos mestres de vida espiritual” (171) SC, 55).
b) Na teologia. É importante, segundo o Pe. G. Muraro redescobrir a doutrina do desejo do sacramento – através da Comunhão espiritual- para continuar a presença de Jesus na vida dos divorciados. Ele apela ao antigo princípio segundo o qual o caminho sacramental não esgota todos os caminhos da graça. O lugar teológico de referência para entender este caminho alternativo se encontra em Santo Tomás, aonde ele trata da comunhão espiritual. Segundo a explicação de Santo Tomás, a realidade do sacramento pode ser obtida antes da recepção ritual do mesmo sacramento, somente pelo fato que se deseja recebê-lo (cf. S. Tomás de Aquino, Summa Theologicae, III, q. 80,a, 4). O valor da Comunhão espiritual como caminho extrasacramentário da graça, encontra apoio no fato que a Igreja “com firme confiança crê que, mesmo aqueles que se afastaram do mandamento do Senhor e vivem agora neste estado, poderão obter de Deus a graça da conversão e da salvação, se perseverarem na oração, na penitência e na caridade FC 84” (cf. G. Muraro, I divorziati risposati nella comunitá cristiana, Cinisello Balsamo, Paoline,1994 in Sc. Catt. art. cit. 564-565). Dom Edvaldo, enfatizando o valor e o bem espiritual da Comunhão Espiritual, encoraja os casais em segunda união aconselhando a fazer a Comunhão Espiritual na Santa Missa, devidamente dispostos e desejosos de receber o Corpo de Cristo por uma oração sincera. Se sua fé e amor for tão intenso e apaixonado, é possível talvez que eles obtenham maior proveito espiritual do que aqueles que, por rotina e sem piedade alguma, recebem a sagrada hóstia em nossas celebrações sem nenhuma convicção e adequada preparação espiritual.

A ESPIRITUALIDADE DOS CASAIS EM SEGUNDA UNIÃO
A Igreja não quer discriminar e punir os casais em segunda união, mas quer oferecer-lhes um caminho espiritual – pastoral adaptado à sua situação. Este caminho espiritual- pastoral é apontado claramente pela “Familiaris Consortio”. Este caminho pode ser chamado e é de fato um caminho espiritual – pastoral, muito rico de frutos espirituais de vida cristã, mesmo que o “status permanente” de segunda união e sem retorno, seja uma situação “irregular”. A Exortação Apostólica “Familiaris Consortio”, 1981, de João Paulo II no n. 84 exorta os casais divorciados a participar de um caminho de vida cristã que deve consistir em: “ouvir a Palavra de Deus, a freqüentar o sacrifício da Missa, a perseverar na oração, a incrementar as obras de caridade e as iniciativas da comunidade em favor da justiça, a educar os filhos na fé cristã, a cultivar o espírito e as obras de penitência… que se resume em perseverarem na oração, na penitência e na caridade”. A Exortação Apostólica “Sacramentum caritatis”, 2007, de Bento XVI no n. 29 reafirma o convite a cultivar, quanto possível: “um estilo cristão de vida, através da participação da Santa Missa, ainda que sem receber a comunhão, da escuta da Palavra de Deus, da adoração eucarística, da oração, da cooperação na vida comunitária, do diálogo franco com um sacerdote ou mestre de vida espiritual, da dedicação ao serviço da caridade, das obras de penitência, do empenho na educação dos filhos”.
1. A comunhão com a Palavra de Deus
Escutar é algo mais que ouvir. É atender ao que se diz. É ir assimilando e tornando pessoal o que foi dito. É algo ativo, não passivo. É uma abertura a Deus que a eles dirige a Sua Palavra. Através de Isaías ou de Paulo fala-lhes, aqui e agora. Umas vezes esta Palavra os consola e os anima. Outras vezes julga suas atitudes e desautoriza seu estilo de vida, convidando-os à conversão. Sempre os ilumina, os estimula e os alimenta. A Palavra que Deus lhes dirige é, sobretudo uma pessoa: o Seu Verbo, a Sua Palavra, Jesus Cristo. Ele não se dá só no Pão e no Vinho, mas está realmente presente na Palavra que nos é proclamada e que escutamos. Também a nós o Pai continua a dizer: “Este é o meu Filho muito amado: escutai-O”. A leitura da sagrada Escritura acompanhada pela oração estabelece um colóquio de familiaridade entre Deus e o homem, pois a Ele falamos quando rezamos, a Ele ouvimos quando lemos os divinos oráculos” (DV 25). Este colóquio torna-se mais intenso pela “Lectio divina”, ou seja pela leitura meditada da Bíblia, que se prolonga na oração contemplativa. A Lectio é divina, porque se lê a Deus na sua Palavra e com o seu Espírito, pode ajudar os casais em 2ª União na consecução de uma grande familiaridade não só com a Palavra, mas com o mesmo Deus.
2. A visita e a adoração ao Santíssimo Sacramento
Jesus, sendo vivo e presente no Sacrário, pode ser visitado e adorado. Ele espera, ouve, conforta, anima, sustenta e cura. Por conseguinte, a visita e a adoração ao Santíssimo é um verdadeiro e íntimo encontro entre o visitante e o visitado que é Jesus. A visita e a adoração são uma escolha pessoal do visitante, e, acima de tudo, um ato de amor para com o visitado. A simples visita ao Santíssimo transforma-se em adoração, que é o ponto mais alto deste encontro. Os casais em segunda união são chamados e convidados a serem os adoradores do Santíssimo através da prática tradicional da Hora santa, que muito os ajudará na espiritualidade, seja do grupo como também do próprio casal. A prática freqüente da Hora Santa não é um opcional, por isto não se pode deixar facilmente de lado, pois ela é necessária para a perseverança.
3. A visita a Maria Santíssima: um conforto para o seu povo
Se o próprio Jesus moribundo na cruz deu Maria como mãe ao discípulo: “Mulher, eis aí teu filho” e a você discípulo como mãe: “eis aí, tua mãe!” (Jo 19, 26-27), é bom e recomendável que o casal em segunda união não tenha medo em fazer esta visita de carinho para receber conforto, força e consolação de sua mãe. Esta visita pode ser feita numa capela dedicada á Maria ou em casa junto com a família ou na intimidade do seu quarto. Pensando nisso, é bom e confortável que o casal em segunda união não esqueça de visitar, quantas vezes puder, Maria Santíssima. Visitar Maria, a mãe de Jesus, é ir ao seu encontro sem reservas, é entregar-se de coração a um coração que não tem limites para amar. Nossa Senhora em Medjugorje disse aos videntes e a nós seus filhos: “Se soubésseis quanto vos amo choraríeis de alegria”. Maria nos ama muito, como filhos queridos. O que ela mais deseja é ver seus filhos deixar-se AMAR POR ELA. O seu desejo é o de seu Filho… salvar a todos. Maria nos espera todos os dias, e ela sabe que quanto mais perto estivermos dela, mais perto ficaremos de Jesus, pois a sua meta é levarmos a Jesus.
4. Perseverança na Oração
O Casal em segunda união é convidado a perseverar na oração. A oração pode ser pessoal, pode ser oração como casal, ou como oração da família com os filhos, ou oração comunitária com os outros casais ou com outros fieis.
5. Participação nas Celebrações Penitenciais Comunitárias
A “Familiaris Consortio” 84, o Diretório da CEI e o Diretório da Pastoral Familiar da CNBB pedem que os casais em segunda união façam “atos de penitência”. Um deles é certamente a Celebração da Penitência.
6. Participação da Santa Missa: um encontro de amor
O casal de segunda união, como todo bom cristão, considerando este amor infinito de Jesus, deve participar da Santa Missa com amor fervoroso, de modo particular no momento da consagração, pois é neste momento que Jesus é vivo e presente. Bento XVI em recente discurso ao clero de Aosta IT valoriza a participação dos casais recasados da Missa mesmo sem a comunhão eucarística. A esse respeito o Papa fez este lindo e confortável comentário: Uma Eucaristia sem a comunhão eucarística não é certamente completa, pois lhe falta algo essencial. Todavia, é também verdade que participar na Eucaristia sem a comunhão eucarística não é igual a nada, é sempre um estar envolvido no mistério da Cruz e da ressurreição de Cristo. É sempre uma participação no grande Sacramento, na dimensão espiritual, pneumática, e também, eclesial, se não estreitamente sacramental. E dado que é o Sacramento da Paixão de Cristo, Cristo sofredor abraça de modo particular estas pessoas e comunica-se com elas de outra forma; portanto elas podem sentir-se abraçadas pelo Senhor crucificado que cai por terra e sofre por elas e com elas. Por conseguinte, é necessário fazer compreender que mesmo que, infelizmente, falte uma dimensão fundamental, todavia tais pessoas não devem ser excluídas do grande mistério da Eucaristia, do amor de Cristo aqui presente. Isto parece-me importante, como é importante que o pároco e a comunidade paroquial levem tais pessoas a sentir que, por um lado, devemos respeitar a indissolubilidade do sacramento e, por outro, amamos as pessoas que sofrem também por nós. E devemos também sofrer juntamente com elas, porque dão um testemunho importante, afim de que saibam que no momento em que se cede por amor, se comete injustiça ao próprio Sacramento, e a indissolubilidade parece cada vez mais menos verdadeira”. O mesmo Papa ainda recorda que o sofrimento faz parte da vida humana e no caso dos casais em segunda união é “um sofrimento nobre”. O sofrimento é considerado, de uma certa maneira, como o oitavo sacramento.
7. O toque a Jesus Eucarístico
O toque eucarístico é um ato de adoração. Pelo toque os casais em segunda união proclamam: nós Vos amamos, nós Vos adoramos, nós confiamos em Vós, nós cremos em Vós, não queremos nos separar de Vós: “Nós o amamos porque Deus nos amou primeiro” (1Jo 4, 19) e confia “ao Senhor a nossa sorte, esperamos nele, e ele agirá (cf. Sl 30, 5). É um ato de fé, de louvor: nós queremos Vos louvar com todo o nosso ser com toda a nossa alma, como Tomé, após a conversão: “meu Senhor e meu Deus” e “para mim a felicidade é me aproximar de Deus, é pôr minha confiança no Senhor Deus, a fim de narrar suas maravilhas” (Sl 72, 28). É um toque pelo qual Jesus fala através das mãos que se dão: Por que vocês tem medo? Nada é impossível para Deus. Eu vos amo. Eu sou o vosso melhor amigo, pode confiar em mim. Por vocês dei e vos dou a minha vida: “Nisto temos conhecido o amor: Jesus deu sua vida por nós” (1Jo 3, 16). Cheguem perto, fiquem sempre juntinho de mim. “Permanecei no meu amor” (Jo 15, 9). Ninguém vos ama como eu. Olhem para mim bem nos meus olhos. Mergulhem no meu coração.
8. A comunhão espiritual
Outros meios que auxiliam os casais em segunda união viver o caminho espiritual- pastoral:
1. Formação Pessoal e de Casal. É necessário para eles, como para todos os casais, uma formação pessoal e uma formação como casal, podendo participar da formação e da catequese que a paróquia ou outra realidade propõe para todos.
2. Grupos de Oração. O Casal em segunda união tem a possibilidade de participar de grupos de famílias e de grupos de oração para a sua formação, como também para se ajudar mutuamente.
3. Obras de Caridade. O Casal em segunda união, como todo cristão, deve empenhar-se nas obras de caridade organizadas pela paróquia ou por outras entidades, como voluntários… lembrando-se que “a caridade cobre uma multidão dos pecados” (1Pd 4, 8).
4. Praticar a Justiça. O Casal em segunda união pode e deve participar das iniciativas em favor da justiça.
5. Diálogo em família. O Casal em segunda união como família procure viver o diálogo com os vários membros para que haja paz e colaboração; aceite fazer a vontade de Deus, sobretudo quando ela é difícil ou quando o sofrimento bater à sua porta; abra o seu coração aos parentes e aos vizinhos, aos colegas… especialmente em necessidade.
6. Viver no cotidiano a vida cristã. O Casal em segunda união procure viver de maneira cristã a vida cotidiana no trabalho, em casa, no relacionamento com os vizinhos e com a sociedade: este é o caminho que os aproxima da salvação.
7. Um caminho espiritual valorizando a família. O caminho de vida espiritual, comum a todos os casais, levará certamente o casal em segunda união a valorizar a importância da família também para o bem da sociedade; a valorizar a própria casa como lugar aonde se constrói o Reino de Deus e se opera o bem imitando a família de Nazaré.
8. O perdão família.

Corpus Christi: entenda o significado dessa solenidade

Os tapetes confeccionados para a celebração de Corpus Christi é uma forma dos fiéis exaltarem a Eucaristia  

Nesta quinta-feira, 31, a Igreja Católica no mundo inteiro celebra uma importante solenidade que reveste o mistério central de sua fé: Corpus Christi. Neste dia, celebra-se o Santíssimo Sacramento do Corpo e do Sangue de Cristo. Como tradição popular, muitos fiéis enfeitam as ruas com tapetes feitos à base de pó de serragem, com o objetivo de preparar o local para a procissão que traz o grande motivo da festa, Jesus Eucarístico.

Esta é uma solenidade que há séculos faz parte da vida dos cristãos católicos. O assessor da Comissão Episcopal Pastoral de Liturgia da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), padre Hernaldo Pinto Farias, explicou que a festa nasceu de uma prática da devoção popular que tem início no final do século IX, mas já no século XI ao XIII está muito difundida em vários lugares da Europa. Depois, em 8 de setembro de 1264, o Papa Urbano IV, com a Bula Transiturus, instituiu esta celebração para toda a Igreja.

Essa prática surgiu por causa da defesa da compreensão da teologia da presença real. “Contra as heresias do início do segundo milênio, essa festa vem reforçar a posição e a orientação da Igreja sobre a presença real de Jesus Cristo no Santíssimo Sacramento”.

A Reforma Litúrgica procurou ampliar o Missal de 1970 até o atual, utilizando a denominação de Santíssimo Sacramento do Corpo e do Sangue de Jesus Cristo. “Ou seja, é uma solenidade do Corpo e Sangue de Cristo, não só do Corpo, pra não dar esse sentido de redução da compreensão do próprio mistério do Corpo e Sangue de Cristo”.

Importância

Para enfatizar a importância de se reconhecer em Corpus Christi uma solenidade não só do Corpo, mas também do Sangue de Cristo, padre Hernaldo recorreu à uma menção que o Papa São João Paulo II, fez sobre o Sacramento na Carta Apostólica Mane Nobiscum Domine, de 2004. Nessa carta, São João Paulo II disse que nenhuma dimensão desse Sacramento da Eucaristia pode ser deixada de lado, esquecida.

“Neste sentido, os textos bíblicos propostos, portanto, para esta festa nos trazem todas as riquezas deste Sacramento, como alimento, como banquete, aliança, sacramento da unidade da Igreja, do memorial da morte e da ressurreição de Cristo, não fica apenas no sentido da morte, mas revela o mistério como tal”.

O sentido maior dessa solenidade está na celebração da Quinta-feira Santa. Dessa forma, Corpus Christi é como uma repetição, uma duplicação do dia da instituição da Eucaristia, porém com um aspecto mais devocional, o que também é bem vindo para a Igreja. “A Igreja não condena, porém ela quer nos ajudar a não ficar no puro devocional, se não a gente se perde”.

A tradição dos tapetes, por exemplo, que todos os anos tomam as ruas de diversas cidades do país para preparar a procissão que traz Jesus Eucarístico, é costume popular de reverenciar, de dar importância e exaltar a própria Eucaristia. O Padre explicou que, no entanto, a Igreja não pode parar nesse puro reverenciar.

“A gente lembra os Santos Padres que nos convidavam a olhar o Sacramento para além dele, ou seja, a gente tem que celebrar, ver o Sacramento para além daquilo que ele está mostrando enquanto realidade física, ele está revelando também todo um mistério  que esse Sacramento quer nos ajudar a viver”.

Participação ativa

Como padre Hernaldo explicou, os tapetes de Corpus Christi já fazem parte da tradição popular. Em Lorena (SP), o professor aposentado Cláudio César de Araújo, que já foi ministro da Eucaristia e fez a experiência de ajudar nesta tradição dos tapetes, contou que é muito gratificante poder participar ativamente.   “A sensação primeira é de gratidão. A gente vai mesmo por gratidão de tantas bênçãos que a gente recebe Dele (Jesus) e pelo prazer de querer deixar uma rua bem bonita e bem enfeitada para que Jesus passe por lá, é o mínimo que nós podemos fazer. É uma alegria poder participar sabendo que Jesus vai passar por ali”, relatou.   O aposentado acredita que a celebração de Corpus Christi é o momento que representa o respeito e o amor que se tem por Jesus, pela Sagrada Eucaristia. Ele contou que receber este Sacramento pela primeira vez marcou muito sua vida; foi seu primeiro encontro com Cristo.   “Eu me lembro do entusiasmo, da alegria, da fé que eu tive quando eu recebi a Eucaristia pela primeira vez, então pra mim ali foi o meu primeiro encontro. Depois eu tive vários reencontros, então essa comunhão com Jesus é sempre, espiritualmente é sempre”.

Eucaristia: como vivenciar este mistério?

Para os católicos, a Eucaristia é o sacramento mais importante, é a centralidade da vida cristã. Tendo em vista a importância desse Sacramento, padre Hernaldo deixou dois conselhos para que esta intimidade com Jesus Eucarístico seja vivenciada não só na celebração de Corpus Christi, mas ao longo de toda a vida cristã.

“Aí entra a importância, sobretudo, do Dia do Senhor, que tem que ser cada vez mais valorizado em nossas comunidades. O domingo é o dia por excelência da Eucaristia, porque é o dia por excelência da ressurreição do Cristo. O conselho que eu dou é preparar melhor as nossas celebrações dominicais, celebrá-la com mais intensidade, sem interferências. Outro conselho, por decorrência, é o aprofundamento, o estudo da liturgia da Eucaristia”.

Onde encontrar Jesus Cristo hoje?

Dom Murilo Krieger
Arcebispo de São Salvador (BA) e Primaz do Brasil

“Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo”, exclamou João Batista, ao ver Jesus que vinha ao seu encontro (Jo 1,29). E completou: “Dou testemunho: ele é o Filho de Deus” (v. 34). Para os discípulos de João Batista, esse anúncio foi tão importante que o deixaram, para seguir Jesus. Um outro João, o evangelista, ao final de sua vida sintetizou o que tinha sido para ele a convivência de três anos com Jesus de Nazaré: “O que existia desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que contemplamos e o que a nossas mãos apalparam… isso vos anunciamos” (1Jo 1,1 e 3). João evangelista deixava claro, assim, que seu anúncio partia de uma experiência pessoal, que o havia transformado radicalmente. Anunciava, também, que todos podem fazer idêntica experiência – isto é, podem ouvir, ver e tocar o Filho de Deus, porque ele veio até nós, assumiu nossa carne e se manifesta a quem o procura.

Se é próprio de Deus manifestar-se, para nos revelar sua intimidade, e se, em vista disso, nos enviou seu Filho, onde encontrar Jesus Cristo hoje? De que modo e em que situações ele se revela a nós? Em que situações ele se faz presente? É importante ter respostas claras a essas perguntas, já que o encontro com Cristo é o ponto de partida para uma autêntica conversão.

Destacarei sete lugares de encontro com Jesus de Nazaré – isto é, onde podemos encontrá-Lo em nossos dias. Podemos encontrá-Lo:

1º – Em sua Palavra. Os Evangelhos apresentam, numa linguagem clara, compreensível a todos, o que Jesus falou e o modo como viveu entre nós. Se prestarmos atenção às suas palavras, será inevitável: nossos corações se transformarão e produziremos frutos de santidade.

2º – Nos pastores que dirigem a Igreja. Cristo, pastor dos pastores, assiste os pastores que dirigem e governam o povo de Deus, como ele mesmo disse aos apóstolos: “Quem vos ouve, a mim ouve” (Lc 10,16).

3º – Nos sacramentos. Os sacramentos são ações de Cristo, que os administra por meio de seus ministros. Os sacramentos são santos por si mesmos e, “quando tocam nos corpos, infundem, por virtude de Cristo, a graça nas almas” (Paulo VI). Cristo está sempre presente por sua força nos sacramentos, de tal forma que “quando alguém batiza, é Cristo mesmo que batiza” (Santo Agostinho).

4º – Na Eucaristia. O sacramento da Eucaristia contém o próprio Cristo e é, como afirmava Santo Tomás de Aquino, “como que a perfeição da vida espiritual e o fim de todos os sacramentos”. A presença de Cristo nesse sacramento é de uma intensidade sem par; é uma presença especial, uma presença “real”, “não a título exclusivo, como se as outras presenças não fossem “reais”, mas por excelência, porque é substancial, e porque por ela se torna presente Cristo completo, Deus e homem” (Paulo VI).

5º – Quando a Igreja reza. Cristo está presente em sua Igreja quando ela reza, sendo ele quem “roga por nós, roga em nós e por nós é rogado; roga por nós como nosso Sacerdote; roga em nós como nossa Cabeça; é rogado por nós como nosso Deus” (Santo Agostinho). O próprio Jesus prometeu: “Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu estou ali, no meio deles” (Mt 18,20).

6º – No pobre. Quando fazemos o bem a um irmão necessitado, nós o fazemos ao próprio Cristo: “Todas as vezes que fizestes isso a um destes mais pequenos, que são meus irmãos, foi a mim que o fizestes” (Mt 25,40). Mais: é Cristo que faz essas obras por meio de nós, socorrendo assim as pessoas necessitadas.

7º – Em nossos corações. Cristo habita pela fé em nossos corações (cf. Ef 3,17) e neles derrama o amor de Deus pela ação do Espírito Santo que nos dá (cf. Rm 5,5).

Penso ter ficado implícito que o cristianismo não é apenas um conjunto de normas éticas e nem se resume a uma proposta de paz e de solidariedade; ele é, acima de tudo, o encontro com uma pessoa – a pessoa de Jesus Cristo, o Filho de Deus Salvador. É ele é que dá novas perspectivas à nossa vida. Cabe-nos, pois, estar atentos a seus passos em nossos caminhos. Acolhendo-o, teremos a possibilidade de conhecê-lo sempre melhor e de apresentá-lo a outros.

Por que jejuar?

O jejum e a abstinência fazem parte deste sistema de freios que, no ser humano

Ao tratarmos da cura de gastrimia (gula), a primeira coisa que nos vem à mente, evidentemente, é o jejum. No entanto, sejamos sinceros, quem é que ainda leva a sério o jejum? Para a maior parte das pessoas, o jejum é uma prática antiquada, desnecessária, quando não, completamente absurda. Até entre os “bons católicos” a prática do jejum é vista com desconfiança. Afinal, somos pessoas equilibradas. Nada de radicalismos! Quando muito, ainda é possível encontrar quem se recorde do velho Catecismo: “O quarto mandamento [da Igreja]: jejuar e abster-se de carne, conforme manda a Santa Mãe Igreja”. Mas quando é que a Santa Mãe Igreja no manda jejuar? A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) publicou, em 1987, a Legislação Suplementar ao Código de Direito Canônico, que diz o seguinte:

Quanto aos cânones 1251 e 1253:

1. Toda sexta-feira do ano é dia de penitência, a não ser que coincida com solenidade do calendário litúrgico. Os fiéis, nesse dia, se abstenham de carne ou outro alimento, ou pratiquem alguma forma de penitência, principalmente obra de caridade ou exercício de piedade.

2. A Quarta-feira de Cinzas e a Sexta-feira Santa, memória da Paixão e Morte de Cristo, são dias de jejum e abstinência. A abstinência pode ser substituída pelos próprios fiéis por outra prática de penitência, caridade ou piedade, particularmente pela participação nestes dias na Sagrada Liturgia.

Bem, talvez, do jejum e da abstinência na Quarta-feira de Cinzas e na Sexta-feira Santa, a maior parte dos católicos se recorde. Porém, é provável que a maioria não faça a mínima ideia de que a abstinência de carne, às sextas-feiras, ainda existe! Mas isso não é motivo para que alguém se sinta mal. Muitos e nobres eclesiásticos sofrem da mesma miséria… Magra consolação!

“Mas isso é somente uma lei da Igreja!”, alguém poderia dizer. E, depois de constatar esta obviedade, desfiar um rosário de argumentos contra a prática do jejum: “Não está na hora de a Igreja deixar de lado essas tradições medievais? Por que incentivar o jejum? Não existe algo de mal neste masoquismo de querer se penitenciar? Isto não prejudica a saúde? Qual o sentido do jejum, se a pessoa não trabalha para transformar a sociedade?”.

Com argumentos desse tipo, livramo-nos do problema, varrendo-o para debaixo do tapete. Acho que os Santos Padres não estariam exatamente de acordo com este procedimento.

Santo Tomás de Aquino (1225-1274), que era um mestre em argumentação, ensina-nos a distinguir duas realidades diferentes no jejum:

a) O mandamento da Igreja

b) A lei natural

Os dias em que eu devo jejuar e as formas de realizar este jejum são uma lei da Igreja (a). Mas o jejum não é uma invenção da Igreja. A necessidade de jejuar é uma lei que Deus imprimiu na natureza humana (b), ou seja, compete às autoridades da Igreja determinar alguns tempos e modos de jejuar, já que é dever dos pastores cuidar do bem das ovelhas. No entanto, mesmo se não houvesse uma legislação canônica, as pessoas teriam de jejuar, pois se trata de uma exigência da própria natureza do homem. Sim, é isto mesmo! Por estranho que possa soar aos seus ouvidos, a ascese e o jejum são imperativos da ética humana natural e não uma tradição de algumas religiões e culturas exóticas. O jejum e a abstinência são instrumentos necessários para que possamos chegar a ser, não heróis ou semideuses, mas simplesmente… humanos”!

Talvez, uma comparação nos ajude a compreender melhor esta realidade. Quando alguém compra um carro, as montadoras geralmente dão a oportunidade de a pessoa escolher os “opcionais”: ar-condicionado, air-bag, direção hidráulica etc. Mas, num automóvel, o sistema de freios não é um opcional. O freio é um componente essencial do próprio veículo. De nada adiantaria ter um automóvel se ele não tivesse um freio.

O ser humano também é assim. Precisamos de um sistema de freios, de algo que nos sirva de limite, porque a vida humana desregrada é semelhante a um carro desgovernado. O que era uma bênção transforma-se numa maldição. O jejum e a abstinência fazem parte deste sistema de freios que, no ser humano, recebe um nome: virtude da temperança.

Trecho retirado do livro: “Um olhar que cura”
Padre Paulo Ricardo

2º Domingo da Quaresma – Ano B

Por Mons. Inácio José Schuster

Gênesis 22, 1-2. 9a. 10-13. 15-18; Romanos 8, 31b-34; Marcos 9, 2-10
ESCUTAI-O!

«Este é meu Filho amado, escutai-o». Com estas palavras, Deus Pai dava Jesus Cristo à humanidade como seu único e definitivo Mestre, superior às Leis e aos profetas. Onde fala Jesus hoje, para que possamos escutá-lo? Fala-nos antes de tudo por meio de nossa consciência. Ela é uma espécie de «repetidor», instalado dentro de nós, da própria voz de Deus. Mas por si só ela não basta. É fácil fazê-lo dizer o que nós gostamos de escutar. Por isso, necessita ser iluminada e sustentada pelo Evangelho e pelo ensinamento da Igreja. O Evangelho é o lugar por excelência no qual Jesus fala-nos hoje. Mas sabemos por experiência que também as palavras do Evangelho podem ser interpretadas de maneiras distintas. Quem nos assegura uma interpretação autêntica é a Igreja, instituída por Cristo precisamente com tal fim: «Quem a vós escuta, a mim escuta» [Lc 10, 16. Ndt]. Por isso, é importante que busquemos conhecer a doutrina da Igreja, conhecê-la em primeira mão, como ela mesmo a entende e a propõe, não na interpretação –freqüentemente distorcida e redutiva– dos meios de comunicação. Quase igualmente importante como saber onde fala Jesus hoje é saber onde não fala. Ele não fala certamente através de magos, adivinhos, astrólogos, pretensas mensagens extraterrestres; não fala nas sessões de espiritismo, no ocultismo. Na Escritura, lemos esta advertência a respeito: «Não haja entre ti ninguém que faça passar seu filho ou sua filha pelo fogo, que pratique adivinhação, astrologia, feitiçaria ou magia, nenhum encantador nem consultor de fantasmas ou adivinhos, nem invocador de mortos. Porque todo aquele que faz estas coisas é uma abominação para Yahweh teu Deus» (Dt 18, 10-12). Estes eram os modos típicos dos pagãos de referir-se ao divino, que buscavam a sorte consultando os astros, ou vísceras de animais, ou no vôo dos pássaros. Com essa palavra de Deus: «Escutai-o!», tudo aquilo acabou. Há um só mediador entre Deus e os homens; não estamos obrigados a ir «às cegas», para conhecer a vontade divina, a consultar isto ou aquilo. Em Cristo temos toda resposta. Lamentavelmente, hoje aqueles ritos pagãos voltam a estar na moda. Como sempre, quando diminui a verdadeira fé, aumenta a superstição. Tomemos a coisa mais inócua de todas, o horóscopo. Pode-se dizer que não existe jornal ou emissora de rádio que não ofereça diariamente a seus leitores ou ouvintes o horóscopo. Para as pessoas maduras, dotadas de um mínimo de capacidade critica ou de ironia, isso não é mais que uma inócua brincadeira recíproca, uma espécie de jogo e de passa-tempo. Mas, enquanto isso, olhemos os efeitos ao largo. Que mentalidade se forma, especialmente nos jovens e nos adolescentes? Aquela segundo a qual o êxito na vida não depende do esforço, da aplicação no estudo e constância no trabalho, mas de fatores externos, imponderáveis; de conseguir dirigir em proveito próprio certos poderes, próprios ou alheios. Pior ainda: tudo isso induz a pensar que, no bem ou no mal, a responsabilidade não é nossa, mas das «estrelas», como pensava Ferrante, de lembrança manzoniana [em referência ao romance «Os noivos» de Alessandro Manzoni (1785-1873) Ndt] Devo aludir a outro âmbito no qual Jesus não fala e onde, contudo, se lhe faz falar todo o tempo. É o das revelações privadas, mensagens celestiais, aparições e vozes de natureza variada. Não digo que Cristo ou a Virgem não possam falar também através destes meios. Fizeram-no no passado e podem fazer, evidentemente, também hoje. Só que antes de dar por certo que se trata de Jesus ou da Virgem, e não da fantasia enferma de alguém, ou pior, de farsantes que especulam com a boa fé das pessoas, é necessário ter garantias. Necessita-se neste campo esperar o juízo da Igreja, não precedê-lo. São ainda atuais as palavras de Dante: «Sede, cristãos, mais firmes ao mover-vos; / não sejais como pena a qualquer sopro» (Par. V, 73s.) São João da Cruz dizia que desde que, no Tabor, disse-se de Jesus: «Escutai-o!», Deus se fez, em certo sentido, mudo. Disse tudo; não tem coisas novas para revelar. Quem lhe pede novas revelações, ou respostas, ofende-o, como se não se houvesse explicado claramente ainda. Deus segue dizendo a todos a mesma palavra: «Escutai-o!», lede o Evangelho: aí encontrareis nem mais nem menos do que buscais».

 

SEGUNDO DOMINGO DE QUARESMA
Mc 9, 2-10: “Este é o meu Filho bem-amado. Ouvi-O!

O texto de hoje vem logo após o diálogo com Pedro e os discípulos, na estrada de Cesaréia de Filipe, sobre quem era Jesus e como deveria ser o seu seguimento:“Se alguém quer me seguir, renuncie a si  mesmo, tome cada dia a sua cruz, e me siga” (8,34). Começando esta passagem com as palavras “Seis dias depois”, Marcos quer ligar estreitamente o texto com a mensagem anterior sobre a cruz. O texto destaca um aspecto de Jesus que é muito importante – o fato que ele era um homem de oração.  Durante a oração aparecem Moisés e Elias, símbolos da Lei e dos Profetas. Assim Marcos mostra que Jesus está em continuidade com as Escrituras, isso é, o caminho que Jesus segue está de acordo com a vontade de Deus. Os dois personagens, tanto Moisés como Elias, eram profetas rejeitados e perseguidos no seu tempo – Marcos aqui vislumbra mais uma vez o destino de Jesus, de ser rejeitado, mas também de ser vindicado por Deus. Pedro, ao despertar do sono, faz uma sugestão descabida: “Mestre, é bom ficarmos aqui. Vamos fazer três tendas: uma para ti, uma para Moisés e outra para Elias”( v.5) Claro, seria bom ficar ali, num momento místico, longe do dia-a-dia, da caminhada, das dúvidas, dos desentendimentos, da luta.  Quem não iria querer?  Mas não é uma sugestão que Jesus possa aceitar.  Terminado o momento de revelação, “Jesus estava sozinho” e em seguida “desceram da montanha” (v. 9).  Por tão gostoso que possa ser ficar no Monte, é precisa descer para enfrentar o caminho até o Monte Calvário!! A experiência da Transfiguração está intimamente ligada com a experiência da cruz!!  Talvez foi a força da experiência do Monte Tabor que deu a Jesus a coragem necessário para aguentar a experiência bem dolorosa do Calvário! Todos nós – seja qual for a nossa vocação – precisamos de momentos de oração profunda, de união especial com Deus.  Mas estas experiências não são “intimistas”- nos aprofundam a nossa fé e o nosso seguimento, para que possamos seguir o exemplo dele que lavou os pés dos discípulos: “Eu, que sou o Mestre e o Senhor, lavei os seus pés;  por isso vocês devem lavar os pés uns dos outros” (Jo 13, 14). Também este trecho pode nos ensinar a valorizar os momentos de “Tabor”, os momentos de paz, de reflexão, de oração.  Pois, se formos coerentes com a nossa fé, teremos muitas vezes de fazer a experiência de “Calvário”!  Somos fracos demais para aguentar esta experiência – por isso busquemos forças na oração, na Palavra de Deus, na meditação – mas sempre para que possamos retomar o caminho, como fizerem Jesus e os três discípulos!  Para os momentos de dúvida e dificuldade, o texto nos traz o conselho melhor possível, através da voz que saiu da nuvem: “Este é o meu Filho bem-amado. Ouvi-o!” (v. 7). Façamos isso, e venceremos os nossos Calvários!

 

UM DIFÍCIL AMIGO                 
Dom Geraldo M. Agnelo, Cardeal Arcebispo emérito de Salvador

Este segundo domingo da quaresma nos traz, nos relatos bíblicos, uma marca, um selo de Deus que pode parecer chocante em nosso relacionamento com Ele: Deus é um difícil amigo! Depois de ter manifestado, na transfiguração de Jesus: “Este é o meu Filho predileto”, “não poupou o próprio Filho”, entregando-o à morte na cruz. E ao primeiro personagem do povo eleito da Aliança pediu o sacrifício de seu filho Isaac. O tema do amor de Deus é o centro da mensagem cristã, argumento fundamental da revelação. Deus não revela o seu amor com ensinamentos teóricos; não dá a definição do amor, mas oferece o testemunho de um Deus que ama, que está à procura do homem, quer chamá-lo relacionar-se pessoalmente com ele, estreitar uma relação de amizade e de aliança. Deus não somente ama, mas também quer ser amado. O amor de Deus parece exprimir-se exatamente na força com que exige do homem resposta incondicional. Deus tomou a iniciativa de oferecer o perdão do seu amor, quer, porém que o homem o escolha, dê-lhe sua preferência em tudo, e lhe permaneça fiel. Ele conhece nossas dificuldades, mas parece multiplicar as mesmas em nosso caminho. Assim o significado do sacrifício de Isaac, na vida de Abraão. Ao chamamento de Deus, Abraão responde com fé: “Aqui estou!” Nessa simples palavra está toda a vida do patriarca. Ele é servo de Deus, sempre pronto a obedecê-lo; é amigo de Deus. Depositário feliz da promessa maravilhosa, em Isaac, será pai de uma multidão incalculável. Nele, está todo seu futuro e de sua descendência. Nele se encarna a bênção divina que se estenderá pelos séculos. Sua história tem esse ritmo: Deus disse, Abraão responde. A fé de Abraão foi cultivada e amadurecida mediante a prova. É manifestação da confiança em Deus, que fascina, mas é paradoxal, escapa a todo cálculo e previsão humana. Abraão apóia-se somente sobre a palavra de Deus, sobre suas promessas. É o modelo de nossa fé e da nossa resposta ao amor de Deus. Do sacrifício iniciado, Abraão retorna cheio de alegria com Isaac, mantido vivo. O sacrifício de Isaac é prenúncio do sacrifício de Cristo Jesus. Jesus tinha já anunciado aos discípulos seu sofrimento na cruz, em Jerusalém. Os discípulos ficaram desconcertados, sem compreender o desfecho trágico da missão de Jesus. Não tinham aprofundado o desígnio do Pai que entrega seu Filho a morrer na cruz para salvar a humanidade; numa palavra, não compreendiam como se pode salvar no desastre do calvário. Ainda não tinham captado o modo de ser do amor de Deus, manifestado na morte de Cristo, escândalo para os Judeus, loucura para os gregos. O evangelho de hoje nos apresenta Pedro, João e Tiago como testemunhas da revelação em que presenciam Jesus transfigurado, envolvido na glória de Deus, chamado pelo Pai: “Este é meu Filho amado: escutai-o.” Esta revelação é destinada a fazer os discípulos compreenderem o modo de agir do amor de Deus por nós e fortalecer sua fé. O reinado de Deus, já presente com Jesus vindo com poder, é submetido à paixão, vinculado à ressurreição. A transfiguração é antecipação da ressurreição. Sua narração insere-se entre duas predições da paixão. O próprio Jesus mostra sua glória no esplendor das vestes. Moisés e Elias, na aliança e na profecia, tinham recebido revelações extraordinárias de Deus. Agora se apresentam como testemunhas da glória de Jesus. O que para a antiga aliança era futuro esperado, agora está presente e centraliza a história. A tradição situou a cena no monte Tabor, o novo Horeb ou Sinai de Moisés e Elias. Transfigurar significa transformar. Deus que em Jesus Cristo assumira a forma de escravo, assumindo a figura humana, humilhou-se. Pedro queria perpetuar a experiência do Tabor. O testemunho do Pai mostra a pessoa de Jesus em quem se deve crer, e seu ensinamento a ser posto em prática na vida. A nós que temos ouvido o que Jesus ensinou e realizou, chegado até nós pela vivência cristã de dois milênios, podemos tentar interpretar também nossa experiência pessoal. Cremos que, com o batismo, Deus nos chamou à vida nova, diferente do modo de viver dos que se identificam com o mundo de egoísmo, de falta de amor. Deus nos destina à glória, prometendo a vitória sobre o mal e plenitude da felicidade. Somos provados pelos sofrimentos e pela incerteza do futuro. É a condição de quem vive na fé, que se apóia na palavra de Deus. Não devemos temer. Deus não poupou o próprio Filho. O amor de Deus não se limita a palavras: faz o caminho dos fatos, dando-nos o seu único Filho que passou pela morte na cruz, mas ressuscitou para sempre.

 

SEGUNDO DOMINGO DA QUARESMA
Mc 9,2-10: “Este é o meu Filho amado: ouvi-o”
2Seis dias depois, Jesus tomou consigo a Pedro, Tiago e João, e conduziu-os a sós a um alto monte. E 3transfigurou-se diante deles. Suas vestes tornaram-se resplandecentes e de uma brancura tal, que nenhum lavadeiro sobre a terra as pode fazer assim tão brancas. 4Apareceram-lhes Elias e Moisés, e falavam com Jesus. 5Pedro tomou a palavra: Mestre, é bom para nós estarmos aqui; faremos três tendas: uma para ti, outra para Moisés e outra para Elias. 6Com efeito, não sabia o que falava, porque estavam sobremaneira atemorizados. 7Formou-se então uma nuvem que os encobriu com a sua sombra; e da nuvem veio uma voz: Este é o meu Filho muito amado; ouvi-o. 8E olhando eles logo em derredor, já não viram ninguém, senão só a Jesus com eles. 9Ao descerem do monte, proibiu-lhes Jesus que contassem a quem quer que fosse o que tinham visto, até que o Filho do homem houvesse ressurgido dos mortos. 10E guardaram esta recomendação consigo, perguntando entre si o que significaria: Ser ressuscitado dentre os mortos.

No Evangelho de hoje, contemplamos a manifestação da glória de Jesus Cristo a Pedro, Tiago e João, um sinal dado aos Apóstolos, da Sua divindade e dos poderes divinos que daria à Sua igreja. Desde a Encarnação, a Divindade de Jesus, estava escondida por detrás da Humanidade. Mas, no alto do Monte Tabor, Jesus se manifesta a estes prediletos discípulos, que iam ser colunas da Igreja. Deste modo, o esplendor da glória de Jesus, deixa os três entusiasmados com as alegrias que teriam no fim, assim, ficam animados a seguir o Mestre. Jesus, mostra que terão sérias adversidades no caminho escolhido, mas a vitória será recompensadora. Santo Tomás de Aquino (†1274), nos diz na Suma Teológica, II,q.45,a.1: “…foi conveniente que Cristo tenha manifestado a clareza da sua glória”. Em que consistiu a Transfiguração do Senhor? – O Magistério da Igreja, nos diz, que para melhor compreender este fato miraculoso, deve-se ter em conta que o Senhor, para nos redimir com a Sua paixão e Morte, renunciou voluntariamente à glória divina e se encarnou, fazendo-se semelhante a nós humanos em tudo, exceto no pecado (cf. Hb 4,15). No momento da Transfiguração, Jesus Cristo, deixa que sua alma, apareça miraculosamente no Seu corpo. Jesus, quer nos mover ao desejo da glória divina que nos será dada. Mais tarde, São Paulo nos dirá: “que os padecimentos do tempo presente não são comparáveis com a glória futura que se há de manifestar em nós” (Rm 8,18). A Quaresma nos convida à Conversão. Ela nos lembra que é preciso voltar o coração para Jesus Cristo. Mas, infelizmente quando o pecado toma conta, corremos um grande risco. O risco de não enxergar mais o pecado. E tudo é normal. Afinal, todos fazem assim. Coragem! Deixemo-nos Transfigurar em Cristo. São Tomás de Aquino, na Suma Teológica,III,q.45,a.4 ad 2, ainda nos diz: “Assim como no Batismo de Jesus, onde foi declarado o mistério da primeira regeneração, se mostrou a ação de toda a Trindade, já que ali esteve o Filho Encarnado, o Espírito Santo em forma de pomba e se houve a voz do Pai; assim também na Transfiguração, que é como o sacramento da segunda regeneração (a ressurreição), apareceu toda a Trindade: o Pai na voz, o Filho no homem, e o Espírito Santo na claridade da nuvem; porque assim como Deus Uno e Trino dá a inocência no Batismo, da mesma forma dará aos Seus eleitos o fulgor da glória e o alívio de todo o mal na Ressurreição…”. Na verdade, a Transfiguração foi um certo sinal, não só da glorificação de Cristo, mas também da nossa.

 

Os domingos da Quaresma são dias de “escrutínio”, não só para os catecúmenos que se preparam para o Batismo, mas também para cada cristão e para cada comunidade paroquial com ações pastorais que se podem fazer com aqueles que terão um especial contacto com os sacramentos da iniciação cristã: pais que querem batizar um filho ou que têm um filho a preparar-se para a 1ª Comunhão; jovens que se preparam para o Sacramento da Confirmação. As leituras deste domingo são um convite à reflexão profunda da nossa fé. Iremos ler na 1ª leitura, durante o ciclo quaresmal, diversos momentos da História da Salvação. Hoje, é-nos apresentado o sacrifício de Abraão, nosso pai na fé. Abraão é um peregrino que confia em Deus e que por Ele tudo arrisca, inclusivamente o seu filho. Deus fez uma aliança com Abraão e agora lhe exige uma resposta de fé. É a fé que levará Abraão a peregrinar, confiando em Deus, até à terra prometida. Da sua descendência, surgirá um novo povo. Aceitar sacrificar o seu próprio filho a Deus, é uma prova de que Abraão tem uma fé forte, “adulta”. Ele não duvida em doar, por amor, tudo a Deus. É o anúncio do sacrifício real de Cristo na Cruz. Não deve ter sido fácil para Abraão aceitar o pedido de Deus (sacrificar o seu próprio filho); estava diante do mistério incompreensível de Deus. Esta situação também aconteceu a Pedro, Tiago e João, no Monte Tabor, que, perante o mistério de Deus, não compreendiam o anúncio da cruz e da ressurreição. Porém, confiaram (a fé é sempre protagonista) que um dia iriam compreender a fonte de vida nova que Deus lhes concedia. Para compreenderem a transfiguração de Jesus e participar dela, estes apóstolos tinham Moisés e Elias (a Lei e os Profetas). Na vida do cristão, a Palavra de Deus recebida da Igreja e na Igreja deve orientar para a Eucaristia pelo caminho da fé. Assim, abrir-se-ão horizontes de contemplação e de vida nova. A subida ao Monte Tabor teve início na vida humana que é sujeita a tentações, como vimos no passado domingo. No contexto quaresmal em que nos encontramos, é importante ligar e relacionar a mensagem de cada domingo. A vida de fé que se recebe no Batismo e que nos preparamos para celebrar no seu núcleo central da Páscoa, é uma vida a ser vivida “descendo o monte”, na normalidade do quotidiano, onde a tentação poderá aparecer. Desejar viver sempre na “transfiguração”, seria querer “viver nas nuvens” (“é bom estarmos aqui”), recusando a vida com os seus sacrifícios e com as suas dificuldades; seria uma outra tentação, ou seja, querer fugir da nossa condição humana. Todavia, é muito importante “subir o monte com Jesus” para novamente ouvirmos a voz que diz: “Este é o meu Filho muito amado: escutai-O”. Esta frase dá-nos a certeza de que Deus está sempre conosco e que não há nada neste mundo que nos possa tirar esta segurança (cfr. com a 2ª leitura). Esta “experiência de fé” transforma o nosso modo de encarar a vida, faz-nos ver a vida de uma maneira diferente, faz-nos ser testemunhas da nossa esperança. Todos os sacramentos são momentos de transfiguração. O Batismo é a primeira experiência de Deus em nós. Mas, a Eucaristia é sempre uma experiência de transfiguração que nos leva para a vida mais “transfigurados”, ou seja, cada um de nós é um ícone da vida de Deus em nós. A Eucaristia transfigura o nosso olhar, leva-nos a olhar os outros com o olhar de Deus e a descobrir neles o próprio Jesus que caminha conosco.
Com informações do Missal Romano, da CNBB e do SDPL

 

SEGUNDO DOMINGO DA QUARESMA – Ano B
Padre Wagner Augusto Portugal, Vigário Judicial da Diocese da Campanha, MG

“Meu coração disse: Senhor, buscarei a vossa face. É vossa face, Senhor, que eu procuro, não desvieis de mim o vosso rosto” (Sl 26, 8s)
Meus irmãos e minhas irmãs, Vamos caminhando no nosso grande retiro espiritual na Santa Quaresma, tempo de penitência e tempo de conversão. Tempo da escuta da Palavra de Deus e dos seus desígnios para a nossa caminhada diária para que possamos voltar para a amizade com Deus. Deus não quer a morte do pecador, mas sim que esse pecador se converta e viva uma vida em abundância, dando testemunho do kerigma cristão. Na primeira Leitura – Gn 22,1-2.9a.10-13.15-18) apresenta Abraão obediente até o sacrifício de seu filho único. Pedindo que Abraão sacrificasse seu Filho, Deus não apenas testou a sua obediência, mas colocou em questão todo o futuro de sua descendência. Será que Deus precisa de tais provas para saber se o homem lhe é fiel? Ou será que a fidelidade e a confiança só crescem quando são provadas? Prestes a sacrificar toda a segurança, o homem se torna realmente livre; e é assim que Deus o quer, para que seja seu aliado. Abraão foi sempre obediente a Deus. Abraão, observando seus contemporâneos, percebe que tal é o amor que têm por seus deuses que chegam a sacrificar-lhes seus primogênitos. Parece-lhe, então que o amor de Deus exige dele o sacrifício de Isaac. Mas Deus o impede, não quer a morte do homem, mas a vida. Abraão passa, então, a considerar Isaac como duplo dom de Deus: nascido de Sara estéril e salvo da morte. De qualquer modo, a disponibilidade da fé de Abraão é agradável a Deus, que renova as promessas a ele feitas. Prezados irmãos, Na Carta de São Paulo aos Romanos(Rm 8,31b-34) Deus não poupou seu único Filho. Quem, de fato, sacrifica seu filho não é Abraão, mas é Deus mesmo: prova de seu amor por nós, que não conseguimos imaginar, mas no qual acreditamos firmemente. A fidelidade de Deus anunciada na primeira leitura é aqui plenamente proclamada: Deus está com todos os que têm fé e que por ela foram justificados. Assim, também, Cristo que, em sua fidelidade ao Pai, deu a vida por nós, não pretende condenar-nos. Esse argumento pode resumir-se numa pergunta: “Quem nos separará do amor de Cristo e do Pai?”. Nesse contexto, há uma única resposta: só nós podemos separar-nos do amor de Deus em Cristo Jesus. Deus jamais tomará a iniciativa da ruptura. Ele é um Deus fiel. Caros irmãos, A liturgia deste domingo é repleta do mistério de Deus: a sua transfiguração. Esta passagem bíblica tem um significado muito profundo, tendo em vista que o saudoso Pontífice João Paulo II, na sua Carta Apostólica do Rosário da Santa Virgem Maria, incluiu como quarto mistério luminoso exatamente da perícope que hoje refletimos a Transfiguração do Senhor Jesus. Mas, irmãos, o que vem a ser a Transfiguração? A Transfiguração é o momento em que Jesus revela sua glória diante de seus discípulos. Esse é o resumo do Evangelho deste segundo domingo da Santa Quaresma. Devemos situar esta visão no contexto em que Marcos criou ao conceber a estrutura fundamental dos evangelhos escritos. Na primeira parte de sua atividade, Nosso Senhor Jesus Cristo se dirige às multidões, mediante sinais e ensinamentos, que deixam transparecer o “seu poder e a sua autoridade”, mas não dizem nada sobre o Seu Mistério Interior. Na segunda metade de seu Evangelho, ele fala que Jesus revela às suas testemunhas  – e depois discípulos – o seu Mistério interior: sua missão do Servo Padecente e sua união com o Pai. O que foi confiado a Jesus pessoalmente, pelo Pai, na hora do Batismo, quando a voz da nuvem lhe revelou: “Tu és o meu filho muito amado, em quem eu pus minha afeição” (Mc 1,11). Agora é revelado aos discípulos: “Este é o meu filho amado, escutai-o”. Isso para demonstrar que os mistérios de Deus não podem ser reservados para poucos, mas devem ser comunicados e partilhados com muitos para a edificação do Reino de Deus que se inicia na nossa peregrinação por este mundo. O Evangelho de hoje(Mc 9,2-10) nos mostra quem é Aquele que nos veio salvar e em que nos haveremos de transformar, se superarmos as tentações da vida presente pela contínua conversão aos seus ensinamentos e sua pessoa: seremos transfigurados. Meus irmãos, O Antigo Testamento é um compêndio de recados para o povo de Israel. Ali está presente a aliança entre Deus e a Nação Israelita. O povo prometeu: “Faremos tudo o que o Senhor nos disse!” (Ex 24,3). Mas Jesus veio inaugurar um novo tempo. Deus nos apresenta o seu Filho Jesus, a nova Arca da Aliança, o novo templo de Deus, e recomenda com insistência: “Escutai-o!” Este era o dever dos apóstolos e o nosso hoje: escutar Jesus com mais atenção do que o povo de Israel escutou Moisés, que lhes transmitira a vontade de Deus. Apesar da morte, ele tem palavras de vida eterna. Os caminhos de Deus ultrapassam as razões da inteligência humana; quanto mais, quando se trata da morte de quem, por definição, é imortal. Jesus não se transfigura para deslumbrar seus discípulos e seguidores e demonstrar-se superior a eles. Jesus tratou de um gesto para inspirar, criar e fundamentar a confiança de quem tinha razão para ter medo. Morte e vida não se contradizem, mas fazem parte de um processo natural e de um mistério de fé e esperança cristã. Jesus, Filho de Deus Altíssimo e destinado para ser rei eterno e universal, devia passar pelos escarros, pelas dores e pela morte. Por isso, o Monte Tabor e o Monte Calvário, postos hoje um perto do outro, nos ajudem a compreender que no mistério da dor há ricas e encantadoras sementes divinas. O monte da Transfiguração é colocado hoje à luz do Monte Calvário. Não pelo formato geográfico, porque o Calvário não passa de uma pequena elevação, mas pelo seu significado simbólico dentro da história da salvação. O Calvário é marcado pelo sangue e pela dor, mas de seu chão brotam as raízes da vida eterna. O Tabor vem hoje envolto de luz e divindade, entretanto, profetizando um caminho de aniquilamento: cumprir a vontade do Pai até o extremo da renúncia e da morte. No Tabor ecoa a voz amorosa do Pai: “Este é meu filho muito amado, escutai-o”. No Calvário ouvimos a célebre frase da condição humana do Senhor: “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?” Aos olhos da fé, os dois montes se fundem, porque a crueza do Calvário revela a extrema misericórdia e o infinito amor de Deus. A morte que Jesus anuncia como a sua, morte violenta, convida-nos a morrer diariamente para o pecado, a cada minuto, a cada instante, procurando sempre passar do Calvário para o Tabor, da desgraça para a luz, do pecado para a graça salvadora. Morrendo para o pecado estamos transfigurando para a vida eterna. Meus irmãos, Aparecem Moisés e Elias. Moisés o maior legislador e  Elias o mais santo dos profetas. Jesus Cristo superou todos os profetas, porque nele se completou o tempo da salvação, porque “Ele é o Meu Filho muito amado”. Por isso, as atitudes que devemos cultivar nesta segunda semana da Quaresma são as seguintes: a humildade, o despojamento, o serviço, a doação em prol de muitos. Só podemos aceitar este ensinamento na confiança de que ele teve razão. A razão de Jesus é a razão do Batismo, em que somos lavados do pecado e inscritos como cidadãos do céu. Valorizamos nosso Batismo, passando do Calvário – sofrimento e pecado – para o Tabor – alegria e graça santificante de Deus. Portanto, somos convidados a subir com Jesus a montanha e, na companhia de três de seus discípulos, viver a doce e cândida alegria da comunhão com ele. Somos embalados pelo testemunho da fé de Abraão e de Sara, que, obedientes à palavra de Deus e portadores da palavra da Salvação, desafiaram as deficiências da velhice e da esterilidade para gerar numerosa descendência. As dificuldades e sofrimentos da caminhada não podem nos abater ou desanimar. No meio dos conflitos da vida, o Pai nos permite vislumbrar, desde já, sinais de ressurreição e nos dá o mandamento de escutar a palavra de Jesus, o Filho amado. Renunciando aos vícios, libertando de tudo que vai contra os valores do Evangelho vamos assumir a nossa vocação de servir a Cristo, que é servir aos irmãos na busca de maior solidariedade e fraternidade. Amém!

O pensamento sobre o Reino dos Céus

Por Cônego José Geraldo Vidigal de Carvalho

À reflexão de seus seguidores Jesus propôs um dos temas mais difíceis sobre qual seja o Reino dos céus. Pedagogo Divino, Cristo expôs inúmeras parábolas para falar sobre os mistérios deste Reino (cf. Mt 13, 1-52). Não é, realmente, fácil reportar às verdades invisíveis. O grande perigo é projetar falsas idéias no Reino, que já é agora uma realidade, mas que ainda está para se consumar para cada um. Há sempre toda uma carga de nosso imaginário consciente ou inconsciente. Cumpre evitar pintar o Reino a vir com as cores de um paraíso à moda das grandes mitologias pagãs, com suas descrições encantadoras, mas irreais.
Para deixar claro em que consiste o Reino, o Mestre Divino recorreu às parábolas, ou seja, a narrações alegóricas nas quais o conjunto de elementos evoca, por comparação, outras realidades de ordem superior.
É impossível fechar numa descrição unívoca o que é o Reino dos céus. Ele escapa a toda determinação precisa. Ele, porém, está intimamente ligado à Pessoa mesma que o anuncia: Jesus de Nazaré. É tesouro oculto, pérola rara, comparação que mostra sua preciosidade. Quem o valoriza deixa qualquer outro bem para ter a posse dele.
Neste Reino, representado por uma rede, entram bons e maus, mas um dia se dará a separação definitiva no fim dos tempos, quando os infiéis receberão justo castigo. Para isso cumpre fugir da utopia política e não se deixar levar pelo fervor dos falsos profetas e seus arroubos messiânicos. Promessas dos que fabricam usinas de ilusão. É preciso ficar atento às mensagens da mídia que não passam de sistema de ideias dogmaticamente organizado como um instrumento de enganação política.
Somente Jesus tem promessas de vida eterna no Reino dos céus. O céu e a terra passarão, mas felizes os que compreendem a salvação que Deus oferece em seu Filho Jesus Cristo. Entretanto, como o Reino dos céus é algo a ser conquistado, apenas os que cooperarem para o progresso e o desenvolvimento da cidade terrena, competentes nas tarefas específicas confiadas a cada um é que poderão, um dia, possuir em plenitude este Reino lá na eternidade.
Trata-se do cumprimento do dever em casa, no trabalho, no apostolado. É preciso, de fato, ir além da estrutura social para sempre contemplar as pessoas que vivem os acontecimentos históricos como co-herdeiros do céu.
O pensamento do Reino dos céus não pode ser alienante, mas deve levar a ações concretas a bem do próximo. Mostra que as instituições e a sociedade no seu conjunto devem estar a serviço, sobretudo, dos marginalizados, dos mais pobres e deserdados da fortuna. Ao falar do Reino dos céus, Jesus nos convida precisamente a modificar nossa maneira e nossos critérios humanos.
É participando da história do mundo visível que cada um trabalha para que ninguém perca o rumo do Paraíso. São os mesmos atos, as mesmas decisões, os mesmos engajamentos que tomam sentido e valor numa e noutra realidade. Corre-se, de fato, o risco de se ater a valores diferentes segundo os critérios do mundo e os do Reino.
Tão somente alguém entrará no Reino se puder dizer ao deixar esta terra: “O mundo ficou melhor porque eu por ele passei”. É, portanto, participando de acordo com a vocação específica de cada um e sua responsabilidade social que se entrará na posse definitiva do Reino oferecido por Cristo. Trata-se de cultivar os talentos que o Ser Supremo conferiu a cada ser pensante, velando pelos irmãos no meio dos quais Deus nos chama a servi-Lo. Deste modo se aguarda o retorno de Jesus na hora da morte e no fim dos tempos.
Esta expectativa é que permite a cada um se situar de maneira justa nos engajamentos concretos que é preciso assumir na sociedade em que vive. É esta abertura contínua para o outro que nos guarda de toda idolatria funesta e de todo descorajamento. Estas foram as primeiras palavras de São João Paulo II ao assumir a Cátedra de Pedro: “Não tenhais medo. Abri todas as portas da sociedade a Cristo”. Essa é a tarefa sublime do cristão que deve trabalhar no desenvolvimento integral das pessoas, levando a mensagem do Reino dos céus. É pedir então a Jesus que dê a cada um de Seus seguidores olhos para ver as necessidades do próximo e ouvidos para entender os apelos do Espírito Santo. Então, sim, o seguidor do Mestre Divino será semelhante a um proprietário que tira de seu tesouro coisas novas e velhas. Para isso é necessário pedir sempre ao Senhor: “Venha a nós o vosso Reino” e trabalhar corajosamente para que todos deles participem para glória de Deus e bem das almas.

 

PLACA DE IGREJA NÃO SALVA NINGUÉM, QUEM SALVA É JESUS E / OU « IGREJA NÃO SALVA NINGUÉM, QUEM SALVA É JESUS »
Por Pe. Inácio José Schuster

Hoje em dia muitos utilizam essa falsa expressão, difundida principalmente no meio protestante, para dizer que rótulo de Igreja não salva ninguém, ou ainda, que não precisamos de Igreja para ser salvo, basta crer em Jesus.
Esta frase repetida aos quatro ventos pelos “filhos de Lutero” pode levar o leitor desatento a pensar que seja uma verdade.
Ledo engano! Não passa de falácia ou sofisma (= mentira com aparência de verdade).
– Essa expressão equivale a dizer: «Bisturi não opera ninguém, quem opera é o médico».
– Ora… assim como o médico opera através do bisturi, também Jesus salva através da Igreja.
– Ou será que Jesus iria fundar uma Igreja que não vale nada?
– Se Jesus fundou UMA IGREJA e prometeu estar nela até o fim do mundo (Mt 28, 20), é evidente que ela é NECESSÁRIA para a salvação. Por isso os Padres da Igreja nunca tiveram dúvidas: FORA DA IGREJA, NINGUÉM SE SALVA!
“Cristo é a Cabeça do corpo da Igreja” (Cl 1, 18). Portanto Ele salva com a Igreja. Ele age através dela, para efetivar a sua obra salvífica.
Na Parábola do Bom Samaritano (que é o próprio Jesus), Ele salva o homem caído (todos nós), e o leva à Hospedaria (Igreja). Entrega ao hospedeiro (Pedro = o Papa) duas moedas (Antiga e a Nova Aliança). E vai embora (volta ao Céu). Mas voltará no fim dos tempos.
Feridos como ficamos, fora da Hospedaria (Igreja) não sobreviveremos até sua volta! Portanto, fora da hospedaria você morre. – SÓ NA IGREJA TEMOS A CURA (Confissão) e o ALIMENTO (Eucaristia).
Quanto às milhares de seitas protestantes (que eles chamam de “igrejas”), elas nada têm a ver com Jesus. São frutos de mentes INCHADAS DE SOBERBA, que provocaram divisão e confusão no povo de Deus… e, portanto, SÃO OBRAS DO DIVISOR (diabo = o que divide).
A Igreja não salva se o que salva na Igreja for algo que não seja a fonte de salvação. Ou seja, a Igreja nunca salvará ninguém se a fonte de salvação que ela propõe for ela por ela mesma.
Entretanto a Igreja pode sim salvar, se nela estiver contida a fonte da salvação, a mensagem de Cristo para todos os povos, para a justificação e salvação dos povos, que guarda a riqueza do “depósito da fé” e que oferta o Corpo e o Sangue do Cordeiro para que todos tenham a vida eterna.
A Igreja que possui isto, salva.
Ela salva não por ela, pela sua física, mas pela graça que ela traz em seu tesouro, assim como somos salvos não pelos nossos méritos, mas pela graça de Deus agindo em nós.
Mas é interessante esta afirmação nascida das igrejas protestantes. A Eclesiologia protestante, afastando-se progressivamente da mensagem do Evangelho e se aproximando cada vez mais da mensagem dos seus fundadores, desloca o papel da igreja para segundo, terceiro, quarto ou até plano nenhum. Não precisa ir em igreja para ser salvo, basta ler a bíblia – sozinho – em casa que está tudo bem.
Jesus veio, edificou uma Igreja, mas ninguém precisa estar nela.
A Igreja é o Corpo de Cristo, mas ninguém precisa dela, não salva ninguém, ou seja, o Corpo de Cristo não salva ninguém. O protestante pode ser sua própria “igreja”, afinal, ele tem a bíblia, e somente a bíblia e toda ela – Sola Scriptura / Tota Scriptura – é necessária à salvação. Ai! de quem não souber ler.
E o que mais é hilário, sem querer ser mórbido com isso, é que as igrejas protestantes se vêm vazias. Não foram poucas as vezes em que eu já escutei um protestante dizer: “Eu creio em Deus, já é o bastante”…
Os protestantes costumam dizer que “placa de igreja não salva ninguém”… Placa de Igreja não salva, mas pertencer à verdadeira Igreja salva, pois quem estava fora da arca de Noé foi envolvido pela água do dilúvio, e assim na barca de Pedro, a Igreja, quem não estiver nela pode encontrar o mesmo fim, só que de forma menos molhada.

A Igreja é chamada a proclamar a Palavra até o martírio

Missa na Casa Santa Marta, segunda-feira, 24 de junho  de 2013, Da Redação, com Rádio Vaticano

Francisco destacou que a Igreja não deve conservar algo para si, mas estar sempre a serviço do Evangelho

Como São João, a Igreja é chamada a proclamar a Palavra de Deus até o martírio. Foi o que sublinhou o Papa Francisco na Missa celebrada nesta manhã, 24, na Casa Santa Marta. No dia em que a Igreja celebra a Solenidade do Nascimento de São João Batista, o Papa reafirmou que a Igreja não deve jamais conservar algo para si mesma, mas estar sempre a serviço do Evangelho.

O Santo Padre explicou que o mistério de João é que ele nunca se apodera da Palavra; o sentido de sua vida é indicar o outro. Francisco atentou ainda para o fato de que a Igreja escolheu para a festa de São João um período em que os dias são mais longos, em que há mais luz, e realmente João era o homem que carregava a luz.

“João parece ser nada. Essa é a vocação de João, anular-se. E quando contemplamos a vida deste homem, tão grande, tão poderoso – todos acreditavam que ele era o Messias -, quando contemplamos essa vida, como se anula até a escuridão de uma prisão, contemplamos um grande mistério. Nós não sabemos como foram os últimos dias de João. Não sabemos. Sabemos apenas que ele foi morto, a sua cabeça colocada em uma bandeja, como grande presente para uma dançarina e uma adúltera. Eu acho que mais do que isso ele não podia se rebaixar, anular-se. Esse foi o fim de João”.

O Papa contou que a figura de João o faz pensar muito na Igreja, que existe para proclamar, para ser a voz da Palavra e proclamá-la até o martírio. “João poderia tornar-se importante, poderia dizer algo sobre si mesmo. Mas eu creio jamais faria isso: indicava, sentia-se voz, não Palavra. (…) Ele não queria ser um ideólogo. Era o homem que negou a si mesmo para que a Palavra se sobressaísse. E nós, como Igreja, podemos pedir hoje a graça de não nos tornarmos uma Igreja ideologizada”, disse.

A Igreja, segundo acrescentou o Santo Padre, deve ouvir a Palavra de Jesus e se fazer voz, proclamá-la com coragem. Ele concluiu falando do “modelo” que João oferece neste dia de hoje para os fiéis e toda a Igreja: uma Igreja que esteja sempre a serviço da Palavra, que nunca tome nada para si mesma.

“Hoje na oração pedimos a graça da alegria, pedimos ao Senhor para animar esta Igreja no seu serviço à Palavra, de ser a voz desta Palavra, pregar essa Palavra. Vamos pedir a graça: a dignidade de João, sem idéias próprias, sem um Evangelho tomado como propriedade, apenas uma Igreja voz que indica a Palavra, e isso até o martírio. Assim seja!”

Rezemos pelas almas do Purgatório

Hoje, 02, Dia de Finados, a Igreja celebra Missas nas paróquias e cemitérios, especialmente em intenção dos falecidos. Para nós cristãos participar desta celebração é um ato de gratidão e fé, pois é o dia em que nos lembramos de nossos entes queridos que estão juntos de Deus.

Para os que tem fé, a morte não é o fim da vida, mas o momento que partimos para a vida eterna. A liturgia nos diz: ‘Para os que creem a vida não é tirada, mas transformada’.

Segundo professor Felipe Aquino, essa frase é muito significativa, pois reforça que a vida não termina após a morte, mas continua de uma outra forma.

“Depois da morte, o corpo separa-se da alma. O corpo fica na terra; e a parte espiritual (alma), onde está todo o intelecto – a vontade, a liberdade, a ciência, a capacidade de amar e a memória – é preservada. Agora, a alma vive sem o corpo, é uma vida nova e volta-se para Deus”, explicou professor Felipe.

O Catecismo da Igreja Católica traz uma reflexão muito bonita e rica para falar sobre a morte, além de ser a visão correta e teológica da Igreja.

“Eu recomendaria que olhássemos, na primeira parte do Catecismo, o credo que diz: ‘Creio na vida eterna’. Este trecho traz uma visão muito bonita e correta, porque é a palavra da Igreja. Penso que é a melhor reflexão sobre a morte que está no Catecismo. Existem muitos livros sobre isso e vários santos escreveram sobre o assunto, como Santa Teresa, Santo Afonso de Ligório, Santo Agostinho e muitos outros, os quais falaram sobre a morte, mostrando exatamente que nós tivemos de morrer por causa do pecado original. A natureza humana foi criada sem defeitos por Deus, mas o pecado original se tornou a natureza defeituosa. Assim, o homem passa pela morte e se refez, ou seja, ele adquire uma vida na eternidade que não tem mais as sequelas desta vida terrena de sofrimento, angústia e tristeza”, citou o professor.

A morte é o momento de passagem e de alegria para aquele que tem fé, pois eles entenderam a beleza do que vem depois da morte.

Neste Dia de Finados, a Igreja propõe aos católicos que pensem nos mortos, mas com a esperança na Ressurreição. Portanto, para os cristãos que visitam o cemitério e rezam pelos falecidos, a Igreja concede uma indulgência plenária.

Na semana das almas, do dia 1º ao dia 8 de novembro, a Igreja concede Indulgência Plenária para aqueles que já faleceram, ou seja, é quando rezamos pela alma de alguém. É um momento especial que a Igreja coloca para o sufrágio da alma (oração pelos mortos).

“A indulgência é o cancelamento das penas devidas pelos pecados que nós cometemos e que já foram perdoados na confissão. Mas é preciso explicar uma coisa: quando se comete um pecado grave, há duas consequências: a culpa e a pena. A culpa é aquela ofensa que se faz a Deus e a confissão perdoa. No entanto, ainda fica a chamada ‘pena temporal’, o estrago causado pelo pecado na sua própria alma, porque você deixou de ser mais santo. Então, há de querer recuperar isso. Essa pena nós cumprimos aqui na terra com orações e penitências ou no purgatório se a pessoa morrer com elas”, esclarece professor Felipe.

Para ganhar essa indulgência é preciso fazer uma boa confissão, participar da Eucaristia, rezar um Pai-Nosso e uma Ave-Maria e realizar um destes momentos: um terço em família diante de uma imagem sagrada ou 30 minutos de adoração do Santíssimo na Igreja ou fazer a via-sacra na Igreja, seguindo as 14 estações ou 30 minutos de leitura meditada da Bíblia.

“Mas que um dia de tristeza, finados é um dia de esperança, assim como diz a liturgia: ‘Se um dia a lembrança da morte nos entristece, a certeza da Ressurreição nos alivia e nos consola’”, disse Aquino.

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