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Santo Inácio de Loyola – 31 de Julho

‘Sermão sobre Santo Inácio de Loyola’
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Santo Inácio de Loyola: Soldado de Cristo  
“Ele será um dia o defensor, o sustentáculo, o ornamento da Igreja; será reformador do mundo. Por ele, a luz do Evangelho será levada às mais longínquas nações” (testemunho do primeiro confessor de Santo Inácio).
Pe. Ignacio Montojo Magro, EP  

Muito já se escreveu sobre as vaidades do jovem Inácio de Loyola, anteriores à sua conversão. Menos apregoadas e de maior utilidade para nossos dias são as maravilhas que Deus operou nele e por ele.
Nascido em 1491, época em que as grandes navegações alargavam as fronteiras do mundo, o espírito irrequieto e turbulento de Inácio preferia os riscos da guerra a uma vida ociosa na corte.
Em combate na defesa de Pamplona, teve uma perna fraturada por um projétil. Submeteu-se a penoso tratamento, findo o qual notou que a perna ficara deformada. Ordenou, então, aos médicos que a quebrassem e consertassem. Não lhe sendo satisfatório o resultado dessa cirurgia, mandou fazer outra, pois não queria aparecer manco ante as donzelas da corte.
Essa têmpera de caráter e força de vontade, seu espírito insaciável de grandezas, tudo deve ser visto na perspectiva da grandiosa missão que a Providência lhe reservara de Fundador da Companhia de Jesus.
No período de convalescença, ocupou-se em ler os dois únicos livros existentes no castelo: a Vida de Cristo e a Vida dos Santos. Tocado pela graça divina, ele perguntou-se: “Por que não faço eu o que fizeram São Francisco e São Domingos? Se eles realizaram tão grandes feitos, por que não posso realizá-los também?”
Não formemos, pois, um juízo sobre Inácio, no seu ponto de partida, pois o que mais importa é a segunda fase de sua vida, sobretudo, o final de sua carreira.

Mudança de vida  
Uma vez recuperado, o jovem guerreiro estava decidido a penitenciar-se de seus pecados, pôr-se ao serviço de Deus e fazer por Ele grandes coisas, seguindo os exemplos dos Santos.
Uma noite, ele se prostrou diante de uma imagem da Virgem Maria e ofereceu-se a Jesus como seu fiel soldado. Ao concluir esta “consagração”, ouviu-se um grande estrondo no interior do castelo de Loyola, o qual foi abalado até os fundamentos. O quarto de Inácio foi mais violentamente atingido. Em suas altas paredes, produziu-se uma larga rachadura, existente até hoje. Era o demônio a manifestar sua fúria, na previsão dos terríveis golpes que sua malfazeja obra receberia da Companhia de Jesus.
O Capitão de Loyola estava com a mente povoada de exemplos lidos nas vidas de Cristo, de São Francisco, São Domingos, São Bruno e São Bento. Seu único anelo era, doravante, fazer por Deus grandes coisas. Ante esta manifestação extraordinária do espírito das trevas, ele tomou a resolução definitiva: “O que os santos fizeram, eu prometo, com a graça de Deus, fazê-lo também”. Não são mais as proezas da cavalaria profana que o atraem, mas esta santa emulação com os santos, no anseio de realizar grandes feitos “para a máxima glória de Deus”.
Naquela noite, apareceu-lhe a Santa Virgem com o Menino Jesus, durante um notável espaço de tempo. Após essa visão, ele sentiu que todas as imagens de sua vida passada lhe foram apagadas da alma. Desde então, jamais consentiu em qualquer tentação contra a virtude da pureza.
Iniciando sua nova vida, partiu em peregrinação para o Santuário de Nossa Senhora de Montserrat, onde fez uma confissão geral, após a qual trocou suas preciosas vestes pelas de um mendigo e depositou sua espada no altar de Nossa Senhora. A partir de então, só se ocuparia do serviço de Deus.

Comunicações divinas  
O próprio Divino Redentor se ocupou, por vias extraordinárias, de sua formação religiosa.
Certo dia, Santo Inácio estava na escadaria da igreja dos Dominicanos e recitava o ofício da Santíssima Virgem. De repente, o seu espírito foi arrebatado até ao seio de Deus, e lhe foi dado compreender o incompreensível mistério de um Deus único em três pessoas distintas. Ao sair da igreja, falou aos religiosos sobre este mistério numa linguagem sublime. Ninguém duvidava de que ele havia recebido luzes sobrenaturais. “Jamais algum doutor da Igreja falou tão eloqüentemente e com tanta clareza sobre este mistério!” — exclamavam admirados.
Durante um êxtase, Deus lhe infundiu um tal conhecimento das Sagradas Escrituras que, mesmo se elas desaparecessem, ele não hesitaria em sustentá-las à custa do seu sangue!
Voltando a si de outro êxtase — que durou oito dias, durante os quais não tomou alimento algum nem mudou de posição — exclamava embevecido: “Oh Jesus! Oh Jesus!” A quem lhe perguntava sobre este colóquio com Deus, limitava-se a responder: “É inexprimível!” Seus biógrafos são de opinião que nesse êxtase Deus revelou ao Santo os Exercícios Espirituais e o plano da Companhia de Jesus.

Nasce a Companhia de Jesus  
Santo Inácio partiu para Roma, onde passou a Semana Santa visitando as igrejas da Cidade Eterna e recebeu a bênção do Soberano Pontífice, Adriano VI. Ele sabia que Deus o destinava à fundação de uma Companhia de Apóstolos. Para isto, queria recrutar discípulos entre estudantes jovens e de valor. Pôs-se, então, a estudar as ciências humanas, passando pelas Universidades de Barcelona, Alcalá, Salamanca e Paris.
Em breve, o Santo reuniu em torno de si um grupo de escol: Pedro Fabro, Francisco Xavier, Diogo Laynes, Afonso Salmerón, Simão Rodrigues e Nicolau Bobadilha. Feitos os Exercícios Espirituais, todos mostraram-se dispostos a sacrificar tudo pela máxima glória de Deus. A 15 de agosto de 1534, pronunciaram os votos religiosos na igreja de Montmartre. Após esse solene ato, os novos apóstolos sentiam-se tão felizes que não mais podiam separar-se. Constituía-se assim o primeiro esboço da Companhia de Jesus.
A 8 de janeiro de 1537, Santo Inácio achava-se em Veneza, com seus discípulos, de onde os enviou a Roma. Pedro Ortiz, ex-professor em Paris, era embaixador do Imperador Carlos V junto ao Papa. Sabendo que os jovens professores da Universidade de Paris vinham pedir a bênção apostólica ao Soberano Pontífice, encarregou-se de lhes obter a audiência, elogiando suas virtudes e ciência pouco comuns. O Papa logo quis vê-los durante o jantar, ocasião em que foram convidados a tomar parte numa discussão.
Eles trataram com tão grande ciência e talento as questões propostas, e apresentaram os argumentos com tanta humildade, que Paulo III, não podendo conter sua admiração, abraçou-os dizendo: “Alegro-me de ver unida a tanta ciência tamanha modéstia”. Em seguida abençoou-os e deu aos que ainda não eram sacerdotes autorização para receberem as sagradas Ordens.

Atividade apostólica baseada na santidade de vida  
Decidiram, a partir daí, fazer apostolado nas cidades onde as universidades atraíam os jovens. Francisco Xavier e Bobadilha foram para Bolonha, Simão Rodrigues e Lejay para Ferrara, Broet e Salmerón para Siena, Codure e Hoces para Pádua. Santo Inácio dirigiu-se a Roma com Fabro e Laynez.
Pedro Ortiz obteve para Santo Inácio uma audiência com o Sumo Pontífice, que acolheu com alegria a proposta dos novos apóstolos, cujo zelo e ciência já haviam adquirido tanta reputação. O Papa quis lançá-los em atividade sem demora. Ao Pe. Laynez confiou a cadeira de Escolástica no Colégio Sapiência, e ao Pe. Fabro a de Escritura Sagrada. Quanto ao Pe. Inácio, encarregou-o do ministério apostólico em Roma, cujos costumes tinham grande necessidade de reforma.
Santo Inácio pregava os Exercícios Espirituais em público, obtendo em pouco tempo uma reforma geral dos costumes. Os novos apóstolos eram estimados e procurados por grandes e pequenos, graças à unção de sua palavra e santidade de suas vidas.

Virtudes próprias de Fundador e Superior Geral  
Na quaresma de 1538, Santo Inácio convocou seus filhos a Roma para a ereção definitiva da Companhia em Ordem Religiosa. Todos se apressaram a obedecer-lhe.
Apresentada a Paulo III as Constituições, o Papa as acolheu com estas palavras: “O dedo de Deus está aí”. A nova Ordem foi erigida por uma bula de 27 de setembro de 1540. Em 19 de abril de 1541, Santo Inácio foi aclamado Superior Geral da Companhia. Ele tudo vigiava e orientava. Estava ao corrente de tudo o que interessava a cada uma das casas da Ordem. Informava-se até dos progressos dos alunos de todos os colégios da Companhia. Os professores prestavam-lhe contas todas as semanas. Os trabalhos dos alunos eram vistos por ele. Lia tudo e fazia examinar esses escritos por outros.
Dirigia a casa de Roma, correspondia-se com os superiores das casas espalhadas pelo mundo, ocupava-se dos colégios, tratava os negócios da Igreja com o Papa e os Cardeais, mantinha correspondência com os soberanos da Europa, dirigia novas fundações, tudo isso sem interromper suas obras de misericórdia na Cidade Eterna, de que sempre dava exemplo aos seus discípulos. Pergunta-se, com razão, se isso é possível sem milagre. Deus multiplicava os prodígios em favor do Santo, para o desenvolvimento da Companhia.
Em Santo Inácio, conjugavam-se a flexibilidade com a firmeza, a sensibilidade com a disciplina, o arrojo com a prudência; a humildade não se opunha ao destemor na defesa da Santa Igreja; o despojamento de si mesmo era irmão do amor ao próximo. Todos estes aparentes antagonismos brilhavam na vida do Fundador. Requisitos, aliás, indispensáveis a uma instituição jovem que se desenvolvia com grande pujança em oposição à onda libertária que tudo procurava arrastar em sentido contrário.
Um seu discípulo narra que qualquer pessoa triste ou angustiada, ao aproximar-se dele, logo recobrava a paz de espírito e a verdadeira alegria. Sabia quando algum discípulo seu estava passando por dificuldade ou provação, e o confortava. Tinha o discernimento certeiro para a seleção dos candidatos a membros da Companhia. Era inflexível quanto à disciplina. Num dia de Pentecostes, chegou a expulsar doze noviços.
Mas estava longe de ser uma pessoa impulsiva. Pelo contrário, tinha tudo medido, pesado e contado. Às vezes adiava a execução de uma penalidade, ponderando: “Convém dormir sobre o caso”. Outras vezes dizia: “É preciso acomodar-nos aos negócios que não podem acomodar-se a nós; é necessário sabermos entrar pela porta de certas pessoas, a fim de as fazer sair pela nossa”.

Método pessoal de cativar e conduzir as almas  
Um noviço japonês, enviado a Roma por São Francisco Xavier, era tratado com extrema indulgência por Santo Inácio. Deu-lhe os encargos mais suaves, recomendando-lhe que o avisasse quando estivesse muito fatigado.
A um noviço italiano, de olhar muito vivo e aberto, o Santo disse: “Irmão Domenico, por que não procura fazer ler nos seus olhos a modéstia com que Deus aprouve adornar-lhe a alma?” Com estas poucas palavras, Domenico se corrigiu.
Às vezes o Santo era de uma severidade espantosa com alguns Padres veteranos, que ele estimava de todo o coração, querendo aperfeiçoá-los ainda mais pelo exercício da humildade.
Certo dia encontrou-se, no corredor do Colégio, com um jovem sorridente e alegre. O Santo perguntou-lhe:
— Por que andas sempre sorrindo?
— Sou feliz por estar em vossa Companhia! — respondeu ele.
— Continua sempre assim, pois a tristeza não cabe no serviço de Deus — disse o Santo, após abençoá-lo.
Tal jeito inaciano de cativar e atrair as gentes para a Igreja de Cristo era um eficaz instrumento de que se servia a graça divina para reaquecer no amor de Deus as almas que a heresia protestante havia esfriado na Fé.
É talvez por isso que, apenas com 16 anos de fundação, a Companhia de Jesus contava já com mais de 1000 membros, ocupando 100 casas, em 10 províncias.
O Padre Gonçalves da Câmara dizia: “Nesses tempos em que todos são obrigados a restringir-se, é um milagre da Providência a existência das nossas casas vivendo unicamente da caridade”.

Pronunciou pela última vez o santo Nome de Jesus e voou para Deus  
Chegou o ano de 1556. O grande combatente havia travado nesta terra, com argúcia e energia admiráveis, a gloriosa luta em defesa da Fé. Na Europa, seus filhos espirituais reconquistavam para a Igreja milhões de almas desgarradas pela heresia. Nos outros continentes, os missionários jesuítas, sempre infatigáveis e insaciáveis de almas a salvar, levavam a luz da Fé a milhões de infelizes pagãos. Sua obra estava consolidada, Deus resolveu chamá-lo a Si, para dar-lhe a “recompensa demasiadamente grande”.
No dia 30 de julho, Santo Inácio chamou o Padre Polanco e lhe disse:
— Chegou o momento de mandar dizer a Sua Santidade que estou prestes a morrer, e lhe peço humildemente sua bênção, para mim e para um dos nossos Padres, que não tardará a falecer também. Diga ainda a Sua Santidade que, depois de ter orado muito por ele neste mundo, continuarei a fazê-lo no Céu, se lá a divina Bondade se dignar receber-me.
— Os médicos não vos julgam tão mal como pensa… Posso adiar a incumbência para amanhã? — perguntou o Pe. Polanco.
— Faça como quiser, abandono-me à sua vontade — respondeu o Santo.
No dia 31, após receber a bênção apostólica, Santo Inácio pronunciou pela última vez o santo Nome de Jesus e sua alma voou para Deus. Foi canonizado em 12 de março de 1622. A bula de canonização menciona duzentos milagres operados por sua intercessão.
Eis o perfil de um Santo que poderia ter cantado, no ponto terminal de sua carreira, estas palavras do Magnificat: “O Senhor fez em mim maravilhas, Santo é o seu nome…”
Este é Santo Inácio de Loyola!

 

«Tinha alma maior que o mundo», diz Gregório XV na Bula de canonização e, na oração litúrgica do Santo, diz a Igreja que o Santo teve como missão propagar a maior glória do seu nome. A característica do ideal apostólico de Santo Inácio está na promoção da maior glória, que foi a substância verdadeira da sua atividade. A maior glória diante da simples glória; o ato intenso em oposição ao remisso, o assinalar-se e distinguir-se no serviço do Rei Eterno, que está bem longe do mero contentar da alma; o afeiçoar-se intensamente e fazer oblações de maior estima e momento, procurando sempre todo o serviço e glória da sua Divina Majestade.
A vida de santo Inácio divide-se em três períodos que refletem a grandeza da alma, a ascensão constante até ao cume. Nos trinta primeiros anos – 1491 a 1521 – foi cortesão e pecador, soldado vão e doidivanas. Desde 1521 até 1540 fez-se penitente, estudante e peregrino do ideal da maior glória de Deus.
Em 1540 e até à morte, que se deu em 1556, Inácio chega à posse do ideal e toma-se o capitão da Companhia de Jesus, legislador e vencedor em muitas batalhas. O mais novo de doze irmãos «era rijo e valente, muito animoso para empreender coisas grandes, de nobre ânimo e liberal, e tão engenhoso e prudente nas coisas do mundo, que naquilo em que se metia e a que se aplicava, mostrava-se sempre para muito». «Começando a ferver-lhe o sangue», «brioso e de grande ânimo», deu-se desde o começo a todos os exercícios de armas, procurando «avantajar-se» acima de todos os iguais, com desejo de alcançar nome de «valoroso».
Para os seus sonhos de ambição humana encontrou protetor no nobre cavaleiro de Arévalo, João Velázquez de Cuellar, contador maior de Castela. De pajem sobe a oficial do Duque de Nájera, vice-rei de Navarra. Um dia vai sozinho pelo passeio duma rua e diante dele vem uma «fila» de gente que não lhe cede a passagem, mas o empurra contra a parede. Inácio puxa da espada e arremete contra todos, disposto a matar e a morrer em defesa da sua honra. Sitiada Pamplona pelos Franceses, Inácio está ali como capitão. O perigo é grande. Não há sacerdote e ele pede perdão a Deus e confessa os seus pecados a um companheiro.
Tanta é a sua fé de cristão! O comandante Herrera e outros capitães querem render-se. Inácio interpõe-se e o seu valor impõe a resistência até ao fim. Só ao cair ferido por uma bala de canhão, se rende Pamplona ao inimigo francês. Caído o corpo, a alma continua de pé. Teve de sofrer tratamentos dolorosos; os ossos desencaixados houveram de ser reconduzidos ao lugar próprio. «Nunca disse palavra, nem mostrou outro sinal de dor senão apertar muito os punhos». Tinha-lhe ficado um osso «encavalado» noutro, de maneira que as pernas não estavam iguais. E leva a que lhe cortem o osso, com dor mais viva que a das curas, “a fim de poder usar uma bota muito justa e polida”. Quiseram-no atar, mas opôs-se. Em seguida foi necessário alongar-lhe a perna; para isso sujeitou-se a uma espécie de cavalete ou ecúleo.
Na longa convalescença de Loiola, cai-lhe providencialmente nas mãos a vida de Cristo e dos Santos. A alma começa a abrir-se-lhe para um mundo novo de grandeza. Se na noite do mundo, queria ser o primeiro, agora no dia da conversão precisa também de sobressair. “São Francisco fez isto, pois eu tenho de fazer o mesmo. São Domingos isto, pois eu tenho também de o fazer”. Mesmo antes da confissão geral, que lhe levou três dias, não o preocupavam tanto os pecados, quanto o fazer coisas grandes por Deus.
Para imitar os Santos, deixa a casa e os vestuários ricos, e esconde-se numa cova, nos hospitais; veste um saco de penitência, deixa crescer o cabelo e até as unhas; faz sete horas de oração ao dia e passa uma semana completa sem provar nem beber nada. Durante uma noite inteira vela armas de pé, diante da Senhora dos seus novos ideais e amores, Nossa Senhora de Monserrate, e realiza uma peregrinação à Terra Santa, sem nada desde o joelho para baixo. Em Barcelona é espancado e fica meio morto; ao deitarem-no, os amigos vêem que o seu vestuário interior é um asperíssimo saco.
Em 1535, ao tratarem-no, encontram-lhe as costas feridas e meio podres, por causa de tantas disciplinas. Tinha pensado em ficar na Terra Santa para a conversão dos Turcos, mas foi vontade de Deus que voltasse, e compreendeu em Barcelona que devia estudar por causa do apostolado. Entrou em aulas de latim com meninos de dez e doze anos, quando ele contava 33; ao mestre, que usava de certas considerações, pediu de joelhos para castigá-lo todas as vezes que não soubesse a lição.
Para os estudos de filosofia e teologia, peregrinou até Alcalá, Salamanca e Paris, exercitando o apostolado e a pregação, dando esmolas a estudantes pobres com o dinheiro que mendigava para a sua vida.
O ideal da maior glória de Deus vai tomando cada dia formas mais concretas. Os primeiros companheiros de Alcalá e Salamanca deixam-no; é em Paris que vai encontrar os que hão de ser capitães da Companhia de Jesus, que ele dirigirá como general. O primeiro que se lhe juntou, para nunca o deixar, foi Pedro Fabro, depois Xavier, e em seguida Laínez, Salmerón, Simão Rodrigues e Bobadilla.
A 15 de Agosto de 1534 fazem os primeiros votos em Montmartre, Paris, e nasce a Companhia de Jesus, que é confirmada por Paulo III em 1540. O conceito de santo Inácio sobre o mundo é guerreiro. Em Deus está o Imperador, tudo deve convergir para a sua glória. O Generalíssimo, na terra, é o papa; por isso, coloca aos pés do Sumo Pontífice a sua Companhia e dispõe que ela pronuncie um quarto voto de «especial obediência ao Sumo Pontífice no que se refere a missões entre hereges e pagãos». Era necessário conquistar os novos povos descobertos e reconquistar os antigos paganizados.
Requeriam-se batalhas e requeriam-se soldados que trabalhassem muito, comessem pouco, dormissem mal e lutassem de contínuo. «O fim desta Companhia não é somente ocupar-se, com a graça divina, da salvação e perfeição das almas próprias, mas, com a mesma graça, esforçar-se intensamente por ajudar a salvação e perfeição das do próximo». Sob o governo de santo Inácio desde 1540 até 1556, em que morre em Roma, a Companhia de Jesus consolida-se e expande-se; combate as primeiras e mais gloriosas batalhas pela maior glória de Deus.
É a última das religiões, mas o primeiro dos missionários, Xavier, leva a fé até ao centro do Japão; outros espalham-se pelas ilhas da Oceânia, nunca visitadas pelo zelo apostólico; outros chegam ao Indostão, Brasil e Etiópia. Fabro santifica com os exercícios de santo Inácio a camada mais alta das cortes do Imperador, do Rei de Portugal e do Príncipe dom Filipe. Laínez e Salmerón assombram com o talento e sabedoria a mais augusta assembléia do orbe, o Concílio Tridentino. Abrem-se colégios e universidades em toda a Europa, e em Roma os Colégios Romano e Germânico para a formação de apóstolos. Em 1544, já a comunidade do colégio de Coimbra subia a 45 membros.
Ao morrer Santo Inácio, a 31 de Julho de 1556, deixava um milhar de filhos, que se havia de multiplicar com o tempo. Estão espalhados por todo o mundo, sob as ordens diretas do Papa, animados pelo zelo e grandeza de alma de Inácio, que a meditação do Rei Temporal resume: «Os que mais se quiserem afeiçoar e assinalar em todo o serviço do seu Rei eterno e Senhor universal, não somente oferecerão as suas pessoas ao trabalho, mas também, indo contra a sua própria sensualidade e contra o seu amor carnal e mundano, farão oblações de maior estima e momento… que eu quero e desejo e é minha determinação deliberada, contanto que seja vosso maior serviço e louvor, imitar-vos em passar todas as injúrias e todo o vitupério e toda a pobreza tanto atual como espiritual».

 

EXERCÍCIOS ESPIRITUAIS de Santo Inácio de Loyola
Nasceu em Loiola na Cantábria (Espanha), em 1491; viveu primeiramente na corte e seguiu carreira militar. Depois, consagrando-se totalmente ao Senhor, estudou teologia em Paris, onde reuniu os primeiros companheiros com quem mais tarde fundou, em Roma, a Companhia de Jesus (Os Jesuítas). Exerceu intensa atividade apostólica não apenas com os seus escritos, mas formando discípulos que muito contribuíram para a reforma da Igreja. Morreu em Roma no ano de 1556.

Maneira de rezar um texto da Bíblia – como sugere Santo Inácio de Loyola
1. Escolha um lugar e hora para sua leitura orante. Pode ser que você aproveite o horário do almoço do seu serviço e vá a uma Igreja que fique aberta. Pode ser que você reze na sua casa, diante de uma simples estampa, de uma vela acesa. O importante é que você arrume um ambiente que ajude você a estar em oração.
2. Lembre-se! Por detrás e pela frente ele – nosso bom Deus – nos abrange (Sl 139/138). Em boa paz, acomode-se e acolha sua Presença amorosa e sábia.
3. Faça a oração preparatória, como os discípulos: “Ensina-nos a rezar!” Santo Inácio sugeria pedir ao Pai: Senhor, que todas as minhas orações e ações estejam voltadas somente para Ti!
4. Assuma com ele de dar o tempo que você combinou para a leitura orante. Se tiver tentação de diminuir, porque hoje não está “tão gostoso” como ontem, aumente um minutinho o tempo, mas nunca diminua! Sugerimos de 15 a 30 minutos cada dia.
5. Crie também um ambiente interno para sua oração! Santo Inácio chamava este momento de “composição de lugar”. Cada passagem do Evangelho vai pedir uma diferente: o presépio, uma casa humilde, um campo, a beira de uma estrada, uma feira livre, uma sala de uma casa rica, o Calvário. Vamos ajudar você em cada leitura. O importante é que você irá deixando que o que diz a Palavra de Deus “evangelize” também sua imaginação.
*Então você tome o texto da Bíblia. Leia todo, mas com calma, uma primeira vez. Pare um pouco: faça o pedido de graça, que aquele Evangelho sugere. Varia conforme o que Jesus quer mostrar.
*Depois leia de novo a passagem. Desta vez, versículo por versículo. Pare a cada versículo lido. Preste atenção ao “barulhinho” que ele faz lá dentro de você. Ou repare na “pequena chama” que o Espírito de Jesus acendeu dentro de você. Aprenda com seu coração. Diga para Jesus ou para o Pai ou para Maria ou para José ou para aquela mulher pecadora ou aquele discípulo o que seu coração falar!
*Terminando o tempo, agradeça o tempo, diga amais alguma coisa que você queira, responda a alguma inspiração ou apelo que você percebeu e se despeça rezando, com carinho, o Pai Nosso ou Alma de Cristo ou Ave Maria, conforme o caso e você preferir.
*É muito bom anotar, depois, a alguma coisa mais importante que foi dada a você: uma iluminação, uma inspiração, um apelo. Parece muita coisa de uma vez só? Não se impressione! Queremos ajudar a ir seguindo com sossego este bom caminho. Você vai ver como irá longe!
LEITURA: Lc 10, 38-42: Jesus entrou num povoado, e uma mulher, de nome Marta, o recebeu em sua casa. Ela tinha uma irmã, Maria, a qual se sentou aos pés do Senhor e escutava a sua palavra. Marta, porém, estava ocupada com os muitos afazeres da casa. Ela aproximou-se e disse: “Senhor, não te importas que minha irmã me deixe sozinha com todo o serviço? Manda, pois que ela venha me ajudar!” O Senhor, porém, lhe respondeu: “Marta, Marta! Tu te preocupas e andas agitada com muitas coisas. No entanto, uma só é necessária. Maria escolheu a melhor parte e esta não lhe será tirada”.
No seu lugar e na sua hora de oração, abra com carinho a Bíblia e leia o texto!
Faça sua oração preparatória: Senhor eu esteja somente com meu coração voltado para escutar teu ensinamento!
Composição de lugar: com os olhos da imaginação, veja Jesus na sala da casa de seus amigos, Lázaro, Maria e Marta (Jo 11,1). Imagine um rancho grande do interior. Pense como “gente da roça” sabe receber os amigos! Marta toma a frente, para que tudo saia bem. Lázaro deve ter ido matar uns frangos ou um cabrito para assar. Jesus está com seus acompanhantes, discípulos e discípulas.
Você é discípulo, discípula? Vá chegando! Fique à vontade!. Jesus fala e Maria de Betânia escuta e aprende! Hoje você também é como Maria de Betânia: quer ver Jesus, Caminho, Verdade e Vida e aprender com ele como é ser cristão.
Aproveite para fazer seu pedido de graça: Jesus, você disse que somente os puros de coração têm a felicidade de ver a Deus. Limpa meu coração de todo egoísmo, falta de solidariedade, raiva, ressentimento para que eu possa ver você, Bom Jesus!
Oração: Abri Senhor, os meus lábios para bendizer o vosso santo nome. Purificai o meu coração de todos os pensamentos vãos, desordenados e estranhos. Iluminai o meu entendimento e inflamai minha vontade para que possa rezar digna, atenta e devotamente esta oração, e mereça ser atendido na presença da vossa divina Majestade. Por Cristo, nosso Senhor Amém.
Ó Deus, que suscitastes em vossa Igreja Santo Inácio de Loiola para propagar a maior glória do vosso nome, fazei que, auxiliados por ele, imitemos seu combate na terra, para partilharmos no céu sua vitória. Por Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
Santo Inácio de Loiola rogai por nós!

Santo Evangelho (Mt 16, 13-19)

São Pedro e São Paulo, Apóstolos – Domingo 02/07/2017 

Primeira Leitura (At 12,1-11)
Leitura dos Atos dos Apóstolos:

Naqueles dias, 1o rei Herodes prendeu alguns membros da Igreja, para torturá-los. 2Mandou matar à espada Tiago, irmão de João. 3E, vendo que isso agradava aos judeus, mandou também prender a Pedro. Eram os dias dos Pães ázimos. 4“Depois de prender Pedro, Herodes colocou-o na prisão, guardado por quatro grupos de soldados, com quatro soldados cada um. Herodes tinha a intenção de apresentá-lo ao povo, depois da festa da Páscoa. 5Enquanto Pedro era mantido na prisão, a Igreja rezava continuamente a Deus por ele. 6Herodes estava para apresentá-lo. Naquela mesma noite, Pedro dormia entre dois soldados, preso com duas correntes; e os guardas vigiavam a porta da prisão. 7Eis que apareceu o anjo do Senhor e uma luz iluminou a cela. O anjo tocou o ombro de Pedro, acordou-o e disse: “Levanta-te depressa!” As correntes caíram-lhe das mãos. 😯 anjo continuou: “Coloca o cinto e calça tuas sandálias!” Pedro obedeceu e o anjo lhe disse: “Põe tua capa e vem comigo!” 9Pedro acompanhou-o, e não sabia que era realidade o que estava acontecendo por meio do anjo, pois pensava que aquilo era uma visão. 10Depois de passarem pela primeira e segunda guarda, chegaram ao portão de ferro que dava para a cidade. O portão abriu-se sozinho. Eles saíram, caminharam por uma rua e logo depois o anjo o deixou. 11Então Pedro caiu em si e disse: “Agora sei, de fato, que o Senhor enviou o seu anjo para me libertar do poder de Herodes e de tudo o que o povo judeu esperava!”

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Responsório (Sl 33)

— De todos os temores/ me livrou o Senhor Deus.
— De todos os temores/ me livrou o Senhor Deus.

— Bendirei o Senhor Deus em todo o tempo,/ seu louvor estará sempre em minha boca./ Minha alma se gloria no Senhor;/ que ouçam os humildes e se alegrem!

— Comigo engrandecei ao Senhor Deus,/ exaltemos todos juntos o seu nome!/ Todas as vezes que o busquei, ele me ouviu,/ e de todos os temores me livrou.

— Contemplai a sua face e alegrai-vos,/ e vosso rosto não se cubra de vergonha!/ Este infeliz gritou a Deus, e foi ouvido,/ e o Senhor o libertou de toda angústia.

— O anjo do Senhor vem acampar/ ao redor dos que o temem, e os salva./ Provai e vede quão suave é o Senhor!/ Feliz o homem que tem nele o seu refúgio!

 

Segunda Leitura (2Tm 4,6-8.17-18)
Leitura da Segunda Carta de São Paulo a Timóteo:

Caríssimo: 6Quanto a mim, eu já estou para ser derramado em sacrifício; aproxima-se o momento de minha partida. 7Combati o bom combate, completei a corrida, guardei a fé. 8Agora está reservada para mim a coroa da justiça, que o Senhor, justo juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos os que esperam com amor a sua manifestação gloriosa. 17Mas o Senhor esteve a meu lado e me deu forças, ele fez com que a mensagem fosse anunciada por mim integralmente, e ouvida por todas as nações; e eu fui libertado da boca do leão. 18O Senhor me libertará de todo mal e me salvará para o seu Reino celeste. A ele a glória, pelos séculos dos séculos! Amém.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Evangelho (Mt 16,13-19)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 13Jesus foi à região de Cesareia de Filipe e ali perguntou aos seus discípulos: “Quem dizem os homens ser o Filho do Homem?” 14Eles responderam: “Alguns dizem que é João Batista; outros que é Elias; outros ainda, que é Jeremias ou algum dos profetas”. 15Então Jesus lhes perguntou: “E vós, quem dizeis que eu sou?” 16Simão Pedro respondeu: “Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo”. 17Respondendo, Jesus lhe disse: “Feliz és tu, Simão, filho de Jonas, porque não foi um ser humano que te revelou isso, mas o meu Pai que está no céu. 18Por isso eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra construirei a minha Igreja, e o poder do inferno nunca poderá vencê-la. 19Eu te darei as chaves do Reino dos Céus: tudo o que tu ligares na terra será ligado nos céus; tudo o que tu desligares na terra será desligado nos céus”.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

 

A IGREJA CATÓLICA CELEBRA E VENERA HOJE
São Bernardino Realino, salvava almas para Deus

Durante sua linda caminhada de fé e testemunho, descobriu sua vocação, renunciou a tudo e entrou com 35 anos na Companhia de Jesus

Diante da vida do santo de hoje, poderíamos afirmar que nada tinha para chegar aos altares, até que passou a ter tudo, pois decidiu-se por Jesus. Bernardino Realino nasceu em Capri, próximo a Nápoles, em 1530, numa família religiosa que o promoveu para os estudos de Direito, o qual exerceu em Nápoles.

Como era de costume na época, o jovem andava armado com um punhal, até que diante de um desentendimento feriu gravemente um adversário, e por isso fugindo de complicações jurídicas e vingança, foi para o Norte da Itália.

Ao entrar na carreira política e administrativa, Bernardino progrediu, chegando a ser prefeito em muitas cidades. Jesus entrou em sua vida através de um sacerdote jesuíta, que falou sobre a riqueza da vida cristã e seus deveres. Desta maneira, Bernardino começou a rezar com empenho o Santo Terço, que o arrancou de todo indiferentismo religioso.

Durante sua linda caminhada de fé e testemunho, descobriu sua vocação, renunciou a tudo e entrou com 35 anos na Companhia de Jesus. Encaminhou-se ao Sacerdócio, exercendo-o na cidade de Lecce.

Como exemplo e reflexo do Bom Pastor, São Bernardino Realino no confessionário, pregação e direção espiritual salvava almas para Deus e com Deus, que o levou para o Céu com 86 anos.

São Bernardino Realino, rogai por nós!

 

São Pedro e São Paulo Apóstolos, principais líderes da Igreja Cristã Primitiva

Hoje a Igreja do mundo inteiro celebra a santidade de vida de São Pedro e São Paulo apóstolos. Estes santos são considerados “os cabeças dos apóstolos” por terem sido os principais líderes da Igreja Cristã Primitiva, tanto por sua fé e pregação, como pelo ardor e zelo missionários.

Pedro, que tinha como primeiro nome Simão, era natural de Betsaida, irmão do Apóstolo André. Pescador, foi chamado pelo próprio Jesus e, deixando tudo, seguiu ao Mestre, estando presente nos momentos mais importantes da vida do Senhor, que lhe deu o nome de Pedro.

Em princípio, fraco na fé, chegou a negar Jesus durante o processo que culminaria em Sua morte por crucifixão. O próprio Senhor o confirmou na fé após Sua ressurreição (da qual o apóstolo foi testemunha), tornando-o intrépido pregador do Evangelho através da descida do Espírito Santo de Deus, no Dia de Pentecostes, o que o tornou líder da primeira comunidade. Pregou no Dia de Pentecostes e selou seu apostolado com o próprio sangue, pois foi martirizado em uma das perseguições aos cristãos, sendo crucificado de cabeça para baixo a seu próprio pedido, por não se julgar digno de morrer como seu Senhor, Jesus Cristo. Escreveu duas Epístolas e, provavelmente, foi a fonte de informações para que São Marcos escrevesse seu Evangelho.

Paulo, cujo nome antes da conversão era Saulo ou Saul, era natural de Tarso. Recebeu educação esmerada “aos pés de Gamaliel”, um dos grandes mestres da Lei na época. Tornou-se fariseu zeloso, a ponto de perseguir e aprisionar os cristãos, sendo responsável pela morte de muitos deles.

Converteu-se à fé cristã no caminho de Damasco, quando o próprio Senhor Ressuscitado lhe apareceu e o chamou para o apostolado. Recebeu o batismo do Espírito Santo e preparou-se para o ministério.

Tornou-se um grande missionário e doutrinador, fundando muitas comunidades. De perseguidor passou a perseguido, sofreu muito pela fé e foi coroado com o martírio, sofrendo morte por decapitação. Escreveu treze Epístolas e ficou conhecido como o “Apóstolo dos gentios”.

São Pedro e São Paulo, rogai por nós!

Bebidas alcóolicas e festas de igreja

D. Orlando Brandes condena o uso de bebidas alcoólicas nas festas de igreja. Firma sua posição sobre doze itens que manifestam a inconveniência de fomentar o alcoolismo.

Como bispo de Joinville (SC), D. Orlando Brandes (hoje Arcebispo de Aparecida, SP) escreveu uma Carta aos seus diocesanos pela qual condena o uso de bebidas alcoólicas nas festas de igreja. O texto chegou a PR Pergunte & Responderemos – 531/2006

 

O USO DE BEBIDAS ALCOÓLICAS NAS FESTAS DE IGREJA
O alcoolismo é uma doença. É a primeira e a mais consumida de todas as drogas. É alarmante o índice de jovens, mulheres e adultos dependentes do álcool. Mortes no trânsito, violência familiar, infidelidade conjugal e doenças derivantes do álcool, são conseqüências negativas do hábito ou da dependência de bebidas alcoólicas. Grande parte do setor de ortopedia dos hospitais é ocupada por acidentados alcoolizados. Os gastos públicos são astronômicos, e poderiam ser evitados se houvesse mais conscientização.
As escolas e estádios proibiram o uso de álcool em suas festas. A CNBB promoveu e apoiou a Pastoral da Sobriedade e coordenou a Campanha da Fraternidade “Vida Sim, Drogas Não”. No texto-base está dito pela CNBB: “A pior das drogas é o alcoolismo”. Não podemos em nossas festas lucrar com dinheiro da pior das drogas e com festas mundanas, que levam o nome de “festa de igreja”.
Depois de três anos de conscientização, através de reuniões, assembléias pastorais, conselhos de pastoral e o aval do clero, a Assembléia Diocesana de Pastoral votou unanimemente em favor das festas sem álcool. Doze razões foram elencadas em carta enviada às comunidades para aprofundamento da questão. Eis os doze pontos:
1. O alcoolismo é uma doença. Nós somos pela defesa da vida, da saúde e da boa convivência humana. O quinto mandamento da lei de Deus manda: “Não matarás”. O álcool mata o alcoólatra e muitas vezes ele mata os irmãos em casa, nas festas, no trânsito e nas brigas.
2. O alcoolismo já está atingindo a juventude, as mulheres e também pessoas da Igreja. Não podemos continuar dando mau exemplo em nossas Igrejas e colaborar com o prejuízo das pessoas.
3. Temos na CNBB e nas Dioceses a Pastoral da Sobriedade. Na diocese de Joinville, temos a Pastoral Antialcoólica. Permitir bebidas nas nossas festas é um contra-testemunho e uma contradição com estas Pastorais.
4. Não somos contra as festas. Pelo contrário; o que queremos é que nossas festas sejam verdadeiramente religiosas, sadias, agradáveis, num espírito de família e de boa convivência. Nos lugares onde foram tiradas as bebidas alcoólicas, as festas melhoraram em tudo.
5. Para tirar as bebidas alcoólicas, é preciso implantar bem o dízimo nas comunidades. Onde o Dízimo é bem organizado, melhorou em muito o lado econômico da comunidade e pode-se então abolir as bebidas alcoólicas das festas sem prejuízo financeiro. O segredo está na boa implantação da Pastoral do Dízimo.
6. As festas com bebidas alcoólicas, mais a contratação de músicos, cantores e conjuntos musicais, acabam sendo muito dispendiosas. E a maior parte do lucro não fica na comunidade. Não podemos mais continuar apoiando coisas do mundo, nas festas religiosas. “Detesto vos¬sas festas, tornaram-se uma carga que não suporto mais” (Is 1, 14).
7. O povo e a comunidade, aprovam a abolição das bebidas alcoólicas em nossas festas. Quem ainda quer fazer festa com bebidas alcoólicas são as lideranças mais antigas, que não conhecem as novas experiências, de festas sem álcool. Algumas vezes pessoas da Igreja também não estão ainda bem convencidas no assunto. Geralmente quem bebe, são pessoas que não freqüentam a comunidade. Elas aparecem nas festas, depois não participam da comunidade.
8. As Paróquias e comunidades que já tiraram as bebidas alcoólicas de suas festas, começaram primeiro conscientizando a comunidade, e paralelamente implantaram a Pastoral do Dízimo. Algumas fizeram uma votação, ou melhor, um plebiscito. Tudo deu certo. O povo está feliz, e as finanças aumentaram, sem as bebidas alcoólicas nas festas.
9. Tirando as bebidas alcoólicas, estamos dando bom exemplo para outras religiões, colaborando com a saúde pública, sendo coerentes com nossa fé e nossas Pastorais.
10. Após alguns anos de conscientização, a Assembléia Diocesana de Pastoral, em 2005 votou pela abolição de bebidas alcoólicas em festas de igreja. Padres e lideranças, devem dar oportunidade de conscientização da comunidade sobre este assunto.
11. “Não vos embriagueis, mas enchei-vos do Espírito” (Ef 5, 18). A experiência tem mostrado que suco de uva e outras bebidas substituem as bebidas alcoólicas. Para maior clareza, decidimos que, se alguém aluga salões da igreja para casamentos e outros encontros, consideramos que tais festas não são promoção da igreja e por isso o uso de bebidas alcoólicas é da responsabilidade dos encarregados da festa.
12. Percebemos também que nas comunidades onde o Pároco assume a responsabilidade de tirar as bebidas alcoólicas, o povo aceita e as lideranças se rendem. Onde o Padre fica neutro ou é contra, é quase impossível a mudança do hábito.

Solenidade de São Pedro e São Paulo – Ano A

Por Mons. Inácio José Schuster

Este ano, a Solenidade de São Pedro e de São Paulo, Apóstolos, coincide com o domingo, substituindo a liturgia do domingo comum correspondente a este dia. É uma oportunidade para celebrar mais festivamente esta solenidade que nos recorda dois grandes personagens da história da nossa fé cristã, ou seja, os dois grandes apóstolos de Jesus Cristo. Neles encontramos um exemplo para a nossa vida, não esquecendo que são nossos intercessores diante de Deus. A liturgia tem uma missa de vigília, não havendo nada que impeça somente a celebração da missa do dia. As orações próprias (especialmente a coleta) acentuam esta idéia: “por meio dos apóstolos São Pedro e São Paulo, comunicastes à vossa Igreja os primeiros ensinamentos da fé”; e pedem que “a Igreja se mantenha sempre fiel à doutrina daqueles que foram o fundamento da sua fé”. O prefácio desta solenidade é de grande beleza, pondo em paralelo os dois apóstolos: “Pedro, que foi o primeiro a confessar a fé em Cristo, e Paulo, que a ilustrou com a sua doutrina; Pedro, que estabeleceu a Igreja nascente entre os filhos de Israel, e Paulo, que anunciou o Evangelho a todos os povos; ambos trabalharam cada um segundo a sua graça, para formar a única família de Cristo; agora, associados na mesma coroa de glória, recebem do povo fiel a mesma veneração”. Pedro foi o primeiro dos apóstolos. Não é o primeiro na ordem cronológica, mas sim o primeiro no grupo dos discípulos. No Evangelho desta solenidade, Jesus diz. “Tu és Pedro: sobre esta pedra edificarei a minha Igreja” (missa do dia). Pelo fato de Pedro ter sido o primeiro do grupo dos Doze, hoje, o Papa é considerado o sucessor de Pedro. Simão era um pescador, um homem simples, mas um homem apaixonado que viu em Jesus o sentido da sua vida; por isso, seguiu-O. Frágil como nós, experimentou a dificuldade de reconhecer a fé e negou Jesus por três vezes, mas depois, como nos diz o livro dos Atos dos Apóstolos, deu testemunho de Jesus (1ª leitura da vigília), até entregar a sua vida, sendo feito prisioneiro (1ª leitura do dia) e morrendo mártir em Roma. Paulo é o outro grande Apóstolo. Não conheceu Jesus e durante muitos anos foi um perseguidor dos cristãos. Todos sabem como Saulo se converteu e como descobre a fé em Jesus, transformando-se no grande apóstolo dos gentios – daqueles que não eram judeus – pregando o Evangelho por toda a região mediterrânea com as suas viagens e com as suas cartas. Paulo será preso e martirizado em Roma. As suas cartas, tantas vezes proclamadas nas nossas celebrações, ajudam-nos a conhecer o seu carisma e a sua mensagem. Na 2ª leitura desta solenidade, narra-nos como foi chamado e enviado por Jesus (vigília), como também nos fala da entrega total da sua vida pela causa do Evangelho, com a ajuda de Deus, confiando de que receberá o prêmio no dia em que se apresentar diante do Senhor, justo juiz (dia). Pedro e Paulo são os dois grandes apóstolos, são os fundamentos da Igreja. Esta solenidade deve fortalecer a nossa fé. Pedro e Paulo foram dois homens simples, cada um com a sua história, com as suas fraquezas e dificuldades, mas também foram testemunhas firmes de Jesus, até dar a vida no martírio em Roma. De Pedro e de Paulo procede a nossa fé que se foi transmitindo de geração em geração na unidade da Igreja. Nós somos homens e mulheres simples, frágeis, por vezes com dificuldade em acreditar e em ser autênticos discípulos de Jesus. Mas em Pedro e Paulo encontramos um modelo, um exemplo, ânimos para sermos verdadeiros discípulos de Jesus, verdadeiros membros da Sua Igreja. Por intercessão de Pedro e de Paulo, rezemos pela Igreja, pelo Papa, pelos Bispos, por todos os cristãos do mundo para que permaneçamos firmes na fé. No Evangelho da missa do dia, Jesus pergunta aos seus discípulos: “Quem dizem os homens que é o Filho do Homem?”. Os discípulos respondem: “Uns dizem que é João Batista, outros que é Elias, outros que é Jeremias, ou algum dos profetas”. Jesus perguntou: “E vós, quem dizeis que Eu sou?”. Então Simão Pedro tomou a palavra e disse: “Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo”. Hoje, Jesus repete-nos a pergunta: “E vós, quem dizeis que Eu sou?”. Cada um terá de dar uma resposta. Para mim, quem é Jesus? Como Pedro, podemos afirmar que Jesus é o Senhor, o Filho de Deus, Aquele que dá sentido à nossa vida, Aquele em quem podemos encontrar as raízes mais profundas do nosso ser. Que a profissão de fé de Pedro e de Paulo seja hoje exemplo e bálsamo para que cada um de nós faça da vida uma verdadeira profissão de fé.

 

FAZER UM ENCONTRO PESSOAL COM JESUS
Padre Roger Luis

A Igreja hoje celebra a solenidade de São Pedro e São Paulo. Eles são os dois pilares da Igreja. “No dia seguinte, João estava lá, de novo, com dois dos seus discípulos. Vendo Jesus caminhando, disse: “Eis o Cordeiro de Deus”! Os dois discípulos ouviram esta declaração de João e passaram a seguir Jesus. Jesus voltou-se para trás e, vendo que eles o seguiam, perguntou-lhes: “Que procurais?” Eles responderam: “Rabi ( que quer dizer Mestre ), onde moras?” Ele respondeu: “Vinde e vede”! Foram, viram onde morava e permaneceram com ele aquele dia. Era por volta das quatro horas da tarde. André, irmão de Simão Pedro, era um dos dois que tinham ouvido a declaração de João e seguido Jesus. Ele encontrou primeiro o próprio irmão, Simão, e lhe falou: “Encontramos o Cristo!” ( que quer dizer Messias )Então, conduziu-o até Jesus, que lhe disse, olhando para ele: “Tu és Simão, filho de João. Tu te chamarás Cefas!” (que quer dizer Pedro). No dia seguinte, ele decidiu partir para a Galiléia e encontrou Filipe. Jesus disse a este: “Segue-me”! (Filipe era de Betsaida, a cidade de André e de Pedro). Filipe encontrou-se com Natanael e disse-lhe: “Encontramos Jesus, o filho de José, de Nazaré, aquele sobre quem escreveram Moisés, na Lei, bem como os Profetas”. Natanael perguntou: “De Nazaré pode sair algo de bom?” Filipe respondeu: “Vem e vê”! (João 3, 35-46). André apresentou Jesus a Pedro, um Cristo completo, um Jesus que faz milagres, mas também que sofreu e morreu na cruz. E essa é a missão da Canção Nova, apresentar um Messias com tudo que Ele é. Jesus ao se encontrar com Pedro, muda toda a sua vida, muda a sua história, Pedro deixa os seus sonhos para fazer aquilo que está no coração do Senhor. Jesus foi à região de Cesaréia de Filipe e ali perguntou aos discípulos: “Quem é que as pessoas dizem ser o Filho do Homem?” Eles responderam: “Alguns dizem que és João Batista; outros, Elias; outros ainda, Jeremias ou algum dos profetas”. “E vós”, retomou Jesus, “quem dizeis que eu sou?” Simão Pedro respondeu: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo”. Jesus então declarou: “Feliz és tu, Simão, filho de Jonas, porque não foi carne e sangue quem te revelou isso, mas o meu Pai que está no céu. Por isso, eu te digo: tu és Pedro, e sobre esta pedra construirei a minha Igreja, e as forças do Inferno não poderão vencê-la. Eu te darei as chaves do Reino dos Céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus”. Em seguida, recomendou aos discípulos que não dissessem a ninguém que ele era o Cristo (Mateus 16, 13-20). Quem é Jesus para você, quem Jesus na sua família? Você tem mostrado com sua vida quem é Jesus? Você tem proclamado com a sua vida, que Jesus é o messias? Jesus que Pedro declara como filho de Deus é um Cristo inteiro, que vem trazer milagres, prodígios que veio para que tivéssemos um encontro pessoal com Ele e nossa vida fosse transformada. Ele veio libertar os pobres sim, mas não podemos reduzir sua missão somente a isso, Ele veio para que tivéssemos um encontro com Ele. Jesus voltou para a Galiléia, com a força do Espírito, e sua fama se espalhou por toda a região. Ele ensinava nas sinagogas deles, e todos o elogiavam. Foi então a Nazaré, onde se tinha criado. Conforme seu costume, no dia de sábado, foi à sinagoga e levantou-se para fazer a leitura. Deram-lhe o livro do profeta Isaías. Abrindo o livro, encontrou o lugar onde está escrito: “O Espírito do Senhor está sobre mim, pois ele me consagrou com a unção, para anunciar a Boa Nova aos pobres: enviou-me para proclamar a libertação aos presos e, aos cegos, a recuperação da vista; para dar liberdade aos oprimidos e proclamar um ano de graça da parte do Senhor”. Depois, fechou o livro, entregou-o ao ajudante e sentou-se. Os olhos de todos, na sinagoga, estavam fixos nele. Então, começou a dizer-lhes: “Hoje se cumpriu esta passagem da Escritura que acabastes de ouvir” (Lucas 4, 14-21). Jesus disse: “Em mim se cumpre essa profecia de Isaías é libertar os pobres, curar os que estão cegos fisicamente, mas também espiritualmente.” Jesus tem um novo tempo para sua vida. Um tempo de graça, de restauração para sua vida. Pois foi isso que ele veio trazer. São Pedro em sua primeira pregação disse que Jesus de Nazaré era um homem credenciado pelos sinais e milagres que Ele fez. A igreja toda tem o direito de experimentar o Cristo por inteiro que nos visita e nos toca. No tempo em que vivemos se nossa evangelização não for carismática, não vamos atingir as pessoas que estão imersas no pecado. Hoje os discursos são tão grandes para que paremos de falar sobre as curas, os milagres de Jesus que eu me questiono se estou errado, mas a Palavra de Deus me dá um respaldo. E eu toco nos milagres do Senhor. E eu entendo a via da perseguição, e eu vou continuar pregando, pois o Senhor me deu um espírito de coragem e não de covardia. Eu me questiono se as pessoas que estão sofrendo não tem o direito de vivenciar os milagres do Senhor, mas a Palavra de Deus vem em meu socorro, em Atos dos Apóstolos está escrito que Pedro e João foram presos por fazerem um milagre, mas a comunidade deu suporte a eles, orando para que crescessem os milagres e prodígios. O desejo de Jesus é que as pessoas experimentem a graça dos prodígios e milagres, que esses acontecimentos se multipliquem. Uma coisa que tem sumido é o temor de Deus, basta ver como o pecado hoje está naturalizado. Muitos não se preocupam dizendo que Deus é misericordioso, mas a misericórdia de Deus é a justiça. Precisamos proclamar Jesus na sua totalidade. Jesus é o mesmo de ontem, de hoje e de sempre e Ele continua realizando milagres e prodígios. E você tem o direito de experimentar esse Cristo que Pedro e Paulo experimentaram. Cegos recobram a vida, paralíticos andam, mortos ressuscitam e a boa nova é anunciada, mas depende muito de você. Você quer? Depende de você querer e entender esse mistério. Saulo perseguia aos cristãos, mas Jesus entrou na sua vida e o transformou completamente. Quando nós nos abrimos a experiência com Cristo, ele renova, muda toda nossa vida. Não importa o que você era antes, como vivia, se era alguém frio na sua fé, que não acreditava que Jesus poderia fazer algo na sua vida, mas agora Deus começou a te convencer que você pode ter um vida reta. O que fez a diferença na vida de Pedro e Paulo foi o encontro pessoal com Jesus. Ele está operando também na sua vida, não tenha medo do que o Senhor fará em sua vida. Jesus Cristo quer te libertar, te dar vida nova, foi isso que os pilares da Igreja experimentaram. Nós não pregamos poesia, pregamos o evangelho. Não temos medo porque nos experimentamos o Espírito Santo que nos libertou do medo, que nos deu um avivamento. Saulo recebeu o Espírito Santo quando Ananias impôs suas mãos sobre ele. Pedro ficou cheio do Espírito quando foi batizado no cenáculo junto com Maria, e após esse batismo ele fez um pregação e se converteram 3 mil pessoas, ele com certeza não pregou poesia. Que hoje você experimente os milagres e prodígios que Deus tem para você.

 

ONDE ESTÁ PEDRO, AÍ ESTÁ A IGREJA!
Padre Bantu Mendonça

Estamos diante da questão da identidade de Jesus. Perante isto, dois títulos se confrontam: “Filho do Homem” e “Cristo”. Jesus, com frequência, identifica-se como o “Filho do Homem”. Por outro lado, os discípulos originários do Judaísmo identificam Jesus como o “Cristo”. O “Filho do Homem” é uma expressão que aparece quase uma centena de vezes no profeta Ezequiel, exprimindo a condição humana -comum e frágil- de alguém que coloca toda sua confiança em Deus. “Cristo”, que é sinônimo de Messias ou Ungido, é um título aplicado abundantemente a Davi, ou a um seu descendente, no Antigo Testamento, estando associado à idéia de um chefe poderoso e dominador. Nós, católicos, temos a certeza e o orgulho de sermos a única Igreja cristã, edificada sobre fundamento rochoso, sobre Pedro (ver Mt 7, 24). Daí que nos orgulhamos em afirmar: “Onde está Pedro, aí está a Igreja!” (Santo Ambrósio). Deixemos a primeira pergunta “Quem dizem os homens que sou eu?” e respondamos à segunda pergunta “E vós, quem dizeis que eu sou?” Hoje não é suficiente a resposta de Pedro: “O Messias, o esperado de Israel”. A nossa resposta deveria ser: O Filho de Deus encarnado, que se entregou e morreu por mim. (ver Gl 2,20) Por isso, vivemos a vida presente pela fé no Filho de Deus. Na verdade, essa imagem de Cristo que todos nós levamos dentro – desde o nosso Batismo – está, ou destroçada ou escurecida. Como poderemos ser apóstolos se não sentimos Sua presença dentro de nós? Como “vender um produto” do qual não estamos nós, os vendedores, convencidos? A resposta de Jesus dada a Simão indica que a nossa resposta, admitindo Seu senhorio total como Messias e como Filho de Deus, é também um dom do céu e que ela merece um makarismo especial. Não seremos os chefes, como Pedro, mas a Igreja estará fundada em nós e em nossas famílias. Além de Cristo como figura central, temos Pedro como figura destacada, por duas razões: por sua fé em Jesus e por sua lista de serviços como chefe da comunidade. A revelação de confessar Jesus como Messias, Filho de Deus, é um dom do Pai e isso serve para todos nós. A chefia da comunidade eclesial é própria dele e continua em seus sucessores através dos séculos. A eles pertence o poder das chaves, jurídico e doutrinal, como o entende a Igreja Católica. Não foi dado este poder aos outros discípulos e, portanto, devemos distingui-lo do poder evangelizador e de governo dado ao resto dos apóstolos, do qual todos nós participamos como discípulos e missionários de Jesus Cristo com uma missão específica. Que os dois pilares da Igreja PEDRO e PAULO, intercedam por cada um de nós a fim de que – verdadeiramente – exercendo as nossas tarefas diárias, professemos a nossa fé em Cristo, Filho do Deus Vivo.

 

A Solenidade de São Pedro e de São Paulo, Apóstolos é uma oportunidade para celebrar festivamente esta solenidade que nos recorda dois grandes personagens da história da nossa fé cristã, ou seja, os dois grandes apóstolos de Jesus Cristo. Neles encontramos um exemplo para a nossa vida, não esquecendo que são nossos intercessores diante de Deus. A liturgia tem uma missa de vigília, não havendo nada que impeça somente a celebração da missa do dia. As orações próprias (especialmente a coleta) acentuam esta idéia: “por meio dos apóstolos São Pedro e São Paulo, comunicastes à vossa Igreja os primeiros ensinamentos da fé”; e pedem que “a Igreja se mantenha sempre fiel à doutrina daqueles que foram o fundamento da sua fé”. O prefácio desta solenidade é de grande beleza, pondo em paralelo os dois apóstolos: “Pedro, que foi o primeiro a confessar a fé em Cristo, e Paulo, que a ilustrou com a sua doutrina; Pedro, que estabeleceu a Igreja nascente entre os filhos de Israel, e Paulo, que anunciou o Evangelho a todos os povos; ambos trabalharam cada um segundo a sua graça, para formar a única família de Cristo; agora, associados na mesma coroa de glória, recebem do povo fiel a mesma veneração”. Pedro foi o primeiro dos apóstolos. Não é o primeiro na ordem cronológica, mas sim o primeiro no grupo dos discípulos. No Evangelho desta solenidade, Jesus diz. “Tu és Pedro: sobre esta pedra edificarei a minha Igreja” (missa do dia). Pelo fato de Pedro ter sido o primeiro do grupo dos Doze, hoje, o Papa é considerado o sucessor de Pedro. Simão era um pescador, um homem simples, mas um homem apaixonado que viu em Jesus o sentido da sua vida; por isso, seguiu-O. Frágil como nós, experimentou a dificuldade de reconhecer a fé e negou Jesus por três vezes, mas depois, como nos diz o livro dos Atos dos Apóstolos, deu testemunho de Jesus (1ª leitura da vigília), até entregar a sua vida, sendo feito prisioneiro (1ª leitura do dia) e morrendo mártir em Roma. Paulo é o outro grande Apóstolo. Não conheceu Jesus e durante muitos anos foi um perseguidor dos cristãos. Todos sabem como Saulo se converteu e como descobre a fé em Jesus, transformando-se no grande apóstolo dos gentios – daqueles que não eram judeus – pregando o Evangelho por toda a região mediterrânea com as suas viagens e com as suas cartas. Paulo será preso e martirizado em Roma. As suas cartas, tantas vezes proclamadas nas nossas celebrações, ajudam-nos a conhecer o seu carisma e a sua mensagem. Na 2ª leitura desta solenidade, narra-nos como foi chamado e enviado por Jesus (vigília), como também nos fala da entrega total da sua vida pela causa do Evangelho, com a ajuda de Deus, confiando de que receberá o prêmio no dia em que se apresentar diante do Senhor, justo juiz (dia). Pedro e Paulo são os dois grandes apóstolos, são os fundamentos da Igreja. Esta solenidade deve fortalecer a nossa fé. Pedro e Paulo foram dois homens simples, cada um com a sua história, com as suas fraquezas e dificuldades, mas também foram testemunhas firmes de Jesus, até dar a vida no martírio em Roma. De Pedro e de Paulo procede a nossa fé que se foi transmitindo de geração em geração na unidade da Igreja. Nós somos homens e mulheres simples, frágeis, por vezes com dificuldade em acreditar e em ser autênticos discípulos de Jesus. Mas em Pedro e Paulo encontramos um modelo, um exemplo, ânimos para sermos verdadeiros discípulos de Jesus, verdadeiros membros da Sua Igreja. Por intercessão de Pedro e de Paulo, rezemos pela Igreja, pelo Papa, pelos Bispos, por todos os cristãos do mundo para que permaneçamos firmes na fé. No Evangelho da missa do dia, Jesus pergunta aos seus discípulos: “Quem dizem os homens que é o Filho do Homem?”. Os discípulos respondem: “Uns dizem que é João Batista, outros que é Elias, outros que é Jeremias, ou algum dos profetas”. Jesus perguntou: “E vós, quem dizeis que Eu sou?”. Então Simão Pedro tomou a palavra e disse: “Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo”. Hoje, Jesus repete-nos a pergunta: “E vós, quem dizeis que Eu sou?”. Cada um terá de dar uma resposta. Para mim, quem é Jesus? Como Pedro, podemos afirmar que Jesus é o Senhor, o Filho de Deus, Aquele que dá sentido à nossa vida, Aquele em quem podemos encontrar as raízes mais profundas do nosso ser. Que a profissão de fé de Pedro e de Paulo seja hoje exemplo e bálsamo para que cada um de nós faça da vida uma verdadeira profissão de fé.

 

SOLENIDADE DE SÃO PEDRO E DE SÃO PAULO, A
Padre Wagner Augusto Portugal, Vigário Judicial da Diocese da Campanha(MG)

Na cidade do Vaticano, no dia 29 de junho de 2014, quarta-feira, o Sumo Pontífice Francisco, gloriosamente reinante, preside a Santa Missa da Solenidade de São Pedro e de São Paulo quando impõe aos Arcebispos Eleitos desde junho de 2014 até o presente momento o Pálio, símbolo da Dignidade Arquiepiscopal. No Brasil, queremos nos unir ao Romano Pontífice e celebrar, com júbilo, a solenidade dos dois alicerces de nossa fé católica. Diz o Diretório da Liturgia e da organização da Igreja no Brasil que a Solenidade de São Pedro e de São Paulo será transferida para o próximo domingo. Pedro foi o primeiro Pontífice e é o fundamento da Igreja. Seu nome era Simão. Jesus o apelidou de Pedro, isto é, de pedra, ao lhe dizer que sobre ele fundaria a Sua Igreja(cf. Mt 16,18). Desde a fundação da Santa Igreja, de São Pedro ao Papa Francisco, a Santa Igreja teve 268 papas. Todos eles fundamento – ou seja – pedra da Igreja como Pedro. Jesus poderia manter a sua Igreja somente com o seu desejo. Entretanto, quis repartir o trabalho, a responsabilidade e o poder. Permanece sempre presente. Por isso São Paulo dirá que “Jesus Cristo foi e é a pedra principal do edifício. É nele que o edifício se une e cresce”(cf. Ef 2,20-21). Jesus confia a Pedro, o papa, o poder de governar, de decidir, de legislar, o poder de santificar, o poder de confortar, o poder de apascentar o Rebanho. Assim, a festa de hoje é a festa do Papa, que nos garante na fé. Prezados fiéis, A Primeira Leitura desta solenidade nos apresenta a prisão e libertação de Pedro(cf. At 12,1-11). Acerca de 43dC Herodes Agripa I manda executar Tiago, filho de Zebedeu. Depois, manda aprisionar Pedro. Mas o “anjo do Senhor” o liberta – como libertou os israelitas do Egito. A comunidade recorreu à arma da oração: é Deus quem age. Ele é o libertador. Queridos Irmãos, Pedro era Galileu, que tinha um irmão que também era Apóstolo: André. A profissão de Pedro era pescador e ele era filho de Jonas. Quando conheceu Jesus Pedro residia em Cafarnaum. Pedro era casado e sua sogra morava com ele. Mas a grandiosidade de Pedro estava na disponibilidade com que aceitou o convite de Jesus para deixar de ser pescador de peixes para se transformar em pescador de homens, de seguidores do Cristo. Coube a Pedro, juntamente com João e Tiago Maior, o privilégio de assistir à transfiguração de Jesus, e à ressurreição da filha de Jairo. A tudo isso, o episódio mais conhecido de São Pedro foi o momento em que na noite da Quinta-Feira, apesar de ter sido prevenido por Jesus, Pedro renega Jesus por três vezes. A negação de Pedro é um crime comparável ao de Judas. Porém, enquanto Judas entrou no desespero, Pedro entrou no caminho da conversão. Jesus não lhe tira o mandato apostólico, mas volta a confirma-lo depois da ressurreição. Após a festa de Pentecostes, Pedro assume de fato a direção dos apóstolos e é ele quem preside a eleição de Matias, para substituir Judas. Pedro prega a Palavra do Evangelho na Galiléia, na Samaria e Judéia. Tem a força dos milagres, a ponto de ressuscitar mortos. Depois de uma visão, compreende que também a salvação vem para os pagãos. Isso sim, que os pagãos tem o direito ao batismo. Pedro foi preso e, por milagre de Deus, foi solto. Pedro toma a palavra no Primeiro Concílio de Jerusalém e, depois, viaja para Antioquia. Mais tarde, Pedro chega à cidade de Roma, onde vive por alguns anos, até ser martirizado entre os anos 64 e 67, durante a perseguição do Imperador Nero. Fala a tradição da Igreja que Pedro foi crucificado de cabeça para baixo, em respeito ao Senhor. Amados Irmãos, O Filho de Deus, Jesus que foi enviado a este mundo para recriar a humanidade e fazer de todas as criaturas um reinado capaz de dar ao Criador toda a honra e toda a glória, entregou o papado a Pedro em Cesaréia de Filipe(cf. Mt 16,13). Jesus entregou a Pedro o poder das chaves: “A quem perdoar os pecados os pecados serão perdoados. A quem reterdes os pecados os pecados serão retidos”. O poder das chaves que foi dado por Cristo a Pedro e aos seus sucessores, simbolizam a autoridade sobre a cidade, sobre a casa, sobre a Igreja, sobre todos os batizados. Pedro, e seus sucessores, poderá permitir ou impedir o acesso ao Reino, à comunidade cristã. A figura do “atar e desatar” reforça o símbolo das chaves. O fato de Jesus usar dois verbos antônimos, numa figura que reforça a primeira – as chaves – significa dizer três vezes a mesma coisa, ou seja, dizer com autoridade, sem deixar nenhuma dúvida. Pedro, assim, representa todos os homens e mulheres, pecadores e santos ao mesmo tempo, com uma sede incontida de Deus e capaz de pesadas traições. Cada um de nós tem essa experiência. As fraquezas e grandezas de Pedro podem nos servir de consolo e estímulo. Deus não fundou a Igreja sobre anjos, mas sobre uma pessoa de carne pecadora e espírito possuído de grande amor e esperança. Se temos a experiência do pecado, tenhamos também a experiência da conversão e da humildade. O amor que estava encheu o coração de Pedro era maior do que o pecado, por isso ele mesmo disse: “O amor cobre a multidão dos pecados”(cf. 1Pd 4,8). A esperança supera o desânimo. Esperança que, em nome de Cristo, Pedro anunciou com misericórdia, com caridade, com graça, manifestando a doce presença de Cristo. Estimados Irmãos, Paulo, que também celebramos em 25 de janeiro, aparece mais na qualidade de fundador carismático da Igreja. Sua vocação se dá na visão do Cristo no caminho de Damasco: de perseguidor, transforma-se em mensageiro de Cristo; “apóstolo das gentes”. Paulo é que realiza, por excelência, a missão dos apóstolos, de serem testemunhas de Cristo “até os extremos da terra”(cf. At 1,8). As cartas a Timóteo, escritas da prisão de Roma, são a prova inequívoca disso, pois Roma é a capital do mundo, o trampolim para o Evangelho se espalhar por todo o mundo civilizado daquele tempo. Ele é o “apóstolo das nações”. No fim de sua vida, pode oferecer sua vida “como oferenda adequada” a Deus, assim como ele ensinou(cf. Rm 12,1). Como Pedro, ele experimentou Deus como um Deus que liberta da tribulação. Caros fiéis, A Segunda Leitura(cf. 2Tm 4,6-8.17-18) nos apresenta a oferenda da vida de Paulo. Paulo, que sempre trabalhou com as suas próprias mãos, está agrilhoado; na defesa, ninguém o assistiu. Contudo, fala cheio de gratidão e de esperança. “Guardou a fidelidade”: a sua e a dos fiéis. Aguarda com confiança o encontro com o Senhor. Ofereceu a sua vida no amor, e o amor não tem fim. Seu último ato religioso é a oferenda de sua vida. Mas a sua vida está nas mãos de Deus, que a arrebata da boca das feras. Amigos e amigas, Pedro e Paulo representam duas vocações na Igreja, duas dimensões do apostolado, diferentes, mas complementares. As duas foram necessárias para que pudéssemos comemorar, hoje, os fundadores da Igreja Católica que peregrina na universalidade do mundo. A complementaridade dos dois “carismas” continua atual: a responsabilidade institucional e a criatividade missionária. Hoje celebra-se, com gáudio, o “dia do Santo Padre”. Enseja uma reflexão sobre o serviço de responsabilidade última. Importa crescermos em uma obediência adulta, sem mistificação da autoridade, nem anarquia. O governo pastoral da Igreja, hoje sob a barca de Francisco, é um serviço legítimo, autêntico e necessário para a Igreja. Mas, importa observar também que aquele que tem a última palavra deve escutar as penúltimas palavras de muita gente. Pedro e Paulo são testemunhas de Cristo. Por isso, unidos à coroa do martírio, recebam por toda a terra igual veneração que hoje depositamos em orações no coração do Augusto Sumo Pontífice Francisco, a quem rezamos, para que guie a Igreja de Cristo, sendo a primeira testemunha do Ressuscitado, Amém!

 

TU ÉS O MESSIAS, O FILHO DO DEUS VIVO!
Por Dom Emanuele Bargellini, Prior do Mosteiro da Transfiguração
SOLENIDADE DOS SANTOS APÓSTOLOS PEDRO E PAULO

Pedro e Paulo: dois nomes que desde o início da comunidade cristã indicaram o conjunto dos apóstolos e a Tradição ininterrupta da fé da Igreja, fundada sobre a pregação e o testemunho dos apóstolos. Todo domingo proclamamos na profissão de fé: “Creio na igreja, una, santa, católica, apostólica”. Na cidade de Roma, que recebeu pela pregação de Pedro e de Paulo, “as primícias da fé” (Oração do dia), desde o séc. IV é celebrada no mesmo dia a memória sagrada do martírio deles. As recentes descobertas arqueológicas feitas nas escavações em baixo das “confissões” do altar mor, das basílicas de São Pedro e de São Paulo em Roma, confirmaram a antiquíssima veneração dos grandes apóstolos nos lugares sagrados onde foram guardados seus corpos. A presença e a pregação dos dois apóstolos e o martírio comum deles na cidade imperial, em testemunho de Cristo e do evangelho, fizeram da Igreja de Roma e do seu bispo, o sinal da fidelidade na fé pregada pelos apóstolos, e da comunhão entre os fiéis de todas as comunidades cristãs. Nesse sentido, é significativo que, dentre os títulos com que são chamados os romanos pontífices, Francisco, enquanto bispo de Roma, use habitualmente de preferência o título de “sucessor de São Pedro”, quase como que para destacar a continuidade com a fé de Pedro e dos apóstolos, no exercício do seu ministério de confirmar os irmãos na fé, e de promover a unidade entre todos os cristãos, nesta nossa época em que a fé cristã é chamada a enfrentar tantos desafios. Apesar de serem diferentes, seja no temperamento natural, na formação cultural e religiosa, na história familiar e pessoal, bem como na relação pessoal com o próprio Jesus, Pedro e Paulo estão unidos na mesma fé, no mesmo testemunho de Jesus até o dom da vida, e chamados a “congregar a única família de Cristo por meios diferentes”, como afirma o Prefácio da missa da festa: “Pedro fundou a igreja primitiva sobre a herança de Israel, Paulo, mestre e doutor das nações, anunciou-lhes o evangelho da salvação”. Pedro destaca a fidelidade de Deus à sua aliança com Israel; Paulo evidencia que esta aliança, pela gratuidade do amor de Deus, abraça não somente o povo de Israel, mas todos os povos que se tornam herdeiros da fé de Abraão. A atividade missionária deles, narrada nos Atos dos Apóstolos, e as respectivas Cartas, manifestam claramente a progressiva entrada de Pedro e de Paulo na perspectiva do chamado universal à nova aliança em Cristo, quer dos judeus quer dos pagãos. Esta entrada deles no projeto de Deus, passa através de uma profunda conversão da própria mentalidade ao plano de Deus, revelado e atuado em Cristo Jesus.  Neste caminho de conversão interior e de estilo no ministério apostólico, Pedro e Paulo se tornam modelo e exemplo de todo discípulo de Jesus, em todo tempo e lugar. Eles são exemplo admirável também para a Igreja do nosso tempo, que está passando de um modelo de cultura consolidada por séculos e de cristandade, a um modelo de sociedade secularizada e de culturas diferentes que convivem uma junto da outra. Com o Concílio Vaticano II, a Igreja destacou a exigência de aprender a reconhecer, com o discernimento do Espírito, os sinais da presença de Deus e da ação misteriosa do seu Espírito também nas novas situações, ao invés de se limitar ao queixar-se das transformações radicais em ato na sociedade. É comovente a pedagogia com a qual o Senhor chama os dois, com gratuita iniciativa, e os forma segundo modalidades e etapas que valorizam a personalidade especifica de cada um. Pedro, o pescador do lago de Genesaré, será transformado no pescador de homens que, confiando na palavra de Jesus, terá a coragem de lançar novamente a rede depois de ter trabalhado em vão a noite inteira, e a fé deixará a rede apanhar uma pesca superabundante (Lc 5, 11; cf Jo, 21). É o mesmo Pedro que, iluminado pelo Pai, confessará, também em nome dos outros apóstolos: “Tu és o Cristo, o filho do Deus vivo” (Mt 16,16). Por isso Jesus, mudando seu nome de Simão para Pedro – Rocha -, o indicará como a pedra sobre a qual ele irá construir sua Igreja, sendo esta proclamação da fé inspirada pelo Pai, a razão da sua escolha e da sua missão para confirmar os irmãos na mesma fé (Evangelho do dia). É o mesmo Pedro que, logo depois de tal confissão de fé, não consegue afinar-se com o projeto de Deus, revelado e assumido por Jesus, ao anunciar a sua paixão e morte como condição para realizar sua missão de salvador (Mt 16, 21-23). O evangelista Mateus salienta logo que seguir a Jesus no seu caminho pascal não é questão somente para Pedro, mas para todo discípulo: “Se alguém quer vir após mim, negue a si mesmo, tome sua cruz e siga-me. Pois aquele que quiser salvar a sua vida, a perderá, mas o que perder sua vida por causa de mim a encontrará” (Mt 16, 24-25). À generosa proposta de seguir Jesus até a morte, se for necessário (Mt 26, 33-35), segue ao invés a negação de até mesmo conhecer Jesus (Mt 26, 69-74). Mas o choro amargo da conversão (Mt 26,75) marca o nascimento do novo Pedro. Cheio do Espírito Santo, chegará a proclamar que o Jesus, crucificado pelo povo, Deus o ressuscitou, está vivo, e enviou os apóstolos como suas testemunhas para a alegria e a salvação de Israel e de todo povo (cf. At. 2, 14-36). O processo de transformação de Pedro, porém, alcançará seu cume quando, na casa do pagão Cornélio, aprenderá definitivamente o chamado dos pagãos à salvação em Cristo, reivindicando por todos a gratuidade do dom de Deus: “Portanto, se Deus lhes concedeu o mesmo dom que a nós, que cremos no Senhor Jesus, quem seria eu para impedir a Deus de agir? Ouvindo isto, tranqüilizaram-se e glorificavam a Deus, dizendo: ‘Logo, também aos gentios Deus concedeu o arrependimento que conduz à vida’” (At 11, 17-18). Esta inteligência de fé do evento por parte de Pedro, e sua capacidade de iluminar os irmãos de Jerusalém, abrindo-os ao plano de Deus, constitui o primeiro verdadeiro exercício do seu ministério de confirmar na fé os irmãos. Tal ministério amadurece através de várias passagens de obediência ao Espírito e de conversão interior do próprio Pedro, modelo do caminho de obediência na fé de todo discípulo que se põe ao seguimento de Jesus e do seu Espírito. Mas esta exigência de constante conversão ao método do Senhor, para atuar verdadeiramente o serviço de iluminar e guiar os irmãos, se torna particularmente forte por aqueles que são chamados na Igreja a presidir a comunidade em nome do Senhor. Convosco sou cristão – afirma Santo Agostinho – e para vocês, pastor. Por isso escuto com temor cada palavra de Deus”   Não menos surpreendente e iluminador sobre a pedagogia de Deus é o chamado e o caminho de Saulo/Paulo. Uma experiência que marcará profundamente sua maneira de entender e proclamar o mistério de Jesus e da Igreja, e o chamado à salvação de todo homem e mulher em Cristo. Ele mesmo falará várias vezes sobre o seu encontro inesperado e inimaginável com o Senhor Jesus na estrada para Damasco; encontro este que mudou radicalmente sua existência. A transformação de perseguidor dos seguidores de Jesus em seu apóstolo iluminado e corajoso, fará de Paulo a testemunha privilegiada da gratuidade da salvação pela fé no Senhor Jesus, e o construtor da comunidade dos discípulos como único corpo vivente do próprio Cristo, constituído pelos judeus e os pagãos, enriquecido pela variedade dos dons e carismas do Espírito, cada um e todos juntos, finalizados à edificação da caridade que tudo anima. A fé, o batismo e a partilha do seu corpo e do seu sangue fazem de todo fiel uma pessoa radicalmente partícipe do seu mistério de morte e ressurreição, uma criatura nova, que desde já antecipa a plenitude da vida do Espírito do Pai e do seu reino. Nesta profunda conexão com Cristo, Paulo experimenta e proclama aquela liberdade suprema que nasce da consciência de ser amado sem limite pelo Pai e o próprio Jesus: “Se Deus está conosco, quem estará contra nós? Quem não poupou seu próprio Filho e o entregou por todos nó, como não nos haverá de agraciar em tudo junto com ele?…. Quem nos separará do amor de Cristo? A tribulação, a angústia, a perseguição, a fome, a nudez, os perigos, a espada?… Mas em tudo isto somos mais que vencedores, graças àquele que nos amou” (Rm 8, 31-37). A confissão de Paulo sobre sua radical conformação a Cristo, num processo que o faz morrer à sua precedente identificação com a lei judaica e sua presunção de auto-salvação, se torna na realidade a meta sonhada e procurada por todo discípulo: “Fui crucificado junto com Cristo. Já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim. Minha vida presente na carne, vivo-a pela feno Filho de Deus, que me amou e se entregou a si mesmo por mim” (Gl 2, 19-20) Na radicalidade comum em Cristo dos dois apóstolos e na comunhão recíproca entre eles no Espírito, que acolhe e valoriza as diversidades das experiências e dos pensamentos, a Igreja contempla e celebra o mistério da própria identidade e da própria missão entre os povos. Com efeito, os dois apóstolos realizaram em si mesmos, cada um na sua forma, a Palavra de Jesus segundo a qual o discípulo está destinado a partilhar a sorte do mestre: “O discípulo não está acima do mestre nem o servo acima do seu senhor” (Mt 10,24). Os Atos dos Apóstolos (primeira leitura), narram a atuação de Herodes em relação a Pedro, como aconteceu com o próprio Jesus, quando foi preso, julgado e condenado à morte durante os dias precedentes à Páscoa. Lucas nos dá do evento, não somente uma descrição acurada até os pormenores, mas sobretudo o sentido teológico e espiritual. Pedro partilha a sorte pascal de Jesus, assim como é pedido a todo discípulo, se quer realmente ficar fiel ao Mestre Jesus. “Eram os dias dos Pães Ázimos. Depois de prender Pedro, Herodes colocou-o na prisão, guardado por quatro grupos de soldados, com quatro soldados cada um” (At 12, 3-4). Frente à prepotência do poder político e do fundamentalismo nacionalista e religioso, está somente a pequena Igreja que fica rezando com fervor e perseverança a Deus por Pedro, entregando-lhe a sorte do apóstolo (At 12, 5), assim como o próprio Jesus, ele que entrega a si mesmo e os discípulos ao cuidado fiel do Pai (Jo 17, 9-10). O anjo enviado por Deus acorda Pedro e lhe ordena: “Levanta-te depressa”, e as correntes caem das suas mãos; ele sai através dos portões e por entre os guardas, e toma consciência da ação de Deus: “Agora sei que o Senhor enviou o seu anjo para me libertar do poder de Herodes e de tudo o que o povo judeu esperava” (At 12, 7- 11). O conjunto dos eventos constitui a narração da Páscoa de Pedro por obra de Deus, como a ressurreição de Jesus: preso, guardado com forte esquema de segurança como Jesus no sepulcro, libertado por Deus, como Jesus subtraído à morte pelo poder do Pai. Paulo, por parte sua, na carta a Timóteo, resume o curso da sua vida e da sua missão, nos termos do combate valoroso que chega a seu fim e da corrida bem sucedida, perseverando na fé, e na oferta sacrifical que está para ser derramada em cima do altar do amor por Cristo. “Quanto a mim, eu já estou para ser derramado em sacrifício; aproxima-se o momento da minha partida. Combati o bom combate, completei a corrida, guardei a fé. Agora está reservada para mim a coroa de justiça que o Senhor, justo juiz, me dará naquele dia” (2 Tm 4, 6-8).  O Senhor não deixou que seu apóstolo ficasse sozinho frente aos desafios e aos sofrimentos repetidos que acompanharam sua missão. Esta experiência da proximidade e fidelidade de Deus é garantia que ele libertará do mal o seu apóstolo, também no juízo final e o introduzirá na plenitude do reino de Deus. Nos apóstolos Pedro e Paulo, não somente a Igreja de Roma, mas a Igreja inteira e todo discípulo contempla com estupor e celebra as maravilhas do Senhor, como cada um é chamado a seguir Jesus e a partilhar sua sorte, de morte e de vida nova. Evangelizados em maneira sempre nova pela memória da grande experiência de Jesus por eles vivenciada, nos tornamos evangelizadores e apóstolos para o nosso tempo. Com a vida, mais do que com as palavras: “Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo!”

Corpus Christi: entenda o significado dessa solenidade

Os tapetes confeccionados para a celebração de Corpus Christi é uma forma dos fiéis exaltarem a Eucaristia  

Nesta quinta-feira, 15, a Igreja Católica no mundo inteiro celebra uma importante solenidade que reveste o mistério central de sua fé: Corpus Christi. Neste dia, celebra-se o Santíssimo Sacramento do Corpo e do Sangue de Cristo. Como tradição popular, muitos fiéis enfeitam as ruas com tapetes feitos à base de pó de serragem, com o objetivo de preparar o local para a procissão que traz o grande motivo da festa, Jesus Eucarístico.

Esta é uma solenidade que há séculos faz parte da vida dos cristãos católicos. O assessor da Comissão Episcopal Pastoral de Liturgia da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), padre Hernaldo Pinto Farias, explicou que a festa nasceu de uma prática da devoção popular que tem início no final do século IX, mas já no século XI ao XIII está muito difundida em vários lugares da Europa. Depois, em 8 de setembro de 1264, o Papa Urbano IV, com a Bula Transiturus, instituiu esta celebração para toda a Igreja.

Essa prática surgiu por causa da defesa da compreensão da teologia da presença real. “Contra as heresias do início do segundo milênio, essa festa vem reforçar a posição e a orientação da Igreja sobre a presença real de Jesus Cristo no Santíssimo Sacramento”.

A Reforma Litúrgica procurou ampliar o Missal de 1970 até o atual, utilizando a denominação de Santíssimo Sacramento do Corpo e do Sangue de Jesus Cristo. “Ou seja, é uma solenidade do Corpo e Sangue de Cristo, não só do Corpo, pra não dar esse sentido de redução da compreensão do próprio mistério do Corpo e Sangue de Cristo”.

Importância

Para enfatizar a importância de se reconhecer em Corpus Christi uma solenidade não só do Corpo, mas também do Sangue de Cristo, padre Hernaldo recorreu à uma menção que o Papa São João Paulo II, fez sobre o Sacramento na Carta Apostólica Mane Nobiscum Domine, de 2004. Nessa carta, São João Paulo II disse que nenhuma dimensão desse Sacramento da Eucaristia pode ser deixada de lado, esquecida.

“Neste sentido, os textos bíblicos propostos, portanto, para esta festa nos trazem todas as riquezas deste Sacramento, como alimento, como banquete, aliança, sacramento da unidade da Igreja, do memorial da morte e da ressurreição de Cristo, não fica apenas no sentido da morte, mas revela o mistério como tal”.

O sentido maior dessa solenidade está na celebração da Quinta-feira Santa. Dessa forma, Corpus Christi é como uma repetição, uma duplicação do dia da instituição da Eucaristia, porém com um aspecto mais devocional, o que também é bem vindo para a Igreja. “A Igreja não condena, porém ela quer nos ajudar a não ficar no puro devocional, se não a gente se perde”.

A tradição dos tapetes, por exemplo, que todos os anos tomam as ruas de diversas cidades do país para preparar a procissão que traz Jesus Eucarístico, é costume popular de reverenciar, de dar importância e exaltar a própria Eucaristia. O Padre explicou que, no entanto, a Igreja não pode parar nesse puro reverenciar.

“A gente lembra os Santos Padres que nos convidavam a olhar o Sacramento para além dele, ou seja, a gente tem que celebrar, ver o Sacramento para além daquilo que ele está mostrando enquanto realidade física, ele está revelando também todo um mistério  que esse Sacramento quer nos ajudar a viver”.

Participação ativa

Como padre Hernaldo explicou, os tapetes de Corpus Christi já fazem parte da tradição popular. Em Lorena (SP), o professor aposentado Cláudio César de Araújo, que já foi ministro da Eucaristia e fez a experiência de ajudar nesta tradição dos tapetes, contou que é muito gratificante poder participar ativamente.   “A sensação primeira é de gratidão. A gente vai mesmo por gratidão de tantas bênçãos que a gente recebe Dele (Jesus) e pelo prazer de querer deixar uma rua bem bonita e bem enfeitada para que Jesus passe por lá, é o mínimo que nós podemos fazer. É uma alegria poder participar sabendo que Jesus vai passar por ali”, relatou.   O aposentado acredita que a celebração de Corpus Christi é o momento que representa o respeito e o amor que se tem por Jesus, pela Sagrada Eucaristia. Ele contou que receber este Sacramento pela primeira vez marcou muito sua vida; foi seu primeiro encontro com Cristo.   “Eu me lembro do entusiasmo, da alegria, da fé que eu tive quando eu recebi a Eucaristia pela primeira vez, então pra mim ali foi o meu primeiro encontro. Depois eu tive vários reencontros, então essa comunhão com Jesus é sempre, espiritualmente é sempre”.

Eucaristia: como vivenciar este mistério?

Para os católicos, a Eucaristia é o sacramento mais importante, é a centralidade da vida cristã. Tendo em vista a importância desse Sacramento, padre Hernaldo deixou dois conselhos para que esta intimidade com Jesus Eucarístico seja vivenciada não só na celebração de Corpus Christi, mas ao longo de toda a vida cristã.

“Aí entra a importância, sobretudo, do Dia do Senhor, que tem que ser cada vez mais valorizado em nossas comunidades. O domingo é o dia por excelência da Eucaristia, porque é o dia por excelência da ressurreição do Cristo. O conselho que eu dou é preparar melhor as nossas celebrações dominicais, celebrá-la com mais intensidade, sem interferências. Outro conselho, por decorrência, é o aprofundamento, o estudo da liturgia da Eucaristia”.

Divorciados Recasados e a Eucaristia

Quando um cristão casou validamente e depois de alguns anos de vida matrimonial se separou, o que deverá fazer?
De acordo com a Sagrada Escritura e a Doutrina da Igreja, não lhe é permitido novo casamento.
Mas, se casou novamente, como fica a sua situação perante Deus e a Igreja?
O divorciado recasado não deixa de ser católico. Se ele deseja amar sinceramente a Deus, Deus não o deixará abandonado.
Mas, se Deus não o abandona, o divorciado que casou novamente pode receber a comunhão?
Não. Não pode, porque a comunhão significa a plena comunhão do cristão com Cristo. No entanto, ao mesmo tempo em que comunga, o divorciado recasado desmente esta plena comunhão com a sua própria vida. Seria falta de coerência e a Igreja quer ajudá-lo a ser coerente.
Então, tudo está perdido?
Não. Não está. Os divorciados que casaram novamente continuam sendo católicos e pelo fato de serem batizados não ficam isentos de cumprir a sua missão. Eles têm outros meios para ajudá-los na sua caminhada para Deus. São: a palavra de Deus, a oração, o sacrifício e a caridade. Se são pais, têm a obrigação de dar aos filhos uma digna educação física, social, cultural, moral e religiosa.
No dia 25 de janeiro de 1997, o Papa João Paulo II dizia: “Os divorciados que voltam a casar são e continuam sendo membros da Igreja; ela os ama, está perto deles e sofre com a situação deles. Certamente, uma nova união, depois do divórcio, é uma desordem moral que contrasta com as exigências da fé, o que não exclui o empenho da oração, nem o testemunho ativo da caridade”.
Depois, afirmou: “Os divorciados que casam novamente não podem ser admitidos à Comunhão Eucarística e isto em virtude da autoridade do próprio Senhor”.
E termina dizendo: “Se sabem perseverar na oração, na penitência e no verdadeiro amor, aqueles que se encontram numa situação não conforme à vontade de Deus, podem obter d’Ele a salvação”.
Quando alguém está separado e não casou novamente, poderá comungar normalmente, se vive na graça de Deus. Não poderá receber a Comunhão o divorciado que casou novamente pelo civil ou, simplesmente, se uniu a outro cônjuge para viver maritalmente com ele. Seguidamente, chegam pessoas dizendo: “Olha, eu sou divorciado e casei novamente. Agora me dou muito bem com o atual cônjuge. Consultei pessoas católicas, incluindo sacerdotes, e eles me disseram que posso comungar”. Diante do fato, “eu não julgo ninguém” (Jo 8, 15).
No entanto, “lembra-te de como recebeste e ouviste a doutrina” (Ap 3, 3), pois, “eu vos digo: no dia do juízo os homens prestarão contas de toda palavra vã que tiverem proferido” (Mt 12, 26). Também dos conselhos que não foram dados de acordo com os ensinamentos da Igreja e da Sagrada Escritura. Recordamos que, se pessoas, incluindo sacerdotes, aconselharam divorciados recasados a comungar, o fizeram em nome próprio, porque esta não é a Doutrina da Igreja.
Será que eles não se tornarão corresponsáveis perante Deus, com os que comungam neste estado?
A Doutrina da Igreja e da Sagrada Escritura está expressa nas palavras do Papa, quando diz: “Os divorciados que casam novamente não podem ser admitidos à Comunhão Eucarística e isto em virtude da autoridade do próprio Senhor”.
O caminho para os divorciados recasados poderem comungar é o de viverem como irmãos. Sem ter relações conjugais.
É difícil?
É. Mas existem muitos casais que, por amor de Nosso Senhor, o fazem. E vivem muito felizes. Não disse Jesus: “Quem não carrega a sua cruz e não vem após mim, não pode ser meu discípulo?” (Lc 14, 27).
Os divorciados recasados, ainda que não possam comungar, são amados por Deus e podem e devem participar da missa, rezar, praticar a caridade e assim “podem obter a salvação”.
Manoel Luís Osório – http://srv-net.diariopopular.com.br/17_08_01/artigo.html

 

POR QUE NÃO PODEM CONFESSAR E COMUNGAR?
Padre Luciano Scampini, Sacerdote da Paróquia Nossa Senhora Aparecida, da Arquidiocese de Campo Grande (MS)

A Sagrada Escritura começa pela criação do homem e da mulher, à imagem e semelhança de Deus (Gn 1, 26-27) e acaba pela visão das “núpcias do Cordeiro” (Ap 1, 7.9). O próprio Deus é o autor do matrimônio. O matrimônio foi elevado por Cristo à dignidade de sacramento: “os dois serão uma só carne (Ef 5, 31); “…casar-se… mas apenas no Senhor” (1Cor 7, 39). A Escritura diz que o matrimonio é a nova aliança de Cristo e da Igreja. O maior problema, o drama e a cruz que tocam diretamente os divorciados recasados é não poder ter acesso ao sacramento da Reconciliação – que prepararia e “abriria o caminho ao sacramento eucarístico” (Familiaris Consortio, FC 84) – e ao sacramento da Eucaristia, se viverem sexual e conjugalmente o seu segundo relacionamento não sacramental. A este ponto apresenta-se a pergunta espontânea: por que não podem receber estes dois sacramentos? O que os impede de receber os sacramentos da Reconciliação e da Eucaristia? Segundo a FC são dois os argumentos ou motivos: o Doutrinário-teológico e o Pastoral.

1º ARGUMENTO
DOUTRINÁRIO-TEOLÓGICO

A Eucaristia comunica, realiza, faz, atua, alimenta, sustenta, santifica a nova, eterna, indissolúvel união e fiel aliança de Cristo com a Igreja (os fiéis). As palavras de Jesus: “Este cálice é a nova aliança em meu sangue que é derramado por vós…” (Lc 22, 20). O Matrimônio-sacramento também comunica, realiza, faz, atua, alimenta, sustenta, santifica a indissolúvel união e a fiel aliança de Cristo com os esposos, elementos estes essenciais do matrimônio-sacramento. De fato, desta indissolúvel união e fiel aliança nasce a família, primeira célula da Igreja. “Maridos amai vossas mulheres como Cristo amou a Igreja e por ela se entregou… (fidelidade até a morte). É grande este mistério; digo-o em relação a Cristo e à Igreja” (Ef 5, 25.32). Pela Eucaristia os esposos participam desta união indissolúvel e fiel aliança de Cristo com a Igreja. Aqui está o problema: a segunda união rompeu, contradiz esta união indissolúvel e fiel aliança dos esposos em Cristo realizada pelo matrimônio-sacramento. Não pode haver em Cristo duas alianças. A segunda união é ruptura, contradição destes dois elementos essenciais do matrimônio-sacramento. A Pastoral Familiar se baseia sobre dois princípios: o princípio da compaixão e da misericórdia e o princípio da verdade e da coerência. Os Padres do Sínodo colocaram bem claro a coexistência e a influência mútua dos dois princípios. Sendo eles igualmente importantes e complementares, os mesmos andam juntos, de tal forma que um não pode ser mais acentuado do que o outro. Deste modo a Igreja professa a própria fidelidade a Cristo reconhecendo o princípio da verdade: o matrimônio sacramento é indissolúvel e o princípio da compaixão e da misericórdia infinita acolhedora “igualmente importante. Baseando-se nestes dois princípios complementares, a Igreja não pode mais do que convidar os seus filhos, que se encontram nestas situações dolorosas, a aproximarem-se da misericórdia divina por outras vias, mas não pela via dos sacramentos, especialmente da Penitência e da Eucaristia, até que não tenham podido alcançar as condições requeridas. A Igreja, mãe misericordiosa, comporta-se nestes casos com espírito materno para com estes filhos, esforçando-se infatigavelmente por oferecer-lhes os meios de salvação, ou seja, o caminho espiritual-pastoral. A Igreja lembra que há múltiplas presenças de Cristo… A Eucaristia é o grande encontro com Jesus, mas não é o único. A Palavra de Deus, o sacrifício da Missa, a Adoração ao Santíssimo, a oração, as obras de penitência e da caridade podem e são outrossim encontros com Jesus.

2º ARGUMENTO
PASTORAL
Existe outra dificuldade para a recepção dos Sacramentos da Reconciliação e da Eucaristia por parte dos divorciados recasados exposta pelo Papa: é a “razão pastoral”. “O respeito devido quer ao sacramento do matrimônio, quer aos próprios cônjuges e aos seus familiares, quer ainda à comunidade dos fiéis, proíbe os pastores, por qualquer motivo ou pretexto mesmo pastoral, de fazer, em favor dos divorciados que contraem nova união, cerimônia de qualquer gênero. Estas dariam a impressão de celebração de núpcias sacramentais válidas, e conseqüentemente induziriam em erro sobre a indissolubilidade do matrimônio contraído validamente”. Esta disposição da Igreja, porém, não impede que a mesma, como mãe carinhosa, tenha uma atitude pastoral materna. João Paulo II, de fato, na FC 84 ofereceu aos divorciados recasados a oportunidade de aproximar-se do Sacramento da Reconciliação – que abriria o caminho ao sacramento eucarístico – contanto que:
1. Sejam arrependidos de ter violado a indissolubilidade, que é o sinal da Aliança e da fidelidade a Cristo.
2. Sejam sinceramente dispostos a uma forma de vida não mais em contradição com a indissolubilidade do matrimônio.
3. Assumam a obrigação de viver em plena continência.
Não se deve esquecer, todavia, que a Igreja com firme confiança vê que, mesmo aqueles que se afastaram do mandamento do Senhor e vivem agora nesse estado, poderão obter de Deus a graça da conversão e da salvação, se perseverarem na oração, na penitência e na caridade.

O GRANDE VALOR DA COMUNHÃO ESPIRITUAL
A Comunhão Espiritual é um ato de desejo interior, consciencioso e sério, de receber a Sagrada Comunhão e, mais especificamente, de se unir ao Senhor. A Comunhão Espiritual pode ser feita por palavras ou por pensamentos interiores que levam a uma íntima união com Cristo, e Jesus não deixará de conceder as suas copiosas bênçãos. Nos dias de hoje se pode fazer com frequência a Comunhão Espiritual como desejo de maior união e intimidade com Deus, ao longo dos dias da nossa vida. A Comunhão Espiritual é e pode ser até o único meio de união e intimidade com Deus, por exemplo, para quem não guardou uma hora de jejum eucarístico, para quem vive numa situação de irregularidade perante a Igreja, ou até para quem pratica outra religião. A comunhão espiritual é o caminho para as pessoas que não podem recebê-lo sacramentalmente na missa, “mas podem recebê-lo espiritualmente” na Hora Santa ou quando entrar numa igreja ou quando estiver em casa ou no trabalho ou nas situações de dificuldade por que se passa na vida: “Senhor, que de Vós jamais me aparte” (Jo 6, 35), pois, “Quem come deste pão viverá eternamente” (Jo 6, 58). É bom cultivar o desejo da plena união com Cristo, por exemplo, através da prática da comunhão espiritual, recordada por João Paulo II e recomendada por santos mestres de vida espiritual (SC, 55). Uma visita ao Santíssimo Sacramento é uma boa oportunidade para se fazer uma Comunhão Espiritual (cf. universo católico-comunhão freqüente-comunhão espiritual).
a) Nos Documentos da Igreja. Um dos melhores meios para os divorciados recasados participar ativamente da comunidade cristã, é, segundo o ensinamento da Igreja, a Comunhão espiritual. Que o magistério reconheça a relação entre a graça e a Comunhão Espiritual se deduz especialmente do convite que a mesma Igreja faz aos divorciados recasados de unir-se a Cristo pela comunhão espiritual. Mais ainda: “Os fiéis devem ser ajudados na compreensão mais profunda do valor da participação ao sacrifício de Cristo na missa, da comunhão espiritual, da oração, da meditação da palavra de Deus, das obras de caridade e de justiça” (cf. Congregação para a Doutrina da Fé, Carta aos Bispos, 1994, n. 6). “A prática da comunhão espiritual, tão querida à tradição católica poderia e deveria ser em maior medida promovida e explicada, para ajudar os fiéis a melhor se comunicarem sacramentalmente quer para servir de verdadeiro conforto a quantos não podem receber a comunhão do Corpo e do Sangue de Cristo quer por várias razões. Pensamos que esta prática ajudaria as pessoas sozinhas, em particular os deficientes, os idosos, os presos e os refugiados. Conhecemos – afirmam os Bispos do Sínodo – a tristeza de quantos não podem ter acesso à comunhão sacramental devido a uma situação familiar não conforme com o mandamento do Senhor (cf. Mt 19, 3-9). Alguns divorciados que voltaram a casar aceitam com sofrimento não poder receber a comunhão sacramental e oferecem-no a Deus. Outros não compreendem esta restrição e vivem uma frustração interior. Reafirmamos que, mesmo se na irregularidade da sua situação (cf. CIC 2384), não estão excluídos da vida da Igreja. Pedimos-lhe que participem na Santa Missa dominical e que se dediquem assiduamente à escuta da palavra de Deus para que ela possa alimentar a sua vida de fé, de caridade e de partilha” (MENSAGEM DA XI ASSEMBLEIA GERAL ORDINÁRIA DO SÍNODO DOS BISPOS AO POVO DE DEUS. Cidade do Vaticano, 21 de outubro de 2005). A Exortação Apostólica pós-sinodal “Sacramentum caritatis” de 22 de fevereiro de 2007 confirma: “Mesmo quando não for possível abeirar-se da comunhão sacramental, a participação na Santa Missa permanece necessário, válida, significativa e frutuosa; neste caso, é bom cultivar o desejo da plena união com Cristo, por exemplo, através da prática da comunhão espiritual, recordada por João Paulo II (170) e recomendada por santos mestres de vida espiritual” (171) SC, 55).
b) Na teologia. É importante, segundo o Pe. G. Muraro redescobrir a doutrina do desejo do sacramento – através da Comunhão espiritual- para continuar a presença de Jesus na vida dos divorciados. Ele apela ao antigo princípio segundo o qual o caminho sacramental não esgota todos os caminhos da graça. O lugar teológico de referência para entender este caminho alternativo se encontra em Santo Tomás, aonde ele trata da comunhão espiritual. Segundo a explicação de Santo Tomás, a realidade do sacramento pode ser obtida antes da recepção ritual do mesmo sacramento, somente pelo fato que se deseja recebê-lo (cf. S. Tomás de Aquino, Summa Theologicae, III, q. 80,a, 4). O valor da Comunhão espiritual como caminho extrasacramentário da graça, encontra apoio no fato que a Igreja “com firme confiança crê que, mesmo aqueles que se afastaram do mandamento do Senhor e vivem agora neste estado, poderão obter de Deus a graça da conversão e da salvação, se perseverarem na oração, na penitência e na caridade FC 84” (cf. G. Muraro, I divorziati risposati nella comunitá cristiana, Cinisello Balsamo, Paoline,1994 in Sc. Catt. art. cit. 564-565). Dom Edvaldo, enfatizando o valor e o bem espiritual da Comunhão Espiritual, encoraja os casais em segunda união aconselhando a fazer a Comunhão Espiritual na Santa Missa, devidamente dispostos e desejosos de receber o Corpo de Cristo por uma oração sincera. Se sua fé e amor for tão intenso e apaixonado, é possível talvez que eles obtenham maior proveito espiritual do que aqueles que, por rotina e sem piedade alguma, recebem a sagrada hóstia em nossas celebrações sem nenhuma convicção e adequada preparação espiritual.

A ESPIRITUALIDADE DOS CASAIS EM SEGUNDA UNIÃO
A Igreja não quer discriminar e punir os casais em segunda união, mas quer oferecer-lhes um caminho espiritual – pastoral adaptado à sua situação. Este caminho espiritual- pastoral é apontado claramente pela “Familiaris Consortio”. Este caminho pode ser chamado e é de fato um caminho espiritual – pastoral, muito rico de frutos espirituais de vida cristã, mesmo que o “status permanente” de segunda união e sem retorno, seja uma situação “irregular”. A Exortação Apostólica “Familiaris Consortio”, 1981, de João Paulo II no n. 84 exorta os casais divorciados a participar de um caminho de vida cristã que deve consistir em: “ouvir a Palavra de Deus, a freqüentar o sacrifício da Missa, a perseverar na oração, a incrementar as obras de caridade e as iniciativas da comunidade em favor da justiça, a educar os filhos na fé cristã, a cultivar o espírito e as obras de penitência… que se resume em perseverarem na oração, na penitência e na caridade”. A Exortação Apostólica “Sacramentum caritatis”, 2007, de Bento XVI no n. 29 reafirma o convite a cultivar, quanto possível: “um estilo cristão de vida, através da participação da Santa Missa, ainda que sem receber a comunhão, da escuta da Palavra de Deus, da adoração eucarística, da oração, da cooperação na vida comunitária, do diálogo franco com um sacerdote ou mestre de vida espiritual, da dedicação ao serviço da caridade, das obras de penitência, do empenho na educação dos filhos”.
1. A comunhão com a Palavra de Deus
Escutar é algo mais que ouvir. É atender ao que se diz. É ir assimilando e tornando pessoal o que foi dito. É algo ativo, não passivo. É uma abertura a Deus que a eles dirige a Sua Palavra. Através de Isaías ou de Paulo fala-lhes, aqui e agora. Umas vezes esta Palavra os consola e os anima. Outras vezes julga suas atitudes e desautoriza seu estilo de vida, convidando-os à conversão. Sempre os ilumina, os estimula e os alimenta. A Palavra que Deus lhes dirige é, sobretudo uma pessoa: o Seu Verbo, a Sua Palavra, Jesus Cristo. Ele não se dá só no Pão e no Vinho, mas está realmente presente na Palavra que nos é proclamada e que escutamos. Também a nós o Pai continua a dizer: “Este é o meu Filho muito amado: escutai-O”. A leitura da sagrada Escritura acompanhada pela oração estabelece um colóquio de familiaridade entre Deus e o homem, pois a Ele falamos quando rezamos, a Ele ouvimos quando lemos os divinos oráculos” (DV 25). Este colóquio torna-se mais intenso pela “Lectio divina”, ou seja pela leitura meditada da Bíblia, que se prolonga na oração contemplativa. A Lectio é divina, porque se lê a Deus na sua Palavra e com o seu Espírito, pode ajudar os casais em 2ª União na consecução de uma grande familiaridade não só com a Palavra, mas com o mesmo Deus.
2. A visita e a adoração ao Santíssimo Sacramento
Jesus, sendo vivo e presente no Sacrário, pode ser visitado e adorado. Ele espera, ouve, conforta, anima, sustenta e cura. Por conseguinte, a visita e a adoração ao Santíssimo é um verdadeiro e íntimo encontro entre o visitante e o visitado que é Jesus. A visita e a adoração são uma escolha pessoal do visitante, e, acima de tudo, um ato de amor para com o visitado. A simples visita ao Santíssimo transforma-se em adoração, que é o ponto mais alto deste encontro. Os casais em segunda união são chamados e convidados a serem os adoradores do Santíssimo através da prática tradicional da Hora santa, que muito os ajudará na espiritualidade, seja do grupo como também do próprio casal. A prática freqüente da Hora Santa não é um opcional, por isto não se pode deixar facilmente de lado, pois ela é necessária para a perseverança.
3. A visita a Maria Santíssima: um conforto para o seu povo
Se o próprio Jesus moribundo na cruz deu Maria como mãe ao discípulo: “Mulher, eis aí teu filho” e a você discípulo como mãe: “eis aí, tua mãe!” (Jo 19, 26-27), é bom e recomendável que o casal em segunda união não tenha medo em fazer esta visita de carinho para receber conforto, força e consolação de sua mãe. Esta visita pode ser feita numa capela dedicada á Maria ou em casa junto com a família ou na intimidade do seu quarto. Pensando nisso, é bom e confortável que o casal em segunda união não esqueça de visitar, quantas vezes puder, Maria Santíssima. Visitar Maria, a mãe de Jesus, é ir ao seu encontro sem reservas, é entregar-se de coração a um coração que não tem limites para amar. Nossa Senhora em Medjugorje disse aos videntes e a nós seus filhos: “Se soubésseis quanto vos amo choraríeis de alegria”. Maria nos ama muito, como filhos queridos. O que ela mais deseja é ver seus filhos deixar-se AMAR POR ELA. O seu desejo é o de seu Filho… salvar a todos. Maria nos espera todos os dias, e ela sabe que quanto mais perto estivermos dela, mais perto ficaremos de Jesus, pois a sua meta é levarmos a Jesus.
4. Perseverança na Oração
O Casal em segunda união é convidado a perseverar na oração. A oração pode ser pessoal, pode ser oração como casal, ou como oração da família com os filhos, ou oração comunitária com os outros casais ou com outros fieis.
5. Participação nas Celebrações Penitenciais Comunitárias
A “Familiaris Consortio” 84, o Diretório da CEI e o Diretório da Pastoral Familiar da CNBB pedem que os casais em segunda união façam “atos de penitência”. Um deles é certamente a Celebração da Penitência.
6. Participação da Santa Missa: um encontro de amor
O casal de segunda união, como todo bom cristão, considerando este amor infinito de Jesus, deve participar da Santa Missa com amor fervoroso, de modo particular no momento da consagração, pois é neste momento que Jesus é vivo e presente. Bento XVI em recente discurso ao clero de Aosta IT valoriza a participação dos casais recasados da Missa mesmo sem a comunhão eucarística. A esse respeito o Papa fez este lindo e confortável comentário: Uma Eucaristia sem a comunhão eucarística não é certamente completa, pois lhe falta algo essencial. Todavia, é também verdade que participar na Eucaristia sem a comunhão eucarística não é igual a nada, é sempre um estar envolvido no mistério da Cruz e da ressurreição de Cristo. É sempre uma participação no grande Sacramento, na dimensão espiritual, pneumática, e também, eclesial, se não estreitamente sacramental. E dado que é o Sacramento da Paixão de Cristo, Cristo sofredor abraça de modo particular estas pessoas e comunica-se com elas de outra forma; portanto elas podem sentir-se abraçadas pelo Senhor crucificado que cai por terra e sofre por elas e com elas. Por conseguinte, é necessário fazer compreender que mesmo que, infelizmente, falte uma dimensão fundamental, todavia tais pessoas não devem ser excluídas do grande mistério da Eucaristia, do amor de Cristo aqui presente. Isto parece-me importante, como é importante que o pároco e a comunidade paroquial levem tais pessoas a sentir que, por um lado, devemos respeitar a indissolubilidade do sacramento e, por outro, amamos as pessoas que sofrem também por nós. E devemos também sofrer juntamente com elas, porque dão um testemunho importante, afim de que saibam que no momento em que se cede por amor, se comete injustiça ao próprio Sacramento, e a indissolubilidade parece cada vez mais menos verdadeira”. O mesmo Papa ainda recorda que o sofrimento faz parte da vida humana e no caso dos casais em segunda união é “um sofrimento nobre”. O sofrimento é considerado, de uma certa maneira, como o oitavo sacramento.
7. O toque a Jesus Eucarístico
O toque eucarístico é um ato de adoração. Pelo toque os casais em segunda união proclamam: nós Vos amamos, nós Vos adoramos, nós confiamos em Vós, nós cremos em Vós, não queremos nos separar de Vós: “Nós o amamos porque Deus nos amou primeiro” (1Jo 4, 19) e confia “ao Senhor a nossa sorte, esperamos nele, e ele agirá (cf. Sl 30, 5). É um ato de fé, de louvor: nós queremos Vos louvar com todo o nosso ser com toda a nossa alma, como Tomé, após a conversão: “meu Senhor e meu Deus” e “para mim a felicidade é me aproximar de Deus, é pôr minha confiança no Senhor Deus, a fim de narrar suas maravilhas” (Sl 72, 28). É um toque pelo qual Jesus fala através das mãos que se dão: Por que vocês tem medo? Nada é impossível para Deus. Eu vos amo. Eu sou o vosso melhor amigo, pode confiar em mim. Por vocês dei e vos dou a minha vida: “Nisto temos conhecido o amor: Jesus deu sua vida por nós” (1Jo 3, 16). Cheguem perto, fiquem sempre juntinho de mim. “Permanecei no meu amor” (Jo 15, 9). Ninguém vos ama como eu. Olhem para mim bem nos meus olhos. Mergulhem no meu coração.
8. A comunhão espiritual
Outros meios que auxiliam os casais em segunda união viver o caminho espiritual- pastoral:
1. Formação Pessoal e de Casal. É necessário para eles, como para todos os casais, uma formação pessoal e uma formação como casal, podendo participar da formação e da catequese que a paróquia ou outra realidade propõe para todos.
2. Grupos de Oração. O Casal em segunda união tem a possibilidade de participar de grupos de famílias e de grupos de oração para a sua formação, como também para se ajudar mutuamente.
3. Obras de Caridade. O Casal em segunda união, como todo cristão, deve empenhar-se nas obras de caridade organizadas pela paróquia ou por outras entidades, como voluntários… lembrando-se que “a caridade cobre uma multidão dos pecados” (1Pd 4, 8).
4. Praticar a Justiça. O Casal em segunda união pode e deve participar das iniciativas em favor da justiça.
5. Diálogo em família. O Casal em segunda união como família procure viver o diálogo com os vários membros para que haja paz e colaboração; aceite fazer a vontade de Deus, sobretudo quando ela é difícil ou quando o sofrimento bater à sua porta; abra o seu coração aos parentes e aos vizinhos, aos colegas… especialmente em necessidade.
6. Viver no cotidiano a vida cristã. O Casal em segunda união procure viver de maneira cristã a vida cotidiana no trabalho, em casa, no relacionamento com os vizinhos e com a sociedade: este é o caminho que os aproxima da salvação.
7. Um caminho espiritual valorizando a família. O caminho de vida espiritual, comum a todos os casais, levará certamente o casal em segunda união a valorizar a importância da família também para o bem da sociedade; a valorizar a própria casa como lugar aonde se constrói o Reino de Deus e se opera o bem imitando a família de Nazaré.
8. O perdão família.

A Igreja é templo de “pedras vivas”

Praça São Pedro, quarta-feira, 26 de junho  de 2013, Jéssica Marçal / Da Redação

Santo Padre afirmou que, na Igreja, todos são iguais e necessários para a construção do Templo

Na catequese desta quarta-feira, 26, na Praça São Pedro, o Papa Francisco explicou o significado da Igreja como templo. Ele destacou que a Igreja é a “casa de Deus”, o templo no qual mora o Espírito Santo, mas não se trata de um templo construído por pedras materiais, e sim por pedras vivas, que são o Povo de Deus.

“Cristo é o Templo vivo do Pai, e o próprio Cristo edifica a sua ‘casa espiritual’, a Igreja, feita não de pedras materiais, mas de ‘pedras vivas’, que somos nós”.

Francisco destacou que todos, com o dom do Batismo, são pedras vivas, de forma que, na Igreja, ninguém é inútil; todos são necessários para construir este Templo. “Ninguém é o mais importante na Igreja, todos somos iguais aos olhos de Deus (…) Sim, eu sou como cada um de vocês, todos somos iguais, somos irmãos!”.

Na conclusão, o Papa convidou todos a refletirem sobre o modo como estão vivendo o “ser Igreja”, dizendo que o cristão deve viver esta beleza de fazer parte do povo de Deus que é a Igreja.

“O Senhor nos dê a sua graça, a sua força, a fim de que possamos ser profundamente unidos a Cristo, que é a pedra angular, a pilastra, a pedra de sustentação da nossa vida e de toda a vida da Igreja”.

 

CATEQUESE
Praça São Pedro
Quarta-feira, 26 de junho de 2013

Boletim da Santa Sé
Tradução: Jéssica Marçal

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Hoje gostaria de fazer uma breve referência a outra imagem que nos ajuda a ilustrar o mistério da Igreja: aquela do templo (cfr Con. Ecum. Vat. II, Const. dogm. Lumen gentium, 6).

Em que nos faz pensar a palavra templo? Nos faz pensar em um edifício, em uma construção. De modo particular, a mente de muitos vai à história do Povo de Israel narrada no Antigo Testamento. Em Jerusalém, o grande Templo de Salomão era o lugar de encontro com Deus na oração; dentro do Templo havia a Arca da Aliança, sinal da presença de Deus em meio ao povo; e na Arca havia as Tábuas da Lei, o maná e a vara de Arão um lembrete de que Deus estava sempre dentro da história de seu povo, o acompanhava no caminho, guiava seus passos. O templo recorda essa história: também nós quando vamos ao templo devemos recordar esta história, cada um de nós a nossa história, como Jesus me encontrou, como Jesus caminhou comigo, como Jesus me ama e me abençoa.

Então, isso que era prefigurado no antigo Templo, é realizado, pelo poder do Espírito Santo, na Igreja: a Igreja é a “casa de Deus”, o lugar da sua presença, onde possamos encontrar e conhecer o Senhor; a Igreja é o Templo no qual mora o Espírito Santo que a anima, a guia e a apoia. Se nos perguntamos: onde podemos encontrar Deus? Onde podemos entrar em comunhão com Ele através de Cristo? Onde podemos encontrar a luz do Espírito Santo que ilumina a nossa vida? A resposta é: no povo de Deus, entre nós, que somos Igreja. Aqui encontraremos Jesus, o Espírito Santo e o Pai.

O antigo Templo era edificado pelas mãos dos homens: desejava-se “dar uma casa” a deus, para ter um sinal visível da sua presença em meio ao povo. Com a encarnação do Filho de Deus, cumpre-se a profecia de Natan ao rei Davi (cfr 2 Sam 7, 1-29): não é o reio, não somos nós a “dar uma casa a Deus”, mas é o próprio Deus que “constrói a sua casa” para vir e morar em meio a nós, como escreve São João em seu Evangelho (cfr 1,14). Cristo é o Templo vivo do Pai, e o próprio Cristo edifica a sua “casa espiritual”, a Igreja, feita não de pedras materiais, mas de ‘pedras vivas’, que somos nós. O Apóstolo Paulo diz aos cristãos de Éfeso: vós sois “edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, tendo como pedra angular o próprio Cristo Jesus. Nele toda a construção cresce bem ordenada para ser templo santo do Senhor; Nele também vós sois edificados juntos para transformar-se morada de Deus por meio do Espírito Santo” (Ef 2,20-22). Isto é uma coisa bela! Nós somos as pedras vivas do edifício de Deus, unidos profundamente a Cristo, que é a pedra de sustentação e também de sustentação entre nós. O que isso quer dizer? Quer dizer que o templo somos nós, nós somos a Igreja viva, o templo vivo e quando estamos juntos entre nós há também o Espírito Santo, que nos ajuda a crescer como Igreja. Nós não somos isolados, mas somos povo de Deus: esta é a Igreja!

E é o Espírito Santo, com os seus dons, que desenha a variedade. Isto é importante: o que faz o Espírito Santo entre nós? Ele desenha a variedade que é a riqueza na Igreja e une tudo e todos, de forma a construir um templo espiritual, no qual oferecemos não sacrifícios materiais, mas nós mesmos, a nossa vida (cfr 1Pt 2,4-5). A Igreja não é um conjunto de coisas e de interesses, mas é o Templo do Espírito Santo, o Templo no qual Deus trabalha, o Templo do Espírito Santo, o Templo no qual Deus trabalha, o Templo no qual cada um de nós com o dom do Batismo é pedra viva. Isto nos diz que ninguém é inútil na Igreja e se alguém às vezes diz ao outro: “Vá pra casa, você é inútil”, isto não é verdade, porque ninguém é inútil na Igreja, todos somos necessários para construir este Templo! Ninguém é secundário. Ninguém é o mais importante na Igreja, todos somos iguais aos olhos de Deus. Alguém de vocês poderia dizer: “Ouça, Senhor Papa, o senhor não é igual a nós”. Sim, sou como cada um de vocês, todos somos iguais, somos irmãos! Ninguém é anônimo: todos formamos e construímos a Igreja. Isto nos convida também a refletir sobre o fato de que se falta o tijolo da nossa vida cristã, falta algo à beleza da Igreja. Alguns dizem: “Eu não tenho nada a ver com a Igreja”, mas assim pula o tijolo de uma vida neste belo Templo. Ninguém pode sair, todos devemos levar à Igreja a nossa vida, o nosso coração, o nosso amor, o nosso pensamento, o nosso trabalho: todos juntos.

Gostaria então que nos perguntássemos: como vivemos o nosso ser Igreja? Somos pedras vivas ou somos, por assim dizer, pedras cansadas, entediadas, indiferentes? Vocês viram como é ruim ver um cristão cansado, entediado, indiferente? Um cristão assim não vai bem, o cristão deve ser vivo, alegre por ser cristão; deve viver esta beleza de fazer parte do povo de Deus que é a Igreja. Nós nos abrimos à ação do Espírito Santo para ser parte ativa nas nossas comunidades ou nos fechamos em nós mesmos dizendo: “tenho tantas coisas a fazer, não é tarefa minha”?

O Senhor nos dê a todos a sua graça, a sua força, a fim de que possamos ser profundamente unidos a Cristo, que é a pedra angular, a pilastra, a pedra de sustentação da nossa vida e de toda a vida da Igreja. Rezemos para que, animados pelo seu Espírito, sejamos sempre pedras vivas da sua Igreja.

O pensamento sobre o Reino dos Céus

Por Cônego José Geraldo Vidigal de Carvalho

À reflexão de seus seguidores Jesus propôs um dos temas mais difíceis sobre qual seja o Reino dos céus. Pedagogo Divino, Cristo expôs inúmeras parábolas para falar sobre os mistérios deste Reino (cf. Mt 13, 1-52). Não é, realmente, fácil reportar às verdades invisíveis. O grande perigo é projetar falsas idéias no Reino, que já é agora uma realidade, mas que ainda está para se consumar para cada um. Há sempre toda uma carga de nosso imaginário consciente ou inconsciente. Cumpre evitar pintar o Reino a vir com as cores de um paraíso à moda das grandes mitologias pagãs, com suas descrições encantadoras, mas irreais.
Para deixar claro em que consiste o Reino, o Mestre Divino recorreu às parábolas, ou seja, a narrações alegóricas nas quais o conjunto de elementos evoca, por comparação, outras realidades de ordem superior.
É impossível fechar numa descrição unívoca o que é o Reino dos céus. Ele escapa a toda determinação precisa. Ele, porém, está intimamente ligado à Pessoa mesma que o anuncia: Jesus de Nazaré. É tesouro oculto, pérola rara, comparação que mostra sua preciosidade. Quem o valoriza deixa qualquer outro bem para ter a posse dele.
Neste Reino, representado por uma rede, entram bons e maus, mas um dia se dará a separação definitiva no fim dos tempos, quando os infiéis receberão justo castigo. Para isso cumpre fugir da utopia política e não se deixar levar pelo fervor dos falsos profetas e seus arroubos messiânicos. Promessas dos que fabricam usinas de ilusão. É preciso ficar atento às mensagens da mídia que não passam de sistema de ideias dogmaticamente organizado como um instrumento de enganação política.
Somente Jesus tem promessas de vida eterna no Reino dos céus. O céu e a terra passarão, mas felizes os que compreendem a salvação que Deus oferece em seu Filho Jesus Cristo. Entretanto, como o Reino dos céus é algo a ser conquistado, apenas os que cooperarem para o progresso e o desenvolvimento da cidade terrena, competentes nas tarefas específicas confiadas a cada um é que poderão, um dia, possuir em plenitude este Reino lá na eternidade.
Trata-se do cumprimento do dever em casa, no trabalho, no apostolado. É preciso, de fato, ir além da estrutura social para sempre contemplar as pessoas que vivem os acontecimentos históricos como co-herdeiros do céu.
O pensamento do Reino dos céus não pode ser alienante, mas deve levar a ações concretas a bem do próximo. Mostra que as instituições e a sociedade no seu conjunto devem estar a serviço, sobretudo, dos marginalizados, dos mais pobres e deserdados da fortuna. Ao falar do Reino dos céus, Jesus nos convida precisamente a modificar nossa maneira e nossos critérios humanos.
É participando da história do mundo visível que cada um trabalha para que ninguém perca o rumo do Paraíso. São os mesmos atos, as mesmas decisões, os mesmos engajamentos que tomam sentido e valor numa e noutra realidade. Corre-se, de fato, o risco de se ater a valores diferentes segundo os critérios do mundo e os do Reino.
Tão somente alguém entrará no Reino se puder dizer ao deixar esta terra: “O mundo ficou melhor porque eu por ele passei”. É, portanto, participando de acordo com a vocação específica de cada um e sua responsabilidade social que se entrará na posse definitiva do Reino oferecido por Cristo. Trata-se de cultivar os talentos que o Ser Supremo conferiu a cada ser pensante, velando pelos irmãos no meio dos quais Deus nos chama a servi-Lo. Deste modo se aguarda o retorno de Jesus na hora da morte e no fim dos tempos.
Esta expectativa é que permite a cada um se situar de maneira justa nos engajamentos concretos que é preciso assumir na sociedade em que vive. É esta abertura contínua para o outro que nos guarda de toda idolatria funesta e de todo descorajamento. Estas foram as primeiras palavras de São João Paulo II ao assumir a Cátedra de Pedro: “Não tenhais medo. Abri todas as portas da sociedade a Cristo”. Essa é a tarefa sublime do cristão que deve trabalhar no desenvolvimento integral das pessoas, levando a mensagem do Reino dos céus. É pedir então a Jesus que dê a cada um de Seus seguidores olhos para ver as necessidades do próximo e ouvidos para entender os apelos do Espírito Santo. Então, sim, o seguidor do Mestre Divino será semelhante a um proprietário que tira de seu tesouro coisas novas e velhas. Para isso é necessário pedir sempre ao Senhor: “Venha a nós o vosso Reino” e trabalhar corajosamente para que todos deles participem para glória de Deus e bem das almas.

PLACA DE IGREJA NÃO SALVA NINGUÉM, QUEM SALVA É JESUS E / OU « IGREJA NÃO SALVA NINGUÉM, QUEM SALVA É JESUS »
Por Mons. Inácio José Schuster

Hoje em dia muitos utilizam essa falsa expressão, difundida principalmente no meio protestante, para dizer que rótulo de Igreja não salva ninguém, ou ainda, que não precisamos de Igreja para ser salvo, basta crer em Jesus.
Esta frase repetida aos quatro ventos pelos “filhos de Lutero” pode levar o leitor desatento a pensar que seja uma verdade.
Ledo engano! Não passa de falácia ou sofisma (= mentira com aparência de verdade).
– Essa expressão equivale a dizer: «Bisturi não opera ninguém, quem opera é o médico».
– Ora… assim como o médico opera através do bisturi, também Jesus salva através da Igreja.
– Ou será que Jesus iria fundar uma Igreja que não vale nada?
– Se Jesus fundou UMA IGREJA e prometeu estar nela até o fim do mundo (Mt 28, 20), é evidente que ela é NECESSÁRIA para a salvação. Por isso os Padres da Igreja nunca tiveram dúvidas: FORA DA IGREJA, NINGUÉM SE SALVA!
“Cristo é a Cabeça do corpo da Igreja” (Cl 1, 18). Portanto Ele salva com a Igreja. Ele age através dela, para efetivar a sua obra salvífica.
Na Parábola do Bom Samaritano (que é o próprio Jesus), Ele salva o homem caído (todos nós), e o leva à Hospedaria (Igreja). Entrega ao hospedeiro (Pedro = o Papa) duas moedas (Antiga e a Nova Aliança). E vai embora (volta ao Céu). Mas voltará no fim dos tempos.
Feridos como ficamos, fora da Hospedaria (Igreja) não sobreviveremos até sua volta! Portanto, fora da hospedaria você morre. – SÓ NA IGREJA TEMOS A CURA (Confissão) e o ALIMENTO (Eucaristia).
Quanto às milhares de seitas protestantes (que eles chamam de “igrejas”), elas nada têm a ver com Jesus. São frutos de mentes INCHADAS DE SOBERBA, que provocaram divisão e confusão no povo de Deus… e, portanto, SÃO OBRAS DO DIVISOR (diabo = o que divide).
A Igreja não salva se o que salva na Igreja for algo que não seja a fonte de salvação. Ou seja, a Igreja nunca salvará ninguém se a fonte de salvação que ela propõe for ela por ela mesma.
Entretanto a Igreja pode sim salvar, se nela estiver contida a fonte da salvação, a mensagem de Cristo para todos os povos, para a justificação e salvação dos povos, que guarda a riqueza do “depósito da fé” e que oferta o Corpo e o Sangue do Cordeiro para que todos tenham a vida eterna.
A Igreja que possui isto, salva.
Ela salva não por ela, pela sua física, mas pela graça que ela traz em seu tesouro, assim como somos salvos não pelos nossos méritos, mas pela graça de Deus agindo em nós.
Mas é interessante esta afirmação nascida das igrejas protestantes. A Eclesiologia protestante, afastando-se progressivamente da mensagem do Evangelho e se aproximando cada vez mais da mensagem dos seus fundadores, desloca o papel da igreja para segundo, terceiro, quarto ou até plano nenhum. Não precisa ir em igreja para ser salvo, basta ler a bíblia – sozinho – em casa que está tudo bem.
Jesus veio, edificou uma Igreja, mas ninguém precisa estar nela.
A Igreja é o Corpo de Cristo, mas ninguém precisa dela, não salva ninguém, ou seja, o Corpo de Cristo não salva ninguém. O protestante pode ser sua própria “igreja”, afinal, ele tem a bíblia, e somente a bíblia e toda ela – Sola Scriptura / Tota Scriptura – é necessária à salvação. Ai! de quem não souber ler.
E o que mais é hilário, sem querer ser mórbido com isso, é que as igrejas protestantes se vêm vazias. Não foram poucas as vezes em que eu já escutei um protestante dizer: “Eu creio em Deus, já é o bastante”…
Os protestantes costumam dizer que “placa de igreja não salva ninguém”… Placa de Igreja não salva, mas pertencer à verdadeira Igreja salva, pois quem estava fora da arca de Noé foi envolvido pela água do dilúvio, e assim na barca de Pedro, a Igreja, quem não estiver nela pode encontrar o mesmo fim, só que de forma menos molhada.

Por que jejuar?

O jejum e a abstinência fazem parte deste sistema de freios que, no ser humano

Ao tratarmos da cura de gastrimia (gula), a primeira coisa que nos vem à mente, evidentemente, é o jejum. No entanto, sejamos sinceros, quem é que ainda leva a sério o jejum? Para a maior parte das pessoas, o jejum é uma prática antiquada, desnecessária, quando não, completamente absurda. Até entre os “bons católicos” a prática do jejum é vista com desconfiança. Afinal, somos pessoas equilibradas. Nada de radicalismos! Quando muito, ainda é possível encontrar quem se recorde do velho Catecismo: “O quarto mandamento [da Igreja]: jejuar e abster-se de carne, conforme manda a Santa Mãe Igreja”. Mas quando é que a Santa Mãe Igreja no manda jejuar? A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) publicou, em 1987, a Legislação Suplementar ao Código de Direito Canônico, que diz o seguinte:

Quanto aos cânones 1251 e 1253:

1. Toda sexta-feira do ano é dia de penitência, a não ser que coincida com solenidade do calendário litúrgico. Os fiéis, nesse dia, se abstenham de carne ou outro alimento, ou pratiquem alguma forma de penitência, principalmente obra de caridade ou exercício de piedade.

2. A Quarta-feira de Cinzas e a Sexta-feira Santa, memória da Paixão e Morte de Cristo, são dias de jejum e abstinência. A abstinência pode ser substituída pelos próprios fiéis por outra prática de penitência, caridade ou piedade, particularmente pela participação nestes dias na Sagrada Liturgia.

Bem, talvez, do jejum e da abstinência na Quarta-feira de Cinzas e na Sexta-feira Santa, a maior parte dos católicos se recorde. Porém, é provável que a maioria não faça a mínima ideia de que a abstinência de carne, às sextas-feiras, ainda existe! Mas isso não é motivo para que alguém se sinta mal. Muitos e nobres eclesiásticos sofrem da mesma miséria… Magra consolação!

“Mas isso é somente uma lei da Igreja!”, alguém poderia dizer. E, depois de constatar esta obviedade, desfiar um rosário de argumentos contra a prática do jejum: “Não está na hora de a Igreja deixar de lado essas tradições medievais? Por que incentivar o jejum? Não existe algo de mal neste masoquismo de querer se penitenciar? Isto não prejudica a saúde? Qual o sentido do jejum, se a pessoa não trabalha para transformar a sociedade?”.

Com argumentos desse tipo, livramo-nos do problema, varrendo-o para debaixo do tapete. Acho que os Santos Padres não estariam exatamente de acordo com este procedimento.

Santo Tomás de Aquino (1225-1274), que era um mestre em argumentação, ensina-nos a distinguir duas realidades diferentes no jejum:

a) O mandamento da Igreja

b) A lei natural

Os dias em que eu devo jejuar e as formas de realizar este jejum são uma lei da Igreja (a). Mas o jejum não é uma invenção da Igreja. A necessidade de jejuar é uma lei que Deus imprimiu na natureza humana (b), ou seja, compete às autoridades da Igreja determinar alguns tempos e modos de jejuar, já que é dever dos pastores cuidar do bem das ovelhas. No entanto, mesmo se não houvesse uma legislação canônica, as pessoas teriam de jejuar, pois se trata de uma exigência da própria natureza do homem. Sim, é isto mesmo! Por estranho que possa soar aos seus ouvidos, a ascese e o jejum são imperativos da ética humana natural e não uma tradição de algumas religiões e culturas exóticas. O jejum e a abstinência são instrumentos necessários para que possamos chegar a ser, não heróis ou semideuses, mas simplesmente… humanos”!

Talvez, uma comparação nos ajude a compreender melhor esta realidade. Quando alguém compra um carro, as montadoras geralmente dão a oportunidade de a pessoa escolher os “opcionais”: ar-condicionado, air-bag, direção hidráulica etc. Mas, num automóvel, o sistema de freios não é um opcional. O freio é um componente essencial do próprio veículo. De nada adiantaria ter um automóvel se ele não tivesse um freio.

O ser humano também é assim. Precisamos de um sistema de freios, de algo que nos sirva de limite, porque a vida humana desregrada é semelhante a um carro desgovernado. O que era uma bênção transforma-se numa maldição. O jejum e a abstinência fazem parte deste sistema de freios que, no ser humano, recebe um nome: virtude da temperança.

Trecho retirado do livro: “Um olhar que cura”
Padre Paulo Ricardo

Encontre-se com Jesus na oração

Encontre-se com Jesus no íntimo de sua alma, em oração, em qualquer tempo e em qualquer lugar; é você quem marca a hora e o local para falar com Jesus.

Pode ser no seu quarto, no seu carro, na sua sala de trabalho, pode ser na igreja… O melhor lugar é diante do Sacrário, porque ali Ele está em Corpo, Alma e Divindade, como Vítima oferecida em sacrifício permanente por amor de cada um de nós. Ali Ele é todo seu; está a seu dispor para lhe ouvir, abraçar você, enxugar as suas lágrimas e fortalecer o seu coração. Ali Ele está lhe esperando, vivo e ressuscitado.

Fale a Jesus com suas palavras, com suas lágrimas se for o caso, com o seu silêncio; mas não deixe de se encontrar com Ele pela oração.

Sem oração é impossível caminhar na fé e fazer a vontade de Deus. Ela é a nossa força. Jesus nos manda “orar sempre sem jamais deixar de fazê-lo” (Lc 18,1), e São Paulo nos recomenda: “Orar sem cessar” (1Ts 5,17). Isto quer dizer viver em “estado de oração”, com a alma sempre sintonizada em Deus, quer você esteja dirigindo o seu carro, lavando roupa, arrumando a casa ou descansando. Ele está com você e em você; lembre-se sempre disso.

A oração é para a alma o que o ar é para o corpo. Uma alma que não reza é uma alma que não respira; não tem vida.

Jesus foi muito claro com os Apóstolos e é com você também: “Sem Mim nada podeis” (Jo 15,5). A oração pode mudar todas as coisas; o Anjo Gabriel disse à Maria: “Para Deus nada é impossível.” (Lc 1,37). “Tudo é possível ao que crê” (Mc 9,23), nos garantiu  o Senhor. E mais, “pedi e vos será dado” (Lc 11,9), “Tudo o que pedirdes na oração, crede que o tendes recebido, e ser-vos-á dado” (Mc 11,24).

São Paulo recomenda com insistência: “Orai em todo o tempo” (Ef 6,18), “perseverai na oração” (Cl 4,2), “orai sempre e em todo o lugar” (1Tm 2,8). “Antes de tudo recomendo que se façam súplicas, orações, petições, ações de graças por todos os homens…” (1Tm 2,1)

São Pedro nos pede: “Lançai em Deus todas as vossas preocupações porque Ele tem cuidado de vós” (1Pe 5,7). É pela oração que lançamos em Deus as nossas preocupações; mas com fé e confiança.

Jesus orava constantemente, “ele costumava retirar-se a lugares solitários para orar” (Lc 5,15-16), relata São Lucas.

Há muitas formas de oração. Escrevi um livro chamado “Orações de todos os tempos da Igreja”, onde você vai encontrar orações que a Igreja guardou em todos os séculos. Se você não sabe rezar, tome este livro ou outro, e comece a rezar.

“Tudo pode ser mudado pela oração”. Todas as deficiências espirituais, todas as misérias e todas as falhas, todas as nossas quedas e passos fora do caminho reto, tudo isto tem um só motivo: falta de constância na oração.

Viva em oração; transforme tudo em oração, sejam os sofrimentos, sejam as dores, as alegrias, os sucessos e os fracassos e qualquer tipo de tentação. Converse com Jesus sobretudo, e lhe entregue todas as preocupações. Reze na calma e na tempestade, reze à noite e ao longo do dia, reze indo e voltando, reze embora se sinta cansado e distraído. Reze! Encontre-se com Jesus!

Prof. Felipe Aquino
Retirado do livro: “ A luta contra a depressão”

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