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Como devemos corrigir uns aos outros

Domingo, 7 de setembro de 2014, Da Redação, com Rádio Vaticano

Francisco disse que a correção fraterna deve ser feita com caridade e não com insultos

Antes da oração mariana, o Pontífice comentou o Evangelho deste domingo, extraído do capítulo 18 de Mateus, que apresenta o tema da correção fraterna na comunidade dos fiéis.

O Papa explicou que Jesus nos ensina que se o meu irmão comete um pecado contra mim, eu devo ter caridade para com ele e, antes de tudo, falar pessoalmente com esta pessoa, explicando-lhe que o que disse ou fez não é bom. Se o irmão não me ouvir, Jesus sugere uma ação progressiva: primeiro, voltar a falar com ele com outras duas ou três pessoas; se, não obstante isso, ele não acolher a exortação, é preciso dizer à comunidade; e se não ouvir sequer a comunidade, é preciso fazer com que sinta a fratura e o distanciamento que ele mesmo provocou.

Francisco advertiu porém, que neste itinerário é preciso evitar a fofoca da comunidade, e que a atitude deve ser de delicadeza, prudência, humildade, atenção para com quem pecou, de maneira a evitar que as palavras possam ferir e matar o irmão.

“Vocês sabem que as palavras matam: quando falo mal, faço uma crítica injusta, isso é matar a fama do outro”.

O Papa disse que ao mesmo tempo, esta discrição tem a finalidade de não mortificar inutilmente o pecador. O objetivo é ajudar o irmão a perceber o que ele fez. Isso também nos ajuda a nos libertar da ira e do ressentimento que nos fazem mal e que nos levam a insultar e a agredir.

“Isso é feio. Nada de insultos. Insultar não é cristão.”

O Pontífice recordou que na realidade, diante de Deus somos todos pecadores e necessitados de perdão. “Jesus, de fato, nos disse para não julgar. A correção fraterna é um serviço recíproco que podemos e devemos fazer uns aos outros. E é possível e eficaz somente se cada um se reconhece pecador e necessitado do perdão do Senhor. A mesma consciência que me faz reconhecer o erro do outro, antes ainda me lembra que eu mesmo errei e erro tantas vezes.”

Francisco explicou que por isso, no início da Santa Missa, todas as vezes somos convidados a reconhecer diante do Senhor que somos pecadores, expressando com as palavras e os gestos o sincero arrependimento do coração. “E dizemos: ‘Senhor, tende piedade de mim’, e não ‘Senhor, tende piedade dessa pessoa que está a meu lado’. Todos somos pecadores e necessitados do perdão do Senhor”.

Entre as condições que são comuns dos que participam da celebração eucarística, duas são fundamentais, ressaltou o Papa: todos somos pecadores e a todos Deus doa a sua misericórdia. “Devemos nos lembrar sempre disso antes de corrigirmos fraternalmente o nosso irmão.”

Por fim, Francisco recordou que nesta segunda-feira, 8, celebra-se liturgicamente a Natividade de Nossa Senhora. O Papa pediu aos fiéis que, assim que acordarem, dirijam seu pensamento a Ela, como um filho cumprimenta sua mãe no dia do seu aniversário.

Maria, Rainha do Céu e da Terra

“Apareceu em seguida um grande sinal no céu: uma mulher vestida de sol, a lua debaixo de seus pés e na cabeça uma coroa de doze estrelas” (Ap 12, 1).

Essa maravilhosa visão de São João na Ilha de Patmos revela toda a majestade e poder de Nossa Senhora para a Igreja e para todos nós cristãos. São João viu Maria revestida de sol, ou seja, o sol serviu-lhe de vestimenta gloriosa; a lua lhe serviu de rico pedestal e as estrelas se ajuntaram em torno de sua cabeça formando uma coroa em número de 12, que é o símbolo da perfeição e da graça. Portanto, os astros do universo glorificam sua Rainha. Ora, se os astros do universo glorificam a sua Rainha, por que nós não vamos proclamá-La também Rainha? Maria é a nossa Rainha, a nossa bela Rainha, pois a partir do momento em que foi escolhida e aceitou ser a Mãe do Rei do Universo tornou-se Mãe do Rei e Mãe de Rei, Rainha é. São Luiz Maria Grignion de Monfort diz: “foi por intermédio da Santíssima Virgem Maria que Jesus veio ao mundo. É também por meio dela que Ele deve reinar no mundo, pois é esta a função de Maria, nos levar ao Seu Filho Jesus, torná-Lo conhecido, amado e adorado”. Mesmo todos nós considerando-A Rainha, Maria não quer honrarias nem pompas para Ela, apenas quer que façamos tudo o que Jesus nos disser. O desejo de Maria é que façamos, a exemplo Dela, a vontade do Pai. Maria nos dá uma lição perfeita de como nos entregar a Deus e fazer apenas a Sua vontade. Nas lições de Maria constatamos que o centro de interesse nunca é voltado para ela mesma, mas para o Senhor, para os outros. Assim foi com a acolhida do Verbo no Seu ventre, na visita a Isabel, em Belém, na fuga para o Egito, no regresso a Nazaré, no episódio da perda do Menino no templo, em Jerusalém, na vida pública de Jesus e na morte na Cruz. A sua confiança em Deus, o desprendimento de tudo, a humildade e a pureza, a caridade e o espírito de sacrifício mostra-nos como num espelho, a perfeição a que devemos chegar. Maria além de ser nossa Rainha é o exemplo perfeito que devemos seguir. Portanto, devemos sempre acercar-nos a Ela e pedir a Sua ajuda para que, a Seu exemplo, deixemos que o Senhor faça maravilhas em nossa vida. O povo te chama de Mãe e Rainha Porque Jesus Cristo é o Rei do Céu

 

COROAÇÃO DE MARIA NA FESTA DA VISITAÇÃO

Maio é o mês dedicado à particular devoção de Nossa Senhora. A Igreja o encerra com a Festa da Visitação da Virgem Maria à Santa Isabel, que simboliza o cumprimento dos tempos. Qual o significado deste ato de fé para nós? Coroar Nossa Senhora é demonstrar que a reconhece como rainha. Rainha de um reino que não é o desse mundo, mas, sim, o reino sonhado por Deus para seus filhos e filhas. Na história da vida humana de Jesus, Maria tem o papel fundamental. Seu “sim” sela a encarnação do Filho de Deus como homem e com sua aceitação ela demonstra que é possível uma pessoa fazer de sua vida uma constante escuta da vontade de Deus. Maria: filha, mulher, mãe. Filha de pais fiéis a Deus, recebeu deles a educação que lhe abriu o coração para conhecer o Pai do Céu e escutar-Lhe as palavras. Mulher, engajou-se no seu tempo a prestar atenção aos anseios daqueles que a cercavam e soube fazer de seu serviço uma interceder contínuo pela humanidade. Mãe, constituiu a personalidade de seu único Filho, ensinou-lhe os passos e fundamentou seu conhecimento de Deus com aquilo que lhe era revelado. Maria humana, gente, pessoa, que com todas as limitações próprias de sua natureza pode dizer “sim” e ensinar à humanidade a também dizer “sim”. Por isso reconhecê-la como rainha é dar um lugar de destaque à humanidade daquela mulher que enveredou por um caminho desconhecido pelo puro amor a Deus. Mulher que sentiu a dor do parto, a dor da partida, a dor da perda. Mulher que trabalhou, que cuidou de sua família, que acompanhou a lida do outro como aquela que oferece o descanso e o alimento. Mulher que recebeu de seu filho o beijo carinhoso, o reconhecimento do colo, o sorriso cúmplice daqueles que partilham o mesmo entendimento do mundo. Por sua “humanidade humana” Maria se torna rainha: por ser o exemplo capaz de mostrar a cada um de nós que é possível chegar ao reino que Deus nos prepara. Basta dizer que sim, que em minha vida seja feita a vontade do Senhor. A Bíblia narra que Maria viajou para a casa da família de Zacarias logo após a anunciação do Anjo, que lhe dissera “vossa prima Isabel, também conceberá um filho em sua idade avançada. E este é agora o sexto mês dela, que foi dita estéril; nada é impossível para Deus” (Lc 1, 26-37). Já concebida pelo Espírito Santo, a puríssima Virgem foi levar sua ajuda e apoio à parenta genitora do precursor do Messias Salvador. O encontro das duas Mães é a verdadeira explosão de salvação, de alegria e de louvor ao Criador. Dele resultou a oração da Ave Maria e o cântico do “Magnificat”, rezados e entoados por toda a cristandade aos longos destes mais de dois milênios.

 

A COROAÇÃO DE NOSSA SENHORA COMO RAINHA DO CÉU E DA TERRA

Ave, Rainha do céu; ave, dos anjos Senhora; ave, raiz, ave, porta; da luz do mundo és aurora. Exulta, ó Virgem tão bela, as outras seguem-te após; nós te saudamos: adeus! E pede a Cristo por nós! Virgem Mãe, ó Maria!

I – A Coroação de Maria: uma festa no Céu!
No dia de sua Assunção, Nossa Senhora estava na plenitude da santidade. Sua alma santíssima, que não deixou de progredir um minuto sequer durante toda a sua existência terrena, tinha chegado ao clímax. A Virgem Maria chegara à suprema perfeição. Possuía incomparável beleza de alma, pois estava repleta de virtude; seu amor a Deus atingira o apogeu. Essa santidade transluzia em toda a sua pessoa e Lhe dava uma beleza incomparável. Compreende-se que a bem-aventurança da Virgem Maria seja sem igual. A glória está proporcionada ao mérito da santidade e à graça, e Nossa Senhora em mérito e graça, atingiu o máximo insuperável por qualquer mera criatura. Ela é Co-redentora indissoluvelmente unida ao Redentor, é a companheira inseparável das dores de Jesus, é a Imaculada, a Cheia de Graça, a Mãe de Deus. Ora, todos esses títulos, assim como a elevam incomensuravelmente acima de todos os Anjos e santos e a sublimam no reino do céu a um trono tão alto que nenhum Anjo nem santo o pode atingir. Acima do trono de Maria só o trono de Jesus. Podemos imaginar sua alegria, sabendo que, a partir daquele momento, entraria no Céu com corpo e alma. Passaria por um cortejo incomparável de Anjos, que prestariam a Ela homenagens como nunca nenhuma rainha deste mundo, nem de longe, recebeu. Sendo mera criatura humana, Nossa Senhora estava recebendo o amor entusiástico de todos os Anjos, e a corte que durante milhares de anos tinha esperado sua Rainha ficou transformada em algo lindíssimo, porque Ela estava chegando! Nossa Senhora coroava com uma perfeição altíssima a beleza do Céu!
Podemos ainda imaginar o desfile maravilhoso das almas eleitas que a receberam no Céu:
• São José, como deverá ter sido a alegria da alma dele, quando A viu ressurrecta, repleta de toda a santidade que transluzia com uma beleza incomparável?
• São Joaquim e Santa Ana, sendo pais de Nossa Senhora, era justo que assistissem de um lugar especial, o ingresso d’Ela no Céu;
• Adão e Eva, os primeiros pais do gênero humano, deveriam estar ali presentes. Depois de verem tantas desgraças causadas por seu pecado, puderam contemplar o remédio concedido por Deus para solucionar esse pecado, fazendo nascer Jesus Cristo e glorificando de tal maneira a Mãe Imaculada do Redentor!
E, afinal, todo o paraíso celeste pondo-se a cantar, enquanto Ela sobe até o trono da Santíssima Trindade! Verdadeira festa no Céu! Por fim, a Assunção chega ao seu auge: a coroação de Nossa Senhora como Rainha dos Anjos e dos Santos, do Céu e da Terra, pela Santíssima Trindade. Houve então uma verdadeira festa no Céu. Ela foi coroada por ser Mãe de Nosso Senhor Jesus Cristo, Filha do Pai Eterno e Esposa do Divino Espírito Santo! (Meditações dos Primeiros Sábados- Pe. Antônio de Almeida Fazenda, SJ-‘Mensageiro de Maria’-pp.166/167, Braga, Portugal).

II – Como Nossa Senhora atua com seu poder de Rainha?
Nossa Senhora exerce esse império não por uma imposição tirânica, mas pela ação da graça, em virtude da qual Ela é capaz de nos libertar de nossos defeitos e nos atrair, com agrado e particular doçura, para o bem que nos deseja. Esse materno poder de Maria sobre as almas nos revela quão admirável é a sua onipotência suplicante, que tudo nos obtém da misericórdia divina. Tão augusto é esse domínio sobre todos os corações, que ele representa incomparavelmente mais do que ser Soberana de todos os mares, de todas as vias terrestres, de todos os astros do céu, tal é o valor de uma alma, ainda que seja a do último dos homens! Afirma São Luís Grignion de Montfort que, “no Céu, Maria dá ordens aos Anjos e aos bem-aventurados. Para recompensar sua profunda humildade, Deus Lhe deu o poder e a missão de povoar de Santos os tronos vazios, que os anjos apóstatas abandonaram e perderam por orgulho. E a vontade do Altíssimo, que exalta os humildes (Lc 1, 52), e que o Céu, a Terra e o Inferno se curvem, de bom ou mau grado, às ordens da humilde Maria” [Tratado da Verd. Devoção à Ssma. Virgem: S. Luís Grignion de Montfort. Ed.Vozes,pgs.24].
1 – Nossos deveres para com Maria, nossa Rainha. Estes deveres são numerosos. Somos obrigados a respeitar esta augusta Soberana, a obedecer-lhe e a amá-la. Neste mundo, a soberania de Maria se manifesta sobretudo por uma bondade e benevolência maternais. “Salve, Rainha, Mãe de misericórdia!” Os justos, por Ela, perseveram no bem e no fervor; para os pecadores obtém o arrependimento e a conversão. Todos podem dizer, com São Boaventura: “Eis a minha Soberana, que me salvou!” (cfr. ‘Mês de Maria – segundo o Evangelho na Liturgia’- J.B. Bord – Vozes, Petrópolis, 1947- pp.126,127). Como aconselha São Luís Grignion, podem-se resumir estas obrigações: consagrando-nos, segundo nosso estado, à sua vontade, a seu serviço, em todas as nossas ações de cada dia. Quantas vantagens espirituais nos dará esta piedosa prática! A Santíssima Virgem ama seus escravos de amor; ama-os com uma ternura ativa, afetiva, muito mais intensa do que a de todas as mães juntas. Vai mais além, Santo Afonso ao afirmar: “Reuníssemos nós, enfim, o amor de todas as mães a seus filhos, de todos os esposos às suas esposas, de todos os Anjos e santos para com seus devotos, não igualariam todo esse amor ao amor que Maria tem a uma só alma” (Glórias de Maria – S. Afonso de Ligório, Editora Santuário, 1987, pág.55).
2 – Rainha que é Porta do Céu. O Pe. Jourdain comenta: “Ela é a porta que nos franqueia a entrada da Casa de Deus”. Quando o Filho de Deus entreabriu o Céu para descer até nós, foi Maria que Lhe serviu de porta: São Pedro Damião exclama, celebrando a natividade da Ssma. Virgem: ‘Hoje nasceu a Rainha do mundo, janela do Céu, a porta do Paraíso’. “Maria é a porta do Céu, porque todos os que nele entram, fazem-no seguindo a Jesus, por meio de Maria. A Terra, que o pecado de Adão havia separado do Céu, reconciliou-se com este pela intercessão de Maria, que nos deu Jesus. “A Santa Virgem Maria por sua pureza e humildade, fez descer Jesus Cristo do Céu sobre a Terra; assim também por seus exemplos e virtudes, foi a primeira a abrir para os homens a via que conduz ao Céu. Por isso Jesus Cristo A colocou à testa de todo o gênero humano, e quis que ninguém pudesse ser salvo, nem subir ao Céu, senão pelo consentimento e sob a proteção e a direção de Maria”. Nossa Senhora é a porta do Céu. É por essa porta que todas as nossas orações chegam até Deus, e é por meio d’Ela que obtemos as graças necessárias para a nossa salvação. Assim, em todos os dias de nossa vida e, sobretudo, no momento em que estivermos para entrar na eternidade, a Ela devemos dirigir esta filial e confiante súplica: “Porta do Céu, abri-vos para mim” (Pequeno Oficio da Imaculada Conceição -comentado: João S. Clá Dias – Artpressset. 1997, pp.188/189).

III – O Reino de Maria: “Por fim, o meu Imaculado Coração Triunfará”.
São Luís Grignion de Montfort abre o seu Tratado assim: “É pela Santíssima Virgem Maria que Jesus Cristo veio ao mundo”, isto é, se Maria Santíssima não tivesse vindo ao mundo, Jesus Cristo não teria vindo; “e é também por meio d’Ela que Ele deve reinar no mundo”, isto é, a devoção e o reino de Cristo deve vir ao mundo por intermédio de Maria Santíssima. E encerrando a introdução, acrescenta: “Quando o Reino de Jesus Cristo tomar conta do mundo, será como uma conseqüência necessária do reino da Santíssima Virgem” (Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem: S. Luís M. Grignion de Montfort – Ed. Vozes, Petrópolis, pp.24 e 38). Animado de ardoroso carisma profético, esse grande apóstolo de Maria – duzentos anos antes das aparições de Fátima – previu que, ao ser conhecida e posta em prática a devoção por ele ensinada, o reino da Mãe de Deus estaria implantado na Terra. Em outros termos, antevia ele o triunfo do Imaculado Coração de Maria, por Ela prometido em Fátima, no dia 13 de julho de 1917, quando anunciou: “Por fim, o meu Imaculado Coração Triunfará”. Por isso, exclama o Santo: “Ah! Quando virá este tempo feliz em que Maria será estabelecida Senhora e Soberana dos corações, para submetê-los plenamente ao império de seu grande e único Jesus? Quando chegará o dia em que as almas respirarão Maria, como o corpo respira o ar? “Então, coisas maravilhosas acontecerão neste mundo, onde o Espírito Santo, encontrando sua querida Esposa como que reproduzida nas almas, a elas descerá abundantemente, enchendo-as de seus dons, particularmente do dom da sabedoria, a fim de operar maravilhas de graça”. “Meu caro irmão, quando chegará esse tempo feliz, esse século de Maria, em que inúmeras almas escolhidas, perdendo-se no abismo de seu interior, se tornarão cópias vivas de Maria, para amar e glorificar Jesus Cristo? Esse tempo só chegará quando se conhecer e praticar a devoção que ensino!” (“Fátima, O Meu Imaculado Coração Triunfará” – Mons. João S. Clá Dias – 2a. Edição, Set.2007, Copypress, p. 90). Que venha o Reino de Maria, para que assim venha o Reino de Jesus Cristo! (São Luís Maria Avignon de Montfort) “Então, apareceu no céu um grande sinal: uma mulher vestida de sol, e sobre a cabeça uma coroa de 12 estrelas” (Ap 12, 1).

Oração: Ó Maria, Senhora do Mundo, Rainha do Céu! É para Vós, como para o centro da Terra, como para a Arca de Deus, como para a causa das coisas, como para a estupenda obra dos séculos, que se voltam os olhares dos habitantes do Céu e da Terra, dos tempos passados, presentes e futuros. Por isso vos chamarão bem-aventurada todas as nações, ó Mãe de Deus, pois para todas engendrastes a vida e a glória. Em Vós acham os Anjos a alegria, os justos a graça,os pecadores o perdão para sempre. Com razão, portanto, põem em Vós, porque em Vós, por Vós e de Vós a benigna mão do Onipotente refez tudo o que Ele havia criado! (São Bernardo)

 

EVANGELHO SEGUNDO SÃO LUCAS 1, 26-38 – esta é talvez a passagem bíblica mais importante sobre Nossa Senhora. Ela narra a aparição do anjo Gabriel à Maria e o anúncio da sua maternidade divina. É desta passagem que se extraiu a primeira parte da oração da Ave Maria. Muito da devoção que a Igreja guarda sobre Nossa Senhora está contida nesta passagem do Evangelho de São Lucas.

Ao sexto mês, o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galiléia chamada Nazaré, a uma virgem desposada com um homem chamado José, da casa de David; e o nome da virgem era Maria. Ao entrar em casa dela, o anjo disse-lhe: «Salve, ó cheia de graça, o Senhor está contigo.» Ao ouvir estas palavras, ela perturbou-se e inquiria de si própria o que significava tal saudação. Disse-lhe o anjo: «Maria, não temas, pois achaste graça diante de Deus. Hás-de conceber no teu seio e dar à luz um filho, ao qual porás o nome de Jesus. Será grande e vai chamar-se Filho do Altíssimo. O Senhor Deus vai dar-lhe o trono de seu pai David, reinará eternamente sobre a casa de Jacob e o seu reinado não terá fim.» Maria disse ao anjo: «Como será isso, se eu não conheço homem?» O anjo respondeu-lhe: «O Espírito Santo virá sobre ti e a força do Altíssimo estenderá sobre ti a sua sombra. Por isso, aquele que vai nascer é Santo e será chamado Filho de Deus. Também a tua parente Isabel concebeu um filho na sua velhice e já está no sexto mês, ela, a quem chamavam estéril, porque nada é impossível a Deus.» Maria disse, então: «Eis a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra.» E o anjo retirou-se de junto dela.

Deus pediu o consentimento de Maria, para conduzi-la nas estradas da aventura da salvação do gênero humano. Deus é respeitoso da dignidade humana. Mas não foi só Maria quem disse “Eis a serva, faça-se em mim, estou pronta a me deixar conduzir pelo caminho que Deus tiver designado para mim”, Jesus também teve o seu “Fiat”, Ele disse faça-se. Maria se abre espontaneamente para a vontade de Deus, e Jesus Cristo afirma ao entrar no mundo, que não tem outro desejo, a não ser realizar a vontade de Deus. Quando duas vontades humanas se abriram para a vontade divina, o Pai realizou a maravilha da Salvação do gênero humano. Nós também somos convidados a aceitar, a dar o consentimento àquele plano que Deus tem para com cada um de nós, aquele sonho que Deus tem para cada um de seus eleitos. Cada um de nós hoje é convidado a dizer, como Jesus e como Maria: “Eis-me aqui, estou pronto para me deixar conduzir, não conheço de forma alguma, não sei o que me acontecerá, mas estou pronto e sou generoso”. Quanto mais cristãos se abrirem a esta generosidade, e quanto maior for o número daqueles cristãos e católicos que disserem o sim a Deus, sem reservas, maiores serão os Dons, maiores serão os prêmios, as graças que Ele derrama agora sobre o gênero humano, sobre as nossas famílias, sobre a sua paróquia, sobre a sua comunidade. Saiba hoje, como Jesus e Maria, generosamente dizer: “Eis-me aqui, eu também estou pronto Oh Deus, para fazer a vossa vontade”.

Santo Evangelho (Lc 1, 39-56)

Assunção de Nossa Senhora – Domingo 20/08/2017

Primeira Leitura (Ap 11,19a; 12,1.3-6a.10ab)
Leitura do Livro do Apocalipse de São João:

19aAbriu-se o Templo de Deus que está no céu e apareceu no Templo a Arca da Aliança. 12,1Então apareceu no céu um grande sinal: uma Mulher vestida de sol, tendo a lua debaixo dos pés e sobre a cabeça uma coroa de doze estrelas. 3Então apareceu outro sinal no céu: um grande Dragão, cor de fogo. Tinha sete cabeças e dez chifres e, sobre as cabeças, sete coroas. 4Com a cauda, varria a terça parte das estrelas do céu, atirando-as sobre a terra. O Dragão parou diante da Mulher, que estava para dar à luz, pronto para devorar o seu Filho, logo que nascesse. 5E ela deu à luz um filho homem, que veio para governar todas as nações com cetro de ferro. Mas o Filho foi levado para junto de Deus e do seu trono. 6aA mulher fugiu para o deserto, onde Deus lhe tinha preparado um lugar. 10abOuvi então uma voz forte no céu, proclamando: “Agora realizou-se a salvação, a força e a realeza do nosso Deus, e o poder do seu Cristo”.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Responsório (Sl 44)

— Cheia de graça a Rainha está à vossa direita, ó Senhor.
— Cheia de graça a Rainha está à vossa direita, ó Senhor.

— À vossa direita se encontra a rainha,/ com veste esplendente de ouro de Ofir./ As filhas de reis vêm ao vosso encontro,/ com veste esplendente de ouro de Ofir.

— Escutai, minha filha, olhai, ouvi isto:/ “Esquecei vosso povo e a casa paterna!/ Que o rei se encante com vossa beleza!/ Prestai-lhe homenagem: é vosso Senhor!

— Entre cantos de festa e com grande alegria,/ ingressam, então, no palácio real. Cheia de graça a Rainha está à vossa direita, ó Senhor.

 

Segunda Leitura (1Cor 15,20-27a)
Leitura da Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios:

Irmãos: 20Cristo ressuscitou dos mortos como primícias dos que morreram. 21Com efeito, por um homem veio a morte e é também por um homem que vem a ressurreição dos mortos. 22Como em Adão todos morrem, assim também em Cristo todos reviverão. 23Porém, cada qual segundo uma ordem determinada: Em primeiro lugar, Cristo, como primícias; depois, os que pertencem a Cristo, por ocasião de sua vinda. 24A seguir, será o fim, quando ele entregar a realeza a Deus-Pai, depois de destruir todo principado e todo poder e força. 25Pois é preciso que ele reine até que todos os seus inimigos estejam debaixo de seus pés. 26O último inimigo a ser destruído é a morte. 27aCom efeito, “Deus pôs tudo debaixo de seus pés”.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Evangelho (Lc 1,39-56)

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Lucas.
— Glória a vós, Senhor!

Naqueles dias, 39Maria partiu para a região montanhosa, dirigindo-se, apressadamente, a uma cidade da Judeia. 40Entrou na casa de Zacarias e cumprimentou Isabel. 41Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança pulou no seu ventre e Isabel ficou cheia do Espírito Santo. 42Com grande grito, exclamou: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre! 43Como posso merecer que a mãe do meu Senhor me venha visitar? 44Logo que a tua saudação chegou aos meus ouvidos, a criança pulou de alegria no meu ventre. 45Bem-aventurada aquela que acreditou, porque será cumprido o que o Senhor lhe prometeu”. 46Então Maria disse: “A minha alma engrandece o Senhor, 47e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador, 48porque olhou para a humildade de sua serva. Doravante todas as gerações me chamarão bem-aventurada, 49porque o Todo-poderoso fez grandes coisas em meu favor. O seu nome é santo, 50e sua misericórdia se estende, de geração em geração, a todos os que o respeitam. 51Ele mostrou a força de seu braço: dispersou os soberbos de coração. 52Derrubou do trono os poderosos e elevou os humildes. 53Encheu de bens os famintos, e despediu os ricos de mãos vazias. 54Socorreu Israel, seu servo, lembrando-se de sua misericórdia, 55conforme prometera aos nossos pais, em favor de Abraão e de sua descendência, para sempre”. 56Maria ficou três meses com Isabel; depois voltou para casa.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

 

A IGREJA CATÓLICA CELEBRA E VENERA HOJE
São Bernardo Claraval, destacou-se como pregador

São Bernardo Claraval é considerado pela Família Cisterciense um segundo fundador, pois atraía muitos para a Ordem

Com muita alegria celebramos a santidade do abade e doutor da Igreja: São Bernardo Claraval. Nascido no Castelo de Fontaine em 1090, perto de Dijon (França), pertencia a uma família nobre, a qual se assustou com sua decisão radical de seguir Jesus como monge cisterciense.

São Bernardo Claraval é considerado pela Família Cisterciense um segundo fundador, pois atraía muitos para a Ordem, que as mães e esposas afastavam os filhos e maridos do santo; tamanho era real o poder de atração de Bernardo que todos os irmãos, primos e amigos o seguiram. Homem de oração, destacou-se como pregador, prior, místico, escritor, fundador de mosteiros, abade, conselheiro de Papas, Reis, Bispos e também polemista, político e pacificador.

Aconteceu que São Bernardo Claraval, mesmo sendo contemplativo, entrou no concreto da realidade da sua época, a ponto de participar de várias polêmicas internas e externas da Igreja da época.

No ano de 1115, o seu abade Estevão mandou-o com doze companheiros fundar, no Vale do Absíntio, aquilo a que São Bernardo chamou Vale Claro (Claraval). Do Mosteiro de Claraval, o santo irradiava a luz do Cristianismo, isto também pelos escritos, como o Tratado do Amor de Deus e o Comentário ao Cântico dos Cânticos; a invocação é fruto de sua profunda e sólida devoção a Nossa Senhora: “Ó clemente, ó piedosa, ó doce e sempre Virgem Maria”. Pela Mãe do Céu, foi acolhido na eternidade em 1153.

Escreveu numerosas obras, milhares de cartas, mais de 300 sermões; interveio em todas as disputas doutrinais, em todas as grandes questões religiosas e seculares da época. Por ordem de tempo, considera-se o último dos Padres da Igreja. Um seu editor, falecido em 1707, Mabillon, escreveu sobre ele: “É o último dos Padres mas iguala os maiores”.

São Bernardo Claraval, rogai por nós!

Beato Oscar Arnulfo Romero

TESTEMUNHOS DA VIDA MISSIONÁRIA
Revista “MUNDO e MISSÃO”

Um grupo de bispos latino-americanos, no dia 29 de março de 1980, às vésperas dos funerais de dom Romero, assinou um documento que dizia: “Três coisas admiramos e agradecemos no episcopado de dom Oscar A. Romero: foi, em primeiro lugar, anunciador da fé e mestre da verdade […]. Foi, em segundo lugar, um resoluto defensor da justiça […]. Em terceiro lugar, foi o amigo, o irmão, o defensor dos pobres e oprimidos, dos camponeses, dos operários, dos que vivem nos bairros marginalizados”.
Dom Romero foi um bispo exemplar, porque foi um bispo dos pobres em um continente que carrega tão cruelmente a marca da pobreza das grandes maiorias, enxertou-se entre eles, defendeu sua causa e sofreu a mesma sorte deles: a perseguição e o martírio. Dom Romero é o símbolo de toda uma Igreja e de um continente latino-americanos, verdadeiro servo sofredor de Yahwé, que carrega o pecado, a injustiça e a morte de nosso continente. Embora, às vezes, o pressentíamos, seu assassinato não nos surpreendeu; seu destino não podia ser outro, pois ele foi fiel a Jesus e se inseriu de verdade na dor de nossos povos.
Porém, sabemos que a morte de dom Romero não foi um fato isolado. Fez parte do testemunho de uma Igreja que, tanto em Medellín, como em Puebla, optou, a partir do Evangelho, pelos pobres e oprimidos. Por isso, agora compreendemos melhor, desde seu martírio, a morte por fome e doença, realidades permanentes em nossos povos; assim como os incontáveis martírios, as incontáveis cruzes que pontuam nosso continente nestes anos: camponeses, moradores das periferias, operários, estudantes, sacerdotes, agentes de pastoral, religiosas, bispos encarcerados, torturados, assassinados por crerem em Jesus Cristo e amarem os pobres.
São, como a morte de Jesus, fruto da injustiça dos homens e, ao mesmo tempo, semente da ressurreição […]. Dom Oscar A. “Romero é um mártir da libertação que o Evangelho exige, um exemplo vivo do pastor que Puebla queria”. Dom Romero, que assistiu em 1979 à Conferência Geral dos Bispos Latino-americanos em Puebla, identificou-se plenamente com o apelo dos bispos à “conversão de toda a Igreja para uma opção preferencial pelos pobres, no intuito de sua integral libertação” (Puebla 1134). Assim, ele leu, com toda clareza, num país esgarrado pela violência, “a testemunha subversiva das Bem-aventuranças que revolveram tudo” e entendeu que tinha de desarraigar a violência a partir de suas bases, a violência estrutural, a injustiça social. E, por isso, é dever da Igreja “conhecer os mecanismos da pobreza”.
A opção preferencial pelos pobres é um convite para a Igreja como um todo e para cada seguidor de Cristo. “O cristão, se não viver este compromisso de solidariedade com o pobre, não é digno de chamar-se cristão”, ele dizia. E continuava: “Por isso, os pobres marcaram o verdadeiro caminho da Igreja. Uma Igreja que não se une aos pobres para denunciar, a partir deles, as injustiças que se cometem contra eles, não é a verdadeira Igreja de Jesus Cristo” (Homilia, 23 de setembro de 1979). Nisso, ele reconheceu sua missão como arcebispo: “Creio que fazer esta denúncia, na minha condição de pastor do povo que sofre a injustiça, seja meu dever.
Isto me impõe o Evangelho, pelo qual estou disposto a enfrentar o processo e a prisão” (Homilia, 14 de maio de 1978). Com muita clareza, na homilia de 8 de julho de 1979, afirmou: “Se nos cortarem a rádio, se nos fecharem o jornal, se não nos deixarem falar, se matarem todos os sacerdotes e até o arcebispo, e ficar um povo sem sacerdotes, cada um de vocês deve converter-se em microfone de Deus, cada um de vocês deve ser um mensageiro, um profeta”. Durante um retiro de quatro dias com um grupo de sacerdotes do Vicariato de Chalatenango, ele anotou estas linhas, nas quais relata a resposta de seu confessor, o Pe. Azcue: “Outro meu temor é a propósito dos riscos de minha vida. Custa-me aceitar uma morte violenta, que nestas circunstâncias é absolutamente possível.
O padre me deu ânimo, dizendo-me que minha disposição deve ser a de dar minha vida por Deus, qualquer que seja meu fim. As circunstâncias desconhecidas, devo vivê-las com a graça de Deus, que assistiu os mártires e, se for necessário, senti-la-ei vizinha a mim quando der o último respiro. Porém, mais importante que o momento de morrer, é oferecer a Deus toda a minha vida, viver por Ele”. Duas semanas antes de sua morte, numa entrevista ao diário Excelsior, do México, disse: “Fui freqüentemente ameaçado de morte. Devo dizer-lhe que, como cristão, não creio na morte sem ressurreição: se me matarem, ressuscitarei no povo salvadorenho.
Digo isso sem nenhum ostentação, com a maior humildade. Como pastor, sou obrigado, por mandado divino, a dar a vida por aqueles que amo, que são todos os salvadorenhos, até por aqueles que me assassinarem. Se chegarem a cumprir-se as ameaças, desde agora ofereço a Deus meu sangue pela redenção e ressurreição de El Salvador. O martírio é uma graça de Deus, que não me sinto na situação de merecer, porém, se Deus aceitar o sacrifício de minha vida, que meu sangue seja semente de liberdade e sinal de que a esperança se transformará logo em realidade.
Minha morte, se for aceita por Deus, que seja pela libertação do meu povo e como testemunho de esperança no futuro. Você pode escrever: se chegarem a me matar, desde já eu perdôo e abençôo aquele que o fizer”.
Não resta dúvida sobre o caráter martirial da morte de dom Romero. Iniciou-se, na América Latina, a época em que os cristãos, morrendo pela fé, dão sua vida pela justiça.

 

DOM ROMERO ÍNTIMO
por Costanzo Donegana

Nos últimos dois anos de sua vida, dom Romero fazia um diário. Todas as noites, registrava em um gravador os principais fatos do dia. Lembrava-se deles e os comentava. O registro transformou-se em uma fonte única, necessária, sobretudo para conhecer o lado mais profundo e íntimo de sua personalidade, que surge diferente da imagem pintada pelas alas políticas e eclesiais, tanto da direita como da esquerda.

Instrumento de Deus
“Rezo ao Espírito Santo, para que me faça caminhar nas estradas da verdade e me mantenha sempre guiado unicamente por Nosso Senhor; jamais pelos elogios, nem pelo temor de ofender” (13/03/1980). Tais palavras, pronunciadas dez dias antes da sua morte, resumem o seu projeto de vida. Respondendo a alguns jornalistas, que elogiavam uma homilia feita por ele na catedral, afirma: “Eu sei apenas que a graça do Espírito Santo guia sua Igreja e torna fecunda sua palavra. A isso eu credito o sucesso que vocês atribuem à minha homilia. Todo o meu trabalho pastoral é feito com esse espírito. Confio no Espírito Santo e procuro ser seu instrumento, amando e servindo sinceramente o povo, a partir do Evangelho” (27/11/1979). Esse amor coloca-o literalmente no meio do povo: “Das pessoas que vieram às audiências de hoje, a maioria era muito pobre. Muitas dessas pessoas estavam angustiadas por causa da situação de injustiça. Algumas eram mães de desaparecidos. Procurei lhes dizer palavras de conforto, ou dar-lhes orientações que as ajudassem a enfrentar as dificuldades” (19/09/1979).

Amigo do povo
O povo retribui com carinho e fé o amor do arcebispo. Logo depois de voltar da Conferência de Puebla, dom Romero reza uma missa na catedral. “O povo interrompeu várias vezes minha homilia com carinhosos aplausos. Terminada a missa, cumprimentei os sacerdotes presentes e saí, acompanhado pelas aclamações do povo, para saudar os que tinham ficado do lado de fora da Igreja. Foi um momento carinhoso. (…) Tive a sensação de estar numa família” (16/02/1979). O relacionamento de dom Romero com seus sacerdotes é ainda mais profundo.
Ele os acompanha pessoalmente desde o tempo do seminário, dedica-lhes grande parte de seu tempo, reúne-os para momentos de oração e de confraternização e os consulta continuamente à procura de ajuda para enfrentar a difícil situação do país e da arquidiocese. Oscar Romero, não é um herói solitário, mas um pastor, um homem de comunhão. “Fui visitar o grupo de sacerdotes que está fazendo o retiro espiritual no seminário. Falamos da situação atual do país e do papel da Igreja, dos diferentes aspectos e opiniões que existem no próprio clero e entre os cristãos.
Insisti sobre o fato que nossa perspectiva deve ser totalmente pastoral, sem, evidentemente, ignorar os problemas políticos, que devemos iluminar. Mas gostei mais da segunda parte, quando falamos dos aspectos humanos de nossos relacionamentos como presbíteros. Há boa vontade. (…) Agradeci-lhes por terem evidenciado minhas deficiências, que podem ser um obstáculo a esses relacionamentos” (14/11/1979). “Hoje de manhã fizemos a reunião do senado presbiteral. (…)
Mergulhamos totalmente na análise da situação política do país. Nessa reflexão cheia de realismo, tive muito prazer em ver a maturidade de meus sacerdotes. Apesar da diversidade de seus critérios políticos, há uma única visão pastoral. Percebi um notável crescimento do sentido de Igreja. Pedi-lhes que continuem a me dar seus conselhos, de modo que, neste mar tempestuoso da política da pátria, nossa Igreja seja guiada por critérios evangélicos e pastorais” (14/01/1980).

Homem da unidade
Dom Oscar Romero arriscou tudo pela unidade. Depois do encontro em uma paróquia da diocese, comentou: “Convidamos todos a compreender qual é a verdadeira missão e o verdadeiro papel da Igreja. A partir dessa verdade, discutimos sobre a divisão que existe entre os fiéis da paróquia. Houve intervenções muito diretas de setores tradicionais, como de setores mais avançados, que trabalham na pastoral da maneira como a arquidiocese deseja. Todas as contribuições foram úteis. Recomendei várias vezes a unidade, o sentido transcendental do trabalho eclesial e o estudo atento sobre o que é a Igreja, para embasar o trabalho pastoral, tendo em vista a construção da verdadeira Igreja de Jesus Cristo” (23/04/1979).
Este amor pela unidade da Igreja e do povo é o principal motivo do seu sofrimento, principalmente quando ele é incompreendido e acusado de ser fonte de divisão. Este sentimento é percebido inclusive entre os bispos. Na Conferência Episcopal de E1 Salvador, dom Romero se encontra sempre em minoria, apoiado apenas por dom Arturo Rivera y Damas (que o sucederá). Ele enfrenta a situação com fé, espírito de comunhão e firmeza: “Também dom Rivera me fez a grata surpresa de vir encontrar-me. Conversamos sobre o documento secreto de denúncia contra mim, assinado por quatro bispos.
O documento me acusa, perante a Santa Sé, de atitudes contrárias à fé, de politização, de fazer pastoral com bases teológicas falsas e de um conjunto de outros argumentos que põem em cheque meu ministério episcopal. Apesar da gravidade do fato, senti uma grande paz. Reconheço, diante de Deus, minhas deficiências, mas acredito que trabalhei com boa vontade e muito distante das coisas graves, das quais me acusam. Deus dirá a última palavra, que aguardo com tranqüilidade, mantendo o trabalho com o entusiasmo de sempre. Sirvo com amor a Santa Igreja” (18/05/1979).
“A reunião dos bispos na Nunciatura confirmou a divisão que existe entre nós. Só houve acordo em relação à necessidade de fazer uma denúncia oficial pelo assassinato do padre Macias (…). Quando se tratou de analisar as causas do crime, a reunião se deixou arrastar pela suspeita de uma infiltração marxista na Igreja. Não obstante todos os meus esforços, não foi possível afastar esses preconceitos. Esforcei-me para explicar que a perseguição, infligida aos sacerdotes, deve-se ao fato de eles buscarem permanecer fiéis ao espírito do Concílio Vaticano II. (…) Ofereci a Deus essa prova da paciência, já que a culpa do mal que acontece ao país foi imputada, em grande parte, à minha pessoa” (11/08/1979).

Filho da Igreja
Há um momento em que dom Romero percebe que o próprio papa tem reservas em relação à sua ação pastoral. Depois de uma audiência com João Paulo II, comenta: “Acho que foi um colóquio muito útil, porque muito franco. Bem sei que não se deve sempre esperar uma aprovação plena, pois é mais útil receber advertências que podem melhorar nosso trabalho” (07/05/1979). Naquele mesmo período escreve: “Entreguei tudo nas mãos de Deus, dizendo-lhe que procurei fazer toda a minha parte e que, apesar de tudo, amo a Santa Igreja e, com a sua ajuda, serei sempre fiel à Santa Sé, ao magistério do Papa.
Todavia compreendo a parte humana, limitada, defeituosa da Igreja – que é o instrumento de salvação da humanidade – à qual quero servir sem reserva alguma” (04/05/1979). Um mês antes de morrer, encontra-se novamente com João Paulo II: “Senti que o Papa está de acordo com tudo o que eu digo. No final, ele me abraçou muito fraternalmente e disse-me que rezava todos os dias por El Salvador. Naquele momento, tive a sensação de que o próprio Deus confirmava e dava forças ao meu pobre ministério” (30/01/1980).

Diálogo com todos
Dom Romero não fecha nenhuma oportunidade de diálogo com as partes em conflito. Depois de uma reunião com seus assessores, afirma: “Entendi que, tanto a Junta de governo, como as organizações populares que lutam contra ela, têm aspectos positivos e negativos. A posição da Igreja é evidenciar e apoiar o que possa ser positivo. (…) A Igreja, por amor à pátria e pelo bem da justiça, deve também denunciar todos os obstáculos a esse processo revolucionário que parece já se ter iniciado” (29/10/1979). “Hoje de manhã, recebi o secretário-geral da União Democrática Nacional, um partido marxista. Ele elogiou o trabalho da Igreja.
Disse que esse trabalho é muito diferente do que havia em outras épocas, quando seu marxismo chamava a Igreja de ‘ópio do povo’. Agora, pelo contrário, é o melhor ‘despertador’ do povo, pois grande parte do que está acontecendo em favor da transformação do país é obra da Igreja” (29/11/1979). “Jantei com o coronel Majano e com o doutor Morales Erlich, membros do governo. Falamos sobretudo da reforma agrária. Eles têm grande esperança. Mas aproveitei também para apontar os perigos e as dúvidas que suscitam as minhas críticas (…): antes de mais nada, a conjunção da reforma agrária, com essa onda de evidente repressão violenta, nascida nos órgãos de segurança.
Também perguntei por que eles não garantem apoio popular mais decidido, favorecendo o diálogo com as forças populares, com o desejo de descobrir os verdadeiros interesses do povo e de acolher as reivindicações em favor da justiça. Não é o caso, certamente, da extrema direita, que não trabalha em favor dessas reivindicações, mas para manter seus privilégios” (14/03/1980). Dom Romero nunca permitiu que se confundisse sua ação com a dos grupos políticos. Em inúmeros pontos do seu diário ele afirma claramente essa distinção:
“À noite, os representantes do FAPU, uma organização popular, vieram para expressar seu desejo de ajudar a Igreja. Eu os adverti com a maior clareza: ‘Sem o perigo de querer manipulá-la’. Eles concordaram. (…) Insisti muito nessa autonomia da Igreja e no fato de que ela, a partir de sua perspectiva evangélica, apóia todas as iniciativas, cuja finalidade seja a de construir a justiça, o bem-estar, a paz dos homens” (12/06/1978).

O sangue
Dom Romero inspira-se somente no Evangelho. Nele, encontra a força e a luz de sua luta e de suas propostas. A um grupo de jornalistas que o interrogam sobre uma solução pacífica para a violência no país, responde com simplicidade evangélica: “Eu digo sempre que a melhor solução pacífica é um retorno ao amor e um verdadeiro desejo de busca de um diálogo. Isso deve basear-se em um clima de confiança – que tem de ser demonstrado com os fatos – para que o povo possa expressar as próprias opiniões em total liberdade e todos sejam admitidos ao diálogo”.
O arcebispo é morto enquanto celebra a Missa. Indefeso, porque sempre recusara as ofertas de proteção do governo. “Quero correr os mesmos perigos que o meu povo corre”, costumava repetir. Poucos minutos antes do crime, disse na homilia: “Neste cálice o vinho se torna sangue, que foi o preço da salvação. Possa este sacrifício de Cristo nos dar a coragem de oferecer nosso corpo e nosso sangue pela justiça e pela paz do povo”.

TRAJETÓRIA
• 1917 – Nasce Oscar Arnulfo Romero, de uma família modesta em Ciudad Barrios (El Salvador).
• 1931– Entra em seminário. Seis anos depois, interrompe os estudos para ajudar a família, em dificuldades, trabalhando por alguns meses nas minas de ouro com os irmãos. De volta ao seminário, é enviado a Roma para estudar teologia.
• 1942 – É ordenado sacerdote; volta a El Salvador e é destinado a uma paróquia do interior, da qual é transferido, em seguida, para a paróquia da catedral de San Miguel, onde realiza um grande trabalho pastoral por 20 anos. Caracteriza-se como sacerdote dedicado à oração e à atividade pastoral, pobre, dando impulso a obras de caridade, mas sem compromisso social evidente.
• 1966 – Eleito secretário da Conferência Episcopal de El Salvador.
• 1970 – É nomeado bispo-auxiliar de San Salvador, cujo bispo, dom Luis Chávez y Gonzalez, está decididamente atualizando a linha pastoral proposta pelo Concílio Vaticano II e a Conferência de Medellín, auxiliado eficazmente por dom Arturo Rivera y Damas, também bispo-auxiliar. Romero não se identifica com algumas linhas pastorais da arquidiocese e deixa transparecer sua tendência conservadora.
• 1974 – É nomeado bispo da diocese de Santiago de Maria. O contexto político se caracteriza por uma forte repressão, sobretudo contra as organizações camponesas.
• 1975 – Quando a Guardia Nacional assassina 5 camponeses, Romero celebra uma Missa para as vítimas; não denuncia publicamente o crime, mas escreve uma carta dura ao presidente Molina.
• 1977 – É nomeado arcebispo de El Salvador. Ficam surpreendidos os setores renovadores, que esperavam a nomeação de dom Rivera y Damas. Em 12 de março é assassinado o jesuíta pe. Rutílio Grande, comprometido com o povo e amigo de Romero. É o momento da “conversão” de Romero, quando se coloca corajosamente do lado dos oprimidos, denunciando a repressão e a violência estrutural, numa aliança entre os setores político-militares e econômicos, apoiada pelos Estados Unidos, e que explora o povo. Romero não fica calado também diante das violências da guerrilha revolucionária. O momento mais forte da sua ação, em defesa dos direitos humanos, são as homilias dominicais, nas quais analisa a realidade da semana à luz do evangelho. Transmitidas pela rádio católica, são ouvidas em todo canto do país, dando esperança ao povo e suscitando o ódio dos poderosos.
• 1978 e 1979 – Recebe o doutorado Honoris Causa pelas Universidades de Georgetown (EUA) e de Louvain (Bélgica). Em outubro de 1979, um golpe de estado depõe o ditador Humberto Romero e o poder é assumido por uma Junta de Governo, composta por civis e militares. Mas o exército e as organizações paramilitares assassinam centenas de civis (entre eles vários sacerdotes) e a guerrilha responde com execuções sumárias e destruição das estruturas do país.
• 1980 – Dom Romero escreve ao presidente dos EUA, Carter (17 de fevereiro), pedindo que não envie ajuda militar e econômica ao governo salvadorenho, pois ela favorece a repressão do povo. Na homilia de 23 de março, ele se dirige explicitamente aos homens do exército, da Guardia Nacional e da Polícia:
“Frente à ordem de matar seus irmãos deve prevalecer a Lei de Deus, que afirma: NÃO MATARÁS! Ninguém deve obedecer a uma lei imoral (…). Em favor deste povo sofrido, cujos gritos sobem ao céu de maneira sempre mais numerosa, suplico-lhes, peço-lhes, ordeno-lhes em nome de Deus: cesse a repressão!”. Serão as últimas palavras do bispo ao país. No dia seguinte, ele é assassinado por um franco-atirador, enquanto reza a missa na capela do Hospital da Divina Providência. O mandante do crime, major Roberto D’Aubuisson, é reconhecido como responsável, mas nunca foi processado.
• 1994 – Abre-se o processo de canonização de dom Romero em San Salvador.
• 1997 – O processo passa para a Congregação das Causas dos Santos em Roma.

 

Dom Romero é declarado padroeiro da Cáritas Internacional
A organização finaliza em Roma a sua XX Assembleia Geral e o cardeal Parolín pede que os membros da confederação não percam a sua dimensão eclesial
Por Redação / Madrid, 18 de Maio de 2015 (ZENIT.org)
Ao receber oficialmente a bandeira da Cáritas Internationalis como novo presidente da confederação, o cardeal Luis Antonio Tagle, arcebispo de Manila, afirmou que “o amor é real”. Esta foi a exortação com que se encerraram as sessões de trabalho realizadas em Roma na XX Assembleia Geral, que contou com a participação de mais de 400 representantes de 165 Cáritas nacionais de todo o mundo.
Recém-eleito presidente, o purpurado filipino assegurou que, “no começo da nossa assembleia, o papa Francisco nos disse palavras inspiradoras para ampliar o nosso trabalho. Com o lançamento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e a nova encíclica sobre ecologia e meio ambiente, na perspectiva da reunião da ONU em Paris no final deste ano sobre as mudanças climáticas, a prioridade do trabalho da Cáritas será colocar a família humana e a dignidade humana no centro do desenvolvimento”.
A mensagem final da Assembleia Geral declara que “nenhum dos objetivos deve ser considerado válido se os seus benefícios não alcançarem todos os grupos sociais. Trata-se de algo fundamental e a estratégia deve ter a pessoa no seu centro”. A mensagem insta os governos a olharem para além das suas fronteiras e a reconhecerem o imperativo moral inerente ao cuidado da criação.
Os delegados da Cáritas também chamaram a atenção para a difícil situação dos cristãos que sofrem perseguição religiosa na Síria e no Iraque, assim como dos migrantes e refugiados em todo o mundo. “Exortamos os governos a facilitarem refúgio e corredores humanitários em lugar de levantar muros e programas de interceptação no mar”.
Além da eleição do cardeal Tagle como novo presidente e do austríaco Alexander Bodmann como novo tesoureiro, a assembleia confirmou o francês Michel Roy como secretário geral e aprovou a incorporação do Sudão do Sul como novo membro da Confederação Caritas Internationalis.
Um dos momentos mais simbólicos do evento foi a decisão dos delegados de adotar como padroeiro da Cáritas Internacional dom Óscar Romero, arcebispo de San Salvador assassinado por defender os pobres. Dom Romero será beatificado neste próximo dia 23 de maio.
“Apertar a mão de alguém, olhar nos seus olhos, oferecer uma presença próxima, remediar a solidão de uma pessoa: estas devem ser as preocupações da Cáritas”, afirmou o cardeal Parolín, secretário de Estado da Santa Sé, durante a homilia em uma das missas celebradas na assembleia geral. O purpurado italiano convidou os trabalhadores da Cáritas a se lembrarem de que a sua “atitude pessoal” e “o encontro pessoal com a pessoa que está sofrendo” são uma parte fundamental da missão da Cáritas. “Detrás de cada problema social há pessoas”, destacou, pedindo que a família Cáritas seja consciente da “dimensão pessoal da miséria” e “olhe com os olhos de Cristo”.
“A Cáritas não existe sem uma relação vital com a Igreja”. Nenhuma conexão com “patrocinadores internacionais podem fazer com que nos desviemos desta comunhão profunda, que é a nossa identidade”, completou.
O secretário de Estado da Santa Sé agradeceu ao cardeal Rodríguez Maradiaga, ex-presidente da Cáritas Internacional, pelos seus anos de serviço, agradecimento extensivo aos trabalhadores da Cáritas em todo o mundo: uma atitude pessoal de amor “dá sentido à nossa presença no mundo como uma continuação da presença do Senhor”, afirmou Parolín. “Obrigado por serem testemunhas diretas do amor de Deus pela humanidade”.

 

São João Paulo II: Dom Óscar Romero deve ser recordado sem ideologização como um ‘Pastor zeloso e venerável’
SAN SALVADOR, 20 Mai. 15 (ACI/EWTN Noticias) .- Dom Óscar Arnulfo Romero, Arcebispo de São Salvador (El Salvador) será beatificado no próximo dia 23 de maio, 35 anos após o seu assassinato por ódio à fé. Poucos anos depois do seu martírio, São João Paulo II pediu que a memória do “protetor e venerado” Prelado salvadorenho seja respeitada e não manipulada por interesses ideológicos.
São João Paulo II, durante a homilia numa visita a São Salvador em 1983, em meio de um país destruído pela violenta guerra civil na que participaram grupos políticos da esquerda e da direita, recordou: “Com o sangue de Cristo podemos vencer o mal com o bem. O mal que penetra nos corações e nas estruturas sociais”.
“O mal que divide os homens e semeou o mundo de sepulcros com as guerras, com essa terrível espiral de ódio que arruína, aniquila, de maneira tétrica e insensata”.
“Quantos lares destruídos! Quantos refugiados, exilados e deslocados! Quantas crianças órfãs! Quantas vidas nobres, inocentes, destruídas cruel e brutalmente! Também de sacerdotes, religiosos, religiosas, de fiéis servidores da Igreja”, lamentou o santo polonês.
O Papa Peregrino recordou então o testemunho do ‘Pastor zeloso e venerável’, arcebispo deste ‘rebanho’, Dom Óscar Arnulfo Romero, quem lutou pelo fim da violência e por estabelecer a paz, da mesma maneira que lutaram seus irmãos no Episcopado”.
O Papa João Paulo II encorajou: “Ao recordá-lo, peço que sua memória seja sempre respeitada e que nenhum interesse ideológico pretenda instrumentalizar seu sacrifício de Pastor entregado ao seu rebanho”.
Dom Romero foi assassinado em 24 de março de 1980, enquanto celebrava Missa na capela do hospital “La Divina Providencia’, em São Salvador. Em 2010, o então presidente de El Salvador Mauricio Funes reconheceu, em nome do Estado: “Dom Romero foi vítima da violência ilegal executada por um esquadrão da morte”.
Na manhã do dia 3 de fevereiro deste ano, o Papa Francisco, em audiência privada com o Cardeal Angelo Amato, Prefeito da Congregação para as Causas dos Santos, aprovou a divulgação do decreto que reconhecia o martírio do Arcebispo salvadorenho.
Apesar de que, depois do seu falecimento diversos teólogos marxistas da libertação declarassem que Dom Romero compartilhava suas posturas teológicas, o seu secretário pessoal, Monsenhor Jesús Delgado, descartou tal afiliação.
Em declarações ao Grupo ACI em fevereiro de 2015, Monsenhor Delgado recordou: “Quando escrevi sobre a sua vida fui revisar sua biblioteca. Evidentemente, os teólogos da libertação o visitavam e sempre lhe deixavam um livro marxista, mas estes livros nunca foram tocados, nunca os abriu, jamais os usava, nunca os consultou”.
“E, pelo contrário, todos os seus livros dos Padres da Igreja estavam muito manuseados e eram a fonte da sua inspiração”, assegurou seu secretário.
Aliás Dom Romero teve um grande carinho e proximidade pelo fundador do Opus Dei, São Josemaría Escrivá de Balaguer, desde que se conheceram em 1974, em Roma.
Falecido o fundador do Opus Dei no ano seguinte, Dom Óscar Romero, então Arcebispo de São Salvador, escreveu uma carta ao Papa Paulo VI pedindo sua beatificação, assegurando: “Sou profundamente agradecido a estes sacerdotes membros da Obra, aos quais confiei com muita satisfação a direção espiritual de minha própria vida e a de outros sacerdotes”, concluiu.

 

“Monsenhor Romero foi um homem de Deus”
Entrevista com Mons. Joaquin Alonso. Recorda de quando Oscar Romero encontrou-se, em 1974, com Josemaría Escrivá, e também a missa que o arcebispo mártir celebrou pelo fundador do Opus Dei, dois anos antes de ser assassinado
Por Redação / Roma, 20 de Maio de 2015 (ZENIT.org)
Entrevista realizada por Rodrigo Ayude
Mons. Joaquin Alonso (Sevilha, 1929), licenciatura em Direito e doutor em direito canônico, conviveu em Roma com São Josemaria Escrivá e trabalha há anos com o prelado do Opus Dei. Já tem 62 anos na capital italiana, onde, além do mais, é Consultor Teólogo da Congregação para as Causas dos Santos. Nesta entrevista fala de Mons. Oscar Romero, que será beatificado no próximo dia 23 de maio, em San Salvador.
***
Mons. Alonso, como você conheceu. O futuro beato Óscar Romero?
Mons. Alonso: Eu o conheci em Roma em 1974. No 30 de outubro daquele ano veio a Roma – não era a primeira vez – e São Josemaria, que o receberia uns dias depois, no dia 8 de novembro, me pediu para atendê-lo. Mons. Romero tinha sido nomeado bispo de Santiago de Maria, em El Salvador, poucos dias antes de começar a viagem.
Mons. Romero disse-me que essa viagem à Cidade Eterna era providencial, porque lhe estava ajudando a sair do ambiente habitual, a tomar um pouco de distância e a ver desde outros horizontes o pequeno mundo, dizia, que lhe era pesado. Ele sentia o peso da responsabilidade da sua nova sede episcopal, e precisava sentir-se ouvido e encorajado.
Você guarda alguma lembrança dessas épocas?
Mons. Alonso: Para mim esta visita foi uma oportunidade de falar com Mons. Romero durante muito tempo e bem a fundo. Foram conversas fraternas e muito sacerdotais. Entre outras coisas, Mons. Oscar Arnulfo Romero me disse que, desde o início dos anos 60, tinha direção espiritual com um sacerdote do Opus Dei, Don Juan Aznar, que morreu em março de 2004.
Mais tarde, conheci alguns detalhes desse acordo com Don Juan Aznar. Por exemplo, em uma carta de 1970 escrevia: “Ninguém além de você entende a minha alma” e, em 1973, ao desejar-lhe feliz natal expressava: “Não esquece nunca os seus sábios conselhos”. O beato Óscar Romero era um sacerdote agradecido, e fiquei emocionado quando soube que ele tinha morrido, justamente enquanto celebrava a eucaristia, a ação de graças por excelência.
Como foi o encontro de Mons. Romero com São Josemaria?
Mons. Alonso: San Josemaría o recebeu no dia 8 de Novembro. A conversa durou quase uma hora e, no final, Mons. Romero disse-me que esse encontro tinha lhe deixado profundamente impressionado. Disse-me que tinha se sentido consolado na sua fé por São Josemaria e que o fundador do Opus Dei tinha lhe abraçado, fazendo-lhe sentir-se querido e acompanhado. Mons. Romero definiu São Josemaria como “homem de Deus” e aproveitou o encontro para convidá-lo a visita o Centro América, o que pode fazer em 1975.
Mons. Romero também pode cumprimentar o beato Paulo VI naquela viagem, e ficou muito feliz por escutar umas palavras de consolo dele. Depois, me disse que essa viagem recordava-lhe os seus primeiros anos de sacerdócio e o considerava como um presente de Deus.
Continuou com esse contato nos anos seguintes?
Mons.  Alonso: Lembro-me que no dia 26 de Junho de 1978 – terceiro aniversário da ida ao céu de São Josemaria – veio celebrar a Santa Missa na cripta de Santa Maria da Paz, onde então repousavam os restos mortais do fundador. Eu o assisti, junto com Mons. Francisco Vives. Pronunciou uma breve homilia cheia de carinho e agradecimento a São Josemaria, destacando que, desde o primeiro momento em que se conheceram, sentiu-se tratado como um irmão. Palavras que deixou escritas também em uma carta.
Isso ocorreu, como eu disse, em 1978, um ano depois de que Mons. Romero tivesse sido nomeado arcebispo de São Salvador. Então, como comentou publicamente, era outro sacerdote do Opus Dei, Mons. Fernando Sãenz Lacalle, que o acompanhou espiritualmente.
O que você pensou ao saber da sua morte?
Mons. Alonso: A trágica notícia me causou uma grande emoção e, ao mesmo tempo, me surgiu o desejo de acompanha-lo com a oração e de recorrer à sua intercessão para pedir-lhe pela Igreja na América Latina. Também foi um motivo de agradecimento ao Senhor, porque me deu a oportunidade de conhecer pessoalmente este homem de Deus.
(Publicado no dia 18 de maio em www.opusdei.es, reprodução autorizada, tradução ao português de ZENIT)

Por que Jesus se “esconde” na Eucaristia?

O Sacrário é a nossa escola

Muitos ficam angustiados, porque Jesus esconde a Sua glória na Eucaristia, mas Ele precisa fazer isso para que o brilho de Sua majestade, como o rosto brilhante de Moisés, não ofusque a nossa vista, impedindo-nos de chegar a Ele.

Ele esconde também as Suas virtudes, porque, se a víssemos, ficaríamos humilhados e, quem sabe, desesperados por jamais poder atingir tal perfeição. Tudo para podermos nos achegar a Ele sem medo.

Jesus desce até o nada, na hóstia consagrada, para que desçamos com Ele e sintamos profundamente o que Ele disse: “Vinde a mim. Aprendei de mim que sou manso e humilde de coração”.

Por isso, podemos chegar a Jesus com toda confiança, porque Ele já retirou todos os obstáculos para chegarmos a Ele; e espera que não sejamos nós a colocar esses empecilhos com os nossos medos e escrúpulos.

Jesus nos ama tão radicalmente, na Eucaristia, que se submete a nós em tudo. Ele desce do Céu tão logo o sacerdote pronuncia as palavras da consagração. Ele obedeceu silencioso aos Seus carrascos e está pronto novamente para receber o beijo dos novos Judas por amor a nós.

Na Eucaristia, perpetua-se a Paixão do Senhor. Ali, Ele a vê renovada diariamente. Muitas vezes, Ele é traído pela apostasia, crucificado pelo vício, flagelado pelas ingratidões e pecados; e, muitas vezes, Jesus renova o Seu Calvário nos corações que O recebem em pecado mortal ou com indiferença.

Escondido no sacrário, Ele continua a dar combate ao velho orgulho com as armas da humildade. O sacrário é a nossa escola. Dali, Jesus nos diz: “Aprendei a esconder as suas boas obras, as suas virtudes e sofrimentos como eu”. O Rei da Glória se rebaixa ao mais baixo grau da humildade para deixar-nos o Seu exemplo.

Este estado humilde e escondido de Jesus anima a nossa fraqueza, dá-nos coragem de falar-Lhe sem receio e contemplá-Lo. Se nem mesmo conseguimos olhar para o sol do meio-dia, quanto mais poderíamos contemplar a Glória do Rei do Universo! “Deus é um fogo consumidor”, disse Moisés. Não é possível contemplar Sua glória e continuar vivo. A nossa natureza humana não está preparada para vê-la. Os apóstolos não puderam suportar o brilho de apenas um raio de Sua glória na transfiguração do Monte Tabor. E tem mais, não foi o Tabor que converteu o mundo, foi o Calvário. O amor se manifesta e opera não pela glória, mas na bondade e humildade.

O véu eucarístico foi colocado também para fortalecer a nossa fé. Crer no Senhor, ali presente, é um ato do espírito desprendido dos sentidos.

O escondimento de Jesus sob o véu eucarístico é um bom incentivo para penetrarmos na Verdade escondida e descobrir os tesouros ali escondidos. Assim, neste exercício espiritual, dilatam-se os desejos de nossa alma, os quais vão descobrindo, sem se cansar, uma beleza sempre antiga e sempre nova. E Jesus vai se manifestando gradualmente à nossa alma, na medida da nossa fé e do amor para com Ele.

A Eucaristia é um verdadeiro Céu escondido, um Céu Eucarístico.

Ao subir ao Céu na Ascensão, Jesus tomou posse de Sua glória e foi preparar-nos um lugar. Mas para nos ajudar a esperar com paciência e perseverança o Céu da glória, Ele deixou entre nós esse Céu antecipado. Ora, o Céu é onde está Deus, e Ele está na Eucaristia; com Ele todos os anjos e santos. Assim, Ele baixou o Céu à Terra. Ao comungar, recebemos não só Jesus na alma, mas também o Reino de Deus. Somos os súditos que têm a honra de hospedar Sua Majestade e toda a Sua corte.

O amor se manifesta em bondade e humilhação, escondendo-se, aniquilando-se; rejeita a glória e os aplausos, oculta-se e desce. Assim fez Jesus ao encarnar-se; assim Ele fez na gruta de Belém, no silêncio de Nazaré, na tentação do deserto, no Calvário; e, por fim, na Eucaristia.

Na verdade, o Sacrário é um novo Tabor, no qual Jesus se transfigura, não diante dos olhos do corpo, mas aos olhos da fé. Nesta montanha, não devemos procurar a felicidade sensível, mas as lições de santidade que Ele nos dá pelo seu aniquilamento.

(Extraído do livro “O segredo da Sagrada Eucaristia”)
Prof. Felipe Aquino
felipeaquino@cancaonova.com

São José de Anchieta – Apóstolo do Brasil – 09 de Junho

José de Anchieta é o terceiro Santo do Brasil

“Anchieta é considerado um ícone da evangelização. Canonizar Anchieta significa declarar que a ação dos primeiros missionários estava correta, mesmo com alguns enganos”, afirma o padre jesuíta Cesar Augusto dos Santos, vice-postulador (espécie de advogado da causa) da canonização de José de Anchieta e responsável pelo Programa Brasileiro na Rádio Vaticano, emissora radiofônica da Santa Sé, na Cidade do Vaticano. O padre José de Anchieta (1534/1597), um dos fundadores da cidade de São Paulo e conhecido como “apóstolo do Brasil”, será canonizado em Roma, conforme anunciado por alguns setores da Igreja no Brasil, após pedido da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB. O papa Francisco dispensou a comprovação de um milagre para a canonização do padre Anchieta. “Na história da Igreja, houve muitos casos semelhantes. Mesmo porque a exigência de comprovação de milagres é relativamente recente”, explica o padre Cesar Augusto. Segundo ele, “a questão é provar os milagres por causa da falta de documentação. No caso de Anchieta, as principais dificuldades para conhecer a fundo sua vida e distinguir fatos reais de fantasiosos, foram a perda de documentação e o contato pessoal com os grandes conhecedores, pois já haviam morrido. Para levantar informações que comprovassem a santidade de Anchieta, o vice-postulador Cesar Augusto foi buscar apoio científico fazendo mestrado em História do Brasil Colonial, além de viajar algumas vezes às Ilhas Canárias, Coimbra, Roma e cidade de Anchieta (ES), além de uma série de visitas à biblioteca do Pateo do Collegio (centro de SP). “Pesquisei em muitos livros e até músicas ajudaram, como ‘Sinfonia 10 – Ameríndia, de Villa Lobos.” O resultado desse trabalho de padre Cesar Augusto e demais postuladores jesuítas, entregue ao Vaticano, é uma ampla documentação sobre a vida de Anchieta, com 488 páginas, onde há o registro de 5350 pessoas que alcançaram graças rezando ao beato. “Podemos assegurar, com nomes e endereços, que Anchieta tem mais de 50 devotos e multiplicadores de sua causa em cada Estado”, diz o padre. Segundo Cesar Augusto, há registros de 35 paróquias dedicadas à Anchieta, e 1154 divulgadores (que rezam e propagam a sua fé em Anchieta, por meio de grupos de oração). No entanto, conforme explica o vice-postulador, milagres atribuídos a Anchieta são muitos: “Temos as curas de doenças e as ações sobre a natureza”. À Anchieta também foram atribuídos os poderes de levitação, a bilocação (estar em dois lugares ao mesmo tempo) e de falar com animais. “Um dos mais sensacionais relatos do poder sobrenatural do padre é o ocorrido em uma de suas viagens de catequese (1575). Para proteger seus irmãos do sol, o jesuíta teria pedido ajuda aos pássaros guarás-vermelho, que se juntaram em uma nuvem sobre a canoa dos missionários”. Para o vice-postulador da Causa, o que fez José de Anchieta ser merecedor da canonização foi a sua humildade, seu testemunho de fé inabalável em Deus, a esperança e a caridade. “Para a Companhia de Jesus, tornar Anchieta santo significa que os primeiros passos da Ordem Religiosa foram acertados e produziram testemunhas fortíssimas do amor de Deus, conforme queria Inácio de Loyola, fundador da Ordem”. Ao longo da história da Igreja Católica, 150 jesuítas já foram beatificados e cerca de 50 canonizados. Anchieta é o terceiro santo considerado brasileiro, depois de Madre Paulina (em 2002) e Frei Galvão (em 2007). “Na verdade, ele é reconhecido como o santo de três pátrias, Espanha, onde nasceu; Portugal, onde viveu e entrou para a Companhia de Jesus, e Brasil, onde viveu, evangelizou e fez o seu apostolado”, afirma Cesar Augusto. Anchieta é ainda o primeiro a ser canonizado em 2014 e o segundo jesuíta a ser canonizado pelo Papa Francisco (antes dele, foi o francês Pedro Fabro). O Papa Francisco assinou o decreto de canonização de Anchieta em seu escritório no Palácio Apostólico e no dia 24 de Abril celebrará missa em ação de graças na Igreja de Santo Inácio, em Roma. Na mesma data, o papa também declarou santos dois missionários franceses que viveram no Canadá, o bispo François Monseigneur de Laval (1623-1708) e a freira Marie de L’Incarnation (1599-1672). “O papa canonizou, em uma só ação, os evangelizadores da América. Laval e L’Incarnation são os da América do Norte e Anchieta, da América do Sul”, explica o padre Cesar Augusto. Após a celebração em Roma, houve comemorações na Espanha, Portugal e no Brasil, nas cidades de Vitória/ES (onde Anchieta foi sepultado) e Anchieta/ES (Reritiba, nome na época, onde faleceu), Aparecida/SP, Rio de Janeiro/RJ, Salvador/BA e outras cidades. Em São Paulo, capital, badalaram os sinos das 300 igrejas da arquidiocese, no momento de sua canonização em Roma. Os templos que levam o nome de Anchieta, como Igreja José de Anchieta (SP/SP) e o Santuário de José de Anchieta (Anchieta/ES), deverão mudaram para São José de Anchieta ou Santo Anchieta.

Vida e obra de Anchieta

Apesar de ter nascido na Ilha de Tenerife, no arquipélago das Canárias, na Espanha, padre José de Anchieta ficou conhecido como o “apóstolo do Brasil” por sua atuação no País. Chegou ao Brasil em julho de 1553, com outros seis jesuítas e, em menos de um ano, dominava o tupi com perfeição. Ao longo dos 43 anos em que viveu no Brasil, participou da fundação de escolas, cidades e igrejas. Foi um dos fundadores do Colégio de São Paulo de Piratininga (hoje Pateo do Collegio), que deu origem à cidade de São Paulo. Historiador, gramático, poeta e teatrólogo, redigia seus textos, tanto em prosa quanto em verso, em quatro línguas, português, castelhano, latim e tupi. Foi autor da primeira gramática brasileira, “A Arte da Gramática da Lingua Mais Usada na Costa do Brasil”, que sistematizou a língua tupi. O movimento de catequese influenciou seu teatro e sua poesia, deixando contribuições em poesias em verso alexandrino, como “Poema à Virgem” (com 4172 versos) e em outras obras   Sua vasta obra foi integralmente publicada no Brasil na segunda metade do século XX. A pé ou de barco, Anchieta viajou pelo País inaugurando missões, com aulas de catequese, gramática e conhecimentos gerais. Os alunos eram os índios, os colonos e, por vezes, até os padres. Essas viagens foram essenciais para a consolidação do cristianismo e do sistema do ensino no País. Além de São Paulo, o padre também esteve no Rio de Janeiro, Espirito Santo e em cidades do Nordeste. Ensinar preceitos cristãos utilizando características locais, como celebrações musicadas ao ritmo de tambores, em aulas ao ar livre, era uma das peculariedades de Anchieta. Outra dádiva de sua personalidade: além de educar e catequizar, o jesuíta também defendia os indígenas dos abusos dos colonizadores portugueses, que queriam escravizá-los e tomar suas mulheres e filhos. Mais tarde, com a chegada dos chamados negros da Guiné, Anchieta também tomou sobre si o cuidado deles se preocupando com o modo deles viverem e com sua cura pastoral. Os inacianos, a começar pelo padre Manuel da Nobrega, chefe da primeira missão jesuíta no Brasil (fundada em março de 1549), se opunham ferrenhamente à escravização dos índios pelos portugueses. Em maio de 1563, com o apoio dos franceses, a tribo dos Tamoios se rebelou contra a colonização portuguesa. Anchieta se ofereceu como refém na aldeia de Iperoig (onde moravam os chefes da aldeia dos índios Tamoios), enquanto Nobrega partiu para São Vicente, negociar a paz. Durante o cativeiro na praia, Anchieta sofreu a tentação da quebra da castidade. Era comum aos índios oferecerem mulheres aos prisioneiros, antes de sua morte. Nesse momento, o jesuíta fez uma promessa a Nossa Senhora: escreveria o mais belo poema já feito em sua homenagem, se conseguisse sair casto do cativeiro. Como prova da fé, começou a escrever os versos na areia da praia e assim surgiu o “Poema à Virgem”. Após cinco meses de confinamento, Anchieta foi libertado. Sem ter cedido à tentação. Anchieta nasceu em 19 de março de 1534. Era parente de Santo Inácio de Loyola (fundador da Companhia de Jesus). Ingressou para a Companhia em 1551. Sua vida agitada e a entrega total aos compromissos religiosos comprometeram a sua saúde. Reclamava constantemente de dores na coluna e nas articulações. Padre Anchieta veio ao Brasil, obedecendo ao conselho dos médicos da época. Em 1566, aos 32 anos de idade, foi ordenado sacerdote. Em 1569, fundou a povoação de Reritiba (atual Anchieta), no Espirito Santo. De 1570 a 1573, dirigiu o Colégio dos Jesuítas do Rio de Janeiro. Em 1577, foi nomeado Provincial da Companhia de Jesus no Brasil, função que exerceu por dez anos, sendo substituído em 1587, a seu pedido. Antes, porém, teve de dirigir o Colégio dos Jesuítas em Vitória, no Espírito Santo. Em 1595, obteve dispensa dessa função e retirou-se para Reritiba, onde faleceu em 9 de junho 1597. Logo depois de sua morte, foi cercado por uma multidão de índios, que levou o corpo em procissão silenciosa até a cidade de Vitoria, onde foi sepultado. Entre as imagens existentes de Anchieta, está uma imponente estátua de bronze, que retrata o padre caminhando para Portugal, do artista brasileiro Bruno Giorgi, na cidade de San Cristóbal de Laguna (Espanha) ─ um presente do Governo do Brasil para a cidade natal do Santo. Há ainda uma pintura de Anchieta fundando a cidade de São Paulo, na Basílica de Nossa Senhora da Candelária, santuário da padroeira das Ilhas Canárias, na Espanha.

Processo de canonização de padre Anchieta

1597 – José de Anchieta morre, aos 63 anos, em Reritiba, Espírito Santo.
1617 – Os jesuítas brasileiros oficializam junto à Companhia de Jesus, em Roma, o pedido de canonização do padre.
1634 – As regras de canonização são mudadas pelo papa Urbano VIII (1623-1644). Passa a ser necessário esperar 50 anos da morte do candidato a santo para o Vaticano começar a examinar os processos.
1649 – O episcopado brasileiro retoma os pedidos de canonização – 52 anos após a morte de Anchieta.
1652 – Anchieta é declarado servo de Deus pelo papa Inocêncio X (1644-1655).
1668 – A causa é interrompida pela Companhia de Jesus, por falta de recursos.
1736 – Anchieta teve declaradas as Virtudes Heroicas pelo papa Clemente XII (1730-1740).
1773 – Processo de canonização é interrompido, após o papa Clemente XIV (1769-1774) decretar a supressão da Companhia de Jesus. 1980 – Anchieta é beatificado pelo papa João Paulo II (1978-2005) – a última etapa que antecede a canonização.
2013 – A CNBB pede ao papa Francisco a canonização de Anchieta.
2014 – O Vaticano confirma que Anchieta será declarado santo, mesmo sem a comprovação de um milagre.

Fonte: Assessoria de Imprensa/Companhia de Jesus

 

COMPAIXÃO E PRANTO DA VIRGEM NA MORTE DO FILHO
Poema a Virgem – Padre José de Anchieta  
Escrito pelo Padre nas areias da Praia de Iperoig em Ubatuba

Minha alma, por que tu te abandonas ao profundo sono?  Por que no pesado sono, tão fundo ressonas?  Não te move à aflição dessa Mãe toda em pranto,  Que a morte tão cruel do FILHO chora tanto?

E cujas entranhas sofre e se consome de dor,  Ao ver, ali presente, as chagas que ELE padece?  Em qualquer parte que olha, vê JESUS,  Apresentando aos teus olhos cheios de sangue.

Olha como está prostrado diante da Face do PAI,  Todo o suor de sangue do seu corpo se esvai.  Olha a multidão se comporta como ELE se ladrão fosse,  Pisam-NO e amarram as mãos presas ao pescoço.

Olha, diante de Anás, como um cruel soldado  O esbofeteia forte, com punho bem cerrado.  Vê como diante Caifás, em humildes meneios,  Aguenta mil opróbrios, socos e escarros feios.

Não afasta o rosto ao que bate, e do perverso  Que arranca Tua barba com golpes violento.  Olha com que chicote o carrasco sombrio  Dilacera do SENHOR a meiga carne a frio.

Olha como lhe rasgou a sagrada cabeça os espinhos,  E o sangue corre pela Face pura e bela.  Pois não vês que seu corpo, grosseiramente ferido  Mal susterá ao ombro o desumano peso?

Vê como os carrascos pregaram no lenho  As inocentes mãos atravessadas por cravos.  Olha como na Cruz o algoz cruel prega  Os inocentes pés o cravo atravessa.

Eis o SENHOR, grosseiramente dilacerado pendurado no tronco,  Pagando com Teu Divino Sangue o antigo crime! (Pecado Original cometido pelos primeiros pais)  Vê: quão grande e funesta ferida transpassa o peito, aberto  Donde corre mistura de sangue e água.

Se o não sabes, a Mãe dolorosa reclama  Para si, as chagas que vê suportar o FILHO que ama.  Pois quanto sofreu aquele corpo inocente em reparação,  Tanto suporta o Coração compassivo da Mãe, em expiação.

Ergue-te, pois e, embora irritado com os injustos judeus  Procura o Coração da MÃE DE DEUS.  Um e outro deixaram sinais bem marcados  Do caminho claro e certo feito para todos nós.

ELE aos rastros tingiu com seu sangue tais sendas,  Ela o solo regou com lágrimas tremendas.  A boa Mãe procura, talvez chorando se consolar,  Se as vezes triste e piedosa as lágrimas se entregar.

Mas se tanta dor não admite consolação  É porque a cruel morte levou a vida de sua vida,  Ao menos chorarás lastimando a injúria,  Injúria, que causou a morte violenta.

Mas onde te levou Mãe, o tormento dessa dor?  Que região te guardou a prantear tal morte?  Acaso as montanhas ouvirão Teus lamentos?  Onde está a terra podre dos ossos humanos?

Acaso está nas trevas a árvore da Cruz,  Onde o Teu JESUS foi pregado por Amor?

Esta tristeza é a primeira punição da Mãe,  No lugar da alegria, segura uma dor cruel,  Enquanto a turba gozava de insensata ousadia,  Impedindo Aquele que foi destruído na Cruz.

Mãe, mas este precioso fruto de Teu ventre  Deu vida eterna a todos os fieis que O amam,  E prefere a magia do nascer à força da morte,  Ressurgindo, deixou a ti como penhor e herança.

Mas finda Tua vida, Teu Coração perseverou no amor,  Foi para o Teu repouso com um amor muito forte!  O inimigo Te arrastou a esta cruz amarga,  Que pesou incomodo em Teu doce seio.

Morreu JESUS traspassado com terríveis chagas  ELE, formoso espírito, glória e luz do mundo;  Quanta chaga sofreu e tantas LHE causaram dores;  Efetivamente, uma vida em vós era duas!  (Natureza Humana e Divina do SENHOR)

Todavia conserva o Amor em Teu Coração, e jamais  Evidentemente deixou de o hospedar no Coração,  Feito em pedaços pela morte cruel que suportou  Pois à lança rasgou o Teu Coração enrijecido.

O Teu Espírito piedoso e comovido quebrou na flagelação,  A coroa de espinhos ensanguentou o Teu Coração fiel.  Contra Ti conspirou os terríveis cravos sangrentos,  Tudo que é amargo e cruel o Teu FILHO suportou na Cruz.

Morto DEUS, então porque vives Tu a Tua vida?  Porque não foste arrastada em morte parecida?  E como é que, ao morrer, não levou o Teu espírito,  Se o Teu Coração sempre uniu os dois espíritos?

Admito, não pode tantas dores em Tua vida  Suportar, aguentando se não com um amor imenso;  Se não Te alentar a força do nascimento Divino  Deixará o Teu Coração sofrendo muito mais.

Vives ainda, Mãe, sofrendo muitos trabalhos,  Já te assalta no mar onda maior e cruel.  Mas cobre Tua Face Mãe, ocultando o piedoso olhar:  Eis que a lança em fúria ataca pelo espaço leve,  Rasga o sagrado peito ao teu FILHO já morto,  Tremendo a lança indiferente no Teu Coração.

Sem dúvida tão grande sofrimento foi à síntese,  Faltava acrescentá-lo a Tuas chagas!  Esta ferida cruel permaneceu com o suplício!  Tão penoso sofrimento este castigo guardava!

Com O querido FILHO pregado a Cruz Tu querias  Que também pregassem Teus pés e mãos virginais.  ELE tomou para SI a dura Cruz e os cravos,  E deu-Te a lança para guardar no Coração.

Agora podes, ó Mãe, descansar, que possui o desejado,  A dor mudou para o fundo do Teu Coração.  Este golpe deixou o Teu corpo frio e desligado,  Só Tu compassiva guarda a cruel chaga no peito.

Ó chaga sagrada feita pelo ferro da lança,  Que imensamente nos faz amar o Amor!  Ó rio, fonte que transborda do Paraíso,  Que intumesce com água fartamente a terra!

Ó caminho real com pedras preciosas, porta do Céu,  Torre de abrigo, lugar de refúgio da alma pura!  Ó rosa que exala o perfume da virtude Divina!  Jóia lapidada que no Céu o pobre um trono tem!

Doce ninho onde as puras pombas põem ovinhos,  E as castas rolas têm garantia de suster os filhotinhos!  Ó chaga, que és um adorno vermelho e esplendor,  Feres os piedosos peitos com divinal amor!

Ó doce chaga, que repara os corações feridos,  Abrindo larga estrada para o Coração de CRISTO.  Prova do novo amor que nos conduz a união!  (Amai uns aos outros como EU vos amo) Porto do mar que protege o barco de afundar!

Em TI todos se refugiam dos inimigos que ameaçam:  TU, SENHOR, és medicina presente a todo mal!  Quem se acabrunha em tristeza, em consolo se alegra:  A dor da tristeza coloca um fardo no coração!

Por Ti Mãe, o pecador está firme na esperança,  Caminhar para o Céu, lar da bem-aventurança!  Ó Morada de Paz! Canal de água sempre vivo,  Jorrando água para a vida eterna!

Esta ferida do peito, ó Mãe, é só Tua,  Somente Tu sofres com ela, só Tu a podes dar.  Dá-me acalentar neste peito aberto pela lança,  Para que possa viver no Coração do meu SENHOR!

Entrando no âmago amoroso da piedade Divina,  Este será meu repouso, a minha casa preferida.  No sangue jorrado redimi meus delitos,  E purifiquei com água a sujeira espiritual!

Embaixo deste teto  (Céu)  que é morada de todos,  Viver e morrer com prazer, este é o meu grande desejo.

 

Anchieta e Nossa Senhora

O Pe. José de Anchieta grande devoto da Virgem Maria escreveu várias poesias sobre a Mãe de Deus e nossa. Além do famoso Poema da Virgem Maria Mãe de Deus, uma infinidade de versos saíram de seu coração e de sua pena em louvor à Nossa Senhora. Pe. Anchieta escreveu em várias línguas: tupi, português, espanhol e latim. Hoje, nesta festa de Nossa Senhora, vamos recordar a poesia “EVA JANDÉ SY YPÝ” que como perceberam foi escrita na língua Tupi e em português recebeu o título: “DA CONCEIÇÃO DE NOSSA SENHORA”.

No “Auto de Guaraparim”, escrito em 1564 para a inauguração da Aldeia de Guaraparim, o mais expressivo auto escrito em tupi, o Beato Anchieta, no 4º Ato, ou seja, na despedida, faz comparação entre Eva, a mulher que iniciou o pecado no mundo com sua desobediência e Maria que foi isenta dele pelos méritos de seu Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo, o nosso Salvador.

Eva, nossa mãe primeira, apaixonou-se, sem conto, por essa fruta fagueira, à voz da cobra matreira, colhendo, comendo, e pronto! Ao marido ela em seguida a fruta induz a engolir. Por sua esposa querida, ele em comer não duvida, antes de a morte nos vir. A todos, quais suas preias, nos apanhou o diabo. Com suas ações alheias, de toda a gente deu cabo, sempre, em folganças feias. Não chega a Santa Maria o pecado original. Em sua virtuosa via, calcando o demo, fazia desaparecer o mal. Do mau a fronte ela pisa, muito sem força o deixando. Nossa alma assim se harmoniza, e a lei de Deus autoriza, o amor de demo afastando. Pois fez bem Nosso Senhor em guardar Santa Maria, para ao demo medo impor. À mãe de Deus nosso amor, por ela nossa folia! Corretos hábitos tendo, nossa alma se alegrará. Porque sem brigas vivendo, Jesus nos visitará, nos vendo e sempre revendo. Tendo seu filho consigo, Tupansy, Santa Maria, assusta nosso inimigo, sempre nos traz seu abrigo, e do demo nos desvia. Atenção! se em nosso peito Santa Maria levamos, na ânsia do viver perfeito, amando-a em fundo respeito, ao gozo de Deus nós vamos.

Fonte: Rádio Vaticano, 09/12/2010

Santo Evangelho (Lc 1, 39-56)

Visitação de Nossa Senhora – Quarta-feira 31/05/2017

Primeira Leitura (Sf 3,14-18)  
Leitura da Profecia de Sofonias.

14Canta de alegria, cidade de Sião; rejubila, povo de Israel! Alegra-te e exulta de todo o coração, cidade de Jerusalém! 15O Senhor revogou a sentença contra ti, afastou teus inimigos; o rei de Israel é o Senhor, ele está no meio de ti, nunca mais temerás o mal. 16Naquele dia, se dirá a Jerusalém: “Não temas, Sião, não te deixes levar pelo desânimo! 17O Senhor, teu Deus, está no meio de ti, o valente guerreiro que te salva; ele exultará de alegria por ti, movido pelo amor; exultará por ti, entre louvores, 18como nos dias de festa. Afastarei de ti a desgraça, para que nunca mais te cause humilhação”.

— Palavra do Senhor.
— Graças a Deus.

Ou (escolhe-se uma das leituras)  

Primeira Leitura (Rm 12,9-16b) 
Leitura da Carta de São Paulo aos Romanos.

Irmãos, 9o amor seja sincero. Detestai o mal, apegai-vos ao bem. 10Que o amor fraterno vos una uns aos outros com terna afeição, prevenindo-vos com atenções recíprocas. 11Sede zelosos e diligentes, fervorosos de espírito, servindo sempre ao Senhor, 12alegres por causa da esperança, fortes nas tribulações, perseverantes na oração. 13Socorrei os santos em suas necessidades, persisti na prática da hospitalidade. 14Abençoai os que vos perseguem, abençoai e não amaldiçoeis. 15Alegrai-vos com os que se alegram, chorai com os que choram. 16bMantende um bom entendimento uns com os outros; não vos deixeis levar pelo gosto de grandeza, mas acomodai-vos às coisas humildes.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

 

Responsório (Is 12,2-6)  

— O Santo de Israel é grande entre vós.
— O Santo de Israel é grande entre vós.

— Eis o Deus, meu Salvador, eu confio e nada temo; o Senhor é minha força, meu louvor e salvação. Com alegria bebereis do manancial da salvação.

— E direis naquele dia: “Dai louvores ao Senhor, invocai seu Santo nome, anunciai suas maravilhas, entre os povos proclamai que seu nome é o mais sublime.

— Louvai cantando ao nosso Deus, que fez prodígios e portentos, publicai em toda a terra suas grandes maravilhas! Exultai cantando alegres, habitantes de Sião, porque é grande em vosso meio o Deus Santo de Israel!”

 

Evangelho (Lc 1,39-56)  

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Lucas.
— Glória a vós, Senhor.

39Naqueles dias, Maria partiu para a região montanhosa, dirigindo-se, apressadamente, a uma cidade da Judeia. 40Entrou na casa de Zacarias e cumprimentou Isabel. 41Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança pulou no seu ventre e Isabel ficou cheia do Espírito Santo. 42Com um grande grito exclamou: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto de teu ventre!” 43Como posso merecer que a mãe do meu Senhor me venha visitar? 44Logo que a tua saudação chegou aos meus ouvidos, a criança pulou de alegria no meu ventre. 45Bem-aventurada aquela que acreditou, porque será cumprido o que o Senhor lhe prometeu”. 46Maria disse: “A minha alma engrandece o Senhor, 47e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador, 48porque olhou para a humildade de sua serva. Doravante todas as gerações me chamarão bem-aventurada, 49porque o Todo-poderoso fez grandes coisas em meu favor. O seu nome é santo, 50e sua misericórdia se estende, de geração em geração, a todos os que o temem. 51Ele mostrou a força de seu braço: dispersou os soberbos de coração. 52Derrubou do trono os poderosos e elevou os humildes. 53Encheu de bens os famintos, e despediu os ricos de mãos vazias. 54Socorreu Israel, seu servo, lembrando-se de sua misericórdia, 55conforme prometera aos nossos pais, em favor de Abraão e de sua descendência, para sempre”. 56Maria ficou três meses com Isabel; depois voltou para casa.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

 

A IGREJA CATÓLICA CELEBRA E VENERA
Visitação de Nossa Senhora

Sabemos que Nossa Senhora foi visitada pelo Arcanjo Gabriel com esta mensagem de amor, com esta proposta de fazer dela a mãe do nosso Salvador. E ela aceitou. E aceitar Jesus é estar aberto a aceitar o outro. O anjo também comunicou a ela que sua parenta – Santa Isabel – já estava grávida. Aí encontramos o testemunho da Santíssima Virgem – no Evangelho de São Lucas no capitulo 1, – quando depois de andar cerca de 100 km ela encontrou-se com Isabel.

Nesta festa, também vamos descobrindo a raiz da nossa devoção a Maria. Ela cantou o Magnificat, glorificando a Deus. Em certa altura ela reconheceu sua pequenez, e a razão pela qual devemos ter essa devoção, que passa de século a século.

“Porque olhou para sua pobre serva, por isso, desde agora, me proclamarão bem-aventurada todas as gerações.” (Lucas 1,48)

A Palavra de Deus nos convida a proclamarmos bem-aventurada aquela que, por aceitar Jesus, também se abriu à necessidade do outro. É impossível dizer que se ama a Deus, se não se ama o outro. A visitação de Maria a sua prima nos convoca a essa caridade ativa. A essa fé que se opera pelo amor. Amor que o outro tanto precisa.

Quem será que precisa de nós?

Peçamos a Virgem Maria que interceda por nós junto a Jesus, para que sejamos cada vez mais sensíveis à dor do outro. Mas que a nossa sensibilidade não fique no sentimentalismo, mas se concretize através da caridade.

Virgem Maria, Mãe da visitação, rogai por nós!

Papa pede coragem e humildade para anunciar o Evangelho

Terça-feira, 14 de fevereiro de 2017, Da Redação, com Rádio Vaticano

Na Missa de hoje, Francisco indicou as três características de quem é um arauto do Evangelho

Coragem, oração e humildade: estes são os traços que caracterizam os grandes “arautos” que ajudaram a Igreja a crescer no mundo, que contribuíram à sua missionariedade. Foi o que disse o Papa na Missa celebrada na manhã de terça-feira, 14, na capela da Casa Santa Marta.

Francisco reforçou que é preciso “semeadores de Palavra”, missionários, verdadeiros arautos para formar o povo de Deus, como foram Cirilo e Metódio, irmãos intrépidos e testemunhas de Deus que fizeram da Europa mais forte, padroeiros do continente. Na homilia, o Papa indicou as três características da personalidade de um “enviado” que proclama a Palavra de Deus, inspirando-se no Evangelho de Lucas que a liturgia propõe.

“A Palavra de Deus não pode ser levada como uma proposta – “bom, se você gostar…” – ou como uma ideia filosófica ou moral, boa – “você pode viver assim …” … Não. É outra coisa. Precisa ser proposta com esta franqueza, com aquela força, para que a Palavra penetre, como diz o próprio Paulo, até os ossos. A Palavra de Deus deve ser anunciada com esta franqueza, com esta força … com coragem. A pessoa que não tem coragem – coragem espiritual, coragem no coração, que não está apaixonada por Jesus, e dali vem a coragem! – não, dirá, sim, algo de interessante, algo moral, algo que fará bem, um bem filantrópico, mas não tem a Palavra de Deus. E esta palavra é incapaz de formar o povo de Deus. Somente a Palavra de Deus proclamada com esta franqueza, com esta coragem, é capaz de formar o povo de Deus”.

Necessidade de oração

Do capítulo décimo do Evangelho de Lucas foram extraídas outras duas características próprias de um arauto da Palavra de Deus. Um Evangelho “um pouco estranho”, afirmou o Papa, porque rico de elementos acerca do anúncio. “A messe é abundante, mas são poucos os operários. Rezem portanto ao Senhor da messe para que mande operários para a sua messe”, repetiu Francisco, e é assim, portanto, que depois da coragem está a oração.

“A Palavra de Deus deve ser proclamada com oração também, sempre. Sem oração, se pode fazer uma bela conferência, uma bela palestra: boa, boa; mas não é a Palavra de Deus. Somente de um coração em oração pode sair a Palavra de Deus. A oração, para que o Senhor acompanhe este ‘semear’ a Palavra, para que o Senhor regue a semente e ela brote, a Palavra. A Palavra de Deus deve ser proclamada com oração: a oração daquilo que anuncia a palavra de Deus”.

Humildade

No Evangelho consta também um terceiro ‘trecho interessante’. O Senhor envia os discípulos como “cordeiros em meio aos lobos”. “O verdadeiro pregador é o que sabe ser fraco, sabe que não se pode defender sozinho. ‘Tu vai como cordeiro em meio aos lobos’. ‘Mas, Senhor, para que eles me comam?’. ‘Tu, vai, é este o caminho’. E creio que o Crisóstomo faz uma reflexão muito profunda quando diz: “Se tu não for como cordeiro, mas como lobo entre os lobos, o Senhor não te protegerá: defende-te sozinho”. Quando o pregador se acha muito inteligente ou quando quem tem responsabilidade de levar adiante a Palavra de Deus e quer dar uma de esperto… ‘Ah, eu sei me sair com esta gente!’, ele termina mal. Negociará com a Palavra de Deus: aos poderosos, aos soberbos…”.

E para ressaltar a humildade dos grandes arautos, Francisco citou um episódio que lhe contaram de um sacerdote que “se vangloriava de pregar bem a Palavra de Deus e se sentia um lobo”: depois de uma bela pregação – recorda o Papa, foi ao confessionário e encontrou um grande pecador que chorava… queria pedir perdão”. Este confessor – prosseguiu Francisco – ‘começou a encher-se de vaidade e a curiosidade o levou a perguntar que Palavra o havia tocado tanto ao ponto de levá-lo ao arrependimento. “Foi quando o Senhor disse: passamos para outro assunto. “Não sei se é verdade – afirma o Papa – mas confirma que termina-se sempre mal quando se sente lobos e não cordeiros, faltando assim na defesa do Senhor”.

Esta é a missionariedade da Igreja e os grandes arautos que semearam e ajudaram a crescer as Igrejas no mundo, foram homens corajosos, de oração e humildes, reiterou Francisco. A oração final foi para que os Santos Cirilo e Metódio ajudem a proclamar a Palavra de Deus assim como eles o fizeram.

Apresentação de Nosso Senhor e Purificação de Nossa Senhora – 02 de Fevereiro

Por Mons. Inácio José Schuster

A Igreja Católica reservava outrora uma bênção especial às parturientes que, logo que o seu estado permitia, se apresentavam a Deus com seus. É provável que este uso se tenha introduzido na Igreja em memória e veneração da Mãe de Deus, que, obediente à lei do seu povo, fez a sua apresentação no templo. A festa que a Igreja hoje celebra tem o nome de Apresentação do Senhor no templo. E é também a Purificação de Nossa Senhora ou Senhora das candeias. É hoje o dia da bênção das velas (candeias) e em muitas igrejas, antes da celebração da Missa, organiza-se solene procissão, em que são levadas velas acesas, símbolos de Jesus Cristo – que, apresentado a Deus no templo de Jerusalém pelo santo velho Simeão, foi saudado como a luz que veio para iluminar os povos. Comemora-se o dia em que Maria Santíssima, em obediência à lei mosaica, se apresentou no templo do Senhor, quarenta dias depois do nascimento de Jesus. Para melhor compreensão deste ato de Maria, sejam lembradas neste lugar duas leis que Deus impôs, no Antigo Testamento. A mulher que desse à luz uma criança do sexo masculino ficava privada de entrar no templo durante quarenta dias a seguir ao parto; e se a criança era menina, o tempo da purificação era de oitenta dias. Passado este tempo, devia apresentar-se no templo e oferecer um cordeirinho, duas rolas ou dois pombinhos, e entregar a oferta ao sacerdote, para que este rezasse sobre ela. Com esta cerimônia, a mulher era aceita outra vez na comunhão dos fiéis, da qual a lei a excluía por algum tempo, depois de ter dado à luz. A segunda lei impunha aos pais da tribo de Levi a obrigação de dedicar o filho primogênito ao serviço de Deus. Crianças que pertenciam a outra tribo, que não a de Levi, pagavam resgate. É admirável a retidão e humildade de Maria Santíssima em sujeitar-se a uma lei humilhante, como foi a da purificação. A maternidade da Virgem, em tudo diferente da das outras mulheres, isentava-a desta obrigação. Davi enche-se de vergonha, quando se lembra da sua origem: “em pecados me concebeu minha mãe”. A Maria, o Anjo tinha dito: “O Espírito Santo virá sobre ti, e a virtude do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra”, São José recebeu do céu a comunicação consoladora: “O que dela (de Maria) nascerá, é do Espírito Santo”. Virgem antes, durante e depois do parto, o seu lugar não era entre as outras filhas hebréias, que no templo se apresentavam para fazer penitência e procurar perdão do pecado. Maria prefere, todavia, obedecer à lei e parecer atingida pela pecha comum a todas. Além disso, sendo de origem nobre, descendente direta de David, oferece o sacrifício dos pobres, isto é, dois pombinhos! Na humildade é acompanhada pelo Filho. Ele, que é “Filho do Altíssimo”, autor e Senhor das leis, não admite para Si motivos que O isentem das mesmas. Querendo ser nosso semelhante em tudo, exceto no pecado, sujeita-Se à lei da circuncisão. Por altura de ser apresentada Maria Santíssima no templo, deu-se um fato que merece toda a nossa atenção. Vivia em Jerusalém um santo chamado Simeão, muito velho, que com muito fervor aguardava pela vinda do Messias. De Deus tinha recebido a promessa de não sair desta vida sem ter visto, com os próprios olhos, o Salvador do mundo. Guiado por inspiração divina, viera ao templo quando os pais de Jesus nele entraram, em cumprimento das prescrições legais. Como os Magos conheceram o Salvador, este fez-Se conhecido por Simeão, o qual o tomou nos braços e bendisse a Deus, dizendo: “Agora, Senhor, deixai partir o vosso servo em paz, conforme a vossa palavra, pois os meus olhos viram a vossa salvação, que preparastes diante dos olhos das nações; Luz para aclarar os gentios e glória de Israel, vosso povo!” José e Maria ficaram admirados do que se dizia do Menino. Simeão abençoou-os e disse a Maria, sua Mãe: “Este Menino veio ao mundo para ruína e ressurreição de muitos em Israel e para ser sinal de contradição. Vós mesma tereis a alma varada por uma aguda espada e assim serão patenteados os pensamentos ocultos no coração de muitos”. – Havia também uma profetisa, Ana, filha de Fanuel, da tribo de Aser. Já estava muito velha. Vivera 7 anos casada, enviuvara e estava com 84 anos. Não deixava o templo, e servia a Deus dia e noite, jejuando e rezando. Tendo vindo ao templo na mesma ocasião, desfez-se em louvores ao Senhor e falava do Menino a todos os que esperavam a redenção de Israel. Cumpridas todas as prescrições da lei, José e Maria voltaram para casa. A Deus deve-Se louvor e gratidão, depois dum parto bem sucedido. De Deus vem todo o bem para a mãe e para o filhinho. É justo, pois, que a mãe peça a bênção divina. A mãe cristã sabe que sem a assistência e auxílio de Deus, não pode educar os filhos na virtude e no temor de Deus. Reconhecendo esta insuficiência, faz a Deus oferecimento do filho, prometendo ao Senhor ver nele uma propriedade divina, garantia do seu amor, e fazer tudo que lhe estiver ao alcance para educá-lo para o céu. Oxalá todas as mães cristãs eduquem os filhos para Deus, e não para o serviço do mundo, de Satanás e da carne!

 

No dia dois de fevereiro, a Igreja celebra a festa da apresentação do Senhor. Estamos a exatos, 40 dias após a celebração do Natal. De acordo com o evangelista Lucas, capítulo 2 versículos de 2 a 40, foi este o momento em que os pais de Jesus o apresentaram no templo de Jerusalém.

Alguns padres da Igreja viram nesta cena o encontro dramático entre o Antigo Testamento e o Novo Testamento. O Antigo Testamento representado por Simeão e o Novo Testamento representado por aquela criancinha que José e Maria traziam e ofertavam ao Senhor no templo.

O Antigo Testamento pode proferir solenemente a sua despedida e da boca de Simeão nós ouvimos: “Agora Senhor, deixa ir em paz o teu servidor conforme a tua palavra, porque meus olhos viram a tua salvação que preparastes a todos os povos. Luz para iluminar as nações e glória de Israel, teu povo.”

E assim, caríssimos irmãos, com estas palavras, Simeão e todo o Antigo Testamento saem de cena e deixam lugar ao Novo Testamento representado na criança que ainda não fala, que ainda é em tudo dependente de seus pais, o menino Jesus.

Neste dia, caríssimos irmãos, nós celebramos a luz. As palavras de Simeão são claras: luz para iluminar as nações. E a Santa Igreja, na liturgia convida os fiéis a tomarem em suas mãos a luz de uma vela para marcarem bem a distância entre a luz que ilumina este mundo e de que nos servimos para este mundo e que não serve para simbolizar a fé e uma outra luz que normalmente não serve para este mundo, mas que pode bem simbolizar a nossa fé, a chama de uma vela.

Naquele instante, ao receber Jesus no templo, a luz que iluminaria Israel e todas as nações, estavam o velho Simeão e a velha Ana. Estes eram não apenas os representantes de Israel, mas, caríssimos irmãos, para o evangelista, os representantes dos pobres, daqueles que tem o coração disponível, daqueles que são despojados, daqueles que não se apegaram e não se apegam às riquezas e aos bens deste mundo. Para esse evangelista, bem sensível a esta categoria de gente, são estes pobres, humildes e simples, provavelmente representantes da comunidade cristã primeira de Jerusalém.

São estas, repito, as pessoas mais aptas, mais qualificadas a receberem o Cristo luz.   Na medida em que você for simples, na medida em que você for pobre, na medida em que você não se apegar aos bens deste mundo, na medida em que você não se sentir satisfeito, mas buscar o definitivo de Deus, nesta mesma medida você receberá Jesus Cristo, que inundará de luz o seu coração e sua alma também.   Neste dia, você celebrará a sua festa da verdadeira luz.

 

O evangelista insiste sobre a proposição circunstancial: “Concluídos os dias da sua purificação”, mostrando a conformidade legal da Sagrada Família. Por outro lado, já anuncia Aquele que “veio para cumprir a Lei e os profetas”, mas que não se limita a uma observância material, dobrando-se às disposições da “letra” da Lei. Ele vai além, cumprindo-a em seu sentido profundo, “segundo o Espírito”, seu Espírito, o Espírito que tinha inspirado profeticamente Moisés. “Levaram-no a Jerusalém para o apresentar ao Senhor”, e apresentaram este pequeno menino que necessitava ser “levado”, que Simeão vai “tomar em seus braços”, e cuja grandeza é em verdade mais brilhante que o raio: pois Ele é o sumo sacerdote, ao mesmo tempo,  que é a futura vítima da Nova Aliança, da qual a “apresentação” é o preâmbulo. Esta criança é o “Primogênito” por excelência, tanto de Deus como de sua mãe. Consagrado, Ele é  oferecido a Deus, como resgate, como Redenção de todos os homens de todos os tempos, capaz de lhes conceder uma purificação perfeita. “Esta purificação, escreve Orígenes, é de fato, não só fruto de Jesus, mas também de Maria: ela está associada ao seu Filho, fisicamente, pois ela “O traz” e “O leva” e Simeão vai lhe anunciar que ela comungará dos sofrimentos da Redenção. Esta purificação é de ambos, mesmo se Jesus seja o único Salvador, o Santo e o Redentor”. Este momento, portanto, manifesta o verdadeiro “Santo dos Santos”, perfeitamente “o Ungido” como significa o seu título de Cristo e de Messias. E as palavras de Simeão precisam o alcance universal desta “apresentação”: “Causa de soerguimento para muitos homens”; é Ele a “luz para iluminar as nações, e para a glória de vosso povo de Israel”. E Santo Agostinho comenta que este idoso Simeão “se torna um destes pequenos a quem é prometido o Reino”. E eis seu último suspiro: “Agora, Senhor, deixai o vosso servo ir em paz”.

As bem-aventuranças

Povo de Deus

Quarta-feira, 6 de agosto de 2014, Da Redação, com Rádio Vaticano

Após pausa de um mês, Francisco encontrou-se com fiéis na audiência geral

O Papa Francisco retomou, nesta quarta-feira, 6, as tradicionais audiências gerais com os fiéis. Após o período de descanso de um mês, o Santo Padre recebeu milhares de pessoas na Sala Paulo VI e evidenciou as características do povo de Deus, destacando a necessidade de seguir as bem-aventuranças de que fala Jesus no Evangelho de Mateus.

Em primeiro lugar, o Papa lembrou que o povo de Deus foi fundado sobre a Nova Aliança, estabelecida pelo Senhor com o dom de sua vida. Ele também ressaltou o papel de São João Batista, o ‘precursor’, aquele que preparou a vinda do Senhor predispondo o povo à conversão dos corações e ao acolhimento da consolação de Deus.

“Com o seu testemunho, João nos indicou Jesus, nos convidou a segui-lo e nos disse, sem meios-termos, que isso requer humildade, arrependimento e conversão”, completou o Pontífice.

O Santo Padre recordou o novo ensinamento deixado por Jesus com as Bem-Aventuranças. Estas constituem o caminho indicado por Deus como resposta ao anseio de felicidade ínsito no homem; elas aperfeiçoam os mandamentos da Antiga Aliança.

Francisco interagiu com os fiéis questionando-os se recordavam das bem-aventuranças e convidando todos a repeti-las com ele, imprimindo-as em seus corações. Como ‘tarefa’, recomendou que releiam em casa o capítulo 5 do Evangelho de Mateus, que retrata todas elas.

“Nestas palavras está toda a novidade trazida por Cristo: as beatitudes são o retrato de Jesus, o Seu modo de vida; são o caminho para a verdadeira felicidade. Jesus também nos deixou o critério pelo qual seremos julgados no fim do mundo: estaremos com Ele na vida eterna se formos capazes, durante a nossa vida terrena, de reconhecê-lo no pobre, no faminto, no indigente, no marginalizado, no doente e no sofredor”.

Na conclusão, Francisco enfatizou que a Nova Aliança é justamente saber reconhecer que Deus abraça a humanidade com sua misericórdia e compaixão em Cristo. “É isso que preenche o nosso coração de alegria, o que faz de nossa vida um belo e crível testemunho do amor de Deus por todos os irmãos que encontramos, todos os dias”.

Esta foi a primeira vez, em seu pontificado, que Francisco realizou a catequese na Sala Paulo VI. O local possui ar condicionado, sendo mais apropriado para receber os fiéis tendo em vista o verão europeu.

 

CATEQUESE

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Nas catequeses anteriores vimos como a Igreja é um povo, um povo preparado com paciência e amor de Deus, e ao qual todos nós somos chamados a pertencer. Hoje eu gostaria de destacar a novidade que caracteriza este povo:  é realmente um novo povo que se fundamenta na nova aliança estabelecida pelo Senhor Jesus com o dom de sua vida. Esta novidade não nega o caminho anterior, ou se opõe a ele, mas sim o leva adiante, o leva ao cumprimento.

1. Há uma figura muito significativa, que atua como um elo entre o Antigo e o Novo Testamento: a de João Batista. Para os Evangelhos Sinóticos, ele é o “precursor”, aquele que prepara a vinda do Senhor, predispondo o povo à conversão do coração e a receber o consolo de Deus que está próximo. No Evangelho de João é a “testemunha”, pois permite-nos reconhecer em Jesus, Aquele que vem do alto para perdoar os nossos pecados e fazer de seu povo a sua esposa, primícias da nova humanidade. Como um “precursor” e “testemunha”, João Batista desempenha um papel central em toda a Escritura, pois atua como uma ponte entre a promessa do Antigo Testamento e seu cumprimento, entre as profecias e a realização em Jesus Cristo. Com o seu testemunho, João nos mostra Jesus e nos convida a segui-Lo, e nos diz, sem meio termo, que isso requer humildade, arrependimento e conversão: é um convite que faz se à humildade, arrependimento e conversão.

2. Assim como Moisés realizou uma aliança com Deus em virtude da lei recebida no Sinai, assim Jesus, em uma colina à beira do lago da Galiléia, entrega aos seus discípulos e à multidão um novo ensinamento, que começa com as bem-aventuranças. Moisés deu a Lei no Sinai e Jesus, o novo Moisés, dá a lei na montanha, à beira do lago da Galiléia. As bem-aventuranças são o caminho que Deus mostra como uma resposta ao desejo de felicidade que é inerente ao homem, e aperfeiçoa os mandamentos da Antiga Aliança. Estamos acostumados a aprender os Dez Mandamentos – é claro, todos vocês sabem, aprenderam na catequese – mas não estamos acostumados a repetir as bem-aventuranças. Vamos memorizá-las e imprimi-las em nosso coração. Façamos uma coisa: eu vou dizer uma depois da outra e vocês repetem. Concordam?

Primeira: “Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o reino dos céus”.

“Bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados”.

“Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra”.

“Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão saciados”.

“Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia”.

“Bem-aventurados os puros de coração, porque eles verão a Deus”.

“Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus”.

“Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus”.

“Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e vos perseguirem e disserem todo o mal contra vós por minha causa.” Eu ajudo vocês: [o Papa repete com as pessoas] “Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e vos perseguirem e disserem todo o mal contra vós por minha causa”.

“Alegrai-vos e exultai, porque é grande o vosso recompensa nos céus”.

Bravo! Mas vamos fazer uma coisa: eu vou dar uma lição de casa, uma tarefa para fazer em casa. Peguem o Evangelho, aquele que vocês têm … Lembrem-se que vocês devem sempre levar um pequeno Evangelho com vocês, no seu bolso, bolsa, sempre; aquele que vocês têm em casa. Peguem o Evangelho, e nos primeiros capítulos de Mateus – creio que no capítulo quinto – estão as bem-aventuranças. E hoje, amanhã, vocês leem em casa. Vocês irão ler? [O povo responde: Sim] Não se esqueçam, porque é a lei que Jesus nos dá! Vocês irão fazer? Obrigado.

Nestas palavras, há toda a novidade trazida por Cristo, e toda a novidade de Cristo está nestas palavras. De fato, as bem-aventuranças são o retrato de Jesus, seu modo de vida; é o caminho para a verdadeira felicidade, que também nós podemos trilhar com a graça que Jesus nos dá.

3. Além da nova Lei, Jesus nos dá também o “protocolo” com o qual seremos julgados. No fim do mundo seremos julgados. E quais são as perguntas que vão nos fazer lá? Quais são essas questões? Qual é o protocolo com o qual o juiz vai nos julgar? É isso o que encontramos no vigésimo quinto capítulo do Evangelho de Mateus. Hoje a tarefa é ler o quinto capítulo do Evangelho de Mateus, no qual existem as bem-aventuranças e ler o 25º capítulo, no qual existe o protocolo, as perguntas que farão no dia do julgamento. Nós não teremos títulos, créditos ou privilégios para nos garantir. O Senhor vai reconhecer-nos se, por nossa vez,  O tivermos reconhecido nos pobres, nos que passam fome, nos indigentes e marginalizados, em quem sofre e está sozinho … Este é um dos critérios fundamentais de verificação da nossa vida cristã, com os quais Jesus nos convida a medir-nos a cada dia. Eu leio as bem-aventuranças e penso como deve ser a minha vida cristã, e depois faço um exame de consciência com o capítulo 25 de Mateus. Todos os dias: eu fiz isso, eu fiz isso, eu fiz isso … Nos fará bem! Essas coisas são simples, mas concretas !

Queridos amigos, a nova aliança consiste precisamente nisto: em reconhecer-se em Cristo, envolvido na misericórdia e compaixão de Deus. É isso que enche o nosso coração de alegria, e é isso que torna a nossa vida bela e crível do amor de Deus por todos os nossos irmãos e irmãs que encontramos todos os dias. Lembrem do dever de casa! O quinto capítulo de Mateus e capítulo 25 de Mateus. Obrigado!

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