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O papel das mães na família

Importância das mães

Quarta-feira, 7 de janeiro de 2015, Jéssica Marçal / Da Redação

No ciclo de catequeses sobre família, Francisco se concentrou na importância das mães, lembrando que também a Igreja é mãe

Após as festas de fim de ano, o Papa Francisco retomou, nesta quarta-feira, 7, a tradicional audiência geral. Reunido com os fiéis na Sala Paulo VI, o Santo Padre deu sequência ao ciclo de catequeses sobre a família, desta vez se concentrando no papel essencial das mães, voltando a reiterar que também a Igreja é uma mãe.

“Cada pessoa humana deve a vida a uma mãe e quase sempre deve a ela muito da própria existência sucessiva, da formação humana e espiritual”, disse o Papa. Ele ressaltou que, mesmo sendo exaltadas do ponto de vista simbólico – com homenagens e poesias, por exemplo –, muitas vezes, as mães são pouco ouvidas na vida cotidiana e têm o seu importante papel na sociedade pouco considerado.

As mães são um forte antídoto contra o individualismo, disse o Papa, uma vez que se dividem a partir do momento em que dão lugar a um filho. Ele disse que as mães têm sim problemas com os filhos – é uma espécie de martírio materno –, mas continuam felizes e sofrem quando algo de ruim acontece com eles. Ele pensou, por exemplo, na dor das mães que recebem a notícia de que seus filhos morreram em defesa da pátria.

“Ser mãe não significa somente dar à luz um filho, mas é uma escolha de vida. A escolha de vida de uma mãe é a escolha de dar a vida, e isso é grande, é belo. Uma sociedade sem mãe é uma sociedade desumana, porque elas sabem testemunhar sempre a ternura, a dedicação, a força moral”.

O Papa mencionou ainda a importância das mães na transmissão do sentido mais profundo da prática religiosa, ensinando aos filhos as primeiras orações, os primeiros gestos de oração. Para Francisco, a fé perderia boa parte de seu calor sem as mães.

“E a Igreja é mãe com tudo isso. Não somos órfãos, temos uma mãe. Nossa Senhora, a Igreja, e nossa mãe”, concluiu o Papa, deixando seu agradecimento a todas as mães presentes.

 

CATEQUESE

Queridos irmãos e irmãs, bom dia. Hoje continuamos com as catequeses sobre Igreja e faremos uma reflexão sobre Igreja mãe. A Igreja é mãe. A nossa Santa mãe Igreja.

Nestes dias, a liturgia da Igreja colocou diante dos nossos olhos o ícone da Virgem Maria Mãe de Deus. O primeiro dia do ano é a festa da Mãe de Deus, à qual segue a Epifania, com a recordação da visita dos Magos. Escreve o evangelista Mateus: “Entrando na casa, acharam o menino com Maria, sua mãe. Prostrando-se diante dele, o adoraram” (Mt 2, 11).  É a Mãe que, depois de tê-lo gerado, apresenta o Filho ao mundo. Ela nos dá Jesus, ela nos mostra Jesus, ela nos faz ver Jesus.

Continuamos com as catequeses sobre família e na família há a mãe. Cada pessoa humana deve a vida a uma mãe e quase sempre deve a ela muito da própria existência sucessiva, da formação humana e espiritual. A mãe, porém, mesmo sendo muito exaltada do ponto de vista simbólico – tantas poesias, tantas coisas belas se dizem poeticamente da mãe – é pouco escutada e pouco ajudada na vida cotidiana, pouco considerada no seu papel central da sociedade. Antes, muitas vezes se aproveita da disponibilidade das mães a sacrificar-se pelos filhos para “economizar” nas despesas sociais.

Acontece que, mesmo na comunidade cristã, a mãe nem sempre é valorizada, é pouco ouvida. No entanto, no centro da vida da Igreja está a Mãe de Jesus. Talvez as mães, prontas a tantos sacrifícios pelos próprios filhos, e não raro também por aqueles de outros, deveriam encontrar mais escuta. Precisaria compreender mais a luta cotidiana delas para serem eficientes no trabalho e atentas e afetuosas na família; precisaria entender melhor o que elas aspiram para exprimir os frutos melhores e autênticos da sua emancipação. Uma mãe com os filhos sempre tem problemas, sempre trabalho. Em me lembro de casa, éramos cinco filhos e enquanto um fazia uma coisa outro fazia outra, o outro pensava em fazer outra e a pobre mãe ia de um lado a outro, mas era feliz, Deu tanto a nós.

As mães são o antídoto mais forte para a propagação do individualismo egoísta. “Indivíduo” quer dizer “que não se pode dividir”. As mães, em vez disso, se “dividem” a partir de quando hospedam um filho para dá-lo ao mundo e fazê-lo crescer. São essas, as mães, a odiar mais a guerra, que mata os seus filhos. Tantas vezes pensei naquelas mães quando recebem a carta: “Digo-lhe que o seu filho morreu em defesa da pátria…”. Pobres mulheres! Como uma mãe sofre! São essas a testemunhar a beleza da vida. O arcebispo Oscar Arnulfo Romero dizia que as mães vivem um “martírio materno”. Na homilia pelo funeral de um padre assassinato pelos esquadrões da morte, ele disse, repetindo o Concílio Vaticano II: “Todos devemos estar dispostos a morrer pela nossa fé, mesmo se o Senhor não nos concede esta honra… Dar a vida não significa somente ser morto; dar a vida, ter espírito de martírio, é dar no dever, no silêncio, na oração, no cumprimento honesto do dever; naquele silêncio da vida cotidiana; dar a vida pouco a pouco? Sim, como a dá uma mãe que, sem temor, com a simplicidade do martírio materno, concebe no seu seio um filho, dá à luz a ele,  amamenta-o, fá-lo crescer e cuida dele com carinho. É dar a vida. É martírio”. Termino aqui a citação. Sim, ser mãe não significa somente colocar no mundo um filho, mas é também uma escolha de vida. O que escolhe uma mãe, qual é a escolha de vida de uma mãe? A escolha de vida de uma mãe é a escolha de dar a vida. E isto é grande, isto é belo.

Uma sociedade sem mães seria uma sociedade desumana, porque as mães sabem testemunhar sempre, mesmo nos piores momentos, a ternura, a dedicação, a força moral. As mães transmitem, muitas vezes, também o sentido mais profundo da prática religiosa: nas primeiras orações, nos primeiros gestos de devoção que uma criança aprende, é inscrito no valor da fé na vida de um ser humano. É uma mensagem que as mães que acreditam sabem transmitir sem tantas explicações: estas chegarão depois, mas a semente da fé está naqueles primeiros, preciosíssimos momentos. Sem as mães, não somente não haveria novos fiéis, mas a fé perderia boa parte do seu calor simples e profundo. E a Igreja é mãe, com tudo isso, é nossa mãe! Nós não somos órfãos, temos uma mãe! Nossa Senhora, a mãe Igreja e a nossa mãe. Não somos órfãos, somos filhos da Igreja, somos filhos de Nossa Senhora e somos filhos das nossas mães.

Queridas mães, obrigado, obrigado por aquilo que vocês são na família e por aquilo que dão à Igreja e ao mundo. E a ti, amada Igreja, obrigado por ser mãe. E a ti, Maria, mãe de Deus, obrigado por fazer-nos ver Jesus. E obrigado a todas as mães aqui presentes: saudamos vocês com um aplauso!

O trabalho é sagrado e traz dignidade à família

Após refletir sobre a dimensão da festa na família, Francisco fala sobre o trabalho, atividade sagrada que dignifica a família

Na catequese desta quarta-feira, 19/8/2015, o Papa Francisco se dedicou à relação da família com o trabalho. Sendo uma atividade que traz dignidade ao homem, também o trabalho, assim como a festa (que foi tema da catequese da semana passada), é sagrado, faz parte do projeto criador de Deus e não deve faltar a família alguma, ponderou o Papa.

Francisco lembrou que o trabalho é necessário para manter a família e garantir a seus membros uma vida digna. E esse estilo de vida trabalhador é algo que se aprende, antes de tudo, na família. “A família educa ao trabalho com o exemplo dos pais: o pai e a mãe que trabalham pelo bem da família e da sociedade”.

O Papa citou ainda a harmonia que deve existir entre trabalho e oração. A falta de trabalho é ruim para o espírito, assim como a falta de oração prejudica também a atividade prática. O trabalho é sagrado, destacou Francisco, e por isso sua gestão é uma grande responsabilidade humana e social que não pode ser deixada nas mãos de poucos.

“Causar uma perda de postos de trabalho significa causar um grande dano social. Eu me entristeço quando vejo que há gente sem trabalho, que não encontra trabalho e não tem a dignidade de levar o pão para casa”.

O Santo Padre explicou que também o trabalho faz parte do projeto criador de Deus, mas quando se separa dessa aliança, tornando-se refém da lógica do lucro e desprezando os afetos da vida, a degradação da alma contamina tudo.

“A vida civil se corrompe e o habitat se arruína. E as consequências atingem sobretudo os mais pobres e as famílias mais pobres. A organização moderna do trabalho mostra, às vezes, uma perigosa tendência a considerar a família como um obstáculo, um peso, uma passividade para a produtividade do trabalho. Mas nos perguntemos: qual produtividade? E para quem?”, questionou.

Diante desse cenário, Francisco disse que as famílias cristãs têm um grande desafio e uma grande missão: carregar os fundamentos da criação de Deus. A tarefa não é fácil, admitiu, requer fé e perspicácia.

Pílula do Dia Seguinte é abortiva, afirmam especialistas

Segunda-feira, 06 de maio de 2013, Kelen Galvan / Da Redação

A partir do momento em que um espermatozoide penetra o óvulo tem início o desenvolvimento embrionário

A pílula do dia seguinte é distribuída na Rede Pública de Saúde do país desde 2005, e atualmente, não há necessidade de receita médica para retirá-la. A proposta do Ministério de Saúde é evitar a gravidez indesejada e consequentemente o número de abortos.

Na cartilha que orienta os profissionais de saúde, o Ministério afirma que a pílula não é abortiva, e que simplesmente impediria a fecundação, por evitar o encontro do espermatozoide com o óvulo. Entretanto, a fecundação pode ocorrer entre um a cinco dias após a relação sexual, estando a mulher em período fértil, e ali, nesse momento, começa a vida. “Como é apresentado em qualquer livro de biologia”, afirma a Doutora em Microbiologia pela UNIFESP, Dra. Lenise Garcia, também integrante da Comissão de Bioética da Arquidiocese de Brasília e da CNBB e presidente do Movimento Brasil Sem Aborto.

Segundo a especialista, a própria Organização Mundial da Saúde (OMS) tem começado a difundir a ideia de que o momento da concepção, ou seja, da gravidez, seria só após o “óvulo” ter se implantado no útero, o que leva cerca de seis a oito dias após a fecundação, e com base nesse argumento afimam que a pílula do dia seguinte não é abortiva. Contudo, nesse aspecto há equívocos, pois a cartilha chama de óvulo aquele que já é o embrião humano, ressalta Dra. Lenise. “A fecundação já é uma vida humana, original, se não fosse isso não haveria o que ‘implantar’. É uma incoerência do argumento”, afirma.

Com base nisso, os especialistas pró-vida alertam que a pílula é abortiva, pois como é utilizada até cinco dias depois da relação sexual, pode ocorrer do óvulo já ter sido fecundado e por consequência impedir que ele siga o percurso natural de implantação no útero.

“Com o óvulo fecundado começa uma nova vida, ainda minúscula, mas ali já tem o código genético de um novo ser humano. E nesse embriãozinho, o zigoto, está concentrada toda a potencialidade de desenvolvimento de um ser humano. Por isso que, a Igreja Católica acompanhando a opinião de grandes cientistas reconhece que ali já se trata de vida humana e que tomar uma pílula para expulsar aquele óvulo fecundado significa abortar”, esclarece o presidente da Comissão Episcopal Pastoral para Vida e Família da CNBB, Dom João Carlos Petrini.

Além dessa preocupação, muitos médicos têm afirmado que a pílula é como “uma bomba hormonal”, que equivale a quase meia cartela dos anticoncepcionais comuns. “O que é distribuído em 25 dias será distribuído nas 72 horas após o ato sexual. É uma grande quantidade de hormônios que o corpo feminino recebe e logicamente terá efeitos colaterais”, explica o médico e bispo auxiliar do Rio de Janeiro, Dom Antônio Augusto Dias.

Banalização das relações humanas

Outro aspecto abordado por Dom Antônio é o de que, na sociedade atual, as relações entre as pessoas estão ficando muito no âmbito superficial e, em alguns casos, apenas no âmbito físico, e se esquece que há outros valores que sustentam os relacionamentos humanos e a sociedade em geral.

“O valor do relacionamento do homem e da mulher que culmina numa relação sexual não é apenas um ato físico, um ato reprodutor, mas é um ato em que está envolvidos muitos valores que elevam o relacionamento do homem e da mulher, tais como fidelidade, carinho, amor verdadeiro, entrega, doação de um ao outro, o nascimento de uma criança que torna o homem e a mulher pais, que é o valor muito grande da paternidade e maternidade, a amizade, o autodomínio, a fortaleza, a lealdade e a  sinceridade do ato conjugal”, explicou Dom Antônio.

O bispo ainda alertou que ao facilitar essa “segurança” contra a gravidez, ajuda-se a destruir os relacionamentos humanos e a própria família, e com isso, os relacionamentos de amor, de gratuidade, deixando a sociedade à mercê da banalização dos relacionamentos.

“É isso que nos surpreende: que o Ministério da Saúde, com essa cartilha e essa distribuição gratuita e ágil da pilula do dia seguinte, pretenda tornar a sociedade humana banalizada e sem sentido de compromisso entre as pessoas”.

Cuidar da saúde é um dever cristão

O Senhor Deus modelou o homem com a argila do solo, insuflou em suas narinas um hálito de vida e o homem se tornou um ser vivente (Gn 2,7)

Os anjos só tem espírito e os animais apenas têm corpos. Já o ser humano é uma síntese perfeita e maravilhosa de ambos. A pessoa humana, criada à imagem de Deus, é um ser ao mesmo tempo corporal e espiritual. O relato bíblico exprime esta realidade com uma linguagem simbólica, ao afirmar que “o Senhor Deus modelou o homem com a argila do solo, insuflou em suas narinas um hálito de vida e o homem se tornou um ser vivente” (Gn 2,7). Portanto, o homem em sua totalidade é querido por Deus.

O corpo do homem também participa da dignidade da “imagem de Deus”: é a pessoa humana inteira que está destinada a tornar-se, no Corpo de Cristo, o Templo do Espírito Santo.

O Concílio Vaticano II explicou que: “Unidade de corpo e de alma, o homem, por sua própria condição corporal, sintetiza em si os elementos do mundo material, que nele assim atinge sua plenitude e apresenta livremente ao Criador uma voz  de louvor. (GS 14,1)

Portanto, não se pode desprezar a vida corporal; ao contrario, devemos estimar e honrar o corpo, porque ele foi criado por Deus e destinado à ressurreição no último dia.

Desta forma, devemos evitar todo tipo de vícios e maus hábitos que possam fazer mal à saúde e prejudicar o corpo. Todas as formas de vícios acabam lesando a saúde; o vicio do cigarro, a bebida alcoólica, e as drogas, de modo especial, fazem mal à saúde.

É preciso cultivar a virtude da temperança pois ela nos ajuda a evitar toda espécie de excesso, o abuso da comida, do álcool, do fumo e dos medicamentos usados de maneira errada.

Tudo o que possa fazer mal ao corpo é considerado pela Igreja como algo mal e indevido. Por exemplo, aqueles que, em estado de embriaguez ou por gosto imoderado pela velocidade, colocam em perigo a segurança alheia e a própria nas estradas, no mar ou no ar, tornam-se gravemente culpáveis. Quantas pessoas perderam a vida por causa de acidentes causados nas estradas por motoristas embriagados ou até mesmo drogados.

Não é licito também colocar a vida e a saúde em risco sem necessidade, apenas pelo desejo imoderado de aventura.

A Igreja lembra-nos que “a vida e a saúde física são bens preciosos confiados por Deus. Devemos cuidar delas racionalmente, levando em conta as necessidades alheias e o bem comum. O cuidado com a saúde dos cidadãos requer a ajuda da sociedade para obter as condições de vida que permitam crescer e atingir a maturidade: alimento, roupa, moradia, cuidado da saúde, ensino básico, emprego, assistência social.” (Catecismo §2288)

Especialmente em relação aos jovens os pais precisam estar alertas sobre os vícios, pois sabemos que é na juventude que eles se iniciam e podem se tornar um grande mal. Quantos jovens perderam as suas vidas por causas das drogas!

Juntamente com a saúde física é preciso cuidar da saúde mental. Se a pessoa não tem uma vida equilibrada, ela pode buscar nos vícios uma forma de compensar as frustrações e carências afetivas, etc. Podemos e devemos buscar ajuda profissional e  espiritual para tratar dos males de nosso espírito. Hoje a depressão é causa de muito sofrimento, e mesmo de morte. É preciso tratar dela com médicos, psicólogos, psiquiatras e ajuda espiritual.

Também as condições de trabalho inadequadas podem fazer mal à saúde. Felizmente os governos estão hoje mais alertas a isto, mas assim mesmo ainda há casos de desrespeito neste campo.

Em relação ao trabalho é preciso lembrar também que não podemos ser escravos dele. Muitos se matam de trabalhar, sem o necessário repouso e férias. Isto prejudica a saúde física e mental, sem falar no mal que pode fazer para a família. Quantos pais e mães abandonam seus filhos para se dedicar exageradamente ao trabalho. O dinheiro ganho deste jeito pode depois ter que ser usado com médicos e psicólogos para compensar os males produzidos pela ausência dos pais junto aos filhos.

Se por um lado, é preciso cuidar do corpo, é importante também não dispensar a ele um cuidado exagerado. A alma é mais importante que o corpo; este um dia morrerá, mas alma é imortal.

Infelizmente a nossa sociedade dispensa ao corpo um cuidado exagerado no sentido e cultuar a beleza a todo custo. Há hoje uma verdadeira “ditadura da beleza” que escraviza especialmente as moças. A mídia muitas vezes lhes impõe um padrão de beleza; e faz sofrer aquelas que não atingem este padrão.

A Igreja ensina que “se a moral apela para o respeito à vida corporal, não faz desta um valor absoluto, insurgindo-se contra uma concepção neo-pagã que tende a promover o “culto do corpo”, a tudo sacrificar-lhe, a idolatrar a perfeição física.” (Cat. §2289)

Cuidar do corpo e da saúde é algo importante e necessário, mas cair no erro do culto exagerado do corpo, como se ele fosse mais importante que o espírito, é um erro que coloca o homem de cabeça para baixo.

Prof. Felipe Aquino

O equilíbrio entre o trabalho e a festa na vivência familiar

Segunda-feira, 13 de agosto de 2012, Kelen Galvan / Da Redação

‘Família que faz festa sabe equilibrar também o trabalho’, destaca padre Wladimir

“A família e o trabalho e a festa constituem dádivas e bençãos de Deus para nos ajudar a viver uma existência plenamente humana”. A frase do Papa Bento XVI no 7º Encontro Mundial das Famílias, realizado em Milão, na Itália, há alguns meses, conduz também as reflexões da Igreja no Brasil, que promove de 12 a 18 deste mês a “Semana Nacional da Família.

O tema é o mesmo do encontro mundial: “A Família: o trabalho e a festa”. Primeiramente para estar em sintonia com o Pontifício Conselho para as Famílias e com o próprio Papa, já que a sugestão do tema foi apresentada por ele. E em segundo lugar porque essas duas dimensões da família trazem ensinamentos muito profundos, conforme explica o assessor da Comissão Episcopal Pastoral para a Vida e a Família (CEPVF) da CNBB, padre Wladimir Porreca.

Segundo o sacerdote, a “família que faz festa sabe equilibrar também o trabalho. E fazer festa significa relacionar-se, encontrar-se, comemorar a vida humana em todas as suas etapas e também celebrar a maior festa que é a Missa”.

“Qual a melhor forma de equilibrar o trabalho numa família? Entrando na dimensão da festa. E o Papa Bento XVI apresentou isso, de forma muito bonita, quando ele motivou todos os cristãos católicos a não perderem o sentido da festa humana, da festa cristã, que é a grande festa dos filhos de Deus”, explica padre Wladimir.

Muitas famílias têm conseguido administrar bem essas duas dimensões e, mesmo com os desafios, não entraram na “ditadura do consumismo”, mas conseguiram colocar em primeiro lugar o relacionamento humano, a vida familiar, só depois vem todo o resto, destaca o sacerdote.

Porém, segundo ele, outras tantas, mesmo tendo consciência do valor da família, são arrastadas pelo consumismo desenfreado.

Diante disso, a Semana Nacional da Família quer refletir sobre a dimensão do trabalho e da festa na vivência familiar, destacando a importância de cada uma e orientando sobre o equilíbrio que precisa haver para que, de fato, o trabalho esteja a serviço da pessoa humana.

Com a valorização do relacionamento familiar será fortalecida a unidade e a paz na família, como destaca o subsídio “Hora da Família” proposto pela Comissão da CNBB para orientar as reflexões desta semana.

O noticias.cancaonova.com irá auxiliar nessas reflexões com matérias especiais durante toda essa semana, aprofundando alguns desdobramentos ligados ao tema “A família: o trabalho e a festa”.

“Inveja no Facebook e a Vida dos outros”

Pe. Mário Marcelo Coelho, scj

Doutor em teologia moral alerta para os efeitos que o uso das redes sociais para esnobar-se ou para investigar a vida do outro como curiosidade pode causar na existência humana

Pesquisadores das Universidades Humboldt e Técnica de Darmastadt na Alemanha, desenvolveram estudos com 600 pessoas intitulado: “Inveja no Facebook: Uma Ameaça Oculta à Satisfação da Vida dos Usuários?”. Chegaram à conclusão de que o Facebook provoca sérios ressentimentos ou inveja em cerca de um terço dos usuários.

O Facebook é hoje a maior rede social do mundo com mais de 1 bilhão de usuários com possibilidades de produzir plataforma inédita para comparações sociais e por isto possibilitou este estudo. “Os pesquisadores disseram que os entrevistados eram alemães, mas esperavam que os resultados fossem os mesmos internacionalmente, já que a inveja é um sentimento universal, uma constante na vida das pessoas” (O Estado de São Paulo, 23/01/2013, B12).

O primeiro estudo analisou a escala, o âmbito e a natureza de incidentes de inveja provocados pelo Facebook, e o segundo em como a inveja estava relacionada ao uso passivo do Facebook e à satisfação com a vida.

Os brasileiros foram os maiores usuários do Orkut e estão em segundo lugar no Facebook. Segundo o site socialbakers.com, 82,32% dos brasileiros que têm acesso à internet participam do Facebook, contra apenas 37,56% dos alemães.

A pergunta de fundo é esta: O que causa inveja em uma pessoa ao entrar no Facebook? Segundo os pesquisadores “testemunhar as férias, a vida amorosa e o sucesso profissional dos amigos no Facebook pode provocar inveja e causar sentimentos de infelicidade e solidão”.

Insatisfação após visitar o site

Os pesquisadores descobriram que uma em cada três pessoas sentiu-se pior e mais insatisfeita com a própria vida depois de visitar o site, enquanto pessoas que passearam por lá sem contribuir foram as mais afetadas, ou seja, para eles, as piores reações partem de usuários que entram na rede passivamente, sem interagir com ninguém: “O acompanhamento passivo provoca emoções amargas, com os usuários invejando principalmente a felicidade dos outros, o modo como os outros passam as férias e como socializam”.

“Ficamos surpresos ao ver quantas pessoas têm uma experiência negativa do Facebook, com a inveja fazendo-as se sentirem sozinhas, frustradas ou com raiva”, disse a pesquisadora Hanna Krasnova, do Instituto de Sistemas da Informação na Universidade Humboldt de Berlim. “A partir de nossas observações, algumas dessas pessoas vão então sair do Facebook ou pelo menos reduzir o uso que fazem do site”, aumentando a especulação de que o Facebook poderia chegar a um ponto de saturação em alguns mercados. “Do ponto de vista de um provedor, nossas descobertas assinalam que os usuários frequentemente veem o Facebook como um ambiente estressante, que pode, no longo prazo, pôr em perigo a sustentabilidade da plataforma”, concluíram os pesquisadores.

Pesquisadores das duas Universidades descobriram que fotos de férias eram a maior causa de ressentimentos. Mais da metade dos pesquisados revelaram que sentiram inveja provocada por imagens de viagens postadas no Facebook.

A interação social foi a segunda causa mais comum de inveja, com os usuários podendo comparar quantas felicitações de aniversário receberam em relação a amigos no Facebook e quantos “curtir” ou comentários foram feitos em fotos ou posts.

Outra descoberta foi que pessoas com trinta e poucos anos eram mais propensas a invejar a felicidade familiar, enquanto as mulheres eram mais propensas a invejar a atratividade física. Esses sentimentos de inveja fizeram alguns usuários se vangloriar mais sobre suas conquistas pelo Facebook para aparecerem sob uma luz melhor. Os homens postavam mais conteúdo autopromocional no Facebook para fazer com que as pessoas soubessem sobre suas realizações, enquanto as mulheres destacavam sua boa aparência e vida social.

Estudos indicam também que os jovens gastam até 70% de seu tempo nas mídias sociais, entretenimento e jogos, mas de uma maneira fútil, sem nenhuma utilidade para sua vida.

Curiosidade humana

Todo ser humano tem o apetite natural de conhecimento, ou seja, é próprio do ser humano buscar através de diferentes formas conhecer a realidade. Nesta busca de conhecimento o homem pode direcioná-lo para o modo disciplinado (controlado) a studiositas ou indisciplinado (descontrolado) a curiositas.

Há uma nítida distinção entre a studiositas e a curiositas. Com ambas se quer afirmar a disciplina e a indisciplina do apetite natural de conhecimento, principalmente, temperança e intemperança na percepção sensorial dos múltiplos acontecimentos do mundo. A vontade de conhecimento necessita da sabedoria ordenadora, “para que o homem não se lance no conhecimento das coisas para além da justa medida” (Santo Tomás de Aquino, Summa theologica, II-II, 166,2 ad 3). A studiositas capacita a pessoa humana à contemplação para buscar a verdade das coisas para além das imagens ilusórias.

A curiositas não está no fato de o espírito humano querer desvendar os mistérios naturais e os segredos da criação, mas na insensatez e no absurdo de pretender apossar-se de Deus e decifrar os seus mistérios. São Tomás a compara com a magia, o apetite desmedido do conhecimento (Santo Tomás de Aquino, Summa theologica, II-II, 167, 1).

Conscupiscência dos olhos

A curiositas é a evagatio mentis (distração mental), ou seja, a dissipação do espírito, sinal de total esterilidade e desenraizamento, onde a pessoa humana perde a capacidade de centrar-se, habitar em si próprio. Disso derivam as inquietações interiores, a inconstância nas decisões, volubilidade de caráter, tagarelice, a fofoca… E uma total desatenção no conhecimento de si mesmo, dos outros, do mundo. Concupiscência dos olhos (cf. 1Jo 2,16).

Quando a pessoa usa das redes sociais para esnobar-se ou para investigar a vida do outro como curiosidade ou fofocas, vai gerar nestas pessoas a inveja, o exibicionismo exacerbado, a inconstância interior, a angústia existencial, pessoas insatisfeitas com a vida.

Como exemplos do descontrole do desejo entendidos “curiosidade” (curiositas), podemos pensar no vizinho e na vizinha que “bisbilhotam” a vida dos outros; dos programas de TV que passam bom tempo especulando e fofocando vida das pessoas famosas; o sucesso dos “reality show” onde as pessoas de suas casas ficam vigiando outras pessoas; o sucesso de revistas, sites de fofocas e curiosidades; etc. Tudo isto é o verdadeiro e profundo mal que a “concupiscência dos olhos”, este “ver por ver”, pode causar na existência humana. Martin Heidegger designou por “curiosidade” (Neugier) aquilo que realmente queriam dizer os Antigos com curiositas: o que interessa à curiosidade não é a captação da realidade, mas a “possibilidade de abandonar-se ao mundo”.

Formar consciência

Penso que deveria ser possível mostrar a qualquer pessoa da “geração TV”, “geração Facebook” o perigo que tão profundamente atinge a existência humana: o de perder, no meio do tumulto ensurdecedor, de conhecimentos superficiais, de vazias baboseiras, a capacidade original e verdadeira de captar a realidade. O controle do “desejo de ver”, tão vital hoje como antigamente, poderia alcançar um valor quase salvador na medida em que, por uma ascese do conhecimento, conservássemos aquilo que desde sempre perfaz uma existência humana plena de sentido: ver a realidade criada por Deus tal como ela é, e viver e agir da verdade assim apreendida.

A partir de tudo isso, devemos afirmar que há uma forte necessidade de formar consciência. A consciência moral deve ser educada para a formulação clara e coerente do juízo moral diante dos avanços tecnológicos. Não podemos demonizá-los nem sacralizá-los. É preciso conscientizar. A educação da consciência é uma tarefa para toda a vida. “A educação da consciência garante a liberdade e gera a paz do coração”.

Diante de todos estes avanços tecnológicos e da força das redes sociais, surge um questionamento urgente e necessário: “As redes sociais ajudam o ser humano a encontrar-se e/ou a encontrar os outros?”

“O Facebook pode ser comparado a uma praça de cidade pequena, onde pessoas vão para fofocar e mostrar fotos de viagens ou da família”, Jornalista Filip Vilicic (VEJA, 23/01/2013, p.66).

Festa da Sagrada Família de Nazaré – Ano A

Por Mons. Inácio José Schuster

A SAGRADA FAMÍLIA HOJE
A família, segundo o plano de Deus, deve ser formada por um casal
O Papa João Paulo II, na Carta às Famílias, chamou a família de “Santuário da vida” (CF, 11). Santuário quer dizer “lugar sagrado”. É ali que a vida humana surge como que de uma nascente sagrada, e é cultivada e formada. É missão sagrada da família: guardar, revelar e comunicar ao mundo o amor e a vida. O Concílio Vaticano II já a tinha chamado de “a Igreja doméstica” (LG, 11) na qual Deus reside, é reconhecido, amado, adorado e servido; nele também foi ensinado que: “A salvação da pessoa e da sociedade humana estão intimamente ligadas à condição feliz da comunidade conjugal e familiar” (GS, 47).
Jesus habita com a família cristã. A presença do Senhor nas Bodas de Caná da Galiléia significa que o Senhor “quer estar no meio da família”, ajudando-a a vencer todos os seus desafios.
Desde que Deus desejou criar o homem e a mulher “à sua imagem e semelhança” (Gn 1, 26), Ele os quis “em família”. Por isso, a família é uma realidade sagrada. Jesus começou sua missão redentora da humanidade na Família de Nazaré. A primeira realidade humana que Ele quis resgatar foi a família; Ele não teve um pai natural aqui, mas quis ter um pai adotivo, quis ter uma família, e viveu nela trinta anos. Isso é muito significativo. Com a presença Dele na família – Ele sagrou todas as famílias.
Conta-nos São Lucas que após o encontro do Senhor no Templo, eles [a Sagrada Família] voltaram para Nazaré “e Ele lhes era submisso” (cf. Lc 2, 51). A primeira lição que Jesus nos deixou na família é a de que os filhos devem obedecer aos pais, cumprindo bem o Quarto Mandamento da Lei. Assim se expressou o Papa João Paulo II:
“O Filho unigênito, consubstancial ao Pai, ‘Deus de Deus, Luz da Luz’, entrou na história dos homens através da família” (CF, 2).
Ao falar da família no plano de Deus, o Catecismo da Igreja Católica (CIC) diz que ela é “vestígio e imagem da comunhão do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Sua atividade procriadora e educadora é o reflexo da obra criadora do Pai” (CIC, 2205).
“A família é a comunidade na qual, desde a infância, se podem assimilar os valores morais, em que se pode começar a honrar a Deus e a usar corretamente da liberdade. A vida em família é iniciação para a vida em sociedade” (CIC, 2207).
A Família de Nazaré sempre foi e sempre será o modelo para todas as famílias cristãs. Acima de tudo, vemos uma família que vive por Deus e para Deus; o seu projeto é fazer a vontade de Deus. A Sagrada Família é a escola das virtudes por meio da qual toda pessoa deve aprender e viver desde o lar.
Maria é a mulher submissa a Deus e a José, inteiramente a serviço do Reino de Deus: “Eis aqui a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a sua palavra” (Lc 1, 38). A vontade dela é a vontade de Deus; o plano dela é o plano de Deus. Viveu toda a sua vida dedicada ao Menino Deus, depois ao Filho, Redentor dos homens, e, por fim, ao serviço da Igreja, a qual o Redentor instituiu para levar a salvação a todos os homens.
José era o pai e esposo fiel e trabalhador, homem “justo” (Mt 1, 19), homem santo, pronto a ouvir a voz de Deus e cumpri-la sem demora. Foi o defensor do Menino e da Mãe, os tesouros maiores de Deus na Terra. Com o trabalho humilde de carpinteiro deu sustento à Família de Deus, deixando-nos a lição fundamental da importância do trabalho, qualquer que seja este. Em vez de escolher um pai letrado e erudito para Jesus, Deus escolheu um pai pobre, humilde, santo e trabalhador braçal. José foi o homem puro, que soube respeitar o voto perpétuo de virgindade de sua esposa, segundo os desígnios misteriosos de Deus.
A Família de Nazaré é para nós, hoje, mais do que nunca, modelo de unidade, amor e fidelidade. Mais do que nunca a família hoje está sendo destruída em sua identidade e em seus valores. Surge já uma “nova família” que nada tem a ver com a família de Deus e com a Família de Nazaré.
As mazelas de nossa sociedade –, especialmente as que se referem aos nossos jovens: crimes, roubos, assaltos, seqüestros, bebedeiras, drogas, homossexualismo, lesbianismo, enfim, os graves problemas morais e sociais que enfrentamos, – têm a sua razão mais profunda na desagregação familiar a que hoje assistimos, face à gravíssima decadência moral da sociedade.
Como será possível, num contexto de imoralidade, insegurança, ausência de pai ou mãe, garantir aos filhos as bases de uma personalidade firme e equilibrada e uma vida digna, com esperança?
Fruto da permissividade moral e do relativismo religioso de nosso tempo, é enorme a porcentagem dos casais que se separam, destruindo as famílias e gerando toda sorte de sofrimento para os filhos. Muitos crescem sem o calor amoroso do pai e da mãe, carregando consigo essa carência afetiva para sempre.
A Família de Nazaré ensina ainda hoje que a família – segundo o plano de Deus – deve ser formada por um casal: um homem e uma mulher, e os filhos; e não por uma caricatura de família ou “família alternativa” na qual os pais já não são um casal, mas um par do mesmo sexo.
A família desses nossos tempos pós-modernos só poderá se reencontrar e salvar a sociedade se souber olhar para a Sagrada Família e copiar o seu modo de vida: serviçal, religioso, moral, trabalhador, simples, humilde, amoroso… Sem isso, não haverá verdadeira família e sociedade feliz.

 

Amor do pai e da mãe é essencial para a criança, diz Papa
Leonardo Meira / Da Redação, Domingo, 26 de dezembro de 2010

No dia em que a Igreja celebra a festa da Sagrada Família, o Papa reuniu-se com os fiéis na Praça de São Pedro para a tradicional oração mariana do Angelus, neste domingo, 26. “Disso necessitam as crianças: do amor do pai e da mãe. É isso que lhes dá segurança e que, no crescimento, permite a descoberta do sentido da vida”, ressaltou. O encontro com os peregrinos aconteceu a partir da janela de seu escritório particular no Palácio Apostólico Vaticano, às 9h (no horário de Brasília – 12h em Roma). O Pontífice destacou que a narração do Evangelho segundo Lucas (2, 16) – sobre como os pastores de Belém, após receberem o anúncio do anjo, encontraram Maria e José, com Jesus deitado na manjedoura – indica que as primeiras testemunhas oculares do nascimento do Senhor se depararam exatamente com a cena de uma família: mãe, pai e filho recém-nascido. O Papa recordou ainda que o nascimento de toda a criança traz consigo algo deste mistério: “Com efeito, os seres humanos vivem a procriação não como mero ato reprodutivo, mas ali percebem a riqueza, intuem que toda a criatura humana que surge na terra é ‘sinal’ por excelência do Criador e Pai que está nos céus. Quanto é importante, então, que toda a criança, vindo ao mundo, seja acolhida pelo calor de uma família! Não importam as comodidades exteriores”. Por fim, Bento XVI disse que a Sagrada Família é singular, irrepetível, “mas, ao mesmo tempo, é ‘modelo de vida’ para toda a família”. A liturgia prevê a celebração desta festa no primeiro domingo após o Natal, o que, neste ano, aconteceu exatamente um dia depois, prevalecendo sobre a festa do protomártir Santo Estevão, também marcada para esta data.

Angelus de Bento XVI na Festa da Sagrada Família 2010
Boletim da Sala de Imprensa da Santa Sé (tradução de Leonardo Meira – equipe CN Notícias)

Queridos irmãos e irmãs! O Evangelho segundo Lucas narra que os pastores de Belém, após terem recebido do anjo o anúncio do nascimento do Messias, “foram com grande pressa e acharam Maria e José, e o menino deitado na manjedoura” (2, 16). Às primeiras testemunhas oculares do nascimento de Jesus apresentou-se, portanto, a cena de uma família: mãe, pai e filho recém-nascido. Por isso, a Liturgia faz-nos celebrar, no primeiro domingo após o Natal, a festa da Sagrada Família. Neste ano, ela acontece exatamente um dia depois do Natal e, prevalecendo sobre aquela de Santo Estevão, convida-nos a contemplar esse “ícone” em que o pequeno Jesus aparece no centro do afeto e dos cuidados de seus pais. Na pobre gruta de Belém – escrevem os Padres da Igreja – refulge uma luz vivíssima, reflexo do profundo mistério que envolve aquele Menino, e que Maria e Jose guardam em seus corações e deixam transparecer nos seus olhares, nos gestos, sobretudo nos seus silêncios. Esses, de fato, conservam no íntimo as palavras do anúncio do anjo a Maria: “aquele que nascerá será chamado Filho de Deus” (Lc 1, 35). No entanto, o nascimento de toda criança traz consigo algo deste mistério! Sabem-no bem os pais que a recebem como um dom e que, muitas vezes, assim se expressam. A todos nós é comum sentir dizer a um pai e a uma mãe: “Esta criança é um dom, um milagre!”. Com efeito, os seres humanos vivem a procriação não como mero ato reprodutivo, mas ali percebem a riqueza, intuem que toda a criatura humana que surge na terra é “sinal” por excelência do Criador e Pai que está nos céus. Quanto é importante, então, que toda a criança, vindo ao mundo, seja acolhida pelo calor de uma família! Não importam as comodidades exteriores: Jesus nasceu em um estábulo e como primeiro berço teve uma manjedoura, mas o amor de Maria e de José lhe fez sentir a ternura e a beleza de ser amado. Disso necessitam as crianças: do amor do pai e da mãe. É isso que lhes dá segurança e que, no crescimento, permite a descoberta do sentido da vida. A Sagrada Família de Narazé atravessou muitas provas, como aquela – recorda no Evangelho segundo Mateus – do “massacre dos Inocentes”, que obrigou José e Maria a emigrarem para o Egito (cf. 2, 13-23). Mas, confiando na divina Providência, eles encontraram a sua estabilidade e proporcionaram a Jesus uma infância serena e uma sólida educação. Queridos amigos, a Sagrada Famíliz é certamente singular e irrepetível, mas, ao mesmo tempo, é “modelo de vida” para toda a família, porque Jesus, verdadeiro homem, desejou nascer em uma família humana, e assim fazendo, a abençoou e consagrou. Confiamos, portanto, a Nossa Senhora e a São José todas as famílias, a fim de que não se desencorajem frente às provações e dificuldades, mas cultivem sempre o amor conjugal e se dediquem com confiança ao serviço da vida e da educação.

 

Domingo e Natal: duas realidades a ter em consideração para a preparação desta festa. O Domingo, Dia do Senhor, é a causa máxima que nos faz reunir para celebrar a Eucaristia. Neste domingo, celebramos o Senhor, contemplando a Sagrada Família. É uma oportunidade para refletirmos nas nossas famílias e na importância da família. Refletirmos sobre a família, celebrando o mistério do Natal: o Filho de Deus fez-se homem, no seio de uma família, de um povo, de um país. Para algumas famílias, estes dias festivos são muito difíceis, especialmente para aquelas que perderam alguém, ou que vivem em crise, ou que nelas tenha havido separação. Assim, para esta celebração seria muito bom que se tivesse em grande consideração o elemento da paz. Dar à celebração um tom de tranquilidade e de paz; aquilo que muitos desejariam encontrar no seio familiar e na sua casa. Não será bom fazer da homilia um discurso sobre os perigos que afetam a família nos dias de hoje. Procurar rezar, tendo em conta a realidade da família. Preparar muito bem as intenções da Oração dos Fiéis, procurando exprimir as necessidades que têm as famílias da comunidade paroquial. Celebramos a Festa da Sagrada Família num contexto sócio – político em que a realidade familiar é o centro de debates, de análises, de correções, etc. Todavia, não podemos converter esta festa numa tomada de posição, a favor ou contra, aos debates políticos. Tantos que vão à missa e vivem experiências dolorosas nas suas famílias! Esta festa será uma boa ocasião para oferecer um pouco de paz e de repouso a alguns membros da família, a ajudando a rezar e a colocar as suas vidas nas mãos de Deus Pai. As leituras deste domingo têm como centro o evangelho, onde se narra a fuga de Maria e de José com o Menino para o Egito. A 1ª leitura é uma compilação de ditos sapienciais populares que se referem ao relacionamento dos pais para com os filhos e vice-versa. O Salmo canta que a família será feliz se seguir o caminho do Senhor. Na 2ª leitura, São Paulo dá-nos recomendações preciosas para a vida comunitária e para a vida familiar. A partir da 2ª leitura, olhemos para o grupo dos discípulos de Jesus como uma família. Fomos “chamados para formar um só corpo”. Jesus Cristo, Filho de uma família, tornou-nos filhos de Deus, irmãos. A família é uma realidade humana, assumida pelo Filho de Deus. O Filho de Deus tem como sua cada uma das nossas famílias; não porque sejam modelos ou porque tenham importantes categorias, mas porque nelas vivemos. Com Jesus, a família é iluminada pela luz da fé.

 

FAMÍLIA: PROJETO DE DEUS
A família é um projeto de Deus, não é um projeto humano, mas sim de Deus. Aqui está uma família que eu admiro muito, que estão aqui de maneira muito discreta: A sagrada família. Nesta imagem está representado o grande modelo de família, tanto para os que são ou não são cristãos. Eu até os aconselho a comprarem uma imagem da Sagrada Família para que possamos seguir o exemplo. Quando vamos para a nossa casa precisamos encontrar esta família. Tem que ter o pai, a mãe e o filho. O casal tem que ter consciência de que eles foram criados por Deus, muitos hoje não acreditam em Deus, por isso fazem seus projetos humanos, sem incluir Deus em suas vidas. Não dá para se casar se nós não trouxermos em nós a consciência de que Deus me criou por amor, e você é um filho de Deus. Se você foi criado por Deus, Ele te criou para uma finalidade. Uma das coisas mais lindas é que Deus nos criou não para vivermos só. A Sagrada Escritura mostra que Deus não quis que o homem ficasse sozinho. Deus  tem como projeto que o homem e mulher estejam juntos. Família é uma missão, é vocação, tanto que ninguém se casa por medo de ficar sozinho, é uma vocação. Você não tem que ser casado(a) para não ser sozinho(a). Eu não estou sozinho, como padre, estou rodeado de pessoas o tempo todo. Você nunca vai estar sozinho(a)! Não se casa porque não se quer ficar só. Deus chamou José e Maria, e Deus não chama um casal para não ter filhos, muito pelo contrário, é projeto de Deus que o casal tenha filhos. Com algumas exceções, a não ser que haja uma esterilidade da parte de um dos dois. Os filhos são a finalidade do casamento. Casar-se para viver os dois sozinhos não, não é isso o que Deus quer de vocês. Tem pessoas que não têm filhos, mas têm gatos ou cachorros. Às vezes fica cuidando da do animal de estimação, e anda com esse animal para lá e para cá, tem toda paciência de cuidar dele, mas não tem paciência de cuidar de um filho que Deus quer te dar. Até ensina o animalzinho de estimação a rezar o Pai Nosso, leva-o no veterinário. É o marido de um lado, a esposa do outro e o animal de estimação no meio. Homem e mulher são chamados por Deus para realizar este projeto com Deus. É preciso passar por uma experiência com Deus, abrir o coração para saber o que Deus tem para cada um. E necessário passar por uma experiência, apesar de Maria já estar noiva de José, ela viveu esta experiência. Vocês viram que José era um homem de bem, mas ele também viveu uma experiência, pois ele tinha dúvidas. O casal não pode desconfiar um do outro. Como você quer se casar com uma pessoa que você  desconfia? Deus tinha um plano diferente, e qual é forma de não se desconfiar um do outro?  É  ter uma vida de oração. O anjo, em sonho, tirou todas as dúvidas que José tinha, e se você tem dúvida do seu cônjuge, peça a Deus para que ele coloque a certeza no seu coração. No plano de Deus a mulher não tem que ficar sozinha, porém hoje em dia muitas mulheres estão querendo filhos, mas não querem ficar com o homem, não querem se casar; e você tem que ter esta certeza de que Deus quer o homem e mulher juntos, e para isso é que existe o caminho,  o tempo de namoro, o noivado. É necessário um tempo de conhecimento. Maria e José estavam vivendo este caminho, por isso José ficou em dúvida, mas o anjo do Senhor veio tirar todas as dúvidas, pois Maria concebeu por obra do Espírito Santo. Deus quis que José fosse a representação d’Ele aqui na terra com a finalidade de ter filhos. Então diga sempre: ‘Obrigado Senhor pelos meus filhos!’ Os filhos serão sempre uma benção, ainda que você seja aquele filho que deu muito trabalho aos seus pais,  você é uma benção, porque Deus te trouxe aos seus pais, Deus te quis. Pais é preciso dar nome aos seus filhos. O nome do seu filho não pode ser um nome qualquer. Eu já vi nome, exemplo 1234 de Oliveira 5. Você precisa procurar um nome, consultar o significado dos nomes; tem pai que coloca nome de filho  com nome de artistas e não sabem o que significa. Levi quer dizer ligado, Mateus quer dizer: Dádiva de Deus. O demônio quer banalizar o nosso nome. Há pessoas que têm um nome, mas fica inventando apelido. Deus diz: eu te chamo pelo nome! Jesus tinha um nome, Abraão era chamado pelo seu nome. O seu nome é importante, não deixe que fiquem inventando apelido. Os judeus tinham a tradição de colocar nome. Quando João Batista  nasceu os judeus queriam outro nome, mas Deus queria João Batista, Deus quis este nome para você. E para cada pessoa Deus tem uma missão. Deus deu uma missão para você, não quer dizer que seu filho ou sua filha será um dia um padre ou uma freira. Deus colocou um desejo no coração do seu filho, e deixe que o seu filho(a) seja aquilo que Deus escolheu para ele(a). Os pais ficam planejando o futuro dos filhos antes mesmo da criança nascer. Deixe Deus dizer o que Ele quer. Quando seu filho disser: ‘pai eu quero ser padre’, diga:  ‘…que bom meu filho’, pois Deus estará mostrando o que Ele quer do seu filho. Esse deve ser o pedido principal para você fazer a Deus quando você for rezar: ‘Senhor que meu filho cresça na graça diante de Deus’, mas vocês pais devem estar com os olhos nos seus filhos. Filhos precisam obedecer a seus pais. Muitos filhos dizem: ‘…a mamãe não entende!’. Na verdade, é você quem não entende. Jesus obedeceu, o criador de todas as coisas se sujeitou a obedecer a José e a Maria. Com os braços erguidos agradeçamos a Deus pela nossa família. Que em nossa casa haja um ambiente de perdão. Peçamos a  presença de Jesus, Maria e José  para a nossa família.

 

FAMÍLIA, SANTUÁRIO DA VIDA
Prof. Felipe Aquino

“A família permanece uma instituição social que não se pode nem deve deixar de subsistir: é santuário da vida” (Papa João Paulo II).  O objetivo desta reflexão é ajudar as famílias católicas a viverem realmente de acordo com aquilo que Deus quer de cada família, e que a Igreja nos ensina com a de quem é “a coluna e o sustentáculo da verdade” (1Tm 3, 15) O Papa João Paulo II chama a família de “Santuário da Vida”. Santuário quer dizer “lugar sagrado”. É ali que a vida humana surge como de uma nascente sagrada, e é cultivada e formada. É missão sagrada da família, guardar, revelar e comunicar ao mundo o amor e a vida.  Jesus habita com a família cristã nascida no Sacramento do matrimônio. A sua presença nas Bodas de Cna da Galiléia significa que o Senhor “quer estar no meio da família”, ajudando-a a vencer todos os seus desafios. Desde que Deus desejou criar o homem e a mulher “à sua imagem e semelhança” (Gn1, 26), Ele os quis “em Família”.  Tal qual o próprio Deus que é uma Família em três Pessoas divina, assim também o homem, criado a imagem do seu Criador, deveria viver numa família, numa comunidade de amor, já que “Deus é amor” (Jo 4,8) Desde que existe a humanidade existe a família, e ninguém jamais a pôde ou  poderá destruir, pelo fato de que ela é divina; isto é, foi instruída por Deus.  A família é o eixo da humanidade, é a sua pedra angular. O futuro da sociedade e da Igreja passam inexoravelmente por ela. É ali que os filhos e os pais devem ser felizes. Quem não experimentou o amor no seio do lar, terá dificuldade para conhecê-lo fora dele. “A família é a comunidade na qual, desde a infância, se podem assimilar os valores morais, e m que se pode começar a honrar a Deus e a usar corretamente a liberdade. A vida em família é iniciação para a vida em sociedade” (Catecismo, n. 2207)  O Concílio Vaticano II definiu a família como “íntima comunidade de vida e de amor” (GS, 48). Nestas palavras de Deus: “Crescei e multiplicai-vos, enchei a terra e submetei-a” (Gn 1, 28) encera-se todo o sentido da vida conjugal e familiar. Desta foram Deus constituiu a família humana, a partir do casal, para mudar para sempre, por isso, A FAMÍLIA É SAGRADA! Daí podemos ver que sem o matrimônio forte e santo, não é possível termos uma família forte e santa, segundo o desejo do coração de Deus.  O saudoso Papa João Paulo II ao comentar a presença de Jesus e de Maria nas Bodas de Caná, disse: “Não será legitimo ver na presença do Filho de Deus, naquela festa de casamento, o inicio de que o matrimônio haveria de ser o sinal eficaz de sua presença?” Isso nos faz entender que a celebração do sacramento do matrimônio é garantia da presença de Jesus no lar ali nascente.  Como é doloroso perceber hoje que muitos jovens, nascidos em famílias católicas, já não valorizam mais este sacramento, e acham, por ignorância religiosa, que já não é importante subir ao altar para começar uma família! Se destruirmos a família, destruiremos a sociedade. Por isso, é fácil perceber, cada vez mais claramente, que os sofrimentos das crianças, dos jovens, dos adultos e dos velhos, têm a sua razão na destruição dos lares. Marcada pelo sinete divino, a família, em todos os povos, atravessou todos os tempos e chegou inteira até o século XX. Só uma instituição de Deus tem esta força. Ninguém jamais destruirá a força da família por ser ale uma instituição divina.  È muito significativo ainda que “o primeiro milagre” tenha sido realizado nas bodas de Caná (Jo 2); onde nascia uma família. Tendo faltado o vinho na festa, sinal da alegria, Ele transformou água em vinho, a pedido de sua Mãe. As mazelas de nossa sociedade, especialmente as que se referem aos nossos jovens: crimes, roubos, assaltos, seqüestros, bebedeiras, drogas, enfim, os graves problemas sociais que enfrentamos, têm a sua razão mais profunda na desagregação familiar que hoje assistimos, face à gravíssima decadência moral da sociedade.  Como será possível, num contexto de imoralidade, insegurança, ausência de pai ou mãe, garantir aos filhos as bases de uma personalidade firme e equilibrada, e uma vida digna, com esperança? Podemos resumir toda a grandeza, importância e beleza da família, nas palavras do saudoso Papa João Paulo II, na encíclica Evangelium Vitae, sobre o valor da vida humana:  “No seio do ‘povo da vida e pela vida’, resulta decisiva a responsabilidade da família: é uma responsabilidade que brota da própria natureza dela – uma comunidade de vida e de amor, fundada sobre o matrimônio – e da sua missão que é ‘guardar, revelar e comunicar o amor’ (FM 17). Em causa está o próprio amor de Deus, do qual os pais são constituídos colaboradores e como que interpretes na transmissão da vida e na educação da mesma segundo o seu projeto de pai. É, por conseguinte, o amor que se faz generosidade, acolhimento, doação: na família, cada uma é reconhecido, respeitado e honrado por ser pessoa; e se alguém está mais  necessitado, maior e mais diligente é o cuidado por ele.  A família tem a ver com os seus membros durante toda a existência de cada uma, desde o nascimento até a morte. Ela é verdadeiramente o Santuário da Vida’… o lugar onde a vida, dom de Deus, pode ser convenientemente acolhida e protegida conte os múltiplos ataques, a que está exposta, e pode desenvolver-se segundo as exigências de uma crescimento humano autêntico. Por isso, o papel da família é determinante e insubstituível na construção da cultura da vida” (EV 92).  Assim se expressou o Papa na Familiaris Consortio: “Consciente de que o Matrimônio e a família constituem um dos bens mais preciosos da humanidade, a Igreja quer fazer chegar a sua voz e oferecer a sua ajuda a quem, conhecendo já o valor do matrimônio e da família, procura vivê-lo fielmente…”.

 

AS AMEAÇAS CONTRA A FAMÍLIA
Mais do que nunca hoje a família é atingida, como diz o Papa João Paulo II, pela praga do divórcio, das “uniões livres”, do aborto, do chamado “amor livre”, do “sexo seguro, da produção independente”, dos casamentos homossexuais, dos preservativos, da eucaristia, etc, frutos de uma sociedade mergulhada no consumismo e no utilitarismo, e que fez uma opção pela cultura do prazer. O pior problema, hoje, das famílias desestruturadas, não é de ordem financeira, moral. Quando os pais têm caráter, fé, ou como o povo diz “tem vergonha na cara”, por mais pobre que seja, será capaz de impedir a destruição de seu lar. Quem escreve o catálogo, de como deve ser usada uma maquina, é evidentemente o seu projetista e construtor. Quem quiser desobedecer o catálogo do fabricante, correrá o risco de estragar a máquina. Ora, Deus é o “construtor” do homem, da família e da humanidade. Se não obedecermos ao seu “Catálogo”, estragaremos toda a sua obra e não poderemos culpar-lhe pelo estrago que fizermos. Muitos querem culpar Deus pelas mazelas humanas; isto não é justo e nem lógico. Nós mesmos somos os artífices do sofrimento da humanidade. Deus, nada tem de culpa nisso; ao contrário, compadecendo-se de nossa miséria, enviou o seu Filho ao mundo para nos salvar do pecado e implantar entre nós o seu Reino. São Paulo resume numa única frase toda a razão do sofrimento huno: “O salário do pecado é a morte” (Rm 6, 23). Toda lágrima e toda dor humanas são frutos do pecado, da desobediência à lei de Deus. “Uma linha social-materialista, ao lado do egoísmo e da responsabilidade, contribui para a dissolução da família, deixando uma multidão de vitimas indefesas. A família está sofrendo com a desvalorização do casamento através do divorcia, deserção e da coabitação… Tanto a violência contra as mulheres aumenta, como a violência do aborto; o infanticídio e a eutanásia calam fundo no coração da família. Na verdade, as famílias de hoje estão ameaçadas por uma sub-reptícia cultura da morte”. “A dissolução da família é uma das maiores causas da pobreza em muitas sociedades…”. A família é o “santuário da vida”. Seu compromisso com a proteção e a nutrição da vida, desde o momento da concepção, é preenchido verdadeiramente através da paternidade responsável”. “…quanto mais os indivíduos forem desligados das famílias e de outros grupos mediadores, tanto mais facilmente poderão ser subjugados. O movimento para ‘desconstruir’ a família e legitimar estilos de vida alternativos, tem assim implicações sobre a liberdade humana, muito diferentes das imaginadas pelas feministas e ativistas homossexuais, suficientemente inocentes para acreditar que estariam melhor sem família. Por tudo isso que foi mostrado até aqui, cresce a responsabilidade de cada cristão, especialmente de cada católico, no sentido de defender a família, santuário da vida, obra sagrada de Deus, para que o homem seja feliz na terra.
A verdadeira felicidade está na própria casa. Entre as alegrias puras da família e carinho da pessoa amada é que somos felizes. Todo homem pode deixar para este mundo uma grande herança: uma família bem criada. É o que mais pode na terra se aproximar ao céu. Terá, então, prestado um grande serviço à pátria e a Deus.  Tudo isso nos ensina que não há autêntica e duradoura felicidade construída fora do lar. Até quando nos deixaremos enganar, querendo ir buscar a felicidade tão longe, se ela está bem junto de nós? Alguém já disse um dia, que “a família é o complemento de nós mesmos”. Sem a família falta algo a cada um de nós. Quanto mais se destrói a família, mais se destrói também o homem. Não é por acaso que aumenta na sociedade, cada vez mais, a depressão, a solidão e outros males que eram quase despercebidos quanto à família ainda não tinha sido atingida pelos males de decadência moral que hoje a destrói.
“CRESCEI!”
É significativo notar que, antes de dizer aos pais, “multiplicativos”, Deus disse ao casal, “crescei”. De fato, não é lógico multiplicar sem antes crescer. Com isso, evidencia-se que a primeira dimensão da vida conjugal é o crescimento do próprio casal. Crescer em todos os sentidos humanos: no amor, na esperança, na fé, na santidade de vida, Etc. E para isso Deus nos colocou um ao lado do outro.
Qualquer relacionamento humano, se não produz o “crescimento” das pessoas envolvidas, está falho o comprometimento. De modo muito especial no casamento, se a vida a dois não for motivo de crescimento mútuo para o casal, isto que dizer que este casamento envelheceu.
A família só será forte e unida se o casal for forte e unido. Por isso a ordem de Deus: “sereis uma só carne” (Gn 2, 24). É a unidade do casal o segredo do seu crescimento. E a alma da unidade é o amor. Essa realidade é expressa na palavra “uma só carne”, que quer dizer para o casal, uma comunhão de vida, uma só vida, um só projeto de vida a dois.
O casamento não se conclui no altar, como pensam os noivos; está apenas começando a longa caminhada. Devemos nos casar todos os dias para que possamos chagar a ser UM, como Deus quer. Esta unidade há de ser buscada nos três níveis da pessoa humana: o físico, o cessível e o espiritual; e isto é obra do amor. Mas, para mar, é preciso que o nosso espírito comande o corpo; e, para isto, ele precisa ser fortalecido pela graça de Deus. Não tem sentido para o casal unir os lábios e os corpos, se os corações não estiverem unidos.
Ao falar dessa unidade do casal, assim se expressa o Papa João Paulo II: “O dom do Espírito é um mandamento de vida para os esposos cristãos e, ao mesmo tempo, impulso e estimulante a que progridam numa união cada vez mais rica a todos os níveis – dos corpos, dos caracteres, dos corações, da inteligência e das vontades da alma – revelando deste modo a Igreja e ao mundo a nova comunhão de amor, doada pela graça de Cristo” (FM, n.19).
O casamento deve ser a decretação da morte do nosso egoísmo e egocentrismo. Deve fazer morrer o “eu” e o “meu”, para dar vida ao “nós” e ao “nosso”; a primeira pessoa do singular deve ser substituída pela primeira do plural. Sem isto não há casamento. Para chegar à unidade e ao crescimento mútuo, precisamos nos deixar transformar pelo amor do outro que nos leva a ver de maneira nova, pensar de maneira nova, enfim de sentir, falar, compreender, de um modo complementar que enriqueça os dois.
Unidade não quer dizer apenas “estar juntos”. Se você tiver uma porção de milho e de feijão misturados, não quer dizer que eles estejam unidos. Tanto assim que você pode separa-los com facilidade. Da mesma foram, não é porque o casal está junto, que obrigatoriamente está unido.
Se você misturar um copo de vinho com uma porção de água, a unidade será perfeita; não apenas água e vinho estão juntos, mas estão unidos, e você não consegue separá-los com as mãos; porque fez-se a unidade. É assim que deve ser o casal de Deus, não apenas juntos como os grãos de milho de feijão, mas como a água e o vinho, inseparáveis. Quando um casal, em Deus e pela sua graça, chegou a verdadeira unidade, nada o separa. Portanto, a primeira preocupação do casal deve ser a de eliminar toda a falsidade, fingimento, dissimulação, que possa quebrar a unidade. E o primeiro obstáculo a romper é a mentira – pequena ou grande.
É preciso fazer a distinção entre “amar” e “gostar”. Gostamos de coisas, porque nos satisfazem, nos dão prazer. Assim, gostamos de laranja, por exemplo; arrancamos sua casca, a cortamos ao meio, sugamos todo o seu caldo e jogamos o bagaço no lixo. É lógico que não amamos a laranja, mas a nós mesmos; por isso não podemos destruí-las para a nossa satisfação. O amor quando é verdadeiro, traz a marca da cruz, do sacrifício, da oblação de si mesmo, da renúncia.
É quebrando as barreiras do egocentrismo que nos escravizam em nós mesmos, que seremos felizes e daremos sentido à vida. É neste sentido que Jesus nos manda “perder a vida” para ganha-la. “Todo o que procura salvar a sua vida, perde-la-á”.

Você pode ser santo

Deus quis fazer-nos participantes da Sua santidade

Somente Deus é santo! A Ele toda a glória e adoração! É isso que dizemos em cada celebração eucarística: Santo, Santo, Santo! Desta maneira, nós celebramos a transcendência do Senhor que está acima de tudo e do qual tudo depende. Diante do Deus Santo e, neste sentido, do Totalmente Outro, a nossa proclamação acaba por emudecer-se, pois diante d’Ele cessam as palavras humanas: “à medida que nos aproximamos do cimo, as nossas palavras diminuirão e, no final da subida a essa montanha, nós estaremos totalmente mudos e plenamente unidos ao Inefável” (Pseudo-Dionísio Areopagita, Teologia Mística, c.3).

Não obstante, Deus quis fazer-nos participantes da Sua santidade. Por Seu desígnio salvador, nós fomos consagrados no momento do nosso batismo e nos aproximamos da montanha da santidade. A partir daquele momento, a santidade para nós pode ser descrita como um processo no qual confluem a graça de Deus e a generosa correspondência humana. Neste processo tem lugar uma luta constante na qual um filho de Deus vai se parecendo, cada vez mais, com o seu Pai-Deus à espera de que um dia se manifeste a plena semelhança com a divindade no próprio ser da criatura.

A santidade é acessível a todos, porque Deus quer que todos os homens e mulheres sejam santos, isto é, participem da Sua vida e de Seu amor. O Pai deseja que, por meio da ação do Espírito Santo em nós, nos pareçamos cada vez mais com Seu Filho Jesus Cristo. Em resumo, a santidade é o desenvolvimento da nossa filiação divina: “desde agora somos filhos de Deus, mas não se manifestou ainda o que havemos de ser. Sabemos que quando isto se manifestar, seremos semelhantes a Deus, porquanto O veremos como Ele é” (1 Jo 3,2).

Como se pode observar, a serpente astuta que aparece no livro do Gênesis, enganando os nossos primeiros pais, não estava tão equivocada: podemos ser como deuses, ou seja, podemos ser divinizados pela graça de Deus e nos parecermos com Ele já aqui nesta terra, e depois, eternamente no céu. O erro da serpente não estava nesta afirmação – sereis como deuses –, mas no método para alcançar esse objetivo. A serpente demoníaca propôs o orgulho e a desobediência para alcançar a divinização. Nada mais contraditório! O caminho é justamente outro: a humildade e a obediência acompanhadas da mais nobre de todas as virtudes: a caridade.

“Deus é amor” (1 Jo 4,8.16) e nós podemos amar, “mas amamos, porque Deus nos amou primeiro” (1Jo 4,19). A santidade se mede pelo amor: quem mais ama é mais santo; quem menos ama é menos santo; quem não ama nada, não é santo. De tudo isso é fácil concluir que a santidade não é algo exterior, caricaturesca, rígida, sombria ou até mesmo triste. Não! O santo é uma pessoa com uma profunda vida interior, com uma grande unidade de vida, uma pessoa coerente, flexível, cheia de luz e de alegria. Uma pessoa santa é um ser humano bem normal no seu dia a dia, mas os outros intuem que leva dentro de si algo diferente: o amor de Deus atuante e atualizador. Se o Senhor, o Totalmente Outro, quis fazer-se um de nós, quanto mais nós, sendo o que somos, devemos ser nós mesmos! Que sejamos cada vez mais simples, amemos de verdade, façamo-nos próximos aos outros seres humanos. Nós estamos, efetivamente, inseridos na grande massa humana, nós somos como os outros. E, no entanto, Deus nos conhece pelo nome, nos fez Seus filhos e quer ver-nos um dia com Ele no céu.

Santidade! Esse é o segredo que o cristão deve ter para aproximar muitas pessoas de Deus. Mas, por favor, não vamos mostrar a santidade como uma coisa esquisita, rara, estranha. Vamos ser bem normaizinhos: comemos, bebemos, trabalhamos, saímos com os amigos e… até tomamos uma cervejinha (com moderação!). Na verdade, nós somos as pessoas verdadeiramente normais, porque a vivência das virtudes humanas (prudência, justiça, fortaleza, temperança etc.) e sobrenaturais (fé, esperança e caridade) vai não somente nos divinizar, mas também nos humanizar cada vez mais. Quem quer ser uma pessoa humana verdadeiramente realizada tem mais que olhar para aquele que é Perfeito Homem, Jesus Cristo, e unir-se a Ele para ser divinizado por Ele, que é Perfeito Deus.

Quem são os santos? Uns bem-aventurados, os felizes desta terra. Quem pode ser santo? Todos. Como ser santo? Basta se unir a Deus pelos sacramentos da oração e duma luta contínua para dar gosto ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo. Qual é a finalidade de uma pessoa santa? Unir-se ao Santo dos santos e arrastar livremente muitas outras pessoas que lutaram para alcançar a santidade, a felicidade, a plenitude da vida.

Padre Françoá Costa
Diocese de Anápolis (GO)

Como encontrar o amor maior?

O que é ser a pessoa certa?

“Certa” não é perfeita. “Certa” é ser gente, ser pessoa humana. Ama a si mesma, acredita em si e, melhor ainda, percebe-se amada pelo Amor, que é Deus.

“Temer o amor é temer a vida e os que temem a vida já estão meio mortos.” (Bertrand Russell)

Se você acessou este artigo e pensou que encontraria os “10 passos para encontrar o amor da sua vida”, que em 3 dias este amor apareceria ou alguma fórmula do amor (A+B= amor), eu lhe peço: pare por aqui, porque o amor não improvisa nem é macarrão instantâneo que, em 3 minutos, está pronto para ser devorado.

Amor é aventura, amor é desafio, amor é para corajosos!

Pense comigo: No mundo há, aproximadamente, 7 bilhões de pessoas, e uma delas é a pessoa que Deus pensou para você. Esta pessoa está dentro de uma área de 510,3 milhões de Km² em algum dos 5 continentes, trabalhando, estudando ou até dormindo em algum dos 195 países. A você cabe a simples tarefa de “encontrá-la”.

Parece até algum daqueles filmes como ‘Indiana Jones e os caçadores da Arca Perdida’ ou ‘Indiana Jones e a Última Cruzada’, não é? Sim, estamos sempre à procura, porém, o que quero deixar para você é: “Não se perca na busca”.

Acredito que, antes de encontrar a pessoa certa, é preciso tornar-se a pessoa certa. Torne-se a pessoa que Deus o chama a ser. Descubra-se como alguém ciente de que preenchimento e plenitude só se encontram no Senhor. Não espere que outra pessoa o complete. Deixe que Deus faça isso.

Há muita gente mais ou menos por aí. Não que elas sejam mais ou menos, mas se comportam como tal. Há pessoas que pensam assim: “Já que a mulher de minha vida é minha ‘cara-metade’, serei metade até que a encontre; quando a encontrar, todos os meus problemas estarão resolvidos”. Gente mais ou menos é assim.

Quando esse cara encontrar a garota, não será o começo de um relacionamento, mas o início de uma dependência e prisão de carências. Ninguém merece ter, nas costas, o peso de ser “a solução de problemas”, não é?

O que é ser a pessoa certa? “Certa” não é perfeita. “Certa” é ser gente, ser pessoa humana. Ama a si mesma, acredita em si e, melhor ainda, percebe-se amada pelo Amor, que é Deus.

Se você começou a ler este artigo e queria saber se a pessoa, que hoje você namora, é “certa” para você, a primeira pergunta que precisa ser respondida é: Sou a pessoa certa?

Uma vez respondida esta pergunta, podemos ir para a segunda. Esta pessoa é certa para mim?

Agora, pedirei ajuda às cartas de Paulo. “(O amor) Tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta” (I Cor 13,7).

Sabe aquelas experiências de química que você precisa submeter determinado experimento a algumas condições, como temperatura, pressão e tal? Faça isso agora com o “amor” que você tem ao seu lado. As condições foram dadas por Paulo:

Se é amor, tudo desculpa. Reconhecer a culpa quanto ela é real, mas tirá-la, pois quem ama perdoa.

Se é amor, tudo crê. Não dá para “levar” um namoro quando há desconfiança. É só desgaste.

Se é amor, tudo “espera”. Nem preciso falar que o verdadeiro amor espera. Então, castidade é o parâmetro para um namoro bacana.

Se é amor, tudo “suporta”. Namorar é fazer bem. Namoro é lugar de viver e também de morrer; nunca de matar. Se, ao submeter seu amor à prova destas condições, ele aguentar, posso lhe garantir que você tem, ao seu lado, um grande amor.

Não tenha medo de fazer isso, porque “somente quando o amor é colocado à prova que ele mostra seu verdadeiro valor”. (São João Paulo II)

Se a dúvida ainda bater à porta e você ainda duvidar que está com a pessoa certa, o Papa São João Paulo II responde assim: “Quanto maior o sentimento de responsabilidade pela pessoa amada, mais verdadeiro é o amor”.

Como eu disse no começo do texto, para amar não existe receita pronta, mas indícios de um bom caminho a trilhar. Está afim?

Adriano Gonçalves

Santa Cecília, padroeira dos músicos – 22 de Novembro

Conheça a vida de Santa Cecília, a padroeira dos músicos

A sua vida foi música pura, cuja letra se tornou uma tradição cristã e cujos mistérios até hoje elevam os sentimentos de nossa alma a Deus.

Era de família romana pagã, nobre, rica e influente. Estudiosa, adorava estudar filosofia, o Evangelho e a música, principalmente a sacra.

Desde a infância era muito religiosa e, por decisão própria, afastou-se dos prazeres da vida da corte para ser esposa de Cristo pelo voto secreto de virgindade. Os pais, acreditando que ela mudaria de ideia, acertaram seu casamento com Valeriano, também da nobreza romana. Ao receber a triste notícia, Cecília rezou pedindo proteção do seu anjo da guarda, de Maria e de Deus para não romper com o voto.

Após as núpcias, Cecília contou ao marido que era cristã e do seu compromisso de castidade. Disse, ainda, que para isso estava sob a guarda de um anjo. Valeriano ficou comovido com a sinceridade da esposa e prometeu também proteger sua pureza, mas para isso queria ver tal anjo. Ela o aconselhou a visitar o papa Urbano, que, devido à perseguição, estava refugiado nas catacumbas.

O jovem esposo foi acompanhado de seu irmão Tibúrcio, ficou sabendo que antes era preciso acreditar na Palavra. Os dois ouviram a longa pregação e, no final, converteram-se e foram batizados. Valeriano cumpriu a promessa. Depois, um dia, ao chegar em casa, viu Cecília rezando e, ao seu lado, o anjo da guarda.

Entretanto, a denúncia de que Cecília era cristã e da conversão do marido e do cunhado chegou às autoridades romanas. Os três foram presos: ela, em sua casa; os dois, quando ajudavam a sepultar os corpos dos mártires nas catacumbas. Julgados, recusaram-se a renegar a fé e foram decapitados. Primeiro, Valeriano e Turíbio; por último, Cecília.

O prefeito de Roma falou com ela em consideração às famílias ilustres a que pertenciam e exigiu que abandonassem a religião sob pena de morte. Como Cecília se negou, foi colocada no próprio balneário do seu palacete para morrer asfixiada pelos vapores. Mas saiu ilesa.

Então, foi tentada a decapitação. O carrasco a golpeou três vezes e, mesmo assim, sua cabeça permaneceu ligada ao corpo. Mortalmente ferida, ficou no chão três dias, durante os quais animou os cristãos que foram vê-la a não renegarem a fé. Os soldados pagãos que presenciaram tudo se converteram.

O seu corpo foi enterrado nas catacumbas romanas. Mais tarde, devido às sucessivas invasões ocorridas em Roma, as relíquias de vários mártires, sepultadas lá, foram trasladadas para inúmeras igrejas. As suas, entretanto, permaneceram perdidas naquelas ruínas por muitos séculos. Mas, no terreno do seu antigo palácio, foi construída a igreja de Santa Cecília, onde era celebrada a sua memória no dia 22 de novembro já no século VI.

Santa Cecília é uma das mais veneradas pelos fiéis cristãos, do Ocidente e do Oriente, na sua tradicional festa do dia 22 de novembro. O seu nome vem citado no cânon da Missa e, desde o século XV, é celebrada como padroeira da música e do canto sacro.

Certa vez, o cardeal brasileiro dom Paulo Evaristo Arns assim definiu a arte musical: “A música, que eleva a palavra e o sentimento até a sua última expressão humana, interpreta o nosso coração e nos une ao Deus de toda beleza e bondade”. Podemos dizer que, na verdade, com suas palavras ele nos traduziu a vida da mártir Santa Cecília.

Santa Cecília, padroeira dos músicos: Rogai por nós!

 

Conheça a história da santa que se tornou padroeira da música 
http://noticias.cancaonova.com/brasil/conheca-a-historia-da-santa-que-se-tornou-padroeira-da-musica/

Certa vez, o cardeal brasileiro dom Paulo Evaristo Arns assim definiu a arte musical: “A música, que eleva a palavra e o sentimento até a sua última expressão humana, interpreta o nosso coração e nos une ao Deus de toda beleza e bondade”. Podemos dizer que, na verdade, com suas palavras ele nos traduziu a vida da mártir santa Cecília.

A sua vida foi música pura, cuja letra se tornou uma tradição cristã e cujos mistérios até hoje elevam os sentimentos de nossa alma a Deus. Era de família romana pagã, nobre, rica e influente. Estudiosa, adorava estudar música, principalmente a sacra, filosofia e o Evangelho. Desde a infância era muito religiosa e, por decisão própria, afastou-se dos prazeres da vida da Corte, para ser esposa de Cristo, pelo voto secreto de virgindade. Os pais, acreditando que ela mudaria de idéia, acertaram seu casamento com Valeriano, também da nobreza romana. Ao receber a triste notícia, Cecília rezou pedindo proteção do seu anjo da guarda, de Maria e de Deus, para não romper com o voto.

Após as núpcias, Cecília contou ao marido que era cristã e do seu compromisso de castidade. Disse, ainda, que para isso estava sob a guarda de um anjo. Valeriano ficou comovido com a sinceridade da esposa e prometeu também proteger sua pureza. Mas para isso queria ver tal anjo. Ela o aconselhou a visitar o papa Urbano, que, devido à perseguição, estava refugiado nas catacumbas. O jovem esposo foi acompanhado de seu irmão Tibúrcio, ficou sabendo que antes era preciso acreditar na Palavra. Os dois ouviram a longa pregação e, no final, converteram-se e foram batizados. Valeriano cumpriu a promessa. Depois, um dia, ao chegar em casa, viu Cecília rezando e, ao seu lado, o anjo da guarda.

Entretanto a denúncia de que Cecília era cristã e da conversão do marido e do cunhado chegou às autoridades romanas. Os três foram presos, ela em sua casa, os dois, quando ajudavam a sepultar os corpos dos mártires nas catacumbas. Julgados, recusaram-se a renegar a fé e foram decapitados. Primeiro, Valeriano e Turíbio, por último, Cecília.

O prefeito de Roma falou com ela em consideração às famílias ilustres a que pertenciam, e exigiu que abandonassem a religião, sob pena de morte. Como Cecília se negou, foi colocada no próprio balneário do seu palacete, para morrer asfixiada pelos vapores. Mas saiu ilesa. Então foi tentada a decapitação. O carrasco a golpeou três vezes e, mesmo assim, sua cabeça permaneceu ligada ao corpo. Mortalmente ferida, ficou no chão três dias, durante os quais animou os cristãos que foram vê-la a não renegarem a fé. Os soldados pagãos que presenciaram tudo se converteram.

O seu corpo foi enterrado nas catacumbas romanas. Mais tarde, devido às sucessivas invasões ocorridas em Roma, as relíquias de vários mártires sepultadas lá foram trasladadas para inúmeras igrejas. As suas, entretanto, permaneceram perdidas naquelas ruínas por muitos séculos. Mas no terreno do seu antigo palácio foi construída a igreja de Santa Cecília, onde era celebrada a sua memória no dia 22 de novembro já no século VI.

Entre os anos 817 e 824, o papa Pascoal I teve uma visão de santa Cecília e o seu caixão foi encontrado e aberto. E constatou-se, então, que seu corpo permanecera intacto. Depois, foi fechado e colocado numa urna de mármore sob o altar daquela igreja dedicada a ela. Outros séculos se passaram. Em 1559, o cardeal Sfondrati ordenou nova abertura do esquife e viu-se que o corpo permanecia da mesma forma.

A devoção à sua santidade avançou pelos séculos sempre acompanhada de incontáveis milagres. Santa Cecília é uma das mais veneradas pelos fiéis cristãos, do Ocidente e do Oriente, na sua tradicional festa do dia 22 de novembro. O seu nome vem citado no cânon da missa e desde o século XV é celebrada como padroeira da música e do canto sacro.

 

SANTA CECÍLIA
Santa Cecília, nobre, esposa, virgem e mártir. Uma donzela frágil que a fortaleza de sua Fé fez abalar os poderosos do Império Romano e cujo sangue, foi  verdadeiramente, ” semente de novos cristãos”.
http://www.arautos.org/especial/21116/Santa-Cecilia.html

Almáquio é um prefeito poderoso da Roma antiga. Mas, ele está inseguro, tem dúvidas…

– Como executar essa jovem cristã? Ela não pode morrer pela espada… Seria perigoso. Será que…

De repente, bruscamente, o prefeito ordena que a jovem seja levada até o palácio imperial. Ele decidiu:

– Cecilia será morta no calidário. Ela será colocada numa sala asfixiante, totalmente fechada, abafada com vapores quentes e pestilentos.

Cecília foi deixada lá, sozinha. Em seu rosto, porém, não se via marcas de abatimento e tristeza. Parecia ter a alma cheia de alegria. Pedia, continuamente, que Deus a levasse logo para o Céu. A tal ponto Cecília tinha seu pensamento posto em Deus que nem percebeu que seu suplício já tinha sido iniciado.

Ela foi castigada no calidário ao longo de um dia e uma noite. Tudo isso foi inútil. Quando os carrascos abriram a câmara de tortura com a certeza de poderem retirar de seu interior o cadáver de Cecília, encontraram-na ajoelhada, sorridente e circundada de ar puro e fresco. Cheios de temor, apavorados, eles correram até Almáquio para contar-lhe o que acontecera.

Ouvindo a narração dos algozes, o prefeito ficou hirto, petrificado. Tomado de ódio e furor insano, ordenou que um guarda decapitasse imediatamente a jovem, na mesma sala em que estava sendo torturada.

Cecília sorriu de alegria quando apareceu diante dela o novo carrasco. Ajoelhou-se e espontaneamente apresentou o pescoço a ele. Era uma audácia. Uma tão inesperada ousadia que o homem sentiu-se abalado e faltou-lhe coragem para executar a sentença. Para não parecer fraco, conteve seu medo e, desesperadamente, por três vezes, golpeou o pescoço da valente virgem cristã. Cecília caiu. Seus braços estavam cruzados sobre o peito. Sua cabeça, inexplicavelmente, continuava unida ao corpo.

A lei romana proibia insistir no suplício depois do terceiro golpe. Sem saber o que fazer, o carrasco jogou a espada no chão e fugiu apavorado. A multidão que aguardava os acontecimentos do lado de fora da sala de suplicio avançou porta adentro afim de venerar aquela que seria a mais nova mártir cristã.

Todos ficaram pasmos: Cecília ainda vivia! Estava caída sobre seu lado direito e seu pescoço apresentava um ferimento profundo de onde ainda corria sangue. As donzelas mais íntimas da Santa, com todo respeito, colheram em panos de linho branco o sangue escorrido. Outros cristãos apressaram-se para comunicar o fato ao Papa. Inúmeras dificuldades fizeram com que o Sumo Pontífice Urbano só pudesse chegar ali depois de três dias.

Continuando na mesma posição, Cecília aproveitava o tempo de vida que tinha para anunciar e testemunhar a verdade do Evangelho para os que dela se aproximavam. Vários pagãos foram tocados pela graça e se converteram.

Finalmente o Papa Urbano chegou trazendo para a mártir os últimos confortos e os sacramentos da Igreja Católica. Não dá para descrever o fervor de Cecília ao receber a Unção dos enfermos e comungar pela última vez! Ela que amava tanto a Jesus e que a Ele entregara sua vida, contemplava e adorava o Salvador em seu coração. A determinado momento fez um sinal pedindo ao Pontífice que se aproximasse dela e disse-lhe:

– Santo Padre, peço poder manifestar minha última vontade: Desejo que minha casa se transforme em um templo do Deus verdadeiro…

Ela já não tinha mais forças para falar. Voltou-se, então, para os que lá estavam e mostrou-lhes o polegar de uma mão e três dedos da outra. Foi o último gesto de sua vida. Com ele Cecília confessava publicamente sua Fé: Deus é Uno e Trino. Creio na Unidade e Trindade de Deus. Ainda tentou envolver-se com suas vestes, estendeu os braços junto ao corpo, inclinou a cabeça e expirou. O corpo de Cecília foi piedosamente depositado em um caixão e conduzido até a catacumba de São Calixto. O próprio Pontífice Urbano colocou o esquife junto ao túmulo dos Papas e fechou-o com uma pedra de mármore. Era o ano 232.

Afinal, quem era Cecília?

Uma virgem e mártir que tem sua festa celebrada pela Igreja no dia 22 de novembro e que nasceu no início do século III. Seus pais eram cristãos e pertenciam a uma das mais gloriosas e ilustres famílias da Romanas.

Ainda criança ela foi entregue a uma dama de companhia que também era cristã. Esse foi, certamente, um ato inspirado por Deus. Foi essa boa aia quem esforçou-se ao máximo para que a menina conhecesse e amasse Nosso Senhor Jesus Cristo e pudesse assim caminhar no amor e prática das virtudes cristãs.

Cecília sempre mostrou boa educação e boa formação nas coisas do mundo. Mais que isso, graças à educação que a aia lhe deu, a vida de Cecília tornou-se exemplo da formação cristã que se deve dar a uma pessoa.

Bem cedo Cecília cultivou o gosto pela contemplação das belezas naturais criadas por Deus e colocadas pelo Criador à disposição dos homens. Na contemplação do belo das criaturas, ela encontrou um modo de conhecer Deus. Maravilhada, a menina exclamava:

– Oh! Quão grande e bom é o Senhor! Quero amá-lo sempre. Quero amá-lo, muito!…

A aia de Cecília conhecia as Sagradas Escrituras e lhe contava fatos da História Sagrada. O que mais agradava Cecília eram os trechos sobre a vida de Jesus. A descrição dos padecimentos de Nosso Senhor em sua Paixão, sua morte na Cruz, levavam a atenta ouvinte a apiedar-se do Divino Salvador. Seu coração enchia-se de amor para com Ele e em seu espírito crescia a intenção de não ofender a Deus e consagrar a Ele toda sua vida.

A aia ensinou-lhe a amar o próximo por amor de Deus. Por isso em sua alma floresceu um grande amor aos pobres. Neles ela via a imagem de Nosso Senhor Jesus Cristo sofredor, pobre e necessitado. Ela abrandava os sofrimentos e acalmava as dores dos servos, escravos e mendigos. Junto com a ajuda material, ela lhes ensinava a prática da vida e da piedade cristãs. Assim transformou-se numa verdadeira apostola do Evangelho.

O encontro com Jesus

O amor a Jesus Sacramentado germinou e cresceu no coração de Cecília. O mundo com suas ilusões e fantasias não a atraia. Ela tinha um único desejo: unir-se a Jesus sacramentado!

Ela desafogava seu coração estando recolhida, longe dos atrativos mundanos. A oração era o modo que ela tinha de falar com Jesus. Orando ela exprimia seu desejo de recebê-Lo e fazer d’Ele seu alimento espiritual, sua força na caminhada. Jesus ouviu as preces de Cecília.

Ela assistia nas catacumbas de Roma os divinos mistérios. O Pontífice Urbano, tendo nas mãos o Pão Eucarístico, aproxima-se dela. Cecília ajoelha-se aos pés do Papa e recebe pela primeira vez a Santa Comunhão. Nessa hora, adorando Jesus em seu coração, a jovem renovou o propósito de consagrar-se ao serviço de Deus e tornar-se para sempre sua esposa. Cecília sempre teve o desejo de oferecer sua virgindade a Deus. Ocultamente ela procurou o Santo Pontífice e, depois de lhe contar que desde criança havia se consagrado a Jesus, suplicou-lhe que aceitasse seu voto de virgindade.

Sua pouca idade e o fato de ser filha única de nobres e ricos senhores, levou o Pontífice Urbano a dar-lhe, prudencialmente, uma resposta negativa. Cecília não se rendeu, conservando-se firme em seu desejo. Sua sinceridade levou o Pontífice a dar-lhe consentimento. Para evitar qualquer oposição por parte dos parentes, a cerimonia de recepção de seus votos não foi pública.

Orfandade, Sofrimento e Proteção Angélica

Para Cecília não faltaram dores, sofrimentos e cruzes. A morte dos pais foi uma de suas grandes dores. Sobretudo por causa das consequências que ausência deles lhes trouxe. Mas ela aceitou esses padecimentos com grande resignação.

Após a morte dos pais Cecília ficou sob a tutela de um parente que era pagão. Ele acreditava que lhe oferecendo distrações e divertimentos mundanos diminuiria o sofrimento da jovem. Mas, isso não agradava e nem trazia alegria a Cecília que amava a pureza, a solidão e a prece. Ela fugia dos insistentes convites que lhe eram feitos, pois, temia que as distrações da frívola juventude romana, muitas vezes pecaminosas, prejudicassem sua alma inocente.

Para que não caísse nas ciladas aprontadas por seu tutor e para ter forças na luta contra o demônio que a tentava, ela fazia jejuns e penitências e trazia sempre sobre seu peito os Santos Evangelhos.

Mesmo com o perigo de ser presa, frequentava as catacumbas e lá encontrava paz. Muitas vezes, em companhia da aia, nelas passava a noite inteira, assistia ao serviço divino e rezava fervorosamente a Maria, Rainha das Virgens, a quem pedia o amor de Jesus, único Senhor de seu coração. Cecília foi favorecida por Deus com a presença de um Anjo que a defendia dos perigos e que frequentemente aparecia e lhe orientava.

Valeriano

Cecília foi obrigada a estar em uma das festas realizadas por seu tutor. Ali estava Valeriano, um dos mais nobres e elegantes jovens de Roma, cuja família se vangloriava de ter antiga ligação com a família da jovem. A beleza, a modéstia, bem como a postura e pureza de Cecília não passaram desapercebidas por ele.

Valeriano, que não conhecia o segredo da modéstia cristã da virgem que se havia prometido como esposa a seu Deus, encantou-se com Cecília. Apaixonou-se por ela e quis, o quanto antes, tê-la como sua esposa.

Cecília disse não a Valeriano: desejava somente ser esposa de Cristo! Foi por prudencia que, junto com a negativa do casamento, ela não se declarou cristã. Essa declaração poderia custar-lhe a vida. Ocultamente, Cecília procurou Santo Pontífice e narrou-lhe o que estava acontecendo e reafirmou que preferia a morte a faltar o juramento de amor que havia feito a Jesus. Urbano, procurou consolá-la dizendo-lhe:

– Tem confiança, minha filha, se teu celeste Esposo te quiser em seu serviço, ninguém vai tirar-te d’Ele. As orações desta noite serão para que o Senhor nos ilumine. Fica em paz. Deixemos as decisões para depois da celebração dos divinos mistérios. Terminados os ritos sagrados, todos os fiéis deixaram as catacumbas. Só Cecília ficou lá. Urbano chamou-a e, com afeto paternal, disse:

– Filha, sê forte e perseverante. Se fores obrigada pelas circunstancias a unir-se a Valeriano, inclina a cabeça e adora os desígnios insondáveis da Divina Providência. Deus terá sobre ti outro desígnio: a conversão de Valeriano a nossa santa religião. Para a proteção de tua virgindade, confia Naquele que, por amor desta virtude, quis nascer de uma Mãe Virgem. A Ele nada é impossível. Vai em paz, confia em Sua bondade e sê prudente.

O consentimento

Passaram-se alguns dias e Cecília não conseguiu fugir de uma nova conversa com seu tutor sobre o pedido de Valeriano. No início da conversa, Cecília demonstrou uma recusa total ao casamento. Os parentes não desistiram de seus propósitos e começaram com as ameaças. Foi então que Cecília, lembrou-se dos conselhos do Pontífice Urbano e aceitou casar-se.

Sabendo disso, Valeriano foi imediatamente ao palácio para ter pessoalmente a confirmação e poder combinar o dia da cerimônia. Nos meses que precederam a celebração do matrimônio, Cecília conservou-se, quase sempre, retirada. Saía só para ir nos bairros populares para socorrer os pobres, seus mais queridos amigos. Passava noites inteiras em oração e penitência. Pedia a proteção e a graça que lhe eram necessárias e que estava certa de alcançar, pois já havia começado a ter uma grande paz de alma com a presença constante de seu Anjo da Guarda.

As bodas

Chegou, afinal, o dia em que os dois jovens se uniriam em matrimonio. O palácio onde morava a jovem católica era um formigar de escravos e donzelas, um fervilhar de ricos e nobres, de amigos e parentes, que iam prestar homenagens e oferecer tributos à presumida felicidade de Cecília.

A alma da virgem estava longe dessas manifestações. Ela quase não percebia o que se passava em redor de si. Realizaram-se as cerimônias matrimoniais segundo o ritual da época. O passo estava dado. A virgem de Cristo tornara-se também esposa de Valeriano. Terminada a cerimônia, Cecília foi conduzida à sala do banquete. Foi recebida com clamorosos aplausos e cânticos. Cecília, porém, elevava a alma a Deus e repetia em seu coração:

– “Senhor, que sejam sempre imaculados meu corpo e meu coração; protege tua serva para que não seja confundida”.

Esposa Apóstolo

Terminado o suntuoso banquete, Cecília foi levada por algumas matronas à câmara nupcial. Ali ela deveria esperar Valeriano para a noite de núpcias. Apenas ele entrou no quarto correu para abraçá-la exclamando:

– Oh! dia feliz…. Cecília recuou um passo e disse:

– Não me toques, Valeriano. O jovem ficou atônito e despeitado com a repulsa.

– Não te ofendas, meu querido, mas escuta-me, pois que tenho a dizer-te um segredo…

– Não temas, Cecília, qualquer que seja ele, jamais ente humano o saberá.

– Para satisfazer meus parentes, fui obrigada a unir-me a ti. Serei a companheira mais fiel e amorosa de tua vida, mas teremos de viver como se fôssemos irmãos. E a razão é que, desde ainda criança consagrei meu corpo a alguém que não é deste mundo. Alguém que sempre me amou, e, para confirmar disso, mandou um Anjo para me guardar. Ora, se o Anjo vir que não me respeitas, ficará irado e vingar-se-á tremendamente.

Ouvindo estas palavras, Valeriano, agitado de violentas paixões, exclamou:

– Oh! Cecília, traíste-me. Não me amas e a outro estás ligada!

– Não querido, não me entendeste. Não te perturbes. Escuta e compreenderás. Amo-te e muito, com um amor que não acaba com morte. Um amor que durará e será mais sublime ainda na eternidade. Consagrei-me a alguém que não é um simples mortal. Consagrei-me a Deus que permitirá que eu viva sempre contigo nas condições que já te disse.

– Cecília, disse Valeriano, devo acreditar no que me contas? Se isso é verdade, por que esperastes este momento para dizer-me?

– Perdoa, Valeriano, se eu tivesse revelado meu segredo, nem tu nem meus parentes o acreditariam e considerando-me louca me teriam declarado a mais cruel das guerras.

– Mas qual é este Deus a quem te consagraste e que agora não quer legitimar nossa união? Se é um Deus verdadeiro, como rouba nossa felicidade?

– Deus não necessita de nós. Ele é infinitamente bem-aventurado e, se olha a nossa pequenez, é unicamente para o nosso bem, porque Ele nos ama. Ele nos criou, conserva-nos a vida e será, um dia, nosso Juiz. Este é o Deus dos cristãos.

– Deus dos cristãos? Você é cristã? Cristãos… esses seres desprezíveis, odiados por todos e contra os quais se tem desencadeado a ira de nossos Imperadores e do povo romano?

– De fato, são muitos os nossos inimigos… eles são pobres ignorantes e infelizes. Acredita, Valeriano, tudo quanto dizem a respeito dos cristãos é calunia!

– Nós, cristãos, não adoramos os falsos deuses. Deuses que só servem para enganar. Nós desprezamos todos os bens perecíveis, aspiramos ao Céu e nos entregamos à prática das mais altas virtudes.
Dito isso, ajoelhou e com os olhos levantados para o Céu exclamou:

– Ó Senhor! Até quando durará o reino do espírito do mal? Até quando os homens caminharão entre as trevas do erro, na mentira e na falsidade? – Dizendo essas palavras, seu rosto transfigurou-se. Uma luz sobrenatural a envolveu e sua alma imergiu-se em Deus. Valeriano, quase apavorado, ficou mudo contemplando o êxtase de sua esposa. Sua mente iluminada de dons sobrenaturais, começava a se abrir à verdade e quando Cecília recobrou os sentidos, viu junto a si o esposo, com os olhos cheios de lágrimas.

Olharam-se e os olhos da Santa leram o fundo do coração de Valeriano. Uma voz interior lhe assegurava que o esposo havia se convertido. Valeriano, envergonhado com o que havia pensado de sua esposa disse:

– Deus de Cecília, eu creio em ti, mas faze com que eu possa ver, ao menos um instante, o Anjo que mandaste para junto de tua e minha esposa. – Ouvindo estas palavras, Cecília exclamou:

– Ó Senhor, meu amado! Sê para sempre louvado e eternamente glorificado por teus Anjos! Donde me vem tantas graças? Sê bem vindo em tua serva que humildemente adora os desígnios misteriosos de tua providência! E voltando-se para Valeriano, disse:

– Agora, não percamos tempo. Verás meu Anjo, sim! Antes, porém, deves tornar-te digno disso pelo Batismo. Vai e procura na Via Ápia a aldeia de Triopio. Lá encontrarás alguns pobres. Diga a eles que vais em meu nome e que procuras pelo Pontífice Urbano. Serás, então, conduzido até Papa que te acolherá com grande afabilidade e te ensinará as verdades de nossa fé. Depois, volta e verás o Anjo de Deus que me acompanha.

Com um manto, Valeriano, cobriu as vestes nupciais que ainda usava e encaminhou-se para o lugar indicado. Enquanto podia vê-lo, Cecília acompanhou-o com o olhar. Depois retirou-se, continuando suas preces que deveriam levar seu jovem esposo à conversão.

Batismo nas Catacumbas

Chegando à aldeia de Triopio, Valeriano encontrou-se com os pobres indicados por Cecília. Eles o conduziram pelo labirinto das catacumbas até chegar ao lugar onde estava o santo Pontífice Urbano, que vivia escondido no Cemitério de São Calixto, junto aos sepulcros dos mártires, depois de escapar da perseguição movida contra ele por causa de sua fé católica. Valeriano foi recebido por Urbano que, juntando as mãos, assim rezou:

– Senhor, meu Jesus Cristo, tu que inspiras as castas resoluções, recebe agora o fruto da semente divina plantada no coração de Cecília!

Por ela, seu esposo Valeriano tornou-se teu servo e abriu os olhos à verdade divina. Agora, ele te reconhece por seu Criador e renuncia, para sempre, o demônio, suas pompas e suas obras. Ele tem firme propósito de Vos adorar e Vos servir por toda a vida. Está pronto a defender com o próprio sangue a Fé que professa. Depois de assim rezar, começou a instruir o jovem catecúmeno sobre os principais mistérios da Fé: a Unidade e Trindade de Deus, a Encarnação, Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Enquanto Urbano falava dos augustos mistérios, subitamente, apareceu uma luz brilhante junto deles. No meio dela estava a figura de um respeitável ancião que trazia nas mãos um livro escrito com letras de ouro. Era o Apóstolo São Paulo que dizia a Valeriano:

– Lê e crê. Só então merecerás ser purificado nas águas do batismo e, então, contemplar o Anjo de que te falou Cecília. – Valeriano leu:

– Um só Senhor, uma só fé, um só Deus, Pai de todos, superior a todos, que está em todas as coisas, especialmente em todos nós.

– Crês em tudo isto? Perguntou o Apóstolo.

– Sim, creio! , Responde Valeriano.

Após essa profissão de fé, Paulo desapareceu. Urbano tomou a água e derramando-a sobre a cabeça do neófito, dizendo:

– Valeriano, eu te batizo, em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Vestindo-o depois com uma túnica branca, despediu-se dizendo:

– Vai e mostra-te a Cecília, que completará a obra por Deus reservada para ti.

A Promessa do Anjo

Valeriano partiu com a alma serena e a paz no coração. Chegando em casa, encontrou Cecília de joelhos, em oração.

Junto dela estava o Anjo do Senhor. Tinha nas mãos duas coroas de rosas e lírios. O Anjo que guardava a virgem colocou as sobre as cabeças dos esposos e lhes disse:

– Conservai essas coroas com a pureza de vossos corações e santidade de vossos corpos. Tu, Valeriano, por teres compreendido as puras aspirações de Cecília, serás ouvido, qualquer que seja a graça que pedires a Deus.

– Oh! Anjo bendito, um só será meu pedido: suplicar a Cristo que salve também meu irmão e nos torne ambos perfeitos cristãos e que confessemos seu Santo nome.

– Não só teu irmão vai converter-se, como também ambos, junto com Cecília, serão martirizados e acolhidos no Céu.

* * *

Livres da escravidão dos sentidos, Cecília e Valeriano inflamaram-se no amor de Deus. O vínculo que os ligava era fonte de entusiasmo para muitos de sua estirpe. Tibúrcio, fruto do apostolado de Cecília floresceu e tornou-se exemplo de vida para os seus companheiros de corte. Tais exemplos ainda gerariam muitos outros filhos para a Igreja Católica nascente. Muitas almas ainda foram por isso atraídas para Jesus Cristo.

Tal testemunho de Fé e apostolado não poderia deixar de ser notado pelo ódio dos pagãos que se encontravam petrificados no mal. Sobre Cecília, Valério e Tibúrcio, logo caíram o ódio e a perseguição dos pagãos. Foram terríveis. Confirmaram, porém, o que já lhes tinha sido predito: os três receberiam a palma do martírio e logo voariam para Deus.

Esta é a história de Cecília, nobre, esposa, virgem e mártir. Uma donzela frágil que a fortaleza de sua Fé fez abalar os poderosos do Império Romano e cujo sangue,  foi verdadeiramente, “semente de novos cristãos”. (Adaptações do Livro Santa Cecília, Virgem e Mártir, Saverio M. Vanzo, S.S.P. – Mir Editora Brasil 2001,pp. 15 à 76)

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