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Combate ao comunismo no Pontificado de São João Paulo II

Questões históricas

Papa polonês conheceu de perto regime comunista e procurou, ao longo de seu pontificado, promover a dignidade da pessoa humana

Jéssica Marçal, com colaboração de Jakeline D’Onofrio / Da Redação

Ao longo da história, Igreja Católica e comunismo andaram em lados opostos, já que a ideologia materialista fere princípios defendidos pela doutrina católica, como a liberdade humana. Esse contraste se manifestou de forma especial no pontificado de João Paulo II, um Papa polonês eleito enquanto o regime ainda estava em vigor.

João Paulo II conheceu de perto o regime comunista, tendo vivido nele por mais de três décadas. Para o arcebispo de Porto Nacional (TO), Dom Romualdo Matias Kujawski, isso influenciou o discurso do Papa em relação ao comunismo.

“Sem dúvida nenhuma, o conhecimento pessoal influenciou nos discursos que o Santo Padre fazia. (…) Ele tentou positivamente explicar o Evangelho e concretizar a dignidade da pessoa humana”.

Assim como João Paulo II, Dom Romualdo é polonês. Ele conta que o Papa sofreu com esse sistema pautado por uma ideologia ateia, que acaba oprimindo a pessoa. Dessa forma, o posicionamento do Papa polonês, bem como o da Igreja, sempre foi contrário ao regime. “Sempre aquela luta, aquela fala, por necessidade da liberdade da pessoa e também liberdade religiosa”.

O esforço de João Paulo II em disseminar os princípios da liberdade e do direito do homem revelaram-se em seus documentos. Como exemplo, pode-se citar sua primeira encíclica, Redemptoris Hominis, de 1979, com reflexões sobre a liberdade do homem, sua situação no mundo contemporâneo e seus direitos. Em outro documento, datado de 1981, Laborem Exercens, o Santo Padre reflete sobre o trabalho humano.

Essas e outras reflexões de João Paulo II foram tão marcantes e incidentes que se atribui a ele uma grande contribuição para o fim do regime comunista, o que ficou marcado definitivamente pela queda do Muro de Berlim em 1989.

Pouco tempo depois, em 1º de dezembro de 1989, aconteceu a audiência histórica entre João Paulo II e o líder da União Soviética, Mikhail Gorbachov, que foi recebido cordialmente pelo então Pontífice.

“A casa do Papa é, desde sempre, a casa comum para todos os representantes dos povos da Terra. Senhor presidente, seja também cordialmente bem-vindo”, disse João Paulo II a Gorbachov na ocasião.

Nesse encontro, também foi abordada a situação internacional e alguns problemas mais urgentes na época.  João Paulo II e Gorbachov também falaram do desenvolvimento de contatos recíprocos tanto para a solução de problemas da Igreja Católica na União Soviética quanto para promover um empenho comum em favor da paz e da colaboração no mundo.

“Esta colaboração é possível já que tem como objeto e sujeito o homem. De fato, ‘o homem é a via da Igreja’, como tive oportunidade de recordar desde o início do meu pontificado  (Redemptores Hominis, 14), acrescentou o Santo Padre.

Dom Romualdo destaca ainda que, em sua caminhada para anunciar o Evangelho, João Paulo II não adotou uma postura moralista, mas simplesmente queria oferecer a visão de Jesus. Não se tratava de uma ideologia, mas de uma consequência do Salvador que criou o ser humano para a felicidade, para a liberdade.

“João Paulo II continua me inspirando nos contextos das dificuldades, para não agir de impulso, mas exatamente refletir um pouquinho mais e agir a partir do que Jesus faria”, conclui Dom Romualdo.

O papel das mães na família

Importância das mães

Quarta-feira, 7 de janeiro de 2015, Jéssica Marçal / Da Redação

No ciclo de catequeses sobre família, Francisco se concentrou na importância das mães, lembrando que também a Igreja é mãe

Após as festas de fim de ano, o Papa Francisco retomou, nesta quarta-feira, 7, a tradicional audiência geral. Reunido com os fiéis na Sala Paulo VI, o Santo Padre deu sequência ao ciclo de catequeses sobre a família, desta vez se concentrando no papel essencial das mães, voltando a reiterar que também a Igreja é uma mãe.

“Cada pessoa humana deve a vida a uma mãe e quase sempre deve a ela muito da própria existência sucessiva, da formação humana e espiritual”, disse o Papa. Ele ressaltou que, mesmo sendo exaltadas do ponto de vista simbólico – com homenagens e poesias, por exemplo –, muitas vezes, as mães são pouco ouvidas na vida cotidiana e têm o seu importante papel na sociedade pouco considerado.

As mães são um forte antídoto contra o individualismo, disse o Papa, uma vez que se dividem a partir do momento em que dão lugar a um filho. Ele disse que as mães têm sim problemas com os filhos – é uma espécie de martírio materno –, mas continuam felizes e sofrem quando algo de ruim acontece com eles. Ele pensou, por exemplo, na dor das mães que recebem a notícia de que seus filhos morreram em defesa da pátria.

“Ser mãe não significa somente dar à luz um filho, mas é uma escolha de vida. A escolha de vida de uma mãe é a escolha de dar a vida, e isso é grande, é belo. Uma sociedade sem mãe é uma sociedade desumana, porque elas sabem testemunhar sempre a ternura, a dedicação, a força moral”.

O Papa mencionou ainda a importância das mães na transmissão do sentido mais profundo da prática religiosa, ensinando aos filhos as primeiras orações, os primeiros gestos de oração. Para Francisco, a fé perderia boa parte de seu calor sem as mães.

“E a Igreja é mãe com tudo isso. Não somos órfãos, temos uma mãe. Nossa Senhora, a Igreja, e nossa mãe”, concluiu o Papa, deixando seu agradecimento a todas as mães presentes.

 

CATEQUESE

Queridos irmãos e irmãs, bom dia. Hoje continuamos com as catequeses sobre Igreja e faremos uma reflexão sobre Igreja mãe. A Igreja é mãe. A nossa Santa mãe Igreja.

Nestes dias, a liturgia da Igreja colocou diante dos nossos olhos o ícone da Virgem Maria Mãe de Deus. O primeiro dia do ano é a festa da Mãe de Deus, à qual segue a Epifania, com a recordação da visita dos Magos. Escreve o evangelista Mateus: “Entrando na casa, acharam o menino com Maria, sua mãe. Prostrando-se diante dele, o adoraram” (Mt 2, 11).  É a Mãe que, depois de tê-lo gerado, apresenta o Filho ao mundo. Ela nos dá Jesus, ela nos mostra Jesus, ela nos faz ver Jesus.

Continuamos com as catequeses sobre família e na família há a mãe. Cada pessoa humana deve a vida a uma mãe e quase sempre deve a ela muito da própria existência sucessiva, da formação humana e espiritual. A mãe, porém, mesmo sendo muito exaltada do ponto de vista simbólico – tantas poesias, tantas coisas belas se dizem poeticamente da mãe – é pouco escutada e pouco ajudada na vida cotidiana, pouco considerada no seu papel central da sociedade. Antes, muitas vezes se aproveita da disponibilidade das mães a sacrificar-se pelos filhos para “economizar” nas despesas sociais.

Acontece que, mesmo na comunidade cristã, a mãe nem sempre é valorizada, é pouco ouvida. No entanto, no centro da vida da Igreja está a Mãe de Jesus. Talvez as mães, prontas a tantos sacrifícios pelos próprios filhos, e não raro também por aqueles de outros, deveriam encontrar mais escuta. Precisaria compreender mais a luta cotidiana delas para serem eficientes no trabalho e atentas e afetuosas na família; precisaria entender melhor o que elas aspiram para exprimir os frutos melhores e autênticos da sua emancipação. Uma mãe com os filhos sempre tem problemas, sempre trabalho. Em me lembro de casa, éramos cinco filhos e enquanto um fazia uma coisa outro fazia outra, o outro pensava em fazer outra e a pobre mãe ia de um lado a outro, mas era feliz, Deu tanto a nós.

As mães são o antídoto mais forte para a propagação do individualismo egoísta. “Indivíduo” quer dizer “que não se pode dividir”. As mães, em vez disso, se “dividem” a partir de quando hospedam um filho para dá-lo ao mundo e fazê-lo crescer. São essas, as mães, a odiar mais a guerra, que mata os seus filhos. Tantas vezes pensei naquelas mães quando recebem a carta: “Digo-lhe que o seu filho morreu em defesa da pátria…”. Pobres mulheres! Como uma mãe sofre! São essas a testemunhar a beleza da vida. O arcebispo Oscar Arnulfo Romero dizia que as mães vivem um “martírio materno”. Na homilia pelo funeral de um padre assassinato pelos esquadrões da morte, ele disse, repetindo o Concílio Vaticano II: “Todos devemos estar dispostos a morrer pela nossa fé, mesmo se o Senhor não nos concede esta honra… Dar a vida não significa somente ser morto; dar a vida, ter espírito de martírio, é dar no dever, no silêncio, na oração, no cumprimento honesto do dever; naquele silêncio da vida cotidiana; dar a vida pouco a pouco? Sim, como a dá uma mãe que, sem temor, com a simplicidade do martírio materno, concebe no seu seio um filho, dá à luz a ele,  amamenta-o, fá-lo crescer e cuida dele com carinho. É dar a vida. É martírio”. Termino aqui a citação. Sim, ser mãe não significa somente colocar no mundo um filho, mas é também uma escolha de vida. O que escolhe uma mãe, qual é a escolha de vida de uma mãe? A escolha de vida de uma mãe é a escolha de dar a vida. E isto é grande, isto é belo.

Uma sociedade sem mães seria uma sociedade desumana, porque as mães sabem testemunhar sempre, mesmo nos piores momentos, a ternura, a dedicação, a força moral. As mães transmitem, muitas vezes, também o sentido mais profundo da prática religiosa: nas primeiras orações, nos primeiros gestos de devoção que uma criança aprende, é inscrito no valor da fé na vida de um ser humano. É uma mensagem que as mães que acreditam sabem transmitir sem tantas explicações: estas chegarão depois, mas a semente da fé está naqueles primeiros, preciosíssimos momentos. Sem as mães, não somente não haveria novos fiéis, mas a fé perderia boa parte do seu calor simples e profundo. E a Igreja é mãe, com tudo isso, é nossa mãe! Nós não somos órfãos, temos uma mãe! Nossa Senhora, a mãe Igreja e a nossa mãe. Não somos órfãos, somos filhos da Igreja, somos filhos de Nossa Senhora e somos filhos das nossas mães.

Queridas mães, obrigado, obrigado por aquilo que vocês são na família e por aquilo que dão à Igreja e ao mundo. E a ti, amada Igreja, obrigado por ser mãe. E a ti, Maria, mãe de Deus, obrigado por fazer-nos ver Jesus. E obrigado a todas as mães aqui presentes: saudamos vocês com um aplauso!

Sexualidade, linguagem do amor

A pessoa humana se realiza no relacionamento responsável

Na sexualidade se acham implicadas todas as dimensões do ser humano. Conhecer a pessoa humana em sua globalidade é definir também a sua sexualidade dentro de uma antropologia cristã. A moral cristã busca, a partir de uma antropologia cristã, conhecer e aprofundar-se no que diz respeito à sexualidade, com o objetivo de apresentar uma proposta de comportamento humano de acordo com a exigência de sua vocação humana (o chamado de Deus para viver a sexualidade conforme os valores do Reino de Deus, dentro do amor conjugal) que seja integrado, humano e humanizador.

O critério da integração autêntica de todo o sexual e, portanto, da vida sexual verdadeiramente humana, é o amor conjugal, na medida em que a sexualidade é mediação configuradora desse amor.

O amor conjugal refere-se a algo já preestabelecido, pois fundamentalmente o homem está destinado à mulher e a mulher ao homem. São seres que se complementam. A sexualidade é a inscrição, na própria carne e em todo o ser, de que os indivíduos não foram feitos para viverem isolados. É a expressão da linguagem de amor mútuo, por isso mesmo não pode ser considerada simplesmente um instinto fisiológico.

A pessoa humana se realiza no relacionamento responsável e de amor. Por ser um modo de aproximação do outro, ela pode ajudar a promover o desenvolvimento da personalidade ou bloqueá-lo. Pode, portanto, em alguns casos, criar conflitos em vez de aproximação.

A felicidade é um objeto constantemente buscado pelo homem. Não importa o que faça, todas as suas ações estão destinadas ao encontro da felicidade. Para que isso se realize de fato, o homem precisa enfrentar o desafio de educar a sua própria sexualidade, encontrar um modo de domínio sobre ela.

A plenitude pessoal alcançada pela sexualidade só pode acontecer na vida matrimonial, pois a sexualidade é a expressão do nosso modo de amar. Por ser algo de tão grande valor e dignidade, a sua desintegração (a sexualidade quando não é uma resposta ao chamado de Deus, voltada para a prostituição, estupro, pedofilia) pode ser destruidora.

Padre Mário Marcelo Coelho, scj
(Extraído do livro “Sexualidade, o que os jovens sabem e pensam…”)

Como encontrar o amor maior?

O que é ser a pessoa certa?

“Certa” não é perfeita. “Certa” é ser gente, ser pessoa humana. Ama a si mesma, acredita em si e, melhor ainda, percebe-se amada pelo Amor, que é Deus.

“Temer o amor é temer a vida e os que temem a vida já estão meio mortos.” (Bertrand Russell)

Se você acessou este artigo e pensou que encontraria os “10 passos para encontrar o amor da sua vida”, que em 3 dias este amor apareceria ou alguma fórmula do amor (A+B= amor), eu lhe peço: pare por aqui, porque o amor não improvisa nem é macarrão instantâneo que, em 3 minutos, está pronto para ser devorado.

Amor é aventura, amor é desafio, amor é para corajosos!

Pense comigo: No mundo há, aproximadamente, 7 bilhões de pessoas, e uma delas é a pessoa que Deus pensou para você. Esta pessoa está dentro de uma área de 510,3 milhões de Km² em algum dos 5 continentes, trabalhando, estudando ou até dormindo em algum dos 195 países. A você cabe a simples tarefa de “encontrá-la”.

Parece até algum daqueles filmes como ‘Indiana Jones e os caçadores da Arca Perdida’ ou ‘Indiana Jones e a Última Cruzada’, não é? Sim, estamos sempre à procura, porém, o que quero deixar para você é: “Não se perca na busca”.

Acredito que, antes de encontrar a pessoa certa, é preciso tornar-se a pessoa certa. Torne-se a pessoa que Deus o chama a ser. Descubra-se como alguém ciente de que preenchimento e plenitude só se encontram no Senhor. Não espere que outra pessoa o complete. Deixe que Deus faça isso.

Há muita gente mais ou menos por aí. Não que elas sejam mais ou menos, mas se comportam como tal. Há pessoas que pensam assim: “Já que a mulher de minha vida é minha ‘cara-metade’, serei metade até que a encontre; quando a encontrar, todos os meus problemas estarão resolvidos”. Gente mais ou menos é assim.

Quando esse cara encontrar a garota, não será o começo de um relacionamento, mas o início de uma dependência e prisão de carências. Ninguém merece ter, nas costas, o peso de ser “a solução de problemas”, não é?

O que é ser a pessoa certa? “Certa” não é perfeita. “Certa” é ser gente, ser pessoa humana. Ama a si mesma, acredita em si e, melhor ainda, percebe-se amada pelo Amor, que é Deus.

Se você começou a ler este artigo e queria saber se a pessoa, que hoje você namora, é “certa” para você, a primeira pergunta que precisa ser respondida é: Sou a pessoa certa?

Uma vez respondida esta pergunta, podemos ir para a segunda. Esta pessoa é certa para mim?

Agora, pedirei ajuda às cartas de Paulo. “(O amor) Tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta” (I Cor 13,7).

Sabe aquelas experiências de química que você precisa submeter determinado experimento a algumas condições, como temperatura, pressão e tal? Faça isso agora com o “amor” que você tem ao seu lado. As condições foram dadas por Paulo:

Se é amor, tudo desculpa. Reconhecer a culpa quanto ela é real, mas tirá-la, pois quem ama perdoa.

Se é amor, tudo crê. Não dá para “levar” um namoro quando há desconfiança. É só desgaste.

Se é amor, tudo “espera”. Nem preciso falar que o verdadeiro amor espera. Então, castidade é o parâmetro para um namoro bacana.

Se é amor, tudo “suporta”. Namorar é fazer bem. Namoro é lugar de viver e também de morrer; nunca de matar. Se, ao submeter seu amor à prova destas condições, ele aguentar, posso lhe garantir que você tem, ao seu lado, um grande amor.

Não tenha medo de fazer isso, porque “somente quando o amor é colocado à prova que ele mostra seu verdadeiro valor”. (São João Paulo II)

Se a dúvida ainda bater à porta e você ainda duvidar que está com a pessoa certa, o Papa São João Paulo II responde assim: “Quanto maior o sentimento de responsabilidade pela pessoa amada, mais verdadeiro é o amor”.

Como eu disse no começo do texto, para amar não existe receita pronta, mas indícios de um bom caminho a trilhar. Está afim?

Adriano Gonçalves

O trabalho é sagrado e traz dignidade à família

Após refletir sobre a dimensão da festa na família, Francisco fala sobre o trabalho, atividade sagrada que dignifica a família

Na catequese desta quarta-feira, 19/8/2015, o Papa Francisco se dedicou à relação da família com o trabalho. Sendo uma atividade que traz dignidade ao homem, também o trabalho, assim como a festa (que foi tema da catequese da semana passada), é sagrado, faz parte do projeto criador de Deus e não deve faltar a família alguma, ponderou o Papa.

Francisco lembrou que o trabalho é necessário para manter a família e garantir a seus membros uma vida digna. E esse estilo de vida trabalhador é algo que se aprende, antes de tudo, na família. “A família educa ao trabalho com o exemplo dos pais: o pai e a mãe que trabalham pelo bem da família e da sociedade”.

O Papa citou ainda a harmonia que deve existir entre trabalho e oração. A falta de trabalho é ruim para o espírito, assim como a falta de oração prejudica também a atividade prática. O trabalho é sagrado, destacou Francisco, e por isso sua gestão é uma grande responsabilidade humana e social que não pode ser deixada nas mãos de poucos.

“Causar uma perda de postos de trabalho significa causar um grande dano social. Eu me entristeço quando vejo que há gente sem trabalho, que não encontra trabalho e não tem a dignidade de levar o pão para casa”.

O Santo Padre explicou que também o trabalho faz parte do projeto criador de Deus, mas quando se separa dessa aliança, tornando-se refém da lógica do lucro e desprezando os afetos da vida, a degradação da alma contamina tudo.

“A vida civil se corrompe e o habitat se arruína. E as consequências atingem sobretudo os mais pobres e as famílias mais pobres. A organização moderna do trabalho mostra, às vezes, uma perigosa tendência a considerar a família como um obstáculo, um peso, uma passividade para a produtividade do trabalho. Mas nos perguntemos: qual produtividade? E para quem?”, questionou.

Diante desse cenário, Francisco disse que as famílias cristãs têm um grande desafio e uma grande missão: carregar os fundamentos da criação de Deus. A tarefa não é fácil, admitiu, requer fé e perspicácia.

O equilíbrio entre o trabalho e a festa na vivência familiar

Segunda-feira, 13 de agosto de 2012, Kelen Galvan / Da Redação

‘Família que faz festa sabe equilibrar também o trabalho’, destaca padre Wladimir

“A família e o trabalho e a festa constituem dádivas e bençãos de Deus para nos ajudar a viver uma existência plenamente humana”. A frase do Papa Bento XVI no 7º Encontro Mundial das Famílias, realizado em Milão, na Itália, há alguns meses, conduz também as reflexões da Igreja no Brasil, que promove de 12 a 18 deste mês a “Semana Nacional da Família.

O tema é o mesmo do encontro mundial: “A Família: o trabalho e a festa”. Primeiramente para estar em sintonia com o Pontifício Conselho para as Famílias e com o próprio Papa, já que a sugestão do tema foi apresentada por ele. E em segundo lugar porque essas duas dimensões da família trazem ensinamentos muito profundos, conforme explica o assessor da Comissão Episcopal Pastoral para a Vida e a Família (CEPVF) da CNBB, padre Wladimir Porreca.

Segundo o sacerdote, a “família que faz festa sabe equilibrar também o trabalho. E fazer festa significa relacionar-se, encontrar-se, comemorar a vida humana em todas as suas etapas e também celebrar a maior festa que é a Missa”.

“Qual a melhor forma de equilibrar o trabalho numa família? Entrando na dimensão da festa. E o Papa Bento XVI apresentou isso, de forma muito bonita, quando ele motivou todos os cristãos católicos a não perderem o sentido da festa humana, da festa cristã, que é a grande festa dos filhos de Deus”, explica padre Wladimir.

Muitas famílias têm conseguido administrar bem essas duas dimensões e, mesmo com os desafios, não entraram na “ditadura do consumismo”, mas conseguiram colocar em primeiro lugar o relacionamento humano, a vida familiar, só depois vem todo o resto, destaca o sacerdote.

Porém, segundo ele, outras tantas, mesmo tendo consciência do valor da família, são arrastadas pelo consumismo desenfreado.

Diante disso, a Semana Nacional da Família quer refletir sobre a dimensão do trabalho e da festa na vivência familiar, destacando a importância de cada uma e orientando sobre o equilíbrio que precisa haver para que, de fato, o trabalho esteja a serviço da pessoa humana.

Com a valorização do relacionamento familiar será fortalecida a unidade e a paz na família, como destaca o subsídio “Hora da Família” proposto pela Comissão da CNBB para orientar as reflexões desta semana.

O noticias.cancaonova.com irá auxiliar nessas reflexões com matérias especiais durante toda essa semana, aprofundando alguns desdobramentos ligados ao tema “A família: o trabalho e a festa”.

A confissão é um encontro com Jesus

Reconhecendo os própios pecados
Segunda-feira, 29 de abril de 2013, Da Redação, com Rádio Vaticano

Francisco explicou que a capacidade de envergonhar-se dos próprios pecados é uma virtude do humilde, uma virtude cristã e humana
Papa enfatizou que, na confissão, Jesus não espera o ser humano para repreendê-lo, mas o aguarda com ternura para perdoá-lo.

Envergonhar-se dos próprios pecados é a virtude do humilde que se prepara para acolher o perdão de Deus.
Comentando a primeira Carta de São João, em que se diz que “Deus é luz e Nele não há trevas”, o Papa destacou que todos têm momentos de obscuridades na vida, mas isso não significa caminhar nas trevas.
“Caminhar nas trevas significa estar satisfeito de si mesmo; estar convencido de que não precisa de salvação. Essas são as trevas! Olhem seus pecados, os nossos pecados: todos somos pecadores, todos… Este é o ponto de partida. Se confessamos nossos pecados, Ele é fiel, é justo a ponto de nos perdoar”, disse.
O Pontífice explicou que isso é o que acontece no Sacramento da Reconciliação. Ele acrescentou que confessar não é como ir à tinturaria para limpar a sujeira das roupas. “O confessionário não é uma tinturaria: é um encontro com Jesus que nos espera, que nos espera como somos. Temos vergonha de dizer a verdade, ‘fiz isso, pensei aquilo’, mas a vergonha é uma virtude verdadeiramente cristã e também humana… a capacidade de vergonhar-se é uma virtude do humilde.
E Jesus está sempre esperando para conceder o perdão, lembrou Francisco. Ele disse que confessar não é como ir a uma ‘sessão de tortura’, mas é louvar a Deus, porque foi salvo por Ele. “E ele me espera para me repreender? Não, com ternura para me perdoar. E se amanhã fizer a mesma? Confesse-se mais uma vez… Ele sempre nos espera”.
Francisco completou dizendo que a humildade e a docilidade também são virtudes que Jesus pede ao ser humano. O Santo Padre falou dessas virtudes como uma moldura da vida cristã: um cristão vive sempre assim, na humildade e na docilidade.
O Santo Padre concluiu a homilia pedindo que Deus dê ao ser humano esta graça, esta coragem de procurá-Lo sempre com a verdade e não com as trevas das meias-verdades ou das mentiras diante de Deus.

Campanha da Fraternidade convida à lógica do amor para superar a violência

http://www.a12.com/redacaoa12/igreja/campanha-da-fraternidade-convida-a-logica-do-amor-para-superar-a-violencia

Desde 1964, a CNBB contempla e reflete a realidade brasileira que estamos vivendo com a realização da Campanha da Fraternidade. Neste ano, com o tema “Fraternidade e Superação da Violência” e o lema “Vós sois todos irmãos”, os cristãos e o nosso povo brasileiro é chamado a participar desta campanha.

Com esta temática, somos interpelados e convocados a viver a prática de Jesus no exercício da escuta da palavra de Deus, diálogo, anúncio e denúncia da violência na dimensão pessoal e social.

O texto base da Campanha da Fraternidade utiliza a metodologia do ver, julgar e agir para refletir as realidades pontuais da nossa história brasileira, onde se configura uma violência expressiva nas periferias das grandes cidades e metrópoles.

Para a realidade do ver em nosso Brasil, constata-se uma cultura de morte crescente que atinge todos os seguimentos sociais. Nesta perspectiva, entre outras, o texto ressalta uma situação preocupante e pertinente da população carcerária; hoje “com mais de seiscentos e cinquenta mil presos vivendo em condições degradantes”.

Para julgar, a Palavra de Deus do antigo e novo testamento é apresentada para refletir, iluminar e julgar esta realidade brasileira com propriedade e clareza. “Os dois testamentos testemunham a mesma tensão entre violência e não violência e a busca da sua superação apresentando também o sofrimento das pessoas vítimas da violência, bem como pessoas que depois de vítimas tornam-se violentas na busca pela vingança, que precisa ser superada”.

A partir do agir, A Igreja, os seguimentos sociais e todo povo é chamado para ter atitudes, gestos concretos em nossa ação pastoral nos vários ambientes da nossa sociedade social e religiosa. “Nesta quaresma, somos desafiados a agir nas realidades rurais e urbanas, onde a convivência humana está sendo prejudicada pela violência”.

“Por esta razão, a CF deste ano, ao propor a superação da violência, indica a necessidade da paz, fruto da justiça que se consolida com a efetivação de políticas públicas que assegura a dignidade humana”. Com Maria, a Mãe missionária, somos convidados a viver a lógica do amor como único instrumento eficaz diante das ações violentas que se faz presente em nossa realidade histórica.

Pe. Sebastião dos Reis dos Santos, C.Ss.R.
Araraquara (SP)

Fazer o bem a quem sofre

Solidariedade

Sexta-feira, 29 de janeiro de 2016, Da Redação, com Rádio Vaticano

“O importante é caminhar ao lado do homem que sofre. Talvez, mais do que da cura, ele precise da nossa presença”, declarou o presidente do Pontifício Conselho para a Pastoral Saúde

O Vaticano apresentou nesta quinta-feira, 28, a XXIV Jornada Mundial do Enfermo que será celebrada de forma solene em Nazaré, na Terra Santa, no dia 11 de fevereiro.

“Confiar em Jesus misericordioso, como Maria: Fazei o que Ele vos disser” é o tema da Mensagem do Papa para a ocasião. O Dia Mundial do Enfermo é celebrado de forma solene  a cada três anos.

O evento foi apresentado na Sala de Imprensa da Santa Sé pelo presidente do Pontifício Conselho da Pastoral para os Agentes de Saúde, Dom Zygmunt Zimowski, com a participação de Monsenhor Jean-Marie Musivi Mupendawatu e Padre Augusto Chendi, membros do dicastério vaticano, e do secretário geral da Assembleia dos Ordinários Católicos da Terra Santa, Padre Pietro Felet.

Na mensagem, divulgada em setembro do ano passado, o Papa explica que este Dia Mundial do Enfermo se inscreve muito bem no Jubileu extraordinário da Misericórdia. Daí, ter sido escolhida Nazaré, na Galileia, onde Jesus fez o primeiro milagre por intercessão da Mãe e também realizou muitas curas, sinal da proximidade aos doentes e aos que sofrem.

“A grave enfermidade coloca sempre a existência humana em crise e traz consigo interrogações que escavam sempre em profundidade”, diz o Papa na mensagem, que destaca porém, que se a fé em Deus é colocada à prova, ao mesmo tempo revela toda a sua potência positiva. Diante disso, o Arcebispo Zimowski explicou na coletiva, que o Dia Mundial do Enfermo encontra a sua razão de ser.

“Fazer o bem a quem sofre e fazer do próprio sofrimento um bem, ou seja, sensibilizar os doentes, para oferecer seus sofrimentos em favor dos outros, em favor da Igreja.”

O arcebispo destacou que por vezes, o fato de não poder curar, de não poder ajudar como Jesus, nos intimida, e orientou que cada pessoa busque superar isso. “O importante é caminhar ao lado do homem que sofre. Talvez, mais do que da cura, ele precise da nossa presença, do homem, do coração humano repleto de misericórdia e da solidariedade humana.”

Vocação

Para o arcebispo é importante apoiar a “bonita tradição”, de que a obra do médico e do enfermeiro é vista não somente como uma profissão, mas também como um serviço, uma vocação. “O cuidado para com os menores e os anciãos, o cuidado para com os doentes mentais constituem, mais do que em qualquer outro âmbito da vida social, a medida da cultura da sociedade e do Estado.”

Indulgência

Por sua vez, Padre Chendi recordou a graça concedida pelo Papa Francisco da indulgência plenária e parcial para quem, segundo diferentes modalidades, de 7 a 13 de fevereiro, participar das intenções do dia Mundial do Enfermo.

Evento

Muitos eventos estão programados para esses dias na Terra Santa, não somente em Nazaré, mas também em Belém e Ramallah, para ir ao encontro das exigências dos peregrinos e dos fiéis residentes, alguns dos quais impedidos de ir e vir por parte autoridades, explicou o padre.

 

Mensagem do Papa Francisco para o XXIV Dia Mundial do Enfermo
Terça-feira, 15 de setembro de 2015

Amados irmãos e irmãs!

A XXIV Jornada Mundial do Doente dá-me ocasião para me sentir particularmente próximo de vós, queridas pessoas doentes, e de quantos cuidam de vós.

Dado que a referida Jornada vai ser celebrada de maneira solene na Terra Santa, proponho que, neste ano, se medite a narração evangélica das bodas de Caná (Jo 2, 1-11), onde Jesus realizou o primeiro milagre a pedido de sua Mãe. O tema escolhido – Confiar em Jesus misericordioso, como Maria: «Fazei o que Ele vos disser» (Jo 2, 5) – insere-se muito bem no âmbito do Jubileu Extraordinário da Misericórdia. A celebração eucarística central da Jornada terá lugar a 11 de Fevereiro de 2016, memória litúrgica de Nossa Senhora de Lurdes, e precisamente em Nazaré, onde «o Verbo Se fez homem e veio habitar connosco» (Jo 1, 14). Em Nazaré, Jesus deu início à sua missão salvífica, aplicando a Si mesmo as palavras do profeta Isaías, como nos refere o evangelista Lucas: «O Espírito do Senhor está sobre mim, porque me ungiu para anunciar a Boa-Nova aos pobres; enviou-me a proclamar a libertação aos cativos e, aos cegos, a recuperação da vista; a mandar em liberdade os oprimidos, a proclamar um ano favorável da parte do Senhor» (4, 18-19).

A doença, sobretudo se grave, põe sempre em crise a existência humana e suscita interrogativos que nos atingem em profundidade. Por vezes, o primeiro momento pode ser de rebelião: Porque havia de acontecer precisamente a mim? Podemos sentir-nos desesperados, pensar que tudo está perdido, que já nada tem sentido…

Nestas situações, a fé em Deus se, por um lado, é posta à prova, por outro, revela toda a sua força positiva; e não porque faça desaparecer a doença, a tribulação ou os interrogativos que daí derivam, mas porque nos dá uma chave para podermos descobrir o sentido mais profundo daquilo que estamos a viver; uma chave que nos ajuda a ver como a doença pode ser o caminho para chegar a uma proximidade mais estreita com Jesus, que caminha ao nosso lado, carregando a Cruz. E esta chave é-nos entregue pela Mãe, Maria, perita deste caminho.

Nas bodas de Caná, Maria é a mulher solícita que se apercebe de um problema muito importante para os esposos: acabou o vinho, símbolo da alegria da festa. Maria dá-Se conta da dificuldade, de certa maneira assume-a e, com discrição, age sem demora. Não fica a olhar e, muito menos, se demora a fazer juízos, mas dirige-Se a Jesus e apresenta-Lhe o problema como é: «Não têm vinho» (Jo 2, 3). E quando Jesus Lhe faz notar que ainda não chegou o momento de revelar-Se (cf. v. 4), Maria diz aos serventes: «Fazei o que Ele vos disser» (v. 5). Então Jesus realiza o milagre, transformando uma grande quantidade de água em vinho, um vinho que logo se revela o melhor de toda a festa. Que ensinamento podemos tirar, para a Jornada Mundial do Doente, do mistério das bodas de Caná?

O banquete das bodas de Caná é um ícone da Igreja: no centro, está Jesus misericordioso que realiza o sinal; em redor d’Ele, os discípulos, as primícias da nova comunidade; e, perto de Jesus e dos seus discípulos, está Maria, Mãe providente e orante. Maria participa na alegria do povo comum, e contribui para a aumentar; intercede junto de seu Filho a bem dos esposos e de todos os convidados. E Jesus não rejeitou o pedido de sua Mãe. Quanta esperança há neste acontecimento para todos nós! Temos uma Mãe de olhar vigilante e bom, como seu Filho; o coração materno e repleto de misericórdia, como Ele; as mãos que desejam ajudar, como as mãos de Jesus que dividiam o pão para quem tinha fome, que tocavam os doentes e os curavam. Isto enche-nos de confiança, fazendo-nos abrir à graça e à misericórdia de Cristo. A intercessão de Maria faz-nos experimentar a consolação, pela qual o apóstolo Paulo bendiz a Deus: «Bendito seja Deus e Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai das misericórdias e o Deus de toda consolação! Ele nos consola em toda a nossa tribulação, para que também nós possamos consolar aqueles que estão em qualquer tribulação, mediante a consolação que nós mesmos recebemos de Deus. Na verdade, assim como abundam em nós os sofrimentos de Cristo, também, por meio de Cristo, é abundante a nossa consolação» (2 Cor 1, 3-5). Maria é a Mãe «consolada», que consola os seus filhos.

Em Caná, manifestam-se os traços distintivos de Jesus e da sua missão: é Aquele que socorre quem está em dificuldade e passa necessidade. Com efeito, no seu ministério messiânico, curará a muitos de doenças, enfermidades e espíritos malignos, dará vista aos cegos, fará caminhar os coxos, restituirá saúde e dignidade aos leprosos, ressuscitará os mortos, e aos pobres anunciará a boa nova (cf. Lc 7, 21-22). E, durante o festim nupcial, o pedido de Maria – sugerido pelo Espírito Santo ao seu coração materno – fez revelar-se não só o poder messiânico de Jesus, mas também a sua misericórdia.

Na solicitude de Maria, reflecte-se a ternura de Deus. E a mesma ternura torna-se presente na vida de tantas pessoas que acompanham os doentes e sabem individuar as suas necessidades, mesmo as mais subtis, porque vêem com um olhar cheio de amor. Quantas vezes uma mãe à cabeceira do filho doente, ou um filho que cuida do seu progenitor idoso, ou um neto que acompanha o avô ou a avó, depõe a sua súplica nas mãos de Nossa Senhora! Para nossos familiares doentes, pedimos, em primeiro lugar, a saúde; o próprio Jesus manifestou a presença do Reino de Deus precisamente através das curas. «Ide contar a João o que vedes e ouvis: os cegos vêem e os coxos andam; os leprosos ficam limpos e os surdos ouvem, os mortos ressuscitam» (Mt 11, 4-5). Mas o amor, animado pela fé, leva-nos a pedir, para eles, algo maior do que a saúde física: pedimos uma paz, uma serenidade da vida que parte do coração e que é dom de Deus, fruto do Espírito Santo que o Pai nunca nega a quantos Lho pedem com confiança.

No episódio de Caná, além de Jesus e sua Mãe, temos aqueles que são chamados «serventes» e que d’Ela recebem esta recomendação: «Fazei o que Ele vos disser» (Jo 2, 5). Naturalmente, o milagre dá-se por obra de Cristo; contudo Ele quer servir-Se da ajuda humana para realizar o prodígio. Poderia ter feito aparecer o vinho directamente nas vasilhas. Mas quer valer-Se da colaboração humana e pede aos serventes que as encham de água. Como é precioso e agradável aos olhos de Deus ser serventes dos outros! Mais do que qualquer outra coisa, é isto que nos faz semelhantes a Jesus, que «não veio para ser servido, mas para servir» (Mc 10, 45). Aqueles personagens anónimos do Evangelho dão-nos uma grande lição. Não só obedecem, mas fazem-no generosamente: enchem as vasilhas até cima (cf. Jo 2, 7). Confiam na Mãe, fazendo, imediatamente e bem, o que lhes é pedido, sem lamentos nem cálculos.

Nesta Jornada Mundial do Doente, podemos pedir a Jesus misericordioso, pela intercessão de Maria, Mãe d’Ele e nossa, que nos conceda a todos a mesma disponibilidade ao serviço dos necessitados e, concretamente, dos nossos irmãos e irmãs doentes. Por vezes, este serviço pode ser cansativo, pesado, mas tenhamos a certeza de que o Senhor não deixará de transformar o nosso esforço humano em algo de divino. Também nós podemos ser mãos, braços, corações que ajudam a Deus a realizar os seus prodígios, muitas vezes escondidos. Também nós, sãos ou doentes, podemos oferecer as nossas canseiras e sofrimentos como aquela água que encheu as vasilhas nas bodas de Caná e foi transformada no vinho melhor. Tanto com a ajuda discreta de quem sofre, como suportando a doença, carrega-se aos ombros a cruz de cada dia e segue-se o Mestre (cf. Lc 9, 23); e, embora o encontro com o sofrimento seja sempre um mistério, Jesus ajuda-nos a desvendar o seu sentido.

Se soubermos seguir a voz d’Aquela que recomenda, a nós também, «fazei o que Ele vos disser», Jesus transformará sempre a água da nossa vida em vinho apreciado. Assim, esta Jornada Mundial do Doente, celebrada solenemente na Terra Santa, ajudará a tornar realidade os votos que formulei na Bula de proclamação do Jubileu Extraordinário da Misericórdia: «Possa este Ano Jubilar, vivido na misericórdia, favorecer o encontro com [o judaísmo e o islamismo] e com as outras nobres tradições religiosas; que ele nos torne mais abertos ao diálogo, para melhor nos conhecermos e compreendermos; elimine todas as formas de fechamento e desprezo e expulse todas as formas de violência e discriminação» (Misericordiae Vultus, 23). Cada hospital ou casa de cura pode ser sinal visível e lugar para promover a cultura do encontro e da paz, onde a experiência da doença e da tribulação, bem como a ajuda profissional e fraterna contribuam para superar qualquer barreira e divisão.

Exemplo disto são as duas Irmãs canonizadas no passado mês de Maio: Santa Maria Alfonsina Danil Ghattas e Santa Maria de Jesus Crucificado Baouardy, ambas filhas da Terra Santa. A primeira foi uma testemunha de mansidão e unidade, dando claro testemunho de como é importante tornarmo-nos responsáveis uns pelos outros, vivermos ao serviço uns dos outros. A segunda, mulher humilde e analfabeta, foi dócil ao Espírito Santo, tornando-se instrumento de encontro com o mundo muçulmano.

A todos aqueles que estão ao serviço dos doentes e atribulados, desejo que vivam animados pelo espírito de Maria, Mãe da Misericórdia. «A doçura do seu olhar nos acompanhe neste Ano Santo, para podermos todos nós redescobrir a alegria da ternura de Deus» (ibid., 24) e levá-la impressa nos nossos corações e nos nossos gestos. Confiamos à intercessão da Virgem as ânsias e tribulações, juntamente com as alegrias e consolações, dirigindo-Lhe a nossa oração para que Ela pouse sobre nós o seu olhar misericordioso, especialmente nos momentos de sofrimento, e nos torne dignos de contemplar, hoje e para sempre, o Rosto da misericórdia que é seu Filho Jesus.

Acompanho esta súplica por todos vós com a minha Bênção Apostólica.

Vaticano, 15 de Setembro – Memória de Nossa Senhora das Dores – do ano 2015.

FRANCISCUS

Papa dedica catequese ao canto do “Glória” e à oração coleta

Quarta-feira, 10 de janeiro de 2018, Da Redação, com Boletim da Santa Sé

Nesta quarta-feira, Santo Padre deu continuidade ao ciclo de catequeses sobre a Santa Missa

O canto do “Glória” e a oração coleta, partes dos ritos iniciais da Missa, foram os temas abordados pelo Papa Francisco na catequese desta quarta-feira, 10. O encontro foi realizado na Sala Paulo VI, devido ao frio intenso em Roma nessa época do ano, e deu continuidade ao ciclo de catequeses sobre a Santa Missa.

A última catequese foi dedicada ao ato penitencial. Hoje, Francisco pontuou que é justamente do encontro entre a miséria humana e a misericórdia divina que toma vida a gratidão expressa no “Glória”, um canto antigo com o qual a Igreja glorifica a Deus. O Santo Padre explicou que o início do hino – “Glória a Deus nos altos céus” – retoma o canto dos anjos no nascimento de Jesus em Belém, o alegre anúncio do abraço entre o céu e a terra.

Sobre a oração coleta, realizada após o Glória ou logo depois do ato penitencial (quando não há o Glória), o Papa explicou que com o convite “oremos”, o padre exorta o povo a recolher-se com ele em um momento de silêncio. O objetivo é ter consciência de estar na presença de Deus e fazer emergir no coração de cada um as intenções pessoais para a Missa, aquilo que cada um deseja pedir.

Mas o silêncio não se reduz à ausência de palavras, observou o Papa, e sim dispor-se a ouvir outras vozes, como a voz do coração e, sobretudo, a voz do Espírito Santo. Nesse ponto da catequese, o Papa explicou que, na liturgia, a natureza do silêncio depende do momento em que ele ocorre, podendo ajudar o recolhimento (durante o ato penitencial e após o convite à oração), ser um chamado à meditação (após as leituras ou a homilia) ou favorecer a oração interior de louvor e súplica (após a Comunhão).

Talvez as pessoas tenham dias difíceis e querem invocar a ajuda de Deus, confiar a Ele o futuro da Igreja e do mundo, observou o Papa, e para isso serve esse breve silêncio antes que o sacerdote, recolhendo as intenções de cada um, faça a comum oração que conclui os ritos iniciais, fazendo a “coleta” das intenções individuais.

“Recomendo vivamente aos sacerdotes observar esse momento de silêncio e não ir com pressa: ‘oremos’, e que se faça o silêncio. Recomento isso aos sacerdotes. Sem esse silêncio, corremos o risco de negligenciar o recolhimento da alma”.

Francisco conclui a catequese dizendo que, no Rito Romano, as orações são concisas, mas ricas em significado, e considerou que meditar os textos, também fora da Missa, pode ajudar a aprender como se dirigir a Deus, o que pedir, quais palavras usar. “Possa a liturgia se tornar para todos nós uma verdadeira escola de oração”.

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