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O Matrimônio e a Família no Plano de Deus

1. O que ensina a Igreja sobre a família?

A Igreja ensina que a família é um dos bens mais preciosos da humanidade.

2. Por que é um bem tão precioso?

A família é um dom precioso porque forma parte do plano de Deus para que todas as pessoas possam nascer e desenvolver-se em uma comunidade de amor, ser bons filhos de Deus neste mundo e participar na vida futura do Reino dos Céus: Deus quis que os homens, formando a família, colaborem com Ele nesta tarefa.

3. Onde estão revelados os planos de Deus sobre o matrimônio e a família?

Nas Sagradas Escrituras -a Bíblia-, se narra a criação do primeiro homem e da primeira mulher: Deus os criou a sua imagem e semelhança; os fez varão e mulher, os abençoou e os mandou crescer e multiplicar-se para povoar a terra (cf. Gn 1, 27). E para que isto fosse possível de um modo verdadeiramente humano, Deus mandou que o homem e a mulher se unissem para formar a comunidade de vida e amor que é o matrimônio (cf. Gn 2, 19-24).

4. Que benefícios traz formar uma família como Deus manda?

Quando as famílias se formam segundo a vontade de Deus, são fortes, sanas e felizes; possibilitam a promoção humana e espiritual dos seus membros contribuindo à renovação de toda a sociedade e da mesma Igreja.

5. Como ajuda a Igreja aos homens para conheçam o bem da família?

A Igreja oferece sua ajuda a todos os homens recordando-lhes qual é o desígnio de Deus sobre a família e sobre o matrimônio. Corresponde de modo especial aos católicos compreender e dar testemunho dos ensinamentos de Jesus neste campo.

6 . Como é possível realizar plenamente o projeto de Deus sobre o matrimônio e a família?

Somente com a ajuda da graça de Deus, vivendo de verdade o Evangelho, é possível realizar plenamente o projeto de Deus sobre o matrimônio e a família.

7. Por que existem tantas famílias quebradas ou com dificuldades? Por que às vezes parece tão difícil cumprir a vontade de Deus sobre o matrimônio?

Adão e Eva pecaram desobedecendo a Deus e desde então todos os homens nasceu com o pecado original. Este pecado e os que cada pessoa comete tornam fazem que seja difícil conhecer e cumprir a vontade de Deus sobre o matrimônio Por isso Jesus Cristo quis vir ao mundo: para redimir-nos do pecado e para que pudéssemos viver como filhos de Deus nesta vida e alcançar o Céu. É necessária a luz do Evangelho e da graça de Cristo para devolver ao homem, e também ao matrimônio e à família, sua bondade e beleza originais.

8. Quais são as conseqüências para a sociedade por não cumprir o plano de Deus sobre a família e o matrimônio?

Quando a infidelidade, o egoísmo e a irresponsabilidade dos pais com respeito aos filhos são as normas de conduta, toda a sociedade se vê afetada pela corrupção, pela desonestidade de costumes e pela violência.

9. Qual é a situação da família e nossa sociedade?

As mudanças culturais das últimas décadas influenciaram fortemente no conceito tradicional da família. Entretanto, a família é uma instituição natural dotada de uma extraordinária vitalidade, com grande capacidade de reação e defesa. Não todas estas mudanças foram prejudiciais e por isso o panorama atual sobre a família se pode dizer que está composto de aspectos positivos e negativos.

10. Quais aspectos positivos se notam em muitas famílias?

O sentido cristão da vida influenciou muito para que em nossa sociedade se promova cada vez mais: uma consciência mais viva da liberdade e responsabilidades pessoais no seio das famílias; o desejo de que as relações entre os esposos e dos pais com os filhos sejam virtuosas; uma grande preocupação pela dignidade da mulher; uma atitude mais atenta à paternidade e maternidade responsáveis; um maior cuidado com a educação dos filhos; uma maior preocupação pelas famílias para que se relacionem e se ajudem entre si.

11. Quais aspectos negativos encontramos nas famílias do nosso país?

São muitos e todos eles revelam as conseqüências que provoca o rechaço do amor de Deus pelos homens e mulheres da nossa época. De modo resumido podemos indicar: uma equivocada concepção da independência dos esposos; defeitos na autoridade e na relação entre pais e filhos; dificuldades para que a família transmita os valores humanos e cristãos; crescente número de divórcios e de uniões não matrimoniais; o recurso fácil à esterilização, ao aborto e a extensão de uma mentalidade anti-natalista muito difundida entre os matrimônios; condições morais de miséria, insegurança e materialismo; a emergência silenciosa de grande número de crianças de rua fruto da irresponsabilidade ou da incapacidade educativa dos seus pais; grande quantidade de pessoas abandonadas pela falta de famílias estáveis e solidárias.

12. O que podemos fazer para que os sinais negativos não prevaleçam?

A única solução eficaz é que cada homem e cada mulher se esforcem para viver nas suas famílias os ensinamentos do Evangelho, com autenticidade. O sentido cristão da vida fará que sempre prevaleçam os sinais positivos sobre os negativos, por mais que estes nunca faltem.

13. Jesus Cristo nos deu algum exemplo especial sobre a família?

Sim, porque Jesus Cristo nasceu em uma família exemplar; seus pais foram José e Maria. Ele os obedeceu em tudo (cf. Lc 2, 51) e aprendeu deles a crescer como verdadeiro homem. Assim pois, a família de Cristo é exemplo e modelo para toda família.

14. Estes ensinamentos são válidos para a família dos dias de hoje?

Os exemplos da Sagrada Família alcançam os homens de todas as épocas e culturas, porque o único modo de conseguir a realização pessoal e a dos seres amados é criar um lar onde a ternura, o respeito, a fidelidade, o trabalho, o serviço desinteressado sejam as normas de vida.

15. Quem deve sentir-se responsável por fortalecer a instituição familiar?

Cada homem é responsável de uma maneira ou de outra pela sociedade em que vive, e portanto da instituição familiar, que é o seu fundamento. Os casados, devem responder pela família que formaram para que seja segundo o desígnio de Deus: os que permanecem solteiros, devem cuidar daquela na qual nasceram. Os jovens e adolescentes têm uma particular responsabilidade de prepararem-se para construir estavelmente sua futura família.

Fonte: Catecismo da família e do matrimônio
Padres Fernando Castro e Jaime Molina  

 

Se nos amamos e vamos nos casar, por que não podemos ter relações?
“A relação sexual dentro do matrimônio defende a integridade do amor: seja a dos cônjuges entre si, seja o amor deles para com o fruto natural do matrimônio: o filho”
Roma,  12 de Agosto de 2013  (Zenit.org)  Pe. Anderson Alves

Essa é uma pergunta que alguns namorados cristãos comprometidos se fazem. Se eles sentem um amor real, por que não podem expressá-lo num gesto de intimidade que poderia ajudar a crescer o afeto entre os dois? Se a união corporal será comum dentro de pouco tempo, por que não iniciá-la quando o amor parece já ser maduro? Certamente, a maioria dos cristãos aceita que uma relação realizada por pessoas que mal se conhecem é irresponsável e pecaminosa. Mas não seria exagerado dizer o mesmo do ato realizado por namorados sinceros, fiéis e que estão (quase) decididos a se casar?

Para responder a essa questão é preciso lembrar que a Igreja não tem autoridade para mudar o que Deus revelou. A Palavra de Deus é sempre viva e eficaz, é uma luz que guia nossos passos. E ela ensina: “O corpo não é para a fornicação, e sim para o Senhor, e o Senhor é para o corpo”; “Fugi da fornicação. Qualquer outro pecado que o homem comete é fora do corpo, mas o impuro peca contra o seu próprio corpo”[1]. Esses textos expressam o valor altíssimo do corpo humano, que é templo do Espírito Santo, e não algo que possa ser usado ou abusado. E a fornicação (ato sexual fora do casamento) é um ato pecaminoso, porque reduz o valor do corpo humano ao de uma coisa, a algo utilizável. As relações sexuais não são meros atos físicos, mas devem ser expressão de algo mais profundo: a doação total e incondicional de uma pessoa a outra. E essa doação é real e se concretiza com o pacto matrimonial. Por isso, o ato sexual é bom quando busca o bem do casal e está aberto à transmissão da vida[2]. Esses são os dois fins do matrimônio.

Mas como aceitar isso nos nossos dias? Há algum motivo racional que poderia convencer-nos da verdade desses ensinamentos? Cremos que há vários motivos. Apresentamos agora alguns.

1. A relação sexual dentro do matrimônio defende especialmente a mulher e o possível fruto dessa relação: o filho. Se a geração de um filho se dá antes do matrimônio, o que geralmente ocorre? Esse novo ser passa a ser visto mais como um problema do que como um dom. Pois a concepção de um filho não obriga ao homem (o pai) a se casar. Se o pai é reto e tem um sentido apurado de justiça, manterá suas obrigações financeiras para com esse filho e para com a mulher. Mas isso não basta para a criança. Cada filho tem o direito de nascer dentro de um matrimônio sólido, no qual os pais busquem a felicidade juntos. Dentro do matrimônio, o filho é seu fruto natural, está protegido social e juridicamente e é naturalmente visto como um dom, e não como um fruto indesejável;

2. Em geral, quem vive a castidade no namoro terá menos dificuldades de viver a fidelidade ao matrimônio. Hoje em dia, o “permissivismo” moral é grande. A “educação sexual” transmitida pelos meios de comunicação e, às vezes, pelas escolas, diz somente: “faça o que você quiser, desde que seja com preservativos e escondido dos seus pais”. Para vencer nesse ambiente hostil e irresponsável é necessária uma verdadeira educação à castidade, que é a proteção do amor autêntico. E o período de namoro serve para isso: para que o casal cresça no conhecimento mútuo, elabore projetos comuns e adquira virtudes indispensáveis para a vida matrimonial. Se o casal vive bem esse período, sem chegar a ter intimidades próprias da vida matrimonial, passará por uma verdadeira escola de castidade e de fidelidade. Constatamos que pecar contra a castidade antes do matrimônio é tão fácil quanto pecar contra a fidelidade dentro dele. Assim, estará mais preparado para viver a fidelidade quem se preparou bem antes, vivendo a castidade no namoro;

3. O amor matrimonial não se reduz a um exercício físico, mas é a comunhão total de vida. Certa vez, disse Chesterton: «Em tudo que vale a pena, até em cada prazer, há um ponto de dor ou tédio que deve ser preservado, para que o prazer possa reviver e durar. A alegria da batalha vem depois do primeiro medo da morte; a alegria em ler Virgílio vem depois do tédio de aprendê-lo; o brilho no banhista vem depois do choque gelado do banho do mar; e o sucesso do casamento vem depois da decepção com a lua-de-mel»[3]. O que diz esse autor, que foi um homem bem casado por muitos anos, é uma verdade comprovável. O prazer do ato sexual certamente existe, mas não é tudo na vida matrimonial. O ato sexual é, como todo ato humano, sempre ambíguo, pois ao mesmo tempo em que realiza quem o faz, causa certa frustração, porque o coração humano é feito para o infinito e não se contenta com atos singulares. Todo jovem deve reconhecer isso, que faz parte de todo processo de maturação, e o ideal é que isso ocorra dentro do matrimônio. Só quem supera a “decepção” inicial pode ser feliz no matrimônio, pois a felicidade vem de Deus, do amor fiel e responsável renovado diariamente em atos de doação mútua. O amor não é o mesmo que o prazer, mas é uma entrega voluntária e fiel, que supera todas as dificuldades.

4. Boa parte dos casais que fazem planos sérios de casamento acabam por se separar antes que isso se realize. Nem o namoro e nem o noivado dão ao casal o mesmo nível de comprometimento um com o outro que só dá o matrimônio. Por isso, quem tem relações sexuais antes do casamento corre o sério risco de se entregar a alguém com quem, ao fim, não se unirá sacramentalmente. E tal pecado sempre marca profundamente a alma e traz sérias consequências (principalmente afetivas), ainda que seja plenamente perdoado por Deus após uma boa Confissão.

Nos tempos atuais as pessoas “usam” o sexo como se fosse um jogo. E o que ocorre? Cada vez menos pessoas adquirem a capacidade de fazer escolhas definitivas, cada vez menos pessoas se casam. O ato matrimonial, ao qual Deus quis unir um prazer sensível, deve produzir um prazer superior, de natureza espiritual: a alegria de saber que se está cumprindo a vontade de Deus. E o ato de gerar um filho é algo de milagroso, no qual se dá a união das partes materiais provenientes dos pais e a criação de uma nova alma humana, diretamente por Deus. O prazer que os pais têm ao saber que estão colaborando com Deus é algo único.

A resposta à pergunta diz, portanto, que o amor não é somente um sentimento vago, nem mesmo se reduz ao prazer. Mas é algo bem prático e exigente, que implica a vontade concreta de colaborar com os planos de Deus, que concebeu o ato matrimonial como a expressão perfeita de uma doação integral de duas pessoas, um homem e uma mulher, colaborando assim com a mesma obra criadora de Deus.

[1] 1Cor 6, 13 e 18; cfr.: Tob 4, 13; At 21, 25; Ef 5, 3.
[2]  Cfr. Catecismo da Igreja Católica, § 2361-2363.
[3] Chesterton, O que há de errado no mundo, EditoraEcclesiae,Campinas2012.

 

Pílula do Dia Seguinte é abortiva, afirmam especialistas

Segunda-feira, 06 de maio de 2013, Kelen Galvan / Da Redação

A partir do momento em que um espermatozoide penetra o óvulo tem início o desenvolvimento embrionário

A pílula do dia seguinte é distribuída na Rede Pública de Saúde do país desde 2005, e atualmente, não há necessidade de receita médica para retirá-la. A proposta do Ministério de Saúde é evitar a gravidez indesejada e consequentemente o número de abortos.

Na cartilha que orienta os profissionais de saúde, o Ministério afirma que a pílula não é abortiva, e que simplesmente impediria a fecundação, por evitar o encontro do espermatozoide com o óvulo. Entretanto, a fecundação pode ocorrer entre um a cinco dias após a relação sexual, estando a mulher em período fértil, e ali, nesse momento, começa a vida. “Como é apresentado em qualquer livro de biologia”, afirma a Doutora em Microbiologia pela UNIFESP, Dra. Lenise Garcia, também integrante da Comissão de Bioética da Arquidiocese de Brasília e da CNBB e presidente do Movimento Brasil Sem Aborto.

Segundo a especialista, a própria Organização Mundial da Saúde (OMS) tem começado a difundir a ideia de que o momento da concepção, ou seja, da gravidez, seria só após o “óvulo” ter se implantado no útero, o que leva cerca de seis a oito dias após a fecundação, e com base nesse argumento afimam que a pílula do dia seguinte não é abortiva. Contudo, nesse aspecto há equívocos, pois a cartilha chama de óvulo aquele que já é o embrião humano, ressalta Dra. Lenise. “A fecundação já é uma vida humana, original, se não fosse isso não haveria o que ‘implantar’. É uma incoerência do argumento”, afirma.

Com base nisso, os especialistas pró-vida alertam que a pílula é abortiva, pois como é utilizada até cinco dias depois da relação sexual, pode ocorrer do óvulo já ter sido fecundado e por consequência impedir que ele siga o percurso natural de implantação no útero.

“Com o óvulo fecundado começa uma nova vida, ainda minúscula, mas ali já tem o código genético de um novo ser humano. E nesse embriãozinho, o zigoto, está concentrada toda a potencialidade de desenvolvimento de um ser humano. Por isso que, a Igreja Católica acompanhando a opinião de grandes cientistas reconhece que ali já se trata de vida humana e que tomar uma pílula para expulsar aquele óvulo fecundado significa abortar”, esclarece o presidente da Comissão Episcopal Pastoral para Vida e Família da CNBB, Dom João Carlos Petrini.

Além dessa preocupação, muitos médicos têm afirmado que a pílula é como “uma bomba hormonal”, que equivale a quase meia cartela dos anticoncepcionais comuns. “O que é distribuído em 25 dias será distribuído nas 72 horas após o ato sexual. É uma grande quantidade de hormônios que o corpo feminino recebe e logicamente terá efeitos colaterais”, explica o médico e bispo auxiliar do Rio de Janeiro, Dom Antônio Augusto Dias.

Banalização das relações humanas

Outro aspecto abordado por Dom Antônio é o de que, na sociedade atual, as relações entre as pessoas estão ficando muito no âmbito superficial e, em alguns casos, apenas no âmbito físico, e se esquece que há outros valores que sustentam os relacionamentos humanos e a sociedade em geral.

“O valor do relacionamento do homem e da mulher que culmina numa relação sexual não é apenas um ato físico, um ato reprodutor, mas é um ato em que está envolvidos muitos valores que elevam o relacionamento do homem e da mulher, tais como fidelidade, carinho, amor verdadeiro, entrega, doação de um ao outro, o nascimento de uma criança que torna o homem e a mulher pais, que é o valor muito grande da paternidade e maternidade, a amizade, o autodomínio, a fortaleza, a lealdade e a  sinceridade do ato conjugal”, explicou Dom Antônio.

O bispo ainda alertou que ao facilitar essa “segurança” contra a gravidez, ajuda-se a destruir os relacionamentos humanos e a própria família, e com isso, os relacionamentos de amor, de gratuidade, deixando a sociedade à mercê da banalização dos relacionamentos.

“É isso que nos surpreende: que o Ministério da Saúde, com essa cartilha e essa distribuição gratuita e ágil da pilula do dia seguinte, pretenda tornar a sociedade humana banalizada e sem sentido de compromisso entre as pessoas”.

Cuidar da saúde é um dever cristão

O Senhor Deus modelou o homem com a argila do solo, insuflou em suas narinas um hálito de vida e o homem se tornou um ser vivente (Gn 2,7)

Os anjos só tem espírito e os animais apenas têm corpos. Já o ser humano é uma síntese perfeita e maravilhosa de ambos. A pessoa humana, criada à imagem de Deus, é um ser ao mesmo tempo corporal e espiritual. O relato bíblico exprime esta realidade com uma linguagem simbólica, ao afirmar que “o Senhor Deus modelou o homem com a argila do solo, insuflou em suas narinas um hálito de vida e o homem se tornou um ser vivente” (Gn 2,7). Portanto, o homem em sua totalidade é querido por Deus.

O corpo do homem também participa da dignidade da “imagem de Deus”: é a pessoa humana inteira que está destinada a tornar-se, no Corpo de Cristo, o Templo do Espírito Santo.

O Concílio Vaticano II explicou que: “Unidade de corpo e de alma, o homem, por sua própria condição corporal, sintetiza em si os elementos do mundo material, que nele assim atinge sua plenitude e apresenta livremente ao Criador uma voz  de louvor. (GS 14,1)

Portanto, não se pode desprezar a vida corporal; ao contrario, devemos estimar e honrar o corpo, porque ele foi criado por Deus e destinado à ressurreição no último dia.

Desta forma, devemos evitar todo tipo de vícios e maus hábitos que possam fazer mal à saúde e prejudicar o corpo. Todas as formas de vícios acabam lesando a saúde; o vicio do cigarro, a bebida alcoólica, e as drogas, de modo especial, fazem mal à saúde.

É preciso cultivar a virtude da temperança pois ela nos ajuda a evitar toda espécie de excesso, o abuso da comida, do álcool, do fumo e dos medicamentos usados de maneira errada.

Tudo o que possa fazer mal ao corpo é considerado pela Igreja como algo mal e indevido. Por exemplo, aqueles que, em estado de embriaguez ou por gosto imoderado pela velocidade, colocam em perigo a segurança alheia e a própria nas estradas, no mar ou no ar, tornam-se gravemente culpáveis. Quantas pessoas perderam a vida por causa de acidentes causados nas estradas por motoristas embriagados ou até mesmo drogados.

Não é licito também colocar a vida e a saúde em risco sem necessidade, apenas pelo desejo imoderado de aventura.

A Igreja lembra-nos que “a vida e a saúde física são bens preciosos confiados por Deus. Devemos cuidar delas racionalmente, levando em conta as necessidades alheias e o bem comum. O cuidado com a saúde dos cidadãos requer a ajuda da sociedade para obter as condições de vida que permitam crescer e atingir a maturidade: alimento, roupa, moradia, cuidado da saúde, ensino básico, emprego, assistência social.” (Catecismo §2288)

Especialmente em relação aos jovens os pais precisam estar alertas sobre os vícios, pois sabemos que é na juventude que eles se iniciam e podem se tornar um grande mal. Quantos jovens perderam as suas vidas por causas das drogas!

Juntamente com a saúde física é preciso cuidar da saúde mental. Se a pessoa não tem uma vida equilibrada, ela pode buscar nos vícios uma forma de compensar as frustrações e carências afetivas, etc. Podemos e devemos buscar ajuda profissional e  espiritual para tratar dos males de nosso espírito. Hoje a depressão é causa de muito sofrimento, e mesmo de morte. É preciso tratar dela com médicos, psicólogos, psiquiatras e ajuda espiritual.

Também as condições de trabalho inadequadas podem fazer mal à saúde. Felizmente os governos estão hoje mais alertas a isto, mas assim mesmo ainda há casos de desrespeito neste campo.

Em relação ao trabalho é preciso lembrar também que não podemos ser escravos dele. Muitos se matam de trabalhar, sem o necessário repouso e férias. Isto prejudica a saúde física e mental, sem falar no mal que pode fazer para a família. Quantos pais e mães abandonam seus filhos para se dedicar exageradamente ao trabalho. O dinheiro ganho deste jeito pode depois ter que ser usado com médicos e psicólogos para compensar os males produzidos pela ausência dos pais junto aos filhos.

Se por um lado, é preciso cuidar do corpo, é importante também não dispensar a ele um cuidado exagerado. A alma é mais importante que o corpo; este um dia morrerá, mas alma é imortal.

Infelizmente a nossa sociedade dispensa ao corpo um cuidado exagerado no sentido e cultuar a beleza a todo custo. Há hoje uma verdadeira “ditadura da beleza” que escraviza especialmente as moças. A mídia muitas vezes lhes impõe um padrão de beleza; e faz sofrer aquelas que não atingem este padrão.

A Igreja ensina que “se a moral apela para o respeito à vida corporal, não faz desta um valor absoluto, insurgindo-se contra uma concepção neo-pagã que tende a promover o “culto do corpo”, a tudo sacrificar-lhe, a idolatrar a perfeição física.” (Cat. §2289)

Cuidar do corpo e da saúde é algo importante e necessário, mas cair no erro do culto exagerado do corpo, como se ele fosse mais importante que o espírito, é um erro que coloca o homem de cabeça para baixo.

Prof. Felipe Aquino

Temos direito à vida

A vida humana é sagrada, pois tem como origem a ação criadora de Deus

A lei brasileira permite o uso, para pesquisa e terapia, de células-tronco obtidas de embriões humanos de até cinco dias, que sejam sobras do processo de fertilização in vitro, inviáveis para implantação ou congelados por mais de três anos com o consentimento dos genitores. Todavia, ainda que a lei aprove, esta prática é um atentado contra a vida humana.

Em primeiro lugar, a destruição do blastocisto, embrião na segunda semana de gestação, para a obtenção de células-tronco, é um atentado contra a vida, porque esta é inviolável, ainda que em sua fase inicial de formação. Esta prática é eticamente incorreta, porque é um desrespeito contra a dignidade humana. Uma vida, ainda que em sua fase inicial, não pode ser usada para pesquisas e/ou terapias. Ainda que o fim dessas pesquisas seja para o bem da humanidade, não se pode dispor de um meio mau para chegar a esse fim. Além da questão ética, há também implicações do ponto de vista religioso a respeito do uso de células tronco embrionárias para pesquisas e terapias.

Segundo a Carta Encíclica Evangelium Vitae, do Papa João Paulo II, o quinto mandamento da Lei é lembrado, em primeiro lugar, por Jesus ao jovem rico: “Não matarás; não cometerás adultério; não roubarás…” (Mt 19, 18). Segundo o Pontífice, o mandamento de Deus não pode ser desvinculado do seu amor, que é sempre um dom para a alegria do homem. Este constitui um aspecto essencial e um elemento inalienável do Evangelho, uma boa e feliz notícia.

O Evangelho da vida é um grande dom de Deus e, ao mesmo tempo, uma exigente tarefa para o homem. “Aquele suscita assombro e gratidão na pessoa livre e pede para ser acolhido, guardado e valorizado com vivo sentimento de responsabilidade: dando-lhe a vida, Deus exige do homem que a ame, respeite e promova. Deste modo, o dom faz-se mandamento, e o mandamento é em si mesmo um dom”. O homem tem o dever de amar, respeitar e promover a vida, por isso a destruição do embrião para a obter células-tronco é pecado grave contra Deus e Sua Lei.

João Paulo II afirma que o homem é rei e senhor não apenas das coisas, mas também, e em primeiro lugar, de si mesmo e da vida que lhe é dada. O gênero humano pode transmitir a vida por meio da geração cumprida no amor e no respeito do desígnio de Deus. Porém, o seu domínio não é absoluto, mas um reflexo concreto do domínio único e infinito de Deus. Por isso, o homem deve viver esse domínio com sabedoria e amor, participando da sabedoria e do amor de Deus, o qual é tão grande que não pode ser medido (cf. EV 52). O homem não é senhor absoluto e árbitro incontestável, mas ministro do desígnio de Deus. A vida é confiada ao homem como um tesouro que não pode desprezar, como um talento que deve fazer render, pois dele terá de prestar contas ao seu Senhor (cf. Mt 25, 14-30; Lc 19, 12-27).

A vida humana é sagrada, pois tem como origem a ação criadora de Deus e mantém para sempre uma relação especial com o Criador, seu único fim. “Só Deus é Senhor da vida, desde o princípio até ao fim: ninguém, em circunstância alguma, pode reivindicar o direito de destruir diretamente um ser humano inocente” (EV 53). Somente Deus é o Senhor absoluto da vida do homem, formado à Sua imagem e semelhança (cf. Gn 1, 26-28), por isso, não podemos manipular a vida.

A vida humana possui um caráter sagrado e inviolável, no qual se reflete a própria inviolabilidade do Criador. Por isso, Deus se fará juiz severo de qualquer violação do mandamento “não matarás”, colocado na base de toda a convivência social. Deus é o defensor do inocente (cf. Gn 4, 9-15; Is 41, 14; Jr 50, 34; Sal 19 18, 15), que não Se alegra com a perdição dos vivos (cf. Sb 1, 13). Com a perdição, somente satanás pode se alegrar. Foi pela inveja do homem que a morte entrou no mundo (cf. Sb 2, 24). O demônio é assassino desde o princípio e também mentiroso e pai da mentira (cf. Jo 8, 44).

Enganando o homem, satanás levou-o ao pecado e à morte, que lhe foram apresentados como objetivos e frutos de vida (cf. EV 52). Não nos enganemos, pois tais pesquisas com células-tronco embrionárias podem ser apresentados da mesma forma, como objetivos e frutos de vida, mas na verdade fazem parte da cultura de morte, que se espalha pelo mundo. Protejamos estas vidas contra qualquer tipo de manipulação, pois nos lembra o Beato João Paulo II, o ser humano tem direito à vida desde a concepção até o momento da morte natural (cf. Exortação Apostólica Christifideles laici, 38).

Natalino Ueda – Comunidade Canção Nova

É preciso confiar sempre mais na misericórdia de Deus

Domingo, 10 de fevereiro de 2013, Jéssica Marçal / Da Redação

‘O homem não é o autor da própria vocação, mas dá resposta à proposta divina’, disse Bento XVI antes do Angelus deste domingo, 10
 
O Papa Bento XVI reuniu-se com os fiéis na Praça São Pedro, no Vaticano, neste domingo, 10, para rezar o Angelus. Antes da oração mariana, o Pontífice fez uma breve reflexão sobre a liturgia do dia, que apresenta o relato do chamado dos primeiros discípulos.

Bento XVI lembrou que o chamado de Deus não olha tanto para a qualidade dos eleitos, mas para a sua fé, como aquela de Simão, que diz:  “Por causa de tua palavra, lançarei a rede” (Lc 5, 5). Essa imagem da pesca, segundo explicou o Papa, refere-se à missão da Igreja. Ele destacou que a experiência de Pedro, certamente única, representa o chamado de cada apóstolo do Evangelho, que nunca deve se desencorajar no anunciar Cristo a todos os homens.

“O homem não é o autor da própria vocação, mas dá resposta à proposta divina; e a fraqueza humana não deve ter medo se Deus chama. É preciso ter confiança na sua força que atua precisamente na nossa pobreza; temos de confiar sempre mais no poder da sua misericórdia, que transforma e renova”, disse.

O Pontífice disse ainda que essa Palavra de Deus reaviva nas comunidades a coragem, confiança e entusiasmo para anunciar e testemunhar o Evangelho. Ele convidou todos a confiarem também na intercessão da Virgem Maria, Rainha dos Apóstolos. “Com sua ajuda materna, renovemos a nossa disponibilidade de seguir Jesus, Mestre e Senhor”.

Após rezar a oração mariana, o Santo Padre dirigiu um pensamento aos povos do Extremo Oriente, que hoje festejam o ano novo lunar. Ele disse que paz, harmonia e agradecimento ao Céu são os valores universais que se celebram nesta ocasião e que são desejados por todos para construir a própria família, a sociedade e a nação.

“Desejo que se possa realizar para aqueles povos as aspirações de uma vida feliz e próspera. Envio uma saudação especial aos católicos daqueles países, para que neste Ano da Fé se deixem guiar pela sabedoria de Cristo”, disse.

Bento XVI lembrou ainda que nesta segunda-feira, 11, a Igreja celebra o Dia Mundial do Enfermo, data em que também se faz memória litúrgica de Nossa Senhora de Lourdes. Ele recordou que haverá uma celebração solene no Santuário mariano de Altötting, na Baviera. “Com a oração e com afeto estou próximo de todos os doentes e me uno espiritualmente a todos que se reunirão naquele Santuário, a mim particularmente querido”.

 

Palavras do Papa antes do Angelus – 10/02/2013
Boletim da Santa Sé (Tradução: Jéssica Marçal – equipe CN Notícias)

Queridos irmãos e irmãs,

Na liturgia de hoje, o Evangelho segundo Lucas apresenta o relato do chamado dos primeiros discípulos, com uma versão original a respeito dos outros dois evangelhos Sinópticos, Mateus e Marcos (cfr Mt 4,18-22; Mc 1,16-20). O chamado, na verdade, precedeu o ensinamento de Jesus para a multidão e uma pesca milagrosa, cumprida pela vontade do Senhor (Lc 5,1-6). Enquanto de fato a multidão corre à margem do lago de Genesaré para escutar Jesus, Ele vê Simão desanimado por não ter pescado nada a noite toda. Primeiro pede-lhe para entrar em seu barco para pregar para as pessoas estando a uma curta distância da margem; depois, terminada a pregação, ordena-lhe que saia com seus companheiros e lance as redes (cfr v.5). Simão obedece, e esses pescam uma quantidade incrível de peixes. Deste modo, o evangelista faz ver como os primeiros discípulos seguiram Jesus confiando-se a Ele, fundando-se sobre sua Palavra, acompanhada também por sinais milagrosos. Observamos que, antes deste sinal, Simão se dirige a Jesus chamando-o de “Mestre” (v. 5), enquanto depois o chama de “Senhor” (v. 7). É a pedagogia do chamado de Deus, que não olha tanto para a qualidade dos eleitos, mas à sua fé, como aquela de Simão que diz “Por causa de tua palavra, lançarei a rede” (v. 5).

A imagem da pesca refere-se à missão da Igreja. Comenta a este respeito Santo Agostinho: “Duas vezes os discípulos começaram a pescar sob o comando do Senhor: uma vez antes da paixão e outra depois da ressurreição. Nas duas pescarias está representada toda a Igreja: a Igreja como ela é hoje e como será depois da ressurreição dos mortos. Agora acolhe uma multidão impossível de ser contada, e compreende bons e maus; e depois da ressurreição compreenderá apenas os bons” (Discurso 248, 1). A experiência de Pedro, certamente única, também é representativa do chamado de cada apóstolo do Evangelho, que nunca deve se desencorajar no anunciar Cristo a todos os homens, até aos confins do mundo. Todavia, o texto de hoje faz refletir sobre a vocação ao sacerdócio e à vida consagrada. Essa é obra de Deus. O homem não é o autor da própria vocação, mas dá resposta à proposta divina; e a fraqueza humana não deve ter medo se Deus chama. É preciso  ter confiança na sua força que atua precisamente na nossa pobreza; temos de confiar sempre mais no poder da sua misericórdia, que transforma e renova.

Queridos irmãos e irmãs, esta Palavra de Deus reaviva também em nós e nas nossas comunidades cristãs a coragem, a confiança e o entusiasmo no anunciar e testemunhar o Evangelho. Os fracassos e as dificuldades não levem ao desânimo: a nossa tarefa é lançar as redes com fé, o Senhor faz o resto. Confiemos também na intercessão da Virgem Maria, Rainha dos Apóstolos. Ao chamado do Senhor, Ela, bem consciente de sua pequenez, respondeu com total confiança: “Eis-me aqui”. Com sua ajuda materna, renovemos a nossa disponibilidade de seguir Jesus, Mestre e Senhor.

Se existe o mal, existe Deus?

O mal não existiria se não existisse o bem

«Os Salmos podiam afirmar que o Senhor “chovia” ou “trovejava”, que era Ele quem causava a guerra e mandava a peste. O Novo Testamento podia supor que determinada enfermidade era causada pelo demônio. Hoje, porém, isso não é mais possível. Mesmo que o quiséssemos, não poderíamos ignorar que a chuva e o trovão têm causas atmosféricas bem definidas; que a doença obedece a vírus, bactérias ou disfunções orgânicas; e que as guerras nascem do egoísmo humano. Ao falarmos de fenômenos acontecidos no mundo, impôs-se a evidência de que a “hipótese Deus” é supérflua como explicação. Mais ainda, é ilegítima e obstinar-se nela acaba, fatalmente, prejudicando a credibilidade da fé»

É com estas e outras considerações que Andrés Torres Queiruga procura explicar a ação de Deus no mundo em dois de seus livros: “Um Deus para hoje” e “Repensar o mal”. Dada a importância do assunto, permito-me aprofundá-lo em quatro artigos, deixando-me conduzir, nos três primeiros, pelo teólogo espanhol e, no último, por Bento XVI, que ratificará – ou retificará – o pensamento do padre Andrés.

Queiruga começa com um questionamento: «O problema mais sutil – e, por isso mesmo, a tarefa mais difícil – aparece pelas posições de meio-termo, em que ou se aceitam os princípios, mas não se tiram as consequências ou se admitem alguns elementos, mas se resiste a aceitar outros que, no entanto, são solidários. Assim, não se pensa mais que Deus “chova”, mas, em alguns lugares ou ocasiões, as pessoas fazem preces para pedir chuva; não se crê mais que Deus mande a guerra, mas celebram Missas por suas campanhas; reconhecem os gêneros literários na Bíblia, mas continuam tomando à letra o sacrifício de Isaac. A intenção pode ser boa, mas os danos acabam sendo muito graves».

A raiz do problema foi sintetizada no que se costuma denominar “O dilema de Epicuro”. Nele, o filósofo grego nega a existência de Deus a partir da presença do mal na história humana: «Ou Deus quer tirar o mal do mundo, mas não pode; ou pode, mas não quer; ou não pode nem quer; ou pode e quer. Se quer, mas não pode, é impotente; se pode, mas não quer, é mau; se não quer nem pode, é fraco e perverso; se pode e quer, então, por que não o elimina?».

Queiruga comenta o dilema com estas palavras: «Em vista dos grandes males que afligem o mundo, um Deus que, podendo, não os elimina, acaba, por força, aparecendo como ser mesquinho e insensível, indiferente e até mesmo cruel. Por que, quem, se pudesse, não eliminaria – sem pergunta prévia de qualquer tipo – a fome, as pestes e os genocídios que assolam o mundo?

Seremos nós melhores que Deus? Como disse Jürgen Moltmann, diante da recordação de Verdun, Stalingrado, Auschwitz ou Hiroxima, um Deus que permite tão escandalosos crimes, fazendo-se cúmplice dos homens, dificilmente se pode chamar Deus».

Para Santo Tomás de Aquino, porém, o que o argumento de Epicuro prova é a existência de Deus: «Se existe o mal, existe Deus. O mal não existiria se não existisse o bem, do qual é privação. E o bem não existiria se Deus não existisse». Outro teólogo para quem o sofrimento não impede a crença em Deus é o mártir evangélico Dietrich Bonhoeffer, morto num campo de concentração nazista em 1945. Para ele, a vida brota do amor – o qual, por se identificar com a busca do bem, exige uma constante conversão. Contudo, de acordo com o padre Andrés, tais conceitos precisam ser bem entendidos: «Bonhoeffer encontrou a melhor resposta para o nosso tempo: “Só o Deus sofredor pode salvar-nos”. Mas essa afirmação só é válida se se situa dentro do paradigma de um Deus não intervencionista e delicadamente respeitoso da autonomia do mundo. Enquanto se mantiver, de modo acrítico e talvez inconsciente, o velho pressuposto de uma onipotência abstrata e definitivamente arbitrária, no sentido de que Deus poderia, se quisesse, eliminar os males do mundo, converte-se a resposta em pura retórica, que, a longo prazo, mina pela raiz a possibilidade de crer. De nada serve a própria proclamação de que Deus sofre com nossos males, se, antes, pôde tê-los evitado, pois, nesse caso, chegariam tarde demais sua compaixão e sua dor. Pode até provocar o riso, como se diz do espanhol rico e piedoso que construiu um hospital para os pobres, depois de tê-los empobrecido!».

Dom Redovino Rizzardo, cs

As mudas do Reino

É dever dos cristãos espalhar boas sementes pelo mundo

Há pessoas com tamanho gosto pelas plantas que se dedicam a recolher, por onde passam, mudas e sementes, para que a vida dada por Deus, na magnífica e variada flora de nossa região, se multiplique por toda parte. Há gente que passa por nossas ruas com carrinhos repletos de madeira, papelão ou ferro velho, para transformar em trocados ou em salário. Os lixões da vida estão repletos de catadores, diante dos quais muitos podem até virar o rosto, mas se esconde ali uma dignidade desconcertante.

E quantos são os homens e mulheres, artistas e poetas, quais trovadores do dia ou da noite, que andam catando versos e compondo melodias feitas de rimas incríveis, carregadas do humor ou da angústia do cotidiano. E não são poucas as pessoas que recolhem imagens, para que dos pincéis dos pintores ou das máquinas fotográficas ou filmadoras passem aos corações a moldura da vida, com rostos e mais rostos.

A crônica da cidade poderia se enriquecer com tantas outras figuras provocantes ou curiosas, todas participantes do agitado malabarismo do viver, que recolhem pedaços de histórias e de coisas, para compor o grande concerto de nossa aventura humana.

Visto do alto, onde se encontra o Senhor, Aquele que está também bem perto de nós, dentro de nós e no meio de nós, o mundo fica até bonito. É que se trata de limpar os olhos para enxergar melhor, para superar o derrotismo dos pessimistas ou a ingenuidade dos que só enxergam a superfície. Há vida pulsando nas veias da humanidade e da terra.

Há um plano de amor com que tudo foi feito pelo Deus, que é amor. De fato, “assim diz o Senhor Deus: Eu mesmo pegarei da copa do cedro, do mais alto de seus ramos arrancarei um rebento e o plantarei sobre um alto e escarpado monte. Eu o plantarei no alto monte de Israel. Ele produzirá folhagem, dará frutos e se tornará um majestoso cedro. Debaixo dele pousarão todos os pássaros, à sombra de seus galhos as aves farão ninhos. E todas as árvores do campo saberão que eu sou o Senhor, que abato a árvore alta e exalto a árvore baixa, faço secar a árvore verde e brotar a árvore seca. Eu, o Senhor, falei e farei” (Ez 17,22-24). Deus é “incorrigível” em Sua mania de fazer jardins e pomares! (cf. Gn 1-3).

A força criadora do amor de Deus faz com que o bem se espalhe e se multiplique. É como “alguém que espalha a semente na terra. Ele vai dormir e acorda, noite e dia, e a semente vai germinando e crescendo, mas ele não sabe como isso acontece” (Mc 4,26-34). Faz parte da vida cristã identificar os sinais da presença de Deus na história humana, olhar ao redor e perceber o bem que se faz, para entender as parábolas da vida que o Senhor continua contando. Em tais novas parábolas, os personagens somos nós mesmos, pois Deus nos chama a sermos sinais de Seu Reino.

Entretanto, com muita propriedade, vem à tona o problema do mal. Desde os primórdios, os seres humanos inventaram mil formas para estragar o jardim plantado por Deus. Até a isso se responde com a belíssima parábola do joio e do trigo (cf. Mt 13,24-43). “Como o joio é retirado e queimado no fogo, assim também acontecerá no fim dos tempos: o Filho do Homem enviará seus anjos e eles retirarão do seu Reino toda causa de pecado e os que praticam o mal” (Mt 13,40-41) Enquanto o mundo for mundo, haverá a misteriosa presença do mal. Identificá-lo dentro e fora de nós e oferecer soluções é tarefa permanente.

Até para denunciar o mal existente, o melhor remédio é espalhar o bem. Vale a máxima de São Francisco de Sales: “Com uma colherinha de mel se atraem mais moscas do que com um tonel de vinagre”. E temos à disposição remédios preciosos: a pregação da conversão, a oração, os sacramentos e o cultivo do “amor mútuo, com todo o ardor, porque o amor cobre uma multidão de pecados” (1 Pd 4,8).

Como cristãos, auguramos que as sementes do bem se espalhem, cresçam e frutifiquem, para que a árvore do Reino de Deus abrigue, como aves do céu, gente de todas as raças e nações. Como nada podemos em nossa fraqueza, suplicamos o socorro da graça de Deus para que possamos querer e agir conforme Sua vontade, seguindo os Dez Mandamentos. Não faz mal sonhar alto com um mundo novo!

Dom Alberto Taveira Corrêa
Arcebispo de Belém – PA

Combate ao comunismo no Pontificado de São João Paulo II

Questões históricas

Papa polonês conheceu de perto regime comunista e procurou, ao longo de seu pontificado, promover a dignidade da pessoa humana

Jéssica Marçal, com colaboração de Jakeline D’Onofrio / Da Redação

Ao longo da história, Igreja Católica e comunismo andaram em lados opostos, já que a ideologia materialista fere princípios defendidos pela doutrina católica, como a liberdade humana. Esse contraste se manifestou de forma especial no pontificado de João Paulo II, um Papa polonês eleito enquanto o regime ainda estava em vigor.

João Paulo II conheceu de perto o regime comunista, tendo vivido nele por mais de três décadas. Para o arcebispo de Porto Nacional (TO), Dom Romualdo Matias Kujawski, isso influenciou o discurso do Papa em relação ao comunismo.

“Sem dúvida nenhuma, o conhecimento pessoal influenciou nos discursos que o Santo Padre fazia. (…) Ele tentou positivamente explicar o Evangelho e concretizar a dignidade da pessoa humana”.

Assim como João Paulo II, Dom Romualdo é polonês. Ele conta que o Papa sofreu com esse sistema pautado por uma ideologia ateia, que acaba oprimindo a pessoa. Dessa forma, o posicionamento do Papa polonês, bem como o da Igreja, sempre foi contrário ao regime. “Sempre aquela luta, aquela fala, por necessidade da liberdade da pessoa e também liberdade religiosa”.

O esforço de João Paulo II em disseminar os princípios da liberdade e do direito do homem revelaram-se em seus documentos. Como exemplo, pode-se citar sua primeira encíclica, Redemptoris Hominis, de 1979, com reflexões sobre a liberdade do homem, sua situação no mundo contemporâneo e seus direitos. Em outro documento, datado de 1981, Laborem Exercens, o Santo Padre reflete sobre o trabalho humano.

Essas e outras reflexões de João Paulo II foram tão marcantes e incidentes que se atribui a ele uma grande contribuição para o fim do regime comunista, o que ficou marcado definitivamente pela queda do Muro de Berlim em 1989.

Pouco tempo depois, em 1º de dezembro de 1989, aconteceu a audiência histórica entre João Paulo II e o líder da União Soviética, Mikhail Gorbachov, que foi recebido cordialmente pelo então Pontífice.

“A casa do Papa é, desde sempre, a casa comum para todos os representantes dos povos da Terra. Senhor presidente, seja também cordialmente bem-vindo”, disse João Paulo II a Gorbachov na ocasião.

Nesse encontro, também foi abordada a situação internacional e alguns problemas mais urgentes na época.  João Paulo II e Gorbachov também falaram do desenvolvimento de contatos recíprocos tanto para a solução de problemas da Igreja Católica na União Soviética quanto para promover um empenho comum em favor da paz e da colaboração no mundo.

“Esta colaboração é possível já que tem como objeto e sujeito o homem. De fato, ‘o homem é a via da Igreja’, como tive oportunidade de recordar desde o início do meu pontificado  (Redemptores Hominis, 14), acrescentou o Santo Padre.

Dom Romualdo destaca ainda que, em sua caminhada para anunciar o Evangelho, João Paulo II não adotou uma postura moralista, mas simplesmente queria oferecer a visão de Jesus. Não se tratava de uma ideologia, mas de uma consequência do Salvador que criou o ser humano para a felicidade, para a liberdade.

“João Paulo II continua me inspirando nos contextos das dificuldades, para não agir de impulso, mas exatamente refletir um pouquinho mais e agir a partir do que Jesus faria”, conclui Dom Romualdo.

O papel das mães na família

Importância das mães

Quarta-feira, 7 de janeiro de 2015, Jéssica Marçal / Da Redação

No ciclo de catequeses sobre família, Francisco se concentrou na importância das mães, lembrando que também a Igreja é mãe

Após as festas de fim de ano, o Papa Francisco retomou, nesta quarta-feira, 7, a tradicional audiência geral. Reunido com os fiéis na Sala Paulo VI, o Santo Padre deu sequência ao ciclo de catequeses sobre a família, desta vez se concentrando no papel essencial das mães, voltando a reiterar que também a Igreja é uma mãe.

“Cada pessoa humana deve a vida a uma mãe e quase sempre deve a ela muito da própria existência sucessiva, da formação humana e espiritual”, disse o Papa. Ele ressaltou que, mesmo sendo exaltadas do ponto de vista simbólico – com homenagens e poesias, por exemplo –, muitas vezes, as mães são pouco ouvidas na vida cotidiana e têm o seu importante papel na sociedade pouco considerado.

As mães são um forte antídoto contra o individualismo, disse o Papa, uma vez que se dividem a partir do momento em que dão lugar a um filho. Ele disse que as mães têm sim problemas com os filhos – é uma espécie de martírio materno –, mas continuam felizes e sofrem quando algo de ruim acontece com eles. Ele pensou, por exemplo, na dor das mães que recebem a notícia de que seus filhos morreram em defesa da pátria.

“Ser mãe não significa somente dar à luz um filho, mas é uma escolha de vida. A escolha de vida de uma mãe é a escolha de dar a vida, e isso é grande, é belo. Uma sociedade sem mãe é uma sociedade desumana, porque elas sabem testemunhar sempre a ternura, a dedicação, a força moral”.

O Papa mencionou ainda a importância das mães na transmissão do sentido mais profundo da prática religiosa, ensinando aos filhos as primeiras orações, os primeiros gestos de oração. Para Francisco, a fé perderia boa parte de seu calor sem as mães.

“E a Igreja é mãe com tudo isso. Não somos órfãos, temos uma mãe. Nossa Senhora, a Igreja, e nossa mãe”, concluiu o Papa, deixando seu agradecimento a todas as mães presentes.

 

CATEQUESE

Queridos irmãos e irmãs, bom dia. Hoje continuamos com as catequeses sobre Igreja e faremos uma reflexão sobre Igreja mãe. A Igreja é mãe. A nossa Santa mãe Igreja.

Nestes dias, a liturgia da Igreja colocou diante dos nossos olhos o ícone da Virgem Maria Mãe de Deus. O primeiro dia do ano é a festa da Mãe de Deus, à qual segue a Epifania, com a recordação da visita dos Magos. Escreve o evangelista Mateus: “Entrando na casa, acharam o menino com Maria, sua mãe. Prostrando-se diante dele, o adoraram” (Mt 2, 11).  É a Mãe que, depois de tê-lo gerado, apresenta o Filho ao mundo. Ela nos dá Jesus, ela nos mostra Jesus, ela nos faz ver Jesus.

Continuamos com as catequeses sobre família e na família há a mãe. Cada pessoa humana deve a vida a uma mãe e quase sempre deve a ela muito da própria existência sucessiva, da formação humana e espiritual. A mãe, porém, mesmo sendo muito exaltada do ponto de vista simbólico – tantas poesias, tantas coisas belas se dizem poeticamente da mãe – é pouco escutada e pouco ajudada na vida cotidiana, pouco considerada no seu papel central da sociedade. Antes, muitas vezes se aproveita da disponibilidade das mães a sacrificar-se pelos filhos para “economizar” nas despesas sociais.

Acontece que, mesmo na comunidade cristã, a mãe nem sempre é valorizada, é pouco ouvida. No entanto, no centro da vida da Igreja está a Mãe de Jesus. Talvez as mães, prontas a tantos sacrifícios pelos próprios filhos, e não raro também por aqueles de outros, deveriam encontrar mais escuta. Precisaria compreender mais a luta cotidiana delas para serem eficientes no trabalho e atentas e afetuosas na família; precisaria entender melhor o que elas aspiram para exprimir os frutos melhores e autênticos da sua emancipação. Uma mãe com os filhos sempre tem problemas, sempre trabalho. Em me lembro de casa, éramos cinco filhos e enquanto um fazia uma coisa outro fazia outra, o outro pensava em fazer outra e a pobre mãe ia de um lado a outro, mas era feliz, Deu tanto a nós.

As mães são o antídoto mais forte para a propagação do individualismo egoísta. “Indivíduo” quer dizer “que não se pode dividir”. As mães, em vez disso, se “dividem” a partir de quando hospedam um filho para dá-lo ao mundo e fazê-lo crescer. São essas, as mães, a odiar mais a guerra, que mata os seus filhos. Tantas vezes pensei naquelas mães quando recebem a carta: “Digo-lhe que o seu filho morreu em defesa da pátria…”. Pobres mulheres! Como uma mãe sofre! São essas a testemunhar a beleza da vida. O arcebispo Oscar Arnulfo Romero dizia que as mães vivem um “martírio materno”. Na homilia pelo funeral de um padre assassinato pelos esquadrões da morte, ele disse, repetindo o Concílio Vaticano II: “Todos devemos estar dispostos a morrer pela nossa fé, mesmo se o Senhor não nos concede esta honra… Dar a vida não significa somente ser morto; dar a vida, ter espírito de martírio, é dar no dever, no silêncio, na oração, no cumprimento honesto do dever; naquele silêncio da vida cotidiana; dar a vida pouco a pouco? Sim, como a dá uma mãe que, sem temor, com a simplicidade do martírio materno, concebe no seu seio um filho, dá à luz a ele,  amamenta-o, fá-lo crescer e cuida dele com carinho. É dar a vida. É martírio”. Termino aqui a citação. Sim, ser mãe não significa somente colocar no mundo um filho, mas é também uma escolha de vida. O que escolhe uma mãe, qual é a escolha de vida de uma mãe? A escolha de vida de uma mãe é a escolha de dar a vida. E isto é grande, isto é belo.

Uma sociedade sem mães seria uma sociedade desumana, porque as mães sabem testemunhar sempre, mesmo nos piores momentos, a ternura, a dedicação, a força moral. As mães transmitem, muitas vezes, também o sentido mais profundo da prática religiosa: nas primeiras orações, nos primeiros gestos de devoção que uma criança aprende, é inscrito no valor da fé na vida de um ser humano. É uma mensagem que as mães que acreditam sabem transmitir sem tantas explicações: estas chegarão depois, mas a semente da fé está naqueles primeiros, preciosíssimos momentos. Sem as mães, não somente não haveria novos fiéis, mas a fé perderia boa parte do seu calor simples e profundo. E a Igreja é mãe, com tudo isso, é nossa mãe! Nós não somos órfãos, temos uma mãe! Nossa Senhora, a mãe Igreja e a nossa mãe. Não somos órfãos, somos filhos da Igreja, somos filhos de Nossa Senhora e somos filhos das nossas mães.

Queridas mães, obrigado, obrigado por aquilo que vocês são na família e por aquilo que dão à Igreja e ao mundo. E a ti, amada Igreja, obrigado por ser mãe. E a ti, Maria, mãe de Deus, obrigado por fazer-nos ver Jesus. E obrigado a todas as mães aqui presentes: saudamos vocês com um aplauso!

Sexualidade, linguagem do amor

A pessoa humana se realiza no relacionamento responsável

Na sexualidade se acham implicadas todas as dimensões do ser humano. Conhecer a pessoa humana em sua globalidade é definir também a sua sexualidade dentro de uma antropologia cristã. A moral cristã busca, a partir de uma antropologia cristã, conhecer e aprofundar-se no que diz respeito à sexualidade, com o objetivo de apresentar uma proposta de comportamento humano de acordo com a exigência de sua vocação humana (o chamado de Deus para viver a sexualidade conforme os valores do Reino de Deus, dentro do amor conjugal) que seja integrado, humano e humanizador.

O critério da integração autêntica de todo o sexual e, portanto, da vida sexual verdadeiramente humana, é o amor conjugal, na medida em que a sexualidade é mediação configuradora desse amor.

O amor conjugal refere-se a algo já preestabelecido, pois fundamentalmente o homem está destinado à mulher e a mulher ao homem. São seres que se complementam. A sexualidade é a inscrição, na própria carne e em todo o ser, de que os indivíduos não foram feitos para viverem isolados. É a expressão da linguagem de amor mútuo, por isso mesmo não pode ser considerada simplesmente um instinto fisiológico.

A pessoa humana se realiza no relacionamento responsável e de amor. Por ser um modo de aproximação do outro, ela pode ajudar a promover o desenvolvimento da personalidade ou bloqueá-lo. Pode, portanto, em alguns casos, criar conflitos em vez de aproximação.

A felicidade é um objeto constantemente buscado pelo homem. Não importa o que faça, todas as suas ações estão destinadas ao encontro da felicidade. Para que isso se realize de fato, o homem precisa enfrentar o desafio de educar a sua própria sexualidade, encontrar um modo de domínio sobre ela.

A plenitude pessoal alcançada pela sexualidade só pode acontecer na vida matrimonial, pois a sexualidade é a expressão do nosso modo de amar. Por ser algo de tão grande valor e dignidade, a sua desintegração (a sexualidade quando não é uma resposta ao chamado de Deus, voltada para a prostituição, estupro, pedofilia) pode ser destruidora.

Padre Mário Marcelo Coelho, scj
(Extraído do livro “Sexualidade, o que os jovens sabem e pensam…”)

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